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Numero do processo: 13135.000154/2007-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006
OMISSÃO. DECADÊNCIA PARCIAL. TOTALIDADE DA FOLHA DE SALÁRIOS.
De acordo com a Súmula Vinculante n° 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência.
Havendo pagamento antecipado, ainda que sobre a totalidade da folha de salários, aplica-se o prazo qüinqüenal previsto no artigo 150, § 4º da Lei nº 5.172, de
25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional.Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006.
Numero da decisão: 2301-003.253
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) negar provimento aos embargos, mantendo-se a aplicação da regra decadencial expressa no Art. 150 do CTN, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em aplicar a regra decadencial expressa no Art. 173 do CTN.
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006 OMISSÃO. DECADÊNCIA PARCIAL. TOTALIDADE DA FOLHA DE SALÁRIOS. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência. Havendo pagamento antecipado, ainda que sobre a totalidade da folha de salários, aplica-se o prazo qüinqüenal previsto no artigo 150, § 4º da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional.Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006.
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DECADÊNCIA PARCIAL. TOTALIDADE DA FOLHA DE SALÁRIOS. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência. Havendo pagamento antecipado, ainda que sobre a totalidade da folha de salários, aplicase o prazo qüinqüenal previsto no artigo 150, § 4º da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional.Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) negar provimento aos embargos, mantendose a aplicação da regra decadencial expressa no Art. 150 do CTN, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em aplicar a regra decadencial expressa no Art. 173 do CTN. Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 13 5. 00 01 54 /2 00 7- 01 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/04 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Relatório Tratamse de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão de fl 205 a 208 assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006 DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência. Havendo pagamento antecipado do tributo exigido no lançamento, aplicase o prazo qüinqüenal previsto no artigo 150, § 4º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A empresa é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias a seu cargo, no percentual de 15%, sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço de cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, de conformidade com o artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91. Sustenta a embargante incidir o acórdão embargado em equívoco, traduzido em omissão, no que diz respeito à análise do DAD, uma vez que nas competências consideradas decaídas nos termos do artigo 150, § 4º do CTN, não houve apropriação de pagamento pela fiscalização Os embargos de declaração restaram admitidos pelo Despacho de nº 2301 168. É o relatório. Voto Fl. 236DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/04 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 13135.000154/200701 Acórdão n.º 2301003.253 S2C3T1 Fl. 218 3 Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso reúne as condições de admissibilidade e dele conheço. De acordo com o artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, são cabíveis embargos de declaração contra acórdão que contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos ou omissão sobre ponto sobre o qual a Turma deveria ter se manifestado. Os embargos, portanto, servem para suprimir eventuais vícios que tenha incidido a decisão, de modo a clarificar a prestação jurisdicional administrativa. Se, por um lado, objetivam esclarecer ou completar o julgado, não podem os embargos alterálo. Isto, porque, há recurso próprio para a parte manifestar seu inconformismo e buscar a alteração da decisão. No âmbito desse Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é o recurso especial, fundamentado nos artigos 67 e seguintes do Regimento Interno No caso concreto foi adotado o artigo 150, § 4º do CTN para a contagem do prazo decadencial quinquenal, haja vista o fato de constar no relatório fiscal de que teria havido apropriações de pagamentos efetuados pelo sujeito passivo, conforme abaixo transcrito: “4.1 — Os valores dos créditos previdenciários objeto do presente documento são resultantes do cotejo entre os valores totais das contribuições devidas (apuradas pela fiscalização com base nos documentos examinados relacionados no item 3 acima — e de acordo com a legislação vigente à data dos fatos geradores) e os recolhimentos realizados pelo contribuinte e/ou débitos previdenciários reconhecidos e parcelados pelo contribuinte. 4.2 — Foram, portanto, deduzidos das contribuições totais devidas apuradas pela fiscalização os valores constantes das Guias de Recolhimento da Previdência Social — GPS. Este procedimento se encontra indicado no Discriminativo Analítico do Débito — DAD, em anexo. Todos os recolhimentos considerados encontramse discriminados no Relatório de Documentos Apresentados RDA, em anexo. 4.3 — Foram deduzidas, ainda, das contribuições totais devidas, as importâncias pagas a título de Salário Família e constantes das Folhas de Pagamento e das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP. Tais valores encontramse discriminados no Relatório de Lançamentos — RL, em anexo.” A meu ver, ainda que não tenha havido a correspondente apropriação na exata competência em que fora proclamada a decadência, penso que continua a incidir o prazo previsto no artigo 150, § 4º do CTN, haja vista que deve ser considerada a totalidade da folha de salários, como vem decidindo a Câmara Superior de Recursos Fiscais: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2006 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS É de cinco anos o Fl. 237DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/04 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 prazo para a Fazenda Nacional constituir crédito relativo a contribuição previdenciária. Confirmado o pagamento antecipado, ainda que se trate de recolhimento genérico, relativo a valores consolidados na folha de pagamento elaborada pelo sujeito passivo, o prazo se inicia na data do fato gerador, na forma definida pelo art. 150, § 4º, do CTN. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDA E BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Recurso especial provido em parte.” (Acórdão nº 9202002.436, Relatora Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo) Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER os embargos de declaração e, no mérito, NEGARLHES PROVIMENTO. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 238DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/04 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.725143/2010-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/01/2007, 28/02/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007
Ementa:
NULIDADE.
As arguições de nulidade só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para a sua ocorrência, e não há que se falar em nulidade quando a exigência fiscal sustenta-se em processo instruído com todas as peças indispensáveis, contendo o lançamento descrição dos fatos suficiente para o conhecimento da infração cometida e não se vislumbra nos autos que o sujeito passivo tenha sido tolhido no direito que a lei lhe confere para se defender.
CIÊNCIA POR VIA POSTAL. NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL. DESCABIMENTO.
Na hipótese de ciência do Termo de Início de Fiscalização por via postal, basta, unicamente, a prova de seu recebimento no domicílio tributário eleito pela pessoa jurídica, não exigindo a lei que o recebedor seja representante legal, sócio ou empregado da empresa.
COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO.
Apurada a falta de recolhimento da Cofins, é devida sua cobrança, com os encargos legais correspondentes.
PIS. FALTA DE RECOLHIMENTO.
Apurada a falta de recolhimento da contribuição para o PIS, é devida sua cobrança, com os encargos legais correspondentes.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PARCELAMENTO.
O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo, e assim a apresentação de declaração retificadora ou de pedido de parcelamento do débito lançado, após iniciada a fiscalização, não caracteriza denúncia espontânea nem torna improcedente a lavratura do Auto de Infração com a exigência da multa de ofício.
RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO
Numero da decisão: 3101-001.294
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Leonardo Mussi da Silva, Luiz Roberto Domingo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/01/2007, 28/02/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 Ementa: NULIDADE. As arguições de nulidade só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para a sua ocorrência, e não há que se falar em nulidade quando a exigência fiscal sustenta-se em processo instruído com todas as peças indispensáveis, contendo o lançamento descrição dos fatos suficiente para o conhecimento da infração cometida e não se vislumbra nos autos que o sujeito passivo tenha sido tolhido no direito que a lei lhe confere para se defender. CIÊNCIA POR VIA POSTAL. NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL. DESCABIMENTO. Na hipótese de ciência do Termo de Início de Fiscalização por via postal, basta, unicamente, a prova de seu recebimento no domicílio tributário eleito pela pessoa jurídica, não exigindo a lei que o recebedor seja representante legal, sócio ou empregado da empresa. COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO. Apurada a falta de recolhimento da Cofins, é devida sua cobrança, com os encargos legais correspondentes. PIS. FALTA DE RECOLHIMENTO. Apurada a falta de recolhimento da contribuição para o PIS, é devida sua cobrança, com os encargos legais correspondentes. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PARCELAMENTO. O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo, e assim a apresentação de declaração retificadora ou de pedido de parcelamento do débito lançado, após iniciada a fiscalização, não caracteriza denúncia espontânea nem torna improcedente a lavratura do Auto de Infração com a exigência da multa de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Leonardo Mussi da Silva, Luiz Roberto Domingo e Rodrigo Mineiro Fernandes. .
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2211; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 3 1 2 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.725143/201088 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3101001.294 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de novembro de 2012 Matéria PIS/COFINS FALTA DE RECOLHIMENTO Recorrente COCO DOCE MODA PRAIA LTDA ME Recorrida DRJ SALVADOR/BA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2007, 28/02/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 Ementa: NULIDADE. As arguições de nulidade só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para a sua ocorrência, e não há que se falar em nulidade quando a exigência fiscal sustentase em processo instruído com todas as peças indispensáveis, contendo o lançamento descrição dos fatos suficiente para o conhecimento da infração cometida e não se vislumbra nos autos que o sujeito passivo tenha sido tolhido no direito que a lei lhe confere para se defender. CIÊNCIA POR VIA POSTAL. NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL. DESCABIMENTO. Na hipótese de ciência do Termo de Início de Fiscalização por via postal, basta, unicamente, a prova de seu recebimento no domicílio tributário eleito pela pessoa jurídica, não exigindo a lei que o recebedor seja representante legal, sócio ou empregado da empresa. COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO. Apurada a falta de recolhimento da Cofins, é devida sua cobrança, com os encargos legais correspondentes. PIS. FALTA DE RECOLHIMENTO. Apurada a falta de recolhimento da contribuição para o PIS, é devida sua cobrança, com os encargos legais correspondentes. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PARCELAMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 51 43 /2 01 0- 88 Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 27 /02/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10580.725143/201088 Acórdão n.º 3101001.294 S3C1T1 Fl. 4 2 O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo, e assim a apresentação de declaração retificadora ou de pedido de parcelamento do débito lançado, após iniciada a fiscalização, não caracteriza denúncia espontânea nem torna improcedente a lavratura do Auto de Infração com a exigência da multa de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Leonardo Mussi da Silva, Luiz Roberto Domingo e Rodrigo Mineiro Fernandes. . Relatório Por bem relatar, adotase o Relatório de fls.1069 a 1071 dos autos emanados da decisão DRJ/SDR, por meio do voto do relator Orlando Santiago da Costa Jr., nos seguintes termos: “Trata o presente processo de Autos de Infração lavrados contra a contribuinte acima identificada, que pretendem a cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS relativas aos períodos de apuração de janeiro, fevereiro e junho a dezembro de 2007. A autuante informa no Relatório Fiscal que as bases de cálculo das contribuições foram apuradas a partir das notas fiscais de saída, uma vez que a contribuinte não apresentou escrita contábil nem livro Caixa e declarou na “Declaração e Apuração Mensal do ICMS – DMA” entregue ao Fisco do estado da Bahia receitas no valor de R$4.110.348,00, coerentes com os lançamentos efetuados no Livro de Registro de Apuração do ICMS, mas muito superiores àquelas declaradas ao Fisco Federal na DIPJ/2008, no valor de R$880.033,78, e na DCTF enviada em 22/06/2009. Em 24/11/2009, segundo a autuante, a contribuinte retificou a DCTF relativa ao 2º semestre de 2007 aumentando os débitos declarados, mas que não foi considerada pela fiscalização por ter sido apresentada após o início da ação fiscal. Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 27 /02/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10580.725143/201088 Acórdão n.º 3101001.294 S3C1T1 Fl. 5 3 Na planilha denominada “Valores a lançar de ofício do PIS/PASEP e da Cofins” estão informados os valores devidos – cujas bases de cálculo constam da planilha “Vendas de Mercadorias conforme Notas Fiscais Entregues Base do PIS e da COFINS” – em confronto com os débitos declarados nas DCTF apresentadas antes do início da ação fiscal, e os valores a lançar de ofício. Por fim, informa a autuante que foi aplicada a multa de ofício no percentual de 150% por restar caracterizado o evidente intuito de fraude, uma vez que a contribuinte sistematicamente declarou ao Fisco Estadual valores muito superiores aos declarados à RFB, tendo sido formalizada Representação Fiscal para Fins Penais. Cientificada da exigência fiscal em 08/06/2010 (fl. 769), a autuada apresenta em 06/07/2010 impugnação (fls. 789/797), sendo essas as suas razões de defesa, em síntese: 1. Preliminarmente, os Autos de Infração são flagrantemente nulos por cerceamento do direito de defesa, em razão da inadequada fundamentação dos lançamentos e da ausência de suficiente descrição dos fatos apurados para o enquadramento das supostas infrações; 2. O Aviso de Recebimento cientificando o início da ação fiscal em 27/10/2009 foi assinado por pessoa que não faz parte do quadro da empresa, e não chegou ao conhecimento dos seus sócios ou representantes legais, o que também acarreta a nulidade dos lançamentos; 3. Em virtude do novo REFIS instituído pela Lei nº 11.941, de 2009, a autuada levantou todos os tributos federais abrangidos pela referida lei, inclusive o exercício de 2007, e percebendo algumas divergências, apresentou DCTF retificadora, improcedendo, assim, a alegação da auditora quanto à sua nulidade, visto que se trata de declaração válida e aceita pelos sistemas da RFB, pois apresentada antes do prazo final do REFIS, 30/11/2009, previsto em lei; 4. Espontaneamente, retificou a DCTF para fins do REFIS antes dos sócios ou representantes legais da empresa terem conhecimento do início formal da ação fiscal, ficando clara a exclusão da responsabilidade por infrações tributárias em face da denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional – CTN; 5. O contribuinte que promove a denúncia espontânea deve ser beneficiado com a exclusão de qualquer penalidade, seja ela decorrente do descumprimento da obrigação principal ou acessória, e como multa é punição pecuniária, independentemente da forma de pagamento deve ser excluída a partir da denúncia espontânea, uma vez que a compensação pelo atraso se verifica com os juros e a correção monetária; 6. Estando declarado ou lançado o débito, e tendo sido iniciada a fiscalização, os efeitos da denúncia espontânea se estendem até o vigésimo dia após a data da ciência do termo de início de fiscalização; 7. Além de a DCTF ter sido retificada antes do conhecimento pelos sócios do início formal da ação fiscal, mesmo estando à empresa sob ação fiscal, a Lei 11.941, de 2009, prevê a inclusão no parcelamento dos créditos vencidos até 30/11/2008, constituídos ou não; 8. Por fim, as multas aplicadas são abusivas e confiscatórias, pois pelo Princípio Constitucional da retroatividade para beneficiar o réu, a multa seria bem inferior àquela utilizada pela auditora.” A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 1524.973 de fls. 1068 e 1069 traz a seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2007, 28/02/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 NULIDADE. Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 27 /02/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10580.725143/201088 Acórdão n.º 3101001.294 S3C1T1 Fl. 6 4 As arguições de nulidade só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para a sua ocorrência, e não há que se falar em nulidade quando a exigência fiscal sustentase em processo instruído com todas as peças indispensáveis, contendo o lançamento descrição dos fatos suficiente para o conhecimento da infração cometida e não se vislumbra nos autos que o sujeito passivo tenha sido tolhido no direito que a lei lhe confere para se defender. CIÊNCIA POR VIA POSTAL. NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL. DESCABIMENTO. Na hipótese de ciência do Termo de Início de Fiscalização por via postal, basta, unicamente, a prova de seu recebimento no domicílio tributário eleito pela pessoa jurídica, não exigindo a lei que o recebedor seja representante legal, sócio ou empregado da empresa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2007, 28/02/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007. FALTA DE RECOLHIMENTO. Apurada a falta de recolhimento da Cofins, é devida sua cobrança, com os encargos legais correspondentes. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2007, 28/02/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007. FALTA DE RECOLHIMENTO. Apurada a falta de recolhimento da contribuição para o PIS, é devida sua cobrança, com os encargos legais correspondentes. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2007 INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PARCELAMENTO. O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo, e assim a apresentação de declaração retificadora ou de pedido de parcelamento do débito lançado, após iniciada a fiscalização, não caracteriza denúncia espontânea nem torna improcedente a lavratura do Auto de Infração com a exigência da multa de ofício. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Lançamento Procedente” Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho – CARF onde repetiu suas alegações apresentadas na sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 27 /02/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10580.725143/201088 Acórdão n.º 3101001.294 S3C1T1 Fl. 7 5 O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. O mesmo recurso é procrastinatório e, portanto, a decisão recorrida não merece reparos. Repetila é apenas para pouparme de mais argumentos para mantela, mas assim o faço, em sessão se necessário. Isto Posto, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, para manter a decisão recorrida. Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 27 /02/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 11610.007676/2003-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário:1995, 1997
Compensação. Cinco mais cinco. Lei Complementar nº 118/05.
O Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, em repercussão geral reconhecida no RE nº 561.9087/RS reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118cionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005.
Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados.
Em observância ao decidido pelo E. Supremo Tribunal Federal o recurso deve ser provido para determinar-se o retorno dos autos à instância de origem para apreciação da certeza e liquidez do crédito objeto de restituição, assim como de sua suficiência e legalidade da compensação pleiteada.
Numero da decisão: 1401-000.774
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, para afastar a decadência do direito de repetir o indébito e determinar a remessa dos autos para DRF ultrapassar essa prejudicial de decadência e avançar no mérito, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
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Cinco mais cinco. Lei Complementar nº 118/05. O Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, em repercussão geral reconhecida no RE nº 561.9087/RS reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118cionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Em observância ao decidido pelo E. Supremo Tribunal Federal o recurso deve ser provido para determinarse o retorno dos autos à instância de origem para apreciação da certeza e liquidez do crédito objeto de restituição, assim como de sua suficiência e legalidade da compensação pleiteada. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, para afastar a decadência do direito de repetir o indébito e determinar a remessa dos autos para DRF ultrapassar essa prejudicial de decadência e avançar no mérito, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro – Relator Fl. 132DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 23/05/201 2 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 11610.007676/200313 Acórdão n.º 140100.774 S1C4T1 Fl. 2 2 Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Alexandre Antônio Alkmin Teixeira, Antônio Bezerra Neto, Mauricio Pereira Faro e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Relatório Tratase de recurso interposto pelo contribuinte contra acórdão que julgou procedente em parte o auto de infração. Por bem resumir a questão ora examinada, adoto o relatório do órgão julgador a quo: Tratase o presente de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório proferido pela Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo que não homologou as compensações declaradas na inicial no valor total de R$ 914.875,33, em virtude da ocorrência do instituto da decadência do direito de uso do crédito informado. A requerente informa às fl. 02 que o crédito utilizado, tem como origem o saldo negativo de CSLL apurado no ano calendário de 1995 no montante de R$ 1.788.724,17, bem como o saldo negativo de IRPJ apurado no 1°, 2° e 3° trimestre do ano calendário de 1997 nos valores de R$ 63.950,61, R$ 49.659,36 e R$ 281.365,80. Cientificado da Decisão em 23/04/2008, o contribuinte apresentou em 23/05/2008, a Manifestação de Inconformidade de fls. 32 a 64, na qual, em apertada síntese, defende a tese de que o prazo de restituição de tributo pago a maior começaria a partir da data da sua homologação, isto é, em geral, dez anos contados da ocorrência do fato gerador. Analisando a questão, entendeu o órgão julgador a quo por indeferir a compensação pretendida, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1995, 1997 DCOMP VINCULADA A SALDO NEGATIVO DE IRPJ E CSLL. DECADÊNCIA. O direito de o contribuinte pleitear a compensação do saldo negativo de IRPJ e CSLL, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data de encerramento do período de apuração. Solicitação Indeferida Fl. 133DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 23/05/201 2 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 11610.007676/200313 Acórdão n.º 140100.774 S1C4T1 Fl. 3 3 Irresignado, interpôs o contribuinte o recurso ora analisado, reiterando os argumentos. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Maurício Pereira Faro O Superior Tribunal de Justiça, por reiteradas decisões firmadas pacificamente no âmbito de sua jurisprudência, fixou entendimento de que o prazo de restituição dos tributos pagos no âmbito do regime de lançamento por homologação deveria ser contado da data da homologação do pagamento, e não da data do pagamento. Esse entendimento, alcunhado de “tese dos cinco mais cinco”, deferia aos contribuintes que não tiveram o seu pagamento expressamente homologado pela autoridade fiscal, que postulassem a restituição de tributos em até cinco anos após a homologação tácita do pagamento, ou seja, passados cinco anos da ocorrência do fato gerador. Contrariamente a este entendimento, foi editada a Lei Complementar nº 118/05 que, a título interpretativo, previu que, nos casos de pedido de restituição, o prazo prescricional para postular a restituição deveria ser contado da data do pagamento; e não da data da homologação do pagamento. Surgiu, então, questionamento acerca da aplicação retroativa de referida lei, que foi julgada definitivamente pelo Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal no processo nº 566.621/RS, em repercussão geral reconhecida no RE nº 561.9087/RS, tendo ficado assentado o seguinte: 1) Para as ações e pedidos de repetição realizados antes da vigência da lei complementar nº 118/05 (considerado, aqui, a vacatio legis de 120 dias da sua publicação), o prazo prescricional para restituição de tributos deve ser contado da data da homologação do pagamento, nos termos da “tese dos cinco mais cinco”; 2) Para as ações e pedidos de restituição realizados após a vigência da lei complementar nº 118/05, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005, aplicase o prazo prescricional de cinco anos, contados do pagamento. Transcrevo a ementa do julgado do Excelso Pretório, in litteris: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS Fl. 134DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 23/05/201 2 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 11610.007676/200313 Acórdão n.º 140100.774 S1C4T1 Fl. 4 4 AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Referida decisão transitou em julgado no dia 27 de fevereiro de 2012. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 23/05/201 2 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 11610.007676/200313 Acórdão n.º 140100.774 S1C4T1 Fl. 5 5 No caso dos autos, o pedido de restituição postulado pelo Recorrente ocorreu antes da vigência da lei complementar nº 118/05, razão pela qual deve ser dado provimento ao recurso. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, determinandose o retorno dos autos à instância de origem para apreciação da certeza e liquidez do crédito objeto de restituição, assim como de sua suficiência e legalidade da compensação pleiteada. Assinado digitalmente Relator Maurício Pereira Faro Fl. 136DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 23/05/201 2 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO
score : 1.0
Numero do processo: 12267.000379/2008-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2000 a 31/10/2003
Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. ENTENDIMENTO DO STJ. ART. 150, PARÁGRAFO 4O DO CTN. DECADÊNCIA PARCIAL.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212 de 1991. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei nº 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN.
As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4º do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observar-se-á a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN.
No caso, houve pagamento antecipado, ainda que parcial, sobre as rubricas lançadas, Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização.
Numero da decisão: 2302-001.799
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria foi negado provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva que entendeu aplicar-se o art. 173, inciso I do CTN.
Nome do relator: MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2000 a 31/10/2003 Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. ENTENDIMENTO DO STJ. ART. 150, PARÁGRAFO 4O DO CTN. DECADÊNCIA PARCIAL. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212 de 1991. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei nº 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4º do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observar-se-á a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. No caso, houve pagamento antecipado, ainda que parcial, sobre as rubricas lançadas, Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização.
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Recorrente DRJ RIO DE JANEIRO RJ Interessado SERGEN SERV GERAIS DE ENGENHARIA SA Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2000 a 31/10/2003 Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. ENTENDIMENTO DO STJ. ART. 150, PARÁGRAFO 4O DO CTN. DECADÊNCIA PARCIAL. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. No caso, houve pagamento antecipado, ainda que parcial, sobre as rubricas lançadas, Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria foi negado provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva que entendeu aplicarse o art. 173, inciso I do CTN. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato e Manoel Coelho Arruda Júnior. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 12267.000379/200871 Acórdão n.º 230201.799 S2C3T2 Fl. 338 3 Relatório O presente lançamento compreende as contribuições devidas pela empresa, destinadas à Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e as de Terceiros (SalárioEducação, INCRA e SEBRAE,SENAC e SESI), incidentes sobre o total das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e aos segurados contribuintes individuais, conforme relatório fiscal às fls. 196 a 199. Não concordando com a constituição do crédito tributário, a autuada apresentou impugnação, fls. 211 a 218. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento analisou os argumentos de defesa e exarou a decisão de fls. 323 a 331, mantendo, em parte, o lançamento fiscal. Houve o reconhecimento parcial da homologação tácita na forma do art. 150, parágrafo 4º do CTN. Dessa decisão foi interposto recurso de ofício. A autuada não interpôs recurso voluntário no prazo normativo. É o relato suficiente. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator Não merece reparo a decisão de primeira instância. O STF, conforme entendimento sumulado – Súmula Vinculante de n º 8 –, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Dessa forma, não é mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, e devem ser observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional (CTN). As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim, devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo, então, o pagamento antecipado, observarseá a extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN (operase a homologação tácita). Entretanto, se não houver o pagamento antecipado, não se aplica o disposto no art. 156, inciso VII do CTN; devendo, assim, ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN; há, portanto, a necessidade de lançamento de ofício substitutivo, conforme previsto no art. 149, inciso V do CTN. Nessa hipótese, caso não ocorra o lançamento, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN (decadência). Destacase que, nas hipóteses de ocorrências de dolo, fraude ou simulação; não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Nesses casos, deve ser aplicado, necessariamente, o previsto no art. 173, inciso I, independentemente, de ter havido o pagamento antecipado. No presente caso, a própria Receita Federal reconheceu que houve pagamento antecipado. Dessa maneira, para essas rubricas deve ser observado o disposto no art. 150, parágrafo 4º do CTN. Considerando que o lançamento foi cientificado ao sujeito passivo em 17 de outubro de 2007, as competências anteriores a setembro de 2002, inclusive, foram extintas pela homologação tácita. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 12267.000379/200871 Acórdão n.º 230201.799 S2C3T2 Fl. 339 5 CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pela negativa de provimento ao recurso de ofício. É o voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 371DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11543.000507/2008-16
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
PENSÃO ALIMENTÍCIA. HOMOLOGAÇÃO JUDICIAL DE ACORDO. NORMAS DO DIREITO DE FAMÍLIA. ALCANCE.
A legislação de regência estabelece que as despesas dos alimentandos, quando arcadas pelo alimentante em decorrência de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, são dedutíveis no ajuste anual, em campo próprio, respeitando-se o limite anual individual. Cabe ao Poder Judiciário o controle legal quanto ao fato de o acordo estar ou não em consonância com as normas do direito de família.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-002.956
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida e Antonio de Pádua Athayde Magalhães que negavam provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente na data da formalização da decisão.(Ordem de Serviço n° 01, de 8 de março de 2013)
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 PENSÃO ALIMENTÍCIA. HOMOLOGAÇÃO JUDICIAL DE ACORDO. NORMAS DO DIREITO DE FAMÍLIA. ALCANCE. A legislação de regência estabelece que as despesas dos alimentandos, quando arcadas pelo alimentante em decorrência de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, são dedutíveis no ajuste anual, em campo próprio, respeitando-se o limite anual individual. Cabe ao Poder Judiciário o controle legal quanto ao fato de o acordo estar ou não em consonância com as normas do direito de família. Recurso Voluntário Provido.
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HOMOLOGAÇÃO JUDICIAL DE ACORDO. NORMAS DO DIREITO DE FAMÍLIA. ALCANCE. A legislação de regência estabelece que as despesas dos alimentandos, quando arcadas pelo alimentante em decorrência de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, são dedutíveis no ajuste anual, em campo próprio, respeitandose o limite anual individual. Cabe ao Poder Judiciário o controle legal quanto ao fato de o acordo estar ou não em consonância com as normas do direito de família. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida e Antonio de Pádua Athayde Magalhães que negavam provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente na data da formalização da decisão.(Ordem de Serviço n° 01, de 8 de março de 2013) Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 05 07 /2 00 8- 16 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11543.000507/200816 Acórdão n.º 2801002.956 S2TE01 Fl. 93 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 7ª Turma da DRJ/BSB (Fls. 60), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF (fls. 05/07), referente ao exercício 2006, anocalendário 2005, que lhe exige o recolhimento do crédito tributário conforme demonstrativo abaixo: Demonstrativo do Crédito Tributário (em RS) Imposto Suplementar (Sujeito à multa de ofício) 5.852,80 Multa de Ofício (75%) 4.389,60 Juros de Mora (calculados até o lançamento) 1.197„48 Imposto de Renda (sujeito à multa de mora) 77,22 Multa de Mora 15,44 Juros de Mora (calculados até o lançamento) 15,79 Total do crédito tributário apurado 11.548,33 O lançamento acima foi decorrente da seguinte infração: Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial glosa de dedução de pensão alimentícia judicial, pleiteada indevidamente pelo contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2006, ano calendário 2005. Valor: R$ 33.600,00. Motivo da glosa: Glosada Pensão alimentícia pois os beneficiários são maiores de 24 anos. Dedução indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte Glosa de Imposto de renda retido na fonte para R$ 81,30, do exercício 2006, ano calendário 2005, em virtude de dedução indevida a esse título.O contribuinte, intimado, não comprovou o recolhimento do imposto de renda retido na fonte. Os enquadramentos legais encontramse às fls. 06/verso dos autos. O contribuinte foi cientificado do Auto de Infração em 16/01/2008, conforme documento de fls. 42 Em 12 de Fevereiro de 2008, o contribuinte apresentou impugnação de fls.01/04, acompanhada dos documentos de fls. 09/40, afirmando que: Conforme decisão judicial anexada aos autos (fls. 09/16), foi determinado judicialmente o pagamento de pensão alimentícia à sua exesposa Janete de Fl. 93DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11543.000507/200816 Acórdão n.º 2801002.956 S2TE01 Fl. 94 3 Azevedo Rozindo, aos filhos Denise de Azevedo Rozindo e Daniel Azevedo Rozindo. Conforme comprovantes anexados aos autos (fls. 17/34) foi efetuado o pagamento anual de R$9.600,00 a Janete Carvalho de Azevedo, R$14.160,00 a Denize de Azevedo Rozindo e R$9.840,00 a Daniel de Azevedo Rozindo, perfazendo um total de R$33.600,00 pagos a título de pensão alimentícia.. Que a maioridade não exonera o impugnante do dever de prestar alimentos a que ficou judicialmente obrigado conforme decisões judiciais anexadas aos autos; Quanto ao imposto de renda retido na fonte , os documentos anexados aos autos (fls. 39/40) comprovam a retenção do imposto de renda; Passo adiante, a 7ª Turma da DRJ/BSB entendeu por bem julgar a impugnação procedente em parte, em decisão que restou assim ementada: DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA. FILHOS MAIORES DE 24 ANOS. Não há que se admitir a dedução a título de pensão alimentícia judicial, cujo pagamento foi realizado para filhos do contribuinte, os quais são maiores de 24 anos, quando não colacionada aos autos documentação hábil capaz de comprovar, no caso, a incapacidade dos filhos proverem a própria mantença e/ou a incapacidade deles, física ou mental, para o trabalho. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. COMPROVAÇÃO. Restabelecese a título de pensão alimentícia paga a exconjuge nos valores devidamente comprovados DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. Comprovado de forma hábil e idônea, restabelecese o valor informado a título de imposto de renda retido na fonte. Cientificado em 23/02/2011 (Fls. 73), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 23/03/2011 (fls. 74), reiterando os argumentos apresentados quando da impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Resta em litígio a glosa da dedução efetuada na base de cálculo do IRPF, no período fiscalizado, a título de Pensão Alimentícia Judicial, pagas aos dois filhos do recorrente. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11543.000507/200816 Acórdão n.º 2801002.956 S2TE01 Fl. 95 4 Entendeu a autoridade lançadora que, uma vez que os filhos tinham mais de 24 anos, a pensão em questão não atenderia às normas do direito de família e, portanto, estaria sendo paga por liberalidade do contribuinte, não podendo ser aceita para fins de dedução do imposto de renda devido. Insta frisar que as disposições acerca de pensão alimentícia, mais precisamente aquelas estabelecidas no Código Civil, art. 1694 a 1710, não condicionam a fixação de alimentos à idade dos alimentandos, a separação dos cônjuges e nem mesmo limita o dever de pagar alimentos a cônjuges e pais, estendendoo aos ascendentes, descendentes, irmãos, enfim, aos parentes, contemplando uma noção abrangente de família para tal propósito. Por lógico, estabelece condições para que os alimentos sejam fixados pelo juiz, tais como a necessidade de quem pede e à capacidade do reclamado em suportálos. Importante observar, ainda, que a Lei nº. 9,250, de 1995, ao cuidar da dedução a título de pensão alimentícia, apenas estabeleceu: Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão ou acordo judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais; III a quantia de R$ 117,00 (cento e dezessete reais) por dependente;(Redação dada pela Lei nº 11.119, de 25/05/2005) (...) Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...) II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; (...) § 3º As despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração, observado, no caso de despesas de educação, o limite previsto na alínea b do inciso II deste artigo.(grifos acrescidos) Fl. 95DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11543.000507/200816 Acórdão n.º 2801002.956 S2TE01 Fl. 96 5 Observase que a Lei cuidou de estabelecer que as despesas com instrução dos alimentandos, quando arcadas pelo alimentante em decorrência de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, são dedutíveis no ajuste anual, em campo próprio, respeitandose o limite anual individual correspondente. No mais, limitouse a determinar que estava tratando das pensões pagas em face das normas do Direito de Família e condicionar à existência de acordo homologado judicialmente ou decisão judicial. Portanto, no caso, deve ser considerada a existência de acordo homologado judicialmente estabelecendo a obrigação do contribuinte de pagar alimentos aos filhos, perfeitamente compatível com as normas do Direito de Família. Assim, temos que o entendimento do poder judiciário transitado em julgado deve ser acatado pela administração pública. A decisão da ação judicial é soberana devendo ser cumprida pela administração nos seus exatos termos, sob pena de afronta ao princípio da legalidade e da hierarquia das normas, bem como ofensa à moralidade administrativa. É imperativo que a administração pública acate as ordens judiciais e cumpra a norma individual e concreta emanada do Poder Judiciário; pois a este poder foi outorgada a competência para interpretar a lei e dirimir as lides instauradas. Impende salientar que toda decisão judicial transitada em julgado é norma individual e concreta de caráter compulsório para a administração pública. Aliás, pela sistemática constitucional, todo ato jurídico, inclusive o administrativo, está sujeito ao controle do Poder Judiciário, sendo este, em relação à esfera administrativa, instância superior e autônoma. Superior, porque tem competência para revisar, cassar, anular ou confirmar o ato administrativo; e autônoma, porque o contribuinte não está obrigado a recorrer, antes, às instâncias administrativas, para ingressar em juízo. Logo, deve ser restabelecido o valor de R$19.440,00 declarado a título de pensão alimentícia judicial para os dois filhos do recorrente. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 96DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11543.000507/200816 Acórdão n.º 2801002.956 S2TE01 Fl. 97 6 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 13882.000037/2002-71
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para Financiamento da Seguridade Social -COFINS. Período de Apuração: 01.05.1997 a 30.11.1997 Ementa: CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. CERTEZA. LIQUIDEZ. Ementa: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ORIGEM CERTEZA. LIQUIDEZ. Compensação de crédito independe de autorização, entretanto, deve ser certo e liquido, constatado por meio de diligência fiscal a certeza, a liquidez decorre do próprio procedimento fiscal, impõe reconhecer o crédito e homologar as compensações efetivadas até o limite dos créditos apurados.
Numero da decisão: 3403-001.477
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para que seja deduzido do crédito tributário o valor apurado na diligência.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS. Período de Apuração: 01.05.1997 a 30.11.1997 Ementa: CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. CERTEZA. LIQUIDEZ. Ementa: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ORIGEM CERTEZA. LIQUIDEZ. Compensação de crédito independe de autorização, entretanto, deve ser certo e liquido, constatado por meio de diligência fiscal a certeza, a liquidez decorre do próprio procedimento fiscal, impõe reconhecer o crédito e homologar as compensações efetivadas até o limite dos créditos apurados. Recurso Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para que seja deduzido do crédito tributário o valor apurado na diligência. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Liduina Maria Alves Macambira, Marcos Tranchesi Ortiz e Raquel Motta Brandão Minatel. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra a decisão de piso que manteve o crédito tributário constituído por meio de auto de infração para a COFINS relativo aos fatos geradores do período de apuração de 05/1997 a 11/1997. Os créditos foram utilizados para compensação dos débitos apurados no período de maio de 1997 a novembro de 1997 provenientes de pagamentos de FINSOCIAL efetuados à alíquota superior a de 0,5% (zero virgula cinco por cento), referentes aos períodos de 01.01.1988 a 30.09.1991 e de COFINS, período de 01.04.1992 a 31.10.1993. Quando do julgamento de piso foi excluída a multa de ofício em face do princípio da retroatividade benigna. Inconformado o contribuinte recorre a este Conselho, sustentando, que a compensação foi feita nos limites da lei e das normas editadas pela própria Secretaria da Receita Federal, bem como, da farta jurisprudência do Conselho de Contribuinte e do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Sustenta, também, que o entendimento quanto à prescrição manifestada pela autoridade julgadora de piso não pode prosperar, pois, a prescrição não é a prevista no art. 173 do CTN, portanto, o direito de pleitear restituição é de 10 (dez) anos, e, a tese de que a decadência ocorre no prazo de 05(cinco) anos sustentada pela DRJ/Campinas vai contra a posição já pacificada no Segundo Conselho de Contribuinte, e, consubstanciando o alegado traz à colação julgado da Terceira Câmara. Essa egrégia Turma conforme se extraí da Resolução nº 202.01.261, entendeu por bem transformar o julgamento em diligência para certificarse da efetividade na escrita fiscal e o registro da compensação na contabilidade, bem como auferir o quantum, e, se o crédito teria sido utilizado em pagamento de outros débitos. Vieram as informações de fls. 207/208, apontando saldo favorável a contribuinte no montante de R$ 9.970,75 (nove mil novecentos e setenta reais e setenta cinco centavos). O raciocínio traçado pela fiscalização encarregada de cumprir à diligência é de que, o crédito apontado pela recorrente em planilha importava em R$ 72.912,77 (setenta e dois mil, novecentos e doze reais e setenta e sete centavos), sendo que, R$ 62.941,50 (sessenta e dois mil e novecentos e quarenta um centavos e cinqüenta centavos) seriam oriundos dos depósitos judiciais referente ao período de 1992 a 1993, restando, assim, o saldo de R$ 9.970,75 (nove mil, novecentos e setenta reais e setenta cinco centavos), que seria insuficiente para compensar os débitos para COFINS do período de apuração de 05/1997 a 11/1997. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13882.000037/200271 Acórdão n.º 3403001.477 S3C4T3 Fl. 2 3 A recorrente instada a se manifestar, sustenta que o resultado não procede, em razão de que o entendimento da Administração é de que se extingue em cinco anos, contados da data do recolhimento, o direito do contribuinte pleitear a restituição ou efetivar a compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho Relator. O recurso é tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, em sendo assim, tomo conhecimento. O ponto nodal da controvérsia cingese em relação à liquidez dos créditos que a recorrente visa utilizar para extinguir os débitos do período de apuração lançados pela fiscalização. No entanto, antes de apreciar a matéria de fundo, impõe ultrapassar a questão preliminar em relação à decadência do direito do contribuinte em solicitar restituição ou efetivar a compensação no prazo superior a cinco anos e inferior a dez anos, em conformidade com o entendimento expressado pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. O entendimento desse relator, bem como, da Turma, é de que o prazo decadencial é de cinco anos contados da data do pagamento. Entretanto, com a recém decisão do Egrégio Supremo Tribunal Federal, que decidiu que até o advento da Lei complementar nº 118/2001, o prazo era de cinco anos acrescidos de mais cinco anos quando tratasse de tributo e contribuições por homologação, impõe acolher essa posição da jurisprudência, e, examinar o mérito. No mérito. Impõe reconhecer em pleno nascedouro que neste caderno processual administrativo não se discute a natureza e a origem do crédito, apenas o montante apontado pela recorrente e o valor encontrado pela diligência fiscal. A fiscalização não desprezou e tampouco considerou indevido o valor apontado pela contribuinte. Da operação aritmética efetuada, constatase que os valores totais dos depósitos judiciais convertidos em renda foram subtraídos do montante indicado pela recorrente, restando, pelo cálculo, o saldo de R$ 9.970,75 (nove mil, novecentos e setenta reais e setenta cinco centavos). Essa situação é factual, de modo que, a operação de subtração procedida pelo fisco tornou o total de crédito apontado como certo pela contribuinte, entretanto, insuficiente para extinguir os débitos apurados mês a mês, isto é, de maio de 1997 a novembro de 1997. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 Examinando as cópias dos livros contábeis acostadas, constatase dos registros relativos as compensações realizadas que o saldo em 31.10.1997 é da ordem de R$ 9.457,68 (nove mil e quatrocentos e cinqüenta sete reais e sessenta oito centavos). A discordância centra no valor de R$ 62.941,50 (sessenta e dois mil e novecentos e quarenta um centavos e cinqüenta centavos) subtraído do crédito apontado pela recorrente, que seria oriundo dos depósitos judiciais relativo ao período de 1992 a 1993. O raciocínio é de que, tendo esse valor sido transformado em renda, autoriza a concluir que tratou de extinção de obrigação, em sendo assim, não pode ser considerado pagamento indevido capaz de se transformar em indébito. A recorrente manteve silente quanto a esse fato, restringiu afirmar que o crédito o qual faz jus a ser restituído é o consignado na planilha por ela elaborada. O depósito do montante controvertido, judicial ou administrativo, é aquele exigido pelo Fisco, e, não aquele reconhecido pelo sujeito passivo da obrigação tributária. Para que surta os efeitos jurídicos visados pelo sujeito passivo, isto é, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, deve ser realizado de modo integral, o que significa ser suficiente para garantir o crédito, acautelando desse modo os interesses da Fazenda Pública. Esse entendimento encontra consolidado pela jurisprudência através da Súmula nº 112, vejamos: “Súmula nº 112 – O depósito somente suspende a exigibilidade do crédito tributário se for integral e em dinheiro”. É de conhecimento comum que o depósito com o objetivo de suspender a exigência do crédito tributário é feito sob o regime de indisponibilidade, que na via judicial, só é acessado com o trânsito da sentença em julgado, devolvido ao autor ou transformado em renda da Fazenda Pública. O depósito efetivado, judicial ou administrativo, realizado pelo sujeito passivo representa a garantia contra eventual resultado negativo da lide ou da decisão administrativa, podendo ser levantado a qualquer tempo pelo contribuinte, desde que, ainda, não tenha sentença. A jurisprudência reinante é de que o depósito configura em garantia e é uma faculdade do contribuinte, vejamos: “DEPÓSITO EM GARANTIA DO JUIZ. INTEGRALIDADE. LIBERAÇÃO”. O depósito de que trata o art. 151, II, do CTN, é uma faculdade que a lei oferece ao contribuinte. Assim, pode ser levantado a qualquer tempo. Desde que inexista sentença considerando improcedente a pretensão de não pagar o tributo e determinando, em conseqüência, a conversão do depósito em renda do titular do crédito em questão.” (TRF. 1ª T. Ag. 0502386. Rel. o Juiz Hugo de Brito Machado)”. Com essas considerações, tendo o contribuinte apurado o montante devido e o vinculado ao resultado da demanda mediante depósito, e, sendo certo que, o mesmo foi Fl. 231DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13882.000037/200271 Acórdão n.º 3403001.477 S3C4T3 Fl. 3 5 convertido em renda, e, por força do seu desígnio, implica em reconhecimento do montante do quantum devido a Fazenda Pública. Diante da informação do que os depósitos foram convertidos em renda, leva à certeza da improcedência do pedido, considerando que o depósito equivale ao pagamento da obrigação cujo intuito foi de afastar a exigibilidade e o eventual insucesso da demanda, implica reconhecer que os mesmos serviram para extinguir obrigação, portanto, não podem ser considerados pagamentos indevidos e assim não sendo, não representa credito passível de restituição e compensação de débitos. Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento parcial para que seja deduzido do crédito tributário o valor apontado pela diligência no montante de R$ 9.970,75 (nove mil, novecentos e setenta reais e setenta cinco centavos). É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 232DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.002122/2001-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1999
DECLARAÇÃO. RETIFICADORA. INEFICÁCIA.
A retificação da declaração de rendimentos somente poderá ser admitida se comprovado erro nela contido, e antes do início de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (art. 147, § 1°, do CTN).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-001.654
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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RETIFICADORA. INEFICÁCIA. A retificação da declaração de rendimentos somente poderá ser admitida se comprovado erro nela contido, e antes do início de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (art. 147, § 1°, do CTN). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiros Helenilson Cunha Pontes. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Relatório Em desfavor do contribuinte, LUIZ CARLOS AMADO SETTE, foi lavrado o Auto de Infração relativo ao IRPF/99 (fls.03 a 07). O lançamento originouse da omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas no valor de R$ 47.673,53 e do respectivo imposto retido na fonte no valor de R$ 309,22. O contribuinte, em sua impugnação, contesta o lançamento alegando em síntese que declarou as receitas mensais obtidas em seu consultório, proveniente de atendimentos a pessoas físicas no item rendimentos tributáveis recebidos de pessoas físicas. Porém, estas pessoas são conveniadas a empresas que só fornecem os valores dos pagamentos através de informes de rendimentos anuais. Por desconhecimento e acreditando estar atendendo e prestando serviços a pessoas físicas, declarou os rendimentos como recebidos de pessoas físicas, sem desejar omitir ou fraudar o fisco. A DRJ ao apreciar os argumentos do contribuinte, entendeu que o lançamento está correto, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 OMISSÃO DE RENDIMENTOS Restando comprovada nos autos a percepção, pelo interessado, de rendimentos considerados omitidos, a autoridade administrativa tem o poderdever de efetuar o lançamento de oficio. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeito, o interessado interpõe recurso reiterando fundamentalmente as mesmas razões da impugnação. Solicita o benefício da denúncia espontânea. O recorrente alega que junta documentos que comprovam por ocasião da constituição do crédito tributário, o mesmo já havia entregue a declaração retificada junto a Secretaria da Receita Federal, a declaração retificadora. É o relatório. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10880.002122/200115 Acórdão n.º 220201.654 S2C2T2 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. A discussão principal de mérito diz respeito a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. O recorrente almeja que a declaração retificadora seja aceita para fins de apuração do imposto. Devese registrar que a retificação da declaração de rendimentos somente poderá ser admitida se comprovado erro nela contido, e antes do início de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (art. 147, § 1°, do CTN). Não se trata aqui de discutir a denúncia espontânea, mas verificar se os supostos argumentos levantados pelo contribuinte podem ser demonstrados. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a excluir tributo, só é admissivel mediante comprovação do erro em que se funde. No caso concreto, como já apresentado pela autoridade recorrida, o contribuinte não logrou comprovar o que alega. Sobre a matéria assim se pronunciou a autoridade recorrida: Com o intuito de comprovar suas alegações, o interessado foi intimado a apresentar relatórios mensais de atendimentos pelas empresas de convênios demonstrando os valores recebidos referentes a cada paciente, de modo a se verificar se os rendimentos tributáveis recebidos de pessoas físicas declarados estão incluídos nos rendimentos tributáveis recebidos e informados pelas referidas empresas. Em resposta, o interessado apresentou os extratos de pagamentos efetuados pelo seguro Bradesco, pela Unimed, Amil, Sabesprev e os comprovantes anuais de rendimentos tributáveis pagos pelas mesmas fontes pagadoras (fls. 70 a 74), bem como elaborou uma planilha (fl. 61) demonstrando os recebimentos mensais das referidas fontes pagadoras e as diferenças apuradas entre os comprovantes de rendimentos e os valores informados na declaração de ajuste. Analisando a planilha de fl. 61 juntamente com a declaração de ajuste retificadora, que mostra os valores omitidos aceitos como recebidos de pessoas jurídicas, e a nota de esclarecimento fornecida pelo interessado de fl. 59, verificase que há divergência de valores entre a Dirf da Unimed (fl. 29), o informe (fl.70), que estão coincidentes (R$46.803,95) e o valor informado na declaração retificadora (fl. 08) do interessado (R$ 27.978,95), que representa o valor considerado pelo contribuinte. Na Nota de Esclarecimentos de fl. 59, o contribuinte informa que no tocante as receitas recebidas da Unimed de São Paulo, estas Fl. 200DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 são compostas por duas receitas distintas, uma recebida em consultório para atendimento dos cooperados e outra recebida fora do consultório em unidades da própria cooperativa. Esta última não poderia sofrer abatimentos do livro caixa, pois não foi recebida no consultório, razão do desmembramento da receita bruta da Unimed na declaração entregue em R$ 18.825,00 como recebido de pessoa jurídica e R$ 27.971,00 como recebido de pessoas físicas. Os documentos inseridos aos autos não são capazes de comprovar que os rendimentos informados como recebidos de pessoas físicas constituemse de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas. Temos apenas relatórios das empresas de convênios médicos com os nomes dos pacientes e valores, mas não consta dos autos os registros do consultório, dos pacientes atendidos, recebimentos e datas que deveriam estar registrados no livro caixa. Uma vez que não há provas robusta do que é alegado pelo recorrente, não há como acolher seus argumentos. É regra básica do sistema probatório a de que quem alega um fato deve proválo. No caso do recorrente, os fatos que lhe incumbe provar são que efetivamente teria ocorrido um erro no preenchimento da declaração. Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 201DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 13982.001508/2009-15
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Ano calendário:2005, 2006, 2007
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO DESCRIÇÃO
DOS FATOS.
Não há que se falar em falta de descrição dos fatos que deram origem ao lançamento se o Relatório de Ação Fiscal, parte integrante do Auto de Infração, descreve exaustivamente todos os fatos que culminaram na autuação nele sendo indicadas, detalhadamente, todas as providências adotadas na ação fiscal, com a elaboração de demonstrativos em que são enumeradas e quantificadas todas as ocorrências verificadas relacionadas às
situações que deram origem ao fato gerador da obrigação tributária.
EXCLUSÃO DO SIMPLES SERVIÇO DE CORRETAGEM ATIVIDADE VEDADA
A prestação de serviço de corretagem, configura atividade expressamente vedada para o Simples, conforme art. 9º, XIII, da Lei 9.317/1996.
PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO A LEGISLAÇÃO – EXCLUSÃO DE OFÍCIO.
A constatação de créditos bancários sem origem justificada caracteriza omissão de receita, por força de presunção legal, e se constitui em prática reiterada de infração à legislação tributária hipótese de exclusão do simples conforme consagrado no art. 14, inciso V, da Lei nº. 9.317/1996.
EXCLUSÃO DO SIMPLES RETROATIVIDADE
O ato declaratório de exclusão, fundamentado no inciso XII do art. 9º da Lei n° 9.317/1996, surtiu efeitos a partir do mês subsequente ao que incorrida a situação excludente, conforme art. 15, II, da mesma lei.
A exclusão desde a prática da atividade vedada é uma consequência direta da lei, não possuindo o ato administrativo de exclusão um efeito desconstitutivo de situação jurídica. Dada a sua natureza de ato declaratório, poderia/deveria ele “declarar” a existência da situação excludente. Tal declaração tem simplesmente o condão de caracterizar que desde aquela época pretérita a empresa não poderia estar enquadrada no Simples.
A repercussão desta declaração em relação ao pedido de restituição apresentado pela Contribuinte, por sua vez, deverá ser analisada no processo que trata especificamente daquele pedido.
MULTA QUALIFICADA. IRPJ.
Comprovado que o contribuinte omitiu integralmente suas receitas e as informações fiscais pertinentes ao Simples, durante períodos de apuração sucessivos, visando retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal pela autoridade fazendária, caracteriza se a figura da sonegação descrita no art. 71 da Lei nº 4.502/196, impondo se a
aplicação da multa de ofício qualificada, prevista no § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS — DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇA0
DE RENDA
A presunção legal de renda omitida com suporte na existência de depósitos e créditos bancários de origem não comprovada, nos termos do artigo 42 da Lei 9.430 de 1.996, é de caráter relativo e transfere o ônus probatório em contrário ao contribuinte. Contendo o processo conjunto probatório que evidencia descompasso entre os fatos que fundamentam a presunção aplicada e o correspondente acréscimo patrimonial novo a tributar, de tal forma que se torna impraticável a correção de oficio sem que haja a formalização de nova exigência com base em outros fundamentos jurídicos, deve ser afastada a imposição tributária.
Numero da decisão: 1802-001.210
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Ano calendário:2005, 2006, 2007 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO DESCRIÇÃO DOS FATOS. Não há que se falar em falta de descrição dos fatos que deram origem ao lançamento se o Relatório de Ação Fiscal, parte integrante do Auto de Infração, descreve exaustivamente todos os fatos que culminaram na autuação nele sendo indicadas, detalhadamente, todas as providências adotadas na ação fiscal, com a elaboração de demonstrativos em que são enumeradas e quantificadas todas as ocorrências verificadas relacionadas às situações que deram origem ao fato gerador da obrigação tributária. EXCLUSÃO DO SIMPLES SERVIÇO DE CORRETAGEM ATIVIDADE VEDADA A prestação de serviço de corretagem, configura atividade expressamente vedada para o Simples, conforme art. 9º, XIII, da Lei 9.317/1996. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO A LEGISLAÇÃO – EXCLUSÃO DE OFÍCIO. A constatação de créditos bancários sem origem justificada caracteriza omissão de receita, por força de presunção legal, e se constitui em prática reiterada de infração à legislação tributária hipótese de exclusão do simples conforme consagrado no art. 14, inciso V, da Lei nº. 9.317/1996. EXCLUSÃO DO SIMPLES RETROATIVIDADE O ato declaratório de exclusão, fundamentado no inciso XII do art. 9º da Lei n° 9.317/1996, surtiu efeitos a partir do mês subsequente ao que incorrida a situação excludente, conforme art. 15, II, da mesma lei. A exclusão desde a prática da atividade vedada é uma consequência direta da lei, não possuindo o ato administrativo de exclusão um efeito desconstitutivo de situação jurídica. Dada a sua natureza de ato declaratório, poderia/deveria ele “declarar” a existência da situação excludente. Tal declaração tem simplesmente o condão de caracterizar que desde aquela época pretérita a empresa não poderia estar enquadrada no Simples. A repercussão desta declaração em relação ao pedido de restituição apresentado pela Contribuinte, por sua vez, deverá ser analisada no processo que trata especificamente daquele pedido. MULTA QUALIFICADA. IRPJ. Comprovado que o contribuinte omitiu integralmente suas receitas e as informações fiscais pertinentes ao Simples, durante períodos de apuração sucessivos, visando retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal pela autoridade fazendária, caracteriza se a figura da sonegação descrita no art. 71 da Lei nº 4.502/196, impondo se a aplicação da multa de ofício qualificada, prevista no § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. OMISSÃO DE RENDIMENTOS — DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇA0 DE RENDA A presunção legal de renda omitida com suporte na existência de depósitos e créditos bancários de origem não comprovada, nos termos do artigo 42 da Lei 9.430 de 1.996, é de caráter relativo e transfere o ônus probatório em contrário ao contribuinte. Contendo o processo conjunto probatório que evidencia descompasso entre os fatos que fundamentam a presunção aplicada e o correspondente acréscimo patrimonial novo a tributar, de tal forma que se torna impraticável a correção de oficio sem que haja a formalização de nova exigência com base em outros fundamentos jurídicos, deve ser afastada a imposição tributária.
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Não há que se falar em falta de descrição dos fatos que deram origem ao lançamento se o Relatório de Ação Fiscal, parte integrante do Auto de Infração, descreve exaustivamente todos os fatos que culminaram na autuação nele sendo indicadas, detalhadamente, todas as providências adotadas na ação fiscal, com a elaboração de demonstrativos em que são enumeradas e quantificadas todas as ocorrências verificadas relacionadas às situações que deram origem ao fato gerador da obrigação tributária. EXCLUSÃO DO SIMPLES SERVIÇO DE CORRETAGEM ATIVIDADE VEDADA A prestação de serviço de corretagem, configura atividade expressamente vedada para o Simples, conforme art. 9º, XIII, da Lei 9.317/1996. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO A LEGISLAÇÃO – EXCLUSÃO DE OFÍCIO. A constatação de créditos bancários sem origem justificada caracteriza omissão de receita, por força de presunção legal, e se constitui em prática reiterada de infração à legislação tributária hipótese de exclusão do simples conforme consagrado no art. 14, inciso V, da Lei nº. 9.317/1996. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 24 /06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13982.001508/200915 Acórdão n.º 180201.210 S1TE02 Fl. 622 2 EXCLUSÃO DO SIMPLES RETROATIVIDADE O ato declaratório de exclusão, fundamentado no inciso XII do art. 9º da Lei n° 9.317/1996, surtiu efeitos a partir do mês subsequente ao que incorrida a situação excludente, conforme art. 15, II, da mesma lei. A exclusão desde a prática da atividade vedada é uma consequência direta da lei, não possuindo o ato administrativo de exclusão um efeito desconstitutivo de situação jurídica. Dada a sua natureza de ato declaratório, poderia/deveria ele “declarar” a existência da situação excludente. Tal declaração tem simplesmente o condão de caracterizar que desde aquela época pretérita a empresa não poderia estar enquadrada no Simples. A repercussão desta declaração em relação ao pedido de restituição apresentado pela Contribuinte, por sua vez, deverá ser analisada no processo que trata especificamente daquele pedido. MULTA QUALIFICADA. IRPJ. Comprovado que o contribuinte omitiu integralmente suas receitas e as informações fiscais pertinentes ao Simples, durante períodos de apuração sucessivos, visando retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal pela autoridade fazendária, caracteriza se a figura da sonegação descrita no art. 71 da Lei nº 4.502/196, impondo se a aplicação da multa de ofício qualificada, prevista no § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. OMISSÃO DE RENDIMENTOS — DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇA0 DE RENDA A presunção legal de renda omitida com suporte na existência de depósitos e créditos bancários de origem não comprovada, nos termos do artigo 42 da Lei 9.430 de 1.996, é de caráter relativo e transfere o ônus probatório em contrário ao contribuinte. Contendo o processo conjunto probatório que evidencia descompasso entre os fatos que fundamentam a presunção aplicada e o correspondente acréscimo patrimonial novo a tributar, de tal forma que se torna impraticável a correção de oficio sem que haja a formalização de nova exigência com base em outros fundamentos jurídicos, deve ser afastada a imposição tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Fl. 622DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 24 /06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13982.001508/200915 Acórdão n.º 180201.210 S1TE02 Fl. 623 3 (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Conselheiro. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 623DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 24 /06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13982.001508/200915 Acórdão n.º 180201.210 S1TE02 Fl. 624 4 Relatório Tratase de recurso interposto contra o Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis – SC (DRJFNS), que decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Para descrever os fatos, e, também, por economia processual, transcrevemos, a seguir, o relatório constante do Acórdão citado, verbis: “Trata o presente processo de impugnação ao Auto de Infração de fls. 105 a 124, que exige da interessada supra identificada, o recolhimento da importância de R$ 100.288,46 a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, apurado sob as regras do Lucro Arbitrado, anos calendário de 2005, 2006 e 2007, acrescida de multa de ofício de 150% e juros de mora. A Interessada foi excluída do SIMPLES, conforme consta na Representação Fiscal para Fins de Exclusão do SIMPLES, por meio do Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/JOA n° 07, de 17 de fevereiro de 2010 (fl.98), por força de atividade vedada e prática reiterada de infração à legislação tributária. Segundo consta na Descrição dos Fatos (fl.107) do lançamento de IRPJ, a exigência de imposto decorre do arbitramento de lucro correspondente aos anos calendário supra, nos seguintes termos: Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e termo(s) de intimação em anexo, [...] deixou declarando inatividade da empresa. Enquadramento Legal: Art. 530, inciso III, do RIR/99. Como base de cálculo do lucro arbitrado, a receita bruta conhecida, no caso representada por: (i) receita operacional (prestação de serviços) omitida, (ii) receita omitida por conta de depósitos bancários de origem não justificada, com base no art.42 da Lei n° 9.430/96 e (iii) receita operacional (revenda de mercadorias), conforme indicado no Auto de Infração e detalhado no Termo de Verificação e de Encerramento de Procedimento Fiscal Auto de Infração de IRPJ e Reflexos (fls.509 a 522), parte integrante do Auto. Em decorrência deste lançamento, foram ainda lavrados os Autos de Infração a título de Contribuição para o PIS/PASEP (fls. 125 a 144), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 145 a 163) e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS (fls. 164 a 182), nas importâncias de R$ 17.964,56, R$ 52.574,00 e de RS 82.914,11, Fl. 624DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 24 /06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13982.001508/200915 Acórdão n.º 180201.210 S1TE02 Fl. 625 5 respectivamente, acrescidas da multa de ofício de 150% e de juros de mora à época do pagamento. Como parte integrante dos Autos de Infração, encontrase às fls.509 a 522, o Termo de Verificação e de Encerramento de Procedimento Fiscal Auto de Infração de IRPJ e Reflexos, do qual a Interessada teve ciência e recebeu cópia (fl.522). De se reproduzir excertos do referido Termo: INTRÓITO Cumpre destacar que durante a ação fiscal foi elaborada competente Representação Fiscal para Fins de Exclusão do SIMPLES, conforme administrativo fiscal n° 13982.001508/200915, que culminou na contribuinte dessa sistemática com efeitos a partir de 01 de janeiro de 2005, por conta das situações fáticas ali relatadas. [...] A Fiscalização diante dessa exclusão do SIMPLES, e, ainda, contribuinte NÃO apresentar, apesar das intimações emitidas, os livros contábeis obrigatórios, tampouco os livros substitutivos Caixa e Registro de Inventário para o período fiscalizado, conhecendo a receita omitida pelo sujeito passivo, apurou o IRPJ e seus reflexos com base no lucro arbitrado (anos calendário 2005 a 2007), conforme relatos e indicações que seguem neste relatório fiscal. [...] 2. DOS PROCEDIMENTOS ADOTADOS PELA FISCALIZAÇÃO A fim de verificar a regular apuração das exações devidas pela empresa em epigrafe, esta foi intimada em 04/02/2009, pelo Termo de Início de Fiscalização (fls.186) a apresentar à fiscalização seus livros contábeis, bem como das contas correntes de depósito mantidas sob sua titularidade junto às instituições financeiras ali mencionadas, para os anos calendário de 2006 e 2007. [...] Em 06/03/2009, novo expediente foi apresentado à Fiscalização (fls.193), formalizando a entrega de extratos bancários ali indicados (2006 e 2007), bem como, declarando NÃO possuir Livros Contábeis, por entender que a empresa está INATIVA. Fl. 625DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 24 /06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13982.001508/200915 Acórdão n.º 180201.210 S1TE02 Fl. 626 6 Em 18/03/2009 foi emitido o Termo de Intimação Fiscal — TIF n. 001(fls. 231 a 234), solicitando a comprovação da origem dos recursos creditados bancárias ns. 120.9671 e 20303 agências ns. 03433 e 0584, respectivamente, junto ao Banco Bradesco S/A, conforme relação constante como Anexo I (fls. 232 a 234), e, ainda, intimouse o contribuinte a apresentar os extratos sua conta junto ao Banco Votorantim S/A. Em 25/03/2009, por expediente do contribuinte à Fiscalização (fls. 235 a 244), apresentouse um relatório intitulado "Relatório de Pagamentos Normais”, emitido pela Financeira BV, indicando inclusive as operações de financiamento em que os créditos foram efetivados em contas bancárias dos Srs. Jonas Alex Lunardi e Hugo Adolfo Lunardi, que emprestaram os seus nomes para esses créditos. Outros créditos de gestão da Audi Ltda. foram efetivados em contas diversas não indicadas / apresentadas. A Fiscalização emitiu em 26/03/2009 o Termo de Intimação Fiscal – TIF n. 002 (fls.245 a 248), reintimando o contribuinte a atender e apresentar o ali solicitado. [...] Em 27/03/2009 foi emitido o Termo de Intimação Fiscal TIF n. 003 (250 e 251), solicitando o contribuinte a preencher uma planilha ali anexada, a fim de se conhecer isoladamente, em cada operação agenciada pela Audi LTDA., os beneficiários (compra e venda), o custo e o valor de venda (com indicação da documentação fiscal de suporte), e por assim dizer, o lucro auferido operação. Em 06/04/2009 o contribuinte Audi Ltda. apresentou um expediente ás fls. 252 a 258, solicitando dilatação em 30 dias para o preenchimento da citada planilha, alegando NÂO possuir em seu poder tais informações, tendo sido requisitadas às Financeiras. Juntou na oportunidade 02 vias de uma mesma planilha contendo algumas poucas informações das operações intermediadas junto às financeiras FINASA e BV, sem, contudo, apresentar documentação de suporte. Ainda em 06/04/2009, outro documento foi apresentado pelo contribuinte (fls.259), destacando que diversas operações financeiras culminaram em depósitos promovidas em contas bancárias de titularidade dos Srs. Hugo Adolfo Lunardi e Jonas Alex Lunardi, entretanto, tais créditos ali foram depositados em decorrência de restrições bancárias do contribuinte Audi LTDA., visto que se fossem depositados em sua própria conta bancária (da Audi LTDA.) bloqueados por questões judiciais contra a Audi Ltda., assim, entendese serem créditos pertencentes à Audi Ltda.. Fl. 626DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 24 /06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13982.001508/200915 Acórdão n.º 180201.210 S1TE02 Fl. 627 7 Termo de Intimação Fiscal TIF n. 004 de 12/05/2009 (fls.260 e 261) foi emitido pela Fiscalização, solicitando livros contábeis e demais documentos, conforme ali listados. [...] Em 18/05/2009 a Fiscalização recebeu do contribuinte um documento intitulado "Termo de Protocolo e Requerimento" (fls.262 a 269) onde em resposta ao TIF n. 004, apresenta alguns documentos anteriormente intimados, declara que a empresa não possui os Livros Contábeis, pois que estava INATIVA, e por fim, requer que a Receita Federal diligencie junto às financeiras FINASA e PANAMERICANO a fim de obter os relatórios que o próprio contribuinte não obtém, o que demonstra, em tese, ausência de documentos suportes às operações comerciais da empresa, ou a intenção de não apresentálos ao Fisco. [...] Em 14/10/2009 a Fiscalização emitiu o TIF n. 007 (fls.273 a 282), solicitando manifestação do contribuinte quanto a natureza das operações Anexo I desse Termo, bem como outros documentos ali indicados. [...] A planilha constante do Anexo I desse TIF n. 007 traz importantes informações quanto a verificação e entendimento da Fiscalização de determinados depósitos identificados na conta bancária do Sr. Hueo Adolfo Lunardi (irmão do sócio administrador Sr. Maurício José Lunardi) serem de propriedade e gestão da Audi Ltda., corroborando com que o próprio contribuinte declarou ás fls. 259, em 06/04/2009. Em outras palavras, valores foram transitados na conta do Sr. Hugo Adolfo Lunardi, por operações comerciais realizadas pela empresa Audi Ltda., que estava impedida de usar a sua própria conta bancária em face risco de ver os valores bloqueados por determinações judiciais alheias a esta Fiscalização. Em 15/10/2009 o contribuinte se manifestou relativamente ao TIF n. 007, conforme expediente às fls.283, alegando que suas operações eram de viabilização de financiamentos, e para tanto recebia comissões de financeiras, como que tão somente uma prestação de serviços de agenciamento financiamentos. Em 03/11/2009 foi dada ciência em AR do TIF n. 008 (fls.284 a 287), [...] além de solicitar confirmação por parte do contribuinte Audi Ltda. Acerca de depósitos identificados em conta bancária do Sr. Jonas Alex Lunardi (sobrinho do sócio administrador Sr. Maurício José Lunardi) serem na verdade de gestão e propriedade da mesma, a exemplo do que ocorrera com o Sr. Hugo Adolfo Lunardi. [...] Fl. 627DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 24 /06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13982.001508/200915 Acórdão n.º 180201.210 S1TE02 Fl. 628 8 Em 13/11/2009, por expediente juntado às fls.289, o contribuinte prestou informação intimada pelo TIF n. 008, confirmando que a movimentação financeira dada em conta bancária do Sr. Jonas Alex Lunardi é de propriedade e gestão da Audi Ltda. Declaração semelhante em relação ao Sr. Hugo Adolfo Lunardi onde a empresa Audi Ltda. assume a gestão e propriedade dos recursos transitados na conta deste senhor, conforme planilha anexada, foi emitida pelo contribuinte em 05/10/2009 às fls.290 a 299. Em 19/11/2009 foi recebido pelo contribuinte com assinatura de AR, TIF n. 009 (fls.300 a 316) emitido pela Fiscalização, solicitando ao contribuinte comprovar documentalmente os custos dos veículos comercializados, conforme disponibilizado pelo Banco BV (fls.303 a 316), e em caso apenas de intermediação de negócios, que por vezes o contribuinte tem alegado tratarse "taxas de retorno", ou seja, venda de créditos e não de veículos (operação de consignação) apresentar os documentos suportes a essas operações. Neste ultimo caso, deixouse claro, no TIF n. 009 que a não apresentação de documentos hábeis, idôneos e com vinculação inequívoca, reputarseia como operações de vendas de veículos próprios, necessitando a comprovação dos custos, na falta desta, atribuir seia valor "ZERO". [...] Em 25/11/2009, o contribuinte apresentou expediente (fls.317) em resposta ao TIF n. 009, declarando que recebera comissões de Financeiras pela intermediação de créditos (operações de consignação encaminhamento/aprovação de financiamentos com Financeiras). [...] As fls.320 a 452 estão juntadas as cópias extraídas dos originais dos extratos bancários em nome do Sr. Hugo Adolfo Lunardi e Sr. Jonas Alex Lunardi, que são valores de propriedade e gestão da Audi Ltda., suportes ao lançamento deste crédito tributário, anos calendário de 2005 a 2007. Estes extratos foram disponibilizados pelo próprio contribuinte à Fiscalização durante a ação fiscal. As DSPJ — Declaração Simplificada da pessoa Jurídica — SIMPLES (fls. 453 a 483) foram em época própria, apresentadas da seguinte forma para os anos calendário: • 2004 ZERADA • 2005 INATIVA • 2006 ZERADA • 2007 ZERADA Fl. 628DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 24 /06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13982.001508/200915 Acórdão n.º 180201.210 S1TE02 Fl. 629 9 A fiscalização diante das verificações e análises dos documentos apresentados pelo contribuinte, pode encontrar as seguintes fontes de receitas, TODAS NÂO declaradas, tampouco contabilizadas, a saber: 1. ANEXO I Receitas decorrentes de pagamentos efetuados por outras pessoas jurídicas declaradas por estas (BV e FINASA), em Declaração Renda Retido na Fonte DIRF (fls.489); 2. ANEXO II Receitas Globais (soma dos Anexos III e IV) decorrentes de depósitos bancários em contas cujas titularidades eram do próprio contribuinte Audi Ltda., do Sr. Hugo Adolfo Lunardi e do Sr. Jonas Alex Lunardi, últimos emprestaram a conta para as operações em favor da Audi (fls. 490 a 497); 3. ANEXO III — Receitas decorrentes de depósitos bancários em contas bancárias de terceiros indicados pela Audi Ltda. (Hugo e Jonas Lunardi) e de titularidade própria, que após intimada a prestar esclarecimentos quanto a natureza, origem e destino das operações, NADA apresentou, restaram como de origem não Comprovada. Para facilitar a vinculação dos depósitos, fezse na coluna sequencial a indicação e correlação da itemização relativa ao Anexo II (receitas globais oriundas dos depósitos bancários) (fls.498 a 502); 4. ANEXO IV Receitas decorrentes de intermediação de compra e venda, consignações, que foram creditadas em contas bancárias de terceiros (Hugo e Jonas Lunardi) e de titularidade própria. Essas receitas, quanto à origem, sabese tratar dessas operações comerciais, entretanto, NÃO conhecemos os custos de aquisição, e, ainda, NAO foram contabilizadas e nem oferecidas à tributação (fls. 503 a 507). A Fiscalização elaborou a fim de destacar separadamente essas fontes de receitas, as planilhas mencionadas acima, numeradas em ANEXOS I a IV, conforme o caso, e por fim, fezse ainda, uma planilha denominada ANEXO V (fls. 508) que traz os totais mensais das receitas omitidas à Fazenda Federal, ou seja, uma consolidação dos ANEXOS I, III e IV (o ANEXO II já consolidação). [...] Analisando os extratos das contas correntes de depósito de titularidade do Sr. Hugo Adolfo Lunardi e do Sr. Jonas Alex Lunardi, ambos em empréstimo contribuinte em tela, conforme declaração deste (fls.289 e 290), constatase que as movimentações bancárias ali realizadas, de gestão e propriedade da Audi Ltda. foram mantidas à margem de sua escrituração regular, aliais, esta INEXISTENTE, o que em tese, vislumbrase a intenção do contribuinte em burlar o Fisco Federal pela omissão das receitas ali identificadas, razão principal autuação. Fl. 629DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 24 /06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13982.001508/200915 Acórdão n.º 180201.210 S1TE02 Fl. 630 10 A movimentação bancária não foi escriturada pelo contribuinte, uma porque foi realizada em conta de terceiros, outra, porque o próprio contribuinte declarase como Inativo, e sem os Livros Contábeis, frente a sua declaração inatividade. A ausência de justificativa por parte do contribuinte, mediante documentos hábeis e idôneos, acerca da origem dos recursos creditados nas (extratos às fls.194 a 230 e de 320 a 452), as quais, conforme já dito, eram mantidas à margem da sua escrituração regular, impõe a observância 42 da Lei n. 9.430/96, in verbis: [...] Três naturezas de infrações que decorrem de omissões de receitas identificadas pelo Fisco Federal, a saber: • 001 RECEITA OPERACIONAL OMITIDA (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS GERAIS (extração das DIRFs percentual presunção de 32%, em função do arbitramento acrescido de 20% para o IRPJ); • 002 RECEITAS DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA (percentual de presunção de 32%, em função do arbitramento acrescido de 20% para o IRPJ); • 003 RECEITAS OPERACIONAIS (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) REVENDA DE MERCADORIAS ORIGEM COMPROVADA (com custo de aquisição desconhecido percentual de presunção de 8%, em arbitramento acrescido de 20% para o IRPJ). DEMONSTRATIVO DE PERCENTUAIS APLICÁVEIS SOBRE A RECEITA BRUTA. [...] Assim, relativamente ao contribuinte Audi Lida., apuramos à luz da legislação aplicável, os seguintes percentuais de determinação da base de cálculo: • Receitas omitidas decorrentes da prestação de serviços a terceiros, conforme DIRFs — base de cálculo apurada com aplicação do percentual de 32%; • Receitas omitidas decorrentes de depósitos bancários com origem não comprovada — base de cálculo apurada com aplicação do percentual de 32%; • Receitas omitidas decorrentes da venda de veículos com custos não comprovados base de cálculo apurada com aplicação do percentual de 8%. [...] Fl. 630DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 24 /06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13982.001508/200915 Acórdão n.º 180201.210 S1TE02 Fl. 631 11 A aplicação do percentual de 8% devese ao fato de que, sabendo a Fiscalização que tais receitas são decorrentes da atividade do contribuinte (comércio de veículos usados), aplicar seia 32% sobre a diferença entre a entrada e a saída (venda e custo) dos veículos, contudo, na falta de prova documental inequívoca da determinação do custo de cada veículo, ou seja, custo NÃO comprovado, assumirseia custo "ZERO", e por assim dizer, haveria uma certa incoerência, a medida que a norma que existe para favorecer, acabaria por prejudicar o contribuinte, nessa hipótese. A Fiscalização promoveu uma análise em contribuintes (BV – Financeira e Banco FINASA S/A) que declararam a promoção de retenções de IR – Imposto de Renda, conforme respectivas Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRFs (fls.484 a 488), sobre os pagamentos realizados ao contribuinte Audi Ltda., por prestação deste, de serviços de agenciamentos financeiros, em que acabava por receber comissões pela prestação desses serviços. Os valores são aqueles constantes do Anexo I às fls.489. Destacase que o contribuinte, de 2004 a 2007, período compreendido pela ação fiscal, NÃO emitiu Notas Fiscais que dariam suportes a esses seja rendimentos, ou seja, de fato houve, em tese, a intenção em promover a omissão dessas receitas. [...] 4. DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO IRPJ [...] Nas receitas em que a Fiscalização, diante dos documentos apresentados pelo contribuinte, dos demais elementos e informações conhecidas, pôde determinar as parcelas oriundas das prestações de serviços de agenciamentos de créditos (DIRFs) e recursos decorrentes de operações comerciais diversas, cuja origem NÃO foram comprovadas, aplicouse no cálculo do IRPJ e seus reflexos o percentual de presunção de 32% (...), haja vista que, de acordo com seu contrato social (fls.266 a 268), a autuada exerce a atividade de "compra veículos usados ". [...] Relativamente às demais receitas em que NÃO foram comprovados os custos dos veículos ou NAO houve manifestação do contribuinte, muito embora o contribuinte ter o ramo de atividade destacado como "compra veículos usados", tais valores NAO há como afirmar os custos de aquisição dos veículos comercializados, e assumilos como "zero" seria equivocado, portanto, a Fiscalização entendeu e aplicou como regra geral, nesse caso, o percentual de 8% para apuração na determinação Fl. 631DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 24 /06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13982.001508/200915 Acórdão n.º 180201.210 S1TE02 Fl. 632 12 do IRPJ da base de cálculo a ser aplicada na determinação (...) e seus reflexos. [...] 6. DA MULTA DE OFÍCIO A multa de ofício considerada na presente autuação foi a de 150% para as infrações [...] haja vista a conduta adotada pelo contribuinte a qual teve por desiderato impedir o conhecimento por parte da administração tributária do total das exações devidas pela empresa em epígrafe, mediante as ações/omissões: a) NÃO escriturar em seus livros contábeis a totalidade das receitas auferidas, tampouco apresentálos à Fiscalização; b) Declarar a DSPJ (anos calendário de 2005 a 2007) ZERADA (fls.453 a 483); c) Manter à margem de sua escrituração regular a movimentação bancária em conta de Terceiros, conforme extratos bancários [...] Relevante notar que a conduta adotada pelo contribuinte se materializa por todo o período abrangido por esta autuação, e que, pela quantidade demonstra que não houve mero erro de fato. Neste sentido basta atentar ao fato de que as receitas consideradas como omitidas na presente autuação importaram em R$ 2.706.809,11 (Anexo V fls.508), tendo o contribuinte entregue as DSPJ, fls.453 a 482, ZERADAS. Por tudo o exposto, concluise que o autuado incorreu no disposto nos artigos 71 e 72 da Lei n. 4.502, de 30 de novembro de 1964, os quais definem a conduta de sonegação e fraude. [...] Cientificada das exigências fiscais, a interessada apresentou sua impugnação (fls.529 a 549), que a seguir se resume: da exclusão do Simples: que houve a representação para que a autoridade fiscal procedesse a exclusão do contribuinte do SIMPLES, a qual foi acatada, o que gerou a exclusão desde o exercício de 2005; que não há que se falar em exclusão do contribuinte do SIMPLES, eis que a atividade exercida pelo sujeito passivo não é incompatível com o rol elencado na legislação em vigor; ademais, como se verá a seguir, os valores que transitaram pela conta do sujeito passivo não pode ser considerado renda ou faturamento para quaisquer fins, motivo pelo qual não houve infração à legislação tributária; Fl. 632DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 24 /06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13982.001508/200915 Acórdão n.º 180201.210 S1TE02 Fl. 633 13 que no caso em tela, a exclusão foi feita de forma retroativa ao ano de 2005, o que não pode prevalecer, sob pena de ferimento do princípio constitucional da irretroatividade (transcreve ementa de decisão judicial neste sentido, fl.530); da nulidade parcial do auto de infração: que ao discorrer sobre os DEPÓSITOS BANCÁRIOS, o fisco não faz menção de ter excluído da referida movimentação os valores já tributados nas respectivas pessoas físicas (Hugo Adolfo Lunardi e Jonas Alex Lunardi); assim, a motivação do auto de infração, neste aspecto, é insuficiente e não esclarece os fatos, o que gera cerceamento de defesa e com sérios indícios de que houve bitributação; não havendo motivação e esclarecimento pelo fisco, o sujeito passivo impugna a validade dos dados lançados no ANEXO I, II , III e IV, requerendo a nulidade do lançamento fiscal referente a tributação feita com base nos dados colhidos do referido anexo; que no decorrer da fiscalização o fisco cometeu grave erro, que fez majorar o auto de infração; após transcrever (fl.531) excerto do Termo Fiscal de fl.518 arremata que "Tal critério adotado pela fiscalização não deve ser aceito, pois como pode adotar o percentual de 32% para a apuração da base de cálculo nas receitas decorrentes da movimentação bancária e 8% no caso em que não houve a comprovação dos custos. Ora, se a movimentação bancária for considerada receita, deve se adotar igualmente o percentual para apuração de base de cálculo de 8%, pois a atividade desenvolvida pelo contribuinte é tão somente a comercialização de veículos e na maior parte dos casos, agenciamento e venda somente do crédito, ou seja, a viabilização do financiamento pelo comerciante. Assim, o critério adotado pela fiscalização não é coerente, pois mesmo imputando que a atividade do sujeito passivo é a compra e venda de veículos, arbitra percentuais diferenciados para a tributação, o que não deve ser aceito.”. da presunção de receita: transcreve doutrina acerca do tema, ementas de julgados do extinto Conselho de Contribuintes (atual CARF) para concluir que "[...] a presunção legal estabelecida pelo art.42 da Lei 9.430/96 colide com as diretrizes do processo de criação das presunções legais, pois a experiência haurida com os casos anteriores evidenciou que entre esses dois fatos não havia nexo causal, vale dizer, constatouse não haver liame absoluto entre o depósito bancário e o rendimento omitido.”. mais adiante, quando menciona texto da autoria de Ministro da Suprema Corte (fl.534), conclui que "[...] se os depósitos representam o marco inicial da investigação, eles não podem ser erigidos a fato indiciário na construção da aludida presunção legal, vale dizer, esses depósitos não podem sustentar uma presunção legal, posto que, além da ausência de correlação natural exigida na instituição desse artifício legal, tal providência implicaria na transferência integral do encargo probatório para o contribuinte.”. Fl. 633DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 24 /06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13982.001508/200915 Acórdão n.º 180201.210 S1TE02 Fl. 634 14 a inconstitucionalidade do art.42 da Lei 9.430/96: reitera que a simples presunção sem lastro em prova cabal de exigência de auferimento de renda tributável, por si só não significa a ocorrência do fato gerador do imposto devido; mesmo porque os valores detectados poderão ter sido originado de renda não tributável ou até mesmo de renda já tributada; que este dispositivo legal fere vários princípios constitucionais (fls.534 a 537); da multa aplicada: que a multa é exacerbada, que a movimentação financeira apurada pelo fisco não é receita, motivo pelo qual não houve sonegação ou fraude; Ademais, devese observar também que o impugnante, durante a fase de fiscalização, forneceu todos os documentos solicitados pelos fiscais, atendendo, assim, a todas as intimações, pois está ciente de que não cometeu nenhum tipo de fraude ou sonegação; veja que no relatório de fls.509 a 523 que o impugnante prestou todas as informações para o fisco, bem como apresentou todos os documentos que estavam em sua posse, o que demonstra que não houve máfé por parte do contribuinte, eis que estava ciente que não praticou nenhum ato ilícito; destaca também que toda a movimentação financeira ocorreu na própria conta do impugnante, não ocorrendo em nome de terceira pessoa, ou seja, o de "laranja", para ludibriar o fisco; tal fato deve ser considerado, pois como já dito, em momento algum o impugnante teve a intenção de sonegar informações do fisco, eis que tem absoluta convicção de que a movimentação ocorrida em sua conta bancária não pode ser considerada receita financeira; que no caso em tela, não houve a comprovação efetiva de fraude, não podendo ser aplicada a qualificação da multa de ofício; requer a redução da multa para o percentual de 75%; das provas da ocorrência do fato gerador: não há provas nos autos da ocorrência do fato gerador, ou seja, da aquisição e renda ou proventos de qualquer natureza pelo sujeito passivo, que tenha gerado a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, especialmente no que diz respeito ao lançamento efetuado com base nos valores descritos no A N E X O III; no presente caso, a prova produzida pelo fisco para a constituição do crédito tributário foi única e exclusivamente nos extratos ou depósitos bancários, o que é vedado pela SÚMULA 182 do TRF; sendo assim, não há provas contundentes da ocorrência do fato gerador, uma vez que o fisco não logrou êxito em demonstrar que o sujeito passivo auferiu renda ou proventos, uma que baseiase em meros indícios e não em provas concretas; que o ônus da prova cabe a quem alega; Fl. 634DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 24 /06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13982.001508/200915 Acórdão n.º 180201.210 S1TE02 Fl. 635 15 a interpretação da lei tributária: que caso haja dúvidas acerca da regularidade da autuação, a interpretação deve ser favorável ao sujeito passivo, nos termos do art.l 12 do CTN que transcreve a fl.542; dos depósitos bancários não contabilizados: que é um verdadeiro absurdo considerar que toda a movimentação bancária do contribuinte deve ser considerado como renda, ou então, como faturamento; o anexo III produzido pelo fisco aponta diversos tipos de transação, tais como depósitos de cheque, depósitos de dinheiro, transferências, etc; que são inúmeras as situações que podem ocorrer, contudo, não configuram renda ou faturamento do contribuinte; ex: a) saque de dinheiro para pagamento e posterior depósito do mesmo valor em virtude da não ocorrência do pagamento; b) recebimento de valor de terceiro através da conta bancária do titular (situação que acontece quando o comerciante viabiliza tão somente o financiamento do veículo para o cliente); c) depósito e saque do mesmo valor ocorrido várias vezes; registra que apresentou toda a documentação solicitada pelo fisco, sendo que este não logrou êxito em provar que os valores que transitaram pela conta do sujeito passivo seja de fato renda ou então faturamento; a diferença entre os valores declarados pelo impugnante e os movimentados na conta corrente da empresa ocorreu pelo fato de que, na maioria dos casos, a empresa ora notificada não comercializava os veículos, eis que tão somente viabilizava o financiamento do bem para seus clientes, ou seja, do valor financiado recebia tão somente a comissão que lhe era devida de acordo com a tabela de cada financeira, já informado nas intimações anteriores, de acordo com as tabelas entregues, das financeiras, nas quais consta a data, valor, prazo, nome do terceiro que tomou o financiamento (transcreve, fl.545, o art.43 do CTN); neste lanço, os valores depositados nas contas do sujeito passivo não eram materialmente seus, mas apenas formalmente, pois o que de fato recebia era tão somente as C O M I S S Õ E S pagas pelos bancos, os quais retinham na fonte o tributo devido, motivo pelo qual o sujeito passivo não declarava o recebimento de tais valores; a impugnação das planilhas de fls.489 a 508: eis que não descrito com clareza pela fiscalização a origem dos dados lançados nas referidas planilhas, o que torna difícil a sua interpretação e consequentemente a impugnação de tais dados; que ao confeccionar tais planilhas, o fiscal não informa de que qual documento constante no processo é que foi extraído tal dado, motivo pelo qual impugna a validade dos dados lançados nas referidas planilhas; Fl. 635DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 24 /06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13982.001508/200915 Acórdão n.º 180201.210 S1TE02 Fl. 636 16 que é de fundamental importância que o fisco aponte com precisão a origem dos dados que utilizou para efetuar o lançamento; através das planilhas citadas, bem como da fundamentação tecida para o encerramento do procedimento fiscal, constatase que a fiscalização não é clara e não informa a origem dos dados lançados nas respectivas planilhas que serviram de base para a confecção do auto de infração, gerando cerceamento de defesa ao impugnante. A 3˚ Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis – SC (DRJFNS), indeferiu a Impugnação do ora Recorrente através do Acórdão n° 07 23.313 de 25 de fevereiro de 2011, conforme ementa transcrita abaixo: “Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples. Anocalendário: 2005, 2006,2007. Prática Reiterada de Infração à Legislação. Exclusão de Ofício. Efeitos. A constatação de créditos bancários sem origem justificada caracteriza omissão de receita, por força de presunção legal, e se constitui em prática reiterada de infração à legislação tributária se tal situação se verificou por trinta e seis meses e sem qualquer registro na escrituração. Ocorrida essa situação, os efeitos da exclusão aplicamse desde a data da infração, por expressa previsão legal. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 Lucro Arbitrado. O imposto devido será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, com a inclusão de toda a movimentação financeira. Lucro Arbitrado. Receita Bruta Conhecida. Base de Cálculo. Reputase correta a base de cálculo do lucro arbitrado considerada: a receita operacional omitida (informada em DIRF) e a presunção legal de omissão de receita por falta de comprovação dos créditos bancários. Fl. 636DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 24 /06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13982.001508/200915 Acórdão n.º 180201.210 S1TE02 Fl. 637 17 Depósitos Bancários. Origens. Presunção Legal. Omissão de Receita. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Receitas Omitidas. Lucro Arbitrado. Percentual aplicável de 32% (mais elevado). No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida (créditos bancários sem explicação da origem), esta será adicionada àquela que corresponder o percentual mais elevado (parágrafo único do art.537 do RIR/99). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005, 2006, 2007 Presunções Legais Relativas. Distribuição do ônus da Prova. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. Multa de Ofício Qualificada. Duplicação do Percentual da Multa de Ofício. Legitimidade. Constatado que na conduta da fiscalizada existem as condições previstas nos arts. 71,72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, cabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei n° 9.430/96 (com a nova redação do artigo dada pela Medida Provisória n° 351, de 22/01/2007, convertida na Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007). Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005, 2006, 2007 Arguições de Inconstitucionalidade e Ilegalidade da Legislação Tributária. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Fl. 637DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 24 /06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13982.001508/200915 Acórdão n.º 180201.210 S1TE02 Fl. 638 18 Lançamentos Decorrentes. PIS, Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL e COFINS. Tratandose da mesma matéria fática e não havendo questões de direito específicas a serem apreciadas, aplicase aos lançamentos decorrentes a decisão proferida no lançamento principal (IRPJ). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Inconformado com a decisão, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário no qual aduziu, em tese, os mesmos argumentos apresentados na impugnação, que foram devidamente transcrito neste relatório. É o relatório, passo a decidir. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 24 /06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13982.001508/200915 Acórdão n.º 180201.210 S1TE02 Fl. 639 19 Voto Conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Em sua defesa o Recorrente, preliminarmente, alega a nulidade do Auto de Infração, devido à existência de incorreções e imprecisões na descrição dos fatos, o que dificultaria, ou até mesmo, cercearia o seu direito de defesa. Alega, ainda que o procedimento, adotado pela Autoridade Fiscal, haveria ensejado uma bitributação dos depósitos bancários. Considero sem razão os argumentos da Recorrente, vez que o Auto de Infração apresenta, de forma clara e explicativa, o procedimento adotado pela Autoridade Fiscal na constituição e apuração do crédito tributário. Verifico junto ao Auto de Infração que a Autoridade Fiscal comprovou a omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos bancários em conta de pessoas físicas cuja origem não foi comprovada, por meio de documentação hábil e idônea pelo Recorrente. Cumpre observar oportunamente que foram expedidos nove Termos de Intimação Fiscal – TIF, solicitando o Recorrente que se manifestasse no Processo Administrativo Fiscal – PAF, sobre as inconsistências encontradas pela Autoridade Fiscal. Entretanto, conforme se extrai da análise dos documentos acostados no processo, em nenhum momento o Recorrente conseguiu justificar ou explicar o procedimento adotado. Saliento que no referido caso, não há que se falar em nulidade do Auto de Infração, uma vez que o Recorrente não teve seu direito de defesa diminuído ou restringido em nenhum momento do processo. Da análise minuciosa dos atos praticados no transcorrer do Processo Administrativo Fiscal, constatei que o Recorrente se pronunciou de forma plena, contestou várias nuanças do Auto de Infração, fato que me permite concluir pela inexistência de restrição ao pleno exercício da defesa. Corroborando com esse entendimento, saliento que a doutrina consagra o Principio de Prejuízo, pelo qual, quando o ato processual atinge seu objetivo, a inobservância da forma prescrita, que não enseja prejuízo para uma das partes, não há que se reconhecer a invalidade. Tal posicionamento fica explicitado no trecho abaixo transcrito da obra de Ada Pellegrini Grinover, que segue: “(...) constitui seguramente a viga mestra do sistema das nulidades e decorre da ideia geral de que as formas processuais representam tãosomente um instrumento para correta aplicação do direito; sendo assim, a desobediência às formalidades estabelecidas pelo legislador só deve conduzir ao reconhecimento da invalidade do ato quando a própria finalidade pela qual a forma foi instituída estiver comprometida pelo vício.” (Grinover, Ada Pellegrini et al., As Nulidades do Processo Penal, 1998, p.26). Fl. 639DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 24 /06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13982.001508/200915 Acórdão n.º 180201.210 S1TE02 Fl. 640 20 Este entendimento, também, é recepcionado no âmbito deste Conselho, conforme consta do acórdão abaixo Transcrito: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO DESCRIÇÃO DOS FATOS. Não há que se falar em falta de descrição dos fatos que deram origem ao lançamento se o Relatório de Ação Fiscal, parte integrante do Auto de Infração, descreve exaustivamente todos os fatos que culminaram na autuação nele sendo indicadas, detalhadamente, todas as providências adotadas na ação fiscal, com a elaboração de demonstrativos em que são enumeradas e quantificadas todas as ocorrências verificadas relacionadas às situações que deram origem ao fato gerador da obrigação tributária.(Acórdão n˚. 210100.245 Sessão. 30.07.2009, Primeira Câmara / Primeira Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF). CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares, como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. (Acórdão n˚. 210100.245 Sessão. 30.07.2009, Primeira Câmara / Primeira Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF). Diante de todo exposto, não merecem prosperar as alegações de nulidade do Auto de Infração, por cerceamento do direito de defesa. Após o enfrentamento da preliminar arguida, passo para análise das questões de mérito suscitadas pelo Recorrente em sua defesa. Inconformado com a decisão da Delegacia Regional de Julgamento, o Recorrente propôs o presente Recurso Voluntario, alegando, inicialmente, a inexistência de motivos que justificassem sua exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples. Defende, também, a impossibilidade de aplicação de efeito retroativo ao Ato Declaratório Executivo de exclusão do simples. Ao verificar os fatos e documentos existentes no processo administrativo fiscal, e confrontar com as alegações apresentadas pelo Recorrente, concluo que não lhe assiste razão, conforme demonstrarei. Fl. 640DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 24 /06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13982.001508/200915 Acórdão n.º 180201.210 S1TE02 Fl. 641 21 A ciência da exclusão do Simples se deu através do Ato Declaratório Executivo – ADE DRJ/JOA nº 07, de 17 de fevereiro de 2010. Segundo o qual o Recorrente infringiu três regras preceituadas pela Lei nº. 9.317/96 quais sejam; exercício de atividade vedada, embargos à fiscalização, caracterizada pela omissão de documentação / informações / livros, além da prática reinterada de infração à legislação fiscal, caracterizada pela omissão de receita. Ao analisarmos o objeto social do Recorrente, juntamente com os documentos acostados ao processo administrativo fiscal, pelos seus clientes (BV Financeira S.A./ Banco Panamericano S.A.), que comprovam o recebimento de comissão por corretagem e intermediação de negócios. Concluí que o Recorrente exercia atividade vedada pela Lei nº. 9.317/96, conforme se extrai do texto abaixo transcrito: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; A argumentação do Recorrente de que sua atividade empresarial não era vedada pela legislação fiscal, não deve prosperar, pois é incontroverso que o Recorrente tinha pleno conhecimento da natureza de sua atividade, como podemos extrair da descrição do seu objeto social. Além disso, destacamos a existência de trecho no Recurso Voluntário, apresentado perante este Conselho, que reafirma minha conclusão, conforme abaixo transcrito: Ora, se a movimentação bancária for considerada receita, deve se adotar igualmente o percentual para apuração de base de cálculo de 8%, pois a atividade desenvolvida pelo contribuinte é tão somente a comercialização de veículos e na maior parte dos casos, agenciamento e venda somente do crédito, ou seja, a viabilização do financiamento pelo comerciante. Além disso, a legislação fiscal vigente no período abrangido pela autuação, Lei nº 9.317/96, prescrevia algumas obrigações fiscais que deveriam ser aplicadas aos optantes do Simples, conforme se verifica no trecho abaixo transcrito: Art. 7° A microempresa e a empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES apresentarão, anualmente, declaração simplificada que será entregue até o último dia útil do mês de maio do ano calendário subsequente ao da ocorrência dos fatos geradores dos impostos e contribuições de que tratam os arts. 3° e 4°. Fl. 641DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 24 /06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13982.001508/200915 Acórdão n.º 180201.210 S1TE02 Fl. 642 22 § 1° A microempresa e a empresa de pequeno porte ficam dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham, em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes: a) Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; b) Livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término de cada ano calendário; c) todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos livros referidos nas alíneas anteriores. § 2° O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento, por parte da microempresa e empresa de pequeno porte, das obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária e trabalhista. (grifei). Ocorre que, não obstante as inúmeras solicitações da Autoridade Fiscal, o Recorrente não apresentou qualquer documentação / livro evidenciando a escrituração contábil de suas operações. O Recorrente alegava não deter escrituração contábil dos lançamentos por estar inativo, entretanto, conforme comprovado pela autoridade fiscal, este jamais deixou de realizar suas atividades econômicas, sendo certo que suas receitas eram depositadas em contas correntes de pessoas físicas ligadas. Cumpre observar que, a recusa em fornecer informações às autoridades fiscais, ou como no caso em tela, a inexistência de documentação suporte, também são motivos mais que suficientes para ensejar a exclusão do recorrente do Simples, conforme preceituado na Lei n°. 9.317/1996, abaixo transcrita: Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: (...) II embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiver obrigada, bem assim pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição de auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Sistema Tributário Nacional); (grifei). Adicionalmente aos motivos anteriormente descritos, salientamos que o Recorrente ao não contabilizar suas receitas recebidas em decorrência do exercício de sua atividade econômica regulares, infringiu a legislação fiscal. A comprovação da omissão de receita é outra causa suficiente para justificar a exclusão do Recorrente do Simples, como se extrai do trecho da Lei nº. 9.317/96, abaixo transcrito: Fl. 642DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 24 /06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13982.001508/200915 Acórdão n.º 180201.210 S1TE02 Fl. 643 23 Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: V prática reiterada de infração à legislação tributária; Por todo o exposto, nego razão às alegações do Recorrente e decido pela procedência da exclusão da empresa Audi Transporte e Agenciamento de Cargas Ltda., do Simples. Superada a questão da exclusão do Simples, salientamos que a recorrente, também se insurgiu quanto aos efeitos do Ato Declaratório Executivo, ou melhor, qual seria a data de início dos efeitos da exclusão. Alega em sua defesa que o Ato Declaratório Executivo, não poderia ter efeito retroativo, sendo certo que seus efeitos não poderiam retroagir a 2005. Novamente, considero que não assiste razão ao Recorrente pois o Ato Declaratório Executivo tem efeito eminentemente declaratório. Em relação aos efeitos do ato de exclusão, a Lei nº 9.317/1996, estabelecia a seguinte regra: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: (...) II a partir do mês subsequente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9o desta Lei; (...) V a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. Conforme ficou comprovado nos Autos do presente processo administrativo fiscal, o Recorrente incorreu nas irregularidades desde 2004, entretanto devido aos efeitos da decadência, a exclusão surtiu efeito a partir de 1º de janeiro de 2005. Assim, considero que a alegação do Recorrente, quanto aos efeitos da exclusão do Simples, não deve prosperar, uma vez que a legislação vigente é clara em determinar que o efeito da exclusão deve retornar ao mês subsequente ao fato que deu ensejo a exclusão. Sendo assim, fica demonstrado o caráter declaratório do ADE de exclusão. Este entendimento é compartilhado em outros julgados no âmbito deste Conselho, conforme se extrai da ementa do Acórdão abaixo transcrito: EXCLUSÃO DO SIMPLES RETROATIVIDADE O ato declaratório de exclusão, fundamentado no inciso XII do art. 9º da Lei n° 9.317/1996, surtiu efeitos a partir do mês subsequente ao que incorrida a situação excludente, conforme art. 15, II, da mesma lei. Fl. 643DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 24 /06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13982.001508/200915 Acórdão n.º 180201.210 S1TE02 Fl. 644 24 A exclusão desde a prática da atividade vedada é uma consequência direta da lei, não possuindo o ato administrativo de exclusão um efeito desconstitutivo de situação jurídica. Dada a sua natureza de ato declaratório, poderia/deveria ele “declarar” a existência da situação excludente. Tal declaração tem simplesmente o condão de caracterizar que desde aquela época pretérita a empresa não poderia estar enquadrada no Simples. A repercussão desta declaração em relação ao pedido de restituição apresentado pela Contribuinte, por sua vez, deverá ser analisada no processo que trata especificamente daquele pedido.(Acórdão n˚. 180200.829 Sessão. 24.02.2011, Segunda Turma Especial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF). Diante de todo exposto, considero que não merecem prosperar as alegações do Recorrente. Sendo assim, mantenho a decisão da Delegacia Regional de Julgamento, tanto no que diz respeito à exclusão do Simples, quanto ao termo inicial de seus efeitos, qual seja, desde 1º de janeiro de 2005. Irresignado, o Recorrente, questiona os critérios adotados pela Autoridade Lançadora na definição do percentual de incidência do lucro arbitrado. Considerando o percentual desproporcional, excessivo. Oportunamente, transcrevo o trecho da Autuação Fiscal de onde se extrai o procedimento adotado pela Autoridade Fiscal na definição da margem de presunção: Assim, relativamente ao contribuinte Audi Ltda., apuramos á luz da legislação aplicável, os seguintes percentuais de determinação da base de cálculo: Receitas omitidas decorrentes da prestação de serviços a terceiros, conforme DIRFs base de cálculo apurada com aplicação de percentual de 32%; Receitas omitidas decorrentes de depósitos bancários com origem comprovada base de cálculo apurada com aplicação do percentual de 32%. Receitas omitidas decorrentes da venda de veículos com custos não comprovados base de cálculo apurada com aplicação de percentual 8%. Diante do trecho acima transcrito, considero que não assiste razão ao Recorrente. Fl. 644DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 24 /06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13982.001508/200915 Acórdão n.º 180201.210 S1TE02 Fl. 645 25 Analisando detidamente o Auto de Infração, constatei a adequação dos percentuais utilizados a legislação fiscal. A Autoridade Fiscal, ao ter conhecimento que determinada receita provinha da atividade de compra e venda de veículo, utilizou o percentual de 8%, sobre essas receitas. Ocorre que as receitas decorrentes da prestação de serviços a terceiros, foram submetidos ao percentual de 32%, conforme preceitua a legislação. Entretanto, foi constatada a existência de receitas que não detinham comprovação de origem, sendo assim, não era possível verificar qual sua natureza e qual o percentual aplicável. Neste caso, a legislação preceitua que se utilize o percentual mais elevado, no caso sob análise, devese aplicar o percentual de 32% referente à prestação de serviço. Para um melhor esclarecimento do instituto, transcrevemos trecho da Lei nº. 9.249/1995: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida à pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. § 1º No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. Com efeito, concluo pela adequação do procedimento adotado pela Autoridade Fiscalizadora, mantendo o crédito tributário constituído. A Recorrente contesta ainda, no âmbito do Recurso Voluntário, aplicação da multa qualificada no valor de 150% sobre o valor do crédito tributário constituído. O Recorrente considera o procedimento da Autoridade Fiscal, desproporcional e exacerbado. Neste momento, considero de suma importância, transcrever as razões que motivaram a Autoridade Fiscal a aplicar a multa qualificada ao caso em tela: 6. DA MULTA DE OFÍCIO A multa de ofício considerada na presente autuação foi a de 150% para as infrações [...] haja vista a conduta adotada pelo contribuinte a qual teve por desiderato impedir o conhecimento por parte da administração tributária do total das exações devidas pela empresa em epígrafe, mediante as ações/omissões: a) NÃO escriturar em seus livros contábeis a totalidade das receitas auferidas, tampouco apresentálos à Fiscalização; b) Declarar a DSPJ (anoscalendário de 2005 a 2007) ZERADA (fls.453 a 483); Fl. 645DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 24 /06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13982.001508/200915 Acórdão n.º 180201.210 S1TE02 Fl. 646 26 c) Manter à margem de sua escrituração regular a movimentação bancária em conta de Terceiros, conforme extratos bancários [...] Relevante notar que a conduta adotada pelo contribuinte se materializa por todo o período abrangido por esta autuação, e que, pela quantidade de lançamentos demonstra que não houve mero erro de fato. Neste sentido basta atentar ao fato de que as receitas consideradas como omitidas na presente autuação importaram em R$ 2.706.809,11 (Anexo V fls.508), tendo o contribuinte entregue as DSPJ, fls.453 a 482, ZERADAS. Por todo o exposto, concluise que o autuado incorreu no disposto no art. 71 e 72 da Lei n. 4.502, de 30 de novembro de 1964, os quais definem a conduta de sonegação e fraude. Considero que assiste razão a Autoridade Lançadora, pois, conforme descrito acima, o Recorrente infringiu a legislação tributária, ensejando assim, a aplicação da multa qualificada, como se extrai do trecho da legislação fiscal, abaixo transcrito: LEI Nº 9.430 DE 27.12.1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007); I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). (grifei) LEI N° 4.502, DE 30.11.1964. Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: (grifei) I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 646DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 24 /06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13982.001508/200915 Acórdão n.º 180201.210 S1TE02 Fl. 647 27 Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. (grifei) Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Diante do exposto, reintero meu entendimento no sentido de considerar que o Recorrente agiu com dolo, caracterizado pela omissão de receita e a entrega de declaração zerada. Estes procedimentos temerários são suficientes para ensejar a aplicação da multa qualificada, no mesmo sentido destaco ementa de acórdão proferido o âmbito deste Conselho, abaixo transcrito: MULTA QUALIFICADA. IRPJ. Comprovado que o contribuinte omitiu integralmente suas receitas e o imposto de renda devido em suas declarações de rendimentos (DIPJ) e de tributos devidos (DCTF), durante períodos de apuração sucessivos, visando retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal pela autoridade fazendária, caracteriza se a figura da sonegação descrita no art. 71 da Lei nº 4.502/196, impondo se a aplicação da multa de ofício qualificada, prevista no § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996.(Acórdão n˚. 9101 01.194 Sessão. 24.02.2011, Primeira Turma do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF). Desta forma, concluo pela adequação do procedimento adotado pela Autoridade Fiscalizadora, mantendo a cobrança da multa qualificada devido aos fatos e fundamentos acima descritos. Por fim, a Recorrente protesta pela inconstitucionalidade, ilegalidade e ilegitimidade da lavratura do Auto de Infração baseado nos extratos bancários. Segundo o seu entendimento a quebra de seu sigilo bancário, sem prévia autorização judicial caracterizou uma afronta a preceito constitucional. Alega ainda, que a legislação infraconstitucional, leiase: Lei Complementar n˚ 105 de 10 de janeiro de 2001, somente permite a referida quebra de sigilo nos caso em que o exame de tais informações se demonstrarem indispensável às averiguações das autoridades fiscais; ressaltando que as Autoridades Fiscais possuíam outros meios para efetuar suas averiguações, sendo assim, os extratos bancários não seriam legítimos para ensejar a constituição do crédito tributário. Fl. 647DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 24 /06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13982.001508/200915 Acórdão n.º 180201.210 S1TE02 Fl. 648 28 Quanto à arguição de inconstitucionalidade, é cedido que este Conselho não é competente para a averiguação de tal matéria e que esta discussão já foi matéria de súmula do extinto Conselho de Contribuintes, conforme demonstra trecho abaixo transcrito: "Súmula 1˚ CC n˚ 2. O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Ademais, ao contrário do que argumenta o Recorrente, o acesso às informações financeiras fora prestadas pelo próprio contribuinte, não havendo o que se falar ilegalidade da obtenção dessa prova. Pelo exposto, fica claro que a alegação do Recorrente quanto à ilegalidade das provas obtidas pelo fisco que embasaram a constituição do crédito tributário, não deve prosperar. Por derradeiro, o contribuinte argumenta sobre a ilegitimidade dos extratos bancários como “único” meio de prova utilizado para constituição do crédito tributário; alegando, também, que o procedimento adotado pela Autoridade Fiscal na apuração do crédito fiscal ocasionou a bitributação de suas receitas, visto que, os depósitos bancários, efetuados em decorrência do adimplemento de seus clientes pelos serviços prestados, nas contas bancárias de pessoas físicas, não caracterizariam “renda”. A alegação de que o único meio de prova utilizado pela Autoridade Fiscal, para constituição do crédito tributário, seriam os extratos bancários obtidos junto às instituições financeiras em que certas pessoas físicas, ligadas aos sócios do Recorrente, eram correntistas, não condiz com a realidade dos fatos. Conforme se extrai do Auto de Infração, a Autoridade Fiscal efetuou uma averiguação, minuciosa, dos extratos bancários, além de confrontar estes com a Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF apresentada pelos clientes do Recorrente, Banco Votorantin S.A e FINASA S.A., constatando inconsistências entre as informações analisadas, caracterizandose assim, a omissão de receita. Não há que se falar no presente processo, de ilegalidade pela não aplicação de interpretação mais favorável ao contribuinte, ou que a “presunção” de omissão de receita que não seria suficiente para se constituir o crédito tributário, ou ainda, que os extratos bancários não são meios de prova suficiente para comprovação da omissão de receita. Analisando as provas acostadas, ao presente processo administrativo fiscal, verificase que o Recorrente se utilizou de subterfúgios para se eximir da cobrança dos tributos incidente sobre suas atividades empresariais. Não há como se falar em aplicação de interpretação favorável ao contribuinte, quando este, dolosamente, tenta se eximir da obrigação tributária. Além disso, a constituição do crédito tributária se baseou em um extenso conjunto probatório, onde a Autoridade Fiscal analisou detalhadamente a movimentação bancária dos senhores Hugo Adolfo Lunardi e Jonas Alex Lunardi, constituindo a crédito tributário apenas sobre os saldos relacionados à atividade empresarial do Recorrente. Fl. 648DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 24 /06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13982.001508/200915 Acórdão n.º 180201.210 S1TE02 Fl. 649 29 Constatei que o lançamento foi suportado por inúmeras planilhas e vários documentos, não em presunção, como tenta demonstrar o Recorrente. Sendo certo que o Recorrente, durante o transcorrer do presente processo administrativo fiscal, foi intimado inúmeras vezes a apresentar suas explicações e justificativas aos fatos narrados pela Autoridade Fiscal, entretanto, até o presente momento processual isso não foi feito. Não obstante aos fatos supracitados, reforçando meus argumentos, a legislação vigente consagra a possibilidade de inversão do ônus da prova nos casos de depósitos e investimentos sem comprovação ou justificativa. Nestes casos, a ausência de comprovação por meio de documentação hábil e idônea, ensejaria a presunção de omissão de receita. Para uma melhor compreensão do instituto, transcrevo abaixo o artigo 42 da Lei n˚ 9.430 de 27 de dezembro de 1996. “Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” No mesmo sentido, transcrevo a seguir trecho de acórdão do Conselho de Contribuintes no mesmo sentido: OMISSÃO DE RENDIMENTOS — DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO DE RENDA A presunção legal de renda omitida com suporte na existência de depósitos e créditos bancários de origem não comprovada, nos termos do artigo 42 da Lei 9.430 de 1.996, é de caráter relativo e transfere o ônus probatório em contrário ao contribuinte. Contendo o processo conjunto probatório que evidencia descompasso entre os fatos que fundamentam a presunção aplicada e o correspondente acréscimo patrimonial novo a tributar, de tal forma que se torna impraticável a correção de oficio sem que haja a formalização de nova exigência com base em outros fundamentos jurídicos, deve ser afastada a imposição tributária.(Acórdão n˚. 210100.270 DOU. 20.08.2009, Primeira Câmara, Segunda Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF). Conforme se verifica no transcurso do processo administrativo fiscal, o contribuinte nas inúmeras oportunidades que pode se pronunciar no processo, não produziu provas capazes de demonstrar a origem dos recursos, tampouco justificou a ausência de escrituração contábil desses recursos. Sendo assim, considero que não subsiste qualquer argumento no presente Recurso Voluntário que justifique a desconstituição do crédito tributário. Fl. 649DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 24 /06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13982.001508/200915 Acórdão n.º 180201.210 S1TE02 Fl. 650 30 Diante de todo o exposto, voto no sentido afastar a preliminar suscitada e no mérito negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Recorrente, mantendose a decisão da DRJ/FNS pelos seus próprios termos. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Fl. 650DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 24 /06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
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Numero do processo: 19515.000785/2010-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
MULTA AGRAVADA. DESCABIMENTO.
Pela análise das circunstâncias dos autos, verifica-se que a falta de comprovação da origem dos depósitos/créditos bancários foi, exatamente, o fundamento fático utilizado para a aplicação da presunção de omissão de receitas, não podendo servir, nesse caso, como fundamento para o agravamento da penalidade aplicada pelo mesmo motivo.
Numero da decisão: 1301-001.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(Assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto da Souza Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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DESCABIMENTO. Pela análise das circunstâncias dos autos, verificase que a falta de comprovação da origem dos depósitos/créditos bancários foi, exatamente, o fundamento fático utilizado para a aplicação da presunção de omissão de receitas, não podendo servir, nesse caso, como fundamento para o agravamento da penalidade aplicada pelo mesmo motivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (Assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto da Souza Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 07 85 /2 01 0- 29 Fl. 2773DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Por bem elucidar os elementos contidos nos autos, adoto o relatório apontado pela decisão recorrida, quando destaca: Em ação fiscal levada a efeito sobre o contribuinte acima identificado, instaurada por força do MPF n° 0819000 2008025818, foram lavrados Autos de Infração relativos a fatos geradores ocorridos em 2005, de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e de Multas Isoladas sobre estimativas de IRPJ (fls. 1901/1904); de Contribuição para o Programa de Integração Social (fls. 1910/1913); de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (fls. 1918/1921); de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (fls. 1924/1927) e de Multas Isoladas sobre estimativas de CSLL (fls. 1931/1934). 2 Do Termo de Constatação Fiscal de fls. 1894/1897 ressaltamse as informações abaixo sintetizadas: 2.1. a fiscalização iniciouse em 17/04/08 com o Termo de Inicio de Procedimento Fiscal, intimando a contribuinte à apresentação de sua escrituração contábil e fiscal; extratos bancários e documentos contratuais. Essa intimação foi reiterada pelos Termos de Reintimação Fiscal 0001, 0002 e 0003, recebidos, respectivamente, em 16/05/08, 10/07/08 e 29/08/08; 2.2. em 28/08/08, a contribuinte apresentou Livro Diário n° 6 sem registro, livro de registro de entrada e saída ambos de n° 4, cópia das alterações do contrato social 5, 6 e 7, razão analítico não encadernado (em folhas soltas), extratos bancários e cópias de comprovantes de pagamentos; 2.3. em 17/11/08, a contribuinte recebeu via postal Termo de Intimação Fiscal solicitando esclarecimentos e comprovação da origem dos valores creditados/depositados em contas correntes, conforme relação elaborada a partir dos extratos bancários fornecidos pela contribuinte, os quais foram conferidos com os registros contabilizados nas contas Bancos Conta Movimento das folhas do Razão. Essa intimação foi reiterada pelos Termos de Reintimação Fiscal 0004 e 0005, este último solicitando inclusive documentos que comprovassem a origem dos recursos transferidos da empresa K. Takaoka Ind e Comércio Ltda para a PNT; 2.4. em 16/02/09, a contribuinte recebeu via postal Termo de Intimação Fiscal solicitando a retirada do Livro Diário n° 6 para que o mesmo fosse registrado no órgão competente e posteriormente apresentado ao auditor fiscal. Em 20/02/09, tendo a contribuinte retirado o Livro Diário n° 6 referente ao anocalendário de 2005, foi lavrado Termo de Devolução de Documentos; 2.5. solicitando novamente comprovação da origem dos depósitos bancários, apresentação do Livro Diário com o devido registro e comprovantes de recolhimentos do IRPJ e CSLL por estimativa, a contribuinte recebeu os Termos de Reintimação Fiscal 0006, 0007 e 0008, respectivamente em 02/04/09, 06/05/09 e 19/06/09; 2.6. foram lavrados Termos de Ciência e de Continuidade de Procedimento Fiscal nas datas apropriadas e enviados ao sujeito passivo via postal com AR; Fl. 2774DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.000785/201029 Acórdão n.º 1301001.001 S1C3T1 Fl. 3 3 2.7. foram efetuados lançamentos de oficio para constituição dos créditos tributários de IRPJ, CSLL, Cofins e PIS, referentes às omissões de receita caracterizadas por depósitos bancários não justificados para os quais o sujeito passivo, regularmente intimado e reintimado, não comprovou a origem dos recursos utilizados; 2.8. foram também lançadas multas isoladas por falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL apuradas por estimativa, não declaradas na DCTF e não recolhidas, incidentes sobre omissões de receitas contabilizadas no razão contas 4.1.1.01.001 Vendas Prod. Merc. Int. e 4.1.1.02.001 Receita de Serviços, sendo que o total das contas coincide com os valores declarados na DIPJ 2006, anocalendário 2005, ND 0786746, conforme folhas de Razão e planilhas I e VI anexadas; 3 Fundamentação fática e legal e valores totais dos créditos tributários constituídos, incluída a multa proporcional e juros calculados até 26/02/2010, discriminados a seguir: Fl. 2775DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 4 4 Irresignada com a autuação, da qual tomou ciência em 31/03/2010, a interessada apresentou, em 28/04/2010, a impugnação de fls. 1950/1978, acompanhada dos documentos de fls. 1979/1987, na qual apresentou as alegações abaixo sintetizadas: Preliminarmente, 4.1. O Auto de Infração é meramente declaratório e não constitutivo, portanto, não é o meio competente para efetivação da cobrança pretendida, que no caso refutado inclusive impõe multa. Ao agente fiscal cabe propor a aplicação mediante relatório circunstanciado e capitulação da penalidade, não lhe competindo efetivamente aplicar a penalidade cabível, que é função privativa do órgão judicante; 4.2. O Auto de Infração, sem prévia anuência do acusado, é absolutamente nulo, à luz do art. 5°, inciso LV da CF/88, que assegura o contraditório e a ampla defesa aos litigantes e acusados em geral; 4.3. Também é nulo o Auto de Infração em razão de a tabela de fl. 1903 apresentar vários valores como sendo do mesmo fato gerador, qual seja, 31/12/2005, assim se mostrando "completamente sem sentido, vez que não se sabe qual a competência o valor tributável que se está impondo ao contribuinte, fato este que caracteriza vicio formal no auto de infração" (sic, fl. 1955); No mérito, Da inexistência de omissão de receitas: Fl. 2776DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.000785/201029 Acórdão n.º 1301001.001 S1C3T1 Fl. 4 5 4.4. Todos os recursos financeiros advindos da empresa K. Takaoka são decorrentes de operações de pagamento e reembolso de títulos, conforme consta do Livro Diário da empresa, cujas cópias ora se juntam (anexos 1 a 4), e conforme se verifica nos próprios extratos bancários juntados aos autos, que demonstram que a empresa recebeu recursos decorrentes de operações anteriormente realizadas entre as empresas e efetuou pagamentos dos títulos lastreadores desta operação. A empresa K. Takaoka apenas enviou os recursos necessários ao resgate dos títulos anteriormente emitidos; 4.5. A titulo de exemplo, podese citar a entrada via TED, da empresa K. Takaoka, de R$ 14.100,00, antes do que a empresa PNT possuía um saldo de 725,80. Logo após essa entrada, foram consignados os pagamentos de títulos nos montantes de R$ 3.875,52; R$ 3.205,01; R$ 2.490,86; R$ 927,43 e R$ 3.510,79, que somam R$ 14.009,61 e que, somada à CPMF devida de R$ 95,91, monta a R$ 14.105,52. Após essa operação, de fato, o saldo era de R$ 720,28; 4.6. A intimação fiscal para que a PNT demonstrasse a origem dos recursos recebidos da empresa K. Takaoka é juridicamente impossível, tendo em vista que o fisco sabe a origem desses recursos e sabe, através dos extratos e do livro diário da autuada, que os valores movimentados não representam receitas e sim operações financeiras em que a empresa K Takaoka enviava recursos à PNT e esta, por sua vez, pagava os títulos relacionados, dentro de uma sistemática de operação de crédito entre empresas que não gerava qualquer beneficio para a autuada; 4.7. Ademais, não se pode exigir a apresentação de documentos de outra empresa que se localiza em outro domicilio fiscal, ainda que as duas empresas tenham os mesmos sócios em seus quadros societários; 4.8. Tratandose de presunção de omissão de receita, que admite prova em contrário, a autuada demonstra inexistir omissão de receita com a apresentação do livro Diário da empresa; Da incorreta apuração do adicional de IRPJ: 4.9. 0 valor do adicional calculado pelo fisco mostrase equivocado, vez que não foi descontada a base de R$ 20.000,00 ao invés de R$ 240.000,00 ao ano. Do erro na apuração do PIS e da COFINS: 4.10. No cálculo do PIS e da COFINS lançados, a autoridade fiscal não se preocupou em proceder ao devido abatimento dos créditos tributários permitidos pela legislação, pois não há no lançamento qualquer menção à análise da DACON da empresa ou mesmo da DIPJ ou da DCTF. Da impossibilidade e incorreção de cobrança de multas isoladas. 4.11. Em relação à multa aplicada, cumpre destacar mais um vicio formal, cometido pelo agente fiscal ao imputar como embasamento legal o inciso IV do § 1° do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 que, entretanto, encontrase expressamente revogado; 4.12. A multa isolada aplicada é improcedente, devendo ser mantida no máximo a multa moratória sobre as estimativas não pagas. O fisco já aplicou multa de oficio Fl. 2777DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 6 agravada sobre os mesmos valores, não sendo legal a cobrança de dois tipos de multas diferentes sobre o mesmo fato jurídico. Aliás, na dúvida sobre o enquadramento e por segurança jurídica, o fisco deveria ter evitado a dupla penalização, adotando a interpretação mais favorável à contribuinte, nos termos do artigo 112 do Código Tributário Nacional; 4.13 A aplicação do percentual de 32% para cálculo do lucro presumido é indevida, visto que, conforme histórico da empresa, seu faturamento não é composto somente de prestação de serviços, mas também de prestação e de venda de produtos, tanto é assim que o fisco, na aplicação da multa sobre receitas declaradas, utilizou o percentual de 32% para a receita de prestação de serviços e de 8% para a receita de vendas; Da improcedência da multa de oficio e o seu agravamento. 4.14. A multa de 112,5% deve ser afastada por ser extorsiva e confiscatória, em flagrante afronta ao inciso IV do artigo 150 da CF e à posição do E. STF; 4.15. 0 agravamento da multa de oficio de 75% em 50% é descabida, porque fundado na recusa da empresa em juntar aos autos livros contábeis e fiscais de outra empresa, sediada em outro município, documentos que poderiam ser obtidos mediante diligência solicitada a colega locado na delegacia da sede dessa outra empresa, que inclusive encontrase sob procedimento de fiscalização; Da impossibilidade de aplicação da taxa Selic. 4.16. A Selic não pode ser utilizada como juros moratórios para correção de débitos fiscais porque tem natureza remuneratória; 4.17. A utilização da taxa Selic torna o titulo completamente ilíquido e, portanto, nulo de pleno direito, devendo ser extinta a sua exigibilidade; 4.18. A Taxa Selic é ilegal e inconstitucional, não podendo ser utilizada no cálculo do suposto débito porque foi criada e definida por resoluções do Banco Central e não por lei, desrespeitando os ditames do artigo 161 do Código Tributário Nacional e do artigo 150 da Constituição Federal, conforme jurisprudência colacionada do STJ; 4.19. Requer sejam os Autos de Infração anulados ou, no mérito, julgados insubsistentes e, por fim, protesta pela realização de prova pericial. Apreciando os elementos contidos nos autos, destacou então a douta autoridade julgadora de primeira instância a PROCEDÊNCIA PARCIAL DA IMPUGNAÇÃO, em acórdão então assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NAO COMPROVADA. A Lei n° 9.430/1996, em seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante Fl. 2778DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.000785/201029 Acórdão n.º 1301001.001 S1C3T1 Fl. 5 7 documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE PROVAS PARA ELIDIR A AUTUAÇÃO. Procedente a autuação por omissão de receitas, em face de a contribuinte não trazer aos autos provas capazes de elidila. PRODUÇÃO DE PERÍCIA. REQUISITOS. Não atendidos os requisitos legais de admissibilidade, considerase não formulado o pedido de produção de prova pericial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CUMULATIVA COM A MULTA DE OFÍCIO. Por determinação expressa da Instrução Normativa no 93, de 1997, constatada a falta de pagamento do imposto por estimativa, devem ser exigidas as multas sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos, e o imposto apurado pelo ajuste anual, acrescido da multa de oficio pelo seu não recolhimento. MULTA AGRAVADA. DESCABIMENTO. Se o não atendimento a intimações fiscais já tiver motivado a presunção de omissão de receitas, incabível o agravamento da multa de oficio em 50% pelo mesmo motivo. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. O cálculo dos juros de mora com base na taxa SELIC tem previsão legal, não competindo à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Os lançamentos reflexos devem observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Encaminhada à contribuinte a respectiva intimação dos termos da decisão proferida no dia 12/04/2011 – especificamente para o mesmo endereço que consta do Auto de Infração lavrado , verificase a indicação nos autos de retorno do AR, com o registro de que o destinatário da correspondência não mais se encontra estabelecido no local de envio Fl. 2779DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 8 (“MUDOUSE”), o que teria, então, ocasionado a realização de intimação pelo edital de no 105/2011, afixado nas dependências da DRF no dia 10/05/2011 e desafixado no dia 03/06/2011. Em que pese a inexistência de interposição de Recurso Voluntário pela contribuinte, foram os autos encaminhados a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tendo em vista a indicação da decisão de procedência parcial da autuação, sendo então, nos termos constantes do Art. 33 do Decreto 70.235/72, recebido o presente recurso de ofício para a devida apreciação e julgamento. Em síntese, esse é o relatório. Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Estando presentes os requisitos de admissibilidade do presente recurso de ofício, dele conheço. Conforme se extrai do relatório apresentado, em que pese todos os argumentos apresentados pela contribuinte, o único ponto que fora objeto de reforma pela decisão de primeira instância é aquele relativo ao agravamento da multa de ofício, determinando, então, o afastamento da aplicação das disposições contidas no art. 44, par. 2o, que, assim, inclusive, especificamente destaca: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 2780DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.000785/201029 Acórdão n.º 1301001.001 S1C3T1 Fl. 6 9 § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Analisando o fundamento adotado pela r. decisão de origem para afastar, na espécie, o agravamento da penalidade aplicada, verificase que o argumento utilizada fora o de que, tendo sido verificada a reiterada ausência de atendimento – pela contribuinte , das solicitações fiscais relativas à apresentação de documentos comprobatórios da origem dos recursos depositados em suas respectivas contas bancárias – verificado a partir da apresentação de extratos e registros contábeis por ela oferecidos , restara configurada, então, na hipótese, a presunção de omissão de receita, de que trata o art. 42 da mesma Lei 9.430/96, e, por força disso, a respectiva determinação do arbitramento do lucro, para a apuração das respectivas bases de cálculo, e, por conseqüência, a promoção do lançamento respectivo. Ao analisar a questão, a douta autoridade de origem destaca que o referido fundamento (ausência de documentos comprobatórios dos depósitos identificados em seu respectivo extrato de conta bancária e registros da conta bancos de sua contabilidade) servira de base tanto para a determinação de aplicação – na espécie – do arbitramento, de que trata o art. 42 da lei 9.430/96, quanto, ainda, a aplicação do agravamento da multa (Art. 44, par. 2o do mesmo diploma), representando, por isso, indevida aplicação de penalidade pelos idênticos fatos. A matéria apontada, encontrase já pacificada nesta Corte administrativa, sendo de relevante destaque, inclusive, o precedente recentemente expedido por esta 1a TO, em acórdão da lavra do saudoso conselheiro Waldir Veiga Rocha, quando assim especificamente pontuou: Nº Recurso 179547 Número do Processo 10580.003095/200859 Órgão Julgador Terceira Câmara/Primeira Seção de Julgamento Contribuinte PATRICIA WANDERLEY RADEL BITTENCOURT Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Recurso Voluntário Provido em Parte POR UNANIMIDADE Data da Sessão 14/03/2012 Relator(a) WALDIR VEIGA ROCHA Nº Acórdão 1301000.833 Tributo / Matéria Decisão ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir as multas aplicadas ao percentual de 150% e, ainda, para reduzir os valores da infração referente aos DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA, conforme quadro constante do voto do Conselheiro Relator. Ementa Fl. 2781DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 10 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PROVA. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ao contrário, devem ser excluídos da base tributável os valores que o contribuinte comprova decorrer de contrato de mútuo firmado com o banco. MULTA QUALIFICADA. INTERPOSTA PESSOA. PROCEDÊNCIA. Procede a qualificação da multa, diante do conjunto probatório dos autos, a evidenciar a interposição de pessoa na titularidade da empresa e um esquema empresarial dirigido à sonegação de tributos. No caso concreto, foram decisivos para essa conclusão: a detenção e o exercício de amplos, gerais e ilimitados poderes pelo titular de fato, sem prestação de contas, mediante procuração pública sem limite temporal, poderes que incluíam até mesmo o de extinguir a empresa; a livre movimentação, individualmente, de todas as contas bancárias em nome da empresa, sendo que, em dois bancos, de forma exclusiva; as incompatibilidades entre rendimentos declarados e gastos comprovados; fatos idênticos apurados também em outras empresas, comprovados com documentos apreendidos por ordem judicial, mediante mandados de busca e apreensão, sempre apontando para o envolvimento direto do titular de fato e a utilização de interpostas pessoas; tudo sempre com o objetivo de ocultar das autoridades fazendárias os fatos geradores tributários e, além disso, a capacidade contributiva e o patrimônio acumulado por quem efetivamente comandava o grupo de empresas. MULTA AGRAVADA. AUSÊNCIA DO PRESSUPOSTO LEGAL. IMPROCEDÊNCIA. Demonstrada nos autos a ausência do pressuposto legal para o agravamento da multa, a saber, a falta de atendimento a intimação para prestar esclarecimentos, não pode subsistir a majoração imposta no lançamento. A intimação para apresentação de livros e documentos não se confunde com a prestação de esclarecimentos, e seu não atendimento tem por consequência, como de fato o teve, o arbitramento dos lucros. O mesmo ocorre com a falta de comprovação da origem de depósitos/créditos bancários, que conduz à presunção legal de omissão de receitas. Nenhuma dessas hipóteses pode dar azo ao agravamento da multa. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2005 SIMPLES. EMPRESA CONSTITUÍDA POR INTERPOSTA PESSOA. TITULAR DE FATO COM PARTICIPAÇÃO EM OUTRAS EMPRESAS, ACIMA DO LIMITE LEGAL. EXCLUSÃO. PROCEDÊNCIA. Correta a exclusão do SIMPLES na situação em que as provas dos autos são no sentido de que a titular da empresa era interposta pessoa do titular de fato, e que esse titular de fato possuía participações também em outras empresas, de forma a exceder, em conjunto, o limite de receita bruta para permanência no sistema simplificado de pagamentos. Diante dessas considerações, entendendo na linha apontada pela r. decisão de primeira instância , pela impossibilidade de utilização do argumento da não apresentação dos documentos solicitados pelas autoridades fazendárias como fundamento para, cumulativamente, promover o arbitramento da base de cálculo, e, ainda, o agravamento da penalidade correspondente, concluo que, de fato, não merece reparos a decisão recorrida. Com essas considerações, encaminho meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO, admitindo como regular, assim, a determinação contida na r. decisão de origem no sentido de afastar a aplicação do agravamento da penalidade na espécie. É como voto. (Assinado digitalmente) Fl. 2782DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.000785/201029 Acórdão n.º 1301001.001 S1C3T1 Fl. 7 11 CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 2783DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10840.000285/2006-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001
DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO
Nos casos de lançamento por homologação, existindo pagamento antecipado e não tendo havido dolo, fraude ou simulação, operase
a decadência do direito da Fazenda Pública de proceder ao lançamento uma vez transcorridos cinco anos da data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária.
Decadência que se declara de ofício.
Numero da decisão: 2101-001.642
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declarar, de ofício, a decadência do direito de lançar o crédito em discussão.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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RECONHECIMENTO DE OFÍCIO Nos casos de lançamento por homologação, existindo pagamento antecipado e não tendo havido dolo, fraude ou simulação, operase a decadência do direito da Fazenda Pública de proceder ao lançamento uma vez transcorridos cinco anos da data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Decadência que se declara de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declarar, de ofício, a decadência do direito de lançar o crédito em discussão. (assinado digitalmente) _______________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) _________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka, José Fl. 64DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/ 05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Raimundo Tosta Santos, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Em desfavor de MARIA FIDES FREGONESI DE OLIVEIRA foi emitido o Auto de Infração às fls. 6 a 9 (eprocesso), no qual apurouse imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF) a restituir, correspondente ao anocalendário de 2000 (exercício 2001), no valor de R$ 99,58, correspondente à diferença entre o valor de imposto a restituir após revisão (R$ 408,74) e o valor de imposto restituído (R$309,16). No Demonstrativo das Infrações (fls. 9), consta que a Fiscalização apurou ter havido rendimentos indevidamente declarados como isentos por moléstia grave. Não aceitou o laudo médico apresentado pela contribuinte, porque no documento não consta que foi assinado por médico perito. A Fiscalização alega que, por força do artigo 111 do CTN, interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. As razões de impugnação foram assim sintetizadas pelo órgão a quo: “1. Conforme se pode verificar pela cópia do laudo médico lavrado por dois peritos do IAMSP de Ribeirão Preto, órgão oficial, é portadora de doença grave incurável. Assim, nos termos da Lei 7.713/88, art. 6°, incisos XIV e XXI, artigo 30 da Lei n° 9.250/95, artigo 47 da Lei 8.541/92 e parágrafo 4° da Instrução Normativa 25, de 29/04/1996, é isenta do pagamento de imposto de renda sobre os seus rendimentos; 2. Com base na legislação supra declinada, acabou por efetuar a declaração de forma a isentarse totalmente do pagamento de imposto de renda, não praticando nenhuma irregularidade ou infração; 3. Portanto, o auto de infração é injusto, devendo ser julgado improcedente e posteriormente arquivado.” Ao examinar o pleito, a 3.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 2 decidiu pela procedência do lançamento, por meio do Acórdão n.º 1727.115, de 27 de agosto de 2008, cuja ementa, a seguir, transcrevo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000 ISENÇÃO. RENDIMENTOS AUFERIDOS POR PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. A isenção de imposto de renda sobre rendimentos auferidos por portador de moléstia grave aplicase exclusivamente a rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão, cabendo à contribuinte fazer a comprovação de que se enquadra em uma dessas condições. Lançamento Procedente Fl. 65DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/ 05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10840.000285/200644 Acórdão n.º 210101.642 S2C1T1 Fl. 62 3 Em 30 de setembro de 2008, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 51 a 53), no qual informa que não infringiu norma alguma, pois, conforme se pode verificar pela cópia do laudo médico acostado, lavrado por dois peritos do IAMSP de Ribeirão Preto, órgão oficial, a recorrente é portadora de doença grave incurável. Assim, nos termos da Lei 7.713/1988, artigo 6, incisos XIV e XXI, artigo 30 da Lei 9.250/1995, artigo 47 da lei 8.541/1992 e parágrafo 4° da Instrução Normativa 25 de 29.04.1996, é isenta do pagamento de imposto de renda. Requer, ao final, que se declare a nulidade e a insubsistência do Auto de Infração e do processo, por não ter havido infração da legislação. Pede ainda seja a recorrente, bem como, seu patrono intimado de qualquer decisão proferida em relação ao aqui discutido. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Examinando os autos, verifiquei que o Auto de Infração constante às fls. 5 a 10, correspondente ao anocalendário de 2000, foi lavrado em 2 de janeiro de 2006. A notificação do ato à contribuinte data de 6 de janeiro de 2006, conforme se observa das informações constantes do relatório dos Correios às fls. 25. Sobre o tema da decadência, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, em 12.8.2009, no julgamento do Recurso Especial REsp n.º 973.733/SC, firmou o entendimento de que, nos casos em que o sujeito passivo antecipa o pagamento do imposto, desde que não tenha havido dolo, fraude ou simulação, deve ser adotada a regra do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional CTN. A norma do artigo 173 do mesmo diploma é aplicável nos demais casos. A decisão exarada pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do mencionado Recurso Especial n.º 973.733/SC ficou assim ementada: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro Fl. 66DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/ 05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, Primeira Seção, julgado em 12.08.2009, DJe 18.09.2009). (grifouse). Fl. 67DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/ 05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10840.000285/200644 Acórdão n.º 210101.642 S2C1T1 Fl. 63 5 O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda n.º 256, de 22 de junho de 2009, no artigo 62A de seu Anexo II, acrescentado pela Portaria do Ministério da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010, determina que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática estabelecida nos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento dos recursos administrativos: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Depreendese, do entendimento exarado pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp n.º 973.733/SC, que, tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação no qual: (i) não há constituição do crédito pelo contribuinte; (ii) não foi constatado dolo, fraude ou simulação e (iii) a legislação não previu o pagamento antecipado ou, tendoo previsto, o pagamento não foi comprovado, deve ser aplicado o prazo previsto no artigo 173, inciso I, do CTN, iniciandose a contagem do prazo decadencial quinquenal a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No caso em análise, verificase que houve o pagamento antecipado do imposto sobre a renda correspondente ao anocalendário de 2000. Não se preencheu, portanto, um dos requisitos necessários à aplicação da regra do artigo 173, I, do CTN, para as hipóteses de tributo sujeito a lançamento por homologação. Devese, por conseqüência, contar o prazo decadencial de 5 (cinco) anos, na forma prevista no artigo 150, § 4º, do CTN, pois, à regra geral do artigo 173, I, o Código estabeleceu justamente a exceção contida no artigo 149, V. Cumpre ainda ressaltar que o “fato gerador” do imposto sobre a renda ocorre em 31 de dezembro de cada anocalendário. Sendo assim, tratandose de lançamento correspondente ao anocalendário de 2000, poderia a fiscalização efetuar o lançamento até 31.12.2005, cinco anos, a contar da ocorrência do fato. Tendo em vista que o lançamento se aperfeiçoou em 6 de janeiro de 2006, com a notificação à contribuinte, configurouse a decadência do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário objeto deste processo. Conclusão Essas as razões pelas quais voto por declarar, de ofício, a decadência do direito de lançar o crédito tributário em discussão. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/ 05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 (assinado digitalmente) __________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 69DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/ 05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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