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Numero do processo: 13502.000510/2007-52
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
LANÇAMENTO. LUCRO REAL. OMISSÃO DE RECEITAS. DEDUÇÃO DE CUSTOS RELATIVOS ÀS RECEITAS OMITIDAS. NÃO APRESENTAÇÃO NO MOMENTO DO LANÇAMENTO. ARBITRAMENTO DE LUCROS EM RAZÃO DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS NA FASE CONTENCIOSA. IMPOSSIBILIDADE.
A aferição da correição na forma de tributação utilizada no lançamento deve ser analisada à luz das circunstâncias existentes no momento da constituição do crédito tributário, não podendo ser definida a partir de elementos apresentados pelo contribuinte somente após a ciência do lançamento. Não há que se falar em cancelamento da exigência em razão de suposto erro na forma de tributação utilizada no lançamento baseando-se em fatos e elementos apresentados a destempo pelo sujeito passivo.
OMISSÃO DE RECEITAS. APURAÇÃO PELO LUCRO REAL. PRESUNÇÃO DE QUE OS CUSTOS E DESPESAS JÁ ESTÃO REGISTRADOS NA ESCRITURAÇÃO DO CONTRIBUINTE.
Tratando-se de omissão de receitas em pessoa jurídica tributada com base no lucro real, a base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro tem como ponto de partida o montante já declarado pelo contribuinte, devendo ser acrescida a receita omitida no respectivo período de apuração, compensando-se eventuais saldos de prejuízos fiscais e bases negativas de períodos anteriores nos limites estabelecidos na legislação. Isso porque se presume, até prova em contrário, que o custo da mercadoria vendida ou do serviço prestado está integralmente computado na apuração do lucro real, ainda que parte da receita tenha sido omitida. A omissão ocorre na receita e não nos custos ou despesas, devendo o lançamento ser realizado com base nos elementos disponíveis naquele momento.
OMISSÃO DE RECEITAS. REGISTROS EM LIVROS FISCAIS E CONTÁBEIS DE VALORES SIGNIFICATIVAMENTE INERIORES AOS DAS NOTAS FISCAIS. CONDUTA DOLOSA. MULTA QUALIFICADA.
Constatando-se que o valor das receitas registrado nos livros fiscais e contábeis é substancialmente inferior ao montante constante das notas fiscais emitidas pela pessoa jurídica, acarretando redução das bases de cálculos e dos tributos declarados ao Fisco, resta caracterizado o dolo suficiente para justificar a aplicação da multa qualificada.
Numero da decisão: 9101-003.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no me´rito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Lui´s Fla´vio Neto (relator), Cristiane Silva Costa e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Arau´jo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto - Relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Fla´vio Franco Corre^a, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Fla´vio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Arau´jo (Presidente em Exerci´cio). Ausente, justificadamente, o conselheiro Andre´ Mendes Moura, substitui´do pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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Recorrente UNIÃO (FAZENDA NACIONAL) Interessado HARMONIA SERVIÇOS EMPRESARIAIS LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 LANÇAMENTO. LUCRO REAL. OMISSÃO DE RECEITAS. DEDUÇÃO DE CUSTOS RELATIVOS ÀS RECEITAS OMITIDAS. NÃO APRESENTAÇÃO NO MOMENTO DO LANÇAMENTO. ARBITRAMENTO DE LUCROS EM RAZÃO DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS NA FASE CONTENCIOSA. IMPOSSIBILIDADE. A aferição da correição na forma de tributação utilizada no lançamento deve ser analisada à luz das circunstâncias existentes no momento da constituição do crédito tributário, não podendo ser definida a partir de elementos apresentados pelo contribuinte somente após a ciência do lançamento. Não há que se falar em cancelamento da exigência em razão de suposto erro na forma de tributação utilizada no lançamento baseandose em fatos e elementos apresentados a destempo pelo sujeito passivo. OMISSÃO DE RECEITAS. APURAÇÃO PELO LUCRO REAL. PRESUNÇÃO DE QUE OS CUSTOS E DESPESAS JÁ ESTÃO REGISTRADOS NA ESCRITURAÇÃO DO CONTRIBUINTE. Tratandose de omissão de receitas em pessoa jurídica tributada com base no lucro real, a base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro tem como ponto de partida o montante já declarado pelo contribuinte, devendo ser acrescida a receita omitida no respectivo período de apuração, compensandose eventuais saldos de prejuízos fiscais e bases negativas de períodos anteriores nos limites estabelecidos na legislação. Isso porque se presume, até prova em contrário, que o custo da mercadoria vendida ou do serviço prestado está integralmente computado na apuração do lucro real, ainda que parte da receita tenha sido omitida. A omissão ocorre na receita e não nos custos ou despesas, devendo o lançamento ser realizado com base nos elementos disponíveis naquele momento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 05 10 /2 00 7- 52 Fl. 4423DF CARF MF Processo nº 13502.000510/200752 Acórdão n.º 9101003.654 CSRFT1 Fl. 4.424 2 OMISSÃO DE RECEITAS. REGISTROS EM LIVROS FISCAIS E CONTÁBEIS DE VALORES SIGNIFICATIVAMENTE INERIORES AOS DAS NOTAS FISCAIS. CONDUTA DOLOSA. MULTA QUALIFICADA. Constatandose que o valor das receitas registrado nos livros fiscais e contábeis é substancialmente inferior ao montante constante das notas fiscais emitidas pela pessoa jurídica, acarretando redução das bases de cálculos e dos tributos declarados ao Fisco, resta caracterizado o dolo suficiente para justificar a aplicação da multa qualificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Cristiane Silva Costa e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado). (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN” ou “recorrente”), em face do acórdão n. 10323.634 (doravante Fl. 4424DF CARF MF Processo nº 13502.000510/200752 Acórdão n.º 9101003.654 CSRFT1 Fl. 4.425 3 “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela então 3a Câmara do 1o Conselho de Contribuintes (doravante “Turma a quo”), que tem como interessado HARMONIA SERVIÇOS EMPRESARIAIS LTDA (doravante “contribuinte” ou “recorrido”). A matéria ora trazida à análise desta Colenda Turma versa sobre o dever da autoridade fiscal realizar o lançamento de IRPJ e CSLL com base no regime no arbitramento de lucros, na hipótese em que há substancial omissão de receitas pelo contribuinte, bem como a redução da multa sobre os lançamentos atinentes a PIS e COFINS, originalmente lançada no percentual de 150%, para 75%. Conforme se colhe do acórdão recorrido, o contribuinte teria sido autuado a partir do seguinte contexto fático, in verbis: Fl. 4425DF CARF MF Processo nº 13502.000510/200752 Acórdão n.º 9101003.654 CSRFT1 Fl. 4.426 4 A Turma a quo decidiu dar provimento parcial ao recurso para cancelar os lançamentos de IRPJ e CSLL, bem como reduzir a multa de ofício dos lançamentos de PIS e COFINS para seu patamar regular de 75%. A decisão recorrida restou assim ementada: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2003 Ementa: OMISSÃO DE RECEITA A acusação foi de que a omissão de receita correspondeu a mais de 75% do faturamento. Esse montante, mesmo considerando a compensação ao prejuízo do período, nos leva a uma margem de lucro totalmente irreal. Não é, nem de longe, razoável simplesmente acrecer o valor omitido à tributação pelo lucro Fl. 4426DF CARF MF Processo nº 13502.000510/200752 Acórdão n.º 9101003.654 CSRFT1 Fl. 4.427 5 real. Se a omissão é de tal ordem, a conclusão necessária é a de que a escrituração era imprestável para a apuração do lucro real. Só restava à autoridade fiscal adotar o regime legalmente previsto para tal circunstância: o lucro arbitrado. MULTA QUALIFICADA. A escrituração a menor, uma vez que o sujeito passivo não alterou como registrado pela própria autoridade lançadora, qualquer nota fiscal, não justifica a exasperação da multa. CSLL.PIS.COFINS. Constitui receita da prestação do serviço de locação de mãodeobra que integra a base de cálculo do lucro real e das contribuições ao PIS e à Cofins, o valor recebido de seus clientes pela empresa de trabalho temporário, ainda que uma parte deste valor se destine: ao pagamento dos salários e encargos do trabalhador, que nada mais são do que custos da empresa prestadora do serviço. A PFN interpôs recurso especial em face da aludida decisão, ventilando as duas matérias acima elencadas (efls. 698 seg.), o qual foi admitido por despacho (efls. 4396 e seg.). O contribuinte foi intimado via edital, mas não apresentou contrarrazões ao recurso especial (efls. 4422 seg.). Concluise, com isso, o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luís Flávio Neto, relator. Compreendo que o despacho de admissibilidade bem analisou o cumprimento dos requisitos para a interposição do recurso especial de divergência interposto, razão pela qual não merece reparo, adotandose neste voto os seus fundamentos. Quanto ao mérito do recurso, especialmente em relação à primeira matéria ventilada no recurso especial da PFN (arbitramento dos lucros) é fundamental observar que a Constituição Federal atribuiu à lei complementar a função de definir os fatos geradores e bases de cálculo dos impostos: Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; Cumprindo as vezes desta lei complementar requerida pela Constituição, o Código Tributário Nacional (“CTN”) define abstratamente não apenas o fato gerador do imposto sobre a renda (CTN, art. 43), mas também as suas bases de cálculo, como se observa do art. 44: Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. Fl. 4427DF CARF MF Processo nº 13502.000510/200752 Acórdão n.º 9101003.654 CSRFT1 Fl. 4.428 6 Ainda cumprindo a sua função de estabelecer normas gerais, com a eficácia de vincular a todos os entes tributantes, o CTN também delimita abstratamente as hipóteses em que o recurso ao arbitramento poderá ser excepcionalmente adotado para o cálculo do tributo: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. No caso de tributos indiretos, como o ICMS ou o ISS, o preço de bens e serviços corresponde à própria base de cálculo do tributo. Para tributos diretos como o IRPJ e a CSLL, por sua vez, “o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos” são componentes positivos ou negativos na composição da base de cálculo, tomandoos em obrigatoriamente em consideração. Nesses termos, o CTN prescreveu vetores fundamentais quanto ao arbitramento da base de cálculo do imposto em tela: i) a base de cálculo poderá ser arbitrada pela autoridade fiscal (CTN, art. 44); ii) o arbitramento é cabível em hipóteses restritas, que têm como fim proteger o legítimo interesse arrecadatório da União dependente do correto conhecimento quanto ao valor de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos da órbita do contribuinte (CTN, art. 148: “Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, (...) sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado”) iii) presente a hipótese de arbitramento, este passa a ser dever de ofício da autoridade fiscal (CTN, art. 148: “sempre que (...) a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará”). iv) Deve ser assegurado ao contribuinte o direito ao contraditório e ampla defesa (CTN, art. 148: “ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial”). Por se tratar de uma norma geral, ao prescrever as normas de arbitramento para a tributação da renda e do lucro, a União deverá se abster aos lindes delimitados pelo CTN, bem como os intérpretes das leis ordinárias que venham a ser produzidas por esta deverão interpretálas com vistas à concretização dos referidos ditames do art. 148. Prosseguindo o ciclo de positivação ínsito ao Direito tributário brasileiro, o legislador ordinário estabeleceu critérios menos abstratos para a identificação dos casos em que a autoridade fiscal deverá apurar lucro da pessoa jurídica pelo método do arbitramento, bem Fl. 4428DF CARF MF Processo nº 13502.000510/200752 Acórdão n.º 9101003.654 CSRFT1 Fl. 4.429 7 como as fórmulas que devem ser utilizadas para tanto. É o que se observa dos arts. 47 e seg. da Lei n. 8.981/95: Lei n. 8.981/95 Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetido ao regime de tributação de que trata o DecretoLei nº 2.397, de 1987, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real. III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o art. 45, parágrafo único; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de cumprir o disposto no § 1º do art. 76 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958; VI o contribuinte não apresentar os arquivos ou sistemas na forma e prazo previstos nos arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, com as alterações introduzidas pelo art. 62 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991; (Revogado pela Lei nº 9.718, de 1998) VII o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. VIII o contribuinte não escriturar ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros ou registros auxiliares de que trata o § 2o do art. 177 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e § 2o do art. 8o do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1º Quando conhecida a receita bruta, o contribuinte poderá efetuar o pagamento do Imposto de Renda correspondente com base nas regras previstas nesta seção. § 2º Na hipótese do parágrafo anterior: a) a apuração do Imposto de Renda com base no lucro arbitrado abrangerá todo o anocalendário, assegurada a tributação com base no lucro real relativa aos meses não submetidos ao arbitramento, se a pessoa jurídica dispuser de escrituração exigida pela legislação comercial e fiscal que demonstre o lucro real dos períodos não abrangido por aquela modalidade de tributação, observado o disposto no § 5º do art. 37; b) o imposto apurado com base no lucro real, na forma da alínea anterior, terá por vencimento o último dia útil do mês subseqüente ao de encerramento do referido período. Vale observar que os dispositivos da Lei n. 8.981/95 que tratam do arbitramento foram reproduzidos pelo RIR/99 em seus arts. 530 e seg. O legislador ordinário, na diretriz do legislador complementar, especificou hipóteses em que omissões ou inexatidões atinentes à escrituração contábil e fiscal do contribuinte prejudicariam o legítimo interesse arrecadatório da União, dependente do correto conhecimento quanto ao valor de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos da órbita do contribuinte. Fl. 4429DF CARF MF Processo nº 13502.000510/200752 Acórdão n.º 9101003.654 CSRFT1 Fl. 4.430 8 Assim, deve haver arbitramento pela autoridade fiscal se o contribuinte, submetido ao lucro real, deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. A regra se aplica tanto na hipótese em que o contribuinte sequer os tenha elaborado ou mantido (Lei 8.981/95, art. 47, I), quanto nos casos em que ele a tenha elaborado mas se recuse a apresentála ao agente fiscal (Lei 8.981/95, art. 47, III; Súmula CARF n. 59). Em específico, deve o contribuinte manter, “em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário” (Lei 8.981/95, art. 47, VII). Notese que os documentos obrigatórios, cuja ausência é capaz de ensejar o arbitramento, incluem livros e registros auxiliares de natureza contábil ou fiscal. Ocorre que o contribuinte deverá utilizar exclusivamente livros ou registros auxiliares para evidenciar hipóteses a utilização de métodos ou critérios contábeis diferentes daqueles que geralmente seriam adotados em face de alguma norma, inclusive tributária que lhe tenha exigidos ou induzido a tal prática ou, ainda, determinado registros, lançamentos ou ajustes ou a elaboração de outras demonstrações financeiras (Lei n. 6.404, art. 177, § 2; DecretoLei no 1.598, art. 8o, § 2o). O lucro deverá ser arbitrado pela autoridade fiscal se o contribuinte não escriturar ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros ou registros auxiliares em questão (Lei 8.981/95, art. 47, VIII). Também pode acontecer de o contribuinte apresentar à fiscalização sua escrituração contábil a que está obrigado, mas esta revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que prejudiquem a apuração do tributo, hipótese em que lucro também deve ser arbitrado pela autoridade fiscal. O legislador, contudo, frisou o cabimento do arbitramento apenas na hipótese de alguma dessas máculas tornar a escrituração contábil do contribuinte imprestável para: “a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real” (Lei 8.981/95, art. 47, II). Se o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido, o lucro deverá ser arbitrado pela autoridade fiscal (Lei 8.981/95, art. 47, IV). Ademais, o lucro também deverá ser arbitrado pela autoridade fiscal se o contribuinte, embora seja legitimado a optar pelo lucro presumido, deixe de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal ou, no mínimo, o livro Caixa em que tenha escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei 8.981/95, art. 45 c/c art. 47, III). Há, ainda, previsões mais específicas. Assim, agentes ou representantes do comitente com domicílio fora do país deverá escriturar os seus livros comerciais de modo que demonstre, além dos próprios rendimentos, os lucros reais apurados nas operações de conta alheia, em cada ano. No caso, deve arbitrado o lucro se o contribuinte o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira descumprir esse dever (Lei 8.981/95, art. 47, V). Todas essas prescrições do legislador ordinário, como se pode observar, são vocacionadas à concretização das diretrizes acima analisadas. Merece cautela a interpretação do inciso II, art. 47, da Lei 8.981/95, que deixa expresso que o cabimento do arbitramento apenas se as máculas nele tratadas tornarem a escrituração contábil do contribuinte imprestável para: “a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real”. Ocorre que, embora esse dispositivo apresente ressalva expressa, essa mesma diretriz é comum à generalidade dos casos de arbitramento motivados em questões documentais. Fl. 4430DF CARF MF Processo nº 13502.000510/200752 Acórdão n.º 9101003.654 CSRFT1 Fl. 4.431 9 Uma análise sistemática, que considere ao menos os arts. 146 da Constituição e os arts. 44 e 148 do CTN, evidencia ser inaplicável uma interpretação a contrario sensu, no sentido de que a ressalva contida no inciso II, art. 47, da Lei 8.981/95 seria restrita a este, de forma que os demais incisos deveriam ser aplicados sem os aludidos limites. Interpretação diversa castigaria o legislador por querer se fazer mais claro ao tutelar as hipóteses do inciso II, art. 47, da Lei 8.981/95, convertendo uma pretendida garantia dos administrados em um enfraquecimento ou mesmo negativa de eficácia às normas que já seriam decorrentes da lei complementar préexistente (CTN, arts. 44 e 148). Todas as hipóteses de arbitramento baseadas em questões documentais, previstas pelo art. 47 da Lei 8.981/95, portando, são aplicáveis com o propósito finalístico, qual seja, proteger o legítimo interesse da União em aplicar adequadamente a lei tributária, dependente do correto conhecimento quanto ao valor de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos da órbita do contribuinte. Significa dizer que, ausente risco ao legítimo interesse da União, em contexto no qual reste assegurado à administração fiscal o razoável conhecimento quanto ao valor de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos da órbita do contribuinte, não há permissivo legal ao arbitramento dos lucros. No presente caso, é preciso decidir se a autoridade fiscal teria ou não o dever de realizar o lançamento de IRPJ e CSLL pelo arbitramento dos lucros, com fundamento no art. 47, II da Lei 8.981/95, em face de substancial omissão de receitas pelo contribuinte, equivalente a mais de 75% de suas receitas. Compreendo que o acórdão indicado como paradigma de divergência apresenta a interpretação mais adequada às normas que tutelam a hipótese em discussão. O art. 47, II, da Lei 8.981/95, estabelece o dever de a autoridade fiscal realizar o arbitramento da base de cálculo para o lançamento do tributo quanto a escrituração contábil deste contiver vícios que a tornem imprestáveis “a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real”. Se a escrituração fiscal mantida pelo contribuinte deixou de evidenciar mais de 75% das receitas auferidas pelo contribuinte, parece fora de dúvida a sua imprestabilidade para a determinação do lucro real ou mesmo para a identificação da efetiva movimentação financeira, sendo, portanto, mandatório o arbitramento, tal como decidiu a Turma a quo. Por sua vez, a segunda matéria ventilada no recurso especial da PFN diz respeito à qualificação da multa aplicada em relação aos lançamentos de PIS e de COFINS para 150%, a qual foi reduzida para 75% pelo acórdão a quo. Colhese do AIIM a seguinte explanação quanto à multa qualificada aplicada: “8. O lançamento foi efetuado com aplicação da multa de oficio agravada para 150%, nos termos da Lei n. 9.430/96, art. 44, inciso II, pela conduta dolosa do contribuinte em diminuir o crédito tributário efetivamente devido. O meio utilizado para a prática do ilícito foi a escrituração a menor de 68,83 % das notas fiscais, representando 75,52 % das receitas efetivamente obtidas. Esse fato caracteriza, em tese, a fraude definida no art. 72, da Lei n o 4.502/64. 9. A prática desse ilícito está definida na Lei de crimes contra a ordem tributária (Lei n ° 8.137/90), em seu art. 1, inciso II, ensejando a comunicação ao Fl. 4431DF CARF MF Processo nº 13502.000510/200752 Acórdão n.º 9101003.654 CSRFT1 Fl. 4.432 10 Ministério Público Federal, através de Representação Fiscal para fins penais. Assim, promovo a formalização do respectivo processo de Representação Fiscal para fins penais, que sera apensado ao processo administrativo fiscal que contem este auto de infração, e cujo tram̂ite e formalidades seguem o disposto na Portaria SRF n o 326/2005.” (grifo acrescido) A matriz legal prescrita pelo legislador ordinário prevê penalidades diferentes para hipóteses factuais distintas: multa de ofício de 75% (Lei n. 9.430/96, art. 44, I): cabível quando o sujeito passivo tributário deixar de pagar ou recolher, declarar ou apresentar declaração inexata do tributo devido; multa de ofício de 150% (Lei n. 9.430/96, art. 44, II): cabível quando o contribuinte além de deixar de pagar ou recolher, declarar ou apresentar declaração inexata do tributo devido, o faz mediante conduta dolosa, isto é, quando ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n. 4.502/64, notadamente fraude, sonegação ou conluio. O artigo 72 da Lei n. 4.502/64 prescreve a delimitação legal de “fraude” a que a Lei n. 9.430/96 faz remissão, a qual foi imputada ao contribuinte pelo AIIM. Por sua vez, os arts. 71 e 73 definem “sonegação” e “conluio”, respectivamente. Esse é texto legal: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Como se pode observar, embora fronteiriços, o legislador distinguiu os referidos institutos. Em especial, há “sonegação” quando, ocorrido o fato gerador, o sujeito, como dolo de evadir tributos, procura “impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária”; há, por sua vez, “fraude”, quando o sujeito, como dolo de evadir tributos, procura não apenas impedir ou retardar o conhecimento quanto à ocorrência do fato gerador, mas “impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas Fl. 4432DF CARF MF Processo nº 13502.000510/200752 Acórdão n.º 9101003.654 CSRFT1 Fl. 4.433 11 características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento”. Haveria “sonegação”, por exemplo, na hipótese de o sujeito prestar determinado serviço para o qual foi efetivamente contratado, pago e emitiu as devidas notas fiscais, mas a adoção de atos para impedir ou retardar o conhecimento do fisco a respeito de todos esses fatos. Por sua vez, haveria “fraude”, por exemplo, se esse sujeito, embora tenha sido remunerado pela prestação do aludido serviço, tenha inserido informações falsas nas notas fiscais emitidas (notas fiscais calçadas) ou, ainda tenha forjado contrato de empréstimo com o tomador para mascarar a ocorrência do fato gerador do tributo, o que poderia ensejar também o “conluio”. O voto vencedor da decisão recorrida restou assim fundamentada: Embora sucinto, o acórdão recorrido foi preciso ao identificar que, no caso concreto, “o sujeito passivo não alterou, como registrado pela própria autoridade lançadora, qualquer nota fiscal”, o que configuraria a ocorrência da “fraude” que lhe imputada. Seria possível discutir se o contribuinte teria praticado atos de “sonegação”, pela suposta e reiterada não escrituração e declaração de parte substancial de suas notas fiscais (“ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária”). No entanto, não é essa a acusação fiscal e a atribuição da multa qualificada de 150% sob tal fundamento, neste momento processual, configuraria inadmissível inovação do lançamento tributário. Nesse seguir, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Voto Vencedor Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Redator Designado. Com a devida vênia, ouso discordar do brilhante voto do ilustre relator, Conselheiro Luís Flávio Neto. O primeiro ponto objeto do recurso especial e que foi alvo de conhecimento diz respeito à ausência de arbitramento de lucros, na realização do lançamento, em razão de a fiscalização ter imputado ao contribuinte significativa omissão de receitas em relação aos rendimentos já declarados e oferecidos ao crivo da tributação. Fl. 4433DF CARF MF Processo nº 13502.000510/200752 Acórdão n.º 9101003.654 CSRFT1 Fl. 4.434 12 Pois bem, o Regulamento do Imposto de Renda – Decreto nº 3.000, de 1999, assim dispõe sobre o arbitramento de lucros: LUCRO ARBITRADO CAPÍTULO I HIPÓTESES DE ARBITRAMENTO Art. 529. A tributação com base no lucro arbitrado obedecerá as disposições previstas neste Subtítulo. Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. CAPÍTULO II BASE DE CÁLCULO Arbitramento pelo Contribuinte Art. 531. Quando conhecida a receita bruta (art. 279 e parágrafo único) e desde que ocorridas as hipóteses do artigo anterior, o contribuinte poderá efetuar o pagamento do imposto correspondente com base no lucro arbitrado, Fl. 4434DF CARF MF Processo nº 13502.000510/200752 Acórdão n.º 9101003.654 CSRFT1 Fl. 4.435 13 observadas as seguintes regras (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, §§ 1º e 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I a apuração com base no lucro arbitrado abrangerá todo o anocalendário, assegurada, ainda, a tributação com base no lucro real relativa aos trimestres não submetidos ao arbitramento, se a pessoa jurídica dispuser de escrituração exigida pela legislação comercial e fiscal que demonstre o lucro real dos períodos não abrangidos por aquela modalidade de tributação; II o imposto apurado na forma do inciso anterior, terá por vencimento o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento de cada período de apuração. Base de Cálculo quando conhecida a Receita Bruta Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). Pois bem, conforme se observa, o arbitramento de lucros deve ser realizado, inclusive de ofício, em diversas hipóteses, entre as quais, interessam para o deslinde da presente controvérsia as seguintes: a) o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; b) a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: i identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou ii determinar o lucro real; c) o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. No caso concreto, não vislumbro quaisquer das hipóteses alhures que fosse possível detectar no momento da realização do lançamento. E por que no momento do lançamento? Justamente por não haver como se cogitar da hipótese de lançamento condicional. Se a autoridade fiscal autuante não tiver a sua disposição elementos suficientes para outra tomada de decisão, o crédito tributário não pode ficar a mercê da falta de colaboração do contribuinte para realização do lançamento. Sobre o tema, há dois pontos a discorrer: em primeiro lugar, a respeito da impossibilidade de lançamento condicional, e, complementarmente, sobre a viabilidade de ser constituído o lançamento com os elementos que a autoridade fiscal dispuser. Fl. 4435DF CARF MF Processo nº 13502.000510/200752 Acórdão n.º 9101003.654 CSRFT1 Fl. 4.436 14 Inicio com a Súmula CARF nº 59, assim vazada: A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). No caso concreto, a Fiscalização envidou esforços para reconstituir a apuração do lucro real do contribuinte, e, mesmo na fase contenciosa, houve a redução da base de cálculo da exigência com a compensação de prejuízos fiscais de períodos comprovados somente com a apresentação de impugnação e recurso voluntário. Se o contribuinte disponibilizasse elementos de custo e despesa que pudessem reduzir a base de cálculo da exigência, poderia têlo feito durante o procedimento fiscal, ou, na pior das hipóteses, com a apresentação de impugnação, a fim de que não houvesse supressão de instância no exame de tais documentos. Assim não o fazendo, não pode o contribuinte, em seu recurso voluntário, apresentar nova apuração de lucro real, baseandose em supostos custos e despesas não registrados anteriormente, e, com base em tal argumentação, intentar que o lucro deveria ter sido arbitrado desde o momento do lançamento, requerendo o cancelamento integral da exigência. Ora, à época do procedimento fiscal, não poderia o Fisco concluir, a seu talante, que o contribuinte não havia registrado todos os seus custos e despesas, de modo a, supostamente, não ser possível determinar o lucro real. É importante ainda ressaltar que o contribuinte apresentou todos os livros comerciais e fiscais, incluindo o Livro Razão, em sua escrituração não havia sido apontado vícios que impossibilitariam a apuração do lucro real, bastando, como fez a autoridade fiscal autuante, adicionar as receitas omitidas e recompor o lucro real (se fossem apresentados comprovantes aptos para tanto, seriam ainda compensados prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL de períodos anteriores, o que somente se efetivou com a apresentação dos comprovantes durante o contencioso administrativo). A questão que se põe é: teria a autoridade fiscal condições de saber que havia custos e despesas não contabilizadas relativas às receitas omitidas? Evidentemente que não. Nesse sentido, considerandose que o contribuinte já optara pela tributação com base no lucro real trimestral, a autoridade fiscal tão somente aplicou o disposto no caput art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995, verbis: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. A esse respeito, e ainda sobre a presunção de que os custos e despesas das receitas omitidas já compunham o lucro real apurado pelo contribuinte, assim discorre Hiromi Higuchi1: 1 HIGUCHI, Hiromi; HIGUCHI, Fábio Hiroshi; HIGUCHI, Celso Hiroyuki. IMPOSTO DE RENDA DAS EMPRESAS – Interpretação e Prática. 32 ed. São Paulo: IR Publicações, 2007, p. 645 e 646. Fl. 4436DF CARF MF Processo nº 13502.000510/200752 Acórdão n.º 9101003.654 CSRFT1 Fl. 4.437 15 No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o art. 24 da Lei n° 9.249/95 silencia, mas a jurisprudência do 1° C.C. é mansa e pacifica no sentido de que a base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro é a própria importância da receita omitida. Isso porque presumese, até prova em contrário, que o custo da mercadoria vendida ou do serviço prestado está integralmente computado na apuração do lucro real, ainda que parte da receita tenha sido omitida. A omissão ocorre na receita e não nos custos ou despesas. [grifos nossos] Há de se salientar ainda que, dada a atividade desenvolvida pelo contribuinte, qual seja, a intermediação de mão de obra, a opção pelo lucro real se mostraria até mais benéfica do que pelo lucro arbitrado, uma vez que naquela forma de tributação permitese a dedução de todos os custos e despesas, enquanto que no lucro arbitrado, em que pese a aplicação de coeficiente de presunção de lucro para determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, o montante a ser tributado correspondente à receita bruta, sem qualquer dedução dos altos custos comumente atrelados a essa atividade. E não há que se falar em mero erro do contribuinte na apuração de sua receita, deduzindose os custos diretos da atividade para registro do “valor líquido” como receita, pois, conforme se discorrerá no tópico atinente à qualificação da multa, o que o contribuinte fez foi simplesmente registrar, em todos os seus livros contábeis e fiscais, valores de notas fiscais em montante ínfimo ao efetivamente faturado. A bem da verdade, o que o contribuinte desejou, ao fim ao e ao cabo, foi utilizar o arbitramento como argumento de defesa para beneficiarse de sua própria torpeza, o que não se pode admitir de maneira alguma. Conforme se extrai da Súmula CARF nº 59, não se admite o lançamento condicional quando se está diante de forma de apuração. Aplicandose tal entendimento, a contrario senso, podese afirmar: não fazendo o contribuinte prova, no momento do lançamento, de impossibilidade de apuração do lucro real, não cabe, com apresentação posterior de documentos, cancelarse o lançamento por suposto erro na forma de apuração do lucro tributável adotada no lançamento, podendose, a depender da apresentação de provas no momento adequado (matéria não objeto do presente recurso), admitir redução da base de cálculo já lançada, mantendose a forma de tributação utilizada na formalização da exigência. Além disso, o art. 845, II, do Decreto nº 3.000, de 1999, a seguir transcrito, permite ao Fisco realizar o lançamento com os elementos que dispuser quando os esclarecimentos prestados não forem satisfatórios: Art. 845. Farseá o lançamento de ofício, inclusive (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 79): I – [...] II abandonandose as parcelas que não tiverem sido esclarecidas e fixando os rendimentos tributáveis de acordo com as informações de que se dispuser, quando os esclarecimentos deixarem de ser prestados, forem recusados ou não forem satisfatórios; [grifos nossos] Fl. 4437DF CARF MF Processo nº 13502.000510/200752 Acórdão n.º 9101003.654 CSRFT1 Fl. 4.438 16 No que diz respeito ao percentual de omissão que daria ensejo ao arbitramento, além das razões já esposadas neste voto, saliento que tal aferição poderia implicar um certo grau de discricionariedade no lançamento, o que não se admite em atividade vinculada, nos termos do art. 142 do CTN. Além do mais, se, em tese, fosse adotado um percentual de omissão a partir do qual seria obrigatório o arbitramento de lucros, o que seria feito, no julgamento, com o lançamento caso houvesse exoneração de parte das receitas omitidas, a ponto de o percentual de omissão agora ficar abaixo do suposto limite que ensejaria o lançamento? O lançamento corretamente efetuado em relação à forma de apuração agora deveria ser integralmente cancelado, mesmo se confirmando a maior parte da omissão apontada? Ou, se o limite de omissão fosse 50% para não se arbitrar os lucros, seria razoável admitirse que quem omite 50% dos rendimentos não seria caso de arbitramento de lucros, mas para quem omite 50,1% dos rendimentos, sim? O direito não é uma ciência exata, e sua aplicação não deve ser feita como quem aplica uma regra matemática, e ainda com margens discricionárias e casuísticas não admitidas em matéria de lançamento, por força do disposto no art. 142 do CTN. É importante frisar que, tanto para a autoridade fiscal, como para o contribuinte, a alteração, no lançamento, na forma de apuração do lucro originalmente adotada pelo próprio contribuinte é situação extrema, incumbindo, a quem alega tal necessidade de alteração, angariar provas e argumentos robustos que demonstrem que, à época do lançamento, outra forma de apuração do lucro tributável deveria ter sido adotada2. No caso concreto, não há dúvidas que o contribuinte não se desincumbiu desse ônus. Correto, assim, o lançamento realizado com base no lucro arbitrado. O outro ponto controvertido é a aplicação da multa qualificada. Pois bem, a multa de 150% sobre o imposto de renda e contribuições apuradas com base em provas diretas, prevista no art. 44, inciso I, §1º, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, foi aplicada tendo em vista a suposta intenção dolosa do contribuinte. Aduziu a autoridade fiscal autuante que seria o caso de fraude. Para melhor entendimento, transcrevese, a seguir, a redação do art. 44 da Lei nº 9.430 de 1996, vigente à época dos fatos geradores: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de 2 Nesse sentido, nesta mesma sessão de julgamento e em situação inversa à tratada nos presentes autos, no processo a que se refere o Acórdão 9101003.644 votei favoravelmente ao contribuinte tanto no julgamento do recurso voluntário em que fui relator , quanto na apreciação do recurso especial da PGFN. Fl. 4438DF CARF MF Processo nº 13502.000510/200752 Acórdão n.º 9101003.654 CSRFT1 Fl. 4.439 17 novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. [...] Como visto, nos termos do inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996,vigente à época dos fatos geradores, somente era admitida a aplicação da multa no percentual de 150%, nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, que assim dispõem: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Desse modo, a multa de 150% de que trata o parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 (redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007), terá aplicação sempre que em procedimento fiscal constatarse a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Vêse que, para enquadrar determinado ilícito fiscal nos dispositivos dessa lei, há necessidade que esteja caracterizado o dolo. O dolo, que se relaciona com a consciência e a vontade de agir, é elemento de todos os tipos penais de que trata a Lei nº 4.502, de 1964, ou seja, a vontade de praticar a conduta, para a subsequente obtenção do resultado. Deve ficar demonstrada que a conduta praticada teve o intuito consciente voltado a suprimir ou reduzir o pagamento do tributo ou contribuições devidos. Relembremos a infração detectada pela autoridade fiscal: omissão de receitas baseada na diferença entre os valores constantes nas notas fiscais emitidas e os registrados em seu Livro de Apuração do ISS e nos Livros Diário e Razão. Conforme se observa, o contribuinte declarou a menor expressivos valores de receita durante todos os meses do ano de 2003. Comprovouse à exaustão, com expressa concordância do contribuinte, que valores efetivos de prestações de serviços constantes nas notas fiscais não correspondiam aos valores registrados em seus livros fiscais e contábeis e efetivamente oferecidos ao crivo da tributação. Esse procedimento configura, sem dúvida, a intenção dolosa na sua conduta com o propósito de impedir ou retardar, o conhecimento por Fl. 4439DF CARF MF Processo nº 13502.000510/200752 Acórdão n.º 9101003.654 CSRFT1 Fl. 4.440 18 parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador, enquadrandose na hipótese prevista no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964 (sonegação), também podendo ser enquadrada na hipótese de fraude prevista no art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964, haja vista o evidente intuito doloso de registrar em seus livros valores muito inferiores aos efetivamente faturados e constantes em notas fiscais de prestação de serviços. Esse "animus", vontade de querer o resultado, ou assumir o risco de produzi lo, ficou evidenciado e demonstrado nos autos, não podendo ser considerado mero erro de ordem material ou de interpretação de legislação, sem a caracterização de qualquer intuito doloso, posto que não se trata de atos isolados, mas reiteradamente praticados pelo contribuinte em todos os meses dos anocalendário de 2003, e em relação a inúmeras operações realizadas no mesmo período, recolhendo PIS e Cofins mensalmente, e IRPJ e CSLL trimestralmente considerando bases de cálculos diminutas, posteriormente declarando esses mesmos valores em DCTF trimestralmente, e confirmando seu intuito doloso ao inserir em sua DIPJ, transmitida no ano seguintes, valores de receitas inferiores às auferidas e de tributos devidos em montante reduzido aos efetivamente devidos. A esse respeito, destaco tabela contida no voto vencido do acórdão recorrido, onde resta evidente o dolo no agir do contribuinte: Conforme se observa, os valores escriturados em seus livros fiscais e contábeis chegaram a corresponder, em alguns meses, a menos de 10% das receitas auferidas, chamando ainda a atenção que os valores das notas fiscais relativos às dezenas de reais, e aos centavos, são sempre idênticos nas colunas “Valor da Emissão” e “Valor contabilizado”. Fl. 4440DF CARF MF Processo nº 13502.000510/200752 Acórdão n.º 9101003.654 CSRFT1 Fl. 4.441 19 Tratase, à toda evidência, de conduta que não pode ser comparada a uma simples omissão de receita decorrente, por exemplo, da não contabilização esporádica de uma nota fiscal, ou de um erro no valor registrado nos livros em determinada operação, ou ainda decorrente de omissão de receitas baseada em presunção legal (saldo credor de caixa, por exemplo), justificandose plenamente a exasperação da penalidade. Para o ilustre Conselheiro Relator, poderseia até mesmo falarse de ocorrência de sonegação (at. 71 da Lei nº 4.502, de 1964), mas, como a autoridade fiscal autuante teria indicado que a conduta do contribuinte estaria enquadrada no conceito de fraude (at. 72 da Lei nº 4.502, de 1964), não seria possível inovar o lançamento. Com a devida vênia, conforme já esmiuçado alhures, a conduta do contribuinte também se enquadra no conceito de fraude ao escriturar em seus livros fiscais e contábeis valores de receitas em patamares significativamente inferiores aos auferidos, uma vez que comprovouse ação dolosa do contribuinte tendente a, quando do exame de seus livros pelo Fisco, impedir ou retardar, ainda que parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, de modo a reduzir o montante de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins devidos. E ainda que assim não fosse, resta pacificado que o contribuinte defendese de fatos, e não do enquadramento legal apontado pelo Fisco. Nesse contexto, e considerandose não só a ausência de prejuízo ao pleno exercício de sua defesa, mas também que o contribuinte não se desincumbiu de seu ônus de provar a ausência de dolo em sua conduta, ainda que houvesse equívoco na qualificação jurídica dos atos perpetrados pelo contribuinte (fraude ao em vez de sonegação), poderseia manter a exasperação da penalidade baseandose na conduta descrita pela autoridade fiscal. Nesse sentido, transcrevemse inúmeros precedentes administrativos e judiciais sobre tema: EXECUÇÃO FISCAL. CERTIDÃO DE INSCRIÇÃO DA DÍVIDA ATIVA. OMISSÃO DE REQUISITO. 1) PERFAZENDOSE O ATO NA INTEGRAÇÃO DE TODOS OS ELEMENTOS RECLAMADOS PARA A VALIDADE DA CERTIDÃO, HÁ QUE ATENTARSE PARA A SUBSTÂNCIA E NÃO PARA OS DEFEITOS FORMAIS QUE NÃO COMPROMETEM O ESSENCIAL DO DOCUMENTO TRIBUTÁRIO. [...] INEXISTIU PREJUÍZO PARA A DEFESA, QUE SE EXERCITOU PLENAMENTE. AGRAVO REGIMENTAL DENEGADO. (SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, AI 81681 AGR/MG. AG.REG.NO AGRAVO DE INSTRUMENTO RELATOR: MIN. RAFAEL MAYER JULGAMENTO: 24/02/1981. [grifos nossos] EMBARGOS À EXECUÇÃO. PRAZO PARA PAGAMENTO DE SALÁRIOS. 1. A ERRÔNEA CAPITULAÇÃO NÃO INUTILIZA O AUTO DE INFRAÇÃO QUANDO OS FATOS ESTIVEREM DEVIDAMENTE NARRADOS, DE VEZ QUE O AUTUADO SE DEFENDE DOS FATOS E NÃO DA AUTUAÇÃO. (APELAÇÃO CIVEL PROCESSO: 9304456339. TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL QUARTA REGIÃO. QUINTA TURMA Fl. 4441DF CARF MF Processo nº 13502.000510/200752 Acórdão n.º 9101003.654 CSRFT1 Fl. 4.442 20 DATA DA DECISÃO: 14/12/1995. RELATOR(A): JUÍZA LUIZA DIAS CASSALES. DECISÃO: UNANIME.) [grifos nossos] TRIBUTÁRIO: EXECUÇÃO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. [...] IV A CAPITULAÇÃO LEGAL EQUIVOCADA DA INFRAÇÃO PERPETRADA É IRRELEVANTE, POSTO QUE A EMBARGANTE DEFENDESE DOS FATOS, NÃO HAVENDO SE FALAR EM PREJUÍZO OU NULIDADE NO CASO SUB EXAMEN. (APELAÇÃO CIVEL 324501. RELATOR: JUIZ ARICE AMARAL. TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL TERCEIRA REGIÃO. SEGUNDA TURMA DECISÃO: A SEGUNDA TURMA, POR UNANIMIDADE, DEU PROVIMENTO AO RECURSO DO INSS E À REMESSA OFICIAL. DATA DA DECISÃO: 30/10/2001.) [grifos nossos] PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO A MENÇÃO INCORRETA NA CAPITULAÇÃO LEGAL DA INFRAÇÃO OU MESMO A SUA AUSÊNCIA, NÃO ACARRETA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO, QUANDO A DESCRIÇÃO DOS FATOS DAS INFRAÇÕES NELE CONTIDA É EXATA, POSSIBILITANDO AO SUJEITO PASSIVO DEFENDERSE DE FORMA AMPLA DAS IMPUTAÇÕES QUE LHE FORAM FEITAS. (PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. NÚMERO DO RECURSO: 121753. CÂMARA: OITAVA CÂMARA. NÚMERO DO PROCESSO: 10480.010570/9711. DATA DA SESSÃO: 14/09/2000) [grifos nossos] TRIBUTÁRIO. AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL. [...]. I. A INDICAÇÃO NO AUTO DE INFRAÇÃO DE DISPOSITIVO RELATIVO À ÉPOCA DE SUA LAVRATURA E NÃO DOS FATOS, NÃO CONDUZ À SUA NULIDADE QUANDO ESTES ÚLTIMOS FORAM CORRETAMENTE DESCRITOS, POSSIBILITANDO, ASSIM, AO CONTRIBUINTE, SUA AMPLA DEFESA, [...] (REO REMESSA EXOFICIO 37689. TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL TERCEIRA REGIÃO. TERCEIRA TURMA. [grifos nossos] Desse modo, resta evidente que ainda que houvesse erro na capitulação da qualificação da multa, constatandose que a descrição da conduta permitiu o pleno exercício da defesa, não há que se falar em inovação no lançamento, justificandose o restabelecimento da multa de 150%. Fl. 4442DF CARF MF Processo nº 13502.000510/200752 Acórdão n.º 9101003.654 CSRFT1 Fl. 4.443 21 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 4443DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18186.722484/2017-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
IRPF. REVISÃO DE OFÍCIO DO LANÇAMENTO.
O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos casos em que reste comprovada falsidade, erro ou omissão, por quem de direito, quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória.
Numero da decisão: 2401-005.802
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Recorrente JOSE ROBERTO GOMES DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 IRPF. REVISÃO DE OFÍCIO DO LANÇAMENTO. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos casos em que reste comprovada falsidade, erro ou omissão, por quem de direito, quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 72 24 84 /2 01 7- 32 Fl. 202DF CARF MF Processo nº 18186.722484/201732 Acórdão n.º 2401005.802 S2C4T1 Fl. 203 2 Relatório Tratase de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física IRPF, fls. 50/53, decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual (DAA) anocalendário 2012, exercício 2013, que apurou imposto suplementar de R$ 106.968,42, acrescido de juros de mora e multa de ofício, em virtude de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de ação judicial, no valor de R$ 539.102,23. Foi compensado o imposto retido na fonte IRRF sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 35.798,71. Em impugnação apresentada às fls. 3/17, o contribuinte alega que o rendimento foi recebido em 2010 e que foi declarado na DIRPF 2011/2010, mas a fonte pagadora informou na DIRF 2013/2012. Diz que a renda recebida decorre de ação trabalhista e o valor de R$ 539.102,23 foi transferido para sua conta em 9/9/10 e 13/10/10, conforme TEDs anexados. Acrescenta que se o valor foi recebido em 2010 e declarado na DIRPF daquele ano calendário, qualquer valor devido encontrase decaído. Afirma que quem cometeu infração foi a fonte pagadora Bradesco SA, que, inclusive, lesou o direito de possível restituição do contribuinte, em razão da ausência de retenção do IRRF em 2010, pois se tais valores tivessem sido informados, seria possível requerer restituição. Os autos foram baixados em diligência, conforme acórdão recorrido: Tendo em vista que os documentos trazidos pelo impugnante foram insuficientes para se afirmar que o rendimento informado na DIRF referente ao anocalendário 2012 se trata do mesmo rendimento declarado em 2010, foi encaminhado o presente processo à Delegacia de origem, para que o contribuinte apresentasse : 1. cópia de documentos do processo judicial: sentença judicial ou acordo homologado judicialmente, planilha das verbas contendo os cálculos de liquidação de sentença, alvará de levantamento, etc. 2. certidão narratória da Justiça do Trabalho, Em resposta, em 24/08/2017, o contribuinte apresentou os documentos de fls. 79 a 101. Quanto à certidão narratória, solicitou prazo para apresentação. Posteriormente, em 21/11/2017, o contribuinte apresenta a certidão narratória (fls. 134 a 138). A DRJ/POA, julgou procedente em parte a impugnação, retificando o crédito tributário, conforme Acórdão 1061.138 de fls. 149/157. Consta do voto do acórdão recorrido que: O lançamento foi efetuado com base na DIRF apresentada pelo Banco do Brasil na qual consta um rendimento recebido pelo impugnante em 2012 no valor de R$ 539.102,23 e IRRF de R$ 35.798,71, decorrente de decisão da Justiça do Trabalho. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 18186.722484/201732 Acórdão n.º 2401005.802 S2C4T1 Fl. 204 3 A Certidão de Objeto e Pé, fls. 134/135, assim resume o crédito trabalhista: • Total dos Rendimentos Tributáveis: R$539.102,23 • Rendimentos Isentos e Não Tributáveis: R$ 466.893,00 • Quantidade de meses a que se referem os rendimentos: 59 meses. Nessa certidão não foi esclarecido quando o contribuinte recebeu esses valores. Analisando as informações complementares verificase que houve três expedições de Alvará de Levantamento em 2012. [...] Consultando a declaração de ajuste anual do exercício 2011, anocalendário 2010, apresentada pelo contribuinte, verificase que foi informado tão somente o valor de R$349.785,23, como rendimentos isentos. Não foi informado nenhum rendimento tributável referente à ação judicial. Desta forma, não é possível acatar a alegação do impugnante, pois os elementos trazidos aos autos são insuficientes para se afirmar que o contribuinte recebeu rendimentos da ação trabalhista somente em 2010. No entanto, deve ser observado que para os rendimentos recebidos acumuladamente aplicase a sistemática da tributação exclusiva na fonte. Para tanto, submetese os rendimentos no valor de R$539.102,23 para efeito de cálculo do imposto de renda, a tabela acumulada constante do anexo IV da IN RFB 1500, de 2014, alterada pela IN RFB 1558, de 31/03/2015, utilizandose, para o caso, a quantidade de 59 meses como NM (número de meses a que se referem os rendimentos). [...] Refazendo o cálculo do imposto devido na declaração de ajuste anual, apurase saldo de imposto suplementar a pagar no valor de R$ 67.178,73. Cientificado do Acórdão em 22/12/17 (rastreamento de fl. 162), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 22/1/18, fls. 166/182, que contém, em síntese: Reafirma que os valores decorrentes da ação trabalhista foram recebidos em 2010. Quanto aos alvarás expedidos em 2012, eles não foram levantados em favor do recorrente, mas em favor do Banco Bradesco, do INSS e da RFB. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 18186.722484/201732 Acórdão n.º 2401005.802 S2C4T1 Fl. 205 4 Acrescenta que a DIRPF 2013/2012 não possui rendimento algum em ação trabalhista, ao contrário do anocalendário 2010. Afirma que não houve omissão de rendimentos por parte do contribuinte, mas sim do Banco Bradesco (fonte pagadora), que somente em 2012, declarou os pagamentos realizados em 2010. Discorre sobre decadência e como os valores foram recebidos em 2010 e declarados na DIRPF 2011, o prazo final para o fisco imputar crédito tributário se expirou em 1/1/17 e a presente notificação se consumou em 13/2/17, estando qualquer pretensão do fisco decaída. Explica que o Banco Bradesco realizou o depósito de R$ 541.845,50, e desse valor foi subtraído R$ 2.773,27 depositado a maior, restando R$ 539.072,23, conforme alegado pelo fisco. O valor depositado pelo banco foi o valor bruto, não sendo este o valor recebido pelo recorrente. O valor recebido pelo recorrente em 2010 foi de R$ 349.785,23, o valor do INSS foi de R$ 72.208,93 e o IRPF foi de R$ 117.108,07 (total R$ 539.072,23). Assim, em 9/9/10 o recorrente retirou o alvará de levantamento da sua parcela, tendo o valor de R$ 30.203,79 retido na fonte. Acrescenta que me momento posterior, através do acórdão de agravo julgado em 2011, fora estipulado que o imposto de renda não deveria ser apurado sobre juros e férias indenizadas +1/3, ocasionando alterações quanto ao valor que deveria ser destinado à RFB a título de IRPF, passando a R$ 69.001,44. Como o recorrente já havia levantado o valor a ele destinado e fora retido na fonte o valor de R$ 30.203,79, fez jus ao saldo residual de R$ 38.797,65, que fora levantado apenas no ano seguinte. Conclui que não cometeu infração alguma, pois dos R$ 539.072,23, apenas R$ 349.785,23 foram recebidos, não havendo que se falar em imposto suplementar. Requer seja declarada a nulidade do auto de infração, pois qualquer pretensão do fisco encontrase fulminada pela decadência. No mérito, seja reconhecida a improcedência da autuação. É o relatório. Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 18186.722484/201732 Acórdão n.º 2401005.802 S2C4T1 Fl. 206 5 DECADÊNCIA Conforme explicado no acórdão recorrido, considerandose que os rendimentos tenham sido recebidos em 2012, não haveria que se falar em decadência. Como o fato gerador do IRPF, embora apurado mensalmente, está sujeito ao ajuste anual, quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva, não resta dúvida que ele é complexivo, aperfeiçoandose somente no dia 31/12 de cada ano calendário, conforme Lei 9.250/95, art. 8º. Dessa forma, considerando que tenha havido pagamento antecipado, pela regra de decadência prevista no § 4º do art. 150 do CTN, tendo o fato gerador se aperfeiçoado em 31/12/12, o prazo decadencial começaria a fluir em 1/1/13, tendo o Fisco o direito de lançar o crédito tributário até 31/12/17. Entretanto, como se verá no tópico a seguir, considerandose que os rendimentos foram recebidos em 2010, o fato gerador teria ocorrido em 31/12/10, iniciandose o prazo decadencial em 1/1/11 e extinguindose em 31/12/15. Logo, nesse caso, tendo ocorrido a decadência, não poderia ser apurado qualquer imposto suplementar considerado devido. Para os rendimentos recebidos em 2011, o prazo decadencial terminaria em 31/12/16. MÉRITO Da documentação trazida aos autos, vêse que: · Foi expedido alvará de levantamento 1791/2010 em 9/9/10 e o alvará 1822/2011 em 13/10/11. Observase também que em 27/9/12 e 28/9/12 foram expedidos três outros alvarás de levantamento 1974/2012, 1975/2012 e 1976/2012 (andamento processual, fls. 27/35). · Há comprovantes de TEDs: relativo ao alvará 1791/10, de 9/9/10, no valor de R$ 127.547,34, com crédito em 23/9/10; e relativo ao alvará 1822/2011, nos valores de R$ 26.140,39 e de R$ 70.675,90, ambos com crédito em 24/10/11 (fls. 36/38). · Na planilha de fl. 84, constam os valores: bruto reclamante de R$ 466.893,30, líquido reclamante de R$ 349.785,23, IRPF reclamante de R$ 117.108,07, INSS reclamada de R$ 72.208,93, total RS 539.102,23. · Em certidão de objeto e pé de fls. 134/138, consta que: a) Foi determinada a transferência dos valores ao INSS R$ 72.208,93 e à Receita Federal R$ 30.203,79; b) Total dos rendimentos tributáveis RS 539.102,23, Imposto de Renda Retido R$ 30.203,79, Rendimentos Isentos e Não tributáveis R$ 466.893,00; e c) Quantidade de meses a que se referem os rendimentos 59 meses. · Às fls. 184/186 constam cópias dos Alvarás: 1974, no valor de R$ 72.208,93 para o INSS; 1975, no valor de R$ 2.773,27, para o advogado da recorrida; e R$ 30.203,79 para o IR. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 18186.722484/201732 Acórdão n.º 2401005.802 S2C4T1 Fl. 207 6 · Às fl. 196/197, consta a determinação, datada de 18/4/11, para que sejam liberados os valores de R$ 48.106,63 (recálculo de IR) para o exequente, R$ 72.208,93 para o INSS, R$ 2.773,27 ao executado referente ao valor excedente, R$ 69.001,44 à Receita Federal. · À fl. 198 consta reconsideração do juízo, datada de 18/8/11, para retificar o valor do IR para R$ 30.203,79 e determinar a liberação ao autor do saldo remanescente de R$ 38.797,65, passando o valor liberado ao reclamante a R$ 86.904,28 e à Receita Federal de R$ 30.203,79. Diante dos fatos que se apresentam, restou comprovado que os alvarás expedidos em 2012 não tinham como objeto valores a serem pagos ao contribuinte, como por ele alegado. Dos documentos apresentados, inferese que o contribuinte recebeu os valores nos anos de 2010 e 2011, não tendo recebido valores adicionais em 2012, ano calendário objeto do presente lançamento. Assim, prestigiando a verdade material, não há como serem ignorados os elementos trazidos aos autos pelo contribuinte. O fato do imposto de renda retido ter sido disponibilizado no ano de 2012 pode ter determinado o envio da DIRF pela fonte pagadora somente naquele ano, contudo o contribuinte já tinha recebido os valores a ele devidos em anos anteriores, que não foram objeto do presente lançamento. Contudo, conforme se verifica das peças processuais da ação trabalhista, os valores batem nos centavos, sendo forte a prova produzida pelo contribuinte. Logo, se há alguém que tenha operado em ofensa aos comandos legais, esse alguém não foi o recorrente, não podendo este ser penalizado pelos fatos que se apresentam. Tais ocorrências autorizam a administração tributária a rever de ofício o lançamento efetuado, a teor dos incisos II e IV do art. 149 do CTN. Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: [...] II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; [...] IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; Fl. 207DF CARF MF Processo nº 18186.722484/201732 Acórdão n.º 2401005.802 S2C4T1 Fl. 208 7 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 208DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.001363/2004-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002
IRPF. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. POSSIBILIDADE. LEI COMPLEMENTAR Nº 105. CONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF.
O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 601314, e nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade - ADIs 2390, 2386, 2397 e 2859 garantiu ao Fisco o acesso a dados bancários dos contribuintes sem necessidade de autorização judicial, nos termos da Lei Complementar nº 105 e do Decreto nº 3.724, de 2001.
REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA (RMF). NECESSIDADE DE PRÉVIA INTIMAÇÃO. INEXIGÊNCIA DE ATENDIMENTO A PRÉVIA INTIMAÇÃO POSSIBILIDADE DE EMISSÃO DE RMF.
A expedição da RMF deve ser precedida de intimação ao sujeito passivo para prestar informações sobre a sua movimentação financeira, necessárias à execução do Mandado de Procedimento Fiscal. A legislação não estipula quantidade de intimações a serem feitas pela Fiscalização.
In casu, a contribuinte foi regularmente intimada a prestar as referidas informações, mas não o fez a contento.
MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Caracterizam-se omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MERAS ALEGAÇÕES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Reputa-se válido o lançamento relativo a omissão de rendimentos nas situações em que os argumentos apresentados pelo contribuinte consistem em mera alegação, desacompanhada de documentação hábil e idônea que lhe dê suporte.
Numero da decisão: 2401-005.766
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do imposto apurado os depósitos: a) ocorridos nos meses de setembro R$ 3.770,63, outubro R$ 3.508,97, novembro R$ 5.835,37 e dezembro R$ 3.508,97 de 2001; b) o saldo de R$ 19.871,83 do banco Banespa, já considerado pela DRJ, mas não excluído; e c) o valor de R$ 6.950,00 que já constava em 2000 (segundo fl. 369, Banco Real, setembro/2001).
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. POSSIBILIDADE. LEI COMPLEMENTAR Nº 105. CONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 601314, e nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade ADIs 2390, 2386, 2397 e 2859 garantiu ao Fisco o acesso a dados bancários dos contribuintes sem necessidade de autorização judicial, nos termos da Lei Complementar nº 105 e do Decreto nº 3.724, de 2001. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA (RMF). NECESSIDADE DE PRÉVIA INTIMAÇÃO. INEXIGÊNCIA DE ATENDIMENTO A PRÉVIA INTIMAÇÃO POSSIBILIDADE DE EMISSÃO DE RMF. A expedição da RMF deve ser precedida de intimação ao sujeito passivo para prestar informações sobre a sua movimentação financeira, necessárias à execução do Mandado de Procedimento Fiscal. A legislação não estipula quantidade de intimações a serem feitas pela Fiscalização. In casu, a contribuinte foi regularmente intimada a prestar as referidas informações, mas não o fez a contento. MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 13 63 /2 00 4- 21 Fl. 1679DF CARF MF 2 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizamse omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MERAS ALEGAÇÕES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Reputase válido o lançamento relativo a omissão de rendimentos nas situações em que os argumentos apresentados pelo contribuinte consistem em mera alegação, desacompanhada de documentação hábil e idônea que lhe dê suporte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do imposto apurado os depósitos: a) ocorridos nos meses de setembro R$ 3.770,63, outubro R$ 3.508,97, novembro R$ 5.835,37 e dezembro R$ 3.508,97 de 2001; b) o saldo de R$ 19.871,83 do banco Banespa, já considerado pela DRJ, mas não excluído; e c) o valor de R$ 6.950,00 que já constava em 2000 (segundo fl. 369, Banco Real, setembro/2001). (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. Fl. 1680DF CARF MF Processo nº 13819.001363/200421 Acórdão n.º 2401005.766 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório WILSON AYRES, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 4a Turma da DRJ em São Paulo/SP, Acórdão nº 1729.758/2009, às fls. 454/467, que julgou parcialmente procedente o Auto de Infração exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da constatação de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósitos de origem na comprovadas, em relação aos anoscalendário 1999 a 2002, conforme Termo de Verificação Fiscal, às efls. 248/252, e Auto de Infração, às efls. 351/355, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 30/06/2004 (termo de encerramento às efls. 355), nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrentes do seguinte fato gerador: a) DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Conforme descrito no Termo de Verificação. Inconformado com a Decisão recorrida, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 480/508, procurando demonstrar a total improcedência do Auto, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera as razões da impugnação, primeiramente, de forma preliminar, insurgindo se contra aplicação retroativa da Lei Complementar n°105/2001 quanto aos fatos geradores referentes aos anoscalendário 1999 e 2000, requerendo assim a improcedência destes. Ainda em sede de preliminar, pugna pela anulação do Auto de Infração, haja vista a não obediência às normas que obrigam a autoridade administrativa a justificar o motivo que enseja a análise indispensável das informações bancárias (art. 6° da LC 105/2001 c/c § 5°, do art. 2° c/c art. 3°, do Decreto n° 3.724/2001), bem como pela não expedição e juntada da RMF (§1° e §2° do art. 4° do Decreto n° 3.724/2001) perante às instituições financeiras, onde o Recorrente possui contas bancárias. Esclarece que não pode uma relação de movimentação financeira fundamentar a constituição de um crédito tributário de IRPF, pois sua utilização, por si só, não tem o condão de provar o efetivo acréscimo no patrimônio do contribuinte, trazendo informações quanto aplicações e colacionando jurisprudência. Afirmar ter a fiscalização se iniciado através de memorando da DEFIC/SP sobre investigação de uma denúncia anônima, tendo a fiscalização se pautando em fatores distintos do que permitem a legislação tributária, desobedecendo o princípio da impessoalidade e a limitação do poder de tributar. Fl. 1681DF CARF MF 4 Alega ter a autoridade fiscal cerceado o direito de defesa do contribuinte, no momento da desconsideração da dilação de prazo para entrega de novos documentos, requerendo a nulidade do auto. Sustenta que, lamentavelmente, as autoridades fazendárias não consideraram como justificativas de depósitos bancários, os rendimentos obtidos pelo recorrente, juntos às pessoas físicas (clientes), rendimentos isentos e tributados exclusivamente na fonte e empréstimos com terceiros (Norberto Pompermayer), valores correspondentes à venda de bens imóveis (matrícula do imóvel alienado devidamente acostada) e móveis (documento de transferência devidamente acostado), os quais transitaram pelas contas bancárias e que constaram nas Declarações de Ajuste Anual efetuadas, nos exercícios de 2000 a 2003. Em defesa de sua pretensão, traz para cada anocalendário justificativas específicas para os depósitos e rendimentos que entende deveriam ter sido considerados, além de repisar a natureza confiscatória do presente lançamento. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. Após, regular processamento do feito, o processo foi pautado para julgamento no dia 22 de janeiro de 2013 pelo Nobre Conselheiro Relator Dr. Carlos André Ribas de Mello, integrante da 2° Turma Especial, oportunidade em que o Colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência para sobrestar o feito nos termos da Resolução n° 2802000.120, vejamos: (...) O recurso ora analisado foi interposto no âmbito de procedimento administrativo • no qual foi constituído, contra o recorrente, crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda. A autuação utilizou como fundamento depósitos bancários de origem não comprovada caracterizandoos como omissão de rendimentos. Para alcançar seu desiderato, a Fiscalização informações da CPMF do período, depreendendo a movimentação financeira do Contribuinte a partir das informações de recolhimento deste tributo (fls. 240). A constitucional idade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais está sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário n° 601.314, que tramita em regime de repercussão geral, reconhecida em 22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita: (...) Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao • art. 62A, §1% do Regimento Interno do CARF e à Portaria CARF n°1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1% Parágrafo Único). Nesses termos, sou pelo sobrestamento do presente recurso, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário n° 601.314, pelo STF." Fl. 1682DF CARF MF Processo nº 13819.001363/200421 Acórdão n.º 2401005.766 S2C4T1 Fl. 4 5 Após retorno ao Egrégio Conselho, o processo foi pautado e novamente convertido o julgamento em diligência nos termos da Resolução n° 2401000.549, in verbis: O lançamento de oficio teve por base as informações da movimentação financeira do recorrente, colhidas por meio dos documentos ofertados pelas instituições financeiras, portanto, os requisitos para solicitação dessas informações são essenciais e indispensáveis para a convicção deste Conselheiro e deslinde da demanda. Nestes termos, não podemos deixar de lado a ausência de documentação essencial ao deslinde da controvérsia. Entrementes, devem ser anexadas ao processo os documentos mencionados abaixo e respondidas as seguintes indagações: 1) Manifestarse se houve recusa ou falta de atendimento da intimação por parte do contribuinte. E quem foi responsável por juntar as planilhas de efls 14/112; 2) Acostar aos autos a reintimação do contribuinte, bem como o relatório circunstanciado, em que esteja descrita a motivação da proposta de expedição da RMF; 3) Anexar aos autos a RMF, elucidando cronologicamente se foi expedida antes ou após intimação do contribuinte, além de todas informações apresentadas pelas instituições financeiras. (extratos etc) Em resposta a diligência encimada, a autoridade administrativa elaborou informação fiscal às efls. 1.655/1.662, aduzindo o seguinte: Pelo fato da manifestação e dos documentos acostados à mesma serem dirigidos à Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, bem como não esclarecerem o que foi requisitado ao contribuinte, este servidor não irá se manifestar a respeito da mesma, embora a mesma tenha sido inserida ao processo. Dos atos realizados no curso do presente procedimento Nos parágrafos seguintes, passamos a enfrentar as requisições feitas pela Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Manifestar – se houve recusa ou falta de atendimento da intimação por parte do contribuinte. E quem foi responsável por juntar as planilhas de efls14/112; A leitura do processo e dos demais documentos produzidos no curso do procedimento administrativo de fiscalização, que resultou na lavratura do auto de infração ora impugnado, aponta a prática dos seguintes atos jurídicos administrativos e materiais. O contribuinte foi intimado no dia 06 (seis) de outubro de 2003 a apresentar diversos documentos, entre eles os extratos bancários relativos aos anos de 1998 a 2002, no prazo de 20 dias (folhas 04 a 07 do volume I, do processo). Fl. 1683DF CARF MF 6 (...) Acostar aos autos a reintimação do contribuinte, bem como o relatório circunstanciado, em que esteja descrita a motivação da proposta de expedição da RMF. Após o contribuinte não cumprir a obrigação de apresentar os extratos bancários no termo final determinado pelo próprio, qual seja, o dia 28 (vinte e oito) de novembro de 2003, bem como manter – se em silêncio e inerte, não solicitando nova dilação de prazo, este servidor não enviou um termo de reintimação fiscal, mas sim, lavrou a Solicitação de Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira, que resultou na “RMF”, que foi utilizada como instrumento para a quebra de sigilo administrativo do sigilo bancário. De outra feita, anexamos a cópia da Solicitação de Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF), no qual consta a motivação para a emissão da mesma. Outrossim, foi fornecida cópia da Solicitação de Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira ao diligenciado. (...) Anexar aos autos a RMF, elucidando cronologicamente se foi expedida antes ou após intimação do contribuinte, além de todas informações apresentadas pelas instituições financeiras. (extratos etc) A leitura dos autos do processo revela a existência dos seguintes atos administrativos: 1º O termo de Início de Fiscalização foi cientificado ao contribuinte no dia 06 (seis) de outubro de 2003 (folhas 04 a 06 do volume I, do processo) para que este apresentasse, entre outros documentos, os extratos bancários, no prazo de 20 (vinte) dias. 2º No dia 28 (vinte e oito) de outubro de 2003 (folhas 132 e 133, do Volume I, do processo), o fiscalizado protocolizou um pedido de dilação de prazo de 30 dias para apresentar os extratos bancários, cujo termo final ocorreu no dia 28 (vinte e oito) de novembro de 2003. 3º Como o contribuinte após o termo final (28/11/2003) solicitado pelo mesmo para o cumprimento da obrigação de apresentar os extratos bancários, manteve – se silente e inerte, ou seja, desapareceu, este servidor lavrou a Solicitação de Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira no dia 05 (cinco) de dezembro de 2003, ou seja, após o prazo solicitado pelo mesmo para o cumprimento da obrigação, uma vez que demonstrou que não cumpriria espontaneamente a obrigação. 4º Após a lavratura da Solicitação de Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira no dia 05 (cinco) Fl. 1684DF CARF MF Processo nº 13819.001363/200421 Acórdão n.º 2401005.766 S2C4T1 Fl. 5 7 de dezembro de 2003 e que foram emitidas as “RMF”, todas nessa data.(...) O contribuinte devidamente intimado do resultado da diligência, protocolou manifestação, efls. 1.668/1.675, expondo os seguintes pontos: a) Da patente atitude tendenciosa do senhor auditorfiscal para cercear o direito de defesa do recorrente; b) Das considerações sobre a documentação de efls. 579/1.613, que acarretam na nulidade do presente auto de infração; c) Da inviabilidade da presunção de que o recorrente não cumpriria a obrigação determinada na instauração do procedimento fiscal; d) Da quebra antijurídica do sigilo bancário e da não emissão de relatório circunstanciado, anterior à lavratura das RMF; e e) Da ilação lógica. Após retorno ao Egrégio Conselho, os autos retornaram para minha relatoria e conseguinte inclusão em pauta É o relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. PRELIMINAR DE NULIDADE QUEBRA DO SIGILO/ CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA/ RMF Preliminarmente insurgese contra aplicação retroativa da Lei Complementar n°105/2001 quanto aos fatos geradores referentes aos anoscalendário 1999 e 2000, requerendo assim a improcedência destes. Nesse sentido, é importante salientar que, em recente assentada (24/02/2016), o Supremo Tribunal Federal julgou, com repercussão geral, constitucionais os dispositivos da LC n° 105/2001 que permitem à Receita Federal obter dados bancários de contribuintes, fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial1. Prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. Ainda em sede de preliminar, pugna pela anulação do Auto de Infração, haja vista a não obediência às normas que obrigam a autoridade administrativa a justificar o motivo que enseja a análise indispensável das informações bancárias (art. 6° da LC 105/2001 c/c § 5°, Fl. 1685DF CARF MF 8 do art. 2° c/c art. 3°, do Decreto n° 3.724/2001), bem como pela não expedição e juntada da RMF (§1° e §2° do art. 4° do Decreto n° 3.724/2001) perante às instituições financeiras, onde o Recorrente possui contas bancárias. Afirmar ter a fiscalização se iniciado através de memorando da DEFIC/SP sobre investigação de uma denúncia anônima, tendo a fiscalização se pautando em fatores distintos do que permitem a legislação tributária, desobedecendo o princípio da impessoalidade e a limitação do poder de tributar. Pois bem. Tendo em vista que o recorrente suscita cerceamento de defesa, transcrevese o disposto no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, que, tratando da matéria, assim estabelece em seus artigos 59 e 60: Ari. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na .solução do litígio. Não se vislumbra, no caso em exame, a ocorrência de qualquer das hipóteses retro transcritas, visto que o lançamento foi levado a efeito por autoridade competente, tendo lhe sido concedido o mais amplo direito, pela oportunidade de apresentar, já na fase de instrução do processo, em resposta às intimações que recebeu, argumentos, alegações e documentos no sentido de tentar elidir as intimações apuradas pela fiscalização. Por fim, o contribuinte teve ciência do mesmo, exercendo amplamente o seu direito de defesa, conforme impugnação recebida e conhecida. Observese, ademais, que o procedimento fiscal é uma fase oficiosa em que a fiscalização atua com poderes amplos de investigação, tendo liberdade para interpretar os elementos de que dispõe para efetuar o lançamento. Nessa fase, o Fisco submetese à regra geral do ônus da prova prevista no Processo Civil que serve como fonte subsidiária ao processo administrativo fiscal. Como, ainda, não há processo instaurado, mas tãosomente procedimento, não se pode falar em direito de defesa. Antes da impugnação, não há litígio, não há contraditório e o procedimento é levado a efeito, de oficio, pelo Fisco. O ato do lançamento é privativo da autoridade, e não uma atividade compartilhada com o sujeito passivo (CTN, art.142). Mesmo em uma posição limítrofe em que não houvesse sequer intimação no início da ação fiscal, pairaria incólume o lançamento efetuado. Em relação ao RMF, de pronto já se verifica que o Recorrente parte da equivocada premissa de que a requisição diretamente à instituição financeira somente poderia ocorrer se não fossem atendidas as intimações feitas ao contribuinte. Não é essa a interpretação correta do dispositivo regulamentar, como se vê: Art. 2º ............................................................................................. §5° A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio de servidor ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, somente poderá examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros Fl. 1686DF CARF MF Processo nº 13819.001363/200421 Acórdão n.º 2401005.766 S2C4T1 Fl. 6 9 de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. (Redação dada pelo Decreto nº 6.104, de 2007). (...) Art.3° Os exames referidos no § 5o do art. 2o somente serão considerados indispensáveis nas seguintes hipóteses: (...) XI presença de indício de que o titular de direito é interposta pessoa do titular de fato. §2° Considerase indício de interposição de pessoa, para os fins do inciso XI deste artigo, quando: I as informações disponíveis, relativas ao sujeito passivo, indicarem movimentação financeira superior a dez vezes a renda disponível declarada ou, na ausência de Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda, o montante anual da movimentação for superior ao estabelecido no inciso II do §3o do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996; (...) Art. 4º Poderão requisitar as informações referidas no § 5º do art. 2º as autoridades competentes para expedir o TDPF. (Redação dada pelo Decreto nº 8.303, de 2014) §1° A requisição referida neste artigo será formalizada mediante documento denominado Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) e será dirigida, conforme o caso, ao:(...) Analisando as regras regulamentares para obtenção de informações financeiras, percebese que não é cabível a tese sustentada pelo Recorrente. É certo que, antes da emissão da RMF, o contribuinte deve ser intimado, sob pena de nulidade do procedimento. Mas isso não vale dizer que a emissão da RMF só se justifica quando e se o contribuinte não atender integralmente a intimação, senão não teria finalidade o disposto §4º do citado regulamento, que prevê o cotejo das informações prestadas pelo contribuinte e aquelas obtidas das instituições financeiras: §4° As informações prestadas pelo sujeito passivo poderão ser objeto de verificação nas instituições de que trata o art. 1°, inclusive por intermédio do Banco Central do Brasil ou da Comissão de Valores Mobiliários, bem assim de cotejo com outras informações disponíveis na Secretaria da Receita Federal. Da mesma forma, a legislação não estipula a quantidade de intimações a serem elaboradas, somente determina que deve haver prévia intimação ao sujeito passivo para prestar as referidas informações. Pode, portanto, haver uma ou mais de uma intimação ao sujeito passivo para prestar tais informações. No caso sob análise, houve uma. No presente caso, o Recorrente foi intimado, em 06/10/2003 (fl. 04/06), apresentou resposta à intimação em 28/10/2003 (fl. 132/133) e a RMF foi expedida em Fl. 1687DF CARF MF 10 05/12/2003. Portanto, o requisito regulamentar de prévia intimação do contribuinte foi cumprido. Em face do exposto, rejeito os argumentos suscitados. MÉRITO O contribuinte esclarece que não pode uma relação de movimentação financeira fundamentar a constituição de um crédito tributário de IRPF, pois sua utilização, por si só, não tem o condão de provar o efetivo acréscimo no patrimônio do contribuinte, trazendo informações quanto aplicações e colacionando jurisprudência. Sustenta que, lamentavelmente, as autoridades fazendárias não consideraram como justificativas de depósitos bancários, os rendimentos obtidos pelo recorrente, juntos às pessoas físicas (clientes), rendimentos isentos e tributados exclusivamente na fonte e empréstimos com terceiros (Norberto Pompermayer), valores correspondentes à venda de bens imóveis (matrícula do imóvel alienado devidamente acostada) e móveis (documento de transferência devidamente acostado), os quais transitaram pelas contas bancárias e que constaram nas Declarações de Ajuste Anual efetuadas, nos exercícios de 2000 a 2003. A tributação com base em depósitos bancários, a partir de 01/01/97, é regida pelo art. 42 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, publicada no DOU de 30/12/1996, que instituiu a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprovasse mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Confirase: Art. 42, Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição . financeira, em relação aos quais o titular, pessoa _física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados. I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa .física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 Oitenta mil reais) (Alterado pela Lei n" 9.481, de 13.897). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Fl. 1688DF CARF MF Processo nº 13819.001363/200421 Acórdão n.º 2401005.766 S2C4T1 Fl. 7 11 § 5° Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será *tirada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(incluído pela Lei n°10.637, de 30.12.2002). § 6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares' tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. ('Incluído pela Lei n°10637, de 30,12,2002). O fato gerador do imposto de renda é sempre a renda auferida. Os depósitos bancários (entrada de recursos), por si só, não se constituem em rendimentos. Daí por que não se confunde com a tributação da CPMF, que incide sobre a mera movimentação financeira, pela saída de recursos da conta bancária do titular. Por força do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, o depósito bancário foi apontado corno fato presuntivo da omissão de rendimentos, desde que a pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados na operação. Para Pontes de Miranda, presunções são fatos que podem ser verdadeiros ou falsos, mas o legislador os têm corno verdadeiros e divide as presunções em iuris et de iure (absolutas) e iuris tantum (relativas). As presunções absolutas, na lição deste autor, são irrefragáveis, nenhuma prova contrária se admite; quando, em vez disso, a presunção for iuris tantum, cabe a prova em contrário, conforme demasiadamente tratado em diversos outros votos deste Relator. Conforme destacado anteriormente, na presunção o legislador apanha um fato conhecido, no caso o depósito bancário e, deste dado, mediante raciocínio lógico, chega a um fato desconhecido que é a obtenção de rendimentos. A obtenção de renda presumida a partir de depósito bancário é um fato que pode ser verdadeiro ou falso, mas o legislador o tem corno verdadeiro, cabendo à parte que tem contra si presunção legal fazer prova em contrário. Neste sentido, não se pode ignorar que a lei, estabelecendo uma presunção legal de omissão de rendimentos, autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. Em síntese, a lei considera que os depósitos bancários, de origem não comprovada, analisados individualizadamente, caracterizam omissão de rendimentos. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. A caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um depósito bancário, considerado isoladamente. Pelo contrário, a presunção de omissão de rendimentos está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos recursos depositados em contas bancárias, com a análise individualizada dos créditos, conforme expressamente previsto na lei. Portanto, claro está que o fato gerador do imposto de renda, no caso, não está vinculado ao crédito efetuado na conta bancária, pois, se o crédito tiver por origem transferência de outra conta do mesmo titular, ou a alienação de bens do patrimônio do contribuinte, ou a assunção de exigibilidade, como dito anteriormente, não cabe falar em rendimentos ou ganhos, justamente porque o patrimônio da pessoa não terá sofrido qualquer alteração quantitativa. O fato gerador é a circunstância de tratarse de dinheiro novo no seu Fl. 1689DF CARF MF 12 patrimônio, assim presumido pela lei em face da ausência de esclarecimentos da origem respectiva. Quanto à tese de ausência de evolução patrimonial ou consumo capaz de justificar o fato gerador do imposto de renda, é verdade que este imposto, conforme prevê o artigo 43 do CTN, tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, isto é, de riqueza nova. Entretanto, o legislador ordinário presumiu que há aquisição de riqueza nova nos casos de movimentação financeira em que o contribuinte não demonstre a origem dos recursos. A atuação da administração tributária é vinculada à lei (artigo 142 do CTN), sendo vedado ao fisco declarar a inconstitucionalidade de lei devidamente aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente da República. Neste diapasão, existe a Súmula CARF n° 02 consolidando sua jurisprudência no sentido de que o Órgão "não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." A partir da vigência do artigo 42 da Lei n° 9,430, de 1996, os depósitos bancários deixaram de ser "modalidade de arbitramento" que exigia da fiscalização a demonstração de gastos incompatíveis com a renda declarada (aquisição de patrimônio a descoberto e sinais exteriores de riqueza), conforme interpretação consagrada pelo poder judiciário e por este Tribunal. A fim de consolidar o entendimento deste CARF sobre a matéria foi editada a Súmula de n° 26, com a seguinte redação: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. O recorrente alega que a autuação cometeu erros materiais, que se analisa a seguir: No anocalendário de 2001, os saldos do Banco Real conta n° 5.976.9626P, correspondentes aos depósitos ocorridos nos meses de setembro R$3.770,63, outubro R$3.508,97, novembro R$5.835,37 e dezembro R$3.508,97, constantes do Mapa de Conciliação de Estouro de Caixa Mensal, relativos ao confronto entre os valores depositados por fonte pagadora e depósitos (doc. n° 8), foram erroneamente copiados pela Recorrida do ano de 2000 do mesmo Mapa de Confronto, conforme comprova o documento n° 9 anexado, portanto, ocorreu no ano de 2001 um erro de R$16.623.94 (dezesseis mil, seiscentos e vinte e três mil reais e noventa e quatro centavos), no Mapa final de Confronto entre os valores depositados por fonte pagadora e depósitos bancários. Em relação a este apontamento, os demonstrativos relativos ao ano calendário 2000 (o inicial, enviado ao contribuinte pela intimação, às fls. 36 e 37, e o denominado "Consolidação dos Depósitos Mensais por Fonte Pagadora", que serviu de base à autuação, à fls. 286) e dos referentes ao anocalendário 2001 (o inicial, enviado ao contribuinte pela intimação, às fls. 47 e 48, e o denominado "Confronto entre os Valores Depositados por Fonte Pagadora e Depósitos Bancários", que serviu de base à autuação, à fl. 305), constam os mesmos valores para os meses de setembro, outubro, novembro e dezembro, sendo que no demonstrativo inicial de 2001 constam datas de 2000 (fls. 47/48). Assim, confirmado o erro do auditor fiscal da repetição dos valores referentes ao 2000 para 2001, devem ser excluídos da base de cálculo os depósitos ocorridos nos meses de setembro R$3.770,63, outubro R$3.508,97, novembro R$5.835,37 e dezembro R$3.508,97 de 2001. A recorrida reconheceu que no anocalendário de 2001, no tocante à conta n° 435.920202951, do banco Banespa, o saldo de R$19.871,83 está errado, pois conforme extratos da própria fiscalização não houve movimentação e portanto, deve ser excluído. Porém, no quadro de fls. 455 não o fez, e por conseguinte.tais valores constam do lançamento arbitrado. Fl. 1690DF CARF MF Processo nº 13819.001363/200421 Acórdão n.º 2401005.766 S2C4T1 Fl. 8 13 A DRJ entendeu não haver tal movimentação, portanto ratifico o entendimento por ela exarado. O valor de R$6.950,00 foi constado em 2000 e repetido por lapso em 2001, conforme foi demonstrado nos documentos n os. 8 e 9 anexados. Como já mencionado no parágrafo encimado, a autoridade lançadora incorreu em erro ao lançar em duplicidade os valor relativo ao ano 2000, também para 2001, portanto, deve ser excluído do lançamento o valor de R$ 6.950,00 que já constava em 2000 (segundo fl. 369, Banco Real, setembro/2001) Nos anoscalendário de 1999 a 2002, lamentavelmente, a Recorrida não considerou como JUSTIFICATIVAS de Depósitos Bancários, os rendimentos obtidos pelo Recorrente, juntos às pessoas físicas (clientes), rendimentos isentos e tributados exclusivamente na fonte e empréstimos com terceiros (Norberto Pompermayer), valores correspondentes à Venda de Bens Imóveis (matrícula do imóvel alienado devidamente acostada) e Móveis (documento de transferência devidamente acostado), os quais transitaram pelas contas bancárias do Recorrente e que constaram nas Declarações de Ajuste Anual efetuadas pelo Recorrente nos exercícios de 2000 a 2003. Com relação as justificativas específicas, em suas razões recursais, o contribuinte aduz os mesmos argumentos da impugnação, não acrescentando nem um novo documento ou fundamento sequer. Assim sendo, uma vez que o contribuinte simplesmente repisas as alegações da defesa inaugural, peço vênia para transcrever excertos da decisão recorrida e adotálos como razões de decidir, por muito bem analisar as alegações suscitadas pela autuada e documentos acostados aos autos, in verbis: ANOCALENDÁRIO 1999: Real c/c n° 5.976.9626 — transferências bancárias por cheques: do demonstrativo inicial enviado ao contribuinte para comprovação consta apenas "DEPÓSITO" (fls. 8/9) e o impugnante não apresenta documentos comprobatórios de sua alegação, não sendo possível, assim, concluir que ocorreu a justificativa por ele apontada. Bradesco c/c n° 28.875 — baixa de investimentos e redução saldo devedor CPMF: o impugnante não apresenta documentos comprobatórios de sua alegação, não sendo possível, assim, concluir que ocorreu a justificativa por ele apontada. Banespa c/c n° 435.920202951 — Resg. Aplicações: do demonstrativo inicial enviado ao contribuinte para comprovação consta apenas "DEP. DINHEIRO" (fls. 16/17) e o impugnante não apresenta documentos comprobatórios de sua alegação (os extratos Banespa de fls. 391/402 referemse a 2001), não sendo possível, assim, concluir que ocorreu a justificativa por ele apontada. Rendimentos pessoa jurídica (doe. n° 25): já verificados pela fiscalização. Rendimentos pessoa física (doe. n° 25), isentos (doe. nº26), exclusivo na fonte (doe. n° 26): apresenta apenas cópia de DIRPF, sem acrescentar outros elementos comprobatórios. Fl. 1691DF CARF MF 14 Venda de bens apartamento (doe. n° 31 verso): apresenta cópia de DIRPF/2000 (fl. 408) e certidão do 14° Cartório de Registro de Imóveis de São Paulo (fl. 412) em que consta alienação de apartamento por R$ 70.000,00 por escritura de 01/02/1999; entretanto, como se verifica no demonstrativo de fl. 246, o estouro de caixa mensal em fevereiro de 1999 foi de R$ 37.539,64, não esclarecendo o contribuinte se recebeu o pagamento pela venda parceladamente e quando teriam ocorrido os pagamentos, de modo que não existem elementos suficientes para que se considere a transação como justificativa. Empréstimo N. Pompermayer (doe. n° 28 e 33): apresenta apenas cópia de DIRPF e declaração (fl. 414), sem acrescentar elementos comprobatórios da efetiva transferência de valor. ANOCALENDÁRIO 2000: Unibanco c/c n° 2028434 — transferências bancárias por cheques: do demonstrativo inicial enviado ao contribuinte para comprovação consta apenas "DEPÓSITO" (fls. 29/31) e o impugnante não apresenta documentos comprobatórios de sua .alegação, não sendo possível, assim, concluir que ocorreu a justificativa por ele apontada; além disso, os valores de R$ 2.000,00 e R$ 3.900,00 já foram excluídos pela fiscalização. Bradesco c/c n° 28 .875 — redução saldo devedor CPMF : o impugnante não apresenta documentos comprobatórios de sua alegação, não sendo possível, assim, concluir que ocorreu a justificativa por ele apontada. Rendimentos declarados na DIRPF : pessoa jurídica (doe. n° 34), pessoa física (doe. n° 34) e isentos (doe. n° 35): traz apenas cópia de DIRPF, sem acrescentar outros elementos comprobatórios, sendo que os rendimentos pagos por pessoa jurídica já foram analisados pela fiscalização. ANOCALENDÁRIO 2001: Unibanco — transferências bancárias por cheques: do demonstrativo inicial enviado ao contribuinte para comprovação consta apenas "DEPÓSITO" (fls. 53) e o impugnante não apresenta documentos comprobatórios de sua alegação, não sendo possível, assim, concluir que ocorreu a justificativa por ele apontada; além disso, o valor de R$ 7.000,00 já foi excluído pela fiscalização. Real c/c n° 5.976.9626— transferências bancárias: do demonstrativo inicial enviado ao contribuinte para comprovação consta apenas "DEPÓSITO" (fl. 59) e o impugnante não apresenta documentos comprobatórios de sua alegação, não sendo possível, assim, concluir que ocorreu a justificativa por ele apontada. Bradesco — estorno de lançamento, redução saldo devedor, devolução de cheque: o impugnante não apresenta documentos comprobatórios de sua alegação, não sendo possível, assim, concluir que ocorreu a justificativa por ele apontada. Rendimentos declarados na DIRPF — pessoa jurídica (doe. n° 41), pessoa física (doe. no 41) e isentos (doe. n° 42): traz apenas cópia de DIRPF, sem acrescentar outros Fl. 1692DF CARF MF Processo nº 13819.001363/200421 Acórdão n.º 2401005.766 S2C4T1 Fl. 9 15 elementos comprobatórios, sendo que os rendimentos pagos por pessoa jurídica já foram analisados pela fiscalização. ANOCALENDÁRIO 2002: Unibanco — transferências bancárias por cheques: a maioria dos lançamentos indicados não coincide em data nem em valor com os constantes do demonstrativo inicial enviado ao contribuinte para comprovação (fls. 65/76), sendo que em três deles em que a data existe no demonstrativo consta apenas "DEPÓSITO"; o impugnante não apresenta documentos comprobatórios de sua alegação, não sendo possível, assim, concluir que ocorreu a justificativa por ele apontada. Real — transferências bancárias por cheques: do demonstrativo inicial enviado ao contribuinte para comprovação consta apenas "DEP. POUP" (fls. 61/64) e o impugnante não apresenta documentos comprobatórios de sua alegação, não sendo possível, assim, concluir que ocorreu a justificativa por ele apontada. Bradesco — redução saldo devedor, devolução de cheque: o impugnante não apresenta documentos comprobatórios . de , sua alegação, não sendo possível, assim, concluir que ocorreu a justificativa por ele apontada. Rendimentos declarados na DIRPF — pessoa jurídica (doe. n° 46), pessoa física (doe. no 47), tributação exclusiva (doe. n° 47), venda Golf (doe. n° 48) e empréstimo Banco Real (doe. no 49): traz apenas cópia de DIRPF, sem acrescentar outros elementos comprobatórios, sendo que os rendimentos pagos por pessoa jurídica já foram analisados pela fiscalização. O impugnante salienta variações patrimoniais, irrelevantes para o que aqui se questiona. Essas são as razões de decidir do órgão de primeira instância, as quais estão muito bem fundamentadas, motivo pelo qual, após análise minuciosa da volumosa demanda, compartilho das conclusões acima esposadas. DO ABATIMENTO DOS VALORES PREVISTOS NO INC. II, DO § 3°, DO ART. 42, DA LEI N° 9.430/96 E DA NATUREZA CONFISCATÓRIA E EXPROPRIANTE DO AUTO DE INFRAÇÃO Na impugnação o sujeito passivo nada argumenta a respeito do abatimento dos valores previstos no art. 42, §3º, II da Lei nº 9.430/96, além de não questionar acerca da natureza confiscatória e expropriante. No recurso, apresentou inovação ao questionar os temas encimados. Nos termos da legislação processual tributária, esses argumentos recursais se encontram fulminados pela preclusão, uma vez que não foram suscitados por ocasião da apresentação da impugnação, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto n. 70.235/72, senão vejamos: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Nessa toada, não merece conhecimento a matéria suscitada em sede de recurso voluntário, que não tenha sido objeto de contestação na impugnação. Fl. 1693DF CARF MF 16 Quanto às demais alegações do contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Por todo o exposto, estando os lançamentos sub examine em consonância parcial com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, rejeitar as preliminares e, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL para excluir da base de cálculo os seguintes depósitos: a) ocorridos nos meses de setembro R$3.770,63, outubro R$3.508,97, novembro R$5.835,37 e dezembro R$3.508,97 de 2001; b) o saldo de R$19.871,83 do banco Banespa, já considerado pela DRJ, mas não excluído; c) o valor de R$ 6.950,00 que já constava em 2000 (segundo fl. 369, Banco Real, setembro/2001), pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 1694DF CARF MF
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Numero do processo: 13807.012665/2002-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DIREITO CREDITÓRIO. RETENÇÕES NA FONTE. COMPROVAÇÃO.
Comprovando-se pela documentação acostada ao processo que o contribuinte faz jus aos valores relativos às retenções na fonte relativas às aplicações financeiras e aos rendimentos de juros sobre o capital próprio, faz jus o contribuinte à utilização dos referidos valores na apuração do saldo credor do período de apuração sob análise.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. SALDO NEGATIVO DE PERÍODOS ANTERIORES. COMPROVAÇÃO.
Cabe ao Contribuinte a tarefa de demonstrar e comprovar com documentos hábeis e idôneos a existência e a forma de utilização dos créditos oriundos de saldos negativos de IRPJ de anos anteriores na apuração do resultado do exercício sob análise.
Numero da decisão: 1401-002.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer o crédito de R$1.791.646,63 como passível de utilização nas compensações objeto deste processo. A conselheira Lívia de Carli Germano votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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COMPENSAÇÃO Recorrente UNIBANCO REPRESENTAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DIREITO CREDITÓRIO. RETENÇÕES NA FONTE. COMPROVAÇÃO. Comprovandose pela documentação acostada ao processo que o contribuinte faz jus aos valores relativos às retenções na fonte relativas às aplicações financeiras e aos rendimentos de juros sobre o capital próprio, faz jus o contribuinte à utilização dos referidos valores na apuração do saldo credor do período de apuração sob análise. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. SALDO NEGATIVO DE PERÍODOS ANTERIORES. COMPROVAÇÃO. Cabe ao Contribuinte a tarefa de demonstrar e comprovar com documentos hábeis e idôneos a existência e a forma de utilização dos créditos oriundos de saldos negativos de IRPJ de anos anteriores na apuração do resultado do exercício sob análise. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer o crédito de R$1.791.646,63 como passível de utilização nas compensações objeto deste processo. A conselheira Lívia de Carli Germano votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 01 26 65 /2 00 2- 01 Fl. 1492DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Relatório Trata o presente processo de Declarações de Compensação (em papel, às e fls. 03/04; e eletrônicas às efls. 193/236), apresentadas em 02/12/2002, 11/03/2004, 07/05/2004, 25/05/2004, 31/05/2004, 21/09/2006 (retificadora de uma Dcomp não presente neste PAF) e 20/03/2007, sob a égide da Instrução Normativa SRF 210/2002, com o objetivo de compensar valores decorrentes de saldo negativo de IRPJ do ano base de 1998. Após análise, a DIORT/DEINF/SPO exarou o despacho decisório de efls. 237/239, através do qual deixou de homologar as compensações pretendidas, afirmando, em apertada síntese o seguinte: "Há que se observar que não só o contribuinte recebeu rendimentos de juros de capital próprio como também pagou rendimentos de juros de capital próprio o que indica que o IRRF retido foi compensado com o devido. Não constam valores recolhidos de IRPJ pela estimativa e não foram declarados débitos em DCTF. Desta forma, tornase impossível o reconhecimento do crédito do contribuinte por total ausência de informações em DCTF e ausência de recolhimentos. Nem há como homologar as compensações efetuadas em função da total ausência de informações. Diante do exposto, decido não reconhecer o direito creditório do contribuinte assim como não homologar as compensações efetuadas." Tendo tomado ciência do Despacho Decisório em 23/06/2008 (AR de efl. 243), a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 23/07/2008 (efls. 256/269), informando e alegando o que segue: 1) Inicialmente, reclama que a DIORT/DEINF/SPO encaminhou, indevidamente, para cobrança, os débitos que foram objeto de outros PER/DCOMPs, conforme informações da Carta de Cobrança n° 100/2008 (v. efls.241/242) 2) Em seguida, afirma que apresentou a DCOMP de efls. 03 na forma como lhe facultava a então vigente IN SRF n°. 210/2002, em 02/12/2002. No entanto, o despacho atacado foi proferido em 11/06/2008, tendo sido dele cientificado em 23/06/2008; assim, teria ocorrido, portanto, a homologação tácita dessa compensação, a teor do artigo 74, da Lei n°. 9.430/96, alterado pelas Leis n°.10.637/02 e 10.833/03. Fl. 1493DF CARF MF Processo nº 13807.012665/200201 Acórdão n.º 1401002.795 S1C4T1 Fl. 1.493 3 3) Continua, discorrendo sobre seu direito ao crédito do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1998. Assevera ter apurado, nesse ano, "saldo negativo de IRPJ, no importe de R$ 9.033.831,91, conforme Ficha 13/Linha 17 da DIPJ/99, originado a partir de recolhimentos por estimativa de IRPJ (R$10.316.578,84) no correr daquele ano, oriundos da dedução do quanto retido de IRFONTE (R$9.597.973,60) incidente sobre rendimentos de aplicações financeiras próprias e de sociedades incorporadas, bem como de Saldo Negativo de anos calendários anteriores (R$ 718.605,24)." 4) Invocando o artigo 37, da Lei n°. 9.784/99, afirma que a Administração Fiscal deve obter as informações que comprovam seu direito, já que presentes em documentos entregues à própria RFB. E diz: "In casu, a totalidade do crédito pleiteado será obtida mediante ajuntada pela Administração Fiscal das DIRFs das fontes pagadoras dos rendimentos financeiros auferidos pelo Manifestante em 1998." 5) Passa a argumentar sobre o fundamento legal que dá suporte ao direito à restituição do saldo negativo de IRPJ e, recorrendo ao artigo 165, do Código Tributário Nacional, afirma: "POR ASSIM SER, A ÚNICA ILAÇÃO A QUE SE CHEGA É DE QUE INEXISTINDO BASE TRIBUTÁVEL DURANTE O ANO CALENDÁRIO DE 1998, E HAVENDO RETENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA PELA FONTE (INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS), NÃO HÁ RAZÃO FACTÍVEL PARA TOLHER O DIREITO À COMPENSAÇÃO INTEGRAL DO SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO DE RENDA DAÍ ADVINDO." (Destaque do original) 6) Pleiteia, a seguir, seja baixado o presente processo em diligência para que se elabore perícia contábil. 7) Encerra, requerendo a declaração de nulidade do Despacho Decisório, "ante a inconteste HOMOLOGAÇÃO TÁCITA da compensação referente ao presente processo", o cancelamento da cobrança efetuada por meio da Carta de Cobrança n°. 100/2008 e "o INTEGRAL reconhecimento do direito creditório no presente processo perseguido com a conseqüente HOMOLOGAÇÃO integral da compensação realizada". A DRJ decidiu por acolher a pretensão em parte, adotando a seguinte ementa (vide Acórdão nº 1618.248 – 2ª Turma DRJ/SPO, sessão de 26/08/2008): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Ano calendário:2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2007 Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. DECURSO DE PRAZO LEGAL. Fl. 1494DF CARF MF 4 Decorrendo o prazo legal, considerase homologado o pedido de compensação, sem contudo, haver reconhecimento do pretenso direito creditório. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PEDIDOS CUMULATIVOS. MESMO VALOR INICIAL DE DIREITO CREDITÓRIO. Devem ser analisado em conjunto os pedidos de compensação dependentes de um mesmo valor inicial de pretenso direito creditório. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. Para o reconhecimento de direito creditório é exigida a comprovação dos valores que a ele deram origem. In casu, devem ser comprovados os recolhimentos por estimativas e as retenções do IRRF. Neste sentido a autoridade julgadora fundamentou seu voto nas seguintes razões, ora sintetizadas: 1) Indeferiu o pedido de realização de diligência e perícia contábil, uma vez ter considerado os autos devidamente supridos dos elementos necessários ao deslinde da questão; 2) No mérito, reconheceu a homologação tácita, relativo aos tributos PIS e COFINS, de 31 de outubro de 2002; e 3) Apesar de demonstrar saldo negativo em sua DIPJ/99, caberia ao interessado comprovar a origem desse saldo, composto de pagamentos efetuados à titulo de estimativa e valores relativos ao IRRF, e não transferir ao Fisco o ônus dessa prova. A DIPJ apenas registra fatos que devem existir na contabilidade da Recorrente, e essa deve estar baseada em documentação comercial/fiscal, hábil e idônea, a demonstrar a veracidade e legitimidade dos lançamentos contábeis. Não pode ela, a Contribuinte, exigir que o Fisco analise as DIRFs para encontrar a justificativa documental de seu suposto direito creditório. Em resumo, o direito creditório não foi reconhecido por falta de comprovação dos recolhimentos, tanto de estimativas quanto os relativos ao IRRF. O Acórdão de manifestação de Inconformidade foi cientificado à Recorrente em 04/09/2008 (v. efls. 431), através de Termo de Ciência. A Contribuinte, por seu procurador, interpôs recurso voluntário em 06/10/2008 (v. efls. 436/446), elencando as seguintes razões de seu inconformismo: 1) Que possui retenções de IRRF e pagamentos de estimativas que geraram o saldo negativo, declarando ter juntado razões contábeis e vasta documentação com o presente recurso (balancetes, informes fiscais sobre IRfonte, folhas do razão analítico sintético); 2) Que não procede a dedução que a Recorrente ingressou com retificadora em 2006, para redução o saldo negativo de R$ 9.033.831,91 para R$ 6.045.866,55, como afirmado pela autoridade julgadora de primeira instância. Fl. 1495DF CARF MF Processo nº 13807.012665/200201 Acórdão n.º 1401002.795 S1C4T1 Fl. 1.494 5 O que de fato ocorreu é que, mediante a PER/DCOMP retificadora, somente pretendeu a utilização do menor valor de seu saldo, qual seja, R$6.045.866,55, restando ainda a diferença do direito creditório declarado originalmente; 3) Reproduz, quanto as alegações de direito, os mesmos argumentos jurídicos de sua manifestação de inconformidade, já descritos na reprodução do relatório da autoridade julgadora de primeira instância. O processo foi encaminhado ao CARF e inicialmente foi distribuído à extinta 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção. Foi sorteado ao Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno que o pautou para julgamento em 04 de dezembro de 2012. Como resultado do julgamento foi editada a Resolução nº 1201000.154 (v. efls. 1.176/1.180) que determinou o retorno dos autos à Unidade Preparadora para que diligenciasse junto à Recorrente para esclarecer determinados fatos apontados na referida decisão. Abaixo reproduzo os quesitos formulados à Autoridade Administrativa: primeiramente intimar a Recorrente para comprovar os pagamentos das estimativas dos períodos constantes dos documentos juntados por ela própria como anexos ao recurso voluntário; que a autoridade de origem examine, com rigor de conferência técnica, nos registros da Secretaria da Receita Federal do Brasil, os pagamentos das estimativas, conforme indicadas pela Recorrente em decorrência do cumprimento da intimação do item anterior; que a autoridade de origem verifique a certeza sobre as DIRFs oferecidas pela Recorrente, para conferir a veracidade, valores e possíveis utilizações, ou não, dos respectivos valores em compensações outras que não as constantes do presente processo; que a autoridade de origem emita parecer conclusivo sobre a procedência da documentação juntada pela Recorrente, e a pertinência, ou não, a comprovar o quanto pleiteado, a fim de justificar, ou não, as compensações em apreciação neste processo. Após o que, dada ciência a Recorrente, colhendo sua manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, retorne os autos para o competente julgamento. Encaminhados os Autos à DIORT/DEINF/SP, a Autoridade Administrativa elaborou o Despacho de efls. 1.295/1.299, a partir dos documentos juntados ao processo pela recorrente e de pesquisas realizadas junto aos sistemas informatizados da Receita Federal. Em apertadíssima síntese, restou reconhecido o direito creditório relativo ao Saldo Negativo de 1998, no importe de R$1.791.646,63, admitindose os seguintes pagamentos/recolhimentos: a) R$1.045.395,84 relativos ao IRRF incidente sobre aplicações financeiras (v. efls. 1.266/1.273 e 1.281); b) R$1.310.392,45 relativos ao IRRF incidente sobre rendimentos de juros sobre o capital próprio (v. efls.472/483); c) R$718.605,25 relativos a saldos negativos de anos anteriores (1995, 1996 e 1997), compensados com estimativas de 1998. Fl. 1496DF CARF MF 6 Intimada do referido Despacho acima, a Contribuinte apresentou a manifestação de efls. 1.316/1.321, onde refuta algumas das conclusões da DEINF/SP, conforme abaixo reproduzidas: 1) Em relação ao IRRF sobre rendimentos de aplicações financeiras das empresas incorporadas, anexou atas de incorporação (v. efls. 1.342/1.352), balancete contábil da empresa Santo Alberto Adm. de Bens S/A, onde estaria demonstrada a existência de aplicações financeiras no período questionado (efls. 1.353/1.356), informe de rendimentos, comprovando, segundo a Recorrente, o oferecimento à tributação de R$21.544.025,82 (rendimentos das aplicações financeiras), v. efls. 1.358/1.379; 2) Em relação aos saldos negativos dos anos calendários de 1995, 1996 e 1997, não reconhecidos pela Autoridade Administrativa como suficientes para a compensação das estimativas do aço calendário de 1998, a Recorrente alega que tais valores já teriam sido alcançados pela homologação tácita, seja nos termos do art. 150, § 4º, ou do art. 173, I, do CTN. Assim, estaria evidenciada a decadência do direito do Fisco rever os saldos negativos de 1995 a 1997; 3) O despacho de diligência teria reconhecido a existência do saldo negativo de anos anteriores, nos importes de R$992.122,82, R$1.007.993,33 e R$854.403,89 relativos aos anos de 1995 a 1997 respectivamente, não sendo possível compreender por qual razão não teria concedido essa parcela do crédito; 4) Apresenta os informes de rendimentos e balancetes que demonstrariam a composição dos saldos negativos de 1995 a 1997 (v. efls. 1.380/1.461). Após, os autos vieram ao CARF e foram redistribuídos à 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Sejul e a este Conselheiro para relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e sua matéria se enquadra na competência deste Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Fl. 1497DF CARF MF Processo nº 13807.012665/200201 Acórdão n.º 1401002.795 S1C4T1 Fl. 1.495 7 Trata o presente processo de declarações de compensação cujo crédito remonta ao saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1998. A DEINF/SP não homologou as compensações pleiteadas haja vista ter concluído pela inexistência do crédito alegado, bem assim pela carência de provas carreadas ao processo pela Recorrente para justificálo. Em sua Manifestação de Inconformidade ao despacho decisório da DEINF/SP (v. efls. 263), a Recorrente alega que o saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1998 "foi originado a partir de recolhimentos por estimativa de IRPJ (R$10.316.578,84) no correr daquele ano, oriundos da dedução do quanto retido de IRFONTE (R$9.597.973,60) incidente sobre rendimentos de aplicação financeiras próprias e de sociedades incorporadas, bem como de saldo negativo de anos calendários anteriores (R$718.605,24)". Nessa petição, a Recorrente arguiu o poderdever da Administração de demonstrar, a partir dos dados de que dispõe (DIRFs apresentadas pelas fontes pagadoras, DIPJs etc); ou seja, inverteu o ônus da prova, repassando à Administração Tributária o encargo de demonstrar o crédito a que alude possuir para justificar as compensações pretendidas. Também arguiu a homologação tácita das compensações realizadas pela DCOMP apresentada em 02/12/2002, alegação esta acatada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo. Entretanto, a decisão ora recorrida reconheceu tão somente esse pedido feito pela Contribuinte sem, no entanto, reconhecer o crédito objeto das DCOMPs. A DRJ/SP manteve a decisão da DERAT/SP, no tocante à inexistência do crédito, haja vista que a Recorrente não teria logrado comproválo de forma efetiva. Também afastou completamente as alegações da Contribuinte em relação à propalada inversão do ônus da prova, corretamente, digase de passagem. Em seu Recurso Voluntário a Recorrente apresenta a tabela abaixo para demonstrar a origem do crédito que alega possuir (R$9.033.831,91): Vejam que, como bem notou a Autoridade diligenciadora às efls. 1.296/1.297, agora, no recurso voluntário, a composição do crédito parece ter se alterado. Na Manifestação de Inconformidade era composto por IRRF (R$9.597.973,60) e saldos negativos de períodos anteriores (R$718.605,25). Desta feita, a origem do crédito é substancialmente diferente, segundo a própria Recorrente. Neste ponto, defende a "legitimidade dos valores utilizados", o "inconteste" pagamento do IRRF incidente sobre as receitas financeiras creditadas pelas fontes pagadoras, cuja tributação estaria comprovada de forma "irrefutável", mediante a "vasta documentação" anexada ao recurso, que seriam, "por si só", "suficientes" à reforma do acórdão recorrido. Fl. 1498DF CARF MF 8 Complementa o seu recurso repisando o que já havia alegado na Manifestação de Inconformidade a respeito da fundamentação legal ao seu direito à restituição do saldo negativo de IRPJ. A DEINF/SP, após analisar os documentos anexados aos autos, juntamente com o recurso voluntário, bem assim as alegações constantes do mesmo (v. efls. 1.295/1.299), admitiu os seguintes valores na composição do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1998: a) R$1.045.395,84 relativos ao IRRF incidente sobre aplicações financeiras (v. efls. 1.266/1.273 e 1.281); b) R$1.310.392,45 relativos ao IRRF incidente sobre rendimentos de juros sobre o capital próprio (v. efls.472/483); c) R$718.605,25 relativos a saldos negativos de anos anteriores (1995, 1996 e 1997), compensados com estimativas de 1998. A Recorrente foi cientificada do referido despacho de diligência, apresentando algumas considerações a respeito dos valores que não teriam sido aceitos pela DEINF/SP, que passo a analisar de forma individualizada. 1) IRRF incidente sobre aplicações financeiras de suas incorporadas A DEINF/SP assim se manifestou a respeito deste ponto: 14. Sob esse aspecto, compulsandose os sistemas da RFB, notadamente as DIPJ entregues pela incorporada SANTO ALBERTO ADM DE BENS S/A, assim como as DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras em seu nome, não se vislumbra o oferecimento à tributação dos rendimentos de aplicações financeiras por ela auferidos no anocalendário 98, de R$ 21.578.725,52, não havendo como, a partir dos elementos trazidos pelo interessado aos autos, atestarse a certeza e liquidez do alegado crédito do IRRF, no valor de R$ 1.068.876,23, decorrente do evento societário ocorrido em 25/05/98 (folhas 1190 a 1201); Em resposta, a Recorrente anexou atas de incorporação (v. efls. 1.342/1.352), balancete contábil da empresa Santo Alberto Adm. de Bens S/A, onde estaria demonstrada a existência de aplicações financeiras no período questionado (efls. 1.353/1.356), informe de rendimentos, comprovando, segundo a Recorrente, o oferecimento à tributação de R$21.544.025,82 (rendimentos das aplicações financeiras), v. efls. 1.358/1.379. As informações trazidas pela Recorrente, tanto em sede de recurso voluntário, como após a diligência realizada, não são capazes de infirmar as conclusões a que chegou a DEINF/SP em seu despacho de efls. 1.295/1.299. O fato de o balancete da empresa incorporada Santo Alberto Administradora de Bens S/A apontar a existência de aplicações financeiras ao final de fevereiro de 1998, de forma alguma comprova que os respectivos rendimentos foram oferecidos à tributação pela Recorrente. Também não são capazes de fazer tal prova os informes de rendimentos de efls. 1.358/1.379, que já haviam sido anexados aos autos quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade e foram objeto de análise pela DRJ/SP, que concluiu pela ausência de provas do crédito alegado. Fl. 1499DF CARF MF Processo nº 13807.012665/200201 Acórdão n.º 1401002.795 S1C4T1 Fl. 1.496 9 Assim, como a Recorrente não foi capaz de fazer prova do respectivo crédito, obrigação que lhe competia com exclusividade, voto por negar provimento ao recurso neste ponto. 2) Saldos negativos de IRPJ de anos calendários anteriores a 1998 O Despacho Decisório da DEINF/SP já havia detalhado a forma de apuração do saldo negativo de 1998 (v. efls. 237/239), a partir dos valores declarados na DIPJ do respectivo ano calendário (v. efls. 1.256/1.266). De acordo com a DIPJ/99, o saldo negativo foi apurado a partir de recolhimentos de IRRF (R$9.597.973,60) e de compensações com saldos negativos de anos anteriores (R$718.605,24). Essa composição do saldo negativo de 1998 foi confirmada pela Contribuinte em sua Manifestação de Inconformidade (v. efls. 263). Já no Recurso Voluntário, a Recorrente traçou uma nova linha de defesa para justificar o saldo negativo de 1998, através do demonstrativo que reproduzo novamente abaixo: Vejam que, agora, no Recurso Voluntário, a Recorrente muda a composição do saldo negativo de 1998, que se apresenta através do IRRF, no valor de R$3.424.664,52 (R$1.045.395,84+R$1.068.876,23+R$1.310.392,45), e de compensações com saldos negativos de anos anteriores no importe de R$6.891.914,30 (R$6.173.309,05+R$718.605,25). Tratando especificamente das compensações com saldos negativos de períodos anteriores, não há no Recurso Voluntário nenhum demonstrativo que evidencie a quais anos calendários se referem os valores utilizados, nem como teria se dado essa utilização no tempo. Junto com o Recurso Voluntário foram anexados: balancete de verificação analítico/sintético de dezembro/98 (efls. 468), razão analítico/sintético das contas IR a compensar s/ aplicações financeiras (v. efls. 469/472), informes fiscais das respectivas aplicações financeiras (v. efls. 473/507), recibos de entrega e partes das declarações de 1996, 1997 e 1998 (v. efls. 508/514), razão analítico/sintético da conta IR a compensar s/ TJLP (v. e fls. 515/520), razão analítico/sintético da conta Juros Remuneração Cap. Próprio (v. efls. 521/526). A Resolução nº 1201000.154 2ª Câmara/1ª TO determinou à Autoridade Preparadora que analisasse a documentação juntada ao recurso voluntário e elaborasse parecer conclusivo a respeito, principalmente no que concerne ao crédito a que alude a Recorrente e a pertinência dos elementos trazidos aos autos para confirmar o mesmo. Assim o fez a DEINF/SP que, ao depararse com as declarações, digo, parte delas, dos exercícios de 1996, 1997 e 1998, intuiu que os saldos negativos de períodos anteriores, agora trazidos como justificadores de parcela da composição do resultado apurado Fl. 1500DF CARF MF 10 no ano calendário de 1998, teriam origem nos respectivos períodos (anos de 1995, 1996 e 1997). Digo que intuiu porque, repito, não há nenhuma menção a esses anos calendários no recurso voluntário, a não ser pelos documentos juntados, ainda que parcialmente. A Recorrente alega que a DEINF teria reconhecido a existência de créditos relativos aos saldos negativos de IRPJ nesses anos calendários (1995, 1996 e 1997) nos montantes de R$992.122,82, R$1.007.993,33 e R$854.403,89; decididamente não é isso que está escrito no despacho de diligência às efls. 1.298, senão vejamos: 17. De outra sorte, no que concerne aos Saldos Negativos do IRPJ de anos anteriores, em que pese os créditos apurados pelo interessado nas DIPJ dos anos calendário 95 a 97 e o saldo registrado à Conta nº 1.8.8.45.10.111748.4, conforme balancete levantado em 31/12/98, de R$ 7.235.056,01, na falta de apresentação de documentação de suporte, notadamente o histórico da referida conta, tornase impossível a esta autoridade administrativa preparadora convalidar os argumentos expendidos no Recurso Voluntário; 18. E para infirmar a pretensão do interessado, tivesse ele efetivamente se aproveitado do montante de R$ 6.173.309,05 dos Saldos Negativos do IRPJ de anos anteriores, como agora quer sustentar, para compensar débitos estimados do anocalendário 98, tal fato deveria estar refletido em lançamentos à Conta nº 1.8.8.45.10.20.012508.6 (Imposto de Renda –Antecipação), a qual, no entanto, indica como saldo em 31/12/98 tão somente o valor de R$ 718.605,25, este sim condizente com o informado na Linha 14 da Ficha 12 da DIPJ/99 entregue; 19. Não bastasse o citado nos itens 15 e 16, a partir das informações extraídas dos sistemas da RFB, posto que nenhum outro elemento de prova foi juntado pelo interessado, abstraindose da consistência das demais informações prestadas em DIPJ, os Saldos Negativos do IRPJ dos anoscalendário 95 a 97 seriam de R$ 992.122,82, R$ 1.007.993,33 e R$ 854.403,89, como indicado nos demonstrativos ora elaborados por esta DIORT/DEINF/SPO (folhas 1202 a 1217, 1218 a 1233, 1234 a 1254 e 1274 a 1279); (grifos nossos) Conforme os trechos grifados, a DEINF/SP não reconheceu a existência dos referidos créditos; apenas com base nas informações constantes das referidas DIPJs, e "abstraindose da consistência das demais informações prestadas" nas mesmas, os saldos negativos dos anos calendários de 95 a 97 SERIAM de R$ 992.122,82, R$ 1.007.993,33 e R$ 854.403,89 (palavras da DEINF/SP). Ou seja, de forma alguma a DEINF/SP reconheceu tais valores como líquidos e certos, mesmo porque deixou bem claro no item 17 acima transcrito que "na falta de apresentação de documentação de suporte, notadamente o histórico da referida conta, torna se impossível a esta autoridade administrativa preparadora convalidar os argumentos expendidos no Recurso Voluntário". Por isso, o único valor efetivamente reconhecido pela DEINF/SP relativo a saldos negativos de períodos anteriores compensados na apuração do resultado de 1998 é o de R$718.605,25, facilmente identificável no balancete de verificação que colacionei abaixo: Fl. 1501DF CARF MF Processo nº 13807.012665/200201 Acórdão n.º 1401002.795 S1C4T1 Fl. 1.497 11 Curiosamente, eis que, após a ciência do despacho de diligência, aparece nos autos uma planilha (v. efls. 1.459), juntada à manifestação de efls. 1.316/1.321, onde a Recorrente tenta se desincumbir da tarefa de demonstrar a forma como teriam sido realizadas as compensações dos saldos negativos apurados nos anos calendários de 1995 a 1997. Entretanto, referido demonstrativo não pode ser aceito como prova. Primeiramente, por sua juntada a destempo. A Contribuinte teve inúmeras oportunidades para realizar a referida demonstração, e não é agora, neste momento processual, que referida juntada haveria de ser aceita. Ainda que jungido ao principio da verdade material, o processo administrativo também se encontra limitado pelo princípio da legalidade e pela regra do devido processo legal. Em regra, o momento de que dispõe o contribuinte para produzir provas e trazer documentos é o da oposição de sua impugnação, admitindose, como exceção, a produção de provas e argumentos em momento posterior apenas nas hipóteses devidamente demonstradas do § 4º, do art. 16, do Decreto 70.235/72 (motivos de força maior, fato ou direito superveniente ou, ainda, quando destinarse a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos). E não é o caso dos autos. Ainda assim, mesmo que passível de avaliação, tal documento, por si só não comprova absolutamente nada, eis que desacompanhado da escrituração contábil/fiscal que lhe daria suporte. Percebese, na verdade, que a Recorrente procurou adaptar suas alegações e argumentos à medida que o processo se desenvolvia. Nesse ínterim, já se passaram mais de 16 anos desde o protocolo do presente processo, o que de forma alguma deve ser considerado como aceitável. Também não procedem as alegações da Recorrente de que os saldos negativos de 1995 a 1997 não poderiam ser objeto de questionamento por parte da Autoridade Administrativa, haja vista ter ocorrido a decadência do direito do Fisco de empreender tal análise. Primeiramente, tal alegação deve ser considerada preclusa, passível, portanto de não conhecimento, eis que só foi trazida aos autos na referida manifestação ao despacho de diligência. Fl. 1502DF CARF MF 12 Em segundo lugar, mesmo que viesse a ser conhecida, é totalmente descabida, a partir da premissa de que os saldos negativos de 1995, 1996 e 1997 não tiveram comprovada sua devida utilização, tanto em termos formais como de conteúdo. Mesmo que fossem ultrapassadas essas duas muralhas, a jurisprudência deste Conselho é pacífica no sentido de que os saldos negativos de períodos anteriores podem ser, sim, objeto de verificação pela Autoridade Administrativa, a qualquer tempo. Por todo o exposto, nego provimento também a este ponto do recurso. Assim, em resumo, devem ser convalidadas as conclusões constantes do despacho de efls. 1.295/1.299, da DEINF/SP, que reconheceu o direito creditório do valor de R$1.791.646,63, relativo ao saldo negativo do IRPJ do ano calendário de 1998. Por todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer o crédito de R$1.791.646,63 como passível de utilização nas compensações objeto deste processo. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 1503DF CARF MF
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Numero do processo: 10840.001164/2006-10
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/08/1989 a 29/02/1996
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO APRESENTADO ANTES DE 09/06/2005. PRAZO. DEZ ANOS, A PARTIR DO FATO GERADOR.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contados do fato gerador. (Súmula CARF nº 91)
EFICÁCIA DA MP Nº 1.212/95/LEI Nº 9.715/98. 1º DE MARÇO DE 1996.
As Medidas Provisórias produzem efeitos a partir da sua primeira edição, mas, em respeito ao princípio constitucional da anterioridade nonagesimal, (art. 195, § 6º), as contribuições para a seguridade social só poderão ser exigidas após decorridos noventa dias da data da publicação da lei que as houver instituído ou modificado, razão pela qual foi considerada inconstitucional (ADI nº 1.417/DF e Resolução do Senado nº 10/2005) a parte do art. 18 da Lei nº 9.715/98 (na qual a última das várias reedições, a cada trinta dias, da MP nº 1.212/95, vigente a partir de 29/11/1995, foi convertida), que diz que ela aplica-se aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de outubro de 1995, havendo, portanto, que ser observada a legislação anterior (Lei Complementar nº 7/70) até 29 de fevereiro de 1996.
Numero da decisão: 9303-007.222
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para determinando que, na execução do julgado, a Unidade de Origem considere somente os eventuais indébitos no período de 01/10/1995 a 29/02/1996 resultantes da diferença entre a aplicação da sistemática de apuração da Lei Complementar nº 7/70 e a da Medida Provisória nº 1.212/95.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/08/1989 a 29/02/1996 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO APRESENTADO ANTES DE 09/06/2005. PRAZO. DEZ ANOS, A PARTIR DO FATO GERADOR. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contados do fato gerador. (Súmula CARF nº 91) EFICÁCIA DA MP Nº 1.212/95/LEI Nº 9.715/98. 1º DE MARÇO DE 1996. As Medidas Provisórias produzem efeitos a partir da sua primeira edição, mas, em respeito ao princípio constitucional da anterioridade nonagesimal, (art. 195, § 6º), as contribuições para a seguridade social só poderão ser exigidas após decorridos noventa dias da data da publicação da lei que as houver instituído ou modificado, razão pela qual foi considerada inconstitucional (ADI nº 1.417/DF e Resolução do Senado nº 10/2005) a parte do art. 18 da Lei nº 9.715/98 (na qual a última das várias reedições, a cada trinta dias, da MP nº 1.212/95, vigente a partir de 29/11/1995, foi convertida), que diz que ela aplica-se aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de outubro de 1995, havendo, portanto, que ser observada a legislação anterior (Lei Complementar nº 7/70) até 29 de fevereiro de 1996.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para determinando que, na execução do julgado, a Unidade de Origem considere somente os eventuais indébitos no período de 01/10/1995 a 29/02/1996 resultantes da diferença entre a aplicação da sistemática de apuração da Lei Complementar nº 7/70 e a da Medida Provisória nº 1.212/95. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/08/1989 a 29/02/1996 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO APRESENTADO ANTES DE 09/06/2005. PRAZO. DEZ ANOS, A PARTIR DO FATO GERADOR. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contados do fato gerador. (Súmula CARF nº 91) EFICÁCIA DA MP Nº 1.212/95/LEI Nº 9.715/98. 1º DE MARÇO DE 1996. As Medidas Provisórias produzem efeitos a partir da sua primeira edição, mas, em respeito ao princípio constitucional da anterioridade nonagesimal, (art. 195, § 6º), as contribuições para a seguridade social só poderão ser exigidas após decorridos noventa dias da data da publicação da lei que as houver instituído ou modificado, razão pela qual foi considerada inconstitucional (ADI nº 1.417/DF e Resolução do Senado nº 10/2005) a parte do art. 18 da Lei nº 9.715/98 (na qual a última das várias reedições, a cada trinta dias, da MP nº 1.212/95, vigente a partir de 29/11/1995, foi convertida), que diz que ela aplicase aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de outubro de 1995, havendo, portanto, que ser observada a legislação anterior (Lei Complementar nº 7/70) até 29 de fevereiro de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para determinando que, na execução do julgado, a Unidade de Origem considere somente os eventuais indébitos no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 11 64 /2 00 6- 10 Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10840.001164/200610 Acórdão n.º 9303007.222 CSRFT3 Fl. 193 2 período de 01/10/1995 a 29/02/1996 resultantes da diferença entre a aplicação da sistemática de apuração da Lei Complementar nº 7/70 e a da Medida Provisória nº 1.212/95. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 130 a 138), contra Acórdão proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 122 a 127), sob a seguinte Ementa: Acórdão nº: 340300.769 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/08/1989 a 29/02/1996 PIS. ADIN 1417. PRESCRIÇÃO DO DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. O prazo para restituição em relação ao direito decorrente da declaração de inconstitucionalidade da MP n° 1.212/95, por violação ao principio da anterioridade – que afastou seus efeitos no período de 1° de outubro de 1995 a 29 de fevereiro de 1996 –, é de 5 anos contados da publicação da decisão do STF na ADIn n° 1.4170/DF, em 16/08/1999. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA MEDIDA PROVISÓRIA 1.212/95, CONVERTIDA NA LEI 9.715/98. ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. VACATIO LEGIS. Não ocorre fenômeno da vacatio legis por conta da declaração da inconstitucionalidade do art. 18 da Lei 9.715/98. Aplicase, quanto aos fatos geradores ocorridos entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996 o disposto na LC n° 7/70, nos termos da IN SRF n° 6/2000. A MP 1.212/95 surtiu regular efeito em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de março de 1996, sendo válidas e eficazes as suas republicações e a posterior conversão na Lei 9.715/98. PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. SÚMULA 15 DO CARF. Até fevereiro de 1996, a base de cálculo do PIS, nos termos do parágrafo único do art. 6º da LC n° 7/70, corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária até a data do respectivo vencimento (Primeira Seção do STJ, Resp 144.708RS e Súmula 15 do CARF). Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10840.001164/200610 Acórdão n.º 9303007.222 CSRFT3 Fl. 194 3 Em relação aos fatos geradores ocorridos entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996, deve ser reconhecido ao contribuinte o direito de restituição da diferença entre o valor por ele recolhido e o valor que seria efetivamente devido nos termos da LC n° 7/70. Recurso parcialmente provido. ................... Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para afastar a decadência e para reconhecer o direito ao indébito do PIS entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996, observado o critério da semestralidade da base de cálculo nos termos da Súmula CARF nº 15.Em seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento (fls. 175 e 176), a PGFN defende que "extinto o tributo ... cabe ao sujeito passivo requerer a sua restituição no prazo de 5 (cinco) anos, contados da data do pagamento indevido, consoante disposto nos arts. 3° da LC 118/05, 168 e 165 do CTN”. O contribuinte não apresentou Contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Preenchidos todos os requisitos e respeitadas as formalidades regimentais, conheço do Recurso Especial. No Mérito, como se restringe o Recurso Especial à discussão sobre o termo a quo para a contagem do prazo para restituição de pagamento indevido ou a maior que o devido (sem adentrar propriamente na discussão sobre a eficácia da Medida Provisória nº 1.212/95 ou sobre a chamada “semestralidade” da Lei Complementar nº 7/70), em princípio, eu poderia me limitar a transcrever a Súmula CARF nº 91: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. No entanto, para fins de execução do julgado, penso que temos que ir adiante, para ver se aplicase ao caso concreto, e em que medida. Tratamse de Declarações de Compensação, elaboradas via Sistema PER/DCOMP, tendo como origem “Crédito de Pagamento Indevido ou a Maior – Oriundo de Ação Judicial”, todas com base na ADI nº 1.417/DF, que tem a seguinte Ementa: Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10840.001164/200610 Acórdão n.º 9303007.222 CSRFT3 Fl. 195 4 PIS/PASEP. Medida Provisória. Superação, por sua conversão em lei, da contestação do preenchimento dos requisitos de urgência e relevância. Sendo a contribuição expressamente autorizada pelo art. 239 da Constituição, a ela não se opõem as restrições constantes dos artigos 154, I e 195, § 4º, da mesma Carta. Não compromete a autonomia do orçamento da seguridade social (CF, art. 165, § 5º, III) a atribuição, à Secretaria da Receita Federal de administração e fiscalização da contribuição em causa. Inconstitucionalidade apenas do efeito retroativo imprimido à vigência da contribuição pela parte final do art. 18 da Lei nº 9.715/98. Decisão O Tribunal, por unanimidade, julgou procedente, em parte, a ação direta para declarar a inconstitucionalidade, no art. 18 da Lei nº 9.715, de 25/11/1998, da expressão "aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de outubro de 1995".. Para que se compreenda o que foi tratado nesta Ação Direta de Inconstitucionalidade, fazse necessário saber a razão de ser da edição do “final” do art. 18 da Lei nº 9.715/98. A questão é relativa à eficácia da Medida Provisória nº 1.212/95 (vigente a partir de 29/11/1995), que, após diversas reedições, redundou na conversão na referida lei. Uma das mudanças que esta Medida Provisória trouxe foi a alteração da cobrança sobre o faturamento do sexto mês anterior – prevista na Lei Complementar nº 7/70, e conhecida por "semestralidade, hoje admitida –, para um percentual sobre a receita bruta do mês. Ocorre que ela quis produzir efeitos até retroativamente, quando, como é consabido, é mandamento constitucional (art. 195, § 6º) a observância da chamada “anterioridade nonagesimal”. Senão, vejamos: Art. 15. Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação, aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de outubro de 1995. A mesmo desrespeito à Constituição foi mantido no art. 18 da Lei nº 9.715/98, in fine: Art. 18. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de outubro de 1995. E a inconstitucionalidade deste dispositivo implicou até a edição da Resolução do Senado nº 10/2005: Art. 1º É suspensa a execução da disposição inscrita no art. 15 da Medida Provisória Federal nº 1.212, de 28 de novembro de 1995 – "aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10840.001164/200610 Acórdão n.º 9303007.222 CSRFT3 Fl. 196 5 1º de outubro de 1995" – e de igual disposição constante das medidas provisórias reeditadas e do art. 18 da Lei Federal nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário nº 232.8963 Pará. Assim, a inobservância da anterioridade nonagesimal perpetrada pela MP nº 1.212/95 e suas reedições, inclusive na Lei nº 9.715/98 – que resultou, ao final, na sua conversão, está fora de discussão. Resta saber então até quando é aplicável a legislação anterior à vigência da referida Medida Provisória. É cediço que as Medidas Provisórias, desde a sua primeira edição (não importa quantas vezes foram reeditadas – desde que dentro do prazo de trinta dias) já produzem efeitos. Desta forma, o período em que ainda se aplicaria a LC nº 7/70 foi até 29 de fevereiro de 1996, pelo que qualquer Pedido de Restituição de indébitos com fulcro na declarada inconstitucionalidade, além desta data, deve ser indeferido. No caso concreto, foram apresentadas oito DCOMP, transmitidas de 24/03 a 19/11/2004 – portanto, antes de 09/06/2005, e menos de dez anos após o citado interregno (01/10/1995 a 29/02/1996), sendo, em princípio, aplicável a Súmula nº 91 do CARF. Mas não é bem assim. Se observarmos o consignado nas Declarações de Compensação, teremos o seguinte quadro: Transmissão Período Inicial Período Final fls. 24/03/2004 30/10/1989 30/10/1995 002 a 004 01/05/2004 31/01/1994 30/10/1995 007 e 008 03/06/2004 31/08/1989 29/02/1996 011 e 012 24/06/2004 31/08/1989 29/02/1996 015 e 016 06/08/2004 31/08/1989 29/02/1996 019 e 020 13/09/2004 31/08/1989 29/02/1996 023 e 024 26/10/2004 31/01/1994 29/02/1996 027 e 028 19/11/2004 31/01/1994 29/02/1996 031 e 032 Caso as DCOMP tivessem como origem do crédito simplesmente “Pagamento Indevido ou a Maior”, seria aplicável a LC nº 7/70, e uma parte poderia eventualmente ser homologada – observado o prazo prescricional de 10 anos a partir do fato gerador (que, já se vê, em todas elas, foi em muito ultrapassado, em grande parte dos períodos abrangidos), ainda condicionado, obviamente, a que efetivamente se comprovassem os supostos indébitos. Ocorre que, conforme já dito, todas têm como origem “Crédito de Pagamento Indevido ou a Maior – Oriundo de Ação Judicial”, com base na ADI nº 1.417/DF, o que atinge somente os fatos geradores de 01/10/1995 a 29/02/1996. À vista do exposto, dou provimento parcial ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, determinando que, na execução do julgado, a Unidade de Origem considere somente os eventuais indébitos no período de 01/10/1995 a 29/02/1996 resultantes da Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10840.001164/200610 Acórdão n.º 9303007.222 CSRFT3 Fl. 197 6 diferença entre a aplicação da sistemática de apuração da Lei Complementar nº 7/70 e a da Medida Provisória nº 1.212/95. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 197DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.010231/2004-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1999
RECURSO VOLUNTÁRIO. PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
Conforme preleciona o § 2º do art. 78 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), o pedido de parcelamento importa a desistência do recurso.
Numero da decisão: 2402-006.458
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS Recorrente NELSON DAMASCENO PORTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1999 RECURSO VOLUNTÁRIO. PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Conforme preleciona o § 2º do art. 78 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), o pedido de parcelamento importa a desistência do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 02 31 /2 00 4- 90 Fl. 45DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório O presente lançamento foi efetuado em função de Resolução editada no PAF em apenso sob o nº 10380.010634/200358. Em sendo assim, e para situar a controvérsia, vale transcrever o relatório da decisão prolatada naquele PAF, deste Colegiado, com destaques nos pontos relativos a este processo: Contra o contribuinte foi lavrado Auto de Infração, anos calendário 1998, 1999 e 2000, para a exigência de IRPF decorrente de: (a) omissão de rendimentos decorrentes de ganhos de capital na alienação de bens imóveis; e (b) omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento em instituições financeiras, em relação aos quais ele não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. O contribuinte apresentou impugnação não assinada, na qual requereu a improcedência total do Auto de Infração. Em exame preliminar da impugnação, verificouse a necessidade de agravamento da exigência, haja vista o acórdão DRJ/FOR 4965/2004, relativo ao processo n° 10380.010182/200312, formalizado para cobrança de IRPF através de Auto de Infração lavrado contra o senhor Luiz Sérgio Roberto Porto. Desta forma, os membros da DRJ resolveram converter o julgamento em diligência, retornando o processo à autoridade autuante através da Resolução 227/2004, para: a) intimar o contribuinte a comparecer à Delegacia da Receita Federal em Fortaleza (Serviço de Fiscalização) e assinar a impugnação; b) proceder ao agravamento, incluindo no rol dos créditos/depósitos com origem não comprovada o depósito no valor de R$ 200.000,00, feito em 23/12/1999, na conta corrente n° 4301, da agência n° 743, da Caixa Econômica Federal, considerandose como rendimento omitido o valor de R$ 100.000,00. O contribuinte compareceu àquela unidade e confirmou a impugnação que foi apresentada. Anexouse cópia, que se encontra devidamente assinada. Em cumprimento ao item 2 da Resolução, a fiscalização lavrou Auto de Infração para cobrança do IRPF no valor de R$ 25.556,00. Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10380.010231/200490 Acórdão n.º 2402006.458 S2C4T2 Fl. 3 3 O crédito tributário foi formalizado no processo n° 10380.010231/200490, em apenso. Inconformado com a nova exigência, o contribuinte apresentou impugnação nos autos em apenso. No julgamento dos Autos, verificouse a necessidade de agravamento da exigência consubstanciada no processo n° 10380.010231/200490, haja vista que na apuração do IRPF devido a fiscalização considerou a parcela a deduzir, no valor de R$ 4.320,00, enquanto que essa parcela já havia sido considerada neste processo. A omissão de rendimentos, no valor de R$ 100.000,00, relativa ao processo n° 10380.010231/200490, a este apensado, é complemento da omissão de rendimento de que trata este processo, relativamente ao anocalendário 1999, no valor de R$ 514.055,19, e que a fiscalização optou por formalizar em Auto apartado, considerando apenas a parte agravada, ao invés de lavrar novo auto de infração relativo ao anocalendário de 1999, considerando todos os rendimentos omitidos. Desta forma, os membros da DRJ resolveram mais uma vez em converter o julgamento em diligência, retornando o processo à autoridade autuante, através da Resolução n° 305/2005, para rever o Auto de Infração complementar de que trata o processo n° 10380.010231/200490, no sentido de excluir da apuração do imposto a parcela a deduzir, no valor de R$ 4.320,00. Em cumprimento à Resolução, a fiscalização lavrou Auto de Infração Complementar, relativamente ao Auto de Infração apurado no processo nº 10380.010231/200490, para cobrança do IRPF no valor de R$ 1.188,00, crédito este formalizado no processo n° 10380.007732/200570. O crédito tributário relativo ao processo n° 10380.007732/2005 70 foi liquidado por pagamento, tendo sido determinado o seu arquivamento. A DRJ julgou a impugnação procedente em parte, conforme decisão assim ementada: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. DESAPROPRIAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. IMPOSTO DE RENDA. Fl. 47DF CARF MF 4 Sujeitase ao pagamento do imposto de renda, à alíquota de quinze por cento, a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, inclusive na hipótese de desapropriação de imóvel urbano declarado de utilidade pública para fins de afetação rodoviária federal. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Improcedente a argüição de nulidade do lançamento apontada pela defesa, tendo em vista que a exigência foi formalizada com observância das normas processuais e materiais aplicáveis ao fato em exame. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. As autoridades administrativas não podem negar aplicação às leis regularmente emanadas do Poder Legislativo. O exame da constitucionalidade ou legalidade das leis é tarefa estritamente reservada aos órgãos do Poder Judiciário. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes envolvidas no processo. DECISÕES DO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. EFEITOS. Por não terem eficácia normativa, nos termos do inciso II do artigo 100 do Código Tributário Nacional, as decisões proferidas pelo órgão julgador de segunda instancia não têm o condão de vincular o julgamento de primeira instância. LANÇAMENTO. RETROATIVIDADE Lei n° 10.174, de 09/01/2001 e Lei Complementar n° 105, de 10/01/2001. Tratandose de legislação que instituiu novo critério de apuração do crédito Tributário e ampliou os poderes de investigação da Fiscalização, a Lei Complementar n° 105, de 10/01/2001 e a Lei n° 10.174, de 09/01/2001 aplicamse a lançamento em relação a fatos geradores ocorridos anteriormente à publicação. INOCORRÊNCIA DE QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº 105, de 10/01/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. O montante exonerado não desafiou a interposição de recurso de ofício. Intimado da decisão em 26/10/2006 (fl. 666), o contribuinte interpôs recurso voluntário em 21/11/2006 (fls. 678/720), no qual basicamente reiterou os termos de sua impugnação. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10380.010231/200490 Acórdão n.º 2402006.458 S2C4T2 Fl. 4 5 A PGFN proferiu o despacho PFN/CE/nº 306/2007, fls. 746/749, dispensando o arrolamento de bens como condição para seguimento do recurso voluntário, de forma que este processo foi encaminhado ao então Primeiro Conselho de Contribuintes (v. fl. 751). No citado parecer, a Procuradoria afirmou que o débito apurado neste processo foi inscrito em dívida ativa sob o nº 3010700532327, em 19/03/2007. Às fls. 753/775, foi juntado o protocolo e documentos relativos ao requerimento datado de 06/10/2014, no qual o contribuinte pediu a "suspensão ou exclusão do Cadin", tendo em vista ter incluído o débito controlado neste processo na Reabertura da Lei 11.941/09, o que foi deferido pela PGFN, considerandose a regularidade do citado parcelamento. Como se viu no relatório acima transcrito, o contribuinte apresentou impugnação neste mesmo PAF, na qual requereu a improcedência total do Auto de Infração (v. fls. 15/29). A decisão da DRJ, prolatada no bojo do PAF em apenso sob o nº 10380.010634/200358, também é atinente ao presente lançamento complementar, conforme se extrai do seguinte trecho do acórdão: Acordam os membros da 1º Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente em parte o lançamento, mantendo o valor de R$ 648.128,38, relativamente ao presente processo, e o valor de R$ 25.556,00, relativamente ao processo n° 10380.010231/200490, a este apensada. (destacouse) Já o recurso interposto pelo contribuinte, também no PAF em apenso, é igualmente relativo ao presente lançamento. No citado recurso, o contribuinte basicamente reiterou os termos da sua impugnação. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento Muito embora o contribuinte não tenha formalizado pedido expresso de desistência do recurso, o fato é que os documentos de fls. 753/775 demonstram, de forma inequívoca, que ele incluiu o débito controlado neste processo na Reabertura da Lei 11.941/09. Fl. 49DF CARF MF 6 Curiosamente, aliás, o citado débito já havia sido incluído na dívida ativa da União, provavelmente em função da primeira negativa de seguimento ao recurso voluntário, retratada às fls. 733, posteriormente cancelada em decorrência do Parecer da PGFN, de fls. 746/749. Vejase que o requerimento assinado pelo contribuinte faz referência expressa a este PAF e à inscrição dele decorrente, tanto é que a PGFN deferiu o requerimento de suspensão da inscrição no CADIN. Ocorre que o pedido de parcelamento importa a desistência do recurso voluntário, conforme preleciona expressamente o § 2º do art. 78 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF): Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. [...] § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. [...] (destacouse) Logo, e diante dessa desistência, o recurso não deve ser conhecido. 2 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 50DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001351/2010-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO.
Reforma-se a parte dispositiva da decisão quando esta não reflete o que realmente restou decidido no julgamento, após análise do inteiro teor dos votos.
Numero da decisão: 1401-002.903
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, reformando a parte dispositiva da decisão, nos seguintes termos: "Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (Relator) e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa que davam provimento parcial para manter a cobrança das multas isoladas. Designado o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor. Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, DERAM provimento ao recurso, reconhecendo-se que os valores objeto da autuação não são mais devidos porque foram quitados no contexto da Lei 11.941/2009".
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. Reforma-se a parte dispositiva da decisão quando esta não reflete o que realmente restou decidido no julgamento, após análise do inteiro teor dos votos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, reformando a parte dispositiva da decisão, nos seguintes termos: "Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (Relator) e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa que davam provimento parcial para manter a cobrança das multas isoladas. Designado o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor. Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, DERAM provimento ao recurso, reconhecendo-se que os valores objeto da autuação não são mais devidos porque foram quitados no contexto da Lei 11.941/2009". (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
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ITAÚ DE CAPITALIZAÇÃO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. Reformase a parte dispositiva da decisão quando esta não reflete o que realmente restou decidido no julgamento, após análise do inteiro teor dos votos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, reformando a parte dispositiva da decisão, nos seguintes termos: "Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (Relator) e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa que davam provimento parcial para manter a cobrança das multas isoladas. Designado o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor. Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, DERAM provimento ao recurso, reconhecendose que os valores objeto da autuação não são mais devidos porque foram quitados no contexto da Lei 11.941/2009". (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 51 /2 01 0- 75 Fl. 870DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Tratase de embargos de declaração opostos tempestivamente pela Fazenda Nacional, sob a afirmação de que esta Turma, ao prolatar o Acórdão nº 1401001.861, incorreu em contradição e obscuridade, na medida em que a parte dispositiva seria incompatível com o teor da decisão na especificidade dos juros sobre a multa de ofício. Alega a Procuradoria, com grifos nossos: Não resta claro se a matéria incidência de juros sobre a multa foi ou não apreciada pela Egrégia Turma. Fazse mister tal esclarecimento para fins de identificação da matéria meritória efetivamente decidida ou prejudicada, a desafiar a interposição de recurso especial. Não restou claro, igualmente, o ano calendário de cancelamento da multa isolada. Há, nesse sentido, evidente obscuridade e contradição entre o dispositivo e a fundamentação do aludido voto, no que se refere à incidência de juros sobre a multa e o anocalendário excluído, merecendo esclarecimento desta Eg. Turma, a fim de evitar possíveis problemas na execução do julgado. O despacho de admissibilidade de fls. 855857 considerou o seguinte (grifos do original): Adentrando à matéria, o cerne da reclamação dirigese a suposta inconsistência entre o dispositivo e os fundamentos do julgamento, ambos aqui reproduzidos, tal qual os destaques apontados pela embargante: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, NEGARAM provimento ao recurso de ofício. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (Relator) e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa que davam provimento parcial ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, por maioria de votos, DERAM provimento ao recurso. Vencidos o Conselheiro Antonio Bezerra Neto (Relator) que matinha os juros sobre a multa e o Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa que mantinha os juros sobre a multa e também a multa de ofício sobre a parte paga no parcelamento. Designado o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor. [...] Juros sobre multa de ofício Caso seja vencido quanto ao provimento do recurso de oficio, perdese o objeto a fundamentação a seguir. [...] Fl. 871DF CARF MF Processo nº 16327.001351/201075 Acórdão n.º 1401002.903 S1C4T1 Fl. 871 3 Dessarte, voto pela improcedência do lançamento relativo às multas isoladas de 2007. No mais, sigo o voto do eminente relator. Tomando estes pontos, há condições de averiguar a legitimidade do pleito. Como primeiro aspecto, diante da possibilidade de improcedência do recurso de ofício, o relator deixou claro em suas razões que a questão dos juros sobre a multa de ofício estaria diretamente prejudicada. Por outro lado, a parte dispositiva denota que a condição em hipótese foi justamente a que prevaleceu. Ou seja, improvido o recurso de ofício, ficou implicitamente vedada qualquer manifestação do corpo julgador acerca da viabilidade de se cobrar juros sobre multas de ofício. Entretanto, concordando com os argumentos da embargante, compreendo que, em prol da coesão do Acórdão, a disposição que apresenta a forma como votaram os julgadores merece parcialmente reexame. Vejase que, com a falta de objeto da matéria relacionada aos juros sobre multa de ofício, não haveria como os Conselheiros Antonio Bezerra Neto e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa emitirem qualquer juízo de valor contrário ou favorável sobre a controvérsia específica. Tendo em vista todo o exposto, e nos termos do art. 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, ADMITO os presentes embargos opostos pela Fazenda Nacional para darlhe seguimento, de maneira que o Colegiado reexamine a coerência entre a parte dispositiva e os fundamentos do acórdão, no que se refere aos juros sobre multa de ofício. Recebi o processo em distribuição realizada em 25 de julho de 2018. Voto Conselheira Relatora Livia De Carli Germano O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. A Procuradoria alega contradição entre o teor do acórdão embargado e seu dispositivo. Para entender a questão fazse necessário dar um passo atrás, verificando o teor da autuação e o acórdão recorrido. Pois bem. O auto de infração objeto do presente processo visou à cobrança de IRPJ e CSLL relativos aos anoscalendário de 2006 e 2007, acrescidos de multa de ofício de Fl. 872DF CARF MF 4 75% e de encargos moratórios, bem como multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas. Resumindo os fatos, em agosto de 2006, após obtenção de tutela antecipada judicial, o contribuinte parou de recolher PIS e COFINS e os valores provisionados foram deduzidos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, sob o fundamento de que a obrigatoriedade de adição dos tributos com exigibilidade suspensa prevista no art. 41 da Lei n° 8.981/1995 não engloba exigibilidade suspensa nos termos do art. 151, V do CTN (concessão de tutela antecipada). Não obstante, em 2009, o contribuinte apresentou DIPJ retificadoras dos anos calendário de 2006 e 2007, adicionando em ambas declarações os valores dos tributos com exigibilidade suspensa, tendo retificado apenas o PER/DCOMP do anocalendário de 2007. A fiscalização entendeu que não haveria espontaneidade e não considerou a retificação realizada, tendo procedido à autuação ora em discussão. Impugnado o lançamento, a DRJ cancelou a infração relativa ao ano calendário de 2007 (por ter aceitado a retificação efetuada), bem como cancelou todas as multas isoladas por concomitância. Esta foi a matéria objeto do recurso de ofício ao qual esta Turma, por maioria, negou provimento, vencidos o Conselheiro relator Antonio Bezerra Neto e o Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Vale notar que o Conselheiro relator votou por acompanhar a DRJ no que diz respeito ao cancelamento da infração e da multa de ofício relativa ao anocalendário de 2007, vejase: Revisados os autos, alinhome com todos os fundamentos utilizados pela DRJ no sentido de que uma vez demonstrado a existência de saldo negativo do IRPJ/CSLL disponível, a fiscalização deveria utilizálos para abater de ofício o IRPJ e a CSLL apurados, e sem o lançamento da multa de ofício, por não haver falta de pagamento. Por todo o exposto, nego provimento a este primeiro tópico do recurso de ofício. Assim, quanto ao recurso de ofício, o Conselheiro relator apenas divergiu da DRJ e nesta parte restou vencido quanto às multas isoladas, pois votou por mantêlas. No que diz respeito ao recurso voluntário, este discutiu a infração relativa ao anocalendário 2006. Quanto a esta, o Relator concordou com a autoridade autuante, no entanto considera que o principal de tributo foi pago conforme apurou a diligência realizada, vejase (grifamos): (...) A DRJ, por sua vez, cancelou parte da autuação relativa ao ano calendário de 2007(provisões não dedutíveis), que já foi objeto de recurso de ofício. Quanto ao anocalendário de 2006, ora em julgamento neste recurso voluntário, entendeu que a fiscalização agiu corretamente. Isso porque a fiscalização verificou que houve o aproveitamento integral com outros débitos, mediante a compensação dos saldos negativos de 1RPJ e CSLL apurados na DIPJ original, tendo a homologação das compensações ocorrido em 03/10/2009. Em princípio, nada teria a se reparar no que foi feito pelo fiscalização para este anocalendário de 2006, isso porque na Fl. 873DF CARF MF Processo nº 16327.001351/201075 Acórdão n.º 1401002.903 S1C4T1 Fl. 872 5 data da lavratura do lavratura do auto de infração (07/10/2010), não havia mais créditos a serem deduzidos do IRPJ e da CSLL apuradas de ofício, como ocorreu para o anocalendário de 2007 em que se negou provimento ao recurso de ofício. Porém, como relatado, o julgamento foi convertido em diligência para que fosse verificado o pagamento alegado pela Recorrente, no âmbito da lei n° 11.941, assim como da alocação dos DARF que colaciona, para os fins de liquidação dos tributos ora em litígio. (...) Como se vê, o fiscal diligenciante imputou todas as compensações dos saldos negativos de 2006 e 2007 e complementado com os pagamentos realizados com os benefícios da anistia trazida pela Lei n° 11.941/09, restou saldos negativos suficientes para fazer face à presente autuação, na linha adotada pela DRJ, só que dessa feita, tal linha de entendimento se estende também para o anocalendário de 2006. Portanto, dou provimento ao Recurso voluntário. Não obstante, ao final do seu voto o Conselheiro Relator assim resumiu o feito: Por todo o exposto, DOU provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer o cancelamento das multas isoladas do anocalendário de 2007, e quanto ao Recurso voluntário, DOU provimento parcial para manter apenas os juros sobre as multas isoladas restabelecidas. A conclusão não condiz com o teor de seu voto, conforme detalhado acima, já que: (i) quanto ao recurso de ofício, o voto não restabeleceu o cancelamento das multas isoladas (sequer teria como, já que a DRJ na verdade cancelou tais multas); o que ele pretendeu foi reverter o cancelamento das multas isoladas, ou seja, manter tais multas (e nessa parte restou vencido, nos termos do voto vencedor que cancelou as multas isoladas); e (ii) quanto ao recurso voluntário, o voto deu provimento integral (e não parcial) ao pleito do contribuinte não porque não concordou com a autuação, mas por reconhecer que os valores em questão, não obstante devidos, haviam sido quitados no contexto e com os benefícios da Lei 11.941/2009. Assim, da análise acima fica claro que o trecho que menciona a manutenção dos "juros sobre multas restabelecidas" para o recurso voluntário não tem qualquer função ou aplicação, já que o recurso voluntário sequer versou sobre multas restabelecidas pelo contrário, este foi o objeto do recurso de ofício. Muito provavelmente, o trecho que menciona a manutenção dos "juros sobre multas restabelecidas" diz respeito ao recurso de ofício, valendo notar que o próprio Conselheiro relator ressaltou, em seu voto, que a discussão acerca da incidência de juros sobre multa perderia objeto caso ele ficasse vencido quanto ao recurso de ofício, o que de fato ocorreu. Fl. 874DF CARF MF 6 Neste sentido, a análise do inteiro teor do acórdão leva à conclusão de que (i) foi negado provimento ao recurso de ofício, de maneira que permaneceu cancelada a infração relativa a 2007; e (ii) o recurso voluntário (que versou sobre a infração relativa a 2006) foi integralmente provido, pois restou reconhecido o pleito formulado no recurso de que os valores objeto da autuação não eram devidos porque foram quitados no contexto da Lei 11.941/2009. Dispositivo De todo o exposto, acolho os presentes embargos de declaração com efeitos infringentes, reformando a parte dispositiva da decisão para que passe a constar o que realmente restou decidido no julgamento, após análise do inteiro teor dos votos. Proponho, assim, que a redação passe a ser: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (Relator) e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa que davam provimento parcial para manter a cobrança das multas isoladas. Designado o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor. Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, DERAM provimento ao recurso, reconhecendose que os valores objeto da autuação não são mais devidos porque foram quitados no contexto da Lei 11.941/2009 . (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 875DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.018351/2008-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2005 a 28/02/2007
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. GFIP. NÃO APRESENTAÇÃO. INFRAÇÃO.
Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa não apresentar (não comprovar a entrega) das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP
CORRESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS.
O Relatório de Representantes Legais (REPLEG) tem a finalidade de identificar os representantes legais da empresa e o respectivo período de gestão sem, por si só, atribuir-lhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. NÃO AFASTA A RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. Na hipótese em que o sujeito passivo originário era contribuinte regular do tributo devido, a imunidade tributária das entidades beneficentes de assistência social não afasta a responsabilidade tributária por sucessão.
Numero da decisão: 2402-006.586
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2005 a 28/02/2007 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. GFIP. NÃO APRESENTAÇÃO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa não apresentar (não comprovar a entrega) das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP CORRESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS. O Relatório de Representantes Legais (REPLEG) tem a finalidade de identificar os representantes legais da empresa e o respectivo período de gestão sem, por si só, atribuir-lhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. NÃO AFASTA A RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. Na hipótese em que o sujeito passivo originário era contribuinte regular do tributo devido, a imunidade tributária das entidades beneficentes de assistência social não afasta a responsabilidade tributária por sucessão.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
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GFIP. NÃO ENTREGA. Recorrente EDUCAÇÃO INFANTIL E ENSINO FUNDAMENTAL MANGABEIRAS S/C LTDA E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2005 a 28/02/2007 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. GFIP. NÃO APRESENTAÇÃO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa não apresentar (não comprovar a entrega) das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP CORRESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS. O “Relatório de Representantes Legais (REPLEG)” tem a finalidade de identificar os representantes legais da empresa e o respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. NÃO AFASTA A RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. Na hipótese em que o sujeito passivo originário era contribuinte regular do tributo devido, a imunidade tributária das entidades beneficentes de assistência social não afasta a responsabilidade tributária por sucessão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 83 51 /2 00 8- 39 Fl. 1159DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 7ª Tuma da DRJ/BHE, consubstanciada no Acórdão nº 0228.899 (fls. 969/987), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instância: Tratase de infringência ao artigo 32, inciso IV, e §§ 3° e 9°, da Lei 8.212, de 24/07/1991, acrescentados pela Lei 9.528, de 10/12/1997, c/c o artigo 225, inciso IV, e §§ 2°, 3° e 4°, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048, de 1999, por não ter contribuinte comprovado a entrega das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, das competências 13/2005 e de 09/2006 a 02/2007. A ação fiscal foi precedida do Mandado de Procedimento Fiscal n° 09421339F00, do Termo de Início da Ação Fiscal — TIAF, fls. 26/27, do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, fls. 29 a 31, tendo sido encerrada em 28/10/2008, conforme Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal, fls. 32/33. Em decorrência da infração, foi aplicada a penalidade prevista nos artigos 92, 102 e 32, §§ 4° e 7°, da Lei 8.212, de 1991, acrescentados pela Lei 9.528, de 10/12/1997, c/c os artigos 373 e 284, inciso I, e §§ 1° e 2°, do Regulamento da Previdência Social, de 1999, no valor de R$43.042,73, como demonstrado no Relatório Fiscal da Multa Aplicada, fls. 15. Não ficou configurada a ocorrência de agravantes ou atenuantes, previstas respectivamente, nos artigos 290 e 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048, de 1999, conforme informação de fls. 14. Conforme itens 4 e 5 do relatório fiscal, foi constatado pela fiscalização o interesse comum em assuntos particulares das empresas, Educação Infantil e Ensino Fundamental Savassi Ltda, CNPJ. 05.385.879/0000150; Educação Infantil e Ensino Fundamental Pampulha Ltda, CNPJ. 05.401.768/000190; Pampulha Ensino Fundamental Ltda, CNPJ. 06.001.557/000123; Educação Infantil e Ensino Fundamental Mangabeiras Ltda, CNPJ. 05.401.766/000100; Educação Infantil e Ensino Fundamental Sete Lagoas Ltda, CNPJ. 05.392.395/000139; Mangabeiras Ensino Fundamental Ltda, CNPJ. Fl. 1160DF CARF MF Processo nº 15504.018351/200839 Acórdão n.º 2402006.586 S2C4T2 Fl. 3 3 06.001.546/000143; Colégio Sete Lagoas Ensino Fundamental Ltda, CNPJ. 04.901.337/000120; Centro Mineiro de Ensino Superior — CEMES Ltda, CNPJ. 02.636.995/000107; Promove Participações Ltda, CNPJ. 05.376.569/000170; Promove Serviços Educacionais Ltda, CNPJ. 05.376.559/000134; Promove Cursos Livres e Mercantil, CNPJ. 42.975.896/000174, Magle Edição Comércio e Distribuição de Livros Ltda, CNPJ. 05.399.437/000163, Sociedade Educacional Sistema Ltda, CNPJ. 23.840.945/000117. Restando configurada a sujeição passiva entre elas, foram emitidos em nome das citadas empresas os Termos de Sujeição Passiva, fls. 35 a 78 e 84 e 87, cuja cientificação se deu, conforme documentos de fls. 129 a 143 e 145 do processo 15504.018346/200826, 1avrado na mesma ação fiscal. A Associação Educativa do Brasil — SOEBRAS, CNPJ. 22.669.915/0001 27, foi eleita responsável subsidiária, de acordo com o termo de fls. 79 a 83 do processo 15504.018346/200826, uma vez que adquiriu, inicialmente do grupo econômico Promove, inclusive da autuada, o direito de uso da marca PROMOVE, em 01/11/2006, por meio de contrato particular de "Licença de Uso da Marca". Para o exercício das atividades pactuadas, a adquirente inscreveu novos estabelecimentos no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas, manteve o mesmo endereço e CNAE da cedente, levando a fiscalização a concluir que a subsidiária continuou explorando a antiga atividade da autuada. Em segundo ato, a SOEBRAS através do Contrato Particular de Alienação de Estabelecimento Empresarial — TRESPASSE, adquiriu das empresas do grupo, todo o complexo de bens organizados para exercício da atividade, composto da titularidade do estabelecimento empresarial, portanto, todos os direitos, incluindo ativo e passivo, bem como, a propriedade de todos os seus elementos corpóreos e incorpóreos, imóveis, móveis, e semoventes e afins. A SOEBRAS fez também constar em seu Balanço Patrimonial, em 31/12/2007, a aquisição supramencionada, lançando em seu ativo diferido o valor referente A incorporação dos estabelecimentos de ensino PROMOVE COLÉGIOS E PROMOVE FACULDADES. Quanto à autuada Educação Infantil e Ensino Fundamental Mangabeiras S/C Ltda, como informa a fiscalização, fls. 12/13, não procedeu as devidas anotações nos órgãos Oficiais de Registro, não arquivando na JUCEMG qualquer alteração contratual de dissolução ou liquidação, sendo seu último arquivamento nesse órgão o contrato de alienação mencionado registrado sob o n° 3817071. Dessa forma, concluiu a fiscalização, que a SOEBRAS responde subsidiariamente com o alienante pelos tributos devidos até a data do ato, nos termos do artigo 133 do CTN. O autuado teve ciência do auto de infração, em 05/11/2008, e apresentou defesa juntamente com Centro Mineiro de Ensino Superior — CEMES Ltda, Pampulha Ensino Fundamental, Promove Serviços Educacionais Ltda, João Bosco Fontoura, Sociedade Educacional Sistema Ltda, Colégio Sete Lagoas Ensino Fl. 1161DF CARF MF 4 Fundamental Ltda, Educação Infantil e Ensino Fundamental Savassi S/C Ltda, Educação Infantil e Ensino Fundamental Pampulha Ltda, Educação Infantil e Ensino Fundamental Sete Lagoas Ltda, Magle Edição Comércio e Distribuição de Livros Ltda, Promove Cursos Livres e Mercantil Ltda, Mangabeiras Ensino Fundamental Ltda, Luiz Magno da Silva Saramago, Hélio Soares Bazzoni, Paulo Estevam da Silva Bastos, e Carlos Alberto Moreira, fls. 108 a 119, alegando em síntese: ILEGITIMIDADE DOS CORESPONSÁVEIS A inclusão dos representantes legais como coresponsáveis não merece prosperar, uma vez que não foram provados os incontestes motivos justificadores da coobrigação. As pessoas jurídicas e físicas discriminadas na Relação de Vinculo sequer foram notificadas acerca do mesmo, o que não é permitido pelo Ordenamento Jurídico. Não houve no caso, a comprovação de que os representantes legais agiram com excesso de mandato. 0 mais grave é que foram incluídos na relação de coobrigados pessoas e empresas que sequer participaram do período questionado, de forma temerária, arbitraria e ilegal. NORMAS LEGAIS INFRINGIDAS. IMPOSSIBILIDADE DE IMPUGNAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. OFENSA A CARTA MAGNA E DOS PRINCÍPIOS GERAIS DE DIREITO. Comenta que desde a Constituição da República de 1988, várias decisões foram tomadas pelo Poder Judiciário, com alguns tributos e/ou contribuições sociais sendo definitivamente declarados inconstitucionais, como a cobrança de INSS sobre pagamento de alimentação, recolhimento sobre pagamento a autônomos, eventuais divergências entre GFIP, dentre outros, multas e débitos impostos de forma arbitrária e ilegal. A manutenção do auto de infração configura cerceamento de defesa e ofensa ao artigo 5°, inciso LV, da Constituição da República. A autuação não atende aos princípios básicos inerentes à Administração Pública, previstos na Lei 9.789, de 1999, pois, quando da auditoria realizada, o auditor poderia ter alertado acerca dos eventuais problemas, a exemplo da apresentação de documentos/dados faltantes, conferindo a defendente a oportunidade de regularizar a situação antes mesmo de ser autuada, deixando claro o propósito de penalizála com a cobrança de multa. 0 lançamento poderá ser alterado em virtude do artigo 145 do CTN. 0 Relatório Fiscal de Aplicação da Multa é nulo por não observar as determinações contidas no artigo 243 do Regulamento da Previdência Social. 0 artigo 244 do mesmo Regulamento só teria eficácia se o próprio contribuinte tivesse apurado e confessado sua dívida. 0 Decreto 3048/1999, no artigo 245, confirma a tese de que não pode haver, simultaneamente, uma notificação de lançamento — como são as LDC's e uma confissão de dívida, prevalecendo a que foi realizada em momento anterior. 0 auto de infração é nulo por não permitir ao contribuinte contestai a exigência fiscal. MULTA EXCESSIVA COM EFEITO CONFISCATÓRIO. AFRONTA A CONSTITUIÇÃO FEDERAL ARTIGO 150. Fl. 1162DF CARF MF Processo nº 15504.018351/200839 Acórdão n.º 2402006.586 S2C4T2 Fl. 4 5 A multa aplicada é excessiva, absurda além de confiscatória. Não houve por parte do contribuinte omissão de fatos, dados e documentos. Impõese o cancelamento das penalidades aplicadas e percentuais abusivos contra a impugnante. DEMAIS AUTOS DE INFRAÇÃO Informam os impugnantes que quanto aos demais autos de infração lavrados na mesma ação fiscal, cuja matéria apesar de guardar identidade com a presente, especialmente no que se refere b. amplitude e falta de especificação, serão objeto de defesas em apartado, com as devidas especificações. ERRÔNEA IMPOSIÇÃO DE MULTA E JUROS. Face a impossibilidade de se aferir valores, a multa aplicada tem efeito de confisco, o que é vedado pela CF/88, razão pela qual fica, desde já, expressamente, impugnados os lançamentos de multas e juros, mesmo porque, em sua maioria já foram objeto de outros Autos de Infração. INOCORRÊNCIA DE INFRAÇÃO CRIMINAL Como já informado anteriormente, não houve, em momento algum por parte da autuada, omissão de fatos, dados e documentos, pelo que impugna a eventual configuração de crime nos moldes do art. 337A do Código Penal Brasileiro. REQUERIMENTOS FINAIS. Requer o recebimento da defesa, declarando a procedência das alegações apresentadas, anulando o auto de infração e desobrigando a defendente do pagamento das penalidades aplicadas, ao arrepio da Lei. Requer lhe seja conferido a possibilidade de juntada posterior de outros documentos, bem como, que todas as notificações sejam em nome de Maria Fernanda Guimarães Castro, procuradora, no endereço A Av. Raja Gabaglia — 1093, 9 0 andar, Cidade Jardim B.Hte. Fl. 1163DF CARF MF 6 IMPUGNAÇÃO APRESENTADA PELA RESPONSÁVEL SUBSIDIARIA. A SOEBRAS — Associação Educativa do Brasil, CNPJ 22.669.915/0001 27, na condição de subsidiária, também, impugnou o lançamento, fls. 55 a 61, arguindo: A defesa apresentada é tempestiva; A SOEBRAS arrendou, a partir de 01/11/2006, a utilização da marca "Promove" em troca de pagamento em dinheiro para o Grupo "Promove". 0 Grupo Promove mantém suas atividades empresariais normais, tanto que possui as unidades Mangabeiras, Pampulha, Núcleo e Supletivo. A SOEBRAS não sucedeu o Promove, mas apenas arrendou o uso da marca. A impugnante existia muito antes de propor o citado arrendamento. Promove e SOEBRAS são empresas diversas, com sócios distintos, personalidades jurídicas próprias e independentes, coexistem no mercado e atuam cada qual em seus objetivos sociais, não se podendo falar em sujeição passiva subsidiária. A impugnante goza de isenção/imunidade tributária, por ser entidade beneficente de assistência social, como provam os documentos que anexa. Contesta e impugna a contribuição descontada dos segurados (FPN e PCI) contribuição dos segurados (ALI e ASP), AI CFL 30 — deixar de incluir verbas salariais em FOPAG, AI CFL 38 — deixar de apresentar livro diário de 2003 a 2007, AI CFL 91 — apresentar GFIP em desconformidade com o Manual de Orientação, AI CFL 67 — deixar de informar fatos geradores através da GFIP, AI CFL 68 — apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores. A impugnante, pelo simples fato de ter arrendado a marca não pode ser responsabilizado por tais obrigações. Ademais, o período da alegada obrigação não atinge o período de arrendamento que se deu no final de 2007, considerando que a autuação abrange competências a partir de 2003. As diversas alterações ocorridas no sistema de entrega de dados, como envio das GFIPs, causaram certa confusão e desconhecimento técnico, o que não pode ser considerado má fé. Entende que não pode ser punida sem ter concorrido para a prática de ato ilícito. A SOEBRAS apresentou pedidos de parcelamento de débitos protocolados em 15/10/2007, pelo que roga seja transferido todo o passivo fiscal para o CNPJ 22.669.915/000127, permitindo a sua inclusão nos parcelamentos já solicitados, o que é justo e de direito. Requer a insubsistência do Mandado de Procedimento Fiscal — MPF, não reconhecendo a sujeição passiva subsidiária atribuída a impugnante ou que seja determinada diligência para adequar o MPF, anulandoo e emitindo outro para reabrir os procedimentos de forma correta, bem como, pede o reconhecimento da imunidade tributária da SOEBRAS. Alternativamente, considerando que a solicitação das entregas da GFIP e SEFIP foi cumprida a tempo e modo na unidade Educação Infantil e Ensino Fundamental Mangabeiras S/C Ltda e que a SOEBRAS é primária, não havendo Fl. 1164DF CARF MF Processo nº 15504.018351/200839 Acórdão n.º 2402006.586 S2C4T2 Fl. 5 7 procedimento anterior, nem multa, nem procedimento concluído com apenamento para a empresa, ponto relevante porque a fiscalização deve ter caráter educativo de orientação e não meramente punitivo. Em relação ao RPA e PAT, ambas foram consideradas entregues integralmente na retificação, regularizandose a questão. Cumpriu todas as determinações do auditor fiscal, entregando a tempo e modo a documentação solicitada, bem como prestando as informações solicitadas, na integra. Requer a procedência da defesa com a não imputação de multa, excluindose os valores acrescidos, para manter, tão somente, o débito originalmente constatado, face a inexistência de máfé na atuação da SOEBRAS. Agindo dessa forma, requer seja o débito transferido para o CNPJ 22.669.915/000127 da SOEBRAS, e incluído na solicitação de parcelamento de 15/10/2007. Requer, ainda, a confirmação do parcelamento, com a inclusão dos valores, na forma devida e nos termos da adequação que se faz necessária. A DRJ julgou improcedente a impugnação do contribuinte, nos seguintes termos, em síntese: Ø A empresa deixou de apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP, competências 13/2005 e 09/2006 a 02/2007, o que constitui infração ao artigo 32, inciso IV, e § 9°, da Lei n.° 8.212/1991; I — DA IMPUGNAÇÃO APRESENTADA PELOS AUTUADOS, INCLUSIVE OUTROS INTEGRANTES DO GRUPO ECONÔMICO E REPRESENTANTES LEGAIS. EXCLUSÃO DOS REPRESENTANTES LEGAIS DA RELAÇÃO DE COOBRIGADOS Ø As pessoas apontadas no Relatório de Representantes Legais (REPLEG ) e na Relação de Vínculos não foram qualificadas como coresponsáveis pelo crédito apurado pela fiscalização. A indicação dos representantes legais da empresa, pessoas físicas, na autuação é para instruir os autos com todas as informações necessárias ao trâmite administrativo e/ou judicial do processo. Portanto, sem razão os impugnantes em relação a seu pedido; NORMAS LEGAIS INFRINGIDAS. IMPOSSIBILIDADE DE IMPUGNAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Fl. 1165DF CARF MF 8 Ø Os impugnantes aduzem que a autuação não atende aos princípios básicos da administração pública, é nula por não ter dado ao contribuinte a oportunidade de defesa antes da aplicação da penalidade, além de contrariar o disposto no artigo 243 do Regulamento da Previdência Social; Ø O descumprimento de um dever instrumental constitui fato gerador para a imposição obrigatória e vinculada de penalidade pecuniária, consubstanciada em AutodeInfração, que também é documento autônomo de crédito previdenciário. Assim, em face da não declaração em GFIP dos fatos geradores de contribuição previdenciária, o que configurou infração ao artigo 32, inciso IV, da Lei 8.212, de 1991, foi lavrado o presente auto de infração por descumprimento de uma obrigação acessória, como definido no art. 113, § 2°, do CTN; Ø O Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048, de 1999, trata das Infrações e das Penalidades, no Livro IV, Título II, a partir do artigo 283, estando determinado no artigo 293 que constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, será lavrado autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios degradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes; Ø Todos esses elementos estão presentes nos autos e constam dos relatórios emitidos pela fiscalização e anexos, e nenhum deles foi objeto de questionamento por parte dos impugnantes; Ø Por outro lado, os artigos 243, 244 e 245 do Regulamento da Previdência Social, citados na defesa, integram o Livro III, Seção VI que trata das Contribuições e Outras Importâncias não Recolhidas até o Vencimento, portanto, de obrigação principal, diferentemente do auto de infração em questão que trata de obrigação acessória; Ø No tocante à ofensa ao direito de defesa e aos princípios básicos inerentes à Administração, com a alegação de que a fiscalização deveria ter demonstrado eventuais problemas na documentação do contribuinte antes de proceder ao lançamento, vale dizer que a ninguém cabe pedir se não há direito violado. Ou seja, o momento oportuno para a manifestação de um direito é quando se instaura o litígio, seja em processo judicial ou administrativo; Ø Formalizado o lançamento pela autoridade fiscal, nos termos do artigo 142, e parágrafo único, do Código Tributário Nacional, restou ao contribuinte impugnálo, como de fato o fez, neste auto de infração; MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO Fl. 1166DF CARF MF Processo nº 15504.018351/200839 Acórdão n.º 2402006.586 S2C4T2 Fl. 6 9 Ø A multa aplicada na autuação encontra respaldo nos já citados artigos 32 §§ 4 0 e 7°, 92 e 102 da Lei 8.212/91 e 284, inciso I, § 10e 373 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3048, de 1999; Ø A atividade administrativa é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilização funcional (art. 142, par. único, do CTN), não há como, no presente âmbito, considerar confiscatória a multa em questão, afinal, como é possível constatar, a sua exigência está de acordo com a legislação de regência. A propósito, na forma do artigo 26A do Decreto 70.235, de 1972, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação de norma legal, sob fundamento de inconstitucionalidade; REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Ø Não compete a este órgão julgador apreciar razões pertinentes a Representação Fiscal para Fins Penais, conforme Súmula n° 28 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, que possui efeito vinculante em relação administração tributária federal, nos termos da Portaria n° 383 de 12.07.2010, do Ministério da Fazenda — MF — DOU de 14.07.2010 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais); JUNTADA DE DOCUMENTOS Ø O momento de apresentação de provas documentais é o da impugnação, não havendo como acolher o pedido dos impugnantes por falta de previsão legal, conforme disposto no art. 16, do Decreto 70.235 de 1972; II DA IMPUGNAÇÃO APRESENTADA PELA ASSOCIAÇÃO EDUCATIVA DO BRASIL — SOEBRAS —RESPONSÁVEL SUBSIDIARIA RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA Ø A empresa SOEBRAS — Associação Educativa do Brasil, na qualidade de subsidiária impugnou o lançamento, arguindo a inexistência da sujeição passiva que lhe foi imposta pela fiscalização; argumenta que primeiramente arrendou a marca "Promove", e, posteriormente, firmou contrato de Trespasse para assumir as empresas da marca "Promove", sendo que ambas coexistem e atuam cada uma com seus objetivos sociais; Ø Encontrase nos autos, cópia do contrato particular de alienação de estabelecimento empresarial — TRESPASSE, celebrado entre a autuada Educação Infantil e Ensino Fundamental Mangabeiras S/C Ltda e a impugnante Associação Educativa do Brasil SOEBRAS, fls. 246 a 253 do processo 15504.018346/200826; Fl. 1167DF CARF MF 10 Ø Merece ser destacado, também, itens da cláusula sétima, parágrafo único, do mesmo contrato, onde se verifica que o Cedente comprometeuse a: I garantir a livre disponibilidade de todos os bens e direitos integrantes do estabelecimento; II — praticar todos os atos necessários para a devida efetivação da transferência de todos os bens e direitos integrantes do estabelecimento; (...) IV — apresentar a contabilidade regularmente escriturada; Ø De igual modo, na cláusula oitava, o Trespassário se propõe a: I — subrogar se na titularidade de todos os direitos e propriedades de todos os bens integrantes do estabelecimento; II — Continuar a exploração do objeto da empresa, mesmo que implique concorrência; Ø A fiscalização, por sua vez, constatou como descrito no Relatório Fiscal, que a impugnante manteve o mesmo endereço e CNAE do antigo estabelecimento da autuada e objeto do contrato de Trespasse em questão, bem como, lançou em seu ativo diferido valor referente à incorporação dos estabelecimentos de ensino Promove Colégios e Promove Faculdades, incluindo os elementos corpóreos e incorpóreos. A autuada, contudo não procedeu a baixa do estabelecimento ou providenciou qualquer alteração de dissolução ou liquidação do estabelecimento cedido, permanecendo na situação "ativa" junto a Receita Federal, tendo, inclusive, entregue a DIPJ — Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica de 2008, relativa ao exercício 2007, não restando configurada nos autos a cessação das atividades por parte da alienante; Ø Diante dos fatos narrados, concluise que estamos diante de uma sucessão de empresas por aquisição de Fundo de Comércio ou Estabelecimento que se opera pela alteração da titularidade na condução da atividade econômica e alcança todos os tributos relativos ao fundo ou estabelecimento transferido, devidos pelo sucedido, até a data do ato translativo praticado; Ø Não há como deixar de atribuir responsabilidade tributária pelos créditos lançados à impugnante, em conformidade com as disposições da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN); Ø Ressaltese, ainda, por oportuno, que o art. 133 do CTN ao falar da transferência da titularidade da condução da atividade econômica, estende a sucessão a todos os tributos relativos a essa atividade, até a data do ato, incluídas as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas aos empregados do estabelecimento autuado; Fl. 1168DF CARF MF Processo nº 15504.018351/200839 Acórdão n.º 2402006.586 S2C4T2 Fl. 7 11 IMUNIDADE TRIBUTARIA Ø Não se pode acatar também a pretensão da impugnante em verse isenta do recolhimento de qualquer verba previdenciária por ser entidade beneficente de assistência social. A isenção prevista no artigo 55 da Lei 8.212, de 1991, referese à contribuição devida pela empresa tratada nos artigos 22 e 23 (Obrigação principal — art. 113, § 1° CTN), não alcançando as multas aplicadas por inobservância de uma obrigação acessória (art. 113, § 20 do CTN), como é o caso do presente lançamento; Ø O contribuinte eleito nos autos sujeito passivo da obrigação tributária é a Educação Infantil e Ensino Fundamental Mangabeiras S/C Ltda, diferentemente da requerente, a quem foi atribuída a responsabilidade subsidiária pelo débito lançado, e não há previsão legal que estenda a primeira os benefícios da segunda, se provada a condição de imunidade; IMPUGNAÇÃOLANÇAMENTO Ø A SOEBRAS diz ainda, que contesta e impugna a contribuição descontada dos segurados (FPN e PCI) contribuição dos segurados (ALI e ASP), AI CFL 30 — deixar de incluir verbas salariais em FOPAG, AI CFL 38 — deixar de apresentar livro diário de 2003 a 2007, AI CFL 91 — apresentar GFIP em desconformidade com o Manual de Orientação, AI CFL 67 — deixar de informar fatos geradores através da GFIP, AI CFL 68 — apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores; Ø Todavia, nada apresenta que coloque em dúvida os valores lançados nas autuações. Ressaltese, no entanto, que os lançamentos foram efetuados com base em documentos do próprio sujeito passivo, tais como, GPS, GFIP, folhas de pagamento, recibos de férias, termos de rescisão de contrato de trabalho e lançamentos contábeis, pelo que cabe a este apresentar seus supostos equívocos e comproválos, o que não fez em sua impugnação. Além disso, não houve arbitramento no cálculo do tributo, nem foi imputada fraude ou simulação ao contribuinte. Outrossim, questões como contribuição devida e aplicação de juros e multas são verificáveis através dos anexos de cada autuação; DOS PEDIDOS DA IMPUGNANTE —RESPONSÁVEL SUBSIDIÁRIA: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF Ø Tendo por base os documentos fiscais anexados aos autos, podese afirmar que foram observados todos os quesitos atinentes a instauração do procedimento fiscal e a formalização da exigência, não tendo sido evidenciada nenhuma irregularidade no que diz respeito a aplicação das disposições dos artigos 70 e 10 do Decreto n° 70.235, de 1972; Fl. 1169DF CARF MF 12 Ø Desta forma, ficam afastadas as hipóteses de nulidade suscitadas pelo impugnante no tocante As questões relacionadas ao MPF, bem como, da necessidade de realização de diligência, pelo que se indefere tal pedido, nos moldes do artigo 18 do Decreto 70.235, de 1972; CANCELAMENTO DA MULTA Ø De igual modo, não merece ser acolhida a pretensão da defesa de não imputação da multa, sob o argumento de que não agiu com má fé, que as alterações ocorridas na legislação quanto ao envio GFIP dificultaram o entendimento da empresa, além de não ter concorrido para a prática da infração; Ø Registrese novamente que a ora impugnante foi atribuída a condição de subsidiária, em face da aquisição de fundo de comércio. Quanto a infratora Educação Infantil e Ensino Fundamental Mangabeiras S/C Ltda, cabe lembrar que nos termos do artigo 136 do Código Tributário Nacional, ... a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, bem como não poderia a Auditoria Fiscal, em constatando uma infração a legislação tributária, deixar de lavrar o competente auto de infração, conforme artigo 142, parágrafo único, do mesmo Código, c/c o artigo 293 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048, de 1999; INCLUSÃO EM PARCELAMENTO Ø No que se refere A possibilidade de parcelamento aventada pelo contribuinte, dos débitos das empresas do grupo Promove é bom lembrar que não compete a este órgão julgador deferir ou indeferir tais pedidos, cabendo As Delegacias da Receita Federal do Brasil — DRF as decisões sobre pedido de parcelamento. Assim, para qualquer informação nesse sentido, deverá a requerente dirigirse à Unidade de Atendimento da Receita Federal do Brasil de sua jurisdição, como disposto As fls. 01/03 do presente crédito tributário. É a inteligência que se destaca do inciso IX do art. 203 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n° 125, de 04/03/2009, publicada no DOU em 06/03/2009; III MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. MOMENTO DO CÁLCULO. Ø Em 04/12/2008 foi publicada a Medida Provisória no449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, que alterou a redação de vários artigos da Lei n°8.212, de 1991; Fl. 1170DF CARF MF Processo nº 15504.018351/200839 Acórdão n.º 2402006.586 S2C4T2 Fl. 8 13 Ø Referido ato normativo modificou a sistemática do cálculo das multas de mora, de oficio e daquelas decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias relacionadas à Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, anteriormente previstas nos artigos 32 e 35 da Lei ri° 8.212, de 1991, acrescentando os artigos 32A e 35A; Ø Assim, a partir da publicação da MP n° 449, de 03/12/2008, para os fatos geradores de contribuições previdenciárias anteriores a esta data, deverá ser avaliado o caso concreto e a norma atual deverá retroagir, se mais benéfica, pois em matéria de penalidades deve ser observado o disposto no CTN, artigo 106, inciso II, alínea "c". Cientificadas da decisão da DRJ, a Autuada, bem como as responsáveis solidárias e a responsável subsidiária, apresentaram recurso voluntário (de fls 1099/1137), por meio do qual reiteraram os argumentos defensivos apresentados nas impugnações, a saber: * as dividas contraídas pelo grupo PROMOVE não poderão ser de responsabilidade da SOEBRAS, conquanto inexiste previsão legal de que o uso da marca acarreta responsabilidades tributárias; * exclusão dos representantes legais da relação de coobrigados; * efeito confiscatório da multa e, por conseguinte, dos juros; * a SOEBRAS goza de imunidade tributária, atingindo todos entes que foram objeto do contrato de trespasse. Ao final, requerem (a) seja reconhecida a ilegitimidade da SOEBRAS para figurar como devedora das dívidas contraídas pelo grupo "Promove", pela marca em contrato de licença para uso de marca; (b) sejam excluídos do pólo passivo da obrigação os sócios das Recorrentes; (c) sejam reduzidas as multas aplicadas, em aplicação ao disposto no art. 150, IV da CR/88 c/c art. 1° da Lei 9.784/99; e (iv) seja reconhecida a imunidade tributária da SOEBRAS, atingindo os contratos de trespasse realizados com todos os entes que foram objeto do aludido contrato. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. Fl. 1171DF CARF MF 14 Conforme consignado no Relatório Fiscal, fls. 17, em decorrência da ação fiscal que deu origem ao presente PAF, foram constituídos os seguintes documentos em nome da AUTUADA, além do presente lançamento: Nº DEBCAD LEV. ASSUNTO 37.124.2240 FPN e PCI Contribuição descontada dos segurados 37.124.2240 ALI e ASP Contribuição dos segurados não descontada 37.124.2282 Descumprimento de Obrigação Acessória CFL 30 – Deixar de incluir verbas salariais em FOPAG 37.124.2274 Descumprimento de Obrigação Acessória CFL 38 – Deixar de apresentar Livros Diários de 2003 a 2007 37.124.2290 Descumprimento de Obrigação Acessória CFL 91 Apresentar a empresa GFIP em desconformidade com o respectivo Manual de Orientação 37.124.2231 Descumprimento de Obrigação Acessória CFL 68 Apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias Por ocasião do julgamento de primeira instância, foram analisados os processos abaixo identificados, conforme se infere dos termos de intimação constantes nos presentes autos a partir das fls. 993: * 15504.018345/200881 (Al nº 37.124.2231) Descumprimento de Obrigação Acessória CFL 68 Apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias * 15504.018346/200826 (AI nº 37.124.2240) Obrigação Principal * 15504.018348/200815 (AI n° 37.124.2274) Descumprimento de Obrigação Acessória CFL 38 – Deixar de apresentar Livros Diários de 2003 a 2007 * 15504.018351/200839 (Al n° 37.124.2304) Descumprimento de Obrigação Acessória CFL 67 – Não comprovação da entrega das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, referente às seguintes competências: competências 13/2005 (décimoterceiro salário), setembro/2006, outubro/2006, novembro/2006, dezembro/2006, 13/2006 (décimoterceiro salário), janeiro/2007 e fevereiro/2007. Como se vê, junto com o presente PAF, foi analisado também o processo que tem por objeto a exigência fiscal referente à obrigação tributária principal: 15504.018346/200826 (AI nº 37.124.2240). Consultando o sítio eletrônico do CARF, verificase que o Recurso Voluntário objeto do susodito processo referente à obrigação tributária principal – PAF 15504.018346/200826 (AI nº 37.124.2240) já foi apreciado por esse Egrégio Conselho, em 21 de janeiro de 2015, conforme Acórdão nº 2402004.505. Fl. 1172DF CARF MF Processo nº 15504.018351/200839 Acórdão n.º 2402006.586 S2C4T2 Fl. 9 15 Analisandose o Relatório do Acórdão em voga, verificase que os argumentos aduzidos na peça recursal daquele processo são idênticos àqueles que constam no recurso ora em análise. É o que se infere, pois, do excerto abaixo reproduzido: A Notificada apresentou recurso voluntário manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação nos seguintes termos: (i) a SOEBRAS arrendou a marca "Promove", tendo como contraprestação o pagamento de determinada quantia em dinheiro, e permaneceram a SOEBRAS e Promove como empresas distintas; (ii) exclusão dos representantes leais da relação de coobrigados; (iii) Juros e Multa são ilegais; (iv) imunidade tributária da SOEBRAS deve atingir todos entes que foram objeto do contrato de trespasse. Registrese, pela sua importância, que, no caso em análise, referente à cobrança de multa por descumprimento de obrigação acessória consubstanciada na falta de comprovação da entrega das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, as Recorrentes, em suas peças defensivas, não apresentaram nenhum esclarecimento e/ou documento em relação a esta matéria. No que tange às matérias aduzidas no Recurso Voluntário, o voto do Acórdão nº 2402004.505 é no seguinte sentido: A Recorrente manifesta inconformismo a respeito do relatório dos corresponsáveis, pois entende que estaria sendo imputada responsabilidade aos sócios da empresa. Quanto à essa alegação da indevida responsabilização dos sócios (diretores), cabe esclarecer que os corresponsáveis mencionados pela fiscalização não figuram no polo passivo do presente lançamento fiscal. A relação de corresponsáveis, anexada pela fiscalização, tem como finalidade identificar as pessoas que poderiam ser responsabilizadas na esfera judicial, caso fosse constatada a prática de atos com infração de leis ou estatuto, conforme determina o Código Tributário Nacional, e permitir que se cumpra o estabelecido no art. 2º, inciso I, § 5º, da Lei 6.830/1980, que dispõe: Art. 2º. Constitui Dívida Ativa da Fazenda Pública aquela definida como tributária ou nãotributária na Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, com as alterações posteriores, que estatui normas gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. (...) § 5º O Termo de Inscrição de Dívida Ativa deverá conter: I o nome do devedor, dos coresponsáveis e sempre que conhecido, o domicílio ou residência de um e de outros (g.n.); Fl. 1173DF CARF MF 16 Além disso, verificase que o artigo 79, inciso VII, da Lei 11.941/2009 revogou o artigo 13 da Lei 8.620/1993. Com isso, após essa revogação do artigo 13, o denominado “Relatório de Representantes Legais (REPLEG), acompanhada do Relatório de Vínculos, não pode mais ostentar em seu título qualquer expressão que venha mesma a apenas insinuar uma corresponsabilidade das pessoas nela relacionadas. Segue transcrição: Lei 8.620/1993: Art. 13. O titular da firma individual e os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada respondem solidariamente, com seus bens pessoais, pelos débitos junto à seguridade social. Parágrafo único. Os acionistas controladores, os administradores, os gerentes e os diretores respondem solidariamente e subsidiariamente, com seus bens pessoais, quanto ao inadimplemento das obrigações para com a seguridade social, por dolo ou culpa. A relação de corresponsáveis apenas identifica os sócios e diretores da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. Não é consequência do aludido documento que os referidos representantes legais passem a constar no polo passivo da obrigação tributária. O Relatório “REPLEG” serve apenas como subsídio à Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), caso haja necessidade de execução judicial do crédito previdenciário, e sendo verificada a ocorrência das hipóteses legais para a responsabilização tributária prevista no Código Tributário Nacional (CTN). Assim, temse que a indicação dos representantes legais é mero subsídio para, se necessário e cabível, o crédito previdenciário ser exigido dos administradores exclusiva, solidária ou subsidiariamente com o contribuinte. No entanto, nem por isso os representantes legais não devam constar em relação preparada pelo Fisco. É da análise dos contratos sociais e estatuto que são identificados os sócios e diretores da empresa, dessa relação a PFN poderá indicar eventuais corresponsáveis pelo crédito, conforme dispõe em especial o artigo 135 da Lei 5.172/1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Fl. 1174DF CARF MF Processo nº 15504.018351/200839 Acórdão n.º 2402006.586 S2C4T2 Fl. 10 17 Portanto, não acato essa preliminar, eis que a finalidade do “Relatório de Representantes Legais REPLEG (Relação de Coresponsáveis)” é apenas identificar os sócios e diretores da empresa, com seu respectivo período de gestão. A Recorrente alega que SOEBRAS e Promove são empresas distintas e não ataca o que motivou a SOEBRAS constar como devedora Com fundamento no art. 133, II, do CTN, entendese que a empresa SOEBRAS não deve ser excluída do pólo passivo, eis que a SOEBRAS adquiriu todos os bens e direitos, mantendo inclusive as atividades das empresas enumeradas no item 9 do Relatório Fiscal (fls. 23/34). Lei 5.172/1966 Código Tributário Nacional CTN: Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: (...) II subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão. .......................................................................................................................... Relatório Fiscal (fls. 23/34): “[...] 9. Restou confirmado pela fiscalização o interesse comum em assuntos particulares das empresas Educação Infantil e Ensino Fundamental Savassi Ltda CNPJ: 05.385.879/000150; Educação Infantil e Ensino Fundamental Pampulha Ltda CNPJ: 05.401.768/000190; Pampulha Ensino Fundamental Ltda CNPJ: 06.001.557/000123; Educação Infantil e Ensino Fundamental Mangabeiras Ltda CNPJ: 05.401.766/000100; Educação Infantil e Ensino Fundamental Sete Lagoas Ltda CNPJ: 05.392.395/000139; Mangabeiras Ensino Fundamental Ltda CNPJ: 06.001.546/000143; Colégio Sete Lagoas Ensino Fundamental Ltda CNPJ: 04.901.337/000120; Centro Mineiro de Ensino Superior CEMES Ltda CNPJ: 02.636.995/000107; Sociedade Educacional Sistema Ltda CNPJ: 23.840.945/000117; Promove Participações Ltda CNPJ: 05.376.569/000170; Promove Serviços Educacionais Ltda CNPJ: 05.376.559/000134; Promove Cursos Livres e Mercantil Ltda CNPJ: 42.975.896/000174; Magie Edição Comércio e Distribuição de Livros Ltda CNPJ: 05.399.437/000163, sendo emitido e encaminhado para as mesmas o TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA, Fl. 1175DF CARF MF 18 constituindose parte integrante do presente AI. Isto porque estas empresas demonstraram ter o mesmo posicionamento quanto à sua administração, notadamente em relação aos atos abaixo descritos: (...) 11. A empresa ASSOCIAÇÃO EDUCATIVA DO BRASIL SOEBRAS CNPJ 22.669.915/000127, inicialmente, adquiriu das empresas PROMOVE, inclusive da AUTUADA o direito de uso da marca PROMOVE, conforme contrato particular de "LICENÇA DE USO DE MARCA" datado de 01/11/2006, onde a licenciada (SOEBRAS) deveria utilizar a marca PROMOVE "de forma ampla, efetiva e permanente, em igual ou superior número de unidades educacionais, propiciando a manutenção ou a elevação de seu valor de mercado", ficando, inclusive, investida de "todos os poderes necessários para a defesa da marca PROMOVE, sem prejuízo dos seus próprios direitos". 11.1. A licenciada (SOEBRAS) nos termos do contrato acima mencionado, se responsabilizaria também pelo pagamento das obrigações trabalhistas das empresas licenciantes. 11.2. As licenciantes (empresas PROMOVE) outorgaram à Licenciada, ainda, através do ato mencionado supra, procuração específica, conferindo a esta os poderes para, perante o Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI, praticar todos os atos necessários à prorrogação do prazo de validade da marca PROMOVE e adoção de todo e qualquer ato que se destinasse à manutenção e proteção de seus registros. (...) 11.4. Em segundo ato a SOEBRAS, por contrato particular intitulado "CONTRATO PARTICULAR DE ALIENAÇÃO DE ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL TRESPASSE", adquiriu das empresas mencionadas no item 8, todo o complexo de bens organizado para exercício da atividade, compostos da titularidade do estabelecimento empresarial, portanto "todos os direitos, incluindo ativo e passivo (inclusive para os termos do art. 133 do Código Tributário Nacional e Art. 11° e 448 das Consolidações das Leis do Trabalho), bem como a propriedade de todos os seus elementos corpóreos e incorpóreos, imóveis, móveis e semoventes e afins (...)". 11.5. Além deste mencionado contrato a SOEBRAS fez constar em seu Balanço Patrimonial em 31/12/2007, a aquisição supra mencionada, lançando em seu Ativo Diferido o montante de R$ 14.383.436,00 referentes à incorporação dos estabelecimentos de ensino PROMOVE COLÉGIOS e PROMOVE FACULDADES, "incluindo a propriedade de todos os seus elementos corpóreos e incorpóreos, imóveis, móveis, semoventes e afins". [...]” Conforme descrito no Relatório Fiscal, a empresa SOEBRAS manteve o mesmo endereço e CNAE do antigo estabelecimento da autuada e objeto do contrato de Trespasse em questão, bem como lançou em seu ativo diferido o valor referente à incorporação dos estabelecimentos de ensino Promove Colégios e Promove Faculdades, incluindo os elementos corpóreos e incorpóreos. Fl. 1176DF CARF MF Processo nº 15504.018351/200839 Acórdão n.º 2402006.586 S2C4T2 Fl. 11 19 Nesse caminhar, não se pode acatar também a pretensão da SOEBRAS em verse “imune/isenta” do recolhimento de contribuições previdenciárias, em razão de ser entidade beneficente de assistência social. A imunidade condicionada pelas regras previstas no artigo 55 da Lei 8.212/1991, referese à contribuição devida pela empresa tratada nos artigos 22 e 23, ao passo que no presente lançamento estão sendo exigidas as contribuições previdenciárias devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais na forma do artigo 20 da mesma Lei, e, por consectário lógico, não foram alcançadas pela arguida imunidade tributária. Além disso, o contribuinte eleito nos autos da obrigação tributária é a Educação Infantil e Ensino Fundamental Mangabeiras S/C Ltda, diferentemente da empresa SOEBRAS, a quem foi atribuída a responsabilidade subsidiária pelo débito lançado, a teor do art. 133, inciso II, do CTN. Logo, não acato a alegação de que a suposta imunidade da SOEBRAS também deveria atingir os tributos devidos pela empresa Pampulha Ensino Fundamental Ltda, já que a imunidade tributária das entidades beneficentes de assistência social não afasta a responsabilidade tributária por sucessão, na hipótese em que o sujeito passivo originário era contribuinte regular do tributo devido. Esse mesmo entendimento foi afirmado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no RE 599176/PR, de 05/06/2014, em que se manifestou no sentido de que a imunidade tributária não abrange os débitos sobre os quais a empresa se torne responsável por meio de sucessão. No que tange à arguição de inconstitucionalidade, ou ilegalidade, de legislação previdenciária que dispõe sobre a utilização taxa de juros (taxa SELIC), frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as normas reguladas na Lei 8.212/1991. Isso está em consonância com o Enunciado nº 2 de Súmula do CARF: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Esclarecemos que foi correta a aplicação do índice pelo Fisco, pois o art. 144 do CTN dispõe que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e regese pela lei então vigente, ainda que modificada ou revogada, e a cobrança de juros (taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC) estava prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei 8.212/1991. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. Fl. 1177DF CARF MF 20 A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996 (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. A propósito, convém mencionar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 4 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao princípio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança de juros, estando os valores descritos no lançamento fiscal, em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária, eis que o art. 34 da Lei 8.212/1991 dispunha que as contribuições sociais não recolhidas à época própria ficavam sujeitas aos juros SELIC e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Isso está em consonância com o próprio art. 161, § 1°, do CTN2, pois havendo legislação especifica dispondo de modo diverso, abrese a possibilidade de que seja aplicada outra taxa e, no caso das contribuições previdenciárias pagas com atraso, a taxa utilizada é a SELIC. O disposto no art. 161 do CTN não estabelece norma geral em matéria de legislação tributária. Portanto, sendo materialmente lei ordinária pode ser alterado por outra lei de igual status, não havendo necessidade de lei complementar. Ainda, conforme estabelecia os arts. 34 e 353 da Lei 8.212/1991, sem as alterações da Lei 11.941/2009, a multa de mora é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias. Além disso, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato. Fl. 1178DF CARF MF Processo nº 15504.018351/200839 Acórdão n.º 2402006.586 S2C4T2 Fl. 12 21 Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança da multa, estando os valores descritos no lançamento fiscal, bem como os seus fundamentos legais, em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. Neste contexto, considerando que o recorrente não se insurgiu de forma específica contra o objeto da presente autuação e estando este relator de acordo com os termos da decisão em voga, adoto as razões e fundamentos condutores do voto proferido no Acórdão nº 2402004.505. Assim, voto por CONHECER do recurso para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 1179DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19679.015876/2004-48
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. REQUISITOS PROCESSUAIS DE VALIDADE NÃO PREENCHIDOS. NÃO CONHECIMENTO.
Se o recurso voluntário inova via motivos de fato e/ou de direito acerca de matérias não expressamente contestadas na impugnação, ou seja, fora dos limites da lide, verifica-se a perda da oportunidade processual da contestação, por preclusão consumativa.
Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2002
MULTA POR ATRASO. DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A responsabilidade pela entrega da DCTF não está alcançada pelo art. 138 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1002-000.336
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NÃO CONHECER do recurso quanto ao argumento de ausência de previsão legal para aplicação da multa, e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Angelo Abrantes Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. REQUISITOS PROCESSUAIS DE VALIDADE NÃO PREENCHIDOS. NÃO CONHECIMENTO. Se o recurso voluntário inova via motivos de fato e/ou de direito acerca de matérias não expressamente contestadas na impugnação, ou seja, fora dos limites da lide, verifica-se a perda da oportunidade processual da contestação, por preclusão consumativa. Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2002 MULTA POR ATRASO. DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A responsabilidade pela entrega da DCTF não está alcançada pelo art. 138 do Código Tributário Nacional.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1436; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 55 1 54 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19679.015876/200448 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.336 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 8 de agosto de 2018 Matéria MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Recorrente FLORESTAL MATARAZZO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. REQUISITOS PROCESSUAIS DE VALIDADE NÃO PREENCHIDOS. NÃO CONHECIMENTO. Se o recurso voluntário inova via motivos de fato e/ou de direito acerca de matérias não expressamente contestadas na impugnação, ou seja, fora dos limites da lide, verificase a perda da oportunidade processual da contestação, por preclusão consumativa. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002 MULTA POR ATRASO. DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A responsabilidade pela entrega da DCTF não está alcançada pelo art. 138 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NÃO CONHECER do recurso quanto ao argumento de ausência de previsão legal para aplicação da multa, e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 01 58 76 /2 00 4- 48 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 19679.015876/200448 Acórdão n.º 1002000.336 S1C0T2 Fl. 56 2 Aílton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão proferida pela 5.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo I SP (DRJ/SPOI) mediante o Acórdão n.º 1610.323, de 05/09/2006 (efls. 22 a 25). O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância sintetiza bem o ocorrido, pelo que peço licença para transcrevêlo a seguir, complementandoo ao final. [...] Por meio do Auto de Infração de fl. 06, o contribuinte acima identificado foi autuado e notificado a recolher o crédito tributário no valor de R$ 2000,00, a título de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referente ao 1°, 2°, 3° e 4° trimestre do ano calendário de 2002. O enquadramento legal consta da descrição dos fatos como artigo 113, § 3° e 160 da Lei n° 5.172/1966 (CTN); artigo 4° combinado com o artigo 2° da Instrução Normativa SRF n° 73/98; artigo 2° e 5° da Instrução Normativa SRF n° 126/98 combinado com item I da Portaria MF n° 118/84; artigo 5° do DL 2124/84 e artigo 7° da MP n° 18/01 convertida na Lei n° 10.426/2002. Não se conformando com o lançamento acima descrito, a interessada apresentou a impugnação de fls. 01, a 04, na qual alega, em apertada síntese, que a(s) DCTF(s) em tela foram apresentadas antes de qualquer procedimento da administração. Conclui, que está albergada pelo instituto da denuncia espontânea previsto no artigo 138 do CTN. A 5.ª Turma da DRJ/SPOI negou provimento à impugnação, assinalando que a responsabilidade pela entrega da DCTF não está alcançada pelo art. 138 do CTN. Em 08/01/2008 o contribuinte, inconformado com a decisão, interpôs recurso voluntário, efls. 31 a 40, alegando em síntese: Fl. 56DF CARF MF Processo nº 19679.015876/200448 Acórdão n.º 1002000.336 S1C0T2 Fl. 57 3 a) Inexistência de previsão legal para a cominação da multa por atraso na entrega de DCTF; b) Ocorrência da denúncia espontânea alcançada pelo art. 138 do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Angelo Abrantes Nunes, Relator. O presente recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade somente quanto ao tema Denúncia Espontânea, como será demonstrado a seguir. Passamos à análise do teor do recurso, interposto visando à reforma da decisão recorrida. 1. Inexistência de previsão legal para cominação da multa. A primeira matéria contestada no recurso voluntário traz toda uma argumentação que pretende manobrar a ideia de que, ao tempo do fato que gerou a incidência da multa capitulada nos dispositivos definidos no auto de infração, não havia lei que autorizasse a aplicação da multa por atraso na entrega de DCTF, materializando, assim, ofensa ao art. 97, V, do CTN. Aponta o recorrente que no lançamento de ofício foram indicadas normas que não se revestem da condição de lei, para efeito de atendimento ao inciso V do art. 97 do CTN. Os dispositivos legais que constam como suporte para o Auto de Infração (efl. 8) são: art. 4.º c/c art. 2.º da IN SRF n.º 73/96, arts. 2.º e 6.º da IN SRF n.º 126/98, item I da Port. MF n.º 118/84, art. 5.º do DL n.º 2.124/84 e 7.º da MPv n.º 16/2001. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 19679.015876/200448 Acórdão n.º 1002000.336 S1C0T2 Fl. 58 4 Contudo, embora o recorrente ao tempo da ciência do Auto de Infração já tenha sido informado sobre a capitulação legal que o fundamentou, nenhuma linha de sua impugnação interposta (efls. 3 a 6) aborda tal circunstância, sequer reflexamente, combinandoa com a insuficiência legal para a sanção que fora aplicada. Ali não há qualquer contestação correspondente ao que dispõe o inciso V do art. 97 do CTN, associandoo com eventual ausência de amparo legal para aplicação de multa por atraso na entrega de DCTF ao tempo da ocorrência das entregas a destempo flagradas. A contestação trazida no recurso voluntário se encontra então fora dos limites da lide definidos na impugnação, consistindo em inovação, caracterizando supressão de instância. Dessa forma, considero que tal matéria foi alcançada pela preclusão a que se refere o art. 16, inciso III, e art. 17, do Decreto n.º 70.235/72, trechos transcritos a seguir, verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (grifei). Já suficiente e definida a razão de decidir na qual me amparo, acima, com caráter meramente ilustrativo seguem considerações sobre o motivo exposto no recurso voluntário, correspondente ao mérito deste item, ainda que pareça contraditório comentar tal consideração neste voto, uma vez que nos parágrafos anteriores já se demonstrou que a matéria não deve ser conhecida, por preclusão. Explico: tratase de enfrentar com respeito e deferência o esforço argumentativo da defesa, repetindose, entretanto, que o fundamento deste voto — a respeito de argumentação de ausência de previsão legal — relacionase rigorosamente apenas com o que foi analisado até aqui. Ainda que conhecido fosse o recurso voluntário sob o aspecto de não haver suporte legal para a multa por atraso na entrega de DCTF no ano 2002, não haveria razão a ser observada para sustentar a pretensão do recorrente. É o que indicam as normas regentes do fato apontado como infração, ao tempo dos fatos geradores do descumprimento de obrigação acessória — atrasos na entrega das DCTFs. Vejamse os dispositivos legais em que se baseou o recurso voluntário para pugnar pela aplicação das multas, relativas a fatos ocorridos em 2002: MPv n.º 16/2001: (...) Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica e Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a Fl. 58DF CARF MF Processo nº 19679.015876/200448 Acórdão n.º 1002000.336 S1C0T2 Fl. 59 5 apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal, e sujeitarseá às seguintes multas: (...) § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (...) II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (grifei). Lei n.º 10.426, de 24/04/2002, em vigor desde 25/04/2002: (...) Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica e Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal, e sujeitarseá às seguintes multas: (...) § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (...) II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. Fica evidente que a conversão da Medida Provisória n.º 16/2001 na Lei n.º 10.426/2002 não apresentou qualquer emenda ao texto do art. 7.º, no qual já havia a previsão legal para a aplicação da multa questionada, desde o ano 2001. Portanto, ao contrário do que quer fazer crer o recorrente, havia lei vigente (Lei n.º 10.426/2002) no ano 2002, a partir de abril de 2002, a amparar a aplicação da multa já com relação à primeira DCTF em atraso, cujo prazo fatal para apresentação foi 15/05/2002. E, não fosse isso suficiente, a MPv 16/2001 já vigorava desde o ano anterior, contendo a idêntica previsão legal para a imposição da sanção. Logo, não há qualquer cabimento ao se comparar a situação contextualizada nos autos com qualquer tipo de ofensa à limitação temporal de que trata o art. 144 do CTN. Por fim, relativamente a esta matéria, observese que as decisões administrativa e judicial trazidas no corpo do recurso voluntário se referem a fatos geradores ocorridos antes da vigência da MPv n.º 16/2001, sem nenhuma identificação temporal com o caso contido no presente processo. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 19679.015876/200448 Acórdão n.º 1002000.336 S1C0T2 Fl. 60 6 Desta feita, retornando ao fundamento de início ponderado, restando evidente a preclusão quanto ao mérito deste item, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário quanto a este tópico, não havendo, portanto, o que reformar na decisão de primeira instância em relação a este aspecto, da alegada inexistência de previsão legal para aplicação da multa. 2. Denúncia espontânea art. 138 do CTN. A principal razão na qual se ampara o recorrente consiste em interpretar o art. 138 do CTN de maneira que o benefício decorrente da denúncia espontânea alcance também a multa por atraso na entrega de declarações, mormente de DCTFs, quando entregues antes de iniciado qualquer procedimento de fiscalização. A denúncia espontânea da infração acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora exclui a responsabilidade do sujeito passivo pela penalidade pecuniária em função da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A exteriorização de vontade não tem forma prevista em lei e alcança tão somente tributo sujeito ao lançamento por homologação que não esteja declarado à época e o recolhimento seja efetuado antes de qualquer procedimento fiscal1. Essa é a lógica da lei: incentivar a regularização dos tributos a pagar/declarar pelo próprio contribuinte, visando à economia no emprego do aparelho fiscalizatório, evitando auditorias custosas. Este instituto, todavia, não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração, ou seja, não se aplica à multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória2. A afirmação suscitada pela defendente, destarte, não é pertinente. O que pretende o argumento do recorrente é promover uma alteração na lei mediante julgamento administrativo, excluindose a hipótese de atraso na entrega da declaração como motivadora da incidência da multa por descumprimento de obrigação acessória. Restaria somente a hipótese de falta de entrega. Vejamos o texto legal a respeito, transcrito a seguir: Lei n.º 10.426/2002 (mesmo art. e mesmo texto da MPv n.º 16/2001): (...) Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e 1 Fundamentação legal: art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 138 do Código Tributário Nacional. 2 Fundamentação legal: Súmula CARF n.º 49. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 19679.015876/200448 Acórdão n.º 1002000.336 S1C0T2 Fl. 61 7 sujeitarseá às seguintes multas: ("Caput" do artigo com redação dada pela Lei nº 11.051, de 29/12/2004) (...) Ao contrário da pretensão do recorrente, não pode o julgador administrativo oporse à aplicação da lei. Ao contrário, como órgão administrativo vinculase a ela. O caso dos autos integra um contexto de descumprimento de obrigação acessória para o qual, se fosse possível entendêlo abrangido pelo art. 138 do CTN, estaríamos retirando ilegalmente do ordenamento jurídico a aplicação de multa por atraso na entrega extemporânea das declarações. E, ademais, estaria esta Turma Julgadora a admitir, ainda que de forma indireta, o benefício da própria torpeza em favor do contribuinte que atrasasse o envio das suas declarações. É verdade que o art. 138 não diferencia expressamente obrigação principal da acessória, para efeito de excluir a responsabilidade por infrações. Contudo, é de se observar que se refere a pagamento do tributo objeto da denúncia e mitigação das sanções decorrentes da falta de pagamento tempestivo. Vejamos o texto do art. 138 do CTN, transcrito abaixo: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. (grifei). Pelas razões já expostas já é possível perceber a inconsistência da tese que pretenda incluir sob o alcance do citado dispositivo a infração relativa a atraso na entrega de declaração. Mas acrescentese que o texto legal mencionado dirigese a tributo, e não a obrigação acessória, e, ainda que se pretenda inferir que a expressão "se for o caso" como permissiva para a ideia de que ali se insira (quando "não for o caso") a multa por atraso (pois não configura tributo devido), é importante destacar que a referência se dá com relação a circunstâncias nas quais não há imposto devido apurado, porém houve infração a reduzir o montante da base de cálculo ou do tributo, como, por exemplo, hipótese de infração que teria aumentado indevidamente prejuízo fiscal, saldo negativo do tributo etc. Os excertos doutrinários e os julgados trazidos pelo recorrente não têm a força necessária para impor interpretação contrária à da lei que exige a multa por atraso na entrega da DCTF e, é preciso que se diga, são decisões datadas dos anos 1994 e 1999, e referentes a períodos anteriores, que não refletem a posição atual dos órgãos julgadores. Conforme repisado acima, o julgamento administrativo deve obedecer às exigências e parâmetros legais, não havendo espaço para discricionariedade nos casos em que se impõe a observância do princípio da legalidade. Por fim, a Súmula CARF n.º 49, aprovada em 08/12/2009, pôs fim às divergências a respeito do tema: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração Logo, não assiste razão ao recorrente quanto a esta matéria de seu recurso. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 19679.015876/200448 Acórdão n.º 1002000.336 S1C0T2 Fl. 62 8 Diante do exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente do recurso voluntário, e, na parte conhecida, negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Fl. 62DF CARF MF
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Numero do processo: 10073.901248/2013-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA DCTF.
Constatada a existência do crédito tributário, por meio da DCTF retificadora apresentada, ela deve ser analisada pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo, seguindo-se daí o rito processual ordinário.
Numero da decisão: 1301-003.340
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a questão da DCTF retificadora e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do crédito pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. Constatada a existência do crédito tributário, por meio da DCTF retificadora apresentada, ela deve ser analisada pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo, seguindo-se daí o rito processual ordinário.
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POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. Constatada a existência do crédito tributário, por meio da DCTF retificadora apresentada, ela deve ser analisada pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo, seguindose daí o rito processual ordinário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a questão da DCTF retificadora e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do crédito pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 12 48 /2 01 3- 12 Fl. 456DF CARF MF Processo nº 10073.901248/201312 Acórdão n.º 1301003.340 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que, por maioria de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte, para manter na íntegra o Despacho Decisório que não homologou as compensações pleiteadas, em razão da inexistência do crédito alegado para quitação dos débitos informados no PER/DCOMP. O presente processo decorre de pedido de compensação, cujo crédito tem origem em pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais. O Despacho Decisório proferido pela da unidade de origem não reconheceu o valor do crédito pretendido e não homologou as compensações declaradas. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirmou que o valor a maior recolhido se deu basicamente pois desconsiderou os valores pagos em meses anteriores, apresentou planilha que demonstra como os cálculos ocorreram. O Acórdão recorrido entendeu que na data da transmissão das PerdComps o crédito não era líquido e certo, uma vez que as DCTFs não estavam retificadas, e todo o DARF alocado ao débito estava consumido, sem crédito algum, bem como porque o interessado não juntou provas e documentos. No Recurso Voluntário apresentado a recorrente defende que o acórdão recorrido deve ser anulado pois não se baseou na verdade material dos fatos, e simplesmente baseouse na DCTF que não foi retificada para não homologar as compensações, juntou as DCTFs retificadoras bem como os cálculos em que se basearam os pagamentos. É o relatório. Fl. 457DF CARF MF Processo nº 10073.901248/201312 Acórdão n.º 1301003.340 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.326, de 16/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10073.901241/2013 09, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O direito creditório analisado no processo paradigma tem como origem pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, relativo ao período de apuração de 31/08/2011. No presente processo, o crédito pleiteado tem origem em pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, referente ao período de apuração de 31/10/2011. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.326): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A recorrente apresentou PerdComps, onde se utilizou de créditos decorrentes de IRPJ pago a maior, pois ao efetuar o pagamento das estimativas mensais, não levou em consideração os valores já recolhidos em meses anteriores. Segundo o Despacho Decisório, todo o DARF relacionado estava alocado para um débito, de tal forma que não restou nenhum crédito disponível a ser compensado, não homologando a compensação pleiteada. De igual forma entendeu o acórdão recorrido, que na data da transmissão da Perdcomp, o crédito não se encontrava líquido e certo, bem como faltou ao recorrente trazer a prova do indébito tributário. Passemos aos fatos. O crédito a que refere a recorrente é de IRPJ, antecipação, e segundo a recorrente quando realizou o pagamento do DARF para quitar a antecipação, não levou em consideração os valores pagos em meses anteriores, levandoo a pagar um valor maior. Apresentou planilhas em que se demonstra tal cálculo, e em sede recursal juntou a DCTF retificadora e livros de apuração. Fl. 458DF CARF MF Processo nº 10073.901248/201312 Acórdão n.º 1301003.340 S1C3T1 Fl. 5 4 O ponto aqui é que a DCTF foi somente retificada após o Despacho Decisório, não gerando a informação de crédito para a RFB. Porém, ainda que a DCTF tenha sido transmitida posteriormente ao Despacho decisório, é certo que a declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, nos termos do art. 19, da MP 199026/1999, dessa forma, prevalece a declaração retificadora. Ademais, no caso em tela, de acordo com a DIPJ, a recorrente apurou seu IRPJ em todos os meses do ano com base em balancete de suspensão ou redução, não caracterizando alteração de regime. Em situações semelhantes, temos o entendimento de que a retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impediria o deferimento do pedido, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, tal como preconiza o § 1º do art. 147 do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Assim, tendo em vista o princípio da busca da verdade material, já que juntou documentos, ainda que em sede recursal daquilo que faria jus ao seu direito, voto no sentido de se afastar o óbice de desconsideração da DCTF retificadora. E dessa forma, a unidade de origem poderá verificar o mérito do pedido, acerca da existência do crédito e da respectiva compensação, bem como analisar a liquidez e certeza do referido crédito, nos termos do art. 170, do CTN. Posteriormente, podese seguir o rito processual habitual. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL para superar a questão da DCTF retificadora e determinar o retorno dos autos à unidade de origem, refazendo sua análise diante da documentação apresentada." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a questão da DCTF retificadora e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do crédito Fl. 459DF CARF MF Processo nº 10073.901248/201312 Acórdão n.º 1301003.340 S1C3T1 Fl. 6 5 pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 460DF CARF MF
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