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Numero do processo: 13807.006966/2004-59
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
LIMITE DE ALÇADA. VALOR ACIMA. COMPETÊNCIA. TURMAS
ORDINÁRIAS.
No julgamento dos recursos no âmbito do CARF deve ser obedecido o limite
de alçada estipulado para julgamento dos recursos voluntários, pelas Turmas
Especiais, referenciado pelo valor fixado para o recurso de ofício a ser
interposto pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento.
Processos com valor fora desse limite devem ser julgados pelas Turmas
Ordinárias.
Numero da decisão: 3803-002.841
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 LIMITE DE ALÇADA. VALOR ACIMA. COMPETÊNCIA. TURMAS ORDINÁRIAS. No julgamento dos recursos no âmbito do CARF deve ser obedecido o limite de alçada estipulado para julgamento dos recursos voluntários, pelas Turmas Especiais, referenciado pelo valor fixado para o recurso de ofício a ser interposto pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Processos com valor fora desse limite devem ser julgados pelas Turmas Ordinárias.
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VALOR ACIMA. COMPETÊNCIA. TURMAS ORDINÁRIAS. No julgamento dos recursos no âmbito do CARF deve ser obedecido o limite de alçada estipulado para julgamento dos recursos voluntários, pelas Turmas Especiais, referenciado pelo valor fixado para o recurso de ofício a ser interposto pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Processos com valor fora desse limite devem ser julgados pelas Turmas Ordinárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Fl. 772DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 1421.128, de 22 de outubro de 2008, da DRJRibeirão Preto/SP, fls. 644 a 52, que indeferiu a solicitação. A interessada protocolizou pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, referente ao quarto trimestre de 2003. Por meio do despacho decisório proferido pela autoridade competente foi glosada a parcela do benefício fiscal correspondente à exclusão da respectiva base de cálculo de insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas, não contribuintes de PIS e COFINS; excluída da receita de exportação os valores referentes à exportação de produtos NT; e não acolhido o pedido de atualização monetária pela taxa SELIC. Em sua manifestação de manifestação de inconformidade, a Interessada alegou, em resumo, o que segue: a) conforme a exposição de motivos relativa à Medida Provisória n° 948, de 23 de março de 1995, o objetivo do beneficio fiscal é atenuar a incidência em cascata da carga tributária sobre todas as etapas do processo produtivo, e assim, presumese a incidência de PIS e Cofins nas etapas anteriores, dispensada a prova quanto ao pagamento nessas etapas, e inclusive sobre produtos nacionais exportados; b) pela Lei n° 9.363, de 1996, não há necessidade de incidência das contribuições já referidas imediata e diretamente sobre as aquisições realizadas pelo produtor exportador, e não há menção a nenhuma exclusão parcela referente aos insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas,, consoante, inclusive, julgados do Conselhos de Contribuintes; c) defendeu a inclusão no cálculo do benefício, dos valores relativos à energia elétrica e combustíveis; d) as exportações de produtos NT devem compor a Receita de Exportação, pois o art. 2° da lei n° 9.363/96 não restringiu as receitas a serem consideradas como de exportação; e) o ressarcimento, que se assemelha à restituição de indébito, também segundo entendimento do Conselho de Contribuintes, deve ser acrescido de juros SELIC, como meio de evitar um verdadeiro esvaziamento do beneficio, ou seja, um confisco disfarçado, ou, o enriquecimento sem causa da Fazenda; Por fim, a manifestante pede que seja reconhecido o direito ao ressarcimento no montante pleiteado, com o acréscimo de juros SELIC. A decisão da DRJ/Ribeirão Preto restou ementada como segue: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS. No cálculo do crédito presumido são glosados os Valores referentes a aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas, não contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS, pois os insumos adquiridos devem sofrer o gravame das referidas contribuições. Fl. 773DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13807.006966/200459 Acórdão n.º 3803002.841 S3TE03 Fl. 736 3 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NT. Na determinação da base de cálculo do crédito presumido, a legislação tributária de regência não contempla a inclusão das exportações de produtos NT, no valor da Receita de Exportação. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É incabível a concessão do estímulo fiscal acrescido de juros de mora pela taxa SELIC, por ausência de autorização legal. Cientificada da decisão em 20 de dezembro de 2008, irresignada, apresentou o recurso voluntário de fls. 679 a 720, em 23 de dezembro de 2008, argüindo, essencialmente, as mesmas razões trazidas na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa O recurso não atende o requisito para sua admissibilidade relativo ao valor de alçada que limita a competência para julgamento desta Turma Especial. Tal competência relativo a processo administrativo de ressarcimento é definida pelo crédito alegado/solicitado, nos termos do art. 7º, § 1º, da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, RICARF. Conforme relatado, o crédito no presente processo é de R$ 11.174.068,15. A competência das Turmas Especiais é restrita ao julgamento de recursos em processos que envolvam valores reduzidos, limite este de alçada referenciado pelo valor da exoneração procedida por Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ora fixado nos termos do art. 1º da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Por este fato, voto por não conhecer do recurso. Sala das sessões, 25 de abril de 2012 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 774DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por ALEXANDRE KERN 4 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 13807.006966/200459 Interessada: GRANOL INDÚSTRIA COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO S/A À 3ª SEJUL, para formação de lote de sorteio para as turmas ordinárias, haja vista que o valor do processo supera a alçada desta TE, estabelecida no § 2º do art. 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF. Brasília DF, em 25 de abril de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção – Presidente Fl. 775DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 23034.000767/2002-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/12/1997 a 30/09/1999
OMISSÃO NA JUNTADA DE ELEMENTOS NECESSÁRIOS A BOA COMPREENSÃO DO LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE.
É nulo, por vício material, o lançamento em que a autoridade lançadora não formaliza o processo com documentos necessários a boa compreensão da lavratura fiscal.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, anular o lançamento por vício material. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que votou por anular o lançamento por vício formal. Ausente momentaneamente o Conselheiro Igor Araújo Soares.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, anular o lançamento por vício material. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que votou por anular o lançamento por vício formal. Ausente momentaneamente o Conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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VÍCIO MATERIAL. NULIDADE. É nulo, por vício material, o lançamento em que a autoridade lançadora não formaliza o processo com documentos necessários a boa compreensão da lavratura fiscal. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, anular o lançamento por vício material. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que votou por anular o lançamento por vício formal. Ausente momentaneamente o Conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 00 07 67 /2 00 2- 17 Fl. 211DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 23034.000767/200217 Acórdão n.º 2401003.071 S2C4T1 Fl. 212 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra decisão do Presidente do Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação FNDE, que indeferiu a impugnação apresentada para desconstituir a Notificação para Recolhimento de Débito NRD n. 283/2002. O crédito em questão foi lavrado pela Gerência de Arrecadação e Cobrança do FNDE em decorrência de Informação Fiscal do INSS, fls. 02/03, dando conta da existência de débitos suplementares referentes ao SalárioEducação. Cientificada do lançamento em 14/01/2004, a empresa ofertou defesa, fls. 43/102, alegando, em síntese, que: a) parte do débito foi alcançado pela decadência; b) o lançamento é carente de fundamentação legal quanto à sua atualização monetária; c) o seu direito de defesa foi prejudicado posto que não há na NRD explicação sobre a origem do débito; d) a cobrança não tem embasamento legal. O órgão recorrido não acatou os argumentos da defesa, ver fls. 107/109. Inconformado, o sujeito passivo interpôs, em 18/01/2005, recurso ao Conselho Deliberativo do FNDE, fls. 134/174, no qual, inicialmente fez um apanhado da legislação que trata da contribuição ao SalárioEducação. Afirma que o lançamento foi parcialmente alcançado pela decadência, devendo serem excluídas por esse motivo as contribuições do período de 12/1997 a 12/1998, haja vista que tomou ciência do débito em 13/01/2004. Suscita a nulidade da NRD, posto que os dados constantes no referido documento são insuficientes ao pleno esclarecimento do contribuinte, quanto aos elementos ensejadores da cobrança, causando flagrante prejuízo ao seu direito de defesa. A recorrente sustenta também que no corpo da NRD não consta qualquer elemento informativo, quanto à metodologia utilizada para atualização do débito em questão. Alega que a Lei n. 9.424/1996, que tratou do SalárioEducação, não trouxe de forma clara a materialidade do fato gerador, deixando também de definir o sujeito passivo da obrigação. A MP 1.565/1997, que veio suprir a lacuna legal, após sucessivas reedições não foi convertida em lei, por esse motivo não pode gerar efeitos em relação à cobrança da contribuição. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Por outro lado, afirma, a referida MP carregava a inconstitucionalidade em razão da vedação da adoção desse instrumento normativo para regulamentação de dispositivo constitucional que tenha sido alterado por emenda promulgada a partir de 1995. É que o § 5. do art. 212 da Carta Magna foi alterado pela EC n. 14/2206. Conclui que as contribuições relativas ao período de 12/1997 a 12/1998 não possuem respaldo legal e constitucional para sua cobrança. Ressalta que em dezembro de 2008 foi editada a Lei n. 9.766, alterando a legislação do SalárioEducação, todavia esse ato normativo deixou de tratar da alíquota da contribuição, a qual somente veio a ser mencionada no Decreto n. 3.142/1999. Porém, em razão do princípio da estrita legalidade tributária, não poderia ato do Poder Executivo tratar dessa questão. Assim, advoga que também não podem ser exigidas as contribuição do exercício de 1999, em razão da inconstitucionalidade acima apontada. Ao final, requereu a declaração de nulidade ou de insubsistência do lançamento. Em virtude do disposto na Lei n. 11.457/2007, que, dentre outras alterações, determinou que a contribuição social do SalárioEducação passaria a ser administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, os autos foram encaminhados à Delegacia da RFB em São Bernardo do Campo, que destinou o processo ao CARF, para julgamento do recurso. É o relatório. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 23034.000767/200217 Acórdão n.º 2401003.071 S2C4T1 Fl. 213 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Nulidade do lançamento Inicia o recurso pelo enfrentamento da preliminar de nulidade decorrente da falta de clareza e precisão no relatório de trabalho do fisco. Assevera a recorrente que o fisco não se desvencilhou do ônus de provar a ocorrência do fato gerador, por esse motivo o lançamento estaria irremediavelmente marcado com a pecha da nulidade. A princípio cabe verificar se o presente lançamento foi confeccionado em consonância com as normas que regem a matéria. Iniciemos pela análise do art. 142 do CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Do dispositivo transcrito, verificase que um dos requisitos indispensáveis ao lançamento é a demonstração da ocorrência do fato gerador. De fato, tem razão a recorrente ao mencionar que, se o fisco não se desincumbir do ônus de demonstrar que efetivamente a hipótese de incidência tributária se concretizou no mundo fático, o lançamento é imprestável. Apreciando com atenção os termos lançados no corpo da NRD, verificase que o Gerente de Arrecadação e Cobrança do FNDE laconicamente se reporta a informações do INSS, nos seguintes termos: “o débito em questão, apontado pelo INSS de acordo com Relatórios e Demonstrativos apensados, decorre de irregularidades verificadas nos recolhimentos referentes ao SalárioEducação, consoante o disposto na legislação aplicável, conforme a fundamentação legal abaixo descrita e demais instruções pertinentes”. À fl. 03, consta o único documento originário do INSS, elaborado pela Gerência de Arrecadação e Fiscalização em São Bernardo do Campo, a qual apresenta uma Fl. 215DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 tabela com três colunas indicando a competência, o valor do saláriodecontribuição e a contribuição devida. Não há como discordar que os elementos trazidos são insuficientes para que a empresa possa se defender, uma vez que não há qualquer referência à origem do saláriode contribuição, ou seja, quais fatos geradores originaram a obrigação tributária demonstrada. Verificase que não foram acrescentadas quaisquer informações adicionais, com um maior grau de detalhamento, que possibilitasse o entendimento da narrativa acerca dos fatos geradores tomados na apuração. Sem dúvida, a falta de detalhamento acima apontada, não dota a NRD de clareza e precisão exigidas para a certeza e liquidez do crédito tributário, prejudicando totalmente o direito de defesa do sujeito passivo. A preterição ao direito de defesa do administrado é norma constitucional (inciso LV do art. 5.º) que, uma vez desrespeitada, acarreta em nulificação do ato administrativo que lhe for contrário. Tivesse o órgão do FNDE juntado os autos do processo de débito relativo às contribuições previdenciárias, certamente emergiriam dali as informações necessárias à boa compreensão do lançamento. Sem esses dados a acusação fiscal fica desprovida de motivação. Quanto ao vício, entendemos que a sua natureza é material, posto que a autoridade lançadora pecou por não juntar aos autos os documentos produzidos pelo INSS que seriam hábeis a trazer mais esclarecimentos sobre a exigência fiscal. Conclusão Dito isto, voto por declarar a nulidade do lançamento por vício material. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 216DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10680.918996/2008-19
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Data do fato gerador: 30/09/1999
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
Uma vez comprovada a inexistência do crédito utilizado na quitação dos
débitos confessados na Declaração de Compensação (DComp), deve ser
declarado não homologado o respectivo procedimento compensatório.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 30/09/1999
NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO E FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AFRONTA AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do
direito de defesa nem afronta ao contraditório a decisão que apresenta
fundamentação adequada para o indeferimento do pleito de realização da
compensação declarada e da qual a Recorrente foi devidamente cientificada
e, normalmente, exerceu o seu direito de defesa nos prazos e na forma
estabelecida nos §§ 7º a 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as
alterações posteriores.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-001.046
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de
Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: José Fernandes do Nascimento
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Data do fato gerador: 30/09/1999 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Uma vez comprovada a inexistência do crédito utilizado na quitação dos débitos confessados na Declaração de Compensação (DComp), deve ser declarado não homologado o respectivo procedimento compensatório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/09/1999 NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO E FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AFRONTA AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do direito de defesa nem afronta ao contraditório a decisão que apresenta fundamentação adequada para o indeferimento do pleito de realização da compensação declarada e da qual a Recorrente foi devidamente cientificada e, normalmente, exerceu o seu direito de defesa nos prazos e na forma estabelecida nos §§ 7º a 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 2 (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. EDITADO EM: 04/06/2012 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão nº 02-28.026, de 09 de agosto de 2010, proferido pelos membros da 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG (DRJ/BHE), em que, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a manifestação de inconformidade, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Data do fato gerador: 30/09/1999 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever os fatos que ocorreram até a prolação do referido Acórdão, transcrevo a seguir o relatório do julgador de primeiro grau: O interessado transmitiu PER/DCOMP de fls.17/19, visando a compensar o(s) débito(s) nela declarado(s), com crédito oriundo de pagamento a maior de Cofins, relativo ao período de 30/09/1999. A Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte emitiu Despacho Decisório eletrônico (fl. 12) não homologando a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débitos do contribuinte - no presente caso, a própria contribuição devida no período - não restando, portanto, saldo creditório disponível. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10680.918996/2008-19 Acórdão n.º 3802-01.046 S3-TE02 Fl. 2 3 Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 01/06, acompanhada dos documentos de fls.07/11, com os argumentos a seguir sintetizados. Narrando os fatos considerados pelo fisco na formalização do presente processo e com base no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, que transcreve, aduz ser o procedimento de compensação um ato que tem presunção de validade, porquanto a lei autoriza o contribuinte a fazer um juízo de valor, por sua conta e risco, acerca de um pagamento eventualmente feito de maneira indevida ou a maior, cabendo ao fisco motivar adequadamente o indeferimento do pleito, que no presente caso entende vazio, desprovido de fundamento, pelo que argúi a nulidade do despacho decisório, uma vez que tal fato viola também os princípios do contraditório e da ampla defesa assegurados aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, pela Constituição Federal. Em 08/02/2011, a Interessada foi cientificada do referido Acórdão. Inconformada, em 01/03/2011, protocolou o presente Recurso Voluntário, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. No final requereu o provimento do citado Recurso, para que fosse declarado nulo o despacho decisório ou homologada as compensações realizadas. Em 20/05/2011, os presentes autos foram enviados a este E. Conselho. Na Sessão de novembro de 2011, em cumprimento ao disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, foram distribuídos, mediante sorteio, para este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso é tempestivo, foi apresentado por parte legítima, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, inclusive no que tange ao limite alçada, portanto, dele tomo conhecimento. Da preliminar de nulidade do Despacho Decisório. Em sede de preliminar, o cerne da presente controvérsia limita-se a validade do presente Despacho Decisório, em que o Titular da Unidade da Receita Federal de origem, não homologou a compensação declarada pela Recorrente, com base no argumento que não existia o crédito informado, haja vista que já havia sido integralmente utilizado no pagamento de outro débito da própria Recorrente. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 4 No presente Recurso, a Interessada pleiteou a nulidade do citado Despacho Decisório sob alegação de que houve cerceamento do direito de defesa e afronta ao contraditório, com base no argumento que não houve exposição das razões de fato e direito que motivaram a referida decisão. Não procede a presente alegação, com a devida vênia. A uma, porque a decisão questionada foi devidamente motivada, conforme reconheceu a própria Recorrente no excerto a seguir transcrito: Como no presente caso, segundo o Fisco, a compensação foi indeferida porque não existiam créditos, uma vez que eles foram utilizados para compensar os débitos do mês correspondente, evidentemente que tal alegação é nula, tendo em vista ser completamente vazia e desprovida de fundamentação. De fato, ao afirmar que “a compensação foi indeferida porque não existiam créditos, uma vez que eles foram utilizados para compensar os débitos do mês correspondente”, a Recorrente demonstrou que compreendeu o motivo da não homologação da compensação declarada, que foi consignado no tópico da fundamentação do referido Despacho Decisório, com os seguintes termos, in verbis: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A duas, porque o enquadramento legal nos arts. 165 e 170 do CTN e no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, representa adequada fundamentação legal para a decisão proferida. Dessa forma, diferentemente do que alegou a Recorrente, entendo que o presente Despacho Decisório foi devidamente motivado e fundamentado. Ademais, a Recorrente compreendeu as razões de ordem fática e jurídica da decisão proferida, o que descaracteriza a aduzida alegação de cerceamento do seu direito de defesa. Também não procede a alegação de que houve afronta ao contraditório, haja vista que a Recorrente teve pleno conhecimento do inteiro teor do citado Despacho Decisório, assim como lhe foi oportunizado apresentar manifestação de inconformidade, nos prazos e nos termos dos §§ 7º a 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores, que foi normalmente exercido, sem nenhuma dificuldade, conforme noticiam os autos. Com base nessas considerações, rejeito a presente preliminar de nulidade. Da análise do mérito. Em relação ao mérito, o cerne da presente controvérsia diz respeito a existência ou não do crédito utilizado pelo sujeito passivo na quitação do débito confessado na Declaração de Compensação (DComp) colacionada aos autos. No âmbito dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), é requisito necessário, para fim de realização da autocompensação declarada, que sujeito passivo seja titular de crédito certo, líquido e passível de restituição ou ressarcimento, Fl. 42DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10680.918996/2008-19 Acórdão n.º 3802-01.046 S3-TE02 Fl. 3 5 conforme disposto no art. 170 do CTN, combinado com estabelecido no caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores. No presente caso, com base nas informações contidas nos sistemas de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), foi apurado que não existia o crédito informado na referida DComp, uma vez que alegado pagamento indevido havia sido integralmente utilizado no pagamento de débito da Cofins constituído pela própria Recorrente. Por este motivo, o Titular da Unidade da RFB de origem não homologou o presente procedimento compensatório. É oportuno ainda esclarecer que, no caso em tela, foi a própria Recorrente quem apurou e confessou a existência do débito vinculado ao alegado pagamento indevido, mediante a apresentação da respectiva DCTF, que, por força de lei, tem natureza de confissão de dívida. Diante dessa constatação, para reforma da decisão em questão, era imprescindível que a Recorrente apresentasse as provas no sentido de que o dito pagamento era indevido. E tal mister seria facilmente realizado mediante a exibição dos documentos e livros contábeis e fiscais, documentos hábeis e idôneos para comprovar a existência ou não do faturamento no respectivo mês, que representava, na época, a base de cálculo da referida Contribuição, nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. No entanto, ao invés de trazer tal documentação aos autos e assim provar a existência do indébito tributário, a Recorrente alegou, nas duas oportunidades em que exerceu o seu direito de defesa, inclusive, incluindo o presente Recurso, que a autocompensação por ela realizada gozava de presunção de validade, não podendo o Fisco indeferi-la com base na alegação de que não existia o crédito declarado. Evidentemente, essa alegação que a autocompensação (declarada) goza de presunção de validade não tem respaldo jurídico. De fato, é comezinho que a presunção de validade ou legitimidade (juris tantum) é uma prerrogativa exclusiva do ato administrativo emanado do Poder Público, em decorrência direta da sujeição da Administração Pública ao princípio da estrita legalidade, explicitamente previsto no caput do art. 37 da CF/1988, que exige que tais atos sejam expedidos com estrita observância do que determina a lei. É oportuno esclarecer que a autocompensação declarada tem natureza de confissão dívida, segundo o disposto no § 6º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a nova redação que foi atribuída pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Também não procedem as alegações da Recorrente acerca da impossibilidade de retificação da DCTF. Na verdade, diversamente do que afirmou, há permissão expressa de alteração dos dados da DCTF, conforme estabelecido no artigo 9º e seus parágrafos da Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009, e nas Instruções Normativas anteriores que disciplinavam a matéria, a qual se efetiva mediante a entrega, via Internet, da declaração retificadora gerada a partir do PGD DCTF. É oportuno esclarecer que a DCTF retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente, e pode ser utilizada para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 6 Porém, a DCTF retificadora não produzirá efeitos quando tiver por objeto: a) reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: (i) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União, nos casos em que importe alteração desses saldos; (ii) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou (iii) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. b) alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. Nos presentes autos, nenhum dessas situações impeditivas ocorreram, portanto, inaplicável ao caso em tela tal alegação. Também fica demonstrado a improcedência da alegação de que a apresentação da DComp implica na anulação automática do pagamento do débito informado na DCTF, pois, conforme demonstrado precedentemente, a alteração dos débitos declarados na DCTF somente pode ser realizada mediante a entrega da DCTF retificadora. É oportuno ainda ressalta que, além de não ter nenhum amparo legal, no meu entendimento, tais alegações, representa apenas uma tentativa da Recorrente de se eximir do ônus de comprovar o pagamento indevido e, por conseguinte, a existência do respectivo crédito utilizado na quitação do débito declarado. Com base nessas, considerações estou convencido que o crédito informado pela Recorrente não existe, pois o valor do suposto pagamento indevido foi utilizado integralmente no pagamento do débito da Cofins declarado pela própria Recorrente na DCTF do respectivo período. Dessa forma, se não existe o crédito informado, consequentemente, a compensação declarada reputa-se indevida e, portanto, legítima a sua não homologação. Da conclusão. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao presente Recurso, para manter a não homologação da compensação declarada, em razão da inexistência do crédito informado. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 44DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10680.918996/2008-19 Acórdão n.º 3802-01.046 S3-TE02 Fl. 4 7 Fl. 45DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA
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Numero do processo: 10070.001468/91-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Exercício: 1987
Ementa: IRRF. DISTRIBUIÇÃO AOS SÓCIOS. PRESUNÇÃO LEGAL.
Considera-se automaticamente distribuída aos sócios a diferença verificada na determinação dos resultados da pessoa jurídica, decorrente de omissão de receita e glosa de despesas não comprovadas, sujeitando-se à incidência do imposto de renda na fonte (Decreto Lei 2065/1983).
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-002.053
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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(ATUAL DENOMINAÇÃO BHP BILLITON BRASIL LTDA) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 1987 Ementa: IRRF. DISTRIBUIÇÃO AOS SÓCIOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Considerase automaticamente distribuída aos sócios a diferença verificada na determinação dos resultados da pessoa jurídica, decorrente de omissão de receita e glosa de despesas não comprovadas, sujeitandose à incidência do imposto de renda na fonte (Decreto Lei 2065/1983). Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Fl. 1DF CARF MF Impresso em 28/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 09/05/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – RedatorDesignado Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 28/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 09/05/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº10070.001468/9171 Acórdão n.º 920202.053 CSRFT2 Fl. 2 3 Relatório Em sessão plenária de 12/11/2008, a então Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes decidiu, por unanimidade de votos, prover o recurso ordinário, conforme se denota do Acórdão n. 10517.311: Ementa: DECRETOLEI N° 2.065 ART. 8° Insubsistente a tributação quando a infração referente ao processo matriz não dá ensejo a possível distribuição efetiva. Recurso voluntário provido. O lançamento é reflexivo com relação ao processo n. 10070.001467/9116 referente ao IRPJ, conforme se destaca do relatório constante do decisum recorrido [fl. 214]: […] O lançamento é reflexivo com relação ao processo n° 10070.001467/9116 referente ao IRPJ e que foi julgado na forma do Acórdão n° 3.290, da mesma 4aTurma da DRJ no Recife, que manteve a multa regulamentar do artigo 723 do RIR/80 e manteve a glosa das despesas não comprovadas, sem, contudo aflorar exigência do IRPJ, já que representou simples retificação do prejuízo fiscal. A multa foi paga cf. DARF e a decisão restou sem recurso […] Sendo a exigência decorrente do processo n. 10070.001467/91 16, presente aos autos por apensação, nele verifico que entre as infrações apontadas relativamente ao IRPJ conta uma de igual valor, assim descrita (fls. 04): “Despesas sem conprovação regular. A empresa levou a débito de contas de despesas operacionais, conforme o TERMO DE INTIMAÇÃO, de 09.10.91, e o TERMO DE VERIFICAÇÃO, em 23.10.91, despesas sem suporte em documentação hábil (Infração aos artigos 157, par 1ª e 191 do Decreto n°85.450/80)… NCz$ 30.849,10." O termo de verificação indica relação de notas fiscais (fls. 07 e verso). O enquadramento legal da exigência relativa ao IRF está definido (fls. 02) no art. 8°, do Decretolei n° 2.065/83, de redação: Art. 8° A diferença verificada na determinação dos resultados da pessoa jurídica, por omissão de receitas ou por qualquer outro procedimento que implique redução no lucro líquido do exercício, será considerada automaticamente distribuída aos sócios, acionistas ou titular da empresa individual e, sem prejuízo da incidência do Imposto sobre a Renda da pessoa jurídica, será tributada exclusivamente na fonte à alíquota de 25% (vinte e cinco por cento). Fl. 3DF CARF MF Impresso em 28/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 09/05/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 Como dito alhures, a Câmara entendeu, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário por entender inaplicável o art. 8º, do DecretoLei n. 2.065/83, nos casos de glosa de despesa por indedutível na esfera do IRPJ, que não comporte transferência dos valores aos sócios não pode ser objeto de tributação em relação ao IRRF. Irresignada com o decisum recorrido [Acórdão n. 10517.311], a PGFN interpôs Recurso Especial, com fulcro no art. 56, II, do RICC c/c arts. 7º, II e 15, §2º, do RICSRF, ambos aprovados pela Portaria MF n. 147/2007. Argumenta a PFN que o acórdão recorrido divergiu da decisão dada pelos Acórdãos 10806.695 e 06.196, pois as decisões paradigma interpretaram de forma distinta o art. 8º, do DL n. 2.065/83: Acórdão 10806.196 IRPJ — OMISSÃO DE RECEITA — PASSIVO FICTÍCIO — A alegação de que a omissão de receita verificada em um período foi reconhecida e corrigida em período posterior, antes da autuação fiscal, há de vir acompanhada de prova hábil e idônea da regularização e do pagamento dos tributos daí decorrentes. Inexistindo essa prova, persiste a exigência lançada de ofício. IRPJ — OMISSÃO DE RECEITA SALDO CREDOR DE CAIXA — A apuração de saldo credor da conta Caixa autoriza a presunção de omissão de receita, incumbindo ao sujeito passivo a prova contrária. IRPJ — DESPESAS NÃO COMPROVADAS — Persistindo a falta de comprovação de parte das despesas operacionais glosadas, deve subsistir o lançamento. IRRF — DISTRIBUIÇÃO AUTOMÁTICA AOS SÓCIOS — PRESUNÇÃO LEGAL — Na vigência do artigo 8° do Decreto lei n° 2.065/83, considerase automaticamente distribuída aos sócios a diferença verificada na determinação dos resultados da pessoa jurídica, decorrente de omissão de receita e glosa de despesas não comprovadas, sujeitandose à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de 25%. PIS/DEDUÇÃO — PIS/FATURAMENTO — FINSOCIAL — LANÇAMENTOS DECORRENTES — Tratandose de lançamentos decorrentes, e não havendo matéria específica, de fato ou de direito, a ser analisada, aplicase aos lançamentos decorrentes o decidido no principal. Recurso a que se nega provimento. O então Presidente da 3ª Câmara da PrimeiraSeção do CARF em análise de admissibilidade, proferiu Despacho de n° 103184 2009 [fls. 231/232], dando seguimento ao recurso daPFN por entender preenchidos os pressupostos de admissibilidade. Ciente do acórdão e do Recurso Especial, a Contribuinte protocolizou, tempestivamente, contrarazões [fls. 235/240] que pugna pela manutenção do acórdão ora recorrido. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 28/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 09/05/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº10070.001468/9171 Acórdão n.º 920202.053 CSRFT2 Fl. 3 5 VotoVencido Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pela ilustre Presidente da 3ª Câmara da Primeira Seção do CARF a divergência suscitada, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. O lançamento é reflexivo com relação ao processo n. 10070.001467/9116 referente ao IRPJ, conforme se destaca do relatório constante do decisum recorrido [fl. 214]: […] O lançamento é reflexivo com relação ao processo n° 10070.001467/9116 referente ao IRPJ e que foi julgado na forma do Acórdão n° 3.290, da mesma 4aTurma da DRJ no Recife, que manteve a multa regulamentar do artigo 723 do RIR/80 e manteve a glosa das despesas não comprovadas, sem, contudo aflorar exigência do IRPJ, já que representou simples retificação do prejuízo fiscal. A multa foi paga cf. DARF e a decisão restou sem recurso […] Sendo a exigência decorrente do processo n. 10070.001467/91 16, presente aos autos por apensação, nele verifico que entre as infrações apontadas relativamente ao IRPJ conta uma de igual valor, assim descrita (fls. 04): “Despesas sem conprovação regular. A empresa levou a débito de contas de despesas operacionais, conforme o TERMO DE INTIMAÇÃO, de 09.10.91, e o TERMO DE VERIFICAÇÃO, em 23.10.91, sem suporte em documentação hábil (Infração aos artigos 157, par 1ª e 191 do Decreto n°85.450/80)… NCz$ 30.849,10." Na folha 03 foi recomposto o lucro real da empresa tendo em vista a apuração das infrações. Esta recomposição ocasionou na diminuição do prejuízo fiscal apurado na declaração. No auto de infração da fl. 02 consta o lançamento da Multa de Cr$ 21.027,39 referente à inobservância do preenchimento incorreto do Livro de Apuração do Lucro Real, relative ao prejuízo apurado indevidamente. Enquadramento legal da multa foi o artigo 723 do RIR/80. O termo de verificação indica relação de notas fiscais (fls. 07 e verso). O enquadramento legal da exigência relativa ao IRF está definido (fls. 02) no art. 8°, do Decretolei n° 2.065/83, de redação: Art. 8° A diferença verificada na determinação dos resultados da pessoa jurídica, por omissão de receitas ou por qualquer Fl. 5DF CARF MF Impresso em 28/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 09/05/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 outro procedimento que implique redução no lucro líquido do exercício, será considerada automaticamente distribuída aos sócios, acionistas ou titular da empresa individual e, sem prejuízo da incidência do Imposto sobre a Renda da pessoa jurídica, será tributada exclusivamente na fonte à alíquota de 25% (vinte e cinco por cento). Como dito alhures, a Câmara entendeu, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário por entender inaplicável o art. 8º, do DecretoLei n. 2.065/83, nos casos de glosa de despesa por indedutível na esfera do IRPJ, que não comporte transferência dos valores aos sócios não pode ser objeto de tributação em relação ao IRRF. Ementa: DECRETOLEI N° 2.065 ART. 8° Insubsistente a tributação quando a infração referente ao processo matriz não dá ensejo a possível distribuição efetiva. Recurso voluntário provido. Já nos acórdãos paradigmas tratando da mesma matéria IRRF, reflexo IRPJ, nos casos de glosa de despesas por falta de comprovação, a interpretação do mesmo dispositivo legal foi de que o IRRF deve ser exigido. Consoante se infere dos elementos que instruem o processo – mormente o decisum recorrido e o Especial interposto, concluise que o Acórdão guerreado não merece reforma, por espelhar a melhor interpretação a propósito do tema, encontrando guarida na jurisprudência administrativa, conforme exposto no voto condutor do acórdão recorrido, que peço licença para transcrever e o adoto como razões de decidir [fls. 215/217]: […] O artigo 8° do Decretolei n° 2.065/83 foi revogado pela Lei n° 7.713/88 por força dos seus artigos 35 e 36. Aos eventos sob exame ocorreram ainda na vigência do Decreto lei n° 2.065/83. A jurisprudência deste Colegiado sempre considerou aplicável o artigo 8° nos casos de omissão de receitas não escrituras e outras formas de possível desvio de recursos para o patrimônio dos sócios ou administradores, tendo variado em definir se o responsável e empresa ou os sócios, mas não é disso que trata o processo. Umas das modalidades alcançadas pela tributação reflexiva era a existência de notas inidôneas. Porém, a jurisprudência avançou no sentido de entender que a simples glosa de despesas que por sua natureza não implicavam em desvio de recursos mas meras irregularidades fiscais que não caracterizam a possibilidade de desvio de recursos para os sócios ou administradores, sendo de não se prestigiar os lançamentos assim formalizados. Trago para ilustrar: Processo n.°: 13707.002181/9349 Recurso n.: 03.180 EX OFFICIO Matéria : IRF ANO DE 1988 Recorrente : DRF NO RIO DE JANEIRO RI Suj. Passivo : MILLS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Sessão de : lide novembro de 1996 Fl. 6DF CARF MF Impresso em 28/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 09/05/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº10070.001468/9171 Acórdão n.º 920202.053 CSRFT2 Fl. 4 7 Acórdão n.°: 10803.679 DL 2065 Art. 80. Insubsistente a tributação quando a infração referente ao processo matriz não dá ensejo a possível distribuição efetiva. Recurso de oficio negado. Processo n°: 10855000.635/9148 Acórdão n°: 108001.907 Sessão de 23 de março de 1995 Recorrente : AUTOMEC INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida : DRF em Sorocaba SP. ART. 80. D.L. 2065/83 As disposições do comando legal mencionado somente se aplicam à situações em que a redução no lucro liquido ensejar efetiva distribuição de valores aos sócios< acionistas ou titular de empresa individuaL Recurso Provido. Processo n": 10480.012949/9261 Recurso n°: 02.623 Matéria : IRE ANO DE 1988 Recorrente : PEREIRA MOTA IRMÃOS LTDA. Recorrida : DRF em Recife Pe. Acórdão n° : 10802.685 IRF DECORRÊNCIA Art. 80. do Decretolei 2065/83 São considerados automaticamente distribuídos aos sócios valores omitidos da tributação do imposto de renda, nos casos em que possível a distribuição. Recurso negado. Acórdão n°103.08.656 em 11.10.88 Recurso n.° 50.817 Sotema S/AIRF NULIDADE Não é nulo o procedimento decorrente, enquanto nãojulgado, de forna definitiva, seja na esfera administrativa, seja na judicial, o lançamento principaL IRF DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando ocorrer dolo, fraude ou simulação, os termos iniciais da decadência do direito de a Fazenda Nacional formular a exigência tributária, serão os previstos no art. 173 e seu parágrafo, do Código Tributário Nacional (Acórdão n.° CSRF 01.0.174/81). IRF ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO Até o advento do Decretolei n.° 2065, de 1983, a tributação dos lucros considerados automaticamente distribuídos, apurados em razão de omissão no registro de receitas e/ou glosas de despesas fictas, deve ocorrer na pessoa fisica dos Acionistas Dirigentes da sociedade anônima de capital fechado. Jurisprudência da Co lenda Câmara de Recursos Fiscais e deste Conselho, confirmadas.Rejeitar preliminar de nulidade, restabelecer decisão, acolher decadência e dar provimento.Maioria vencidos Carlos Augusto de Vilhena, Richard Ulrich Kroetzer e Lórgio Ribeiro.Relatordesignado Sebastião Rodrigues Cabral. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 28/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 09/05/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 Como se vê, nenhum indicio de transferência de valores para o patrimônio dos sócios fica provado, nem mesmo por presunção, uma vez que a simples indedutibilidade de despesas não pode ser tratada como distribuição de valores aos sócios ou administradores. Convém lembrar, ainda, que quando da edição da Lei n° 8.541/92, o imposto de renda na fonte aplicável nas omissões de receitas foi tratado no capitulo II, artigo 44, cuja redação combinada com o par 2°, bem demonstra ter a legislação formal adotado esse entendimento: Art. 44. A receita omitida ou a diferença verificada na determinação dos resultados das pessoas jurídicas por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido será considerada automaticamente recebida pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual e tributada exclusivamente na fonte à alíquota de 254 sem prejuízo da incidência do imposto sobre a renda da pessoajurídica. (Revogado pela Lei n°9.249. de 1995) § 1° O fato gerador do imposto de renda na fonte considerase ocorrido no mês da omissão ou da redução indevida. (Revogado pela Lei n° 9.249, de 1995) § 2° O disposto neste artigo não se aplica a deducões indevidas que, por sua natureza, não autorizem presuncão de transferência de recursos dopatrimônio da pessoa jurídica para o dos seus sócios. (Revogado pela Lei n°9.249, de 1995) Não pretendo aqui aplicar o artigo 44 da Lei n° 8.541/92, mas apenas ilustrar que os aspectos tratados no presente processo não passaram despercebido da autoridade legislativa que veio contemplar expressamente sua previsão legal […] Na esteira desse entendimento, impõese a manutenção do Acórdão recorrido. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PGFN. É o voto. ](Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 8DF CARF MF Impresso em 28/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 09/05/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº10070.001468/9171 Acórdão n.º 920202.053 CSRFT2 Fl. 5 9 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, Redator Designado Com todo respeito ao nobre Relator, divirjo de suas conclusões. Minha conclusão decorre de determinação da legislação. Decreto Lei 2065/1983: Art. 8º A diferença verificada na determinação dos resultados da pessoa jurídica, por omissão de receitas ou por qualquer outro procedimento que implique redução no lucro líquido do exercício, será considerada automaticamente distribuída aos sócios, acionistas ou titular da empresa individual e, sem prejuízo da incidência do Imposto sobre a Renda da pessoa jurídica, será tributada exclusivamente na fonte à alíquota de 25% (vinte e cinco por cento). Portanto, a legislação determinou uma presunção legal quando houver a redução indevida de lucro caracterizada por omissão de receita ou por qualquer outro procedimento. Nos autos restou comprovado que houve redução indevida do resultado, mediante despesas não comprovadas, acarretando a aplicação da determinação legal acima. Cabe ressaltar que até o momento o sujeito passivo não trouxe aos autos qualquer prova capaz de impedir a aplicação da presunção determinada. CONCLUSÃO: Portanto, pelos motivos expostos, voto em dar provimento ao recurso da fazenda nacional, nos termos do voto. (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 9DF CARF MF Impresso em 28/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 09/05/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Numero do processo: 10983.908286/2009-57
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/10/2002
COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE.
Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF.
COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO.
Caracterizado o recolhimento a maior da contribuição Cofins é cabível o reconhecimento do direito creditório até o valor apurado em diligência fiscal e a homologação da compensação.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3801-001.998
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso no sentido de reconhecer um crédito originário no montante de R$ 95.941,25 e homologar a compensação indicada no PER/DCOMP objeto deste processo até o limite do crédito original aqui reconhecido, devidamente atualizado, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Charles Pereira Nunes, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/10/2002 COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO. Caracterizado o recolhimento a maior da contribuição Cofins é cabível o reconhecimento do direito creditório até o valor apurado em diligência fiscal e a homologação da compensação. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO. Caracterizado o recolhimento a maior da contribuição Cofins é cabível o reconhecimento do direito creditório até o valor apurado em diligência fiscal e a homologação da compensação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso no sentido de reconhecer um crédito originário no montante de R$ 95.941,25 e homologar a compensação indicada no PER/DCOMP objeto deste processo até o limite do crédito original aqui reconhecido, devidamente atualizado, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 82 86 /2 00 9- 57 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 31/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908286/200957 Acórdão n.º 3801001.998 S3TE01 Fl. 11 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Charles Pereira Nunes, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 31/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908286/200957 Acórdão n.º 3801001.998 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Adotase o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Declaração de Compensação DCOMP, apresentada pela contribuinte com o fim de ver compensado débito seu com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior, referente a Contribuição para o Programa de Integração Social PIS. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC pela não homologação da compensação (Despacho Decisório juntado aos autos), fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado. Irresignada com a não homologação integral de suas compensações, encaminhou a contribuinte manifestação de inconformidade, na qual expõe suas razões de irresignação. Inicialmente, alega a contribuinte que o recolhimento efetuado via DARF se conforma como "pagamento indevido ou a maior", porque no cálculo da contribuição devida teria sido indevidamente utilizado como base de cálculo o critério definido na Lei n.o 9.718/1998 (teria havido a indevida inclusão das receitas financeiras e não operacionais). Entende a contribuinte que o alargamento da base de cálculo promovida por este ato legal é inconstitucional, e elenca extensivamente as razões pelas quais assim entende (tais razões não serão, entretanto, aqui minudentemente relatoriadas, em face daquilo que se prolatará no voto deste acórdão). Assim, em razão da pretensa inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições sociais trazido pela Lei n.o 9.718/1998 e da conseqüente majoração indevida da contribuição devida apurada, entende a contribuinte que há recolhimento a maior a ensejar a compensação pleiteada. Ao final, defende a contribuinte seu direito genérico à compensação, afirmando não ter incorrido em qualquer das vedações legais ao procedimento repetitório. A DRJ em Florianópolis (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes Fl. 121DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 31/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908286/200957 Acórdão n.º 3801001.998 S3TE01 Fl. 13 4 para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com a identidade de advogado emitida pela Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional de São Paulo. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade, acrescentando basicamente que: se a lei já foi declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do Egrégio Supremo Tribunal Federal, podem os órgãos de julgamento entender pela sua inconstitucionalidade e afastar a sua aplicação; tratase da possibilidade de um órgão da administração deixar de aplicar urna norma inconstitucional, desde que essa já tenha sido assim declarada em decisão plenária pelo órgão máximo do Poder Judiciário; se a lei autoriza os órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade quando o órgão máximo do Poder Judiciário assim já declarou, em decisão plenária, DEVE esse Colendo Conselho afastar a aplicação do disposto no parágrafo 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98 e reconhecer a legitimidade do crédito pleiteado pela Requerente e, por consequência, declarar homologada a compensação, visto que foram observados todos os ditames do artigo 74 da Lei n° 9430/96. Finalizando seu recurso, requereu que esse Colendo Conselho desse provimento integral ao presente Recurso Voluntário. Em face do bom direito da recorrente, o processo, em julgamento unânime, foi convertido em diligência para a apuração da correta composição da base de cálculo da contribuição com base na escrituração fiscal e contábil, segundo o conceito de faturamento adotado na Lei Complementar nº 70, de 1991, qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Outrossim, solicitou se que fosse informado se a recorrente havia proposto ação judicial com o mesmo objeto deste processo administrativo fiscal. A DRF de origem atendeu parcialmente o solicitado na Resolução. Após a realização de diligência fiscal, a autoridade fiscal arguiu que o prazo para apresentação do Recurso Voluntário transcorreu sem qualquer manifestação válida do contribuinte, devendo ser procedida a imediata cobrança dos débitos indevidamente compensados. Sustenta que houve um equívoco no encaminhamento anterior do processo ao CARF, visto que o recurso voluntário foi assinado pelo Sr. Maurício Alvarez Mateos, o qual Fl. 122DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 31/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908286/200957 Acórdão n.º 3801001.998 S3TE01 Fl. 14 5 não tem legitimidade para representar a interessada perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Outrossim, apurouse com fundamento na escrita fiscal e contábil a base de cálculo e o valor devido da contribuição para o período de apuração em discussão. A base de cálculo da contribuição para o período de apuração em discussão importa em R$ 223.673.312,73 e o valor do PIS devido é de R$ 1.453.876,53; Por meio de resolução, o processo foi mais uma vez convertido em diligência para que a Delegacia de origem, intimasse à interessada no prazo de 15 (quinze) a regularizar a representação processual e cientificassea quanto ao teor da diligência para, desejando, manifestarse no prazo acima. A contribuinte foi devidamente cientificada do teor da diligência e manifestouse no prazo que lhe foi concedido, tendo juntado procuração com firma reconhecida e discordado dos cálculos da Delegacia de origem. Argumenta que a DRF/Florianópolis se equivocou nos cálculos, pois computados os valores de tributos registrados nas contas de receitas financeiras e não operacionais, ou seja, como conta redutora do grupo receita financeira, o que não procede, pois a incidência tributária na época ocorreu sobre o valor total das receitas financeiras, sem considerar a dedução do efeito dos próprios tributos. Assim, os autos administrativos retornaram a esse colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 31/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908286/200957 Acórdão n.º 3801001.998 S3TE01 Fl. 15 6 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, visto que foi regularizada a representação processual, portanto dele tomase conhecimento. Assiste razão parcial à recorrente, conforme será demonstrado. Como fundamentado na Resolução, a Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como "receita bruta" da pessoa jurídica, e esta seria “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Ocorre, todavia, que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e a Cofins, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 31/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908286/200957 Acórdão n.º 3801001.998 S3TE01 Fl. 16 7 Em outra oportunidade, a Excelsa Corte (STF), por unanimidade, ao apreciar o recurso extraordinário nº 585235, DJ nº 227 do dia 28/11/2008, reconheceu a existência de repercussão geral e reafirmou a jurisprudência no sentido da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, conforme decisão transcrita abaixo: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. (....)(grifouse) O acórdão proferido no referido recurso extraordinário, DJ 28112008, teve a seguinte ementa: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Outrossim, o Decreto nº 70.235/72, que rege o processo fiscal, estabelece: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade* (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:* I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;* (...)” *Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Destarte, são inúteis e desnecessárias eventuais discussões de outras teses sobre o conceito de faturamento. As autoridades administrativas têm que se submeter ao entendimento do Supremo Tribunal Federal e, de fato, atribuir eficácia em relação ao mérito. Neste sentido, alterouse o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010. O artigo 62A dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemárica da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Fl. 125DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 31/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908286/200957 Acórdão n.º 3801001.998 S3TE01 Fl. 17 8 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {*} (...) {*} alteraçãos introduzida pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010 ( grifouse) Além do mais, em consonância com o entendimento da Excelsa Corte, a Lei nº 11.941/09 revogou expressamente o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Convém ressaltar que o direito à repetição de indébito está previsto no artigo 165 do Código Tributário Nacional – CTN, verbis Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; (...) Quanto ao direito à restituição do indébito, Luciano Amaro em Direito Tributário Brasileiro, 11ª ed. – São Paulo: Saraiva, 2005, p. 420, esclarece: O direito à restituição do indébito encontra fundamento no princípio que veda o locupletamento sem causa, à semelhança do que ocorre no direito privado. Quanto à alegação de equívoco nos cálculos por parte da autoridade fiscal em razão de que a incidência tributária na época ocorreu sobre o valor total das receitas financeiras, sem considerar a dedução do efeito dos próprios tributos, é importante consignar que tratase de uma alegação genérica sem suporte nos lançamentos constantes do processo. A recorrente não demonstrou analiticamente eventual erro, sequer indicou eventuais lançamentos contábeis que sustentariam seus argumentos, de sorte que alegar sem provar é o mesmo que não alegar. Assim sendo, pelos documentos comprobatórios colacionados aos autos, e em especial a diligência fiscal realizada pela Delegacia de origem, constatase que em relação ao período de apuração em discussão, o contribuinte tem um crédito de pagamento a maior da contribuição no valor do crédito original, conforme demonstrativo abaixo: Valor pleiteado 99.506,83 Base de cálculo anterior 238.433.504,81 Base de cálculo DILIGÊNCIA 223.673.312,73 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 31/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908286/200957 Acórdão n.º 3801001.998 S3TE01 Fl. 18 9 Base de cálculo a maior 14.760.192,08 Valor do Crédito Original – 0,65 95.941,25 Em remate, ficou caracterizado o direito creditório pleiteado parcial vinculado à compensação efetuada. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário no sentido de sentido de reconhecer um crédito originário no montante de R$ 95.941,25 e homologar a compensação indicada no PER/DCOMP objeto deste processo até o limite do crédito original aqui reconhecido, devidamente atualizado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 31/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10855.723493/2011-13
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
Para ter direito isenção do imposto de renda sobre os rendimentos de aposentadoria, pensão ou reforma percebidos pelos portadores de moléstia grave, a patologia deve ser comprovada, mediante laudo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios que especifique a existência da patologia prevista no texto legal.
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CARDIOPATIA GRAVE.
O conceito de cardiopatia grave não é exclusivo da medicina, tem origem legal e seu reconhecimento visa à aplicação da lei. É um conceito definido a partir das diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia, de forma que para ter direito à isenção dos proventos de portador de cardiopatia grave é necessário que o laudo médico oficial expressamente reconheça a existência dessa patologia, que não é mero gênero que abrange as mais diversas espécies de cardiopatias.
MULTA DE OFÍCIO. DÚVIDA SOBRE A NATUREZA DO FATO DEMONSTRADA PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA.
O pronunciamento da Administração Tributária favorável ao pleito do contribuinte em um ano-calendário e a contrário em outro não vincula o julgamento no CARF, porém representa dúvida da Administração Tributária sobre a natureza do fato e implica interpretação mais favorável ao contribuinte da legislação alusiva à multa de ofício.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.363
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior que negava provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 20/06/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Para ter direito isenção do imposto de renda sobre os rendimentos de aposentadoria, pensão ou reforma percebidos pelos portadores de moléstia grave, a patologia deve ser comprovada, mediante laudo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios que especifique a existência da patologia prevista no texto legal. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CARDIOPATIA GRAVE. O conceito de cardiopatia grave não é exclusivo da medicina, tem origem legal e seu reconhecimento visa à aplicação da lei. É um conceito definido a partir das diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia, de forma que para ter direito à isenção dos proventos de portador de cardiopatia grave é necessário que o laudo médico oficial expressamente reconheça a existência dessa patologia, que não é mero gênero que abrange as mais diversas espécies de cardiopatias. MULTA DE OFÍCIO. DÚVIDA SOBRE A NATUREZA DO FATO DEMONSTRADA PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. O pronunciamento da Administração Tributária favorável ao pleito do contribuinte em um ano-calendário e a contrário em outro não vincula o julgamento no CARF, porém representa dúvida da Administração Tributária sobre a natureza do fato e implica interpretação mais favorável ao contribuinte da legislação alusiva à multa de ofício. Recurso provido em parte.
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MOLÉSTIA GRAVE. Para ter direito isenção do imposto de renda sobre os rendimentos de aposentadoria, pensão ou reforma percebidos pelos portadores de moléstia grave, a patologia deve ser comprovada, mediante laudo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios que especifique a existência da patologia prevista no texto legal. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CARDIOPATIA GRAVE. O conceito de cardiopatia grave não é exclusivo da medicina, tem origem legal e seu reconhecimento visa à aplicação da lei. É um conceito definido a partir das diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia, de forma que para ter direito à isenção dos proventos de portador de cardiopatia grave é necessário que o laudo médico oficial expressamente reconheça a existência dessa patologia, que não é mero gênero que abrange as mais diversas espécies de cardiopatias. MULTA DE OFÍCIO. DÚVIDA SOBRE A NATUREZA DO FATO DEMONSTRADA PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. O pronunciamento da Administração Tributária favorável ao pleito do contribuinte em um anocalendário e a contrário em outro não vincula o julgamento no CARF, porém representa dúvida da Administração Tributária sobre a natureza do fato e implica interpretação mais favorável ao contribuinte da legislação alusiva à multa de ofício. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 34 93 /2 01 1- 13 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 20 /06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior que negava provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 20/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Os fatos até a impugnação foram adequadamente retratados no seguinte relato constante do acórdão de primeira instância. O sujeito passivo insurgese contra o lançamento de fls.38 e seguintes, emitido em 05/09/2011, relativo ao imposto sobre a renda das pessoas físicas DIRPF EX2008/AC2007, que lançou rendimentos omitidos do contribuinte. Totalizando R$ 49.807,51 de rendimentos omitidos (sem IRRF). Transcrevese do lançamento efetuado, sem prejuízo de sua leitura integral: (fl.39) “O laudo não especifica cardiopatia grave. No manual de perícia do INSS verificase que os Graus III ou IV serão considerados cardiopatia grave. No laudo consta que o contribuinte é portador de miocardiopatia dilatada severa, diagnosticada em 08/12/2005, e que, "no momento", está na "classe funcional II para III", mas não especificam a data de inicio dessa progressão.” Na impugnação apresentada às fls. 02 e seguintes se requer, em síntese, sem prejuízo da leitura de seu texto integral, o cancelamento do débito lançado. O interessado requer o cancelamento do débito fiscal reclamado, alegando que os rendimentos recebidos estão isentos por ser portador de moléstia grave. A impugnação foi indeferida, em síntese, sob fundamento de que o interessado não comprovou com laudo pericial emitido por serviço médico oficial a existência de cardiopatia grave, uma vez que o laudo indica CID I50.9 (insuficiência cardíaca não especificada) e não menciona a data em que houve a progressão da miocardiopatia dilatada sereve da Classe funcional II para III e que a isenção está sujeita a interpretação literal do rol de doenças mencionadas de forma taxativa na lei isentiva. A ciência do acórdão ocorreu em 06/08/2012. O recurso voluntário foi interposto no dia 21/08/2012 com os seguintes argumentos, em síntese: 1. está comprovado nos autos sua condição de portador de Miocardiopatia Dilatada Severa, entretanto, baseandose no Manual de Perícia do INSS no qual é indicado que Fl. 84DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 20 /06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10855.723493/201113 Acórdão n.º 2802002.363 S2TE02 Fl. 84 3 os graus III ou IV são considerados cardiopatia grave, o acórdão recorrido negoulhe o direito à isenção porque não está indicada a data de início dessa progressão; 2. por meio da perícia médica, o INSS conclui que o recorrente tem direito à isenção; 3. em procedimento idêntico, referente ao 13º salário do anocalendário 2006, no processo 10855.000354/2011182 (sic), a Delegacia de Sorocaba reconheceu o direito à isenção do recorrente por meio do despacho decisório cuja cópia ora é anexada; e 4. não só houve indevida negativa da isenção, com ainda lhe foi cobrado multa que é desconhecida dos servidores da DRF Sorocaba e do próprio recorrente. Foram juntados à peça recursal: Laudo Médico da Prefeitura de Sorocaba (fls. 73), Ofício do INSS (fls. 74), Despacho Decisório DRF Sorocaba, de 29/05/2012, no processo 10855.000355/201162 referente ao deferimento do pedido de isenção sobre o 13º salário do anocalendário 2007 (fls. 76). É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. O deslinde de litígios dessa natureza requer que seja esclarecido o que é uma cardiopatia grave para efeitos legais. Adoto com razão de decidir o entendimento firmado em precedentes desta Turma Julgadora a exemplo do Acórdão unânime nº 280200.869, de 07/06/2011. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2007 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Para ter direito isenção do imposto de renda sobre os rendimentos de aposentadoria, pensão ou reforma percebidos pelos portadores de moléstia grave, a patologia deve ser comprovada, mediante laudo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios que especifique a existência da patologia prevista no texto legal. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CARDIOPATIA GRAVE. O conceito de cardiopatia grave não é exclusivo da medicina, tem origem legal e seu reconhecimento visa à aplicação da lei. É Fl. 85DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 20 /06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 um conceito definido a partir das diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia, de forma que para ter direito à isenção dos proventos de portador de cardiopatia grave é necessário que o laudo médico oficial expressamente reconheça a existência dessa patologia, que não é mero gênero que abrange as mais diversas espécies de cardiopatias. Recurso negado No mesmo sentido é o acórdão 280201.976, de 18/10/2012: Exercício: 2003 Ementa: ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Para ter direito isenção do imposto de renda sobre os rendimentos de aposentadoria, pensão ou reforma percebidos pelos portadores de moléstia grave, a patologia deve ser comprovada, mediante laudo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios que especifique a existência da patologia prevista no texto legal. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CARDIOPATIA GRAVE. MARCAPASSO. O conceito de cardiopatia grave não é exclusivo da medicina, tem origem legal e seu reconhecimento visa à aplicação da lei. É um conceito definido a partir das diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia, de forma que para ter direito à isenção dos proventos de portador de cardiopatia grave é necessário que o laudo médico oficial expressamente reconheça a existência dessa patologia, que não é mero gênero que abrange as mais diversas espécies de cardiopatias. Portar marcapasso, por si só, não implica reconhecer uma cardiopatia grave para efeito legal. Recurso voluntário negado. Em síntese cardiopatia grave é um conceito que não pertence à medicina exclusivamente, pelo contrário é uma expressão legal que inclui somente as doenças graves do coração que o profissional médico atestar ser uma cardiopatia grave, o que será feito segundo Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Não é correto reduzir o termo cardiopatia grave a um gênero do qual todas as doenças graves do coração são espécies. Destarte para ter direito à isenção é fundamental que o laudo especifique que o paciente é portador de cardiopatia grave. Nesse sentido, Miocardiopatia Dilatada Severa não é sinônimo de Cardiopatia Grave. Não cabe aos médicos do Serviço Médico Oficial reconhecerem a isenção, mas sim informar no laudo médico a doença tal como prevista no texto da lei. De outro giro, diferentemente do médico clínico que busca tratar o paciente, o médico perito está encarregado de fornecer a informação para o fim a que se destina, no caso informar se há ou não a doença tipificada para fins legais. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 20 /06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10855.723493/201113 Acórdão n.º 2802002.363 S2TE02 Fl. 85 5 O contribuinte apresentou à Fiscalização Laudo manuscrito (fls.27), o que, como verificado no processo 10855.722909/201186 julgado nesta mesma sessão de julgamento, motivou o Termo de Intimação (fls. 24 daquele processo) que no item 1 exige que o Laudo indique de forma específica a existência de Cardiopatia Grave e o início dessa condição. O novo Laudo apresentado (fls. 73) tem o mesmo conteúdo do Laudo acima referido. Este segundo Laudo, emitido em 26/04/2011 por Policlínica Municipal (fl. 73), especifica a existência de Miocardiopatia Dilatada Severa, com início em 08/12/2005, que na data da emissão do laudo estava compreendia em “classe funcional II p/ III”, mas não há uma indubitável indicação da existência de cardiopatia grave e muito menos quando teria tido início. Persiste a deficiência apontada pela Autoridade Fiscal. O ofício do INSS não é acompanhado do Laudo Oficial e referese à situação do segurado na data de sua emissão (junho de 2010) sem efeitos pretéritos (fls. 74). O Despacho Decisório da DRF Sorocaba proferido em maio de 2012 (fls. 76/78) não vincula este Órgão Julgador, porém demonstra que a própria Administração Tributária não adota um entendimento firme sobre o caso, o que representa sua dúvida em relação à natureza do fato sobre o qual aplicou a multa de ofício (art. 112, I do CTN) a justificar a exoneração da multa de ofício. Se por um lado o reconhecimento da isenção exige interpretação estrita, por outro, na aplicação de multa a interpretação deve ser de forma mais favorável ao contribuinte, mormente neste caso em que o contribuinte apresentou a Declaração de Ajuste com base nas informações das fontes pagadoras que reconheceram a isenção. Destarte, deve ser excluída a multa de ofício por existir uma dúvida objetiva em relação à natureza dos rendimentos. Portanto, devese DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 87DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 20 /06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 20 /06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 16004.000327/2007-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002, 2003
Cabem embargos de declaração quando verificada obscuridade, contradição ou for omitido ponto sobre o qual devia se pronunciar o Colegiado.
Erro Material na proclamação do resultado. Necessidade de retificação
Numero da decisão: 3102-001.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
Álvaro Arthur L. de Almeida Filho Relator
EDITADO EM: 01/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Marcelo Guerra de Castro (Presidente da Turma), Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, Winderley Morais Pereira, Adriana Oliveira e Ribeiro e Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho.
Nome do relator: ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2002, 2003 Cabem embargos de declaração quando verificada obscuridade, contradição ou for omitido ponto sobre o qual devia se pronunciar o Colegiado. Erro Material na proclamação do resultado. Necessidade de retificação
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur L. de Almeida Filho Relator EDITADO EM: 01/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Marcelo Guerra de Castro (Presidente da Turma), Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, Winderley Morais Pereira, Adriana Oliveira e Ribeiro e Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho.
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Erro Material na proclamação do resultado. Necessidade de retificação Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur L. de Almeida Filho – Relator EDITADO EM: 01/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Marcelo Guerra de Castro (Presidente da Turma), Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, Winderley Morais Pereira, Adriana Oliveira e Ribeiro e Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 03 27 /2 00 7- 66 Fl. 228DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 01/08/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Tratase de embargos de declaração apresentado pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o acórdão 3102001.225, o qual conheceu do recurso voluntário, porém negou provimento, nos termos da ementa abaixo: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2002, 2003 Ementa: CIDE. Dedução efetivo pagamento. A dedução da CIDE Combustíveis do valor devido da contribuição para a COFINS e o PIS só é permitida quando efetivamente paga. Recurso Voluntário conhecido e negado provimento. Segundo a procuradoria da Fazenda Nacional este colegiado negou provimento ao recurso por unanimidade, citando para tanto a ementa como também a parte dispositiva do acórdão, entretanto aponta que consta no acórdão que o resultado foi por “dar provimento parcial”, nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Argumento a Procuradoria que houve erro material na lavratura do acórdão, e assim requer o provimento dos embargos para sanar a contradição apontada. É o relatório. Voto Conselheiro Álvaro Almeida Filho Conheço do presente recurso por ser tempestivo e tratar de matéria de competência da terceira sessão. Nos termos do art. 651 do Regimento interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº. 256/2009 cabem embargos quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição. No caso em liça percebe que não há contradição, omissão ou obscuridade no acórdão, entretanto há um erro que deve ser saneado, sob pena de colocar em risco exigibilidade do crédito. Ressaltese que apesar da norma não prevê os efeitos modificativos dos embargos, a doutrina e jurisprudência já consolidaram tal possibilidade, especialmente em caso de erro material ou em situações excepcionais. Senão vejamos as lições de Fredie Didier Jr e Leonardo Carneiro da Cunha: 1 Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma Fl. 229DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 01/08/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 16004.000327/200766 Acórdão n.º 3102001.651 S3C1T2 Fl. 3 3 Além da omissão, obscuridade e contradição, os embargos de declaração, como bem demonstra Luís Eduardo Simardi Fernandes, vêm sendo admitidos para a correção de erros materiais, pois ao juiz se permite, de ofício ou a requerimento, corrigir erros ou inexatidões materiais(CPC, art. 463), não havendo, em princípio, óbice em aceitar que tais erros sejam demonstrados em embargos declaratórios. Segundo o art. 463, I, CPC, somente se permite a atuação oficiosa do magistrado, após a prolação de sentença, que encerra a sua atividade, para corrigirlhe inexatidões materiais ou lhe retificar cálculos. Cabem, pois, embargos de declaração por erro material, podendo ser justificado pela omissão. 2 No caso dos autos, percebese que apesar da ementa e da parte dispositiva do acórdão apresentar como resultado o improvimento do recurso, quando da proclamação do resultado constou o provimento parcial, o que deve ser modificado de pronto. Ante o exposto, acolho os embargos de declaração para retificar o acórdão recorrido, e assim constar que “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado”. Sala de sessões 24 de outubro de 2012. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur L. de Almeida Filho Relator 2 Curso de Direito Processual Civil. Fredie Didier Jr e Leonardo José Carneiro da Cunha. Editora jusPodivm. Volume 3. p180 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 01/08/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 Fl. 231DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 01/08/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 18088.000559/2010-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jul 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS EM MEIO DIGITAL. INOBSERVÂNCIA DOS PADRÕES ESTIPULADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. INFORMAÇÕES RELATIVAS AO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LEGISLAÇÃO A SER APLICÁVEL. LEI 8.212/91. ART. 112 DO CTN. INFRAÇÃO AO ART. 32, IV DA LEI 8.212/91. A apresentação da documentação contábil em formato digital em desacordo com os padrões estipulados pela SRFB enseja infração ao disposto no art. 32, IV, da Lei 8.212/91, único dispositivo legal que deve ser aplicado no caso da exigência de informações acerca do cumprimento das obrigações relativas às contribuições previdenciárias. O dispositivo em comento se traduz em lei especial a ser aplicada no caso da inobservância da legislação previdenciária, que expressamente determina a obrigação do contribuinte em apresentar as informações em meio digital de acordo com os manuais e determinações impostas pela legislação. Impossibilidade da aplicação da multa do artigo 12, inciso I e parágrafo único da Lei 8.218/91. Inteligência do art. 112 do CTN e do princípio da lex specialis derrogat lex generalis.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-003.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS EM MEIO DIGITAL. INOBSERVÂNCIA DOS PADRÕES ESTIPULADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. INFORMAÇÕES RELATIVAS AO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LEGISLAÇÃO A SER APLICÁVEL. LEI 8.212/91. ART. 112 DO CTN. INFRAÇÃO AO ART. 32, IV DA LEI 8.212/91. A apresentação da documentação contábil em formato digital em desacordo com os padrões estipulados pela SRFB enseja infração ao disposto no art. 32, IV, da Lei 8.212/91, único dispositivo legal que deve ser aplicado no caso da exigência de informações acerca do cumprimento das obrigações relativas às contribuições previdenciárias. O dispositivo em comento se traduz em lei especial a ser aplicada no caso da inobservância da legislação previdenciária, que expressamente determina a obrigação do contribuinte em apresentar as informações em meio digital de acordo com os manuais e determinações impostas pela legislação. Impossibilidade da aplicação da multa do artigo 12, inciso I e parágrafo único da Lei 8.218/91. Inteligência do art. 112 do CTN e do princípio da lex specialis derrogat lex generalis. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes - Presidente Lourenço Ferreira do Prado - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
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APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS EM MEIO DIGITAL. INOBSERVÂNCIA DOS PADRÕES ESTIPULADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. INFORMAÇÕES RELATIVAS AO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LEGISLAÇÃO A SER APLICÁVEL. LEI 8.212/91. ART. 112 DO CTN. INFRAÇÃO AO ART. 32, IV DA LEI 8.212/91. A apresentação da documentação contábil em formato digital em desacordo com os padrões estipulados pela SRFB enseja infração ao disposto no art. 32, IV, da Lei 8.212/91, único dispositivo legal que deve ser aplicado no caso da exigência de informações acerca do cumprimento das obrigações relativas às contribuições previdenciárias. O dispositivo em comento se traduz em lei especial a ser aplicada no caso da inobservância da legislação previdenciária, que expressamente determina a obrigação do contribuinte em apresentar as informações em meio digital de acordo com os manuais e determinações impostas pela legislação. Impossibilidade da aplicação da multa do artigo 12, inciso I e parágrafo único da Lei 8.218/91. Inteligência do art. 112 do CTN e do princípio da lex specialis derrogat lex generalis. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 05 59 /2 01 0- 62 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18088.000559/201062 Acórdão n.º 2402003.196 S2C4T2 Fl. 113 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela ASSOCIAÇÃO DA CRIANÇA DE DOURADO CASA DE SAÚDE S EMÍLIA, em face do v. acórdão de primeira instância que manteve a integralidade do lançamento de multa por ter a recorrente apresentado arquivos digitais com informações incorretas quanto aos valores de contribuições descontadas de seus segurados empregados. Consta do relatório fiscal que os arquivos tidos pela fiscalização com informações incorretas foram as folhas de pagamento, motivo pelo qual foi aplicada à recorrente multa no valor de 0,5% sobre o valor das contribuições omitidas, com fundamento na Lei 8.218/9, artigo 12, II e parágrafo único. O lançamento compreende o período de 01/2005 a 12/2006, tendo sido a recorrente cientificada em 21/09/2010 (fls. 01) Devidamente intimado do julgamento em primeira instância (fls. 91/99), o contribuinte interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta, em síntese: 1. que quando intimada para a apresentação da documentação por TIAD ficou impossibilitada de fazêlo uma vez que havia demitido o seu contador, que estava de posse dos documentos e não os forneceu à recorrente, tendo contratado novo profissional para corrigir as faltas, o que fora levado a efeito; 2. que é uma entidade assistencial sem fins lucrativos, e, portanto merecia ser premiada pelo reconhecimento da anistia, com base no art. 180 do CTN; 3. a decadência do direito de o fisco efetuar o lançamento; 4. informa que o débito foi parcelado; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. PRELIMINARMENTE Conforme se verifica no Termo de Início da Ação Fiscal – TIAF (fls. 14/15), a autoridade administrativa deu início à fiscalização das contribuições previdenciárias, bem como de toda a parte instrumental cabível. Em virtude desse procedimento de fiscalização, foi lavrado o presente auto de infração, exigindo da Recorrente multa por ter apresentado folha de pagamentos em meio digital omitindo informações acerca das contribuições previdenciárias que estavam a seu cargo, tendo o fiscal autuante caracterizado a infração subsumindoa às disposições da Lei 8.218/91, a seguir: Art.11.As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) (Vide Mpv nº 303, de 2006) [...] §3ºA Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. .(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) §4ºOs atos a que se refere o § 3o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. .(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) E pela conduta descrita no Auto de Infração, foilhe imputada a multa descrita no art. 12, II. Confirase: Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; Fl. 115DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18088.000559/201062 Acórdão n.º 2402003.196 S2C4T2 Fl. 114 5 IImulta de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período; .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Analisando a Lei nº 8.212/91, não há dúvidas de que o fundamento legal da referida Portaria pode ser encontrado no art. 32, inc. I, da aludida Lei, que assim especifica: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; Como é cediço, nos termos do art. 92 da Lei nº 8.212/91, a infração a qualquer dispositivo da Lei nº 8.212/91, para a qual não haja penalidade expressamente cominada, será verificada na forma que dispuser o Regulamento da Previdência Social. Nesse sentido, assim prevê o art. 283, inc. II, alínea “j”, do Decreto nº 3.048/99: “Art. 283.Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos8.212e8.213, ambas de 1991, e10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a292, e de acordo com os seguintes valores: (...) II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: (...) j) deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial, de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento ou apresentálos sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira;” Constatase, portanto, que no âmbito das contribuições previdenciárias, há penalidade específica para a apresentação de documentos que não atendem as formalidades exigidas. Entretanto, em que pese a fiscalização ter apurado que os documentos apresentados pela Recorrente estavam em desconformidade com os padrões estabelecidos pelo INSS, tendo em vista conterem omissões, a multa imposta tomou como base o art. 11, §§ 3º e Fl. 116DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 4º da Lei nº 8.218/91, com a redação dada pela MP nº 2.15835/01, tendo sido calculada com base no art. 12, inc. I e parágrafo único da Lei nº 8.218/91, supra. Ocorre que, tal fundamento legal advém da edição da Medida Provisória nº 2.15835/01, que dispõe, essencialmente, sobre a “legislação das Contribuições para a Seguridade Social COFINS, para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e do Imposto sobre a Renda”. No meu entender, tal dispositivo é nitidamente voltado para fins de regulamentação do PIS e da COFINS (e seus deveres instrumentais), haja vista que leva em consideração, para fins de apuração da penalidade, a receita bruta da empresa, bem como “o anocalendário em que as operações foram realizadas”. Assim, não há qualquer razão em se aplicar a referida legislação quando se está tratando sobre contribuição previdenciária (e respectivos deveres instrumentais), tendo em vista que esta possui regra de incidência totalmente dissociada do PIS e da COFINS, além do fato de que, como dito acima, possui legislação específica. Não obstante, também há de se considerar no presente caso, o disposto no art. 112 do CTN, a seguir: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Em razão do exposto, voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO para DARLHE TOTAL PROVIMENTO. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10735.721249/2011-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006, 2007
SOCIEDADES COOPERATIVAS. ATOS COOPERATIVOS.
Não promovida a contabilização segregada dos valores provenientes de atos cooperados e não cooperados, e não apresentado pelo contribuinte justificativa ou composição dos resultados oriundos de atos cooperados, é devida a inclusão dos valores na composição dos resultados tributáveis, por impossibilidade de segregação pela fiscalização.
CUSTOS E DESPESAS. GLOSA.
Diante da falta de demonstração da legitimidade dos valores deduzidos, tanto na ação fiscal quanto na impugnação, é devida a glosa.
PEDIDO DE PERÍCIA.
O exame pericial presta-se a resolver dúvidas determinadas que não possam ser esclarecidas pela impugnação, e não a contraditar a integralidade das imputações.
Numero da decisão: 1302-001.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE - Presidente.
(assinado digitalmente)
MÁRCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
EDITADO EM: 24/06/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO DE ANDRADE (Presidente), MARCIO RODRIGO FRIZZO, CRISTIANE SILVA COSTA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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ATOS COOPERATIVOS. Não promovida a contabilização segregada dos valores provenientes de atos cooperados e não cooperados, e não apresentado pelo contribuinte justificativa ou composição dos resultados oriundos de atos cooperados, é devida a inclusão dos valores na composição dos resultados tributáveis, por impossibilidade de segregação pela fiscalização. CUSTOS E DESPESAS. GLOSA. Diante da falta de demonstração da legitimidade dos valores deduzidos, tanto na ação fiscal quanto na impugnação, é devida a glosa. PEDIDO DE PERÍCIA. O exame pericial prestase a resolver dúvidas determinadas que não possam ser esclarecidas pela impugnação, e não a contraditar a integralidade das imputações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 72 12 49 /2 01 1- 82 Fl. 1336DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 24/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 2 MÁRCIO RODRIGO FRIZZO Relator. EDITADO EM: 24/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO DE ANDRADE (Presidente), MARCIO RODRIGO FRIZZO, CRISTIANE SILVA COSTA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA. Fl. 1337DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 24/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10735.721249/201182 Acórdão n.º 1302001.122 S1C3T2 Fl. 1.337 3 Relatório O procedimento teve início por força do MPF 2010.000711 (fl. 3), do qual a recorrente teve ciência em 11/05/2010 (fl. 05). Ao final, foram constituídos os seguintes créditos tributários, relativos aos anoscalendário de 2006 e 2007, efetuados por meio dos Autos de Infração constantes às fls. 1.030 a 1.051: Tributo IRPJ CSLL Principal 3.909.769,28 1.385.603,45 Juros de mora 1.636.031,27 577.872,84 Multa proporcional (75%) 2.932.326,95 1.039.202,58 Total 8.478.127,50 3.002.678,87 11.480.806,37 TOTAL Consta no Termo de Constatação Fiscal que os Autos de Infração foram lavrados em consequência da constatação das seguintes infrações: (i) R$ 1.139.436,36 no ano de 2006, excluídos indevidamente do lucro real e da base de cálculo da CSLL, a título de resultados não tributáveis de sociedades cooperativas, por considerála advinda de atos cooperativos. Os serviços prestados por pessoas não associadas à cooperativa caracterizam ato não cooperativo, devem ser contabilizados em separado e são tributados normalmente, conforme artigos 86 e 87 da Lei nº 5.764/71. O autuado não promoveu a contabilização segregada dos valores provenientes de atos cooperados e de atos não cooperados, de forma a permitir abrigar da tributação somente os atos cooperados. Assim sendo, as receitas sujeitamse à incidência fiscal sobre sua totalidade; (ii) R$ 1.765.172,40 apropriado como custo, e de R$ 1.064.236,38 apropriado como despesa, relativos ao ano de 2006. Da análise entre DRE (demonstrativo do resultado do exercício), o balancete e a DIPJ (declaração de informações econômico fiscais da pessoa jurídica), não foi possível identificar os montantes de “outros custos” e de “outras despesas”, lançados na DIPJ. Intimado e reintimado a esclarecer de que forma chegou a tais valores, demonstrasse a que contas pertenciam e qual era a sua origem, o autuado não respondeu; (iii) R$ 5.763.285,27 relativos a receitas operacionais do ano de 2006 não oferecidos à tributação. Fl. 1338DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 24/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 4 Do cotejamento entre o DRE, o balancete e a DIPJ, constatouse a existência de “outras receitas operacionais” (conta 3.3 do DRE), enquanto que a linha correspondente na DIPJ apresentava valor zero. Intimado e reintimado a explicar o porquê de não ter efetuado tal adição ao lucro bruto, o autuado nada respondeu; (iv) R$ 1.108.530,94 e R$ 2.769.403,67 apropriados como custo e despesa, a título de “serviços prestados por pessoa jurídica”, e o valor de R$ 2.052.619,25 apropriados a título de outras despesas operacionais, todos relativos ao ano de 2007 e nenhum dos valores comprovados pelo contribuinte. Da análise entre DRE, balancete e DIPJ, verificouse excesso nas três rubricas lançadas na DIPJ, em relação às importâncias registradas no DRE e balancete. Intimado e reintimado a demonstrar a origem dessas quantias, nada foi esclarecido pelo autuado; e (v) R$ 2.482.585,20 deduzidos na DIPJ a título de perdas em operações de crédito no ano de 2007 não comprovados pelo contribuinte. No DRE essa importância corresponde à conta 441919100 – “provisão sobre contraprestações pecuniárias rec. assist. médica hospitalar”. Considerando que tal provisão é indedutível e que o contribuinte, também neste caso, nada respondeu sobre a discrepância, quando intimado, a despesa foi glosada. Cientificado das autuações em 05/07/2011 (fls. 1.034 e 1.043), o contribuinte apresentou a impugnação em 04/08/2011 (fls. 1.151 a 1.165) com as seguintes alegações: i) Quanto ao valor de R$ 1.139.436,36 alega que o AFRFB resolveu tributar por entender que o contribuinte teria praticado atos não cooperativos, o que autorizaria a descaracterização como sociedade cooperativa. Alega que as sociedades cooperativas quando formalizam contratos, disponibilizando serviços dos médicos cooperados, na forma de planos de saúde, está prestando serviços àqueles e não aos usuários contratantes dos planos, por isso, tratase de atos cooperativos; ii) Quanto à falta de comprovação do custo de R$ 1.765.172,40. Ele referese a ressarcimentos realizados ao SUS, serviços de remoção terceirizados, seguros VG usuários e a reembolsos realizados a usuários, cuja comprovação darseá mediante verificação técnica a ser requerida ao final; Quanto à falta de comprovação da despesa de R$ 1.064.236,38 alega o contribuinte que se refere a contribuição sindical, seguros, fretes, viagens, transporte de empregados, água/luz/gás, manutenção de equipamentos/instalações, despesas com expediente e com comunicação e despesas administrativas diversas, cujos comprovantes o autuado possui e serão apresentados durante a verificação técnica a ser requerida ao final; Fl. 1339DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 24/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10735.721249/201182 Acórdão n.º 1302001.122 S1C3T2 Fl. 1.338 5 iii) O montante de receita operacional de R$ 5.763.285,27 não foi adicionado ao lucro tributável por representar receitas de intercâmbio, que são provenientes do atendimento de usuários de outras cooperativas (cuja prova também vai se fazer durante a perícia requerida ao final), que também constituem atos cooperativos próprios. Conforme consa do balancete juntado, o saldo registrado era de R$ 5.566.612,71, que, após determinados lançamentos, atingiu o valor questionado; v) O custo de serviço prestado por pessoa jurídica, no valor de R$ 1.108.530,94, tem origem no atendimento de usuários do contribuinte, feito por outras cooperativas, como consta do próprio Termo de Verificação Fiscal. A despesa, também de serviços prestados por pessoa jurídica, no total de R$ 2.769.403,67, referese a despesas administrativas de contratação de advogados, contadores, transporte aeromédico, auditoria independente, serviço de impressão, dentre outros; O montante de R$ 2.052.619,25 originase de outras despesas administrativas, tais como: contribuição sindical, seguros, fretes, viagens, transporte de empregados, água/luz/gás, manutenção de equipamentos/instalações, despesas com expediente e com comunicação e despesas administrativas diversas. Por fim, requer a realização de perícia para que se comprove os custos e despesas declarados e glosados; se ateste ser a quantia de R$ 1.139.436,36 derivada das mensalidades pagas pelos adquirentes dos planos de saúde; e que se confirme referirse a receita de R$ 5.783.285,27 a intercâmbio pelo atendimento a usuários de outras cooperativas. Quanto ao valor de R$ 2.482.585,20 deduzidos na DIPJ a título de perdas em operações de crédito no ano de 2007 e glosados pela fiscalização, o contribuinte não impugnou tais glosas, consolidando esta parte do lançamento na esfera administrativa. Para as demais alegações, a douta DRJ também manteve o crédito tributário, considerando a impugnação improcedente, ante os seguintes argumentos: i) Quanto ao valor de R$ 1.139.436,36 decidiu a DRJ que o contribuinte não promoveu a contabilização segregada dos valores provenientes de atos cooperados e de atos não cooperados, de forma a permitir abrigar da tributação somente os atos cooperados, fato que não foi contestado na defesa, até porque, como ele disse, entende que todas as receitas de venda de planos de saúde correspondiam a atos cooperativos. Desta forma, foi devida a inclusão do montante de R$ 1.139.436,36 ao lucro tributável. ii) Entende que, no mesmo contexto, deve se enquadrar a receita de intercâmbio, na medida em que o atendimento de clientes de outras cooperativas também inclui serviços prestados por terceiros não associados. Por isso, ainda que a receita de R$ 5.763.285,27 provinha do intercâmbio entre cooperativas, ela tinha que ser adicionada ao lucro por não constituir ato cooperativo. ademais, não foi sequer comprovado que o Fl. 1340DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 24/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 6 valor decorreu de intercâmbio de atendimento de usuários de outras cooperativas. iii) Quanto às demais glosas, nos valores de R$ 1.765.172,40, R$ 1.064.236,38, R$ 1.108.530,94, R$ 2.769.403,67 e R$ 2.052.619,25, que foram motivadas pela divergência na comparação entre DRE, balancete e DIPJ, a fiscalização intimou o contribuinte por diversas vezes a se manifestar sobre os motivos das discrepâncias, sendo que este nada alegou. Na impugnação o contribuinte relacionou as rubricas que comporiam os valores questionados nestas infrações, mas, em vez de trazer a demonstração e os documentos comprobatórios, requereu a realização de perícia a fim de fazer a prova. Entendeu a DRJ que a perícia contábil destinase a examinar determinadas questões que não possam ser atestadas na própria impugnação, e não a realizar toda a comprovação que devia ter sido feita durante a ação fiscal ou na impugnação. Concluiu, portanto, por negar a perícia requerida, por considerála imprópria e prescindível. Intimada do acórdão a quo em 27/02/2012 (fls. 1.331), apresentou em 27/03/2012 recurso voluntário (fl. 1.273 e seguintes) a este Conselho, alegando em suma: i) A nulidade da glosa de R$ 1.139.436,36 por entender que são atos cooperativos e, portanto, não comporiam a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Alega que a fiscalização descaracterizou a Recorrente como uma sociedade cooperativa, tratandoa como uma sociedade comercial qualquer; ii) Quanto ao valor de R$ 5.763.285,27 a título de outras receitas operacionais, alega que estaria fora do campo de incidência da tributação, pois considera ato cooperativo próprio praticado entre duas Cooperativas singulares do sistema Unimed; iii) Para os demais itens que compõem a autuação, para os quais foi requerida a produção de prova pericial, com o objetivo de demonstrar a natureza dos custos e despesas que haviam sido excluídos na apuração do Lucro Real. Alega que o fato de não ter juntado à sua defesa toda essa prova documental advinha da simples justificativa do montante de documentos que teria que carrear aos autos, tornando dificultosa, senão totalmente inviável a sua análise e apreciação. Alega, ainda, que trazer aos autos quase mil documentos acostados à inicial se constitui em motivo de força maior, calcado no princípio basilar da economia processual, não sendo crível, nem razoável, colacionar essa quantidade de documentos em autos quando sua verificação é manifestamente possível no estabelecimento da Recorrente. É o relatório. Fl. 1341DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 24/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10735.721249/201182 Acórdão n.º 1302001.122 S1C3T2 Fl. 1.339 7 Voto Conselheiro MÁRCIO RODRIGO FRIZZO O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, então dele conheço. A recorrente teve Autos de Infração lavrados contra si onde foram lançados os créditos tributários abaixo discriminados, relativos aos anoscalendário de 2006 e 2007: Tributo IRPJ CSLL Principal 3.909.769,28 1.385.603,45 Juros de mora 1.636.031,27 577.872,84 Multa proporcional (75%) 2.932.326,95 1.039.202,58 Total 8.478.127,50 3.002.678,87 11.480.806,37 TOTAL Estes valores foram lançados em consequência da constatação de diversas infrações, as quais passo a analisar. 1. Da glosa de R$ 1.139.436,36 a título de atos não cooperativos A fiscalização efetuou a glosa da exclusão de R$ 1.139.436,36 praticada pela fiscalizada quando da apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL no ano de 2006. Concluiu a fiscalização que a Recorrente é uma empresa comercial como outra qualquer, não podendo usufruir privilégios ao excluir da base de cálculo do IRPJ e da CSLL valores que deveriam ser tributados normalmente pois tratamse de receitas de atividades comerciais normais. Essa conclusão da fiscalização se deve principalmente ao fato de a Recorrente não possuir em sua contabilidade distinção entre receitas provenientes de atos cooperativos e não cooperativos, não podendo usufruir de benefício fiscal por mera presunção de prática de atos privilegiados. Pois bem. Entendo que a prática de atos não cooperativos, por si só, não autoriza a descaracterização da entidade como cooperativa para considerála empresa mercantil. A fiscalização deve, durante seu procedimento, identificar e tributar – se ainda não foi tributado – somente o resultado do ato não cooperativo. Entretanto, o que se observa da análise dos autos é que não foi possível à fiscalização segregar tais valores. Isto porque, de início, as demonstrações contábeis do Contribuinte não permitem chegar a tal conclusão. Fl. 1342DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 24/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 8 As demonstrações contábeis do Contribuinte sequer seguem o plano de contas determinado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS, órgão regulador dos planos de saúde no Brasil, consoante esclarece o AFRFB (fl. 1117, TVF): Ante essa dificuldade, a fiscalização intimou e reintimou por diversas vezes o Contribuinte para que se manifestasse a respeito da exclusão do valor da tributação, sendo que nenhuma resposta foi apresentada. Desta forma, não restou outra alternativa à fiscalização senão a tributação do valor excluído através da lavratura do auto de infração. Entendo que também só resta a esse Conselho manter a autuação, devido a impossibilidade de segregação do resultado da Recorrente entre atos cooperados e não cooperados, visto que nada apresentou até aqui que comprovasse que os valores glosados tratavamse de resultado oriundo da prática de atos cooperados. Portanto, mantenho a autuação quanto a este tópico. 2. Da inclusão de R$ 5.763.285,27 a título de outras receitas operacionais Do confronto entre DRE, balancete e DIPJ a fiscalização apurou R$ 5.763.285,27 contabilizados como “Outras Receitas Operacionais” que não foi adicionada quando da apuração do Lucro Real. Após ser intimada e reintimada a explicar o motivo das exclusões, mais uma vez, nada foi respondido. Desta forma, a fiscalização procedeu ao lançamento, oferecendo este valor à tributação. Na impugnação no recurso voluntário o Contribuinte alegou que o valor não foi adicionado ao lucro tributável por representar receitas decorrentes de intercâmbio, que são provenientes do atendimento de usuários de outras cooperativas. Pede, ainda, que seja realizada perícia contábil, a fim de confirmar que a receita de R$ 5.763.285,27 referese a intercâmbio pelo atendimento de usuários de outras cooperativas. Quanto a este tópico, a recorrente também não apresentou nada que comprovasse o alegado. Ainda que o valor adicionado pela fiscalização seja de fato oriundo de receitas de intercâmbio como alega a recorrente, deverseia efetuar a segregação entre atos cooperados e não cooperados, a fim de se obter o valor real que poderia ser excluído da tributação, quais sejam, apenas os atos cooperados. Fl. 1343DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 24/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10735.721249/201182 Acórdão n.º 1302001.122 S1C3T2 Fl. 1.340 9 Assim como no tópico anterior, fica impossibilitada tal segregação devido às inconsistências nos registros contábeis da recorrente. Ademais, não foi trazido aos autos nada que indicasse tratarse dessas receitas os valores não tributados. A recorrente apenas pugna pela realização de perícia contábil, o que, no meu entender é prescindível e desnecessário, pois da análise dos Autos, observase que na busca de elementos de convicção, para a correta instrução do processo, o Sujeito Passivo foi intimado e reintimado, ainda durante a fiscalização, a apresentar o que se tratavam tais receitas, bem como documentação hábil e idônea dos registros contábeis não comprovados, objeto dos lançamentos ora guerreados. Mesmo após a lavratura dos autos de infração, foi ofertado ao Sujeito Passivo a oportunidade de impugnálos – como assim o fez – e, desta forma, poderia demonstrar e comprovar o alegado. Ocorre que em nenhum desses momentos o recorrente comprovou o alegado, alegando simplesmente que a quantidade de documentos é grande, tornando dificultosa, senão inviável a análise e apreciação. Foi ofertada a oportunidade de se manifestar e trazer aos autos tudo que julgasse conveniente para comprovar o alegado e não o fez. Ante as omissões durante toda a instrução do processo, não vejo a necessidade da realização de perícia neste momento, para esclarecer algo que já poderia ter sido esclarecido em diversos momentos outrora ofertados. O pedido do contribuinte, no presente caso, tenta substituir todo o procedimento de fiscalização e a impugnação ao lançamento pelo exame pericial, o que tornaria inócua todas aquelas fases do procedimento. Não há como acolher a pretensão do Sujeito Passivo quanto a esse pedido. 3. Da glosa de custos e despesas Quanto às demais glosas, nos valores de R$ 1.765.172,40, R$ 1.064.236,38, R$ 1.108.530,94, R$ 2.769.403,67 e R$ 2.052.619,25, que foram motivadas pela divergência na comparação entre DRE, balancete e DIPJ, tratamse de custos e despesas não esclarecidos durante a fiscalização e não comprovados até aqui. Para estes valores, o contribuinte pugna em sua defesa a produção de prova pericial com o objetivo de demonstrar a natureza dos custos e despesas que haviam sido excluídos na apuração do Lucro Real. Neste tópico, ante os mesmos argumentos do tópico anterior, entendo mais uma vez desnecessária a produção de prova pericial para comprovar algo que já poderia – e deveria – ter sido comprovado. O processo não pode ficar ad eternum indo e voltando, ao bel prazer do contribuinte que não tem sua documentação organizada como deveria ter. Durante todo o processo de fiscalização o contribuinte não demonstrou o menor interesse no deslinde das Fl. 1344DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 24/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 10 dúvidas da fiscalização, tendo sido intimado e reintimado reiteradas vezes, mantendose inerte em todo momento. Houve desídia na produção das provas, que no presente caso seria facilmente produzida, dispensando qualquer perícia. Era ônus do contribuinte do qual ele não incumbiu. Após a lavratura do auto de infração, restringese a requerer prova pericial alegando motivo de força maior, por se tratar de grande volume de documentos. Um grande volume de documentos não se trata de motivo de força maior, podendo ser trazido aos autos para comprovar o alegado. Quanto à estas glosas, também não há como acolher às pretensões do Recorrente. 4. Conclusão Ante ao exposto, julgo improcedente o recurso voluntário, mantendo integralmente o crédito tributário nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) MÁRCIO RODRIGO FRIZZO Relator Fl. 1345DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 24/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE
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Numero do processo: 19396.720004/2011-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 01/04/2008, 20/05/2008, 20/06/2008, 18/09/2008, 30/09/2008, 21/10/2008, 22/10/2008, 19/12/2008, 22/12/2008
REPETRO. ADMISSÃO TEMPORÁRIA. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. PENALIDADE.
As operações de importação submetidas ao regime aduaneiro especial Repetro ou ao regime especial de admissão temporária para utilização econômica não se enquadram como importações desembaraçadas no regime comum de importação. A caracterização da infração depende da subsunção dos fatos à norma legal, sem o que é impossibilitada a aplicação de penalidade.
REPETRO. ADMISSÃO TEMPORÁRIA. MULTA. OMISSÃO DE INFORMAÇÃO. ATIPICIDADE.
O inciso III, do artigo 711, do Regulamento Aduaneiro determina multa para aquele que deixar de fornecer informações necessárias à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. No caso de bens usados, o controle aduaneiro apropriado é a emissão prévia de LI, assim, para a importação de bens usados é necessário informar a condição de usado do bem. Todavia, in casu, concluiu-se que a importação, ao fim, não estava sujeita à prévia emissão de LI. Desnecessária a prévia LI, desnecessária a informação de usada para o procedimento aduaneiro.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
INFRAÇÃO. SOLIDARIEDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Na ausência de comprovação de que terceiro tenha concorrido para a prática da infração ou dela tenha se beneficiado, fica afastada a caracterização de solidariedade passiva tributária.
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da redatora designada. Vencidos, quanto ao recurso voluntário, os conselheiros Walber José da Silva, relator, e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Designada a Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor do recurso voluntário.
Fez sustentação oral: Pedro Calmon Filho - OAB/RJ nº 4192, e Rodrigo de Macedo e Burgos, Procurador da PGFN.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Redatora designada.
EDITADO EM: 09/06/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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AUTO DE INFRAÇÃO Recorrentes PAN MARINE DO BRASIL LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 01/04/2008, 20/05/2008, 20/06/2008, 18/09/2008, 30/09/2008, 21/10/2008, 22/10/2008, 19/12/2008, 22/12/2008 REPETRO. ADMISSÃO TEMPORÁRIA. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. PENALIDADE. As operações de importação submetidas ao regime aduaneiro especial Repetro ou ao regime especial de admissão temporária para utilização econômica não se enquadram como importações “desembaraçadas no regime comum de importação”. A caracterização da infração depende da subsunção dos fatos à norma legal, sem o que é impossibilitada a aplicação de penalidade. REPETRO. ADMISSÃO TEMPORÁRIA. MULTA. OMISSÃO DE INFORMAÇÃO. ATIPICIDADE. O inciso III, do artigo 711, do Regulamento Aduaneiro determina multa para aquele que deixar de fornecer informações necessárias à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. No caso de bens usados, o controle aduaneiro apropriado é a emissão prévia de LI, assim, para a importação de bens usados é necessário informar a condição de “usado” do bem. Todavia, in casu, concluiuse que a importação, ao fim, não estava sujeita à prévia emissão de LI. Desnecessária a prévia LI, desnecessária a informação de “usada” para o procedimento aduaneiro. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO INFRAÇÃO. SOLIDARIEDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Na ausência de comprovação de que terceiro tenha concorrido para a prática da infração ou dela tenha se beneficiado, fica afastada a caracterização de solidariedade passiva tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 39 6. 72 00 04 /2 01 1- 09 Fl. 2621DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 7/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19396.720004/201109 Acórdão n.º 3302002.023 S3C3T2 Fl. 11 2 Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da TERCEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da redatora designada. Vencidos, quanto ao recurso voluntário, os conselheiros Walber José da Silva, relator, e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Designada a Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor do recurso voluntário. Fez sustentação oral: Pedro Calmon Filho OAB/RJ nº 4192, e Rodrigo de Macedo e Burgos, Procurador da PGFN. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS – Redatora designada. EDITADO EM: 09/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata o presente processo de auto de infração de multa por importação, no REPETRO, desamparada de guia de importação ou documento equivalente, e multa por não prestação de informação necessária ao controle aduaneiro, tendo sido nomeado um terceiro como responsável. Inconformadas com a autuação a empresa interessada e a responsável impugnaram o lançamento, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A 1a Turma de Julgamento da DRJ em Florianópolis SC julgou parcialmente procedente o lançamento, para excluir a multa por falta de licença de importação Fl. 2622DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 7/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19396.720004/201109 Acórdão n.º 3302002.023 S3C3T2 Fl. 12 3 e para excluir a PETROBRÁS do pólo passivo da obrigação, nos termos do Acórdão no 07 26.749, de 21/11/2011, cuja ementa abaixo se transcreve. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 01/04/2008, 20/05/2008, 20/06/2008, 18/09/2008, 30/09/2008, 21/10/2008, 22/10/2008, 19/12/2008, 22/12/2008 REPETRO. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. PENALIDADE. As operações de importação submetidas ao regime aduaneiro especial Repetro não se enquadram como importações “desembaraçadas no regime comum de importação”. A caracterização da infração depende da subsunção dos fatos à norma legal, sem o que é impossibilitada a aplicação de penalidade. REPETRO. MULTA. OMISSÃO DE INFORMAÇÃO. A multa aplicase também ao beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. As informações relacionadas à “condição da mercadoria”, se esta se enquadrar na condição de “material usado”, devem ser informadas pelo beneficiário do regime na respectiva declaração de importação, conforme estabelecido em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 01/04/2008, 20/05/2008, 20/06/2008, 18/09/2008, 30/09/2008, 21/10/2008, 22/10/2008, 19/12/2008, 22/12/2008 INFRAÇÃO. SOLIDARIEDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Na ausência de comprovação de que terceiro tenha concorrido para a prática da infração ou dela tenha se beneficiado, fica afastada a caracterização de solidariedade passiva tributária. Impugnação Procedente em Parte Desta decisão a Turma de Julgamento recorreu de ofício ao CARF. Ciente desta decisão em 19/12/2011 (fl. 2617), a empresa autuada ingressou, no dia 18/01/2012, com o recurso voluntário de fls. 2552/2579, no qual alega, em síntese, que: 1 não houve omissão da informação de que se tratava de um bem (embarcação) usado. No campo das DI destinado à “Descrição Detalhada da Mercadoria” Fl. 2623DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 7/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19396.720004/201109 Acórdão n.º 3302002.023 S3C3T2 Fl. 13 4 consta a descrição detalhada e suficiente da embarcação a ser admitida temporariamente, sob o regime do Repetro. Não houve, portanto, omissão dessa característica do bem importado. 2 a pretendida não indicação de que o bem era usado ficou superada como conseqüência lógica da aceitação de não ser necessária a Licença de Importação; 3 correta leitura do art. 136 do CTN. A responsabilidade por infração depende de culpa do agente; 4 inexistência de benefício ao contribuinte e dano ao erário. Não há referência neste sentido no processo de revisão aduaneira. A aplicação de tão elevada multa, pela pretendida falta de algo que não fazia falta, fere os princípios basilares de legalidade e razoabilidade; 5 o efeito conclusivo da reexportação da embarcação e conseqüente baixa no termo de responsabilidade. Se algum tributo fosse devido, deveria ser pago antes de autorizada a reexportação. 6 junta parecer do jurista Prof. J. Madeira, como subsídio à impugnação. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído a este Conselheiro Relator. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Walber José da Silva Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. E o recurso de ofício também atende aos requisitos legais e merece ser conhecido. Como relatado, contra a empresa Recorrente foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de duas multa: uma pela falta de LI e outra pela falta de indicação, no campo próprio da DI, que o material importado (embarcação) era usado. Além disso, como as embarcações importadas destinavamse a fretamento para a PETROBRÁS, esta foi incluída no pólo passivo da obrigação tributária constituída pelo lançamento. A decisão recorrida, considerando, entre outras razões, que a exigência da LI davase na habilitação do regime especial REPETRO e que a importação se deu em regime especial, e não em regime comum de importação a que se refere o art. 706, I, “a”, do RA/2009, julgou improcedente o lançamento da multa pela falta da LI. A decisão recorrida manteve a multa pela falta de indicação, no campo próprio da DI, de que o material importado era usado, conforme previsto no item 40, do Anexo Único, da IN nº 680/06, porque de fato tal informação não foi prestada pela empresa importadora e a indicação, na descrição da mercadoria, do ano de fabricação da embarcação não supre a obrigação de informar a condição da mercadoria no campo próprio da DI. Fl. 2624DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 7/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19396.720004/201109 Acórdão n.º 3302002.023 S3C3T2 Fl. 14 5 Relativamente ao recurso de ofício, não vejo reparos a fazer na decisão recorrida. Em matéria de penalidade, o fato tem que se subsumir à norma. No caso concreto, a norma penal tributária é o art. 706, inciso I, alínea “a”, do RA/2009, abaixo reproduzido. Art. 706. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (DecretoLei no 37, de 1966, art. 169, caput e §6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 1978, art. 2o): I de trinta por cento sobre o valor aduaneiro: a) pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, inclusive no caso de remessa postal internacional e de bens conduzidos por viajante, desembaraçados no regime comum de importação (DecretoLei no 37, de 1966, art. 169, inciso I, alínea “b”, e §6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 1978, art. 2o); e Como bem disse a decisão recorrida, o desembaraço aduaneiro se deu no regime especial Repetro e, independente se esta operação estava ou não sujeita à licença prévia de importação, tal exigência deveria ser observada quando da concessão do regime especial e não quando da importação, pelos fundamentos legais que cita. Relativamente à responsabilidade da PETROBRÁS, perde o objeto em relação à multa exonerada e, em relação à multa remanescente, objeto do recurso voluntário do contribuinte, não há como atribuir à PETROBRÁS responsabilidade pela declaração inexata prestada pela empresa importadora na DI. Portanto, correta a decisão de excluir a PETROBRÁS do pólo passivo da obrigação lançada. Quanto ao recurso voluntário da empresa autuada, inicialmente devo registrar que a infração imputada à Recorrente, ainda litigiosa, é só uma: ela deixou de indicar no campo próprio da DI a condição de usado do bem importado. Só isto. Em conseqüência, na análise do recurso voluntário não será apreciado os argumentos da Recorrente relacionados à outra infração objeto do recurso de ofício por ser impertinente e estranha à lide. Ao contrário do defendido pela Recorrente, não há correlação lógica entre a multa aplicada por falta de indicação, no campo próprio da DI, da condição de usado do produto importado e a multa aplicada pela falta de licença de importação. A existência ou a falta de LI não implica na falta ou existência da informação na DI da condição da mercadoria, e viceversa. Da mesma forma, a exigência ou a dispensa da LI não implica na dispensa ou exigência da informação na DI da condição da mercadoria, e viceversa. Portanto, analisarseá, neste voto, somente os argumentos pertinentes à infração litigiosa imputada à recorrente: falta de indicação, na DI, da condição de material usado. A multa lançada, objeto da lide, está prevista no art. 711, inciso III, do RA/2009 (Decreto nº 6.759/2009), abaixo reproduzido. Fl. 2625DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 7/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19396.720004/201109 Acórdão n.º 3302002.023 S3C3T2 Fl. 15 6 Art. 711. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 84, caput; e Lei no 10.833, de 2003, art. 69, §1o): [...] III quando o importador ou beneficiário de regime aduaneiro omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. §1o As informações referidas no inciso III do caput, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo (Lei no 10.833, de 2003, art. 69, §2o): I identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação: importador ou exportador; adquirente (comprador)ou fornecedor (vendedor), fabricante, agente de compra ou de venda e representante comercial; II destinação da mercadoria importada: industrialização ou consumo, incorporação ao ativo, revenda ou outra finalidade; III descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil que confiram sua identidade comercial; IV países de origem, de procedência e de aquisição; e V portos de embarque e de desembarque. Não procede a alegação da Recorrente de que não houve omissão da informação de que se tratava de um bem (embarcação) usado porque no campo das DI destinado à “Descrição Detalhada da Mercadoria” consta a descrição detalhada e suficiente da embarcação. Também não procede o argumento da Recorrente de que o erro cometido não acarretou dano ao Erário e que não houve dolo, sendo injustificável a imposição da penalidade. As razões pelas quais entendo improcedentes os argumentos da Recorrente são os mesmos da decisão recorrida e abaixo reproduzido. Como se percebe, era obrigação da interessada assinalar o indicativo relacionado à condição da mercadoria, dado que efetivamente se tratava de material usado. Tal informação, não era irrelevante ou prescindível, tratavase de obrigação devidamente estabelecida e, necessária ao controle aduaneiro, controle este exercido pela administração fazendária, que por ato específico determinou que tal informação deveria ser prestada pelo importador quando esta condição (material usado) se fizer presente. Neste sentido, o juízo de valor relacionado à necessidade de aposição desta informação é prescindível, posto que determinado em ato normativo. Fl. 2626DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 7/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19396.720004/201109 Acórdão n.º 3302002.023 S3C3T2 Fl. 16 7 [...] Ocorre que no presente caso a responsabilidade é objetiva, independe da intenção do agente ou responsável e da efetividade,natureza e extensão dos efeitos do ato. É o que preceitua o artigo 136 da Lei n° 5.172/66 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (Grifos do original). Como se sabe, a administração pública regese pelo princípio da estrita legalidade (CF, art. 37, caput), especialmente em matéria de administração tributária, que é uma atividade administrativa plenamente vinculada (CTN, arts. 3º e 142, parágrafo único). Portanto, considerando o erro cometido, e a disposição legal, há que se registrar que os fatos se subsumem à hipótese legal. Também não procede o argumento da Recorrente de que, tendo as embarcações sido reexportadas, se tributo devido existisse deveria ser pago antes de autorizar a reexportação. E não procede porque o lançamento atacado não é de tributo e sim de penalidade por infração ao controle aduaneiro, ou seja, prestação de declaração de importação (DI) inexata. O fato da Recorrente ter cumprido o Termo de Responsabilidade de reexportar as embarcações não a redime da declaração inexata prestada quando da importação das mesmas. No tocante ao parecer do ilustre jurista e professor J. Madeira, anexado ao recurso voluntário, não obstante a respeitabilidade de seu signatário, cabem, aqui, as palavras de Calamandrei, escritas a respeito de como devem ser vistos os pareceristas (citado no Parecer PGFN/GAB nº 859, de 1998 – D.O.U. nº 126, de 06/07/1998, pág. 13) Dirseá que esses senhores nos querem convencer de que nas consultas, pagas a tanto por linha, não fazem obra de partidários de “A” ou de “B”, mas de mestres desinteressados, que não se preocupam com os negócios deste pobre mundo (...) não há meio de se chegar a compreender por que bolas é que nesses pareceres, a verdade, com V grande, coincide sempre com o interesse da parte que os solicitou. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 2627DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 7/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19396.720004/201109 Acórdão n.º 3302002.023 S3C3T2 Fl. 17 8 Por tais razões, voto no sentido de negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Relator Voto Vencedor CONSELHEIRA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Os recursos atendem os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual deles conheço. Conforme relatado, da decisão de primeira instância administrativa foram apresentados recursos de ofício e voluntário. Do que se depreende dos autos, foram imputadas às contribuintes duas espécies de multa, a primeira por não apresentação de Licença de Importação, a qual seria imprescindível em vista dos bens importados serem usados e a segunda em decorrência da não indicação da qualidade de “usado” para o bem importado. Em relação ao Recurso de Ofício, devem ser analisados os seguintes pontos: (i) a multa por falta de LI e (ii) à solidariedade com a Petrobras. Passo a analisar cada ponto debatido. (i) Da Multa por Falta de LI Esta multa está prevista no artigo 633, inciso II, alínea “a” do Decreto n° 4.543/02 (Decreto n° 6.759/09, artigo 706, inciso I, alínea “a”), conforme consignado no relatório do auto de infração (fl. 43). Neste ponto a decisão recorrida apresenta dois fundamentos para o cancelamento da multa: (a) o fato de o Regime de Concessão ser concedido e cassado por autoridade competente e (b) o entendimento de que a contribuinte não estava obrigada a apresentar a LI. (a) Do Regime de Concessão No que se refere a este item, as autoridades administrativas de primeira instância concluíram que, sendo a dispensa da Licença de Importação – LI uma conseqüência do Regime Especial de Importação, a aplicação de multa pela não apresentação da LI por via transversa significa o cancelamento do próprio benefício. Neste ponto a decisão recorrida entende que a competência para cancelar o Regime Especial é de autoridade específica, e não do auditor fiscal que está procedendo a fiscalização. Com razão a decisão recorrida. Não tenho dúvidas de que os Regimes Especiais estão sujeitos a regramento específico e a órgãos de controle determinados. Os atos concessórios dos Regimes Especiais são documentos públicos que contam com presunção de Fl. 2628DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 7/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19396.720004/201109 Acórdão n.º 3302002.023 S3C3T2 Fl. 18 9 veracidade e devem ser desta forma considerados, sob pena, justamente, de estarse negando fé a documentos públicos, o que por si só atenta contra a Constituição Federal/882. Sem mencionar que a competência para cassar o ato é daquele Órgão que o proferiu, os auditores da Receita Federal não podem cassar ato concessório de Regime Especial submetido a regime próprio. Necessário registrar que não consta qualquer apontamento nos autos no sentido de que a contribuinte fiscalizada foi excluída da REPETRO. Na ausência de um ato próprio emanado pela autoridade competente no sentido de cancelar o benefício específico concedido, compete à autoridade administrativa de fiscalização apenas acatar a condição posta (e devidamente demonstrada por documentos públicos) da contribuinte. Na hipótese de serem constatadas irregularidades, a autoridade administrativa deverá noticiar o Órgão competente para que este possa tomar as providências cabíveis quanto à cassação do incentivo. Concluise, portanto, que a contribuinte PAN MARINE está no regime especial da REPETRO e, em decorrência de tal condição, deve ter a si aplicada as prerrogativas deste Regime, inclusive a autorização para realizar importação de bens sem a emissão de LI. (b) Da Licença de Importação Transposto obstáculo inicial, estando aceita a premissa de que a contribuinte PAN MARINE está no regime especial da REPETRO, mister analisar se, por estar neste regime, estaria dispensada da apresentação de LI. Importante registrar que a Licença de Importação foi entendida pela fiscalização como devida in casu em virtude dos bens importados serem usados. A questão aqui é que a contribuinte com base nas Portarias Secex 36/2007 e 25/2008, artigos 6º/7º e 7º/8º, respectivamente entendeu que, em razão de estar procedendo à importação de bens em regime temporário, por meio de regime especial (REPETRO), estava dispensada de realiza a Licença de Importação – LI. “DO LICENCIAMENTO DAS IMPORTAÇÕES Seção I Do Sistema Administrativo Art. 6º O sistema administrativo das importações brasileiras compreende as seguintes modalidades: I importações dispensadas de Licenciamento; II importações sujeitas a Licenciamento Automático; e III importações sujeitas a Licenciamento Não Automático. 2 “Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencionálos, embaraçarlhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público; II recusar fé aos documentos públicos; III criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si.” Fl. 2629DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 7/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19396.720004/201109 Acórdão n.º 3302002.023 S3C3T2 Fl. 19 10 Art. 7º Como regra geral, as importações brasileiras estão dispensadas de licenciamento, devendo os importadores tão somente providenciar o registro da Declaração de Importação (DI) no Siscomex, com o objetivo de dar início aos procedimentos de Despacho Aduaneiro junto à unidade local da Receita Federal do Brasil (RFB). Parágrafo único. Estão relacionadas a seguir as importações dispensadas de licenciamento: I sob os regimes de entrepostos aduaneiro e industrial, inclusive sob controle aduaneiro informatizado; II sob o regime de admissão temporária, inclusive de bens amparados pelo Regime Aduaneiro Especial de Exportação e Importação de Bens Destinados às Atividades de Pesquisa e de Lavra das Jazidas de Petróleo e de Gás Natural (Repetro); (...)” Por outro giro, a fiscalização entendeu aplicável ao caso o artigo 9º da Portaria Secex 36/2007, repetido no artigo 10 da Portaria Secex nº 25/2008, o qual traz uma exceção para a forma de importação no caso de o bem importado ser usado: “Seção III Do Licenciamento Não Automático Art. 9º Estão sujeitas a Licenciamento Não Automático as seguintes importações: I de produtos relacionados no Tratamento Administrativo do Siscomex e também disponíveis no endereço eletrônico do Mdic para simples consulta, prevalecendo o constante do aludido Tratamento Administrativo; onde estão indicados os órgãos responsáveis pelo exame prévio do licenciamento não automático, por produto; II as efetuadas nas situações abaixo relacionadas: (...) e) de material usado, salvo a exceção estabelecida no §2º do art. 35 desta Portaria; (...)” Neste sentido entendeu a fiscalização que, ainda que a contribuinte estivesse na REPETRO, deveria apresentar a LI porque os bens importados eram usados. Por este raciocínio, portanto, o fato de o bem ser usado excepcionava a regra geral de “não apresentação de LI”. Colocase, portanto, a questão em julgamento: tratase de exceção aplicável à regra geral? Concordo com a decisão recorrida no sentido de entender que não, que a interpretação da contribuinte é absolutamente possível e lógica. Fl. 2630DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 7/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19396.720004/201109 Acórdão n.º 3302002.023 S3C3T2 Fl. 20 11 Veja que estamos tratando de dois dispositivos excepcionais: primeiro excepcionase a regra ao prever tratamento diferenciado para o regime de importação temporário pela REPETRO. Depois excepcionase a regra geral em virtude da característica do bem importado: ser usado. Diz a decisão recorrida que “As Portarias SECEX em comento não definiram grau de prioridade entre “dispensa” e “não dispensa” de licença de importação para os casos em que as operações de importação enquadradas no regime aduaneiro especial de admissão temporária ou no regime aduaneiro especial REPETRO possam estar contemplados simultaneamente em situação de “não dispensa”. Sem mencionar que o mesmo dispositivo – Portarias Secex 36/07 e 25/08, artigos 7º e 8º respectivamente – ao tratar da exceção de apresentação de LI para o caso de doação, excepcionou os bens usados: “Art. 7º Como regra geral, as importações brasileiras estão dispensadas de licenciamento, devendo os importadores tão somente providenciar o registro da Declaração de Importação (DI) no Siscomex, com o objetivo de dar início aos procedimentos de Despacho Aduaneiro junto à unidade local da Receita Federal do Brasil (RFB). Parágrafo único. Estão relacionadas a seguir as importações dispensadas de licenciamento: I – sob os regimes de entrepostos aduaneiro e industrial, inclusive sob controle aduaneiro informatizado; II – sob o regime de admissão temporária, inclusive de bens amparados pelo Regime Aduaneiro Especial de Exportação e Importação de Bens Destinados às Atividades de Pesquisa e de Lavra das Jazidas de Petróleo e de Gás Natural (Repetro); (...) VII – doações, exceto de bens usados; (...)” É de se supor, portanto, que se houvesse intenção em excepcionar também os importadores pelo regime temporário do REPRETO, deveria haver a indicação expressa nas mencionadas Portarias Secex. Sem mencionar que, conforme bem pontuado pela decisão recorrida, nos idos de 2010, foi publicada a Portaria Secex nº 10 a qual criou uma ordem de preferência às mencionadas exceções, a saber: “Art. 8º Como regra geral, as importações brasileiras estão dispensadas de licenciamento, devendo os importadores tão somente providenciar o registro da Declaração de Importação – DI no SISCOMEX, com o objetivo de dar início aos procedimentos de Despacho Aduaneiro junto à unidade local da RFB. § 1º São dispensadas de licenciamento as seguintes importações: ... Fl. 2631DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 7/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19396.720004/201109 Acórdão n.º 3302002.023 S3C3T2 Fl. 21 12 § 2º Na hipótese de o tratamento administrativo do Siscomex previsto nos artigos 9º e 10 acarretar licenciamento para as importações definidas no § 1º deste artigo, o primeiro prevalecerá sobre a dispensa .” – destaquei. Neste particular, uma vez que as normas se aplicam apenas para frente e que à época dos fatos não havia regra de preferência ou norma específica que obrigasse a apresentação de LI, acertada a decisão recorrida. (ii) Da Solidariedade da empresa Petrobrás Ainda, a decisão recorrida exonerou a responsabilidade da empresa Petrobrás, por entender que a infração mantida não atendia os pressupostos legais necessários a determinar a aplicação da solidariedade passiva. Neste particular, a única multa mantida pela decisão recorrida foi a multa de “não prestação de informação necessária”, sendo que a informação não apresentada apenas poderia ser realizada por ação da contribuinte PAN MARINE. A solidariedade está fundamentada no artigo 124 do Código Tributário Nacional – CTN e no inciso I do artigo 95 do Decretolei nº 37/66, in verbis: Código Tributário Nacional CTN “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem.” Decreto Lei 37/66 “Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; (...)” A infração mantida referese à não informação, na Declaração de Importação – DI – de que o bem importado era “usado”. Tratase de obrigação acessória, não principal e para se aferir responsabilidade tornase necessário registrar a relação da Petrobrás com o descumprimento desta obrigação acessória no sentido de entender se o contribuinte (i) poderia impedir/concorrer com a infração e (ii) qual benefício lhe traria esta infração. Ao se tratar do primeiro item, correta a decisão recorrida ao concluir que não havia meios de a contribuinte solidária incorrer na infração, pois as informações na DI somente podem ser incluídas pela importadora, assim a Petrobrás não tinha como realizar a infração. Por conseqüência lógica, não havia meios de a contribuinte indicada como solidária concorrer/colaborar com a ocorrência da infração. Fl. 2632DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 7/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19396.720004/201109 Acórdão n.º 3302002.023 S3C3T2 Fl. 22 13 No que se refere ao suposto benefício que a infração cometida traria, aplica se o mesmo raciocínio. Isto porque a importação não foi realizada por conta e ordem da contribuinte solidária e a admissão foi em regime temporário, o qual foi cumprido, com o respectivo retorno do bem importado para o exterior. Inexistiu, portanto, qualquer benefício à Petrobrás que justifique a aplicação da penalidade em apreço. Em vista destes fatos, concordo com a decisão recorrida no que se refere à matéria apresentada a título de Recurso de Ofício, negando provimento a seus termos. No que se refere ao Recurso Voluntário discutese acerca da aplicação da “multa de não prestação de informação necessária ao controle aduaneiro”, lastreada no § 1°, do artigo 69, da Lei n° 10.833/03. Assim como relatado, neste ponto a discussão alcança o fato de o importador (contribuinte PAN MARINE) ter deixado de informar, na Declaração de Importação, que o bem importado era usado. A contribuinte alega em seu favor que não houve prejuízo ao Fisco e que na DI indicou a data da fabricação da mercadoria, o que supriria a mencionada deficiência. Em sede de recurso voluntário, a contribuinte ainda alegou pela impossibilidade de manutenção da infração em vista da conexão lógica com a obrigação principal – apresentação de LI – que foi cancelada. Ao analisar esta questão, a decisão recorrida entendeu que a indicação da característica de “usada” do bem é de responsabilidade objetiva, e que o dado omitido pretende informar a fiscalização para que seja possível submeter as mercadorias ao procedimento adequado de desembaraço. Ainda, registra a decisão que havia um campo específico na DI para esta informação. A multa lançada encontra supedâneo no inciso III do artigo 711 do Regulamento Aduaneiro RA, o qual da seguinte forma determina: “Art. 711. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 84, caput; e Lei no 10.833, de 2003, art. 69, §1o): I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; II quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil; ou III quando o importador ou beneficiário de regime aduaneiro omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. § 1o As informações referidas no inciso III do caput, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil, Fl. 2633DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 7/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19396.720004/201109 Acórdão n.º 3302002.023 S3C3T2 Fl. 23 14 compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo (Lei no 10.833, de 2003, art. 69, §2o): I identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação: importador ou exportador; adquirente (comprador)ou fornecedor (vendedor), fabricante, agente de compra ou de venda e representante comercial; II destinação da mercadoria importada: industrialização ou consumo, incorporação ao ativo, revenda ou outra finalidade; III descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil que confiram sua identidade comercial; IV países de origem, de procedência e de aquisição; e V portos de embarque e de desembarque. (...)” Pareceme estar com razão a Recorrente. É que o inciso III acima citado trata das informações necessárias à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. No caso de bens usados, o controle aduaneiro apropriado é realmente a emissão prévia de LI, assim, em princípio, poderseia imaginar que a informação do bem usado era necessária. Todavia, concluiuse que a importação, ao fim, não estava sujeita à prévia emissão de LI (conforme voto da DRJ, que mantive). Desta forma, no meu entender, se não é hipótese de sujeição prévia à LI, esta informação deixou de ser necessária para o procedimento aduaneiro. Por coerência de raciocínio, se a ausência desta informação não se coaduna com a exigência pautada no inciso III, do artigo 711, do RA, não é possível manter a multa da forma como lançada. Ante o exposto, conheço dos recursos apresentados para o fim de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 2634DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 7/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19396.720004/201109 Acórdão n.º 3302002.023 S3C3T2 Fl. 24 15 Fl. 2635DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 7/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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