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Numero do processo: 13934.720027/2012-75
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
A dedução da pensão alimentícia em declaração de ajuste é possível se os alimentos comprovadamente pagos encontram amparo em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente.
Numero da decisão: 2002-000.943
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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DEDUÇÕES. PENSÃO JUDICIAL. Recorrente PAULO GERMANO DE AZEVEDO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. A dedução da pensão alimentícia em declaração de ajuste é possível se os alimentos comprovadamente pagos encontram amparo em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 93 4. 72 00 27 /2 01 2- 75 Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13934.720027/201275 Acórdão n.º 2002000.943 S2C0T2 Fl. 113 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 19/22), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2010. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a restituir declarado de R$2.282,48 para saldo de imposto a pagar de R$2.186,48. A notificação noticia a dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública, no valor de R$17.520,00, consignando que o contribuinte teria pago a pensão por liberalidade, não encontrando amparo em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Ressalta que a homologação do acordo judicial ocorreu em 29/4/2010, sendo o valor dedutível da base de cálculo do IRPF somente a partir dessa data. Impugnação Cientificada ao contribuinte (fl.43), a NL foi objeto de impugnação, em 19/6/2012, às fls. 2/22 dos autos, assim sintetizada na decisão recorrida: a) somente recebeu a notificação no dia 14/6/2012, pois reside em um sítio longe da cidade e os Correios não entregaram o documento solicitando sua manifestação; b) efetivamente pagou a pensão durante o ano inteiro, conforme comprovam os recibos que anexa e as declarações de pessoas ligadas à família, pois a Sra.Sonia não tinha nenhuma fonte de renda e, já de idade, não conseguia trabalho para se sustentar; c) “[...] Tanto é verdade que em suas declarações apresentadas à Receita Federal, declarou de onde provinha a sua fonte de renda (Sonia Maria Garcia de Azevedo CPF Nº 825.184.759 15)”; d) na Escritura Pública de Declaração anexa, lavrada na Comarca de Ivaiporã, consta que a pensão alimentícia estava sendo paga desde o início da separação, reconhecendo que a Sra. Sonia não tinha condições de sobrevivência e seria desumano, de sua parte, “deixála à míngua”; e) a homologação da separação judicial ocorreu em abril de 2009 e só foi homologado porque a separação já estava concretizada há mais de dois anos, porém o pagamento da pensão já estava ocorrendo, comprovadamente, conforme testemunhas, recibos e pela Escritura; f) caso a Receita Federal não venha a acatar seu pedido totalmente, não reconhecendo o pagamento durante todo o ano Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13934.720027/201275 Acórdão n.º 2002000.943 S2C0T2 Fl. 114 3 de 2009, solicita que seja reconhecido o pagamento feito a partir de abril, data da homologação da separação judicial; ... A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/CTA que, por unanimidade, julgou a impugnação improcedente, em decisão assim ementada (fls. 87/91): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. DATA DE HOMOLOGAÇÃO JUDICIAL DO ACORDO. EFEITO. No caso de acordo homologado judicialmente, somente a pensão alimentícia paga após a data da homologação é passível de dedução da base de cálculo. PENSÃO ALIMENTÍCIA PAGA POR LIBERALIDADE. INDEDUTÍVEL. As pensões pagas por liberalidade são indedutíveis, por falta de previsão legal. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 26/4/2016 (fl. 99), o contribuinte, em 24/5/2016 (fl. 105), apresentou recurso voluntário, às fls. 105/108, no qual alega, em apertado resumo, que: estaria amplamente demonstrado e provado por documentos que a pensão alimentícia foi paga. a decisão recorrida teria reconhecido o efetivo pagamento da pensão. a escritura pública lavrada consignaria que a pensão estaria sendo paga desde a separação, em 2002 a legislação civil imporia a obrigação legal do pagamento da pensão alimentícia, independentemente de homologação judicial. o valor exigido estaria prescrito. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13934.720027/201275 Acórdão n.º 2002000.943 S2C0T2 Fl. 115 4 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Prescrição Quanto à prescrição suscitada, nos termos do caput do art. 174 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional), o prazo prescricional é de cinco anos e começa a contar a partir da data da constituição definitiva do crédito tributário, ou melhor, desde o momento em que o titular do direito (a Fazenda Pública) pode exigir, do devedor, a prestação tributária. Isto se dá quando esgotado o prazo para pagamento ou apresentação de recurso administrativo sem que eles tenham ocorrido ou, ainda, decidido o último recurso administrativo interposto pelo contribuinte. As impugnações e recursos na instância administrativa suspendem a exigibilidade do crédito tributário, não correndo, neste período, o prazo de prescrição. Assim, havendo impugnação (como no caso em tela), fica postergado o começo da fruição do prazo prescricional até a decisão do último recurso administrativo interposto pelo contribuinte. Como se considera constituído o crédito em tela na data de ciência da autuação (fl.43), e a apresentação da impugnação, em 19/6/2012, e do recurso, em 24/5/2016, suspende a exigibilidade do crédito tributário, ex vi do disposto no art. 151, inciso III, do CTN e, conseqüentemente, a fluência do prazo prescricional, que só começa a fluir depois de decidido o último recurso administrativo, totalmente impertinente a alegação do Contribuinte. Também não há que se falar na denominada prescrição intercorrente, matéria já sumulada neste CARF e de observância obrigatória por este Colegiado: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Mérito O litígio recai sobre a dedução de pensão alimentícia, informada pelo sujeito passivo, no montante de R$17.520,00. A regra é que valores pagos a título de pensão alimentícia judicial podem ser deduzidos na declaração de rendimentos, desde que sejam decorrentes do cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, ou mesmo de escritura pública (art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil). Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13934.720027/201275 Acórdão n.º 2002000.943 S2C0T2 Fl. 116 5 Nos termos do art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999 e demais normas e suas alterações, indicadas na notificação de lançamento, a dedutibilidade do valor pago a título de pensão alimentícia está subordinada à comprovação da obrigação decorrente de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, ou mesmo de escritura pública (art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil) e também à comprovação dos pagamentos efetuados. A decisão recorrida consigna que a pensão declarada não encontraria respaldo em acordo homologado judicialmente ou decisão judicial, conforme trecho a seguir reproduzido: 9. Em sua defesa, o contribuinte afirma que a homologação ocorreu em 29/4/2009, como de fato consta do Termo de Audiência de Ratificação carreado às fls. 8 e 9 dos autos. Acontece, porém, conforme Ofício nº 220/2011 (fl. 79), de 5/12/2011, emitido pela Juíza de Direito da Comarca de Ivaiporã em resposta ao Ofício Safis/DRF/MGA/PR nº 536/2011 (fl. 78), a data correta da homologação é 29/4/2010, nestes termos: Em atendimento ao ofício n. 536/2011, dessa Delegacia, cuja cópia segue anexa, informo Vossa Senhoria que, consultando os autos do Divórcio Consensual n.100/2010, requerido por Paulo Germano de Azevedo e Sônia Maria Garcia de Azevedo, verifiquei que a homologação do pedido deuse em 29 de abril de 2010, tendo constado 29 de abril de 2009 por equívoco da serventia. (grifo no original) 10. Portanto, apenas os pagamentos realizados a título de pensão alimentícia à Sonia Maria Garcia de Azevedo após a data de 29/4/2010 são passíveis de dedução da base de cálculo do IRPF. 11. Cabe esclarecer que a Escritura Pública Declaratória de fl. 7 não se constitui em documento hábil para comprovação da procedência da dedução na DAA, eis que, conforme legislação antes colacionada, tão somente as importâncias pagas a título de pensão alimentícia previstas em escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC), a seguir transcrito, são passíveis de dedução: Art. 1.124A. A separação consensual e o divórcio consensual, não havendo filhos menores ou incapazes do casal e observados os requisitos legais quanto aos prazos, poderão ser realizados por escritura pública, da qual constarão as disposições relativas à descrição e à partilha dos bens comuns e à pensão alimentícia e, ainda, ao acordo quanto à retomada pelo cônjuge de seu nome de solteiro ou à manutenção do nome adotado quando se deu o casamento.(Incluído pela Lei nº 11.441, de 2007). 12. Desta forma, concluise que eventuais pagamentos realizados a título de pensão alimentícia em 2009, sem Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13934.720027/201275 Acórdão n.º 2002000.943 S2C0T2 Fl. 117 6 previsão em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, mesmo na hipótese de comprovação do efetivo repasse dos valores, não são passíveis de dedução na DAA por falta de previsão legal, sendo considerados pagamentos por liberalidade, conforme orientação constante do Manual de Perguntas e Respostas – IRPF 2010/Anocalendário 20091: 338 — As pensões pagas por liberalidade, ou seja, sem decisão judicial ou acordo homologado judicialmente são dedutíveis? As pensões pagas por liberalidade não são dedutíveis por falta de previsão legal. (destaques acrescidos) Em seu recurso, o recorrente alega que os pagamentos estariam comprovados, sendo de serem acatados. Do exame dos autos, não há reparos a se fazer à decisão de piso. Isto porque, repisese, a pensão dedutível é aquela prevista em decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública (art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil). A escritura pública de declaração, datada de 2010 e anexa à fl. 7, não se presta a respaldar a dedução em tela. Tratase de documento que expressa somente a vontade dos declarantes, não se confundindo com a escritura pública resultante de separação consensual, a que faz referência a legislação tributária. Por seu turno, conforme apontam a autuação e a decisão recorrida, o acordo de fls. 64/66 data de abril de 2010, tendo sido homologado judicialmente em 29/4/2010 (fls.79/80), não podendo ser invocado para justificar os pagamentos efetuados em 2009, em exame nestes autos. Dessa forma, não há reparos a se fazer à decisão de piso. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 117DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.913481/2009-98
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-001.166
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Sergio Abelson- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sergio Abelson Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 91 34 81 /2 00 9- 98 Fl. 63DF CARF MF 2 Trata o presente processo de recurso voluntário, contra o acórdão número 15 0820.736, da 3ª Turma da DRJ/FOR, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório (fl 6), da Delegacia da Receita Federal em Fortaleza (DRF/FORTALEZA), que concluiu pela homologação parcial da compensação declarada na PER/DCOMP n° 25930.94237.280208.1.7.040173. Transcrevo, a seguir o relatório: O Contribuinte supraqualificado foi cientificado do Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal em Fortaleza (DRF/FORTALEZA), através do qual o Titular da Unidade de Jurisdição do Sujeito Passivo, após apreciar o PER/DCOMP com TIPO DE CRÉDITO , relativo a Pagamento Indevido ou a Maior, referente ao anocalendário de 2004, com débitos do Interessado, e dados ali discriminados, concluiu pela não homologação da compensação declarada no citado PER/DCOMP. Tal indeferimento se deveu às razões a seguir descritas: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP identificado, localizouse pagamento relacionado conforme Quadro do citado Despacho Decisório, mas integralmente utilizado para quitação de débitos do Contribuinte, do que não restou crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Inconformado com o indeferimento total de seu Pleito, do qual tomara ciência em 21.10.2009, fls. 08, 35, apresentou o Contribuinte Manifestação de Inconformidade em 19.11.2009, fls.09/13, 35, requerendo que fosse reconhecido o seu direito creditório e homologada a compensação declarada, alegando em síntese: Em 29.06.2005, o Requerente entregou a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica D1PJ 2005 (cópias do recibo e ficha anexos), informando para o quarto trimestre de 2004, Ficha 12A linha 20 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR o valor de 20.833,81. Ocorre que o imposto devido foi informado incorretamente na DCTF do 4° trimestre de 2004, já que foi informado o valor de R$ 125.596,78, valor este pago em 3 (três) quotas, sendo a primeira em 31.01.2005, no valor de R$ 41.865,59, a segunda, no mesmo valor, em 28.02.2005 e, em 31.03.2005, a terceira e última, no valor de 41.865,60 (DARFs anexos). Após análises e verificações, foi detectado o erro cometido e o Requerente procedeu, em 24.06.2005, à retificação das DCTFs relativas ao 4° trimestre de 2004, e ao mês de março de 2005, conforme cópias dos recibos e folhas anexas, informando os valores corretos. Porém em 23.09.2005, o Requerente teve que proceder a nova retificação da DCTF do mês de março de 2005 para regularizar débitos relativos à COFINS e ao PIS, incorrendo novamente em erro ao informar o IRPJ devido no 4° trimestre de 2004, bem como o pagamento das respectivas quotas, baseandose na DCTF original. Essa sucessão de erros fez com que a Secretaria da Receita Federal considerasse como imposto de renda devido no 4° trimestre de 2004 o valor de R$ 125.596,78 e não o valor correto de R$ 20.833,81, declarado na DIPJ 2005 e, consequentemente, não homologasse a compensação efetuada alegando a inexistência do crédito informado. A DCTF retificadora apresentada pelo Requerente em 23.09.2005, indiscutivelmente, tem o condão de constituir o crédito relativo aos impostos e Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10380.913481/200998 Acórdão n.º 1001001.166 S1C0T1 Fl. 3 3 contribuição declarados, mas não pode estar acima da verdade material, quando esta, comprovadamente, refletir outra realidade. O Fisco não pode ignorar o verdadeiro lucro experimentado pelo Requerente bem como o respectivo IRPJ devido em função desse lucro, regularmente apurado na DIPJ 2005 e corretamente informado na DCTF do 4° trimestre de 2004. A jurisprudência do Conselho de Contribuintes, ao se manifestar sobre a matéria, prezou pela verdade material em prejuízo dos rigores burocráticos, fls. 12. Ademais, para enriquecer as suas alegações, o Manifestante traz à baila trecho do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Sr. Nelson Mallmann, que conclui que erros ou equívocos não têm, perante a legislação tributária, o condão de transformarse em fatos geradores de impostos. Isto posto, sendo o valor da la quota do imposto de renda relativo ao 4° trimestre de 2004 no valor de R$ 6.944,60 e tendo recolhido o valor R$ 41.865,59, resta claro e cristalino que o Requerente possui um crédito original equivalente a R$ 34.920,99, que atualizado pela. taxa SELIC até 28.02.2008 (data da entrega do PER/DCOMP), perfaz valor suficiente para liquidação do débito compensado de R$ 4.524,14. Cientificada em 12/05/2011 (fl 48), a recorrente apresentou o recurso voluntário em 10/06/2011 (fl 49) Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. Em seu recurso, a recorrente, basicamente, repete os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade e acrescenta: · O IRPJ relativo ao 4° trimestre/2004, foi declarado na DCTF do 4° trimestre 2004 no valor de R$ 20.833,81 a ser pago em quotas. Na DCTF do mês de março/2005, na pasta "trimestre anterior" foi consignado como débito do trimestre anterior o valor incorreto de R$ 125.596,78 e relacionado os créditos vinculados (DARFs). · Há, portanto, duas declarações conflitantes entre si, desta forma não basta simplesmente escolher das duas a de maior valor, cabe apurar qual estaria correta. · A fim de demonstrar que o valor declarado na DCTF do 4° trimestre 2004 era o correto, a Requerente juntou aos autos cópia da DIPJ de 2005, onde o IRPJ apurado é de R$ 20.833,81. Porém a decisão proferida alega que a DIPJ tem caráter meramente informativo , não tendo o condão de modificar a confissão do débito declarado em Fl. 65DF CARF MF 4 DCTF e, ainda, que não havia sido juntada prova cabal que o imposto apurado na DIPJ estava correto. · A Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, além de levar ao conhecimento da fiscalização as informações econômicofiscais, prestase, também, a demonstrar a regular apuração do lucro experimentado pelo contribuinte, bem como, os respectivos impostos e contribuições devidos em função desse lucro. · Convém salientar que a DIPJ goza da presunção de veracidade, somente elidida com prova em contrário. · De outra banda, se é a DCTF que possui o condão de constituição do débito, qual DCTF devemos considerar? A do 4 ° trimestre 2004 onde o imposto apurado e declarado é de R$ 20.833,81 ou a de março/2005 onde estão consignadas as quotas pagas e o valor do imposto declarado é de 125.596,78? · A Administração Fiscal certamente considerou a do mês de março/2005, já que é ela que relaciona os créditos vinculados. Porém a resposta correta deve ser aquela que expressa realmente a verdade. · O Fisco não pode ignorar o verdadeiro lucro experimentado pela Requerente bem como o respectivo IRPJ devido em função desse lucro, regularmente apurado na DIPJ de 2.005. · Assim, sendo o valor correto da ia quota do imposto de renda relativo ao 4° trimestre de 2.004, o valor de R$ 6.944,60 e tendo recolhido o valor R$ 41.865,59, resta claro e cristalino que a Requerente possui um crédito original equivalente a R$ 34.920,99 que atualizado pela taxa Selic, até 28.02.2008 ( data da entrega da PER/DCOMP), perfaz, valor suficiente para liquidação do débito compensado no valor de R$ 4.524,14 . Conclui, pedindo que seja reformada a decisão da DRJ. Entendo como correta a decisão da DRJ, e peço a devida vênia para a ela aderir, com base no artigo 50, da Lei 9.784/99 e parágrafo 3°, ao artigo 57, do RICARF, a qual transcrevo, parcialmente: Enquanto a DCTF constitui confissão de dívidas tributárias e instrumento hábil para inscrição na Dívida Ativa da União, como se viu acima, é também pacífico que a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ apresenta um perfil diferente, revelandose como mero banco de informações à disposição da Receita Federal, para o planejamento de suas ações, seja sobre um Contribuinte especificamente ou até mesmo com base nos dados agregados relativamente aos diversos segmentos das atividades econômicas. Criada por meio da Instrução Normativa SRF 127, de 30.10.1998, todas as normas referentes à DIPJ revelam esse caráter meramente informativo do instrumento. Aliás, não há no plano normativo tributário federal qualquer menção a controle de débitos por meio das DIPJ. Bem apropriadamente, o nome da Declaração já expõe o seu objetivo de coletar dados econômicofiscais, conforme se observa nos arts. 1° e 2° da citada norma: Instrução Normativa SRF 127, de 30.10.1998: "Art. I' Fica instituída a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIP.J Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10380.913481/200998 Acórdão n.º 1001001.166 S1C0T1 Fl. 4 5 Art. 2° A partir do anocalendário de 1999, todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, deverão apresentar, anualmente, até o último dia útil do mês de setembro, a DIPJ, centralizada pela matriz." Demonstrada a diferença fundamental entre a DCTF e a DIPJ, fica fácil compreender que o Fisco deve, para fins de apurar eventual direito creditório alegado pelo Sujeito Passivo, observar as informações postadas pelo Contribuinte na DCTF, a qual constitui confissão de dívida, efeito jurídico extremamente relevante para a relação FiscoContribuinte. No presente caso, por ocasião da análise do PER/DCOMP , não foi confirmada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza (DRF/FOR) a existência do direito creditório, na quantia pleiteada pelo Interessado, porque o valor do pagamento recolhido mediante o DARF citado estava utilizado para quitar o débito confessado pelo próprio Contribuinte em sua DCTF entregue à RFB. Desse modo, não se pode atribuir defeito ao Despacho Decisório, uma vez que o próprio Sujeito Passivo havia confessado o débito, cuja liquidação o Fisco promoveu utilizando o valor do pagamento realizado por meio do DARF. Até aí, as informações prestadas pelo Contribuinte foram tratadas eletronicamente, ou seja, o Fisco realizou procedimentos de conferência sobre as informações prestadas pelo próprio Interessado, do que resultou a emissão do Despacho Decisório. Com relação ao citado Despacho Decisório que ensejou o conflito em exame, o Manifestante, ao tomar ciência do conteúdo resolutório, limitouse a mencionar DIPJ e diversas DCTFs, desacompanhadas de documentos probantes, com o fim de garantir o direito creditório pleiteado. Por tal motivo, foram anexos pelo Relator deste Acórdão extratos relativos à DIPJ e às DCTFs, fls. 35/38, em que se constata que descabe o valor de R$ 20.833,81 alegado pelo Contribuinte, pois prevalece o que foi confessado pela DCTF, com data de recepção em 23.09.2005, fls. 37, ou seja, R$ 125.596,78, fls. 38. Vale destacar: não foi realizado o esforço probatório necessário no sentido de demonstrar a veracidade das argumentações apresentadas; não foi apresentado nenhum Livro Contábil ou Livro Fiscal que demonstrasse a procedência das alegações acerca do valor do débito. Outrossim, tendo em vista a necessidade de liquidez e certeza do direito de crédito utilizado em compensação, conforme exige o art. 170 da Lei 5.172, de 25.10.1966 Código Tributário Nacional (CTN), resta reconhecer que o Manifestante não demonstrou ser credor da Fazenda Nacional. Não há nos autos prova robusta de que efetuara recolhimento a maior ou indevido, pois não provou que o débito era originalmente inferior ao efetivamente declarado e pago por meio de DARF. Ademais, é de se observar que a alegação do direito perseguido, desacompanhada de elementos probantes, capazes de evidenciar que o valor do débito em DIM seria menor do que aquele efetivamente confessado em DCTF e recolhido à época, constitui mera manifestação de vontade de o Contribuinte alterar o valor do citado débito que constou da mencionada DCTF. Por conclusão, não há provas da existência do erro material (pagamento indevido ou a maior) no recolhimento do DARF, como pretende o Defendente. Assim, a Administração Fiscal está impedida de deferir o Pleito de compensação do crédito que o Sujeito Passivo argumentou possuir contra a Fazenda Nacional, por não possuir o alegado crédito os atributos de certeza e liquidez, sem os Fl. 67DF CARF MF 6 quais o correspondente débito não pode ser extinto, "ex vi" da determinação contida no art. 170 do • Código Tributário Nacional (CTN): "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública." Deste modo, como não foi demonstrado cabalmente o direito creditório do Manifestante, e portanto não foi comprovado haver crédito líquido e certo que compensasse os débitos da Empresa, descabe o deferimento do PER/DCOMP que fora objeto do Despacho Decisório que se examinou. Quanto ao argumento da Defesa de que erros ou equívocos não teriam o condão de transformarse em fatos geradores de impostos, cabe salientar que os eventuais erros ou equívocos somente serão desconsiderados quando a alegação da Defesa de que teria cometido um mero equívoco for devidamente comprovada com documentos hábeis e idôneos, sem o que descabe tal alegação, ressaltado outrossim o que dispõe o § 4° do art. 16 do Decreto 70.235, de 06.03.1972 — Processo Administrativo Fiscal (PAF), a seguir transcrito: "§ 4° A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei n° 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força • maior; (Incluído pela Lei n'9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei n'9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei '9.532, de 1997)" Deduzse portanto, rigorosamente de acordo com a Legislação Aplicável ao assunto apreciado, que o Contribuinte não dispõe de crédito líquido e certo, requisito indispensável para que seu Pleito de compensação seja acatado. No que concerne à jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes, citado pela Defesa, há de se dizer, apenas, que se considera simples exemplificação da tese defendida pelo Manifestante/Impugnante, uma vez que não se constitui em normas complementares para o Despacho/Autuação ora apreciado, nos termos do art. 100 do Código Tributário Nacional (CTN) e, portanto, não vincula as decisões desta Instância Julgadora, restringindose aos casos julgados e às partes inseridas no processo de que resultou a Decisão, consoante o disposto no Parecer Normativo CST 390/71: Quanto aos argumentos de Ilustres Conselheiros e/ou Juristas que estariam contrários ao Despacho/Lançamento verificado, observase que a Autoridade Administrativa não tem competência para apreciar alegações de descabimento de norma legitimamente inserida na legislação tributária, tais como os atos constantes do citado Documento analisado. O Órgão Administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza. E inócuo, então, suscitar tais alegações na Esfera Administrativa, pois a Autoridade Fiscal deve cumprir as determinações legais e normativas de forma plenamente vinculada, não podendo, sob pena de responsabilidade funcional, desrespeitar as normas dos atos, cuja validade está sendo questionada, em observância ao art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10380.913481/200998 Acórdão n.º 1001001.166 S1C0T1 Fl. 5 7 A recorrente, no caso, admite um erro no preenchimento da DCTF que é reconhecidamente, uma confissão de dívida. Portanto, somente com a sua retificação é que é possível à Receita Federal reconhecer o novo débito, se e quando for o caso. Já a DIPJ tem o cunho apenas informativo. A este respeito, temos a súmula 92 do CARF: Súmula CARF nº 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. A alteração das informações prestadas na DCTF, nas hipóteses em que admitida, é efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração original, devendo dela constar não somente as informações retificadas, mas todas as informações que a compõem. A DCTF retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e serve para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados, conforme dispõe o artigo 9°, parágrafo 1°, da IN 255/2002 (vigente à época da ocorrência do fato gerador): Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Tal fato foi corroborado através do item 3 do Parecer Normativo COSIT n° 2/2015: 3 É possível o reconhecimento do crédito com base em provas ou indícios sem a retificação da DCTF? Não. A DCTF é confissão de dívida, portanto sua retificação é imprescindível para o reconhecimento do crédito. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento do pedido. Consequentemente, não se trata de "escolher", como afirma a recorrente. Ela própria confessou seus débitos e o Fisco nada mais fez além de considerálos para fins de análise da compensação e decidiu de acordo com o que consta em seus sistemas. Assim, nego provimento ao presente recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 69DF CARF MF 8 José Roberto Adelino da Silva Fl. 70DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.902069/2009-46
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-000.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a unidade de origem confirme a autenticidade dos livros apresentados.
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Andréa Machado Millan - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: ANDREA MACHADO MILLAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a unidade de origem confirme a autenticidade dos livros apresentados. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Presidente. (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório O presente processo trata de Declaração de Compensação formalizada em 20/09/2006 através da PER/DCOMP nº 07543.76912.190906.1.7.044729. Tem por objeto o crédito de pagamento a maior de IRPJ, recolhido pela empresa em 28/02/2002, no valor de R$ 1.775,00. Transcrevo, abaixo, o relatório da decisão de primeira instância, que bem resume o pleito: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 09 .9 02 06 9/ 20 09 -4 6 Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10909.902069/200946 Resolução nº 1001000.086 S1C0T1 Fl. 178 2 O contribuinte VOS CONSTRUTORA E INCORPORADORA LTDA, CNPJ/MF nº 04.696.521/000186, já qualificado neste processo, apresentou o PER/DCOMP nº 29185.38881.200906.1.3.045904, transmitido em 20/09/2006, com um pedido de reconhecimento de indébito referente ao IRPJ arrecadado em 28/02/2002, no valor original de crédito de R$ 1.775,00, sendo utilizado neste pedido o importe de original de R$ 1.510,79 (DARF no valor total de R$ 2.551,65), para compensar com o IRPJ PJ que apuram o imposto pelo lucro Presumido do 1º trimestre de 2004, no importe total de R$ 2.665,79. Em despacho decisório de 09/06/2009 (rastreamento nº 842029537), a autoridade competente da DRF ITAJAI não homologou a compensação, porque o pagamento integral havia sido utilizado para extinguir o débito cod 2089 PA 31/03/2002, no importe de R$ 2.551,65. Notificado da decisão acima em 25/06/2009, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 22/07/2009, alegando que havia apurado a importância de R$ 1.775,01 a título de IRPJ no 1º Trimestre de 2002, porém tendo pago R$ 3.550,01 a tal título, em três Darfs (R$ 2.551,65, R$ 862,38 e R$ 135,98), tendo direito, assim, ao indébito pedido nestes autos. É o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife – CE, no Acórdão de Manifestação de Inconformidade às fls. 50 a 55 do presente processo (Acórdão 11 44.899, de 07/02/2014), negou provimento à manifestação da empresa. Abaixo, sua ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 IRPJ. VALOR INFORMADO EM DIPJ DIVERGENTE DO CONFESSADO EM DCTF. DIREITO CREDITÓRIO ALICERÇADO UNICAMENTE NA INFORMAÇÃO DA DIPJ. INVIABILIDADE DO RECONHECIMENTO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O meio hábil para confissão e constituição de débitos é a DCTF, cujos valores serão objeto de auditoria interna e, eventualmente, inscrição em dívida ativa, e não a DIPJ, sendo esta mera peça informativa, que não constitui o crédito tributário. Eventualmente, se houver provas que demonstrem o erro de fato na DCTF, podese acatar a correção dos valores confessados. Para tanto, não basta a mera DIPJ, sendo necessário que o contribuinte acoste aos autos a sua escrita contábil, com documentação de suporte, a demonstrar o erro incorrido. Direito creditório indeferido. Compensação não homologada. Argumentou que a análise dos sistemas de cobrança da RFB, nos quais constavam os valores confessados em DCTF, mostrava que os três pagamentos citados pelo contribuinte haviam sido utilizados para extinguir o IRPJ do 1º trimestre de 2002, não remanescendo qualquer indébito. E que apesar da DIPJ informar o débito de IRPJ de R$ 1.775,01 para o 1º trimestre de 2002 (o mesmo alegado na manifestação de inconformidade), o meio hábil para confissão e constituição de débitos era a DCTF (que informava um débito equivalente ao total pago), e não a DIPJ, sendo essa peça meramente informativa, que não constitui o crédito tributário. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10909.902069/200946 Resolução nº 1001000.086 S1C0T1 Fl. 179 3 Concluiu que se houvesse provas (escrita contábil, com documentação de suporte) que demonstrassem o erro de fato na DCTF, poderseia acatar a correção dos valores confessados. Mas que, como o contribuinte não trouxera aos autos qualquer prova, não se podia afirmar o erro na DCTF. Assim, confirmou o Despacho Decisório. Cientificado da decisão de primeira instância em 01/04/2014, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 24/04/2014 (fls. 59 a 69). Nele alega: (i) que anexou o Livro Razão, Livro Diário e Livro de Apuração do ISS (Imposto Sobre Serviços) para confirmação das informações prestadas na DIPJ; (ii) que o indeferimento do crédito deuse apenas por erro no preenchimento da DCTF, o que, pelo princípio da verdade material, não pode obstaculizar seu direito. Anexou ao recurso os seguintes documentos: (i) cópia de algumas folhas do Livro Diário referente ao primeiro trimestre de 2002 (fls. 96 a 105); (ii) cópia de algumas folhas do Livro Razão referente ao primeiro trimestre de 2002 (fls. 106 a 111); (iii) cópia de algumas folhas dos Livros Registro dos Serviços Prestados, destinado à apuração do Imposto Sobre Serviços, referentes ao primeiro trimestre de 2002, da matriz da empresa e de sua filial (fls. 112 a 135); (iv) cópia dos três DARF citados no recurso (fls. 136 e 139); (v) cópia da DIPJ referente ao anocalendário de 2002 (fls. 140 a 175). É o Relatório. Voto Conselheira Andréa Machado Millan, Relatora O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. A DRJ afirmou que se houvesse provas – tais como escrita contábil com documentação de suporte – capazes de comprovar que o valor correto era o informado na DIPJ e não o confessado na DCTF, o crédito poderia ser reconhecido. Por isso a empresa juntou ao recurso a documentação contábil e fiscal de fls. 96 a 135, que passo a analisar. Livro Diário (fls. 96 a 105) Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10909.902069/200946 Resolução nº 1001000.086 S1C0T1 Fl. 180 4 No Termo de Abertura do Livro Diário nº 2 (fl. 96) vêse que ele possui 34 folhas, das quais foram anexadas apenas as fls. 1, 3, 5 e 7. Por isso, e também pela qualidade das cópias, seria impossível refazer sua apuração de IR para concluir pela veracidade das informações prestadas na DIPJ. Livro Razão (fls. 106 a 111) No Termo de Abertura do Livro Razão nº 2 (fl. 106) vêse que ele possui 22 folhas, das quais foi anexada a páginas 21, última antes do Termo de Encerramento. Nela encontrase o histórico das contas de receita da matriz (Conta 4.1.1.01.002) e da filial (Conta 4.1.1.02.002), que mostram as receitas do primeiro trimestre, distribuídas conforme quadro abaixo (valores em reais): Mês Receita Matriz Receita Filial Total Janeiro/2002 37.018,00 16.141,30 53.159,30 Fevereiro/2002 6.335,00 11.631,30 17.966,30 Março/2002 0,00 2.833,00 2.833,00 Total 73.958,60 Lembrando que o IR do contribuinte é calculado sobre a receita bruta, esse valor total de receita – R$ 73.958,60 – é exatamente aquele informado pelo contribuinte na Ficha 14 A da DIPJ (fl. 144), gerando um imposto, no trimestre, de R$ 1.775,01, conforme alegado no Recurso Voluntário. Então, temos que as receitas lançadas no Livro Razão confirmam as informações da DIPJ. Livros de Apuração do ISS (fls. 112 a 135) Tratase de livros, da matriz (CNPJ 04.696.521/000186) e da filial (CNPJ 04.696.521/000267), onde são registradas as receitas de serviços. As receitas são lançadas dia a dia, totalizadas por quinzena. Somandose o valor de cada mês, obtêmse exatamente as mesmas receitas de matriz e filial informadas no quadro acima, extraído do Livro Razão. Então, o Livro de Apuração do ISS confirma as receitas lançadas no Livro Razão e as informações da DIPJ. A documentação acostada aos autos indica que, das informações conflitantes entre DCTF e DIPJ, o erro está na DCTF, já que a receita bruta informada na DIPJ (base do imposto de renda apurado pelo lucro presumido), é confirmada pelas cópias do Livro Razão e do Livro de Apuração do ISS anexadas. Contudo, para reconhecimento do crédito, é necessário confirmar a autenticidade dos documentos e informações anexados. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10909.902069/200946 Resolução nº 1001000.086 S1C0T1 Fl. 181 5 Diante do exposto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, determinando o retorno do processo à unidade de origem, para que esta verifique a autenticidade: (i) do Livro Razão apresentado (fls. 106 a 111), nele confirmando se as contas 4.1.1.01.002 e 4.1.1.02.002 representam a totalidade das receitas contabilizadas pela empresa no ano de 2002; (ii) do Livro de Apuração do ISS apresentado (fls. 112 a 135), nele confirmando se as folhas acostadas aos autos representam a totalidade das receitas lançadas no primeiro trimestre de 2002. A unidade de origem deverá elaborar relatório fiscal conclusivo sobre as apurações e cientificar o sujeito passivo do resultado da diligência realizada, conforme parágrafo único do art. 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan Fl. 181DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.001054/2009-96
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 31 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 28/02/2006
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PLR. EMPREGADOS. AUSÊNCIA DE FIXAÇÃO PRÉVIA DE CRITÉRIOS PARA RECEBIMENTO DO BENEFÍCIO. DESCONFORMIDADE COM A LEI REGULAMENTADORA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
A ausência da estipulação, entre patrões e empregados, de metas e objetivos previamente ao início do período aquisitivo do direito ao recebimento de participação nos lucros e resultados da empresa, caracteriza descumprimento da lei que rege a matéria. Decorre disso a incidência de contribuição previdenciária sobre tal verba.
PLR. PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS A SEGURADOS SEM VÍNCULO DE EMPREGO. FALTA DE PREVISÃO DA SUA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000 e da lei 6.404/76 DESCUMPRIMENTO DO ART. 28, § 9º, "J" DA LEI 8212/91.
Os valores pagos aos administradores (diretores não empregados) à título de participação nos lucros sujeitam-se a incidência de contribuições previdenciárias, por não haver norma específica que, disciplinando art. 28, § 9º, "j" da lei 8212/91, preveja a sua exclusão do salário-de-contribuição.
A lei 10.101/2000 não serve como subsídio para fundamentar a exclusão do conceito de salário de contribuição previsto no art. 28 da lei 8212/91, face em seu próprio art. 2º, restringir a sua aplicabilidade aos empregados.
A verba paga aos diretores/administradores não empregados possui natureza remuneratória. A Lei nº 6.404/1976 não regula a participação nos lucros e resultados, nem tampouco a exclusão do conceito de salário de contribuição. A verba paga não remunerou o capital investido na sociedade, logo remunerou efetivamente o trabalho executado pelos diretores.
Numero da decisão: 9202-007.609
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 28/02/2006 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PLR. EMPREGADOS. AUSÊNCIA DE FIXAÇÃO PRÉVIA DE CRITÉRIOS PARA RECEBIMENTO DO BENEFÍCIO. DESCONFORMIDADE COM A LEI REGULAMENTADORA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. A ausência da estipulação, entre patrões e empregados, de metas e objetivos previamente ao início do período aquisitivo do direito ao recebimento de participação nos lucros e resultados da empresa, caracteriza descumprimento da lei que rege a matéria. Decorre disso a incidência de contribuição previdenciária sobre tal verba. PLR. PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS A SEGURADOS SEM VÍNCULO DE EMPREGO. FALTA DE PREVISÃO DA SUA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000 e da lei 6.404/76 DESCUMPRIMENTO DO ART. 28, § 9º, "J" DA LEI 8212/91. Os valores pagos aos administradores (diretores não empregados) à título de participação nos lucros sujeitamse a incidência de contribuições previdenciárias, por não haver norma específica que, disciplinando art. 28, § 9º, "j" da lei 8212/91, preveja a sua exclusão do saláriodecontribuição. A lei 10.101/2000 não serve como subsídio para fundamentar a exclusão do conceito de salário de contribuição previsto no art. 28 da lei 8212/91, face em seu próprio art. 2º, restringir a sua aplicabilidade aos empregados. A verba paga aos diretores/administradores não empregados possui natureza remuneratória. A Lei nº 6.404/1976 não regula a participação nos lucros e resultados, nem tampouco a exclusão do conceito de salário de contribuição. A verba paga não remunerou o capital investido na sociedade, logo remunerou efetivamente o trabalho executado pelos diretores. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 10 54 /2 00 9- 96 Fl. 378DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Auto de Infração (DEBCAD n° 37.095.5935), totalizando R$ 479.773,49 e consolidado em 05/10/2009, referente a contribuições devidas à Seguridade Social, referentes à quota patronal, adicional à quota patronal, e, ainda, referente à contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GIILRAT ou RAT, incidente sobre as remunerações dos segurados empregados. Ademais, inclui as contribuições devidas à Seguridade Social a título de quota patronal e adicional à quota patronal (instituições financeiras), incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais, administradores, referentes às competências 03 e 04/2004; 03 e 04/2005, e 03 e 04/2/2006. Ainda do Relatório Fiscal, extraise que o débito teve como origem os valores das remunerações a título de Participação nos lucros pagas ou creditadas aos empregados, e não recolhidas e, ainda, as remunerações a título de Participação Estatutária, pagas ou creditadas a Administrador, apuradas em Folha de Pagamento em meio magnético e conforme planilha fornecida pela empresa. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP julgado a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento. Em sessão plenária de 16/04/2013, foi negado provimento ao Fl. 379DF CARF MF Processo nº 16327.001054/200996 Acórdão n.º 9202007.609 CSRFT2 Fl. 3 3 Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2301003.439, (efls. 274/285) com o seguinte resultado: “Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão do pagamento e Participação nos Lucros e Resultados (PLR) aos segurados empregados, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, na questão do pagamento de PLR a diretor estatutário, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antônio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; b) em não conhecer da questão sobre a multa; nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em conhecer de ofício sobre essa questão. Redator: Mauro José Silva”. O acórdão encontra se assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/03/2004, 28/02/2006 PLANO DE LUCROS E RESULTADOS Tratase de direito dos trabalhadores de acordo com a Carta Maior, Artigo 7, IX, de eficácia contida. A legislação que dirime a matéria não deixa dúvida quanto a necessidade de haver regras claras e objetivas. No presente caso faltou objetividade das regras implantadas pelas PLR’s e clareza ao determinar a proporcionalidade sob o salário do empregado que não fomenta a lucratividade. PAGAMENTOS A TÍTULO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS A ADMINISTRADORES. INEXISTÊNCIA DE LEI REGULAMENTADORA. IMPOSSIBILIDADE DO GOZO DA IMUNIDADE. A norma constitucional do art. 7º, inciso XI possui eficácia limitada. Na ausência de lei regulamentadora quanto ao pagamento de participação nos lucros e resultados dos administradores, a imunidade nela prevista não pode produzir efeitos para tais interessados. O processo foi encaminhado para ciência do sujeito passivo, em 30/10/2014, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. O sujeito passivo interpôs, em 11/11/2014, Recurso Especial (efls. 290/319). Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação ao pagamento de verbas referentes à participação nos lucros e resultados pagas a empregados e a administradores. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº, da 3ª Câmara, de 28/02/2017 (efls. 351/356), levandose em consideração como paradigmas os Acórdãos nº 2403002.387 e nº 2402002.883. Fl. 380DF CARF MF 4 Argumenta O RECORRENTE: · Pelo reconhecimento do entendimento de que as verbas pagas a título de PLR não devem sofrer incidência de Contribuições Previdenciárias, incluindose as PLR na forma de participação estatutária, citando a Lei nº 10.101/2000. · Informa também que todos os acordos coletivos firmados possuem critérios, metas e metodologias aderentes a Lei nº 10.101/2000. · Assevera ainda, que a legislação vigente assegura o benefício de pagamento da PLR administradores, uma vez que estão enquadrados como trabalhadores enquanto gênero, não devendo haver distinção entre as diversas espécies de trabalhadores. · Em suas alegações finais, o sujeito passivo requer que seu Recurso Especial seja provido, no sentido de declarar a insubsistência dos lançamentos de Contribuições Previdenciárias sobre os pagamentos efetuados a título de PLR aos seus empregados e diretores não empregados, inclusive das multas lançadas anteriormente. A Fazenda Nacional foi cientificada do Acórdão nº 2301003.439, do Recurso Especial do sujeito passivo e do Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial do sujeito passivo em 08/03/2017 e apresentou, em 09/03/2017, portanto, tempestivamente, contrarrazões (efls. 358/376). Em suas contrarrazões, a Fazenda Nacional: · Inicialmente, alerta que um dos paradigmas utilizados pela recorrente estaria reformado (Acórdão nº 2403002.387), requerendo o seu não conhecimento. · Na seqüência, a representante da Fazenda Nacional argumenta pela caracterização dos diretores, nãoempregados, como estatutários, uma vez que não haveria relação de emprego entre eles e a recorrente. · Assevera ainda que o vínculo dos atos de gestão daqueles diretores, nãoempregados, com a recorrente é via Conselho de Administração ou Assembléia Geral, não podendo, assim, se confundir com uma relação de trabalho. · Nessa linha, defende que a relação entre os diretores, não empregados, e a recorrente estaria regida pela Lei nº 6.404/76 e no próprio estatuto social, não havendo caracterização de subordinação jurídica entre ambos. · Encerra requerendo a negativa de seguimento do Recurso Especial do sujeito passivo, mantendose o acórdão recorrido. É o reatório. Fl. 381DF CARF MF Processo nº 16327.001054/200996 Acórdão n.º 9202007.609 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pelo contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 351/356. Tendo havido questionamento acerca do conhecimento, passo a apreciar o mérito da questão. Do Conhecimento Participação nos lucros e resultados a empregados No acórdão recorrido foi mantido o lançamento no que tange às contribuições incidentes sobre a PLR paga aos segurados empregados. De acordo com o Relatório Fiscal (efls 83/98) considerouse que inexistiam regras claras e objetivas, conforme se depreende do trecho abaixo colacionado: 16. No caso em tela, observase que os Acordos de Participação Dos Trabalhadores Nos Lucros da Empresa , assinados em janeiro de 2004 (valores pagos em 2004), fevereiro de 2005 (valores pagos em 2005) e janeiro de 2006 (valores pagos em 2006), não se coadunam com as exigências legais, uma vez que não restam identificadas as citadas regras claras e objetivas com expressos critérios e condições, ou seja, não se aponta a forma como será alcançado o objetivo para que os empregados façam jus a tal benefício, contrariando o real propósito do instituto e em total afronta à legislação. 17. Segue, como exemplo, o conteúdo do Acordo de Participação Dos Trabalhadores nos Lucros da Empresa de 2004 referente a apuração do ano de 2003 e pago em março de 2004. Texto semelhante é encontrado nos Acordos de 2005 e 2006. Em anexo cópias. "Primeiro Este acordo regula a participação dos trabalhadores nos lucros da Marítima Saúde Seguros S/A, conforme convencionado entre as partes; Segundo O critério a ser utilizado para a referida participação é com base no lucro líquido apurado em 31.12.2003; Terceiro Fica convencionado o percentual de 6% (seis) por cento sobre o Lucro Líquido como montante a ser distribuído aos trabalhadores a título de participação nos Lucros; Quarto Fl. 382DF CARF MF 6 O montante resultante dos 6% do Lucro Líquido será distribuído aos trabalhadores, descontando a importância paga na remuneração de Janeiro/2004 por determinação da Convenção Coletiva de Trabalho sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados das Empresas de Seguros Privados e de Capitalização para 2004 (cláusula 2ª/Parágrafos 1º, 2º, 3º e 4º); Parágrafo Primeiro: O eventual saldo de Lucro que restar depois de descontado o pagamento referente ao pagamento relativo a cláusula 2ª da convenção de Trabalho para 2004, será distribuído entre os funcionários que estiverem trabalhando na data de distribuição que será, se houver saldo de lucros remanescentes, distribuído até 30/04/2004, aplicandose a participação percentual do salário de cada funcionário da totalidade da folha de pagamento da empresa sobre este montante; 18. Observase que não foram estabelecidos critérios e condições. Tampouco definidas regras. Foram estipulados somente o valor, o prazo de pagamento e a forma de cálculo individual utilizandose como critério apenas a proporcionalidade. Assim, não há como instrumento decorrente desta negociação a definição de regras objetivas, de mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado ou qualquer tipo de programa de metas, resultados e prazos pactuados previamente. 19. Dessa forma, é pertinente indagarse como o critério estabelecido pela empresa, centrado no salário do funcionário, poderá servir como incentivo à produtividade? A existência de regras objetivas é de relevante importância para a caracterização deste instituto, pois o empregado deve ser avaliado em função do potencial que representa para sua empresa, sendo incentivado de forma equivalente. O pagamento em tela independeu da obtenção de quaisquer resultados, afastandose do objetivo da lei, qual seja: o de integrar capital e trabalho e incentivar a produtividade, mediante um ajuste prévio entre empresa e empregados, para definir os resultados a serem alcançados, a forma de participação, os direitos substantivos e demais regras adjetivas. Afastouse, portanto, o contribuinte dos requisitos legais que fazem com que a participação nos lucros não integre o saláriodecontribuição. (g.n.) O lançamento foi mantido pelo colegiado a quo com base na seguinte argumentação: ii) QUE AS VERBAS PAGAS A TÍTULO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCRO E RESULTADOS É NORMA CONSTITUCIONAL DE EFICÁCIA CONTIDA ART. 7° XI, CF/88 Alega a Recorrente que de acordo com a regra do Artigo 7° XI, CF/88, concluise que a participação nos lucros é desvinculada do salário. Com razão. Junta vasta e rica jurisprudência sobre o assunto, demonstrando tal questão. Fl. 383DF CARF MF Processo nº 16327.001054/200996 Acórdão n.º 9202007.609 CSRFT2 Fl. 5 7 Ora, o Recorrente alinhavou seu recurso limitando a matéria tão somente a discusão do direito do trabalhador em poder participar nos lucros e resultados das empresas que lhes empresta o labor. E, isto não se insurge porque a Carta Maior de fato estabelece desta forma. Ademais, não é por conta disto que houve a autuação. Ao contrário, deixou cristalino a Fiscalização que a Recorrente deixou de acudir as observâncias das regras que traçaram o PLR, ou seja, o direito do trabalhador é ponto incontroverso, sendo que, inclusive apresentou o Acórdão objurgado jurisprudência neste sentido. Mas, seja como for, o que é ponto nodal da questão é a falta de respeito à legislação específica, no caso a Lei 10.101 de 2000. Numa leitura percuciente do recurso, vêse que própria Recorrente reconhece que do dispositivo constitucional em comento e a jurisprudência dos Tribunais pátrios têm entendimento de ele não ser autoaplicável em sua totalidade, mormente a última parte, reconhecento tão somente a autoaplicabilidade quanto a não incidência de contribuição social na verba oriunda de PLR. Cuja qual se pede vênia para transcrêvela novamente: [...] Abaixo em destaque transcrevemos trecho do Acórdão anatematizado, onde demonstra cabalmente a concordância com a Jurisprudência e com o próprio recurso: Portanto, incontestável que as quantias pagas aos trabalhadores a título de participação nos lucros não têm natureza jurídica salarial para fins de incidência das contribuições previdenciárias, posto que desvinculadas da remuneração do trabalho e, mesmo posteriormente, com a edição da Medida Provisória n° 794/94 e reedições, convertidas na Lei n° 10.101/2000, tal diploma legal não poderia, como efetivamente não o fez. vincular a participação nos lucros ao saláriodecontribuição, como ilegalmente pretende a r. Autoridade Fiscal. O que o Acórdão vergastado pronunciou foi a existência de '"metas" individuais ou departamentais de critérios diversos, quiçá injustos entre trabalhadores ligados às diferentes áreas, produção (metas de contratações/vendas?), administrativas (metas de redução de custos?), informática (metas de qualidade?), etc, de forma que seria impossível estabelecer vários critérios para trabalhadores que se encontram em situação diversa, prevendo metas diversas e criando distorções no pagamento da participação nos lucros. No presente remédio recursivo a Recorrente alega que não traçou metas sem anuência do sindicato e dos próprios empregados, bem como não infringiu a legislação específica e tão pouco aplicou critéiros injusto e se houve metas Fl. 384DF CARF MF 8 diferenciadas é porque as atividades setoriais eram diferenciadas. Tenho que, de certa forma assiste razão a Recorrente, eis que até se pode admitir a existência de critérios diferenciados em setores distindos da empresa, sobretudo pelos objetos não equiparados entre eles. Mas, há de ser estabelecidos critérios e condições nas PLR’s e as regras têm que se encontrarem definidas. Numa observação atenta aos PLR’s apresentados, verifico que foram estipulados valores, bem como prazo de pagamento e a forma de cálculo individual utilizandose como critério apenas a proporcionalidade sobre o salário do empregado, faltando regras específicas de aumento de produção, quantificando o, e critérios objetivos, cujos quais estão obscuros e de difícil interpretação. Ademais, a Fiscalização argumentou que é impossível elaborar um programa de lucros e resultados centrado no salário do funcionário, pois não servirá como incentivo à produtividade. O que lhe assiste razão. Ora, sendo assim, vêse que não houve regras objetivas e, neste diapasão a existência de regras objetivas é de relevante importância para a caracterização do programa. Diante do exposto, tenho que sem razão a Recorrente, ao menos neste quesito. Por sua vez, o recorrente apresenta como paradigma o acórdão 2403002.387, que julgou recurso dele próprio, em lançamento de mesmo fato gerador, porém relativo a período distinto. Embora a Fazenda Nacional argumente que o paradigma foi reformado, observase que o foi apenas no que se refere ao pagamento de PLR a diretor não empregado, conforme acórdão 9202004.306. Quanto à matéria ora discutida, não houve modificação no julgado. Assim, transcrevo os argumentos utilizados pelo relator do acórdão paradigma a respeito do tema: Sobre a alegada falta de comprovação de programas de metas, resultados e prazos pactuados previamente e de regras claras e objetivas, entendo como equivocados os entendimentos da fiscalização e do julgador de primeira instância no que se refere a este requisito. Embora não tenha localizado nos autos os Acordos Coletivos relativos ao período fiscalizado, o Relatório Fiscal traz em seu item 19 a transcrição do trecho que trata da forma de cálculo dos valores. Da sua leitura, entendo estarem presentes, não só as regras claras e metas a serem atendidas, bem como a forma de aferição utilizada no cálculo da PLR. O parágrafo Segundo adota como critério o lucro líquido apurado em 31/12/2006. O parágrafo Fl. 385DF CARF MF Processo nº 16327.001054/200996 Acórdão n.º 9202007.609 CSRFT2 Fl. 6 9 segundo estabelece a alíquota de 6% deste lucro a ser distribuída. Já o parágrafo quarto define que cada funcionário receberá um valor aplicandose a participação percentual do salário de cada funcionário sobre a totalidade da folha de pagamento. Ou seja, há o critério (lucro), o percentual deste lucro a ser distribuído (6%) e a forma do cálculo para cada funcionário (6% do lucro dividido pelo percentual de cada trabalhador na folha de pagamento). Desta forma, cada empregado pode saber o valor que irá receber tão logo se tenha a informação sobre o eventual lucro da empresa. O título exemplificativo suponha que “Zico” fosse empregado da recorrente e percebesse a remuneração de R$ 1.000,00. A folha de pagamento era de R$ 100.000,00. O lucro da empresa tenha sido de 10.000.000,00. Assim teríamos a seguinte situação adotandose os critérios do Acordo Coletivo: Lucro a ser distribuído é 10.000.000,00 x 6% = 600.000,00 % de Zico na folha de pagamento = 1% Logo, 1% de 600.000,00 = R$ 6.000,00 Como vimos, bastante clara é a forma da distribuição utilizada pela recorrente, razão pela qual dou razão à recorrente devendo esta rubrica ser excluída do lançamento. (g.n.). Passemos, agora, antes mesmos de apreciar a procedência do lançamento, identificar, toda a legislação que abarca a matéria, para que possamos cotejar seu cumprimento. Da Definição de Salário de Contribuição De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por salário de contribuição: Art.28. Entendese por salário de contribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)grifo nosso. A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial. Fl. 386DF CARF MF 10 Art. 28 (...) § 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Assim, é clara a legislação, ao descrever que apenas o pagamento de acordo com a lei específica é que garantirá a não integração dos pagamentos no salário de contribuição. Dessa forma o argumento de que os pagamentos realizados a título de PLR, mesmo que desconsiderados pela fiscalização como tal, não se adequam à hipótese de incidência das contribuições previdenciárias não merece guarida. Da mesma forma, que mencionado pelo recorrente, grande é a discussão acerca das limitações do trabalho do auditor, seja quanto a possibilidade de desclassificar planos de PLR, afastando a interpretação de adequação aos termos da lei que disciplina a matéria. Nesse ponto, é plausível a insatisfação dos contribuintes, tendo em vista que a interpretação dada pela autoridade fiscal, muitas vezes mostrase diametralmente oposta ao que o recorrente interpreta da legislação, ou mesmo o que foi orientado por seus contadores ou advogados. Contudo, a papel da auditoria, no exercício da atividade vinculada de verificar o cumprimento da legislação previdenciária, é sim identificar não apenas as folhas de pagamento, mas em realizando a auditoria contábil, verificar, a existência de outros pagamentos, que constituam fato gerador de contribuições previdenciárias. É nesse ponto, que autorizado está o auditor ao identificar pagamentos outros, dos mais diversos títulos, como no caso do PLR, intimar o contribuinte a apresentar os fundamentos para o referido pagamento. Ao depararse com esses instrumentos e considerando as alegações da empresa para o pagamento em questão, verificar se aquele pagamento é ou não fator gerador de contribuições previdenciárias. Não se trata, portanto de desconsiderar um acordo firmado, ou interferir nas tratativas ali acordadas, MAS TÃO SOMENTE, IDENTIFICAR SE O PLANO ATENDE AS EXIGÊNCIAS LEGAIS QUANTO AO PAGAMENTO DESVINCULADO DO SALÁRIO. Falando mais objetivamente, no caso de pagamento de PLR, compete ao auditor verificar a norma que autoriza o pagamento, e se a mesma encontrase em conformidade (dentro dos limites) para que os pagamentos sob elas consubstanciados estarão excluídos do conceito de salário de contribuição, ou seja, cumprem a função prevista no próprio texto constitucional. E não venha defender a auto aplicabilidade do dispositivo constitucional, posto que seu acatamento dispensaria a apreciação das demais alegações. De forma expressa, a Constituição Federal de 1988 remete à lei ordinária a fixação dos direitos da participação nos lucros, assim, devemos nos ater ao disposto na norma que trata a questão, nestas palavras: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) Fl. 387DF CARF MF Processo nº 16327.001054/200996 Acórdão n.º 9202007.609 CSRFT2 Fl. 7 11 XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. Parte dos argumentos trazidos pelo recorrente foram no sentido que, o pagamento de PLR, por si só, já se encontra afastado do conceito de salário de contribuição, e da hipótese de incidência, O QUE NÃO VENHO A CONCORDAR. Entendo que embora prevista na Constituição Federal a desvinculação do PLR do salário, o que lhe conferi caráter de imunidade, não há possibilidade de considerar ter o recorrente a ampla liberdade de efetuar pagamento, sob essa denominação, da maneira que lhe aprouver. A CF/88, reporta a lei ordinária os limites para que o PLR esteja desvinculado do salário.. Quanto a verba participação nos lucros e resultados, em primeiro lugar, como já consolidado entendimento, devese ter em mente que é norma constitucional de eficácia limitada, o que de pronto afasta a argumentação, que pela sua natureza já não poderia ser considerada salário de contribuição.. Para fins de esclarecimento, cabe citar, o item 02, do Parecer CJ/MPAS no 547, de 03 de maio de 1996, aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro do MPAS, dispõe, verbis: (...) de forma expressa, a Lei Maior remete à lei ordinária , a fixação dos direitos dessa participação. A norma constitucional em foco pode ser entendida, segundo a consagrada classificação de José Afonso da Silva, como de eficácia limitada, ou seja, aquela que depende "da emissão de uma normatividade futura, em que o legislador ordinário, integrandolhe a eficácia, mediante lei ordinária, lhes dê capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses". (Aplicabilidade das normas constitucionais, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1968, pág. 150). (Grifamos) Vale ressaltar o que o Parecer CJ/MPAS nº 1.748/99 traz em seu bojo acerca da matéria, o que bem esclarece que a CF/88, realmente incentiva as empresas a participarem os seus lucros com seus empregados, todavia o próprio texto constitucional submeteu ditas regras aos limites legais, retirando a ampla liberdade a qual entende o recorrente possuir. Senão vejamos: EMENTA DIREITO CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO TRABALHADOR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ART. 7º , INC. XI DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. 1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. 2) O Supremo Tribunal Federal ao julgar o Mandado de Injunção nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória nº 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto constitucional. 3) A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo Fl. 388DF CARF MF 12 com essa norma, integra o conceito de remuneração para os fins de incidência da contribuição social. (...) 7. No entanto, o direito a participação dos lucros, sem vinculação à remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito. 8. Necessita portanto, de regulamentação para definir a forma e os critérios de pagamento da participação nos lucros, com a finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela. 9. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas e dá outras providências, hoje reeditada sob o nº 1.76956, de 8 de abril de 1999. 10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus termos, passou a ser lícito o pagamento de participação nos lucros desvinculada da remuneração, mas, destaco, a desvinculação da remuneração só ocorrerá se atender os requisitos pré estabelecidos. 11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao julgar o Mandado de Injunção nº 426, onde foi Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, que tinha por escopo suprir omissão do Poder Legislativo na regulamentação do art. 7º, inc. XI, da Constituição da República, referente a participação nos lucros dos trabalhadores, julgou a citada ação prejudicada, face a superveniência da medida provisória regulamentadora. 12. Em seu voto, o Ministro ILMAR GALVÃO, assim se manifestou: O mandado de injunção pretende o reconhecimento da omissão do Congresso Nacional em regulamentar o dispositivo que garante o direito dos trabalhadores de participarem dos lucros e resultados da empresa (art. 7º, inc. IX, da CF), concedendose a ordem para efeito de implementar in concreto o pagamento de tais verbas, sem prejuízo dos valores correspondentes à remuneração. Tendo em vista a continuação da transcrição a edição, superveniente ao julgamento do presente WRIT injuncional, da Medida Provisória nº 1.136, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências, verificase a perda do objeto desta impetração, a partir da possibilidade de os trabalhadores, que se achem nas condições previstas na norma constitucional invocada, terem garantida a participação nos lucros e nos resultados da empresa. (grifei) 14. O Pretório Excelso confirmou, com a decisão acima, a necessidade de regulamentação da norma constitucional (art. 7º, inc. XI), ficando o pagamento da participação nos lucros e sua Fl. 389DF CARF MF Processo nº 16327.001054/200996 Acórdão n.º 9202007.609 CSRFT2 Fl. 8 13 desvinculação da remuneração, sujeitas as regras e critérios estabelecidos pela Medida Provisória. 15. No caso concreto, as parcelas referemse a períodos anteriores a regulamentação do dispositivo constitucional, em que o Banco do Brasil, sem a devida autorização legal, efetuou o pagamento de parcelas a título de participação nos lucros. 16. Nessa hipótese, não há que se falar em desvinculação da remuneração, pois, a norma do inc. XI, do art. 7º da Constituição da República não era aplicável, na época, consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos) Neste contexto podemos descrever normas constitucionais de eficácia limitada são as que dependem de outras providências normativas para que possam surtir os efeitos essenciais pretendidos pelo legislador constituinte. Ou seja, enquanto não editada a norma, não há que se falar em produção de efeitos, bem como não acato o argumento de que o pagamento de PLR, por si só, já encontrase excluído do conceito de salário de contribuição. Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, notase que a exclusão da parcela de participação nos lucros na composição do salário de contribuição está condicionada à estrita observância da lei reguladora do dispositivo constitucional. A edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, que dispunha sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas, veio atender ao comando constitucional. Desde então, sofreu reedições e remunerações sucessivamente, tendo sofrido poucas alterações ao texto legal, até a conversão na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000. Aliás, referente raciocínio, encontrase em perfeita consonância com o entendimento do próprio STF, que destaca que o direito previsto no art. 7, XI não é auto aplicável, iniciandose apenas com a lei prevista para regulamentálo. RE 398284 / RJ RIO DE JANEIRO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. MENEZES DIREITO Julgamento: 23/09/2008 Órgão Julgador: Primeira Turma Ementa EMENTA Participação nos lucros. Art. 7°, XI, da Constituição Federal. Necessidade de lei para o exercício desse direito. 1. O exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da Constituição Federal começa com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração. 2. Com isso, possível a cobrança das contribuições previdenciárias até a data em que entrou em vigor a regulamentação do dispositivo. 3. Recurso extraordinário conhecido e provido. Conforme descrito pela autoridade fiscal e julgadora os pagamentos referentes à Participação nos Lucros pela recorrente constituem salário de contribuição e, por conseguinte, sofrem incidência de contribuição previdenciária, haja vista no período em que foram efetuados terem sido realizadas em desacordo com a totalidade das regras previstas na legislação específica. Isto posto, não há de se acatar a teoria de que os pagamentos à título de PLR já encontramse, por previsão constitucional, fora da base de cálculo conforme argumentado Fl. 390DF CARF MF 14 pelo recorrente, razão pela qual afasto esse primeiro argumento, passando a análise do cumprimento das regras prevista na referida lei. Da exigências legais para formalização do acordo A Lei nº 10.101/2000 dispõe, nestas palavras : Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3º (...) § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (...) Assim, voltase novamente a uma questão nuclear, qual o limite para interpretação dos dispositivos da lei 10.101/2000. Nesse ponto argumenta o recorrente, de que a essência da lei foi cumprida, e que as restrições atribuídas pelo auditor não se sustentam. Ora, não quisesse o legislador estabelecer limites, regras claras, revisão do acordo, averiguação do cumprimento de metas, participação de órgãos protetores dos trabalhadores na negociação, qual seria a necessidade de esmiuçar a legislação de PLR. No caso, se acatássemos o entendimento do recorrente o texto constitucional seria o suficiente, ou no mínimo a lei 10.101/2000, precisaria ter apenas 2 artigos, conforme os 2 primeiros acima transcritos. Data vênia, aos que entendem que o auditor tem levado ao extremo as averiguações do cumprimento da lei 10.101/2000, entendo ser da competência dos órgãos colegiados, justamente corrigir os exageros, ou mesmo as interpretações equivocadas, mas de forma alguma ignorar a existência de dispositivos legais, e de exigências legais para a referida desvinculação, que nada mais são, do que reflexos da Fl. 391DF CARF MF Processo nº 16327.001054/200996 Acórdão n.º 9202007.609 CSRFT2 Fl. 9 15 vontade legislativa acerca das limitações do pagamento de participações nos lucros e resultados desvinculadas do salário. Da Apreciação Dos Acordos Ao contrário do que tenta demonstrar o recorrente, não entendo que os auditores e o julgador tenham simplesmente feito juízo de valor, ou conclusão por mera presunção, quanto ao PLR acordado, e as metas estipuladas. Neste ponto, o primeiro argumento trazido pelo auditor foi a ausência de metas, regras, ou critérios que estabelecidos no acordo e que o relatório de gestão não se referia a empresa. Vejamos: 16. No caso em tela, observase que os Acordos de Participação Dos Trabalhadores Nos Lucros da Empresa , assinados em janeiro de 2004 (valores pagos em 2004), fevereiro de 2005 (valores pagos em 2005) e janeiro de 2006 (valores pagos em 2006), não se coadunam com as exigências legais, uma vez que não restam identificadas as citadas regras claras e objetivas com expressos critérios e condições, ou seja, não se aponta a forma como será alcançado o objetivo para que os empregados façam jus a tal benefício, contrariando o real propósito do instituto e em total afronta à legislação. 17. Segue, como exemplo, o conteúdo do Acordo de Participação Dos Trabalhadores nos Lucros da Empresa de 2004 referente a apuração do ano de 2003 e pago em março de 2004. Texto semelhante é encontrado nos Acordos de 2005 e 2006. Em anexo cópias. "Primeiro Este acordo regula a participação dos trabalhadores nos lucros da Marítima Saúde Seguros S/A, conforme convencionado entre as partes; Segundo O critério a ser utilizado para a referida participação é com base no lucro líquido apurado em 31.12.2003; Terceiro Fica convencionado o percentual de 6% (seis) porcento sobre o Lucro Líquido como montante a ser distribuído aos trabalhadores a título de participação nos Lucros; Quarto O montante resultante dos 6% do Lucro Líquido será distribuído aos trabalhadores, descontando a importância paga na remuneração de Janeiro/2004 por determinação da Convenção Coletiva de Trabalho sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados das Empresas de Seguros Privados e de Capitalização para 2004 (cláusula 2a/Parágrafos 1", 2", 3"e4"); Fl. 392DF CARF MF 16 Parágrafo Primeiro: O eventual saldo de Lucro que restar depois de descontado o pagamento referente ao pagamento relativo a cláusula 2a da convenção de Trabalho para 2004, será distribuído entre os funcionários que estiverem trabalhando na data de distribuição que será, se houver saldo de lucros remanescentes, distribuído até 30/04/2004, aplicandose a participação percentual do salário de cada funcionário da totalidade da folha de pagamento da empresa sobre este montante; 18. Observase que não foram estabelecidos critérios e condições. Tampouco definidas regras. Foram estipulados somente o valor, o prazo de pagamento e a forma de cálculo individual utilizandose como critério apenas a proporcionalidade. Assim, não há como instrumento decorrente desta negociação a definição de regras objetivas, de mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado ou qualquer tipo de programa de metas, resultados e prazos pactuados previamente. 19. Dessa forma, é pertinente indagarse como o critério estabelecido pela empresa, centrado no salário do funcionário, poderá servir como incentivo à produtividade? A existência de regras objetivas é de relevante importância para a caracterização deste instituto, pois o empregado deve ser avaliado em função do potencial que representa para sua empresa, sendo incentivado de forma equivalente. O pagamento em tela independeu da obtenção de quaisquer resultados, afastandose do objetivo da lei, qual seja: o de integrar capital e trabalho e incentivar a produtividade, mediante um ajuste prévio entre empresa e empregados, para definir os resultados a serem alcançados, a forma de participação, os direitos substantivos e demais regras adjetivas. Afastouse, portanto, o contribuinte dos requisitos legais que fazem com que a participação nos lucros não integre o saláriodecontribuição. 23. Destarte, o pagamento da participação nos lucros por intermédio de instrumentos de negociação que não apresentem os requisitos legais faz com que as parcelas pagas estejam em desacordo com a lei específica, passando a integrar, portanto, o saláriode contribuição. DA DATA DE ASSINATURA DOS ACORDOS 24. Os Acordos de Participação dos Trabalhadores nos Lucros da Empresa disciplinam as regras a serem seguidas, contudo somente foram assinados pela empresa, a comissão de empregados e o Sindicato dos Securitários de São Paulo em datas posteriores ao período a ser avaliado. O Acordo referente ao resultado de 2003 e pago em 2004 foi assinado em 28 de janeiro de 2004, já no ano de efetivo pagamento. O Acordo referente ao resultado de 2004 e pago em 2005 foi assinado em 01 de fevereiro de 2005, também no ano de efetivo pagamento. Por fim, o Acordo referente ao resultado de 2005 e pago em 2006, foi assinado em 30 de janeiro de 2006, ano do efetivo pagamento. Acordos em anexo. Fl. 393DF CARF MF Processo nº 16327.001054/200996 Acórdão n.º 9202007.609 CSRFT2 Fl. 10 17 Assim, acerca do descumprimento do §1º do art. 2º acima especificado, descreveu a autoridade fiscal em seu relatório, que os pontos colacionados pelo sujeito passivo para conceder o beneficio não cumprem o os fundamento do PLR, qual seja, incentivo a participação, com participação no capital. Dessa forma, qualquer conta feita pelo relator do acórdão paradigma, pode esclarecer no máximo a forma de cálculo da PLR a ser distribuída a cada empregado, não se confundindo, de forma alguma, com regras objetivas, mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado ou qualquer tipo de programa de metas, resultados e prazos pactuados previamente, como prevê a lei, assim como já defendido pela turma que julgou o acórdão recorrido. Isto posto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Especial do Contribuinte em relação ao PLR pago aos empregados. Participação dos lucros e resultados a contribuintes individuais. Quanto aos levantamentos de PLR em relação aos valores pagos a diretor não empregado, devemos primeiramente identificar os fundamentos da autoridade fiscal, para que referidos valores constituíssem salário de contribuição, para então, baseado na peça recursal e fundamentos do acórdão recorrido, determinar a procedência do lançamento frente aos argumentos do julgador de primeira instância. No relatório fiscal, o auditor descreveu as regras para que o pagamento de PLR constitua pagamento em desacordo com a exclusão previsto na lei, o que determina a incidência de contribuição sobre os valores de PLR . Em relação aos levantamentos sobre os pagamentos aos diretores estatutários, lançou a autoridade fiscal contribuições por entender que os pagamentos não se coadunam com os preceitos legais, seja da lei 6.494 ou mesmo da lei 10.101/2000. Vejamos a imputação fiscal acerca do fato gerador: DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS PARA ADMINISTRADORES 28. Durante a fiscalização verificouse que a rubrica Participação Estatutária (0348), presente na folha de pagamento, foi paga e/ou creditada a administrador, diretor não empregado. Neste caso a rubrica passa a integrar o salário de contribuição, base de cálculo da contribuição previdenciária, por não estar em conformidade com a legislação. 29. A Lei 8212/91 em seu artigo 22, Inciso III, parágrafo 1º assim dispõe: "Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei n" 9.876, de 26.11.99) § lº No caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades Fl. 394DF CARF MF 18 de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização, agentes autônomos de seguros privados e de crédito e entidades de previdência privada abertas e fechadas, além das contribuições referidas neste artigo e no art. 23, é devida a contribuição adicional de dois vírgula cinco por cento sobre a base de cálculo definida nos incisos I e III deste artigo. " 30. Já o artigo 28, Inciso III da Lei 8212/91 define o salário de contribuição: "Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5º . 31. Assim dispõe o art. 28, § 9°, alínea j , da Lei n° 8.212/91: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com a lei específica; (grifo AFRFB) 32. Com base no dispositivo acima, seria um pressuposto falso afirmar que existe uma lei específica regulamentando a participação nos lucros ou resultados para cada categoria de segurado, excluindo ambas as categorias da contribuição previdenciária, ou seja quando a participação nos lucros ou resultados é paga a diretores estatutários, aplicase a Lei n° 6.404/76. Quando a participação nos lucros ou resultados é paga a empregados, aplicase a Lei n° 10.101/00. 33. A lei específica que trata da participação nos lucros ou resultados da empresa, que prevê a isenção previdenciária, é a Lei n° 10.101/00. 34. A Lei n° 10.101/00, desvinculou da remuneração, não integrando o salário de contribuição, a participação nos lucros ou resultados recebida somente pelos segurados empregados. Sendo assim, sobre a participação paga a diretor não empregado (segurado contribuinte individual) incide contribuição previdenciária. 35. A Lei n° 6.404/76, em seu art. 152, § 1°, apenas estabelece os parâmetros para que a empresa, facultativamente, efetue o pagamento da referida verba aos administradores. A seguir explicitase esse posicionamento. 36. A Constituição Federal de 1988, em seu art. 7o , já mencionado, elenca os direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, dentre os quais podemos destacar: Fl. 395DF CARF MF Processo nº 16327.001054/200996 Acórdão n.º 9202007.609 CSRFT2 Fl. 11 19 "Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: I relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa, nos termos de lei complementar, que preverá indenização compensatória, dentre outros direitos; II segurodesemprego, em caso de desemprego involuntário; III fundo de garantia do tempo de serviço; VIII décimo terceiro salário com base na remuneração integral ou no valor da aposentadoria; IX remuneração do trabalho noturno superior à do diurno; XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; (grifo AFRFB) XVI remuneração do serviço extraordinário superior, no mínimo, em cinquenta por cento à do normal; XVII gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário normal; XXI aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo no mínimo de trinta dias, nos termos da lei;" 37. Pela leitura dos direitos dos trabalhadores que estão listados no art. 7º, notase que os mesmos pertencem somente aos segurados empregados, pois o segurado contribuinte individual, por exemplo, não possui os direitos dos incisos citados acima. Logo, o constituinte, ao utilizar o termo "trabalhadores", no caput do art. 7º, referiuse à espécie empregado. Dados os fundamentos descritos, quanto aos pagamentos aos diretores não empregados, assim como descrito pela autoridade fiscal, entendo que não demonstrou recorrente estar incorreta a descrição fiscal, ou mesmo que os pagamentos estariam amparados por legislação para que os valores estejam excluídos do conceito de salário de contribuição. De forma expressa, a Constituição Federal de 1988 remete à lei ordinária a fixação dos direitos da participação nos lucros, nestas palavras: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. Conforme previsto no § 6º do art. 150 da Constituição Federal, somente a Lei pode instituir isenções. Assim, o § 2º do art. 22 da Lei nº 8.212/91 dispõe que não integram a Fl. 396DF CARF MF 20 remuneração as parcelas de que trata o § 9º do art. 28 da mesma Lei. O § 9º do art. 28 da Lei n° 8.212/91 enumera, exaustivamente, as parcelas que não integram o salário de contribuição. De acordo com o art. 9º, inciso V, alínea “f”, §§ 2º e 3º, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, são considerados contribuintes individuais tanto o diretor não empregado como o membro do conselho de administração da sociedade anônima. Regulamento da Previdência Social (RPS), Decreto 3.048/1999: Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual: (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) (...) f) o diretor não empregado e o membro de conselho de administração na sociedade anônima; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) (...) § 2º Considerase diretor empregado aquele que, participando ou não do risco econômico do empreendimento, seja contratado ou promovido para cargo de direção das sociedades anônimas, mantendo as características inerentes à relação de emprego. § 3º Considerase diretor não empregado aquele que, participando ou não do risco econômico do empreendimento, seja eleito, por assembléia geral dos acionistas, para cargo de direção das sociedades anônimas, não mantendo as características inerentes à relação de emprego. (g.n.) No mesmo sentido, prevê o art. 12, inciso V, da Lei 8.212/1991 como contribuintes individuais os administradores (o diretor não empregado e o membro de conselho de administração) da companhia. Lei 8.212/1991: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (...) f) o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, e o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que recebam remuneração; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). (g.n.) Logo, a legislação previdenciária enquadra os administradores da Recorrente como contribuintes individuais. Esse entendimento está consubstanciado na própria concepção do papel dos administradores dentro da sociedade (membros da Diretoria e do Conselho de Fl. 397DF CARF MF Processo nº 16327.001054/200996 Acórdão n.º 9202007.609 CSRFT2 Fl. 12 21 Administração), ou seja, são órgãos da companhia, na medida em que o ato praticado por eles, dentro de seus poderes, é um ato da própria sociedade empresária (Recorrente), linha adotada por Fábio Ulhoa Coelho (Curso de Direito Comercial. São Paulo: Saraiva, 1999, v. 2, p. 239 241). Em outras palavras, os membros da Diretoria e do Conselho de Administração, possuem poder decorrentes da lei e do estatuto, sendo que isso viabiliza todo o poder para a condução das atividades diárias da companhia e distanciase da subordinação pessoal da relação empregatícia1. Verificase que a legislação aplicável à espécie determina, em um primeiro momento, a regra geral de incidência das contribuições previdenciárias sobre a remuneração total dos segurados obrigatórios da previdência social, no caso, na qualidade de contribuintes individuais, inclusive sobre os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o Somente em um segundo momento é que são definidas, de forma expressa e exaustiva, porquanto excepcionais, as hipóteses de não incidência das contribuições destinadas à Seguridade Social. Não restou demonstrado pelo recorrente que o pagamento enquadravase nas exclusões descritas na norma. Não se discute a impossibilidade de utilização das exclusões previstas no art. 28, §9º para os contribuintes individuais, mas a inaplicabilidade de tal dispositivo, pela ausência de respaldo legal específica aos contribuintes individuais, já que a lei 10.101/2000 apenas reportase expressamente aos empregados. A legislação previdenciária, em obediência ao preceito constitucional, é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial. Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; A edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, que dispunha sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas, veio atender ao comando constitucional. Desde então, sofreu reedições e renumerações sucessivamente, tendo sofrido poucas alterações ao texto legal, até a conversão na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000. A Lei nº 10.101/2000 dispõe, nestas palavras : Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um 1 CARVALHOSA, Modesto. Comentários à lei de sociedades anônimas. São Paulo: Saraiva, 1997, v. 3, p. 19. Fl. 398DF CARF MF 22 dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (grifo nosso) I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista ou previdenciário (...) § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (...) Art. 4º Caso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados da empresa resulte em impasse, as partes poderão utilizarse dos seguintes mecanismos de solução do litígio: I – Mediação; II – Arbitragem de ofertas finais. § 1º Considerase arbitragem de ofertas finais aquela que o árbitro deve restringirse a optar pela proposta apresentada, em caráter definitivo, por uma das partes. § 2º O mediador ou o árbitro será escolhido de comum acordo entre as partes. § 3º Firmado o compromisso arbitral, não será admitida a desistência unilateral de qualquer das partes. § 4º O laudo arbitral terá força normativa independentemente de homologação judicial. Cabe observar que o § 2º, do art. 2º, da Lei n ° 10.101, foi introduzido no ordenamento jurídico a partir da Medida Provisória nº 955, de 24 de março de 1995, e o § 3º, do art. 3º, a partir da Medida Provisória nº 1.69851, de 27 de novembro de 1998. Fl. 399DF CARF MF Processo nº 16327.001054/200996 Acórdão n.º 9202007.609 CSRFT2 Fl. 13 23 Aliás, referente raciocínio, encontrase em perfeita consonância com o entendimento do próprio STF, que destaca que o direito previsto no art. 7, XI não é auto aplicável, iniciandose apenas a partir da edição da MP 794/1994, reeditada várias vezes e finalmente convertida na Lei 10.101/2000. Esse entendimento é extraído do Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do RE 398284/RJRio de Janeiro. RE 398284 / RJ RIO DE JANEIRO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. MENEZES DIREITO Julgamento: 23/09/2008 Órgão Julgador: Primeira Turma Ementa EMENTA Participação nos lucros. Art. 7°, XI, da Constituição Federal. Necessidade de lei para o exercício desse direito. 1. O exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da Constituição Federal começa com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração. 2. Com isso, possível a cobrança das contribuições previdenciárias até a data em que entrou em vigor a regulamentação do dispositivo. 3. Recurso extraordinário conhecido e provido. Merece transcrição excerto do voto do Ministro Menezes Direito (Relator do RE 398284/RJ): “Há três precedentes monocráticos na Corte. Um que foi relator o Eminente Ministro Gilmar Mendes; e dois outros da relatoria do Ministro Eros Grau. Então a questão está posta com simplicidade. E estou entendendo, Senhor Presidente, com a devida vênia da bela sustentação do eminente advogado, que realmente a regra necessita de integração, por um motivo muito simples: é que o exercício do direito é que se vincula à integração, não é a regra só, que nesses casos, quando manda que a lei regule o exercício, que vale por si só. Se a própria Constituição determina que o gozo do exercício dependa de lei, tem que haver a lei para que o exercício seja pleno. Se não há lei, não existe exercício. E com um agravante que, a meu ver, parece forte o suficiente para sustentar esse raciocínio. É que o fato de existir a participação nos lucros, desvinculada da remuneração, na forma da lei, não significa que se está deixando de dar eficácia a essa regra, porque a participação pode ser espontânea; já havia participação nos lucros até mesmo antes da Constituição dos 80. E, por outro lado, só a lei pode regular a natureza dessa contribuição previdenciária e também a natureza jurídica para fins tributários da participação nos lucros. A lei veio exatamente com esse objetivo. É uma lei que veio para determinar, especificar, regulamentar o exercício do direito de participação nos lucros, dando consequência à necessária estipulação da natureza jurídica dessa participação para fins tributários e para fins de recolhimento da Própria Previdência Social. Ora, se isso é assim, e, a meu sentir, parece ser, pela leitura que faço eu do dispositivo constitucional, não há fundamento algum Fl. 400DF CARF MF 24 para afastarse a cobrança da contribuição previdenciária antes do advento da lei regulamentadora.” Ainda nessa linha de raciocínio, notese, conforme grifado no art. 1 da referida lei, que a PLR descrita na Lei 10.101/2000 serve apenas para regulamentar a distribuição no âmbito dos “empregados”, ou seja, não serve para afastar do conceito de remuneração os valores pagos à título de “participações estatutárias” (diretores não empregados). Aqui destaco meu posicionamento, mesmo que previsto em parte dos acordos coletivos, não existiria previsão legal para tal exclusão. Não se pode elastecer o conceito de lucros ou resultados, sob pena de todas as empresas enquadrarem como resultados, todo e qualquer pagamento feito aos seus trabalhadores e em função dessa nomenclatura desvincular as verbas do conceito de remuneração e salário. A Lei n ° 10.101, resultado da conversão das Medidas Provisórias anteriores, é cristalina nesse sentido. Vale de pronto afastar também, os argumentos que o dispositivo constitucional, por si só , já afastaria para todo e qualquer trabalhador a “participação nos Lucros e resultados” do conceito de remuneração, considerando o fato de que o “caput do art. 7 da CF/88, utilizou a nomenclatura “trabalhadores”. Basta analisarmos os 34 incisos do próprio art. 7º, para que identifiquemos, que o termo “trabalhadores urbanos e rurais”, referese ao direitos dos “empregados urbanos e rurais”. Os direitos elencados no dispositivo constitucional, nos trazem a certeza do sentido empregado pelo legislador, considerando que: férias com adicional de 1/3, FGTS, repouso semanal remunerado, salário mínimo, jornada de trabalho, piso salarial, licença maternidade, licença paternidade, aviso prévio, previsão de indenização no caso de dispensa imotivada, salário família, horas extras, adicional noturno, insalubridade, periculosidade, dentro outros muitos ali elencados, são assegurados apenas aos trabalhadores detentores de uma relação de emprego, ou seja, garantidos aos empregados. No parágrafo único, também observamos a nomenclatura “trabalhadores”, porém com referência aos empregados domésticos. Levando a efeito esse raciocínio, chegaríamos a conclusão de obrigatoriedade de atribuir a observância dos direitos ali elencados a todos os trabalhadores autônomos. Nessa toada, entendo que não há como acolher a pretensão do recorrente. Assim, não acato o argumento do recorrente de que o termo trabalhador descrito também na lei, é capaz de abranger a categoria de administradores e demais contribuintes individuais. Vejase que o termo autônomo ou para previdência social, contribuinte individual, não é uma pessoa que trabalha de forma subordinada, devendo cumprir metas alcançar resultados, pois se assim o fosse estaríamos atribuindo um requisito de empregado, qual seja a subordinação. Também vale lembrar que o trabalho de um mesmo autônomo exigindo o cumprimento de resultados e metas durante um período (exercício) não deve ser utilizado de forma continuada, pois senão estaríamos atribuindo o segundo requisito que é a habitualidade na prestação de serviços. Dessa forma, entendo inviável a interpretação dada pelo recorrente, razão pela qual todo e qualquer pagamento feito a contribuintes individuais constituem salário de contribuição, salvo se possível o seu enquadramento dentre as elencadas no art. 28, §9º da lei 8212/91. Percebese, então, que, se o STF entendeu que não havia lei regulamentando o pagamento de PLR antes da edição da MP nº 794/1994, não há como acolher o entendimento de que a expressão “lei específica” contida na alínea “j” do § 9º do art. 28 da Lei 8.212/1991 também se refere a outras leis extravagantes, tal como a Lei 6.404/1976 que dispõe sobre as Sociedades por Ações (companhia), inclusive o seu art. 152, § 1o, estabeleceu que o estatuto da companhia pode atribuir aos administradores participação nos lucros da companhia, desde que sejam atendidos dois requisitos: (i) a fixação dividendo obrigatório em 25% ou mais do lucro Fl. 401DF CARF MF Processo nº 16327.001054/200996 Acórdão n.º 9202007.609 CSRFT2 Fl. 14 25 líquido; e (ii) o total da participação estatutária não ultrapasse a remuneração anual dos administradores nem 0,1 (um décimo) dos lucros, prevalecendo o limite que for menor. Corroborando esse entendimento, o Supremo Tribunal Federal (STF) pacificou esse entendimento por meio do RE 569441/RS, rel. orig. Min. Dias Toffoli, red. p/ o acórdão Min. Teori Zavascki, de 30/10/2014 (Info 765), submetido a sistemática de repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil CPC), nos seguintes termos: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO 569.441 RIO GRANDE DO SUL RELATOR : MIN. DIAS TOFFOLI REDATOR DO ACÓRDÃO : MIN. TEORI ZAVASCKI EMENTA: CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. NATUREZA JURÍDICA PARA FINS TRIBUTÁRIOS. EFICÁCIA LIMITADA DO ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE ESSA ESPÉCIE DE GANHO ATÉ A REGULAMENTAÇÃO DA NORMA CONSTITUCIONAL. 1. Segundo afirmado por precedentes de ambas as Turmas desse Supremo Tribunal Federal, a eficácia do preceito veiculado pelo art. 7º, XI, da CF – inclusive no que se refere à natureza jurídica dos valores pagos a trabalhadores sob a forma de participação nos lucros para fins tributários – depende de regulamentação. 2. Na medida em que a disciplina do direito à participação nos lucros somente se operou com a edição da Medida Provisória 794/94 e que o fato gerador em causa concretizouse antes da vigência desse ato normativo, deve incidir, sobre os valores em questão, a respectiva contribuição previdenciária. (g.n.) 3. Recurso extraordinário a que se dá provimento.” Por força do artigo 62, §2o do Regimento Interno do CARF2, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015, as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos artigos 543B e 543C da Lei 5.869/1973 (Código de Processo Civil CPC), devem ser reproduzidas pelas Turmas do CARF. O STJ comunga do mesmo entendimento: “(...) A contribuição previdenciária sobre a participação nos lucros é devida no período anterior à MP n. 794/94, uma vez que o benefício fiscal concedido sobre essa verba somente passou a existir no ordenamento jurídico com a entrada em vigor do referido normativo. (...)” (STJ. 2ª Turma. AgRg no AREsp 95.339/PA, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20/11/2012). Assim, concluise que a Lei 8.212/1991, ao excluir da incidência das contribuições os pagamentos efetuados de acordo com a lei específica, quis se referir à PLR paga em conformidade com a Lei 10.101/2000, a qual é destinada apenas aos empregados. Por fim, vale mencionar que nem mesmo poderíamos analisar se o pagamento em questão estaria de acordo com o descrito na lei 6404/76, posto que na referida 2 Portaria MF n° 343/2015 (Regimento Interno do CARF RICARF): Art. 62. (...). § 2o As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 402DF CARF MF 26 lei a participação dáse em função do capital investido. Ademais, também não entendo que a referida lei 6404, tenha excluído dos valores do conceito de salário de contribuição e por consequencia respaldar os argumentos do recorrente. Em relação à distribuição dos lucros para Administradores e Diretores, não empregados, afirmou a Recorrente que tais pagamentos não deveriam ser tributados, vez que foram efetuados em observância ao artigo 152 da Lei 6.404/76 (Lei das Sociedades Anônimas LSA). Lei 6.404/1976: Art. 152. A assembléia geral fixará o montante global ou individual da remuneração dos administradores, inclusive benefícios de qualquer natureza e verbas de representação, tendo em conta suas responsabilidades, o tempo dedicado às suas funções, sua competência e reputação profissional e o valor dos seus serviços no mercado. (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) § 1º O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório em 25% (vinte e cinco por cento) ou mais do lucro líquido, pode atribuir aos administradores participação no lucro da companhia, desde que o seu total não ultrapasse a remuneração anual dos administradores nem 0,1 (um décimo) dos lucros (artigo 190), prevalecendo o limite que for menor. (g.n.) § 2º Os administradores somente farão jus à participação nos lucros do exercício social em relação ao qual for atribuído aos acionistas o dividendo obrigatório, de que trata o artigo 202. Quanto às participações estatutárias, tal como a participação no lucro dos administradores – diretores não empregados, qualificados como segurados contribuintes individuais –, elas dependem de o resultado da companhia, no respectivo exercício social, ter sido positivo, pois do contrário não haverá lucros a serem partilhados aos diretores não empregados com base nos lucros, conforme determinar o art. 190 da LSA: “as participações estatutárias de empregados, administradores e partes beneficiárias serão determinadas, sucessivamente e nessa ordem, com base nos lucros que remanesceram depois de deduzidas a participação anteriormente calculada” (g.n.). Considerando não ter sido trazido qualquer argumentação de que tratavamse de acionistas, os fatos acima mencionados evidenciam que a Recorrente concedeu aos diretores não empregados (contribuintes individuais) uma remuneração distinta dos lucros previstos no art. 152 da Lei 6.404/1976 (Lei da LSA) ou distribuiu uma verba cognominada de lucros em desacordo com as regras estampadas na Lei 6.404/1976 (artigo 152 c/c o artigos 189 e 190). Isso configura, efetivamente, que a verba paga aos diretores não empregados caracterizase como uma remuneração pelo exercício de atividades na empresa, decorrente da relação empregador e empregado, que é distinta da relação acionista e diretores não empregados. Ainda. em relação a este ponto, entendo relevante dizer que não vislumbro na referida lei a exclusão do conceito que amparasse a argumentação do recorrente. Os pagamentos efetuados possuem natureza remuneratória. Tal ganho ingressou na expectativa dos segurados contribuintes individuais em decorrência do contrato e da prestação de serviços à recorrente, sendo portanto uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho como apreciamos anteriormente. Dessa forma, estando no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, Fl. 403DF CARF MF Processo nº 16327.001054/200996 Acórdão n.º 9202007.609 CSRFT2 Fl. 15 27 conforme já analisado, deve persistir o lançamento em toda a sua extensão em relação aos contribuintes individuais, negandose provimento integralmente ao recurso nessa parte. Isto posto, entendo que não há como acolher a pretensão do recorrente para excluir o pagamento do PLR do conceito de salário de contribuição aos segurados contribuintes individuais, seja pela art. 7º da CF/88, seja pela lei 10.101/2000, nem tampouco com respaldo nas lei 6.404. Assim, NEGO PROVIMENTO AO RESP DO CONTRIBUINTE neste ponto. Conclusão Pelo exposto, voto por Conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO tanto em relação aos Pagamentos de PLR aos empregados, quanto aos contribuinte individuais. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 404DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.991930/2012-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2010 a 31/05/2010
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-006.552
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2010 a 31/05/2010 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 99 19 30 /2 01 2- 01 Fl. 3379DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de Pedido de Compensação formulado para o aproveitamento de crédito de PIS Não cumulativo decorrente de pagamento indevido ou a maior realizado na competência de maio/2010 (Código de receita DARF 6912, pago em 25/06/2010). O valor pago a maior seria no montante originário de R$ 141.443,74 (efl. 03). Uma vez que o valor do crédito declarado já tinha sido utilizado em compensações anteriores (PER/DCOMP 39040.12819.151210.1.3.048772) e para pagar o débito de PIS Não Cumulativo do período, foi transmitido despacho decisório eletrônico não homologando a compensação declarada (efl. 07). Inconformada, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pelo Acórdão da DRJ, ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/05/2010 DÉBITOS INDICADOS PARA COMPENSAÇÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade dos débitos indicados para compensação decorre da lei, não sendo cabível a manifestação das DRJs sobre o assunto. DÉBITOS INDICADOS PARA COMPENSAÇÃO. FORMALIZAÇÃO PARA FINS DE COBRANÇA. Não há necessidade de formalização, em auto de infração ou notificação de lançamento, dos débitos indicados para compensação em Dcomp não homologada, em face da natureza de confissão de dívida desta. ALÍQUOTA ZERO. PÃES DIVERSOS DO PÃO COMUM. DESCABIMENTO. A alíquota zero da Contribuição incidente sobre a receita bruta de venda no mercado interno do pão comum a que se refere o inciso XVI do art. 1° da Lei n° 10.925, de 2004, não se aplica a outros produtos que não ao pão que contenha apenas farinha de trigo, fermento biológico, água, sal e/ou açúcar, tal qual definido na exposição de motivos à Medida Provisória n° 433, de 2008 MULTA E JUROS MORATÓRIOS. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A exigência de multa e juros moratórios decorre da falta de recolhimento tempestivo dos tributos devidos, evidenciada a partir da nãohomologação das compensações efetuadas, tendo por fundamento legal o art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2010 DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o PEDIDO de DILIGÊNCIA ou perícia. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" (efls. 3.245/3.246) Intimado desta decisão em 20/08/2015 (efl. 3.260), a empresa apresentou Recurso Voluntário em 15/09/2015 (efls. 3.262/3.276) alegando, em síntese que os créditos pleiteados são válidos, sendo decorrentes da comercialização de produtos de panificação Fl. 3380DF CARF MF Processo nº 10880.991930/201201 Acórdão n.º 3402006.552 S3C4T2 Fl. 3.379 3 sujeitos à alíquota zero (hot dog, pão de hamburguer e pão bisnaga, que devem se enquadrar no conceito de "pão comum" NCM 1905.9090 Ex 01). As soluções de consulta proferidas para a Recorrente afirmando que esses produtos não poderiam ser admitidos como "pão comum" não seria pronunciamentos finais, contra as quais foi apresentado recurso de divergência, bem como estariam em sentido contrário ao firmado em laudo técnico acostado aos autos. Sustenta ainda que confirmada a validade do crédito, descabida sua desconsideração em razão da não retificação da DCTF. Em seguida, os autos foram direcionados a esse Conselho para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne O Recurso Voluntário é tempestivo e deve ser conhecido. Contudo, atentandose para o presente caso, observase que a Recorrente se volta exclusivamente para questões abstratas em torno do suposto crédito pleiteado, sem demonstrar sua origem e validade mesmo em se admitindo como correta a tese geral por ela defendida. Primeiramente, essencial novamente1 firmar o contribuinte figura como titular da pretensão nas Declarações de ressarcimento e de compensação e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando que o direito invocado existe. Assim, caberia ao sujeito passivo trazer aos autos os elementos aptos a comprovar a existência de direito creditório, capazes de demonstrar, de forma cabal, que a Fiscalização incorreu em erro ao não homologar a compensação pleiteada, em conformidade com os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/19722. Com efeito, o ônus probatório nos processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito, no entendimento reiterado desse Conselho. A título de exemplo: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. 1 Como já consigando por esta Turma em outras oportunidade como, por exemplo, no Acórdão n.º 3402004.763, de 25/10/2017, de minha relatoria. 2 “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" Fl. 3381DF CARF MF 4 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Atentandose para o presente caso, não se vislumbra qualquer fundamento fático ou jurídico trazido pela Recorrente capaz de alterar a conclusão em torno do direito ao crédito alcançada no despacho decisório e mantida pela decisão recorrida. Com efeito, a cópia da DCTF referente à competência de maio/2010 acostada aos autos confirma os valores trazidos no Despacho Decisório de PIS Não Cumulativo devidos (efl. 72). Assim, não foram apresentados quaisquer outros documentos fiscais ou contábeis que pudessem demonstrar que o valor do PIS Não Cumulativo devido em 31/05/2010 não alcançava o montante de R$ 625.273,98, como indicado no Despacho Decisório Eletrônico (e fl. 07): Em suas defesas, a Recorrente apenas afirma, de forma geral e sem qualquer fundamento fático concreto, que o crédito pleiteado estaria respaldado em discussão em torno do enquadramento de parte dos produtos por ela vendidos e importados na previsão de alíquota zero do inciso XVI do art. 1° da Lei n° 10.925/2004. A ausência de substrato fático para as alegações gerais de direito trazidos pela Recorrente pode ser facilmente depreendida pela análise da planilha das efls. 90/3.240 que, segundo a Recorrente, fundamentaria o valor do crédito pleiteado. Primeiro porque a referida planilha não traz quaisquer informações concernentes às operações realizadas, constando apenas duas colunas: "ID_EMPRESA" e "VLR_TOT_ITEM_SEM_SUBST". Assim, não é possível confirmar sobre quais operações se referem, ou mesmo se correspondem ao período de apuração relacionado ao presente processo. Ademais, a planilha não traz uma precisa quantificação do montante de crédito pretendido. Assim, observase que em qualquer Fl. 3382DF CARF MF Processo nº 10880.991930/201201 Acórdão n.º 3402006.552 S3C4T2 Fl. 3.380 5 momento nestes autos, a Recorrente apresentou uma memória de cálculo com a precisa composição do valor original do crédito declarado na PER/DCOMP de R$ 141.443,74, não sendo possível avaliar a precisa origem desse crédito. Acrescese que a Recorrente não evidenciou como a tese de direito por ela sustentada concretamente teria refletido em sua apuração. Ora, cumpre relembrar que a Recorrente está sujeita à apuração das contribuições na sistemática não cumulativa, como indicado em sua DCTF acostada aos autos. Com isso, os produtos que passaram a ser considerados como alíquota zero, que foram anteriormente tributados, possuem reflexos na apuração dos débitos e dos créditos das contribuições. Isso porque estes produtos, além de não comporem a base de cálculo (débito art. 1º, §3º, I, das Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003), as aquisições a eles correspondentes igualmente não podem ser admitidos como créditos dedutíveis (art. 3º, §2º, II, Lei n.º 10.833/2003): "Art. 1º (...) § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero);" (grifei) "Art. 3º (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor:(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)" (grifei) Assim, ainda que se considere que a origem dos créditos aqui pleiteados seriam relacionados a discussão abstrata de mérito de que produtos por ela comercializados estariam sujeitos a alíquota zero (o que apenas se cogita, vez que não foram apresentadas memórias de cálculo do crédito), confirmase que igualmente não foram demonstradas pela Recorrente os reflexos desta tese no cálculo não cumulativo das contribuições por ela apuradas, ou seja, nos créditos e nos débitos por elas considerados. Nesse sentido, observase que a Recorrente não trouxe aos autos qualquer evidência concreta de que se crédito se respalda, integralmente ou parcialmente, na discussão geral de direito por ela invocada, de que parte de seus produtos se enquadram na previsão da alíquota zero. A discussão de mérito invocada pela Recorrente não possui concreta correspondência com o presente processo, não sendo possível confirmar que o valor pleiteado se refere à esta discussão de direito. Inexiste nos autos sequer indício da existência do crédito, pautandose a empresa na discussão geral em torno da aplicação da alíquota zero para alguns produtos por ela comercializados. Portanto, a discussão de mérito invocada não resolve a lide aqui trazida, vez que não é possível confirmar a origem do crédito indicado no PER/DCOMP. Desta forma, inexiste qualquer documento ou alegação jurídica concreta nos presentes autos suscetível a alterar a conclusão alcançada no despacho decisório pela não homologação das compensações, que deve ser mantida. De forma conclusiva, cumpre mencionar que a ausência de demonstração do crédito foi igualmente evidenciada na r. decisão recorrida: Fl. 3383DF CARF MF 6 "Diante de todo o aqui exposto, concluise que, à época do proferimento do Despacho Decisório, o crédito utilizado na compensação declarada não existia e, portanto, a decisão nele prolatada estava correta e baseouse em informações declaradas à Administração Tributária pela própria manifestante. Não obstante, a contribuinte defende a existência do crédito com base em redução a zero da alíquota a que estaria submetido seu faturamento. Justifica a não retificação da DCTF relativa ao período de apuração analisado visto estar sob procedimento de fiscalização por parte da RFB, estando, portanto impedida de retificar a aludida declaração. Também não retificou a DACON." (efl. 3.250 grifei) Contudo, naquela decisão, os julgadores optaram por ingressar na discussão de direito genericamente invocada pela Recorrente, o que não será realizado nesta seara face a impossibilidade de confirmação, nos presentes autos, da origem do crédito pleiteado, encontrando a Recorrente óbice à sua discussão pela ausência de provas da origem e liquidez do crédito pleiteado. Ou seja, uma vez que não é possível confirmar que o crédito pleiteado nos presentes autos se refere concretamente à discussão de direito aventada de forma abstrata (alíquota zero de produtos), esses argumentos não serão aqui apreciados. Insta mencionar que após o presente processo ser colocado em pauta de julgamento, em 11/04/2019, a empresa apresentou uma série de planilhas que supostamente respaldariam seu direito a crédito (efls. 3.377/3.378). Foram anexados aos autos dois arquivos não pagináveis com planilhas que corresponderiam, nas palavras da Recorrente: (i) a "apuração centralizada das contribuições e respectivos comprovantes do recolhimento dos montantes de PIS e COFINS lá indicados"; e (ii) a "apuração do PIS e da COFINS especificamente recolhidos sobre a comercialização de produtos classificados como “pão comum” no período objeto desse processo." (efl. 3.377) Atentandose primeiramente para a planilha de apuração do PIS/COFINS devidos no período (mencionada no item i acima), observase que a Recorrente trouxe uma planilha de cálculo atualizado, com a alteração no campo "Receitas Isentas ou Sujeitas à Alíquota Zero" que alcançaria o valor total de faturamento de R$ 8.572.347,63. Contudo, ao se comparar a planilha do cálculo original e a planilha com o cálculo atualizado, observase os créditos descontados no mês não sofreram qualquer alteração: Fl. 3384DF CARF MF Processo nº 10880.991930/201201 Acórdão n.º 3402006.552 S3C4T2 Fl. 3.381 7 Novamente: a Recorrente não evidenciou como a tese de direito por ela sustentada concretamente teria refletido em sua apuração. Quanto a planilha de composição do valor do crédito relacionado ao "faturamento do pão comum" (item ii acima), confirmase que, somente agora, a Recorrente pretendeu apontar qual seria a composição do seu crédito, com uma série de filiais da pessoa jurídica e uma longa relação de notas fiscais que respaldariam seu crédito. Entretanto, a empresa não apresentou nenhum documento suporte desta planilha, nem mesmo notas fiscais exemplificativas. Além disso, as planilhas detalhadas do suposto crédito indicam na coluna "VLR_TOT_ITEM_SEM_SUBST" valores negativos do faturamento, sem qualquer esclarecimento por parte da empresa da razão para isso. A planilha indica a quantidade de pães que teriam sido vendidos e o preço unitário de cada pão, mas o faturamento é indicado com um sinal de negativo. E na soma para alcançar o valor total faturado nos estabelecimentos, consideramse esses valores como negativos. Vejamse: Fl. 3385DF CARF MF 8 Estas planilhas, portanto, não conseguem demonstrar, com clareza, a origem do crédito como pretendido pela Recorrente. Desta forma, mesmo os documentos anexados em 11/04/2019 não alteram a conclusão alcançada no despacho decisório pela não homologação das compensações, que deve ser mantida. Nesse sentido, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne. Fl. 3386DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16370.000398/2008-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE ELEMENTOS DE PROVA ADICIONAIS.
Nega-se provimento ao Recurso Especial que, por lapso, não se contrapõe ao julgamento levado a cabo pelo Colegiado a quo mas sim a situação estranha aos autos, em que a inidoneidade dos recibos fora comprovada pela Fiscalização.
Numero da decisão: 9202-007.800
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE ELEMENTOS DE PROVA ADICIONAIS. Nega-se provimento ao Recurso Especial que, por lapso, não se contrapõe ao julgamento levado a cabo pelo Colegiado a quo mas sim a situação estranha aos autos, em que a inidoneidade dos recibos fora comprovada pela Fiscalização.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE ELEMENTOS DE PROVA ADICIONAIS. Negase provimento ao Recurso Especial que, por lapso, não se contrapõe ao julgamento levado a cabo pelo Colegiado a quo mas sim a situação estranha aos autos, em que a inidoneidade dos recibos fora comprovada pela Fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 37 0. 00 03 98 /2 00 8- 71 Fl. 170DF CARF MF 2 Relatório O presente processo trata de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 2005, anocalendário de 2004, acrescido de juros de mora e multa de ofício, tendo em vista a apuração de deduções indevidas de despesas médicas. Em sessão plenária de 18/04/2018, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2001000.386 (efls. 131 a 146), assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte." A decisão foi assim registrada: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por maioria, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro José Ricardo Moreira que lhe negou provimento." O processo foi encaminhado à PGFN em 14/06/2018 (Despacho de Encaminhamento de efls. 147) e, em 15/06/2018, foi interposto o Recurso Especial de efls. 148 a 156 (Despacho de Encaminhamento de efls. 157), com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, visando rediscutir o critério de comprovação de despesas médicas. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 29/06/2018 (efls. 160 a 163). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações: não há como considerar como comprovadas, para fins de dedução, as despesas médicas glosadas pela auditoria fiscal, dadas as particularidades do caso concreto examinado; Fl. 171DF CARF MF Processo nº 16370.000398/200871 Acórdão n.º 9202007.800 CSRFT2 Fl. 171 3 não obstante, a princípio, admitamse recibos para fins de deduções, é possível a exigência, pelo Fisco, de documentos adicionais para a comprovação da efetividade do tratamento e do real desembolso pelo contribuinte (ônus a cargo deste), sem os quais o recibo não é bastante para justificar o abatimento; tal linha de raciocínio encontrase colmatada pela jurisprudência administrativa, assente na necessidade de demonstração da efetiva prestação dos serviços médicos e do real dispêndio do contribuinte, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda; observese que a glosa objeto da controvérsia foi devidamente justificada pelo fiscal autuante, que desconsiderou os recibos apresentados por haver fortes indícios no sentido de sua inidoneidade; tratase de situação diferenciada, em que a autoridade fiscal trouxe aos autos razões para a exigência de comprovação do efetivo pagamento e não obstante a intimação específica e fundamentada para tanto, o Contribuinte deixou de apresentar a prova necessária; em análise da questão, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE concluiu no seguinte da inidoneidade dos recibos; não obstante os indícios constantes dos autos, o julgado recorrido entendeu que a mera apresentação de recibos é suficiente para afastar a glosa das despesas, desacompanhada de qualquer prova documental idônea do efetivo desembolso. Ao final, a Fazenda Nacional requer seja conhecido e provido o Recurso Especial, reformandose a decisão recorrida e restabelecendose o lançamento. Cientificado, o Contribuinte quedouse silente (efls. 166/167). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Não foram oferecidas Contrarrazões. Tratase de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, tendo em vista a glosa de despesas médicas, referente ao anocalendário de 2004, nos valores de R$ 7.000,00, relativas à Fisioterapeuta Giovanna M. Rizzo, e de R$ 6.000,00, atinentes à Odontóloga Maristela Nishioka. No acórdão recorrido, deuse provimento ao Recurso Voluntário, restabelecendose a dedução das despesas médicas, ao argumento de que os recibos seriam suficientes, uma vez que teriam faltado indícios que os desabonassem. A motivação para a glosa, constante da Notificação de Lançamento, foi a seguinte (fls. 24): Fl. 172DF CARF MF 4 "Glosa do valor de R$ ********14.690,78, indevidamente deduzido a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. (...) Recibos de Maristela Nishioka (R$ 6.000,00 ) e Giovanna M.Rizzo (R$ 7.000,00) desconsiderados por não apresentar qualquer documento para comprovação do pagamento das despesas." Como se pode constatar, não consta da autuação que os recibos apresentados pelo Contribuinte tenham sido considerados inidôneos. Entretanto, as razões de recurso esposadas pela Fazenda Nacional levam à conclusão de que tratarseia de caso diferenciado, em que a Fiscalização teria colacionado provas da inidoneidade dos recibos. A leitura dos trechos que a Fazenda Nacional atribui à autuação e à decisão de Primeira Instância (que ela diz ser da DRJ em Recife/PE, porém tratase da DRJ em Curitiba/PR) mostram que houve equívoco de sua parte, trazendo caso estranho aos presentes autos. Confirase os citados trechos, com a omissão dos nomes do contribuinte e profissional citados, por não dizerem respeito ao presente processo: "Observese que a glosa objeto da controvérsia foi devidamente justificada pelo fiscal autuante que desconsiderou os recibos apresentados por haver fortes indícios no sentido de inidoneidade destes. Eis Eis a fundamentação do lançamento acerca do ponto: '(2) XXXXXX: R$ 8.500,00 – Tendo em vista que consta no sistema dossiê da SRF apenas recibo emitido por esta profissional para o próprio Contribuinte no ano e o fato de que o valor envolvido ser elevado, solicitamos que o Contribuinte provasse o pagamento como condição única para aceitação desta despesa, mas, no caso, o mesmo apresentou apenas os simples recibos e uma declaração da profissional neste sentido, já que não foi apresentado nenhuma prova do efetivo pagamento, seja em cheque ou extrato de conta corrente bancária comprovando saques para pagamento em dinheiro (uma média de R$ 700,00 por mês), desconsideramos esta despesa com base nos argumentos acima de que a mesma só emitiu recibos para ele neste ano.' Ora, tratase de situação diferenciada em que a autoridade fiscal trouxe aos autos razões para a exigência de comprovação do efetivo pagamento. Todavia, não obstante a intimação específica e fundamentada para tanto, o contribuinte deixou de apresentar a prova necessária. Em análise da questão, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE concluiu no seguinte sentido: '10. Reltivamente as despesas médicas em nome da Sra. YYYYYY, no valor total de R$ 8.500,00, o contribuinte anexou cópias dos recibos de fls. 56 a 68 e declaração de fl. 68. 11. Estes recibos não especificam em que teriam sido realizadas as sessões psicoterápicas, em prejuízo do disposto no art. 8°, §2°, Fl. 173DF CARF MF Processo nº 16370.000398/200871 Acórdão n.º 9202007.800 CSRFT2 Fl. 172 5 II, da Lei n° 9.250/95, e art. 80, §1°, II, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99 (Decreto n° 3.000/1999). 12. A declaração de fl. 68, datada de 17/06/2005, e emitida em TeresinaPI, também de emissão da Sra. XXXXXX, não contém endereço da profissional, mas, por seu turno, informa que foi o próprio contribuinte que submeteu as sessões de tratamento psicológico, e esclarece que não pode fornecer as fichas de acompanhamento das sessões psicológicas a que o contribuinte, que tem domicilio em MaceióAL, foi submetido, por se tratar de material não mais existente, pois seu acompanhamento foi encerrado em dezembro/2003 e de acordo com o 'art. 60 & 3' do Código de Ética Profissional dos Psicólogos em caso de extinção do serviço psicológico, os arquivos serão incinerados pelo profissional responsável e isso foi o que fez. 13. A Sra. XXXXXX declarou rendimentos de pessoa física no anocalendário de 2002 apenas no valor de R$ 8.500,00, conforme informação da sua declaração entregue a Receita Federal no dia 28/04/2003, fls. 17 e 18, valor que coincide com o declarado pelo contribuinte como pago a mesma, em 29/04/2003, conforme fls. 73 a 76. 0 contribuinte, na sua impugnação, demonstrou conhecer da declaração da XXXXXX, ao assegurar que esta ofereceu tais rendimentos de R$ 8.500,00 a tributação. 14. É estranho que o contribuinte tenha conhecimento da declaração da Sra. XXXXXX, inclusive, já constando cópia da DIRPF 2003/2002 da mesma entre os documentos que acompanham a impugnação, e que no ano de 2002 a Sra. XXXXXX somente declarou como rendimentos de pessoa física os mesmos R$ 8.500,00, do que decorre que a Sra. XXXXXX teria prestado serviços de psicologia apenas ao contribuinte em todo o ano de 2002, ou seja, embora o tratamento não seja barato, o que requer uma qualidade de tratamento e de profissional de nível compatível, é de se estranhar que a referida profissional somente tenha prestado serviços ao contribuinte e não tenha tido outro cliente. 15. De toda sorte, o contribuinte foi intimado a comprovar o efetivo pagamento como condição única para aceitação das despesas, conforme descrito à fl. 84, ou seja, foi intimado a comprovar a efetiva transferência dos numerários constantes dos recibos, não tendo realizado tal comprovação, o que poderia ser feito através de extratos bancários que demonstrassem operações de compensação de cheques ou saques nos mesmos valores e datas próximas aos que constam dos recibos e declarações. 16. Por todos estes aspectos, os recibos se mostram frágeis e mesmo insuficientes A comprovação das despesas e ao convencimento do julgador, tendo em vista o disposto no art. 29 do Decreto 70.235/72.' Reiterese que, não obstante os indícios constantes dos autos, o julgado ora recorrido entendeu que a mera apresentação de recibos é suficiente para afastar a glosa das despesas, Fl. 174DF CARF MF 6 desacompanhada de qualquer prova documental idônea do efetivo desembolso." (grifei) Nessas condições, não há como sequer analisar as razões de recurso, tendo em vista que estas não foram focadas no caso em julgamento mas sim em situação estranha aos autos. Partindo de uma premissa equivocada, qual seja, a de que tratarseia de caso diferenciado, em que a autuação teria fundamentado a inidoneidade dos recibos, a Fazenda Nacional deixou de se contrapor às razões esposadas no acórdão recorrido, que trataram de situação diversa daquela retratada no Recurso Especial. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 175DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.729192/2011-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
A observância das formalidades legais na realização das operações relativas à absorção de patrimônio de uma sociedade com registro de ágio, sem prova irrefutável de fraude ou de tentativa de mascarar ou encobrir os fatos, desautoriza a qualificação da multa de ofício.
DECADÊNCIA.
Na hipótese de fato que produza efeito em períodos diversos daquele em que ocorreu, a decadência não tem por referência a data do evento registrado na contabilidade, mas sim, a data de ocorrência dos fatos geradores em que esse evento produziu o efeito de reduzir o tributo devido.
INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. INOCORRÊNCIA DE SIMULAÇÃO, ABUSO DE DIREITO OU ABUSO DE FORMA.
No contexto do programa de privatização, a efetivação da reorganização de que tratam os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, mediante a utilização de empresa veículo, desde que dessa utilização não tenha resultado aparecimento de novo ágio, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco.
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. MANUTENÇÃO PARCIAL DA INFRAÇÃO.
Havendo saldo insuficiente para a compensação de prejuízo fiscal, mantém-se a autuação até o limite apurado.
MULTA ISOLADA.
Do ano-calendário 2007 em diante, se não efetuado o pagamento da estimativa mensal, cabe a imputação de multa isolada, sobre a totalidade ou diferença entre o valor que deveria ter sido pago e o efetivamente pago, apurado a cada mês do ano-calendário, mesmo que lançada a multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurados no ajuste anual, não se aplicando a referida multa em anos-calendário anteriores nos termos da Súmula CARF nº 105.
JUROS. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
A decisão prolatada no lançamento matriz estende-se ao lançamento decorrente, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1201-002.893
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em dar parcial provimento ao recurso, para afastar a qualificação da multa de ofício, por unanimidade. Declarou-se impedida a conselheira Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada).
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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A observância das formalidades legais na realização das operações relativas à absorção de patrimônio de uma sociedade com registro de ágio, sem prova irrefutável de fraude ou de tentativa de mascarar ou encobrir os fatos, desautoriza a qualificação da multa de ofício. DECADÊNCIA. Na hipótese de fato que produza efeito em períodos diversos daquele em que ocorreu, a decadência não tem por referência a data do evento registrado na contabilidade, mas sim, a data de ocorrência dos fatos geradores em que esse evento produziu o efeito de reduzir o tributo devido. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. INOCORRÊNCIA DE SIMULAÇÃO, ABUSO DE DIREITO OU ABUSO DE FORMA. No contexto do programa de privatização, a efetivação da reorganização de que tratam os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, mediante a utilização de empresa veículo, desde que dessa utilização não tenha resultado aparecimento de novo ágio, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. MANUTENÇÃO PARCIAL DA INFRAÇÃO. Havendo saldo insuficiente para a compensação de prejuízo fiscal, mantém se a autuação até o limite apurado. MULTA ISOLADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 91 92 /2 01 1- 71 Fl. 9298DF CARF MF Processo nº 10580.729192/201171 Acórdão n.º 1201002.893 S1C2T1 Fl. 3 2 Do anocalendário 2007 em diante, se não efetuado o pagamento da estimativa mensal, cabe a imputação de multa isolada, sobre a totalidade ou diferença entre o valor que deveria ter sido pago e o efetivamente pago, apurado a cada mês do anocalendário, mesmo que lançada a multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurados no ajuste anual, não se aplicando a referida multa em anoscalendário anteriores nos termos da Súmula CARF nº 105. JUROS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. A decisão prolatada no lançamento matriz estendese ao lançamento decorrente, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar parcial provimento ao recurso, para afastar a qualificação da multa de ofício, por unanimidade. Declarouse impedida a conselheira Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada). (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentando contra decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo ora Recorrente. Em 15 de fevereiro de 2017, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF decidiu, por meio do Acórdão n. 1201001.559 (fls. 8708 e ss), por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer a dedutibilidade do ágio nos períodos autuados, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 Fl. 9299DF CARF MF Processo nº 10580.729192/201171 Acórdão n.º 1201002.893 S1C2T1 Fl. 4 3 DECADÊNCIA. Na hipótese de fato que produza efeito em períodos diversos daquele em que ocorreu, a decadência não tem por referência a data do evento registrado na contabilidade, mas sim, a data de ocorrência dos fatos geradores em que esse evento produziu o efeito de reduzir o tributo devido. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. INOCORRÊNCIA DE SIMULAÇÃO, ABUSO DE DIREITO OU ABUSO DE FORMA. No contexto do programa de privatização, a efetivação da reorganização de que tratam os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, mediante a utilização de empresa veículo, desde que dessa utilização não tenha resultado aparecimento de novo ágio, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. MANUTENÇÃO PARCIAL DA INFRAÇÃO. Havendo saldo insuficiente para a compensação de prejuízo fiscal, mantém se a autuação até o limite apurado. MULTA ISOLADA. Do anocalendário 2007 em diante, se não efetuado o pagamento da estimativa mensal, cabe a imputação de multa isolada, sobre a totalidade ou diferença entre o valor que deveria ter sido pago e o efetivamente pago, apurado a cada mês do anocalendário, mesmo que lançada a multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurados no ajuste anual, não se aplicando a referida multa em anoscalendário anteriores nos termos da Súmula CARF nº 105. JUROS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. A decisão prolatada no lançamento matriz estendese ao lançamento decorrente, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Tanto a Fazenda Nacional quanto a Recorrente recorreram à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio dos Recursos Especiais (fls. 8789 e 8991, respectivamente). No âmbito da Câmara Superior, os membros do colegiado, por meio do Acórdão n. 9101003.467, acordaram, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Fl. 9300DF CARF MF Processo nº 10580.729192/201171 Acórdão n.º 1201002.893 S1C2T1 Fl. 5 4 Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento. Por unanimidade de votos, acordam em considerar prejudicada a análise da qualificação da multa de ofício, por preclusão, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação dessa questão constante do recurso voluntário. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento. Diante de tal cenário, cabe à 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF apreciar a qualificação da multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Relator. Nos termos do Acórdão n. 9101003.467 (fls. 9162 e ss), a Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF considerou prejudicada a análise da qualificação da multa de ofício, por preclusão, determinando o retorno dos autos para a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF para apreciação da qualificação da multa. Nesse sentido, a única matéria que será analisada no presente voto diz respeito à qualificação ou não da multa de ofício. A multa foi imposta tendo por fundamento o artigo 44, II, da Lei n. 9.430/96 e se baseou nas seguintes afirmações da fiscalização (fls. 91 e ss): “A COELBA apura seu resultado fundamentado no Lucro Real Anual com pagamento de estimativas mensais calculadas com base em Balanços de redução/suspensão. Este resultado é composto por contas de resultado representado por receitas, despesas e custos, cujo confronto ajustado concebe o fato gerador do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. As condutas supracitadas do contribuinte tiveram a finalidade, de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar o diferir o seu pagamento, conforme descrição abaixo. A empresa Guaraniana S/A adquiriu participação societária da COELBA com expressivo ágio, cujo fundamento econômico é o fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Ressaltase que este ágio é indedutível de acordo com o regramento legal. Os artigos 7º e 8º da Lei 9.532 de 10 de dezembro de 1997, inovaram o mundo jurídico com a possibilidade de dedução do ágio cujo fundamento fosse o valor rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros. Fl. 9301DF CARF MF Processo nº 10580.729192/201171 Acórdão n.º 1201002.893 S1C2T1 Fl. 6 5 Diante desta novação, as empresas Guaraniana S/A e COELBA estabeleceram que deveriam criar uma situação jurídica para se inserir neste universo legal. Ressaltase que caso as empresas optassem pela incorporação direta o ágio remanescente não seria dedutível, mormente, seu fundamento econômico ser o fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Diante deste efeito indesejável, foi necessária a utilização da Nordeste Participações S/A, empresa veículo, com o objetivo de intermediar a passagem do ágio para a COELBA. (...) Em 31 de março de 2000, a Guaraniana S/A transfere ações, que detinha da COELBA para Nordeste Participações S/A, que por sua vez, contabiliza a operação no ativo Permanente subdividindo como investimento mais ágio. Observase que em 23 de dezembro de 1999 a empresa Arthur Andersen produziu laudo de avaliação econômica da COELBA com objetivo de assessorar a Guaraniana S/A no processo de fundamentação do ajustado na alienação da participação societária detida por esta. Como já mencionado anteriormente registrarse que, conforme vasta jurisprudência de ministra ativa, não é possível reconhecer uma mais valia de um investimento quando originado de transação intragrupo, mormente inexistir substância econômica. No mesmo sentido, a CVM, através do Ofício Circular CVM/SNC/SEP n. 01, de 14 de fevereiro de 2007, delibera pela impossibilidade de contabilização do ágio quando as operações ocorrem entre empresas ligadas. Observase que o grupo econômico tentou alterar as características do ágio através de laudo de avaliação econômica, mediante operação intragrupo de transferência do mesmo. Restou comprovado que este achou transferido pela Guaraniana S/A para Nordeste Participações S/A é remanescente das aquisições realizadas nos leilões supracitados, cujo fundamento econômico é o fundo de comércio, intangíveis e outras razões. Para consecução da vontade explicitada pelos participes dessa transação, qual seja, a transferência do ágio para empresa rentável do grupo foi necessária mais de uma etapa de operações intragrupo a qual detalharemos abaixo. Em 7 de junho de 2000, após anuência da ANEEL, a COELBA realiza incorporação da sua controlada Nordeste Participações S/A, empresa veículo, contabilizando ágio remanescente dos leilões de suas próprias ações. Ressaltese que o grupo econômico após esta série de operações formais entende que o ágio que outrora tinha fundamento econômico em fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas, passou a ser dedutível. Fl. 9302DF CARF MF Processo nº 10580.729192/201171 Acórdão n.º 1201002.893 S1C2T1 Fl. 7 6 Após a leitura deste Termo de Verificação Fiscal não resta qualquer dúvida que esta incorporação às avessas não ocorreu de fato, porquanto, se prestou apenas para validar a transferência do ágio entre empresas do mesmo grupo econômico. Esta conduta intencional de criar operações sem qualquer substância econômica ou propósito negocial, a não ser o elidir tributos, aumentou as despesas operacionais da COELBA, reduzindo sensivelmente o valor do tributo a recolher, mediante alteração das características fundamentais do fato gerador, qual seja o lucro tributável. O artigo 72, da Lei 4.502, de 30 de novembro de 1964, dispõe o seguinte, in verbis: Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Entende esta Auditoria consoante arrazoado elaborado neste item e, em todo o trabalho fiscal realizado, que a conduta intencional adotada pela COELBA para reduzir seu lucro tributável encaixase com perfeição no conceito de Fraude. Assim, concluise que de acordo com artigo 44, inciso II da Lei 9.430 de 27 de dezembro de 1996, com nova redação dada pela lei 11.488, de 15 de junho de 2007, a multa de ofício será duplicada, mormente ter havido Fraude praticada pelas empresas COELBA, Guaraniana S/A e Nordeste Participações S/A”. A qualificação da multa foi mantida no Acórdão de Impugnação, conforme os seguintes trechos do voto: 84. Notese que apesar das operações de aumento de capital, conferência com ações, incorporação às avessas, o valor pago, originariamente, pela Guaraniana S/A pela aquisição das ações da Impugnante, contabilizado nas contas de investimento e de ágio pela aquisição, não sofreu qualquer alteração além da equivalência patrimonial e a amortização do ágio, sendo mantida, sempre, o mesmo controle societário e com idêntica participação societária, o que por si só afasta a alegada hipótese de reorganização societária e demonstra a falta de propósito negocial, apontando para a existência de simulação, pois, se abstrairmos as referidas operações formais, a visão que se tem é de que o investimento originariamente feito pela Guaraniana S/A para a aquisição do controle da Impugnante, não sofreu qualquer solução de continuidade, porquanto ele manteve, desde a origem (as primeiras aquisições das ações), o mesmo controle societário, inclusive fazendo os registros de amortização de ágio e de equivalência patrimonial em sua contabilidade como se não houvesse qualquer alienação. Fl. 9303DF CARF MF Processo nº 10580.729192/201171 Acórdão n.º 1201002.893 S1C2T1 Fl. 8 7 90. Assim é que, conforme demonstrado pela Fiscalização, com a utilização de operações simuladas, ficou caracterizada a intenção dolosa, e por consequência, a situação de Fraude que foi consubstanciada na conduta intencional da Impugnante e de suas controladoras de criarem operações sem qualquer substância econômica ou propósito negocial, a não ser o de elidir tributos, mediante a alteração das características essenciais do fato gerador, com a criação indevida de despesas operacionais, modificando, indevidamente, o lucro tributável, conduta esta prevista no já transcrito artigo 72, da Lei 4.502 de 30 de novembro de 1964, (...) 91. Diante do exposto, mantenho a multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento), eis que restou evidenciada a intenção livre e consciente da Impugnante, em criar despesa inexistente de amortização de ágio com o intuito de reduzir, indevidamente, a carga tributária devida, deixando recolher o correspondente Imposto sobre a Renda devido, caracterizandose, tal conduta, em fraude. Considerando que o CARF originalmente tinha confirmado a dedutibilidade do ágio nos períodos autuados, por meio do Acórdão n. 1201001.559 (fls. 8708 e ss), não houve análise da qualificação da multa no âmbito da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção, de modo que nos resta analisar a qualificação ou não da multa de ofício frente a decisão posterior da Câmara Superior de Recursos Fiscais constante no Acórdão n. 9101003.467 (fls. 9162 e ss). A multa de ofício somente será aplicável nos casos em que houver comprovação de fraude. Nesse sentido, cito o entendimento manifestado pelo Conselheiro Gerson Macedo Guerra no Acórdão 9101003.584 de 08/05/2018, que assim dispôs: Não concordo com tal orientação. Aliome ao quanto decidido pela Turma a quo, de modo a me valer dos dizeres do voto vencedor para fundamentar minha decisão, verbis: Portanto, a qualificação (duplicação) da multa não decorre de nova infração. Ela surge quando a falta de pagamento ou recolhimento, a falta de declaração ou a declaração inexata estiver associada a uma das condutas típicas definidas como sonegação, fraude ou conluio. Tais condutas supõem a inequívoca constatação de dolo, elemento essencial do tipo, no seu mais puro sentido penal. Nas palavras de Marco Aurélio Greco: Se não houve intuito de enganar, esconder, iludir, mas se, pelo contrário, o contribuinte agiu de forma clara, deixando explícitos seus atos e negócios, de modo a permitir a ampla fiscalização pela autoridade fazendária, e se agiu na convicção e certeza de que seus atos tinham determinado perfil legalmente protegido que levava ao enquadramento em regime ou previsão legal tributariamente mais favorável , não se trata de caso regulado pelo § 1º do artigo 44, mas de divergência na qualificação jurídica dos fatos; hipótese completamente Fl. 9304DF CARF MF Processo nº 10580.729192/201171 Acórdão n.º 1201002.893 S1C2T1 Fl. 9 8 distinta da fraude e da sonegação a que se referem os dispositivos para os quais o § 1º remete. A fraude penal não se confunde com a fraude à lei (ou fraude civil) acima invocada. Nesta última, o contribuinte enquadra sua conduta numa norma, mas vem o Fisco e o faz em outra. É um problema de qualificação jurídica. Por sua vez, a fraude penal, assim como a sonegação, são condutas típicas do direito penal também caracterizadas como crimes contra a ordem tributária (artigos 1º e 2º, I, da Lei nº 8.137/90). Tanto é que o § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/96 ressalva a aplicação de outras penalidades criminais. Quanto à sonegação, não há dúvidas. Só se concretiza depois de ocorrido o fato gerador da obrigação tributária. Isso porque sua hipótese prevê uma conduta voltada para impedir ou retardar o “conhecimento”, pelo Fisco, “da ocorrência do fato gerador” ou “das condições pessoais de contribuinte”. A fraude, por outro lado, suscita mais dúvidas. A redação do artigo 72 da Lei nº 4.502/64 pode ser dividida em duas partes. Na primeira parte, temse as condutas de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. “Impedir ou retardar” é diferente de “não realizar”. Nos casos de planejamentos tributários, o contribuinte julga que sua conduta é alcançada por outro enquadramento legal e não pela hipótese do fato gerador. Como ensina Marco Aurélio Greco, essa parte do dispositivo legal tem sua aplicação restrita às situações em que “tiverem sido realizados atos que, substancialmente, representem o núcleo da definição do fato gerador, de modo que a sua ‘ocorrência’ seja mera etapa subsequente, e quase que inexorável, a introdução pelo contribuinte (ou outrem) de atos ou omissões que não permitam o aperfeiçoamento daquele fato gerador que iria ocorrer”. Afinal, só se impede ou se retarda algo que está em curso. Na segunda parte, quando há alusão a excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador, novamente, temse condutas que só se concretizam depois que este tenha ocorrido. É que só se pode excluir ou modificar algo que já exista. Há poucas linhas, firmouse que o conceito de simulação pode ser orientado pelo vício de vontade ou pelo vício de causa. São duas situações claramente distintas. Na simulação por vício de vontade, há o requisito do falseamento ou manipulação de aspectos relevantes dos Fl. 9305DF CARF MF Processo nº 10580.729192/201171 Acórdão n.º 1201002.893 S1C2T1 Fl. 10 9 negócios jurídicos. As partes declaram algum aspecto que seja falso, portanto, uma vontade aparente ou simulada (simulação absoluta), ou algum aspecto que tem por objeto encobrir outro de natureza diversa, portanto, uma vontade aparente ou simulada que encobre uma vontade real ou dissimulada (simulação relativa ou dissimulação). Tratase, com efeito, das hipóteses em que se concretizam condutas como a sonegação ou a fraude penais. Estamos fora do campo dos planejamentos tributários propriamente ditos. Por outro lado, na simulação por vício de causa, situações em que se verificam os planejamentos tributários inoponíveis ao Fisco, inexistem condutas maculadas pelo falseamento ou manipulação de aspectos relevantes dos negócios jurídicos. As partes deixam às claras as formas jurídicas empregadas. No presente caso, o ilustre Relator sustenta a qualificação da multa com base na constatação de que a recorrente, de forma reiterada, engendrou reestruturações societárias fraudulentas, eivadas de simulação. Mas, não aponta qualquer falseamento ou manipulação de aspectos relevantes nessa situação. Nada obstante, como já exposto, se isso não aconteceu, não posso concordar com a qualificação dessa conduta nas figuras da sonegação ou da fraude penais. A meu ver a simulação está maculada pelo vício de causa. Como o próprio Relator apontou em seu voto, as empresas JOMARKO e HIGH SECURITY não foram criadas para o exercício de uma atividade econômica organizada. Essa é a causa imanente às sociedades empresárias. Seu propósito foi outro. Mas daí não decorre que houve falsidade material na sua constituição. Muito menos que houve conduta concretizada após a ocorrência do fato gerador (sonegação ou segunda parte da fraude) ou conduta concretizada no iter formativo do fato gerador (primeira parte da fraude). Consequentemente, é de se afastar a qualificação da multa aplicada. Dessa forma, entendo que o relatório de fiscalização não logrou êxito em comprovar a ocorrência de fraude por parte da ora Recorrente, assim como todas as operações realizadas por ela foram devidamente formalizadas perante os órgãos competentes, o que demonstra que não houve intenção de omitir nenhuma informação das autoridades fiscais. Como decorrência, a multa de ofício somente seria qualificada nos casos de evidente intuito de fraude nos termos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64, sendo que tais artigos sempre exigem uma conduta dolosa, conforme trecho abaixo: Fl. 9306DF CARF MF Processo nº 10580.729192/201171 Acórdão n.º 1201002.893 S1C2T1 Fl. 11 10 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Como não houve demonstração da prática dolosa, não há que se falar em qualificação da multa de ofício. Também é importante citar o artigo 24 da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, pelo qual a revisão quanto à validade de ato levará em conta as orientações gerais da época, nos seguintes termos: DecretoLei n. 4.657/42 Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro. Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas situações plenamente constituídas. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) Parágrafo único. Consideramse orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) Considerando que o Acórdão recorrido se refere à ágio decorrente de operação de privatização ocorrida em 1999, vale destacar que ainda não havia jurisprudência consolidada sobre o ágio à época, o que implica em que, ainda que o auto de infração aqui discutido tenha sido mantido no que tange ao mérito, não se pode aplicar a multa mais gravosa (nesse caso, a multa qualificada) diante de um cenário em que grande parte dos autos de infração eram cancelados. Por fim, cumpre citar também o artigo 112 do Código Tributário Nacional, pelo qual deve se interpretar a legislação de penalidades de forma mais favorável ao Fl. 9307DF CARF MF Processo nº 10580.729192/201171 Acórdão n.º 1201002.893 S1C2T1 Fl. 12 11 contribuinte, quando houver dúvida quanto à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação, in verbis: Código Tributário Nacional Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e darlhe parcial provimento para afastar a qualificação da multa de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Fl. 9308DF CARF MF
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Numero do processo: 11634.000538/2008-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/03/2005 a 10/03/2005, 21/05/2005 a 31/05/2005, 21/06/2005 a 30/06/2005, 11/07/2005 a 31/07/2005, 01/09/2005 a 30/09/2005, 11/10/2005 a 31/10/2005, 11/11/2005 a 31/12/2005
IRPJ. LANÇAMENTOS CONEXOS. IPI. FALTA DE RECOLHIMENTO.
É devido o imposto lançado, mas não recolhido nos prazos legais de vencimento.
AÇÃO FISCAL. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. IMPOSSIBILIDADE.
Sob ação fiscal, o sujeito passivo pode recolher tributos já declarados no prazo de vinte dias, mas é vedada a retificação de declarações de apresentação obrigatória
MULTA DE OFÍCIO MAJORADA. CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICATIVA.
Cabe a aplicação da penalidade pecuniária exacerbada (150%) quando restar comprovada nos autos a circunstância qualificativa.
Numero da decisão: 1301-003.831
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, considerando, contudo que os pagamentos já realizados pela contribuinte e que correspondam aos créditos lançados de ofício devem ser aproveitados pela unidade de origem para abater o saldo devedor consolidado dos presentes autos, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: Bianca Felícia Rothschild
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LANÇAMENTOS CONEXOS. IPI. Recorrente MACEDONIA MOVEIS LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/03/2005 a 10/03/2005, 21/05/2005 a 31/05/2005, 21/06/2005 a 30/06/2005, 11/07/2005 a 31/07/2005, 01/09/2005 a 30/09/2005, 11/10/2005 a 31/10/2005, 11/11/2005 a 31/12/2005 IRPJ. LANÇAMENTOS CONEXOS. IPI. FALTA DE RECOLHIMENTO. É devido o imposto lançado, mas não recolhido nos prazos legais de vencimento. AÇÃO FISCAL. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. IMPOSSIBILIDADE. Sob ação fiscal, o sujeito passivo pode recolher tributos já declarados no prazo de vinte dias, mas é vedada a retificação de declarações de apresentação obrigatória MULTA DE OFÍCIO MAJORADA. CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICATIVA. Cabe a aplicação da penalidade pecuniária exacerbada (150%) quando restar comprovada nos autos a circunstância qualificativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 05 38 /2 00 8- 40 Fl. 463DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, considerando, contudo que os pagamentos já realizados pela contribuinte e que correspondam aos créditos lançados de ofício devem ser aproveitados pela unidade de origem para abater o saldo devedor consolidado dos presentes autos, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. Fl. 464DF CARF MF Processo nº 11634.000538/200840 Acórdão n.º 1301003.831 S1C3T1 Fl. 464 3 Relatório Inicialmente, adotase parte do relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: Com fulcro no Regulamento do Imposto Sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002, foi lavrado o auto de infração de fls. 154/155, pela AFRFB Roselene Márcia Francis, para exigir R$ 35.693,57 de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), R$ 12.559,96 de juros de mora calculados até 31/07/2008 e R$53.540,33 de multa proporcional ao valor do imposto, o que representa o crédito tributário consolidado de R$ 101.793,86. Consoante a descrição dos fatos, de fls. 156/157, e o termo de verificação e encerramento de ação fiscal, de fls. 140/147, a contribuinte não recolheu o imposto lançado nos prazos estabelecidos pela legislação no tocante a alguns períodos de apuração do ano de 2005, conforme discriminação na ementa deste julgado. Durante o ano de 2005, a contribuinte declarou perante o Fisco Federal valores de receita operacional inferiores àqueles informados ao Fisco Estadual. Sendo a empresa contribuinte do IPI, do ramo de fabricação de móveis, e constatada a omissão de receitas no âmbito do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, foi aplicada a alíquota de 5% sobre a receita omitida com o cômputo de créditos do imposto escriturados no livro Registro de Apuração do IPI, conforme o demonstrativo de apuração de fls. 143/145. A contribuinte apresentou declarações retificadoras sob procedimento fiscal, vale dizer, sem efeito. Pelo evidente intuito de fraude traduzido na conduta do sujeito passivo de informar valores inferiores ao Fisco Federal com o fito de deixar de pagar os tributos devidos, foi infligida a multa de ofício qualificada (150%). Regularmente cientificado em 21/08/2008 por intermédio da procuradora Margarete Parpinelli Ferreira, contadora (cópia da procuração de fl. 162), apresentou o sujeito passivo a impugnação de fls. 160/161 em 19/09/2008, subscrita pela mesma procuradora. A peça impugnatória apresentada pela pessoa jurídica autuada t$m, em suma, os seguintes pontos a ser arrostados: a) a empresa entregara declarações retifícadoras (dentro do prazo de 20 dias do início da ação fiscal), levando ao conhecimento das autoridades fiscais o real montante do fato gerador do imposto, informado errado por equívoco de processamento, e foi com surpresa que a empresa recebeu o auto de infração com os mesmos valores constantes da retificação, sem a exclusão de valores adiantados mensalmente; b) houve formalização de processo de representação para fins penais sendo que os dados fiscais se encontram declarados, sendo que crime de sonegação fiscal pressupõe o desconhecimento do fato gerador pelo Fisco; c) é exagerada a multa de 150% uma vez que a contribuinte havia levado o fato gerador ao conhecimento da autoridade, sendo que não há a necessária condenação anterior pelo crime; d) inconformada com a nãoaceitação da retificação das declarações de Imposto de Renda, encerra a peça de defesa com o pedido de cancelamento do auto de infração e concessão do parcelamento para que possa continuar a pagar o tributo, Fl. 465DF CARF MF 4 e junta aos autos cópias de DARF de antecipação de recolhimento e de declarações retificadas. A decisão da autoridade de primeira instância julgou improcedente a impugnação da contribuinte, cuja ementa encontrase abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/03/2005 a 10/03/2005, 21/05/2005 a 31/05/2005, 21/06/2005 a 30/06/2005, 11/07/2005 a 31/07/2005, 01/09/2005 a 30/09/2005, 11/10/2005 a 31/10/2005, 11/11/2005 a 31/12/2005 FALTA DE RECOLHIMENTO. É devido o imposto lançado, mas não recolhido nos prazos legais de vencimento. MULTA DE OFÍCIO MAJORADA. CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICATIVA. Cabe a inflição da penalidade pecuniária exacerbada (150%) quando restar comprovada nos autos a circunstância qualificativa. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/03/2005 a 10/03/2005, 21/05/2005 a 31/05/2005, 21/06/2005 a 30/06/2005, 11/07/2005 a 31/07/2005, 01/09/2005 a 30/09/2005, 11/10/2005 a 31/10/2005, 11/11/2005 a 31/12/2005 AÇÃO FISCAL. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. IMPOSSIBILIDADE. Sob ação fiscal, o sujeito passivo pode recolher tributos já declarados no prazo de vinte dias, mas é vedada a retificação de declarações de apresentação obrigatória Lançamento Procedente Cientificado da decisão de primeira instancia, o contribuinte apresentou recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sede de impugnação, acrescentando razões para reforma na decisão recorrida. Em sessão de julgamento de 16 de outubro de 2014, a 1a Turma da 1a Câmara da 3a Seção de Julgamento deste Conselho decidiu por declinar sua competência de julgamento à 1a Seção de Julgamento conforme o disposto no artigo 2º, Iv, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009. É o relatório. Fl. 466DF CARF MF Processo nº 11634.000538/200840 Acórdão n.º 1301003.831 S1C3T1 Fl. 465 5 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora Recurso Voluntário O recurso voluntário é TEMPESTIVO e uma vez atendidos também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. Fatos Tratase de Auto de Infração de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) referente a fatos geradores ocorridos no ano de 2005, com a exigência do imposto, da multa de ofício de 150% e dos juros moratórios. A autuação decorreu da omissão de receitas operacionais, verificada a partir do confronto entre as receitas declaradas à Secretaria da Fazenda Estadual e as receitas declaradas à Receita Federal DIPJ. Sendo a empresa contribuinte do IPI, do ramo de fabricação de móveis, e constatada a omissão de receitas no âmbito do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, foi aplicada a alíquota de 5% sobre a receita omitida com o cômputo de créditos do imposto escriturados no Livro Registro de Apuração do IPI. Processo conexo de IRPJ 11634.000537/200803 A título de informação, vale comentar que o processo administrativo relacionado ao IRPJ Proc. 11634.000537/200803 foi julgado por este colegiado de forma desfavorável ao contribuinte, conforme ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 RECOLHIMENTOS EFETUADOS APÓS INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS. Aos recolhimentos relativos a fatos geradores não declarados, efetuados no prazo de vinte dias seguintes ao início de procedimento fiscal, não se aplica o benefício prescrito no art. 47 da Lei n° 9.430/96, devendo ser acrescidos da multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A prestação de declaração contendo valores reduzidos de receitas, correspondendo a 5% dos fatos geradores verificados, sem qualquer justificativa plausível, evidencia o intuito de fraude. A apresentação de livros e documentos fiscais, e mesmo a confissão dos fatos geradores omitidos durante a fiscalização, não elide o dolo. Fl. 467DF CARF MF 6 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto ao lançamento dos tributos, e por maioria de votos, em negar provimento ao recurso quanto à aplicação da multa qualificada de 150%, vencido o Conselheiro Irineu Bianchi. Mérito Os três argumentos apresentados pela Recorrente dizem respeito à: a) Parcelamento Que os recolhimentos efetuados espontaneamente, já após o início do procedimento fiscal, que não foram aceitos como parcelamento, deveriam ter sido descontados do montante devido imputado na autuação. O acórdão recorrido, ao apreciar a matéria decidiu pela impossibilidade do pedido, porque não cabe à autoridade lançadora a apreciação de tal requerimento. Uma vez iniciado o procedimento fiscal os recolhimentos efetuados não podem ser considerados no ato do lançamento, já que vêm acrescidos de simples multa moratória. O direito ao recolhimento com simples acréscimo de multa moratória nos vinte dias seguintes ao início de procedimento fiscal restringese aos valores já declarados, nos termos do art. 47 da Lei n° 9.430/96 (abaixo reproduzido), fato este que não se verifica no caso presente. Art. 47. A pessoa física ou jurídica submetida a ação fiscal por parte da Secretaria da Receita Federal poderá pagar, até o vigésimo dia subseqüente à data de recebimento do termo de início de fiscalização, os tributos e contribuições já declarados, de que for sujeito passivo como contribuinte ou responsável, com os acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo. (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997) (grifo meu) Contudo, entendo, em linha com a decisão de primeira instancia, que os pagamentos que correspondam aos créditos lançados de ofício, devem ser aproveitados pela unidade de origem para abater o saldo devedor consolidado dos presentes autos. b) Multa Qualificada Alega a Recorrente que descabe a aplicação da multa qualificada pois os fatos geradores foram oferecidos na íntegra ao Fisco. A recorrente confessou os fatos geradores omitidos durante o procedimento fiscal, tendo, inclusive, tentado retificar sua DIPJ. Vale transcrever o disposto no Termo de Verificação Fiscal sobre a qualificação da multa de ofício (fls. 360 e segs) : Na presente_ ação fiscal verificamos que a empresa declarava valores inferiores ao Fiscal Federal, tendo em vista o já citado Convênio de Cooperação Técnica firmado em 01/10/1998 entre a Secretaria da Receita Federal e a Secretaria da Receita Estadual do Estado do Paraná (Instrução Normativa SRF n° 20/98). Intimada a manifestarse sobre as divergências apuradas, a empresa limitouse ai declarar que as informações prestadas ao Fisco Federal eram inconsistentes. Fl. 468DF CARF MF Processo nº 11634.000538/200840 Acórdão n.º 1301003.831 S1C3T1 Fl. 466 7 A empresa possui o livro Registro de Apuração do ICMS devidamente escriturado, cujos valores estão em conformidade com as notas fiscais de saídas. Considerando o exposto, concluímos que a empresa informava valores inferiores ao Fisco Federal, única e exclusivamente, com a finalidade de não pagar os tributos devidos, ficando caracterizado evidente intuito de fraude, nos termos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Assim sendo, a multa de ofício correspondente ao Imposto sobre Produtos Industrializados devido no anocalendário de 2005, em decorrência da omissão de receitas operacionais, será de 150%, conforme determina o artigo 488, inciso II do RIPI Decreto n° 4.544/02. Entendo, em linha do que foi decidido pela autoridade julgadora de primeira instancia, que os documentos acostados aos autos evidenciam que o sujeito passivo declarava propositadamente em DIPJ valor inferior ao que constava de suas declarações estaduais ICMS. Sabemos que mera omissão de receita não é o suficiente para justificar a imposição da multa majorada, contudo, no presente caso, a conduta do sujeito passivo permite desvelar sua inequívoca intenção de não oferecer seus rendimentos à tributação. O traço marcante do seu dolo advém da enorme disparidade entre as receitas declaradas e as omitidas, além da prática reiterada de tal procedimento. A declaração de rendimentos é o meio que a Administração Tributária possui para averiguar o cumprimento das obrigações do sujeito passivo. Assim, entendo que a conduta de falseála, reduzindolhe os valores de receita bruta, demonstra intenção de esconder do Fisco a ocorrência de fatos geradores. Provada a redução, entendo caracterizado o intuito de fraude, o qual autoriza a exasperação da multa. No caso vertente, a disparidade entre os fatos geradores e os valores declarados ao Fisco (apenas 5%) são agravantes a considerar. O raciocínio, neste caso, não é invalidado pela confissão, posto não ter essa o mérito nem os efeitos desejados, quando efetuada após início do procedimento fiscal. c) Arbitramento não foi mencionado na impugnação Que a fiscalização não justificou os cálculos de arbitramento realizados, uma vez que tomou o parâmetro da imputada receita bruta, mas não excluiu dos custos de produção, o crédito do IPI pago na entrada, com o que, inchou indevidamente a base de cálculo, sem qualquer justificativa de ordem material. A alegação relativa à desconsideração de custos de produção não foi proposta quando da impugnação (fls. 375 e segs). Nos termos do art. 17 do Decreto n° 70.235/72, a matéria não expressamente contestada na impugnação é considerada não impugnada, não podendo dela conhecer o colegiado de segunda instância. Ademais, mesmo que considerássemos tais argumentos, a Recorrente não trouxe a relação e valores dos custos de produção ou créditos de IPI pagos na entrada que deveriam ser considerados de forma a reduzir o montante apurado. Fl. 469DF CARF MF 8 Outro detalhe é que em Resposta ao Mandado de Procedimento Fiscal de fl. 37 quando indagado pelo auditor fiscal se os créditos de IPI e custos haviam sido utilizados, respondendo afirmativamente. Vejamos : VENHO POR MEIO DESTA COMUNICAR, A QUE ATE PRESENTE DATA, AINDA NÃO CONSEGUI LOCALIZAR O LIVRO LALUR DO ANO CALENDARIO 2005. E QUE OS CRÉDITOS RELATIVOS AO IPI FORAM DEVIDAMENTE UTILIZADOS, CONFORME LIVR0 E QUE OS TODOS OS CUSTO/DESPESAS JÁ FORAM DEVIDAMENTE PARA FINS DE APURAÇÃO DE CREDITO DE PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. SENDO SÓ PARA O MOMENTO Por fim, vale citar que o procedimento de apuração da base de cálculo foi devidamente correta conforma descrição do Termo de Encerramento da Ação Fiscal, vejamos (fl 147) : Tendo em vista que a empresa fiscalizada tratase de estabelecimento industrial é devido o IPI Imposto sobre Produtos Industrializados (artigo 24, inciso lido RIPI — Decreto n° 4.544/02) sobre a omissão de receitas apurada neste procedimento fiscal (reflexo). Os produtos industrializados pela empresa são, em sua maioria, mesas e cadeiras com a respectiva classificação fiscal: 9403.40.00 e 9401.61.00, sendo o IPI devido, em ambas as classificações, à alíquota de 5%. A empresa apresentou o Livro de Apuração do IPI n° 01, do ano calendário de 2005, fls. 34 a 106, onde cabem as seguintes considerações: 1. o livro foi refeito, tendo em vista que a empresa não havia considerado o saldo credor inicial com base nos produtos em estoque em 31/12/2004; 2. o saldo credor inicial, no valor de R$.7.350,30 (sete mil, trezentos e cinqüenta reais e trinta centavos) foi calculado com base nos produtos em estoque em 31/12/2004, conforme documento de fls. 107, sendo os valores.ponstantes do referido documento extraídos do Livro Registro de Inventário n° 01 e Balanço.Patrimonial Ativo encerrado em 31/12/2004, fls. 108 a 113 e; 3. os débitos foram escriturados levandose em consideração a omissão de receitas apurada de oficio neste procedimento fiscal. Os valores de créditos e débitos de IPI apurados no livro de Registro de Apuração do IPI foram conferidos com os livros de Registro de Entradas n° 03 e Registro de Saídas n° 03, juntamente com as respectivas notas fiscais. Da referida auferição foram apurados saldos devedores de IPI conforme a seguir, cujos valores serão objetos de lançamento de ofício por determinação do artigo 127 do Regulamento do IPI — aprovado pelo Decreto n° 4.544/02. Fl. 470DF CARF MF Processo nº 11634.000538/200840 Acórdão n.º 1301003.831 S1C3T1 Fl. 467 9 Conclusão Desta forma, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, porém NEGARLHE PROVIMENTO, considerando, contudo os pagamentos já realizados pela contribuinte e que correspondam aos créditos lançados de ofício, devem ser aproveitados pela unidade de origem para abater o saldo devedor consolidado dos presentes autos. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 471DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.902396/2014-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/06/2000
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais.
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE.
Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como receita financeira, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente.
Numero da decisão: 3401-005.830
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/06/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como receita financeira, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1919; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.902396/201413 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401005.830 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de fevereiro de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO PIS/COFINS Recorrente BANCO ALVORADA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/06/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 23 96 /2 01 4- 13 Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10580.902396/201413 Acórdão n.º 3401005.830 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou insubsistente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório que indeferiu pedido de restituição de PIS. Do Pedido de Compensação e do Despacho Decisório O contribuinte pleiteou compensação, referente a pagamento efetuado indevidamente ou a maior, transmitido através de PER. Em despacho decisório, o pedido foi indeferido sob a alegação que o “recolhimento apontado como origem do crédito encontrase integralmente alocado ao débito informado pelo contribuinte, não restando qualquer saldo de pagamento a ser restituído. ” Da Manifestação de Inconformidade O Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, argumentando o seguinte: 1. O Supremo Tribunal Federal declarou incidentalmente a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, contida no §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998 e que o presente pedido de restituição se mostra subsistente, pois os recolhimentos da contribuição em tela foram realizados nos estritos lindes do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, cujo descompasso com o sistema normativo acabou por provocar o recolhimento a maior nesse tocante e, por conseguinte, não há como prosperar o indeferimento do presente pedido de restituição. 2. O STF declarou a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98 porque reconheceu que as contribuições sociais ao PIS e à Cofins só poderiam incidir sobre o faturamento das empresas, assim entendida “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, não podendo incluir na base de cálculo receitas não operacionais. 3. O conceito de faturamento não varia em função do objeto social de cada contribuinte, pois a base de cálculo ficaria sujeita a um grau de incerteza absolutamente incompatível com uma obrigação tributária. Assim sendo, não há qualquer relação de identidade entre o conceito de faturamento com a atividade principal dos contribuintes. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10580.902396/201413 Acórdão n.º 3401005.830 S3C4T1 Fl. 4 3 4. Mesmo que se entenda que as receitas financeiras auferidas por instituições financeiras têm natureza de receita de prestação de serviços, integrando o conceito de faturamento, o que se admite apenas para argumentar, não podem integrar referida base de cálculo as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e ou de terceiros em hipóteses que não envolvam intermediação financeira. 5. A base de cálculo, deveria ficar restrita somente às receitas auferidas no exercício de seu objeto social, com a prestação de serviços bancários, tais como administração de fundos de investimentos, assessoria em operações de fusão e aquisição, intermediação financeira e concessão de crédito, dentre outras atividades. 6. As receitas financeiras obtidas com a aplicação de seu próprio capital de giro e capital de terceiros, bem como em razão da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias, realizadas no seu único e exclusivo interesse, sem intermediação, não configuram prestação de serviços, uma vez que ninguém presta serviço para si próprio. Junto com a impugnação, o recorrente apresentou planilhas de cálculo, e balancete analítico do mês de referência. Da Decisão de Primeiro Grau O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 14061.504. Do Recurso Voluntário Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso, reprisando as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.809, de 25 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10580.902382/201491, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.809): "Da Admissibilidade Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10580.902396/201413 Acórdão n.º 3401005.830 S3C4T1 Fl. 5 4 O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade; de modo que tomo seu conhecimento. Do Mérito O núcleo do litígio reside na forma de aplicação da declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei Federal 9718/1998 pelo STF – quando do julgamento do RE nº 585.235, sob a forma do art. 543B, do CPC, sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, no que tange às instituições financeiras. Naquela oportunidade, restou pacificado que, para fins de incidência cumulativa das contribuições sociais, o faturamento é o resultado das atividades típicas, ou seja, que decorram do objeto social do contribuinte. Como não poderia ser diferente, esse vem sendo o entendimento adotado nessa Seção, e na Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 COFINS. FATURAMENTO. LEI 9.784/98 [SIC]. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Consoante entendimento firmado pelo STF, as receitas operacionais obtidas pelas instituições financeiras, decorrentes de sua atividade fim, integram o conceito de receita bruta utilizado pelo art. 3º da Lei nº 9.718/98. RECUPERAÇÃO DE ENCARGOS E DESPESAS E REVERSÃO DE PROVISÕES OPERACIONAIS. Lançamentos que não representes ingressos de receita oriundos das atividades típicas das instituições financeiras não podem ser alcançados pela incidência da COFINS. (Acórdão nº 3201004.445, Relatora Tatiana Josefovicz Belisário, sessão de 27.11.2018) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2004 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10580.902396/201413 Acórdão n.º 3401005.830 S3C4T1 Fl. 6 5 As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. (Acórdão nº 9303002.934, Redator designado: Ricardo Paulo Rosa, sessão de 03.06.2014). Acertadamente, a decisão ora recorrida destacou que as atividades operacionais das instituições financeiras se encontram elencadas no Plano de Conta COSIF, nos termos emanados pelo Banco Central do Brasil: O Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional, instituído pela Circular do Banco Central do Brasil nº 1.273, de 29 de dezembro de 1987, traz em seu Capítulo 1 Normas Básicas, Seção 17 Receitas e Despesas, item 3, que as rendas obtidas tanto com as operações ativas como com a prestação de serviços, ambas referentes a atividades típicas, regulares e habituais da instituição financeira, são classificadas como operacionais. Confirase: 3 As rendas operacionais representam remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas e de prestação de serviços, ou seja, aquelas que se referem a atividades típicas, regulares e habituais. (grifos nossos) No Cosif, as contas de receitas operacionais são divididas em: 7.1 RECEITAS OPERACIONAIS 7.1.1.00.001 Rendas de Operações de Crédito 7.1.2.00.004 Rendas de Arrendamento Mercantil 7.1.3.00.007 Rendas de Câmbio 7.1.4.00.000 Rendas de Aplicações Interfinanceiras de Liquidez 7.1.5.00.003 Rendas com Títulos e Valores Mobiliários e Instrumentos Financeiros Derivativos Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10580.902396/201413 Acórdão n.º 3401005.830 S3C4T1 Fl. 7 6 7.1.7.00.009 Rendas de Prestação de Serviços 7.1.8.00.002 Rendas de Participações 7.1.9.00.005 Outras Receitas Operacionais (...) Portanto, em uma instituição financeira as receitas financeiras decorrem de serviços prestados aos clientes (financiamentos, empréstimos, operações de câmbio na importação ou exportação, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, seguros, arrendamento mercantil, administração de planos de previdência privada e tantas outras mais) não constituindo mero ganho financeiro como acontece em outras empresas. São, portanto, receitas operacionais, que compõem a base de cálculo do PIS e da Cofins. (...) Especificamente quanto a instituições financeiras e contribuintes a ela equiparadas por força do artigo 22, § 1° da Lei 8.212/91, devese entender por faturamento os ganhos obtidos com operações financeiras realizadas por tais entidades, quanto à captação, movimentação e aplicação de ativos que proporcionem alguma forma de ganho pecuniário, posto não ser outro o objeto social de tais sociedades. Observando o caso concreto, tratase de instituição financeira que tem por objeto social “efetuar operações bancárias em geral, inclusive câmbio”. Esse, portanto, é o limite das atividades típicas que devem ser objeto de escrutínio para sua inclusão na base de cálculo das contribuições sociais. No presente processo, a Recorrente pleiteia crédito de COFINS no montante calculado sobre a diferença entre a totalidade de receitas operacionais e a receita de prestação de serviços bancários (conta 7.1.7.00.00.9), entendendo, a despeito do entendimento acima esposado, que somente as atividades de prestação de serviços bancários poderiam vir a ser objeto de incidência das contribuições sociais, ignorando que a atividade bancária per si não se restringe, por óbvio, aos serviços prestados aos clientes. Adicionese aos argumentos anteriores que a própria Lei Federal 9.718/1998 partiu da premissa que as receitas financeiras geradas nas atividades das instituições bancárias eram tributadas, quando previu, em seus parágrafos 5º e 6º, hipóteses específicas de dedução: Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10580.902396/201413 Acórdão n.º 3401005.830 S3C4T1 Fl. 8 7 I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; c) deságio na colocação de títulos; d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. Assim, todas as receitas decorrentes da atividade bancária, seja pela prestação de serviços, seja pela fruição de resultados financeiros dos ativos próprios e de terceiros, devem ser tributadas pelas contribuições sociais, observadas das deduções acima. Por outro lado, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente, nos termos do RE 1.104.184/RS, do STJ, julgado sob efeitos do artigo 543C do antigo CPC. Sob a mesma ótica, não é possível admitir na base de cálculo das contribuições as receitas decorrentes da locação de imóveis, eis que essa atividade não se encontra contemplada no seu contrato social. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10580.902396/201413 Acórdão n.º 3401005.830 S3C4T1 Fl. 9 8 Tratase, portanto, de resultados que não decorre da atividade bancária, de forma que a parcela do lançamento referente a essa rubrica deve ser cancelada. Por todo o exposto, conheço do Recurso, e doulhe parcial provimento para afastar a glosa sobre as receitas decorrentes da remuneração de juros sobre o capital próprio e locação de imóveis próprios." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. . Da mesma forma, a Declaração de Voto do Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, apresentada no processo paradigma, é extensível ao presente processo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do recurso voluntário, e darlhe parcial provimento para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10580.902396/201413 Acórdão n.º 3401005.830 S3C4T1 Fl. 10 9 Fl. 189DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.901624/2013-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2009
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracteriza-se a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade.
Numero da decisão: 3302-006.845
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracterizase a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. Relatório Trata o presente processo do Pedido de Restituição (PER), transmitido pelo contribuinte acima identificado, no qual solicita a restituição de PIS. Consta no processo Despacho Decisório Eletrônico proferido pela unidade de origem, o qual concluiu pela improcedência do crédito original informado no PER, sob o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 16 24 /2 01 3- 87 Fl. 355DF CARF MF Processo nº 16682.901624/201387 Acórdão n.º 3302006.845 S3C3T2 Fl. 3 2 fundamento de que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ, nos termos do Acórdão nº 12088.991. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) A ausência de retificação de DCTF ou de qualquer outra obrigação acessória jamais poderia ser impeditivo do reconhecimento do seu direito ao crédito, na medida em que o Fisco possui outros meios de apurar a existência de eventual indébito tributário. Assim, não restam dúvidas de que a falta de retificação da DCTF não deve implicar na perda do direito ao crédito; b) Não há concomitância entre o presente processo e o Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. A lide proposta foi no sentido de que fosse reconhecido o direito líquido e certo da recorrente não se sujeitar à incidência do PIS/Cofins sobre as receitas de interconexão, bem como para reconhecer o crédito referente a eventuais valores pagos indevidamente, relativamente a contribuições apuradas e recolhidas após a impetração do writ. O objeto da ação judicial se destina apenas às contribuições de PIS e Cofins apuradas e recolhidas após a distribuição do referido MS; c) No caso concreto, há uma divisão muito clara. Os pagamentos indevidos de PIS/COFINS sobre receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013, foram objeto de pedido administrativo de restituição. Apenas os pagamentos realizados com base em apurações de PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido judicial formulado no Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. Bem verdade que há certa semelhança entre as causas de pedir dos processos administrativos e judicial. Ambos estão fundados na “não incidência do PIS/COFINS sobre receitas de interconexão”. Todavia, os pedidos efetuados para se afastar o PIS e a COFINS sobre as receitas de interconexão, bem como para se reconhecer o crédito sobre pagamentos indevidos realizados envolvem a mesma discussão para períodos de apuração distintos. Frisese: os pedidos administrativos se voltam às contribuições apuradas e pagas antes da impetração do mandado de segurança. Já aquelas apuradas e pagas após o ajuizamento da ação judicial são objeto do mandado de segurança. Diante desse cenário, verificase que não há concomitância entre o mandado de segurança em curso perante o Poder Judiciário e o presente processo administrativo, tendo em vista que os períodos de apuração relativos ao crédito referente ao indébito tributário são distintos; d) Os valores recebidos pela Recorrente e repassados a outras operadoras a título de interconexão de redes não configuram receita tributável pelo PIS e COFINS, pois não se trata de “receita” auferida pela Recorrente, quer do ponto de vista jurídico, quer mesmo do ponto de vista contábil. No caso dos valores recebidos pela Recorrente e repassados a terceiros a título de interconexão de redes, o que se verifica é um mero e transitório ingresso de recursos que devem ser repassados ao terceiro que cedeu seus meios de rede à Recorrente. Não há, portanto, qualquer efetivo acréscimo patrimonial da Recorrente, porque já há um imediato e compulsório destino para aquele valor recebido, que é repassado para as outras operadoras de telecomunicação; e) A tributação nos moldes pretendidos pelo Fisco implica a tributação pelo PIS/COFINS da receita total auferida pela Recorrente pela prestação do serviço de Fl. 356DF CARF MF Processo nº 16682.901624/201387 Acórdão n.º 3302006.845 S3C3T2 Fl. 4 3 telecomunicação, incluindo a parcela que será repassada a terceiros pela interconexão de redes. E, além dessa tributação, nos termos da pretensão fiscal, haveria uma nova incidência do PIS/COFINS pelo terceiro que realiza a interconexão, no momento em que ele apropriar a receita que lhe é repassada, caracterizando o bis in idem tributário; f) A base de cálculo do PIS/COFINS não deve ser integrada por elementos estranhos à receita auferida, notadamente pelos valores que devem ser repassados a terceiros a título de interconexão de redes. Na prática, isso faz com que todo o valor pago pela Recorrente a título de PIS/COFINS sobre esses valores de interconexão de redes seja qualificado como indébito tributário, que lhe deve ser restituído. Termina o recurso requerendo o provimento para que seja reformado o acórdão recorrido, a fim de que seja deferido o pedido de restituição formulado. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.815, de 25 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.900008/201490, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.815): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise. O cerne da questão está em decidir se há concomitância entre esse processo administrativo e o Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. Para tanto, é necessário analisar os objetos dos respectivos processos. Conforme já mencionado na decisão a quo, o indébito pleiteado no Pedido de Restituição decorre, nas palavras do contribuinte, “da indevida inclusão na base de cálculo do PIS de valores referentes a ingressos de numerário em razão de contratos de interconexão, os quais não constituem "receita" da Manifestante”. Portanto, defende em processo administrativo a não incidência do PIS/COFINS sobre tarifas de interconexão. Vejamos o objeto do MS nº 002418579.2013.4.02.5101: Pela petição inicial, temos os seguintes pedidos: a) concessão de medida liminar para assegurar o direito liquido e certo da impetrante à suspensão da exigibilidade dos créditos tributários, nos termos do art. 151, IV, do CTN, das Fl. 357DF CARF MF Processo nº 16682.901624/201387 Acórdão n.º 3302006.845 S3C3T2 Fl. 5 4 contribuições ao PIS e a Cofins, sobre os meros ingressos apurados mensalmente pelo regime de competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas de interconexão recebidas dos usuários pela coprestação dos serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras e a elas integralmente repassadas (serviços de transmissão, emissão ou recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza); b) determinação à Autoridade Coatora sobre o contudo da decisão liminar, bem como acerca do conteúdo do presente mandamus, para que no prazo legal, preste as informações que entender necessárias, com a posterior oitiva do representante do Ministério Público; c) Ciência à União Federal, nos termos do art. 7º, II, da Lei nº 12.016/2009; d) ao final, a concessão da segurança para confirmar a liminar requerida e assegurar o direito liquido e certo de a impetrante não se sujeitar à incidência das contribuições ao PIS e à Cofins, sobre meros ingressos apurados mensalmente pelo regime da competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas de interconexão recebidas dos usuários pela coprestação dos serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras e a elas integralmente repassadas (serviços de transmissão, emissão ou recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza), sob pena de violação ao art. 2º da Lei nº 9,718/99 e aos arts. 5º, II; 145 § 1º; 150, I e IV e 195, I, "b" da Constituição Republicana de 1988, com a consequente compensação do indébito dessas contribuições, apurados desde a distribuição do presente writ, devidamente atualizado pela Taxa Selic, após o trânsito em julgado, nos termos dos artigos 165, 170 e 170A do CTN. A sentença de primeiro grau do Mandado de Segurança nº 002418579.2013.4.02.5101, assim decidiu: Tratase de mandado de segurança com pedido de liminar impetrado por INTELIG COMUNICAÇÕES LTDA contra ato atribuído ao DELEGADO DA DELEGACIA ESPECIAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE MAIORES CONTRIBUINTES NO RIO DE JANEIRO DEMAC, objetivando a declaração de não incidência das contribuições ao PIS e à COFINS, sobre os ingressos apurados mensalmente pelo regime de competência pela Impetrante, decorrentes de tarifas de interconexão serviços prestados pelas demais operadoras, que são posteriormente repassados àquelas congêneres, bem como a declaração do direito de compensar o indébito referente a estas contribuições, apurado desde a distribuição do writ. Sustenta, em apertada síntese, que as chamadas "tarifas de interconexão" não constituem receita, e sim meros ingressos econômicos ou financeiros, tendo cm vista que são recebidas, cm um primeiro momento, pela Impetrante, porem repassadas cm seguida às operadoras que efetivamente prestaram os serviços ao cliente usuário da Impetrante. (...) Fl. 358DF CARF MF Processo nº 16682.901624/201387 Acórdão n.º 3302006.845 S3C3T2 Fl. 6 5 Pelo exposto, com fulcro no art. 269. I, do CPC. JULGO PROCEDENTE O PEDIDO e CONCEDO A SEGURANÇA, para determinar ao Impetrado que se abstenha de exigir da Impetrante que recolha o PIS e a Cofins, incluindo na base de cálculo o valor recebido pela Impetrante e posteriormente repassado a operadora congênere, que prestou efetivamente o serviço, a título de "tarifa de interconexão", bem como para declarar o direito da Impetrante à compensação do indébito, apurado desde a distribuição do presente, na forma da lei de regência, de acordo com a modalidade escolhida pelas Impetrantes, aplicandose a SELIC como critério de atualização do indébito, vedada a cumulação com qualquer outro índice, nos termos da fundamentação supra. Analisando as razões jurídicas apresentadas na peça recursal, fico convencido da identidade das demandas administrativa e judicial, pois nas duas esferas o que se discute é a inexistência de relação jurídica tributária do PIS e da Cofins em relação as receitas de interconexão. O próprio recorrente reconhece essa congruência entre os processos administrativo e judicial. Sua alegação para afastar a concomitância se ampara no fato de que os pagamentos indevidos de PIS/COFINS sobre receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013, foram objeto de pedido administrativo de restituição, e que apenas os pagamentos realizados com base em apurações de PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido judicial formulado no Mandado de Segurança n° 0024185 79.2013.4.02.5101. Não comungo do entendimento no qual a concomitância é afastada pela falta de identidade entre os períodos de apuração apontados nos processos judicial e administrativo. O diferencial entre os períodos de apuração, aqueles contemplados pelo mandamus e os não contemplados, na minha visão, referese somente à possibilidade de o recorrente utilizálos para pedido de compensação antes do trânsito em julgado, por ordem judicial, conforme sua solicitação na exordial. Os demais períodos de apuração, os que foram apurados antes da distribuições do writ, deverão esperar o trânsito em julgado da ação para poderem se credenciar a objeto de um pedido de restituição, com possíveis compensações. Digo isso, pois a decisão do Poder Judiciário sobre a incidência do PIS e da Cofins nas receitas oriundas das tarifas de interconexão, terá reflexos para todos os períodos de apuração, independentemente se foi contemplado no pedido do MS nº 002418579.2013.4.02.5101 ou não Isso se deve ao fato de que na existência de processos paralelos, com objeto e finalidade idênticos, não é salutar que haja decisões com efeitos redundantes ou antagônicos. Em qualquer das hipóteses, prevalecerá a decisão judicial, motivo pelo qual a concomitância de processos ofende o princípio da economia processual. Em face disso, a opção do contribuinte pela via judicial encerra o processo administrativo fiscal em definitivo, em qualquer das fases em que ele se encontre. Fl. 359DF CARF MF Processo nº 16682.901624/201387 Acórdão n.º 3302006.845 S3C3T2 Fl. 7 6 Registrese que a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal, que adota o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões judiciais. Sendo assim, nos casos em que o sujeito passivo opta pela via judicial para a discussão de matéria tributária implica na renúncia ao poder de recorrer nesta instância, nos termos do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80 e do § 2º, art. 1º do Decretolei nº 1.737, de 1979. Ratificando este entendimento, foi aprovado o enunciado de Súmula CARF nº 01, in verbis: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Na linha do entendimento fixado, não conheço do recurso quanto à matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário e na parte conhecida, nego provimento ao recurso por enxergar identidade entre os pedidos e as causas de pedir apresentados no MS nº 2007.70.00.0222765 e neste recurso administrativo." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 360DF CARF MF
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