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Numero do processo: 10925.720906/2013-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO.
Não se pode conhecer da matéria trazida à tona pela defesa somente em sede de recurso voluntário, por disposição expressa do art. 17 do Decreto no 70.235/1972 (na redação dada pela Lei no 9.532/1997), alastrado às manifestações de inconformidade pelo art. 74, § 11 da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.833/2003: Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. VEDAÇÃO AO CRÉDITO. LEI 11.033/2004 (ART. 17). LEI 11.116/2005 (ART. 16). NÃO DERROGAÇÃO.
Os comandos do art. 17 da Lei no 11.033/2004 e do art. 16 da Lei no 11.116/2005 não são geradores de créditos, em derrogação a norma anterior que os vedava.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITO. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL.
É incabível, por expressa disposição legal (art. 13 da Lei no 10.833/2003, c/c art. 15, VI da mesma lei) a correção, pela Taxa SELIC, de créditos da não cumulatividade em relação à Contribuição para o PIS/PASEP.
Numero da decisão: 3401-006.843
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, e, na parte conhecida, negar provimento.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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PRECLUSÃO. Não se pode conhecer da matéria trazida à tona pela defesa somente em sede de recurso voluntário, por disposição expressa do art. 17 do Decreto n o 70.235/1972 (na redação dada pela Lei n o 9.532/1997), alastrado às manifestações de inconformidade pelo art. 74, § 11 da Lei n o 9.430/1996, com a redação dada pela Lei n o 10.833/2003: “Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. VEDAÇÃO AO CRÉDITO. LEI 11.033/2004 (ART. 17). LEI 11.116/2005 (ART. 16). NÃO DERROGAÇÃO. Os comandos do art. 17 da Lei n o 11.033/2004 e do art. 16 da Lei n o 11.116/2005 não são geradores de créditos, em derrogação a norma anterior que os vedava. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITO. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. É incabível, por expressa disposição legal (art. 13 da Lei no 10.833/2003, c/c art. 15, VI da mesma lei) a correção, pela Taxa SELIC, de créditos da não cumulatividade em relação à Contribuição para o PIS/PASEP. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, e, na parte conhecida, negar provimento. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 72 09 06 /2 01 3- 07 Fl. 242DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-006.843 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.720906/2013-07 Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Relatório Versa o presente sobre Pedido de Ressarcimento/Restituição (PER) / Declaração de Compensação (DCOMP), referente a créditos de Contribuição para o PIS/COFINS não cumulativa. A decisão de primeira instância proferida pela DRJ foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, acordando-se que: (a) a insurgência é apenas contra parte do despacho decisório, havendo preclusão em relação aos temas não discutidos na manifestação de inconformidade; (b) não deve ser acolhido o pedido de perícia, pois não há elementos técnicos a serem esclarecidos, nem provas que não pudessem ser produzidas pelas partes; (c) não houve revogação nem expressa nem tácita do art. 8 o , § 4 o , da Lei n o 10.925/2004, pois as normas legais posteriores (art. 17 da Lei n o 11.033/2004, e art. 16 da Lei n o 11.116/2005) têm comandos de diferente significado, não havendo contrariedade entre elas, o que também endossa com Soluções de Consulta (n o 50/2017 e n o 326/2017); (d) a instância administrativa não detém competência para exame de constitucionalidade, nem para afastamento de norma vigente, como a Instrução Normativa RFB n o 1.157/2011); e (e) não se autoriza a juntada posterior de documentos, em respeito aos §§ 4 o e 5 o do art. 16 do Decreto n o 70.235/1972, na redação dada pela Lei n o 9.532/1997. Ciente da decisão de piso, a empresa interpôs recurso voluntário, argumentando, basicamente, que: (a) no recálculo do índice de rateio, a fiscalização usou critério de rateio sem amparo legal, e desprezou as receitas isentas, alíquota zero e sem incidência, relativas à revenda de mercadorias, e, além disso, não computou no somatório das “Receitas Não Tributadas”, as receitas suspensas, decorrentes da venda de suínos para abate, enquanto que a recorrente levou em consideração a totalidade dos ingressos e receitas auferidas, isto é, as receitas decorrentes de revenda de mercadorias e a receita relativa à venda de produtos de fabricação própria (apresentando demonstrativos na peça recursal); (b) não está a pretender o crédito sobre aquisições de mercadorias para revenda beneficiadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou sem incidência, pois discute apenas a possibilidade de incluir as receitas decorrentes de revenda de mercadorias suspensas, isentas, alíquota zero ou sem incidência na composição do montante “Não Tributadas Mercado Interno”, para o fim específico de determinar o índice de ressarcimento dos créditos acumulados (créditos preexistentes), consoante previsão contida no art. 16 da Lei no 11.116/2005; (c) no tocante as vendas suspensas de suínos e de leite in natura, também não há motivo para deixar-se de computá-las no somatório das receitas “não tributadas”, para o fim específico de determinar o índice de ressarcimento dos créditos acumulados (créditos preexistentes), conforme autorização contida no art. 16 da Lei n o 11.116/2005; (d) a autoridade fiscal pretende fundamentar a sua tese de que não cabe o ressarcimento de créditos acumulados, registre-se, “preexistentes”, sobre mercadorias para revenda, já que não há glosa dos valores calculados pelo contribuinte e, sim, realocação dos valores informados na Linha 01 do Dacon, para o campo “Tributado Mercado Interno”, Fl. 243DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-006.843 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.720906/2013-07 fundamentação que não se coaduna com a glosa efetuada; (e) a recorrente jamais tomou crédito sobre aquisições de mercadorias para revenda sujeitas à alíquota zero, isentas, sujeitas à incidência monofásica ou com suspensão do pagamento das contribuições; e (f) o crédito deve ser atualizado pela Taxa SELIC. É o relatório. Voto Conselheiro ROSALDO TREVISAN, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 3401-006.841, de 21 de agosto de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10925.720277/2010-64. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401-006.841): “Percebe-se nitidamente, no entanto, já de início, que o recurso voluntário é absolutamente inovador em relação à manifestação de inconformidade. Ao que parece, as glosas não foram bem compreendidas pela defesa na peça recursal inaugural, que se limitou a discutir eventual derrogação do art. 8 o , § 4 o , da Lei n o 10.925/2004 pelo teor do art. 17 da Lei n o 11.033/2004 e do art. 16 da Lei n o 11.116/2005, matéria bem enfrentada no julgamento de piso. Em seu recurso voluntário, percebendo que a razão das glosas se devia mormente a critério de rateio e não à negativa de créditos da não-cumulatividade, parece a empresa desejar interpor uma “nova manifestação de inconformidade”, o que não encontra guarida no Decreto n o 70.235/1972, que rege o processo administrativo fiscal. Repare-se que o tema protagonista do recurso voluntário (“critério de rateio”) sequer figurou na manifestação de inconformidade, e não trata de questão de ordem pública, que demandasse a manifestação deste tribunal administrativo. Não se pode conhecer, assim, da matéria trazida à tona pela defesa somente em sede de recurso voluntário, por disposição expressa do art. 17 do Decreto n o 70.235/1972 (na redação dada pela Lei n o 9.532/1997), alastrado às manifestações de inconformidade pelo art. 74, § 11 da Lei n o 9.430/1996, com a redação dada pela Lei n o 10.833/2003: “Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Ou seja, os únicos temas que restam a debate no presente contencioso, e podem ser conhecidos e julgados por este tribunal administrativo são aqueles enfrentados pela DRJ, sob pena de supressão de instância. Tivesse a DRJ dado azo a alguma discussão nova no processo, surgida da análise do despacho decisório ou dos argumentos de defesa, até se poderia, em nome da verdade material, aprofundar o tema, buscando identificar de que forma afeta as razões de indeferimento do crédito demandado. No entanto, no caso em análise, parece ter acontecido simples inércia da recorrente, que somente lembrou de discutir os principais temas referentes às glosas em sede recursal. Fl. 244DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-006.843 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.720906/2013-07 Este colegiado, no entanto, não tem competência para análise inaugural de recurso em relação a despacho decisório, nem para enviar, no atual estágio, o tema à instância de piso, pois já escoado o prazo para apresentação de manifestação de inconformidade. Assim, não conheço das alegações inauguradas em sede de recurso voluntário, relativas a critério de rateio, sequer levadas à primeira instância administrativa. Os temas debatidos na instância de piso ecoam na ementa da decisão da DRJ: REVOGAÇÃO DE DISPOSITIVO LEGAL. INOCORRÊNCIA. Não há revogação de um dispositivo legal quando, sobre esse, não ocorreu revogação tácita, tampouco revogação expressa. CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo, tornando-se tal matéria incontroversa no âmbito administrativo. Aliás, a DRJ, logo ao início, reconhece a preclusão para as glosas em relação a produtos farmacêuticos. O argumento de defesa no sentido de que teria havido derrogação da vedação estabelecida no art. 8 o , § 4 o , da Lei n o 10.925/2004 pelo disposto no art. 17 da Lei n o 11.033/2004 e no art. 16 da Lei n o 11.116/2005, já foi enfrentado por este colegiado, que decidiu, unanimemente, em processo de minha relatoria, que: “AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS E AUTOPEÇAS PARA REVENDA. ALÍQUOTA ZERO. LEI N. 10.485/2002. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO EXPRESSA EM LEI. As aquisições de veículos e autopeças, tributados à alíquota zero, em função da Lei n o 10.485/2002, para revenda, não geram créditos em função de expressa vedação nas leis de regência das contribuições (Lei n o 10.637/2002 - Contribuição para o PIS/PASEP, e Lei n o 10.833/2003 - COFINS), nos artigos 3 o , I, “b”, combinados com os artigos 1 o , § 2 o , III e IV. E tal situação não foi alterada pela legislação superveniente: nem pelo art. 16 da Medida Provisória n o 206/2004 (atual art. 17 da Lei no 11.033/2004) que somente esclareceu que o fato de a alíquota na venda ser zero não impede a manutenção do crédito (obviamente nas hipóteses em que ele já existia), nem pelo art. 16 da Lei n o 11.116, de 18/05/2005, que apenas limitou temporalmente a utilização do saldo credor acumulado no trimestre.” (grifo nosso) (Acórdão n o 3401- 003.517, sessão de 25.abr.2017) Ainda que o precedente trate de situação distinta, importa salientar que o colegiado entendeu unanimemente que os comandos do art. 17 da Lei n o 11.033/2004 e do art. 16 da Lei n o 11.116/2005 não são geradores de créditos, em derrogação a norma anterior que os vedava. E o segundo argumento levado à instância de piso, de que seria ilegal o comando do § 1 o do art. 3 o da Instrução Normativa RFB n o 1.157/2011, sequer é reiterado expressamente no recurso voluntário. Ademais, o conteúdo da referida norma infralegal não se opõe a seu fundamento legal. Sobre a demanda por correção pela Taxa SELIC, cabe destacar que é incabível, por expressa disposição legal (art. 13 da Lei n o 10.833/2003, c/c art. 15, VI da mesma lei). Pelo exposto, voto no sentido de conhecer em parte do recurso, e, na parte conhecida, negar provimento.” Fl. 245DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-006.843 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.720906/2013-07 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer em parte do recurso, e, na parte conhecida, negar provimento. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Fl. 246DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.900682/2013-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006
COFINS-IMPORTAÇÃO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.
Os créditos decorrentes das importações sujeitas à incidência da Cofins-Importação de gás natural transportado por duto podem ser utilizados na apuração da Cofins não-cumulativa referente ao mês anterior ao registro da correspondente Declaração de Importação (DI), de acordo com a IN nº 116/2001.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-006.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Liziane Angelotti Meira e Ari Vendramini, que votaram por negar provimento ao recurso. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Liziane Angelotti Meira.
(documento assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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PETROBRAS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006 COFINS-IMPORTAÇÃO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Os créditos decorrentes das importações sujeitas à incidência da Cofins- Importação de gás natural transportado por duto podem ser utilizados na apuração da Cofins não-cumulativa referente ao mês anterior ao registro da correspondente Declaração de Importação (DI), de acordo com a IN nº 116/2001. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Liziane Angelotti Meira e Ari Vendramini, que votaram por negar provimento ao recurso. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Liziane Angelotti Meira. (documento assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. (documento assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 178 a 193) interposto pelo Contribuinte, em 26 de setembro de 2013, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 12-57.708 (fls. 336 a 346), de 10 de julho de 2013, proferido pela 16ª Turma da Delegacia da Receita Federal do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 06 82 /2 01 3- 93 Fl. 371DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.375 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.900682/2013-93 Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) – DRJ/RJ1 – que decidiu, por unanimidade de votos julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 2 a 16) apresentada pelo Contribuinte. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Trata o presente processo do PER/DCOMP no 10805.0897 - informados no PER/DCOMP. Cientificado d em resumo, que: fundamentou a co valores constantes do DACON e da DCTF retificados pela empresa; -cumulativas, sendo sua ap abril/2006 foi informado na linha 1 da ficha 16A (revenda de mercadorias tributadas, no mercado interno) o valor de R$ 94.318.909,74; T devido de Cofins para o PA abril/2006 de R$ 164.614.665,80 para R$ 151.699.721,81; do que o pago (R$ 164.614.665,80); 28.456.235,87, indicado no PER/DCOMP em análise; para quitar outro débito da Cofins, uma vez que em razão das alterações na DCTF, o Fl. 372DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.375 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.900682/2013-93 valor devido de Cofins foi menor que o recolhido, resultando em saldo pago a maior pela requerente, sendo procedente a compensação realizada; j Companhia Petrolífera Estatal Boliviana, Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) e em 1999 iniciou-se efetivamente a importação de gás natural, cuja entrada no Brasil se dá pelo Mato Grosso do Sul, via Gasoduto Bolívia-Brasil (GASBOL); º sobre Promoção de Comércio entre Brasil e Bolívia (fornecimento de gás natural), integrando ao ordenamento jurídico nacional as normas atinentes àquele acordo internacional; gás natural (art. 3º); L º , a partir de 01/05/2004 passou a ser devido o recolhimento de PIS e Cofins na importação de bens e serviços e, como regra geral, somente geram créditos destas contribuições as importações tributadas pelas mesmas; § º à regra, concedendo direito ao creditamento de PIS e Cofins no caso de importação efetuada com isenção das contribuições, quando os bens importados forem revendidos ou utilizados como insumo em produtos tributados pelo PIS e pela Cofins; já se manifestou sobre o assunto, por meio do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 21/2004, reconhecendo que a isenção de gravames à importação, relativa ao fornecimento de gás natural, alcança as referidas contribuições; Q o nº 681/1992 ainda não haviam sido criadas as contribuições em tela; citado, esclarecendo o alcance da isenção prevista no Decreto também ao PIS- Importação e à Cofins-Importação, possibilitando o aproveitamento dos créditos de PIS/Cofins sobre esse gás natural importado da Bolívia, vinculado a saídas tributadas; presente manifestação: Declaração de Importação nº 06/0571197-0 (18/05/2006), comprovando a importação do gás natural da Bolívia (fls. 57 a 60); recibo de entrega do DACON retificador (fl. 61); recibo de entrega da DCTF retificadora (fl. 62); cópia do PER/DCOMP; planilhas com resumo dos valores informados nas declarações citadas; planilha e notas fiscais de revenda e cópia das notas fiscais (fls. 70 a 144), indicando o valor da saída tributada (a frase nelas inserida se destina apenas a evitar a emissão de nota fiscal em duplicidade); que a medição do gás natural ocorre em metros cúbicos, mas sua aquisição e comercialização se dá em energia. Assim, para que o volume medido seja ajustado em energia, deve ser aplicado o Poder Calorífico Superior (PCS) desse gás natural; emissão da DI, por ocasião da entrada, o gás natural boliviano é quantificado em metros cúbicos, sem conversão do PCS, mas o volume constante das Fl. 373DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.375 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.900682/2013-93 notas fiscais de saída poderá estar convertido pelo respectivo PCS aplicável à operação, de acordo com o estabelecido em cada contrato. A Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte foi julgada improcedente, diante disso, interpôs Recurso Voluntário, agora em análise. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen, Relator O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 12-57.708 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A decisão ora recorrida ficou assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006 COFINS-IMPORTAÇÃO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Os créditos decorrentes das importações sujeitas à incidência da Cofins- Importação podem ser utilizados na apuração da Cofins não-cumulativa a partir do mês em que ocorra o registro da correspondente Declaração de Importação, não havendo previsão legal para seu aproveitamento em períodos anteriores a este registro. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No Despacho Decisório, que considerou improcedente o crédito original informado no PER/DCOMP, entendeu-se que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para a quitação de débitos do Contribuinte, assim, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A DRJ considerou a Manifestação de Inconformidade improcedente por dois motivos: por primeiro, o Contribuinte teria utilizado os créditos em competência anterior à data de registro da DI, e por segundo, o mesmo cometeu equívoco em sua operação, pois não há direito à crédito as importações vinculadas às receitas de vendas não tributadas no mercado interno e de exportação. É importante para delimitar a lide que não há discordância na decisão ora recorrida acerca do direito ao crédito por parte do Contribuinte. Neste sentido cito trechos do voto proferido na decisão que faz referência a legislação de regência, bem como, trata do direito ao crédito mesmo que a mercadoria seja isenta: O contribuinte fundamenta seu pedido, além da questão relativa ao mérito do direito pretendido, em alteração efetivada no DACON (18/04/2011) e na DCTF (19/04/2011) relativos ao mês de abril/2006, conforme recibos às fls. 61 e 62. Fl. 374DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-006.375 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.900682/2013-93 Efetivamente se comprova, em consulta aos sistemas DACON e DCTF, a entrega das retificações nas datas acima informadas. Desta forma, constata-se que tais alterações foram informadas à RFB anteriormente à data de transmissão do PER/DCOMP em análise, 20/04/2011. A alteração efetuada na DCTF retificou a Cofins devida no PA 04/2006 de R$ 165.382.481,76 para R$ 151.699.721,81, sendo R$ 150.931.905,85 vinculados a pagamento e R$ 767.815,96 vinculados a suspensão (fls. 158/159). Os pagamentos efetuados para este período totalizam R$ 164.614.665,80 (fl. 160), havendo, portanto, a partir da DCTF retificadora, o valor de R$ 13.682.759,95 (parte do DARF no valor de R$ 28.456.235,87) não utilizado para quitação da contribuição devida para este período, origem do crédito informado no PER/DCOMP em análise (fl. 65). A alteração informada na DCTF retificadora decorreu da alteração efetuada no DACON correspondente, conforme se verá abaixo. Portanto, na data de transmissão do PER/DCOMP em análise, 20/04/2011, efetivamente havia sobra de pagamento no montante informado pelo contribuinte para fundamentar a compensação pretendida, em decorrência da retificação da DCTF efetivada em data anterior, 19/04/2011. Em conseqüência, o fundamento contido no despacho decisório de fl. 152 se mostra incorreto, uma vez que considera o pagamento em questão (R$ 28.456.235,87) integralmente vinculado a débito do contribuinte. Assim, cabe analisar o mérito do direito creditório pretendido pelo contribuinte. A empresa informa que havia declarado o valor de R$ 94.318.909,74 na linha 1 da ficha 16A do DACON relativo ao mês de abril de 2006. Tal valor foi “ relativos a revenda, no mercado interno, de mercadoria (gás natural importado da Bolívia e se ” T - cumulativa a pagar neste período, gerando a sobra de pagamento acima mencionada, objeto da retificação da DCTF correspondente. O contribuinte fundamenta a retificação do DACON na alegação de que a mercadoria importada (gás natural da Bolívia) está isenta da Cofins – Importação, prevista na Lei nº 10.865/2004, conforme disposto no Decreto nº 681/1992 e no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 21/2004, entendendo que, ainda que se trate de mercadoria isenta daquela contribuição, tal importação gera crédito, conforme autoriza o § 1º do artigo 16 daquela Lei. O contribuinte, na condição de importador de bens para revenda, está sujeito à incidência do PIS - Importação e da Cofins – Importação, nos termos previstos na Lei nº 10.865/2004, cujos artigos pertinentes são abaixo reproduzidos: Lei nº 10.865/2004 Art. 1º Ficam instituídas a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços - PIS/PASEP-Importação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior - COFINS-Importação, com base o nos arts. 149, § 2 , inciso II, e195, inciso IV, da Constituição Federal, observado o o disposto no seu art. 195, § 6 . (...) Fl. 375DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-006.375 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.900682/2013-93 Art.3º O fato gerador será: I - a entrada de bens estrangeiros no território nacional; ou (...) Art. 4º Para efeito de cálculo das contribuições, considera-se ocorrido o fato gerador: I - na data do registro da declaração de importação de bens submetidos a despacho para consumo; (...) Art.5º São contribuintes: I - o importador, assim considerada a pessoa física ou jurídica que promova a entrada de bens estrangeiros no território nacional; (...) Art.7º A base de cálculo será: I - o valor aduaneiro, assim entendido, para os efeitos desta Lei, o valor que servir ou que serviria de base para o cálculo do imposto de importação, acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, na hipótese do inciso I do caput do art. 3 desta Lei; ou (...) Art. 8º As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de o cálculo de que trata o art. 7 desta Lei, das alíquotas de: I - 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento), para o PIS/PASEP-Importação; e II - 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento), para a COFINS-Importação. (...) Art.13. As contribuições de que trata o art. 1 desta Lei serão pagas: I - na data do registro da declaração de importação, na hipótese do inciso I do caput do art. 3 desta Lei; (...) Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2 e 3 das Leis n s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: I - bens adquiridos para revenda; Fl. 376DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-006.375 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.900682/2013-93 (...) § 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplica-se em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. § 2º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê-lo nos meses subseqüentes. § 3º O crédito de que trata o caput deste artigo será apurado mediante a aplicação das alíquotas previstas no caput do art. 2 das Leis n s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, sobre o valor que o serviu de base de cálculo das contribuições, na forma do art. 7 desta Lei, acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição. (...) Art. 16. (...) § 1º Gera direito aos créditos de que tratam os arts. 15 e 17 desta Lei a importação efetuada com isenção, exceto na hipótese de os produtos serem revendidos ou utilizados como insumo em produtos sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. (...) (Grifou-se) Como se vê pelo texto acima, o contribuinte estaria sujeito ao pagamento da Cofins – Importação sobre a importação de bem estrangeiro para revenda, considerando-se ocorrido o fato gerador na data do registro da correspondente Declaração de Importação – DI. Em decorrência da incidência desta contribuição sobre os bens importados para revenda, a Lei faculta ao contribuinte a apuração de crédito a ser utilizado na apuração da Cofins devida com base na sistemática não– cumulativa, prevista na Lei nº 10.833/2003, sendo a base para apuração do crédito o mesmo valor que serviu de base de cálculo para a Cofins-Importação (valor aduaneiro). No entanto, o contribuinte alega que a mercadoria importada - gás natural importado da Bolívia e seus derivados - está isenta da Cofins-Importação. Sobre tal questão citam-se as normas abaixo transcritas: Decreto no 681, de 11/11/1992 O VICE-PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no exercício do cargo de PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição, e Considerando que o Tratado de Montevidéu, que criou a Associação Latino- Americana de Integração (ALADI), firmado pelo Brasil em 12 de agosto de 1980 e aprovado pelo Congresso Nacional por meio do Decreto Legislativo no 66, de 16 de novembro de 1981 prevê a modalidade de Acordo de Alcance Parcial; Considerando que o Presidente da República Federativa do Brasil e o Presidente da República da Bolívia, com base no Tratado de Montevidéu-80, assinaram em 17 de agosto de 1992, em Santa Cruz de la Sierra, o Acordo de Alcance Parcial sobre Promoção de Comércio entre Brasil e Bolívia (Fornecimento de Gás Natural), Fl. 377DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-006.375 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.900682/2013-93 DECRETA Art. 1º O Acordo de Alcance Parcial sobre Promoção de Comércio entre Brasil e Bolívia (Fornecimento de Gás Natural), apenso por cópia ao presente decreto, será executado e cumprido tão inteiramente como nele se contém, inclusive quanto à sua vigência. Art. 2o Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. ANEXO AO DECRETO QUE DISPÕE SOBRE A EXECUÇÃO DO ACORDO DE ALCANCE PARCIAL SOBRE A PROMOÇÃO DE COMÉRCIO ENTRE BRASIL E BOLÍVIA (FORNECIMENTO DE GÁS NATURAL), DE 17/08/92/MRE. O Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República da Bolívia concordam em celebrar um Acordo de Alcance Parcial sobre Promoção de Comércio (Fornecimento de Gás Natural) que se regerá pelas disposições do Tratado de Montevidéu de 1980 e pela Resolução no 2 do Conselho de Ministros, respeitada a legislação interna vigente de cada país, bem como pelas seguintes normas: (...) ARTIGO 3 A compra e venda de gás natural, entre os países signatários, estará isenta de gravames à importação e de impostos à exportação, bem como de quaisquer outras restrições não-tarifárias. (...) (Grifou-se) Ato Declaratório Interpretativo SRF no 21/2004 O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL , no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF no 259, de 24 de agosto de 2001 , e considerando o disposto art. 98 e no parágrafo único do art. 100 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional (CTN), e nos arts. 7o, 9o e 14 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004 , declara: (...) Art. 2º A isenção de gravames à importação estabelecida no art. 3o do Acordo de Alcance Parcial sobre Promoção de Comércio entre Brasil e Bolívia (Fornecimento de Gás Natural), promulgado pelo Decreto no 681, de 11 de novembro de 1992, alcança a Contribuição para o PIS/Pasep-Importação e a Cofins-Importação. (Grifou- se) Como se vê, o Decreto nº 681/1992 estabeleceu as bases do acordo firmado entre a Bolívia e o Brasil, para fornecimento de gás natural, fixando que a compra e venda de gás natural entre estes países está isenta de gravames à importação. Tal isenção, conforme entendimento manifestado pela SRF, se estende à Cofins- Importação. Desta forma, a importação deste produto para fins de revenda não está sujeita à incidência da Cofins- Importação. No entanto, a receita decorrente da venda de gás natural está sujeita à incidência da Cofins não-cumulativa, fato que daria ensejo Fl. 378DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-006.375 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.900682/2013-93 ao creditamento previsto no artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, conforme autorizado pelo § 1º do artigo 16 da mesma Lei. Assim, a princípio, o contribuinte tem razão quanto ao direito que fundamenta sua pretensão. No entanto, verifica-se erro na retificação procedida pela empresa no DACON de abril/2006 (fl. 161), uma vez que a alteração foi efetuada na linha 1 da Ficha 16A, que se refere à apuração dos créditos decorrentes de bens para revenda adquiridos no mercado interno, o que não corresponde ao caso dos autos. Na verdade, o crédito apurado deveria constar na linha 1 da Ficha 16B, que se refere à apuração de créditos decorrentes de bens para revenda adquiridos no exterior (importados), esta sim a hipótese dos autos. Tal erro, no entanto, não afetaria, por si só, o direito ao creditamento. Assim, de acordo com o previsto no art. 15 e art. 16, § 1º, da Lei nº 10.865/2004 é possível o creditamento, restando, portanto, a questão da entrega da DI e do fato gerador da COFINS. Na decisão recorrida, em continuidade, assim se entendeu: Porém, o contribuinte junta aos autos a DI no 06/0571197-0 (fls. 57 a 60), relacionando tal documento como origem do crédito por ele apurado e acrescido ao DACON de abril/2006, a partir do qual originaram-se as retificações acima mencionadas, bem como o próprio direito creditório utilizado no PER/DCOMP em análise. A DI em questão, no entanto, foi registrada em 18/05/2006, data na qual considera-se ocorrido o fato gerador da Cofins- Importação, nos termos do artigo 4o-I da Lei no 10865/2004, acima transcrito, para fins de apuração desta contribuição. Em conseqüência, a Cofins-Importação, caso devida fosse, deveria ser apurada e recolhida no próprio mês de maio/2006 (artigo 13-I da mesma Lei), assim como o crédito decorrente desta operação de importação, previsto no artigo 15. Caso o referido crédito não pudesse ser aproveitado no próprio mês de maio/2006, poderia ser utilizado nos períodos posteriores (§ 2o do artigo 15). No presente caso, o contribuinte pretende utilizar o crédito decorrente desta operação de importação em abril/2006, mês anterior à própria operação, materializada por meio do registro da correspondente DI (maio/2006), não havendo, no entanto, previsão legal para tanto. O direito ao creditamento em questão decorre da incidência da contribuição quando da importação da mercadoria para fins de venda, apesar de se tratar, na verdade, de mercadoria isenta, havendo, no entanto, previsão legal expressa para tanto, como já visto. Assim, o direito ao creditamento somente pode surgir a partir do fato que daria origem à obrigação do recolhimento da Cofins-Importação – o registro da DI, sendo a regra geral da sistemática não-cumulativa a utilização do crédito no próprio mês da apuração da contribuição devida, ou subseqüentes, quando não for possível seu aproveitamento naquele, não havendo previsão legal para aproveitamento de crédito em meses anteriores. Conclui-se, portanto, que, apesar de, a princípio, as normas acima efetivamente possibilitarem o creditamento apurado sobre a importação em questão, tais normas somente autorizam este aproveitamento na apuração da Cofins não-cumulativa relativa ao mês em que há o registro da DI correspondente, ou subseqüentes, não podendo tal crédito ser aproveitado em períodos anteriores àquele registro, como é o caso dos autos. Assim posto, temos o entendimento da DRJ sobre a possibilidade de creditamento, mas no caso corrente não é possível, pois em tal perspectiva somente pode aproveitar o crédito na apuração da COFINS relativa ao mês em que há o registro da DI Fl. 379DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-006.375 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.900682/2013-93 correspondente, ou subsequentes, não podendo tal crédito ser aproveitado em períodos anteriores àquele registro. Assim, em relação ao aproveitamento do crédito em competência anterior à data de registro da DI, o Contribuinte se manifesta em seu recurso (fls. 180 e seguintes): Ao que se vê, a DRJ arguiu como principal obstáculo ao aproveitamento dos créditos gerados a partir da importação do gás proveniente da Bolívia o fato de que a Recorrente não poderia levar à competência do mês de abril de 2006 créditos de COFINS – Importação que, segundo ela, teriam origem a partir de DI registrada somente na competência seguinte. É o que se extrai da passagem abaixo: (...) Contudo, referida afirmação não encontra amparo nas particularidades que envolvem a operação e tampouco na legislação que regulamenta a circunstância. Isto porque, passou em branco pela DRJ o fato de que a importação do gás possui particularidades que a diferenciam das demais importações, justamente em razão das características físicas do produto. De fato, por se tratar de gás natural, seu transporte se dá por meio de dutos que ligam as unidades de produção localizadas na Bolívia, com passagem pelas unidades de negócio da Recorrente (onde é medido), até encontrar seu destino final nos estabelecimentos (clientes da Recorrente), onde será ele utilizado/consumido. O fluxo desta mercadoria, por sua vez, ocorre de maneira contínua, vale dizer, seu transporte é feito de maneira ininterrupta a partir de sua aquisição até o local onde será efetivamente consumido. Desta forma, o gás que ingressara no país a partir do dia 01 de abril de 2006 até o dia 30 do referido mês, passara pelos aparelhos medidores da Recorrente, para, então, seguir seu destino imediato perante o consumidor final. Logo se constata, portanto, que não só a aquisição do gás ocorreu no mês de abril, como também sua comercialização para o destinatário final. Com o encerramento da aludida competência, promoveu-se, então, a leitura do medidor, justamente para averiguar a quantidade de gás que ingressara no país até referido momento. Por óbvio que, em razão do regime de competência que se impõe aos registros contábeis da Recorrente, não poderia ela ignorar o fato de que sua despesa (aqui representada pela importação de gás), ocorreu no mês de abril, conforme indicam as faturas de aquisição do produto (Item 06 da DI/0571197-0): (...) Naquilo que diz respeito à não aplicabilidade da regra disposta no inciso I do artigo 4º da Lei 10.865/2004 para fins de glosa dos créditos arguidos pela Recorrente, cumpre frisar que, no intuito de regular a complexa operação acima retratada, a RFB houve por editar a Instrução Normativa nº 116/2001, ato normativo voltado especialmente para a importação do gás por meio de dutos. (...) Fl. 380DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-006.375 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.900682/2013-93 Cumpre lembrar, ainda, que tivesse a Recorrente desconsiderado a IN 116/2001 ’ não haveria controvérsia sobre a competência do crédito do mesmíssimo gás que, conforme exaustivamente exposto, foi também revendido na referida competência. (...) Daí o equívoco cometido pela DRJ que, alheio às particularidades do negócio, como também das possibilidades instituídas pela Instrução Normativa SRF nº 116/2001, houve por se apegar, de forma isolada, apenas à regra disposta no inciso I do artigo 4º da Lei 10.865/2004 para rejeitar o crédito da Recorrente, fato que, conforme visto, está a merecer o reparo desse Conselho. A Instrução Normativa SRF nº 116/2001, que estabelece procedimentos para o despacho aduaneiro de importação de gás natural por meio de duto, assim prescreve: Art. 1º O despacho aduaneiro de importação de gás natural transportado por duto ser processado na unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF) que jurisdicione o local de entrada do produto no território nacional, mediante Declaração de Importação (DI) registrada no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). § 1º Poder ser registrada uma única DI relativamente à quantidade total de produto ingressado no País, em cada mês. § 2º A DI ser registrada até o Vigésimo dia subseqüente àquele da medição, e dever ser instruída com o relatório mensal de medição, a fatura comercial e, quando couber, o certificado de origem. Art. 2º O relatório a que se refere o § 2º do artigo anterior ser elaborado pelo importador, no primeiro dia útil subseqüente ao mês calendário em que se realizou a importação, tomando por base os dados coletados nesse mês, na estação de medição. (...) Art. 4º O gás natural importado na forma desta Instrução Normativa ser entregue ao importador, para distribuição comercial, independentemente de ter sido iniciado o respectivo despacho aduaneiro. Verifica-se, de acordo com a IN nº 116/2001, que assiste razão ao Contribuinte, ’ rias, bem como, optar por registrar em uma única DI a quantidade total do produto importado em cada mês, o que foi feito, bem como, registrar a DI até o vigésimo dia subsequente àquele da medição, isto é, de operação referente ao mês anterior. Com isto posto, voto por dar provimento ao recurso do Contribuinte por entender, de acordo com a legislação neste particular, que pode ser aproveitado o crédito na apuração da COFINS relativa ao mês anterior ao registro da DI correspondente. (documento assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 381DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 3301-006.375 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.900682/2013-93 Declaração de Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O artigo 3 o , I, da Lei nº 10.865, de 2004, determina que a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social incidem sobre a entrada dos bens e serviços no território aduaneiro. O artigo 4 o , I e parágrafo único, da Lei nº 10.865, de 2004, consigna as indicações do critério temporal das contribuições em pauta, no caso de despacho para consumo (importação definitiva) de bens, nos seguintes termos: Art. 4 o Para efeito de cálculo das contribuições, considera-se ocorrido o fato gerador: I - na data do registro da declaração de importação de bens submetidos a despacho para consumo; [...] Parágrafo único. O disposto no inciso I do caput deste artigo aplica-se, inclusive, no caso de despacho para consumo de bens importados sob regime suspensivo de tributação do imposto de importação. (grifou-se) No presente caso, concluiu-se que a Recorrente teria direito à isenção das contribuições e também ao crédito pertinente. Mister lembrar o delineamento do instituto da isenção no Código Tributário Nacional. Conforme o art. 175 do CTN, isenção caracteriza-se como exclusão do crédito tributário. Nesse contexto, seria logicamente impossível a utilização do crédito tributário decorrente de um caso de exclusão desse crédito antes mesmo da efetiva ocorrência do elemento temporal do fato gerador e, consequementemente, antes da existência desse mesmo crédito. Ressalte-se que a faculdade de registro posterior da declaração de importação é uma benesse concedida pela Instrução Normativa SRF nº 116, de 2001, para simplificar as obrigações acessórias da Recorrente, contudo não cabe a esta se utilizar simultaneamente desse benefício e de um crédito relativo a um fato gerador que sequer se concretizou integralmente. Apesar de não ser o objeto do presente Recurso, cumpre anotar ainda que a Recorrente, na verdade, sequer tem direito ao creditamento pleiteado, pois este cabe, de forma excepcional, desde que o produto não seja revendido e nem seja utilizado como insumo em produto sujeito a isenção ou alíquota zero, nos termos do art. 16 § 1º da Lei 10.865, de 2004. Na situação em análise, o gás foi revendido, portanto, não se aplica o crédito pleiteado. Sobre esse entendimento, sugere-se remissão à Solução de Consulta Cosit no. 227, de 12 de maio de 2017. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 382DF CARF MF
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Numero do processo: 10875.903631/2009-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 2003
ESTIMATIVA. PAGAMENTO A MAIOR. PROVA.
Tendo o contribuinte logrado comprovar, com documentos hábeis e idôneos, o correto valor da estimativa devida, configura indébito o montante pago a maior.
DCTF. FALTA DE RETIFICAÇÃO. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE.
A falta de retificação da DCTF, por impedimento normativo, não obsta o reconhecimento do direito creditório do contribuinte, desde que o erro de fato tenha sido comprovado por documentação hábil e idônea. Impende, no entanto, a retificação de ofício da declaração, nos termos do Parecer Normativo Cosit 08/2014.
INDÉBITO. ESTIMATIVA. SÚMULA CARF Nº 84.
É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.
Numero da decisão: 1401-003.515
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a arguição de nulidade da decisão recorrida e no mérito dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório, homologando as compensações realizadas até o limite do valor reconhecido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10875.903624/2009-91, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada), Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente). Ausente a conselheira Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, substituída pela conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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PAGAMENTO A MAIOR. PROVA. Tendo o contribuinte logrado comprovar, com documentos hábeis e idôneos, o correto valor da estimativa devida, configura indébito o montante pago a maior. DCTF. FALTA DE RETIFICAÇÃO. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE. A falta de retificação da DCTF, por impedimento normativo, não obsta o reconhecimento do direito creditório do contribuinte, desde que o erro de fato tenha sido comprovado por documentação hábil e idônea. Impende, no entanto, a retificação de ofício da declaração, nos termos do Parecer Normativo Cosit 08/2014. INDÉBITO. ESTIMATIVA. SÚMULA CARF Nº 84. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a arguição de nulidade da decisão recorrida e no mérito dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório, homologando as compensações realizadas até o limite do valor reconhecido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10875.903624/2009-91, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Mauritânia Elvira de Sousa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 36 31 /2 00 9- 93 Fl. 132DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-003.515 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10875.903631/2009-93 Mendonça (suplente convocada), Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente). Ausente a conselheira Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, substituída pela conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Relatório Cuida o presente feito de Pedido de Ressarcimento/Restituição apresentado pelo contribuinte por meio do qual formalizou crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL. O crédito atualizado foi utilizado para compensar débitos próprios. O crédito teria origem no pagamento a maior que teria sido efetuado pelo contribuinte por meio de DARF. O crédito foi inteiramente indeferido e as compensações não homologadas pela autoridade administrativa por meio de Despacho Decisório. O motivo do indeferimento foi a utilização integral do DARF para o pagamento do débito declarado em DCTF. Em outras palavras, o contribuinte declarou em DCTF um débito de estimativa de CSLL em montante equivalente ao efetivamente recolhido por meio de DARF.. Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, por meio do qual reafirmou seu entendimento de que o crédito pleiteado era correto, estava comprovado pelas declarações apresentadas e deveria ser reconhecido. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O principal argumento foi a ausência de elementos probatórios que dessem suporte À tese da defesa de erro material no declaração. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário. Neste, o contribuinte apresentou uma preliminar de nulidade da decisão de piso por cerceamento do direito de defesa e ausência de motivação. Quanto ao mérito, reiterou as alegações que já haviam sido esgrimidas na manifestação de inconformidade. Em apertada síntese, era o que havia a relatar. Fl. 133DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-003.515 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10875.903631/2009-93 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 1401-003.508, de 12 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10875.903624/2009-91, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401-003.508): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos legais. Dele, tomo conhecimento. Preliminar de nulidade da decisão de primeira instância administrativa. Conforme relatado, a DRJ fundou sua decisão na constatação de que o contribuinte não teria juntado aos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou comprovar inclusão indevida de valores na base de cálculo, erro material na apuração do imposto e reduções de valores da base de cálculo de débito confessado em DCTF. Entretanto, compulsando os autos, verifico que o contribuinte apresentou não apenas a DIPJ, mas cópia do Livro Razão onde está transcrito o balanço patrimonial e a demonstração de resultado e as páginas do LALUR do respectivo período. A autoridade julgadora não fez qualquer consideração acerca destes elementos probatórios. O artigo 230 do Regulamento do Imposto de Renda vigente na época dos fatos (Decreto nº 3.000/99) previa que Art.230.A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso (Lei nº 8.981, de 1995, art. 35, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). §1ºOs balanços ou balancetes de que trata este artigo (Lei nº 8.981, de 1995, art. 35, §1º): I-deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no Livro Diário; II-somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto devido no decorrer do ano-calendário. §2ºEstão dispensadas do pagamento mensal as pessoas jurídicas que, através de balanços ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais Fl. 134DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-003.515 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10875.903631/2009-93 apurados a partir do mês de janeiro do ano-calendário (Lei nº 8.981, de 1995, art. 35, §2º, e Lei nº 9.065, de 1995, art. 1º). §3ºO pagamento mensal, relativo ao mês de janeiro do ano-calendário, poderá ser efetuado com base em balanço ou balancete mensal, desde que fique demonstrado que o imposto devido no período é inferior ao calculado com base nas disposições das Subseções II a IV (Lei nº 8.981, de 1995, art. 35, §3º, e Lei nº 9.065, de 1995, art. 1º). §4ºO Poder Executivo poderá baixar instruções para aplicação do disposto neste artigo (Lei nº 8.981, de 1995, art. 35, §4º, e Lei nº 9.065, de 1995, art. 1º). Vê-se que, por força de lei, as reduções das estimativas deviam estar lastreadas em balanços/balancetes de redução. Foi justamente o que o contribuinte apresentou na manifestação de inconformidade. Portanto, a autoridade julgadora de primeira instância deveria ter se pronunciado sobre os elementos probatórios juntados aos autos. Ao asseverar que o contribuinte não havia juntado registros contábeis e fiscais, a instância de piso infringiu o direito de defesa do contribuinte, consubstanciado no direito de ter suas alegações e os respectivos elementos de prova apreciados pela autoridade julgadora. Tal fato amolda-se à hipótese de nulidade da decisão, conforme dicção do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, verbis: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. (grifei) Entretanto, conforme será visto à frente, no mérito, é de se dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Assim, na espécie, aplica-se o disposto no parágrafo 3º do dispositivo acima citado para superar a nulidade em favor da celeridade processual e da eficácia da tutela administrativa. Voto, portanto, pelo afastamento da preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. Mérito. No que diz respeito ao mérito, três questões se impõem: (i) se o contribuinte logrou comprovar o valor correto da estimativa devida, de forma a caracterizar o pagamento a maior; (ii) se haveria a necessidade de retificação da DCTF para que se Fl. 135DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-003.515 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10875.903631/2009-93 possa deferir o crédito pleiteado; e (iii) se o indébito deve ser caracterizado como pagamento a maior de estimativa ou como saldo negativo de IRPJ ao final do ano. Quanto à questão probatória, tenho que o contribuinte trouxe aos autos elementos suficientemente robustos. Vejamos. De acordo com a legislação anteriormente citada, para que o contribuinte pudesse reduzir a estimativa de IRPJ do mês em questão, deveria levantar balanço/balancete de suspensão, com todos os requisitos do lucro real. Neste sentido, o contribuinte juntou à manifestação de inconformidade o balanço, bem como, a demonstração de resultado e a escrituração fiscal (LALUR). A escrita contábil e fiscal demonstra a apuração da estimativa devida, em linha com o declarado na DIPJ. O conjunto probatório é hábil e harmônico, comprovando além de qualquer dúvida razoável que o valor de estimativa de IRPJ devido era o alegado pelo contribuinte. Neste contexto, o pagamento efetivamente realizado revela-se maior do que o devido. Quanto à necessidade de retificação da DCTF para que o crédito objeto do Pedido de Ressarcimento/Restituição possa ser reconhecido, apoio o presente voto nas conclusões do Parecer Normativo Cosit nº 02, de 28/08/2015, verbis: [...] e) a não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazê-la em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios; [...] A restrição à apresentação de DCTF retificadora encontra-se no artigo 9º, § 5º da IN RFB nº 1.110/2010, que determina que o direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extingue-se em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. Assim, nesta fase recursal, descabe exigir que o contribuinte tenha retificado a DCTF, uma vez que ele logrou comprovar pelos meios acima mencionados o erro de fato no preenchimento da DCTF e o crédito pleiteado. Neste sentido mencionamos os precedentes abaixo, reproduzidos na parte que interessa: FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova idônea, contábil e fiscal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. (Acórdão CARF nº 3302-006.768, de 28/03/2019) FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde Fl. 136DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-003.515 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10875.903631/2009-93 que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova idônea, contábil e fiscal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. (Acórdão CARF nº 3301-005.670, de 31/01/2019) FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. APURAÇÃO EM DILIGÊNCIA. A falta de retificação da DCTF não impede a aplicação do Princípio da Verdade Material, tornando oportuna a averiguação da existência do crédito através de diligência. (Acórdão CARF nº 3402-005.964, de 28/11/2018) REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. APRESENTAÇÃO DE PER/DCOMP. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, faz-se necessário a retificação da DCTF, de ofício ou pelo contribuinte. (Acórdão CARF nº 3003-000.176, de 20/03/2019) Como se pode observar nesta última decisão, uma vez que ao contribuinte é vedada a possibilidade de retificar a DCTF em questão para que o débito seja ajustado ao valor correto, em respeito à verdade material, é mister que a retificação seja promovida de ofício. A possibilidade de retificação de ofício da DCTF é expressa no Parecer COSIT nº 08, de 03/09/2014, verbis: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. REVISÃO E RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO – DE LANÇAMENTO E DE DÉBITO CONFESSADO, RESPECTIVAMENTE – EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. CABIMENTO. ESPECIFICIDADES. [...] A retificação de ofício de débito confessado em declaração, para reduzir o saldo a pagar a ser encaminhado à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional – PGFN para inscrição na Dívida Ativa, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Neste contexto, portanto, a falta de retificação da DCTF, por impedimento normativo, não obsta o reconhecimento do direito creditório do contribuinte, uma vez que foi comprovado por documentação hábil e idônea. Quanto à caracterização do indébito como pagamento a maior de estimativa ou saldo negativo de IRPJ, aplico a Sumula CARF nº 84, que é vinculante nos termos da Portaria ME nº 129 de 01/04/2019: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Todos os elementos de prova juntados aos autos demonstram, de forma harmônica, que o contribuinte apurou a estimativa de IRPJ devida no mês em questão no montante alegado. Este foi o valor declarado em DIPJ e apurado conforme a escrita contábil e fiscal, à luz da norma de regência. Ademais, tal valor não compôs o saldo negativo declarado em DIPJ. Fl. 137DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-003.515 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10875.903631/2009-93 Assim, chego à convicção de que o pagamento efetivamente realizado mostrou- se a maior do que o devido e que o débito declarado em DCTF, no mesmo valor, configurou erro de fato. Desta forma, não vejo óbice, diante da súmula mencionada, em reconhecer o valor pago a mais como indébito na data do recolhimento. Conclusão. Voto por afastar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito, reconhecer o crédito pleiteado, na forma de pagamento indevido ou a maior, nos termos da fundamentação apresentada, homologando-se as compensações declaradas nas forças do crédito reconhecido. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por afastar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito, reconhecer o crédito pleiteado, na forma de pagamento indevido ou a maior, nos termos da fundamentação apresentada, homologando-se as compensações declaradas nas forças do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Relator Fl. 138DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.726882/2013-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Ano-calendário: 2009
EMBARGOS. OMISSÃO.
Cabem embargos de declaração para sanar omissão no julgado. Compete ao embargante apontar a omissão. Não há omissão se o colegiado se pronuncia sobre a matéria sob fundamento divergente dos apresentados pelo recorrente.
Numero da decisão: 2301-006.337
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não admitir os embargos, vencidos os conselheiros Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha e Cleber Ferreira Nunes Leite que o admitiram.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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OMISSÃO. Cabem embargos de declaração para sanar omissão no julgado. Compete ao embargante apontar a omissão. Não há omissão se o colegiado se pronuncia sobre a matéria sob fundamento divergente dos apresentados pelo recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não admitir os embargos, vencidos os conselheiros Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha e Cleber Ferreira Nunes Leite que o admitiram. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratam-se de embargos opostos pelo sujeito passivo, em face do Acórdão nº 2301- 005.520, de 8/8/2018. Os aclaratórios foram analisados pela autoridade competente (e-fls. 2000 a 2007), que os admitiu nos seguintes termos e limites: Diante do exposto, com fundamento no art. 65, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, ACOLHO PARCIALMENTE os Embargos de Declaração opostos pelo sujeito passivo, apenas em relação ao item 'b..1' nos termos acima, devendo ser sanada a omissão apontada, para inclusão em pauta de julgamento. A parte admitida dos embargos corresponde ao item b.1: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 68 82 /2 01 3- 90 Fl. 2022DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.337 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.726882/2013-90 b.1) Omissão quanto ao conceito de lucro A embargante destaca que o redator do voto vencedor entendeu que os pagamentos efetuados à empresa estrangeira não se enquadravam como lucro, com fundo nos seguintes argumentos: O lucro pode ser definido, de forma simplificada, como sendo o resultado positivo aferido a partir do confronto entre as receitas, as despesas e os custos. Portanto, os valores remetidos ao exterior para remunerar os serviços prestados nos termos contratados somente poderiam ser considerados como lucro se houvessem sido precedidos de apuração do resultado da operação, nos termos do art. 187, § 1º, da Lei nº 6.404, de 1976. Desse modo, não podem ser aplicadas as disposições do Artigo VII da Convenção às remessas de que tratam os autos, já que lucro não são, senão o pagamento pelos serviços contratados. Todavia, alega que o acórdão foi omisso ao deixar de observar entendimento expresso pelo STJ (REsp 1.161.467/RS), PGFN (Parecer PGFN/CAT/2363/2013) e da própria Receita Federal do Brasil (ADI 05/2014) sobre o conceito de lucro do art. 7º dos Tratados, o qual deve ser entendido como o resultado da atividade (receita), não devendo ser aplicado o disposto na legislação interna, em razão do princípio da especialidade, previsto no art. 98 do CTN. Neste tópico, verifica-se que assiste razão à embargante. Compulsando os autos, especificamente efls. 1455, verifica-se que a ora embargante sustentava que a própria PGFN, "admitiu, por meio do Parecer nº 2.363, em 19.12.2013, que essas remessas devem ser tratadas como "lucro" da prestação de serviço, não sujeita à retenção de imposto de renda no Brasil, sendo apenas tributadas no país onde o serviço foi prestado, como prevê o artigo 7º da mesma convenção (doc.3)" Ainda às efls. 1462 a 1464 consta a decisão proferida pelo STJ no REsp 1.167.467/RS que deu azo ao Parecer da PGFN supracitado. Por sua vez, o voto vencedor não se manifestou sobre a inaplicabilidade de tais decisões, analisando apenas o texto do Convenção, portanto patente a omissão apontada. Tudo o mais constante dos embargos foi rejeitado em caráter definitivo, nos termos do § 3º do art. 65 do Ricarf. É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital, Relator. Embora os embargos tenham sido admitidos, sob a alegação de que o acórdão embargado não teria se manifestado sobre o porquê não ter aplicado o conceito de lucros estabelecido pelo STJ, no REsp 1.161.467/RS, pela PGFN, no Parecer PGFN/CAT/2363/2013, e pela Receita Federal, no ADI 05/2014, submeto essa admissibilidade ao colegiado, dado que fui o relator do voto vencido e, portanto, no presente caso, entendo mais adequado que o colegiado se pronuncie sobre a admissão. Fl. 2023DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.337 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.726882/2013-90 Eis que, na condição de redator do voto vencedor, não apliquei o conceito de lucro sustentado pela recorrente, que se baseou nos dispositivos citados no recurso, porque apliquei o conceito manifesto na legislação pátria, art. 187, § 1º, da Lei nº 6.404, de 1976, para concluir: Desse modo, não podem ser aplicadas as disposições do Artigo VII da Convenção às remessas de que tratam os autos, já que lucro não são, senão o pagamento pelos serviços contratados. Não está, ao meu ver, claro que o acórdão tenha incorrido em omissão, mas admiti os embargos mesmo assim, na condição de presidente da turma, para submeter ao colegiado o melhor juízo quanto a acolhê-lo. Entendo que, ao não aplicar o entendimento manifesto pelo STJ, no REsp 1.161.467/RS, pela PGFN, no Parecer PGFN/CAT/2363/2013, e pela Receita Federal, no ADI 05/2014 o acórdão não foi omisso, pois justificou a não aplicação apresentando conceito diferente de lucro. Parece-me que a matéria trazida não é omissão, mas inconformismo com o fundamento de lucro que o colegiado adotou, o que não coaduna com as estreitas vias dos embargos, devendo ser questionada pelo meio próprio. Conclusão Voto, entretanto, por não admitir os embargos porque não há a omissão apontada. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital Fl. 2024DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35405.001386/2006-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Aug 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/07/2003
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
O indeferimento de perícia não tem o condão de anular o processo, já que não se trata de hipótese de cerceamento de defesa, eis que atrelado ao livre convencimento da autoridade julgadora, podendo ser negado quando esta entendê-la como desnecessária ao deslinde da questão.
ADICIONAL PARA CUSTEIO DE APOSENTADORIA ESPECIAL. INADEQUAÇÃO DOS DOCUMENTOS. LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO.
Constatada a inexistência ou a inadequação do PPRA, PGR, PCMAT, LTCAT ou PPP, o art. 296 da Instrução Normativa RFB nº 971/09 e o art. 33, § 3º da Lei nº 8.812/91 autorizam a autoridade fazendária a proceder ao lançamento do adicional para custeio de aposentadoria especial por arbitramento, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
GERENCIAMENTO DE RISCOS AMBIENTAIS. COMPROVAÇÃO DA NEUTRALIZAÇÃO DO AGENTE NOCIVO. ÔNUS DA PROVA
Inconteste a existência de agentes nocivos no ambiente de trabalho em nível superior aos admitidos em lei, a empresa apenas se esquivará do pagamento de adicional para custeio da aposentadoria especial se comprovar o efetivo controle de riscos, capaz de neutralizar o agente ou reduzi-lo ao limite de tolerância de exposição definido pelo MTE.
Numero da decisão: 2202-005.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia, Ronnie Soares Anderson (Presidente) e Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado).
Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: LUDMILA MARA MONTEIRO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1999 a 31/07/2003 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. O indeferimento de perícia não tem o condão de anular o processo, já que não se trata de hipótese de cerceamento de defesa, eis que atrelado ao livre convencimento da autoridade julgadora, podendo ser negado quando esta entendê-la como desnecessária ao deslinde da questão. ADICIONAL PARA CUSTEIO DE APOSENTADORIA ESPECIAL. INADEQUAÇÃO DOS DOCUMENTOS. LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO. Constatada a inexistência ou a inadequação do PPRA, PGR, PCMAT, LTCAT ou PPP, o art. 296 da Instrução Normativa RFB nº 971/09 e o art. 33, § 3º da Lei nº 8.812/91 autorizam a autoridade fazendária a proceder ao lançamento do adicional para custeio de aposentadoria especial por arbitramento, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. GERENCIAMENTO DE RISCOS AMBIENTAIS. COMPROVAÇÃO DA NEUTRALIZAÇÃO DO AGENTE NOCIVO. ÔNUS DA PROVA Inconteste a existência de agentes nocivos no ambiente de trabalho em nível superior aos admitidos em lei, a empresa apenas se esquivará do pagamento de adicional para custeio da aposentadoria especial se comprovar o efetivo controle de riscos, capaz de neutralizar o agente ou reduzi-lo ao limite de tolerância de exposição definido pelo MTE.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1945; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1.192 1 1.191 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35405.001386/200601 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202005.304 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente COMPANHIA JAUENSE INDUSTRIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 31/07/2003 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. O indeferimento de perícia não tem o condão de anular o processo, já que não se trata de hipótese de cerceamento de defesa, eis que atrelado ao livre convencimento da autoridade julgadora, podendo ser negado quando esta entendêla como desnecessária ao deslinde da questão. ADICIONAL PARA CUSTEIO DE APOSENTADORIA ESPECIAL. INADEQUAÇÃO DOS DOCUMENTOS. LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO. Constatada a inexistência ou a inadequação do PPRA, PGR, PCMAT, LTCAT ou PPP, o art. 296 da Instrução Normativa RFB nº 971/09 e o art. 33, § 3º da Lei nº 8.812/91 autorizam a autoridade fazendária a proceder ao lançamento do adicional para custeio de aposentadoria especial por arbitramento, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. GERENCIAMENTO DE RISCOS AMBIENTAIS. COMPROVAÇÃO DA NEUTRALIZAÇÃO DO AGENTE NOCIVO. ÔNUS DA PROVA Inconteste a existência de agentes nocivos no ambiente de trabalho em nível superior aos admitidos em lei, a empresa apenas se esquivará do pagamento de adicional para custeio da aposentadoria especial se comprovar o efetivo controle de riscos, capaz de neutralizar o agente ou reduzilo ao limite de tolerância de exposição definido pelo MTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 40 5. 00 13 86 /2 00 6- 01 Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 35405.001386/200601 Acórdão n.º 2202005.304 S2C2T2 Fl. 1.193 2 (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia, Ronnie Soares Anderson (Presidente) e Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por COMPANHIA JAUENSE INDUSTRIAL contra decisão proferida por Auditora Fiscal de Previdência Social, que rejeitou a impugnação apresentada para manter a cobrança de R$ 3.150.686,00 (três milhões, cento e cinquenta mil, seiscentos e oitenta e seis reais), referente ao adicional para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – SAT/RAT –, no período compreendido entre abril de 1999 e julho de 2003. Em síntese, do Relatório da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, acostado às f. 63/79, extraise o seguinte: Esta auditoria, com base em tudo que já foi exposto no item 3.1, conclui que não há suporte nos documentos e informações apresentados para que a empresa declare em GFIP que não expõe seus trabalhadores aos agentes nocivos ruído e poeira de algodão, acima do limite de tolerância. Muito pelo contrário (Auto de Infração Debecad 35.565.391 5). De forma resumida: . O PPRA informa que muitos setores da empresa são áreas de RISCO, onde o ruído e a poeira de algodão foram avaliados e constatouse que ultrapassaram os limites de tolerância. . Os PPRA'S da empresa não têm prioridades nem metas, carece de estratégia e de metodologia de ação. A única tentativa sistemática de controle do ruído é a distribuição de EPI. Observemos a NR 09: 9.3.5.4 “Quando comprovado pelo empregador ou instituição, a inviabilidade técnica da adoção de medidas de proteção coletiva ou quando estas não forem suficientes ou encontrarem › se em fase de estudo, planejamento ou implantação ou ainda em caráter complementar ou emergencial, deverão ser adotadas outras medidas obedecendose à seguinte hierarquia: a) medidas de caráter administrativo ou de organização do trabalho; b) utilização de Equipamento de Proteção Individual – EPI”. PCMSO`S a empresa não realiza exames de raio X de tórax e espirometria para os trabalhadores expostos a poeira de algodão, apesar deste agente nocivo exceder o limite de tolerância em vários setores da empresa. . PCMSO`S A empresa não cumpre a NR O7 quando da análise dos relatórios dos PCMSO'” que não trazem as estatísticas dos resultados considerados anormais, assim como o planejamento para o próximo ano. Também a empresa limitouse a informar que não foi detectado exames alterados, sob o ponto de vista de “Doença Ocupacional”, razão pela qual os respectivos quadros informam “0” (zero), informação esta que não se sustenta, já que em visita a empresa verificamos exames audiométricos de alguns setores com diagnósticos de perdas auditivas. Fl. 1193DF CARF MF Processo nº 35405.001386/200601 Acórdão n.º 2202005.304 S2C2T2 Fl. 1.194 3 Assim sendo, a empresa expõe seus trabalhadores a agentes nocivos acima do limite de tolerância e não gerencia adequadamente o meio ambiente do trabalho, deixando inclusive de cumprir normas de saúde e segurança do trabalho (f. 75). Em sua impugnação (f. 149/157), a recorrente alegou, preliminarmente, que deveria ser deferida a realização de perícia “in loco”, conforme dicção do inciso IV, art. 6º da Portaria 357/02. Quanto ao mérito, aduziu que pretendia aprofundar seus argumentos após a realização da prova pericial, ao seu sentir, indispensável ao deslinde da controvérsia. Acrescentou, ainda, que apresentaria, no curso da instrução processual, laudos cujos resultados infirmariam as conclusões da autoridade fiscalizadora. Em suas considerações finais, aduziu que a autoridade fiscal não colacionou aos autos provas de suas alegações, o que ensejaria a nulidade da NFLD. Arrematou asseverando que o critério de arbitramento utilizado pela autoridade fiscalizadora não condiz com a realidade de seu parque fabril, uma vez que nem todos os empregados dos setores produtivos estavam expostos a condições especiais de trabalho. Tendo em vista que as alegações apresentadas em impugnação se referiam ao procedimento fiscal, os autos foram encaminhados ao Auditor Fiscal da Previdência Social notificante para análise e manifestação (f. 179). Em resposta (f. 181/182), a autoridade fiscal alegou que o inconformismo não merecia acolhida e juntou cópias, por amostragem, de PCMSOs e PPRAs do período notificado (f. 183/360). Diante da resposta da autoridade fiscal, a ora recorrente manifestouse novamente (f. 362/368) e acostou laudo técnico (f. 369/378), os quais foram encaminhados para análise da autoridade fiscal. Em resposta (f. 381), o auditor fiscal responsável apenas afirmou que a empresa não apresentou qualquer elemento novo capaz de elidir o trabalho da fiscalização. Disse ainda que o relatório da NFLD e a primeira “informação fiscal” contêm todas as informações necessárias quanto aos procedimentos realizados, reiterando a necessidade de manutenção da cobrança. Cientificada de que seu pedido de diligência fora negado, uma vez que não poderia retratar dados contemporâneos ao período dos fatos apurados (f. 384), requereu acesso ao resultado das diligências realizadas pela autoridade fiscalizadora, a fim de que pudesse manifestarse a seu respeito (f. 387/389). Intimado do resultado das diligências fiscais, o contribuinte apresentou nova manifestação (f. 396/414), reafirmando sua inconformidade com o auto de infração que, ao seu sentir, teria resultado de inadequada generalização. Naquela oportunidade, acostou uma série de documentos (f. 415/1007). O processo, então, retornou ao AFPS notificante, a fim de que ele se manifestasse quanto às alegações e documentos apresentados pela ora recorrente (f. 1008). O auditor fiscal alegou que: 1. O trabalho de auditoria foi realizado de acordo com as normas vigentes, e o levantamento se baseou nas avaliações ambientais dos PPRA'S apresentados pela empresa durante a fiscalização. O lançamento se restringiu aos setores em que os agentes nocivos estavam acima dos limites de tolerância. 2. O laudo ora apresentado pela empresa não reflete as condições ambientais do período fiscalizado (04/99 a 07/03), já que foi elaborado em dezembro de 2004. 3. Durante a fiscalização pudemos verificar a existência de exames audiométricos alterados, cuja cópia não foi autorizada pela empresa sob alegação de sigilo médico (TIAD n° 13 de 11/11/2003). Fl. 1194DF CARF MF Processo nº 35405.001386/200601 Acórdão n.º 2202005.304 S2C2T2 Fl. 1.195 4 4. O descumprimento das NR'S 07 e 09 está cabalmente demonstrado no relatório fiscal da NFLD. 5. A aceitação ou não da contagem de tempo como atividade especial pelo Setor de Benefícios é baseada nas conclusões sobre a exposição a agentes nocivos apresentadas pela empresa em formulários próprios. O trabalho da auditoria fiscal é verificar se essas conclusões são compatíveis com as demonstrações ambientais. Como não são (vide relatório fiscal da NFLD), foi feito o lançamento da contribuição adicional. 6. Foram listados no relatório fiscal da NFLD (anexo II) os nomes dos trabalhadores que têm direito a contagem de tempo especial. Transitado em julgado este processo, os mesmos poderão requerêlo (f. 1011). Apresentada defesa complementar (f. 1024/1028), sobreveio decisão de precedência da autuação. As razões de decidir podem ser assim sumarizadas: O contribuinte se confunde ao afirmar que o arbitramento efetuado pelo Auditor se baseou no exclusivo argumento de que a documentação acessória de responsabilidade do contribuinte, vinculada ao gerenciamento de riscos ocupacionais encontrase elaborada de forma defeituosa. Ao contrário, o certo é que a Fiscalização baseouse nas informações contidas no PPRA, documento elaborado pela própria empresa, contemporâneo ao período do lançamento, o qual demonstra claramente que os trabalhadores da empresa ficaram expostos a agentes nocivos em concentrações superiores aos limites de tolerância estabelecidos na NR 15; Cumpre salientarmos, que, os defeitos formais de elaboração do PPRA e do PCMSO tiveram relevância somente na emissão do Auto de Infração n.° 35.565.3907 CFL 81 que se refere à elaboração de documentos que não atendem às formalidades legais estabelecidas pelo INSS. Portanto, não assiste razão ao contribuinte quando alega que todas as conclusões fiscais inseridas nesta NFLD envolvem aspectos meramente teorizados e burocráticos, posto que se basearam em informações fornecidas pela própria empresa através do documento PPRA, o qual descreveu, anualmente, o ambiente laboral da empresa. Assim, considerando os documentos apresentados durante a ação fiscal, e em atenção ao disposto nos artigos 57 e 58 da Lei 8.213/91, corroborado pelas disposições contidas na IN 70/02 e IN 100/2003, o Auditor Fiscal efetuou a aferição indireta das contribuições sociais destinadas à aposentadoria especial. (...) As alegações acerca da precariedade ou não da elaboração do PPRA e PCMSO já foram discutidas no Al n.° 35.565.39207, sendo certo que nenhuma relevância tem para o presente lançamento. No entanto, cumpre ressaltarmos, a título de esclarecimento, que, a alegação feita pela empresa na defesa de fls. 391/409 (referente ao documento PCMSO), de que inexistem nos autos, e, portanto, inexistem no mundo jurídico, qualquer elemento de prova hábil a validar a parca assertiva fiscal quanto a perdas audiométricas foi refutada pelo Auditor na Informação Fiscal de fls. 1005, item 3, na qual este esclarece que tais documentos não foram trazidos aos autos pois a empresa não permitiu que fossem tidas cópias dos mesmos, sob o argumento de sigilo médico. É certo, ainda, que a própria empresa, na defesa de fls. 1017/1021, relata que apenas por sigilo médico não foram reproduzidas em cópias as correspondentes fichas médicas, mas todas foram disponibilizadas à fiscalização, que poderia promover toda e qualquer anotação e análise que entendesse necessária..", e foi o que fez o Auditor. (...) Fl. 1195DF CARF MF Processo nº 35405.001386/200601 Acórdão n.º 2202005.304 S2C2T2 Fl. 1.196 5 Quando o Setor de Benefícios concede ou denega uma aposentadoria especial, o faz considerando formulários preenchidos pela própria empresa. Ou seja, se baseia em fatos e documentos confeccionados pelo empregador. No entanto, a Fiscalização, ao caracterizar a existência de exposição a agentes nocivos acima do limite de tolerância, o faz baseandose em diversos outros documentos e fatos que o Setor de Benefício não teve acesso. Dessa forma, não há que se falar em quem está correto ou quem está equivocado: o Setor de Benefícios agiu corretamente em não conceder a aposentadoria especial, posto que os documentos que lhe foram colocados à disposição pela empresa demonstravam que assim deveria proceder. Por outro lado, o lançamento efetuado pela Fiscalização encontra respaldo legal, posto que fundamentouse em documento produzido pela própria empresa, contemporâneo ao período em que se constatou a exposição a agentes nocivos. (...) Salientamos, novamente, que, se os formulários PREENCHIDOS PELA PRÓPRIA EMPRESA OU PREENCHIDOS COM INFORMAÇÕES FORNECIDAS PELA EMPRESA demonstram que não há risco ocupacional, resta evidente que a perícia médica vai concluir pela não concessão da aposentadoria, cabendo, portanto, à Fiscalização, apurar a verdade dos fatos e condições declaradas pela empresa nos referidos documentos e formulários. (...) 20.1 quanto ao contido no final do item 06 do despacho de 29/09/05, é certo que enquanto o presente processo não transitar em julgado, nenhuma providência fiscal individualizada poderá ser efetivada para que o Setor de Benefícios tenha acesso à relação dos trabalhadores que tem direito à contagem de tempo especial. 20.2 não houve nenhum jogo de palavras por parte do Auditor quando se referiu aos exames audiométricos, sendo que somente o fez, pois a própria empresa questionou a não juntada desses exames nos autos vide defesa fls. 399, protocolada em 16/05/05. 20.3 apesar da empresa alegar que o Laudo que elaborou em 12/2004 se alicerçou em elementos vinculados a períodos anteriores (não houve a demonstração de quais elementos), é certo que o presente lançamento se fundamentou no PPRA, o qual, segundo o disposto no art. 381 da Instrução Normativa n.° 003/2005, é documento comprobatório da existência ou não de riscos ambientais em níveis ou concentração que prejudiquem a saúde ou a integridade física do trabalhador, bem como é documento que serve de base para a elaboração do PCMSO e documento que pode substituir o LTCAT. 21. Salientamos, por oportuno, que, por ser prescindível (o lançamento fundamentouse em documentos contemporâneos elaborados pela própria empresa PPRA'S), não foi deferida a realização de prova pericial art. 11 da Portaria n.° 520/2004. 22. Face ao exposto, temos que a presente Notificação Fiscal encontra se revestida das formalidades legais, tendo sido lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante o disposto no art. 33 e 37 da Lei n° 8.212/91, sendo procedente (10341036). Cientificada da decisão, a recorrente apresentou, em 13/02/2006 (f. 1182), recurso voluntário (f. 1041/1088), suscitando, em apertadíssima síntese, o seguinte: a) que a presunção utilizada pela autoridade fiscalizadora decorre de análises fiscais meramente burocráticas, sem qualquer respaldo na realidade fática; b) que a fiscalização não trouxe aos autos qualquer comprovação, ainda que por mera indicação de dados, de funcionários com diagnóstico de perda auditiva; Fl. 1196DF CARF MF Processo nº 35405.001386/200601 Acórdão n.º 2202005.304 S2C2T2 Fl. 1.197 6 c) que o planejamento dos exames do PCMSO “está registrado na forma de planilha associando as funções por setor da Empresa com os exames a serem realizados e especificando sua periodicidade. Os registros atendem às exigências formuladas na NR07/TEM e demais requisitos legais pertinentes” (f. 1046). d) que a decisão objurgada se restringiu a analisar a questão do atendimento de metas e prioridades, sendo omissa quanto aos aspectos da periodicidade e formas de avaliações do programa e quanto à implementação de medidas coletivas; e) que já se manifestou quanto à adoção de medidas de caráter coletivo, demonstrando que, ao contrário do alegado pela fiscalização, as medidas adotadas pela empresa não se restringiam ao trabalho de limpeza e lubrificação de maquinários; f) que a circular nº 1002/2005 MF/RFB repudia a utilização da presunção nos casos que envolvem aspectos inerentes aos riscos ocupacionais, na medida em que se exigem maiores cautelas fiscais. Reconheceu tal circular que, para concluir pelo direito à aposentadoria especial dos segurados então envolvidos, é necessário verificar o histórico de concessões de benefícios acidentários ou especiais aos seguradosempregados do contribuinte, para complementar e validar o debelado critério de presunção fiscal e legitimar a cobrança dos adicionais/SAT. Acrescenta que o órgão fiscal possui viabilidade técnica para identificar, em seus sistemas informatizados, concessões de benefícios previdenciários e/ou acidentários, motivo pelo qual não poderia ser deslocado ao contribuinte tal ônus. Aduz que, ainda que a circular mencionada não esteja vigente, há de se dar importância ao seu conteúdo; g) que a primazia da realidade não pode ser desprestigiada por meras questões formaisburocráticas; h) que houve cerceamento de defesa no indeferimento da perícia técnica, uma vez que foram cumpridas todas as exigências da Portaria nº 520/04, o que acarretaria em nulidade do procedimento; i) que as certificações NBR ISO 9001 e NBR ISO 14001, obtidas pela empresa em 1999 e 2003, respectivamente, colaboram para a confirmação de que há um eficaz gerenciamento de riscos ocupacionais a cargo da recorrente. Em sede recursal foram apresentados os seguintes documentos: certificado NBR ISO 9001 – 2000 (f. 1094); certificado NBR ISO 14001 – 1996 (f. 1095); manual de gestão ambiental (f. 1096110); e, manual da qualidade (f. 11111181). Contrarrazões apresentadas (f. 1185/1186), asseverando, em síntese: a) que, ao proceder ao arbitramento, levou em consideração as informações contidas no PPRA, documento elaborado pela própria empresa, contemporâneo ao período do lançamento, o qual demonstra claramente que os trabalhadores da empresa ficaram expostos a agentes nocivos em concentrações superiores aos limites de tolerância estabelecidos na NR15. b) que a Circular MF/SRP nº 1002/2005 não faz menção a critérios de aferição indireta, referindose, especificamente, ao treinamento de multiplicadores de GFIP; c) que, ainda que a referida circular contemplasse as considerações transcritas, a fiscalização a teria atendido, uma vez que efetuou o lançamento com base nas informações contidas nos documentos fornecidos pela própria empresa. É o relatório. Voto Fl. 1197DF CARF MF Processo nº 35405.001386/200601 Acórdão n.º 2202005.304 S2C2T2 Fl. 1.198 7 Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira – Relatora Conheço do recurso, presentes os pressupostos de admissibilidade. I DA PRELIMINAR: NULIDADE POR CERCEAMENTO DE DEFESA A recorrente alega, às f. 1079/1080, que o indeferimento da perícia demandada em impugnação consistiria em cerceamento de defesa, apto a macular o processo administrativo fiscal de nulidade. Há de se ter em vista, contudo, que incumbe ao julgador avaliar a (im)prescindibilidade da realização da perícia ao deslinde da controvérsia submetida à sua apreciação. Ou seja, o interessado não tem direito subjetivo à diligência em questão, que pode ser simplesmente dispensada. Temse, portanto, que não há cerceamento de defesa nos casos em que a perícia é indeferida com base em decisão fundamentada da autoridade julgadora, demonstrando os motivos de sua prescindibilidade. Confirase, a título exemplificativo, alguns acórdãos deste Conselho: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 10/09/2002 a 06/11/2006 (...) PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. No âmbito do processo administrativo fiscal, a produção da prova pericial é produzida com a finalidade de suprir a deficiência de conhecimento técnico especializado da autoridade julgadora. 2. O indeferimento da produção da prova pericial não configura vício de nulidade da decisão, por cerceamento ao direito de defesa, se a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que tal prova era prescindível para a formação de sua convicção sobre os elementos probatórios (Processo nº 11050.002921/200631, acórdão nº 3302005.208 – 3ª câmara / 2ª turma ordinária, sessão de 01 de fevereiro de 2018, sublinhas deste voto). Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2011 a 30/06/2015 (...) PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A admissibilidade de diligência ou perícia, por não se constituir em direito do autuado, depende do livre convencimento da autoridade julgadora como meio de melhor apurar os fatos, podendo como tal dispensar quando entender desnecessárias ao deslinde da questão (Processo nº 11364.720240/201660, acórdão nº 2201001.446 – 2ª câmara / 1ª turma ordinária, sessão de 08 de maio de 2018, sublinhas deste voto). No caso ora em apreço, a perícia foi negada ao argumento de que não seria capaz de atestar as condições ambientais da empresa no momento da autuação. E, por esse Fl. 1198DF CARF MF Processo nº 35405.001386/200601 Acórdão n.º 2202005.304 S2C2T2 Fl. 1.199 8 motivo, deveria ser pautada na análise de documentos contemporâneos ao período autuado. Adiro às razões apresentadas e, portanto, rejeito a preliminar de nulidade suscitada. II DO MÉRITO: GERENCIAMENTO DOS RISCOS AMBIENTAIS Os lançamentos referemse, como visto, à contribuição social destinada ao financiamento do benefício de aposentadoria especial, previsto nos artigos 57 e 58 da Lei nº 8.213/91 (art. 22, II, Lei 8.212/91). Conforme consta do relatório fiscal, a empresa foi intimada a apresentar os documentos necessários à comprovação da existência ou não de riscos ambientais em níveis ou concentrações que prejudiquem a saúde ou integridade física dos trabalhadores. Todavia, deixou de apresentar os LTCATs referentes aos anos de 1999 a 2003. Ademais, apresentou PCMSOs e PPRAs que, segundo a autoridade fiscalizadora, não atendem às exigências das NRs nº 09 e 07 do MTE. A autoridade fiscal procedeu, então, ao lançamento por arbitramento, com base no art. 57, § 6º da Lei 8.213/91 c/c art. 33, § 3º da Lei 8.212/91 e art. 233 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Ademais, outorgou aos trabalhadores o direito à conversão do tempo especial em comum no período da cobertura do ato fiscal. Das razões declinadas no recurso voluntário, notase que a recorrente se insurge contra a modalidade de lançamento por arbitramento, que, ao seu sentir, violaria o princípio da primazia da realidade sobre a forma. O conteúdo do art. 387 da Instrução Normativa/SRP nº 03/05, art. 387 foi reproduzido no art. 296 da Instrução Normativa RFB nº 971/09, que assim dispõe: Art. 296. A contribuição adicional de que trata o art. 292, será lançada por arbitramento, com fundamento legal previsto no § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991, combinado com o art. 233 do RPS, quando for constatada uma das seguintes ocorrências: I a falta do PPRA, PGR, PCMAT, LTCAT ou PPP, quando exigíveis, observado o disposto no inciso V do art. 291; II a incompatibilidade entre os documentos referidos no inciso I; III a incoerência entre os documentos do inciso I e os emitidos com base na legislação trabalhista ou outros documentos emitidos pela empresa prestadora de serviços, pela tomadora de serviços, pelo INSS ou pela RFB. Parágrafo único. Nas situações descritas neste artigo, caberá à empresa o ônus da prova em contrário (sublinhas deste voto). O supramencionado dispositivo retira seu fundamento legal do art. 33, § 3º da Lei nº 8.812/91. Confirase: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo Fl. 1199DF CARF MF Processo nº 35405.001386/200601 Acórdão n.º 2202005.304 S2C2T2 Fl. 1.200 9 único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (...) § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida (sublinhas deste voto). No mesmo sentido é a previsão do art. 233 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999: Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. Constatase, pois, que, ante a apresentação deficiente dos documentos relativos ao gerenciamento de riscos, pode a autoridade fiscalizadora proceder ao lançamento por arbitramento, cabendo ao contribuinte o ônus de apresentar elementos de prova aptos a elidir a pretensão fiscal. Tal é o entendimento deste Conselho, senão, vejase: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 30/06/2015 LANÇAMENTO FISCAL. ADICIONAL PARA CUSTEIO DE APOSENTADORIA ESPECIAL. A existência de segurados que prestam serviço em condições especiais e prejudiciais à saúde ou à integridade física obriga a empresa ao recolhimento do adicional para financiamento do benefício, nos termos do art. 57, § 6o, da Lei nº 8.213/91 c/c art. 22, inciso II, da Lei nº 8.212/91. (...) CONTRIBUIÇÃO. ARBITRAMENTO. INCOMPATIBILIDADE ENTRE DOCUMENTOS. A contribuição adicional ao GILRAT será lançada por arbitramento quando for constatada a incompatibilidade entre PPRA, PGR, PCMAT, LTCAT ou PPP (Processo nº 11634.720240/201660, Acórdão nº 2201004.466 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 08 de maio de 2018). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2009 a 31/12/2011 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. BASE DE CÁLCULO. ARBITRAMENTO. A recusa ou apresentação deficiente de documentos à fiscalização enseja o lançamento de ofício por arbitramento, Fl. 1200DF CARF MF Processo nº 35405.001386/200601 Acórdão n.º 2202005.304 S2C2T2 Fl. 1.201 10 cabendo à autuada o ônus de apresentar elementos impeditivos, extintivos ou modificativos do direito do fisco de constituir o crédito tributário (Processo nº 16682.720575/201464, Acórdão nº 2201004.405 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 03 de abril de 2018). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2005 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ADICIONAL PARA FINANCIAMENTO DA APOSENTADORIA ESPECIAL. É devia contribuição a título de adicional ao SAT, para o financiamento dos benefícios concedidos em razão da exposição dos trabalhador a agente nocivo decorrente de riscos ambientais, a ser pago pelas empresas que possuem segurados em condições especiais que prejudiquem a saúde e a integridade física. ARBITRAMENTO. BASE DE CÁLCULO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. PREVISÃO LEGAL A lei prevê o arbitramento da base de cálculo das contribuições quando ocorrer a apresentação deficiente de documento, invertendose o ônus da prova (Processo nº 17883.000208/201013, Acórdão nº 2202004.366 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 08 de maio de 2018). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 ADICIONAL PARA CUSTEIO DE APOSENTADORIA ESPECIAL. AFERIÇÃO INDIRETA. A empresa deve demonstrar, por meio dos documentos exigidos por lei, relativos aos riscos ambientais do trabalho, os segurados expostos a agentes nocivos. A falta de apresentação desses documentos na forma exigida por lei, autoriza o lançamento por aferição indireta, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário (...) (Processo nº 35387.000566/200541, Acórdão nº 2202004.374 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 08 de maio de 2018). Na hipótese de apresentação deficiente de documentos, tem a autoridade fiscalizadora a prerrogativa de realizar o lançamento de ofício, cabendo ao contribuinte apresentar provas capazes de elidir a pretensão fiscal. No caso ora em apreço, não foram apresentados os LTCATs de 1999 a 2003. Sendo assim, uma vez que os PPRAs da empresa indicavam a existência de agentes nocivos acima dos limites de tolerância previstos em Lei, a autoridade procedeu ao lançamento por arbitramento, com fundamento nos dispositivos supramencionados. A fim de solucionar a controvérsia submetida à apreciação deste Conselho, portanto, cabe avaliar se os documentos apresentados seriam (ou não) suficientes para subsidiar a alegação de que o devido controle dos agentes nocivos era feito, eis que a recorrente não questiona o fato de que, em determinados setores, os agentes nocivos “poeira de algodão” e “ruído” ultrapassavam os limites de tolerância previstos em lei. Conforme relatado, a fiscalização considerou que os PPRAs e PCMSOs apresentados não eram compatíveis com as normativas do MTE. A fim de comprovar tal alegação, tais documentos foram acostados aos autos por amostragem. Analisandose, Fl. 1201DF CARF MF Processo nº 35405.001386/200601 Acórdão n.º 2202005.304 S2C2T2 Fl. 1.202 11 incialmente, os PPRAs, temse que esses preveem a utilização de Equipamentos de Proteção Individual e de Proteção Coletiva – “vide” f. 220. Não há, contudo, qualquer menção ao fato de tais equipamentos serem suficientes à manutenção dos níveis de exposição dentro dos limites legais. Em relação aos EPIs, não foi mencionado seu modelo ou seu nível de atenuação dos agentes. Sendo assim, os PPRAs são insuficientes para demonstrar o efetivo gerenciamento dos riscos. Ao meu sentir, a discussão quanto à conformidade desses documentos com a NR09, travada nos laudos de f. 369378 e 469474, é inócua. Ainda que os PPRAs previssem adequadamente metas e prioridades, contivessem cronograma de ação e discriminassem as medidas de caráter coletivo implementadas, não seriam suficientes para afastar a incidência da cobrança da contribuição previdenciária. Isso porque, havendo a demonstração de que os agentes nocivos ultrapassam os níveis de tolerância, é necessária a comprovação da efetividade das medidas de controle aplicadas, não apenas sua previsão. Às f. 369/378 foi acostado “Laudo Técnico de Avaliação de Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho sobre o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRANR09) e o Programa de Controle Médico de Sáude Ocupacional (PcmsoNr07) da COMPANHIA JAUENSE INDUSTRIAL”, donde se extrai o seguinte: No entanto, mesmo com a adoção de todas as medidas de engenharia possíveis, não foram alcançados os valores nominais de concentração ou intensidade dos agentes ambientais abaixo dos Limites de Tolerância, estabelecidos na Norma Regulamentadora NR15. O avanço das medidas de controle de ordem coletiva esbarram em severas limitações técnicas e operacionais, tomandose inviável a eliminação dos agentes ambientais relacionados nos PPRA`s da Empresa. Diante dessa constatação e por força dos artigos 166 e 167 da Lei 6.514/77, e de acordo com as Normas Regulamentadoras NRO1, item 1.7 e seguintes, NR06, item 6.2 e seguintes, e por fim a NRO9 no seu item 9.3.5.4 e seguintes, a Empresa viuse obrigada a dar continuidade e aperfeiçoar continuamente o uso obrigatório de equipamentos de proteção individual EPI, devidamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e Emprego através dos Certificados de Aprovação CA. Para tanto, a Empresa efetua o dimensionamento adequado dos EPI's, os adquire e os distribui gratuitamente aos seus empregados, fornecendo treinamentos e reciclagens periódicas, bem como, toma obrigatório e fiscaliza o seu uso durante toda a jornada de trabalho dentro das áreas operacionais ou auxiliares onde há exigência de utilização dos mesmos (f. 372/373). A mera informação de que eram fornecidos EPIs não é suficiente. Seria necessário comprovar que estes eram efetivamente eficientes na manutenção dos agentes nocivos em níveis legalmente toleráveis e que eram devidamente utilizados pelos funcionários. O verbete sumular de nº 289 do TST pode ser aplicado, “mutatis mutandis”, à querela ora sob escrutínio: O simples fornecimento do aparelho de proteção pelo empregador não o exime do pagamento do adicional de insalubridade, cabendolhe tomar as medidas que conduzam à diminuição ou eliminação da nocividade, dentre as quais as relativas ao uso efetivo do equipamento pelo empregado. Fl. 1202DF CARF MF Processo nº 35405.001386/200601 Acórdão n.º 2202005.304 S2C2T2 Fl. 1.203 12 Não constam dos autos os comprovantes de entrega dos EPIs ou, ao menos, a indicação de seu modelo e especificação de seus níveis de atenuação. Ao meu aviso, os PCMSOs apresentados não são aptos para comprovar a efetividade das medidas de proteção adotadas pelo empregador, malgrado indiquem não ter sido constatada alteração nos exames realizados nos trabalhadores. Isto porque, nenhum exame foi juntado aos autos, sob a justificativa de “sigilo médico”. A autoridade fiscalizadora narra que, em visita à empresa, teve acesso às inúmeras audiometrias com diagnóstico de perda auditiva. Em sua defesa, a recorrente tenta se eximir do ônus da prova, alegando que a autoridade fiscalizadora deveria ter apresentado qualquer comprovação, ainda que por mera indicação de dados, de funcionários com diagnóstico de perda auditiva. Cumpre repisar que, dada a apresentação deficiente de documentos, o ônus da prova do efetivo gerenciamento dos riscos ambientais é da empresa. Sendo assim, incumbiria a ela comprovar que não houve qualquer diagnóstico de perda auditiva. Para tal, poderia simplesmente juntar os resultados dos exames médicos aos autos, mantendo em sigilo a identificação e dados pessoais dos funcionários, por exemplo. De toda sorte, ainda que inexistissem exames com alterações auditivas, vale salientar que tal fato, por si só, não tem o condão de afastar o pagamento da contribuição previdenciária. É que, de acordo com o art. 292 da Instrução Normativa RFB nº 971, [o] exercício de atividade em condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física do trabalhador, com exposição a agentes nocivos de modo permanente, nãoocasional nem intermitente, conforme disposto no art. 57 da Lei nº 8.213, de 1991, é fato gerador de contribuição social previdenciária adicional para custeio da aposentadoria especial. Ainda em relação aos PCMSOS, destacase que, segundo a autoridade fiscalizadora, em que pese o fato de o agente nocivo “poeira de algodão” ultrapassar os níveis de tolerância previstos em Lei, não são realizados exames de Raio X ou espirometria. Em sua defesa, a recorrente alega, apenas, que os exames complementares são, sim, realizados. A fim de comproválo, junta trecho de laudo colacionado aos autos, que assim prevê: Os exames complementares são realizados dentro e fora das instalações da empresa, sempre por profissionais da saúde devidamente qualificados e habilitados legalmente para o exercício da profissão. Dentre os exames complementares realizados, destacamos a realização dos exames de audiometria efetuados por uma profissional fonoaudióloga, contratada pela empresa exclusivamente para este fim, com a periodicidade prevista no PCMSO de acordo com a NR07/MTE e Portaria 19/96, do Ministério do Trabalho e Emprego. (f. 1047; sublinhas deste voto.) A recorrente, em mais uma tentativa de inverter o ônus probatório, afirma que “nada há nos autos, salvo as palavras fiscais desprovidas de qualquer comprovação, de que o contribuinte não realizava tais exames” (f. 1047). Além de não demonstrar que os EPIs e EPCs são suficientes para a manutenção dos agentes nocivos dentro dos limites legais, igualmente não tem êxito em comprovar que realiza exames médicos fundamentais para o acompanhamento os efeitos dos agentes nocivos na saúde de seus funcionários. Chama a atenção o fato de que o laudo utilizado para escorar sua tese apenas de forma genérica trata de “exames complementares”, sem enumerar quais exames estariam os trabalhadores Fl. 1203DF CARF MF Processo nº 35405.001386/200601 Acórdão n.º 2202005.304 S2C2T2 Fl. 1.204 13 especificamente submetidos – RaioX? Espirometria? Ambos? Nenhum? Em razão da deficiência da documentação acostada, não é possível precisar. A recorrente ainda lança mão do argumento de que a negativa de concessão de aposentadoria especial a seus empregados pelo INSS faria prova de seu adequado gerenciamento na prevenção de riscos. Cita o caso do trabalhador JOSÉ GERALDO LANZA, exposto unicamente ao agente nocivo ruído, que teve seu pedido de aposentadoria por tempo de contribuição indeferido (f. 415). A comunicação de indeferimento do pedido é acompanhada por DIRBEN 8030 do funcionário, elaborada pela empresa, na qual consta a seguinte informação: “o uso obrigatório do protetor auricular reduz o índice de ruídos para níveis considerados toleráveis, conforme legislação em vigor” (f. 416 e 417). Consta dos autos, ainda, laudo técnico elaborado a pedido da empresa para acompanhar a DIRBEN 8030, o qual atesta o seguinte: Equipamento de Proteção Individual: Implantação de Equipamento de Proteção Individual posterior a setembro de 1978 conforme evidência de implantação encontrada em avisos internos de 11/09/78, comunicado interno de 28/09/78, planilha de necessidades de uso de 30/09/78, relatório trimestral enviado ao MTb em 22/01/79Laudo de insalubridade S.R.R.T. N.° 01/79 e demais documentos comprobatórios. Protetor auricular tipo circunauricular Real som 12S CA 11.820 NRR 17dB até Junho de 2002, o protetor auricular Leight Muff Lm7 NRR 26,0dB CA 8514 à partir de Julho de 2002 e máscara de proteção respiratória P1 mod. 3M 8720 CA 445 e mod. Moldex 2200/2207 CA 557 3. A empresa mantém política de distribuição de EPI's, assim como política administrativa de obrigatoriedade de uso, conforme exigências legais. Equipamentos de proteção Coletiva: A fim de propiciar melhores condições de trabalho, as máquinas e equipamentos existentes no setor dispõe de dispositivos como travas de segurança, tampas de proteção, isolação acústica, exaustores, botões de emergências, etc., além de metodologia de trabalho que visam manter a integridade física do trabalhador. (...) Conclusão A empresa possui e seus empregados utilizam os Equipamentos de Proteção Individual necessários e suficientes para neutralizar ou minimizar a presença dos riscos ambientais a níveis aceitáveis pela legislação Trabalhista e Previdenciária. A comprovação da utilização dos Equipamentos de Proteção Individual pelos empregados são posteriores a 09/1978 (f. 430431). O Laudo utilizado para amparar o formulário DIRBEN foi produzido em 02/12/2003 – posteriormente às competências ora discutidas – e, apesar de indicar os modelos dos EPIs utilizados, não faz menção aos níveis de redução de ruído nem traz informações concretas de que os equipamentos eram devida e adequadamente utilizados no período abrangido pela fiscalização. Registro ainda que os formulários DIRBEN 8030 são preenchidos de acordo com as informações constantes dos Laudos Técnicos das Condições do Ambiente do Trabalho (LTCATs), os quais não foram apresentados para o período compreendido pela autuação. A recorrente sustenta ainda que a decisão do setor de benefícios não decorre apenas das informações prestadas pelo empregador, sendo pautada na análise de todas as circunstâncias Fl. 1204DF CARF MF Processo nº 35405.001386/200601 Acórdão n.º 2202005.304 S2C2T2 Fl. 1.205 14 fáticas e jurídicas envolvidas. Compulsando a “Comunicação de Decisão”, verificase a seguinte mensagem: Em atenção ao seu pedido de Aposentadoria por Tempo de Contribuição, apresentado em 12/05/2004, informamos que, após análise da documentação apresentada, não foi reconhecido o direito ao benefício pleiteado, tendo em vista que as atividades exercidas nos período(s) 01/04/1980 a 12/05/2004 não foram considerados prejudiciais à saúde ou à integridade física, de acordo com a conclusão da Perícia Médica, conforme estabelecido no parágrafo 5º do Art. 68 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048 de 06/05/99 (...) (f. 415; sublinhas deste voto.) Peço licença para transcrever o disposto na norma supracitada: Art. 68. A relação dos agentes nocivos químicos, físicos, biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física, considerados para fins de concessão de aposentadoria especial, consta do Anexo IV. (...) § 3º A comprovação da efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos será feita mediante formulário emitido pela empresa ou seu preposto, com base em laudo técnico de condições ambientais do trabalho expedido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho. (...) § 5º No laudo técnico referido no § 3o, deverão constar informações sobre a existência de tecnologia de proteção coletiva ou individual, e de sua eficácia, e deverá ser elaborado com observância das normas editadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego e dos procedimentos estabelecidos pelo INSS (sublinhas deste voto). Do dispositivo supramencionado, é possível depreender que a “Perícia Médica” a que se refere a comunicação de decisão é o próprio laudo que acompanha a DIRBEN 8030. A meu aviso, não há qualquer indício de que outras “circunstâncias fáticas e jurídicas” foram analisadas pelo Setor de Benefício. Registro ainda que outros os dois exemplos de indeferimento apresentados (f. 432 e 450), sequer dizem respeito ao período abarcado pela fiscalização. Conforme relatado, a recorrente sustenta que as certidões NBR ISO 9001 e NBR ISO 14001 fariam prova do efetivo gerenciamento dos riscos ambientais no ambiente de trabalho. Transcrevo as informações constantes do “Manual de Gestão Ambiental” e do “Manual da Qualidade”, acostados em sede recursal: A COMPANHIA JAUENSE INDUSTRIAL declara seu comprometimento com a proteção do Meio Ambiente através da sua Política Ambiental POLÍTICA AMBIENTAL Manter e ampliar a presença no mercado, atendendo os nossos clientes com produtos de qualidade e respeitando meio ambiente. Para tanto adotamos os seguintes princípios: Estimular o desenvolvimento humano, propiciando condições de crescimento com sensibilização ambiental. Fl. 1205DF CARF MF Processo nº 35405.001386/200601 Acórdão n.º 2202005.304 S2C2T2 Fl. 1.206 15 Atender aos requisitos do produto, processo e sistema de gestão da qualidade e ambiental, buscando a melhoria contínua de suas eficácias. Atender os requisitos legais, dos clientes, da comunidade e dos princípios orientadores. Buscar criatividade, flexibilidade e agilidade do processo e soluções com prevenção da poluição. Manter a comunicação com as partes interessadas (f. 1096). 3. Objetivo e Campo de Aplicação Este Manual da Qualidade tem como objetivo traçar as diretrizes do Sistema de Gestão da Qualidade da Companhia Jauense Industrial, tendo como focos a Política e os Objetivos da Qualidade, de acordo com a Norma NBR ISO 9001/2000. Neste Manual estão descritos os itens do Sistema de Gestão da Qualidade aplicáveis a todas as atividades da Companhia Jauense Industrial, com suas respectivas interrelações, inclusive com clientes e fornecedores. A Gerência da Qualidade e todas as funções devem utilizar este Manual como guia a ser seguido e efetivamente implementado (f. 1115). A passagem não traz qualquer menção à segurança dos trabalhadores ou à higidez do ambiente de trabalho, o que comprova serem as certidões inaptas ao fim que pretende a recorrente. Por derradeiro, sustenta que, com base na Circular nº 1002/2005 MF/RFB, para concluir pelo direito à aposentadoria especial dos segurados então envolvidos, é necessário verificar o histórico de concessões de benefícios acidentários ou especiais aos seguradosempregados do contribuinte. Todavia, há de se ter em vista que, no caso em questão, o ônus da prova recai sobre a empresa, não sobre a autoridade fiscalizadora. Repisese: comprovada a existência de agentes nocivos no ambiente de trabalho em nível superior aos admitidos em lei, a empresa apenas se esquivará do pagamento de adicional para custeio da aposentadoria especial se comprovar o efetivo controle de riscos. Não incumbe à fiscalização comprovar que não era feito o gerenciamento efetivo dos riscos, mas à empresa comprovar que esse era, sim, realizado. III – CONCLUSÃO Ante o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Fl. 1206DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.726745/2012-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-002.221
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, com o objetivo de que o contribuinte apresente laudo conclusivo, em prazo razoável, não inferior a 60 dias, para detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa qual a interferência e papel dos dispêndios gerais que serviram de base para tomada de crédito, oportunidade em que a fiscalização glosou os valores, com o objetivo de que este Conselho possa avaliar a real essencialidade e relação dos produtos e serviços com o processo produtivo e atividades da empresa.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Interessado FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, com o objetivo de que o contribuinte apresente laudo conclusivo, em prazo razoável, não inferior a 60 dias, para detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa qual a interferência e papel dos dispêndios gerais que serviram de base para tomada de crédito, oportunidade em que a fiscalização glosou os valores, com o objetivo de que este Conselho possa avaliar a real essencialidade e relação dos produtos e serviços com o processo produtivo e atividades da empresa. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Trata-Pedido de Ressarcimento de créditos de PIS, vinculado a declaração de compensação, que não restou integralmente reconhecido, consoante Despacho Decisório carreado aos autos. Cientificada desta decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, defendendo direito a percepção da integralidade dos créditos pleiteados. Discorre sobre o conceito de insumos e defende reversão das glosas efetuadas, essencialmente por entender que todos integram seu processo produtivo. A DRJ competente julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, nos termos do acórdão nº 14-075.408. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .7 26 74 5/ 20 12 -4 2 Fl. 8709DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3201-002.221 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.726745/2012-42 Irresignada com o não reconhecimento integral de seu pedido, a recorrente apresentou Recurso Voluntário reforçando os argumentos da manifestação de inconformidade e contestando, de forma específica, a decisão de primeira instância, glosa por glosa. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido na Resolução nº 3201- 002.197, de 23 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 10480.720433/2010-63, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201-002.197):. “Conforme a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresenta-se este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. A lide envolve a matéria do creditamento na apuração das contribuições PIS e COFINS não cumulativas, assim como o creditamento sobre os insumos do processo produtivo, matéria recorrente nesta seção de julgamento. De forma majoritária, este Conselho segue a posição intermediária entre aquela restritiva, que tem como referência a IN SRF 247/02 e IN SRF 404/04, normalmente adotada pela Receita Federal e aquela totalmente flexível, normalmente adotada pelos contribuintes, posição que aceitaria na base de cálculo dos créditos das contribuições todas as despesas e aquisições realizadas, porque estariam incluídas no conceito de insumo. Dicotomia que retrata a presente lide administrativa. Portanto, é condição sem a qual não haverá solução de qualidade à lide, nos parâmetros atuais de jurisprudência deste Conselho no julgamento da matéria, definir quais produtos e serviços estão sendo pleiteados, além de identificar em qual momento e fase do processo produtivo eles estão vinculados. O REsp 1.221.170 / STJ, em sede de recurso repetitivo, veio de encontro à posição intermediária criada na jurisprudência deste Conselho e, em razão do disposto no Art. 62 do regimento interno deste Conselho, tem aplicação obrigatória. Entre outros dispositivos legais, o Art. 16.º, §6.º e o Art. 29.º do Decreto 70.235/72, Art. 2.º caput, inciso XII e Art. 38.º e 64.º da Lei 9.784/99 e Art. 112.º, 113.º, 142.º e 149.º do CTN permitem a busca da verdade material no processo administrativo fiscal. Diante do exposto, em observação ao princípio da verdade material que permeia o processo administrativo, vota-se no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, com o objetivo de que: - o contribuinte apresente laudo conclusivo, em prazo razoável, não inferior a 60 dias, para detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa qual a Fl. 8710DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3201-002.221 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.726745/2012-42 interferência e papel dos dispêndios gerais que serviram de base para tomada de crédito, oportunidade em que a fiscalização glosou os valores, com o objetivo de que este Conselho possa avaliar a real essencialidade e relação dos produtos e serviços com o processo produtivo e atividades da empresa. Em razão do volume de itens glosados, destaca-se que o laudo deverá ser conciso e prático, de forma que não fique gravemente complexa a análise que será feita por conselheiro relator deste Conselho no retorno dos autos, sob a possibilidade de ser realizada nova diligência para adequação do laudo/relatório. Se possível, o laudo deve apresentar de forma agrupada e planilhada as análises que são muito semelhantes. Da mesma forma, devem ser evitados termos genéricos no relatório, como serviços gerais e outros. A receita deve ser cientificada do laudo apresentado pelo contribuinte para fazer diligência e nomear perito para analisar o laudo, se for o caso. Após cumpridas estas etapas, o contribuinte deve ser novamente cientificado do resultado da manifestação da Receita, assim como, a PGFN deve ser informada do resultado final da diligência demandada, para ambos se manifestarem dentro do prazo de trinta dias. Após, retornem os autos a este Conselho para a continuidade do julgamento.” Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que : - o contribuinte apresente laudo conclusivo, em prazo razoável, não inferior a 60 dias, para detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa qual a interferência e papel dos dispêndios gerais que serviram de base para tomada de crédito, oportunidade em que a fiscalização glosou os valores, com o objetivo de que este Conselho possa avaliar a real essencialidade e relação dos produtos e serviços com o processo produtivo e atividades da empresa. Em razão do volume de itens glosados, destaca-se que o laudo deverá ser conciso e prático, de forma que não fique gravemente complexa a análise que será feita por conselheiro relator deste Conselho no retorno dos autos, sob a possibilidade de ser realizada nova diligência para adequação do laudo/relatório. Se possível, o laudo deve apresentar de forma agrupada e planilhada as análises que são muito semelhantes. Da mesma forma, devem ser evitados termos genéricos no relatório, como serviços gerais e outros. A receita deve ser cientificada do laudo apresentado pelo contribuinte para fazer diligência e nomear perito para analisar o laudo, se for o caso. Fl. 8711DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3201-002.221 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.726745/2012-42 Após cumpridas estas etapas, o contribuinte deve ser novamente cientificado do resultado da manifestação da Receita, assim como, a PGFN deve ser informada do resultado final da diligência demandada, para ambos se manifestarem dentro do prazo de trinta dias. Após, retornem os autos a este Conselho para a continuidade do julgamento (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza. Fl. 8712DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.903667/2012-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA. PRODUTOS SUJEITOS À SISTEMÁTICA MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º da Lei 10.637/2002, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º da referida lei. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Numero da decisão: 3402-006.759
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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BENS PARA REVENDA. PRODUTOS SUJEITOS À SISTEMÁTICA MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º da Lei 10.637/2002, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º da referida lei. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra o Acórdão da DRJ, que não reconheceu o direito creditório pleiteado, mantendo o indeferimento do ressarcimento e a não homologação da compensação declarada. Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário repisando os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade, na qual, alega a existência de créditos pelas aquisições de produtos (combustíveis) para revenda, sujeitos à AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 36 67 /2 01 2- 62 Fl. 58DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-006.759 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10280.903667/2012-62 alíquota zero, dentro do regime da incidência monofásica, com fundamento no art. 16 da MP nº 206/2004, convalidado no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. Alega que a vedação ao aproveitamento de créditos foi tacitamente revogada com a superveniência da referida Lei nº 11.033, e que está submetida ao regime de apuração não cumulativa das contribuições, mesmo com a tributação monofásica dos produtos adquiridos, sendo permitido o aproveitamento dos créditos. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº. 3402-006.756, de 20 de agosto de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10280.903665/2012-73. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3402-006.756): “A questão trazida a julgamento centra-se na possibilidade do ressarcimento e/ou da utilização por compensação de créditos oriundos da aquisição de combustíveis derivados de petróleo para revenda, submetidos à incidência monofásica do PIS e da COFINS. A Recorrente alega que qualquer vedação à manutenção de créditos das contribuições estaria revogada em razão da superveniência do artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garantiria o direito ao creditamento sempre que as saídas estiverem submetidas à alíquota zero, sem exceções; e que o artigo 3º, I, “b”, da Lei 10.833/2003, não se aplicava às saídas efetuadas por distribuidores e varejistas, mas tão somente às saídas promovidas por importadores e industriais, não se aplicando ao seu caso. Incialmente, passo a transcrição do dispositivo legal da Lei nº10.833/2003 que trata da possibilidade de creditamento em relação às aquisições de bens para revenda: Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1º e 1º-A do art. 2º desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) [...] § 2º. Não dará direito a crédito o valor: Fl. 59DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-006.759 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10280.903667/2012-62 [...] II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. O art. 3º, I, da Lei 10.833/2003 dispõe que a pessoa jurídica poderá descontar do valor apurado na forma do art. 2º créditos calculados em relação a bens adquiridos para revenda, com as seguintes exceções: (a) em relação às mercadorias e produtos referidos no inciso III do § 3º do art. 1º, ou seja, mercadorias sujeitas à substituição tributária; e (b) nos §§ 1º e 1º-A do art. 2º, ou seja, na aquisição das mercadorias sujeitas à incidência monofásica. O texto legal é expresso na impossibilidade de crédito na aquisição das mercadorias sujeitas à incidência monofásica, inclusive combustíveis adquiridos pela recorrente. A recorrente alega que o artigo 17 da Lei 11.033/2004, regulou a situação, permitindo a manutenção dos créditos vinculados às saídas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência. Transcrevo o referido dispositivo legal: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Entendo que tal dispositivo legal não trouxe nenhuma nova regra à apuração das contribuições, mas apenas esclareceu situações porventura controversas, conforme expressamente dispõe a exposição de motivos da MP 206/2004, que originou tal norma. Trata-se apenas da manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados às operações com saídas não sujeitas ao pagamento da contribuição. Não se trata de permissão para creditamento de aquisições de produtos que não se sujeitaram ao pagamento das contribuições, ou em outras situações excepcionadas (como a monofasia e a substituição tributária), mas permitir a manutenção do crédito das contribuições que efetivamente foram pagas nas aquisições daqueles produtos que se sujeitarão a saídas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência. Ou seja, os créditos vinculados às vendas são mantidos, não criados. Trata-se daqueles créditos já previstos pela norma, com as exclusões impostas, não novas possibilidades de créditos. Não se trata de restringir o direito ao crédito das contribuições na não- cumulatividade, mas permiti-la apenas naquelas situações determinadas pelo legislador, sem qualquer ofensa ao princípio da não-cumulatividade. Destaca-se que o legislador, ao criar tal sistemática de apuração, já considerou as etapas da cadeia produtiva, as margens estimadas, e a vedação para o crédito nas aquisições. Permitir o creditamento nas situações sujeitas à sistemática monofásica é desvirtuar todo o sistema de Fl. 60DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-006.759 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10280.903667/2012-62 apuração das contribuições, permitindo um ganho indevido por parte do sujeito passivo, afrontando a concorrência e outros setores econômicos que não teriam tal possibilidade. A melhor doutrina não diverge de tal entendimento. Assim leciona o professor André Mendes Moreira, com a clareza que lhe é peculiar: "Quando a não-cumulatividade do PIS/COFINS entrou a viger, os contribuintes sujeitos à monofasia (produtores e importadores) foram mantidos na sistemática cumulativa. Dessa forma, essa categoria e empresas não adquiriu o direito - concedido a todos os que foram sujeitos à não-cumulatividade - de descontar créditos sobre suas aquisições. Entretanto, quando o PIS e a COFINS incidentes na importação foram criados pela Lei nº 10.865/04, a carga tributária sobre todos os contribuintes sujeitos ao regime cumulativo foi majorada. Isso porque as contribuições devidas na importação só geram créditos se a pessoa jurídica estiver sujeita à apuração não-cumulativa do PIS/COFINS. Assim, para que o PIS/COFINS-importação fosse melhor absorvido pelos contribuintes monofásicos (sujeitos até então à cumulatividade), a Lei nº 10.865/04 revogou o dispositivo que excepcionava a monofasia do regime não- cumulativo. Essa medida resultou na subsunção dos contribuintes monofásicos às regras da não-cumulatividade, desde que apurassem o seu IRPJ pelo lucro real e não se enquadrassem em nenhuma das demais exceções ao novel regime previstas na legislação. Com essa modificação, as pessoas jurídicas obrigadas ao recolhimento monofásico do PIS/COFINS foram autorizadas a descontar não somente os créditos previstos no art. 3º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, mas também os relativos às contribuições pagas na importação. Por outro lado, os distribuidores, atacadistas e varejistas que adquirirem bens tributados no sistema monofásico - e que têm, portanto, as vendas desses produtos gravadas à alíquota zero do PIS/COFINS - foram proibidos de se creditar do PIS/COFINS monofásico recolhido na etapa anterior. Obviamente, se esses distribuidores, atacadistas ou varejistas auferirem receitas com a venda de produtos sujeitos à apuração regular (não- monofásica) do PIS/COFINS, poderão se creditar normalmente, bastando proporcionalizar suas despesas, consoante reconhece a própria RFB" (A Não- Cumulatividade dos Tributos, 2ª edição revista e ampliada, Editora Noeses, 2012, p. 453/455). Por fim, importa-nos destacar a exceção expressa à regra imposta pelo inciso I do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, estabelecida pelo art. 24 da Lei nº 11.727/2008: Art. 24. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, produtora ou fabricante dos produtos relacionados no § 1º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, pode descontar créditos relativos à aquisição desses produtos de outra pessoa jurídica importadora, produtora ou fabricante, para revenda no mercado interno ou para exportação. Fl. 61DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-006.759 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10280.903667/2012-62 § 1º Os créditos de que trata o caput deste artigo correspondem aos valores da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidos pelo vendedor em decorrência da operação. § 2º Não se aplica às aquisições de que trata o caput deste artigo o disposto na alínea b do inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e na alínea b do inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.”(grifou-se) Portanto, conclui-se que o inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 permite creditamento em relação a bens adquiridos para revenda e veda creditamento em relação a: 1) mercadorias em relação às quais as contribuições tenham sido exigidas anteriormente em razão de substituição tributária (inciso III do §3º do art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003); 2) produtos sujeitos anteriormente à cobrança concentrada ou monofásica das contribuições (§ 1º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003), exceto no caso em que pessoa jurídica produtora ou fabricante de tais produtos os adquire para revenda de outra pessoa jurídica importadora, produtora ou fabricante desses mesmos produtos (§ 2º do art. 24 da Lei nº 11.727, de 2008). Destaca-se que a recorrente é revendedora dos produtos sujeitos à sistemática monofásica, e não produtora ou fabricante de tais produtos, não sendo possível o creditamento em relação a tais aquisições. Esse entendimento já foi firmado por este colegiado em diversos julgados recentes: Acórdão nº 3402-006.469, de 24 de abril de 2019 CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. REGIME MONOFÁSICO. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. DIREITO A CRÉDITO. FRETE. REVENDA. VAREJISTA. POSSIBILIDADE. O artigo 3º, inciso I das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao crédito correspondente aos produtos adquiridos para revenda, mas excetua textualmente o direito ao crédito da aquisição de combustíveis, os quais são tributados pela Contribuições pelo regime monofásico (artigo 3º, inciso I, alínea "b"). Tal exceção, contudo, não invalida o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do combustível para revenda, que compõe o custo de aquisição do produto (art. 289, §1º do RIR/99). Isto porque o frete é uma operação autônoma em relação à aquisição do combustível, paga à transportadora, na sistemática de incidência da não-cumulatividade. Sendo os regimes de incidência distintos, do produto (combustível) e do frete (transporte), permanece o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do combustível para revenda Acórdão nº 3402-006.573, de 25 de abril de 2019 PIS/COFINS. GÁS NATURAL. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Diversamente do que ocorre na sistemática da substituição tributária pra frente, no tributação monofásica não há previsão de restituição da quantia paga de tributo em etapa anterior da cadeia de circulação ou produção do produto. Fl. 62DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-006.759 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10280.903667/2012-62 Na tributação monofásica, as contribuições são devidas sobre as receitas referentes à etapa em que houve a incidência com alíquota diferente de zero, independentemente de quaisquer outras etapas da mesma cadeia. Acórdão nº 3402-006.670, de 23 de maio de 2019 NÃO-CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS MONOFÁSICOS PARA REVENDA. CRÉDITOS. GLOSA. Por expressa determinação legal, é proibida apuração de créditos relativos à aquisição de produtos sujeitos à tributação monofásica destinados à revenda com alíquota zero. É permitida somente a manutenção dos créditos decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados às vendas com alíquota zero, quando devidamente comprovados. Acórdão 3402-005.600, de 26 de setembro de 2018 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA. PRODUTOS SUJEITOS À SISTEMÁTICA MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo. É como voto.” Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Apesar do voto se referir apenas a COFINS, há perfeita correlação legal estabelecida pela Lei 10.637/2002, que permite aplicar o mesmo entendimento. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo. (documento assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 63DF CARF MF
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Numero do processo: 16692.721933/2017-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-002.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Curitiba/PR, que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pela Contribuinte sobre cobrança de Contribuição ao PIS e da COFINS. Para iniciar o relato do caso, por bem consolidar os fatos que ensejaram a atuação fiscal, colaciono os principais trechos do acórdão recorrido in verbis: Em decorrência de ação fiscal desenvolvida junto à empresa qualificada, foram lavrados os seguintes autos de infração: multa de ofício 75% e encargos legais, em face da insuficiência de recolhimento da 8/14, em que são exigidos R$ 8.692.543,17 de PIS/Pasep não cumulativo, além de multa de ofício de 75% e encargos legais, em face da insuficiência de recolhimento da contribuição, relativamente aos períodos de apuração de 01/2012 a 12/2012. A ação fiscal desenvolvida e as irregularidades apuradas encontram-se detalhadas no “Relatório Fiscal” de fls. 19/43. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 92 .7 21 93 3/ 20 17 -8 0 Fl. 2382DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3402-002.217 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16692.721933/2017-80 A autoridade fiscal explica que a empresa foi fiscalizada com o intuito de se averiguar as informações sobre a existência de créditos ressarcíveis de PIS/Pasep e Cofins informados em Pedidos de Ressarcimentos, relativos às apurações do 2° trimestre de 2011 ao 4° trimestre de 2012. Relata que o exame dos elementos reunidos no curso do procedimento fiscal, obtidos com a empresa e nas diferentes bases da RFB e do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped), conduziu à constatação de que não só não existem saldos de créditos, ressarcíveis ou não, mas houve a falta de recolhimento das contribuições devidas. Esclarece que não foram admitidos créditos sobre gastos com informações incompletas ou inconsistentes, nelas se encontrando "aquisições de mercadorias que não trazem CNPJ do fornecedor ("0"). identificação de NCM ("0000.00.00"), ou valor de base de cálculo da apuração de créditos, por exemplo". Narra que também não foram admitidos créditos tomados com base em documentos fiscais emitidos pela própria empresa. I - Fator de Rateio A fiscalização relata que a empresa aufere concomitantemente receitas dos regimes cumulativo e não cumulativo, devendo apurar créditos exclusivamente em relação aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas sujeitas ao regime não cumulativo. Informa que ela optou pelo cálculo de créditos pelo método de rateio proporcional, definido pela relação porcentual existente entre a Receita Bruta Não Cumulativa e a Receita Bruta Total. Observa que a Receita Bruta, conforme definição da legislação do imposto sobre a renda, trata-se daquela proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Aduz que, por isso, não devem compor o cálculo do fator de rateio, por não integrarem a Receita Bruta, receitas não próprias da atividade, tais como as decorrentes da venda de ativo imobilizado, receitas financeiras, receitas de aluguéis de bens móveis e imóveis, entre outras. Relata que quanto ao cálculo do rateio para apuração de créditos, a empresa informou que "para os valores lançados nas contas contábeis 731010, 735030, 750320, 725120, 725130, 725140, 725150, 730090, 725410, 725430, 770143, 778110, 785410, 782140, 782150 e 782160 o fator de ponderação não é aplicado, pois referem-se ao método de apropriação direta de créditos". Esclarece que, das descrições dessas contas e os lançamentos nelas encontrados no exercício de 2011, verificou ser incabível a aplicação do fator de rateio somente em relação aos lançamentos nas contas "Serviços de Coleta e Entrega - 725430" e "Redespacho e Entrega a Domicílio - 770143". Informa que, relativamente ao exercício de 2012, é incabível a aplicação do fator de rateio nas seguintes contas: Combustíveis para Veículos-Cargas, Impressos e Formulários-Cargas, Manutenção de Veículos-Cargas, Gastos com Sistema de Transferência-Cargas, Locação de Equipamentos Operacionais Cargas, Serviços de Manutenção em Equipamentos-Cargas, Serviços de Transporte de Passageiros e Cargas, Serviços Terceirizados de Transporte-Cargas, Trânsito Aduaneiro TAM Cargo e Manutenção de Veículos-Cargas. I-A) Prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros em modalidade internacional Relata que a empresa considerou as receitas com o serviço de transporte de passageiros em modalidade internacional como receitas sujeitas ao regime não cumulativo, a despeito das disposições do inciso XVI do art. 10 da Lei n° 10.833, de 2003. Informa que a Coordenação-Geral de Tributação, por meio da SCI Cosit n° 12, de 2014, já se manifestou sobre o descabimento dessa interpretação. Aduz que a citada disposição determina que permanecem sujeitas ao regime de apuração cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins as "receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros", quando auferidas por "empresas regulares de linhas aéreas domésticas". Fl. 2383DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3402-002.217 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16692.721933/2017-80 Argumenta uma "empresa regular de linhas aéreas domésticas" aufere receitas cumulativas com a atividade de prestação de serviços de transporte coletivo de passageiros, seja esse executado em modalidade doméstica ou internacional. Afirma que a TAM desfruta da incidência do PIS/Cofins com a alíquota do regime cumulativo, em relação às receitas do serviço de transporte coletivo de passageiros em modalidade doméstica, e de isenção em relação às receitas com a prestação desse serviço em modalidade internacional. Ressalta que, em função das receitas de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros, em qualquer modalidade, encontrarem-se submetidas ao regime cumulativo, não pode apurar créditos das contribuições em relação aos custos, despesas e encargos vinculados à prestação desse serviço de transporte coletivo. I-B) Receitas Financeiras A fiscalização relata que a empresa utilizou o valor das receitas financeiras no cálculo do fator de rateio, embora tenha excluído deste cálculo o valor das vendas de ativo imobilizado. Aduz que as receitas financeiras não compõem a receita bruta e não devem compor o cálculo do fator de rateio. Informa que planilha com o cálculo dos fatores de rateio encontra-se no Anexo I do presente despacho. I-C) Aplicação ampla do Fator de Rateio Explica que a contribuinte utilizou o fator de rateio para apurar créditos sobre receitas que não são comuns à geração de receitas cumulativas e não cumulativas. Diz que não é possível aplicar o fator de rateio sobre despesas que são exclusivas da prestação de serviços de passageiros cuja receita é sujeita à apuração cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins. II. Rateio proporcional utilizado para vinculação de créditos às diferentes receitas brutas não cumulativas Aduz que as receitas não próprias da atividade, tais como as decorrentes da venda de ativo imobilizado, receitas financeiras, de aluguéis de bens móveis e imóveis, entre outras, não devem compor o cálculo do rateio proporcional. Afirma que as receitas auferidas com o transporte internacional de cargas e passageiros não são necessariamente receitas de exportação de serviços, que, por definição do art. 6° da Lei n° 10.833, de 2003, devem gerar pagamento que represente ingresso de divisas. Relata que não identificou na planilha entregue pela contribuinte valores registrados nos Dacon a título de receitas de exportação e que a esse título encontrou apenas valores recebidos de passageiros. Informa que o cálculo do rateio proporcional que elaborou está demonstrado no Anexo II do Auto de Infração. Esclarece que os valores da referida Receita de Exportação e todas as demais receitas relacionadas pela empresta que estão sujeitas ao regime cumulativa, bem como as receitas que não integram a receita bruta da atividade da empresa não integraram o cálculo do rateio proporcional. III - Bens e Serviços utilizados como insumos Neste tópico, a fiscalização discorre sobre o conceito de insumos dado pela legislação do PIS/Pasep e da Cofins. Ressalta que no caso de veículos e de serviços de transporte somente cabe a apuração de créditos em relação àqueles diretamente utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços a terceiros. Explica que, no caso de combustíveis e lubrificantes, o texto legal deixa patente que somente se permite apurar créditos quando esses forem "utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda". Afirma que, no caso dos serviços de manutenção, caracteriza-se como insumo o serviço de manutenção de máquinas, equipamentos e veículos utilizados diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços. Aduz que não são considerados insumo bens e serviços que mantenham relação indireta com a produção de bem destinado à venda ou com a prestação de serviço ao público externo, tais como bens e serviços utilizados na produção da matéria-prima a ser consumida na industrialização de bem destinado à venda (insumo do insumo), ou Fl. 2384DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3402-002.217 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16692.721933/2017-80 utilizados em atividades intermediárias da pessoa jurídica, tais como administração, limpeza e vigilância. III-A) Relação de CFOP de aquisição, informados pela empresa, não compatíveis com a apuração de créditos Explica que a contribuinte apurou créditos sobre lançamentos contábeis com CFOP inválidos. Diz que a manifestante informou que eles se referem a gastos com tarifas de pouso e permanência pagos à Infraero. Informa que os respectivos créditos não foram desconsiderados, mas os relacionados no Anexo III não foram admitidos pela fiscalização. III-B) Relação de CFOP, informados por fornecedores da empresa na NF-e encontrados no SPED, incompatíveis com a apuração de créditos Relata que não foram admitidos como créditos dispêndios relativos à NF-e de aquisição, encontrados no SPED, emitidos pelas fornecedoras da empresa nos CFOP relacionados no Anexo IV. III-C) Relação de Códigos de Situação Tributária PIS e Cofins, informados por fornecedores na NF-e encontrados no SPED incompatíveis com a apuração de créditos A fiscalização informa que não foram admitidos como créditos dispêndios relativos à NF-e de aquisição, encontrados no SPED, emitidos pelas fornecedoras da empresa sob os CST relacionados no Anexo V. Comunica, ainda, que, em função da Solução de Consulta COSIT n° 496, de 2017, admitiu créditos sobre a aquisição de insumos de operações realizadas no CST relativo à tributação monofásica. III-D) Bens utilizados como insumos Esclarece que o principal insumo da empresa é o querosene de aviação. Afirma que, por disposição do art. 2° da Lei n° 10.560, de 2002, receitas de venda de querosene de aviação destinado a aeronaves em tráfego doméstico encontram-se sujeitas à incidência monofásica, de modo que as receitas de venda das distribuidoras do produto não estão sujeitas ao pagamento da contribuição. Afirma que a Solução de Consulta Cosit n° 496/2017 estabeleceu que a vedação à apuração de créditos trazida pelo art. 3°, §2°, da Lei n°10.833, de 2003, não alcança aquisições de bens sujeitos à incidência monofásica. Relata que as receitas auferidas com o transporte doméstico de cargas estão sujeitas ao regime não cumulativo, de modo que, quando existente documento fiscal de aquisição do produto, cabe a apuração de créditos sobre aquisições de querosene de aviação. Aduz, todavia, que as receitas auferidas por "empresa regular de linhas aéreas domésticas" com o transporte coletivo de passageiros estão sujeitas ao regime cumulativo de apuração da contribuição, o que torna inconcebível a apuração de créditos em relação às aquisições de querosene de aviação, relativamente à execução desse transporte. Afirma que cabe a aplicação de rateio proporcional em relação ao valor das notas fiscais de aquisição de querosene de aviação destinado à aeronave que efetue transporte doméstico de cargas e passageiros. Explica que as receitas de venda de querosene de aviação destinado às aeronaves em tráfego internacional desfrutam de não incidência do PIS/Pasep e da Cofins, por disposição dos arts. 2° e 3° da Lei n° 10.560, de 2002. Esclarece que, por disposição do §2° do art. 3° da Lei n°10.833, de 2003, a aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição não enseja a apuração de créditos, de modo não ser possível se apurar créditos em relação às aquisições de querosene de aviação destinado ao transporte internacional, tanto de cargas como de passageiros. Aduz que, no tocante ao querosene de aviação relativo ao transporte internacional de passageiros, encontra-se ainda um segundo impedimento à apuração de créditos, decorrente da sujeição das receitas com a "prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros" ao regime cumulativo de apuração. III-d.I) Bens utilizados como insumos - Análise das 'Descrições das Contas Analíticas' em que foram lançadas as aquisições de insumos A fiscalização descreve as glosas Fl. 2385DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 3402-002.217 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16692.721933/2017-80 realizadas e diz que anexou aos autos a planilha denominada "Análise - Descrição das Contas Analíticas Bens", que as detalham: (...) III-D) Serviços utilizados como insumos A fiscalização descreve as glosas realizadas e informa que juntados aos autos anexou os arquivos "Descrição das Contas Analíticas Serviços", que as detalham: (...) IV - Aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa Relata que o exame dos lançamentos a esse título deu-se na planilha denominada "Aluguéis 2011", na qual "os lançamentos apresentados pela empresa foram ordenados mês a mês e analisados pela presença e consistência de suas informações essenciais, e pela descrição apresentada. Foram adicionados, em seguida à análise, colunas com os cálculos dos valores a apurar em relação a cada lançamento". V - Contraprestações de operações de Arrendamento mercantil de pessoa jurídica Descreve que o exame dos lançamentos a esse título deu-se em planilha denominada "Arrendamentos", juntada aos autos, na qual "os lançamentos apresentados pela empresa foram ordenados mês a mês e analisados pela presença e consistência de suas informações essenciais, e pela descrição apresentada, com sequente cálculo dos valores a apurar em relação a cada lançamento. Foram adicionados, em seguida à análise, colunas com os cálculos dos valores a apurar em relação a cada lançamento". V - Energia Elétrica Narra que o "exame dos lançamentos a esse título deu-se em planilha denominada Energia Elétrica", na qual "os lançamentos apresentados pela empresa foram ordenados mês a mês e analisados pela presença e consistência de suas informações essenciais, e pela descrição apresentada. Quando relacionados dispêndios efetuados junto a companhias de Saneamento, por exemplo, esses não foram admitidos para fins de apuração de créditos. Foram adicionados, em seguida à análise, colunas com os cálculos dos valores a apurar em relação a cada lançamento". VI - Apuração Informa que os cálculos efetuados nas citadas planilhas de análise (Bens, Serviços, Energia, Aluguel e Arrendamentos) encontram-se consolidados na planilha "Apuração dos Créditos" e "Apuração das Contribuições". Ressalta que nenhuma das apurações de 2011 ou 2012 teve por resultado saldo de créditos, ressarcíveis ou não, mas, ao contrário, constatou que há valores de PIS/Pasep e Cofins a pagar. Relata que como a empresa não efetuou qualquer pagamento das citadas contribuições apuradas pelo regime não cumulativo no ano de 2012, não ocorreu a homologação de que trata o art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN). Procedeu, com fundamento no inc. I do art. 173 do CTN, ao lançamento de ofício dos valores de PIS/Pasep e Cofins não cumulativos do ano de 2012. Cientificada em 29/12/2017, a interessada apresentou impugnação de fls. 3.200/3.313 em 29/01/2018, alegando, em síntese, o seguinte. No tópico “I. DOS FATOS”, a interessada faz um relato do Auto de Infração em discussão. Após, no tópico “II. PRELIMINARMENTE”, item “II.1 - DA NECESSIDADE DE CONEXÃO DOS PROCESSOS ADMINISTRATIVOS QUE VERSAM SOBRE A MESMA MATÉRIA”, a interessada informa que o presente caso guarda vinculação com o processo administrativo nº 10880.722355/2014-52 (Auto de Infração) e demais processos conexos (pedidos de ressarcimento e compensações), pendentes de julgamento pelo CARF. Aduz que a conexão deriva do fato de ambos os autos de infração terem sido lavrados em decorrência da mesma revisão fiscal feita pela empresa. Diz que, muito embora os períodos autuados sejam distintos, o desfecho dos pedidos de ressarcimento vinculados ao processo nº 10880.722355/2014-52 terá reflexo no presente auto de infração. No tópico “III. DO DIREITO", item “III.1 – DA DECADÊNCIA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXIGIDO NO PRESENTE AUTO DE INFRAÇÃO”, aduz que o suposto saldo devedor se refere ao ano de 2012, período que está fulminado pela Fl. 2386DF CARF MF Fl. 6 da Resolução n.º 3402-002.217 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16692.721933/2017-80 decadência. Argumenta que, no caso do PIS/Pasep e da Cofins, ocorre o chamado lançamento por homologação, já que lhe compete constituir o crédito tributário, calcular o quantum devido e antecipar o pagamento, sem qualquer interferência da Autoridade Administrativa. Alega que, como a ciência do lançamento ocorreu somente em 29/12/2017, a quase totalidade do período autuado foi efetuado depois de transcorrido os cinco anos, observado o momento a partir do qual o CTN reputa ocorrido o fato gerador. Entende que, assim, os períodos anteriores a 29/12/2012 já estariam decaídos, pois de acordo com o § 4º do art. 150 do CTN, o Fisco tem cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, para homologar ou não o lançamento efetuado e, decorrido esse prazo, com ou sem manifestação da autoridade fiscal, considerar-se-á extinto o crédito tributário. Alega, ainda, que a regra do art. 173, I, do CTN, segundo a jurisprudência pacífica dos Tribunais Superiores, somente se dá quando constatado que a conduta do sujeito passivo está eivada de dolo, fraude ou simulação; ou haja falta de pagamento do tributo devido. Relativamente à segunda situação – inocorrência do pagamento do imposto – argumenta que a utilização de créditos para liquidar saldo devedor das contribuições apuradas ao final do período é considerada uma forma de pagamento do tributo. Conclui que, diante do decurso do referido prazo legal para o lançamento do tributo, não há dúvidas de que o crédito lançado foi fulminado pela decadência, razão pela qual deve ser cancelado o auto de infração para os períodos anteriores a 29/12/2012. No item “III.2 - DOS FUNDAMENTOS QUE CONFIRMAM QUE AS RECEITAS DE TRANSPORTE INTERNACIONAL DE PASSAGEIROS PERTENCEM ÀS RECEITAS NÃO CUMULATIVAS”, argumenta que a divergência existente entre o posicionamento fazendário e o que adotou reside na interpretação dada à segunda parte do inc. XVI do art. 10 da Lei n° 10.833/2003, que mantém no regime cumulativo as receitas auferidas com o transporte coletivo de passageiros, efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas. Alega que não há na norma qualquer alusão ao transporte internacional. Entende que as receitas originárias do transporte nacional de passageiros estariam incluídas no regime cumulativo do PIS/Cofins, mas, jamais, o internacional. Assevera que quando o inc. XVI do art. 10 da Lei n° 10.833/2003 estabelece que serão apuradas pelo regime cumulativo as “receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros, efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas” está se referindo exclusivamente às receitas auferidas por companhias aéreas que transportam passageiros em percurso doméstico e sob regime de concessão de “Serviços Públicos de Transporte Aéreo Regular”. Conclui que as receitas originadas do transporte internacional de passageiros estão abrangidas pelo regime não cumulativo e que as receitas do transporte nacional de passageiros estão abrangidas pelo regime cumulativo do PIS e da Cofins, em relação às quais não há permissão para apropriação de créditos. No item “III.3 - DOS FUNDAMENTOS QUE CONFIRMAM QUE AS RECEITAS FINANCEIRAS PERTENCEM ÀS RECEITAS BRUTAS NÃO CUMULATIVAS”, alega que “as receitas financeiras são inquestionavelmente pertencentes ao rol de receitas não cumulativas auferidas pelas pessoas jurídicas contribuintes do PIS/Cofins”. Afirma que o Decreto Federal n° 5.442/2005 determina que as receitas financeiras se sujeitam ao regime de alíquota 0%, com fundamento no §2° do art. 27 da Lei n° 10.865, de 2004, o que demonstra que tais receitas estão abrangidas pelo regime não cumulativo. Alega que o entendimento exarado pela fiscalização já foi superado pela própria RFB, quando da edição do Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 4, de 07/06/2016, segundo o qual as receitas decorrentes da venda de produtos sujeitos à incidência concentrada ou monofásica do PIS/Pasep e da Cofins, por estarem inseridas no regime não cumulativo, podem ser incluídas no cálculo do rateio proporcional de que trata o inc. II do § 8º do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, mesmo que tais receitas estejam submetidas à suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência dessas contribuições. Fl. 2387DF CARF MF Fl. 7 da Resolução n.º 3402-002.217 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16692.721933/2017-80 Sustenta que devem ser inseridas no cálculo do rateio proporcional de créditos toda e qualquer receita que esteja submetida ao regime não cumulativo do PIS e da Cofins, inclusive aquelas que não geram pagamento de tributo, por força de suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência. Aduz que, mesmo que o referido ato trate especificamente de receitas sujeitas à incidência monofásica, o fato é que o mesmo interpreta, de forma genérica, o inc. II do § 8º do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, interpretação que deve ser aplicada à discussão em questão. Conclui que é correto o procedimento de incluí-las no cálculo das receitas brutas não cumulativas e no cálculo das receitas brutas totais. No item “III.4 – RATEIO PROPORCIONAL UTILIZADO PARA VINCULAÇÃO DOS CRÉDITOS APURADOS ÀS DIFERENTES RECEITAS BRUTAS NÃO CUMULATIVAS AUFERIDAS NO PERÍODO”, aduz que "ainda que a determinação do pertencimento das Receitas decorrentes da prestação de serviço de transporte aéreo internacional de passageiros tenha reflexos na proporção de créditos passíveis de ressarcimento, a determinação do montante desses créditos não interfere no saldo devedor das contribuições apurado pela d. fiscalização no ano de 2012 e constituído no Auto de Infração ora em discussão”. No item “III.5 - DO REGIME NÃO CUMULATIVO DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E A COFINS”, afirma não concordar com a interpretação do conceito de insumos dada pela fiscalização, o qual restringe os créditos unicamente àqueles incorporados à prestação de serviços de transporte de cargas. Afirma que não procede o entendimento da fiscalização que interpreta os dispositivos que se referem aos créditos do PIS/Cofins, com viés próprio do regime não cumulativo do IPI, em que vigora o crédito físico de insumos que tenham sido consumidos em contato direto com o produto fabricado. Transcreve a disposição constitucional que criou a não cumulatividade para o PIS/Cofins, artigos da legislação de regência (Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003) e das instruções normativas que regulamentam as referidas leis (IN n° 247/2002 e 404/2004) para afirmar que há “a nítida intenção da RFB de restringir as possibilidades de créditos, na medida em que vincula este direito àqueles gastos da pessoa jurídica referentes a produtos e serviços que sejam aplicados ou consumidos na prestação de serviços”. Aduz que, desse modo, a “RFB aproxima este cenário da não cumulatividade do PIS/Cofins àquele pertinente ao IPI, cuja orientação deste Órgão fazendário está sedimentado há tempos no Parecer Normativo CST n° 65 de 1979”. Entende que a sistemática da não cumulatividade do PIS/Cofins não pode ser equiparada a do IPI/ICMS, pois tais impostos visam onerar exclusivamente a cadeia de produção e comercialização de produtos tangíveis, razão pela qual os créditos relacionados seriam aqueles físicos, decorrentes de produtos empregados ou consumidos na produção ou comercialização de tais bens. Sustenta que a sistemática de não cumulatividade do PIS/Cofins é mais ampla, na medida que considera em seu campo de aplicação o vasto campo de atividades geradoras de receitas ou faturamento e também os de importação de bens e serviços do exterior. Por tal razão, alega que o faturamento que pode originar-se bens tangíveis e intangíveis, assim como de atividades tipicamente financeiras. Com base em doutrina, argumenta que a Constituição Federal não outorgou ao legislador infraconstitucional liberdade para dispor sobre a não cumulatividade do modo como lhe convier. Alega que a Exposição de Motivos da Lei n° 10.833/2003 informa que o objetivo deste novo regime foi o de eliminar o denominado efeito cascata nas mais variadas hipóteses em que há a incidência destas contribuições. Conclui ser impossível a aplicação da regra da não cumulatividade do ICMS e do IPI para a não cumulatividade do PIS/Cofins. Na sequência, disserta sobre o princípio da não cumulatividade do PIS/Cofins. Disserta sobre o §12 do art. 195 da Constituição Federal e afirma que não existe lacuna constitucional que autorize o legislador selecionar critérios que não seja aqueles fixados Fl. 2388DF CARF MF Fl. 8 da Resolução n.º 3402-002.217 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16692.721933/2017-80 na Constituição, de modo que “os créditos apropriáveis devem corresponder justamente à receita, ao faturamento ou ao valor pago em tal operação de importação”. Quanto à legislação ordinária, alega que “o legislador não quis, quando normatizou os créditos vinculados a bens e serviços qualificados como insumos, estabelecer que este regime se restringiria àquelas atividades tipicamente fabris de um estabelecimento”. Afirma que é neste cenário que a jurisprudência mais atual do CARF tem se colocado. Relata que as decisões mais recentes preconizam que os créditos da não cumulatividade do PIS/Cofins não devem alinhar-se às definições de custo e despesas de que trata o RIR/99, mas devem atender aos requisitos de imprescindibilidade à própria obtenção do produto ou serviço prestado e, ainda, devem possuir um estrito relacionamento com os processos de fabricação, produção ou prestação de serviços do contribuinte. Cita diversos julgados do CARF e ressalta que o STJ define insumos como “todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante”. Por fim, assevera que “os gastos que permitem qualificar-se como créditos apropriáveis neste regime não cumulativo são aqueles que atendam às mencionadas definições de custo (art. 290) ou despesa (art. 299) do RIR/99 e, ainda, sejam imprescindíveis e estejam intrínseca e necessariamente relacionados às atividades que contribuem para a prestação dos serviços de transporte aéreo, de carga, de manutenção, etc. todos estritamente vinculados às atividades-fim da ora impugnante”. Com base nesta definição, a interessada passa a contestar especificamente as glosas efetivadas pela fiscalização. No subitem "III.5.1 – NOTAS FISCAIS DE TRANSFERÊNCIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA", alega que a fiscalização deveria ter demonstrado que a aquisição do bem ou serviço era incapaz de gerar crédito, o que não foi feito. Afirma que a fiscalização limitou-se a afirmar que a mera transferência entre estabelecimentos da empresa não gera créditos de PIS e Cofins. Diz que o procedimento fiscal sequer teve o cuidado de analisar, nota por nota, a natureza do bem transferido. Traz aos autos, como exemplo, a NF-e de n° 238752, que foi desconsiderada pela fiscalização, mas que se refere a insumo da prestação de serviço, não podendo o seu direito ao crédito ser tolhido. No subitem "III.5.2 – ITENS CONSTANTES NAS PLANILHAS DE BENS E SERVIÇOS", alega que a análise da fiscalização foi feita em diversas planilhas acostadas aos autos, somando mais de 3.000 itens. Ressalta que o procedimento fiscalizatório durou mais de um ano e, dessa forma, havendo a necessidade de se fazer uma análise pormenorizada dos itens imputados nas planilhas anexas. Informa que, por isso, "está em fase de contratação de empresa especializada, a fim de elaborar parecer demonstrando a pertinência e essencialidade à sua atividade". Diz que assim que finalizada a análise e elaboração de laudo acerca de cada um dos itens, procederá à juntada ao presente processo. Cita diversas contas que não seriam incompatíveis com a apuração do crédito e afirma que "o laudo a ser elaborado por empresa especializada demonstrará a essencialidade e pertinência de todos os itens vinculados às contas referidas para o serviço desenvolvido pela Impugnante". Aduz que tem o direito de entregar tal laudo em momento posterior à apresentação da impugnação com base no §4° do art. 16 do PAF. Alega, na seqüência, que a fiscalização ignorou o direito ao crédito em diversas contas contábeis por entender que elas continham “lançamentos de dispêndios vinculados à geração de receitas sujeitas ao Regime Cumulativo de Apuração (TRANSPORTE DE PASSAGEIROS)”. Afirma que este entendimento contraria a legislação aplicável à matéria, conforme já elucidou em tópico específico. No subitem "III.5.3 – COMBUSTÍVEL DE AERONAVES (DOMÉSTICO)", aduz que o Auditor Fiscal glosou as notas que constavam com o CST n° 08 – Operação sem incidência da Contribuição, pois, supostamente, as notas preenchidas com o referido código seriam destinadas ao transporte internacional de passageiros. Fl. 2389DF CARF MF Fl. 9 da Resolução n.º 3402-002.217 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16692.721933/2017-80 Esclarece que o código CST foi preenchido incorretamente pelo fornecedor. Afirma que o combustível que acompanhou as referidas notas fiscais foi adquirido para utilização no transporte doméstico de passageiros. Aduz que o mero erro do fornecedor não pode obstar o direito ao crédito. Alega que a própria fiscalização reconhece que quando o combustível adquirido é destinado ao transporte internacional de passageiros, por determinação legal, tal informação deve estar expressamente registrada na nota fiscal, nos termos do art. 3º da Lei nº 11.560/2002. Aduz que comprova o erro formal no preenchimento das notas fiscais glosadas o fato de não conter qualquer informação nas observações acerca da destinação do combustível ao transporte internacional de passageiros. Diz que o registro dessas informações é requisito essencial, sendo que o seu não preenchimento demonstra que aquelas notas não se destinavam ao fim alegado pela fiscalização, conforme se comprova pelas notas juntadas a título exemplificativo (Doc. 02). No subitem "III.5.4 – DESPESAS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO PREDIAL", afirma a interessada que outro alvo da glosa de créditos são os dispêndios incorridos com “Manutenção Predial”, estejam eles relacionados a “Bens” ou “Serviços”. Diz que na lista de “Bens”, encontrou os seguintes produtos: LAMPADA ELETR E-27 20W, LUVA SOLDÁVEL EM PVC MARROM DE 25MM, VIGA 15 X 5 (3,5 METROS DE COMPRIMENTO) PEROBA, FECHADURA CROMADA CR 6521 EXTERNA, REATOR ELETR AFP 2X40/36W 220V, TOMADA 2P+T 15A-250V, COMPRA DE BATERIA 12V X 60/70AH ESTACIONARIA PARA NO BREAK DA MULTIPLUS e BACTERICIDA HIGIFORTE DS AIR (QUIMIFORT). Informa que na lista de “Serviços”, encontrou as seguintes glosas: MANUTENÇÃO DO PORTÃO DE AÇO NO HANGAR, SERVIÇO DE VÍDEO INSPEÇÃO NOS RAMAIS DE ESGOTO E RASTREAMENTO NOS RAMAIS DE ÁGUA LIMPA, HE (ELETRICISTA) -> AOS DOMINGOS E FERIADOS. Alega que as glosas foram justificadas da seguinte maneira: “Descrição da conta incompatível com dispêndios com a aquisição de insumos” e "Manutenção Predial/benfeitoria – Apuração de créditos seria possível apenas com Depreciação (Caso valor lançável e lançado no Ativo Imobilizado – art. 3º, VII e § 1º, III, Leis 10833/2003 e 10637/2002”. Entende que o fato de não ser possível escriturar um “Bem” em conta de Ativo Imobilizado não implica, necessariamente, na conclusão de que ele não possa ser descontado da apuração de tributos. Afirma que não se pode dar guarida à glosa de créditos oriundos desses “Bens” simplesmente porque eles não estão sujeitos a registro e consequente depreciação e que como o prazo de vida útil de alguns deles não é superior a 1 (um) ano, podendo essa circunstância estar ou não somada a de que parte desses bens também não possui valor unitário superior a R$ 326,60, há de ser entendido como legitimo o crédito apropriado. Esclarece que a fim de comprovar o enquadramento dos bens sobre os quais houve apropriação de créditos nos requisitos acima (prazo de vida útil e valor), juntou, a título ilustrativo, algumas DANFE no "Doc. 03". Afirma, ainda, que as glosas sobre as aquisições dos citados serviços são ilegítimas, uma vez que estão relacionados com a manutenção de suas operações. No subitem "III.5.5 – VESTUÁRIOS E ACESSÓRIOS PROFISSIONAIS", aduz que a fiscalização glosou também os créditos apurados sobre os valores gastos com a aquisição de vestuário (botas, vestidos, cabides, máquina de costura, bottons, tecidos, coletes, malas para passageiros entre outros), sob o argumento de não são aplicados diretamente na execução das atividades que a sociedade tem por objeto. Reclama que para a fiscalização os itens de vestuário não são capazes de gerar créditos de PIS/Pasep e de Cofins porque: (i) estariam vinculados à geração de receita cumulativa (transporte de passageiros); ou (ii) porque não seriam aplicados diretamente na execução das atividades que a sociedade tem por objeto. Fl. 2390DF CARF MF Fl. 10 da Resolução n.º 3402-002.217 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16692.721933/2017-80 Reafirma, quanto à alegação de que os itens dessa conta estariam vinculados à produção de receita cumulativa, que o inc. XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/03 determina que o transporte internacional de passageiro está incluído no regime não cumulativo do PIS e da Cofins. Em consequência, entende que se tratando de despesas para produção de serviços que abrangem os passageiros como um todo, em trânsito doméstico e internacional, as despesas incorridas com vestuário devem ser submetidas ao rateio proporcional para determinação da parcela desses custos que estão atreladas à geração de receita bruta não cumulativa e, por conseguinte, que geram direito a crédito do PIS/Pasep e da Cofins. Em relação ao argumento de que estes itens não teriam natureza de insumo, afirma que a lei ordinária não elencou taxativamente quais custos, despesas e encargos que geram direito de crédito. Aduz que constituem insumos para a prestação de serviços de transporte aéreo não apenas os bens e demais serviços estritamente vinculados a tais atividades, como incorretamente sustenta a fiscalização, mas todos os custos diretos e indiretos que sejam empregados nesta prestação de forma a deixá-la em condições de ser executada. Reitera todos os fundamentos expostos anteriormente, por meio dos quais demonstrou que a noção de insumo, para fins de crédito do PIS e da Cofins, lastreia-se na demonstração de que os gastos assumidos pelo contribuinte contribuem decididamente para a atividade por ele executada que não se resume no mero transporte aéreo de carga. Diz que a fiscalização se equivocou ao dispor a respeito do conceito de insumo e que a glosa fiscal não procede, pois os dispêndios registrados nas rubricas relacionadas a “Vestuário e Acessórios Profissionais” estão relacionados, ainda que indiretamente, ao seu processo produtivo. Esclarece que o custeio dos vestuários e acessórios profissionais, entendidos como os uniformes utilizados pelos funcionários de rampa, aeroporto, os tripulantes, etc. é de responsabilidade do empregador, conforme determinação legal constante no Código Brasileiro de Aeronáutica, razão pela qual não há como dissociar este gasto do conceito de insumo. Explica, ainda, que não se pode falar que estes vestuários não são utilizados diretamente na prestação de serviços de transporte aéreo, já que são eles que permitem aos passageiros identificar quem são os tripulantes da aeronave, garantindo a segurança no voo e facilitando a prestação de serviço a bordo. No item "III.5.6 – MATERIAIS DE INFRA-ESTRUTURA DE REDE DE DADOS E VOZ e COMUNICAÇÃO VIA RÁDIO - SERVIÇO DE TRANSMISSÃO DE DADOS - COMUNICAÇÕES", explica que os valores registrados como comunicação por rádio referem-se a gastos relacionados diretamente ao transporte aéreo nacional e internacional de passageiros e cargas, em virtude desta forma de comunicação ser responsável pelo contato entre os pilotos das aeronaves com a torre de comando visando à segurança da rota aérea a ser seguida e para o monitoramento de aeronaves em voo. Diz que, além disso, fazem o contato entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros, bem como para o contato entre as áreas aeroportuárias. Relata que, somado a estes gastos, estão aqueles relativos à rede de dados de voz, concernentes à aquisição de cabos e pontos de rede, os quais permitem o contato entre as bases e filiais com o centro de manutenção designado como TAM MRO (centro de Manutenção, Reparos e Operações), para que seja possível, por exemplo, verificar a situação de uma aeronave em Check, isto é, se ela está em condições de retornar ao tráfego aéreo. Aduz que os dispêndios com serviços de telefonia, internet, tráfego de dados e gerência de rede, classificados pela fiscalização como “Serviços de Transmissão de Dados – Comunicação”, devem também serem qualificados como insumos, na medida em que são imprescindíveis para a sua atividade fim. Conclui que os gastos glosados neste específico item estão diretamente relacionados às atividades de prestação de serviços de transporte aéreo, devendo seu direito a crédito ser reconhecido. Fl. 2391DF CARF MF Fl. 11 da Resolução n.º 3402-002.217 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16692.721933/2017-80 No item "III.5.7 – DESPESAS COM COMPRAS DE PONTOS MULTIPLUS", relata que a fiscalização glosou despesas com o contrato estabelecido coma a empresa Multiplus, sob o argumento de que elas são vinculadas exclusivamente à geração de receitas sujeito ao regime cumulativo, pois vinculada ao transporte de passageiros. Informa que outro motivo da glosa foi o fato de que tais despesas "são aquisições de obrigações contra terceira empresa (Multiplus SA) para as entregar a clientes/passageiros (que as exercerão ou não). Tais obrigações adquiridas não se confundem com aquisição de ‘bens’ (obrigação de dar coisa certa) ou ‘serviços’ (obrigação de fazer), únicos dispêndios contemplados pelo inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003”. Reclama que a fiscalização entende equivocadamente que as receitas decorrentes do transporte internacional de passageiros devem ser submetidas à apuração cumulativa das contribuições. Discorre sobre as atividades da MULTIPLUS e como se dá o relacionamento entre esta e a TAM. Afirma que os valores devidos pela TAM à Multiplus são relacionados às atividades de venda de pontos e de administração, gestão e operação do Programa de Fidelidade. Esclarece que, embora as atividades de propaganda e comunicação sejam desenvolvidas conjuntamente pela TAM e pela MULTIPLUS, os respectivos gastos são ser imputados a cada uma na proporção do que lhes couber individualmente, de modo que os gastos havidos no contexto deste negócio jurídico celebrado com a MULTIPLUS não podem ser qualificados como derivados da contratação de serviços de propaganda ou promoção. Argumenta que são gastos que dizem respeito ao processo de prestação de serviços da TAM, típica despesa operacional voltada a manter os clientes da TAM, incentivando-os a aderir ao seu Programa de Fidelidade. Conclui que há uma relação de inerência e relevância entre tais gastos e as suas atividades fins e que estes gastos devem ser realizados como forma de manter a continuidade de suas atividades no mercado de transporte aéreo. Entende que tais despesas se qualificam como insumos utilizados na sua atividade fim. No item "III.5.8 – DESPESAS COM IMPORTAÇÃO", diz que a fiscalização glosou créditos apurados sobre os valores pagos com despesas aduaneiras e fretes internos de insumos importados, sob o argumento de que não existe base legal para o desconto desses créditos, conforme entendimento firmado pela Solução de Consulta COSIT nº 121/2017. Em relação ao frete sobre o transporte de insumos importados do porto até o seu estabelecimento, ressalta que se trata do frete realizado em território nacional, contratado de pessoa jurídica brasileira, razão pela qual a disciplina legal aplicável é a prescrita o inc. II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 e não a prevista pelo art. 15 da Lei nº 10.865/04, pois este dispositivo legal se restringe aos créditos apurados sobre bens e serviços importados, ou seja, provenientes do exterior e contratados perante não residentes. Entende que o citado inc. II permite a apuração de créditos de PIS/Cofins, abrangendo o frete dos insumos adquiridos. Relativamente às despesas aduaneiras, salienta que não se tratam de serviços aduaneiros tomados quando da importação de partes e peças, mas de atividades essenciais à prestação de serviço de transporte de cargas. Cita, como exemplo, dentre as glosas que devem ser revertidas, os gastos com tratamento fitossanitário e a fumigação. Explica que as cargas transportadas são acondicionados em embalagens de madeira que resguardam sua integridade durante o transporte, de modo que deve realizar o tratamento fitossanitário dessas embalagens em atendimento às exigências internacionais. Aduz que geram direito ao crédito os dispêndios incorridos no cumprimento de adequações exigidas pelo Poder Público, tendo em vista o seu caráter obrigatório e essencial à continuidade da atividade produtiva. Esclarece que foram glosados também gastos incorridos com a aquisição de gelo seco, desconsolidação de cargas na importação, serviços de triagem de madeira, armazenagem da importação e frete aéreo na importação, entre outros que, são serviços inseridos na prestação de serviço de transporte de cargas. Fl. 2392DF CARF MF Fl. 12 da Resolução n.º 3402-002.217 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16692.721933/2017-80 Explica que o gelo seco é utilizado no transporte de materiais biológicos que exigem resfriamento, caso de órgãos humanos vivos para transplante ou o plasma sanguíneo fresco. Informa que a desconsolidação na importação é processo que consiste na divisão das cargas relacionada a um documento principal (MAWB), uma vez que as empresas de transporte unem cargas de diversos clientes direcionadas a um mesmo destino num único documento e, quando da chegada ao destino, as cargas devem ser separadas para entrega aos seus destinatários. Narra que o serviço de triagem de madeira serve para aumentar a área de contato das cargas com os elementos de ULD's, conforme figura abaixo: Informa que tais serviços são utilizados para organização das cargas durante o transporte, otimizando o espaço e evitando avarias, não podendo se falar que o mesmo não é aplicado diretamente da prestação de serviço de transporte de cargas. Explica que o frete aéreo de importação diz respeito aos valores pagos ao agente de cargas quando da emissão do conhecimento de transporte e que a prestação do serviço de transporte de cargas depende desses agentes e do pagamento de sua remuneração. Conclui que todos os dispêndios acima relacionados estão intimamente relacionados à prestação de serviço de cargas e que as glosas decorreram da adoção de conceito restritivo de insumos, razão pela qual devem ser canceladas. No tópico "III.5.9 – DESPESAS COM VEÍCULOS E COMBUSTÍVEL DE VEÍCULOS", explica que, relativamente aos dispêndios com Veículos, há glosas efetuadas no Auto de Infração a título (i) de “Combustíveis”, no segmento de “Bens”, (ii) e a título de “Despesas”, no segmento de “Serviços”. Relativamente aos "Combustíveis", aduz que a fiscalização, a princípio, não glosa esses dispêndios, pois entende que são compatíveis com a apuração de créditos. Diz que a insurgência da fiscalização é tão somente contra o chamado Ticket Combustível/Ticket Car, uma vez que, no seu entender, “o documento comprobatório da aquisição do produto é o Documento Fiscal de venda emitido pelo estabelecimento comercializador de combustíveis”. Alega que os Tickets custeiam unicamente o abastecimento dos veículos utilizados, conforme "Doc. 05". Faz uma análise minuciosa do contrato anexado aos autos, para afirmar que não há possibilidade de uso do Ticket para custeio de dispêndios diversos, tais como os de alimentação do condutor, assim como não há possibilidade de desvirtuamento do uso do Ticket. Afirma que se não há discordância por parte da fiscalização com relação à possibilidade de apropriação de créditos de PIS e Cofins sobre combustíveis, não deve subsistir a insurgência contra o “pré-pagamento” desses combustíveis. Informa que o empenho de saldo nos cartões representa o próprio dispêndio que ele visa custear, o que demonstra que os créditos que a fiscalização glosou foram legitimamente apropriados sobre dispêndios com combustíveis. No que tange às "Despesas com veículos - serviços", afirma que a insurgência fiscal nesse segmento está, propriamente, no trecho do Auto em que é asseverado: “Encontram-se lançamentos relativos a esta conta (...) relativos a, p. exemp., dispêndios Fl. 2393DF CARF MF Fl. 13 da Resolução n.º 3402-002.217 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16692.721933/2017-80 com locação de Veículos (carros, tratores, caminhões), os quais não ensejam créditos (SC Cosit 1/2014)”. Explica que as despesas não relacionadas a “locação de veículos” são muitas e de origens diversas e que a título de exemplo, tem as seguintes descrições: - Diesel (Buzina de Ré) - Revestimento) - - te a manut e cons da emp Hyster H70FT e H55XM - conf os 719/720/728 - 1ª parcela. Pneu Pirelli Tras. Entende que as partes e peças adquiridas (Buzina de Ré, Revestimento, Pneu Pirelli) e os serviços de manutenção prestados aos veículos (Manutenção Corretiva, New Look Lava Rápido Ltda.-Me) são passíveis de apropriação de créditos, na condição de bens e serviços utilizados como insumos. Aduz que os veículos são essenciais à atividade, assim como os bens e serviços vertidos para manutenção desses veículos. Alega que os dispêndios com a locação de veículos também devem gerar os créditos pretendidos, nos termos do inc. IV do art. 3° da Lei 10.833/2003. Discorre sobre o conceito de "Veículos" para afirmar que a locação destes equipamentos estão diretamente relacionado a bens utilizados na prestação dos seus serviços (coleta dos itens despachados pelos contratantes de serviço de transporte de cargas). Destaca que não desconhece o teor da Solução de Consulta Cosit nº 1, de 02 de janeiro de 2014, invocada pela fiscalização, mas que esta não é aplicável ao caso. Anexa aos autos um dos contratos de locação firmados (Contrato de Locação de Veículos de Carga nº 014/2012 – Doc. 06) para demonstrar a compatibilidade da destinação que lhes é dada com o tipo de veículo que nele é locado. No tópico "III.5.10 – ESTADIA DE TRIPULANTES", afirma que insumos, para fins de creditamento de PIS/Pasep e Cofins, consiste na indispensabilidade daquele gasto à atividade-fim da empresa. Diz que se os gastos com estadia dos funcionários não são indispensáveis à sua atividade, nos termos da Solução de Consulta utilizada pela fiscalização, o mesmo não acontece com a estadia de tripulantes de empresas de transporte aéreo, pois é da natureza da atividade que o tripulante se desloque de sua base até o destino do voo em que foi alocado. Diz que, por força legal, os tripulantes têm um período de descanso, no qual o aeronauta está à disposição da companhia aérea para retornar à base na qual é fixado. Conclui que razão não há para desconsiderar a indispensabilidade do gasto com estadia dos tripulantes para que a empresa aérea possa desenvolver suas atividades. No tópico "III.5.11 – GASTOS COM VOOS INTERROMPIDOS", alega que as receitas vinculadas ao transporte internacional de passageiros se inserem no âmbito da não cumulatividade do PIS/Cofins, de modo que os créditos apropriados devem ser reconhecidos. Argumenta que a ANAC determina que é responsabilidade da companhia aérea dar a assistência devida aos passageiros quando os voos forem interrompidos, cancelados ou estiverem atrasados. Aduz que não há fundamento a sustentar que os gastos com a assistência material concedida aos passageiros em voos cancelados, atrasados ou interrompidos não sejam essenciais à prestação dos serviços de transporte aéreo, especialmente por serem imposição regulamentar da ANAC. No item "III.5.12 – SERVIÇO DE AUXÍLIO DE NAVEGAÇÃO", explica que as "Tarifas de Navegação Aérea" pagas ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo- Ministro da Defesa (DECEA) são devidas pela utilização de serviços, instalações, auxílios e facilidades destinadas a apoiar e tornar segura a navegação aérea no país. Aduz que, segundo a fiscalização, os serviços dessa natureza não seriam incompatíveis com a apuração de créditos de PIS/Cofins, mas que foram glosados sob o argumento de Fl. 2394DF CARF MF Fl. 14 da Resolução n.º 3402-002.217 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16692.721933/2017-80 que este órgão faria parte da administração pública direta, que não é sujeito à incidência das contribuições, a ensejar, em consequência, a vedação ao direito a crédito, nos termos do art. 3º, §2º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Entende, todavia, que as despesas incorridas com o pagamento da Tarifa de Navegação Aérea não se inserem na aludida vedação, na medida em que as mesmas sofrem a incidência das contribuições sociais na etapas anteriores. Esclarece que, para a prestação de serviços destinados a tornar mais segura a navegação aérea, a Lei nº 6.009/73 autoriza a exigência de três tarifas distintas: Tarifa de Uso das Comunicações e dos Auxílios à Navegação Aérea em Rota (TAN), Tarifa de Uso das Comunicações e dos Auxílios-Rádio à Navegação Aérea em Área de Controle de Aproximação (TAT APP) e Tarifa de Uso das Comunicações e dos Auxílios-Rádio à Navegação Aérea em Área de Controle de Aeródromo (TAT ADR). Explica que a referida lei permite que os serviços sejam prestados por outras entidades públicas ou privadas, ou seja, não precisam ser desempenhadas necessariamente pelo DECEA. Relata que, com base em informações disponibilizadas no site do DECEA, que este órgão é responsável pela obtenção dos dados do vôos realizados, individualização dos serviços prestados, emissão de guias para pagamento (GRU), cobrança e repasse dos valores arrecadados aos provedores de serviço autorizados pelo DECEA, de modo que, no que se refere às Tarifas de Navegação Aérea, o DECEA constituiria mero centralizador de informações e órgão arrecadador, sendo que os valores recebidos são repassados aos efetivos prestadores de serviço de ajuda à navegação. Conclui que, ainda que o DECEA seja responsável pela arrecadação dessas tarifas, fato é que estes valores não são destinados a este órgão, já que são repassadas a entidades públicas e/ou privadas autorizadas pelo Comando da Aeronáutica a prestar o serviço de auxílio à navegação, razão pela qual tais tarifas são tributadas pelo PIS/Pasep e Cofins. Alega, outrossim, que mesmo que se entende que o DECEA é o prestador do serviço de auxílio à navegação aérea, ele é, todavia, um órgão da administração pública direta subordinado ao Ministério da Defesa, que integra o Poder Executivo da União. Aduz que, ainda que o DECEA seja responsável pela apuração e cobrança das Tarifas de Navegação, os valores recolhidos são recepcionados nos cofres do Tesouro Nacional. Argumenta que o II do art. 3º da Lei nº 9.715/98 impõe às pessoas jurídicas de direito público interno, tal qual a União Federal, a apuração de PIS/Pasep com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, de modo que as receitas das Tarifas de Navegação Aérea se inserem no conceito de receitas correntes e devem ser incluídas na base no valor mensal de PIS/Pasep devido pela União. Conclui que não há que falar em aplicação da vedação prevista no art. 3º, §2º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, sendo imperiosa a reversão da glosa tratada no presente tópico. No item "III.5.13 – SERVIÇO DE AUXÍLIO DE TERMINAL". aduz que além dos créditos apurados sobre os dispêndios com serviço de auxílio de terminal, a fiscalização glosou também aqueles relativos à tomada de serviços de auxílio de terminal pagos ao DECEA e à Infraero, por entender que: (i) o DECEA seria órgão da administração direta, não sujeitos ao PIS e à Cofins, sendo vedado o direito a crédito nos termos do art. 3º, §2º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; e (ii) quanto aos pagamentos à Infraero, por serem “relativos à utilização das instalações e serviços existentes no Terminal da Passageiros (definição da Lei nº 6.009/73 – tarifa de conexão devida pelo transportador)” e, pois, seriam “dispêndios vinculados EXCLUSIVAMENTE à geração de receitas sujeitas ao Regime Cumulativo de Apuração (TRANSPORTE DE PASSAGEIROS), logo também não ensejam apuração de créditos”. Aduz que em nenhum momento se questionou compatibilidade desses custos com o conceito de insumos, mas que a glosa dos créditos decorreu tão Fl. 2395DF CARF MF Fl. 15 da Resolução n.º 3402-002.217 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16692.721933/2017-80 somente da natureza jurídica do DECEA e a suposta vinculação dos mesmos à geração de receita cumulativa. Alega, no que se refere à aplicação da vedação do art. 3º, §2º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 aos pagamentos realizados ao DECEA, que pelas razões já expostas, que o mesmo não procede. Relativamente aos pagamentos realizados à Infraero, reforça que o inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 determina que o transporte internacional de passageiro foi incluído no regime não cumulativo do PIS e da Cofins, de modo que as despesas incorridas com a tomada de serviços de auxílio de terminal geram direito a crédito. No item "III.5.14 – TAXA SUFRAMA - INFRAERO", explica que no período transcorrido entre 28/01/2000 a 16/07/2017, vigorou a Taxa de Serviços Administrativo (TSA), realizado pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), na hipótese de prestação de serviços de vistoria e internamento de mercadoria nacional nas zonas incentivadas. Explica que, de acordo com o art. 16 da Portaria nº 205/2002, a TSA era devida pelo destinatário da mercadoria, sendo facultado ao transportador, na condição de sujeito passivo por substituição, a efetuar o pagamento da aludida taxa. Informa que recolheu a TSA, na qualidade de substituta, nos diversos transportes de cargas realizados à Zona Franca de Manaus no ano de 2012. Entende que se tratando de despesa obrigatória e indissociável ao serviço de transporte de cargas àquela região, as incluiu na base de cálculo para apuração dos créditos de PIS e Cofins não cumulativos. Relata, todavia, que a fiscalização glosou os créditos sob o argumento de que (i) os pagamentos seriam realizados à SUFRAMA, que seria órgão da administração direta, não contribuinte das contribuições; e que (ii) o verdadeiro sujeito passivo da taxa seria o destinatário da mercadoria, possuindo a TAM mera faculdade de recolhê-la na condição de sujeito passivo por substituição. Aduz que, nos termos do art. 10 do Decreto-Lei nº 288/67, a SUFRAMA não é órgão da administração direta, mas entidade autárquica, com personalidade jurídica e patrimônio próprio, autonomia administrativa e financeira. Esclarece que a Lei nº 9.960/2000, que instituiu a TSA, estabelecia em seu art. 6º (vigente à época do fato gerador) que os recursos provenientes do pagamento da referida taxa eram exclusivamente destinados ao custeio e às atividades fins da SUFRAMA. Assevera que as entidades de direito público estão sujeitas à incidência mensal do PIS/PASEP, à alíquota de 1%, sobre as receitas correntes e sobre as transferências correntes e de capital. Entende que, assim, os valores provenientes do recolhimento da TSA, seja por terem natureza tributária, seja por decorrerem da prestação de serviço, são classificáveis como receitas correntes da SUFRAMA e estão sujeitos à incidência do PIS/PASEP, na mesma forma que o DECEA. Conclui que a SUFRAMA é contribuinte de contribuição social, não sendo possível justificar a glosa de créditos no fato dela ser entidade pública. Alega, ademais, que o fato de recolher a TSA na qualidade de substituta também não é suficiente para impedir o aproveitamento de crédito sobre esses valores, pois o pagamento ou não da TSA pela TAM depende das condições comerciais acertadas com o destinatário das mercadorias na Zona Franca de Manaus e, uma vez estipulado que ela efetuará o recolhimento da taxa, ela tem tal obrigação. Aduz que como o pagamento da TSA é imposição do Poder Público à internalização de mercadorias nas áreas incentivadas administradas pela SUFRAMA, não se pode dizer que as mesmas não sejam diretamente relacionadas à prestação de serviço de transporte de cargas para essa localidade. Fl. 2396DF CARF MF Fl. 16 da Resolução n.º 3402-002.217 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16692.721933/2017-80 Conclui que não procede a glosa realizada em relação aos valores gastos com o pagamento de TSA, sendo indiscutível a necessidade de validação desses créditos. No tópico "III.5.15 – TREINAMENTO E ENSINO", alega que as despesas com estes itens decorrem de expressa exigência legal, como também são imprescindíveis para a prestação do serviço de transporte aéreo, já que sem os mesmos os tripulantes ficariam incapacitados de executar as tarefas e comandos que uma aeronave requer, inviabilizando, assim, a execução do serviço. Diz que tais despesas são indispensáveis para execução do serviço de transporte aéreo e estão diretamente relacionadas ao seu objeto social. Sustenta que as glosas foram realizadas porque a fiscalização parte da equivocada premissa de que estes serviços se restringiriam à execução do transporte de carga e os gastos qualificados como insumos seriam apenas aqueles estritamente vinculados à aeronave decolando, voando ou aterrissando, premissa manifestamente errônea. No item "III.6 – ALUGUEIS DE PRÉDIOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS, PAGOS À PESSOA JURÍDICA, UTILIZADOS NAS ATIVIDADES DA EMPRESA", argumenta que, ao analisar a planilha denominada “Alugueis 2011”, em que consta a discriminação dos itens confirmados e glosados, verificou que a fiscalização desconsiderou apenas os créditos apurados sobre alugueis de veículos. Diz que o direito ao creditamento sobre esse tipo de despesa já foi objeto de defesa em tópico anterior, razão pela qual reitera os fundamentos já expostos e requer o reconhecimento do crédito apropriado. No item "III.7 – CONTRAPRESTAÇÕES DE OPERAÇÕES DE ARRENDAMENTO MERCANTIL DE PESSOA JURÍDICA", alega que, na planilha denominada "Arrendamentos", constatou que foram glosados os créditos sobre dispêndios: (i) aluguel prédio, máquina, equipamento, por supostamente não haver informação sobre a data ou sobre a descrição do lançamento; (ii) hospedagem de passageiro, por supostamente estar vinculado às receitas do regime cumulativo; (iii) aquisição de software, serviço de assistência técnica de informática, envelopes plásticos e mobilização/desmobilização de containeres, por não se enquadrarem no conceito de insumos. Aduz, no que se refere à glosa dos valores de aluguel de máquina e equipamento, por supostamente não haver informação sobre a data ou sobre a descrição do lançamento, que a mesma não merece prosperar, na medida em que a data de pagamento não é relevante para a apropriação de despesas para as pessoas jurídicas, sujeitas ao regime de competência. Alega, ainda, que não procede a afirmação de que alguns desses lançamentos não teriam descrição, na medida em que existem outras informações permitem identificar a natureza do serviço prestado, como o nome e o CNPJ do fornecedor. No que tange aos dispêndios com hospedagem de passageiro, argumenta que o serviço de transporte internacional de passageiros está sujeito ao regime não cumulativo do PIS/Cofins, de modo que os respectivos gastos devem gerar créditos dessas contribuições. Quanto aos dispêndios glosados por não se enquadrarem no conceito de insumo, afirma que, pela leitura da descrição desses lançamentos é possível concluir que tais glosas decorrem da análise precária da fiscalização da pertinência desses dispêndios aos serviços que presta, mesmo se adotando o conceito restritivo de insumos. Explica que os bilhetes e a contratação de transporte de cargas ou documentos dependem de um ambiente sistêmico que emita a passagem e transmita informações relativas ao status do voo, bem como que permita a contratação e o acompanhamento do transporte de cargas até sua entrega no destinatário indicado. Informa que tal ambiente sistêmico foi criado por meio da aquisição de softwares de computador específicos, sendo que sua manutenção é realizada pela contratação de serviços técnicos de informática. Conclui Fl. 2397DF CARF MF Fl. 17 da Resolução n.º 3402-002.217 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16692.721933/2017-80 que são dispêndios diretamente relacionados à qualidade do serviço oferecido, não havendo como dissociá-los do conceito de insumos. Aduz, ainda, que no âmbito do transporte de cargas, é contratada para transportar desde documentos pequenos, os quais são acondicionados em envelopes, para garantir que os mesmos cheguem intactos ao destinatário, bem como para transportar cargas maiores ou em grandes quantidades e, portanto, acondicionados em containeres. Diz não haver dúvida de que se tratam de bens utilizados diretamente da prestação de serviço de transporte, sendo essenciais ao acondicionamento e organização dos bens transportados. No tópico "III.8 – ENERGIA ELÉTRICA", explica que a glosa em questão levada a feito pela fiscalização decorre de notas fiscais emitidas durante ano de 2012, que no entender do AFRFB, não correspondem ao referido tipo de despesa, como, por exemplo, notas fiscais de locação de guinchos e aquisição de gás natural. Diz que outro ponto levantado pela fiscalização é a existência de notas fiscais com erros formais de preenchimento. Aduz que o gás natural é utilizado para produção de energia térmica em equipamentos, de tal forma que é abarcado pela autorização do inc. II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. Diz que, em relação à locação de guinchos, ainda que tenha sido imputado equivocadamente em conta específica de energia elétrica, a possibilidade de apropriação de créditos desse tipo de despesas também encontra amparo na legislação de regência, uma vez que esta autoriza o desconto de créditos relativos à locação de máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa, que é o caso dos guinchos, diretamente utilizados na prestação de serviço de locomoção de cargas, estocadas em containeres. Assevera que, em relação às notas apontadas pela fiscalização como insuficientemente preenchidas, entende que mero erro formal na imputação das informações em seu sistema interno não descaracteriza seu direito líquido e certo ao desconto de créditos. Requer a extinção integral do crédito tributário. Sobreveio então o Acórdão da 3ª Turma da DRJ/CTA, dando parcial provimento à impugnação da Contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. Somente podem ser considerados insumos, os bens ou serviços intrinsecamente vinculados à fabricação de produtos da empresa, não podendo ser interpretados como todo e qualquer bem ou serviço que gere despesas. PESSOA JURÍDICA QUE OPERA LINHAS AÉREAS DOMÉSTICAS REGULARES. RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE AÉREO INTERNACIONAL COLETIVO DE PASSAGEIROS. REGIME DE APURAÇÃO CUMULATIVA. Nos termos da primeira parte do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, permanecem sujeitas ao regime de apuração cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins as receitas decorrentes da prestação de serviços de transporte coletivo aéreo de passageiros, doméstico ou internacional, efetuado por pessoa jurídica que opera linhas aéreas domésticas e regulares. RATEIO PROPORCIONAL. NÃO CUMULATIVIDADE. O percentual a ser estabelecido entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, para aplicação do rateio proporcional deve ser aquele resultante do somatório somente das receitas que, efetivamente, foram incluídas nas bases de cálculo nos regimes da não cumulatividade e da cumulatividade. Fl. 2398DF CARF MF Fl. 18 da Resolução n.º 3402-002.217 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16692.721933/2017-80 INSUMOS. MATERIAL DE EMBALAGENS. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tão-somente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não geram direito ao creditamento relativo às suas aquisições. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. CRÉDITO. As partes e peças de reposição, usadas em máquinas e equipamentos utilizados na produção ou fabricação de bens destinados à venda podem ser consideradas insumo para fins de crédito a ser descontado do PIS/Pasep e da Cofins, desde que não representem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas e se sofrerem alterações, tais como o desgaste, o dano, ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. ALUGUÉIS. LOCAÇÃO DE VEÍCULOS. Não existe previsão legal de créditos com gastos de locação de veículos, pois não estão expressamente relacionadas no art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, os quais autorizam apenas o crédito sobre despesas de aluguéis de “prédios, máquinas e equipamentos”, que não podem ser interpretados extensivamente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. Somente podem ser considerados insumos, os bens ou serviços intrinsecamente vinculados à fabricação de produtos da empresa, não podendo ser interpretados como todo e qualquer bem ou serviço que gere despesas. PESSOA JURÍDICA QUE OPERA LINHAS AÉREAS DOMÉSTICAS REGULARES. RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE AÉREO INTERNACIONAL COLETIVO DE PASSAGEIROS. REGIME DE APURAÇÃO CUMULATIVA. Nos termos da primeira parte do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, permanecem sujeitas ao regime de apuração cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins as receitas decorrentes da prestação de serviços de transporte coletivo aéreo de passageiros, doméstico ou internacional, efetuado por pessoa jurídica que opera linhas aéreas domésticas e regulares. RATEIO PROPORCIONAL. NÃO CUMULATIVIDADE. O percentual a ser estabelecido entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, para aplicação do rateio proporcional deve ser aquele resultante do somatório somente das receitas que, efetivamente, foram incluídas nas bases de cálculo nos regimes da não cumulatividade e da cumulatividade. INSUMOS. MATERIAL DE EMBALAGENS. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tão-somente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não geram direito ao creditamento relativo às suas aquisições. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. CRÉDITO. As partes e peças de reposição, usadas em máquinas e equipamentos utilizados na produção ou fabricação de bens destinados à venda podem ser consideradas insumo para fins de crédito a ser descontado do PIS/Pasep e da Cofins, desde que não representem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas e se sofrerem alterações, tais como o desgaste, o dano, ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. ALUGUÉIS. LOCAÇÃO DE VEÍCULOS. Fl. 2399DF CARF MF Fl. 19 da Resolução n.º 3402-002.217 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16692.721933/2017-80 Não existe previsão legal de créditos com gastos de locação de veículos, pois não estão expressamente relacionadas no art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, os quais autorizam apenas o crédito sobre despesas de aluguéis de “prédios, máquinas e equipamentos”, que não podem ser interpretados extensivamente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário será contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado nos casos em que inexistir o pagamento antecipado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls 1954 a 2077) a este Conselho, repisando os argumento expostos em sua impugnação, bem como trazendo nova documentação para ratificar suas razões, em função do quanto decidido pela decisão a quo . É o relatório. Voto Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora A Contribuinte teve ciência da decisão da DRJ em 18/09/2018, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem no DTE de fls 1949, tendo apresentado suas razões recursais em 17/10/2018. Os documentos de representação por seus patronos também estão completos. Assim, o recurso é tempestivo, bem como os demais requisitos de admissibilidade encontram-se devidamente preenchidos, nos moldes do Decreto 70.235/72. Primeiramente, saliento que os valores exonerados pela DRJ estão abaixo do limite de alçada estabelecido pela Portaria n. 63 do Ministério da Fazenda, de 09 de fevereiro de 2017, não havendo, portanto, recurso de ofício a ser julgado. Cumpre destacar que o pedido de conexão de processos requerido resta prejudicado, uma vez que os processos conexos já foram julgados pelo CARF. Ademais, os processos mencionados pela Recorrente (tabela de fls 2078 a 2079) dizem respeito a outros períodos de apuração, divergente do que ora se analisa. Com relação a outros eventuais pedidos de ressarcimento que digam respeito ao ano de 2012, nada pude averiguar nesses autos. Alcançando então a controvérsia remetida a este Tribunal pelo recurso voluntário, como se depreende do relato acima, no presente processo está sob discussão tanto matéria atinentes aos débitos da Contribuição ao PIS e da COFINS apurados pela Fiscalização, quanto questões sobre os créditos das mesmas Contribuições, tomados pela Recorrente e glosados pela autoridade fiscal, tudo referente ao ano calendário de 2013. Entretanto, compulsando as alegações e provas constantes dos autos, entendo que a parte relativa aos créditos não está pronta para julgamento, por três razões. A primeira delas diz respeito à discussão sobre o direito ao crédito relativo ao serviço de auxílio de navegação e serviço de auxílio de terminal. Fl. 2400DF CARF MF Fl. 20 da Resolução n.º 3402-002.217 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16692.721933/2017-80 Conforme relatório fiscal, o entendimento da fiscalização é o de que tal serviço, pela sua natureza, não é incompatível com a apuração de créditos do PIS/COFINS, mas que como o DECEA (Departamento de Controle do Espaço Aéreo do Ministério da Defesa) não paga PIS/COFINS pelas receitas que aufere, aplica-se a vedação do art. 3°, §2°, II, das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003. 1 A interessada aduz, a seu turno, que houve o pagamento da contribuição, seja porque a DECEA é mera intermediária do recebimento das tarifas, que são, na verdade, repassadas à empresas privadas que prestam o serviço de auxílio à navegação, seja porque os órgãos públicos são contribuintes do PIS/Pasep. Portanto, como bem salientou a DRJ, não se discute aqui a vinculação direta das despesas com esta tarifa à prestação de serviço de transporte aéreo, de modo que, regra geral, entende-se que pode haver o creditamento destes dispêndios na condição de insumos. Todavia, para tanto, deve haver o pagamento das contribuições relativamente aos valores recebidos a título dessa tarifa. Embora a Recorrente tenha apresentado em seu recurso informações e dados relevantes a respeito do funcionamento do DECEA (Departamento de Controle do Espaço Aéreo do Ministério da Defesa), entendo que não foram suficientes para firmar a conclusão sobre os fatos a serem julgados. O segundo ponto que motiva o entendimento da falta de maturidade do processo para julgamento diz respeito ao crédito sobre compra de combustíveis que, de acordo com as razões da defesa, não seriam exclusivamente utilizados em voos internacionais (sabidamente isentos e não compatíveis com a geração de crédito), mas sim em voos nacionais, de modo a permitir o direito ao crédito. Alega que as notas fiscais que continham o CST 08 foram preenchidas incorretamente pelo fornecedor. Entretanto, a prova nesse sentido foi feita por amostragem, necessitando ainda de aprofundamento. Como terceiro ponto a ensejar a diligência, aparece o assunto global do conceito de insumo para fins de creditamento da Contribuição ao PIS e da COFINS. As glosas expressamente contestadas pela Recorrente foram as seguintes: NOTAS FISCAIS DE TRANSFERÊNCIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA; ITENS CONSTANTES NAS PLANILHAS DE BENS E SERVIÇOS; COMBUSTÍVEL DE AERONAVES (DOMÉSTICO) DESPESAS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO PREDIAL VESTUÁRIOS E ACESSÓRIOS PROFISSIONAIS MATERIAIS DE INFRA-ESTRUTURA DE REDE DE DADOS E VOZ E COMUNICAÇÃO VIA RÁDIO - SERVIÇO DE TRANSMISSÃO DE DADOS - COMUNICAÇÕES DESPESAS COM COMPRAS DE PONTOS MULTIPLUS DESPESAS COM IMPORTAÇÃO 1 “§ 2º Não dará direito a crédito o valor: (...) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição.” Fl. 2401DF CARF MF Fl. 21 da Resolução n.º 3402-002.217 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16692.721933/2017-80 DESPESAS COM VEÍCULOS E COMBUSTÍVEL DE VEÍCULOS ESTADIA DE TRIPULANTES GASTOS COM VOOS INTERROMPIDOS SERVIÇO DE AUXÍLIO DE NAVEGAÇÃO SERVIÇO DE AUXÍLIO DE TERMINAL TAXA SUFRAMA (TSA)- INFRAERO TREINAMENTO E ENSINO ALUGUEIS DE PRÉDIOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS, PAGOS À PESSOA JURÍDICA, UTILIZADOS NAS ATIVIDADES DA EMPRESA CONTRAPRESTAÇÕES DE OPERAÇÕES DE ARRENDAMENTO MERCANTIL DE PESSOA JURÍDICA ENERGIA ELÉTRICA Tanto a autoridade lançadora quanto a decisão recorrida (fls 1908) aplicaram o entendimento das Instruções Normativas SRF n. 247/2002 e n. 404/2004, no sentido de restringir o direito crédito apenas às situações relacionadas nos referidos atos normativos infralegais. Todavia, a necessidade de afastamento das referidas instruções normativas foi definitivamente resolvida pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.221.170, sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), que estabeleceu o conceito de insumo tomando como parâmetro os critérios da essencialidade e/ou relevância. A ementa do julgado foi lavrada nos seguintes termos: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO- CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a Fl. 2402DF CARF MF Fl. 22 da Resolução n.º 3402-002.217 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16692.721933/2017-80 imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. O voto da Ministra Regina Helena Costa destacou o que o E. Tribunal Superior considerou pelos conceitos de essencialidade ou relevância da despesa, sendo que tal entendimento deve ser seguido por este Colegiado, de acordo com previsão regimental (artigo 62, §2º do RICARF): Essencialidade – considera-se o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância - considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. A seu turno, a Procuradoria da Fazenda Nacional expediu a Nota Técnica nº 63/2018, dispensando os procuradores de recorrerem quanto ao tema. Nessa oportunidade, o Órgão conceituou os mesmo critérios de essencialidade e relevância. Destaco os seguintes trechos de seu texto: "(...) os critérios de essencialidade e relevância estão esclarecidos no voto da Ministra Regina Helena Costa, de maneira que se entende como critério da essencialidade aquele que “diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou serviço”, a)”constituindo elemento essencial e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço” ou “b) quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”. Por outro lado, o critério de relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja: a) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva” b) seja “por imposição legal.” Nesse mesmo sentido, a Secretaria da Receita Federal do Brasil emitiu o Parecer Normativo nº 5/2018, com a seguinte ementa: Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja Fl. 2403DF CARF MF Fl. 23 da Resolução n.º 3402-002.217 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16692.721933/2017-80 finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso II. Considerando que as análises efetuadas até o presente momento nesse processo não consideram os citados critérios de essencialidade e relevância dos itens no processo produtivo da Recorrente, bem como que o caso possui diferenças substanciais em relação àquele já conhecido por esse Colegiado mediante o voto da Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula (Acórdão n. 3402-005.333), entendo que a situação fática deve ser aclarada pela unidade de origem, considerando a nova interpretação determinada pelo STJ acerca do conceito de insumo para fins de creditamento da Contribuição ao PIS e COFINS. Por tudo quanto exposto, no intuito de analisar a validade da autuação fiscal e das informações indicadas pela Recorrente, entendo - com base no artigo 18, §3º do Decreto 70.235/72 - necessária a conversão do julgamento em diligência para esclarecimento da controvérsia atinente aos créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS no seguinte sentido: 1. Verifique a autoridade fiscal, a procedência das alegações da Recorrente no que tange às tarifas relativas ao serviço de auxílio de navegação e serviço de auxílio de terminal, sobre o DECEA constituir mero centralizador de informações e órgão arrecadador, sendo que os valores recebidos são repassados aos efetivos prestadores de serviço (entidades públicas e/ou privadas autorizadas pelo Comando da Aeronáutica a prestar o serviço de auxílio à navegação e auxílio terminal). Para tanto, oficie o DECEA para esclarecimento do ponto. 2. Verifique a autoridade fiscal a pertinência das alegações da Recorrente acerca das compras de combustíveis (querosene) que não seriam exclusivamente utilizados em vôos internacionais, mas sim em voos nacionais (conforme item III.5.3 do recurso voluntário), de modo a permitir o direito ao crédito, de acordo com os DOCs. 3 a 7 do recurso voluntário (fls. 2.124 a 2.263). 3. Seja intimada a Recorrente para detalhar suas atividades e indicar de forma minuciosa qual a interferência de cada um dos bens e serviços, que pretende aferir créditos para apuração do PIS e da COFINS não cumulativos; 4. A Fiscalização, com base nas informações prestadas nos termos do item 3., elabore um novo parecer e um novo demonstrativo a respeito do direito creditório de cada um dos itens glosados, com as considerações efetuadas a partir da interpretação do conceito de insumo determinada pelo STJ (REsp 1.221.170), segundo os critérios de relevância e essencialidade; Antes do retorno do processo a este CARF a Recorrente deve ser intimada para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias quanto aos documentos e informações apresentados. E ato contínuo, seja intimada a PFN para que, sendo do seu interesse, apresente suas razões. É a resolução. Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 2404DF CARF MF Fl. 24 da Resolução n.º 3402-002.217 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16692.721933/2017-80 Fl. 2405DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002011/2005-66
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2000
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL.
Por força de disposição legal expressa, caracterizam rendimentos omitidos os valores dos depósitos e créditos bancários cuja origem não tenha sido comprovada, mediante documentação hábil e idônea, pelo contribuinte que tiver sido intimado a fazê-lo.
Para efeito de determinação da receita omitida não devem ser considerados créditos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica.
Numero da decisão: 2002-001.283
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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PRESUNÇÃO LEGAL. Por força de disposição legal expressa, caracterizam rendimentos omitidos os valores dos depósitos e créditos bancários cuja origem não tenha sido comprovada, mediante documentação hábil e idônea, pelo contribuinte que tiver sido intimado a fazê-lo. Para efeito de determinação da receita omitida não devem ser considerados créditos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 20 11 /2 00 5- 66 Fl. 261DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-001.283 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 18471.002011/2005-66 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da DRJ/BHE, que considerou procedente em parte a impugnação, em decisão assim ementada (fls.230/241): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2000 Preliminar de nulidade. Competência. Lançamento. Os ocupantes do cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo, são competentes para constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições. . Depósitos Bancários. Omissão de Rendimentos. A Lei n° 9.430, de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou investimentos. Essa presunção legal relativa, como todas, tem um efeito próprio: ela inverte o ônus da prova, deixando-o sob responsabilidade exclusiva do contribuinte autuado. O lançamento efetuado com base em presunção legal facilita o trabalho do Fisco, pois cabe ao contribuinte o ônus de elidir a imputação. Cabe ao Fisco apenas provar o fato indiciário (ser o contribuinte beneficiado com um crédito bancário sem origem comprovada), ficando dispensado de provar diretamente a omissão de rendimentos. , Todavia, sem a comprovação do fato indiciário, a presunção legal simplesmente não se materializa. Juros de Mora - Taxa Selic É legítima a exigência de juros de mora tendo por base percentual equivalente à taxa Selic para títulos federais, acumulada mensalmente. Em face do sujeito passivo foi emitido o Auto de Infração de fls. 65/69, acompanhado do Termo de Verificação Fiscal de fls. 62/64, relativo ao ano-calendário 2000, consignando a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Cientificado da exigência fiscal em 16/12/2005 (fl.72), o contribuinte impugnou-a em 17/1/2006 (fls. 74/226). O colegiado de primeira instância decidiu por excluir da base de cálculo os depósitos decorrentes de resgates da conta de poupança automática do próprio contribuinte. Intimado da decisão em 22/12/2008 (fl. 134), o recorrente apresentou recurso voluntário em 9/1/2009 (fls. 136/146), em que explica a sistemática de funcionamento da conta poupança automática do Banco Boa Vista, que só veio a descobrir por ocasião da ação fiscal sofrida. Alega que os extratos de fls. 56/59 e 189/193 demonstrariam que todos os créditos ocorridos em suas contas eram oriundos dessa poupança. Em que pese entender devidamente comprovada essa situação também para o depósito mantido, indica a juntada de extrato consignando o lançamento de "resgate de poupança automática" no dia 4/10/2000. Fl. 262DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-001.283 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 18471.002011/2005-66 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Relatora O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. O litígio recai sobre a tributação do único depósito mantido na decisão recorrida, nos seguintes termos: Verifica-se que os depósitos constantes das intimações efetuadas pela Fiscalização ao contribuinte decorreram de alguns resgates automáticos efetuados na conta de poupança. Por oportuno, acerca disso, transcreve-se, abaixo, um trecho contido no Termo de Verificação e Constatação Fiscal, datado de 12 de dezembro de 2005: "Após a análise da nova documentação apresentada, se constatou a existência de duas contas correntes com a mesma numeração, isto é, nº 01.01.0. 000566-5, uma denominada poupança automática, apresentada agora pelo contribuinte, que recebe todos os valores depositados, doc. fls. 56/59, e outra sem denominação, doc. 48/53, onde os valores provenientes da conta poupança automática são creditados com a finalidade de cobrir retiradas efetuadas pelo contribuinte (dinheiro, cheques, etc), que é o caso dos valores abaixo relacionados, que saíram da conta de poupança automática para cobrir retiradas efetuadas". (Grifos acrescentados) Como se vê, a própria Fiscalização constatou que as origens dos depósitos, objeto da intimação feita ao contribuinte, decorriam dos resgates da conta de poupança automática. Todavia, no Termo de Verificação e Constatação Fiscal, concluiu-se pelo lançamento, utilizando-se da presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origens não comprovadas, conforme abaixo transcrito: ... Entretanto, a referida presunção legal somente poderia ter sido utilizada em relação aos depósitos ou créditos bancários, para os quais o contribuinte fora devidamente intimado a comprovar suas origens. E quanto a esses, no caso, a origem, de quase todos, está comprovada, pois, conforme os extratos bancários constantes dos autos, esses decorreram de resgates de conta de poupança automática. A presunção, contudo, mantém-se em relação ao depósito ocorrido em 04/10/2000, no valor de R$ 21.640,00, cujo crédito efetuado na conta corrente consta do extrato de fls. 53; todavia, não existe, nos autos, prova de que houve o correspondente resgate da poupança automática, nesta data e valor (tanto nos documentos juntados pelo Fisco, de fls. 56/59, como nos juntados pelo contribuinte, de fls. 189/193, não existe, para conta de poupança automática, extrato relativamente ao mês de outubro de 2000). Entendo que foi acertada a decisão recorrida ao excluir os depósitos, visto que procedentes de conta-poupança do sujeito passivo. Quanto ao depósito ocorrido em 4/10/2000 (conforme extrato à fl.55), em seu recurso, o recorrente junta extrato de fls.250, o qual registra nessa data a operação a débito de sua conta, no valor de R$21.640,00, com o histórico "RESG POUPANÇA AUTOMÁTICA". O Decreto nº 70.235/1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal, limita a apresentação de provas em momento posterior à impugnação, restringindo-a aos casos previstos no § 4º do seu art. 16, porém a jurisprudência deste Conselho vem se consolidando no Fl. 263DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-001.283 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 18471.002011/2005-66 sentido de que essa regra geral não impede que o julgador conheça e analise novos documentos anexados aos autos após a defesa, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal. Nesse caso, entendo que os documentos apresentados em sede de recurso voluntário devem ser recepcionados e analisados, uma vez que comprovam os argumentos expostos pelo contribuinte e servem para rebater a decisão de primeira instância. Dessa feita, restando comprovado que o único depósito mantido pela decisão recorrida também teve como origem a conta-poupança do próprio contribuinte, cabe a revisão da decisão, para excluir igualmente essa transação. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 264DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.900777/2008-44
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Aug 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 29/10/2004
COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO.
A apresentação da DCTF retificadora após a ciência do despacho decisório vestibular que não homologou a compensação requerida, não é suficiente, por si só, para reconhecer o direito creditório. Contudo, provado o recolhimento a maior do tributo é cabível o reconhecimento do direito creditório.
Recurso especial do Procurador negado.
Numero da decisão: 9303-009.325
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 29/10/2004 COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO. A apresentação da DCTF retificadora após a ciência do despacho decisório vestibular que não homologou a compensação requerida, não é suficiente, por si só, para reconhecer o direito creditório. Contudo, provado o recolhimento a maior do tributo é cabível o reconhecimento do direito creditório. Recurso especial do Procurador negado.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/10/2004 COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO. A apresentação da DCTF retificadora após a ciência do despacho decisório vestibular que não homologou a compensação requerida, não é suficiente, por si só, para reconhecer o direito creditório. Contudo, provado o recolhimento a maior do tributo é cabível o reconhecimento do direito creditório. Recurso especial do Procurador negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 07 77 /2 00 8- 44 Fl. 704DF CARF MF Processo nº 10935.900777/200844 Acórdão n.º 9303009.325 CSRFT3 Fl. 3 2 Tratase de recurso especial do Procurador (fls. 667/673), admitido pelo despacho de fls. 676/679, que se insurge contra o Acórdão 3301001.142 (fls. 653/655), de 07/10/2011, o qual restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/10/2004 DÉBITO FISCAL DECLARADO. PAGAMENTO INDEVIDO. O pagamento de débito fiscal apurado, declarado e pago indevidamente, mediante comprovação por meio de documentos hábeis, constitui indébito tributário, passível de repetição/compensação. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Provada a certeza e liquidez do crédito financeiro declarado no Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (Per/Dcomp) transmitido, homologase a compensação do débito fiscal nele declarado. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Em suma, entende a recorrente que não pode ser permitida a entrega de PER/DCOMP retificadora após o despacho decisório. Pede, ao final, o provimento do recurso para restabelecer in totum a decisão de primeira instância. Cientificado, o contribuinte pediu a manutenção do recorrido e da homologação da compensação (fl. 685). É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator Conheço do recurso nos termos em que foi processado. A jurisprudência desta Turma é uníssona no sentido de que a mera entrega de DCTF retificadora em pedido de restituição, desacompanhada de provas do efetivo indébito, não é, por si só, suficiente para comprovação do crédito. Vejase a ementa do Acórdão 9303 005.708, de 19/10/2017, de relatoria do Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2001 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a Fl. 705DF CARF MF Processo nº 10935.900777/200844 Acórdão n.º 9303009.325 CSRFT3 Fl. 4 3 comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado. Contudo, no caso em comento, embora a retificadora tenha sido apresentada após o despacho decisório, o relator encontrou nos autos provas a indicar o direito creditório do contribuinte, desta forma convalidando a DCTF retificadora, e, constatada a certeza e liquidez do crédito, reconheceu o direito creditório. Entendo que o aresto recorrido perfilhou o entendimento desta Turma, pois consignou que a simples entrega da DCTF retificadora não é suficiente para reconhecer o crédito desde que desacompanhada de outros elementos de prova a dar convicção ao julgador da existência daquele. Vejase a motivação do recorrido, de lavra do então Conselheiro José Adão Vitorino de Morais: Conforme se verifica das cópias das notas fiscais, às fls. 121/202 e 206/403 e 407/651 carreadas aos autos, o faturamento da recorrente, no mês de agosto de 2004, sobre o qual apurou e declarou a Cofins na respectiva DCTF, decorreu exclusivamente da venda de produtos hortifrutigranjeiros. Também a cópia do Registro de Inventário às fls. 111/119 comprova que em dezembro de 2003 seu estoque era somente de hortifrutigranjeiros, assim como o Inventário de estoques de produtos às fls. 105/110 comprova que o estoque em 01/01/2005 era apenas destes mesmos produtos. A Lei nº 10.865, de 30/04/2004, art. 28, com vigência a partir de 01/05/2004, assim dispõe quanto à incidência das contribuições para o PIS e Cofins sobre as receitas decorrentes de vendas de produtos hortifrutigranjeiros: “Art. 28. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: (...);III produtos hortícolas e frutas, classificados nos Capítulos 7 e 8, e ovos, classificados na posição 04.07, todos da TIPI; e (...).” Os produtos comercializados pela recorrente estão classificados nos capítulos 7 e 8 da TIPI, conforme se verifica das notas fiscais (cópias) apresentadas. Portanto, o valor de R$ 9.836,04, apurado sobre receitas de vendas de produtos hortifrutigranjeiros, era indevido, constituindose indébito tributário passível de repetição/compensação, mediante a transmissão de Per/Dcomp. A compensação de débitos fiscais, mediante a transmissão de Per/Dcomp, segundo o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. Fl. 706DF CARF MF Processo nº 10935.900777/200844 Acórdão n.º 9303009.325 CSRFT3 Fl. 5 4 No presente caso, a documentação apresentada pela recorrente comprovou a certeza e liquidez do crédito financeiro declarado no Per/Dcomp em discussão, no valor de R$9.836,64 e pago indevidamente na data de 15/09/2004. Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado, no Per/Dcomp em discussão, no valor original de R$9.836,64 (nove mil oitocentos e trinta e seis reais e sessenta e quatro centavos), cabendo à autoridade administrativa competente homologar a compensação do débito declarado. O que vimos decidindo nesta C. Turma é que o ônus da prova em relação ao erro de preenchimento de DCTF é todo do contribuinte, devendo ele, na primeira oportunidade em que se manifestar nos autos fazer prova nesse sentido, sob pena de preclusão, aí sim! Isso porque a manifestação de inconformidade, in casu, é análoga à impugnação no rito do Decreto 70.235/72, momento da preclusão temporal, em atendimento ao princípio da concentração, da eventualidade, da produção probatória. Como já decidimos em variados julgados, nada obsta à retificação das DCTF, mesmo que efetuada após o despacho decisório em se tratando de PER/DCOMP1, mas, porém, ela, a retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar o alegado indébito ou outro equívoco em seu preenchimento. Vejase, a propósito, decisão unânime no Acórdão 9303 006.937, de 13/08/2018, de relatoria da Dra. Érika Costa Camargo Autran: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo,a referida declaração não tem o condão de, por si só, comproválo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. O decidido no Acórdão 9303007.458, de 20/09/2018, de minha relatoria, perfilhou mesmo entendimento. Vejase sua ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 1 Nesse sentido, Acórdão 9303006.977, de 13/06/2018, de relatoria do Dr. Rodrigo Pôssas, em que a recorrente igualmente era parte: DCTF. RETIFICAÇÃO. IMPEDIMENTO. INEXISTÊNCIA. Inexiste impedimento à retificação da DCTF, ainda que efetuada e transmitida depois de o contribuinte ter sido intimado do despacho decisório que não reconheceu a certeza e liquidez do crédito financeiro reclamado. DCTF RETIFICADORA. CRÉDITO FINANCEIRO. CERTEZA E LIQUIDEZ. FALTA DE COMPROVAÇÃO. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Demonstrado e provado que a DCTF retificadora não comprovou o indébito reclamado pelo contribuinte, ou seja, a certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado na compensação, mantémse a não homologação da Dcomp. Fl. 707DF CARF MF Processo nº 10935.900777/200844 Acórdão n.º 9303009.325 CSRFT3 Fl. 6 5 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDA O PLEITO. Cabe ao interessado a prova dos fatos constitutivos de seu direito em pedido de ressarcimento, cumulado ou não com declaração de compensação. Dessarte, entendo que deva ser mantido o aresto recorrido em toda sua extensão, vez que devidamente comprovado o indébito. DISPOSITIVO Em face do exposto, conheço do recurso especial do Procurador, mas nego lhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 708DF CARF MF Processo nº 10935.900777/200844 Acórdão n.º 9303009.325 CSRFT3 Fl. 7 6 Fl. 709DF CARF MF
score : 1.0
