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Numero do processo: 10580.006990/2004-00
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
MULTA ISOLADA. ART. 106 DO CTN. RETROATIVIDADE BENIGNA.
LEI n° 11.488/07.
Deve-se aplicar retroativamente as disposições relativas a infrações contidas na MP n° 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei n° 11.488/07, por ser mais benéfica para o contribuinte, por força do art. 106 do CTN.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-001.953
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 MULTA ISOLADA. ART. 106 DO CTN. RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI n° 11.488/07. Devese aplicar retroativamente as disposições relativas a infrações contidas na MP n° 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei n° 11.488/07, por ser mais benéfica para o contribuinte, por força do art. 106 do CTN. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Rodrigo Cardozo Miranda Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 69 90 /2 00 4- 00 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 2 Relatório Cuidase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 89 a 93) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 79 a 84) que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para excluir a multa isolada. Conforme se verifica dos autos, notadamente da r. decisão de fls. 09 e 10, que a presente controvérsia diz respeito a Declaração de Compensação de créditos oriundos de ação judicial com débitos de PIS e COFINS referentes ao mês de outubro de 2003 (PER/DCOMPs às fls. 03 e 04). Nessa r. decisão a compensação não foi homologada porquanto o crédito judicial seria de terceiros. Com isso, determinouse a cobrança dos débitos de PIS e COFINS segundo o rito previsto no artigo 17 da Lei nº 10.833/2003. Além disso, foi lavrado auto de infração (processo nº 10580.011260/2004 12), apensado ao presente processo, em que se lançou multa de ofício isolada no percentual de 75% sobre os débitos indevidamente compensados. A ementa do v. acórdão ora recorrido é a seguinte: PIS. DCOMP. COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA COM BASE EM CRÉDITOS ORIUNDOS DE DECISÃO JUDICIAL. Para que o contribuinte possa se compensar de créditos tributários adquiridos mediante cessão de crédito de terceiros, resultante de decisão judicial transitada em julgado, deve provar os exatos contornos da cessão dos créditos, sua homologação pelo juiz da causa, a liquidez dos valores resultantes daquela decisão e o atendimento ao preceito do §20 do art. 37 da IN SRF n° 210/2002. MULTA ISOLADA. ART. 106 DO CTN. RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI N° 11.488/07 Devese aplicar retroativamente as disposições relativas a infrações contidas na MP n° 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei n° 11.488/07, por ser mais benéfica para o contribuinte, por força do art. 106 do CTN. Recurso Voluntário provido em parte. (grifos nossos) Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs o já mencionado recurso especial, apontando, em síntese, contrariedade aos artigos 74, § 12, II, da Lei n° 9.430/96; 18, § 4º da Lei n° 10.833/03; e ao 97, VI, do CTN, já que a dispensa de penalidade tributária apenas pode ser realizada por lei. E isso porque, em síntese, nenhuma das mudanças no art. 18 da Lei n° 10.833/2003 deixou de apenar a prática de apresentar declaração de compensação objetivando a quitação de dividas tributárias com créditos decorrentes de ação judicial em favor de terceiro. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 10580.006990/200400 Acórdão n.º 9303001.953 CSRFT3 Fl. 98 3 O recurso especial foi admitido através do r. despacho de fls. 94. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que o presente recurso especial merece ser conhecido. No que tange ao mérito, o recurso especial não merece a mesma sorte. Com efeito, no tocante à incidência da multa de 75% pela compensação indevida, lastreada no art. 18 da Lei nº 10.833/2003, é de se destacar, inicialmente, quanto à hipótese ora sub judice, que as Declarações de Compensação foram apresentadas em outubro de 2003 (PER/DCOMPs às fls. 03 e 04). Quanto ao substrato legal de incidência da penalidade, é de se destacar que a multa isolada de ofício surgiu com a Lei nº 10.833/2003, de 29/12/2003, especificamente no seu artigo 18 e parágrafo 2º, cuja redação original era a seguinte: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. (...) § 2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. Assim, nos termos da redação original da Lei nº 10.833/2003, as únicas hipóteses de imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevidas eram (i) crédito ou débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal; (ii) crédito ser de natureza não tributária; e (iii) ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30/11/1964. A multa isolada aplicável, nos termos da redação da Lei nº 9.430/96 vigente à época, com a redação dada pela Lei nº 10.892/2004, de 13/07/2004, era a seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Fl. 102DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 4 I – de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II – cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) § 2º Se o contribuinte não atender, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos, as multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente. Assim, nos casos de (i) o crédito ou débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal e (ii) o crédito ser de natureza não tributária, a multa era devida no percentual de 75%. No caso de prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30/11/1964, a multa era devida no percentual de 150%. O § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, como visto, cuida das hipóteses em que o prazo para responder a intimações para se prestar esclarecimentos não são obedecidos, situações em que a multa tem os seus percentuais agravados. Voltando à Lei nº 10.833/2003, ela foi alterada pela Lei nº 11.051/2004, de 29/12/2004, passando o artigo 18 a ter a seguinte redação: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática de infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. (...) § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. Assim, com o advento da Lei nº 11.051/2004, de 29/12/2004, no caput do art. 18 da Lei nº 10.833/2003 foi mantida a multa por compensação indevida apenas nos casos de prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30/11/1964, sendo que o § 2º fez remissão à alíquota, cujo percentual era de 150% (inciso II do caput do art. 44 da Lei nº 9.430/96). Pareceme, portanto, que uma vez que legislação superveniente deixa de apenar determinado fato (no caso, a compensação indevida sem dolo, fora das hipóteses previstas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64), deixando de definilo como infração, tal legislação deve ser aplicada retroativamente, nos termos do artigo 106 do Código Tributário Nacional. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 10580.006990/200400 Acórdão n.º 9303001.953 CSRFT3 Fl. 99 5 Neste sentido, aliás, acolho o entendimento esposado pela Ilustre Conselheira Maria Teresa Martinez López, em julgamento realizado nesta mesma assentada e em que figura como interessado o mesmo contribuinte do presente processo (10580.006996/200479), pedindo vênia para destacar os seguintes excertos do seu voto, verbis: A Lei n° 11.051/2004 extinguiu a multa de 75% para as compensações sem dolo, mantendo somente a multa qualificada para as hipóteses de sonegação, fraude ou conluio. Deixouse de definir como infração, punível com a multa de 75%, a compensação indevida sem dolo. Assim permaneceu até 22/11/2005, data de publicação da Lei n° 11.196/2005, cujo art. 117 alterou novamente o art. 74 da Lei n° 9.430/96, restabelecendo infrações não dolosas. Por fim, a MP 351/07, convertida na Lei n° 11.488/07, restringiu ainda mais as hipóteses de cabimento da multa isolada, determinando sua imposição apenas quando a compensação não seja homologada em vista da comprovação de falsidade na declaração do contribuinte: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Como anteriormente dito, a multa isolada foi lançada em razão de compensação indevida por se tratar de crédito não passível de compensação por expressa disposição legal, não havendo comprovação e nem sequer indicio de falsidade em declarações apresentadas pela contribuinte. Por oportuno, observo que neste processo descabe cogitar da nova alteração na redação do art. 18 da Lei n° 10.833/2003, estabelecida pelo art. 117 da Lei n° 11.196, de 21/11/2005, e que só possui efeitos a partir de 22/11/2005 (data da publicação da Lei n° 11.196). Referido art. 117, que alterou a redação do § 4° do art. 74 da Lei n° 9.430/96 para restabelecer a multa de 75% nas compensações sem dolo, constou da MP n° 252, de 15/06/2005, que todavia não foi convertida em lei e por isto só teve eficácia até 13/10/2005. Assim, e apesar do art. 132, II, "d", da Lei n° 11.196/2005, segundo o qual o art. 117 da mesma Lei teria efeitos a partir de 14/10/2005 (imediatamente após o fim da eficácia da MP n° 252/2005), a melhor interpretação recomenda não admitir a retroatividade das penalidades restauradas. Daí ser mais correto considerar a eficácia do art. 117 em comento a partir de 22/11/2005. Segundo essa nova redação do art. 18 da Lei n° 10.833/2003, a multa de oficio, no percentual básico ou qualificado, também se aplica nas hipóteses previstas no inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, ou seja, nas seguintes hipóteses em que a Fl. 104DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 6 compensação é considerada não declarada: a) crédito de terceiros; b) crédito referente ao créditoprêmio instituído pelo art. 1° do DecretoLei n°491, de 5 de março de 1969; c) crédito referente a título público; d) crédito decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; e) crédito não referente a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. Como o lançamento é anterior a 22/11/2005 e não se verifica nenhuma das hipóteses que ensejam a aplicação da penalidade qualificada prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/2003, com a redação dada pelo art. 25 da Lei n° 11.051/2004 tanto assim que foi aplicada a multa básica de 75%, em vez da multa qualificada , cabe invocar o art. 106, inciso II, do CTN, que prevê a retroatividade da lei a ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A confirmar a aplicação da retroatividade benigna, o entendimento manifestado pela CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação — Cosit, por meio da Solução de Consulta Interna n° 3, de 8 de janeiro de 2004 (que se refere apenas ao caput do art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, por haver sido expedida antes das modificações introduzidas pela Lei n° 11.051, de 2004): EMENTA: (...) No julgamento dos processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no art. 90 da MP n°2.15835, as multas de oficio exigidas juntamente com as diferenças lançadas devem ser exoneradas pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, desde que essas penalidades não tenham sido fundamentadas nas hipóteses versadas no "caput" desse artigo. No mais, tendo em vista que a própria Administração já reconhece a retroatividade benigna (vejase Solução de Consulta Interna nº 03, de 08 de janeiro de 2004, proferida pela CoordenaçãoGeral de Tributação da Secretaria da Receita Federal, que em seus itens 13 a 22 aborda o assunto de forma completa e exaustiva, manifestandose sobre a exclusão da multa) nenhum reparo há de se fazer na decisão recorrida. Dessa forma, as alterações no art. 18 da Lei nº 10.833/03 trazidas pela Lei n° 11.051/04 e posteriormente pela Lei n° 11.488/07 devem ser aplicadas retroativamente em benefício dos contribuintes, razão pela qual deve ser exonerada a multa isolada. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 105DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA
score : 1.0
Numero do processo: 11128.006425/2005-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 31/10/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Não se prestam os embargos declaratórios à modificação de julgado baseada na mera irresignação do embargante. Para que seja acolhido este recurso, mister se faz tenha ocorrido efetivamente vícios de omissão, obscuridade ou contradição no julgado.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3102-001.728
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 31/10/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Não se prestam os embargos declaratórios à modificação de julgado baseada na mera irresignação do embargante. Para que seja acolhido este recurso, mister se faz tenha ocorrido efetivamente vícios de omissão, obscuridade ou contradição no julgado. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 64 25 /2 00 5- 25 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Relatório Cuidase de embargos de declaração, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com base no artigo 65 do Regimento Interno do CARF, contra o acórdão nº 340300.944, que foi assim ementado: “ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 31/10/2001 NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). SOLVENTE ORGÂNICO DENOMINADO COMERCIALMENTE “ EXXSOL D30”. ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO. O produto denominado comercialmente “Exxsol D30”, identificado em laudo técnico como sendo uma “mistura de Hidrocarboneto Alifático desodorizado, contendo entre 8 a 10 átomos de Carbono, com predominância de Hidrocarboneto com 9 átomos de Carbono, um Solvente Orgânico não especificado nem compreendido em outras posições”, classificase no código NCM 3814.00.00. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. FALTA DE PRÉVIO CRITÉRIO JURÍDICO INTRODUZIDO POR ATO DE OFÍCIO. CONDIÇÃO NECESSÁRIA. INOCORRÊNCIA. Para que haja mudança de critério jurídico é imprescindível que a autoridade fiscal tenha adotado um critério jurídico anterior, por meio de ato de lançamento de ofício, realizado contra o mesmo sujeito passivo, o que não ocorreu no presente caso, uma vez que o primeiro ato de ofício praticado pela autoridade fiscal foi exatamente a lavratura dos presentes autos de infração. MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). PRODUTO DISPENSADO DE LICENCIAMENTO. INAPLICABILIDADE. É condição necessária para a prática da infração administrativa ao controle das importação por falta de Licença de Importação (LI) que produto importado esteja sujeito ao licenciamento não automático, previamente ao embarque no exterior ou ao despacho aduaneiro. Nos presentes autos, inaplicável a multa por falta de LI, pois os produtos importados estavam dispensados de licenciamento. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA INCORRETA. APLICABILIDADE. O incorreto enquadramento tarifário do produto na NCM subsumese a hipótese fática da infração por erro de classificação fiscal, prevista no inciso I do art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, sancionada com a multa de 1% (um por cento) do valor da mercadoria. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11128.006425/200525 Acórdão n.º 3102001.728 S3C1T2 Fl. 199 3 MULTA DE OFÍCIO. DECLARAÇÃO INEXATA. ERRÔNEA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CORRETA DESCRIÇÃO DO PRODUTO. INEXISTÊNCIA DE DOLO OU MÁFÉ. INAPLICABILIDADE. A classificação tarifária errônea do produto na NCM não constitui infração punível com a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, se o produto estiver corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário, e que não se constate intuito doloso ou má fé por parte do importador (ADN Cosit nº 10, de 1997). Recurso Voluntário Provido em Parte.” A douta procuradoria alega a existência de omissão no voto condutor do acórdão, por não ter sido expressamente mencionados quais os pressupostos e os motivos que fundamentaram a apreciação da multa de 75%, prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Segundo a embargante, tal matéria não foi objeto de impugnação e não poderia ter sido apreciado no julgamento da segunda instância. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. A discussão constante dos embargos é sobre a apreciação pela turma julgadora da multa de 75%, prevista no art. 44 da Lei nª 9.430/96. O argumento da embargante é que teria ocorrido omissão no acórdão guerreado, por não determinar quais foram os motivos que levaram a apreciação da multa de 75%, prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Entendo que a omissão alegada não existiu. Os argumentos que levaram a decisão proferida no aresto embargado, estão claramente delineadas no voto condutor daquela decisão e os pressupostos necessários para afastar a exigência da multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96. A suposta omissão seria pelo falta de indicação no voto, sobre os motivos que levaram a turma a apreciar a multa em questão, por não constar da impugnação. Entendo que a omissão somente existe quando o acórdão deixa de apreciar questões suscitadas na impugnação. No caso em espécie, todos os argumentos constantes da impugnação foram apreciados no julgado. Entendeu a turma julgadora exonerar a multa de Fl. 200DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 ofício e aqui não adentrarei ao mérito desta análise, visto, que seria uma reapreciação da matéria e como é cediço os embargos declaratórios não se prestam a reapreciação da decisão adotada no acórdão embargado. Diante do exposto, voto por rejeitar os embargos apresentados, por não estar comprovada a omissão alegada. Winderley Morais Pereira Fl. 201DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 15504.011162/2008-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2003
REMUNERAÇÃO DECLARADA EM GFIP
A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestam serviços
Numero da decisão: 2301-003.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em retificar a multa aplicada.
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antônio de Souza, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2003 REMUNERAÇÃO DECLARADA EM GFIP A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestam serviços
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Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em retificar a multa aplicada. MARCELO OLIVEIRA Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antônio de Souza, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 11 62 /2 00 8- 35 Fl. 335DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24 /02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e aos terceiros. Conforme Relatório Fiscal (fls. 24), o crédito se refere à contribuição devida incidente sobre a remuneração dos segurados a serviço da empresa notificada, declarada em GFIP e em GRFP. A autoridade notificante esclarece que o crédito foi levantado com base nas divergências apontadas pelo sistema de controle de arrecadação do INSS — "AGUIA" e pelos documentos apresentados pelo contribuinte GFIP, GRFP e GPS. A recorrente impugnou o débito e o INSS, por meio da DN nº 11.401.4/0404/2004, julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 126), repetindo o alegado na impugnação, ou seja, que a sociedade estaria em processo de reorganização societária e consolidação de seus débitos para com o INSS, para fins de obtenção de parcelamento especial. Reitera sua solicitação para o desmembramento da NFLD em duas, sendo a primeira com o período de 10/2002 até 01/2003, conforme Art. 37 da Portaria 520/2004, e requer o cancelamento do AI em epígrafe. É o relatório. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24 /02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15504.011162/200835 Acórdão n.º 2301003.292 S2C3T1 Fl. 172 3 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, verificase que a recorrente não nega a ocorrência dos fatos geradores apontados pela fiscalização, como também não contesta as bases de cálculo apuradas ou as alíquotas aplicadas no cálculo das contribuições devidas. Pelo contrário, ela confirma a correção do labor fiscal ao afirmar que “está em processo de reorganização societária e consolidação de seus débitos para com o INSS, para fins de obtenção de parcelamento especial”. Porém, a recorrente apenas afirma, mas não prova que tenha incluído o valor lançado por meio da NFLD em tela em parcelamento especial. Não consta, dos autos, elementos de que houve realmente a adesão a parcelamento alegada. Cumpre observar que o parcelamento não é automático, e deveria ter sido requerido junto à unidade competente da Previdência Social, na forma e condições impostas pela legislação que tratam da matéria, vigentes à época. E o agente fiscal deixa bastante claro que o crédito lançado por meio da NFLD em questão fora apurado tendo em vista a diferença constatada entre os valores declarados pela própria recorrente em GFIP e aqueles efetivamente recolhidos à Previdência Social por meio de GPS. Dessa forma, não há como acolher o pedido da recorrente para que o lançamento seja cancelado, já que os valores lançados são devidos à Previdência Social e foram confessados pela própria notificada por meio de instrumento próprio, ou seja, GFIP, e a diferença apurada no batimento GFIP x GPS ensejou a lavratura da NFLD em tela. De acordo com o § 1º, do art. 225, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, as informações prestadas nas GFIP’s constituirseão em termo de confissão de dívida, na hipótese de não recolhimento. Portanto, a notificada confessou que deve um certo valor à Previdência Social e não comprovou o pagamento da totalidade do valor que reconheceu como devido, como também não comprovou a inclusão do valor lançado em parcelamento. Dessa forma, a Autoridade Fiscal, ao constatar o não recolhimento das contribuições que a notificada confessou que deve, já que declarou em GFIP, lavrou corretamente a presente NFLD, em observância ao disposto no art. 37 da Lei 8212/91, na redação vigente à época do lançamento: Fl. 337DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24 /02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Assim, ao contrário do que afirma a recorrente, verificase que a NFLD foi lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Notificação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura da NFLD e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Portanto, não há que se falar em cancelamento da NFLD. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; Voto por CONHECER DO RECURSO e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 338DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24 /02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 13707.002683/2001-13
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Data do fato gerador: 30/04/1990, 30/04/1991, 30/04/1992, 29/05/1992, 30/06/1992, 31/07/1992, 31/08/1992, 30/09/1992, 30/10/1992, 30/11/1992, 30/12/1992, 29/01/1993, 26/02/1993
PRAZO. PRESCRIÇÃO. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. LC 118/05. IRRETROATIVIDADE.
O STF decidiu, no RE nº 566.621/RS que a Lei Complementar nº 118/05 não pode ser aplicada retroativamente, tendo vigor apenas após sua vacatio legis. O mesmo posicionamento foi reproduzido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.2669.570-MG. Sendo assim, quando o direito à restituição/compensação tiver sido exercido antes da entrada em vigor da referida Lei Complementar, o prazo prescricional aplicável é o de cinco anos contado da homologação tácita que ocorre cinco anos após o fato gerador dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido
Numero da decisão: 2202-002.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a decadência do direito de pleitear a restituição a partir dos fatos geradores de 14/11/1991 e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem, para análise das demais questões.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odmir Fernandes.
Matéria: Outros proc. que não versem s/ exigências cred. tributario
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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PRESCRIÇÃO. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. LC 118/05. IRRETROATIVIDADE. O STF decidiu, no RE nº 566.621/RS que a Lei Complementar nº 118/05 não pode ser aplicada retroativamente, tendo vigor apenas após sua vacatio legis. O mesmo posicionamento foi reproduzido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.2669.570MG. Sendo assim, quando o direito à restituição/compensação tiver sido exercido antes da entrada em vigor da referida Lei Complementar, o prazo prescricional aplicável é o de cinco anos contado da homologação tácita que ocorre cinco anos após o fato gerador dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Recurso Voluntário Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a decadência do direito de pleitear a restituição a partir dos fatos geradores de 14/11/1991 e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem, para análise das demais questões. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 7. 00 26 83 /2 00 1- 13 Fl. 248DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO 2 (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odmir Fernandes. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13707.002683/200113 Acórdão n.º 2202002.149 S2C2T2 Fl. 249 3 Relatório 1 Pedido de Restituição A recorrente efetuou, em 14/11/01, pedido de restituição de Imposto Sobre o Lucro Líquido pago indevidamente entre os anos de 1990 e 1993 (fls. 134). A finalidade seria, além da restituição, a compensação com R$ 1.000,00 a título de COFINS. Para fundamentar sua pretensão, a recorrente alega que o Imposto sobre o Lucro Líquido (ILL) foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, tendo sido, inclusive, suspensa sua eficácia através da publicação da Resolução nº 82/96 pelo Senado Federal. Quanto ao prazo prescricional, o recorrente defendeu que o prazo seria de 5 anos e seria contado a partir do trânsito em julgado da decisão proferida em ação direta de constitucionalidade ou a partir da resolução do Senado Federal que suspendeu a eficácia da Lei. Por último, apresenta tabela de cálculo do montante atualizado e corrigido do valor a ser restituído (fl. 17). 2 Despacho Homologatório Em análise do pedido da recorrente, a DERAT/DIORT emitiu parecer, chancelado por despacho decisório, que opinava pela improcedência do pedido, já que o prazo prescricional seria de cinco anos contados da extinção do crédito tributário. Como o crédito tributário havia sido extinto pelo pagamento entre os anos de 1990 e 1993, todos os créditos pleiteados estariam prescritos. 3 Manifestação de Inconformidade Tendo tomado ciência do teor do despacho decisório em 02/01/02, o recorrente não se contentou com o despacho decisório contrário a sua pretensão, e apresentou manifestação de inconformidade (fls. 4048), tempestiva, em 04/01/02. Como fundamento, alegou que o prazo decadencial deve ser contado da publicação da resolução do Senado Federal, apresentando farta jurisprudência do STJ e do Conselho de Contribuintes. 4 Acórdão de Manifestação de Inconformidade A 6º Turma da DRJ/RJ acordou, unanimemente, pelo não provimento da manifestação de inconformidade, com base nos seguintes fundamentos: a) o entendimento vinculado em ato declaratório emitido pelo Secretário da Receita Federal vincula os membros da Administração Pública; Fl. 250DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO 4 b) o Ato Declaratório nº 96/99, acompanhando o Parecer PGFN/CAT/Nº 1.538/99, firmou o posicionamento de que o prazo prescricional, mesmo no caso de declaração de inconstitucionalidade, tem seu termo inicial na extinção do crédito tributário, ou seja, do pagamento do indébito; c) sendo assim, os indébitos pleiteados pelo recorrente estão prescritos, já que o pedido de restituição foi efetuado em 2001, e os pagamentos foram efetuados entre 1990 e 1993. 5 Recurso Voluntário O recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 5988), tempestivo, em 17/06/05, após ter sido notificado do resultado do julgamento de sua manifestação de inconformidade. Na peça, reiterou os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade e, defendeu, ainda, que as empresas que possuíam processos administrativos em andamento e não haviam pagado o tributo tiveram as cobranças canceladas por força de Parecer Normativo da PGFN e por Instrução Normativa da SRF. 6 Acórdão de Recurso Voluntário A Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes acordou, por unanimidade, pela inocorrência da decadência e determinou o retorno dos autos à repartição de origem para exame do mérito (fls. 9195). O fundamento utilizado é o de que a decadência neste caso deve ser contado a partir da publicação da Resolução do Senado, pois antes deste momento não havia motivo para que fosse pleiteada a restituição. 7 Embargos de Declaração Notificada do acórdão de recurso voluntário em 29/06/06, a Fazenda Nacional opôs, tempestivamente, em 30/06/06, embargos de declaração (fls. 98100), pois a decisão do Conselho de Contribuintes teria sido omissa ao deixar de observar a LC nº 118/05, no tocante ao termo inicial do prazo prescricional. O art. 3º deste diploma legislativo estipula que, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a prescrição ocorre cinco anos após o momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 do CTN. Ainda, tal artigo deve ser aplicado retroativamente por força do art. 106, I do CTN, já que tem caráter interpretativo. Em análise dos embargos opostos, o relator opinou pelo não acolhimento destes pela inocorrência de omissão no acórdão (fls. 102103), opinião que foi endossada pelo presidente da Câmara. 8 Recurso Especial A Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 105145), em 10/10/06, após ciência do despacho decisório. O recurso atacou o posicionamento exposto pela Câmara do Conselho de Contribuintes quanto ao termo inicial do prazo prescricional, com base nos seguintes argumentos: a) o STJ definiu no julgamento dos Embargos de Divergência 435.835/SC o entendimento de que a “sistemática dos cinco mais cinco” aplicase inclusive nos casos dos tributos declarados como inconstitucionais pelo STF, mesmo que tenha havido Resolução do Senado; Fl. 251DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13707.002683/200113 Acórdão n.º 2202002.149 S2C2T2 Fl. 250 5 b) o STJ definiu nos EDcl no REsp nº 327.043/DF, que a aplicação da LC nº 118/05 só se daria em relação aos casos em que não houvesse decisão judicial antes do início da vigência da indigitada lei. Tal decisão seguiria o art. 6º da LICC, que determina que a Lei em vigor tenha efeito imediato e geral, sendo respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada. Por esse motivo é necessária a existência de decisão judicial que proteja o contribuinte para que deixe de ser aplicada a LC nº 118/05. Vez que inexiste ação judicial no presente caso, deve ser reconhecida a prescrição de todos os indébitos cuja restituição foi pleiteada. Em anexo, juntou ao processo diversas decisões administrativas que acolhiam sua tese. Em análise da admissibilidade do recurso, o Presidente da 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes decidiu pelo prosseguimento do recurso, por atender a todos os requisitos de admissibilidade, e ordenou a intimação do contribuinte para apresentar contra razões ao recurso interposto pela Fazenda Nacional. 9 ContraRazões ao Recurso Especial Intimado em 04/12/06, o recorrente apresentou, em 18/12/06, contrarazões ao recurso especial (fls. 151174), reiterando os argumentos apresentados ao longo do processo, e adicionando que é inaplicável a LC nº 118/05 ao caso, vez que o STJ conferiu caráter prospectivo a ela, e o pedido de restituição foi efetuado antes da entrada em vigor do referido diploma normativo. 10 Acórdão de Recurso Especial A Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais acolheu, por maioria de votos, a preliminar de nulidade do acórdão, suscitada pelo Relator, determinando o reencaminhamento do recurso para uma das câmaras do Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 206208). A nulidade assinalada era decorrente de incompetência da câmara que proferiu o acórdão de recurso voluntário. De acordo com o regimento interno do CARF à época, o julgamento do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte, desde que autônomo, caberia à Segunda, à Quarta e à Sexta Câmaras, não à Quinta. Deste acórdão não foram opostos embargos. Os autos foram retornados ao CARF e redistribuídos a este relator, para que o recurso voluntário interposto às fls. 5988 seja novamente processado. É o relatório. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO 6 Voto Conselheiro Rafael Pandolfo O objeto deste processo cingese à controvérsia acerca do prazo preclusivo para recuperação do indébito, no caso de tributos declarados inconstitucionais pelo STF cujo fundamento legal tenha sido objeto de Resolução do Senado Federal (CF, art. 52, X). A Fazenda Nacional defende que o prazo a ser aplicado é o do art. 168, I, do CTN, de acordo com a interpretação conferida pela LC nº 118/05, ou seja, de cinco anos contados a partir do pagamento antecipado. O recorrente, por outro lado, alega que o prazo a ser aplicado é o de cinco anos contados da publicação da Resolução do Senado Federal nº 82, de 18 de novembro de 1996. No entanto, conforme será demonstrado a seguir, não assiste razão a nenhuma das partes. O pleito administrativo foi efetuado em 14/11/01 pelo contribuinte, motivo pelo qual o argumento da Fazenda Nacional implica conferir caráter retroativo à Lei Complementar nº 118/05. A atribuição de efeitos retroativos é vedada pelo nosso ordenamento jurídico, sempre que acarretar a instituição de regime tributário mais oneroso ao cidadão que o determinado pelo ordenamento conforme interpretação dos Tribunais. Esse é o caso da aplicação da LC 118/05, no que tange ao critério de contagem do prazo preclusivo estendido ao contribuinte. A esse respeito, peço licença para reproduzir minha convicção sobre o tema, estampada na Jurisdição Constitucional Tributária, da qual se extrai o seguinte trecho: A Constituição é dotada de força normativa e semântica que condiciona a interpretação e a aplicação de toda a legislação infraconstitucional. A partir dessa premissa, o conteúdo do art. 106, I, deve ser construído a partir do significado atribuído ao artigo 150, III, “a”, da Carta Maior, e não o contrário. Nesse sentido, a melhor forma de compatibilizar o art. 106, I, com a garantia constitucional construída a partir do art. 150, III, “a”, da Constituição, é conjugálo com os Princípios da Nãosurpresa, Confiança e Segurança Jurídica. Desse modo, quando se estiver diante de lei interpretativa que, a pretexto de esclarecer determinado enunciado normativo interpretado, agrava a situação do sujeito passivo tributário, sua aplicação retroativa deverá ser prontamente afastada. Em sentido contrário, quando a lei tributária interpretativa, ao esclarecer dúvida ou controvérsia existente entre os integrantes da relação tributária, fixar conteúdo semântico que assegure posição menos gravosa ao contribuinte, sua aplicação poderá ser retroativa. É importante observar que a lei interpretativa é sempre prescritiva e inovadora, pois, ao alterar ou esclarecer o conteúdo semântico do enunciado interpretado, altera a norma resultante (significado), estabilizando seu alcance dentro do Fl. 253DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13707.002683/200113 Acórdão n.º 2202002.149 S2C2T2 Fl. 251 7 ordenamento jurídico. Como bem apontou o Min. Sepúlveda Pertence no precedente há pouco referido: Para mim, no sistema brasileiro, lei interpretativa ou é inócua ou é lei nova. Se é mera interpretação de lei preexistente e veicula – se isso é possível – a única interpretação admissível dessa lei preexistente, a lei interpretativa vale exatamente o que valer a interpretação que traduz, isto é, vale nada, porque, evidentemente, se é a única interpretação, ou não, a afirmação, no caso concreto, continuará entregue ao Poder Judiciário. Se, no entanto, a título de lei interpretativa, a segunda lei extrapola da interpretação, é lei nova, que altera a lei antiga, modificandoa ou adicionadolhe normas inexistentes. E assim há de ser examinada. Enfim, não se admite que lei pretensamente interpretativa – que implique na criação ou majoração de qualquer espécie de obrigação, dever ou ônus – retroaja, atingindo situações passadas. A despeito do disposto no artigo 106, I, do Código Tributário Nacional, não basta que a lei seja expressamente interpretativa: é preciso que ela se caracterize, materialmente, como interpretativa, objetivando tão somente esclarecer controvérsias existentes (qui declarat nihil novi dat), sem que isso implique restrição a direitos e garantias constitucionais conferidos aos destinatários. Esse foi o fundamento pelo qual a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, ao apreciar a Arguição de Inconstitucionalidade nos Embargos de Divergência em recurso especial 644.726, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei Complementar 118, de 9 de fevereiro de 2005, abaixo transcrito: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. O art. 168, I, do CTN, dispõe que o prazo para restituição do indébito tributário é de cinco anos, contados da extinção do crédito tributário. A extinção do crédito tributário, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ocorria cinco anos após o evento tributário (fato gerador), uma vez ausente a homologação expressa, conforme prescrevia o art. 150, §4º, do CTN. Assim, o Superior Tribunal de Justiça havia pacificado o entendimento de que os contribuintes tinham cinco anos para pedir a restituição de eventual indébito, prazo cuja contagem tinha início somente após a verificação da homologação tácita, com a qual se dava a extinção do crédito tributário (cinco anos contados do evento tributário, do fato gerador). A conjugação Fl. 254DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO 8 desses dois prazos (prazo da extinção do crédito tributário e prazo para repetição) perfazia um lapso temporal global de dez anos. Sob pretexto de interpretar o art. 168, I, o art. 3º, da LC 118/03, determinouse que a extinção do crédito tributário ocorreria não mais com a homologação tácita, mas com o pagamento antecipado, previsto no art. 150, §1º, do CTN. A finalidade desse dispositivo foi, evidentemente, encurtar o lapso de tempo estendido pelo ordenamento jurídico para a repetição do indébito tributário. Valendose da previsão contida no art. 106, I, do CTN, pretendeu ainda o legislador infraconstitucional que essa alteração dotada de inequívoca índole modificativa tivesse aplicação retroativa a todos os casos atuais e passados nos quais pudesse influenciar. Ocorre que a Corte Especial do STJ, reconhecendo a inequívoca natureza prescritiva do art. 3º da LC 118/05, aceitou, apenas, sua eficácia prospectiva, vedando qualquer aplicação retroativa do enunciado, que assim teve sua inconstitucionalidade reconhecida, através de julgamento cujos fundamentos restam explicitados na ementa abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITO, NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LC 118/2005: NATUREZA MODIFICATIVA (E NÃO SIMPLESMENTE INTERPRETATIVA) DO SEU ARTIGO 3º. INCONSTITUCIONALIDADE DO SEU ART. 4º, NA PARTE QUE DETERMINA A APLICAÇÃO RETROATIVA. 1. Sobre o tema relacionado com a prescrição da ação de repetição de indébito tributário, a jurisprudência do STJ (1ª Seção) é no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita do lançamento. Segundo entende o Tribunal, para que o crédito se considere extinto, não basta o pagamento: é indispensável a homologação do lançamento, hipótese de extinção albergada pelo art. 156, VII, do CTN. Assim, somente a partir dessa homologação é que teria início o prazo previsto no art. 168, I. E, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo, na verdade, de dez anos a contar do fato gerador. 2. Esse entendimento, embora não tenha a adesão uniforme da doutrina e nem de todos os juízes, é o que legitimamente define o conteúdo e o sentido das normas que disciplinam a matéria, já que se trata do entendimento emanado do órgão do Poder Judiciário que tem a atribuição constitucional de interpretálas. 3. O art. 3º da LC 118/2005, a pretexto de interpretar esses mesmos enunciados, conferiulhes, na verdade, um sentido e Fl. 255DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13707.002683/200113 Acórdão n.º 2202002.149 S2C2T2 Fl. 252 9 um alcance diferente daquele dado pelo Judiciário. Ainda que defensável a 'interpretação' dada, não há como negar que a Lei inovou no plano normativo, pois retirou das disposições interpretadas um dos seus sentidos possíveis, justamente aquele tido como correto pelo STJ, intérprete e guardião da legislação federal. 4. Assim, tratandose de preceito normativo modificativo, e não simplesmente interpretativo, o art. 3º da LC 118/2005 só pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. 5. O artigo 4º, segunda parte, da LC 118/2005, que determina a aplicação retroativa do seu art. 3º, para alcançar inclusive fatos passados, ofende o princípio constitucional da autonomia e independência dos poderes (CF, art. 2º) e o da garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada (CF, art. 5º, XXXVI). 6. Arguição de inconstitucionalidade acolhida. (PANDOLFO, Rafael. Jurisdição Constitucional Tributária. São Paulo : Noeses, 2012. pp.104108). Foi decidido no Resp. nº 1.2669.570MG em sede de recursos repetitivos — regime do at. 543C do CPC, que reclama reprodução do entendimento, de acordo com as disposições o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — que o critério para definir a regra aplicável à prescrição — se cinco mais cinco ou cinco anos do pagamento — é definido pelo momento de exercício do direito de ação, conforme pode ser extraído da ementa do julgado: 3. Tendo a jurisprudência deste STJ sido construída em interpretação de princípios constitucionais, urge inclinarse esta Casa ao decidido pela Corte Suprema competente para dar a palavra final em temas de tal jaez, notadamente em havendo julgamento de mérito em repercussão geral (arts. 543A e 543B, do CPC). Desse modo, para as ações ajuizadas a partir de 9.6.2005, aplicase o art. 3º, da Lei Complementar n. 118/2005, contandose o prazo prescricional dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em cinco anos a partir do pagamento antecipado de que trata o art. 150, §1º, do CTN. Também o STF pronunciouse sobre a matéria, definindo no julgamento do RE 566.621/RS que a Lei Complementar nº 118/05 não pode retroagir, devendo ser aplicada somente aos processos posteriores à entrada em vigor da lei, em 9 de junho de 2005: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os Fl. 256DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO 10 tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. A ação judicial, no entanto, só seria necessária caso o direito à restituição passasse por questão de análise exclusiva do judiciário, o que significa dizer que o marco temporal de interrupção da prescrição, no caso em análise, é o do exercício do direito à compensação/restituição: 14/11/01, a data da realização do pedido de restituição. O direito do recorrente de recuperar o indébito foi exercido em 14/11/01 mediante PER/DCOMP, ou seja, antes da entrada em vigor da Lei Complementar nº 118/05. Desse modo, o novo critério trazido pelo legislador nacional – flagrantemente prejudicial ao patrimônio jurídico do recorrente não pode atingir a situação em tela. Quanto ao argumento de que o prazo deveria ser contado da publicação da Resolução do Senado Federal, este não procede, pois para o Direito Tributário o marco inicial definido pelo CTN é a extinção da obrigação tributária, ou a data do trânsito em julgado ou de definitividade do processo que reformar, anular, revogar ou rescindir a decisão condenatória, vejase: Fl. 257DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13707.002683/200113 Acórdão n.º 2202002.149 S2C2T2 Fl. 253 11 Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Aplicase ao caso a hipótese do inciso I, do art. 168, pois (i) a causa de pedir da restituição foi o pagamento espontâneo do tributo indevido em face de legislação aplicável, (ii) e não existe processo judicial anterior em que tenha sido proferida decisão condenatória. Desse modo, contase o prazo prescricional a partir da extinção do crédito tributário, que se dá com a homologação do pagamento do tributo, conforme o art. 165, VII. Conforme analisado, o prazo preclusivo incidente é o de dez anos (regra do “cinco mais cinco”). O pedido de recuperação do indébito foi efetuado em 14/11/01, de modo que a prescrição atinge a pretensão de recuperação dos valores pagos indevidamente no período de 30/04/90 a 30/04/91. Com base no acima exposto, voto pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso voluntário, reformando o Acórdão nº 7.548, de 4 de maio de 2005, da 6ª Turma da DRJ/RJ, para afastar a preclusão para os pagamentos efetuados após 14/11/91, e determinar que sejam retornados os autos ao juízo de origem para a análise da plausibilidade do pedido em relação aos demais pagamentos. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 258DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO 12 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO
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Numero do processo: 15586.001042/2010-81
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2007
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO SEM ADESÃO AO PAT. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
O valor referente ao fornecimento de auxílio-alimentação aos empregados, sem a adesão ao programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho - PAT, não integra o salário-de-contribuição, conforme dispõe o Ato Declaratório PGFN nº 03/2011.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-002.148
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO SEM ADESÃO AO PAT. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O valor referente ao fornecimento de auxílioalimentação aos empregados, sem a adesão ao programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho PAT, não integra o saláriodecontribuição, conforme dispõe o Ato Declaratório PGFN nº 03/2011. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 10 42 /2 01 0- 81 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 5/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15586.001042/201081 Acórdão n.º 2803002.148 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte devidas pelos segurados empregados, incidentes sobre as remunerações pagas no período de 01/2006 a 05/2007. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 11 de maio de 2011 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2007 SALÁRIO IN NATURA. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DE INSCRIÇÃO NO PAT. INCIDÊNCIA. A concessão de alimentação aos segurados empregados em desacordo com a legislação que regula o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), requisito previsto na legislação previdenciária, configurase salário in natura, sujeitandose à tributação. JUROS SELIC. São devidos os juros sobre as contribuições arrecadadas em atraso, no percentual estabelecido pela legislação de regência. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis e atos normativos é prerrogativa do Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pela Administração Pública. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 199DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 5/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15586.001042/201081 Acórdão n.º 2803002.148 S2TE03 Fl. 4 3 Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Aduz o ilustre agente fiscal que a empresa deixou de recolher a contribuição previdenciária incidente sobre as remunerações provenientes da parcela referente à alimentação fornecida aos empregados sem que a empresa estivesse regularmente inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. Os autos de infração lavrado em face da ora recorrente dizem respeito à consideração, para fins de inclusão como base de cálculo para as contribuições previdenciárias, do auxílioalimentação fornecido aos empregados da recorrente. O Fisco entende que o auxílioalimentação não integrará o saláriode contribuição somente se a empresa estiver inscrita no PAT. O entendimento do Fisco não se sustenta em razão do fato de que a inscrição ou não da empresa no PAT é irrelevante para fins de incidência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de auxílioalimentação. No ponto, é pacífica a jurisprudência do STJ. Não é possível aplicar a taxa SELIC. A imposição da multa é arbitrária. Ao final a recorrente requer que seja conhecido o presente recurso, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, inciso III, do CTN e seja dado provimento ao recurso para reformar a decisão recorrida nos termos da fundamentação exposta. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 5/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15586.001042/201081 Acórdão n.º 2803002.148 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O lançamento em discussão foi realizado em razão de a empresa não ter efetuado os descontos das contribuições previdenciárias relativamente aos valores pagos aos segurados empregados sobre a verba auxílioalimentação. Conforme verificado nestes autos, o pomo da discórdia diz respeito à falta de inscrição do contribuinte no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, do Ministério do Trabalho e Emprego. A falta da referida inscrição no PAT, como assevera a autoridade administrativa, é motivo para transformar o benefício em saláriodecontribuição. Por seu turno, o contribuinte alega que os gastos referentes à alimentação fornecida aos seus funcionários não compõem a base de cálculo do saláriodecontribuição. No ponto, está correto o contribuinte. Sobre a matéria discutida (fato gerador), concessão de auxílio alimentação sem inscrição no PAT, os membros do CARF (RICARF, art. 62, III) devem se ater às disposições contidas no Ato Declaratório PGFN nº 03/2011, in verbis: A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº Fl. 201DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 5/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15586.001042/201081 Acórdão n.º 2803002.148 S2TE03 Fl. 6 5 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). O valor referente ao fornecimento de auxílioalimentação aos empregados, sem a adesão ao programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho PAT, não integra o saláriodecontribuição, conforme dispõe o Ato Declaratório PGFN nº 03/2011. Ora, se não há incidência de contribuição previdenciária sobre o pagamento in natura de auxílioalimentação, não haverá por consequência, motivos para o contribuinte ser penalizado. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 5/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 10469.720641/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO PRÉVIA
Ano-calendário: 2001, 2002
Para a caracterização de omissão de receita a partir dos valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, o titular deve ser regularmente intimado para comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ante a falta dessa
intimação, não cabe ao Fisco lançar o imposto com base na presunção legal de omissão de receitas caracterizada por "depósitos bancários de origem não comprovada".
LANÇAMENTO REFLEXO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO, PIS/FATURAMENTO E COFINS.
A tributação reflexa deve, em relação ao respectivo Auto de infração, acompanhar o entendimento adotado quanto ao principal, em virtude da íntima relação dos fatos tributados.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE — IRRF
Ano-calendário: 2001, 2002
PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO/SEM CAUSA:
Descabe o lançamento do Imposto de Renda Retido na Fonte quando não houver a prova material dos pagamentos sem causa ou de operações não comprovadas. A dúvida não pode vicejar sobre o pressuposto material da hipótese de incidência — o pagamento, a saída de numerário da empresa — sobre o qual a Fiscalização tem o ônus probandi.
Numero da decisão: 1202-000.840
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO PRÉVIA Anocalendário: 2001, 2002 Para a caracterização de omissão de receita a partir dos valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, o titular deve ser regularmente intimado para comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ante a falta dessa intimação, não cabe ao Fisco lançar o imposto com base na presunção legal de omissão de receitas caracterizada por "depósitos bancários de origem não comprovada". LANÇAMENTO REFLEXO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO, PIS/FATURAMENTO E COF1NS. A tributação reflexa deve, em relação ao respectivo Auto de infração, acompanhar o entendimento adotado quanto ao principal, em virtude da íntima relação dos fatos tributados. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE — IRRF Anocalendário: 2001, 2002 PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO/SEM CAUSA: Descabe o lançamento do Imposto de Renda Retido na Fonte quando não houver a prova material dos pagamentos sem causa ou de operações não comprovadas. A dúvida não pode vicejar sobre o pressuposto material da hipótese de incidência — o pagamento, a saída de numerário da empresa — sobre o qual a Fiscalização tem o ônus probandi. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 948DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 25 /08/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 25/08/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10469.720641/200715 Acórdão n.º 120200.840 S1C2T2 Fl. 2 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Ana Clarissa Masuko dos Santos, Viviane Vidal Wagner, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Tratase de Auto de Infração constante das fls., 03/07 dos presentes autos, e por decorrência deste os Autos de Infração de natureza reflexa constantes das folhas 11/15, 18/22, 27/31 e 37/52, todos lavrados contra a empresa já qualificada neste processo, para exigência do crédito tributário referente aos anoscalendários de 2001 e 2002. Os referidos Autos são decorrentes de fiscalização efetuada quando foi constatada omissão de receita caracterizada pela falta de comprovação de depósitos bancários conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 62/69 e Demonstrativo de créditos apurados em conta bancária às fls. 70/73. Foi verificado que a contribuinte era a titular de fato de contas correntes na Caixa Econômica Federal valendose de interposta pessoa com a finalidade de ocultar a sua movimentação financeira. Os lançamentos efetuados a débito das referidas contas correntes foram tributados na fonte como pagamentos a beneficiários não identificados/pagamentos sem causa, conforme demonstrativos de fls. 74/77. A multa aplicada foi a qualificada, e efetuada representação fiscal, por ter a autoridade fiscal entendido que a conduta da contribuinte de utilizar a figura de terceiro a fim de ocultar da Fazenda Pública a identidade do sujeito passivo referente à movimentação bancária caracteriza interposição fraudulenta. A autoridade fiscal relacionou no Auto de Infração, fl.04, como responsáveis solidários, as pessoas jurídicas Talento Construções e Serviços Ltda, HMG — Investimentos e Fl. 949DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 25 /08/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 25/08/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10469.720641/200715 Acórdão n.º 120200.840 S1C2T2 Fl. 3 3 Participações Societárias Ltda e Olimpo Recepções e Eventos Ltda, e as pessoas físicas Marino Eugenio de Almeida e Herberth Florentino Gabriel. A contribuinte, assim como todos os demais responsáveis solidários foram intimados e apresentaram suas defesas, cujos termos a seguir apontase. DA IMPUGNAÇÃO APRESENTADA PELA EMVIPOL. Alega que a autoridade fiscal não conseguiu comprovar a existência de sujeição passiva solidária e que a identificação do sujeito passivo não decorre de presunção ou ato de vontade, haja vista sua vinculação à lei, afirmando, após isto, que a fiscalização, de maneira arbitrária, a faz aqui figurar como contribuinte. Afirma que o sócio da impugnante apareceria apenas uma vez, diante de centenas de operações, como possível supridor do valor de R$45.000,00 originado da venda de um terreno pertencente a um de seus filhos, o que justificaria as transferências a favor da EMVIPOL, vinculadas ao cheque n° 00255, no montante de R$54.568,00, provavelmente a título de pagamento, daquilo que se tomou por empréstimo, não podendo ser entendido como ato de gestão. Recorre à definição de contribuinte dada pelo CTN em seu artigo 121, afirmando que a fiscalização não havia provado a relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador. Aduz que o lançamento formaliza a exigência de IRPJ, IRRF, CSLL, PIS e COFINS, em nome de pessoa jurídica completamente distinta da impugnante, quanto ao aspecto societário, econômico, contábil e fiscal. Requer a declaração de inexistência de relação jurídica obrigacional da contribuinte com os créditos tributários relativos ao presente processo. Alega, ainda, decadência em relação aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro de 2001 a agosto de 2002, por se tratar de tributos sujeitos a sistemática do lançamento por homologação de que trata o §4° do artigo 150 do CTN, afirmando restar comprovados a apuração, declaração e o recolhimento dos tributos. Segue afirmando que não há prova da ocorrência da hipótese de incidência estabelecida pelo artigo 61 da Lei n° 8981/95, uma vez que os beneficiários dos créditos listados haviam sido plenamente identificados pelo autuante, responsável por indicar a causa dos pagamentos. Alega que o referido dispositivo legal havia determinado como hipótese de incidência do IRRF o pagamento. Não tendo a fiscalização provado que os débitos sofridos pelas contas bancárias teriam natureza jurídica de pagamento e que os cheques emitidos em favor do próprio correntista não caracterizariam pagamento, e que “a infinidade de cheques levados a débito sem qualquer exame pela autoridade fiscal não pode ser considerado como pagamento a beneficiário não identificado”. Questiona o ajustamento da base de cálculo efetuado, acrescentando que “a elevada alíquota de 35% aplicada na quantificação do tributo, pode perfeitamente acomodar um ajustamento da base de cálculo para baixo”. Fl. 950DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 25 /08/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 25/08/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10469.720641/200715 Acórdão n.º 120200.840 S1C2T2 Fl. 4 4 Apresenta outros argumentos, cujo apontamento não se faz necessário e finaliza requerendo a total improcedência da ação fiscal e a desconstituição do crédito tributário decorrente em razão da inocorrência da sujeição passiva solidária, da ocorrência da decadência, da carência de prova, da inexistência de fato gerador, da ilegalidade, do "bis in iden" e do confisco. DA IMPUGNAÇÃO APRESENTADA POR HERBERTH FIORENTINO GABRIEL: O Sr. Herberth Florentino Gabriel contesta a atribuição de responsável solidário argumentando que a fiscalização não havia produzido provas suficientes. DA IMPUGNAÇÃO APRESENTADA POR HMG INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS LTDA: A impugnante apenas contesta a atribuição de sujeição passiva solidária atribuída pela fiscalização argumentando que não havia sido comprovada a sua participação pessoal e direta, estando ausente a ocorrência da situação fática que tipificaria a relação jurídica obrigacional. DA IMPUGNAÇÃO APRESENTADA POR MARINO EUGÊNIO DE ALMEIDA: O impugnante contesta a sujeição passiva solidária, afirmando inexistir prova por parte da fiscalização como também contesta a eleição pela autoridade fiscal da Emvipol como sujeito passivo afirmando não ser possível a identificação do sujeito passivo por presunção. Finaliza requerendo a declaração de inexistência de relação jurídica obrigacional do impugnante com os créditos tributários objeto do presente processo, "extinguindoos em rela DA IMPUGNAÇÃO APRESENTADA POR TALENTO CONSTRUÇÕES E SERVIÇOS LTDA: A impugnante contesta a sujeição passiva solidária lhe atribuída pela autoridade fiscal argüindo carência de prova. Finaliza requerendo a declaração de inexistência de relação jurídica obrigacional para com os créditos tributários objeto do presente processo. DA IMPUGNACÃO APRESENTADA POR OLIMPO RECEPÇÕES E EVENTOS LIDA: Argúi a impugnante decadência em relação aos fatos geradores ocorridos no período de 31 de janeiro de 2001 a 31 de agosto de 2002, por serem os tributos lançados com base no artigo 150,§4° do Código Tributário Nacional. Alega equívoco no enquadramento legal da multa aplicada, uma vez que a autoridade fiscal fundamentou a aplicação da multa no art. 44, II da Lei n° 9.430/1996, Fl. 951DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 25 /08/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 25/08/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10469.720641/200715 Acórdão n.º 120200.840 S1C2T2 Fl. 5 5 derrogado pela Lei n° 11.488/2007 que instituiu penalidade menos gravosa, requerendo a aplicação retroativa e diminuição do percentual da multa para cinquenta por cento. Contesta também a atribuição de sujeição passiva solidária por não se enquadrar nos requisitos previstos no Código Tributário Nacional, art. 124, inciso I. Finaliza requerendo a extinção do crédito tributário por decadência e erro na quantificação da multa infligida e exclusão da sujeição passiva solidária. Considerando os fatos ocorridos e tudo o mais que dos autos consta, a 3ª Turma da DRJ no Recife, proferiu decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO PRÉVIA.: Para a caracterização de omissão de receita a partir dos valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, o titular deve ser regularmente intimado para comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ante a falta dessa intimação, não cabe ao Fisco lançar o imposto com base na presunção legal de omissão de receitas caracterizada por "depósitos bancários de origem não comprovada". LANÇAMENTO REFLEXO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO, PIS/FATURAMENTO E COF1NS. A tributação reflexa deve, em relação ao respectivo Auto de infração, acompanhar o entendimento adotado quanto ao principal, em virtude da íntima relação dos fatos tributados. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE — IRRF Anocalendário: 2001, 2002 PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO/SEM CAUSA: Descabe o lançamento do Imposto de Renda Retido na Fonte quando não houver a prova material dos pagamentos sem causa ou de operações não comprovadas. A dúvida não pode vicejar sobre o pressuposto material da hipótese de incidência — o pagamento, a saída de numerário da empresa — sobre o qual a Fiscalização tem o ônus probandi. Lançamento Improcedente. A Relatora deste processo na DRJ assim se pronunciou: Fl. 952DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 25 /08/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 25/08/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10469.720641/200715 Acórdão n.º 120200.840 S1C2T2 Fl. 6 6 “QUANTO AO IRPJ: Trata o presente processo de lançamento referente a omissão de receita caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada e pagamentos sem causa/efetuados a beneficiários não identificados. A ação fiscal iniciou na pessoa física de Rosimiro de Araújo em função de movimentação bancária de contas na Caixa Econômica Federal. Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 62/69, o contribuinte, em atendimento a intimação da fiscalização, informou nunca ter possuído conta corrente ou poupança em qualquer agência bancária. A Caixa Econômica Federal foi, então, intimada a apresentar os documentos que comprovavam a movimentação e extratos das contas referentes ao Sr. Rosimiro, fls. 90/144. Após análise da documentação apresentada e realização de diligências nos beneficiários de cheques emitidos pelo Sr. Rosimiro, bem como nos emitentes de cheques depositados na referida conta, a fim de identificar os reais titulares da contacorrente em nome dele, a fiscalização concluiu que as empresas EMVIPOL, TALENTO, HMG, OLIMPO e as pessoas físicas Marino Eugênio de Almeida e Herberth Fiorentino Gabriel eram os titulares de fato, no período de 2001 a 2002, da contacorrente em nome do Sr. Rosimiro. Pelo exposto, a autoridade fiscal concluiu que todos os contribuintes acima, nos termos do art. 124,1 do Código Tributário Nacional, respondem solidariamente pelo crédito tributário apurado, elegendo a EMV1POL como único contribuinte para realizar o lançamento. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal constante do Auto de Infração, a motivação principal para sua lavratura foi a "omissão de receitas" a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, listados às fls. 70/73, anexo ao Auto de Infração. Essa presunção tem supedâneo no art. 42 da Lei n° 9.430, de 27.12.1996, cujo "caput" transcrevo: (...) De acordo com o dispositivo acima transcrito, cabe ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a cargo da contribuinte, a ocorrência de omissão de receitas. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), e, portanto, cabe ao fisco comprovar o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção. Portanto, para se proceder à presunção legal de omissão de receitas com base em depósitos bancários, é obrigatório que a fiscalização intime o sujeito passivo sobre a origem dos recursos utilizados nessas operações, o que não foi feito pela fiscalização. Fl. 953DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 25 /08/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 25/08/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10469.720641/200715 Acórdão n.º 120200.840 S1C2T2 Fl. 7 7 O que consta dos autos, é o Termo de Constatação e Intimação Fiscal de fls. 274/280, intimando a EMVIPOL a justificar a transferência bancária realizada pelo Sr. Rosimiro de Araújo (portanto, débito da contacorrente base do lançamento) e indicação da relação entre o emitente do cheque e o contribuinte juntamente com apresentação de documentos hábeis e idôneos que comprovassem a transação. Portanto, a intimação feita referese a débito da conta corrente em nome do Sr. Rosimiro e não em relação a crédito efetuado naquela conta e objeto de tributação por presunção legal de omissão de receita. Portanto, sobre os valores depositados, a fiscalização não intimou o sujeito passivo a esclarecer a sua origem. Simplesmente, procedeu à lavratura do Auto de Infração. Citese, por pertinente, o seguinte acórdão do então Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda CCMF. Número do Recurso: 156328 Data da Sessão: 23/05/2007 00:00:00 Decisão: Acórdão 10709031 Resultado: NPU NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio Ementa: (.) IRRI. OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Na falta de intimação ao sujeito passivo para a comprovação dos depósitos. Não se materializa a hipótese caracterizadora da presunção legal de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada.(Grifouse.) A presunção legal de omissão de receitas requer a observância de algumas condições que o dispositivo especifica: a regular intimação do contribuinte, a análise individualizada dos créditos/depósitos, a exclusão das transferências entre contas, a divisão das receitas entre os titulares em caso de conta conjunta. A existência de depósitos bancários não escriturados, embora não seja prova de auferição de rendimento ou receita, é um indicio da provável existência de lucro omitido à tributação.Tal indicio convertese em comprovação de renda, se o contribuinte não explica a origem da disponibilidade econômica que incontestavelmente possuiu. Assim, a prova indiciária de omissão de receitas que repousa sobre a existência de depósitos bancários não contabilizados tornase completa quando, devidamente Fl. 954DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 25 /08/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 25/08/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10469.720641/200715 Acórdão n.º 120200.840 S1C2T2 Fl. 8 8 intimada a empresa a esclarecer e comprovar a origem dos recursos que possibilitaram aqueles depósitos, esta não logra fazêlo. Nessa hipótese, é licito considerarse o montante dos depósitos e créditos apurados, devidamente deduzidos das receitas declaradas e de eventuais transferências entre contas, como receitas omitidas. No presente caso, sequer tendo sido feita a intimação, não se chegou a exigir do contribuinte que justificasse a origem dos depósitos/créditos na conta do Sr. Rosimiro, autuados como omissão da EMV1POL. Observase que o Demonstrativo de créditos apurados em conta bancária, de fls. 70/73, foi cientificado à contribuinte na mesma data do auto de infração sendo parte integrante deste. Ora, o pressuposto dessa prova indiciaria, como já se disse, é a falta de comprovação perante o Fisco da efetiva origem dos recursos ingressados em conta bancária, e não a mera existência dessa conta, não contabilizada, ainda que em montante superior às receitas declaradas. Sem a formalização da exigência para que a prova seja produzida, não há falar em falta de comprovação, nem ocorrência de prova indiciaria e, de consequência, na tipificação da hipótese de incidência de omissão de receita. É que a intimação do contribuinte para comprovar a efetiva origem dos recursos depositados em sua conta bancária é indispensável para que o Fisco possa, à falta dessa comprovação, lançar o imposto com base na prova indiciaria de omissão de receitas de "depósitos bancários de origem não comprovada". Assim, essa tributação só deve ser mantida quando o Fisco confirma ter efetuado a intimação para a empresa no sentido de que comprove e demonstre a origem dos recursos ingressados em conta bancária, e explique a razão de os depósitos bancários superarem a receita declarada. Entendo que, somente quando tomadas essas providências, fica, a autoridade fiscal, autorizada a presumir a omissão de receitas, em valor equivalente aos depósitos bancários de origem não comprovada que superem as receitas contabilizadas. Assim, somente na falta de comprovação da origem do numerário depositado, é que deve a fiscalização autuar por omissão de receita, e não antes disso. Acrescentese que o lançamento feito com base em mero indício não pode subsistir, a pretexto de que a prova poderá ser feita posteriormente, porque o descumprimento daquela exigência de provar é condição indispensável para lançar. A intimação deve ser clara e específica, isto é, deve o sujeito passivo ser intimado a comprovar a efetiva origem dos recursos depositados. Fl. 955DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 25 /08/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 25/08/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10469.720641/200715 Acórdão n.º 120200.840 S1C2T2 Fl. 9 9 Há que se ressaltar, por oportuno, que a simples eventualidade de não vir, a empresa, a comprovar ditos depósitos, quando de sua impugnação e recursos, remediando, dessa forma, a omissão fiscal, não pode ser aceita, pois estarseia, assim, admitindo a esdrúxula possibilidade de o lançamento fiscal depender, para a plena construção da prova indiciária em que se baseia, de omissões do autuado posteriores à sua lavratura. Frisese que não se está, aqui, reconhecendo nulidade ou cerceamento do direito de defesa pelo fato de a fiscalização lavrar um auto de infração após apurar um suposto ilícito, mesmo sem intimar o sujeito passivo a se manifestar a respeito. Nessa hipótese, diz a lei que só se fará a intimação caso a autoridade fiscal julgue necessário solicitar esclarecimentos do contribuinte. Ora, se a fiscalização dispõe dos elementos necessários e suficientes para a caracterização da infração e formalização do lançamento, é evidente que não há necessidade de prévia intimação para formalizálo. O que ocorre é que, no presente caso, para a própria caracterização dessa infração — de depósitos bancários de origem não comprovada — fazse imprescindível a prévia intimação visando a essa comprovação. Em outras palavras, somente se poderá ter como constatada a infração, na hipótese, se, devidamente intimado o sujeito passivo, não lograr, este, apresentar as provas requeridas. Não se trata, por outro lado, de criar uma fase prélitigiosa, mediante intimação e consequente contestação por parte do contribuinte, mas, sim, de se atender a uma exigência para que se possa, assim, lançar mão de uma prova indiciária, invertendose o ônus, originariamente da Fazenda Pública. Em síntese, não foi atendido o requisito da regular intimação ao contribuinte, não tendo sido implementadas as condições para que o Fisco possa legitimamente presumir a omissão de receitas. Portanto, falta requisito essencial à capitulação legal adotada na autuação relativa aos valores depositados em contas em nome do Sr. Rosimiro, devendo ser canceladas as exigências de IRPJ, CSLL. PIS e Cofins relativas à omissão de receitas referentes aos depósitos efetuados naquele IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS/SEM CAUSA: A incidência prevista na legislação se aplica aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou sua causa. Primeiro precisa ocorrer o pagamento que deve ser comprovado pela fiscalização e não pagamento presumido, como quer a autuação. O artigo 61 da Lei 8.981/1995 assim dispõe: Fl. 956DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 25 /08/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 25/08/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10469.720641/200715 Acórdão n.º 120200.840 S1C2T2 Fl. 10 10 (...) Em suma, a legislação acima citada estabelece a seguinte situação fática: houve pagamento, mas não se sabe a quem ou não se comprova a operação ou a sua causa. A dúvida não pode vicejar sobre o pressuposto material da hipótese de incidência — o pagamento, a saída de numerário da empresa — sobre o qual a Fiscalização tem o ônus probandi. Observase que a norma acima reproduzida estabelece 3 (três) hipóteses distintas de incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, a saber: a) Pagamentos efetuados a beneficiários não identificados quando a Pessoa Jurídica, devidamente intimada, não logra êxito em identificar para quem efetuou o pagamento, ou se o Fisco fizer prova de que o beneficiário que a Pessoa Jurídica registrou e aponta como recebedor do pagamento, de fato, nada tenha recebido. b) Pagamentos sem causa a Pessoa Jurídica não logra êxito em comprovar a efetividade da operação relacionada ao pagamento, ou se o Fisco fizer prova de sua inidoneidade, ou seja, de que a operação não se realizou. c) Concessão de benefícios indiretos de que tratam o artigo 74 da Lei 8.383/1991 se o valor correspondente ao beneficio for tratado como remuneração dos beneficiários para fins de incidência do imposto de renda. Em relação às hipóteses "a" e "b" cabe ao Fisco, antes de qualquer coisa, assegurarse de que os pagamentos foram mesmo realizados, pois o fato gerador ocorre justamente pela percepção desses rendimentos pelos beneficiários. A ocorrência do pagamento deve estar provada. Essa prova pode ser feita com a própria contabilidade da empresa. Nesse caso, se houver erro nos registros contábeis, o ônus da prova é do interessado. No que tange ao item "c", cabe ao Fisco fazer prova da ocorrência dos benefícios indiretos. Frisese: o que está se tributando, exclusivamente na fonte, são os rendimentos recebidos pelos terceiros, sócios ou pessoas não identificadas. O responsável é o sujeito passivo da obrigação tributária por ter realizado o pagamento irregular. Não se trata de tributação dos recursos utilizados nos pagamentos. No presente caso, no entanto, não se vislumbra nenhuma das três hipóteses acima apresentadas. Assim, o lançamento de "IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados / pagamentos sem causa" não é adequado, uma vez que a ocorrência do pagamento, condição necessária para tipificar a infração, não restou provada. O ônus da prova da ocorrência do pagamento é do Fisco. Fl. 957DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 25 /08/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 25/08/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10469.720641/200715 Acórdão n.º 120200.840 S1C2T2 Fl. 11 11 Deveria a Fiscalização, se ainda não dispunha de elemento seguro de prova, insistir nos esclarecimentos pretendidos, evidenciando, de forma mais contundente, o ilícito fiscal, até porque as consequências jurídicas do não atendimento à intimação fiscal não é a presunção de que os valores recebidos foram imediatamente repassados a terceiros, mas a glosa dos custos/despesas e exclusão na contabilidade dos efeitos dos lançamentos contábeis não comprovados. Fatos tributários precisam, muitas vezes, da confluência de diversos indícios para robustecer uma pretensão fiscal. A prova de que o pagamento foi efetuado é condição sine qua non para a incidência em exame. A identificação do beneficiário, a comprovação da causa ou da operação que dá suporte à saída de numerário é de responsabilidade da empresa, mas esta negou ter efetuado os pagamentos listados às fls. 74/77 e não há, nos autos, a prova de que os tenha feito. Este entendimento pode ser visto na jurisprudência (citada a titulo ilustrativo). IRF PAGAMENTO EFETUADO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO PAGAMENTO EFETUADO OU RECURSO ENTREGUE A TERCEIRO OU SÓCIO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA – Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado por pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ou, ainda, os pagamentos efetuados e os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não comprovada a operação ou a sua causa. A efetuação do pagamento é pressuposto material para a ocorrência da incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, conforme o disposto no artigo 61, da Lei n 8.981, de 1995. (Ac. 104 18803) (grifei) O lançamento deve, então, ser cancelado, diante da ausência de prova da conduta exigida na norma. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL, PIS E COFTNS Dada a intima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Ante o acima exposto, VOTO no sentido de declarar improcedente o lançamento consubstanciado nos Autos de Infração constantes do presente processo.” Importante destacar o fato de que o Julgador Eduardo Martins Neiva Monteiro, após pedido de vista, apresentou declaração de voto, acolhendo, em sua totalidade, o voto proferido pela Ilustre Relatora. Houve Recurso de Ofício. É o Relatório. Fl. 958DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 25 /08/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 25/08/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10469.720641/200715 Acórdão n.º 120200.840 S1C2T2 Fl. 12 12 Voto Conselheiro Relator Orlando José Gonçalves Bueno O Recurso de Ofício preenche todos os requisitos de admissibilidade e por esta razão dele conheço. DA PRELIMINAR Cumpre, inicialmente, destacar a existência de vício procedimental que afeta toda a fiscalização realizada. Isso porque, consoante já amplamente referido pelos julgadores da DRJ, não houve a regular citação do contribuinte. Desde logo, por ser fato de fundamental importância para a correta compreensão do caso em análise, é preciso destacar a existência da Súmula CARF Nº.: 29, cujo teor a seguir se reproduz. “Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.”. Ainda neste sentido, necessário destacar o disposto na Lei Nº. 9.430, de 1996, que em seu artigo 42 assim determina: "Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, reffidarmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: Fl. 959DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 25 /08/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 25/08/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10469.720641/200715 Acórdão n.º 120200.840 S1C2T2 Fl. 13 13 I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; 11 no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5° Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Incluído pela Lei n°10.637, de 2002) § 6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. (Incluído pela Lei n°10.637, de 2002). Consoante se verifica pelo anteriormente reproduzido, a Lei 9.430, exige expressamente que a Autoridade Fiscal, ao presumir como omissão de receita valores depositados em determinada conta bancária, proceda à prévia intimação de seu titular, para que possa, em atenção ao seu próprio interesse e com provas idôneas, demonstrar a origem dos recursos depositados. No caso presente a fiscalização deixou de atuar da maneira como lhe determinam às normas que regem a matéria. Isso porque, ao concluir que o Sr. Rosimiro não era o efetivo titular da conta mantida com a Caixa Econômica Federal, identificando como titulares de fato pela referida conta corrente as seguintes pessoas EMVIPOL EMPRESA DE VIGILÂNCIA POTIGUAR LTDA; TALENTO CONSTRUÇÕ S E SERVIÇOS LTDA; HMG INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS; OLIMPO RECEPÇÕES, EVENTOS CULTURAIS E ARTISTICOS LTDA; MARINO EUGÊNIO DE ALMEIDA E HERBERTH FLORENTINO GABRIEL, a fiscalização deveria ter citado cada uma destas pessoas para que apresentassem as justificativas concernentes à cada um dos depósitos efetuados na referida conta. Entretanto, ainda que a determinação legal seja esta a que há pouco nos referimos, a Autoridade Fiscal optou por uma intimação parcial, pois, optou por escolher alguns poucos depósitos, exigindo dos titulares de fato da referida conta explicações apenas com relação a esta “amostragem”, intuindo, à partir desta apuração parcial estender o raciocínio a todos os outros depósitos realizados no período indicado no Auto de Infração. Fl. 960DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 25 /08/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 25/08/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10469.720641/200715 Acórdão n.º 120200.840 S1C2T2 Fl. 14 14 Como bem observou o Julgador Eduardo Martins Neiva Monteiro, em seu voto declarado, ao destacar a importância do parágrafo 3º da indigitada lei, “(..) a clareza da redação não permite a interpretação a franquear uma intimação parcial, ou seja, com vistas apenas à comprovação de poucos depósitos(...)”. Ora, sendo múltiplos os titulares de fato da conta corrente movimentada, não poderia a fiscalização ter solicitado esclarecimentos à pessoas específicas sobre cheques específicos, deveria, isto sim, ter intimado todos os titulares de fato para que prestassem esclarecimentos sobre toda a movimentação realizada na conta corrente aludida. Como se verifica por todo o exposto, não pairam dúvidas quanto à ocorrência de vício procedimental insanável, visto não ter ocorrido a regular citação do contribuinte. Este fato já seria o bastante para que a decisão proferida pela DRJ merecesse prevalecer em sua totalidade, pois, deste vício decorre a ilegalidade da autuação. Entretanto, por tratarse de Recurso de Ofício, passemos à análise de matéria também enfrentada pela DRJ, postura que se adota para que a decisão a ser ao final proferida não comporte reparos. DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE – PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. A este respeito, indispensável a reprodução do comando normativo contido no artigo 61 e seu parágrafo primeiro, da Lei 8.981 de 1995. “Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto sobre a Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. §1º. A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como na hipótese de que trata o § 2° do art. 74 da Lei 8.383/91." Oportuno, mais que oportuno, é necessário destacar o fato de que a norma retro transcrita traz como premissa inicial para a sua aplicação a necessidade de existência de um pagamento. Dizer isto equivale a dizer que o pressuposto material da norma indicada é a inarredável necessidade da ocorrência de um pagamento, que deverá ser feito à pessoa não identificada. Este é o comando contido do caput do artigo 61 da indigitada lei. Pois bem, a referida norma, em seu parágrafo primeiro, traz, ainda, a previsão de outras duas situações nas quais a aplicação da referida alíquota está prevista, são elas: “aos Fl. 961DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 25 /08/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 25/08/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10469.720641/200715 Acórdão n.º 120200.840 S1C2T2 Fl. 15 15 pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa”. Como se verifica, a referida norma jurídica, traz em si um rol taxativo das situações fáticas nas quais o Imposto de Renda na fonte deverá ter alíquota de 35% que foi a empregada pela Autoridade Fiscal. O que se observa no caso presente é que a Autoridade Fiscal não logrou êxito em comprovar a existência de pagamentos. O que fez a fiscalização, isto sim, foi presumir a ocorrência dos pagamentos e à partir desta presunção aplicar a alíquota prevista na indigitada lei. Ora, se a Autoridade Fiscal, como já se disse, não comprovou a ocorrência de pagamentos, que é o pressuposto material para a aplicação da norma a que nos referimos, não poderá aplicar a norma anteriormente transcrita. Assim, as inevitáveis conclusões a que se chega são as de que não ocorreu a regular citação do contribuinte, fato que faz com que haja um vício insanável na fiscalização realizada e que, de igual maneira é indevida a manutenção da alíquota aplicada pela Autoridade Fiscal. Tais situações redundam na impossibilidade de manutenção do lançamento realizado. Diante de todos os fundamentos expostos, por tudo o mais que dos autos consta, e com fulcro na Súmula CARF Nº.: 29, acima citada, é de se negar provimento ao recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 962DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 25 /08/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 25/08/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O
score : 1.0
Numero do processo: 13706.010256/2008-95
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2003 DECADÊNCIA. TERMO INICIAL Em se tratando de exigência de multa referente a obrigação acessória, o prazo decadencial se rege pela regra do inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional. MULTA ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DIRF. O atraso na entrega da DIRF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária.
Numero da decisão: 1801-001.162
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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TERMO INICIAL Em se tratando de exigência de multa referente a obrigação acessória, o prazo decadencial se rege pela regra do inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional. MULTA ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DIRF. O atraso na entrega da DIRF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Fl. 33DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13706.010256/200895 Acórdão n.º 180101.162 S1TE01 Fl. 29 2 Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração à fl. 03, com a exigência do crédito tributário no valor de R$500,00 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 02.09.2008 da Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) do anocalendário de 2002, cujo prazo final era 28.02.2003. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: § 3º do art. 113, art. 115 e art. 160 do Código Tributário Nacional e art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002. Cientificada em 18.11.2008, fl. 08, a Recorrente apresentou a impugnação em 12.12.2008, fl. 01, alegando 1 A impugnante declara que não efetuou qualquer pagamento sujeito a retenção de Imposto de Renda na Fonte, ou mesmo valores sem retenção que fosse obrigada a apresentação da DIRF. 2 Nos termos do art. 37 da Lei 9.784/99, declara que os fatos acima narrados são comprovados na DIRPJ ano base 2002 exercício 2003, existente na própria Administração responsável pelo presente Auto de Infração. 3 A não entrega da DIRF se deu em observância do art. 1° da IN SRF n° 269, z2 de 26 de dezembro de 2002, DOU de 31.12.2002, visto não ter efetuado qualquer pagamento tipificado como de declaração obrigatória em DIRF. 4 Por absurdo, mesmo se fosse obrigatória a apresentação, o direito de lançar multa ou revisão da DIRF estaria DECADENTE, pois o AI foi notifica Impugnante em 18/11/2008, quando decorridos mais de cinco ano da data em que teria obrigação de entregar a DIRF A. repartição. 5 Pelo exposto requer a V.Sa. o cancelamento do Al por ato de inteira justiça. Termos em que P.Deferimento Está registrado como resultado do Acórdão da 9ª TURMA/DRJ/RJO I/RJP nº 1229.941, de 16.04.2010, fls. 2123: “Impugnação Improcedente”. Restou ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002 DIRF MULTA POR FALTA DE ENTREGA. Caracterizada a obrigação de apresentar a DIRF, cabível a sanção pelo seu descumprimento. Notificada em 16.06.2011, fl. 19verso, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 18.07.2011 (segundafeira), fls. 21, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Fl. 34DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13706.010256/200895 Acórdão n.º 180101.162 S1TE01 Fl. 30 3 Suscita O lançamento de Oficio padece de vicio insanável, pois foi efetuado após 5 (cinco) anos da ocorrência da obrigação formal da entrega da DIRF 2002, que se daria em fevereiro de 2003. Com o advento da SÚMULA VINCULANTE n° 8 do Egrégio Supremo Tribunal Federal a qual estão submetidos, tanto a Administração Pública quanto o Judiciário, ficou declarada DECADÊNCIA do direito da Fazenda realizar lançamentos após decorridos cinco anos da obrigação formal/tributária, in verbis: Súmula Vinculante n° 8"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Conclui Pelo exposto, requer seja acolhido o presente recurso cancelandose o débito fiscal reclamado. Nos termos do art. 37 da Lei n° 9.784/99 (Regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal) requer a juntada de cópia integral do processo administrativo e demais documentos necessários a instruir o presente recurso, existentes na Receita Federal do Brasil. "Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias." Termos em que, Pede deferimento É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. A Recorrente argui que a exigência de multa referente a obrigações acessórias foi alcançado pela decadência. Compete antes de examinar as razões da defesa, analisar a objeção de decadência por ser matéria de ordem pública que pode ser conhecida a requerimento da parte ou de ofício, a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento.Este instituto pode ser definido como a perda do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário pelo lançamento, tendo em vista decurso do lapso temporal de cinco anos previsto em lei. No Fl. 35DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13706.010256/200895 Acórdão n.º 180101.162 S1TE01 Fl. 31 4 presente caso, tratandose de exigência de multa referente a obrigação acessória, o termo de início da contagem do prazo decadencial em exame se inicia a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado1. A intimação da exigência referente à entrega da DIRF do anocalendário de 2002 foi efetivada em 18.11.2008, fl. 08, de modo que até a data de 01.01.2009 não se verificou o transcurso do prazo legal de caducidade. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. A obrigação tributária acessória decorre da legislação e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária. O Ministro de Estado da Fazenda pode instituir obrigações acessórias, cuja atribuição delegou ao RFB, relativamente a tributos federais por ele administrados, que pode estabelecer, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. O documento que formalizála, comunicando a existência de crédito tributário, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. O sujeito passivo que deixar de apresentar, dentre outras, a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), nos prazos fixados pelas normas sujeitase às seguintes multas: (a) de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento; (b) de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento; (c) de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. Para efeito de aplicação dessas multas, reputase como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. A multa mínima a ser aplicada deve ser: (a) R$200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo Simples; 1 Fundamentação legal: inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13706.010256/200895 Acórdão n.º 180101.162 S1TE01 Fl. 32 5 (b) R$500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. Para efeito de aplicação dessas multas, reputase como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. A referida multa será reduzida à metade, caso a declaração seja apresentada antes de qualquer procedimento de ofício2. Especificamente sobre o lançamento, temse que até o vencimento das notificações constantes nos Autos de Infração serão concedidas reduções de 50% para pagamento à vista ou 40% para os pedidos de parcelamento formalizados no mencionado prazo3. Em relação à DIRF, cabe esclarecer que devem apresentála, pela internet, as pessoas jurídicas, inclusive as imunes ou isentas, que tenham pago ou creditado rendimentos que sofreram retenção do imposto de renda na fonte, ainda que em um único mês do ano calendário a que se referir a declaração, por si ou como representantes de terceiros, até o último dia útil do mês de fevereiro do ano subseqüente àquele a que se referir4. Ademais, constam nos sistemas internos da RFB que houve recolhimentos no anocalendário de 2002, fls. 1112, no valor total de R$697,50, código de arrecadação nº1708 de IRRF incidente sobre a remuneração serviços prestados por pessoa jurídica. Este fato enseja a obrigatoriedade de a Recorrente apresentar a DIRF correspondente. Restou comprovado que houve atraso na entrega em 02.09.2008 da Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) do anocalendário de 2002, cujo prazo final era 28.02.2003. A proposição mencionada pela defendente, por conseguinte, não tem validade. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 2 Fundamentação legal: art. 7º e art. 8º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002. 3 Fundamentação legal: art. 6º da Lei nº 8.218. de 29 de agosto de 1991, com redação dada pelo art. 28 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. 4 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 108, de 208 de dezembro de 2001. Fl. 37DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13706.010256/200895 Acórdão n.º 180101.162 S1TE01 Fl. 33 6 Fl. 38DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13971.901603/2010-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO NO CURSO DE PROCESSO. IMPOSSIBILIDADE. Não é possível substituir o crédito originalmente compensado em declaração de compensação por outro de natureza distinta no curso do processo administrativo. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.702
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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RETIFICAÇÃO NO CURSO DE PROCESSO. IMPOSSIBILIDADE. Não é possível substituir o crédito originalmente compensado em declaração de compensação por outro de natureza distinta no curso do processo administrativo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.901603/201075 Acórdão n.º 330201.702 S3C3T2 Fl. 62 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 49 a 57) apresentado em 20 de setembro de 2011 contra o Acórdão no 0725.296, de 15 de julho de 2011, da 4ª Turma da DRJ/FNS (fls. 31 e 32), cientificado em 22 de agosto de 2011, que, relativamente a declaração de compensação de Cofins dos períodos de setembro de 2004, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. ANÁLISE DO CRÉDITO. LIMITE A análise do pedido de compensação formulado pelo contribuinte/pleiteante limitase ao escopo do que consta na DCOMP, não sendo permitido a autoridade administrativa conceder crédito diverso do pedido. Manifestação de Inconformidade Improcedente O pedido foi apresentado em 31 de maio de 2006 e inicialmente apreciado pelo despacho decisório de fl. 26. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Trata o presente processo de Declaração de Compensação – DCOMP, por meio da qual a contribuinte solicita compensação de débito próprio com crédito decorrente de valor que teria sido indevidamente recolhido via Darf. Na apreciação do pleito, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC manifestouse pela não homologação da compensação declarada com base na constatação de que o Darf discriminado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal do Brasil. Inconformada com a nãohomologação da compensação, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade na qual alega que, por engano, no preenchimento do programa PER/DCOMP informou que o crédito seria oriundo de pagamento efetuado via Darf quando na realidade este decorreria de saldo remanescente de compensação. Defende que não pode ser penalizada por erro facilmente apurado nos arquivos da RFB, pugna pelo reconhecimento do crédito, anulação do Despacho Decisório ou revisão da decisão. No recurso, a Interessada alegou que a Primeira Instância teria ignorado o fato de ter ocorrido de erro de fato, uma vez que a DCTF retificadora teria sido processada posteriormente e que teria ocorrido a homologação tácita das compensações constantes da declaração de compensação que originaria o indébito. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.901603/201075 Acórdão n.º 330201.702 S3C3T2 Fl. 63 3 Citou ementas de acórdãos do Carf e da CSRF que trataram de erros materiais e do princípio da verdade material, alegando que o Darf informado originalmente de fato não existiria, mas que retificou a DCTF em 12 de abril de 2006, que foi “acatada e processada pela RFB” e, assim, estaria homologada. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Primeiramente, devese esclarecer que de compensação a maior ou indevida não resulta indébito. Conforme definido pelo art. 165 do Código Tributário Nacional, o direito à restituição referese à extinção do crédito tributário por pagamento, conforme art. 162. Como o art. 74 da Lei n. 9.430, de 1996, somente permite a compensação de indébitos que possam ser restituídos ou ressarcidos ao contribuinte, não há previsão legal para a compensação de indébito decorrente de compensação efetuada a maior ou indevidamente, ainda que homologada tacitamente. No caso de erro na compensação, a única solução jurídica é seu desfazimento por cancelamento ou retificação, o que acarretaria eventual liberação do pagamento utilizado indevidamente na compensação do débito inexistente. Então, o indébito referirseia ao valor liberado decorrente do cancelamento ou retificação (do débito para menor) da primeira declaração de compensação, mas não seria representado pelo saldo compensado a maior da própria declaração e, sim, pelo saldo liberado do indébito original. No caso dos autos, portanto, não se trata de “erro de fato”, uma vez que a pretensão da Interessada simplesmente não tem suporte legal. Como a própria Interessada informou, a referida declaração de compensação já teria sido homologada e, portanto, todo o crédito contido nela estaria compensado com outro débito, sendo que a retificação da declaração da DCTF não resulta, como já argumentado, a criação de um indébito relativo à própria declaração de compensação. Reafirmese que, nesse caso, seria preciso retificar também a DCOMP, liberando o indébito original, que passaria a ser compensável e não o valor compensado a maior na própria DCOMP. Conforme esclarecido e analisado pela Primeira Instância, a declaração de compensação apresentada originalmente foi efetuada com um indébito inexistente, fato reconhecido pela própria Interessada. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.901603/201075 Acórdão n.º 330201.702 S3C3T2 Fl. 64 4 Somente por esse fato é que a declaração pôde ser transmitida, uma vez que, se houvesse apresentado a declaração com as informações que alega ter pretendido, depois de indeferida, fazer dela constar, não seria sequer possível transmitila sem introduzir dados incorretos. Portanto, adotando os fundamentos do acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei n. 9.784, de 1999, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 64DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 35570.001367/2007-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2301-000.235
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da SEGUNDA
SEÇÃO DE JULGAMENTO, Decisão: I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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Deve ser convertido em diligência o feito quando não foi integralmente anexado aos autos a decisão que apreciou a manifestação de inconformidade, bem como quando o recorrente junta aos autos a GFIP retificadora que, supostamente, seria o único documento que faltava para o reconhecimento do seu direto ao reembolso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, Decisão: I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Leonardo Henrique Pires Lopes Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva e Leonardo Henrique Pires Lopes. RELATÓRIO Fl. 182DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 3/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 35570.001367/200745 Resolução n.º 2301 000.235 S2C3T1 Fl. 2 2 Tratase de requerimento de reembolso de valores pagos a título de Salário Família e SalárioMaternidade aos funcionários no período de 01/05/2006 a 01/08/2006. O aludido requerimento não foi deferido pela Seção de Orientação e Análise Tributária – SAORT, pois ao analisar a dita solicitação, verificouse que a requerente apresentou GFIP com informações omissas, indispensáveis ao deferimento do próprio pagamento do SalárioMaternidade e das quotas do SalárioFamília (fls. 92/95). Entendeu a decisão recorrida que o requerente foi intimado a promover a retificação na sua GFIP, que manteve o erro na sua declaração relativo ao próprio pagamento do salário maternidade (não constou dados da empregada e remuneração paga) e às quotas do salário família. Além destes, teriam também deixado de entregar documentos solicitados pela fiscalização e essenciais ao deferimento do pedido, tais quais carteira de vacinação e freqüência escolar do filho de um dos segurados, atestado médico do motivo de afastamento da segurada que gozou do salário maternidade etc. Apresentada manifestação de inconformidade à fl. 133, o contribuinte requereu a juntada aos autos dos documentos anteriormente solicitados pela fiscalização, tendo sido mantida a decisão de improcedência pela DRJ/RJ, cuja ementa assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de Apuração: 01/05/2006 a 31/08/2006 SALÁRIO MATERNIDADE. SALÁRIO FAMÍLIA. PEDIDO DE REEMBOLSO. REQUISITOS. GFIP CORRETAMENTE PREENCHIDA. Quando o requerente é o próprio responsável pela elaboração da GFIP, o reembolso das cotas de salário família e salário maternidade fica condicionado a retificação das GFIP. Manifestação de Inconformidade improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, interpôs o contribuinte Recurso Voluntário (fl. 151) contra a decisão acima transcrita, afirmando nas suas razões recursais ser insubsistente o presente processo fiscal, juntando as GFIP retificadas, solicitadas anteriormente, único motivo que alega ter sido impeditivo do reembolso. Assim, vieram os autos a este Conselho de Contribuintes por meio de Recurso Voluntário. Sem Contrarrazões. É o relatório. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 3/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 35570.001367/200745 Resolução n.º 2301 000.235 S2C3T1 Fl. 3 3 VOTO Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo tempestivo, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Preliminarmente Da conversão em diligência Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face de decisão que julgou improcedente manifestação de inconformidade contra decisão que negou o pedido de reembolso formulado pela ora recorrente, relativo a salário maternidade e salário família. A decisão proferida em primeira instância e aquela em sede de manifestação de inconformidade narram diversos documentos que deixaram de ser apresentados pelo contribuinte, documentos estes necessários à procedência do pedido. Ocorre que, dos autos digitalizados, não se verifica a decisão recorrida na sua íntegra, pois falta a parte mais importante, qual seja, os fundamentos, a partir dos quais seriam conhecidos os motivos que ensejaram a improcedência da manifestação de inconformidade. Outrossim, a Recorrente afirma que o único motivo para o indeferimento do seu pedido de reembolso seria a retificação das GFIP`s, o que foi providenciado e juntado aos autos às fls. 140/173, já em sede de recurso voluntário. Diante da ausência da íntegra da decisão recorrida e da necessidade de apreciação das GFIP`s retificadoras, fazse mister a conversão do feito em diligência para que seja juntado aos autos todo o fundamento da instância a quo, bem como analisadas as GFIP`s de fls. 140/173 a fim de verificar se da retificação constam as informações necessárias ao deferimento do reembolso, dentre as quais os valores e identificação das seguradas beneficiadas com o salário maternidade e as quotas do salário família. Da Conclusão Diante do exposto, CONVERTO O FEITO EM DILIGÊNCIA, a fim de que se cumpra o acima narrado para, em seguida, retorno dos autos a este Conselho para apreciação e julgamento do recurso voluntário. É como voto. Sala das Sessões, em 21 de junho de 2012 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 184DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 3/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A
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Numero do processo: 13603.722832/2010-13
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
AUTUAÇÃO DE INFRAÇÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
A contestação do contribuinte deverá conter os motivos de fato e de direito em que se fundamentam, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, sob pena de não ser conhecida.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2803-002.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Junior, Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Junior, Eduardo de Oliveira.
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FATOS GERADORES Recorrente BENASSI MINAS EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 AUTUAÇÃO DE INFRAÇÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A contestação do contribuinte deverá conter os motivos de fato e de direito em que se fundamentam, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, sob pena de não ser conhecida. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Junior, Eduardo de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 28 32 /2 01 0- 13 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13603.722832/201013 Acórdão n.º 2803002.129 S2TE03 Fl. 85 2 Relatório DO LANÇAMENTO Conforme Relatório Fiscal, tratase de crédito tributário relativo à aplicação multa administrativa por infração ao art. 32A, caput, inciso I e parágrafos 2º e 3º da Lei 8.212/91, com as alterações da Lei 11.941/2009, DEBCAD 37.289.2337, pelo fato do sujeito passivo em epígrafe, nas competências janeiro a dezembro de 2007, ter informado GFIP com valores menores que os devidos e recolhidos pelo contribuinte. DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal, apresentando impugnação. A decisão de primeira instância administrativa fiscal julgou procedente o lançamento fiscal. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte foi cientificado da decisão, inconformado interpôs recurso voluntário, alegando em síntese: fornece refeições aos seus empregados, quais sejam, café, almoço e jantar, nos moldes e objetivos do PAT Programa de Alimentação do Trabalhador, não havendo incidência de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 3o da Lei 6.321/76, art. 28, § 9°, "c", da Lei 8.212/91 e art. 6o do Decreto 5, de 14 de janeiro de 1991. Tratase de isenção nos termos do art. 176 do CTN; é insustentável o lançamento fiscal, vez que tem por base unicamente a falta da remessa de formulário dirigido ao MTE, acerca da adesão da Recorrente ao PAT Programa de Alimentação do Trabalhador, no ano de 2007, como se esse mero ato fosse requisito essencial para o gozo da isenção; A jurisprudência é no sentido de que não há incidência de contribuições previdenciárias sobre alimentação fornecida “in natura”; por fim, requer a anulação do lançamento fiscal. Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual passo ao seu exame. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13603.722832/201013 Acórdão n.º 2803002.129 S2TE03 Fl. 86 3 Consta do relatório fiscal, fls. 27/33 dos autos digitalizados, em especial na planilha de cálculo as fls. 32/33, que a autuação fiscal se deu por ter o contribuinte entregue GFIP com valores inferiores aos efetivamente devidos e recolhidos pelo contribuinte, para as competências janeiro a dezembro de 2007, não sendo incluído os valores relativos a título de alimentação “in natura” pagos aos segurados empregados. A decisão recorrida, fls. 60/63 dos autos digitalizados, menciona que o contribuinte apresentou impugnação contestando a incidência de contribuições sobre a verba alimentação sem inscrição no PAT, que não foram exigidas no lançamento fiscal combatido, mas sim em outros autos (processo de 13603.722830/2010 24/DEBCAD 37.289.2310 e processo 13603.722829/201008/DEBCAD 37.289.2302), portanto, ficando prejudicada a impugnação por não ter relação com a matéria versada na autuação recorrida, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72, não conhecendo da impugnação e mantendo o crédito fiscal. São os termos da decisão de primeira instância: A impugnação foi apresentada tempestivamente. Todavia, embora presentes os pressupostos formais de admissibilidade, a impugnação não pode ser conhecida. (...) A impugnante apresentou impugnação na qual, em resumo, contesta a incidência de contribuições sobre a verba alimentação sem inscrição no PAT, as quais por não terem sido recolhidas, estão sendo exigidas nos processos de nº 13603.722830/2010 24/DEBCAD 37.289.2310, e de nº 13603.722829/201008/DEBCAD 37.289.2302. Além de não recolhidas, as contribuições sobre a comentada verba alimentação não foram informadas em GFIP, fato que ensejou a aplicação de multa por descumprimento da obrigação acessória relacionada a informação dessa verba em GFIP, multa esta que foi lançada naqueles processos de nº13603.722830/201024/DEBCAD 37.289.231 0, e de nº 13603.722829/201008/DEBCAD 37.289.2302, não neste. Conforme descrito no Relatório Fiscal da Infração, a autuação em foco foi motivada pelo fato de o Sujeito Passivo em epígrafe, nas competências janeiro a dezembro de 2007, ter entregue GFIP com valores inferiores aos efetivamente devidos e recolhidos pelo contribuinte. Logo, o interessado pautou a impugnação apresentada com argumentação diversa da que deu causa ao presente lançamento, ficando prejudicada a devida apreciação por parte desta julgadora. Assim, sob o aspecto material a impugnação não guarda qualquer pertinência com a matéria versada nestes autos, o que desrespeita o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/72. Concluise, portanto, que não há, nestes autos impugnação sob a ótica material, e nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo artigo 67 da Lei nº 9.532, de Fl. 86DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13603.722832/201013 Acórdão n.º 2803002.129 S2TE03 Fl. 87 4 1997, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação. Pelo exposto, voto pelo não conhecimento da impugnação e manutenção do crédito tributário lançado. O recurso voluntário apresentado pelo contribuinte versa sobre o mesmo assunto da impugnação, ou seja, sobre valores pagos aos segurados empregados a título da alimentação “in natura”. Tais valores não estão incluídos no lançamento fiscal que está sendo apreciado. Por não conter matéria nova trazida pelo recurso voluntário a ser analisado e o constante não versar sobre o assunto da autuação fiscal em epígrafe, o recurso está prejudicado, nos termos do art. 16, III e art. 17 do Decreto 70.235/72, assim, não conheço do recurso voluntário. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto em não conhecer do recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 87DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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