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Numero do processo: 12268.000247/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2009
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AIOP - OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL - ENQUADRAMENTO DE ACORDO COM O CUB - AFERIÇÃO INDIRETA. CRITÉRIOS SÃO ESTABELECIDOS PELO ÓRGÃO PREVIDENCIÁRIO - DESCLASSIFICAÇÃO DA CONTABILIDADE -NULIDADE - DIREITO AO CONTRADITÓRIO - NÃO ANÁLISE DOS ARGUMENTOS TRAZIDOS NA IMPUGNAÇÃO - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA
A não apreciação das alegações do recorrente, quanto a apreciação de laudos, ou mesmo guias apresentadas referentes a 11% de retenção, importa cerceamento do direito de defesa, devendo ser declarada a nulidade da decisão de 1º instância.
Decisão de Primeira Instância Anulada.
Numero da decisão: 2401-003.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2009 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AIOP - OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL - ENQUADRAMENTO DE ACORDO COM O CUB - AFERIÇÃO INDIRETA. CRITÉRIOS SÃO ESTABELECIDOS PELO ÓRGÃO PREVIDENCIÁRIO - DESCLASSIFICAÇÃO DA CONTABILIDADE -NULIDADE - DIREITO AO CONTRADITÓRIO - NÃO ANÁLISE DOS ARGUMENTOS TRAZIDOS NA IMPUGNAÇÃO - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA A não apreciação das alegações do recorrente, quanto a apreciação de laudos, ou mesmo guias apresentadas referentes a 11% de retenção, importa cerceamento do direito de defesa, devendo ser declarada a nulidade da decisão de 1º instância. Decisão de Primeira Instância Anulada.
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CRITÉRIOS SÃO ESTABELECIDOS PELO ÓRGÃO PREVIDENCIÁRIO DESCLASSIFICAÇÃO DA CONTABILIDADE NULIDADE DIREITO AO CONTRADITÓRIO NÃO ANÁLISE DOS ARGUMENTOS TRAZIDOS NA IMPUGNAÇÃO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA A não apreciação das alegações do recorrente, quanto a apreciação de laudos, ou mesmo guias apresentadas referentes a 11% de retenção, importa cerceamento do direito de defesa, devendo ser declarada a nulidade da decisão de 1º instância. Decisão de Primeira Instância Anulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 02 47 /2 00 9- 11 Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12268.000247/200911 Acórdão n.º 2401003.267 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP, lavrado sob o n. 37.214.2826, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, em virtude da utilização de mãodeobra assalariada, na edificação de obra de construção civil de responsabilidade do notificado, apurada por aferição indireta proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, com base na Lei 8.212/91, artigo 33, §§ 4o e 6o, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração, fls. 54/69. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 49 e seguintes é solidário ao sujeito passivo ora autuado a empresa Jozem Administração e Participações Ltda., que contratou a empresa BRJ Construções Civis Ltda. para executar obra de construção civil (empreitada global) do “Centro Comercial Zem”, matrícula CEI 50.018.75660/78. Consta ainda que: a) da análise da documentação apresentada a mãodeobra declarada em GFIP foi insuficiente para os serviços contratados; e b) a contabilidade da empresa não registra o movimento real da remuneração dos segurados empregados utilizados na execução da obra. Por isso, a remuneração da mãodeobra empregada foi aferida, com base na Lei 8.212/91, artigo 33, parágrafos, 3o, 4o e 6o, utilizandose os procedimentos previstos na Seção II do Capítulo IV da Instrução Normativa – IN SRP 3, de 14/7/2005. Consta que a obra de construção civil constituise de um edifício comercial, com área de 7.459 m2, foi matriculada sob o número CEI 50.018.75660/78, e executada no período de 07/2005 a 12/2006. Foi apresentado um único contrato de subempreitada para a execução da estrutura de concreto armado. O cálculo para determinação da mãodeobra arbitrada é apresentado no demonstrativo de fls. 70/71. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 06/07/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 07/07/2009. Inconformado com o AIOP, a notificada BRJ apresentou defesa, conforme fls. 139 a 159. No mesmo sentido apresentou defesa a tomadora (contratante), fls. 730 a 750, questionando, assim com a contratada que a execução do contrato, até a data de vistoria deuse de forma, parcial, perdurando em período posterior e que a responsabilidade solidária não é aplicável ao caso em questão. Foi exarada a Decisão de primeira instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 1207 a 1212. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2009 a 31/05/2009 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 O montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão deobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de construção. Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. O proprietário, o incorporador, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 1223 a 1255 por parte da empresa tomadora (responsável solidária, por tratarse de empreitada global) e recurso da construtora (contratada) fls. 1258 a 1267, onde, em síntese a recorrente alegou o seguinte: 1. Alega que foi equivocada e ilegal a desconsideração da contabilidade de empresa pelo Auditor Fiscal. Afirma ser esse procedimento extremo, inaplicável ao caso. Cita jurisprudência. 2. Argumenta que os defeitos apontados pela fiscalização baseiamse em suposições e conclusões equivocadas. Aduz que o § 6o do artigo 33 da Lei 8.212/91 não autoriza a aferição indireta quando houver mera irregularidade nos registros contábeis da empresa, mas apenas quando a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço. 3. Diz que a conclusão do fiscal desconsidera outros elementos influenciadores do efetivo dispêndio de mãodeobra, tais como o sistema construtivo, o gerenciamento eficiente, a experiência profissional e a capacidade instalada dos equipamentos. 4. Descreve o que estava previsto no contrato firmado com a Jozem, destacando que uma série de itens de acabamento não seriam executados. Entende que deve ter cometido uma falta ao nominar o contrato como sendo de “empreitada global”, quando, na verdade, foi parcial. Apenas as áreas comuns foram entregues acabadas. As lojas e salas foram entregues sem acabamentos no teto, piso e sem paredes divisórias. 5. Diz que a instalação elétrica iria apenas até um Quadro de Distribuição e sequer a parte hidráulica dos banheiros seria executada, ficando apenas os pontos de espera no local onde posteriormente seriam instalados os banheiros. Ao contrário do que supôs a Fl. 1285DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12268.000247/200911 Acórdão n.º 2401003.267 S2C4T1 Fl. 4 5 fiscalização, a obra não foi concluída em meados de 2006 e está inacabada até os dias de hoje. 6. Para provar o alegado lavrou Ata Notarial onde se materializa vistoria constatando que até a presente data existe pavimento inacabado no edifício em questão. 7. Explica o serviço elétrico realizado e o do encanador. 8. Conclui que a execução parcial da obra é um dos elementos a justificar a proporção de mãodeobra empregada. 9. Afirma que subcontratou a empresa EFG Instalações e Manutenções Elétricas Ltda. por R$ 45.000,00 para fazer as instalações elétricas e promoveu a retenção de 11% sobre o valor pago. Esse fato não foi considerado pelo Auditor Fiscal. 10. Diz que para a execução da estrutura em concreto armado subcontratou a empresa DLM Construções Ltda, no montante de R$ 215.115,00, sendo que foi utilizado concreto usinado, o que determina uma utilização menor de mãodeobra. 11. Alega que também foi terceirizado o serviço de pretensão das lajes, que foi realizado pela empresa Hayahi Tecnologia e Sistemas Ltda, tendo igualmente feito a retenção dos 11%, sendo que o fiscal não aceitou essa terceirização ao argumento de que o valor pago a empresa foi muito baixo. 12. Conclui que em relação a todas as subcontratações cumpriu com suas obrigações fiscais, pois reteve e recolheu os 11% sobre o valor das notas fiscais, sendo necessário considerar tais recolhimentos.A unidade da SRP apresentou contrarazões destacando não existirem fatos novos a serem apreciados. 13. Argumenta que foi fiscalizado pelo Ministério do Trabalho e Emprego e que não foi encontrada qualquer irregularidade. Relata que o fato de a fiscalização do MTE ter encontrado trabalhadores na obra que não constavam na GFIP daquela obra, no máximo, poderia ser caracterizado como uma falha leve da BRJ, mas nunca apenála com a desconsideração de sua contabilidade para fins de utilizar o método de aferição indireta para calcular as contribuições previdenciárias devidas. 14. Acrescenta que alguns dos materiais aplicados na obra foram faturados diretamente em favor da Jozem pelos respectivos fornecedores. 15. Aduz que a adoção de técnicas como utilização de lajes protendidas e concreto usinado exige menor volume de mãodeobra, fato que deve ser levado em consideração. O mesmo se aplica para a instalação de esquadrias metálicas e portas. 16. Alega que foram realizados serviços complementares, pois na primeira etapa da obra não incluía os acabamentos das lojas do piso térreo e das salas dos pavimentos superiores. Após a conclusão da primeira etapa da obra, à medida que a empresa Jozem locava os espaços, a BRJ foi novamente contratada para realizar os serviços de acabamento, inclusive, em algumas unidades, realizou serviços diretamente aos locatários. Nesta época, já havia sido dado baixa na matrícula CEI da obra, razão pela qual não havia GFIPs específicas da obra em relação a tais serviços complementares. Não obstante, toda a mãodeobra alocada para execução desses serviços foi de empregados registrados na Fl. 1286DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 BRJ, tendo inclusive os contratantes promovido a retenção de 11% relativo ao pagamento pelos serviços, e todos os funcionários utilizados na execução desses serviços constaram de GFIPs que contamplavam também pessoas alocadas em outras obras em situação semelhante. 17. Afirma que não há como considerar que a obra foi concluída anteriormente a estes serviços complementares e imprimir cobrança de eventuais diferenças de recolhimento por força de aplicação da aferição indireta. Da mesma forma não podem ser desconsiderados os recolhimentos feitos em período posterior. 18. Insurgese contra a utilização do CUB como parâmetro para a autuação, pois a obra foi parcialmente executada e o CUB contempla o custo total da obra por metro quadrado. 19. Requer seja julgado insubsistente o auto de infração e a juntada de novos documentos, depoimentos testemunhais e prova pericial. 20. O responsável solidário apresentou defesa às fls. 742/762, que contém, em síntese: 21. Não concorda com a desconsideração da contabilidade da autuada. 22. Reafirma o argumento da autuada de que a obra foi entregue inacabada e diz que as particularidades da forma de execução dos serviços deveriam ter sido observadas pelo fiscal. 23. Argumenta que a verificação da insuficiência da mãodeobra deveria ter levado em consideração o fato do empreendimento não ter sido concluído em 06/2006, e deveriam ser computadas as remunerações declaradas para os períodos subsequentes. 24. Alega que o lançamento é nulo porque a fiscalização considerou como competência do fato gerador o mês de 05/2009, mas as obrigações foram devidas no curso da Argumenta que foi fiscalizado pelo Ministério do Trabalho e Emprego e que não foi encontrada qualquer irregularidade. Relata que o fato de a fiscalização do MTE ter encontrado trabalhadores na obra que não constavam na GFIP daquela obra, no máximo, poderia ser caracterizado como uma falha leve da BRJ, mas nunca apenála com a desconsideração de sua contabilidade para fins de utilizar o método de aferição indireta para calcular as contribuições previdenciárias devidas. 25. Acrescenta que alguns dos materiais aplicados na obra foram faturados diretamente em favor da Jozem pelos respectivos fornecedores. 26. Aduz que a adoção de técnicas como utilização de lajes protendidas e concreto usinado exige menor volume de mãodeobra, fato que deve ser levado em consideração. O mesmo se aplica para a instalação de esquadrias metálicas e portas. 27. Alega que foram realizados serviços complementares, pois na primeira etapa da obra não incluía os acabamentos das lojas do piso térreo e das salas dos pavimentos superiores. Após a conclusão da primeira etapa da obra, à medida que a empresa Jozem locava os espaços, a BRJ foi novamente contratada para realizar os serviços de acabamento, inclusive, em algumas unidades, realizou serviços diretamente aos locatários. Nesta época, já havia sido dado baixa na matrícula CEI da obra, razão pela qual não havia GFIPs específicas da obra em relação a tais serviços complementares. Não obstante, toda a mãodeobra alocada para execução desses serviços foi de empregados registrados na BRJ, tendo inclusive os contratantes promovido a retenção de 11% relativo ao pagamento pelos serviços, e todos os funcionários utilizados na execução desses serviços constaram Fl. 1287DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12268.000247/200911 Acórdão n.º 2401003.267 S2C4T1 Fl. 5 7 de GFIPs que contamplavam também pessoas alocadas em outras obras em situação semelhante. 28. Afirma que não há como considerar que a obra foi concluída anteriormente a estes serviços complementares e imprimir cobrança de eventuais diferenças de recolhimento por força de aplicação da aferição indireta. Da mesma forma não podem ser desconsiderados os recolhimentos feitos em período posterior. 29. Insurgese contra a utilização do CUB como parâmetro para a autuação, pois a obra foi parcialmente executada e o CUB contempla o custo total da obra por metro quadrado. 30. Requer seja julgado insubsistente o auto de infração e a juntada de novos documentos, depoimentos testemunhais e prova pericial. 31. O responsável solidário apresentou defesa às fls. 742/762, que contém, em síntese: 32. Não concorda com a desconsideração da contabilidade da autuada. 33. Reafirma o argumento da autuada de que a obra foi entregue inacabada e diz que as particularidades da forma de execução dos serviços deveriam ter sido observadas pelo fiscal. 34. Argumenta que a verificação da insuficiência da mãodeobra deveria ter levado em consideração o fato do empreendimento não ter sido concluído em 06/2006, e deveriam ser computadas as remunerações declaradas para os períodos subsequentes. 35. Alega que o lançamento é nulo porque a fiscalização considerou como competência do fato gerador o mês de 05/2009, mas as obrigações foram devidas no curso da Também não concorda com a multa imposta no percentual de 75%, aplicada de acordo com a legislação atualmente em vigor, quando o correto seria fazêlo na forma definida pela legislação aplicável à época de ocorrência O processo foi encaminhado ao CARF para julgamento É o relatório. Fl. 1288DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 93. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Quanto ao mérito o cerne da discussão do recorrente repousa na desconsideração da contabilidade e no fato de ao ser utilizado o Aviso de Regularização de Obra. e com conseqüente utilização do valor da mão de obra descrito pelo SINDUSCON, obtevese um valor muito superior de mão de obra do que a empregada nas obras. Destaca o recorrente que a execução da obra deuse de forma parcial, tendo sido constatado por meio de laudo de vistoria, referida parcialidade e mais que o contrato, tipo nominalmente por empreitada global, na verdade deuse de forma parcial sem diversos acabamentos, muito menos serviços elétricos e hidráulicos foram realizados em sua totalidade, razão pela qual a mão de obra durante a obra nessas atividades foi mais baixa do que os padrões normais de edificação. Já o responsável solidária, além de lançar mão dos mesmos argumentos, quanto aos serviços executados, questiona a responsabilidade solidária que lhe foi atribuída, sem que se esgotasse a cobrança por parte da construtora, Frente aos diversos argumentos lançados pelo recorrente e pelo julgador de primeira instância entendo que a decisão recorrida não enfrentou os argumentos trazidos pelos impugnantes, de forma, que frente aos fatos ali rebatidos pudéssemos enfrentar de forma imparcial a questão. Cito trecho do recurso do recorrente, fls. 1265: O laudo de vistoria e a ata notarial descrevem os trabalhos desempenhados pela recorrente no que concerne a realização da obra, em que as áreas individuais do empreendimento foram entregues apenas com o contrapiso executado, sem paredes divisórias internas, inclusive dos banheiros que contavam apenas com as esperas para bacias sanitárias, pias etc. inexistia forro, inexistia pintura, piso, sendo que as unidades individualizadas foram entregues pendentes de diversos acabamentos para serem finalizados pela Josem. (...) Justificase dessa forma, a mão de obra constante das GFIPs e indicada pelo recorrente em sua escrituração contábil, haja vista que não foi responsável pela totalidade da obra, mas sim, pela sua parcialidade. (...) A empresa comprovou a realização parcial da obra, a terceirização de diversos serviços, conforme narrado (instalações elétricas, esquadrias, colocação de concreto Fl. 1289DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12268.000247/200911 Acórdão n.º 2401003.267 S2C4T1 Fl. 6 9 armado, protensão de lajes dentre outros) bem como que para o trabalho desempenhado – execução parcial – não seriam necessários mais funcionários que s contratados e que efetivamente laboraram no local. O nível de acabamento que se vê das fotos integrantes da ata notarial e do laudo de vistoria espelham o que de fato foi executado em cada um dos pavimentos relativamente à primeira etapa das obras, findada em junho 2006, em relação a qual se obteve a matrícula CEI específica e que é objeto do presente AI. Necessário esclarecer acerca do concreto usinado que toda a concretagem terceirizada, sendo que as formas, armaduras e o lançamento do concreto foram realizado pela subcontratada DLM Construções Ltda, fato comprovado pela apresentação do respectivo contrato, acostado a impugnação, o que evidencia a menor necessidade de mão de obra própria da BRJ durante a obra Curioso, ainda que muito embora, todos esses argumentos relativos à terceirização de etapas da obra (concretagem, esquadrias, instalações elétricas, laje protendida dentre outros) tenham sido lançados pela BRJ, não houve manifestação acerca dessa particularidade no acordão, reconhecendo apenas, cegamente, que a obra foi concluída em junho de 2006 pela recorrente em sua totalidade. (...) O acordão declara que a retenção de 11% realizada referente às subempreiteiras contratadas sobre o valor da nota fiscal não altera o lançamento, sendo que apenas poderia ser considerada a mão de obra empregada se houvessem sido emitidas GFIPs específicas com vinculação inequívoca à obra. Todavia, não procede, data vênia, o arrazoado eis que as GFIPs apresentadas eram sim específicas, consoante se comprovou no documento 15 anexado à impugnação, razão pela qual a retenção realizada a razão de 11% não pode deixar de ser considerada na hipótese de manutenção do auto de infração. Considerando todos esses argumentos trazidos pelo recorrente, necessário apreciar o enfrentamento da questão pela autoridade julgadora, tendo em vista que o próprio recorrente alega a superficialidade das alegações. Ressaltese que o Termo de Intimação lavrado por Auditor Fiscal do Trabalho, onde constou que existiam na obra 27 trabalhadores na competência 08/05, diverge das GFIPs apresentadas, onde constam 17 trabalhadores. Tal fato foi reconhecido pela autuada em sua defesa ao dizer que “o fato de a fiscalização do MTE ter encontrado trabalhadores na obra que não constavam na GFIP daquela obra, no máximo, poderia ser caracterizado como uma falha leve da BRJ”. Portanto, inegável a utilização de mãodeobra não declarada e que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados utilizados na execução da obra. Constatouse também a falta de lançamento de pagamento de remuneração a profissionais utilizados nos serviços que demandem mãodeobra especializada, tais como instalador hidráulico, eletricista e vidraceiro. Fl. 1290DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Observouse o indício da impossibilidade de execução da obra, tendo em vista o número de segurados constantes em GFIP ou em folhas de pagamento específicas para a obra, referentes à mãodeobra própria ou à terceirizada. A IN SRP 03/05, vigente à época do lançamento, dispõe que: Art. 435. Para a apuração do valor da mãodeobra empregada na execução de obra de construção civil, em se tratando de edificação, serão utilizadas as tabelas do Custo Unitário Básico CUB, divulgadas mensalmente na Internet ou na imprensa de circulação regular, pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil SINDUSCON. [...]§ 2º Serão utilizadas as tabelas do CUB publicadas no mês da emissão do ARO referente ao CUB obtido para o mês anterior. § 3º Em relação à obra de construção civil, consideramse devidas as contribuições indiretamente aferidas e exigidas: [...]III em qualquer competência no prazo de vigência do Mandado de Procedimento Fiscal, quando a apuração se der em AuditoriaFiscal de obra para a qual não houve a emissão do ARO. Art. 443. A Remuneração da Mãodeobra Total RMT despendida na obra será calculada mediante a aplicação dos percentuais abaixo definidos na proporção 10 do escalonamento por área, sobre o CGO obtido na forma do art. 442, e somando os resultados obtidos em cada etapa: I nos primeiros 100 m2, será aplicado o percentual de quatro por cento para a obra tipo 11 (alvenaria) e dois por cento para a obra tipo 12 (madeira/mista); II acima de 100 m2 e até 200 m2, será aplicado o percentual de oito por cento para a obra tipo 11 (alvenaria) e cinco por cento para a obra tipo 12 (madeira/mista); III acima de 200 m2 e até 300 m2, será aplicado o percentual de quatorze por cento para a obra tipo 11 (alvenaria) e onze por cento para a obra tipo 12 (madeira/mista); IV acima de 300 m2, será aplicado o percentual de vinte por cento para a obra tipo 11 (alvenaria) e quinze por cento para a obra tipo 12 (madeira/mista). Art. 445. Caso haja recolhimento de contribuição relativa à obra, a remuneração correspondente a este recolhimento será atualizada até a data de emissão do ARO com aplicação das taxas de juros previstas no caput e na alínea "b" do inciso II, todos do art. 495, e deduzida da RMT, apurada na forma do art. 443 Art. 446. A remuneração relativa à mãodeobra própria, inclusive ao décimoterceiro salário, cujas correspondentes contribuições foram recolhidas com vinculação inequívoca à obra, será convertida em área regularizada, na forma prevista no art. 445, considerandose: (grifo nosso) Fl. 1291DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12268.000247/200911 Acórdão n.º 2401003.267 S2C4T1 Fl. 7 11 Art. 448. Será, ainda, aproveitada para fins de dedução da RMT, a remuneração: [...]III correspondente a cinco por cento do valor da nota fiscal ou fatura de aquisição de concreto usinado, de massa asfáltica ou de argamassa usinada, utilizados inequivocamente na obra, independentemente de apresentação do comprovante de recolhimento das contribuições sociais. Art. 451. A remuneração apurada de acordo com os arts. 446 a 448, será deduzida da RMT, definida no art. 443, e, havendo diferença, sobre ela serão exigidas as contribuições sociais previdenciárias e as destinadas a outras entidades ou fundos, observado o disposto no art. 452. Art. 453. Não se aplica o disposto nesta Seção à remuneração paga, devida ou creditada aos segurados nãovinculados à obra ou cuja função não integre o cálculo do CUB, ainda que conste de GFIP referente à obra. Sendo assim, o auditor fiscal autuante, calculou a mãodeobra a regularizar de acordo com os fatos narrados e o comando da IN SRP 03/05, vigente à época do lançamento. As empresas insistem na tese de que a obra foi parcial, entretanto, consta nos autos atestado de conclusão fornecido pela Prefeitura Municipal de Pinhais, informando que a obra encontrase concluída. Além disso, não foi apresentada Anotação de Responsabilidade Técnica – ART indicando o percentual da obra que foi concluído, o que autorizaria a aferição por obra inacabada. Portanto, correto o procedimento fiscal. Quanto às subempreiteiras contratadas, o fato de ter sido promovida a retenção de 11% sobre o valor da nota fiscal não tem o condão de alterar o lançamento. Apenas poderia ser considerada a mãodeobra empregada caso as contratadas tivessem emitido GFIPs específicas, com vinculação inequívoca à obra. O mesmo raciocínio se aplica para a mãode obra contratada no período posterior a 06/06, pois referida mãode obra não foi declarada em GFIPs específicas, com vinculação inequívoca a obra. O uso do concreto usinado foi considerado pela fiscalização. Portanto, conforme devidamente explicado no Relatório Fiscal e na Informação Fiscal, por haver inegável utilização de mãode obra não declarada e que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados utilizados na execução da obra, correto o lançamento apurado por aferição indireta. A responsabilidade solidária ora verificada decorre do contrato de empreitada total, e tem como subsídio legal o CTN, art. 124, incisos I e II, e a Lei 8.212/91, art. 30, inciso VI, sendo descabido o argumento da responsável solidária (Jozem) de que Fl. 1292DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 deve ser esgotada a cobrança em face da construtora, pois não se aplica ao caso o benefício de ordem. A multa cobrada no presente AI possui o devido respaldo legal e é de caráter irrelevável. O procedimento adotado pela fiscalização está de acordo com a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 4/12/09, que dispõe sobre a aplicação de multa após a MP nº 449/08, convertida na Lei nº 11.941/09. Diante das alterações da legislação previdenciária, nos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 14, de 4/12/09, o valor da multa aplicada deverá ser verificado e revisto, se for o caso, por ocasião do pagamento. Analisando a decisão proferida, observase realmente a falta do julgador, posto que mesmo não refutou os argumentos trazidos pelo recorrente em relação aos laudos apresentados, que determinam a suposta parcialidade da execução, nem tampouco a questão que alega o recorrente existirem GFIPs específicas. Ora, embora entenda que nem sempre se faz necessário apreciar ponto a ponto trazido na peça impugnatória ou recursal, compete a autoridade fiscal, no mínimo afastar em conjunto as alegações. Contudo, no presente caso, não identifico a análise pontual da questão dos laudos apresentados (que concluíram a parcial conclusão da obra, nem tampouco a questão das retenções apresentadas com GFIP específica, ou mesmo as alegações tanto do contrantante, como do contratado de que após a competência descrita no lançamento, continuaram sendo executadas obras por meio de contratação de terceiros que não foram consideradas na base de cálculo, questões no entender dessa relatora imprescindíveis a verificação da mão de obra empregada e que afetam diretamente a insuficiência de mão de obra declarada que consubstanciou o lançamento. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por ANULAR A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 1293DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002790/2004-28
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999
Ementa:
IPI DECADÊNCIA RECOLHIMENTOS ART. 62-A RICARF. Na constância de recolhimentos, mesmo que intempestivos, de ser adotado o art.
150,§ 4º do CTN.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 9303-002.442
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva
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VICENTIN REPRESENTAÇÃO COMERCIAL LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 Ementa: IPI DECADÊNCIA RECOLHIMENTOS ART. 62A RICARF. Na constância de recolhimentos, mesmo que intempestivos, de ser adotado o art. 150,§ 4º do CTN. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (substituto convocado), Rodrigo da Costa Possas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Tereza Martinez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Relatório Nas fls. 1.214/1.221 a Fazenda Nacional interpõe Recurso Especial admitido pelo Despacho de fls. 1.232/1.233, contra o Acórdão nº 20313149 exarado pela Terceira Câmara do Segundo Conselho de então nos seguintes termos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuraçã o: 01/01/1999 a 31/12/1999 IPI DECADENCIA. Se aceita a legitimidade das operações realizadas pela contribuinte, pois que não evidenciada a infração qualificada, o lançamento é considerado homologado, na forma do disposto no art. 150, § 4, primeira parte, do CTN. TRIBUTO RECOLHIDO A DESTEMPO E EM CONTRARIEDADE À LEI. Para o período remanescente deve ser mantida a decisão recorrida, uma vez que a contribuinte não observou a determinação legal quanto ao prazo para recolhimento da exação. Recurso provido em parte. O insurgimento, basicamente, diz respeito a inconformidade com o acolhimento da decadência dos períodos anteriores a 29.11.2004 (inclusive), referente ao IPI, com fundamento no art. 150, § 4º do CTN. O Recurso transcreve na fl. 1.215, certamente por equívoco, ementa de julgado que não corresponde ao deste processo. Discorre sobre a não ocorrência de homologação no caso presente, posto que não houve antecipação quanto ao pagamento do tributo e, assim sendo a aplicação do art. 173, I do CTN é a que se adequa ao caso presente. É o relatório. Fl. 1444DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 19515.002790/200428 Acórdão n.º 9303002.442 CSRFT3 Fl. 1.290 3 Voto Conselheiro FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA O Recurso preenche condições de admissibilidade dele tomo conhecimento. O tema é por demais conhecido deste Colegiado e, sem dúvidas a ocorrência de recolhimento materializouse mesmo que a destempo, assim, de ser aplicado o art. 150, parágrafo 4º do Código Tributário Nacional. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso interposto pela Fazenda Nacional. Sala das Sessões, 08 de outubro de 2013 FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Relator Fl. 1445DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 18471.000869/2008-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/07/2007
RECURSO INTEMPESTIVO
Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n(8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1( do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.(3048/99.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-002.914
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso voluntário pela intempestividade, na forma do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Leo Meirelles do Amaral, Bianca Delgado Pinheiro.
Ausência momentânea: Leo Meirelles do Amaral
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2005 a 31/07/2007 RECURSO INTEMPESTIVO Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n(8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1( do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.(3048/99. Recurso Voluntário Não Conhecido
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Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso voluntário pela intempestividade, na forma do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Leo Meirelles do Amaral, Bianca Delgado Pinheiro. Ausência momentânea: Leo Meirelles do Amaral AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 08 69 /2 00 8- 39 Fl. 1602DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório Trata o presente de Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, DEBCAD 37.106.8436, lavrado em 11/06/2008 e cientificado ao sujeito passivo, através de Registro Postal em 13/06/2008, referente às contribuições arrecadadas para as Terceiras Entidades, nas competências de 08/2005 a 07/2007. Após a impugnação, Resolução da DRJ, às fls.73/75, converteu o julgamento em diligência para esclarecimentos do Fisco acerca da existência de parcelamento que abarcasse as contribuições ora lançadas e para confecção de relatório complementar para identificar as verbas lançadas. Às fls. 80/81, foi elaborado o Relatório Aditivo e informado que não havia parcelamento constituído. O contribuinte foi intimado do resultado da diligência e se manifestou. Após, os autos baixaram novamente em diligência, ainda para esclarecimentos quanto à existência de parcelamento. Novamente o contribuinte foi cientificado do resultado e se manifestou. Acórdão de fls. 1543/1551, pugnou pela procedência do lançamento. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alegou em apertada síntese: a) que as rubricas lançadas relativas às terceiras entidades são ilegais, sendo anuladas na primeira instância, o que torna a autuação inconsistente; b) que a ausência de minucioso exame documental acarretou cerceamento do direito de defesa; c) que a não apreciação criteriosa das provas disponibilizadas comprometeu a busca da verdade material; d) que a base de cálculo das contribuições somente pode ser composta por verbas que retribuam o trabalho; e) que a verba referente ao auxíliodoença tem caráter indenizatório, assim como o adicional de férias e de horaextra; f) que é indevida a contribuição sobre o salário maternidade; g) que não incide contribuição social sobre o auxíliocreche, nem sobre o auxílioacidente, tampouco sobre o aviso prévio indenizado; Fl. 1603DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18471.000869/200839 Acórdão n.º 2302002.914 S2C3T2 Fl. 1.603 3 h) que o fornecimento de valerefeição não caracteriza base de cálculo de contribuição previdenciária; i) que o valetransporte pago em dinheiro também não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. Requer o recebimento do recurso e a anulação do lançamento em questão. Apenas para constar, informo que compulsando estes autos e os do Processo 18471.000866/200803 do mesmo contribuinte, é de se ver que houve troca de algumas peças processuais. Neste processo, 18471000869/200839, referente ao DEBCAD 37.106.8436, que trata do débito de terceiros, foi anexado o Relatório Fiscal – REFISC do DEBCAD 37.106.8428, relativo à contribuição dos segurados empregados, sendo que o Acórdão de primeira instância seguiu o que constava do Relatório Fiscal. Todavia, tal fato não comprometeria o julgamento, já que é de fácil identificação o mero equívoco e que também não prejudicou o contribuinte , que foi cientificado de todos os fatos ocorridos no trâmite processual, manifestandose regularmente. É o relatório. Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Da Admissibilidade O recurso é INTEMPESTIVO, razão pela qual dele não se deve tomar conhecimento. Cientificado o sujeito passivo do Acórdão de fls. 1543/1551, em 28/11/2012, fls.1553, o prazo para interposição de recurso, que é de 30 (trinta) dias, conforme o art. 126, caput, da Lei n.º 8.213/91, combinado com o art. 305, § 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, iniciou em 29/11/2012, fruindo até 28/12/2012. Entretanto, o recurso foi interposto apenas em 18/01/2013, conforme documento de fl. 1558 e 1597, configurandose, portanto, sua intempestividade. Lei n° 8213/91 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) Regulamento da Previdência Social/ Decreto n° 3.048/99 Art.305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria da Receita Previdenciária nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social, respectivamente, caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento do CRPS. (Alterado pelo Decreto nº 6.032 de 1º/2/2007 DOU DE 2/2/2007) § 1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) Pelo exposto, considerando que a recorrente não argúi a tempestividade, na peça recursal e considerando o artigo 35, do Decreto n°70.235/72, que dispõe: “Art. 35. O recurso , mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.” Voto por não conhecer o recurso, por falta de requisito para sua admissibilidade, mantendo a decisão de primeira instância proferida. Fl. 1605DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18471.000869/200839 Acórdão n.º 2302002.914 S2C3T2 Fl. 1.604 5 Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 1606DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10410.901027/2009-90
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO.
A certeza e a liquidez do crédito são indispensáveis para a efetivação da compensação autorizada por lei. Ausentes estes requisitos, mantém-se a negativa em relação à compensação.
Numero da decisão: 1802-001.908
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. A certeza e a liquidez do crédito são indispensáveis para a efetivação da compensação autorizada por lei. Ausentes estes requisitos, mantémse a negativa em relação à compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 90 10 27 /2 00 9- 90 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10410.901027/200990 Acórdão n.º 1802001.908 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1135.427, às fls. 24 a 26: A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação — DCOMP de fls. 16/20, por meio da qual compensou crédito do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ com débito de sua responsabilidade. O crédito informado, no valor de R$ 853,14, seria decorrente de pagamento indevido ou a maior do imposto apurado por estimativa em fevereiro de 2001. 2. Através do despacho de fl. 08, emitido eletronicamente, a Delegacia da Receita Federal — DRF em Maceió identificou integral utilização anterior do pagamento para quitação de débito do IRPJ, em face do que não homologou a compensação declarada. 3. A interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 01/02), afirmando que, em janeiro de 2001, pagou IRPJ no valor de R$ 853,14, apurado através de balanço mensal de redução. Alega que o valor foi recolhido indevidamente, pois teria encerrado o exercício com prejuízo. Pretende, assim, compensar o crédito com débito de estimativa apurado em exercício posterior. Sustenta desconhecer quais débitos motivaram a não homologação da compensação, requerendo que lhe sejam informadas a espécie e a competência do débito que foi alocado ao crédito por ela declarado. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10410.901027/200990 Acórdão n.º 1802001.908 S1TE02 Fl. 4 3 Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 31/08/2012 (sextafeira), a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 02/10/2012, com os argumentos descritos abaixo: DOS FATOS o contribuinte efetuou indevidamente em março de 2001, pagamento de DARF no valor de R$ 853,14, relativo ao IRPJ apurado involuntariamente por Estimativa Mensal em fevereiro de 2001, quando o seu Balancete de Suspensão do período apresentava saldo negativo da base de cálculo do Imposto de Renda, conforme demonstrado às Fichas1 e 3, Fichas11 Fls. 7,8,9 e 10, e ficha12A Fls. 11 de sua DIPJ/2002 (em anexo); por entender que o imposto era devido, declarou desnecessariamente em DCTF, motivo pelo qual o pagamento foi reconhecido como integralmente vinculado ao suposto débito pela DRF/Maceió; como o imposto declarado foi pago indevidamente, representando crédito fiscal em favor do contribuinte, este por sua vez apresentou Declaração de Compensação DCOMP para compensar débito do IRPJ apurado por estimativa mensal em fevereiro de 2004, e involuntariamente no preenchimento do referido Pedido de Compensação, no campo "TIPO DE CRÉDITO" selecionou a opção "PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR" em lugar de "SALDO NEGATIVO DE IRPJ"; DO ESCLARECIMENTO o contribuinte reconhece que cometeu erro ao pagar em março de 2001, o IRPJ apurado aleatoriamente no mês de fevereiro quando o seu Balanço de Suspensão/Redução apresentava Saldo negativo; reconhece também que cometeu erro por declarar em DCTF o imposto pago, que não era devido; reconhece por fim ter cometido erro de digitação no momento da seleção da opção no campo "TIPO DE CRÉDITO" da DCOMP; DO DIREITO o contribuinte é optante do referido pagamento mensal previsto na Lei 9.430/1996, o qual utiliza uma base de calculo estimada, sendo devido o imposto sempre que o contribuinte gere receita. Porém, nos meses em que se pleiteia tal restituição, o contribuinte apresentou saldo fiscal negativo, desobrigandose, de acordo com os dispositivos legais, do pagamento do imposto; Fl. 51DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10410.901027/200990 Acórdão n.º 1802001.908 S1TE02 Fl. 5 4 logo, se o contribuinte não possui saldo positivo na apuração da receita bruta mensal, concluise pela desnecessidade de pagamento de tributo; DA OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS – DCTF em virtude da obrigatoriedade de apresentação de DCTF, o contribuinte declarou a existência do imposto equivocadamente, o qual foi pago, consolidando o imposto, pago indevidamente, ao débito declarado; ressaltase que a DCTF vinculou o valor pago indevidamente ao débito presumido, como se confissão fosse, efetivando um equívoco inicial e retirando do contribuinte um credito que é seu por direito, suprimindoo ao pagamento de um imposto que não existiu; DO RESPALDO NA LEI N° 8.383/1991 E NO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL o simples fato de a DCTF ter vinculado os valores pagos equivocadamente a um tributo que não se devia, não faz nascer para a Fazenda Pública a garantia de permanecer com tais valores, consolidar o débito indevido e permanecer com tal decisão, denegando ao contribuinte o direito ao crédito compensatório; é tão verdade o direito do contribuinte que em decisão a um recurso voluntário interposto em caso similar ao caso em tela, a Seção do Conselho Administrativo De Recursos Fiscais do Distrito Federal, em julgado anterior, julgou procedente o referido recurso, confirmando o direito do contribuinte em reaver os valores efetuados de forma indevida, gerado em virtude de erro no preenchimento da DCTF; DA OFENSA AO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA VERDADE MATERIAL de acordo com o princípio constitucional da verdade material ou real, a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Para tanto, tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos; diante do exposto, mostrase ofendido tal princípio, tendo em vista que a documentação anexada ao pedido de inconformidade faz meio de prova material, tido como lícito e capaz de instruir o processo e levar o órgão decisório a têlo como base para seu referido acórdão; A CONCLUSÃO à vista de todo o exposto, demonstrada a improcedência da decisão recorrida, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Este é o Relatório. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10410.901027/200990 Acórdão n.º 1802001.908 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada em 20/12/2005 (fls. 18 a 22), na qual utiliza parte de um alegado crédito decorrente de “pagamento indevido” a título de estimativa de IRPJ referente ao mês de fevereiro de 2001. O DARF gerador do crédito foi recolhido em 27/03/2001 e possui o valor de R$ 853,14. A compensação abrange débito de estimativa de IRPJ referente ao mês de fevereiro de 2004. A negativa da Delegacia de origem se deu pelo argumento de que o referido pagamento de R$ 853,14 já havia sido integralmente utilizado para a quitação de débito da Contribuinte (declarado em DCTF), conforme consta do Despacho Decisório de fls. 10. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, informando que a referida estimativa havia sido recolhida indevidamente, porque teria encerrado o exercício com prejuízo. Sustentou ainda que desconhecia os débitos que motivaram a não homologação da compensação, solicitando que lhe fosse informado a espécie e a competência do débito que foi alocado ao crédito pleiteado. Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ) manteve a negativa em relação à compensação, considerando que não estavam presentes os requisitos de certeza e liquidez para o reconhecimento do direito creditório, nos seguintes termos: [...] 5. Como se observa nos autos, a interessada efetuou, em março de 2001, pagamento de DARF no valor de R$ 853,14, relativo ao IRPJ apurado por estimativa em fevereiro de 2001. Por entender indevido ou a maior o pagamento, transmitiu a declaração ora em exame, por via da qual utilizou o suposto crédito para compensar débito do IRPJ apurado por estimativa em fevereiro de 2004. 6. A DRF/Maceió constatou a existência do pagamento, todavia observou que o recolhimento fora integralmente vinculado ao próprio débito do IRPJ apurado por estimativa em fevereiro de 2001, que, conforme declarado em DCTF, importou em R$ 853,14, o exato valor do pagamento efetuado pela empresa. Ressaltese que o referido débito está claramente indicado no despacho decisório, nele constando o valor, o código de receita e o período de apuração. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10410.901027/200990 Acórdão n.º 1802001.908 S1TE02 Fl. 7 6 7. Em consulta ao banco de dados da Receita Federal, verifiquei que a contribuinte efetivamente apresentou DCTF em que fez constar haver apurado por estimativa, em fevereiro de 2001, débito do IRPJ no valor de R$ 853,14, vinculandoo ao pagamento realizado através de DARF no mesmo montante (fl. 21). 8. Assim, não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a interessada, dado que o valor recolhido já fora, ao tempo do decisório, integralmente alocado a débito regularmente confessado pelo sujeito passivo. E, não sendo líquido e certo o crédito contra a Fazenda Pública, não pode ser postulada sua compensação para extinguir débitos do sujeito passivo (art. 170 do Código Tributário Nacional CTN) . 9. Ante o exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Na primeira instância administrativa, a Contribuinte procurou comprovar o alegado direito creditório com a apresentação de folha do livro Razão onde estavam registrados os pagamentos de estimativa de IRPJ e de CSLL feitos ao longo do ano de 2001. Contudo, não haviam dúvidas sobre a existência do pagamento em questão, eis que o próprio despacho decisório já havia atestado esse fato, indicando o código de receita, o valor do DARF e a data de arrecadação. O mesmo despacho decisório também indicou precisamente o débito ao qual o pagamento estava vinculado, discriminando o valor do débito, o código de receita e o período de apuração, não havendo razão para que a Contribuinte alegasse desconhecimento do débito que motivou a não homologação da compensação. O referido débito, aliás, foi declarado em DCTF pela própria Contribuinte. Estas circunstâncias evidenciam que Contribuinte pouco contribuiu para o esclarecimentos dos fatos na primeira fase do processo. Desde o início, a controvérsia diz respeito à disponibilidade do recolhimento de estimativa, que a contribuinte alega como indevido ou a maior, e caberia a ela demonstrar a ocorrência de erro na informação prestada em DCTF. Quanto a isso, a Contribuinte simplesmente alegou na primeira instância administrativa que recolheu indevidamente estimativa de IRPJ, por ter apurado prejuízo fiscal. Ao proferir sua decisão, a Delegacia de Julgamento novamente tratou da falta de comprovação da certeza e liquidez do direito creditório, uma vez que a Contribuinte alegava ter realizado “pagamento indevido” de estimativa ao mesmo tempo em que havia confessado débito no valor do recolhimento. No que toca à comprovação de um indébito, é sempre importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10410.901027/200990 Acórdão n.º 1802001.908 S1TE02 Fl. 8 7 Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. Como já mencionado, desde o início a controvérsia diz respeito à disponibilidade do recolhimento de estimativa, que a contribuinte alega como indevido ou a maior. Nessa fase recursal, a Contribuinte anexou cópias parciais de uma DIPJ retificadora (Fichas 11 e 12A), que registram sinteticamente valores negativos como base de cálculo de IRPJ nos meses de 2001. E segue alegando que apurou prejuízo nos meses de 2001 e que teria recolhido indevidamente as estimativas mensais. Não consta a data em que essa DIPJ retificadora foi apresentada. A Contribuinte também não procurou esclarecer a razão do erro no recolhimento das estimativas, informando apenas “que cometeu erro ao pagar em Março de 2001, o IRPJ apurado aleatoriamente no mês de Fevereiro de 2001 quando o seu Balanço de Suspensão/Redução apresentava Saldo negativo”. Além disso, não há nos autos demonstração da apuração do lucro real (LALUR), seja para os períodos mensais, seja para o período anual; não há balancetes mensais de suspensão/redução que a Contribuinte alegou possuir (e que tornariam a própria estimativa a maior ou indevida); não há sequer um demonstrativo de apuração do resultado anual, com as correspondentes receitas e despesas, ainda que de forma globalizada (DRE). Já foi destacado que o processo administrativo fiscal possui uma dinâmica própria no que toca à formação da prova, que em alguns casos a carência de prova pode ser suprida pelo contribuinte no desenrolar do processo, etc., mas, mesmo assim, o contribuinte deve realizar um esforço probatório mínimo no intuito de dar substância às suas alegações. Nesse sentido, vale registrar que de acordo com o art. 333, I, do Código de Processo Civil Brasileiro – CPC, “o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito”. No caso, os elementos dos autos não são suficientes nem mesmo para demonstrar a apuração de prejuízo no ano em questão, inviabilizando inclusive a restituição/ compensação da estimativa na forma de saldo negativo. A certeza e a liquidez do crédito são indispensáveis para a efetivação da compensação autorizada por lei. Ausentes estes requisitos, mantémse a negativa em relação à compensação. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10410.901027/200990 Acórdão n.º 1802001.908 S1TE02 Fl. 9 8 Deste modo, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 56DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 11080.930929/2011-08
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004
DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-002.540
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 09 29 /2 01 1- 08 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.930929/201108 Acórdão n.º 3801002.540 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.930929/201108 Acórdão n.º 3801002.540 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 1043.394, julgado na sessão de 11 de abril de 2013, pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre(DRJ/POÁ), referente ao processo administrativo n°11080.930929/201108, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresenta pela contribuinte, e, portanto, não sendo reconhecido o direito creditório pleiteado pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que não reconheceu direito creditório pleiteado e não homologou as compensações declaradas. De acordo com a Informação Fiscal, a interessada vende parte de sua produção de carvão mineral as empresas CGTEE e Tractebel Energia, sendo que ambas atuam na como geradoras de energia através de usinas termoelétricas. Assim, entende o contribuinte que estaria amparado pelo art. 2º da Lei nº 10.312/2001 que estabelece a redução a zero da alíquota do PIS e da Cofins na venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica e por isso teria direito ao ressarcimento de créditos das contribuições não cumulativas. Entretanto, observa a Fiscalização que a eficácia de tal redução está condicionada à publicação de um ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, nos termos do art. 58, IX do Decreto nº 4.524/2002. A interessada interpôs Processo de Consulta junto à Superintendência da Receita Federal na 10ª Região Fiscal (processo nº 11080.002200/200836) a respeito deste assunto, a qual esclareceu por meio da Solução de Consulta SRRF/10ª RF/ DISIT nº 84 que a eficácia do art. 2º da Lei nº 10.312/2001 está condicionada à publicação de um ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda. Sendo assim, conclui a Fiscalização que as vendas efetuadas pela CRM são tributadas pelo PIS (alíquota de 1,65%) e pela Cofins (alíquota de 7,6%), sendo que os créditos vinculados a estas operações não são passíveis de ressarcimento e/ou compensação, servindo apenas para abater a própria contribuição. Observa ainda que os créditos apurados foram insuficientes para abater a própria contribuição, restando saldo devedor que está sendo exigido por meio de auto de infração constante do processo administrativo nº11080.721627/201051. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.930929/201108 Acórdão n.º 3801002.540 S3TE01 Fl. 5 4 Na manifestação, tempestivamente apresentada, a empresa argumenta que o Decreto nº 4.524/2002 carece de força legal hierárquica para afastar ou condicionar o vigor e aplicação da Lei nº 10.312/2001, sob pena de grave ofensa a princípios constitucionais. Disserta a respeito do objetivo governamental de baratear o combustível alternativo parageração de energia. Cita o art. 13 da Lei nº 10.438/2002 que cria em seu art. 13 a Conta de Desenvolvimento Energético, alegando que valores recebidos a título de reembolso,representando um subsídio ou uma subvenção não podendo ser classificados como receita, estando fora do campo de incidência das contribuições para a Cofins e para o PIS. Discute o conceito de receita, entendendo como receita apenas o ingresso de recursos que passe a fazer parte do patrimônio da empresa.” A manifestação de inconformidade foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente, por entender que o art. 13 da Lei nº 10.438/2002 apenas cria a Conta de Desenvolvimento Energético, não havendo definição específica que indique serem os valores recebidos pela interessada das empresas geradoras de energia termoelétrica oriundos dessa Conta. Deste modo, concluiu a DRJ de origem que “tanto a Lei nº 10.637/2002, relativamente ao PIS, como a Lei nº 10.833/2003 referentemente à Cofins, ao conceituarem os valores que deveriam integrar a base de cálculo dessas contribuições foram bastante abrangentes em seus conceitos determinando que deveriam compor o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Toda e qualquer exclusão da base de cálculo destas contribuições deve necessariamente estar prevista na legislação, conforme ocorre com as situações dispostas no § 3º, art. 1º da Lei nº 10.637/2002 e também da Lei nº 10.833/2003, o que não é o caso dos valores em questão.” Quanto à alegação de que o Decreto nº 4.524/2002 careceria de força legal hierárquica para afastar ou condicionar a aplicação da Lei nº 10.312/2001, entendeu a DRJ/POA que o art. 7º da Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006, que disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJs), estabelece que o julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, dispositivo que lhe vincula às normais legais e regulamentares, bem assim ao entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos, motivo pelo qual, na solução do presente litígio, deverá ser obrigatoriamente aplicado o disposto no Decreto nº 4.524/2002. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs, em 13.05.2013, Recurso Voluntário a este Conselho, onde apresentou as suas razões, trazendo consigo precedente da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento (Acórdão nº 3401001.801). Em síntese, alega a recorrente que o Decreto 4.524/02 carece de força legal hierárquica para afastar ou condicionar o vigor da aplicação da Lei nº 10.312/01 aos fatos Fl. 66DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.930929/201108 Acórdão n.º 3801002.540 S3TE01 Fl. 6 5 geradores ocorridos na forma do seu art. 4º, sob pena de grave ofensa aos princípios constitucionais da razoabilidade, da anterioridade da lei tributária, do ato jurídico perfeito, da capacidade contributiva do sujeito passivo, da irretroatividade da lei tributária, da hierarquia das leis (a supremacia da lei ordinária frente ao ato normativo administrativo. Diante disto, requer o acolhimento das razões recursais, para o fim de reformar o acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.930929/201108 Acórdão n.º 3801002.540 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. No presente caso, pretende a contribuinte que lhe seja garantido o direito de restituição dos valores pagos a título de PIS e COFINS sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica. Ocorre que a Lei nº 10.312/01, em seu art. 1º, estabeleceu que: “Art. 1º. Ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP, e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás natural canalizado, destinado à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, nos termos e condições estabelecidos em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda” E no art. 2º da referida legislação estabeleceuse a alíquota zero para PIS e COFINS sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica, sem restrições: “Art. 2º. Ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das contribuições referidas no art. 1º incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica” Por sua vez, o Decreto nº 4.524/02, em seu art. 58, inciso IX, ao condicionar a alíquota zero à publicação de ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, cria exigência não prevista na Lei nº 10.312/01. Vejamos: “Art. 58.As alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins estão reduzidas a zero quando aplicáveis sobre a receita bruta decorrente (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 42, Lei nº 9.718, de 1998, art. 6º , parágrafo único, com a redação dada pela Lei nº 9.990, de 2000, Lei nº 10.147, de 2000, art. 2º , Lei nº 10.312, de 27 de novembro de 2001, Lei nº 10.336, de 19 de dezembro de 2001, Fl. 68DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.930929/201108 Acórdão n.º 3801002.540 S3TE01 Fl. 8 7 art. 14, Lei nº 10.485, de 2002, arts. 2º , 3º e 5º , Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001): (...) IX – da venda de gás natural canalizado e de carvão mineral, destinados à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, nos termos e condições estabelecidas em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda;” Embora a súmula nº 2 do CARF estabeleça claramente que este Conselho não seja competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No presente caso, no entanto, como a contribuinte se posiciona contra uma exigência criada por decreto, entendo não ser aplicável a referida Súmula nº 2, consoante igualmente restou decidido no Acórdão nº 3401001.801 da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento. Deste modo, entendo que deve ser provido o recurso voluntário interposto pela contribuinte, pelas razões acima referidas, pois o pedido está em consonância com a jurisprudência deste Egrégio Conselho, inclusive pelo acórdão relacionado pela própria contribuinte em suas razões recursais (Acórdão nº 3401001.801), bem como pelos acórdãos nº 3401001.798, 3401001.799, 3401001.800, 3401001.802, 3401001.803, 3401001.804 e 3401001.805. Por oportuno, transcrevese a ementa de um destes acórdãos, haja vista que, por sua vez, são todas em igual sentido. Aliás, cumpre ressaltar que são todos de processos da contribuinte ora recorrente, julgados em sessão ocorrida em 22.05.2012 pela 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento. 3401001.804 Acórdão Número do Processo: 11686.000170/200812 Data de Publicação: 19/11/2012 Contribuinte: COMPANHIA RIOGRANDENSE DE MINERACAO CRM Relator(a): FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Período de Apuração: 4º trimestre de 2006 Ementa: DECRETO Nº 4524/02. Não pode Decreto criar exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, reconhecendose o direito creditório pleiteado. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.930929/201108 Acórdão n.º 3801002.540 S3TE01 Fl. 9 8 É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10183.003500/2005-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
IMPOSTO SOBRE PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA E ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP) INFORMADAS EQUIVOCADAMENTE.
Tratando-se deÁrea de Preservação Permanente e Área de Utilização Limitada informadas de forma invertida na DITR, mas devidamente comprovada sua existência, até mesmo com a averbação da Área de Utilização Limitada na matrícula do imóvel, devem ser reconhecidas e excluídas tais áreas da base tributável. Precedentes.
INCLUSÃO DE ÁREA DE PANTANAL MATO-GROSSENSE COMO ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.
As áreas localizadas dentro da área do Pantanal Mato-Grossense enquadram-se como Àreas de Preservação Permanente. Precedentes.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO. ILEGALIDADE.
O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando a legislação que rege a matéria. Precedentes.
Numero da decisão: 2202-002.539
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de voto, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a Área de Preservação Permanente de 29.448,74 ha e restabelecer o Valor da Terra Nua declarado
(Assinado digitalmente)
ANTÔNIO LOPO MARTINEZ - Presidente.
(Assinado digitalmente)
FABIO BRUN GOLDSCHMIDT - Relator.
EDITADO EM: 16/12/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Pedro Anan Junior, Marcio de Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Fabio Brun Goldschmidt, Heitor de Souza Lima Junior
Nome do relator: FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
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ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA E ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP) INFORMADAS EQUIVOCADAMENTE. Tratandose deÁrea de Preservação Permanente e Área de Utilização Limitada informadas de forma invertida na DITR, mas devidamente comprovada sua existência, até mesmo com a averbação da Área de Utilização Limitada na matrícula do imóvel, devem ser reconhecidas e excluídas tais áreas da base tributável. Precedentes. INCLUSÃO DE ÁREA DE PANTANAL MATOGROSSENSE COMO ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. As áreas localizadas dentro da área do Pantanal MatoGrossense enquadram se como Àreas de Preservação Permanente. Precedentes. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO. ILEGALIDADE. O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando a legislação que rege a matéria. Precedentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de voto, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a Área de Preservação Permanente de 29.448,74 ha e restabelecer o Valor da Terra Nua declarado (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 35 00 /2 00 5- 79 Fl. 289DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT 2 ANTÔNIO LOPO MARTINEZ Presidente. (Assinado digitalmente) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Relator. EDITADO EM: 16/12/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Pedro Anan Junior, Marcio de Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Fabio Brun Goldschmidt, Heitor de Souza Lima Junior Relatório Tratase deAuto de Infração (fls. 0611) emitido em 28/07/2005, na qual se exige do contribuinte o pagamento do crédito tributário no montante de R$ 1.897.045,57, a título de ITR,exercício de 2001, acrescido de multa de ofício,e juros legais, tendo como objeto o imóvel rural “Fazenda Baio Pantanal”, registrada sob o Nirf19323379, com área total de42.374,4 ha, localizado no Município de Cáceres/MT. Em declaração original trouxe o contribuinte a Área de Preservação Permanente de 8.474,80 ha e de Área de Utilização Limitada de 29.662,00 ha (Fl. 14). Apresentou posteriormente, FAR – Formulário de Alteração e Retificação de ITR (Fl.12), informando como Área de Preservação Permanente 3.143,3 ha e como Área de Utilização Limitada 8.431,7 ha. No Termo de Intimação Fiscal (Fl. 2124), foi intimado o contribuinte para apresentaros seguintes documentos, referentes aos exercícios de 2001 e 2002, diante da divergência apresentada: 1. CPF/CNPJ do contribuinte; 2. Comprovante de identificação; 3. Certidão ou Matricula atualizada do imóvel, retirada noCartório de Registro de Imóveis, constando todas as averbações dosúltimos 10 anos, de forma que se poça precisar a área total do imóvelao longo deste tempo; 4. Para comprovação da Área de Interesse Ambiental de UtilizaçãoLimitada: A documentação deverá ser apresentada conforme a Área de utilizaçãolimitada se enquadre em Área de reserva legal, Área de reservaparticular do patrimônio natural ou Área imprestável para atividadeprodutiva, declarada de interesse ecológico. 4.1. Área de Reserva Legal (art. 16 da IN SRF n ° 73/2000, art. 16 e44 da Lei no 4.771/65, com as modificações introduzidas pela Lein° 7803/89): Fl. 290DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10183.003500/200579 Acórdão n.º 2202002.539 S2C2T2 Fl. 17 3 a) Certidão de Registro ou Cópia da matrícula no Cartório deRegistro de Imóveis, com averbação da Área de reserva legal; b) Caso tratese de área cujo declarante possua apenas a posse, a certidão de registro ou a cópia da matrícula no CartóriodeRegistrode Imóveispoderá sersubstituídapor Termo de Responsabilidade firmado junto ao IBAMA, no qual sejaidentificadaa Área do imóvel sobre a qual odetentor da posse tenha assumido o compromisso de averbá laposteriormente; a) Ato Declaratório Ambiental (ADA), emitido pelo IBAMA, ocomprovante de requerimento do mesmo, conforme a Lei6.938/81, art.170, § 5, com a redação dada pelo art. 1°da Lei 10.165/2000. 4.2. Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (art. 16 da INSRF n° 73/200, art. 4 0 do Decreto 1.922/96): b) Portaria, expedida pelo IBAMA, reconhecendo a Área comosendo de reserva particular do patrimônio natural; c) Certidão de registro ou cópia da matricula no Cartório deRegistro de Imóveis, na qual esteja averbado o termo decompromisso a que se refere o § 1 do art. 6° do Decreto1.922/96; d) Ato Declaratório Ambiental (ADA), emitido pelo IBAMA, oucomprovante de requerimento do mesmo, conforme a Lei6.938/81, art. 170, § 5, com a redação dada pelo art. 10da Lei 10.165/2000. 4.3. Área imprestável para atividade produtiva, declarada deinteresse ecológico (art. 16 da IN SRF 73/2000, art. 10, § 1º,inciso II, alínea "c", da Lei 9.393/96): a) Documento que comprove que órgão competente, federal ouestadual, tenha assim declarado a área; b) Ato Declaratório Ambiental (ADA), emitido pelo IBAMA, oucomprovante de requerimento do mesmo, conforme a Lei6.938/81, art. 170, § 5 °, com a redação dada pelo art. 1° daLei 10.165/2000. 5. "Para comprovação da Área de Interesse Ambiental de PreservaçãoPermanente: A documentação a ser apresentada deverá observar a situação em que ocaso se enquadra, segundo os art. 2° ou 3° da Lei 4.771/65 (CódigoFlorestal), com as alterações introduzidas pela Lei 7.803/89, bem comoo disposto no art. 10 da Lei 9.393/96 e no art. 15 da IN SRF 73/2000. 5.1. Para o art. 2 ° da Lei 4.771/65: a) Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal,acompanhadoda anotação de responsabilidade técnica ART,devidamente registrada no CREA, comprovando a área de preservação permanente (o laudo técnico poderá sersubstituído por Certidão do Instituto Brasileiro do MeioAmbiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, ou deoutro órgão público ligado à preservação ambiental, contendodados técnicos suficientes para caracterizar as condições edimensões da área objeto deste enquadramento); b) Ato Declaratório Ambiental (ADA), emitido pelo IBAMA, oucomprovante de requerimento do mesmo, conforme a Lei6.938/81, art. 170, § 5 °, com a redação dada pelo art. 1° daLei 10.165/2000. 5.2. Para o art. 3° da Lei 4.771/65: Fl. 291DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT 4 a) Documento que comprove que o Poder Público tenha declarado aárea como de preservação permanente; b) Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal,acompanhado da anotação de responsabilidade técnica ART,devidamente registrada no CREA, comprovando a área depreservação permanente (o laudo técnico poderá ser substituído por Certidão do IBAMA ou de outro órgão público ligado à preservação ambiental, contendo dados técnicos suficientes para caracterizar as condições e dimensões da área objeto deste enquadramento); c) Ato Declaratório Ambiental (ADA), emitido pelo IBAMA, oucomprovante de requerimento do mesmo, conforme a Lei6.938/81, art. 170, § 5 °, com a redação dada pelo art. 10 daLei 10.165/2000. 6. Para comprovação do Valor da Terra Nua. O cálculo do valor da terra nua, apurado em 1° de janeiro de 2001 e 2002,poderá ser comprovado mediante: a) Laudo técnico de avaliação, acompanhado da anotação de responsabilidadetécnica ART, devidamente registrada no CREA, efetuado por perito(engenheiro civil,agrônomo ou florestal), com os requisitos da NBR 146533da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, demonstrando os métodosde avaliação e as fontes pesquisadas que levaram a convicção do valoratribuído ao imóvel. O laudo deverá ter o grau de fundamentação de no mínimo2. b) Avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais (Exatorias) ou Municipais, assim como aquelas efetuadas pela EMATER, desde que observem osrequisitos mencionados no item anterior: c) A não apresentação dacomprovaçãodaVTN, ou a apresentaçãoincorretapropiciará o lançamento de oficio da VTN, conforme art. 14 § 1°da Lei9.393/96, substituindose oValor da Terra Nua por Hectare informado em DITRpelo Valor da Terra Nua por Hectare constante no SIPT (Sistema de Preços deTerras da Secretaria da Receita Federal). Uma vez que se tratava de espólio, a Sra. Dalva Pinto da Silva, viúva do contribuinte fiscalizado, peticionou em 20 de junho de 2005 (Fl. 2829), juntando a seguinte documentação: Certidão de Casamento da Requerentecom o Sr. JOSE PALMIRO DA SILVA (C.P.F. n°003.781.00149) (Doc. 2 – Fl. 35); Cédula de Identidade e C.P.F. daRequerente (Doc. 03 – Fl. 36); Certidão deÓbito do Sr. JOSÉPALMIRO DA SILVA e comprovante de abertura de Inventario (Docs. 04 e05 – Fl. 3738); 10 (dez) Certidões de Inteiro Teor doCartório do Registro de Imóveis, constando todas as averbações dos últimos 50anos (Docs. 06/16 – Fls. 4370); 01 (uma) Certidão de Inteiro Teordemonstrando a venda de 256,3320 ha ao Sr. ALINOR ANTUNES DEMAGALHÃES, áreaessadesmembrada posteriormente nas Declarações ITR (DIAC/DIAT) sucessivas, resultando na área de 42.118,10 ha (Doc. n° 17 – Fls. 7172); Fl. 292DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10183.003500/200579 Acórdão n.º 2202002.539 S2C2T2 Fl. 18 5 04 (Quatro) Extratos de CadeiasDominiais elaboradas pelo INCRA Superintendência Regional em MT (Docs. 18/21 – Fls. 3942); 04 (Quatro) Termos de Responsabilidade e Preservação de Florestas, acompanhados de mapas ememoriais descritivos, todos regularmente averbados no Cartório de Registro de Imóveis de CáceresMT/1° Oficio (Docs. 22/25 – Fls. 7794); ART do CREAMT n° 155817, comboleto quitado, concernente ao trabalho de averbação de Área de Reserva Legal(Doc. 26 – Fls. 9596); Ato Declaratório Ambiental (ADA),emitido pelo IBAMA (Doc. n° 27 – Fl. 98); Laudo Técnico do Imóvel Rural(Fazenda Baio Pantanal), emitido por Engenheiro Florestal, acompanhando deART, devidamente registrado no CREAMT (Docs.28 e 29 – Fls. 101120); Laudo Técnico de Avaliação, paracomprovação do Valor da Terra Nua, acompanhado de ART devidamenteregistrado no CREAMT; efetuado por Perito (Engenheiro Civil) (Docs. 30 e31 – Fls. 122126), e, Certidão da AGENFA/SEFAZ CáceresMT (antiga Exatoria Estadual, sobre o Valor da Terra Nua na Região(Doc. 32 – Fl. 100), esclarecendo que a EMATER foi extinta há anos, razão porque nãose junta documento dessa Entidade. Lavrado o Auto de Infração (Fls. 0611), neste restou consignado que haveria falta de recolhimento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, por não terem sido comprovadas as informações contidas na declaração do contribuinte com respeito aos seguintes itens: Área de Preservação Permanente: que o Laudo apresentado pelo contribuinte teria informado área menor que a declarada, substituindoa; Área de Utilização Limitada: que a documentação probatória da averbação da reserva em cartório de registro de imóveis, à margem da matrícula do imóvel, informa área menor que a declarada, substituindoa, estando a Área de Reserva Legal, de 8.431,71 ha em conformidade com os valores informados no ADA e com o Laudo Técnico apresentado; Valoração da Terra Nua: que o Laudo de Avaliação de Imóvel Rural apresentado pelo contribuinte não conteria itens essenciais à análise do mesmo, tais como identificação das fontes de informação, número de dados efetivamente utilizados maior ou igual a cinco, homogeneização dos resultados obtidos com o comparativo das características dos imóveis, dentre outros, sendo assim substituído o VTN por Hectare Declarado, pelo VTN constante no SIPT – Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT 6 Impugnação Notificado do lançamento (Fl.128), o contribuinte impugnou em05.09.2005 (Fls. 131135), juntandonova documentação (fls. 136164), alegando em síntese: que houve um lapso de nomenclaturas no Laudo Técnico inicialmente elaborado, ocorrendo a inclusão da área do pantanal como área de utilização limitada (inaproveitável), quando, na realidade, é considerada Área de Preservação Permanente, sendo apresentado Laudo Técnico Retificatório de Caracterização das Áreas da Fazenda Baio Pantanal; que na elaboração do DIAT – Documento de Informação e Apuração do ITR do ano base de 2001, lançouse erroneamente como Área de Preservação Permanente a Área de Reserva Legal e como Área de Utilização Limitada a Área de Preservação Permanente, em razão da dificuldade de assimilação de terminologia, o que não pode descaracterizar a verdade fática do imóvel, eis que conhecido e reconhecido como Fazenda encravada no Pantanal Matogrossense; que no ADA, elaborado em 21/05/2001, constou inclusa na Área de Preservação Permanente a Área de Pantanal, e, na Área de Reserva Legal apenas a respectiva Área de Reserva Legal (8.431,7 ha), tratandose somente de inversão de números no DIAT, vez que a Área de Reserva Legal há muito estaria averbada na matrícula do imóvel; que em Laudo de Avaliação Retificatório apresentado, busca atender as exigências do Sr. Auditor Fiscal, pelo que esclarece a impossibilidade de aplicação do VTN previsto no SIPT, eis que muito distante da realidade fática prevista para a região pantaneira. Decisão da DRJ Diante da impugnação, a 1a Turma de Julgamento da DRJ de Campo Grande, por unanimidade de votos, julgouo lançamento procedente, mantendose a exigência do crédito tributário, nos termos do relatório e voto. (Fl.167170). Em síntese o acórdão assim entendeu: que o lançamento foi correta e legalmente efetuado, utilizandose dos dados informados na DITR/2001, sendo a glosa da área isenta em função de não ter o contribuinte comprovado a sua existência e extensão, fato que gerou a diferença de imposto, acrescida de com a multa de ofício e juros; Fl. 294DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10183.003500/200579 Acórdão n.º 2202002.539 S2C2T2 Fl. 19 7 que a utilização da tabela SIPT, para verificação do valor de imóveis rurais, encontra amparo no dispositivo citado, podendo o valor ser questionado mediante Laudo Técnico revestido do rigor científico suficiente a firmar convicção da autoridade, atendendo os requisitos exigidos pelas normas da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas, o que não teria ocorrido no caso em tela; ainda, que a área de reserva legal não teria sido averbada à margem da matrícula até a data da ocorrência do fato gerador do ITR do correspondente exercício. Recurso Voluntário Intimado em 09/05/2006, fl. 174, e insatisfeito com a decisão proferida pela DRJ, o recorrente apresentou Recurso Voluntário às fls. 176–201, repisando os argumentos trazidos em sede de impugnação, trazendo ainda nova argumentação, em especial, que não houve a análise por parte do Relator do acórdão da DRJ acerca do erro de preenchimento da DIAT, havendo cerceamento de defesa e que o equívoco na declaração não trouxe qualquer prejuízo ao erário público, vez que ambas as áreas são isentas de ITR. Argumentou, ainda, quanto ao VTN que a o Laudo apresentado atende a todas as exigências prescritas na NBR 14.6533 da ABNT, contendo as justificativas sobre a metodologia, precisão utilizada, sendo elaborado de acordo com as peculiaridades da região e imóvel e que as tabelas SIPT utilizadas pela Secretaria da Receita Federal, não são válidas porque não foram levantados os preços para o Estado de Mato Grosso, conforme determinam os dispositivos legais e normativos, uma vez que não teria para o dito Estado os valores de terra nua para os exercícios de 2000 a 2005. Voto Conselheiro Fabio Brun Goldschmidt O recurso é tempestivo e atende todos os requisitos de admissibilidade. Áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada Fl. 295DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT 8 O art. 10, § 1, II, da Lei 9.393/961, exclui do conceito de área tributável para fins de ITR, entre outras, as áreas de preservação permanente (APP) e de reserva legal (ARL; que, ao tempo dos fatos, se incluía entre as “Áreas de Utilização Limitada”). Quanto às APP e ARL, suas definições estão previstas no art. 1º, § 2º, II e III, da Lei nº 4.771/65, devendo o contribuinte apenas declarálas em DITR, informação esta que “não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis” (art. 10, § 7º, da lei 9.393/96). Como visto, por força da própria lei instituidora do ITR, a declaração do contribuinte se mostra suficiente para a exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal, não compondo a base de cálculo do imposto sobre a propriedade territorial rural, devendo a Administração, em caso de dúvidas, demonstrar que o contribuinte incorreu em falsidade. No caso em questão, em declaração original trouxe o contribuinte a Área de Preservação Permanente de 8.474,80 ha e de Área de Utilização Limitada de 29.662,00 ha (Fl. 14). Apresentou posteriormente, FAR – Formulário de Alteração e Retificação de ITR (Fl.12), informando como Área de Preservação Permanente 3.143,3 ha e como Área de Utilização Limitada 8.431,7 ha. Havia, portanto, um erro na declaração original, que considerava como utilização limitada o que era de preservação permanente e vice e versa. O FAR, por sua vez, embora tenha corrigido este equívoco, incidiu em outro ao ESQUECERSE de mencionar como área de preservação permanente a área de PANTANAL, o que ocasionou a autuação (que ignorou este fato). Diante da divergência, foi o contribuinte intimado a trazer comprovação dos novos dados, oportunidade em que apresentou laudo (fls.101117), em que consta APP de 3.143,32 (convergente com a retificação), ARL de 8.431,71 (igualmente convergente com a retificação). Ocorre, contudo, que o laudo menciona, ao lado dessas áreas, também uma área de 27.525,50 relativa a área de Pantanal, ÁREA ESSA QUE DEVERIA TER SIDO MENCIONADA COMO APP NO FAR E NÃO O FOI. 1 Art. 10. (...) § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; redação vigente ao tempo do fato gerador b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; Fl. 296DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10183.003500/200579 Acórdão n.º 2202002.539 S2C2T2 Fl. 20 9 A fiscalização, assim, acatou a APP e ARL informadas no campo próprio, desconsiderando completamente a informação da área de Pantanal, que constitui também uma área de preservação permanente nos termos do entendimento já acatado por este Tribunal. Sobre essa divergência versa a autuação. É importante mencionar que o auto não questiona o preenchimento das formalidades pertinentes à caracterização das APP e Área de Utilização Limitada, apenas há divergência quanto a sua extensão, sendo que, também neste particular, o auto acata a extensão das duas tal qual informado no FAR, deixando apenas de considerar a existência da área de Pantanal (que por equívoco ali não constou, embora tenha constado da Declaração Original, bem como do laudo). A decisão da DRJ, por sua vez, vai além do auto, ao julgar improcedente a defesa por não ser tempestivo o ADA (que é do mês 5 de 2001, quando o fato gerador é de 1º/1/01), fato que não é mencionado no auto. Apenas para esclarecimento, digase que foram entregues cópias dos Termos de Responsabilidade e Preservação de Florestas (Fls. 7794), cujas áreas neles referidas foram averbadas à margem da matrícula do imóvel, constando as Áreas de Reserva Legal desde o ano de 1998.Ainda, apresentou também o recorrente, Laudo Técnico de Caracterização de Áreas (Fls. 101119), devidamente assinados por profissional qualificado e registrado junto ao CREA (Fls. 120121). Quanto à área de Utilização Limitada, o quantitativo informado em DITR foi corrigido em FAR, ainda no ano de 2001 (para 8.431,7), para o quantitativo apurado e acatado pelo auto de infração, não sendo objeto de recurso. Quanto à APP, por haver erro no FAR que deixou de elencar como APP a área de Pantanal, entendo que o auto de infração (e a decisão da DRJ), ao não considerarem tal área – que visivelmente deixou de ser elencada por equívoco do contribuinte – merecem reforma. Em sede de impugnação, foi referido pelo contribuinte a existência de equívoco no proceder da fiscalização, na medida em que não considerou a Área de Pantanal apontada pelo Laudo como sendo, também, APP. Para corroborar a sua afirmação, o contribuinte trouxe ADA (no qual consta APP total de 29.459,0 ha (fl. 98), assim como “Certidão” do IBAMA (fl. 207), na qual resta informado que “a informação relativa a "áreas inaproveitáveis" constante no ADA Ato Fl. 297DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT 10 declaratório Ambiental, tratase na verdade de Áreas de Preservação Permanente, e que por estarem situadas no Pantanal Matogrossense se enquadram no artigo 225 da Constituição Federal bem como no artigo 2° e 3° da Lei 4.771/65 e suas alterações”. Além disso, também a ‘Declaração’ do INDEA/MT – Instituto de Defesa Agropecuária do Estado do Mato Grosso (Fl. 161), confirma que a “Fazenda Baio” está “dentro da área de influência do Pantanal”. Ora, houve por parte do Poder Público, por meio do Decreto n.° 86.392 de 1981, a criação do Parque Nacional do Pantanal MatoGrossense, trazendo em seu art. 2° que: “Art. 2º O Parque Nacional do Pantanal Matogrossense tem por finalidade precípua proteger a flora, a fauna e as belezas naturais nele existentes, ficando sujeito ao regime especial do Código Florestal, instituído pela Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965.” Ainda, posteriormente ao Decreto, a própria Constituição Federal trouxe o Pantanal Matogrossense como patrimônio nacional, conforme disposto no art. 225, §4º, devendo sua utilização ser feita dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente: Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondose ao Poder Público e à coletividade o dever de defendêlo e preserválo para as presentes e futuras gerações. (...) § 4º A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal MatoGrossense e a Zona Costeira são patrimônio nacional, e sua utilização farseá, na forma da lei, dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais. Vejase que a área de Pantanal MatoGrossense, inclusive se enquadra no art. 3° da Lei 4.771/65, dispondo esta que: “Consideramse, ainda, de preservação permanentes, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; Fl. 298DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10183.003500/200579 Acórdão n.º 2202002.539 S2C2T2 Fl. 21 11 c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público.” De fato, consoante já entendido por esse Conselho Fiscal, as áreas inseridas no Pantanal Matogrossense, quando assim comprovadas, se enquadram no conceito de APP: Processo n° 10168.003340/9811 Recurso n° 131.390 Acórdão n°30333. 277 Sessão de 21 de junho de 2006 Recorrente PAULINA PINTO DE ARRUDA Recorrida DRJ/CAMPO GRANDE/MS ITR/1997. Auto de infração lavrado por glosa daárea depreservação permanente por falta do ADA e de parte e reservalegal por falta de comprovação da área efetiva para fins de isençãodo ITR. Não estão sujeitas à prévia comprovação por parte do declarante, conforme dispõe o art. 10, parágrafo 1°,da Lei n° 9.393/96. Restou comprovado mediante documentos hábeise idôneos a existência da área de preservação permanente desde épocadofato gerador. As áreas da propriedade, são constituídas por planícies alagáveis e inseridas no pantanal matogrossense, considerado de preservação permanente/reserva legal. Áreaexcedente de reserva legal não comprovada. Recurso voluntário parcialmente provido. Processo n° 10140.003406/200273 Recurso n° 131.398 Acórdão n° 30333280 Sessão de21 de junho de 2006 Fl. 299DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT 12 Recorrente DANIEL DE SOUZA FERREIRA Recorrida DRT/CAMPO GRANDE/MS ITR/1998. Tendo sido trazido aos Autos documentos hábeis, revestidos das formalidades legais, que comprovam ser a utilizaçãodas terras da propriedade a informada pelo recorrente, e restando comprovado que esta parte da propriedade é constituída por planícies alagáveis e estando impedida sua exploração, pois igualmente inserida no ecossistema do pantanal matogrossense, é de se reformar o lançamento como efetivado pela fiscalização, para queseja dado provimento ao Recurso. Recurso voluntário provido. Destarte, tendo sido comprovada a existência de Área de Pantanal no imóvel em questão, entendo que tal deve ser sim incluída entre as APP declaradas, não incidindo sobre ela o ITR. Dito isto, resta apenas definir qual é, então, a correta extensão de APP a ser considerada no caso em questão. Neste ponto, vejase que, ainda em fase de fiscalização, o contribuinte trouxe aos autos o ADA referente à área, no qual restou informado uma APP de “29.459 ha". Nessa mesma oportunidade, o contribuinte apresentou Laudo do imóvel rural no qual restou informado haver “3.143,30 ha" de APP + “27.525,50 ha" de “Área de Pantanal” (fls. 113 e 115). Tal informação foi alterada em Laudo Retificatório apresentado com a impugnação, o qual, apesar de ter confirmado os mesmo “3.143,30” de APP, entendeu por ajustar o valor da “Área de Pantanal” inicialmente informada para o fim de excluir dos “27.525,50 ha"referidos no primeiro laudo “1.120,08 ha” referentes a “área depasto nativo” (fl. 151), concluindo que a Área de Pantanal media “26.305,42 ha" (fl. 150) . Sendo assim, conforme informado no Laudo Retificatório, “as áreas de Preservação Permamente e Área de Pantanal existente na área da Fazenda Baio Pantanal totalizam 29.448,74 hectares” (fl. 150). Assimtemos três informações divergentes acerca da APP existente no imóvel autuação: ADA (fl. 98) Primeiro Laudo (fl. 115) Laudo Retificatório (fl. 150) 29.459 ha 30.668,80 ha 29.448,74 ha Fl. 300DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10183.003500/200579 Acórdão n.º 2202002.539 S2C2T2 Fl. 22 13 Considerando que o processo administrativo é pautado pelo princípio da verdade real, e, havendo divergência de informações na declaração de ITR, tendo sido apresentado Laudo Técnico elaborado por profissional com capacidade e conhecimentos técnicos para tanto, a partir do estudo da área e suas condições, entendo que as conclusões deste último é que devem ser utilizadas para definir as variáveis a serem consideradas no cálculo do tributo. No caso dos autos, havendo dois laudos, sendo o segundo ‘Retificatório’ e tendo este fundamentado as alterações em relação ao primeiro estudo, entendo que são as suas conclusões que deverão ser consideradas. Dessa forma, para fins de definição quanto à extensão da APP no imóvel em questão, entendo que tal totaliza área de 29.448,74 ha, formada pela APP + Área de Pantanal apontadas pelo Laudo Retificatório, à fl. 150. Sendo assim, entendo que, para fins do cálculo do ITR em questão: (i) deve ser mantida a Área de Utilização Limitada de 8.431,7 ha apontada pela fiscalização e (ii)retificada a APP, passando esta a totalilzar29.448,74 ha, nos termos do Laudo Retificatório. Tendo em vista as alterações ora indicadas em relação à DITR inicialmente apresentada, apenas destaco que tal é plenamente possível, especialmente em razão da verdade real, que rege o ITR, conforme já decidido por esse Conselho: Processo nº 10930.720538/200933 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802002.239 – 2ª Turma Especial Sessão de 17 de abril de 2013 Matéria ITR Recorrente JOÃO ROBERTO CHICARELLI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 Fl. 301DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT 14 DITR. PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. ERRO DE FATO. Sanável, a qualquer tempo, o erro de fato havido no preenchimento da declaração, para assegurar a apuração do tributo conforme a verdade material comprovada nos autos. DITR. EXCLUSÃO DE ÁREA UTILIZADA NA ATIVIDADE RURAL. A comprovação de que havia área utilizada na atividade rural, que por erro depreenchimento, não foi computada no lançamento de ofício, é legítimo orefazimento do cálculo de apuração do tributo. Por tais razões, entendo que, para fins de apuração do ITR devido,devem ser retificadas as informações acerca da APP e Área de Utilização Limitada para o imóvel em questão, nos moldes acima exposto. Valor da Terra Nua Por discordar com o VTN declarado pelo contribuinte, a fiscalização apurou o ITR que entendeu devido utilizandose do VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados em DITR, o qual não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando a legislação que rege a matéria, conforme reiterado entendimento desse Colegiado. Com efeito, ainda que se reconheça a possibilidade da utilização dos dados do SIPT para fins de arbitramento de VTN nas hipóteses em que a lei assim determinada, entendo que tal somente é legítima, quando os parâmetros adotados estejam baseados, por exemplo, na aptidão agrícola das terras do município e não apenas no VTN médio declarado por município, baseados em dados de DITRs apresentadas, pois esse, notoriamente, nãocontempla as características intrínsecasextrínsecas que determinam o potencial de uso da terra. Em casos como este, em que o arbitramento do Valor da Terra Nua está baseado em VTN médio do município, é assente o entendimento deste Conselho no sentido da impossibilidade de sua aplicação, consoante se verifica do precedente abaixo, colacionado por amostragem: Número do Processo: 10183.720138/200685 Fl. 302DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10183.003500/200579 Acórdão n.º 2202002.539 S2C2T2 Fl. 23 15 Data de Publicação: 01/10/2012 Contribuinte: AGROPECUARIA NOVA FRONTEIRA LTDA Relator(a): MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2004 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA E JUROS. INCIDÊNCIA Em se tratando de crédito tributário apurado em procedimento de ofício, impõese a aplicação da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430/1996, bem como dos juros moratórios calculados pela Taxa SELIC. AVERBAÇÃO DA RESERVA LEGAL. CONDIÇÃO PARA EXCLUSÃO. Por se tratar de ato constitutivo, a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel no Registro de Imóveis competente à época do fato gerador é condição essencial para fins de exclusão da área tributável a ser considerada na apuração do ITR. EXCLUSÕES DA ÁREA TRIBUTÁVEL. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO. A retificação da DITR que vise a inclusão ou a alteração de área a ser excluída da área tributável do imóvel somente será admitida nos casos em que o contribuinte demonstre a ocorrência de erro de fato no preenchimento da referida declaração. EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. ÍNDICE DE RENDIMENTO E PLANO DE MANEJO. A área de exploração extrativa para fins de apuração do ITR será calculada observandose os índices de rendimentos por produtos fixados pela Secretaria da Receita Federal, admitindose que seja considerada a área total objeto de plano de manejo sustentado, desde que aprovado pelo órgão competente e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO. O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando a legislação que rege a matéria. (2º Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) Dessa forma, sendo entendido pela impossibilidade de aplicação do VTN arbitrado pela fiscalização, entendo que deva ser adotado para o cálculo do ITR em questão o VTN indicado pelo contribuinte em DITR, equivalente a “R$ 3.845.468,00” (fl. 04), o qual foi confirmado pelo Laudo apresentado em fase de fiscalização (fl. 125), pelo Laudo Retificatório (fl. 157) e por Certidão da AGENFA/SEFAZ CáceresMT (antiga Exatoria Estadual) fl. 100. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT 16 Com base no exposto, voto pelo parcial provimento do recurso voluntário para retificar a APP, passando esta a totalizar 29.448,74 ha, nos termos do Laudo Retificatório e (iii) retificar o VTN arbitrado pela fiscalização, devendo ser considerado o valor informado originariamente pelo contribuinte na DITR. (Assinado digitalmente) Fabio Brun Goldschmidt Relator Fl. 304DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
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Numero do processo: 13971.000096/2010-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2009
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA.
É devida a incidência de contribuição social previdenciária quando a entidade beneficente de assistência social, não demonstra atendimento aos pressupostos legais para obter os benefícios fiscais estabelecidos pela legislação previdenciária.
No presente caso a entidade não cumpria a totalidade dos requisitos determinados no art. 55 da Lei 8.212/91, vigente no período abrangido pela presente autuação fiscal, recaindo sobre si a contribuição previdenciária respectiva.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2301-003.780
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA- Presidente.
(assinado digitalmente)
DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2009 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. É devida a incidência de contribuição social previdenciária quando a entidade beneficente de assistência social, não demonstra atendimento aos pressupostos legais para obter os benefícios fiscais estabelecidos pela legislação previdenciária. No presente caso a entidade não cumpria a totalidade dos requisitos determinados no art. 55 da Lei 8.212/91, vigente no período abrangido pela presente autuação fiscal, recaindo sobre si a contribuição previdenciária respectiva. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA- Presidente. (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1785; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 271 1 270 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.000096/201051 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301003.780 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de outubro de 2013 Matéria Obrigações Acessórias Recorrente IASI INSTITUTO DE APOIO À SAÚDE DO VALE DO ITAJAÍ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2009 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. É devida a incidência de contribuição social previdenciária quando a entidade beneficente de assistência social, não demonstra atendimento aos pressupostos legais para obter os benefícios fiscais estabelecidos pela legislação previdenciária. No presente caso a entidade não cumpria a totalidade dos requisitos determinados no art. 55 da Lei 8.212/91, vigente no período abrangido pela presente autuação fiscal, recaindo sobre si a contribuição previdenciária respectiva. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 00 96 /2 01 0- 51 Fl. 271DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva. Relatório 1. Cuidase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte IASI INSTITUTO DE APOIO A SAÚDE DO VALE DO NORTE DO ITAJAI TRANSPORTES LTDA. em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação interposta, bem como manteve o crédito tributário. 2. De acordo com o relatório fiscal da infração (ff. 15/17), a constituição do crédito tributário teve como objeto a declaração incorreta feita pela contribuinte em GFIP, onde fez constar o FPAS código 639 – Entidades Beneficentes de Assistência Social com Isenção da Cota Patronal, quando, de acordo com a autoridade fiscal, não preenchia todos os requisitos legais para o gozo da imunidade tributária que vislumbrava possuir. 3. Por oportuno, transcrevo abaixo parte do relatório fiscal: “(...) Tal enquadramento incorreto alterou para menor (omitiu) o valor devido à Previdência Social, uma vez que não foram declaradas as contribuições patronais devidas sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. (...) 2.4. No entanto, verificase que a IASI não possui todos os requisitos previstos no artigo 55 da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, motivo pelo qual motivou o lançamento das contribuições sociais não alcançadas pela isenção(...). (...) 3. Deixaram de ser informados na GFIP Guia do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social as contribuições devidas incidentes sobre as seguintes remunerações: 3.1. As remunerações pagas aos segurados empregados, no período 01/2005 a 09/2009. 3.1.1. As bases de cálculo estão indicadas no Anexo I DD DISCRIMINATIVO DO DÉBITO, na linha "LEV.: RSE REMUNERAÇÃO SEG EMPREGADO; Z3 TRANSF DO LEV RSE Fl. 272DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13971.000096/201051 Acórdão n.º 2301003.780 S2C3T1 Fl. 272 3 APOS 11/08 ou Z4 TRANSF DO LEV RSE – ATE 11/08 no campo "BASE DE CÁLCULO: 01 SC Empreg/avulso"; 3.2. As remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais (Autônomos), no período 05/2005 a 09/2009. 3.2.1. As bases de cálculo estão indicadas no Anexo I DD DISCRIMINATIVO DO DÉBITO, na linha "LEV.: RCI REMUNERAÇÃO CONTRIB INDIVIDUAL; Z1 TRANSF DO LEV RCI APOS 11/08 ou Z2 TRANSF DO LEV RCI – ATE 11/08 no campo "BASE DE CÁLCULO: 03 BC C.lnd/Adm/Aut".” 4. Após ser devidamente intimado, a contribuinte apresentou impugnação tempestiva (ff. 47/61). Ao analisar as razões colacionadas pelo contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário constituído. O acórdão recorrido restou ementado nos termos que transcrevo abaixo: “ASSUNTO:CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de Apuração: 01/03/2005 a 30/11/2008 AIOA DEBCAD N° 37.213.2332 (CFL 68) MULTA POR INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OMISSÃO DE FATO GERADOR EM GFIP. CFL 68. Constitui infração capitulada na Lei n°. 8.212, de 24.07.91, art. 32. inc. IV e §5°, acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, combinado com art. 225, IV. ^4° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n°. 3.048, de 06.05.99. MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETRO ATIVIDADE BENIGNA. ART. 106 do CTN Tratandose de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigação tributária acessória, aplicase a lei superveniente somente quando cominar penalidade menos severa que a prevista naquela vigente ao tempo de sua lavratura. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” 5. Inconformado com a decisão proferida pelo Colegiado de primeira instância, o contribuinte apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário (ff. 236/251), no qual, vertendose unicamente à tese de imunidade tributária, aduz que: a) desde sua constituição teve sempre o caráter de entidade beneficente sem fins econômicos e lucrativos, conforme demonstram seus atos constitutivos; b) sempre prestou serviços ligados à saúde da família, notadamente ao Programa da Saúda da Família (PSF); c) seus dirigente jamais receberam remuneração na condição de sócio, diretores ou associados, à exceção dos integrantes da secretaria executiva, que recebem na condição de empregados, como, de fato, o são; Fl. 273DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 d) faz jus à imunidade das contribuições sociais, posto que preenche os requisitos do art. 55, da Lei nº. 8.212/91, possuindo, inclusive, certificação como “Entidade de Utilidade Pública Federal” conferida pelo Ministério da Justiça; e) a imunidade a que faz jus emerge do efetivo exercício de atividades de assistência social, bastando que o Poder Público declare esses serviços como de utilidade ao Estado para que incida o benefício tributário; f) em razão do exercício de atividade de assistência social, o auto de infração deve ser cancelado. 6. Em seu pedido recursal, assinala o contribuinte, in verbis: “POSTO ISTO, aguarda confiantemente a recorrente, que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), receba o presente recurso, haverá de conhecêlo e dar provimento, nos termos da fundamentação, já que a entidade comprovou o efetivo exercício de atividade de assistência social, preenchendo os requisitos legais para obtenção da imunidade tributária prevista no artigo 195 § 7 o da Constituição Federal, sendo que o Instituto recorrente preenche o estatuído e atua nas condições do artigo 199 § I o , igualmente da Constituição Federal, e assim, considera que inexistiu a infração apontada pela Autoridade Fiscal Lançadora, haja vista a imunidade a que tem direito na forma da Constituição Federal e legislações ordinárias pertinentes, pelo o que, requer o cancelamento do Auto de Infração, por ser de merecida JUSTIÇA.” 7. Não tendo o fisco apresentado contrarrazões, o processo foi remetido a este Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário. 8. De sua vez, esta Relatoria emitiu Despacho de Retificação de Inexatidão Material (f. 257) restituindo os autos à Secretaria da Turma para que adotasse providências necessárias no sentido da remessa dos autos ao órgão competente para análise dos documentos relativos à certificação de entidades beneficentes de assistência social. 9. Em resposta ao despacho desta Relatoria, o Fisco exarou a informação fiscal (ff. 260/261), onde conclui que: “A entidade pretendente à isenção da cota patronal previdenciária deveria, antes de tudo, comprovar as certificações regulares exigidas legalmente o que, em nenhum momento, restou comprovado durante a ação fiscal nem na impugnação, uma vez que em pesquisa realizada nos sistemas informatizados da Receita Federal, não foram encontrados o Registro nem o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.” Fl. 274DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13971.000096/201051 Acórdão n.º 2301003.780 S2C3T1 Fl. 273 5 10. Embora devidamente intimado, o contribuinte não se manifestou acerca da informação fiscal citada acima, conforme despacho de encaminhamento (f. 269). 11. Não tendo havido outras manifestações, os autos foram restituídos a esta Turma para apreciação do Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS RECURSAIS 1. Conheço do recurso voluntário manejado pelo contribuinte, uma vez que é tempestivo e atende aos pressupostos recursais. DO MÉRITO 2. Nos termos do relatório fiscal consta a motivação para o lançamento fiscal foi a seguinte (ff. 15/17): 2.2 A IASI informa em GFIP o código do FPAS 639, código utilizado pelas ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL, com isenção requerida e concedida pela Previdência Social e recolhe apenas o valor da contribuição descontada dos empregados no código 2305 (Filantrópicas com Isenção CNPJ). 2.3. Considerase isenta das contribuições destinadas à Seguridade Social, previstas nos arts. 22 e 23, as Entidades Beneficentes de Assistência Social que cumpre os requisitos previstos no artigo 55, todos da Lei n° 8.212, de 24/07/1991. 2.4. No entanto, verificase que a IASI não possuem todos os requisitos previstos no artigo 55 da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, motivo pelo qual motivou o lançamento das contribuições sociais não alcançadas pela isenção, conforme segue: 2.4.1. Artigo 55. I da Lei8.212: " I seja reconhecida como de utilidade pública federal, e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; O único certificado apresentado foi o de Utilidade Pública Federal (cópia no anexo III), concedido em 19/03/2009, ou seja, muito tempo após a entidade começar a usufruir o benefício da isenção das contribuições sociais. 2.4.2. Artigo 55. II da Lei 8.212: “II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória n° 2.18713, de 2001).” A IASI foi intimida no Termo de Início de Procedimento Fiscal, cuja ciência se deu em 21/09/2009, e não apresentou o Certificado emitido pelo Conselho Nacional de Assistência Social. Em pesquisa realizada nos sistemas informatizados da SRFB não foram encontrados o Registro e o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo CNAS. 2.4.3. Artigo 55. IV da Lei 8.212: Fl. 275DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 “IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título;” Notase que alguns diretores (conselho de Administração) recebem remuneração na entidade (Anexo VII), conforme abaixo: Presidente: Gilberto Lenzi CPF: 706.930.56991 Período: 01/03/2004 até a presente data Remuneração: recebe remuneração como empregado – período 01/12/2004 a 13/01/2006 e 01/04/2006 em diante Última Função: Secretário Executivo. Tesoureiro: Thiago Filipe Cirico CPF: 040.301.00988 Período: 22/05/2006 a 25/08/2008 Remuneração: recebeu remuneração como empregado período: 01/06/2004 a 01/10/2008 Última Função: Coordenador Financeiro. João Bueno Soares Filho CPF: 878.501.41849 Período: 25/08/2008 até a presente data Remuneração: recebe remuneração como empregado período: 01/08/2006 em diante Última Função: Coordenador de RH. 3. Deixaram de ser informados na GFIP Guia do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social as contribuições devidas incidentes sobre as seguintes remunerações: 3.1. As remunerações pagas aos segurados empregados, no período 01/2005 a 09/2009. 3.1.1. As bases de cálculo estão indicadas no Anexo I DD DISCRIMINATIVO DO DÉBITO, na linha "LEV.: RSE REMUNERAÇÃO SEG EMPREGADO; Z3 TRANSF DO LEV RSE APOS 11/08 ou Z4 TRANSF DO LEV RSE – ATE 11/08 no campo "BASE DE CÁLCULO: 01 SC Empreg/avulso"; 3.2. As remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais (Autônomos), no período 05/2005 a 09/2009. 3.2.1. As bases de cálculo estão indicadas no Anexo I DD DISCRIMINATIVO DO DÉBITO, na linha "LEV.: RCI REMUNERAÇÃO CONTRIB INDIVIDUAL; Z1 TRANSF DO LEV RCI APOS 11/08 ou Z2 TRANSF DO LEV RCI – ATE 11/08 no campo "BASE DE CÁLCULO: 03 BC C.lnd/Adm/Aut".” 3. A decisão recorrida enfatiza a situação fática encontrada na entidade para manter a autuação fiscal: Intimada a apresentar o Certificado emitido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, não o apresentou, apresentando tão somente o de utilidade Publica Federal, concedido em 19/03/2009, ou seja, muito tempo após a entidade se declarar isenta das contribuições sociais. Em pesquisa realizada nos sistemas informatizados da RFB, não foram encontrados o Registro nem o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo CNAS. Durante a fiscalização, ficou constatado que alguns diretores (Conselho de Administração) foram remunerados pela entidade, conforme discriminado no item 4.3.3 do rela tório fiscal. (fls. 200/201) 4. Dessa forma, no meu sentir, o levantamento do débito realizado pelo auditor fiscal não merece retificação, eis que embasado na legislação previdenciária aplicável ao caso concreto, notadamente no que toca às exigências asseveradas no art. 55, da Lei n.º 8.212/91. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13971.000096/201051 Acórdão n.º 2301003.780 S2C3T1 Fl. 274 7 5. O contribuinte, a seu turno, não se desincumbiu do ônus probatório de demonstrar o cumprimento das exigências para o gozo da isenção tributária, em particular, quanto à apresentação do Certificado emitido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, requisito para a concessão do benefício fiscal. 6. Ante o exposto, voto no sentido de julgar procedente o lançamento fiscal, mantendo o crédito previdenciário exigido, considerando que entidade em questão não gozava da isenção previdenciária por ela declarada, ou seja, não cumpria a totalidade dos requisitos determinados no art. 55 da Lei 8.212/91, vigente no período abrangido pela presente autuação. CONCLUSÃO 7. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso voluntário, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 277DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10120.001251/2007-83
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
A redação do caput art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995 e do seu parágrafo primeiro mencionam que a incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, incide quando: i) houver pagamento a beneficiário não identificado; houver pagamento sem causa; iii) e ainda, na hipóteses de que trata o § 2°, do art. 74, da Lei n° 8.383, de 1991 (redação do na parte final do parágrafo primeiro).
O § 2° do art. 74 da Lei n° 8.383, de 1991 trata exatamente da tributação exclusiva na fonte pela inobservância do disposto no referido art. 74.
O art. 74, II da Lei n° 8.383, de 1991 prevê que integra a remuneração dos beneficiários as despesas com benefícios e vantagens concedidos pela empresa a administradores, diretores, gerentes e seus assessores e o art. 74, § 1° - da referida Lei - disciplina que deve a empresa identificar os beneficiários das despesas e adicionar aos respectivos salários os valores a elas correspondentes.
Por ter havido concessão de remuneração indireta a diretores da empresa (art. 74, II da Lei n° 8.383, de 1991), cujos valores não foram adicionados as respectivas remunerações, na época própria, estão sujeitos à tributação exclusiva na fonte a uma alíquota de 35%, conforme disciplina contida art. 61, § 1° da Lei nº 8.981, de 1995 (parte final), ante a inobservância art. 74, § 1° da Lei n° 8.383, de 1991, que prevê a obrigação da empresa adicionar aos respectivos salários as remunerações indiretas, de acordo com o que disciplina art. 74, § 2° da Lei n° 8.383, de 1991.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9202-002.893
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso da Fazenda Nacional e negar provimento ao recurso especial do Contribuinte.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire Relator
EDITADO EM: 13/09/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. Declarou-se impedido o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 A redação do caput art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995 e do seu parágrafo primeiro mencionam que a incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, incide quando: i) houver pagamento a beneficiário não identificado; houver pagamento sem causa; iii) e ainda, na hipóteses de que trata o § 2°, do art. 74, da Lei n° 8.383, de 1991 (redação do na parte final do parágrafo primeiro). O § 2° do art. 74 da Lei n° 8.383, de 1991 trata exatamente da tributação exclusiva na fonte pela inobservância do disposto no referido art. 74. O art. 74, II da Lei n° 8.383, de 1991 prevê que integra a remuneração dos beneficiários as despesas com benefícios e vantagens concedidos pela empresa a administradores, diretores, gerentes e seus assessores e o art. 74, § 1° - da referida Lei - disciplina que deve a empresa identificar os beneficiários das despesas e adicionar aos respectivos salários os valores a elas correspondentes. Por ter havido concessão de remuneração indireta a diretores da empresa (art. 74, II da Lei n° 8.383, de 1991), cujos valores não foram adicionados as respectivas remunerações, na época própria, estão sujeitos à tributação exclusiva na fonte a uma alíquota de 35%, conforme disciplina contida art. 61, § 1° da Lei nº 8.981, de 1995 (parte final), ante a inobservância art. 74, § 1° da Lei n° 8.383, de 1991, que prevê a obrigação da empresa adicionar aos respectivos salários as remunerações indiretas, de acordo com o que disciplina art. 74, § 2° da Lei n° 8.383, de 1991. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2518; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 9 1 8 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10120.001251/200783 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9202002.893 – 2ª Turma Sessão de 11 de setembro de 2013 Matéria IRRF Recorrentes HYPERMARCAS S/A e FAZENDA NACIONAL HYPERMARCAS S/A e FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. Recurso Especial da Fazenda Nacional, interposto em 19/08/2011, não merece ser conhecido, vez que o acórdão paradigma, n.o 19800101, foi reformado pelo acórdão n.o 910100881, em 23/02/2011, ou seja, em data anterior a da interposição do mencionado recurso especial. Recurso Especial da Fazenda Não Conhecido. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 A redação do caput art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995 e do seu parágrafo primeiro mencionam que a incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, incide quando: i) houver pagamento a beneficiário não identificado; houver pagamento sem causa; iii) e ainda, na hipóteses de que trata o § 2°, do art. 74, da Lei n° 8.383, de 1991 (redação do na parte final do parágrafo primeiro). O § 2° do art. 74 da Lei n° 8.383, de 1991 trata exatamente da tributação exclusiva na fonte pela inobservância do disposto no referido art. 74. O art. 74, II da Lei n° 8.383, de 1991 prevê que integra a remuneração dos beneficiários as despesas com benefícios e vantagens concedidos pela empresa a administradores, diretores, gerentes e seus assessores e o art. 74, § 1° da referida Lei disciplina que deve a empresa identificar os beneficiários das despesas e adicionar aos respectivos salários os valores a elas correspondentes. Por ter havido concessão de remuneração indireta a diretores da empresa (art. 74, II da Lei n° 8.383, de 1991), cujos valores não foram adicionados as respectivas remunerações, na época própria, estão sujeitos à tributação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 12 51 /2 00 7- 83 Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 exclusiva na fonte a uma alíquota de 35%, conforme disciplina contida art. 61, § 1° da Lei nº 8.981, de 1995 (parte final), ante a inobservância art. 74, § 1° da Lei n° 8.383, de 1991, que prevê a obrigação da empresa adicionar aos respectivos salários as remunerações indiretas, de acordo com o que disciplina art. 74, § 2° da Lei n° 8.383, de 1991. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso da Fazenda Nacional e negar provimento ao recurso especial do Contribuinte. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM: 13/09/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. Declarouse impedido o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório A Fazenda Nacional e o contribuinte, inconformados com o decidido no Acórdão n.º 220101.068, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção em 14 de abril de 2011, interpuseram, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, acolheu os embargos para rerratificar o Acórdão n.º 10423.639, de 16 de dezembro de 2008, sanando a omissão e mantendo a conclusão do acórdão embargado. Seguem abaixo as ementas das duas decisões: “EMBARGADO. No caso de omissão do acórdão embargado, que deixou de enfrentar matéria relevante para o processo, a dos embargos declaratórios é a adequada para a solução da falta. JUROS ISOLADOS. FALTA DE PAGAMENTO ANTECIPADO DE IMPOSTO. No caso de falta de pagamento antecipado de imposto, sobre base de cálculo sujeita a tributação definitiva quando do ajuste anual, é devida a incidência de juros, Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.001251/200783 Acórdão n.º 9202002.893 CSRFT2 Fl. 10 3 isoladamente, sobre o valor que deixou de ser antecipado, por expressa disposição legal. Embargos acolhidos Acórdão rerratificado Recurso parcialmente provido.” (220101.068) “NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO INOCORRÊNCIA Não provada violação das disposições contidas no art. 142, do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59, do Decreto n°. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vicio relevante e insanável, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal ou do lançamento dele decorrente. PAGAMENTO EFETUADO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA ARTIGO 61 DA LEI N° 8.981/1995 CARACTERIZAÇÃO A pessoa jurídica que efetuar a entrega de recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à aliquota de 35%. Também está sujeita à incidência na fonte à mesma aliquota a remuneração indireta paga a diretores e gerentes, na forma de pagamentos de despesas e oferecimentos de vantagens não incorporadas remuneração do beneficiário. MULTA ISOLADA DO CARNtLEÃO E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1 0, inciso III, da Lei n°. 9.430, de 1996), quando em concomitância com a multa de oficio (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo. Recurso de Oficio parcialmente provido. Recurso Voluntário parcialmente provido.” (10423.639) Recurso especial da Fazenda Nacional. A Fazenda Nacional afirma que a decisão atacada diverge do paradigma que apresenta, segundo o qual é cabível a concomitância da multa isolada e da multa de ofício. Segue abaixo sua ementa: “MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO PADRÃO CONCOMITÂNCIA As estimativas mensais configuram obrigações autônomas, que não se confundem com a obrigação tributária decorrente do fato gerador anual. Não há previsão legal de afastamento da multa isolada em razão da aplicação da multa de oficio vinculada ao tributo anual que deixou de ser recolhido.” (Acórdão n. 198 00.101) Explica que, quanto à concomitância, as estimativas mensais configuram obrigações autônomas, que não se confundem com a obrigação tributária decorrente do fato gerador anual. Entende que, ainda que se considere que as estimativas tenham com o tributo devido uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (o que não ocorre, porque a estimativa é Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 devida mesmo que não haja tributo devido), cabe assinalar que não há no Direito Tributário algo semelhante ao Principio da Consunção (Absorção) do Direito Penal. Pondera que ao CARF não é dado afastar lei em vigor, que prevê a imposição da multa de oficio, sob pena de estar usurpando prerrogativa judicial (Súmula n. 2 do CARF). Ao final, requer o provimento do seu recurso. Nos termos do Despacho n.º 220000.582, foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarazões. Quanto à admissibilidade do recurso interposto pela Fazenda Nacional, o contribuinte afirma que o paradigma contradisse jurisprudência dominante e pacificada na CSRF. Explica que, em relação as multas exigidas antes da alteração legal, a jurisprudência do CARF e da CSRF era predominante e pacifica no sentido de vedar a cumulação da multa de oficio com a multa isolada, o que faria incidir a o disposto no § 10 do art. 67 do Regimento Interno do CARF. Afirma ainda que o acórdão recorrido e o acórdão paradigma tratam de coisas diversas. Pondera que o acórdão recorrido fundou sua decisão na alegação de que não cabe a concomitância entre a multa de oficio e a multa isolada por terem as duas a mesma base imponível, enquanto que o paradigma fundou seu entendimento na inexistência de previsão legal para afastamento da multa isolada, na não aplicação do principio do Direito Penal da Subsunção e por se constituírem obrigações autônomas. Observa que o Senhor Procurador não especificou os trechos de similaridade e divergência dos acórdãos paradigma e recorrido, deixando de observar portanto o disposto no §6º do art. 67 do RICARF. Destaca que o acórdão alegado como paradigma foi reformado pela CSRF para afastar a concomitância das multas de oficio e isolada. Apresenta a ementa do Acórdão n.º 910100.881: “MULTA ISOLADA — FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA — 0 artigo 44 da Lei no 9.430/96 preceitua que a multa de oficio deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. 0 tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando a fiscali7ação apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício.” No mérito, entende que é incabível a existência de duas penalidades para a mesma base de cálculo imponível, seja qual for o imposto devido pela pessoa jurídica. Frisa que a previsão legal do § 1º do art. 44 da Lei n° 9.430/96, na redação anterior à MP n° 351/2007, não instituiu nova modalidade de penalidade, mas apenas estabeleceu a forma de cobrança da multa punitiva, ou seja, de oficio quando devido também o tributo ou isolada, quando não recolhida a estimativa mensal dentro do curso do ano calendário. Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.001251/200783 Acórdão n.º 9202002.893 CSRFT2 Fl. 11 5 Destaca que não se tratam de penalidades diversas, mas da mesma penalidade cobrada de forma diversa, razão pela qual é incabível a cumulação de ambas. Ao final, requer o não provimento do recurso especial da PGFN. Recurso especial do contribuinte. Em seu recurso especial, o contribuinte revela seu inconformismo com o provimento do Recurso de Oficio, em razão da ilegalidade da cobrança do IRRF lançado, que contraria a norma legal e os fatos apresentados nos autos, uma vez que perfeitamente identificados os destinatários dos recursos e as causas dos pagamentos, situação que exclui a incidência do art. 61 da Lei n° 8.981/95, alem de se constituir em dupla cobrança do imposto de renda sobre o mesmo rendimento, considerando que estes recursos já foram tributados nas pessoas físicas beneficiárias dos rendimentos, fatos provados nos autos. Diz que o aresto atacado diverge dos paradigmas que apresenta, cujas ementas serão reproduzidas a seguir: “IRPJ PAGAMENTO SEM CAUSA NÃO IDENTIFICAÇÃO DE BENEFICIÁRIO AUSÊNCIA DE PROVAS IMPOSSIBILIDADE. HA de ser afastada a hipótese de incidência exclusiva do imposto de renda na fonte delineada pela Lei de re 8.981 de 1995, art. 61, se identificado o beneficiário do pagamento e/ou comprovada a causa e a efetiva realização da operação. CSLL IMF TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Afastado o lançamento principal, no subsiste a tributação reflexa.” (AC 10196.513) “IRPJ — CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS — CONTRAPRESTAÇÕES DE LEASING — DEDUTIBILIDADE — A dedutibilidade dos dispêndios realizados a esse titulo relativos ao arrendamento de veículos de luxo (Jaguar e Cherokee) requer a prova efetiva da utilização dos mesmos por parte da pessoa jurídica. Impõese também que sejam necessários A atividade da empresa ou A respectiva fonte produtora. IRFONTE — ARTIGO 61 DA LEI N° 8.981/95 SALÁRIOS INDIRETOS — Incabível o lançamento a titulo de imposto de renda exclusivamente na fonte sobre as parcelas correspondentes a salários indiretos que deixaram de ser adicionadas nas respectivas folhas de pagamentos e não incorporaram a base de cálculo do imposto retido mensalmente sobre os salários dos administradores.” (AC 10196.195) Explica que as conclusões a que chegaram as decisões em comento são divergentes, pois, enquanto os acórdãos paradigmas entendem que, tendo sido devidamente identificados os beneficiários e a causa dos pagamentos não ha que se falar em tributação na forma do art. 61 e § 1º da Lei n° 8.981/95, o acórdão recorrido entende que, mesmo tendo sido identificados a causa e os beneficiários dos pagamentos, ainda assim é possível a cobrança do IRRF exclusivo na fonte à alíquota de 35% sobre a base reajustada, por ilação reflexa com o art. 74 da Lei n° 8.383/91. Destaca que o acórdão recorrido até reconhece que houve a identificação dos beneficiários e que a causa dos pagamentos foi devidamente contabilizada, mas entende que Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 mesmo assim é possível a tributação, se os pagamentos se referem a rendimento indireto pago a sócio ou dirigente. Argumenta que o entendimento consolidado desta Corte é que a tributação do art. 61 da Lei n° 8.981/95 só cabe no caso de pagamentos feitos a beneficiário não identificado e/ou sem a comprovação da origem ou causa do pagamento, ao passo que o acórdão recorrido entende que basta o pagamento indireto a dirigentes para configurar a hipótese de incidência do IRRF exclusivo na fonte previsto no art.61 supracitado. Considera cediço que os rendimentos indiretos são submetidos à tributação na Tabela Progressiva, exceto quando não identificados os beneficiários e não incorporadas as vantagens aos seus respectivos salários. Entende que a referência ao § 2° do art. 74 da Lei n° 8.383/91, feita pelo § 1º do art. 61 da Lei n° 8.981/95 não significa, como quer fazer crer o acórdão recorrido, que qualquer pagamento indireto feito a sócios ou dirigentes ou gerentes deva ser tributado na forma do caput do art. 61, mas apenas aqueles em que não haja a identificação do beneficiário, ou que não haja a identificação da causa ou o tipo de operação realizado ou ainda quando não tenham sido adicionados tais rendimentos aos vencimentos dos beneficiários, não tendo,corrido nenhum destes casos na lide em comento, como acima provado. Solicita o acolhimento e provimento do recurso especial em tela, para, uniformizando o entendimento já consagrado nos demais órgãos do Conselho, considerar indevido o lançamento fiscal de IRRF incidente exclusivamente na fonte, à aliquota de 35% sobre a base reajustada, quando devidamente identificados os beneficiários dos pagamentos, conhecidas a operação e as causas que os motivaram e devidamente incorporados tais pagamentos aos vencimentos dos beneficiários, inclusive com o recolhimentos do imposto de renda pessoa física sobre eles incidentes. Nos termos do Despacho s/n de 21 de agosto de 2012, foi dado seguimento ao pedido em análise. A Fazenda Nacional apresentou, tempestivamente, contrarazões. Afirma que a jurisprudência pacifica desta Egrégia Corte entende que: 1) o fato gerador do tributo do IRF não é apenas o "pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado", mas "também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa"; 2) a remuneração indireta— "fringe benefits" — constitui causa idônea capaz de autorizar a incidência do 1RF, na forma do disposto na Lei o" 8.981, art. 61, § 1°. Ao, requer o não provimento do recurso especial formulado pelo contribuinte. Eis o breve relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.001251/200783 Acórdão n.º 9202002.893 CSRFT2 Fl. 12 7 No que tange ao recurso especial da Fazenda Nacional, interposto em 19/08/2011, não merece ser conhecido, vez que o acórdão paradigma, n.o 19800101, foi reformado pelo acórdão n.o 910100881, em 23/02/2011, ou seja, em data anterior a da interposição do mencionado recurso especial. O recurso especial do contribuinte preenche os requisitos formais de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A discussão neste colegiado restringese sobre a interpretação do o art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, combinado com o art. 74, § 2° da Lei 8.383, de 1991. A redação do caput art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995 e do seu parágrafo primeiro mencionam que a incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, incide quando: i) houver pagamento a beneficiário não identificado; houver pagamento sem causa; iii) e ainda, na hipóteses de que trata o § 2°, do art. 74, da Lei n° 8.383, de 1991 (redação do na parte final do parágrafo primeiro): "Art. 61 Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1° A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2°, do art. 74, da Lei n° 8.383, de 1991." (GRIFEI) O § 2° do art. 74 da Lei n° 8.383, de 1991 trata exatamente da tributação exclusiva na fonte pela inobservância do disposto no referido art. 74: Art. 74 – Integrarão a remuneração dos beneficiários: I – a contraprestação de arrendamento mercantil ou o aluguel ou, quando for o caso, os respectivos encargos de depreciação, atualizados monetariamente até a data do balanço: a) de veículo utilizado no transporte de administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros em relação à pessoa jurídica; b) de imóvel cedido para uso de qualquer pessoa dentre as referidas na alínea precedente; II – as despesas com benefícios e vantagens concedidos pela empresa a administradores, diretores, gerentes e seus assessores, pagos diretamente ou através da contratação de terceiros, tais como: a) a aquisição de alimentos ou quaisquer outros bens para utilização pelo beneficiário fora do estabelecimento da empresa; b) os pagamentos relativos a clubes e assemelhados; Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 c) o salário e respectivos encargos sociais de empregados postos à disposição ou cedidos, pela empresa, a administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros; d) a conservação, o custeio e a manutenção dos bens no item I. § 1° A empresa identificará os beneficiários das despesas e adicionará aos respectivos salários os valores a elas correspondentes. 2° A inobservância do disposto neste artigo implicará a tributação dos respectivos valores, exclusivamente na fonte, à aliquota de trinta e três por cento. Por seu turno o art. 74, II da Lei n° 8.383, de 1991 prevê que integra a remuneração dos beneficiários as despesas com benefícios e vantagens concedidos pela empresa a administradores, diretores, gerentes e seus assessores e o art. 74, § 1° da referida Lei disciplina que deve a empresa identificar os beneficiários das despesas e adicionar aos respectivos salários os valores a elas correspondentes. Há de se esclarecer que a remuneração indireta concedida a beneficiários identificados referese a a benefícios concedidos à diretores da empresa, conforme detalham o Relatório Fiscal (fls. 326 a 328) e o Auto de Infração (fls. 333 e 334). Ou seja, por ter havido concessão de remuneração indireta a diretores da empresa (art. 74, II da Lei n° 8.383, de 1991), cujos valores não foram adicionados as respectivas remunerações, na época própria, estão sujeitos à tributação exclusiva na fonte a uma alíquota de 35%, conforme disciplina contida art. 61, § 1° da Lei nº 8.981, de 1995 (parte final), ante a inobservância art. 74, § 1° da Lei n° 8.383, de 1991, que prevê a obrigação da empresa adicionar aos respectivos salários as remunerações indiretas, de acordo com o que disciplina art. 74, § 2° da Lei n° 8.383, de 1991. Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso especial da Fazenda Nacional e NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 11128.007175/2006-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 28/05/2004
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. PREPARAÇÕES A BASE DE VITAMINAS. SUBSTÂNCIAS ADICIONADAS. USO ESPECÍFICO EM PREFERÊNCIA À SUA APLICAÇÃO GERAL.
Não podem ser classificadas no Capítulo 29 as preparações à base de vitaminas quando adicionadas de uma ou mais substâncias que as tornem aptas a um uso específico em preferência à sua aplicação geral.
MULTA ADMINISTRATIVA. IMPORTAÇÃO SEM LICENÇA. SIMPLES ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
O fato de a mercadoria mal enquadrada na Nomenclatura Comum do Mercosul não estar correta e suficientemente descrita não é razão suficiente para que a importação seja considerada sem licenciamento de importação ou documento equivalente.
MULTA POR DECLARAÇÃO INEXATA. MERCADORIA. DESCRIÇÃO. ELEMENTOS NECESSÁRIOS A SUA CLASIFICAÇÃO. AUSÊNCIA. APLICABILIDADE.
Aplica-se a multa por declaração inexata, no percentual de setenta e cinco por cento da diferença de imposto, mesmo antes do advento do ADI nº 13/03, quando a declaração da mercadoria, ainda que correta, não contenha todos os elementos necessários ao seu enquadramento tarifário.
MULTA DE UM POR CENTO SOBRE O VALOR ADUANEIRO. MÍNIMO DE 500,00. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. APLICABILIDADE.
Aplica-se a multa de um por cento sobre o valor da mercadoria importada, no valor mínimo de R$ 500,00, sempre que constatado erro na classificação tarifária escolhida pelo contribuinte. Irrelevante estar a mercadoria corretamente descrita ou não.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3102-001.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Relator
EDITADO EM: 19/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzé.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa - Relator EDITADO EM: 19/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzé.
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PREPARAÇÕES A BASE DE VITAMINAS. SUBSTÂNCIAS ADICIONADAS. USO ESPECÍFICO EM PREFERÊNCIA À SUA APLICAÇÃO GERAL. Não podem ser classificadas no Capítulo 29 as preparações à base de vitaminas quando adicionadas de uma ou mais substâncias que as tornem aptas a um uso específico em preferência à sua aplicação geral. MULTA ADMINISTRATIVA. IMPORTAÇÃO SEM LICENÇA. SIMPLES ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O fato de a mercadoria mal enquadrada na Nomenclatura Comum do Mercosul não estar correta e suficientemente descrita não é razão suficiente para que a importação seja considerada sem licenciamento de importação ou documento equivalente. MULTA POR DECLARAÇÃO INEXATA. MERCADORIA. DESCRIÇÃO. ELEMENTOS NECESSÁRIOS A SUA CLASIFICAÇÃO. AUSÊNCIA. APLICABILIDADE. Aplicase a multa por declaração inexata, no percentual de setenta e cinco por cento da diferença de imposto, mesmo antes do advento do ADI nº 13/03, quando a declaração da mercadoria, ainda que correta, não contenha todos os elementos necessários ao seu enquadramento tarifário. MULTA DE UM POR CENTO SOBRE O VALOR ADUANEIRO. MÍNIMO DE 500,00. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. APLICABILIDADE. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor da mercadoria importada, no valor mínimo de R$ 500,00, sempre que constatado erro na classificação tarifária escolhida pelo contribuinte. Irrelevante estar a mercadoria corretamente descrita ou não. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 71 75 /2 00 6- 21 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro – Presidente (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator EDITADO EM: 19/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzé. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. O importador, através da adição 02 da Declaração de Importação (DI) nº 04/05105937, registrada em 28/05/2004, submeteu a despacho o seguinte produto: “VITAMINA B2 (RIBOFLAVINA) PARA USO ANIMAL. NOME COMERCIAL: MICROVIT B2 SUPRA 80. ASPECTO: PÓ FINO”, classificandoo na NCM 2936.23.10, com alíquotas de 2% para o II, e 0% para o IPI, PIS e COFINS. Segundo a fiscalização, a classificação fiscal correta para o produto é na NCM 2309.90.90, com alíquotas de 8% para o II, 0% para o IPI, 1,65% para o PIS e 7,60% para a COFINS. Esse entendimento encontrase lastreado pelo Laudo FUNCAMP nº. 2403.02 (fls. 52 a 54). Através do Auto de Infração de fls. 01 a 26, cobraramse as diferenças de Imposto de Importação, PIS e COFINS, acrescidas de juros de mora e multa de ofício, bem como multa pela falta de licença de importação e multa por classificação fiscal incorreta. Cientificado do lançamento em 28/11/2006 (fl. 82 verso), o interessado apresentou impugnação em 26/12/2006 (fls. 83 a 113), alegando em síntese que: (a) como informado pelo laudo nº 2403.02, o polissacarídeo presente na composição da vitamina B2 80% tratase de um agente aglutinante/antipoeira, substância permitida para uso humano e animal e que não descaracteriza a vitamina nem a desloca de sua classificação específica na posição 2936, conforme Notas 1 “g” e “c” do Capítulo 29 da TEC e NESH dessa posição; (b) o fato de o produto servir para alimentação animal não invalida os seus outros usos, como o humano; (c) a classificação das vitaminas em geral e da vitamina B2 em particular deve se dar na posição 2936, em observância à 1ª Regra Geral de Interpretação, sendo o enquadramento realizado pelo fisco na posição 2309 vedado em lei; Fl. 167DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.007175/200621 Acórdão n.º 3102001.920 S3C1T2 Fl. 3 3 (d) cita a Decisão Coana nº 11/99 que suportaria a classificação do produto MICROVIT B2 SUPRA 80 na NCM 2936.23.10. Recebida a impugnação pela repartição a quo, os autos foram remetidos a esta Delegacia de Julgamento, juntamente com o Processo Administrativo nº 11128.000261/200794 (em apenso), referente ao pleito de desembaraço das mercadorias mediante comprometimento em Termo de Responsabilidade. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 28/05/2004 O produto de denominação comercial MICROVIT B2 SUPRA 80 encontra correta classificação tarifária na NCM 2309.90.90. A autoridade fiscal apresentou prova de que as substâncias acrescidas tornam o produto particularmente apto para uso específico preferencial à sua aplicação geral. Inaplicável solução de consulta fundada em pressuposto fático refutado pela prova técnica que suporta o lançamento. MULTA. INFRAÇÃO AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. Aplicase a multa por falta de Licença de Importação nas importações em que as mercadorias não estejam corretamente descritas, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. MULTA. CLASSIFICAÇÃO INCORRETA. A classificação incorreta de mercadoria é penalizada com a multa de 1% sobre o valor aduaneiro, prevista no artigo 84, inciso I, da MP 2.15835/2001. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Esclarece que o produto importado é uma vitamina, produto químico orgânico indispensável para o organismo de vegetais e animais e que a “fiscalização, interpretando incorretamente o laudo que analisou a mercadoria, considerou que a classificação indicada pela Impugnante não seria correta uma vez que o produto importado não se trataria de vitamina pura e sim uma preparação de vitamina”, classificando, por isso, o produto no capítulo 23. Aduz que a mercadoria importada tratase de um produto químico orgânico e que, embora não se apresente com 100% de pureza, não perdeu sua característica ou teve suas funções alteradas, já que os elementos acrescidos à sua fórmula são necessários e servem apenas como veículos para possibilitar o transporte, utilização, manuseio e conservação. Referese às disposições das Notas Explicativas para Interpretação do Sistema Harmonizado – NESH em confronto com as informações obtidas do laudo pericial produzido no curso do procedimento fiscal. Da leitura do laudo que instruiu a fiscalização percebese claramente que a presença dos excipientes na mercadoria importada não tem nenhuma outra função que não seja possibilitar o transporte, manuseio, utilização e conservação desta. Os excipientes não tornam o produto apto para uma função diferente de sua aplicação Fl. 168DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA 4 geral, ou seja: o produto é uma vitamina cuja presença de excipientes o torna apto a ser utilizado como vitamina. Ainda mais, que a classificação indicada “segue o posicionamento adotado pela Coordenação Geral do Sistema Aduaneiro – COANA, em respostaa a consulta formulada pelo SINDIRAÇÕES – Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal quanto à classificação exatamente da mesma mercadoria: Microvit B2 Supra 80 – Vitamina B2 (Doc. anexo)”. 5.2 Conforme já exaustivamente exposto, tal decisão, proferida em consulta formulada por órgão de classe que representa a Recorrente, determinou que a mercadoria importada no presente caso,. denominada comercialmente Microvit B2 Supra 80, deve ser classificada como vitamina, dentro do código 2936.23.10. 5.3 Não obstante tal fato, a fiscalização contrariou o disposto no Decreto 70.235/72 em seus artigos 49 a 58 e na Instrução Normativa RFB 740/07 e desconsiderou o conteúdo da decisão COANA n° 11/99. Acrescenta que o “erro da fiscalização ao lavrar o presente auto não se verifica apenas na desconsideração da correta classificação da mercadoria conforme indicada pela lmpugnante, mas também pela classificação sugerida no Auto de Infração. Conforme esclarece, a Vitamina K3 importada é um produto sintético, não sendo, por conseguinte, obtido pelo tratamento de animais e vegetais, do que resulta afastada a Posição 2309, conforme disposição expressa na Nota 1 do Capítulo 23. Ainda mais, que as NESH da posição 2309 excluem expressamente as vitaminas daquele enquadramento. Por outro lado, “que o uso de vitaminas na nutrição de animais não pode ser considerado como uso específico diferente de sua aplicação geral, visto que, como já citado anteriormente, nas NESH sobre vitaminas está disposto”: As vitaminas são substâncias de constituição química geralmente complexa, provenientes de fontes exteriores e indispensáveis ao funcionamento normal do organismo do homem ou dos animais. (grifamos) Seguindo adiante, pede o afastamento das multas, pois, mesmo que se considera equivocada a classificação escolhida, nenhum prejuízo houve aos cofres públicos, já que não existe diferença de alíquotas. Outrossim, não houve qualquer tipo de erro na descrição oferecida na Declaração de Importação. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.007175/200621 Acórdão n.º 3102001.920 S3C1T2 Fl. 4 5 Boa parte dos litígios que envolvem a classificação fiscal de mercadorias no Capítulo 29 encontram solução na correta interpretação e aplicação da Nota 1 do Capítulo. Transcrevo a seguir as regras correspondentes. 1. Ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente Capítulo apenas compreendem: a) os compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas; b) as misturas de isômeros de um mesmo composto orgânico (mesmo contendo impurezas), com exclusão das misturas de isômeros (exceto estereoisômeros) dos hidrocarbonetos acíclicos, saturados ou não (Capítulo 27); c) os produtos das posições 29.36 a 29.39, os éteres, acetais e ésteres de açúcares, e seus sais, da posição 29.40, e os produtos da posição 29.41, de constituição química definida ou não; d) as soluções aquosas dos produtos das alíneas a), b) ou c) acima; e) as outras soluções dos produtos das alíneas a), b) ou c) acima, desde que essas soluções constituam um modo de acondicionamento usual e indispensável, determinado exclusivamente por razões de segurança ou por necessidades de transporte, e que o solvente não torne o produto particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação geral; f) os produtos das alíneas a), b), c), d) ou e) acima, adicionados de um estabilizante (ou mesmo de um agente antiaglomerante) indispensável à sua conservação ou transporte; g) os produtos das alíneas a), b), c), d), e) ou f) acima, adicionados de uma substância antipoeira, de um corante ou de uma substância aromática, com a finalidade de facilitar a sua identificação ou por razões de segurança, desde que essas adições não tornem o produto particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação geral; h) os produtos seguintes, de concentraçãotipo, destinados à produção de corantes azóicos: sais de diazônio, copulantes utilizados para estes sais e aminas diazotáveis e respectivos sais. Levandose em consideração os esclarecimentos técnicos prestados pela Perícia e as informações obtidas na Declaração de Importação, a seguir detidamente examinados, relevante sublinhar, desde logo, que, ao contrário de como acontece com muita freqüência nos processos que versam sobre a possibilidade de inclusão de produto no Capítulo 29, a questão, aqui, não está relacionada ao enquadramento da mercadoria importada no conceito de composto orgânico de constituição química definida, descrito na alínea “a” da Nota 1. Em lugar disso, a dúvida, neste processo, vinculase, exclusivamente, à identificação do produto como sendo ou não uma vitamina. Com efeito, o texto da posição 2936, citada na letra “c” da Nota 1, acima, confirma a pertinência da discussão. 29.36 Provitaminas e vitaminas, naturais ou reproduzidas por síntese (incluídos os concentrados naturais), bem como os seus derivados utilizados Fl. 170DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA 6 principalmente como vitaminas, misturados ou não entre si, mesmo em quaisquer soluções (+). Depreendese do texto que as vitaminas, independentemente de serem ou não produtos de constituição química definida, estarão enquadradas no Capítulo 29. Na mesma direção orientam as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado. CONSIDERAÇÕES GERAIS O Capítulo 29, em princípio, inclui apenas os compostos de constituição química definida apresentados isoladamente, ressalvadas as disposições da Nota 1 do Capítulo. (...) C) Produtos incluídos no Capítulo 29, mesmo que não sejam compostos de constituíção química definida Indicamse, entre outros, os produtos incluídos nas seguintes posições: Posição 29.09 Peróxidos de cetonas. Posição 29.12 Polímeros cíclicos dos aldeídos; paraformaldeído. Posição 29.19 Lactofosfatos. Posição 29.23 Lecitinas e outros fosfoaminolipídeos. Posição 29.34 Ácidos nucléicos e seus sais. Posição 29.36 Provitaminas e vitaminas, incluídos os seus concentrados (mesmo misturados entre si ou em quaisquer soluções). Posição 29.37 Hormônios. Posição 29.38 Heterosídeos e seus derivados. Posição 29.39 Alcalóides vegetais e seus derivados. Posição 29.40 Éteres, acetais e ésteres de açúcares, e seus sais. Posição 29.41 Antibióticos. (grifos meus) Por outro lado, as letras “d”, “e”, “f” e “g” da mesma Nota 1 esclarecem que a inclusão das vitaminas no Capítulo 29 depende da observação das mesmas condições fixadas para os compostos orgânicos de constituição química definida citados na letra “a”. Em linhas gerais, essas condições admitem que o produto seja acrescido de outras substâncias desde que (i) elas sejam apenas destinadas ao seu acondicionamento, por razões de segurança ou por necessidades de transporte; (ii) constituamse de um estabilizante (ou agente antiaglomerante) indispensável à sua conservação ou transporte; (iii) ou de uma substância antipoeira, de um corante ou de uma substância aromática, com a finalidade de facilitar a sua identificação ou por razões de segurança. Por fim, a mistura resultante da inclusão dessas substâncias não poderá tornar o produto particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação geral. Esclarecido isso, passase ao exame das informações carreadas aos autos com vistas à correta identificação e classificação fiscal das mercadorias. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.007175/200621 Acórdão n.º 3102001.920 S3C1T2 Fl. 5 7 Os quesitos apresentados na solicitação de apoio pericial foram assim redigidos. 1. Identificar a composição química do produto, comparandoa com a descrição acima. 2. Tratase de preparação ou produto de constituição química definida, apresentado isoladamente? 3. Qual a aplicação ou finalidade do produto? 4. Demais considerações julgadas pertinentes. Em resposta a eles, o Laboratório de Nacional de Análises apresentou as seguintes respostas. CONCLUSÃO Tratase de uma Preparação constituída de Riboflavina (Vitamina B2) e Polissacarídeo (Excipiente), na forma de esferas. RESPOSTAS AOS QUESITOS: 1. Não se trata somente de Riboflavina (Vitamina B2). Tratase de Preparação constituída de Riboflavina (Vitamina B2) e Polissacarídeo (Excipiente), na forma de esferas, a ser utilizada pelas indústrias formuladoras de ração. 2. Tratase de Preparação especificamente elaborada para ser adicionada na ração animal e/ou prémisturas. 3. De acordo com Literatura Técnica Especifica (Anexo I), mercadoria de denominação comercial MICRO VIT B2 SUPRA 80 é uma fonte de Riboflavina (Vitamina B2)desenvolvida exclusivamente para produção de ração animal. 4.Quanto ao outro componente encontrado além da Riboflavina (Vitamina B2), informamos: O Polissacarídeo não se trata de impureza, estabilizante, antiaglomerante e nem de agente antipoeira, adicionado por razões de segurança. Tratase de excipiente utilizado como aglutinante para posterior granulação, formando um revestimento resistente à alta pressão, fricção, temperatura e umidade. Esse revestimento também garante aos formuladores maior eficiência em condições normais de premix e peletização, assim como nos processos de extruscio e estabilidade em meio de premixes agressivos à base de Sais Minerais (oxidantes das vitaminas), além de facilitar o manuseio e o doseamento. Ressaltamos que de acordo com Literatura Técnica Especifica (Anexo I), mercadoria de denominação comercial MICROVIT B2 SUPRA 80 é um pó alaranjado e fino, formado por partículas arredondadas e uniformes, obtidas por granulação de micropartículas de Riboflavina (Vitamina B2) à 80%, apresentando excelentes características de armazenamento, manuseio e dosagem em fábricas de premix, garantido a qualidade do produto final. Informamos que a razão da Riboflavina (Vitamina B2) apresentarse reparada da maneira descrita acima, devese ao uso específico a que se destina, ou seja, Fl. 172DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA 8 adição à ração animal. Nesta, é fundamental a garantia da integridade das Vitaminas. Para tanto, na produção de ração balanceada exigese que todos os seus constituintes permitam facilidade de dispersão e homogeneização, resistam às condições adversas do manuseio, em termos da presença de outras substâncias incompatíveis, e não estabilizada exclusivamente por razões de segurança ou por necessidades de ao transporte. De acordo com Ficha do Produto (Anexo II), a mercadoria de denominação comercial MICROVIT B2 SUPRA 80 é constituída de Riboflavina (Vitamina B2) e Veículo (solúveis de fermentação condensados). Informamos que Riboflavina (Vitamina B2), sem a presença de excipientes, já foi objeto de análise no LABANA, cuja cópia do Laudo de Análise n° 0689/2001 ( Anexo III), tomamos a liberdade de anexar. Por se tratar de mercadoria destinada a ser adicionada à ração animal, consultar órgão Competente (Ministério da Agricultura), quanto as indicações e modo de uso. De plano, deve ser rechaçada a alegação que atribui a uma interpretação equivocada do laudo a conclusão de que o produto importado não se trataria de vitamina pura e sim uma preparação de vitamina. Como resta incontroverso do item 1 da resposta acima transcrita, a mercadoria importadas não “se trata somente de Riboflavina (Vitamina B2)”, mas sim de uma preparação “constituída de Riboflavina (Vitamina B2) e Polissacarídeo (Excipiente), na forma de esferas, a ser utilizada pelas indústrias formuladoras de ração”. Também não procede o argumento de que a mercadoria tratase de um produto químico orgânico e que os elementos acrescidos à sua fórmula são necessários e servem apenas como veículos para possibilitar o transporte, utilização, manuseio e conservação. No item 4, a perícia esclarece que o Polissacarídeo não se tratam de impureza nem de agentes antipoeira, adicionado por razões de segurança. Ao contrário de como defende a Recorrente, a parte final do Laudo Pericial deixa claro que “a razão da Riboflavina (Vitamina B2) apresentarse reparada da maneira descrita acima, devese ao uso específico a que se destina, ou seja, adição à ração animal”. Noutro giro, não pode ser acolhido o argumento de que o uso de vitaminas na nutrição de animais não pode ser considerado uso específico. A definição de vitaminas contida nas NESH e trazida pela defesa informa trataremse de substâncias indispensáveis ao funcionamento normal do organismo do homem ou dos animais. Isso, por óbvio, não é o mesmo que dizer que elas estejam sempre destinadas à utilização na fabricação de ração. Vitaminas podem ser utilizadas nas mais diversas finalidades, ainda que, ao final, terminem sempre destinadas a incrementar a dieta de homens ou animais. De fato, de tudo o que foi esclarecido pela Perícia, não tenho dúvidas de que o acréscimo das substâncias descritas no laudo técnico, além de descaracterizar o produto, transformandoo, de vitamina em Preparação constituída de Bissulfito de Menadiona Dimetilpirimidinol e Excipientes, tornouo apto a ser utilizado em uma função específica, em detrimento do uso geral. Não tivesse sido assim preparada, poderia ser utilizada indistintamente em qualquer outro finalidade. Já no que se refere à Solução de Consulta nº 11/99 da Coana, imperioso observar qual foi o produto descrito na Decisão em comento. Mercadoria Fl. 173DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.007175/200621 Acórdão n.º 3102001.920 S3C1T2 Fl. 6 9 Vitarnina B2 (riboflavina) associada a uma substância antipoeira (solúveis de fermentação condensados), na concentração mínima de 800.000 mg por quilograma de sólido (80% peso/peso) (grifos meus) Ora, como bem especificado no Laudo Técnico, o produto aqui examinado não foi adicionado apenas de uma substância antipoeira. Também não favorece à Recorrente o teor das Notas Explicativas da Posição 2309. Embora, como defende, contenha exclusão expressa das vitaminas, vêse, como segue, que tal exclusão depende de que elas não estejam na condição em que foram identificadas pela Perícia Técnica. Excluemse da presente posição. (...) e. As vitaminas, mesmo de constituição química definida, misturadas entre si ou não, mesmo apresentadas em um solvente ou estabilizadas por adição de agentes antioxidantes ou antiaglomerantes, por adsorção em um substrato ou por revestimento, por exemplo, com gelatina, ceras, matérias graxas (gordas*), desde que a quantidade das substâncias acrescentadas, substratos ou revestimentos não modifiquem o caráter de vitaminas e nem as tornem particularmente aptas para usos específicos de preferência à sua aplicação geral (posição 29.36). Ou seja, se a quantidade das substâncias acrescentadas as tenham tornado particularmente aptas para usos específicos de preferência à sua aplicação geral, a regra de exclusão não se aplica. E tampouco pode ser aceito o argumento de que o produto importado, por ser sintético, está excluído do Capítulo 23 em obediência à Nota 1 a seguir transcrita. Capítulo 23 Nota. 1. Incluemse na posição 23.09 os produtos dos tipos utilizados para alimentação de animais, não especificados nem compreendidos em outras posições, obtidos pelo tratamento de matérias vegetais ou animais, de tal forma que perderam as características essenciais da matéria de origem, excluídos os desperdícios vegetais, resíduos e subprodutos vegetais resultantes desse tratamento. A referência a produtos obtidos pelo tratamento de matérias vegetais ou animais, tal como me parece, não exclui da Posição os produtos sintéticos. Como se sabe, o processo industrial de obtenção de substâncias químicas sintéticas com muita frequência lança mão de recursos naturais extraídos da flora ou mesmo da fauna. Vejase a seguir considerações, a respeito da Riboflavina, extraída de publicação técnica especializada. 1 1 ARAÚJO, J. M. A. Química de Alimentos Teoria e Prática. Viçosa, U.F.V. Imprensa Universitária, 1995. COULTATTE, T. P.; Alimentos: a química de seus componentes. 3ªedição; Porto Alegre; Artmed, 2004. SERAVALLI, E.A.G. e RIBEIRO, E.P. Química de Alimentos. São Paulo, Edgard Blücher: Instituto Mauá de Tecnologia, 2004. FENNEMA, Owen R.; Food Chemistry; 3rd edition; New York; Marcel. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA 10 3.7. Riboflavina A riboflavina (ou vitamina B2 de nome sistemático 7,8dimetil10 ribitilisoaloxazina) é um composto orgânico da classe das vitaminas. A riboflavina é utilizada como corante alimentar, sob a designação E101 ou E101a (forma fosfatada Diversos processos biotecnológicos foram desenvolvidos para a produção industrial de riboflavina, recorrendo a microorganismos capazes da sua biossíntese, incluindo fungos filamentosos como Ashbya gossypii, Candida famata e Candida flaveri, assim como as bactérias Corynebacterium ammoniagenes e Bacillus subtilis. A bactéria B. subtilis foi geneticamente modificada de forma a aumentar a produção de riboflavina e ser resistente ao antibiótico ampicilina, resistência esta utilizada como forma de seleção e marcação do organismo de interesse. É utilizada à escala comercial para produção de riboflavina para utilização na alimentação. Passo às multas. No que se refere à multa por Infração ao Controle Administrativo das Importações, a fundamentação informada no Auto de Infração fustigado tem o seguinte teor. Isto posto, por tratarse de classificação tarifária errônea e necessitar novo licenciamento, não automático, visto que a mercadoria efetivamente importada, encontrase relacionada no Tratamento Administrativo do Siscomex (Capítulo III, Seção III, Ida Portaria SECEX nº.14/2.004) e, considerando ainda, não ter sido corretamente descrita, com todos os elementos necessários a sua identificação e ao enquadramento tarifário, constituiu infração administrativa ao controle das importações (Ato Declaratório Normativo COSIT nº.12/97). Peço vênia para discordar. O Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12/97 exclui da hipótese de ocorrência da infração por importar mercadoria sem guia de importação ou documento equivalente o erro de classificação fiscal de mercadoria que estiver corretamente descrita, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, definindo, com isso, situação na qual considerase que a infração não ocorreu. Isso significa que o ADN Cosit nº 12/97 determina que não constitui infração o erro de classificação tarifária se presentes as circunstâncias nele especificadas. Contudo, o Ato não determina que, não se encontrando presentes tais circunstâncias, o erro de classificação tarifário importará em que se considere ocorrida a infração. O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa nº 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985, e no art. 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante.(grifei) Fl. 175DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.007175/200621 Acórdão n.º 3102001.920 S3C1T2 Fl. 7 11 Ou seja, em obediência à norma, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil, tanto em atividade de execução quanto de julgamento, deverá considerar que não ocorreu a infração por importação sem licenciamento sempre que constatar que a mercadoria estava correta e suficientemente descrita, mas não que, contrariu sensu, tenha ocorrido a infração sempre que a mercadoria tiver sido descrita de forma deficiente, seja pela falta de elementos importantes à sua identificação ou de informações necessárias ao correto enquadramento tarifário. Tratase de interpretação obtida da simples leitura do enunciado da norma, que determina que não constitui infração, em nenhum momento referindose às situações que constituam infração; contudo, esse entendimento é corroborado pelas disposições subsequentes, que especificam a necessidade de que a classificação tarifária errônea exija novo licenciamento, automático ou não, admitindo, assim, que o erro possa não exigir novo licenciamento. Como consequência, uma vez que constatado o erro de classificação tarifária, em situações nas quais a mercadoria não esteja correta e suficientemente descrita, será sempre necessário avaliar se esse erro remete à exigência de novo licenciamento ou não. Para tanto, é preciso debruçarse um pouco mais no estudo do assunto licenciamento de importações. O controle administrativo das importações a que se refere o caput do artigo 633 do Regulamento Aduaneiro, diz respeito ao controle que a administração exerce por ocasião da concessão da licença de importação e que se consolida no despacho aduaneiro e/ou na revisão aduaneira, quando os dados contidos na licença de importação serão cotejados com os demais documentos de instrução do despacho e com a própria mercadoria. Disso se extrai que o controle administrativo das importações é exercido em dois momentos distintos, (i) quando o Poder Público concede autorização para o particular importar mercadoria do exterior, nos prazos, condições e especificações estabelecidas na licença de importação e (ii) quando o Poder Público examina se as mercadorias importadas e demais documentos apresentados estão de acordo com os dados contidos na licença de importação. A atividade de controle exercida em cada uma dessas duas etapas é de competência de órgãos distintos dentro da administração pública federal, respectivamente, a Secretaria do Comércio Exterior SECEX e a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. As divergências entre as informações contidas na licença de importação e as obtidas no despacho aduaneiro ou na revisão aduaneira, a partir do exame da mercadoria e demais documentos, é que ensejarão consideraremse as importações como tendo sido realizada sem licença de importação, tendo em vista a desconsideração da licença apresentada. A Portaria Secex nº 21/96 trazia algumas considerações relevantes no que diz respeito ao tipo de informações contidas em uma licença de importação, esclarecendo que tais informações caracterizavam a operação de importação e definiam o seu enquadramento. Os parágrafos 1º e 2º do artigo 7º da Portaria determinavam: “§ 1º As informações de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal a serem prestadas para fins de licenciamento estão contidas no Anexo II da Portaria Interministerial MF/MICT nº 291, de 12 de dezembro de 1996. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA 12 § 2º As informações de que trata o parágrafo anterior caracterizam a operação de importação e definem o seu enquadramento.” Desde a Portaria Secex nº 17, de 1º de dezembro de 2.003; que revogou a Portaria Secex nº 21/96, as normas regulamentares deixaram de fazer menção expressa aos quatro elementos que, nos termos da Portaria Secex nº 21/96 caracterizam a operação de importação e definiam o seu enquadramento – as informações de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal. Embora isso, é de se notar que, mesmo não mencionando os elementos que caracterizam e enquadram a operação de importação, o artigo 10 da Portaria Secex nº 17/03 confirmou que nas importações sujeitas a licenciamento o importador deveria prestar as informações contidas no Anexo II da Portaria Interministerial MF/Mict nº 291, de 12 de dezembro de 1996, remissão idêntica a que fazia a Portaria Secex nº 21/96, ao referirse às informações de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal, que, como se disse, caracterizavam e enquadravam a operação. Essa referência foi mantida nas Portarias Secex 14/04, 35/06 36/07 e 25/08. Art. 10. Nas importações sujeitas aos licenciamentos automático e não automático, o importador deverá prestar, no Siscomex, as informações a que se refere o Anexo II da Portaria Interministerial MF/Mict n.o 291, de 12 de dezembro de 1996, previamente ao embarque da mercadoria no exterior. Na prática, a edição da Portaria Secex nº 17/03 não provocou qualquer mudança no que diz respeito às informações que deverão ser prestadas pelo importador para a obtenção da licença de importação, devendose considerar que tais informações continuam sendo aquelas das quais o órgão licenciador lança mão no processo de análise do pedido de licenciamento. O Anexo II da Portaria Interministerial MF/Mict nº 291/96 contém, portanto, todas as informações que devem ser prestadas pelo importador nas importações sujeitas a licenciamento, sendo essas as informações que poderão ser analisadas pela administração, com vistas à concessão do licenciamento pleiteado. São elas: Importador, País de procedência, URF de despacho, URF de entrada no País, Exportador, Fabricante ou produtor, Classificação fiscal da mercadoria na NCM, Classificação da mercadoria na NALADI/SH ou NALADI/NCCA, Quantidade na medida estatística, Peso líquido em Kg, INCOTERM, Número "commoditie", Moeda na condição de venda, Valor total da operação na moeda negociada, Destaque NCM, Processo anuente, Indicativos da condição da mercadoria, Descrição detalhada da mercadoria, Especificação, Unidade comercializada, Quantidade na unidade comercializada, Valor unitário da mercadoria na condição de venda, Acordo tarifário, Regime de tributação para o Imposto de Importação, Fundamentação legal, Ato Concessório Drawback, Natureza cambial, Cobertura cambial, Modalidade de pagamento, Instituição financiadora, Código, Denominação, Motivo da importação sem cobertura cambial, Quantidade de dias para limite de pagamento, Substituição de LI, Informações complementares. A relação contida no Anexo II da Portaria Interministerial MF/Mict nº 291/96 não deixa margem de dúvidas quanto ao alcance das informações exigidas pela Administração com vistas à analise e o deferimento da licença de importação. Tratase de uma relação exaustiva, abrangendo dados relacionados à mercadoria, seu enquadramento fiscal, à transação comercial, o pagamento etc. No processo de análise e deferimento da licença de importação, toda essa gama de informações especificada no Anexo II da Portaria 291/96 é do interesse da Administração e deve ser prestadas de forma correta, retratando precisamente a operação que se deseja licenciar, de tal sorte que todos os elementos relevantes para cada operação específica possam ser avaliados e a licença concedida ou indeferida, tendo em vista a adequação do Fl. 177DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.007175/200621 Acórdão n.º 3102001.920 S3C1T2 Fl. 8 13 pedido à política de controle das operações de importação vigente à época em que o licenciamento está sendo examinado. Os artigos 14 e 15 da Portaria Secex nº 17/03, abaixo transcritos, especificam qual procedimento será observado pela DECEX (Departamento de Operações de Comércio Exterior) no caso de serem verificados erros e/ou omissões no preenchimento do pedido de licença. Art. 14. Quando forem verificados erros e/ou omissões no preenchimento do pedido de licença ou mesmo a inobservância dos procedimentos administrativos previstos para a operação ou para o produto, o Decex registrará, no próprio pedido, advertência ao importador, solicitando a correção de dados. § 1o... § 2.°... Art. 15. Não será autorizado licenciamento quando verificados erros significativos em relação à documentação que ampara a importação ou indícios de fraude ou patente negligência. (grifei) Parágrafo Único. Em qualquer caso, serão fornecidas informações relativas aos motivos do indeferimento do pedido, assegurado o recurso por parte do importador, na forma da lei. Independentemente do tipo de operação para a qual se pretende obter a licença ou do tipo de mercadoria importada, em três hipóteses não será autorizado o licenciamento pleiteado pelo importador: erros significativos, indícios de fraude e patente negligência. Por outro lado, uma vez concedida a licença, ela poderá ser retificada antes ou depois do desembaraço das mercadorias, sendo preservada a validade do licenciamento original, desde que a alteração não descaracteriza a operação original. Art. 20. A empresa poderá solicitar a alteração do licenciamento, até o desembaraço da mercadoria, em qualquer modalidade, mediante a substituição, no Siscomex, da licença anteriormente deferida. § 1o A substituição estará sujeita a novo exame pelo(s) órgão(s) anuente(s), mantida a validade do licenciamento original. § 2o Não serão autorizadas substituições que descaracterizem a operação originalmente licenciada. Art. 21. O licenciamento poderá ser retificado após o desembaraço da mercadoria, mediante solicitação ao órgão anuente, o que será objeto de manifestação fornecida em documento específico. De todo o exposto, concluo que será preciso decidir se o erro cometido pelo importador ao indicar a classificação incorreta da mercadoria descaracterizou ou não a operação originalmente licenciada, exigindo, por conseguinte, novo licenciamento. Não há como escapar de uma análise de mérito, caso a caso, buscando identificar se o erro teve esse efeito. Será necessário, inclusive, investigar se para a NCM licenciada havia tratamento administrativo distinto daquele atribuído à NCM correta, para então, somente depois de constatada a necessidade de novo licenciamento, avaliar se a mercadoria estava ou não correta Fl. 178DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA 14 e suficientemente descrita e decidir pela aplicação ou não da multa por importar mercadoria sem licença de importação ou documento equivalente. A leitura que se tem dos fatos relatados leva à conclusão de que esse aspecto se quer foi investigado. Embora o Auto de Infração informe sobre a necessidade de licenciamento não automático para a nova classificação tarifária, a mercadoria foi desembaraçada com licenciamento igualmente não automático, sem que as condições de um e de outro tenham sido cotejadas. A Recorrente não tem a mesma sorte em relação à multa por declaração inexata, no percentual de 75% da diferença de Imposto e à multa mínima de R$ 500,00 por erro de classificação. A última independe de a mercadoria ter ou não sido corretamente descrita ou de qualquer outro fator. É aplicada pelo simples fato de haver erro de classificação. No caso, houve. Já em relação à primeira, contrariamente ao entendimento da Recorrente, acredito que, de fato, a mercadoria não tenha sido descrita com todos os elementos necessários à sua correta classificação fiscal. No caso vertente, seria imperioso informar que substâncias identificadas no Laudo haviam sido acrescidas à Vitamina, com vistas ao seu emprego na fabricação de rações. VOTO POR DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para afastar a multa ao Controle Administrativo das Importações, consignada no Auto de Infração no valor de R$ 18.978,36. Sala de Sessões, 27 de junho de 2013. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 179DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 12898.000314/2010-14
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. ART. 32 DA LEI 8.212/91. ART. 32-A DA LEI 8.212/91. REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.941/09. RETROATIVIDADE BENIGNA. CÁLCULO.
Merece recálculo a multa por descumprimento da obrigação principal, nos termos do art. 32, parágrafo 4º da Lei 8.212/91, em razão do advento do art. 32-A da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei 11.941/09.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.255
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32-A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Freitas de Souza Costa. Ausente o Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. ART. 32 DA LEI 8.212/91. ART. 32-A DA LEI 8.212/91. REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.941/09. RETROATIVIDADE BENIGNA. CÁLCULO. Merece recálculo a multa por descumprimento da obrigação principal, nos termos do art. 32, parágrafo 4º da Lei 8.212/91, em razão do advento do art. 32-A da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei 11.941/09. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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MULTA. ART. 32 DA LEI 8.212/91. ART. 32A DA LEI 8.212/91. REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.941/09. RETROATIVIDADE BENIGNA. CÁLCULO. Merece recálculo a multa por descumprimento da obrigação principal, nos termos do art. 32, parágrafo 4º da Lei 8.212/91, em razão do advento do art. 32A da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei 11.941/09. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 03 14 /2 01 0- 14 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Freitas de Souza Costa. Ausente o Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 12898.000314/201014 Acórdão n.º 2403002.255 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário, interposto em face do Acórdão nº., fls., que julgou procedente o lançamento para manter a multa exigida nos AI DEBCAD: 37.212.0644, no valor de R$ 46.556,07 (quarenta e seis mil quinhentos e cinqüenta e seis reais e sete centavos), por ter o contribuinte apresentado GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8212/91, art. 32, IV e parágrafo 5º c/c art. 225, IV e parágrafo 4º do Decreto n. 3.048/99. Segundo o auditor fiscal, a empresa deixou de declarar em GFIP todos os segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, bem como a totalidade das remunerações pagas, devidas ou creditadas a esses segurados, além de ter informado de forma equivocada o código do FPAS, tendo indicado o FPAS 639, quando o correta seria o FPAS 566 DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação fiscal em epígrafe, conforme instrumento de fls. 42/43. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a 12ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Campinas, DRJ/RJ1, prolatou o Acórdão n° 1246.872, fls. 86/90, julgando improcedente a impugnação para manter o crédito tributário. O julgado foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Data do fato gerador: 26/05/2010 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. MULTAS COM FUNDAMENTOS DIVERSOS. NÃO OCORRÊNCIA DE BIS IN IDEM. O descumprimento de uma obrigação principal e outra de natureza instrumental ensejará a aplicação de multas distintas com fundamentos igualmente diversos, não havendo que se falar em dupla penalização por um mesmo fato Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 114DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a recorrente interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 94/98, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1. A declaração incompleta dos segurados empregados e autônomos e respectivas remuneração é objeto de lançamento específico, constante dos DEBCAD`s 37.212.061.1, 37.212.0628 e 37.212.063.6, nos quais se discutiria o mérito do lançamento; 2. Quanto a informação equivocada do código que foi referido como FPAS639 e deveria ser FPAS566, alega que o código utilizado por ele estaria correto pois a suplicante é ao mesmo tempo instituição isenta e exerce atividade de museu, logo, os dois códigos estariam corretos. É o relatório. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 12898.000314/201014 Acórdão n.º 2403002.255 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme documento de fls.94 e 108, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO Quanto a primeira alegação do contribuinte, de que estaria sendo penalizado mais de uma vez pelo mesmo fato, uma vez que a matéria seria objeto de lançamento nos DEBCAD 37.212.061.0 (Empresa), 37.212.0628 (Parte Segurados – Empregados e Contribuintes individuais) e 37.212.063.6 (Terceiros), não merece acolhimento. Os referidos DEBCAD`s tratam da exigibilidade da obrigação principal, enquanto este trata apenas do descumprimento de obrigação acessória, não se confundindo, conforme expressa disposição do CTN, art. 113. O que poderia ocorrer, seria a prejudicialidade de uma matéria para com a outra, em razão da própria natureza da multa do art. 32 da Lei 8.212/91. No entanto, conforme pesquisa realizada pelo COMPROT percebese que os processos que tratavam da exigência da obrigação principal, informado no Relatório Fiscal, fl. 09, foram objeto de parcelamento, possuindo desde 31/08/2011, a mesma localização: EQ PARCELAMENTODICATDRFRJ1. Também não consta qualquer passagem dos referidos processos pelo CARF. Tratamse dos processos 12898.000311/201081; 12898.000312/201025; 12898.000313/201070. Com relação ao código FPAS entendo que assiste razão à fiscalização, em razão do enquadramento da atividade da recorrente, no CNAE Primário 94.30800 – Atividades de associações de defesa de direitos sociais e; Secundário 94.93600 Atividades de organizações associativas ligadas à cultura e à arte e 94.99500 Atividades associativas não especificadas anteriormente. Alega a recorrente que é imune às contribuições previdenciárias na forma do art. 55 da Lei 8.212/91, no entanto, em momento algum faz prova do alegado, nos termos do art. 333 do Código de Processo Civil. Portanto, não assiste razão ao recorrente. DA MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da MP nº 449/08, convertida na Lei n° 11.941/09. Ela inseriu o art. 32A na Lei Fl. 116DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 n° 8.212/91 e alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas ao inciso IV do art. 32 da Lei n° 8.212/91, in verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Logo, quando houver descumprimento da Obrigação Acessória prevista no art. 32, IV da Lei nº 8.212/91, aplicase a multa prevista acima. Ocorre que ela deverá ser aplicada da seguinte forma: 1. Somase o total das informações incorretas ou omitidas; 2. Dividese o total em grupos de 10. Para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas será aplicada a multa de R$ 20,00 (art. 32A, I); Fl. 117DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 12898.000314/201014 Acórdão n.º 2403002.255 S2C4T3 Fl. 5 7 3. Além dessa multa, aplicase a multa de 2% ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (art. 32A, II); 4. A multa mínima a ser aplicada será de R$ 500,00, para o caso da multa prevista no inciso I e R$ 500,00 para a multa prevista no inciso II, ambos do art. 32A da Lei nº 8.212/91 (art. 32A, § 3º, II). Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, “c”, do CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, § 5º da Lei nº 8.212/91 c/c art. 225, IV e parágrafo 4º do Decreto n. 3.048/99 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, nos moldes transcritos acima. Considerando que as incorreções ocorreram nas competências do ano calendário de 2006, devese recalcular a multa de todo o período. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto pelo provimento parcial do presente Recurso Voluntário, para determinar o recálculo da multa, de acordo com o determinado no art. 32A, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte, na forma descrita no corpo do voto. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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