Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,871)
- Primeira Turma Ordinária (16,379)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,197)
- Primeira Turma Ordinária (16,160)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,511)
- Segunda Turma Ordinária d (12,428)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,468)
- Quarta Câmara (85,170)
- Terceira Câmara (67,786)
- Segunda Câmara (56,453)
- Primeira Câmara (20,645)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,453)
- Segunda Seção de Julgamen (115,046)
- Primeira Seção de Julgame (76,951)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,607)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,899)
- HELCIO LAFETA REIS (3,843)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,781)
- WILDERSON BOTTO (2,640)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,493)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,600)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2026 (16,157)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13971.900878/2008-77
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ADMISSIBILIDADE.
O crédito tributário do contribuinte nasce do pagamento indevido ou a maior que o devido, porém ele apenas se torna oponível à Receita Federal após a devida retificação e/ou correção das respectivas Declarações, quando então o Órgão Administrativa poderá tomar conhecimento daquele direito creditório em questão.
De qualquer forma, em determinadas situações, em razão do procedimento eletrônico de compensação, em que não há espaço para emendas ou correções pelo contribuinte, há que se admitir e analisar a retificação da DCTF efetuada posteriormente ao despacho decisório, sob pena de excesso de rigorismo, que não resolve satisfatoriamente a lide travada e leva o contribuinte ao Poder Judiciário, apenas fazendo aumentar a condenável litigiosidade.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3403-003.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatório e do Voto que fazem parte integrante do presente.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ADMISSIBILIDADE. O crédito tributário do contribuinte nasce do pagamento indevido ou a maior que o devido, porém ele apenas se torna oponível à Receita Federal após a devida retificação e/ou correção das respectivas Declarações, quando então o Órgão Administrativa poderá tomar conhecimento daquele direito creditório em questão. De qualquer forma, em determinadas situações, em razão do procedimento eletrônico de compensação, em que não há espaço para emendas ou correções pelo contribuinte, há que se admitir e analisar a retificação da DCTF efetuada posteriormente ao despacho decisório, sob pena de excesso de rigorismo, que não resolve satisfatoriamente a lide travada e leva o contribuinte ao Poder Judiciário, apenas fazendo aumentar a condenável litigiosidade. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 05 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13971.900878/2008-77
anomes_publicacao_s : 201501
conteudo_id_s : 5414415
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3403-003.343
nome_arquivo_s : Decisao_13971900878200877.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
nome_arquivo_pdf_s : 13971900878200877_5414415.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatório e do Voto que fazem parte integrante do presente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
dt_sessao_tdt : Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
id : 5778728
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:34:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047476999553024
conteudo_txt : Metadados => date: 2014-11-29T18:39:47Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2014-11-29T18:39:47Z; Last-Modified: 2014-11-29T18:39:47Z; dcterms:modified: 2014-11-29T18:39:47Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:656f0dd0-64cc-4db9-b48d-f51f15c8fe96; Last-Save-Date: 2014-11-29T18:39:47Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2014-11-29T18:39:47Z; meta:save-date: 2014-11-29T18:39:47Z; pdf:encrypted: true; modified: 2014-11-29T18:39:47Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2014-11-29T18:39:47Z; created: 2014-11-29T18:39:47Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2014-11-29T18:39:47Z; pdf:charsPerPage: 2000; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2014-11-29T18:39:47Z | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 4 1 3 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.900878/200877 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403003.343 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 15 de outubro de 2014 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente ELECTRO AÇO ALTONA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ADMISSIBILIDADE. O crédito tributário do contribuinte nasce do pagamento indevido ou a maior que o devido, porém ele apenas se torna oponível à Receita Federal após a devida retificação e/ou correção das respectivas Declarações, quando então o Órgão Administrativa poderá tomar conhecimento daquele direito creditório em questão. De qualquer forma, em determinadas situações, em razão do procedimento eletrônico de compensação, em que não há espaço para emendas ou correções pelo contribuinte, há que se admitir e analisar a retificação da DCTF efetuada posteriormente ao despacho decisório, sob pena de excesso de rigorismo, que não resolve satisfatoriamente a lide travada e leva o contribuinte ao Poder Judiciário, apenas fazendo aumentar a condenável litigiosidade. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatório e do Voto que fazem parte integrante do presente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 08 78 /2 00 8- 77 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 2 (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator). Relatório Trata o presente processo de compensação comunicada eletronicamente, por meio da qual a Recorrente procura ver compensados débitos seus, da competência 10/2004, com créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS (apurados no regime da nãocumulatividade em 29.02.2004). A DRF Origem, em Blumenau/SC, em despacho decisório, não homologou a compensação, sob o fundamento da inexistência do crédito informado, pois o valor da DARF discriminado no PER/DCOMP havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível de compensação. A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em que aduz que realmente houve simples erro no preenchimento da DCTF e da DACON, e por essa razão o valor informado na PER/DCOMP seria diverso do constante na DCTF e na DACON, e que por essa razão encaminhou em 20 de maio de 2008 DCTF e DACON retificadoras informando o débito correto. A DRJ manteve a negativa inicial sob o fundamento de que quando a Recorrente apresentou a compensação não estava formalizada a existência de pagamento indevido alegado, o que retiraria do crédito a liquidez e a certeza exigidos para a recuperação e a consequente compensação. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário em que reitera a tese de que possui direito ao crédito, tanto que efetuou a retificação de sua DCTF e de sua DACON, retificações essas que não teriam sido consideradas pela DRJ. O processo foi encaminhado ao CARF para julgamento, sendo que a Segunda Turma Ordinário, por maioria de votos, resolveu converter o julgamento em diligência para que a Administração Tributária se pronuncie acerca da integralidade ou não do crédito da Recorrente informado na DCOMP. Na resolução, entendeu o Relator, tendo sido seguido por maioria, que seria irrelevante o fato de a DACON e a DCTF terem sido retificadas posteriormente à transmissão da DCOMP, e, nesse sentido, justificase a realização da diligência. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 13971.900878/200877 Acórdão n.º 3403003.343 S3C4T3 Fl. 5 3 A Informação Fiscal de fls. 71/73 do processo físico (fls. 84/87 do processo eletrônico), informa que abstraindose a questão da apresentação da DCTF retificadora após a ciência do Despacho Decisório de indeferimento, podese concluir, com base nas informações na DCTF, que a Recorrente pretendia pagar parte da COFINS do mês de outubro de 2004 correspondente a R$ 6.849,60, com um crédito de pagamento a maior do mesmo tributo relativo ao mês de fevereiro de 2004, correspondente a R$ 6.245,08 (valor original), que resulta em R$ 6.849,60, atualizados. Do resultado da diligência foi dada vista ao Recorrente, após o processo ter retornado ao CARF, que identificou tal necessidade, permanecendo a Recorrente silente sobre a Informação Fiscal. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista Realmente, como apontado pelo Conselheiro Júlio César Alves Ramos, não há nos autos o pedido inicial de compensação formulado, que se inicia com a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, resultante, pois, de um processo de verificação eletrônica de compensação necessário a possibilitar esse tipo de pedido eletrônico por milhares de contribuintes no país todo. O julgamento da questão objetivo do presente processo administrativo ainda não chegou ao seu termo final, porém, em Resolução que determinou a realização da diligência tomada por maioria de votos, a aludida Turma concluiu que seria possível a verificação da existência de crédito mesmo com a retificação da DCTF e da DACON realizadas após o recebimento do Despacho Decisório. E isso porque o crédito, o indébito, na realidade, não nasce na DCTF, mero instrumento de declaração de tributos federais, mas sim com o pagamento indevido, sendo a DCTF e a própria DACON documentos de caráter informativo à Receita Federal, e, no caso da DCTF, com efeitos declaratórios. Isso significa dizer, nessa linha de raciocínio, que ainda que a DCTF não aponte o referido crédito, por lapso do contribuinte, se realmente houve pagamento a maior anteriormente, existe crédito, que passa a ser do conhecimento da Receita Federal a partir da retificação da documentação e da identificação documental, ainda que por meio eletrônico, da existência real do mencionado crédito. Porém, o crédito do contribuinte decorrente de um pagamento efetivo a maior ou qualquer outra razão devidamente fundamentada juridicamente, em meu pensar, apenas se torna oponível contra a Receita Federal, em processo administrativo, a partir da retificação/correção dos respectivos documentos, quando, então, o Órgão Fazendária terá condições de tomar ciência de tal saldo credor e se manifestar sobre ele de forma apropriada. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 4 Tal forma de proceder é própria do mundo do Direito, em que se exige a formalização de determinada situação fática em linguagem competente para que ela tenha condições de produzir as consequências esperadas pelos participantes. No presente caso, ainda que a Recorrente tenha incorrido em erro ao não retificar a sua DCTF anteriormente ao pedido de compensação, o que levaria, com alta probabilidade, à homologação de sua compensação, vejo excesso de rigor fiscal na exigência veiculada pela DRJ, entendendo que o crédito deveria estar devidamente formalizado anteriormente à compensação. Com efeito, justificase tal exigência na medida em que a Receita Federal analisa milhares de pedidos de crédito, não sendo, pois, de responsabilidade da Receita a prática de atos que são próprios dos contribuintes. De qualquer forma, não se pode perder de vista que se trata de processo eletrônico, em que se ganha em muito no campo da objetividade e da economia processual, mas por outro lado se perde ao não se permitir a retificação do pedido ou a correção de informações pelo próprio contribuinte, o que reduziria significativamente o contencioso administrativo decorrente de compensação. Somase a isto o fato de que a simples negativa de compensação impede que o contribuinte maneje o referido crédito novamente perante a Receita, obrigandoo a trilhar o caminho do Poder Judiciário, o que, em meu pensar, leva o julgador a adotar uma posição mais próxima da realidade, permitindo, em determinados casos, que a retificação da DCTF após o despacho decisória surta o efeito compensatório adequado a ser confirmado em realização de diligência. No presente caso, a Informação Fiscal deu conta de que a Recorrente, com base na DCTF, certamente a DCTF retificada, faria jus a um crédito compensável com o débito por ela apontado, resolvendo, portanto, a discussão administrativa. Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário e, nos termos da Informação Fiscal, lhe dou provimento. É como voto. (assinado eletronicamente) Luiz Rogério Sawaya Batista Relator Fl. 118DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA
score : 1.0
Numero do processo: 10665.002030/2008-56
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2000 a 31/03/2003
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N.º 8. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
A súmula vinculante n.º 8 declarou a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, de forma que o prazo para extinção do crédito tributário deve obedecer o disposto no CTN. Uma vez que se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo deve obedecer o disposto no art. 150, § 4º, do CTN.
COOPERATIVAS DE TRABALHO. RETENÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RE 595.838. VINCULAÇÃO. RICARF
O Supremo Tribunal Federal julgou pela inconstitucionalidade da contribuição instituída no art. 22, IV da Lei 8.212/91, sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho nos autos do RE 595.828.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-002.816
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminar: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para declarar a decadência dos fatos geradores de 03/2000 a 08/2001. No Mérito: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Jhonatas Ribeiro da Silva, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2000 a 31/03/2003 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N.º 8. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. A súmula vinculante n.º 8 declarou a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, de forma que o prazo para extinção do crédito tributário deve obedecer o disposto no CTN. Uma vez que se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo deve obedecer o disposto no art. 150, § 4º, do CTN. COOPERATIVAS DE TRABALHO. RETENÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RE 595.838. VINCULAÇÃO. RICARF O Supremo Tribunal Federal julgou pela inconstitucionalidade da contribuição instituída no art. 22, IV da Lei 8.212/91, sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho nos autos do RE 595.828. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10665.002030/2008-56
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5425729
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2403-002.816
nome_arquivo_s : Decisao_10665002030200856.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
nome_arquivo_pdf_s : 10665002030200856_5425729.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminar: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para declarar a decadência dos fatos geradores de 03/2000 a 08/2001. No Mérito: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Jhonatas Ribeiro da Silva, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
id : 5812773
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:35:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047477039398912
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1655; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10665.002030/200856 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.816 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 05 de novembro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente VOTORANTIM METAIS NÍQUEL S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 31/03/2003 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N.º 8. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. A súmula vinculante n.º 8 declarou a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, de forma que o prazo para extinção do crédito tributário deve obedecer o disposto no CTN. Uma vez que se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo deve obedecer o disposto no art. 150, § 4º, do CTN. COOPERATIVAS DE TRABALHO. RETENÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RE 595.838. VINCULAÇÃO. RICARF O Supremo Tribunal Federal julgou pela inconstitucionalidade da contribuição instituída no art. 22, IV da Lei 8.212/91, sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho nos autos do RE 595.828. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 20 30 /2 00 8- 56 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminar: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para declarar a decadência dos fatos geradores de 03/2000 a 08/2001. No Mérito: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Jhonatas Ribeiro da Silva, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10665.002030/200856 Acórdão n.º 2403002.816 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da Decisão Notificação Nº 11.4014/1.036/2006, fls. 63/67, que julgou totalmente improcedente a defesa apresentada para manter incólume o crédito tributário consubstanciado no DEBCAD 37.203.5827, referente ao período de 03/2000 a 03/2003, no valor de R$ 469.793,81(quatrocentos e sessenta e nove mil, setecentos e noventa e três reais e oitenta e um centavos). A presente autuação almeja o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos, através de notas fiscais de prestação de serviços prestados por cooperativas, não declarados em GFIP e não recolhidos, conforme Relatório Fiscal, fls. 25/28, vejamos: 02. CRÉDITO: O presente crédito referese a contribuições devidas aos Instituto nacional do Seguro Social – INSS e destinadas à Seguridade Social, no período de 03/200 a 03/2003, incidentes sobre o valor pago ou creditado a cooperativa de trabalho que intermediou a prestação de serviços de segurados cooperados. O crédito corresponde à contribuição, a cargo da empresa, incidente sobre o valor bruto das notas fiscais ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperativas de trabalho, previsto no Artigo 22, Inciso IV da Lei n. 8.212 de 24/07/1991, com redação dada pela Lei n.º 9.876 de 26/11/1999. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação fiscal em epígrafe por meio do instrumento de fls. 35/48. DA DECISÃO NOTIFICAÇÃO Após analisar os argumentos do então impugnante, a Delegacia da Receita Previdenciária em Belo Horizonte, prolatou a Decisão Notificação Nº 11.4011/1.036/2006, fls. 63/67, a qual julgou improcedente a impugnação ofertada para manter incólume o crédito tributário, conforme ementa a seguir transcrita. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE OS SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS ATRAVÉS DE COOPERATIVA DE TRABALHO – DECADÊNCIA. Incide contribuição previdenciária relativo a serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, na alíquota de 15% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, nos termos do art. 22, IV da Lei n.º 8.212/91, e alterações posteriores. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 É de dez anos o prazo para a apuração e constituição do crédito previdenciário, nos termos da Lei 8.212/91, art. 45, incisos I e II O contencioso administrativofiscal não é foro adequado para discussão de ilegalidade ou inconstitucionalidade de normas. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a Recorrente, Votorantim Metais Níquel SA, interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 88/105, requerendo a reforma da Decisão Notificação, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1 A decadência do direito da SRP constituir o crédito previdenciário relativamente aos fatos geradores anteriores a 28/09/01 2 A não incidência da contribuição social sobre serviços prestados por cooperativas – violação ao artigo 195, I, “a”, da Constituição Federal. É o relatório. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10665.002030/200856 Acórdão n.º 2403002.816 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA ADMISSIBILIDADE Conforme documento de fl. 136, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. DA DECADÊNCIA Na decisão de fls. 63/67, entendeu a Delegacia o prazo para a apuração e constituição do crédito previdenciário deveria seguir os termos do artigo 45, incisos I e II da Lei 8.212/91, no qual se diz que o prazo para a apuração e constituição é de 10 anos. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõem o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: Fl. 143DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Nesse diapasão, mister destacar que para que seja aplicado o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, basta que haja a antecipação no pagamento de qualquer Contribuição Previdenciária, ou seja, não é necessária a antecipação em todas as competências. Havendo a antecipação parcial em uma única competência, já se aplica as regras do art. 150, § 4º do CTN. Também é entendimento deste Relator, que a antecipação a título de Contribuição Previdenciária abrange o pagamento para todas as rubricas relacionadas, tais como: destinadas a outras entidades e fundos — Terceiros (Salárioeducação e INCRA), dentre outras. Como se pode observar a fl. 2, o contribuinte tomou ciência do AI no dia 29/09/2006 o qual trata apenas de exigibilidade de contribuição de 15%, não havendo notícia de falta de recolhimento de outras contribuições, assim sendo, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária de períodos anteriores à 09/2001 encontramse extintos de acordo com o art. 150, parágrafo 4º do CTN. Portanto, o crédito tributário das competências de 03/2000 a 08/2001 encontramse devidamente extintos. COOPERATIVAS DE TRABALHO Quanto às cooperativas de trabalho, as contribuições devidas a cargo da empresa, tem sua disposição no artigo 22, IV, da Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além dos disposto no art. 23, é de: (...) IV – quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Ocorre que o Supremo Tribunal Federal – STF , em sessão plenária realizada em 23/04/2014, em sede de Recurso Extraordinário, de n.º 595838, sob o manto da Repercussão Geral, art. 543B do CPC, ajuizado pela Etel Estudos Técnicos Ltda., em face da União, cuja inconstitucionalidade fora declarada pela unanimidade de votos, conforme se percebe de seu trecho abaixo, in verbis: Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, deu provimento ao recurso extraordinário e declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/1991, com a Fl. 144DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10665.002030/200856 Acórdão n.º 2403002.816 S2C4T3 Fl. 5 7 redação dada pela Lei nº 9.876/1999. Votou o Presidente, Ministro Joaquim Barbosa. Ausente, justificadamente, o Ministro Gilmar Mendes. Falaram, pelo amicus curiae, o Dr. Roberto Quiroga Mosquera, e pela recorrida, a Dra. Cláudia Aparecida de Souza Trindade, Procuradora da Fazenda Nacional. Plenário, 23.04.2014 Referida decisão fora publicada na ATA Nº 10, de 23/04/2014. DJE nº 85, divulgado em 06/05/2014, cuja ementa segue a seguir: Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Apenas para aclarar o alcance e motivo da inconstitucionalidade, colaciona se trecho do voto do Ministro Relator, disponibilizado no sítio eletrônico do Supremo Tribunal Federal (http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaSTF/anexo/RE595838.pdf), cuja redação é a que segue: Diante de tudo quanto exposto, é forçoso reconhecer que, no caso, houve extrapolação da base econômica delineada no art. 195, I, a, da Constituição, ou seja, da norma sobre a competência de instituir contribuição sobre a folha ou sobre outros rendimentos do trabalho. Houve violação do princípio da capacidade contributiva, estampado no art. 145, §1º, da Constituição, pois os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados Fl. 145DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 por seus associados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. Ademais, o legislador ordinário acabou por descaracterizar a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. A contribuição instituída pela Lei nº 9.876/99 representa nova fonte de custeio, sendo certo que somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, §4º, com remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. Diante do exposto, dou provimento ao recurso extraordinário para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. É como voto. Diz o art. 195, I, “a” da Constituição Federal: A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, Dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei incidentes sobre: a) folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Tendo em conta que a cooperativa é, por certo, pessoa jurídica e que os pagamentos são feitos à cooperativa contratada, e não diretamente aos cooperados, revelase, na Lei 9.876/99, uma nova contribuição que só por lei complementar poderia ter sido instituída. Por tal razão, e diante da vinculação deste conselho à decisão supra, conforme arts. 62, I, e 62A do RICARF merece ser exonerado o crédito tributário. CONCLUSÃO Do exposto, conheço do Recurso Voluntário para, preliminarmente, declarar a decadência dos fatos geradores de 03/2000 a 08/2001 e, no mérito, darlhe provimento. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10920.907789/2012-45
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/2007 a 30/09/2007
JUROS DE MORA. REDUÇÃO AUTORIZADA POR LEI. DIREITO CREDITÓRIO COMPROVADO.
A Lei nº 11.941, de 2009, autoriza a redução de 45% dos juros de mora no pagamento de débitos vencidos até 30 de novembro de 2008, em razão do quê se deve reconhecer o direito creditório que havia sido indeferido indevidamente com fundamento no recolhimento a menor do referido acréscimo legal.
Numero da decisão: 3803-006.828
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito à redução dos juros prevista na Lei nº 11.941, de 2009, no pleito creditório formulado.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/2007 a 30/09/2007 JUROS DE MORA. REDUÇÃO AUTORIZADA POR LEI. DIREITO CREDITÓRIO COMPROVADO. A Lei nº 11.941, de 2009, autoriza a redução de 45% dos juros de mora no pagamento de débitos vencidos até 30 de novembro de 2008, em razão do quê se deve reconhecer o direito creditório que havia sido indeferido indevidamente com fundamento no recolhimento a menor do referido acréscimo legal.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10920.907789/2012-45
anomes_publicacao_s : 201501
conteudo_id_s : 5414945
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3803-006.828
nome_arquivo_s : Decisao_10920907789201245.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : HELCIO LAFETA REIS
nome_arquivo_pdf_s : 10920907789201245_5414945.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito à redução dos juros prevista na Lei nº 11.941, de 2009, no pleito creditório formulado. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa e João Alfredo Eduão Ferreira.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
id : 5779258
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:34:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047477042544640
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1801; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 116 1 115 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.907789/201245 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.828 – 3ª Turma Especial Sessão de 11 de dezembro de 2014 Matéria COFINS COMPENSAÇÃO Recorrente DUAS RODAS INDUSTRIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2007 a 30/09/2007 JUROS DE MORA. REDUÇÃO AUTORIZADA POR LEI. DIREITO CREDITÓRIO COMPROVADO. A Lei nº 11.941, de 2009, autoriza a redução de 45% dos juros de mora no pagamento de débitos vencidos até 30 de novembro de 2008, em razão do quê se deve reconhecer o direito creditório que havia sido indeferido indevidamente com fundamento no recolhimento a menor do referido acréscimo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito à redução dos juros prevista na Lei nº 11.941, de 2009, no pleito creditório formulado. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 77 89 /2 01 2- 45 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.907789/201245 Acórdão n.º 3803006.828 S3TE03 Fl. 117 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou procedente apenas em parte a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da homologação parcial da compensação declarada. O contribuinte apresentara Declaração de Compensação (DComp) com vistas a extinguir débito de sua titularidade com crédito oriundo de pagamento da contribuição efetuado a maior, crédito esse reconhecido apenas em parte em razão do cômputo de multa de mora e de parte dos juros no cálculo da contribuição paga em atraso. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte argüiu que, em conformidade com os documentos comprobatórios carreados aos autos (Dacon, DCTF, PER/DCOMP e guias de recolhimento), se encontrava comprovada a totalidade do crédito declarado. A DRJ Belo Horizonte/MG reconheceu em parte o direito creditório, excluindo, com base na denúncia espontânea, a multa de mora do cálculo do valor recolhido em atraso, mantendo a diferença dos juros de mora acrescida pela repartição de origem. Cientificado da decisão em 30 de junho de 2014, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 7 de julho de 2014 e requereu o reconhecimento integral do direito creditório, alegando que os juros computados no pagamento em atraso foram calculados com base nos benefícios da Lei nº 11.941, de 2009, regulamentada pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 06, de 23 de julho 2009. Junto ao Recurso Voluntário o contribuinte traz aos autos cópia do DARF em que consta a informação “Lei nº 11.941/2009 – pagto. à vista”. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos acerca do não reconhecimento de parte do direito creditório pleiteado em sede de compensação, em razão da inserção de parcela dos juros de mora no cálculo do valor da contribuição recolhido em atraso, recolhimento esse em que apenas parte do referido acréscimo legal fora computado. O Recorrente alega que calculara os acréscimos moratórios com base nos benefícios da Lei nº 11.941, de 2009, regulamentada pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 06, de 23 de julho 2009, dispositivos esses que assim dispõem: LEI Nº 11.941, DE 27 DE MAIO DE 2009 (...) Fl. 117DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.907789/201245 Acórdão n.º 3803006.828 S3TE03 Fl. 118 3 Art. 1o Poderão ser pagos ou parcelados, em até 180 (cento e oitenta) meses, nas condições desta Lei, os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e os débitos para com a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, inclusive o saldo remanescente dos débitos consolidados no Programa de Recuperação Fiscal – REFIS, de que trata a Lei no 9.964, de 10 de abril de 2000, no Parcelamento Especial – PAES, de que trata a Lei no 10.684, de 30 de maio de 2003, no Parcelamento Excepcional – PAEX, de que trata a Medida Provisória no 303, de 29 de junho de 2006, no parcelamento previsto no art. 38 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e no parcelamento previsto no art. 10 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002, mesmo que tenham sido excluídos dos respectivos programas e parcelamentos, bem como os débitos decorrentes do aproveitamento indevido de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI oriundos da aquisição de matériasprimas, material de embalagem e produtos intermediários relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI, aprovada pelo Decreto no 6.006, de 28 de dezembro de 2006, com incidência de alíquota 0 (zero) ou como nãotributados § 1o O disposto neste artigo aplicase aos créditos constituídos ou não, inscritos ou não em Dívida Ativa da União, mesmo em fase de execução fiscal já ajuizada, inclusive os que foram indevidamente aproveitados na apuração do IPI referidos no caput deste artigo. § 2o Para os fins do disposto no caput deste artigo, poderão ser pagas ou parceladas as dívidas vencidas até 30 de novembro de 2008, de pessoas físicas ou jurídicas, consolidadas pelo sujeito passivo, com exigibilidade suspensa ou não, inscritas ou não em dívida ativa, consideradas isoladamente, mesmo em fase de execução fiscal já ajuizada, ou que tenham sido objeto de parcelamento anterior, não integralmente quitado, ainda que cancelado por falta de pagamento, assim considerados: (...) IV – os demais débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 3o Observado o disposto no art. 3o desta Lei e os requisitos e as condições estabelecidos em ato conjunto do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional e do Secretário da Receita Federal do Brasil, a ser editado no prazo de 60 (sessenta) dias a partir da data de publicação desta Lei, os débitos que não foram objeto de parcelamentos anteriores a que se refere este artigo poderão ser pagos ou parcelados da seguinte forma: I – pagos a vista, com redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício, de 40% (quarenta por cento) das isoladas, de 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal; Fl. 118DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.907789/201245 Acórdão n.º 3803006.828 S3TE03 Fl. 119 4 (...) PORTARIA CONJUNTA PGFN/RFB Nº 6, DE 22 DE JULHO DE 2009 (...) Art. 1º Os débitos de qualquer natureza junto à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) ou à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), vencidos até 30 de novembro de 2008, que não estejam nem tenham sido parcelados até o dia anterior ao da publicação da Lei n º 11.941, de 27 de maio de 2009 , poderão ser excepcionalmente pagos ou parcelados, no âmbito de cada um dos órgãos, na forma e condições previstas neste Capítulo. § 1º Para os fins do disposto no caput, poderão ser pagos ou parcelados os débitos de pessoas físicas ou jurídicas, consolidados por sujeito passivo, constituídos ou não, com exigibilidade suspensa ou não, inscritos ou não em Dívida Ativa da União (DAU), mesmo que em fase de execução fiscal já ajuizada, considerados isoladamente: (...) VI os demais débitos administrados pela RFB. (...) Art. 2º Os débitos de que trata este Capítulo poderão ser pagos ou parcelados da seguinte forma: I pagos à vista, com redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício, de 40% (quarenta por cento) das multas isoladas, de 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal; (...) Art. 14. A dívida será consolidada na data do requerimento do parcelamento ou do pagamento à vista. Considerandose os dispositivos supra, é possível concluir pela existência de autorização legal para pagamento à vista, com redução de 100% das multas e de 45% dos juros de mora, de débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) vencidos até 30 de novembro de 2008. No presente caso, temse débito vencido em outubro de 2007 e recolhido em outubro de 2009, encontrandose, por conseguinte, abrangido pelo período autorizado pela lei. Sendo o valor do principal de R$ 71.698,00 e os juros cheios, desconsiderandose a princípio a redução autorizada pela lei, de R$ 15.716,20 (conforme índice de juros de 21,92% obtido a partir dos cálculos presentes no voto condutor do acórdão embargado, bem como no site da Receita Federal), temse que, aplicandose o percentual de redução de 45%, os juros devidos ficam reduzidos a R$ 8.643,91, valor esse muito próximo, Fl. 119DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.907789/201245 Acórdão n.º 3803006.828 S3TE03 Fl. 120 5 com diferença de apenas R$ 4,31, ao efetivamente recolhido a esse título pelo Recorrente (R$ 8.639,60). Diante do exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso, para reconhecer o direito à redução dos juros prevista na Lei nº 11.941, de 2009, no âmbito do pleito creditório formulado. O provimento apenas parcial se deve ao fato de que a imputação do pagamento efetuado para fins de homologação da compensação darseá somente no momento da execução deste acórdão. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 120DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10920.003145/2004-76
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2000
NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
0 entendimento manifestado sobre o tema pelo Superior Tribunal de Justiça que o sistema preconiza para o reconhecimento da nulidade do ato processual a necessidade que se demonstre, de modo Objetivo, os prejuízos conseqüentes, com influência no direito material e reflexo na decisão da causa. No presente caso, diante da profícua discussão acerca da matéria.
tributável, não se vislumbra o alegado cerceamento do direito de defesa.
AUXÍLIO COMBUSTÍVEL. INDENIZAÇÃO
A verba paga sob a rubrica "auxilio combustível " tem por objetivo indenizar gastos com uso de veiculo próprio para realização de serviços externos de fiscalização. Neste contexto, é verba de natureza indenizatória, que não se incorpora à remuneração do fiscal para qualquer efeito e, portanto, está fora
do campo de incidência do IRPF.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2101-000.902
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: José Raimundo Tostas dos Santos
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201012
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2000 NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. 0 entendimento manifestado sobre o tema pelo Superior Tribunal de Justiça que o sistema preconiza para o reconhecimento da nulidade do ato processual a necessidade que se demonstre, de modo Objetivo, os prejuízos conseqüentes, com influência no direito material e reflexo na decisão da causa. No presente caso, diante da profícua discussão acerca da matéria. tributável, não se vislumbra o alegado cerceamento do direito de defesa. AUXÍLIO COMBUSTÍVEL. INDENIZAÇÃO A verba paga sob a rubrica "auxilio combustível " tem por objetivo indenizar gastos com uso de veiculo próprio para realização de serviços externos de fiscalização. Neste contexto, é verba de natureza indenizatória, que não se incorpora à remuneração do fiscal para qualquer efeito e, portanto, está fora do campo de incidência do IRPF. Recurso voluntário provido.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 10920.003145/2004-76
conteudo_id_s : 5405508
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2101-000.902
nome_arquivo_s : Decisao_10920003145200476.pdf
nome_relator_s : José Raimundo Tostas dos Santos
nome_arquivo_pdf_s : 10920003145200476_5405508.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
id : 5754670
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:33:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047477048836096
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-03-10T13:08:49Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-03-10T13:08:49Z; Last-Modified: 2011-03-10T13:08:49Z; dcterms:modified: 2011-03-10T13:08:49Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:272e00cb-0eca-45e5-be3f-3d7254048a39; Last-Save-Date: 2011-03-10T13:08:49Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-03-10T13:08:49Z; meta:save-date: 2011-03-10T13:08:49Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-03-10T13:08:49Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-03-10T13:08:49Z; created: 2011-03-10T13:08:49Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2011-03-10T13:08:49Z; pdf:charsPerPage: 1571; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-03-10T13:08:49Z | Conteúdo => io Marcos Cândido - rcsidntc S2-C ill ri MlNIS11RII0 DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SR- it INDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10920 003145/2004-76 Recurso n" 1 7 7 26 1 Voluntário Acórdilo n" 2101-00.902 — 1" Camara / 1" Turma Ordimiria Sess5o de 02 de dezembro de 2010 Matéria 1R PF Recorrente .10ÃO APARICIO BRAGA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUN 1'0: IMPOST() SOBRE A RENDA DE PESSO IAS1CA - IRPF Exercício: 2000 NULIDADE 1)0 I ANÇAMENTO. CERCEAMENTO D(1) DIRLITO DITF,S/V 0 entendimento manifestado sobre o tema pelo Superior 'Tribunal de Justiça que o sistema preconiza para o reconhecimento da nulidade do ato processual a necessidade que se demonstre, de modo Objetivo, os prejuízos conseqüentes, cam influência no direito material e reflexo na deeisdo da causa. No presente caso, diante da profícua discussâo acerca da matéria. tributável, não se vislumbra o alegado cerceamento do direito d.e defesa. AUXÍLIO COMBUST.I.VEL, INDENIZAÇÃO A verba paga sob a rubrica "auxilio combustível " tem por objetivo indenizar gastos coin us() de veiculo próprio para realização de serviços externos de fiscalizaçâo. Neste contexto, é verba de natureza indenizatória, que nâo se incorpora à remuneraçâo do fiscal para qualquer efeito e, portanto, está fora do campo de incidência do IRPF. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. „ J osé Raimundo Qot si Santos - Relator EDITATX) 1 FEV 2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Candid°, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioku, Gonçalo Bonet Allage, Odmir Fernandes e Ana Neyle Olímpio Holanda.. .K.elatório 0 recurso voluntário cm exame pretende a reforma do Acórdao u.° 07-15.134 (if 24), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o Auto de Infracao. A infilicdo indicada 110 lançamento e os argumentos de defesa suscitados na •mpugriaçiio foram sintetizados pelo Org5o julgador a quo nos seguintes termos: DO LANÇAMENTO Contra o contribuinte acirria identificado Foi lavrado o Auto de Inflação de li 14, através do qual se exige a importfincia R$ 4.302,63, a titulo de restituição indevida a devolver corrigida. Fin consulta ao Demonstrativo das Infrações de 11 17, vcrilica-se que a out nação (feu-se en) razão de: I) omissão de rendimentos, recebidos da Seer ciaria de Estado da Fazenda de Sta. Catarina a titulo de auxilio coMbustivel, decor entes de vinculo empregaticio; DA IMPUGNAÇÃO hisurgindo-se contra o lançamento, o interessado interpós a. impugnação de ti 01 a 13, alegando, em breve síntese, que: Examinando a legislação invocada pelo auditor, constatou-se set ela um todo desconexo, visto que a autoridade autuante limitou-se a. oferecer como supedâneo, ao ato administrativo, dispositivos regulamentares, gerando-lhe inegável impossibilidade de ampla defesa. Ex. gritante do iminestabilidade do ato fiscal é a indicação dc infiação capitulada no art. 44 do Decreto n° 3,000/99, o qual versa sobre rendimentos recebidos, em moeda estrangena, por ausentes no exterior a servi ço do pais. Jamais ornitirt qualquer rendimento, em verdade, o reclamante teve descontado o TRRF incidente sobre a verba auxilio combustível, paga a titulo de indenização pelo uso do veiculo próprio, durante todo o ano de 2000. Ao retificar a declaração original , pretendeu, somente, excluir valores pagos indevidamente, urna vez que, criada pela I ei tstadual ni 7.S81/1989, regulamentada pelo art. 3 0 do decreto n°4,606/90, a parcela em discussão, tern carat:er indenizatorio, pois, visa ressarcir a despesa suportada pelo servidor no desernpenho da sua atividade funcional; entendimento este sufragado pelo,Supremo tribunal Fedeial. no voto pro ferido na ADI 1, 4104 SC, a qual pretendia suspender a eficácia de varies incisos da Lei Complementar 11'100/95 e da Lei 9.847/95, ambas de Santa Catarina, dentre os quais, enconti ave-se o inciso Ví. da LC IV 100/95, o qual prevê a indenização pelo uso de veiculo próprio para o desempenho de função de fiscalização ou inspeção de tributos [ ....] Pr.oce0 n" I 0920 0(13115/2001 -76 52-C Ill A6órd:40 2101-00..9(12 Fl 2 obediência ao pr.incípo constitucional da leg:alidade e da típicidade, aplicado mi ria tributatia, exige que a _Lei concreta e exaustivamente, o fato tributúvel, indicando(as hipóteses de incidência, os sujeitos ativos e passivos, as bases) do cale,ulo o as aliquotas Logo, sit tração em comento, se o tato real n5o coincidir corn a hipótese legal, não há como se exigir o pagamento do tri but°. [.. I desconsiderar a verdadeira natureza do auxílio combustível efflacteriza desvirtuamento, urna ofensa ao bom senso e aos prinoípios gerais do lOireito, isto porque, o art. 150, inciso H, e o art. 151, inciso II, da Constituição Federal, vedam o tratamento desigual entre contribuintes do situação equivalente ou em razão dc ocupação profissional au fir rção exercida (servidores públicos .federais x servidores públicos estaduais). Diante de todo exposto, requer o acolhimento da impugnação, a fim de que seja . julgado totalmente, insubsistenle o auto de infração cm teIa... Fm seu apelo ao CARL, às 31.742, o recorrente reitera as mesmas questões suscitadas perante o 0rgão julgador a quo. E o relatc")rio Voto Conselheiro Jose Raimundo Tosta Santos, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade, In aliment°, rejeito a preliminar de nulidade do lançamento. () contribuinte apresentou declaração retilieadora que excluiu dos rendimentos tributiveis os valores recebidos a. titulo de indenização de transporte, baseando-se em decisão judicial proferida pela justiça Estadual, proposta contra. o Secretario de Administração do Estado de Santa Catarina., responsável pela tributação na fonte dos referidos rendimentos, 0 lançamento em exame tecoloca na base tributável referidos rendimentos . A defesa apresentada pelo sujeito passivo, tanto cm sede de impugnação quanto em recurs() voluntário, demonstra co:ill -weer cabalmente os fatos e fundamentos da exigência fiscal, em tela, muito embora haja imprecisão no eiiquadian:icnto legal. 0 entendimento manifestado sobre o tema pelo Superior Tribunal de Justiça, no REsp IV 182,364 (MU de 26..6,00, p. 207), é que o sistema preconiza para o reconhecimento da nulidade do ato processual a necessidade que se demonstre, de modo objetivo, os prejuizos conseqüentes, com influência no direito material e reflexo na decisão da eausa . No presente caso, diante da pro licua discussão acerca da matéria tributável, não se vislumbra o alegado cerceamento do direi to de (Ides& A matéria principal em litígio ¡á tbi exaustivamente debatida na extinta Segunda Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que sempre manifestou entendimento favorável ao sujeito passivo, quanto à natureza indenizatOria e, portanto, não tributável, do auxilio combustive! ., caso análogo, recursos de divergência interpostos pela Procuradoria da l'azenda 'Nacional, versando sobre a mesma matéria, foram recentemente julgados pela 4" Turma da CSRF, sessões de 13/04/2010 e 11/05/2010 (Acórdãos n"s 9202-00.767 e 9202- 002858, respectivamente). Por unairimidade de votos, a Camara Superior manifestou o entendimento de que a verba paga sob a rubrica "auxilio combustível constitui ressarcimento de custos e por força de sua natureza indenizatória, encontra-se externa ao campo de incidência do tributo. Eis os fundamentos do voto condutor: 0 litígio que ora se apresertla versa sobre a incidencia, ou no, do iinposto de renda sobre as verbas recebidas pelo contribuinte a titulo de auxilio combustível. jurispruckneia das Camaras do 1° Conselho de Contribuintes silo no sentido de que verba paga sob a rubrica 'auxílio combustível' tern poi objetivo indenizar gastos com uso de veiculo próprio para rcaliza0o de serviços e,xternos de fisealizacao. Neste contexto, verba de natureza indenizatória, que nil() se incorpora ii ternuneracao do fiscal para qualquer efeito e, portanto, esta fora do campo de incidõncia do IRPE. De modo que, a din de evitar tautologia, reporto-nre a excertos do voto condutor do Acórao 106-15.455, de 23/03/2006, de relatoria do conselheiro 'Wilfrid° Augusto Marques, apreciou o tema corn a ateKilo que merece: No mérito, a diseussão cinge-se ern tomo da natureza da ve-.Tba percebida pelo contribuinte. Para a fiscalização o auxilio ounbustivel tem natureza remuneratória, enquanto que !Ana o contribuinte cuida-se de verba indenizatória 0 entendimento do Fist:0 foi vazado em vista a percepção de que O "auxilio cor la seria recebido poi- todos os A willows Fiscal) tio Estado de Santa Catarina, independente da icolização 00 não de serviço cortei no Em .sendo ossim„ não haveria que .re -Jahn em indenização pot - uso de veiculo próprio para prestação de serviços p0blicos em decorlincia cio trobolho deseinpenhado e, de fato, .se estaria diante de uma verba dc curdle" remuneratório Ocorre que não ti" . esse o caso Não hei percepção indistinta, por todos os hincioneirios, do auxilio combustível Ao revés, apenas aqueles que pettencein ao quadro do OPA, Grupo de OperaçOes de Fiscalização e Arrecadação, é que percebeu] a referida verba fato, o dispositivo que prevê a forma de pagamento da refer-Uhl indenização, hrt deixa antever que ha nítida co-te/ação critic o serviço externo desempenhado e a indenização recebida Disptie o art 3" do Decreto n" 4Ó06/90, do Estado de Santa Catarina .Art 3"- A indenização peto uso de veículo próprio tic que trata o inciso VIII do §2" do artigo 1' da Lei a' 7.881, de 22 de dezembro de 1989, fica limitada a 25% (vinte e cinco por cento) do valor maximo da remunetação nele previsto e .Yeni COT11(. i. Uhl mediante a utilização dos ..seguintes critérios. -- 12,5% (doze inteiros e cinco décimos por cow") pelo desempenho das atividades previstas 110 item 1 do Anexo 1 ou pelo exercício de Innção ern iirf_.,ião da estrutura organizacional de Seci etana da fazenda, II 12,5% (doze Inteiros e cinco décimos por cento) pelo desempenho das atividades previstas nos WILY 7 3 ou 4 pela antecipação prevista na alínea "a" da Arota Ill do Anexo I ou pelo exercicio de cargos de Inspetor Auxiliar de Fiscalização dc 4 H . 00eSSO n" I 0920. 003115/2001-76 S2-014 2101-00.902 Fl 3 Mercadorias cm Treinsito, ASSCS8or de Coordenador Regional da Fazenda .Estadual Coordenador Regional da Fazenda Estadua I ou da Função ele Supervi SW' do Post° Fiscal. Pois hem, mesmo no caso do inciso 1, as atividades realizadas pelos fiscais compreendem uso de veiculo prôpi io para serviço ertei no, confivme demonstra a trouser ição abaiyo .ANLX0 1 'MAL DE IRMUTOS ESTADUAIS E 171S(.1A DE ME RCA DORIAS 'EH 1RANSITO 7ARE.EA DESENVOLVIDA Pc'io ex-ere:lei° das fimçâet iner elites e'r fiscalização de ?Fibulas, iireluNi!Ve itlfi» 1110“70 ein proce5 s 0 s , ittScriçiio e alter ação e.ddastral, verificerção máquina registradora e/ou terminal ponto de venda, plantoes . fiscais ent Coordenadorias Regionais, Setores Fiscais, Postos Fiscais fixos e móveis ou em vobantos, devidamente certilicados pelo Cor te Por mum !ado, 0 pagamento (lifer enciado cortfOrme a carga serviço externo seja maior Ott illeitOr, variando entre 0 pereentual de 12,5% a 25% do valor fill'ffiln0 remuncração recebida Não há quo .se fakir, portanto, em verba paga a todos os fimeionái ios indistintamone 0 "auyilio combustivel " somente pug° áqueles elite (!letivament,e realizam service) ex:le-Tiro, e apends a um grupo deter minado Fiscais Isso é que te evrai do art , §2°, hie's() da Lei 7 881/89 do Estado de Santa Catarina Art _Ressalvados casos tie acumulaciio licita, nenhum servidor ativo e inativo da Administração Direta, _Indireta, tintat ulna Fundação instituida pelo Evart°. poderá r.eceber inensalineme, a qualquer titulo, dos cofies públicos esiaduais, importâncla superior ao valor percebido COMO remuneração, c,vn. espicie, a qualquer thulo, por Deputado Estadual, Secretário Estado Desembargador §2 `' excluidas do limito previsto neste artigo as impoi fanciers pereebidas titulo de indenização pelo uso de veiculo próprio, pra desempenho funyies de inspeção ou liscalização ele tributos, por ocupantes dos cargos de Grupo Fiscalização 4riecadação -- FAR e cargos isolados de Inspetor EYatoria e hispetor Auxiliar de Fiscalização de Mercadorias' em Trânsito, no âmbito da região admit-Usti ativoTliscal, na forma a ser prevista ern regulamento 11("1: várias decisões do Tribunal de „hisika de Santa Catarina sobre 0 Iona, confOrme identificou o contribuinte em Impugnação e Roeurso Volumário, e pude confirmar no endereço eletrônico do Tribunal Essas decisões, foram vazadas VRIJI as provas colacionadas aos altiOS, e todas são contestes no sentielo de tratar-se de verba cunho indenizatói io A hipótese de incidência do impo.sto de renda esta prevista 110 ci; ligo 43 do C7 N. Segundo r•el erido dispositivo não é a disponibilidade. de qualquer renda ou proventos que representa hipolese do incidencia do Impost() de Ronda, mas apenas excludes que provoquem cicie cimo patrimonial Na liefio de Sacha Calmon, in Curso de Dir. eito Tributário pti,f; 448. Selo Ic, como for ., quer a renda, produto do capital. do 1r abalho e da combinação do embus, quer os demais proventos não compreendidos na definição, devem traduzir mu aliment° pau imonial &mire dois momentos de tempo. L o acréscimo patrimonial, ent .seu dinamismo acreseeniador de mais patrimônio, que constitui .substancia tribute:1yd polo imposto .No caso, a verba percebida polo Recorrente tem thltlitezet de ¡onetime:111os, cabendo analisar .somente se ocorreu ou não hipótese do acréscimo patrimonial que permita a iricidéneia do impost de renda Cow deito, no ..sistema tributário 'nitric) não é todo e qualquer acrescimo patrimonial quo pent/i/o a incidência do IR Son-wine os acréscimos potrimoniais a titulo 0110M W) estão .S1fielt0. incidéricia do itin)osto de renda, que todos Os demurs são considerados como de natureza indenizatória e, portanto, fora do campo de incide?ncia Neste seraido, segue Ilea° de Ilenry filber y in Comentãtios ao Código nibutário Nacional, pág 289 A pesquisa citada conclui pela manutenção do conceito onero SO de impo..sto de renda no (Hued sistema consfitucional, conclusão c.s.sa que nos parece Correia For (nitro lado a possibilidade da interprotaeão do art. 43 do ('TN ern sentido mais amplo não é totalmente *sham einbor•ci a referCncia expresso do Projoto ao acréscimo patrimonial a titulo gratuito na redação final tenha .sido eliminada. Por °taro lad° o teor do art 4.3, incis° li, não distingue, o que, em principio, abra ia a faculdade para urn entendimento fiscalista, abrangendo todos os ao; éscimas patrimoniais não compreendido.s no inciso anterior selam onerasos ou gratuitos Repetimos, tat alargamento, todavia., lido se coaduna com o conceit° tradicional constitucional que vem etas Constimiçães• anteriotey e foi mantido na Magna Carta vigente, vem alteraeôes 0 Plenário do Supremo Tribunal Federal, no mesmo Recurs° Extraordinario it 117.887-6 (ementa retfotrans:crila), Rol. Min. Carlos Mario Velloso, ern decisdo de 25-5-1988, confirmou a intributabilidade dos acréscimos patrimoniais gratuitos nos seguintes tormos.• "Rendas o proventos de qualquer natureza: o conceit° implicit reconhecer a existência de receita, lucre), ptoveito„ganho, acréscimo patrimonial, que ocorrem mediante o in,g,resso OU o atfkrimcnto de edge), a titulo oneroso (Di de 23-4-19.93, p. 6923) . l'rocu-n) ii I 0920 1 105 I 45 12004_76 S2-(:, I T Acúikho ri " 21 (11-00..902 Fl 4 0 auxilio combustive! recebido visa ressareir ,.._?;astos. do Auditor i'7SC(11 (001a tealizacdo de servico ev1C1110 ern veiculo próprio Tenn, assim, nitida jekdo indeniz,atória, (188i/11 como o auxilio combust:1...nd recebido pelos Seiviclores da Unido. Estd, porianto, fOra do campo de ineide'llcia do impost() de renda Frise-se, ademais, que tal verba 1700 se incenpora para qualquer Onto a l'ellqUilei .a(iio do Fiscal, o que evidencia aindo mais seu catener indeniza/ó1i0, e denota a impossibilidade de inciaVncia do impost.° (le renda Anic o exposto, conheço do recurs° e dou-Ille pravintento.. cediço (Inc O lato gerador do Imposto de Ronda 6 a disponibilidade ceonômica ou iii idica da renda e do proventos de qualquer natureza, a teor do art 13 do CTN.. Por certo, as verbas de curator indonizatório (reposiefro ou reeamposi0o patrimonial) lido se submetem a tal T1 ibuto. Partilho do entendimento de que aqui se train de de iscneiio, o que, se correto For, dispensai ia, de lato, a edi0o de lei com a final idade de .n.do se cobrar o tributo. Nao pot que isentar aquilo quo esta Cora do campo de incidência Irago ti colação as ementas de dois julgados do I" Conselho de Contribuintes, que decidiram exatamente na finha do reconhocimento da nao incidência do IR sobre o "auxilio c,ornbusl iver: "A (41110 COAIBUSfiVEL INDENIZA (J0 — A ver ha paga sob a rubrica 'auxilio combustive!' temo poi' objetivo indenizar gastos com uso de veiculo próprio para realização de serviços externos de fiscalização. Neste contcyto, c'.? verba de natureza indenizatória, que lido se incorpora a remultera(iio do . fiscal para qualquer t..>leito portanto, está fora do campo de incidencia do IRPF." Clcórddo n" 102-47 982, de 19 10 .2006, da 2° Camara do 1"(X) "INDENIZACJO POR LT111,1ZACAO DE VFICULO PROPR10. TRIBUTACIO A tributação independe da denominação dos rendimentos bastando, para a incidencia do imposto, o benefi cio contribuinte por qualquer JOrnia e a qualquer titulo, situação que 11J0 Venj ICO cm relação indenização pelo uso de veículo próprio paru o desempenho de . JUnções de inspeção ou fiscalização de tributos recebidas 7..)or ocupantes do 'cargo de Auditor Fiscal de nibutos listaduais, posto que de mesma natureza . jurídica daquela paga a Servidor Público da União," (4c6idão n" 106.-15287, de 26.01.2006., da 6° („Yrinara do 1° CC) Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Acrescento a estes fundamentos que a natureza do valor percebido tem a vet com a sua origem: se é produto do trabalho, do capital, ou de ambos, ou ainda, se decorucnte de proventos de qualquer natureza entre estes os acréscimos patrimoniais de origem nao identificada. Sendo resultado de qualquer urna dessas origens, o valor percebido é de natureza tributavel e somente pode ser excluído do campo dc incidência quando presente norma que cologne externo a esses limites. A. concessao do referido auxilio significa que a Administracao Publica Estadual de Santa Catarina nulo disponibiliza veículo para o desenvolvimento das atividades inerentes ao cargo.. 0 uso do veiculo particular no conduz apenas a custos corn combustível, mas a outros como o óleo lubrificante do motor, o ratio de ar, o filtro de oleo do motor, o filtro de combustível, a depreciayao do veiculo pelo acúmulo de distancias percortidas, popularmente conhecido como "quilometragem", entre tantos a diminuir esse patriinonio da pessoa . Assim, considerando que essa verba lido integra a remuncracao do servidor, e (Inc os custos correspondentes constituem imposições depreciativas do patiim.Cmio dc referencia, apesar dela nib o constituir valor em correspondência univoca ao efetivo gasto, tern natureza indenizatót i . Como ..ja afirmado no inicio deste voto, sempre manifest:0i o naesino entendimeuto em julgamentos de que participei no extinto Primeiro Conselho de Contribuintes (Acórdaos n"s 102-48.046, 102-47..619, 102-49,331, 102-47.390, 1.02-47.759, 102-47 579), tazao pela qual rejeito ri prelim:n -1u de nulidade e, no mérito, dou provimento ao wears°, -/ José RaThiu sta Santos 8
score : 1.0
Numero do processo: 10640.723820/2011-52
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2801-000.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10640.723820/2011-52
anomes_publicacao_s : 201501
conteudo_id_s : 5420541
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2801-000.333
nome_arquivo_s : Decisao_10640723820201152.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : TANIA MARA PASCHOALIN
nome_arquivo_pdf_s : 10640723820201152_5420541.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
id : 5793271
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:35:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047477056176128
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1766; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 225 1 224 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.723820/201152 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2801000.333 – 1ª Turma Especial Data 20 de janeiro de 2015 Assunto IRPF Recorrente MANUELITA MATTOS BARBOSA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/JFA/MG. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Para MANUELITA MATTOS BARBOSA, já qualificada nos autos, foi lavrada em 12/9/2011 a Notificação de Lançamento de fls. 35/41, que lhe exige o recolhimento de um crédito tributário no valor de R$ 14.004,78, sendo R$ 2.235,43 de imposto de renda pessoa física – suplementar (código 2904), R$ 1.676,57 de multa de ofício (passível de redução), R$ 338,44 de juros de mora calculados até setembro/2011, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 40 .7 23 82 0/ 20 11 -5 2 Fl. 225DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/01/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10640.723820/201152 Resolução nº 2801000.333 S2TE01 Fl. 226 2 R$ 7.217,96 de imposto de renda pessoa física (código 0211), R$ 1.443,59 de multa de mora (não passível de redução) e R$ 1.092,79 de juros de mora calculados até setembro/2011. Decorreu o citado lançamento da revisão efetuada na declaração de ajuste anual entregue pela interessada, relativa ao exercício financeiro de 2010, anocalendário de 2009, quando foram constatadas as seguintes irregularidades, conforme a Descrição dos Fatos de fls. 37/39: 1) omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas jurídicas no montante de R$ 8.128,83 (com IRRF de R$ 25,15), de acordo com as Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRFs – enviadas pelas diversas empresas listadas pela autoridade fiscal à fl. 38; 2) compensação indevida de IRRF no valor de R$ 7.243,11, vinculado à fonte pagadora Ótica Nacional de Juiz de Fora Ltda, por falta de comprovação. A contribuinte, por meio de procurador habilitado, apresenta a impugnação de fls. 2/4, instruída pelos elementos de fls. 8/33, argumentando, em apertada síntese, o que segue: • Omissão de rendimentos => a diferença apontada pela Fiscalização referese às “despesas dedutíveis de aluguel, cujo ônus foi do contribuinte: impostos, taxas e emolumentos; aluguel pago pelo imóvel sublocado; despesas de condomínio e despesas pagas para cobrança ou recebimento do rendimento” e à dedução de “7% (...) inerentes às despesas com as comissões pagas à administradora do imóvel, conforme verificase nos documentos anexos”. • Dedução indevida de IRRF: “o valor consta do comprovante de rendimentos ou informe de rendimentos financeiros fornecido pela fonte pagadora; o valor declarado como imposto retido foi deduzido no momento em que a fonte pagadora efetuou o pagamento dos aluguéis, conforme recibos anexos e guias DARF de recolhimento do imposto”. A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 190/194, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ALUGUÉIS. DESPESAS DEDUTÍVEIS. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto, no caso de aluguéis de imóveis, as despesas legalmente admitidas, somente quando comprovado que o ônus tenha sido do locador. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. Correta a glosa do IRRF declarado pelo contribuinte, quando comprovado que esse não possui o Informe Anual de Rendimentos fornecido pela fonte pagadora, aliado ao fato de não constar nos sistemas da RFB a DIRF Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 226DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/01/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10640.723820/201152 Resolução nº 2801000.333 S2TE01 Fl. 227 3 Regularmente cientificada daquele acórdão em 30/03/2012 (fl. 195), a Interessada, por intermédio de sua procuradora (fl. 202), interpôs recurso voluntário de fls. 198/201, em 02/05/2012. Em preliminar, suscita a ocorrência do instituto da prescrição intercorrente do crédito tributário em tela em face da decorrência do lapso temporal havido entre o fato gerador da exação questionada e a decisão administrativa final de seu julgado. No mérito, informa que a presente peça referese, tão só, à glosa do imposto de renda compensado em sua declaração de rendas relativa ao anocalendário de 2009. Discorre sobre os termos do Contrato de Locação de Imóvel firmado pela Recorrente, dentre outros locadores, e a pessoa jurídica Óticas Nacional de Juiz de Fora Ltda., pretendendo corroborar as informações contidas nos correspondentes recibos de aluguéis, e em cotejo com os DARF e extratos bancários anexados aos autos, demonstrar que houve a retenção do imposto de renda em questão. Solicita a realização das diligências necessárias à verificação daquilo que alega, inclusive no que diz respeito ao aproveitamento dos referidos recolhimentos nos sistemas da Receita Federal. Defende, ainda, que a Recorrente não pode ser penalizada pela simples falta de cumprimento da obrigação acessória da entrega da DIRF por sua fonte pagadora. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o Relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O litígio cinge à inconformidade da Contribuinte em relação à glosa do IRRF, no valor de R$ 7.243,11, que defende ter sido recolhido em decorrência dos rendimentos de aluguéis recebidos da fonte pagadora Óticas Nacional de Juiz de Fora Ltda., CNPJ 22.104. 244/000157, conforme consta do Contrato de Locação de Imóvel, dos recibos de aluguéis, dos DARF e dos extratos bancários anexados aos autos. Verificase que os recibos de aluguéis apresentados às fls. 08/13 estão em consonância com os termos do Contrato de Locação de Imóvel firmado pela Recorrente, dentre outros locadores, e a pessoa jurídica Óticas Nacional de Juiz de Fora Ltda. (fls. 204/211), bem como indicam retenção na fonte da parcela do aluguel pertencente à Interessada. Os extratos bancários apresentados às fls. 213, 214, 215, 216, 218, 219 e 221, referemse somente aos meses de março, maio, julho e outubro de 2009, e indicam o valor liquido do aluguel indicado nos correspondentes recibos para todos os cinco coproprietários do imóvel, conquanto, pelo que consta dos referidos extratos, a conta corrente nº 49866880, agência 0499, do Banco Real/Grupo Santander Brasil, é mantida em conjunto apenas com o co proprietário Sérgio Mattos Barbosa. Às fls. 59/66, constam os DARF que a Recorrente afirma referiremse aos recolhimentos dos IRRF incidente sobre os rendimentos de aluguéis recebidos da Óticas Nacional de Juiz de Fora Ltda. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/01/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10640.723820/201152 Resolução nº 2801000.333 S2TE01 Fl. 228 4 Salientese que não há informação alguma nos autos de que os aludidos DARF constam alocados para outros débitos da autuada. Portanto, face o acima exposto, com vistas a formar convicção acerca da lide, voto no sentido de converter o julgamento do processo em diligência para que: · A fonte pagadora Óticas Nacional de Juiz de Fora Ltda., CNPJ 22.104. 244/000157, seja intimada a informar o valor do IRRF descontado dos rendimentos de aluguéis pagos à Contribuinte MANUELITA MATTOS BARBOSA, no anocalendário de 2009, conforme consta do Contrato de Locação de Imóvel`de fls. 204/211; · A autoridade fiscal competente, após confirmar os pagamentos informados nos DARF de fls. 59/66, verifique qual é o correspondente crédito disponível passível de utilização para quitação do IRRF glosado no presente lançamento; · Em verificando que os DARF estão disponíveis, fazer a devida alteração para vinculálos a este processo. E, ainda, para que não fique configurado o cerceamento do direito de defesa, que seja dada ciência ao sujeito passivo do resultado da diligência, abrindo prazo para sua manifestação. Após tais providências, devem os autos retornarem a este colegiado, devidamente instruídos com as peças que confirmam as informações prestadas, para que se prossiga no julgamento do recurso voluntário. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 228DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/01/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10675.900129/2010-11
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INAPLICABILIDADE.
Não se aplica aos pedidos de restituição a homologação tácita a que se refere o art. 74 da lei 9.430/96, nem mesmo a decadência regida pelos arts. 150 e 173 do Código Tributário Nacional.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. INVIABILIDADE DA DEMONSTRAÇÃO, SE OS CRÉDITOS DECORREM DE REAJUSTAMENTO DA BASE DE CÁLCULO OBJETO DE AUTO DE INFRAÇÃO PENDENTE DE JULGAMENTO FINAL.
Não há como se reconhecer liquidez e certeza, para os fins do art. 165 do CTN, a créditos oriundos de recomposição da base de cálculo que tenha sido objeto de auto de infração, ainda pendente de apreciação final quanto à sua procedência.
Numero da decisão: 3802-001.901
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco Jose Barroso Rios, Paulo Sergio Celani e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INAPLICABILIDADE. Não se aplica aos pedidos de restituição a homologação tácita a que se refere o art. 74 da lei 9.430/96, nem mesmo a decadência regida pelos arts. 150 e 173 do Código Tributário Nacional. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. INVIABILIDADE DA DEMONSTRAÇÃO, SE OS CRÉDITOS DECORREM DE REAJUSTAMENTO DA BASE DE CÁLCULO OBJETO DE AUTO DE INFRAÇÃO PENDENTE DE JULGAMENTO FINAL. Não há como se reconhecer liquidez e certeza, para os fins do art. 165 do CTN, a créditos oriundos de recomposição da base de cálculo que tenha sido objeto de auto de infração, ainda pendente de apreciação final quanto à sua procedência.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 26 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10675.900129/2010-11
anomes_publicacao_s : 201501
conteudo_id_s : 5420211
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 26 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3802-001.901
nome_arquivo_s : Decisao_10675900129201011.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
nome_arquivo_pdf_s : 10675900129201011_5420211.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano DAmorim Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco Jose Barroso Rios, Paulo Sergio Celani e Solon Sehn.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
id : 5791632
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:35:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047477065613312
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1847; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 111 1 110 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10675.900129/201011 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3802001.901 – 2ª Turma Especial Sessão de 20 de agosto de 2013 Matéria IPI Recorrente PEIXOTO COMÉRCIO, INDÚSTRIA E SERVIÇOS DE TRANSPORTES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INAPLICABILIDADE. Não se aplica aos pedidos de restituição a homologação tácita a que se refere o art. 74 da lei 9.430/96, nem mesmo a decadência regida pelos arts. 150 e 173 do Código Tributário Nacional. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. INVIABILIDADE DA DEMONSTRAÇÃO, SE OS CRÉDITOS DECORREM DE REAJUSTAMENTO DA BASE DE CÁLCULO OBJETO DE AUTO DE INFRAÇÃO PENDENTE DE JULGAMENTO FINAL. Não há como se reconhecer liquidez e certeza, para os fins do art. 165 do CTN, a créditos oriundos de recomposição da base de cálculo que tenha sido objeto de auto de infração, ainda pendente de apreciação final quanto à sua procedência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 01 29 /2 01 0- 11 Fl. 209DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco Jose Barroso Rios, Paulo Sergio Celani e Solon Sehn. Relatório PEIXOTO COMÉRCIO, INDÚSTRIA E SERVIÇOS DE TRANSPORTE S/A insurgese no presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0937.713, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora – DRJ/JFA, que julgou improcedente a solicitação contida na manifestação de inconformidade. Por bem descrever os fatos e atos processuais ocorridos até o momento da apresentação da manifestação, reproduzse aqui o relato formulado pela autoridade julgadora de 1ª instância, in verbis: “Trata o presente processo de Declaração Eletrônica de Compensação, DCOMP no 40273.34877.250407.1.7.013878, respaldada no saldo credor de IPI do 3º trimestre de 2005, calculado nos termos do art. 11 da Lei 9.779, de 19/01/1999. A compensação declarada referiase a débito da CSLL, no montante de R$ 26.103,05, com vencimento em 28/10/2005 (vide PER/DCOMP DESPACHO DECISÓRIO DETALHAMENTO DA COMPENSAÇÃO, à fl. 97). A análise da petição do interessado se deu por via eletrônica, com procedimento fiscal instaurado, de que resultou o Despacho Decisório de fl. 06, com o indeferimento do saldo credor requerido e, consequentemente, a não homologação da compensação declarada. Fundamentouse o ato decisório nos seguintes termos: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$ 26.103,05 Valor do crédito reconhecido: R$0,00 O valor do crédito foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado. [...] Para o procedimento fiscal instaurado de que dá conta o Despacho Decisório, relatou o auditor fiscal que das "verificações realizadas nas Fl. 210DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10675.900129/201011 Acórdão n.º 3802001.901 S3TE02 Fl. 112 3 aquisições de insumos (Matéria Prima, Produto Intermediário e Material de Embalagem), com direito a crédito, não foram identificadas divergências dignas de glosa”. No entanto, também fez constar: 1) [...1 que ao preencher a presente PER/DCOMP, a interessada lançou como Valor Passível de Ressarcimento o total de IPI destacado nas Notas Fiscais de aquisição de insumos, de devoluções de mercadorias tributadas na saída e de matériasprimas recebidas em bonificação, em vez do saldo credor. Isto é, o valor correto que deveria ser lançado no campo Valor Passível de Ressarcimento seria de R$26.103,05 (devidamente escriturado no LRAIPI) e não R$86.419,46. Portanto, glosarseá o valor de R$60.316,41, referente às diferenças destes valores, assim distribuídas: Ao ser indagada do embasamento que deu suporte a tal classificação fiscal a empresa respondeu: Fl. 211DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 "A alteração para a NCM 28.28.9011 é a classificação específica mais indicada considerando as características da composição química do produto, pois a Água Sanitária e o Alvejante é a diluição do Hipoclorito de Sódio em água, sendo este o ingrediente principal ativo”. [...1 esta fiscalização entende que a melhor classificação para os produtos acima é a da posição 3402.20.00 da TIPI, com tributação de IPI à alíquota de 10 %. Classificação que resultará, juntamente com aqueles valores que deixaram de ser destacados, na diferença de R$26.358,85 que se encontra discriminada analiticamente no ANEXOIV. [...] Em ambos os casos, da água sanitária e do alvejante, sem maior dificuldade se observa a diluição dos agentes químicos em água, com a formação de uma solução aquosa. Além disso, também em ambos os casos, o elemento químico francamente predominante é o Hipoclorito de Sódio. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10675.900129/201011 Acórdão n.º 3802001.901 S3TE02 Fl. 113 5 Nesse contexto, o item 28.28.90.1, da TIPI é dedicada ao enquadramento dos Hipocloritos, sendo o item 28.28.90.11, específico para o enquadramento do Hipoclorito de Sódio. Nas notas explicativas ao enquadramento dos elementos químicos no Capítulo 28, esclarece os seguintes termos para o enquadramento dos produtos nesse Capítulo: 1 Ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente Capítulo compreendem apenas: a) os elementos químicos isolados ou os compostos, de constituição química definida, apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas; b) as soluções aquosas dos produtos da alínea “a” acima; [...] Nas notas apresentadas como convencimento quanto ao enquadramento da água sanitária e do alvejante (dado pela Fiscalização), indicase, de forma enfática, com negritos e grifos, como característica básica dos produtos que os mesmos se prestem à limpeza de louça sanitária e contenham uma mistura de hipoclorito de sódio com ortofosfato trissódico. Em excerto seguinte, novamente apontase a condição do produto contendo hipoclorito de sódio combinado com diversos outros produtos e destinado à limpeza e desinfecção de pias e banheiros. Observase claramente das justificativas contidas nos trechos citados que a classificação conferida aos produtos em causa, água sanitária e alvejante, decorreu da finalidade conferida a tais produtos, todavia, a ela não se bastando, indicando também que os produtos deveriam resultar de uma combinação de diversos elementos químicos onde figure e não predomine o Hipoclorito de sódio. Nesses termos,segundo o entendimento fixado pela fiscalização não obstante haja uma classificação especifica para os produtos a base de hipoclorito de sódio, ou seja, nos produtos onde esse elemento químico apresente predominância, preferiuse uma classificação onde esse elemento químico integre uma composição química mais ampla, tornando irrelevante a predominância desse elemento químico. Importante sublinhar que caso houvesse dúvida entre as duas classificações, situação inadmitida pela Requerente diante da existência de uma classificação específica para os produtos à base de hipoclorito de sódio, o próprio regulamento do IPI contém normas que solucionariam esse potencial conflito. De fato, no caso do potencial conflito entre duas classificações possíveis, o regulamento estabelece regra própria de harmonização do sistema: (citação das regras 1 e 3 do Sistema Harmonizado) Fl. 213DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 [...] Nesses termos, entende a Requerente que a classificação por elemento químico predominante deve prevalecer sobre a classificação por finalidade do produto, tendo em conta o caráter notoriamente mais genérico da finalidade de cada produto, sendo um critério explícito da tabela que a classificação prefira o critério mais específico em detrimento do critério mais genérico. No caso da aplicação da tabela, o critério mais genérico somente deve ser utilizado caso ausente um critério específico para a classificação do produto em causa. Por fim, o contribuinte requer a insubsistência do Despacho Decisório aplicado. É o relatório.” Não acatando as razões aduzidas pela interessada na instância a quo, a 3ª Turma da DRJ/JFA resumiu na forma da ementa abaixo os motivos pelos quais julgou improcedente a solicitação contida na manifestação de inconformidade: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2005 SALDO CREDOR. REDUÇÃO. PENDÊNCIA DE PROCESSO FISCAL RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE A constatação da prática de infrações que levaram à reconstituição da escrita fiscal do estabelecimento, da qual emergiram saldos devedores do IPI ou redução dos saldos credores justifica o nãoreconhecimento do direito creditório, na integralidade, e a nãohomologação das compensações, nos termos da normatização dada pela RFB, que veda o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI, cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado com a decisão recorrida, o contribuinte se insurge contra o Acórdão reforçando, em sede de recurso voluntário, seu argumento quanto à classificação fiscal que embasa seu direito de crédito, bem como a ocorrência de decadência para questionamento da regularidade dos créditos. É o relatório. Voto Fl. 214DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10675.900129/201011 Acórdão n.º 3802001.901 S3TE02 Fl. 114 7 Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso, passando à análise das razões nele expostas. Como a decadência é questão prejudicial do exame do mérito, mesmo tendo sido o segundo argumento do Recurso Voluntário será o primeiro a ser apreciado. Aduz a Recorrente: (...) Em primeiro lugar, o presente processo não é de revisão de lançamento, mas sim processo de análise de pedido de ressarcimento. Assim, não se verifica decadência, uma vez que o contribuinte, por si só, entendeu haver valores a restituir em decorrência da apuração do IPI, exercendo esse direito perante o fisco mediante Pedido de Ressarcimento. A partir do momento em que o contribuinte pediu restituição, este exerceu seu direito de crédito, de modo que à Receita Federal compete, a partir da data em que recebeu o pedido – e, portanto, incorreu em mora –, apreciar o pleito e sobre ele decidir. Vale, a propósito, relembrar que o art. 168 do Código Tributário Nacional, traz inclusive o prazo para que o contribuinte exerça seu direito de crédito – o que afasta o conceito de decadência. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 De todo modo, percebese que a Receita não possui prazo para responder o pedido de restituição, que por sua natureza difere da declaração de compensação – que importa em quitação mútua com débitos próprios do sujeito passivo. Por isso mesmo o contribuinte possui liberdade para pleitear o indébito diretamente em juízo, ou mesmo, caso eventual resposta negativa ultrapasse os cinco anos necessários para o indébito judicial, o CTN abre prazo para uma ação específica destinada à anulação da decisão administrativa, precisamente para evitar prejuízos ao particular. Não por outra razão o art. 74 da lei 9.340/96 se refere, em seus parágrafos segundo e quinto, somente à homologação tácita da compensação. A restituição não está abrangida pela norma, e a homologação tácita claramente não pode ser objeto de analogia entre os ritos. Desse modo, não acolho o pleito da Recorrente pela “impossibilidade da Receita em questionar sua regularidade”. Quanto ao mérito da questão, como bem indicado pela decisão recorrida, a restituição esbarra em um óbice inicial. Isso porque o pedido de restituição apresentado pelo sujeito passivo, decorre de recomposição da base de cálculo do IPI, em virtude de modificação na classificação fiscal de certos produtos objeto de suas atividades. No entanto, a decisão recorrida expõe uma situação peculiar ao caso: em virtude da classificação fiscal adotada pelo Recorrente, foi lavrado auto de infração que exige diferença do imposto. Aduz o voto vencedor do Acórdão: Não obstante a conclusão, após os acertos procedidos pela Relatora — já considerado o resultado do julgamento do Auto de Infração [Ac. n° 0937.507, pela procedência do lançamento] — pela legitimidade de parte do saldo credor pleiteado, não há como reconhecer o direito ao seu ressarcimento/compensação neste processo, conforme a seguir explicitado. É que a própria Receita Federal do Brasil já estabeleceu a impossibilidade de aproveitamento de créditos vinculados a processo judicial ou administrativo com exigência de crédito tributário do IPI, em discussão na esfera administrativa, e não definitivamente julgado, tendo explicitado tal vedação no art. 19 da Instrução Normativa SRF n° 210, de 30 de setembro de 2002, mantido integralmente pela Instrução Normativa SRF no 600, de 28 de dezembro de 2005, art. 20, e pela IN SRF nº 900/2008, art. 25. Vejamos: "Art. 19. É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. " Ora, se presente a autuação não pode ser ressarcido crédito algum, ainda que da apuração escritural resulte saldo de crédito legítimo, não obstante o lançamento de ofício. É o que diz o mencionado artigo, que não faz restrição a qualquer parcela do saldo credor, que no seu todo é o objeto do ressarcimento. Não se pode ressarcir parte alguma desse saldo credor requerido pelo interessado [...]. Correto o raciocínio desenvolvido pelo voto vencedor. E a rigor, isso não foi combatido pelo Recorrente, o que confirma a correlação entre o lançamento e o crédito objeto do presente pedido de restituição. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10675.900129/201011 Acórdão n.º 3802001.901 S3TE02 Fl. 115 9 Diante disso, resta prejudicada a análise do argumento apresentado pelo sujeito passivo quanto à classificação fiscal, dado que esta é a matéria de fundo do lançamento tributário em que se discute o procedimento adotado. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 217DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10380.100673/2007-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. PAGAMENTO INTEGRAL EFETUADO. AUSÊNCIA DO INTERESSE EM RECORRER. Tendo em vista que a recorrente efetuou o pagamento integral do valor objeto do presente Auto de Infração, reconhecendo a procedência do lançamento, não mais subiste, no caso, o interesse em recorrer. Precedentes.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2401-003.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator) e Kleber Ferreira de Araújo. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Igor Araújo Soares.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
Igor Araújo Soares Redator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201305
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. PAGAMENTO INTEGRAL EFETUADO. AUSÊNCIA DO INTERESSE EM RECORRER. Tendo em vista que a recorrente efetuou o pagamento integral do valor objeto do presente Auto de Infração, reconhecendo a procedência do lançamento, não mais subiste, no caso, o interesse em recorrer. Precedentes. Recurso Voluntário Não Conhecido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10380.100673/2007-70
anomes_publicacao_s : 201412
conteudo_id_s : 5404625
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2401-003.005
nome_arquivo_s : Decisao_10380100673200770.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10380100673200770_5404625.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator) e Kleber Ferreira de Araújo. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire - Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator Igor Araújo Soares Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
id : 5750165
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:33:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047477083439104
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1753; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 228 1 227 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.100673/200770 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.005 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de maio de 2013 Matéria DESCUMPRIMENTO OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente J MACEDO S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. PAGAMENTO INTEGRAL EFETUADO. AUSÊNCIA DO INTERESSE EM RECORRER. Tendo em vista que a recorrente efetuou o pagamento integral do valor objeto do presente Auto de Infração, reconhecendo a procedência do lançamento, não mais subiste, no caso, o interesse em recorrer. Precedentes. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator) e Kleber Ferreira de Araújo. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Igor Araújo Soares – Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 10 06 73 /2 00 7- 70 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/12/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/12/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10380.100673/200770 Acórdão n.º 2401003.005 S2C4T1 Fl. 229 3 Relatório J MACEDO S.A., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 5a Turma da DRJ em Fortaleza/CE, Acórdão nº 0821.593/2011, às fls. 195/201, que julgou procedente em parte a autuação fiscal lavrada contra a empresa, com fulcro no artigo 22 da Lei nº 8.213/91 e artigo 336 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, por ter deixado de comunicar ao INSS, dentro do prazo previsto em lei, diversos acidentes de trabalho ocorridos com seus funcionários, em relação ao período 01/1999 a 12/2006, conforme Relatório Fiscal da Infração, às fls. 17/19, e demais documentos constantes dos autos. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 21/12/2007, nos termos do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindose multa no valor de R$ 52.440,00 (Cinquenta e dois mil, quatrocentos e quarenta reais), com base nos artigos 286, § 2o e 292, inciso IV, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem acolher em parte a pretensão da contribuinte, reconhecendo a decadência até a competência 11/2001, bem como afastando a penalidade em relação a alguns acidentes, que a contribuinte logrou demonstrar ter promovido a devida informação ao INSS, mediante o CAT’s. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 207/214, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases e fatos ocorridos no decorrer do processo administrativo fiscal, repisa os argumentos lançados em sua impugnação no sentido de que a recorrente não pode responder pelos CAT’s supostamente não apresentados concernentes a filial de Simões Filho/BA, tendo em vista que até dezembro de 2006, este estabelecimento em verdade era a matriz da empresa ÁGUIA. Em defesa de sua pretensão, sustenta que a fiscalização realizada naquela filial só pode abranger o período que sucede JAN/07, uma vez que em relação ao período anterior à referida data a Águia SA (incorporada da J. Macedo) não tinha nenhum vínculo com a autuada. Explicita que até dezembro de 2006 a empresa Águia SA, com sede em Simões Filho/BA, coexistia paralelamente à J. Macedo SA, com suas peculiaridades/especificidades inerentes ao exercício de suas atividades, cada uma sendo responsável em relação às obrigações perante o fisco. Somente em janeiro de 2007 a empresa Águia SA sucedeu a J. Macedo SA, por incorporação, assumindo o nome empresarial da sucedida, porém permanecendo com o mesmo número de CNPJ, instante em que a antiga sede da incorporadora em Simões Filho/BA passou a ser filial da nova sociedade empresária. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/12/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 4 Defende que os Mandados de Procedimento Fiscal – MPF’s emitidos pela autoridade fazendária permitem exclusivamente a fiscalização na empresa J. Macedo SA, a qual se apresenta atualmente como incorporada, dentro dos limites de sua responsabilidade à época. Assevera que a empresa Águia SA poderia já ter sido objeto de fiscalização, o que impõe considerar que a presente autuação representa um verdadeiro bis in idem, não admitido em nosso sistema jurídico tributário. Contrapõese ao crédito previdenciário consubstanciado na peça vestibular do feito, aduzindo para tanto que muitos dos acidentes de trabalho adotados no lançamento foram devidamente informados ao INSS, conforme restou devidamente demonstrado pelos documentos acostados aos autos junto à impugnação, devendo ser afastada a penalidade aplicada. Pugna, ainda, pela redução da multa em 50% (cinquenta por cento), na forma que a legislação previdenciária contempla, diante do pagamento integral do débito, devendo ser devolvido à empresa o valor recolhido indevidamente. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/12/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10380.100673/200770 Acórdão n.º 2401003.005 S2C4T1 Fl. 230 5 Voto Vencido Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, notadamente do Relatório Fiscal da Infração, a contribuinte deixou de comunicar acidentes de trabalho ao INSS, no prazo previsto na legislação de regência, infringido o disposto no artigo 22 da Lei nº 8.213/91, c/c com o artigo 336 do Regulamento da Previdência Social, ensejando a constituição do crédito previdenciário decorrente da multa aplicada nos termos dos artigos 286, § 2o e 292, inciso IV, que assim prescrevem: “Lei 8.213/91 Art. 22. A empresa deverá comunicar o acidente do trabalho à Previdência Social até o 1º (primeiro) dia útil seguinte ao da ocorrência e, em caso de morte, de imediato, à autoridade competente, sob pena de multa variável entre o limite mínimo e o limite máximo do saláriodecontribuição, sucessivamente aumentada nas reincidências, aplicada e cobrada pela Previdência Social.” “Regulamento da Previdência Social – Aprovado pelo Decreto 3.048/99. Art. 336. Para fins estatísticos e epidemiológicos , a empresa deverá comunicar à previdência social o acidente de que tratam os arts. 19, 20,21 e 23 da Lei 8.213, de 1991, ocorrido com o segurado empregad, exceto o doméstico, e o trabalhador avulso, até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência e, em caso de morte, de imediato, à autoridade competente, sob pena da multa aplicada e cobrada na forma do art. 286. Art. 286. A infração ao disposto no art. 336 sujeita o responsável à multa variável entre os limites mínimo e máximo do saláriode contribuição, por acidente que tenha deixado de comunicar nesse prazo. [...] § 2º A multa será elevada em duas vezes o seu valor a cada reincidência. [...] Art. 292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: [...] Fl. 247DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/12/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 6 IV a agravante do inciso V do art. 290 eleva a multa em três vezes a cada reincidência no mesmo tipo de infração, e em duas vezes em caso de reincidência em infrações diferentes, observados os valores máximos estabelecidos no caput dos arts. 283 e 286, conforme o caso; e [...]” Verificase que, de acordo com o Relatório do Auto de Infração, a recorrente não comunicou ao INSS os acidentes de trabalho na forma que determina a legislação previdenciária, incorrendo na infração prevista nos dispositivos legais supracitados, o que ensejou a aplicação da multa, nos termos do Regulamento da Previdência Social, como procedeu, corretamente, o fiscal autuante. Por sua vez, a autoridade julgadora de primeira instância achou por bem decretar a improcedência parcial do lançamento, acolhendo a decadência até a competência 11/2001, admitindo, ainda, a comprovação de que parte dos acidentes dos trabalhos objeto da autuação foram, de fato, devidamente informados pela contribuinte ao INSS, o que ensejou a retificação da multa. Neste ponto, aliás, impende já de pronto afastar a argumentação da autuada contida em seu recurso voluntário pretendendo seja rechaçada a penalidade concernente aos acidentes de trabalho informados pela contribuinte, consoante demonstrado pelos documentos acostados aos autos junto à impugnação, uma vez que referidos CAT’s foram circunstanciadamente analisados pelo julgador recorrido, o que ensejou, inclusive, a retificação da penalidade aplicada. DA RESPONSABILIDADE PELA SUCESSÃO Em suas razões recursais pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve parte substancial da exigência fiscal, repisando os argumentos lançados em sua peça inaugural, no sentido de que a recorrente não pode responder pelos CAT’s supostamente não apresentados concernentes a filial de Simões Filho/BA, tendo em vista que até dezembro de 2006, este estabelecimento em verdade era a matriz da empresa ÁGUIA. A fazer prevalecer seu entendimento, sustenta que a fiscalização realizada naquela filial só pode abranger o período que sucede JAN/07, uma vez que em relação ao período anterior à referida data a Águia SA (incorporada da J. Macedo) não tinha nenhum vínculo com a autuada. Assevera que até dezembro de 2006 a empresa Águia SA, com sede em Simões Filho/BA, coexistia paralelamente à J. Macedo SA, com suas peculiaridades/especificidades inerentes ao exercício de suas atividades, cada uma sendo responsável em relação às obrigações perante o fisco, situação que somente modificou em janeiro de 2007, oportunidade em que a empresa Águia SA sucedeu a J. Macedo SA, por incorporação, assumindo o nome empresarial da sucedida, porém permanecendo com o mesmo número de CNPJ, instante em que a antiga sede da incorporadora em Simões Filho/BA passou a ser filial da nova sociedade empresária. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos se fixa em determinar a responsabilidade decorrente de sucessão empresarial, por incorporação, relativamente às obrigações tributárias. Não obstante as substanciosas razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte em sua peça recursal, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de Fl. 248DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/12/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10380.100673/200770 Acórdão n.º 2401003.005 S2C4T1 Fl. 231 7 prosperar. Do exame dos elementos constantes dos autos, o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, senão vejamos. Antes mesmo de adentrar ao mérito propriamente dito, mister trazer à colação a legislação que contempla a matéria, notadamente o artigo 132 do Código Tributário Nacional, que estabelece o seguinte: “Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual.” Extraise na norma legal encimada que a sucessora, por incorporação, responde pelos tributos devidos pela incorporada até a data de tal fato, o que se vislumbra na hipótese vertente. Partindo dessa premissa, uma vez constituído o presente crédito tributário decorrente da multa aplicada em razão do descumprimento das obrigações acessórias em comento, tratandose, portanto, da exigência de tributo, não se pode cogitar na ausência da responsabilidade da recorrente em relação ao débito objeto do lançamento sob análise, na forma que pretende fazer crer a autuada. A jurisprudência administrativa que se ocupou de tema oferece proteção ao lançamento, consoante se positiva dos Acórdãos com suas ementas abaixo transcritas: “Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 24/09/2009 Ementa: SIMULAÇÃO. A constatação de atos simulados, acobertando o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, enseja a autuação tendo como base a situação de fato. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas que integram grupo econômico são responsáveis solidárias pelos créditos previdenciários. SUCESSÃO DE EMPRESAS. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos créditos tributários devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. DEIXAR DE EXIBIR LIVROS E DOCUMENTOS DE INTERESSE DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. A empresa é obrigada a exibir todos os livros e documentos que sejam de interesse da fiscalização de contribuição previdenciária.” (2a TO da 4a Câmara de Julgamento da 2a SJ do CARF, Processo Administrativo n° 10920.004431/200963 – Acórdão n° 2402 001.623 – Sessão de 13/04/2011) (grifamos) “COFINS – DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda Nacional lançar o crédito pertinente à Contribuição para o Financiamento Fl. 249DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/12/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 8 da Seguridade Social – Cofins é de dez anos, contado a partir do 1º dia do exercício seguinte àquele em que o crédito da contribuição poderia haver sido constituído. MULTA. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. Responde o sucessor pela multa de natureza fiscal. O direito dos contribuintes às mudanças societárias não pode servir de instrumento à liberação de quaisquer ônus fiscais (inclusive penalidades), ainda mais quando a incorporadora conhecia perfeitamente o passivo da incorporada. Recurso especial negado” (2a Turma da CSRF Processo n° 10675.003550/200271 – Acórdão n° CSRF/02 02.396 – Sessão de 25/07/2006) A jurirsprudência judicial não discrepa desse entendimento, reforçando a tese de que a responsabilidade do sucessor abrange, além dos tributos devidos pela sucedida, as multas moratórias e punitivas, como se constata dos Acórdãos assim ementados: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. SUBSTITUIÇÃO DO RELATOR. POSSIBILIDADE. EXECUÇÃO FISCAL. PRESCRIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA DE DESÍDIA DO CREDOR. MOROSIDADE DA JUSTIÇA. SÚMULA 106/STJ. MODIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. CERCEAMENTO DE DEFESA. 283/STF. JULGAMENTO ANTECIPADO. PROVAS SUFICIENTES. SÚMULA 7/STJ. SUCESSÃO TRIBUTÁRIA. ART. 133 DO CTN. EXAME DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA E DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS. SÚMULAS 5/STJ E 7/STJ. RESPONSABILIDADE. PRINCIPAL E MULTA. SÚMULA 83/STJ. [...] 8. "A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão." (REsp 923.012/MG, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 9.6.2010, DJe 24.6.2010). Acórdão recorrido no mesmo sentido da jurisprudência firmada no Superior Tribunal de Justiça. Incidência da Súmula 83/STJ. Recurso especial não conhecido.” (2a Turma do STJ – Resp n° 1220651 / GO – Rel. Ministro Humberto Martins – Sessão de 05/04/2011) “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS. ICMS. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO MERCANTIL. INCLUSÃO DE MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. LC N.º 87/96. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1111156/SP, SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/12/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10380.100673/200770 Acórdão n.º 2401003.005 S2C4T1 Fl. 232 9 (Precedentes: REsp 1085071/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe 08/06/2009; REsp 959.389/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/05/2009, DJe 21/05/2009; AgRg no Resp 1056302/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/04/2009, DJe 13/05/2009; REsp 3.097/RS, Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/10/1990, DJ 19/11/1990) 2. "(...) A hipótese de sucessão empresarial (fusão, cisão, incorporação), assim como nos casos de aquisição de fundo de comércio ou estabelecimento comercial e, principalmente, nas configurações de sucessão por transformação do tipo societário (sociedade anônima transformandose em sociedade por cotas de responsabilidade limitada, v.g.), em verdade, não encarta sucessão real, mas apenas legal. O sujeito passivo é a pessoa jurídica que continua total ou parcialmente a existir juridicamente sob outra "roupagem institucional". Portanto, a multa fiscal não se transfere, simplesmente continua a integrar o passivo da empresa que é: a) fusionada; b) incorporada; c) dividida pela cisão; d) adquirida; e) transformada. (Sacha Calmon Navarro Coêlho, in Curso de Direito Tributário Brasileiro, Ed. Forense, 9ª ed., p. 701) [...]”.(2a Turma do STJ – Resp n° 923012 / MG – Rel. Ministro Luiz Fux – Sessão de 09/06/2010) A fazer prevalecer a procedência da pretensão fiscal, peço vênia para transcrever trecho da decisão de primeira instância, onde o julgador recorrido com muita propriedade dissertou a respeito do tema em debate, e adotar como razões de decidir, como segue: “[...] Recorrendo ao artigo 129 do CTN, verificase que o comando normativointroduz a Seção II, Capitulo V, que trata da Responsabilidade dos Sucessores: Art. 129 — O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição a data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. Depreendese da redação do artigo, e de seu posicionamento dentro do CTN, que a responsabilidade dos sucessores referese aos créditos tributários, e não somente ao conceito restritivo de tributo, o qual não comporta a multa de oficio. Vale observar que a responsabilidade por infrações da legislação tributária é objetiva, nos termos do art. 136 do CTN: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária Fl. 251DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/12/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 10 independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Por sua vez, os sucessores não são pessoalmente responsabilizados nas representações fiscais para fins penais. É que somente os pessoalmente responsáveis pelas infrações estão sujeitos as penas restritivas de liberdade, tais como as previstas nos art. 334 do DecretoLei n2 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), ou nos arts. 1 2 e 22 da Lei n° 8.137, de 27 de dezembro de 1990. Pertinente ponderar que, nas hipóteses previstas no capul do art. 132 do CTN, a própria pessoa jurídica que originalmente seria responsável pelo pagamento de crédito tributário decorrente de penalidade pecuniária, e que foi objeto de incorporação, fusão ou transformação, no é distinta das incorporadoras ou das empresas resultantes de fusão ou de transformação, assim, a confusão patrimonial decorrente da incorporação, da fusão ou da transformação aplicase não somente aos bcns e direitos, mas também as obrigações. Ou seja, a penalidade pecuniária é aplicada contra o patrimônio do infrator — conjunto de bens, direito e obrigações — pelo qual se torna afetado. Assim, caso fosse possível alienar o patrimônio sem o ônus da penalidade, poderia se admitir que tal alienação resultaria na impunidade do infrator, que teria transmitido um patrimônio com um valor maior do que aquele que possuía, o que caracterizaria um autêntico enriquecimento sem causa econômica. [...] Diante do acima exposto, entendemos que o sucessor deve responder pelas multas de oficio, uma vez que desaparecendo o devedor originário, seu patrimônio — conjunto de bens, direito e obrigações — foi integralmente transferido para os sucessores. Destaca o doutrinador que o CTN, quando quis restringir a responsabilidade de alguém apenas às penalidades de caráter moratório, o fez expressamente, como, por exemplo, no Parágrafo único do art. 134, ocasião em que, ao estabelecer as regras de sucessão empresarial, não diferenciou os créditos relativos a multas e tributos, e no Parágrafo único do art. 186, ao estipular tratamento diferente entre tributo e multa tributária. Portanto, a responsabilidade dos sucessores estendese aos créditos tributários, ainda que relativos a obrigações tributárias surgidas até a data da sucessão. Logo, as multas (qualquer que seja a sua natureza), decorrentes de infrações fiscais praticadas pela empresa sucedida, devem ser exigidas da empresa sucessora. Por outro lado, mesmo que se entendesse que poderia ser excluída a multa dc oficio, contrariando as argumentações apresentadas, por força do disposto no art. 132 do CTN, tal interpretação não encontra guarida no caso concreto, vez que a unidade de Simões Filho era, de fato, a sede da empresa Fl. 252DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/12/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10380.100673/200770 Acórdão n.º 2401003.005 S2C4T1 Fl. 233 11 Águia, que incorporou a J. Macedo. Ora, conforme anteriormente explicado, quando da incorporação, a AGUIA S/A incorporadora adotou o nome empresarial da incorporada — J. MACEDO S/A, permanecendo, porém com o mesmo CNPJ (14.998.371/000119). Pois bem, o procedimento fiscal ocorreu no CNPJ 14.998.371/000119, o mesmo que deixou de comunicar as ocorrências de acidente de trabalho, em data anterior a janeiro de 2007. [...] Portanto, sob qualquer ângulo que se analise a questão, não cabe ser afastada a multa de oficio imputada à contribuinte, muito menos o agravamento por reincidência genérica. [...]” Na esteira desse raciocício, não procede o insurgimento da contribuinte em relação a responsabilidade pela multa aplicada, impondo seja mantida a sua legitimidade passiva. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, porquanto não são capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente debatidas pelo julgador de primeira instância, notadamente em relação ao pretenso pagamento indevido da intregalidade da multa, o que deverá ser objeto de proceso específico de pedido de restituição. Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantida a autuação e, bem assim, a multa imposta, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base à aplicação da penalidade, sobretudo quando a contribuinte não fez uso nem mesmo do benefício inscrito no artigo 291, § 1º, do RPS. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em consonância com os dispositivos que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo incólume a decisão recorrida, pelos seus próprios fundamentos. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/12/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 12 Voto Vencedor Conselheiro Igor Araújo Soares, Redator Designado Em que pese o costumeiro brilhantismo das posições adotadas pelo Em. Relator, ouso dele divergir no presente caso. É que desde a sua impugnação, o recorrente aduz que efetuou o pagamento integral do débito objeto do presente Auto de Infração. Tal informação pode ser confirmada pelo despacho MF/SRF/3a.RF/DRF/FOR, constante às fls. 175 dos autos, cujo teor é o seguinte: No entanto, apesar da Impugnação interposta, o interessado efetuou em 27/01/2009 o recolhimento do valor integral do débito, este se encontrando na situação "Baixado por Liquidação", conforme telas de consulta ao SICOB anexadas As fls. 166 a 169. Tendo em vista que o pagamento é forma de extinção do crédito tributário, nos termos do art. 156 do Código Tributário Nacional — CTN, proponho o encaminhamento dos autos para ciência ao interessado do teor do deste despacho e posterior arquivamento do presente processo Fato é que o pagamento extingue o crédito tributário, na forma do art. 156 do CTN, mencionado no despacho supra, situação esta que já fora reconhecida pela própria Secretaria da Receita Federal do Brasil. Assim, tendo em vista que no presente caso o pagamento do valor objeto do Auto de Infração já fora integralmente adimplido pelo recorrente, tenho que não mais lhe subsiste o interesse em recorrer, exatamente pelo fato de ter reconhecido a procedência do lançamento. A propósito, cito o seguinte precedente deste Eg. Conselho, no mesmo sentido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício:2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO. PAGAMENTO. INCOMPATIBILIDADE COM O INTERESSE DE RECORRER. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. A recorrente informa que, mesmo contrariada, recolheu integralmente a majoração tributária,com acréscimos legais,mantendo,entretanto, o desejo de recorrer. Ocorre que esta Turma de Julgamento entende que qualquer modalidade de extinção do crédito tributário, inclusive o pagamento, bem como o parcelamento, atos que importam o reconhecimento do débito pelo devedor,são incompatíveis com o interesse de recorrer(precedente:Acórdãonº2102002.074, sessão de 17 de Fl. 254DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/12/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10380.100673/200770 Acórdão n.º 2401003.005 S2C4T1 Fl. 234 13 maio de 2012). Paga a exação lançada, por exemplo,forçoso reconhecer que o recurso voluntário perdeu o objeto. Recurso não conhecido. (acórdão 210202.163, Rel. GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, sessão de 10 de julho de 2012) Ante todo o exposto, pedindo vênias ao Em. relator, voto no sentido de NÃO CONHECER DO RECURSO voluntário. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/12/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por IGOR ARAUJO SOARES
score : 1.0
Numero do processo: 10715.004868/2009-22
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 23/11/2004
OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.
Rejeitam-se os embargos de declaração quando não caracterizada a aduzida omissão na decisão recorrida, fundamento único do recurso.
Embargos conhecidos mas não providos.
Numero da decisão: 3802-003.894
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos formulados pela sujeito passivo, negando-lhes, contudo, provimento, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator designado.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 23/11/2004 OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. Rejeitam-se os embargos de declaração quando não caracterizada a aduzida omissão na decisão recorrida, fundamento único do recurso. Embargos conhecidos mas não providos.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10715.004868/2009-22
anomes_publicacao_s : 201501
conteudo_id_s : 5414648
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3802-003.894
nome_arquivo_s : Decisao_10715004868200922.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
nome_arquivo_pdf_s : 10715004868200922_5414648.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos formulados pela sujeito passivo, negando-lhes, contudo, provimento, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator designado. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
id : 5778961
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:34:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047477088681984
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1778; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 244 1 243 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10715.004868/200922 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3802003.894 – 2ª Turma Especial Sessão de 11 de novembro de 2014 Matéria Embargos de Declaração Embargante Lufthansa Cargo A.G. Interessado Lufthansa Cargo A.G. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 23/11/2004 OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. Rejeitamse os embargos de declaração quando não caracterizada a aduzida omissão na decisão recorrida, fundamento único do recurso. Embargos conhecidos mas não providos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos formulados pela sujeito passivo, negandolhes, contudo, provimento, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator designado. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 48 68 /2 00 9- 22 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Em sessão transcorrida em 25 de abril de 2012, esta Segunda Turma Especial, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário formalizado pela interessada mediante acórdão assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 23/11/2004 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA. OBRIGATORIEDADE. O descumprimento do prazo de 7 (sete) dias, fixado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque, subsumese à hipótese da infração por atraso na informação sobre carga transportada, sancionada com a multa regulamentar fixada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 23/11/2004 MULTA POR REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. ALEGAÇÃO DE PRESTAÇÃO TEMPESTIVA DAS INFORMAÇÕES. NÃO APRESENTAÇÃO DE PROVA. RECUSA DO ARGUMENTO. Cabe ao sujeito passivo apresentar as provas de que teria prestado tempestivamente as informações concernentes aos dados do embarque das mercadorias exportadas. Sem tais provas, não há como afastar o crédito tributário, este que foi constituído em elementos suficientes para a lavratura do auto de infração correspondente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 23/11/2004 ALEGAÇÃO DE OFENSA A PRINCÍPIOS DIRIGIDOS AO LEGISLADOR. APRESENTAÇÃO DE OUTROS ARGUMENTOS QUE IMPLIQUEM NA VALORAÇÃO DE PRECEITO DISPOSTO EM LEI. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA PARA AFASTAR NORMA COM BASE EM TAIS ALEGAÇÕES. Os princípios (da finalidade, da razoabilidade, da legalidade, dentre outros) são, em regra, dirigidos ao legislador, e não ao aplicador da lei. Este, diante da norma existente no mundo jurídico, deverá aplicála obrigatoriamente por força do art. 116, inciso III, da Lei 8.112/90, preceito o qual se repete no artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria MF no 256, de 22/06/2009). Ademais, o julgador administrativo não pode valorar norma sob o argumento de sua inconstitucionalidade, uma vez que tal apreciação é exclusiva do Poder Judiciário, nos termos dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. Tal questão é, inclusive, objeto da Súmula no 2 do CARF. Recurso ao qual se nega provimento. Cientificada da referida decisão em 06/05/2014 (conforme intimação e AR de fls. 151/153), a interessada, em 09/05/2014, interpôs os embargos de declaração de fls. 157/168 onde aduz que referido decisum não teria considerado inovação legal que alargou a aplicação Fl. 247DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10715.004868/200922 Acórdão n.º 3802003.894 S3TE02 Fl. 245 3 da denúncia espontânea no âmbito aduaneiro, qual seja, a Lei no 12.350, de 20/12/2010, cujo artigo 40 alterou a redação do § 2o do artigo 102 do DecretoLei no 37/66, o qual passou a contemplar a seguinte redação: “A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento”. Ressalta que ainda que a embargante não tenha suscitado a questão da denúncia espontânea em sua defesa, a revisão do processo seria imprescindível com fulcro no artigo 65 da Lei nº 9.784/99. Também alega a interessada que o acórdão vergastado teria sido omisso quanto à alegada ofensa ao disposto no artigo 9º do Decreto nº 70.235/72, segundo o qual “a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito”. E ressalta, verbis: Desta forma, tendo a lei atribuído ao AGENTE FISCAL a responsabilidade pela comprovação do ilícito, e não o contrário, temse que o auto de infração lavrado em face da Embargante deveria ter sido instruído com documentos que efetivamente comprovassem a infração imputada à Embargante. Flagrante, portanto, é o desrespeito à norma legal, uma vez que a Autoridade Fiscal não instruiu o Auto de Infração com quaisquer elementos de prova que comprovassem o ilícito supostamente praticado pela Embargante. Isso porque a planilha juntada pela fiscalização nada mais é do que uma simples relação elaborada pela própria Autoridade Fiscal que lavrou o auto de infração, podendo esta conter erros, como os encontrados em autos de infração idênticos do processo ora em análise. (grifos do original) A interessada procura exemplificar sua alegação reproduzindo parte de documentos que, segundo alega, teriam instruído processo de outra empresa, e defende que, “para que restasse comprovada a infração da Embargante, teria a Fiscalização que ter juntado os (sic) autos os extratos de tela do Sistema Siscomex, que fornecem todo o histórico do despacho aduaneiro da mercadoria destinada ao exterior”. A ausência desses documentos representaria cerceamento ao seu direito de defesa e a consequente nulidade do auto de infração. Finalmente, a embargante aduz a existência de “contradição” no acórdão, o qual não teria se pronunciado quanto ao fato de a Notícia Siscomex nº 105/94 “não estar inserida no conceito de legislação interpretativa, não podendo ser utilizada para fins de regulamentação de legislação tributária inferior”. Apresenta, na sequência, seus argumentos em defesa da “impossibilidade de se tratar uma simples ‘notícia siscomex’ como legislação, não podendo esta jamais servir a interpretação ou alteração de uma Instrução Normativa em vigor”. Diante do exposto, requer seja dado provimento aos embargos de declaração. É o relatório. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Não obstante a tempestividade do recurso, os embargos opostos pela interessada não merecem ser acolhidos dada a inexistência de alegadas omissão, contradição ou obscuridade em que se funda o recurso em tela. Da inaplicabilidade, à espécie, do instituto da denúncia espontânea. Inexistência de omissão. No voto condutor da decisão embargada está claramente demonstrada a tipicidade da infração em que se alicerçou o lançamento, razão pela qual foi mantido o crédito tributário na parte não atingida pela retroatividade benigna (CTN, art. 106, “b”). De fato, ainda na primeira instância, foi excluída a penalidade em relação aos embarques em que a prestação das informações sobre as cargas ocorreu dentro do prazo ampliado de 7 dias em face da nova situação jurídica inaugurada pela IN/RFB no 1.096/2010 (que alterou a redação do artigo 37 da IN SRF no 28/94, ampliando para 7 dias o prazo para registro no Siscomex dos dados pertinentes a embarque de mercadoria). A empresa, em suas contestações, nada disse a respeito das alterações decorrentes da edição da Lei no 12.350/2010, razão pela qual não há que se falar em omissão no acórdão vergastado, até porque o dispositivo em que se fundamenta a embargante – nova redação do § 2o do artigo 102 do DecretoLei no 37/66 – não se aplica à espécie julgada, afastandose, assim, todo seu arrazoado concernente à aplicação da denúncia espontânea à espécie. Com efeito, esta Turma, reiteradas vezes, tem entendido que a aplicação do instituto da denúncia espontânea exige que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação pelo infrator, caso em que não se enquadram os fatos julgados, dada a impossibilidade lógica que torna irrealizável a denunciação espontânea da infração, em que o cumprimento da obrigação se dá depois do prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo, como muito bem ressaltou o i. conselheiro José Fernandes do Nascimento nos autos do processo nº 11684.000480/200849, julgado por esta Turma em 25/04/2012 (acórdão no 380200.973). Vale ressaltar que a inaplicabilidade da denúncia espontânea em tais casos se encontra sumulada pelo CARF, como se depreende da leitura da Súmula CARF nº 49, a qual tem o seguinte teor: “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. Da inexistência de omissão quanto à análise da materialidade do litígio A reclamante, também em sede de embargos de declaração, aduz que a ausência das telas do Siscomex com o histórico do despacho aduaneiro representaria cerceamento ao seu direito de defesa e a consequente nulidade do auto de infração. Entendemos que a interessada, com a argumentação em tela, procura rediscutir a materialidade da infração, questão já suficientemente abordada no acórdão recorrido, como se pode ver do seguinte trecho do voto condutor, abaixo reproduzido: Fl. 249DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10715.004868/200922 Acórdão n.º 3802003.894 S3TE02 Fl. 246 5 Da aduzida inexistência de prova da infração, posto que a fiscalização se refere à data da averbação do embarque, e não ao momento da prestação das informações necessárias Em sintonia com o que foi alegado pela recorrente, a planilha em que se funda o lançamento (fls. 10) contém, unicamente, o número da DDE, o dia em que ocorreu o embarque, o dia da averbação e o número do vôo. O fato de a fiscalização se referir à data da averbação da exportação como data em que teriam sido informados os dados do embarque caracterizaria, segundo tese defendida pela reclamante, a inexistência de prova da infração, já que a data de averbação não representaria necessariamente o dia em que teriam sido registradas as informações correspondentes. Contudo, o argumento da suplicante não merece ser acolhido. Com efeito, não obstante a averbação representar a conclusão do despacho de exportação (artigo 46 da IN SRF no 28/94), esta – a averbação – , nos termos do § 1º do mesmo dispositivo, se dá automaticamente “após a confirmação do efetivo embarque da mercadoria e do registro dos dados pertinentes, pelo transportador, na forma do art. 37”. E é o que, de fato, ocorre. Prestadas as informações pelo exportador, o sistema as coteja com os dados do embarque, averbando automaticamente a exportação acaso não evidenciadas divergências entre os dados confrontados, tudo em sintonia com os seguintes dispositivos da Instrução Normativa no 28/94: [omitido] Evidentemente, a averbação automática não ocorre acaso o sistema detecte divergências nos dados informados. Nessa hipótese, caberá à fiscalização aduaneira realizála, com registro, no Siscomex, das divergências constatadas (IN SRF 28/94, artigo 49). O habitual, no entanto, é que a averbação ocorra de forma automática. No caso presente, a recorrente não trouxe nenhuma prova capaz de demonstrar que a averbação não teria ocorrido automaticamente, com a correspondente prestação das informações de forma tempestiva. Diferentemente do que afirma a interessada, tal prova poderia ser facilmente colacionada aos autos pela mesma, bastando que a empresa extraísse, do Siscomex, o histórico do despacho de interesse. Tal funcionalidade, com efeito, é disponibilizada para os operadores do sistema. Ademais, não custa lembrar o disposto no inciso II do artigo 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo, segundo o qual o ônus da prova incumbe “ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor”. É, pois, do sujeito passivo, a obrigação de apresentar as provas que alicerçam os elementos defensórios por ele alegados, não podendo a administração substituílo em tal papel. Assim, diante dos argumentos acima expostos, e considerando ainda a inexistência de prova capaz de afastar a exação lavrada contra a reclamante, rejeito a argumentação concernente à aduzida inexistência de prova da infração. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 Como se vê, o colegiado apreciou sim a materialidade do delito, tendo entendido que a infração estava suficientemente demonstrada, razão pela qual decidiu pela manutenção do crédito tributário. Não há que se falar, pois, em omissão no julgado, não podendo a questão ser rediscutida em sede de embargos por não ser esta a via recursal adequada para o fim em tela. Dos argumentos inerentes à aplicação da Notícia Siscomex nº 105/94 A reclamante assevera também que o acórdão não teria se pronunciado quanto ao fato de a Notícia Siscomex nº 105/94 “não estar inserida no conceito de legislação interpretativa, não podendo ser utilizada para fins de regulamentação de legislação tributária inferior”. Aqui também não há que se falar em obscuridade, omissão ou contradição no acórdão, já que seus fundamentos também examinaram a questão de forma suficiente, como se vê do seguinte trecho do voto condutor: Quanto à alegada inexistência, na ocasião, de norma que previsse a infração cominada à empresa – posto que a IN 510/2005, que estabeleceu prazo específico para a prestação das informações, só foi editada posteriormente aos fatos – também não merece ser acolhida a tese defendida pela reclamante. O embarque objeto da lide, de fato, ocorreu no mês de setembro de 2004, portanto, anteriormente à edição da IN 510/2005, que alterou para dois dias o prazo, para registro, no Siscomex, dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria. Mas referido dispositivo, simplesmente, ampliou o prazo anteriormente previsto no artigo 37 da IN 28 de 1994, que exigia fossem tais informações prestadas imediatamente, conforme redação original do dispositivo em tela, abaixo reproduzido: Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. Parágrafo único. Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no SISCOMEX, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos à unidade da SRF de despacho. Visando aclarar e uniformizar o alcance do termo “imediatamente”, disposto na norma em evidência, foi publicada a Notícia Siscomex n° 105, de 27 de julho de 1994, onde foi esclarecido que referida expressão deveria ser interpretada como “em até 24 horas da data do efetivo embarque da mercadoria”. Com efeito, a IN SRF no 510, de 2005, deu nova redação ao art. 37 da IN SRF no 28/94, estabelecendo os prazos de dois dias (por via aérea) e de sete dias (por via marítima) para o registro dos dados de embarque no SISCOMEX. Ou seja, o prazo para a informação dos dados no referido sistema foi estendido, tornandose inegavelmente mais favorável para o administrado (embora, no caso, não suficientemente), passível de ser aplicado retroativamente, portanto. Não há dúvida de que o tipo infracional é contemporâneo aos fatos. Com efeito, o Decretolei no 37/66 já prescrevia multa para aquele que deixasse de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Por sua vez, o artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 28/94 prescrevia a Fl. 251DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10715.004868/200922 Acórdão n.º 3802003.894 S3TE02 Fl. 247 7 necessidade de prestação imediata das informações sobre as mercadorias embarcadas. O fato de o termo “imediatamente” ser impreciso – o que motivou a edição de esclarecimento quanto ao seu alcance – não autoriza concluir que a sanção pelo descumprimento da obrigação de prestação tempestiva das informações sobre o embarque carecesse de previsão normativa. Assim, rejeitase também o argumento concernente à alegada inexistência de sanção para a conduta à época dos fatos. Mais uma vez repisese que embargos de declaração não podem ser utilizados para fins de rediscussão do direito, já que são destinados unicamente a sanear obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, conforme caput do artigo 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Contudo, para fins meramente didáticos, acrescento, abaixo, argumentos que tornam ainda mais claro que a Notícia Siscomex nº 105/94 não foi utilizada como regulamentação da legislação tributária, mas apenas para aclarar e uniformizar o alcance do termo “imediatamente” contido no caput do artigo 37 da IN 28 de 1994. Com efeito, à época da infração era possível sim a formalização de lançamento para a exigência da penalidade ainda que considerada isoladamente a redação do caput do artigo 37 da IN 28 de 1994, a qual exigia fossem as informações sobre o embarque prestadas imediatamente após realizado o embarque, conforme redação original do dispositivo em tela, abaixo reproduzido: Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. Parágrafo único. Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no SISCOMEX, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos à unidade da SRF de despacho. Conforme ressaltado no acórdão embargado, a Notícia Siscomex n° 105, de 27 de julho de 1994 objetivou apenas aclarar e uniformizar o alcance do termo “imediatamente após”, disposto na norma em evidência. Mas isso não significa dizer que aludido termo não teria, por si só, conteúdo conceitual que impedisse a aplicação da norma tributáriapenal. O fato de o termo “imediatamente” não ser exato em unidades de aferição do tempo (horas, minutos, segundos) – o que motivou a edição de esclarecimento quanto ao seu alcance, aliás, bem elástico diante do seu significado – não autoriza concluir que a sanção pelo descumprimento da obrigação de prestação tempestiva das informações sobre o embarque carecesse de previsão normativa. Aliás, a infração objeto da lide, norma de evidente natureza penal (tributária penal), nos leva a pesquisar no próprio Direito Penal se referido termo – imediatamente – tem aplicação prática. Por exemplo, na Lei nº 4.898/65, o artigo 4º tipifica crime de abuso de autoridade: Fl. 252DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 8 c) deixar de comunicar, imediatamente, ao juiz competente a prisão ou detenção de qualquer pessoa; [...] i) prolongar a execução de prisão temporária, de pena ou de medida de segurança, deixando de expedir em tempo oportuno ou de cumprir imediatamente ordem de liberdade; (grifo nosso) Tal infração penal, com efeito, está prevista no artigo 350 de nosso Código Penal (lei nº 2.848/40), como se vê abaixo: Exercício arbitrário ou abuso de poder Art. 350 Ordenar ou executar medida privativa de liberdade individual, sem as formalidades legais ou com abuso de poder: Pena detenção, de um mês a um ano. Parágrafo único Na mesma pena incorre o funcionário que: [...] II prolonga a execução de pena ou de medida de segurança, deixando de expedir em tempo oportuno ou de executar imediatamente a ordem de liberdade; (grifo nosso) O termo “imediatamente” é utilizado 54 vezes no Código de Processo Penal (Decretolei nº 3.689/41). O artigo 245, § 6º, determina, por exemplo, que nas buscas domiciliares, “descoberta a pessoa ou coisa que se procura, será imediatamente apreendida e posta sob custódia da autoridade ou de seus agentes”. O artigo 277 capitula multa para o perito que, “[...] sem justa causa, provada imediatamente: a) deixar de acudir à intimação ou ao chamado da autoridade”, dentre outras hipóteses. E por aí vai. Não bastasse isso, nossa Constituição Federal utiliza o vocábulo “imediatamente” 10 vezes, dentre elas quando trata do prazo para comunicação de prisão de qualquer pessoa ou do relaxamento da prisão ilegal, verbis: Art. 5º Todos são iguais perante a lei [...] [...] LXII a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada; [...] LXV a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária; O termo em tela tem, pois, inconteste significado. Imediatamente que dizer logo após, na seqüência, que se segue. Não dá margem, portanto, a meu ver, à sua não aplicação em norma de natureza penal, como, aliás, vimos acima, diante do indiscutível uso do vocábulo no nosso Direito. Não se trata aqui, quero ressaltar, de aplicação da analogia para punir o administrado. Como se sabe, a analogia, prevista no artigo 4º da Lei de Introdução ao Código Civil (Decretolei nº 4.657/42), é vedada no direito penal (princípio da reserva legal). Com efeito, no caso não se está criando ilícito penal por analogia. Não há lacuna legal que dê ensejo ao uso da analogia para criação de fato típico. A norma (tributária) penal existe; apenas se buscou uma interpretação analógica ao direito penal propriamente dito para provar que o termo utilizado pela instrução normativa que complementa a norma penal em branco – Fl. 253DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10715.004868/200922 Acórdão n.º 3802003.894 S3TE02 Fl. 248 9 “imediatamente” – tem conceituação própria que legitima a cominação da correspondente penalidade, como ocorre em vários tipos penais do direito brasileiro. Da conclusão Por todo o exposto, voto para conhecer dos embargos opostos pela interessada, dada sua tempestividade, rejeitandoos, contudo, uma vez demonstrada a inexistência de quaisquer dos pressupostos elencados no artigo 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (Portaria MF no 256, de 22/06/2009). Sala de sessões, em 11 de novembro de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 254DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 13855.720069/2008-18
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
EMBARGOS. ERRO MATERIAL.
Verificada a ocorrência de erro material, consistente no descompasso entre os autos e o Acórdão publicado em Ata da Sessão, em relação, especialmente, ao exercício de que trata o lançamento, cabem embargos nos termos do artigo 66, do Anexo II do Regimento Interno do CARF
NULIDADE DO LANÇAMENTO.
Não padece de nulidade a Notificação de Lançamento que seja lavrada por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 11 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, dentro de uma lógica razoável e nos prazos devidos, o seu direito de defesa.
DILIGÊNCIAS OU PERÍCIAS.
Na apreciação das provas, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA TEMPESTIVO.
A partir do exercício de 2001, é indispensável apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) como condição para o gozo da isenção relativa às áreas de preservação permanente e de utilização limitada, considerando a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação. Introdução do artigo 17-O na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO Á MARGEM DA MATRÍCULA DE REGISTRO DO IMÓVEL, EM DATA ANTERIOR À OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR
Conforme determina o Código Florestal, Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, art. 16, § 8º, com a redação dada pela MP nº 2.166/67, de 24 de agosto de 2001, a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente. Ato constitutivo da reserva e requisito formal para reconhecimento do direito à isenção da área, a averbação deve ser feita em data anterior ao fato gerador do imposto.
Embargos Acolhidos com Efeitos Infringentes.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2801-003.434
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para rerratificar o Acórdão nº 2801-003.212, de 18/09/2013, com efeitos infringentes para negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, José Valdemir da Silva e Tânia Mara Paschoalin.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e José Valdemir da Silva. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: Marcio Henrique Sales Parada
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 EMBARGOS. ERRO MATERIAL. Verificada a ocorrência de erro material, consistente no descompasso entre os autos e o Acórdão publicado em Ata da Sessão, em relação, especialmente, ao exercício de que trata o lançamento, cabem embargos nos termos do artigo 66, do Anexo II do Regimento Interno do CARF NULIDADE DO LANÇAMENTO. Não padece de nulidade a Notificação de Lançamento que seja lavrada por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 11 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, dentro de uma lógica razoável e nos prazos devidos, o seu direito de defesa. DILIGÊNCIAS OU PERÍCIAS. Na apreciação das provas, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA TEMPESTIVO. A partir do exercício de 2001, é indispensável apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) como condição para o gozo da isenção relativa às áreas de preservação permanente e de utilização limitada, considerando a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação. Introdução do artigo 17-O na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000. ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO Á MARGEM DA MATRÍCULA DE REGISTRO DO IMÓVEL, EM DATA ANTERIOR À OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Conforme determina o Código Florestal, Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, art. 16, § 8º, com a redação dada pela MP nº 2.166/67, de 24 de agosto de 2001, a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente. Ato constitutivo da reserva e requisito formal para reconhecimento do direito à isenção da área, a averbação deve ser feita em data anterior ao fato gerador do imposto. Embargos Acolhidos com Efeitos Infringentes. Crédito Tributário Mantido.
turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13855.720069/2008-18
anomes_publicacao_s : 201501
conteudo_id_s : 5417809
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2801-003.434
nome_arquivo_s : Decisao_13855720069200818.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : Marcio Henrique Sales Parada
nome_arquivo_pdf_s : 13855720069200818_5417809.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para rerratificar o Acórdão nº 2801-003.212, de 18/09/2013, com efeitos infringentes para negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, José Valdemir da Silva e Tânia Mara Paschoalin. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e José Valdemir da Silva. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
id : 5785694
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:34:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047477092876288
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2333; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 132 1 131 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13855.720069/200818 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2801003.434 – 1ª Turma Especial Sessão de 20 de fevereiro de 2014 Matéria ITR Embargante MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Interessado MARIA ALICE FALEIROS MOLINA ALVES ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 EMBARGOS. ERRO MATERIAL. Verificada a ocorrência de erro material, consistente no descompasso entre os autos e o Acórdão publicado em Ata da Sessão, em relação, especialmente, ao exercício de que trata o lançamento, cabem embargos nos termos do artigo 66, do Anexo II do Regimento Interno do CARF NULIDADE DO LANÇAMENTO. Não padece de nulidade a Notificação de Lançamento que seja lavrada por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 11 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, dentro de uma lógica razoável e nos prazos devidos, o seu direito de defesa. DILIGÊNCIAS OU PERÍCIAS. Na apreciação das provas, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA TEMPESTIVO. A partir do exercício de 2001, é indispensável apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) como condição para o gozo da isenção relativa às áreas de preservação permanente e de utilização limitada, considerando a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação. Introdução do artigo 17O na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 00 69 /2 00 8- 18 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 31 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13855.720069/200818 Acórdão n.º 2801003.434 S2TE01 Fl. 133 2 ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO Á MARGEM DA MATRÍCULA DE REGISTRO DO IMÓVEL, EM DATA ANTERIOR À OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Conforme determina o Código Florestal, Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, art. 16, § 8º, com a redação dada pela MP nº 2.166/67, de 24 de agosto de 2001, a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente. Ato constitutivo da reserva e requisito formal para reconhecimento do direito à isenção da área, a averbação deve ser feita em data anterior ao fato gerador do imposto. Embargos Acolhidos com Efeitos Infringentes. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para rerratificar o Acórdão nº 2801003.212, de 18/09/2013, com efeitos infringentes para negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, José Valdemir da Silva e Tânia Mara Paschoalin. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e José Valdemir da Silva. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Contra a contribuinte identificada foi lavrada Notificação de Lançamento, conforme folhas 02 a 06, cuja ciência deuse em 18/06/2008, onde foi exigido Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR suplementar, relativo ao exercício de 2004, no valor de R$ 6.639,13, acrescido de multa proporcional de 75%, no valor de R$ 4.979,34 e mais juros de mora calculados com base na taxa Selic, tendo por objeto o imóvel rural denominado “Fazenda Santa Maria”, cadastrado na RFB sob o nº 0.259.9180, com área declarada de 126,4 há e localizado no Município de Patrocínio Paulista/SP. Na “descrição dos fatos” , constante de fls. 03, narra a Autoridade Fiscal que efetuou o lançamento que, após regularmente intimada, a contribuinte não comprovou o direito à isenção das áreas declaradas como de preservação. Transcrevo: Fl. 133DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 31 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13855.720069/200818 Acórdão n.º 2801003.434 S2TE01 Fl. 134 3 “0 contribuinte, após regularmente intimado, através do Termo de Intimação Fiscal n° 08123/00030/2008, nos respondeu informando que desconhecia a obrigatoriedade de apresentação do Ato Declaratório Ambiental, apresentando tal documento somente no ano de 2007 e, ainda assim, declarando uma área menor do que a declarada na DITR, por motivo de erro material. Apresentou: um Laudo Técnico Ambiental de 2008, para cumprir solicitação do Ministério do Meio Ambiente e finalidade de preencher o Ato Declaratório Ambiental ADA/2008; um Laudo de Avaliação do imóvel rural denominado FAZENDA SANTA MARIA do ano de 2008 e uma cópia da certidão do imóvel, onde podese verificar que não consta nenhuma área de reserva legal averbada. Assim sendo, o contribuinte não apresentou o ADA/2004 e nem o Laudo de Avaliação do Imóvel do ano de 2004, portanto, não seguiu as exigências contidas no Termo de Intimação Fiscal n° 08123/00030/2008...” Na fl. 7/9 consta a DITR/2004, onde se observa que foi declarada uma “área de preservação permanente de 63,1 há. Na fl. 29 temos o Laudo Técnico Ambiental elaborado por Engenheiro Agrônomo, datado de 23 de maio de 2008. Esclarece o profissional que: “O presente laudo referese a informações técnicas para cumprir a solicitação do Ministério do Meio Ambiente, em cumprimento ao processo ambiental nº 10735350096456. Com a finalidade de preencher o Ato Declaratório ambiental ADA de 2008, conforme Lei nº 9.393/96.” Observo ainda que constam dos autos dois Atos Declaratórios Ambientais (ADA) o primeiro, no formulário 2007, datado de 26/09/2007, onde consta informada uma área de 25,2 há como sendo Área de Preservação Permanente (APP), e outro datado de 14/09/2008, onde consta como área de preservação permanente a extensão de 5,39 há e como área coberta por florestas nativas (AFN) 57,57 há. Existe ainda o Laudo Técnico Ambiental, elaborado pelo mesmo Engenheiro Agrônomo (fl.65) dessa feita com objetivo diverso, como relata o autor: “O presente laudo tem por objetivo a comprovação das áreas preservacionistas do imóvel denominado Fazenda Santa Maria, relativamente ao ano de 2004, com data base de 1º de Janeiro de 2004.” Inconformada com o lançamento do crédito tributário, a contribuinte apresentou impugnação que foi conhecida e tratada pela DRJ/CAMPO GRANDE cujo Acórdão decidiu “por unanimidade de votos, em indeferir pedido de perícia, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido,...”. Do Voto condutor da decisão administrativa destaco o seguinte: Fl. 134DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 31 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13855.720069/200818 Acórdão n.º 2801003.434 S2TE01 Fl. 135 4 “A respeito de que todos os termos foram concebidos em Revisão Interna, sem um instrumental fiscal, é uma alegação que causa estranheza, pois, a revisão interna é um dos tipos fiscalização mais utilizados na Receita. É o procedimento de verificação da veracidade das declarações apresentadas, sendo solicitados aos declarantes os documentos comprobatórios das informações contidas em suas DITR, comprovantes estes dispensados de apresentação quando da entrega da declaração. Relativamente à perícia, nos termos do art. 14, do Decreto no 70.235/1972 se tem que, instaurada a fase litigiosa do procedimento pela impugnação da exigência, reputase superada a fase de instrução do processo, pois, de acordo com o artigo 15, desse referido Decreto, a impugnação deve estar instruída com os documentos em que se fundamente, restando apenas a possibilidade de realização de perícia ou diligência, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a critério da autoridade julgadora, conforme artigo 18, do mesmo diploma legal...” (...) “Além da comprovação de existência da APP, seja através de laudo técnico, seja através de Ato específico, bem como da averbação da ARL na matrícula do imóvel, e necessário também comprovar a regularização dessas áreas junto ao IBAMA, através da apresentação do ADA, protocolado dentro do prazo legal para o exercício fiscalizado”. (...) “Passandose à situação concreta, a documentação apresentada pela impugnante à fiscalização não se mostrou eficaz para considerar como isentas as áreas de floresta. Apesar de o laudo demonstrar a existência de 5,3ha de APP em mata ciliar, o ADA é referente a 2007, intempestivo para 2003 a 2006. Além disso, relativamente à ARL, na matrícula não consta averbação. Com a impugnação não foi apresentado nenhum documento que pudesse mudar essa situação. Em razão disso, essas áreas não deveriam estar declaradas como isentas, pois, não estavam amparadas para essa concessão, fato que configura declaração incorreta.” Regularmente cientificada em 02/08/2010, conforme AR na fl. 96, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em 30/08/2010 (fl. 97) onde renova as mesmas razões expendidas em sede de impugnação, e as adita, objetivando reconhecerse, em síntese: que o lançamento é nulo, pois foi efetuado em procedimento de revisão interna, não se realizando fiscalização no local, que constataria a situação do imóvel, e assim teve cerceado seu direito de defesa; que a decisão recorrida não contradiz os Laudos e demais documentos apresentados na Impugnação, o que torna a existência das áreas “fato incontroverso”, mas também não aceita a sua correspondente exclusão da área tributável pela falta de requisitos formais (averbação e ADA), cuja exigência é “impertinente”; Fl. 135DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 31 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13855.720069/200818 Acórdão n.º 2801003.434 S2TE01 Fl. 136 5 que a documentação apresentada comprova as áreas de preservação declaradas e averbouse na matrícula do imóvel as áreas de utilização limitada; cita jurisprudência do 3º Conselho de Contribuintes para concluir que uma vez existentes e comprovadas em laudo técnico as áreas de preservação, estas independem de averbação ou informação no ADA/IBAMA, ensejando sua exclusão da área tributável, sob pena de ilegalidade na apuração do ITR; exercita interpretação das Leis 9.393/1996 e 4.771/1965 e suas alterações, para concluir que “que não há qualquer prérequisito para efeito de apuração do ITR, conforme determina o §7º , art. 10 da Lei 9.393196, que esclarece que o imposto é calculado levandose em consideração somente as áreas tributáveis e aproveitáveis...”; alega também que houve erro no preenchimento da DITR que deve ser considerado e corrigido pelas informações que constam da documentação apresentada, novamente citando jurisprudência administrativa; com relação ao ADA, destaca que o disposto no §1º, do artigo 170 da Lei nº 6.938/81, que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, alterada pela Lei n° 10.165/2000, está voltada para a cobrança da TCFA — Taxa de Controle e Fiscalização Ambiental. Assim, tratandose de ITR — Imposto Territorial Rural, a lei aplicável é a Lei n° 9.393/96, lex especia/is, e não a supramencionada lei sobre Política Nacional do Meio Ambiente. Desta feita, requer que seja o presente Recurso Voluntário totalmente provido, no sentido de cancelar o lançamento de ofício no mérito ou, caso assim não seja atendido, que o mesmo seja anulado devido ao fato da fiscalização não constatar in loco as áreas existentes no imóvel, ou seja, que os atos foram praticados em Revisão Interna. Protesta pela possibilidade de sustentação oral e apresentação de memoriais. Anexa novos documentos, quais sejam: Cópia do Mapa — Projeto de Averbação de Reserva Legal; Cópia da Matrícula do Imóvel emitida pelo Cartório de Registro de Imóveis de Patrocínio Paulista/SP. Foi proferida decisão no Acórdão 2801003.212, datado de 18 de setembro de 2013, pela Primeira Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento deste CARF. Na ementa temos que o assunto tratado é o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural –ITR e o exercício é o de 2003. Ocorre que se verificou, posteriormente, que os autos referemse na realidade ao exercício de 2004, estando em descompasso com o Acórdão. Isso porque, na mesma Sessão de Julgamento, foi também posto em pauta o processo 13855.720067/200811, que trata do mesmo tributo em relação à mesma contribuinte, porém do exercício de 2003. Os Acórdãos, relativos aos exercícios de 2003 e 2004, tiveram resultados diferentes, conforme registrado na ATA da Sessão, e foram equivocadamente anexados em processos trocados. Tendo em vista a hipótese de erro manifesto, acima descrito, foi proposto, e aceito pela Presidência, que o processo seja novamente posto à apreciação da Turma Especial, Fl. 136DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 31 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13855.720069/200818 Acórdão n.º 2801003.434 S2TE01 Fl. 137 6 conforme artigo 66, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, devendo ser dada ciência à parte, após o resultado do novo julamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator Conheço do recurso, já que tempestivo e com condições de admissibilidade. O contribuinte questiona o lançamento, pugnando que seja reconhecida a nulidade do feito administrativo, alegando a falta fiscalização no local, mas no que diz respeito à formalização do ato de lançamento tributário, não foi apontada pelo Recorrente nenhuma razão que demonstre afronta ao Art. 142, do CTN, nem aos Arts. 11 ou 59 do Decreto nº 70.235/1972, na constituição do crédito tributário, pelo lançamento. Nesse sentido, não verificamos qual requisito formal do ato administrativo estaria desvinculado da lei ou como teve cerceado seu direito de defesa, tendo em vista que foi regularmente cientificado da Notificação de Lançamento, lavrada por autoridade competente, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo o pleno exercício do direito de defesa e se constata que conhece a matéria fática e legal e exerceuo com lógica e nos prazos devidos. À luz da melhor doutrina pátria, o processo civil, na linha do qual se encontra o processo administrativo fiscal, é um método de composição dos litígios, usado pelo Estado para cumprir sua função jurisdicional, com o objetivo imediato de aplicar a lei ao caso concreto e mediato de pacificação e paz social. Em razão de vários fatores, a forma como o processo se desenvolve assume feições diferentes. No dizer de Humberto Theodoro Júnior, “enquanto processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir diversas feições ou modos de ser.” Ensina o renomado autor que “procedimento é, destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo” (Theodoro Junior, Humberto in Curso de Direito Processual Civil, vol. I, 41 ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) Pois bem, o procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Assim, reputo que não houve cerceamento do direito de defesa. Também, é imperioso observar que a controvérsia se concentra, como expressamente se reporta o Recorrente, em sua manifestação de inconformidade, no não Fl. 137DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 31 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13855.720069/200818 Acórdão n.º 2801003.434 S2TE01 Fl. 138 7 reconhecimento de áreas isentas ou não tributadas, por conta da exigência de formalidades bem esclarecidas pelo julgador de 1ª instância. Assim, a solução da lide está adstrita à análise documental, no que tange ao cumprimento de exigências formais, portanto não vejo o porquê de se determinar perícias no local, já tendo sido trazidos aos autos dois Laudos Técnicos. Entendo, pois, com base no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, pelo indeferimento do pedido nesse sentido. No que diz respeito ao pedido para sustentação oral e apresentação de memoriais, o Regimento Interno deste CARF os admite, sendo públicas as Sessões de Julgamento, cuja pauta é publicada previamente no Diário Oficial, bastando o Recorrente, ou seu representante, legalmente habilitado, fazerse presente à Sessão. (Arts. 53, 55 e 58 do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009) Façamos ainda breve digressão sobre o instituto da isenção tributária: CTN Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração Natureza da isenção. Conforme art. 175, caput, a isenção exclui o crédito tributário, ou seja, surge a obrigação, mas o respectivo crédito não será exigível; logo, o cumprimento da obrigação resta dispensado. Para Rubens Gomes de Souza, favor legal consubstanciado na dispensa do pagamento de tributo. Para Alfredo Augusto Becker e José Souto Maior Borges, hipótese de nãoincidência da norma tributária. Para Paulo de Barros Carvalho, o preceito de isenção subtrai parcela do campo de abrangência do critério antecedente ou do conseqüente da norma tributária, paralisando a atuação da regra matriz de incidência para certos e determinados casos.(PAULSEN. Leandro, Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 10 ed – Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2008, p. 1179) MÉRITO DO ADA COMO REQUISITO PARA ISENÇÃO A Lei nº 9.393/1996, que dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, em seu artigo 10, que trata da apuração e pagamento do imposto, menciona que para efeitos de apuração do ITR considerarseá “área tributável” a área total do imóvel “menos as áreas de preservação permanente e de reserva legal”, previstas na Lei nº 4.771 de 15 de setembro de 1965, com redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989. O tamanho da área tributável influi no cálculo e, conseqüentemente, no valor a pagar de ITR. A apresentação do ADA – Ato Declaratório Ambiental, para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal, que outrora era exigida pela RFB com base em norma infra legal, surgiu no ordenamento jurídico com o art. 1º, da Lei nº 10.165/2000, que incluiu o art. 17O, § 1º na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001: Fl. 138DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 31 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13855.720069/200818 Acórdão n.º 2801003.434 S2TE01 Fl. 139 8 Art. 17O Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (...) §1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (grifei) Assim, por expressa previsão legal, o ADA não se presta tão somente ao recolhimento de Taxa de Vistoria ao Ibama, como alude o Recorrente, e também observo que a Lei 6.938 é de 1981, mas a alteração foi procedida em 2000, portanto posterior à Lei 9.393/1996. A jurisprudência da Câmara Superior deste CARF já se manifestou em julgamento no Acórdão 9202 – 002.383 (processo: 10120.000407/200628, data 13/03/2013, Relatora Susy Gomes Hoffmann): ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. REQUISITO NECESSÁRIO. A fim de obter a isenção quanto à Área de Preservação Permanente (APP) o sujeito passivo deve apresentar documentação sobre a existência. No presente caso, o sujeito passivo apresentou apenas mapa, sem o devido e necessário Ato Declaratório Ambiental (ADA), motivo da não obtenção de isenção da citada área.(grifei) Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. O Decreto regulamentador do ITR também possui determinação expressa. Decreto 4.382/2002: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I de preservação permanente; II – de reserva legal, ... § 1º A área do imóvel rural que se enquadrar, ainda que parcialmente, em mais de uma das hipóteses previstas no caput deverá ser excluída uma única vez da área total do imóvel, para fins de apuração da área tributável. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato Fl. 139DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 31 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13855.720069/200818 Acórdão n.º 2801003.434 S2TE01 Fl. 140 9 normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e(grifei) Primeiramente, antes de nossa análise, cabe ressaltar a importância do Ato Declaratório Ambiental (ADA). O ADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental e possui como função cadastramento as áreas de interesse ambiental declaradas, permitindo o controle e verificação dessas áreas pelo órgão responsável pela área ambiental. Com essa declaração aos órgãos responsáveis, em busca da preservação ambiental dessas áreas, o Estado concede isenção tributária quanto ao ITR. Cabe ressaltar que a isenção tributária, como a incidência, decorre de lei. É o próprio poder público competente para exigir tributo que tem o poder de isentar É a isenção um caso de exclusão tributária, de dispensa do crédito tributário, conforme determina o I, Art. 175 do Código Tributário Nacional (CTN). Buscase, assim, uma conduta determinada dos cidadãos. No caso, o objetivo é a preservação das áreas em comento, pela fiscalização das áreas informadas pelo ADA e o órgão que possui a qualificação técnica para tal é o Ibama. Desta forma, o objetivo da isenção é estimular a preservação e proteção da flora e das florestas e, conseqüentemente, contribuir para a conservação da natureza e proporcionar melhor qualidade de vida. “O postulado da proporcionalidade exige que o Poder Legislativo e o Poder Executivo escolham, para a realização de seus fins, meios adequados, necessários e proporcionais. Um meio é adequado se promove o fim. Um meio é necessário se, dentre todos aqueles meios igualmente adequados para promover o fim, for o menos restritivo relativamente aos direitos fundamentais. E um meio é proporcional, em sentido estrito, se as vantagens que promove superam as desvantagens que provoca”. (ÁVILA, Humberto. Teoria dos Princípios: da definição á aplicação dos princípios jurídicos. São Paulo: Malheiros, 2003, p. 102) O órgão de controle, Ibama, a seu turno, por meio da Portaria nº 162, de 18 de dezembro de 1997, cuidou, entre outras providências, de estabelecer o modelo do ADA, bem como instruções para preenchimento (pelos solicitantes) e recepção dos correspondentes formulários. Estabeleceu, em seu art. 1º: “Art. 1º. O Ato Declaratório Ambiental ADA conforme modelo apresentado no anexo I da presente Portaria, representa a declaração indispensável ao reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada para fins de apuração do ITR.” (Grifos acrescidos) A IN Ibama nº 76, de 31 de outubro de 2005, que expressamente revogou a supra mencionada Portaria, estabeleceu: “Art. 1º O Ato Declaratório Ambiental ADA representa o cadastro indispensável ao reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada para fins de isenção do Imposto Territorial Rural ITR”. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 31 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13855.720069/200818 Acórdão n.º 2801003.434 S2TE01 Fl. 141 10 Observo ainda que a Instrução Normativa nº 76 do Ibama traz considerações importantes sobre o ADA e seu disciplinamento, para justificar a necessidade de padrões e prazos. Abaixo transcrevemos alguns: “ Considerando a necessidade de padronizar o modelo de Ato Declaratório AmbientalADA; Considerando a necessidade de regulamentação das modalidades de apresentação do ADA, para fins de isenção e/ou dedução de Imposto Territorial Rural ITR ; Considerando a necessidade de o Ibama instituir um cadastro das propriedades rurais que possuem áreas de interesse ambiental, mediante apresentação do ADA;...(grifei)” Por fim, a IN Ibama nº 76, de 2005 foi expressamente revogada pela IN Ibama nº 5, de 25 de março de 2009, a qual, entre outras determinações, definiu modelo de laudo técnico de vistoria de campo um dos documentos comprobatórios das declarações prestadas no ADA, passível de ser exigido em momento posterior à apresentação do ADA, deixou de contemplar o formulário padrão como um dos modelos de apresentação do ADA e determinou o prazo para a apresentação do ADA bem como de sua retificação: “Art. 1º O Ato Declaratório Ambiental – ADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental que o integram para fins de isenção do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, sobre estas últimas. (...) Art. 6º O declarante deverá apresentar o ADA por meio eletrônico formulário ADAWeb, e as respectivas orientações de preenchimento estarão à disposição no site do IBAMA na rede internacional de computadores www.ibama.gov.br ("Serviços online"). (...) § 3o O ADA deverá ser entregue de 1º de janeiro a 30 de setembro de cada exercício, podendo ser retificado até 31 de dezembro do exercício referenciado. Bem, não estamos discutindo a existência da área de preservação permanente ou de utilização limitada, frisese. A não existência ou a não preservação poderia ensejar, para o proprietário, outras repercussões ou sanções previstas na legislação ambiental/penal. Na esfera tributária, o que nos cabe discutir e avaliar, creio, é se os requisitos estabelecidos para que seja aproveitada uma isenção estão presentes. Não me parece que a exigência do ADA não tenha previsão legal. Tampouco que ela não esteja disciplinada e ainda que não seja, a partir do excerto que citamos acima, proporcional e adequada. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 31 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13855.720069/200818 Acórdão n.º 2801003.434 S2TE01 Fl. 142 11 Notese que a lei que estamos citando é de 2000 (Lei nº 10.165) e o exercício tributário para fins de ITR o de 2004. E ainda que o procedimento administrativo deuse em 2008. Oito anos se passaram, portanto. Com o devido respeito à jurisprudência colacionada pelo contribuinte recorrente, que não é unânime neste Conselho, como deve ter verificado em sua pesquisa, entendo que o §7º do artigo 10 da Lei nº 9.393/1996, incluído pela MP nº 2.166/2001, ao dizer que: §7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas a e d do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis, referese à questão do lançamento do ITR darse por homologação, nos termos do Art. 150 do CTN, e reputo importante destacar os termos “declaração” e “prévia”. Não é necessário que o contribuinte apresente nenhum documento para que em sua declaração faça constar a informação das áreas isentas, de reserva legal e preservação permanente, e, desta feita, conseqüentemente, apure o imposto devido e faça o recolhimento, cabendo ao Fisco simplesmente chancelar tal apuração, quando a entenda correta, mediante homologação expressa ou tácita. Nenhum ato prévio do Fisco, pois, se faz mister. Contudo, entendendo a autoridade fiscal que se faz necessária comprovação, principalmente no que diz respeito a uma isenção pleiteada pelo declarante, cabe a este atendê la. Quando não o faz, na forma prevista em diploma legal, que, portanto, revestese de todas as prerrogativas e formalidades que possamos aqui discutir, é de entenderse que restou não comprovada a veracidade da declaração. Assim, data vênia, não vejo que o dispositivo legal tenha vindo a criar uma isenção sem condições ou requisitos para sua fruição ou mesmo permita entender que outros documentos possam vir a suprir um especificamente indicado por Lei. Também não vislumbro que caiba ao Fisco provar que o contribuinte não satisfaz os requisitos para isenção, cabendo apenas regularmente intimálo para tal, estando a cargo do declarante comprovar a veracidade das informações. DO PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DO ADA. No que diz respeito ao prazo para apresentação do ADA, a legislação vigente à época do fato gerador, a Instrução Normativa SRF nº 256, de 11 de dezembro de 2002, em seu art. 9o, §3o, inciso I , determinava a entrega no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da Declaração do ITR. A DITR do exercício de 2004 deveria ser entregue até o dia 30 de setembro de 2004, conforme dispunha o art. 3º da Instrução Normativa SRF nº 435, de 27 de julho de 2004. Assim, o ADA relativo ao exercício de 2004 poderia ser entregue até o dia 31 de março de 2005. Já tendo sido decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) deste CARF a necessidade de sua apresentação, conforme citado, há outra controvérsia a ser Fl. 142DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 31 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13855.720069/200818 Acórdão n.º 2801003.434 S2TE01 Fl. 143 12 tratada. Após longos debates, a jurisprudência da 2a Turma da CSRF passou a admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal, desde que as áreas deduzidas fossem devidamente comprovadas com documentação complementar. Vejase, como exemplo, a seguinte decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001. COMPROVAÇÃO VIA AVERBAÇÃO ANTERIOR AO FATO GERADOR, LAUDO PERICIAL E ADA INTEMPESTIVO. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratandose de áreas de reserva legal e preservação permanente, devidamente comprovadas mediante documentação hábil e idônea, notadamente averbação à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador (reserva legal) e Laudo Pericial do próprio IBAMA, ainda que apresentado ADA intempestivo, impõese o reconhecimento de aludidas áreas, glosadas pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. TEMPESTIVIDADE. INEXIGÊNCIA NA LEGISLAÇÃO HODIERNA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Inexistindo na Lei n° 10.165/2000, que alterou o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, exigência à observância de qualquer prazo para requerimento do ADA, não se pode cogitar em impor como condição à isenção sob análise a data de sua requisição/apresentação, sobretudo quando se constata que fora requerido anteriormente ao início da ação fiscal. Recurso Especial do Procurador Negado. (Acórdão nº 9202 01.843, sessão de 26/10/2011, Relator Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira)(grifei) Mais uma vez, com o devido respeito à jurisprudência administrativa, peço vênia para discordar, por dois aspectos: O primeiro, de cunho formal, entendendo que a lei não fixou prazo para apresentação do ADA e não deveria mesmo fazêlo, competindo aos órgãos administrativos disciplinarem esta entrega, estabelecendo modelos, formulários, vias de apresentação e prazo. É o que é feito em todas as declarações a serem apresentadas pelo contribuinte e estava previsto no Decreto que regulamenta o ITR, nº 4.382/2002, já transcrito. Observese, por exemplo, que o artigo 8º da Lei nº 9.393/1996 remete à Secretaria da Receita Federal a fixação de data e condições para a entrega da DITR Vejamos também o disposto na lei nº 9.779/1999: Fl. 143DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 31 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13855.720069/200818 Acórdão n.º 2801003.434 S2TE01 Fl. 144 13 “Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. (grifei) LEANDRO PAULSEN, ao comentar sobre o princípio da legalidade, homenageado no art. 150, I, da CF/88, assim ensina: “O prazo para recolhimento do tributo não constitui elemento da hipótese de incidência, de maneira que sua fixação independe de lei.” (PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p.164) Também já se posicionou a jurisprudência do STF: “...3. Não se compreende no campo reservado à lei, pelo Texto Constitucional, a definição de vencimento...das obrigações acessórias.” (STF, AGRAG 178723/SP, Min. Mauricio Correa, mar/96) Assim, seja a obrigação principal, sejam elas acessórias, a fixação de prazo não é matéria reservada à lei. Desta feita, a justificativa para que se admita ADA protocolizado intempestivamente porque “a legislação” não fixou prazo, não me parece a melhor aplicação do direito. O Código Tributário, por seu turno, ao estabelecer as normas gerais em matéria de direito tributário, traz que: Art. 96. A expressão “legislação tributária” compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas Complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Transcrevo, por oportuno, a jurisprudência dos tribunais: “Ementa: .... I. Tendo a Lei 7.232/84 (art. 19) autorizado expressamente o estabelecimento dos critérios, condições e prazo para a fruição da isenção por ela concedida nos artigos 13 e 15, não há violação ao disposto no art. 176 do CTN, nem ao art. 5º, inciso II, da Constituição, uma vez que a restrição decorre diretamente da lei que a facultou, sendo certo que o Direito Tributário não desconhece a existência de normas Complementares das leis (CTN, art. 100), inclusive os decretos (CTN, art. 96), donde decorre que o Decreto 92.187/85 (art. 7º, IV, a e b”) não incidiu em ilegalidade. ....” (TRF1ª Região. AC 1999.01.00.1112420/MG. Rel.: Juiz Federal Leão Aparecido Al ves (convocado). 2ª Turma Suplementar. Decisão: 29/10/02. DJ de 21/11/02, p. 79.)(sublinhei) “Ementa: .... V. As normas Complementares do Direito Tributário são de grande valia porquanto empreendem exegese uniforme a ser obedecida pelos agentes administrativos fiscais (art. 100 do CTN). Constituem, referidas normas, fonte do Fl. 144DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 31 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13855.720069/200818 Acórdão n.º 2801003.434 S2TE01 Fl. 145 14 Direito Tributário porquanto integrantes da categoria ‘legislação tributária’ (art. 96 do CTN). ....” (STJ. REsp 460986/PR. Rel.: Min. Luiz Fux. 1ª Turma. Decisão: 06/03/03. DJ de 24/03/03, p. 151.)(sublinhei) Assim, não entendo porque se desprezar a “legislação tributária”, especialmente o Decreto que regulamenta o ITR, art 10, § 3º, I, ao estabelecer que o ADA, que tem previsão legal, “deveria ser entregue nos prazos e condições fixados em ato normativo” e as Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal e IBAMA que dispuseram sobre o prazo. O segundo aspecto, de interesse material, pois como a idéia subjacente a essa finalidade, da exigência do ADA, é de informar ao órgão ambiental sobre as áreas isentas do ITR, para que este possa, se assim desejar, verificar a real existência dessas áreas e repassar as informações á Receita Federal, deve haver um “tempo” para tal, não podendo o contribuinte fazer isso a seu bel prazer. Observese, como exemplo, o que consta do formulário 2008, anexado à fl. 80: “As Informações contidas neste formulário são a expressão da verdade. O IBAMA, ao receber as Informações contidas neste Ato Declaretório Ambienta! — ADA, deverá Inserilas no SINIMA (Art. 9° da Lei 6.938/81) e encaminhálas á Receita Federal”.(sublinhei) Considerando que existe fixada a data de ocorrência do fato gerador, o prazo para entrega de declaração do ITR, o prazo decadencial para eventual constituição de crédito tributário (arts 150, § 4º ou 173, I do CTN), não creio razoável aceitar que o contribuinte possa entregar o ADA até o início da ação fiscal, o que não daria tempo ao IBAMA de verificar se as áreas realmente existem, efetuando o controle ambiental, e informar à RFB a eventual irregularidade, a ser considerada na mesma ação fiscal. Quando fixa o prazo para a entrega do ADA em até seis meses após a data de entrega da DITR, além de estar atendendo ao comando legal de que não é necessária “prévia comprovação” para valerse da isenção na DITR, mostrase benéfica ao contribuinte, já que, se não o fizesse, o cumprimento da exigência deveria se reportar então à data de ocorrência do fato gerador, onde se apura a situação do imóvel para efeitos de lançamento do imposto, sujeito a lançamento por homologação. E também discordo do entendimento que atribui, analogamente, a entrega do ADA ao instituto da “denúncia espontânea”, não podendo, portanto, admitilo até o início da ação fiscal. Como uma declaração que deve ser apresentada pelo contribuinte, com reflexos diretos na apuração do ITR, constituise ato formal e obrigação acessória. Nesse sentido, cito que ambas as Turmas do STJ tem entendimento no sentido de que o art. 138 do CTN é inaplicável às obrigações acessórias. Vejamos: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 31 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13855.720069/200818 Acórdão n.º 2801003.434 S2TE01 Fl. 146 15 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória. Precedentes do STJ. 2. Agravo Regimental não provido. (STJ, 2ª Turma, Ag. Rg. No Resp 916.168/SP, Min. Herman Benjamin, mar/09) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. 1 A entrega das declarações de operações imobiliárias fora do prazo previsto em lei constitui infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária, apta a atrair o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional..... 2 A entrega extemporânea das referidas declarações é ato puramente formal, sem qualquer vínculo com o fato gerador do tributo e, como obrigação acessória autônoma, não é alcançada pelo art. 138 do CTN,... (STJ, 1ª Turma, AgRg no Resp 884.939/MG, Min. Luiz Fux, fev/09) DA AVERBAÇÃO DA RESERVA LEGAL NA MATRÍCULA DO IMÓVEL Para fazer jus à redução também deverá o sujeito passivo cumprir outra determinada exigência, especialmente em relação à reserva legal. Tratase da averbação no órgão competente de registro da destinação para preservação ambiental, conforme determina o Código Florestal, Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, art. 16, § 8º, com a redação dada pela MP nº 2.166/67, de 24 de agosto de 2001, verbis: Art.16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (...) §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (grifei) Bem, penso que a averbação no registro de imóveis não se trata tão somente de matéria de prova acerca da configuração da área de reserva legal ou, ainda, de obrigação Fl. 146DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 31 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13855.720069/200818 Acórdão n.º 2801003.434 S2TE01 Fl. 147 16 acessória a ser cumprida pelo contribuinte, pelo contrário, tratase de ato constitutivo da própria área de reserva legal, documenta e cria um registro público da sua existência e faz surgir uma obrigação real de preservação. Ademais, o Mestre SÍLVIO RODRIGUES, ao tratar da forma dos atos jurídicos, ensina que para alguns atos a lei exige forma determinada. Para o renomado autor, não obstante a importância da forma venha diminuindo com o tempo, e ele identifica um recuo nessa ocorrência, se o formalismo apresenta alguns aspectos negativos, apresenta outros favoráveis, pois ele estabelece de maneira indiscutível a vontade das partes e conserva a memória de sua manifestação, garante a autenticidade do ato, chama a atenção para a seriedade do mesmo, facilita a prova que se fizer necessária e traz o elemento importante publicidade. (RODRIGUES. Silvio, Direito Civil, Parte Geral, vol 1, São Paulo: Saraiva, 2003, pp. 264/5). Acrescentese, ainda, que a averbação na matrícula do imóvel produz efeitos erga omnes, preservando a área mesmo no caso de transmissão a qualquer título, desmembramento e etc... Com o devido respeito à jurisprudência que colaciona o Recorrente, que também não é unânime neste CARF, contudo e portanto, entendo que a área de reserva legal somente será considerada para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto. Aliás, assim já se posicionou a CSRF, em decisão aqui transcrita Penso mesmo que não faz sentido admitir um ato constitutivo que possa ser posterior. DA DOCUMENTAÇÃO APRESENTADA. Na DITR/2004, foi declarada uma área de APP de 63,1 há, glosada pela Autoridade lançadora, na ação fiscal que teve início em 05/05/2008, com a ciência dada ao sujeito passivo do Termo de Intimação Fiscal. No ADA/2007, protocolado em 26/09/2007, consta informada uma área de APP de 25,2 há, que o advogado da Recorrente afirmou posteriormente tratarse de “erro material”. Assim, providenciaram um Laudo Técnico Ambiental, “com a finalidade de preencher o ADA2008” , que informa a existência de 5,39 há de APP e 57,57 há de “mata”. Tal documento é datado de 23 de maio de 2008. Também consta outro Laudo Técnico, dessa vez para atender à intimação da Receita Federal, que se reporta a 1º de janeiro de 2004, elaborado em 11 de julho de 2008, dando conta da existência das mesmas áreas. Então, em 14/09/2008, foi protocolado o ADA/2008, com a APP de 5,39 há e a AFN de 57,57 há. Juntamente com este recurso voluntário, o Recorrente traz aos autos a Certidão de Registro Imobiliário, onde constam: “Por força do Requerimento Particular de Averbação Reserva Legal, datado de 27 de julho de 2.010, ..., instruído com TERMO DE RESPONSABILIDADE DE PRESERVAÇÃO DE RESERVA Fl. 147DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 31 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13855.720069/200818 Acórdão n.º 2801003.434 S2TE01 Fl. 148 17 LEGAL, ..., datado de 22 de julho de 2.010, firmado a perante a Secretaria da Meio Ambiente,... e por meio do mapa e memorial descritivo elaborados ...,é feita a presente averbação para constar que uma área de 25,37.61 h& (vinte e cinco hectares,trinta e este ares e sessenta e um centiares) do imóvel objeto desta matricula fica discriminada como RESERVA LEGAL, não podendo nela ser feito qualquer tipo de exploração a não ser com autorização do órgão ambiental competente, identificada como RESERVA LEGAL.”(destaquei as datas) (...) Por força do mesmo Requerimento acima indicado,...instruído com o TERMO DE RESPONSABILIDADE DE RESERVA LEGAL... datado de 22 de Julho de 2.010, firmado perante a Secretaria do Meio Ambiente, .. é feita a presente averbaç2o para constar que uma área de 26.15.60 ha (vinte e seis hectares, quinze ares e sessenta centiares) do imóvel objeto desta matricula, fica discriminada como ÁREA DE SERVIDÃO FLORESTAL, em caráter permanente, ...” (destaquei a data) CONCLUSÃO Observase que o primeiro ADA, que o Recorrente pede que seja desconsiderado, só foi protocolizado no Ibama muito depois do prazo estabelecido. Já o segundo, em 2008, foi protocolizado mesmo depois do início da ação fiscal. A averbação da reserva legal, em Cartório, como manda a lei, só foi feita em 2010 e veio aos autos anexa ao recurso voluntário. Ou seja, após o início da ação fiscal, regularizouse a situação, inclusive tendose o cuidado de subsidiar a extensão correta das áreas com a opinião técnica de profissional e o termo de responsabilidade assinado junto da Autoridade ambiental competente. A meu ver, isso mostra que não são impossíveis, difíceis ou carentes de razoabilidade as exigências estabelecidas pela legislação, para que se tenha direito ao benefício da isenção, figurando as formalidades como incentivo ao fim colimado e instrumento de controle de preservação ambiental. No caso de isenção tributária, compete à lei estabelecer quais sejam os requisitos e formalidades para seu aproveitamento e à legislação infralegal disciplinar os meios para seu cumprimento. Face ao exposto, pelo descumprimento das formalidades previstas na legislação, tendo sido os atos providenciados intempestivamente para o exercício de 2004, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 148DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 31 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13855.720069/200818 Acórdão n.º 2801003.434 S2TE01 Fl. 149 18 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 31 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10480.908692/2009-81
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/1999 a 30/09/1999
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ.
Não existe cerceamento do direito de defesa quando o órgão julgador aprecia de forma fundamentada as razões da manifestação de inconformidade.
PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica na renúncia à instância administrativa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado:
I - Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância;
II - Pelo voto de qualidade, não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo que não reconheciam a concomitância e negavam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
FLÁVIO DE CASTRO PONTES Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/09/1999 a 30/09/1999 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ. Não existe cerceamento do direito de defesa quando o órgão julgador aprecia de forma fundamentada as razões da manifestação de inconformidade. PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica na renúncia à instância administrativa. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10480.908692/2009-81
anomes_publicacao_s : 201412
conteudo_id_s : 5414023
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3801-004.664
nome_arquivo_s : Decisao_10480908692200981.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : FLAVIO DE CASTRO PONTES
nome_arquivo_pdf_s : 10480908692200981_5414023.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I - Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância; II - Pelo voto de qualidade, não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo que não reconheciam a concomitância e negavam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) FLÁVIO DE CASTRO PONTES Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
id : 5778336
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:34:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047477115944960
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1934; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.908692/200981 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801004.664 – 1ª Turma Especial Sessão de 13 de novembro de 2014 Matéria COFINS SOCIEDADES CIVIS Recorrente FILIPE CARLOS ALBUQUERQUE ADVOGADOS E CONSULTORES ASSOCIADOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/1999 a 30/09/1999 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ. Não existe cerceamento do direito de defesa quando o órgão julgador aprecia de forma fundamentada as razões da manifestação de inconformidade. PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica na renúncia à instância administrativa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância; II Pelo voto de qualidade, não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo que não reconheciam a concomitância e negavam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) FLÁVIO DE CASTRO PONTES – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 86 92 /2 00 9- 81 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908692/200981 Acórdão n.º 3801004.664 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908692/200981 Acórdão n.º 3801004.664 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Por meio de PER/Dcomp (Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação) a requerente postula a compensação de débitos de diversos tributos com crédito referente a valor que teria sido recolhido indevidamente a título da contribuição Cofins (cód. 2172). A Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife (PE), conforme Despacho Decisório Eletrônico, não reconheceu o direto creditório e não homologou as compensações efetuadas. Após ter sido cientificado dessa decisão, a interessada apresentou manifestação de inconformidade. Aduziu, em resumo, que ocorreu apenas uma falha de procedimento da empresa em não retificar as DCTFs onde constavam as informações dos débitos cuja compensação era solicitada. Tal erro de procedimento não anula a existência dos créditos, vez que estes decorrem da existência de decisão judicial favorável à OABPE, da qual a empresa é sindicalizada, garantindo a isenção de Cofins para as empresas exclusivamente prestadoras de serviços relativos a profissões legalmente regulamentadas. A fim de comprovar a veracidade das suas alegações, anexou cópia da ação judicial impetrada pela OABPE que garantiu o direito de isenção de Cofins da empresa, assim como a certidão de trânsito em julgado relativa a mesma ação. A DRJ no Recife (PE) não conheceu da manifestação de inconformidade, nos termos da ementa transcrita abaixo: MATÉRIA SUBMETIDA À APRECIAÇÃO JUDICIAL. DESCABIMENTO DE ANÁLISE PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA DE JULGAMENTO. Tendo em vista o princípio de unicidade de jurisdição judicial, é descabida a análise, pela autoridade administrativa de julgamento, de matéria submetida à apreciação na esfera judicial. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Após comentar a decisão da DRJ, sustenta a incoerência entre a decisão da DRF/Recife e a DRJ/Recife. Argumenta que referidas decisões são totalmente diferentes. A decisão da DRF/Recife que considerou não homologadas as compensações baseouse no fato de que os DARFS aos quais estavam vinculados os créditos estarem totalmente utilizados, razão pela qual, em nosso argumento de defesa, apresentamos as informações obtidas no CAC/Recife de que houve apenas um problema de não retificação das respectivas DCTFS da empresa. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908692/200981 Acórdão n.º 3801004.664 S3TE01 Fl. 5 4 Pontua que a decisão da DRJ/Recife procedeu em uma inovação completa do conteúdo do indeferimento inicial das compensações. Insiste que toda a decisão proferida pela DRJ/Recife prendese à análise da ação judicial, quando a decisão primeira, proferida pela DRF/Recife, ocorreu apenas em razão da falha procedimental da empresa. Concluiu este tópico afirmando que por estes fatos merece reparo a decisão proferida pela Turma da DRJ/Recife, por ter cerceado o direito de defesa da empresa, ao inovar juridicamente os argumentos sem prévia comunicação de prazo para alegações da empresa sobre os novos fatos e informações apresentadas ao processo e que seriam objeto de análise, ofendendo frontalmente o art. 5º, Constituição Federal de 1988, quanto ao direito de defesa da empresa. Quanto ao direito creditório, discorda do entendimento da decisão da DRJ/Recife de que não seria possível à empresa a utilização dos créditos para compensação em razão de existir liminar em sede de Reclamação suspendendo os efeitos da decisão que garantia aos filiados à OAB/PE o direito de isenção de Cofins. Argumenta que a decisão judicial em Mandado de Segurança que concedeu o benefício da isenção da empresa da Cofins já havia sido encerrada e reconhecido o direito. Apenas em sede de ação rescisória foi reanalisada a questão, na qual o TRF da 5a. Região decidiu por conceder parcial provimento à rescisória a fim de conceder efeitos exnunc à decisão, ou seja, a rescisão da decisão que concedia o benefício da isenção da Cofins somente surtiria efeitos para frente, não abrangendo os fatos pretéritos. Esclarece que apenas contra esta decisão do TRF foi que concedeuse a liminar do Ministro Joaquim Barbosa do STF, suspendendo a modulação dos efeitos da decisão da rescisória. Aduz que liminar, como o próprio nome diz, é decisão precária e não anulou, como quer fazer crer a decisão da DRJ/Recife, os efeitos do decidido na ação rescisória. Seus efeitos estão apenas suspensos, aguardando um pronunciamento do órgão colegiado do STF quanto à manutenção ou não da liminar. Por fim requer que seja processado regularmente o presente Recurso Voluntário, e, ao final, julgado integralmente procedente para, reformando as decisões proferidas pela DRF/Recife e DRJ/Recife reconhecer o direito de crédito da empresa relativo aos pagamentos indevidos, realizados a título da Cofins e, conseqüentemente, homologar a compensação realizada na PERDCOMP relacionada a este processo que utilizaram tais créditos. É o relatório. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908692/200981 Acórdão n.º 3801004.664 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento.. De início, examinase a tese de irregularidade na decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife. A interessada sustenta cerceamento no direito de defesa em relação à decisão da DRJ/Recife, uma vez que esta inovou no conteúdo do indeferimento inicial das compensações, pois a decisão proferida pela DRJ/Recife prendese à análise da ação judicial, quando a decisão primeira, proferida pela DRF/Recife, ocorreu apenas em razão da falha procedimental da empresa. Não merece prosperar essa tese. Ao contrário do alegado, o colegiado de primeira instância discutiu todas as teses necessárias e suficientes para a solução da lide administrativa. Exemplificando, o julgado “a quo” motivou a decisão em relação a argumentação da recorrente em relação ao fato de que seu direito creditório era decorrente da ação judicial impetrada pela OABPE. Ora, foi a recorrente que trouxe ao litígio essa tese, de sorte que a decisão de primeira intância não inovou juridicamente no julgamento. Destarte, o órgão julgador administrativo estava obrigado a apreciar essa tese da interessada de maneira motivada e fundamentada. Assim, não há reparos a serem feitos na decisão a quo. Não se pode perder de vista que a decisão recorrida apreciou todas as questões relevantes necessárias a solução do litígio, em especial a eficácia das decisões judiciais apresentadas pela própria interessada. Assim, o julgador apresentou razões coerentes e suficientes para embasar a decisão. Além disso, no âmbito do processo administrativo fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." No caso vertente, nenhum dos pressupostos acima encontrase presente, uma vez que não ficou evidenciada a preterição do direito de defesa, tendo em vista que a decisão recorrida motivadamente demonstrou de forma clara e concreta as razões da não homologação das compensações, de sorte que não ficou caracterizado qualquer prejuízo à recorrente. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908692/200981 Acórdão n.º 3801004.664 S3TE01 Fl. 7 6 Por tais razões não há que se falar em qualquer irregularidade da decisão guerreada por cerceamento de direito de defesa. O litígio tem como principal controvérsia eventual direito creditório em razão de ação judicial. Transcrevo de uma decisão da DRJ o histórico das ações judiciais em debate: 10.1. A OABPE impetrou ação de mandado de segurança coletivo em nome dos seus Escritórios de Advocacia associados, autuada em 31/05/2001, sob o nº 2001.83.00.0145250, objetivando, principalmente, em síntese, a isenção do recolhimento da Cofins prevista no inciso II do art. 6º da Lei Complementar (LC) nº 70, de 30 de dezembro de 1991, e a compensação dos valores pagos indevidamente. A segurança foi denegada pelo juízo de primeiro grau, com fundamento em que não havia obstáculo para a revogação da isenção concedida pela LC nº 70, de 1991, pela Lei (Ordinária) nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, tendo em vista que a isenção não é matéria reservada à lei complementar. O magistrado considerou, então, prejudicada a análise do pleito de compensação. 10.2. À apelação da OABPE junto ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5ª Região) – que obteve o nº AMS 80.558PE – foi pela Quarta Turma concedido provimento, por unanimidade, nos termos do voto do relator, que esposou entendimento diametralmente oposto ao do juiz singular, dando pela impossibilidade da revogação da referida isenção com fundamento no princípio da hierarquia das leis. 10.3. De tal decisão, foi interposto pela Fazenda Nacional Recurso Especial (REsp), que foi inadmitido. Irresignada, a Fazenda Nacional manejou agravo de instrumento, ao qual foi negado provimento. Assim, a decisão transitou em julgado em 09/09/2004, restando reconhecido o direito à isenção postulada. 10.4. Posteriormente, a OABPE atravessou petição alegando que a edição da Lei nº 10.833, de 30 de dezembro de 2003, em seu art. 30, poderia obstruir o cumprimento da decisão judicial que reconheceu a isenção da Cofins para as sociedades civis dedicadas ao exercício da advocacia, mediante a retenção na fonte da referida contribuição. Requereu, na ocasião, fosse oficiada a Receita Federal para que se abstivesse de exigir o pagamento da Cofins sobre as receitas auferidas pela prestação de serviços de advocacia, bem como de exigir a retenção na fonte de tal contribuição pelas pessoas jurídicas tomadoras dos referidos serviços. O pleito foi deferido monocraticamente e, ao depois, atacado por agravo regimental aviado pela Fazenda Nacional, o qual foi provido com base nos fatos de não ter sido debatida, nos autos, a Lei nº 10.833, de 2003, e de que não seria admissível, naquele momento processual, inovar a actio, transmudandoa. 10.5. Contra essa decisão, recorreu a OABPE, mediante o REsp nº 739.784 (nº 2005/00540062), cujo provimento foi negado por Fl. 165DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908692/200981 Acórdão n.º 3801004.664 S3TE01 Fl. 8 7 unanimidade pela Segunda Turma do STJ em sessão de 19/11/2009, tendose, em resumo, concluído que a superveniência da Lei nº 10.833, de 2003, não pode ser alcançada pelos efeitos da coisa julgada que concedera a segurança pleiteada, de modo a ampliar o objeto da lide. Registrese que, no decorrer do voto, o ministro relator, Mauro Campbell Marques, após afirmar, a título ilustrativo, que a tese adotada pela instância de origem para reconhecer a isenção postulada pela recorrente não mais subsistia em razão de o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 377.457 3/PR, relator o Ministro Gilmar Mendes, ter proclamado que a revogação da isenção da Cofins concedida pela LC nº 70, de 1991, pelo art. 56 da lei nº 9.430, de 1996, foi plenamente válida e eficaz, porquanto o referido diploma, não obstante formalmente complementar, ostenta, materialmente, caráter de lei ordinária , esclareceu que Primeira Seção do STJ, ao julgar a Ação Rescisória (AR) nº 3.761/PR, na sessão de 12/11/2008, deliberara pelo cancelamento da Súmula nº 276, que enunciava a isenção da Cofins perante as ditas sociedades, independentemente do regime tributário adotado. 10.6. Da decisão do STJ referida no subitem 10.3, a ProcuradoriaRegional da Fazenda Nacional na 5ª Região propôs Ação Rescisória (AR) nº 5.471PE (processo nº 2006.05.00.0442426/03) junto ao TRF5ª Região, que foi parcialmente procedente, por lhe terem sido dados efeitos ex nunc. No acórdão exarado, aquele tribunal regional afirmou que o acórdão rescindendo fora proferido antes da manifestação do STF sobre ser a matéria constitucional ou não. 10.7. Contra os efeitos exnunc da decisão do TRF5ª Região – que, em tese, daria aos escritórios de advocacia filiados à OAB PE o direito de não pagarem a Cofins no período abrangido pela ação coletiva até a publicação da decisão na ação rescisória –, a Fazenda Nacional protocolou Reclamação (Rcl) nº 6.917 junto ao STF, tendo o Ministro Joaquim Barbosa deferido, em 10/12/2008, liminar para suspender o acórdão da ação rescisória na parte em que conferiu efeitos meramente prospectivos ao acórdão que julgou procedente a ação rescisória. Encontrase o processo aguardando apreciação desse Colegiado. 10.8. Embargos de declaração opostos pelas partes – OABPE e Fazenda Nacional – contra a decisão proferida pelo TRF5ª Região no bojo da Ação Rescisória nº 5471/PE (processo nº 2006.05.00.0442426/03) foram julgados, não tendo, no entanto, ocorrido nenhuma alteração no resultado do julgamento originário por essa corte. Do exame das ações judiciais, constatase que a matéria está sub judice, uma vez que este processo administrativo tem o mesmo objeto da ação judicial em referência, homologação de compensação em face de pedido de restituição decorrente da legalidade da revogação da isenção do pagamento da Cofins, por parte das sociedades civis de profissão legalmente regulamentada, pela Lei nº 9.430, de 27/12/1996, que, em seu art. 56, revogou a veiculada pelo art. 6º, inciso II, da Lei Complementar nº 70, de 30/12/1991. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908692/200981 Acórdão n.º 3801004.664 S3TE01 Fl. 9 8 Como se nota, o direito creditório está dependendo do desfecho da Reclamação no Supremo Tribunal Federal. Destarte, incide no caso vertente o parágrafo único do art. 38, da Lei nº. 6.830/80, que dispõe: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto.(grifouse) O excelso Supremo Tribunal Federal já manifestou acerca da constitucionalidade desse dispositivo, conforme decidido no recurso extraordinário nº 233.582: EMENTA: CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL TRIBUTÁRIO. RECURSO ADMINISTRATIVO DESTINADO À DISCUSSÃO DA VALIDADE DE DÍVIDA ATIVA DA FAZENDA PÚBLICA. PREJUDICIALIDADE EM RAZÃO DO AJUIZAMENTO DE AÇÃO QUE TAMBÉM TENHA POR OBJETIVO DISCUTIR A VALIDADE DO MESMO CRÉDITO. ART. 38, PAR. ÚN., DA LEI 6.830/1980.(...). É constitucional o art. 38, par. ún., da Lei 6.830/1980 (Lei da Execução Fiscal LEF), que dispõe que "a propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo [ações destinadas à discussão judicial da validade de crédito inscrito em dívida ativa] importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto". Recurso extraordinário conhecido, mas ao qual se nega provimento.(STF, RE 233582, DJe088 de 1605 2008).(grifouse) Em relação ao conteúdo desse dispositivo legal, Leandro Paulsen, René Bergmann e Ingrid Schroder explicam: O parágrafo em questão tem como pressuposto o princípio da jurisdição una, ou seja, que o ato administrativo pode ser controlado pelo Judiciário e que apenas a decisão deste é que se torna definitiva, com o trânsito em julgado, prevalecendo sobre eventual decisão administrativa que tenha sido tomada ou pudesse vir a ser tomada. Considerando que o contribuinte tem direito a se defender na esfera administrativa mas que a esfera judicial prevalece sobre a administrativa, não faz sentido a sobreposição dos processos administrativo e judicial. A opção pela discussão judicial, antes do exaurimento da esfera administrativa, demonstra que o contribuinte desta abdicou, levando o seu caso diretamente ao Poder ao qual cabe dar a última palavra quanto à interpretação e à aplicação do Direito, o Judiciário. Entretanto, tal pressupõe a identidade de objeto Fl. 167DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908692/200981 Acórdão n.º 3801004.664 S3TE01 Fl. 10 9 nas discussões administrativa e judicial". (Leandro Paulsen, René Bergmann Ávila e Ingrid Schroder Sliwka. Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010, p. 447 e 448). De fato, se o sujeito passivo recorre ao Poder Judiciário, por uma questão de lógica, ele está desistindo tacitamente da esfera administrativa, visto que a decisão do Poder Judiciário é soberana. Eventuais decisões antagônicas, nas esferas administrativa e judicial, teriam uma única solução, qual seja, prevaleceria a da esfera judicial, em razão do princípio constitucional da jurisdição única, art. 5º, XXXV, da Constituição Federal. Destarte, não faz sentido a continuação da discussão no âmbito administrativo, pois o mérito da questão será decidido pelo Poder Judiciário com efeito de coisa julgada. Corroborando esta teoria, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do recurso especial nº 840.556, assim se pronunciou: TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA.AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA DE RECORRER NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IDENTIDADE DO OBJETO. ART. 38, PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI Nº 6.830/80. 1. Incide o parágrafo único do art. 38, da Lei nº 6.830/80, quando a demanda administrativa versar sobre objeto menor ou idêntico ao da ação judicial. 2.(...) 3. In casu, os mandados de segurança preventivos, impetrados com a finalidade de recolher o imposto a menor, e evitar que o fisco efetue o lançamento a maior, comporta o objeto da ação anulatória do lançamento na via administrativa, guardando relação de excludência.4. Destarte, há nítido reflexo entre o objeto do mandamus – tutelar o direito da contribuinte de recolher o tributo a menor (pedido imediato) e evitar que o fisco efetue o lançamento sem o devido desconto (pedido mediato) com aquele apresentado na esfera administrativa, qual seja, anular o lançamento efetuado a maior(pedido imediato) e reconhecer o direito da contribuinte em recolher o tributo a menor (pedido mediato).5. Originárias de uma mesma relação jurídica de direito material, despicienda a defesa na via administrativa quando seu objeto subjugase ao versado na via judicial, face a preponderância do mérito pronunciado na instância jurisdicional. (...) (STJ, REsp 840556/AM, DJ 20/11/2006) (grifouse) Assim sendo, a existência de uma ação judicial, por parte da requerente, com o mesmo objeto desse processo administrativo fiscal importa na renúncia à esfera administrativa. Em relação a essa discussão, aplicase a Súmula nº 01 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que uniformizou o seguinte entendimento: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois Fl. 168DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908692/200981 Acórdão n.º 3801004.664 S3TE01 Fl. 11 10 do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.(grifouse) Além disso, os Conselheiros têm o dever de observar as súmulas, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009. Em caso análogo da mesma recorrente, esta tese também foi acolhida, em outro julgado do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: TRIBUTÁRIO. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA AO DIREITO DE RECORRER. CONFIGURAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. CUMPRIMENTO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial onde se alterca matéria veiculada em processo administrativo, antes ou após a inauguração da fase litigiosa administrativa, conforme o caso, importa em renúncia ao direito de recorrer ou desistência do recurso interposto, não competindo ao CARF se manifestar acerca do alcance, efeitos e forma de cumprimento de decisões judiciais cuja execução não lhe caiba. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não configura inovação de motivação do despacho decisório a fundamentação da decisão que, acolhendo ou rechaçando a pretensão deduzida em manifestação de inconformidade, examina elementos novos introduzidos na lide administrativa pelo próprio recorrente e que, até então, eram desconhecidos da Administração Tributária (CARF. 3ª Seção, 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Acórdão 3401002.634, de 29/05/2014, rel. Robson José Bayerl, Processo nº 10480.905883/200818) Em remate, não se toma conhecimento das alegações decorrentes do direito creditório, isenção ou não da Cofins, visto que a recorrente submeteu à apreciação do Poder Judiciário esta matéria. Ante ao exposto voto no sentido de: I – negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância; II não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 169DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908692/200981 Acórdão n.º 3801004.664 S3TE01 Fl. 12 11 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
