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5709193 #
Numero do processo: 10425.001510/2010-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 MULTA DE OFÍCIO. SONEGAÇÃO. AGRAVAMENTO. Descabida a multa qualificada quando a fiscalização não demonstra a intenção do sujeito passivo em omitir fatos geradores em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP). Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2402-004.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício ao percentual de setenta e cinco por cento. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     2   Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto contra o Acórdão n.º 11­33.579 da  7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ Recife­PE, f. 634­ 638,  com  ciência  ao  sujeito  passivo  em  11/04/2012  que  julgou  improcedente  a  impugnação  apresentada contra o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP lavrado sob o Debcad no  37.276.559­9, com ciência ao sujeito passivo em 22/09/2010, f. 03.  De acordo com o relatório fiscal de f. 234­241, o AIOP trata de exigência de  contribuições  para  a  Seguridade  Social  a  cargo  dos  segurados  não  descontadas  de  suas  remunerações,  incidentes  sobre  as  remunerações  pagas,  devidas  ou  creditadas  aos  segurados  empregados  da  Prefeitura  Municipal  e  sobre  os  valores  pagos  ou  creditados  aos  segurados  contribuintes individuais, agrupadas conforme classificação abaixo:  DF: valores informados nas folhas de pagamento e não declarados em Guia  de  Recolhimento  do  FGTS  e  Informações  à  Previdência  Social  –  GFIP,  consignados  no  “demonstrativo dos valores em folha de pagamento e de GFIP”;  DE:  diferença  entre os  valores  consignados  nos  empenhos  e  os  informados  em folhas de pagamento e que não foi declarada em GFIP, consignados no “demonstrativo dos  valores em folha de pagamento e notas de empenho”;  DP: contribuição incidente sobre o subsídio do Prefeito e a remuneração do  diretor da Secretaria de Administração;  RE:  diferença  entre  o  valor das  contribuições  dos  segurados  calculados  em  folha de pagamento e o valor devido calculado de acordo com a tabela, por faixa salarial.  RN: valores informados em folha de pagamento que não integraram o salário  de  contribuição  e  que  não  foram  declarados  em  GFIP,  correspondentes  aos  pagamentos  efetuados  a  André  T.  Silva  nas  rubricas  vencimentos,  gratificação  e  1/3  de  férias,  e,  aos  pagamentos  efetuados  aos  demais  servidores  a  título  de  horas  extras  e  1/3  de  férias,  consignados  no  demonstrativo  “remuneração  em  folha  não  considerada  base de  cálculo  pela  Prefeitura”,   PF: valores de pagamentos a  transportadores  autônomos não declarados  em  GFIP, extraídos dos empenhos obtidos por meio de consulta ao sistema SAGRE/PB e de dados  disponibilizados pelo contribuinte por meio magnético, consignados no demonstrativo “valores  obtidos  pelo  sistema  sagres  e  CD  entregue  pelo  contribuinte  transportador  autônomo  jan  a  dez/2009”,   RA:  valores  pagos  aos  contribuintes  individuais,  exceto  transportadores  autônomos, não declarados em GFIP, extraídos dos empenhos obtidos por meio de consulta ao  sistema  SAGRE/PB  e  de  dados  disponibilizados  pelo  contribuinte  por  meio  magnético,  consignados  no  demonstrativo  “valores  obtidos  pelo  sistema  sagres  e  CD  entregue  pelo  contribuinte remuneração de autônomos jan a dez/2009”;  Em  razão  da  omissão  da  declaração  desses  fatos  geradores  em  GFIP  foi  aplicada  multa  qualificada  de  150%  com  base  no  art.  35­A  da  Lei  8.212/91,  conforme  autorizado  pelo  art.  44  §  1o  da  Lei  9.430/96  c/c  art.  71  inc.  I  da  Lei  4.502/64,  e  foi  feita  Fl. 656DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10425.001510/2010­47  Acórdão n.º 2402­004.171  S2­C4T2  Fl. 656          3 representação  ao Ministério  Público  Federal  para,  se  assim  entender,  propor  ação  penal  por  crime de sonegação de contribuição previdenciária.  A DRJ julgou a impugnação improcedente e manteve integralmente o crédito  tributário lançado.  Em  10/05/2012  o  sujeito  passivo,  representado  pelo  prefeito  municipal,  interpôs  recurso  parcial  insurgindo­se  contra  o  agravamento  da  multa  e  apresentando  suas  alegações, f. 642­645, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são, em síntese:  Alega  que  não  agiu  com  dolo  nem  houve  sonegação  a  justificar  o  agravamento  da  penalidade,  sustentando  que  deixou  de  prestar  as  informações  em GFIP  na  época  própria  por  erro,  e  que  está  providenciando  a  correção  da  falta.  Complementa  que  o  simples  erro  não  justifica  a  aplicação  da  multa  qualificada.  Além  disso,  entende  que  as  informações que foram omitidas em GFIP estão divulgadas na internet, no sítio do Tribunal de  Contas do Estado – TCE/PB, cuja fonte foi consultada pela autoridade lançadora, de modo que  não houve sonegação.  Expõe  que  a  multa  aplicada  com  base  na  Lei  9.430/96  tem  caráter  confiscatório, o que afronta o art. 150, IV, da Constituição Federal.  Pede que a multa aplicada seja reduzida para 75% e que o saldo devedor após  essas  alterações  seja  parcelado  com  base  na  Lei  10.522/2002  em  60  parcelas  a  serem  descontadas do Fundo de Participação do Município – FPM, aplicando­se a redução da multa  prevista para os casos de pedido de parcelamento tempestivo.  Sem contrarrazões.  É o relatório.  Fl. 657DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     4   Voto             Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis ­ Relatora  Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade.  Multa de Ofício Qualificada  A  controvérsia  recai  sobre  o  agravamento  da  penalidade  pela  prática  de  sonegação com base no  art. 35­A da Lei 8.212/91 c/c art. 44  inc.  I § 1o  da Lei 9.430/96, na  redação da Lei 11.488/2007, e art. 71 inc. I da Lei 4.502/64, o qual define sonegação, in verbis:  Art  .  71.  Sonegação é  toda ação ou omissão dolosa  tendente a  impedir ou retardar,  total ou parcialmente, o conhecimento por  parte da autoridade fazendária:    I  ­  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, sua natureza ou circunstâncias materiais;    II ­ das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar  a  obrigação  tributária  principal  ou  o  crédito  tributário  correspondente.   Vê­se  que  o  agravamento  da  penalidade  somente  é  possível  em  caso  de  sonegação  dolosa,  hipótese  em  que  se  verifica  a  vontade  do  sujeito  passivo  de  alcançar  o  resultado consistente em impedir que a autoridade  tributária  tome conhecimento ou retarde a  identificação da ocorrência do fato jurídico tributário, ou de assumir o risco de produzir esse  resultado.  A  autoridade  lançadora  configurou  a  sonegação  com  base  no  fato  de  a  recorrente  ter  deixado  de  informar  em  GFIP  os  valores  pagos,  devidos  ou  creditados  aos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais  que  lhe  prestaram  serviços,  demonstrando  que essa conduta omissiva ocorreu em todos os meses do ano de 2009.   A  conduta  descrita,  entretanto,  não  revela  o  elemento  volitivo  do  infrator,  indispensável à configuração da sonegação passível de agravamento da penalidade. Na falta de  elementos capazes de demonstrar a intenção do infrator, os fatos imputados ao sujeito passivo  pela autoridade lançadora ficam sujeitos à penalidade do art. 44 inciso I da Lei 9.430/96, com a  redação  da  Lei  11.488/2007,  que  prevê  a  incidência  de  multa  de  ofício  de  75%  quando  há  omissão de declaração e declaração inexata, independente da intenção do infrator.  Deixo de apreciar a alegação de incompatibilidade do art.44 da Lei 9.430/96  com o art. 150 inciso IV da Constituição Federal, por força do Enunciado da Súmula CARF nº  02, abaixo transcrito:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.  Com base no exposto, afasto a qualificadora,  reduzindo a multa aplicada de  150% para 75%.  Fl. 658DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10425.001510/2010­47  Acórdão n.º 2402­004.171  S2­C4T2  Fl. 657          5 Pedido de Parcelamento  Quanto  ao  pedido  de  parcelamento  da  parte  incontroversa,  cabe  ao  sujeito  passivo  formalizá­lo  junto  à  unidade  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  circunscricionante do seu domicílio.  Conclusão  Com  base  no  exposto,  voto  por  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário, reduzindo a multa aplicada de 150% para 75%.  Luciana de Souza Espíndola Reis                            Fl. 659DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES

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5662738 #
Numero do processo: 13502.000856/2007-51
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006 DEDUÇÕES DECLARADAS. COMPROVAÇÃO. À míngua de comprovação, rejeita-se as pretensas deduções declaradas pelo Contribuinte. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.775
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1401; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE01  Fl. 127          1 126  S2­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13502.000856/2007­51  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2801­003.775  –  1ª Turma Especial   Sessão de  09 de outubro de 2014  Matéria  IRPF  Recorrente  ANTÔNIO SÉRGIO DE MALTA JESUS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2004, 2005, 2006  DEDUÇÕES DECLARADAS. COMPROVAÇÃO.  À míngua de comprovação, rejeita­se as pretensas deduções declaradas pelo  Contribuinte.   Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.     Assinado digitalmente   Tânia Mara Paschoalin ­ Presidente e Relatora.    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Tânia  Mara  Paschoalin,  Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos  de Almeida,  Ewan Teles  Aguiar, Carlos César Quadros Pierre e Marcio Henrique Sales Parada.    Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 08 56 /2 00 7- 51 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13502.000856/2007­51  Acórdão n.º 2801­003.775  S2­TE01  Fl. 128          2 Trata­se  de  recurso  voluntário  apresentado  contra  decisão  proferida  pela  3ª  Turma da DRJ/SDR/BA.  Por  bem  descrever  os  fatos,  reproduz­se  abaixo  o  relatório  da  decisão  recorrida:  O interessado impugna auto de infração do imposto de renda dos  anos­calendário  2003,  2004  e  2005,  onde  foram  incluídos  rendimentos omitidos e glosadas deduções, como a seguir:  Deduções Glosas / Omissões  2003   2004  2005  Totais  Dependentes     3.816,00 3.816,00 4.212,00 11.844,00  Despesas com instrução 7.242,00 6.086,00 4.856,00 18.184,00  Despesas médicas  12.093,00 23.400,20 38.668,00 74.161,20  Rendimentos omitidos 6.464,59 0,00   0,00  6.464,59  TOTAIS      29.615,59 33.302,20 47.736,00 110.653,79  O  imposto  resultante  foi  de  R$  30.221,76,  elevando­se  a  exigência para R$ 62.167,19 com os acréscimos legais.  O impugnante argumenta, em síntese, que o seu contador, além  de esquecer de incluir os rendimentos omitidos, haveria incluído  por  engano  despesas  de  terceiros;  que  deixara  de  incluir  dedução  de  pensão  alimentícia  para  os  seus  pais,  conforme  documento anexo. Apresenta comprovantes de despesas médicas  que somam R$ 13.246,91.  0 processo foi baixado em diligência e o contribuinte intimado a  comprovar  o  pagamento  destas  despesas.  A  intimação  não  foi  atendida.  A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 110/112,  que restou assim ementado:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FiSICA –  IRPF  Ano­calendário: 2003, 2004, 2005   DEDUÇÕES. PROVAS.  As deduções devem ser comprovadas com documentação hábil e  idônea.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  Fl. 128DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13502.000856/2007­51  Acórdão n.º 2801­003.775  S2­TE01  Fl. 129          3 Regularmente  cientificado  daquele  Acórdão  em  01/02/2011  (fl.  116),  o  Interessado  interpôs  recurso  voluntário  de  fls.  117/118,  em  11/02/2011,  no  qual  repete  os  argumentos da impugnação.  A numeração de folhas citada nesta decisão refere­se à serie de números do  arquivo PDF.  É o relatório.  Voto             Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora.  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  às  demais  condições  de  admissibilidade,  portanto merece ser conhecido.  Cuida o presente lançamento de apuração de omissão de rendimentos e glosa  de deduções a título de dependentes, despesas com instrução e despesas médicas.  Na  impugnação  e no presente  recurso,  o Contribuinte  argumenta que o  seu  contador,  além de  esquecer  de  incluir  os  rendimentos  omitidos,  haveria  incluído  por  engano  despesas de terceiros; que deixara de incluir dedução de pensão alimentícia para os seus pais,  conforme  documento  anexo.  Pretende,  ainda,  sejam  aceitos  os  documentos  constantes  dos  autos para cancelar o presente lançamento.  Ressalte­se que, em sede de recurso, não foram carreados novos elementos de  prova pelo Interessado.  Ao  contrário  do  que  defende  o  Peticionário,  não  se  verificam,  no  presente  processo,documentos hábeis, satisfatórios e convincentes, para a desconsideração das infrações  apuradas pelo Fiscos.  Portanto,  não merece  reparos  a  decisão  recorrida,  cujo  entendimento  adoto  como razão de decidir:  A  responsabilidade  por  infrações  à  legislação  tributária  é  objetiva,  como  determina  o  art.  136  do  Código  Tributário  Nacional. Ineficaz para afastar a multa punitiva o seu argumento  de que a culpa seria do seu contador.  O interessado pretende incluir pensão alimentícia. Em primeiro  lugar,  não  se  admite  a  alteração  da  declaração  quando  visa  reduzir o crédito tributário já notificado. E o que dispõe o § 1°  do art. 147 do Código Tributário Nacional. Em segundo lugar, a  pensão alimentícia somente é dedutível quando determinada em  sentença  ou  acordo  homologado  judicialmente.  0  impugnante  apresenta apenas termo de compromisso extra­judicial (fls. 82).  O  contribuinte,  apesar  de  intimado,  não  compareceu  para  comprovar  a  efetividade  dos  pagamentos  de  despesas  médicas  para as quais traz os documentos de fls.  Fl. 129DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13502.000856/2007­51  Acórdão n.º 2801­003.775  S2­TE01  Fl. 130          4 75/80. Por outro lado, as notas fiscais que anexa aos autos são  inid8neas.  A  que  teria  sido  emitida  em  15/01/2003  pela  CTI  Cuidados Terapêuticos Intensivos S/C Ltda. (fls. 77), no valor 2  de R$ 3.976,91, foi preenchida em formulário impresso um mês  depois,  em  11/02/2003.  A  nota  fiscal  de  fls.  80,  que  teria  sido  emitida em 23/08/2005 pela Climat Cínica Médica e do Trabalho  Ltda. (R$ 1.630,00), traz data de autorização para impressão de  27/08/1998 e não indica a data de validade.  Por estas razões, voto pela procedência do lançamento.  Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso.    Assinado digitalmente  Tânia Mara Paschoalin                                Fl. 130DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN

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Numero do processo: 16561.000197/2008-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1301-000.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os Membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos do relatório e voto do relator. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Carlos Augusto de Andrade Jenier, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimaraes, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Relatório Adotando as razões do relatório apresentado pela r. decisão recorrida, destaco: Em ação fiscal realizada na empresa em epígrafe, a fiscalização, conforme relatado no "Termo de Verificação e Constatação", TVC (fls. 141 a 143), apurou que a empresa adicionou ao lucro líquido para apuração do lucro real valor inferior ao que deveria ter sido considerado, relativo à apuração dos preços de transferência nas operações de importações de componentes realizadas com pessoas vinculadas no exterior, no ano-calendário de 2003. Ou seja, valor que deveria ser adicionado ao resultado tributável em decorrência da diferença a maior entre os preços praticados nas importações e os preços (parâmetro) apurados de acordo com os métodos previstos na legislação. 2. A fiscalização informa que: 2.1. verificou para efeito do IRPJ e da CSLL, a correta dedutibilidade dos custos dos bens importados de pessoas jurídicas vinculadas. Informa também, que procedeu aos mesmos exames para a empresa "Delphi Diesel Systems do Brasil Ltda.", CNPJ/MF no 49.874.155/0001-92, que foi incorporada pela "Delphi Automotive Systems do Brasil Ltda." em dezembro de 2007; 2.2. que as análises foram feitas com base no que determinam os artigos 18 a 23 da Lei no 9.430/96, combinados com os dispositivos do artigo 12 da Instrução Normativa SRF no 243/2002; 2.3. que a "Delphi Diesel" impetrou Pedido de Liminar em Mandado de Segurança Preventivo em 12/12/2007, em relação aos anos-calendário de 2002 a 2006 bem como nos seguintes, por discordar dos termos da IN SRF no 243/2002 por entender que esta inova em termos do que está previsto na Lei no 9.430/96; porém, o pedido de liminar acabou sendo indeferido (fis.210 a 264); 2.4. que após apresentação para o contribuinte de relação dos desembaraços dos bens importados no ano-calendário de 2003, extraída do sistema Siscomex e ratificadas por ele, foram selecionados os 235 produtos mais importantes, representado 80,25% do valor total importado pela "Delphi Automotive" e 68 produtos representando 69,97% da quantia total relativa às importações realizadas pela "Delphi Diesel' 2.5. que o contribuinte optou, para toda a sua linha de produtos importados, pela aplicação dos métodos PRL de apuração dós preços de transferência. Ou seja, "Preços de Revenda menos Lucro de 20% - PRL-20" e "Preços de Revenda menos Lucro de 60% - PRL-60", este para o caso de produtos importados para aplicação na produção de outros produtos ou para sofrer qualquer processo de industrialização, para revenda; 2.6. que apesar desta opção, em decorrência de trocas de informações dos técnicos da empresa com a fiscalização, foi constatado, que, para alguns produtos seria mais vantajosa a opção por outros métodos previstos pela legislação: "Custo Produção mais Lucro — CPL" e "Preços Independentes Comparados — PIC"; 2.7. a fiscalização informa que "para não cercear o direito de defesa do contribuinte e conceder-lhe o benefício da opção por outros métodos previstos na legislação, aguardamos, ao longo parte do contribuinte, de todos os mestre de 2008, a apresentação, por comprovantes que lhe fosse possível apresentar, para justificar o ajuste para determinados produtos pelos métodos de CPL e PIC. E de fato, por esses métodos, e com a documentação apresentada tempestivamente a que esta auditoria atribuiu consistência e credibilidade, alguns produtos tiveram o valor de seus ajustes zerados", 2.8. que foi apurado um excesso no valor total dos preços de transferência calculados pelo método PRL na quantia de R$ 76.138.286,15, depois de descontado o valor de R$ 1.073.017,35 apresentado pelo contribuinte e oferecido à tributação na DIPJ/04, ano calendário de 2003; 2.9. declara que "os representantes da empresa acompanharam todos os levantamentos feitos e tomaram conhecimento de todos os cálculos efetuados em cada etapa da ação fiscal'. 3. O valor adicionado de ofício ao resultado, do ano-calendário de 2003, para efeito do IRPJ e da CSLL foi; 4. Os enquadramentos legais aplicados foram: (i) IRPJ: art. 241 do RIR/99 e (ii) CSLL: art. 20 e §§, da Lei no 7.689188; art. V da Lei no 9.316196 e art. 28 da Lei no 9.430/96; art. 37 da Lei no 10.637/02. 5. Em decorrência do apurado foram lavrados os seguintes autos de infração, com ciência dada em 1511212008 (fls. 130 a 140): Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ no valor de R$ 32.312.517,58 e Contribuição Social sobre Lucro Líquido - CSLL na quantia de R$ 11.632.506,31 (os valores incluem multa de ofício e juros de mora, estes calculados até 2811112008). 6. A Empresa, tempestivamente, apresentou impugnação em 14/01/2009 (fls. 1.001 a 1.034), contestando o lançamento, fazendo as seguintes colocações: PRELIMINAR 6.1. que ocorreram os seguintes equívocos na apuração realizada pela fiscalização dos preços de transferência: 6.1.1. primeiro equívoco — a fiscalização considerou a quantidade total da matéria prima vendida, por código de produto, sem atentar para o fato de que essas matérias primas também poderiam ser adquiridas localmente ou produzidas pela Impugnante; 6.1.1.1. dá o exemplo da diferença que tal engano acarreta, demonstrando os cálculos do produto de código 26083612 (DASB, PRL 20) em que a fiscalização apurou excesso no preço do produto importado de R$ 1.389.189,47 quando o correto seria 2% deste valor. Alega que a fiscalização considerou o ajuste unitário de R$ 29,53 sobre o total dos produtos vendidos no ano de 47.055 unidades, quando o correto seria sobre as quantidades importadas de somente 655 unidades. Diz que mais de quarenta e seis mil unidades foram adquiridas localmente ou produzidas pela empresa, tal como provado pela documentação apresentada, Doc 02 (fls 1.050 a 1.154); 6.1.1.2. alega "que a mesma situação ocorreu com diversos dos bens importados pela Impugnante de forma pontual e esporádica, em que o volume dos bens importados é substancialmente inferior ao volume das aquisições e produção nacionais", 6.1.2. segundo equívoco — a fiscalização, ao apurar o valor do ajuste dos preços de transferência submetido à tributação do IRPJ e da CSLL, deixou de deduzir o valor de R$ 1.235.149,01 declarado pela "Delphi Diesel' em sua DIPJ/2004, ano-calendário de 2003, conforme demonstrado no Doc 03 (fl. 1.156); 6.1.3. terceiro equívoco — diz que, após ser notificada da lavratura do auto de infração, verificou que a fiscalização incorreu em erro com relação ao valor do ajuste de PRL 60 proposto para a "Delphi Diesel'. Informa que diferentemente do que ocorreu com o cálculo do ajuste proposto para "Delphi Automotive", a fiscalização baseou o cálculo da proporção entre o custo dos bens importados sobre o custo total do produto acabado na média do custo unitário das importações realizadas no curso do ano-calendário de 2003, desconsiderando os estoques iniciais existentes em 1o de janeiro de 2003. Informa que os valores dos ajustes propostos pela fiscalização e os apurados pela Impugnante estão demonstrados no Doc 04 (fls. 1.157 a 1.175). Valor do ajuste apurado pela fiscalização é de R$ 6.023.085,45 e o apurado pela Impugnante é de R$ 4.834.389,61. Diferença a menor de R$ 1.188.695,84; 6.2. diz que em decorrência dos três enganos apontados, está evidenciado o erro cometido na determinação das exigências fiscais do IRPJ e da CSLL, o que implica na nulidade do auto de infração, nos termos do artigo 10, V do Decreto no 70.235172; 6.3. declara que se os julgadores entenderem que os vícios apontados não implicam na nulidade dos lançamentos, requer revisão dos cálculos do ajuste de preço de transferência, corrigindo-se os enganos antes mesmo do julgamento a ser realizado e dando à Impugnante a oportunidade de se manifestar, previamente ao referido julgamento, sobre os ajustes a serem realizados de ofício; DA ILEGALIDADE DA "IN SRF no 243/02" 6.4. a impugnante traça um breve histórico da legislação que trouxe as diretrizes básicas da apuração dos preços de transferência no Brasil; 6.5. diz que a intenção do legislador foi coibir a transferência indireta de lucros, não tributados, para o exterior, através da pratica de preços artificiais em operações de importação e exportação realizadas entre pessoa jurídicas vinculadas; 6.6. que para operacionalizar a apuração dos chamados "preços e custos médios", a Lei no 9.430196 trouxe os métodos a serem utilizados pelo fisco tanto nos exames das operações de importação como de exportação. No caso de importação os critérios foram: o de "Preços Independentes Comparados (PIC)", de "Preço de Revenda menos Lucro (PRL)" e de "Custo de Produção mais Lucro (CPL)"; 6.7. que o artigo 18, inciso II, da lei no 9.430196, define o método (PRL) como a média aritmética dos preços de revenda dos bens, deduzida do somatório dos descontos incondicionais concedidos, além dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, comissões e corretagens pagas e da margem de lucro presumida de: (i) 60% na hipótese de bens importados aplicados na produção e de 20% calculada sobre o preço de revenda nas demais hipóteses; 6.8. diz que com este processo, quanto maior o valor agregado no Brasil ao insumo importado, isto é, quanto maior o nível de nacionalização do produto final a ser revendido, maior o preço parâmetro calculado e, conseqüentemente, menor o ajuste (adição) a ser realizado nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL; 6.9. que a Receita a fim de regulamentar a Lei n° 9.430196 editou, em 30 de março de 2001, a Instrução Normativa SRF no 32, a qual manteve intacta a sistemática prevista na referida Lei para apuração, através do método PRL 60; 6.10. que apesar do texto legal continuar inalterado até os dias de hoje, em 11 de novembro de 2002 a Receita Federal do Brasil editou a Instrução Normativa no 243 e "revogou" o entendimento acima, introduzindo a interpretação de que o preço líquido de revenda para efeito de aplicação da margem de 60% não mais seria o preço do produto final vendido, mas sim, o preço de "revenda" das partes e peças importadas agregadas a produto final. Este preço de venda, conforme prevê o artigo 12 da IN 243/03, seria, inclusive, apurado levando em consideração à mesma proporção sobre o preço do produto acabado da relação do custo do bem importado sobre o custo total desse produto final; 6.11. diz que, a aplicação desta IN 243102 leva "à conclusão absurda de que a importação de peças e partes para serem agregadas a produtos produzidos no Brasil para venda local ou exportação sejam revendidas com uma margem de 60%, enquanto que se importadas para pura revenda, sem agregar qualquer produção local, o percentual de margem de lucro aplicável seria de 20%, em virtude da aplicação do método PRL 20, previsto no artigo 18, inciso 11, alínea d'; 6.12. traz exemplo da importação de um bem demonstrando os cálculos de acordo com o previsto na Lei no 9.430196 e a IN SRF no 243/02 e alega que "os números, por si só, impedem qualquer outra conclusão a não ser a de que a IN, de fato, determina a tributação de lucro em patamar muito superior àquele previsto pela Lei no 9.430196 (majoração em mais de 23 vezes no IRPJ e na CSLL para 2003), situação esta com a qual a Impugnante jamais poderá concordar"; 6.13. indaga se tanto no PRL 20 como no PRL 60 a Receita Federal do Brasil considera isoladamente o valor de revenda do bem importado para a aplicação das margens de lucro, qual seria o objetivo de permitir que o mesmo bem, de mesmo valor, isoladamente considerado possa, em determinadas ocasiões, gerar um lucro de 60% e, em outras, um lucro de 20%? Diz que "conclui-se, pois, que a IN/SRF no 243/02 também encerra nítida violação ao princípio da isonomia para o cálculo do preço parâmetro através do Preço de Revenda menos Lucro", 6.14. declara que mesmo admitindo, para fins de argumentação, a aplicabilidade do método de cálculo previsto na IN no 243102, demonstra a impossibilidade de aplicação da margem de lucro de 60% com relação as suas importações, tendo em vista as características específicas do mercado de peças automotivas; 6.15. diz que a própria Lei no 9.430196 determinou expressamente a possibilidade de utilização de margens de lucro diversas das "padrão" estabelecidas na legislação, como previsto no artigo 21, desde que o contribuinte as comprove, com base em publicações, pesquisas ou relatórios elaborados de conformidade com o disposto no artigo; 6.16. alega que o próprio legislador admitiu que a margem de 60% para cálculo de preço de transferência no método PRL poderia ser inapropriada para determinados contribuintes. Diz que a determinação de ajustes de preços com base no método PRL 60, quando a margem de lucro da atividade do contribuinte é significativamente inferior a 60% certamente determinará uma tributação excessiva, contrariando os princípios constitucionais da capacidade contributiva e do não confisco, este previsto no artigo 150, IV da CF/88; 6.17. a Impugnante apresenta dois estudos elaborados pela auditoria independente "Deloitte, Touche e Tomatsu - DTT" sobre a margem bruta de lucro das empresas brasileira (Docs. 6 e 7); 6.18. informa que o primeiro estudo foi concluído em maio de 2003 e teve como base 193 empresas manufatureiras de diversos ramos da indústria nos anos-calendário de 2000, 2001 e 2003. De acordo do esse estudo, a média da margem de lucro das empresas brasileiras seria de 31,63%. Diz que especificamente com relação às empresas de autopeças o lucro bruto médio nestes anos foi de 25,13%; 6.19. diz que visando à aplicação do estudo mencionado acima especificamente em suas atividades solicitou análise detalhada para o setor de autopeças, englobando o período de 2002 a 2007. Informa que este estudo complementar foi concluído no início do presente ano e teve como base os resultados de 678 empresas manufatureiras fabricantes de autopeças e mais uma vez concluiu-se que a margem de 60% prevista na legislação de preços de transferência não reflete a realidade desse ramo da indústria: as margens de lucro bruto variaram, em media, entre 11,4% e 22,9% no período de 2002 a 2007. Analisando-se especificamente o ano-calendário de 2003, verifica-se que as margens variaram de 12,2% a 23,7%; 6.20. diz que a despeito da segurança a respeito da regularidade de seus cálculos de preços de transferência com base no método PRL 60, comprova, a título complementar, a inexistência de ajustes de preços relativos aos produtos de código 25146916. 25313535 e 25336072 também de acordo com o método CPL. Diz que o artigo 41 , § 21 da IN n° 243/2002 determina claramente que, dentre os métodos previstos, o contribuinte tem a opção de usar aquele que implicar menor ajuste nas bases tributáveis. Ressalta que inexiste qualquer previsão legal determinando a forma e o momento exato da opção pelos métodos previsto na legislação, daí, a apresentação dos cálculos de CPI- para esses itens, a serem considerados pela autoridade julgadora; 6.21. diz que para demonstração do preço parâmetro de acordo com o método CPL, apresenta a composição dos custos dos produtos importados, os quais são produzidos pela ASEC México (cód. 25146916 e 25313535) e pela ASEC US (25336072). Informa que os documentos relativos aos dois primeiros produtos estão anexados à presente impugnação (Docs. 8 e 9). A Impugnante protesta pela posterior juntada das respectivas traduções. Com relação ao terceiro produto informa que ainda está providenciando a documentação suporte do CPL junto à ASEC US e, assim, protesta pela posterior juntada desses documentos: 6.22. quanto ao método PRL 20, a Impugnante volta a mencionar o produto de código 26083612 importado pela DASB já tratado na preliminar. Diz que adicionalmente, visando demonstrar cabalmente a inexistência de ajustes, apresenta o cálculo de preço de transferência para os produtos de código 15397675 e 15397557 (Docs. 10 e11) sob o método CPL. Protesta, ainda, pela apresentação dos cálculos sob o método CPL também para o produto DAS Espana (DASE), que descontinuou seus negócios em 2007. A partir da análise dos elementos contidos nos autos, a douta DRJ São Paulo I (SP) exarou a sua decisão, no sentido de julgar parcialmente procedente o lançamento, acolhendo em pequena parte os termos da impugnação apresentada, em acórdão que assim, inclusive, restou ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÌDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003 MÉTODO PRL 60. CÁLCULOS SEGUNDO INSTRUÇÃO NORMATIVA. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. À esfera , administrativa não cabe apreciar questões relativas à legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas, competência esta exclusiva do Poder Judiciário. ALTERAÇÕES DAS MARGENS DE LUCRO PREVISTAS NA LEI. Somente atendendo ao que determina os artigos 32 a 34 da IN SRF n° 243/02 é possível adotar outras margens de lucro previstas na legislação. OPÇÃO PELO MÉTODO DE APURAÇÃO DOS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. A opção pelo método a ser adotado para apuração dos preços de transferência se dá com a entrega da DIPJ, não sendo possível alterá-la após o lançamento realizado. DIFERENÇAS NOS CÁLCULOS. Desconsiderado no ajuste de preços de transferência, apurado pela fiscalização, o valor oferecido à tributação pela empresa "DELPHI DIESEL" na DIPJ/04. Os demais ajustes requeridos não foram aceitos por falta de dados ou documentos para respaldá-los. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CSLL. O decidido quanto ao lançamento do IRPJ deve nortear a decisão do lançamento decorrente, tendo em vista que se origina dos mesmos elementos de prova. Lançamento Procedente em Parte Regularmente intimada a contribuinte no dia 16/06/2009, foi por ela então interposto, no dia 15/07/2009, o seu competente Recurso Voluntário em que, repisando todos os argumentos aduzidos em sua impugnação originária (inclusive em idêntica ordem, segundo por ela mesma destacado), pretende ver acolhidas as suas razões, nos termos e pedidos, inclusive, ali expressamente elencados, verbis: IV - DO PEDIDO Em vista do exposto, a Recorrente requer, preliminarmente, seja dado provimento ao presente recurso para decretar-se a nulidade da decisão de primeira instância e/ou do lançamento fiscal combatido no que diz respeito à parcela dos créditos tributários por ela não cancelados, em virtude da equivocada determinação das exigências fiscais ou, quando menos, seja referida decisão parcialmente reformada de forma a que a apuração dos créditos seja refeita em razão da correção dos equívocos apontados. Caso assim não entendam os Ilustres Julgadores, a Recorrente requer seja dado integral provimento ao presente apelo para que a parcela ainda não cancelada dos autos de infração ern exame sejam julgadas improcedentes, tendo em vista (i) a ilegalidade da Instrução Normativa n.° 243/02; (ii) a inaplicabil idade da margem de 60% para importações realizadas por empresas da indústria de autopeças, inclusive a Recorrente; e (iii) a adequação da eleição do método CPL para os produtos 15397675, 15397557, E2000381, 2514916, 25313535 e 25336072. À vista do recurso interposto, comparece então a douta PGFN, em suas contra-razões de recurso, aduzindo, segundo aponta, todos os argumentos que entende necessários e suficientes para o afastamento da pretensão da recorrente, assim então sintetizados: Preliminarmente : concomitância parcial entre o presente processo administrativo fiscal e o processo judicial n° 2007.61 .00.034048-7. A insubsistência dos argumentos da recorrente. Preliminar de nulidade — equívocos na apuração do montante tributável A legalidade da metodologia de cálculo prevista no artigo 12 da Instrução Normativa SRF n"243/2002. Impossibilidade de alteração da margem de lucro de sessenta por cento no processo administrativo fiscal. Impossibilidade de eleição do método CPL para determinados produtos: ausência de substrato probatório. Trazido o processo a julgamento na sessão de 07 de Maio de 2013, entendeu-se pela necessidade de CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, o que fora então determinado pelas disposições da Resolução 1301000-113. Retornando os autos após o desenvolvimento dos trabalhos pelos agentes da fiscalização, trago-os para julgamento. Em rápida síntese, é o que se tem a relatar. Passo ao meu voto.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os Membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos do relatório e voto do relator. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Carlos Augusto de Andrade Jenier, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimaraes, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Relatório Adotando as razões do relatório apresentado pela r. decisão recorrida, destaco: Em ação fiscal realizada na empresa em epígrafe, a fiscalização, conforme relatado no "Termo de Verificação e Constatação", TVC (fls. 141 a 143), apurou que a empresa adicionou ao lucro líquido para apuração do lucro real valor inferior ao que deveria ter sido considerado, relativo à apuração dos preços de transferência nas operações de importações de componentes realizadas com pessoas vinculadas no exterior, no ano-calendário de 2003. Ou seja, valor que deveria ser adicionado ao resultado tributável em decorrência da diferença a maior entre os preços praticados nas importações e os preços (parâmetro) apurados de acordo com os métodos previstos na legislação. 2. A fiscalização informa que: 2.1. verificou para efeito do IRPJ e da CSLL, a correta dedutibilidade dos custos dos bens importados de pessoas jurídicas vinculadas. Informa também, que procedeu aos mesmos exames para a empresa "Delphi Diesel Systems do Brasil Ltda.", CNPJ/MF no 49.874.155/0001-92, que foi incorporada pela "Delphi Automotive Systems do Brasil Ltda." em dezembro de 2007; 2.2. que as análises foram feitas com base no que determinam os artigos 18 a 23 da Lei no 9.430/96, combinados com os dispositivos do artigo 12 da Instrução Normativa SRF no 243/2002; 2.3. que a "Delphi Diesel" impetrou Pedido de Liminar em Mandado de Segurança Preventivo em 12/12/2007, em relação aos anos-calendário de 2002 a 2006 bem como nos seguintes, por discordar dos termos da IN SRF no 243/2002 por entender que esta inova em termos do que está previsto na Lei no 9.430/96; porém, o pedido de liminar acabou sendo indeferido (fis.210 a 264); 2.4. que após apresentação para o contribuinte de relação dos desembaraços dos bens importados no ano-calendário de 2003, extraída do sistema Siscomex e ratificadas por ele, foram selecionados os 235 produtos mais importantes, representado 80,25% do valor total importado pela "Delphi Automotive" e 68 produtos representando 69,97% da quantia total relativa às importações realizadas pela "Delphi Diesel' 2.5. que o contribuinte optou, para toda a sua linha de produtos importados, pela aplicação dos métodos PRL de apuração dós preços de transferência. Ou seja, "Preços de Revenda menos Lucro de 20% - PRL-20" e "Preços de Revenda menos Lucro de 60% - PRL-60", este para o caso de produtos importados para aplicação na produção de outros produtos ou para sofrer qualquer processo de industrialização, para revenda; 2.6. que apesar desta opção, em decorrência de trocas de informações dos técnicos da empresa com a fiscalização, foi constatado, que, para alguns produtos seria mais vantajosa a opção por outros métodos previstos pela legislação: "Custo Produção mais Lucro — CPL" e "Preços Independentes Comparados — PIC"; 2.7. a fiscalização informa que "para não cercear o direito de defesa do contribuinte e conceder-lhe o benefício da opção por outros métodos previstos na legislação, aguardamos, ao longo parte do contribuinte, de todos os mestre de 2008, a apresentação, por comprovantes que lhe fosse possível apresentar, para justificar o ajuste para determinados produtos pelos métodos de CPL e PIC. E de fato, por esses métodos, e com a documentação apresentada tempestivamente a que esta auditoria atribuiu consistência e credibilidade, alguns produtos tiveram o valor de seus ajustes zerados", 2.8. que foi apurado um excesso no valor total dos preços de transferência calculados pelo método PRL na quantia de R$ 76.138.286,15, depois de descontado o valor de R$ 1.073.017,35 apresentado pelo contribuinte e oferecido à tributação na DIPJ/04, ano calendário de 2003; 2.9. declara que "os representantes da empresa acompanharam todos os levantamentos feitos e tomaram conhecimento de todos os cálculos efetuados em cada etapa da ação fiscal'. 3. O valor adicionado de ofício ao resultado, do ano-calendário de 2003, para efeito do IRPJ e da CSLL foi; 4. Os enquadramentos legais aplicados foram: (i) IRPJ: art. 241 do RIR/99 e (ii) CSLL: art. 20 e §§, da Lei no 7.689188; art. V da Lei no 9.316196 e art. 28 da Lei no 9.430/96; art. 37 da Lei no 10.637/02. 5. Em decorrência do apurado foram lavrados os seguintes autos de infração, com ciência dada em 1511212008 (fls. 130 a 140): Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ no valor de R$ 32.312.517,58 e Contribuição Social sobre Lucro Líquido - CSLL na quantia de R$ 11.632.506,31 (os valores incluem multa de ofício e juros de mora, estes calculados até 2811112008). 6. A Empresa, tempestivamente, apresentou impugnação em 14/01/2009 (fls. 1.001 a 1.034), contestando o lançamento, fazendo as seguintes colocações: PRELIMINAR 6.1. que ocorreram os seguintes equívocos na apuração realizada pela fiscalização dos preços de transferência: 6.1.1. primeiro equívoco — a fiscalização considerou a quantidade total da matéria prima vendida, por código de produto, sem atentar para o fato de que essas matérias primas também poderiam ser adquiridas localmente ou produzidas pela Impugnante; 6.1.1.1. dá o exemplo da diferença que tal engano acarreta, demonstrando os cálculos do produto de código 26083612 (DASB, PRL 20) em que a fiscalização apurou excesso no preço do produto importado de R$ 1.389.189,47 quando o correto seria 2% deste valor. Alega que a fiscalização considerou o ajuste unitário de R$ 29,53 sobre o total dos produtos vendidos no ano de 47.055 unidades, quando o correto seria sobre as quantidades importadas de somente 655 unidades. Diz que mais de quarenta e seis mil unidades foram adquiridas localmente ou produzidas pela empresa, tal como provado pela documentação apresentada, Doc 02 (fls 1.050 a 1.154); 6.1.1.2. alega "que a mesma situação ocorreu com diversos dos bens importados pela Impugnante de forma pontual e esporádica, em que o volume dos bens importados é substancialmente inferior ao volume das aquisições e produção nacionais", 6.1.2. segundo equívoco — a fiscalização, ao apurar o valor do ajuste dos preços de transferência submetido à tributação do IRPJ e da CSLL, deixou de deduzir o valor de R$ 1.235.149,01 declarado pela "Delphi Diesel' em sua DIPJ/2004, ano-calendário de 2003, conforme demonstrado no Doc 03 (fl. 1.156); 6.1.3. terceiro equívoco — diz que, após ser notificada da lavratura do auto de infração, verificou que a fiscalização incorreu em erro com relação ao valor do ajuste de PRL 60 proposto para a "Delphi Diesel'. Informa que diferentemente do que ocorreu com o cálculo do ajuste proposto para "Delphi Automotive", a fiscalização baseou o cálculo da proporção entre o custo dos bens importados sobre o custo total do produto acabado na média do custo unitário das importações realizadas no curso do ano-calendário de 2003, desconsiderando os estoques iniciais existentes em 1o de janeiro de 2003. Informa que os valores dos ajustes propostos pela fiscalização e os apurados pela Impugnante estão demonstrados no Doc 04 (fls. 1.157 a 1.175). Valor do ajuste apurado pela fiscalização é de R$ 6.023.085,45 e o apurado pela Impugnante é de R$ 4.834.389,61. Diferença a menor de R$ 1.188.695,84; 6.2. diz que em decorrência dos três enganos apontados, está evidenciado o erro cometido na determinação das exigências fiscais do IRPJ e da CSLL, o que implica na nulidade do auto de infração, nos termos do artigo 10, V do Decreto no 70.235172; 6.3. declara que se os julgadores entenderem que os vícios apontados não implicam na nulidade dos lançamentos, requer revisão dos cálculos do ajuste de preço de transferência, corrigindo-se os enganos antes mesmo do julgamento a ser realizado e dando à Impugnante a oportunidade de se manifestar, previamente ao referido julgamento, sobre os ajustes a serem realizados de ofício; DA ILEGALIDADE DA "IN SRF no 243/02" 6.4. a impugnante traça um breve histórico da legislação que trouxe as diretrizes básicas da apuração dos preços de transferência no Brasil; 6.5. diz que a intenção do legislador foi coibir a transferência indireta de lucros, não tributados, para o exterior, através da pratica de preços artificiais em operações de importação e exportação realizadas entre pessoa jurídicas vinculadas; 6.6. que para operacionalizar a apuração dos chamados "preços e custos médios", a Lei no 9.430196 trouxe os métodos a serem utilizados pelo fisco tanto nos exames das operações de importação como de exportação. No caso de importação os critérios foram: o de "Preços Independentes Comparados (PIC)", de "Preço de Revenda menos Lucro (PRL)" e de "Custo de Produção mais Lucro (CPL)"; 6.7. que o artigo 18, inciso II, da lei no 9.430196, define o método (PRL) como a média aritmética dos preços de revenda dos bens, deduzida do somatório dos descontos incondicionais concedidos, além dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, comissões e corretagens pagas e da margem de lucro presumida de: (i) 60% na hipótese de bens importados aplicados na produção e de 20% calculada sobre o preço de revenda nas demais hipóteses; 6.8. diz que com este processo, quanto maior o valor agregado no Brasil ao insumo importado, isto é, quanto maior o nível de nacionalização do produto final a ser revendido, maior o preço parâmetro calculado e, conseqüentemente, menor o ajuste (adição) a ser realizado nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL; 6.9. que a Receita a fim de regulamentar a Lei n° 9.430196 editou, em 30 de março de 2001, a Instrução Normativa SRF no 32, a qual manteve intacta a sistemática prevista na referida Lei para apuração, através do método PRL 60; 6.10. que apesar do texto legal continuar inalterado até os dias de hoje, em 11 de novembro de 2002 a Receita Federal do Brasil editou a Instrução Normativa no 243 e "revogou" o entendimento acima, introduzindo a interpretação de que o preço líquido de revenda para efeito de aplicação da margem de 60% não mais seria o preço do produto final vendido, mas sim, o preço de "revenda" das partes e peças importadas agregadas a produto final. Este preço de venda, conforme prevê o artigo 12 da IN 243/03, seria, inclusive, apurado levando em consideração à mesma proporção sobre o preço do produto acabado da relação do custo do bem importado sobre o custo total desse produto final; 6.11. diz que, a aplicação desta IN 243102 leva "à conclusão absurda de que a importação de peças e partes para serem agregadas a produtos produzidos no Brasil para venda local ou exportação sejam revendidas com uma margem de 60%, enquanto que se importadas para pura revenda, sem agregar qualquer produção local, o percentual de margem de lucro aplicável seria de 20%, em virtude da aplicação do método PRL 20, previsto no artigo 18, inciso 11, alínea d'; 6.12. traz exemplo da importação de um bem demonstrando os cálculos de acordo com o previsto na Lei no 9.430196 e a IN SRF no 243/02 e alega que "os números, por si só, impedem qualquer outra conclusão a não ser a de que a IN, de fato, determina a tributação de lucro em patamar muito superior àquele previsto pela Lei no 9.430196 (majoração em mais de 23 vezes no IRPJ e na CSLL para 2003), situação esta com a qual a Impugnante jamais poderá concordar"; 6.13. indaga se tanto no PRL 20 como no PRL 60 a Receita Federal do Brasil considera isoladamente o valor de revenda do bem importado para a aplicação das margens de lucro, qual seria o objetivo de permitir que o mesmo bem, de mesmo valor, isoladamente considerado possa, em determinadas ocasiões, gerar um lucro de 60% e, em outras, um lucro de 20%? Diz que "conclui-se, pois, que a IN/SRF no 243/02 também encerra nítida violação ao princípio da isonomia para o cálculo do preço parâmetro através do Preço de Revenda menos Lucro", 6.14. declara que mesmo admitindo, para fins de argumentação, a aplicabilidade do método de cálculo previsto na IN no 243102, demonstra a impossibilidade de aplicação da margem de lucro de 60% com relação as suas importações, tendo em vista as características específicas do mercado de peças automotivas; 6.15. diz que a própria Lei no 9.430196 determinou expressamente a possibilidade de utilização de margens de lucro diversas das "padrão" estabelecidas na legislação, como previsto no artigo 21, desde que o contribuinte as comprove, com base em publicações, pesquisas ou relatórios elaborados de conformidade com o disposto no artigo; 6.16. alega que o próprio legislador admitiu que a margem de 60% para cálculo de preço de transferência no método PRL poderia ser inapropriada para determinados contribuintes. Diz que a determinação de ajustes de preços com base no método PRL 60, quando a margem de lucro da atividade do contribuinte é significativamente inferior a 60% certamente determinará uma tributação excessiva, contrariando os princípios constitucionais da capacidade contributiva e do não confisco, este previsto no artigo 150, IV da CF/88; 6.17. a Impugnante apresenta dois estudos elaborados pela auditoria independente "Deloitte, Touche e Tomatsu - DTT" sobre a margem bruta de lucro das empresas brasileira (Docs. 6 e 7); 6.18. informa que o primeiro estudo foi concluído em maio de 2003 e teve como base 193 empresas manufatureiras de diversos ramos da indústria nos anos-calendário de 2000, 2001 e 2003. De acordo do esse estudo, a média da margem de lucro das empresas brasileiras seria de 31,63%. Diz que especificamente com relação às empresas de autopeças o lucro bruto médio nestes anos foi de 25,13%; 6.19. diz que visando à aplicação do estudo mencionado acima especificamente em suas atividades solicitou análise detalhada para o setor de autopeças, englobando o período de 2002 a 2007. Informa que este estudo complementar foi concluído no início do presente ano e teve como base os resultados de 678 empresas manufatureiras fabricantes de autopeças e mais uma vez concluiu-se que a margem de 60% prevista na legislação de preços de transferência não reflete a realidade desse ramo da indústria: as margens de lucro bruto variaram, em media, entre 11,4% e 22,9% no período de 2002 a 2007. Analisando-se especificamente o ano-calendário de 2003, verifica-se que as margens variaram de 12,2% a 23,7%; 6.20. diz que a despeito da segurança a respeito da regularidade de seus cálculos de preços de transferência com base no método PRL 60, comprova, a título complementar, a inexistência de ajustes de preços relativos aos produtos de código 25146916. 25313535 e 25336072 também de acordo com o método CPL. Diz que o artigo 41 , § 21 da IN n° 243/2002 determina claramente que, dentre os métodos previstos, o contribuinte tem a opção de usar aquele que implicar menor ajuste nas bases tributáveis. Ressalta que inexiste qualquer previsão legal determinando a forma e o momento exato da opção pelos métodos previsto na legislação, daí, a apresentação dos cálculos de CPI- para esses itens, a serem considerados pela autoridade julgadora; 6.21. diz que para demonstração do preço parâmetro de acordo com o método CPL, apresenta a composição dos custos dos produtos importados, os quais são produzidos pela ASEC México (cód. 25146916 e 25313535) e pela ASEC US (25336072). Informa que os documentos relativos aos dois primeiros produtos estão anexados à presente impugnação (Docs. 8 e 9). A Impugnante protesta pela posterior juntada das respectivas traduções. Com relação ao terceiro produto informa que ainda está providenciando a documentação suporte do CPL junto à ASEC US e, assim, protesta pela posterior juntada desses documentos: 6.22. quanto ao método PRL 20, a Impugnante volta a mencionar o produto de código 26083612 importado pela DASB já tratado na preliminar. Diz que adicionalmente, visando demonstrar cabalmente a inexistência de ajustes, apresenta o cálculo de preço de transferência para os produtos de código 15397675 e 15397557 (Docs. 10 e11) sob o método CPL. Protesta, ainda, pela apresentação dos cálculos sob o método CPL também para o produto DAS Espana (DASE), que descontinuou seus negócios em 2007. A partir da análise dos elementos contidos nos autos, a douta DRJ São Paulo I (SP) exarou a sua decisão, no sentido de julgar parcialmente procedente o lançamento, acolhendo em pequena parte os termos da impugnação apresentada, em acórdão que assim, inclusive, restou ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÌDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003 MÉTODO PRL 60. CÁLCULOS SEGUNDO INSTRUÇÃO NORMATIVA. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. À esfera , administrativa não cabe apreciar questões relativas à legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas, competência esta exclusiva do Poder Judiciário. ALTERAÇÕES DAS MARGENS DE LUCRO PREVISTAS NA LEI. Somente atendendo ao que determina os artigos 32 a 34 da IN SRF n° 243/02 é possível adotar outras margens de lucro previstas na legislação. OPÇÃO PELO MÉTODO DE APURAÇÃO DOS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. A opção pelo método a ser adotado para apuração dos preços de transferência se dá com a entrega da DIPJ, não sendo possível alterá-la após o lançamento realizado. DIFERENÇAS NOS CÁLCULOS. Desconsiderado no ajuste de preços de transferência, apurado pela fiscalização, o valor oferecido à tributação pela empresa "DELPHI DIESEL" na DIPJ/04. Os demais ajustes requeridos não foram aceitos por falta de dados ou documentos para respaldá-los. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CSLL. O decidido quanto ao lançamento do IRPJ deve nortear a decisão do lançamento decorrente, tendo em vista que se origina dos mesmos elementos de prova. Lançamento Procedente em Parte Regularmente intimada a contribuinte no dia 16/06/2009, foi por ela então interposto, no dia 15/07/2009, o seu competente Recurso Voluntário em que, repisando todos os argumentos aduzidos em sua impugnação originária (inclusive em idêntica ordem, segundo por ela mesma destacado), pretende ver acolhidas as suas razões, nos termos e pedidos, inclusive, ali expressamente elencados, verbis: IV - DO PEDIDO Em vista do exposto, a Recorrente requer, preliminarmente, seja dado provimento ao presente recurso para decretar-se a nulidade da decisão de primeira instância e/ou do lançamento fiscal combatido no que diz respeito à parcela dos créditos tributários por ela não cancelados, em virtude da equivocada determinação das exigências fiscais ou, quando menos, seja referida decisão parcialmente reformada de forma a que a apuração dos créditos seja refeita em razão da correção dos equívocos apontados. Caso assim não entendam os Ilustres Julgadores, a Recorrente requer seja dado integral provimento ao presente apelo para que a parcela ainda não cancelada dos autos de infração ern exame sejam julgadas improcedentes, tendo em vista (i) a ilegalidade da Instrução Normativa n.° 243/02; (ii) a inaplicabil idade da margem de 60% para importações realizadas por empresas da indústria de autopeças, inclusive a Recorrente; e (iii) a adequação da eleição do método CPL para os produtos 15397675, 15397557, E2000381, 2514916, 25313535 e 25336072. À vista do recurso interposto, comparece então a douta PGFN, em suas contra-razões de recurso, aduzindo, segundo aponta, todos os argumentos que entende necessários e suficientes para o afastamento da pretensão da recorrente, assim então sintetizados: Preliminarmente : concomitância parcial entre o presente processo administrativo fiscal e o processo judicial n° 2007.61 .00.034048-7. A insubsistência dos argumentos da recorrente. Preliminar de nulidade — equívocos na apuração do montante tributável A legalidade da metodologia de cálculo prevista no artigo 12 da Instrução Normativa SRF n"243/2002. Impossibilidade de alteração da margem de lucro de sessenta por cento no processo administrativo fiscal. Impossibilidade de eleição do método CPL para determinados produtos: ausência de substrato probatório. Trazido o processo a julgamento na sessão de 07 de Maio de 2013, entendeu-se pela necessidade de CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, o que fora então determinado pelas disposições da Resolução 1301000-113. Retornando os autos após o desenvolvimento dos trabalhos pelos agentes da fiscalização, trago-os para julgamento. Em rápida síntese, é o que se tem a relatar. Passo ao meu voto.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16561.000197/2008­27  Resolução nº  1301­000.206  S1­C3T1  Fl. 3          2       Relatório   Adotando as razões do relatório apresentado pela r. decisão recorrida, destaco:   Em ação fiscal realizada na empresa em epígrafe, a fiscalização, conforme relatado no  "Termo de Verificação e Constatação", TVC  (fls.  141 a 143),  apurou que a  empresa  adicionou ao lucro líquido para apuração do lucro real valor inferior ao que deveria  ter sido considerado, relativo à apuração dos preços de transferência nas operações de  importações de componentes  realizadas  com pessoas  vinculadas no  exterior,  no ano­ calendário de 2003. Ou seja, valor que deveria ser adicionado ao resultado tributável  em decorrência da diferença a maior entre os preços praticados nas importações e os  preços (parâmetro) apurados de acordo com os métodos previstos na legislação.   2. A fiscalização informa que:   2.1. verificou para efeito do IRPJ e da CSLL, a correta dedutibilidade dos custos dos  bens  importados de pessoas  jurídicas vinculadas.  Informa  também, que procedeu aos  mesmos exames para a empresa "Delphi Diesel Systems do Brasil Ltda.", CNPJ/MF no  49.874.155/0001­92,  que  foi  incorporada pela  "Delphi Automotive  Systems  do Brasil  Ltda." em dezembro de 2007;  2.2. que as análises foram feitas com base no que determinam os artigos 18 a 23 da Lei  no 9.430/96, combinados com os dispositivos do artigo 12 da Instrução Normativa SRF  no 243/2002;  2.3.  que  a  "Delphi  Diesel"  impetrou  Pedido  de  Liminar  em Mandado  de  Segurança  Preventivo em 12/12/2007, em relação aos anos­calendário de 2002 a 2006 bem como  nos seguintes, por discordar dos termos da IN SRF no 243/2002 por entender que esta  inova em termos do que está previsto na Lei no 9.430/96; porém, o pedido de liminar  acabou sendo indeferido (fis.210 a 264);  2.4. que após apresentação para o contribuinte de relação dos desembaraços dos bens  importados no ano­calendário de 2003, extraída do sistema Siscomex e ratificadas por  ele,  foram  selecionados  os  235  produtos  mais  importantes,  representado  80,25%  do  valor  total  importado pela "Delphi Automotive" e 68 produtos representando 69,97%  da quantia total relativa às importações realizadas pela "Delphi Diesel'  2.5.  que  o  contribuinte  optou,  para  toda  a  sua  linha  de  produtos  importados,  pela  aplicação dos métodos PRL de apuração dós preços de transferência. Ou seja, "Preços  de Revenda menos  Lucro  de  20%  ­  PRL­20"  e  "Preços  de Revenda menos  Lucro  de  60% ­ PRL­60", este para o caso de produtos importados para aplicação na produção  de  outros  produtos  ou  para  sofrer  qualquer  processo  de  industrialização,  para  revenda;  Fl. 2041DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16561.000197/2008­27  Resolução nº  1301­000.206  S1­C3T1  Fl. 4          3 2.6. que apesar desta opção, em decorrência de trocas de informações dos técnicos da  empresa  com  a  fiscalização,  foi  constatado,  que,  para  alguns  produtos  seria  mais  vantajosa a opção por outros métodos previstos pela legislação:  "Custo Produção mais Lucro — CPL" e "Preços Independentes Comparados — PIC";  2.7. a fiscalização informa que "para não cercear o direito de defesa do contribuinte e  conceder­lhe  o  benefício  da  opção  por  outros  métodos  previstos  na  legislação,  aguardamos,  ao  longo  parte  do  contribuinte,  de  todos  os  mestre  de  2008,  a  apresentação,  por  comprovantes  que  lhe  fosse  possível  apresentar,  para  justificar  o  ajuste para determinados produtos pelos métodos de CPL e PIC. E de fato, por esses  métodos,  e  com  a  documentação  apresentada  tempestivamente  a  que  esta  auditoria  atribuiu consistência e credibilidade, alguns produtos  tiveram o valor de seus ajustes  zerados",  2.8. que foi apurado um excesso no valor total dos preços de transferência calculados  pelo método PRL na quantia de R$ 76.138.286,15, depois de descontado o valor de R$  1.073.017,35 apresentado pelo contribuinte e oferecido à  tributação na DIPJ/04, ano  calendário de 2003;  2.9. declara que "os representantes da empresa acompanharam todos os levantamentos  feitos e tomaram conhecimento de todos os cálculos efetuados em cada etapa da ação  fiscal'.  3. O valor adicionado de ofício ao resultado, do ano­calendário de 2003, para efeito do  IRPJ e da CSLL foi;     4.  Os  enquadramentos  legais  aplicados  foram:  (i)  IRPJ:  art.  241  do  RIR/99  e  (ii)  CSLL: art. 20 e §§, da Lei no 7.689188; art. V da Lei no 9.316196 e art. 28 da Lei no  9.430/96; art. 37 da Lei no 10.637/02.  Fl. 2042DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16561.000197/2008­27  Resolução nº  1301­000.206  S1­C3T1  Fl. 5          4 5.  Em  decorrência  do  apurado  foram  lavrados  os  seguintes  autos  de  infração,  com  ciência  dada  em  1511212008  (fls.  130  a  140):  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica  ­  IRPJ no valor de R$ 32.312.517,58 e Contribuição Social sobre Lucro Líquido ­ CSLL  na quantia de R$ 11.632.506,31 (os valores incluem multa de ofício e juros de mora,  estes calculados até 2811112008).   6.  A Empresa,  tempestivamente,  apresentou  impugnação  em  14/01/2009  (fls.  1.001  a  1.034), contestando o lançamento, fazendo as seguintes colocações:  PRELIMINAR  6.1. que ocorreram os seguintes equívocos na apuração realizada pela fiscalização dos  preços de transferência:   6.1.1.  primeiro  equívoco —  a  fiscalização  considerou  a  quantidade  total  da matéria  prima vendida, por código de produto, sem atentar para o fato de que essas matérias  primas também poderiam ser adquiridas localmente ou produzidas pela Impugnante;  6.1.1.1. dá o exemplo da diferença que tal engano acarreta, demonstrando os cálculos  do produto de código 26083612 (DASB, PRL 20) em que a fiscalização apurou excesso  no preço do produto  importado de R$ 1.389.189,47 quando o correto seria 2% deste  valor. Alega que a fiscalização considerou o ajuste unitário de R$ 29,53 sobre o total  dos  produtos  vendidos  no  ano  de  47.055  unidades,  quando  o  correto  seria  sobre  as  quantidades importadas de somente 655 unidades. Diz que mais de quarenta e seis mil  unidades foram adquiridas localmente ou produzidas pela empresa, tal como provado  pela documentação apresentada, Doc 02 (fls 1.050 a 1.154);  6.1.1.2. alega "que a mesma situação ocorreu com diversos dos bens importados pela  Impugnante de  forma pontual  e esporádica,  em que o  volume dos bens  importados  é  substancialmente inferior ao volume das aquisições e produção nacionais",  6.1.2. segundo equívoco — a  fiscalização, ao apurar o valor do ajuste dos preços de  transferência submetido à tributação do IRPJ e da CSLL, deixou de deduzir o valor de  R$ 1.235.149,01 declarado pela "Delphi Diesel' em sua DIPJ/2004, ano­calendário de  2003, conforme demonstrado no Doc 03 (fl. 1.156);   6.1.3.  terceiro  equívoco  —  diz  que,  após  ser  notificada  da  lavratura  do  auto  de  infração, verificou que a fiscalização incorreu em erro com relação ao valor do ajuste  de PRL 60 proposto para a "Delphi Diesel'. Informa que diferentemente do que ocorreu  com o  cálculo do ajuste proposto para "Delphi Automotive",  a  fiscalização baseou o  cálculo da proporção entre o custo dos bens importados sobre o custo total do produto  acabado  na  média  do  custo  unitário  das  importações  realizadas  no  curso  do  ano­ calendário de 2003, desconsiderando os estoques iniciais existentes em 1o de janeiro de  2003.  Informa  que  os  valores  dos  ajustes  propostos  pela  fiscalização  e  os  apurados  pela  Impugnante estão demonstrados no Doc 04  (fls. 1.157 a 1.175). Valor do ajuste  apurado pela fiscalização é de R$ 6.023.085,45 e o apurado pela Impugnante é de R$  4.834.389,61. Diferença a menor de R$ 1.188.695,84;  6.2.  diz  que  em  decorrência  dos  três  enganos  apontados,  está  evidenciado  o  erro  cometido na determinação das exigências fiscais do IRPJ e da CSLL, o que implica na  nulidade do auto de infração, nos termos do artigo 10, V do Decreto no 70.235172;  Fl. 2043DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16561.000197/2008­27  Resolução nº  1301­000.206  S1­C3T1  Fl. 6          5 6.3. declara que se os julgadores entenderem que os vícios apontados não implicam na  nulidade  dos  lançamentos,  requer  revisão  dos  cálculos  do  ajuste  de  preço  de  transferência, corrigindo­se os enganos antes mesmo do julgamento a ser realizado e  dando  à  Impugnante  a  oportunidade  de  se  manifestar,  previamente  ao  referido  julgamento, sobre os ajustes a serem realizados de ofício;   DA ILEGALIDADE DA "IN SRF no 243/02"  6.4.  a  impugnante  traça  um  breve  histórico  da  legislação  que  trouxe  as  diretrizes  básicas da apuração dos preços de transferência no Brasil;   6.5. diz que a intenção do legislador foi coibir a transferência indireta de lucros, não  tributados,  para  o  exterior,  através  da  pratica  de preços  artificiais  em operações  de  importação e exportação realizadas entre pessoa jurídicas vinculadas;   6.6. que para operacionalizar a apuração dos chamados "preços e custos médios", a  Lei no 9.430196 trouxe os métodos a serem utilizados pelo fisco tanto nos exames das  operações  de  importação  como  de  exportação.  No  caso  de  importação  os  critérios  foram: o de "Preços Independentes Comparados (PIC)", de "Preço de Revenda menos  Lucro (PRL)" e de "Custo de Produção mais Lucro (CPL)";   6.7. que o artigo 18, inciso II, da lei no 9.430196, define o método (PRL) como a média  aritmética  dos  preços  de  revenda  dos  bens,  deduzida  do  somatório  dos  descontos  incondicionais  concedidos,  além  dos  impostos  e  contribuições  incidentes  sobre  as  vendas, comissões e corretagens pagas e da margem de lucro presumida de: (i) 60% na  hipótese de bens importados aplicados na produção e de 20% calculada sobre o preço  de revenda nas demais hipóteses;   6.8.  diz que  com este processo, quanto maior  o  valor agregado no Brasil  ao  insumo  importado,  isto  é,  quanto  maior  o  nível  de  nacionalização  do  produto  final  a  ser  revendido, maior  o  preço  parâmetro  calculado  e,  conseqüentemente, menor  o  ajuste  (adição) a ser realizado nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL;   6.9. que a Receita a fim de regulamentar a Lei n° 9.430196 editou, em 30 de março de  2001, a Instrução Normativa SRF no 32, a qual manteve intacta a sistemática prevista  na referida Lei para apuração, através do método PRL 60;   6.10.  que  apesar  do  texto  legal  continuar  inalterado  até  os  dias  de  hoje,  em  11  de  novembro de 2002 a Receita Federal do Brasil editou a Instrução Normativa no 243 e  "revogou" o entendimento acima, introduzindo a interpretação de que o preço líquido  de  revenda  para  efeito  de  aplicação  da margem  de  60%  não mais  seria  o  preço  do  produto  final vendido, mas sim, o preço de "revenda" das partes e peças  importadas  agregadas  a  produto  final.  Este  preço  de  venda,  conforme  prevê  o  artigo  12  da  IN  243/03, seria, inclusive, apurado levando em consideração à mesma proporção sobre o  preço do produto acabado da relação do custo do bem importado sobre o custo total  desse produto final;  6.11.  diz  que,  a  aplicação  desta  IN  243102  leva  "à  conclusão  absurda  de  que  a  importação de peças e partes para serem agregadas a produtos produzidos no Brasil  para venda local ou exportação sejam revendidas com uma margem de 60%, enquanto  que  se  importadas  para  pura  revenda,  sem  agregar  qualquer  produção  local,  o  Fl. 2044DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16561.000197/2008­27  Resolução nº  1301­000.206  S1­C3T1  Fl. 7          6 percentual  de margem  de  lucro  aplicável  seria  de  20%,  em  virtude  da  aplicação  do  método PRL 20, previsto no artigo 18, inciso 11, alínea d';  6.12. traz exemplo da importação de um bem demonstrando os cálculos de acordo com  o previsto na Lei no 9.430196 e a IN SRF no 243/02 e alega que "os números, por si só,  impedem  qualquer  outra  conclusão  a  não  ser  a  de  que  a  IN,  de  fato,  determina  a  tributação de  lucro em patamar muito superior àquele previsto pela Lei no 9.430196  (majoração em mais de 23 vezes no IRPJ e na CSLL para 2003), situação esta com a  qual a Impugnante jamais poderá concordar";  6.13.  indaga  se  tanto  no  PRL  20  como  no  PRL  60  a  Receita  Federal  do  Brasil  considera  isoladamente  o  valor  de  revenda  do  bem  importado  para  a  aplicação  das  margens de lucro, qual seria o objetivo de permitir que o mesmo bem, de mesmo valor,  isoladamente considerado possa, em determinadas ocasiões, gerar um lucro de 60% e,  em  outras,  um  lucro  de  20%?  Diz  que  "conclui­se,  pois,  que  a  IN/SRF  no  243/02  também  encerra  nítida  violação  ao  princípio  da  isonomia  para  o  cálculo  do  preço  parâmetro através do Preço de Revenda menos Lucro",  6.14.  declara  que mesmo admitindo,  para  fins  de  argumentação,  a  aplicabilidade do  método de cálculo previsto na IN no 243102, demonstra a impossibilidade de aplicação  da  margem  de  lucro  de  60%  com  relação  as  suas  importações,  tendo  em  vista  as  características específicas do mercado de peças automotivas;  6.15. diz que a própria Lei no 9.430196 determinou expressamente a possibilidade de  utilização  de  margens  de  lucro  diversas  das  "padrão"  estabelecidas  na  legislação,  como  previsto  no  artigo  21,  desde  que  o  contribuinte  as  comprove,  com  base  em  publicações,  pesquisas  ou  relatórios  elaborados  de  conformidade  com  o  disposto  no  artigo;  6.16. alega que o próprio  legislador admitiu que a margem de 60% para cálculo de  preço  de  transferência  no método  PRL  poderia  ser  inapropriada  para  determinados  contribuintes. Diz que a determinação de ajustes de preços com base no método PRL  60,  quando  a  margem  de  lucro  da  atividade  do  contribuinte  é  significativamente  inferior  a  60%  certamente  determinará  uma  tributação  excessiva,  contrariando  os  princípios constitucionais da capacidade contributiva e do não confisco, este previsto  no artigo 150, IV da CF/88;  6.17.  a  Impugnante  apresenta  dois  estudos  elaborados  pela  auditoria  independente  "Deloitte,  Touche  e  Tomatsu  ­  DTT"  sobre  a  margem  bruta  de  lucro  das  empresas  brasileira (Docs. 6 e 7);   6.18. informa que o primeiro estudo foi concluído em maio de 2003 e teve como base  193 empresas manufatureiras de diversos  ramos da  indústria nos anos­calendário de  2000,  2001  e  2003.  De  acordo  do  esse  estudo,  a  média  da  margem  de  lucro  das  empresas  brasileiras  seria  de  31,63%.  Diz  que  especificamente  com  relação  às  empresas de autopeças o lucro bruto médio nestes anos foi de 25,13%;  6.19.  diz  que  visando  à  aplicação  do  estudo  mencionado  acima  especificamente  em  suas  atividades  solicitou  análise  detalhada  para  o  setor  de  autopeças,  englobando  o  período de 2002 a 2007. Informa que este estudo complementar foi concluído no início  do  presente  ano  e  teve  como  base  os  resultados  de  678  empresas  manufatureiras  Fl. 2045DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16561.000197/2008­27  Resolução nº  1301­000.206  S1­C3T1  Fl. 8          7 fabricantes de autopeças e mais uma vez concluiu­se que a margem de 60% prevista na  legislação de preços de transferência não reflete a realidade desse ramo da indústria:  as margens de  lucro bruto  variaram,  em media,  entre 11,4% e 22,9% no período de  2002 a 2007. Analisando­se especificamente o ano­calendário de 2003, verifica­se que  as margens variaram de 12,2% a 23,7%;  6.20. diz que a despeito da segurança a respeito da regularidade de seus cálculos de  preços de transferência com base no método PRL 60, comprova, a título complementar,  a  inexistência  de  ajustes  de  preços  relativos  aos  produtos  de  código  25146916.  25313535 e 25336072 também de acordo com o método CPL. Diz que o artigo 41 , §  21  da  IN  n°  243/2002  determina  claramente  que,  dentre  os  métodos  previstos,  o  contribuinte  tem  a  opção  de  usar  aquele  que  implicar  menor  ajuste  nas  bases  tributáveis.  Ressalta  que  inexiste  qualquer  previsão  legal  determinando  a  forma  e  o  momento exato da opção pelos métodos previsto na legislação, daí, a apresentação dos  cálculos de CPI­ para esses itens, a serem considerados pela autoridade julgadora;  6.21. diz que para demonstração do preço parâmetro de acordo com o método CPL,  apresenta a composição dos custos dos produtos importados, os quais são produzidos  pela ASEC México (cód. 25146916 e 25313535) e pela ASEC US (25336072). Informa  que  os  documentos  relativos  aos  dois  primeiros  produtos  estão  anexados  à  presente  impugnação  (Docs.  8  e  9).  A  Impugnante  protesta  pela  posterior  juntada  das  respectivas  traduções.  Com  relação  ao  terceiro  produto  informa  que  ainda  está  providenciando a documentação suporte do CPL junto à ASEC US e, assim, protesta  pela posterior juntada desses documentos:  6.22. quanto ao método PRL 20, a Impugnante volta a mencionar o produto de código  26083612  importado  pela  DASB  já  tratado  na  preliminar.  Diz  que  adicionalmente,  visando demonstrar cabalmente a inexistência de ajustes, apresenta o cálculo de preço  de transferência para os produtos de código 15397675 e 15397557 (Docs. 10 e11) sob  o  método  CPL.  Protesta,  ainda,  pela  apresentação  dos  cálculos  sob  o  método  CPL  também  para  o  produto  DAS  Espana  (DASE),  que  descontinuou  seus  negócios  em  2007.  A partir da análise dos elementos contidos nos autos, a douta DRJ São Paulo I  (SP)  exarou  a  sua  decisão,  no  sentido  de  julgar  parcialmente  procedente  o  lançamento,  acolhendo  em  pequena  parte  os  termos  da  impugnação  apresentada,  em  acórdão  que  assim,  inclusive, restou ementado:   ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÌDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2003  MÉTODO PRL 60. CÁLCULOS SEGUNDO INSTRUÇÃO NORMATIVA. ALEGAÇÃO  DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE.  À  esfera  ,  administrativa  não  cabe  apreciar  questões  relativas  à  legalidade  ou  inconstitucionalidade  de  normas  jurídicas,  competência  esta  exclusiva  do  Poder  Judiciário.  ALTERAÇÕES DAS MARGENS DE LUCRO PREVISTAS NA LEI.  Somente  atendendo  ao  que  determina  os  artigos  32  a  34  da  IN  SRF  n°  243/02  é  possível adotar outras margens de lucro previstas na legislação.  Fl. 2046DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16561.000197/2008­27  Resolução nº  1301­000.206  S1­C3T1  Fl. 9          8 OPÇÃO PELO MÉTODO DE APURAÇÃO DOS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA.  A opção pelo método a ser adotado para apuração dos preços de transferência se dá  com a entrega da DIPJ, não sendo possível alterá­la após o lançamento realizado.  DIFERENÇAS NOS CÁLCULOS.  Desconsiderado  no  ajuste  de  preços  de  transferência,  apurado  pela  fiscalização,  o  valor oferecido à tributação pela empresa "DELPHI DIESEL" na DIPJ/04.  Os demais ajustes requeridos não foram aceitos por falta de dados ou documentos para  respaldá­los.  PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE.  Somente ensejam a nulidade os atos e  termos  lavrados por pessoa  incompetente e os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente  ou  com  preterição  do  direito de defesa.  CSLL.  O  decidido  quanto  ao  lançamento  do  IRPJ  deve  nortear  a  decisão  do  lançamento decorrente, tendo em vista que se origina dos mesmos elementos de prova.  Lançamento Procedente em Parte  Regularmente  intimada  a  contribuinte  no  dia  16/06/2009,  foi  por  ela  então  interposto, no dia 15/07/2009, o seu competente Recurso Voluntário em que, repisando todos  os argumentos aduzidos em sua impugnação originária (inclusive em idêntica ordem, segundo  por  ela  mesma  destacado),  pretende  ver  acolhidas  as  suas  razões,  nos  termos  e  pedidos,  inclusive, ali expressamente elencados, verbis:   IV ­ DO PEDIDO  Em vista do exposto, a Recorrente requer, preliminarmente, seja dado provimento ao  presente recurso para decretar­se a nulidade da decisão de primeira instância e/ou do  lançamento fiscal combatido no que diz respeito à parcela dos créditos tributários por  ela não cancelados, em virtude da equivocada determinação das exigências fiscais ou,  quando  menos,  seja  referida  decisão  parcialmente  reformada  de  forma  a  que  a  apuração dos créditos seja refeita em razão da correção dos equívocos apontados.   Caso  assim  não  entendam  os  Ilustres  Julgadores,  a  Recorrente  requer  seja  dado  integral  provimento  ao  presente  apelo  para  que  a  parcela  ainda  não  cancelada  dos  autos  de  infração  ern  exame  sejam  julgadas  improcedentes,  tendo  em  vista  (i)  a  ilegalidade da Instrução Normativa n.° 243/02; (ii) a inaplicabil idade da margem de  60% para importações realizadas por empresas da indústria de autopeças, inclusive a  Recorrente; e (iii) a adequação da eleição do método CPL para os produtos 15397675,  15397557, E2000381, 2514916, 25313535 e 25336072.  À vista do recurso interposto, comparece então a douta PGFN, em suas contra­ razões de recurso, aduzindo, segundo aponta,  todos os argumentos que entende necessários e  suficientes para o afastamento da pretensão da recorrente, assim então sintetizados:   I)  Preliminarmente  :  concomitância  parcial  entre  o  presente  processo  administrativo fiscal e o processo judicial n° 2007.61 .00.034048­7.   II)  A insubsistência dos argumentos da recorrente.  Fl. 2047DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16561.000197/2008­27  Resolução nº  1301­000.206  S1­C3T1  Fl. 10          9 a)  Preliminar de nulidade — equívocos na apuração do montante tributável  b)  A  legalidade  da  metodologia  de  cálculo  prevista  no  artigo  12  da  Instrução  Normativa SRF n"243/2002.  c)  Impossibilidade  de  alteração  da  margem  de  lucro  de  sessenta  por  cento  no  processo administrativo fiscal.  d)  Impossibilidade  de  eleição  do  método  CPL  para  determinados  produtos:  ausência de substrato probatório.  Trazido o processo a julgamento na sessão de 07 de Maio de 2013, entendeu­se  pela necessidade de CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, o que fora então  determinado pelas disposições da Resolução 1301000­113.  Retornando  os  autos  após  o  desenvolvimento  dos  trabalhos  pelos  agentes  da  fiscalização, trago­os para julgamento.  Em rápida síntese, é o que se tem a relatar. Passo ao meu voto.          Fl. 2048DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16561.000197/2008­27  Resolução nº  1301­000.206  S1­C3T1  Fl. 11          10         Voto  Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, relator.  Restando já reconhecida a tempestividade, conheço do recurso.   Tratam  os  presentes  autos,  conforme  se  verifica,  de  discussão  em  torno  do  lançamento  efetivado  pelos  ilustres  senhores  auditores  fiscais  na  apuração  dos  montantes  devidos  a  título  de  tributos  incidentes  sobre  os  montantes  apurados  a  titulo  de  “Preços  de  Transferência”,  em  decorrência  das  operações  realizadas,  conforme  se  verifica,  entre  reconhecidas empresas ligadas.   A  questão  trazida  nos  autos,  conforme  destacado  na  parte  final  do  relatório  minudenciado,  apresenta  discussão  em  torno  da  regularidade  dos  cálculos  promovidos  pelos  agentes  da  fiscalização,  havendo,  a  seu  respeito,  específico  apontamento  trazido  pela  contribuinte em seu Recurso Voluntário, ainda em sede de análise preliminar.   Analisados  os  termos  do  recurso,  na  primeira  assentada,  restou  definido  pela  decisão colegiada, a conversão do julgamento em diligência, especificamente para a análise das  considerações ali apresentadas, sendo definida, então, por meio da Resolução no 1301­000.113,  nos  termos  antes  aqui  então  devidamente  destacado,  destacando­se,  de  seus  termos,  as  seguintes e específicas considerações:   Da análise dessas considerações, verifica­se que, nos presentes autos, antes ainda de  analisar o mérito da discussão havida nos autos,  faz­se necessária a  verificação da  correção/adequação  dos  cálculos  efetivados  pela  fiscalização, mostrando­se,  assim,  essencial  a  análise  dos  argumentos  aqui  apontados  e,  ainda,  a  necessária  confrontação  entre  os  cálculos  que  embasaram  o  lançamento  efetivado  e  aqueles  aqui apresentados pela fiscalizada, possibilitando, com isso, a total e completa análise  dos argumentos trazidos no recurso interposto.  Diante disso – e, de acordo com o que definido em reunião colegiada , encaminho o  meu voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência no sentido de  verem  analisadas  as  questões  preliminares  aqui  aduzidas,  sobretudo  no  que  diz  respeito  ao  apontamento  de  possíveis  falhas  nos  cálculos  apresentados  pela  fiscalização, possibilitando, com isso, ao final, a integral apreciação dos argumentos  aduzidos no recurso voluntário interposto.  A partir das determinações contidas na referida resolução, foram então baixados  os  autos,  verificando­se,  às  fls.  1937  e  seguintes,  as  providências  imediatas  dos  ilustres  senhores  auditores  fiscais  designados,  destacando­se,  ali,  a  apresentação  de  Termo  de  Fl. 2049DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16561.000197/2008­27  Resolução nº  1301­000.206  S1­C3T1  Fl. 12          11 Intimação em Diligência, onde então  restou  intimada a contribuinte  à apresentar os  registros  contábeis  das  operações  de  aquisição  relativas  ao  produto  indicado  como  “26083612”  que  demonstrem  que  dele  teriam  sido  importadas  apenas  655  unidades,  e,  ainda,  demonstrativos  que apontem eventuais outros produtos em situações análogas.  Regularmente intimada a contribuinte, compareceu ela aos autos ­ às fls. 1958 e  ss.  ­,  atendendo  à  intimação  recebida  e  apresentando  cópia do  respectivo  “Razão Contábil”  relativo  às  aquisições,  em  2003,  além  ainda  de  demais  registros  (em  formato  magnético)  referente  à  relação  de  demais  produtos  que,  segundo  sua  análise,  estariam  em  situações  análogas àquela apresentada a título de amostragem.  Às fls. 1965, verifica­se nova intimação da contribuinte para a apresentação de  informações,  sendo  essa,  então,  após  pedido  de  prorrogação  do  prazo  concedido,  também  regularmente atendida pela contribuinte, agora, apresentando respostas aos questionamentos  formulados, nos termos ali então devidamente apresentados.  Em face de todas essas considerações, foi então lavrado o respectivo “Termo de  Constatação e Intimação em Diligência”, pelo ilustre Sr. Auditor Fiscal, destacando, em suas  razões,  a  existência  de  relevantes  divergências  entre  os  argumentos  apresentados  pela  contribuinte  nos  autos  deste  processo  e  aqueles  então  apresentados  como  resposta  aos  questionamentos ofertados em diligência pelos agentes da fiscalização, sendo então renovada a  intimação,  no  sentido  de  que  a  contribuinte  apresentasse  “esclarecimentos  acerca  das  divergências  constatadas  no  item  1  da  Constatação  deste  Termo,  entre  o  alegado  pela  impugnante  e  as  argumentações  apresentadas  em  sua  resposta  de  27/11/2013  quanto  ao  “terceiro  equívoco”;  e,  disponibilizar  na  empresa  os  livros  “Registros  de  Controle  de  Produção”,  “Fichas  de  Controle  de  Movimentação  de  Estoque”,  “Inventário”,  etc.,  que  possam vir a comprovar a produção das 46.453 unidades do item “26083612”.”   Novamente  intimada  a  contribuinte,  comparece  ela  agora  apresentando  suas  considerações,  justificativas  e  cópias  de  arquivos  fiscais,  destacando,  em  suas  razões,  que  muitas  das  divergências  apontadas  seriam  decorrentes  do  tempo  decorrido  entre  a  época  do  lançamento (2003) e o momento das  referidas diligências, de sorte que, visando atender com  integralidade  a  solicitação  encaminhada  por  este  Conselho,  estavam,  na  verdade,  empreendendo  todos  os  esforços  possíveis  na  busca  de  informações  seguras  a  respeito  da  questão colocada em debate.   Às  fls.  2018,  então,  é apresentado pelo  ilustre Sr. Auditor Fiscal o  “Relatório  Conclusivo da Diligência”, onde apresenta em suas razões o seguinte:   1.  Do Primeiro Equívoco  (...)  Desta  forma,  a  recorrente  logrou  comprovar,  mediante  documento  oficial,  que  somente  655  unidades  do  item “260 83812”  forma  importadas  no AC 2003,  de modo que  se  faz  necessária a retificação do cálculo do ajuste de PT para esse item:   Recálculo do PRL20: 655 x R$ 29,52 = R$ 19.335,60 em substituição a R$ 1.389.189,47 =  Diferença de R$ 1.369.853,87.  Valor total do PRL20 = R$ 2.880.823,36 –R$ 1.369.853,87 = R$ 1.510.969,49  Fl. 2050DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16561.000197/2008­27  Resolução nº  1301­000.206  S1­C3T1  Fl. 13          12 2.  Do Terceiro Equívoco  (...)  Assim,  pudemos  identificar  que  o  quanto  alegado  pela  impugnante  em  seu  recurso  não  corresponde  às  contrarrazões  que  a  empresa  apresentou  nos  trâmites  da  presente  diligência, em que aponta inconsistências referentes à não­consideração da composição de  produção, pela fiscalização.  Cumpre ressaltar que um dos objetivos da análise em tela seria o de verificar se procedem  as argumentações da impetrante quanto à desconsideração dos estoques iniciais existentes  no início do AC 2003, nos cálculos dos preços de transferência (“terceiro equívoco”).  O  fato de que teria havido  incorreções nas considerações ds quantidades de composição  de  produção  é  praticamente  novo,  não  foi  sequer  cogitado  quando  da  apresentação  da  impugnação pela recorrente, nem mesmo houve qualquer análise ou ponderação sobre o  mesmo no julgamento em primeira instância.   A  partir  dessas  considerações,  apresenta  então  o  resultado  final  da  diligência,  destacando a retificação dos termos do lançamento anteriormente efetivado, apresentando, ali,  os novos valores de ajustes devidos, nos termos então considerados.   Regularmente  intimada a contribuinte do  resultado da diligência,  apresenta ela  então  as  suas  considerações  a  respeito  das  conclusões  atingidas  pelos  agente  diligenciante,  destacando,  inicialmente,  a  sua  concordância  com  os  apontamentos  relativos  ao  tópico  “Primeiro  Equívoco”,  em  que  restou  confirmada  a  falha  dos  cálculos  apontada,  mas,  em  seguida,  passa  a  criticar  a  posição  adotada  pelo  diligenciante  em  relação  ao  tópico  “Terceiro  Equívoco”,  em  que  ele,  escudando­se  na  suposta  divergência  entre  as  razões  agora  apresentadas  pela  contribuinte  e  aquelas  anteriormente  constantes  de  sua  impugnação,  teria,  simplesmente,  deixado  de  atender  às  determinações  da  Resolução apresentada, que, como se verifica, fundara­se, especificamente, na busca  de verificação de equívocos nos cálculos dos agentes da fiscalização. Destaco:   “Em  resumo:  o  agente  fiscal  chegou  a  pedir  os  documentos,  concluiu  a  análise  quanto  à  improcedência  do  cálculo  original  e  a  procedência  dos  recálculos  apresentados pela  empresa, mas  se  recusou a  retificar os ajustes originais,  sob a  alegação  de  que  as  quantidades  de  composição  de  produção  seriam  um  fato  “praticamente novo”, emitindo um juízo de valor para o qual pretendeu assumir  atribuição  que  não  lhe  compete,  em  detrimento  do  trabalho  que  realizou  e  as  conclusões que chegou a ter , em relação à improcedência dos cálculos originais de  ajuste de PT para  estes  itens  específicos. De modo  a  tornar  claro  o  equívoco  da  Fiscalização na apuração do PRL60, a recorrente acosta à presente, demonstrativo  de cálculo que evidencia os ajustes a maior feitos pela fiscalização, em comparação  com  o  cálculo  que  seria  obtido  se  considerados  os  valores  de  estoque  inicial  de  produtos,  ou  participação  de  insumos  no  montante  de  mercadorias  comercializadas (Doc.1).  (...)  Assim, ante todo o exposto, reiteramos que a Delphi Automotive Systems do Brasil  Ltda. logrou êxito em comprovar que os cálculos do ajuste de PT foram feitos em  Fl. 2051DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16561.000197/2008­27  Resolução nº  1301­000.206  S1­C3T1  Fl. 14          13 excesso,  devendo  a  parte  excedente  ser  retirada  na  integra  e  para  os  2  itens  do  processo  em  tela  (considerando  valores  do  estoque  inicial  de  produtos,  ou  a  participação  de  insumos  no  montante  de  mercadorias  comercializadas).  Caso  assim não se entenda (o que somente se admite por argumentar), que ao menos se  retifique os cálculos nos moldes solicitados e os submeta ao CARF para que julgue  se devem ser considerados ou não, já que esta faculdade é do órgão julgador, e não  da fiscalização.   Pois bem.   Analisando  os  elementos  contidos  nos  autos,  o  que  se  verifica  é  que,  de  fato,  assiste  razão  às  ponderações  finais  apresentadas  pela  contribuinte,  especificamente  porque,  conforme  se  verifica,  tendo  sido  baixados  os  autos  em  diligência  para  a  verificação  das  específicas  ponderações  da  contribuinte  em  relação  aos  supostos  “erros  de  cálculo”  promovidos  pela  fiscalização,  esta  não  teria  sido  objetivamente  observada  pelos  agentes  diligenciantes,  que,  como  se  verifica,  limitaram­se  a  simplesmente  rejeitar  as  considerações  apresentadas por apresentarem­se como supostas “inovações” nas  teses  inicialmente atacadas  na impugnação apresentada.   Com  todas  as  mais  respeitosas  vênias,  entendo  que  não  cabe  aos  agentes  do  órgão preparador promover qualquer julgamento a respeito da pertinência ou da correção dos  argumentos  apresentados, mas,  no  caso,  exclusivamente,  limitar­se  aos  termos da  solicitação  pretendida  por  meio  da  Resolução  no  1301­000.113,  qual  seja,  exclusivamente  analisar  as  ponderações  apresentadas  pela  recorrente  em  relação  aos  (supostos)  erros  de  cálculo,  o  que,  conforme se verifica, não se teria objetivamente verificado e promovido.  O  processo  administrativo  fiscal,  cumpre  destacar,  é  o  procedimento  próprio,  normativamente  definido,  de  controle  de  legalidade  dos  atos  praticados  pelos  agentes  da  fiscalização,  possibilitando,  sempre,  a  adequação  de  eventuais  equívocos  como  forma  de  garantir, sempre, a mais escorreita e regular atuação dos agentes da fiscalização fazendária.   Nesses  termos,  não  se  tendo  efetivamente  promovido  o  atendimento  da  solicitação  da  referida  Resolução,  trazidos  os  autos  à  apreciação  da  Turma  Julgadora,  entendeu­se  pela  necessidade  de nova  conversão  do  feito  em  diligência,  determinando  aos  agentes  da  fiscalização  fazendária  o  específico  e  objetivo  enfrentamento  das  considerações  apresentadas  em  sede  de  Preliminar  no  Recurso  Voluntário  interposto,  especificamente  relacionadas à existência de possíveis “erros de cálculo” na apuração dos montantes devidos, o  que, então, não restara atendido na oportunidade anterior.   Para  fins  de  necessários  registros  e  esclarecimentos,  destaco  que  todos  os  apontamentos  apresentados  pelos  agentes  diligenciantes  a  respeito  da  “pertinência”  dos  argumentos  trazidos  pela  recorrente  serão,  ainda,  oportunamente  analisados  pelo  Colegiado,  após o regular e necessário saneamento do feito.  Em  face  dessas  considerações,  atendendo  ao  que  determinado  em  sede  de  julgamento  pelo  Colegiado  desta  1a  Turma  Ordinária  da  3a  Câmara  da  Primeira  Seção  de  Julgamento do CARF, entendo pela necessidade de nova CONVERSÃO DO JULGAMENTO  EM  DILIGÊNCIA,  especificamente  para  que  os  doutos  agentes  da  fiscalização  fazendária  federal  se  pronunciem,  objetivamente,  a  respeito  das  considerações  apresentadas  pela  recorrente  em  relação  aos  supostos  “erros  de  cálculo”  (Preliminar  no  Recurso  Voluntário),  possibilitando, com isso, o saneamento do feito, caso, ao final, aqui se mostre necessário.  Fl. 2052DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16561.000197/2008­27  Resolução nº  1301­000.206  S1­C3T1  Fl. 15          14 É como voto.   (Assinado digitalmente)  CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER – Relator.      Fl. 2053DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES

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Numero do processo: 10640.722673/2011-01
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988, quando a patologia for comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios. A juntada de novo laudo que supera o óbice apontado em primeira instância de julgamento autoriza o reconhecimento da isenção em litígio. Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-003.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo o valor de R$ 26.861,44(vinte e seis mil, oitocentos e sessenta e um reais e quarenta e quatro centavos) que fora lançado a título de omissão de rendimentos recebidos do INSS, mantendo no mais o lançamento, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 09/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Nathália Correia Pompeu (suplente convocada), Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza (suplente convocado) e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 09 /10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     2  Verçoza  (suplente  convocado)  e  Jorge  Cláudio  Duarte  Cardoso  (Presidente).  Ausente  justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.    Relatório  Trata­se de  lançamento de  Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício  2010, ano­calendário 2009, devido à apuração de omissão de rendimentos recebidos do INSS  (R$26.861,44) e de Construcap CCPS Engenharia e Comércio S/A (R$7.932,47).  A autoridade lançadora anotou que o laudo apresentado pelo contribuinte não  especificou a data  em que  a doença  foi  contraída,  de  forma que  a  isenção  foi  reconhecida  a  partir  da  data  de  expedição  do  laudo  e  os  rendimentos  tributados  de  acordo  com  a  discriminação consta nas Declaração de Rendimentos Pagos e Retenção na Fonte – DIRF.  Na  impugnação,  o  contribuinte  alegou  que  os  rendimentos  do  INSS  são  proventos de aposentadoria isentos em razão de possuir moléstia grave e que os recebidos da  empresa Construcap são inferiores ao limite para retenção na fonte.  O contribuinte foi intimado a apresentar documentação comprobatória de que  apresentou  pedido  de  reconhecimento  da  isenção  do  imposto  de  renda  perante  o  INSS,  bem  como  a  correspondente  decisão,  se  houver,  e,  caso  deferido,  informar  se  a  suspensão  do  imposto de renda já foi procedida pela fonte pagadora e a partir de que data.  Não houve resposta do contribuinte.  A impugnação foi indeferida sob fundamento de que o laudo (fls. 9), datado  de 28/06/2011, tem ilegíveis o carimbo de identificação do serviço médico oficial, emissor do  laudo, bem como o carimbo com os dados  (Nome, CPF, CRM) do médico signatário, o que  impossibilita verificar a existência de vínculo entre o serviço médico oficial e o profissional da  saúde (médico) que o assina.   O  acórdão  ressaltou  que,  nos  sistemas  da  Receita  Federal,  consta,  até  dezembro  de  2011,  pelo menos,  a  fonte  pagadora  INSS não  havia  suspendido  a  retenção  do  imposto.  A  ciência  do  acórdão  ocorreu  em  21/09/2012  e  o  recurso  voluntário  foi  interposto no dia 16/10/2012 .  Na peça recursal, é reiterado o apelo para reconhecimento da isenção e para  reconhecimento da força probante do laudo já apresentado, para tanto junta laudo emitido em  10/10/2012 (fls. 58).  O  processo  foi  distribuído  a  este  Relator,  por  sorteio,  durante  a  sessão  de  agosto de 2014.  É o Relatório.  Voto             Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 09 /10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10640.722673/2011­01  Acórdão n.º 2802­003.194  S2­TE02  Fl. 64          3 Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade,  dele deve­se tomar conhecimento.  É incontroversa a condição de aposentado.  É incontroverso que o laudo de fls. 9, emitido em 28/06/2011, indica a data  do  diagnóstico  da  doença  neoplasia  maligna  (edenocarcinoma  sigmóide)  como  sendo  setembro/2000, e ainda a informação de que a doença é passível de controle, determinando o  prazo de validade do laudo em 10 anos.   Como o laudo foi emitido em 2011, ainda é eficaz.  Novo laudo foi juntado às fls. 58, objetivando suprir as dificuldades de leitura  do primeiro.  Este novo laudo foi emitido em 10/10/2012.  O serviço médico oficial  é o  I.C.E SUS­JF e emitente o Dr. Leonardo José  Vieira.  No mais, ambos os laudos tem o mesmo conteúdo.  Na  busca  da  verdade  material,  este  Relator  pesquisou  a  rede  mundial  de  computadores  no  intuito  de  esclarecimento  sobre  o  que  vem  a  ser  o  ICE  SUS  –  JF,  tendo  encontrado  a  informação  de  que  se  trata  do  Instituto  das  Clínicas  Especializadas,  de  gestão  municipal, portanto Serviço Médico Oficial do Município de Juiz de Fora,  integrado ao SUS  (SOUZA,  Irene  Duarte.  INTEGRALIDADE  DA  ASSISTÊNCIA:  a  narrativa  de  usuários  egressos  de  Unidade  de  Terapia  Intensiva  no  Sistema  Único  de  Saúde.  Disponível  em  http://www.ufjf.br/pgsaudecoletiva/files/2013/03/INTEGRALIDADE­DA­ ASSIST%C3%8ANCIA­a­narrativa­de­usu%C3%A1rios­egressos­de­Unidade­de­Terapia­ Intensiva­n.pdf. Acesso: 15Set.2014).  Portanto,  estão  ultrapassados  os  óbices  apontados  em  primeira  instância  de  julgamento para  reconhecer que os  rendimentos pagos pelo  INSS estão  isentos do  imposto e  devem ser excluídos da base de cálculo.  Já  na  impugnação  o  contribuinte  destacara  a  alegação  sobre  a  isenção  unicamente quanto aos proventos de aposentadoria recebidos do INSS.  Não  foi  apontada essa questão quanto  à omissão de  rendimentos pagos  por  Construcap CCPS Engenharia e Comércio S/A (R$7.932,47, fls. 2).  E  no  recurso  voluntário  não  há  uma  razão  expressa  para  excluí­la  do  lançamento. De todo modo, não poderia ser tida como isenta por falta de comprovação de que  são  rendimentos  de  aposentadoria  ou  pensão,  uma  vez  que  este  é  um  dos  requisitos  para  reconhecimento dessa  isenção, consoante o 6º da Lei n° Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de  1988, com as alterações do art.47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992 e art. 30, § 2º da  Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995.  Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 09 /10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     4  Diante  do  exposto,  deve­se  DAR  PROVIMENTO  PARCIAL  ao  recurso  voluntário para excluir da base de cálculo o valor de R$ 26.861,44(vinte e seis mil, oitocentos e  sessenta  e  um  reais  e  quarenta  e  quatro  centavos)  que  fora  lançado  a  título  de  omissão  de  rendimentos recebidos do INSS, mantendo no mais o lançamento.   (Assinado digitalmente)  Jorge Claudio Duarte Cardoso                                Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 09 /10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO

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5662935 #
Numero do processo: 13971.002497/2002-35
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2000 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. NÃO REGULAMENTAÇÃO DO ART. 3O., PARÁGRAFO 2O., INCISO III, DA LEI 9.718/98. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DE CUSTOS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS. A não regulamentação do artigo 3o , parágrafo 2o., inciso III da Lei 9.718/98, impede o contribuinte de excluir da receita bruta os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica. Os custos decorrentes do pagamento de terceiros subcontratados não se confundem com meros ingressos financeiros, para fins da apuração do PIS. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.751
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1720; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE01  Fl. 11          1 10  S3­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13971.002497/2002­35  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3801­003.751  –  1ª Turma Especial   Sessão de  22 de julho de 2014  Matéria  Contribuição para o PIS/PASEP  Recorrente  CONSTRUTORA HAHNE LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Ano­calendário: 2000  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  PIS.  NÃO  REGULAMENTAÇÃO DO ART.  3O., PARÁGRAFO 2O., INCISO III, DA LEI 9.718/98. IMPOSSIBILIDADE  DE EXCLUSÃO DE CUSTOS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS.  A não regulamentação do artigo 3o , parágrafo 2o., inciso III da Lei 9.718/98,  impede o contribuinte de excluir da receita bruta os valores que, computados  como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica.   Os  custos  decorrentes  do  pagamento  de  terceiros  subcontratados  não  se  confundem com meros ingressos financeiros, para fins da apuração do PIS.  Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)  Flávio de Castro Pontes ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel ­ Relator.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 24 97 /2 00 2- 35 Fl. 435DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 01/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 03 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES     2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani,  Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel,  Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes (Presidente).    Relatório  Por  bem  descrever  os  fatos,  adoto  o  Relatório  da  Delegacia  da  Receita  Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG):  O  interessado  apresentou  pedido  de  restituição  de PIS/Pasep,  relação aos períodos de apuração de 03/1999 a 08/2000 (fls. 01  a 08);  Posteriormente  apresentou  DCOMP's  nas  quais  utiliza  o  crédito  pleiteado  para  compensar  débitos  de  PIS/Pasep  dos  períodos  de  apuração  02/2003  (processo  13971.000723/2003­ 24­anexo),  04  a  072003  (fls.  329  a  344)  e  12/2002  (processo  13971.000146/2003­71­anexo);  A DRF­Blumenau emitiu Despacho Decisório no qual  indefere  o  pedido  de  restituição  e  não  homologa  as  compensações  pleiteadas (fls. 345 a 348);  A empresa apresenta Manifestação de Inconformidade na qual  alega que:  a) o  inciso III, do § 2°, do artigo 3°, da Lei 9.718/98, prevê o  direito de excluir da receita bruta os valores transferidos para  outra pessoa jurídica;  b)  a  não  exclusão  dos  valores  acima,  teria  efeitos  confiscatórios,  desobedecendo  à  razoabilidade,  a  proporcionalidade e a capacidade contributiva do contribuinte;  c)  regulamentos  expedidos  pelo  Poder  Executivo  não  podem  restringir direito conferido por Lei.  Analisando  a  questão,  a  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento em Juiz de Fora entendeu por bem julgar improcedentes as alegações trazidas pelo  contribuinte  em  sua  Manifestação  de  Inconformidade  e  não  homologar  a  compensação  efetuada, nos seguintes termos:   ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Ano­calendário; 1999, 2000  PIS/PASEP  A  exclusão  da  base  de  cálculo,  de  valores  transferidos  a  terceiros, não foi regulamentada até a sua revogação.   PRINCÍPIO  DA  ESTRITA  LEGALIDADE:  A  expedição  de  normas  regulamentadoras  pelo  Executivo  não  se  constitui  violação do Princípio da Estrita Legalidade.   Fl. 436DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 01/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 03 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.002497/2002­35  Acórdão n.º 3801­003.751  S3­TE01  Fl. 12          3 Rest/Ress. Indeferido ­ Comp. não homologada  O  contribuinte  apresentou,  então,  seu  Recurso  Voluntário,  reiterando os  argumentos  já  trazidos  em  sede  de Manifestação  de Inconformidade.   É o Relatório.      Voto             Conselheiro Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel  O  Recurso  foi  apresentado  dentro  do  prazo  legal  e  preenche  os  demais  requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço.  De  todo  o  relatado,  infere­se  que  a  Recorrente  não  se  conforma  em  ser  tributada pelo PIS sobre a receita que repassa a terceiros, subcontratados para a consecução de  serviços em que ela própria, a Recorrente, foi originalmente contratada a prestar.  A questão vai além da não regulamentação do artigo 3o , parágrafo 2o., inciso  III  da  Lei  9.718/98,  que,  realmente,  impediu  os  contribuintes,  de  forma  inequívoca  e  inquestionável,  de excluir  da  receita bruta os valores  que,  computados  como  receita,  tenham  sido  transferidos  para  outra  pessoa  jurídica. A  não  regulamentação  da  norma não  autoriza  o  contribuinte a se apropriar do crédito relativo à contribuição paga sobre toda e qualquer receita  que  tenha  repassado  a  terceiro.  E  tampouco  esse Conselho  tem  a  competência  para  fazer  as  vezes de órgão regulamentador da Lei.  Entretanto, e esse é o ponto que pode ser trazido à discussão, é fato também  que  um  mero  ingresso  financeiro  não  significa  receita  tributável.  Receita  tributável  não  é  calculada  por  meio  da  subtração  das  exclusões  legais  do  valor  da  receita  bruta.  A  receita  tributável  é  a  entrada  definitiva  no  patrimônio  da  pessoa  jurídica,  sobre  o  qual  esta  possui  titularidade  e  disponibilidade,  e  que  lhe  seja  pago  em  decorrência  de  um  negócio  jurídico  inerente à atividade empresarial, ainda que não decorrente do exercício da atividade típica da  pessoa jurídica.   Mas  para  que  seja  segregada  como  receita  própria  ou  receita  de  terceiro,  é  imprescindível  também  que  ela  seja  previamente  identificada  como  receita  de  terceiro.  Se  desde o início da operação não houver como externar a titularidade da receita, todos os valores  recebidos,  mesmo  que  repassados  posteriormente  a  terceiros,  apresentarão  características  de  receita tributável. O repasse posterior a terceiro, nas hipóteses em que não há a identificação de  titularidade,  representará  custo  da  empresa,  e  não  receita  de  terceiro  ou  mero  ingresso  financeiro.  Este Conselho já enfrentou, por diversas vezes, embates em que se procurava  identificar, justamente, se o que estava sendo tributado era a receita própria do contribuinte ou  Fl. 437DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 01/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 03 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES     4 a receita de terceiros. Vale mencionar o caso, no segmento de telefonia, de “roaming”, em que  se decidiu que a operadora telefônica que utiliza a rede de terceiros pode abater da base de     cálculo o valor  repassado pela utilização da  rede  (Acórdão 3401­01.189, da 1a. Turma da 4a.  Câmara da 3a. Seção, DOU 31.08.2011; Acórdão 3401­01.180, da 1a. Turma da 4a. Câmara da  3a. Seção, DOU 31.08.2011; Acórdão CSRF/02­02.223, da 2a. Turma da Câmara Superior de  Recursos  Fiscais,  DOU  06.08.2007).  O  caso  de  “roaming”,  contudo,  é  relativo  a  um  setor  regulamentado, que determina, por lei, a discriminação de “roaming” na fatura de prestação de  serviços, o que denota a transparência necessária que possibilita a identificação da titularidade  da receita e o dimensionamento de seus valores, definidos não só pelos contratantes, mas pela  própria legislação.  Vale mencionar  também a discussão  travada pelas  agências de publicidade,  relativa  aos  ingressos  recebidos  para  remunerar  os  veículos  de  divulgação.  Nestes  casos,  a  contratação das  agências envolve a  criação de material publicitário para posterior divulgação  em veículo de comunicação.  Nos  casos  em  que  a  agência  de  publicidade  é  contratada  para  a  criação  de  material publicitário, com valor pré­ajustado para remuneração do veículo de divulgação e um  valor de comissão para a agência, há julgados deste CARF no sentido de que não deve incidir o  PIS e a COFINS sobre os valores destacados em fatura e que serão repassados aos veículos de  divulgação  (Acórdão  202­17.862,  da  2a.  Câmara  do  2a.  Conselho  de  Contribuintes,  DOU  18.12.2008;  Acórdão  3302­00.962,  da  2a.  Turma  Ordinária  da  3a.  Câmara  da  3a.  Seção,  julgado  em  04.05.2011;  Acórdão  3401­00.401,  da  1a.  Turma  da  4a.  Câmara  da  3a.  Seção,  julgado 16.11.2009).  Porém,  quando  há  a  simples  contratação  da  agência  de  propaganda  sem  nenhuma discriminação de quanto será destinado à remuneração do veículo de divulgação, esse  mesmo  Conselho  entende  que  o  contrato  é  remunerado  de  forma  global,  evidenciando  um  “pacote  fechado”e  os  pagamentos  aos  veículos  de  comunicação  representam  custos,  e  não  meros repasses financeiros.  Os  exemplos  supra  mencionados  trazem  luzes  importantíssimas  para  o  deslinde da questão, muito embora se refiram a setores da economia totalmente distintos entre  si  e do setor de atuação da Recorrente. Mostram a  importância da  transparência para  fins de  determinação  da  incidência  ou  não  da  contribuição. Trazendo  ao  caso  concreto,  se  houvesse  conhecimento, desde o início da contratação, de quanto e a quem será repassada a remuneração  para  a  consecução  dos  serviços  que  compõem  a  prestação  final  ao  contratante,  não  haveria  dúvidas  de  que  esses  ingressos  apenas  transitam  pelo  patrimônio  da  Recorrente,  não  constituindo, portanto, receitas próprias passíveis de tributação pelo PIS.  Ocorre que no setor de construção civil, muito embora seja usual e normal a  subcontratação de serviços para a consecução de um contrato global, é normal e usual também  que a parte contratante do serviço não exija, não se envolva e não se  responsabilize por essa  subcontratação.  Não  se  prevê  nos  contratos  que  determinados  valores  serão  repassados  a  terceiros  subcontratados. O contratante não sabe, desde o  início,  se o valor que é pago a  seu  contratado  é  de  titularidade  deste  ou  apenas  está  transitando  pelo  patrimônio  do  contratado.  Não se trata, portanto, de receita de terceiro, mas de custo posterior do contratado.  Caso os contratos celebrados entre a Recorrente e seus contratantes previssem  a  identificação  dessa  receita,  caso  essa  receita  estivesse  discriminada  em  suas  notas  fiscais,  Fl. 438DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 01/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 03 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.002497/2002­35  Acórdão n.º 3801­003.751  S3­TE01  Fl. 13          5 seria ônus do Recorrente em comprovar a real titularidade (ou não) destas. Não houve qualquer  comprovação neste sentido, diga­se.  Assim, considerando que a não regulamentação do artigo 3o , parágrafo 2o.,  inciso  III  da  Lei  9.718/98,  impede  a  Recorrente  de  excluir  da  receita  bruta  os  valores  que,  computados  como  receita,  tenham  sido  transferidos  para  outra  pessoa  jurídica;  considerando  que este Conselho não tem o poder de criar a norma regulamentadora dessa Lei; considerando  que, no caso, a Recorrente pretende a exclusão de custos, e não de meros ingressos financeiros,  nego provimento ao Recurso Voluntário.  (assinado digitalmente)  Maria  Inês  Caldeira  Pereira  da  Silva  Murgel  ­  Relator                               Fl. 439DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 01/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 03 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES

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5644262 #
Numero do processo: 10820.901008/2008-51
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1801-000.344
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1693; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE01  Fl. 2          1  1  S1­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10820.901008/2008­51  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  1801­000.344  –  1ª Turma Especial  Data  27 de agosto de 2014  Assunto  SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA  Recorrente  CALT CONSTRUÇÕES E PROJETOS LTDA EPP  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.   Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora.  (assinado digitalmente)  Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente   (assinado digitalmente)  Maria de Lourdes Ramirez – Relatora   Participaram  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros:  Maria  de  Lourdes  Ramirez,  Cristiane  Silva  Costa,  Neudson  Cavalcante  Albuquerque,  Alexandre  Fernandes  Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes Wipprich.      RELATÓRIO.  Cuida­se  de  recurso  voluntário  interposto  contra  acórdão  da  5a.  Turma  de  Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto/SP que, por unanimidade de votos, julgou improcedente  a manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que não reconheceu  o direito creditório e não homologou compensações declaradas a ele vinculadas.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 20 .9 01 00 8/ 20 08 -5 1 Fl. 277DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/09/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10820.901008/2008­51  Resolução nº  1801­000.344  S1­TE01  Fl. 3          2  A  interessada  apresentou  PERDCOMP  a  fim  de  compensar  débito  de  IRPJ  apurado pelo Lucro Presumido no 4o. trimestre de 2003, com direito creditório relativo a IRPJ  também pago pelo Lucro Presumido apurado no 4o. trimestre de 2002, no valor de R$ 1.200,12.  Pelo Despacho Decisório de fl. 5 a compensação declarada foi não homologada  porque o DARF que veiculou o pagamento do indébito reclamado teria sido totalmente alocado  a débito declarado em DCTF.  Em  manifestação  de  inconformidade  tempestivamente  apresentada  alegou  a  defesa, em síntese:  a) teria como atividade principal a "Construção Civil Projetos, Administração de  Obras, Fabricação de Artefatos de Cimento para Construção e Prestação de Serviços na Área  de Construção Civil"; b) ao efetuar recolhimentos de impostos por ela devidos, utilizou­se do  percentual de presunção sobre a receita bruta de 32%, quando o correto seria o percentual de  8%,  vez  que  realiza  construção  por  empreitada,  com  emprego  de  materiais  próprios,  em  qualquer quantidade, em conseqüência de mudança de entendimento da Administração Pública  deduzida  no  Ato  Declaratório  Normativo  Cosit  n°  06,  de  13/01/1997,  do  qual  teria  tido  conhecimento no ano de 2003;   c) teria sido orientada a preencher o PERDCOMP e a retificar sua DCTF, mas  que o fato de não  ter efetuado a  retificação  teria  levado a não­homologação da compensação  declarada;  d) solicitou a compensação de IRPJ ­ código de receita ­ 2089, no valor de R$  1.420,46, referente a 4a. quota, com vencimento para o dia 30/04/2004; e que com a aplicação  da alíquota correta, possuiria um crédito no valor de R$ 4.855,45 (31/10/2002).  A Turma Julgadora de 1a. Instância indeferiu o pleito por entender, em resumo,  que  a  empresa,  por  possuir  atividades  diversificadas,  e  sem  apresentar  prova  material  das  atividades exercidas no 4° trimestre de 2002, não poderia reclamar a aplicação do ADN Cosit  n° 6, de 1997, como pretendido, eis que tanto a obrigação tributária devida, como os valores  indevidamente  pagos,  deveriam  vincular­se  a  uma  apuração,  o  que,  no  caso  dos  autos,  não  ocorreu.  Cientificada  da  decisão  em  08/10/2010  apresentou,  em  05/11/2010,  recurso  voluntário.  Aduz  que  a  decisão  recorrida  aceita  que,  na  hipótese  de  exercer  atividades  de  construção por empreitada, como é seu caso, há que ser aplicada a alíquota de 8% e não a de  32% e que a inexistência de prova material do indébito é suprida pela apresentação de:  ­ DCTF original e retificadora;  ­ DIPJ original e retificadora;  ­ contratos firmados no 4o. trimestre de 2002 com a Prefeitura do Município de  Paranapuã/SP  e  com  o  CEFAM  –  Centro  Específico  de  Formação  e  Aperfeiçoamento  do  Magistério  cujos  serviços  se  deram  na  modalidade  de  empreitada  por  preço  global  ­  Notas  Fiscais de Prestação de Serviços;  ­ Notas fiscais de entrada de mercadorias empregadas;  Fl. 278DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/09/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10820.901008/2008­51  Resolução nº  1801­000.344  S1­TE01  Fl. 4          3  Pede, ao final, pelo reconhecimento de seu pleito.  Seguem documentos anexados às fls. 36 a 272.  É o relatório.    VOTO  Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora.  O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento.    Como  se  verifica  do  relato,  a  recorrente  alega  que  teria,  indevidamente,  calculado o Lucro Presumido do 4o. trimestre de 2002 à alíquota de presunção de 32%, quando  o correto  seria a alíquota de 8%,  eis que suas  receitas  são oriundas de prestação serviços de  empreitada  por  preço  global  com  fornecimento  de  mão­de­obra  e  material,  subsumindo­se,  assim, a interpretação veiculada no ADN Cosit n º 6, de 1997.  A  Turma  Julgadora  de  1a.  Instância  indeferiu  o  pleito  por  considerar  que  a  recorrente  não  fizera  prova  documental  de  que  sua  apuração  do  Lucro  Presumido  estaria  submetida ao percentual de 8%.  No  recurso  voluntário  a  recorrente  reafirma  que,  por  engano,  teria  feito  a  apuração  do  LP  ao  percentual  de  32%,  mas  que  o  correto  seria  8%,  à  vista  da  atividade  praticada e, no  intuito de comprovar  sua afirmação,  anexa ao processo mais de 80  folhas de  documentos.  Com efeito, a recorrente trouxe aos autos:  1)  cópia da DCTF original  apresentada  em 13/02/2003, na qual  foi  informado  um  valor  de  IRPJ  devido  no  4o.  trimestre  de  2002,  de  R$  6.953,93  (fl.  62),  que,  segundo  informações do Despacho Decisório,  foi vinculado a um pagamento efetuado por DARF, em  28/02/2003, no valor de R$ 2.540,04;  2)  cópia  da  DCTF  retificadora,  apresentada  em  16/05/2008,  na  qual  foi  informado  como  IRPJ  devido  no  4o.  trimestre  de  2002  de R$  1.738,48,  cujo  pagamento  foi  vinculado a um DARF no mesmo valor do débito. (fl. 75).  3) cópia da DIPJ original, entregue em 30/06/2003, consignando (fl. 114):  Receitas ao percentual de 8% = 0,00   Receitas ao percentual de 32% = 144.873,63   Base de Cálculo Lucro Presumido = R$ 46.359,56   IRPJ sobre o Lucro Presumido = R$ 6.953,93   Fl. 279DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/09/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10820.901008/2008­51  Resolução nº  1801­000.344  S1­TE01  Fl. 5          4  4) cópia da DIPJ retificadora apresentada em 14/05/2008, na qual foi consignada  a seguinte apuração (fl.151):  Receitas ao percentual de 8% = R$ 144.873,63   Receitas ao percentual de 32% = 0,00   Base de Cálculo Lucro Presumido = R$ 11.589,89   IRPJ sobre o Lucro Presumido = R$ 1.738,48   A  recorrente  anexou,  também,  algumas  cópias  de  contratos  de  prestação  de  serviços.   No  contrato  celebrado  entre  a  recorrente  e  a  Associação  de  Pais  e Mestres  –  APM da EE Prefeito José Ribeiro – Cidade de Paranapuã/SP ­ (fl.s 202 e ss do vol. 2) consta  da clausula primeira a previsão da execução do serviço de construção de vestiário e palco, com  fornecimento de todos os materiais, no regime de empreitada por preço global, que de acordo  com memorial  descritivo,  parte  integrante do  contrato,  perfez o valor  total  de R$ 29.886,38,  mas ao contrato foi dado o valor de R$ 37.825,00. O prazo de execução previsto foi de 6 meses  com pagamentos efetuados a cada medição correspondente a 25% da obra. A via do referido  contrato  anexada  aos  autos  não  se  encontra  datada,  mas  na  cópia  da  ART  –  Anotação  de  Responsabilidade Técnica (fl. 210), atinente ao contrato, consta a data de 04/11/2002.  No contrato assinado com a Prefeitura do Município de Estrela D’oeste (fls 217  e  ss)  também  foi  prevista  a  prestação  de  serviços  de  mão  de  obra  especializada  com  fornecimento de material, no regime de execução indireta com empreitada por preço global de  construção de 15 unidades Habitacionais e Melhorias de  Infra­Estrutura Urbana., no valor de  R$ 112.252,95, com prazo de execução de 6 meses – assinado em 18/03/2002.  Em outro contrato celebrado com a Prefeitura do Município de Estrela D’oeste  (fls. 220 e ss) foram estipulados serviços de mão­de­obra especializada, com fornecimento de  material,  sob o  regime de execução  indireta com empreitada por prego global, objetivando a  contratação de empresa  especializada para construção de base para  instalação de balança; no  valor de R$ 17.937,00, com prazo de execução de 90 dias, assinado em 11/06/2002 Há ainda o  contrato celebrado com a Prefeitura Municipal de Jales para “adaptação de piscina e construção  de vestiário”, sob regime de empreitada por preço global no valor de R$ 90.909,05, com prazo  de 180 dias, assinado em 03/05/2002. (fls. 217/219).  Encontram­se anexadas, ainda, cópias de notas fiscais de prestação de serviços  emitidas nos meses de outubro, novembro e dezembro, cujos históricos descrevem “prestação  de serviços e material” (fls. 227 a 234) que totalizam R$ 83.622,56 e cópias de notas fiscais de  entrada de mercadorias supostamente empregadas na execução das obras (fls. 234 e ss).  A recorrente apresentou seu contrato social e diversas alterações (e­fls. 36­56)  Na alteração datada de julho de 1995 o objeto social foi alterado de: construção  civil,  administração  de  imóveis,  compra  e  venda,  incorporação,  loteamento,  projetos  e  fabricação de artefatos de cimento para construção , para "Fabricação de artefatos de cimento  para construção, projetos e prestação de serviços na Área de Construção Civil"  Fl. 280DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/09/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10820.901008/2008­51  Resolução nº  1801­000.344  S1­TE01  Fl. 6          5  Na Alteração Contratual nº 6 (e­fl. 8 e ss) datada de 12/12/2003, o objeto social  da empresa foi alterado para: “Construção civil, projetos, administração de obras, fabricação  de artefatos de cimento para construção e prestação de serviços na Área de construção civil."  Já, na alteração contratual datada de 04/05/2010 (e­fls 36/37) o objeto social da  empresa  passou  a  ser  a  "construção  de  edifícios,  elaboração  de  projetos  de  engenharia,  gerenciamento e execução de obras."  Em que pese todo o esforço da defesa, não foi possível, a partir dos elementos  anexados  aos  autos,  validar  o  valor  da  receita  bruta  declarada,  no  4o.  trimestre  de  2002,  no  valor de R$ 144.873,63.  Por tais razões e, levando em consideração a apresentação de um início de prova  a favor da recorrente, proponho que o presente feito seja encaminhado ao órgão de jurisdição  da recorrente para que, em procedimento de diligência fiscal:  1) seja intimada a recorrente a comprovar que efetuou contabilmente segregação  de suas receitas, no caso de haver atividades diversificadas  2)  seja  auditada  a  escrituração  contábil  e  fiscal  da  empresa,  de modo  a  restar  demonstrado:  2.1) a composição do valor da receita auferida no 4o. trimestre de 2002;  2.2) se o valor da receita auferida no 4o. trimestre de 2002 advém, totalmente, da  prestação de serviços de construção por empreitada a preço global com fornecimento de mão  de obra e materiais, ou se há receitas obtidas com outras atividades.  2.3) se há notas fiscais oriundas de atividade diversa (diversificada)  Ao final dos trabalhos DEVERÁ o agente fiscal encarregado elaborar relatório  circunstanciado  e  conclusivo,  do  qual  deverá  ser  cientificada  a  recorrente  para  aditar  suas  razões  de  defesa,  no  prazo  de  30  dias,  se  assim  o  desejar,  retornando­se,  posteriormente  os  autos, para prosseguimento do julgamento.  (assinado digitalmente)  Maria de Lourdes Ramirez      Fl. 281DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/09/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES

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Numero do processo: 11176.000271/2007-54
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - PROVA DOCUMENTAL - PRECLUSÃO DO DIREITO DO IMPUGNANTE FAZÊ-LO EM MOMENTO PROCESSUAL DIFERENTE DA IMPUGNAÇÃO Nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto 70.235/1972, a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou refira-se a fato ou a direito superveniente ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - DEIXAR DE LANÇAR MENSALMENTE EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE OS FATOS GERADORES, MONTANTE DE QUANTIAS DESCONTADAS, CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA E TOTAIS RECOLHIDOS - INCIDÊNCIA A autuação ocorre por deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2403-002.633
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Daniele Souto Rodrigues e Marcelo Magalhães Peixoto (ausente).
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2227; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T3  Fl. 752          1 751  S2­C4T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11176.000271/2007­54  Recurso nº  999.999   Voluntário  Acórdão nº  2403­002.633  –  4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   Sessão de  16 de julho de 2014  Matéria  CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA  Recorrente  ALGODOEIRA AURORA LTDA   Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005  PREVIDENCIÁRIO  ­  CUSTEIO  ­  PROVA  DOCUMENTAL  ­  PRECLUSÃO  DO  DIREITO  DO  IMPUGNANTE  FAZÊ­LO  EM  MOMENTO PROCESSUAL DIFERENTE DA IMPUGNAÇÃO  Nos  termos  do  art.  16,  §§  4º  e  5º  do  Decreto  70.235/1972,  a  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo  o  direito  de  o  impugnante  fazê­lo  em  outro  momento  processual,  a  menos  que  fique  demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de  força  maior  ou  refira­se  a  fato  ou  a  direito  superveniente  ou  destine­se  a  contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.  PREVIDENCIÁRIO ­ CUSTEIO ­ AUTO DE  INFRAÇÃO ­ DEIXAR DE  LANÇAR  MENSALMENTE  EM  TÍTULOS  PRÓPRIOS  DA  CONTABILIDADE  OS  FATOS  GERADORES,  MONTANTE  DE  QUANTIAS  DESCONTADAS,  CONTRIBUIÇÕES  DA  EMPRESA  E  TOTAIS RECOLHIDOS ­ INCIDÊNCIA  A  autuação  ocorre  por  deixar  a  empresa  de  lançar mensalmente  em  títulos  próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os  fatos geradores de  todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições  da  empresa  e  os  totais  recolhidos,  conforme  previsto  na  Lei  n.  8.212,  de  24.07.91, art. 32,  II, combinado com o art. 225,  II,  e parágrafos 13 a 17 do  Regulamento da Previdência Social  ­ RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048,  de 06.05.99.  Recurso Voluntário Negado        Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 17 6. 00 02 71 /2 00 7- 54 Fl. 752DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI     2     ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar  provimento ao recurso..    Carlos Alberto Mees Stringari ­ Presidente    Paulo Maurício Pinheiro Monteiro ­ Relator    Participaram do  presente  julgamento,  os Conselheiros Carlos Alberto Mees  Stringari,  Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa  Aragão Elvas, Daniele Souto Rodrigues e Marcelo Magalhães Peixoto (ausente).    Fl. 753DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11176.000271/2007­54  Acórdão n.º 2403­002.633  S2­C4T3  Fl. 753          3   Relatório    Trata­se de Recurso Voluntário, às fls. 171 a 189, apresentado contra Decisão  da Delegacia  da Receita  Federal  do Brasil  de  Julgamento  de Curitiba  ­  PR, Acórdão  nº  06­ 15.848  –  7ª  Turma  da  DRJ/CTA,  fls.  162  a  167,  que  julgou  procedente  a  autuação  por  descumprimento  de  obrigação  acessória, Auto  de  Infração  –  AI  nº.  35.941.484­2,  com  valor consolidado de R$ 11.569,42 (onze mil, quinhentos e sessenta e nove reais e quarenta e  dois centavos).  Conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 13, o Auto de Infração – AI nº.  35.941.484­2, Código de Fundamentação Legal – CFL 34, foi lavrado pela Fiscalização contra  a  Recorrente  por  ela  ter  deixado  de  lançar  mensalmente  em  títulos  próprios  de  sua  contabilidade,  de  forma  discriminada,  os  fatos  geradores  de  todas  as  contribuições  previdenciárias,  no  caso,  a  Recorrente  deixou  de  lançar  em  contas  específicas  os  valores  relativos  ao  pagamento  de  pró­labore,  efetuado,  aos  sócios  João  Zampieri  e  Ariovaldo  Zampieri.  Apresenta o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 13:  1) Durante a Auditoria Previdenciária determinada pelo MPF ­  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  n  o  09328433F00,  apresentado  ao  contribuinte  na  pessoa  do  Sr.  João  Zampieri  ­  Presidente ­ em 23/08/2006, juntamente com o TIAD ­ Termo de  Intimação  para  Apresentação  de  Documentos,  efetuamos  o  exame da escrituração contábil da empresa nos seguintes Livros­ Diários:  ­  livro  diário  3  registrado  sob  no  O  0443  em  09/04/2002  na  JUCEPAR referente 2001;  ­  livro  diário  4  registrado  sob  no  1764  em  27/06/2003  na  JUCEPAR referente 2002;  ­ livro diário 5 autenticado sob n o 06/107445­4 em 12/05/2006  na JUCEPAR referente 2003;  ­ livro diário 6 autenticado sob n o 06/107458­6 em 12/05/2006  na JUCEPAR referente 2004;  ­ livro diário 7 autenticado sob n o 06/179234­9 em 31/08/2006  na JUCEPAR referente 2005;  ­ Arquivos digitais da contabilidade de 01/01/2001 a 31/12/2005  com  código  de  identificação  geral  do  arquivo  056053e1­ ffb87627­9d490559­a577019a gerado em 30/08/2006.  Fl. 754DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI     4 2­  Através  dos  documentos  acima,  ficou  constatado  que  a  empresa não lançou em títulos próprios e de forma discriminada  todos os fatos geradores de contribuição previdenciária  , a. Conforme lançamentos verificados nas contas 1100003 ­ C/C  Ariovaldo Zampieri no período de 01/2001 a 12/2004 e 1110003  ­ C/C Ariovaldo Zampieri no período de 01/2005 a 12/2005   b. Conforme lançamentos verificados nas contas 1100004 ­ C/C  João  Zampieri  no  período  de  01/2001  a  12/2004  e  1110002  ­  C/C João Zampieri no período de 01/2005 a 12/2005   A empresa contabilizou nessas contas, que são contas do ativo  circulante,  valores  referentes  a  retirada  de  pró­labore,  devidamente  reconhecida  pela  empresa,  sem,  entretanto,  transitar  pelas  contas  de  despesas,  constando  no  histórico  algumas  vezes  como  retirada  social  e  outras  vezes  como  empréstimo, permanecendo em aberto (sem liquidação).  2.Em  face  do  fato  acima  fica  caracterizada  a  infringência  ao  Art. 32, inciso II, da Lei 8.212/91.  Houve  portanto  o  descumprimento  da  obrigação  legal  acessória,  conforme  previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e §§ 13 a 17  do Regulamento da Previdência Social ­ RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999.  A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991,  arts. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social ­ RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de  06/05/1999, art. 283, inc. II, alínea "a" e art. 373.  Segundo o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fls. 14, a multa aplicada pela  infração praticada é de R$ 11.569,42 (onze mil, quinhentos e sessenta e nove reais e quarenta e  dois centavos).  O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa,  fls. 14, não  registra a existência de  circunstância  agravante,  conforme  a  descrição  do  inciso  V  do  art.  290,  do  Decreto  n°  3.048/1999, além de também não registrar a existência de circunstância atenuante, prevista no  art. 291 do Decreto n° 3.048/1999.  O Relatório Termo  de Encerramento  da Ação  Fiscal  – TEAF  às  fls.  11  a  12,  relaciona o resultado do procedimento fiscal relacionado à Recorrente:  Documento Período Número Data Valor   AI 10/2006 a 10/2006 359414842 18/10/2006 11.569,42  AI 10/2006 a 10/2006 359414770 18/10/2006 598.162,41  NFLD 01/1998 a 12/2005 359414788 18/10/2006 856.376,92  NFLD 05/1996 a 07/2006 359414800 18/10/2006 1.298.364,60  NFLD 05/1996 a 05/2006 359414834 18/10/2006 356.966,49  NFLD 03/1996 a 06/1998 359414850 18/10/2006 46.831,00  Al 10/2006 a 10/2006 359414818 18/10/2006 11.569,42  Fl. 755DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11176.000271/2007­54  Acórdão n.º 2403­002.633  S2­C4T3  Fl. 754          5 AI 10/2006 a 10/2006 359414826 18/10/2006 1.156,95  Desta  forma,  conforme  se depreende da manifestação da  instância  “a quo”,  às  fls.  166,  conexa  ao  presente  auto  de  infração  de  obrigação  acessória,  tem­se  a  NFLD  nº  35.941.478­8:  “(...) Os valores creditados pela empresa como empréstimos, no  ativo  circulante,  foram  amplamente  debatidos  na  NFLD  n°  35.941.478­8,  sendo  considerados  como  pagamentos  de  pró­ labores aos sócios.” (gn)  No  entanto,  registre­se  que  os  autos  do  processo  referente  à  NFLD  nº  35.941.478­8, não foram distribuídos para este Relator.  Outrossim,  retornemos  aos  autos  do  presente  auto  de  infração  de  obrigação  acessória, Auto de Infração – AI nº. 35.941.484­2  O  período  de  apuração,  de  acordo  com  o Mandado  de Procedimento  Fiscal  –  MPF nº 09328433F00, foi de 01/1996 a 11/2006, às fls. 06.  O  período  objeto  do  Auto  de  Infração,  conforme  o  Relatório  Fiscal  da  Infração, às fls. 13, é de 01/2001 a 12/2005.  A Recorrente teve ciência do Auto de Infração no dia 18.10.2006, às fls. 01.  A Recorrente apresentou impugnação tempestiva, às fls. 132 a 147, com Anexos  às fls. 148 a 155.  A instância “a quo” analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a  autuação,  fls.  162  a  167,  conforme  a  Ementa  do  Acórdão  nº  06­15.848  –  7ª  Turma  da  DRJ/CTA a seguir:  ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Período de Apuração: 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005  DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.  O  prazo  para  o  lançamento  da  multa  por  descumprimento  de  obrigação  acessória  respeita  o  prazo  da  obrigação  principal,  que é de 10 anos.  DESCUMPRIMENTO  DE  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA.  TÍTULOS PRÓPRIOS.  Constitui  infração a empresa deixar de  lançar mensalmente em  títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os  fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.  Lançamento Procedente  Inconformada com a decisão da Recorrida, a Recorrente apresentou Recurso  Voluntário tempestivo, às fls. 171 a 189, onde alega, em apertada síntese, que:  Fl. 756DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI     6 Em sede Preliminar:  (i)  Da  decadência  parcial  deste  AI  em  função  da  inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da lei 8.212/1991, o que  enseja a aplicação dos dispositivos do CTN,  em especial o art.  150,  §  4º,  CTN  o  que  faz  decair  a  autuação  anterior  a  18.10.2001.  No Mérito:  (ii) Da improcedência do lançamento.  Primeiramente, cumpre salientar que o inciso II, do artigo 32, da  Lei  n°  8.212/91,  indicado  como  fundamentação  legal  para  a  autuação,  in  casu,  a  recorrente  não  poderia  lançar  tais  informações  simplesmente  porque  não  ocorreram  os  fatos  geradores  indicados  pelo  INSS.  Em  momento  algum  deixou  a  recorrente  de  cumprir  suas  obrigações  formais  como  o  INSS,  todavia,  como poderia  informar dados que não considera  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária?  A  hipótese  é  descabida.  (iii) Da relevação e/ou atenuação da multa  Ademais,  caso  venha  a  ser  tida  como  procedente  a  suposta  exigibilidade  das  contribuições  previdenciárias  lançadas  na  NFLD, o que só se admite para argumentar, determina o artigo  291, § 1°, do Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999. Ou seja,  estão  expressamente  balizadas,  pelo  supratranscrito  dispositivo  regulamentar,  as  condicionantes  para  que,  no  caso  em  exame,  seja  relevada,  ou,  subsidiariamente,  atenuada,  a  penalidade  aplicada à recorrente, quais sejam: a primariedade, a correção  da falta e a inexistência de circunstância agravante (para fins de  relevar­se), ou a correção da falta até o proferimento de decisão  nela autoridade julgadora competente (para fins de atenuação),  respectivamente.  (iv) Dos fatos geradores.  Cabe acrescentar, por fim, que os fatos geradores considerados  como  não  lançados  pela  Fiscalização  Previdenciária,  in  casu,  tratam  de  "diferenças  de  pagamentos  de  remunerações  a  contribuintes  individuais  (sócios)  consideradas  como  retiradas  de pró­labore apuradas por aferição indireta".  Todavia,  ao  contrário  do  relatado,  tais  retiradas  não  se  constituem fato gerador da obrigação  tributária  lançada, como  adiante se explica.   Tais valores,  considerados pela  fiscalização como "pro  labore"  foram extraídos do "conta­corrente" que detém os sócios com a  empresa,  onde  foram  contabilizados  majoritariamente  empréstimos concedidos pela empresa. Não há como confundir,  ou  distorcer,  esses  fatos  para  fazer  incidir  a  contribuição  lançada.  Destarte que,  a pretensão da autarquia somente poderá  incidir  sobre  folha  de  salários  ou  lucro  e,  após  a  edição  da  Lei  Complementar n° 84/1996 sobre a remuneração de autônomos e  Fl. 757DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11176.000271/2007­54  Acórdão n.º 2403­002.633  S2­C4T3  Fl. 755          7 avulsos;  movimentação  econômica  e  realidade  econômico­ financeira são aspectos que não guardam  relação com a base  de  cálculo  da  contribuição  ora  exigida,  e  é  justamente  sobre  isso que está ilegalmente incidindo a contribuição cobrada sobre  os  empréstimos  feitos  pelos  sócios  JOÃO  ZAMPIERI  e  ARIOVALDO ZAMPIERI da recorrente.  Não  podendo  o  empréstimo  ser  caracterizado  como  salário  ou  qualquer remuneração diversa, não se presta para a  incidência  da  contribuição  previdenciária,  porquanto  inocorrente  o  fato  gerador da obrigação tributária.  Posteriormente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Curitiba, às fls.  190,  informou que a Recorrente apresentou Recurso Voluntário  tempestivo e encaminhou ao  Conselho os autos para análise e decisão.  Esta Colenda Turma de Julgamento, na Sessão de 07.06.2011, com a presença  dos  Conselheiros  Carlos  Alberto  Mees  Stringari,  Ivacir  Júlio  de  Souza,  Paulo  Maurício  Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Jhonatas  Ribeiro da Silva (suplente), converteu o processo em Diligência, nestes termos:  "(...)  converter  o  processo  em  diligência,  para  fins  de  saneamento,  de  modo  que  a  autoridade  fiscal  competente  pelo  lançamento deste AIOA disponibilize, em um Relatório Fiscal da  Infração  Complementar:  (a)  os  fatos  geradores  das  contribuições  sociais  previdenciárias  considerados  quando  da  lavratura da NFLD conexa, qual seja, a NFLD nº 35.941.478­8;  (b) a fundamentação para que se caracterize como pró­labores,  conseqüentemente  fatos  geradores  de  contribuições  sociais  previdenciárias,  os  valores de retirada  social e de  empréstimo;  (c) a relação dos valores de retirada social e de empréstimo que  foram considerados como pró­labores;  (d) se houve a hipótese,  com  a  fundamentação,  de  valores  de  retirada  social  e  de  empréstimo que, porventura, não foram considerados como pró­ labores."  Em cumprimento à Diligência Fiscal,  a Auditoria­Fiscal emitiu o Termo de  Intimação  Fiscal  001/2013,  às  fls.  248  a  255,  para  que  o  contribuinte  apresentasse  os  documentos relacionados às contas 1100003 ­ C/C ARIOVALDO ZAMPIERI e conta 1100004  ­  C/C  JOÃO  ZAMPIERI  (01/2001  a  12/2004)  e  conta  1100002  ­  C/C  JOÃO  ZAMPIERI  (01/2005 a 12/2005).  Em  resposta  ao  Termo  de  Intimação  Fiscal,  o  contribuinte  emitiu  Manifestação, colacionando os seguintes documentos:  1 ­ Manifestação da empresa   2 ­ Contratos Empréstimos:  João Zampieri, anos 2001 a 2005.  Ariovaldo Vandrei Zampieri, anos 2001 a 2005.  3 ­ Contrato social e alterações.  Fl. 758DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI     8 4  ­ Comprovante  de  residência, CPF  e RG,  dos  representantes  legais e contador  Na Manifestação da empresa, o contribuinte assim argumenta, em síntese:  A  diligência  fiscal  efetuou  a  classificação  dos  valores  contabilizados  nas  CONTAS  1100002,  1100003  e  1100004,  considerando  parte  dos  lançamentos  como  PRO­LABORE,  SERVIÇOS  PRESTADOS  POR  PESSOA  FÍSICA  e  OUTROS,  desconsiderando  os  empréstimos  efetivamente  efetuados  pela  empresa aos seus sócios.  Reitera­se, contudo, que ao contrário do relatado, tais retiradas  não se constituem fato gerador da obrigação tributária lançada,  como adiante se explica.  Tais valores, considerados pela fiscalização como "pro labore"  foram extraídos do "conta­corrente" que detém os sócios com a  empresa,  onde  foram  contabilizados  majoritariamente  empréstimos concedidos pela empresa. Não há como confundir,  ou  distorcer,  esses  fatos  para  fazer  incidir  a  contribuição  lançada.  Por  oportuno,  a  contribuinte  traz  aos  autos  as  cópias  dos  contratos  de  empréstimo,  os  quais  não  foram  juntados  anteriormente por um lapso seu.  Com efeito, quando a Constituição outorgou competência para o  INSS  cobrar  a  contribuição  com  base  na  folha  de  salários,  restringiu  a  incidência  à  folha  de  salários,  nada  mais.  Desnecessário,  aliás,  maiores  digressões  sobre  o  assunto,  uma  vez que foi necessária a edição de Lei Complementar na  forma  do  parágrafo  4o  do  mencionado  artigo  para  possibilitar  a  exigência  da  contribuição  sobre  a  remuneração  de  avulsos,  autônomos e administradores.  Destarte que,  a pretensão da autarquia somente poderá  incidir  sobre  folha  de  salários  ou  lucro  e,  após  a  edição  da  Lei  Complementar n° 84/1996 sobre a remuneração de autônomos e  avulsos;  movimentação  econômica  e  realidade  econômico­ financeira são aspectos que não guardam  relação com a base  de  cálculo  da  contribuição  ora  exigida,  e  c  justamente  sobre  isso que está ilegalmente incidindo a contribuição cobrada sobre  os  empréstimos  feitos  pelos  sócios  JOÃO  ZAMPIERI  e  ARIOVALDO ZAMPIERI da recorrente.  (...)  Não  podendo  o  empréstimo  ser  caracterizado  como  salário  ou  qualquer remuneração diversa, não se presta para a  incidência  da  contribuição  previdenciária,  porquanto  inocorrente  o  fato  gerador da obrigação tributária.  Se  por  uma  falha  tais  empréstimos  não  foram  devidamente  registrados,  a  recorrente  corrigiu  a  falha  apresentando­os  devidamente  formalizados anexos à  respectiva defesa da NFLD  n°  35.941.478­8  (processo  administrativo  fiscal  n°  11176.000277/2007­21).  Fl. 759DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11176.000271/2007­54  Acórdão n.º 2403­002.633  S2­C4T3  Fl. 756          9 Sendo  improcedentes  os  fatos  geradores  que  deveriam  ter  sido  lançados  na  contabilidade  da  recorrente,  igualmente  é  improcedente  a  multa  aplicada,  merecendo  ser  revista  e,  conseqüentemente, cancelada.    Concluída a Diligência, os autos foram encaminhados ao CARF.    É o Relatório.    Fl. 760DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI     10   Voto             Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator    PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE  O recurso foi interposto tempestivamente, conforme fls. 190 e o contribuinte,  intimado da Diligência Fiscal, apresentou Manifestação.    Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito.    DAS QUESTÕES PRELIMINARES    (i) DA DECADÊNCIA  A recorrente alega a decadência da parte da obrigação acessória compreendida  até  a  competência  09/2001,  inclusive,  nos  termos  do  art.  150,  §  4º,  CTN,  com  a  redução  proporcional da multa.  Cumpre  resgatar  que  a  recorrente  foi  cientificada  do Auto  de  Infração  no  dia  18.10.2006, às  fls. 01, e que o Auto de  Infração se  refere  ao período de 01/2001 a 12/2005,  conforme o Relatório Fiscal do Auto de Infração, fls. 13.  Ainda assim, a autuação foi  lavrada devido a Recorrente  ter deixado de lançar  mensalmente  em  títulos  próprios  de  sua  contabilidade,  de  forma  discriminada,  os  fatos  geradores de todas as contribuições previdenciárias, no caso, a Recorrente deixou de lançar em  contas específicas os valores relativos ao pagamento de pró­labore, efetuado, aos sócios João  Zampieri e Ariovaldo Zampieri.  A  Recorrente  descumprindo,  assim,  obrigação  legal  acessória,  conforme  previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e §§ 13 a 17  do Regulamento da Previdência Social ­ RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999.  Para este tipo de infração, Código de Fundamentação Legal – CFL nº. 34, o  valor  da multa  é  único,  com  base  na  Portaria MPS  n°  342,  de  16.08.2006,  aos  valores  da  época, R$ 11.569,42 (onze mil, quinhentos e sessenta e nove reais e quarenta e dois centavos),  sendo que não há mitigação da multa por ocorrências.  Ou  seja,  basta  apenas  uma  única  ocorrência  da  infração  em  uma  competência  para  que  seja  efetivado  o  descumprimento  da  obrigação  acessória,  desde  que  aquela  competência ainda não esteja decadente, nos termos da Súmula Vinculante nº 8, do Supremo  Tribunal Federal, e do Código Tributário Nacional.  Fl. 761DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11176.000271/2007­54  Acórdão n.º 2403­002.633  S2­C4T3  Fl. 757          11 Ora, se a recorrente foi cientificada do Auto de Infração no dia 18.10.2006, e o  Auto de Infração se refere ao período de 01/2001 a 12/2005, desta forma restou evidente que  em  função  de  apenas  uma  única  competência,  por  exemplo,  12/2005,  não  decadente  por  quaisquer  dos  critérios  adotados  no  Código  Tributário  Nacional.  ter  sido  efetivado  o  descumprimento da obrigação acessória.  Desta forma, não prospera a alegação da recorrente no sentido de que houve a  decadência parcial da obrigação acessória em questão.    DO MÉRITO    (ii) Da improcedência do lançamento.  (iv) Dos fatos geradores.  Analisemos os itens (ii) e (iv) conjuntamente.    DO CONEXO PROCESSO PRINCIPAL  Conforme  acesso  ao  sistema  RFB/PGFN/CARF  E­PROCESSO,  em  07.07.2014,  o  conexo  processo  principal  nº  11176.000277/200721,  relativo  à  NFLD  nº  35.941.478­8,  teve  o  Recurso  Voluntário  julgado  em  10.07.2012,  com  a  seguinte  Ementa  proferida no Acórdão 2401­02.544 ­ 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária ­ Relator Marcelo Freitas  de Souza Costa:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS   Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2005   PREVIDENCIÁRIO  CUSTEIO  OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL  DECADÊNCIA  ARTS  45  E  46  LEI  Nº  8.212/1991  INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De  acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e  46  da  Lei  nº  8.212/1991  são  inconstitucionais,  devendo  prevalecer,  no  que  tange  à  decadência  e  prescrição,  as  disposições do Código Tributário Nacional. Nos  termos do art.  103A  da  Constituição  Federal,  as  Súmulas  Vinculantes  aprovadas  pelo  Supremo  Tribunal  Federal,  a  partir  de  sua  publicação  na  imprensa  oficial,  terão  efeito  vinculante  em  relação  aos  demais  órgãos  do  Poder  Judiciário  e  à  administração  pública  direta  e  indireta,  nas  esferas  federal,  estadual e municipal. Decadência com base no art. 150, § 4º do  CTN.  REMUNERAÇÕES  DE  SEGURADOS  CONTRIBUINTES  INDIVIDUAIS  ­  PRÓ  LABORE  Sobre  as  remunerações  pagas,  creditadas  ou  devidas  aos  segurados  contribuintes  individuais  incidem contribuições previdenciárias.  Fl. 762DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI     12 Recurso Voluntário Provido em Parte.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos:  I)  declarar  a  decadência  até  a  competência  09/2001;  e  II)  no  mérito, negar provimento ao recurso.  Observa­se  que  no Mérito,  a  decisão  do  CARF manteve  a  procedência  da  autuação fiscal pois a Recorrente não trouxe qualquer comprovação fática dos argumentos:  No  mérito  o  recorrente  reitera  os  mesmos  argumentos  apresentados  na  defesa,  de  que  os  valores  lançados  no  conta  corrente  da  empresa  feito  aos  sócios,  tratam­se  na  verdade  de  empréstimos.  Embora  alegue  esta  tese,  a  empresa  não  trouxe  aos  autos  qualquer comprovação  fática de seus argumentos. Não houve a  demonstração de que tais valores seriam objeto de empréstimo,  como  por  exemplo,  contratos,  quitação  dos  referidos  empréstimos  ou  outros  documentos  que  corroborassem  com  as  afirmações recursais.  Desta  forma,  correto  o  entendimento  fiscal  em  considerar  tais  valores como uma retirada dos sócios, ou seja, pró­labore e que,  assim  sendo,  estão  sujeitos  à  incidência  de  contribuições  previdenciárias.  Ante  ao  exposto,  Voto  no  sentido  de  Conhecer  do  Recurso,  acolher  a  preliminar  de  decadência  parcial  para  que  sejam  excluídos  do  levantamento  todos  os  fatos  geradores  até  a  competência 09/2001 e no mérito negar­lhe provimento.  Observa­se  ainda  que  há  Recurso  Especial  da  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional questionando o critério de decadencial aplicado.    DOS  ELEMENTOS  FÁTICOS  APRESENTADOS  PELA  RECORRENTE EM SEDE DE MANIFESTAÇÃO   Nos termos do art. 16, § 4º do Decreto 70235/1972, a prova documental deve  ser apresentada em sede de Impugnação a fim de se evitar a preclusão diante da apresentação  em outro momento processual. A apresentação de prova documental após a impugnação deverá  ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos,  a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo quarto:  Art. 16. A impugnação mencionará:   I ­ a autoridade julgadora a quem é dirigida;   II ­ a qualificação do impugnante;  III  ­  os motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  os  pontos  de  discordância  e  as  razões  e  provas  que  possuir;  (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)   IV  ­  as  diligências,  ou  perícias  que  o  impugnante  pretenda  sejam efetuadas, expostos os motivos que as  justifiquem, com a  formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim  Fl. 763DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11176.000271/2007­54  Acórdão n.º 2403­002.633  S2­C4T3  Fl. 758          13 como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação  profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de  1993)   V ­ se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial,  devendo  ser  juntada  cópia  da  petição.  (Incluído  pela  Lei  nº  11.196, de 2005)  (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação,  precluindo  o  direito  de  o  impugnante  fazê­lo  em  outro  momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532,  de 1997) (Produção de efeito)   a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532,  de 1997) (Produção de efeito)   b) refira­se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei  nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito)   c)  destine­se  a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente  trazidas  aos  autos.(Incluído  pela  Lei  nº  9.532,  de  1997)  (Produção de efeito)   § 5º A juntada de documentos após a  impugnação deverá ser  requerida à autoridade  julgadora, mediante petição  em que  se  demonstre,  com  fundamentos,  a  ocorrência  de  uma  das  condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído  pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito)  Em cumprimento à Diligência Fiscal, a Auditoria­Fiscal emitiu o Termo de  Intimação  Fiscal  001/2013,  às  fls.  248  a  255,  para  que  o  contribuinte  apresentasse  os  documentos relacionados às contas 1100003 ­ C/C ARIOVALDO ZAMPIERI e conta 1100004  ­  C/C  JOÃO  ZAMPIERI  (01/2001  a  12/2004)  e  conta  1100002  ­  C/C  JOÃO  ZAMPIERI  (01/2005 a 12/2005).  Em  resposta  ao  Termo  de  Intimação  Fiscal,  o  contribuinte  emitiu  Manifestação, colacionando os seguintes documentos:  1 ­ Manifestação da empresa   2 ­ Contratos Empréstimos:  João Zampieri, anos 2001 a 2005.  Ariovaldo Vandrei Zampieri, anos 2001 a 2005.  3 ­ Contrato social e alterações.  4  ­ Comprovante  de  residência, CPF  e RG,  dos  representantes  legais e contador  O  contribuinte  em  sua  Manifestação,  às  fls.  406  e  407,  aduz  que  não  apresentou as provas documentais relativas aos empréstimos devido a um lapso seu e que  os empréstimos foram registrados e formalizados no conexo processo principal:   Fl. 764DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI     14 Por  oportuno,  a  contribuinte  traz  aos  autos  as  cópias  dos  contratos  de  empréstimo,  os  quais  não  foram  juntados  anteriormente por um lapso seu.  (...)  Se por uma  falha  tais  empréstimos não  foram devidamente  registrados,  a  recorrente  corrigiu  a  falha  apresentando­os  devidamente formalizados anexos à respectiva defesa da NFLD  n°  35.941.478­8  (processo  administrativo  fiscal  n°  11176.000277/2007­21).  Ora,  diante  do  preceituado  pelo  art.  16,  §  5º  do  Decreto  70.235/1972,  percebe­se que não atendidas  as  alíneas do  art.  16,  § 4º do Decreto 70.235/1972 em prol da  apresentação da prova documental em outro momento processual que não o da Impugnação.  Outrossim, em que pese a Recorrente ter afirmado que corrigiu a falha com a  apresentação  devidamente  formalizada  anexa  à  respectiva  defesa  da  NFLD  n°  35.941.478­8  (processo  administrativo  fiscal  n°  11176.000277/2007­21),  tem­se  que  a  decisão  de  segunda  instância administrativa proferida pelo CARF, proferida no Acórdão 2401­02.544 considerou  que a Recorrente não apresentou documentos comprobatórios de suas alegações.  Portanto,  considero  que  a  prova  documental  apresentada  em  sede  de  manifestação  não  atende  o  disposto  no  art.  16,  §  5º  do Decreto  70.235/1972,  de modo  que  concluo  pela  preclusão  da  apresentação  da  prova  documental  no  momento  processual  de  Manifestação do contribuinte após a intimação acerca da Diligência Fiscal..  Ou  seja,  em  função  da  falta  de  comprovação  fática  válida  dos  argumentos  trazidos  pela  Recorrente,  considero  então  correto  o  entendimento  da  Auditoria­Fiscal  em  considerar  como  sujeitos  à  incidência  de  contribuição  social  previdenciária  a  retirada  dos  sócios, ou seja pró­labore, os empréstimos feitos pelo contribuinte aos sócios.  Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente.    (iii) Da relevação e/ou atenuação da multa  Analisemos.  Em  relação  à  relevação  e  ou  atenuação  das  multas,  deve­se  observar  o  disposto no art. 291 do Decreto 3.048/1999, com a redação à época dos fatos geradores:  Art.291.  Constitui  circunstância  atenuante  da  penalidade  aplicada  ter  o  infrator  corrigido  a  falta  até  a  decisão  da  autoridade julgadora competente.    §1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de  defesa,  ainda  que  não  contestada  a  infração,  se  o  infrator  for  primário,  tiver  corrigido  a  falta  e  não  tiver  ocorrido  nenhuma  circunstância agravante.   §2º  O  disposto  no  parágrafo  anterior  não  se  aplica  à  multa  prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta  ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou  outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento.  Fl. 765DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11176.000271/2007­54  Acórdão n.º 2403­002.633  S2­C4T3  Fl. 759          15  §3º  A  autoridade  que  atenuar  ou  relevar  multa  recorrerá  de  ofício  para  a  autoridade  hierarquicamente  superior,  de  acordo  com o disposto no art. 366.  Ora,  não  há  nos  autos  qualquer  comprovação  fática  válida  de  que  a  Recorrente  tenha  corrigido  a  falta,  inclusive  nos  autos  do  conexo  processo  principal  não  há  evidência de que o  contribuinte  tenha  feito prova de  ter  corrigido  a  situação dos pró­labores  pela descaracterização dos empréstimos feitos aos sócios.  Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente.      CONCLUSÃO    Voto  no  sentido  de  CONHECER  do  recurso,  para  NEGAR­LHE  PROVIMENTO.      É como voto.      Paulo Maurício Pinheiro Monteiro                               Fl. 766DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI

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Numero do processo: 15586.001451/2009-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2007 NORMAS GERAIS. RETROATIVIDADE BENIGNA. DETERMINAÇÃO LEGAL. CTN. APLICAÇÃO. O Código Tributário Nacional (CTN) determina, em seu Art. 106, que a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando deixe de defini-lo como infração; quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.. Portanto, como no presente caso, a aplicação da retroatividade benigna, exposta na determinação legal acima, não é uma questão de se conhecer de ofício ou não, mas sim de cumprimento de mandamento legal, obrigando a análise pelo julgador. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, deve-se comparar as penalidades sofridas, a(s) antiga(s) em comparação com a(s) determinada(s) pela nova legislação, o que não ocorreu, motivo do provimento do recurso. TEMPESTIVIDADE Após ciência da decisão de piso, tem-se o trintídio para interposição do recurso, como ocorreu no caso em tela, já que o trigésimo dia ‘caiu’ no dia 21.ABR.2010 (feriado nacional). DA INADEQUAÇÃO DA BASE DE CALCULO PRESUMIDA Quanto há alegação de erros de cálculo perpetrado pela Fiscalização, há a Recorrente de demonstrar os pontos nodais caracterizadores dos ditos erros. Não se pode ater a negativa genérica. E quando alega que a base de cálculo utilizada em determinadas competências não corresponde à realidade dos fatos, uma vez que foi presumida sem qualquer prova documental, deve ater ao fato de o relatório fiscal que descreveu os documentos que serviram, conforme ocorreu no caso em tela. DA PRESUNÇÃO SUBJETIVA E O PRINCIPIO DA VERDADE MATERIAL, PUGNANDO PELA PROCEDÊNCIA DO MESMO Não houve no presente caso desconsideração das provas juntadas pela Recorrente. Ao contrário, a impugnação apresentada não foi acompanhada de provas suficientes que ensejassem tais modificações, ou seja, foram meras alegações. Despiciendo é embasar todo o procedimento fiscal, que, como alhures dito, diante da insuficiência de documento apresentado, seguiu a legislação, onde determina a medida adotada, ou seja, aferição indireta.
Numero da decisão: 2301-003.876
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em conhece de ofício na questão da retificação da multa, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa e Bernadete de Oliveira Barros, que votaram em não conhecer da questão; II) Por voto de qualidade: em manter a multa aplicada, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Fábio Pallaretti Calcini, Wilson Antônio de Souza Correa e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Marcelo Oliveira. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA – Presidente/Redator Designado (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, FABIO PALLARETTI CALCINI.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2007 NORMAS GERAIS. RETROATIVIDADE BENIGNA. DETERMINAÇÃO LEGAL. CTN. APLICAÇÃO. O Código Tributário Nacional (CTN) determina, em seu Art. 106, que a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando deixe de defini-lo como infração; quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.. Portanto, como no presente caso, a aplicação da retroatividade benigna, exposta na determinação legal acima, não é uma questão de se conhecer de ofício ou não, mas sim de cumprimento de mandamento legal, obrigando a análise pelo julgador. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, deve-se comparar as penalidades sofridas, a(s) antiga(s) em comparação com a(s) determinada(s) pela nova legislação, o que não ocorreu, motivo do provimento do recurso. TEMPESTIVIDADE Após ciência da decisão de piso, tem-se o trintídio para interposição do recurso, como ocorreu no caso em tela, já que o trigésimo dia ‘caiu’ no dia 21.ABR.2010 (feriado nacional). DA INADEQUAÇÃO DA BASE DE CALCULO PRESUMIDA Quanto há alegação de erros de cálculo perpetrado pela Fiscalização, há a Recorrente de demonstrar os pontos nodais caracterizadores dos ditos erros. Não se pode ater a negativa genérica. E quando alega que a base de cálculo utilizada em determinadas competências não corresponde à realidade dos fatos, uma vez que foi presumida sem qualquer prova documental, deve ater ao fato de o relatório fiscal que descreveu os documentos que serviram, conforme ocorreu no caso em tela. DA PRESUNÇÃO SUBJETIVA E O PRINCIPIO DA VERDADE MATERIAL, PUGNANDO PELA PROCEDÊNCIA DO MESMO Não houve no presente caso desconsideração das provas juntadas pela Recorrente. Ao contrário, a impugnação apresentada não foi acompanhada de provas suficientes que ensejassem tais modificações, ou seja, foram meras alegações. Despiciendo é embasar todo o procedimento fiscal, que, como alhures dito, diante da insuficiência de documento apresentado, seguiu a legislação, onde determina a medida adotada, ou seja, aferição indireta.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em conhece de ofício na questão da retificação da multa, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa e Bernadete de Oliveira Barros, que votaram em não conhecer da questão; II) Por voto de qualidade: em manter a multa aplicada, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Fábio Pallaretti Calcini, Wilson Antônio de Souza Correa e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Marcelo Oliveira. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA – Presidente/Redator Designado (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, FABIO PALLARETTI CALCINI.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2250; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T1  Fl. 2          1 1  S2­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15586.001451/2009­44  Recurso nº  .   Voluntário  Acórdão nº  2301­003.876  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  22 de janeiro de 2014  Matéria  CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA  Recorrente  AMERICAN GLOBAL GRANITES S.A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2007  NORMAS  GERAIS.  RETROATIVIDADE  BENIGNA.  DETERMINAÇÃO LEGAL. CTN. APLICAÇÃO.  O Código Tributário Nacional  (CTN) determina, em seu Art. 106, que a  lei  aplica­se  a  ato  ou  fato  pretérito,  tratando­se  de  ato  não  definitivamente  julgado, quando deixe de defini­lo  como  infração; quando deixe de  tratá­lo  como  contrário  a  qualquer  exigência  de  ação  ou  omissão,  desde  que  não  tenha  sido  fraudulento  e  não  tenha  implicado  em  falta  de  pagamento  de  tributo;  quando  lhe  comine  penalidade menos  severa  que  a  prevista  na  lei  vigente ao tempo da sua prática..  Portanto,  como  no  presente  caso,  a  aplicação  da  retroatividade  benigna,  exposta na determinação  legal acima, não é uma questão de se conhecer de  ofício ou não, mas  sim de  cumprimento de mandamento  legal,  obrigando a  análise pelo julgador.  PRINCÍPIO  DA  RETROATIVIDADE  BENÉFICA.  ATO  NÃO  DEFINITIVAMENTE  JULGADO.  NATUREZA  JURÍDICA.  PENALIDADE. IDENTIDADE.  Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a  lei aplica­ se  a  ato  ou  fato  pretérito,  tratando­se  de  ato  não  definitivamente  julgado,  quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao  tempo da sua prática.  No  caso,  para  aplicação  da  regra  expressa  no  CTN,  deve­se  comparar  as  penalidades sofridas, a(s) antiga(s) em comparação com a(s) determinada(s)  pela nova legislação, o que não ocorreu, motivo do provimento do recurso.  TEMPESTIVIDADE     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 14 51 /2 00 9- 44 Fl. 609DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA     2 Após  ciência  da  decisão  de  piso,  tem­se  o  trintídio  para  interposição  do  recurso, como ocorreu no caso em tela,  já que o trigésimo dia ‘caiu’ no dia  21.ABR.2010 (feriado nacional).  DA INADEQUAÇÃO DA BASE DE CALCULO PRESUMIDA  Quanto  há  alegação  de  erros  de  cálculo  perpetrado  pela  Fiscalização,  há  a  Recorrente de demonstrar os pontos nodais caracterizadores dos ditos erros.  Não se pode ater a negativa genérica.  E  quando  alega  que  a  base  de  cálculo  utilizada  em  determinadas  competências  não  corresponde  à  realidade  dos  fatos,  uma  vez  que  foi  presumida sem qualquer prova documental, deve ater ao  fato de o  relatório  fiscal que descreveu os documentos que serviram, conforme ocorreu no caso  em tela.  DA  PRESUNÇÃO  SUBJETIVA  E  O  PRINCIPIO  DA  VERDADE  MATERIAL, PUGNANDO PELA PROCEDÊNCIA DO MESMO  Não  houve  no  presente  caso  desconsideração  das  provas  juntadas  pela  Recorrente. Ao contrário, a impugnação apresentada não foi acompanhada de  provas  suficientes  que  ensejassem  tais  modificações,  ou  seja,  foram meras  alegações.   Despiciendo é embasar  todo o procedimento  fiscal, que, como alhures dito,  diante da insuficiência de documento apresentado, seguiu a legislação, onde  determina a medida adotada, ou seja, aferição indireta.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  do  colegiado:  I)  Por  maioria  de  votos:  a)  em  conhece de ofício na questão da retificação da multa, nos termos do voto do Redator. Vencidos  os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa e Bernadete de Oliveira Barros, que votaram  em não conhecer da questão; II) Por voto de qualidade: em manter a multa aplicada, nos termos  do  voto  do  Redator.  Vencidos  os  Conselheiros  Fábio  Pallaretti  Calcini, Wilson  Antônio  de  Souza  Correa  e Manoel  Coelho  Arruda  Júnior,  que  votaram  em  dar  provimento  parcial  ao  Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996;  III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da  Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Marcelo Oliveira.   (assinado digitalmente)  MARCELO OLIVEIRA – Presidente/Redator Designado  (assinado digitalmente)  WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  MARCELO  OLIVEIRA  (Presidente),  WILSON  ANTONIO  DE  SOUZA  CORREA,  LUCIANA  DE  SOUZA ESPINDOLA REIS, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, MANOEL COELHO  ARRUDA  JUNIOR,  FABIO  PALLARETTI  CALCINI.  Fl. 610DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 15586.001451/2009­44  Acórdão n.º 2301­003.876  S2­C3T1  Fl. 3          3 Relatório  Trata­se  de  Auto  de  Infração  que  trata  das  contribuições  previdenciárias,  parte  patronal,  incidentes  sobre  a  remuneração  de  empregados,  e  as  destinadas  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, cujas contribuições foram  apuradas  por  meio  das  folhas  de  pagamento,  rescisões  de  contratos  de  trabalho,  recibos  de  férias, recibos de pagamentos a contribuintes individuais, recibos de pagamento de fretes, não  tendo tais valores sido declarados em GFIP pelo sujeito passivo.  Em  que  pese  terem  sido  requeridos  formalmente,  diversos  documentos  relacionados  aos  fatos  geradores  das  contribuições  previdenciárias,  dentre  eles  os  livros  contábeis,  não  foram  apresentadas  pela  Recorrente,  motivo  pelo  qual,  além  deste  AI,  foi  lavrado  outro  pelo  descumprimento  da  obrigação  acessória  correspondente.  E,  pela  mesma  razão,  ou  seja,  não  apresentação  dos  documentos  requeridos,  foi  feita  a  aferição  da  remuneração e do desconto dos segurados em diversas competências, utilizando­se como base  para este procedimento os documentos denominados "extra­folha" (folha paralela) e "planilha  dos não­registrados", e com base na autorização do artigo 33, §§ 3° e 6° da Lei 8.212/91.  Após a ciência do  lançamento no AI, apressou­se em  interpor  Impugnação,  com suas razões, cujas quais não foram suficientes para modificarem o lançamento.  A  decisão  de  piso  negando  provimento  à  Impugnação  foi  recebida  pela  Recorrente no dia 22.MAR.2010 e no dia 22.ABR.2010 (21 de abril feriado nacional) aviou o  presente Recurso Voluntário alegando: i) tempestividade; ii) da inadequação da base de calculo  presumida;  iii)  da  presunção  subjetiva  e  o  principio  da  verdade  material,  pugnando  pela  procedência do mesmo.  É a síntese do necessário.  Fl. 611DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA     4 Voto Vencido  Conselheiro Wilson Antonio de Souza Corrêa ­ Relator   O  presente  Recurso  Voluntário  acode  os  pressupostos  de  admissibilidade,  razão pela qual, desde já, dele conheço, passando à análise requerida, com a final decisão.  TEMPESTIVIDADE  Sem  maiores  delongas,  como  a  Recorrente  alega  tempestividade  do  seu  recurso, mister que seja analisado, de forma simples e objetiva.  Assiste razão, eis que o vencimento do trintídio para interposição do recurso  seria  o  dia  21.ABR.2010,  se  não  fosse  feriado  nacional,  como de  fato  foi,  o  que  compele  o  adiamento do vencimento do prazo para o primeiro dia útil seguinte, como ocorreu.  Com razão a Recorrente.  ii) DA INADEQUAÇÃO DA BASE DE CALCULO PRESUMIDA  Diz que há inadequação na base de cálculo perpetrado pela Fiscalização, eis  que foi realizado o lançamento com fulcro nos documentos apresentados e que estes foram de  interpretação equivocada pela autoridade, uma vez que ele tomou como base valores fictícios  que não correspondem com os fatos, tampouco com a realidade da empresa.  Para a Recorrente a base de cálculo utilizada nas competências de 05/2005 e  12/2006 não corresponde à realidade dos fatos, uma vez que foi presumida sem qualquer prova  documental que a justifique, pois foram utilizados meros recibos de pessoas físicas, além disto,  os sócios não fizeram qualquer retirada de pró­labore em 2005.  Ademais, prossegue, o quadro de funcionário da Recorrente é bem menor do  que se considerou.  Todavia,  ‘data  venia’,  são  meras  alegações,  pois  elas  não  vieram  acompanhadas das contra­provas de que o número de funcionários considerado é menor, bem  como outra qualquer que desfigure suas alegações., neste sentido.  Quanto  ao  procedimento  adotado  pela  autoridade  fiscal,  não  há  outro  caminho  a  ser  percorrido  por  ela  quando  o  contribuinte  não  apresenta  os  documentos  imperiosos requeridos para realização da atividade fiscal, conforme reza a Lei 8.212/91, artigos  33 e 37, ‘in verbis’:  Lei 8.212/91:  Art. 33 ­ Ao Instituto Nacional do Seguro Social ­ INSS compete  arrecadar,  fiscalizar  e  normatizar  o  recolhimento  das  contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo  único  do  art.  11;  ao  Departamento  da  receita  Federal  ­  DRF  compete  arrecadar,  fiscalizar  ,lançar  e  normatizar  o  recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e  e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na  Fl. 612DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 15586.001451/2009­44  Acórdão n.º 2301­003.876  S2­C3T1  Fl. 4          5 esfera  de  sua  competência,  promover  a  respectiva  cobrança  e  aplicar as sanções previstas legalmente.  Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de  contribuições  tratadas  nesta  lei,  ou  em  caso  de  falta  de  pagamento  de  beneficio  reembolsado,  a  fiscalização  lavrará  notificado de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos  geradores,  das  contribuições  devidas  e  dos  períodos  a  que  se  referem, conforme dispuser o regulamento.  Sem razão a Recorrente.  iii)  DA  PRESUNÇÃO  SUBJETIVA  E  O  PRINCIPIO  DA  VERDADE  MATERIAL, PUGNANDO PELA PROCEDÊNCIA DO MESMO  Diz  que  a  presunção  subjetiva  é  relativa  e  não  absoluta,  razão  porque  sucumbe diante da prova real em sentido contrário, e por esta razão a decisão de piso deve ser  modificada, porque a autoridade julgadora não considerou as provas carreadas na impugnação,  onde corroborava com a alegação de que os sócios da empresa não receberam pró­labore em  2005 e vários lançamentos não são relativos a serviços de autônomos.  Entretanto,  a  impugnação  apresentada  não  foi  acompanhada  de  provas  suficientes que ensejassem tais modificações, ou seja, foram meras alegações.   Despiciendo é embasar  todo o procedimento  fiscal, que, como alhures dito,  diante  da  insuficiência  de  documento  apresentado,  seguiu  a  legislação,  onde  determina  a  medida adotada, ou seja, aferição indireta.  Sem razão a Recorrente.  MATÉRIAS NÃO RECORRIDAS.  Em primeiro  lugar,  urge  trazer  à  baila  que  quando  as  peças  impugnativa  e  recursiva,  respectivamente,  foram  aviadas  já  estava  em  pleno  vigor  a  novel  legislação  que  determina  aplicação  de  pena menos  rigorosa  ao  contribuinte. Mas,  ainda  assim,  no  presente  remédio processual não foi costurada tese de defesa neste sentido.  Urge tratar das matérias não suscitadas em seu recurso, cujas quais penso não  constituir  matéria  de  ordem  pública,  já  que  estas  normas  (ordem  pública)  são  aquelas  de  aplicação imperativa que visam diretamente a tutela de interesses da sociedade, o que não é o  caso.  Neste diapasão tenho que a ‘Ordem Pública’ significa dizer do desejo social  de justiça, assim caracterizado porque há de se resguardar os valores fundamentais e essenciais,  para  construção  de  um  ordenamento  jurídico  ‘JUSTO’,  tutelando  o  estado  democrático  de  direito.  Por  outro  lado,  julgar matéria  não  questionada  e  que não  trate do  interesse  público é decisão ‘extra petita’, como é o caso em tela onde a multa não foi anatematizada pelo  Recorrente,  e  que  tem  o  meu  pronunciamento  de  aplicação  da  multa  mais  favorável  ao  contribuinte, mas que neste momento não  julgo  a questão, eis que não  refutada no  recurso e  não se trata de matéria de ordem pública.  Fl. 613DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA     6 Tem o meu voto no sentido de que matéria não recorrida é matéria atingida  pela  instituição  do  trânsito  em  julgado,  mesmo  as  matérias  de  ordem  pública  não  pré­ questionadas, porque, em não sendo pré­questionadas há limite para cognição.  Das pesquisas realizadas para definir o que seja ‘matéria de ordem pública’,  parece­nos  que  a  mais  completa  seja  a  de  Fábio  Ramazzini  Becha,  que  peço  vênia  para  transcrevê­la:  “..  Matéria  de  Ordem  Pública  trata­se  de  conceito  indeterminado,  a  dificuldade  de  interpretação  é  maior  do  que  nos conceitos legais determinados. ..  Prossegue:  “...  A  ordem  pública  enquanto  conceito  indeterminado,  caracterizado pela falta de precisão e ausência de determinismo  em  seu  conteúdo,  mas  que  apresenta  ampla  generalidade  e  abstração,  põe­se  no  sistema  como  inequívoco  princípio  geral,  cuja aplicabilidade manifesta­se nas mais variadas ramificações  das  ciências  em  geral,  notadamente  no  direito,  preservado,  todavia, o sentido genuinamente concebido. A indeterminação do  conteúdo  da  expressão  faz  com  que  a  função  do  intérprete  assuma um papel significativo no ajuste do termo. Considerando  o  sistema  vigente  como  um  sistema  aberto  de  normas,  que  se  assenta  fundamentalmente  em  conceitos  indeterminados,  ao  mesmo tempo em que se reconhece a necessidade de um esforço  interpretativo muito  mais  árduo  e  acentuado,  é  inegável  que  o  processo  de  interpretação  gera  um  resultado  social  mais  aceitável  e  próximo  da  realidade  contextualizada.  Se,  por  um  lado,  a  indeterminação  do  conceito  sugere  uma  aparente  insegurança  jurídica  em  razão  da  maior  liberdade  de  argumentação  deferida  ao  intérprete,  de  outro  lado  é,  pois,  evidente, a eficiência e o perfeito ajuste à historicidade dos fatos  considerada.  O  fato  de  se  estar  diante  de  um  conceito  indeterminado  não  significa  que  o  conteúdo  da  expressão  “ordem  pública”  seja  inatingível.(...)”  (...)  A  ordem  pública  representa  um  anseio  social  de  justiça,  assim  caracterizado  por  conta  da  preservação  de  valores  fundamentais,  proporcionando  a  construção  de  um  ambiente  e  contexto  absolutamente  favoráveis  ao  pleno  desenvolvimento  humano.  Trata­se de instituto que tutela toda a vida orgânica do Estado,  de  tal  forma  que  se  mostram  igualmente  variadas  as  possibilidades  de  ofendê­la.  As  leis  de  ordem  pública  são  aquelas  que,  em  um  Estado,  estabelecem  os  princípios  cuja  manutenção  se  considera  indispensável  à  organização  da  vida  social, segundo os preceitos de direito.  (...)  Para Andréia  Lopes  de Oliveira  Ferreira matéria  de  ordem  pública  implica  dizer que:   Fl. 614DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 15586.001451/2009­44  Acórdão n.º 2301­003.876  S2­C3T1  Fl. 5          7 “são  questões  de  ordem  pública  aquelas  em  que  o  interesse  protegido é do Estado e da sociedade e, via de regra, referem­se  à  existência  e  admissibilidade  da  ação  e  do  processo.  Trata­se  de  conceito  vago,  não  podendo  ser  preenchido  com  uma  definição” e cita Tércio Sampaio Ferraz, para quem “é como se  o  legislador  convocasse  o  aplicador  para  configuração  do  sentido adequado”   A princípio tem­se que matéria de ordem pública é aquela que diz respeito à  sociedade  como  um  todo,  e  dentro  de  um  critério  mais  correto  a  sua  identificação  é  feita  através de se saber qual o regime legal que ela se encontra, ou seja, quando a lei diz.  É bem verdade e o difícil é que nem sempre a lei diz se determinada matéria  é ou não de ordem publica, e, neste caso, para resolver a questão, urge que a concretização e a  delimitação do conteúdo da ordem pública constitui tarefa exclusiva das Cortes Nacionais.  Todavia, elas mesmas (Cortes Superiores) não definiram com exatidão o que  vem ser matéria de ordem pública, e tão pouco se a multa quando não recorrida deve ou não ser  decidido por ser matéria imperiosa de julgamento, tratando­se de interesse geral.  E mais, mesmo quando a matéria é de ordem pública e não pré­questionada, o  STJ vem reiteradamente decidindo que, reconhecidamente matérias de ordem pública, quando  não analisada em instâncias inferiores e tão pouco pré­questionadas, não devem ser analisadas  naquela Corte. ‘Ex vi’ Acórdão abaixo:  AgRg  no  REsp  1203549  /  ESAGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  ESPECIAL  2010/0119540­7   Relator Ministro CESAR ASFOR ROCHA (1098)   T2 ­ SEGUNDA TURMA  Data de Julgamento 03/05/2012  DJe 28/05/2012   Ementa   AGRAVO  REGIMENTAL.  RECURSO  ESPECIAL.  SUSPENSÃO  DE  LIMINARINDEFERIDA.  PREQUESTIONAMENTO. QUESTÕES DE ORDEM  PÚBLICA.­  A  jurisprudência  do  STJ  é  firme  no  sentido  de  que,  na  instância  especial,  é  vedado  o  exame  de  questão  não  debatida  na  origem,  carente  de  pré­questionamento,  ainda  que  se  trate  eventualmente  de  matéria  de  ordem  pública.Agravo  regimental improvido.  Acórdão  Vistos,  relatados  e  discutidos  os  autos  em  que  são  Fl. 615DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA     8 partes as acima indicadas, acordam os Ministros da  Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, na  conformidade  dos  votos  e das  notas  taquigráficas  a  seguir, prosseguindo­se no  julgamento, após o voto­ vista  do  Sr.  Ministro  Mauro  Campbell  Marques,  acompanhando  o  Sr.  Ministro  Cesar  Asfor  Rocha,  por  unanimidade,  negar  provimento  ao  agravo  regimental,  nos  termos  do  voto  do  Sr.  Ministro­ Relator. Os  Srs. Ministros Castro Meira, Humberto  Martins,  Herman  Benjamin  e  Mauro  Campbell  Marques  (voto­vista)  votaram  com  o  Sr.  MinistroRelator.  Assim, tenho que a multa não é matéria de ordem pública porque, como dito  por  Fábio  Rmanssini  Bechara,  ela  não  ‘representa  um  anseio  social  de  justiça,  assim  caracterizado por conta da preservação de valores fundamentais, proporcionando a construção  de um ambiente e contexto absolutamente favoráveis ao pleno desenvolvimento humano’.  MULTA  POR  DESCUMPRIMENTO  DE  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA  E  PRINCIPAL  Conforme quesito anterior, tenho que não se deve votar em matérias que não  foram argüidas no Recurso Voluntário, mormente se não se tratar de matéria de ordem pública,  como penso ser a multa.  Como  fui  vencido  e  por  força  regimental,  conforme  dispõe  o  artigo  60  do  RICARF, apresso­me em discorrer sobre ela.   Art.  60.Quando  mais  de  2  (duas)  soluções  distintas  para  o  litígio, que impeçam a formação de maioria, forem propostas ao  plenário  pelos  conselheiros,  a  decisão  será  adotada  mediante  votações  sucessivas,  das  quais  serão  obrigados  a  participar  todos os conselheiros presentes.  Parágrafo único. Serão votadas  em primeiro  lugar 2  (duas) de  quaisquer  das  soluções;  dessas  2  (duas),  a  que  não  lograr  maioria  será  considerada  eliminada,  devendo  a  outra  ser  submetida novamente ao plenário com uma das demais soluções  não  apreciadas,  e  assim  sucessivamente,  até  que  só  restem  2  (duas) soluções, das quais será adotada aquela que reunir maior  número de votos.  Há de  se  reconhecer o direito do  contribuinte  à  redução da multa  incidente  pelo  não  recolhimento  da  contribuição  previdenciária  para  20%,  sendo  a mesma  aplicável  a  todos os períodos, uma vez que as multas aplicadas por  infrações administrativas  tributárias,  devem seguir o princípio da retroatividade da lei mais benéfica ao contribuinte, com previsão  legal  no  artigo  106,  inciso  II,  "c"  do  CTN,  reduzindo­se  o  valor  da  multa  aplicada  para  o  percentual de 20%, por aplicação retroativa da Lei nº 9.430/96.  O  art.  106,  II,  "c",  do Código  Tributário Nacional  prevê  expressamente  que  a  lei  nova possa reger fatos geradores pretéritos, desde que se trate de ato não definitivamente julgado, por  aplicação do princípio da retroatividade benéfica.   Sendo  assim,  mister  que  tenhamos  em  mente  que  enquanto  não  preclusa  a  oportunidade  para  a  oposição  algum  remédio  processual  e  ou  se  estes  não  tiverem  transitado  em  Fl. 616DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 15586.001451/2009­44  Acórdão n.º 2301­003.876  S2­C3T1  Fl. 6          9 julgado, possível será a aplicação do dispositivo supramencionado, uma vez que não há nada definido  juridicamente, ou seja, não há trânsito em julgado.  De mais a mais, na lei não há distinção da multa moratória e a punitiva, e por isto  mesmo o contribuinte faz jus à incidência da multa moratória mais benéfica, sendo cabível a aplicação  retroativa  do  art.  61,  da  Lei  nº  9.430/96,  desde  que,  como  alhures  dito,  o  ato  não  se  encontre  definitivamente julgado, como é o caso em tela.  Este  pensar,  da  mesma  forma  vêm  se  posicionando  nossos  Tribunais,  in  verbis’:  "PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  COFINS.  DCTF.  DÉBITO  DECLARADO  E  NÃO  PAGO.  CERCEAMENTO  DE  DEFESA.  INTIMAÇÃO  DA  JUNTADA  DO  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  E  PROVA  PERICIAL  INDEFERIDA.  MULTA MORATÓRIA. REDUÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 61,  DA  LEI Nº  9.430/96 A FATOS GERADORES ANTERIORES A  1997. POSSIBILIDADE. RETROATIVIDADE DA LEGISLAÇÃO  MAIS  BENÉFICA.  ART.  106,  DO  CTN.  TAXA  SELIC.  HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DECRETO­LEI Nº 1.025/69.  ....  O  Código  Tributário  Nacional,  por  ter  natureza  de  lei  complementar,  prevalece  sobre  lei  ordinária,  facultando  ao  contribuinte,  com  base  no  art.  106,  do  referido  diploma,  a  incidência  da multa moratória mais  benéfica,  com  a  aplicação  retroativa  do  art.  61,  da  Lei  nº  9.430/96  a  fatos  anteriores  a  1997.  ...  (STJ,  REsp  653645/SC,  2a  T.,  Rel.  Min.  Eliana  Calmon,  D.J  21/11/2005)"  "EXECUÇÃO FISCAL. REDUÇÃO DE MULTA EM FACE DO  DEL  2.471/1988.  ART.  106,  II,  "c",  CTN.  RETROATIVIDADE  DA  LEI  MAIS  BENIGNA  AO  CONTRIBUINTE.  POSSIBILIDADE.  1.  O  ART.  106,  do  CTN  admite  a  retroatividade,  em  favor  do  contribuinte da  lei mais benigna, nos casos não definitivamente  julgados.  Sobrevindo,  no  curso  da  execução  fiscal,  o  DL  2.471/1988, que reduziu a multa moratória de 100% para 20% e,  sendo  possível  a  reestruturação  do  cálculo  de  liquidação,  é  possível  a  aplicação  da  lei  mais  benigna,  sem  ofensa  aos  princípios  gerais  do  direito  tributária.  Na  execução  fiscal,  as  decisões  finais  correspondem  as  fases  de  arrematação,  da  adjudicação ou remição, ainda não oportunizados, ou, de outra  feita,  com  a  extinção  do  processo,  nos  termos  do  art.  794,  do  CPC.  (STJ,  REsp  94511/PR,  1a  T.,  Rel.  Min.  Demócrito  Reinaldo, D.J.: 25/11/1996)"  Assim,  para  valer  a  regra  da  retroatividade  benéfica  da  lei,  estampada  no  artigo 106 II, C do Código Tributário Nacional, no caso em tela a multa a ser aplicada é aquela  que se encontra no artigo 61 da Lei 9.430/1996.  Fl. 617DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA     10 CONCLUSÃO  Diante  do  acima  exposto,  como  o  presente  recurso  voluntário  atende  os  pressupostos de admissibilidade, dele conheço, para no mérito NEGAR­LHE PROVIMENTO  PARCIAL.  É o voto.  (assinado digitalmente)  WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator  Fl. 618DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 15586.001451/2009­44  Acórdão n.º 2301­003.876  S2­C3T1  Fl. 7          11    Voto Vencedor  Conselheiro Redator, Marcelo Oliveira.  Com todo respeito ao nobre relator, divirjo de suas conclusões em relação a  duas questões: a) reconhecimento de ofício da retroatividade benigna; e b) forma de aplicação  dessa retroatividade.  Quanto  ao  primeiro  ponto  ­  reconhecimento  de  ofício  da  retroatividade  benigna ­ o CTN possui determinação legal sobre o assunto.  CTN:  Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  I ­ em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa,  excluída  a  aplicação de  penalidade  à  infração dos dispositivos  interpretados;  II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:  a) quando deixe de defini­lo como infração;  b) quando deixe de tratá­lo como contrário a qualquer exigência  de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não  tenha implicado em falta de pagamento de tributo;  c) quando  lhe comine penalidade menos severa que a prevista  na lei vigente ao tempo da sua prática.  A lide em questão  trata de ato não definitivamente  julgado e pode, ou não,  cominar penalidade menos severa que a aplicada.  Portanto,  como  no  presente  caso,  a  aplicação  da  retroatividade  benigna,  exposta na determinação legal acima, não é uma questão de se conhecer de ofício ou não, mas  sim de cumprimento de mandamento legal, obrigando a análise pelo julgador.  Pelo exposto, voto em conhecer da aplicação da retroatividade.  Quanto  ao  segundo  ponto  ­  forma  de  aplicação  dessa  retroatividade  –  discordo do relator por aplicar e comparar as penalidades sofridas pelo sujeito passivo antes e  após a alteração legal.  Como há destacamos, há no Art. 106 do CTN, determinação paraa aplicação  da retroatividade.  Só  não  posso  concordar  com a  análises  feitas,  que  levam à  comparação  de  penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora.  A Lei 8.212/1991 trazia a seguinte redação quando tratava de multas:  Fl. 619DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA     12 Lei 8.212/1991:    Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas  pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada,  nos  seguintes  termos:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876,  de  1999).      I  ­  para  pagamento,  após  o  vencimento  de  obrigação  não  incluída em notificação fiscal de lançamento:      a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação;  (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).      b) quatorze por  cento,  no mês  seguinte;  (Redação dada pela  Lei nº 9.876, de 1999).      c)  vinte  por  cento,  a  partir  do  segundo  mês  seguinte  ao  do  vencimento da obrigação;  (Redação dada pela Lei nº 9.876, de  1999).      II  ­  para  pagamento  de  créditos  incluídos  em  notificação  fiscal de lançamento:      a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento  da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).    b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da  notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).      c)  quarenta  por  cento,  após  apresentação  de  recurso  desde  que  antecedido  de  defesa,  sendo ambos  tempestivos,  até quinze  dias  da  ciência  da  decisão  do  Conselho  de  Recursos  da  Previdência Social ­ CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de  1999).      d) cinqüenta por  cento, após o décimo quinto dia da  ciência  da  decisão  do  Conselho  de  Recursos  da  Previdência  Social  ­  CRPS,  enquanto  não  inscrito  em Dívida  Ativa;  (Redação  dada  pela Lei nº 9.876, de 1999).      III ­ para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa:      a)  sessenta  por  cento,  quando  não  tenha  sido  objeto  de  parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).      b)  setenta por  cento,  se houve parcelamento;  (Redação dada  pela Lei nº 9.876, de 1999).      c)  oitenta  por  cento,  após  o  ajuizamento  da  execução  fiscal,  mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito  não  foi  objeto  de  parcelamento;  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876, de 1999).      d)  cem  por  cento,  após  o  ajuizamento  da  execução  fiscal,  mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito  foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de  1999).      § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá  um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se  Fl. 620DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 15586.001451/2009­44  Acórdão n.º 2301­003.876  S2­C3T1  Fl. 8          13 refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória  nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009)      § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em  parte,  do  saldo  devedor,  o  acréscimo  previsto  no  parágrafo  anterior  não  incidirá  sobre  a multa  correspondente  à  parte  do  pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº  449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009)      §  3º  O  valor  do  pagamento  parcial,  antecipado,  do  saldo  devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá  ser  utilizado  para  quitação  de  parcelas  na  ordem  inversa  do  vencimento,  sem  prejuízo  da  que  for  devida  no  mês  de  competência  em  curso  e  sobre  a  qual  incidirá  sempre  o  acréscimo  a  que  se  refere  o  §  1º  deste  artigo.(Revogado  pela  Medida  Provisória  nº  449,  de  2008)  (Revogado  pela  Lei  nº  11.941, de 2009)      § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no  documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se  tratar  de  empregador  doméstico  ou  de  empresa  ou  segurado  dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora  a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta  por  cento.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876,  de  1999).  (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado  pela Lei nº 11.941, de 2009)  Com  a  edição  da  Medida  Provisória  449/2008  ocorreram  mudanças  na  legislação que trata sobre multas, com o surgimento de dois artigos:  Lei 8.212/1991:  Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das  contribuições  sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art.  11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição  e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras  entidades  e  fundos,  não  pagos  nos  prazos  previstos  em  legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora,  nos  termos  do  art.  61  da  Lei  nº  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009).  ...  Art.  35­A.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica­se o disposto  no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.  Ocorre que o  acórdão  recorrido  comparou, para  a aplicação do Art. 106 do  CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício, com penalidade aplicada quando  o  sujeito  passivo  está  em  mora,  sem  a  existência  do  lançamento  de  ofício,  e  decide,  espontaneamente, realizar o pagamento.  Para tanto, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de  mora.  Fl. 621DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA     14 Lei 8.212/1991:    Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas  pelo  INSS,  incidirá  multa  de  mora,  que  não  poderá  ser  relevada,  nos  seguintes  termos:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876, de 1999).      I  ­  para  pagamento,  após  o  vencimento  de  obrigação  não  incluída em notificação fiscal de lançamento:  ...      II  ­  para  pagamento  de  créditos  incluídos  em  notificação  fiscal de lançamento:  Esclarecemos aqui que a multa de  lançamento de ofício, como decorre do  próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de  descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais.  Em  direito  tributário,  cuida­se  da  obrigação  principal  e  da  obrigação  acessória, consoante art. 113 do CTN.  A obrigação principal é obrigação de dar, de entregar dinheiro ao Estado por  ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária.  A  obrigação  acessória  é  obrigação  de  fazer  ou  obrigação  de  não  fazer.  A  legislação  tributária  estabelece  para  o  contribuinte  certas  obrigações  de  fazer  alguma  coisa  (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º  do  art.  113  do CTN. Exige  também,  em  certas  situações,  que  o  contribuinte  se  abstenha  de  produzir determinados atos  (causar embaraço à  fiscalização, por exemplo):  são as prestações  negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal.  O  descumprimento  de  obrigação  principal  gera  para  o  Fisco  o  direito  de  constituir o crédito tributário correspondente, mediante  lançamento de ofício. É também fato  gerador  da  cominação  de  penalidade  pecuniária,  leia­se  multa,  sanção  decorrente  de  tal  descumprimento.  O  descumprimento  de  obrigação  acessória  gera  para  o  Fisco  o  direito  de  aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício. Na locução do §3º do art. 113 do  CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer,  converte­a em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar.  Já a multa de mora não pressupõe a  atividade da autoridade administrativa,  não  têm  caráter  punitivo  e  a  sua  finalidade  primordial  é  desestimular  o  cumprimento  da  obrigação  fora  de  prazo.  Ela  é  devida  quando  o  contribuinte  estiver  recolhendo  espontaneamente um débito vencido.  Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício e nem  sobre as multas por atraso na entrega de declarações.  Portanto,  para  a  correta  aplicação  do  Art.  106  do  CTN,  que  trata  de  retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado as penalidades determinadas antes da  alteração legal (por descumprimento de obrigações tributárias principais e acessórias), com as  penalidades determinadas atualmente (por descumprimento de obrigações tributárias principais  Fl. 622DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 15586.001451/2009­44  Acórdão n.º 2301­003.876  S2­C3T1  Fl. 9          15 e acessórias),  limitando, seu  teto, ao máximo presente na legislação atual, que é de setenta e  cinco por cento.  Conseqüentemente, divirjo do relator e voto para que a multa seja mantida ,  mas  que  seja  verificada  a  aplicação  da  retroatividade  benigna,  como  citado,  na  execução  do  julgado, pela autoridade preparadora.  CONCLUSÃO:  Em razão do exposto, voto em:  1.  Acompanhar o relator nas questões de mérito, negando  provimento ao recurso do sujeito passivo;  2.  DAR  PROVIMENTO  PARCIAL  ao  recurso,  para  aplicar a determinação legal do Art. 106 do CTN, nos  termos do voto;  3.  DAR  PROVIMENTO  PARCIAL  ao  recurso,  para  manter  a multa  aplicada,  a  fim  de  que  se  verifique  a  aplicação  da  retroatividade  benigna,  como  exposto  no  voto,  na  execução  do  julgado,  pela  autoridade  preparadora.        (assinado digitalmente)  Marcelo Oliveira  .                 Fl. 623DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA

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Numero do processo: 10925.001141/2009-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 SIGILO BANCÁRIO. ACESSO A INFORMAÇÕES NA POSSE DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. A Autoridade Tributária pode, com base na LC nº 105 de 2001, à vista de procedimento fiscal instaurado e presente a indispensabilidade do exame de informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, solicitar destas referidas informações, prescindindo-se da intervenção do Poder Judiciário. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA Não resta configurado cerceamento de defesa nas situações em que os fatos podem ser comprovados documentalmente, mediante a apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais pelo contribuinte. É facultada ao contribuinte a produção de provas, que este entender apropriadas, durante o processo administrativo fiscal. A omissão do contribuinte em apresentar a documentação que lhe aproveite não configura cerceamento de defesa OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação a qual o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não ilide a omissão de rendimentos a simples indicação da origem sem a comprovação de que o valor não configura uma disponibilidade econômica para fins de IRPF, ou que a disponibilidade econômica dos depósitos já fora oferecida à tributação, seja na Declaração de Ajuste Anual correspondente, seja exclusivamente na fonte, ou ainda de que estar amparada por isenção. IRPF. NEXO CAUSAL TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGIME DA LEI Nº 9.430/96. POSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 26 DO CARF. A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, a autoridade fiscal não mais ficou obrigada a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. IRPF. ÔNUS DA PROVA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SÚMULA Nº 26 DO CARF. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de rendimentos, justificando-se sua tributação a esse título. MULTA DE OFÍCIO. DESQUALIFICAÇÃO. SÚMULA Nº 25. Resta desqualificada a multa de ofício quando do conjunto probatório do processo não se verifica hipóteses de conluio, fraude ou sonegação.
Numero da decisão: 2201-002.525
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora. EDITADO EM: 06/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO     2 IRPF. NEXO CAUSAL TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE  EM  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  REGIME  DA  LEI  Nº  9.430/96.  POSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 26 DO CARF.  A  partir  da  vigência  do  art.  42  da Lei  nº  9.430/96,  a  autoridade  fiscal  não  mais  ficou  obrigada  a  comprovar  o  consumo  da  renda  representado  pelos  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  a  transparecer  sinais  exteriores  de  riqueza  (acréscimo  patrimonial  ou  dispêndio),  incompatíveis  com  os  rendimentos  declarados,  como  ocorria  sob  égide  do  revogado  parágrafo  5º  do  art.  6º  da  Lei  nº  8.021/90.  Agora,  o  contribuinte  tem  que  comprovar  a origem dos  depósitos  bancários,  sob  pena  de  se  presumir  que  estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva.  IRPF. ÔNUS DA PROVA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS  BANCÁRIOS. SÚMULA Nº 26 DO CARF.  Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e  individualizada  que  justifique  os  ingressos  ocorridos  em  suas  contas  correntes  de  modo  a  garantir  que  os  créditos/depósitos  bancários  não  constituem  fato  gerador  do  tributo  devido,  haja  vista  que  pela mencionada  presunção,  a  sua  existência  (créditos/depósitos bancários),  desacompanhada  da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de rendimentos,  justificando­se sua tributação a esse título.  MULTA DE OFÍCIO. DESQUALIFICAÇÃO. SÚMULA Nº 25.  Resta  desqualificada  a  multa  de  ofício  quando  do  conjunto  probatório  do  processo não se verifica hipóteses de conluio, fraude ou sonegação.          Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.      Acordam  os membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  rejeitar  as  preliminares  e,  no  mérito,  dar  provimento  parcial  ao  recurso  para  desqualificar  a  multa  de  ofício, reduzindo­a ao percentual de 75%.       Assinado Digitalmente  MARIA HELENA COTTA CARDOZO ­ Presidente.       Assinado Digitalmente  NATHÁLIA MESQUITA CEIA ­ Relatora.      EDITADO EM: 06/10/2014  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  MARIA  HELENA  COTTA  CARDOZO  (Presidente),  VINICIUS  MAGNI  VERCOZA  (Suplente  convocado),  GUILHERME  BARRANCO  DE  SOUZA  (Suplente  convocado),  FRANCISCO MARCONI  DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH  e NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente,  justificadamente,  o  Conselheiro  GUSTAVO  LIAN  HADDAD.  Presente  ao  julgamento  o  Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.  Relatório  Fl. 497DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10925.001141/2009­18  Acórdão n.º 2201­002.525  S2­C2T1  Fl. 3          3 Por meio do Auto de Infração de fls. 02 e seguintes  lavrado em 27/05/2009  exige­se do Contribuinte ­ EUCLECIO LUIZ PELIZZA ­ o montante de R$ 1.140.365,04 de  imposto  sobre  a  renda  da  pessoa  física  (IRPF),  R$  408.706,83  de  juros  de  mora  e  R$  1.710.547,56 de multa de ofício qualificada, totalizando crédito tributário de R$ 3.259.619,43  (atualizado até a data da autuação) referente ao ano calendário de 2005.    O  Auto  de  Infração  foi  lavrado  em  decorrência  de:  (i)  Omissão  de  Rendimentos da Atividade Rural e  (ii) Omissão de Rendimentos caracterizada por Depósitos  Bancários com Origem não Comprovada.    O Termo de Verificação Fiscal de fls. 10 a 17 relata:     · O  Contribuinte  foi  intimado  e  reintimado  para  apresentar  extratos  bancários  de  suas contas corrente/investimento. Em face da ausência de resposta do Contribuinte,  foram  requisitadas  perante  as  instituições  financeiras  as  informações  bancárias  do  Contribuinte.  Da  mesma  forma,  foram  solicitados  às  empresas  Perdigão  Agroindustrial  S/A  ­  CNPJ:  86.547.619/0082­00  e  Alimentos  Unibon  Ind  e  Com  Ltda  ­  CNPJ:  72.243.207/0001­06  os  contratos  de  parceria  firmados  com  o  Contribuinte,  bem  como  a  informação  e  comprovação  de  todos  os  pagamentos  realizados.    · Tendo sido comprovada a origem dos depósitos efetuados pelas empresas Perdigão  Agroindustrial  S/A  e  Alimentos  Unibon  Ind  e  Com  Ltda.  (venda  de  suínos),  tais  valores  foram  excluídos  da  base  de  cálculo  da  autuação  com  base  em  depósito  bancário de origem não identificada.    · Em  relação  aos  demais  depósitos,  o  Contribuinte  não  prestou  esclarecimentos  acerca  dos  mesmos,  sendo  lançado  o  crédito  tributário  com  base  em  depósito  bancário de origem não comprovada. Além dos depósitos de suas contas individuais,  também foi considerado 50% dos depósitos de conta bancária de cotitularidade com  seu pai, cujos depósitos também não restaram comprovados.    · Tendo sido  comprovada a origem dos depósitos oriundos das empresas Perdigão  Agroindustrial S/A e Alimentos Unibon Ind e Com Ltda., relacionados à venda de  suínos pelo Contribuinte, a fiscalização solicitou a apresentação do Livro Caixa da  atividade rural, bem como a documentação correspondente.    · Reintimado,  o  Contribuinte  não  apresentou  a  documentação  solicitada  acerca  da  atividade rural e foi entendido que o Contribuinte é proprietário único (não explora  em  parceria),  conforme  indicado  no  demonstrativo  da  atividade  rural  da  sua  Declaração  de Ajuste Anual  (DAA),  bem como o mesmo não  apresentou  o Livro  Caixa,  o  lançamento  tributário  foi  efetuado  considerando  20%  da  receita  bruta  auferida  no  ano  calendário,  devidamente  deduzido  o  imposto  já  pago  a  título  de  atividade rural.    · A aplicação da multa qualificada resulta do fato de o Contribuinte ter deixado de  pagar tributo, em razão da omissão de rendimentos. Acrescenta a esse fato o elevado  valor do tributo não pago, bem como a conduta do Contribuinte que não atendeu às  intimações  fiscais,  não  só em  relação à  atividade  rural, mas  também em  relação à  comprovação dos depósitos, tendo sido reiterada a sua conduta.  O Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração em 04/06/2009 (AR Postal  fls.  372),  tendo  apresentado  Impugnação  (de  fls.  374)  em  01/07/2009,  na  qual  trouxe  as  seguintes alegações, conforme extraído do acórdão da DRJ:  Fl. 498DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO     4   “Em preliminar, sob o título Ausência de Motivação, o contribuinte alega ofensa ao  princípio da motivação, uma vez que a autoridade fiscal não informa os motivos que  levaram a fiscalização a instaurar o procedimento fiscal contra o contribuinte.    Como  segunda  questão  preliminar,  sob  o  título  Prova  Ilícita  —  Nulidade,  o  contribuinte alega que o  lançamento  teve como ponto de partida a movimentação  bancária do contribuinte, a qual foi obtida pela autoridade fiscal mediante quebra  de  sigilo  bancário,  tornando­se,  portanto,  prova  ilícita.  O  contribuinte  solicita,  assim, a nulidade do lançamento fiscal por ofensa ao art. 30 da Lei n° 9.784/99, ao  art. 5 0, incisos X, XII, XXII e ao art. 145, §1°da Constituição Federal de 1988.    Na primeira  questão  de mérito — A Presunção do  art.  42  da  Lei  no  9.430/96 —  Ilegalidade, o contribuinte alega a ilegalidade do artigo 42 da Lei n° 9.430/96 por  contrariar  ao  disposto  nos  artigos  43;  97,  IV;  110  e  148  do  Código  Tributário  Nacional; ao disposto nos artigos 212, IV; 166 c/c 185 e 122 do Novo Código Civil;  o  art.  9  0,  VII,  do  Decreto­Lei  n°  2.471/88;  bem  como  o  Due  Process  of  Law  consubstanciado na Lei n° 9.784/99 e no inc. LIV do art. 5° da Constituição Federal  de 1988.    O contribuinte cita a Súmula 182 do Tribunal de Recursos — TFR e o art. 9°, inciso  VII  do  Decreto­Lei  n°  2.471/88,  alegando  que  a  presunção,  ora  questionada,  deveria estar fundamentada em indícios como sinais exteriores de riqueza, uma vez  que a movimentação bancária não é fato gerador do imposto de renda.    Sob  o  título  A  Origem  dos  Depósitos,  o  contribuinte  alega  que  os  depósitos  constatados  em  sua  conta  corrente  são,  em  sua  grande  maioria,  valores  pertencentes a  terceiros. Explica que,  em auxílio aos pequenos produtores  rurais,  faz  a  intermediação  dos  negócios  de  suínos  e  o  transporte  das  mercadorias,  percebendo, para as duas atividades, uma comissão, e repassando o valor restante  ao produtor rural que vendeu os suínos.    O  contribuinte  alega  que,  como a  atividade  não é  escriturada no  livro Caixa  e  a  emissão  das  notas  fiscais  não  são  em  seu  nome,  mas  de  terceiros,  não  pode  comprovar a origem dos depósitos bancários.    Argumenta  o  contribuinte  que  basta  uma  simples  análise  pericial  nos  estabelecimentos  de  sua  propriedade  e  nos  arredores  para  saber  que  não  teria  condições de criar suínos "em quantidade tamanha que possibilitasse vendas com os  lucros presumidos pela fiscalização".    O  contribuinte  afirma,  ainda,  que  parte  dos  depósitos  bancários  referem­se  à  operações  de  descontos  de  títulos,  financiamentos,  empréstimos  para  capital  de  giro, transferências entre contas próprias, operações que não são  individualmente  comprovadas,  por  impossibilidade,  mas  que  o  podem  ser  por  perícia  contábil.  Afirma  que  tais  operações  não  são  rendimentos  tributáveis  mas  ativos  do  contribuinte. No tópico denominado Atividade Rural ­ Arbitramento, o contribuinte  alega  que  deve  ser  aplicado  o  disposto  no  artigo  60,  §  2°  do  RIR/99,  sobre  os  depósitos  bancários  apurados,  uma  vez  que  é  qualificado,  pela  própria  Receita  Federal, como produtor rural, nos termos do artigo 58, inciso IV do R1R199, cuja  receita bruta é constituída pelo montante das vendas dos seus produtos, conforme  artigo 61 do RIR/99.    Sob o título Da multa e a incompatibilidade com o caso, o contribuinte solicita que  seja  reduzida  a  multa  para  o  percentual  de  75%,  em  atenção  à  correta  interpretação do artigo 44 da Lei n° 9.430/96. Em sua defesa,  o  contribuinte  cita  diversos julgados administrativos e judiciais.  Fl. 499DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10925.001141/2009­18  Acórdão n.º 2201­002.525  S2­C2T1  Fl. 4          5   Por  fim,  o  impugnante  requer  a  produção  de  prova  testemunhal,  conforme  rol  à  folha 331, a fim de comprovar sua atividade rural e demais alegações suscitadas.”    A 4ª Turma da DRJ/FNS na sessão de 20/11/2009, através do Acórdão 07­ 18.146 de fls. 429, julgou o improcedente a Impugnação, nos seguintes termos:    OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NÃO COMPROVADA  ORIGEM.  Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito  mantida  junto  à  instituição  financeira,  quando  o  contribuinte,  regularmente  intimado,  não  comprova,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos utilizados nessas operações.    OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS.  TRIBUTAÇÃO  DA  ATIVIDADE  RURAL.  NÃO  COMPROVAÇÃO DA RECEITA DA ATIVIDADE. INAPLICABILIDADE.  Tendo em vista a não apresentação de documentos hábeis e idôneos que comprovem  que os depósitos bancários  têm origem na  receita proveniente da atividade  rural,  incabível a tributação com base nas regras próprias desta atividade.    PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS  DE  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA.  ONUS  PROBANDI  A  CARGO  DO  CONTRIBUINTE.  A comprovação da origem dos depósitos bancários no âmbito do artigo 42 da Lei nº  9.430/96 deve ser  feita de  forma  individualizada  (depósito a depósito), por via de  documentação hábil e idônea.    MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE.  É aplicável a multa de oficio de 150%, naqueles casos em que, no procedimento de  oficio, constatado resta que à conduta do contribuinte esteve associado aos casos  previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964.    (...)    ABERTURA  DO  PROCEDIMENTO  FISCAL. MANDADO DE  PROCEDIMENTO  FISCAL.  A  emissão  do  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  legitima  a  abertura  do  procedimento fiscal.    AFIRMAÇÕES RELATIVAS A FATOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.  O  conhecimento  de  afirmações  relativas  a  fatos,  apresentadas  pelo  contribuinte  para contraditar elementos  regulares de prova  trazidos aos autos pela autoridade  fiscal, demanda sua consubstanciação por via de outros elementos probatórios, pois  sem substrato mostram­se como meras alegações, processualmente inacatáveis.    PRELIMINAR.  REGULARIDADE  DO  PROCEDIMENTO  FISCAL.  SIGILO  BANCÁRIO. QUEBRA IRREGULAR. NÃO OCORRÊNCIA.  Com o advento da Lei nº 10.174/2001, resguardado o sigilo na forma da legislação  aplicável,  é  legítima  a  utilização  das  informações  sobre  as  movimentações  financeiras  relativas  à  CPMF  para  instaurar  procedimento  administrativo  que  resulte em lançamento de outros tributos.  E,  resguardado  o  sigilo  na  forma  da  legislação  aplicável,  a  obtenção  de  informações  bancárias  por  parte  do  fisco,  dentro  dos  parâmetros  legalmente  estabelecidos, não se constitui em quebra irregular do sigilo bancário.  Fl. 500DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO     6   PROVA TESTEMUNHAL. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.  Descabe  a  realização  de  oitiva  de  testemunhas,  mediante  diligência,  quando  compete ao contribuinte o ônus da prova e este não traz aos autos qualquer indício  de prova que fomente dúvidas quanto ao lançamento.    PEDIDOS DE PERÍCIA. DESCABIMENTO.  Descabe o pedido de perícia quando a matéria que seria objeto deste procedimento  já tem seu conteúdo definido em lei.    DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS.  As  decisões  administrativas  proferidas  pelos  órgãos  colegiados,  bem  como  as  proferidas  pelo  poder  judiciário  não  se  constituem em  normas  gerais,  razão  pela  qual  seus  julgados  não  se  aproveitam  em  relação  a  qualquer  outra  ocorrência,  senão àquela objeto da decisão.    (...)    PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA.  As  presunções  legais  relativas  obrigam  a  autoridade  fiscal  a  comprovar,  tão­ somente,  a  ocorrência  das  hipóteses  sobre  as  quais  se  sustentam  as  referidas  presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não  ocorreram na forma como presumidos pela lei.    ARGÜIÇÃO  DE  ILEGALIDADE  E  INCONSTITUCIONALIDADE.  INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO.  As  autoridades  administrativas  estão  obrigadas  à  observância  da  legislação  tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de  inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados.    O Contribuinte tomou ciência do Acórdão às fls. 453 em 23/12/2009, vindo  apresentar Recurso Voluntário em 08/01/2009 às fls. 454 e seguintes, aduzindo:    · ausência de motivação do ato fiscal ­ inexistência de outros indícios probatórios  de sonegação fiscal ­ Súmula/TFR n° 182.      · ofensa aos artigos 43; 97,  IV; 110 e 140 do Código Tributário Nacional; aos  artigos  212,  IV;  166  c/c  185  e  122  do Código Civil  de  2002;  o  art.  9, VII,  do  Decreto­Lei  n°  2.471/88;  a  Lei  n°  9.784/99  e  o  art.  5  0,  LIV,  da Constituição  Federal de 1988 ­ aplicação da letra fria do art. 42 da Lei 9.430/96, sem respeito aos  institutos  jurídicos,  segurança  jurídica  e  aos  princípios  constitucionais  e  legais  de  conduta administrativa.    · prova  ilícita  ­  sem  outros  indícios  materiais  de  sonegação,  os  extratos  nada  comprovam, notadamente se obtidos sem uma autorização judicial.    · cerceamento  de  defesa  ­  indeferimento  das  provas  que  poderiam  beneficiar  o  contribuinte  em  respeito  à  ampla  defesa  e  ao  contraditório,  demonstrando  que  o  mesmo não obteve acréscimo patrimonial com os depósitos bancários e que exerce  exclusivamente atividades de produtor rural.    · parcialidade, irrazoabilidade e desproporcionalidade – ao exigir o julgador que  seja  convencido  nos mesmos moldes  exigidos  pela  Receita  Federal  do Brasil,  em  desprezo à verdade material, às circunstâncias fáticas e à possibilidade probatória do  contribuinte.  Fl. 501DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10925.001141/2009­18  Acórdão n.º 2201­002.525  S2­C2T1  Fl. 5          7   · multa excessiva ­ não houve crime e dolo, não sendo caso de aplicação da multa  qualificada de 150%, devendo ser reduzida para 75%.    Através da Resolução nº 2202­000.297 de 15/08/2012 às fls. 468 a 2ª Turma  Ordinária  da  2ª  Câmara  da  2ª  Seção  do  CARF  decidiu  sobrestar  o  presente  processo  administrativo  tributário  com  base  no  art.  62­A,  §1º,  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  uma  vez  que  o  presente  tema  encontra­se  em  sede  de  Recurso Repetitivo no Supremo Tribunal Federal (STF) através do Recurso Extraordinário nº  601.314/SP,  de  22/10/2009,  onde  o  STF  reconheceu  a  existência  de  repercussão  geral,  nos  termos do art. 543­A, §1º, do Código de Processo Civil (CPC), combinado com art. 323, §1º do  Regimento  Interno  do  STF,  no  que  diz  respeito  à  constitucionalidade  do  art.  6º  da  Lei  Complementar nº  105/01  no  tocante  ao  fornecimento  de  informações  sobre  a movimentação  bancária  de  contribuintes,  pelas  instituições  financeiras,  diretamente  ao  Fisco  por  meio  de  procedimento  administrativo,  sem  a  prévia  autorização  judicial,  assim  como  a  aplicação  retroativa da Lei nº 10.174/01, que alterou o art. 11, § 3º da Lei nº 9.311/96, e possibilitou que  as  informações  obtidas,  referentes  à  CPMF,  também  pudessem  ser  utilizadas  para  apurar  eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência.    Posteriormente,  a  Portaria  MF  nº  545/13  revogou  os  dispositivos  que  determinavam o  sobrestamento dos  autos  em sede de processo  administrativo, nos  termos  já  referidos, possibilitando o prosseguimento do feito.    É o relatório.  Voto             Conselheira Nathália Mesquita Ceia.    O  recurso  é  tempestivo  e  reúne  os  demais  requisitos  de  admissibilidade,  portanto, dele conheço.    I.  DAS PRELIMINARES    I.1. Sigilo Bancário    O Contribuinte alega que autuação se valeu de prova  ilícita,  tendo em vista  que  o  lançamento  tomou  como  base  dados  de  seus  bancários  solicitados  diretamente  pela  Receita Federal  às  instituições  financeiras,  sem  autorização  judicial. Reforça que  sem outros  indícios  materiais  de  sonegação,  os  extratos  nada  comprovam,  notadamente  se  obtidos  sem  uma autorização judicial.    Inicialmente,  cabe  observar  que  a  possibilidade  de  requisição  de  movimentação  financeira pela Autoridade Administrativa  encontra­se prevista no  art.  197,  II  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN),  vindo  a  Lei  Complementar  nº  105/01  autorizar  a  referida disposição expressamente:    Art.  197.  Mediante  intimação  escrita,  são  obrigados  a  prestar  à  autoridade  administrativa  todas  as  informações  de  que  disponham  com  relação  aos  bens,  negócios  ou  atividades  de  terceiros:  Fl. 502DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO     8 (...)  II ­ os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras;    Assim, a Autoridade Tributária pode, com base no art. 6º da LC nº 105, de  2001, à vista de procedimento  fiscal  instaurado e presente a  indispensabilidade do exame de  informações  relativas a  terceiros,  constantes de documentos,  livros e  registros de  instituições  financeiras  e  de  entidades  a  elas  equiparadas,  solicitar  destas  referidas  informações,  prescindindo­se da intervenção do Poder Judiciário. Confira­se:    Art.  6º  As  autoridades  e  os  agentes  fiscais  tributários  da  União,  dos  Estados,  do  Distrito  Federal  e  dos  Municípios  somente  poderão  examinar  documentos,  livros  e  registros  de  instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras,  quando  houver  processo  administrativo  instaurado  ou  procedimento  fiscal  em  curso  e  tais  exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.    Parágrafo único. O  resultado  dos exames, as  informações  e os documentos  a que  se  refere  este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária.    Neste  contexto,  havendo  previsão  legal  e  procedimento  administrativo  instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo  órgão  fiscal  tributário  não  constitui  quebra  do  sigilo  bancário, mas  de mera  transferência  de  dados protegidos às autoridades obrigadas a mantê­los no âmbito do sigilo fiscal.     Diante do exposto, a obtenção dos extratos bancários pelo Auditor Fiscal no  presente  procedimento  foi  procedida  dentro  dos  parâmetros  legais,  sendo  improcedente  a  alegação  de  prova  obtida  por meio  ilícito,  haja  vista  que  o  art.  6º  da  LC  105/01encontra­se  vigente e eficaz.     Cabe  apenas  destacar  que  atualmente  a  matéria  está  em  sede  de  recurso  repetitivo no Supremo Tribunal Federal (STF) no RE 601.314/SP, Min. Ricardo Lewandowski  , pendente de julgamento, não havendo o STF suspendido os efeitos da norma. Ademais, tanto  o Superior Tribunal de Justiça (STJ) quanto a presente Corte administrativa já se manifestaram  quanto à legalidade da utilização do dispositivo supracitado.    Preliminar rejeitada.      I.2. Cerceamento ao Direito de Defesa    O Contribuinte defende que houve cerceamento de defesa,  tendo em vista o  indeferimento  das  provas  que  poderiam  beneficiá­lo  em  respeito  à  ampla  defesa  e  ao  contraditório, demonstrando que não obteve acréscimo patrimonial com os depósitos bancários  e que exerce exclusivamente atividades de produtor rural.    Em  que  pese  o  entendimento  do  Contribuinte,  entendo  que  seu  pleito  não  deve  prevalecer.  Isso  porque  no  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal  é  facultado  ao  contribuinte a produção de quaisquer provas que lhe aproveitem. O fato de o Contribuinte não  ter  produzido  provas  fáticas,  por meio  de  documentação  hábil  e  idônea,  que  comprovem os  fatos alegados, não configura cerceamento de defesa.     Destaca­se que até o presente momento o Contribuinte não juntou aos autos  qualquer  documentação  que  comprove  a  origem  dos  depósitos  ou  a  apuração  de  renda  da  atividade  rural,  tendo  se  limitado  a  elaborar  retórica  defesa  sob  supostas  violações  aos mais  variados princípios existentes no ordenamento jurídico pátrio.   Fl. 503DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10925.001141/2009­18  Acórdão n.º 2201­002.525  S2­C2T1  Fl. 6          9   Logo, as argumentações no sentido de que houve o indeferimento de provas  que poderiam beneficiá­lo, não deve prevalecer, pois tais provas deveriam ter sido trazidas aos  autos pelo próprio contribuinte.    Preliminar rejeitada.      II.  DO MÉRITO    II.1. Ônus da Prova    O Contribuinte argumenta a ausência de motivação do ato fiscal, em face da  inexistência  de  outros  indícios  probatórios  de  sonegação  fiscal.  Pugna  pela  aplicação  da  Súmula/TFR  n°  182. Complementa  alegando  a  ofensa  aos  artigos  43;  97,  IV;  110  e  140  do  Código Tributário Nacional; aos artigos 212, IV; 166 c/c 185 e 122 do Código Civil de 2002; o  art. 9, VII, do Decreto­Lei n° 2.471/88;  a Lei n° 9.784/99 e o art. 5 0, LIV, da Constituição  Federal  de  1988,  tendo  em  vista  a  aplicação  da  letra  fria  do  art.  42  da  Lei  9.430/96,  sem  respeito aos institutos jurídicos, segurança jurídica e aos princípios constitucionais e legais de  conduta administrativa.    Também,  entende  que  restou  configurada  a  parcialidade,  irrazoabilidade  e  desproporcionalidade ao exigir o  julgador que seja convencido nos mesmos moldes exigidos  pela Receita Federal do Brasil,  em desprezo à verdade material,  às circunstâncias  fáticas e à  possibilidade probatória.  As  argumentações  levantadas  pelo  Contribuinte  não  procedem  diante  da  presunção criada pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96, que autoriza a exigência de imposto de renda,  sempre que o  titular da conta bancária, pessoa física ou  jurídica,  regularmente  intimado, não  comprove, mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a origem dos  recursos  creditados  em  sua  conta de depósito ou de investimento.    Art. 42. Caracterizam­se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados  em conta de depósito ou de investimento mantida junto a  instituição financeira, em relação  aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante  documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.    Tal  dispositivo  legal  estabelece  uma  presunção  relativa  de  omissão  de  receitas,  autorizando  a  exigência  de  imposto  de  renda  e  de  contribuições  correspondentes,  sempre que o  titular da conta bancária, pessoa física ou  jurídica,  regularmente  intimado, não  comprove, mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a origem dos  recursos  creditados  em  sua  conta de depósito ou de investimento.    A presunção em  favor do Fisco  transfere ao  contribuinte o ônus de elidir a  imputação,  mediante  a  comprovação  com  documentação  própria  e  individualizada  que  justifique  os  ingressos  ocorridos  em  suas  contas  correntes  de  modo  a  garantir  que  os  créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela  mencionada  presunção,  a  sua  existência  (créditos/depósitos  bancários  desacompanhada  da  prova  da  operação  que  lhe  deu  origem,  espelha  omissão  de  receitas,  justificando­se  sua  tributação a esse título). Trata­se, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário.    Fl. 504DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO     10 Acrescente­se ainda, ao argumento de ausência de acréscimo patrimonial, que  a Autoridade Lançadora não está mais obrigada a comprovar o consumo da renda. Os depósitos  injustificados por si só são considerados, por presunção, renda auferida. Este entendimento já  resta pacificado nesta Corte pela Súmula do CARF nº 26:    Súmula  CARF  nº  26:  A  presunção  estabelecida  no  art.  42  da  Lei  nº  9.430/96  dispensa  o  Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem  comprovada.    A presunção legal trazida pelo art. 42 da Lei nº. 9.430/96 é aplicável aos fatos  geradores  a  partir  do  ano­calendário  de  1997,  posicionamento  também  já  pacificado  na  presente Corte administrativa conforme Súmula do CARF nº 54:    Súmula CARF nº 54: A constatação de existência de “passivo não comprovado” autoriza o  lançamento  com base  em presunção  legal de omissão  de  receitas  somente  a partir  do  ano­ calendário de 1997.    Ressalta­se  que  até  a  presente  data  o  referido  dispositivo  legal  encontra­se  vigente  e  eficaz.  Em  complemento,  destaca­se  que  a  jurisprudência  colacionada  pelo  Contribuinte é anacrônica, abordando entendimento jurisprudencial anterior a janeiro de 1997,  início da eficácia da Lei ora em tela.     Isso posto, uma vez que está em discussão omissão de rendimento decorrente  da não comprovação da origem de depósitos bancários realizados no ano­calendário de 2005, a  alegação nulidade do Auto de Infração com base na falta de comprovação de nexo causal entre  os depósitos e o aumento patrimonial do recorrente não procede.    Assim,  como  o  Contribuinte  regularmente  intimado  não  produziu  documentação  hábil  e  idônea  quanto  à  origem  dos  valores  depositados/creditados  nas  suas  contas corrente, que possibilitem  ilidir a presunção  legal criada é poder­dever da Autoridade  Tributária, em razão do princípio da legalidade ao qual está jungida, de considerar os valores  depositados  em  contas  bancárias  como  receita  efetuando  o  lançamento  do  imposto  correspondente, razão pela qual se mantêm o Auto de Infração.       II.2. Multa de Ofício Qualificada    No tocante à multa de ofício qualificada, o Contribuinte entende que a mesma  é  excessiva  e  que  não  restou  caracterizado  crime e  dolo  que  justifique  a  aplicação  da multa  qualificada, devendo ser reduzida para 75%.    A  fiscalização  justificou  a  qualificação  da multa,  conforme  trecho  a  seguir  extraído do Termo de Verificação Fiscal:    A conduta dolosa do contribuinte está evidente e materializada nas infrações aqui  demonstradas,  em  valores  tão  elevados,  e  na  própria  atitude  do  contribuinte  durante  todo  o  procedimento  fiscal,  período  este  em  que  encaminhamos  várias  intimações  ao  mesmo,  na  tentativa  de  esclarecer  a  efetiva  origem  dos  recursos  movimentados, tendo o contribuinte apenas silenciado, o que demonstra a conduta  elencada no Código Penal, acima descrita, em que o agente, ao não se manifestar  para esclarecer os fatos, quis o resultado ou assumiu o risco de produzi­lo.    Temos  ainda  o  agravante  da  conduta  reiterada,  uma  vez  que  o  contribuinte,  da  mesma forma, omitiu rendimentos provenientes, também de valores depositados em  instituição  financeira,  cuja  origem  dos  recursos  utilizados  nestas  operações,  não  Fl. 505DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10925.001141/2009­18  Acórdão n.º 2201­002.525  S2­C2T1  Fl. 7          11 foram  comprovados  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  durante  os  anos  de  1998  a  2002  e  que  foram  objeto  de  procedimento  fiscal  específico,  através  do  Processo Administrativo n°10925.000973/2004­11.    Este  fato demonstra o total descomprometimento por parte do contribuinte no que  tange  as  suas  obrigações  tributárias  e,  portanto,  no  que  concerne  ao  interesse  público.    Não  obstante  o  entendimento  da  fiscalização  corroborado  pelo  acórdão  da  DRJ,  entendo  que  a  conduta  do  Contribuinte  não  configura  as  hipóteses  de  qualificação  da  multa de ofício, em linha com o disposto no art. 44, § 1º da Lei nº 9.430. Confira­se:    Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:    §  1o  O  percentual  de  multa  de  que  trata  o  inciso  I  do  caput  deste  artigo  será  duplicado  nos  casos  previstos  nos  arts.  71,  72  e  73  da  Lei  no  4.502,  de  30  de  novembro  de  1964,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas  ou  criminais cabíveis.    Como se depreende da leitura do referido dispositivo legal, a qualificação da  multa  deve  resultar  de  fraude,  sonegação  ou  conluio,  ou  seja,  deve  restar  provado  que  o  contribuinte se valeu de meios e artifícios para suprimir ou reduzir o pagamento de tributo.    É certo que o não pagamento de tributo é uma conduta faltosa do contribuinte  que deve ser penalizada, por essa razão que há a multa de ofício à alíquota de 75%. Para que tal  multa  seja  qualificada,  resta  necessária  a  comprovação  de  uma  intenção  deliberada  na  supressão ou redução do pagamento do tributo por parte do contribuinte.    Ao meu ver, do exposto nos autos, entendo que não há como se aferir que o  Contribuinte agiu com dolo (vontade) na supressão/redução do pagamento de tributo.    As  questões  apontadas  pela  fiscalização  no  sentido  de  que  os  valores  são  elevados e que é reincidente, pois já foi parte em processo administrativo fiscal, não são fatores  que justifiquem a qualificação da multa de ofício.    Neste sentido, há Súmula do CARF nº 25:    Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por  si  só,  não  autoriza  a  qualificação  da  multa  de  ofício,  sendo  necessária  a  comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.    Ademais,  a  fiscalização  argumenta  que  o  Contribuinte  se  omitiu  em  apresentar  a  documentação  solicitada,  apesar  de  diversas  vezes  intimados.  Note­se  que  essa  conduta  também  é  passível  de  aumento  no  percentual  da  multa  de  ofício,  mas  não  a  sua  qualificação. Nesse  caso,  ao meu  sentir,  restaria  aplicável o  agravamento da multa de ofício  (art. 44, § 1º da Lei nº 9.430).    Logo, decido pela desqualificação da multa de ofício.      Conclusão    Fl. 506DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO     12 Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de rejeitar as preliminares e,  no mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para desqualificar a multa de ofício.      Assinado Digitalmente  Nathália Mesquita Ceia                                Fl. 507DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO

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Numero do processo: 10480.727470/2012-64
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. PENSÃO EM CUMPRIMENTO DE ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. CABIMENTO. Os valores recebidos a título de pensão em cumprimento de acordo ou decisão judicial estão abrangidos pela isenção outorgada aos portadores de moléstia grave, in casu a neoplasia maligna. Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2802-003.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 06/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 06/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     2 Trata­se de recurso voluntário em que se discute direito a isenção de imposto  de  renda sobre a pensão alimentícia  recebida do ex­marido em decorrência de a alimentanda  ser portadora de neoplasia maligna. O lançamento correspondente reporta­se ao exercício 2011,  ano­calendário 2010.  A decisão decorrida indeferiu a impugnação sob fundamento de que a isenção  concedida  a  portadores  de  moléstias  graves  é  prevista  no  inciso  XIV  do  art.  6º  da  Lei  7.713/1988  e  incide  sobre  proventos  de  aposentadoria,  reforma  ou  pensão,  não  alcançando  rendimentos de pensão alimentícia, sendo ainda mencionados como normas de regência os art.  111 e 176 do CTN.  A  ciência  do  acórdão  ocorreu  em  28/09/2012  e  o  recurso  voluntário  foi  interposto no dia 11/10/2012.  Em  sede  de  recurso  voluntário,  a  contribuinte  alega  que  a  decisão  é  frontalmente  incompatível  com  interpretação  da  Receita  Federal  veiculada  no  Manual  perguntas e Respostas (pergunta e resposta nº 267).  O  processo  foi  distribuído  a  este  Relator,  por  sorteio,  durante  a  sessão  de  agosto de 2014.   É o Relatório.  Voto             Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade,  dele deve­se tomar conhecimento.  O  lançamento  decorreu  de  os  rendimentos  declarados  como  isentos  terem  sido reclassificados para tributáveis.  A  decisão  recorrida  adotou  interpretação  contrária  ao  entendimento  da  Receita Federal, ora estampado na Pergunta e resposta nº 267.  DOENÇA GRAVE — PENSÃO JUDICIAL   267 — É tributável a pensão alimentícia judicial ou por escritura  pública recebida por portador de doença grave?  Não. Os valores recebidos a título de pensão em cumprimento de  acordo  ou  decisão  judicial,  ou  ainda  por  escritura  pública,  inclusive  a  prestação  de  alimentos  provisionais,  estão  abrangidos pela isenção de portadores de moléstia grave.  (Decreto n  º 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do  Imposto  sobre a Renda  (RIR/1999),  art.  39,  inciso XXXI,  e art.  54)  A  interpretação  estrita  no  dispositivo  que  outorgou  a  isenção  não  pode  ser  restringida pela via interpretativa adotada no aresto impugnado.  Fl. 92DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10480.727470/2012­64  Acórdão n.º 2802­003.222  S2­TE02  Fl. 92          3 A isenção sobre as pensões  recebidas pelo portadores de neoplasia maligna  encontra amparo no inciso XXXI do art. 6º da Lei 7.713/1988.  XXI  ­  os  valores  recebidos  a  título  de  pensão  quando  o  beneficiário  desse  rendimento  for  portador  das  doenças  relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de  moléstia  profissional,  com  base  em  conclusão  da  medicina  especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a  concessão da pensão. (Incluído pela Lei nº 8.541, de 1992) (Vide  Lei 9.250, de 1995)  A  condição  de  portadora  de  neoplasia  desde  abril  de  2007  é  atestada  pela  Perícia Médica do INSS (fls. 40) e no Laudo Médico do Hospital Universitário Oswaldo Cruz  de Recife (fls. 43), a existência de seqüela definitiva no laudo do Detran (fls. 45); e a natureza  de  rendimentos  de  pensão  alimentícia  decorrente  de  cumprimento  de  acordo  homologado  judicialmente pelos documentos de fls. 70/76.  Diante do exposto, deve­se DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para  cancelar o lançamento.    (Assinado digitalmente)  Jorge Claudio Duarte Cardoso                                Fl. 93DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO

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