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Numero do processo: 10425.001510/2010-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
MULTA DE OFÍCIO. SONEGAÇÃO. AGRAVAMENTO.
Descabida a multa qualificada quando a fiscalização não demonstra a intenção do sujeito passivo em omitir fatos geradores em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP).
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2402-004.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício ao percentual de setenta e cinco por cento.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente.
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 MULTA DE OFÍCIO. SONEGAÇÃO. AGRAVAMENTO. Descabida a multa qualificada quando a fiscalização não demonstra a intenção do sujeito passivo em omitir fatos geradores em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP). Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício ao percentual de setenta e cinco por cento. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
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Recorrente MUNICÍPIO DE ITAPORANGA PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 MULTA DE OFÍCIO. SONEGAÇÃO. AGRAVAMENTO. Descabida a multa qualificada quando a fiscalização não demonstra a intenção do sujeito passivo em omitir fatos geradores em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP). Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício ao percentual de setenta e cinco por cento. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 5. 00 15 10 /2 01 0- 47 Fl. 655DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão n.º 1133.579 da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ RecifePE, f. 634 638, com ciência ao sujeito passivo em 11/04/2012 que julgou improcedente a impugnação apresentada contra o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP lavrado sob o Debcad no 37.276.5599, com ciência ao sujeito passivo em 22/09/2010, f. 03. De acordo com o relatório fiscal de f. 234241, o AIOP trata de exigência de contribuições para a Seguridade Social a cargo dos segurados não descontadas de suas remunerações, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados da Prefeitura Municipal e sobre os valores pagos ou creditados aos segurados contribuintes individuais, agrupadas conforme classificação abaixo: DF: valores informados nas folhas de pagamento e não declarados em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, consignados no “demonstrativo dos valores em folha de pagamento e de GFIP”; DE: diferença entre os valores consignados nos empenhos e os informados em folhas de pagamento e que não foi declarada em GFIP, consignados no “demonstrativo dos valores em folha de pagamento e notas de empenho”; DP: contribuição incidente sobre o subsídio do Prefeito e a remuneração do diretor da Secretaria de Administração; RE: diferença entre o valor das contribuições dos segurados calculados em folha de pagamento e o valor devido calculado de acordo com a tabela, por faixa salarial. RN: valores informados em folha de pagamento que não integraram o salário de contribuição e que não foram declarados em GFIP, correspondentes aos pagamentos efetuados a André T. Silva nas rubricas vencimentos, gratificação e 1/3 de férias, e, aos pagamentos efetuados aos demais servidores a título de horas extras e 1/3 de férias, consignados no demonstrativo “remuneração em folha não considerada base de cálculo pela Prefeitura”, PF: valores de pagamentos a transportadores autônomos não declarados em GFIP, extraídos dos empenhos obtidos por meio de consulta ao sistema SAGRE/PB e de dados disponibilizados pelo contribuinte por meio magnético, consignados no demonstrativo “valores obtidos pelo sistema sagres e CD entregue pelo contribuinte transportador autônomo jan a dez/2009”, RA: valores pagos aos contribuintes individuais, exceto transportadores autônomos, não declarados em GFIP, extraídos dos empenhos obtidos por meio de consulta ao sistema SAGRE/PB e de dados disponibilizados pelo contribuinte por meio magnético, consignados no demonstrativo “valores obtidos pelo sistema sagres e CD entregue pelo contribuinte remuneração de autônomos jan a dez/2009”; Em razão da omissão da declaração desses fatos geradores em GFIP foi aplicada multa qualificada de 150% com base no art. 35A da Lei 8.212/91, conforme autorizado pelo art. 44 § 1o da Lei 9.430/96 c/c art. 71 inc. I da Lei 4.502/64, e foi feita Fl. 656DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10425.001510/201047 Acórdão n.º 2402004.171 S2C4T2 Fl. 656 3 representação ao Ministério Público Federal para, se assim entender, propor ação penal por crime de sonegação de contribuição previdenciária. A DRJ julgou a impugnação improcedente e manteve integralmente o crédito tributário lançado. Em 10/05/2012 o sujeito passivo, representado pelo prefeito municipal, interpôs recurso parcial insurgindose contra o agravamento da multa e apresentando suas alegações, f. 642645, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são, em síntese: Alega que não agiu com dolo nem houve sonegação a justificar o agravamento da penalidade, sustentando que deixou de prestar as informações em GFIP na época própria por erro, e que está providenciando a correção da falta. Complementa que o simples erro não justifica a aplicação da multa qualificada. Além disso, entende que as informações que foram omitidas em GFIP estão divulgadas na internet, no sítio do Tribunal de Contas do Estado – TCE/PB, cuja fonte foi consultada pela autoridade lançadora, de modo que não houve sonegação. Expõe que a multa aplicada com base na Lei 9.430/96 tem caráter confiscatório, o que afronta o art. 150, IV, da Constituição Federal. Pede que a multa aplicada seja reduzida para 75% e que o saldo devedor após essas alterações seja parcelado com base na Lei 10.522/2002 em 60 parcelas a serem descontadas do Fundo de Participação do Município – FPM, aplicandose a redução da multa prevista para os casos de pedido de parcelamento tempestivo. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 657DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Multa de Ofício Qualificada A controvérsia recai sobre o agravamento da penalidade pela prática de sonegação com base no art. 35A da Lei 8.212/91 c/c art. 44 inc. I § 1o da Lei 9.430/96, na redação da Lei 11.488/2007, e art. 71 inc. I da Lei 4.502/64, o qual define sonegação, in verbis: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Vêse que o agravamento da penalidade somente é possível em caso de sonegação dolosa, hipótese em que se verifica a vontade do sujeito passivo de alcançar o resultado consistente em impedir que a autoridade tributária tome conhecimento ou retarde a identificação da ocorrência do fato jurídico tributário, ou de assumir o risco de produzir esse resultado. A autoridade lançadora configurou a sonegação com base no fato de a recorrente ter deixado de informar em GFIP os valores pagos, devidos ou creditados aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, demonstrando que essa conduta omissiva ocorreu em todos os meses do ano de 2009. A conduta descrita, entretanto, não revela o elemento volitivo do infrator, indispensável à configuração da sonegação passível de agravamento da penalidade. Na falta de elementos capazes de demonstrar a intenção do infrator, os fatos imputados ao sujeito passivo pela autoridade lançadora ficam sujeitos à penalidade do art. 44 inciso I da Lei 9.430/96, com a redação da Lei 11.488/2007, que prevê a incidência de multa de ofício de 75% quando há omissão de declaração e declaração inexata, independente da intenção do infrator. Deixo de apreciar a alegação de incompatibilidade do art.44 da Lei 9.430/96 com o art. 150 inciso IV da Constituição Federal, por força do Enunciado da Súmula CARF nº 02, abaixo transcrito: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Com base no exposto, afasto a qualificadora, reduzindo a multa aplicada de 150% para 75%. Fl. 658DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10425.001510/201047 Acórdão n.º 2402004.171 S2C4T2 Fl. 657 5 Pedido de Parcelamento Quanto ao pedido de parcelamento da parte incontroversa, cabe ao sujeito passivo formalizálo junto à unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil circunscricionante do seu domicílio. Conclusão Com base no exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, reduzindo a multa aplicada de 150% para 75%. Luciana de Souza Espíndola Reis Fl. 659DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 13502.000856/2007-51
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006
DEDUÇÕES DECLARADAS. COMPROVAÇÃO.
À míngua de comprovação, rejeita-se as pretensas deduções declaradas pelo Contribuinte.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.775
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006 DEDUÇÕES DECLARADAS. COMPROVAÇÃO. À míngua de comprovação, rejeita-se as pretensas deduções declaradas pelo Contribuinte. Recurso Voluntário Negado.
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COMPROVAÇÃO. À míngua de comprovação, rejeitase as pretensas deduções declaradas pelo Contribuinte. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 08 56 /2 00 7- 51 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13502.000856/200751 Acórdão n.º 2801003.775 S2TE01 Fl. 128 2 Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/SDR/BA. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: O interessado impugna auto de infração do imposto de renda dos anoscalendário 2003, 2004 e 2005, onde foram incluídos rendimentos omitidos e glosadas deduções, como a seguir: Deduções Glosas / Omissões 2003 2004 2005 Totais Dependentes 3.816,00 3.816,00 4.212,00 11.844,00 Despesas com instrução 7.242,00 6.086,00 4.856,00 18.184,00 Despesas médicas 12.093,00 23.400,20 38.668,00 74.161,20 Rendimentos omitidos 6.464,59 0,00 0,00 6.464,59 TOTAIS 29.615,59 33.302,20 47.736,00 110.653,79 O imposto resultante foi de R$ 30.221,76, elevandose a exigência para R$ 62.167,19 com os acréscimos legais. O impugnante argumenta, em síntese, que o seu contador, além de esquecer de incluir os rendimentos omitidos, haveria incluído por engano despesas de terceiros; que deixara de incluir dedução de pensão alimentícia para os seus pais, conforme documento anexo. Apresenta comprovantes de despesas médicas que somam R$ 13.246,91. 0 processo foi baixado em diligência e o contribuinte intimado a comprovar o pagamento destas despesas. A intimação não foi atendida. A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 110/112, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FiSICA – IRPF Anocalendário: 2003, 2004, 2005 DEDUÇÕES. PROVAS. As deduções devem ser comprovadas com documentação hábil e idônea. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 128DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13502.000856/200751 Acórdão n.º 2801003.775 S2TE01 Fl. 129 3 Regularmente cientificado daquele Acórdão em 01/02/2011 (fl. 116), o Interessado interpôs recurso voluntário de fls. 117/118, em 11/02/2011, no qual repete os argumentos da impugnação. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cuida o presente lançamento de apuração de omissão de rendimentos e glosa de deduções a título de dependentes, despesas com instrução e despesas médicas. Na impugnação e no presente recurso, o Contribuinte argumenta que o seu contador, além de esquecer de incluir os rendimentos omitidos, haveria incluído por engano despesas de terceiros; que deixara de incluir dedução de pensão alimentícia para os seus pais, conforme documento anexo. Pretende, ainda, sejam aceitos os documentos constantes dos autos para cancelar o presente lançamento. Ressaltese que, em sede de recurso, não foram carreados novos elementos de prova pelo Interessado. Ao contrário do que defende o Peticionário, não se verificam, no presente processo,documentos hábeis, satisfatórios e convincentes, para a desconsideração das infrações apuradas pelo Fiscos. Portanto, não merece reparos a decisão recorrida, cujo entendimento adoto como razão de decidir: A responsabilidade por infrações à legislação tributária é objetiva, como determina o art. 136 do Código Tributário Nacional. Ineficaz para afastar a multa punitiva o seu argumento de que a culpa seria do seu contador. O interessado pretende incluir pensão alimentícia. Em primeiro lugar, não se admite a alteração da declaração quando visa reduzir o crédito tributário já notificado. E o que dispõe o § 1° do art. 147 do Código Tributário Nacional. Em segundo lugar, a pensão alimentícia somente é dedutível quando determinada em sentença ou acordo homologado judicialmente. 0 impugnante apresenta apenas termo de compromisso extrajudicial (fls. 82). O contribuinte, apesar de intimado, não compareceu para comprovar a efetividade dos pagamentos de despesas médicas para as quais traz os documentos de fls. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13502.000856/200751 Acórdão n.º 2801003.775 S2TE01 Fl. 130 4 75/80. Por outro lado, as notas fiscais que anexa aos autos são inid8neas. A que teria sido emitida em 15/01/2003 pela CTI Cuidados Terapêuticos Intensivos S/C Ltda. (fls. 77), no valor 2 de R$ 3.976,91, foi preenchida em formulário impresso um mês depois, em 11/02/2003. A nota fiscal de fls. 80, que teria sido emitida em 23/08/2005 pela Climat Cínica Médica e do Trabalho Ltda. (R$ 1.630,00), traz data de autorização para impressão de 27/08/1998 e não indica a data de validade. Por estas razões, voto pela procedência do lançamento. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 130DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 16561.000197/2008-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1301-000.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os Membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos do relatório e voto do relator.
(Assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Carlos Augusto de Andrade Jenier, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimaraes, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior.
Relatório
Adotando as razões do relatório apresentado pela r. decisão recorrida, destaco:
Em ação fiscal realizada na empresa em epígrafe, a fiscalização, conforme relatado no "Termo de Verificação e Constatação", TVC (fls. 141 a 143), apurou que a empresa adicionou ao lucro líquido para apuração do lucro real valor inferior ao que deveria ter sido considerado, relativo à apuração dos preços de transferência nas operações de importações de componentes realizadas com pessoas vinculadas no exterior, no ano-calendário de 2003. Ou seja, valor que deveria ser adicionado ao resultado tributável em decorrência da diferença a maior entre os preços praticados nas importações e os preços (parâmetro) apurados de acordo com os métodos previstos na legislação.
2. A fiscalização informa que:
2.1. verificou para efeito do IRPJ e da CSLL, a correta dedutibilidade dos custos dos bens importados de pessoas jurídicas vinculadas. Informa também, que procedeu aos mesmos exames para a empresa "Delphi Diesel Systems do Brasil Ltda.", CNPJ/MF no 49.874.155/0001-92, que foi incorporada pela "Delphi Automotive Systems do Brasil Ltda." em dezembro de 2007;
2.2. que as análises foram feitas com base no que determinam os artigos 18 a 23 da Lei no 9.430/96, combinados com os dispositivos do artigo 12 da Instrução Normativa SRF no 243/2002;
2.3. que a "Delphi Diesel" impetrou Pedido de Liminar em Mandado de Segurança Preventivo em 12/12/2007, em relação aos anos-calendário de 2002 a 2006 bem como nos seguintes, por discordar dos termos da IN SRF no 243/2002 por entender que esta inova em termos do que está previsto na Lei no 9.430/96; porém, o pedido de liminar acabou sendo indeferido (fis.210 a 264);
2.4. que após apresentação para o contribuinte de relação dos desembaraços dos bens importados no ano-calendário de 2003, extraída do sistema Siscomex e ratificadas por ele, foram selecionados os 235 produtos mais importantes, representado 80,25% do valor total importado pela "Delphi Automotive" e 68 produtos representando 69,97% da quantia total relativa às importações realizadas pela "Delphi Diesel'
2.5. que o contribuinte optou, para toda a sua linha de produtos importados, pela aplicação dos métodos PRL de apuração dós preços de transferência. Ou seja, "Preços de Revenda menos Lucro de 20% - PRL-20" e "Preços de Revenda menos Lucro de 60% - PRL-60", este para o caso de produtos importados para aplicação na produção de outros produtos ou para sofrer qualquer processo de industrialização, para revenda;
2.6. que apesar desta opção, em decorrência de trocas de informações dos técnicos da empresa com a fiscalização, foi constatado, que, para alguns produtos seria mais vantajosa a opção por outros métodos previstos pela legislação:
"Custo Produção mais Lucro CPL" e "Preços Independentes Comparados PIC";
2.7. a fiscalização informa que "para não cercear o direito de defesa do contribuinte e conceder-lhe o benefício da opção por outros métodos previstos na legislação, aguardamos, ao longo parte do contribuinte, de todos os mestre de 2008, a apresentação, por comprovantes que lhe fosse possível apresentar, para justificar o ajuste para determinados produtos pelos métodos de CPL e PIC. E de fato, por esses métodos, e com a documentação apresentada tempestivamente a que esta auditoria atribuiu consistência e credibilidade, alguns produtos tiveram o valor de seus ajustes zerados",
2.8. que foi apurado um excesso no valor total dos preços de transferência calculados pelo método PRL na quantia de R$ 76.138.286,15, depois de descontado o valor de R$ 1.073.017,35 apresentado pelo contribuinte e oferecido à tributação na DIPJ/04, ano calendário de 2003;
2.9. declara que "os representantes da empresa acompanharam todos os levantamentos feitos e tomaram conhecimento de todos os cálculos efetuados em cada etapa da ação fiscal'.
3. O valor adicionado de ofício ao resultado, do ano-calendário de 2003, para efeito do IRPJ e da CSLL foi;
4. Os enquadramentos legais aplicados foram: (i) IRPJ: art. 241 do RIR/99 e (ii) CSLL: art. 20 e §§, da Lei no 7.689188; art. V da Lei no 9.316196 e art. 28 da Lei no 9.430/96; art. 37 da Lei no 10.637/02.
5. Em decorrência do apurado foram lavrados os seguintes autos de infração, com ciência dada em 1511212008 (fls. 130 a 140): Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ no valor de R$ 32.312.517,58 e Contribuição Social sobre Lucro Líquido - CSLL na quantia de R$ 11.632.506,31 (os valores incluem multa de ofício e juros de mora, estes calculados até 2811112008).
6. A Empresa, tempestivamente, apresentou impugnação em 14/01/2009 (fls. 1.001 a 1.034), contestando o lançamento, fazendo as seguintes colocações:
PRELIMINAR
6.1. que ocorreram os seguintes equívocos na apuração realizada pela fiscalização dos preços de transferência:
6.1.1. primeiro equívoco a fiscalização considerou a quantidade total da matéria prima vendida, por código de produto, sem atentar para o fato de que essas matérias primas também poderiam ser adquiridas localmente ou produzidas pela Impugnante;
6.1.1.1. dá o exemplo da diferença que tal engano acarreta, demonstrando os cálculos do produto de código 26083612 (DASB, PRL 20) em que a fiscalização apurou excesso no preço do produto importado de R$ 1.389.189,47 quando o correto seria 2% deste valor. Alega que a fiscalização considerou o ajuste unitário de R$ 29,53 sobre o total dos produtos vendidos no ano de 47.055 unidades, quando o correto seria sobre as quantidades importadas de somente 655 unidades. Diz que mais de quarenta e seis mil unidades foram adquiridas localmente ou produzidas pela empresa, tal como provado pela documentação apresentada, Doc 02 (fls 1.050 a 1.154);
6.1.1.2. alega "que a mesma situação ocorreu com diversos dos bens importados pela Impugnante de forma pontual e esporádica, em que o volume dos bens importados é substancialmente inferior ao volume das aquisições e produção nacionais",
6.1.2. segundo equívoco a fiscalização, ao apurar o valor do ajuste dos preços de transferência submetido à tributação do IRPJ e da CSLL, deixou de deduzir o valor de R$ 1.235.149,01 declarado pela "Delphi Diesel' em sua DIPJ/2004, ano-calendário de 2003, conforme demonstrado no Doc 03 (fl. 1.156);
6.1.3. terceiro equívoco diz que, após ser notificada da lavratura do auto de infração, verificou que a fiscalização incorreu em erro com relação ao valor do ajuste de PRL 60 proposto para a "Delphi Diesel'. Informa que diferentemente do que ocorreu com o cálculo do ajuste proposto para "Delphi Automotive", a fiscalização baseou o cálculo da proporção entre o custo dos bens importados sobre o custo total do produto acabado na média do custo unitário das importações realizadas no curso do ano-calendário de 2003, desconsiderando os estoques iniciais existentes em 1o de janeiro de 2003. Informa que os valores dos ajustes propostos pela fiscalização e os apurados pela Impugnante estão demonstrados no Doc 04 (fls. 1.157 a 1.175). Valor do ajuste apurado pela fiscalização é de R$ 6.023.085,45 e o apurado pela Impugnante é de R$ 4.834.389,61. Diferença a menor de R$ 1.188.695,84;
6.2. diz que em decorrência dos três enganos apontados, está evidenciado o erro cometido na determinação das exigências fiscais do IRPJ e da CSLL, o que implica na nulidade do auto de infração, nos termos do artigo 10, V do Decreto no 70.235172;
6.3. declara que se os julgadores entenderem que os vícios apontados não implicam na nulidade dos lançamentos, requer revisão dos cálculos do ajuste de preço de transferência, corrigindo-se os enganos antes mesmo do julgamento a ser realizado e dando à Impugnante a oportunidade de se manifestar, previamente ao referido julgamento, sobre os ajustes a serem realizados de ofício;
DA ILEGALIDADE DA "IN SRF no 243/02"
6.4. a impugnante traça um breve histórico da legislação que trouxe as diretrizes básicas da apuração dos preços de transferência no Brasil;
6.5. diz que a intenção do legislador foi coibir a transferência indireta de lucros, não tributados, para o exterior, através da pratica de preços artificiais em operações de importação e exportação realizadas entre pessoa jurídicas vinculadas;
6.6. que para operacionalizar a apuração dos chamados "preços e custos médios", a Lei no 9.430196 trouxe os métodos a serem utilizados pelo fisco tanto nos exames das operações de importação como de exportação. No caso de importação os critérios foram: o de "Preços Independentes Comparados (PIC)", de "Preço de Revenda menos Lucro (PRL)" e de "Custo de Produção mais Lucro (CPL)";
6.7. que o artigo 18, inciso II, da lei no 9.430196, define o método (PRL) como a média aritmética dos preços de revenda dos bens, deduzida do somatório dos descontos incondicionais concedidos, além dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, comissões e corretagens pagas e da margem de lucro presumida de: (i) 60% na hipótese de bens importados aplicados na produção e de 20% calculada sobre o preço de revenda nas demais hipóteses;
6.8. diz que com este processo, quanto maior o valor agregado no Brasil ao insumo importado, isto é, quanto maior o nível de nacionalização do produto final a ser revendido, maior o preço parâmetro calculado e, conseqüentemente, menor o ajuste (adição) a ser realizado nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL;
6.9. que a Receita a fim de regulamentar a Lei n° 9.430196 editou, em 30 de março de 2001, a Instrução Normativa SRF no 32, a qual manteve intacta a sistemática prevista na referida Lei para apuração, através do método PRL 60;
6.10. que apesar do texto legal continuar inalterado até os dias de hoje, em 11 de novembro de 2002 a Receita Federal do Brasil editou a Instrução Normativa no 243 e "revogou" o entendimento acima, introduzindo a interpretação de que o preço líquido de revenda para efeito de aplicação da margem de 60% não mais seria o preço do produto final vendido, mas sim, o preço de "revenda" das partes e peças importadas agregadas a produto final. Este preço de venda, conforme prevê o artigo 12 da IN 243/03, seria, inclusive, apurado levando em consideração à mesma proporção sobre o preço do produto acabado da relação do custo do bem importado sobre o custo total desse produto final;
6.11. diz que, a aplicação desta IN 243102 leva "à conclusão absurda de que a importação de peças e partes para serem agregadas a produtos produzidos no Brasil para venda local ou exportação sejam revendidas com uma margem de 60%, enquanto que se importadas para pura revenda, sem agregar qualquer produção local, o percentual de margem de lucro aplicável seria de 20%, em virtude da aplicação do método PRL 20, previsto no artigo 18, inciso 11, alínea d';
6.12. traz exemplo da importação de um bem demonstrando os cálculos de acordo com o previsto na Lei no 9.430196 e a IN SRF no 243/02 e alega que "os números, por si só, impedem qualquer outra conclusão a não ser a de que a IN, de fato, determina a tributação de lucro em patamar muito superior àquele previsto pela Lei no 9.430196 (majoração em mais de 23 vezes no IRPJ e na CSLL para 2003), situação esta com a qual a Impugnante jamais poderá concordar";
6.13. indaga se tanto no PRL 20 como no PRL 60 a Receita Federal do Brasil considera isoladamente o valor de revenda do bem importado para a aplicação das margens de lucro, qual seria o objetivo de permitir que o mesmo bem, de mesmo valor, isoladamente considerado possa, em determinadas ocasiões, gerar um lucro de 60% e, em outras, um lucro de 20%? Diz que "conclui-se, pois, que a IN/SRF no 243/02 também encerra nítida violação ao princípio da isonomia para o cálculo do preço parâmetro através do Preço de Revenda menos Lucro",
6.14. declara que mesmo admitindo, para fins de argumentação, a aplicabilidade do método de cálculo previsto na IN no 243102, demonstra a impossibilidade de aplicação da margem de lucro de 60% com relação as suas importações, tendo em vista as características específicas do mercado de peças automotivas;
6.15. diz que a própria Lei no 9.430196 determinou expressamente a possibilidade de utilização de margens de lucro diversas das "padrão" estabelecidas na legislação, como previsto no artigo 21, desde que o contribuinte as comprove, com base em publicações, pesquisas ou relatórios elaborados de conformidade com o disposto no artigo;
6.16. alega que o próprio legislador admitiu que a margem de 60% para cálculo de preço de transferência no método PRL poderia ser inapropriada para determinados contribuintes. Diz que a determinação de ajustes de preços com base no método PRL 60, quando a margem de lucro da atividade do contribuinte é significativamente inferior a 60% certamente determinará uma tributação excessiva, contrariando os princípios constitucionais da capacidade contributiva e do não confisco, este previsto no artigo 150, IV da CF/88;
6.17. a Impugnante apresenta dois estudos elaborados pela auditoria independente "Deloitte, Touche e Tomatsu - DTT" sobre a margem bruta de lucro das empresas brasileira (Docs. 6 e 7);
6.18. informa que o primeiro estudo foi concluído em maio de 2003 e teve como base 193 empresas manufatureiras de diversos ramos da indústria nos anos-calendário de 2000, 2001 e 2003. De acordo do esse estudo, a média da margem de lucro das empresas brasileiras seria de 31,63%. Diz que especificamente com relação às empresas de autopeças o lucro bruto médio nestes anos foi de 25,13%;
6.19. diz que visando à aplicação do estudo mencionado acima especificamente em suas atividades solicitou análise detalhada para o setor de autopeças, englobando o período de 2002 a 2007. Informa que este estudo complementar foi concluído no início do presente ano e teve como base os resultados de 678 empresas manufatureiras fabricantes de autopeças e mais uma vez concluiu-se que a margem de 60% prevista na legislação de preços de transferência não reflete a realidade desse ramo da indústria: as margens de lucro bruto variaram, em media, entre 11,4% e 22,9% no período de 2002 a 2007. Analisando-se especificamente o ano-calendário de 2003, verifica-se que as margens variaram de 12,2% a 23,7%;
6.20. diz que a despeito da segurança a respeito da regularidade de seus cálculos de preços de transferência com base no método PRL 60, comprova, a título complementar, a inexistência de ajustes de preços relativos aos produtos de código 25146916. 25313535 e 25336072 também de acordo com o método CPL. Diz que o artigo 41 , § 21 da IN n° 243/2002 determina claramente que, dentre os métodos previstos, o contribuinte tem a opção de usar aquele que implicar menor ajuste nas bases tributáveis. Ressalta que inexiste qualquer previsão legal determinando a forma e o momento exato da opção pelos métodos previsto na legislação, daí, a apresentação dos cálculos de CPI- para esses itens, a serem considerados pela autoridade julgadora;
6.21. diz que para demonstração do preço parâmetro de acordo com o método CPL, apresenta a composição dos custos dos produtos importados, os quais são produzidos pela ASEC México (cód. 25146916 e 25313535) e pela ASEC US (25336072). Informa que os documentos relativos aos dois primeiros produtos estão anexados à presente impugnação (Docs. 8 e 9). A Impugnante protesta pela posterior juntada das respectivas traduções. Com relação ao terceiro produto informa que ainda está providenciando a documentação suporte do CPL junto à ASEC US e, assim, protesta pela posterior juntada desses documentos:
6.22. quanto ao método PRL 20, a Impugnante volta a mencionar o produto de código 26083612 importado pela DASB já tratado na preliminar. Diz que adicionalmente, visando demonstrar cabalmente a inexistência de ajustes, apresenta o cálculo de preço de transferência para os produtos de código 15397675 e 15397557 (Docs. 10 e11) sob o método CPL. Protesta, ainda, pela apresentação dos cálculos sob o método CPL também para o produto DAS Espana (DASE), que descontinuou seus negócios em 2007.
A partir da análise dos elementos contidos nos autos, a douta DRJ São Paulo I (SP) exarou a sua decisão, no sentido de julgar parcialmente procedente o lançamento, acolhendo em pequena parte os termos da impugnação apresentada, em acórdão que assim, inclusive, restou ementado:
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÌDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2003
MÉTODO PRL 60. CÁLCULOS SEGUNDO INSTRUÇÃO NORMATIVA. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE.
À esfera , administrativa não cabe apreciar questões relativas à legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas, competência esta exclusiva do Poder Judiciário.
ALTERAÇÕES DAS MARGENS DE LUCRO PREVISTAS NA LEI.
Somente atendendo ao que determina os artigos 32 a 34 da IN SRF n° 243/02 é possível adotar outras margens de lucro previstas na legislação.
OPÇÃO PELO MÉTODO DE APURAÇÃO DOS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA.
A opção pelo método a ser adotado para apuração dos preços de transferência se dá com a entrega da DIPJ, não sendo possível alterá-la após o lançamento realizado.
DIFERENÇAS NOS CÁLCULOS.
Desconsiderado no ajuste de preços de transferência, apurado pela fiscalização, o valor oferecido à tributação pela empresa "DELPHI DIESEL" na DIPJ/04.
Os demais ajustes requeridos não foram aceitos por falta de dados ou documentos para respaldá-los.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
CSLL. O decidido quanto ao lançamento do IRPJ deve nortear a decisão do lançamento decorrente, tendo em vista que se origina dos mesmos elementos de prova.
Lançamento Procedente em Parte
Regularmente intimada a contribuinte no dia 16/06/2009, foi por ela então interposto, no dia 15/07/2009, o seu competente Recurso Voluntário em que, repisando todos os argumentos aduzidos em sua impugnação originária (inclusive em idêntica ordem, segundo por ela mesma destacado), pretende ver acolhidas as suas razões, nos termos e pedidos, inclusive, ali expressamente elencados, verbis:
IV - DO PEDIDO
Em vista do exposto, a Recorrente requer, preliminarmente, seja dado provimento ao presente recurso para decretar-se a nulidade da decisão de primeira instância e/ou do lançamento fiscal combatido no que diz respeito à parcela dos créditos tributários por ela não cancelados, em virtude da equivocada determinação das exigências fiscais ou, quando menos, seja referida decisão parcialmente reformada de forma a que a apuração dos créditos seja refeita em razão da correção dos equívocos apontados.
Caso assim não entendam os Ilustres Julgadores, a Recorrente requer seja dado integral provimento ao presente apelo para que a parcela ainda não cancelada dos autos de infração ern exame sejam julgadas improcedentes, tendo em vista (i) a ilegalidade da Instrução Normativa n.° 243/02; (ii) a inaplicabil idade da margem de 60% para importações realizadas por empresas da indústria de autopeças, inclusive a Recorrente; e (iii) a adequação da eleição do método CPL para os produtos 15397675, 15397557, E2000381, 2514916, 25313535 e 25336072.
À vista do recurso interposto, comparece então a douta PGFN, em suas contra-razões de recurso, aduzindo, segundo aponta, todos os argumentos que entende necessários e suficientes para o afastamento da pretensão da recorrente, assim então sintetizados:
Preliminarmente : concomitância parcial entre o presente processo administrativo fiscal e o processo judicial n° 2007.61 .00.034048-7.
A insubsistência dos argumentos da recorrente.
Preliminar de nulidade equívocos na apuração do montante tributável
A legalidade da metodologia de cálculo prevista no artigo 12 da Instrução Normativa SRF n"243/2002.
Impossibilidade de alteração da margem de lucro de sessenta por cento no processo administrativo fiscal.
Impossibilidade de eleição do método CPL para determinados produtos: ausência de substrato probatório.
Trazido o processo a julgamento na sessão de 07 de Maio de 2013, entendeu-se pela necessidade de CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, o que fora então determinado pelas disposições da Resolução 1301000-113.
Retornando os autos após o desenvolvimento dos trabalhos pelos agentes da fiscalização, trago-os para julgamento.
Em rápida síntese, é o que se tem a relatar. Passo ao meu voto.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os Membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos do relatório e voto do relator. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Carlos Augusto de Andrade Jenier, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimaraes, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Relatório Adotando as razões do relatório apresentado pela r. decisão recorrida, destaco: Em ação fiscal realizada na empresa em epígrafe, a fiscalização, conforme relatado no "Termo de Verificação e Constatação", TVC (fls. 141 a 143), apurou que a empresa adicionou ao lucro líquido para apuração do lucro real valor inferior ao que deveria ter sido considerado, relativo à apuração dos preços de transferência nas operações de importações de componentes realizadas com pessoas vinculadas no exterior, no ano-calendário de 2003. Ou seja, valor que deveria ser adicionado ao resultado tributável em decorrência da diferença a maior entre os preços praticados nas importações e os preços (parâmetro) apurados de acordo com os métodos previstos na legislação. 2. A fiscalização informa que: 2.1. verificou para efeito do IRPJ e da CSLL, a correta dedutibilidade dos custos dos bens importados de pessoas jurídicas vinculadas. Informa também, que procedeu aos mesmos exames para a empresa "Delphi Diesel Systems do Brasil Ltda.", CNPJ/MF no 49.874.155/0001-92, que foi incorporada pela "Delphi Automotive Systems do Brasil Ltda." em dezembro de 2007; 2.2. que as análises foram feitas com base no que determinam os artigos 18 a 23 da Lei no 9.430/96, combinados com os dispositivos do artigo 12 da Instrução Normativa SRF no 243/2002; 2.3. que a "Delphi Diesel" impetrou Pedido de Liminar em Mandado de Segurança Preventivo em 12/12/2007, em relação aos anos-calendário de 2002 a 2006 bem como nos seguintes, por discordar dos termos da IN SRF no 243/2002 por entender que esta inova em termos do que está previsto na Lei no 9.430/96; porém, o pedido de liminar acabou sendo indeferido (fis.210 a 264); 2.4. que após apresentação para o contribuinte de relação dos desembaraços dos bens importados no ano-calendário de 2003, extraída do sistema Siscomex e ratificadas por ele, foram selecionados os 235 produtos mais importantes, representado 80,25% do valor total importado pela "Delphi Automotive" e 68 produtos representando 69,97% da quantia total relativa às importações realizadas pela "Delphi Diesel' 2.5. que o contribuinte optou, para toda a sua linha de produtos importados, pela aplicação dos métodos PRL de apuração dós preços de transferência. Ou seja, "Preços de Revenda menos Lucro de 20% - PRL-20" e "Preços de Revenda menos Lucro de 60% - PRL-60", este para o caso de produtos importados para aplicação na produção de outros produtos ou para sofrer qualquer processo de industrialização, para revenda; 2.6. que apesar desta opção, em decorrência de trocas de informações dos técnicos da empresa com a fiscalização, foi constatado, que, para alguns produtos seria mais vantajosa a opção por outros métodos previstos pela legislação: "Custo Produção mais Lucro CPL" e "Preços Independentes Comparados PIC"; 2.7. a fiscalização informa que "para não cercear o direito de defesa do contribuinte e conceder-lhe o benefício da opção por outros métodos previstos na legislação, aguardamos, ao longo parte do contribuinte, de todos os mestre de 2008, a apresentação, por comprovantes que lhe fosse possível apresentar, para justificar o ajuste para determinados produtos pelos métodos de CPL e PIC. E de fato, por esses métodos, e com a documentação apresentada tempestivamente a que esta auditoria atribuiu consistência e credibilidade, alguns produtos tiveram o valor de seus ajustes zerados", 2.8. que foi apurado um excesso no valor total dos preços de transferência calculados pelo método PRL na quantia de R$ 76.138.286,15, depois de descontado o valor de R$ 1.073.017,35 apresentado pelo contribuinte e oferecido à tributação na DIPJ/04, ano calendário de 2003; 2.9. declara que "os representantes da empresa acompanharam todos os levantamentos feitos e tomaram conhecimento de todos os cálculos efetuados em cada etapa da ação fiscal'. 3. O valor adicionado de ofício ao resultado, do ano-calendário de 2003, para efeito do IRPJ e da CSLL foi; 4. Os enquadramentos legais aplicados foram: (i) IRPJ: art. 241 do RIR/99 e (ii) CSLL: art. 20 e §§, da Lei no 7.689188; art. V da Lei no 9.316196 e art. 28 da Lei no 9.430/96; art. 37 da Lei no 10.637/02. 5. Em decorrência do apurado foram lavrados os seguintes autos de infração, com ciência dada em 1511212008 (fls. 130 a 140): Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ no valor de R$ 32.312.517,58 e Contribuição Social sobre Lucro Líquido - CSLL na quantia de R$ 11.632.506,31 (os valores incluem multa de ofício e juros de mora, estes calculados até 2811112008). 6. A Empresa, tempestivamente, apresentou impugnação em 14/01/2009 (fls. 1.001 a 1.034), contestando o lançamento, fazendo as seguintes colocações: PRELIMINAR 6.1. que ocorreram os seguintes equívocos na apuração realizada pela fiscalização dos preços de transferência: 6.1.1. primeiro equívoco a fiscalização considerou a quantidade total da matéria prima vendida, por código de produto, sem atentar para o fato de que essas matérias primas também poderiam ser adquiridas localmente ou produzidas pela Impugnante; 6.1.1.1. dá o exemplo da diferença que tal engano acarreta, demonstrando os cálculos do produto de código 26083612 (DASB, PRL 20) em que a fiscalização apurou excesso no preço do produto importado de R$ 1.389.189,47 quando o correto seria 2% deste valor. Alega que a fiscalização considerou o ajuste unitário de R$ 29,53 sobre o total dos produtos vendidos no ano de 47.055 unidades, quando o correto seria sobre as quantidades importadas de somente 655 unidades. Diz que mais de quarenta e seis mil unidades foram adquiridas localmente ou produzidas pela empresa, tal como provado pela documentação apresentada, Doc 02 (fls 1.050 a 1.154); 6.1.1.2. alega "que a mesma situação ocorreu com diversos dos bens importados pela Impugnante de forma pontual e esporádica, em que o volume dos bens importados é substancialmente inferior ao volume das aquisições e produção nacionais", 6.1.2. segundo equívoco a fiscalização, ao apurar o valor do ajuste dos preços de transferência submetido à tributação do IRPJ e da CSLL, deixou de deduzir o valor de R$ 1.235.149,01 declarado pela "Delphi Diesel' em sua DIPJ/2004, ano-calendário de 2003, conforme demonstrado no Doc 03 (fl. 1.156); 6.1.3. terceiro equívoco diz que, após ser notificada da lavratura do auto de infração, verificou que a fiscalização incorreu em erro com relação ao valor do ajuste de PRL 60 proposto para a "Delphi Diesel'. Informa que diferentemente do que ocorreu com o cálculo do ajuste proposto para "Delphi Automotive", a fiscalização baseou o cálculo da proporção entre o custo dos bens importados sobre o custo total do produto acabado na média do custo unitário das importações realizadas no curso do ano-calendário de 2003, desconsiderando os estoques iniciais existentes em 1o de janeiro de 2003. Informa que os valores dos ajustes propostos pela fiscalização e os apurados pela Impugnante estão demonstrados no Doc 04 (fls. 1.157 a 1.175). Valor do ajuste apurado pela fiscalização é de R$ 6.023.085,45 e o apurado pela Impugnante é de R$ 4.834.389,61. Diferença a menor de R$ 1.188.695,84; 6.2. diz que em decorrência dos três enganos apontados, está evidenciado o erro cometido na determinação das exigências fiscais do IRPJ e da CSLL, o que implica na nulidade do auto de infração, nos termos do artigo 10, V do Decreto no 70.235172; 6.3. declara que se os julgadores entenderem que os vícios apontados não implicam na nulidade dos lançamentos, requer revisão dos cálculos do ajuste de preço de transferência, corrigindo-se os enganos antes mesmo do julgamento a ser realizado e dando à Impugnante a oportunidade de se manifestar, previamente ao referido julgamento, sobre os ajustes a serem realizados de ofício; DA ILEGALIDADE DA "IN SRF no 243/02" 6.4. a impugnante traça um breve histórico da legislação que trouxe as diretrizes básicas da apuração dos preços de transferência no Brasil; 6.5. diz que a intenção do legislador foi coibir a transferência indireta de lucros, não tributados, para o exterior, através da pratica de preços artificiais em operações de importação e exportação realizadas entre pessoa jurídicas vinculadas; 6.6. que para operacionalizar a apuração dos chamados "preços e custos médios", a Lei no 9.430196 trouxe os métodos a serem utilizados pelo fisco tanto nos exames das operações de importação como de exportação. No caso de importação os critérios foram: o de "Preços Independentes Comparados (PIC)", de "Preço de Revenda menos Lucro (PRL)" e de "Custo de Produção mais Lucro (CPL)"; 6.7. que o artigo 18, inciso II, da lei no 9.430196, define o método (PRL) como a média aritmética dos preços de revenda dos bens, deduzida do somatório dos descontos incondicionais concedidos, além dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, comissões e corretagens pagas e da margem de lucro presumida de: (i) 60% na hipótese de bens importados aplicados na produção e de 20% calculada sobre o preço de revenda nas demais hipóteses; 6.8. diz que com este processo, quanto maior o valor agregado no Brasil ao insumo importado, isto é, quanto maior o nível de nacionalização do produto final a ser revendido, maior o preço parâmetro calculado e, conseqüentemente, menor o ajuste (adição) a ser realizado nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL; 6.9. que a Receita a fim de regulamentar a Lei n° 9.430196 editou, em 30 de março de 2001, a Instrução Normativa SRF no 32, a qual manteve intacta a sistemática prevista na referida Lei para apuração, através do método PRL 60; 6.10. que apesar do texto legal continuar inalterado até os dias de hoje, em 11 de novembro de 2002 a Receita Federal do Brasil editou a Instrução Normativa no 243 e "revogou" o entendimento acima, introduzindo a interpretação de que o preço líquido de revenda para efeito de aplicação da margem de 60% não mais seria o preço do produto final vendido, mas sim, o preço de "revenda" das partes e peças importadas agregadas a produto final. Este preço de venda, conforme prevê o artigo 12 da IN 243/03, seria, inclusive, apurado levando em consideração à mesma proporção sobre o preço do produto acabado da relação do custo do bem importado sobre o custo total desse produto final; 6.11. diz que, a aplicação desta IN 243102 leva "à conclusão absurda de que a importação de peças e partes para serem agregadas a produtos produzidos no Brasil para venda local ou exportação sejam revendidas com uma margem de 60%, enquanto que se importadas para pura revenda, sem agregar qualquer produção local, o percentual de margem de lucro aplicável seria de 20%, em virtude da aplicação do método PRL 20, previsto no artigo 18, inciso 11, alínea d'; 6.12. traz exemplo da importação de um bem demonstrando os cálculos de acordo com o previsto na Lei no 9.430196 e a IN SRF no 243/02 e alega que "os números, por si só, impedem qualquer outra conclusão a não ser a de que a IN, de fato, determina a tributação de lucro em patamar muito superior àquele previsto pela Lei no 9.430196 (majoração em mais de 23 vezes no IRPJ e na CSLL para 2003), situação esta com a qual a Impugnante jamais poderá concordar"; 6.13. indaga se tanto no PRL 20 como no PRL 60 a Receita Federal do Brasil considera isoladamente o valor de revenda do bem importado para a aplicação das margens de lucro, qual seria o objetivo de permitir que o mesmo bem, de mesmo valor, isoladamente considerado possa, em determinadas ocasiões, gerar um lucro de 60% e, em outras, um lucro de 20%? Diz que "conclui-se, pois, que a IN/SRF no 243/02 também encerra nítida violação ao princípio da isonomia para o cálculo do preço parâmetro através do Preço de Revenda menos Lucro", 6.14. declara que mesmo admitindo, para fins de argumentação, a aplicabilidade do método de cálculo previsto na IN no 243102, demonstra a impossibilidade de aplicação da margem de lucro de 60% com relação as suas importações, tendo em vista as características específicas do mercado de peças automotivas; 6.15. diz que a própria Lei no 9.430196 determinou expressamente a possibilidade de utilização de margens de lucro diversas das "padrão" estabelecidas na legislação, como previsto no artigo 21, desde que o contribuinte as comprove, com base em publicações, pesquisas ou relatórios elaborados de conformidade com o disposto no artigo; 6.16. alega que o próprio legislador admitiu que a margem de 60% para cálculo de preço de transferência no método PRL poderia ser inapropriada para determinados contribuintes. Diz que a determinação de ajustes de preços com base no método PRL 60, quando a margem de lucro da atividade do contribuinte é significativamente inferior a 60% certamente determinará uma tributação excessiva, contrariando os princípios constitucionais da capacidade contributiva e do não confisco, este previsto no artigo 150, IV da CF/88; 6.17. a Impugnante apresenta dois estudos elaborados pela auditoria independente "Deloitte, Touche e Tomatsu - DTT" sobre a margem bruta de lucro das empresas brasileira (Docs. 6 e 7); 6.18. informa que o primeiro estudo foi concluído em maio de 2003 e teve como base 193 empresas manufatureiras de diversos ramos da indústria nos anos-calendário de 2000, 2001 e 2003. De acordo do esse estudo, a média da margem de lucro das empresas brasileiras seria de 31,63%. Diz que especificamente com relação às empresas de autopeças o lucro bruto médio nestes anos foi de 25,13%; 6.19. diz que visando à aplicação do estudo mencionado acima especificamente em suas atividades solicitou análise detalhada para o setor de autopeças, englobando o período de 2002 a 2007. Informa que este estudo complementar foi concluído no início do presente ano e teve como base os resultados de 678 empresas manufatureiras fabricantes de autopeças e mais uma vez concluiu-se que a margem de 60% prevista na legislação de preços de transferência não reflete a realidade desse ramo da indústria: as margens de lucro bruto variaram, em media, entre 11,4% e 22,9% no período de 2002 a 2007. Analisando-se especificamente o ano-calendário de 2003, verifica-se que as margens variaram de 12,2% a 23,7%; 6.20. diz que a despeito da segurança a respeito da regularidade de seus cálculos de preços de transferência com base no método PRL 60, comprova, a título complementar, a inexistência de ajustes de preços relativos aos produtos de código 25146916. 25313535 e 25336072 também de acordo com o método CPL. Diz que o artigo 41 , § 21 da IN n° 243/2002 determina claramente que, dentre os métodos previstos, o contribuinte tem a opção de usar aquele que implicar menor ajuste nas bases tributáveis. Ressalta que inexiste qualquer previsão legal determinando a forma e o momento exato da opção pelos métodos previsto na legislação, daí, a apresentação dos cálculos de CPI- para esses itens, a serem considerados pela autoridade julgadora; 6.21. diz que para demonstração do preço parâmetro de acordo com o método CPL, apresenta a composição dos custos dos produtos importados, os quais são produzidos pela ASEC México (cód. 25146916 e 25313535) e pela ASEC US (25336072). Informa que os documentos relativos aos dois primeiros produtos estão anexados à presente impugnação (Docs. 8 e 9). A Impugnante protesta pela posterior juntada das respectivas traduções. Com relação ao terceiro produto informa que ainda está providenciando a documentação suporte do CPL junto à ASEC US e, assim, protesta pela posterior juntada desses documentos: 6.22. quanto ao método PRL 20, a Impugnante volta a mencionar o produto de código 26083612 importado pela DASB já tratado na preliminar. Diz que adicionalmente, visando demonstrar cabalmente a inexistência de ajustes, apresenta o cálculo de preço de transferência para os produtos de código 15397675 e 15397557 (Docs. 10 e11) sob o método CPL. Protesta, ainda, pela apresentação dos cálculos sob o método CPL também para o produto DAS Espana (DASE), que descontinuou seus negócios em 2007. A partir da análise dos elementos contidos nos autos, a douta DRJ São Paulo I (SP) exarou a sua decisão, no sentido de julgar parcialmente procedente o lançamento, acolhendo em pequena parte os termos da impugnação apresentada, em acórdão que assim, inclusive, restou ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÌDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003 MÉTODO PRL 60. CÁLCULOS SEGUNDO INSTRUÇÃO NORMATIVA. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. À esfera , administrativa não cabe apreciar questões relativas à legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas, competência esta exclusiva do Poder Judiciário. ALTERAÇÕES DAS MARGENS DE LUCRO PREVISTAS NA LEI. Somente atendendo ao que determina os artigos 32 a 34 da IN SRF n° 243/02 é possível adotar outras margens de lucro previstas na legislação. OPÇÃO PELO MÉTODO DE APURAÇÃO DOS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. A opção pelo método a ser adotado para apuração dos preços de transferência se dá com a entrega da DIPJ, não sendo possível alterá-la após o lançamento realizado. DIFERENÇAS NOS CÁLCULOS. Desconsiderado no ajuste de preços de transferência, apurado pela fiscalização, o valor oferecido à tributação pela empresa "DELPHI DIESEL" na DIPJ/04. Os demais ajustes requeridos não foram aceitos por falta de dados ou documentos para respaldá-los. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CSLL. O decidido quanto ao lançamento do IRPJ deve nortear a decisão do lançamento decorrente, tendo em vista que se origina dos mesmos elementos de prova. Lançamento Procedente em Parte Regularmente intimada a contribuinte no dia 16/06/2009, foi por ela então interposto, no dia 15/07/2009, o seu competente Recurso Voluntário em que, repisando todos os argumentos aduzidos em sua impugnação originária (inclusive em idêntica ordem, segundo por ela mesma destacado), pretende ver acolhidas as suas razões, nos termos e pedidos, inclusive, ali expressamente elencados, verbis: IV - DO PEDIDO Em vista do exposto, a Recorrente requer, preliminarmente, seja dado provimento ao presente recurso para decretar-se a nulidade da decisão de primeira instância e/ou do lançamento fiscal combatido no que diz respeito à parcela dos créditos tributários por ela não cancelados, em virtude da equivocada determinação das exigências fiscais ou, quando menos, seja referida decisão parcialmente reformada de forma a que a apuração dos créditos seja refeita em razão da correção dos equívocos apontados. Caso assim não entendam os Ilustres Julgadores, a Recorrente requer seja dado integral provimento ao presente apelo para que a parcela ainda não cancelada dos autos de infração ern exame sejam julgadas improcedentes, tendo em vista (i) a ilegalidade da Instrução Normativa n.° 243/02; (ii) a inaplicabil idade da margem de 60% para importações realizadas por empresas da indústria de autopeças, inclusive a Recorrente; e (iii) a adequação da eleição do método CPL para os produtos 15397675, 15397557, E2000381, 2514916, 25313535 e 25336072. À vista do recurso interposto, comparece então a douta PGFN, em suas contra-razões de recurso, aduzindo, segundo aponta, todos os argumentos que entende necessários e suficientes para o afastamento da pretensão da recorrente, assim então sintetizados: Preliminarmente : concomitância parcial entre o presente processo administrativo fiscal e o processo judicial n° 2007.61 .00.034048-7. A insubsistência dos argumentos da recorrente. Preliminar de nulidade equívocos na apuração do montante tributável A legalidade da metodologia de cálculo prevista no artigo 12 da Instrução Normativa SRF n"243/2002. Impossibilidade de alteração da margem de lucro de sessenta por cento no processo administrativo fiscal. Impossibilidade de eleição do método CPL para determinados produtos: ausência de substrato probatório. Trazido o processo a julgamento na sessão de 07 de Maio de 2013, entendeu-se pela necessidade de CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, o que fora então determinado pelas disposições da Resolução 1301000-113. Retornando os autos após o desenvolvimento dos trabalhos pelos agentes da fiscalização, trago-os para julgamento. Em rápida síntese, é o que se tem a relatar. Passo ao meu voto.
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Resolvem os Membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos do relatório e voto do relator. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Carlos Augusto de Andrade Jenier, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimaraes, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 65 61 .0 00 19 7/ 20 08 -2 7 Fl. 2040DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16561.000197/200827 Resolução nº 1301000.206 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Adotando as razões do relatório apresentado pela r. decisão recorrida, destaco: Em ação fiscal realizada na empresa em epígrafe, a fiscalização, conforme relatado no "Termo de Verificação e Constatação", TVC (fls. 141 a 143), apurou que a empresa adicionou ao lucro líquido para apuração do lucro real valor inferior ao que deveria ter sido considerado, relativo à apuração dos preços de transferência nas operações de importações de componentes realizadas com pessoas vinculadas no exterior, no ano calendário de 2003. Ou seja, valor que deveria ser adicionado ao resultado tributável em decorrência da diferença a maior entre os preços praticados nas importações e os preços (parâmetro) apurados de acordo com os métodos previstos na legislação. 2. A fiscalização informa que: 2.1. verificou para efeito do IRPJ e da CSLL, a correta dedutibilidade dos custos dos bens importados de pessoas jurídicas vinculadas. Informa também, que procedeu aos mesmos exames para a empresa "Delphi Diesel Systems do Brasil Ltda.", CNPJ/MF no 49.874.155/000192, que foi incorporada pela "Delphi Automotive Systems do Brasil Ltda." em dezembro de 2007; 2.2. que as análises foram feitas com base no que determinam os artigos 18 a 23 da Lei no 9.430/96, combinados com os dispositivos do artigo 12 da Instrução Normativa SRF no 243/2002; 2.3. que a "Delphi Diesel" impetrou Pedido de Liminar em Mandado de Segurança Preventivo em 12/12/2007, em relação aos anoscalendário de 2002 a 2006 bem como nos seguintes, por discordar dos termos da IN SRF no 243/2002 por entender que esta inova em termos do que está previsto na Lei no 9.430/96; porém, o pedido de liminar acabou sendo indeferido (fis.210 a 264); 2.4. que após apresentação para o contribuinte de relação dos desembaraços dos bens importados no anocalendário de 2003, extraída do sistema Siscomex e ratificadas por ele, foram selecionados os 235 produtos mais importantes, representado 80,25% do valor total importado pela "Delphi Automotive" e 68 produtos representando 69,97% da quantia total relativa às importações realizadas pela "Delphi Diesel' 2.5. que o contribuinte optou, para toda a sua linha de produtos importados, pela aplicação dos métodos PRL de apuração dós preços de transferência. Ou seja, "Preços de Revenda menos Lucro de 20% PRL20" e "Preços de Revenda menos Lucro de 60% PRL60", este para o caso de produtos importados para aplicação na produção de outros produtos ou para sofrer qualquer processo de industrialização, para revenda; Fl. 2041DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16561.000197/200827 Resolução nº 1301000.206 S1C3T1 Fl. 4 3 2.6. que apesar desta opção, em decorrência de trocas de informações dos técnicos da empresa com a fiscalização, foi constatado, que, para alguns produtos seria mais vantajosa a opção por outros métodos previstos pela legislação: "Custo Produção mais Lucro — CPL" e "Preços Independentes Comparados — PIC"; 2.7. a fiscalização informa que "para não cercear o direito de defesa do contribuinte e concederlhe o benefício da opção por outros métodos previstos na legislação, aguardamos, ao longo parte do contribuinte, de todos os mestre de 2008, a apresentação, por comprovantes que lhe fosse possível apresentar, para justificar o ajuste para determinados produtos pelos métodos de CPL e PIC. E de fato, por esses métodos, e com a documentação apresentada tempestivamente a que esta auditoria atribuiu consistência e credibilidade, alguns produtos tiveram o valor de seus ajustes zerados", 2.8. que foi apurado um excesso no valor total dos preços de transferência calculados pelo método PRL na quantia de R$ 76.138.286,15, depois de descontado o valor de R$ 1.073.017,35 apresentado pelo contribuinte e oferecido à tributação na DIPJ/04, ano calendário de 2003; 2.9. declara que "os representantes da empresa acompanharam todos os levantamentos feitos e tomaram conhecimento de todos os cálculos efetuados em cada etapa da ação fiscal'. 3. O valor adicionado de ofício ao resultado, do anocalendário de 2003, para efeito do IRPJ e da CSLL foi; 4. Os enquadramentos legais aplicados foram: (i) IRPJ: art. 241 do RIR/99 e (ii) CSLL: art. 20 e §§, da Lei no 7.689188; art. V da Lei no 9.316196 e art. 28 da Lei no 9.430/96; art. 37 da Lei no 10.637/02. Fl. 2042DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16561.000197/200827 Resolução nº 1301000.206 S1C3T1 Fl. 5 4 5. Em decorrência do apurado foram lavrados os seguintes autos de infração, com ciência dada em 1511212008 (fls. 130 a 140): Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ no valor de R$ 32.312.517,58 e Contribuição Social sobre Lucro Líquido CSLL na quantia de R$ 11.632.506,31 (os valores incluem multa de ofício e juros de mora, estes calculados até 2811112008). 6. A Empresa, tempestivamente, apresentou impugnação em 14/01/2009 (fls. 1.001 a 1.034), contestando o lançamento, fazendo as seguintes colocações: PRELIMINAR 6.1. que ocorreram os seguintes equívocos na apuração realizada pela fiscalização dos preços de transferência: 6.1.1. primeiro equívoco — a fiscalização considerou a quantidade total da matéria prima vendida, por código de produto, sem atentar para o fato de que essas matérias primas também poderiam ser adquiridas localmente ou produzidas pela Impugnante; 6.1.1.1. dá o exemplo da diferença que tal engano acarreta, demonstrando os cálculos do produto de código 26083612 (DASB, PRL 20) em que a fiscalização apurou excesso no preço do produto importado de R$ 1.389.189,47 quando o correto seria 2% deste valor. Alega que a fiscalização considerou o ajuste unitário de R$ 29,53 sobre o total dos produtos vendidos no ano de 47.055 unidades, quando o correto seria sobre as quantidades importadas de somente 655 unidades. Diz que mais de quarenta e seis mil unidades foram adquiridas localmente ou produzidas pela empresa, tal como provado pela documentação apresentada, Doc 02 (fls 1.050 a 1.154); 6.1.1.2. alega "que a mesma situação ocorreu com diversos dos bens importados pela Impugnante de forma pontual e esporádica, em que o volume dos bens importados é substancialmente inferior ao volume das aquisições e produção nacionais", 6.1.2. segundo equívoco — a fiscalização, ao apurar o valor do ajuste dos preços de transferência submetido à tributação do IRPJ e da CSLL, deixou de deduzir o valor de R$ 1.235.149,01 declarado pela "Delphi Diesel' em sua DIPJ/2004, anocalendário de 2003, conforme demonstrado no Doc 03 (fl. 1.156); 6.1.3. terceiro equívoco — diz que, após ser notificada da lavratura do auto de infração, verificou que a fiscalização incorreu em erro com relação ao valor do ajuste de PRL 60 proposto para a "Delphi Diesel'. Informa que diferentemente do que ocorreu com o cálculo do ajuste proposto para "Delphi Automotive", a fiscalização baseou o cálculo da proporção entre o custo dos bens importados sobre o custo total do produto acabado na média do custo unitário das importações realizadas no curso do ano calendário de 2003, desconsiderando os estoques iniciais existentes em 1o de janeiro de 2003. Informa que os valores dos ajustes propostos pela fiscalização e os apurados pela Impugnante estão demonstrados no Doc 04 (fls. 1.157 a 1.175). Valor do ajuste apurado pela fiscalização é de R$ 6.023.085,45 e o apurado pela Impugnante é de R$ 4.834.389,61. Diferença a menor de R$ 1.188.695,84; 6.2. diz que em decorrência dos três enganos apontados, está evidenciado o erro cometido na determinação das exigências fiscais do IRPJ e da CSLL, o que implica na nulidade do auto de infração, nos termos do artigo 10, V do Decreto no 70.235172; Fl. 2043DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16561.000197/200827 Resolução nº 1301000.206 S1C3T1 Fl. 6 5 6.3. declara que se os julgadores entenderem que os vícios apontados não implicam na nulidade dos lançamentos, requer revisão dos cálculos do ajuste de preço de transferência, corrigindose os enganos antes mesmo do julgamento a ser realizado e dando à Impugnante a oportunidade de se manifestar, previamente ao referido julgamento, sobre os ajustes a serem realizados de ofício; DA ILEGALIDADE DA "IN SRF no 243/02" 6.4. a impugnante traça um breve histórico da legislação que trouxe as diretrizes básicas da apuração dos preços de transferência no Brasil; 6.5. diz que a intenção do legislador foi coibir a transferência indireta de lucros, não tributados, para o exterior, através da pratica de preços artificiais em operações de importação e exportação realizadas entre pessoa jurídicas vinculadas; 6.6. que para operacionalizar a apuração dos chamados "preços e custos médios", a Lei no 9.430196 trouxe os métodos a serem utilizados pelo fisco tanto nos exames das operações de importação como de exportação. No caso de importação os critérios foram: o de "Preços Independentes Comparados (PIC)", de "Preço de Revenda menos Lucro (PRL)" e de "Custo de Produção mais Lucro (CPL)"; 6.7. que o artigo 18, inciso II, da lei no 9.430196, define o método (PRL) como a média aritmética dos preços de revenda dos bens, deduzida do somatório dos descontos incondicionais concedidos, além dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, comissões e corretagens pagas e da margem de lucro presumida de: (i) 60% na hipótese de bens importados aplicados na produção e de 20% calculada sobre o preço de revenda nas demais hipóteses; 6.8. diz que com este processo, quanto maior o valor agregado no Brasil ao insumo importado, isto é, quanto maior o nível de nacionalização do produto final a ser revendido, maior o preço parâmetro calculado e, conseqüentemente, menor o ajuste (adição) a ser realizado nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL; 6.9. que a Receita a fim de regulamentar a Lei n° 9.430196 editou, em 30 de março de 2001, a Instrução Normativa SRF no 32, a qual manteve intacta a sistemática prevista na referida Lei para apuração, através do método PRL 60; 6.10. que apesar do texto legal continuar inalterado até os dias de hoje, em 11 de novembro de 2002 a Receita Federal do Brasil editou a Instrução Normativa no 243 e "revogou" o entendimento acima, introduzindo a interpretação de que o preço líquido de revenda para efeito de aplicação da margem de 60% não mais seria o preço do produto final vendido, mas sim, o preço de "revenda" das partes e peças importadas agregadas a produto final. Este preço de venda, conforme prevê o artigo 12 da IN 243/03, seria, inclusive, apurado levando em consideração à mesma proporção sobre o preço do produto acabado da relação do custo do bem importado sobre o custo total desse produto final; 6.11. diz que, a aplicação desta IN 243102 leva "à conclusão absurda de que a importação de peças e partes para serem agregadas a produtos produzidos no Brasil para venda local ou exportação sejam revendidas com uma margem de 60%, enquanto que se importadas para pura revenda, sem agregar qualquer produção local, o Fl. 2044DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16561.000197/200827 Resolução nº 1301000.206 S1C3T1 Fl. 7 6 percentual de margem de lucro aplicável seria de 20%, em virtude da aplicação do método PRL 20, previsto no artigo 18, inciso 11, alínea d'; 6.12. traz exemplo da importação de um bem demonstrando os cálculos de acordo com o previsto na Lei no 9.430196 e a IN SRF no 243/02 e alega que "os números, por si só, impedem qualquer outra conclusão a não ser a de que a IN, de fato, determina a tributação de lucro em patamar muito superior àquele previsto pela Lei no 9.430196 (majoração em mais de 23 vezes no IRPJ e na CSLL para 2003), situação esta com a qual a Impugnante jamais poderá concordar"; 6.13. indaga se tanto no PRL 20 como no PRL 60 a Receita Federal do Brasil considera isoladamente o valor de revenda do bem importado para a aplicação das margens de lucro, qual seria o objetivo de permitir que o mesmo bem, de mesmo valor, isoladamente considerado possa, em determinadas ocasiões, gerar um lucro de 60% e, em outras, um lucro de 20%? Diz que "concluise, pois, que a IN/SRF no 243/02 também encerra nítida violação ao princípio da isonomia para o cálculo do preço parâmetro através do Preço de Revenda menos Lucro", 6.14. declara que mesmo admitindo, para fins de argumentação, a aplicabilidade do método de cálculo previsto na IN no 243102, demonstra a impossibilidade de aplicação da margem de lucro de 60% com relação as suas importações, tendo em vista as características específicas do mercado de peças automotivas; 6.15. diz que a própria Lei no 9.430196 determinou expressamente a possibilidade de utilização de margens de lucro diversas das "padrão" estabelecidas na legislação, como previsto no artigo 21, desde que o contribuinte as comprove, com base em publicações, pesquisas ou relatórios elaborados de conformidade com o disposto no artigo; 6.16. alega que o próprio legislador admitiu que a margem de 60% para cálculo de preço de transferência no método PRL poderia ser inapropriada para determinados contribuintes. Diz que a determinação de ajustes de preços com base no método PRL 60, quando a margem de lucro da atividade do contribuinte é significativamente inferior a 60% certamente determinará uma tributação excessiva, contrariando os princípios constitucionais da capacidade contributiva e do não confisco, este previsto no artigo 150, IV da CF/88; 6.17. a Impugnante apresenta dois estudos elaborados pela auditoria independente "Deloitte, Touche e Tomatsu DTT" sobre a margem bruta de lucro das empresas brasileira (Docs. 6 e 7); 6.18. informa que o primeiro estudo foi concluído em maio de 2003 e teve como base 193 empresas manufatureiras de diversos ramos da indústria nos anoscalendário de 2000, 2001 e 2003. De acordo do esse estudo, a média da margem de lucro das empresas brasileiras seria de 31,63%. Diz que especificamente com relação às empresas de autopeças o lucro bruto médio nestes anos foi de 25,13%; 6.19. diz que visando à aplicação do estudo mencionado acima especificamente em suas atividades solicitou análise detalhada para o setor de autopeças, englobando o período de 2002 a 2007. Informa que este estudo complementar foi concluído no início do presente ano e teve como base os resultados de 678 empresas manufatureiras Fl. 2045DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16561.000197/200827 Resolução nº 1301000.206 S1C3T1 Fl. 8 7 fabricantes de autopeças e mais uma vez concluiuse que a margem de 60% prevista na legislação de preços de transferência não reflete a realidade desse ramo da indústria: as margens de lucro bruto variaram, em media, entre 11,4% e 22,9% no período de 2002 a 2007. Analisandose especificamente o anocalendário de 2003, verificase que as margens variaram de 12,2% a 23,7%; 6.20. diz que a despeito da segurança a respeito da regularidade de seus cálculos de preços de transferência com base no método PRL 60, comprova, a título complementar, a inexistência de ajustes de preços relativos aos produtos de código 25146916. 25313535 e 25336072 também de acordo com o método CPL. Diz que o artigo 41 , § 21 da IN n° 243/2002 determina claramente que, dentre os métodos previstos, o contribuinte tem a opção de usar aquele que implicar menor ajuste nas bases tributáveis. Ressalta que inexiste qualquer previsão legal determinando a forma e o momento exato da opção pelos métodos previsto na legislação, daí, a apresentação dos cálculos de CPI para esses itens, a serem considerados pela autoridade julgadora; 6.21. diz que para demonstração do preço parâmetro de acordo com o método CPL, apresenta a composição dos custos dos produtos importados, os quais são produzidos pela ASEC México (cód. 25146916 e 25313535) e pela ASEC US (25336072). Informa que os documentos relativos aos dois primeiros produtos estão anexados à presente impugnação (Docs. 8 e 9). A Impugnante protesta pela posterior juntada das respectivas traduções. Com relação ao terceiro produto informa que ainda está providenciando a documentação suporte do CPL junto à ASEC US e, assim, protesta pela posterior juntada desses documentos: 6.22. quanto ao método PRL 20, a Impugnante volta a mencionar o produto de código 26083612 importado pela DASB já tratado na preliminar. Diz que adicionalmente, visando demonstrar cabalmente a inexistência de ajustes, apresenta o cálculo de preço de transferência para os produtos de código 15397675 e 15397557 (Docs. 10 e11) sob o método CPL. Protesta, ainda, pela apresentação dos cálculos sob o método CPL também para o produto DAS Espana (DASE), que descontinuou seus negócios em 2007. A partir da análise dos elementos contidos nos autos, a douta DRJ São Paulo I (SP) exarou a sua decisão, no sentido de julgar parcialmente procedente o lançamento, acolhendo em pequena parte os termos da impugnação apresentada, em acórdão que assim, inclusive, restou ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÌDICA IRPJ Anocalendário: 2003 MÉTODO PRL 60. CÁLCULOS SEGUNDO INSTRUÇÃO NORMATIVA. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. À esfera , administrativa não cabe apreciar questões relativas à legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas, competência esta exclusiva do Poder Judiciário. ALTERAÇÕES DAS MARGENS DE LUCRO PREVISTAS NA LEI. Somente atendendo ao que determina os artigos 32 a 34 da IN SRF n° 243/02 é possível adotar outras margens de lucro previstas na legislação. Fl. 2046DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16561.000197/200827 Resolução nº 1301000.206 S1C3T1 Fl. 9 8 OPÇÃO PELO MÉTODO DE APURAÇÃO DOS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. A opção pelo método a ser adotado para apuração dos preços de transferência se dá com a entrega da DIPJ, não sendo possível alterála após o lançamento realizado. DIFERENÇAS NOS CÁLCULOS. Desconsiderado no ajuste de preços de transferência, apurado pela fiscalização, o valor oferecido à tributação pela empresa "DELPHI DIESEL" na DIPJ/04. Os demais ajustes requeridos não foram aceitos por falta de dados ou documentos para respaldálos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CSLL. O decidido quanto ao lançamento do IRPJ deve nortear a decisão do lançamento decorrente, tendo em vista que se origina dos mesmos elementos de prova. Lançamento Procedente em Parte Regularmente intimada a contribuinte no dia 16/06/2009, foi por ela então interposto, no dia 15/07/2009, o seu competente Recurso Voluntário em que, repisando todos os argumentos aduzidos em sua impugnação originária (inclusive em idêntica ordem, segundo por ela mesma destacado), pretende ver acolhidas as suas razões, nos termos e pedidos, inclusive, ali expressamente elencados, verbis: IV DO PEDIDO Em vista do exposto, a Recorrente requer, preliminarmente, seja dado provimento ao presente recurso para decretarse a nulidade da decisão de primeira instância e/ou do lançamento fiscal combatido no que diz respeito à parcela dos créditos tributários por ela não cancelados, em virtude da equivocada determinação das exigências fiscais ou, quando menos, seja referida decisão parcialmente reformada de forma a que a apuração dos créditos seja refeita em razão da correção dos equívocos apontados. Caso assim não entendam os Ilustres Julgadores, a Recorrente requer seja dado integral provimento ao presente apelo para que a parcela ainda não cancelada dos autos de infração ern exame sejam julgadas improcedentes, tendo em vista (i) a ilegalidade da Instrução Normativa n.° 243/02; (ii) a inaplicabil idade da margem de 60% para importações realizadas por empresas da indústria de autopeças, inclusive a Recorrente; e (iii) a adequação da eleição do método CPL para os produtos 15397675, 15397557, E2000381, 2514916, 25313535 e 25336072. À vista do recurso interposto, comparece então a douta PGFN, em suas contra razões de recurso, aduzindo, segundo aponta, todos os argumentos que entende necessários e suficientes para o afastamento da pretensão da recorrente, assim então sintetizados: I) Preliminarmente : concomitância parcial entre o presente processo administrativo fiscal e o processo judicial n° 2007.61 .00.0340487. II) A insubsistência dos argumentos da recorrente. Fl. 2047DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16561.000197/200827 Resolução nº 1301000.206 S1C3T1 Fl. 10 9 a) Preliminar de nulidade — equívocos na apuração do montante tributável b) A legalidade da metodologia de cálculo prevista no artigo 12 da Instrução Normativa SRF n"243/2002. c) Impossibilidade de alteração da margem de lucro de sessenta por cento no processo administrativo fiscal. d) Impossibilidade de eleição do método CPL para determinados produtos: ausência de substrato probatório. Trazido o processo a julgamento na sessão de 07 de Maio de 2013, entendeuse pela necessidade de CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, o que fora então determinado pelas disposições da Resolução 1301000113. Retornando os autos após o desenvolvimento dos trabalhos pelos agentes da fiscalização, tragoos para julgamento. Em rápida síntese, é o que se tem a relatar. Passo ao meu voto. Fl. 2048DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16561.000197/200827 Resolução nº 1301000.206 S1C3T1 Fl. 11 10 Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, relator. Restando já reconhecida a tempestividade, conheço do recurso. Tratam os presentes autos, conforme se verifica, de discussão em torno do lançamento efetivado pelos ilustres senhores auditores fiscais na apuração dos montantes devidos a título de tributos incidentes sobre os montantes apurados a titulo de “Preços de Transferência”, em decorrência das operações realizadas, conforme se verifica, entre reconhecidas empresas ligadas. A questão trazida nos autos, conforme destacado na parte final do relatório minudenciado, apresenta discussão em torno da regularidade dos cálculos promovidos pelos agentes da fiscalização, havendo, a seu respeito, específico apontamento trazido pela contribuinte em seu Recurso Voluntário, ainda em sede de análise preliminar. Analisados os termos do recurso, na primeira assentada, restou definido pela decisão colegiada, a conversão do julgamento em diligência, especificamente para a análise das considerações ali apresentadas, sendo definida, então, por meio da Resolução no 1301000.113, nos termos antes aqui então devidamente destacado, destacandose, de seus termos, as seguintes e específicas considerações: Da análise dessas considerações, verificase que, nos presentes autos, antes ainda de analisar o mérito da discussão havida nos autos, fazse necessária a verificação da correção/adequação dos cálculos efetivados pela fiscalização, mostrandose, assim, essencial a análise dos argumentos aqui apontados e, ainda, a necessária confrontação entre os cálculos que embasaram o lançamento efetivado e aqueles aqui apresentados pela fiscalizada, possibilitando, com isso, a total e completa análise dos argumentos trazidos no recurso interposto. Diante disso – e, de acordo com o que definido em reunião colegiada , encaminho o meu voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência no sentido de verem analisadas as questões preliminares aqui aduzidas, sobretudo no que diz respeito ao apontamento de possíveis falhas nos cálculos apresentados pela fiscalização, possibilitando, com isso, ao final, a integral apreciação dos argumentos aduzidos no recurso voluntário interposto. A partir das determinações contidas na referida resolução, foram então baixados os autos, verificandose, às fls. 1937 e seguintes, as providências imediatas dos ilustres senhores auditores fiscais designados, destacandose, ali, a apresentação de Termo de Fl. 2049DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16561.000197/200827 Resolução nº 1301000.206 S1C3T1 Fl. 12 11 Intimação em Diligência, onde então restou intimada a contribuinte à apresentar os registros contábeis das operações de aquisição relativas ao produto indicado como “26083612” que demonstrem que dele teriam sido importadas apenas 655 unidades, e, ainda, demonstrativos que apontem eventuais outros produtos em situações análogas. Regularmente intimada a contribuinte, compareceu ela aos autos às fls. 1958 e ss. , atendendo à intimação recebida e apresentando cópia do respectivo “Razão Contábil” relativo às aquisições, em 2003, além ainda de demais registros (em formato magnético) referente à relação de demais produtos que, segundo sua análise, estariam em situações análogas àquela apresentada a título de amostragem. Às fls. 1965, verificase nova intimação da contribuinte para a apresentação de informações, sendo essa, então, após pedido de prorrogação do prazo concedido, também regularmente atendida pela contribuinte, agora, apresentando respostas aos questionamentos formulados, nos termos ali então devidamente apresentados. Em face de todas essas considerações, foi então lavrado o respectivo “Termo de Constatação e Intimação em Diligência”, pelo ilustre Sr. Auditor Fiscal, destacando, em suas razões, a existência de relevantes divergências entre os argumentos apresentados pela contribuinte nos autos deste processo e aqueles então apresentados como resposta aos questionamentos ofertados em diligência pelos agentes da fiscalização, sendo então renovada a intimação, no sentido de que a contribuinte apresentasse “esclarecimentos acerca das divergências constatadas no item 1 da Constatação deste Termo, entre o alegado pela impugnante e as argumentações apresentadas em sua resposta de 27/11/2013 quanto ao “terceiro equívoco”; e, disponibilizar na empresa os livros “Registros de Controle de Produção”, “Fichas de Controle de Movimentação de Estoque”, “Inventário”, etc., que possam vir a comprovar a produção das 46.453 unidades do item “26083612”.” Novamente intimada a contribuinte, comparece ela agora apresentando suas considerações, justificativas e cópias de arquivos fiscais, destacando, em suas razões, que muitas das divergências apontadas seriam decorrentes do tempo decorrido entre a época do lançamento (2003) e o momento das referidas diligências, de sorte que, visando atender com integralidade a solicitação encaminhada por este Conselho, estavam, na verdade, empreendendo todos os esforços possíveis na busca de informações seguras a respeito da questão colocada em debate. Às fls. 2018, então, é apresentado pelo ilustre Sr. Auditor Fiscal o “Relatório Conclusivo da Diligência”, onde apresenta em suas razões o seguinte: 1. Do Primeiro Equívoco (...) Desta forma, a recorrente logrou comprovar, mediante documento oficial, que somente 655 unidades do item “260 83812” forma importadas no AC 2003, de modo que se faz necessária a retificação do cálculo do ajuste de PT para esse item: Recálculo do PRL20: 655 x R$ 29,52 = R$ 19.335,60 em substituição a R$ 1.389.189,47 = Diferença de R$ 1.369.853,87. Valor total do PRL20 = R$ 2.880.823,36 –R$ 1.369.853,87 = R$ 1.510.969,49 Fl. 2050DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16561.000197/200827 Resolução nº 1301000.206 S1C3T1 Fl. 13 12 2. Do Terceiro Equívoco (...) Assim, pudemos identificar que o quanto alegado pela impugnante em seu recurso não corresponde às contrarrazões que a empresa apresentou nos trâmites da presente diligência, em que aponta inconsistências referentes à nãoconsideração da composição de produção, pela fiscalização. Cumpre ressaltar que um dos objetivos da análise em tela seria o de verificar se procedem as argumentações da impetrante quanto à desconsideração dos estoques iniciais existentes no início do AC 2003, nos cálculos dos preços de transferência (“terceiro equívoco”). O fato de que teria havido incorreções nas considerações ds quantidades de composição de produção é praticamente novo, não foi sequer cogitado quando da apresentação da impugnação pela recorrente, nem mesmo houve qualquer análise ou ponderação sobre o mesmo no julgamento em primeira instância. A partir dessas considerações, apresenta então o resultado final da diligência, destacando a retificação dos termos do lançamento anteriormente efetivado, apresentando, ali, os novos valores de ajustes devidos, nos termos então considerados. Regularmente intimada a contribuinte do resultado da diligência, apresenta ela então as suas considerações a respeito das conclusões atingidas pelos agente diligenciante, destacando, inicialmente, a sua concordância com os apontamentos relativos ao tópico “Primeiro Equívoco”, em que restou confirmada a falha dos cálculos apontada, mas, em seguida, passa a criticar a posição adotada pelo diligenciante em relação ao tópico “Terceiro Equívoco”, em que ele, escudandose na suposta divergência entre as razões agora apresentadas pela contribuinte e aquelas anteriormente constantes de sua impugnação, teria, simplesmente, deixado de atender às determinações da Resolução apresentada, que, como se verifica, fundarase, especificamente, na busca de verificação de equívocos nos cálculos dos agentes da fiscalização. Destaco: “Em resumo: o agente fiscal chegou a pedir os documentos, concluiu a análise quanto à improcedência do cálculo original e a procedência dos recálculos apresentados pela empresa, mas se recusou a retificar os ajustes originais, sob a alegação de que as quantidades de composição de produção seriam um fato “praticamente novo”, emitindo um juízo de valor para o qual pretendeu assumir atribuição que não lhe compete, em detrimento do trabalho que realizou e as conclusões que chegou a ter , em relação à improcedência dos cálculos originais de ajuste de PT para estes itens específicos. De modo a tornar claro o equívoco da Fiscalização na apuração do PRL60, a recorrente acosta à presente, demonstrativo de cálculo que evidencia os ajustes a maior feitos pela fiscalização, em comparação com o cálculo que seria obtido se considerados os valores de estoque inicial de produtos, ou participação de insumos no montante de mercadorias comercializadas (Doc.1). (...) Assim, ante todo o exposto, reiteramos que a Delphi Automotive Systems do Brasil Ltda. logrou êxito em comprovar que os cálculos do ajuste de PT foram feitos em Fl. 2051DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16561.000197/200827 Resolução nº 1301000.206 S1C3T1 Fl. 14 13 excesso, devendo a parte excedente ser retirada na integra e para os 2 itens do processo em tela (considerando valores do estoque inicial de produtos, ou a participação de insumos no montante de mercadorias comercializadas). Caso assim não se entenda (o que somente se admite por argumentar), que ao menos se retifique os cálculos nos moldes solicitados e os submeta ao CARF para que julgue se devem ser considerados ou não, já que esta faculdade é do órgão julgador, e não da fiscalização. Pois bem. Analisando os elementos contidos nos autos, o que se verifica é que, de fato, assiste razão às ponderações finais apresentadas pela contribuinte, especificamente porque, conforme se verifica, tendo sido baixados os autos em diligência para a verificação das específicas ponderações da contribuinte em relação aos supostos “erros de cálculo” promovidos pela fiscalização, esta não teria sido objetivamente observada pelos agentes diligenciantes, que, como se verifica, limitaramse a simplesmente rejeitar as considerações apresentadas por apresentaremse como supostas “inovações” nas teses inicialmente atacadas na impugnação apresentada. Com todas as mais respeitosas vênias, entendo que não cabe aos agentes do órgão preparador promover qualquer julgamento a respeito da pertinência ou da correção dos argumentos apresentados, mas, no caso, exclusivamente, limitarse aos termos da solicitação pretendida por meio da Resolução no 1301000.113, qual seja, exclusivamente analisar as ponderações apresentadas pela recorrente em relação aos (supostos) erros de cálculo, o que, conforme se verifica, não se teria objetivamente verificado e promovido. O processo administrativo fiscal, cumpre destacar, é o procedimento próprio, normativamente definido, de controle de legalidade dos atos praticados pelos agentes da fiscalização, possibilitando, sempre, a adequação de eventuais equívocos como forma de garantir, sempre, a mais escorreita e regular atuação dos agentes da fiscalização fazendária. Nesses termos, não se tendo efetivamente promovido o atendimento da solicitação da referida Resolução, trazidos os autos à apreciação da Turma Julgadora, entendeuse pela necessidade de nova conversão do feito em diligência, determinando aos agentes da fiscalização fazendária o específico e objetivo enfrentamento das considerações apresentadas em sede de Preliminar no Recurso Voluntário interposto, especificamente relacionadas à existência de possíveis “erros de cálculo” na apuração dos montantes devidos, o que, então, não restara atendido na oportunidade anterior. Para fins de necessários registros e esclarecimentos, destaco que todos os apontamentos apresentados pelos agentes diligenciantes a respeito da “pertinência” dos argumentos trazidos pela recorrente serão, ainda, oportunamente analisados pelo Colegiado, após o regular e necessário saneamento do feito. Em face dessas considerações, atendendo ao que determinado em sede de julgamento pelo Colegiado desta 1a Turma Ordinária da 3a Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF, entendo pela necessidade de nova CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, especificamente para que os doutos agentes da fiscalização fazendária federal se pronunciem, objetivamente, a respeito das considerações apresentadas pela recorrente em relação aos supostos “erros de cálculo” (Preliminar no Recurso Voluntário), possibilitando, com isso, o saneamento do feito, caso, ao final, aqui se mostre necessário. Fl. 2052DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16561.000197/200827 Resolução nº 1301000.206 S1C3T1 Fl. 15 14 É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER – Relator. Fl. 2053DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 10640.722673/2011-01
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988, quando a patologia for comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios. A juntada de novo laudo que supera o óbice apontado em primeira instância de julgamento autoriza o reconhecimento da isenção em litígio.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-003.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo o valor de R$ 26.861,44(vinte e seis mil, oitocentos e sessenta e um reais e quarenta e quatro centavos) que fora lançado a título de omissão de rendimentos recebidos do INSS, mantendo no mais o lançamento, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 09/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Nathália Correia Pompeu (suplente convocada), Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza (suplente convocado) e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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MOLÉSTIA GRAVE. São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988, quando a patologia for comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios. A juntada de novo laudo que supera o óbice apontado em primeira instância de julgamento autoriza o reconhecimento da isenção em litígio. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo o valor de R$ 26.861,44(vinte e seis mil, oitocentos e sessenta e um reais e quarenta e quatro centavos) que fora lançado a título de omissão de rendimentos recebidos do INSS, mantendo no mais o lançamento, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 09/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Nathália Correia Pompeu (suplente convocada), Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 26 73 /2 01 1- 01 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 09 /10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Verçoza (suplente convocado) e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2010, anocalendário 2009, devido à apuração de omissão de rendimentos recebidos do INSS (R$26.861,44) e de Construcap CCPS Engenharia e Comércio S/A (R$7.932,47). A autoridade lançadora anotou que o laudo apresentado pelo contribuinte não especificou a data em que a doença foi contraída, de forma que a isenção foi reconhecida a partir da data de expedição do laudo e os rendimentos tributados de acordo com a discriminação consta nas Declaração de Rendimentos Pagos e Retenção na Fonte – DIRF. Na impugnação, o contribuinte alegou que os rendimentos do INSS são proventos de aposentadoria isentos em razão de possuir moléstia grave e que os recebidos da empresa Construcap são inferiores ao limite para retenção na fonte. O contribuinte foi intimado a apresentar documentação comprobatória de que apresentou pedido de reconhecimento da isenção do imposto de renda perante o INSS, bem como a correspondente decisão, se houver, e, caso deferido, informar se a suspensão do imposto de renda já foi procedida pela fonte pagadora e a partir de que data. Não houve resposta do contribuinte. A impugnação foi indeferida sob fundamento de que o laudo (fls. 9), datado de 28/06/2011, tem ilegíveis o carimbo de identificação do serviço médico oficial, emissor do laudo, bem como o carimbo com os dados (Nome, CPF, CRM) do médico signatário, o que impossibilita verificar a existência de vínculo entre o serviço médico oficial e o profissional da saúde (médico) que o assina. O acórdão ressaltou que, nos sistemas da Receita Federal, consta, até dezembro de 2011, pelo menos, a fonte pagadora INSS não havia suspendido a retenção do imposto. A ciência do acórdão ocorreu em 21/09/2012 e o recurso voluntário foi interposto no dia 16/10/2012 . Na peça recursal, é reiterado o apelo para reconhecimento da isenção e para reconhecimento da força probante do laudo já apresentado, para tanto junta laudo emitido em 10/10/2012 (fls. 58). O processo foi distribuído a este Relator, por sorteio, durante a sessão de agosto de 2014. É o Relatório. Voto Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 09 /10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10640.722673/201101 Acórdão n.º 2802003.194 S2TE02 Fl. 64 3 Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. É incontroversa a condição de aposentado. É incontroverso que o laudo de fls. 9, emitido em 28/06/2011, indica a data do diagnóstico da doença neoplasia maligna (edenocarcinoma sigmóide) como sendo setembro/2000, e ainda a informação de que a doença é passível de controle, determinando o prazo de validade do laudo em 10 anos. Como o laudo foi emitido em 2011, ainda é eficaz. Novo laudo foi juntado às fls. 58, objetivando suprir as dificuldades de leitura do primeiro. Este novo laudo foi emitido em 10/10/2012. O serviço médico oficial é o I.C.E SUSJF e emitente o Dr. Leonardo José Vieira. No mais, ambos os laudos tem o mesmo conteúdo. Na busca da verdade material, este Relator pesquisou a rede mundial de computadores no intuito de esclarecimento sobre o que vem a ser o ICE SUS – JF, tendo encontrado a informação de que se trata do Instituto das Clínicas Especializadas, de gestão municipal, portanto Serviço Médico Oficial do Município de Juiz de Fora, integrado ao SUS (SOUZA, Irene Duarte. INTEGRALIDADE DA ASSISTÊNCIA: a narrativa de usuários egressos de Unidade de Terapia Intensiva no Sistema Único de Saúde. Disponível em http://www.ufjf.br/pgsaudecoletiva/files/2013/03/INTEGRALIDADEDA ASSIST%C3%8ANCIAanarrativadeusu%C3%A1riosegressosdeUnidadedeTerapia Intensivan.pdf. Acesso: 15Set.2014). Portanto, estão ultrapassados os óbices apontados em primeira instância de julgamento para reconhecer que os rendimentos pagos pelo INSS estão isentos do imposto e devem ser excluídos da base de cálculo. Já na impugnação o contribuinte destacara a alegação sobre a isenção unicamente quanto aos proventos de aposentadoria recebidos do INSS. Não foi apontada essa questão quanto à omissão de rendimentos pagos por Construcap CCPS Engenharia e Comércio S/A (R$7.932,47, fls. 2). E no recurso voluntário não há uma razão expressa para excluíla do lançamento. De todo modo, não poderia ser tida como isenta por falta de comprovação de que são rendimentos de aposentadoria ou pensão, uma vez que este é um dos requisitos para reconhecimento dessa isenção, consoante o 6º da Lei n° Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com as alterações do art.47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992 e art. 30, § 2º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 09 /10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Diante do exposto, devese DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo o valor de R$ 26.861,44(vinte e seis mil, oitocentos e sessenta e um reais e quarenta e quatro centavos) que fora lançado a título de omissão de rendimentos recebidos do INSS, mantendo no mais o lançamento. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 09 /10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 13971.002497/2002-35
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2000
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. NÃO REGULAMENTAÇÃO DO ART. 3O., PARÁGRAFO 2O., INCISO III, DA LEI 9.718/98. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DE CUSTOS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS.
A não regulamentação do artigo 3o , parágrafo 2o., inciso III da Lei 9.718/98, impede o contribuinte de excluir da receita bruta os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica.
Os custos decorrentes do pagamento de terceiros subcontratados não se confundem com meros ingressos financeiros, para fins da apuração do PIS.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.751
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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NÃO REGULAMENTAÇÃO DO ART. 3O., PARÁGRAFO 2O., INCISO III, DA LEI 9.718/98. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DE CUSTOS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS. A não regulamentação do artigo 3o , parágrafo 2o., inciso III da Lei 9.718/98, impede o contribuinte de excluir da receita bruta os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica. Os custos decorrentes do pagamento de terceiros subcontratados não se confundem com meros ingressos financeiros, para fins da apuração do PIS. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 24 97 /2 00 2- 35 Fl. 435DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 01/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 03 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG): O interessado apresentou pedido de restituição de PIS/Pasep, relação aos períodos de apuração de 03/1999 a 08/2000 (fls. 01 a 08); Posteriormente apresentou DCOMP's nas quais utiliza o crédito pleiteado para compensar débitos de PIS/Pasep dos períodos de apuração 02/2003 (processo 13971.000723/2003 24anexo), 04 a 072003 (fls. 329 a 344) e 12/2002 (processo 13971.000146/200371anexo); A DRFBlumenau emitiu Despacho Decisório no qual indefere o pedido de restituição e não homologa as compensações pleiteadas (fls. 345 a 348); A empresa apresenta Manifestação de Inconformidade na qual alega que: a) o inciso III, do § 2°, do artigo 3°, da Lei 9.718/98, prevê o direito de excluir da receita bruta os valores transferidos para outra pessoa jurídica; b) a não exclusão dos valores acima, teria efeitos confiscatórios, desobedecendo à razoabilidade, a proporcionalidade e a capacidade contributiva do contribuinte; c) regulamentos expedidos pelo Poder Executivo não podem restringir direito conferido por Lei. Analisando a questão, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora entendeu por bem julgar improcedentes as alegações trazidas pelo contribuinte em sua Manifestação de Inconformidade e não homologar a compensação efetuada, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário; 1999, 2000 PIS/PASEP A exclusão da base de cálculo, de valores transferidos a terceiros, não foi regulamentada até a sua revogação. PRINCÍPIO DA ESTRITA LEGALIDADE: A expedição de normas regulamentadoras pelo Executivo não se constitui violação do Princípio da Estrita Legalidade. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 01/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 03 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.002497/200235 Acórdão n.º 3801003.751 S3TE01 Fl. 12 3 Rest/Ress. Indeferido Comp. não homologada O contribuinte apresentou, então, seu Recurso Voluntário, reiterando os argumentos já trazidos em sede de Manifestação de Inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel O Recurso foi apresentado dentro do prazo legal e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. De todo o relatado, inferese que a Recorrente não se conforma em ser tributada pelo PIS sobre a receita que repassa a terceiros, subcontratados para a consecução de serviços em que ela própria, a Recorrente, foi originalmente contratada a prestar. A questão vai além da não regulamentação do artigo 3o , parágrafo 2o., inciso III da Lei 9.718/98, que, realmente, impediu os contribuintes, de forma inequívoca e inquestionável, de excluir da receita bruta os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica. A não regulamentação da norma não autoriza o contribuinte a se apropriar do crédito relativo à contribuição paga sobre toda e qualquer receita que tenha repassado a terceiro. E tampouco esse Conselho tem a competência para fazer as vezes de órgão regulamentador da Lei. Entretanto, e esse é o ponto que pode ser trazido à discussão, é fato também que um mero ingresso financeiro não significa receita tributável. Receita tributável não é calculada por meio da subtração das exclusões legais do valor da receita bruta. A receita tributável é a entrada definitiva no patrimônio da pessoa jurídica, sobre o qual esta possui titularidade e disponibilidade, e que lhe seja pago em decorrência de um negócio jurídico inerente à atividade empresarial, ainda que não decorrente do exercício da atividade típica da pessoa jurídica. Mas para que seja segregada como receita própria ou receita de terceiro, é imprescindível também que ela seja previamente identificada como receita de terceiro. Se desde o início da operação não houver como externar a titularidade da receita, todos os valores recebidos, mesmo que repassados posteriormente a terceiros, apresentarão características de receita tributável. O repasse posterior a terceiro, nas hipóteses em que não há a identificação de titularidade, representará custo da empresa, e não receita de terceiro ou mero ingresso financeiro. Este Conselho já enfrentou, por diversas vezes, embates em que se procurava identificar, justamente, se o que estava sendo tributado era a receita própria do contribuinte ou Fl. 437DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 01/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 03 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 a receita de terceiros. Vale mencionar o caso, no segmento de telefonia, de “roaming”, em que se decidiu que a operadora telefônica que utiliza a rede de terceiros pode abater da base de cálculo o valor repassado pela utilização da rede (Acórdão 340101.189, da 1a. Turma da 4a. Câmara da 3a. Seção, DOU 31.08.2011; Acórdão 340101.180, da 1a. Turma da 4a. Câmara da 3a. Seção, DOU 31.08.2011; Acórdão CSRF/0202.223, da 2a. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, DOU 06.08.2007). O caso de “roaming”, contudo, é relativo a um setor regulamentado, que determina, por lei, a discriminação de “roaming” na fatura de prestação de serviços, o que denota a transparência necessária que possibilita a identificação da titularidade da receita e o dimensionamento de seus valores, definidos não só pelos contratantes, mas pela própria legislação. Vale mencionar também a discussão travada pelas agências de publicidade, relativa aos ingressos recebidos para remunerar os veículos de divulgação. Nestes casos, a contratação das agências envolve a criação de material publicitário para posterior divulgação em veículo de comunicação. Nos casos em que a agência de publicidade é contratada para a criação de material publicitário, com valor préajustado para remuneração do veículo de divulgação e um valor de comissão para a agência, há julgados deste CARF no sentido de que não deve incidir o PIS e a COFINS sobre os valores destacados em fatura e que serão repassados aos veículos de divulgação (Acórdão 20217.862, da 2a. Câmara do 2a. Conselho de Contribuintes, DOU 18.12.2008; Acórdão 330200.962, da 2a. Turma Ordinária da 3a. Câmara da 3a. Seção, julgado em 04.05.2011; Acórdão 340100.401, da 1a. Turma da 4a. Câmara da 3a. Seção, julgado 16.11.2009). Porém, quando há a simples contratação da agência de propaganda sem nenhuma discriminação de quanto será destinado à remuneração do veículo de divulgação, esse mesmo Conselho entende que o contrato é remunerado de forma global, evidenciando um “pacote fechado”e os pagamentos aos veículos de comunicação representam custos, e não meros repasses financeiros. Os exemplos supra mencionados trazem luzes importantíssimas para o deslinde da questão, muito embora se refiram a setores da economia totalmente distintos entre si e do setor de atuação da Recorrente. Mostram a importância da transparência para fins de determinação da incidência ou não da contribuição. Trazendo ao caso concreto, se houvesse conhecimento, desde o início da contratação, de quanto e a quem será repassada a remuneração para a consecução dos serviços que compõem a prestação final ao contratante, não haveria dúvidas de que esses ingressos apenas transitam pelo patrimônio da Recorrente, não constituindo, portanto, receitas próprias passíveis de tributação pelo PIS. Ocorre que no setor de construção civil, muito embora seja usual e normal a subcontratação de serviços para a consecução de um contrato global, é normal e usual também que a parte contratante do serviço não exija, não se envolva e não se responsabilize por essa subcontratação. Não se prevê nos contratos que determinados valores serão repassados a terceiros subcontratados. O contratante não sabe, desde o início, se o valor que é pago a seu contratado é de titularidade deste ou apenas está transitando pelo patrimônio do contratado. Não se trata, portanto, de receita de terceiro, mas de custo posterior do contratado. Caso os contratos celebrados entre a Recorrente e seus contratantes previssem a identificação dessa receita, caso essa receita estivesse discriminada em suas notas fiscais, Fl. 438DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 01/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 03 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.002497/200235 Acórdão n.º 3801003.751 S3TE01 Fl. 13 5 seria ônus do Recorrente em comprovar a real titularidade (ou não) destas. Não houve qualquer comprovação neste sentido, digase. Assim, considerando que a não regulamentação do artigo 3o , parágrafo 2o., inciso III da Lei 9.718/98, impede a Recorrente de excluir da receita bruta os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica; considerando que este Conselho não tem o poder de criar a norma regulamentadora dessa Lei; considerando que, no caso, a Recorrente pretende a exclusão de custos, e não de meros ingressos financeiros, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 439DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 01/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 03 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10820.901008/2008-51
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1801-000.344
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
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Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes Wipprich. RELATÓRIO. Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 5a. Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto/SP que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que não reconheceu o direito creditório e não homologou compensações declaradas a ele vinculadas. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 20 .9 01 00 8/ 20 08 -5 1 Fl. 277DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/09/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10820.901008/200851 Resolução nº 1801000.344 S1TE01 Fl. 3 2 A interessada apresentou PERDCOMP a fim de compensar débito de IRPJ apurado pelo Lucro Presumido no 4o. trimestre de 2003, com direito creditório relativo a IRPJ também pago pelo Lucro Presumido apurado no 4o. trimestre de 2002, no valor de R$ 1.200,12. Pelo Despacho Decisório de fl. 5 a compensação declarada foi não homologada porque o DARF que veiculou o pagamento do indébito reclamado teria sido totalmente alocado a débito declarado em DCTF. Em manifestação de inconformidade tempestivamente apresentada alegou a defesa, em síntese: a) teria como atividade principal a "Construção Civil Projetos, Administração de Obras, Fabricação de Artefatos de Cimento para Construção e Prestação de Serviços na Área de Construção Civil"; b) ao efetuar recolhimentos de impostos por ela devidos, utilizouse do percentual de presunção sobre a receita bruta de 32%, quando o correto seria o percentual de 8%, vez que realiza construção por empreitada, com emprego de materiais próprios, em qualquer quantidade, em conseqüência de mudança de entendimento da Administração Pública deduzida no Ato Declaratório Normativo Cosit n° 06, de 13/01/1997, do qual teria tido conhecimento no ano de 2003; c) teria sido orientada a preencher o PERDCOMP e a retificar sua DCTF, mas que o fato de não ter efetuado a retificação teria levado a nãohomologação da compensação declarada; d) solicitou a compensação de IRPJ código de receita 2089, no valor de R$ 1.420,46, referente a 4a. quota, com vencimento para o dia 30/04/2004; e que com a aplicação da alíquota correta, possuiria um crédito no valor de R$ 4.855,45 (31/10/2002). A Turma Julgadora de 1a. Instância indeferiu o pleito por entender, em resumo, que a empresa, por possuir atividades diversificadas, e sem apresentar prova material das atividades exercidas no 4° trimestre de 2002, não poderia reclamar a aplicação do ADN Cosit n° 6, de 1997, como pretendido, eis que tanto a obrigação tributária devida, como os valores indevidamente pagos, deveriam vincularse a uma apuração, o que, no caso dos autos, não ocorreu. Cientificada da decisão em 08/10/2010 apresentou, em 05/11/2010, recurso voluntário. Aduz que a decisão recorrida aceita que, na hipótese de exercer atividades de construção por empreitada, como é seu caso, há que ser aplicada a alíquota de 8% e não a de 32% e que a inexistência de prova material do indébito é suprida pela apresentação de: DCTF original e retificadora; DIPJ original e retificadora; contratos firmados no 4o. trimestre de 2002 com a Prefeitura do Município de Paranapuã/SP e com o CEFAM – Centro Específico de Formação e Aperfeiçoamento do Magistério cujos serviços se deram na modalidade de empreitada por preço global Notas Fiscais de Prestação de Serviços; Notas fiscais de entrada de mercadorias empregadas; Fl. 278DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/09/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10820.901008/200851 Resolução nº 1801000.344 S1TE01 Fl. 4 3 Pede, ao final, pelo reconhecimento de seu pleito. Seguem documentos anexados às fls. 36 a 272. É o relatório. VOTO Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Como se verifica do relato, a recorrente alega que teria, indevidamente, calculado o Lucro Presumido do 4o. trimestre de 2002 à alíquota de presunção de 32%, quando o correto seria a alíquota de 8%, eis que suas receitas são oriundas de prestação serviços de empreitada por preço global com fornecimento de mãodeobra e material, subsumindose, assim, a interpretação veiculada no ADN Cosit n º 6, de 1997. A Turma Julgadora de 1a. Instância indeferiu o pleito por considerar que a recorrente não fizera prova documental de que sua apuração do Lucro Presumido estaria submetida ao percentual de 8%. No recurso voluntário a recorrente reafirma que, por engano, teria feito a apuração do LP ao percentual de 32%, mas que o correto seria 8%, à vista da atividade praticada e, no intuito de comprovar sua afirmação, anexa ao processo mais de 80 folhas de documentos. Com efeito, a recorrente trouxe aos autos: 1) cópia da DCTF original apresentada em 13/02/2003, na qual foi informado um valor de IRPJ devido no 4o. trimestre de 2002, de R$ 6.953,93 (fl. 62), que, segundo informações do Despacho Decisório, foi vinculado a um pagamento efetuado por DARF, em 28/02/2003, no valor de R$ 2.540,04; 2) cópia da DCTF retificadora, apresentada em 16/05/2008, na qual foi informado como IRPJ devido no 4o. trimestre de 2002 de R$ 1.738,48, cujo pagamento foi vinculado a um DARF no mesmo valor do débito. (fl. 75). 3) cópia da DIPJ original, entregue em 30/06/2003, consignando (fl. 114): Receitas ao percentual de 8% = 0,00 Receitas ao percentual de 32% = 144.873,63 Base de Cálculo Lucro Presumido = R$ 46.359,56 IRPJ sobre o Lucro Presumido = R$ 6.953,93 Fl. 279DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/09/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10820.901008/200851 Resolução nº 1801000.344 S1TE01 Fl. 5 4 4) cópia da DIPJ retificadora apresentada em 14/05/2008, na qual foi consignada a seguinte apuração (fl.151): Receitas ao percentual de 8% = R$ 144.873,63 Receitas ao percentual de 32% = 0,00 Base de Cálculo Lucro Presumido = R$ 11.589,89 IRPJ sobre o Lucro Presumido = R$ 1.738,48 A recorrente anexou, também, algumas cópias de contratos de prestação de serviços. No contrato celebrado entre a recorrente e a Associação de Pais e Mestres – APM da EE Prefeito José Ribeiro – Cidade de Paranapuã/SP (fl.s 202 e ss do vol. 2) consta da clausula primeira a previsão da execução do serviço de construção de vestiário e palco, com fornecimento de todos os materiais, no regime de empreitada por preço global, que de acordo com memorial descritivo, parte integrante do contrato, perfez o valor total de R$ 29.886,38, mas ao contrato foi dado o valor de R$ 37.825,00. O prazo de execução previsto foi de 6 meses com pagamentos efetuados a cada medição correspondente a 25% da obra. A via do referido contrato anexada aos autos não se encontra datada, mas na cópia da ART – Anotação de Responsabilidade Técnica (fl. 210), atinente ao contrato, consta a data de 04/11/2002. No contrato assinado com a Prefeitura do Município de Estrela D’oeste (fls 217 e ss) também foi prevista a prestação de serviços de mão de obra especializada com fornecimento de material, no regime de execução indireta com empreitada por preço global de construção de 15 unidades Habitacionais e Melhorias de InfraEstrutura Urbana., no valor de R$ 112.252,95, com prazo de execução de 6 meses – assinado em 18/03/2002. Em outro contrato celebrado com a Prefeitura do Município de Estrela D’oeste (fls. 220 e ss) foram estipulados serviços de mãodeobra especializada, com fornecimento de material, sob o regime de execução indireta com empreitada por prego global, objetivando a contratação de empresa especializada para construção de base para instalação de balança; no valor de R$ 17.937,00, com prazo de execução de 90 dias, assinado em 11/06/2002 Há ainda o contrato celebrado com a Prefeitura Municipal de Jales para “adaptação de piscina e construção de vestiário”, sob regime de empreitada por preço global no valor de R$ 90.909,05, com prazo de 180 dias, assinado em 03/05/2002. (fls. 217/219). Encontramse anexadas, ainda, cópias de notas fiscais de prestação de serviços emitidas nos meses de outubro, novembro e dezembro, cujos históricos descrevem “prestação de serviços e material” (fls. 227 a 234) que totalizam R$ 83.622,56 e cópias de notas fiscais de entrada de mercadorias supostamente empregadas na execução das obras (fls. 234 e ss). A recorrente apresentou seu contrato social e diversas alterações (efls. 3656) Na alteração datada de julho de 1995 o objeto social foi alterado de: construção civil, administração de imóveis, compra e venda, incorporação, loteamento, projetos e fabricação de artefatos de cimento para construção , para "Fabricação de artefatos de cimento para construção, projetos e prestação de serviços na Área de Construção Civil" Fl. 280DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/09/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10820.901008/200851 Resolução nº 1801000.344 S1TE01 Fl. 6 5 Na Alteração Contratual nº 6 (efl. 8 e ss) datada de 12/12/2003, o objeto social da empresa foi alterado para: “Construção civil, projetos, administração de obras, fabricação de artefatos de cimento para construção e prestação de serviços na Área de construção civil." Já, na alteração contratual datada de 04/05/2010 (efls 36/37) o objeto social da empresa passou a ser a "construção de edifícios, elaboração de projetos de engenharia, gerenciamento e execução de obras." Em que pese todo o esforço da defesa, não foi possível, a partir dos elementos anexados aos autos, validar o valor da receita bruta declarada, no 4o. trimestre de 2002, no valor de R$ 144.873,63. Por tais razões e, levando em consideração a apresentação de um início de prova a favor da recorrente, proponho que o presente feito seja encaminhado ao órgão de jurisdição da recorrente para que, em procedimento de diligência fiscal: 1) seja intimada a recorrente a comprovar que efetuou contabilmente segregação de suas receitas, no caso de haver atividades diversificadas 2) seja auditada a escrituração contábil e fiscal da empresa, de modo a restar demonstrado: 2.1) a composição do valor da receita auferida no 4o. trimestre de 2002; 2.2) se o valor da receita auferida no 4o. trimestre de 2002 advém, totalmente, da prestação de serviços de construção por empreitada a preço global com fornecimento de mão de obra e materiais, ou se há receitas obtidas com outras atividades. 2.3) se há notas fiscais oriundas de atividade diversa (diversificada) Ao final dos trabalhos DEVERÁ o agente fiscal encarregado elaborar relatório circunstanciado e conclusivo, do qual deverá ser cientificada a recorrente para aditar suas razões de defesa, no prazo de 30 dias, se assim o desejar, retornandose, posteriormente os autos, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Fl. 281DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/09/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 11176.000271/2007-54
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - PROVA DOCUMENTAL - PRECLUSÃO DO DIREITO DO IMPUGNANTE FAZÊ-LO EM MOMENTO PROCESSUAL DIFERENTE DA IMPUGNAÇÃO
Nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto 70.235/1972, a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou refira-se a fato ou a direito superveniente ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - DEIXAR DE LANÇAR MENSALMENTE EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE OS FATOS GERADORES, MONTANTE DE QUANTIAS DESCONTADAS, CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA E TOTAIS RECOLHIDOS - INCIDÊNCIA
A autuação ocorre por deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2403-002.633
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso..
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Daniele Souto Rodrigues e Marcelo Magalhães Peixoto (ausente).
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DEIXAR DE LANÇAR MENSALMENTE EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE OS FATOS GERADORES, MONTANTE DE QUANTIAS DESCONTADAS, CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA E TOTAIS RECOLHIDOS INCIDÊNCIA A autuação ocorre por deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 17 6. 00 02 71 /2 00 7- 54 Fl. 752DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Daniele Souto Rodrigues e Marcelo Magalhães Peixoto (ausente). Fl. 753DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11176.000271/200754 Acórdão n.º 2403002.633 S2C4T3 Fl. 753 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, às fls. 171 a 189, apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba PR, Acórdão nº 06 15.848 – 7ª Turma da DRJ/CTA, fls. 162 a 167, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração – AI nº. 35.941.4842, com valor consolidado de R$ 11.569,42 (onze mil, quinhentos e sessenta e nove reais e quarenta e dois centavos). Conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 13, o Auto de Infração – AI nº. 35.941.4842, Código de Fundamentação Legal – CFL 34, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter deixado de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, no caso, a Recorrente deixou de lançar em contas específicas os valores relativos ao pagamento de prólabore, efetuado, aos sócios João Zampieri e Ariovaldo Zampieri. Apresenta o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 13: 1) Durante a Auditoria Previdenciária determinada pelo MPF Mandado de Procedimento Fiscal n o 09328433F00, apresentado ao contribuinte na pessoa do Sr. João Zampieri Presidente em 23/08/2006, juntamente com o TIAD Termo de Intimação para Apresentação de Documentos, efetuamos o exame da escrituração contábil da empresa nos seguintes Livros Diários: livro diário 3 registrado sob no O 0443 em 09/04/2002 na JUCEPAR referente 2001; livro diário 4 registrado sob no 1764 em 27/06/2003 na JUCEPAR referente 2002; livro diário 5 autenticado sob n o 06/1074454 em 12/05/2006 na JUCEPAR referente 2003; livro diário 6 autenticado sob n o 06/1074586 em 12/05/2006 na JUCEPAR referente 2004; livro diário 7 autenticado sob n o 06/1792349 em 31/08/2006 na JUCEPAR referente 2005; Arquivos digitais da contabilidade de 01/01/2001 a 31/12/2005 com código de identificação geral do arquivo 056053e1 ffb876279d490559a577019a gerado em 30/08/2006. Fl. 754DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 2 Através dos documentos acima, ficou constatado que a empresa não lançou em títulos próprios e de forma discriminada todos os fatos geradores de contribuição previdenciária , a. Conforme lançamentos verificados nas contas 1100003 C/C Ariovaldo Zampieri no período de 01/2001 a 12/2004 e 1110003 C/C Ariovaldo Zampieri no período de 01/2005 a 12/2005 b. Conforme lançamentos verificados nas contas 1100004 C/C João Zampieri no período de 01/2001 a 12/2004 e 1110002 C/C João Zampieri no período de 01/2005 a 12/2005 A empresa contabilizou nessas contas, que são contas do ativo circulante, valores referentes a retirada de prólabore, devidamente reconhecida pela empresa, sem, entretanto, transitar pelas contas de despesas, constando no histórico algumas vezes como retirada social e outras vezes como empréstimo, permanecendo em aberto (sem liquidação). 2.Em face do fato acima fica caracterizada a infringência ao Art. 32, inciso II, da Lei 8.212/91. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e §§ 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, arts. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. II, alínea "a" e art. 373. Segundo o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fls. 14, a multa aplicada pela infração praticada é de R$ 11.569,42 (onze mil, quinhentos e sessenta e nove reais e quarenta e dois centavos). O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fls. 14, não registra a existência de circunstância agravante, conforme a descrição do inciso V do art. 290, do Decreto n° 3.048/1999, além de também não registrar a existência de circunstância atenuante, prevista no art. 291 do Decreto n° 3.048/1999. O Relatório Termo de Encerramento da Ação Fiscal – TEAF às fls. 11 a 12, relaciona o resultado do procedimento fiscal relacionado à Recorrente: Documento Período Número Data Valor AI 10/2006 a 10/2006 359414842 18/10/2006 11.569,42 AI 10/2006 a 10/2006 359414770 18/10/2006 598.162,41 NFLD 01/1998 a 12/2005 359414788 18/10/2006 856.376,92 NFLD 05/1996 a 07/2006 359414800 18/10/2006 1.298.364,60 NFLD 05/1996 a 05/2006 359414834 18/10/2006 356.966,49 NFLD 03/1996 a 06/1998 359414850 18/10/2006 46.831,00 Al 10/2006 a 10/2006 359414818 18/10/2006 11.569,42 Fl. 755DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11176.000271/200754 Acórdão n.º 2403002.633 S2C4T3 Fl. 754 5 AI 10/2006 a 10/2006 359414826 18/10/2006 1.156,95 Desta forma, conforme se depreende da manifestação da instância “a quo”, às fls. 166, conexa ao presente auto de infração de obrigação acessória, temse a NFLD nº 35.941.4788: “(...) Os valores creditados pela empresa como empréstimos, no ativo circulante, foram amplamente debatidos na NFLD n° 35.941.4788, sendo considerados como pagamentos de pró labores aos sócios.” (gn) No entanto, registrese que os autos do processo referente à NFLD nº 35.941.4788, não foram distribuídos para este Relator. Outrossim, retornemos aos autos do presente auto de infração de obrigação acessória, Auto de Infração – AI nº. 35.941.4842 O período de apuração, de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09328433F00, foi de 01/1996 a 11/2006, às fls. 06. O período objeto do Auto de Infração, conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 13, é de 01/2001 a 12/2005. A Recorrente teve ciência do Auto de Infração no dia 18.10.2006, às fls. 01. A Recorrente apresentou impugnação tempestiva, às fls. 132 a 147, com Anexos às fls. 148 a 155. A instância “a quo” analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, fls. 162 a 167, conforme a Ementa do Acórdão nº 0615.848 – 7ª Turma da DRJ/CTA a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de Apuração: 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005 DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O prazo para o lançamento da multa por descumprimento de obrigação acessória respeita o prazo da obrigação principal, que é de 10 anos. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. TÍTULOS PRÓPRIOS. Constitui infração a empresa deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Lançamento Procedente Inconformada com a decisão da Recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário tempestivo, às fls. 171 a 189, onde alega, em apertada síntese, que: Fl. 756DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 Em sede Preliminar: (i) Da decadência parcial deste AI em função da inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da lei 8.212/1991, o que enseja a aplicação dos dispositivos do CTN, em especial o art. 150, § 4º, CTN o que faz decair a autuação anterior a 18.10.2001. No Mérito: (ii) Da improcedência do lançamento. Primeiramente, cumpre salientar que o inciso II, do artigo 32, da Lei n° 8.212/91, indicado como fundamentação legal para a autuação, in casu, a recorrente não poderia lançar tais informações simplesmente porque não ocorreram os fatos geradores indicados pelo INSS. Em momento algum deixou a recorrente de cumprir suas obrigações formais como o INSS, todavia, como poderia informar dados que não considera fatos geradores de contribuição previdenciária? A hipótese é descabida. (iii) Da relevação e/ou atenuação da multa Ademais, caso venha a ser tida como procedente a suposta exigibilidade das contribuições previdenciárias lançadas na NFLD, o que só se admite para argumentar, determina o artigo 291, § 1°, do Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999. Ou seja, estão expressamente balizadas, pelo supratranscrito dispositivo regulamentar, as condicionantes para que, no caso em exame, seja relevada, ou, subsidiariamente, atenuada, a penalidade aplicada à recorrente, quais sejam: a primariedade, a correção da falta e a inexistência de circunstância agravante (para fins de relevarse), ou a correção da falta até o proferimento de decisão nela autoridade julgadora competente (para fins de atenuação), respectivamente. (iv) Dos fatos geradores. Cabe acrescentar, por fim, que os fatos geradores considerados como não lançados pela Fiscalização Previdenciária, in casu, tratam de "diferenças de pagamentos de remunerações a contribuintes individuais (sócios) consideradas como retiradas de prólabore apuradas por aferição indireta". Todavia, ao contrário do relatado, tais retiradas não se constituem fato gerador da obrigação tributária lançada, como adiante se explica. Tais valores, considerados pela fiscalização como "pro labore" foram extraídos do "contacorrente" que detém os sócios com a empresa, onde foram contabilizados majoritariamente empréstimos concedidos pela empresa. Não há como confundir, ou distorcer, esses fatos para fazer incidir a contribuição lançada. Destarte que, a pretensão da autarquia somente poderá incidir sobre folha de salários ou lucro e, após a edição da Lei Complementar n° 84/1996 sobre a remuneração de autônomos e Fl. 757DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11176.000271/200754 Acórdão n.º 2403002.633 S2C4T3 Fl. 755 7 avulsos; movimentação econômica e realidade econômico financeira são aspectos que não guardam relação com a base de cálculo da contribuição ora exigida, e é justamente sobre isso que está ilegalmente incidindo a contribuição cobrada sobre os empréstimos feitos pelos sócios JOÃO ZAMPIERI e ARIOVALDO ZAMPIERI da recorrente. Não podendo o empréstimo ser caracterizado como salário ou qualquer remuneração diversa, não se presta para a incidência da contribuição previdenciária, porquanto inocorrente o fato gerador da obrigação tributária. Posteriormente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Curitiba, às fls. 190, informou que a Recorrente apresentou Recurso Voluntário tempestivo e encaminhou ao Conselho os autos para análise e decisão. Esta Colenda Turma de Julgamento, na Sessão de 07.06.2011, com a presença dos Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Jhonatas Ribeiro da Silva (suplente), converteu o processo em Diligência, nestes termos: "(...) converter o processo em diligência, para fins de saneamento, de modo que a autoridade fiscal competente pelo lançamento deste AIOA disponibilize, em um Relatório Fiscal da Infração Complementar: (a) os fatos geradores das contribuições sociais previdenciárias considerados quando da lavratura da NFLD conexa, qual seja, a NFLD nº 35.941.4788; (b) a fundamentação para que se caracterize como prólabores, conseqüentemente fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias, os valores de retirada social e de empréstimo; (c) a relação dos valores de retirada social e de empréstimo que foram considerados como prólabores; (d) se houve a hipótese, com a fundamentação, de valores de retirada social e de empréstimo que, porventura, não foram considerados como pró labores." Em cumprimento à Diligência Fiscal, a AuditoriaFiscal emitiu o Termo de Intimação Fiscal 001/2013, às fls. 248 a 255, para que o contribuinte apresentasse os documentos relacionados às contas 1100003 C/C ARIOVALDO ZAMPIERI e conta 1100004 C/C JOÃO ZAMPIERI (01/2001 a 12/2004) e conta 1100002 C/C JOÃO ZAMPIERI (01/2005 a 12/2005). Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal, o contribuinte emitiu Manifestação, colacionando os seguintes documentos: 1 Manifestação da empresa 2 Contratos Empréstimos: João Zampieri, anos 2001 a 2005. Ariovaldo Vandrei Zampieri, anos 2001 a 2005. 3 Contrato social e alterações. Fl. 758DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 4 Comprovante de residência, CPF e RG, dos representantes legais e contador Na Manifestação da empresa, o contribuinte assim argumenta, em síntese: A diligência fiscal efetuou a classificação dos valores contabilizados nas CONTAS 1100002, 1100003 e 1100004, considerando parte dos lançamentos como PROLABORE, SERVIÇOS PRESTADOS POR PESSOA FÍSICA e OUTROS, desconsiderando os empréstimos efetivamente efetuados pela empresa aos seus sócios. Reiterase, contudo, que ao contrário do relatado, tais retiradas não se constituem fato gerador da obrigação tributária lançada, como adiante se explica. Tais valores, considerados pela fiscalização como "pro labore" foram extraídos do "contacorrente" que detém os sócios com a empresa, onde foram contabilizados majoritariamente empréstimos concedidos pela empresa. Não há como confundir, ou distorcer, esses fatos para fazer incidir a contribuição lançada. Por oportuno, a contribuinte traz aos autos as cópias dos contratos de empréstimo, os quais não foram juntados anteriormente por um lapso seu. Com efeito, quando a Constituição outorgou competência para o INSS cobrar a contribuição com base na folha de salários, restringiu a incidência à folha de salários, nada mais. Desnecessário, aliás, maiores digressões sobre o assunto, uma vez que foi necessária a edição de Lei Complementar na forma do parágrafo 4o do mencionado artigo para possibilitar a exigência da contribuição sobre a remuneração de avulsos, autônomos e administradores. Destarte que, a pretensão da autarquia somente poderá incidir sobre folha de salários ou lucro e, após a edição da Lei Complementar n° 84/1996 sobre a remuneração de autônomos e avulsos; movimentação econômica e realidade econômico financeira são aspectos que não guardam relação com a base de cálculo da contribuição ora exigida, e c justamente sobre isso que está ilegalmente incidindo a contribuição cobrada sobre os empréstimos feitos pelos sócios JOÃO ZAMPIERI e ARIOVALDO ZAMPIERI da recorrente. (...) Não podendo o empréstimo ser caracterizado como salário ou qualquer remuneração diversa, não se presta para a incidência da contribuição previdenciária, porquanto inocorrente o fato gerador da obrigação tributária. Se por uma falha tais empréstimos não foram devidamente registrados, a recorrente corrigiu a falha apresentandoos devidamente formalizados anexos à respectiva defesa da NFLD n° 35.941.4788 (processo administrativo fiscal n° 11176.000277/200721). Fl. 759DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11176.000271/200754 Acórdão n.º 2403002.633 S2C4T3 Fl. 756 9 Sendo improcedentes os fatos geradores que deveriam ter sido lançados na contabilidade da recorrente, igualmente é improcedente a multa aplicada, merecendo ser revista e, conseqüentemente, cancelada. Concluída a Diligência, os autos foram encaminhados ao CARF. É o Relatório. Fl. 760DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme fls. 190 e o contribuinte, intimado da Diligência Fiscal, apresentou Manifestação. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (i) DA DECADÊNCIA A recorrente alega a decadência da parte da obrigação acessória compreendida até a competência 09/2001, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN, com a redução proporcional da multa. Cumpre resgatar que a recorrente foi cientificada do Auto de Infração no dia 18.10.2006, às fls. 01, e que o Auto de Infração se refere ao período de 01/2001 a 12/2005, conforme o Relatório Fiscal do Auto de Infração, fls. 13. Ainda assim, a autuação foi lavrada devido a Recorrente ter deixado de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, no caso, a Recorrente deixou de lançar em contas específicas os valores relativos ao pagamento de prólabore, efetuado, aos sócios João Zampieri e Ariovaldo Zampieri. A Recorrente descumprindo, assim, obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e §§ 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. Para este tipo de infração, Código de Fundamentação Legal – CFL nº. 34, o valor da multa é único, com base na Portaria MPS n° 342, de 16.08.2006, aos valores da época, R$ 11.569,42 (onze mil, quinhentos e sessenta e nove reais e quarenta e dois centavos), sendo que não há mitigação da multa por ocorrências. Ou seja, basta apenas uma única ocorrência da infração em uma competência para que seja efetivado o descumprimento da obrigação acessória, desde que aquela competência ainda não esteja decadente, nos termos da Súmula Vinculante nº 8, do Supremo Tribunal Federal, e do Código Tributário Nacional. Fl. 761DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11176.000271/200754 Acórdão n.º 2403002.633 S2C4T3 Fl. 757 11 Ora, se a recorrente foi cientificada do Auto de Infração no dia 18.10.2006, e o Auto de Infração se refere ao período de 01/2001 a 12/2005, desta forma restou evidente que em função de apenas uma única competência, por exemplo, 12/2005, não decadente por quaisquer dos critérios adotados no Código Tributário Nacional. ter sido efetivado o descumprimento da obrigação acessória. Desta forma, não prospera a alegação da recorrente no sentido de que houve a decadência parcial da obrigação acessória em questão. DO MÉRITO (ii) Da improcedência do lançamento. (iv) Dos fatos geradores. Analisemos os itens (ii) e (iv) conjuntamente. DO CONEXO PROCESSO PRINCIPAL Conforme acesso ao sistema RFB/PGFN/CARF EPROCESSO, em 07.07.2014, o conexo processo principal nº 11176.000277/200721, relativo à NFLD nº 35.941.4788, teve o Recurso Voluntário julgado em 10.07.2012, com a seguinte Ementa proferida no Acórdão 240102.544 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Relator Marcelo Freitas de Souza Costa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência com base no art. 150, § 4º do CTN. REMUNERAÇÕES DE SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS PRÓ LABORE Sobre as remunerações pagas, creditadas ou devidas aos segurados contribuintes individuais incidem contribuições previdenciárias. Fl. 762DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 Recurso Voluntário Provido em Parte. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) declarar a decadência até a competência 09/2001; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Observase que no Mérito, a decisão do CARF manteve a procedência da autuação fiscal pois a Recorrente não trouxe qualquer comprovação fática dos argumentos: No mérito o recorrente reitera os mesmos argumentos apresentados na defesa, de que os valores lançados no conta corrente da empresa feito aos sócios, tratamse na verdade de empréstimos. Embora alegue esta tese, a empresa não trouxe aos autos qualquer comprovação fática de seus argumentos. Não houve a demonstração de que tais valores seriam objeto de empréstimo, como por exemplo, contratos, quitação dos referidos empréstimos ou outros documentos que corroborassem com as afirmações recursais. Desta forma, correto o entendimento fiscal em considerar tais valores como uma retirada dos sócios, ou seja, prólabore e que, assim sendo, estão sujeitos à incidência de contribuições previdenciárias. Ante ao exposto, Voto no sentido de Conhecer do Recurso, acolher a preliminar de decadência parcial para que sejam excluídos do levantamento todos os fatos geradores até a competência 09/2001 e no mérito negarlhe provimento. Observase ainda que há Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional questionando o critério de decadencial aplicado. DOS ELEMENTOS FÁTICOS APRESENTADOS PELA RECORRENTE EM SEDE DE MANIFESTAÇÃO Nos termos do art. 16, § 4º do Decreto 70235/1972, a prova documental deve ser apresentada em sede de Impugnação a fim de se evitar a preclusão diante da apresentação em outro momento processual. A apresentação de prova documental após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo quarto: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim Fl. 763DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11176.000271/200754 Acórdão n.º 2403002.633 S2C4T3 Fl. 758 13 como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Em cumprimento à Diligência Fiscal, a AuditoriaFiscal emitiu o Termo de Intimação Fiscal 001/2013, às fls. 248 a 255, para que o contribuinte apresentasse os documentos relacionados às contas 1100003 C/C ARIOVALDO ZAMPIERI e conta 1100004 C/C JOÃO ZAMPIERI (01/2001 a 12/2004) e conta 1100002 C/C JOÃO ZAMPIERI (01/2005 a 12/2005). Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal, o contribuinte emitiu Manifestação, colacionando os seguintes documentos: 1 Manifestação da empresa 2 Contratos Empréstimos: João Zampieri, anos 2001 a 2005. Ariovaldo Vandrei Zampieri, anos 2001 a 2005. 3 Contrato social e alterações. 4 Comprovante de residência, CPF e RG, dos representantes legais e contador O contribuinte em sua Manifestação, às fls. 406 e 407, aduz que não apresentou as provas documentais relativas aos empréstimos devido a um lapso seu e que os empréstimos foram registrados e formalizados no conexo processo principal: Fl. 764DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 Por oportuno, a contribuinte traz aos autos as cópias dos contratos de empréstimo, os quais não foram juntados anteriormente por um lapso seu. (...) Se por uma falha tais empréstimos não foram devidamente registrados, a recorrente corrigiu a falha apresentandoos devidamente formalizados anexos à respectiva defesa da NFLD n° 35.941.4788 (processo administrativo fiscal n° 11176.000277/200721). Ora, diante do preceituado pelo art. 16, § 5º do Decreto 70.235/1972, percebese que não atendidas as alíneas do art. 16, § 4º do Decreto 70.235/1972 em prol da apresentação da prova documental em outro momento processual que não o da Impugnação. Outrossim, em que pese a Recorrente ter afirmado que corrigiu a falha com a apresentação devidamente formalizada anexa à respectiva defesa da NFLD n° 35.941.4788 (processo administrativo fiscal n° 11176.000277/200721), temse que a decisão de segunda instância administrativa proferida pelo CARF, proferida no Acórdão 240102.544 considerou que a Recorrente não apresentou documentos comprobatórios de suas alegações. Portanto, considero que a prova documental apresentada em sede de manifestação não atende o disposto no art. 16, § 5º do Decreto 70.235/1972, de modo que concluo pela preclusão da apresentação da prova documental no momento processual de Manifestação do contribuinte após a intimação acerca da Diligência Fiscal.. Ou seja, em função da falta de comprovação fática válida dos argumentos trazidos pela Recorrente, considero então correto o entendimento da AuditoriaFiscal em considerar como sujeitos à incidência de contribuição social previdenciária a retirada dos sócios, ou seja prólabore, os empréstimos feitos pelo contribuinte aos sócios. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (iii) Da relevação e/ou atenuação da multa Analisemos. Em relação à relevação e ou atenuação das multas, devese observar o disposto no art. 291 do Decreto 3.048/1999, com a redação à época dos fatos geradores: Art.291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. §1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. §2º O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. Fl. 765DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11176.000271/200754 Acórdão n.º 2403002.633 S2C4T3 Fl. 759 15 §3º A autoridade que atenuar ou relevar multa recorrerá de ofício para a autoridade hierarquicamente superior, de acordo com o disposto no art. 366. Ora, não há nos autos qualquer comprovação fática válida de que a Recorrente tenha corrigido a falta, inclusive nos autos do conexo processo principal não há evidência de que o contribuinte tenha feito prova de ter corrigido a situação dos prólabores pela descaracterização dos empréstimos feitos aos sócios. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 766DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 15586.001451/2009-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2007
NORMAS GERAIS. RETROATIVIDADE BENIGNA. DETERMINAÇÃO LEGAL. CTN. APLICAÇÃO.
O Código Tributário Nacional (CTN) determina, em seu Art. 106, que a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando deixe de defini-lo como infração; quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática..
Portanto, como no presente caso, a aplicação da retroatividade benigna, exposta na determinação legal acima, não é uma questão de se conhecer de ofício ou não, mas sim de cumprimento de mandamento legal, obrigando a análise pelo julgador.
PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, deve-se comparar as penalidades sofridas, a(s) antiga(s) em comparação com a(s) determinada(s) pela nova legislação, o que não ocorreu, motivo do provimento do recurso.
TEMPESTIVIDADE
Após ciência da decisão de piso, tem-se o trintídio para interposição do recurso, como ocorreu no caso em tela, já que o trigésimo dia caiu no dia 21.ABR.2010 (feriado nacional).
DA INADEQUAÇÃO DA BASE DE CALCULO PRESUMIDA
Quanto há alegação de erros de cálculo perpetrado pela Fiscalização, há a Recorrente de demonstrar os pontos nodais caracterizadores dos ditos erros. Não se pode ater a negativa genérica.
E quando alega que a base de cálculo utilizada em determinadas competências não corresponde à realidade dos fatos, uma vez que foi presumida sem qualquer prova documental, deve ater ao fato de o relatório fiscal que descreveu os documentos que serviram, conforme ocorreu no caso em tela.
DA PRESUNÇÃO SUBJETIVA E O PRINCIPIO DA VERDADE MATERIAL, PUGNANDO PELA PROCEDÊNCIA DO MESMO
Não houve no presente caso desconsideração das provas juntadas pela Recorrente. Ao contrário, a impugnação apresentada não foi acompanhada de provas suficientes que ensejassem tais modificações, ou seja, foram meras alegações.
Despiciendo é embasar todo o procedimento fiscal, que, como alhures dito, diante da insuficiência de documento apresentado, seguiu a legislação, onde determina a medida adotada, ou seja, aferição indireta.
Numero da decisão: 2301-003.876
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em conhece de ofício na questão da retificação da multa, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa e Bernadete de Oliveira Barros, que votaram em não conhecer da questão; II) Por voto de qualidade: em manter a multa aplicada, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Fábio Pallaretti Calcini, Wilson Antônio de Souza Correa e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Marcelo Oliveira.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA Presidente/Redator Designado
(assinado digitalmente)
WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, FABIO PALLARETTI CALCINI.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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Voluntário Acórdão nº 2301003.876 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de janeiro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente AMERICAN GLOBAL GRANITES S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2007 NORMAS GERAIS. RETROATIVIDADE BENIGNA. DETERMINAÇÃO LEGAL. CTN. APLICAÇÃO. O Código Tributário Nacional (CTN) determina, em seu Art. 106, que a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando deixe de definilo como infração; quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.. Portanto, como no presente caso, a aplicação da retroatividade benigna, exposta na determinação legal acima, não é uma questão de se conhecer de ofício ou não, mas sim de cumprimento de mandamento legal, obrigando a análise pelo julgador. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica se a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, devese comparar as penalidades sofridas, a(s) antiga(s) em comparação com a(s) determinada(s) pela nova legislação, o que não ocorreu, motivo do provimento do recurso. TEMPESTIVIDADE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 14 51 /2 00 9- 44 Fl. 609DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 2 Após ciência da decisão de piso, temse o trintídio para interposição do recurso, como ocorreu no caso em tela, já que o trigésimo dia ‘caiu’ no dia 21.ABR.2010 (feriado nacional). DA INADEQUAÇÃO DA BASE DE CALCULO PRESUMIDA Quanto há alegação de erros de cálculo perpetrado pela Fiscalização, há a Recorrente de demonstrar os pontos nodais caracterizadores dos ditos erros. Não se pode ater a negativa genérica. E quando alega que a base de cálculo utilizada em determinadas competências não corresponde à realidade dos fatos, uma vez que foi presumida sem qualquer prova documental, deve ater ao fato de o relatório fiscal que descreveu os documentos que serviram, conforme ocorreu no caso em tela. DA PRESUNÇÃO SUBJETIVA E O PRINCIPIO DA VERDADE MATERIAL, PUGNANDO PELA PROCEDÊNCIA DO MESMO Não houve no presente caso desconsideração das provas juntadas pela Recorrente. Ao contrário, a impugnação apresentada não foi acompanhada de provas suficientes que ensejassem tais modificações, ou seja, foram meras alegações. Despiciendo é embasar todo o procedimento fiscal, que, como alhures dito, diante da insuficiência de documento apresentado, seguiu a legislação, onde determina a medida adotada, ou seja, aferição indireta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em conhece de ofício na questão da retificação da multa, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa e Bernadete de Oliveira Barros, que votaram em não conhecer da questão; II) Por voto de qualidade: em manter a multa aplicada, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Fábio Pallaretti Calcini, Wilson Antônio de Souza Correa e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Marcelo Oliveira. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA – Presidente/Redator Designado (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, FABIO PALLARETTI CALCINI. Fl. 610DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 15586.001451/200944 Acórdão n.º 2301003.876 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração que trata das contribuições previdenciárias, parte patronal, incidentes sobre a remuneração de empregados, e as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, cujas contribuições foram apuradas por meio das folhas de pagamento, rescisões de contratos de trabalho, recibos de férias, recibos de pagamentos a contribuintes individuais, recibos de pagamento de fretes, não tendo tais valores sido declarados em GFIP pelo sujeito passivo. Em que pese terem sido requeridos formalmente, diversos documentos relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias, dentre eles os livros contábeis, não foram apresentadas pela Recorrente, motivo pelo qual, além deste AI, foi lavrado outro pelo descumprimento da obrigação acessória correspondente. E, pela mesma razão, ou seja, não apresentação dos documentos requeridos, foi feita a aferição da remuneração e do desconto dos segurados em diversas competências, utilizandose como base para este procedimento os documentos denominados "extrafolha" (folha paralela) e "planilha dos nãoregistrados", e com base na autorização do artigo 33, §§ 3° e 6° da Lei 8.212/91. Após a ciência do lançamento no AI, apressouse em interpor Impugnação, com suas razões, cujas quais não foram suficientes para modificarem o lançamento. A decisão de piso negando provimento à Impugnação foi recebida pela Recorrente no dia 22.MAR.2010 e no dia 22.ABR.2010 (21 de abril feriado nacional) aviou o presente Recurso Voluntário alegando: i) tempestividade; ii) da inadequação da base de calculo presumida; iii) da presunção subjetiva e o principio da verdade material, pugnando pela procedência do mesmo. É a síntese do necessário. Fl. 611DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 4 Voto Vencido Conselheiro Wilson Antonio de Souza Corrêa Relator O presente Recurso Voluntário acode os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual, desde já, dele conheço, passando à análise requerida, com a final decisão. TEMPESTIVIDADE Sem maiores delongas, como a Recorrente alega tempestividade do seu recurso, mister que seja analisado, de forma simples e objetiva. Assiste razão, eis que o vencimento do trintídio para interposição do recurso seria o dia 21.ABR.2010, se não fosse feriado nacional, como de fato foi, o que compele o adiamento do vencimento do prazo para o primeiro dia útil seguinte, como ocorreu. Com razão a Recorrente. ii) DA INADEQUAÇÃO DA BASE DE CALCULO PRESUMIDA Diz que há inadequação na base de cálculo perpetrado pela Fiscalização, eis que foi realizado o lançamento com fulcro nos documentos apresentados e que estes foram de interpretação equivocada pela autoridade, uma vez que ele tomou como base valores fictícios que não correspondem com os fatos, tampouco com a realidade da empresa. Para a Recorrente a base de cálculo utilizada nas competências de 05/2005 e 12/2006 não corresponde à realidade dos fatos, uma vez que foi presumida sem qualquer prova documental que a justifique, pois foram utilizados meros recibos de pessoas físicas, além disto, os sócios não fizeram qualquer retirada de prólabore em 2005. Ademais, prossegue, o quadro de funcionário da Recorrente é bem menor do que se considerou. Todavia, ‘data venia’, são meras alegações, pois elas não vieram acompanhadas das contraprovas de que o número de funcionários considerado é menor, bem como outra qualquer que desfigure suas alegações., neste sentido. Quanto ao procedimento adotado pela autoridade fiscal, não há outro caminho a ser percorrido por ela quando o contribuinte não apresenta os documentos imperiosos requeridos para realização da atividade fiscal, conforme reza a Lei 8.212/91, artigos 33 e 37, ‘in verbis’: Lei 8.212/91: Art. 33 Ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS compete arrecadar, fiscalizar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11; ao Departamento da receita Federal DRF compete arrecadar, fiscalizar ,lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na Fl. 612DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 15586.001451/200944 Acórdão n.º 2301003.876 S2C3T1 Fl. 4 5 esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificado de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Sem razão a Recorrente. iii) DA PRESUNÇÃO SUBJETIVA E O PRINCIPIO DA VERDADE MATERIAL, PUGNANDO PELA PROCEDÊNCIA DO MESMO Diz que a presunção subjetiva é relativa e não absoluta, razão porque sucumbe diante da prova real em sentido contrário, e por esta razão a decisão de piso deve ser modificada, porque a autoridade julgadora não considerou as provas carreadas na impugnação, onde corroborava com a alegação de que os sócios da empresa não receberam prólabore em 2005 e vários lançamentos não são relativos a serviços de autônomos. Entretanto, a impugnação apresentada não foi acompanhada de provas suficientes que ensejassem tais modificações, ou seja, foram meras alegações. Despiciendo é embasar todo o procedimento fiscal, que, como alhures dito, diante da insuficiência de documento apresentado, seguiu a legislação, onde determina a medida adotada, ou seja, aferição indireta. Sem razão a Recorrente. MATÉRIAS NÃO RECORRIDAS. Em primeiro lugar, urge trazer à baila que quando as peças impugnativa e recursiva, respectivamente, foram aviadas já estava em pleno vigor a novel legislação que determina aplicação de pena menos rigorosa ao contribuinte. Mas, ainda assim, no presente remédio processual não foi costurada tese de defesa neste sentido. Urge tratar das matérias não suscitadas em seu recurso, cujas quais penso não constituir matéria de ordem pública, já que estas normas (ordem pública) são aquelas de aplicação imperativa que visam diretamente a tutela de interesses da sociedade, o que não é o caso. Neste diapasão tenho que a ‘Ordem Pública’ significa dizer do desejo social de justiça, assim caracterizado porque há de se resguardar os valores fundamentais e essenciais, para construção de um ordenamento jurídico ‘JUSTO’, tutelando o estado democrático de direito. Por outro lado, julgar matéria não questionada e que não trate do interesse público é decisão ‘extra petita’, como é o caso em tela onde a multa não foi anatematizada pelo Recorrente, e que tem o meu pronunciamento de aplicação da multa mais favorável ao contribuinte, mas que neste momento não julgo a questão, eis que não refutada no recurso e não se trata de matéria de ordem pública. Fl. 613DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 6 Tem o meu voto no sentido de que matéria não recorrida é matéria atingida pela instituição do trânsito em julgado, mesmo as matérias de ordem pública não pré questionadas, porque, em não sendo préquestionadas há limite para cognição. Das pesquisas realizadas para definir o que seja ‘matéria de ordem pública’, parecenos que a mais completa seja a de Fábio Ramazzini Becha, que peço vênia para transcrevêla: “.. Matéria de Ordem Pública tratase de conceito indeterminado, a dificuldade de interpretação é maior do que nos conceitos legais determinados. .. Prossegue: “... A ordem pública enquanto conceito indeterminado, caracterizado pela falta de precisão e ausência de determinismo em seu conteúdo, mas que apresenta ampla generalidade e abstração, põese no sistema como inequívoco princípio geral, cuja aplicabilidade manifestase nas mais variadas ramificações das ciências em geral, notadamente no direito, preservado, todavia, o sentido genuinamente concebido. A indeterminação do conteúdo da expressão faz com que a função do intérprete assuma um papel significativo no ajuste do termo. Considerando o sistema vigente como um sistema aberto de normas, que se assenta fundamentalmente em conceitos indeterminados, ao mesmo tempo em que se reconhece a necessidade de um esforço interpretativo muito mais árduo e acentuado, é inegável que o processo de interpretação gera um resultado social mais aceitável e próximo da realidade contextualizada. Se, por um lado, a indeterminação do conceito sugere uma aparente insegurança jurídica em razão da maior liberdade de argumentação deferida ao intérprete, de outro lado é, pois, evidente, a eficiência e o perfeito ajuste à historicidade dos fatos considerada. O fato de se estar diante de um conceito indeterminado não significa que o conteúdo da expressão “ordem pública” seja inatingível.(...)” (...) A ordem pública representa um anseio social de justiça, assim caracterizado por conta da preservação de valores fundamentais, proporcionando a construção de um ambiente e contexto absolutamente favoráveis ao pleno desenvolvimento humano. Tratase de instituto que tutela toda a vida orgânica do Estado, de tal forma que se mostram igualmente variadas as possibilidades de ofendêla. As leis de ordem pública são aquelas que, em um Estado, estabelecem os princípios cuja manutenção se considera indispensável à organização da vida social, segundo os preceitos de direito. (...) Para Andréia Lopes de Oliveira Ferreira matéria de ordem pública implica dizer que: Fl. 614DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 15586.001451/200944 Acórdão n.º 2301003.876 S2C3T1 Fl. 5 7 “são questões de ordem pública aquelas em que o interesse protegido é do Estado e da sociedade e, via de regra, referemse à existência e admissibilidade da ação e do processo. Tratase de conceito vago, não podendo ser preenchido com uma definição” e cita Tércio Sampaio Ferraz, para quem “é como se o legislador convocasse o aplicador para configuração do sentido adequado” A princípio temse que matéria de ordem pública é aquela que diz respeito à sociedade como um todo, e dentro de um critério mais correto a sua identificação é feita através de se saber qual o regime legal que ela se encontra, ou seja, quando a lei diz. É bem verdade e o difícil é que nem sempre a lei diz se determinada matéria é ou não de ordem publica, e, neste caso, para resolver a questão, urge que a concretização e a delimitação do conteúdo da ordem pública constitui tarefa exclusiva das Cortes Nacionais. Todavia, elas mesmas (Cortes Superiores) não definiram com exatidão o que vem ser matéria de ordem pública, e tão pouco se a multa quando não recorrida deve ou não ser decidido por ser matéria imperiosa de julgamento, tratandose de interesse geral. E mais, mesmo quando a matéria é de ordem pública e não préquestionada, o STJ vem reiteradamente decidindo que, reconhecidamente matérias de ordem pública, quando não analisada em instâncias inferiores e tão pouco préquestionadas, não devem ser analisadas naquela Corte. ‘Ex vi’ Acórdão abaixo: AgRg no REsp 1203549 / ESAGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2010/01195407 Relator Ministro CESAR ASFOR ROCHA (1098) T2 SEGUNDA TURMA Data de Julgamento 03/05/2012 DJe 28/05/2012 Ementa AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. SUSPENSÃO DE LIMINARINDEFERIDA. PREQUESTIONAMENTO. QUESTÕES DE ORDEM PÚBLICA. A jurisprudência do STJ é firme no sentido de que, na instância especial, é vedado o exame de questão não debatida na origem, carente de préquestionamento, ainda que se trate eventualmente de matéria de ordem pública.Agravo regimental improvido. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são Fl. 615DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 8 partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, prosseguindose no julgamento, após o voto vista do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, acompanhando o Sr. Ministro Cesar Asfor Rocha, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Humberto Martins, Herman Benjamin e Mauro Campbell Marques (votovista) votaram com o Sr. MinistroRelator. Assim, tenho que a multa não é matéria de ordem pública porque, como dito por Fábio Rmanssini Bechara, ela não ‘representa um anseio social de justiça, assim caracterizado por conta da preservação de valores fundamentais, proporcionando a construção de um ambiente e contexto absolutamente favoráveis ao pleno desenvolvimento humano’. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA E PRINCIPAL Conforme quesito anterior, tenho que não se deve votar em matérias que não foram argüidas no Recurso Voluntário, mormente se não se tratar de matéria de ordem pública, como penso ser a multa. Como fui vencido e por força regimental, conforme dispõe o artigo 60 do RICARF, apressome em discorrer sobre ela. Art. 60.Quando mais de 2 (duas) soluções distintas para o litígio, que impeçam a formação de maioria, forem propostas ao plenário pelos conselheiros, a decisão será adotada mediante votações sucessivas, das quais serão obrigados a participar todos os conselheiros presentes. Parágrafo único. Serão votadas em primeiro lugar 2 (duas) de quaisquer das soluções; dessas 2 (duas), a que não lograr maioria será considerada eliminada, devendo a outra ser submetida novamente ao plenário com uma das demais soluções não apreciadas, e assim sucessivamente, até que só restem 2 (duas) soluções, das quais será adotada aquela que reunir maior número de votos. Há de se reconhecer o direito do contribuinte à redução da multa incidente pelo não recolhimento da contribuição previdenciária para 20%, sendo a mesma aplicável a todos os períodos, uma vez que as multas aplicadas por infrações administrativas tributárias, devem seguir o princípio da retroatividade da lei mais benéfica ao contribuinte, com previsão legal no artigo 106, inciso II, "c" do CTN, reduzindose o valor da multa aplicada para o percentual de 20%, por aplicação retroativa da Lei nº 9.430/96. O art. 106, II, "c", do Código Tributário Nacional prevê expressamente que a lei nova possa reger fatos geradores pretéritos, desde que se trate de ato não definitivamente julgado, por aplicação do princípio da retroatividade benéfica. Sendo assim, mister que tenhamos em mente que enquanto não preclusa a oportunidade para a oposição algum remédio processual e ou se estes não tiverem transitado em Fl. 616DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 15586.001451/200944 Acórdão n.º 2301003.876 S2C3T1 Fl. 6 9 julgado, possível será a aplicação do dispositivo supramencionado, uma vez que não há nada definido juridicamente, ou seja, não há trânsito em julgado. De mais a mais, na lei não há distinção da multa moratória e a punitiva, e por isto mesmo o contribuinte faz jus à incidência da multa moratória mais benéfica, sendo cabível a aplicação retroativa do art. 61, da Lei nº 9.430/96, desde que, como alhures dito, o ato não se encontre definitivamente julgado, como é o caso em tela. Este pensar, da mesma forma vêm se posicionando nossos Tribunais, in verbis’: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. COFINS. DCTF. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INTIMAÇÃO DA JUNTADA DO PROCESSO ADMINISTRATIVO E PROVA PERICIAL INDEFERIDA. MULTA MORATÓRIA. REDUÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 61, DA LEI Nº 9.430/96 A FATOS GERADORES ANTERIORES A 1997. POSSIBILIDADE. RETROATIVIDADE DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. ART. 106, DO CTN. TAXA SELIC. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DECRETOLEI Nº 1.025/69. .... O Código Tributário Nacional, por ter natureza de lei complementar, prevalece sobre lei ordinária, facultando ao contribuinte, com base no art. 106, do referido diploma, a incidência da multa moratória mais benéfica, com a aplicação retroativa do art. 61, da Lei nº 9.430/96 a fatos anteriores a 1997. ... (STJ, REsp 653645/SC, 2a T., Rel. Min. Eliana Calmon, D.J 21/11/2005)" "EXECUÇÃO FISCAL. REDUÇÃO DE MULTA EM FACE DO DEL 2.471/1988. ART. 106, II, "c", CTN. RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENIGNA AO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. 1. O ART. 106, do CTN admite a retroatividade, em favor do contribuinte da lei mais benigna, nos casos não definitivamente julgados. Sobrevindo, no curso da execução fiscal, o DL 2.471/1988, que reduziu a multa moratória de 100% para 20% e, sendo possível a reestruturação do cálculo de liquidação, é possível a aplicação da lei mais benigna, sem ofensa aos princípios gerais do direito tributária. Na execução fiscal, as decisões finais correspondem as fases de arrematação, da adjudicação ou remição, ainda não oportunizados, ou, de outra feita, com a extinção do processo, nos termos do art. 794, do CPC. (STJ, REsp 94511/PR, 1a T., Rel. Min. Demócrito Reinaldo, D.J.: 25/11/1996)" Assim, para valer a regra da retroatividade benéfica da lei, estampada no artigo 106 II, C do Código Tributário Nacional, no caso em tela a multa a ser aplicada é aquela que se encontra no artigo 61 da Lei 9.430/1996. Fl. 617DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 10 CONCLUSÃO Diante do acima exposto, como o presente recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade, dele conheço, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO PARCIAL. É o voto. (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator Fl. 618DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 15586.001451/200944 Acórdão n.º 2301003.876 S2C3T1 Fl. 7 11 Voto Vencedor Conselheiro Redator, Marcelo Oliveira. Com todo respeito ao nobre relator, divirjo de suas conclusões em relação a duas questões: a) reconhecimento de ofício da retroatividade benigna; e b) forma de aplicação dessa retroatividade. Quanto ao primeiro ponto reconhecimento de ofício da retroatividade benigna o CTN possui determinação legal sobre o assunto. CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A lide em questão trata de ato não definitivamente julgado e pode, ou não, cominar penalidade menos severa que a aplicada. Portanto, como no presente caso, a aplicação da retroatividade benigna, exposta na determinação legal acima, não é uma questão de se conhecer de ofício ou não, mas sim de cumprimento de mandamento legal, obrigando a análise pelo julgador. Pelo exposto, voto em conhecer da aplicação da retroatividade. Quanto ao segundo ponto forma de aplicação dessa retroatividade – discordo do relator por aplicar e comparar as penalidades sofridas pelo sujeito passivo antes e após a alteração legal. Como há destacamos, há no Art. 106 do CTN, determinação paraa aplicação da retroatividade. Só não posso concordar com a análises feitas, que levam à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. A Lei 8.212/1991 trazia a seguinte redação quando tratava de multas: Fl. 619DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 12 Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se Fl. 620DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 15586.001451/200944 Acórdão n.º 2301003.876 S2C3T1 Fl. 8 13 refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Com a edição da Medida Provisória 449/2008 ocorreram mudanças na legislação que trata sobre multas, com o surgimento de dois artigos: Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ... Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício, com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 14 Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: ... II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício, como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar, de entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício. É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício. Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não têm caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado as penalidades determinadas antes da alteração legal (por descumprimento de obrigações tributárias principais e acessórias), com as penalidades determinadas atualmente (por descumprimento de obrigações tributárias principais Fl. 622DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 15586.001451/200944 Acórdão n.º 2301003.876 S2C3T1 Fl. 9 15 e acessórias), limitando, seu teto, ao máximo presente na legislação atual, que é de setenta e cinco por cento. Conseqüentemente, divirjo do relator e voto para que a multa seja mantida , mas que seja verificada a aplicação da retroatividade benigna, como citado, na execução do julgado, pela autoridade preparadora. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em: 1. Acompanhar o relator nas questões de mérito, negando provimento ao recurso do sujeito passivo; 2. DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para aplicar a determinação legal do Art. 106 do CTN, nos termos do voto; 3. DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para manter a multa aplicada, a fim de que se verifique a aplicação da retroatividade benigna, como exposto no voto, na execução do julgado, pela autoridade preparadora. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira . Fl. 623DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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Numero do processo: 10925.001141/2009-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
SIGILO BANCÁRIO. ACESSO A INFORMAÇÕES NA POSSE DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.
A Autoridade Tributária pode, com base na LC nº 105 de 2001, à vista de procedimento fiscal instaurado e presente a indispensabilidade do exame de informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, solicitar destas referidas informações, prescindindo-se da intervenção do Poder Judiciário.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA
Não resta configurado cerceamento de defesa nas situações em que os fatos podem ser comprovados documentalmente, mediante a apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais pelo contribuinte. É facultada ao contribuinte a produção de provas, que este entender apropriadas, durante o processo administrativo fiscal. A omissão do contribuinte em apresentar a documentação que lhe aproveite não configura cerceamento de defesa
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação a qual o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não ilide a omissão de rendimentos a simples indicação da origem sem a comprovação de que o valor não configura uma disponibilidade econômica para fins de IRPF, ou que a disponibilidade econômica dos depósitos já fora oferecida à tributação, seja na Declaração de Ajuste Anual correspondente, seja exclusivamente na fonte, ou ainda de que estar amparada por isenção.
IRPF. NEXO CAUSAL TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGIME DA LEI Nº 9.430/96. POSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 26 DO CARF.
A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, a autoridade fiscal não mais ficou obrigada a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva.
IRPF. ÔNUS DA PROVA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SÚMULA Nº 26 DO CARF.
Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de rendimentos, justificando-se sua tributação a esse título.
MULTA DE OFÍCIO. DESQUALIFICAÇÃO. SÚMULA Nº 25.
Resta desqualificada a multa de ofício quando do conjunto probatório do processo não se verifica hipóteses de conluio, fraude ou sonegação.
Numero da decisão: 2201-002.525
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
EDITADO EM: 06/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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ACESSO A INFORMAÇÕES NA POSSE DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. A Autoridade Tributária pode, com base na LC nº 105 de 2001, à vista de procedimento fiscal instaurado e presente a indispensabilidade do exame de informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, solicitar destas referidas informações, prescindindose da intervenção do Poder Judiciário. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA Não resta configurado cerceamento de defesa nas situações em que os fatos podem ser comprovados documentalmente, mediante a apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais pelo contribuinte. É facultada ao contribuinte a produção de provas, que este entender apropriadas, durante o processo administrativo fiscal. A omissão do contribuinte em apresentar a documentação que lhe aproveite não configura cerceamento de defesa OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação a qual o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não ilide a omissão de rendimentos a simples indicação da origem sem a comprovação de que o valor não configura uma disponibilidade econômica para fins de IRPF, ou que a disponibilidade econômica dos depósitos já fora oferecida à tributação, seja na Declaração de Ajuste Anual correspondente, seja exclusivamente na fonte, ou ainda de que estar amparada por isenção. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 11 41 /2 00 9- 18 Fl. 496DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 IRPF. NEXO CAUSAL TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGIME DA LEI Nº 9.430/96. POSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 26 DO CARF. A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, a autoridade fiscal não mais ficou obrigada a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. IRPF. ÔNUS DA PROVA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SÚMULA Nº 26 DO CARF. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de rendimentos, justificandose sua tributação a esse título. MULTA DE OFÍCIO. DESQUALIFICAÇÃO. SÚMULA Nº 25. Resta desqualificada a multa de ofício quando do conjunto probatório do processo não se verifica hipóteses de conluio, fraude ou sonegação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. EDITADO EM: 06/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA. Relatório Fl. 497DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10925.001141/200918 Acórdão n.º 2201002.525 S2C2T1 Fl. 3 3 Por meio do Auto de Infração de fls. 02 e seguintes lavrado em 27/05/2009 exigese do Contribuinte EUCLECIO LUIZ PELIZZA o montante de R$ 1.140.365,04 de imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF), R$ 408.706,83 de juros de mora e R$ 1.710.547,56 de multa de ofício qualificada, totalizando crédito tributário de R$ 3.259.619,43 (atualizado até a data da autuação) referente ao ano calendário de 2005. O Auto de Infração foi lavrado em decorrência de: (i) Omissão de Rendimentos da Atividade Rural e (ii) Omissão de Rendimentos caracterizada por Depósitos Bancários com Origem não Comprovada. O Termo de Verificação Fiscal de fls. 10 a 17 relata: · O Contribuinte foi intimado e reintimado para apresentar extratos bancários de suas contas corrente/investimento. Em face da ausência de resposta do Contribuinte, foram requisitadas perante as instituições financeiras as informações bancárias do Contribuinte. Da mesma forma, foram solicitados às empresas Perdigão Agroindustrial S/A CNPJ: 86.547.619/008200 e Alimentos Unibon Ind e Com Ltda CNPJ: 72.243.207/000106 os contratos de parceria firmados com o Contribuinte, bem como a informação e comprovação de todos os pagamentos realizados. · Tendo sido comprovada a origem dos depósitos efetuados pelas empresas Perdigão Agroindustrial S/A e Alimentos Unibon Ind e Com Ltda. (venda de suínos), tais valores foram excluídos da base de cálculo da autuação com base em depósito bancário de origem não identificada. · Em relação aos demais depósitos, o Contribuinte não prestou esclarecimentos acerca dos mesmos, sendo lançado o crédito tributário com base em depósito bancário de origem não comprovada. Além dos depósitos de suas contas individuais, também foi considerado 50% dos depósitos de conta bancária de cotitularidade com seu pai, cujos depósitos também não restaram comprovados. · Tendo sido comprovada a origem dos depósitos oriundos das empresas Perdigão Agroindustrial S/A e Alimentos Unibon Ind e Com Ltda., relacionados à venda de suínos pelo Contribuinte, a fiscalização solicitou a apresentação do Livro Caixa da atividade rural, bem como a documentação correspondente. · Reintimado, o Contribuinte não apresentou a documentação solicitada acerca da atividade rural e foi entendido que o Contribuinte é proprietário único (não explora em parceria), conforme indicado no demonstrativo da atividade rural da sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), bem como o mesmo não apresentou o Livro Caixa, o lançamento tributário foi efetuado considerando 20% da receita bruta auferida no ano calendário, devidamente deduzido o imposto já pago a título de atividade rural. · A aplicação da multa qualificada resulta do fato de o Contribuinte ter deixado de pagar tributo, em razão da omissão de rendimentos. Acrescenta a esse fato o elevado valor do tributo não pago, bem como a conduta do Contribuinte que não atendeu às intimações fiscais, não só em relação à atividade rural, mas também em relação à comprovação dos depósitos, tendo sido reiterada a sua conduta. O Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração em 04/06/2009 (AR Postal fls. 372), tendo apresentado Impugnação (de fls. 374) em 01/07/2009, na qual trouxe as seguintes alegações, conforme extraído do acórdão da DRJ: Fl. 498DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 “Em preliminar, sob o título Ausência de Motivação, o contribuinte alega ofensa ao princípio da motivação, uma vez que a autoridade fiscal não informa os motivos que levaram a fiscalização a instaurar o procedimento fiscal contra o contribuinte. Como segunda questão preliminar, sob o título Prova Ilícita — Nulidade, o contribuinte alega que o lançamento teve como ponto de partida a movimentação bancária do contribuinte, a qual foi obtida pela autoridade fiscal mediante quebra de sigilo bancário, tornandose, portanto, prova ilícita. O contribuinte solicita, assim, a nulidade do lançamento fiscal por ofensa ao art. 30 da Lei n° 9.784/99, ao art. 5 0, incisos X, XII, XXII e ao art. 145, §1°da Constituição Federal de 1988. Na primeira questão de mérito — A Presunção do art. 42 da Lei no 9.430/96 — Ilegalidade, o contribuinte alega a ilegalidade do artigo 42 da Lei n° 9.430/96 por contrariar ao disposto nos artigos 43; 97, IV; 110 e 148 do Código Tributário Nacional; ao disposto nos artigos 212, IV; 166 c/c 185 e 122 do Novo Código Civil; o art. 9 0, VII, do DecretoLei n° 2.471/88; bem como o Due Process of Law consubstanciado na Lei n° 9.784/99 e no inc. LIV do art. 5° da Constituição Federal de 1988. O contribuinte cita a Súmula 182 do Tribunal de Recursos — TFR e o art. 9°, inciso VII do DecretoLei n° 2.471/88, alegando que a presunção, ora questionada, deveria estar fundamentada em indícios como sinais exteriores de riqueza, uma vez que a movimentação bancária não é fato gerador do imposto de renda. Sob o título A Origem dos Depósitos, o contribuinte alega que os depósitos constatados em sua conta corrente são, em sua grande maioria, valores pertencentes a terceiros. Explica que, em auxílio aos pequenos produtores rurais, faz a intermediação dos negócios de suínos e o transporte das mercadorias, percebendo, para as duas atividades, uma comissão, e repassando o valor restante ao produtor rural que vendeu os suínos. O contribuinte alega que, como a atividade não é escriturada no livro Caixa e a emissão das notas fiscais não são em seu nome, mas de terceiros, não pode comprovar a origem dos depósitos bancários. Argumenta o contribuinte que basta uma simples análise pericial nos estabelecimentos de sua propriedade e nos arredores para saber que não teria condições de criar suínos "em quantidade tamanha que possibilitasse vendas com os lucros presumidos pela fiscalização". O contribuinte afirma, ainda, que parte dos depósitos bancários referemse à operações de descontos de títulos, financiamentos, empréstimos para capital de giro, transferências entre contas próprias, operações que não são individualmente comprovadas, por impossibilidade, mas que o podem ser por perícia contábil. Afirma que tais operações não são rendimentos tributáveis mas ativos do contribuinte. No tópico denominado Atividade Rural Arbitramento, o contribuinte alega que deve ser aplicado o disposto no artigo 60, § 2° do RIR/99, sobre os depósitos bancários apurados, uma vez que é qualificado, pela própria Receita Federal, como produtor rural, nos termos do artigo 58, inciso IV do R1R199, cuja receita bruta é constituída pelo montante das vendas dos seus produtos, conforme artigo 61 do RIR/99. Sob o título Da multa e a incompatibilidade com o caso, o contribuinte solicita que seja reduzida a multa para o percentual de 75%, em atenção à correta interpretação do artigo 44 da Lei n° 9.430/96. Em sua defesa, o contribuinte cita diversos julgados administrativos e judiciais. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10925.001141/200918 Acórdão n.º 2201002.525 S2C2T1 Fl. 4 5 Por fim, o impugnante requer a produção de prova testemunhal, conforme rol à folha 331, a fim de comprovar sua atividade rural e demais alegações suscitadas.” A 4ª Turma da DRJ/FNS na sessão de 20/11/2009, através do Acórdão 07 18.146 de fls. 429, julgou o improcedente a Impugnação, nos seguintes termos: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NÃO COMPROVADA ORIGEM. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. TRIBUTAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL. NÃO COMPROVAÇÃO DA RECEITA DA ATIVIDADE. INAPLICABILIDADE. Tendo em vista a não apresentação de documentos hábeis e idôneos que comprovem que os depósitos bancários têm origem na receita proveniente da atividade rural, incabível a tributação com base nas regras próprias desta atividade. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ONUS PROBANDI A CARGO DO CONTRIBUINTE. A comprovação da origem dos depósitos bancários no âmbito do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 deve ser feita de forma individualizada (depósito a depósito), por via de documentação hábil e idônea. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE. É aplicável a multa de oficio de 150%, naqueles casos em que, no procedimento de oficio, constatado resta que à conduta do contribuinte esteve associado aos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. (...) ABERTURA DO PROCEDIMENTO FISCAL. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. A emissão do Mandado de Procedimento Fiscal legitima a abertura do procedimento fiscal. AFIRMAÇÕES RELATIVAS A FATOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. O conhecimento de afirmações relativas a fatos, apresentadas pelo contribuinte para contraditar elementos regulares de prova trazidos aos autos pela autoridade fiscal, demanda sua consubstanciação por via de outros elementos probatórios, pois sem substrato mostramse como meras alegações, processualmente inacatáveis. PRELIMINAR. REGULARIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL. SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA IRREGULAR. NÃO OCORRÊNCIA. Com o advento da Lei nº 10.174/2001, resguardado o sigilo na forma da legislação aplicável, é legítima a utilização das informações sobre as movimentações financeiras relativas à CPMF para instaurar procedimento administrativo que resulte em lançamento de outros tributos. E, resguardado o sigilo na forma da legislação aplicável, a obtenção de informações bancárias por parte do fisco, dentro dos parâmetros legalmente estabelecidos, não se constitui em quebra irregular do sigilo bancário. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 PROVA TESTEMUNHAL. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Descabe a realização de oitiva de testemunhas, mediante diligência, quando compete ao contribuinte o ônus da prova e este não traz aos autos qualquer indício de prova que fomente dúvidas quanto ao lançamento. PEDIDOS DE PERÍCIA. DESCABIMENTO. Descabe o pedido de perícia quando a matéria que seria objeto deste procedimento já tem seu conteúdo definido em lei. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados, bem como as proferidas pelo poder judiciário não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. (...) PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. O Contribuinte tomou ciência do Acórdão às fls. 453 em 23/12/2009, vindo apresentar Recurso Voluntário em 08/01/2009 às fls. 454 e seguintes, aduzindo: · ausência de motivação do ato fiscal inexistência de outros indícios probatórios de sonegação fiscal Súmula/TFR n° 182. · ofensa aos artigos 43; 97, IV; 110 e 140 do Código Tributário Nacional; aos artigos 212, IV; 166 c/c 185 e 122 do Código Civil de 2002; o art. 9, VII, do DecretoLei n° 2.471/88; a Lei n° 9.784/99 e o art. 5 0, LIV, da Constituição Federal de 1988 aplicação da letra fria do art. 42 da Lei 9.430/96, sem respeito aos institutos jurídicos, segurança jurídica e aos princípios constitucionais e legais de conduta administrativa. · prova ilícita sem outros indícios materiais de sonegação, os extratos nada comprovam, notadamente se obtidos sem uma autorização judicial. · cerceamento de defesa indeferimento das provas que poderiam beneficiar o contribuinte em respeito à ampla defesa e ao contraditório, demonstrando que o mesmo não obteve acréscimo patrimonial com os depósitos bancários e que exerce exclusivamente atividades de produtor rural. · parcialidade, irrazoabilidade e desproporcionalidade – ao exigir o julgador que seja convencido nos mesmos moldes exigidos pela Receita Federal do Brasil, em desprezo à verdade material, às circunstâncias fáticas e à possibilidade probatória do contribuinte. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10925.001141/200918 Acórdão n.º 2201002.525 S2C2T1 Fl. 5 7 · multa excessiva não houve crime e dolo, não sendo caso de aplicação da multa qualificada de 150%, devendo ser reduzida para 75%. Através da Resolução nº 2202000.297 de 15/08/2012 às fls. 468 a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF decidiu sobrestar o presente processo administrativo tributário com base no art. 62A, §1º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, uma vez que o presente tema encontrase em sede de Recurso Repetitivo no Supremo Tribunal Federal (STF) através do Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, de 22/10/2009, onde o STF reconheceu a existência de repercussão geral, nos termos do art. 543A, §1º, do Código de Processo Civil (CPC), combinado com art. 323, §1º do Regimento Interno do STF, no que diz respeito à constitucionalidade do art. 6º da Lei Complementar nº 105/01 no tocante ao fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial, assim como a aplicação retroativa da Lei nº 10.174/01, que alterou o art. 11, § 3º da Lei nº 9.311/96, e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência. Posteriormente, a Portaria MF nº 545/13 revogou os dispositivos que determinavam o sobrestamento dos autos em sede de processo administrativo, nos termos já referidos, possibilitando o prosseguimento do feito. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. I. DAS PRELIMINARES I.1. Sigilo Bancário O Contribuinte alega que autuação se valeu de prova ilícita, tendo em vista que o lançamento tomou como base dados de seus bancários solicitados diretamente pela Receita Federal às instituições financeiras, sem autorização judicial. Reforça que sem outros indícios materiais de sonegação, os extratos nada comprovam, notadamente se obtidos sem uma autorização judicial. Inicialmente, cabe observar que a possibilidade de requisição de movimentação financeira pela Autoridade Administrativa encontrase prevista no art. 197, II do Código Tributário Nacional (CTN), vindo a Lei Complementar nº 105/01 autorizar a referida disposição expressamente: Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: Fl. 502DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 (...) II os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; Assim, a Autoridade Tributária pode, com base no art. 6º da LC nº 105, de 2001, à vista de procedimento fiscal instaurado e presente a indispensabilidade do exame de informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, solicitar destas referidas informações, prescindindose da intervenção do Poder Judiciário. Confirase: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Neste contexto, havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. Diante do exposto, a obtenção dos extratos bancários pelo Auditor Fiscal no presente procedimento foi procedida dentro dos parâmetros legais, sendo improcedente a alegação de prova obtida por meio ilícito, haja vista que o art. 6º da LC 105/01encontrase vigente e eficaz. Cabe apenas destacar que atualmente a matéria está em sede de recurso repetitivo no Supremo Tribunal Federal (STF) no RE 601.314/SP, Min. Ricardo Lewandowski , pendente de julgamento, não havendo o STF suspendido os efeitos da norma. Ademais, tanto o Superior Tribunal de Justiça (STJ) quanto a presente Corte administrativa já se manifestaram quanto à legalidade da utilização do dispositivo supracitado. Preliminar rejeitada. I.2. Cerceamento ao Direito de Defesa O Contribuinte defende que houve cerceamento de defesa, tendo em vista o indeferimento das provas que poderiam beneficiálo em respeito à ampla defesa e ao contraditório, demonstrando que não obteve acréscimo patrimonial com os depósitos bancários e que exerce exclusivamente atividades de produtor rural. Em que pese o entendimento do Contribuinte, entendo que seu pleito não deve prevalecer. Isso porque no âmbito do processo administrativo fiscal é facultado ao contribuinte a produção de quaisquer provas que lhe aproveitem. O fato de o Contribuinte não ter produzido provas fáticas, por meio de documentação hábil e idônea, que comprovem os fatos alegados, não configura cerceamento de defesa. Destacase que até o presente momento o Contribuinte não juntou aos autos qualquer documentação que comprove a origem dos depósitos ou a apuração de renda da atividade rural, tendo se limitado a elaborar retórica defesa sob supostas violações aos mais variados princípios existentes no ordenamento jurídico pátrio. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10925.001141/200918 Acórdão n.º 2201002.525 S2C2T1 Fl. 6 9 Logo, as argumentações no sentido de que houve o indeferimento de provas que poderiam beneficiálo, não deve prevalecer, pois tais provas deveriam ter sido trazidas aos autos pelo próprio contribuinte. Preliminar rejeitada. II. DO MÉRITO II.1. Ônus da Prova O Contribuinte argumenta a ausência de motivação do ato fiscal, em face da inexistência de outros indícios probatórios de sonegação fiscal. Pugna pela aplicação da Súmula/TFR n° 182. Complementa alegando a ofensa aos artigos 43; 97, IV; 110 e 140 do Código Tributário Nacional; aos artigos 212, IV; 166 c/c 185 e 122 do Código Civil de 2002; o art. 9, VII, do DecretoLei n° 2.471/88; a Lei n° 9.784/99 e o art. 5 0, LIV, da Constituição Federal de 1988, tendo em vista a aplicação da letra fria do art. 42 da Lei 9.430/96, sem respeito aos institutos jurídicos, segurança jurídica e aos princípios constitucionais e legais de conduta administrativa. Também, entende que restou configurada a parcialidade, irrazoabilidade e desproporcionalidade ao exigir o julgador que seja convencido nos mesmos moldes exigidos pela Receita Federal do Brasil, em desprezo à verdade material, às circunstâncias fáticas e à possibilidade probatória. As argumentações levantadas pelo Contribuinte não procedem diante da presunção criada pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96, que autoriza a exigência de imposto de renda, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tal dispositivo legal estabelece uma presunção relativa de omissão de receitas, autorizando a exigência de imposto de renda e de contribuições correspondentes, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificandose sua tributação a esse título). Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 Acrescentese ainda, ao argumento de ausência de acréscimo patrimonial, que a Autoridade Lançadora não está mais obrigada a comprovar o consumo da renda. Os depósitos injustificados por si só são considerados, por presunção, renda auferida. Este entendimento já resta pacificado nesta Corte pela Súmula do CARF nº 26: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. A presunção legal trazida pelo art. 42 da Lei nº. 9.430/96 é aplicável aos fatos geradores a partir do anocalendário de 1997, posicionamento também já pacificado na presente Corte administrativa conforme Súmula do CARF nº 54: Súmula CARF nº 54: A constatação de existência de “passivo não comprovado” autoriza o lançamento com base em presunção legal de omissão de receitas somente a partir do ano calendário de 1997. Ressaltase que até a presente data o referido dispositivo legal encontrase vigente e eficaz. Em complemento, destacase que a jurisprudência colacionada pelo Contribuinte é anacrônica, abordando entendimento jurisprudencial anterior a janeiro de 1997, início da eficácia da Lei ora em tela. Isso posto, uma vez que está em discussão omissão de rendimento decorrente da não comprovação da origem de depósitos bancários realizados no anocalendário de 2005, a alegação nulidade do Auto de Infração com base na falta de comprovação de nexo causal entre os depósitos e o aumento patrimonial do recorrente não procede. Assim, como o Contribuinte regularmente intimado não produziu documentação hábil e idônea quanto à origem dos valores depositados/creditados nas suas contas corrente, que possibilitem ilidir a presunção legal criada é poderdever da Autoridade Tributária, em razão do princípio da legalidade ao qual está jungida, de considerar os valores depositados em contas bancárias como receita efetuando o lançamento do imposto correspondente, razão pela qual se mantêm o Auto de Infração. II.2. Multa de Ofício Qualificada No tocante à multa de ofício qualificada, o Contribuinte entende que a mesma é excessiva e que não restou caracterizado crime e dolo que justifique a aplicação da multa qualificada, devendo ser reduzida para 75%. A fiscalização justificou a qualificação da multa, conforme trecho a seguir extraído do Termo de Verificação Fiscal: A conduta dolosa do contribuinte está evidente e materializada nas infrações aqui demonstradas, em valores tão elevados, e na própria atitude do contribuinte durante todo o procedimento fiscal, período este em que encaminhamos várias intimações ao mesmo, na tentativa de esclarecer a efetiva origem dos recursos movimentados, tendo o contribuinte apenas silenciado, o que demonstra a conduta elencada no Código Penal, acima descrita, em que o agente, ao não se manifestar para esclarecer os fatos, quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo. Temos ainda o agravante da conduta reiterada, uma vez que o contribuinte, da mesma forma, omitiu rendimentos provenientes, também de valores depositados em instituição financeira, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações, não Fl. 505DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10925.001141/200918 Acórdão n.º 2201002.525 S2C2T1 Fl. 7 11 foram comprovados mediante documentação hábil e idônea, durante os anos de 1998 a 2002 e que foram objeto de procedimento fiscal específico, através do Processo Administrativo n°10925.000973/200411. Este fato demonstra o total descomprometimento por parte do contribuinte no que tange as suas obrigações tributárias e, portanto, no que concerne ao interesse público. Não obstante o entendimento da fiscalização corroborado pelo acórdão da DRJ, entendo que a conduta do Contribuinte não configura as hipóteses de qualificação da multa de ofício, em linha com o disposto no art. 44, § 1º da Lei nº 9.430. Confirase: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Como se depreende da leitura do referido dispositivo legal, a qualificação da multa deve resultar de fraude, sonegação ou conluio, ou seja, deve restar provado que o contribuinte se valeu de meios e artifícios para suprimir ou reduzir o pagamento de tributo. É certo que o não pagamento de tributo é uma conduta faltosa do contribuinte que deve ser penalizada, por essa razão que há a multa de ofício à alíquota de 75%. Para que tal multa seja qualificada, resta necessária a comprovação de uma intenção deliberada na supressão ou redução do pagamento do tributo por parte do contribuinte. Ao meu ver, do exposto nos autos, entendo que não há como se aferir que o Contribuinte agiu com dolo (vontade) na supressão/redução do pagamento de tributo. As questões apontadas pela fiscalização no sentido de que os valores são elevados e que é reincidente, pois já foi parte em processo administrativo fiscal, não são fatores que justifiquem a qualificação da multa de ofício. Neste sentido, há Súmula do CARF nº 25: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Ademais, a fiscalização argumenta que o Contribuinte se omitiu em apresentar a documentação solicitada, apesar de diversas vezes intimados. Notese que essa conduta também é passível de aumento no percentual da multa de ofício, mas não a sua qualificação. Nesse caso, ao meu sentir, restaria aplicável o agravamento da multa de ofício (art. 44, § 1º da Lei nº 9.430). Logo, decido pela desqualificação da multa de ofício. Conclusão Fl. 506DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para desqualificar a multa de ofício. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Fl. 507DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10480.727470/2012-64
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. PENSÃO EM CUMPRIMENTO DE ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. CABIMENTO.
Os valores recebidos a título de pensão em cumprimento de acordo ou decisão judicial estão abrangidos pela isenção outorgada aos portadores de moléstia grave, in casu a neoplasia maligna.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2802-003.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 06/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. PENSÃO EM CUMPRIMENTO DE ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. CABIMENTO. Os valores recebidos a título de pensão em cumprimento de acordo ou decisão judicial estão abrangidos pela isenção outorgada aos portadores de moléstia grave, in casu a neoplasia maligna. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 06/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 74 70 /2 01 2- 64 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Tratase de recurso voluntário em que se discute direito a isenção de imposto de renda sobre a pensão alimentícia recebida do exmarido em decorrência de a alimentanda ser portadora de neoplasia maligna. O lançamento correspondente reportase ao exercício 2011, anocalendário 2010. A decisão decorrida indeferiu a impugnação sob fundamento de que a isenção concedida a portadores de moléstias graves é prevista no inciso XIV do art. 6º da Lei 7.713/1988 e incide sobre proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, não alcançando rendimentos de pensão alimentícia, sendo ainda mencionados como normas de regência os art. 111 e 176 do CTN. A ciência do acórdão ocorreu em 28/09/2012 e o recurso voluntário foi interposto no dia 11/10/2012. Em sede de recurso voluntário, a contribuinte alega que a decisão é frontalmente incompatível com interpretação da Receita Federal veiculada no Manual perguntas e Respostas (pergunta e resposta nº 267). O processo foi distribuído a este Relator, por sorteio, durante a sessão de agosto de 2014. É o Relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. O lançamento decorreu de os rendimentos declarados como isentos terem sido reclassificados para tributáveis. A decisão recorrida adotou interpretação contrária ao entendimento da Receita Federal, ora estampado na Pergunta e resposta nº 267. DOENÇA GRAVE — PENSÃO JUDICIAL 267 — É tributável a pensão alimentícia judicial ou por escritura pública recebida por portador de doença grave? Não. Os valores recebidos a título de pensão em cumprimento de acordo ou decisão judicial, ou ainda por escritura pública, inclusive a prestação de alimentos provisionais, estão abrangidos pela isenção de portadores de moléstia grave. (Decreto n º 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/1999), art. 39, inciso XXXI, e art. 54) A interpretação estrita no dispositivo que outorgou a isenção não pode ser restringida pela via interpretativa adotada no aresto impugnado. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10480.727470/201264 Acórdão n.º 2802003.222 S2TE02 Fl. 92 3 A isenção sobre as pensões recebidas pelo portadores de neoplasia maligna encontra amparo no inciso XXXI do art. 6º da Lei 7.713/1988. XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. (Incluído pela Lei nº 8.541, de 1992) (Vide Lei 9.250, de 1995) A condição de portadora de neoplasia desde abril de 2007 é atestada pela Perícia Médica do INSS (fls. 40) e no Laudo Médico do Hospital Universitário Oswaldo Cruz de Recife (fls. 43), a existência de seqüela definitiva no laudo do Detran (fls. 45); e a natureza de rendimentos de pensão alimentícia decorrente de cumprimento de acordo homologado judicialmente pelos documentos de fls. 70/76. Diante do exposto, devese DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar o lançamento. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 93DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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