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Numero do processo: 10730.720182/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
INTEMPESTIVIDADE. ART. 33 DO DECRETO 70.235/72.
O recurso voluntário apresentado fora do prazo de 30 dias não merece ser conhecido.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 2202-002.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestivo.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 INTEMPESTIVIDADE. ART. 33 DO DECRETO 70.235/72. O recurso voluntário apresentado fora do prazo de 30 dias não merece ser conhecido. Recurso voluntário não conhecido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1534; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 187 1 186 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10730.720182/200811 Recurso nº 926.511 Voluntário Acórdão nº 2202002.037 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de outubro de 2012 Matéria ITR; RESERVA LEGAL; VTN Recorrente COMPANHIA DE BEBIDAS DO RIO DE JANEIRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 INTEMPESTIVIDADE. ART. 33 DO DECRETO 70.235/72. O recurso voluntário apresentado fora do prazo de 30 dias não merece ser conhecido. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestivo. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 01 82 /2 00 8- 11 Fl. 187DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO 2 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização Em trabalho de revisão interna e com a finalidade de comprovação dos dados informados na Declaração do Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural — DITR, a fiscalização intimou a recorrente, em 04/08/08, por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 07102/00020/2008 (fls. 1618), a apresentar, dentre outros: cópia do Ato Declaratório Ambiental – ADA requerido ao IBAMA; da matrícula do registro imobiliário, com averbação da área de reserva legal; bem como laudo técnico de avaliação do imóvel ou, alternativamente, avaliação de Fazendas Públicas e da Emater. Em resposta, o recorrente apresentou os documentos de fls. 2028. Após análise dos documentos apresentados, a fiscalização glosou integralmente a área declarada de reserva legal, conforme notificação de lançamento (fls. 0105) 2 Notificação de Lançamento A notificação ora analisada (fls. 0105) – nº 07102/00023/2008 , lavrada em 01/12/08, restringese ao ano calendário de 2004. A autoridade fiscalizadora, em face da não apresentação de atos declaratórios ambientais (ADA), laudos de avaliação do valor da terra nua, bem como certidão do registro do imóvel com averbação de área de reserva legal, glosou integralmente a área declarada de reserva legal (753,7 ha), além de desconsiderar o VTN declarado de R$ 342.444,78 (R$ 449,81/ha), arbitrandoo em R$ 913.560,00 (R$ 1.200,00/ha), com base no SIPT, com o conseqüente aumento das áreas tributável/aproveitável e VTN tributável. Após esse procedimento, foi constituído crédito tributário no valor de R$ 99.831,77, incluídos imposto, juros de mora e multa de ofício (fls. 0105). 3 Impugnação Indignada com autuação, a contribuinte apresentou, tempestivamente, impugnação (fls. 3142), acompanhada dos documentos de fls. 43105, erigida sobre os seguintes argumentos: a) a exclusão da área de reserva legal do cômputo da base de cálculo do ITR ocorre com a mera declaração DIAC/DIAT, sendo ônus da fiscalização a comprovação da incorreção das informações declaradas; b) a averbação da reserva legal na matrícula do imóvel não é requisito à concessão da isenção; c) os valores apontados pelo Fisco para arbitramento da base de cálculo não condizem com a realidade, sendo que no exercício de 2004 o VTN do imóvel é exatamente aquele declarado em seu DIAC/DIAT, devendo prevalecer o valor informado pelo recorrente. Por fim, requer a improcedência do auto de infração. 4 Acórdão de Impugnação A 1ª Turma da DRJ/BSB julgou a impugnação e acordou, por unanimidade, pela sua improcedência (fls. 120128), alinhando os seguintes argumentos: Fl. 188DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10730.720182/200811 Acórdão n.º 2202002.037 S2C2T2 Fl. 188 3 a) não pode ser reconhecida existência da área de reserva legal para fins de isenção de ITR uma vez que descumprida a exigência legal de protocolização tempestiva de Ato Declaratório Ambiental – ADA — no IBAMA, bem como de averbação tempestiva no registro de imóveis competente; b) o ônus da prova é do contribuinte, seja na fase inicial do procedimento fiscal, ou mesmo na fase de impugnação, conforme previsto dos arts. 40 e 47 do Decreto nº 4.382, de 19/09/2002 (RITR), Decreto nº 72.235/1972 e art. 16, inciso III, do art. 333 do Código de Processo Civil; c) o arbitramento da base de cálculo se deu em virtude da subavaliação no cálculo do VTN declarado para o ITR/2005, e adotou o menor VTN/ha por aptidão agrícola apurado no SIPT para o município de Cachoeiras de Macau – RJ. Como fundamento do arbitramento, aponta o disposto no art. 14, da Lei nº 9.393/1996, e no art. 52 do Decreto nº 4.382/2002 (RITR). Além disso, à recorrente foi estentida a prerrogativa de apresentar laudo técnico de avaliação que comprovasse que o imóvel apresentava condições desfavoráveis que justificassem a utilização de VTN por hectare inferior ao obtido com base no SIPT, o que não foi realizado. A recorrente tomou ciência do acórdão de impugnação em 07/06/11 (fl. 159). 5 Recurso Voluntário A recorrente interpôs recurso voluntário em 18/07/11 (fls. 138152 do e processo), na qual repisa os argumentos defendidos na impugnação. Além disso, em 09/08/11 consta a juntada dos seguintes documentos (fls. 157176 do eprocesso): a) Requerimento de Aprovação de Reserva Legal; b) Guia de Recolhimento GR; c) Memorial Descritivo Da Reserva Legal da Fazenda do Carmo I; d) Certidão de Registro do imóvel; e) Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) de profissional habilitado; f) Certificado de Cadastro de Imóvel Rural junto ao INCRA; g) Laudo Técnico de Avaliação da Fazenda do Carmo I; h) Planta de situação das APP, áreas de reserva legal e servidão florestal da propriedade; Na mesma oportunidade, em 09/08/11, a recorrente pretende inovação da tese recursal, alegando que, além da área de reserva legal, a propriedade conta com Área de Preservação Permanente, ensejando a isenção do ITR. É o relatório. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO 4 Voto Conselheiro Relator Rafael Pandolfo Compulsando os autos, verifico que o recorrente tomou ciência do acórdão de impugnação em 07/06/11 (fl. 159), mas apresentou seu recurso voluntário apenas em 18/07/11 (fl. 138 do eprocesso), isso é, 11 dias após o prazo preclusivo disposto no art. Art. 33 do Decreto 70.235/72: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro de trinta dias seguintes à ciência da decisão. Não obstante, este recurso foi remetido a este Conselho para cumprir o expresso no art. 35 do Decreto 70.235/72: Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Sendo assim, não resta alternativa senão reconhecer a intempestividade e não conhecer do presente recurso. Nesse sentido, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, nos termos acima expostos. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 190DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO
score : 1.0
Numero do processo: 10875.903839/2010-46
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004
REPERCUSSÃO GERAL. JUÍZO PRÉVIO DE ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. INAPLICABILIDADE DO ART. 62-A, § 1º, DO REGIMENTO INTERNO.
O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62-A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boa-fé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis.
PER/DCOMP. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO.
A declaração do sujeito passivo - denominada PER/Dcomp - veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3802-001.404
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
EDITADO EM: 02/01/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Jose´ Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 REPERCUSSÃO GERAL. JUÍZO PRÉVIO DE ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. INAPLICABILIDADE DO ART. 62-A, § 1º, DO REGIMENTO INTERNO. O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62-A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boa-fé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis. PER/DCOMP. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO. A declaração do sujeito passivo - denominada PER/Dcomp - veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. EDITADO EM: 02/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Jose´ Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi.
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JUÍZO PRÉVIO DE ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. INAPLICABILIDADE DO ART. 62A, § 1º, DO REGIMENTO INTERNO. O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boafé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis. PER/DCOMP. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO. A declaração do sujeito passivo denominada PER/Dcomp veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 38 39 /2 01 0- 46 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. EDITADO EM: 02/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita (fls. 42): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CERTEZA. LIQUIDEZ. COMPROVAÇÃO. A compensação de indébito fiscal com créditos tributários vencidos e/ou vincendos, está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Somente podem ser objeto de compensação créditos líquidos e certos, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido. INTIMAÇÃO VIA POSTAL. É válida a ciência do lançamento de ofício quando entregue, pelos Correios, no domicílio eleito pela contribuinte. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Permanecerá suspensa a exigibilidade dos débitos declarados em DCOMP enquanto estiver presente qualquer das hipóteses previstas no artigo 151 do Código Tributário Nacional – CTN. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10875.903839/201046 Acórdão n.º 3802001.404 S3TE02 Fl. 88 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O Recorrente, nas razões recursais de fls. 6076, alega ter formalizado o pedido de compensação com fundamento na inconstitucionalidade da inclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Aduz que a certeza do direito à compensação advém do art. 195 da Constituição e que recolheu os Darfs sem subtrair as parcelas do Icms. É o Relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão se deu no dia 23/02/2012 (fls. 53) e o protocolo do recurso, em 09/03/2012 (fls.60). Tratase, portanto, de recurso tempestivo que pode ser conhecido, uma vez que versa sobre matéria da competência da Terceira Seção e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972. Embora o sujeito passivo alegue que o direito creditório seria decorrente da inconstitucionalidade da inclusão do Icms na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins – matéria que, como se sabe, teve repercussão geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito do Recurso Extraordinário (RE) nº 574.706/PR1 entendese que não cabe o sobrestamento do feito mediante aplicação do art. 62A, § 1º, do Regimento Interno2. O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boafé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis. No caso dos autos, notase que a inconstitucionalidade da inclusão do Icms na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sequer foi ventilada na manifestação de inconformidade. O sujeito passivo, naquela etapa processual, fundamentou a origem do direito creditório apenas na inconstitucionalidade do aumento da alíquota da Cofins de 2% para 3%, sem apresentar qualquer alegação relacionada à matéria sob repercussão geral. A rigor, portanto, a alegação sequer poderia ser conhecida, consoante reconhece a remansosa jurisprudência do Carf: [...] 1 “Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785.” (DJe088, de 16/05/2008). 2 ""Art. 62A. [...] Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B." Fl. 89DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. CONHECIMENTO NA FASE RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. Em conformidade com o princípio da preclusão processual, se o sujeito passivo não contestou a matéria, no todo ou em parte, perante a autoridade julgadora de primeiro grau, não poderá mais fazêlo perante a instância superior, sob pena de inovação do feito e supressão de instância. (Acórdão 3802000.585. 3a S. 2a C. 2a TE. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. de 05/07/2011). “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO TEMPORAL. Questão não provocada a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, e somente demandada em grau de recurso, constitui matéria preclusa. Recurso Voluntário Negado.” (Acórdão 310100.409. 3a. S. 1a C. 1a TO. Rel. Conselheiro Tarásio Campelo Borges. S. de 29/04/2010). [...] NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA NÃO ABORDADA NA INSTÂNCIA ANTERIOR. PRECLUSÃO. EXCLUSÕES DE BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. Considerase preclusa matéria que não foi objeto de impugnação e que, por conseguinte, não foi objeto da decisão recorrida.” (Acórdão 340100.169. 3a S. 4a C. 1a TO. Rel. Conselheiro Odassi Guerzoni Filho. S. de 13/08/2009). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO E RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. ART. 17 DO DECRETO 70.235/72. O recurso voluntário é cabível contra a decisão de primeira instância, de modo que o âmbito válido de sua fundamentação naturalmente se circunscreve aos temas tratados no julgamento que pretende reformar. O recurso voluntário não pode inovar, veiculando novos argumentos de defesa que não foram apresentados na impugnação nem debatidos em primeira instância. Exceção feita apenas quanto a temas reconhecidamente de ordem pública, como é o caso da decadência e da prescrição.” (Acórdão 340300.385. 3a S. 4a C. 3a TO. Rel. Conselheiro Ivan Allegretti. S. de 25/05/2010). Assim, se a matéria sob repercussão geral não pode ser conhecida, por não ter sido ventilada na instância a quo, é igualmente descabido o sobrestamento do feito, inclusive porque, a rigor, no presente caso concreto a não homologação ocorreu devido à utilização do Darf para a quitação de outros débitos declarados pelo contribuinte (fls. 49). Tal situação se deu porque o Recorrente, ao apresentar a PER/Dcomp, deixou de retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), o que fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação (fls. 27). Fl. 90DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10875.903839/201046 Acórdão n.º 3802001.404 S3TE02 Fl. 89 5 Em circunstâncias dessa natureza, a Turma tem admitido a homologação da compensação, desde que retificada a Dctf e, principalmente, demonstrada a existência do direito creditório. Nesse sentido, cumpre destacar o julgado a seguir, de nossa relatoria: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/05/2005 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido. (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.007. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 22/05/2012) O Recorrente, além de não apresentar qualquer prova do direito creditório, sequer retificou a Dctf, razão pela qual não cabe a compensação. O sujeito passivo, na verdade, se limitou a afirmar que não tem como esclarecer a origem do crédito apurado e compensado (fls. 62). O Recurso, destarte, além de inovar indevidamente na suposta origem do direito creditório, mostrase manifestamente improcedente. Afinal, devese ter presente que a Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, promoveu a unificação do regime de compensação, extinguindo as compensações realizadas na Dctf, na escrituração contábil e a condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pela autocompensação, que ressaltadas as contribuições para a seguridade social compensadas na Gfip (Guia de Recolhimento do Fgts e Informações à Previdência Social) é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. No regime da autocompensação, como se sabe, a extinção do crédito tributário ocorre por iniciativa do sujeito passivo, mediante entrega de declaração contendo informações relativas aos créditos e débitos compensados, que, por sua vez, fica sujeita à posterior homologação pela autoridade competente no prazo de até cinco anos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e Fl. 91DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) A declaração do sujeito passivo denominada PER/Dcomp revestese de especial importância no mundo jurídico, porquanto representa a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Tratase, consoante destaca Paulo de Barros Carvalho, do veículo introdutor da norma individual e concreta que positiva o fato jurídico extintivo: “O fato extintivo da compensação será positivado por norma individual e concreta que promova o encontro das relações, extinguindoas no quantum em que se equivalerem. Os sujeitos habilitados a expedir a norma individual e concreta da compensação, formalizando o mencionado ‘encontro de contas’, são a autoridade administrativa e a autoridade judiciária. Há hipóteses em que a lei autoriza ao próprio particular a efetivação da compensação tributária. Esta, todavia, somente é utilizada quando o ato do particular for homologado pela Administração, de maneira tácita ou expressa. Dito de outro modo, o aplicarse da norma de compensação gera a extinção do crédito tributário e do débito do Fisco. Mas, para que esta se concretize, necessário o relato em linguagem competente não apenas das relações que se pretende compensar, mas também do fato da compensação. Apenas se descrito no antecedente de norma individual e concreta irradiará os efeitos previstos no consequente normativo, operandose extinção dos vínculos obrigacionais.” (CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário, linguagem e método. 2. ed. São Paulo: Noeses, 2008, p. 480481). Em razão disso, para produzir os seus efeitos jurídicos próprios, a PER/Dcomp pressupõe a correta identificação do crédito e dos respectivos débitos compensados. Do contrário, não há como se aperfeiçoar juridicamente o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. No presente feito, diante da não identificação da origem do crédito compensado, não há como se proceder à homologação da compensação, devido ao não aperfeiçoamento jurídico do encontro de contas pretendido pelo Recorrente. Votase, portanto, pelo conhecimento do recurso e pelo desprovimento, com a consequente manutenção do acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 92DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10875.903839/201046 Acórdão n.º 3802001.404 S3TE02 Fl. 90 7 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 15504.018489/2008-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006
RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
O Relatório de Representantes Legais representa mera formalidade exigida pelas normas de fiscalização, em que é feita a discriminação das pessoas que representavam a empresa ou participavam do seu quadro societário no período do lançamento, não acarretando, na fase administrativa do procedimento, qualquer responsabilização das pessoas constantes daquela relação.
Recurso Voluntário Negado
Não tendo havido imposição de juros na lavratura, é impertinente o requerimento para exclusão dos mesmos.
Numero da decisão: 2401-002.718
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. JUROS SELIC. NÃO INCIDÊNCIA. ALEGAÇÃO IMPERTINENTE. Não tendo havido imposição de juros na lavratura, é impertinente o requerimento para exclusão dos mesmos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006 AQUISIÇÃO DE ESTABELECIMENTO. EMPRESA ALIENANTE MANTÉM ATIVIDADE. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DA ADQUIRENTE. A pessoa jurídica que adquire estabelecimento comercial, industrial ou profissional e continua na exploração da atividade deste, responde subsidiariamente pelos tributos devidos pelo estabelecimento adquirido, quando o alienante permanece na exploração da mesma ou de outra atividade. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006 RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. O Relatório de Representantes Legais representa mera formalidade exigida pelas normas de fiscalização, em que é feita a discriminação das pessoas que representavam a empresa ou participavam do seu quadro societário no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 84 89 /2 00 8- 38 Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 período do lançamento, não acarretando, na fase administrativa do procedimento, qualquer responsabilização das pessoas constantes daquela relação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.018489/200838 Acórdão n.º 2401002.718 S2C4T1 Fl. 1.206 3 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n.º 37.166.1595, lavrado contra o sujeito passivo acima para aplicação de multa por descumprimento da obrigação acessória de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais. Transcrevo excerto do Relatório Fiscal, fl. 20, que bem descreve as infrações que levaram à presente lavratura: 0 Anexo I ao presente processo discrimina os valores pagos a pessoas físicas (contribuintes individuais) que prestaram serviços à empresa e a respectiva contribuição não arrecadada mediante desconto. 0 Anexo II discrimina os valores pagos a empregados da matriz e da filial a titulo de salário e a respectiva contribuição não arrecadada mediante desconto. O Anexo Ill discrimina os pagamentos de despesas pessoais de empregado da filial, Sr. Luciano Resende Martins de Souza, a título de aluguel de imóvel residencial, os quais constituemse em parcelas salariais e a respectiva contribuição não arrecadada mediante desconto. 0 Anexo IV discrimina os pagamentos de despesas pessoais do sóciogerente, Sr. Milton Cabral Moreira (aluguel, condomínio e IPTU residenciais e mensalidade de clube de lazer), bem como pagamentos intitulados pela empresa como "distribuição de lucros" com prejuízos apurados nos exercícios de 2003, 2004 e 2005, os quais constituemse em retirada prólabore e a respectiva contribuição não arrecadada mediante desconto. 0 Anexo V discrimina, por competência, os nomes dos segurados empregados, o valor das rubricas constantes das Folhas de Pagamento apresentadas em meio digital e a respectiva contribuição não arrecadada mediante desconto. Foram arroladas como devedoras solidárias as empresas abaixo, em razão do Fisco haver entendido que as mesmas formavam com a Autuada grupo econômico de fato, conforme evidências apontadas no Relatório Fiscal. • Educação Infantil e Ensino Fundamental Savassi Ltda — CNPJ: 05.385.879/000150. Educação Infantil e Ensino Fundamental Pampulha Ltda — CNPJ: 05.401.768/0001 90. • Pampulha Ensino Fundamental Ltda — CNPJ: 06.001.557/000123. • Educação Infantil e Ensino Fundamental Mangabeiras Ltda — CNPJ: 05.401.766/000100. Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 • Educação Infantil e Ensino Fundamental Sete Lagoas Ltda — CNPJ: 05.392.395/000139. • Mangabeiras Ensino Fundamental Ltda — CNPJ: 06.001.546/000143. • Colégio Sete Lagoas Ensino Fundamental Ltda — CNPJ: 04.901.337/0001 20. • Centro Mineiro de Ensino Superior — CEMES Ltda — CNPJ: 02.636.995/000107. • Promove Participações Ltda — CNPJ: 05.376.569/000170. • Promove Serviços Educacionais Ltda — CNPJ: 05.376.559/000134. • Promove Cursos Livres e Mercantil Ltda — CNPJ: 42.975.896/000174. • Magle Edição Comercio e Distribuição de Livros Ltda — CNPJ: 05.399.437/000163. • Sociedade Educacional Sistema Ltda — CNPJ: 23.840.945/000117. Foram emitidos em nome das citadas empresas os Termos de Sujeição Passiva. A Associação Educativa do Brasil — SOEBRAS, CNPJ. 22.669.915/0001 27, foi eleita responsável subsidiária, de acordo com o termo de fls. 438 a 444 (processo 15504.018494/200841), uma vez que adquiriu, inicialmente do grupo econômico Promove, inclusive da autuada, o direito de uso da marca PROMOVE, em 01/11/2006, por meio de contrato particular de "Licença de Uso da Marca" e posteriormente os estabelecimentos da Autuada. Cientificada do lançamento, a Autuada em conjunto com as responsáveis solidárias e as pessoas físicas listadas na relação de corresponsáveis apresentaram defesa, fls. 74/108, alegando, em síntese, que: a) os representantes legais não podem figurar como responsáveis pelo crédito tributário, posto que não se comprovou a prática de excesso de mandato; b) as pessoas físicas e jurídicas relacionadas sequer foram cientificadas do AI; c) é improcedente o lançamento, posto que confessou todas as suas dívidas do período; d) é absurda a incidência de contribuição previdenciária sobre valores pagos a título de distribuição de lucros; e) sofreu cerceamento ao seu direito de defesa, posto que foram lavrados na mesma ação fiscal diversos Autos de Infração contra si e contra outras empresas, dificultando o entendimento dos mesmos; Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.018489/200838 Acórdão n.º 2401002.718 S2C4T1 Fl. 1.207 5 f) os valores referentes a seguro de vida e seguro saúde foram descontados dos empregados, conforme documentos acostados, a exceção do Diretor Milton Cabral, cujos pagamentos dessas rubricas correspondem a sua retirada de pró labore; g) a multa é confiscatória; h) todos os fatos geradores constantes do lançamento já foram incluídos em outros autos de infração, os quais devem também ser declarados improcedentes; i) os acréscimos legais foram aplicados incorretamente; j) não se configurou a infração penal apontada pelo Fisco; k) a empresa SOEBRAS – Associação Educativa do Brasil deve ser excluída do polo passivo, haja vista ter havido parcelamento dos valores lançados. l) Ao final, requereu a declaração de improcedência do AI, a juntada posterior de documentos e que as intimações sejam efetuadas no endereço do seu advogado. Às fls. 842/858, consta peça de defesa da empresa SOEBRAS contestando o Termo de Sujeição Passiva, no qual é arrolada como devedora subsidiária pelos créditos lavrados contra o CEMES e outras empresas. Em suas razões, aduz ser imune ao recolhimento das contribuições sociais, em face da sua condição de entidade beneficente de assistência social. Afirma que a empresa CEMES não foi por ela assumida, conforme termo de distrato acostado. Suscita a existência de parcelamento que afastaria também a pretensão do Fisco. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Belo Horizonte (MG) declarou improcedente às impugnações, mantendo integralmente a lavratura (ver fls. 1.022//1.042). Inconformadas, as empresas apresentaram recurso conjunto, fls. 1.150/1.188, onde, em resumo, alegaram que: a) as dívidas contraídas pelo grupo PROMOVE não poderão ser de responsabilidade da SOEBRAS, conquanto inexiste previsão legal de que o uso da marca acarreta responsabilidades tributárias; b) a SOEBRAS detém imunidade tributária, não podendo ser chamada a responder pelas contribuições lançadas; c) os sócios não podem ser incluídos no polo passivo de dívida tributária; d) a multa e os juros aplicados tem caráter de confisco. Ao final, requereram: a) seja reconhecida a ilegitimidade da SOEBRAS para figurar como devedora das dividas contraídas pelo grupo "Promove", pela mera utilização da marca em contrato de licença para uso de marca; Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 b) sejam excluídos do polo passivo da obrigação os sócios das Recorrentes; c) sejam reduzidas as multas aplicadas, em aplicação ao disposto no art. 150, IV da CR/88 c/c art. 10 da Lei 9.784/99; d) seja reconhecida a imunidade tributária da SOEBRAS, atingindo os contratos de trespasse realizados com todos os entes que foram objeto do aludido contrato. É relatório. Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.018489/200838 Acórdão n.º 2401002.718 S2C4T1 Fl. 1.208 7 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Exclusão da SOEBRAS da condição de devedora A empresa SOEBRAS foi arrolada como devedora subsidiária pelo crédito tributário em questão, mediante o Termo de Sujeição Passiva de fls. 1.256/1.268. A fundamentação para responsabilização foi o inciso II do art. 133 do CTN, verbis: "Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: I integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; II subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão." O Termo de Sujeição informa que a Associação Educativa do Brasil – SOEBRAS adquiriu do Grupo Promove, do qual faz parte a autuada, a licença para utilização da marca “Promove”. Afirmase ainda que a licenciada criou estabelecimentos que passaram a funcionar no local onde anteriormente funcionavam as empresas licenciantes, além de conservar em sua folha de pagamento funcionários que trabalhavam para essas. A título exemplificativo, citase que dos 194 empregados do Centro Mineiro deEnsino Superior — CEMES Ltda, constantes da Folha de Pagamento de 11/2006, 176 deles foram informados nas GFIP's da SOEBRAS na competência 12/2006. Tais fatos demonstram de que, ao contrário do que afirmam as recorrentes, a SOEBRAS adquiriu não apenas a licença para explorar a marca “Promove”, mas de aquisição de estabelecimentos, conforme demonstrado nos autos. A responsabilidade subsidiária em debate, foi atribuída a SOEBRAS, nos termos do Relatório Fiscal da Infração (ver fl. 32), em face da aquisição de fundo de comércio por esta, através de Contrato de Trespasse, firmado em 15/10/2007. Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Também não merece acolhida a tese de que a responsabilização não poderia se dar em razão da imunidade da SOEBRAS frente às contribuições previdenciárias. É que no AI sob cuidado está sendo exigida multa por descumprimento de obrigação acessória, a qual não é alcançada pela suposta imunidade. Exclusão de representantes legais O pedido para exclusão dos representantes legais do polo passivo da relação tributária não merece acolhida. É que não há a vinculação dos mesmos na condição de devedores. No presente caso, a responsabilização é das empresas arroladas, os sócios e gerentes, por serem os representantes legais do sujeito passivo, constam da relação anexada ao AI apenas para cumprir formalidade das normas emanadas da Administração, sendo que este rol tem caráter apenas informativo O Fisco não atribuiu responsabilidade direta aos sócios/gestores, mas apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Assim, a empresa carece de interesse de agir quanto ao pedido exclusão dos representantes legais, posto que inexiste a alegada responsabilização dos mesmos pelo crédito. Caráter confiscatório da multa e dos juros Arguiu a recorrente a inconstitucionalidade da multa aplicada, em face do seu caráter confiscatório. Na análise dessa razão, não se pode perder de vista que o lançamento da penalidade por descumprimento de obrigação acessória é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que uma vez definido o patamar da quantificação da penalidade pelo legislador, fica vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas aplicar a multa no quantum previsto pela legislação. Cumprindo essa determinação a autoridade fiscal, diante da ocorrência da infração fato incontestável aplicou a multa no patamar fixado na legislação, conforme muito bem demonstrado no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, em que são expressos o fundamento legal e os critérios utilizados para a gradação da penalidade aplicada. Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. No âmbito do julgamento administrativo, a matéria acabou por ser sumulada, como se vê do seguinte enunciado de súmula: Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de lei e decreto trazidas pela recorrente. A alegação acerca dos juros não tem relação com a lavratura em questão, posto que não há imposição dos mesmos no AI sob cuidado. 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.018489/200838 Acórdão n.º 2401002.718 S2C4T1 Fl. 1.209 9 Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10120.006539/2009-14
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. EXTRAVIO DE AR. EDITAL DE NOTIFICAÇÃO. TEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO.
A inexistência nos autos do AR consubstanciando a tentativa da ciência da notificação de lançamento invalida a ciência via edital, considerando-se ocorrida a ciência quando da apresentação da impugnação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-002.612
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para afastar a intempestividade da impugnação apresentada, determinando o retorno dos autos à DRJ para enfrentamento do mérito, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Antônio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Sandro Machado dos Reis. Ausente, Justificadamente, Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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EXTRAVIO DE AR. EDITAL DE NOTIFICAÇÃO. TEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO. A inexistência nos autos do AR consubstanciando a tentativa da ciência da notificação de lançamento invalida a ciência via edital, considerandose ocorrida a ciência quando da apresentação da impugnação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para afastar a intempestividade da impugnação apresentada, determinando o retorno dos autos à DRJ para enfrentamento do mérito, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antônio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Sandro Machado dos Reis. Ausente, Justificadamente, Luiz Cláudio Farina Ventrilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 65 39 /2 00 9- 14 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10120.006539/200914 Acórdão n.º 2801002.612 S2TE01 Fl. 79 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 6ª Turma da DRJ/BSB (Fls. 59), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra a contribuinte em epígrafe foi emitida a Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF, referente ao exercício 2007, por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil da DRF/Goiânia (GO). O valor do crédito tributário apurado está assim constituído: (em Reais) Imposto Suplementar (sujeito à multa de ofício) 6.355,90 Multa de Ofício (passível de redução) 4.766,92 Juros de Mora (cálculo até 31/10/2008) 1.068,42 Imposto Suplementar (sujeito à multa de mora) Multa de Mora (não passível de redução) Juros de Mora (cálculo até 31/10/2008) Total do Crédito Tributário 12.191,24 O referido lançamento teve origem na constatação da seguinte infração: Dedução Indevida a Título de Despesas Médicas – glosa de dedução de despesas médicas, pleiteada indevidamente pela contribuinte na Declaração de Imposto de Renda. Valor: R$ 23.936,04. Motivo: Em decorrência do não atendimento à intimação, foi glosado o valor de R$ 23.936,04, deduzido indevidamente a título de despesas médicas, por falta de comprovação. A base legal do lançamento encontrase nos autos. A contribuinte teve ciência do lançamento por meio do Edital nº 00032/2008 em 03/12/2008, conforme documento de fl. 5051 e, em 18/05/2009, apresentou impugnação, em petição de fl(s). 02 06, acompanhada dos documentos de fls. 0735, alegando, resumidamente, o que se segue: TEMPESTIVIDADE que somente teve conhecimento da Notificação de Lançamento quando se dirigiu à Receita Federal do Brasil nos dias 23/04/09 e 07/05/09, desta vez acompanhada de advogado; que o servidor da Receita Federal informou que o Aviso de Recebimento (AR) foi devolvido pelo motivo de ausência; Fl. 79DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10120.006539/200914 Acórdão n.º 2801002.612 S2TE01 Fl. 80 3 entende que a ciência somente ocorreu no dia 23/04/09, quando do seu comparecimento à Receita Federal do Brasil. Por isso, considera que a impugnação foi protocolada dentro do prazo legal, sendo, portanto, tempestiva. MÉRITO que apresenta os comprovantes das despesas médicas para comprovar o valor de R$ 23.936,04 informado na Declaração de Ajuste Anual. Por fim, solicita o cancelamento do débito fiscal. Passo adiante, a 6ª Turma da DRJ/BSB entendeu por não conhecer a impugnação, em decisão que restou assim ementada: IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. Considerase intempestiva a impugnação apresentada após o decurso do prazo de trinta dias a contar da data em que foi feita a intimação da exigência, não tendo a faculdade, portanto, de instaurar a fase litigiosa do procedimento fiscal. Cientificada em 10/01/2012 (Fls. 67), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 16/01/2012 (fls. 69 a 74); reiterando os argumentos expostos quando da apresentação da impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. A DRJ, mediante o acórdão recorrido, considerou intempestiva a impugnação interposta pela interessada, utilizando como base a data da entrega da notificação de lançamento constante da pesquisa ao sistema da RFB "Consulta Postagem" e o edital de notificação. Segundo a “consulta postagem” o AR da notificação de lançamento teria sido devolvido por motivo “ausente”; razão pela qual teria sido realizado o edital de notificação. A recorrente, por sua vez, contrapõese a tal alegação, afirmando ser tempestiva a dita impugnação. Diante disso, cumpre analisar, preliminarmente, a regularidade da intimação feita por via postal, com posterior edital, visando a ciência da Notificação de Lançamento. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10120.006539/200914 Acórdão n.º 2801002.612 S2TE01 Fl. 81 4 Necessário se faz, para o deslinde da questão, lembrar dos mandamentos contidos no art. 23 do Decreto n° 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal): "Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de que o intimar; (Redação dada pelo art. 67 da Lei n°9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pelo art. 67 da Lei n°9.532, de 1997) (grifei) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei n°11.196, de 2005) a) envio ao domicilio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei n° 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei n°11.196, de 2005) (..) § 1° Quando resultar improficuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela LEI N°11.941, DE 27 DE MAIO DE 2009 DOU DE 28/5/2009) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pelo art. 67 da Lei n°9.532 de 1997) (...) § 4 Para fins de intimação, considerase domicilio tributário do sujeito passivo:(Redação dada pela Lei n°11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais,a administração tributária; e (Incluído pela Lei n°11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei n°11.196, de 2005)" Fl. 81DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10120.006539/200914 Acórdão n.º 2801002.612 S2TE01 Fl. 82 5 Tratandose, pois, de intimação por via postal, o documento hábil que comprova o recebimento da intimação é o Aviso de Recebimento do Correio (AR), devolvido diretamente pelo Correio à repartição fiscal. Havendo extravio do AR, deve o julgador entender que o prazo não se perdeu, isto é, a solução deve ser a favor de quem sofrerá o castigo da perda duvidosa, mediante presunção de que o prazo não foi ultrapassado, pois não há como exigir do contribuinte a produção de prova negativa, ou seja, provar que não a recebeu em determinada data. O aviso de recebimento assinado pelo destinatário da intimação é a prova da ciência e fica em poder da repartição fiscal que enviou a correspondência. Também entendo que a falta do AR da notificação de lançamento invalida o edital de notificação, na medida em que tal edital só deve ser realizado se restar improfícua a tentativa de notificação via postal. Ora, o AR da notificação é justamente a prova da tentativa de notificação via postal; não havendo tal AR é de se entender que não há prova da tentativa de notificação via postal. No caso em pauta, a Notificação de Lançamento foi emitida, mas não consta nos autos a prova da tentativa de ciência do lançamento via notificação postal (Aviso de Recebimento AR). A pesquisa ao sistema de informação da RFB denominada "Consulta Postagem", embora seja documento subsidiário, não pode, a meu ver, ser utilizada isoladamente para provar a ciência da autuação e, assim, servir de base para considerar válido o Edital de Notificação e a intempestividade da impugnação apresentada. Desse modo, tendo em vista os princípios da ampla defesa e do contraditório materializados no inciso LV do artigo 5° da Constituição Federal de 1988 e a inexistência do AR consubstanciando a ciência da notificação de lançamento em questão, considerase ocorrida a ciência quando da apresentação da impugnação. Assim sendo, devese considerar tempestiva a impugnação apresentada e dela se tomar conhecimento. Ante tudo acima exposto, e tudo mais que constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso, afastando a intempestividade da impugnação apresentada, e determinando o retorno dos autos a DRJ para enfrentamento do mérito. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 82DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10120.006539/200914 Acórdão n.º 2801002.612 S2TE01 Fl. 83 6 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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Numero do processo: 10469.903967/2009-48
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
Numero da decisão: 1802-001.527
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 90 39 67 /2 00 9- 48 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Relatório Por economia processual e considerar pertinente, adoto o Relatório da decisão recorrida (fl.18) que a seguir transcrevo: A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação —DCOMP de fls. 11/15, por meio da qual compensou credito do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ código 2089 com débitos de sua responsabilidade. 0 crédito informado, no valor de R$ 5.480,75 seria decorrente de pagamento indevido ou a maior do imposto apurado no 3° trimestre do anocalendário 2002. Através do despacho de fl.01, emitido eletronicamente, a Delegacia da Receita Federal em Natal — DRF/Natal identificou integral utilização anterior do pagamento para quitação de debito do IRPJ, em face do que não homologou a compensação declarada. A interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 03/07), fazendo, em síntese, as seguintes alegações: que o crédito é fruto da redução da base de cálculo do IRPJ para sociedades que desenvolvem atividades hospitalares de 32% para 8%, descreve sobre a matéria às fls. 04/06; não procedeu à retificação da DCTF por ocasião da compensação pleiteada, para deixar patente que seu pagamento foi a maior, porque já havia transcorrido o tempo hábil para retificação, o sistema da Receita Federal não aceita retificação "após cinco anos da data prevista"; o crédito subsiste porque o descumprimento de obrigação acessória, não interfere na principal; requer a procedência da manifestação de inconformidade, homologação das compensações e a retificação de oficio das DCTFs corn base no art. 149, inciso II do CTN. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Recife/PE) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1134.670, de 24 de agosto de 2011 (fls.18/21), cientificado ao interessado em 17/10/2011. A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.18): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.903967/200948 Acórdão n.º 1802001.527 S1TE02 Fl. 3 3 A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 16/11/2011. Eis a defesa da Recorrente: ... O presente Recurso tem por escopo sanar defeito correspondente a uma formalidade do procedimento das compensações, não se pretendendo, pois, discutir o mérito dos crédito tributários respectivos. Não há que se falar em inexistência dos créditos, isto pelo fato de que os tributos pagos forma a maior resultado de recolhimento do 1o. Trimestre do ano calendário 2000, ao qual a empresa tem créditos e, por via de conseqüência, poderia utilizá los para posteriores compensações. Entretanto, efetuados os pagamentos, a contribuinte, não oferecera retificação da DCTF para restar patente o pagamento a maior, o que aparentemente demonstraria que não haveria crédito para a citada compensação. Quando a recorrente realizou as compensações em tela, já havia transcorrido o tempo hábil para retificar as DCTFs e, por esta razão, não mais poderia ser feito, ainda que intempestivamente, porque o sistema da Receita Federal não opera as retificações após cinco anos da data prevista. Nesse contexto, a obrigação de apresentar a DCTF é uma obrigação tributária acessória que, ainda quando descumprida, não interfere na obrigação principal, ou seja, ainda que não se tenha procedido às retificações, o crédito subsiste. Observase que as compensações não foram homologadas somente em virtude do mero descumprimento de obrigação acessória, havendo crédito suficiente para legitimar as compensações. IIIDO PEDIDO: À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, fundada na lavratura do auto de infração, espera e requer a Recorrente que seja acolhido o Fl. 61DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 presente Recurso Administrativo, homologandose as compensações administrativas realizadas e cancelando os débitos ora determinados. Para tanto, requer à Receita Federal que retifique as DCTFs de ofício, em conformidade com o art. 149, II, do CTN, que prevê o lançamento de ofício pela autoridade administrativa quando "a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária". Finalmente, requer seja dado provimento ao Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 41574.10225.270406.1.3.040521 (fls.11/15), transmitido em 27/04/2006, em que a contribuinte pretende compensar débitos de CSLL: R$ 2.530,40, código 2372 e IRPJ: R$ 1.239,99, código 2089, relativos ao 1º trimestre de 2006, com a utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior do IRPJ (DARF: código – 2089, Período de Apuração: 30/09/2002; Vencimento: 31/10/2002, Valor: R$ 10.314,63). Conforme o despacho decisório de fl.01, emitido em 25/05/2009 não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no PER/DCOMP, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Em sede de primeira instância, a manifestação de inconformidade apresentada em 02/07/2009 (fls.03/07), foi julgada improcedente mediante o Acórdão nº 1134.670, de 24 de agosto de 2011 (fls.18/21) mantendo o despacho decisório que não homologou a compensação porque constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. A Recorrente diz que não pretende discutir o mérito do crédito tributário e que, não há falar em inexistência do crédito, pelo fato de que o tributo pago a maior foi resultado de recolhimento do 1o. Trimestre do ano calendário 2000, ao qual a empresa tem créditos e, por via de conseqüência, poderia utilizálos para posteriores compensações. A defesa não pode prosperar, pois, como explicado acima, nos presentes autos se discute a compensação de débitos de CSLL e IRPJ com a utilização de suposto crédito Fl. 62DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.903967/200948 Acórdão n.º 1802001.527 S1TE02 Fl. 4 5 decorrente de pagamento indevido ou a maior do IRPJ (DARF: código – 2089, Período de Apuração: 30/09/2002; Vencimento: 31/10/2002, Valor: R$ 10.314,63). Verificase que a Recorrente se reporta a crédito relativo ao 1º trimestre de 2000, portanto, distinto do constante no PER/DCOMP em comento relativo ao 3º trimestre/2002, o que por si só já desqualifica o objeto do Recurso. Sobre o pagamento a maior, a Recorrente aduz que efetuados os pagamentos, a contribuinte, não oferecera retificação da DCTF para restar patente o pagamento a maior, o que aparentemente demonstraria que não haveria crédito para a citada compensação. E, quando a recorrente realizou as compensações em tela, já havia transcorrido o tempo hábil para retificar as DCTFs e, por esta razão, não mais poderia ser feito, ainda que intempestivamente, porque o sistema da Receita Federal não opera as retificações após cinco anos da data prevista. Ainda que se admita como equívoco da Recorrente ao se reportar ao 1º trimestre de 2000 e não ao 3º trimestre de 2002, depreendese de suas alegações que a contribuinte pretende que o indébito se exteriorize tão somente com os dados declarados na DCTF comparados com o PER/DCOMP. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Registrese que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, a declaração de compensação deve estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois, no presente caso somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Os registros contábeis e demais documentos fiscais, acerca da base de cálculo do IRPJ, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito do contribuinte na Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 É cediço que as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Repisese que o ponto nodal da lide reside no fato de que o contribuinte pretende a restituição de valor na ordem de R$ 3.770,39, adotando a via do PER/DCOMP no qual pretende utilizar crédito de IRPJ relativo ao 3º trimestre do ano calendário de 2002. A busca da verdade material não autoriza ao julgador substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito. Não o fez. Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme dito acima, o PERDCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em 27/04/2006, tomou ciência do despacho decisório expedido em 25/05/2009, e apresentou a manifestação de inconformidade em 02/07/2009 (fls.03/07). Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 05 (cinco) anos da entrega do PERDCOMP. É dever do Fisco proceder a análise do crédito desde a sua origem até a data da compensação e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. No tocante à revisão de ofício da DCTF, aventada pela interessada, como bem ressaltado na decisão recorrida, não se aplica ao caso a determinação do inciso II do art. 149 do Código Tributário Nacional (CTN), uma vez que não se discute no presente processo lançamento de ofício de crédito tributário decorrente de lavratura do auto de infração como aduzido pela Recorrente. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.903967/200948 Acórdão n.º 1802001.527 S1TE02 Fl. 5 7 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10280.720981/2010-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
DESPACHO DECISÓRIO. REQUISITOS. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA. NULIDADE.
Caracteriza o cerceamento do direito de defesa a falta de indicação do fundamento legal no despacho decisório proferido em face da apresentação de PER/DCOMP pelo contribuinte. É nulo o despacho decisório proferido nestas circunstâncias.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3302-001.831
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para anular o Despacho Decisório da DRF, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 01/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 DESPACHO DECISÓRIO. REQUISITOS. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA. NULIDADE. Caracteriza o cerceamento do direito de defesa a falta de indicação do fundamento legal no despacho decisório proferido em face da apresentação de PER/DCOMP pelo contribuinte. É nulo o despacho decisório proferido nestas circunstâncias. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para anular o Despacho Decisório da DRF, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator. EDITADO EM: 01/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas.
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REQUISITOS. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA. NULIDADE. Caracteriza o cerceamento do direito de defesa a falta de indicação do fundamento legal no despacho decisório proferido em face da apresentação de PER/DCOMP pelo contribuinte. É nulo o despacho decisório proferido nestas circunstâncias. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para anular o Despacho Decisório da DRF, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 01/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 09 81 /2 01 0- 40 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.720981/201040 Acórdão n.º 3302001.831 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório No dia 24/09/2008 a empresa MONTECARLO VEÍCULOS LTDA., já qualificada nos autos, ingressou com pedido de ressarcimento de créditos de Cofins não cumulativa, previsto no art. 17 da Lei no 11.033/2004, relativo ao 2º trimestre de 2006. A DRF em BELÉM PA indeferiu o pedido da interessada porque entendeu que não gera direito de crédito as aquisições de bens sujeitos à tributação concentrada (incidência monofásica), glosando tais créditos da apuração feita pela Recorrente. Inconformada com esta decisão, a empresa ingressou com a manifestação de inconformidade, cujo resumo das alegações constam do relatório da decisão recorrida fls. 110/112. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA indeferiu a solicitação da interessada, nos termos do Acórdão nº 0124.326, de 28/02/2012, cuja ementa abaixo se transcreve. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de atos normativos. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VEDAÇÃO. A possibilidade de manutenção dos créditos prevista no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Ciente desta decisão em 20/04/2012, a interessada ingressou, no dia 21/05/2012, com o recurso voluntário de fls. 120/139, no qual alega que: 1) é nulo o despacho decisório por não indicar o fundamento legal da decisão de não admitir crédito nas aquisições de bens sujeitos à tributação concentrada (incidência monofásica); 2) o direito ao crédito na aquisição de bens sujeitos à tributação concentrada (incidência monofásica) está confirmado pelo art. 17 da Lei nº 11.034/04. O Dacon permite tal aproveitamento; 3) a IN SRF nº 594/2005 impõe limitações ao direito de crédito não previstas em lei; 4) é patente o direito dos comerciantes atacadistas e varejista de produtos constantes da Lei nº 10.485/02 se apropriar dos créditos de PIS e Cofins calculados sobre a aquisição destes bens revendidos à alíquota zero; Fl. 158DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.720981/201040 Acórdão n.º 3302001.831 S3C3T2 Fl. 4 3 5) qualquer tentativa de impedir ou limitar a manutenção de créditos decorrentes da venda de produtos sujeitos ao regime monofásico, no regime da não cumulatividade, é inconstitucional por violar o princípio da igualdade tributária. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este Conselheiro Relator. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. Como relatado, a empresa Recorrente está pleiteando, com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, o ressarcimento de crédito de Cofins e a Autoridade Administrativa competente da RFB indeferiu o pleito da Recorrente pelas razões e fundamentos a seguir transcritos: 1) Fundamentos consignados no Relatório Fiscal adotado pelo Despacho Decisório (Fls. 25/26): LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA: Lei 10.833/2003 [...] OBJETIVO DO PROCEDIMENTO: análise dos Pedidos de Ressarcimento da Contribuição para a COFINS (verificações de créditos e ressarcimento indicados no PER/DCOMP), relativos aos seguintes períodos: 2º trimestre de 2006 (PROC: 10280 720.981/201040); 3° trimestre de 2006 (PROC: 10280 720.979/201071)e 4º trimestre de 2006 (PROC: 10280 720.980/201003). [...] CRÉDITOS DECORRENTES DE COMPRAS DE PEÇAS OBJETO DE GLOSA: a planilha denominada "Recomposição da contribuição nãocumulativa devida" demonstra que em nenhum dos meses dos trimestres objeto das PER/DCOMP’s relacionadas no item 5 o sujeito passivo apresentou saldo de crédito a ser ressarcido. A análise da relação de Notas Fiscais de compras apresentada resultou na exclusão de todas as aquisições de bens sujeitas à tributação concentrada ( incidência monofásica), as quais não são geradoras de crédito. 2) Fundamentos consignados no Despacho Decisório SEFIS/DRF/BEL nº 537/2011, que indeferiu o pedido de ressarcimento (Fl. 29): Fl. 159DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.720981/201040 Acórdão n.º 3302001.831 S3C3T2 Fl. 5 4 Com base nas informações e documentos constantes do processo acima identificado, ínsito no RELATÓRIO FISCAL de fls. 24 a 25, que aprovo, e no uso da competência estabelecida pelo inciso II do artigo 285 da Portaria MF n° 125/2009 e art. 57 da IN RFB n° 900/2008 e de acordo com a Delegação de competência prevista no inciso II do Art. 5° da Portaria DRF/BEL n° 39/2011, publicada no DOU de 3 de março de 2011, decido indeferir o pedido crédito atinente ao ressarcimento de Créditos da COFINS NãoCumulativa (2° trimestre/2006), no valor de R$ 40.131,53 (Quarenta mil, cento e trinta e um reais e cinqüenta e três centavos). 3) Fundamentos consignados no Parecer SEORT nº 844/2011, adotado pelo Despacho Decisório nº 826/2011 (Fl. 30): FUNDAMENTAÇÃO. Trata o processo de pedido de ressarcimento/compensação de COFINS no montante de R$ 40.131,53 (fl. 4). Fundamentouse o pedido na existência de crédito da COFINS Mercado Interno nos termos do art. 17 da Lei n° 11.033/2004. O Serviço de Fiscalização da DRF/Belém, por meio do Relatório acostado nas folhas 24 a 27 apurou a inexistência do direito creditório pleiteado. Com base no mencionado Relatório, o Chefe do Serviço de Fiscalização da DRF/Belém emitiu o Despacho Decisório n° 537/2011 indeferiu o Pedido de Ressarcimento (fl. 28). O indeferimento do Pedido de Ressarcimento implica no indeferimento do Pedido de Compensação, por força da inexistência de direito creditório. CONCLUSÃO. Diante do exposto, proponho: A não homologação dos débitos da Declarações de Compensação n° 16256.62342.300908.1.3.111007 e 11963.72184.250609.1.3.11 2687. 4) Fundamentos consignados no Despacho Decisório nº 826/2011, que não homologou as compensações declaradas (Fl. 31): Com base nas informações e documentos constantes deste processo, especialmente o Parecer SEORT n° 844/2011 e no uso da competência estabelecida com a delegação prevista no art. 3º, item IV, da Portaria DRF/BEL n° 47/2009, publicada no Diário Oficial da União de 07 de abril de 2009, resolvo NÃO HOMOLOGAR as declarações de compensação a seguir elencadas: 16256.62342.300908.1.3.11 1007 e 11963.72184.250609.1.3.11 2687 No caso de inconformidade do requerente, este poderá manifestarse à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém DRJ/BEL no prazo de 30 (trinta) dias a Fl. 160DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.720981/201040 Acórdão n.º 3302001.831 S3C3T2 Fl. 6 5 partir da ciência deste Despacho Decisório, nos termos do disposto no art. 74, § 9º, da Lei n° 9.430/96. À EQRECC/SEORT/DRF/BEL, para dar ciência ao interessado deste Despacho Decisório e proceder as demais providências cabíveis. Em sua apelação a empresa levanta a preliminar de nulidade do Despacho Decisório proferido pela DRF em Belém PA por falta de indicação da fundamentação legal da decisão proferida, caracterizando cerceamento do direito de defesa. Por seu turno, a decisão recorrida assim tratou a matéria: Da Nulidade do Despacho Decisório Dispõe o art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF) sobre a questão de nulidade, verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso concreto, o Despacho Decisório foi lavrado e assinado por autoridade administrativa competente e contem todos os requisitos legais, restando plenamente válidos, não havendo que se falar em nulidade. No que concerne à alegação de cerceamento de defesa, a prova cabal de que a defesa não foi preterida consistiu na apresentação tempestiva da robusta manifestação de inconformidade que ora se conhece e analisa. É por demais sabido que a atividade administrativa tributária é plenamente vinculada, não possuindo o administrador tributário poder discricionário. Isto implica que, mais do que as outras decisões administrativas, a decisão do administrador tributário deve ser fundamentada, ou seja, além de estar conforme com a norma, precisar indicar para o administrado contribuinte qual a norma legal que o autoriza a tomar a decisão. No caso dos autos, a decisão foi tomada sem indicar seu fundamento legal, tomando como base a opinião (digo opinião porque não há indicação expressa do dispositivo legal que proíba a fruição do crédito pleiteado ou a informação de que não há dispositivo legal que autorize o crédito pleiteado) dos AFRFB, responsáveis pela apuração da veracidade das informações prestadas pela Recorrente no PER/DCOMP, de que “as aquisições de bens sujeitas à tributação concentrada (incidência monofásica), [...] não são geradoras de crédito”. Ora, para contrapor esta decisão, bastaria a Recorrente também expor a sua opinião (coisa que efetivamente fez) de que “as aquisições de bens sujeitas à tributação concentrada (incidência monofásica), [...] são geradoras de crédito”. É a opinião de um contra a opinião de outro. Qual vale mais? Não sei! Ao contrário do que diz a decisão recorrida, a falta de indicação da fundamentação legal no despacho decisório caracteriza, sim, cerceamento do direito de defesa, Fl. 161DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.720981/201040 Acórdão n.º 3302001.831 S3C3T2 Fl. 7 6 dando motivo à nulidade do mesmo, nos termos do inciso II, do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Esclareçase que a indicação, no Relatório Fiscal, da Lei nº 10.833/03 como sendo a legislação de regência, não supre a necessidade da decisão administrativa indicar o dispositivo legal infringido (da própria Lei nº 10.833/03 ou de outras normas) que levou à decisão de não reconhecer o direito ao crédito nas aquisições de bens sujeitos à tributação concentrada (incidência monofásica). Deve, portanto, outro despacho decisório ser proferido pela DRF em Belém PA, com a necessária indicação da fundamentação legal do decidido. Isto posto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para anular os Despachos Decisórios nºs 537/2011 e 826/2011, determinando que outro (ou outros) seja proferido com a necessária indicação da fundamentação legal. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator Fl. 162DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10980.016592/2008-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
ÁREA RECONHECIDA COMO RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL - EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. RECURSO PROVIDO
Não integra a base de cálculo do ITR, área reconhecida documentalmente como Reserva Particular do Patrimônio Natural - RPPN, por ser de utilização limitada.
Numero da decisão: 2102-002.197
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso para reconhecer uma área de utilização limitada (RPPN) de 400,78 hectares.
Assinado digitalmente
GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
Presidente
Assinado digitalmente
ATILIO PITARELLI
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Nubia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: ATILIO PITARELLI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 ÁREA RECONHECIDA COMO RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL - EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. RECURSO PROVIDO Não integra a base de cálculo do ITR, área reconhecida documentalmente como Reserva Particular do Patrimônio Natural - RPPN, por ser de utilização limitada.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1722; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 180 1 179 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.016592/200812 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102002.197 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de julho de 2012 Matéria IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Recorrente JOAO AMADEU ALVES E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Anocalendário: 2004, 2005, 2006 ÁREA RECONHECIDA COMO RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. RECURSO PROVIDO Não integra a base de cálculo do ITR, área reconhecida documentalmente como Reserva Particular do Patrimônio Natural RPPN, por ser de utilização limitada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso para reconhecer uma área de utilização limitada (RPPN) de 400,78 hectares. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Nubia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 65 92 /2 00 8- 12 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10980.016592/200812 Acórdão n.º 2102002.197 S2C1T2 Fl. 181 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário face decisão da 1a Turma da DRJ/CGE, de 9 de abril de 2010 (fls. 134/140), que por unanimidade de votos negou provimento à impugnação apresentada tempestivamente pelo Recorrente, proprietário de uma área de 500,0 hectares, situada no município de GuaraqueçabaPR, conforme DIAT de fl. 09, mantendo assim a exigência fiscal objeto do auto de infração lavrado em 25/11/2008 (fl. 31), no valor total de R$ 68.413,41, sendo R$ 32.133,00 de imposto, R$ 12.180,66 de juros de mora e R$ 24.099,75 de multa proporcional. Da descrição dos fatos que originaram o lançamento minuciosamente apresentados à fl. 33, depreendese que o mesmo decorre da glosa da declaração como Área de Preservação Permanente de 400,0 hectares, sem ADA, que não constaria da base de consulta do autuante, assim como o VTN foi arbitrado, tomando por base valores atribuídos ao município de GuaraqueçabaPR, pela Secretaria Estadual da Agricultura. Notificado do lançamento o Recorrente apresentou impugnação constante das fls. 40/46, alegando que apresentou ADA ao IBAMA relativo ao ano de 2006 (fl. 50); Portaria do Ministério do Meio Ambiente, através do IBAMA, reconhecendo a área como de Reserva Particular do Patrimônio Natural, como de interesse público, em caráter de perpetuidade, a área de 400,78 hectares (fl. 54); que a área integra a APA de GuaraqueçabaPR, apresentando Plano de Manejo editado em 2005 (fl. 58) e título de reconhecimento da área como RPPN Reserva Particular do Patrimônio Natural, expedido pelo IBAMA (fl. 51); que o trabalho fiscal está fundamentado em Instruções Normativas, enquanto a lei n.o 9.393/96 excetua da incidência a área em questão, sem exigência do ADA. Juntou documentos a respeito do alegado. A decisão recorrida (fls. 134/140), conforme destacado no início deste Relatório, manteve integralmente a exigência fiscal, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2004, 2005, 2006 Áreas de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). Averbação. ADA. Para exclusão das áreas de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), é necessário a protocolização do Ato Declaratório Ambiental ADA perante ao Ibama, no prazo de até seis meses, contado a partir do término do período de entrega da declaração, e que essas áreas estejam averbadas A margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente na data de ocorrência do fato gerador. Valor da Terra Nua VTN. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10980.016592/200812 Acórdão n.º 2102002.197 S2C1T2 Fl. 182 3 Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, conforme legislação processual. Juros de mora. Multa de Oficio Lançada. E cabível a cobrança de juros de mora equivalentes ã taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), e da multa de oficio por expressa previsão legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em grau de Recurso Voluntário a este colegiado, resumidamente, aduz que a exclusão da área de preservação permanente e reserva legal da base de cálculo do ITR decorre de lei, enquanto a exigência pela não apresentação do ADA de Instruções Normativas, sem respaldo na legislação fiscal ou mesmo no Código Florestal Brasileiro, citando neste sentido, precedentes do Poder Judiciário e doutrina; a informação do autuante sobre a não constatação da existência do ADA está equivocada, juntando para isto, mais uma vez, o apresentado tempestivamente em 27/09/2006; destacou ainda o fato da área pertencer à Reserva Ecológica do Sebui, ser a primeira RPPN pertencente a pessoa físicas na APA de Guaraqueçaba, lembrando ainda os documentos acostados na impugnação, juntando nesta peça recursal, cópias atualizadas e autenticadas das matrículas 1.618 e 1.619 que compõe a área de 500 hectares, na qual está inserida a de 400,78 hectares, devidamente averbados os atos que a reconhecem como RPPN Reserva Particular do Patrimônio Natural e cópia do Título de Reconhecimento da RPPN emitido pelo IBAMA. É o relatório. Voto Conselheiro Atilio Pitarelli, Relator. O recurso é tempestivo, em conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Com efeito, a questão desta exigência fiscal remanescente de apreciação por este colegiado recai exclusivamente sobre a exigência do imposto sobre 400,78 hectares, declarado pelo contribuinte como Área de Preservação Permanente, excluindo com isto, da base de cálculo do ITR, e conforme descrito na peça exordial, pela não apresentação do ADA, foi afastado o benefício da isenção, entendimento este, mantido pela decisão proferida. Inicialmente, não obstante haver divergência entre as DITRs apresentadas pelo Recorrente e o ADA 2006, sendo que naquelas, os 400,0 hectares constam como APP, e no ADA de fls. 50 e 161, contam 300,0 hectares como APP e 100,0 hectares como de reserva legal, entendo que assiste razão ao Recorrente, devendo a pretensão fiscal ser afastada. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10980.016592/200812 Acórdão n.º 2102002.197 S2C1T2 Fl. 183 4 Assim, para os meus pares que entendem imprescindível a apresentação do ADA para o contribuinte contar com a exclusão da base de cálculo do imposto das áreas de preservação permanente, com a divergência acima destacada, este foi providenciado em 27/09/2006, embora as exigências recaiam sobre os anos de 2004, 2005 e 2.006. Como venho reiteradamente me posicionando, entendo que a exigência da apresentação do ADA não decorre da legislação fiscal, portanto, a ela não sendo aplicada, como condicionante do benefício da isenção, conforme precedentes do Superior Tribunal de Justiça, destacando, como exemplo, o seguinte: AgRg no REsp 1310972 / RS AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL2012/00387110 Relator(a) Ministro HERMAN BENJAMIN (1132) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 05/06/2012 Data da Publicação/Fonte DJe 15/06/2012 Ementa TRIBUTÁRIO. MULTA PREVISTA NO ART. 538 DO CPC. OMISSÃO CONFIGURADA. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL. RESERVA LEGAL. ISENÇÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. INEXIGIBILIDADE. 1. A violação do art. 538 do CPC, indicada nas razões de Recurso Especial, não foi examinada na decisão agravada, configurando omissão a ser sanada. 2. Conforme assentado no acórdão recorrido, dispensável análise detida de cada argumento pelo magistrado, bastando a adequada fundamentação da decisão, razão pela qual deve ser mantida a multa prevista no art. 538 do CPC quando protelatórios os Embargos deDeclaração. 3. É cediço no Superior Tribunal de Justiça que é desnecessário apresentar o Ato Declaratório Ambiental ADA para que se reconheça o direito à isenção do ITR, mormente quando essa exigência estava prevista apenas em instrução normativa da Receita Federal (IN SRF 67/97). Fl. 187DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10980.016592/200812 Acórdão n.º 2102002.197 S2C1T2 Fl. 184 5 4. Agravo Regimental parcialmente provido apenas para sanar a omissão apontada, mantendo a decisão que negou seguimento ao Recurso Especial. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça: "A Turma, por unanimidade, deu parcial provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. MinistroRelator, sem destaque e em bloco." Os Srs. Ministros Mauro Campbell Marques, Cesar Asfor Rocha, Castro Meira e Humberto Martins votaram com o Sr. Ministro Relator. Também corrobora a favor do Recorrente, os documentos apresentados nas peças de defesa, expedidos pelo IBAMA, reconhecendo como de Reserva Particular do Patrimônio Natural (fl. 51) e Portaria do Ministério do Meio Ambiente (fl. 54), averbando nas matrículas do imóvel, tais condições. Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte. Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Fl. 188DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 15956.000528/2010-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
MULTA. APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS INCORRETOS. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Deve ser aplicada a multa prevista no art. 32-A da Lei nº 8.212/91, trazido pela MP nº 449/08 (Lei nº 11.941/09), à empresa que tenha deixado de apresentar Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DEVIDA PELA AGROINDÚSTRIA. EXPORTAÇÃO REALIZADA POR EMPRESAS DO MESMO RAMO. IMUNIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Não tem direito à imunidade prevista no art. 149, § 2, I, da CF/88 a agroindústria que efetua venda no mercado interno, com fim específico de exportação, a empresas que atuam no mesmo ramo, que exportam posteriormente a produção.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DEVIDA PELA AGROINDÚSTRIA. DEDUÇÃO DE DEVOLUÇÕES DE VENDAS. POSSIBILIDADE.
Na hipótese de devolução ou cancelamento de venda, a empresa acaba estornando sua operação, que simplesmente não se efetiva. A análise da situação fática importa, necessariamente, em inocorrência de venda e, consequentemente, em ausência de receita auferida, situação que descaracteriza a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária incidente sobre a receita bruta.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-003.213
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial para redução da multa na parte correspondente às contribuições incidentes sobre os valores decorrentes de devolução e cancelamento de vendas e para adequação da multa remanescente ao artigo 32-A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica.
Julio César Vieira Gomes - Presidente.
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 MULTA. APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS INCORRETOS. RETROATIVIDADE BENIGNA. Deve ser aplicada a multa prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91, trazido pela MP nº 449/08 (Lei nº 11.941/09), à empresa que tenha deixado de apresentar Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DEVIDA PELA AGROINDÚSTRIA. EXPORTAÇÃO REALIZADA POR EMPRESAS DO MESMO RAMO. IMUNIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não tem direito à imunidade prevista no art. 149, § 2, I, da CF/88 a agroindústria que efetua venda no mercado interno, com fim específico de exportação, a empresas que atuam no mesmo ramo, que exportam posteriormente a produção. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DEVIDA PELA AGROINDÚSTRIA. DEDUÇÃO DE DEVOLUÇÕES DE VENDAS. POSSIBILIDADE. Na hipótese de devolução ou cancelamento de venda, a empresa acaba estornando sua operação, que simplesmente não se efetiva. A análise da situação fática importa, necessariamente, em inocorrência de venda e, consequentemente, em ausência de receita auferida, situação que descaracteriza a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária incidente sobre a receita bruta. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 05 28 /2 01 0- 47 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial para redução da multa na parte correspondente às contribuições incidentes sobre os valores decorrentes de devolução e cancelamento de vendas e para adequação da multa remanescente ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica. Julio César Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado Fl. 153DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 15956.000528/201047 Acórdão n.º 2402003.213 S2C4T2 Fl. 153 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado em 15/10/2010, para exigir multa em razão da Recorrente ter apresentado as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, no período de 01/2006 a 12/2008. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 17/46), o crédito tributário foi apurado de forma descentralizada para cada empresa incorporada até o momento das incorporações, quando a contabilidade passou a ser centralizada. Os valores representam diferenças entre o que foi declarado em GFIP e o que foi apurado pela fiscalização, valores recebidos em decorrência de “Revenda de Materiais”, “Vendas Diversas” e “Sucatas”. A Recorrente interpôs impugnação (fls. 54/68) requerendo a total improcedência do lançamento. A d. DRJ determinou a realização de diligência para que a autoridade fiscalizadora se manifeste em relação à alegação de que as operações de “Venda para Entrega Futura” já tinham sido oferecidas à tributação em competências anteriores (fls. 71/72). A fiscalização apresentou relatório fiscal complementar (fls. 79/81) pontuando que apurou o crédito tributário partindo da receita da comercialização da produção rural, levandose em conta os balancetes contábeis apresentados pelo contribuinte comparados com as receitas declaradas em GFIP. A Recorrente apresentou manifestação (fls. 87/100), alegando que: (i) a autoridade administrativa se equivocou no cálculo da penalidade imposta; (ii) a fiscalização não se manifestou sobre as hipóteses de vendas para entregas futuras, em ofensa ao art. 142 do CTN; e (iii) a fiscalização não apreciou efetivamente os documentos que demonstram a existência de devoluções de produtos, bem como as receitas de prestação de serviços a terceiros. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo – SP, ao analisar o presente caso (fls. 104/120), julgou o lançamento procedente, entendendo que: (i) constitui infração punível com multa apresentar GFIP com omissão de fatos geradores das contribuições previdenciárias; (ii) foi aplicada a penalidade mais favorável, multa de ofício ou de mora, em cada período exigido; (iii) a contribuição devida pela agroindústria incide sobre o valor da receita bruta proveniente da venda de subprodutos da produção, tais como mercadorias, sucatas e insumos; (iv) não há imunidade quando a produção rural é vendida para empresa comercial localizada no mercado interno, ainda que com o fim específico de exportação; (v) não cabe à autoridade administrativa declarar a inconstitucionalidade ou a ilegalidade de normas. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 126/149) alegando que: (i) deve ser aplicada a multa prevista no artigo 32A da Lei nº 8.212/91, com a redação trazida pela Lei nº 11.941/11; (ii) devem ser excluídos os valores regularmente declarados nas competências 12/2006 (Usina MB) e 03/2008 (Santa Elisa Vale); (iii) as receitas que não Fl. 154DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 decorrem da atividade agroindustrial não podem ser incluídas na base de cálculo da contribuição previdenciária; (iv) as receitas decorrentes de vendas realizadas com o fim específico de exportação possuem imunidade, não podendo ser tributada pela contribuição previdenciária devida pelas agroindústrias; (v) o art. 245, § 1º, da IN nº 03/2005 e o art. 170, § 1º, da IN nº 971/2009 criaram regramento que destoa do texto constitucional, não podendo ser aplicados; (vi) a multa deve ser excluída e o crédito tributário deve ser suspenso, tendo em vista a liminar proferida no Mandado de Segurança nº 2005.61.00.0251305, impetrado pela ÚNICA – União da Agroindústria Canavieira do Estado de São Paulo; (vii) as receitas decorrentes de vendas para entrega futura foram tributadas no momento da emissão da nota; e (viii) os valores relativos à devolução de mercadorias e à prestação de serviços a terceiros devem ser excluídos da base de cálculo da contribuição previdenciária. É o relatório. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 15956.000528/201047 Acórdão n.º 2402003.213 S2C4T2 Fl. 154 5 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Recorrente alega que a penalidade imposta nas competências de 12/2006 e 03/2008, relativos aos estabelecimentos USINA MB e Santa Elisa Vale, respectivamente, não são devidas, pois foram declaradas em GFIP. Em que pese a r. decisão recorrida ter consignado que as declarações apresentadas pela empresa são diferentes daquelas que constam no sistema DATAPREV, a Recorrente pontua que não teria como ter pago as contribuições previdenciárias em tais competências se o sistema da previdência não tivesse gerado as guias de pagamento. Entretanto, nos mesmos termos do que mencionado no Relatório Fiscal Complementar (fls. 79/80), os valores relativos às competências de 12/2006 e 03/2008 não estavam declarados em GFIP quando do início da ação fiscal (26/01/2010), não devendo, pois, servir como base para a exclusão da penalidade aplicada. A Recorrente defende que as receitas advindas da comercialização de produtos não decorrentes da atividade agroindustrial (revenda de materiais e sucatas) não podem compor a base de cálculo da contribuição previdenciária da agroindústria. Sustenta que a revenda de produtos não constitui industrialização da produção própria ou adquirida de terceiros, não podendo se sujeitar à incidência da contribuição previdenciária devida pela agroindústria. Pontua também que a venda de sucatas não constitui atividade agroindustrial passível de tributação, mormente quando qualquer empresa pode realizar tal atividade. Todavia, os valores exigidos sobre as receitas decorrentes de revenda de materiais foram objeto de renúncia por parte da empresa, que confessou os débitos, tal como se verifica nos processos nº 15956.000526/201058 e 15956.000527/201001. Não pode assim, buscar contestar a inocorrência de fatos geradores das contribuições previdenciárias, com a finalidade de se eximir da obrigação de declarálos em GFIP. No caso das sucatas, conforme consignado nos referidos, processos, temse que estas decorrem, essencialmente, do processo produtivo da empresa, não devendo a correspondente penalidade ser excluída desse processo. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 6 A Recorrente defende que as receitas decorrentes de vendas realizadas com o fim específico de exportação não podem ser tributadas pela contribuição previdenciária, em face da imunidade prevista no art. 149, § 2º, I, da CF/88, com a redação dada pela EC nº 33/2001. Como também já consignado nos processos nº 15956.000526/201058 e 15956.000527/201001, os valores decorrentes de venda a empresas do mesmo ramo, com o fim específico de exportação, não podem ser excluídos da base de cálculo da contribuição em comento. Assim, deve ser mantida a correspondente penalidade lavrada neste processo. A Recorrente alega também que a multa deve ser cancelada e o crédito tributário suspenso, haja vista que, na época da lavratura da presente autuação, estava em vigor a liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança nº 2005.61.00.0251305, em que é parte a ÚNICA – União da Agroindústria Canavieira do Estado de São Paulo (da qual a Recorrente é filiada), que assegurou a suspensão da exigibilidade da contribuição previdenciária incidente sobre operações de exportação realizadas por intermédio de trading companies ou empresas comerciais exportadoras nos termos do Decreto Lei nº 1.248/72. Entretanto, como já mencionado acima nos processos destacados acima, o objeto da presente discussão não é exportação realizada por empresas comerciais exportadoras, mas sim por empresas que atuam no mesmo ramo da Recorrente, não havendo conexão, portanto, entre este processo e o referido mandado de segurança. Destacase apenas que o crédito tributário continuará suspenso até o término deste processo administrativo. A Recorrente alega ainda que a fiscalização apurou indevidamente “diferenças entre os valores declarados pelo contribuinte em GFIP daqueles apurados pela fiscalização, através da análise dos lançamentos contábeis e balancetes fiscais”. No entanto, conforme se verifica nos processos paradigmas, destacados acima, a própria empresa confessou os débitos decorrentes destas diferenças, não podendo buscar aqui a sua exclusão, como se estes não fossem devidos. Pleiteia a Recorrente pela exclusão dos valores decorrentes de devolução de mercadorias e de prestação de serviços a terceiros da base de cálculo da contribuição previdenciária devida pela agroindústria. Em relação a suposta tributação da receita proveniente de serviços prestados a terceiros, como já mencionado nos processos nº 15956.000526/201058 e 15956.000527/201001, os valores relativos a esta rubrica já foram confessados pela empresa. Já em relação à pretensão de se excluir da base de cálculo da contribuição previdenciária os valores relativos à devolução de vendas, temse que foi reconhecido o direito da empresa não recolher as contribuições previdenciárias sobre tais valores, nas competências de 11/2008 e 12/2008. Destarte, é mister que as penalidades impostas nestas competências, relativas às contribuições previdenciárias incidentes sobre as devoluções de vendas, sejam excluídas. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 15956.000528/201047 Acórdão n.º 2402003.213 S2C4T2 Fl. 155 7 A Recorrente alega que deveria ter sido aplicada a multa prevista no artigo 32A, da Lei nº 8.212/91, com a redação trazida pela Lei nº 11.941/11. Constatase que, por ter sido a penalidade imposta no presente caso (art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991) revogada pelo art. 79 da Lei nº 11.941/2009, o auditor fiscal, em atenção ao art. 106, inc. II, aliena “c”, do CTN, realizou a comparação de qual seria a multa mais benéfica ao contribuinte. No entanto, o cálculo realizado pelo fiscal está totalmente equivocado, haja vista que utiliza como parâmetro não só a penalidade por descumprimento de obrigação acessória, como também a penalidade por descumprimento de obrigação principal. A penalidade anteriormente prevista no art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, passou a ser regulamentada pelo art. 32A, inc. I, da Lei nº 8.212/19911. Tal norma leva em consideração somente a quantidade de erros formais que o contribuinte comete ao preencher suas declarações acessórias (R$ 20,00 para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas) e não o montante que deixou de ser informado, como ocorria durante a vigência da legislação anterior. Sendo assim, a fim de que seja dado o efetivo cumprimento à retroatividade benigna de que trata o art. 106, inc. II, “c”, do CTN, é mister que a multa seja recalculada, a fim de que seja imposta a penalidade mais benéfica ao contribuinte. Outro não é o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais: “(...) OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA PENALIDADE GFIP OMISSÕES INCORREÇÕES RETROATIVIDADE BENIGNA. A ausência de apresentação da GFIP, bem como sua entrega com atraso, com incorreções ou com omissões, constituise violação à obrigação acessória prevista no artigo32, inciso IV , da Lei nº 8.212/91 e sujeita o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. Com o advento da Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, a penalidade para tal infração, que até então constava do §5° ,do artigo 32, da Lei n° 8.212/91, passou a estar prevista no artigo32A da Lei n° 8.212/91,o qual é aplicável ao caso por força da retroatividade benigna do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional.Recurso especial provido em parte.” (CARF, CSRF, 2ª Turma, PAF nº 36378.002129/200615, Acórdão nº 920201.636, Red. Des. Gonçalo Bonet Allage, Sessão de 25/07/2011) Cabe ressaltar apenas que o cálculo da retroatividade benigna deve ser aplicado para todas as competências autuadas neste processo. 1 “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (...)” Fl. 158DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 8 Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, para determinar a exclusão das penalidades decorrentes da falta de declaração dos valores relativos à devolução e cancelamento de vendas nos períodos de 11/2008 e 12/2008, bem como para determinar o recálculo da multa aplicada em todo o processo, levandose em conta a previsão contida no art. 32A da Lei n. 8.212.91, conforme a fundamentação supra. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 159DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
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Numero do processo: 10665.001047/2009-77
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2007
DIPJ. ENTREGA EXTEMPORÂNEA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. CULPA EXCLUSIVA DO SUJEITO PASSIVO. MULTA. CABIMENTO.
É obrigação expressa do sujeito passivo comunicar tempestivamente o fisco, na forma da legislação de regência do Simples, da perda de condição para permanência nesse regime de tributação simplificado, para respectiva baixa nos sistemas internos, automatizados ou eletrônicos, de controle da RFB.
A migração espontânea para o regime do Lucro Presumido, sem prévio pedido formal de baixa do regime de tributação do Simples, impede a apresentação pela internet de declaração pelo novo regime de tributação, por permanencer ativo o regime de tributação do Simples.
O retardamento na entrega da DIPJ constitui infração formal.
Não sendo infração de natureza tributária a entrega serôdia de declaração, mas sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não é abarcada pela denúncia espontânea; é legal a aplicação da multa pelo atraso na apresentação da DIPJ.
As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo.
A multa aplicada ao contribuinte decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo.
Numero da decisão: 1802-001.309
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho, que davam provimento ao recurso
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ENTREGA EXTEMPORÂNEA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. CULPA EXCLUSIVA DO SUJEITO PASSIVO. MULTA. CABIMENTO. É obrigação expressa do sujeito passivo comunicar tempestivamente o fisco, na forma da legislação de regência do Simples, da perda de condição para permanência nesse regime de tributação simplificado, para respectiva baixa nos sistemas internos, automatizados ou eletrônicos, de controle da RFB. A migração espontânea para o regime do Lucro Presumido, sem prévio pedido formal de baixa do regime de tributação do Simples, impede a apresentação pela internet de declaração pelo novo regime de tributação, por permanencer ativo o regime de tributação do Simples. O retardamento na entrega da DIPJ constitui infração formal. Não sendo infração de natureza tributária a entrega serôdia de declaração, mas sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não é abarcada pela denúncia espontânea; é legal a aplicação da multa pelo atraso na apresentação da DIPJ. As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. A multa aplicada ao contribuinte decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 10 47 /2 00 9- 77 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10665.001047/200977 Acórdão n.º 1802001.309 S1TE02 Fl. 68 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho, que davam provimento ao recurso (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10665.001047/200977 Acórdão n.º 1802001.309 S1TE02 Fl. 69 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 27/34 contra decisão da 4ª Turma da DRJ/Belo Horizonte (fls.20/22) que julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário relativo à Notificação de Lançamento que trata da imposição de multa regulamentar por descumprimento de obrigação acessória – entrega de declação em atraso (DIPJ) atinente ao exercício 2008, anocalendário 2007. Quanto aos fatos, consta da Notificação de Lançamento da DRF/Divinópolis (fl. 03), in verbis: (...) MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES ECONÔMICOFISCAIS PESSOA JURÍDICA DIPJ 2008 1 (...) 2 DADOS DA DECLARAÇÃO Exercício: 2008 Ano calendário: 2007 N° de meses em atraso: 12 Prazo Final Entrega: 30/06/2008 Data Entrega: 29/06/2009 Forma Tributação: Lucro Presumido 3 DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Multa por atraso na entrega da declaração Código 5338 Apuração de Credito Tributário Valores em Reais Base de Cálculo da Multa (...) ..................................................R$ 454.876,48 Fórmula = (...) Percentual Aplicável: 2% x Quantidade de meses/fração de mês de atraso limitado a 20% .......................................................20% Valor da Multa por atraso na entrega da declaração:...R$ .90.975,29 Valor da Multa por atraso na entrega da declaração ( = com redução) :................................................................R$ 45.487,64 . 4 DESCRIÇÃO DOS FATOS E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL Descrição dos fatos Fl. 69DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10665.001047/200977 Acórdão n.º 1802001.309 S1TE02 Fl. 70 4 Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) entregue fora do prazo fixado enseja a aplicação da multa de 2% (dois por cento) ao mês ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que tenha sido integralmente pago, reduzida em 50% (cinqüenta por cento) em virtude da entrega espontânea da declaração, respeitado o percentual máximo de 20% (vinte por cento) e o valor mínimo de R$ 500,00 (quinhentos reais). Enquadramento Legal: Art. 7° da Lei n° 10.426, de 24/04/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei n° 11.051, de 29/12/2004. (...) A emissão dessa Notificação de Lançamento deuse, de forma automática, eletronicamente, em 29/06/2009, juntamente com a emissão do comprovante de transmissão (entrega), pela internet, da DIPJ 2008, anocalendário 2007 – declaração transmitida em atraso (fls. 3/4). Em 16/07/2009 (fl.01/02), a contribuinte apresentou impugnação, juntando ainda os documentos de fls. 03/15, argumentado, in verbis: (...) “A empresa acima referida não conseguiu entregar a DIPJ 2008 no prazo estabelecido em lei devido a empresa estar enquadrada na forma de tributação simples federal, e ter recolhido seus impostos com base no lucro presumido em 2007, sendo assim no momento de transmitir a referida DIPJ 2008, o sistema da receita não aceitou a entrega da declaração. Foi pedido junto à Receita a regularização da empresa conforme processo número:10665.000937/200961, (documentação em anexo), neste momento foi transmitida a DIPJ 2008.” (...) A DRJ/Belo Horizonte, enfrentando o mérito do litígio, julgou a impugnação improcedente, mantendo a exigência do crédito tributário, conforme Acórdão de fls.20/22, cuja ementa transcrevo: (...) ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 Declaração Anual IRPJ Lucro Presumido Sujeitarseá à multa o sujeito passivo que deixar de entregar a DIPJ nos prazos fixados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 70DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10665.001047/200977 Acórdão n.º 1802001.309 S1TE02 Fl. 71 5 (...) A propósito dessa ementa, consta da fundamentação do voto condutor do Acórdão (fls. 21/22): (...) A impugnante alega que o sistema da RFB não permitiu a entrega tempestiva da sua declaração e que teria solicitado regularização da empresa mediante o processo 10665.000937/200961. A tela de fls. 16 informa que o referido processo trata de exclusão do Simples. Pelo teor do documento de fls. 05, concluise que a regularização, mencionada na impugnação, se refere ao pedido de exclusão do simples, que foi deferido pela autoridade administrativa. Tal documento apresenta a data de recepção em 29/06/2009. Nesta mesma data, fls. 04, a DIPJ Lucro Presumido foi recepcionada. (...) O prazo final para entrega da DIPJ Lucro Presumido – exercício 2008, anocalendário 2007, foi fixado pela legislação para o dia 30/06/2008 (confirase fls. 03). A referida declaração foi entregue no dia 29/06/2009 (fls. 04). Portanto, 12 meses depois do prazo determinado. Não existe nos autos qualquer indício de que a impugnante tenha promovido alguma ação anterior para regularizar sua situação e que, por qualquer motivo, não lograra êxito. Desta forma, os argumentos da impugnante, referentes à impossibilidade de cumprir o prazo determinado pela legislação em decorrência de problemas técnicos no site da RFB, não podem ser aceitos, em face do caráter plenamente vinculado da atividade deste julgador, uma vez que a multa por atraso na entrega da declaração foi aplicada como determina a legislação tributária pertinente. (...) Irresignada com esse decisum do qual tomou ciência em 03/11/2011 quinta feira (fl. 26), a recorrente apresentou Recurso Voluntário em 05/12/2011 segundafeira (fls. 27/34), juntando ainda os documentos (fls. 35/64), reiterando, em síntese, as razões apresentadas na primeira instância de julgamento, aduzindo, por fim, in verbis: (...) Há que se destacar que este erro no cadastro interno da Receita Federal do Brasil só foi descoberto pela Recorrente quando da tentativa de envio da DIPJ, em face das repetidas recusas do sistema do órgão. Ora, se o sistema da Receita Federal do Brasil, por um erro interno de cadastro impossibilita o envio tempestivo da DIPJ, não há como se punir a Recorrente com a aplicação regular de penalidade. Não pode a Recorrente ser punida por um "erro" Fl. 71DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10665.001047/200977 Acórdão n.º 1802001.309 S1TE02 Fl. 72 6 que estava alheio à sua responsabilidade e possibilidade de acerto. Não tinha a Recorrente como alterar/acertar os dados cadastrais no banco de dados da Receita Federal do Brasil, notadamente na data em que o descobriu e na qual findava o prazo tempestivo para o envio da DIPJ. Não é justo e não pode aceitar a Recorrente ser punida por erro de outrem. (...) Por fim, a recorrente pediu provimento ao recurso, para que seja julgado improcedente o lançamento fiscal; que, se o entendimento for diverso, a multa pelo menos – seja reduzida, em face de culpa recíproca das partes. É o relatório. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10665.001047/200977 Acórdão n.º 1802001.309 S1TE02 Fl. 73 7 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, a recorrente em 29/06/2009, serodiamente, transmitiu pela internet a DIPJ 2008, anocalendário 2007 (transmissão eletrônica da declaração), regime de tributação lucro presumido; que, efetuada ou concluída a transmissão eletrônica nessa data, ato contínuo, foram expedidos, de forma automática e sequencialmente pelo sistema, o recibo de entrega da declaração e a Notificação de Lançamento multa regulamentar por entrega tardia da declaração (descumprimento de obrigação acessória). Prazo limite para entrega tempestiva da DIPJ 2008, anocalendário 2007: 30/06/2008. Data da entrega da DIPJ 2008, anocalendário 2007: 29/06/2009. Entrega em atraso nº de meses (mêscalendário ou fração): 12 meses Valor da multa regulamentar aplicada 20% = R$ 90.975,29 (demontrativo de cálculo já transcrito no relatório). Valor da Multa (com redução de 50%) = R$ 45.487,64 (DIPJ entregue tardiamente, mas de forma espontânea). Dispositivo legal infringido, art. 7º, I, da Lei nº 10.426/2002, que dispõe, in verbis: Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) Ide dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; Fl. 73DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10665.001047/200977 Acórdão n.º 1802001.309 S1TE02 Fl. 74 8 (...) Nas razões do recurso, a recorrente pediu a reforma da decisão recorrida, para afastamento da multa aplicada, em face de culpa recíprova das partes ou, caso o entendimento seja diverso, que então, pelo menos, seja reduzido o patamar da multa. Nesse sentido, a recorrente alegou que, tentara, por diversas vezes, transmitir tempestivamente a DIPJ 2008, anocalendário 2007, via internet; porém, não foi possível, pois o sistema não aceitava a transmissão da declaração, exibindo a seguinte mensagem, conforme cópia, impressão da tela do computador, sem data (fl.55): (...) CNPJ NOME EMPRESARIAL 03.398.584/000193 LÍDER COMÉRCIO ATACADISTA E LOGÍSTICA LTDA ERRO! A DECLARAÇÃO NÃO FOI TRANSMITIDA O CNPJ DO DECLARANTE 03.398.584/000193 CONSTA COMO OPTANTE DO SIMPLES OU O PERÍODO INFORMADO É INCOMPATÍVEL COM O CONSTANTE EM NOSSO CADASTRO. EFETUE A CORREÇÃO DA DECLARAÇÃO OU COMPAREÇA Á UMA UNIDADE DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL (...) Obs: não consta data impressa, na cópia da tela de computador juntada aos autos, dessa tentativa de envio da declaração pela internet (não se sabe se a tentativa de entrega da declaração foi anterior ou depois da data limite para entrega tempestiva). Ainda, nas razões do recurso, em face dessa indigitada situação, a contribuinte alegou que não pode ser responsabilizada por infração, por um erro interno de cadastro da RFB que não permitiu o envio, tempestivo, da DIPJ 2008, anocalendário 2007. Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo à análise de mérito do litígio. Compulsando os autos observa que a recorrente, até 29/06/2009, foi pessoa jurídica optante pelo Simples. Apenas em 29/06/2009, a recorrente protocolizou pedido de exclusão do Simples, na DRF/Divinópolis, gerando o processo administrativo nº 10665.000937/200961. Vale dizer, o pedido de exclusão do Simples de 29/06/2009, que gerou aquele processo, foi protocolado na DRF/Divinópolis praticamente 12 (doze) meses após expirado o prazo para entrega tempestiva da declaração do anocalendário 2007. A propósito, transcrevo os termos do pedido de exclusão do Simples de 29/06/2009 (fl. 06), in verbis: Fl. 74DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10665.001047/200977 Acórdão n.º 1802001.309 S1TE02 Fl. 75 9 (...) Transmóveis Líder e Logística Lida, empresa sediada a Av. Progresso, 200, Bairro Distrito Industrial II na cidade de Carmo do Cajuru — MG, CNPJ: 03.398.584/000193, neste ato representada por seu sócio Aurélio Nogueira Alves, portador do CPF: 527.481.54649, comunica à Delegacia da Receita Federal ter praticado no mês de dezembro de 2006 a atividade de armazenamento e depósito de produtos de terceiros (nota fiscal anexo), sendo que esta atividade é impeditiva para a continuação da empresa na condição de optante pelo simples federal, este fato não foi comunicado a Delegacia da Receita Federal; em 2007 esta migrou automaticamente para o simples nacional, no qual permanece até a presente data, estando assim incorreta a sua situação perante a receita, e ainda, não permitindo a entrega da D1PJ. Com base nos dados relatados, solicita a esta repartição a sua exclusão do simples federal em 31/12/2006, visto que esta empresa a partir de 01/01/2007 vem recolhendo seus impostos com base no lucro presumido, conforme demonstra documentação em anexo. (DARF, DCTF, DACON). Em 2007 o faturamento desta ultrapassou os limiles previstos para a continuidade na opção pelo simples (anexo D1PJ2008 — não transmitida). (...) Como visto, em face dos fatos narrados no pedido de exclusão do Simples, a recorrente não conseguiu transmitir pela internet, tempestivamente, a DIPJ 2008, ano calendário 2007, com base no Lucro Presumido, pois o sistema eletrônico interno da RFB só estava preparado para receber, em relação à recorrente, para esse anocalendário, a Declaração Simplificada do Simples, em face da empresa estar cadastrada, na época, como pessoa jurídica do Simples. Ora, essa situação de pendência com o fisco, por decumprimento de obrigação acessória, foi gerada, exclusivamente, por inércia da recorrente, conforme será demonstrado a seguir. A contribuinte, a partir de dezembro/2006, passou a exercer atividade incompatível com o Simples, ou seja, passou a exercitar a atividade econômica de armazenamento e depósito de produtos para terceiros. A propósito dispõe o art. 9º, XII, “c”, da Lei nº 9.317/96: Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XII que realize operações relativas a: (...) c) armazenamento e depósito de produtos de terceiros; Fl. 75DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10665.001047/200977 Acórdão n.º 1802001.309 S1TE02 Fl. 76 10 (...) No caso, em face do exercício de atividade incompatível com o Simples, para a efetivação da exclusão do Simples, a partir do anocalendário 2007 e seguintes, a recorrente estava obrigada a comunicar ao fisco esse fato, até o último dia útil do mês de janeiro/2007, conforme determina o art. 13, II, § 3º, alínea “b”, e art. 15 , ambos da Lei nº 9.317/96: Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: I (...) II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°; (...) 3° No caso do inciso II e do parágrafo anterior, a comunicação deverá ser efetuada: a) (...) b) até o último dia útil do mês subseqüente àquele em que houver ocorrido o fato que deu ensejo à exclusão, nas hipóteses dos demais incisos do art. 9° e da alínea "b" do inciso II deste artigo. (...) Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: I (...) II a partir do mês subseqüente ao em que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XVIII do art. 9º; (...) Entretanto, a recorrente comunicou ao fisco o exercício de atividade incompatível com Simples somente em 29/06/2009 (data de protocolização), informando, por outro lado, que desde janeiro/2007 fez opção pelo lucro presumido, ficando, assim, sujeita às sanções legais. Em 29/06/2009, recebido o pedido de exclusão do Simples, imediatamente, foi feita a alteração cadastral (liberação do sistema), fato que permitiu, ainda nessa data, a transmissão eletrônica, via internet, da DIPJ 2008, anocalendário 2007, com base no Lucro Presumido; porém, com a imposição da multa regulamentar objeto dos autos, por entrega tardia (descumprimento de obrigação acessória). A exclusão definitiva do Simples restou confirmada, formalmente, pelo Despacho Decisório/DRF –Divinópolis, de 21/07/2009 (fl. 60), nos autos do processo nº 10665.000937/200961, nos seguintes termos: Fl. 76DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10665.001047/200977 Acórdão n.º 1802001.309 S1TE02 Fl. 77 11 (...) A empresa alega ter migrado automaticamente do Simples Federal para o Simples Nacional e solicita sua exclusão do SIMPLES (regime instituído pela Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, que vigorou até 30/06/2007) retroativa a 01/01/2007. Foram adotados os procedimentos em vigor de análise da admissibilidade da exclusão retroativa no SIMPLES estabelecidos pelo Sistema Integrado de Atendimento ao Contribuinte SISCAC aprovado pela Portaria SRF n° 1.095, de 6 de julho de 2000 e ficou comprovada a intenção inequívoca de o contribuinte não ser optante do Simples. Desse modo, procedi a alteração de ofício no cadastro da empresa, excluindoa de ofício do Simples, com data retroativaa 01/01/2007. Em relação ao Simples Nacional, a empresa nunca foi optante conforme tela em anexo. (...) Deferido o pleito da interessada, e efetuadas as alterações no cadastro CNPJ, dêse ciência à empresa do teor deste despacho decisório, e posterior arquivamento. (...) Logo, diversamente do alegado nas razões do recurso, não houve falha do sistema cadastral interno da RFB que bloqueou o recebimento eletrônico da DIPJ 2008, ano calendário 2007, com base no Lucro Presumido. Na verdade, houve tãosomente descumprimento de obrigação acessória pela contribuinte que deixou de comunciar ao fisco que passara a exercer atividade vedada de opção no Simples. Por isso, permaneceu cadastrada no Simples até a data do pedido formal de exclusão do Simples, ou seja, até 29/06/2009. A obrigação de atualização cadastral, como demonstrado, era da contribuinte; porém não o fez na época certa, ficando sujeita a consequências (sanções legais). A multa aplicada de 2% ao mês ou fração de mês, por atraso na entrega da DIPJ 2008, ano –calendário 2007, poderia ter sido muito menor o seu montante, caso a contribuinte, assim que constatara a impossibilidade de envio (transmissão eletrônica da declaração) tivesse procurado, imediatamente, a Repartição Fiscal conforme orientação constante da mensagem exibida na tela do computador, porém assim não agiu; ficou 12 (meses) inerte, somente procurando o fisco em 29/06/2009. A contribuinte, portanto, exclusivamente deu causa à apresentação tardia, serôdia, da DIPJ 2008, anocalendário 2007. No caso, não há previsão legal de redução do patamar da multa aplicada, por descumprimento de obrigação acessória autônoma. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10665.001047/200977 Acórdão n.º 1802001.309 S1TE02 Fl. 78 12 Na verdade, quando da emissão da Notificação de Lançamento da Multa (Lei nº 10.426/2002, art., 7º, I), já houve a aplicação de redução de 50% do seu valor, conforme demonstrado no relatório, pela apresentação espontânea da DIPJ, conforme art. 7º, § 2º, I, da Lei nº 10.426/2002, in verbis: (...) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; (...) A redução da multa de 50% (cinquenta por cento) de que trata a Lei nº 8.218/91, art. 6º, I, com redação dada pelo art. 28 da Lei nº 11.941/2009) é inaplicável, no caso. Ora, essa redução da multa só é aplicável para pagamento a vista do crédito tributário não impugnado objeto do lançamento de ofício, quando efetuado no prazo de até 30 (trinta) dias da ciência da Notificação Fiscal, conforme consta, inclusive, do corpo da Notificação Fiscal, no campo intimação, onde ainda estão citados os suscitados dispositivos legais (fl. 04). No caso, entretanto, a contribuinte preferiu discutir, impugnar, o lançamento fiscal, não efetuando o pagamento no prazo legal, perdendo o direito à redução. Logo, não faz jus a tal redução. Como demonstrado, em relação ao valor da multa aplicada e exigida, não há previsão legal de outra redução do seu patamar, no caso. Por conseguinte, não há reparo a fazer na decisão recorrida, que deve ser mantida. DIPJ. ENTREGA TARDIA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. Apenas a título de argumentação, a obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação e da fiscalização, e o simples fato de sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Descumprida a obrigação acessória, a responsabilidade pela infração à legislação administrativotributária, salvo disposição legal em contrário, independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Logo, é despiciendo perquirir se houve, ou não, prejuízo material pelo ato do descumprimento da obrigação acessória, pois a responsabilidade por infração administrativo tributária é objetiva. A obrigação acessória prevista na legislação de administração dos tributos (obrigação de entrega da DIPJ), por não ter natureza de tributo (não está relacionada a fato gerador de tributo), é autônoma, sendo inaplicável, por conseguinte, o instituto da denúncia espontânea, no caso de seu cumprimento tardio e espontâneo. Nos tribunais pátrios, de jurisdição judicial, esse entendimento é prevalente. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10665.001047/200977 Acórdão n.º 1802001.309 S1TE02 Fl. 79 13 Nesse sentido, transcrevo a fundamentação do voto do Exmo. Sr. Ministro do STJ, José Delgado, no REsp n° 190388/GO, que tratou da multa pelo atraso na entrega da declaração do Imposto de Renda, cujo entendimento é, igualmente, aplicável à entrega tardia da DCTF, pois são dois exemplos de descumprimento de obrigação acessória autônoma, in verbis: "A configuração da denúncia espontânea, como consagrada no art. 138, do CTN, não tem a elasticidade que lhe emprestou o venerando acórdão recorrido, deixando sem punição as infrações administrativas pelo atraso no cumprimento das obrigações fiscais. O atraso na entrega da declaração do imposto de renda é considerado como sendo o descumprimento, no prazo fixado pela norma, de uma atividade fiscal exigida do contribuinte. É regra da conduta formal que não se confunde com o não pagamento de tributo, nem com as multas decorrentes por tal procedimento. A responsabilidade de que trata o art. 138, do CTN, é de pura natureza tributária e tem sua vinculação voltada para as obrigações principais e acessórias àquelas vinculadas. As denominadas obrigações acessórias autônomas não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Elas se impõem como normas necessárias para que se possa ser exercida a atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem qualquer laço com os efeitos de qualquer fato gerador de tributo. A multa aplicada é em decorrência do poder de policia exercido pela administração pelo não cumprimento de regra de conduta imposta a uma determinada categoria de contribuinte." Esse entendimento jurisprudencial, também, é seguido no EAREsp n° 258141/PR, cujo acórdão tem a seguinte ementa: "PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO NO ACÓRDÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA COM ATRASO DE DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF. PRECEDENTES. 1. (omissis) 2. (omissis) 3. (omissis) 4. A entidade 'denúncia espontánea' não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração de contribuições e Tributos Federais DCTF. 5. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vinculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10665.001047/200977 Acórdão n.º 1802001.309 S1TE02 Fl. 80 14 6. (omissis) 7. Embargos declaratórios rejeitados." Por fim, nessa linha de entendimento, ainda por ser elucidativo, transcrevo a ementa do seguinte julgado do TRF/2ª Região, que trata de entrega tardia da DCTF, mas o mesmo entendimento, também, é aplicável para a DIPJ: TRIBUTÁRIO. ENTREGA DCTF EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA. LEGALIDADE. 1. Conforme iterativa jurisprudência do STJ, somente são albergadas pela denúncia espontânea as infrações de natureza tributária, quer sejam principais ou acessórias. 2. O retardamento na entrega do DCTF constitui mera infração formal. 3. As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessária ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. 4. Não sendo a entrega serôdia infração de natureza tributária, e sim infração formal por descumprimento de obrigação autônoma, não abarcada pela denúncia espontânea, é legal a aplicação da multa pelo atraso na apresentação da DCTF. 5. A multa aplicada ao contribuinte decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do Fisco na medida em que criará dificuldades na fase de homologação do tributo. 6. Remessa e recursos conhecidos e providos. (AMS NUM: 97.02.329043 REG: 02 TURMA: 06 DEC: 1506 2004 REL: JUIZ POUL ERIK DYRLUND) Na esfera administrativa, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, também, nesse diapasão, pronunciouse sobre o assunto e destaco, aqui, a ementa do Acórdão CSRF n° 020.829, da lavra da ilustre Conselheira Maria Teresa Martínez Lopez: "DCTF DENÚNCIA ESPONTÂNEA É devida a multa pela omissão na entrega da Declaração de Contribuições Federais. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vinculo direto com o fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. Precedentes do STJ.” Ademais, por ser essa matéria de entendimento pacífico neste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscal – CARF, encontrase sumulada: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10665.001047/200977 Acórdão n.º 1802001.309 S1TE02 Fl. 81 15 Pelo exposto, demonstrada está a inaplicabilidade da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN para cumprimento tardio, a destempo, de obrigação acessória autônoma. Por tudo que foi exposto, VOTO para NEGAR provimento ao recurso (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 81DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 13983.000025/2003-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Dec 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC.
Somente é aplicável a atualização monetária de saldos de créditos de IPI na hipótese de haver oposição ilegal do Fisco ao reconhecimento de crédito.
Recurso Voluntário Negado
A transferência com suspensão de IPI de produtos entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não enseja ao destinatário o aproveitamento do crédito, vez que não houve o destaque do imposto.
Numero da decisão: 3302-001.888
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Os conselheiros Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas acompanharam o relator pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
Walber José da Silva - Presidente
(Assinado digitalmente)
José Antonio Francisco - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. NOTA FISCAL. FALTA DE DESTAQUE. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte a demonstração do direito de crédito, quando decorrentes de notas fiscais emitidas sem o devido destaque do imposto. TRANSFERÊNCIA. ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA. SUSPENSÃO DO IMPOSTO. RESSARCIMENTO DE IPI. VEDAÇÃO. A transferência com suspensão de IPI de produtos entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não enseja ao destinatário o aproveitamento do crédito, vez que não houve o destaque do imposto. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Somente é aplicável a atualização monetária de saldos de créditos de IPI na hipótese de haver oposição ilegal do Fisco ao reconhecimento de crédito. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Os conselheiros Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas acompanharam o relator pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 3. 00 00 25 /2 00 3- 90 Fl. 499DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 456 a 479) apresentado em 12 de abril de 2012 contra o Acórdão no 1436.535, de 14 de fevereiro de 2012, da 8ª Turma da DRJ/RPO (fls. 315 a 318), cientificado em 13 de março de 2012, que, relativamente a pedido de ressarcimento de créditos de IPI do 4º trimestre de 2002, considerou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 IPI. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITO. AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. O IPI é regido pelo princípio da autonomia dos estabelecimentos. IPI. TRANSFERÊNCIA. ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA. SUSPENSÃO DO IMPOSTO. RESSARCIMENTO DE IPI. VEDAÇÃO. A transferência com suspensão de IPI de produtos entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não enseja ao destinatário o aproveitamento do crédito, vez que não houve o destaque do imposto. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O pedido foi apresentado em 27 de fevereiro de 2003 e deferido parcialmente nos termos da informação de fls. 243 a 245 e do despacho decisório de fls. 246 e 247. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: O processo administrativo, posteriormente ao seu protocolo, foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos irão pautarse na numeração estabelecida no processo eletrônico. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13983.000025/200390 Acórdão n.º 3302001.888 S3C3T2 Fl. 499 3 A contribuinte solicitou o ressarcimento de IPI, no valor de R$ 386.599,94, relativamente ao 4º trimestre de 2002, referente a saldo credor de IPI em seu Livro Registro de Apuração do IPI, matriz Sadia S/A CNPJ 20.730.099/000152. Com base na informação fiscal de fls. 247/249, a Delegacia da Receita Federal em Joaçaba proferiu o Despacho Decisório de fls. 250/251, no qual deferiu parcialmente o valor de R$ 301.254,43 e glosou R$ 85.345,51. Segundo consta, a contribuinte se creditou na rubrica “Outros Créditos”, de créditos relativos a transferências de insumos de outros estabelecimentos para o estabelecimento requerente. Entretanto, as notas fiscais relativas à essas transferências não apresentavam o destaque do IPI, e por isso, não havia suporte para o creditamento. Em razão do deferimento no valor de R$ 301.254,43, a autoridade da Delegacia da Receita Federal determinou a compensação dos débitos vinculados ao presente processo. Regularmente cientificada, a postulante apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 253/259, alegando, em resumo, o seguinte: 1. A autoridade agarrase em mera formalidade, o fato do IPI não estar destacado na nota, o que não pode ter o condão de afastar o direito incontroverso ao crédito de IPI; 2. A autoridade fiscal não contesta que a empresa suportou a carga tributária do IPI e tem direito ao ressarcimento; 3. Juntou declaração do Supervisor de Controladoria da unidade no qual explica que não foi destacado o valor do IPI sobre as transferências de produtos porque os valores constantes em estoque gerariam créditos indevidos de IPI; 4. Junta cartas de correção das notas fiscais que estavam sem o destaque do IPI; 5. Deve ser prestigiado o contribuinte que está de boafé, que recolhe seus tributos. Por fim, requer o deferimento integral do pedido. Conforme relatado, a DRF considerou que a falta de destaque dos créditos nas notas fiscais implicaria ausência de comprovação válida. A DRJ considerou, além da razão original para a glosa, que a transferência de insumos com suspensão do imposto, regra entre estabelecimentos da mesma empresa, não geraria o direito de crédito. No recurso, a Interessada repetiu as alegações da manifestação de inconformidade e requereu a incidência dos juros Selic. É o relatório. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Alegou a Interessada que não teria havido o destaque pelo fato de “os valores de estoque dos referidos produtos” serem “compostos do valor importado e dos valores das despesas posteriores ao desembaraço”. Assim, não teria havido o destaque para não gerar crédito a maior. Além disso, a própria Fiscalização teria informado que os valores dos créditos constariam da nota fiscal (campo “Informações Complementares”), com indicação do cálculo, e a falta de formalidade não seria suficiente para fazer a Interessada perder o seu direito. De fato, é incontestável que o regulamento do imposto exige o destaque do IPI, que se refere ao valor efetivamente pago ou a pagar, não havendo, assim, motivo para que não seja realizado. Como o destaque na nota fiscal é pressuposto para sua escrituração no livro de apuração do IPI, sua falta faz pressupor o não pagamento do imposto pelo emitente da nota. Entretanto, o regulamento dispõe que a nota fiscal não serve de prova, mas não impede que a prova seja efetuada de outra forma, como, no caso, pela apresentação da comprovação de que os valores de IPI das notas fiscais tenham sido escrituradas no livro de apuração e pela comprovação contábil da transferência das mercadorias. Em anexo à manifestação de inconformidade, a Interessada apresentou os documentos de fls. 262 e seguintes. Tratase de cópias do livro registro de apuração do IPI da filial 0040, de declaração do supervisor de controladoria da empresa a respeito do não destaque do IPI nas notas e das cartas de correção. De acordo com o levantamento fiscal, as seguintes notas fiscais não tinham destaque de IPI: Folha N° Emissor CFOP Data Valor IPI Creditado IPI destacado Nota Fiscal 77 259252 Sadia S.A 6.22 06.09.02 8.314,81 0,00 84 264620 Sadia S.A 6.22 16.10.02 2.526,76 0,00 85 264619 Sadia S.A 6.22 16.10.02 4.261,60 0,00 86 264743 Sadia S.A 6.22 17.10.02 6.786,13 0,00 91 261623 Sadia S.A 6.22 24.09.02 7.050,76 0,00 92 260558 Sadia S A 6.22 17,09.02 8.483,81 0,00 93 264994 Sadia S.A 6.22 21.10.02 9.347,81 0,00 Fl. 502DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13983.000025/200390 Acórdão n.º 3302001.888 S3C3T2 Fl. 500 5 99 268912 Sadia S A 6.22 20.12.02 5.736,71 0,00 101 271093 Sadia S.A 6.00 05.12.02 6.601,49 0,00 102 267948 Sadia S.A 6.22 12.11.02 9.885,72 0,00 103 267947 Sadia S A 6.22 12.11.02 3.527,44 0,00 105 272242 Sadia S A 6.22 16.12.02 12.822,47 0,00 Total 85.345,51 0,00 Do livro de apuração, consta apenas o lançamento integral das notas com código 6.22 e, no mês de dezembro, não há saída de CFOP 6.00. Corroborando com o que foi exposto acima, a DRJ corretamente destacou que a transferência de insumos com suspensão do IPI não gera direito de crédito, uma vez que o IPI não é lançado a débito no LRAIPI. Tal assertiva, que se supõe ter ocorrido no caso dos autos por não haver prova do lançamento do IPI pelo estabelecimento filial, vai de encontro à pretensão da Interessada, uma vez que, ainda que haja saída com suspensão do IPI de insumos de um para outro estabelecimento, não se transfere o direito de crédito. Finalmente, resta a questão da incidência da Selic aos créditos. Aplicase ao caso também o entendimento do STJ proferido no REsp no 993.164, de relatoria do Ministro Luiz Fux, julgado no regime do citado art. 543C do CPC e consolidado na Súmula STJ no 411: SÚMULA N. 411STJ. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. No caso dos autos, não houve oposição ilegítima do Fisco, uma vez que o crédito aprovado foi aquele a que a Interessada tinha direito. Vejase que, no caso, o prazo levado pela autoridade fiscal para proferir a decisão não tem efeito sobre os valores, uma vez que, conforme disposto no art. 36 da IN RFB no 900, de 2008, a compensação é efetuada na data da apresentação da DCOMP. No caso de apresentação somente de pedido de ressarcimento, o contribuinte deixa de se beneficiar desse efeito, uma vez que a autoridade fiscal não pode apreciar imediatamente os pedidos de ressarcimento. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 503DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Fl. 504DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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