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Numero do processo: 10935.902399/2012-10
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 12/11/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 12/11/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de COFINS que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 12/11/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 23 99 /2 01 2- 10 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.704, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 01/08/2012, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 27591.12266.161107.1.2.042844, rastreamento nº 029224557, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 21.125,14, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 5856), do período de 31/10/2004, efetuado em 12/11/2004, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 13/08/2012, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 61DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902399/201210 Acórdão n.º 3802002.554 S3TE02 Fl. 122 3 Data do fato gerador: 12/11/2004 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao Fl. 62DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902399/201210 Acórdão n.º 3802002.554 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 64DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902399/201210 Acórdão n.º 3802002.554 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 66DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902399/201210 Acórdão n.º 3802002.554 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 68DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 16327.001843/2008-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2000 a 30/10/2006
CONHECIMENTO DO RECURSO. MATÉRIA SUBMETIDA A APRECIAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
INCONSTITUCIONALIDADE. ADICIONAL DE 2,5%.
Aplicação da Sumula CARF 02, segundo a qual proclama que esse órgão não tem competência para analisar a inconstitucionalidade de normas.
JUROS. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
JUROS E MULTA DE MORA. CRITÉRIOS A SEREM ANALISADOS QUANDO DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea c, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação da da pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009.
Numero da decisão: 2301-004.061
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do Recurso, na questão do abono, devido à concomitância, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. Sustentação: Marcelo Horácio. OAB: 21.301/SP.
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 30/10/2006 CONHECIMENTO DO RECURSO. MATÉRIA SUBMETIDA A APRECIAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. INCONSTITUCIONALIDADE. ADICIONAL DE 2,5%. Aplicação da Sumula CARF 02, segundo a qual proclama que esse órgão não tem competência para analisar a inconstitucionalidade de normas. JUROS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. JUROS E MULTA DE MORA. CRITÉRIOS A SEREM ANALISADOS QUANDO DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 18 43 /2 00 8- 46 Fl. 366DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/08 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação da da pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do Recurso, na questão do abono, devido à concomitância, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. Sustentação: Marcelo Horácio. OAB: 21.301/SP. Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Relatório Tratase de Auto de Infração n° 37.190.2010 que, de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 25/27, referese às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, abrangendo o período de 10/2005 a 11/2005. De acordo com o relatório fiscal constituem fatos geradores das contribuições lançadas verbas pagas a título de ABONO ÚNICO CCT— Levantamento AB período do lançamento do crédito de 10/2005 a 11/2005. A Convenção Coletiva de Trabalho assinada entre o Sindicato dos Bancos nos Estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e a Federação dos Empregados em Estabelecimentos Bancários dos Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul no ano de 2005, estipulou o pagamento do chamado Abono Único, a ser pago a todos os segurados empregados em uma única parcela, fixado em R$ 1.700,00 a cada empregado, conforme cláusula Quadragésima Nona da Convenção Coletiva. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/08 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 16327.001843/200846 Acórdão n.º 2301004.061 S2C3T1 Fl. 367 3 A ora recorrente, devidamente intimada, apresentou sua impugnação alegando, em breve síntese, o seguinte: i) natureza nãosalarial do abono pago; ii) foi proposta a Ação Ordinária nº 2005.34.00.0325974 com pedido de tutela antecipada objetivando o não recolhimento das contribuições previdenciárias sobre o abono pago em decorrência da Convenção Coletiva de Trabalho 2005/2006. A DRJ de São Paulo manteve a autuação o que motivou o sujeito passivo a interpor recurso voluntário renovando os argumentos acima citados, adicionando que não podem ser exigidos multa e juros de mora ante a suspensão da exigibilidade por força de decisão judicial proferida naqueles autos, bem como o descabimento da contribuição adicional de 2,5% e da Taxa Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério Preliminarmente – conhecimento do recurso De início destaco a impossibilidade de conhecer o recurso na questão relativa ao abono único pago objeto do presente lançamento, haja vista que essa matéria é objeto de apreciação pelo Poder Judiciário nos autos da Ação Ordinária nº 2005.34.00.0325974, conforme petição inicial e decisões acostadas aos autos. Incide, no caso, a Súmula CARF 01: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Ante o exposto não conheço o recurso voluntário em relação a questão da incidência ou não da contribuição previdenciária sobre o abono único objeto deste lançamento. Inconstitucionalidade – Adicional de 2,5% No tocante a essa matéria, aplico a Sumula CARF nº 02, segundo a qual pontifica que esse Conselho não é competente para decidir sobre inconstitucionalidade de lei. Também não é o caso de, a meu ver, determinar o sobrestamento da matéria, pois não houve determinação expressa do Supremo Tribunal Federal para que todos os processos envolvendo essa matéria fossem suspensos, conforme Portaria CARF nº 01/2012. Juros – Selic. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/08 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 Não há que se falar em ilegitimidade dos juros à Taxa Selic. Incidência da Súmula CARF 04: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Juros e Multa em face da suspensão da exigibilidade do crédito tributário No que diz respeito aos juros de mora, segundo a Súmula CARF 05 estes serão inexigíveis apenas quando houver depósito judicial do montante integral do crédito tributário: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Analisando os autos não há provas no sentido de que houve depósito judicial da quantia discutida, razão pela qual incidem os juros à Taxa Selic. No tocante à multa de mora, aplicase o disposto no § 2º do artigo 63 da Lei nº 9.430/96, segundo o qual a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição, verbis: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. ( Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001 ) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Pela análise dos autos verifico que a decisão que concedeu a tutela antecipada já não vigora, seja pela publicação de sentença a qual extinguiu o processo sem julgamento de mérito, seja pela prolação de acórdão proferido pelo E. Tribunal Regional Federal da 1ª Região que negou provimento ao apelo do sujeito passivo ao entender pela incidência da contribuição previdenciária sobre o abono pago. Assim, aplicável a multa de mora desde o vencimento do tributo, a qual, será analisada ante as alterações provocadas pela Lei nº 11.941/09. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/08 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 16327.001843/200846 Acórdão n.º 2301004.061 S2C3T1 Fl. 368 5 Multa Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a gradação prevista na redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento), uma vez que submetida às disposições do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Incabível a comparação da multa prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91, já que este dispositivo veicula multa de ofício, a qual não existia na legislação previdenciária à época do lançamento e, de acordo com o 106 do Código Tributário Nacional deve ser verificado o fato punido. Ora se o fato “atraso” aqui apurado era punido com multa moratória, consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a novel multa moratória, prevista no caput do artigo 35 caput acima citado. Em princípio houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER EM PARTE o recurso voluntário e, na parte conhecida, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para que a multa aplicada seja calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212/91, se mais benéfica à recorrente. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 370DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/08 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.918963/2012-87
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2011
MULTA DE MORA. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. SÚMULA CARF Nº 02.
De acordo com a Súmula CARF nº 02, o Conselho não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno.
PRELIMINAR. NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Não é nulo o despacho decisório que, embora conciso, contém a exposição das razões de fato e de direito que fundamentaram a não-homologação da compensação. Não há, ademais, qualquer violação aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, porque o interessado foi devidamente intimado do despacho decisório e da decisão recorrida, apresentando manifestação de inconformidade e interpondo recurso voluntário, na forma prevista na legislação. Preliminar de nulidade afastada.
DILIGÊNCIA. PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL OU DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO.
No processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferi-las, quando prescindíveis ou impraticáveis.
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Na falta de provas, deve ser mantida a não-homologação da compensação.
MULTA DE MORA. LEGALIDADE. ART. 61 DA LEI Nº 9.430/1996.
A incidência de multa de mora encontra-se expressamente prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Alegação de ilegalidade afastada.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.426
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2011 MULTA DE MORA. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. SÚMULA CARF Nº 02. De acordo com a Súmula CARF nº 02, o Conselho não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. PRELIMINAR. NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não é nulo o despacho decisório que, embora conciso, contém a exposição das razões de fato e de direito que fundamentaram a não-homologação da compensação. Não há, ademais, qualquer violação aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, porque o interessado foi devidamente intimado do despacho decisório e da decisão recorrida, apresentando manifestação de inconformidade e interpondo recurso voluntário, na forma prevista na legislação. Preliminar de nulidade afastada. DILIGÊNCIA. PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL OU DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. No processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferi-las, quando prescindíveis ou impraticáveis. PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Na falta de provas, deve ser mantida a não-homologação da compensação. MULTA DE MORA. LEGALIDADE. ART. 61 DA LEI Nº 9.430/1996. A incidência de multa de mora encontra-se expressamente prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Alegação de ilegalidade afastada. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2011 MULTA DE MORA. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. SÚMULA CARF Nº 02. De acordo com a Súmula CARF nº 02, o Conselho não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. PRELIMINAR. NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não é nulo o despacho decisório que, embora conciso, contém a exposição das razões de fato e de direito que fundamentaram a nãohomologação da compensação. Não há, ademais, qualquer violação aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, porque o interessado foi devidamente intimado do despacho decisório e da decisão recorrida, apresentando manifestação de inconformidade e interpondo recurso voluntário, na forma prevista na legislação. Preliminar de nulidade afastada. DILIGÊNCIA. PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL OU DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. No processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferilas, quando prescindíveis ou impraticáveis. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 89 63 /2 01 2- 87 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Na falta de provas, deve ser mantida a nãohomologação da compensação. MULTA DE MORA. LEGALIDADE. ART. 61 DA LEI Nº 9.430/1996. A incidência de multa de mora encontrase expressamente prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Alegação de ilegalidade afastada. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2011 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 111DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.918963/201287 Acórdão n.º 3802002.426 S3TE02 Fl. 110 3 O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. O Recorrente, nas razões recursais de fls. 60 e ss., alega preliminarmente a nulidade do despacho decisório, por ausência de fundamentação e violação aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal. No mérito, sustenta que o ônus da prova do direito de crédito não seria do sujeito passivo. Ao contrário, caberia à decisão recorrida demonstrar a ausência de liquidez e de certeza do crédito, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. Aduz que deve ser possibilitado ao contribuinte, inclusive por meio de diligência, a juntada posterior de provas do direito de crédito. Por fim, sustenta a ilegalidade e a inconstitucionalidade da incidência de multa de mora sobre o débito confessado, por incompatibilidade com os princípios constitucionais do nãoconfisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. Requer o provimento do recurso voluntário e a consequente reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O Recorrente teve ciência da decisão no dia 13/09/2013 (fls. 58), interpondo recurso tempestivo em 08/10/2013 (fls. 60). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido, ressalvado no que se refere às alegações de inconstitucionalidade da multa de mora. Isso porque, consoante entendimento consolidado na Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não tem competência para a declaração de inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses do art. 62 do Regimento Interno: Súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; Fl. 112DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Por outro lado, em que pese os argumentos apresentados pelo Recorrente, não há como se acolher a preliminar de nulidade. Isso porque, ainda que conciso, o despacho decisório encontrase suficientemente fundamentação, contendo a exposição das razões de fato e de direito da nãohomologação da compensação. Não há, ademais, qualquer violação aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal. O interessado, afinal, foi devidamente intimado do despacho decisório e da decisão recorrida, apresentando manifestação de inconformidade e interpondo recurso voluntário, na forma prevista na legislação federal que disciplina o procedimento administrativo fiscal. No tocante à diligência, devese ter presente que, no processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos termos dos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferindoas, quando prescindíveis ou impraticáveis: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” No presente caso, por sua vez, é prescindível a realização da diligência, porquanto o feito pode ser decidido à luz das regras de distribuição do ônus da prova. Com efeito, o contribuinte, ao transmitir o PER/Dcomp, deixou de retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) do período correspondente, o que fez com que a mesma continuasse atrelada à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Em casos dessa natureza, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados: “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz Fl. 113DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.918963/201287 Acórdão n.º 3802002.426 S3TE02 Fl. 111 5 efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). “COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” Fl. 114DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a Fl. 115DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.918963/201287 Acórdão n.º 3802002.426 S3TE02 Fl. 112 7 compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, o contribuinte não apresentou qualquer prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque, ao contrário do sustentado pelo Recorrente, cabe ao sujeito passivo o ônus da prova nos pedidos de compensação. Por fim, melhor sorte não socorre ao Recorrente na pretensão de afastamento da multa de mora. Esta foi exigida validamente, na forma do art. 61 da Lei nº 9.430/1996, o que torna manifestamente improcedente a alegação de ilegalidade. Votase, assim, pelo conhecimento parcial e desprovimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 116DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10880.024029/95-52
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1995
IRRF. LEI 8.849/1995. RESTITUIÇÃO. PRÉVIA COMUNICAÇÃO AO FISCO. REQUISITO LEGAL NÃO ATENDIDO.
Somente pode ser reconhecido o direito à restituição do imposto de renda retido na fonte incidente em razão da regra prevista no artigo 2°, § 1°, alínea b e § 4°, da Lei n° 8.849/94, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 9.064/95, se atendidas, cumulativamente, as condições estabelecidas no artigo 8°, § 1°, alíneas a, b e c, da Lei n° 8.849/94, também com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 9.064/95. Desde a vigência da medida Provisória nº 1.003/1995, posteriormente convertida na Lei 9.064/4995, a prévia comunicação à Secretaria da Receita Federal constitui um dos requisitos para o deferimento da restituição em comento.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2802-003.102
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 17/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 1995 IRRF. LEI 8.849/1995. RESTITUIÇÃO. PRÉVIA COMUNICAÇÃO AO FISCO. REQUISITO LEGAL NÃO ATENDIDO. Somente pode ser reconhecido o direito à restituição do imposto de renda retido na fonte incidente em razão da regra prevista no artigo 2°, § 1°, alínea b e § 4°, da Lei n° 8.849/94, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 9.064/95, se atendidas, cumulativamente, as condições estabelecidas no artigo 8°, § 1°, alíneas a, b e c, da Lei n° 8.849/94, também com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 9.064/95. Desde a vigência da medida Provisória nº 1.003/1995, posteriormente convertida na Lei 9.064/4995, a prévia comunicação à Secretaria da Receita Federal constitui um dos requisitos para o deferimento da restituição em comento. Recurso negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 17/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
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LEI 8.849/1995. RESTITUIÇÃO. PRÉVIA COMUNICAÇÃO AO FISCO. REQUISITO LEGAL NÃO ATENDIDO. Somente pode ser reconhecido o direito à restituição do imposto de renda retido na fonte incidente em razão da regra prevista no artigo 2°, § 1°, alínea “b” e § 4°, da Lei n° 8.849/94, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 9.064/95, se atendidas, cumulativamente, as condições estabelecidas no artigo 8°, § 1°, alíneas “a”, “b” e “c”, da Lei n° 8.849/94, também com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 9.064/95. Desde a vigência da medida Provisória nº 1.003/1995, posteriormente convertida na Lei 9.064/4995, a prévia comunicação à Secretaria da Receita Federal constitui um dos requisitos para o deferimento da restituição em comento. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 17/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 02 40 29 /9 5- 52 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de pedido de restituição de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF com amparo no art. 8º da Lei 8.849/1994 com redação dada pela Lei 9.064, de 20/06/1995, relativo à retenção incidente sobre dividendos recebidos em maio de 1995 que foram aplicados em ações nominativas do Banco Bradesco, sociedade tributada pelo lucro real, para aumento de capital social. Tal pedido foi indeferido porque não houve a prévia comunicação à Receita Federal e porque a aplicação dos valores não se deu no aumento de capital da mesma pessoa jurídica. A manifestação de inconformidade acerca da exigência desses dois requisitos foi indeferida em primeira instância sob fundamento de que o art. 8º da Lei 8.849/1994 já estabelecia a exigência de prévia comunicação à Receita Federal, o que constou também da Medida Provisória 423/1994 e da Lei 9.064/1995, pois os dividendos foram recebidos em 19/04/1995 (fls. 03), a subscrição se deu em 05/06/1995 e ,somente em data posterior, em 21/08/1995, a opção foi comunicada à Receita Federal. A ciência do acórdão ocorreu em 16/08/2012 e recurso voluntário foi interposto no dia 30/08/2012 assentado nas seguintes alegações: 1. com fundamento no art. 8º da Lei 8.849/1994, tem direito à restituição do IRRF de R$46.634,28 referente ao recebimento de R$310.895,19 de dividendos decididos pela assembléia Geral extraordinária de 19/04/1994 da sociedade Casa da Bóia Comércio e Indústria de Metais, pois subscreveu 30.644.277 ações nominativas do Banco Bradesco, no montante de R$208.381,08 para aumento de capital, deliberado em 05/06/1995 e homologado em 11/08/1995, 2. o valor a que tem direito corresponde a 15% de 275.490,58 UFIR, o que equivale a 41.323,58UFIR; 3. a exigência descrita no acórdão recorrido no tocante à prévia comunicação à Receita Federal não se sustenta pois a Lei 9.064/1995 estabeleceu o benefício a partir de 01/01/1994, beneficiando as operações realizadas no passado, logo a exigência de prévia comunicação não tem aplicação em relação a operações já realizadas, sob pena de ter criado benefício impossível de ser gozado; 4. a redação original da Lei 8.849/1994 não continha texto sobre a exigência de prévia comunicação à Receita Federal, o que somente veio a ocorrer com a Lei 9.064/1995, de 20 de junho de 1995, fruto da conversão da Medida provisória nº 423/1994 4. as únicas condições legais para beneficiarse da restituição estão previstas no §1º do art. 8º da Lei 9.064/1995 e foram cumpridas pelo recorrente; 5. a lei não restringiu o benefício às operações de aplicação dos valores a título de dividendos na subscrição de aumento de capital da mesma pessoa jurídica; O processo foi distribuído a este Relator, por sorteio, durante a sessão de julho de 2014. É o Relatório. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10880.024029/9552 Acórdão n.º 2802003.102 S2TE02 Fl. 110 3 Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. O litígio diz respeito, exclusivamente, à exigência de prévia comunicação à Secretaria da Receita Federal da opção por aplicar em subscrição de ações do Banco Bradesco valores recebidos como dividendos da empresa Casa da Bóia. Os dividendos foram recebidos em 19/04/1995 (fls. 03) e a subscrição ocorreu em 05/06/1995. No momento da subscrição o dispositivo legal em questão (abaixo reproduzido) vigorava a redação dada pela Medida provisória 1.003/1995, que veio a ser convertida na Lei 9.064, de 20 de junho de 1995. Art. 8º O beneficiário dos rendimentos de que trata o art. 2º que, mediante prévia comunicação à Secretaria da Receita Federal, optar pela aplicação do valor dos lucros e dividendos recebidos, na subscrição de aumento de capital de pessoa jurídica, poderá requerer a restituição do correspondente imposto de renda retido na fonte por ocasião da distribuição. § 1º A restituição subordinase ao atendimento cumulativo das seguintes condições: a) os recursos sejam aplicados, na subscrição do aumento de capital de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, no prazo de até noventa dias da data em que os rendimentos foram distribuídos ao beneficiário; b) a incorporação, mediante aumento do capital social da pessoa jurídica receptora, ocorra no prazo de até noventa dias da data em que esta recebeu os recursos; c) o valor dos lucros e dividendos recebidos até 31 de dezembro de 1994, será convertido em quantidade de Ufir pelo valor desta vigente no mês da distribuição, e reconvertido para reais com base no valor da Ufir fixado para o mês dos atos referidos nas alíneas a e b. § 2º O valor do imposto a restituir, em relação aos fatos geradores ocorridos até 31 de dezembro de 1994, será o correspondente à quantidade de Ufir, determinada nos termos do § 3º do art. 2º, aplicandose, para a reconversão em reais, o valor daUfir vigente no mês da restituição, a qual deverá ser efetuada no prazo de sessenta dias, contados da incorporação a que se refere a alínea b. § 3º Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1995, o valor do Imposto de Renda na fonte, ou pago Fl. 111DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 pelo contribuinte, correspondente às receitas computadas na base de cálculo do Imposto de Renda da pessoa jurídica, poderá, para efeito de compensação com o imposto apurado no encerramento do anocalendário, ser atualizado, monetariamente com base na variação da Ufir verificada entre o trimestre subseqüente ao da retenção ou pagamento e o trimestre seguinte ao da compensação. § 4º Ao aumento de capital procedido nos termos deste artigo aplicamse as normas do art. 3º, relativamente à tributação pelo Imposto de Renda. § 5º Fica o Ministério da Fazenda autorizado a expedir normas necessárias à execução do disposto neste artigo." A prévia comunicação à Receita Federal constituiu um requisito legal. Não obstante, a comunicação ao Fisco deuse somente em momento posterior à subscrição, a saber: em 21/08/1995. Dessarte, a alegação baseada na redação original da Lei 8.849/1994 não pode prosperar. A jurisprudência desse Conselho reconhece a higidez dos requisitos legais para a restituição em comento. A exemplo do acórdão cuja ementa abaixo é reproduzidas: IRF – RESTITUIÇÃO. Somente pode ser reconhecido o direito à restituição do imposto de renda retido na fonte incidente em razão da regra prevista no artigo 2°, § 1°, alínea “b” e § 4°, da Lei n° 8.849/94, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 9.064/95, se atendidas, cumulativamente, as condições estabelecidas no artigo 8°, § 1°, alíneas “a”, “b” e “c”, da Lei n° 8.849/94, também com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 9.064/95. Hipótese não ocorrida no caso em apreço. (...) (excerto da ementa do Acórdão nº 10616.539, sessão de 17 de outubro de 2007) No mesmo sentido: Acórdãos nº 2102001.274, de 13/05/2011, e 2801 002.899, de 24/01/2013. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 112DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 13315.720119/2011-61
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2011
MULTA. APRESENTAÇÃO DO DACON APÓS O PRAZO ESTIPULADO EM LEI. OPTANTE PELO SIMPLES NACIONAL. INATIVIDADE. DISPENSA.
As microempresas e as empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional, bem como as inativas, encontram-se dispensadas de apresentação do Dacon.
Numero da decisão: 3803-006.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para cancelar o auto de infração.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2011 MULTA. APRESENTAÇÃO DO DACON APÓS O PRAZO ESTIPULADO EM LEI. OPTANTE PELO SIMPLES NACIONAL. INATIVIDADE. DISPENSA. As microempresas e as empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional, bem como as inativas, encontram-se dispensadas de apresentação do Dacon.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para cancelar o auto de infração. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Jorge Victor Rodrigues.
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APRESENTAÇÃO DO DACON APÓS O PRAZO ESTIPULADO EM LEI. OPTANTE PELO SIMPLES NACIONAL. INATIVIDADE. DISPENSA. As microempresas e as empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional, bem como as inativas, encontramse dispensadas de apresentação do Dacon. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para cancelar o auto de infração. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 31 5. 72 01 19 /2 01 1- 61 Fl. 34DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13315.720119/201161 Acórdão n.º 3803006.471 S3TE03 Fl. 35 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Campo Grande/MS que julgou improcedente a Impugnação apresentada pelo contribuinte, esta manejada em oposição ao auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário referente à multa devida por atraso na apresentação do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon), no valor de R$ 500,00 (multa mínima), referente ao mês de apuração outubro de 2011. Cientificado do auto de infração, o contribuinte apresentou Impugnação e requereu o seu cancelamento, alegando que o contador equivocarase no envio do demonstrativo, não se apercebendo da inexistência de movimento no período, situação essa acarretadora da dispensa de apresentação do Dacon, nos termos do art. 3º, inciso III, da Instrução Normativa RFB nº 1.015, de 2010. Junto à Impugnação, o contribuinte trouxe aos autos cópia do Dacon, em que se informa a inexistência de PIS e Cofins a pagar. A decisão da DRJ Campo Grande/MS foi ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2011 DACON. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. É cabível a exigência da multa pelo atraso na entrega do Dacon quando se comprova que a contribuinte estava a ela obrigada e que ele foi entregue intempestivamente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Segundo o relator do voto condutor do acórdão recorrido, em consulta aos sistemas internos da Receita Federal, não se confirmou a alegação do contribuinte de que se encontrava dispensado da apresentação do Dacon no período em face de sua inatividade, considerando que, não obstante ter havido a entrega de DIPJInativa, o contribuinte efetuara recolhimentos em períodos anteriores ao Dacon. Cientificado da decisão em 24/09/2013, o contribuinte interpôs, em 14/10/2013, Recurso Voluntário, e reiterou seu pedido de cancelamento do auto de infração, argüindo que os pagamentos realizados anteriormente à apresentação do Dacon, destacados no acórdão recorrido, referiamse à quitação de multas do período de apuração 2010, multas essas recolhidas em razão da perda do prazo para a apresentação de impugnação. Aduziu, ainda, que seu pedido de opção pelo Simples Nacional fora acatado pela Receita Federal retroativamente a 2011, constituindose tal fato razão adicional a justificar a dispensa de apresentação do Dacon. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópia de sua opção pelo Simei (Microempreendedor Individual) ocorrida em 01/01/2012, da Declaração Anual do Simples Nacional (DASN) de 2011 e dos DARFs relativos aos pagamentos de multas decorrentes do atraso na apresentação do Dacon, código de receita 6808, do período de apuração de 2010. Fl. 35DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13315.720119/201161 Acórdão n.º 3803006.471 S3TE03 Fl. 36 3 É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos sobre auto de infração lavrado em decorrência da apresentação intempestiva do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon). O auto de infração encontrase fundamentado no art. 7º da Lei nº 10.246, de 2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, verbis: Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. Com base no excerto supra, constatase que a lei estipula que a multa será aplicada no percentual de 2% incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13315.720119/201161 Acórdão n.º 3803006.471 S3TE03 Fl. 37 4 Notese que a base de cálculo da multa prevista na lei é o valor da contribuição social, Cofins ou PIS, aspecto esse que, a meu ver, não pode ser suplantado pela mera estipulação de uma multa mínima de R$ 500,00, pois a aplicação desta somente se justifica nos casos em que o resultado do cálculo efetuado sobre o valor da contribuição, valor esse diferente de zero, for inferior ao piso mínimo estipulado na lei. Conforme se verifica do recibo de entrega do Dacon (fl. 7), no período de apuração de outubro de 2011, o saldo a pagar de PIS e Cofins foi igual a zero, fato esse que ampara a defesa do Recorrente. Além disso, conforme se verifica do termo de opção pelo Simei (Microempreendedor Individual) ocorrida em 01/01/2012 e da Declaração Anual do Simples Nacional – DASN (fls. 26 a 27), durante o anocalendário de 2011, o Recorrente era optante do Simples Nacional, situação essa que o dispensava da apresentação do Dacon, conforme prediz o art. 3º, inciso I, da Instrução Normativa RFB nº 1.015, de 20101, verbis: Art. 3º Estão dispensados de apresentação do Dacon: I as Microempresas (ME) e as Empresas de Pequeno Porte (EPP) enquadradas no Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), instituído pela Lei Complementar Nº 123, de 14 de dezembro de 2006, relativamente aos períodos abrangidos por esse Regime; Verificase, portanto, que o optante pelo Simples Nacional encontrase dispensado de apresentação do Dacon, não se justificando a aplicação de uma penalidade decorrente da entrega equivocada do demonstrativo, quando este não era exigível. As cópias dos DARFs trazidas aos autos pelo Recorrente confirmam que as quitações efetuadas sob o código de receita 6808 (multa por atraso na entrega do Dacon) se referem ao anocalendário 2010, não alcançando, portanto, o período deste processo, fato esse que corrobora a alegação do Recorrente de que, em 2011, a pessoa jurídica encontravase inativa, dado esse também confirmado pelo julgador de piso, conforme sua afirmativa de que constatara a entrega de DIPJInativa relativamente ao mesmo período. A cópia da Declaração Anual do Simples Nacional – DASN (fl. 27) também confirma a inatividade em 2011, pois nenhuma receita bruta foi auferida no período. O mesmo art. 3º da Instrução Normativa RFB nº 1.015, de 2010, em seu inciso III, dispensa também da apresentação do Dacon “as pessoas jurídicas que se mantiveram inativas desde o início do anocalendário ou desde a data de início de atividades, relativamente aos demonstrativos correspondentes aos meses em que se encontravam nessa condição”. Nesse contexto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso, para cancelar o auto de infração. 1 Essa Instrução Normativa veio a ser revogada somente em 20 de janeiro de 2014 pela Instrução Normativa RFB nº 1.441. Fl. 37DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13315.720119/201161 Acórdão n.º 3803006.471 S3TE03 Fl. 38 5 É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 38DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 16707.001981/2001-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1998
EMBARGOS. ERRO MATERIAL.
Acolhem-se os embargos para a correção de erro material no julgado, que se referiu à contribuição social sobre o lucro, quando os autos em verdade versam sobre o imposto de renda da pessoa jurídica. Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 1102-001.168
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para corrigir o erro material apontado e re-ratificar o Acórdão nº 1102-000.277, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado LANILA ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA ASSUNTO: I MPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1998 EMBARGOS. ERRO MATERIAL. Acolhem-se os embargos para a correção de erro material no julgado, que se referiu à contribuição social sobre o lucro, quando os autos em verdade versam sobre o imposto de renda da pessoa jurídica. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para corrigir o erro material apontado e re-ratificar o Acórdão nº 1102-000.277, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Relator. Participaram do julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Douglas Bernardo Braga, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Francisco Alexandre dos Santos Linhares. Relatório Fl. 450DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16707.001981/2001-84 Acórdão n.º 1102-001.168 S1-C1T2 Fl. 3 2 Trata-se de embargos interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra a decisão proferida no Acórdão nº 1102-000.277, de 03 de agosto de 2010, que restou assim ementado e decidido, sic: “DESAPROPRIAÇÃO. REFORMA AGRÁRIA. GANHO DE CAPITAL. ISENÇÃO. RESERVA DE REAVALIAÇÃO. Por força de imperativo legal, o ganho de capital decorrente de indenização relativa à desapropriação de bem para fins de reforma agrária é isento e afasta a exigência da adição do valor da reserva de reavaliação incorporada ao capital quando da realização dos bens avaliados.” (...) ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.” Aponta a requerente a ocorrência de erro material, tendo em vista que, de acordo com o relatório e voto condutor, os presentes autos tratariam de auto de infração relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido – CSLL, acrescida de multa e juros no valor de R$ 379.462,51, em decorrência da ausência de adição ao lucro liquido do valor correspondente à reserva de reavaliação incorporada ao capital, relativamente a bem imóvel baixado do ativo permanente por força de desapropriação para fins de reforma agrária, contudo, de acordo com o relatório da decisão da turma julgadora a quo, os presentes autos tratam de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ no valor de R$ 1.069.938,68, incluidos juros de mora e multa de oficio de 75%. Assim, nada obstante ressalve a embargante não ser o caso de interposição de recurso especial, em razão da ausência de acórdão paradigma, requer a correção do apontado erro, de modo a evitar dúvida quanto ao alcance do julgado por ocasião do seu cumprimento pela Delegacia da Receita Federal. Em despacho de fls. 228, foi o requerimento recebido como embargos para inclusão em pauta a fim de que a turma sobre eles se pronunciasse. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Os embargos foram apresentados tempestivamente e por parte legítima, devendo ser conhecidos. De fato, é facilmente constatável a existência do apontado erro material no julgado. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16707.001981/2001-84 Acórdão n.º 1102-001.168 S1-C1T2 Fl. 4 3 Da análise perfunctória das principais peças constantes dos autos (auto de infração, impugnação, decisão a quo, e recurso voluntário), constato tratar-se de lançamento tributário para a exigência de IRPJ. Contudo, o relatório e voto condutor faz referência ao caso como se versasse a respeito de exigência de CSLL. Como o contribuinte foi objeto de lavratura de auto de infração de CSLL pelos mesmos motivos que deram ensejo ao auto de infração aqui em litígio (processo 16707.001982/2001-29), tendo sido ambos julgados na mesma sessão de julgamento e com idêntico resultado, de acordo com a ata daquela sessão, tudo indica ter havido um provável mero erro de transcrição. Assim, para corrigir o apontado erro material, importa fazer-se as seguintes correções no acórdão em questão (negrejou-se os itens objeto de correção): NO RELATÓRIO : Onde está escrito: Trata-se de Auto de Infração lavrado com o fito de exigir o recolhimento da CSLL , acrescida de multa e juros no valor de R$ 379.462,51, em decorrência da ausência de adição ao lucro liquido do valor correspondente à reserva de reavaliação incorporada ao capital, relativamente a bem imóvel baixado do ativo permanente por força de desapropriação para fins de reforma agrária. Leia-se: Trata-se de Auto de Infração lavrado com o fito de exigir o recolhimento do IRPJ, acrescido de multa e juros no valor de R$ 1.069.938,68, em decorrência da ausência de adição ao lucro liquido do valor correspondente à reserva de reavaliação incorporada ao capital, relativamente a bem imóvel baixado do ativo permanente por força de desapropriação para fins de reforma agrária. Onde está escrito: A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife manteve integralmente o lançamento, com base nos seguintes fundamentos: i) o tratamento fiscal dado à reserva de reavaliação quando da baixa de um bem está disciplinado no art. 42, da Lei n.° 7.799, de 10 de julho de 1989; ii) o valor da reserva de reavaliação, baixado durante o período-base, cuja contrapartida não tenha sido computada no resultado do exercício, deverá ser adicionado ao lucro liquido para determinação da base de cálculo da contribuição social; Leia-se: A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife manteve integralmente o lançamento, com base nos seguintes fundamentos: i) o tratamento fiscal dado à reserva de reavaliação quando da baixa de um bem está disciplinado nos arts. 382, 383, e 385, do RIR/99; ii) o valor da reserva de reavaliação, baixado durante o período-base, cuja contrapartida não tenha sido computada no resultado do exercício, deverá ser Fl. 452DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16707.001981/2001-84 Acórdão n.º 1102-001.168 S1-C1T2 Fl. 5 4 adicionado ao lucro liquido para determinação da base de cálculo do imposto de renda; NO VOTO: Onde está escrito: A DRJ reconheceu a isenção do tributo sobre o ganho de capital na hipótese de desapropriação para fins de reforma agrária, e manteve a exigência da adição da reserva de reavaliação no valor de R$ 7.489.170,94, para apuração da base de cálculo da CSLL. Leia-se: A DRJ reconheceu a isenção do tributo sobre o ganho de capital na hipótese de desapropriação para fins de reforma agrária, e manteve a exigência da adição da reserva de reavaliação no valor de R$ 7.489.170,94, para apuração da base de cálculo do IRPJ. Onde está escrito: Na hipótese em tela, a Recorrente, antes da desapropriação, reavaliou seus bens e constituiu reserva de reavaliação na expectativa futura de adição a base de cálculo da CSLL da parcela quando da realização do bem. Entretanto, com a desapropriação em valor inferior ao da reavaliação, a Recorrente teve uma perda de capital e não um ganho isento como posto pela DRJ. Leia-se: Na hipótese em tela, a Recorrente, antes da desapropriação, reavaliou seus bens e constituiu reserva de reavaliação na expectativa futura de adição a base de cálculo do IRPJ da parcela quando da realização do bem. Entretanto, com a desapropriação em valor inferior ao da reavaliação, a Recorrente teve uma perda de capital e não um ganho isento como posto pela DRJ. Onde está escrito: O tratamento dado à reserva de reavaliação quando da baixa de um bem está disciplinado no art. 42, da Lei n.° 7.799/89, e no art. 2°, da Lei n.° 8.034/90, verbis: (...) Leia-se: O tratamento dado à reserva de reavaliação quando da baixa de um bem está disciplinado nos arts. 382, 383, e 385, do RIR/99, verbis: (considere-se inclusa no voto a transcrição dos referidos artigos, conforme feita pela DRJ) Onde está escrito: Fl. 453DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16707.001981/2001-84 Acórdão n.º 1102-001.168 S1-C1T2 Fl. 6 5 Não há dúvidas de que a desapropriação é uma espécie de alienação compulsória e constitui hipótese de baixa do bem, mas não se pode afastar da idéia de que exigir o cômputo da reserva de reavaliação incorporada ao capital na base de cálculo da CSLL significaria, de forma indireta, tributar o ganho de capital supostamente alcançado corn a desapropriação. Leia-se: Não há dúvidas de que a desapropriação é uma espécie de alienação compulsória e constitui hipótese de baixa do bem, mas não se pode afastar da idéia de que exigir o cômputo da reserva de reavaliação incorporada ao capital na base de cálculo do IRPJ significaria, de forma indireta, tributar o ganho de capital supostamente alcançado corn a desapropriação. Com os ajustes acima propostos, mantém-se hígida a decisão proferida pelo colegiado. Por fim, e aproveitando o ensejo, corrige-se também a indicação dúbia na composição do colegiado na ocasião, aparentando haver mais de um relator: Onde está escrito: Participaram, do julgamento os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente da Turma), João Carlos de Lima Júnior (Vice Presidente), José Sergio Gomes (Relator), Silvana Rescigno Barreto (Relatora), Marco Antonio Pires, (Suplente Convocado) e Frederico de Moura Theophilo. Leia-se: Participaram do julgamento os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente da Turma), João Carlos de Lima Júnior (Vice Presidente), José Sérgio Gomes, Silvana Rescigno Barreto (Relatora), Marco Antonio Pires (Suplente Convocado), e Frederico de Moura Theophilo. Pelo exposto, acolho os embargos para o fim de corrigir o erro material apontado e re-ratificar o Acórdão nº 1102-000.277, sem efeitos infringentes, mantendo-se integralmente a decisão proferida. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé - Relator Fl. 454DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16707.001981/2001-84 Acórdão n.º 1102-001.168 S1-C1T2 Fl. 7 6 Fl. 455DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Numero do processo: 17883.000075/2005-18
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003
SIMPLES. EXCLUSÃO. ARBITRAMENTO DE LUCROS EX OFFICIO.
O arbitramento de lucros ex officio de pessoa jurídica enquadrada no Simples pressupõe prévia exclusão do regime simplificado mediante ato declaratório da autoridade competente, assegurados o contraditório e a ampla defesa no âmbito do rito processual administrativo tributário regulado pelo Decreto 70.235/1972.
Numero da decisão: 1103-000.926
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR provimento ao RECURSO DE OFÍCIO.
Aloysio José Percínio da Silva Presidente e Relator
(assinatura digital)
Participaram do julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 SIMPLES. EXCLUSÃO. ARBITRAMENTO DE LUCROS EX OFFICIO. O arbitramento de lucros ex officio de pessoa jurídica enquadrada no Simples pressupõe prévia exclusão do regime simplificado mediante ato declaratório da autoridade competente, assegurados o contraditório e a ampla defesa no âmbito do rito processual administrativo tributário regulado pelo Decreto 70.235/1972.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1677; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 2 1 1 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 17883.000075/200518 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 1103000.926 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 10 de setembro de 2013 Matéria Simples Recorrente Fazenda Nacional Interessado MS Curty Comércio de Couros ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 SIMPLES. EXCLUSÃO. ARBITRAMENTO DE LUCROS EX OFFICIO. O arbitramento de lucros ex officio de pessoa jurídica enquadrada no Simples pressupõe prévia exclusão do regime simplificado mediante ato declaratório da autoridade competente, assegurados o contraditório e a ampla defesa no âmbito do rito processual administrativo tributário regulado pelo Decreto 70.235/1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR provimento ao RECURSO DE OFÍCIO. Aloysio José Percínio da Silva – Presidente e Relator (assinatura digital) Participaram do julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 00 75 /2 00 5- 18 Fl. 786DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 17883.000075/200518 Acórdão n.º 1103000.926 S1C1T3 Fl. 3 2 Relatório O processo trata de autos de infração de IRPJ e, como tributação reflexa, de CSLL, PIS e Cofins, todos com multa de ofício de 75% prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/1996 (fls. 689, 619, 606 e 637, respectivamente). O lançamento se encontra assim descrito no relatório da decisão de primeira instância: "2. A autoridade fiscal, após o termo de início de fiscalização (fl. 9) e Termos de Intimação (fls. 21/24, 26 e 27), efetuou os lançamentos, para os anoscalendário de 2000, 2001, 2003, arbitrando o seu lucro, com fulcro no art. 530, III do RIR/1999, por ter sido a interessada a apresentar os livros e documentos de sua escrituração, deixou de apresentálos. A base para o arbitramento foram as receitas operacionais omitidas apuradas pela diferença entre o total das vendas registradas em notas fiscais e o valor constante em sua Dipj, fls. 590/991; os créditos bancários de origem não comprovada nos valores elencados, fls. 591/593; e as receitas conhecidas constantes de sua Dipj, fls. 594/595. 3. Consta dos autos o termo de constatação fiscal, fls. 28/35, que apresenta os seguintes fatos: 3.1. Após intimações e dados constantes do 'dossiê integrado', com informações obtidas através das informações CPMF, foram constatadas movimentações financeiras incompatíveis com as receitas declaradas nos anoscalendário de 2000, 2001, 2002 e 2003, fato também comprovado pelo exame dos extratos bancários, apresentados pela empresa. 3.2. A interessada foi intimada para comprovar a origem dos créditos bancários não apresentado a comprovação. 3.3. Face a não comprovação e a não apresentação dos livros e documentos fiscais, o autuante procedeu ao arbitramento do lucro, com base na receita conhecida: receita bruta declarada, valores constantes de notas fiscais não declarados e as omissões de receitas caracterizadas por depósitos bancários cuja origem não foi comprovada." Em face de tempestiva impugnação (fls. 654), a 5ª Turma da DRJ/RJ1 julgou o lançamento improcedente nos termos do Acórdão nº 1228.990/2010 (fls. 721), assim resumido: Fl. 787DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 17883.000075/200518 Acórdão n.º 1103000.926 S1C1T3 Fl. 4 3 "Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 ARBITRAMENTO ANTES DA EXCLUSÃO DO SIMPLES POR MEIO DE ATO DECLARATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. Apenas após a devida exclusão do SIMPLES, por meio de Ato Declaratório de Exclusão, a fiscalização pode proceder ao arbitramento do lucro, em respeito à legislação de regência. CSLL, COFINS E PIS. Os lançamentos decorrentes seguem o resultado do principal, em razão de sua estreita relação de causa e efeito." Há recurso de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva – Relator. O recurso reúne os pressupostos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. A turma recorrida ratificou a apuração de omissão de receitas considerada no lançamento em questão, realizada com fundamento na presunção do art. 42 da Lei 9.430/1996. Conforme relatado, os extratos bancários foram entregues à fiscalização diretamente pela autuada. Contudo, apontou erro no regime de tributação utilizado, do lucro arbitrado, em razão da sua adoção sem prévia exclusão do Simples por intermédio de ato declaratório, o que se confirmou mediante informação da DRF/Volta Redonda (fls. 715), prestada em procedimento de diligência determinado pela Resolução DRJ/RJ1/5ª Turma nº 260 (fls. 711). Fl. 788DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 17883.000075/200518 Acórdão n.º 1103000.926 S1C1T3 Fl. 5 4 A determinação para exclusão do regime tributário simplificado consta do art. 15, §3º, 9.317/1996, vigente na época dos fatos, com a seguinte redação dada pela Lei 9.732/1998: "§ 3º. A exclusão de ofício darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo." No caso, a tributação ocorreria no âmbito do Simples, na forma prescrita pelo art. 23, §3º, do mesmo ato legal: "§ 3º. A pessoa jurídica cuja receita bruta, no decurso do ano calendário, exceder ao limite a que se refere o inciso II do art. 2º, adotará, em relação aos valores excedentes, dentro daquele ano, os percentuais previstos na alínea "e" do inciso II e nos §§ 2º, 3º, inciso III ou IV, e § 4º, inciso III ou IV, todos do art. 5º, acrescidos de 20% (vinte por cento), observado o disposto em seu § 1º." Constatase, portanto, o acerto da decisão recorrida. Conclusão Pelo exposto, nego provimento ao recurso de ofício. Aloysio José Percínio da Silva (assinatura digital) Fl. 789DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10935.720490/2011-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR.
O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência daMP 449/2008, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitando-se ao percentual máximo de 75%, nos casos de descumprimento de obrigação acessória cumulada com não recolhimento da obrigação principal. Nos casos em que o recolhimento, apesar de em atraso, ocorreu de forma espontânea, aplicável, nos termos da legislação vigente à época dos fatos geradores, o disposto no artigo 32, § 5° cumulado com o artigo 35, ambos da Lei n° 8.212/91.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.028
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes (presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PARCELAMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. Recorrente REFLORASUL AGROFLORESTAL S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência daMP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%, nos casos de descumprimento de obrigação acessória cumulada com não recolhimento da obrigação principal. Nos casos em que o recolhimento, apesar de em atraso, ocorreu de forma espontânea, aplicável, nos termos da legislação vigente à época dos fatos geradores, o disposto no artigo 32, § 5° cumulado com o artigo 35, ambos da Lei n° 8.212/91. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 04 90 /2 01 1- 38 Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes (presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10935.720490/201138 Acórdão n.º 2402004.028 S2C4T2 Fl. 1.128 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão que manteve a penalidade aplicada por descumprimento de obrigação acessória. O processo, inicialmente, referiase à autos de infração lavrados em razão de descumprimento de obrigações principais (37.342.3144, 37.342.3152 e 37.342.3160) e obrigação acessória (37.298.3022). A Recorrente, entretanto, aderiu ao parcelamento da Lei n° 11.941/09 com relação aos créditos referentes às obrigações principais ora em análise (fls. 1047, 1064 e 1079), restando controversa somente a parte relacionada à obrigação acessória. O acórdão proferido às fls. 1106/1112 decidiu por julgar improcedentes as impugnações apresentadas pela Recorrente sob os seguintes fundamentos: i) O pedido de parcelamento dos créditos importa na confissão irretratável do débito e configura confissão extrajudicial e, portanto, na renuncia à via administrativa para contestação do lançamento; ii) Com relação à multa de ofício – parte contestada –, ressalta que a aplicação de penalidades por descumprimento à legislação previdenciária foi substancialmente alterada pela Lei n° 11.941/09, que revogou o § 5° do art. 32 e deu nova redação ao art. 35 da Lei n° 8.212/91; iii) Para as competências 02/2007 e 06/2008 a 10/2008, foram lançadas contribuições aplicandose a multa de mora prevista no art. 35 da Lei n° 8.212/91 somada a multa pelo descumprimento de obrigação acessória prevista no § 4° do art. 32 da mesma lei. Já para as outras competências foi aplicada multa de 75% do art. 44 da Lei n° 9.430/96, por lhe ser mais benéfica; iv) A esfera administrativa não é a adequada para se discutir violação ao princípio do não confisco pois esta não faz análise de constitucionalidade de norma vigente. Intimada do resultado, a Recorrente interpôs recurso voluntário de fls. 1117/1122, segundo o qual: i) Necessária a anulação parcial do auto para reconhecer a ilegalidade da cobrança das multas de ofício e de mora, pois incidentes sobre bases idênticas; Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 ii) O Conselho de Contribuintes de Curitiba decidiu em caso análogo a ilegitimidade da cobrança da multa de ofício e a multa de mora concomitantemente. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10935.720490/201138 Acórdão n.º 2402004.028 S2C4T2 Fl. 1.129 5 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões Relator Inicialmente, o recurso voluntário atende a todos os requisitos de admissibilidade, dentre eles o da tempestividade, razão pela qual dele conheço. Preliminar Pretende a Recorrente a anulação do auto de infração por considerar ilegal a concomitância da multa de mora com a multa de ofício. O auto de infração, ao lançar as multas por descumprimento de obrigação acessória em face da Recorrente, fez a seguinte separação: 1) Competências de 02/2007, 06/2008, 07/2008, 08/2008, 09/2008 e 10/2008 – aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei n° 8.212/91 cumulada com multa do artigo 32, § 5°, da Lei n° 8.212/91; 2) Competências de 01/2006, 02/2006, 03/2006, 04/2006, 05/2006, 06/2006, 07/2006, 08/2006, 09/2006, 10/2006, 11/2006, 12/2006, 01/2007, 03/2007, 04/2007, 05/2007, 06/2007, 07/2007, 08/2007, 09/2007, 10/2007, 11/2007, 12/2007, 01/2008, 02/2008, 03/2008, 04/2008, 05/2008, 11/2008 e 12/2008 – aplicação da multa de ofício de 75% prevista no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Em decorrência dos princípios da autotutela e da legalidade objetiva, no que tange à multa aplicada de 75% sobre as contribuições devidas até a competência 11/2008, entendo que deverá ser aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. A questão a ser enfrentada é a retroatividade benéfica para redução ou mesmo exclusão das multas aplicadas através de lançamentos fiscais de contribuições previdenciárias na vigência da Medida Provisória (MP) 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n°11.941/2009, mas nos casos em que os fatos geradores ocorreram antes de sua edição. É que a medida provisória revogou o art. 35 da Lei 8.212/1991 que trazia as regras de aplicação das multas de mora, inclusive no caso de lançamento fiscal, e em substituição adotou a regra que já existia para os demais tributos federais, que é a multa de ofício de, no mínimo, 75% do valor devido. Para tanto, devese examinar cada um dos dispositivos legais que tenham relação com a matéria. Prefiro começar com a regra vigente à época dos fatos geradores (art. 35 da Lei 8.212/1991). De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 a constituição do crédito tributário por meio de lançamento, ainda assim a multa era de mora. A redação do dispositivo legal, em especial os trechos destacados, é muito claro nesse sentido. Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora. Contemporâneo à essa regra especial aplicável apenas às contribuições previdenciárias já vigia, desde 27/12/1996, o art. 44 da Lei 9.430/1996, aplicável a todos os demais tributos federais: Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. É certo que esse possível conflito de normas é apenas aparente, pois como se sabe a norma especial prevalece sobre a geral, sendo isso um dos critérios para a solução dessa controvérsia. Para os fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até a MP n° 449 aplicavase exclusivamente o art. 35 da Lei 8.212/1991. Portanto, a sistemática dos artigos 44 e 61 da Lei 9.430/1996, para a qual multas de ofício e de mora são excludentes entre si, não se aplica às contribuições previdenciárias. Quando a destempo mas espontâneo o pagamento aplicase a multa de mora e, caso contrário, seja necessário um procedimento de ofício para apuração do valor devido e cobrança através de lançamento então a multa é de ofício. Enquanto na primeira se pune o atraso no pagamento, na segunda multa, a falta de espontaneidade. Logo, repetese: no caso das contribuições previdenciárias somente o atraso era punido e nenhuma dessas regras se aplicava; portanto, não vejo como se aplicar, sem observância da regra especial que era prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991, a multa de ofício aos lançamentos de fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória (MP) 449. O Código Tributário Nacional (CTN) estabelece que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10935.720490/201138 Acórdão n.º 2402004.028 S2C4T2 Fl. 1.130 7 Ainda dentro desse contexto, pela legislação da época da ocorrência de parte dos fatos geradores (aqueles em que houve pagamento em atraso), são duas multas distintas a serem aplicadas pela AuditoriaFiscal: 1. uma relativa ao descumprimento da obrigação acessória – capitulada no Código de Fundamento Legal (CFL) 68 –, com base o art. 32, IV e § 5o, da Lei 8.212/1991, no total de 100% do valor devido, relativo às contribuições não declaradas, limitada em função do número de segurados; 2. outra pelo descumprimento da obrigação principal, correspondente, inicialmente, à multa de mora de 24% prevista no art. 35, II, alínea “a”, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.876/1999. Tal artigo traz expresso os percentuais da multa moratória a serem aplicados aos débitos previdenciários. A regra acima mencionada, portanto, se aplica aos casos de contribuições que, embora tenham sido espontaneamente declaradas pelo sujeito passivo, deixaram de ser recolhidas no prazo previsto na legislação. Esta multa, portanto, se aplica aos casos de recolhimento em atraso, que é o caso das competências de 02/2007, 06/2008, 07/2008, 08/2008, 09/2008 e 10/2008, estando correta a autuação. Por outro lado, a regra do art. 35A da Lei 8.212/1991 (acrescentado pela Lei 11.941/2009) aplicase aos lançamentos de ofício, que é o caso das demais competências, em que o sujeito passivo deixou de declarar fatos geradores das contribuições previdenciárias e consequentemente de recolhêlos, com o percentual 75%, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/1996. Lei 8.212/1991: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. (g.n.) Assim, não havendo o recolhimento da obrigação principal não declarada em GFIP, passou a ser devida a incidência da multa de ofício de 75% sobre o valor não recolhido, como segue: Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Dessa forma, entendo que, para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II, da Lei 8.212/1991), limitando a multa ao patamar de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996. Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Embora a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) seja mais benéfica na atual situação em que se encontra a presente autuação, caso esta venha a ser executada judicialmente, poderá ser reajustada para o patamar de até 100% do valor principal. Assim, nas competências em que não houve declaração em GFIP e recolhimento da obrigação principal, considerando que a multa prevista pelo art. 44 da Lei 9.430/1996 limitase ao percentual de 75% do valor principal e adotando a regra interpretativa constante do art. 106 do CTN, correto o entendimento adotado em primeira instância, mantendose a autuação. Conclusão Por todo o supra exposto, voto pelo conhecimento do recurso voluntário e a ele nego provimento. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 18050.006982/2009-60
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. MATÉRIA AVENTADA EM VOLUNTÁRIO.
Os embargos de declaração tem finalidade própria e cabimento específico, qual seja, sanar omissões, contradições e obscuridades do julgado (artigo 65 do RICARF). Não é recurso apto a viabilizar a demonstração do inconformismo da parte sucumbente com vistas a suscitar novo julgamento.
No caso dos autos é evidente que a Embargante apresenta seus argumentos no intuito de demonstrar o inconformismo com a decisão proferida e obter efeito infringente do julgado em relação à suposta omissão quanto à alegação de violação à isonomia.
Numero da decisão: 2802-002.851
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
EDITADO EM: 20/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Cleber Ferreira Nunes Leite, Jimir Doniak Junior, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. MATÉRIA AVENTADA EM VOLUNTÁRIO. Os embargos de declaração tem finalidade própria e cabimento específico, qual seja, sanar omissões, contradições e obscuridades do julgado (artigo 65 do RICARF). Não é recurso apto a viabilizar a demonstração do inconformismo da parte sucumbente com vistas a suscitar novo julgamento. No caso dos autos é evidente que a Embargante apresenta seus argumentos no intuito de demonstrar o inconformismo com a decisão proferida e obter efeito infringente do julgado em relação à suposta omissão quanto à alegação de violação à isonomia.
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OMISSÃO. MATÉRIA AVENTADA EM VOLUNTÁRIO. Os embargos de declaração tem finalidade própria e cabimento específico, qual seja, sanar omissões, contradições e obscuridades do julgado (artigo 65 do RICARF). Não é recurso apto a viabilizar a demonstração do inconformismo da parte sucumbente com vistas a suscitar novo julgamento. No caso dos autos é evidente que a Embargante apresenta seus argumentos no intuito de demonstrar o inconformismo com a decisão proferida e obter efeito infringente do julgado em relação à suposta omissão quanto à alegação de violação à isonomia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. EDITADO EM: 20/08/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 69 82 /2 00 9- 60 Fl. 328DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 20/08/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Cleber Ferreira Nunes Leite, Jimir Doniak Junior, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Cuidase de Embargos de Declaração opostos diante de suposta omissão e contradição em acórdão julgado por esta C. 2ª Turma Especial, cuja matéria de fundo versa sobre a suposta natureza indenizatória de verbas salariais recebidas pelos magistrados da Bahia, em virtude de decisão judicial, assim reconhecida por lei estadual. Segundo as razões dos embargos opostos: a) há omissão pelo não enfrentamento da ilegitimidade ativa da União para exigir IRRF, e; b) não houve o devido enfrentamento do argumento de quebra do princípio constitucional da isonomia; O despacho de admissibilidade rejeitou a omissão a respeito da alegada ilegitimidade da União Federal para cobrança de imposto cuja receita, nos termos do artigo 157 da CF, pertenceria ao Estado A preliminar foi expressamente rejeitada, mediante transcrição de trecho do voto embargado, a seguir: Para evitar qualquer argüição quanto a não apreciação do pleito de ilegitimidade ativa da União Federal para exigir imposto de renda retido na fonte, é de ressaltar que a prerrogativa dada pelo artigo 157, I, da Constituição Federal, aos Estados, em arrecadar em definitivo o IRRF sobre rendimentos pagos, a qualquer título, por eles, suas autarquias e pelas fundações que instituírem e mantiverem, apenas implica em dispositivo relativo a repartição constitucional de receitas tributárias, sem qualquer implicação quanto à legitimidade ativa da União para exigir o IRPF por meio de Auto de Infração. Nesse sentido, Leandro Paulsen: "O art. 157, I e o art. 158, I, são dispositivos que tratam da repartição de receitas tributárias. Não cuidam, de modo algum, de distribuição de competência tributária. A competência para instituição do IR é da União (art. 153, III), que o faz por lei federal. O sujeito ativo é, também, a União, sendo tal tributo administrado pela SRF. Os Estados, o DF e os Municípios são simples destinatários do produto da arrecadação do imposto que incide na fonte sobre a renda e proventos pagos por eles. Nesses casos, aliás, os Estados, DF e Municípios figuram enquanto substitutos tributários (obrigados à retenção e ao recolhimento do IR na qualidade de empregadores como qualquer outra pessoa jurídica), mas, em seguida à retenção, em vez de recolherem em favor da União, farão o recolhimento em seu próprio favor em face de serem destinatários constitucionais da respectiva receita." (Direito Tributário Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, Livraria do Advogado Editora, 12ª edição, 2010, pág. 419). No mesmo sentido, TRF da 3ª Região (processo n. 0012157 87.2003.4.03.6108, j. em 30/03/2011. Rejeitada a argüição sobre o pedido de manifestação expressa quanto à não incidência do imposto de renda sobre juros de mora à luz do RESP 1227.133, por se tratar de Fl. 329DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 20/08/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 18050.006982/200960 Acórdão n.º 2802002.851 S2TE02 Fl. 4 3 questão abordada expressamente no acórdão e inclusive transcrita pelo próprio Embargante à fl. 294. Logo, omissão nenhuma há a ser sanada nesse ponto. Por essas razões, não admitidos os Embargos no tocante às alegações apresentadas quanto às supostas omissões do julgado embargado, em relação à incidência do IR sobre juros moratórios e ausência de capacidade ativa da UF para exigir o IRF, não merecem acolhida. Admitidos, apenas para suprir omissão sobre eventual violação ao princípio da isonomia”. Era o de essencial a ser relatado. Decido. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández Com efeito, os embargos de declaração tem finalidade própria e cabimento específico, qual seja, sanar omissões, contradições e obscuridades do julgado (artigo 65 do RICARF). Não é recurso apto a viabilizar a demonstração do inconformismo da parte sucumbente com vistas a suscitar novo julgamento. No caso dos autos é evidente que a Embargante apresenta seus argumentos no intuito de demonstrar o inconformismo com a decisão proferida e obter efeito infringente do julgado em relação à suposta omissão quanto à alegação de violação à isonomia. Conheço dos embargos mas os rejeito em seu mérito. A decisão embargada é expressa ao analisar o tema, conforme trecho a seguir: Logo, ainda que recebidas em virtude de decisão judicial, insuficiente a qualificação de verbas indenizatórias dada pelo art. 5º da Lei do Estado da Bahia nº 20/2003, para excluir os rendimentos recebidos (principais e acessórios), da tributação pelo imposto de renda pessoa física, sob pena de ofensa à universalidade a que se refere o § 1º do artigo 43 do CTN e inciso I do § 2º do artigo 153 da CF/88 (“A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento ...”). Tampouco há se falar em declaração prévia de inconstitucionalidade da lei baiana, vedada a este órgão de julgamento , mas sim, em prestígio ao artigo 150, II da CF/88, cujo enunciado veda (...) “o tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos.” Aliás, a tributação dos rendimentos recebidos, ao contrário do suscitado em sede recursal, não afronta a isonomia, mas sim, a consagra. A tributação de diferenças salariais impede que apenas os Membros do MP baiano sejam excluídos da incidência do imposto, ao passo que os demais contribuintes se submetam à tributação de rendimentos de semelhante natureza. (destaques meus). Fl. 330DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 20/08/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Logo, em relação ao tema, não há nenhuma “omissão” a ser sanada pela estreita via dos embargos, tal qual como pretendido pela Embargante. Pelo exposto, conheço os embargos opostos e os rejeito em seu mérito. German Alejandro San Martín Fernández – Relator (assinado digitalmente) Fl. 331DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 20/08/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.721659/2010-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO DE EMPREGO - ESTAGIÁRIOS - AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DA PRESENÇA DO VÍNCULO DE EMPREGO - IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO.
Em constatando que a relação de contratação de estagiários deu-se de forma divergente daquela formalmente firmada pelas partes, deve a fiscalização comprovar de forma cabal a presença cumulativa do vínculo empregatício.Tendo em vista que no presente caso tal caracterização fora efetuada, sobretudo, pelo fato de que a recorrente não possuía segurados empregados formalmente admitidos em seu quadro de funcionários, sem que tenha sido apontada a presença dos requisitos elencados no art. 3o da CLT, é de ser julgado improcedente o lançamento.
CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES AUTÔNOMOS - LEILOEIROS - CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS
Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente, bem como a possibilidade de impugnação
A contratação de trabalhadores autônomos, contribuintes individuais, é fato gerador de contribuições previdenciárias, que atinge simultaneamente dois contribuintes: a empresa e o segurado. Não demonstrando o recorrente o regular recolhimento, correto o lançamento realizado.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS - PRESENÇA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS- INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - IMPOSSIBILIDADE.
Tendo em vista que a Convenção Coletiva adotada pelas partes como fundamento ao programa de Participação nos Lucros e Resultados possui em seu bojo regras claras e objetivas, em conformidade com o que dispõe o art. 2o da Lei 10.101/00, não devem incidir, in casu, as contribuições previdenciárias.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) dar provimento parcial para excluir do lançamento os levantamentos CV e CV1 (estagiários), vencidos o Conselheiro Kleber Ferreira Araújo que excluía por vício material e a Conselheira Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira (relatora) que excluía por vicio formal; b) dar provimento parcial para excluir o levantamento PL (participação dos lucros), vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira (relatora) que negava provimento. II) Por unanimidade de votos negar provimento aos demais levantamentos. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Igor Araújo Soares. Ausência momentânea justificada do Conselheiro Elias Sampaio Freire (Presidente).
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente e Relatora
Igor Araújo Soares Redator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO DE EMPREGO - ESTAGIÁRIOS - AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DA PRESENÇA DO VÍNCULO DE EMPREGO - IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Em constatando que a relação de contratação de estagiários deu-se de forma divergente daquela formalmente firmada pelas partes, deve a fiscalização comprovar de forma cabal a presença cumulativa do vínculo empregatício.Tendo em vista que no presente caso tal caracterização fora efetuada, sobretudo, pelo fato de que a recorrente não possuía segurados empregados formalmente admitidos em seu quadro de funcionários, sem que tenha sido apontada a presença dos requisitos elencados no art. 3o da CLT, é de ser julgado improcedente o lançamento. CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES AUTÔNOMOS - LEILOEIROS - CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente, bem como a possibilidade de impugnação A contratação de trabalhadores autônomos, contribuintes individuais, é fato gerador de contribuições previdenciárias, que atinge simultaneamente dois contribuintes: a empresa e o segurado. Não demonstrando o recorrente o regular recolhimento, correto o lançamento realizado. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS - PRESENÇA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS- INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - IMPOSSIBILIDADE. Tendo em vista que a Convenção Coletiva adotada pelas partes como fundamento ao programa de Participação nos Lucros e Resultados possui em seu bojo regras claras e objetivas, em conformidade com o que dispõe o art. 2o da Lei 10.101/00, não devem incidir, in casu, as contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) dar provimento parcial para excluir do lançamento os levantamentos CV e CV1 (estagiários), vencidos o Conselheiro Kleber Ferreira Araújo que excluía por vício material e a Conselheira Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira (relatora) que excluía por vicio formal; b) dar provimento parcial para excluir o levantamento PL (participação dos lucros), vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira (relatora) que negava provimento. II) Por unanimidade de votos negar provimento aos demais levantamentos. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Igor Araújo Soares. Ausência momentânea justificada do Conselheiro Elias Sampaio Freire (Presidente). Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente e Relatora Igor Araújo Soares Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2430; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.721659/201025 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.048 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de junho de 2013 Matéria DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES TERCEIROS Recorrente BANCO BONSUCESSO S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO DE EMPREGO ESTAGIÁRIOS AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DA PRESENÇA DO VÍNCULO DE EMPREGO IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Em constatando que a relação de contratação de estagiários deuse de forma divergente daquela formalmente firmada pelas partes, deve a fiscalização comprovar de forma cabal a presença cumulativa do vínculo empregatício.Tendo em vista que no presente caso tal caracterização fora efetuada, sobretudo, pelo fato de que a recorrente não possuía segurados empregados formalmente admitidos em seu quadro de funcionários, sem que tenha sido apontada a presença dos requisitos elencados no art. 3o da CLT, é de ser julgado improcedente o lançamento. CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES AUTÔNOMOS LEILOEIROS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente, bem como a possibilidade de impugnação A contratação de trabalhadores autônomos, contribuintes individuais, é fato gerador de contribuições previdenciárias, que atinge simultaneamente dois contribuintes: a empresa e o segurado. Não demonstrando o recorrente o regular recolhimento, correto o lançamento realizado. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS PRESENÇA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS IMPOSSIBILIDADE. Tendo em vista que a Convenção Coletiva adotada pelas partes como fundamento ao programa de Participação nos Lucros e Resultados possui em seu bojo regras claras e objetivas, em conformidade com o que dispõe o art. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 16 59 /2 01 0- 25 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/07/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 2 2o da Lei 10.101/00, não devem incidir, in casu, as contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) dar provimento parcial para excluir do lançamento os levantamentos CV e CV1 (estagiários), vencidos o Conselheiro Kleber Ferreira Araújo que excluía por vício material e a Conselheira Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira (relatora) que excluía por vicio formal; b) dar provimento parcial para excluir o levantamento PL (participação dos lucros), vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira (relatora) que negava provimento. II) Por unanimidade de votos negar provimento aos demais levantamentos. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Igor Araújo Soares. Ausência momentânea justificada do Conselheiro Elias Sampaio Freire (Presidente). Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente e Relatora Igor Araújo Soares – Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/07/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10680.721659/201025 Acórdão n.º 2401003.048 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrada sob o n. 37.246.1697, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela destinada a terceiros, levantadas sobre os valores pagos aos segurados empregados e contribuintes individuais não declarados em GFIP, tendo sido realizada Representação Fiscal para Fins Penais, pela configuração em tese de crime de Sonegação Fiscal. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 25 a 36, o lançamento compreende competências entre o período de 01/2006 a 12/2006 e referese aos seguintes fatos geradores: Valores pagos a segurados empregados, lançados em Folha de Pagamento, a titulo de Participação nos Lucros, sob o código: 04100 PARTIC. LUCROS/RESULTADOS, no período de 03/2006 e 10/2006, não considerados pela empresa como parcela de incidência de contribuição para a Seguridade Social; 6.2 Valores pagos a titulo de Bolsa Auxilio Estágio, concedidos aos prestadores de serviços caracterizados como segurados empregados nas competências 01/2006 a 12/2006, não considerados pela empresa como parcela de incidência de contribuição para Seguridade Social; 6.3 Valores pagos a segurados contribuintes individuais não lançados em Folha de Pagamento, por serviços prestados por pessoas fisicas, no período de 01/2006 a 12/2006, não considerados pela empresa como parcela de incidência de contribuição para Seguridade Social. 6.3 Valores pagos a segurados empregados, em processos trabalhistas, na competência 07/2006. Assim, esclareceu a autoridade fiscal sinteticamente, os motivos para apurar como base de cálculo os valores pagos a título de PLR: 7.1.14 As Convenções Coletivas (firmados em texto único para a categoria) prevêem uma "garantia de participação_mínima", que representa uma quantia certa a ser recebida pelos empregado, independentemente de qualquer meta ou resultado, configurandose verdadeira gratificação semestral ajustada, sem nenhum caráter de "participação nos lucros ou resultados", desvirtuando completamente o disposto no art. 3° caput da lei que rege a matéria, quando assevera que a participação de que trata o art. 2° não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado. 7.1.15 Do exposto, extraise de forma inequívoca a convicção de que não houve o estabelecimento de qualquer programa de metas e resultados a serem cumpridos, de maneira a justificar o Fl. 124DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/07/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 4 pagamento da PLR em todo o período fiscalizado, relativamente aos valores pagos com base nas Convenções Coletivas de Trabalho, bem como não se evidenciou a forrnação_da2lcomissão_preconizada_no inciso I do artigo 2° da Lei 10.101/2000. 7.1.16 Sendo assim, os pagamentos efetuados pela empresa a seus empregados, a titulo de "Participação nos Lucros", face à ausência de comprovação de programas de metas, resultados e prazos pactuados previamente, da necessária participação da entidade sindical da categoria, bem como da falta de mecanismos de aferição das informações pertinentes ao acordado, não se enquadram no previsto no art. 214, § 9 0, inciso X do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999. (...) 7.1.13 Em atendimento à intimação supra, a empresa não disponibilizou de nenhum outro documento para Fiscalização, podendo ser constatado que o pagamento da PLR é feito exclusivamente com base nas Convenções Coletivas de Trabalho. Já com relação a caracterização dos segurados estagiários como segurados empregados, trouxe a autoridade fiscal em seu relatório os seguintes fundamentos: 7.2.2 Para que se reconheça a relação regida pela Lei n° 6.494 de 07/12/77, texto atualizado pela Lei n° 8.859, de 23/03/1994 e pela Medida Provisória n° 1.95224, de 26/05/2000, DOU 28/05/2000— Ed. Extra) (Estágio de Estudante) além do termo de compromisso a que se refere o art. 2°, daquela Lei, necessário é a prova de que as atividades desenvolvidas visavam a complementação do ensino e aprendizagem, cujo planejamento, execução, acompanhamento e avaliação se davam na conformidade com o currículo, programa e calendários escolares (§ 2°, do Art. 1 0, da Lei n° 6.494/77). Não comprovados pela empresa estes pressupostos, bem como evidenciado que os trabalhos desenvolvidos eram equivalentes aos prestados pelos empregados da empresa lotados na matriz — CNPJ 71.027.866/000134, e, considerando ainda que, a filial — CNPJ 71.027.866/000215 onde os segurados se encontram lotados como estagiários possui em seu quadro de empregados no • período ora auditado somente Alexandre Mendes de Oliveira na função de Coordenador Operacional, coube a esta fiscalização a constatação que para o desenvolvimento de suas atividades normais a empresa necessita da contratação de prestadores de serviços com a caracterizada relação de emprego, regida pela CLT. (...) 7.2.4 Os valores pagos a titulo de Estágio, consignados em Folha de Pagamento sob o código: 00650 — BOLSA AUX ESTÁGIO estão sendo considerados como salário decontribuição (base de cálculo), das contribuições devidas à Seguridade Social, no presente lançamento, tendo em vista que foram pagos aos prestadores de serviços, sem observância das condições estabelecidas pela Lei 6.494, de 07/12/1977, regulamentada pelo Decreto n°. 87.497, Fl. 125DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/07/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10680.721659/201025 Acórdão n.º 2401003.048 S2C4T1 Fl. 4 5 de 18/08/1982 e na redação da MP 2.16441, de 24/08/2001 que dispõe sobre os serviços prestados à empresa pelo estudante considerado estagiário. Referente a contribuição destinada a terceiros sobre acordo trabalhista firmado, assim, descreveu a autoridade fiscal: AT ACORDOS TRABALHISTAS 7.3.2 Mediante exame da contabilidade, no período de 01/2006 a 12/2006, foi verificada a contabilização de pagamentos relativos a acordos trabalhistas, identificado nas contas de Custos e Despesas: 8.1.7.33.00.412000 Acordos Trabalhistas para segurados empregados, conforme discriminado a seguir: Compet Nome do empregado Valor pago a t í t u lo Acordo Trabalhista Contribuição Outras Entidades 07/2006 AMARO MÁRCIO ANTONIO RIBEIRO 20.000,00 540,00 7.3.3 As remunerações contidas nos acordos trabalhistas firmados com seus segurados empregados, constituemse em parcela integrante do salário de contribuição, portanto, são bases de cálculo para as contribuições devidas à Seguridade Social, nos termos da Legislação Previdenciária, art. 28 inciso I, da Lei n° 8.212, de 24/07/91 c/c art. 214, inciso I do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048 de 06/05/1999, e conseqüentemente para Terceiros. 8 As alíquotas utilizadas para apuração das contribuições devidas a Outras Entidades/Fundos denominados "Terceiros", lançadas no presente processo, abaixo discriminadas, fundamentamse na legislação específica de cada entidade, conforme indicada no Anexo "FLD Fundamentos Legais do Débito", que integra o presente Auto de Infração AI: Quanto a aplicação da multa, conforme descrito no mesmo relatório, procedeu a autoridade fiscal ao comparativo da multa mais benéfica, tendo por fim, concluído: “ Nos anexos 05A, 05B e 05C que apresentam a multa a ser aplicada de acordo com o item 8.1 e o quadro comparativo da aplicação das multas acima mencionadas, respectivamente, está demonstrado que a multa aplicada de oficio 75% (setenta e cinco por cento) incidente sobre o valor originário do débito é mais benéfica no presente Auto de Infração relativa As competências Janeiro, Fevereiro, Abril, Julho a Setembro, Novembro a Dezembro/2006 e 13.° Salário/2006.Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 26/07/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 30/06/2010.” Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 26/07/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 30/06/2010. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 55 a 56. na qual argui o recorrente: 03 E' claro que restando insubsistentes os lançamentos la impugnadas, o mesmo ocorrerá com os referentes aos descontos que o Fisco entende que deveriam ter sido feitos dos empregados, de estagiários e de contribuintes individuais prestadores de serviços (autônomos). Fl. 126DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/07/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 6 04 Desta forma, sendo os mesmos os fundamentos das defesas, e para evitar enfadonhas repetições, o impugnante anexa à presente cópia da impugnação que está sendo apresentada no processo considerado "matriz", qual seja, o pertinente ao Auto de Infração n° 37.246.1670, que, desta forma, como documento n° 5, passa a integrála, em todos os seus termos, como se aqui transcrita estivesse. 05 Quanto aos R$540,00 lançados a favor do FNDE e do INCRA (2,7% sobre acordo trabalhista de R$20.000,00, na competência 07/2006), o impugnante juntará o comprovante de seu pagamento, com os abatimentos de lei, no pertinente a multa. Foi exarada Decisão de Primeira Instância que confirmou a procedência parcial do lançamento, fl. 83 a 91, procedendo a retificação do lançamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 CONEXÃO DE PROCESSOS Lançamentos fiscais decorrentes do mesmo fato gerador e mesmos elementos de prova são apensados para tramitação conjunta. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. REQUISITOS ESTABELECIDOS EM LEI. A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com a lei especifica, integra o salário de contribuição. ESTAGIO. DESCARACTERIZAÇÃO. 0 estágio somente será válido caso atenda aos requisitos formais e ,,, materiais que asseguram o cumprimento de seus objetivos de natureza educacional complementar, sob pena de se desqualificar a relação estabelecida para simples contrato de emprego. ALEGAÇÕES NÃO COMPROVADAS. As alegações desprovidas de provas não produzem efeito em sede de processo administrativo fiscal. PAGAMENTOS EFETUADOS A PESSOA JURÍDICA. A nota fiscal é o documento hábil para a comprovação da prestação de um serviço ou venda de uma mercadoria, por pessoas jurídicas. . Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 111 a 113. Em síntese, a recorrente traz exatamente as Fl. 127DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/07/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10680.721659/201025 Acórdão n.º 2401003.048 S2C4T1 Fl. 5 7 mesmas alegações da impugnação, exceto, pelo fato de nada ter arguido em relação ao contribuição sobre acordo trabalhista. 1. É claro que restando insubsistentes os lançamentos la impugnadas, o mesmo ocorrerá com os referentes aos descontos que o Fisco entende que deveriam ter sido feitos dos empregados, de estagiários e de contribuintes individuais prestadores de serviços (autônomos). 2. Desta forma, sendo os mesmos os fundamentos das defesas, e para evitar enfadonhas repetições, o impugnante anexa à presente cópia da impugnação que está sendo apresentada no processo considerado "matriz", qual seja, o pertinente ao Auto de Infração n° 37.246.1670, que, desta forma, como documento n° 5, passa a integrála, em todos os seus termos, como se aqui transcrita estivesse. .A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/07/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 8 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 121. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO Primeiramente, como o próprio recorrente destaca, o julgamento do presente AI está relacionado diretamente a procedência do AI de Obrigação principal DEBCAD 37.246.1670, que descreve a obrigação patronal, sendo que atrelou seu recursos aos mesmo argumentos demonstrados naquele AI. Destacase, de pronto, que não será apreciada matéria referente a contribuição sobre acordo trabalhista firmado, por não ter sido alvo de recurso. Vale ressaltar que fiscalização previdenciária possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91. Assim, trago a julgamento as mesmas questões apreciadas no referido AI. CARACTERIZAÇÃO DO VINCULO DE EMPREGO DOS ESTAGIÁRIOS Conforme descrito pela autoridade julgadora, o objeto do contrato de estágio é o desenvolvimento de atividades vinculadas ao ensino realizado pelo estagiário. Todavia, é plenamente possível em descumpridas as regras da lei 11.180/2008, que alterou a lei 6404/77, lei do estagio, formarse o vinculo diretamente com a empresa concedente do estágio. Entretanto, dita possibilidade, esta atrelada a efetiva demonstração não apenas do descumprimento da lei, como da presença dos requisitos que caracterizam o vinculo de emprego, quais sejam prestação de serviços contínuos, remunerados, pessoalidade e sob subordinação. Assim, manifestouse o auditor quanto a formação do vínculo: 7.2.2 Para que se reconheça a relação regida pela Lei n° 6.494 de 07/12/77, texto atualizado pela Lei n° 8.859, de 23/03/1994 e pela Medida Provisória n° 1.95224, de 26/05/2000, DOU 28/05/2000— Ed. Extra) (Estágio de Estudante) além do termo de compromisso a que se refere o art. 2°, daquela Lei, necessário é a prova de que as atividades desenvolvidas visavam a complementação do ensino e aprendizagem, cujo planejamento, execução, acompanhamento e avaliação se davam na conformidade com o currículo, programa e calendários escolares (§ 2°, do Art. 1 0, da Lei n° 6.494/77). Não comprovados pela empresa estes pressupostos, bem como evidenciado que os trabalhos desenvolvidos eram equivalentes aos prestados pelos empregados da empresa lotados na matriz — CNPJ 71.027.866/000134, e, considerando ainda que, a filial — CNPJ 71.027.866/000215 onde os segurados se encontram lotados como estagiários possui em seu quadro de empregados no • período ora auditado somente Alexandre Mendes de Fl. 129DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/07/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10680.721659/201025 Acórdão n.º 2401003.048 S2C4T1 Fl. 6 9 Oliveira na função de Coordenador Operacional, coube a esta fiscalização a constatação que para o desenvolvimento de suas atividades normais a empresa necessita da contratação de prestadores de serviços com a caracterizada relação de emprego, regida pela CLT. (...) 7.2.4 Os valores pagos a titulo de Estágio, consignados em Folha de Pagamento sob o código: 00650 — BOLSA AUX ESTÁGIO estão sendo considerados como salário decontribuição (base de cálculo), das contribuições devidas à Seguridade Social, no presente lançamento, tendo em vista que foram pagos aos prestadores de serviços, sem observância das condições estabelecidas pela Lei 6.494, de 07/12/1977, regulamentada pelo Decreto n°. 87.497, de 18/08/1982 e na redação da MP 2.16441, de 24/08/2001 que dispõe sobre os serviços prestados à empresa pelo estudante considerado estagiário. Observamos que o maior argumento trazido pelo auditor é o fato de que na unidade (filial) concedente do estágio não existiam empregados (bancários), mas tão somente um coordenador. Isso demonstra efetivamente, como trazido pelo auditor, uma irregularidade, capaz inclusive, de descaracterizar a prestação de serviços como estagiário. Contudo, entendo que apenas esse elemento não e suficiente para determinar a formação do vínculo de emprego. Pela análise do relatório fiscal, seis são os estagiários descritos pelo auditor, mas, pelo relatório fiscal não identifico para quais o contrato de estágio encontrase irregular. Quais desses exercerem as mesmas funções dos bancários, quais estavam atuando de forma subordinada e quais os prestando serviços enquanto verdadeiros estagiários, desenvolvendo atividades relacionadas ao seu estudo. Mesmo que considerássemos, que um ou outro encontravase prestando serviços na condição de empregado, pelos pontos trazidos pelo auditor não podemos inferir tal fato para todos. Dessa forma, entendo que o lançamento, quanto a este ponto, encontrase falho, posto não ter sido demonstrando pontualmente, como se dava a prestação de serviços, ou quais as atividades desenvolvidas. Não estou dizendo com isso, que toda a caracterização tenha que ser individualizada, mas no presente caso (em se tratando de apenas 6 estagiários), não podemos afirmar, com os dados constantes do relatório que todos os contratos de estagio da filial foram irregulares. Esclareço, por fim, quanto a este ponto, que embora a autoridade julgadora tenha descrito, de forma mais aprofundada as irregularidades, não podemos ter esses fundamentos como emenda ao lançamento. O julgador, ao apreciar os documentos apresentados na defesa, enfrentou questões não trazidas pelo auditor, como por exemplo a existência ou não de contratos formais. Esses argumentos deveriam ter sido trazidos pelo auditor, não pelo julgador, razão porque deve ser excluído do lançamento ditos fatos geradores por vicio formal na constituição do lançamento. QUANTO A NATUREZA DO VÍCIO DESCRITO É pertinente também destacar, que entendo que a nulidade que alcança o levantamento acima descrito é formal, visto não ter o auditor formalizado da maneira devida o lançamento em relação aos levantamentos que envolveram a caracterização dos estagiários. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/07/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 10 Nesse sentido, podese identificar que a nulidade é aplicável por não ter o auditor fiscal discriminado de forma clara e precisa, os fatos geradores que ensejariam o vínculo de emprego e por conseguinte a contribuição devida. Dessa forma, entendo que a falta da descrição pormenorizada levaria exclusão do levantamento, ou seja sua nulidade por vício formal, por se tratar do não preenchimento de todas as formalidades necessárias a validação do ato administrativo, conforme destaco abaixo. Em uma concepção a respeito da forma do ato administrativo é incluída não somente a exteriorização do ato, mas também as formalidades que devem ser observadas durante o processo de formação da vontade da Administração, e até os requisitos concernentes à publicidade do ato. Nesse sentido é a lição de Maria Sylvia di Pietro, na obra Manual de Direito Administrativo, 18ª edição, Ed. Atlas, página 200. Na lição expressa de Maria Sylvia di Pietro, na obra já citada, página 202, in verbis: “Integra o conceito de forma a motivação do ato administrativo, ou seja, a exposição dos fatos e dos direitos que serviram de fundamento para a prática do ato; a sua ausência impede a verificação da legitimidade do ato.” Não se pode confundir falta de motivo com a falta de motivação. A motivação é a exposição de motivos, ou seja, é a demonstração, por escrito, de que os pressupostos de fato realmente existiram. A motivação diz respeito às formalidades do ato. O motivo, por seu turno, antecede a prática do ato, correspondendo aos fatos, às circunstâncias, que levam a Administração a praticar o ato. São os pressupostos de fato e de direito da prática do ato. Na lição de Maria Sylvia di Pietro, pressuposto de direito é o dispositivo legal em que se baseia o ato; pressuposto de fato, corresponde ao conjunto de circunstâncias, de acontecimentos, de situações que levam a Administração a praticar o ato. A ausência de motivo ou a indicação de motivo falso invalidam o ato administrativo. No lançamento fiscal o motivo é a ocorrência do fato gerador, esse inexistindo torna improcedente o lançamento, não havendo como ser sanado, pois sem fato gerador não há obrigação tributária. Agora, a motivação é a expressão dos motivos, é a tradução para o papel da realidade encontrada pela fiscalização. Logo, se há falha na motivação, o vício é formal, se houver falha no pressuposto de fato ou de direito, o vício é material. Como exemplo nas contribuições previdenciárias: se houve lançamento enquadrando o segurado como empregado, mas com as provas contidas nos autos é possível afirmar que se trata de contribuinte individual, há falha no pressupostos de fato e de direito. Agora, se houve lançamento como empregado, mas o relatório fiscal falhou na caracterização; entendo que haveria falha na motivação; devendo o lançamento ser anulado por vício formal. A autoridade julgadora deverá analisar a observância dos requisitos formais do lançamento, previstos no art. 37 da Lei n ° 8.212. DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS Quanto ao pagamento de PLR foram atacados o fato de entender que a verba PLR é desvinculada do conceito de remuneração, como salário de contribuição para efeitos previdenciários. Porém antes mesmo de apreciar cada um dos argumentos trazidos pelo recorrente, quanto ao pagamento de PLR, convém apreciar o conceito de salário de contribuição e remuneração descrito na legislação previdenciária. DA DEFINIÇÃO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: Fl. 131DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/07/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10680.721659/201025 Acórdão n.º 2401003.048 S2C4T1 Fl. 7 11 I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) grifo nosso. A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, contudo devem obedecer estritamente os limites e requisitos da lei 10.101. Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Vale ressaltar o que o Parecer CJ/MPAS nº 1.748/99 traz em seu bojo acerca da matéria, o que bem esclarece que a CF/88, realmente incentiva as empresas a participarem os seus lucros com seus empregados, todavia o próprio texto constitucional submeteu ditas regras aos limites legais, senão vejamos: EMENTA DIREITO CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO TRABALHADOR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ART. 7º , INC. XI DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. 1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. 2) O Supremo Tribunal Federal ao julgar o Mandado de Injunção nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória nº 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto constitucional. 3) A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa norma, integra o conceito de remuneração para os fins de incidência da contribuição social. (...) 7. No entanto, o direito a participação dos lucros, sem vinculação à remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/07/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 12 8. Necessita portanto, de regulamentação para definir a forma e os critérios de pagamento da participação nos lucros, com a finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela. 9. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas e dá outras providências, hoje reeditada sob o nº 1.76956, de 8 de abril de 1999. 10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus termos, passou a ser lícito o pagamento de participação nos lucros desvinculada da remuneração, mas, destaco, a desvinculação da remuneração só ocorrerá se atender os requisitos pré estabelecidos. 11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao julgar o Mandado de Injunção nº 426, onde foi Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, que tinha por escopo suprir omissão do Poder Legislativo na regulamentação do art. 7º, inc. XI, da Constituição da República, referente a participação nos lucros dos trabalhadores, julgou a citada ação prejudicada, face a superveniência da medida provisória regulamentadora. 12. Em seu voto, o Ministro ILMAR GALVÃO, assim se manifestou: O mandado de injunção pretende o reconhecimento da omissão do Congresso Nacional em regulamentar o dispositivo que garante o direito dos trabalhadores de participarem dos lucros e resultados da empresa (art. 7º, inc. IX, da CF), concedendose a ordem para efeito de implementar in concreto o pagamento de tais verbas, sem prejuízo dos valores correspondentes à remuneração. Tendo em vista a continuação da transcrição a edição, superveniente ao julgamento do presente WRIT injuncional, da Medida Provisória nº 1.136, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências, verificase a perda do objeto desta impetração, a partir da possibilidade de os trabalhadores, que se achem nas condições previstas na norma constitucional invocada, terem garantida a participação nos lucros e nos resultados da empresa. (grifei) 14. O Pretório Excelso confirmou, com a decisão acima, a necessidade de regulamentação da norma constitucional (art. 7º, inc. XI), ficando o pagamento da participação nos lucros e sua desvinculação da remuneração, sujeitas as regras e critérios estabelecidos pela Medida Provisória. 15. No caso concreto, as parcelas referemse a períodos anteriores a regulamentação do dispositivo constitucional, em que o Banco do Brasil, sem a devida autorização legal, efetuou o pagamento de parcelas a título de participação nos lucros. 16. Nessa hipótese, não há que se falar em desvinculação da remuneração, pois, a norma do inc. XI, do art. 7º da Constituição da República não era aplicável, na época, consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos) Fl. 133DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/07/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10680.721659/201025 Acórdão n.º 2401003.048 S2C4T1 Fl. 8 13 Assim, a autoridade fiscal, por entender, que o recorrente não cumprira com os dispositivos legais quanto a concessão do PLR assumindo o ônus de ter os valores dos benefícios integrando o conceito de salário de contribuição, procedeu ao lançamento da contribuição devida sobre tais valores. Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, notase que a exclusão da parcela de participação nos lucros na composição do saláriode contribuição está condicionada à estrita observância da lei reguladora do dispositivo constitucional. Essa regulamentação somente ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada sucessivas vezes e convertida na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, que veio regular o assunto em tela. De forma expressa, a Constituição Federal de 1988 remete à lei ordinária a fixação dos direitos da participação nos lucros, nestas palavras: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. A edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, que dispunha sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas, veio atender ao comando constitucional. Desde então, sofreu reedições e remunerações sucessivamente, tendo sofrido poucas alterações ao texto legal, até a conversão na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000. A Lei nº 10.101/2000 dispõe, nestas palavras : Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/07/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 14 (...) Art. 3º (...) § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (...) Passemos, então a analisar os pontos que fundamentaram o lançamento. DA FORMALIZAÇÃO DO ACORDO PARA PAGAMENTO DE PLR Quanto a este ponto, assim, argumentou o recorrente: “Argumenta que a primeira observação a ser feita acerca das exigências legais diz respeito à formalidade a que está sujeito o instrumento. No caso, o instrumento utilizado foi a convenção coletiva. A outra formalidade, prevista no § 2° do artigo 2° da Lei, nem deveria ser objeto de análise, na medida em que o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Belo Horizonte é signatário da convenção coletiva, o que significa dizer que uma das vias do instrumento ficou em seu poder.” Contudo, suas alegações não merecem prosperar. Bastanos ler a totalidade do relatório fiscal, para identificar que o auditor não desconsiderou a Convenção coletiva, como meio hábil para formalizar o pagamento de PLR de acordo com a lei 10.101. Porém, como entendeu a autoridade fiscal, que na Convenção não foram descritas as metas e critérios para aferição, capazes de mensurar a participação dos trabalhadores, intimou a empresa a apresentar outro documento hábil a complementar os requisitos descritos na lei. Para esse outro documentos, no termo de intimação, é que a autoridade fiscal, requereu as atas de participação do sindicato, e o consequente arquivamento do acordo no sindicato. Assim, estes fatos não foram os que embasaram o lançamento, até porque a empresa não apresentou qualquer outro documento relacionado ao pagamento de PLR. Apenas para ilustrar, retrato trecho do referido relatório fiscal: 7.1.6 Relativamente à negociação contemplando o Regulamento da Participação nos Lucros ou Resultados PLR, a empresa apresentou as convenções coletivas de trabalho sobre participação do empregados nos lucros ou resultados firmados em nível nacional e estadual, tendo como signatários diversos sindicatos, federações e confederações representativos da categoria (de empregados e empregadores). 7.1.7 Da análise do contido no documento especifico que tratou do assunto, denominado de "Convenção Coletiva de Trabalho sobre Participação dos Empregados nos Lucros e Resultados dos Bancos em 2005 e 2006" e demais elementos verificados por esta auditoria, verificase a ausência das condições estabelecidas pela Lei n° 10.101, de 19 de dezembro de 2000, que regula a matéria, representando, na verdade, um complemento salarial disfarçado.(...) 7.1.9 Esta garantia minima, sem qualquer plano de metas e resultados estabelecido, bem como a ausência de definição de objetivos a serem atingidos, é comandada nas folhas de pagamento sob a rubrica código 04100 PARTIC. LUCROS/RESULTADOS. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/07/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10680.721659/201025 Acórdão n.º 2401003.048 S2C4T1 Fl. 9 15 7.1.10 Da leitura das Convenções Coletivas apresentadas, restou claro que o critério para pagamento da Participação nos Resultados é subjetivo, sem plano de metas a ser cumpridas, independe do esforço pessoal do empregado. 7.1.11 Tal situação colide frontalmente com a disposição da Lei n° 10.101/2000, que em seu artigo 2o, § único, determina que, dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição do que for acordado. 7.1.12 Dessa forma, considerando a insipiência dos instrumentos apresentados e aventando a possibilidade de ter sido feita a opção por outro procedimento preconizado na Lei n° 10.101/2000 e mais, sendo de suma importância para o desenvolvimento da Auditoria Fiscal, através do Termo de Intimação Fiscal n° 05 de 01/06/2010, a empresa foi intimada a prestar à Fiscalização as informações ou esclarecimentos necessários conforme a seguir: 7.1.12.1 Informações detalhadas acerca do regulamento, de forma a demonstrar as regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão dos acordos. 7.1.12.2 Comprovar a formação e composição das comissões escolhidas pelas partes, integradas, • também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria, com abrangência dos trabalhadores lotados em todas as Unidades da empresa no território nacional, relativamente a todo o período fiscalizado. 7.1.12.3 Apresentar comprovação de que o instrumento de acordo celebrado através dessas comissões foi arquivado na respectiva entidade sindical dos trabalhadores, de forma a comprovar a efetiva participação do sindicato na negociação da PLR. 7.1.13 Em atendimento à intimação supra, a empresa não disponibilizou de nenhum outro documento para Fiscalização, podendo ser constatado que o pagamento da PLR é feito exclusivamente com base nas Convenções Coletivas de Trabalho. DA ESTIPULAÇÃO DE METAS Quanto a previsão em AC/CC, temos por entendido, que este é apenas um dos requisitos, sendo que não conseguiu o mesmo demonstrar que houve a estipulação de metas, claras e objetivas em relação aos empregados, nem tampouco apresentou a empresa outros documento hábil a determinação das metas e dos critérios para aferição da participação de cada empregado no capital da empresa. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/07/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 16 Ainda conforme descrito no relatório fiscal, justificase o lançamento de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos feitos à título de participação nos lucros pelo fato de que inexistiam estipulação de metas claras e objetivas, destacando os instrumentos o pagamento de um percentual de acordo com o lucro da empresa, desde que para tanto o empregado estivesse trabalhando em um determinado período. Ou seja, não identificase a estipulação na convenção ou em qualquer outro instrumento de quais as metas individuais ou mesmo coletivas que os empregados deverão alcançar, nem tampouco, colacionou aos autos outro instrumento que estabelece as referidas metas, ou mesmo a maneira como se aferiu os valores pagos à titulo de PLR. Assim, transcreveu a autoridade fiscal: 7.1.8 Nas Convenções Coletivas, ao tratar da participação dos empregados nos lucros e resultados, limitamse a declarar, para os exercícios de 2005 e 2006, de forma repetitiva, conforme se verifica do contido no firmado em 2005, como segue: Convenção Coletiva de Trabalho que estabelece a participação dos empregados nos lucros ou resultados dos bancos em 2005, homologada em 17 de outubro de 2005: "CLÁUSULA PRIMEIRA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (P.L.R) Ao empregado admitido até 31.12.2004, em efetivo exercício em 31.12.2005, convencionase o pagamento, pelo banco, até 03.03.2006, de 80% (oitenta por cento) sobre o salário base mais verbas fixas de natureza salarial, reajustadas em setembro/2005, acrescido do valor fixo de R$800,00 (oitocentos reais), limitado ao valor de R$ 5.310,00 (cinco mil, trezentos e dez reais). PARÁGRAFO PRIMEIRO 0 percentual, o valor fixo e o limite máximo convencionado no caput desta Cláusula, a titulo de Participação nos Lucros ou Resultados, observarão em face do exercício de 2005, como teto, o percentual de 15%(quinze por cento) e, como mínimo, o percentual de 5% (cinco por cento) do lucro liquido do banco. Quando o total de Participação nos Lucros ou Resultados calculado pela regra básica do caput desta Cláusula for inferior a 5% (cinco por cento) do lucro liquido do banco, no exercício de 2005, o valor individual deverá ser majorado até alcançar 2 (dois) salários do empregado e limitado ao valor de R$ 10.620,00 (dez mil, seiscentos e vinte reais), ou até que o total da Participação nos Lucros e Resultados atinja 5% (cinco por cento) do lucro liquido o que ocorrer primeiro. PARÁGRAFO SEGUNDO No pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados o banco poderá compensar os valores já pagos ou que vierem a ser pagos, a esse titulo, referentes ao exercício de 2005". Convenção Coletiva de Trabalho que estabelece a participação dos empregados nos lucros ou resultados dos bancos em 2006, homologada em 18 de outubro de 2006: "CLÁUSULA PRIMEIRA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (P.L.R) Ao empregado admitido até 31.12.2005, em efetivo exercício em 31.12.2006, convencionase o pagamento, pelo banco, até 03.03.2007, de 80% (oitenta por cento) sobre o salário base Fl. 137DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/07/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10680.721659/201025 Acórdão n.º 2401003.048 S2C4T1 Fl. 10 17 mais verbas fixas de natureza salarial, reajustadas em setembro/2006, acrescido do valor fixo de R$828,00 (oitocentos e vinte e oito reais), limitado ao valor de R$ 5.496,00 (cinco mil,quatrocentos e noventa e seis reais). PARÁGRAFO PRIMEIRO 0 percentual, o valor fixo e o limite máximo convencionado no capuz' desta Cláusula, a titulo de Participação nos Lucros ou Resultados, obsenurcio em face do exercício de 2006, como teto, o percentual de 15%(quinze por cento) e, como mínimo, o percentual de 5% (cinco por cento) do lucro liquido do banco. Quando o total de Participação nos Lucros ou Resultados calculado pela regra básica do caput desta Cláusula for inferior a 5% (cinco por cento) do lucro liquido do banco, no exercício de 2006, o valor individual deverá ser majorado até alcançar 2 (dois) salários do empregado e limitado ao valor de R$ 10.992,00 (dez mil, novecentos e noventa e dois reais), ou até que o total da Participação nos Lucros e Resultados atinja 5% (cinco por cento) do lucro liquido o que ocorrer primeiro. PARÁGRAFO SEGUNDO No pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados o banco poderá compensar os valores já pagos ou que vierem a ser pagos, a esse titulo, referentes ao exercício de 2006". (...) 7.1.14 As Convenções Coletivas (firmados em texto único para a categoria) prevêem uma "garantia de participação minima", que representa uma quantia certa a ser recebida pelos empregado, independentemente de qualquer meta ou resultado, con cseverdadira gratificação semestral ajustada, sem nenhum caráter de "participação nos lucros ou resultados", desvirtuando completamente o disposto no art. 3° caput da lei que rege a matéria, quando_ assevera que a participação de que trata o art. 2° não substitui ou complementa a remuneração devida . a..qualquer—empregado: 7.1.15 Do exposto, extraise de forma inequívoca a convicção de que não houve o estabelecimento de qualquer programa de metas e resultados a serem cumpridos, de maneira a justificar o pagamento da PLR em todo o período fiscalizado, relativamente aos valores pagos com base nas Convenções Coletivas de Trabalho, bem como não se evidenciou a forrnação_da2lcomissão_preconizada_no inciso I do artigo 2° da Lei 10.101/2000. No seu recurso o recorrente argumenta que as convenções descrevem regras claras e objetivas, senão vejamos: Prossegue sua argumentação fazendo a seguinte análise acerca das disposições das convenções coletivas analisadas, frente aos requisitos do § 1° do artigo 2° da Lei 10.101/2000: • regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação: diz que estão previstas nas cláusulas primeira das convenções, não dando margem a subjetividade. Garantiuse a cada empregado admitido até 31/12/2004, em efetivo exercício em 31/12/2005, ou admitido até Fl. 138DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/07/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 18 31/12/2005, em efetivo exercício em 31/12/2006, conforme o caso, 80% sobre o salário base mais verbas fixas de natureza salarial reajustadas em setembro de 2005 e 2006 ( conforme o caso), limitado a R$5.310,00 e R$5.496,00, respectivamente. Além desses parâmetros, estabeleceuse, também, condições relacionadas com percentuais sobre os lucros dos Bancos sujeitos convenção, o que vale dizer que restaram fixadas metas a serem alcançadas, não por um dado empregado, mas por todos; Quanto a este ponto não entendo que existam metas claras e objetivas especificas em relação a cada empregado, mas como um todo. O grande objetivo da participação nos lucros é incentivar o empregado a participar do capital da empresa, de forma a vislumbrar que o seu engajamento, gerando o incremento da lucratividade da empresa, lhe trará frutos na forma de participação nos lucros e resultados da empresa. Apenas, para melhor esclarecer, poderíamos assim, imaginar. O que esses empregados teriam que fazer para ter direito a dita parcela de PLR? Pela leitura dos dispositivos da Convenção Coletiva, simplesmente “trabalhar”, já que o referido acordo, não traz em seu bojo, qualquer tipo de meta associado ao desempenho do trabalhador. A obtenção de lucro por parte da empresa, não podemos afirmar que o incremento da lucratividade de um banco, esteja relacionado unicamente ao bom desempenho de seus profissionais, apesar de ser este um dos elementos que podem incrementar o crescimento organizacional. Existem fatos externos, como o próprio aumento da renda da população, desenvolvimento da economia etc. Dessa forma, entendo que para que possamos atrelar o pagamento de PLR ao engajamento de um empregado, nos instrumentos que preveem o pagamento, devem ser colocados metas a serem alcançadas. Só assim, poderemos relacionar o “quantum” do trabalho de cada empregado, representará no crescimento da empresa. Da mesma, forma, no presente caso, não identifiquei, a definição dos critérios a serem utilizados para aferição do resultados. Ora, simplesmente alegar o recorrente que os balanços eram publicados tendo os empregados acesso a informação, simplesmente demonstra que a empresa, não definiu previamente esses critérios, tendo estabelecido na verdade um valor fixo e varável, atrelado ao lucro do banco. Não entendo, que a preocupação do legislador em descrever na lei 10.101, os critérios, requisitos, até mesmo exemplificando formas de mensuração e especificação de regras claras e objetivas, seja suplantado com a publicação do balanço do banco nos meios de comunicação. Dessa forma, também quanto a este ponto entendo que razão não assiste ao recorrente. Vejamos o que diz o art. 2º, § 1º da lei 10.101/2000: § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Assim, conforme transcrito acima, “dos instrumentos DEVERÃO constar regras claras e objetivas quanto a fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas (...). Entendo que a expressão “podendo”, descrita no final do dispositivo legal, visou apenas indicar os incisos I e II, como exemplos, mas de forma alguma, afastou o estabelecimento de critérios. Se assim, não fosse, poderseia vislumbrar que o trabalho exaustivo do empregado durante todo um ano, com a promessa por parte do empregador de uma futura participação nos lucros, resultasse no incremento ínfimo em sua remuneração. Ou Fl. 139DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/07/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10680.721659/201025 Acórdão n.º 2401003.048 S2C4T1 Fl. 11 19 seja, para que possa sentirse estimulado o empregado, tem que ter a mínima noção do quanto esse seu empenho, trarlheá de resultados. Os pagamentos referentes à Participação nos Lucros pela recorrente sofrem incidência de contribuição previdenciária, haja vista no período em que foram efetuados terem sido realizadas em desacordo com a totalidade das regras previstas na legislação específica. PAGAMENTO AOS LEILOEIROS Com relação ao lançamento de contribuições sobre a remuneração direcionada aos leiloeiros não há como atribuir razão ao recorrente. Observemos os argumentos, por ele descritos em seu recurso: Relativamente a remunerações pagas a leiloeiros Inicialmente diz que o autuado reconhece que os recolhimentos feitos ao longo dos anos não obedeceram, de forma estrita, as respectivas competências, mas se ampliados os períodos fiscalizados, nada restaria a recolher a titulo de valores principais. Diz que todo o relacionamento com os leiloeiros e cumprimento das obrigações tributárias (principais e acessórias) foram e são feitos pela Fiducial Consultoria & Serviços Ltda (CNPJ 03.023.120/000100), que desempenha o papel de agente executor, nas execuções extrajudiciais promovidas pela Caixa Econômica Federal, nos termos do inciso 11 do art. 3° e arts. 31 a 38 do DecretoLei n° 70, de 21/11/1966, figurando o Banco Bonsucesso S.A como agente fiduciário. Assim, perante a CEF, contratado é o Banco, ora impugnante, executor direto do leilão é a Fiducial, por intermédio de quem os leiloeiros prestam seus serviços profissionais. A CEF remunera o Banco, que remunera a Fiducial, que paga a remuneração dos corretores, mas por conta do Banco. Além da remuneração devida ao Banco, a CEF lhe ressarce de todas as despesas com os leilões, ai incluídas as relacionadas com publicações de editais e honorários dos leiloeiros. Prossegue argumentando que, para iniciar o processo de reembolso das despesas com os corretores, a CEF exige do Banco o prévio recolhimento dos 11% pertinentes a parte dos corretores, o que é feito pela Fiducial, mas com o CNPJ do Banco, ficando os 22,5% a cargo deste para o mês de competência em que ocorrer o pagamento de sua remuneração. Ou seja, via de regra os 11% sobre uma dada remuneração de corretor recolhida muito antes dos 22,5% devidos pelo Banco, também recolhidos pela Fiducial. Alega que, na medida em que o auditor apontou insuficiências de recolhimentos no anocalendário de 2006, é certo que os excessos de recolhimentos em outros períodos (anteriores e posteriores), uma vez que o referido sistema é utilizado desde agosto de 1999, quando o autuado passou a atuar como agente fiduciário, com a colaboração da Fiducial (agente executora). Diz que, por tal razão, promoverá um demonstrativo do qual emergirá a ausência de diferenças nos valores nominais das contribuições, nos diversos anoscalendários. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/07/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 20 Aliás, ditas alegações já foram apreciadas pelo julgador de primeira instância, não tendo o recorrente apresentado qualquer outro argumento capaz de alterar aquele julgamento, mesmo tendo descrito em seu recurso que apresentaria demonstrativos dos recolhimentos extemporâneos, nada foi colacionado aos autos capaz efetivamente de demonstrar os efetivos recolhimentos, relacionados a cada fato gerador na sua devida competência. Assim, manifestouse a autoridade julgadora: Assim,, a regra para recolhimento das contribuições previdenciárias é clara e e, portanto, as contribuições deveriam ter sido recolhidas em relação às competências as quais se referiam. Se a empresa usou sistemática diferente para recolhimento das contribuições que, conforme alegado, resultaria na ausência de diferenças quanto aos valores principais, esta não trouxe aos autos quaisquer documentos que pudessem fazer prova de suas alegações, na forma do que determina o art. 16, III do Decreto 70.235/72 (…) Quanto aos documentos juntados {as fls. 413/523; e 563, ou seja, cópias das GPS relativas a contribuições recolhidas sobre valores pagos a leiloeiros, no período de 01/2006 a 12/2006. Ressaltamos que tratamse de documentos já juntados aos autos pelo auditor fiscal, às fls. 152/281, e por ele já considerados e deduzidos dos valores apurados, conforme demonstrado nas planilhas de fl. 47/52 (...) Dessa forma, entendo correto o posicionamento adotado pelo julgador de primeira instância não havendo qualquer reparo a ser feito naquela decisão. DOS PAGAMENTOS A PESSOAS JURÍDICAS Quanto a este último fato gerador, poucos foram os levantamentos mantidos pelo julgador a quo, tendo em vista a demonstração, pelo recorrente, de que se tratavam na verdade de pagamento a pessoas jurídicas, cujo histórico contábil, ensejou, incialmente, o entendimento de tratarse de pessoas físicas prestando serviços na condição de contribuintes individuais. Contudo, quanto a este ponto, elaborou o julgador uma planilha, justamente demonstrando, para quais fatos geradores, entendeu restar comprovado a prestação de serviços como PJ. Vejamos, o que trouxe o recorrente em seu recurso: “Em relação a esta matéria, a turma julgadora deu provimento em parte à impugnação, para excluir da taxação as remunerações pagas mediante notas fiscais dos prestadores de serviços, mantendo as que foram representadas por recibos, mesmo tendo sido firmados por pessoas jurídicas. Com todas as vênias, não sustenta a decisão em causa. Com efeito, a questão relacionada a emissão de notas fiscais de serviços diz respeito a legislação de cada Município e o seu descumprimento enseja penalização naquele âmbito.(...) No caso, nenhum dos órgãos (fiscalização ou DRJ) pôs em dúvida a efetiva prestação dos serviços. Não admitiram a dedutibilidade apenas em razão do documento emitido pelo prestador. Destarte, deverá o órgão de segundo grau reformar a decisão, excluindo da glosa também os valores constantes da coluna “base de cálculo mantida”, do quadro de fls. 645, no importe total de R$ 66.864,91. Bom, quanto a este ponto, embora, concorde com o auditor que a empresa é obrigada a manter escrituração contábil regular, temos que identificar que no contratante dos serviços é possível identificar que os serviços foram prestados por PJ, tendo o auditor inclusive descrito no acordão ora recorrido, que os recibos foram emitidos pelo CNPJ 03.431.585/0001 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/07/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10680.721659/201025 Acórdão n.º 2401003.048 S2C4T1 Fl. 12 21 92. Dessa forma, devemos identificar a efetiva ocorrência do fato gerador em relação ao pagamento realizado. O auditor, em momento algum, demonstra tratarse de documento fraudulento, ou contabilizado com pagamento a pessoa física. Entendo que tratase de descumprimento de obrigação acessória, por parte da prestadora de serviços, passível, inclusive de autuação pelo órgão responsável. Dessa forma, devem ser também excluídos do lançamento os pagamentos as PJ: Álvaro Loureiro Junior e Advogados (03.431.585/000192); Sâmia Santos e Associados (05.042.660;000159); Farah Gomes e silva Adv. Associados (01.488.278/000112) e Da corte emplacamentos (71.087.571/000153). Para os demais fatos geradores, conforme descrito pelo autoridade julgadora, houve o pagamento, indicando como beneficiário PF, ou mesmo não conseguiu o recorrente demonstrar o pagamento a PJ. Notese que no recurso, não houve argumentação expressa, u apresentação de qualquer novo documento) em relação aos demais fatos geradores mantidos. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos acima especificados haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar em sua totalidade a presente autuação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito DAR PROVIMENTO PARCIAL, para excluir o LEVANTAMENTO CV – CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO, bem como do levantamento CA – CONTRIBUIÇÃO AUTÔNOMOS, excluir os seguintes lançamentos: Álvaro Loureiro Junior e Advogados (03.431.585/000192); Sâmia Santos e Associados (05.042.660;000159); Farah Gomes e silva Adv. Associados (01.488.278/000112) e Da corte emplacamentos (71.087.571/000153); mantendo o restante do lançamento. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/07/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 22 Voto Vencedor Conselheiro Igor Araújo Soares – Redator Designado Em que pesem os valiosos fundamentos de decidir adotados pela Em. Relatora, ouso deles divergir nos pontos a seguir elencados. Do levantamento CV e CV1 Estagiários Inicialmente há de se pontuar que concordo com a Ilustre relatora no que se refere à necessidade de reconhecimento da impossibilidade de manutenção do lançamento dos levantamentos CV e CV1 (estágiarios). Todavia, quanto ao assunto, divirjo apenas quanto à conclusão dos demais pares no que se refere à natureza do vício ocorrido no lançamento, apontado pela ilustre relatora como formal. Relativamente ao efeito prático de se declarar a nulidade do lançamento por vício formal ou material. No primeiro caso, o prazo decadencial é restabelecido, passando a ser contado a partir da data da decisão definitiva que declarou a nulidade por vício formal do lançamento. É o que se extrai do artigo 173, inciso II, do CTN. Por outro lado, tratandose de vício material, o prazo decadencial continua a ser contado da ocorrência do fato gerador do tributo, no caso do artigo 150, § 4º, do CTN, ou do 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, tratando se dos artigos 173 do CTN. Ou melhor, poderá o Fisco promover novo lançamento, corrigindo o vício material incorrido, conquanto que dentro do prazo decadencial acima estipulado. Retornando à diferenciação das conclusões de julgamento, já o provimento ao recurso (improcedência da autuação), implica inferir que, diante dos elementos de provas e razões ofertados pela autoridade lançadora, chegouse à conclusão da inexistência do fato gerador do tributo exigido. No caso dos autos, como bem apontou a eminente relatora, observamos que o maior argumento trazido pelo auditor é o fato de que na unidade (filial) concedente do estágio não existiam empregados, mas tão somente um coordenador. Isso demonstra efetivamente, como trazido pelo auditor, uma possível irregularidade, capaz inclusive, de descaracterizar a prestação de serviços como estagiário. Todavia, conforme se verifica do relatório fiscal da infração, o fiscal não apontou pela existência cumulativa dos requisitos da relação de emprego no caso, justificando a tempo e modo a presença daquilo o que disposto no art. 3o da CLT ou mesmo ausência de documentação relativa ao compromisso de estágio. A justificar o lançamento o auditor simplesmente entendeu que a ausência de outros empregados na filial seria motivo apto a justificar a imposição fiscal, sob o argumento de que tais estagiários, em verdade, seria efetivos empregados, sem mesmo ter se debruçado na necessidade de demonstração da efetiva relação de emprego (vínculo laboral), o que a meu ver macula a substância do próprio lançamento. Ou seja, adentrandose ao mérito da questão, o lançamento efetuado não deve prosperar, uma vez que não restou comprovado ter mesmo ocorrido o fato gerador, o que impede o Fisco de promover novo lançamento a partir dos mesmos fatos. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/07/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10680.721659/201025 Acórdão n.º 2401003.048 S2C4T1 Fl. 13 23 A rigor, a linha entre a nulidade por vício material e/ou a improcedência do feito é muito tênue, fazendo com que em inúmeras oportunidades haja uma certa dúvida em relação à qual resultado seria mais adequado. Entrementes, como o efeito prático é basicamente o mesmo, inexistem maiores celeumas quanto ao tema, ao contrário do que se vislumbra com a nulidade por vício formal, onde todo o procedimento a ser seguido pela autoridade fiscal passa a ser conduzido de maneira totalmente diferente. Em se tratando de caso no qual ocorre a violação ao art. 142 do CTN, sobretudo especificamente por sequer ter sido caracterizado o próprio fato gerador da exação lançada, o lançamento é improcedente. Do levantamento PL – Participação nos Lucros Quanto ao presente tópico do lançamento, conforme muito bem relatado, os pagamentos da PLR vieram a ser desconsiderados em virtude de que a fiscalização apurou o descumprimento ao art.2o da Lei 10.101/00, sob o fundamento de que a convenção coletiva que subsidiou o pagamento da PLR não possuía regras claras e objetivas, bem como a adoção de metas a serem cumpridas para que os beneficiários do programa fizessem jus ao recebimento dos respectivos parcelamentos. Sobre o assunto transcrevo, a seguir, as cláusulas do acordo que justificaram o pagamento: Convenção Coletiva de Trabalho que estabelece a participação dos empregados nos lucros ou resultados dos bancos em 2005, homologada em 17 de outubro de 2005: "CLÁUSULA PRIMEIRA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (P.L.R) Ao empregado admitido até 31.12.2004, em efetivo exercício em 31.12.2005, convencionase o pagamento, pelo banco, até 03.03.2006, de 80% (oitenta por cento) sobre o salário base mais verbas fixas de natureza salarial, reajustadas em setembro/2005, acrescido do valor fixo de R$800,00 (oitocentos reais), limitado ao valor de R$ 5.310,00 (cinco mil, trezentos e dez reais). PARÁGRAFO PRIMEIRO 0 percentual, o valor fixo e o limite máximo convencionado no caput desta Cláusula, a titulo de Participação nos Lucros ou Resultados, observarão em face do exercício de 2005, como teto, o percentual de 15%(quinze por cento) e, como mínimo, o percentual de 5% (cinco por cento) do lucro liquido do banco. Quando o total de Participação nos Lucros ou Resultados calculado pela regra básica do caput desta Cláusula for inferior a 5% (cinco por cento) do lucro liquido do banco, no exercício de 2005, o valor individual deverá ser majorado até alcançar 2 (dois) s alários do empregado e limitado ao valor de R$ 10.620,00 (dez mil, seiscentos e vinte reais), ou até que o total da Participação nos Lucros e Resultados atinja 5% (cinco por cento) do lucro liquido o que ocorrer primeiro. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/07/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 24 PARÁGRAFO SEGUNDO No pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados o banco poderá compensar os valores já pagos ou que vierem a ser pagos, a esse titulo, referentes ao exercício de 2005". Convenção Coletiva de Trabalho que estabelece a participação dos empregados nos lucros ou resultados dos bancos em 2006, homologada em 18 de outubro de 2006: "CLÁUSULA PRIMEIRA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (P.L.R) Ao empregado admitido até 31.12.2005, em efetivo exercício em 31.12.2006, convencionase o pagamento, pelo banco, até 03.03.2007, de 80% (oitenta por cento) sobre o salário base mais verbas fixas de natureza salarial, reajustadas em setembro/2006, acrescido do valor fixo de R$828,00 (oitocentos e vinte e oito reais), limitado ao valor de R$ 5.496,00 (cinco mil,quatrocentos e noventa e seis reais). PARÁGRAFO PRIMEIRO 0 percentual, o valor fixo e o limite máximo convencionado no capuz' desta Cláusula, a titulo de Participação nos Lucros ou Resultados, obsenurcio em face do exercício de 2006, como teto, o percentual de 15%(quinze por cento) e, como mínimo, o percentual de 5% (cinco por cento) do lucro liquido do banco. Quando o total de Participação nos Lucros ou Resultados calculado pela regra básica do caput desta Cláusula for inferior a 5% (cinco por cento) do lucro liquido do banco, no exercício de 2006, o valor individual deverá ser majorado até alcançar 2 (dois) salários do empregado e limitado ao valor de R$ 10.992,00 (dez mil, novecentos e noventa e dois reais), ou até que o total da Participação nos Lucros e Resultados atinja 5% (cinco por cento) do lucro liquido o que ocorrer primeiro. PARÁGRAFO SEGUNDO No pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados o banco poderá compensar os valores já pagos ou que vierem a ser pagos, a esse titulo, referentes ao exercício de 2006". Em que pesem o entendimento adotado pela fiscalização, diante da natureza das imputações de descumprimento imputadas à recorrente, não vejo como possível outra conclusão, senão delas discordar. Da análise das cláusulas supra, verifico que o acordo estipula como meta a ser atingida pelos funcionários da recorrente a existência de lucro líquido na contabillidade da recorrente, de modo que os valores da PLR serão distribuídos diante da alcance de tal objetivo, ponto que a meu ver já possui o condão de afastar a alegação de irregularidade apontada pela fiscalização. Ademais, o acordo prevê um teto máximo e mínimo para a distribuição do percentual de 80% do valor de salário base acrescido das demais verbas de natureza salarial, fixado pelas partes como valor da PLR a ser recebido por cada um dos empregados, quando adotaram como parâmetros os percentuais de 15% e 05% do lucro líquido, respectivamente. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/07/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10680.721659/201025 Acórdão n.º 2401003.048 S2C4T1 Fl. 14 25 Não cabe ao julgador administrativo, ou mesmo ao próprio fiscal autuante emitirem juízo de valor sobre as regras adotadas pelas partes ao pagamento da Participação nos Lucros e resultados, mas apenas verificar se no bojo do acordo firmado, tais regras possuem a natureza objetiva o suficiente a permitir que ambas possam fazer valer os termos do acordo, estando o mesmo vinculado a uma meta a ser atingida. E no caso em concreto, tenho para mim, que as regras adotadas, em contrasenso ao que apurou a fiscalização, possuem cara´ter objetivo o suficiente a atender tal finalidade, de modo que entendo que as mesmas não caracterizam um acordo que possua natureza subjetiva., mas, pelo contrário, uma natureza objetiva, de modo a tender os ditames do art. 2o da Lei 10.101/00. Ante todo o exposto, pedindo vênias a nobre relatora, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso, para (i) julgar como improcedente o lançamento das rubricas CV e CV1 (estagiários) para excluíalas do lançamento, bem como para (ii) excluir do lançamento a rubrica PL (participação nos lucros e resultados). É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/07/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por IGOR ARAUJO SOARES
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