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Numero do processo: 13807.004577/2008-12
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
ISENÇÃO. RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA.
Comprovado nos autos que os rendimentos incluídos de oficio no lançamento representam apenas a parcela tributável, uma vez já ter sido deduzida a parte isenta da aposentadoria, nada mais deve ser abatido dos rendimentos a título de isenção.
Numero da decisão: 2002-000.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 ISENÇÃO. RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. Comprovado nos autos que os rendimentos incluídos de oficio no lançamento representam apenas a parcela tributável, uma vez já ter sido deduzida a parte isenta da aposentadoria, nada mais deve ser abatido dos rendimentos a título de isenção.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. Comprovado nos autos que os rendimentos incluídos de oficio no lançamento representam apenas a parcela tributável, uma vez já ter sido deduzida a parte isenta da aposentadoria, nada mais deve ser abatido dos rendimentos a título de isenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 45 77 /2 00 8- 12 Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13807.004577/200812 Acórdão n.º 2002000.743 S2C0T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 37/44) contra decisão de primeira instância (fls. 31/33), que julgou improcedente impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: Contra o contribuinte em questão foi lavrado o auto de infração (fls. 13/15) com o lançamento de imposto de renda suplementar relativo ao anocalendário 2004, de multa de oficio e de juros de mora, totalizando um crédito tributário de 3.518,33. Conforme enquadramento legal de fls. 15. O lançamento em questão majorou os rendimentos tributáveis declarados pelo contribuinte, por ter sido constatada a omissão dos rendimentos recebidos de Instituto Nacional Previdência Social no valor de R$ 16.016,17, conforme DIRF entregue pela fonte pagadora. Inconformado, o contribuinte apresenta impugnação de fls. 01/07, em que alega, em síntese, que, havendo completado 65 anos em junho de 2004, faz jus a isenção do imposto de renda incidente sobre o rendimento mensal de R$ 900,00. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: ISENÇÃO RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA – CONTRIBUINTES MAIORES DE SESSENTA E CINCO ANOS. Comprovado nos autos que os rendimentos incluídos de oficio no lançamento representam apenas a parcela tributável, uma vez já ter sido deduzida a parte isenta da aposentadoria, nada mais deve ser abatido dos rendimentos a título de isenção. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação e juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13807.004577/200812 Acórdão n.º 2002000.743 S2C0T2 Fl. 4 3 Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 16/10/2008 (fl. 36); Recurso Voluntário protocolado em 11/11/2008 (fl. 37), assinado pelo próprio contribuinte. Responde o contribuinte nestes autos, pela seguinte infração: a) Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício. Relata o Sr. AFR, que “Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte. e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil constatouse omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 16.016.11, recebido(s) pelo titular e/ou dependentes”. A r. decisão revisanda, diz que os valores recebidos do INSS, os quais não foram oferecidos à tributação pelo contribuinte, teve como estribo, segundo o contribuinte em razão da isenção dos rendimentos de aposentadoria dos maiores de 65 anos. A isenção em tela é prevista no art. 4, inc. VI da Lei nº 9250/95, alterada pela Lei nº 10451/2002, vigente para o anocalendário 2004. Que “No caso em apreciação, verificase que os rendimentos informados pelas fontes pagadoras (fls. 21/23) já se encontravam deduzidos da parcela isenta relativa aos maiores de sessenta e cinco anos. Isto é fácil de constatar, pois o valor do rendimento tributável recebido a partir de julho sofre uma grande redução, fato que evidencia a retirada da base tributável a parcela isenta. Outro fato a destacar é que o valor do décimo terceiro salário é bem superior ao valor do salário pago em dezembro e que foi deduzido do décimo terceiro exatamente os R$ 1.058,00.” Assim a r. decisão manteve integralmente o crédito exigido. Irresignado o recorrente maneja recurso próprio, combatendo a r. decisão revisanda, juntando documentos. Diz o recorrente: quanto à questão de mérito, que não se determinou em que momento a norma legal entrou em vigor; em relação ao abatimento do IR após 65 anos do contribuinte, pois não consta sequer na decisão qualquer tipificação legal, ofendendo assim o princípio da legalidade; que existe ofensa ao art. 37 da CF e o art. 150 SS 6º; descumprimento da Lei nº 9784/99, art. 50 e incisos, pedindo anulação da penalidade fiscal; Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13807.004577/200812 Acórdão n.º 2002000.743 S2C0T2 Fl. 5 4 que o poder público extrapolou no poder de autuar o sujeito passivo, ofendendo o art. 316, §1º do C. Penal; que o contribuinte não agiu com dolo, e que sua declaração é feita por contador (terceiro). Pois bem, para o recorrente conforme o voto de fl. 32, “a partir do mês em que o pensionista ou inativo completar 65 anos de idade”. Relativamente, a Constituição Federal, o recorrente alega ofensa ao art. 37 e 150, §6º, sem razão o contribuinte eis que não se observa nenhum dos institutos agravados, ou seja, princípio da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Quanto ao art. 150, §6º, quanto à isenção, podemos observar a retirada da base tributável, a parcela isenta conforme fl. 21 dos autos. Com relação ao art. 316, §1º do Código Penal, não ocorreu o excesso de exação, o recorrente pôde exercer o seu direito de defesa, bem como na cobrança, não houve emprego do meio vexatório ou gravoso. A ação fiscal, não considerou que o recorrente tenha agido com dolo, a multa aplicada foi de 75%, caso tivesse agido com dolo seria de 150%. Se a declaração foi feita por terceiro (contador), não exime o contribuinte de sua responsabilidade. Assim nesta quadra, melhor sorte não socorre ao contribuinte. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito negase provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 70DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.720903/2017-47
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 126. APLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
MULTA. INCONSTITUCIONALIDADE. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE, LEGALIDADE E DA SEGURANÇA JURÍDICA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3002-000.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo do argumento de afronta aos princípios constitucionais e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente).
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente).
Alan Tavora Nem - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
Nome do relator: ALAN TAVORA NEM
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 126. APLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. MULTA. INCONSTITUCIONALIDADE. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE, LEGALIDADE E DA SEGURANÇA JURÍDICA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 126. APLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. MULTA. INCONSTITUCIONALIDADE. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE, LEGALIDADE E DA SEGURANÇA JURÍDICA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo do argumento de afronta aos princípios constitucionais e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente). Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 09 03 /2 01 7- 47 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 11128.720903/201747 Acórdão n.º 3002000.496 S3C0T2 Fl. 3 2 Alan Tavora Nem Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 12095.075 da DRJ/RJO, que manteve integralmente o Crédito Tributário lançado pelo Auto de Infração, que exige do contribuinte a multa em razão de deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 1966, cuja redação foi dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, conforme relatório da 4ª Turma da DRJ/RJO (fls. 74/77), exarado nos seguintes termos: "Versa o processo sobre a controvérsia instaurada em razão da lavratura pelo fisco de auto de infração para exigência de penalidade prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Os fundamentos para esse tipo de autuação nesse conjunto de processos administrativos fiscais são os seguintes: As empresas responsáveis pela desconsolidação da carga lançaram a destempo o conhecimento eletrônico, pois segundo a IN SRF nº 800/2007 (artigo 22), o prazo mínimo para a prestação de informação acerca da conclusão da desconsolidação é de 48 horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Caso não se concluindo nesse prazo é aplicável a multa. Devidamente cientificada, a interessada traz como alegações, além das preliminares de praxe, acerca de infringência a princípios constitucionais, prática de denúncia espontânea, ilegitimidade passiva, ausência de motivação, tipicidade, e que tragam ao auto de infração a ineficiência e a desconstrução do verdadeiro cerne da autuação que foi o descumprimento dos prazos estabelecidos em legislação norteadora acerca do controle das importações, a argumentação de que de fato as informações constam do sistema, mesmo que inseridas, independente da motivação, após o momento estabelecido no diploma legal pautado pela autoridade aduaneira.". Analisando os argumentos do contribuinte, a DRJ/RJO julgou improcedente a Impugnação (fls. 47/54), deixando de "acolher as preliminares trazidas pela interessada, eis que as argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade não estão afetas ao julgador administrativo" no mérito refutou o argumento da denúncia espontânea, bem como, da Fl. 108DF CARF MF Processo nº 11128.720903/201747 Acórdão n.º 3002000.496 S3C0T2 Fl. 4 3 ausência de tipicidade, da ilegitimidade passiva e da "relevação da penalidade" concluindo que "o lançamento extemporâneo do conhecimento eletrônico, fora do prazo estabelecido na IN SRF nº 800/2007, por causar transtornos ao controle aduaneiro, deve ser mantido" por Acórdão dispensado de ementa, de acordo com a Portaria RFB nº 2.724/2017. O contribuinte cientificado da decisão, ingressou com Recurso Voluntário (fls. 84/91) requerendo a reforma do Acórdão recorrido, tendo em vista: a) a denúncia espontânea e, b) violação dos princípios da legalidade, da proporcionalidade e da segurança jurídica. É o relatório Voto Conselheiro Alan Tavora Nem Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. É oportuno esclarecer que, embora tenha o contribuinte denominado o seu recurso de "IMPUGNAÇÃO A AUTO DE INFRAÇÃO" em atenção ao princípio da fungibilidade, recebo e processo como Recurso Voluntário. A discussão em análise consiste em saber se o contribuinte poderia sofrer a penalidade aplicada pela fiscalização em razão de deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute de acordo com o art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 1966. Denúncia espontânea A alegação da exclusão da responsabilidade em virtude da denúncia espontânea, requerida pelo contribuinte, entendo que não procede tal alegação, pois, no caso em tela, não se aplica o instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, muito menos, a norma específica relativa à infração à legislação aduaneira, conforme expressamente determina o art. 102 do Decretolei nº 37/1966, a seguir reproduzido: "Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º (...) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010)." (grifo nossos). Fl. 109DF CARF MF Processo nº 11128.720903/201747 Acórdão n.º 3002000.496 S3C0T2 Fl. 5 4 O objetivo da denúncia espontânea, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior. Importante ressaltar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Sendo assim, a denúncia espontânea, não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo, para as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. No mesmo sentido, tem se firmado a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme enunciados das ementas a seguir transcritas: "TRIBUTÁRIO. PRÁTICA DE ATO MERAMENTE FORMAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DCTF. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. A inobservância da prática de ato formal não pode ser considerada como infração de natureza tributária. De acordo com a moldura fática delineada no acórdão recorrido, deixou a agravante de cumprir obrigação acessória, razão pela qual não se aplica o benefício da denúncia espontânea e não se exclui a multa moratória. "As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN" (AgRg no AG nº 490.441/PR, Relator Ministro LUIZ FUX, DJ de 21/06/2004, p. 164) Agravo regimental improvido. (STJ, ADRESP 885259/ MG, Primeira Turma, Rel. Min Francisco Falcão, pub. no DJU de 12/04/2007) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO. SUBMISSÃO À REGRA PREVISTA NO ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 03/STJ. SUPOSTA OFENSA AO ART. 535 DO CPC/73. AUSÊNCIA DE VÍCIOS NO ACÓRDÃO. EXECUÇÃO FISCAL. IMPOSTO DE RENDA. MULTA.ATRASO NA ENTREGA. LEGALIDADE. REQUISITOS DE VALIDADE DA CDA. ÓBICE DA SÚMULA 7/STJ. ARESTO ATACADO QUE CONTÉM FUNDAMENTOS CONSTITUCIONAIS SUFICIENTES PARA MANTÊLO. ÓBICE DA SÚMULA 126/STJ. 1. (...) 2 (...) 3 (...) 4. É cediço o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no sentido da legalidade da cobrança de multa pelo atraso na Fl. 110DF CARF MF Processo nº 11128.720903/201747 Acórdão n.º 3002000.496 S3C0T2 Fl. 6 5 entrega da declaração de rendimentos, inclusive quando há denúncia espontânea, pois esta "não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas" (AgRg no AREsp 1022862/SP, Rel. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES SEGUNDA TURMA, julgado em 13/06/2017, DJe 21/06/2017)". Portanto, segundo o entendimento do STJ (1ª e 2ª Turma), o cumprimento extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória configura infração formal, não passível do benefício do instituto da denúncia espontânea da infração, previsto no art. 138 do CTN. Por fim, em face das disposições do art. 72 do Regimento Interno do CARF de observância obrigatória aplico a Súmula nº 126 "A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.". Princípios da Administração Pública Em relação ao ferimento aos Princípios da Legalidade, da Proporcionalidade e da Segurança Jurídica, deixo de apreciar, em razão da Súmula nº 2, do CARF, que assim dispõe: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Sendo assim, pelo o exposto, conheço parcialmente do Recurso Voluntário e no mérito voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Fl. 111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10630.902294/2009-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO APÓS O VENCIMENTO. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS.
Haverá a incidência dos acréscimos moratórios até a data da entrega da Declaração de Compensação, conforme expressa previsão legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, incluindo a multa de mora estabelecida em norma vigente, conforme sua Súmula nº 2.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.
De acordo com a Súmula nº 4 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, "a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais."
Numero da decisão: 1201-002.392
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10630.902292/2009-09, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO APÓS O VENCIMENTO. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. Haverá a incidência dos acréscimos moratórios até a data da entrega da Declaração de Compensação, conforme expressa previsão legal. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, incluindo a multa de mora estabelecida em norma vigente, conforme sua Súmula nº 2. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. De acordo com a Súmula nº 4 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, "a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais."
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO APÓS O VENCIMENTO. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. Haverá a incidência dos acréscimos moratórios até a data da entrega da Declaração de Compensação, conforme expressa previsão legal. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, incluindo a multa de mora estabelecida em norma vigente, conforme sua Súmula nº 2. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. De acordo com a Súmula nº 4 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, "a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10630.902292/200909, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 90 22 94 /2 00 9- 90 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10630.902294/200990 Acórdão n.º 1201002.392 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Relatório O contribuinte interpôs seu tempestivo recurso voluntário, considerando que acórdão, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ratificou o despacho decisório, não homologando parcialmente a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) pela inexistência do crédito suficiente. De acordo com referido despacho decisório, "considerando que o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada." Entretanto, o contribuinte afirma no seu recurso que existia crédito compensável suficiente, questionando a incidência de juros e multa de mora sobre o valor devido e vencido, quando da mencionada transmissão da declaração de compensação (DCOMP). Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.391, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10630.902292/2009 09, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.391): Divergindo sobre os acréscimos de juros e multa de mora sobre o valor declarado à compensação (DCOMP), o contribuinte narrou os seguintes fatos em seu recurso voluntário: Desta forma, descabe, portanto, o auto de infração originário, já que não houve atraso nos referidos pagamentos, sem a ocorrência de quaisquer prejuízos à Fazenda Federal. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10630.902294/200990 Acórdão n.º 1201002.392 S1C2T1 Fl. 4 3 O I. Presidente e Relator alega que a transmissão da Dcomp se deu após o vencimento dos débitos levados à compensação, e que neste caso deve incidir juros e multa. Ocorre que a referida transmissão da Dcomp ocorreu após o vencimento dos débitos devido ao fato do desenquadramento do Simples para o Lucro Presumido ter sido comunicado somente em 26 de agosto de 2004. Ademais, os valores entraram nos cofres da SRF antes mesmo de existir o débito, não havendo que se falar. Todavia, o acórdão recorrido concluiu pela insuficiência do crédito, ressaltando a incidência de juros pela Taxa do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) e multa de mora sobre o valor declarado à compensação (DCOMP). O artigo 170 do Código Tributário Nacional preceitua que "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública". A Lei nº 9.430/1996 regulamentou o procedimento de ressarcimento, restituição e compensação, determinando a incidência dos acréscimos moratórios no seu artigo 61: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifei). Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10630.902294/200990 Acórdão n.º 1201002.392 S1C2T1 Fl. 5 4 À época, o artigo 28 da IN SRF nº 460/2004 exigia os acréscimos moratórios quando da entrega da Declaração de Compensação (DCOMP), após o vencimento do tributo: Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 51 e 52 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. (grifei) A Súmula nº 4 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) orienta sobre o acréscimo de juros pela Taxa do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC), não havendo dissidência jurisprudencial sobre o tema: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Finalmente, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mediante sua Súmula nº 2, delimita que "não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Isto posto, voto pelo conhecimento do recurso voluntário e NEGOLHE PROVIMENTO." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 68DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17878.000149/2009-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Numero da decisão: 3201-004.713
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, para não reconhecer o pagamento a maior e não homologar a declaração de compensação. Votou pelas conclusões o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
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CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, para não reconhecer o pagamento a maior e não homologar a declaração de compensação. Votou pelas conclusões o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 87 8. 00 01 49 /2 00 9- 19 Fl. 253DF CARF MF Processo nº 17878.000149/200919 Acórdão n.º 3201004.713 S3C2T1 Fl. 254 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face da não homologação da Declaração de Compensação nº 20666.93300.030505.1.3.042352, nos termos do Despacho Decisório (fls. 90/92) emitido em 16/04/2010 pela DRF de Volta Redonda/RJ. No aludida Dcomp, transmitida eletronicamente em 03/05/2005, a contribuinte indicou um crédito de R$ 466.363,96, que corresponde à parcela do DARF recolhido em 14/04/2003, de PIS, código de receita 8109, no valor total de R$ 2.694.414,37. Segundo o Despacho Decisório recorrido, a interessada informou que: O presente crédito originouse de retificação na sistematização da apuração do débito de PIS, sem o trânsito pela sua escrita contábil, de valores em dinheiro recebidos mensalmente de sua matriz na França no inicio de suas operações no Brasil. Segundo ela, tais valores eram originalmente classificados na contabilidade como receitas financeiras, conforme orientação da própria matriz na França, integrando a base de cálculo do PIS e da COFINS, e que, em 2003, ao se perceber o equívoco naquela classificação contábil, procedeuse à apuração dos tributos recolhidos a maior. Relata que a interessada, apesar de intimada, não esclareceu, por meio de sua escrita contábil, a natureza dos valores recebidos mensalmente da matriz e nem especificou o montante mensal de cada remessa. Diz que ela apenas alegou que teria recebido de sua matriz valores que originalmente teriam sido escriturados como receita financeira, mas que posteriormente, em 2003, teriam sido remanejados para outra conta, sem qualquer registro na escrituração contábil, de modo que tais valores não comporiam a base de calculo do PIS e da Cofins. Informa que a manifestante não demonstrou como obteve o valor por ela indicado na DCTF retificadora que geraria o pagamento indevido. Conclui que, por falta de provas e pelo fato do procedimento adotado pela interessada não se coadunar com a sistemática de Fl. 254DF CARF MF Processo nº 17878.000149/200919 Acórdão n.º 3201004.713 S3C2T1 Fl. 255 3 restituição de pagamento indevido na forma prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional, o crédito padece de certeza e liquidez. Cientificada em 28/04/2010, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 137/141, em 31/05/2010, alegando, em síntese, o seguinte. Esclarece que o PIS é tributo sujeito ao lançamento por homologação, razão pela qual cabe ao sujeito passivo antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Aduz que retificou sua DCTF antes da ciência do despacho decisório, informando corretamente o tributo devido, de modo a evidenciar o pagamento indevido. Ressalta que o crédito foi verificado em virtude da reclassificação contábil dos valores recebidos de sua matriz no exterior, os quais deixaram de ser considerados como receitas financeiras, ocasionando o pagamento a maior. Entende que a retificação da DCTF é capaz, por si só, de evidenciar o pagamento indevido ou a maior. Protesta ainda pela posterior juntada da comprovação de sua escrita fiscal, de modo a provar o crédito pleiteado. Requer a reforma do despacho decisório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR por intermédio da 3ª Turma, no Acórdão nº 0660.373, sessão de 21/09/2017, julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não homologou sua compensação. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 PROVAS. INSUFICIÊNCIA. A mera alegação do direito desacompanhada da escrituração contábil/fiscal do período não é suficiente para comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário (fls. 227/235), no qual vem renovar seus argumentos para reformar a decisão recorrida, reconhecer o direito creditório pleiteado e homologar a compensação declarada. É o relatório. Voto Fl. 255DF CARF MF Processo nº 17878.000149/200919 Acórdão n.º 3201004.713 S3C2T1 Fl. 256 4 Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Consta dos autos que o litígio versa sobre o inconformismo do contribuinte em face do despacho decisório, mantido hígido na decisão a quo, que não homologou a Dcomp em razão de inexistência de comprovação de certeza e liquidez do crédito pretendido. Não há matéria preliminar, passemos à questão de mérito. A irresignação suscitada em recurso voluntário referese à acusação pela autoridade fiscal da ausência de comprovação da origem do pagamento a maior do PIS, informado na DCTF original, que após retificações em 14/09/2004, 20/04/2005, 16/02/2007 e 26/03/2007, fez exsurgir um valor de pretenso crédito. A recorrente rechaça a conclusão do Fisco sob o argumento de que as DCTFs foram retificadas em data anterior à emissão do despacho decisório e, portanto, fazem prova dos requisitos da certeza e liquidez do crédito proveniente de pagamento de tributo maior que o devido. Aduz que as declarações retificadoras foram "aceitas" pelo Fisco; assim e por conseguinte, há de ser reconhecido a existência do crédito por pagamento a maior do PIS apurado. Colaciona decisões do CARF que entende validar tal raciocínio. Sustenta, ainda, que a decisão recorrida atentouse tão somente à questão formal das retificações e seus julgadores omitiramse de perquirir sobre a existência do direito creditório, faltando com seu dever de ofício, em desprezo ao Princípio da Verdade Material, de apurar todos os fatos que lhe foram apresentados. Traz doutrina e jurisprudência que alega corroborar esse entendimento. Como se vê, para a contribuinte, a transmissão de DCTF retificadora consignando um valor de tributo menor que o originalmente informado é suficiente para comprovar a certeza e liquidez de seu créditos. Essa tese não tem amparo legal e sequer é corroborado pela jurisprudência do CARF ou doutrina. Mister colacionar os dispositivos legais que trazem regramentos às declarações retificadoras do contribuinte, ao momento da apresentação da prova, sua ausência na instauração da fase litigiosa e ao ônus probatório de quem alega os fatos constitutivos de seu direito. As matérias estão disciplinadas nos artigos 14 a 17 do Decreto nº 70.235/76 PAF, art. 373 da Lei nº 13.105/2015 Novo CPC, e art. 147 da Lei nº 5.172/1966 CTN: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao Fl. 256DF CARF MF Processo nº 17878.000149/200919 Acórdão n.º 3201004.713 S3C2T1 Fl. 257 5 órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Lei nº 13.105/2015 CPC: "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Lei nº 5.172/1966 CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento Fl. 257DF CARF MF Processo nº 17878.000149/200919 Acórdão n.º 3201004.713 S3C2T1 Fl. 258 6 Cabe assinalar que à luz do art. 170 do CTN1, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, o interessado deve, sob pena de preclusão, instruir sua manifestação de inconformidade com os motivos de fato e de direito que fundamentam sua pretensão, acompanhados dos documentos que respaldem suas afirmações, considerando o que dispõem os dispositivos legais transcritos. Tratandose de direito creditório pleiteado, decorrente de sucessivas retificações de DCTFs (quatro, em verdade), com a redução do PIS devido no período de apuração, sem respaldo na escrita contábil regular (conforme admite a contribuinte) e em documentos fiscais que comprovassem de forma hábil e idônea o alegado pagamento a maior, importa em reconhecer o acerto da autoridade fiscal em não homologar a compensação declarada. Assim se manifestou a autoridade fiscal no despacho decisório (fls. 90/92): [...] Após a transmissão da DCTF original, a interessada transmitiu duas DCTF retificadoras do 1° Trimestre de 2003, em 14/09/2004 e 20/04/2005, nas quais manteve o valor original do débito apurado de PIS do período de apuração março/2003 (fls. 20 e 24). Entretanto, posteriormente à apresentação da declaração de compensação em comento, a interessada transmitiu duas novas DCTF retificadoras, em 16/02/2007 e 26/03/2007, nas quais reduziu o valor do saldo a pagar do PIS no referido período de apuração para R$ 2.123.970,33, na primeira, e para R$ 1.456.684,88, na segunda, o que originou o valor de R$ 1.237.729,49, a titulo de pagamento indevido ou a maior de PIS, do qual utilizou R$ 466.363,96 para compensar débitos seus (fls. 28 e 32, respectivamente). A interessada, conforme relatado, alega que o seu direito creditório teria se originado da retificação da forma de apuração do PIS, mais precisamente do estorno, sem o trânsito pela sua escrita contábil, de valores em dinheiro recebidos mensalmente da matriz na França que originalmente teriam sido escriturados como receita financeira. No caso, a interessada, apesar de intimada, não esclareceu, por meio de sua escrita contábil, a natureza desses valores em dinheiro recebidos mensalmente da matriz localizada na França, nem especificou o montante mensal de cada remessa. 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 258DF CARF MF Processo nº 17878.000149/200919 Acórdão n.º 3201004.713 S3C2T1 Fl. 259 7 Apenas alegou que teria recebido de sua matriz na França valores que originalmente teriam sido escriturados como receita financeira, mas que posteriormente, em 2003, teriam sido remanejados para outra conta, sem qualquer registro na sua escrituração contábil, de modo que tais valores não mais comporiam a base de cálculo do PIS e da COFINS, sem, contudo, demonstrar como obteve o valor por ela indicado na DCTF retificadora que geraria o crédito a titulo de pagamento indevido. Como se vê, a interessada não apresentou qualquer documentação contábil fiscal relativamente ao período de apuração em questão, em que demonstraria a recuperação desses valores da conta receita financeira, para reduzir o valor do saldo devedor do PIS daquele período de apuração para R$ 1.456.684,88, o que, por consequência, tornaria indevido uma parcela do pagamento efetuado, da qual utiliza uma parte para compensar débitos seus. [...] Em suma, apesar de intimada, a interessada não logrou comprovar, por meio de seus livros contábeisfiscais, quer por meio de seus livros obrigatórios quer por meio de seus livros auxiliares, como encontrou tal valor consolidado, nem como utilizou esse valor consolidado para reduzir o valor do saldo devedor originalmente apurado a titulo de PIS no período de apuração março/2003, de R$ 2.694.414,37, como informado na DCTF original, para R$ 1.456.684,88, conforme consta na sua DCTF retificadora, e, por conseqüência, que o valor da diferença teria sido pago indevidamente ou a maior. Dessa forma, além de o procedimento adotado pela interessada não se coadunar com a sistemática da restituição de pagamento indevido na forma prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional, o crédito por ela pleiteado padece de falta de certeza e liquidez. [...] Iniciado então o contencioso com a manifestação de inconformidade era dever/ônus do contribuinte municiar sua defesa com os elementos de prova que suportassem as informações consignadas em suas DCTFs retificadoras. A simples retificação da DCTF, com a redução do valor do PIS devido, sem qualquer comprovação de erro no preenchimento da declaração original não atribui certeza e liquidez à pretensão de pagamento a maior e importa inadmissibilidade da DCTF retificadora, consoante o § 1º do art. 147 do CTN. Em sede de despacho decisório, a autoridade fiscal explicitou as razões do indeferimento do direito creditório e não homologação da compensação, pois o crédito padece de falta de certeza e liquidez. Nas peças de defesa (manifestação de inconformidade e recurso voluntário) nada acrescentou em matéria de prova, isto é, inexiste comprovação do indébito com suporte na escrituração contábil e fiscal da contribuinte. Os esclarecimentos prestados em sede de auditoria da Dcomp para justificar o procedimento de estorno de valores recebidos de sua matriz e que "geraram" o crédito alegado estão à margem da escrituração contábil e sem Fl. 259DF CARF MF Processo nº 17878.000149/200919 Acórdão n.º 3201004.713 S3C2T1 Fl. 260 8 qualquer lastro documental. Diante dessa circunstância não há reconhecimento de direito creditório decorrente de qualquer pagamento indevido ou a maior. Evidenciase que o recorrente não se preocupou, em momento algum, em apresentar os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal2, o PAF e o CPC. Quanto às alegações do dever da Administração perquirir acerca do direito creditório em face do princípio da verdade material, é de se esclarecer que tal princípio destina se à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Na situação dos autos em que a contribuinte alega um pretenso direito creditório incumbelhe a apresentação de todas os documentos e evidências destinados à sua comprovação. Destarte, não é aceitável que um pleito, onde se objetiva a restituição de um alegado crédito, e sua compensação para extinção de crédito tributário, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação. A busca pela verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Em matéria de comprovação do direito creditório pleiteado, o processo administrativo fiscal, conquanto admita flexibilização na apresentação de provas, não se coaduna com a inversão do ônus da prova, como pretende a contribuinte. Os precedentes do CARF trazidos pelo contribuinte, além de não lhes socorrer em sua tese, são firmes em explicitar que a declaração retificadora, com supedâneo no princípio da verdade material, é aceita quando restar demonstrado o que se alega com provas irrefutáveis. Transcrevo a ementa colacionada às folhas 234/235 do recurso: “NORMAS PROCESSUAIS. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O princípio da verdade material se mostra apto a aceitar que a declaração comunicada à SRF não é desejada pela contribuinte, quando este demonstra, com provas irrefutáveis, ter siso outra a compensação efetivamente realizada. Realizada a retificação da DIPJ original, com a consequente alteração da DComp formulada, e desde que o contribuinte tenha logrado comprovar, cabalmente a origem e a liquidez de seu crédito, não há óbice legitimo à homologação da compensação. Prevalência dos princípios da economia processual e da verdade material. “COMPENSAÇÃO – ERRO NO PREENCHMENTO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração de 2 Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 17878.000149/200919 Acórdão n.º 3201004.713 S3C2T1 Fl. 261 9 compensação (DCOMP) e a existência do crédito, deve a verdade material prevalecer sobre a formal, sendo o crédito reconhecido e a compensação homologada." Desse modo, a contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório do seu direito creditório, que restou incerto e ilíquido. Assim, não vislumbro espaço para reanálise do despacho decisório, tampouco qualquer reforma na decisão recorrida, mantendose não reconhecido o direito creditório e não homologada a compensação declarada. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 261DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.725293/2012-79
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando, diante de situações fáticas dessemelhantes, não se pode comprovar o dissídio jurisprudencial alegado.
Numero da decisão: 9202-007.203
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada em substituição à conselheira Ana Paula Fernandez).
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando, diante de situações fáticas dessemelhantes, não se pode comprovar o dissídio jurisprudencial alegado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada em substituição à conselheira Ana Paula Fernandez).
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando, diante de situações fáticas dessemelhantes, não se pode comprovar o dissídio jurisprudencial alegado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 52 93 /2 01 2- 79 Fl. 16746DF CARF MF 2 Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada em substituição à conselheira Ana Paula Fernandez). Relatório Tratase de ação fiscal que redundou na lavratura de Autos de Infração a obrigação principal constitutivos de contribuições devidas à Seguridade Social, parcela devida pela empresa, inclusive GILRAT e das contribuições devidas às outras entidade ou fundos, ditas terceiros (SENAR) apuradas mediante arbitramento da basedecálculo. Os Autos lavrados foram os de número de cadastro 51.016.4978 no importe de R$ 28.871.292,44 (Vinte e oito milhões, oitocentos e setenta e um mil, duzentos e noventa e dois reais e quarenta e quatro centavos) referente à parcelas patronal e 51.016.4986 no importe de R$ 2.776.141,07 (Dois milhões, setecentos e setenta e seis mil, cento e quarenta e um reais e sete centavos) relativos à contribuição devida ao SENAR, ambos para fatos geradores ocorridos entre janeiro de 2009 e dezembro de 2010 e em valores consolidados na data de 04/05/2012. De acordo com o Relatório Fiscal, a incidência tributária decorre do fato de a empresa, que se configura como agroindústria, contribuir para a Seguridade Social também mediante o valor da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção rural, ex vi do art. 22A da Lei nº 8.212/91. No caso em comento a Auditoria Fiscal identificou expressivas diferenças entre os valores declarados pelo contribuinte em suas Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJs) nos anoscalendário de 2008, 2009 e 2010 e por ele contabilizado atinente aos valores de vendas nas exportações diretas (teoricamente ‘isentas’ da contribuição previdenciária) com aquilo efetivamente exportado, valores extraídos do Sistema Integrado de Comércio Exterior – SISCOMEX. O contribuinte foi intimado em diversas oportunidades para justificar as diferenças apontadas, em vão, pelo que foi considerado que “... as diferenças apuradas forçosamente devem ser consideradas como venda da produção no mercado interno...” , procedendo então à aferição indireta da contribuição devida, mediante a obtenção da diferença anual entre os valores de exportação direta (informados pelo contribuinte) em confronto com os valores obtidos no SISCOMEX, que foram divididos por 12 para obtenção da basedecálculo mensal, sendo lançadas as diferenças atinentes aos anos de 2009 e 2010. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP julgado a impugnação procedente em parte, mantendo em parte o crédito tributário. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 08/10/2014, foi negado provimento ao Recurso de Ofício e dado provimento ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2402004.337 (fls. 16.625/16.634), com o seguinte resultado: “ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em dar provimento ao recurso voluntário por vício material no lançamento. Quanto ao recurso voluntário, os conselheiros Ronaldo de Lima Macedo e Julio César Vieira Gomes acompanharam o relator pelas conclusões”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 16747DF CARF MF Processo nº 10880.725293/201279 Acórdão n.º 9202007.203 CSRFT2 Fl. 3 3 Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 PROCESSO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA N.º 05 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo. NULIDADE – VÍCIO MATERIAL – ERRO NA CONSTRUÇÃO DO LANÇAMENTO. Comprovado, em grau de recurso, a existência de erro material na base de cálculo do imposto lançado, resta nulo o Auto de Infração. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional em 23/03/2015, para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 06/05/2015, Recurso Especial (fls. 16.653/16.675). Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação aos seguintes aspectos: a) imunidade das exportações indiretas, via trading companies; b) aferição indireta; c) nulidade do lançamento em decorrência de erro na apuração da matéria tributável; e d) nulidade do lançamento: vício formal x vício material. Ao Recurso Especial foi dado parcial seguimento, em relação aos itens “a” e “c”, conforme o Despacho s/nº, da 4ª Câmara, de 14/04/2016 (fls. 16.693/16.706), com a apresentação dos seguintes paradigmas: para o item “a” – paradigma 2803002.760 e para o item “c” – paradigmas 20179.213 e 1102000.989. · O recorrente, em relação ao item “a” imunidade das exportações indiretas, via trading companies, argumenta que, mesmo que se conclua que as diferenças apuradas entre os valores contabilizados pelo contribuinte como referentes a exportações e os valores declarados ao SISCOMEX decorram de exportações realizadas via “trading companies”, o lançamento deverá ser mantido na integralidade, uma vez que tais operações também são tributáveis, revelandose inaplicável a regra imunizante prevista no art. 149, §2º da Constituição Federal. Acrescenta que a mudança de titularidade jurídica do produto ocorre dentro do mercado interno; e é nesse sentido a necessidade de tributação das denominadas exportações indiretas, aliás, como já se manifestaram diversos Tribunais. · Em relação ao item “c” nulidade do lançamento em decorrência de erro na apuração da matéria tributável, o recorrente argumenta que, nos termos do art. 142 do CTN, na constituição do crédito tributário, a autoridade administrativa deve verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e aplicar a penalidade cabível; e ainda traz os fundamentos do art. 59 do Decreto nº Fl. 16748DF CARF MF 4 70.235/72, que estabelece as hipóteses de nulidade no âmbito do Processo Administrativo Fiscal da seguinte forma: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; e II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. · Salienta que, da leitura do dispositivo legal acima, depreendese que os fatos que desencadearam a declaração de nulidade do presente lançamento não foram abarcados pela norma supracitada. Acrescenta que o art. 59 deve ser interpretado de forma conjunta com o art. 60 do mesmo diploma legal, que confere a este a orientação necessária ao deslinde da questão, in verbis: “Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio”. · Afirma que somente importarão em nulidade as irregularidades apontadas no art. 59 do diploma legal acima referido, o que não é a hipótese dos autos, haja vista que a decisão vergastada reconheceu como nulidade eventual equívoco na determinação da matéria tributável, fato este que não se enquadra às hipóteses descritas pelo art. 59 do Decreto nº 70.235/72. · Diz que esse julgamento vai de encontro aos princípios da economia processual, da instrumentalidade das formas e da salvabilidade dos atos processuais, e conclui que se aplica a este feito o art. 60 do Decreto 70.235/72, razão pela qual a suposta irregularidade do lançamento não poderá importar em nulidade. · Conclui que tornase desnecessária e ilegal a anulação do presente lançamento, bastando sua revisão pela autoridade julgadora, procedendose os ajustes necessários, para sanar eventuais equívocos na determinação da matéria tributável. Cientificado do Acórdão nº 2402004.337, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN em 31/01/2017, o contribuinte apresentou em 08/02/2018, portanto tempestivamente, contrarrazões (fls. 16.718/16.743). · Em suas contrarrazões, o contribuinte alega que a questão relativa às exportações indiretas, via trading companies e a incidência de contribuições previdenciárias sobre as receitas delas decorrentes não poderia ser objeto de recurso especial, uma vez que no acórdão recorrido, as razões que importaram no provimento do recurso voluntário cingiramse à análise da nulidade, por vício material. · Quanto à possibilidade de correção de lançamento efetuado de forma equivocada pela autoridade fiscal, entende que os paradigmas Fl. 16749DF CARF MF Processo nº 10880.725293/201279 Acórdão n.º 9202007.203 CSRFT2 Fl. 4 5 colacionados pela Fazenda Nacional não espelham a realidade fática tratada nos autos. · Tal alegação se baseia no fato de que se referem a erros na apuração da base de cálculo de COFINS (Acórdão 20179.213) e da CSLL (Acórdão 1102000.989). · Argui que se faz mister reconhecer que o Recurso Especial não reúne condições de admissibilidade, tampouco de conhecimento. · Aduz que diante da ausência de similitude fática dos paradigmas colacionados no que toca à impossibilidade de revolvimento do conjunto fáticoprobatório e alteração do critério jurídico do lançamento, além dos próprios fundamentos legais que teriam sido infringidos pela Recorrida para a retificação de lançamento eivado por vício material nesta instância julgadora, bem assim pela ausência de prequestionamento de dispositivos legais que agora visa discutir, imperioso que seja negado seguimento ao Recurso Especial interposto, ou ainda, se prosseguimento tiver, que não seja conhecido por esta Douta Turma Julgadora É o relatório. Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Fl. 16750DF CARF MF 6 Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende, em princípio, aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 16693/16706. Contudo, havendo questionamento acerca do conhecimento passo a apreciar a questão: Do Conhecimento Inicialmente, cumprenos apreciar a alegação de não conhecimento frente o não preenchimento dos requisitos de admissibilidade, questão já apreciada em outro processo do mesmo contribuinte perante esse mesmo colegiado, Acórdão nº 9202.004.326, de 23/08/2016. Assim, considerando já ter acompanhado o relator naqueles altos quanto ao não conhecimento, dado o não cumprimento dos requisitos para conhecimento do recurso especial, bem como serem os mesmos paradigmas apresentados para discutir a matéria, transcrevo o voto do conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, adotandoo como razões de decidir: Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade e devida apresentação de paradigmas , o recurso atende a estes requisitos de admissibilidade. Todavia, quanto à existência de divergência interpretativa, entendo não haver como se concluir ter restado esta comprovada, com a devida vênia ao exame de admissibilidade de efls. 17792 a 17797. Explico. No presente caso, se está diante de lançamento realizado pela autoridade fiscal por conta de classificação como oriundos de operações de exportações indiretas dos valores listados à efl. 109 e constantes de demonstrativos de efls. 5 e 6, ou seja, tendo assumido a autoridade fiscal terem sido as operações de exportação que geraram tais receitas realizadas indiretamente, através de trading companies, daí a inaplicabilidade da imunidade estabelecida no art. 149, §2o. I, da CRFB/88, regulamentada à época também pelo art. 245 da IN SRP no. 03, de 2005. Todavia, concluiu o Colegiado recorrido no sentido de se tratarem os valores tributados como oriundos de exportações realizadas de forma direta pela recorrente, daí caracterizada a existência de vício no auto de infração (efl. 17777), verbis: "(...) Ou seja, com base nos dados acostados aos autos e ora minuciosamente analisados, verificase que as notas fiscais emitidas pela empresa Recorrente e enquadradas pela fiscalização como sendo referentes a exportações indiretas em verdade dizem respeito a exportações diretas realizadas pela Recorrente (consta nas NFs inclusive o destino das mercadorias). Portanto, viciado o auto de infração. (...)"Já analisando o teor do primeiro paradigma, Acórdão 20179.213, verifico se estar a tratar, ali, de prova material de inclusão, na base de cálculo da COFINS, de valores que não Fl. 16751DF CARF MF Processo nº 10880.725293/201279 Acórdão n.º 9202007.203 CSRFT2 Fl. 5 7 correspondiam ao faturamento da empresa, tais como devoluções de compras. Entendo assim, completamente inaceitável a argumentação que se poderia afirmar que o Colegiado paradigmático, ao se deparar com a presente situação dos autos, decidiria necessariamente pela inexistência de nulidade no presente auto, o que representaria o atendimento, por este primeiro paradigma, ao que se denomina de "teste de aderência". Na verdade, em meu entendimento, diante da dessemelhança de situações fáticas, não há como se afirmar qual seria o decisum, ao se transmudar o caso recorrido ao Colegiado do primeiro paradigma (nulidade ou não), daí de se rejeitar a configuração de divergência com fulcro neste primeiro Acórdão anexado como paradigma pela recorrente. Quanto ao Acórdão no. 1102000.989, também não assiste melhor sorte à recorrente. Noto que, ali, se está a tratar de mero erro na aplicação da alíquota de CSLL, diferentemente do caso em questão, onde se está diante de caracterização, pelo recorrido, de impropriedade na classificação, pela autoridade autuante, das receitas objeto de tributação, de forma a que passa a incidir, agora a partir da correta classificação, regra imunizadora, ainda que se tenha descrito o fato da comercialização da produção como hipótese de incidência. A propósito, independentemente do entendimento que se adote acerca do tema, certo é que também se estaria diante de inaceitável elastério hermenêutico caso se afirmasse que o Colegiado do segundo paradigma também decidiria pela não anulação do auto no presente caso, onde, notese, não se trata de correção, mediante simples operação aritmética, da base apurada, mas sim de, repitase, reclassificação da natureza das operações de exportação, de forma a que passe a incidir imunidade constitucional. Assim, rejeitada a similitude de situações fáticas, de forma a que se conclua o teste de aderência, também rejeito a existência de divergência interpretativa quanto a este segundo paradigma. Finalmente, ainda que não se aceda à não caracterização de divergência interpretativa aqui defendida, de se notar que, mediante análise dos elementos compulsados aos autos, é de se aceder à argumentação do recorrido e da autuada, no sentido de que se tratam as operações de "exportações indiretas" objeto da presente tributação, em verdade, de operações de exportações diretas, onde, porém, se adquiriam os produtos posteriormente objeto de exportação junto a terceiros, com a autuada, posteriormente, figurando como exportadora final (vide planilha de efl. 109, planilha de efls. 345 a 355 e, exemplificativamente, doc. de efls. 525/526). Desta forma, a partir de tal constatação, de se notar que a retificação defendida pela recorrente a ser feita no presente AI, levaria a que não restasse, naquele, qualquer valor tributável, por se encontrarem, a partir das evidências acima, todas as Fl. 16752DF CARF MF 8 operações objeto de tributação agora albergadas, no que tange à incidência das contribuições previdenciárias objeto do presente feito, pela imunidade prevista no art. 149, §2o. I, da CRFB. Destarte, adicionalmente à impossibilidade de caracterização de divergência interpretativa, entendo ser também de não se conhecer o recurso, agora por inexistência de interesse recursal na retificação demandada. Assim, voto por não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Assim, tendo em vista as considerações trazidas no voto acima transcrito, bem como a identidade de paradigmas apresentados para discutir o vício decretado pelo acórdão recorrido, encaminho pelo não conhecimento do recurso. Conclusão Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 16753DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13161.001794/2008-93
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO.
Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte.
É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO.
A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de PIS.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO.
Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação.
PIS/PASEP. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125.
No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
COFINS. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO.
Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte.
É de se atentar, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO.
A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO.
Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação.
COFINS. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125.
No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
Numero da decisão: 9303-007.601
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para reformar o Acórdão recorrido reconhecendo os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de PIS. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. PIS/PASEP. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. COFINS. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. COFINS. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
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CRÉDITO. FRETES. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. SELIC. Recorrente COOPERATIVA AGROPECUÁRIA INDUSTRIAL EM LIQUIDAÇÃO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 00 17 94 /2 00 8- 93 Fl. 692DF CARF MF Processo nº 13161.001794/200893 Acórdão n.º 9303007.601 CSRFT3 Fl. 3 2 A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de PIS. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. PIS/PASEP. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. COFINS. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. Fl. 693DF CARF MF Processo nº 13161.001794/200893 Acórdão n.º 9303007.601 CSRFT3 Fl. 4 3 A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. COFINS. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para reformar o Acórdão recorrido reconhecendo os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3302003.298, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE. Fl. 694DF CARF MF Processo nº 13161.001794/200893 Acórdão n.º 9303007.601 CSRFT3 Fl. 5 4 Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelecese o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA. A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANOCALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE. 1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir anocalendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro. 2. O saldo apurado antes do anocalendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária. Fl. 695DF CARF MF Processo nº 13161.001794/200893 Acórdão n.º 9303007.601 CSRFT3 Fl. 6 5 COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições. VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.15835/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins.” Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, insurgindose com as seguintes discussões: (i) dos fretes sobre operações de transferências de mercadorias; (ii) dos fretes sobre compras de fertilizantes e sementes; (iii) do crédito presumido – atividade agroindustrial – produção das mercadorias de origem vegetal classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM; (iv) possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS e Cofins (v) previsão legal para a incidência da Selic. Efetuado o exame de admissibilidade pelo Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, e, após a apresentação de Agravo pelo contribuinte, mediante reexame da admissibilidade pelo Presidente da CSRF, foi dado seguimento ao recurso especial relativamente às matérias “possibilidade de tomada de créditos de PIS/Cofins sobre despesas com fretes relativos a transferência de insumos e Fl. 696DF CARF MF Processo nº 13161.001794/200893 Acórdão n.º 9303007.601 CSRFT3 Fl. 7 6 mercadorias entre estabelecimentos (61.697.4499 e 61.697.4352)”, “possibilidade de tomada de créditos de PIS/Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes – 61.697.999)”; “enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/Cofins (61.697.4350) e “correção dos créditos pela taxa Selic (61.697.4353)”. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que apresentou, dentre outros, os seguintes argumentos: · Permitir que o contribuinte se credite de despesas necessárias, nos termos da legislação do imposto de renda redundaria em um aumento na distorção na base de cálculo dos tributos; · Como visto, na busca pela definição do que deva ser considerado insumo, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, devese adotar um conceito que esteja situado entre a noção de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem do IPI e a ideia de despesas necessárias do IRPJ, compatibilizandose, assim, a não cumulatividade com a materialidade daquelas contribuições; · Há vedação expressa quanto a incidência de juros compensatórios no ressarcimento de créditos de PIS e de Cofins nãocumulativos; · A autorização para ressarcir ou compensar o crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 conforme o inc. I e inc. e II do art. 36 opera efeitos para pedidos de compensação/ressarcimento realizados a partir do primeiro dia do mês subsequente ao da publicação da lei, isto é, a partir de 01/11/2009, tendo em vista que a publicação da Lei 12.058/2009 ocorreu em 14/10/2009; · Uma vez que a própria Lei estipulou expressamente que a compensação na forma do art. 36 não pode ser aplicada para pedidos de compensação anteriores ao mês subsequente à publicação da lei (novembro de 2009), deve ser negado provimento ao recurso especial do contribuinte neste ponto; · Os artigos 13 e 15 da Lei n° 10.833, de 2003, vedam expressamente a incidência da taxa Selic sobre crédito oriundo de ressarcimento de PIS e Cofins nãocumulativa, na medida em que estabelecem que o aproveitamento dessa modalidade de crédito não ensejará atualização monetária ou incidência de juros. É o relatório. Fl. 697DF CARF MF Processo nº 13161.001794/200893 Acórdão n.º 9303007.601 CSRFT3 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.593, de 20/11/2018, proferido no julgamento do processo 13161.001374/200726, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.593): "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os requisitos de conhecimento constantes do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/15 com alterações posteriores. O que concordo com o exame de admissibilidade constante do Despacho de agravo. Eis o que diz o Despacho de agravo (Grifos meus): “[...] O escopo do agravo, nestes termos, é avaliar a adequação do despacho questionado ao recurso especial originalmente formulado pelo interessado, sendo inadmissível inovação destinada a suprir deficiência na demonstração inicial da divergência. O despacho agravado, comum a todos eles, concluiu pelo não seguimento nos seguintes termos: (...) Demonstração da legislação interpretada divergentemente [...] Essa fundamentação alcança as cinco matérias que o recorrente queria levar ao colegiado superior, a saber, a: 1) possibilidade de tomada de créditos de PIS/COFINS sobre 1.1 despesas com fretes relativos a transferências de insumos e mercadorias entre estabelecimentos (61.697.4499 e 61.697.4352); 1.2) despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas a alíquota zero: fertilizantes e sementes (61.697.9999); 2) Enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/COFINS (61.697.4350); 3) Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS (61.697.4350); 4) correção dos créditos pela taxa SELIC (61.697.4353) O agravo apresentado procura demonstrar que o recurso especial cumpriu todos os requisitos regimentais, em especial, a indicação da legislação contrariada. Pede, ao final, que seja dado seguimento a ele na íntegra. Fl. 698DF CARF MF Processo nº 13161.001794/200893 Acórdão n.º 9303007.601 CSRFT3 Fl. 9 8 Com respeito às duas primeiras matérias, afirma que o recurso teria apontado que a legislação contrastada nos acórdãos seria o art. 3º, incisos II e IX das leis instituidoras da nãocumulatividade das contribuições (10.637 e 10.833); quanto à terceira, seria o art. 13 da mesma Lei 10.833, já que o paradigma entendeu que ele não se aplicaria quando houvesse impedimento por parte da Administração. Esses os fatos. Para começar, deve ser enfatizado que os recursos foram apresentados quando já estava em vigor a Portaria MF 39, de fevereiro de 2016, que alterou a redação do § 1º do art. 67 do RICARF para: §1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. Vejase que, com essa alteração, que retirou a expressão "de forma objetiva" antes presente e que vinha levando à interpretação, aqui repetida, de que o parágrafo estaria a impor a indicação precisa e expressa do dispositivo legal interpretado divergentemente, apenas se exige que haja demonstração da legislação tributária que teria sido interpretada de forma divergente. Não se exige, de modo algum, que haja indicação expressa de algum dispositivo legal específico. Essa interpretação menos rigorosa já foi mesmo adotada pela própria Câmara Superior de Recursos Fiscais1: [...] Demais disso, é mesmo fato, como apontado no agravo, que o recurso especial apresentado trazia sim menções às legislações contrariadas. É certo que ele não está estruturado do modo exemplar que caracteriza o despacho que o examinou. Em especial, não destaca ele tópico específico para demonstrar o cumprimento, um a um, dos requisitos previstos no art. 67 do RICARF. Ele principia pela enunciação da matéria que entende ter sido analisada divergentemente, seguida de imediata indicação e transcrição da ementa do pretendido paradigma, passando, ato contínuo, a demonstrar a divergência em si. Isso, não obstante, é igualmente certo que o RICARF, e antes dele o próprio Decreto 70.235, não estabelecem forma rígida para apresentação dos recursos neles previstos. Por isso, ainda que a menção aos atos legais não seja bem ordenada, há de ser reconhecida, e superado, portanto, o óbice apontado. E, por economia processual, vêse desnecessário o retorno dos autos à Câmara recorrida para o exame do cumprimento do requisito material de demonstração da divergência em relação às cinco matérias. Ela é manifesta. Com efeito, a primeira, exatamente na forma como enfrentada no recorrido, o foi no primeiro paradigma arrolado. Lá, contrariamente ao que se decidiu aqui, entendeuse possível a tomada de créditos sobre fretes pagos para o transporte de mercadorias entre estabelecimentos. O mesmo se passa com as outras duas, bastando a leitura de suas ementas para se ver que se trata da mesma matéria com conclusões opostas. Constatase, assim, a presença dos pressupostos de conhecimento do agravo e a necessidade de reforma do despacho questionado. Por tais razões, propõese que o agravo seja ACOLHIDO para DAR seguimento ao recurso especial relativamente às matérias "possibilidade de tomada de créditos de PIS/COFINS sobre despesas com fretes relativos a transferências de insumos e mercadorias entre estabelecimentos (61.697.4499 e 61.697.4352)"; "possibilidade de tomada Fl. 699DF CARF MF Processo nº 13161.001794/200893 Acórdão n.º 9303007.601 CSRFT3 Fl. 10 9 de créditos de PIS/COFINS sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas a alíquota zero: fertilizantes e sementes (61.697.9999)"; "enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/COFINS (61.697.4350)"; "possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS (61.697.4350)" e "correção dos créditos pela taxa SELIC (61.697.4353)". Vêse que, relativamente ao item: · Créditos de fretes sobre operação de transferência de mercadorias, houve demonstração de divergência entre os arestos, vez que o aresto recorrido interpretou de uma forma o inciso IX das Leis 10.637/02 e 10.833/03, diferentemente dos indicados como paradigmas que reconheceram o direito ao crédito sobre o mesmo item; · Créditos de fretes sobre compras de fertilizantes e sementes. O aresto recorrido entendeu pela impossibilidade de se constituir crédito sobre o custo de transporte, vez que a mercadoria importada transportada não teria sido onerada pelas contribuições. E os paradigmas se direcionam pelo reconhecimento dos mesmos créditos, vez que o custo do transporte não se vincula ao tratamento tributário dada às mercadorias objeto desse transporte. · Enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/COFINS Da mesma forma, houve a divergência, vez que o aresto paradigma reconhece o direito a apuração e ressarcimento do crédito sobre essas mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12 do NCM. · Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS Vide item acima. · Taxa Selic, da mesma forma houve a divergência. Em vista de todo o exposto, conheço o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo na parte admitida em despacho de agravo – ou seja, das seguintes matérias: · Possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos a transferências de insumos e mercadorias entre estabelecimentos; · Possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes); e · Enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/COFINS · Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS · Correção dos créditos pela taxa Selic. Ventiladas tais considerações, quanto às duas primeiras matérias trazidas e que envolvem a constituição de crédito de PIS e Cofins, passo a discorrer. Fl. 700DF CARF MF Processo nº 13161.001794/200893 Acórdão n.º 9303007.601 CSRFT3 Fl. 11 10 No que tange à discussão envolvendo a possibilidade ou não de tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre os custos de fretes nas transferências internas de mercadorias, recordase que essa discussão já foi apreciada por nossa turma, tendo sido firmado posicionamento de que os custos de frete de mercadorias entre estabelecimentos gerariam o direito à constituição e crédito. Frisese a ementa do acórdão 9303005.156: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIAS PRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matérias primas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matériaprima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto.” Nesse ínterim, proveitoso citar os acórdãos 9303005.155, 9303005.154, 9303 005.153, 9303005.152, 9303005.151, 9303005.150, 9303005.116, 9303006.136, 9303 006.135, 9303006.134, 9303006.133, 9303006.132, 9303006.131, 9303006.130, 9303 006.129, 9303006.128, 9303006.127, 9303006.126, 9303006.125, 9303006.124, 9303 006.123, 9303006.122, 9303006.121, 9303006.120, 9303006.119, 9303006.118, 9303 006.117, 9303006.116, 9303006.115, 9303006.114, 9303006.113, 9303006.112, 9303 006.111, 9303005.135, 9303005.134, 9303005.133, 9303005.132, 9303005.131, 9303 005.130, 9303005.129, 9303005.128, 9303005.127, 9303005.126, 9303005.125, 9303 005.124, 9303005.123, 9303005.122, 9303005.121, 9303005.127, 9303005.126, 9303 005.125, 9303005.124, 9303005.123, 9303005.122, 9303005.121, 9303005.120, 9303 005.119, 9303005.118, 9303005.117, 9303006.110, 9303004.311, etc. Não obstante, para melhor elucidar meu entendimento, passo a discorrer a priori sobre o conceito de insumos, vez que influenciará na questão da segmentação das atividades da recorrente. Fl. 701DF CARF MF Processo nº 13161.001794/200893 Acórdão n.º 9303007.601 CSRFT3 Fl. 12 11 Primeiramente, sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito do PIS e da Cofins trazida pela Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03, não é demais enfatizar que se tratava de matéria controvérsia – pois em fevereiro de 2018 o STJ, em sede de recurso repetitivo, definiu que o conceito de insumo, para fins de constituição de crédito de PIS e de Cofins, deve observar o critério da essencialidade e relevância – considerandose a imprescindibilidade do item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte.. Definiu, ainda, ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas IN SRF 247 e 404 que, por sua vez, traz um entendimento mais restritivo que descrita na lei. Nessa linha, efetivamente a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, ainda que o acórdão do STJ não tenha sido publicado, tal como já entendia, expresso que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pela contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante recordar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Fl. 702DF CARF MF Processo nº 13161.001794/200893 Acórdão n.º 9303007.601 CSRFT3 Fl. 13 12 Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Fl. 703DF CARF MF Processo nº 13161.001794/200893 Acórdão n.º 9303007.601 CSRFT3 Fl. 14 13 Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. Tal como expressou o STJ em recente decisão. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Fl. 704DF CARF MF Processo nº 13161.001794/200893 Acórdão n.º 9303007.601 CSRFT3 Fl. 15 14 Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Fl. 705DF CARF MF Processo nº 13161.001794/200893 Acórdão n.º 9303007.601 CSRFT3 Fl. 16 15 Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E Fl. 706DF CARF MF Processo nº 13161.001794/200893 Acórdão n.º 9303007.601 CSRFT3 Fl. 17 16 COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição Fl. 707DF CARF MF Processo nº 13161.001794/200893 Acórdão n.º 9303007.601 CSRFT3 Fl. 18 17 essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: “COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Nessa linha, aguardamos o transito em julgado da decisão do STJ proferida após apreciação, em sede de repetitivo, do REsp1.221.170 – e que trouxe, pelas discussões e votos proferidos, o mesmo entendimento já aplicável pelas suas turmas e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Privilegiando, assim, a segurança jurídica que tanto merece a Fazenda Nacional e o sujeito passivo. Passadas tais considerações, tenho que os custos de fretes de mercadorias entre estabelecimentos são essenciais e pertinentes à sua atividade. O que geraria crédito de PIS e Cofins. Proveitoso ainda trazer que, recentemente, a PGFN publicou a Nota SEI 63/18 – dispondo sobre o conceito de insumo para fins de constituição de crédito de PIS e Cofins não cumulativo, considerando o decidido, em sede de repetitivo, pelo STJ que, por sua vez, entendeu ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas INs SRF 247/2002 e 404/2004. Traz, em síntese, que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. E que para constatarmos que tal item seria essencial e pertinente à atividade do sujeito passivo, seria importante fazer o “teste de subtração”. Eis a parte que traduz esse teste: “[...] Fl. 708DF CARF MF Processo nº 13161.001794/200893 Acórdão n.º 9303007.601 CSRFT3 Fl. 19 18 41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo. [...]” Ou seja, se aplicarmos o teste de subtração para tal custo – a atividade do sujeito passivo seria efetivamente prejudicada. Em vista do exposto e, considerando o entendimento que esse Colegiado tem proferido, voto por dar provimento ao recurso nessa parte, reconhecendo o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de mercadorias entre estabelecimentos. Continuando, relativamente à outra discussão, qual seja, possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes), entendo que tais fretes são essenciais e pertinentes à atividade do sujeito passivo – o que geraria crédito de PIS e Cofins. Ora, é de se atentar que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição – art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis 10.637/02 e 10.833/03. Não há vedação legal e tais custos são essenciais à sua atividade. É de se clarificar que a constituição do crédito observou tão somente os valores referentes às despesas de fretes dos produtos, e não os valores de aquisição dos insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições. Em vista do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo nessa parte. Fl. 709DF CARF MF Processo nº 13161.001794/200893 Acórdão n.º 9303007.601 CSRFT3 Fl. 20 19 (...)1 Direcionandome para a última matéria trazida em recurso, qual seja, se há ou não correção pela taxa Selic sobre os créditos da Contribuição para o PIS e Cofins, decorrentes da aplicação do regime da não cumulatividade, independentemente da forma de aproveitamento, curvome à Súmula CARF 125, recémpublicada – que já definiu entendimento no âmbito administrativo: “Súmula CARF nº 125 No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Sendo assim, nessa parte, nego provimento ao recurso do contribuinte. Diante do exposto, conheço o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo e dou provimento parcial ao seu recurso." (...) "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, discordo de sua conclusão, quanto ao enquadramento da atividade de cerealista, como atividade industrial, para efeito de gozo do crédito presumido da agroindústria do PIS e da Cofins, e, consequentemente, quanto ao ressarcimento/compensação do seu saldo credor trimestral. O contribuinte pleiteia créditos presumidos da agroindústria, a título de PIS e da Cofins, calculados sobre os custos das aquisições de produtos agrícolas in natura (soja e milho), beneficiados e vendidos por ele também in natura. No entanto, somente faz jus a esse crédito as pessoas jurídicas produtoras de mercadorias de origem animal e vegetal, conforme estabelece a Lei nº 10.925, de 23 de junho de 2004, que assim dispõe: "Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: 1 Não se transcreveu, do voto da relatora do processo paradigma, a parte que tratou do enquadramento da atividade de cerealista como atividade industrial e do consequente direito ao aproveitamento do crédito presumido da agroindústria (a título de PIS e Cofins), por manifestar entendimento que restou vencido na votação, não se aplicando, portanto, à solução do litígio do presente processo. Contudo, a íntegra do voto consta do Acórdão 9303007.593 (processo 13161.001374/200723). Fl. 710DF CARF MF Processo nº 13161.001794/200893 Acórdão n.º 9303007.601 CSRFT3 Fl. 21 20 I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (...); III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...). § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; (destaques não originais) (...)." No presente caso, conforme demonstrados nos autos, o contribuinte não utilizou os produtos agrícolas, soja e milho, como matériasprimas para a fabricação de produtos derivados desses cereais. Não houve industrialização alguma. Os cereais foram adquiridos, beneficiados e comercializados in natura nos mercados interno e externo. De fato, o contribuinte exerceu apenas e tão somente as atividades de limpar, secar, padronizar, armazenar e comercializar os cereais, soja e milho, in natura, ou seja, exerceu atividade agrícola que se enquadra no § 4º, inciso I, do art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, citado e transcrito anteriormente, que veda, de forma expressa, o aproveitamento de crédito presumido da agroindústria para tal atividade. Além disto, segundo o disposto no art. 8º, citado e transcrito anteriormente, a pessoa jurídica para ter direito ao crédito presumido da agroindústria deve produzir mercadorias classificadas nos capítulos e códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul elencados no caput do artigo. As mercadorias produzidas industrialmente devem ser destinadas à alimentação humana ou animal e as pessoas jurídicas produtoras devem adquirir as matériasprimas de pessoas físicas, de cerealista ou de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e/ ou de cerealista, conforme previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de junho de 2004. Quanto ao ressarcimento/compensação do saldo credor do crédito presumido da agroindústria, ora reclamado, embora o julgamento desta matéria tenha ficado prejudicado, em virtude do não reconhecimento do direito de o contribuinte aproveitar tais créditos, demonstrase, a seguir, a falta de amparo legal para o seu ressarcimento/compensação. O crédito presumido da agroindústria referente ao PIS e à Cofins foi inicialmente instituído pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003, art. 3º, § 11, foi extinto pela Lei nº 10.925, de 23/07/2004, art. 16, convertida da MP nº 183, de 30/4/2004. Contudo, esta mesma lei o reinstituiu, nos termos do art. 8º, já citado e transcrito anteriormente, e art. 15, que assim dispõe: Fl. 711DF CARF MF Processo nº 13161.001794/200893 Acórdão n.º 9303007.601 CSRFT3 Fl. 22 21 "Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (destaque não original) [...]." Ora, segundo o disposto nos art. 8º e 15, citados e transcritos anteriormente, o crédito presumido da agroindústria somente pode ser utilizado para a dedução da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, inexistindo previsão legal para o ressarcimento/compensação. Com efeito, não é despiciendo reiterar que a compensação e o ressarcimento admitidos pelo art. 6º da Lei n° 10.833, de 2003, contemplam unicamente aos créditos apurados na forma do art. 3º daquela lei, assim dispondo: "Art. 6º A Cofins não incidirá sobre as receias decorrentes das operações de: [...]; § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art 3º, para fins de: (destaque não original) [...]." Neste diapasão, a IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, dispõe em seu art. 21: “Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637. de 30 de dezembro de 2002. e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: (destaque não original) [...].” Segundo, estes dispositivos legais, apenas os créditos apurados na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, podem ser objeto de pedido de restituição/compensação, ou seja, os créditos sobre insumos adquiridos com incidência da contribuição cujo ônus do pagamento efetivo é do adquirente. Os créditos presumidos da agroindústria não são apurados na forma daquele artigo, mas sim nos termos do art. 8º, § 3º da Lei nº 10.925, de 23/07/2004. Já suas utilizações estão previstas no próprio art. 8º e no art. 15, desta mesma lei, citados e transcritos anteriormente, ou seja, podem ser utilizados apenas e tão somente para dedução da contribuição devida em cada período de apuração. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte, quanto ao aproveitamento de crédito presumido da agroindústria, a título de PIS e Cofins, e, consequentemente, não reconhecer o seu direito ao ressarcimento/compensação de tais créditos." Fl. 712DF CARF MF Processo nº 13161.001794/200893 Acórdão n.º 9303007.601 CSRFT3 Fl. 23 22 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para reconhecer os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes relativos ao transporte de insumos adquiridos com alíquota zero. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 713DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000184/2011-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
Não constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de diligência considerada desnecessária, prescindível e formulado sem atendimento aos requisitos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72.
IRPJ- SIMPLES. DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO - RECEITA NÃO DECLARADA. OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA DIRETA.
A exclusão do SIMPLES, no caso de excesso de receita bruta no ano-calendário da ocorrência da diferença de base de cálculo - receita não declarada - omissão de receitas-, dá-se com efeito jurídico a partir do ano-calendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9° (Lei nº 9.317/96, art. 15, IV). Logo, por conta do excesso de receita bruta não há que se falar em exclusão do SIMPLES no ano-calendário da ocorrência do excesso de receita bruta, mas sim a partir do início do ano subsequente.
Configura prova direta da infração diferença de base de cálculo não declarada - omissão de receitas - lançamento de ofício dos tributos do Simples Federal com base nos dados de receita bruta mensal informados na declaração mensal do ICMS, cujos dados foram repassados à Receita Federal por convênio de cooperação técnica pelo fisco estadual.
INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DOS TRIBUTOS DO SIMPLES. RECEITA DECLARADA - DIFERENÇA DE ALÍQUOTA - INFRAÇÃO REFLEXA.
Mantida a infração principal diferença de base de cálculo - receita não declarada, implica, por decorrência, a manutenção da infração - insuficiência de recolhimento dos tributos do Simples acerca da receita informada na Declaração Simplificada do Simples - diferença de alíquota (infração reflexa).
LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL-Simples, PIS-Simples, Cofins - Simples e Contribuição para Seguridade Social - INSS - Simples.
Mantido o lançamento principal, por decorrência devem ser mantidos também os lançamentos reflexos, pela conexão dos fatos e provas, e inexistindo razão fática e jurídica para decidir diversamente.
Numero da decisão: 1301-003.626
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto- Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, substituída pelo conselheiro Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Não constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de diligência considerada desnecessária, prescindível e formulado sem atendimento aos requisitos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72. IRPJ- SIMPLES. DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO - RECEITA NÃO DECLARADA. OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA DIRETA. A exclusão do SIMPLES, no caso de excesso de receita bruta no ano-calendário da ocorrência da diferença de base de cálculo - receita não declarada - omissão de receitas-, dá-se com efeito jurídico a partir do ano-calendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9° (Lei nº 9.317/96, art. 15, IV). Logo, por conta do excesso de receita bruta não há que se falar em exclusão do SIMPLES no ano-calendário da ocorrência do excesso de receita bruta, mas sim a partir do início do ano subsequente. Configura prova direta da infração diferença de base de cálculo não declarada - omissão de receitas - lançamento de ofício dos tributos do Simples Federal com base nos dados de receita bruta mensal informados na declaração mensal do ICMS, cujos dados foram repassados à Receita Federal por convênio de cooperação técnica pelo fisco estadual. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DOS TRIBUTOS DO SIMPLES. RECEITA DECLARADA - DIFERENÇA DE ALÍQUOTA - INFRAÇÃO REFLEXA. Mantida a infração principal diferença de base de cálculo - receita não declarada, implica, por decorrência, a manutenção da infração - insuficiência de recolhimento dos tributos do Simples acerca da receita informada na Declaração Simplificada do Simples - diferença de alíquota (infração reflexa). LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL-Simples, PIS-Simples, Cofins - Simples e Contribuição para Seguridade Social - INSS - Simples. Mantido o lançamento principal, por decorrência devem ser mantidos também os lançamentos reflexos, pela conexão dos fatos e provas, e inexistindo razão fática e jurídica para decidir diversamente.
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OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente HARMONIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO EIRELI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Não constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de diligência considerada desnecessária, prescindível e formulado sem atendimento aos requisitos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72. IRPJ SIMPLES. DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO RECEITA NÃO DECLARADA. OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA DIRETA. A exclusão do SIMPLES, no caso de excesso de receita bruta no ano calendário da ocorrência da diferença de base de cálculo receita não declarada omissão de receitas, dáse com efeito jurídico a partir do ano calendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9° (Lei nº 9.317/96, art. 15, IV). Logo, por conta do excesso de receita bruta não há que se falar em exclusão do SIMPLES no anocalendário da ocorrência do excesso de receita bruta, mas sim a partir do início do ano subsequente. Configura prova direta da infração diferença de base de cálculo não declarada omissão de receitas lançamento de ofício dos tributos do Simples Federal com base nos dados de receita bruta mensal informados na declaração mensal do ICMS, cujos dados foram repassados à Receita Federal por convênio de cooperação técnica pelo fisco estadual. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 01 84 /2 01 1- 05 Fl. 336DF CARF MF Processo nº 19515.000184/201105 Acórdão n.º 1301003.626 S1C3T1 Fl. 337 2 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DOS TRIBUTOS DO SIMPLES. RECEITA DECLARADA DIFERENÇA DE ALÍQUOTA INFRAÇÃO REFLEXA. Mantida a infração principal diferença de base de cálculo receita não declarada, implica, por decorrência, a manutenção da infração insuficiência de recolhimento dos tributos do Simples acerca da receita informada na Declaração Simplificada do Simples diferença de alíquota (infração reflexa). LANÇAMENTO REFLEXO: CSLLSimples, PISSimples, Cofins Simples e Contribuição para Seguridade Social INSS Simples. Mantido o lançamento principal, por decorrência devem ser mantidos também os lançamentos reflexos, pela conexão dos fatos e provas, e inexistindo razão fática e jurídica para decidir diversamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, substituída pelo conselheiro Ângelo Abrantes Nunes. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 19515.000184/201105 Acórdão n.º 1301003.626 S1C3T1 Fl. 338 3 Relatório Tratase do Recurso Voluntário (efls. 306/312) em face do Acórdão da 13ª Turma da DRJ/São Paulo I que julgou a Impugnação improcedente quanto aos autos de infração do SIMPLES Federal, anocalendário 2006 (efls. 268/280). Quanto aos fatos, consta dos autos: que, em 31/01/2011, a fiscalização da DFI/São Paulo lavrou Autos de Infração do SIMPLES Federal (IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e Contribuição para Seguridade Social INSS), anocalendário 2006, ao imputar as seguintes infrações com multa de 75% (e fls. 118/184), in verbis: (...) 001 DIFERENÇA DE BASE DE CALCULO Valor apurado conforme Termo de Verificação que faz parte integrante deste Auto de Infração. Fato Gerador Valor Tributável (R$) Multa (%) 31/01/2006 2.087.050,11 75,00 28/02/2006 2.068.222,45 75,00 28/02/2006 149.972,64 75,00 31/03/2006 2.342.598,84 75,00 30/04/2006 1.760.000,00 75,00 31/05/2006 1.729.000,00 75,00 30/06/2006 700.000,00 75,00 31/07/2006 69.405,00 75,00 31/08/2006 18.000,00 75,00 30/09/2006 3.531.856,80 75,00 31/10/2006 2.384.000,00 75,00 30/11/2006 2.526.000,00 75,00 31/12/2006 925.995,36 75,00 ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. 2°, § 2°, 3°, §1°, alínea "a", 5° e 7°, §1°, da Lei n° 9.317/96; Art. 3° da Lei n° 9.732/98; Arts. 186 e 188 , do RIR/99. 002 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO (infração reflexa) Insuficiência de valor recolhido apurada conforme Termo de Verificação Fiscal que faz parte integrante deste Auto de infração. Fl. 338DF CARF MF Processo nº 19515.000184/201105 Acórdão n.º 1301003.626 S1C3T1 Fl. 339 4 (...) ENQUADRAMENTO LEGAL Art. 5° da Lei n° 9.317/96 c/c art.3° da Lei n° 9.732/98; Arts. 186 e 188,do RIR/99. (...) que integra o lançamento fiscal o Termo de Verificação Fiscal (efls. 114/117), e do qual se extrai a narrativa dos fatos pela fiscalização da RFB: (...) III Da Ação fiscal (...) Mediante o convênio firmado entre a Secretaria da Receita Federal do Brasil e a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo — SEFAZ/SP, convenio ICMS CONFAZ Nº 144 de 13 de dezembro de 2002, e com base no convênio RFB nº 02337/2008 de 30/05/2008, obtivemos acesso ao sistema informatizado da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo — SEFAZ/SP, de onde consultamos e imprimimos Relatórios denominados "NOVA GIA — Relatório: CFOP —Saídas", cujas copias seguem anexas ao presente. ºEsta fiscalização obteve, cópias das GIA's Guias Nacionais de Informação e Apuração do ICMS transmitidas pela empresa COMERCIAL HARMONIA MERCADO LTDA CNPJ n 05.898.007/000196, IE nº 116.678.527.117, referentes ao períodobase de 2006. (...) Na declaração PJSI2007, anocalendário de 2006, entregue à RFB SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL o Contribuinte informou o valor Total anual de R$ 784.520,40 de Receita Bruta, valor esse distinto do total apresentado/declarado através das GIAS's Guias Nacionais de Informação e Apuração do ICMS entregues/declaradas Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, que coincide com o Livro de Saídas de mercadorias do contribuinte apresentado a esta fiscalização, conforme a seguir indicado: (...) Fl. 339DF CARF MF Processo nº 19515.000184/201105 Acórdão n.º 1301003.626 S1C3T1 Fl. 340 5 (...) (...) que as alíquotas aplicadas são as seguintes, conforme faixa de receita bruta acumulada mensalmente, Demonstrativos de Cálculo extraído dos Autos de Infração: Fl. 340DF CARF MF Processo nº 19515.000184/201105 Acórdão n.º 1301003.626 S1C3T1 Fl. 341 6 (...) que o crédito tributário lançado de ofício, anocalendário 2006, na data da lavratura dos Autos de Infração do SIMPLES Federal, perfaz o montante de R$ 6.812.514,91, assim discriminado por exação fiscal: Autos de Infração Principal (R$) Juros de Mora (calculados até 30/12/2010) (R$) Multa de Ofício 75% (R$) Total (R$) IRPJSimples 216.720,53 101.854,93 162.540,34 481.115,80 PIS Simples 158.534,64 74.525,14 118.900,93 351.960,71 Cofins Simples 635.507,76 298.675,03 476.630,77 1.410.813,56 CSLL Simples 216.720,53 101.854,93 162.540,34 481.115,80 Contrib. Seg. Social INSSSimples 1.841.225,06 865.365,25 1.380.918,74 4.087.509,05 Total (R$) 6.812.514,91 Ciente do lançamento fiscal, a contribuinte apresentou Impugnação cujas razões, em apertada síntese, são as seguintes, constantes do relatório da decisão recorrida (efls. 268/280) que transcrevo: (...) 3. O Contribuinte apresentou, tempestivamente (fls. 261), impugnação à autuação (razões às fls. 190/196). Acompanham a impugnação as seguintes cópias (fls.197/256): planilha contendo demonstrativo dos valores originais dos tributos e contribuições de acordo com a legislação; folhas de pagamento de salários de janeiro a dezembro e do 13º salário, de 2006; folhas do livro de registro de empregados; recibo de entrega e protocolo de entrega via internet da RAIS, ano base 2006. Em síntese, as alegações impugnativas, após relatar os fatos, são: 3.1. Inicialmente articula no sentido de que a presunção de omissão de receitas teve como fundamento os artigos 2.º, 5º e 7º da Lei nº 9.317/96; art. 3º da Lei 9.732/98; artigos 186 e 188 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). 3.2. Afirma que a empresa, de pequeno porte, obteve crescimento no volume de vendas e, por consequência e no mesmo sentido, as operações financeiras e administrativas. Assim, ao priorizar o atendimento, pagamentos e recebimentos, seu controle administrativo e os registros contábeis restaram prejudicados, situação esta sanada no ano de 2007 e seguintes. 3.3. Reconhece que “as divergências apuradas entre as informações prestadas, pela própria empresa, ao fisco federal e ao fisco estadual evidenciam a perda temporária do controle administrativo, contábil e fiscal” e acrescenta que durante a ação fiscal iniciou a reconstituição de sua escrituração contábil para 2006 “e que deve estar concluída até meados do mês de março de 2011”. Fl. 341DF CARF MF Processo nº 19515.000184/201105 Acórdão n.º 1301003.626 S1C3T1 Fl. 342 7 3.4. Alega que o Fisco constatou a impossibilidade material de atendimento às intimações “em função das deficiências evidentes nos controles e na escrita contábil” e, mesmo assim adotou para o lançamento a tributação mais onerosa, em total descumprimento à Legislação Tributária Federal. 3.5. Afirma que procedimento adotado pelo Fisco de manter a tributação pelo Regime do Simples e não as normas legais para a aplicação do Lucro Arbitrado evidencia a intenção de penalizar e exigir do contribuinte mais do que determina a lei, além da prática de confisco, desrespeitando a Constituição Federal em seu Artigo 150, inciso IV, especialmente quanto as contribuições ao INSS. 3.6. Entende que o arbitramento do lucro é a medida legal aplicável ao presente caso com fundamento no art. 530 do RIR/99 que transcreve, acrescentando que o art. 112 do CTN corrobora sua interpretação. Alega que a aplicação do regime de tributação do SIMPLES, no presente caso, contraria a Constituição Federal em seu art. 146, II, “d”, por força da Emenda Constitucional nº 42/2003 que prevê o tratamento diferenciado e favorecido para as empresas de pequeno porte. 3.7. Acrescenta que neste caso o tratamento foi diferenciado, mas muito mais oneroso, além de ilegal, conforme demonstra em sua planilha que contém o demonstrativo dos valores originais dos Tributos e Contribuições apurados de acordo com a legislação. 3.8. Demonstra, com base nos dados de suas folhas de pagamento, que o lançamento da Contribuição para o INSS, para o ano de 2006, representa mais de 65 vezes o montante dos salários anuais brutos e mais de 183 vezes o valor devido durante o ano pelo empregado e empregador e apurado de acordo com os Artigos 12, 15, 20 e 22 a Lei nº 8.212 de 24 de Julho de 1991. 3.9. Além dos documentos juntados (folhas de pagamento, registro de empregados e RAIS) requer a realização de diligência para confirmação dos registros e alegações apresentadas quanto aos funcionários e seus respectivos salários e encargos. 3.10. Em seu pedido requer a revisão e até o cancelamento do Auto de Infração do Imposto de Renda e dos Autos de Infração do PIS, CSLL, COFINS, e INSS, decorrentes da fiscalização do Imposto de Renda e o arquivamento definitivo do processo administrativo fiscal. (...) Na sessão de 12/07/2013, a 13ª Turma da DRJ/São Paulo I julgou a Impugnação improcedente, conforme Acórdão (efls. 268/280), cuja ementa e parte dispositiva transcrevo, in verbis: (...) Fl. 342DF CARF MF Processo nº 19515.000184/201105 Acórdão n.º 1301003.626 S1C3T1 Fl. 343 8 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 Ementa: PEDIDO DE DILIGÊNCIA. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo as exceções constantes no § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72 e a solicitação de diligência ou perícia deve obedecer ao disposto no inciso IV do mesmo dispositivo legal. SUSTENTAÇÃO ORAL EM SESSÃO DE JULGAMENTO E/OU APRESENTAÇÃO DE MEMORIAIS. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO NA LEGISLAÇÃO QUE REGE O PROCESSO ADMINISTRATIVO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. Deve ser indeferido o pedido de sustentação oral em sessão de julgamento na primeira instância administrativa, bem como o pedido de apresentação de memoriais, tendo em vista a falta de previsão na legislação pertinente, em especial o Decreto 70.235/72 e a Portaria MF nº 341/2011. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. DIVERGÊNCIA ENTRE VALORES DA DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA E VALORES REGISTRADOS EM LIVROS FISCAIS E DECLARADOS EM GIA DO ICMS. Justificase o lançamento dos tributos do Simples quando apurado com base na divergência entre os valores constantes da declaração simplificada e os escriturados e declarados ao fisco estadual, nas GIA do ICMS. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Acordam os membros da 13ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. (...) Fl. 343DF CARF MF Processo nº 19515.000184/201105 Acórdão n.º 1301003.626 S1C3T1 Fl. 344 9 Ciente desse decisum em 14/07/2014 no Portal eCAC (efls. 303/304), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 21/07/2014 (efls. 306/312), cujas razões, em apertada síntese, são as seguintes: que, apesar de ser empresa de pequeno porte, com reduzido quadro de pessoal (sócios e empregados), obteve um grande crescimento no volume de vendas e por consequência das operações financeiras e administrativas; que a prioridade foi para o atendimento ao crescimento dos pedidos e o consequente aumento das compras de mercadorias, dos pagamentos e recebimentos, que prejudicaram os controles administrativos e os registros contábeis por falta de estrutura gerencial adequada, fato saneado no ano de 2007 e seguintes; que as divergências apuradas entre as informações prestadas, pela própria empresa, ao fisco federal e ao fisco estadual evidenciam a perda temporária do controle administrativo, contábil e fiscal; que as falhas ocorridas em 2006, além das divergências nas informações prestadas ao fisco, provocaram a impossibilidade da identificação, na escrita contábil livro caixa, da efetiva movimentação financeira da empresa, inclusive a bancária; que durante a Ação Fiscal a empresa iniciou a reconstituição de sua escrituração contábil para o ano de 2006 e que deve estar concluída até meados do mês de março de 2011; que o fisco, mesmo tendo constatado, a impossibilidade material para o atendimento às suas intimações em função das deficiências evidentes nos controles e na escrita contábil, adotou, para o lançamento do Imposto de Renda e das Contribuições Sociais a tributação mais onerosa em total descumprimento à Legislação Tributária Federal; que a divergência entre os dados informados ao fisco Federal e Estadual no valor de R$ 20.292.101,20, para uma receita apurada na escrituração e declarada de R$ 784.520,40, demonstra que os registros não refletiram a movimentação financeira da empresa; que o procedimento adotado pelo fisco de manter a tributação pelo Regime do SIMPLES, e não cumprir as normas legais para a aplicação do Lucro Arbitrado evidencia a intenção de penalizar e exigir do contribuinte mais do que determina a lei, além da prática de confisco, desrespeitando a Constituição Federal em seu Artigo 150 inciso IV, notadamente quanto às contribuições ao INSS; que não há duvida de que o regime de tributação a ser aplicado é o LUCRO ARBITRADO e, se dúvida existisse, a sua aplicação está determinada pelo Código Tributário Nacional em seu Artigo 112; que a aplicação do regime de tributação do SIMPLES, neste caso, contraria a Constituição Federal em seu Artigo 146, III, d, por força de Emenda Constitucional 42 de 2003, que prevê tratamento diferenciado e favorecido para as empresas de pequeno porte; que o tratamento diferenciado e favorecido previsto na Constituição Federal, no caso não foi aplicado. Pelo contrário, foi aplicado regime de apuração mais oneroso, sendo ilegal; Fl. 344DF CARF MF Processo nº 19515.000184/201105 Acórdão n.º 1301003.626 S1C3T1 Fl. 345 10 que o lançamento da Contribuição para o INSS, para o ano de 2006, representa mais de 65 vezes o montante dos salários anuais brutos e mais de 183 vezes o valor devido durante o ano pelo empregado e empregador; que a recorrente, mesmo tendo apresentado na impugnação as folhas de pagamento, fichas de registro de empregados, requer a realização de diligência para confirmação de que esses registros estão vinculados a todos os funcionários da empresa com seus respectivos salários e encargos; que a realização de diligência terá condições de conformar que esses registros estão vinculados a todos os funcionários, com seus respectivos salários e encargos e ressaltará ainda mais o ERRO DE DIREITO que está eivado o lançamento fiscal, com a brutal exigência do INSS em face dos irrelevantes valores da folha de pagamento e respectivos encargos e que, ainda, foi indevido o regime de tributação adotado pela fiscalização; Por fim, a recorrente, por essas razões já mencionadas, pediu revisão, o cancelamento dos autos de infração do SIMPLES Federal e o arquivamento definitivo do processo administrativo fiscal. É o relatório. Fl. 345DF CARF MF Processo nº 19515.000184/201105 Acórdão n.º 1301003.626 S1C3T1 Fl. 346 11 Voto Conselheiro Relator Nelso Kichel O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Portanto, conheço do recurso. A lide versa acerca dos autos de infração do SIMPLES Federal, ano calendário 2006. O fisco federal apurou diferença de base de cálculo não oferecida à tributação (receita bruta não declarada), anocalendário 2006, no valor de R$ 20.292.101,20 = (R$ 21.076.621,61 R$ 784.520,40), imputando as seguintes infrações: a) omissão de receitas diferença de base de cálculo; e, b) insuficiência de recolhimento quanto à receita declarada no SIMPLES Federal mudança de faixa de alíquota decorrente da omissão de receitas (infração reflexa). No caso, tratase de omissão de receita apurada mediante prova direta a partir dos dados constantes do livro Registro de Saídas e das GIA's Guias de Informação e Apuração do ICMS disponibilizadas, repassadas pelo fisco estadual de São Paulo à Receita Federal do Brasil, por força de Convênio de Cooperação Técnica. A propósito, nessa parte transcrevo a narrativa dos fatos constante do Termo de Verificação Fiscal (efls. 114/117), in verbis: (...) III Da Ação fiscal (...) Mediante o convênio firmado entre a Secretaria da Receita Federal do Brasil e a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo — SEFAZ/SP, convenio ICMS CONFAZ Nº 144 de 13 de dezembro de 2002, e com base no convênio RFB nº 02337/2008 de 30/05/2008, obtivemos acesso ao sistema informatizado da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo — SEFAZ/SP, de onde consultamos e imprimimos Relatórios denominados "NOVA GIA — Relatório: CFOP —Saídas", cujas copias seguem anexas ao presente. ºEsta fiscalização obteve, cópias das GIA's Guias Nacionais de Informação e Apuração do ICMS transmitidas pela empresa COMERCIAL HARMONIA MERCADO LTDA CNPJ n 05.898.007/000196, IE nº 116.678.527.117, referentes ao períodobase de 2006. Fl. 346DF CARF MF Processo nº 19515.000184/201105 Acórdão n.º 1301003.626 S1C3T1 Fl. 347 12 (...) Na declaração PJSI2007, anocalendário de 2006, entregue à RFB SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL o Contribuinte informou o valor Total anual de R$ 784.520,40 de Receita Bruta, valor esse distinto do total apresentado/declarado através das GIAS's Guias Nacionais de Informação e Apuração do ICMS entregues/declaradas Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, que coincide com o Livro de Saídas de mercadorias do contribuinte apresentado a esta fiscalização, conforme a seguir indicado: (...) IV DA CONSTATAÇÃO Foi constatada divergência entre os valores declarados na PJSI 2007 anocalendário 2006 e os valores escriturados no Livro de Saída/Declarados na GIA, referentes ao ano calendário de 2006, se caracterizando assim como Declaração Inexata. Assim foram tributadas as DIFERENÇAS MENSAIS DE VENDAS APURADAS já demonstradas no quadro acima, com total anual de R$ 20. 292.101,20. (...) Nas razões de defesa do recurso, conforme já relatado, a recorrente: a) não rechaçou, não negou a ocorrência ou existência da omissão de receita apurada pelo fisco federal. Pelo contrário, a recorrente reconheceu, admitiu, que deixara de declarar e submeter à tributação do SIMPLES Federal, anocalendário 2006, o citado montante de receita bruta (omissão de receitas); que houve o fato constitutivo do direito do fisco. b) aduziu, porém, que o fisco cometera equívoco quanto ao regime de tributação aplicado; que não se aplicaria, no caso, o regime de tributação do SIMPLES Federal, mas sim do Lucro Arbitrado de ofício em face da imprestabilidade da escrituração contábil; que esse lapso ou erro do fisco, além disso, teria implicado tributação mais onerosa, ou seja, a exigência dos tributos no regime do Simples Federal. A recorrente pediu, caso exista dúvida acerca de suas alegações, que seja convertido o julgamento em diligência para comprovação, certificação de suas alegações e, assim, seja dado provimento ao recurso para cancelamento dos autos de infração do SIMPLES e determinado o arquivamento dos autos do processo. Vale dizer, nas razões de defesa a recorrente admitiu os fatos imputados pelo fisco, porém negou efeitos jurídicos. Passo a enfrentar os pontos controvertidos. Não procedem as alegações da recorrente contra os autos de infração do SIMPLES Federal, anocalendário 2006. Fl. 347DF CARF MF Processo nº 19515.000184/201105 Acórdão n.º 1301003.626 S1C3T1 Fl. 348 13 IRPJ SIMPLES REGIME DE APURAÇÃO DO SIMPLES FEDERAL. DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO RECEITA NÃO DECLARADA. OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA DIRETA Não houve erro ou equívoco do fisco na aplicação do regime de apuração do SIMPLES Federal. No anocalendário 2006, o sujeito passivo estava submetido ao regime de apuração do SIMPLES Federal por opção do próprio sujeito passivo, conforme Declaração do SIMPLES PJSI 2007, transmitida ou entregue ao fisco federal em 29/05/2007 (efls. 06/23). O lançamento fiscal de ofício, no caso, referese aos períodos mensais de apuração do anocalendário 2006. No regime do SIMPLES Federal a tributação dáse pela aplicação direta da correspondente alíquota sobre a faixa de receita bruta acumulada até o respectivo mês, dispensado o controle de despesas ou custos. Intimada a contribuinte, durante o procedimento de fiscalização apresentou o livro de Registro de Saídas (vendas de mercadorias) do anocalendário 2006 (efls. 32/83). Por força de Convênio de Cooperação Técnica, a fiscalização da RFB obteve, conseguiu, as GIA ICMS da contribuinte, as quais foram disponibilizadas ou fornecidas pela Secretaria de Estado da Fazenda do Estado de São Paulo. Assim, apurada a receita bruta, mensalmente, do anocalendário 2006 (livro Registro de Saídas) e cotejada com as GIA fornecidas pela Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo, situação fática, material, suficiente para apuração da omissão de receitas e para lançamento das exações fiscais do SIMPLES Federal. Logo, não há que se falar em imprestabilidade da escrituração contábil e fiscal. Não há que se falar em Lucro Arbitrado ou arbitramento do lucro no caso, pois como já dito a escrituração do livro Registro de Saídas e as GIA foram suficientes para apuração da receita bruta mensal e anual e não houve exclusão da contribuinte do SIMPLES Federal quanto anocalendário 2006. O Simples Federal incide sobre a receita bruta, sendo desnecessário o controle de despesas. Então, não procede a alegação de que não conhecia a receita bruta do anocalendário 2006, ou que a escrituração era imprestável, pois informou corretamente e integralmente ao fisco estadual a receita bruta (faturamento), ou seja, 100% (cem por cento), porém ao fisco federal não, pois declarou menos de 5% (cinco por cento) da receita bruta na declaração do Simples, assumindo então o risco dessa conduta de ser eventualmente objeto de fiscalização pela Receita Federal., ainda que o risco lhe parecesse em princípio baixo. No Termo de Verificação Fiscal (efls. 114/117), parte integrante do lançamento fiscal do anocalendário 2006, não restou consignado nenhuma conduta da contribuinte que pudesse justificar sua exclusão do SIMPLES com efeito jurídico no próprio anocalendário 2006 (ano da ocorrência da infração omissão de receitas e da infração excesso de receita bruta para figurar no SIMPLES). Fl. 348DF CARF MF Processo nº 19515.000184/201105 Acórdão n.º 1301003.626 S1C3T1 Fl. 349 14 Essas infrações não autorizam a exclusão do SIMPLES no próprio ano calendário 2006, mas sim no ano seguinte, ou seja, com efeito jurídico a partir de 01/01/2007. Entretanto, a exclusão do SIMPLES Federal, com efeito jurídico a partir de 01/01/2007 (primeiro dia do exercício seguinte ao ano da ocorrência da infração excesso de receita bruta para figurar no SIMPLES), restou desnecessário, pois a contribuinte, voluntariamente, já havia optado pelo lucro presumido para o anocalendário 2007, conforme despacho da autoridade fiscal, de 04/02/2011 (efls. 189 ), in verbis: (...) Informamos que não foi elaborada representação Fiscal para Exclusão do Simples, a partir do anocalendário de 2007, porque a partir de 01/01/2007 a empresa apresentou declaração optando pela apuração do Lucro Presumido, conforme pesquisa efetuada junto aos sistemas da RFB. (...) Como demonstrado, a exclusão do SIMPLES Federal, no caso de excesso de receita bruta no anocalendário da ocorrência da diferença de base de cálculo receita não declarada omissão de receitas, dáse com efeito jurídico a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9° (Lei nº 9.317/96, art. 15, IV). Logo, por conta do excesso de receita bruta não há que se falar em exclusão do SIMPLES no anocalendário da ocorrência do excesso de receita bruta, mas sim a partir do início do ano subsequente. Configura prova direta da infração diferença de base de cálculo não declarada omissão de receitas lançamento de ofício dos tributos do Simples Federal com base nos dados de receita bruta mensal informados na declaração mensal do ICMS e confirmado pelo registro de saídas do ICMS, cujos dados foram repassados à Receita Federal por convênio de cooperação técnica pelo fisco estadual. PEDIDO DE DILIGÊNCIA FISCAL. PRETENSÃO INDEFERIDA. Não há se justifica o pedido de diligência, sua realização, pois é totalmente desnecessária, ou seja, todas as provas da infração omissão de receitas e do excesso de receita bruta do anocalendário 2006 constam dos autos, estão sobejamente demonstradas e comprovadas pelo fisco nos autos. E quanto às despesas com salários e encargos, como já dito, não irrelevantes para apuração do SIMPLES que leva em consideração a receita bruta, sendo totalmente desnecessário o controle das despesas e custos. A Contribuição para Seguridade Social INSS Simples (Contribuição Patronal) não incide sobre a folha, mas sim sobre a receita bruta. Portanto rejeito o pedido de diligência por ser despiciendo, desnecessário, configurando intenção meramente protelatória da exigência do crédito tributário. Nesse sentido também são os precedentes do CARF: Fl. 349DF CARF MF Processo nº 19515.000184/201105 Acórdão n.º 1301003.626 S1C3T1 Fl. 350 15 NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR.. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. De conformidade com o artigo 29 do Decreto n° 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2°, do artigo 38, da Lei n° 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72.(Acórdão nº 20601.462, sessão de 09/10/2008). PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Não constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de diligência considerada desnecessária, prescindível e formulado sem atendimento aos requisitos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72.(Acórdão nº 10249.407, sessão de 06/11/2008). PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.A admissibilidade de diligência ou perícia, por não se constituir em direito do autuado, depende do livre convencimento da autoridade julgadora como meio de melhor apurar os fatos, podendo como tal dispensar quando entender desnecessárias ao deslinde da questão. Ademais, temse como não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos do inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235/72, principalmente quando este se revela prescindível. (Acórdão nº 19300.018, sessão de 13/10/2008). PEDIDO DE PERÍCIA PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.(Acórdão nº 10515.978, sessão de 20/07/2006). DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. Indeferese o pedido de diligência ou perícia, cujo objetivo é instruir o processo com as provas que o recorrente deveria produzir em sua defesa, juntamente com a peça impugnatória ou recursal, quando restar evidenciado que o mesmo poderia trazêlas aos autos, se de fato existissem.(Acórdãonº10248.141,de 25/01/2007). PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Deve ser indeferido pedido de diligencia quando prescindível, a teor do art. 18 do Decreto nº 70.235/72.(Acórdão nº 20180.294, sessão de 23/05/2007). PERÍCIA.DESNECESSIDADE. Deve ser indeferido o pedido de perícia, quando o exame de um técnico é desnecessário à solução da controvérsia, apenas circunscrita à matéria contábil e aos argumentos jurídicos ordinariamente compreendidos na esfera do saber do julgador.(Acórdão nº 10222.937, sessão de 28/03/2007). DILIGÊNCIA E PERÍCIA. NEGATIVA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. É incabível a realização de diligência ou perícia para responder a quesitos de natureza Fl. 350DF CARF MF Processo nº 19515.000184/201105 Acórdão n.º 1301003.626 S1C3T1 Fl. 351 16 legal, cujo conhecimento seja elementar ou que se refiram a prova passível de produção unilateral pelo contribuinte.(Ac. 330201.280, sessão de 09/11/2011, Relator José Antonio Francisco). PEDIDO DE PERÍCIA TÉCNICA CONTÁBIL. MEIO DE PROVA DESNECESSÁRIO. INDEFERIMENTO. O pedido de perícia técnica, para análise de dados que integram a escrituração contábil e já presentes nos autos, demonstra intenção protelatória e não caracteriza cerceamento do direito de defesa quando indeferido. A autoridade julgadora é livre para formar sua convicção devidamente motivada, podendo deferir perícias quando entendêlas necessárias, ou indeferir as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, sem que isto configure preterição do direito de defesa. Por se tratar de prova especial, subordinada a requisitos específicos, a perícia só pode ser admitida, pelo Julgador, quando a apuração do fato litigioso não se puder fazer pelos meios ordinários de convencimento.(Ac. nº1802001.006, sessão de 17/10/2011). ASSUNTO:PERÍCIA/DILIGÊNCIA PRESCINDIBILIDADE – A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para deslinde do litígio,não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos (Acórdão CSRF 10705.810, Relatora Karem Jureidini Dias). ASSUNTO:PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2009,2010,2011 DILIGÊNCIA/PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. A conversão do julgamento em diligência ou perícia só se revela necessária para elucidar pontos duvidosos que requeiram conhecimento técnico especializado para o deslinde de questão controversa.Não se justifica a sua realização quando presentes nos autos elementos suficientes a formar a convicção do julgador.(Acórdão nº 1402 003.129–4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, sessão de 15/05/2018,Conselheiro Paulo Mateus Ciccone–Presidente e Relator). DILIGÊNCIA.PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. A diligência não se presta para produzir provas de responsabilidade da parte. Tratandose da comprovação de origem de depósitos bancários, a prova deveria ser produzida pela parte, sendo desnecessária a realização de diligência. Ademais, a solicitação de diligência ou perícia deve obedecer ao disposto no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, competindo à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis.(Acórdão 1301002.984– 3ª Câmara/1ªTurma Ordinária, Sessão de 12/04/2018,Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator). Não há que se falar em tributação mais onerosa O regime de tributação do SIMPLES para o anocalendário 2006 foi opção manifestada pela própria contribuinte, conforme declaração do SIMPLES entregue ao fisco. A Contribuição para Seguridade Social INSS contribuição patronal incide sobre a receita bruta e não sobre a folha de salários.. Fl. 351DF CARF MF Processo nº 19515.000184/201105 Acórdão n.º 1301003.626 S1C3T1 Fl. 352 17 Diversamente do alegado pela recorrente, o regime simplificado, diferenciado e favorecido de que trata o art. 146, III, "d", da Constituição Federal é, justamente, o regime do SIMPLES, e o qual foi observado rigorosamente pelo fisco quando do lançamento fiscal de ofício. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DOS TRIBUTOS DO SIMPLES. RECEITA DECLARADA DIFERENÇA DE ALÍQUOTA INFRAÇÃO REFLEXA. Mantida a infração principal diferença de base de cálculo receita não declarada, implica, por decorrência, a manutenção da infração insuficiência de recolhimento dos tributos do Simples acerca da receita informada na Declaração Simplificada do Simples diferença de alíquota (infração reflexa). LANÇAMENTO REFLEXO: CSLLSimples, PISSimples, Cofins Simples e Contribuição para Seguridade Social INSS Simples. Mantido o lançamento principal, por decorrência devem ser mantidos também os lançamentos reflexos, pela conexão dos fatos e provas, e inexistindo razão fática e jurídica para decidir diversamente. Por tudo que foi exposto, voto para conhecer do recurso, rejeitar o pedido de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 352DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.005990/2004-71
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2000
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
A homologação tácita apenas se opera no pedido de compensação.
COFINS. COMBUSTÍVEL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. INDEFERIMENTO.
Não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o Cofins incidente sobre a venda de óleo diesel do distribuidor para o comerciante varejista.
Numero da decisão: 3001-000.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA A homologação tácita apenas se opera no pedido de compensação. COFINS. COMBUSTÍVEL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. INDEFERIMENTO. Não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o Cofins incidente sobre a venda de óleo diesel do distribuidor para o comerciante varejista. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 59 90 /2 00 4- 71 Fl. 392DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Pedido de Ressarcimento Tratase de pedido de ressarcimento de créditos de COFINS decorrentes da aquisição de gasolina e óleo diesel no período de fevereiro de 1999 a junho de 2000, no valor de R$ 15.213,24 (quinze mil duzentos e treze reais e vinte e quatro centavos). Despacho Decisório A autoridade fiscal afirma que a COFINS era devida pelos distribuidores e comerciantes varejistas de combustíveis derivados de petróleo, sendo cobrada e recolhida pelas refinarias, na condição de contribuintes substitutos, em decorrência da redação da Lei n. 9.718/1998 vigente no período em questão, qual seja fevereiro de 1999 a junho de 2000. Ademais, considerou que, por não ser o consumidor final, o contribuinte não teria direito de pleitear a restituição, conforme prescreve o art. 6º da Instrução Normativa n. 06/1999 da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Com isso, o presente despacho decisório concluiu por não estar comprovado o direito creditório de COFINS relativo ao período de fevereiro de 1999 a junho de 2000, portanto, indeferiu o pedido de ressarcimento. Manifestação de Inconformidade Em sede de sua manifestação de inconformidade, a recorrente alega, em suma, que houve equívoco na conclusão da autoridade fiscal quanto ao direito creditório da COFINS e ao ressarcimento pleiteado. Homologação tácita do pedido de restituição Alega o manifestante que tendo transcorrido mais de cinco anos do protocolo do pedido de restituição dos supostos créditos de COFINS sem análise por parte do Fisco teria havido homologação tácita do requerimento. Diferença de preços da refinaria e do varejista Argumenta o contribuinte que teria direito creditório a restituir em decorrência da diferença do preço praticado pelas refinarias substitutas tributárias e o valor utilizado por ele no comércio varejista de combustíveis. Por fim, aduz que o seu pleito não está enquadrado no rol do art. 74, §3º da Lei n. 9.430/1996, que limita o direito à compensação e/ou restituição. Fl. 393DF CARF MF Processo nº 10980.005990/200471 Acórdão n.º 3001000.666 S3C0T1 Fl. 393 3 DRJ/RPO A manifestação de inconformidade foi julgada e recebeu a seguinte ementa: Acórdão 1461.129 14ª Turma da DRJ/POR Sessão de 06 de junho de 2016 Processo 10980.005990/200471 Interessado AUTO POSTO RANCHO AMIGO LTDA. CNPJ/CPF 79.091.468/000199 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2000 SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. FATO GERADOR PRESUMIDO. No caso de substituição tributária só é cabível a restituição da quantia paga na hipótese de não se realizar o fator gerador presumido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O relatório, por bem retratar a realidade fática dos autos, merece ser transcrito. Em 16/08/2004 a contribuinte acima identificada apresentou o Pedido de Restituição de fl. 4 pretendendo reaver cifra de R$ 15.213,24 relativa à Cofins paga na aquisição de gasolina e óleo diesel de distribuidora entre fevereiro de 1999 e junho de 2000. A contribuinte assim fundamenta seu direito à restituição: RESTITUIÇÃO DA COFINS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA – SOBRE AQUISIÇÃO DE GASOLINA E ÓLEO DIESEL DA REVENDEDORA (DISTRIBUIDORA), NOS TERMOS DOS ARTS. 4º A 6º DA LEI N.° 9.718/98 ALTERADA PELO ART. 3º DA LEI N.° 9.990/2000, ART. 6º DA IN/SRF N.° 06/99 ALTERADA PELA IN/SRF N.° 24/99, E ARTS. 42 E 92, II, DA MEDIDA PROVISÓRIA N.° 2.15835/2001. ... AS BASES DE CÁLCULO PARA APURAÇÃO DO CRÉDITO A RESTITUIR FORAM OBTIDAS NAS NOTAS FISCAIS DE AQUISIÇÃO DE GASOLINA E ÓLEO DIESEL DIRETAMENTE DA REVENDEDORA (DISTRIBUIDORA) CUJAS PLANILHAS ESTÃO EM ANEXO. Por meio do Despacho Decisório nº 176, de 2012, a DRF em CascavelPR indeferiu o Pedido fundamentando não haver fundamento legal para o pleito. Fl. 394DF CARF MF 4 Argumenta a autoridade que assina o documento que, em síntese, no período compreendido no pedido (02/1999 a 06/2000) os distribuidores e comerciantes varejistas (caso da interessada) não estavam obrigados ao recolhimento da Cofins, cuja incidência se dava, nos termos da Lei nº 9.718, de 1998, nas refinarias, conforme sistemática conhecida como de substituição tributária. Expõe que novas normas foram ditadas pela Lei nº 9.990, de 2000, e pela Medida Provisória nº 1.99115 (que deu origem à MP nº 2.15835, de 2001, depois de sucessivas reedições). Diz o auditor fiscal autor do despacho decisório: Assim, vemos que, pela MP nº 2.15835, de 21/08/2001, as alíquotas incidentes sobre a receita bruta auferida por distribuidores e comerciantes varejistas, de gasolina e óleo diesel (caso de interesse neste pedido) foram reduzidas a zero a partir de 1º de julho de 2000. Talvez, pela forma como foi apresentado o novo texto [da MP citada], deduziu o interessado que, antes dessa alteração legislativa, ou seja, até 30 de junho de 2000, estaria recolhendo indevidamente contribuição ao PIS [sic]. Ocorre que, no período anterior, mais especificamente de 01/02/1999 a 30/06/2000, era vigente a norma anterior, que previa especificamente que a contribuição dos distribuidores e comerciantes varejistas devia ser cobrada e recolhida pelas refinarias, na condição de contribuintes substitutos. [...] tal sistemática de recolhimento por substituição tributária é prevista na CF/88 e fixada pela lei e, por isso, não se pode falar em pagamento indevido ou a maior que o devido, não havendo razão para o pedido de restituição, por absoluta inexistência de previsão legal para tal. O texto do despacho lembra que IN SRF nº 006, de 1999, prevê uma única hipótese de ressarcimento, apenas ao consumidor final pessoa jurídica, dos valores correspondentes à incidência na venda a varejo, na hipótese de aquisição de gasolina automotiva ou óleo diesel, diretamente da distribuidora. Não seria a situação da requerente. Cientificada do indeferimento do pedido, em 04/06/2012 a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em alegando, em síntese e fundamentalmente, que: seu direito creditório decorre do fato de serem as bases de cálculo definidas pela Lei nº 9.718, de 1998, quanto às contribuições devidas em relação às suas operações de revenda de combustíveis muito maiores do que aquelas efetivamente praticadas; o fato de o Fisco ter levado mais de sete anos para analisar o seu pedido importa em reconhecimento do mesmo, tendo em vista disposições contidas na Lei nº 9.784, de 1999, bem como a aplicação por analogia do prazo de homologação estabelecido no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, para as compensações. Demais disso, os autos constam instruídos com todas as provas necessárias para a análise do pedido, e sobre elas nada suscitou a autoridade fiscal. Ao final requer reconhecimento do direito creditório, com a devida atualização monetária pela Selic desde a data do protocolo até o efetivo pagamento. Fl. 395DF CARF MF Processo nº 10980.005990/200471 Acórdão n.º 3001000.666 S3C0T1 Fl. 394 5 Quanto ao argumento da manifestante de reconhecimento do pedido de restituição por parte do Fisco pelo transcurso do tempo sem manifestação, a DRJ entendeu que não há previsão legal para tanto, de modo que os ditames da Lei n. 9.784/1999 não seria aplicáveis ao presente caso para configurar a alegada homologação tácita. Ademais, os julgadores administrativos consideraram não haver direito creditório a restituir, pois isso só seria cabível caso não houvesse sido praticado o fato gerador presumido, conforme prescreve o art. 150, §7º da Constituição Federal. Além disso, segundo o art. 4º da Lei n. 9.718/1998, o valor de PIS e COFINS retido pelas refinarias independe do preço praticado pelo comerciante varejista ao final da cadeia. Isso posto, considerou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o despacho decisório. Recurso Voluntário Após relatar brevemente os eventos fáticos transcorridos, a recorrente repete os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, quais sejam: Homologação tácita do pedido de restituição A recorrente aduz que foi ultrapassado o prazo legal de cinco anos para que o Fisco analisasse o requerimento de restituição de créditos de COFINS, ensejando a homologação tácita do pedido administrativo. Direito à compensação Por fim, reitera que o seu pleito não está enquadrado no rol do art. 74, §3º da Lei n. 9.430/1996, que limita o direito à compensação e/ou restituição. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila, Relator Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que julgou improcedente o Pedido de Ressarcimento de créditos de COFINS. Admissibilidade do Recurso A contribuinte teve ciência do acórdão de manifestação de inconformidade em 31.03.2017, conforme Termo de Ciência de fl. 377, nos termos do inciso IV do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), iniciandose a contagem do prazo para apresentação de recurso no dia útil subsequente, conforme artigo 5º, também do PAF. Fl. 396DF CARF MF 6 Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Verificase, pois, que a recorrente apresentou o competente Recurso Voluntário em 13.04.2017, conforme comprova o carimbo da ARF/TOLEDO/PR, logo, o recurso apresentado é tempestivo ao prazo legal estabelecido no artigo 56 do PAF: Art. 56. Cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo, de decisão de primeira instância, dentro de trinta dias contados da ciência. Por fim, observo que, em conformidade com o art. 23B do Anexo II da Portaria MF n° 343 de 2015 (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF), este colegiado é competente para apreciar o feito, tendo em vista que o valor do litígio está dentro do limite estabelecido pelo dispositivo. DOS FATOS Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de COFINS em decorrência da aquisição de gasolina e óleo diesel no período de apuração de fevereiro de 1999 a junho de 2000, no valor de R$ 15.213,24. O pedido está lastreado na diferença de valores recolhidos pelas refinarias como substitutos tributários e os preços de venda dos combustíveis pela comerciante varejista, bem como na suposta homologação tácita por parte do Fisco em decorrência do transcurso de mais de cinco anos para analisar o requerimento administrativo de restituição. MÉRITO A respeito do mérito da questão, é importante ressaltar a memória de cálculo, acostada em fls. 311 pág. 18 memoria de calculo 331. DD 176/2012 Antes porem, necessário analisar o argumento trazido a título de Homologação Tácita prevista no artigo 74 da Lei 9.430/96. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA Ao compulsarse os autos deste PAF, já em fls. 03, deparase com formulário de Pedido de Restituição, cujo motivo é a aquisição de gasolina e oleo diesel de distribuidoras Fl. 397DF CARF MF Processo nº 10980.005990/200471 Acórdão n.º 3001000.666 S3C0T1 Fl. 395 7 A homologação tácita, a qual se refere o contribuinte na em sua defesa, impoese, somente, aos pedidos de compensação, não se podendo estender esse conceito à Restituição por ausência de previsão legal, encontrando, esse entendimento, respaldo na jurisprudência deste CARF consoante se demonstra a seguir: 3301005.201 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste norma legal que prescreva a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. Entender de forma diversa implicaria em violação aos art. 5º, II, e 37, caput, da Constituição e art. 97 do CTN. Recurso Voluntário Negado. Legitimidade da Cobrança Quanto ao seu argumento de não estar enquadrado no rol do art. 74, §3º da Lei n. 9.430/1996, e, portanto, autorizado à compensação e/ou restituição daquelas aquisições. Entretanto, é Fl. 398DF CARF MF 8 necessário trazer a tona o artigo quarto da Lei 9.718, na qual expressamente consta que as refinarias serão consideradas substitutas tributárias em razão da Cofins devida pelo comerciante, consoante se infere da transcricação legal abaixo: Art. 4º As refinarias de petróleo, relativamente às vendas que fizerem, ficam obrigadas a cobrar e a recolher, na condição de contribuintes substitutos, as contribuições a que se refere o art. 2º, devidas pelos distribuidores e comerciantes varejistas de combustíveis derivados de petróleo, inclusive gás Impossibilidade da Restituição A restituição, nestes casos, é regrada pelo art. 6º da Instrução Normativa SRF n.º 6, de 29 de janeiro de 1999, a seguir transcrito que consoante se observa, é assegurado ao consumidor final esta espécie de ressarcimento. Art. 6º. Fica assegurado ao consumidor final, pessoa jurídica, o ressarcimento dos valores das contribuições referidas no artigo anterior, correspondentes à incidência na venda a varejo, na hipótese de aquisição de gasolina automotiva ou óleo diesel, diretamente à distribuidora. Assim tem sido julgado casos de mesma índole por este tribunal administrativo: Acórdão 3801002.952 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O COFINS INCIDENTE SOBRE COMBUSTÍVEL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA EXCLUÍDO DA TRIBUTAÇÃO. INDEFERIMENTO. No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetivase uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente. A partir de 01/07/2000, o regime de tributação da Contribuição para o Cofins incidente sobre os combustíveis, incluído o óleo diesel, passou a ser realizado em uma única fase (incidência monofásica), concentrada nas receitas de vendas realizadas pelas refinarias, ficando exonerada as receitas auferidas nas etapas seguintes por distribuidoras e varejistas, que passaram a ser submetidas ao regime de alíquota zero. Dessa forma, após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o Cofins incidente sobre a venda de óleo diesel do distribuidor para o comerciante varejista. Recurso Voluntário Negado. Fl. 399DF CARF MF Processo nº 10980.005990/200471 Acórdão n.º 3001000.666 S3C0T1 Fl. 396 9 Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 400DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.720114/2018-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2013, 2014, 2015
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A RECEITA BRUTA (CPRB). COBRANÇA. CALL CENTER.
A atividade de cobrança não se confunde com a atividade de Call Center e não está abrangida pela substituição previdenciária instituída pela Lei nº 12.546, de 2011.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
DA APROPRIAÇÃO DA RECEITA DA PESSOA JURÍDICA. Deverão ser deduzidos, antes do lançamento, os valores de CRPB pagos pela Recorrente, sob pena de enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional em razão da exigência de valores que em parte já foram pagos pelo contribuinte.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
Súmula CARF 108, no sentido de que: "Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício"
Numero da decisão: 2401-005.966
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam aproveitados, antes do lançamento, os valores recolhidos na sistemática da CPRB.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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COBRANÇA. CALL CENTER. A atividade de cobrança não se confunde com a atividade de Call Center e não está abrangida pela substituição previdenciária instituída pela Lei nº 12.546, de 2011. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. DA APROPRIAÇÃO DA RECEITA DA PESSOA JURÍDICA. Deverão ser deduzidos, antes do lançamento, os valores de CRPB pagos pela Recorrente, sob pena de enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional em razão da exigência de valores que em parte já foram pagos pelo contribuinte. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Súmula CARF 108, no sentido de que: "Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício" Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam aproveitados, antes do lançamento, os valores recolhidos na sistemática da CPRB. (assinado digitalmente) AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 01 14 /2 01 8- 81 Fl. 1579DF CARF MF 2 Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração (fl.02) referente às contribuições sociais devidas pela empresa e de GILRAT (contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho) incidentes sobre a remuneração paga aos seus segurados nos anos de 2013 a 2015, composto da seguinte forma: GILRAT – Código Receita Darf: 2158 502.743,40 Juros de Mora (calculado até 01/2008) 222.450,66 Multa Proporcional 377.057,46 Contribuição Patronal – Código Receita Darf: 2141 10.992.848,25 Juros de Mora (calculado até 01/2008) 4.115.083,46 Multa Proporcional 8.244.636,05 VALOR DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO R$ 24.454.819,28 Consta do Relatório Fiscal (fls. 30/37), que conforme 28ª alteração contratual de 18/08/2011 (fls. 64/69), registrada na Junta Comercial do Rio Grande do Sul (JCRS) em 26/08/2011, no seu artigo 2º da consolidação do contrato social, o objeto social da empresa “será a exploração no ramo de cobrança extrajudicial, telecobrança e serviços correlatos”. Conforme 29ª alteração contratual de 02/01/2013 (fls. 70/75), também registrada na Junta Comercial do Rio Grande do Sul (JCRS), em 12/03/2013, no seu artigo 2º da consolidação do contrato social, o objeto social permaneceu o mesmo acima indicado. Posteriormente, em 07/12/2015, conforme 30ª alteração contratual (fls. 76/80), registrada na Junta Comercial do Rio Grande do Sul (JCRS) em 24/02/2016, a empresa Fl. 1580DF CARF MF Processo nº 11080.720114/201881 Acórdão n.º 2401005.966 S2C4T1 Fl. 3 3 altera o seu objeto social para incluir a atividade de call center, contact center, telemarketing e tele atendimento, conforme item 2 desta alteração contratual, transcrito a seguir: “2) DO OBJETO SOCIAL 2.1. Decidem as sócias incluir no objeto social da sociedade a atividade de call center, contact center, telemarketing e tele atendimento. Sendo assim, a cláusula 2ª do Contrato Social, consolidado em 02/01/2013, passa a ter a seguinte redação:” “2ª) A sociedade tem por objeto social: i) a exploração no ramo de atividade de call center, contact center, telemarketing e tele atendimento; e ii) os serviços de cobrança extrajudicial, tele cobrança e serviços correlatos.” No artigo 2º da consolidação do contrato social, o objeto passa a ser: “DO OBJETO SOCIAL 2ª) A Sociedade tem por objeto social: i) a exploração no ramo de atividade de call center, contact center, telemarketing e tele atendimento; e ii) os serviços de cobrança extrajudicial, tele cobrança e serviços correlatos.” De acordo com a Fiscalização, nas alterações contratuais apresentadas pela empresa, vigentes no período auditado, e até 24/02/2016, constatouse que o objetivo social da empresa é a exploração no ramo de cobrança extrajudicial, telecobrança e serviços correlatos. A Fiscalização aponta que somente na alteração contratual registrada na Junta Comercial do Rio Grande do Sul (JCRS) em 24/02/2016, a empresa incluiu no seu objeto social a atividade de call Center. Ainda, aponta o Auditor Fiscal que na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ dos anos calendários de 2012 e 2013, a empresa informa o CNAE 82.911/00, que se refere as atividades de cobrança e informações cadastrais. Na Escrituração Contábil Digital – ECD de 2013, identificouse no balancete, contas de receitas operacionais onde constam somente receitas relativas a cobranças: Código Conta Tipo 3.1.01 Receitas Operacionais S 3.1.01.01 Cobrança S 3.1.01.01.02 Cobrança SP S Fl. 1581DF CARF MF 4 3.1.01.01.02.001 Serviços de TeleCobrança A 3.1.01.01.01 Cobrança Matriz S 3.1.01.01.01.001 Serviços de TeleCobrança A 3.1.01.01.01.004 Serviços de TeleCobrança – CNAB A 3.1.01.01.01.010 Receitas a Faturar A 3.1.01.01.01.002 Veículos – Retomadas A 3.1.01.01.01.003 Veículos – Vendas A Na Escrituração Contábil Digital – ECD de 2014, identificouse no balancete, contas de receitas operacionais onde constam receitas relativas a cobranças, honorários advocatícios: Código Conta Tipo 66153 Receitas S 66154 Receitas S 411011 Serviços de TeleCobrança A 411094 Serviços de TeleCobrança Comissões A 450002 Cancelamentos TeleCobrança A 415011 Honorários Advocatícios A 450001 Cancelamentos A 137064 Receitas a Faturar S 411010 Receitas a Faturar A Na EFD – CONTRIBUIÇÕES, informadas pelo contribuinte, no período de 01/2012 a 12/2014, a Fiscalização aponta que verificouse que na descrição dos serviços das notas fiscais de saída consta como sendo “serviços de telecobrança”, conforme relacionado na “Planilha 3 Relações de Notas fiscais informadas na EFDContribuições” Ainda, o órgão autuante afirma que foi feita uma amostragem nas notas fiscais emitidas pela empresa nas competências de 03/2012, 11/2012, 02/2013, 10/2013, 04/2014 e 12/2014 para confirmar as atividades exercidas conforme descritas nas EFD contribuições. Dessa forma, identificouse que a descrição dos serviços nas notas fiscais é de serviços de tele cobrança e cobrança. Desta forma a atividade econômica principal da empresa é o serviço de cobrança e está enquadrada no CNAE principal 8291l/00 Atividades de cobrança e informações cadastrais, no período de 01/2013 a 12/2015, conforme disciplinado no § 1º do artigo 17 da Instrução Normativa n°1.436 de 30/12/2013. Fl. 1582DF CARF MF Processo nº 11080.720114/201881 Acórdão n.º 2401005.966 S2C4T1 Fl. 4 5 O Relatório Fiscal aponta, ainda, que nas GFIP’s enviadas, referentes ao período de 01/2013 a 12/2015, existe valor declarado no campo “compensação” no valor total de R$ 10.992.848,25, valor este equivalente a 20% sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais declarada em GFIP. Destaca que as contribuições previdenciárias das empresas que desenvolvem atividades a que se refere o artigo 7º da Lei nº 12.546/2011 incidem sobre o valor da receita bruta, em substituição às contribuições incidentes sobre folha de pagamentos. No caso de desoneração integral ou parcial da contribuição previdenciária sobre a folha de pagamento, o valor da contribuição sobre a remuneração a recolher, apurada na GFIP, deverá ser ajustada no campo "Compensação". Ou seja, o contribuinte utiliza o campo "Compensação" para declarar que está apurando contribuição previdenciária por outro regime, não se tratando, de fato, de uma compensação. Informa também, que a empresa autuada não está abrangida pela substituição previdenciária instituída pela Lei nº 12.546, de 2011 (Contribuições Previdenciárias sobre a Receita Bruta – CPRB), uma vez que a atividade econômica principal é atividade de cobrança no período auditado. Dessa forma, não poderia ter feito o ajuste de contribuição previdenciária patronal no campo “COMPENSAÇÃO” da GFIP. O sujeito passivo declarou nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP os seguintes códigos da Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE: 82911/00 – Atividades de cobrança e informações cadastrais; e 82113/00 – Serviços combinado de escritório e apoio administrativo A alíquota do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, prevista no anexo V do Decreto n° 3.048/99 para os CNAE's acima é de 2%, no entanto o sujeito passivo declarou nas GFIP's a alíquota de 1%. O Fator Acidentário de Prevenção FAP, multiplicador da alíquota GILRAT, disponibilizado pelo Ministério da Previdência Social nos termos da Lei, para esta empresa, foi estabelecido nos seguintes valores: PERÍODO Valor 01/2013 a 12/2013 1,3054 01/2014 a 12/2014 1,3423 No entanto, informa o Fisco que o sujeito passivo declarou nas GFIP’s de 2013 e 2014 o valor de 1.04 para o FAP. Desta forma foram apuradas diferenças entre o RAT ajustado declarado pelo sujeito passivo na GFIP e o efetivamente devido, levandose em conta o GILRAT (apurado conforme o código CNAE preponderante declarado em GFIP) e o FAP vigente para o período. Fl. 1583DF CARF MF 6 Assim, no presente lançamento foi apurada a Contribuição Social Previdenciária devida pela empresa e não recolhida devido à utilização indevida da sistemática da CPRB em suas GFIP. Também foi lançada a diferença nos valores declarados e recolhidos de GILRAT e os valores efetivamente devidos calculados com as alíquotas aplicáveis à empresa. Devidamente cientificada em 19/01/2018 (fl. 1.309), a Interessada apresentou impugnação tempestiva (fls. 1.420/1.450) em 08/02/2018, por intermédio de procurador regularmente constituído, alegando, em resumo, o que segue: (i) Da atividade exercida pela impugnante. Esclarece que desde 2011 possuía em seu contrato social a atividade de "telecobrança" e que em seu cartão CNPJ consta a atividade principal como "teleatendimento". Defende que não exerce atividade de cobrança distinta da atividade de call center, como parece sugerir o Fiscal autuante, pois sua atividade consiste na telecobrança mediante a utilização de call center, o que pode ser facilmente deduzido pela simples leitura da “Planilha 3 – relação das notas fiscais informadas na EFDContribuições”, elaborada pela própria fiscalização, que evidencia que consta da Descrição da Mercadoria/Serviço, em todas as linhas da planilha, “serviços de telecobrança”, o que evidencia que em todos os casos a atividade de cobrança se deu por meio da utilização de call Center. Salienta que a expressiva maioria das notas fiscais (fls. 86/384) se refere ao “SERVIÇO DE TELECOBRANÇA”. Cita contrato de prestação de serviços celebrado com uma de suas clientes e conclui que em momento algum a fiscalização contestou o fato de que as atividades de cobrança efetuada por seus funcionários é exercida por meio de call center, devendo prevalecer, de qualquer modo, a substância (verdade material) sobre a forma, o que resultaria na irrelevância do fato de que no período autuado o CNAE da Impugnante não especificava a atividade de call center. Junta aos autos fotografias que ilustram a atividade exercida e a estrutura de estabelecimento utilizado pelos seus funcionários para demonstrar que a atividade de "telecobrança" é exercida por meio de call center (fls. 1.384/1.385). Acrescenta que requereu ao 3º Tabelionato de Notas de Porto Alegre a elaboração de ATA NOTARIAL demonstrativa da atividade da Impugnante, lavrada após visita do tabelião que descreve que: “Pelo solicitante me foi requerida a verificação e constatação de atividades do referido Grupo Redebrasil no endereço antes mencionado. No 11º andar estão localizadas a diretoria, Área de Recursos Humanos, e Financeira. Daí fomos até o 12º andar onde está localizada uma área do chamado call center, centro e atendimentos via telefone com acesso à internet, o que se repete no 13º e 10º andares, que visitamos logo em seguida. (doc. 04)” (ii) Dos equívocos constantes do relatório fiscal. Argumenta que as alterações contratuais referidas no Relatório Fiscal não têm o significado atribuído pelo Fiscal autuante, já que conforme esclarecido no item anterior, as atividades de telecobrança desenvolvidas pela Impugnante para seus clientes se dão por meio de call center operado por seus funcionários, o que evidencia que mesmo antes da sua 30º alteração contratual a Impugnante já exercia a atividade de call center, abrangidas pela “telecobrança e serviços correlatos” constantes das alterações contratuais que abrangem o período autuado. Fl. 1584DF CARF MF Processo nº 11080.720114/201881 Acórdão n.º 2401005.966 S2C4T1 Fl. 5 7 Esclarece que fez em sua 30ª alteração contratual tornou claro que exerce atividade de call center, inclusive para evitar o tipo de questionamento feito pela fiscalização, sem que dela se possa deduzir, como fez o Fiscal autuante, que somente a partir de então a Impugnante teria passado a exercer a atividade de call center. Entende que a regra do artigo 17 da IN/RFB nº 1436/2013 não se aplica ao caso concreto, pois o “caput” do artigo 17 da IN/RFB nº 1436/2013 deixa claro que sua regra não se aplica a toda e qualquer hipótese da CRPB, mas tão somente nos casos em que a “CPRB estiver vinculada ao seu enquadramento no CNAE”, o que não ocorre no que tange à atividade de call center. Afirma que na hipótese do inciso I do artigo 7º da Lei nº 12.546/2011 que trata das “empresas que prestam os serviços referidos nos §§ 4º e 5º do art. 14 da Lei nº 11.774, de 17 de setembro de 2008” a norma não faz qualquer vinculação ao enquadramento no CNAE, sendo esta justamente a hipótese na qual se enquadram os serviços de call center, como se percebe da simples leitura do artigo 14 da Lei nº 11.774/2008. Argumenta que os serviços de call center prestados pela Impugnante se inserem justamente na hipótese do inciso I do artigo 7º da Lei nº 12.546/2011, o único dos onze incisos desse artigo para o qual a incidência da CPRB não está vinculada ao enquadramento do CNAE da atividade. Daí a manifesta inaplicabilidade da regra do artigo 17 da IN/RFB nº 1436/2013 invocada pela fiscalização para sustentar o lançamento. Segue argumentando que, ainda que se aplicasse ao caso, a regra do artigo 17 da IN/RFB nº 1436/2013 seria inconstitucional por ofensa ao princípio da legalidade, pois introduz distinção não existente na Lei nº 12.546/2011 (entre hipóteses de incidência vinculadas e não vinculadas ao CNAE), relativamente à forma de incidência do tributo. Contesta a Solução de Consulta COSIT nº 104 de 2015 afirmando que o papel atribuído pela consulta ao CNAE da atividade não tem amparo da lei, o que se pode concluir pelo trecho da própria solução segundo o qual “é preciso analisar o disposto na Lei nº 12.546, de 2011, e também na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), pois esta classificação foi utilizada pela mencionada lei em vários de seus dispositivos para delimitar o alcance da substituição previdenciária da CPRB (ver, por exemplo, todos os DEMAIS incisos do art. 7º e o anexo II da Lei nº 12.546, de 2011)”. Conclui que se a classificação no CNAE é relevante para delimitar o alcance da CPRB em “todos os demais incisos do artigo 7º” da Lei nº 12.546/, é evidente, a contrário senso, a irrelevância da classificação do CNAE na hipótese do inciso I do artigo 7º da Lei nº 12.546/2011, que é o que se aplica ao caso concreto. Aduz que a afirmação da solução de consulta de que o serviço de call center “deve ser voltado a um cliente/consumidor” não tem os efeitos por ela pretendidos, já que, no caso, o “cliente/consumidor” é o comerciante ou instituição financeira que contrata a Impugnante (e não o devedor), não havendo, além disso, nada na legislação que restrinja os possíveis clientes/consumidores às pessoas com quem se der o contato dos funcionários da Impugnante via call center. Contesta também a alegação da referida solução de consulta de que os serviços de call center devem se restringir aos serviços prestados com “a finalidade de (i) recepcionar e, na medida do possível, dar uma resposta às solicitações ou reclamações dos Fl. 1585DF CARF MF 8 consumidores, ou (ii) vender ou promover mercadorias e serviços a possíveis clientes (telemarketing), ou (iii) realização de pesquisas de mercado e de opinião pública e atividades similares” não encontra amparo algum na legislação, razão pela qual não procede a afirmação de que a finalidade da empresa de cobrança – recuperação de créditos – é completamente diversa das finalidades da atividade de "teleatendimento", o que também afastaria sua classificação entre as atividades de "teleatendimento”. Segue atacando as conclusões da COSIT em sua solução de consulta e conclui que a atividade de cobrança, quando executada por meio de call center, inserese sim entre os serviços de "teleatendimento" ou "telemarketing", sendo certo que quando a lei define alguma coisa apenas se dedica a descrever a coisa como ela é, e não a criar um conceito dissociado do mundo dos fatos, daí a improcedência de eventual alegação, ora previamente refutada pela Impugnante, de que a redação do artigo 350A da CLT só se aplicaria aos fatos ocorridos na sua vigência. Cita Lei do ISS de Porto Alegre/RS e jurisprudência trabalhista do TST e afirma que se deve rejeitar a dicotomia cobrança x call center proposta pela fiscalização, reconhecendo assim que a atividade de "telecobrança" possa ser classificada como serviços de call center. Cita em complemento notícia do Jornal "O Globo" sobre os empregos gerados pelo "Telemarketing" e aduz que demonstrada a total improcedência dos autos de infração lavrados. (iii) Da necessidade de que se deduza quando menos os valores pagos pela impugnante a título de CRPB. Admitindose apenas para argumentar que seja mantido o lançamento apesar da manifesta improcedência da exigência, como acima demonstrado, deverão quando menos ser deduzidos os valores de CRPB pagos pela Impugnante. Alega que o Fiscal autuante simplesmente aplicou as alíquotas das contribuições às remunerações declaradas em GFIP, desconsiderando completamente os valores de CRPB que foram pagos pela Impugnante, que deveriam ter sido deduzidos dos montantes de contribuições exigidas no presente processo, sob pena de enriquecimento ilícito da Fazenda em razão da exigência de valores que em parte já foram pagos sob a forma de CRPB. Cita jurisprudência administrativa. (iv) Da não incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício. Alega que o Fisco certamente exigirá da Impugnante juros de mora sobre o valor da multa de ofício, como vem procedendo em outros casos, o que acresce em muito o valor supostamente devido. Assim, impugna essa cobrança sobre a alegação de que a legislação que rege a matéria somente autoriza a incidência de multa e juros sobre o valor atualizado do tributo ou da contribuição, não autoriza, como pretende o Fisco, o cálculo dos juros sobre o valor da multa, o que torna o procedimento adotado totalmente ilegal e inconstitucional, por falta de amparo legal. Salienta que especificamente a este respeito já são vários os acórdãos da Jurisprudência Administrativa reconhecendo o não cabimento da exigência. Argumenta que os débitos de tributos e contribuições e de multas (penalidades) têm causas diversas, não se confundindo como aliás é expresso o art. 3º do CTN. Enquanto os débitos de tributos e contribuições decorrem da prática dos respectivos fatos geradores, as multas decorrem de violações à norma legal, no caso, do suposto não pagamento dos tributos e contribuições nos prazos legais. Fl. 1586DF CARF MF Processo nº 11080.720114/201881 Acórdão n.º 2401005.966 S2C4T1 Fl. 6 9 Informa que se for admitido que a palavra “débitos” constante do caput do artigo 61 da Lei 9.430/96 inclui o principal e a multa de ofício, terseia que admitir que as multas de ofício, quando não pagas no vencimento, sofreriam também o acréscimo de multa de mora, uma vez que o mesmo “caput” do referido artigo determina que “Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada a taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso”. Entende então que não seria razoável interpretarse a norma face ao disposto no parágrafo (no caso, o parágrafo 3º) sem se atentar ao que determina o “caput”. Cita o artigo 43 da Lei nº 9.430/96 e alega que se a expressão “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições” constante no “caput” do artigo 61 da Lei nº 9.430/96 contemplasse também a multa de ofício, não haveria necessidade alguma da previsão do parágrafo único do artigo 43 para incidência de juros sobre a multa isolada, posto que a incidência dos juros sobre a multa de ofício lançada isoladamente nos termos do “caput” do artigo já decorreria diretamente do artigo 61. Conclui enfim que não existe base legal para a exigência de juros sobre os valores lançados a título de multa de ofício (não isolada), que não pode prevalecer sob pena de violação não só ao próprio art. 61 da Lei n. 9.430/96 mas também aos arts. 5º, II e 150, I da CF/88 e 97 do CTN. Por fim, requer o acolhimento de sua Impugnação e o reconhecimento da insubsistência dos Autos de Infração do presente processo administrativo. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 0662.382 da 7ª Turma da DRJ/CTA, às fls. 1.461/1.477, julgando improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido em sua integralidade. Recordese: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 2013, 2014, 2015 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A RECEITA BRUTA (CPRB). COBRANÇA. CALL CENTER. A atividade de cobrança é distinta da atividade de call center e não está abrangida pela substituição previdenciária instituída pela Lei n° 12.546, de 2011. COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A compensação da contribuição previdenciária sobre a receita bruta (CPRB) está adstrita aos termos do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991, podendo ocorrer nas hipóteses de pagamento indevido ou a maior, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Fl. 1587DF CARF MF 10 A multa de ofício, porquanto parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do seu vencimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Do resultado do julgamento, o contribuinte Recorrente foi intimado em 10/05/2018 (fl. 1.491). Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 29/05/2018 (às fls. 1.495/1.528), argumentando, em síntese, o que segue: (i) Da atividade exercida pela Recorrente. Esclarece que desde 2011 possuía em seu contrato social a atividade de "telecobrança" e que em seu cartão CNPJ consta a atividade principal como "teleatendimento". Defende que não exerce atividade de cobrança distinta da atividade de call center, como parece sugerir o Fiscal autuante, pois sua atividade consiste na telecobrança mediante a utilização de call center, o que pode ser facilmente deduzido pela simples leitura da “Planilha 3 – relação das notas fiscais informadas na EFDContribuições”, elaborada pela própria fiscalização, que evidencia que consta da Descrição da Mercadoria/Serviço, em todas as linhas da planilha, “serviços de telecobrança”, o que evidencia que em todos os casos a atividade de cobrança se deu por meio da utilização de call Center. Salienta que a expressiva maioria das notas fiscais (fls. 86/384) se refere ao “SERVIÇO DE TELECOBRANÇA”. Cita contrato de prestação de serviços celebrado com uma de suas clientes e conclui que em momento algum a fiscalização contestou o fato de que as atividades de cobrança efetuada por seus funcionários é exercida por meio de call center, devendo prevalecer, de qualquer modo, a substância (verdade material) sobre a forma, o que resultaria na irrelevância do fato de que no período autuado o CNAE da Recorrente não especificava a atividade de call center. Junta aos autos fotografias que ilustram a atividade exercida e a estrutura de estabelecimento utilizado pelos seus funcionários para demonstrar que a atividade de "telecobrança" é exercida por meio de call center (fls. 1.384/1.385). Acrescenta que requereu ao 3º Tabelionato de Notas de Porto Alegre a elaboração de ATA NOTARIAL demonstrativa da atividade da Recorrente, lavrada após visita do tabelião que descreve que: “Pelo solicitante me foi requerida a verificação e constatação de atividades do referido Grupo Redebrasil no endereço antes mencionado. No 11º andar estão localizadas a diretoria, Área de Recursos Humanos, e Financeira. Daí fomos até o 12º andar onde está localizada uma área do chamado call center, centro e atendimentos via telefone com acesso à internet, o que se repete no 13º e 10º andares, que visitamos logo em seguida. (doc. 04)” (ii) Dos equívocos constantes do relatório fiscal. Argumenta que as alterações contratuais referidas no Relatório Fiscal não têm o significado atribuído pelo Fiscal autuante, já que conforme esclarecido no item anterior, as atividades de telecobrança desenvolvidas pela Recorrente para seus clientes se dão por meio de call center operado por seus funcionários, o Fl. 1588DF CARF MF Processo nº 11080.720114/201881 Acórdão n.º 2401005.966 S2C4T1 Fl. 7 11 que evidencia que mesmo antes da sua 30º alteração contratual a Recorrente já exercia a atividade de call center, abrangidas pela “telecobrança e serviços correlatos” constantes das alterações contratuais que abrangem o período autuado. Esclarece que fez em sua 30ª alteração contratual tornou claro que exerce atividade de call center, inclusive para evitar o tipo de questionamento feito pela fiscalização, sem que dela se possa deduzir, como fez o Fiscal autuante, que somente a partir de então a Recorrente teria passado a exercer a atividade de call center. Entende que a regra do artigo 17 da IN/RFB nº 1436/2013 não se aplica ao caso concreto, pois o “caput” do artigo 17 da IN/RFB nº 1436/2013 deixa claro que sua regra não se aplica a toda e qualquer hipótese da CRPB, mas tão somente nos casos em que a “CPRB estiver vinculada ao seu enquadramento no CNAE”, o que não ocorre no que tange à atividade de call center. Afirma que na hipótese do inciso I do artigo 7º da Lei nº 12.546/2011 que trata das “empresas que prestam os serviços referidos nos §§ 4º e 5º do art. 14 da Lei nº 11.774, de 17 de setembro de 2008” a norma não faz qualquer vinculação ao enquadramento no CNAE, sendo esta justamente a hipótese na qual se enquadram os serviços de call center, como se percebe da simples leitura do artigo 14 da Lei nº 11.774/2008. Argumenta que os serviços de call center prestados pela Impugnante se inserem justamente na hipótese do inciso I do artigo 7º da Lei nº 12.546/2011, o único dos onze incisos desse artigo para o qual a incidência da CPRB não está vinculada ao enquadramento do CNAE da atividade. Daí a manifesta inaplicabilidade da regra do artigo 17 da IN/RFB nº 1436/2013 invocada pela fiscalização para sustentar o lançamento. Segue argumentando que, ainda que se aplicasse ao caso, a regra do artigo 17 da IN/RFB nº 1436/2013 seria inconstitucional por ofensa ao princípio da legalidade, pois introduz distinção não existente na Lei nº 12.546/2011 (entre hipóteses de incidência vinculadas e não vinculadas ao CNAE), relativamente à forma de incidência do tributo. Contesta a Solução de Consulta COSIT nº 104 de 2015 afirmando que o papel atribuído pela consulta ao CNAE da atividade não tem amparo da lei, o que se pode concluir pelo trecho da própria solução segundo o qual “é preciso analisar o disposto na Lei nº 12.546, de 2011, e também na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), pois esta classificação foi utilizada pela mencionada lei em vários de seus dispositivos para delimitar o alcance da substituição previdenciária da CPRB (ver, por exemplo, todos os DEMAIS incisos do art. 7º e o anexo II da Lei nº 12.546, de 2011)”. Conclui que se a classificação no CNAE é relevante para delimitar o alcance da CPRB em “todos os demais incisos do artigo 7º” da Lei nº 12.546/, é evidente, a contrário senso, a irrelevância da classificação do CNAE na hipótese do inciso I do artigo 7º da Lei nº 12.546/2011, que é o que se aplica ao caso concreto. Aduz que a afirmação da solução de consulta de que o serviço de call center “deve ser voltado a um cliente/consumidor” não tem os efeitos por ela pretendidos, já que, no caso, o “cliente/consumidor” é o comerciante ou instituição financeira que contrata a Impugnante (e não o devedor), não havendo, além disso, nada na legislação que restrinja os possíveis clientes/consumidores às pessoas com quem se der o contato dos funcionários da Impugnante via call center. Fl. 1589DF CARF MF 12 Contesta também a alegação da referida solução de consulta de que os serviços de call center devem se restringir aos serviços prestados com “a finalidade de (i) recepcionar e, na medida do possível, dar uma resposta às solicitações ou reclamações dos consumidores, ou (ii) vender ou promover mercadorias e serviços a possíveis clientes (telemarketing), ou (iii) realização de pesquisas de mercado e de opinião pública e atividades similares” não encontra amparo algum na legislação, razão pela qual não procede a afirmação de que a finalidade da empresa de cobrança – recuperação de créditos – é completamente diversa das finalidades da atividade de "teleatendimento", o que também afastaria sua classificação entre as atividades de "teleatendimento”. Segue atacando as conclusões da COSIT em sua solução de consulta e conclui que a atividade de cobrança, quando executada por meio de call center, inserese sim entre os serviços de "teleatendimento" ou "telemarketing", sendo certo que quando a lei define alguma coisa apenas se dedica a descrever a coisa como ela é, e não a criar um conceito dissociado do mundo dos fatos, daí a improcedência de eventual alegação, ora previamente refutada pela Impugnante, de que a redação do artigo 350A da CLT só se aplicaria aos fatos ocorridos na sua vigência. Cita Lei do ISS de Porto Alegre/RS e jurisprudência trabalhista do TST e afirma que se deve rejeitar a dicotomia cobrança x call center proposta pela fiscalização, reconhecendo assim que a atividade de "telecobrança" possa ser classificada como serviços de call center. Cita em complemento notícia do Jornal "O Globo" sobre os empregos gerados pelo "Telemarketing" e aduz que demonstrada a total improcedência dos autos de infração lavrados. Argumenta que embora a decisão recorrida tenha se vinculado ao entendimento consubstanciado na Solução de Consulta COSIT nº 104 de 2005, tal vinculação evidentemente não se aplica ao CARF, que não se encontra “no âmbito da RFB (artigo 9º da IN/RFB 1396/13), aplicandose tal fato também aos representantes da Fazenda Nacional, já que os conselheiros (sejam representantes da Fazenda, sejam dos contribuintes) se veda apenas, como nos termos do artigo 26A do Decreto nº 70.235/72, “afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, mas não a aplicação de soluções de consulta da COSIT, ainda que vinculantes para a RFB. Além disso, muito embora tenha concluído a r. decisão recorrida que “resta correto o entendimento aplicado pela fiscalização”, assim somente fez por referência à Solução de Consulta COSIT nº 104 de 2005, não tendo todavia examinado as objeções da Recorrente quanto a tal solução de consulta como já acima expostas e às quais a Recorrente ora remete. Ante o exposto, resta demonstrada a total improcedência dos autos de infração lavrados. (iii) Da necessidade de que se deduza quando menos os valores pagos pela impugnante a título de CRPB. Admitindose apenas para argumentar que seja mantido o lançamento apesar da manifesta improcedência da exigência, como acima demonstrado, deverão quando menos ser deduzidos os valores de CRPB pagos pela Impugnante. Alega que o Fiscal autuante simplesmente aplicou as alíquotas das contribuições às remunerações declaradas em GFIP, desconsiderando completamente os valores de CRPB que foram pagos pela Impugnante, que deveriam ter sido deduzidos dos montantes de contribuições exigidas no presente processo, sob pena de enriquecimento ilícito da Fazenda em razão da exigência de valores que em parte já foram pagos sob a forma de CRPB. Cita jurisprudência administrativa. Fl. 1590DF CARF MF Processo nº 11080.720114/201881 Acórdão n.º 2401005.966 S2C4T1 Fl. 8 13 Não obstante, essa pacífica jurisprudência do CARF, inclusive da 2ª Turma da CSRF, foi solenemente ignorada pela r. decisão recorrida. Com a devida vênia, considerandose que o artigo 7º da Lei nº 12.546/2011 ao instituir a CPRB determina que “poderão contribuir sobre o valor da receita bruta, excluídos as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, em substituição às contribuições previstas nos incisos I e III do caput do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991”, resta claro que a CPRB e a contribuição sobre a folha de salários têm a mesma natureza, sendo irrelevante o fato da CPRB ser paga “em guia diversa da exigida pela legislação de regência” quanto à contribuição sobre folha de salários. Nesse contexto, caso se admita para argumentar a procedência do entendimento fiscal quanto à questão de mérito do presente processo, o que realmente teria havido no caso concreto seria não o pagamento indevido da contribuição previdenciária, passível de compensação nos termos da IN RFB nº 1.717/17 invocada pela r. decisão recorrida, mas sim o pagamento a menor da contribuição previdenciária, que permitirá à fiscalização exigir da Recorrente a diferença entre o valor que ela considerou devido (na forma prevista no artigo 22 da Lei nº 8.212/91) e o valor que foi pago (sob forma de CPRB), justamente o que pleiteia a Recorrente em seu pedido subsidiário. Ademais, data maxima venia, não procede a alegação da r. decisão recorrida de que a DRJ não teria “competência para decidir sobre a compensação de eventuais créditos com o lançamento posto em pauta” pois, como visto, de “compensação” não se trata, mas do lançamento da diferença entre o que foi pago pela Recorrente e o que a fiscalização entendeu devido no lançamento tributário. Por fim, caso faltasse competência à DRJ, jamais teriam o CARF e a CSRF decidido favoravelmente aos contribuintes na matéria que a r. decisão recorrida reputa fora de sua competência, como fizeram nas suas decisões acima referidas. Ante o exposto, ainda que para argumentar seja mantido o lançamento, deverá o presente processo ser baixado em diligência para que a fiscalização deduza dos valores exigidos os montantes de CRPB pagos pela Recorrente. (iv) Da não incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício. Alega que, muito embora tenha demonstrado em sua impugnação o não cabimento da exigência de juros moratórios sobre a multa de ofício, a r. decisão recorrida houve por bem manter tal exigência, invocando para tanto o artigo 161 do CTN. Alega que o Fisco certamente exigirá da Recorrente juros de mora sobre o valor da multa de ofício, como vem procedendo em outros casos, o que acresce em muito o valor supostamente devido. Assim, impugna essa cobrança sobre a alegação de que a legislação que rege a matéria somente autoriza a incidência de multa e juros sobre o valor atualizado do tributo ou da contribuição, não autoriza, como pretende o Fisco, o cálculo dos juros sobre o valor da multa, o que torna o procedimento adotado totalmente ilegal e inconstitucional, por falta de amparo legal. Salienta que especificamente a este respeito já são vários os acórdãos da Jurisprudência Administrativa reconhecendo o não cabimento da exigência. Fl. 1591DF CARF MF 14 Argumenta que os débitos de tributos e contribuições e de multas (penalidades) têm causas diversas, não se confundindo como aliás é expresso o art. 3º do CTN. Enquanto os débitos de tributos e contribuições decorrem da prática dos respectivos fatos geradores, as multas decorrem de violações à norma legal, no caso, do suposto não pagamento dos tributos e contribuições nos prazos legais. Informa que se for admitido que a palavra “débitos” constante do caput do artigo 61 da Lei 9.430/96 inclui o principal e a multa de ofício, terseia que admitir que as multas de ofício, quando não pagas no vencimento, sofreriam também o acréscimo de multa de mora, uma vez que o mesmo “caput” do referido artigo determina que “Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada a taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso”. Entende então que não seria razoável interpretarse a norma face ao disposto no parágrafo (no caso, o parágrafo 3º) sem se atentar ao que determina o “caput”. Cita o artigo 43 da Lei nº 9.430/96 e alega que se a expressão “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições” constante no “caput” do artigo 61 da Lei nº 9.430/96 contemplasse também a multa de ofício, não haveria necessidade alguma da previsão do parágrafo único do artigo 43 para incidência de juros sobre a multa isolada, posto que a incidência dos juros sobre a multa de ofício lançada isoladamente nos termos do “caput” do artigo já decorreria diretamente do artigo 61. Conclui enfim que não existe base legal para a exigência de juros sobre os valores lançados a título de multa de ofício (não isolada), que não pode prevalecer sob pena de violação não só ao próprio art. 61 da Lei n. 9.430/96 mas também aos arts. 5º, II e 150, I da CF/88 e 97 do CTN. Por fim, requer o provimento do recurso voluntário e o reconhecimento da insubsistência dos Autos de Infração do presente processo administrativo, ou quando menos para que sejam excluídos dos valores de principal lançados os valores de CRPB que já foram pagos pela Recorrente e cancelada a exigência de juros sobre a multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE A Recorrente foi cientificada da r. decisão em debate no dia 10/05/2018 (fls. 1.491), e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 29/05/2018 (fl. 1.528), razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. Fl. 1592DF CARF MF Processo nº 11080.720114/201881 Acórdão n.º 2401005.966 S2C4T1 Fl. 9 15 2. DO MÉRITO a. Da atividade da empresa. Sobre o tema, o cerne da questão debatida nos presentes autos é a real atividade desenvolvida pela empresa autuada: atividade de cobrança (CNAE 82911 – Atividades de Cobrança de Faturas e Dívidas de Clientes) ou serviço de Call Center (CNAE 82202 – Atividade de Teleatendimento). De acordo com a Fiscalização, nas alterações contratuais apresentadas pela empresa recorrente, vigentes no período auditado, e até 24/02/2016, constatouse que o objetivo social da empresa é a exploração no ramo de cobrança extrajudicial, telecobrança e serviços correlatos. A Fiscalização aponta que somente na alteração contratual registrada na Junta Comercial do Rio Grande do Sul (JCRS) em 24/02/2016, a empresa incluiu no seu objeto social a atividade de Call Center. Seguindo esse mesmo raciocínio, a DRJ de origem afirmou que “é indiscutível no caso que a atividade preponderante da empresa é a de cobrança, ou ‘telecobrança’ com chama a autuada, e seu CNAE principal é 8291l/00 Atividades de cobrança e informações cadastrais, conforme a descrição dos serviços prestados constantes em suas Notas Fiscais.” (fl. 1.468). Por sua vez, a Recorrente se insurge no sentido de que desde 2011 possuía em seu contrato social a atividade de "telecobrança" e que em seu cartão CNPJ consta a atividade principal como "teleatendimento". Defende que não exerce atividade de cobrança distinta da atividade de Call Center, como parece sugerir o Fiscal autuante, pois sua atividade consiste na telecobrança mediante a utilização de Call Center, o que pode ser facilmente deduzido pela simples leitura da “Planilha 3 – relação das notas fiscais informadas na EFDContribuições”, elaborada pela própria fiscalização, que evidencia que consta da Descrição da Mercadoria/Serviço, em todas as linhas da planilha, “serviços de telecobrança”, o que evidencia que em todos os casos a atividade de cobrança se deu por meio da utilização de call Center. Salienta que a expressiva maioria das notas fiscais (fls. 86/384) se refere ao serviço de telecobrança. Cita contrato de prestação de serviços celebrado com uma de suas clientes e conclui que em momento algum a fiscalização contestou o fato de que as atividades de cobrança efetuada por seus funcionários é exercida por meio de Call Center, devendo prevalecer, de qualquer modo, a substância (verdade material) sobre a forma, o que resultaria na irrelevância do fato de que no período autuado o CNAE da Impugnante não especificava a atividade de Call Center. Além disso, a Recorrente juntou aos autos fotografias que ilustram a atividade exercida e a estrutura de estabelecimento utilizado pelos seus funcionários para demonstrar que a atividade de "telecobrança" é exercida por meio de Call Center (fls. 1.384/1.385). Com relação às atividades de Call Center e Contact Center, recorrendo à Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), elaborada pela Comissão Nacional Fl. 1593DF CARF MF 16 de Classificação (Concla), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a qual foi adotada, nos termos da IN SRF nº 700, de 22 de dezembro de 2006, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) temos: “CNAE 2.2 Subclasses Hierarquia Seção: N ATIVIDADES ADMINISTRATIVAS E SERVIÇOS COMPLEMENTARES Divisão: 82 SERVIÇOS DE ESCRITÓRIO, DE APOIO ADMINISTRATIVO E OUTROS SERVIÇOS PRESTADOS PRINCIPALMENTE ÀS EMPRESAS Grupo: 82.2 Atividades de teleatendimento Classe: 82.202 Atividades de teleatendimento Subclasse: 82202/00 Atividades de teleatendimento Notas Explicativas: Esta subclasse compreende: as atividades de centros de recepção de chamadas e de respostas a chamadas dos clientes com operadores humanos e distribuição automática de chamadas as atividades baseadas em sistemas de integração telefone computador os sistemas de resposta vocal interativa ou métodos similares para o recebimento de pedidos e fornecimento de informação sobre produtos o atendimento telefônico a solicitações de consumidores ou de atendimento a reclamações Esta subclasse compreende também: os centros de emissão de chamadas telefônicas que usam métodos para vender ou promover mercadorias e serviços a possíveis clientes (telemarketing) os centros de emissão de chamadas telefônicas para a realização de pesquisas de mercado e de opinião pública e atividades similares Esta subclasse não compreende: os serviços de comunicação de pager (61205/99) Lista de Descritores: 82202/00 ATENDIMENTO A CLIENTES SAC POR TELEFONE, POR TERCEIROS; SERVIÇO DE Fl. 1594DF CARF MF Processo nº 11080.720114/201881 Acórdão n.º 2401005.966 S2C4T1 Fl. 10 17 82202/00 ATENDIMENTO A CLIENTES POR TELEFONE; SERVIÇO PRESTADO POR TERCEIROS 82202/00 CALL CENTER; SERVIÇO DE 82202/00 CENTRAL DE ATENDIMENTO POR TELEFONE; SERVIÇO PRESTADO POR TERCEIROS 82202/00 CENTRAL DE RECADOS; SERVIÇO DE 82202/00 CENTROS DE RECEPÇÃO DE CHAMADAS 82202/00 CONSULTA SOBRE PRODUTOS POR TELEFONE; SERVIÇOS DE 82202/00 CONTACT CENTER; SERVIÇOS DE 82202/00 CONTATOS TELEFÔNICOS, RECADOS; SERVIÇOS PRESTADOS POR TERCEIROS 82202/00 PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES POR TELEFONE; SERVIÇO DE 82202/00 SISTEMAS DE INTEGRAÇÃO TELEFONE COMPUTADOR; ATIVIDADES DE 82202/00 SISTEMAS DE RESPOSTA VOCAL INTERATIVA; ATIVIDADES DE 82202/00 TELEATENDIMENTO (TELEMARKETING); SERVIÇO DE” Ainda sobre o tema, tenho como suficientemente esclarecedora e digna de transcrição a Solução de Consulta nº 69 Cosit, de 10 de março de 2015: “O call center que se conhece hoje apareceu na década de 1970 nos Estados Unidos (...). A atividade começou a se difundir na década de 1980 nas empresas de infraestrutura e de serviços financeiros por meio de operações de telemarketing ativas e de operações receptivas das centrais de SAC (Araújo, 2003: 09). Não é por acaso que se use tanto a expressão telemarketing para se referir às empresas dessa atividade. Os atuais call centers se desenvolveram com a difusão das práticas de vendas por telefone e de marketing. Os call centers, ou centrais de atendimento, eram reconhecidos como estruturas onde se concentravam as ligações telefônicas com objetivos ligados às funções de vendas e marketing. Assim, os primeiros call centers eram centrais telefônicas de empresas ou instituições estabelecidas com o propósito de oferecer algum tipo de serviço direcionado para agentes externos. Fl. 1595DF CARF MF 18 No entanto, gradualmente os call centers foram incorporando novas finalidades às suas centrais telefônicas e, desde então, a diversidade de serviços tem aumentado consideravelmente (Padilha e Matussi, 2002:117). Nos anos 1990, a fim de acompanhar as alterações do mercado consumidor (mais comparativo, mais exigente e rigoroso em termos de qualidade e respeito), as empresas em geral, por meio dos call centers, empenharamse para oferecer novos serviços voltados para o atendimento desse novo consumidor. Assim, tornouse obsoleto o termo telemarketing, substituído na década de 1990 pela expressão serviços de call center (EConsulting, 2004: 02). Todavia, as empresas especializadas reivindicam o título de contact center. Historicamente, o telefone tem sido o principal canal de interação com os consumidores. Porém, novas tecnologias foram agregadas aos processos, como as tecnologias de datamining e a utilização de novos canais de comunicação, como a Internet e a tecnologia de Voz sobre Protocolo de Internet (VoIP). Mas, especial destaque deve ser concedido à implantação de sistemas de Customer Relationship Management (CRM), responsáveis por transformar os call centers em centrais de relacionamento das empresas com seus consumidores. Assim, a integração de várias tecnologias e canais de comunicações aos processos de prestação de serviços transforma os call centers em centros dinâmicos que intensificam as interações entre empresas e consumidores, fatores que caracterizam um contact center (Anton, 2000: 124). Nesse contexto, o call center ou contact center, como unidade prestadora do serviço, representa uma forma facilitadora de comunicação entre as empresas e os consumidores (ou fornecedores) estabelecida por meio da tecnologia, cujo foco é a informação rápida e eficaz. (NETO, José Borges da Silva. Call Centers no Brasil: um estudo sobre emprego, estratégias e exportações. Dissertação de mestrado apresentada ao Instituto de Economia da Universidade Federal de Uberlândia, como avaliação parcial para a obtenção do Título de Mestre em Economia, desenvolvida sob orientação do Prof. Dr. Germano Mendes de Paula. Uberlândia: Instituto de Economia da Universidade Federal de Uberlândia, 2005. Disponível em . Acesso em 05 jan 2015). O call center tradicional está, atualmente, evoluindo para aquilo que é chamado customer contact center. Uma combinação de desenvolvimento tecnológico (com a Internet sendo o principal motivador) com as necessidades de um mercado em mudança está, essencialmente, transformando os call centers de centros de custo operacional corporativos para um processo de negócio significante. O foco está mudando do lidar com ligações de usuários para maximizar o valor do consumidor com integração significativa. Esses canais de comunicação são sempre integrados com bancos de dados ao longo da empresa, os quais possuem diversos tipos de informações sobre consumidores. O peso do custobenefício vai direcionar o mercado para a adoção dos customer contact centers. Fl. 1596DF CARF MF Processo nº 11080.720114/201881 Acórdão n.º 2401005.966 S2C4T1 Fl. 11 19 (SALLES, Marcos Aurélio. A relação da motivação para o trabalho com as metas do trabalhador: um estudo de caso em uma operadora de call center. Rio de Janeiro: Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getúlio Vargas, 2008. Dissertação de Mestrado Executivo em Gestão Empresarial. Disponível em . Acesso em 05 jan 2015). Muitas vezes os termos Call Center e Contact Center são utilizados como tendo o mesmo significado. Será que existe diferença entre eles ou tratase apenas de uma variedade de nomenclaturas do setor que significam a mesma coisa? Durante nossos treinamentos e seminários perguntamos aos gerentes e supervisores de call center qual o significado do setor para ele notamos as mais diversas definições, porém ao questionar se há diferenciação entre Call Center, Contact Center e Telemarketing, notamos a grande dificuldade de resposta. O Call Center envolve um conjunto de recursos (computadores, equipamentos de telecomunicação e agentes) que permitirão o fornecimento de serviços via telefone, onde o Customer Service Representative, ou operador interage com os clientes. Com necessidade de aumentar a capacidade de respostas das organizações e o surgimento de outros canais de relacionamento e interação com o cliente (chat, email, web, entre outros) os Call Center passaram a serem chamados de Contact Centers. Para Cardoso (Unified Customer Interaction: Gestão do Relacionamento num Ambiente Misto de Interacção Self e Assistida, Centro Atlântico, Lisboa), o conceito de Call Center só aparece formalmente nos anos 80, apesar de ser possível afirmar que eles existiam bem antes onde o telefone era a principal ferramenta e tecnologia empregada, sendo uma atividade que consumia bastante tempo, pois os métodos de trabalho eram essencialmente manuais. No final da década de 80 começa a ser utilizada a tecnologia CTI (Computer Telephony Integration) que permitiu a integração de telefonia ao computador, o gerenciamento das ligações e a distribuição das mesmas através dos operadores e grupos de atendimento em serviços. Juntamente com a tecnologia CTI surgiu a IVR (Interactive Voice Response) possibilitando o processamento automático de pedidos e a gestão das chamadas telefônicas. O IVR é um sistema de Resposta Interactiva de Voz, usado nos serviços de apoio telefónico e permite aos clientes interagir com menus e obter informações sobre os seus serviços. Esta tecnologia tornou o atendimento mais rápido e mais eficiente permitindo encaminhar o cliente para o grupo de assistentes especializados em determinados assuntos. Fl. 1597DF CARF MF 20 A utilização de outras ferramentas de comunicação como email, fax e web, trouxe a necessidade de adaptação do conceito, passando a ser chamado de Contact Center. Diante do exposta acima, podemos perceber que, apesar das diferenças entre Call Center e Contact Center que vão desde os processos de trabalho às tecnologias podemos entender os conceitos não através de uma simples diferenciação, mas sim como resultado da evolução de um setor fundamental para a economia e sociedade. (SILVA, Márcio A. Call center ou contact center: diferenciação ou evolução do setor? Disponível em < http://www.cursoscallcenter.com.br/callcentercontactcenter_13.html >. Acesso em 05 jan 2015).” Ante os esclarecimentos acima reproduzidos têmse que as atividades listadas pela CNAE código 82202/00 compreendem os serviços de Call Center e Contact Center (Subclasse Atividade de Teleatendimento), cujas características principais são o atendimento remoto a clientes por meio de chamadas, atendimento telefônico, sistemas de integração telefonecomputador, sistemas de resposta vocal interativa ou métodos similares, visando o recebimento de pedidos, fornecimento de informação sobre produtos, atendimento a solicitação de consumidores ou a reclamações, venda ou promoção de mercadorias e serviços a possíveis clientes, realização de pesquisas de mercado e de opinião pública e atividades similares. Por outro lado, a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) possui uma classe específica para a atividade de cobrança (82911 – COBRANÇA DE FATURAS E DÍVIDAS DE CLIENTES) e esta classe possui uma única subclasse, a saber, 82911/00 – ATIVIDADES DE COBRANÇAS E INFORMAÇÕES CADASTRAIS: “Seção: N ATIVIDADES ADMINISTRATIVAS E SERVIÇOS COMPLEMENTARES Divisão: 82 SERVIÇOS DE ESCRITÓRIO, DE APOIO ADMINISTRATIVO E OUTROS SERVIÇOS PRESTADOS PRINCIPALMENTE ÀS EMPRESAS Grupo: 82.9 Outras atividades de serviços prestados principalmente às empresas Classe: 82.911 Atividades de cobranças e informações cadastrais Subclasse: 82911/00 Atividades de cobranças e informações cadastrais Notas Explicativas: Esta classe compreende: as atividades de cobrança de faturas e de dívidas para clientes e a transferência aos clientes dos pagamentos recebidos. as atividades de compilação de informações, como históricos de crédito, de emprego, para empresas clientes. Fl. 1598DF CARF MF Processo nº 11080.720114/201881 Acórdão n.º 2401005.966 S2C4T1 Fl. 12 21 o fornecimento de informações sobre a capacidade de endividamento de pessoas e de empresas a instituições financeiras, ao comércio e a empresas de outras atividades que necessitam avaliar a capacidade de crédito de pessoas e empresas. Esta classe não compreende: os serviços advocatícios (69.117) Lista de Descritores: 82911 ANÁLISE DE CADASTRO PARA APROVAÇÃO DE CRÉDITO; SERVIÇOS DE 82911 ANÁLISE E APROVAÇÃO DE CRÉDITO; SERVIÇOS DE 82911 COBRANÇA DE FATURAS E DÍVIDAS DE CLIENTES; ATIVIDADES DE 82911 COMPILAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE HISTÓRICO DE CRÉDITO DE PESSOAS PARA EMPRESAS CLIENTES; ATIVIDADES DE 82911 CONSULTA SOBRE HISTÓRICO DE CRÉDITO DE PESSOAS POR TELEFONE; SERVIÇOS DE 82911 INFORMAÇÕES CADASTRAIS; SERVIÇOS DE 82911 INFORMAÇÕES PARA AVALIAÇÃO DE CAPACIDADE DE CRÉDITO DE PESSOAS E EMPRESAS; SERVIÇO DE 82911 INFORMAÇÕES SOBRE A CAPACIDADE DE ENDIVIDAMENTO DE PESSOAS E DE EMPRESAS; FORNECIMENTO DE” No caso em exame, conforme consta da 28ª alteração contratual de 18/08/2011 (fls. 64/69), registrada na Junta Comercial do Rio Grande do Sul (JCRS) em 26/08/2011, no seu artigo 2º da consolidação do contrato social, o objeto social da empresa “será a exploração no ramo de cobrança extrajudicial, telecobrança e serviços correlatos”. Em seguida, consta da 29ª alteração contratual de 02/01/2013 (fls. 70/75), também registrada na Junta Comercial do Rio Grande do Sul (JCRS), em 12/03/2013, no seu artigo 2º da consolidação do contrato social, que o objeto social da Recorrente permaneceu o mesmo acima indicado, ou seja, o objeto social da empresa “será a exploração no ramo de cobrança extrajudicial, telecobrança e serviços correlatos”. Posteriormente, em 07/12/2015, conforme 30ª alteração contratual (fls. 76/80), registrada na Junta Comercial do Rio Grande do Sul (JCRS) em 24/02/2016, a Fl. 1599DF CARF MF 22 Recorrente altera o seu objeto social para incluir a atividade de “Call Center, Contact Center, Telemarketing e Tele Atendimento, conforme item 2 desta alteração contratual. Ou seja, não há dúvida de que até 24/02/2016, o objetivo social da empresa foi a exploração no ramo de cobrança extrajudicial, telecobrança e serviços correlatos. Somente na alteração contratual registrada na Junta Comercial do Rio Grande do Sul (JCRS) em 24/02/2016 (fl. 77), a empresa incluiu no seu objeto social a atividade de Call Center. Além disso, conforme consta da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ dos anos calendários de 2012 e 2013 (fls. 411/497), a empresa informa o CNAE 82.911/00, que se refere as atividades de cobrança e informações cadastrais (vide fls. 412 e 454). E mais, as Notas Fiscais juntadas aos autos (fls. 86/410) dão conta que os serviços são de cobrança e cobrança. Desta forma a atividade econômica principal da empresa é o serviço de cobrança e está enquadrada no CNAE principal 8291l/00 Atividades de cobrança e informações cadastrais, no período de 01/2013 a 12/2015, conforme disciplinado no § 1º do artigo 17 da Instrução Normativa nº 1.436 de 30/12/2013: “Art. 17. As empresas para as quais a substituição da contribuição previdenciária sobre a folha de pagamento pela CPRB estiver vinculada ao seu enquadramento no CNAE deverão considerar apenas o CNAE principal. § 1º O enquadramento no CNAE principal será efetuado pela atividade econômica principal da empresa, assim considerada, dentre as atividades constantes no ato constitutivo ou alterador, aquela de maior receita auferida ou esperada.” Cumpre registrar, que a Lei nº 11.774, de 2008, em seu artigo 14, § 5º é expressa nos seguintes termos: “Art. 14. As alíquotas de que tratam os incisos I e III do caput do art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, em relação às empresas que prestam serviços de tecnologia da informação TI e de tecnologia da informação e comunicação TIC, ficam reduzidas pela subtração de 1/10 (um décimo) do percentual correspondente à razão entre a receita bruta de venda de serviços para o mercado externo e a receita bruta total de vendas de bens e serviços, após a exclusão dos impostos e contribuições incidentes sobre a venda, observado o disposto neste artigo. [...] § 5º O disposto neste artigo aplicase também a empresas que prestam serviços de call center e àquelas que exercem atividades de concepção, desenvolvimento ou projeto de circuitos integrados. (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012)” Já o artigo 7º da Lei nº 12.546, de 2011 (com redação dada pela Lei nº 13.043/2014, vigente à época dos fatos), guardava o seguinte comando: Fl. 1600DF CARF MF Processo nº 11080.720114/201881 Acórdão n.º 2401005.966 S2C4T1 Fl. 13 23 “Art. 7º Contribuirão sobre o valor da receita bruta, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, em substituição às contribuições previstas nos incisos I e III do caput do art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, à alíquota de 2% (dois por cento): (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014). I as empresas que prestam os serviços referidos nos §§ 4ºe 5º do art. 14 da Lei nº 11.774, de 17 de setembro de 2008; (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012)” A Lei nº 12.546/2011 (desoneração da folha) instituiu a CPRB Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta, abrangendo, inicialmente, as empresas de Tecnologia da Informação TI, Tecnologia da Informação e Comunicação TIC, Call Center e aquelas integrantes dos segmentos de vestuário e calçadista. Conforme visto acima, a atividade de cobrança não está incluída na referida lei. O fato de as atividades serem realizadas em um mesmo ambiente e por intermédio de teleatendimento não faz com que estas tenham o mesmo tratamento tributário. Os objetivos e as finalidades das atividades são distintas. O fim da empresa que realiza cobrança é, essencialmente, receber um valor já contratado e devido, isto é, recuperar créditos. No Call Center se busca basicamente oferecer produtos ou serviços e atender dúvidas e reivindicações dos clientes que procuram o Call Center, sem visar a cobrança de valores anteriormente contratados, porventura inadimplidos pelas pessoas perseguidas pelo serviço de cobrança. Neste, o serviço de telebusca é que ativamente procura os devedores para lhe exigir o pagamento de dívidas. Não é o cliente que no caso vai atrás de um esclarecimento ou alguma prestação de serviço de quem oferece o Call Center. Portanto, ratificando o contido no Relatório Fiscal, o serviço de cobrança não pode ser classificado entre as atividades de teleatendimento, e, portanto, não se confunde com o serviço de Call Center, previsto no § 5º do artigo 14 da Lei nº 11.774 de 2008, anteriormente transcrito, motivo pelo qual não se enquadra na substituição previdenciária prevista no artigo 7º da Lei nº 12.546/2011. Quanto às alegações de inconstitucionalidade levantadas pelo Recorrente, sobre a aplicação do artigo 17 da Instrução Normativa RFB nº 1436, de 30 de dezembro de 2013, por ofensa ao princípio da legalidade, de acordo com o disposto na Súmula nº 02 deste órgão julgador, esta matéria é estranha à sua competência. Todavia, apenas para fins de esclarecimento, diferentemente do que alega o Recorrente, a referida Instrução Normativa RFB 1436/2013 é um ato puramente administrativo, uma norma complementar administrativa, tão somente. Aliás, verificase da leitura do seu artigo 17, § 1º, que estes dispositivos se encontram em perfeita harmonia com o disposto no artigo 9º, §§ 9º e 10º da Lei nº 12.546/2011. Confirase: Instrução Normativa RFB nº 1436, de 30 de dezembro de 2013: “Art. 17. As empresas para as quais a substituição da contribuição previdenciária sobre a folha de pagamento pela CPRB estiver vinculada ao seu enquadramento no CNAE deverão considerar apenas o CNAE principal. Fl. 1601DF CARF MF 24 § 1º O enquadramento no CNAE principal será efetuado pela atividade econômica principal da empresa, assim considerada, dentre as atividades constantes no ato constitutivo ou alterador, aquela de maior receita auferida ou esperada.” Lei nº 12.546, de 14 de dezembro de 2011: “Art. 9º Para fins do disposto nos arts. 7º e 8º desta Lei: [...] § 9º As empresas para as quais a substituição da contribuição previdenciária sobre a folha de pagamento pela contribuição sobre a receita bruta estiver vinculada ao seu enquadramento no CNAE deverão considerar apenas o CNAE relativo a sua atividade principal, assim considerada aquela de maior receita auferida ou esperada, não lhes sendo aplicado o disposto no § 1º. § 10. Para fins do disposto no § 9º, a base de cálculo da contribuição a que se referem o caput do art. 7º e o caput do art. 8º será a receita bruta da empresa relativa a todas as suas atividades. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013)” Por fim, sobre os julgados trabalhistas apresentados pela Recorrente, não me impressiona o enquadramento apresentado pela justiça laboral, no sentido de equiparar as atividades. Os eventuais dados técnicos aptos a classificar a empresa como Call Center são matérias validamente aceitas para fins trabalhistas, tão somente. Este enquadramento, no entanto, não tem qualquer efeito no Direito Tributário, isto é, não altera a hipótese de incidência tributária. Isto porque os princípios e conceitos destes dois ramos do direito são distintos, bem como os objetivos buscados na aplicação de cada um. Dessa forma, reputo como correto o procedimento adotado pela fiscalização, não merecendo provimento o recurso nesse ponto. b. Da Apropriação A Recorrente requer subsidiariamente, ad argumentandum tantum, caso seja mantido o lançamento, deverão ser deduzidos os valores de CRPB pagos pela Recorrente. Com efeito, alega ainda que, ao tratar da base de cálculo dos tributos exigidos no presente processo administrativo, o i. fiscal autuante simplesmente aplicou as alíquotas das contribuições às remunerações declaradas em GFIP, desconsiderando completamente os valores de CRPB que foram pagos pela Recorrente, que deveriam ter sido deduzidos dos montantes de contribuições exigidas no presente processo, sob pena de enriquecimento ilícito da Fazenda em razão da exigência de valores que em parte já foram pagos sob a forma de CRPB. Razão assiste ao contribuinte. O artigo 7º da Lei nº 12.546/2011 ao instituir a CPRB determina que “poderão contribuir sobre o valor da receita bruta, excluídos as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, em substituição às contribuições previstas nos incisos I e III do caput do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991”, nesse diapasão, resta claro que a CPRB e a contribuição sobre folha de salários têm a mesma natureza, sendo irrelevante o fato Fl. 1602DF CARF MF Processo nº 11080.720114/201881 Acórdão n.º 2401005.966 S2C4T1 Fl. 14 25 da CPRB ser paga “em guia diversa da exigida pela legislação de regência” quanto à contribuição sobre folha de salários. O que ocorreu no caso foi o pagamento a menor da contribuição previdenciária, que permitira à fiscalização exigir da Recorrente a diferença entre o valor que ela considerou devido (na forma prevista no artigo 22 da Lei nº 8.212/91) e o valor que foi pago (sob a forma de CPRB), justamente o que pleiteia a Recorrente em seu pedido subsidiário. Conforme reiterada jurisprudência deste E. CARF, agir de modo diverso, acarretaria na movimentação desnecessária da máquina administrativa, que deveria restituir o imposto pago pela pessoa jurídica, sendo mais racional realizar o procedimento no curso deste processo; ou ainda, o enriquecimento ilícito da Administração Pública, que terá recebido duas vezes pelo mesmo fato gerador (bis in idem), caso se considere impossível a apropriação ora em debate, por já ter se passado cinco anos do fato gerador. Assim, em respeito ao princípio da moralidade administrativa, uma vez que no caso concreto, ocorreu o pagamento a menor da contribuição previdenciária, que permitiu à fiscalização exigir da Recorrente a diferença entre o valor que ela considerou devido (na forma prevista no artigo 22 da Lei nº 8.212/91) e o valor que foi pago (sob a forma de CPRB), deve se realizar a apropriação dos referidos valores, e abater os tributos pagos na pessoa jurídica, antes dos acréscimos legais de oficio. Sendo assim, dou provimento ao recurso quanto a este ponto. c. Dos juros sobre a multa de ofício. A Recorrente se insurge contra a aplicação do juros de mora sobre a multa de ofício. Alega que, muito embora tenha demonstrado em sua impugnação o não cabimento da exigência de juros moratórios sobre a multa de ofício, a r. decisão recorrida houve por bem manter tal exigência, invocando para tanto o artigo 161 do CTN. Alega que o Fisco certamente exigirá da Impugnante juros de mora sobre o valor da multa de ofício, como vem procedendo em outros casos, o que acresce em muito o valor supostamente devido. Assim, impugna essa cobrança sobre a alegação de que a legislação que rege a matéria somente autoriza a incidência de multa e juros sobre o valor atualizado do tributo ou da contribuição, não autoriza, como pretende o Fisco, o cálculo dos juros sobre o valor da multa, o que torna o procedimento adotado totalmente ilegal e inconstitucional, por falta de amparo legal. Salienta que especificamente a este respeito já são vários os acórdãos da Jurisprudência Administrativa reconhecendo o não cabimento da exigência. Argumenta que os débitos de tributos e contribuições e de multas (penalidades) têm causas diversas, não se confundindo como aliás é expresso o art. 3º do CTN. Enquanto os débitos de tributos e contribuições decorrem da prática dos respectivos fatos Fl. 1603DF CARF MF 26 geradores, as multas decorrem de violações à norma legal, no caso, do suposto não pagamento dos tributos e contribuições nos prazos legais. Informa que se for admitido que a palavra “débitos” constante do caput do artigo 61 da Lei 9.430/96 inclui o principal e a multa de ofício, terseia que admitir que as multas de ofício, quando não pagas no vencimento, sofreriam também o acréscimo de multa de mora, uma vez que o mesmo “caput” do referido artigo determina que “Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada a taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso”. Entende então que não seria razoável interpretarse a norma face ao disposto no parágrafo (no caso, o parágrafo 3º) sem se atentar ao que determina o “caput”. Cita o artigo 43 da Lei nº 9.430/96 e alega que se a expressão “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições” constante no “caput” do artigo 61 da Lei nº 9.430/96 contemplasse também a multa de ofício, não haveria necessidade alguma da previsão do parágrafo único do artigo 43 para incidência de juros sobre a multa isolada, posto que a incidência dos juros sobre a multa de ofício lançada isoladamente nos termos do “caput” do artigo já decorreria diretamente do artigo 61. Conclui enfim que não existe base legal para a exigência de juros sobre os valores lançados a título de multa de ofício (não isolada), que não pode prevalecer sob pena de violação não só ao próprio art. 61 da Lei n. 9.430/96 mas também aos arts. 5º, II e 150, I da CF/88 e 97 do CTN. Todavia, em que pese o esforço da Recorrente, a matéria em questão já se encontra sedimentada neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais através da Súmula CARF nº 108. Confirase: “Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.” Dessa forma, nego provimento ao recurso. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que sejam aproveitados, antes do lançamento, os valores recolhidos na sistemática da CPRB, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 1604DF CARF MF Processo nº 11080.720114/201881 Acórdão n.º 2401005.966 S2C4T1 Fl. 15 27 Fl. 1605DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.913499/2009-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MAIOR OU INDEVIDAMENTE. SÚMULA CARF Nº 84. AFASTAMENTO DA VEDAÇÃO PELA IN SRF Nº 600/2005. POSSIBILIDADE. INDÉBITO CARACTERIZADO. DEMANDA DE NOVA ANÁLISE.
Verificada a legalidade o pleito de compensação da recorrente, afastando entendimento anterior pela sua vedação, devem ser materialmente analisadas a procedência e a quantificação do direito creditório pretendido antes da sua homologação.
Numero da decisão: 1402-003.656
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário com base na súmula CARF nº 84 (Revisada) para afastar a vedação da compensação pretendida pela recorrente e determinar o retorno dos autos à Unidade Local para nova análise do direito creditório pleiteado pela contribuinte.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário com base na súmula CARF nº 84 (Revisada) para afastar a vedação da compensação pretendida pela recorrente e determinar o retorno dos autos à Unidade Local para nova análise do direito creditório pleiteado pela contribuinte. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone.
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SÚMULA CARF Nº 84. AFASTAMENTO DA VEDAÇÃO PELA IN SRF Nº 600/2005. POSSIBILIDADE. INDÉBITO CARACTERIZADO. DEMANDA DE NOVA ANÁLISE. Verificada a legalidade o pleito de compensação da recorrente, afastando entendimento anterior pela sua vedação, devem ser materialmente analisadas a procedência e a quantificação do direito creditório pretendido antes da sua homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário com base na súmula CARF nº 84 (Revisada) para afastar a vedação da compensação pretendida pela recorrente e determinar o retorno dos autos à Unidade Local para nova análise do direito creditório pleiteado pela contribuinte. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 34 99 /2 00 9- 61 Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10480.913499/200961 Acórdão n.º 1402003.656 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ a quo, em primeira instância administrativa, que julgou IMPROCEDENTE, a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe, agora recorrente. Do Despacho Decisório: Trata o presente processo da Declaração de Compensação, na qual a recorrente alega possuir crédito contra a Fazenda Pública, decorrente de pagamento a maior ou indevido de estimativas, buscando extinguir por compensação de débito próprio, conforme detalhamento que consta no Despacho Decisório acostado aos autos. Transmitida, o Per/Dcomp recebeu da Delegacia da Receita Federal DRF de origem o Despacho Decisório de não homologação da compensação, cujas razões da negativa se fundam no fato de que o pagamento a maior de estimativa só pode ser utilizado ao final do período de apuração, conforme determinação do art. 10 da IN SRF nº 600/2005. Da Manifestação de Inconformidade: Inconformada com o despacho decisório, a recorrente interpôs a manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que não restariam dúvidas da existência do crédito em seu favor, decorrente de pagamento a maior de estimativa, e que o mesmo seria passível de repetição conforme normas do Código Tributário Nacional. Da decisão da DRJ : A DRJ, em seu julgamento, considerou improcedente a manifestação de inconformidade, e não reconheceu o direito creditório pleiteado, e consequente não homologação da compensação do Per/Dcomp objeto do presente processo. Para fundamentar sua decisão, alegou unicamente o óbice normativo existente no art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600/20051. Do Recurso Voluntário: Irresignada com o a decisão, apresentou recurso voluntário em que, em síntese, alega que tem o direito à compensação do pagamento indevido ou a maior de IRPJ e de CSLL a título de estimativa mensal, pois haveria aplicação retroativa da IN RFB nº 900/2008 que suprimiu a vedação do art. 10º da IN SRF nº 600/2005. 1 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10480.913499/200961 Acórdão n.º 1402003.656 S1C4T2 Fl. 4 3 Igualmente, suscita o entendimento manifestado pela RFB através da Solução de Consulta Interna Cosit nº 19/2011, que corrobora o entendimento no sentido de que é permitida a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, e o caráter interpretativo (por consequente, retroativo) do art. 11 da IN RFB nº 900/2008. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.653, de 13/12/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10480.913496/2009 28, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.653): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, podese dele conhecer. Antes de adentrar no mérito, cabe informar que o julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Ricarf, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, sendo o paradigma. Síntese dos fatos O presente processo versa sobre um Per/Dcomp, em que a recorrente pleiteou um direito creditório baseado em um pagamento indevido ou a maior de estimativas recolhidas, em que o Despacho Decisório denegou tal pleito por entender que somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ/CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor saldo negativo de IRPJ/CSLL do período, citando o enquadramento legal do art. 10 da IN SRF nº 600/2005. A recorrente, na sua manifestação de inconformidade, alega que não existiriam dúvidas da existência do pagamento a maior ou indevido, e que o mesmo seria passível de repetição, conforme o Código Tributário Nacional CTN. A decisão da DRJ considerou improcedente sua manifestação de inconformidade, unicamente na aplicação do óbice ao pleito da recorrente por conta do art. 10 da IN SRF nº 600/2005. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10480.913499/200961 Acórdão n.º 1402003.656 S1C4T2 Fl. 5 4 Em sede recursal, alega a aplicação retroativa da IN RFB nº 900/2008, que suprimiu a vedação em foco, bem como a Solução de Consulta Interna Cosit nº 19/2011 que reforça seu posicionamento. Do mérito O tema em discussão é exclusivamente sobre a possibilidade legal da recorrente utilizar em compensação, via Per/Dcomp, crédito oriundo de estimativas recolhidas indevidamente ou a maior, em contraponto ao então vigente art. 10 da IN SRF nº 600/2005. Tal impedimento normativo foi utilizado para justificar a denegação da homologação no Despacho Decisório, bem como na decisão de primeiro grau administrativo, não ocorrendo nenhuma análise da materialidade do direito creditório ou da sua quantificação nos autos, embora a recorrente tenha trazido alguns documentos quando da apresentação da sua manifestação de inconformidade. Tal matéria de âmbito jurídico sob apreço é tema há muito debatido neste E. Carf (e no seu predecessor, E. Conselho de Contribuintes), sendo, desde 10 de dezembro de 2012, objeto da súmula Carf nº 84, a qual, recentemente, em sessão de 03 de setembro de 2018, pela composição do Pleno da C. Câmara Superior de Recursos Fiscais, foi mantida e teve sua redação revisada: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa Como se observa da leitura da súmula acima transcrita, e ao encontro da forma que defende a recorrente, é autorizada a compensação de estimativas recolhidas a maior (indébito) a partir do seu pagamento. Por conseguinte, o óbice imposto à recorrente, tanto no despacho decisório quanto na decisão da DRJ não deve prevalecer, em obediência a tal enunciado. Cabe destacar que não há qualquer limitação temporal da aplicação da súmula Carf nº 84, mostrandose, no entender deste Conselheiro, irrelevante qual normativo interno da Receita Federal do Brasil regulava a matéria à época do pleito envolvendo o pedido de compensação. Se não bastasse o exposto acima, robustecese tal situação com inúmeros precedentes desta 1ª Seção de Julgamentos do Carf, que especificamente, abordam e afastam a vedação contida no art. 10 da IN nº 600/2005, exemplificado pelo acórdão nº 1301003.233, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara, sob a relatoria do I. Conselheiro Nelso Kichel, publicado em 30/08/2018: Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10480.913499/200961 Acórdão n.º 1402003.656 S1C4T2 Fl. 6 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato e desde que não utilizado no ajuste anual. Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa mensal em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo anocalendário, cabível a devolução do saldo negativo no ajuste anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices da IN SRF 600 (Súmula CARF nº 84) no que diz respeito à possibilidade de indébito relativo a pagamento de estimativas em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. Desta forma, merece reforma o v. Acórdão (assim como o r. Despacho Decisório), vez que lícita e viável a postura procedimental da recorrente. Contudo, como já mencionado anteriormente, em momento algum houve investigação sobre a existência e quantificação do direito creditório em questão, decorrente do alegado recolhimento a maior/indevido de estimativa, em virtude do afastamento jurídico e sumário da regularidade da postura da recorrente. Desta forma, aceita a circunstância jurídica da compensação, necessário proceder à devida análise da materialidade do valor utilizado. Todavia, tal análise não deve ser procedida por esta segunda instância administrativa, sob pena de supressão de instância, bem como do próprio direito de defesa da recorrente, devendo os autos serem remetidos à unidade local competente para a análise da documentação acostada ao feito e de sistemas Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10480.913499/200961 Acórdão n.º 1402003.656 S1C4T2 Fl. 7 6 de informação internos, proferindo novo Despacho Decisório, com o prosseguimento regular do processo, se necessário. Diante de todo o exposto, voto por dar PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, com base na súmula Carf nº 84, para afastar a vedação da compensação pretendida pela recorrente, invocada tanto no r. Despacho Decisório, como no v. Acórdão recorrido. Devem ser o processo encaminhado para a D. unidade local competente para nova análise do direito creditório pleiteado. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, com base na Súmula CARF nº 84 (revisada), para afastar a vedação da compensação pretendida pela recorrente e determinar o retorno dos autos à Unidade Local para nova análise do direito creditório pleiteado pela contribuinte. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 241DF CARF MF
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