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Numero do processo: 10680.720732/2010-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2007
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. EM DETRIMENTO DA UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-001.944
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2007 VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. EM DETRIMENTO DA UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiros Helenilson Cunha Pontes. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Relatório Em desfavor do contribuinte, VALE S.A., foi lavrado, em 12/04/2010, a Notificação de Lançamento nº 06101/00043/2010 (às fls. 01/04), pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário no montante de R$ 554.222,61, a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, do exercício de 2007, acrescido de multa de ofício (75,0%) e juros legais, tendo como objeto o imóvel rural denominado “Fazenda João Pereira”, cadastrado na SRF, sob o nº 0.641.1339, com área declarada de 1.640,8 ha, localizado no Município de Congonhas/MG. A ação fiscal proveniente dos trabalhos de revisão das DITR/2007 incidentes em malha valor, inicious se com a intimação de fls. 05/06, exigindo se a apresentação de Laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecida na NBR 14.653 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, com ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) registrado no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo, preferivelmente pelo método comparativo direto de dados de mercado. Alternativamente o contribuinte poderá se valer de avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais (exatorias) ou Municipais, assim como aquelas efetuadas pela Emater, apresentando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel. Tais documentos devem comprovar o VTN na data de 1º de janeiro de 2007, a preço de mercado. A falta de apresentação do laudo de avaliação ensejará o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do SIPT da RFB, nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, no valor de R$: VTN para o Município 2.970,01. Por não constar dos autos a apresentação de nenhum documento de prova e no procedimento de análise e verificação das informações constantes da DITR/2007, a fiscalização resolveu alterar o VTN declarado de R$ 54.000,00 para R$ 4.873.192,41, com base no valor de R$ 2.970,01/ha indicado no SIPT para o citado município, com consequente aumento do VTN tributável e disto resultando o imposto suplementar de R$ 274.449,15, conforme demonstrado às fls. 03. A descrição dos fatos e os enquadramentos legais da infração, da multa de ofício e dos juros de mora, encontram se descritos às folhas 02 e 04. Cientificada do lançamento em 19/04/2010, fls. 67, a Impugnante, por meio de procuradores legalmente constituídos, doc. de fls. 26/28, protocolou em 18/05/2010, fls. 15, a impugnação de fls. 15/25, lida nesta Sessão, instruída com os documentos de fls. 29/66. Em síntese, alegou e requereu o seguinte: • apresenta um relato dos fatos que originaram a presente notificação de lançamento concluindo que a autuação fiscal não é de subsistir; • observa que a apuração do valor da terra nua, no caso em apreço, baseouse em critérios subjetivos, quais sejam, "os valores constantes do SIPT Sistema de Preços de Terra, instituído através da Portaria SRF n° 447 de 28.03.02", sistema este supostamente estabelecido com base no ordenamento do artigo 14 da Lei 9.393/96 para "fornecer Fl. 112DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10680.720732/201041 Acórdão n.º 220201.944 S2C2T2 Fl. 2 3 informações relativas a valores de terras para o cálculo e lançamento do Imposto Territorial Rural"; • mostra o que dispõe os artigos 2º e 3º da Portaria SRF n° 447/02, concluindo que da leitura do supracitado dispositivo que o sistema utilizado pela Receita Federal do Brasil para arbitrar o valor do imóvel rural não possibilita ao contribuinte o acesso aos dados nele inseridos, de forma a inviabilizar lhe a discordância das informações levantadas e dos cálculos efetuados pelo Fisco; • pelo fato de não serem divulgados os parâmetros e diretrizes adotados pela Receita Federal do Brasil para o estabelecimento do quantum debeatur do Imposto Territorial Rural, fica o contribuinte à mercê da forma de apuração que melhor aprouver ao Fisco, que, como visto, não está adstrita aos contornos das Leis 8.629/93 e 9.393/96, restando patente a afronta ao princípio da estrita legalidade; • mostra o que determina, em seu artigo 14, a Lei 9.393/96; • informa que a Lei n.° 9.393/96 fez referência à redação original da Lei n.° 8.629/93 e transcreve o seu art. 12 e conclui que não há garantia de que os critérios tenham sido efetivamente observados quando da avaliação fiscal; • a utilização do SIPT, nos moldes em que é realizada, ampliou o leque de discricionariedade da Receita Federal do Brasil, possibilitando alterações constantes no sistema, através da “alimentação”, indiscriminada de dados pela Coordenação Geral de Fiscalização (Cofis), de forma a interferir nos critérios de quantificação tributária; • a outorga concedida à Receita Federal do Brasil, para proceder ao lançamento de ofício do tributo, nos casos especificados em Lei, por meio de "sistema por ela instituído", acabou por permitir que o órgão administrativo furte se de obedecer ao regramento estatuído na Lei; • nos termos do artigo 142 do C.T.N., a atividade de lançamento é vinculada ("a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória"); • não se pode perder de vista que todo e qualquer ato administrativo deve ainda se pautar pelos princípios da legalidade, que tem contorno específico na seara tributária (art. 150,1, Constituição da República C. R./88) e da motivação (art. 37, caput, CR/88); • a natureza vinculada do lançamento o sujeita à estrita observância da lei, especificamente, no caso, aos elementos que compõe a hipótese de incidência tributária; • nesse sentido, mostra lições do Prof. IVES GANDRA e ALBERTO XAVIER; • a utilização indiscriminada do Sistema de Preços de Terras SIPT, tal qual ocorre no caso em apreço, caracteriza flagrante cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, uma vez que não lhe possibilita, repitase, o acesso às informações nele inseridas, utilizadas para lastrear o lançamento; • considerando que (i) não há garantias de que os critérios estabelecidospela Lei n° 8.629/1993 tenham sido efetivamente observados para a apuração do VTN no presente Fl. 113DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 caso; (ii) a "alimentação" indiscriminada de dados pela Coordenação Geral de Fiscalização (Cofis) no Sistema de Preços de terra SIPT interfere nos critérios de quantificação tributária; (iii) a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, devendo ser regida pelos estritos contornos dos princípios da legalidade e da motivação, e (iv) não é disponibilizado ao contribuinte o acesso às informações lançadas no SIPT para o cômputo do valor da terra nua, caracterizando afronta aos princípios da ampla defesa e do contraditório, é inconteste a nulidade da autuação vergastada; • neste mesmo sentido mostra decisões do E. CONSELHO DE CONTRIBUINTES DO MINISTÉRIO DA FAZENDA; • os valores apontados no Auto de Infração superam o montante que, efetivamente, representa o valor de mercado do imóvel, conforme se infere do Laudo de Avaliação de Imóvel Rural, realizado por profissionais especializados, contratados pela Impugnante; • o valor venal do imóvel objeto desta avaliação é R$ 1.661.615,05 (um milhão, seiscentos e sessenta e um mil, seiscentos e quinze reais e cinco centavos); • é assegurado ao contribuinte, nos termos do artigo 148 do CTN (transcreve o), o direito de contraditar este arbitramento, inclusive na esfera administrativa e mostra jurisprudência do E. CONSELHO DE CONTRIBUINTES DO MINISTÉRIO DA FAZENDA; • consistindo o Laudo de Avaliação do imóvel, em anexo, documento hábil a revelar o desacerto do arbitramento promovido pelo Fisco, e tendo em conta o disposto no aludido artigo 148, não há como prevalecer o montante do ITR estipulado no auto de infração referente a esta parcela, devendo, quando muito, prosseguir a cobrança com base no valor de mercado da terra nua, indicado no supracitado Laudo, em consonância com o disposto no artigo 12 da Lei n.°.8.629/93; • finalmente, requer a Impugnante seja julgada procedente a presente Impugnação, declarando se a insubsistência da autuação fiscal, ou, sucessivamente, seja reformulada a exigência fiscal, tendo em vista o valor de mercado do imóvel, informado no Laudo de Avaliação trazido aos autos, por ser medida de Direito e Justiça. Ressalva se que as referências à numeração das folhas das peças processuais, feitas no relatório e no voto, referem se aos autos primitivamente formalizados em papel, antes de sua conversão em meio digital, no qual as referidas peças estão reproduzidas sob a forma de imagem. A DRJ Campo Grande ao apreciar as razões da interessada, julgou a impugnação procedente em parte nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2007 DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Tendo em vista que o procedimento fiscal foi instaurado em conformidade com os princípios constitucionais vigentes, Fl. 114DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10680.720732/201041 Acórdão n.º 220201.944 S2C2T2 Fl. 3 5 possibilitando ao contribuinte exercer plenamente o contraditório, por meio da entrega tempestiva de sua impugnação, momento oportuno para rebater as acusações e apresentar os documentos de provas respectivos, não há que se falar em cerceamento de direito de defesa. DO VALOR DA TERRA NUA VTN Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha apontado no SIPT, exige se que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, além de atender aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma convincente, o valor fundiário do imóvel, a preços da época do fato gerador do imposto (1º/01/2007), bem como, a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos, deve ter a ART devidamente anotada no CREA/MG, por se tratar de documento eminentemente técnico, de caráter obrigatório. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeito o interessado interpõe recurso voluntário onde reiterando ponto descritos na impugnação. É o relatório. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. A lançamento referese exclusivamente a alteração do VTN. Tendo em vista questão prejudicial, sem analisar as preliminares, passamos a apreciar a questão do arbitramento do VTN. Na parte atinente ao cálculo do Valor da Terra Nua VTN, entendeu a autoridade lançadora que houve subavaliação, tendo em vista o valor constante do Sistema de Preço de Terras (SIPT), instituído pela então SRF em consonância ao art. 14, caput, da Lei n° 9.393, de 1996, razão pela qual o VTN declarado para o imóvel. Em síntese, podemos dizer que o VTNm/ha representa a média ponderada dos preços mínimos dos diversos tipos de terras de cada microrregião, observandose nessa oportunidade o conceito legal de terra nua previsto na legislação de regência sobre o assunto, utilizandose como data de referência o último dia do ano anterior ao do lançamento. A utilização da tabela SIPT, para verificação do valor de imóveis rurais, a princípio, teria amparo no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Como da mesma forma, o valor do SIPT só é utilizado quando, depois de intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, da mesma forma que tal valor fica sujeito à revisão quando o contribuinte comprova que seu imóvel possui características que o distingam dos demais imóveis do mesmo município. Não tenho dúvidas de que as tabelas de valores indicados no SIPT, quando elaboradas de acordo com a legislação de regência, servem como referencial para amparar o trabalho de malha das declarações de ITR e somente deverão ser utilizados pela autoridade fiscal se o contribuinte não lograr comprovar que o valor declarado de seu imóvel corresponde ao valor efetivo na data do fato gerador. Para tanto, a fiscalização deve enviar uma intimação ao contribuinte solicitando a comprovação dos dados declarados antes de proceder à formalização do lançamento. Vivemos em um Estado de Direito, onde deve imperar a lei, de tal sorte que o indivíduo só se sentirá forçado a fazer ou não fazer alguma coisa compelido pela lei. Daí porque o lançamento ser previsto no art. 142 do Código Tributário Nacional como atividade plenamente vinculada, isto é, sem possibilidade de a cobrança se firmar em ato discricionário, e, por outro lado, obrigatória, isto é o órgão da administração não pode deixar de cobrar o tributo previsto em lei. Assim, sendo se faz necessário uma análise preliminar sobre a possibilidade da utilização dos valores constantes da tabela SIPT, quando elaborada tendo por base as DITR do município onde se localiza o imóvel. Ou seja, se faz necessário enfrentar a questão da legalidade da forma de cálculo que é utilizado, nestes caso, para se encontrar os valores determinados na referida tabela. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10680.720732/201041 Acórdão n.º 220201.944 S2C2T2 Fl. 4 7 Razão pela qual, se faz necessário verificar qual foi metodologia utilizada para se chegar aos valores constantes da tabela SIPT, principalmente, nos casos em que restar comprovado, nos autos do processo, que a mesma foi elaborada tendo por base a média dos VTN das DITR entregues no município da localização do imóvel. Esta forma de valoração do VTN atenderia as normas legais para se proceder ao arbitramento do VTN a ser utilizado, pela autoridade fiscal, na revisão da DITR? Sem dúvidas, que tal ponto não deixa de ser importante, posto que, em se entendendo que as normas de cálculo utilizadas para a confecção da Tabela SIPT, tomada como base para o arbitramento do VTN pela autoridade fiscal, não se demonstram adequadas à lei, tal situação faria prevalecer o VTN indicado pelo contribuinte em laudo técnico ou de sua Declaração. Este é o caso questão, onde o VTN extraído do SIPT referese à média dos VTNs das DITRs apresentadas para o mesmo município e não do VTN médio por aptidão agrícola, onde se avalia os preços médios por hectare de terras do município onde esta localizado o imóvel, apurado através da avaliação pela Secretaria Estadual de Agricultura os preços de terras levando em conta de existência de lavouras, campos, pastagens, matas. O VTN, segundo a fls 09, é calculado sem aptidão agrícola. Analisando o conteúdo das normas reguladoras para a fixação dos preços médios de terras por hectare só posso concluir, que o levantamento do VTN, levando conta a média dos VTN constantes da DITRs, não condiz com o proposto pelo art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, verbis: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Assim se manifesta o art. 12 da Lei nº 8.629, de 1993: Artigo 12 Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: Fl. 117DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. § 2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado. (o grifo não é do original) Resta claro, que com a publicação da Lei nº 9.393, de 1996, em seu art. 14 dispõe que as informações sobre preços de terras observarão os critérios estabelecidos no artigo 12, § 1°, inciso II, da Lei n 8.629, de 25 de fevereiro de 1.993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos municípios. Ora, se a fixação do VTNm não teve por base esse levantamento (por aptidão agrícola), o que está comprovado nos autos, já que a autoridade fiscal lançadora se utilizou do VTN médio das DITRs entregues no município, então não se cumpriu o comando legal e o VTNm adotado para proceder ao arbitramento pela autoridade lançadora não é legítimo, sendo inservível para o fim da recusa do valor declarado ou pretendido pelo contribuinte. Diante do entendimento que o VTN médio utilizado pela autoridade fiscal lançadora não cumpre as exigências legais determinadas pela legislação de regência, penso ser irrelevante continuar a discussão da questão do Laudo de Avaliação do VTN, já que compartilho com o entendimento, que nesses casos, deve ser restabelecido o VTN declarado pelo recorrente em sua DITR glosado pela autoridade fiscal. Ante ao exposto, voto dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 118DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 13768.000496/2008-57
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
RENDIMENTOS. APOSENTADORIA. REFORMA OU PENSÃO. ISENÇAO POR MOLÉSTIA GRAVE.
A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. Havendo a comprovação da patologia, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, há de ser reconhecida a isenção.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-002.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a isenção dos rendimentos no valor de R$ 33.491,95, excluindo-os da base de cálculo do lançamento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães e Tânia Mara Paschoalin.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente
Assinado digitalmente
Sandro Machado dos Reis Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães (Presidente), Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre, Eivanice Canário da Silva, Tânia Mara Paschoalin e Sandro Machado dos Reis. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: SANDRO MACHADO DOS REIS
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APOSENTADORIA. REFORMA OU PENSÃO. ISENÇAO POR MOLÉSTIA GRAVE. A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. Havendo a comprovação da patologia, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, há de ser reconhecida a isenção. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a isenção dos rendimentos no valor de R$ 33.491,95, excluindoos da base de cálculo do lançamento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães e Tânia Mara Paschoalin. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 76 8. 00 04 96 /2 00 8- 57 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 13768.000496/200857 Acórdão n.º 2801002.574 S2‐TE01 Fl. 158 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães (Presidente), Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre, Eivanice Canário da Silva, Tânia Mara Paschoalin e Sandro Machado dos Reis. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: “Para o sujeito passivo identificado no preâmbulo foi emitida, por Auditor Fiscal da DRF Vitória (ES), a Notificação de Lançamento de fls. 7/10, referente ao imposto de renda pessoa física, exercício 2006. A restituição apurada foi reduzida para R$ 706,13. O lançamento originouse da revisão da Declaração de Ajuste Anual retificadora entregue em 28/12/2007, quando foram alterados os dados nela informados, em razão da omissão de rendimentos de pessoa jurídica (ABW), omissão de rendimentos indevidamente declarados como isentos por moléstia grave e compensação indevida de imposto retido, nos valores de R$ 5.177,97, R$ 33.491,95 e R$ 8.342.57, respectivamente, conforme enquadramento legal e descrição dos fatos às fls. 8/9. Relativamente aos rendimentos indevidamente declarados como isentos, a autoridade lançadora anotou na descrição dos fatos que laudo médico emitido pelo SUS não atende às exigências legais para concessão do beneficio, pois o SUS não é uma instituição pública. Depois da ciência do lançamento, o sujeito passivo apresenta impugnação às fls. 1/3, na qual, inicialmente, faz remissão aos termos do lançamento. Alega que é portador de moléstia grave e o SUS é o Sistema Único de Saúde ligado ao atendimento médico da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Para comprovar a moléstia grave, ressalta que anexa aos autos documentos envolvendo o procedimento do seu primeiro atendimento até o término da cirurgia a que foi submetido. Acrescenta que declarou como isentos os rendimentos recebidos de pessoa jurídica (ABW), no valor de R$ 5.177,97, considerados como omissão. Aduz, ainda, que tem direito à dedução de Previdência Privada/FAPI e ao restabelecimento da compensação de imposto retido, nos valores de R$ 8.342,57 e R$ 10.168,52, os quais incidiram sobre complementação de aposentadoria paga pela Fundação Banestes. Foram juntados aos autos os documentos de fls. 11/94. É o relatório.” Fl. 158DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 13768.000496/200857 Acórdão n.º 2801002.574 S2‐TE01 Fl. 159 3 Ao analisar o pedido do contribuinte, a DRJ decidiu conforme a ementa abaixo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO RETIDO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Nacional, antes ou posteriormente ao lançamento ou à decisão administrativa, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. RENDIMENTOS INDEVIDAMENTE CONSIDERADOS COMO ISENTOS POR MOLÉSTIA GRAVE. A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. A patologia deve ser comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE PESSOA JURÍDICA. Os rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas e decorrentes do trabalho assalariado são tributáveis na fonte e na Declaração de Ajuste Anual. Impugnação Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido” Doravante, o contribuinte apresentou recurso voluntário almejando a reforma da decisão de primeira instância, consoante os mesmos argumentos suscitados quando da impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Sandro Machado dos Reis, Relator Conheço do Recurso, pois presentes os seus requisitos de admissibilidade. Tratase, na origem, de Auto de Infração lavrado em face do Recorrente tendo em vista suposta omissão de receitas apurada no ano calendário 2005 (exercício 2006). Isso porque, na DIPJ apresentada no período o Recorrente declarouse portador de moléstia grave, consistente em cardiopatia grave, acarretando na isenção integral do tributo, nos termos do art. 39, inciso III, do RIR/99. A fiscalização, contudo, em um primeiro momento, desconsiderou a isenção sob o argumento de que não fora comprovada a moléstia através de laudo oficial. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 13768.000496/200857 Acórdão n.º 2801002.574 S2‐TE01 Fl. 160 4 Não procede a constatação fiscal, na medida em que o documento juntado à fl. 13, fora emitido por médico integrante do SUS, sendo este serviço de saúde oficial mantido pelo Governo Federal. Ademais, a documentação complementar juntada ao processo não deixa dúvida quanto ao fato do Recorrente ser portador da cardiopatia grave. A própria decisão recorrida, por sua vez, reconhece que há comprovação, mediante laudo oficial, que o Recorrente é portador de problemas cardíacos, mas não reconhece a isenção sob o argumento de que as doenças previstas nos laudos médicos, identificadas mediante códigos CID, não indicavam precisamente tratarse de cardiopatia grave. Ocorre que a cardiopatia grave é o gênero no qual se inserem as doenças cardíacas identificadas pelos laudos médicos, de modo que deve ser desconsiderado o argumento desenvolvido na decisão recorrida. Portanto, comprovado através de laudo médico oficial que o Recorrente é portador de cardiopatia grave, deve ser reconhecida a isenção tributária por ele pleiteada, inserta no art. 39, inciso III, do RIR/99. Diante do exposto, dou provimento ao recurso para reconhecer a isenção dos rendimentos no valor de R$ 33.491,95, excluindoos da base de cálculo do lançamento. Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis Fl. 160DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000813/2001-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Exercício: 1997
MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO. SUCESSÃO. SOCIEDADE DE AÇÕES TRANSFORMADA PARA QUOTAS. Incabível a exigência de multa de ofício da sucessora por infração cometida pela sucedida, salvo se
apurada antes do evento.
Recurso voluntário provido em parte.
Embargos de declaração acolhidos.
Numero da decisão: 2101-001.769
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para rerratificar o Acórdão 106-16.913, fazendo constar que ao recurso voluntário foi dado parcial provimento.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 1997 MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO. SUCESSÃO. SOCIEDADE DE AÇÕES TRANSFORMADA PARA QUOTAS. Incabível a exigência de multa de ofício da sucessora por infração cometida pela sucedida, salvo se apurada antes do evento. Recurso voluntário provido em parte. Embargos de declaração acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para rerratificar o Acórdão 10616.913, fazendo constar que ao recurso voluntário foi dado parcial provimento. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 416DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16327.000813/200146 Acórdão n.º 210101.769 S2C1T1 Fl. 201 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy e Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso de embargos de declaração (fls. 196/198) interposto em 01 de dezembro de 2010 contra o acórdão de fls. 187/192, que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte para afastar a multa de ofício da autuação. O acórdão teve a seguinte ementa: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL O MPF, primordialmente, prestase como um instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fiscocontribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que seu nome foi selecionado segundo critérios objetivos e impessoais, e que o agente fiscal nele indicado recebeu do fisco a incumbência para executar aquela ação fiscal. Ocorrendo problemas com o MPF, não seriam invalidados os trabalhos de fiscalização desenvolvidos, nem dados por imprestáveis os documentos obtidos para respaldar o lançamento de créditos tributários apurados, vez que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não poderia o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO – SUCESSÃO. SOCIEDADE DE AÇÕES TRANSFORMADA PARA QUOTAS Incabível a exigência de multa de ofício da sucessora por infração cometida pela sucedida, salvo se apurada antes do evento. Recurso voluntário provido.” Não se conformando, a União (Fazenda Nacional) opôs embargos de declaração, pedindo seja sanada a contradição/obscuridade apontada, uma vez que a decisão atacada acolheu apenas um dos pedidos formulados pela contribuinte, mas fez constar do dispositivo a “procedência total do recurso”. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O presente recurso, apresentado pela União (Fazenda Nacional) em 01/12/2010, com fundamento no disposto no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009, que admite a oposição de embargos, semelhantemente ao quanto estabelecido pelo art. 535 do Fl. 417DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16327.000813/200146 Acórdão n.º 210101.769 S2C1T1 Fl. 202 3 Código de Processo Civil pátrio, apenas e tãosomente quando demonstrada omissão, obscuridade ou contradição no acórdão recorrido, é tempestivo e deve ser acolhido in totum. No presente caso, a Embargante pede seja sanada a contradição/obscuridade verificada no acórdão recorrido que, a despeito de ter acolhido apenas um dos pedidos do recurso voluntário, qual seja, de exclusão da multa de ofício aplicada, expressou na parte dispositiva que foi dado provimento integral a ele. Com efeito, a autuação concerne a Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF incidente sobre os rendimentos de residentes ou domiciliados no exterior, com fatos geradores ocorridos em 30/04/1996 e 29/05/1996, no valor de R$ 2.489.270,73, a título de principal, juros e multa de ofício de 75%, lançamento mantido pelo órgão de primeira instância. A contribuinte, em seu recurso voluntário, insurgiuse contra referida decisão, postulando fosse (i) reconhecida a completa nulidade do auto, (ii) subsidiariamente, o arquivamento dos autos, em virtude da improcedência da ação fiscal, ou, ainda, (iii) o afastamento da incidência da multa. De fato, do voto vencedor que embasou o acórdão contestado, é possível constatar que a então relatora, Conselheira Ana Neyle Olímpio Holanda, afastou as preliminares de nulidade e, no mérito, afastou a incidência da multa de ofício aplicada, eis que, “à luz do artigo 132 do CTN, a responsabilidade da sucessora se limita aos tributos devidos pela sucedida até a data da sucessão, e, como o tributo não pode constituir sanção de ato ilícito, tendo a multa de ofício caráter de sanção, não pode passar da pessoa do sucedido para a pessoa do sucessor, salvo se, à época da sucessão, o crédito dela decorrente já estivesse devidamente constituído.” Ou seja, a procedência do recurso foi apenas parcial, e não total, como constou da parte dispositiva. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de ACOLHER os embargos para rerratificar o Acórdão 10616.913, fazendo constar que ao recurso voluntário foi dado parcial provimento. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 418DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10811.000288/2010-10
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Exercício: 2010
CIGARRO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA, SEM DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA DA IMPORTAÇÃO REGULAR.
Caracteriza infração às medidas de controle fiscal a posse e circulação de fumo, charuto, cigarrilha e cigarro de procedência estrangeira, sem documentação comprobatória da importação regular, sendo irrelevante, para tipificar a infração, a propriedade da mercadoria.
OPÇÃO. CAUSA IMPEDITIVA LEGAL.
A legislação expressamente não admite o recolhimento dos tributos na forma do Simples Nacional pela microempresa ou empresa de pequeno porte que comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho.
RESPONSABILIDADE.
A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
Numero da decisão: 1801-001.362
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes - Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Matéria: contrabando/descaminho
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Caracteriza infração às medidas de controle fiscal a posse e circulação de fumo, charuto, cigarrilha e cigarro de procedência estrangeira, sem documentação comprobatória da importação regular, sendo irrelevante, para tipificar a infração, a propriedade da mercadoria. OPÇÃO. CAUSA IMPEDITIVA LEGAL. A legislação expressamente não admite o recolhimento dos tributos na forma do Simples Nacional pela microempresa ou empresa de pequeno porte que comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. RESPONSABILIDADE. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 1. 00 02 88 /2 01 0- 10 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10811.000288/201010 Acórdão n.º 1801001.362 S1TE01 Fl. 57 2 (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) foi excluída de ofício mediante o Ato Declaratório Executivo DRF/SJR/SP nº 105, de 01.06.2010, com efeitos a partir de 01.11.2009, tendo em vista a constatação de comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, fl. 32 (inciso VII do art. 29 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006). Restou evidenciado que seis maços de cigarros da marca Eight de procedência do Paraguai foram encontrados no interior do estableceimento comercial sem prova de introdução regular no País. O procedimento de ofício é decorrente do Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal nº 0810700/00121/10, de 08.12.2010, lavrado contra a Recorrente por violação das medidas de controle fiscal relativas a fumo, cigarro, charuto de procedência estrangeira combinado com o perdimento de mercadoria, pelo porte e comercialização de tais produtos em seu estabelecimento formalizado no processo nº 10811.000045/201073, que se encontra findo na esfera administrativa e cujas cópias constam às fls. 0425. Cientificada em 19.08.2010, fl. 38, a Recorrente apresentou a impugnação em 20.08.2010, fl. 39, argumentando que a) Não exclusão do regime como optante pelo SIMPLES NACIONAL, pois estou passando por grande dificuldade por ser um estabelecimento de pequeno porte e estabelecido em um bairro periférico da cidade. b) O produto ora apreendido simplesmente era para consumo e uso próprio de meus familiares e jamais estava comercializando o mesmo, conforme pode observar na quantia localizada. c) Portanto peço o encarecidamente que seja mantido as condições determinadas pelo Regime atribuídos a Microempresas e Empresas de Pequeno porte. Termos em que P. Deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 9ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 1436.386, de 26.01.2012, fls. 4547: “Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Restou ementado Fl. 57DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10811.000288/201010 Acórdão n.º 1801001.362 S1TE01 Fl. 58 3 Assunto: Simples Nacional Anocalendário: 2009 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIA OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO A comercialização de mercadoria objeto de contrabando ou descaminho constitui motivo para exclusão de ofício da empresa do Simples Nacional. Notificada em 02.05.2012, fl. 51, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 05.05.2012, fl. 53, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Acrescenta que sua atividade principal é a comercialização de bebidas e que possía apenas “08 cigarros não utilizados de um maço que contém 20”. Em face do exposto, requer o cancelamento do presente processo. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente se insurge contra o ato de ofício. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) é regulamentado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). A opção do sujeito passivo deve ser manifestada por meio da internet até o último dia útil do janeiro sendo irretratável para todo anocalendário oportunidade em que presta declaração quanto ao nãoenquadramento nas vedações legais. A exclusão por comunicação decorrente de opção ou de obrigatoriedade é feita pela internet. Verificada a falta da comunicação obrigatória, a exclusão de ofício é formalizada mediante termo emitido pelo ente federativo que iniciar o processo de exclusão de ofício. Os seus efeitos podem ser retroativos, conforme o caso. Não pode recolher os tributos na forma do Simples Nacional a pessoa jurídica que comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. Tratase de ato, de cuja emissão é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional1. O Ato Declaratório Executivo DRF/SJR/SP nº 105, de 01.06.2010, foi emitido pela autoridade competente com efeitos a partir de 01.11.2009, tendo em vista a constatação de comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, qual 1 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 29, art. 33 e art. 39 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007 e art. 142 do Código Tributário Nacional. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10811.000288/201010 Acórdão n.º 1801001.362 S1TE01 Fl. 59 4 seja, seis maços de cigarro marca Eight de procedência do Paraguai encontrados no interior do establecimento comercial sem prova de introdução regular no País, fl. 32. Estes fatos estão comprovados nos autos mediante o Auto de Infração lavrado contra a Recorrente por violação às medidas de controle fiscal relativas a fumo, cigarro, charuto de procedência estrangeira combinado com o perdimento de mercadoria, pelo porte e comercialização de tais produtos em seu estabelecimento formalizado no processo nº 10811.000045/201073, que se encontra findo na esfera administrativa. O processo também está instruído com o Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal nº 0810700/00121/10, de 08.12.2010, protocolado no processo administrativo de nº 10811000.045/201073, e ainda com o Boletim de Ocorrência e Autoria Conhecida expedido pela Delegacia de Polícia Civil de Catanduna/SP datado de 14.06.2007 e cujas cópias constam às fls. 0425. Assim, os seis maços de cigarros da marca Eight de procedência do Paraguai que foram encontrados pelas autoridades públicas para fins de comercialização configuram o ilítico que lhe foi imputado. Ademais, “a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”2. Nesse sentido, restou configurado que a Recorrente não observou as determinações legais pertinentes à matéria e por esta razão está sumetido à consequência legal de sua conduta decorrente da prática do ato ilícito. A Recorrente, considerada pela legislação como possuidora ou detentora da mercadoria3, não demonstra o fato de que essa mercadoria era de tutilaridade de outrem, uma vez que lhe cabe o ônus de provar a falta de veracidade de fatos comprovados pelas autoridades públicas de modo a desconstituir inequivocamente a relação jurídica. Ademais, “a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”4. Ainda a Súmula do CARF nº 90 expressamente determina que “caracteriza infração às medidas de controle fiscal a posse e circulação de fumo, charuto, cigarrilha e cigarro de procedência estrangeira, sem documentação comprobatória da importação regular, sendo irrelevante, para tipificar a infração, a propriedade da mercadoria”. Nesse sentido, restou configurado que a Recorrente foi qualificada como sujeito passivo da obrigação5 e não observou as determinações legais pertinentes à matéria e por esta razão está sumetido à consequência legal de sua conduta decorrente da prática do ato ilícito. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente menciona que o procedimento não poderia ter sido formalizado. A pessoa jurídica optante deve comunicar obrigatoriamente a sua exclusão à RFB, por meio do Portal do Simples Nacional na internet, quando incorrer em hipótese legal de vedação. Verificada a falta de informação espontânea, há exclusão de ofício mediante emissão do termo de exclusão do Simples Nacional pela autoridade competente, sob pena de responsabilidade funcional, devendo ser observadas as determinações do processo 2 Fundamentação legal: art. 136 do Código Tributário Nacional. 3 Fundamentação legal art. 87 da Lei no. 4.502, de 30 de nevembro de 1964. 4 Fundamentação legal: art. 136 do Código Tributário Nacional. 5 Fundamentação legal art. 121 do Código Tributário Nacional. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10811.000288/201010 Acórdão n.º 1801001.362 S1TE01 Fl. 60 5 administrativo fiscal6. Por esta razão foi exarado o ato de exclusão de forma regular. A proposição mencionada pela defendente, por conseguinte, não tem validade. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 6 Fundamentação legal: art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 29, art. 33 e art. 39 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 15 de 23 de julho de 2007 e art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10280.722277/2009-98
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO.
No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção..
CRÉDITOS. ÁCIDO SULFÚRICO, FRETES, COMBUSTÍVEIS E SERVIÇOS DE REMOÇÃO DE REJEITOS INDUSTRIAIS.
É legítima a tomada de crédito da contribuição não-cumulativa em relação às aquisições de ácido sulfúrico e respectivos fretes, óleo BPF utilizado como combustível e serviços de remoção de lama vermelha, areia e crosta, por integrarem o custo de produção do produto exportado (alumina).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3403-001.956
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte tomar o crédito em relação às aquisições de ácido sulfúrico e fretes relacionados a essas aquisições, óleo BPF e sobre os serviços de remoção da lama vermelha, areia e crosta. Vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl e Rosaldo Trevisan, quanto aos serviços de remoção de rejeitos industriais. Sustentou pela recorrente o Dr. Victor Lima, OAB/PA nº 9664 e pela Fazenda Nacional a Dra. Bruna Garcia Benevides.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção.. CRÉDITOS. ÁCIDO SULFÚRICO, FRETES, COMBUSTÍVEIS E SERVIÇOS DE REMOÇÃO DE REJEITOS INDUSTRIAIS. É legítima a tomada de crédito da contribuição não-cumulativa em relação às aquisições de ácido sulfúrico e respectivos fretes, óleo BPF utilizado como combustível e serviços de remoção de lama vermelha, areia e crosta, por integrarem o custo de produção do produto exportado (alumina). Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2167; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 9 1 8 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.722277/200998 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403001.956 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 20 de março de 2013 Matéria COFINS NÃO CUMULATIVA Recorrente ALUNORTE ALUMINA DO NORTE DO BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção.. CRÉDITOS. ÁCIDO SULFÚRICO, FRETES, COMBUSTÍVEIS E SERVIÇOS DE REMOÇÃO DE REJEITOS INDUSTRIAIS. É legítima a tomada de crédito da contribuição nãocumulativa em relação às aquisições de ácido sulfúrico e respectivos fretes, óleo BPF utilizado como combustível e serviços de remoção de lama vermelha, areia e crosta, por integrarem o custo de produção do produto exportado (alumina). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte tomar o crédito em relação às aquisições de ácido sulfúrico e fretes relacionados a essas aquisições, óleo BPF e sobre os serviços de remoção da lama vermelha, areia e crosta. Vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl e Rosaldo Trevisan, quanto aos serviços de remoção de rejeitos industriais. Sustentou pela recorrente o Dr. Victor Lima, OAB/PA nº 9664 e pela Fazenda Nacional a Dra. Bruna Garcia Benevides. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 22 77 /2 00 9- 98 Fl. 585DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento eletrônico da Cofins não cumulativa – exportação relativo ao 1º Trimestre de 2007, transmitido em 29/08/2007, cumulado com as declarações de compensação anexas aos autos. Por meio do despacho decisório emitido em 14/04/2011, foi reconhecido parcialmente o direito de crédito e homologadas parcialmente as compensações declaradas. A fiscalização efetuou glosas relativas a bens aplicados como insumos no processo produtivo, que se encontram discriminados nas planilhas 10 e 10 A . Os fundamentos dessas glosas foram os seguintes: a) os produtos ou bens não são aplicados diretamente no processo produtivo; b) os produtos ou bens são classificados no ativo imobilizado; e c) o produto ou bem não se encontra descrito detalhadamente ou não apresenta informação sobre sua aplicação no processo produtivo. A fiscalização glosou serviços utilizados como insumos no processo produtivo, conforme planilhas 8 e 9. As glosas estão lastreadas no fato de os serviços não terem sido utilizados diretamente na produção dos bens vendidos e nem se referirem a serviços de manutenção em veículos, máquinas e equipamentos empregados diretamente na produção. A fiscalização glosou créditos aproveitados no período de 4 anos correspondendo a 1/48 do valor de aquisição do bem (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, § 14, com a redação dada pela Lei nº 10.865/2004), conforme planilhas 01 a 7B. Os fundamentos para essas glosas foram os seguintes: a) os bens não se enquadram como máquinas e equipamentos ou não são aplicados diretamente na produção dos bens destinados à venda; e b) os bens, embora pertençam ao imobilizado, são edificações que não abrangidas pelo benefício legal. A fiscalização glosou créditos aproveitados no prazo de 12 meses, a partir da data de aquisição, calculados mediante a aplicação da alíquota de 7,6% sobre o valor correspondente a 1/12 do custo de aquisição de máquinas, aparelhos e equipamentos novos relacionados em regulamento, conforme previsto no art. 31 da Lei nº 11.196/2005 e Decreto nº 5.988/2006, conforme planilha 7 – D. As motivações para essas glosas foram as seguintes: a) a data de aquisição do bem é anterior ao advento da criação do benefício; b) o direito ao crédito previsto no art. 31 da Lei nº 11.196/2005 não se aplica a edificações; c) existem bens que não pertencem ao imobilizado ou não são empregados no processo produtivo; d) existem bens que não estão relacionados no Decreto nº 5.988/2006; e e) a aquisição do bem decorreu de venda equiparada a exportação, não gerando direito a crédito. Em sede de impugnação o contribuinte alegou, em síntese, o seguinte: a) o regime não cumulativo das contribuições ao PIS e Cofins adotou a técnica da base contra base e não a de imposto contra imposto, devendo ser aplicada a jurisprudência que considera insumo todos os elementos imprescindíveis para a produção de mercadorias ou para a prestação de serviços; b) disse que o art. 6º §§ 1º e 3º da Lei nº 10.833/03 autoriza, no caso de exportação, a Fl. 586DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10280.722277/200998 Acórdão n.º 3403001.956 S3C4T3 Fl. 10 3 tomada do crédito em relação a todos os custos e despesas que sejam vinculados à receita de exportação e não apenas aos insumos usados na produção da alumina; c) os gastos com serviços de transporte de lama vermelha, areia e crosta devem gerar crédito da contribuição porque se tratam de rejeitos decorrentes do processo industrial da alumina exportada pela recorrente; d) o mesmo raciocínio vale para os insumos óleo BPF, ácido sulfúrico, antiespumante, inibidor de corrosão e aditivo dispersante, pois além de terem utilidade direta no processo fabril da alumina, são insumos específicos dessa indústria; e) quanto às glosas de créditos decorrentes da aquisição de bens do ativo imobilizado, alegou que as soluções de consulta exaradas pela Superintendência da 8ª Região reconheceram o direito à tomada do crédito em relação a bens empregados na manutenção de máquinas e equipamentos empregados diretamente na produção de bens destinados à venda; f) ainda em relação à glosa do crédito sobre máquinas e equipamentos incorporados ao imobilizado, alegou que seu direito emana do art. 3º, VI, da Lei nº 10.833/2003 e do art. 1º, I e II, §§ 1º e 2º da IN 457/2004. Além disso, a Lei nº 11.196/2005, o Decreto nº 5.789/2006 e o Decreto nº 5.988/2006 previram que as empresas beneficiadas por incentivos fiscais da SUDAM poderiam optar por uma periodicidade diferenciada de 1/12 para os equipamentos descritos no Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para empresas exportadoras; g) alegou cerceamento de defesa, pois a fiscalização também considerou que determinadas máquinas e equipamentos não seriam destinadas ao emprego na fabricação de produtos para venda. Entretanto, não houve indicação clara da razão pela qual e nem quais seriam os itens específicos que não fazem jus ao benefício, não permitindo à defesa compreender a razão da desconsideração de tais máquinas e equipamentos; e f) requereu perícia, com o fim de comprovar a aplicação direta dos bens e serviços glosados no processo produtivo da recorrente. A 3ª Turma da DRJ – Belém julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte. Ficou decidido que só geram direito ao crédito das contribuições não cumulativas os insumos que sofram desgaste mediante ação direta do produto em fabricação. Quanto aos serviços, prevaleceu o entendimento de que somente serviços aplicados diretamente na linha de produção da empresa poderão gerar créditos, como por exemplo os serviços contratados para a manutenção das máquinas de produção. Manutenções em outros equipamentos da empresa que não façam parte da linha de produção não dão direito a crédito. Quanto à glosa da depreciação dos bens do ativo imobilizado, ficou decidido que existem bens que não são classificados no imobilizado e que os bens em relação aos quais foi aplicada a depreciação acelerada, não atendem aos requisitos legais para fruição do benefício. Foi rejeitada a alegação de cerceamento de defesa e considerado não formulado o pedido de perícia. Regularmente notificado do acórdão de primeira instância em 15/09/2011, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 03/10/2011 no qual não foi renovada a alegação de cerceamento de defesa e nem o pedido de perícia. No mérito, reprisou as alegações da manifestação de inconformidade e insurgiuse contra o acórdão recorrido na parte em que afirmou que não tinham valor as soluções de consulta e a jurisprudência, em virtude de não possuírem eficácia normativa. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, sustentando a manutenção de todas as glosas. Quanto aos insumos, entende a Fazenda Nacional que só podem ser considerados os custos incorridos pelo contribuinte para realizar sua atividadefim, ou seja, os negócios jurídicos capazes de gerar sua receita principal. Gastos ligados à atividademeio não podem ser considerados insumos para fins de gerarem crédito das contribuições. Sustentou que ao contrário do alegado pela recorrente, o art. 6º, §§ 1º e 3º da Lei nº 10.833/03 não autoriza a Fl. 587DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 tomada do crédito em relação a quaisquer custos apenas por se tratar de empresa exportadora. Disse que tanto a manifestação de inconformidade quanto o recurso voluntário foram omissos quanto ao processo de obtenção da alumina, impossibilitando, com isso, a necessária análise dos bens que de fato poderiam ser considerados insumos. O óleo BPF utilizado como fonte de energia térmica, foi glosado porque a Lei nº 11.488/2007 só autorizou o crédito a partir de 15/06/2007. O ácido sulfúrico, o aditivo dispersante, o inibidor de corrosão e o antiespumante não são aplicados diretamente no processo produtivo da alumina, representando meras despesas necessárias à manutenção e funcionamento ordinário da empresa. O contribuinte não contestou a glosa dos demais bens elencados nas planilhas que não foram considerados insumos, e ainda que o tivesse feito, melhor sorte não lhe assistira, uma vez que nenhum deles possui qualquer relação com a atividadefim. Quanto à glosa de serviços, a única contestação foi quanto ao serviço de remoção de rejeitos industriais, que não tem nenhuma aplicação direta no processo de produção da alumina, uma vez que realizados em momento posterior à obtenção do produto. No que tange às glosas de créditos sobre bens incorporados ao ativo imobilizado, entende a Fazenda Nacional que o direito só existe em relação a máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção, o que não é o caso de equipamentos para restaurante, bebedouro, mesas, obras civis e outros bens do gênero que nada têm a ver com a produção da alumina. Quanto às glosas dos créditos tomados com base no art. 31 da Lei nº 11.196/05, entendeu a Fazenda que restaram comprovadas as irregularidades apontadas pela fiscalização. O contribuinte realmente aplicou o benefício sobre aquisições anteriores à data determinada pelo legislador, como por exemplo na compra de “equipamentos nacionais” da empresa Weir do Brasil Ltda, efetuadas em maio e junho de 2005; de bombas de ácido concentrado, da empresa Canberra Pumps Br. Ind. Com. Ltda em março de 2005 e de caldeira a óleo, da empresa Alstom Hydro Energia do Brasil, em julho de 2005. O contribuinte também tomou o crédito em relação a bens que não estavam relacionados no regulamento, como é caso de conexões, alinhamento de máquinas a laser, parafusos, junta flexível, roldana alinhadora, arruela lisa, carretéis de aço e suporte de mola. Também devem ser mantidas as glosas sobre bens que não integram o ativo imobilizado, como por exemplo, tela de projeção retrátil, armário alto, mini forno elétrico, antena, peças de madeira de lei, relógio de ponto, papel sulfite, câmera fotográfica, material de escritório e higiene. Foi rechaçada a alegação do contribuinte no sentido de que essas glosas foram integrais, pois as planilhas elaboradas indicam que foram parciais. As mesmas planilhas indicam o fundamento da glosa de cada um dos itens, possibilitando que a defesa tivesse o pleno conhecimento das razões de desconsideração dos bens. Concluindo seu arrazoado, a Fazenda Nacional pediu a manutenção das glosas com o desprovimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. As glosas efetuadas pela fiscalização se referem ao crédito tomado sobre: a) aquisições de bens e serviços que não seriam considerados insumos à luz da legislação; b) aquisições de máquinas e equipamentos incorporados ao ativo imobilizado (art. 3º, § 14 da Lei nº 10.833/03), como opção à regra geral de tomar o crédito sobre a despesa de depreciação Fl. 588DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10280.722277/200998 Acórdão n.º 3403001.956 S3C4T3 Fl. 11 5 desses bens; e c) aquisições de máquinas, aparelhos e instrumentos com base no art. 31 da Lei nº 11.196/2005 e seu regulamento. Inexistindo questões preliminares a serem resolvidas, passase direto ao exame das questões de mérito. DDAA GGLLOOSSAA DDEE BBEENNSS EE SSEERRVVIIÇÇOOSS UUTTIILLIIZZAADDOOSS CCOOMMOO IINNSSUUMMOOSS.. No que tange aos bens e aos serviços, a questão consiste em estabelecer se eles podem ou não gerar créditos da contribuição, à luz do art. 3º, II da Lei nº 10.833/03. Em relação aos bens consignados nas planilhas 10 e 10 – A , a fiscalização levou em conta o conceito de insumo estabelecido nas normas complementares baixadas pela Receita Federal, que, basicamente, adotaram o mesmo conceito de produto intermediário vigente para a legislação do IPI. No caso do IPI são considerados produtos intermediários aptos a gerarem créditos do imposto, apenas aqueles produtos que sofram desgaste, sejam consumidos, ou que sofram perda das propriedades físicas ou químicas em decorrência de ação direta do produto em fabricação (PN CST nº 65/79). A defesa, por seu turno, alegou que os produtos glosados são indispensáveis ao seu processo industrial, enquadrandose perfeitamente ao permissivo legal que dá direito ao crédito. A questão é polêmica, mas uma análise mais detida da Lei nº 10.833/03 revela que o legislador não determinou que o significado do vocábulo “insumo” fosse buscado na legislação do IPI. Se não existe tal determinação, o intérprete deve atribuir ao vocábulo “insumo” um conteúdo semântico condizente com o contexto em que está inserido o art. 3º , II, da Lei nº 10.833/03. Nesse passo, como bem apontou a defesa na sua manifestação de inconformidade, distinguemse as não cumulatividades do IPI e do PIS/Cofins. No IPI a técnica utilizada é de imposto contra imposto (art. 153, § 3º, II da CF/88). No PIS/Cofins, a técnica é de base contra base (art. 195, § 12 da CF/88 e arts. 2º e 3º , § 1º da Lei nº 10.637/02 e 10.833/03). Em relação ao IPI, o art. 49 do CTN estabelece que: “A não cumulatividade é efetivada pelo sistema de crédito do imposto relativo a produtos entrados no estabelecimento do contribuinte, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo (...)”. E o art. 226 do RIPI/10 estabelece quais eventos dão direito ao crédito: “Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos Fl. 589DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (...)” (Grifei) A fim de delimitar o conceito de produto intermediário no âmbito do IPI, foi elaborado o Parecer Normativo CST nº 65/79, por meio do qual fixouse a interpretação de que, para o fim de gerar créditos de IPI, o produto intermediário deve se assemelhar à matéria prima, pois a base de incidência do IPI é o produto industrializado. Daí a necessidade do produto intermediário, que não se incorpore ao produto final, ter que se desgastar ou sofrer alteração em suas propriedades físicas ou químicas em contato direto com o produto em fabricação. Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições nãocumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pela Lei nº 10.833/03, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo “insumo” no art. 3º, II, da Lei nº 10.833/03, o mesmo conceito de “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI. Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito na redação do art. 3º da Lei nº 10.833/03, não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, onde enumerouse de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Portanto, no âmbito do regime nãocumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições nãocumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/03 integrarem o custo de produção, esse Fl. 590DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10280.722277/200998 Acórdão n.º 3403001.956 S3C4T3 Fl. 12 7 critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, analisandose a descrição do processo produtivo da recorrente, verificase que a matériaprima principal para a produção da alumina é um minério denominado bauxita. Segundo a referida descrição, é utilizado na produção o método de Bayer que oferece um rendimento na razão de 5:1, ou seja, são necessárias 5 toneladas de bauxita para produzir 1 tonelada de alumina. A grosso modo, a bauxita é moída e transformada em uma pasta que é cozida sob pressão. Depois disso passa por um processo de decantação onde a separação dos componentes é feita com areia. Na decantação são separados os sólidos insolúveis (underflow) do licor rico em alumina (overflow). O undeflow dará origem aos rejeitos industriais lama vermelha, areia e crosta e o overflow, após um processamento mais refinado, dará origem à alumina. A descrição do processo produtivo permite identificar que o óleo BPF é aplicado no processo produtivo como fonte de energia para a calcinação do hidrato; a areia é utilizada no processo produtivo como elemento filtrante e depois de tratada é descartada como rejeito industrial; a lama vermelha se origina do processamento do underflow e é descartada como rejeito industrial, após ser devidamente tratada; e o ácido sulfúrico é utilizado para desincrustar linhas e trocadores de calor, para neutralizar efluentes e para desmineralizar a água das caldeiras. Na descrição do processo produtivo não foi possível verificar onde são aplicados e nem a função desempenhada pelos produtos inibidor de corrosão, antiespumante e aditivo dispersante. Entretanto, a fiscalização consignou na planilha 10 que a função do aditivo dispersante é eliminar borras do óleo combustível pesado. O exame da planilha 10 revela que neste processo administrativo a fiscalização só glosou créditos decorrentes das aquisições de ácido sulfúrico, dos respectivos fretes e do óleo BPF. A motivação para a glosa dos fretes foi a mesma utilizada para o ácido, ou seja, o frete foi glosado porque o material transportado, sob a ótica da fiscalização, não tinha aptidão para gerar crédito da contribuição. A motivação para a glosa do óleo BPF foi que o direito ao crédito em relação à energia térmica só surgiu com o advento da Lei nº 10.488/2007. A fiscalização considerou o ácido sulfúrico como material de limpeza. A descrição do processo produtivo revela que o ácido sulfúrico tem outras utilidades, além se servir como desincrustante. A limpeza de dutos e trocadores de calor, assim como a desmineralização da água das caldeiras e o tratamento de efluentes são procedimentos necessários para assegurar a eficiência das instalações fabris e a proteção do meioambiente. A empresa incorre em custos ao adotar esses procedimentos. E é inequívoco que esses custos estão umbilicalmente correlacionados com o processo produtivo da alumina, enquadrandose na disposição do art. 290, I do RIR/99. Assim, devem ser afastadas as glosas relativas ao ácido sulfúrico e aos respectivos fretes, uma vez que são insumos que integram o custo de produção (art. 290, I, do RIR/99). Integrando o custo de produção, o valor desses insumos deve ser considerado no cálculo do crédito da contribuição, nos termos do art. 3º, II, da Lei nº 10.833/03. Relativamente ao óleo BPF, não se questiona que ele é aplicado no processo produtivo para calcinar o hidrato. O que se questiona é que sendo ele fonte de energia térmica, a previsão legal para a tomada de crédito só surgiu a partir de junho de 2007 com a publicação da Lei nº 11.488/2007. Fl. 591DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 Não há como se concordar com os argumentos lançados pela autoridade administrativa e nem pela ilustre Procuradora da Fazenda Nacional, pois a interpretação acima é fruto de um equívoco que consiste em confundir a fonte da energia com a própria energia. Vejamos. É certo que a redação original do art. 3º, III, da Lei nº 10.833/03 só previa o crédito em relação à energia elétrica. Entretanto, o art. 3º, II, na mesma redação original, estabelecia o direito de crédito em relação a combustíveis, in verbis: “Art. 3oDo valor apurado na forma do art. 2oa pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a:(Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I – omissis...; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica;” (Grifei) Com a nova redação do art. 3º da Lei nº 10.833/03, introduzida pela Lei nº 10.488/2007, o inciso III passou a prever o direito de crédito em relação à “energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica.” A empresa, ao adquirir o óleo BPF, está adquirindo um combustível previsto no art. 3º, II, da Lei nº 10.833/03 e não a energia térmica que passou a ser prevista no inciso III a partir de junho de 2007. E isto é assim porque o óleo BPF para poder gerar o calor necessário à calcinação do hidrato, deve sofrer uma reação química com o oxigênio denominada combustão. É a combustão do combustível (óleo BPF), que se dá na presença do comburente (oxigênio presente na atmosfera), que gera a energia térmica necessária ao processo produtivo. O inciso III na redação da Lei nº 11.488/2007 prevê o direito de crédito em relação à aquisição da energia e não em relação à fonte de energia. Eis aí o equivoco cometido pela fiscalização e pela ilustre Procuradora da Fazenda Nacional. Tratandose as aquisições de óleo BPF de aquisições de combustível e não de energia térmica, o crédito no trimestre em questão tem amparo no art. 3º, II, da Lei nº 10.833/03 na redação vigente à época dos fatos, devendo ser revertida a glosa efetuada pela fiscalização. Quanto aos demais bens descritos na planilha 10 – A, tidos pela recorrente como insumos, verificase que em sua maioria não são relacionados ao processo produtivo. Após a leitura da descrição do processo de fabricação da alumina, é de clareza vítrea que torneiras para jardim, ferramentas manuais, ferramentas intercambiáveis, trenas, tábuas de passar, lixeiras para a sala de RH, pilha alcalina AAA, bateria automotiva, etc, não são insumos aplicados no processo produtivo, não sendo aptos a gerarem créditos da contribuição. A mesma planilha relaciona alguns poucos bens que geram dúvidas quanto a integrarem ou não o custo de produção. Entretanto, a descrição do processo produtivo não permitiu identificar onde esses bens são aplicados e nem a função que desempenham. Estão nesta classe de produtos: a espuma de poliuretano e guarnição esponjosa, a roda cortadora para aço e ferro, disjuntores e transformador de comando. Fl. 592DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10280.722277/200998 Acórdão n.º 3403001.956 S3C4T3 Fl. 13 9 A fiscalização considerou que esses produtos não são insumos porque não se desgastam ou perdem suas propriedades físicas ou químicas mediante ação direta do produto em fabricação. Segundo o critério do Fisco, realmente tais produtos não são insumos aptos a gerarem créditos das contribuições, mas pelo critério do custo de produção, que vem sendo adotado pelo CARF, tais produtos poderiam ensejar a tomada do crédito, caso a recorrente tivesse apresentado algum elemento capaz de elidir a glosa efetuada. Caberia à recorrente ter comprovado na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário onde são aplicados e quais as funções desempenhadas pelos produtos, pois a teor do art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72 a impugnação deve ser específica e vir acompanhada dos elementos de prova necessários ao convencimento do julgador. Tendo em vista, que não houve contestação específica em relação aos demais bens relacionados na planilha 10 – A e que os elementos existentes nos autos não permitem identificar nem a função e nem onde são aplicados aqueles produtos, há que se manter a glosa efetuada pela fiscalização. Relativamente aos serviços de transporte de rejeitos industriais, a análise da descrição do processo produtivo revela que ele gera os detritos lama vermelha, areia e crosta, que depois de serem devidamente tratados, vão para os tanques de rejeitos industriais a fim de serem descartados. Estando esses rejeitos umbilicalmente ligados à produção da alumina, o serviço de transporte para a sua remoção é um custo de produção que se enquadra perfeitamente na disposição do art. 290, I do RIR/99. Deve, portanto, gerar créditos do regime não cumulativo, pois se enquadra na previsão do art. 3º, II, da Lei nº 10.833/03. Não há como se concordar com a alegação da Ilustre Procuradora da Fazenda Nacional, no sentido de que custos incorridos após a obtenção da alumina não podem ser considerados como insumo. O fato de o gasto ser posterior à obtenção do produto final não significa que seja um gasto incorrido na atividademeio. Observese que o rendimento da bauxita está na razão de 5:1. Isso significa, em um cálculo grosseiro, que para produzir uma tonelada de alumina, são necessárias cinco toneladas de minério. O minério não se encontra na natureza em estado puro. Ele se encontra disperso no solo e vem contaminado com impurezas. Após a retirada da tonelada de alumina, as quatro toneladas restantes são rejeitos industriais aos quais a empresa é obrigada a dar destino adequado, a fim de evitar problemas ambientais. Isso não é um gasto com atividade meio. Ainda que se considere que os gastos com esses rejeitos são posteriores ao processo produtivo, é fora de qualquer dúvida que eles decorrem do processo produtivo, pois os rejeitos somente deixariam de existir se a linha de produção parasse. Por isso o gasto com o serviço de retirada desses rejeitos é um custo de produção da alumina que se enquadra no art. 290, I do RIR/99. Relativamente aos demais serviços glosados na planilha 8, a descrição contida na planilha revela que tais serviços não estão relacionados ao processo produtivo ou não é possível saber onde são empregados. Não estão relacionados diretamente à obtenção da alumina os serviços de fornecimento de concreto usinado, palestras, manutenção de bicicletas, revisões efetuadas em veículos de passeio e assessoria técnico comercial nas compras de energia elétrica. Não se sabe onde são aplicados os seguintes serviços: serviços topográficos Fl. 593DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 diversas áreas da Alunorte, chave de impacto 1, manutenção de elevadores e manutenção de pequenas obras civis. Vale aqui a mesma razão utilizada para manter as glosas da planilha 10 – A: o contribuinte não apresentou impugnação específica (art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72) e nem demonstrou onde são aplicados os serviços relacionados na planilha 8 (exceto os serviços de remoção de rejeitos industriais, que foram referidos de forma indireta na descrição do processo produtivo). DDAA GGLLOOSSAA DDOOSS CCRRÉÉDDIITTOOSS TTOOMMAADDOOSS CCOOMM BBAASSEE NNOO AARRTT.. 33ºº,, §§ 1144 DDAA LLEEII NNºº 1100..883333//0044.. Quanto à glosa dos créditos tomados sobre o valor de aquisição de bens para o ativo imobilizado, como opção à regra geral da tomada de crédito sobre a depreciação desses bens (art. 3º, § 14 da Lei nº 10.833/03), o exame das planilhas 1 a 7B revela que essas glosas foram motivadas pela fiscalização em dois fatos: a) os bens não se enquadram como máquinas e equipamentos ou não são aplicados diretamente na produção dos bens destinados à venda; e b) os bens, embora pertençam ao imobilizado, são edificações não abrangidas pelo benefício legal. Os valores dos produtos relacionados na planilha 1 foram glosados porque os bens ali descritos não foram aplicados na produção dos bens destinados à venda, como exige o art. 3º, VI, § 1º, III combinado com o § 14 da Lei nº 10.833/03. Compulsando essa planilha verificase que estão relacionados equipamentos de informática, móveis e utensílios, ferramentas para elétrica, ferramentas diversas, sobressalentes nacionais, instalações provisórias para construção de canteiros, sistema monitor de câmeras da fábrica, equipamentos para restaurante, melhorias para tratamento de efluentes, etc. Os bens relacionados nessa planilha não se enquadram na hipótese legal do art. 3º, VI, da Lei nº 10.833/03, ou seja, não constituem “máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”. O requisito legal que rende ensejo ao crédito é que as máquinas, os equipamentos ou os “outros bens” sejam passíveis de ativação e que sua destinação seja a locação a terceiros ou o emprego na produção, o que não é o caso dos produtos glosados pela fiscalização na planilha 1. Por seu turno, os valores dos produtos relacionados nas planilha 2 e 5 foram glosados porque os bens ali descritos constituem edificações. Os bens descritos constituem partes de edificações, como estruturas metálicas, ou bens destinados à construção civil, como elevadores, mãodeobra, “diversos materiais para construção civil”, e etc. A opção prevista no art. 3º, § 14 da Lei nº 10.833/03 só alcança os bens especificados no art. 3º, VI, da lei, que não inclui obras de construção civil e nem suas partes. Quanto à planilha 4, os bens relacionados constituem basicamente móveis como por exemplo: gaveteiros, colchões, painel divisor, armários, balcão de atendimento, mesa de reunião, mapoteca e cabideiro, lanches comerciais, café da manhã completo, desfibrilador, veneziana translúcida, condicionadores de ar, poltrona executiva diretor spider, execução de serviços de topografia, serviços de paisagismo das áreas dos restaurantes, veículo Toyota Corolla com transmissão automática, câmera digital Cybershot 5.1, material hospitalar, materiais elétricos diversos, entre outros. É óbvio que tais produtos não possuem aptidão para gerarem créditos, pois nem sequer são utilizados na produção da alumina. Fl. 594DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10280.722277/200998 Acórdão n.º 3403001.956 S3C4T3 Fl. 14 11 Portanto, ficam mantidas as glosas efetuadas pela fiscalização. DDAA GGLLOOSSAA DDOOSS CCRRÉÉDDIITTOOSS TTOOMMAADDOOSS CCOOMM BBAASSEE NNOO AARRTT.. 3311 DDAA LLEEII NNºº 1111..119966//22000055.. Relativamente a essas glosas, o contribuinte alegou que a fiscalização glosou a totalidade do crédito tomado com base no art. 31 da Lei nº 11.196/2005 porque não teria sido observada a periodicidade permitida pela lei e pelo crédito ter sido tomado em relação bens do imobilizado não empregados na produção da alumina. A insurgência da recorrente quanto a este tópico não tem fundamento. A uma porque como bem assinalado pela PFN nas contrarrazões, a glosa não foi integral. Foi glosado apenas o crédito decorrente dos bens relacionados na planilha 7 – D. A duas porque ao contrário do alegado, a fiscalização não questionou a periodicidade e nem a proporção adotada pelo contribuinte para a tomada do crédito. Foram respeitadas as frações de 1/48 e 1/12 adotadas pelo próprio contribuinte nas DACON, conforme se pode comprovar nas planilhas 7 A e 7 B (Crédito em 48 parcelas de maio/2004 a dezembro/2005) e planilhas 7 – C e 7 – D (crédito em 12 parcelas período janeiro/2006 a dezembro/2007). O DACON recalculado pela fiscalização consta da planilha 7G, onde se pode comprovar que a glosa foi apenas parcial. O que a fiscalização fez foi glosar bens que não se enquadram na previsão contida no art. 31 da Lei nº 11.196/2005. Os requisitos estabelecidos nesse dispositivo legal são os seguintes: a) a pessoa jurídica deve ter projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados prioritários; b) localização nas áreas das extintas Sudene e Sudam; c) o crédito é gerado pela aquisição, a partir do ano de 2006, de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, relacionados em regulamento, destinados à incorporação ao seu ativo imobilizado; d) o desconto do crédito deve ser feito no prazo de 12 meses, contados da aquisição do bem; e e) o crédito é resultante da aplicação da alíquota de 7,6% sobre 1/12 do custo de aquisição do bem. O exame da planilha 7D revela que a fiscalização somente questionou o item “c” acima relacionado, pois os códigos das glosas foram os seguintes: DT05 – indica que o bem foi glosado em virtude da data de aquisição ser anterior à publicação da Lei nº 11.196/2005; EDIF06 E EDIF07 – indica que se tratam de edificações dos anos de 2006 e 2007, que não são contempladas pelo benefício; N indica que os bens não são considerados bens do imobilizado ou não são empregados no processo produtivo do adquirente; NCD indica que os bens não estão relacionados no regulamento; NREB indica que o bem não possui aptidão para gerar crédito por ter sido adquirido em operação equiparada a exportação (que é desonerada das contribuições). A recorrente mais uma vez não se desincumbiu do ônus estabelecido no art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72, pois não contestou especificamente e nem trouxe documentação hábil a elidir nenhum dos motivos invocados para a glosa. Fl. 595DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 Sendo assim, devem ser mantidos os cálculos elaborados pela fiscalização. A defesa invocou as soluções de consulta proferidas pela 8ª Região Fiscal, nas quais o órgão entendeu que materiais utilizados na manutenção dos bens de produção da empresa são passíveis de gerarem créditos das contribuições. Esse direito em momento algum foi contestado pela fiscalização ou pelo Acórdão de primeira instância. A questão é a mesma já constatada linhas acima, qual seja: o contribuinte não apresentou contestação específica elencando quais itens foram destinados à manutenção do ativo imobilizado, não demonstrou se os bens aplicados eram ou não passíveis de ativação obrigatória e também não demonstrou onde e como foram aplicados. Ao contrário do alegado pela defesa, o art. 6º, §§ 1º e 3º da Lei nº 10.833/03, não autoriza o crédito em relação a qualquer gasto vinculado à obtenção da receita de exportação, pois o § 1º remete o cálculo do crédito ao disposto no art. 3º. Portanto, os eventos que dão direito ao crédito são os mesmos, independentemente de a venda da produção ocorrer no mercado interno ou externo. Relativamente à questão da eficácia das decisões em processos de consulta e da jurisprudência administrativa e judicial, tratase de matéria que não tem relevância para o deslinde deste processo, pois este julgado está de acordo com a jurisprudência majoritária do CARF, que vem adotando o custo de produção como critério para estabelecer o que é insumo para fins da geração de créditos das contribuições não cumulativas. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte tomar o crédito em relação às aquisições de ácido sulfúrico e fretes relacionados a essas aquisições, óleo BPF e sobre os serviços de remoção da lama vermelha, areia e crosta. Este julgado limitouse a reconhecer o direito em tese, ficando a apuração do crédito complementar e a homologação das compensações declaradas a cargo da autoridade administrativa da circunscrição fiscal do domicílio do contribuinte. Antonio Carlos Atulim Fl. 596DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 16004.000998/2010-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009
DEDUÇÕES. GLOSAS. DESPESAS MÉDICAS. PLANOS DE SAÚDE.
Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora glosar total ou parcialmente a despesa não comprovada.
Hipótese em que a prova requerida é parcialmente apresentada.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2101-001.811
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, para restabelecer as despesas médicas nos montantes de R$2.025,82, R$3.261,68, R$1.485,54, R$1.802,40 e R$1.880,14, relativos aos anos-calendários de 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008, respectivamente.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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GLOSAS. DESPESAS MÉDICAS. PLANOS DE SAÚDE. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora glosar total ou parcialmente a despesa não comprovada. Hipótese em que a prova requerida é parcialmente apresentada. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer as despesas médicas nos montantes de R$2.025,82, R$3.261,68, R$1.485,54, R$1.802,40 e R$1.880,14, relativos aos anoscalendários de 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008, respectivamente. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Fl. 186DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1748.690 (fl. 80), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação. Conforme Termo de Constatação Fiscal à fls. 40/43, a ação fiscal originouse de apuração especial desenvolvida pela DRF São José do Rio Preto, diante do crescimento da ocorrência de deduções pleiteadas a título de despesas com planos de assistência médica e hospitalar, cujo recebimento foi negado, total ou parcialmente, pelas instituições informadas como beneficiárias dos pagamentos. O presente lançamento resultou do Procedimento Fiscal Revisão Interna n° 08.1.07.002010014538, em razão de informações prestadas por São Domingos Saúde Assistência Médica Ltda. CNPJ 00.636.975/000100 durante procedimento fiscal (fls. 29). Referida instituição informou pagamentos do contribuinte e seus dependentes em valores inferiores àqueles por ele declarados: Anocalendário declarado informado pelo plano 2004 3.600,00 148,00 2005 4.261,68 136,00 2006 6.285,54 226,76 2007 6.599,82 237,42 2008 4.722,44 191,94 Informa a autoridade fiscal lançadora que, em razão das informações prestadas pela citada instituição durante procedimento fiscal e da análise das DIRPF Declarações de Imposto de Renda apresentadas pelo contribuinte, ficou evidenciado que os pagamentos por ele declarados não correspondem à realidade, configurando a declaração de despesas inexistentes, impondose o lançamento de tributo correspondente e, tendo em vista o evidente intuito de fraude, acrescido de multa de ofício qualificada no importe de 150%, além dos juros de mora. Assim, a autoridade fiscal concluiu pela caracterização de infração configurada em dedução da base de cálculo pleiteada indevidamente no ajuste anual, no presente caso por dedução indevida de despesas médicas. Em face das conclusões obtidas, foi também elaborada Representação Fiscal para Fins Penais, de conformidade com a Portaria RFB n° 665/2008. Ao apreciar o litígio, instaurado com a impugnação às fls. 47/52, o Órgão julgador de primeiro grau manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2004,2005, 2006, 2007, 2008 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Tendo havido recolhimento a menor do tributo, ensejando lançamento de ofício, o início da contagem do prazo decadencial terá efeito no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. A legislação tributária permite a dedução de despesas médicas, cabendo ao contribuinte comprovar que o encargo financeiro foi por ele assumido. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 16004.000998/201022 Acórdão n.º 210101.811 S2C1T1 Fl. 2 3 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seu apelo ao CARF o recorrente transcreve na sua peça recursal as Declarações de fls. 54/58, que devem ser consideradas, em razão de sua idoneidade. Para complementar a prova anteriormente apresentada, junta aos autos certidões de casamento e de nascimento dos filhos, declaração emitida pela empresa patronal, São Domingos S/A – Indústria Gráfica, referente ao desconto do plano de saúde, e descontos mensais nos contracheque dos anos de 2004 a 2008. O recorrente elaborou Demonstrativo com os efetivos pagamentos e reconheceu ter declarado a maior nas DIRPF dos anos de 2004 a 2008 os montantes de R$1.426,18, R$864,00, R$4.573,24, R$4.560,00 e R$2.650,36, respectivamente. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Em litígio, tãosomente, o pedido do contribuinte para que seja considerado os efetivos pagamentos ao plano de saúde São Domingos Saúde Assistência Médica Ltda, indicados nos Demonstrativos às fls. 103/104. Sobre as despesas médicas, o artigo 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, dispõe que: Art. 8o A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) §2° O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; Fl. 188DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifos acrescidos) Por sua vez, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, art. 73, dispõe: Art.73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). Inicialmente, cumpre ressaltar que as despesas médicas pleiteadas pelo contribuinte em suas Declarações de Ajuste Anual têm por beneficiários o próprio autuado e respectivos dependentes declarados (esposa, mãe e dois filhos), consoante Certidões de Casamento e Nascimento às fls. 117/119. O contribuinte reconhece que pleiteou deduções a maior que o devido, conforme esclarece os Demonstrativos às fls. 103/104. Do exame das peças processuais, verificase que os contracheques apresentados pelo contribuinte, às fls. 121/182, comprovam o ônus financeiro do contribuinte dos valores por ele indicado nos Demonstrativos às fls. 103/104. Com efeito, os valores repassados pela fonte pagadora do autuado ao plano de saúde, informados nas Declarações às fls. 55/58, correspondem aos valores descontados nos contracheques do contribuinte. Desta forma, como os valores informados pelo plano de saúde São Domingos Saúde Assistência Médica Ltda à fiscalização (fl. 29) foram deduzidos na elaboração do Auto de Infração (Termo de Verificação Fiscal à fl. 43), devese restabelecer a despesa médica indicada na coluna “Vlr descontado na folha pagto. Contribuinte” do Demonstrativo à fl. 104. Em face ao exposto, dou provimento parcial ao recurso, para restabelecer as com despesas médicas nos montantes de R$2.025,82, R$3.261,68, R$1.485,54, R$1.802,40 e R$1.880,14 relativos aos anoscalendários de 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008, respectivamente. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 189DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
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Numero do processo: 13819.000082/2007-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2001
IRRF. SÓCIO DE PESSOA JURÍDICA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE O SÓCIO E A EMPRESA PELO IRRF NÃO RECOLHIDO AOS COFRES PÚBLICOS. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto descontado na fonte.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-001.501
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR
provimento ao recurso, vencido o relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos.
Nome do relator: ATILIO PITARELLI
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SÓCIO DE PESSOA JURÍDICA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE O SÓCIO E A EMPRESA PELO IRRF NÃO RECOLHIDO AOS COFRES PÚBLICOS. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto descontado na fonte. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso, vencido o relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos. Assinado digitalmente GIOVANI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Fl. 79DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13819.000082/200702 Acórdão n.º 210201.501 S2C1T2 Fl. 72 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário face decisão da 6a. Turma da DRJ/SP2, de 21 de outubro de 2009 (fls. 26/28), que por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação, mantendo assim, a exigência do crédito tributário, que em 28/11/2006, data da sua lavratura, totalizava R$ 8.617,70, sendo R$ 3.771,21 a título de imposto, R$ 2.828,40 de multa e R$ 3.018,09 de multa de mora. De acordo com o Auto de Infração (fl. 09), a exigência do imposto com os acréscimos legais decorre da dedução indevida de imposto de renda retido na fonte, tendo em vista que o contribuinte, sócio da Indústria e Comércio de Máquinas Teform Ltda., não ter comprovado todos os recolhimentos do imposto de renda retido na fonte informado na DIRF. Consta no auto de infração, como infringido o inciso V do art. 12 da lei n.o 9.250/95. Na decisão recorrida, assim foram relatados os termos da impugnação: Em sede de preliminar, que o auto não demonstraria o, valor do tributo devido, da correção monetária, dos juros de mora, da multa e do total geral, e estaria, assim, eivado de vícios insanáveis; „ , ainda em sede de preliminar, argumenta que a multa de 75% teria sido abusiva, visto a estabilizaçao da economia brasileira; igualmente como questão Preliminar, não teria sido efetuada a diligência correta para apurar a valor eventualmente devido, que acarretaria inconstitucionalidade da exigência fiscal em discussão presente processo; ainda como prelimina,: o autuante não teria aguardado o prazo previsto em lei para que o autuado apresentasse a documentação comprobatória de sua ,regularidade fiscal, o que teria feito por ocasião 'da entrega da impugnação — teria havido; portanto, cerceamento do direito de defesa do autuado; já na análise do mérito alega que os DARFs acostados aos autos às fls. 13 a 18 demonstrariam que a empresa empregadora (denominada na peça impugnatória "notificada") teria recolhido tempestivamente os valores objeto da 'autuação; o fisco teria agido de forma a se locupletar à custa do patrimônio do autuado, pois teria sempre agido corretamente; Fl. 80DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13819.000082/200702 Acórdão n.º 210201.501 S2C1T2 Fl. 73 3 que a notificação de lançamento estaria eivada de vícios insanáveis e pede pelo acolhimento da impugnação e conseqüente julgamento pela improcedência da autuação. A decisão recorrida afastou as preliminares e apreciou o mérito, mantendo a exigência fiscal, sob o argumento de que nem mesmo o total anual e os valores mensais coincidem, portanto, nada provando. A este colegiado, às fls. 33/37, reitera as razões expostas na impugnação, repetindo argumentação de que não há diferença a ser cobrada e os DARFs e documentos apresentados evidenciam a correção no cumprimento de suas obrigações fiscais. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Atilio Pitarelli, Relator. O recurso é tempestivo, em conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. As preliminares levantadas pela Recorrente são descabidas e não merecem maiores considerações além daquelas constantes na decisão recorrida, uma vez que o auto de infração atende todas as formalidades legais, o valor da multa imposta conta com previsão legal e foram assegurados todos os meios de defesa, não havendo qualquer cerceamento ao seu direito de defesa. No tocante ao mérito, entendo que a pretensão fiscal não deve prosperar. Com efeito, o valor de R$ 3.771,21 que está sendo exigido a título de imposto, é o apurado pelo Recorrente na DIRPF como devido, porém, confrontado ao final com os valores retidos na fonte, resulta numa restituição de R$ 2.994,63. Ocorre, que não obstante o Recorrente ser um sócio da fonte pagadora, o fato é que o valor declarado como retido na fonte, de R$ 6.765,84, consta no Informe de Rendimentos fornecidos pela empresa Indústria de Máquinas Teform Ltda., CNPJ 51.968.121/000162, que entregou à Receita Federal a obrigação acessória da DIRF (fl. 22), detalhando mês a mês o rendimento bruto e o valor retido na fonte, cuja somatória, representa o que foi levado para a apuração na declaração de ajuste. Destarte, entendo que os DARFs da pessoa jurídica juntados a este processo, a ele não dizem respeito, pois os recolhimentos devidos pela fonte pagadora, não estão aqui sendo questionados. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13819.000082/200702 Acórdão n.º 210201.501 S2C1T2 Fl. 74 4 Entendo que aqui deve ser apreciada a semelhança entre os valores constantes na DIRPF apresentada pelo Recorrente (fl.42), Informe de Rendimentos fornecido pela fonte pagadora (fl. 46) e a DIRF a que está ela obrigada a entregar à Receita Federal (fl. 48). O fato da pessoa jurídica não ter cumprido com sua obrigação principal de recolher aos cofres da União o valor retido na fonte, mesmo do pagamento aos seus sócios/diretores, não transfere a eles, pessoas físicas, esta obrigação. O fundamento legal utilizado pela autoridade fiscal autuante para embasar o lançamento, qual seja, o inciso V do art. 12 da lei n.o 9.250/95, estabelece que do imposto apurado, poderão ser deduzidos “o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo,” Destarte, constatada a apresentação da DIRF pela fonte pagadora, dela deve ser exigida a obrigação de recolher o imposto retido na fonte, com o emprego dos meios legais, seja na esfera administrativa ou judicial. Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte. Assinado digitalmente Atilio Pitarelli Voto Vencedor Giovanni Christian Nunes Campos – redator designado do voto vencedor A discordância da maioria em face do relator se circunscreveu ao mérito da controvérsia, pois a corrente vencedora entendeu pela higidez do lançamento, como abaixo se mostrará. Antes de tudo, a fundamentação legal para a presente autuação se encontra no art. 723 do Decreto nº 3.000/99, abaixo transcrito: Art.723 do Decreto nº 3.000/99. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto descontado na fonte (DecretoLei nº 1.736, de 20 de dezembro de 1979, art. 8º). Parágrafo único.A responsabilidade das pessoas referidas neste artigo restringese ao período da respectiva administração, gestão ou representação (DecretoLei nº 1.736, de 1979, art. 8º, parágrafo único). Fl. 82DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13819.000082/200702 Acórdão n.º 210201.501 S2C1T2 Fl. 75 5 Abaixo segue excerto da motivação da decisão recorrida, que manteve o lançamento (fl. 28): O impugnante afirma que os DARFs de fls. 13 a 18 comprovariam o recolhimento. tempestivo dos valores que foram objeto da autuação. Tal afirmação não procede. O valor de cada um dos DARFs é de R$ 668,40 e eles são em número de 6 (seis). .Já a DIRF que consigna o Valor declarado peio impugnante em sua D1RPF como sendo imposto retido na fonte contém 12 (doze) valores mensais de R$ 563,82 (fl. 22). Ou seja nem o total anual e muito menos os valores mensais coincidem. Os DARFs em tela nada provam, portanto. Assim sendo, carece de fundamento a afirmação de que o fisco teria se locupletado. Na linha acima, considerando que os sócios e acionistas controladores são responsáveis solidários pelo não recolhimento do imposto descontado na fonte, irretocável a glosa do IRRF na declaração do sócio quando a pessoa jurídica, fonte pagadora, não recolhe o IRRF aos cofres públicos. Como se vê na decisão recorrida, efetivamente o contribuinte não logrou comprovar que a empresa Indústria e Comércio de Máquinas Teform Ltda., da qual é sócio, fez os recolhimentos do IRRF devidos. Em grau de recurso, o contribuinte trouxe uma cópia da DIRF da empresa acima referida, do anocalendário 2001 (fls. 47 a 57), na qual se vê que o IRRF total montou R$ 25.286,87, e trouxe DARFs do período de apuração do anocalendário 2002 (fls. 58 a 60) e um recolhimento de ofício (fl. 61), todos feitos em 2007, bem como os mesmos recolhimentos (fls. 63 a 65) já rechaçados pela decisão recorrida. Ora, o presente lançamento se aperfeiçoou em 27/12/2006 (fl. 19), e qualquer pagamento feito pela empresa, referente ao IRRF, após o início da presente ação fiscal não poderia ser utilizado pelo contribuinte, como aqueles ocorridos em 2007, pois a espontaneidade da empresa também estava suspensa, na forma do art. 7º, I e § 1º, do Decreto nº 70.235/72 (parte final do § 1º, abaixo destacada): Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; (...) § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Ademais, o anocalendário da autuação se refere ao AC2001, ou seja, os pagamentos de IRRF oriundos do AC2002 (fls. 58 a 60) não podem ser utilizados para o ano Fl. 83DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13819.000082/200702 Acórdão n.º 210201.501 S2C1T2 Fl. 76 6 precedente, por óbvio. Quanto ao DARF referente ao lançamento de ofício (fl. 61), sequer se sabe a que período se refere, além de ter sido pago em 2007. Por último, rejeitase os pagamentos de fls. 63 a 65 pelas mesmas razões da decisão recorrida. Concluindo, vêse que o valor do IRRF constante na DIRFanocalendário 2001 (R$ 25.286,87) sobeja grandemente os valores principais dos DARFs acostados aos autos (obviamente que se deve comparar o valor da DIRF de IRRF com os valores principais dos DARFs, pois o valor constante na DIRF deveria ter sido pago no vencimento, sem cominações legais), ficando claro que agiu com acerto a autoridade autuante, pois, ao final, ficou patentemente demonstrada a insuficiência do recolhimento do IRRF pela empresa Indústria e Comércio de Máquinas Teform Ltda, no anocalendário 2001. Ante o exposto, no mérito, voto no sentido de manter o lançamento. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 84DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 13982.001025/2007-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 2102-000.041
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência. Vencida a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1789; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 43 1 42 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13982.001025/200741 Recurso nº 501.804 Resolução nº 2102000.041 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 24 de agosto de 2011 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente IVO HELMUTH GERLACH Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência. Vencida a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente. Assinado digitalmente CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA Relator. EDITADO EM: 21/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Atilio Pitarelli e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Cuidase de recurso voluntário de fls. 27 e 28, interposto contra decisão da DRJ em Florianópolis/SC, de fls. 21 a 22, que julgou procedente o lançamento do IRPF de fls. 13 a 15, relativo ao anocalendário 2004, lavrado em 03/09/2007, com ciência do RECORRENTE em 03/10/2007. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal de fl. 14, a notificação de lançamento teve por objeto o seguinte: Fl. 47DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13982.001025/200741 Resolução n.º 2102000.041 S2C1T2 Fl. 44 2 “Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial. Glosa do valor de R$ 51.036,00, indevidamente deduzido a título de Pensão Alimentícia Judicial, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Enquadramento Legal: Art. 8.°, inciso II, alínea 'f', da Lei n.° 9.250/95; arts. 49 e 50 da Instrução Normativa SRF n.° 15/2001, arts.73, 78 e 83 inciso II do Decreto n.° 3.000/99 RIR/99.” (Os grifos não constam no original.) Após as alterações promovidas pela fiscalização, foi apurado saldo de imposto a restituir de R$ 2.099,85 em substituição ao saldo de imposto a restituir de R$ 16.134,75 inicialmente apurado pelo RECORRENTE. Da análise da Notificação de Lançamento, interpretase apenas que a autoridade fiscal efetuou a glosa do valor de R$ 51.036,00, declarado pelo recorrente como dedução a título de pensão alimentícia judicial, “por falta de comprovação”. Assim, não há como saber se houve dedução total ou parcial do valor pleiteado a título de pensão alimentícia. A justificativa da autoridade fiscal é: “Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial. Glosa do valor de R$ 51.036,00, indevidamente deduzido a título de Pensão Alimentícia Judicial, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Enquadramento Legal: Art. 8.°, inciso II, alínea 'f', da Lei n.° 9.250/95; arts. 49 e 50 da Instrução Normativa SRF n.° 15/2001, arts.73, 78 e 83 inciso II do Decreto n.° 3.000/99 RIR/99.” (Os grifos não constam no original.) Todavia, a Declaração de Ajuste do Imposto de Renda do RECORRENTE não consta dos autos, sendo este um documento essencial para julgamento do apelo, sem o qual não se sabe ao certo quais foram as despesas (títulos, beneficiários e valores) acatadas pela fiscalização e as que foram rechaçadas. Isto posto, proponho converter o julgamento em diligência, a fim de que seja acostada aos autos a cópia da Declaração de Ajuste do Imposto de Renda do RECORRENTE, relativamente ao ano – calendário 2004. ASSINADO DIGITALMENTE Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relator Fl. 48DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10530.723942/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/07/2008 a 30/09/2008
COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR ORIGINADO DE OPERAÇÕES VINCULADAS À VENDAS EFETUADAS COM INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O saldo credor da Cofins obtido com base em créditos relacionados às operações vinculadas às vendas tributadas, regra geral, só pode ser aproveitado diminuindo o valor devido da contribuição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-002.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Odassi Guerzoni Filho - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/07/2008 a 30/09/2008 COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR ORIGINADO DE OPERAÇÕES VINCULADAS À VENDAS EFETUADAS COM INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O saldo credor da Cofins obtido com base em créditos relacionados às operações vinculadas às vendas tributadas, regra geral, só pode ser aproveitado diminuindo o valor devido da contribuição. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 39 42 /2 00 9- 71 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Por meio de Pedido Eletrônico de Ressarcimento transmitido eletronicamente em 27/10/2008, a interessada, que atua no ramo de venda, no varejo, de combustíveis e lubrificantes, postulou o ressarcimento de saldo credor da Cofins apurado ao final do 3º trimestre de 2008 após a dedução, da soma dos créditos, do valor devido da contribuição em cada um dos períodos de apuração que compõem o referido trimestre. A DRF em Feira de SantanaBA indeferiu o pedido de ressarcimento sob o argumento de que os créditos em questão não se encaixam na norma prevista pelo artigo 16 da Lei nº 11.116, de 18 de maio de 2005, podendo ensejar apenas sua utilização na diminuição do valor da contribuição devida. Na Manifestação de Inconformidade a interessada defendeu a utilização do crédito em compensação (sic) citando como base legal o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; os inciso I e II do artigo 16 da Lei nº 11.116, de 2005; o art. 34 da IN SRF nº 900, de 2008; e o art. 26 da IN SRF nº 460, de 2004. Reproduziu ementa de decisão do STJ sobre compensação de débitos, entendendo lhe socorrer, e, ao final, pediu o reconhecimento do crédito e a “extinção da dívida” (sic). A 4a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em SalvadorBA manteve o indeferimento, na linha do entendimento da DRF. No Recurso Voluntário a interessada repetiu as mesmas argumentações de sua manifestação de inconformidade. É o Relatório. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10530.723942/200971 Acórdão n.º 3401002.176 S3C4T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Odassi Guerzoni Filho Despacho da DRF em Feira de SantanaBA dá conta da tempestividade do Recurso Voluntário, que, preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido. Inicialmente, de afastar da análise a aplicação dos dispositivos legais e infralegais, bem como decisão do STJ colacionada, equivocadamente invocados pela Recorrente em seu auxílio, porquanto não relacionados à matéria em julgamento. Refirome aqui ao artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; ao art. 34 da IN SRF nº 900, de 2008; e ao art. 26 da IN SRF nº 460, de 2004, visto que tratam eles de compensação de débitos, enquanto que o que está em julgamento é o ressarcimento de créditos da Cofins apurados sob o regime da nãocumulatividade. Créditos esses que, de acordo com as fichas do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon) anexadas ao processo, tiveram como origem as aquisições no mercado interno e vinculadas à receita tributada no mercado interno, mais especificamente, sobre as rubricas Bens Adquiridos para Revenda, Despesas com Energia Elétrica, Despesas de Aluguéis de Prédios Locados de Pessoa Jurídica, Despesas de Contraprestação de Arrendamento Mercantil, e Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado. Ou seja, os créditos em discussão não têm origem em operações que possuam vinculação com vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Cofins. Mas, a Recorrente entende que seu direito está lastreado nos seguintes dispositivos: à No art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. à Combinandoo com o art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3 o das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou Fl. 92DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Ora, da leitura desses dois artigos, depreendese que o pedido de ressarcimento a que alude o inciso II do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, é para aquele saldo credor que cumpre duas condições cumulativas, quais sejam, a primeira, que tenha sido apurado na forma do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, e, a segunda, que esse saldo credor tenha se acumulado em virtude da existência de créditos vinculados a operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Cofins. E, como dito acima, a segunda das condições não foi atendida neste caso, já que os créditos que ensejaram o saldo credor objeto do pedido de ressarcimento estão vinculados apenas às operações de vendas tributadas. Ou, dito de outra forma, a interessada, acertadamente, não postula créditos calculados sobre as aquisições vinculadas às operações de venda efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, pelo simples fato de que, referindose elas a gasolina, óleo diesel e álcool, há vedação expressa nesse sentido, a teor do contido no inciso I, alínea “a”, do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. Vejamos de que tratam tais dispositivos: [...] Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: [...] III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda dos produtos de que tratam as Leis nos 9.990, de 21 de julho de 2000, 10.147, de 21 de dezembro de 2000, 10.485, de 3 de julho de 2002, e 10.560, Fl. 93DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10530.723942/200971 Acórdão n.º 3401002.176 S3C4T1 Fl. 4 5 de 13 de novembro de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; [...] Vêse, pois, que o saldo credor em discussão submetese à regra geral de aproveitamento dos créditos do regime da nãocumulatividade, qual seja, o da diminuição da contribuição devida, consoante, aliás, preceitua o caput do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29/12/2003. Pelo exposto, nego provimento ao recurso. Odassi Guerzoni Filho Relator Fl. 94DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000201/2010-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ISENÇÃO COTA PATRONAL. NORMAS PROCEDIMENTAIS. RETROATIVIDADE. LEI 12.101/2009. APLICAÇÃO PROCEDIMENTAL A FATOS GERADORES PRETÉRITOS À SUA EDIÇÃO. AÇÃO FISCAL POSTERIOR À ALUDIDA LEGISLAÇÃO. ARTIGO 144, § 1º, CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL.
Tratando-se de ação fiscal desenvolvida após a edição da Lei nº 12.101, de 27/11/2009, a qual, além de contemplar os requisitos para fruição da isenção da cota patronal, igualmente, estabeleceu novos procedimentos para obtenção e cancelamento da certificação de entidades beneficentes de assistência social, impõe-se à observância desse novo regramento aos fatos geradores ocorridos anteriormente à aludida lei, com esteio no artigo 144, § 1o, do
Código Tributário Nacional.
In casu, tendo a fiscalização que culminou com a lavratura do presente auto de infração transcorrido após a vigência da Lei nº 12.101/2009, inclusive,
com o seu 1º Termo de Intimação Fiscal sido cientificado ao contribuinte bem após a vigência daquela lei, em 05/04/2010, deveria ter observado os procedimentos ali inscritos, exigindo um aprofundamento maior na matéria, ao rechaçar a condição de entidade isenta (auto enquadrada), dissertando a propósito dos pressupostos legais da isenção que teriam sido inobservados e
para quais períodos, sob pena de improcedência do feito, como aqui se vislumbra.
SEGURADOS EMPREGADOS CONTRIBUIÇÃO DESCONTADA E NÃO RECOLHIDA APURADA EM FOPAG 13 SALÁRIO NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA
A empresa é obrigada pelo desconto e posterior recolhimento das
contribuições descontadas dos segurados empregados a seu serviço.
A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos do AI. A mera alegação não desconstitui o lançamento, quando resta claro no lançamento, quais os fatos geradores lançados, o que permitiria ao recorrente apresentar os documentos capazes de desconstituir a AI de obrigação principal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-002.807
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir os débitos referentes aos Processo 16095.000201/201015, DEBCAD n. 37.227.3432
e Processo n° 16095.000202/201060 DEBCAD n° 37.259.4980.
Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que negava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ISENÇÃO COTA PATRONAL. NORMAS PROCEDIMENTAIS. RETROATIVIDADE. LEI 12.101/2009. APLICAÇÃO PROCEDIMENTAL A FATOS GERADORES PRETÉRITOS À SUA EDIÇÃO. AÇÃO FISCAL POSTERIOR À ALUDIDA LEGISLAÇÃO. ARTIGO 144, § 1º, CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Tratando-se de ação fiscal desenvolvida após a edição da Lei nº 12.101, de 27/11/2009, a qual, além de contemplar os requisitos para fruição da isenção da cota patronal, igualmente, estabeleceu novos procedimentos para obtenção e cancelamento da certificação de entidades beneficentes de assistência social, impõe-se à observância desse novo regramento aos fatos geradores ocorridos anteriormente à aludida lei, com esteio no artigo 144, § 1o, do Código Tributário Nacional. In casu, tendo a fiscalização que culminou com a lavratura do presente auto de infração transcorrido após a vigência da Lei nº 12.101/2009, inclusive, com o seu 1º Termo de Intimação Fiscal sido cientificado ao contribuinte bem após a vigência daquela lei, em 05/04/2010, deveria ter observado os procedimentos ali inscritos, exigindo um aprofundamento maior na matéria, ao rechaçar a condição de entidade isenta (auto enquadrada), dissertando a propósito dos pressupostos legais da isenção que teriam sido inobservados e para quais períodos, sob pena de improcedência do feito, como aqui se vislumbra. SEGURADOS EMPREGADOS CONTRIBUIÇÃO DESCONTADA E NÃO RECOLHIDA APURADA EM FOPAG 13 SALÁRIO NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA A empresa é obrigada pelo desconto e posterior recolhimento das contribuições descontadas dos segurados empregados a seu serviço. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos do AI. A mera alegação não desconstitui o lançamento, quando resta claro no lançamento, quais os fatos geradores lançados, o que permitiria ao recorrente apresentar os documentos capazes de desconstituir a AI de obrigação principal. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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ISENÇÃO COTA PATRONAL. NORMAS PROCEDIMENTAIS. RETROATIVIDADE. LEI 12.101/2009. APLICAÇÃO PROCEDIMENTAL A FATOS GERADORES PRETÉRITOS À SUA EDIÇÃO. AÇÃO FISCAL POSTERIOR À ALUDIDA LEGISLAÇÃO. ARTIGO 144, § 1o, CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Tratandose de ação fiscal desenvolvida após a edição da Lei nº 12.101, de 27/11/2009, a qual, além de contemplar os requisitos para fruição da isenção da cota patronal, igualmente, estabeleceu novos procedimentos para obtenção e cancelamento da certificação de entidades beneficentes de assistência social, impõese à observância desse novo regramento aos fatos geradores ocorridos anteriormente à aludida lei, com esteio no artigo 144, § 1o, do Código Tributário Nacional. In casu, tendo a fiscalização que culminou com a lavratura do presente auto de infração transcorrido após a vigência da Lei nº 12.101/2009, inclusive, com o seu 1º Termo de Intimação Fiscal sido cientificado ao contribuinte bem após a vigência daquela lei, em 05/04/2010, deveria ter observado os procedimentos ali inscritos, exigindo um aprofundamento maior na matéria, ao rechaçar a condição de entidade isenta (autoenquadrada), dissertando a propósito dos pressupostos legais da isenção que teriam sido inobservados e para quais períodos, sob pena de improcedência do feito, como aqui se vislumbra. SEGURADOS EMPREGADOS CONTRIBUIÇÃO DESCONTADA E NÃO RECOLHIDA APURADA EM FOPAG 13 SALÁRIO NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA A empresa é obrigada pelo desconto e posterior recolhimento das contribuições descontadas dos segurados empregados a seu serviço. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA 2 A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos do AI. A mera alegação não desconstitui o lançamento, quando resta claro no lançamento, quais os fatos geradores lançados, o que permitiria ao recorrente apresentar os documentos capazes de desconstituir a AI de obrigação principal. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir os débitos referentes aos Processo 16095.000201/201015, DEBCAD n. 37.227.3432 e Processo n° 16095.000202/201060 DEBCAD n° 37.259.4980. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que negava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA Processo nº 16095.000201/201015 Acórdão n.º 2401002.807 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, engloba os seguintes lançamentos de obrigação principal: • Processo 16095.000201/201015, DEBCAD 37.227.3432 tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, levantadas sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais no período de 01/2006 a 12/2007. • Processo n° 16095.000202/201060 Corresponde ao AI n° 37.259.4980, lavrado para o lançamento de crédito relativo As contribuições dos "Terceiros", destinadas ao Salário Educação (2,5 %), ao INCRA (0,2 %), ao SESC (1,5%) e ao SEBRAE (0,6 %), como se verifica do Relatório Fiscal (fls. 63 e 64), o qual, nos demais aspectos, reitera as informações prestadas em face do Processo Principal (AI n° 37.227.3432). • Processo n° 16095.000203/201012 Corresponde ao AI n° 37.259.4999, lavrado para o lançamento de crédito relativo a contribuição dos segurados empregados, como se verifica do Relatório Fiscal (fls. 57 e 58). Acrescenta esse relatório que essa contribuição foi descontada dos empregados, em face do pagamento do décimo terceiro salário de 2007, o que constitui, em tese, crime contra a Seguridade Social, previsto no inciso I, § 10 do art. 168A do DecretoLei no 2.848/1940, com as alterações introduzidas pela Lei n° 9.983/2000, que sera objeto de Representação Fiscal para Fins Penais. Ressaltese, ainda, que conforme descrito no relatório fiscal, fl. 70 a 72 e seguintes o lançamento está consubstanciado nos Salários de Contribuição dos segurados empregados apurados em folhas de pagamento apresentadas pela empresa e constam declarados em GFIP Guia de Recolhimento de FGTS e Informações a Previdência Social, assim como os valores referentes aos pagamentos aos autônomos (contribuintes individuais). A empresa se declara na GFIP com o FPAS 639 (entidades filantrópicas com isenção), todavia o contribuinte teve sua isenção cancelada a pelo Ato 21.625/001/1999. Os efeitos dessa declaração incorreta, é que, não obstante a declaração dos fatos geradores de contribuições previdenciárias em GFIP, o sistema calcula apenas o débito referente a Segurados, com os descontos de saláriofamília e salário maternidade. A multa aplicada em relação aos AI de obrigação acessória e principal foram calculados pela nova sistemática da lei 11.941/2009. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA 4 Importante, destacar que a lavratura do AIOP deuse em 28/04/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 05/05/2010. Não concordando com o lançamento, a entidade apresentou impugnação, fls. 81 a 94, para o Processo Processo 16095.000201/201015, DEBCAD n. 37.227.3432; fls. 129 a 142, para o Processo n° 16095.000202/201060 DEBCAD n° 37.259.4980 e fls. 177 a 181 Processo n° 16095.000203/201012 DEBCAD n° 37.259.4999. A Decisão de Primeira Instância administrativa julgou procedente os lançamento efetuado, conforme fls. 218 a 224, tendo o resultado sido no seguinte sentido: “ACORDAM os membros da 9' Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em considerar improcedentes as impugnações relativas aos AUTOS DE INFRAÇÃO— AI n° 37.227.3432 (processo n° 16095.000201/201015), n° 35.259.4980 (processo n° 16095.000202/201060) e no 37.259.4999 (processo no 16095.000203/201012), mantendose os créditos por meio deles constituídos, na forma do voto do Relator.” ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. REMUNERAÇÃO AO SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. CONTRIBUIÇÃO. RECOLHIMENTO. OBRIGAÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO. Sobre a remuneração paga, creditada ou devida ao segurado empregado e contribuinte individual incide a contribuição previdenciária. Pelo que a empresa está obrigada ao correspondente recolhimento, na forma e no prazo estabelecidos em lei, sob pena de autuação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, fls. 261 a 277, para o Processo Processo 16095.000201/201015, DEBCAD n. 37.227.3432; fls. 278 a 294, para o Processo n° 16095.000202/201060 DEBCAD n° 37.259.4980 e fls. 295 a Processo n° 16095.000203/201012 DEBCAD n° 37.259.4999. em síntese a recorrente alegou o seguinte: 1. Nulo é o lançamento, pois o relatório fiscal não oferece quaisquer elementos técnicos ou fáticos, hábeis a identificar as razões que levaram a desconsiderar o código do FPAS utilizado, no caso, código 639; 2. Da mesma forma, não apresentou o acórdão recorrida, incorrendo no mesmo vicio apresentado pelo Relatório Fiscal, qual a fundamentação jurídica apta a descaracterizar o código utilizado, reenquadrando o Contribuinte em classificação diversa daquela correspondente as suas atividades. 3. Este Auto deve ser declarado improcedente em razão do cerceamento de defesa, tanto pela falta de motivação quanto ao novo enquadramento no FPAS, tanto por não ter sido observado o disposto nos §§ 3 o e 4 o do art. 111 da Instrução Normativa IN/RFB n° 971/2009. Consoante seus estatutos (cópia anexa) o código FPAS que mais se adapta à sua atividade é o 639; 4. Destacase, portanto, e neste ponto furtouse o acórdão de exarar seu entendimento, sua natureza de "entidade autônoma sem fins lucrativos..." (art. 2 ), requisito exigido pelo artigo 195, § 7 , da Constituição Federal. Denotase, ademais, que, diante das disposições Fl. 309DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA Processo nº 16095.000201/201015 Acórdão n.º 2401002.807 S2C4T1 Fl. 4 5 estatutárias do contribuinte, o códigoFPAS que mais de adapta à sua atividade institucional é o 639 e não o 574 atribuído pela fiscalização. 5. A entidade atende a todas as exigências previstas no Código Tributário Nacional CTN e aplicáveis na espécie. Sendo que já usufruía da desobrigação do recolhimento da cota patronal antes do advento do Decreto n° 1.572/1977; 6. A informação do fisco de que há um Ato Cancelatório, lavrado nos idos de 1999, não pode ser considerado como juridicamente suficiente para legitimar a cobrança ora contraditada; 7. É do conhecimento do fisco que o contribuinte possui o certificado CNAS, ou seja, o CEAS, para o ano de 2007, e que, portanto, preencheu os requisitos do art. 55 da Lei n° 8.212/1991; 8. À época da lavratura, ou seja, em 21071999, o INSS não ostentava legítimo direito a promover a cassação da isenção do contribuinte, ante a liminar concedida, cm 1407 2009, na ADIN n° 20285 pelo Supremo Tribunal Federal STF; 9. É de se admitir que a concessão da isenção, conforme sinalizado de forma juridicamente falha no RF, é obrigação a ser atendida por entidades que não usufruem da isenção, o que não é o caso da defendente, que, inclusive, possui decisão judicial vigente e de conhecimento do fisco previdenciário (ainda pendente de transito em julgado), reconhecendo seu direito adquirido a não recolhimento da sua cota patronal, se atendidas os art. 09 e 14 do CTN. 10. Não se pode impor ao contribuinte, que inclusive tem ação judicial sentenciada a seu favor quanto a sua não obrigatoriedade aos recolhimentos da chamada "cota patronal. 11. Assim, sendo o que entendia o Contribuinte adequado de ser sustentado nesta pega recursal, mantémse na expectativa de acolhimento de seus termos, ante a indiscutível ocorrência de situações aptas a ensejar a nulidade do procedimento fiscal e, quanto ao mérito, seja reconhecida a improcedência do AI 37.227.3432, julgandose improcedente o feito. 12. Em relação ao Processo n° 16095.000203/201012 DEBCAD n° 37.259.4999, na eventualidade de superada a preliminar, o ora defendente sustenta que nada é devido a titulo de contribuições retidas e não repassadas, no caso destes autos, restritas ao décimo terceiro de 2007. O que foi reconhecido como devido pelo contribuinte, foi efetivamente retido de seus empregados, e, repassado aos cofres públicos • previdenciários. 13. Aponta o fisco de forma genérica que, relativamente ao décimo terceiro de 2007, não houve a declaração/GFIP. Ora, se não houve a declaração/GFIP era em razão de não serem tais valores devidos, e, se eram indevidos, recolhimentos não ocorreram. De qualquer forma, fica a impugnação completa firmada pelo contribuinte quanto ao passivo levantado, por não ser ele devido. A unidade descentralizada da DRFB encaminhou o processo a este CARF. É o relatório. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA 6 Voto Vencido Conselheiro Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 304. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO Ressaltese que toda a argumentação em sede de recurso dos três processos ora sob julgamento, referese a sua alegada nulidade do reenquadramento do código FPAS, face sua condição de entidade imune, bem como ao entendimento que os descritos a título de 13 salário reconhecidos pelo recorrente foram retidos e repassados. QUANTO A NULIDADE FACE IMUNIDADE Não assiste razão à recorrente ao afirmar que era nula a autuação pelo suposto irregular enquadramento no código FPAS. A recorrente não possuía direito à isenção das contribuições previdenciária no período objeto do lançamento em virtude de decisão por meio do Ato Cancelatório n. 21.625/001/1999. Dessa forma, não possuindo direito à isenção, não cabe o enquadramento no código FPAS n. 639, sendo correto o enquadramento realizado pela fiscalização tributária. Não há qualquer irregularidade no procedimento adotado pelo Fisco, haja vista o relatório fiscal indicar precisamente o motivo do não enquadramento no código FPAS 639, conforme item 7 do relatório fiscal às fls. 63 e 64. O argumento de que a autuada teria direito adquirido à imunidade antes do Decreto 1.572 de 1977 é irrelevante, haja vista ter sido emitido o Ato Cancelatório em 1999. Dessa maneira, caberia à recorrente ter impugnado o ato de cancelamento. O direito à isenção das contribuições deveria ter sido resolvida nos autos próprios, e não nos presentes autos. Portanto, perante a Administração Tributária, a recorrente não possuía direito à isenção no período do presente lançamento. Assim, entendo regular o procedimento adotado, por entender que a partir da devida emissão do ato cancelatório não há de se falar em direito a isenção, salvo demonstrado pelo recorrente novo direito a isenção, o que não foi o caso. No intuito de melhor esclarecer a recorrente acerca do seu direito a isenção (dita pela empresa como imunidade de contribuições), faça uma análise de toda a legislação que abarca a matéria, para esclarecer acerca do seu direito de entidade filantrópica. Inicialmente foi publicada a Lei n.º 3.577, de 4/7/1959, que concedeu o benefício fiscal aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões, para as entidades de fins filantrópicos. De acordo com essa Lei, era concedida a isenção para as Entidades de Fins Filantrópicos reconhecidas como sendo de utilidade pública, cujos membros de sua diretoria não percebessem remuneração. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA Processo nº 16095.000201/201015 Acórdão n.º 2401002.807 S2C4T1 Fl. 5 7 Posteriormente foi publicado o Decreto n.º 1.117, de 01/06/1962, que regulamentou a Lei 3.577 e concedeu ao Conselho Nacional do Serviço Social – CNSS a competência para certificar a condição de entidade filantrópica para fins de comprovação junto ao Instituto de Previdência. Consideravamse filantrópicas as entidades, para fins de emissão do certificado, aquelas que: a) estivessem registradas no Conselho Nacional do Serviço Social; b) cujos diretores, sócios ou irmãos não percebessem remuneração e não usufruíssem vantagens ou benefícios; c) que destinassem a totalidade das rendas apuradas ao atendimento gratuito das suas finalidades. Em 1977, o DecretoLei n.º 1.572, de 01/09/1977, revogou a Lei n.º 3.577, não sendo possível a concessão de novas isenções a partir de então. Contudo, permaneciam com o direito à isenção de acordo com as regras antigas somente as seguintes entidades: I. As entidades que já eram beneficiadas pela isenção e que possuíssem: II. Decreto de Utilidade Pública expedido pelo Governo Federal; III. Certificado expedido pelo CNSS com prazo de validade indeterminado; IV. As que beneficiadas pela isenção fossem detentoras: V. de declaração de utilidade pública; VI. de certificado provisório de “Entidade de Fins Filantrópicos “ expedido pelo CNSS, mesmo com prazo expirado; desde que comprovassem ter requerido os títulos definitivos de Utilidade Pública Federal até 30.11.1977. Importante destacar que mesmo que a entidade em questão se enquadrasse em algum dos casos descritos acima, para enquadrarse como detentora do direito adquirido a isenção, a emissão de ato cancelatório lhe afastaria tal direito, pois o direito a isenção pode ser cassado, pelo descumprimento das obrigações inerentes as entidades filantrópicas. Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, houve a previsão, em seu art.195 §7º, da permissão de isenção de contribuições para a seguridade social das entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos estabelecidos em lei. Esse dispositivo constitucional foi regulado por meio da Lei n º 8.212 de 24/07/1991. Nesse sentido, entendo que a alegação do recorrente de que que o dispositivo constitucional determina o reconhecimento da imunidade de contribuições patronais não lhe confiro razão. Considerando que a legislação previdenciária descreve as exigências legais para a que a empresa considerese isenta e esteja desobrigada de recolher a parcela patronal e a destinada a terceiros, o descumprimento de qualquer dos dispositivos legais afasta o direito do recorrente. Os pressupostos para obtenção do direito à isenção estavam previstos no art. 55 da Lei n ° 8.212/1991, com a seguinte redação original: Fl. 312DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA 8 Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos, cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social CNSS, renovado a cada 3 (três) anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando anualmente ao Conselho Nacional da Seguridade Social relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. Conforme se depreende do texto legal, permaneciam isentas as entidades que já estavam beneficiadas com esse direito, desde que se adequassem as novas situações, qual seja: renovação do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos – CEFF a cada três anos, sendo o prazo para renovação até 24/7/1994, na forma do Decreto 612/92; sejam reconhecidas como de utilidade pública estadual, do Distrito Federal ou municipal, a serem apresentadas quando da renovação do CEFF. Por meio da Lei n ° 8.909 de 06/07/1994, foi estabelecido o prazo limite para as entidades registradas no CNSS se recadastrarem no Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, criado pela Lei n.º 8.742 de 07/12/1993, prorrogandose a validade dos Certificados de Entidades de Fins Filantrópicos emitidos pelo CNSS até 31/05/1992. A Lei n.º 9.429 de 26/12/1996, reabriu o prazo até 25/06/1997 para requerimento da renovação do CEFF e de recadastramento no CNAS, para as entidades possuidoras do título e do registro com validade até 24/07/1994, que haviam perdido o prazo de solicitação da renovação e recadastramento. Além disso, essa Lei revogou os atos cancelatórios e as decisões emitidas pelo INSS, contra as entidades que não apresentaram renovação do pedido de renovação do CEFF até 31/12/1994; extinguiu os créditos decorrentes de contribuições sociais devidas a partir de 25/07/1981, pelas entidades que cumpriram, nesse período, os requisitos do art. 55 da Lei 8.212/91. Para a empresa em questão, não se aplicou o disposto na Lei n ° 9.249 em virtude de até a publicação dessa Lei a entidade não ter cumprido os requisitos da Lei n ° 8.212/1991. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA Processo nº 16095.000201/201015 Acórdão n.º 2401002.807 S2C4T1 Fl. 6 9 A Lei n° 9.249, alterou o inciso II do art. 55 da Lei 8.212/91, exigindo concomitantemente o registro e o atestado de entidade de fins filantrópicos, e não mais a exigência alternativa, nestas palavras: Art. 55 (...) II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Lei nº 9.429, de 26 de dezembro de 1996) Em 1997, por meio da Lei n.º 9.528 de 10/12/1997, resultado da conversão da Medida Provisória n ° 1.5239 de 27/06/1997, foi alterado o inciso V do art. 55 da Lei 8.212/91, estabelecendo a exigência de apresentação de relatório anual das atividades ao INSS e não mais ao CNAS; prorrogandose o prazo de apresentação do relatório para 30 de abril de cada ano, nestas palavras: Art. 55 (...) V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Com a publicação da Lei n ° 9.732 de 11/12/1998, houve inúmeras alterações no sistema de reconhecimento do direito à isenção. Entretanto, as alterações promovidas no art. 55 da Lei 8.212/91, pela Lei n.º 9.732/98 estão com eficácia suspensa, por decisão em liminar do STF na ADIn 2.0285/1999. Aplicandose portanto, a redação do art. 55 anteriormente à Lei n ° 9.732/1998. Já em 2001, foi publicada a Medida Provisória n ° 2.1296, de 23/02/2001, reeditada até a de nº 2.18713, de 24/08/2001, vigorando em função do art. 2º da Emenda Constitucional nº 32, de 11/09/2001, que alterou o art. 55 da Lei n ° 8.212/1991. Houve a alteração da denominação do Certificado, que passou para Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, a ser fornecido pelo CNAS. Também foi incluído o § 6º ao art. 55, sendo a existência de débito motivo para o indeferimento ou cancelamento do direito à isenção de acordo com o previsto no § 3º do art. 195 da Constituição Federal. Dispõe o art. 195, § 3º da Constituição Federal, nestas palavras: § 3º A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. A redação em vigor atualmente do art. 55 da Lei n ° 8.212/1991 é a seguinte: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; Fl. 314DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA 10 IIseja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 24.8.01) III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IVnão percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) §1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. §2ºA isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98 – eficácia suspensa em função da ADIn 2028/5) § 4o O Instituto Nacional do Seguro SocialINSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98– eficácia suspensa em função da ADIn 2028/5) § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98– eficácia suspensa em função da ADIn 2028/5) §6oA inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3o do art. 195 da Constituição.(Parágrafo incluído pela Medida Provisória nº 2.18713, de 24.8.01) Conforme comprovado nos autos, e apreciado pela autoridade julgadora a recorrente não comprovou ter requerido a isenção junto ao INSS, após a emissão do ato cancelatório que constitui um dos pontos basilares para o reconhecimento da isenção pretendida. A Constituição Federal é clara no art. 195, § 7º ao prever que o benefício fiscal é condicionada ao atendimento dos requisitos em lei. Assim, não procede o argumento da recorrente de que tal direito não sofre qualquer limitação. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA Processo nº 16095.000201/201015 Acórdão n.º 2401002.807 S2C4T1 Fl. 7 11 É necessário distinguir o papel de cada órgão em relação ao reconhecimento da isenção. O CNAS possui a competência para expedição do Certificado e do Registro, um dos pressupostos para que o INSS (atual Secretaria da Receita Federal do Brasil) reconheça o direito à isenção. Nesse sentido dispõe o Parecer n ° 2.272/2000: EMENTA: CONFLITO DE COMPETÊNCIA ENTRE INSS E CNAS. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. CERTIFICADO DE ENTIDADE DE FINS FILANTRÓPICOS E PEDIDO DE ISENÇÃO. Ao CNAS compete, com exclusividade, verificar se a entidade cumpre os requisitos do Decreto nº 2.536, de 6 de abril de 1998, para obtenção ou manutenção do certificado de entidade de fins filantrópicos. Ao INSS compete verificar se a entidade cumpre os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, para obter a isenção das contribuições. Corroborando a competência do INSS (atual Secretaria da Receita Federal do Brasil) segue ementa do Parecer CJ/MPS n ° 3.093/2003, aprovado pelo Ministro da Previdência Social: EMENTA. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. ISENÇÃO PREVISTA NO ART. 195, § 7º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL E REGULAMENTADA PELO ART. 55 DA LEI Nº 8.212, DE 24 DE JULHO DE 1991. ÓRGÃO COMPETENTE PARA A CONCESSÃO E PARA O CANCELAMENTO DA ISENÇÃO. INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS. 1. Ao INSS compete julgar os pedidos de concessão de isenção das contribuições para a seguridade social, prevista no art. 195, § 7º, da Constituição, e regulamentada pelo art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. 2. Compete ao INSS cancelar, a qualquer momento, a isenção das entidades que não estejam cumprindo os requisitos previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/91, ainda que possuam CEBAS em vigor. 3. A competência do INSS para conceder, fiscalizar e cancelar a isenção das contribuições para a seguridade social, com fundamento nos requisitos previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/91, existe desde a publicação deste diploma legal no Diário Oficial da União. Aliás, esse foi o raciocínio já explicitado pela autoridade julgadora de primeira instância, afastando o direito do recorrente, face o descumprimento dos preceitos legais, vejamos trecho da decisão: Notese que é relatado que o contribuinte declarou incorretamente na GFIP o código do FPAS, como sendo 639, quando o correto deveria ser 574. Pois, aquele código se refere à Entidade Filantrópica que usufrui da isenção de que tratava o art. 55 (vigente à época da infração) da Lei n° 8.212/1991. O que não é o caso da "Sociedade Guarulhense", a qual teve a isenção cancelada, conforme Ato Cancelatório n° 21.625./001/1999. Quer dizer, consta do Relatório Fiscal, diversamente do alegado, a motivação, ou seja, a demonstração do motivo, que corresponde ao cancelamento da isenção, na forma do Ato que Fl. 316DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA 12 identifica. Razão pela qual não há que se falar em cerceamento de defesa, até porque sua impugnação ataca todos os aspectos relacionados à isenção, incluído aí o mencionado Ato Cancelatório, o que permite afirmar que fez uso da ampla defesa e do contraditório. De outro lado, é imprópria a alegação de que a fiscalização não observou os §§ 3 o e 4 o do art. 111 da IN/RFB n° 971/2009, relativos à cientificação de reenquadramento na Tabela de Códigos FPAS, isto porque não houve revisão do FPAS por parte da fiscalização. Pois, a AuditoraFiscal apenas se deparou com uma situação perda da isenção já cientificada por intermédio do Ato Cancelatório n° 21.625./001/1999, a qual o contribuinte não desconhece, como se denota dos termos de sua impugnação. E, que, portanto, o contribuinte estava impossibilitado de se utilizar do código FPAS 639, isto porque já não mais detém o direito à isenção. (...) Desse modo, após discorrer sobre os temas "Da pretensa isenção das contribuições previdenciárias" e "Do direito adquirido", resta claro que, para se beneficiar da isenção das contribuições previdenciárias, a SOCIEDADE GUARULHENSE DE EDUCAÇÃO deveria ter atendido o disposto no artigo 55 da Lei n° 8.212/91. Porém, ao consultar o cadastro dessa "Sociedade", junto à esta Secretaria, verificamos que teve a isenção cancelada, em razão de REMUNERAR SEUS DIRETORES, CONSELHEIROS, SÓCIOS, INSTITUIDORES, BENFEITORES OU EQUIVALENTES POR QUALQUER FORMA OU TÍTULO, consoante Ato Cancelatório n° 21.625/001/199, como relatado pela fiscalização. Dessa forma, a decisão proferida encontramse em perfeita consonância com com a exigência legal, mesmo que se atenda ao argumento do recorrente quanto ao encontrar se previsto na constituição, tratarseia de imunidade, fato é que não cumpriu os limites legais para que se usufrua do benefício, o que não conseguiu o recorrente demonstrar ao descumprir um dos preceitos do art. 55 da lei 8212/91. Contudo, entendo que exista ou ponto que merece ser enfrentado. Os efeitos da aplicação da lei 12.101/2009, ao caso concreto, considerando que quando da lavratura do AI, a referida lei já se encontrava em vigor. Nesse sentido, importante visualizar a competência distinta de cada um dos órgãos envolvidos no processo de enquadramento de uma entidade como isenta, para que ao fim se determine a legitimidade ou não do não recolhimento da parcela patronal de contribuições previdenciárias. A competência para conceder os títulos de utilidade pública federal, estadual e municipal, bem como o registro e concessão do CEBAS, antes da entrada em vigor da Lei 12.101 de 2009, era realizada por cada um dos órgãos envolvidos, dentro de seus limites de competência. É sabido que o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, por exemplo, era processado no Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, bem com os certificados de Utilidade Pública era, concedidos no âmbito de cada poder competente, seja, no Fl. 317DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA Processo nº 16095.000201/201015 Acórdão n.º 2401002.807 S2C4T1 Fl. 8 13 âmbito Federal, Estadual e Municipal. Porém a lei deixa claro que a isenção, mesmo que cumpridos todos os requisitos anteriormente mencionados era adstrita ao INSS e a partir da edição da lei 11.457, de 2007 à Secretaria da Receita Federal do Brasil, em nome do INSS, de acordo com o art. 55 da Lei n° 8.212, de 1991. Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: §1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. Conforme podemos extrair do texto legal, diversas eram as exigências legais, mas dentre elas, encontravase expressa a manifestação do INSS (e posteriormente a SRRB), quanto ao necessário “pedido” e manifestação daquele órgão quanto a efetiva concessão do benefício. Assim, não haverseia de confundir a obtenção de documentos (digase também previstos na lei), como argumenta o recorrente, com a também exigência de “pedido formulado perante o INSS”para obtenção do benefício fiscal. Frisese que a competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil restringiase à concessão, manutenção e cancelamento da isenção, verificando se os requisitos estariam sendo cumpridos. Assim, entendo legítimo o procedimento do INSS que determinou o cancelamento da isenção, por meio de regular a emissão do Ato Cancelatório, que oportunizou ao recorrente, naqueles autos, a interposição de defesa. Dessa forma, a autoridade fiscal, durante o procedimento ora sob análise, ao constatar que a entidade, quando da ocorrência dos fatos geradores, deixava de cumprir quaisquer dos requisitos legais, para usufruir da isenção (ou mesmo imunidade descrita pelo recorrente) procedeu ao lançamento das contribuições devidas. Portanto, restando claro, que as disposições contidas no art. 55 da Lei 8.212, de 1991, são legítimas, e, por conseguinte, a isenção deve ser requerida ao órgão da previdência social (inclusive após a emissão de regular ato cancelatório, concluise que, para usufruto desse beneficio, não basta à entidade portar títulos de reconhecimento de utilidade pública, decretos de filantropia ou demonstrar que exerce atividades filantrópicas ou mesmo elaborar relatórios de suas receitas e despesas. Ou seja, mesmo que o preenchimento dos demais requisitos previstos no art. 55, qualificassem o contribuinte a solicitar a isenção, a mesma não se dava de forma automática, considerando que da leitura do § 1°, artigo 55 da Lei n° 8.212, de 1991 para regular concessão seria necessário que a entidade procedesse ao requerimento junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil, que dispunha de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. Com base no mesmo raciocínio, não entendo que a publicação da lei 12.101/2009, tenha afastado dita exigência em relação a períodos anteriores a sua entrada em vigor. Portanto, até 29/11/2009, era legalmente exigível o pedido de isenção, cabendo à. Secretaria da Receita Federal do Brasil (anteriormente ao INSS) verificar o cumprimento dos requisitos exigidos em lei e o devido enquadramento da entidade para fins de isenção de contribuições previdenciárias, reconhecendo ou não o direito, sujeitandose, ainda, a entidade à verificação periódica da manutenção desses requisitos, da qual poderia resultar em cancelamento do beneficio. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA 14 Não demonstrou o recorrente ter ingressado com o pedido de isenção, após a emissão do Ato cancelatório em 1999, assim, como já mencionado na decisão de primeira instância. Destacou ainda a autoridade julgadora que não há registros nos arquivos da Secretaria da Receita Federal do Brasil ou do INSS de que a entidade tenha adentrado com pedido de isenção nesses órgãos, como já informara o Auditor Fiscal no relatório fiscal. Assim, por falta de prova do cumprimento de condição indispensável, não há que se falar em isenção ou imunidade até 29/11/2009. Entendo que os efeitos da lei 12.101/2009, e por consequência, as regras ali contidas, não possuem efeito retroativo, valendo até a sua entrada em vigor, as regras dispostas no art. 55 da lei 8.212, com o texto até então em vigor . Notese que mesmo em grau de recurso não trouxe o recorrente qualquer prova do cumprimento do referido requisito. Já a partir de 30/11/2009, a isenção/imunidade em relação as contribuições previdenciárias passou a ser regulamentada pela Lei 12.101, de 2009. Assim, a partir da dita lei é que o usufruto da isenção não mais depende de requerimento junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil (ou INSS), bastando a posse do certificado emitido pelo órgão do Ministério da respectiva área de atuação e o cumprimento dos requisitos elencados no seu art. 29 abaixo descritos: Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capitulo II fará jus isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei n2 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: I não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou titulo, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; II aplique suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais; III apresente certidão negativa ou certidão positiva com efeito de negativa de débitos relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e certificado de regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; IV mantenha escrituração contábil regular que registre as receitas e despesas, bem como a aplicação em gratuidade de forma segregada, em consonância com as normas emanadas do Conselho Federal de Contabilidade; V não distribua resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto; VI conserve em boa ordem, pelo prazo de 10 (dez) anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem e a aplicação de seus recursos e os relativos a atos ou operações realizados que impliquem modificação da situação patrimonial; Fl. 319DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA Processo nº 16095.000201/201015 Acórdão n.º 2401002.807 S2C4T1 Fl. 9 15 VII cumpra as obrigações acessórias estabelecidas na legislação tributária; VIII apresente as demonstrações contábeis e financeiras devidamente auditadas por auditor independente legalmente habilitado nos Conselhos Regionais de Contabilidade quando a receita bruta anual auferida for superior ao limite fixado pela Lei Complementar n 2 123, de 14 de dezembro de 2006. Notese que de acordo com o art. 31 da mesma lei, o direito à isenção poderá ser exercido a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, mas não podemos falar que dita previsão afastaria as exigências legais vigentes até a alteração legislativa. Art. 31. O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, desde que atendido o disposto na Seção I deste Capitulo. Todavia, identificamos que o lançamento em questão envolve apenas competências anteriores a publicação da lei 12.101, razão porque correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal ao lançar contribuições revidenciárias. Entendo dessa forma, que a autoridade julgadora bem enfrentou a questão, inclusive afastando a pretensão de direito adquirido em seu arrazoado, não cabendo qualquer reparação no julgado, razão porque adotoo como razões de decidir. QUANTO AO FATO GERADOR Quanto ao fato gerador também não há de se acatar qualquer argumento de nulidade do lançamento, considerando que a autoridade fiscal identificou devidamente o fato gerador no documento fiscal, destacando, inclusive que os valores foram apurados e individualizados por meio dos documentos fornecidos pelo próprio recorrente. Notese que apenas em relação ao Processo n° 16095.000203/201012 DEBCAD n° 37.259.4999, argumentou o recorrente ser indevida a contribuição lançada, em relação ao 13 salário. No relatório DAD é possível identificar todas as competências em que foram identificados os fatos geradores, bem como no relatório FLD encontramos a legislação correlata no tempo a cada fato gerador apurado. Sendo assim, em relação aos processos para o Processo 16095.000201/2010 15, DEBCAD n. 37.227.3432; para o Processo n° 16095.000202/201060 DEBCAD n° 37.259.4980 como não houve recurso expresso aos pontos da Decisãode primeira instância presumese a concordância da recorrente com referida decisão. Uma vez que houve concordância em relação aos valores apurados como fato gerador, lide não se instaurou e, portanto, deve ser mantida a decisão proferida. PROCESSO N° 16095.000203/201012 DEBCAD N° 37.259.4999 Em relação a esse AI insurgiuse o recorrente nos seguintes termos: Em relação ao Processo n° 16095.000203/201012 DEBCAD n° 37.259.4999, na eventualidade de superada a preliminar, o ora defendente sustenta que nada é devido a titulo de Fl. 320DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA 16 contribuições retidas e não repassadas, no caso destes autos, restritas ao décimo terceiro de 2007. O que foi reconhecido como devido pelo contribuinte, foi efetivamente retido de seus empregados, e, repassado aos cofres públicos • previdenciários. Aponta o fisco de forma genérica que, relativamente ao décimo terceiro de 2007, não houve a declaração/GFIP. Ora, se não houve a declaração/GFIP era em razão de não serem tais valores devidos, e, se eram indevidos, recolhimentos não ocorreram. De qualquer forma, fica a impugnação completa firmada pelo contribuinte quanto ao passivo levantado, por não ser ele devido. Em primeiro lugar, independente do julgamento de ter ou não a entidade direito a isenção de contribuições, dito fato em nada interfere no resultado dos fatos geradores descritos no processo em questão. A obrigação da empresa em reter e repassar à Previdência Social os valores das contribuições retidas independe na condição de entidade isenta. Isto posto, competiria a recorrente demonstrar a improcedência dos fatos geradores, o que digase não é feito por mera argumentação desprovida de elementos de prova. Não apresentou o recorrente a guia com o recolhimento das contribuições retidas sobre o 13 salário, o que torna válido o lançamento efetuado, uma vez que não fez prova da sua regularidade. O auditor em seu relatório deixou claro do que se tratava o AI, bastando para determinar sua improcedência, a apresentação da GPS correspondente. Trata o presente Auto de Infração de contribuições previdenciérias que foram descontadas dos segurados empregados quando do pagamento do 13 °. salário de 2007 pela empresa, e que não foram recolhidas, nem declaradas em GFIP. 4. No lançamento do valor apurado referente a Segurados, foram deduzidos os valores pagos pela empresa a titulo de SalárioMaternidade. 5. 0 lançamento referese A competência 13/2007, com débito consolidado em 28/04/2010, no valor de R$ 104.107,20. 6. Tal procedimento por parte da empresa, caracteriza em tese, crime contra a Seguridade Social, previsto no inciso I , parágrafo 1°, do artigo 168A , da Parte Especial do Decreto Lei N°2.848, de 07.12.1940 —Código Penal Brasileiro — com as alterações introduzidas pela Lei N°9.983, de 14.07.2000, e será objeto de Representação Fiscal para Fins Penais. Notese que a fl. 07 do Processo n° 16095.000203/201012 DEBCAD n° 37.259.4999, consta a relação de todas as GPS apresentadas, sendo que não consta recolhimento para a competência 13/2007, nem mesmo identificase recolhimento a maior em 12/2006, para cobrir os valores da contribuição do 13 salário (já que muitas vezes, por equivoco, o contribuinte recolhe junto com a competência dezembro. Estando portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA Processo nº 16095.000201/201015 Acórdão n.º 2401002.807 S2C4T1 Fl. 10 17 Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da Decisão de primeira instância, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO DOS RECURSOS (Processo 16095.000201/201015, DEBCAD n. 37.227.3432;Processo n° 16095.000202/201060 DEBCAD n° 37.259.4980 e Processo n° 16095.000203/201012 DEBCAD n° 37.259.4999), para no mérito NEGARLHES PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA 18 Voto Vencedor Não obstante as sempre bem fundamentadas razões de fato e de direito da ilustre Conselheira Relatora, ouso divergir de seu entendimento, por vislumbrar na hipótese vertente conclusão diversa da adotada no voto encimado, somente em relação aos processos n°s 16095.000201/201015 (DEBCAD n° 37.227.3432 – Parte Empresa) e 16095.000202/201060 (DEBCAD n° 37.259.4980 – Parte destinada a Terceiros), capaz de ensejar a decretação da improcedência do feito, como passaremos a demonstrar. De início, impende registrar que acompanhamos as conclusões da Relatora, relativamente ao processo n° 16095.000203/201012 (DEBCAD n° 37.259.4999), um vez exigir contribuições previdenciárias concernentes à parte dos segurados, não surtindo qualquer efeito a condição de entidade isenta da contribuinte. Afora as alegações no sentido de que faz jus ao direito adquirido ou mesmo quanto à pretensa nulidade do auto de infração e à aplicabilidade do artigo 14 do CTN em detrimento do artigo 55 da Lei nº 8.212/91, a contribuinte, por ocasião da sustentação oral, suscitou fato novo, escorado na legislação de regência hodierna, que nos fez refletir sobre a matéria, sobretudo em relação ao procedimento a ser adotado na constituição de créditos tributários/previdenciários de entidades isentas ou aquelas que assim se enquadram, a partir da edição da Lei nº 12.101, de 27 de Novembro de 2009. Antes mesmo de contemplar as razões meritórias propriamente ditas, impende trazer à baila breve evolução dos dispositivos constitucionais/legais que regulamentam a matéria, com o fito de melhor elucidar a questão posta nos autos. Destarte, o artigo 195, § 7º da Constituição Federal, ao conceder o direito à isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, assim prescreveu: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.” Como se verifica, o dispositivo constitucional encimado é por demais enfático ao determinar que somente terá direito à isenção em epígrafe as entidades que atenderem as exigência definidas em lei. Ou seja, a CF deixou a cargo do legislador ordinário estipular as regras para concessão de tal benefício, a sua regulamentação. Por sua vez, o artigo 55 da Lei nº 8.212/91, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, veio aclarar referida matéria, estabelecendo que somente fará jus à isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, a contribuinte/entidade que cumprir, cumulativamente, todos os requisitos ali elencados, senão vejamos: “Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: Fl. 323DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA Processo nº 16095.000201/201015 Acórdão n.º 2401002.807 S2C4T1 Fl. 11 19 I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido.” Após a unificação das Secretarias das Receitas Previdenciária e Federal, em Receita Federal do Brasil (“Super Receita”), as contribuições previdenciárias passaram a ser administradas pela RFB que, em curto lapso temporal, compatibilizou os procedimentos fiscalizatórios e, por conseguinte, de constituição de créditos tributários, estabelecendo, igualmente, para a fruição da isenção da cota patronal dos tributos em epígrafe novos regramentos a serem observados pelos contribuintes e autoridades fazendárias. De início, registrase a edição da Medida Provisória nº 446/2008, que dispôs sobre a certificação das entidades beneficentes de assistência social e procedimentos a serem adotados com a finalidade de sua obtenção objetivando fazer jus à isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, apartando os campos de atuação da entidade para efeito de usufruto do benefício fiscal (Saúde, Educação e Assistência Social), estabelecendo, ainda, a competência para análise do cumprimento dos requisitos legais para concessão e cancelamento de referida certificação. Dentre as alterações que causaram maior discussão, destacamse os preceitos contidos no artigo 37 da MP nº 446/2008, que assim estabeleceu: “Art. 37. Os pedidos de renovação de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social protocolizados, que ainda não tenham sido objeto de julgamento por parte do CNAS até a data de publicação desta Medida Provisória, consideramse deferidos. Parágrafo único. As representações em curso no CNAS propostas pelo Poder Executivo em face da renovação referida no caput ficam prejudicadas, inclusive em relação a períodos anteriores.” Posteriormente, fora editada a Lei nº 12.101, de 27/11/2009, igualmente, contemplando os requisitos para fruição da isenção da cota patronal, bem como os procedimentos para obtenção e cancelamento da certificação de entidades beneficentes de assistência social. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA 20 Relativamente ao tema posto em debate, mister ressaltar o disposto nos artigos 31 e 32 daquele Diploma Legal, constantes da Seção II – “Do Reconhecimento e da Suspensão do Direito à Isenção”, que assim prescrevem: “Art. 31. O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, desde que atendido o disposto na Seção I deste Capítulo. Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § 1o Considerarseá automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2o O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente.” Repousa exatamente nos dispositivos encimados a discussão aventada pela contribuinte e que nos fez repensar sobre o tema, para lhe conferir direito, senão vejamos. Como se observa, com o advento da Lei nº 12.101/2009, o procedimento fiscal tendente a verificar o cumprimento dos requisitos do favor legal que ora cuidamos fora submetido a nova ordem, passando a entidade a usufruir da isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias a partir da publicação da concessão da certificação, conquanto que observados os demais pressupostos para tanto, inseridos na Seção I da mesma Lei. Por seu turno, rechaçando os atos cancelatórios, determinouse que a fiscalização e a eventual constatação do descumprimento dos requisitos do benefício fiscal em comento deveria ser formalizada com a lavratura do auto de infração, contendo relatório demonstrando a inobservância de tais pressupostos em relação ao período objeto da fiscalização. Extraise daí a celeuma que permeia a presente demanda. De um lado, a autoridade lançadora achou por bem reenquadrar a entidade como não isenta, desconsiderando o seu autoenquadramento naquela condição, inferindo para tanto simplesmente que assim procedeu em razão da emissão de Ato Cancelatório nº 21.625/001/1999. Em outra via, pretende a contribuinte seja decretada a insubsistência do feito, aduzindo para tanto que a autoridade fiscal deveria ter observado os novos procedimentos contemplados pela Lei nº 12.101/2009, entendimento compartilhado por este Conselheiro. Isto porque, o artigo 144, parágrafo 1º, do Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a aplicação da legislação no tempo, é por demais enfático ao preceituar que deverá ser aplicado ao lançamento legislação posterior à ocorrência dos fatos geradores quando tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ou seja, novos procedimentos fiscalizatórios, in verbis: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA Processo nº 16095.000201/201015 Acórdão n.º 2401002.807 S2C4T1 Fl. 12 21 § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Foi precisamente o que ocorrera no caso vertente. Destarte, em que pese a ação fiscal terse iniciado em 30/09/2009, consoante Termo de Início de Procedimento Fiscal, fora conduzido basicamente após a edição da Lei nº 12.101/2009, uma vez que o Termo de Intimação Fiscal nº 01, somente fora expedido em 31/03/2010, com ciência em 05/04/2010, ressaltando, ainda, que o lançamento somente fora consolidado/efetuado em 05/05/2010, com a ciência da contribuinte constante da folha de rosto do Auto de Infração. Com o fito de rechaçar qualquer dúvida quanto à matéria, impende suscitar que o próprio Decreto nº 7.237, de 20/07/2010, o qual regulamentou a Lei nº 12.101/2009, encampou tal entendimento ao determinar que os Atos Cancelatórios e Pedidos de Isenção pendentes de julgamento deveriam ser remetidos para as Delegacias da Receita Federal competentes, com a finalidade de verificação do cumprimento dos requisitos da isenção, consoante se infere dos artigos 44 e 45, que assim preceituam: “Art. 44. Os pedidos de reconhecimento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção, de acordo com a legislação vigente no momento do fato gerador. Parágrafo único. Verificado o direito à isenção, certificarseá o direito à restituição do valor recolhido desde o protocolo do pedido de isenção até a data de publicação da Lei no 12.101, de 2009. Art. 45. Os processos para cancelamento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção na forma do rito estabelecido no art. 32 da Lei no 12.101, de 2009, aplicada a legislação vigente à época do fato gerador.” Melhor elucidando, se o próprio Decreto que regulamentou a Lei nº 12.101/2009, na linha do disposto no artigo 144, parágrafo 1º, do CTN, contemplou a retroatividade dos novos procedimentos para verificação da observância dos pressupostos para fruição da isenção da cota patronal para os processos contemplando pedidos de isenção e cancelamento ainda pendentes de julgamentos, quiçá para os casos de ação fiscal em curso, como aqui se vislumbra. E mais, se os Atos Cancelatórios ainda pendentes de julgamentos perderam os efeitos e objeto, com a determinação da remessa às unidades da Receita Federal de origem, Fl. 326DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA 22 para nova análise do cumprimento dos requisitos da isenção, não se pode admitir que um Ato Cancelatório, dos idos de 1999, possa repercutir no processo em referência. Mister ressaltar, porém, que somente os procedimentos fiscalizatórios posteriores ao advento da Lei nº 12.101/2009 deverão observar os novos regramentos inseridos naquele Diploma legal, devendo verificar, no entanto, os requisitos do benefício fiscal em comento de acordo com a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores. Em outras palavras, a questão procedimental deverá observar a legislação hodierna inscrita na Lei nº 12.101/2009, mas a questão material (os pressupostos em si da isenção) deve observância aos dispositivos legais vigentes à época dos fatos geradores. Com mais especificidade, não é demais lembrar que o entendimento estampado acima, se aplica exclusivamente aos novos procedimentos, iniciados ou já em curso após o advento da Lei nº 12.101/2009, não alcançado, portanto, aqueles que se findaram antes da edição de referida lei, mesmo porque as autoridades fazendárias não poderiam adivinhar os novos regramentos que seriam contemplados pela legislação futura. A propósito da matéria, dissertou com muita propriedade o ilustre Conselheiro Marco André Ramos Vieira, reconhecendo a aplicabilidade da Lei nº 12.101/2009 retroativamente aos fatos geradores anteriores à edição de referido Diploma legal, sobretudo no que tange as normas procedimentais, nos termos do artigo 144, § 1º, do CTN, conforme se depreende do julgado exarado nos autos do processo administrativo nº 10120.002408/201093, com sua ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. REGIME JURÍDICO. O direito à isenção de contribuições previdenciárias de que trata o §7° do art. 195 da Constituição Federal foi regulamentado pelo art. 55 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, conforme sacramentado pelo Comunicado do Senado Federal SM/N° 805/91, de 12 de agosto de 1991. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PATRONAIS. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. PERDA DO DIREITO À ISENÇÃO. A percepção direta ou indireta de remuneração, vantagens ou benefícios, sob qualquer forma ou título, pelos diretores, conselheiros, sócios, instituidores, benfeitores, ou equivalentes, de Entidade Beneficente de Assistência Social, implica a suspensão automática do direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 da Lei nº 12.101/2009, durante o período em que se constatar o descumprimento do requisito essencial em apreço, devendo a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrar o auto de infração relativo ao período correspondente. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre Fl. 327DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA Processo nº 16095.000201/201015 Acórdão n.º 2401002.807 S2C4T1 Fl. 13 23 matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Recurso Voluntário Negado.” (Acórdão nº 230201.597 – 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª SJ do CARF – Sessão de 19/01/2012) (grifamos) Na esteira desse entendimento, tendo a fiscalização que culminou com a lavratura dos presentes autos de infração transcorrido após a vigência da Lei nº 12.101/2009, inclusive, com o seu 1º Termo de Intimação Fiscal sido cientificado ao contribuinte bem após a vigência daquela lei, em 05/04/2010, deveria ter observado os procedimentos ali inscritos, exigindo um aprofundamento maior na matéria, ao rechaçar a condição de entidade isenta (autoenquadrada), dissertando a propósito dos pressupostos legais da isenção que teriam sido inobservados e para quais períodos. Assim não o tendo feito, na forma que determina a legislação de regência, não há como prosperar os lançamentos fiscais consubstanciados nos processos n°s 16095.000201/201015 (DEBCAD n° 37.227.3432 – Parte Empresa) e 16095.000202/201060 (DEBCAD n° 37.259.4980 – Parte destinada a Terceiros). Por todo o exposto, estando os Autos de Infração sub examine em dissonância com as normas legais que regulamentam o tema, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE E DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, decretando a insubsistência dos créditos previdenciários exigidos nos autos dos processos n°s 16095.000201/201015 (DEBCAD n° 37.227.3432 – Parte Empresa) e 16095.000202/201060 (DEBCAD n° 37.259.4980 – Parte destinada a Terceiros), pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA
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