Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,808)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,881)
- Primeira Turma Ordinária (16,417)
- Primeira Turma Ordinária (16,224)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,171)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,198)
- Terceira Câmara (67,866)
- Segunda Câmara (56,637)
- Primeira Câmara (20,749)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,702)
- Segunda Seção de Julgamen (115,207)
- Primeira Seção de Julgame (77,078)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,966)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,573)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,612)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,680)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10580.728729/2009-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO BOLSA DE ESTUDO DE DEPENDENTE INCIDÊNCIA
DE CONTRIBUIÇÃO
Não incidem contribuições previdenciárias nas verbas pagas à título de bolsas de estudo, somente quando estas são destinadas aos empregados e dirigentes, não sendo extensivo tal benefícios aos dependentes destes.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.524
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201206
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO BOLSA DE ESTUDO DE DEPENDENTE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO Não incidem contribuições previdenciárias nas verbas pagas à título de bolsas de estudo, somente quando estas são destinadas aos empregados e dirigentes, não sendo extensivo tal benefícios aos dependentes destes. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 10580.728729/2009-61
conteudo_id_s : 5208866
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 12 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2401-002.524
nome_arquivo_s : Decisao_10580728729200961.pdf
nome_relator_s : MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
nome_arquivo_pdf_s : 10580728729200961_5208866.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
id : 4556230
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:58:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041395245121536
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1540; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 231 1 230 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.728729/200961 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401002.524 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de junho de 2012 Matéria SALÁRIO INDIRETO Recorrente PJTA EDUCACIONAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO BOLSA DE ESTUDO DE DEPENDENTE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO Não incidem contribuições previdenciárias nas verbas pagas à título de bolsas de estudo, somente quando estas são destinadas aos empregados e dirigentes, não sendo extensivo tal benefícios aos dependentes destes. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Kleber Ferreira de Araújo; Igor de Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 18/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA 2 Relatório Tratase de auto de Infração por descumprimento de obrigação principal, lavrado contra o contribuinte acima identificado, referente a contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração de empregados, contribuição relativa à parte dos segurados. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 44 a 55, as contribuições ora lançadas incidem sobre os valores das bolsas de estudos concedidas aos filhos dos segurados empregados e dirigentes da empresa. Ainda de acordo com o relatório, as bases de cálculo foram obtidas através da relação nominal dos alunos que recebiam bolsas e estão anexadas nas planilhas de fls. 103/114. Inconformada com a decisão de fls. 175/185, a empresa apresentou recurso onde alega em apertada síntese; Que bolsa de estudos paga aos dependentes dos trabalhadores não representa ganho econômico ao empregado e, ainda que assim o fosse, não seriam eles habituais, o que impede a concretização da regra matriz de incidência tributária; Defende que os valores lançados não representam ganhos financeiros para os empregados, mas, sim, para o Estado, a quem a Constituição Federal impôs o dever de prover ensino infantil e fundamental a todos os cidadãos; Afirma que a Consolidação das Leis do Trabalho CLT dispõe expressamente que a educação concedida sob a forma de matrícula, mensalidade, material didático , em estabelecimento próprio ou de terceiro, não deve ser considerada como salário. É o que se depreende da leitura do já citado artigo 458 da CLT, segundo o qual não será considerada como salário a seguinte utilidade concedidas pelo empregador: (...) "educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático". Que a isenção prevista no artigo 28, §9°, "t" da Lei 8.212/91 abarca também os supostos ganhos obtidos com bolsas de estudo concedidas a dependentes dos empregados das pessoas jurídicas. No que se refere à interpretação literal das normas isentivas, impendese esclarecer o real significado da expressão "interpretase literalmente" contida no artigo 111 do CTN. Interpretar uma norma de forma literal não significa restringir a interpretação, mas sim interpretar com liberdade sem violar o comando da norma, de forma capaz de garantir a finalidade à qual a norma se propõe dentro do ordenamento jurídico em que foi e em que se encontra inserida. Entende que o artigo 28, § 9º da Lei no 8.212/91, retira da prestação educacional concedida pelo empregador qualquer natureza salarial e, levando em consideração a natureza assistencial da prestação de ensino concedida pela Recorrente, no lugar do Estado, não há como se caracterizar a educação dos dependentes de professores e empregados como salário indireto, mesmo porque a utilidade concedida não objetivou remunerálos, efetivamente, pois o valor da bolsa não é deduzido do salário. Cita doutrina e jurisprudência para defender este entendimento. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 18/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 10580.728729/200961 Acórdão n.º 2401002.524 S2C4T1 Fl. 232 3 Requer o acolhimento do recurso para reformar a decisão de primeira instância ante patente não incidência de contribuições previdenciárias sobre as bolsas de estudos concedidas aos dependentes dos empregados, por não representarem ganhos, não serem habituais e por estarem abarcadas pela isenção prevista no art. 28, § 9º, “t” da Lei 8212/91. É o relatório. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 18/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA 4 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Inicialmente cumpre esclarecer que, em regra geral, as bolsas de estudo fornecidas pelas empresas aos dependentes de seus empregados e dirigentes, não sofrem incidência de contribuição previdenciária. Porém, esta não é uma regra absoluta, devese atentar a cada caso concreto antes de se chegar a esta conclusão. Pelo que se depreende da planilha de fls 103/114 todas as bolsas de estudo que foram oferecidas aos filhos e dependentes dos empregados. Conforme se depreende do art.214,.§ 9º, inciso XIX: §9º Não integram o salário de contribuição, exclusivamente: (...) XIXo valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; Do mencionado artigo temos que as verbas que não sofrem incidência de contribuições são aquelas relativas aos valores pagos à título de bolsas, somente aos empregados e dirigentes, não sendo extensivas aos dependentes destes. Sobre este assunto, o Superior Tribunal de Justiça, em vários julgados entendeu pela não incidência de contribuições previdenciárias tão somente no que tange aos valores pagos aos empregados, sem mencionar os dependentes, senão vejamos: RECURSO ESPECIAL Nº 784.887 SC (2005/01618537) RELATOR : MINISTRO TEORI ALBINO ZAVASCKI RECORRENTE : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS PROCURADOR : MANOEL FELIPE REGO BRANDAO E OUTROS RECORRIDO : COOPERATIVA REGIONAL AGROPECUÁRIA DE CAMPOS NOVOS LTDA COPERCAMPOS ADVOGADO : ADEMAR SILVA DOS SANTOS E OUTRO EMENTA TRIBUTÁRIO. SALÁRIODE CONTRIBUIÇÃO. VALORES GASTOS COM A EDUCAÇÃO DO EMPREGADO (BOLSAS DE ESTUDO). CARÁTER SALARIAL. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. 1. Os valores despendidos pelo empregador a título de bolsas de estudo destinadas aos empregados não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária (REsp 231.739/SC, Min. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 18/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 10580.728729/200961 Acórdão n.º 2401002.524 S2C4T1 Fl. 233 5 João Otávio de Noronha, 2ª Turma, DJ 12.09.2005; REsp 676.627/PR, 1ª Turma, Min. Luiz Fux, DJ 09.05.2005, REsp 324178/PR, 1ª Turma, Min. Denise Arruda, DJ. 17.02.2004; AgRg no REsp 328602/RS 1ª Turma, Min. Francisco Falcão, DJ.02.12.2002; REsp 365398/RS 1ª Turma, Min. José Delgado, DJ. 18.03.2002). 2. Recurso especial a que se nega provimento E ainda; RECURSO ESPECIAL Nº 676.627 PR (2004/01092736) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : CIMENTO RIO BRANCO S/A ADVOGADO : JOSÉ CARLOS BUSATTO E OUTRO RECORRIDO : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS PROCURADOR : ADILSON LUIZ BOHATCZUK E OUTROS EMENTA PREVIDENCIÁRIO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. VERBAS CREDITADAS A TÍTULO DE AUXÍLIO EDUCAÇÃO E AUXÍLIO MATRIMÔNIO. 1. "O auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba empregada para o trabalho, e não pelo trabalho." (RESP 324.178PR, Relatora Min. Denise Arruda, DJ de 17.12.2004). 2. In casu, o auxílioeducação é pago pela empresa em forma de reembolso das mensalidades da faculdade, cursos de línguas e outros do gênero, destinados ao aperfeiçoamento dos seus empregados. Precedentes: REsp 324178/PR, 1ª T., Rel. Min. Denise Arruda, DJ. 17.02.2004; AgRg no REsp 328602/RS 1ª T., Rel. Min. Francisco Falcão, DJ.02.12.2002; REsp 365398/RS 1ª T., Rel. Min. José Delgado, DJ. 18.03.2002. 3. O auxílio matrimônio, fornecido uma única vez ao empregado, por ocasião de suas primeiras núpcias, não integra o saláriode contribuição, porquanto ausente a habitualidade do seu pagamento. 4. Recurso Especial provido. Desta forma, ainda que a recorrente apele para o caráter social do fato gerador em comento, a legislação e a jurisprudência não tem corroborado com tal entendimento. Logo, temos que a não incidência de contribuição sobre as verbas pagas a título de bolsa de estudo, devem cumprir outros requisitos, em especial, o de ser expressamente desvinculado do salário e concedido ao empregado ou dirigente. Ao realizar o pagamento das referidas bolsas, a recorrente não observou o preceito legal de que tais verbas deveriam ser pagas aos empregados e dirigentes, para o Fl. 235DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 18/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA 6 aprimoramento, capacitação e qualificação dos profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, não aos dependentes destes. Ante ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO e no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 236DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 18/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
score : 1.0
Numero do processo: 10882.003318/2007-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
Omissão de Receitas. Relatórios Gerenciais. Comprovada, em relatórios gerenciais, as receitas auferidas mensalmente na atividade da empresa, procedente configura-se a imputação de omissão de receitas se apurada divergências com as receitas escrituradas e declaradas ao Fisco.
MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Provado que cerca de metade das receitas auferidas na atividade eram, reiterada e sistematicamente, omitidas na escrituração comercial e nas declarações apresentadas ao Fisco, configurado está o evidente intuito de fraude, na medida em que, mediante tal procedimento, a contribuinte visava justamente a impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores ocorridos ao longo do ano-calendário, de modo a evitar o pagamento dos tributos devidos.
DECADÊNCIA.DOLO.FRAUDE.SIMULAÇÃO.
Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
RECURSO DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA . SÓCIOS ADMINISTRADORES.
Não existe na legislação tributária hipótese de atribuição direta de responsabilidade solidária aos sócios administradores das pessoas jurídicas.
Nos termos da legislação em vigor, tanto nos casos do art. 124, como dos arts. 135 e 137, todos do CTN, há necessidade de comprovação de fato jurídico tributário, distinto da ocorrência do fato gerador, capaz de permitir a inclusão dos sócios e/ou administradores no pólo passivo da relação jurídica tributaria.
No caso do art. 124 do CTN, é necessária a identificação da hipótese normativa aplicável ao caso concreto: (i) o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal as pessoas que tenham; ou (ii) a expressa previsão na legislação ordinária.
Verificada a ocorrência de interesse comum, para fundamentar a atribuição de responsabilidade solidária aos administradores, deve a fiscalização constituir tal fato jurídico no lançamento, mediante a competente descrição dos fatos, corroborada pelas provas cabíveis.
ESTIMATIVA. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA A falta ou insuficiência de recolhimento das estimativas mensais, decorrente do cometimento de infração tributária, implica na multa de 50%, aplicada isoladamente, sobre o valor que deixou de ser recolhido a título de estimativa.
MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. INCIDÊNCIA.
A multa de ofício.exigida por falta de pagamento dos tributos devidos na apuração anual, e a multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de cálculo estimadas, têm hipóteses de incidência e bases de cálculo distintas. De acordo com as expressas disposições legais, a incidência de multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de cálculo estimadas, é completamente autônoma em relação à obrigação tributária principal a ser constituída, ou não, no final do período.
LANÇAMENTOS REFLEXOS.
Por estarem sustentados na mesma matéria fática, os mesmos fundamentos devem nortear a manutenção parcial das exigências lançadas por via reflexa.
Numero da decisão: 1401-000.434
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de decadência e, preliminarmente, no mérito, considerar válidas as provas da omissão de receitas. Pelo voto de qualidade, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, quanto à integridade do lançamento, vencidos o relator que reconhecia a redução da base de cálculo do IRPJ e CSLL no montante dos custos referentes à importação subfaturada, assim como do PIS e COFINS lançados, e os conselheiros Alexandre Antônio Alkmim Teixeira e Karem Jureidini Dias, que reconheciam a nulidade do auto de infração por entenderem caracterizada hipótese de arbitramento. Por unanimidade de votos, quanto à multa qualificada, negar provimento ao recurso voluntário. Pelo voto de qualidade, no tocante à multa isolada, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos o relator e a Conselheira Karem Jureidini Dias, que afastavam a multa até o limite do tributo devido e o Conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, que a exonerava totalmente. Designado o Conselheiro Antônio Bezerra Neto para redigir o voto vencedor. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Farão declaração de voto os conselheiros Alexandre Antônio Alkmim Teixeira e Karem Jureidini Dias.
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maurício Pereira Faro- Relator.
(assinado digitalmente)
Antônio Bezerra Neto - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Karem Jureidini Dias, Fernando Luiz Gomes de Mattos.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201101
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 Omissão de Receitas. Relatórios Gerenciais. Comprovada, em relatórios gerenciais, as receitas auferidas mensalmente na atividade da empresa, procedente configura-se a imputação de omissão de receitas se apurada divergências com as receitas escrituradas e declaradas ao Fisco. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Provado que cerca de metade das receitas auferidas na atividade eram, reiterada e sistematicamente, omitidas na escrituração comercial e nas declarações apresentadas ao Fisco, configurado está o evidente intuito de fraude, na medida em que, mediante tal procedimento, a contribuinte visava justamente a impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores ocorridos ao longo do ano-calendário, de modo a evitar o pagamento dos tributos devidos. DECADÊNCIA.DOLO.FRAUDE.SIMULAÇÃO. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. RECURSO DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA . SÓCIOS ADMINISTRADORES. Não existe na legislação tributária hipótese de atribuição direta de responsabilidade solidária aos sócios administradores das pessoas jurídicas. Nos termos da legislação em vigor, tanto nos casos do art. 124, como dos arts. 135 e 137, todos do CTN, há necessidade de comprovação de fato jurídico tributário, distinto da ocorrência do fato gerador, capaz de permitir a inclusão dos sócios e/ou administradores no pólo passivo da relação jurídica tributaria. No caso do art. 124 do CTN, é necessária a identificação da hipótese normativa aplicável ao caso concreto: (i) o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal as pessoas que tenham; ou (ii) a expressa previsão na legislação ordinária. Verificada a ocorrência de interesse comum, para fundamentar a atribuição de responsabilidade solidária aos administradores, deve a fiscalização constituir tal fato jurídico no lançamento, mediante a competente descrição dos fatos, corroborada pelas provas cabíveis. ESTIMATIVA. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA A falta ou insuficiência de recolhimento das estimativas mensais, decorrente do cometimento de infração tributária, implica na multa de 50%, aplicada isoladamente, sobre o valor que deixou de ser recolhido a título de estimativa. MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. INCIDÊNCIA. A multa de ofício.exigida por falta de pagamento dos tributos devidos na apuração anual, e a multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de cálculo estimadas, têm hipóteses de incidência e bases de cálculo distintas. De acordo com as expressas disposições legais, a incidência de multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de cálculo estimadas, é completamente autônoma em relação à obrigação tributária principal a ser constituída, ou não, no final do período. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Por estarem sustentados na mesma matéria fática, os mesmos fundamentos devem nortear a manutenção parcial das exigências lançadas por via reflexa.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10882.003318/2007-01
anomes_publicacao_s : 201304
conteudo_id_s : 5209869
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1401-000.434
nome_arquivo_s : Decisao_10882003318200701.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : MAURICIO PEREIRA FARO
nome_arquivo_pdf_s : 10882003318200701_5209869.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de decadência e, preliminarmente, no mérito, considerar válidas as provas da omissão de receitas. Pelo voto de qualidade, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, quanto à integridade do lançamento, vencidos o relator que reconhecia a redução da base de cálculo do IRPJ e CSLL no montante dos custos referentes à importação subfaturada, assim como do PIS e COFINS lançados, e os conselheiros Alexandre Antônio Alkmim Teixeira e Karem Jureidini Dias, que reconheciam a nulidade do auto de infração por entenderem caracterizada hipótese de arbitramento. Por unanimidade de votos, quanto à multa qualificada, negar provimento ao recurso voluntário. Pelo voto de qualidade, no tocante à multa isolada, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos o relator e a Conselheira Karem Jureidini Dias, que afastavam a multa até o limite do tributo devido e o Conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, que a exonerava totalmente. Designado o Conselheiro Antônio Bezerra Neto para redigir o voto vencedor. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Farão declaração de voto os conselheiros Alexandre Antônio Alkmim Teixeira e Karem Jureidini Dias. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner - Presidente. (assinado digitalmente) Maurício Pereira Faro- Relator. (assinado digitalmente) Antônio Bezerra Neto - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Karem Jureidini Dias, Fernando Luiz Gomes de Mattos.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 26 00:00:00 UTC 2011
id : 4556337
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:58:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041395252461568
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 45; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2557; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.003318/200701 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1401000.434 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2011 Matéria IRPJ e Reflexos Recorrentes NSCA Indústria, Comércio, Exportação e Importação Ltda. Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 Omissão de Receitas. Relatórios Gerenciais. Comprovada, em relatórios gerenciais, as receitas auferidas mensalmente na atividade da empresa, procedente configurase a imputação de omissão de receitas se apurada divergências com as receitas escrituradas e declaradas ao Fisco. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Provado que cerca de metade das receitas auferidas na atividade eram, reiterada e sistematicamente, omitidas na escrituração comercial e nas declarações apresentadas ao Fisco, configurado está o evidente intuito de fraude, na medida em que, mediante tal procedimento, a contribuinte visava justamente a impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores ocorridos ao longo do anocalendário, de modo a evitar o pagamento dos tributos devidos. DECADÊNCIA.DOLO.FRAUDE.SIMULAÇÃO. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. RECURSO DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA . SÓCIOS ADMINISTRADORES. Não existe na legislação tributária hipótese de atribuição direta de responsabilidade solidária aos sócios administradores das pessoas jurídicas. Nos termos da legislação em vigor, tanto nos casos do art. 124, como dos arts. 135 e 137, todos do CTN, há necessidade de comprovação de fato jurídico tributário, distinto da ocorrência do fato gerador, capaz de permitir a inclusão dos sócios e/ou administradores no pólo passivo da relação jurídica tributaria. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 33 18 /2 00 7- 01 Fl. 1342DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado d igitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10882.003318/200701 Acórdão n.º 1401000.434 S1C4T1 Fl. 3 2 No caso do art. 124 do CTN, é necessária a identificação da hipótese normativa aplicável ao caso concreto: (i) o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal as pessoas que tenham; ou (ii) a expressa previsão na legislação ordinária. Verificada a ocorrência de interesse comum, para fundamentar a atribuição de responsabilidade solidária aos administradores, deve a fiscalização constituir tal fato jurídico no lançamento, mediante a competente descrição dos fatos, corroborada pelas provas cabíveis. ESTIMATIVA. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA A falta ou insuficiência de recolhimento das estimativas mensais, decorrente do cometimento de infração tributária, implica na multa de 50%, aplicada isoladamente, sobre o valor que deixou de ser recolhido a título de estimativa. MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. INCIDÊNCIA. A multa de ofício.exigida por falta de pagamento dos tributos devidos na apuração anual, e a multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de cálculo estimadas, têm hipóteses de incidência e bases de cálculo distintas. De acordo com as expressas disposições legais, a incidência de multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de cálculo estimadas, é completamente autônoma em relação à obrigação tributária principal a ser constituída, ou não, no final do período. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Por estarem sustentados na mesma matéria fática, os mesmos fundamentos devem nortear a manutenção parcial das exigências lançadas por via reflexa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de decadência e, preliminarmente, no mérito, considerar válidas as provas da omissão de receitas. Pelo voto de qualidade, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, quanto à integridade do lançamento, vencidos o relator que reconhecia a redução da base de cálculo do IRPJ e CSLL no montante dos custos referentes à importação subfaturada, assim como do PIS e COFINS lançados, e os conselheiros Alexandre Antônio Alkmim Teixeira e Karem Jureidini Dias, que reconheciam a nulidade do auto de infração por entenderem caracterizada hipótese de arbitramento. Por unanimidade de votos, quanto à multa qualificada, negar provimento ao recurso voluntário. Pelo voto de qualidade, no tocante à multa isolada, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos o relator e a Conselheira Karem Jureidini Dias, que afastavam a multa até o limite do tributo devido e o Conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, que a exonerava totalmente. Designado o Conselheiro Antônio Bezerra Neto para redigir o voto vencedor. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Farão declaração de voto os conselheiros Alexandre Antônio Alkmim Teixeira e Karem Jureidini Dias. Fl. 1343DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado d igitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10882.003318/200701 Acórdão n.º 1401000.434 S1C4T1 Fl. 4 3 (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Presidente. (assinado digitalmente) Maurício Pereira Faro Relator. (assinado digitalmente) Antônio Bezerra Neto Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Karem Jureidini Dias, Fernando Luiz Gomes de Mattos. Fl. 1344DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado d igitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10882.003318/200701 Acórdão n.º 1401000.434 S1C4T1 Fl. 5 4 Relatório Trata de recurso voluntário que julgou procedente o auto de infração e de recurso de ofício em razão do afastamento da imputação de responsabilidade solidária aos sóciosadministradores. Por economia processual transcrevo o relatório elaborado pelo órgão julgador a quo: Tratase de autos de infração à legislação do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas —IRPJ, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, e das Contribuições para o Programa de Integração Social — PIS e o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, que constituíram o crédito tributário no montante de R$125.208.594,06, incluídos o principal, a multa de ofício qualificada, os juros de mora e as multas e juros isolados, devidos até a data da lavratura, tendo em conta a apuração, no anocalendário de 2002, das irregularidades assim descritas no Termo de Constatação de fls. 975/985, parte integrante da peça acusatória: "No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, com base nos arts. 904, 905, 911, 927 e 928 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda), e em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 08.1.13.00 2007002459, constatamos o seguinte: 1 AÇÃO FISCAL A ação fiscal teve início em 14/06q07, quando o sujeito passivo tomou ciência do Mandado de Procedimento Fiscal e do Termo de Início da Ação Fiscal. Através do citado Termo intimamos o sujeito passivo a fornecer, no prazo de 20 (vinte) dias contados da ciência, informações visando a análise do !RN relativo aos anoscalendário 2002 a 2004 e ao IRRF relativo aos anoscalendário 2003 e 2004. Entre outros documentos foram solicitados os Livros Diário e Razão do período 2002 a 2004, arquivos magnéticos do referido período contendo os lançamentos contábeis e de saldos mensais, nos moldes da IN SRF n° 86/01 e Ato Declaratório Executivo Cofis n°15/01, cópia do Contrato Social vigente em 01/01/02 e alterações contratuais posteriores, assim como declaração Fl. 1345DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado d igitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10882.003318/200701 Acórdão n.º 1401000.434 S1C4T1 Fl. 6 5 informando a totalidade das ações judiciais, que porventura o sujeito passivo tivesse impetrado, relativamente a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. Em correspondência datada de 10/07/07, recebida em 11/07/07, o sujeito passivo forneceu apenas cópia do contrato social consolidado em 12/0802, alterações contratuais até a data de 08/02/07 e atas de reunião dos sócios quotistas nas datas de 02/02/04, 06/04/05, 15/03/06 e 18/09/06. Relativamente aos demais itens solicitados o sujeito passivo requereu prazo adicional de 60 (sessenta) dias para sua apresentação, uma vez que muitos foram apreendidos por ocasião da operação Narciso, sendo que parte deles estão em poder da própria Receita Federal'. Em 12107107 lavramos o Termo de Intimação Fiscal n° 01, cuja ciência pelo sujeito passivo ocorreu na mesma data, indeferindo a extensão de 60 (sessenta) dias no prazo para atendimento dos itens solicitados no Termo de Início da Ação Fiscal, reintimando o sujeito passivo a apresentar os itens faltantes no prazo de 10 (dez) dias e intimandoo a apresentar cópia das demonstrações financeiras analíticas relativas aos exercícios encerrados em 31/12102, 31/12103 e 31/12104. Em correspondência datada de 02/08/07, recebida na mesma data, o sujeito passivo informou que 'não possui ações intentadas contra a Fazenda Nacional União Federal, questionando tributos e/ou contribuições'. No mesmo documento informou que 'os livros solicitados foram apreendidos pela operação Narciso, conforme comprova documento anexo Ofício n° 000333/06 GABIIRFISPO'. Referido ofício, datado de 24/03/06, dirigido à Dra. Maria Isabel do Prado, juíza da 2°. Vara Federal em Guarulhos, Si', pela Inspetoria da Receita Federal em São Paulo, solicita sejam fornecidas àquele órgão da RFB cópias de diversos documentos apreendidos, entre os quais os Livros Diário dos anos 2002 a 2004 e o Livro Razão do ano 2004. O sujeito passivo forneceu, ainda, CD contendo os arquivos magnéticos correspondentes aos Livros Diário e Razão do período 2002 a 2004, assim como cópia impressa das demonstrações financeiras dos mencionados períodos. Em 28/08/07 lavramos o Termo de Intimação Fiscal n° O2 cuja ciência pelo sujeito passivo ocorreu em 31/08/07, para, entre outros itens, registrar que embora os arquivos magnéticos fornecidos não correspondessem às especificações da IN 512F n° 86/01 e Anexo Úonic ao Ato Declaratório Executivo COFIS n° 15/01, atendiam às necessidades iniciais da fiscalização, no que dizia respeito Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado d igitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10882.003318/200701 Acórdão n.º 1401000.434 S1C4T1 Fl. 7 6 ao acesso aos dados da escrita contai( do fiscalizado, uma vez que continham os dados do Livro Razão, Livro Diário, Plano de Contas e Balancetes do período 2002 a 2004. No item 11 do Termo de Intimação em referência solicitamos ao sujeito passivo apresentar justificativa, em bases mensais, acompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea, das diferenças constatadas pela fiscalização entre os valores de vendas líquidas declaradas pelo sujeito passivo à RFB, nas DIPJs entregues, e os valores de vendas mensais líquidas de descontos da Daslu, marca comercial do sujeito passivo, contidos no relatório apreendido durante a Operação Narciso, com o titulo Vendas e Margem Bruta 2000 a 2004. Referido relatório contém, entre outros dados, os valores de vendas mensais do período de Janeiro de 2000 a Maio de 2004 e vendas mensais orçadas para o período Julho a Dezembro de 2004. Em 04/09/07 o sujeito passivo protocolizou correspondência solicitando prazo adicional de 15 (quinze) dias para atendimento do Termo de Intimação Fiscal n° 02. Na correspondência datada de 27/09/07, recebida em 28/09/07, o sujeito passivo informou, relativamente ao solicitado no item 11 do mencionado termo, que 'Desconhecemos a origem de tal documento, bem como os números e valores nele constantes, sendo que as receitas auferidas pela fiscalizada nos períodos examinados, são aquelas efetivamente constantes da DIPJ já entregue e constante da escrita fiscal'. Em 08/11/07 o sujeito passivo tomou ciência do Termo de Intimação Fiscal n° 04, no qual a fiscalização faz menção ao arquivo magnético intitulado `Acumulado2004.xls', o qual se encontrava em um dos discos rígidos apreendidos durante a Operação Narciso, para constatar que referido arquivo magnético consiste em diversas planilhas contendo o detalhamento de parte das vendas informadas no relatório com o título Vendas e Margem Bruta 2000 a 2004. Referidas planilhas contêm as vendas realizadas pelas diversas unidades de negócio ou divisões comerciais da Daslu, em bases diárias e totalizadores mensais, do período de Janeiro de 2003 a Dezembro de 2004. No item 2 do Termo de Intimação Fiscal n° 04 solicitamos ao sujeito passivo justificar, em bases mensais, acompanhado de documentação hábil e idônea, as diferenças constatadas pela fiscalização entre os valores de vendas líquidas declaradas pelo sujeito passivo à RFB, na DIPJ do ano calendário 2004, e os valores de vendas mensais do período de Junho a Dezembro de 2004, contidos nas referidas planilhas. No mesmo Termo de Intimação Fl. 1347DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado d igitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10882.003318/200701 Acórdão n.º 1401000.434 S1C4T1 Fl. 8 7 solicitamos a apresentação do último Balancete Patrimonial analítico apurado pelo sujeito passivo, assim como da descrição e valor contábil dos bens integrantes do ativo permanente desse demonstrativo, em especial dos dados pertinentes aos imóveis e veículos. Em correspondência datada de 26/11/07, recebida em 27/11/07, o sujeito passivo respondeu ao intimado no item 2 do Termo de Intimação Fiscal n° 04 para informar que 'A Fiscalizada desconhece a origem de tais documentos, bem como os números e valores neles constantes, sendo que as receitas auferidas por ela nos períodos examinados são aquelas efetivamente constantes da DIPJ já entregue e constante da escrita fiscal'. Em 29/11/07 demos ciência ao sujeito passivo do Mandado de Fiscalização Complementar n° 08.1.13.00200700245 91, o qual incluiu a fiscalização da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL relativa aos anoscalendário 2002 a 2004. Esclarecemos que os Temos e documentos citados neste item são apenas aqueles que guardam relação direta e imediata com a verificação ora relatada. Outros Termos, não expressamente referidos, foram lavrados no curso dos trabalhos de fiscalização, os quais prosseguem. 2 INFRAÇÕES APURADAS 2.1 Considerações Iniciais 2.1.1 Operação Narciso A denominada Operação Narciso consistiu na gama de ações desenvolvidas em conjunto pela Receita Federal, Polícia Federal e Ministério Público Federal, a partir de indícios da prática de infrações tributárias e crimes contra a ordem tributária apurados pela CoordenaçãoGeral de Pesquisas e Investigações COPEI da RFB. As investigações desenvolvidas pela COPE! Culminaram com a execução, em 13/07/05, de Mandados de Busca e Apreensão, expedidos pela 2° Vara da Justiça Federal em Guarulhos, em 32 locais nos Estados do Espírito Santo, São Paulo, Paraná e Santa Catarina Referidos mandados determinavam a 'BUSCA E APREENSÃO de computadores e/ou dados deles constantes e de documentos (de natureza fiscal, contábil ou diversa) que digam respeito à importação e exportação de mercadorias relacionadas à empresa LOMMEL EMPREENDIMENTOS COMERCIAIS S.A., CNPJ 07.205.4281000110, também conhecida como "DASLU", ainda que de forma indireta, ou aos seus sócios ANTONIO CARLOS PIVA DE ALBUQUERQUE, CPF 886.676.69849, e ELIANA MARIA PIVA DE Fl. 1348DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado d igitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10882.003318/200701 Acórdão n.º 1401000.434 S1C4T1 Fl. 9 8 ALBUQUERQUE TRANCHESI, CPF 135.211.17804, destinados à prova de crime de descaminho e/ou crime contra a ordem tributária'. Como resultado da execução dos mandados judiciais, foi apreendida farta documentação, arquivos magnéticos e discos rígidos de computadores. 2.1.2 Lommel Empreendimentos Comerciais S.A. A empresa Lommel, constituída em 31/01/05, com o objeto social inicial de comércio atacadista de artigos do vestuário e acessórios, exceto profissionais e de segurança passou a explorar a marca comercial 'DASLU' anteriormente detida pelo sujeito passivo. De acordo com os contratos sociais do sujeito passivo e consultas à Junta Comercial do Estado de São Paulo JUCESP, à época da execução dos mandados de busca e apreensão os responsáveis pela administração da Lonzmel e do sujeito passivo eram Eliana Maria Piva de Albuquerque Tranchesi, com o cargo de Diretora Presidente, e Antonio Carlos Piva de Albuquerque, com o cargo de Diretor. Nessa data, de acordo com esses documentos, Eliana Tranchesi detinha 40% (quarenta por cento) do capital social do sujeito passivo e, indiretamente, 39,96% (trinta e nove virgula noventa e seis por cento) do capital social da Laminei. Antonio Carlos Piva de Albuquerque detinha 20% (vinte por cento) do capital social do sujeito passivo e, indiretamente, 20% (vinte por cento) do capital social da Lommel. 2. 1.3 Relatório de Vendas Nas operações de busca e apreensão executadas nas dependências da Lommel, situadas na Av. Chedid Jafet, n° 131, na cidade de São Paulo, SP, foi apreendida grande quantidade de documentos relativos à atividade dessa empresa, da Boutique Daslu, denominação anterior do sujeito passivo, e outros com a referência simplesmente à Daslu. Em particular, no 4° andar do edifi'cio, onde se situava a Diretoria Geral, foi apreendido um relatório com o título 'Vendas e Margem Bruta 2000 a 2004 e subtítulos 'Mês: Maio 2004' e 'Diretoria Geral', com 115 folhas impressas, ao qual passamos a nos referir doravante como 'Relatório de Vendas'. Apesar do sujeito passivo, na resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 02, no qual nos referimos ao Relatório de Vendas, alegar que Desconhecemos a origem de tal documento, bem como os números e valores nele constantes, registramos que a apreensão desse documento, juntamente com outros, foi efetuada na presença de Fl. 1349DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado d igitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10882.003318/200701 Acórdão n.º 1401000.434 S1C4T1 Fl. 10 9 testemunhas, relacionado como item 31 do Auto de Apresentação e Apreensão lavrado por escrivães da Polícia Federal, e lacrado com o lacre n° 241806 Referido lacre foi rompido em 09/08/05, conforme Termo de Abertura de Lacre lavrado por Auditor da RFB, seu conteúdo foi devidamente relacionado, na presença de Andrea Menezes Macedo de Souza Aranha, CPF n° 134.561.04839, procuradora do sujeito passivo, como item 1 do anexo ao termo de abertura do lacre. Resta provado, desta forma, que o alegado desconhecimento da origem do Relatório de Vendas pelo sujeito passivo carece de sustentação fática, como demonstram os documentos aqui referidos. Quanto ao conteúdo do Relatório de Vendas, constatamos que se trata de pormenorizado demonstrativo gerencial para acompanhamento da evolução das vendas mensais líquidas de descontos do sujeito passivo e da evolução mensal da margem bruta, por unidade de negócio ou divisão comercial. Contém os dados históricos (vendas realizadas) do período de Janeiro de 2000 a Maio de 2004, data base do Relatório de Vendas, conforme mencionado na folha que o capeia, e os valores de vendas líquidas e margem bruta orçadas para o período Junho a Dezembro de 2004, assim como as quantidades, orçadas e realizadas, de peças mensalmente vendidas. O Relatório de Vendas também faz comparações entre os valores nominais de vendas líquidas corrigidos pelo IPCA acumulado do período de Janeiro de 2000 a Abril de 2004 e, relativamente à venda de artigos importados, também compara valores em reais convertidos em dólar pelo dólar médio comercial de venda, como informa a folha do Relatório de Vendas com o título 'Notas'. Além dos quadros comparativos de valores de vendas em moeda e em quantidade de peças, o Relatório de Vendas abriga cerca de 60 (sessenta) folhas contendo gráficos comparativos de vendas. Registramos que os valores das vendas são expressos em milhares de reais, ou dólares, conforme o caso, com uma casa decimal, e as quantidades de peças vendidas são expressas em unidades. As unidades de negócio a que nos referimos, e respectivas subdivisões estão estruturadas no Relatório de Vendas conforme abaixo: Unidade de Negócio Subdivisão Feminino H Basic Marcas Nacionais Fl. 1350DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado d igitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10882.003318/200701 Acórdão n.º 1401000.434 S1C4T1 Fl. 11 10 Importado Homem Homem Importado Homem Nacional Teen Teen Importado Teen Nacional Daslu Casa Casa Nacional Casa Importado Daslu Export Eventos e Promoções Out Let / Bazar Terceiros Consignações Locações 2.1.4 Planilhas de Vendas Diárias Nas operações de busca e apreensão executadas nas dependências da Lommel, situadas na Av. Chedid Jafet, rt° 131, na cidade de São Paulo, SP, foram apreendidos diversos discos rígidos de computador (HD). Em particular, foi retirado do computador da secretária do 4° andar, um MD marca Seagate Model ST3200, número de série 51ZDDOK3, conforme item 10 do Auto de Apresentação e Apreensão lavrado por escrivães da Polícia Federal o qual recebeu o lacre individual de número 0055062, sendo posteriormente lacrado, juntamente com outros discos rígidos e alguns documentos, com o lacre de número 245068. O lacre de número 245068 foi rompido em 11/08/05, conforme Termo de Abertura de Lacre lavrado por Auditor da RFB. Seu conteúdo foi devidamente relacionado na presença de Andrea Menezes Macedo de Souza Aranha, CPF n° 134.561.04839, procuradora do sujeito passivo, como Item 6 do anexo ao termo de abertura do lacre. Naquela ocasião o lacre individual do HL) permaneceu intacto, conforme observa citado anexo. Conforme Termo de Cópia de Arquivos em Meio Magnético lavrado em 23/09/05 por auditor da RFB, nessa data foi rompido o lacre do HD e realizada cópia dos arquivos Fl. 1351DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado d igitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10882.003318/200701 Acórdão n.º 1401000.434 S1C4T1 Fl. 12 11 magnéticos que se encontravam no disco rígido. Após efetuar a cópia o HD foi novamente lacrado, com o lacre número 0465930, permanecendo apreendido para servir de contra prova, se necessário O procedimento ora descrito foi acompanhado pelo preposto da Lommel, Vagner Rodrigues, Cargo: Suporte de Hardware, CPF n° 253.781.78851, conforme ciência no referido termo. Entre os arquivos gravados no referido disco rígido encontravase aquele denominado 'Acumulado2004.xls'. Esse arquivo consiste em diversas planilhas do aplicativo Excel, cujas cópias fornecemos ao sujeito passivo conforme o Anexo 11 ao Termo de Intimação Fiscal n°04. Doravante passamos a nos referir às citadas planilhas como 'Planilhas de Vendas Diárias'. Quanto ao conteúdo das Planilhas de Vendas Diárias, constatamos que se trata de demonstrativos gerenciais contendo o valor diário de vendas e totais mensais, das principais unidades de negócio ou divisões comerciais do sujeito passivo, assim como das quantidades de peças vendidas, do período de Janeiro de 2003 a Dezembro de 2004. As Planilhas de Vendas Diárias também registram, em base diária, a quantidade de vendas efetuadas por divisão comercial, a quantidade de peças vendidas por venda, a média do valor vendido por peça e a média do valor de cada venda. As Planilhas de Vendas Diárias relativas ao ano de 2003 contêm, ainda, o valor de venda diário nominal e corrigido com base na variação acumulada do IPCA daquele ano. As Planilhas de Vendas Diárias relativas ao ano de 2004 contêm uma coluna demonstrando, em base diária, a variação percentual entre a quantidade de peças vendidas em 2004, comparativamente a 2003, assim como da variação percentual no valor das vendas. Informam, ainda, relativamente a 2004, o valor da meta de vendas do mês, expresso em Reais, e o percentual de realização dessa meta. A partir do mês de Maio de 2004 o valor total mensal de vendas é informado na linha denominada 'Total Daslu'. Registramos que o valor das vendas diárias está expresso em Reais, com precisão de centavos de Reais. As Planilhas de Vendas Diárias contêm os dados das seguintes unidades de negócios/divisões comerciais, sem subdivisões: •Unidade de Negócio • Feminino • Masculino • Teen Fl. 1352DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado d igitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10882.003318/200701 Acórdão n.º 1401000.434 S1C4T1 Fl. 13 12 • Casa • Terceiros • Marketing Obs: Nos meses de janeiro de 2003 e janeiro de 2004, figura a divisão comercial denominada tinen i, a qual constatamos, nos demais meses, ter sido agregada à divisão comercial denominada 'Casa'. 2.1.5 Comparativo entre o Relatório de Vendas e as Planilhas de Vendas Diárias. Constatamos que as Planilhas de Vendas Diárias contêm o detalhamento diário dos valores de vendas mensais, das principais unidades de negócio do sujeito passivo, informados no Relatório de Vendas. As planilhas comparativas anexas, relativas ao período de Janeiro de 2003 a Maio de 2004, demonstram que as Manilhas de Vendas Diárias contêm os dados analíticos diários das vendas das unidades de negócio/divisões comerciais denominadas no Relatório de Vendas como Feminino, Masculino, Teen, Casa e Terceiros, subdivisão Consignações. As Planilhas de Vendas Diárias não reportam os dados de vendas das unidades de negócio denominadas no Relatório de Vendas como Daslu Export, Eventos e Promoções, Out Let / Bazar e Terceiros, subdivisão Locações + Outras Receitas. Da mesma forma o Relatório de Vendas não contém a Unidade de Negócio denominada de Marketing nas Planilhas de Vendas Diárias. Os valores de vendas reportados nessa unidade, como pode ser observado nas planilhas comparativas, são geralmente em pequeno montante, e por vezes os valores são negativos. Os valores mensais da unidade de negócios Marketing oscilam entre ( ) R$ 18,2 Mil a R$ 13,8 Mil, com exceção do valor relativo ao mês de Dezembro de 2003, quando totalizou o valor de R$ 175,7 Mil. Constatamos que existem pequenas diferenças entre os valores totais mensais de vendas, relativas às mesmas unidades de negócio, informados no Relatório de Vendas e nas Planilhas de Vendas Diárias. Todavia, com exceção dos meses de Junho, Agosto e Setembro de 2003, e Abril de 2004, quando a diferença percentual superou 1% (um por cento), nos demais períodos a diferença percentual observada oscilou entre ( )0,72% (menos zero vírgula setenta e dois por cento) a 0,40%(zero virgula quarenta por cento), como sumarizamos abaixo. Fl. 1353DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado d igitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10882.003318/200701 Acórdão n.º 1401000.434 S1C4T1 Fl. 14 13 Ressaltamos também que, como pode ser observado nas planilhas comparativas, na maioria dos períodos não existem diferenças entre os valores de vendas das unidades de negócio, individualmente consideradas, informados no Relatório de Vendas e nas Planilhas de Vendas Diárias: Quadro Comparativo de Valores de Vendas (Em R$ Milhares) Período Rel. Vendas Planilhas Diferença R$ Diferença Vendas Mil jan/03 12.378,80 12.375,90 2,9 0,02 fev/03 16.538,30 16.530,00 8,3 0,05 mar/03 14.553,10 14.584,80 31,7 022 abr/03 16.083,20 16.092,10 8,9 0,06 mai/03 19.942,70 19.955,40 12,7 0,06 jun/03 15.532,00 15.025,00 507 3 26 jul/03 15.952,30 15.970,10 17,8 0,11 ago/03 21.628,50 20.896,30 732 2 3,39 set/03 16.796,70 16.504,60 292,1 1,74 out/03 16.505,60 16.440,30 65,3 0,4 nov/03 20.368,60 20.372,20 3,6 0,02 dez/03 26.565,70 26.756,80 191,1 0,72 • jan/04 12.835,90 12.850,20 14,3 0,11 fev/04 13.923,00 13.904,90 18,1 0,13 mar/04 18.376,80 18.408,00 31,2 0,17 abr/04 17.621,60 17.811,10 1895 1,08 mai/04 23.053,40 23.062,20 8,8 0,04 Obs: As unidades de negócio consideradas foram: a) No Relatório de Vendas: Feminino, Masculino, Teen, Daslu Casa e Terceiros, subdivisão Consignações; b) Nas Planilhas de Vendas Diárias: Feminino, Masculino, Teen, Casa, Terceiros e Marketing 2.1.6 – Conclusão Fl. 1354DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado d igitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10882.003318/200701 Acórdão n.º 1401000.434 S1C4T1 Fl. 15 14 Constatamos que o Relatório de Vendas e as Planilhas de Vendas Diárias são instrumentos gerenciais utilizados pelo sujeito passivo para minucioso e pormenorizado acompanhamento do desempenho de suas vendas reais, conforme demonstramos na análise desses documentos. As Planilhas de Vendas Diárias respaldam e reiteram essa constatação, pois utilizam a mesma nomenclatura das unidades de negócios acompanhadas no Relatório de Vendas, embora não contenham as vendas diárias de todas as unidades de negócios do Relatório de Vendas. Adicionalmente, como demonstramos nas planilhas comparativas, os valores de vendas mensais relatados nesses documentos são amplamente coincidentes, ressalvandose as discrepâncias que apontamos. Enquanto que o Relatório de Vendas demonstra a totalidade das vendas realizadas pelo sujeito passivo no período de Janeiro de 2000 a Maio de 2004, as Planilhas de Vendas Diárias contêm grande parte das vendas realizadas no período de Janeiro de 2003 a Dezembro de 2004. Pelo que observamos, de Janeiro de 2003 a Maio de 2004, período em os dados das vendas reais são acompanhados simultaneamente pelos dois documentos, as Planilhas de Vendas Diárias acompanham as vendas das unidades de negócios que representam, em média, 94,8% (noventa e quatro virgula oito por cento) das vendas totais do sujeito passivo. 2.2 Infrações 2.2.1 Omissão de Receitas Constatamos que o sujeito passivo declarou na DIPJ do ano calendário 002 valores de receitas inferiores aos valores de vendas liquidas de descontos reportados no Relatório de Vendas já referido, conforme abaixo: Valores de Relação Perc. Período Vendas Valores Receitas Omissão de Rec.de Líquidas Declarados na Receitas DIN pig Apurada _ R$ Omitidas/Rec. Apuração Rel. Vendas AuferidasR$ jan/02 11204.200,00 5.850.143,63 5 354 056 37 47,79% fev/02 9.451.200,00 3.470.917,22 5.980282,78 63,28% mar/02 16.909.400,00 7.095.991,58 9.813.408,42 58,04% abr/02 15.483.100,00 6 765 548 07 8.717.551,93 56,30% Fl. 1355DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado d igitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10882.003318/200701 Acórdão n.º 1401000.434 S1C4T1 Fl. 16 15 mai/02 16.594.700,00 7.049.459,62 9.545.240,38 57,52% jun/02 14.129.100,00 6.756.150,12 7.372.949,88 5218% jul102 13.881.500,00 7.551.578,90 6.329.921,10 45,60% ago/02 20.254.600,00 9.712.005,38 10.542.594,62 52,05% set/02 13.197.000,00 7.640.640,09 5.556.359,91 42,10% out/02 13.385.400,00 9.071.633,13 4 313.766,87 3223! nov/02 17.600.000,00 11.437.053,47 6.162.946,53 35,02% dez/02 22.923.900,00 13 343.573,89 9.580.326,11 41,79% Total 185.014.100,00 95.744.695,10 89.269.404,90 48,25% Em decorrência da omissão de receitas apuramos valores a pagar do IRPJ e da tributação reflexa constituída pela CSLL, EIS e COFINS. 2.2.2 Multa Isolada pela Falta de Recolhimento do IRPJ sobre a Base de Cálculo Estimada O sujeito passivo optou pela apuração anual do "IRPJ, com pagamento mensal antecipado do tributo, com base em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução. Recalculamos os montantes das estimativas de IRPJ a pagar em função dos valores de omissão de receitas apurados. O não recolhimento das estimativas de IRPJ a pagar sujeitase à multa isolada correspondente a 50% (cinqüenta por cento) do valor não recolhido. A planilha anexa demonstra o cálculo dos valores da multa isolada aplicáveis, relativos ao ano calendário 2002, os quais resumimos abaixo: Per. Apuração Multa Isolada R$ jan/02 588.056,12 fev/02 566.944,36 mar/02 1.214.534,15 abr/02 1.070.530,08 mai/02 1.107 838,09 jun/02 941.915,63 jul/02 • 866.007,83 ago/02 1.424 364,77 set/02 756.549,56 out/02 • 577.022,83 Fl. 1356DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado d igitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10882.003318/200701 Acórdão n.º 1401000.434 S1C4T1 Fl. 17 16 nov/02 824.272,08 dez/02 1221.345,49 Total 11.159.380,98 2.2.3 Multa Isolada pela Falta de Recolhimento da CSLL sobre a Base de Cálculo Estimada O sujeito passivo optou pela apuração anual da CSLL, com pagamento mensal antecipado do tributo, com base em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução. Recalculamos os montantes das estimativas da CSLL a pagar em função dos valores de omissão de receitas apurados. O não recolhimento das estimativas da CSLL a pagar sujeitase à multa isolada correspondente a 50% (cinqüenta por cento) do valor não recolhido. A planilha anexa demonstra o cálculo dos valores da multa isolada aplicáveis, relativos ao anocalendário 2002, os quais resumimos abaixo: 3 OUTRAS CONSIDERAÇÕES 3.1 Multimport Importação Exportação Comércio e Indústria Ltda A Multimport, denominação anterior da Vitoriana Empreendimentos imobiliários Ltda, CNPJ n° 31.743.248/000176, também objeto de Mandados de Busca e Apreensão durante a Operação Narciso, foi fiscalizada pela RFB que lavrou contra mesma Autos de Infração relativos ao Imposto de Importação e o IPI, controlados no processo administrativofiscal n° 10314.0121011200647. Em decorrência dos trabalhos de fiscalização na Multimport foi lavrado Termo de Sujeição Passiva Solidária contra o sujeito passivo, em virtude de ter sido caracterizado que a Multimport, agindo em conluio com o sujeito passivo, cometeu irregularidades que acarretaram redução na base de cálculo do II e do 'PI. O sujeito passivo tomou ciência do referido termo em 08/11/06, tendo recebido cópia dos Autos de Infração mencionados e do Relatório de Fiscalização em 14/11/06, conforme Termo de Entrega de Cópias. O Relatório de Fiscalização elaborado pela RFB, em decorrência da análise de operações de importação realizadas no período de Janeiro de 2001 a Dezembro de 2005 pela Multimport, aponta textualmente que: 'Ao final dos trabalhos ficou constatado que a empresa Fl. 1357DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado d igitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10882.003318/200701 Acórdão n.º 1401000.434 S1C4T1 Fl. 18 17 MULTIMPORT, em conluio com a BOUTIQUE DASLU, nome fantasia da empresa IND. COM. EXPORTAÇÃO IMPORTAÇO LTDA, CNP.I 61.035.267/000109, utilizou se de esquema fraudulento de importações visando a redução, mediante subfaturamento, da base de cálculo do imposto de importação (II) e do imposto sobre produtos industrializados vinculados a importação (II'! vinculado). Além do subfaturamento, o esquema se materializava com a ocultação do real adquirente (DASLU), através da interposição da MULTIMPORT na operação comercial'. O Relatório de Fiscalização caracteriza de forma cabal que as negociações das importações efetuadas pela Multimport, destinadas ao sujeito passivo, eram determinadas por esse último, no que diz respeito às decisões de natureza comercial e financeira O 'quantunil de subfaturamento nas importações era definido, em última instância, pelo sujeito passivo. A conexão mais relevante que se pode estabelecer entre o subfaturamento de importações constatado pela RFB nos Autos de Infração contra a Multimport, a qual atuava como departamento de importações do sujeito passivo, e a omissão de receitas pelo sujeito passivo que demonstramos neste termo, é a de que parte do numerário auferido com a omissão de receitas viabiliza o pagamento do real preço das mercadorias importadas por intermédio da Multimport. Ou seja, recursos obtidos à margem da escrita fiscal financiam o pagamento de valores adicionais aos remetidos oficialmente para quitação das importações. 3.2 Autos de Infração e Imposição de Multa pelaSecretaria da Fazenda do Estado de São Paulo Baseandose na documentação apreendida durante a Operação Narciso, a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo lavrou diversos Autos de Infração e Imposição de Multa MIM contra o sujeito passivo, aos quais tivemos acesso através do Convênio de Cooperação Mútua celebrado entre a RFB e aquele órgão. Em particular, o AIIM n°3.059.6919. lavrado em 02/10/06, apurou a infração relativa a documentos fiscais e impressos fiscais, tendo constatado que o sujeito passivo 'deixou de emitir, no período vde Outubro de 2001 a Dezembro de 2003, Notas Fiscais Modelo 1A no valor total de R$ 232.609.718,95, (duzentos e ....), e, conseqüentemente não pagou o ICMS no valor total de R$ 41.869.749,41, (quarenta e ), apurado no confronto entre as vendas consignadas no relatório interno Fl. 1358DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado d igitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10882.003318/200701 Acórdão n.º 1401000.434 S1C4T1 Fl. 19 18 d contribuinte intitulado "Vendas e Margem Bruta 2000 a 2004", apreendido pela Receita Federal e Polícia Federal em 13/07/2005, quando da "Operação Narciso", em cumprimento aos Mandados de Busca e Apreensão Autos no.s 2005.61.19.0044092 e 2005.61.19.0086130, expedidos pela 2a. Vara Federal de • Guarulhos, e as vendas declaradas nas GIAs Guias de Informação e Apuração do ICMS, conforme detalhado nos demonstrativos, resumo anual das GIAs e cópiasreprográficas dos seguintes documentos: ofícios, relatório intitulado "Vendas e Margem Bruta 2000 a 2004", GIAs, documentos fornecidos pela Receita Federal, inclusive termo de cópia de arquivos em meio magnético, documentos fornecidos pela 2°. Vara Federal de Guarulhos, planilhas relativas à comparação de vendas 2003/2004 intitulada 'Acumulado2004.xls'; Mídia eletrônica (CD Compact Disc etiquetado com o n° 002755) contendo o arquivo original apreendido e que originou as retro citadas planilhas, juntados'. Queremos consignar que a autoridade fazendaia estadual, utilizando os mesmos elementos principais de provas por nós considerados, quais sejam, o "Relatório de Vendas" e as "Planilhas de Vendas Diárias", apurou, no confronto com as GlAs, a mesma magnitude de omissão de receitas constatada nesta fiscalização, quando cotejados com as receitas declaradas pelo sujeito passivo na DIRI, relativamente ao anocalendário 2002, tendo lavrado o AIIM para constituir o crédito tributário do ICMS. 4 CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS Os créditos tributários apurados foram constituídos 'conforme demonstrativos integrantes dos Autos de Infração, objeto do Processo Administrativo Fiscal n° 10882.003318/200701. As multas de lançamento de ofício, relativas às receitas omitidas, foram qualificadas nos termos do Art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, face às ações e omissões dolosas tendentes a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. Como demonstramos no subitem 2.2.1, o sujeito passivo omitiu, de forma sistemática, receitas com vendas durante todos os períodos de apuração do anocalendário 2002. As receitas omitidas são em quantia expressiva e vultosa, representando, em Fl. 1359DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado d igitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10882.003318/200701 Acórdão n.º 1401000.434 S1C4T1 Fl. 20 19 média, cerca de 48% (quarenta e oito por cento) das receitas efetivamente auferidas. O sujeito passivo, ao declarar e recolher valores de tributos menores que os devidos, agiu de modo a impedir ou retardar, ainda que parcialmente, conhecimento por parte da autoridade fiscal do fato gerador da obrigação tributária principal, restando configurado que o mesmo incorreu na conduta descrita como sonegação fiscal, cuja definição decorre do art. 71, inciso I, da Lei n° 4.502/64. A prática sistemática e reiterada de omissão de receitas, e nos montantes constatados, comprova de modo efetivo o evidente intuito de fraude. A existência do dolo ficou caracterizada pela vontade do sujeito passivo proceder de forma proposital e consciente em conduta de reflexos lesivos ao Erário, como demonstra a análise dos documentos a que nos referimos nos subitens 2.1.3 a 2.1.5 deste, corroborada pelas considerações apontadas no subitem 3.1. 5 ENQUADRAMENTO LEGAL A exigência tributária está embasada na legislação expressamente mencionada nos Autos de Infração. 6ANEXOS Descrição dos anexos ao termo: Anexo I Consultas Cadastrais JUCESP, composto por capa e 05 (cinco) folhas; Anexo II Planilhas Comparativas Relatório de Vendas e Planilhas de Vendas Diárias, composto por capa e 17 (dezessete) folhas; Anexo M Demonstrativo de Cálculo da Multa Isolada – IRPJ Estimativa, composto por capa e 01 (uma) folha; Anexo IV Demonstrativo de Cálculo da Multa Isolada CSLL Estimativa, composto por capa e 01 (uma)folha; 7 ENCERRAMENTO PARCIAL Encerramos parcialmente nesta data a ação fiscal levada a efeito no sujeito passivo acima identificado, a qual prossegue. Os Autos de Infração lavrados contemplam as irregularidades constatadas relativamente ao IRPJ, e tributação reflexa, do anocalendário 2002. A fiscalização foi realizada com base nos elementos fornecidos pelo sujeito passivo, nas informações disponíveis nos sistemas Fl. 1360DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado d igitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10882.003318/200701 Acórdão n.º 1401000.434 S1C4T1 Fl. 21 20 informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, nos Autos de Infração lavrados no anocalendário 2006 pela RFB contra a empresa Multimport Importação Exportação Comércio e Indústria Lida, CNPJ n° 31.743.248/000176, controlados no processo administrativo fiscal n° 10314.012101/200647, a qual agiu em conluio com o sujeito passivo conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado pela RFB em 08/11/06, nos Autos de Infração e Imposição de Multa lavrados no anocalendário 2006 pela Secretaria de Estado dos Negócios da Fazenda do Governo do Estado de São Paulo contra o sujeito passivo e nos documentos e arquivos magnéticos apreendidos durante a denominada "Operação Narciso", como anteriormente já referido. As verificações foram realizadas por amostragem, motivo pelo qual ressaltamos o direito da Fazenda Nacional proceder a novas verificações em virtude de outros programas ou fatos supervenientes não observados nesta oportunidade, inclusive nos períodos objeto da presente fiscalização. E, para surtir os efeitos legais, lavramos o presente Termo, em três vias de igual teor e forma, assinado pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil e cuja ciência pelo sujeito passivo darseà via postal, com Aviso de Recebimento (AR)". Em 30/11/2007 foi providenciada ainda a lavratura dos Termos de Sujeição Passiva Solidária, de fls. 1061/1062 e 1093/1094, respectivamente, contra os administradores da sociedade, Sra. Eliana Maria Piva de Albuquerque Tranchesi (CPF n° 135.211.17804) e Sr. Antônio Carlos Piva de Albuquerque (CPF n° 886.676.69849) — conforme previsto na Cláusula 9' do Contrato Social (fls. 1063/1073) e na Ficha Cadastral da Jucesp (fls. 1074/1091), por ter restado caracterizada a sujeição passiva solidária, nos termos do art. 124 da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). A empresa NSCA Ind. Com. e Importação Ltda., cientificada dos lançamentos, por via postal (AR de fls. 1059), em 05/12/2007, por intermédio de seus advogados e bastantes procuradores (Instrumento de Mandato de fls. 1159), protocolizou a impugnação de fls. 1128/1156, em 02/01/2008. Por sua vez, os administradores da empresa, aos quais foi atribuída responsabilidade solidária pelo crédito tributário, teriam sido cientificados dos lançamentos e dos termos de sujeição passiva solidária, em 04/12/2007, conforme AR de fls. 1092 e tendo protocolizado, em 02/01/2008, por intermédio de seus advogados e bastantes Fl. 1361DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado d igitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10882.003318/200701 Acórdão n.º 1401000.434 S1C4T1 Fl. 22 21 procuradores (Instrumentos de Mandato de fls. 1204 e 1221), as impugnações de fls. 1189/1203 e 1208/1220. As razões de impugnação da pessoa jurídica e dos devedores solidários serão abaixo expostas: Razões de Impugnação da Pessoa Jurídica Autuada Requer o reconhecimento da decadência do crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos de janeiro a dezembro de 2002, nos termos do art. 150, §4° do CTN, tendo em conta a inexistência de dolo, fraude ou simulação. No mérito, afirma que a imputação de omissão de receitas estaria fundada numa presunção simples, não prevista em Lei, num único e ilegítimo indício, documento intitulado "Vendas e Margem Bruta 2000 a 2004", apreendido durante a denominada "Operação Narciso", na Lommel Empreendimentos Comerciais S.A. Durante o procedimento fiscal, intimada a se manifestar sobre o documento e sobre os dados ali mencionados a título de receitas auferidas, a Impugnante teria informado desconhecer a origem do documento, e afirmado que o total das receitas auferidas no ano calendário 2002 teriam sido regularmente declaradas na DIPJ apresentada. Na ausência de contestação por parte do Fisco, e de outras intimações, teria entendido terem sido dirimidas as dúvidas com relação à regularidade de seu procedimento. Todavia, após alguns meses "ignorando a resposta da lmpugnante, no sentido de que desconhecia tal impresso e sem nada mais investigar" o Fisco "simplesmente assumiu, sem base em qualquer elemento adicional, que os valores descritos no "Vendas e Margem Bruta 2000 a 2004", seriam receitas de propriedade da Impugnante e as adicionou ao resultado tributável pelo IR/CSUPLS/Cofins". Afirma que indício não é a prova direta relacionada ao fato que se deseja provar, mas representa um outro fato que, por intermédio de um raciocínio amparado no que acontece na maior parte dos casos, indica a ocorrência do fato que se deseja provar. Distingue as duas espécies de presunção: as presunções legais e as presunções simples, para defender que, esta última, dependeria da reunião de vários indícios que obedecessem aos requisitos de gravidade, precisão e concordância. Transcreve jurisprudência do Conselho de Contribuintes, para concluir, em suas palavras: Fl. 1362DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado d igitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10882.003318/200701 Acórdão n.º 1401000.434 S1C4T1 Fl. 23 22 "No caso concreto, há um único elemento 'Vendas e Margem Bruta 2000 a 2004" que fundamenta o raciocínio e conclusão da Fiscalização pela existência de omissão de receitas mediante presunção. Não há sequer um conjunto de indícios, o que por si só já é suficiente para concluir pela improcedência da ilação que fundamenta Diz que o documento em questão não teria timbre, assinatura ou sinais característicos a permitir a identificação de autoria, finalidade e destinação, não sendo por isso dotado de gravidade e precisão necessários para ser considerado como indício de que a empresa manteria recursos à margem da escrituração. Sugere que tal documento poderia ser explicado por razões diferentes da imputação em questão, tais como: (1) um estudo do que teria ocorrido se certas medidas fossem adotadas; 00 a previsão de cenários possíveis em diferentes contextos; (iii) uma análise do potencial das atividades da empresa. Assevera que seria necessário um aprofundamento do trabalho fiscal para que o documento pudesse ser utilizado como indicativo de omissão de receitas, procedendo, por exemplo, à verificação do registro de estoques, o volume de compras, a movimentação bancária ou outros elementos. Defende que a fiscalização possuía diversos meios à sua disposição para demonstrar, por meio de outras provas, mesmo que indiciárias, a ocorrência da omissão de receitas pela concordância dos indícios, não podendo se limitar à utilização de documentação apócrifa. Com base no art. 142 do CTN e no princípio da verdade material, afama que o ônus da prova da omissão de receitas é do Fisco. Transcreve ementas de julgados do Conselho de Contribuintes para corroborar a improcedência das exigências fundadas em presunções simples de omissão de receitas, com fundamento em um único elemento probatório. Conclui que, na ausência de outros elementos de prova, não teriam sido atendidos os requisitos de concordância e precisão, sem as quais, não se sustentaria também a gravidade da presunção construída pela fiscalização, não gerando convencimento acerca da imputação. Argúi a imprestabilidade das denominadas "Planilhas de Vendas Diárias", obtidas, pela fiscalização, em HD de computador apreendido nas dependências da Lommel Empreendimentos Comerciais S.A., que, no entender do Fisco, refletiriam o valor das vendas das principais unidades da empresa no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2004, na medida em que haveria semelhança Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado d igitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10882.003318/200701 Acórdão n.º 1401000.434 S1C4T1 Fl. 24 23 com os valores das vendas mensais informados no documento intitulado "Vendas e Margem Bruta 2000 a 2004". As razões para a imprestabilidade são as seguintes: (i) as planilhas de vendas diárias referemse aos anos calendário de 2003 e 2004, e o lançamento referese ao anocalendário de2002; (ii) não haveria coincidência entre os segmentos de negócios indicados nas "Planilhas de Vendas Diárias" e no impresso "Vendas e Margem Bruta 2000 a 2004". Questiona, ainda, no item do Termo de Verificação denominado "Outras Considerações", a menção das seguintes informações, que não teriam sido citadas como elementos que motivaram os lançamentos: (i) de que as receitas auferidas e não tributadas pela Impugnante teriam sido utilizadas para o pagamento das importações subfaturadas de mercadorias pela Multimport Importação, Exportação, Comércio e Indústria Ltda., sendo os tributos aduaneiros decorrentes do ilícito objeto de lançamento no processo administrativo n° 10314.012101/200647; (ii) de que, com base nos mesmos fatos e nos mesmos elementos de prova, teria sido lavrado auto de infração de ICMS. Aponta a irrelevância de tais fatos para as exigências ora em discussão, na medida em que não integrariam a motivação dos lançamentos Ademais, tais afirmações do Fisco — de que as receitas omitidas teriam sido destinadas aos pagamentos das importações subfaturadas — não estariam corroboradas por provas hábeis. Reputa tratarse de meras suposições, dissociadas de qualquer fundamento, pelo que não poderiam ser levadas em consideração. Assevera, ainda, que a Impugnante não teria qualquer relação com a conduta adotada pela Multimport e com o crédito tributário objeto do lançamento formalizado no processo 10314.012101/200647, cuja procedência se encontra atualmente sob apreciação do Terceiro Conselho de Contribuintes. Na seqüência de seu raciocínio, aduz que se fosse verdadeira a afirmação de estimação dos recursos omitidos ao pagamento das importações subfaturadas, deveria ser ajustada a base de cálculo do IR e da CSL para que refletissem o que, no entender da fiscalização, seria o custo real da mercadoria. Em suas palavras: "De fato, se, como houve omissão de receitas auferidas com a venda de mercadorias e parte desses recursos foi utilizada para adquirir tais mercadorias, o IRPJ e a CSL somente poderiam incidir sobre a diferença, que Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado d igitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10882.003318/200701 Acórdão n.º 1401000.434 S1C4T1 Fl. 25 24 corresponderia ao acréscimo patrimonial supostamente havido". Acrescenta ainda a defesa que parte do crédito tributário lançado pelo Fisco Estadual teria sido cancelado, conforme extrato de andamento de processo juntado aos presentes autos (doc. 03). Questiona a utilização de prova emprestada. Requer a dedutibilidade da base de cálculo do IRRI e da CSLL dos créditos tributários lançados exofficio de PIS e Cofins. Faz remissão aos arts. 344, 247 e 273 do RIR/99 para reafirmar a dedutibilidade dos tributos e contribuições segundo o regime de competência. Destaca que, após o julgamento, se as exigências forem julgadas procedentes, restabelecida estará a sua exigibilidade, justificandose a sua dedução Em suas palavras: "Registrese, outrossim, que seria inaplicável ao caso em exame o eventual argumento, fundado no art. 334, §1° do RIR/99, no sentido de que os lançamentos de PIS/Cofins não seriam dedutíveis no período base de 2002 em razão de serem objeto da presente impugnação, a qual suspende a exigibilidade do respectivo crédito tributário, nos termos do art. 151, III, do CTN. Isso porque o art. 334, §1° do RIR199 é aplicável aos tributos cuja exigibilidade esteja suspensa à época que se tomariam devidos, mas não aos tributos que são objeto de impugnação administrativa, apresentada após lançamento de ofício por pane dos agentes do Fisco lavrado depois de ter sido ultrapassada a data em que se tomaram devidos". Transcreve ementas de julgados do Conselho de Contribuintes para referendar a sua tese. Contesta a aplicação da multa qualificada, na medida em que a prova da omissão de receitas fezse por presunção, não tendo sido provada a conduta dolosa ou fraudulenta. Defende ser inaplicável a multa qualificada aos casos de mera inadimplência ou em que haja divergência de interpretação da legislação. É necessária a prova da utilização de meios fraudulentos, contrários ao ordenamento jurídico. Segundo a defesa, não teria sido constatada a ausência de tributação de recursos que teriam se agregado ao patrimônio da empresa, seja a partir de verificação de montantes, em espécie, em seu poder, ou da manutenção de valores disponíveis em instituições financeiras. Desta feita, conclui não haver prova direta da omissão de receitas, mas apenas presunção. E continua: Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado d igitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10882.003318/200701 Acórdão n.º 1401000.434 S1C4T1 Fl. 26 25 "Todavia, a inexistência de prova direta da prática da infração que se imputa ao contribuinte exclui por completo qualquer possibilidade de aplicação de multa qualificada. Isso porque, se não é possível afirmar inequivocadamente que há uma infração por parte da Impugnante, pois se está diante de uma presunção que admite prova em contrário, não há que se cogitar da prática de ato ' evidente', pois esse supõe a certeza ou a inexistência de _dúvida. A possibilidade de haver a apresentação de prova que ilide a presunção torna inviável a acusação da prática de ato evidente com intuito defraudar". Afirma que o fato omissão de receitas não seria conhecido, mas apenas os demonstrativos das vendas e margem bruta 2000 a 2004, cuja autenticidade seria questionada pela Impugnante. Conclui que, na imputação de omissão de receitas, por presunção, seria inaplicável a multa qualificada pelo evidente intuito de fraude. Colaciona jurisprudência administrativa e Súmula n° 14 do Primeiro Conselho de Contribuintes de seguinte teor: "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo". Questionando a configuração da sonegação prevista no art. 71, I, da Lei n° 4.502, de 1964, afirma haver atendido a todos os pedidos formulados pela fiscalização e ter apresentado todas as informações e documentos de que dispunha. Em suas palavras, o fato de desconhecer o impresso denominado "Vendas e Margem Bruta 2000 a 2004" não autorizaria a conclusão de que teria ocultado ou omitido qualquer informação inerente ao procedimento fiscal. Não teria utilizado qualquer artifício ou ardil contrario ao direito como forma de ludibriar a fiscalização. Contesta a exigência cumulada da multa isolada, por falta de recolhimento das estimativas, juntamente com a multa de ofício, sobre a mesma infração e a mesma base de cálculo, qual seja, as receitas omitidas. Na interpretação do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 defende tratarse da mesma multa aplicada juntamente com a exigência do tributo devido ou, alternativamente, de maneira isolada, quando não houver tributo a ser exigido. Assim, o contribuinte não poderia ser penalizado mais de uma vez pela prática do mesmo e único ilícito, e a imposição de penalidades deveria ter uma finalidade repressiva e educativa, e não arrecadatória . Transcreve ementas de julgados do Conselho de Contribuintes. Fl. 1366DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado d igitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10882.003318/200701 Acórdão n.º 1401000.434 S1C4T1 Fl. 27 26 Requer o cancelamento das autuações. Razões de Impugnação dos Responsáveis Solidários Contra a imputação de responsabilidade solidaria pelo crédito tributário devido pela NSCA Indústria, Comércio, Exportação e Importação Ltda., o Sr. Antônio Carlos Piva de Albuquerque, às fls. 1189/1203, e a Sra. Eliana Maria Piva de Albuquerque Tranchesi, às fls. 1208/1220, alegam a nulidade de pleno direito, por falta de motivação, a inviabilizar o regular exercício do direito de defesa. Aduzem que a validade de todo ato administrativo, inclusive o de atribuição de responsabilidade solidaria pelo crédito tributário aos administradores, dependeria da correta indicação dos pressupostos de direito e de fato, sob pena de nulidade para caracterizar a ausência da motivação, transcrevem trecho do Termo de Sujeição Passiva Solidária, no qual consta: "No exercício das funções de Auditor(es) Fiscal(is) da Receita Federal do Brasil, com base nos arts. 904, 905, 911, 927 e 928 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n°3000 de 26/03/99, e em cumprimento ao MPF n° 08.1.13.002007002459, apuramos que o sujeito passivo cometeu infrações à legislação tributária que resultaram na lavratura dos autos de infração objeto do processo administrativo fiscal acima identificado Constatamos que o Sra. EMANA MARIA P1VA DE ALBUQUERQUE TRAIVCHES1 [no outro termo, o Sr. ANTÔNIO CARLOS PIVA DE ALBUQUERQUE], acima identificada, era sócia e exercia a administração do sujeito passivo à época dos fatos geradores das infrações apuradas nos referidos Autos de Infração, recebendo a designação de Diretora Presidente [no outro termo, Diretor], conforme Cláusulas 5° e 9' do Contrato Social do sujeito passivo consolidado em 12/08/02 e consulta ao cadastro da Junta Comercial do Estado de São Paulo — Jucesp na data de 24/07/07, cujas cópias são anexadas a este termo. Ante o exposto, restou caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos do art. 124 da Lei n° .5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional)" Afirmam não ter sido indicado no campo "Contexto" do formulário o motivo que teria justificado a prática do ato administrativo, evidenciando a falta de motivação fática da imputação da solidariedade e, conseqüentemente, a sua nulidade. Fl. 1367DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado d igitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10882.003318/200701 Acórdão n.º 1401000.434 S1C4T1 Fl. 28 27 Acrescentam que também o pressuposto jurídico da imputação não estaria adequadamente formalizado, pois insuficiente se configuraria uma referência genérica ao art. 124 do CTN, sendo necessária a definição se a imputação da solidariedade estaria fundada no interesse comum ou em outra previsão legal, fato a caracterizar novamente o cerceamento do direito de defesa. Questionam a legalidade da imputação de solidariedade pelo crédito tributário devido pela pessoa jurídica, baseada na mera condição de sócios dos Impugnantes. Asseguram que os sócios administradores teriam agido como órgãos da sociedade, não sendo possível a caracterização da pluralidade de sujeitos necessária a justificar a solidariedade por interesse comum. De outro lado, não haveria lei que atribuísse responsabilidade solidária aos sócios pelos débitos da pessoa jurídica, e nem poderia haver, tendo em conta que o legislador ordinário, de acordo com os preceitos do art. 146, III, da CF/88, deveria observar os parâmetros do CTN. De acordo com o art. 135, III, do CTN, somente nos casos de atuação com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatutos, o sócio administrador poderia ser responsabilizado pelo crédito tributário devido pela pessoa jurídica. Concluem daí que somente a pessoa jurídica poderia ter sido indicada no pólo passivo do lançamento, devendo os administradores, Sr. Antônio Carlos Piva de Albuquerque e a Sra. Eliana Maria Piva de Albuquerque Tranchesi, ser excluídos do pólo passivo, por serem partes ilegítimas para responder pela exigência fiscal. Assinala, finalmente, que esta Segunda Turma de Julgamento da DRJ Campinas nos autos do processo administrativo n° 10882.002377/200672, também movido contra a NSCA Indústria e Comércio Exportação e Importação Ltda. já teria reconhecido a ilegitimidade passiva dos administradores, no Acórdão n°0518.022 de 21/06/2007. Transcreve excertos do voto: "Finalmente, no que tange à imputação de responsabilidade solidária aos administradores da NSCA, Sr. Antônio Carlos Piva de Albuquerque e a Sra. Eliana Maria Piva de Albuquerque Tranchesi, cumpre reconhecer que não foram devidamente constituídos pela fiscalização os fatos que teriam levado à inclusão dos sócios Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado d igitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10882.003318/200701 Acórdão n.º 1401000.434 S1C4T1 Fl. 29 28 administradores no pólo passivo da relação jurídico tributária. Reconhecese assim que a simples menção do dispositivo legal — in casu, o art. 124 do CTN — que teriam amparado a imputação não é suficiente". Consignam julgados administrativos a afastar a responsabilidade tributária aos sócios e administradores. Requerem o reconhecimento da decadência dos tributos sujeitos a lançamento por homologação (art. 150, §4° do CTN), cujos fatos geradores teriam ocorrido de janeiro a novembro de 2002, tendo em conta que o lançamento somente foi cientificado a pessoa jurídica em 05/12/2007. Contestam a aplicação do art. 45 da Lei n° 8.212, de 1991, às contribuições para a seguridade social. Analisando a impugnação apresentada o órgão julgador a quo entendeu por julgar procedente o lançamento e afastar a imputação de responsabilidade, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2002 Omissão de Receitas. Relatórios Gerenciais. Comprovada, em relatórios gerenciais, as receitas auferidas mensalmente na atividade da empresa, procedente configurase a imputação de omissão de receitas se apurada divergências com as receitas escrituradas e declaradas ao Fisco. Multa de Ofício e Multa Isolada. Duplicidade de Exigências. Configurada a existência de ilícitos distintos e inconfundíveis, não se pode caracterizar a identidade das multas aplicadas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 Multa Qualificada. Fraude Provado que cerca de metade das receitas auferidas na atividade eram, reiterada e sistematicamente, omitidas na escrituração comercial e nas declarações apresentadas ao Fisco, configurado está o evidente intuito de fraude, na medida em que, mediante tal procedimento, a contribuinte visava justamente a impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores ocorridos ao longo do anocalendário, de modo a evitar o pagamento dos tributos devidos. Decadência. Dolo. Fraude. Simulação. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado d igitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10882.003318/200701 Acórdão n.º 1401000.434 S1C4T1 Fl. 30 29 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Decadência. CSLL. PIS. Cofins. O direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Responsabilidade Solidária. Sócios Administradores. Não existe na legislação tributária hipótese de atribuição direta de responsabilidade solidária aos sócios administradores das pessoas jurídicas. Nos termos da legislação em vigor, tanto nos casos do art. 124, como dos arts. 135 e 137, todos do CTN, há necessidade de comprovação de fato jurídico tributário, distinto da ocorrência do fato gerador, capaz de permitir a inclusão dos sócios e/ou administradores no pólo passivo da relação jurídica tributaria. No caso do art. 124 do CTN, é necessária a identificação da hipótese normativa aplicável ao caso concreto: (i) o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal as pessoas que tenham; ou (ii) a expressa previsão na legislação ordinária. Verificada a ocorrência de interesse comum, para fundamentar a atribuição de responsabilidade solidária aos administradores, deve a fiscalização constituir tal fato jurídico no lançamento, mediante a competente descrição dos fatos, corroborada pelas provas cabíveis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 Tributação Reflexa. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Contribuição para o Programa de Integração Social PIS. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes. Lançamento Procedente Em face desse julgamento interpôs o Recorrente o recurso ora analisado, reiterando os argumentos apresentados anteriormente. É o relatório. Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado d igitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10882.003318/200701 Acórdão n.º 1401000.434 S1C4T1 Fl. 31 30 Voto Vencido Conselheiro Mauricio Pereira Faro Presente os pressupostos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário e do recurso de ofício. RECURSO DE OF´ÍCIO Da Responsabilidade Solidária dos Administradores A DRJ retirou a imputação de responsabilidade solidária dos administradores da NSCA e recorreu de ofício. No que tange à imputação de responsabilidade solidária aos administradores da NSCA, Sra. Eliana Maria Piva de Albuquerque Tranchesi e Sr. Antônio Carlos Piva de Albuquerque, cumpre reconhecer que não existe na legislação tributária hipótese de atribuição direta de responsabilidade solidária aos sócios administradores das pessoas jurídicas. Nos termos da legislação em vigor, tanto nos casos do art. 124, como dos arts. 135 e 137, todos do CTN, há necessidade de comprovação de fato jurídico tributário, distinto da ocorrência do fato gerador, capaz de permitir a inclusão dos sócios e/ou administradores no pólo passivo da relação jurídica tributária. Dessa forma, deveria a fiscalização ter constituído o fato jurídico tributário relativo ao interesse comum entre a pessoa jurídica e seus sóciosadministradores, ou ter indicado a previsão legal específica em que os administradores, simplesmente pelo fato de serem administradores, poderiam responder pelo crédito tributário devido pela pessoa jurídica. Acrescentese que em se tratando de atribuição de responsabilidade tributária solidária com base no interesse comum, deveria a fiscalização ter constituído tal fato jurídico, mediante a competente descrição dos fatos, corroborada pelas provas cabíveis. Ante o exposto, afasto a imputação da responsabilidade tributária, negando provimento ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO Preliminares Decadência No que tange à contagem do prazo decadencial, cumpre fazer remissão às disposições do CTN: Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado d igitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10882.003318/200701 Acórdão n.º 1401000.434 S1C4T1 Fl. 32 31 "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio ~me da autoridade administrativa operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa §4°. Se a Lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador: expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprova.da a ocorrência .de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: 1 do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Conforme expressamente consignado nos dispositivos acima transcritos, a regra de contagem do prazo decadencial prevista no §4° do art. 150 do CTN não deve ser aplicada aos casos em que comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Nesse contexto, a apreciação da decadência do crédito tributário não se faz sem uma análise acerca do mérito da imputação de fraude ou simulação aos atos praticados pela contribuinte. Mérito Inicialmente, é necessário analisar o argumento da Recorrente acerca da alegação de que a autuação estaria fundada em presunção simples de omissão de receitas. Isso porque, sustenta a Recorrente que a planilha identificada pela Receita Federal não seria capaz de sustentar a autuação ora em análise. Todavia, quando se verifica que a documentação coligida pela fiscalização faz prova das receitas auferidas pela empresa no anocalendário de 2002, as quais, em contraposição aos valores das receitas que foram escriturados e informados à Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB, permitiram concluir pela prática da omissão de receitas. Mediante o demonstrativo "Relatório de Vendas — Vendas e Margem Bruta 2000 a 2004 — Diretoria Geral" (fls. 145/262), apreendido, em 13/07/2005, durante a denominada "Operação Narciso" da Polícia Federal, nos escritórios da empresa Lommel Empreendim entos Comerciais S.A., comprovamse as vendas realizadas e a margem bruta da DASLU, de janeiro de 2000 a maio de 2004, mensalmente epor departamentos, assim identificados "Feminino", "Homem", "Teens", "Daslu Casa" e "Outras (Dex / Promocional / Outlet / Terceiros / DKNY)". Observese que há ainda demonstrativo das "Vendas Consolidadas". Contrariamente ao invocado pela defesa, não se trata de imputação por presunção, porque não foi provado qualquer fato indiciário, mas a própria omissão de receitas no simples confronto entre os relatórios gerenciais acima referidos, a escrituração comercial e as declarações prestadas à RFB. Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado d igitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10882.003318/200701 Acórdão n.º 1401000.434 S1C4T1 Fl. 33 32 Na verdade, o fato de a contribuinte negar a autenticidade do documento não tem o condão de comprometer a sua validade, na medida em que outros fatos apurados estão a corroborar a prática da omissão de receitas. Apesar dos protestos da contribuinte, a planilha contida no arquivo magnético intitulado `Acumulado2004.xls', extraído de um dos discos rígidos apreendidos durante a Operação Narciso (11D Seagate n° de série 5IDDK3 item 10 do termo de apreensão de fls. 135/137 e termo de cópia de arquivo em meio magnético de fls. 38), contém informações que corroboram os valores das receitas auferidas contidas no " Relatório de Vendas Vendas e Margem Bruta 2000 a 2004 Diretoria Geral", conforme Quadro Comparativo de Valores de Vendas (Em R$ Milhares) elaborado pela fiscalização. Apesar de a Recorrente negar a autenticidade do documento, não há dúvida que os Relatórios gerenciais denominados "Vendas e Margem Bruta 2000 a 2004 — Mês: Maio 2004" (fls. 145/262), referemse às operações de venda realizadas pela empresa autuada de 2000 a 2004, com finalidade gerencial. Conforme documentação que instrui os autos do processo n° 10882.0023771200672 (fls. 210), os originais e cópias autenticadas do relatório encadernado denominado "Vendas e Margem Bruta 2000 a 2004 — Mês: Maio 2004" (composto de capa plástica, capa com título e mais 115 páginas), foram encaminhadas pela Seção de Fiscalização da Inspetoria da Receita Federal em São Paulo/SP para a DRF Osasco/SP, em 14/1112006. Do Auto de Apresentação e Apreensão de fls. 135/137 (item 31), consta que aos 13/07/2005, no endereço da empresa Lommel Empreendimentos Comerciais S.A. (empresa dedicada à mesma atividade e constituída pelos administradores da Daslu, em 31/01/2005), foi apreendido "um (01) relatório de Vendas e Margem Bruta 2000 a 2004 — Mês: Maio 2004, que estava na Diretoria Geral" Em face do contexto da apreensão da documentação, devidamente circunstanciado, concordo com o órgão julgador a quo no sentido de que não subsiste qualquer dúvida de que a documentação foi apreendida dentro de estabelecimento ligado às atividades da Daslu. Ademais, no tocante às operações de venda ali registradas, observese que da capa do relatório, consta a indicação de "Diretoria Geral", a destinatária ou a responsável pela elaboração do relatório (fls. 145). No índice (fls. 145), encontramse consignadas as matérias tratadas: (i) Resumo das Vendas Líquidas de Descontos; (ii) Vendas e Margem Bruta Valores Atualizados; (iii) Vendas e Margem Bruta Valores Históricos; (iv) Vendas e Margem Bruta Marcas Importadas em Dólar; (v) Gráficos; (vi) Evolução Daslu — Eventos; (vii) Indicadores — IPCA e Dólar Comercial de Venda Médio. Partindo dos valores totais mensais das receitas no anocalendário de 2002 apontados no demonstrativo de fls. 149, denominado "Vendas e Margem Bruta 2000 a 2004 Valores Históricos R$Mil", a fiscalização determinou a omissão de receitas, deduzindo os valores declarados na DIPJ. Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado d igitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10882.003318/200701 Acórdão n.º 1401000.434 S1C4T1 Fl. 34 33 Verificase que, praticamente, metade das receitas auferidas na atividade da Daslu era mantida à margem da escrituração e à margem da tributação, não tendo integrado a apuração dos tributos informada na DIN 2003 (anocalendário 2002). Os relatórios gerenciais evidenciam o total das receitas auferidas, mensal e anualmente, no anocalendário de 2002, sendo suficiente o simples confronto com os registros da escrituração, mantida em arquivos magnéticos, e com as informações prestadas à RFB na DIN,sendo certo que, no presente caso, os levantamentos requeridos pela Recorrente (tais como, uma auditoria nos estoques ou a verificação da compatibilidade entre a movimentação financeira e as receitas declaradas), seriam necessários se não houvesse a prova direta da omissão de receitas. Por outro lado, sustentou a Recorrente que não teria qualquer relação com a conduta adotada pela Multimport e com o crédito tributário objeto do lançamento formalizado no processo 10314.012101/200647. Todavia, conforme se restou comprovado no referido processo, a real importadora e beneficiária de todo o esquema fraudulento era a própria NSCA (Daslu); e de outro, porque a NSCA (Daslu) foi consignada como responsável solidária pelo crédito tributário constituído nos lançamentos efetuados contra a Multimport. Segundo elementos constantes dos autos do processo acima referido, a fraude no subfaturamento das importações estaria comprovada, entre outros elementos, nas próprias faturas emitidas pelas empresas exportadoras no exterior, nas quais, além de constar o valor real das operações de importação, a NSCA (Daslu) constava como a real importadora das mercadorias. Foi também mencionada naquela decisão a existência de comprovação de que era a NSCA (Daslu), e não a Multimport, quem efetuava os pagamentos aos exportadores no exterior, necessariamente que com recursos extracontábeis, tendo em conta que as aquisições das mercadorias importadas da Multimport era efetuada por valores subfaturados. Desta feita, tem razão a fiscalização ao presumir, que o "caixa dois" ou caixa extracontábil constituído a partir das omissões de receitas ora apuradas, no anocalendário de 2002 deve ter sido utilizado para o pagamento, não contabilizado, das importações subfaturadas aos exportadores no exterior. Na verdade, somente quis dizer a fiscalização que os ilícitos apurados de subfaturamento das importações e de omissão de receitas não são contraditórios, mas se confirmam mutuamente. No que se refere ao pleito de reajustamento das exigências de IR/CSLL a decisão de 1° grau afirma que ele não poderia ser aceito, já que os custos não estavam registrados na escrita contábil da Recorrente, única hipótese em que seria admitida a sua consideração (fls. 39). Todavia, entendo que nesse aspecto a decisão recorrida merece reforma. Isso porque, as receitas omitidas e destinadas ao pagamento de mercadorias importadas não foram registradas como custo porque a Recorrente sustentou o argumento de que tais valores não existem. Como a Recorrente considera que não omitiu receitas e tampouco as destinou para o pagamento de importações, ela não tinha o que agregar ao custo das mercadorias adquiridas de seus fornecedores, tal como a Multimport. Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado d igitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10882.003318/200701 Acórdão n.º 1401000.434 S1C4T1 Fl. 35 34 Todavia, entendo que a Recorrente tem razão ao afirmar que, a partir da lavratura dos autos de infração, competia a Fiscalização calcular corretamente o IRPJ e a CSLL, seguindo aquilo que afirma ser o verdadeiro o resultado tributável. Isso porque a tributação se dá em virtude da ocorrência do fato gerador e na dimensão que tiver, não em função de registros contábeis. Dessa forma, considerando que a fiscalização entendeu que havia receitas omitidas e que as mesmas foram destinadas ao pagamento de mercadorias adquiridas, ela obrigatoriamente teria que ter considerado o montante como custo, no cálculo das bases de IRPJ/CSL. De igual modo, tem a razão a Recorrente quando sustenta que exações fiscais teriam que ser recalculadas, com a conseqüente redução dos valores devidos a título de IRPJ/CSLL, dado que os créditos tributários de PIS/COFINS constituídos são despesas dedutíveis na apuração do resultado tributável pelo IRPJ/CSLL, nos termos do art. 344 do RIR/99 c/c arts. 247 e 273 do RIR/99. Nesse sentido, já se manifestou o antigo Conselho de Contribuintes reconhecendo a obrigatoriedade de dedução das exigências de PIS/COFINS lançadas de oficio sobre receitas omitidas, quando os agentes fiscais forem determinar os valores de IRPJ/CSLL a serem cobrados, entendimento aplicável ainda que os lançamentos de PIS/COFINS sejam objeto impugnação administrativa, como na hipótese em exame: "IRPJ — BASE DE CÁLCULO — LANÇAMENTO DE PIS E COFINS — DEDUÇÃO Por força do disposto no art._41 da Lei 8981/95, os valores lançados a título de PIS e COFINS como decorrência do lançamento principal do IRPJ (omissão de receitas) devem ser deduzidos da base de cálculo deste e da CSL"(ac. 10809.349, Cons. rel. José Henrique Longo, j. em 25.05.07) . "IRPJ APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO – EXERCÍCIOS DE 1997 E 1998 DEDUTIBILIDADE, ,PELO REGIME DA .COMPETÊNCIA, DOS VALORES LANÇADOS DE OFICIO CONCERNENTES A COFINS E A CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. POSSIBILIDADE VEDAÇAO, LEGAL DA DEDUÇAO DA CSLL – O art. 344 do RIR 99 (art 41 da Lei 'te 8.981/95) admite a dedução, na determinação do lucro real, do valor devido a titulo de tributos, apurados pelo regime de competência. Não _existem ressalvas em relação _ao lançamento de possibilitando a dedução da COFINS e da contribuição para o PIS (ac.103 21.255, Cons. rel. João Bellini Junior j em 11.06.03). Dessa forma, entendo que nesse aspecto merece reforma a decisão recorrida, devendo ser reduzido do resultado tributável pelo IRPJ/CSLL os custos suportados com as compras dás mercadorias pelo valor real de aquisição, que a Fiscalização afirma ser superior ao registrado na contabilidade da Recorrente, e pela despesa com os valores de P1S/COFINS constantes dos AIs. Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado d igitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10882.003318/200701 Acórdão n.º 1401000.434 S1C4T1 Fl. 36 35 ARBITRAMENTO Com relação a esse aspecto, filiome aos argumentos expostos pelo Conselheiro Antonio Bezerra Neto, nos debates ocorridos na análise do presente caso: Como o valor omitido seria na visão da Recorrente muito superior ao declarado, tal situação ensejaria de pronto o arbitramento do lucro e não sua tributação direta. O regime de tributação adotado pela recorrente no período da atuação foi o Lucro Real. Não é o caso de presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430/96, nem muito menos de situação com custo zerado. O fiscal apurou omissão de receitas de forma direta e calculou o lucro real tributável. Nada a reparar no procedimento. O arbitramento é medida extrema, quando a contabilidade apresenta erros e vícios insanáveis. Não é o caso dos autos. No bojo de processos que versam sobre presunção legal do art. 42 da Lei 9.430/96, situação mais restritiva que a ora em cotejo, tenho me pautado que tal preceptivo legal existe dentro de um determinado contexto jurídico que não pode ser desprezado em situações extremas como a empresa apresentar custo zerado. Por outras palavras, tenho pautado os meus votos rejeitando sempre a tese de que vultuosas omissões comparativamente a receitas declaradas necessariamente obrigariam o autuante a proceder com o arbitramento do lucro, no caso do regime de tributação do lucro real. Eis que nesse caso, teríamos que proceder como legislador positivo para estabelecer um quantum limite, uma proporção entre receitas omitidas e receitas declaradas. Não se pode fazer tal análise numérica sem incorrermos em extrema subjetividade. Dado essa vaguidade e aliado a isso o fato de que arbitramento é uma medida extrema cujas hipóteses estão dispostas na lei de “forma fechada” e objetiva, não caberia assim a tese do arbitramento na situação aventada. A tese ligada à necessidade de arbitramento adviria do fato de que os custos correlacionados àquela vultuosa omissão de receitas necessariamente estariam também omitidos. Ora, mas se de alguma forma os custos lá existem, presumese que são os custos corretos. Esse é mais um grande risco da sonegação. Pelo exposto, afasto também essa alegação. Da multa qualificada No presente caso, cumpre reconhecer a fraude, que justifica a aplicação da multa de 150% na medida em que a Recorrente pretendeu impedir ou retardar o conhecimento pelo Fisco Federal das receitas auferidas na sua atividade operacional, e que teriam servido de base à elaboração dos relatórios gerenciais, apreendidos em operação de investigação da Polícia Federal. Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado d igitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10882.003318/200701 Acórdão n.º 1401000.434 S1C4T1 Fl. 37 36 Isso porque, a Recorrente teria omitido, reiterada e sistematicamente, cerca de metade receitas auferidas, não apenas na escrituração comercial, mas também na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ apresentada à Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB. Conseqüentemente, dada à falsa declaração acerca das bases de cálculo, os tributos também foram informados, nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, em valores menores do que os efetivamente devidos em relação a todos os fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2002. Desta forma, tendo em conta a conduta reiterada e sistemática de omissão de receitas na escrituração comercial, caracterizada está a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, sendo devida a multa qualificada. Multa Isolada Concomitante Com A Multa De Ofício Verificase dos Autos de Infração que, além da multa de ofício qualificada (aplicada em função do recolhimento insatisfatório dos tributos, em razão das supostas omissões de receitas apuradas em procedimento de fiscalização), a Autoridade Fiscal aplicou a multa isolada por insuficiência no recolhimento das antecipações de IRPJ e CSLL. Em síntese, as omissões de receitas resultaram no aumento do lucro real do anocalendário e, via de conseqüência, as antecipações ao longo do ano passaram a ser insuficientes, já que houve o aumento da base tributável pelo IRPJ e pela CSLL. Da mesma forma, a multa de ofício que é devida e calculada sobre a diferença do tributo que deixou de ser constituído pela contribuinte, também oriunda das mesmas omissões de receitas. Há, portanto, a cumulação das duas penalidades. A cumulação entre a multa de oficio isolada aplicada pelo não recolhimento das estimativas mensais no lucro real de apuração anual não é estranho ao conhecimento desta Corte Administrativa. De fato, é entendimento assente na Câmara Superior de Recursos Fiscais que a multa isolada pelo não recolhimento das estimativas somente é aplicável quando o lançamento se der antes do fechamento do anocalendário, sendo certo que, após este encerramento, a aplicação da multa de oficio, tomando por base o tributo que deixou de ser recolhido no anocalendário e a multa isolada, tomando por base o valor das estimativas que deixaram de ser recolhidas no mesmo período, configura dupla penalização do mesmo fato gerador tributário. Ora, o recolhimento do imposto de renda mensal por estimativa configura antecipação do tributo que será apurado no encerramento do anocalendário, tanto que o montante eventualmente recolhido a maior no curso do ano deve ser restituído caso o fato gerador tributário, após efetivamente ocorrido ao final do período, alcance tributação inferior àquela recolhida por antecipação. Assim, encerrado o exercício fiscal, fazse o imposto recolhido no ano calendário consolidarse face a imposto apurado no exercício em tomo de urna única realidade, qual seja, a ocorrência do fato gerador do imposto de renda ocorrido em 31 de dezembro de cada ano. Assim, não entendo seja possível penalizar o contribuinte (i) pelo não recolhimento das estimativas e (ii) pelo não recolhimento do imposto anual, posto que a primeira nada mais é do que antecipação do segundo. Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado d igitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10882.003318/200701 Acórdão n.º 1401000.434 S1C4T1 Fl. 38 37 Os Conselheiros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do acórdão n° 910100.526, em sessão de 26/01/2010, invocaram os princípios da consunção da condutameio pela conduta fim e da não repetição da sanção tributária, para afirmar que “encerrado o período de apuração do tributo, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência do tributo efetivamente devido apurado com base no lucro real anual, e, dessa forma, não comporta a exigência da multa isolada”. Também no acórdão n° 0105.843 a Câmara Superior de Recursos Fiscais sustenta ser “incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Assim, a primeira conduta é o meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte pela imputação de penalidades de mesma natureza, já que ambas estão relacionadas ao cumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstanciase no recolhimento de tributo.” Neste sentido, seguem outros precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais, valendo ressaltar os seguintes excertos: Ementa:APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela .falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Assim, a primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de oficio e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte pela imputação de penalidades de mesma natureza, já que ambas estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstanciase no dever de recolher o tributo.Recurso especial negado. CSRF/0105.844 Ementa:Assunto, Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica 1RPJExercício: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003EmentaMULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – O artigo 44 da Lei n°9430/96 preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado d igitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10882.003318/200701 Acórdão n.º 1401000.434 S1C4T1 Fl. 39 38 relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação.Recurso especial negado. CSRF/0105 .875 Pelo exposto, afasto a cumulação da multa isolada. Da decadência Em face da subsistência da imputação de dolo e fraude, é inaplicável ao caso o prazo decadencial previsto no art. 150, §4° do CTN devendo ser observada a regra prevista no art. 173, I, do CTN, tanto para o IRPJ quanto para as contribuições sociais. Como a ciência dos lançamentos foi efetivada em 04/12/2007, não se reconhece a decadência em relação aos tributos constituídos exofficio e relativo ao fato gerador ocorrido no anocalendário de 2002, haja vista que o lançamento correspondente somente poderia ter sido efetuado a partir de 01/01/2003, iniciandose a contagem do prazo decadencial, em 01/01/2004, tendo por termo final o dia 31/12/2008. Lançamentos Reflexos Por estarem sustentados na mesma matéria fática, os mesmos fundamentos devem nortear a manutenção parcial das exigências lançadas por via reflexa. Dispositivo Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso de ofício relativo a responsabilidade solidária dos sócios da Recorrente e, afastando a preliminar de decadência suscitada, dou parcial provimento ao recurso voluntário para: (i) reconhecer a redução do resultado tributável pelo IRPJ/CSLL dos custos suportados com as compras das mercadorias pelo valor real de aquisição e pela despesa com os valores de P1S/COFINS constantes dos Ais, (ii) reconhecer a aplicação da multa isolada somente ao tributo apurado e devido pela Recorrente. Assinado digitalmente Mauricio Pereira Faro Relator Fl. 1379DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado d igitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10882.003318/200701 Acórdão n.º 1401000.434 S1C4T1 Fl. 40 39 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Redator designado. Divirjo da posição abraçada pelo relator nos seguintes pontos: a redução da base de cálculo do IRPJ e CSLL no montante dos custos referentes à importação subfaturada; a dedução do PIS e COFINS lançados na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL também lançados de ofício; cancelamento das multas isoladas sobre estimativas não pagas. Redução da base de cálculo do IRPJ e CSLL no montante dos custos referentes à importação subfaturada No presente processo a fiscalização teceu considerações acerca da conduta fraudulenta adotada pela empresa, na interposição de pessoa e no subfaturamento das importações, objeto de tributação no processo administrativo n° 10314.012101/200647. nesta data, mantido pela primeira instância e ainda pendente de julgamento no CARF. A Recorrente afasta qualquer relação com a conduta adotada pela Multimport e com o crédito tributário objeto do lançamento formalizado no processo 10314.012101/2006 47 no qual foi considerada como a real importadora e beneficiária de todo o esquema fraudulento e também nele ficou consignado como responsável solidária pelo crédito tributário constituído nos lançamentos efetuados contra a Multimport. Sem pretender entrar no mérito do referido processo, pois não vem ao caso, o a fiscalização apenas como argumento subsidiário e para dar mais coerência aos fatos narrados, valeuse da presunção de que o "caixa dois" ou caixa extracontábil constituído a partir das omissões de receitas ora apuradas, no anocalendário de 2002, deve ter sido utilizado para o pagamento, não contabilizado, das importações subfaturadas aos exportadores. Por outras palavras, a fiscalização apenas pretendeu afirmar que os ilícitos de subfaturamento das importações e de omissão de receitas são convergentes. A Recorrente, por um lado se defende afirmando que nada tem a ver com aquela operação, mas por outro, contraditoriamente, a partir desse “gancho” dado pelo fiscal pretende cancelar parte do lançamento, pois se esse fosse o caso, deveria, segundo ela, ser ajustada a base de cálculo do IRPJ e da CSLL para que refletissem o que, no entender da fiscalização, seria o custo real da mercadoria. Tratase de argumento contrafactual que não pode ser acolhido pelos seguintes motivos: Fl. 1380DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado d igitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10882.003318/200701 Acórdão n.º 1401000.434 S1C4T1 Fl. 41 40 1) Em primeiro lugar aquela lide em tese não se interliga com o presente feito justamente porque lá a Recorrente afirma justamente o contrário, contesta o referido subfaturmaento nas importações. Então seria uma contradição pleitear duas coisas contraditórias. Se acaso houve a omissão de custos, a empresa deveria ter renunciado à defesa do processo. e trazido às provas para o presente feito juntamente com suas alegações de defesa para serem aqui analisadas. Como não o fez, só lhe resta arcar com a consequência de seu ato de omitir custos. Esse é mais um grande risco da sonegação 2) Por último, como bem colocado pela decisão de piso, despesas e custos não regularmente contabilizados não são passíveis de dedução fiscal: Todavia, no entendimento desta Turma de Julgamento nao deve ser admitida a dedutibilidade da base de cálculo do IRPJ e da CSLL de despesas e custos não regularmente contabilizados. Conforme brilhantes lições de Ricardo Mariz de Oliveira (In Guia 10B de IRPJ), uma das regras gerais básicas de dedutibilidade dos custos e despesas teria sido inobservada, qual seja, a de estarem devidamente escrituradas. Transcrevemse, por oportunas, as orientações contidas no referido Manual: "A Lei exige que as despesas sejam registradas em escrita com forma contábil, sendo elas devidamente identificadas: quer pelos aspectos formais (faturas, notas fiscais, recibos, etc); quer pelos aspectos intrínsecos (identificação da operação, quantidades, valores, partes envolvidas, etc). Esta regra surge da combinação de vários dispositivos, notadamente dos arts. 251 e 300 do RIR/99 (antes, arts. 197 e 243 do RIR/94). Por outro lado, ainda em decorrência da regra acima, no tocante à necessidade de escrituração da despesa, a jurisprudência administrativa várias vezes manifestou a impossibilidade de deduções extracontábeis. Isto é, se a despesa deixou de ser lançada na contabilidade da empresa, não pode ser excluída do lucro real na declaração de rendimentos ou no Lalur. Na declaração ou no Lalur, o que se exclui é o valor de receitas não tributáveis ou de incentivos fiscais. A despesa, contudo, para ser admitida fiscalmente deve constar a débito de resultado.” Pelo exposto, nego provimento a este argumento. Do PIS, da COFINS na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSSL lançados Discordo também do relator em relação ao acatamento do pleito de revisão das bases de cálculo utilizadas para o IRPJ e CSLL, sob o entendimento de não terem sido deduzidas as parcelas do PIS e Cofins também exigidas por meio de auto de infração sobre a receita omitida. Apesar de a Lei nº 8.981/1995 estabelecer o regime da dedutibilidade dos tributos e contribuições pelo regime de competência, o Auto de Infração do PIS e da COFINS encontrase com a exigibilidade suspensa , o que é vedado por esse mesmo diploma legal: Fl. 1381DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado d igitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10882.003318/200701 Acórdão n.º 1401000.434 S1C4T1 Fl. 42 41 “Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial.” Portanto, a legislação não admite a exclusão de tributos e contribuições que estejam com sua exigibilidade suspensa por reclamação ou recurso (art. 151, inciso III do CTN). Outrossim, o direito a dedução dos tributos para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ, só pode ser exercido em relação aos valores constantes da escrituração contábil e devidamente declarados pela contribuinte, não se enquadrando, pois, às situações de lançamento decorrente de ação fiscal, cuja cobrança se encontra suspensa dada a instauração de litígio com a impugnação tempestivamente interposta. Cabe frisar que mesmo que se entenda que a determinação prevista no § 1°, artigo 41 da Lei 8.981/95 não alcançaria a contribuição social, ainda cabe um argumento derradeiro que inclusive foi a base para a confecção do referido art. 41. A meu ver, data máxima venia, nem mesmo tal dispositivo seria necessário. Se de fato o único texto normativo a ser interpretado fosse o § 1°, artigo 41 da Lei 8.981/95, com razão estaria a Recorrente. Entretanto, fazse mister enfrentar o dispositivo que estabelece a proibição de provisionar valores não autorizados por lei. Ora, os tributos com exigibilidade suspensa não são uma obrigação, mas sim uma provisão. O fato de a obrigação ser imposto por lei não é critério para se aferir a distinção entre obrigação e provisão, como muitos afirmam, afinal toda obrigação mesmo aquela contratual, decorre de lei em seu sentido mais lato. Obrigações são passivos que possuam o atributo da certeza sobre sua própria exigibilidade, sobre seu valor (liquidez) e sobre sua data de liquidação. Sérgio de Iudícibus, Eliseu Martins, Ernesto Rubens Gelbcke e Ariovaldo dos Santos (in Manual de contabilidade societária. São Paulo: Atlas, 2010, p.335) assim conceituaram as provisões: (...) As provisões podem ser distinguidas de outros passivos quando há incertezas sobre os prazos e valores que serão desembolsados ou exigidos para sua liquidação. (...) Assim, uma provisão somente deve ser reconhecida quando atender, cumulativamente, as seguintes condições: (a) a entidade tem uma obrigação legal ou não formalizada presente como consequência de um evento passado; (b) é provável a saída de recursos para liquidar a obrigação; e (c) pode ser feita estimativa confiável do montante da obrigação. Estabelecidas essas premissas, podese constatar cristalinamente que os tributos, cuja exigibilidade está suspensa por medida judicial ou por recurso administrativo como é o caso, classificamse como provisões e não como obrigações. Afinal, não se pode saber com precisão se ao final da lide (administrativa ou judicial), se os tributos serão efetivamente devidos, qual a base de cálculo devida e muito menos a data de sua liquidação. Fl. 1382DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado d igitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10882.003318/200701 Acórdão n.º 1401000.434 S1C4T1 Fl. 43 42 Firmado o fundamento de que tais contribuições no contexto aqui descrito possuem natureza de provisões, não são dedutíveis: Lei nº 7.689, de 15/12/98 Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1º Para efeito do disposto neste artigo: (...) c ) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) ..... 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) Lei nº 9.249, de 26/12/95 Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; (destaquei) Em síntese, é incabível a retificação da base de cálculo do IRPJ è da CSLL de maneira a considerar a dedutibilidade das contribuições lançadas de ofício: a uma, porque pelo fato de tais rubricas não estarem escrituradas ou declaradas; a duas, no caso do IRPJ, seja por que a exigibilidade está suspensa sendo passível de alteração no contencioso administrativo e, por fim, mas não menos importante, para o caso da CSLL ou IRPJ, porque se constituem em verdadeiras provisões não sendo permitidas a sua dedução por lei. Nessa mesma esteira se posicionou recentemente a CSRF: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2003 CSLL. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por traduzirse em nítido caráter de provisão. Assim, a dedutibilidade de tais rubricas somente ocorrerá por ocasião de decisão Fl. 1383DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado d igitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10882.003318/200701 Acórdão n.º 1401000.434 S1C4T1 Fl. 44 43 final da justiça, desfavorável à pessoa jurídica (Acórdão CSRF nº 910100.592, de 18 de maio de 2010). Portanto, nego provimento a este item do recurso. MULTA ISOLADA – ESTIMATIVAS NÃO PAGAS A recorrente pleiteia o cancelamento da multa isolada de 50% apurada em face de falta de recolhimento da estimativa do tributo devido, feito sob argumento de impossibilidade de cumulação com a multa de ofício de 75%. Cabe de início esclarecer que não se confunde a existência de duas infrações distintas.Uma coisa é o descumprimento da obrigação de recolher, até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir, o imposto apurado por estimativa; outra, completamente diferente é a caracterização de declaração inexata e da falta de recolhimento do imposto apurado no final do ano, com base no lucro real. Tais infrações são passíveis de penalidades distintas, previstas em diferentes dispositivos da legislação uma incidindo isoladamente, sobre as estimativas obrigatórias não recolhidas durante o anocalendário e outra cobrada juntamente com o imposto devido (declaração inexata). A lei em sua redação original, coincidentemente, tinha adotado o mesmo percentual de 75% para ambos os casos. Mas, esse dispositivo foi alterado pela lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, dandolhe nova redação, reduzindo a multa isolada para 50%; bem assim deixando bem claro, se dúvidas haviam, de que a referida multa isolada era cabível no caso de estimativa mensal não paga e não de tributo final não pago. Assim, em virtude da legislação referida, ao optar pela apuração dos lucros com base no real anual a contribuinte ficou obrigada a antecipar o pagamento do imposto de renda e da contribuição social, recolhendoos mensalmente, por estimativa. A multa isolada recebe essa denominação apenas por ser exigida separada e independentemente do tributo, tanto que se impõe ainda quando nenhum tributo ao final do período de apuração seja devido, apenas porque o contribuinte deixou de satisfazer o recolhimento por estimativa que lhe tocava efetuar. A multa aplicase ainda que, no final do período de apuração, venha a ser apurado prejuízo fiscal. Se a multa é cabível mesmo na hipótese de se verificar prejuízo ao final do período de apuração 2(duas) ilações estão aí pressupostas que precisam ser desveladas: a) a penalidade é imposta não em razão do pagamento insuficiente do tributo devido ao final da apuração, mas sim pelo falta de cumprimento de outra obrigação distinta, que é o recolhimento antecipado da estimativa mensal; b) descabido é também o argumento de que a multa isolada só se aplica para período não encerrado. Portanto, importa verificar que a exigência da multa isolada independe de se apurar resultado anual tributável, decorre do descumprimento da obrigação de recolher a estimativa apurada no mêscalendário. Fl. 1384DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado d igitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10882.003318/200701 Acórdão n.º 1401000.434 S1C4T1 Fl. 45 44 Também não se pode conceber que a aplicação da multa seja de caráter condicional. Explico melhor. O descumprimento da norma enseja a aplicação da penalidade, não tendo lógica a lei determinar que se proceda de certa maneira e se venha a ter procedimento em sentido oposto. É, pois, inadmissível que paralelamente com o deverser do comportamento, coexista o pretenso direito ao livre arbítrio de agir, vulnerandose o conteúdo das determinações legais. Em relação a tese da consunção, em primeiro lugar há que se ter cautela na importação de institutos de outros quadrantes do Direito (Penal) cujos bens protegidos são outros: liberdade do ser humano. O princípio da consunção no Direito Penal possui como característica básica, o englobamento de uma conduta típica menos gravosa por outra de maior relevância, estas possuem um nexo, sendo considerada a primeira conduta como um mero ato preparatório da última. O problema é que esse princípio se amolda ao Direito Penal de forma a contribuir para o caráter de justiça na retributividade da pena. Ora, o Direito Tributário não é lastreado apenas no princípio da retributividade e da prevenção, mas se reveste do seu caráter patrimonial, afinal o Direito tributário, em apertada síntese, é o direito que define como serão cobrados os tributos dos cidadãos para gerar receitas para o estado fazer face às suas despesas e custeio e tem como contraparte, entre outros, o Direito Financeiro, que é o conjunto de normas jurídicas destinadas à regulamentação do financiamento geral das atividades do Estado. O contexto então muda totalmente e se torna impeditiva para tais “importações”. Mantenho, portanto, as multas isoladas nos exatos termos prescritos na autuação. Por todo o exposto, NEGO provimento ao recurso de ofício relativo a responsabilidade solidária dos sócios da Recorrente, afasto a decadência suscitada e, no mérito, nego provimento ao recurso. Assinado digitalmente Antonio Bezerra Neto – Redator designado Fl. 1385DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado d igitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10882.003318/200701 Acórdão n.º 1401000.434 S1C4T1 Fl. 46 45 Fl. 1386DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado d igitalmente em 07/03/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO
score : 1.0
Numero do processo: 13820.000343/2004-02
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTOS.
Inexistindo os pressupostos regimentais estabelecidos no art. 65 do RICARF, rejeitam-se os embargos de declaração.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3403-001.931
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
[Assinado com certificado digital]
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201302
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTOS. Inexistindo os pressupostos regimentais estabelecidos no art. 65 do RICARF, rejeitam-se os embargos de declaração. Embargos Rejeitados.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13820.000343/2004-02
anomes_publicacao_s : 201304
conteudo_id_s : 5210150
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3403-001.931
nome_arquivo_s : Decisao_13820000343200402.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS ATULIM
nome_arquivo_pdf_s : 13820000343200402_5210150.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. [Assinado com certificado digital] Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
id : 4556732
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:58:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041395282870272
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1717; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 3 1 2 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13820.000343/200402 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403001.931 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 28 de fevereiro de 2013 Matéria PIS Embargante GENERAL MOTORS DO BRASIL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTOS. Inexistindo os pressupostos regimentais estabelecidos no art. 65 do RICARF, rejeitamse os embargos de declaração. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. [Assinado com certificado digital] Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pelo Contribuinte ao Acórdão 3403001.457, de 20 março de 2012, por meio do qual o Colegiado, por maioria de votos, desproveu o recurso voluntário. Naquela assentada prevaleceu o entendimento de que antes do advento da lei nº 10.865/2004 a receita proveniente das vendas de veículos automotores estava sujeita à AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 0. 00 03 43 /2 00 4- 02 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 incidência monofásica (Lei nº 10.485/2002) e, portanto, submetida ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e Cofins por força dos artigos 1º, § 3º, IV das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, combinado com o disposto no art. 8º, VII, “a” da Lei nº 10.637/2002 e do art. 10, VII, “a”, da Lei nº 10.833/2003. Em tempo hábil o contribuinte apresentou embargos de declaração, alegando a existência de omissões no acórdão recorrido em razão de que: 1) não teria sido analisada a aplicação dos artigos 5º, § 1º da Lei nº 10.637/2002 (PIS) e art. 6º, § 1º da Lei nº 10.833/2003 (Cofins), que tratam especificamente de hipóteses de exportação de produtos e reconhecem nesses casos, o direito de o contribuinte manter e aproveitar créditos decorrentes das etapas anteriores. Considerando que a Lei nº 10.485/2002 não disciplinou as receitas de exportação, é evidente a aplicação dos citados dispositivos; 2) somente foram aproveitados créditos relativos a insumos inseridos na sistemática da nãocumulatividade, ou seja, que não estavam sujeitos à alíquota zero da Lei nº 10.485/2002. O crédito só foi apurado e aproveitado em relação a insumos tributados pelo PIS e Cofins na etapa anterior à venda do veículo para o exterior; e 3) o acórdão embargado deixou de analisar que o crédito em discussão visa dar cumprimento ao art. 149, § 2º, I, da CF/88, que pretendeu desonerar as operações de exportação. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator ad hoc. Tendo em vista a aposentadoria da Conselheira Liduína Maria Alves Macambira, Redatora designada para o voto vencedor do acórdão embargado, passo a relatar os embargos de declaração. Os documentos anexados aos autos comprovam que o recurso foi manejado com a guarda do prazo regimental de cinco dias. A leitura do inteiro teor da decisão embargada revela que ela englobou implicitamente as três “omissões” alegadas. Vejamos. O voto condutor do acórdão embargado considerou que antes do advento da lei nº 10.865/2004 a receita proveniente das vendas de veículos automotores estava sujeita à incidência monofásica (Lei nº 10.485/2002) e, portanto, estava submetida ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e Cofins por força da exclusão prevista nos artigos 1º, § 3º, IV das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, combinado com o disposto no art. 8º, VII, “a” da Lei nº 10.637/2002 e do art. 10, VII, “a”, da Lei nº 10.833/2003. Ao citar expressamente os arts. 8º, VII, “a” da Lei nº 10.637/220 e 10, VII, “a” da Lei nº 10.833/2003, o acórdão deixou explícito que o contribuinte não tem direito ao crédito almejado, pois a redação desses dispositivos deixa bem claro que as receitas provenientes da venda de produtos sujeitos à incidência monofásica submetiamse, à época dos fatos, ao regime cumulativo não se lhes aplicando os artigos 1º a 6º da Lei nº 10.637/2002 e nem as artigos 1º a 8º da Lei nº 10.833/2003. Ora, dizer que os arts. 1º a 6º da Lei nº 10.637/2002 e 1º a 8º da Lei nº 10.833/2003 não são aplicáveis à receitas provenientes de operações com produtos sujeitos à incidência monofásica equivale a dizer que receitas submetidas ao regime cumulativo não dão Fl. 277DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13820.000343/200402 Acórdão n.º 3403001.931 S3C4T3 Fl. 4 3 direito à apuração de crédito do regime nãocumulativo, ainda que as receitas sejam decorrentes de exportação. Assim, é óbvio que não houve “omissão” no julgado nem quanto à aplicabilidade dos artigos 5º, § 1º da Lei nº 10.637/2002 (PIS) e do art. 6º, § 1º da Lei nº 10.833/2003; nem quanto à natureza dos créditos aproveitados (o fato de os insumos não estarem sujeitos à alíquota zero); e, tampouco, quanto ao cumprimento do art. art. 149, § 2º, I, da CF/88, uma vez que o Colegiado decidiu que as receitas do contribuinte estavam sujeitas ao regime cumulativo, no qual nunca existiu direito de crédito. É pacífico o entendimento segundo o qual o julgador não está obrigado a decidir a lide da forma como foi colocada pelas partes e nem é obrigado a rebater ponto a ponto todas as teses da defesa, conforme já decidiu o STJ nos acórdãos cujas ementas transcrevese a seguir: “Processo RESP 361026 / PI ; RECURSO ESPECIAL 2001/01380451 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 02/02/2006 Data da Publicação/Fonte DJ 20.02.2006 p. 261 TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. CSSL. COMPENSAÇÃO DE RESULTADOS NEGATIVOS ANTERIORES A 1992 IMPOSSIBILIDADE LEGALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA 90/92. 1. Ao Juiz cabe apreciar a lide de acordo com o seu livre convencimento, não estando obrigado a analisar todos os pontos suscitados pelas partes nem a rebater, um a um, todos os argumentos levantados nas razões ou nas contrarazões de recurso. Ausência de violação ao art. 535 do Código de Processo Civil. 2. "No STJ é firme o posicionamento no sentido de que não é possível ao contribuinte proceder à compensação de prejuízos anteriores ao exercício de 1992, inexistindo qualquer ilegalidade nas IN's 198/88 e 90/92 SRF" REsp 605.593/DF, Rel. Eliana Calmon, DJU 02.05.05 ). Súmula 83/STJ. 3. Recurso especial improvido.” (...) “RESP 677585 / RS ; RECURSO ESPECIAL 2004/01268898 Relator(a) Ministro LUIZ FUX (1122) Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 06/12/2005 Data da Publicação/Fonte DJ 13.02.2006 p. 679 RECURSO ESPECIAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. TUTELA ANTECIPADA. TRANSPORTADORAS DE VEÍCULOS. "CEGONHEIROS". INDÍCIOS DE ABUSO DE PODER ECONÔMICO E FORMAÇÃO DE CARTÉIS. 1. A violação do art. 535 do CPC ocorre quando há omissão, obscuridade ou contrariedade no acórdão recorrido. Inocorre o referido vício in procedendo posto não estar o juiz obrigado a tecer comentários exaustivos sobre todos os pontos alegados pela parte, mas antes, a analisar as questões relevantes para o deslinde da controvérsia. (....)” Inexistindo a obrigatoriedade de que sejam rebatidas ponto a ponto todas as alegações da defesa e tendo constado expressamente no acórdão embargado os dispositivos legais que determinam a sujeição das receitas provenientes de operações com produtos sujeitos Fl. 278DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 à incidência monofásica ao regime cumulativo, não há que se falar em omissão que renda ensejo aos embargos de declaração. Com essas considerações, voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração. Antonio Carlos Atulim Fl. 279DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 11030.904247/2009-11
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/03/2002
COFINS. COMPENSAÇÃO. RECURSO QUE TRATA DE MATÉRIA ESTRANHA AO PROCESSO. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso deve demonstrar de maneira clara e objetiva o equívoco da decisão singular, destacando o desacerto no raciocínio fático, lógico e jurídico desenvolvido por seu prolator. Se o Recorrente apresenta matéria estranha ao processo, sem impugnar os fundamentos postos na decisão, não deve ser conhecido o recurso, por padecer de regularidade formal, um dos pressupostos extrínsecos de admissibilidade recursal, nos termos do art. 514, inc. II, do CPC.
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3801-001.732
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201302
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/03/2002 COFINS. COMPENSAÇÃO. RECURSO QUE TRATA DE MATÉRIA ESTRANHA AO PROCESSO. NÃO CONHECIMENTO. O recurso deve demonstrar de maneira clara e objetiva o equívoco da decisão singular, destacando o desacerto no raciocínio fático, lógico e jurídico desenvolvido por seu prolator. Se o Recorrente apresenta matéria estranha ao processo, sem impugnar os fundamentos postos na decisão, não deve ser conhecido o recurso, por padecer de regularidade formal, um dos pressupostos extrínsecos de admissibilidade recursal, nos termos do art. 514, inc. II, do CPC. Recurso Voluntário não conhecido.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 11030.904247/2009-11
anomes_publicacao_s : 201303
conteudo_id_s : 5200234
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3801-001.732
nome_arquivo_s : Decisao_11030904247200911.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
nome_arquivo_pdf_s : 11030904247200911_5200234.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes- Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
id : 4538623
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:57:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041395284967424
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1774; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 111 1 110 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11030.904247/200911 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801001.732 – 1ª Turma Especial Sessão de 27 de fevereiro de 2013 Matéria COFINS Recorrente AUTO POSTO VERONA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2002 COFINS. COMPENSAÇÃO. RECURSO QUE TRATA DE MATÉRIA ESTRANHA AO PROCESSO. NÃO CONHECIMENTO. O recurso deve demonstrar de maneira clara e objetiva o equívoco da decisão singular, destacando o desacerto no raciocínio fático, lógico e jurídico desenvolvido por seu prolator. Se o Recorrente apresenta matéria estranha ao processo, sem impugnar os fundamentos postos na decisão, não deve ser conhecido o recurso, por padecer de regularidade formal, um dos pressupostos extrínsecos de admissibilidade recursal, nos termos do art. 514, inc. II, do CPC. Recurso Voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 42 47 /2 00 9- 11 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 13/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 15 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.904247/200911 Acórdão n.º 3801001.732 S3TE01 Fl. 112 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes. Relatório Tratase de compensação declarada por meio de DCOMP de suposto crédito de COFINS, que foi objeto de Despacho Decisório no sentido de sua não homologação, em virtude de que o crédito apontado foi utilizado integralmente para a quitação de outros débitos da empresa, não restando crédito disponível para a compensação do débito informado na DCOMP. Cientificado da decisão administrativa, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que os valores compensados são decorrentes de COFINS e PIS incidentes sobre receitas repassadas a terceiros (art. 3o., § 2o., inciso III, da Lei 9.718/98) e que, por conseguinte, não poderiam sofrer a incidência das contribuições em comento. A DRJ de Porto Alegre, ao analisar a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, assim decidiu: BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. NORMA DE EFICÁCIA CONDICIONADA. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. A norma legal que, condicionada à regulamentação pelo Poder Executivo, previa a exclusão da base de cálculo da contribuição valores que, computados como receita, houvessem sido transferidos a outras pessoas jurídicas, tendo sido revogada previamente à sua regulamentação não produziu efeitos, sendo descabido, com base nesse pressuposto, o reconhecimento do direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Tendo sido notificada da decisão, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, no qual alega, em síntese, que o crédito compensado seria a título de PIS recolhido com base nos Decretoslei no. 2.445/1988 e 2.449/1988, que tiveram sua eficácia suspensa com a edição da Resolução do Senado Federal no. 49/95. E que, em face do exposto, voltou a vigorar a sistemática da Lei Complementar no. 7/70 e, com a alta da inflação, o valor mensal devido pelas empresas mercantis e mistas foi reduzida a praticamente zero. Alega que essa situação perdurou até 29/11/1995, quando foi editada a MP no. 1.212/95, que determinou a cobrança do PIS sobre o faturamento. Porém, como a MP e suas sucessivas reedições não observaram a carência nonagesimal exigida constitucionalmente, a Lei Complementar no. 7/70 estaria vigente até hoje e, em face disso, a base de cálculo do PIS seria o faturamento do sexto mês anterior, sem quaisquer correções. Estaria, assim, justificada a compensação efetuada pelo Recorrente, razão pela qual requer que seu direito creditório seja reconhecido por este Conselho. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 13/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 15 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.904247/200911 Acórdão n.º 3801001.732 S3TE01 Fl. 113 3 É o relatório. Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora O Recurso é tempestivo. Porém, não há como conhecêlo. Isso porque o Recurso Voluntário é o meio através do qual o Recorrente devolve ao Conselho a matéria decidida pela Delegacia de Julgamento. Deve, portanto, efetivamente impugnar tal decisão, demonstrando seu inconformismo com as razões apresentadas pelos julgadores. Contudo, a Recorrente não pode utilizarse desse instrumento para alegar matéria totalmente estranha ao processo. Ora, o processo foi instaurado em face de uma compensação realizada pela Recorrente de suposto crédito de COFINS. A compensação não foi homologada. A Recorrente, em sua primeira manifestação, justifica a existência do crédito de COFINS alegando que seria decorrente de incidência havida sobre receita repassada a terceiros (sem, contudo, trazer qualquer demonstrativo de cálculo que comprovasse tal alegação). A Delegacia de Julgamento de Porto Alegre manteve o entendimento no sentido da inexistência do crédito. E, por fim, em suas razões recursais, justifica a compensação em face de suposto recolhimento indevido a maior a título de PIS!!! De se ressaltar que não se trata de simples inovação de argumentos, mas de matéria completamente estranha aos autos do processo. Não se questiona aqui, compensação de crédito de PIS, mas sim compensação de crédito de COFINS. Padece o recurso de regularidade formal. O Recurso só é possível quando o Recorrente demonstra de maneira clara e objetiva o equívoco da decisão recorrida, destacando o desacerto no raciocínio fático, lógico e jurídico desenvolvido por seu prolator. Na presente hipótese, carece a peça recursal de elementos técnicos de formação, posto que não guarda relação lógica e pertinência temática com aquilo que foi objeto da decisão. Não tendo sido impugnados os alicerces da decisão recorrida, tratando de matéria alheia ao processo, não há como conhecer do presente Recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 60DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 13/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 15 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.904247/200911 Acórdão n.º 3801001.732 S3TE01 Fl. 114 4 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 13/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 15 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10860.905009/2009-89
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/01/2008
INTEMPESTIVIDADE DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO.
Recurso Voluntário de acórdão da DRJ embasado em Manifestação de Inconformidade Intempestiva não deve ser conhecido.
Numero da decisão: 3803-004.102
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
[assinado digitalmente]
Alexandre Kern - Presidente.
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201303
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/01/2008 INTEMPESTIVIDADE DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. Recurso Voluntário de acórdão da DRJ embasado em Manifestação de Inconformidade Intempestiva não deve ser conhecido.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10860.905009/2009-89
anomes_publicacao_s : 201304
conteudo_id_s : 5202614
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3803-004.102
nome_arquivo_s : Decisao_10860905009200989.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10860905009200989_5202614.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Alexandre Kern - Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
id : 4554584
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:57:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041395289161728
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1722; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 10 1 9 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10860.905009/200989 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803004.102 – 3ª Turma Especial Sessão de 21 de março de 2013 Matéria PAF Recorrente MARCPELZER PLASTICS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/01/2008 INTEMPESTIVIDADE DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. Recurso Voluntário de acórdão da DRJ embasado em Manifestação de Inconformidade Intempestiva não deve ser conhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Tratase de PER/DCOMP que buscou compensar créditos alegadamente pagos indevidamente de PIS/PASEP de período de apuração julho/2005 com débitos de COFINS do período de apuração dezembro/2007 no valor de R$ 42.768,72.. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 50 09 /2 00 9- 89 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 26/ 03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Através de Despacho Decisório Eletrônico recebido em 19/10/2009, a DRF em Taubaté/SP não homologou o PER/DCOMP pois “Foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos créditos informados no Per/DCOMP” Irresignada a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 02/12/2009, onde resumidamente alega que: a. o crédito é oriundo da exclusão do ICMS da base de calculo da COFINS b. a base de cálculo da COFINS é o faturamento, ou seja, o produto da venda de mercadorias e da prestação de serviços. c. o ICMS não se amolda ao conceito de faturamento, sendo inconstitucional a incidência de contribuição sobre esse tributo. d. a matéria em questão que se refere a exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS, se encontra em repercussão geral, no STF. Ao final pede que seu PER/DCOMP seja homologado. A contribuinte protocolou pedido de desistência da ação administrativa, porem o fez com numeração estranha ao processo. A receita federal a intimou para corrigir a numeração indicada para assim proceder. Não obteve resposta da contribuinte, razão pela qual o processo teve sua continuidade. A DRJ em Campinas/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Em seu acórdão atenta para a correção da inclusão do ICMS na base de calculo das contribuições sociais. Destaca que a lei 9.718/98, norma que regulava a COFINS na época, não previa a exclusão do ICMS da base de cálculo. Anexa a sumula 94 do STJ, e lembra que o recurso extraordinário nº 240.7852/MG não foi julgado, portanto, afasta sua aplicação. Atesta a falta de provas anexadas para a comprovação do valor pago a maior. Inconformado o sujeito passivo protocolou recurso voluntário onde afirma que o conceito de faturamento e receita possui natureza constitucional e não pode ser modificado por legislação infraconstitucional. Fundamenta seu argumento anexando parte de voto proferido pelo Exmo. Min. do STF, Marco Aurélio Melo, e afirma que o valor correspondente ao ICMS não tem natureza de faturamento ou receita. Ao final pede que seja reconhecido seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira O recurso é tempestivo, porem dele não tomo conhecimento. Discorrendo sobre a contagem de prazo no âmbito do processo administrativo fiscal, o artigo 5º do Decreto 70.235/72 (PAF) estabelece: Fl. 91DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 26/ 03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10860.905009/200989 Acórdão n.º 3803004.102 S3TE03 Fl. 11 3 Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Quanto ao prazo para apresentação da Manifestação de Inconformidade o § 9o do artigo 74 da Lei 9.430/96, combinado com o § 7o do mesmo dispositivo legal estabelece o prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência do ato que não homologou a compensação. Em analise dos autos verificamos que o contribuinte tomou ciência do despacho decisório em 19/10/2009 (Fls. 50), considerando que o dia 19/10/2009 foi uma segundafeira, a contagem do prazo iniciouse na terçafeira dia 20/10/2009 e findouse na quartafeira dia 18/11/2009, somente em 02/12/2009 (Fls. 08) a manifestação de inconformidade foi protocolizada. Não identificamos a existência de feriados ou falta de expediente na repartição, tão pouco a recorrente defende a tempestividade em seu recurso, o que seria natural em ocorrendo situações excepcionais como motivos de força maior, greve e outros eventos. Entendemos que errou a DRJ em Campinas/SP ao atestar a tempestividade da Manifestação de Inconformidade e manifestarse sobre as questões de mérito sem ao menos justificar a sua certificação de tempestividade. Verificamos, ainda, que o contribuinte em sua manifestação de inconformidade assim escreve: “Em 20.10.2009, a ora Peticionaria foi notificada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil sobre o teor da decisão exarada pela autoridade fiscal que indeferiu o pedido de restituição formulado pela empresa, não homologando também o pedidos de compensações realizados no mesmo procedimento fiscal, conforme dados descrito a seguir:” Ora, o próprio sujeito passivo reconhece a data da notificação do despacho decisório, apesar de um dia depois do efetivo recebimento, o que em nada altera o entendimento a respeito da intempestividade da sua manifestação de inconformidade. Pelo exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário. João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 92DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 26/ 03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 11610.003135/2001-54
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1997
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Art. 62-A do anexo II).
O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação (Recurso Especial nº 973.733).
O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões trazidas no recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad - Relator
EDITADO EM: 04/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201301
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1997 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Art. 62-A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Recurso especial provido.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 11610.003135/2001-54
anomes_publicacao_s : 201303
conteudo_id_s : 5198219
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 9202-002.496
nome_arquivo_s : Decisao_11610003135200154.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : GUSTAVO LIAN HADDAD
nome_arquivo_pdf_s : 11610003135200154_5198219.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões trazidas no recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad - Relator EDITADO EM: 04/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
id : 4523428
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:56:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041395294404608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2391; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 7 1 6 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11610.003135/200154 Recurso nº 163.638 Especial do Procurador Acórdão nº 9202002.496 – 2ª Turma Sessão de 30 de janeiro de 2013 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ALAN PAULO CANÇADO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1997 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 31 35 /2 00 1- 54 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões trazidas no recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator EDITADO EM: 04/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Alan Paulo Cançado foi lavrado o auto de infração de fls. 29/32, objetivando a exigência do Imposto de Renda de Pessoa Física em decorrência de dedução indevida de despesa com instrução e a título de pensão alimentícia judicial, verificadas no ano calendário de 1996. A 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”), ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° 210100.733, que se encontra às fls. 115/118 e cuja ementa é a seguinte: “DECADÊNCIA – LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, aplicase o prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4°, do CTN, ainda que não tenha havido pagamento antecipado. Homologase no caso a atividade, o procedimento realizado pelo sujeito passivo, consistente em “verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo”, inclusive quando tenha havido omissão no exercício daquela atividade. A hipótese de que trata o artigo 149, V, do Código, é exceção à regra do artigo 173, I. A interpretação do caput do artigo 150 deve ser feita em conjunto com os artigos 142, caput e parágrafo único, 149, V e VII, 150, §§1º. e 4º., 156, V e VII, e 173, I, todos do CTN. Decadência acolhida.” Fl. 170DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 11610.003135/200154 Acórdão n.º 9202002.496 CSRFT2 Fl. 8 3 A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso para reconhecer a decadência do crédito tributário. Intimada do acórdão em 03/03/2011 (fls. 119), a Fazenda Nacional interpôs o recurso especial de fls. 122/125, em que pleiteia seja afastada a decadência declarada pela decisão recorrida e demonstra divergência entre o acórdão recorrido e paradigmas quanto à aplicação do art. 173, inciso I, do CTN a situações em que não houve antecipação de pagamento (Acórdãos CSRF/910100.460 e CSRF/0202288). O recurso especial foi admitido conforme se verifica do despacho nº 2100 00.211/2011, de 29/04/2011 (fls. 128/129). Intimado sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional o contribuinte apresentou contrarazões (fls. 132/134). É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Inicialmente analiso a admissibilidade do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. A Recorrente sustenta divergência no tocante à decadência entre o v. acórdão recorrido e os acórdãos nº 910100.460 e CSRF nº 0202.288. Os acórdãos paradigmas encontramse assim ementados: “Acórdão nº 910100.460 DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO LANÇAR TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Restando configurado que o sujeito passivo não efetuou recolhimentos, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário deve observar a regra do art. 173,inciso I, do CTN. Precedentes no STJ, nos termos do RESP nº 973.733 – SC, submetido ao regime do art. 543 – C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” “Acórdão nº CSRF/0202.288 PIS. DECADÊNCIA. Por ter natureza tributária, na hipótese de ausência de pagamento antecipado, aplicase ao PIS a regra de decadência prevista no art. 173, I, do CTN. Recurso Especial negado.” Verifico que os paradigmas apontados pela Procuradoria da Fazenda Nacional consideram que a decadência dos tributos lançados por homologação se submete à regra do art. 173, inciso I, do CTN, quando não houver antecipação de recolhimento do tributo Fl. 171DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 por parte do sujeito passivo, enquanto o acórdão recorrido concluiu que o prazo de decadência relativo a esses tributos se rege pelo disposto no art. 150, § 4º, do CTN independentemente da existência de pagamento antecipado. Entendo, portanto, caracterizada a divergência de interpretação, razão pela qual conheço do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Quanto ao mérito, no tocante à decadência, já manifestei entendimento em diversas oportunidades segundo o qual o IRPF é tributo sujeito ao lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para efetuar o lançamento de tal tributo seria, em regra, o do art.150, §4º do CTN. Dessa forma, o prazo decadencial para o lançamento seria de cinco anos a contar do fato gerador. Ocorre que o Regimento Interno deste E. Conselho, conforme alteração promovida pela Portaria MF n.º 586/2010 no artigo 62A do anexo II, introduziu dispositivo que determina, in verbis, que: “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o RESP nº 973.733, nos termos do artigo 543C, do CPC, consolidou entendimento diverso do que sempre adotei, conforme se verifica da ementa a seguir transcrita: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito Fl. 172DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 11610.003135/200154 Acórdão n.º 9202002.496 CSRFT2 Fl. 9 5 tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Com o advento da decisão acima referida, temse que nos casos em que não houve antecipação de pagamento devese aplicar a regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, contarse o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Nos casos em que há recolhimento, ainda que parcial, aplicase a regra do art. 150, § 4º do CTN, ou seja, o prazo iniciase na data do fato gerador. No presente caso a decisão recorrida reconheceu a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 1996. O crédito tributário em discussão no presente processo é relativo a dedução a título (i) de despesa com instrução e (ii) de pensão alimentícia judicial, ambas glosadas por não atenderem às exigências legais. Tratase, de revisão de declaração de rendimentos que constatou irregularidades na declaração do contribuinte no anocalendário de 1996 e acarretou a alteração da declaração de “saldo inexistente de imposto a pagar ou a restituir” para “imposto suplementar de R$ 4.658,50”. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 Compulsando os autos, verifico pela cópia da declaração de ajuste anual do exercício de 1997 (fls. 18 e seguintes) que durante o ano calendário de 1996 não houve qualquer recolhimento de imposto de renda pelo contribuinte. Logo, aplicase no presente caso, a teor da exigência regimental acima referida, o disposto no artigo 173, inciso I do CTN, sendo que o início do prazo de decadência deve se dar a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Considerando que os fatos geradores ocorreram durante o anocalendário de 1996, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado corresponde a 1º/01/1998. Assim, quando o contribuinte foi notificado do lançamento em 15/07/2002 (fl. 37) não havia transcorrido o prazo de decadência de cinco anos. Afastada a decadência, cabe verificar se há alegações no recurso voluntário que ainda não foram enfrentadas, hipótese em que os autos devem ser devolvidos para a turma de origem. No presente caso, o contribuinte sustenta a legitimidade das deduções glosadas tendo trazido aos autos, juntamente com seu recurso voluntário, os documentos de fls. 58/112. O v. acórdão recorrido, no entanto, ao reconhecer a decadência deixou de analisar os argumentos e documentos apresentados no recurso voluntário, razão pela qual os autos devem ser devolvidos para que o CARF se manifeste sobre o mérito, sob pena de supressão de instâncias. Destarte, conheço do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO e determinar a devolução dos autos à segunda instância para exame das demais questões. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 174DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD
score : 1.0
Numero do processo: 13839.001651/00-80
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1994, 1995, 1996, 1997
Ementa DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49.
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
Numero da decisão: 9101-001.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais,
por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, José Ricardo da Silva, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Mário Sérgio Fernandes Barroso (suplente convocado), Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (suplente convocada), João Carlos de Lima Junior, Meigan Sack Rodrigues (suplente convocada).
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201210
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1994, 1995, 1996, 1997 Ementa DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
turma_s : Segunda Câmara
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13839.001651/00-80
anomes_publicacao_s : 201303
conteudo_id_s : 5200474
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 9101-001.501
nome_arquivo_s : Decisao_138390016510080.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 138390016510080_5200474.pdf
secao_s : Terceiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, José Ricardo da Silva, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Mário Sérgio Fernandes Barroso (suplente convocado), Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (suplente convocada), João Carlos de Lima Junior, Meigan Sack Rodrigues (suplente convocada).
dt_sessao_tdt : Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
id : 4538863
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:57:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041395297550336
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1851; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 151 1 150 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13839.001651/0080 Recurso nº 30.213.1641 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101001.501 – 1ª Turma Sessão de 25 de outubro de 2012 Matéria PRESCRIÇÃO Recorrente SHIMETK IND. E COM. DE RESINAS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1994, 1995, 1996, 1997 Ementa DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS – Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, José Ricardo da Silva, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Mário Sérgio Fernandes Barroso (suplente convocado), Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (suplente convocada), João Carlos de Lima Junior, Meigan Sack Rodrigues (suplente convocada). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 16 51 /0 0- 80 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE L IMA JUNIOR 2 Tratase de Recurso Especial de divergência (fls. 111/119) interposto pelo contribuinte com fundamento no artigo 32, inciso II, do Regimento Interno do extinto Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF nº 55/98. Insurgiuse o Recorrente contra o acórdão nº 30237.507 (fls. 103/105) por meio do qual a Segunda Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes negou provimento ao recurso voluntário do contribuinte (fls. 87/90). O acórdão recorrido foi assim ementado: DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A multa por atraso na entrega de DCTF tem fundamento em ato com força de lei, não violando, portanto, os princípios da tipicidade e da legalidade; por se tratar a DCTF de ato puramente formal e de obrigação acessória sem relação direta com a ocorrência do fato gerador, o atraso na sua entrega não encontra guarida no instituto da exclusão da responsabilidade pela denúncia espontânea. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. O contribuinte em suas razões recursais afirmou que o artigo 138 do CTN visa assegurar o respeito ao princípio constitucional da igualdade. Argumentou que não podem sofrer a mesma punição aqueles que se auto denunciam e proporcionam o saneamento espontâneo da falha havida e aqueles que são autuados por procedimento de oficio dos órgãos fiscalizadores. Afirmou, por fim, que o não benefício decorrente da denúncia espontânea no caso dos autos seria privilegiar a má fé. Transcreveu a ementa do acórdão paradigma proferido pela Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (acórdão 10246.597) na sessão de julgamento realizada em 26/01/2005: IRPF — PENALIDADE — MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO ANUAL DE AJUSTE — A penalidade, eventualmente aplicável por descumprimento de prazo de obrigação acessória, tem, como base de cálculo, quando for o caso, o imposto líquido devido, constante na Declaração Anual de Ajuste Legitima a interpretação de que a base de cálculo será sempre o imposto devido pois não se pode exigir do contribuinte multa sobre determinado valor antecipadamente pago. A espontaneidade do contribuinte está no cumprimento de uma obrigação acessória imposta anualmente. Logo, a denúncia espontânea do art. 138 do CTN está presente, in casu, face ao pressuposto da boafé, inclusive. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE L IMA JUNIOR Processo nº 13839.001651/0080 Acórdão n.º 9101001.501 CSRFT1 Fl. 152 3 Assim, o contribuinte pretende a reforma da decisão recorrida para extinguir a exigência referente ao atraso na entrega da DCTF. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 139/142 e argumentou que o instituto da denúncia espontânea não se aplica ao caso dos autos, razão pela qual deve persistir a cobrança da multa imposta pelo descumprimento do prazo de entrega da DCTF, vez que a sua dispensa viola o artigo 11 do DecretoLei n°1.968/82, com a redação dada pelo DecretoLei n° 2.065/83. É o relatório. Voto Conselheiro João Carlos de Lima Junior, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de auto de infração para imposição de multa em razão de atraso na entrega das declarações DCTF referentes aos períodos de julho a dezembro de 1994, janeiro a setembro e dezembro de 1995, janeiro a dezembro de 1996 e janeiro de 1997. A matéria em debate foi sumulada e aprovada pelo Pleno na sessão realizada em 29/11/2010. A súmula 49 do CARF assim dispõe: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Nesse passo, se faz importante, ainda, observar o que dispõe o artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela portaria de número 256, de 22 de junho de 2009: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF: (...) § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Fl. 152DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE L IMA JUNIOR 4 Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. (...) Do exposto, resta clara a existência de vedação expressa quanto a possibilidade de interposição de Recurso Especial contra decisão que trata de matéria sumulada pelo CARF. É o que ocorre o presente caso, razão pela qual não conheço o Recurso Especial. Pelo exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso interposto. JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator Fl. 153DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE L IMA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13736.000106/2008-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2005.
IRPF. GRATIFICAÇÃO. ISENÇÃO. EXIGÊNCIA DE LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. A LEI Nº 8.852 NÃO AUTORGA ISENÇÃO.
A lei que concede isenção, nos termos do § 6º do art. 150 da Constituição Federal, deve ser específica. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos e da forma de percepção das rendas ou proventos. A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
Recurso voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-002.149
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201206
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2005. IRPF. GRATIFICAÇÃO. ISENÇÃO. EXIGÊNCIA DE LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. A LEI Nº 8.852 NÃO AUTORGA ISENÇÃO. A lei que concede isenção, nos termos do § 6º do art. 150 da Constituição Federal, deve ser específica. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos e da forma de percepção das rendas ou proventos. A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Recurso voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 13736.000106/2008-16
conteudo_id_s : 5217747
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2102-002.149
nome_arquivo_s : Decisao_13736000106200816.pdf
nome_relator_s : FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13736000106200816_5217747.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
id : 4567482
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:59:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041395314327552
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1990; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 1 1 0 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13736.000106/200816 Recurso nº 172.132 Voluntário Acórdão nº 210202.149 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de junho de 2012 Matéria IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS Recorrente HELIO PEDRO DO NASCIMENTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2005. IRPF. GRATIFICAÇÃO. ISENÇÃO. EXIGÊNCIA DE LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. A LEI Nº 8.852 NÃO AUTORGA ISENÇÃO. A lei que concede isenção, nos termos do § 6º do art. 150 da Constituição Federal, deve ser específica. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos e da forma de percepção das rendas ou proventos. A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Recurso voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Atílio Pitarelli, Núbia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida a Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005 (fls. 3/6), referente a omissão Fl. 42DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA 2 de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica no valor de R$ 8.061,60 (oito mil, sessenta e um reais e sessenta centavos), que reduziu o imposto a restituir. O contribuinte apresentou impugnação solicitando a improcedência do lançamento, tendo em vista que os rendimentos recebidos da Marinha do Brasil a título de “Adicional por tempo de serviço e compensação orgânica” estariam entre as hipóteses de exclusão de incidência de tributação do imposto de renda pessoa física, nos termos do inciso III do art. 1º, inciso III, alínea “d” e “n” da Lei nº 8.852, de 1994. A Primeira Turma de Julgamento da DRJ/RIO II, por meio do Acórdão nº 1319.492, entendeu ser procedente o lançamento. Cientificado em 10 de maio de 2008 (fl. 35), o contribuinte interpôs recurso voluntário no dia 6 do mês seguinte (fls. 36/37), alegando que: a) os rendimentos correspondem ao “Adicional por Tempo de Serviço e Compensação Orgânica”, indevidamente incluído como rendimentos tributável; e b) a lei nº 8.852, de 1994, no art. 1º, inciso III, alíneas “d” e “n”, reconheceu a ilegalidade da incidência do adicional por tempo de serviço, e assegurou, expressamente, a exclusão das referidas vantagens. É o relatório. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA Processo nº 13736.000106/200816 Acórdão n.º 210202.149 S2C1T2 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade, uma vez que o contribuinte foi intimado da decisão de primeira instância e interpôs o recurso voluntário no prazo regulamentar. Atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o recurso. O requerente solicita que seja considerada isenta do imposto de renda a gratificação denominada “Adicional por Tempo de Serviço e Compensação Orgânica”. Não procede a argumentação do contribuinte, haja vista que a Lei nº 8.852, de 1994, no dispositivo citado, não contempla as hipóteses de incidência ou isenção do imposto de renda pessoa física. A lei – que dispõe sobre a aplicação dos art. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal – apenas define o que seja vencimento básico, vencimentos e remuneração para efeitos dos seus dispositivos. As exclusões referemse unicamente ao conceito de remuneração. A lei que concede isenção, nos termos do § 6º do art. 150 da Constituição Federal, deve ser específica. Ainda, conforme expresso no Código Tributário Nacional, art. 11, a legislação tributária deve ser interpretada literalmente. De acordo com a Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, a tributação independe “da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos [...] e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título.” Os rendimentos isentos do imposto de renda estão consolidados no Capítulo II do Título IV do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999 (arts. 39 a 42). E a gratificação referida não está computada entre os rendimentos isentos e não tributáveis. Esse entendimento está expresso na Súmula CARF nº 68: “A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física”. Portanto, de aplicação obrigatória pelos membros deste Colegiado. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira Relator Fl. 44DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA 4 Fl. 45DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.010533/2008-39
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 2006
MULTA ATRASO DCTF:
O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal - SRF, sujeitar-se-á à multa de dois por cento ao mês-calendário ou fração, limitada a 20%, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, podendo ser reduzida à metade quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio. (Art. 7º, II, § 1º e 2° da Lei n° 10.426, de 2002, com a redação
dada pela Lei n° 11.051, de 2004)
Numero da decisão: 1801-001.157
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201209
ementa_s : NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2006 MULTA ATRASO DCTF: O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal - SRF, sujeitar-se-á à multa de dois por cento ao mês-calendário ou fração, limitada a 20%, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, podendo ser reduzida à metade quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio. (Art. 7º, II, § 1º e 2° da Lei n° 10.426, de 2002, com a redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004)
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 11080.010533/2008-39
conteudo_id_s : 5213907
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 03 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1801-001.157
nome_arquivo_s : Decisao_11080010533200839.pdf
nome_relator_s : MARIA DE LOURDES RAMIREZ
nome_arquivo_pdf_s : 11080010533200839_5213907.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2012
id : 4565879
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:58:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041395318521856
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1752; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 91 1 90 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.010533/200839 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180101.157 – 1ª Turma Especial Sessão de 12 de setembro de 2012 Matéria Multa Atraso DCTF Recorrente GREMIO FOOTBALL PORTO ALEGRENSE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 MULTA ATRASO DCTF: O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, sujeitarseá à multa de dois por cento ao mêscalendário ou fração, limitada a 20%, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, podendo ser reduzida à metade quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio. (Art. 7o., II, § 1o.e 2° da Lei n° 10.426, de 2002, com a redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 99DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/09/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, e Ana de Barros Fernandes. Relatório Recorre a interessada a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF – contra decisão da 6a. Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre/RS que, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação apresentada contra notificação de lançamento que exige multa por atraso na entrega da DCTF. Contra a empresa em epígrafe foi lavrada a notificação de lançamento de fl. 13 que exige multa por atraso na entrega da DCTF do mês de fevereiro de 2006, no valor de R$ 95.960,85, correspondente a 20% calculados sobre o montante total de tributos declarados na DCTF de R$ 479.804,29. Cientificada, apresentou impugnação tempestiva (fls. 01/12) invocando a nulidade da exigência por ausência de assinatura do chefe do órgão expedidor ou servidor autorizado. Seria nula, ainda, a exigência, pela inobservância dos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, pois se trataria de simples descumprimento de obrigação acessória em valores comparados ao da obrigação principal já adimplida, o que caracterizaria verdadeiro confisco, considerado inconstitucional. A 6a. Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre/RS julgou improcedente a impugnação. Aquela autoridade considerou a legalidade do ato que prescinde de assinatura por ter sido emitido por processo eletrônico (fls. 66/70). Quanto aos argumentos de inconstitucionalidade da notificação de lançamento observou que a exigência encontrase fundamentada em lei e que alegações dessa categoria não poderiam ser opostas aos órgãos de julgamento administrativo pois lhes faltaria competência para apreciálas. Notificada da decisão, em 16/12/2009 (AR fl. 76), apresentou a interessada, em 15/01/2010, o recurso voluntário de fls. 77/87. Nas razões de defesa reitera as alegações de nulidade do ato por falta de assinatura e pelos seus efeitos confiscatórios, acrescentando que o cálculo da penalidade, com acréscimo de 2% sobre cada mês de atraso caracterizaria também bis in idem. Nesse contexto os órgãos administrativos de julgamento teriam função administrativa judicante e poderiam reconhecer a inconstitucionalidade de dispositivos legais. Aduz que se os tributos devidos foram adimplidos não haveria interesse na aplicação de multa por atraso de entrega de obrigação acessória pois não se verificaria dano ao erário – “o cumprimento do principal extingue o acessório...” Fl. 100DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/09/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11080.010533/200839 Acórdão n.º 180101.157 S1TE01 Fl. 92 3 Entende que a multa aplicada nos casos em que o valor declarado foi adimplido não poderia ser o mesmo que a multa aplicada quando não há pagamento do valor apresentado ao Fisco, o que caracterizaria bis in idem. Pondera que a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória atrelada ao tributo declarado como devido seria inteiramente desarrazoada, pois não guarda qualquer relação de proporcionalidade entre a falta cometida e a sanção aplicada. Ao final pede pela improcedência da exigência. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. No que toca à alegada nulidade da notificação de lançamento por ausência de assinatura de chefe ou outro servidor limitome a ratificar as razões de decidir da Turma Julgadora de 1a. instância, ou seja, o parágrafo único do artigo 11 do Decreto n º 70.235, de 1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal determina que a notificação de lançamento emitida eletronicamente prescinde de assinatura. Afasto, portanto, a invocada nulidade da exigência. No mérito verificase que a DCTF do mês de fevereiro de 2006, que deveria ter sido apresentada pela empresa recorrente até 07/04/2006, somente foi apresentada em 25/07/2008, ou seja, passados vinte e oito (28) meses do prazo final para sua apresentação. Diante da impontualidade foi lavrada a multa calculada em 2% ao mês de atraso ou fração, limitada a 20% assim, in casu, corresponde a 20% sobre o montante total dos tributos declarados, de R$ 479.804,29, importando assim na exigência de crédito tributário no valor de R$ 95.960,85. Tudo nos exatos termos da legislação indicada no próprio corpo da notificação de lançamento art. 7° da Lei n° 10.426, de 24/04/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei n° 11.051, de 29/12/2004, já reproduzida nos autos e que ora se transcreve uma vez mais: Art. 7o. O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e Fl. 101DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/09/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 sujeitarseá as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004) (...) II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; (...) 2o. Observado o disposto no § 3o., as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio; (...) Quanto a todos os demais argumentos de defesa, que podem ser resumidos em alegações de ilegalidade e inconstitucionalidade de comandos normativos legitimamente inseridos no sistema jurídico, cumpre transcrever o posicionamento consentâneo deste órgão, constante da seguinte súmula: Súmula CARF n º. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por todo o exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 102DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/09/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11080.010533/200839 Acórdão n.º 180101.157 S1TE01 Fl. 93 5 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/09/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 13855.003590/2009-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2301-000.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Impedido: Adriano Gonzáles Silvério Marcelo Oliveira Presidente
Bernadete De Oliveira Barros Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201301
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13855.003590/2009-60
anomes_publicacao_s : 201303
conteudo_id_s : 5200055
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2301-000.354
nome_arquivo_s : Decisao_13855003590200960.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
nome_arquivo_pdf_s : 13855003590200960_5200055.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Impedido: Adriano Gonzáles Silvério Marcelo Oliveira Presidente Bernadete De Oliveira Barros Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva
dt_sessao_tdt : Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
id : 4538444
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:57:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041395345784832
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2137; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 313 1 312 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13855.003590/200960 Recurso nº 999.999Voluntário Resolução nº 2301000.354 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 23 de janeiro de 2013 Assunto CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA Recorrente MAGAZINE LUIZA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Impedido: Adriano Gonzáles Silvério Marcelo Oliveira – Presidente Bernadete De Oliveira Barros – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva RELATÓRIO Tratase de Auto de Infração, lavrado em 25/11/2009, por ter a empresa acima identificada apresentado GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo, dessa forma, o inciso IV, § 5º, do art. 32, da Lei 8.212/91, c/c o art. 225, IV e § 4o, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls. 06), a empresa deixou de incluir, nas GFIPs, os pagamentos realizados aos segurados empregados a titulo de programa de estímulo ao aumento de produtividade, através de Cartão de premiação "FLEXCARD", considerados remuneração pela autoridade autuante. A autoridade autuante informa que, embora o descumprimento da obrigação acessória descrita tenha ocorrido no período de 01/2005 a 07/2006, o presente auto de infração RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 55 .0 03 59 0/ 20 09 -6 0 Fl. 313DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24 /02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13855.003590/200960 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.354 S2C3T1 Fl. 314 2 está sendo lavrado apenas com relação às competências 11/2005 a 04/2006, tendo em vista o Parecer PGFN/CAT n° 433/2009, no sentido de que seja aplicada a penalidade menos severa, em acordo com o contido no art. 106, II, c, do CTN, devendo se proceder à comparação, para a mesma conduta, entre as penalidades da legislação posterior e anterior à MP 449/2008 para os fatos geradores anteriores à publicação dessa. Esclarece que, a fim de incidência da penalidade mais benéfica ao contribuinte, comparouse o valor da multa aplicada na forma da legislação vigente à época do fato gerador com aquele resultante da aplicação da legislação vigente à época da lavratura do Auto de Infração, concluindo que, para as competências em que a multa anterior é a mais favorável ao contribuinte, quais sejam, competências 11/2005 a 04/2006, aplicouse a multa de mora de 24% e lavrouse o presente AI (FLD 68). Naquelas competências em que a multa atual é a mais benéfica, lançouse a multa de ofício de 75%. Informa, ainda, que as cópias dos elementos examinados que serviram de base para a constituição deste lançamento e as cópias do Estatuto Social e Atas de Assembléias estão anexadas às folhas 19 a 144 do Auto de Infração DEBCAD n° 37.250.6933, ao qual este se encontra apensado. A autuada impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1235.129, da 10a Turma da DRJ/RJ1, (fls. 272), julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 284), repetindo as alegações trazidas na impugnação. Reafirma que as verbas pagas a titulo de incentivo aos funcionários da Recorrente, por meio dos cartões "FLEX CARD TOP PREMIUM CARD", contratados junto à empresa Incentive House, não podem ser consideradas remuneração e por tal razão não poderiam compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Esclarece que firmou contrato com a Incentive House para prestação de serviços de marketing promocional com o objetivo de incentivar os seus funcionários e, por conseguinte, obter aumento de sua produtividade. Discorre sobre a atividade de “marketing promocional”, pois entende que o que se está exigindo da Recorrente é a exação previdenciária sobre pagamentos de marketing promocional, e que a única causa da exigência está centrada na forma da realização do pagamento, que na hipótese dos prêmios de incentivo é o dinheiro, mas que o fato de a realização do serviço de marketing promocional se dar em dinheiro não muda a natureza do próprio serviço. Assevera que a atividade fiscalizatória que ensejou a autuação foi absolutamente precária, tendo em vista a ausência de investigação dos fatos, em especial, a natureza dos serviços contratados pela Recorrente, conforme determina o art. 142, do CTN, e que se a Fiscalização tivesse se preocupado em analisar e compreender a natureza dos serviços contratados por ela jamais teria efetuado o lançamento. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24 /02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13855.003590/200960 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.354 S2C3T1 Fl. 315 3 Reitera que as verbas percebidas pelos funcionários da Recorrente não possuem característica de remuneração, visto não estarem presentes os requisitos legais, como a habitualidade e o caráter contraprestacional, argumentando que não é qualquer valor pago ao segurado empregado que configura remuneração, mas tão somente aqueles que constituam a compensação pelo trabalho prestado. Informa que a eventualidade dos pagamentos das gratificações se constata pelo alcance das metas estipuladas pela Recorrente, sendo que apenas nos meses em que determinado funcionário e/ou setor da empresa atingiram os objetivos esperados pela Recorrente fizeram jus ao prêmio disponibilizado nos cartões "TOP'PREMIUM CARD", o que demonstra a inexistência de habitualidade no pagamento de tais verbas, uma vez que, para o seu pagamento, haveria a necessidade de cumprimento de determinadas metas previstas nos planos elaborados pela empresa, podendo, assim, o referido pagamento ocorrer ou não. Entende que fica clara a falta de contraprestação do segurado empregado e do contribuinte individual pelos valores recebidos a titulo de incentivo, uma vez que o pagamento destes valores está condicionado à mera liberalidade do empregador, ou seja, à sua única e exclusiva vontade e com o único intuito de melhorar a sua própria lucratividade. Conclui que, se não ocorreu o fato gerador da obrigação principal previdenciária, em razão do acima exposto, seria incabível que a Recorrente informasse os pagamentos efetuados a seus colaboradores na forma de incentivo como "dados relacionados a fatos geradores", razão pela qual requer a reforma do acórdão proferido pela DRJ/RJ e anulação do crédito previdenciário em análise. Quanto à penalidade aplicada para a especifica hipótese de ausência de entrega de GFIP ou entrega com omissões, alega que a Lei n° 11.941/09 introduziu o art. 32A na Lei n° 8.212/91, que determina a aplicação de multa isolada no importe de R$ 20,00 a cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas na GFIP, mas que, apesar disso, a r. decisão recorrida manteve o lançamento, que, por sua vez, teria aplicado a multa tida por mais benéfica ao contribuinte. Sustenta que a autuação está equivocada, pois, para aferir qual a penalidade mais benéfica, fezse a comparação entre a penalidade prevista no art. 32, IV, § 5o, da Lei 8.212/91, imposta no auto de infração como a mais benéfica, com a penalidade de 75% prevista na Lei n° 9.430/96,que seria a atualmente aplicável à hipótese, sendo que tal conduta está errada e a decisão recorrida se negou a aplicar a penalidade mais benéfica à Recorrente. Aduz que a multa de 75% prevista pelo art. 44 da Lei9.430/96 aplicase exclusivamente aos casos de lançamento de oficio de contribuições previdenciárias relacionadas à obrigação principal não paga ou paga em atraso, conforme determinação expressa do art. 35A da Lei n° 8.212/91 com redação dada pela Lei n° 11.941/09, e que, nos casos de descumprimento de obrigação acessória, a Lei n° 11.941/09 revogou o art. 32, § 5o da Lei n° 8.212/91 e incluiu o art. 32A à Lei n° 8.212/91, que dispõe que a multa a ser aplicada em infrações como do presente caso será de R$ 20,00 a cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas na GFIP. Defende que é impossível comprar a penalidade prevista pelo art. 44 da Lei 9.430/96 com a multa estabelecida pelo revogado art. 32, IV e § 5o , pois os aludidos dispositivos tratam de situações absolutamente diferentes, já que uma se destina a regular Fl. 315DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24 /02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13855.003590/200960 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.354 S2C3T1 Fl. 316 4 penalidade de oficio imposta no lançamento da obrigação principal e a outra se presta a regular hipóteses de lançamento de multa isolada em razão do descumprimento de obrigação acessória. Conclui que a multa prevista pela Lei n° 11.941/09 para os casos de falta de declaração de GFIP ou. declaração inexata é especifica e está prevista pelo art. 32A, que prevê a aplicação de multa de R$ 20,00 para cada grupo de dez informações erradas na GFIP. Entende que deve ser reformada a decisão recorrida, pois diferentemente do que decidiu o D. Órgão Julgador "a quo", a aplicação da multa mais benéfica, se não foi respeitada pelo lançamento, deve se dar por ocasião do julgamento da lide pendente de desfecho, em observância ao disposto no o art. 106, inciso II, alínea "c" do CTN, e que a falta de aplicação imediata da multa pode gerar sérias distorções para a Recorrente, eis que ela terá que suportar a contingência de um valor muito superior ao devido, conforme determina a lei. Argumenta que, caso a Recorrente opte por discutir judicialmente o débito, haverá a inscrição em divida de valor absolutamente equivocado e contrário à lei, apenas e tão somente pelo fato de o contribuinte não ter realizado o imediato pagamento do débito, e a exigência de que a aplicação da multa mais benéfica esteja condicionada ao prévio pagamento do tributo é contrário às determinações do CTN. Colaciona julgados do CARF e do STJ para reforçar o entendimento de que a aplicação da multa mais benéfica é imediata e requer a reforma da decisão recorrida para se aplicar a penalidade mais benéfica à Recorrente, no caso a multa prevista no artigo 32A, da Lei 8.212/91. Alega que o equívoco na aplicação da legislação correta viciou todo o auto de infração, fundamentado em dispositivo legal que não observou a regra da retroatividade benigna, o que foi reiterado pela decisão recorrida, pois não se pode pretender retificar lançamento que, em sua formação, constituição e definitividade já está viciado, exatamente como no caso em exame. Afirma que o erro cometido pelo fiscal autuante na aplicação da correta penalidade ao caso, contaminou todo o lançamento, nulificandoo por inteiro, mais uma razão pela qual é de rigor o cancelamento da presente autuação. Insiste no entendimento de que houve duplicidade no lançamento da multa, uma vez que a suposta conduta infratora ora combatida, apresentação de documentos (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores, foi objeto de penalização já em outras situações, quais sejam, Autos de Infração AIs n°s 37.250.6933 e 37.250.6941, conforme apontado inclusive no próprio Relatório da Infração, sendo que o fato havido como infração foi único, qual seja, pagamentos de valores pela Incentive House a funcionários da Recorrente e que não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Observa que a própria decisão recorrida é contraditória ao afirmar que não haveria duplicidade de lançamento, uma vez que também afirma que a MP 449/2008, por meio da redação atribuída ao art. 44 da Lei n° 9.430/96, teria unificado as penalidades aplicáveis às hipóteses de não declaração (obrigação acessória) e descumprimento de obrigação principal. Finaliza requerendo a reforma do v. acórdão da DRJ/RJ1, para que seja julgado totalmente improcedente o AI n° 37.250.6909, cancelandose integralmente a multa por meio dele indevidamente constituída. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24 /02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13855.003590/200960 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.354 S2C3T1 Fl. 317 5 É o Relatório. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24 /02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13855.003590/200960 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.354 S2C3T1 Fl. 318 6 VOTO Bernadete de Oliveira Barros, Relatora. O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Tratase o caso em tela de Auto de Infração lavrado por descumprimento da obrigação acessória de informar, em GFIP, todos os fatos geradores da contribuição previdenciária. A autoridade lançadora deixa consignado, no item 4 do Relatório Fiscal da Infração (fls. 07), que “As cópias dos elementos examinados que serviram de base para a constituição deste lançamento e as cópias do Estatuto Social e Atas de Assembléias estão anexadas às folhas 19 a 144 do Auto de Infração DEBCAD n° 37.250.6933, ao qual este se encontra apensado.” De fato, as contribuições incidentes sobre as verbas omissas em GFIP foram lançadas por intermédio do AI acima citado, e existe uma nítida conexão entre os lançamentos mencionados, uma vez que, estabelecida a obrigação tributária principal, por força do levantamento dos fatos geradores e lançamento das respectivas contribuições previdenciárias, deparouse a fiscalização com a obrigação descumprida,.caracterizada por deixar de declarar os respectivos valores em GFIP. No entanto, em que pese a autoridade fiscal ter deixado consignado, em seu relatório, que os processos deveriam ser apensados, tal fato não ocorreu. Da mesma forma, não é possível saber, pelo que consta dos autos, se já houve o julgamento definitivo dos AIs correlatos que lançaram as contribuições previdenciárias cuja omissão em GFIP ensejou a lavratura do presente Auto de Infração. Referida omissão impossibilita que esta autoridade julgadora tenha conhecimento pleno de todos os fatos, dificultando a formação de convicção quanto à regularidade do feito. Nesse caso, resta inexoravelmente configurada a conexão entre os todos esses processos e, para evitar que se tenham decisões contraditórias, devese reunir os autos em uma mesma Câmara, para que se aplique a todos eles a mesma decisão. Cumpre registrar que este Conselho vem decidindo no sentido de se admitir a possibilidade da aplicação da conexão em matéria de processo administrativo fiscal, conforme se denota das ementas abaixo transcritas: “NORMAS PROCESSUAIS. CONEXÃO. Dáse a conexão quando os fundamentos de fato e direito dos pedidos de um e de outro processo são idênticos. Neste caso, devese reunir os processos em uma mesma câmara para que se aplique a ambos a mesma decisão. Recurso não conhecido.” (Acórdão nº 20400694 do Processo Administrativo nº 10980013136200217; Órgão julgador: Segundo Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma Ordinária; Data de Julgamento 08/11/2005) Fl. 318DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24 /02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13855.003590/200960 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.354 S2C3T1 Fl. 319 7 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1999 Ementa: CONEXÃO DE MATÉRIAS ANÁLISE CONJUNTA NECESSIDADE Identificadaconexão entre as matérias contidas em processos administrativos distintos, os autos devem ser reunidos para que as decisões prolatadas sejam fundadas na totalidade dos elementos trazidos à consideração da autoridade julgadora. (Acórdão nº 10517246 do Processo 19740000426200389; Órgão Julgador: Primeiro Conselho de Contribuintes. 5ª Câmara. Turma Ordinária; Data de Julgamento 15/10/2008) Dessa forma, entendo que os referidos processos administrativos fiscais devam ser reunidos, a fim de afastar a hipótese de decisões contraditórias, nos termos do artigo 6º do Regimento Interno do CARF, que estabelece: “Art. 6º Verificada a existência de processos pendentes de julgamento, nos quais os lançamentos tenham sido efetuados com base nos mesmos fatos, inclusive no caso de sujeitos passivos distintos, os processos poderão ser distribuídos para julgamento na Câmara para a qual houver sido distribuído o primeiro processo.” Portanto, tendo em vista que restou configurada a existência da conexão entre os citados processos, devem ser os mesmos apensados e reunidos para que sejam julgados pela C. Câmara para a qual foi distribuído o primeiro processo. Portanto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que sejam os autos dos processos administrativos nº 15889.000317/2010 55 e 15889.000322/201068, apensados ao presente processo, a fim de que sejam julgados simultaneamente pela Câmara para a qual foi distribuído o primeiro deles. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 319DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24 /02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
