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Numero do processo: 10935.000320/2003-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1998 a 31/10/2002 PIS - PRAZO DECADENCIAL - SÚMULA VINCULANTE STF Nº 08 - 05 ANOS CONTADOS DA DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, decisão que é objeto de súmula vinculante do STF, cabe a aplicação da rega de decadência prevista no CTN, qual seja, da ocorrência da decadência após decorridos 05 anos da data do fato gerador do tributo. NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - CIÊNCIA - COMPROVAÇÃO. Considera-se cientificada do MPF a interessada, quando comprovada a ciência pessoal de seu representante legal. AUTO DE INFRAÇÃO. LOCAL DE LAVRATURA. O auto de infração deve ser lavrado no local da verificação da falta e não, necessariamente, no estabelecimento do autuado. EXIGÊNCIA DO TRIBUTO - MATÉRIA SUB JUDICE. Prevalece a decisão judicial que transitou em julgado, nos exatos termos em que exarada. Reconhecida a legalidade da incidência tributária, bem como a existência de créditos restituíveis em relação a determinado período, de se respeitar a decisão judicial. ALEGAÇÃO DE ERRO FORMAL - COMPROVAÇÃO. Se o Fisco se baseou em demonstrativo elaborado pelo contribuinte para promover o lançamento, mera alegação de que houve erro na prestação das informações, não basta para que o lançamento seja ajustado. Necessário que o contribuinte demonstre que as informações prestadas estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, para que seja possível adequar o
lançamento.
TAXA SELIC JUROS
MORATÓRIOS SÚMULA
Nº 04 DO CARF.
A jurisprudência exaustiva a respeito da questão gerou a edição da Súmula nº
04 do CARF que deve ser aplicada ao caso. Mantida a SELIC como índice de
juros moratórios para lançamentos correspondentes a créditos gerados a partir
de 01/04/1995.
DIREITO A CRÉDITOS. RESTITUIÇÃO GARANTIDA POR DECISÃO
JUDICIAL. AUSÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO. FALTA DE
FORMALIZAÇÃO ADEQUADA DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO.
Embora exista, hoje, decisão judicial transitada em julgado que reconhece a
existência de crédito restituível em favor do contribuinte, na data da lavratura
do auto de infração o crédito do contribuinte ainda não estava definitivamente
reconhecido na esfera judicial. Ademais, ainda que houvesse tal
reconhecimento, para que fosse possível a compensação pretendida pelo
contribuinte, necessário seria prévia apresentação de pedido de restituição,
formalizado nos termos da legislação vigente, e/ou prévia apresentação do
Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial
Transitada em Julgado, para que se pudesse, então promover a compensação
dos valores, seja no momento do lançamento, seja no momento da cobrança
dos valores definitivamente constituídos.
Recurso provido parcialmente.
Numero da decisão: 3302-001.663
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira S SE EÇ ÇÃ ÃO O D DE E J JU UL LG GA AM ME EN NT TO O, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, decisão que é objeto de súmula vinculante do STF, cabe a aplicação da rega de decadência prevista no CTN, qual seja, da ocorrência da decadência após decorridos 05 anos da data do fato gerador do tributo. NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL CIÊNCIA COMPROVAÇÃO. Considerase cientificada do MPF a interessada, quando comprovada a ciência pessoal de seu representante legal. AUTO DE INFRAÇÃO. LOCAL DE LAVRATURA. O auto de infração deve ser lavrado no local da verificação da falta e não, necessariamente, no estabelecimento do autuado. EXIGÊNCIA DO TRIBUTO MATÉRIA SUB JUDICE. Prevalece a decisão judicial que transitou em julgado, nos exatos termos em que exarada. Reconhecida a legalidade da incidência tributária, bem como a existência de créditos restituíveis em relação a determinado período, de se respeitar a decisão judicial. ALEGAÇÃO DE ERRO FORMAL COMPROVAÇÃO. Se o Fisco se baseou em demonstrativo elaborado pelo contribuinte para promover o lançamento, mera alegação de que houve erro na prestação das informações, não basta para que o lançamento seja ajustado. Necessário que o contribuinte demonstre que as informações prestadas estão erradas, pois Fl. 273DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 20/0 7/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10935.000320/200323 Acórdão n.º 330201.663 S3C3T2 Fl. 274 2 foram por ele prestadas equivocadamente, para que seja possível adequar o lançamento. TAXA SELIC JUROS MORATÓRIOS SÚMULA Nº 04 DO CARF. A jurisprudência exaustiva a respeito da questão gerou a edição da Súmula nº 04 do CARF que deve ser aplicada ao caso. Mantida a SELIC como índice de juros moratórios para lançamentos correspondentes a créditos gerados a partir de 01/04/1995. DIREITO A CRÉDITOS. RESTITUIÇÃO GARANTIDA POR DECISÃO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO. FALTA DE FORMALIZAÇÃO ADEQUADA DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Embora exista, hoje, decisão judicial transitada em julgado que reconhece a existência de crédito restituível em favor do contribuinte, na data da lavratura do auto de infração o crédito do contribuinte ainda não estava definitivamente reconhecido na esfera judicial. Ademais, ainda que houvesse tal reconhecimento, para que fosse possível a compensação pretendida pelo contribuinte, necessário seria prévia apresentação de pedido de restituição, formalizado nos termos da legislação vigente, e/ou prévia apresentação do Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, para que se pudesse, então promover a compensação dos valores, seja no momento do lançamento, seja no momento da cobrança dos valores definitivamente constituídos. Recurso provido parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Fl. 274DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 20/0 7/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10935.000320/200323 Acórdão n.º 330201.663 S3C3T2 Fl. 275 3 Participaram do presente julgamento os Conselheiro: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de Auto de Infração (fl. 04/15), lavrado para cobrança de PIS/PASEP, relativamente às competências de 01/1998 a 10/2002, e cientificado ao contribuinte em 13/02/2003. Segundo informações prestadas no próprio Auto de Infração, somente foram identificados recolhimentos da contribuição para as competências de 01/98 a 01/99, e os valores recolhidos foram computados na determinação do valor lançado. Consta, ainda, que serviu de base de cálculo para o lançamento os valores correspondentes às Receitas Correntes, Transferências Correntes e Transferências de Capital, nos termos estabelecidos pelo artigo 2º, inciso III da Lei nº 9.715/98 (fls. 95/99). Ainda de acordo com as informações do Auto de Infração, os valores utilizados na base de cálculo se fundamentam em demonstrativo apresentado pela própria Recorrente ("Demonstrativos de Receita Segundo Categoria Econômica" – fls. 18/89). Foram excluídos da base do lançamento os valores relativos às Receitas de Capital e os valores do Fundo de Participação dos Municípios nos meses em que houve retenção do PASEP pelo Banco do Brasil (fls. 100/157). A fiscalização consignou, também, que embora a Recorrente discuta judicialmente a incidência do PASEP (nos autos da Ação Declaratória nº 99.00062531, em trâmite perante a 10ª Vara Federal de Curitiba) não haveria óbice ao lançamento, na medida em que a tutela antecipada concedida em 1º Grau perdeu seus efeitos com a decisão desfavorável proferida pelo TRF da 4ª Região (que entendeu ser devido o PASEP a partir de março/1996). Os extratos processuais foram acostados aos autos (fls. 158/166), e demonstram que os autos foram remetidos ao Superior Tribunal de Justiça, para análise de Recurso Especial proposto pela Recorrente. Foi juntada, ainda, cópia da decisão do TRF da 4ª Região (fls. 167/193). Referida decisão reconhece a legalidade da exigência do PASEP, sem necessidade de norma municipal que o regulamente, a partir de março/1996, em razão da edição da Medida Provisória nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98. Em sua Impugnação (fls. 195/202), a Recorrente alega, em síntese: a prescrição (sic) dos valores de competências anteriores a 13/02/1998, na medida em que a ciência do lançamento ocorreu em 13/02/2003; nulidade do lançamento por falta de intimação sobre o mandado de procedimento fiscal; nulidade do lançamento por não ter promovido na apuração dos valores constituídos a compensação com os valores a que tem direito de recuperar Fl. 275DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 20/0 7/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10935.000320/200323 Acórdão n.º 330201.663 S3C3T2 Fl. 276 4 conforme a decisão judicial proferida em seu favor (direito à restituição dos valores pagos entre 01/1993 e 02/1996); nulidade do lançamento por ter sido lavrado o auto de infração fora do estabelecimento; impossibilidade de lançamento, pois a questão de mérito está pendente de decisão no judiciário, onde aguarda julgamento de Recurso Especial e Recursos Extraordinários, havendo medida liminar concedendo efeito suspensivo ao Recurso Especial; inexistência do fato gerador, pois vigia liminar concedida em primeira instância e porque o PASEP não é devido, na medida em que o município não possuía lei que o regulamentava; incorreu em erro ao preencher o demonstrativo de valores que serviu para base do lançamento, incluindo dentre as “Receitas Correntes” valores de convênios, financiamentos e outras que não se confundem com aquelas, pois não são “receitas próprias” da Recorrente. Requer uma perícia contábil para determinar exatamente quais valores devem ser retirados da base do lançamento; requer o afastamento da aplicação da Taxa SELIC como índice de juros moratórios; requer, por fim, que os crédito a que tem direito sejam excluídos do valor do lançamento, caso seja ele mantido, aplicandose sobre os créditos o mesmo índice usado pelo Fisco (SELIC). Foram juntados, após a Impugnação, os extratos processuais e decisões proferidas nos Recursos Especial e Extraordinário apresentados pela Recorrente (fls. 216/221), que demonstram ter sido negado seguimento ao Recurso Especial, por se tratar de matéria constitucional e negado provimento ao Recurso Extraordinário, pois a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal se firmou no sentido de que o PIS/PASEP é compulsório para todas as pessoas jurídicas de direito publico, ainda que não exista lei específica de cada ente consignando sua participação. Ambas as decisões já transitaram em julgado. A DRJ em sua decisão manteve o lançamento (fls. 222/242) em decisão assim ementada: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1998 a 28/02/1998 Ementa: DECADÊNCIA. PRAZO. O direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito relativo à contribuição para o PIS/Pasep decai em dez anos. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Fl. 276DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 20/0 7/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10935.000320/200323 Acórdão n.º 330201.663 S3C3T2 Fl. 277 5 Período de apuração: 01/01/1998 a 31/10/2002 Ementa: NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. CIÊNCIA. COMPROVAÇÃO. Considerase cientificada do MPF a interessada, quando comprovada a ciência pessoal de seu representante legal. AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS LEGAIS. OBEDIÊNCIA. Considerase perfeito, do ponto de vista formal e material, o auto de infração que obedeceu aos requisitos previstos em lei para a sua elaboração. AUTO DE INFRAÇÃO. LOCAL DE LAVRATURA. O auto de infração deve ser lavrado no local da verificação da falta e não, necessariamente, no estabelecimento do autuado. DISCUSSÃO JUDICIAL. POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO. A existência de discussão judicial, não impede o lançamento de oficio do Pasep, mormente por ficar comprovado não haver decisão que sequer suspenda a exigibilidade do crédito tributário. PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PASEP. Segundo dispõe a legislação de regência, a base de cálculo da contribuição devida ao PASEP pelas pessoas jurídicas de direito público é o valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. IMPUGNAÇÃO DE LANÇAMENTO. SOLICITAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INOPORTUNIDADE. Em sede de impugnação de lançamento de oficio, pedido de compensação de indébitos não cabe ser discutido, porquanto, além de não expressar contestação, denota a anuência com o crédito tributário constituído c a simples oferta de meios para sua satisfação. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de perícia cuja realização revelase prescindível para o deslinde da questão. JUROS DE MORA. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 20/0 7/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10935.000320/200323 Acórdão n.º 330201.663 S3C3T2 Fl. 278 6 Tratandose de exigência de crédito tributário, cobramse juros de mora nos termos da legislação específica. Lançamento Procedente.” Em seu Recurso Voluntário (fls. 250/262) a Recorrente reitera os fundamentos apresentados em sua Impugnação. Vieramme então, os autos para decisão. É o relatório. Voto Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Relatora O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele o conheço. Inicialmente, mister se analisar a preliminar de decadência. O lançamento sob análise constituiu crédito tributário de PASEP referente aos fatos geradores ocorridos entre 01/1998 a 10/2002. Entretanto, sua ciência foi dada à contribuinte em 13/02/2003. Notadamente, o crédito tributário lançado em relação à competência 01/1998 já se encontrava extinto pela decadência (art. 156, V do CTN), na data em que o lançamento sob análise foi efetuado pela autoridade fiscal. Afinal, é de conhecimento geral que o Pleno do Supremo Tribunal Federal, ao analisar os Recursos Extraordinários nº 556.664, 559.882 e 559.943, declarou e reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, o que culminou na edição da Súmula vinculante nº 8, in verbis: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” A simples edição da citada súmula já é suficiente para o cancelamento do crédito relativo à 01/1998, não apenas em razão de ser uma orientação vinculante, mas em virtude de reconhecer a total inconstitucionalidade do dispositivo legal que pretendia majorar em mais cinco anos o prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir tributos. Necessário registrar que a fiscalização constatou a existência de pagamento parcial do tributo na competência de 01/1998. Desta forma, reconheço a extinção do crédito tributário relativo à competência 01/1998, por ocorrência da decadência, e determino o cancelamento do lançamento, nesta parte. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 20/0 7/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10935.000320/200323 Acórdão n.º 330201.663 S3C3T2 Fl. 279 7 No que se refere às demais alegações de nulidade do lançamento, sigo as conclusões da DRJ sobre o assunto, por entender que não há nulidade, seja em relação à ciência do MPF (pois comprovada a ciência do representante legal da Recorrente – fls. 01 e 03), seja em relação ao local da lavratura do Auto de Infração (qual seja, no “local da verificação da falta”, conforme determina o artigo 10 do Decreto nº 70.235/72 e a jurisprudência deste tribunal). Quanto ao mérito do Recurso – a questão da incidência ou não do PASEP – tendo em vista que a questão foi submetida ao crivo do Judiciário, este Tribunal deve se curvar ao que restou decidido no processo judicial, já transitado em julgado. Conforme se constata da análise das peças processuais acostadas a estes autos, restou decidido que a Recorrente deve se submeter à tributação pelo PASEP, ainda que não possua lei municipal dispondo sobre o programa e as regras de contribuição, pois tal exigência restou superada com a edição da Lei nº 9.715/98. Assim, a partir de março/1996 a Recorrente está obrigada ao pagamento da contribuição, conforme decidido pelo Judiciário. Resta analisar, portanto, apenas a questão da quantificação dos valores lançados, bem como o pleito de compensação entre os créditos – também reconhecidos pela decisão judicial transitada – e os débitos objeto do lançamento. Alega a Recorrente a existência de erros na base de cálculo do lançamento, decorrentes de equívoco – da própria Recorrente – na elaboração das planilhas e demonstrativos que serviram de base para a autoridade fiscal promover a quantificação dos valores lançados. Todavia, entendo que se a Recorrente alega ter cometido erro em seus cálculos, incluindo valores que não poderiam integrar a base do lançamento, deveria ter comprovado o erro cometido. Vale dizer, deveria ter trazido em sua defesa documentos que comprovassem este erro, quais valores efetivamente foram incluídos, por erro, no demonstrativo de receitas tributáveis pelo PASEP que ela mesma elaborou. Ao deixar de fazê lo, trazendo meras alegações de que o erro ocorreu, a Recorrente perdeu a oportunidade de correção destes eventuais equívocos, e de eventuais erros no lançamento. Afinal, se o Fisco utiliza como base para o auto de infração valores declarados pelo próprio contribuinte, sem qualquer tipo de questionamento, uma vez detectado erro no demonstrativo, por equívoco do contribuinte, cabe a ele evidenciálo para que possa ser corrigido. Neste sentido, entendo que não há reparos a serem feitos na base do lançamento, relativamente a este ponto. No que tange à aplicação da SELIC, a questão já foi exaustivamente abordada por este Conselho, tendo gerado a edição da Súmula nº 04, verbis: “Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Desta feita, mantenho a aplicação da SELIC como índice de juros moratórios do lançamento. Em relação ao pedido de compensação dos créditos a que a Recorrente faria jus, em virtude de decisão judicial transitada em julgado nos autos da Ação Declaratória nº Fl. 279DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 20/0 7/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10935.000320/200323 Acórdão n.º 330201.663 S3C3T2 Fl. 280 8 99.00062531, entendo que esta compensação não poderia ter sido realizada no momento da lavratura do Auto de Infração, especialmente porque o processo em questão ainda não havia terminado e não consta dos autos que foi realizado pedido judicial de compensação. Friso que não se trata de aplicação da restrição imposto pelo artigo 170A do Código Tributário Nacional – CTN – posto que a questão ainda não havia transitado em julgado. É que não há informação de que o pedido de compensação fazia parte da ação judicial. Neste sentido, ainda que não conste dos autos a exordial da ação judicial, às fls. 167 e segs. Consta decisão que foi proferida nos autos e nela há o relatório dos fatos, que fala em pedido de restituição, não compensação, verbis: “Cuidase de ação ordinária em que o Município Autor busca o reconhecimento da inexigibilidade da contribuição ao PASEP e a condenação da União a restituir os valores pagos indevidamente a esse título nos dez anos anteriores ao ajuizamento da demanda. Pleiteia, ainda, abstenhase a Ré de bloquear os recursos do Fundo de Participação dos Municípios, bem como a não inclusão no CADIN e o fornecimento de certidão negativa de débitos fiscais Entretanto, considerando que em 2005 houve o trânsito em julgado da decisão judicial, que reconheceu créditos de PASEP em favor da Recorrente, por ter realizado pagamentos indevidos, seria possível promover a compensação pretendida, desde que a Recorrente comprovasse ter formalizado este pedido pelos meios adequados. Vale dizer, por meio de apresentação de Pedido de Restituição e Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado. Apenas a formalização destes pedidos suspenderia o prazo prescricional, garantindo o exercício do direito do contribuinte. Todavia, a Recorrente não trouxe aos autos qualquer formalização do pedido de restituição, que permitiria a análise da compensação requerida nos autos. Desta feita, não tendo sido cumprido requisito essencial à compensação pretendida, entendo que não merece guarida o pedido da Recorrente. No que se refere à pretendida compensação de ofício, necessário esclarecer que a autoridade administrativa não tinha meios de fazêlo no momento da lavratura do auto de infração, uma vez que o processo judicial não havia terminado e este – julgamento de recurso em segunda instância – não é o momento de fazêlo. A autoridade competente para proceder a compensação de ofício é a autoridade lançadora. Neste sentido, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para reconhecer a decadência do direito de lançar os valores correspondentes à competência 01/1998, cancelando o lançamento em relação a estes valores. É como voto. Sala das Sessões, em 26 de junho de 2012. (assinado digitalmente) Relatora Fabiola Cassiano Keramidas Fl. 280DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 20/0 7/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10935.000320/200323 Acórdão n.º 330201.663 S3C3T2 Fl. 281 9 Fl. 281DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 20/0 7/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 11065.721512/2011-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
PERÍCIA DENEGADA. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE NA DECISÃO RECORRIDA.
Uma vez que a negativa do pedido de perícia foi devidamente fundamentada não há que falar em cerceamento do direito de defesa da recorrente. Demais disso, trata-se de prerrogativa da autoridade julgadora e a solicitação foi feita em desalinho com os cânones previstos na legislação aplicável (Decreto nº 70.235/72, art. 16).
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. RESERVATÓRIOS DE LÂMINAS DE POLIETILENO DE ALTA DENSIDADE. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. ÔNUS PROBATÓRIO.
A reclassificação fiscal de reservatórios de lâminas de polietileno de alta densidade para o mesmo código das lâminas de polietileno impõe à auditoria-fiscal o ônus probatório de descaracterizar os produtos reservatórios e provar cabalmente que a recorrente comercializa apenas lâminas de polietileno.
Numero da decisão: 3101-001.310
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Corintho Oliveira Machado - Relator.
EDITADO EM: 22/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Leonardo Mussi da Silva, Valdete Aparecida Marinheiro, e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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INEXISTÊNCIA DE NULIDADE NA DECISÃO RECORRIDA. Uma vez que a negativa do pedido de perícia foi devidamente fundamentada não há que falar em cerceamento do direito de defesa da recorrente. Demais disso, tratase de prerrogativa da autoridade julgadora e a solicitação foi feita em desalinho com os cânones previstos na legislação aplicável (Decreto nº 70.235/72, art. 16). CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. RESERVATÓRIOS DE LÂMINAS DE POLIETILENO DE ALTA DENSIDADE. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. ÔNUS PROBATÓRIO. A reclassificação fiscal de reservatórios de lâminas de polietileno de alta densidade para o mesmo código das lâminas de polietileno impõe à auditoria fiscal o ônus probatório de descaracterizar os produtos reservatórios e provar cabalmente que a recorrente comercializa apenas lâminas de polietileno. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Corintho Oliveira Machado Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 15 12 /2 01 1- 36 Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/02 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 EDITADO EM: 22/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Leonardo Mussi da Silva, Valdete Aparecida Marinheiro, e Corintho Oliveira Machado. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: Tratase de impugnação ao Auto de Infração das fls. 224 a 228, lavrado para formalizar a exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados no valor de R$ 8.446.125,49, acrescido dos juros de mora e da multa de ofício no percentual de 75%, perfazendo o montante de R$ 17.305.471,98 na data da lavratura. Nos termos do relatório da ação fiscal das fls. 247 a 258 foi constatado pela fiscalização que: a) a fiscalizada deu saída a produtos de sua industrialização com classificação fiscal incorreta, ocasionando a falta de destaque, apuração, declaração e recolhimento do IPI; e b) a fiscalizada informou erroneamente na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, parte do IPI apurado em sua escrita fiscal, ocasionando a falta de declaração e recolhimento do referido imposto. Em relação à primeira infração, foi constatado que os produtos industrializados pela impugnante apresentamse na forma de chapas (lâminas) de plástico, planas, em diversas espessuras, larguras e comprimentos, geralmente enroladas em bobinas, descritos nas notas fiscais como geomembrana, reservatório, painel reservatório, polimanta, ou kit geomembrana, por ela classificados ora no código 3920.10.99, ora no código 3925.10.00 ou, ainda no código 3926.90.90 da Tabela de Incidência do IPI – TIPI. Analisando os arquivos digitais e as fotocópias de notas fiscais a fiscalização fez diversas constatações, a saber: 1. a unidade de medida de todos os produtos vendidos, quer sejam denominados no campo "descrição dos produtos" das notas fiscais como geomembrana, reservatório, painel reservatório, polimanta, ou kit geomembrana, é sempre metro quadrado. No entender do fiscal autuante esta unidade de medida é perfeitamente lógica, pois sendo os produtos vendidos chapas (lâminas), em diversas larguras e comprimentos, nada Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/02 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 11065.721512/201136 Acórdão n.º 3101001.310 S3C1T1 Fl. 577 3 mais lógico que o seu preço ser estipulado em R$/m2, de acordo com a espessura (variável) de cada produto vendido; 2. mesmo o produto denominado reservatório é enviado aos clientes da empresa em diversos volumes, sendo que no campo "dados adicionais" das notas fiscais, freqüentemente aparece a expressão "x bobinas" ou "x bobs", sendo "x" sempre igual ao número de volumes constante no item "quantidade", no quadro "transportador/volumes transportados"; 3. Os produtos, ora classificados no código 3925.10.00, ora classificados no código 3920.10.99 ou no código 3926.90.90 são absolutamente os mesmos, sempre enviados aos clientes da empresa em volumes separados, gerando, inclusive equívocos da empresa fiscalizada na hora de identificar a classificação fiscal destes produtos na emissão da nota fiscal, conforme resposta da fiscalizada, das fls. 26 a 29, ao Termo de Constatação e Intimação, das fls. 21 a 23; Valeuse também a fiscalização da análise da Decisão SRRF/10ª RF/Disit n° 58, de 05 de setembro de 1997, exarada no processo 13002.000229/9745, no qual teria a interessada formulado consulta sobre a legislação do IPI, constatando que a mesma informou que "é fabricante de lâmina não auto adesiva de plástico, própria para impermeabilização de solos", e não fabricante de reservatórios, ressaltando o autuante que os produtos fabricados na época daquela consulta são os mesmos fabricados no período fiscalizado. Segundo a fiscalização, a impugnante sustenta que os produtos de sua fabricação, ora examinados, enquadramse no código 3925.10.00 da Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM), esposada pela Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI/2006, aprovada pelo Decreto N° 6.006, de 28 de dezembro de 2006. Classificandose no código 3925.10.00, os produtos estariam sujeitos a uma alíquota de IPI reduzida a zero (0%). Por esta razão, todas as operações analisadas pela fiscalização foram efetuadas sem o destaque do IPI. Por fim, concluiu a fiscalização, após análise do procedimento da fiscalizada e das disposições legais sobre classificação de mercadorias, que: a) os produtos classificados na posição 3925 da TIPI/2006, classificação adotada pela impugnante, são partes de edificações, sendo os reservatórios ali citados acompanhados de outras partes de edificações, como cisternas, tetos, calhas, portas, janelas, gradis, estantes, motivos decorativos arquitetônicos, acessórios e guarnições; b) os produtos classificados na posição 3920 da TIPI/2006 são chapas, folhas, películas, tiras e lâminas, de plásticos não alveolares devendo os produtos fabricados pela fiscalizada classificaremse nessa posição. Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/02 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 c) consultando o sitio da fiscalizada na internet, observouse que, tecnicamente, os produtos por ela fabricados são polímeros de etileno (polietileno), de alta densidade, com espessura superior a 19 mícrons, em rolos de largura superior a 66 cm devendo classificaremse no código 3920.10.99 sujeitos à incidência do IPI, com alíquota de 15% (quinze por cento). Portanto, segundo a fiscalização, a autuada deu saída a produtos com erro de classificação fiscal e alíquota infringindo os artigos 15, 16, 17, 24 inciso II, 34 inciso II, 122, 123 inciso I, alínea "b" e inciso II, alínea "c", 127, 130, 131 inciso II, 199, 200, inciso IV e 202, inciso III, todos do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados RIPI, aprovado pelo Decreto nº. 4.544, de 26 de Dezembro de 2002. Em razão da existência de saldos credores no período fiscalizado foi reconstituída a escrita fiscal da autuada tendo emergido saldos devedores que estão sendo exigidos neste auto de infração conforme demonstrativo das fls. 245 e 246. No que tange a segunda infração apurada no procedimento fiscal, como decorrência da análise do livro Registro de Apuração do IPI e das DCTF apresentadas pela autuada no período, foi constatado que ela deixou de declarar na DCTF de novembro de 2008 o valor a pagar de R$ 116.863,08, apurado no livro Registro de Apuração do IPI. Consultando os pagamentos de IPI efetuados pela empresa, a fiscalização constatou que a mesma recolheu, em DARF, relativamente ao novembro de 2008, o valor de R$ 111.076,04, tendo sido a diferença objeto de lançamento de ofício, por haver, infringência aos artigos 34, inciso II, 122,124,125, inciso III, 127, 130, 199, 200, inciso IV e 202, inciso III, todos, também do RIPI aprovado pelo Decreto nº 4.544/2002. A multa de ofício no percentual de 75% está sendo exigida com base no art. 80 da Lei nº 4.502, de 1964, com a redação dada pelos arts. 13 da Medida Provisória nº 351, de 2007, e 13 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Os juros de mora estão sendo exigidos com base no art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996. A impugnante, através de seu procurador signatário (instrumento de mandato da fl. 279), vem, tempestivamente, pelo arrazoado das fls. 262 a 277 e anexos, manifestar sua irresignação com a autuação, como segue. Alega, preliminarmente, que: “necessário esclarecer que esta, em sua atual denominação é sucessora de Engepol S/A empresa então pertencente a Ipiranga Petroquímica S/A de quem foi adquirida em 06 de Fevereiro de 2001, quando passou a denominarse Engepol Ltda. Razão social que em 30 de Dezembro de 2008 foi alterada para Engepol Geossintéticos Ltda.. Engepol S/A,, quando pertencente a Ipiranga Petroquímica S/A tinha com objeto social consoante está em seu estatuto social as seguintes atividades: Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/02 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 11065.721512/201136 Acórdão n.º 3101001.310 S3C1T1 Fl. 578 5 Artigo 4º "A sociedade tem por objeto a fabricação de tubos, conexões e outros produtos especiais, bem como a comercialização, importação e exportação dos referidos produtos " (doc. anexo) (Grifei). Após a aquisição, a empresa, primeiramente passou a denominar se Engepol Ltda, tendo como objeto social, conforme se lê de seu contrato social, dentre outras, as seguintes atividades: Cláusula 3a "A sociedade terá por objeto, no Brasil e no exterior, a industria e o comercio e produtos e artefatos de plásticos e correlatos em geral, em especia . . . plásticos aplicados em construções, drenagens, contenção de terrenos, canalizações, recipientes..." (Grifei) Atividades que permanecem no objeto social da ora Requerente como atestam os documentos anexos. Assim, como se vê, desde a aquisição à Ipiranga Petroquímica S/A, não só o tipo societário, mas, fundamentalmente, alterouse o objeto social. Essa primeira assertiva já afasta, por completo a fundamentação jurídica posta no item 4.3, retro transcrito, do Relatório Fiscal que embasa a autuação em discussão. De fato, a consulta respondida na Decisão SRRF/10ªRF/DESIT, n° 58, de 05 de setembro de 1997, não só versa sobre tema absolutamente distinto do objeto da autuação em tela, como, ainda, foi formulada não pela impugnante, mas pela empresa Engepol S/A ao tempo em que era controlada pela Ipiranga Petroquímica S/A. Assim, por se tratar de consulta que além de estar formuladas por pessoa jurídica que tinha à época dos fatos objeto social absolutamente distinto ao da ora requerente, ainda versar sobre questão não pertinente a autuação em debate, na forma do disposto nos artigos 46 e seguintes do Decreto 70.235/72, seus efeitos não vinculam a autuada. Na seqüência diz que: “fabrica um só produto questionado, seja: RESERVATÓRIO, que por suas dimensões é vendido pronto quando possível transportalo em carretas de grande porte, e os DESMONTADOS, que por suas dimensões, necessariamente são entregues desmontados e embalados em bobinas. (...) Neste ponto impõe destacar que as Notas Fiscais emitidas são o último e necessário documento de remessa ao destinatário do reservatório enviado. Essa a razão porque a fiscalização não encontrou reservatórios prontos à venda, e sim, constatou no pátio da fábrica conjunto de Reservatórios desmontados, já com as peças enroladas em bobinas. Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/02 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 De fato a que se refere a fiscalização exatamente são os reservatórios de grande dimensão, desmontados, para que possam ser entregues ao adquirente . Antes, porém, necessariamente é elaborado projeto de construção no qual é estabelecida a utilização: (aterro sanitário, aterro para resíduos sólidos e líquidos, reservatórios líquidos, águas ou combustíveis, etc) e as dimensões: (comprimento, largura e espessura) para que sejam projetados os cortes, e estabelecer a quantidade de peças a serem preparadas e embaladas em bobinas. (...) Visando melhor compreensão dessa operação e, para demonstrar a correlação entre as Notas Fiscais emitidas e fiscalizadas e a circunstância, por sua dimensão serem entregues desmontados, detalhamos esse procedimento: a) Elaboração do projeto do reservatório, especificando: cumprimento, largura, espessura e finalidade; b) Elaboração de projeto de desmembramento do reservatório em tantas peças que possam ser embaladas em bobinas, para transporte; c) Desmembrado o reservatório, identificação de cada uma das peças, para um correto posicionamento de quando da montagem. d) Embaladas as peças, identificação em cada bobina de quantidade de peças, e ordem seqüencial de montagem; As Notas Fiscais que ensejaram dúvidas à fiscalização, como vimos, referemse aos reservatórios de grande dimensão entregues desmontados. (...) A seguir refere que anexou amostra de notas fiscais de venda dos produtos em questão acompanhadas de: a) fotos que diz atestarem o reservatório no canteiro de obra, quando ainda em bobinas e a montagem do reservatório, com a aplicação de solda para sua formatação; b) planta do projeto de desmembramento do reservatório, com a indicação numérica de cada peça e a disposição em que deverá ser montada; c) planilhas de colocação e medição e identificação de cada uma das peças usadas na montagem do reservatório; e d) do relatório de solda de cada uma das peças, para formatação definitiva do reservatório. Aduz que “A demonstração dos procedimentos, para produção, embalagem, transporte e entrega de cada reservatório vendido, desmontado; a dedução minudente dos projetos necessários que acompanham as Notas Fiscais de venda de cada reservatório desmontado e, a anexação a esta, por amostragem, de 4 (quatro) vendas relativas as Notas Fiscais examinadas comprovam cabalmente, vênia permitida, não estar a Requerente: "emitindo Notas Fiscais como erro de classificação fiscal / e/ou alíquota, gerando dano ao erário", como pretendido pela fiscalização mas ao contrário as emitiu rigorosamente no conformidade da legislação vigente. Razão porque, inequivocadamente não houve emissão de Notas Fiscais com infringência ao Regulamento do IPI, ou Tabela de Incidência do IPI.. (sic) Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/02 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 11065.721512/201136 Acórdão n.º 3101001.310 S3C1T1 Fl. 579 7 Quanto à segunda infração verificada pela fiscalização no Auto de Infração, afirma que: “é fruto de equívoco no recolhimento, vez que o valor devido estava, corretamente lançado no Livro de Apuração do IPI. Em conseqüência, em anexo, o Darf de recolhimento do valor apontado, com a redução de 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor da multa, como está na Intimação posta as fls., 01 de Auto de Infração.” Em seguida discorre sobre as razões de direito da improcedência da autuação no que tange à classificação fiscal dos produtos afirmando: “Com efeito, o enquadramento da mercadoria que é produzida, pela Requerente, para efeitos do recolhimento do IPI, na Tabela de Incidência não se dá aleatoriamente, ao sabor da vontade do contribuinte, mas, balizado, pelas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, pela Regra Geral Complementar e, ainda pela Regra Geral Complementar da TIPI, todas minudentemente detalhadas no preâmbulo do Dec. 4542/02, que aprovou a Tabela de Incidência do IPI. Na conformidade desses balizamentos, tendo em vista as especificações materiais e técnicas de mercadoria produzida, e, ainda a finalidade a que se destinam, a Requerente, para comprovação do enquadramento correto no Código da NCM 39.25.10.00 junta contratos de venda, projetos, fotos das mercadorias produzidas e em fase de instalação, laudos, etc, documentos que compõe o conjunto probatório que amparam a emissão das Notas Fiscais fiscalizadas. Ainda, esses documentos comprovam, pelas propriedades, largura e dimensão das mercadorias produzidas pela Requerente, que não se enquadrariam nos tipos descritos nos códigos 39.20 e 39.21 de NCM, da Tabela de Incidência do IPI, pois as matérias primas/produtos desses códigos não se prestariam para desempenhar a função física: dureza, impermeabilidade e resistência, possuídas pelos reservatórios entregues pela Requerente, não sendo, portanto, aptos a contenção de líquidos, aterros sanitários, etc. Alias, a descrição dos insumos/mercadorias elencadas no código NCM 39.20, seja: espessura inferior 19 microns e rolos de largura inferior a 66 cm , ou , ainda as outras descrições contidas nos sub itens desse código deixam espanque de dúvida estar a classificação feita pela fiscalização absolutamente distorcida e equivocada. Também, assim é no que se refere ao código NCM 39.21, pois, desnecessário maiores explicações, referemse a espuma de plástico. Seja: matéria que não se presta a elaboração de reservatórios. Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/02 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 8 Assim, em razão dessa especificidade do produto elaborado pela Requerente, e, sua aplicação, como atestam os documentos já retro referidos, (aliás bastava ver o nome dos clientes da Requerente: Prefeituras, empresas de saneamento, etc, e a finalidade para que foram adquiridos, para resolvida estar a questão), e inexoravelmente concluir que o único enquadramento possível na Tabela de Incidência é no tipo NCM 3925.10.00. Ainda, não é demais ressaltar que as regras gerais para interpretação do sistema harmonizado levam, em conta a composição e também a finalidade do produto, de modo que as diferenças existentes nas hipóteses apontadas acima, são determinantes para os produtos serem classificados em posições distintas, não nas posições citadas pela fiscalização, mas, na única possível para Reservatório a NCM 3925.10.00. É justamente por esse motivo que a Requerente inclusive ofereceu à tributação do IPI as operações nas quais não foram caracterizadas com venda de reservatório. Requer, “se necessário, sejam os autos baixados em diligência, para que a fiscalização, in loco, possa examinar todo o cabedal documental em poder da Requerente, (...)”, tendo em vista que todos os reservatórios, (Notas Fiscais fiscalizadas), foram comercializados para a finalidade específica de contenção de aterros sanitários, tratamentos de efluentes, contenção de dejetos industriais, contenção de líquidos, etc, e, portanto, para todos elaborados projetos de construção e instalação”. Requer, ainda, ”se necessário, produzir prova pericial, laudos técnicos, para que fique, tecnicamente, atestado que a mercadoria produzida pela Requerente, por suas características e pela especificidade não se enquadram no código NCM 39.20 e 39.21, mas com exclusividade, no código NCM 3925.10.00 da Tabela de Incidência do IPI.”. Por fim pede seja acolhida e provida a impugnação, julgandose insubsistente o Auto de Infração. A DRJ em PORTO ALEGRE/RS julgou a Impugnação Improcedente, ficando a ementa do acórdão com a seguinte dicção: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. É indeferida a solicitação de diligência e perícia quando não cumprem as formalidades previstas e são dispensáveis para a solução da lide. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. Lâminas de polietileno de alta densidade, com espessura superior a 19 mícrons e apresentadas em bobinas com largura superior a 66 cm, destinadas à impermeabilização do solo, Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/02 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 11065.721512/201136 Acórdão n.º 3101001.310 S3C1T1 Fl. 580 9 classificamse no código 3920.10.99 da TIPI de 2006, com alíquota de 15% (Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado nºs 1 e 6 e Regra Geral Complementar nº 1). Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 857 e seguintes, onde aponta nulidade da decisão recorrida, por cerceamento do direito de defesa da recorrente, ao negar pedido de perícia; protesta pela admissibilidade dos laudos técnicos juntados aos autos com o recurso voluntário (não estavam prontos ao tempo da impugnação); e reprisa os argumentos de primeira instância, no que tange ao mérito do contencioso, dizendo que a classificação fiscal dos reservatórios é a correta; e por fim, requer a reforma da decisão recorrida, para cancelar a exigência fiscal, no que diz com a primeira infração apontada na peça fiscal, uma vez que a segunda infração já foi inclusive paga no decorrer do expediente. Ato seguido, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação do órgão julgador de segundo grau. É o relatório. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. DOS LAUDOS TÉCNICOS Preambularmente à apreciação propriamente dita do recurso voluntário, cumpre apreciar a juntada de documentos após a impugnação, a qual deverá ser requerida à autoridade julgadora e demonstrada uma das condições elencadas no § 4º do art. 16 do Decreto Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/02 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 10 nº 70.235/72, a saber, impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior; refirase a fato ou direito superveniente; ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. No caso vertente, cumpre dizer que não vislumbro a ocorrência de nenhuma das hipóteses elencadas supra para que os laudos anexados aos autos posteriormente ao julgamento da impugnação mereçam ser levados em consideração neste momento processual. Outrossim, é possível notar que os laudos acostados, pelo que pude perceber dos trechos reproduzidos no recurso voluntário, estão longe de serem identificatórios do produto fabricado pela recorrente, o que fazem é apontar como correta a classificação fiscal praticada pela autuada. Sendo oportuno registrar que a tarefa de classificar mercadorias na TIPI é do mister cotidiano tanto da auditoriafiscal como dos julgadores administrativos. DA DECISÃO RECORRIDA A preliminar de nulidade da decisão a quo, por cerceamento do direito de defesa da recorrente, ao ser negado o pedido de perícia, não merece prosperar, porquanto a negativa foi devidamente fundamentada. Demais disso, tratase de prerrogativa da autoridade julgadora e a solicitação foi feita em desalinho com os cânones previstos na legislação aplicável (Decreto nº 70.235/72, art. 16). DOS PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS PELA RECORRENTE A questão central deste contencioso, s.m.j., não é propriamente a classificação fiscal dos produtos industrializados pela recorrente, que tanto o Fisco como a autuada concordam que são obtidos a partir de lâminas de polietileno de alta densidade classificáveis no código 3920.10.99 da TIPI/2006. A verdadeira questão aqui é saber se os produtos nominados “reservatórios” são, de fato, reservatórios a serem classificados em código diverso do das lâminas de polietileno, ou não. Nesse diapasão, tratase mais de investigar se a auditoriafiscal bem desincumbiuse de seu ônus probatório, no sentido de descaracterizar os produtos reclassificados como sendo reservatórios, e provar que em verdade o que a recorrente comercializa são apenas lâminas de polietileno. Com o intuito de provar que todos os produtos comercializados pela recorrente são lâminas de polietileno, evidencia o que segue: Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/02 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 11065.721512/201136 Acórdão n.º 3101001.310 S3C1T1 Fl. 581 11 1. a unidade de medida de todos os produtos vendidos, quer sejam denominados no campo "descrição dos produtos" das notas fiscais como geomembrana, reservatório, painel reservatório, polimanta, ou kit geomembrana, é sempre metro quadrado. No entender do fiscal autuante esta unidade de medida é perfeitamente lógica, pois sendo os produtos vendidos chapas (lâminas), em diversas larguras e comprimentos, nada mais lógico que o seu preço ser estipulado em R$/m2, de acordo com a espessura (variável) de cada produto vendido; 2. mesmo o produto denominado reservatório é enviado aos clientes da empresa em diversos volumes, sendo que no campo "dados adicionais" das notas fiscais, freqüentemente aparece a expressão "x bobinas" ou "x bobs", sendo "x" sempre igual ao número de volumes constante no item "quantidade", no quadro "transportador/volumes transportados"; 3. os produtos, ora classificados no código 3925.10.00, ora classificados no código 3920.10.99 ou no código 3926.90.90 são absolutamente os mesmos, sempre enviados aos clientes da empresa em volumes separados, gerando, inclusive equívocos da empresa fiscalizada na hora de identificar a classificação fiscal destes produtos na emissão da nota fiscal, conforme resposta da fiscalizada, das fls. 26 a 29, ao Termo de Constatação e Intimação, das fls. 21 a 23; 4. valeuse também a fiscalização da análise da Decisão SRRF/10ª RF/Disit n° 58, de 05 de setembro de 1997, exarada no processo 13002.000229/9745, no qual teria a interessada formulado consulta sobre a legislação do IPI, constatando que a mesma informou que "é fabricante de lâmina não auto adesiva de plástico, própria para impermeabilização de solos", e não fabricante de reservatórios, ressaltando o autuante que os produtos fabricados na época daquela consulta são os mesmos fabricados no período fiscalizado. 5. os produtos classificados na posição 3925 da TIPI/2006, classificação adotada pela impugnante, são partes de edificações, sendo os reservatórios ali citados acompanhados de outras partes de edificações, como cisternas, tetos, calhas, portas, janelas, gradis, estantes, motivos decorativos arquitetônicos, acessórios e guarnições; 6. consultando o sitio da fiscalizada na internet, observouse que, tecnicamente, os produtos por ela fabricados são polímeros de etileno (polietileno), de alta densidade, com espessura superior a 19 mícrons, em rolos de largura superior a 66 cm devendo classificaremse no código 3920.10.99 sujeitos à incidência do IPI, com alíquota de 15% (quinze por cento). Em primeiro plano, insta observar que o fato de a unidade de medida de todos os produtos ser o metro quadrado não conduz necessariamente à conclusão de que todos consubstanciam a mesma mercadoria; nem há que se falar que um reservatório não pode ser Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/02 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 12 constituído por várias bobinas de lâminas, ou que eventuais equívocos na classificação fiscal dos produtos evidenciam serem todos uma só mercadoria. O melhor fundamento apresentado pela auditoriafiscal, com o escopo de alicerçar a imputação, ao meu ver, é a Decisão SRRF/10ª RF/Disit n° 58/97, em que a pessoa jurídica ENGEPOL S/A recebe a solução para a consulta acerca da incidência, ou não, do IPI sobre as operações de venda de lâminas para impermeabilização do solo em que a recorrente se encarregava da instalação do produto. Todavia, esse ato administrativo não se aplica ao caso vertente. A uma, porque a autuada aqui é ENGEPOL GEOSSINTÉTICOS LTDA, com tipo, denominação e objeto sociais diversos da consulente ENGEPOL S/A. A duas, porque o fato de a consulente não fabricar reservatórios em 1997 não implica, necessariamente que a sua eventual sucessora não os fabrique em 2007 a 2008, período de apuração da exigência fiscal. Quanto à classificação fiscal na posição 3925 da TIPI/2006 estar equivocada, talvez tenha razão a auditoriafiscal, entretanto, isso não modifica a situação desta lide, porquanto a lavratura dos autos de infração de reclassificação fiscal é extremamente ingrata e duplamente difícil, pois não basta apontar o erro do contribuinte, é necessário acertar também a classificação fiscal escorreita para o produto. No caso em tela a classificação fiscal eleita para os reservatórios, que não lograram ser descaracterizados, é a da matéria prima destes, o que não se afeiçoa da melhor e justa técnica. Por fim, consultando o sítio da recorrente na internet, observase uma variedade grande de produtos, para além da geomembrana de polietileno e seus reservatórios, nas áreas de sistemas de drenagem, geotecnia e engenharia ambiental. Essa constatação infirma o quanto asseverado pela auditoriafiscal de que tecnicamente, os produtos por ela fabricados são polímeros de etileno (polietileno), de alta densidade, com espessura superior a 19 mícrons, em rolos de largura superior a 66 cm devendo classificaremse no código 3920.10.99 sujeitos à incidência do IPI, com alíquota de 15% (quinze por cento). Posto isso, voto pelo PROVIMENTO do recurso voluntário. Sala das Sessões, em 29 de janeiro de 2013. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/02 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 11065.721512/201136 Acórdão n.º 3101001.310 S3C1T1 Fl. 582 13 Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/02 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 10650.902444/2011-41
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002
RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. INEXISTÊNCIA.
A isenção da Contribuição para o PIS prevista no art. 14, § 1º, da Medida Provisória n° 2.158-35/2001, quanto às receitas decorrentes de vendas realizadas para sociedades empresárias domiciliadas na Zona Franca de Manaus, aplica-se apenas em relação às hipóteses dos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo, a partir de 18 de dezembro de 2000.
Numero da decisão: 3803-003.936
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do redator. Vencidos os Conselheiros Juliano Eduardo Lirani, João Alfredo Eduão Ferreira (Relator) e Jorge Victor Rodrigues. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Hélcio Lafetá Reis.
[assinado digitalmente]
Belchior Melo de Sousa Presidente Substituto
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira Relator
[assinado digitalmente]
Hélcio Lafetá Reis Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e José Luiz Feistauer de Oliveira (Suplente).
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. INEXISTÊNCIA. A isenção da Contribuição para o PIS prevista no art. 14, § 1º, da Medida Provisória n° 2.158-35/2001, quanto às receitas decorrentes de vendas realizadas para sociedades empresárias domiciliadas na Zona Franca de Manaus, aplica-se apenas em relação às hipóteses dos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo, a partir de 18 de dezembro de 2000.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1924; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 120 1 119 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10650.902444/201141 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803003.936 – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de fevereiro de 2013 Matéria PIS RESTITUIÇÃO Recorrente BLACK & DECKER DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. INEXISTÊNCIA. A isenção da Contribuição para o PIS prevista no art. 14, § 1º, da Medida Provisória n° 2.15835/2001, quanto às receitas decorrentes de vendas realizadas para sociedades empresárias domiciliadas na Zona Franca de Manaus, aplicase apenas em relação às hipóteses dos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo, a partir de 18 de dezembro de 2000. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do redator. Vencidos os Conselheiros Juliano Eduardo Lirani, João Alfredo Eduão Ferreira (Relator) e Jorge Victor Rodrigues. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Hélcio Lafetá Reis. [assinado digitalmente] Belchior Melo de Sousa – Presidente Substituto [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira – Relator [assinado digitalmente] Hélcio Lafetá Reis – Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 90 24 44 /2 01 1- 41 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/ 03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e José Luiz Feistauer de Oliveira (Suplente). Relatório Tratase de pedido eletrônico de restituição (PER) transmitido em 29/03/2004 no valor de R$ 404,15 relativo ao recolhimento do PIS/PASEP, período de apuração 02/2002, calculado sobre receitas de venda para clientes domiciliados na Zona Franca de Manaus. A DRF/Uberaba/MG emitiu despacho decisório eletrônico que indeferiu o pedido da contribuinte alegando inexistência de crédito. Irresignado, o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade sumarizada no acórdão da 1ª Turma da DRJ/JFA que compõe o processo que transcrevemos a seguir: “a) Preliminarmente, o contribuinte requer a nulidade do Despacho Decisório por cerceamento do direito de defesa, alegando que sequer tem certeza quanto ao motivo pelo qual o seu direito creditório foi indeferido, dado que o débito de PIS/PASEP apurado foi comprovadamente recolhido a maior e declarado na DCTF. Afirma que está impossibilitado de atacar, de forma certeira, o fundamento da glosa perpetrada. b) Alega que não constam, no Despacho Decisório, informações precisas acerca das supostas incorreções cometidas pelo contribuinte, evidenciando a nulidade do ato administrativo em apreço. c) No mérito, solicita a restituição do PIS e da Cofins incidentes sobre as vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus. Discorre sobre a criação da Zona Franca de Manaus, sua manutenção por meio do ADCT, art. 40, da Constituição Federal de 1988, concluindo que as vendas de mercadorias para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus equivalem a exportações para o estrangeiro, gozando as operações de todos os benefícios destas, inclusive a isenção do PIS e da Cofins. d) Afirma que dentre as exclusões expressamente previstas em lei, a Medida Provisória nº 18586 determinava que, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, as receitas de exportação de mercadorias para o exterior são isentas do PIS e da Cofins. e) Aduz que a limitação constante na Medida Provisória de que a isenção supra não alcançaria as receitas de vendas efetuadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus foi contestada perante o Supremo Tribunal Federal, na Medida Cautelar nº 2.2161. f) Afirma que o STF, Tribunal que dita o Direito, decidiu que não é permitido à lei/medida provisória suprimir direitos que foram outorgados constitucionalmente aos contribuintes. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/ 03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10650.902444/201141 Acórdão n.º 3803003.936 S3TE03 Fl. 121 3 g) Com relação ao direito creditório, aduz que o suposto erro formal contido na DCTF, por ter declarado débitos equivocadamente majorados, não é capaz de extinguir o direito creditório originado de pagamentos comprovadamente recolhidos a maior. h) Invoca os princípios da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade i) Solicita, ao final, com respaldo no disposto no art. 16, inciso IV, do Decreto n.° 70.235/72, a realização de diligência, para que se comprove a existência do crédito pleiteado. Formula os seus quesitos. j) Solicita que, na remota hipótese de o direito creditório não ser reconhecido, que seja declarada a nulidade do despacho decisório.” A DRJ/JFA em seu acórdão de resposta à manifestação de inconformidade julgou improcedentes os pedidos da contribuinte e manteve a decisão de não homologar o referido PER. Não compactua com a tese do sujeito passivo de que a equiparação das vendas realizadas a ZFM com exportações seja abrangente a ponto de gerar isenção nas contribuições para o PIS/PASEP. Tem como fundamentação a Solução de Divergência Cosit nº 22, de 19 de agosto de 2002. Inconformada a contribuinte apresentou Recurso Voluntário onde com relação ao mérito apresenta os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade e pede que seja reconhecido o direito creditório bem como homologado o PER apresentado. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. O presente processo referese à incidência do PIS sobre as vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus, ou se há imunidade, como pretende a recorrente, por entender que estas vendas devem ser equiparadas a exportação. De se lembrar que o período de apuração da contribuição cujo alegado recolhimento a maior que ora se discute é o de novembro de 2001. Destacamos a legislação referente à matéria. No tocante especificamente a Zona Franca de Manaus O art. 4º do Decreto Lei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967 prescreve uma “equiparação” entre as exportações e as Fl. 122DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/ 03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS 4 remessas de mercadorias nacionais para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, para efeitos fiscais e nos termos da legislação em vigor, verbis: “Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” A Constituição Federal de 1988 estabeleceu que as contribuições sociais não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação, nos termos do artigo abaixo transcrito: “Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo.(...) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação;” No Ato das Disposições Constitucionais Transitórias em seu art. 40 está previsto a manutenção dos incentivos fiscais pelo prazo de vinte e cinco anos, albergando as vendas realizadas pela contribuinte: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Posteriormente, foi editada a Medida Provisória n° 202, publicada em 26 de julho de 2004, convertida na Lei n° 10.996, de 2004, cujo art. 2° reduziu a zero as alíquotas de PIS e da Cofins sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM, verbis: “Art. 2 o Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM.” Conclusão A isenção da PIS encontra respaldo na combinação das regras constantes do art. 4º do DecretoLei nº 288/67, do art. 40 do ADCT e do art. 149, § 2º, da Constituição Federal. O fato da legislação especifica do PIS não trazer nada acerca da isenção requerida não muda o disposto no Decreto Lei nº 288/67. A simples observação da legislação vigente nos leva à conclusão de que as vendas a empresas sediadas na ZFM são equiparadas a exportação, e como tal gozam de isenção do PIS. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/ 03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10650.902444/201141 Acórdão n.º 3803003.936 S3TE03 Fl. 122 5 Para tanto, recorro ao voto proferido pelo Ministro Teori Albino Zavascki no Recurso Especial nº 1.084.380RS, assim ementado “(...)4. Nos termos do art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT, da Constituição de 1988, a Zona Franca de Manaus ficou mantida "com suas características de área de livre comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, por vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição". Ora, entre as "características" que tipificam a Zona Franca destacase esta de que trata o art. 4º do Decreto lei 288/67, segundo o qual "a exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro". Portanto, durante o período previsto no art. 40 do ADCT e enquanto não alterado ou revogado o art. 4º do DL 288/67, há de se considerar que, conceitualmente, as exportações para a Zona Franca de Manaus são, para efeitos fiscais, exportações para o exterior. Logo, a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à Zona Franca. Precedentes: RESP. 223.405, 1ª T. Rel. Min. Humberto Gomes de Barros, DJ de 01.09.2003 e RESP. 653.721/RS, 1ª T., Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 26.10.2004) “ Grifamos Pelo exposto voto por DAR PROVIMENTO ao presente recurso e homologar o pedido de restituição. João Alfredo Eduão Ferreira Relator Voto Vencedor Conselheiro Hélcio Lafetá Reis – Redator designado De início, registrese que, nos termos do art. 111, inciso II, do Código Tributário Nacional (CTN), interpretase literalmente a norma tributária que institui outorga de isenção. Nada obstante o art. 4° do DecretoLei n° 288/1967 ter equiparado a venda de mercadorias para a Zona Franca de Manaus (ZFM) a uma exportação para o estrangeiro, ressalvese que tal determinação se aplicava aos fatos tributários disciplinados pela legislação então vigente, não estendendo seus efeitos às normas supervenientes de regência da matéria. A Medida Provisória n° 2.15835/2001 estabelece, em seu art. 14, que a isenção da Cofins e da Contribuição para o PIS se aplica às hipóteses elencadas em seus incisos I a IX, não havendo referência expressa ou literal à Zona Franca de Manaus, fato esse que, por si só, já afastaria a isenção pleiteada. Portanto, seriam aplicáveis ao presente caso somente as hipóteses de isenção dos incisos IV, VI, VIII e IX, a seguir discriminadas: Fl. 124DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/ 03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS 6 a) receitas do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo le bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; b) receitas auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei n° 9.432, de 8 de janeiro de 1997; c) receitas de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras de que trata o DecretoLei n° 1.248, de 1972, destinada ao fim específico de exportação; e d) receitas de vendas efetuadas com fim específico de exportação para o exterior, às empresas comerciais exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Tais hipóteses de isenção da Cofins e da Contribuição para o PIS não se aplicam aos fatos geradores ocorridos entre 1° de fevereiro de 1999 a 17 de dezembro de 2000 – período esse que não alcança o presente processo –, pois, nesse interregno, vigia a redação original do inciso I do § 2° do art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586/1999 – dicção essa que constou do dispositivo até a edição da Medida Provisória n° 2.03724/2000 –, que, expressamente, excluía as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus da previsão legal isentiva. A medida liminar que foi deferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na ADI n° 2.3489/2000 suspendeu a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus" que constava do inciso I do § 2° do art. 14 da Medida Provisória n° 2.03724/2000, que, após inúmeras reedições, se tornou a Medida Provisória n° 2.15835/2001, mas apenas com efeitos ex nunc, não alcançando, portanto o período acima identificado. Inobstante tal decisão do STF, remanesceu no dispositivo legal (inciso I do § 2° do art. 14 da Medida Provisória n° 2.03724/2000) o afastamento da isenção em relação às vendas realizadas para “empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio” (grifei). Considerando que, de acordo com o art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, a Zona Franca de Manaus é uma área de livre comércio, temse que a isenção sob comento permaneceu afastada nos casos da espécie. Além disso, em 9 de novembro de 2004, a Lei n° 10.996 inovou em relação a essa matéria nos seguintes termos: Art. 2°. Ficam reduzidas a O (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM §1° Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham Fl. 125DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/ 03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10650.902444/201141 Acórdão n.º 3803003.936 S3TE03 Fl. 123 7 utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. §2° Aplicamse às operações de que trata o caput deste artigo as disposições do inciso II do §2° do art. 3° da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do incisoIIi do §2° do art. 3° da Lei n°10.833, de 29 de dezembro de 2003. Constatase do excerto acima que, a partir de sua vigência – que não alcança o caso sob análise –, as alíquotas das contribuições foram reduzidas a zero, o que denota a inexistência de isenção anterior, uma vez que não haveria justificativa que sustentasse uma alíquota zero relativamente a fatos isentos, dada a incompatibilidade de convivência dos institutos. Portanto, concluise pela atuação escorreita da autoridade fiscal quanto ao não reconhecimento do direito creditório pleiteado. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Fl. 126DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/ 03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 12965.000131/2008-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. TRIBUTAÇÃO.
O adicional por tempo de serviço é rendimento tributável, conforme
determina a legislação tributária.
A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. (Súmula CARF nº 68, Portaria MF nº 383, DOU de 14/07/2010)
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.109
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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TRIBUTAÇÃO. O adicional por tempo de serviço é rendimento tributável, conforme determina a legislação tributária. A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. (Súmula CARF nº 68, Portaria MF nº 383, DOU de 14/07/2010) Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 29/06/2012 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 12965.000131/200833 Acórdão n.º 210202.109 S2C1T2 Fl. 2 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra JOSIAS MARQUES DE MIRANDA foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 03/05, relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), ano calendário 2005, exercício 2006, para reduzir o saldo de imposto a restituir de R$ 6.476,18 para R$ 1.814,01. A infração apurada pela autoridade fiscal foi omissão de rendimentos do trabalho recebidos do Comando do Marinha, no valor de R$ 16.953,30. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 01/02, alegando em síntese que não incide tributação sobre os rendimentos considerados omitidos, recebidos do Comando do Marinha, por tratarse de valores recebidos a título de adicional por tempo de serviço, conforme disposto na Lei nº 8.852, de 4 de fevereiro de 1994. A autoridade julgadora de primeira instância julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, conforme Acórdão DRJ/JFA nº 0929.439, de 14/05/2010, fls. 31. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 25/05/2010, Aviso de Recebimento (AR), fls. 33, o contribuinte apresentou, em 14/06/2010, recurso voluntário, fls. 34/35, onde reitera e reforça os mesmos argumentos trazidos na impugnação. É o Relatório. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 12965.000131/200833 Acórdão n.º 210202.109 S2C1T2 Fl. 3 3 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Cuidase de rendimentos recebidos à título de adicional por tempo de serviço, que o contribuinte afirma tratarse de rendimentos não tributáveis, em virtude do disposto na Lei nº 8.852, de 1994. De pronto, cumpre esclarecer que a Lei nº 8.852, de 1994, que dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal, cuida da definição de vencimento, vencimento básico e remuneração. Contudo, não traz em seu bojo hipóteses de isenção ou nãoincidência de imposto de renda sobre valores recebidos por servidores públicos. Outrossim, no artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que relaciona os rendimentos percebidos por pessoas físicas isentos do imposto de renda, o adicional por tempo de serviço não está contemplado. Portanto, são tributáveis os rendimentos recebidos mediante tal rubrica. Aliás, tal entendimento já se encontra pacificado neste Colegiado, conforme súmula, abaixo transcrita, aplicável ao caso: Súmula CARF nº 68: A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. (Portaria MF nº 383, DOU de 14/07/2010) Portanto, não pode prevalecer a hipótese de nãoincidência do imposto de renda sobre os rendimentos recebidos a título de adicional por tempo de serviço, conforme entende o contribuinte. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 50DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 12965.000131/200833 Acórdão n.º 210202.109 S2C1T2 Fl. 4 4 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10469.721041/2010-70
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
Deve ser anulada a decisão a quo, determinando-se o retorno dos autos a autoridade julgadora de primeira instância para que se pronuncie em relação ao mérito, quando não restar confirmada a falha na representação processual.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-002.921
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para declarar a nulidade da decisão recorrida e determinar o retorno dos autos à autoridade julgadora de primeira instância para que se pronuncie em relação ao mérito, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Ausente, ainda, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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Deve ser anulada a decisão a quo, determinandose o retorno dos autos a autoridade julgadora de primeira instância para que se pronuncie em relação ao mérito, quando não restar confirmada a falha na representação processual. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para declarar a nulidade da decisão recorrida e determinar o retorno dos autos à autoridade julgadora de primeira instância para que se pronuncie em relação ao mérito, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Ausente, ainda, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 10 41 /2 01 0- 70 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10469.721041/201070 Acórdão n.º 2801002.921 S2TE01 Fl. 91 2 Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/REC/PE. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Contra o contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 09/12, no qual é cobrado o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, exercício 2005, relativo ao imóvel denominado "Fazenda Solidão", localizado no município de Sitio Novo RN, com área total de 641,4 ha, cadastrado na RFB sob o nº 2.764.9423, no valor de R$ 2.168,42 (dois mil cento e sessenta e oito reais e quarenta e dois centavos), acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora perfazendo um crédito tributário total de R$ 5.012,94 (cinco mil doze reais e noventa e quatro centavos). 2. 0 contribuinte foi intimado a comprovar o valor da terra nua declarado na DITR/2005, pelo Termo de Intimação Fiscal — TIF n° 04201/00018/2010, fls. 01/02, com ciência em 02/06/2010 Aviso de Recebimento —AR RF863128570BR, fl. 04. 3. 0 intimado não apresentou resposta ao Termo de Intimação Fiscal. 4. No procedimento de análise e verificação das informações declaradas na DITR/2005 e dos documentos coletados no curso da ação fiscal, conforme Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido ITR, fl. 03,.a fiscalização: a) alterou o Valor Total do Imóvel; b) alterou o Valor da Terra Nua. 5. A Notificação de Lançamento foi postada nos correios tendo o contribuinte tomado ciência em 22/07/2010, conforme Aviso de Recebimento — AR RF868510468BR, fl. 14. 6. Não concordando com a exigência o contribuinte apresentou impugnação de fl. 17, em 17/08/2010, fl. 17, alegando: "Conforme Procuração em anexo, pedir que seja revista a notificação acima citada em decorrência da apresentação do laudo do ano de 2005".” A impugnação não foi conhecida, conforme Acórdão de fls. 46/49, que restou assim ementado: FALTA DE COMPROVAÇÃO DA LEGITIMIDADE NA REPRESENTAÇÃO. A impugnação deve revestirse de formalidades essenciais à observância do Principio da Segurança Jurídica. A falta de comprovação da legitimidade da representação do sujeito passivo é formalidade essencial, sem a qual não é possível a apreciação de petição apresentada em seu nome. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10469.721041/201070 Acórdão n.º 2801002.921 S2TE01 Fl. 92 3 Regularmente cientificado daquele Acórdão em 09/11/2011 (AR fl. 54), o contribuinte, por intermédio de sua representante legal (fls. 57/58), interpôs o recurso de fl. 56, em 06/12/2011, no qual pretende seja reformada a decisão recorrida que não conheceu da impugnação por falta de legitimidade, bem como cancelado o lançamento, conforme documentação que ora apresenta. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso foi interposto no prazo regulamentar. De acordo com a procuração apresentada juntamente com a impugnação, à fl. 36, e aquela apresentada nesta fase recursal, à fls. 57/58, foram outorgados poderes a Sra. Madileide Maria dos Santos Pinheiro para atuar administrativamente em nome de Carmelita Maria dos Santos – cônjuge meeiro neste processo, no âmbito do Ministério da Fazenda. Ademais, cuidou a representante legal de assinar o recurso voluntário, à fl. 56, conforme a assinatura da carteira de identidade de fl. 34 e 59, uma vez que a decisão de primeira instância salientou que “A assinatura da Sra. Madileide Maria dos Santos Pinheiro constante da impugnação, fl. 17, não confere com a assinatura desta senhora na Carteira de identidade, fl. 34.”. Portanto, verificase que a Notificação de Lançamento, às fls. 09/12, foi lavrada após a abertura da sucessão em nome do “de cujus”, mas recebida pelo cônjuge meeiro que, em nome do espólio, impugnou o lançamento e posteriormente apresentou recurso, por intermédio da procuradora Sra. Madileide Maria dos Santos Pinheiro, alcançando assim a sua finalidade. Assim, não havendo falha na representação processual, a impugnação apresentada deve ser conhecida. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso para declarar a nulidade da decisão recorrida e determinar o retorno dos autos a autoridade julgadora de primeira instância para que se pronuncie em relação ao mérito. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 92DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10469.721041/201070 Acórdão n.º 2801002.921 S2TE01 Fl. 93 4 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.006096/2009-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2006, 01/08/2006 a 31/12/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. BASE DE CÁLCULO LEVANTADA COM BASE NA CONTABILIDADE RECONSTITUÍDA. LEGALIDADE.
Apurada a base de cálculo do tributo a partir da escrita contábil da empresa, por ela reconstituída após exclusão do SIMPLES, mantém-se íntegro o lançamento quando o contribuinte não apresenta qualquer prova a infirmar a contabilidade.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4, DE 2009.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, de 2009, A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA QUALIFICADA. DECLARAÇÕES DA PESSOA JURÍDICA ZERADAS, SEM JUSTIFICATIVA. DOLO CARACTERIZADO.
Caracteriza a sonegação, consistente na conduta dolosa de impedir o conhecimento, por parte do Fisco, da ocorrência do fato gerador, a prática de entregar à Receita Federal a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica (DSPJ) e a Declaração de Informações Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) com valores zerados, diferentemente da escrituração fiscal e contábil, sem qualquer justificativa para tanto. Demonstrada a sonegação, cabe a aplicação da multa qualificada.
Recurso não conhecido em parte e negado no restante.
Numero da decisão: 3401-002.141
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso quanto às inconstitucionalidades, e na parte conhecida negar provimento, nos termos do voto do(a) Relator(a).
JÚLIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente
EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2006, 01/08/2006 a 31/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. BASE DE CÁLCULO LEVANTADA COM BASE NA CONTABILIDADE RECONSTITUÍDA. LEGALIDADE. Apurada a base de cálculo do tributo a partir da escrita contábil da empresa, por ela reconstituída após exclusão do SIMPLES, mantém-se íntegro o lançamento quando o contribuinte não apresenta qualquer prova a infirmar a contabilidade. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4, DE 2009. Nos termos da Súmula CARF nº 4, de 2009, A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA QUALIFICADA. DECLARAÇÕES DA PESSOA JURÍDICA ZERADAS, SEM JUSTIFICATIVA. DOLO CARACTERIZADO. Caracteriza a sonegação, consistente na conduta dolosa de impedir o conhecimento, por parte do Fisco, da ocorrência do fato gerador, a prática de entregar à Receita Federal a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica (DSPJ) e a Declaração de Informações Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) com valores zerados, diferentemente da escrituração fiscal e contábil, sem qualquer justificativa para tanto. Demonstrada a sonegação, cabe a aplicação da multa qualificada. Recurso não conhecido em parte e negado no restante.
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Recorrente AT1 ATENDIMENTO CENTRAL LTDA EPP Recorrida DRJ SÃO PAULO I SP ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2006, 01/08/2006 a 31/12/2006 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. SÚMULA CARF Nº 2. Nos termos da Súmula CARF nº 2, de 2009, este Conselho Administrativo não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária, pelo que não se conhece de argumentos como o de suposto caráter confiscatório da mula de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2006, 01/08/2006 a 31/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. BASE DE CÁLCULO LEVANTADA COM BASE NA CONTABILIDADE RECONSTITUÍDA. LEGALIDADE. Apurada a base de cálculo do tributo a partir da escrita contábil da empresa, por ela reconstituída após exclusão do SIMPLES, mantémse íntegro o lançamento quando o contribuinte não apresenta qualquer prova a infirmar a contabilidade. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4, DE 2009. Nos termos da Súmula CARF nº 4, de 2009, “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” MULTA QUALIFICADA. DECLARAÇÕES DA PESSOA JURÍDICA ZERADAS, SEM JUSTIFICATIVA. DOLO CARACTERIZADO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 60 96 /2 00 9- 94 Fl. 437DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 2 Caracteriza a sonegação, consistente na conduta dolosa de impedir o conhecimento, por parte do Fisco, da ocorrência do fato gerador, a prática de entregar à Receita Federal a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica (DSPJ) e a Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) com valores zerados, diferentemente da escrituração fiscal e contábil, sem qualquer justificativa para tanto. Demonstrada a sonegação, cabe a aplicação da multa qualificada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2006, 01/08/2006 a 31/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. BASE DE CÁLCULO LEVANTADA COM BASE NA CONTABILIDADE RECONSTITUÍDA. LEGALIDADE. Apurada a base de cálculo do tributo a partir da escrita contábil da empresa, por ela reconstituída após exclusão do SIMPLES, mantémse íntegro o lançamento quando o contribuinte não apresenta qualquer prova a infirmar a contabilidade. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4, DE 2009. Nos termos da Súmula CARF nº 4, de 2009, “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” MULTA QUALIFICADA. DECLARAÇÕES DA PESSOA JURÍDICA ZERADAS, SEM JUSTIFICATIVA. DOLO CARACTERIZADO. Caracteriza a sonegação, consistente na conduta dolosa de impedir o conhecimento, por parte do Fisco, da ocorrência do fato gerador, a prática de entregar à Receita Federal a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica (DSPJ) e a Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) com valores zerados, diferentemente da escrituração fiscal e contábil, sem qualquer justificativa para tanto. Demonstrada a sonegação, cabe a aplicação da multa qualificada. Recurso não conhecido em parte e negado no restante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso quanto às inconstitucionalidades, e na parte conhecida negar provimento, nos termos do voto do(a) Relator(a). JÚLIO CESAR ALVES RAMOS Presidente EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS – Relator Fl. 438DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 19515.006096/200994 Acórdão n.º 3401002.141 S3C4T1 Fl. 438 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Relatório O processo trata de autos de infrações do PIS Faturamento e da Cofins não cumulativos, lançados com mula de ofício no percentual de 150% e juros de mora, ambos em virtude da falta de declaração e de recolhimento. Por bem resumir o que consta dos autos até então, reproduzo o relatório da primeira instância: 5. 0 lançamento da Cofins se acha formalizado no auto de infração anexo ás fls. 192/196, cujos demonstrativos constam nas fls. 186/191; já o do Pis figura no auto de infração das fls. 206/210, cujos demonstrativos se encontram nas fls. 198/199 e 202/205. 0 autor do feito lavrou ainda um termo de constatação (fls. 179/184), em que relata pormenorizadamente o desenrolar da ação fiscal, bem como seu resultado. Segundo esse termo e os autos de infração, os débitos lançados se referem a receitas oriundas de operações de "factoring" realizadas pela e discriminadas em demonstrativo anexo à fl. 185. (...) 7. lrresignada, a suplicante apresentou a impugnação anexa às fls. 217/227, cujo teor resumo a seguir, instruindoa com diversos documentos (fls.228/241). Resumo da impugnação a) Observa inicialmente que "a origem dos valores apontados pelo Fisco Federal foram empréstimos e como foram duplicados várias vezes a fiscalização apurou um valor surreal" (fl. 218); b) Acrescenta que, em virtude de incêndio ocorrido em abril de 2007, foi destruída praticamente a totalidade da empresa, o que prejudicou "o detalhamento exigido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil" (fl. 218); c) Com base nesses argumentos, contesta o montante apurado pela autoridade fiscal, alegando que não refletiria a movimentação financeira real da empresa, cuja comprovação ficou prejudicada devido ao incêndio; d) Assim, afigurandoselhe indevidos os débitos lançados, requer a anulação do feito fiscal; e) Alegando não haver nos autos prova cabal de que teria agido com intenção de fraudar o Fisco, acoima de excessiva e confiscatória a multa imposta, à qual dá a denominação de "multa moratória" (fl. 218); Fl. 439DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 4 f) Invoca os princípios da capacidade contributiva e da vedação do confisco, assinalando que se aplicam também às penalidades pecuniárias, razão por que a eqüidade recomenda a exclusão das multas vultosas — como a aplicada no caso em exame, no absurdo percentual de 150% — por representarem sanção confiscatória; g) Afirma que a correção monetária, cujos índices, em desacordo com o principio da legalidade, são fixados livremente, também corrige o valor da multa e dos juros, o que acarreta o "efeito cascata da aplicação da correção monetária sobre o crédito tributário, neste incluído o imposto, os juros, a multa e a própria correção" (fl. 221). h) Requer a exclusão ou, ao menos, a diminuição da multa aplicada, dado seu caráter confiscatório, observando que a nova redação do § 1 ° do art. 52 da lei n° 8.078/90 (transcrito na fl. 221) — segundo a qual as multas de mora não podem ser superiores a 2% — demonstra a preocupação do governo em evitar abusos na imposição de multas, cujo montante muitas vezes ultrapassa o valor do principal; i) A seguir, discorre longamente sobre os juros de mora, afirmando ser ilegal e inconstitucional sua cobrança com base na taxa SELIC, cujo valor, a seu ver, configura verdadeira punição ao contribuinte. Cita em seu favor um excerto de doutrina (fls. 223/224) e um julgado do STJ (fls. 225/226). j) Acrescenta ser incontestável seu direito à aplicação de juros de mora à razão de 1% ao mês, visto que a utilização da taxa SELIC, dada sua natureza remuneratória afronta a regra inscrita no art. 161, § 1°, do CTN, o qual transcreve na fl. 223. k) Encerrando o arrazoado, requer se julguem improcedentes os autos de infração ora impugnados. A 6ª Turma da DRJ julgou improcedente a impugnação, mantendo íntegros os dois lançamentos, nos termos do acórdão de fls. 247/256. Depois de cientificada por meio de edital (fl. 279), a autuada interpôs recurso voluntário, tempestivo, onde repisa os termos da peça impugnatória, requerendo ao final o provimento, com a reforma do acórdão da DRJ, e em caso contrário a exclusão ou redução da multa, bem como o reconhecimento de inconstitucionalidade da forma de cômputo dos juros. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto Emanuel Carlos Dantas de Assis, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos do Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço, exceto no que alega inconstitucionalidade. Não devem ser conhecidas as argüições de suposto caráter confiscatório da multa aplicada, de inconstitucionalidade no cômputo dos juros (mais adiante trato da taxa Selic no âmbito infraconstitucional) e de ofensa ao princípio da capacidade contributiva, por constituírem matéria que somente o Poder Judiciário é competente para julgar, consoante a Fl. 440DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 19515.006096/200994 Acórdão n.º 3401002.141 S3C4T1 Fl. 439 5 Constituição Federal, arts. 97 e 102, I, “a”, III e §§ 1º e 2º deste último. Neste sentido, inclusive, a Súmula CARF nº 2, constante da consolidação realizada conforme a Portaria CARF nº 106, de 21/12/2009, segundo a qual “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Quanto à parte conhecida, descabe dar guarida aos argumentos da peça recursal. Nada acrescenta à impugnação nem infirmam os lançamentos, que não merecem reparo. BASE DE CÁLCULO E VALORES DAS CONTRIBUIÇÕES LANÇADOS CONFORME CONTABILIDADE RECONSTITUÍDA A Recorrente que os valores levantados pelo AuditorFiscal seriam decorrentes de empréstimos e teriam sido duplicados, mas nem ao menos apresenta um exemplo. Tampouco apresenta qualquer documento. Além do mais e como bem lembrado pela DRJ , no curso da ação fiscal, o autuante já intimara a contribuinte, sem obter resposta, a "esclarecer e justificar todos os lançamentos envolvendo contas de Passivo representativas de Empréstimos a Pagar" (fl. 112). Os valores lançados foram apurados com base na documentação apresentada pela própria empresa, após o refazimento da escrita contábil, sendo que no Termo de Constatação de fls. 179/184, o autuante detalha todo o procedimento e informa como levantou a base de cálculo. Por merecer destaque, cabe repetir o seguinte: Apesar de ter sido regularmente cientificado ao contribuinte, em decorrência de Diligência instaurada antes da presente ação fiscal, Termo de Inicio de Diligência no endereço sede da empresa, por via postal, em 30/06/2009, o Termo de Inicio de Fiscalização encaminhado em 06/07/2009 ao mesmo endereço foi devolvido aos Correios indicando destinatário "desconhecido". 0 Termo de Inicio de Fiscalização foi cientificado, posteriormente, ao sócio e representante legal da empresa Marcelo Francisco Rainho, em seu domicilio fiscal conforme base CPF, por via postal, em 18/07/2009. (...) Não tendo sido atendida a intimação constante do Termo de Inicio de Fiscalização, o contribuinte foi novamente intimado, em 30/07/2009, com ciência pessoal do Termo de Intimação ao representante legal do contribuinte, a apresentar o Livros contábeis e fiscais, bem como a documentação relativa a movimentações financeiras, tudo relativo aos anoscalendário 2005 e 2006. Novamente, transcorridos 29 (vinte e nove) dias desde a ciência do primeiro Termo com força de intimação, nenhum livro ou documento foi apresentado pelo contribuinte. Em face de não terem sido atendidas as intimações até então cientificadas ao contribuinte, apesar de alertado de que o não Fl. 441DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 6 atendimento poderia configurar Embaraço A Fiscalização, foi lavrado, em 18/08/2009, Termo de Embaraço A Fiscalização, cientificado ao contribuinte em 19/08/2009. Após a cientificação do Termo de Embaraço A Fiscalização ao contribuinte, o mesmo apresentou A repartição fiscal folhas soltas identificadas como "Livro Diário" e "Livro Razão", com folhas identificadas como Termo de Inicio e Termo de Encerramento assinados por representante legal do contribuinte, acompanhado de extratos bancários parciais e incompletos e de relatórios contábeis indicando a realização de operações de "factoring" no período compreendido entre Nov/2004 e Dez/2006, além de outros documentos. Os extratos bancários incompletos, assim como os relatórios contábeis e os demais documentos foram devolvidos ao contribuinte em 18/09/2009. 0 contribuinte foi novamente intimado a apresentar documentos e esclarecimentos em 21/09/2009 e 28/10/2009. Em atendimento às intimações, o contribuinte apresentou, em 09/11/2009, novo conjunto de folhas soltas identificados como "Livro Diário" e "Livro Razão", correspondendo a nova escrita contábil, acompanhada de relatórios contábeis listando operações de "factoring" realizadas, assim como outros documentos. A escrita contábil apresentada pelo contribuinte registra a realização de operações de "factoring" durante os anos calendário 2005 e 2006, e permite a apuração do resultado do contribuinte pelo Lucro Real Trimestral, tendo em vista a exclusão do contribuinte do SIMPLES e a ausência de opção pelo Lucro Presumido. (...) 4 RECONSTITUIÇÃO DA CONTABILIDADE DO CONTRIBUINTE Em face da exclusão do contribuinte do SIMPLES — Federal, com efeito a partir de 01/12/2004, o contribuinte foi, por duas ocasiões, intimado a reconstituir sua escrita contábil e fiscal, apurando seu resultado pelo regime do Lucro Real Trimestral. 0 contribuinte efetuou a reconstituição da escrita, e apresentou elementos que permitem a apuração da base de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS nos anoscalendário 2005 e 2006 pelo regime da nãocumulatividade, não tendo sido identificadas contabilizações de compras com direito a crédito de PIS/PASEP ou de COFINS. (...) Para os meses em que houve contabilização de receitas inferiores aos totais de receitas constantes dos relatórios de operações de "factoring", o PIS e a COFINS devidos foram apurados a partir da receita total mensal extraída dos relatórios de operações de "factoring". Fl. 442DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 19515.006096/200994 Acórdão n.º 3401002.141 S3C4T1 Fl. 440 7 Na situação dos autos, temse, por um lado, que a base de cálculo das duas Contribuições foi apurada a partir da escrita contábil da empresa, por ela reconstituída após exclusão do SIMPLES. Somente nos meses em que houve contabilização de receitas inferiores aos totais de receitas constantes dos relatórios de operações de "factoring" é que a fiscalização optou por estes. Diante dos valores contábeis a menor, quando comparados com os relatórios da própria empresa, o procedimento apresentase correto. Por outro lado, a Recorrente, assim como já fizera na fase da impugnação, voltou a alegações genéricas, todas sem prova, que em nenhum ponto negam sua escrita contábil ou os relatórios por ela apresentados à fiscalização. Daí a manutenção dos valores lançados. JUROS COM BASE NA TAXA SELIC No tocante à incidência da Selic como juros moratórios, é tema pacífico que, inclusive, já contava com súmulas editadas pelos três Conselhos de Contribuintes, conforme o Anexo II da Portaria CARF nº 106, de 21/12/2009. Segundo a Súmula CARF nº 4, constante do Anexo III da referida Portaria, “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” MULTA QUALIFICADA NO PERCENTUAL DE 150% EM FACE DE SONEGAÇÃO Por último a questão da multa qualificada. A multa de ofício foi majorada para 150% (qualificação) em face da sonegação apontada, conforme previsão do artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96 (alterada pela Lei nº 11.488, de 2007), tudo conforme assentado no Termo de Constatação que integra os dois autos de infração. Confirase (fl. 183): 6— MULTA DE OFÍCIO Tendo em vista que o contribuinte apresentou, à Receita Federal, DSPJ relativa ao anocalendário 2005 e DIPJ relativa ao anocalendário 2006, ambas com todos os seus campos relativos a receitas preenchidos com "zeros", bem como permaneceu indevidamente no regime do SIMPLES apesar de realizar operações de "factoring", constatase a clara intenção do contribuinte de evitar que a administração tributária tome conhecimento da ocorrência do fato gerador, restando configurada a situação prevista no art. 71, inc. I, da Lei 4.502/64. Em face disto, a multa de oficio decorrente do presente auto de infração passa a ser de 150%, conforme disposto no art. 44, inc. II da Lei 9.430/96 vigente a época dos fatos, posteriormente re numerada pela Lei 11.488/2007 passando a constar do art. 44, inc. I, em percentual duplicado conforme §1 ° do mesmo artigo.. Manifestandose contra o dolo apontado, a empresa não apresenta qualquer justificativa para o procedimento adotado – declarações zeradas, em contraste gritante com a própria contabilidade. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 8 Diante das provas carreadas pela fiscalização e da ausência de qualquer justificativa por parte da Recorrente para as informações nulas na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica (DSPJ) e na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deve ser mantido o percentual qualificado aplicável à hipótese de sonegação, definida no inc. I do art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, cuja redação é a seguinte: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Na forma prescrita pelo art. 44, II, da Lei nº 9.430/96, combinado com os arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, que definem sonegação, fraude e conluio, respectivamente, a multa qualificada é aplicada na hipótese de infrações subjetivas dolosas. Os três artigos da Lei nº 4.502/64 tratam de infrações em que o dolo que consiste na vontade do agente de praticar o ato (dolo direto) ou de assumir os resultados da sua prática (dolo indireto)1 – é elementar do fato típico, descrito na hipótese de incidência da norma. Também são dolosas as condutas tipificadas nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137/90. Para a qualificação da multa, carece seja demonstrado o dolo pela fiscalização, por meio de uma prova cabal ou por meio de indícios veementes, cujo conjunto se constitua numa prova. É o contrário do que ocorre nas infrações objetivas, a exemplo do inadimplemento de tributo ou do descumprimento de obrigação acessória, em que cabe ao sujeito passivo provar não ter cometido o ato identificado pela fiscalização. Paulo de Barros Carvalho, após referirse à diferença entre infrações objetivas e subjetivas, informa o seguinte: O discrime entre infrações objetivas e subjetivas abre espaço a larga aplicação prática. Tratandose da primeira, o único recurso de que dispõe o suposto autor do ilícito, para defenderse, é concentra razões que demonstrem a inexistência material do fato acoimado de antijurídico, descaracterizandoo em qualquer de seus elementos constituintes. Cabelhe a prova, com todas as dificuldades que lhe são inerentes. Agora, no setor das infrações subjetivas, em que penetra o dolo ou a culpa na compostura do enunciado descritivo do fato ilícito, a coisa se inverte, competindo ao Fisco, com toda a gama instrumental dos seus expedientes administrativos, exibir os fundamentos concretos que revelem a presença do dolo ou da culpa, como nexo entre a participação do agente e o resultado material que dessa forma se produziu. Os embaraços dessa comprovação, que nem sempre é fácil, transmudamse para a atividade fiscalizadora da Administração, que terá a incumbência intransferível de evidenciar não só a materialidade do evento como, também, o elemento volitivo que propiciou ao infrator 1 Cf. art. 18, I, do Código Penal (DecretoLei nº 2.848/40). Fl. 444DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 19515.006096/200994 Acórdão n.º 3401002.141 S3C4T1 Fl. 441 9 atingir seus fins contrários às disposições da ordem jurídica vigente.2 A prática da contribuinte, de informar ao Fisco Federal, sem qualquer justificativa, valores nulos e diferentes dos escriturados na sua contabilidade, caracteriza a sonegação. Embora certo que a empresa atendeu, após reintimações, à fiscalização e forneceu sua escrita contábil, possibilitando assim a autuação, a ausência de motivação para os valores zerados na DSPJ e DIPJ revela a conduta dolosa, como demonstrou a fiscalização. CONCLUSÃO Pelo exposto não conheço do recurso no que alega inconstitucionalidade, e na parte conhecida nego provimento. Emanuel Carlos Dantas de Assis 2 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 506. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
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Numero do processo: 16349.000224/2006-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
CRÉDITO-PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTAS.
O cálculo do crédito-presumido de PIS/PASEP das agroindústrias deve ser calculado em razão dos produtos produzidos e das mercadorias vendidas e não dos insumos adquiridos, no caso dos frigoríficos a alíquota deve ser de 60% daquela prevista no art. 2º da Lei n. 10.637/2002 (1.65% x 60% = 0,99%).
RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO de PIS/PASEP. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. STJ. RECURSO REPETITIVO.
Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo, a ser reproduzida no CARF conforme o art. 62-A do Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, alterado pela Portaria MF nº 586, de 2010, é devida a incidência da Selic quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco - Aplicação da Súmula 41l.
Numero da decisão: 3401-002.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis e Odassi Guerzoni Filho, que negavam provimento. Os Conselheiros Fernando Cleto e Júlio Ramos votaram pelas conclusões. Este último apresentará declaração de votoJúlio César Alves Ramos Presidente
Julio Cesar Alves Ramos - Presidente
Ângela Sartori - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CRÉDITO-PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTAS. O cálculo do crédito-presumido de PIS/PASEP das agroindústrias deve ser calculado em razão dos produtos produzidos e das mercadorias vendidas e não dos insumos adquiridos, no caso dos frigoríficos a alíquota deve ser de 60% daquela prevista no art. 2º da Lei n. 10.637/2002 (1.65% x 60% = 0,99%). RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO de PIS/PASEP. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. STJ. RECURSO REPETITIVO. Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo, a ser reproduzida no CARF conforme o art. 62-A do Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, alterado pela Portaria MF nº 586, de 2010, é devida a incidência da Selic quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco - Aplicação da Súmula 41l.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis e Odassi Guerzoni Filho, que negavam provimento. Os Conselheiros Fernando Cleto e Júlio Ramos votaram pelas conclusões. Este último apresentará declaração de votoJúlio César Alves Ramos Presidente Julio Cesar Alves Ramos - Presidente Ângela Sartori - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CRÉDITOPRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTAS. O cálculo do créditopresumido de PIS/PASEP das agroindústrias deve ser calculado em razão dos produtos produzidos e das mercadorias vendidas e não dos insumos adquiridos, no caso dos frigoríficos a alíquota deve ser de 60% daquela prevista no art. 2º da Lei n. 10.637/2002 (1.65% x 60% = 0,99%). RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO de PIS/PASEP. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. STJ. RECURSO REPETITIVO. Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo, a ser reproduzida no CARF conforme o art. 62A do Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, alterado pela Portaria MF nº 586, de 2010, é devida a incidência da Selic quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco Aplicação da Súmula 41l. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis e Odassi Guerzoni Filho, que negavam provimento. Os Conselheiros Fernando Cleto e Júlio Ramos votaram pelas conclusões. Este último apresentará declaração de votoJúlio César Alves Ramos – Presidente Julio Cesar Alves Ramos Presidente Ângela Sartori Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 02 24 /2 00 6- 14 Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16349.000224/200614 Acórdão n.º 3401002.178 S3C4T1 Fl. 6 3 Relatório O Recorrente é pessoa jurídica de direito privado, tributada pelo lucro real, e dedicase a atividades as quais compreendem a produção e comercialização de produtos alimentícios. O Recorrente alega que apurou diversos créditos para ressarcimento, tendo feito Pedido de Ressarcimento de PIS nãocumulativo referente ao 4º trimestre de 2005, apresentado por meio de PER/DCOMP em 16/03/2006, no importe de R$ 3.385.934,15 (três milhões, trezentos e oitenta e cinco mil, novecentos e trinta e quatro reais e quinze centavos). A SRF permaneceu inerte, sem analisar o pleito do contribuinte, o que o levou a impetrar o Mandado de Segurança tombado sob o n. 2006.61.00.0252340, o qual tramitou perante a 15ª Vara Cível da Seção Judiciária do Estado de São Paulo, fls. 22/24. Na referida ação, foi deferida medida liminar, determinando que a Delegacia da Receita Federal apreciasse os pedidos de ressarcimento apresentados pela então impetrante, no prazo de 30 (trinta) dias. A Receita Federal intimou a empresa em 12/02/2007, 15/03/2007 e em 23/04/2007, para que viesse a comprovar a materialidade dos créditos pleiteados, por meio de apresentação de documentação idônea, no prazo de 20 (vinte) dias, conforme fls. 13/17. A empresa elaborou solicitação de prorrogação do prazo dado pela autoridade fiscal, haja vista a quantidade de documentos, a distância física das unidades com a matriz e o fato de ter entregue parte deles, requereu mais 180 (cento e oitenta) dias. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo – Divisão de Orientação e Análise Tributária – Equipe de Análise de Processos de Tributos Diversos, proferiu despacho decisório, fls. 35/37, entendendo pelo indeferimento do pedido de ressarcimento, conforme ementa abaixo: PIS NÃOCUMULATIVO. RESSARCIMENTO. IMPEDIMENTO DE EXAME DE DOCUMENTAÇÃO NECESSÁRIA A ANÁLISE DO CRÉDITO. PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE, DA PROBIDADE E DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA. Cabendo ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, segundo o artigo 36 da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, e concorrendo o contribuinte para que os documentos necessários a análise do crédito não fossem examinados pois solicitou prorrogação do prazo para a sua apresentação por mais 30 dias — e tendo em vista a decisão judicial que determinou a análise do requerimento em 30 dias, devese indeferir o pedido de ressarcimento em epígrafe, sob pena de desobediência aos princípios da legalidade, probidade e moralidade administrativa (Constituição da República, artigo 37, caput; Lei n° 8.429, de 2 de junho de 1992, artigo 10) e falta de comprovação do direito creditório. Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 PEDIDO DE RESSARCIMENTO INDEFERIDO. Dentre os fundamentos da decisão, está o fato de que teria o próprio contribuinte dado causa à ausência de exame acurado de sua documentação, visto que havia solicitado a prorrogação do prazo de 180 dias para apresentação dos documentos solicitados, o que impossibilitaria o deferimento do direito creditório e por obediência aos princípios constitucionais tendo em vista o valor discutido. Inconformado, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade de fls.39/48. A 9ª turma da DRJ/SPO proferiu despacho, tendo em vista a apresentação da inconformidade do contribuinte e em obediência à nova liminar concedida nos autos do mandamus 2009.6100.0113765, encaminhou o processo em diligência para a DEFIS/SPO, para que fossem realizadas as verificações necessárias nos livros contábeis e fiscais, nos documentos apresentados pelo Recorrente observado o prazo determinado judicialmente. A 9ª Turma da DRJ/SP1, no acórdão n. 1623.057, fls. 1.118/1.136, entendeu por não dar provimento à manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado no ressarcimento, conforme ementa que segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 MANDADO DE SEGURANÇA. DILIGÊNCIA. Em observância à liminar concedida em Mandado de Segurança o processo foi baixado em diligência e efetuadas as verificações acerca do valor pleiteado pela requerente no Pedido de Ressarcimento. NULIDADE. Satisfeitos os requisitos do Decreto n° 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo diploma legal, não há que se falar em anulação ou invalidação do Despacho Decisório. AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. Nos termos da legislação de regência, as pessoas jurídicas que produzirem mercadorias de origem vegetal ou animal destinadas à alimentação humana ou animal, podem apurar créditos sobre aquisições de insuetos, considerados os percentuais de acordo com os insumos adquiridos. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. No cálculo do PIS nãocumulativo o sujeito passivo somente poderá descontar créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços, não se considerando como tal despesas administrativas com aluguel de aeronaves. Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16349.000224/200614 Acórdão n.º 3401002.178 S3C4T1 Fl. 7 5 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Não satisfeito com a decisão acima, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 1.138/1.145 e aparente complemento nas fls. 1.147/1.151, alegando em síntese: A Lei n. 10.925/2004 em seu art. 8, concedeu aos produtores de mercadorias de origem animal ou vegetal, destinadas à alimentação humana ou animal, crédito de PIS e COFINS incidentes sobre seus insumos e que o art. 9, que prevê a suspensão daquelas contribuições quando da venda dos insumos destinados à produção das mercadorias que fosse aplicável nos termos e condições estabelecidos pela SRF, que somente o dispôs através da IN n. 363 de 04/04/2006, gerando a obrigatoriedade dos vendedores dos insumos de recolher as contribuições nesse período, outorgando assim o direito de os adquirentes de creditaremse integralmente dos valores devidos nas aquisições, dada a natureza nãocumulativa das contribuições; Não acatada a alegação anterior, alega que houve equívoco na aplicação do percentual do crédito presumido aplicado, devendo ser mantido aquele aplicado na diligência, na importância de 60% da alíquota (0,99%) no cálculo do benefício garantido ao exportador pois a empresa não compra animal vivo para procriação, reprodução ou engorda que justificasse a incidência de 35% da alíquota para as aquisições, mas sim, compra carne bovina (peso morto) destinado direto ao abate e a única razão para o bovino ser adquirido vivo é que não se permite o abate em campo, na fazenda, no curral, por não ser possível analisar as condições sanitárias para se autorizar a exportação do produto; Por ter a administração tributária criado óbice ilegítimo ao aproveitamento do crédito em momento oportuno, o que obrigou a recorrente a interpor o recurso, deve ser determinada a aplicação da taxa SELIC como forma de correção monetária, nos termos da Súmula 411 do Superior Tribunal de Justiça. É o relatório. Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 Voto Conselheira Ângela Sartori, Relatora O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Alega o recorrente que adquire carne bovina para industrializar e comercializar e que se enquadra no capítulo 2 (item 0201 e seguintes) que se caracteriza como produto de origem animal. Também alega que o Romaneio de Transporte demonstra que o pagamento feito ao produtor rural é derivado do peso da carne bovina (peso morto) adquirida, pois a mercadoria adquirida não será destinada a criação ou engorda, mas sim ao abate. Informa também que a única razão para o bovino ser adquirido vivo é que não se permite o abate em campo, na fazenda, no curral, por não ser possível analisar as condições sanitárias para se autorizar a exportação do produto, motivo pelo qual se diz que adquire carne bovina como insumo para ser destinada a sua atividade industrial e não animal vivo para reprodução/procriação ou engorda. Entendo que assiste razão à Recorrente uma vez que “a mercadoria adquirida”, se destinada ao abate, produzindo, portanto, carne bovina, deverá ser qualificada como peso de carne morta. Como consta dos próprios documentos apresentados pela recorrente, fls. 1151/1152. Para tanto, vejase o texto da norma aplicável in casu o parágrafo 3, do artigo 8 da Lei 10.925 de 2004:: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3 o das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002 , e 10.833, de 29 de dezembro de 2003 , adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. ( Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004 ) (Vide art. 37 da Lei nº 12.058, de 13 de outubro de 2009 )(Vide art. 57 da Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010 ) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16349.000224/200614 Acórdão n.º 3401002.178 S3C4T1 Fl. 8 7 natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; ( Redação dada pela Lei n º 11.196, de 21/11/2005); II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura ; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.( Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004 ). § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002 , e10.833, de 29 de dezembro de 2003 . § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002 , e 10.833, de 29 de dezembro de 2003 , para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e Outro argumento é aquele que se valeu a Terceira Seção de julgamento, no processo n. 11080.011387/200869, acórdão 330101.635, 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, na sessão de 23 de outubro de 2012, cujo trecho da ementa, a qual interessa ao caso, segue abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 31/12/2005 CRÉDITOPRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTAS. O cálculo do créditopresumido de PIS/PASEP das agroindústrias deve ser calculado em razão dos produtos produzidos e das mercadorias vendidas e não dos insumos adquiridos, no caso dos frigoríficos a alíquota deve ser adotada a alíquota de 60% daquela prevista no art. 2º da Lei n. 10.637/2002 (1.65%x60%=0,99%) No mesmo sentido foi o julgamento do processo n. 10909.001635/200577, acórdão 330100.980, de relatoria do Conselheiro José Adão Vitorino de Morais, julgado na sessão de 7 de julho de 2011, também citado no voto condutor do acórdão adrede exposto, in verbis: CRÉDITOPRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTAS. Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 O cálculo do créditopresumido do PIS nãocumulativo para a agroindústria deve ser calculado à alíquota de 4,56% ou 2,66% dependendo da mercadoria produzida e comercializada. (...) ii) glosas de crédito presumido atividades agroindustriais utilização da alíquota de 0,99% (60% de 1,65%.) A recorrendo discordou das alíquotas 0,99% e 0,578% utilizadas pela autoridade fiscal para o cálculo do créditopresumido do PIS nãocumulativo, agroindústria, defendendo a alíquota única de 0,99% (60% de 1,65%) sob o argumento de que a Lei n. 10.925, de 23/07/2004, art. 8º, incisos I e II, lhe garante esse percentual. Conforme se verifica dos autos, a autoridade fiscal, assim como a julgadora de primeira instância entenderem que as alíquotas são determinadas, em relação aos bens adquiridos. No entanto, tal entendimento é equivocado, conforme se verifica do disposto na Lei n. 10.925 de 23/07/2004, que criou esse benefício fiscal, in verbis: (...) Ora segundo este dispositivo legal, as alíquotas são determinadas em função das mercadorias produzidas e vendidas e não dos insumos adquiridos. Dessa forma, o créditopresumido do PIS nãocumulativo a que a recorrente faz jus deve ser recalculado, aplicandose as alíquotas em função das mercadorias produzidas e vendidas pela recorrente e não dos insumos adquiridos, nos termos dos incisos I e II do parágrafo 3º do art. 8º da Lei n. 10.925, de 2004, citados e transcritos acima. Portanto, o valor do crédito presumido para agroindústria deve ser aplicada a alíquota de 60% sobre as aquisições, nos termos do art. 8º, parágrafo 2º, inciso I, da Lei n. 10.925/2004, e art. 2º da Lei n. 10.637/2002 (PIS/PASEP) e Lei n. 10.833/2003 (Cofins), tendo em vista tratarse de pessoa jurídica produtora de mercadorias de origem animal (frigorífico). DA TAXA SELIC Quanto ao pleito de atualização de seus créditos com base no índice SELIC, sob o argumento de que a administração criou óbice ilegítimo ao reconhecimento de seu ressarcimento, cumpre esclarecer que o mesmo é aplicável uma vez que o a SRF deu causa ao óbice para reconhecimento do crédito, por ter utilizado 35% da alíquota para o cálculo e não 60%. Portanto, cabe dar provimento ao recurso para admitir a aplicação da referida taxa a partir da data do protocolo do pedido de ressarcimento, haja vista o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça na sistemática de recurso repetitivo. Levando em conta o art. 62A do Anexo II do RICARF, acrescentado pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, que dispõe o seguinte: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16349.000224/200614 Acórdão n.º 3401002.178 S3C4T1 Fl. 9 9 reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes A corroborar a aplicação dos juros Selic sobre a parte do ressarcimento não deferida na origem, na esteira da interpretação do STJ, o Acórdão nº 9303001471, da 3ª Turma da CSRF, prolatado em 31/05/2011 à unanimidade e que negou provimento ao Recurso Especial nº 124456, do Procurador da Fazenda Nacional. Nesse julgado da CSRF o relator, ilustre Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, menciona o Recurso Especial nº 993164/MG, julgado pela 1ª Seção do STJ na sessão de 13/12/2010, cuja ementa informa o seguinte: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. (...) 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). (...) 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ, 1ª Turma, REsp 993164 / MG, Relator Min. Luiz Fux, unânime). Pelo exposto, dou provimento para aplicar a taxa Selic a partir do protocolo do pedido. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso para determinar a aplicação da alíquota de 60% sobre as aquisições, nos termos do art. 8º, parágrafo 2º, inciso I, da Lei n. 10.925/2004, e art. 2º da Lei n. 10.637/2002 (PIS/PASEP) e Lei n. 10.833/2003 (Cofins), bem como para a aplicação da Taxa Selic. Ângela Sartori (assinado digitalmente) Declaração de Voto Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16349.000224/200614 Acórdão n.º 3401002.178 S3C4T1 Fl. 10 11 CONSELHEIRO JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Julguei conveniente explicitar minhas razões para ter acompanhado a nobre relatora em dar provimento ao recurso do contribuinte em razão de ela haver acolhido ambas as alegações da defesa. Com efeito, aduzira a recorrente, primeiro, que a matéria prima por ela adquirida não seria carne viva, como sustentado pela decisão recorrida, mas sim carne de animal já morto mesmo reconhecendo que o animal entra vivo em seu estabelecimento. Justifica isso com exigências legais de ordem fito sanitárias . A relatora aceitou tal argumento. E quanto a isso dissenti. É que, para mim, o critério fundamental para a conceituação de insumo é a entrada no processo produtivo, o que, normalmente, coincide com a entrada física no estabelecimento produtor. No caso em apreço, segundo a defesa, essa coincidência desapareceria porquanto o material por ela utilizado em seu processo já seria a carne do animal morto. Em outras palavras, embora entre no estabelecimento o animal vivo, o que entra no processo produtivo, efetivamente, é o animal morto. Para mim, tal tese configura uma contradição em termos: se a “primeira etapa de seu processo produtivo” não é o ato de matar o animal, ela teria de ocorrer em algum lugar fora do estabelecimento. Mas se ela mesma admite que o animal nele entra ainda vivo, como pode isso ocorrer? Por já ter firmado minha convicção nesse sentido é que dirigi a votação para que primeiramente afirmássemos se o percentual aplicável na determinação do crédito presumido era definido em função do insumo ou do produto final elaborado. Caso prevalecesse, como de fato prevaleceu, essa última posição, deixava de ter relevância a outra questão. Também quanto a esse outro ponto, firmei minha convicção no sentido de que é mesmo pelo produto elaborado que se define o percentual, ainda que admita que a péssima redação do dispositivo legal permita chegar à conclusão oposta sem qualquer absurdo. Concluí naquela direção, no entanto, ao fazer uma analogia com o crédito presumido do IPI para ressarcimento do PIS e COFINS incidentes em produtos exportados, instituído pela Lei 9.363/96. Neste último, como se sabe, fixouse o percentual de 5,37% ao considerar uma incidência em cascata por duas etapas produtivas. É claro que isso não é verdade para todo e qualquer ramo produtivo, e disso tinham pleno conhecimento os seus formuladores, mas optouse por uma metodologia simples, em que todos foram equiparados. Pareceume, por isso, que aqui se pretendeu usar o mesmo critério – número de etapas produtivas necessárias à produção do bem final – mas mantendose a necessidade de distinguir entre os desiguais. Em outras palavras, reconheceuse que o bem que é comprado Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 12 pelo beneficiário do crédito pode já ter passado por um número maior ou menor de etapas produtivas, dependendo do bem que com ele venha a ser produzido, e que isso justificaria a existência de um crédito presumido diferenciado. Mas essa regra seria aplicável a todos os insumos adquiridos em um dado ramo produtivo. Não consegui encontrar outro argumento para tal diferenciação que a vinculasse ao insumo adquirido. Notese que, nesse último caso em vez de um crédito presumido, haveria uma multiplicidade a depender dos insumos adquiridos. E, no limite, tantos quantos fossem os insumos adquiridos pelo mesmo produtor, o que não parece razoável. Com essas considerações, embora não acompanhando a relatora quanto ao outro argumento da defesa, votei pelo provimento do recurso do contribuinte. CONSELHEIRO JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Fl. 1226DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10768.003622/2002-41
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1998, 1999, 2000 OMISSÃO NA DECISÃO. CRÉDITO REMANESCENTE DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ REFERENTE AO ANO-CALENDÁRIO DE 2000. COMPETÊNCIA DO IRRF. O acórdão embargado restou omisso ao deixar de analisar o crédito remanescente de saldo negativo de IRPJ, referente ao ano-calendário de 2000. No entanto, em análise ao mérito, o montante retido em 2001 deve compor a antecipação do imposto devido neste período e, caso aplicável, compor o respectivo saldo negativo. CRÉDITO DE IRRF. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. CONSTITUIÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO NO PERÍODO COMPETENTE. CONTRADIÇÃO NÃO VERIFICADA NO ACÓRDÃO. O IRRF é imposto de renda antecipado no curso do ano que deve ser deduzido do valor do imposto devido conforme apuração feita na DIPJ. O reconhecimento do direito creditório, decorrente de IRRF, deve ser identificado como saldo negativo de IRPJ declarado nos respectivos anos de competência. A Embargante computou na DIPJ 2001, ano-calendário 2000, retenções de IRRF dos anos-calendário de 1999 e 1998. Contradição não verificada no acórdão embargado
Numero da decisão: 1802-001.324
Decisão: acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para sanar a omissão e manter as conclusão do acórdão embargado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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CRÉDITO REMANESCENTE DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ REFERENTE AO ANOCALENDÁRIO DE 2000. COMPETÊNCIA DO IRRF. O acórdão embargado restou omisso ao deixar de analisar o crédito remanescente de saldo negativo de IRPJ, referente ao anocalendário de 2000. No entanto, em análise ao mérito, o montante retido em 2001 deve compor a antecipação do imposto devido neste período e, caso aplicável, compor o respectivo saldo negativo. CRÉDITO DE IRRF. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. CONSTITUIÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO NO PERÍODO COMPETENTE. CONTRADIÇÃO NÃO VERIFICADA NO ACÓRDÃO. O IRRF é imposto de renda antecipado no curso do ano que deve ser deduzido do valor do imposto devido conforme apuração feita na DIPJ. O reconhecimento do direito creditório, decorrente de IRRF, deve ser identificado como saldo negativo de IRPJ declarado nos respectivos anos de competência. A Embargante computou na DIPJ 2001, anocalendário 2000, retenções de IRRF dos anoscalendário de 1999 e 1998. Contradição não verificada no acórdão embargado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para sanar a omissão e manter as conclusão do acórdão embargado, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fl. 761DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 18 /09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10768.003622/200241 Acórdão n.º 180201.324 S1TE02 Fl. 1.119 2 (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 762DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 18 /09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10768.003622/200241 Acórdão n.º 180201.324 S1TE02 Fl. 1.120 3 Relatório Tratase de Embargos de Declaração interposto em face do acórdão nº 1802 00.429, proferido pela Segunda Turma Especial da 2ª Câmara da Primeira Seção do CARF, que julgou procedente em parte o Recurso Voluntário apresentado pela ora Embargante, concluindo pelo reconhecimento do direito creditório de R$ 45.939,73 no cálculo do saldo negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 2000. Para descrever os fatos transcrevo o relatório constante do Acórdão citado, verbis: Tratam os presentes autos de pedido de restituição/compensação de saldo negativo de IRPJ. Por terem por objeto o mesmo crédito, estão apensos aos presentes autos os processos administrativos nsº. 10768.100039/200369, 10768.001607/200340, 10768.100217/200271, 10768.0011105/200319, 10768.018132/200240, 10768.100008/200316 e 10768.000725/200331. Alegam as autoridades fiscais que encontraram divergências entre os valores da receita bruta declarados na DIPJ/2001 e os da DIRF/2001. Na DIRF foi informada uma receita bruta superior ao valor informado na DIPJ (fls 152). A recorrente informa (fls 164) que a diferença é decorrente de ter sido reconhecida por competência uma receita de prestação de serviços no valor de R$ 3.062.648,77 no ano calendário de 1999, enquanto o pagamento e a retenção do IRF teriam sido feitos no anocalendário de 2000. Daí constar na DIRF um valor de receita bruta diferente daquele informado na DIPJ. O Parecer Conclusivo n. 31/07 (fls 388) esclarece que o valor do IRRF informado na DIPJ deve estar vinculado às receitas que integraram a base de cálculo do IRPJ. Assim, do total de R$ 179.734,03 de saldo negativo de IRPJ cuja restituição foi requerida, devem ser deduzidos R$ 45.939,73 que correspondem ao IRRF sobre o valor de R$ 3.062.648,77 que não foram oferecidos à tributação no anocalendário de 2000. A diferença entre os R$ 179.734,03 requeridos e os R$ 45.939,73 glosados, no valor de R$ 133.794,30, teve seu pedido de restituição deferido. Intimada, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 428) esclarecendo que o pedido de restituição abrangia o valor total de R$ 341.768,87, Fl. 763DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 18 /09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10768.003622/200241 Acórdão n.º 180201.324 S1TE02 Fl. 1.121 4 correspondente aos saldos negativos de IRPJ apurados nos seguintes anoscalendários: 1998 R$ 77.466,85 1999 R$ 79.612,87 2000 R$ 184.689,15 TOTAL R$ 341.768,87 Esclareceu também que o Parecer Conclusivo n. 31/07 acabou se manifestando apenas sobre o valor do saldo negativo de 2000, deixando de apreciar o pedido de restituição dos demais anoscalendário. E mesmo assim, o referido parecer teria considerado no anocalendário de 2000 apenas o valor de IRRF informado na DIRF (R$ 179.734,03) quando o correto seria considerar o valor das retenções efetivamente ocorridas, no valor de R$ 184.689,15, conforme documentos juntados com a manifestação de inconformidade e resumidos no quadro de fls 443. A DRJ manteve o indeferimento do pedido de restituição (fls 514), sob o argumento de que na DIPJ do anocalendário de 2000 a recorrente teria informado uma retenção de IRRF no valor de R$ 341.768,87, englobando em apenas uma DIPJ o valor das retenções de IRRF dos anoscalendário de 1998 a 2000. E que caberia à recorrente – e não à autoridade fiscal – a tarefa de recomposição e de retificação das declarações de cada um desses anos, para a correta apuração dos saldos negativos de IRPJ. Assim, como o saldo negativo objeto do pedido de restituição foi aquele apurado na DIPJ relativa ao anocalendário de 2000, ao fisco caberia tão somente confrontar as receitas incluídas nessa DIPJ com o valor do IRRF informado nas correspondentes DIRF’s. Como restou comprovada a inclusão na DIPJ do ano calendário de 2000 de receitas correspondentes a IRRF no valor de R$ 133.794,30, esse deveria ser o valor da restituição deferida. A DRJ também sustentou que teria havido inobservância do regime de competência pois o rendimento de R$ 3.062.770,61 é pertinente ao anocalendário de 2000, tendo em vista que a nota fiscal de prestação de serviços teria sido emitida em fevereiro de 2000. O fato de a recorrente ter reconhecido o valor do rendimento como receita em 1999 distorceu os resultados dos dois anos, alterando inclusive a apuração do prejuízo gerado no anocalendário de 1999, sendo portanto necessário uma recomposição da apuração do lucro real de todos esses anos, recomposição essa que caberia à recorrente fazer e não ao fisco. Fl. 764DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 18 /09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10768.003622/200241 Acórdão n.º 180201.324 S1TE02 Fl. 1.122 5 Inconformada, a recorrente apresentou recurso voluntário (fls 532) insistindo que o reconhecimento da receita correspondente ao R$ 3.062.770,61 compete a 1999 e não a 2000, ainda que a nota fiscal de serviços tenha sido emitida em fevereiro de 2000. Isso porque na cláusula terceira do contrato de prestação de serviços estava previsto o pagamento da remuneração da recorrente “no último dia do segundo mês subsequente à prestação do serviço”. Assim, prestado o serviço em dezembro de 1999, deveria a nota fiscal ser efetivamente emitida em fevereiro de 2000, para ser quitada nesse mesmo mês, mas sempre relativa a serviço prestado em dezembro do ano anterior. Daí porque a receita foi corretamente reconhecida em 1999, em estrita observância do regime de competência, o que não impediria a compensação do IRRF retido quando do pagamento, em 2000. Com relação aos anoscalendário de 1998 e 1999, junta documentação comprovando o reconhecimento de todas as receitas que geraram a retenção do IRRF objeto do pedido de restituição. Em sua decisão, a Segunda Turma Especial da 2ª Câmara da Primeira Seção do CARF, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, no sentido de reconhecer o direito creditório de R$ 45.939,73 no cálculo do saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 2000, conforme ementa transcrita abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Exercício: 1998, 1999, 2000 REGIME DE COMPENSAÇÃO DE IRRF O IRRF incidente no momento do pagamento ou crédito de rendimentos já oferecidos à tributação no ano anterior, em obediência ao regime de competência, podem ser compensados com o IRPJ devido ao final do exercício em que ocorreu a retenção. Inconformada com a decisão, a Embargante interpôs Embargos de Declaração no qual aduziu, em síntese, a existência de omissão e contradição entre a decisão e os seus fundamentos, requerendo, ao final, que os embargos sejam totalmente providos para promover uma efetiva análise do direito creditório pleiteado. É o relatório, passo a decidir. Fl. 765DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 18 /09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10768.003622/200241 Acórdão n.º 180201.324 S1TE02 Fl. 1.123 6 Voto Conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Necessário destacar que a controvérsia diz respeito à alegada omissão e contradição da decisão da Segunda Turma Especial da 2ª Câmara da Primeira Seção do CARF, referente a direito creditório relativo a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 1998, 1999 e 2000, oriundo de saldo negativo de IRPJ. O acórdão embargado reconheceu o direito creditório no montante de R$ 179.734,03, referente a uma parcela do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000, não tendo, portanto, direito ao crédito total inicialmente pretendido, no montante de R$ 341.768,87. Inconformada, a Embargante interpôs Embargos de Declaração alegando em síntese a existência de omissão e contradição entre a decisão e os seus fundamentos, requerendo, ao final, que os embargos sejam totalmente providos para promover uma efetiva análise do direito creditório pleiteado. Os pontos de omissão e contradição apontados nos embargos de declaração foram: Em relação ao valor de R$ 4.955,12, não reconhecido na composição do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000, vale esclarecer que o acórdão embargado simplesmente se furtou a analisar essa parcela do crédito pleiteado, não emitindo qualquer comentário a seu respeito, apesar da vasta documentação que instruiu o recurso voluntário, configurando, dessa forma, clara omissão a ser sanada. No que se refere aos valores dos créditos referentes ao saldo negativo dos anoscalendário de 1998 e 1999, o acórdão em questão analisou a existência do direito creditório pleiteado com base em fatos distintos daqueles que suportam a liquidez e certeza de tal crédito e que não condizem com a realidade, sendo evidente a contradição existente entre os fundamentos do acórdão em questão e a realidade dos fatos. Não obstante os argumentos trazidos nos embargos interpostos, entendo que o acórdão da Segunda Turma Especial da 2ª Câmara da Primeira Seção do CARF, cuja omissão será suprida com a presente decisão, deve prosperar. O Acórdão embargado de fato restou omisso ao deixar de analisar o crédito remanescente de saldo negativo de IRPJ, referente ao anocalendário de 2000, no montante de R$ 4.955,12. Em relação a esse aspecto, a Embargante em seu recurso alega que: Fl. 766DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 18 /09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10768.003622/200241 Acórdão n.º 180201.324 S1TE02 Fl. 1.124 7 “demonstrou que o valor de R$ 4.955,12 tinha origem no IRRF sobre os serviços que prestou às empresas NO.COM.Br.S/A (atual denominação do É Fato.Com.Br.S/A), Dr. Invest S/A e Banco Opportunity S/A., conforme planilha abaixo: (...). Nesse caso, a Embargante esclareceu que, em obediência ao princípio da competência, reconheceu as receitas da prestação de serviços no anocalendário de 2000 e que, obedecendo ao disposto no artigo 2° , parágrafo 4° , inciso III, da Lei n° 9.430/96, deduziu o IRRF sobre tais rendimentos nesse mesmo ano, conforme se comprova pelos documentos 6 a 9 anexados ao recurso voluntário interposto. Pelo exposto, temse que o crédito pleiteado de imposto de renda na fonte no montante de R$ 4.955,12, fora recolhido pelas fontes pagadoras em 2001, mas, referemse a receitas reconhecidas pela Embargante no anocalendário de 2000, sobre a prestação de serviços para as empresas NO.COM.BR SA (Atual denominação de É FATO.COM.BR SA), DR. INVEST SA e BANCO OPPORTUNITY SA. Nessa seara, como é cediço, o direito de compensação de IRRF está disposto no artigo 647 do RIR/99, o qual prevê que a retenção do imposto ocorre no momento do pagamento ou crédito das importâncias devidas por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas pela prestação de serviços. E a possibilidade dos montantes de IRRF retidos no curso do ano calendário ser deduzidos do valor do IRPJ apurado ao final do exercício, está prevista no artigo 650 do mesmo diploma legal. Todavia, a meu ver, inexiste base legal que autorize aos contribuintes compensarem IRRF, ainda não retido pela fonte pagadora da respectiva renda, no ano calendário, em atendimento ao regime de competência. Portanto, decidir a favor do interesse da Recorrente, estarseá criando direito sem o devido suporte legal, subvertendo a ordem legal vigente e lesando o dispositivo legal acima comentado, art. 650 do RIR, que estabelece como pressuposto de compensação do IRRF a existência de prévia retenção. Outrossim, o julgamento favorável à Embargante resultará em flagrante prejuízo do interesse público ante a permissão da utilização de crédito “fictício“, por não ter havido, ainda, a retenção devida, para reduzir montante de tributo devido à União. Ademais, destaco que a negativa do direito de compensação requerida, mantém consistência com o critério adotado pelo acórdão embargado que reconheceu a contabilização do crédito de R$ 45.939,73, no anocalendário de 1999, em obediência ao regime de competência e cuja retenção do imposto de renda se deu em 2000. Sendo assim, muito embora os serviços referentes à retenção de R$ 4.955,12, tenham sido prestados no ano de 2000 e oferecido à tributação por competência nesse período, as respectivas retenções ocorreram apenas em 2001, vez que não constaram na DIRF do ano 2000. Portanto, entendo que o montante retido de R$ 4.955,12, deve ser considerado como antecipação do imposto devido em 2001 e, caso aplicável, compor o saldo negativo oriundo desse período. Assim, o crédito de saldo negativo de IRPJ, no anocalendário de 2000 deve ser mantido no montante de R$ 179.734,03. Fl. 767DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 18 /09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10768.003622/200241 Acórdão n.º 180201.324 S1TE02 Fl. 1.125 8 A Embargante alega ainda em seu recurso que houve contradição na parte da decisão que trata do direito creditório referente aos saldos negativos dos anoscalendário de 1998 e 1999, compensados no anocalendário de 2000. Aqui é flagrante o interesse da Embargante empreender efeito infringente ao recurso de embargos de declaração, sob o tênue argumento de que o acórdão recorrido julgou o recurso voluntário com base em argumentos estranhos ao processo. Analisando o acórdão embargado verifico que inexiste tal contradição. Senão vejamos o que dispôs a decisão questionada sobre essa matéria (fls. 643644): “Com efeito, retenção de IRRF não é passível de restituição. O IRRF é imposto de renda antecipado no curso do ano que deve ser deduzido do valor do imposto devido conforme apuração feita na DIPJ. O que se repete é o valor do IRRF, e demais antecipações, que exceder o valor do IRPJ devido. O que se repete, portanto, é o saldo negativo do IRPJ apurado ao final do exercício Se o contribuinte computa as retenções de IRRF de um ano como dedução do IRPJ devido de outro ano, distorce o resultado e dificulta o controle da fiscalização sobre o saldo negativo do IRPJ a ser restituído. Não se estará mais restituindo saldo negativo de IRPJ corretamente apurado na DIPJ mas algo diverso, que depende de apuração em separado, que não apresenta mais as características de liquidez e certeza condicionantes da repetição do crédito tributário. A recorrente informa ser credora de R$ 341.768,84 a título de IRRF (fls 143) mas reconhece que parte desse valor corresponde a retenções ocorridas em 1998 e 1999 (quadro de fls 540). O correto seria a recorrente retificar as DIPJs dos anos anteriores, apurar o novo saldo negativo de IRPJ de todos os períodos e requerer a restituição dos valores eventualmente encontrados. Não se pode agora exigir da fiscalização que refaça o cálculo do saldo negativo desses anos, a partir de dados informados pela recorrente que não se sabe se são completos.” Assim, no que diz respeito ao valor do IRRF retido nos anoscalendário de 1998 e 1999, incluídos na DIPJ relativa ao anocalendário de 2000, não identifico contradição alguma no acórdão embargado que, de forma clara explicitou que o IRRF é imposto de renda antecipado no curso do ano calendário, no qual deve ser deduzido do valor do imposto devido em relação ao respectivo anocalendário, conforme apuração feita na DIPJ. Nesse sentido, o acórdão embargado constatou corretamente que a Embargante não fazia jus a esse direito, uma vez que solicitou no anocalendário 2000, crédito que engloba retenções correspondentes aos anoscalendários de 1998 e 1999. O acórdão embargado, esclareceu ainda que para fazer jus à totalidade do crédito pleiteado a Recorrente deveria ter retificado as DIPJs dos respectivos anos e, com isso, apurar novo saldo negativo nesses períodos. E, por fim, concluiu que ao computar as retenções de IRRF de um anocalendário, como dedução do IRPJ devido de outro anocalendário, a contribuinte distorceu o resultado, o que implicou não estar mais restituindo saldo negativo de Fl. 768DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 18 /09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10768.003622/200241 Acórdão n.º 180201.324 S1TE02 Fl. 1.126 9 IRPJ corretamente apurado na DIPJ, mas, algo diverso, que dependeria de apuração em separado e que não apresenta mais as características de liquidez e certeza condicionantes da repetição do crédito tributário. Desta forma, não assiste razão à Embargante visto que inexiste contradição na decisão embargada merecedora de reparo. Diante de todo o exposto, voto no sentido de acolher os embargos de declaração para sanear a omissão referente ao valor de R$ 4.955,12 e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, restando mantida as demais conclusões do Acórdão no. 1802.00.429. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator Fl. 769DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 18 /09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
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Numero do processo: 11065.101556/2007-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2007.
IRPF. GRATIFICAÇÃO. ISENÇÃO. EXIGÊNCIA DE LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. A LEI Nº 8.852 NÃO AUTORGA ISENÇÃO.
A lei que concede isenção, nos termos do § 6º do art. 150 da Constituição Federal, deve ser específica. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos e da forma de percepção das rendas ou proventos. A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física Recurso voluntário Negado.
Vistos, relatados e discutidos os
Numero da decisão: 2102-002.061
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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IRPF. GRATIFICAÇÃO. ISENÇÃO. EXIGÊNCIA DE LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. A LEI Nº 8.852 NÃO AUTORGA ISENÇÃO. A lei que concede isenção, nos termos do § 6º do art. 150 da Constituição Federal, deve ser específica. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos e da forma de percepção das rendas ou proventos. A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física Recurso voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Núbia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Ausente justificadamente o Conselheiro Atilio Pitarelli. Relatório Fl. 71DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 2 O contribuinte acima identificado, por meio de auto de infração, teve sua restituição de Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2007 (fls. 7/10), reduzida de R$ 3.772,73 para R$ 2.224,05, em decorrência de omissão de R$ 8.370,00 de rendimentos tributáveis oriundos de trabalho com vínculo empregatício, pagos pelo Comando da Aeronáutica, CNPJ 00.394.429/008278, como adicional por tempo de serviço. Foi apresentada a impugnação solicitando, em síntese, a improcedência do lançamento, tendo em vista que os rendimentos estariam entre as hipóteses de exclusão de incidência de tributação do IRPF, nos termos do inciso III do art. 1º da Lei nº 8.852, de 1994. A Quarta Turma de Julgamento da DRJ/POA, por meio do Acórdão nº 1025.390, entendeu ser procedente o lançamento, conforme ementa da decisão: “Os rendimentos recebidos a título de adicional por tempo de serviço são tributáveis, uma vez que não há, na legislação tributária, dispositivo que os definam como isentos.” Cientificado em 18 de junho de 2010 (fl. 58), o contribuinte interpôs recurso voluntário no dia 25 do mesmo mês (fls. 30/31). Após diferenciar os conceitos de rendimentos de trabalho assalariado e vantagens, alega que: a) a lei nº 8.852, de 1994, no art. 1º, inciso III, e suas alíneas, especificamente a letra “n”, reconheceu a ilegalidade da incidência do adicional por tempo de serviço, e assegurou, expressamente, a exclusão das referidas vantagens; b) o Decreto nº 3.000, de 1999, (RIR/99) dispõe no art. 43 a respeito da tributação sobre remuneração do trabalho assalariado e assemelhados, determinando a tributação sobre os rendimentos provenientes do trabalho assalariado e as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções. Porém, em momento algum se reporta à tributação do adicional por tempo de serviço; e c) o "Adicional por Tempo de Serviço" pago pelo ente Público tem natureza indenizatória em razão das restrições a que o servidor público está sujeito. Por fim, cita as Leis nº 8.112/90 e 11.094/2005, e o art. 45 do Código Tributário Nacional, com o fito de demonstrar que o rendimento tem caráter indenizatório, não revelando uma nova riqueza ou acréscimo patrimonial. É o relatório. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 11065.101556/200769 Acórdão n.º 210202.061 S2C1T2 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade, uma vez que o contribuinte foi intimado da decisão de primeira instância e interpôs o recurso voluntário no prazo regulamentar. Atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o recurso. O requerente solicita que seja considerada isenta do imposto de renda a gratificação denominada “Adicional por Tempo de Serviço”. Não procede a argumentação do contribuinte, haja vista que a Lei nº 8.852, de 1994, no dispositivo citado (no art. 1º, inciso III, e suas alíneas, especificamente a letra “n”), não contempla as hipóteses de incidência ou isenção do imposto de renda das pessoas físicas. A lei – que dispõe sobre a aplicação dos art. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal – apenas define o que seja vencimento básico, vencimentos e remuneração para efeitos dos seus dispositivos. As exclusões referemse unicamente ao conceito de remuneração. A lei que concede isenção, nos termos do § 6º do art. 150 da Constituição Federal, deve ser específica. E, conforme expresso no Código Tributário Nacional, art. 11, a legislação tributária deve ser interpretada literalmente. De acordo com a Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, a tributação independe “da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos [...] e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título.” Os rendimentos isentos do imposto de renda estão consolidados no Capítulo II do Título IV do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999 (arts. 39 a 42). E a gratificação referida não está computada entre os rendimentos isentos e não tributáveis. Esse entendimento está expresso na Súmula CARF nº 68: “A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física”. Portanto, de aplicação obrigatória pelos membros deste Colegiado. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira Relator Fl. 73DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 4 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10865.903783/2009-13
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Cabem Embargos de Declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
Numero da decisão: 3803-003.983
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira e José Luiz Feistauer de Oliveira.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Cabem Embargos de Declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira e José Luiz Feistauer de Oliveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1784; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 111 1 110 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.903783/200913 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3803003.983 – 3ª Turma Especial Sessão de 28 de fevereiro de 2013 Matéria INTEMPESTIVIDADE OMISSÃO Embargante ALEXANDRE KERN Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Cabem Embargos de Declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira e José Luiz Feistauer de Oliveira. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interposto pelo Conselheiro Alexandre Kern, designado para a elaboração do voto vencedor do julgamento ocorrido em 17 de julho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 37 83 /2 00 9- 13 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 21/03/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 2 nesta Turma, que por sua vez negou provimento ao recurso em epígrafe, por maioria de votos, tendo sido ele designado para elaboração do voto vencedor. Todavia, no momento da elaboração do voto, o embargante constatou que embora o Recurso Voluntário tivesse sido apresentado dentro do prazo estabelecido na legislação, a Manifestação de Inconformidade seria intempestiva e por este motivo interpôs os Embargos de Declaração com o objetivo de alertar que o colegiado não poderia ter adentrado ao mérito da demanda, sob o pressuposto de que o acórdão foi omisso na medida em que deixou de apreciar pressuposto de admissibilidade do processo administrativo em epígrafe, especificamente em relação a intempestividade da Manifestação de Inconformidade. Comenta ainda, nos embargos, que talvez o equívoco possa ser atribuído ao servidor Reinaldo Brigatto que ignorou a informação de postagem e por isso sugeriu que a Manifestação de Inconformidade fosse conhecida pela DRJ. Agora, resta analisar se os embargos preenchem os pressupostos de admissibilidade, bem como se cabe reformar o acórdão. É o Relatório Voto Conselheiro Juliano Eduardo Lirani, Relator De acordo com o art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver omissão, contradição ou obscuridade entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Primeiramente é preciso dizer que os embargos são tempestivos, visto que foram apresentados no prazo de 5 (cinco) dias contados da ciência do acórdão, pelo que conheço do recurso, no termos do § 1º do art. 65 do Regimento Interno do CARF. Tendo em vista tal dispositivo regulamentar, será possível concluir que os embargos não preenchem os requisitos de admissibilidade, uma vez que o pressuposto de intempestividade da Manifestação de Inconformidade alegado não se encontra peremptoriamente atestado nos autos, conforme será demonstrado a seguir. Conforme se verifica do despacho da repartição de origem que encaminhou a Manifestação de Inconformidade à Delegacia de Julgamento, o agente consignou que não era possível constatar nos elementos presentes nos autos a data da ciência do despacho decisório por parte do contribuinte, o que, em princípio, fragiliza, de pronto, o argumento do Embargante. Além disso, as telas em que o Embargante se embasa para afirmar a ocorrência da intempestividade da Manifestação de Inconformidade não são originadas da Empresa Brasileira de Correios – ECT, mas de sistemas do Serpro, em que não se tem a imagem do Aviso de Recebimento (AR), elemento esse primordial à verificação da tempestividade. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 21/03/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10865.903783/200913 Acórdão n.º 3803003.983 S3TE03 Fl. 112 3 Não bastassem tais constatações, temse que o relator a quo afirmou que a Manifestação de Inconformidade atendia todos os pressupostos de admissibilidade, dentre os quais se inclui a tempestividade. Considerando que o relator a quo tem acesso às informações dos sistemas internos da Receita Federal, essa sua afirmativa, para ser afastada, dependeria de elemento de prova inequívoco, o que não ocorre no presente caso. Conforme este Colegiado já decidiu em outras ocasiões, havendo dúvida quanto à tempestividade de uma peça recursal, concluise pela regularidade processual, com fundamento nos princípios da eficiência, da oficialidade e formalidade mitigada. O Embargante, valendose da alegação de ocorrência de omissão desta Turma quanto à não constatação do erro no acórdão de primeira instância – erro esse não demonstrado, conforme acima apontado –, quis fazer uso dos embargos para provocar a prolação de nova decisão, de forma não consentânea com a previsão do Regulamento do CARF. Por fim, embora o Embargante tenha manifestado opinião de que este relator desconhece as rudimentares regras processuais e que ignora o prazo de 30 dias para a interposição da Manifestação de Inconformidade, cumpre esclarecer que tal alegação não procede, conforme acima demonstrado. Nesse sentido, voto por rejeitar os embargos de declaração. Sala das sessões, 28 de fevereiro de 2013 (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Fl. 121DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 21/03/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA
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