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Numero do processo: 18471.002175/2005-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1301-000.148
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o presente julgado em DILIGÊNCIA, conforme relatório e voto proferidos pelo relator.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o presente julgado em DILIGÊNCIA, conforme relatório e voto proferidos pelo relator. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 71 .0 02 17 5/ 20 05 -9 3 Fl. 7809DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 8/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Resolução nº 1301000.148 S1C3T1 Fl. 7.810 2 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativas ao anocalendário de 2000, formalizadas a partir da imputação das seguintes infrações: i) Glosa de despesas – DESCONTOS CONCEDIDOS e PRÊMIO PRODUTIVIDADE (R$ 10.456.629,58 + R$ 68.947.020,25); ii) Redução indevida do lucro em decorrência de ausência de contabilização, no estoque de mercadorias para revenda, do ICMS pago por substituição tributária (R$ 1.358.482,26); e iii) Multa em virtude da falta ou apresentação incompleta de arquivos magnéticos (R$ 8.552.529,33 + R$ 102.243.468,66) Inconformada, a autuada interpôs impugnação (fls. 885/1.017), momento em que trouxe os seguintes argumentos: Da inexistência de correlação entre o ICMS descontado da SUPERGASBRAS como substituída tributária nas vendas de GLP e da avaliação dos estoques de mercadorias para revenda: que o Fisco teria desprezado o esclarecimento prestado a respeito do assunto (fls. 794/797) e embaralhou os conceitos de substituído e substituto tributário; que o Fisco afirmou que o valor do ICMS substituição tributária cobrado dela por ocasião de GLP para revenda como substituto tributário, em vez de contabilizado a débito da conta representativa de ICMS a recuperar, deveria ter integrado o custo da mercadoria em estoque, porém, no presente caso, a produtora PETROBRÁS figura como contribuinte, lançando o ICMS normal relativo à venda efetuada à ela e, simultaneamente, como substituta tributária da dela (distribuidora) e de toda a cadeia posterior de revenda, até o consumidor final, podendo esta parcela ser complementada pela distribuidora ou parcialmente ressarcida à ela, conforme legislação especial do setor de comercialização de GLP e as regras especificas para cada estado; que, além disso, destaca que não se utiliza do método PEPS (artigo 288 do RIR/1999), conforme já preconizado no documento acostado às fls. 794/797, para avaliar o custo das mercadorias revendidas, valendose de registro permanente de estoques, como faculta o mesmo dispositivo regulamentar; que, desse modo, o valor do ICMS cobrado por substituição pela refinaria não foi computado nos estoques, pois as compras foram contabilizadas diariamente sem esse valor; que, como o CMV é também apurado e registrado diariamente a crédito daquela conta representativa dos estoques, seu valor já estaria automaticamente reduzido do ICMS cobrado por substituição nas compras, o que invalidaria por completo o raciocínio fiscal; Fl. 7810DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 8/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Resolução nº 1301000.148 S1C3T1 Fl. 7.811 3 que, se o ICMS substituição devesse ser adicionado aos estoques finais, também as compras de mercadorias e os estoques iniciais do exercício deveriam estar acrescidos daquelas importâncias, o que seguramente ensejaria um CMV muito superior ao apurado no auto de infração; que não se trata de uma substituição tributária corriqueira, que se esgota na saída do GLP da refinaria para a distribuidora, mas de um sistema de substituição tributária peculiar, que demanda um acompanhamento contábil complexo, com registro permanente do ICMS recolhido pela refinaria, isto é, desde a entrada dos produtos na distribuidora, passando por eventuais transferências para outros estabelecimentos da mesma empresa, até chegar às revendas a terceiros; que o certo é que a segregação do ICMS nos estoques e a utilização da conta "ICMS a recuperar" ou outro nome qualquer que se queira atribuir, tornase indispensável, a fim de permitir a apropriação do ICMSRF e do ICMSST recolhido pela refinaria no momento da venda e na proporção das mercadorias saídas, de acordo, aí sim, com o regime de competência; que, dependendo das circunstâncias, podia haver ressarcimento em favor da distribuidora substituída ou complementação do pagamento do imposto recolhido pela refinaria; que o ICMS retido pela refinaria, proporcional às mercadorias em estoque, não era incorporado ao estoque, mas também não era lançado em conta de resultado, permanecendo na conta ICMS a recuperar (Ativo Circulante), até a venda dos bens, como de fato permaneceu, possuindo esta conta, em 31/12/2000 o saldo de R$ 1.999.488,16, maior do que os R$ 1.358.482,26 apurados pela fiscalização (documento em anexo). Da insubsistência da glosa da totalidade dos saldos das contas "Descontos Concedidos", "Prêmio de Produtividade" e "Descontos Comerciais": que questionava as declarações prestadas por quatro clientes da SUPERGASBRÁS, negando terem se beneficiado de qualquer desconto ou prêmio não lançado nas notas fiscais; que no período as compras realizadas por aquelas empresas representaram 1,1% do total das vendas da SUPERGASBRÁS e que elas usufruíram 0,44% dos descontos glosados pela Fiscalização, números sem dúvida imateriais e insuscetíveis de representar uma amostra representativa do universo investigado, mormente se, em decorrência deles, deduzem se créditos tributários de R$ 53.710.967,23 e instaurase processo de arrolamento dos bens do seu ativo permanente para restringir sua livre disponibilidade numa fase em que sabidamente ela busca reestruturar seu negócio para atender melhor a população e enfrentar a concorrência predatória que campeia no setor; que a quantidade das informações colhidas pelo Fisco seria insignificante e, apesar de importantes, não se prestam para, isoladamente, prevalecer sobre as suas declarações e os seus lançamentos contábeis em sentido oposto, pois, como a experiência indica, empresas de pequeno porte nem sempre se esmeram em registrar inteiramente suas vendas e, conseqüentemente, as compras de mercadorias que fizeram; Fl. 7811DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 8/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Resolução nº 1301000.148 S1C3T1 Fl. 7.812 4 que teria sido necessário aprofundar as investigações, bastando que, durante a ação fiscal desenvolvida ao longo de um ano e quatro meses, limitada praticamente a duas situações (descontos e ICMS), a movimentação financeira e os assentamentos contábeis dos declarantes fossem confrontados com os da SUPERGASBRÁS, porque dessa comparação afloraria a verdade; que se ela afirmou ter a SUPERGASBRÁS concedido descontos não anotados nas notas fiscais, cujos valores foram deduzidos das dívidas dos depoentes, pagos em cheques nominais ou creditados nas suas contas bancárias, mas esses depoentes a contradisseram, afirmando terem pago integralmente os valores constantes dos citados documentos, ou esses pagamentos foram contabilizados pelos depoentes, os registros de suas movimentações financeiras os comprovam e eles possuem recibos dos valores brutos entregues à SUPERGASBRÁS, ou, diferentemente, a contabilidade daquelas empresas e os registros de suas contas bancárias demonstram que assim não ocorreu, podendo até mesmo as compras efetuadas junto à SUPERGASBRÁS terem sido omitidas, hipótese em que prevalecerão os esclarecimentos prestados por ela; que, contudo, isso não aconteceu e, sem ao menos auditar aqueles pequeníssimos 0,44% dos descontos, a Fiscalização sentiuse confortável em glosar mais de R$ 79.000.000,00 de despesas da SUPERGASBRÁS; que entendia que os lançamentos deveriam ser declarados nulo pela total falta de conteúdo e de objeto, simplesmente porque meros indícios não se prestam para dar sustento às acusações neles contidas (citou jurisprudência administrativa); que, além disso, se aqueles quatro foram os únicos depoimentos juntados aos autos é de se supor terem sido também aqueles quatro os únicos clientes da SUPERGASBRÁS intimados pela Fiscalização a prestar informações sobre o assunto; que, qual não foi a sua perplexidade ao tomar conhecimento no mercado, após a lavratura dos inquinados autos de infração, de que a circularização mencionada pelo Fisco havia alcançado diversas outras empresas, inclusive de muito maior porte do que as quatro ali citadas; que, partindo da listagem de fls. 110, constatou que pelo menos dez outras empresas tinham sido intimadas pelo autor do feito, sem que nos autos haja notícia de tais procedimentos; que dirigiuse a cada um dos circularizados, sendo que foi reformulada uma das informações prestadas ao Fisco por Maria das Graças de Assis Correia e pela CHAMIGÁS LTDA. (documentos 06 e 07); que, relativamente às demais empresas circularizadas, assim foram as respostas enviadas ao Fisco que não foram citadas na ocasião das autuações: EMPRESA RESPOSTA PESCADOR COM. E TRANSP. DE GÁS LTDA. DECLAROU E DEMONSTROU O RECEBIMENTO DE DESCONTOS CONCEDIDOS PELA SUPERGASBRÁS NÃO CONSIGNADOS NAS NOTAS FISCAIS, INFORMANDO AINDA MAIS R$ 9.981,92 DO QUE O SOMATÓRIO DOS DESCONTOS DE QUE Fl. 7812DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 8/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Resolução nº 1301000.148 S1C3T1 Fl. 7.813 5 EFETIVAMENTE SE BENEFICIOU (DOC. 08 E 09). JC DISTRIBUIDORA DE GÁS LTDA. DECLAROU E DEMONSTROU O RECEBIMENTO DE DESCONTOS CONCEDIDOS PELA SUPERGASBRÁS NÃO CONSIGNADOS NAS NOTAS FISCAIS TRANSGÁS TRANSPORTE E COMÉRCIO DE GÁS LTDA. DEMONSTRA QUE RECEBEU O DESCONTO NÃO REGISTRADO EM NOTA FISCAL (DOC. 10 E 11). IMPERIAL COMÉRCIO E TRANSPORTE DE GÁS LTDA. DEMONSTRA QUE RECEBEU O DESCONTO NÃO REGISTRADO NA NOTA FISCAL (DOC. 10 E 11). BIG TRIO COMÉRCIO DE GÁS PRESTARAM DECLARAÇÕES DE QUE RECONHECEM OS DESCONTOS RECEBIDOS FORA DAS NOTAS FISCAIS (DOC. 12 A 17). NITERGÁS REPRESENTAÇÕES LTDA. PRESTARAM DECLARAÇÕES DE QUE RECONHECEM OS DESCONTOS RECEBIDOS FORA DAS NOTAS FISCAIS (DOC. 12 A 17). PRÍNCIPE REAL COMÉRCIO DE GÁS LTDA. ME PRESTARAM DECLARAÇÕES DE QUE RECONHECEM OS DESCONTOS RECEBIDOS FORA DAS NOTAS FISCAIS (DOC. 12 A 17). JP VILA ROSÁRIO COMÉRCIO DE GÁS LTDA. PRESTARAM DECLARAÇÕES DE QUE RECONHECEM OS DESCONTOS RECEBIDOS FORA DAS NOTAS FISCAIS (DOC. 12 A 17). DINO COMÉRCIO DE GLP LTDA. PRESTARAM DECLARAÇÕES DE QUE RECONHECEM OS DESCONTOS RECEBIDOS FORA DAS NOTAS FISCAIS (DOC. 12 A 17). RAL COMÉRCIO DE GÁS LTDA. ME PRESTARAM DECLARAÇÕES DE QUE RECONHECEM OS DESCONTOS RECEBIDOS FORA DAS NOTAS FISCAIS (DOC. 12 A 17). que os valores dos descontos concedidos fora das notas fiscais e confirmados por estas seis empresas e pelas duas já descritas no Termo de Verificação, totalizam R$ 8.227.316,47 (doc. 18), ou seja, 10,36% do total dos descontos glosados, coeficiente 23,54 vezes maior do que o utilizado como amostragem pela fiscalização para justificar o lançamento; que, diante destes precedentes, é provável que outros clientes da SUPERGASBRÁS tenham recebido intimações de igual teor e confirmado a efetividade da despesa, sem que suas respostas tenham sido juntadas aos autos; que tal conduta enseja a nulidade dos lançamentos efetuados, por ofensa a todos os comandos constitucionais e legais já citados anteriormente (carência de requisito essencial, ampla defesa e do contraditório); que, diante de defeito tão proeminente na formulação das peças acusatórias, confia que seja declarado de imediato a nulidade do feito; que, sem prejuízo deste pedido, em face da gravidade da imputação feita à SUPERGASBRÁS, sentiase compelida a fornecer mais informações a respeito da matéria, a Fl. 7813DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 8/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Resolução nº 1301000.148 S1C3T1 Fl. 7.814 6 fim de eliminar qualquer dúvida sobre a individualização dos beneficiários, bem como a usualidade, a necessidade e a efetividade das despesas em questão; que a concessão de descontos e abatimentos não registrados nas notas fiscais constitui uma praxe, ou seja, um procedimento usual e normal nas vendas de GLP efetuadas pelas distribuidoras (é pacifico e nem a ANP, órgão competente do Governo Federal para regular o setor, o ignora); que anexava aos autos relatório elaborado pelo Dr. Paulo Barata Ribeiro, intitulado "Histórico sobre a Prática de Descontos nos Preços de GLP" (doc. 22); que, para incentivar os revendedores, as distribuidoras lançaram mão de mais descontos por atingimento de metas, complementação das margens, apoio a investimentos, enfrentamento de guerras de preços locais etc.; que, nesse ambiente, a decisão sobre os descontos precisou ser descentralizada, para ser tomada com agilidade e sem maiores formalidades, servindo de instrumento de conquista de novos clientes e reação imediata à concorrência no mercado local, advindo dai a praxe de, como um verdadeiro "segredo" das relações comerciais entre a distribuidora e cada um dos seus revendedores, não se destacar as aludidas vantagens nas notas fiscais; que, nesse contexto, nada mais usual, normal e até mesmo necessário à manutenção da fonte produtora dos rendimentos; que nenhum prejuízo acarretou para o Fisco, pois tratavamse de deduções efetivas dos preços de vendas das distribuidoras, devidamente controladas, escrituradas e comprovadas, como se poderia ver adiante, ou de pagamentos em espécie, mediante cheques nominativos ou créditos de contas bancárias. Da inaplicabilidade das normas tidas como infringidas ao caso concreto e das demais alegações feitas pela Fiscalização que os valores glosados corresponderam aos saldos integrais das contas Descontos Concedidos e Prêmio de Produtividade, sobre os quais a Fiscalização requereu a apresentação de todos os documentos relativos a todos os milhares de estabelecimentos compradores no país, no ano de 2000; que, para comproválos, além de prestar diversos esclarecimentos, apresentou planilha individualizada dos valores correspondentes a cada beneficiário (com ressalva da diferença de R$ 10.456.629,58, esclarecida nesta petição) e incontáveis dossiês de cada cliente, composto por documentos que não se limitavam aos juntados desordenadamente às fls. 188/759, nos moldes dos que disse ter juntados aos autos a titulo de nova amostragem, bem como relatórios do sistema de processamento de dados que os controla eletronicamente; que não se poderia negar que os descontos concedidos pela SUPERGASBRÁS a seus revendedores são necessários à finalidade da empresa e à manutenção da sua fonte produtora, ou usuais no seu tipo de transações, operações ou atividades; que a IN/SRF n° 51/1978, por seu turno, foi editada unicamente para uniformizar as demonstrações de resultados que instruem a declaração de rendimentos; Fl. 7814DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 8/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Resolução nº 1301000.148 S1C3T1 Fl. 7.815 7 que, ainda que se possa compreender que alguns dos descontos não se enquadram no subitem 4.2 do citado ato normativo, isso não produzirá o menor reflexo sobre o desfecho deste processo, pois se aqueles valores não forem diretamente dedutíveis da receita bruta, serão do lucro bruto, como despesas operacionais, sem qualquer alteração no lucro líquido e, portanto, no lucro real e na base de cálculo da CSLL; que argüir que sem contrato não há como autorizar a dedutibilidade das despesas em tela e que documentos internos, movimentação financeira e respectivos registros contábeis não têm aptidão para comprovar os gastos é desconhecer o Direito; que alegar que os descontos são indedutíveis porque não houve desembolso financeiro ou porque a SUPERGASBRÁS não adquiriu bem algum é um contrasenso que dispensa argumentação para ser rebatido, porque os descontos, por natureza, decorrem justamente da inocorrência de desembolso financeiro ou da aquisição de bens; • Da rotina de concessão de DESCONTOS adotada pela SUPERGASBRÁS e os controles adotados que teria selecionado aleatoriamente quarenta e dois clientes localizados em diferentes regiões do país (doc. 23) que receberam vinte e três por cento dos totais dos saldos glosados das contas em exame e reuniu casos concretos, desses clientes, relativos a diferentes meses do ano de 2000, no montante de cinco por cento dos valores por eles auferidos, o que significa pouco mais de quatorze por cento da média mensal dos descontos concedidos a todos os clientes da SUPERGASBRÁS no período (R$ 68.946.860,00: 12 x 14%); que, reproduziu, então, os dossiês desses clientes, nos moldes do material posto à disposição da Fiscalização, capeando cada um deles com texto esclarecedor do que se passou na situação específica, informando a região em que se localiza o cliente, a sigla da filial com que se relaciona, seu código de cadastro na SUPERGASBRÁS, sua denominação social, sua inscrição no CNPJ, o total dos DESCONTOS obtidos em 2000, o mês escolhido para fins de amostragem, o total dos DESCONTOS obtidos pelo cliente naquele mês, a percentagem que o valor do mês corresponde ao do ano e o tipo de desconto concedido, segundo tabela também juntada aos autos (doc. 24), com indicação da conta em que o desconto foi debitada (doc. 25 a 66); que, tomando como exemplo a Transgás Transporte e Comércio de Gás Ltda. (Transgás), localizada na região Sul do país e primeira daquela planilha, vêse que, em agosto de 2000 aquela empresa recebeu DESCONTOS dos tipos 2 e 3, conforme classificação do anexo 24, no total de R$ 12.791,00; que o dossiê que lhe corresponde contém: 1. capa relacionando os seus anexos e descrevendo o processo interno de concessão do desconto; 2. solicitação de concessão do desconto para cliente, à razão de R$ 3,60 por botijão de gás, com indicação das operações a que se refere, ou seja, as aquisições feitas nos meses de junho e julho de 2000, totalizando R$ 12.790,80, subscrita pela gerente comercial regional de Curitiba, com data de 31.07.2000, e aprovada pelo diretor regional; 3. nota fiscal de devolução de gás do cliente para a SUPERGASBRÁS, no valor de R$ 1.314,72; 4. fita de máquina de somar demonstrando o crédito a ser efetuado na conta corrente do cliente, no valor de R$ 14.105,52 (R$ 12.790,80 + R$ 1.314,72); 5. notas fiscais de vendas ao cliente no mês de agosto, cujos valores somados e deduzidos dos DESCONTOS concedidos resultaram num saldo a pagar de R$ 451,22; 6. Relatório de cheques recebidos de clientes pela SUPERGASBRÁS, no qual figura o cheque de Fl. 7815DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 8/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Resolução nº 1301000.148 S1C3T1 Fl. 7.816 8 R$ 451,22, entregue pela Transgás para quitar sua dívida, compondo o total de R$ 23.368,62, entregue ao Bradesco para custódia (cheques prédatados), com vencimento no dia 16.08.2000; 7. extrato fornecido pelo Bradesco no dia 17.08.2000, confirmando o resgate dos R$ 23.368,62; 8. Relatório da situação do cliente espelhando o registro eletrônico do crédito a ser deduzido do seu saldo em contacorrente com a SUPERGASBRÁS no dia 31.07.2000, no montante de R$ 12.790,89, extraído do módulo de Contas a Receber do sistema DATASUL EMS 2.04, elaborado pela DATASUL S.A., utilizado pela fiscalizada para fins de controle dessas operações; 9. Relatório da situação do cliente espelhando o registro eletrônico de todas as operações de sua contacorrente e o crédito a ser deduzido do seu saldo com a SUPERGASBRÁS no dia 31.07.2000, no montante de R$ 12.790,89, extraído do mesmo sistema mencionado na letra "h"; 10. Folha do Livro Razão e do Diário Auxiliar do Contas a Receber do mês, estampando a movimentação e as baixas das dívidas do cliente mediante, inclusive, compensação com os DESCONTOS que lhe foram concedidos; que os dossiês que seguem, relativos às demais empresas, apresentam estruturas equivalentes e, com auxílio das informações constantes de suas capas, V.Sas., peritos em auditoria, não encontrarão dificuldades para compreendêlos, mesmo que um ou outro formulário de autorização do DESCONTO ou de controle bancário se modifique conforme a filial e a região; que a rotina, portanto, está demonstrada, cabendo destacar que a competência para aprovação dos DESCONTOS é do diretor regional (que poderá exercêla diretamente, ou delegála a outro funcionário graduado), mas a concessão dos DESCONTOS requererá no mínimo duas assinaturas, sendo pelo menos uma a do gerente comercial da localidade; que o documento físico em que se registrava a aprovação do desconto servia de fonte primordial para a entrada dos dados no sistema Datasul SEM 2.04, cadastrandose o desconto na contacorrente do cliente e gerando uma nota de crédito, de modo que, se após a compensação o saldo resultasse desfavorável ao revendedor, esse saldo lhe era cobrado e, se favorável, o sistema gerava, eletrônica e automaticamente, um documento para compensação do valor no período subseqüente, pagamento mediante cheque nominal ou crédito em conta bancária, conforme fosse acordado; que o sistema contava ainda com um controle de senhas de restrições de uso, para conferir a segurança, a integridade e fidedignidade dos dados, operando de acordo com os "Manuais de Referência" em anexo, capeados por correspondência da prestadora de serviços que o elaborou, com breves esclarecimentos sobre o seu funcionamento (doc. 67); • Da diferença de R$ 10.456.629,58 que as contas Descontos Comerciais; Descontos Concedidos e Prêmio de Produtividade recebiam lançamentos originários de 5 módulos do sistema de processamento eletrônico de dados de sua escrituração comercial, denominados FTP (faturamento), CRP (contas a receber), APP (contas a pagar), FGL (contabilidade) e CBP (caixa e bancos), e se distribuíam da seguinte forma: os 2 primeiros (FTP e CRP) armazenavam em campos específicos dos seus registros os números de inscrição no CNPJ de cada cliente, o que permitiu identificálos automaticamente a preparar a planilha entregue fiscalização; que o mesmo não ocorria com relação aos demais, cuja identificação dos beneficiários constava apenas (i) dos documentos que deram origem aos lançamentos Fl. 7816DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 8/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Resolução nº 1301000.148 S1C3T1 Fl. 7.817 9 contábeis, os quais também discriminavam as operações a que se referiam, e (ii) das descrições dos lançamentos, o que não permitia o levantamento individual de forma automatizada; que essas diferenças de origem devemse basicamente a três situações: erros na contabilização, que exigiam estornos; reclassificações contábeis decorrentes de utilização de contas transitórias em determinado momento; e pagamento dos descontos aos clientes mediante cheques nominais ou depósitos nas respectivas contas bancárias, hipótese em que, diferentemente do narrado pelo fisco, as contrapartidas não acarretavam créditos na conta 113.100 (contas a receber de clientes), mas eram lançadas em conta do passivo circulante ou conta representativa de disponibilidade (caixa ou bancos); que, para identificar cada um daqueles descontos há necessidade de (i) elaborar programas especiais de cruzamento de dados do sistema, de maneira ainda mais sofisticada do que ela precisou fazer para atender ao pedido especial da fiscalização, ou (ii) recorrer ao lançamento primário da operação, isto é, ao que originariamente ensejou sua entrada no sistema para, a partir do documento de suporte, identificar o beneficiário; que esta última parte estava em andamento quando o auto de infração foi lavrado, tendo ela logrado discriminar os beneficiários das quantias de R$ 244.996,32 e R$ 969.272,87, lançados a débito das contas 333.200 e 333.300, respectivamente, provenientes do módulo APP (contas a pagar), num total de R$ 1.207.269,19, conforme planilhas em anexo (doc. 68); que todos esses valores foram pagos mediante cheques nominais ou créditos em conta bancária do cliente como exemplifica o pagamento de R$ 25.908,62, referente à comissão pela venda de gás a condomínios paga por cheque contra a apresentação da correspondente nota fiscal (doc. 69), que nem propriamente desconto seria, e as quantias de R$ 2.722,00; R$ 3.769,80; R$ 4.612,45; R$ 3.555,65; R$ 3.606,90; R$ 2.405,85; R$ 32.467,30; R$ 50.649,62; R$ 9.169,73; R$ 53.189,04; R$ 10.773,70; R$ 18.026,50; R$ 39.522,40; R$ 34.210,35; R$ 7.000,00 e R$ 38.025,00, todas debitadas nas contas bancárias da SUPERGASBRÁS e creditadas nas contas bancárias dos clientes ou pagas com cheques nominais (doc. 70); que o levantamento dos demais descontos compreendidos naquela diferença requer trabalho braçal de pesquisa em cada documento, o que está sendo providenciado, razão pela qual protestava pela posterior juntada desses elementos, sem prejuízo de, antes disso, decidirse pela improcedência dos lançamentos sobre o tema, em face dos demais argumentos expendidos. • Do pedido de perícia que requeria fosse seja deferida a perícia para que os quesitos formulados fossem respondidos pelo perito designado; que indicava como seu perito a Deloitte Touche Tohmatsu Consultoria Contábil e Tributária S/C Ltda., que iria atuar na pessoa do seu sócio Carlos Alberto Vivas Ferreira Cardoso; • Do descabimento das multas de valor fixo no montante de R$ 110.795.997,99 aplicáveis por atraso ou falta de apresentação dos arquivos magnéticos e sistemas Fl. 7817DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 8/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Resolução nº 1301000.148 S1C3T1 Fl. 7.818 10 que, na ocasião em que foram emitidas as duas intimações, estava em fase de ampla reestruturação administrativa, com vistas à incorporação de suas controladas, inclusive a SUPERGASBRÁS, o que envolvia mudanças de cargos, substituição de sistemas de processamento eletrônico de dados, preparação de demonstrações financeiras etc., ultimadas em 03/01/2005, conforme atestado pelo Fisco; que, não obstante esse quadro, a dificultar enormemente o atendimento de tais demandas, que exigiam programação especifica, a SUPERGASBRÁS se empenhou e preparou aqueles arquivos; que, porém, antes de apresentálos à Fiscalização, verificou que as intimações mencionadas continham contradição insanável, simplesmente porque o programa Sinco. adquirido no site da SRF e cuja aplicação era exigida naqueles atos, não validava arquivos magnéticos gerados de acordo com a IN/SRF n° 68/95 e a Portaria COFIS n° 13/95, prestando se somente para validar arquivos de notas fiscais e lançamentos contábeis gerados em conformidade com a IN/SRF n° 86/2001 e do ADE COFIS n° 15/2001; que, alertado sobre o fato, o insigne AFRF, depois de levar algum tempo para decidir sobre o impasse que ele mesmo causara, solicitou que somente os arquivos suscetíveis de validação pelo Sinco, dentre os quais não figura o do Livro de Registro de Inventário, lhe fossem entregues no formato previsto na IN/SRF n° 86/2001 e o ADE COFIS n° 15/2001, com o que, de boafé e, a titulo de colaboração, concordou, mesmo consciente de que essa anuência implicava novos e expressivos custos de programação e refonnatação de arquivos; que entre 18.11.2004 e 03.03.2005, nada mais foi requerido até que, pela intimação de fls. 62, a Fiscalização exigiu lhe fosse apresentada toda a documentação comprobatória relativa aos lançamentos efetuados nas contas contábeis 333.150 Descontos Comerciais, 333.200 Descontos Concedidos e 333.300 Prêmio Produtividade, e que foram considerados como redução na apuração da receita liquida na Linha 11 da Ficha 06A da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, relativa ao anocalendário de 2000, apresentada pela contribuinte SUPERGASBRÁS; que, sem levar em conta que a SUPERGASBRÁS operava com 46 filiais localizadas em vários municípios do Brasil e emitia milhares de notas fiscais por dia, nem ponderar que documentos solicitados referiamse a fatos ocorridos há quase 5 anos, tornando impossível cumprir aquela intimação no prazo concedido, em 05.04.2005 a Fiscalização requereu ainda a apresentação, em 20 dias, de planilha especial impressa, discriminando, por beneficiário, cada desconto ou prêmio concedido, a data da concessão, o lançamento a que se refere no Diário, o valor, e em que fatura e em que nota fiscal de venda ele está alocado (fls. 72); que a impressão desse relatório, não previsto na legislação tributária, implicaria o desenvolvimento especial de mais programas e sistemas de processamento eletrônico de dados diferentes dos mencionados na Portaria COFIS n° 13/95 e no ADE COFIS n° 15/2001, além da emissão de outras milhares de folhas de papel seguramente incompulsáveis em escala humana, revelando tratarse de um trabalho extremamente oneroso, não exigido por lei ou ato administrativo e rigorosamente sem utilidade para a auditoria; que, em 25.04.2005. além de pedir dilatação de prazo para apresentar a documentação concernente aos DESCONTOS, (i) entregou ao autor do feito os arquivos magnéticos antes referenciados, conforme acertado com aquele servidor, (ii) aos quais, Fl. 7818DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 8/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Resolução nº 1301000.148 S1C3T1 Fl. 7.819 11 diversamente do que ele procuraria agora sugerir, não estava obrigada por força do § 10 do artigo 3° da IN/SRF n° 86, e que (iii) não tinham sido exigidos em 18/11/2004, porque as intimações lavradas naquelas datas eram de execução impossível, em face das contradições insanáveis nelas estampadas; que esses arquivos foram recebidos e conferidos sem a mínima ressalva (fls. 74); que estava, portanto, cumprida satisfatoriamente aquela obrigação acessória, embora para a presente ação fiscal os dados contidos naqueles arquivos não aparentassem ter relevância porque, como visto, com exceção dos descontos, até então nada mais tinha interessado à Fiscalização e, como se poderia ver adiante, além dessa questão e do ICMS ST, nada mais teve importância; que, adiante, tendo a Fiscalização acolhido as suas ponderações e aceitado receber arquivos magnéticos gerados especialmente com planilha de descontos classificados por cliente, com indicação da sua inscrição no CNPJ, totalizado por ano, no dia 16/05/2005, fez a entrega de arquivo contendo aqueles dados; que esse arquivo que, repitase, não tem correlação com os previstos na Portaria COFIS n° 13/95 e ela não estava obrigada a gerar, apresentou problemas, sendo substituído por outros em 25/05/2005 e em 31/05/2005, havendo, então, requerido prazo maior para rever o trabalho, porque encontrava dificuldades em atender aquele pedido especial, em face da necessidade de reativar bases de dados de sistemas não mais utilizadas; que, ao redigir o Termo de Verificação, o Fisco misturou o fornecimento daqueles arquivos com o de outros arquivos e relatórios que, apesar de não previstos na legislação, ele desejava fossem extraordinariamente produzidos por ela, a sua custa, cuja falta de apresentação, em hipótese alguma, pode se prestar para inculpála de descumprimento do artigo 11 e 12, inciso II da Lei n° 8.218/91, com a redação dada pelo artigo 72 da Medida Provisória n° 2.15834/2001 e reedições; que o Fisco alegou ainda que, a partir do MPF de fls. 1, ela seria a nova fiscalizada para, em decorrência disso, passar a exigir também seus próprios arquivos magnéticos, juntamente com os de suas incorporadas e não apenas para o ano de 2000, mas para os últimos 5 anos, quando é notório que aquele MPF foi emitido tão somente para atender à sucessão da SUPERGASBRAS, sem nada mais inovar com relação ao MPF primitivamente emitido; • Da nulidade do lançamento relativo à falta de entrega dos arquivos magnéticos da impugnante e das incorporadas que a ordem para deflagrar a ação fiscal está formalizada no MPF n° 07.1.90 2004016810, subscrita pelo Delegado da DEFIC/RJO, traçando seus limites: contribuinte a ser fiscalizado SUPERGASBRAS; e tributo IRPJ do período 01/2000 a 12/2000; que não se outorgou ao AFRF designado para realizar os trabalhos competência para fiscalizar com profundidade nenhum fato relativo a outra empresa que não fosse a SUPERGASBRÁS, nem outro período de apuração que não fosse o anocalendário de 2000, salvo no que diz respeito às sumárias verificações obrigatórias; Fl. 7819DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 8/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Resolução nº 1301000.148 S1C3T1 Fl. 7.820 12 que falecia, portanto, competência ao servidor para exigir dela os aludidos arquivos magnéticos, por todos os fundamentos suscitados, já que nem o MPF de fls. 3 nem o de fls. 1 lhe outorgaram poderes para agir desse modo; que seria nulo, por conseguinte, o auto de infração, por materializar a deficiência capitulada no inciso I do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72; • Da impossibilidade de o Fisco exigir da impugnante os arquivos relativos aos anos de 2000 e 2001 na forma da IN/SRF n° 86/2001 e o ADE COFIS n° 15/2001 que, reiterando, os auditores não detinham e não detém poderes legais para impor a apresentação de arquivos magnéticos gerados naquela forma, sendo opção do contribuinte fazêlo ou não; que, portanto, o autuante seria incompetente para expedir as intimações de fls. 160 e 177 e nulo o auto de infração que delas depende diretamente como prescreve o já transcrito inciso I do artigo 59 do Decreto n° 70.235/1972 e seu § l°; que também não houve atraso por parte dela; que, assim, se deu a cronologia dos fatos: em 18.11.2004, a Fiscalização intimou a SUPERGASBRÁS a apresentar arquivos magnéticos do ano de 2000, na forma da IN/SRF n° 68/95 e da Portaria COFIS n° 13/95, "validados com o programa sinco" (fls. 42 a 47 e 48 a 59); preparados os arquivos para entrega à Fiscalização, ela verificou que o programa Sinco, adquirido no site da SRF e cuja aplicação era exigida naquele ato, não validava arquivos magnéticos gerados de acordo com a IN/SRF n° 68/95 e a Portaria COFIS n° 13/95, prestando se somente para validar arquivos de notas fiscais e lançamentos contábeis gerados em conformidade com a IN/SRF n° 86/2001 e o ADE COFIS n° 15/2001; teria alertado, então, o autor do feito da impossibilidade de atendêlo nesse aspecto, o qual, após largo tempo, solicitou que ela apresentasse apenas os arquivos suscetíveis de validação pelo Sinco, dentre os quais não figurava o do Livro de Registro de Inventário, e ainda assim formatados consoante a IN/SRF n.° 86/2001 e o ADE COFIS n° 15/2001; de boafé e com espírito de cooperação, pois, como é sabido, a isso não estava obrigada, ela o atendeu em 25.04.2005, entregandolhe os arquivos magnéticos mencionados anteriormente, conforme acertado com aquele servidor, que os conferiu e os recebeu sem ressalvas (fls. 74); no dia 09.06.2005, infringindo o § 1° do artigo 3° da IN/SRF n° 86/2001, a Fiscalização requisitou novos arquivos magnéticos do ano de 2000, na forma da IN/SRF n° 86/2001 e do ADE COFIS n° 15/2001 (fls. 86); ainda assim, no dia 06.07.2005 (fls. 108) ela o atendeu; em 11.07.2005, a Fiscalização solicitou que ela efetuasse correções em dois campos de alguns dos arquivos magnéticos que havia recebido (fls. 158), o que foi feito no dia 01.08.2005 (fls. 159); quando recebeu os arquivos magnéticos, a Fiscalização requereu a apresentação de arquivo digital do Livro de Registro de Inventário da SUPERGASBRÁS relativo ao ano de 2000, de acordo com a IN/SRF n° 86/2001 e o ADE COFIS n° 15/2001, alegando tratarse de reintimacão (fls. 163); esse ato, além de infringir mais uma vez § 1° do artigo 3° da IN/SRF n° 86/2001, não configurava reintimacão, como já se comprovou anteriormente; ainda assim, em 13.10.2005 ela apresentou esses arquivos (fls. 183); indagou: onde estaria, então, o atraso de mais de cinquenta dias para entrega dos arquivos magnéticos da SUPERGASBRÁS do ano de 2000 apontado pela Fiscalização?; se havia atraso, por que a Fiscalização, que caracterizou sua auditoria por reintimações freqüentes, denominando como tal até mesmo as que não o era, não expediu nenhuma com relação aos arquivos magnéticos da SUPERGASBRÁS do ano de 2000? qual o termo inicial da contagem deste prazo? Fl. 7820DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 8/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Resolução nº 1301000.148 S1C3T1 Fl. 7.821 13 que, da mesma forma, também não houve atraso na entrega dos arquivos em meio magnético da SUPERGASBRÁS, relativos aos anos de 2001 a 2004, nem dela nem da S&M, referentes aos anos de 2000 a 2004; que em 13/10/2005, pediu prorrogação do prazo para atender a intimação em questão, explicando, na petição de fls. 179, os motivos pelos quais considerava razoável seu pleito e proporcional às dimensões do trabalho a ser empreendido; que deveria, no entanto, em face da petição apresentada, a Administração ter respondido o seu pleito dentro do prazo estabelecido na legislação de regência; que, assim, diante da omissão da autoridade sobre o pedido de prorrogação formalizado, deveria ser o mesmo considerado deferido; que, espúrio, portanto, o auto de infração lavrado dois meses e meio depois, na vigência do prazo requerido e não denegado, isto é, concedido tacitamente, devendo, no caso, ser o mesmo declarado nulo (citou acórdão do Primeiro Conselho de Contribuintes acerca da matéria); que a multa aplicada feriria os Princípios da Anterioridade e da Irretroatividade, no que toca aos períodos de 2000 e 2001, em razão da modificação legislativa ter aumentado a sanção prevista no inciso III do artigo 12 da Lei n° 8.218/1991; que seus efeitos só poderiam alcançar obrigações acessórias dependentes de obrigações principais, cujos fatos geradores tivessem ocorrido a partir de 01/01/2002 (citou, sobre o assunto, acórdão proferido pelo Primeiro Conselho de Contribuintes). • Do caráter confiscatório da multa aplicada que a multa aplicada superaria duas vezes a soma dos resultados de cinco anos de trabalho dela e das suas incorporadas, circunstância que, independentemente da gravidade do ato praticado pela apenada, inviabiliza a continuidade do seu negócio; que não houve qualquer prejuízo no interesse da Fiscalização e da arrecadação neste caso, pois os livros da escrituração contábil e fiscal daquelas empresas, bem como a documentação suporte dos lançamentos neles efetuados foram franqueados ao autor do procedimento fiscal e nada mais quis o mesmo examinar, além das questões concernentes a descontos concedidos pela SUPERGASBRÁS em 2000 e os efeitos da contabilização do ICMS ST por aquela empresa, no mesmo período; que da mesma forma entende o Supremo Tribunal Federal (citou acórdãos). • Da multa de oficio aplicada à incorporadora que, ainda que pudesse ser responsabilizada pelo IRPJ e pela CSLL devidos, não haveria como computar penalidades de oficio nos créditos tributários constituídos, a teor do disposto no artigo 132 do CTN, que veda a transmissão da responsabilidade por penalidades ao sucessor; que, decorrendo a obrigação do sucessor, nos exatos termos do artigo 121, parágrafo único, inciso II do C'TN, de disposição expressa de lei e restringindo a lei de maneira Fl. 7821DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 8/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Resolução nº 1301000.148 S1C3T1 Fl. 7.822 14 expressa essa responsabilidade apenas ao montante do tributo devido, sem aludir a penalidades, descabido se torna lançar mão de interpretação extensiva para gravar o patrimônio da sociedade incorporadora com aquele encargo punitivo, sob pena de violação do principio da legalidade, insculpido no artigo 5°, inciso II da Carta Magna (citou jurisprudência emanada do Poder Judiciário bem como do Primeiro Conselho de Contribuintes); que seriam insustentáveis, assim, a imposição das penalidades de oficio. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, apreciando as razões trazidas pela defesa inaugural, decidiu, por meio do acórdão nº 11.438, de 17 de agosto de 2006, pela procedência parcial dos lançamentos tributários, vez que considerou insubsistente parcela das multas regulamentares aplicadas em virtude da apresentação dos arquivos magnéticos fora do prazo estabelecido. Diante da exoneração de parte do crédito tributário constituído, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício. Às fls. 5.578, identificase extrato em que resta consignado que, em 11 de outubro de 2006, os créditos tributários controlados por meio do presente processo foram transferidos para o de nº 13603.001453/200618, que se encontra apenso. Às fls. 5.579, consta despacho de encaminhamento do presente processo ao então Primeiro Conselho de Contribuintes, datado de 04 de dezembro de 2006, no qual foi assinalada a seguinte informação: Os débitos mantidos (conforme fl. 5.578) foram transferidos para o processo nº 13603.001453/200618, juntado ao presente processo, tendo em vista a apresentação tempestiva do recurso voluntário. Depreendese do extrato de fls. 5.578, que a unidade administrativa de origem promoveu a segregação dos créditos tributários originalmente constituídos, mantendo no presente processo a parcela cancelada pelo acórdão nº 11.438, de 17 de agosto de 2006, e transferindo para processo nº 13603.001453/200618 o montante mantido pela referida decisão. Em sessão realizada em 12 de setembro de 2007, a Primeira Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, por meio do acórdão nº 10196.293, não conheceu o recurso de ofício, vez que, no julgamento do recurso voluntário (processo nº 13603.001453/200618), a decisão de primeira instância foi anulada (fls. 5.580/5.583). Às fls. 5.596 e seguintes, foram juntados os seguintes documentos, todos relacionados ao processo nº 13603.001453/200618: Termo de Recepção de Crédito Tributário; despacho de encaminhamento ao então Primeiro Conselho de Contribuintes, datado de 04 de dezembro de 2006, para fins de apreciação do recurso voluntário interposto; cópia do Acórdão nº 10196.294, prolatado em sessão realizada em 12 de setembro de 2007, pela Primeira Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, em que é decretada a nulidade, por cerceamento do direito de defesa, do Acórdão nº 11.438, proferido pela 4ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro em 17 de agosto de 2006. Fl. 7822DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 8/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Resolução nº 1301000.148 S1C3T1 Fl. 7.823 15 Às fls. 5.617, consta TERMO DE JUNTADA, assinalando que em 12 de setembro de 2008 foi juntado ao presente, por apensação, o processo nº 13603.001453/2006 18. Diante da decretação da nulidade da decisão por ela exarada, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, por meio da Resolução nº 243, de 04 de setembro de 2008, fls. 5618/5620, requisitou a realização de diligência para que fossem prestados os seguintes esclarecimentos, in verbis: I Quanto às glosas efetuadas nas contas 333.200; 333.300 e 333.150: a) Foram apenas circularizados quatro clientes da interessada diante de uma carteira de 4.805 clientes? Houve mais algum? Qual o universo de clientes atingido? Como foram extraídas as amostras? Foram juntados nos autos todos os documentos relativos ao total daqueles que foram circularizados? Caso não tenha havido considerável circularização nos clientes da interessada, que seja feito nesta oportunidade, com um universo maior de clientes. b) Os clientes da interessada admitiram efetivamente que recebiam os descontos que a interessada alega ter concedido? Os descontos constavam das notas fiscais recebidas por estes clientes? Tais descontos correspondiam àqueles contabilizados em separado pela interessada em sua escrituração? Justificar. c) Aliado a tais manifestações, foi trazido algum documento comprobatório que identificasse os pressupostos de dedutibilidade destas despesas? Foi trazida pela interessada ou por seus clientes alguma motivação à concessão de tais descontos? Relacionar cada justificativa. d) Em algum momento, em análise aos documentos apresentados durante a fiscalização e os apresentados "a posteriori", é possível identificar as efetivas razões para a concessão dos descontos (ex.: desconto para liquidar o valor antes do vencimento ou qualquer outra razão que possa se justificar tal 'prática)? Fazer quadro demonstrativo com a correspondência entre os clientes, suas respostas, os documentos acostados com a citação das fls. dos autos e os volumes onde tais documentos se encontram. e) Algumas notas fiscais, cujo desconto foi diretamente destacado, foram base para algum valor glosado no presente lançamento? Houve algum desconto incondicional que foi objeto de glosa fiscal? Justificar e demonstrar. f) Como foi encontrado o valor tributável no caso da glosa dos descontos concedidos e dos prêmios de produtividade? Especificar cada montante. g) Em exame das informações trazidas pelos clientes durante a circularização, é possível concluir acerca dos valores dos descontos, abatimentos e prêmios concedidos pela interessada? Eles coincidem com aqueles escriturados pela interessada na sua contabilidade? Justificar e demonstrar. h) Foram confirmadas, junto à SUPERGASBRAS, as informações prestadas pelos clientes declarantes sobre os descontos concedidos? Em caso de resposta positiva, quais seriam as condições para a concessão dos mesmos? i) Os descontos concedidos, não consignados nas notas fiscais, foram contabilizados em contacorrente separada, com a motivação da necessidade pelos clientes e pela interessada, sem que o fisco tivesse tomado qualquer conhecimento da questão e efetuado o lançamento pelo valor total das contas 333.200 e 333.300? Justificar. Fl. 7823DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 8/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Resolução nº 1301000.148 S1C3T1 Fl. 7.824 16 j) Diante de toda a documentação trazida pela interessada, relativa aos descontos e prêmios (contas 333.200 e 333.300), conseguese inferir serem os mesmos reais e correspondentes a uma operação efetiva? k) Os descontos e prêmios concedidos (conta 333.200 e 333.300), espelhados em documentos internos da interessada (como notas de débito), podem ser confirmados tanto pela sua movimentação financeira quanto pela movimentação financeira e contábil do universo de clientes recebedores dos mesmos? Justificar. l) Como foi procedida a glosa da conta 333.150? m) Os descontos comerciais são os descontos consignados na nota fiscal? n) Os valores não individualizados à época da fiscalização e trazidos à colação com a apresentação da impugnação (R$ 10.456.629,58) possuem lastro documental capazes de demonstrar concretamente a comprovação das informações prestadas? II – Quanto à contabilização do ICMS ST: o) A interessada alega, quanto à contabilização do ICMS ST, o fato de que, a contabilização em conta do Ativo Circulante não ensejaria a antecipação de custos. Portanto, onde foram contabilizados, efetivamente, os valores relativos ao ICMSST? Houve majoração no CMV? Justificar p) O Conselheiro Relator requer seja aprofundada a matéria relativa ao ICMS ST, tal qual a interessada à época da interposição do Recurso Voluntário. Diante de tal fato, há mais alguma consideração sobre a situação relativa a forma de contabilização deste tributo que deixou de ser colocada à época da fiscalização bem como quando da realização desta diligência? Justificar. q) Este ICMS pago pela PETROBRÁS, em razão da substituição tributária, possui o caráter de recuperabilidade, sendo incorreto incluir tal tributo no custo das mercadorias adquiridas e, por conseqüência, não deveria ser incluído no valor das mercadorias em estoque da interessada? Sendo a resposta positiva ou negativa, quais as razões? Ao final, restou consignado na referida Resolução: INTIMESE a interessada do início dos trabalhos para que seu Perito, Carlos Alberto Vivas Ferreira Cardoso, sócio da empresa DELOITTE TOUCHE TOHMATSU CONSULTORIA CONTABIL S/C LTDA., tenha a possibilidade de, também, trazer aos autos seu laudo sobre os quesitos aqui formulados. Após, seja cientificada a interessada do inteiro teor dos novos elementos que venham a ser carreados aos autos, em decorrência da diligência ora determinada, concedendolhe, expressamente, o prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, aditar razões de defesa à inicial sobre os elementos aduzidos. Em atendimento, a Delegacia da Receita Federal de Fiscalização no Rio de Janeiro juntou aos autos a INFORMAÇÃO FISCAL e o TERMO DE ENCERRAMENTO DE DILIGÊNCIA FISCAL, que constituíram as folhas 01/16 do ANEXO I, juntado ao presente. Cientificada das conclusões expendidas na INFORMAÇÃO FISCAL acima referenciada, a contribuinte apresentou o documento de fls. 5.665/5.685, por meio do qual: a) alegou que a Turma Julgadora de primeira instância incorreu em omissão, vez que não fixou o prazo para a realização da perícia, nos termos do preconizado pelo parágrafo 1º do art. 18 do Fl. 7824DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 8/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Resolução nº 1301000.148 S1C3T1 Fl. 7.825 17 Decreto nº 70.235/72; b) argumentou que o prazo de vinte dias concedido pelo autuante (também responsável pela realização da diligência fiscal) não poderia ser levado em conta, seja em razão da ausência de competência deste para fixar o citado prazo, seja porque tal medida, ao dispensar tratamento desigual entre as partes (segundo a contribuinte, a autoridade responsável pela realização da diligência teve um ano e seis meses para efetivála) representaria flagrante violação ao devido processo legal, à ampla defesa e ao princípio da isonomia; c) requereu que lhe fosse concedido prazo de sessenta dias, contados da data em que recebeu a cópia integral dos autos (1º de abril de 2010), para apresentar o trabalho do seu perito; e d) sustentou que a autoridade responsável pela diligência não atendeu ao solicitado pela Resolução da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, restando inútil, para tal fim, a Informação Fiscal por ela produzida (para fins de comprovação do alegado, promoveu confronto entre os quesitos elencados na Resolução e as respostas trazidas pela Informação Fiscal). Às fls. 5.707/5.743, consta LAUDO PERICIAL, elaborado por perito indicado pela autuada, protocolizado em 04 de junho de 2010, ao qual foram juntados os documentos de fls. 5.744/5.923. Em nova apreciação da impugnação interposta e considerando os elementos aportados ao processo a partir da diligência efetuada, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro prolatou o acórdão nº 1235.731, de 15 de fevereiro de 2011, por meio do qual decidiu pela manutenção parcial dos lançamentos tributários. O referido julgado restou assim ementado: DELIMITAÇÃO DA LIDE. A parcela em que a interessada aceita a autuação tornase excluída do contraditório instaurado. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPRECISÃO DE DADOS NA CAPITULAÇÃO LEGAL. INOCORRÊNCIA. Deixa de se declarar a nulidade do auto de infração quando sua confecção encontrase perfeita e dentro das exigências legais, mormente quando há obediência ao devido processo legal e inexiste prejuízo ao sujeito passivo, que tenha o condão de macular sua defesa. NULIDADE. VERIFICAÇÃO POR AMOSTRAGEM. IMPERTINÊNCIA. A lei não estabeleceu rito especial a ser seguido no procedimento administrativo que visa determinar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária correspondente. A escolha do modo de proceder a investigação fiscal situase na competência da autoridade administrativa, respeitados os princípios da legalidade e da proporcionalidade. AUSÊNCIA DE EMISSÃO DE MPF ESPECÍFICO PARA APRECIAR AS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal, sob a égide da Portaria que o criou, é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da auditoria fiscal, não implicando nulidade do procedimento fiscal aquele emitido sem a citação expressa para verificação de obrigações acessórias, as quais já era obrigação do contribuinte mantêlas à disposição da autoridade fiscal. Fl. 7825DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 8/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Resolução nº 1301000.148 S1C3T1 Fl. 7.826 18 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. À autoridade administrativa falece competência para apreciar a ilegalidade da norma, cujo comando legal encontrase plenamente em vigor. LANÇAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O lançamento do crédito tributário é obrigatório, sob pena de responsabilidade funcional da autoridade administrativa. Possui caráter retrospectivo e se reporta, quanto aos aspectos materiais, à data da ocorrência do fato gerador da obrigação, regendose pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. MULTA REGULAMENTAR. ARQUIVOS MAGNÉTICOS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA PREVISTA NA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA REGENCIAL. O fato gerador da multa é o próprio descumprimento do prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas solicitados e ocorre exatamente no momento em que inadimplida referida prestação, data a que deve se reportar o lançamento, a ser regido pela lei então vigente. MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES. A incorporadora responde pelo pagamento da multa de oficio decorrente de operações da sucedida, ainda mais se o evento societário ocorrer posteriormente ao início da ação fiscal. DESPESAS OPERACIONAIS. DEDUTIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO POR MEIO DE DOCUMENTOS HÁBEIS E IDÔNEOS. Quando o fisco, durante o procedimento fiscal, colher elementos que culminem na glosa de despesas consideradas dedutíveis pelo sujeito passivo em sua declaração de rendimentos, caberá a este a sua comprovação, através de documentos hábeis e idôneos, tornandose incabível a glosa quando comprovadas as respectivas operações. DESCONTOS INCONDICIONAIS. DIVERGÊNCIA ENTRE VALORES ESCRITURADOS E APRESENTADOS PELA INTERESSADA. GLOSA PROCEDENTE. A diferença apurada entre os valores escriturados pela interessada, objeto de dedução na sua declaração de rendimentos, através da conta descontos incondicionais, e os apresentados pela mesma à fiscalização, deverão ser exigidos para que se faça valer a realidade dos fatos, já que a interessada não obteve êxito em comprovar o motivo da respectiva diferença de valores. DIFERENÇAS ENTRE VALORES ESCRITURADOS E VALORES DECLARADOS PELA INTERESSADA, ATRAVÉS DE PLANILHA DEMONSTRATIVA. Impossível se torna a mensuração das diferenças entre os valores escriturados e demonstrados em planilha pela própria interessada, quando, à época em que apresentou suas justificativas, verificouse coincidência entre valores que compunham as contas objeto de glosa fiscal. Se, diante das justificativas do sujeito passivo quanto a estas diferenças, o Fisco, no âmbito da diligência, deixa de aprofundar a investigação para segregar quais valores Fl. 7826DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 8/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Resolução nº 1301000.148 S1C3T1 Fl. 7.827 19 estavam em que contas de mesma natureza, não há como se sustentar a respectiva autuação. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE CUSTOS. ICMS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTARIA. A interessada, ao demonstrar, através da sua contabilidade, mesmo que por amostragem, como realiza a apropriação do ICMS substituição tributária, sem que o Fisco, no âmbito da diligência, após indagado sobre os fatos colacionados, tenha demonstrado de que forma o procedimento adotado na contabilidade seria maléfico ao regime de competência, com a conseqüente antecipação indevida de custos, aliada a demonstração de que o ICMSST, em conta do Ativo Circulante até a venda dos bens, deixa de ser lançado em conta de resultado, faz com (que) caia por terra a autuação neste sentido. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. DECORRÊNCIA. Ao subsistirem parcialmente as infrações que originaram o auto de infração principal, igual sorte colherá o lançamento dele reflexo. ADICIONAL DA CSLL. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO E CAPITULAÇÃO LEGAL. O Fisco, não obstante sua descrição no Demonstrativo de Apuração da CSLL, ao deixar de trazer à baila o enquadramento legal, bem como o demonstrativo que faz alusão ao respectivo valor de adicional da citada contribuição, não poderá efetuar seu lançamento, tendo em vista a inexistência de lastro explicativo ou descrição da forma pela qual foi este adicional composto e, mais que isso, qual seria a base legal a ele atribuída. Diante do cancelamento de parte das exigências, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício. Cientificada da decisão exarada em primeira instância em 14 de março de 2011, conforme registro às fls. 6.034, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 6.050/6.242, em que, em apertada síntese: descreve os termos da exigência fiscal; discorrendo sobre os fatos que antecederam a decisão recorrida, reproduz a argumentação expendida na peça impugnatória e aprecia, em contexto comparativo com pronunciamento feito por perito por ela indicado, a Informação Fiscal resultante do procedimento de diligência realizado; discorre sobre o seu perfil e o da SUPERGASBRÁS; sustenta que a glosa dos saldos das contas 333.200 – DESCONTOS CONCEDIDOS e 333.300 – PRÊMIO DE PRODUTIVIDADE e de pequena parte dos lançamentos efetuados na conta 333.150 – DESCONTOS COMERCIAIS não pode subsistir, especialmente em razão da nulidade das peças acusatórias, face a ausência de objeto ou conteúdo; reitera esclarecimentos acerca da origem, da evolução e do funcionamento do setor de distribuição de GLP; Fl. 7827DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 8/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Resolução nº 1301000.148 S1C3T1 Fl. 7.828 20 aponta deficiências na decisão recorrida que justificariam a sua reforma; descreve procedimentos e apresenta conclusões decorrentes da revisão da sua rotina, de seus sistemas de processamento de dados e dos documentos relacionados com a concessão de descontos, abatimentos e prêmios de produtividade; descreve as circunstâncias que, na visão da Fiscalização, amparariam a aplicação das penalidades pela falta de apresentação dos arquivos magnéticos e sistemas; sustenta a nulidade do lançamento relativo à falta de entrega dos arquivos magnéticos (seus e da empresa S&M), relativos aos anos de 2000 a 2004, bem como da SUPERGASBRÁS no que tange aos anos de 2001 a 2004, vez que “não se outorgou ao autor dos feitos competência para fiscalizar com profundidade nenhum fato relativo a outra empresa que não fosse a SUPERGASBRÁS, nem para auditar outro tributo que não fosse o IRPJ, nem outro período de apuração que não fosse o anocalendário de 2000, salvo no que diz respeito às sumárias verificações obrigatórias”; argumenta que a Fiscalização não poderia exigir arquivos magnéticos relativos aos anos de 2000 e 2001 na forma da IN/SRF nº 86, de 2001, e do ADE COFIS nº 15, também de 2001; alega que não houve atraso nem falta de entrega dos arquivos em meio magnético da SUPERGASBRÁS, relativos aos anos de 2001 a 2004, nem dela e da S&M, referentes aos anos de 2000 a 2004; afirma que a primeira instância, ao silenciar sobre os argumentos aduzidos na impugnação, proferiu decisão maculada por nulidade; sustenta que a aplicação da multa prevista nos arts. 11 e 12, inciso III, da Lei nº 8.218/91, com a redação dada pelo art. 72 da MP nº 2.15834/2001, fere os princípios da anterioridade e da irretroatividade, com relação aos arquivos dos anos de 2000 e 2001; alega que a multa de R$ 102.243.468,66 tem caráter confiscatório; argumenta que a multa de ofício não se comunica à incorporadora; destaca a anexação ao primeiro Recurso Voluntário impetrado de Parecer Jurídico, para o qual solicita que seja considerado como pertencente a este. É o Relatório. Fl. 7828DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 8/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Resolução nº 1301000.148 S1C3T1 Fl. 7.829 21 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço dos apelos. Em conformidade com o Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 845/850), a ação fiscal sob apreciação foi empreendida na pessoa jurídica SUPERGASBRÁS DISTRIBUIDORA DE GÁS S/A, incorporada pela ora Recorrente, e teve por objeto o ano calendário de 2000. De acordo com o referido Termo, foram as seguintes as infrações imputadas à fiscalizada: i) falta de comprovação, por meio de documentação hábil e idônea, das despesas apropriadas a título de DESCONTOS CONCEDIDOS e PRÊMIO PRODUTIVIDADE, nos montantes respectivos de R$ 64.816.510,13 e R$ 4.130.350,12; ii) falta de comprovação de despesas registradas a título de DESCONTOS COMERCIAIS, DESCONTOS CONCEDIDOS e PRÊMIO PRODUTIVIDADE, no montante de R$ 10.456.629,58, pois, embora reintimada, a contribuinte não justificou a diferença detectada entre o montante escriturado e o demonstrado por meio de planilha apresentada à Fiscalização; iii) antecipação indevida de custos, no montante de R$ 1.358.482,26, decorrente da ausência de cômputo, no estoque final, do valor correspondente ao ICMS substituição tributária; e iv) multa em virtude da falta e/ou apresentação fora do prazo de arquivos magnéticos, conforme discriminação abaixo. iv.1) R$ 8.552.529,13, em virtude da apresentação fora do prazo dos arquivos da empresa SUPERGASBRÁS DISTRIBUIDORA DE GÁS LTDA., relativos ao anocalendário de 2000; iv.2) R$ 102.243.468,66, em razão da falta de apresentação dos arquivos magnéticos das empresas incorporadas S&M ENGARRAFADORA DE GÁS LTDA, relativamente aos anoscalendário de 2000 a 2004, e SUPERGASBRÁS DISTRIBUIDORA DE GÁS LTDA., relativamente aos anoscalendário de 2001 a 2004; e da incorporadora, SHV GÁS BRASIL LTDA, relativamente aos anoscalendário de 2000 a 2004. Entendendo que a solução da lide passa, necessariamente, pela complementação de informações, conduzo meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a unidade administrativa de origem adote as seguintes providências: a) esclareça se o Mandado de Procedimento Fiscal de fls. 01, emitido em 24 de agosto de 2005, em nome de SHV GÁS BRASIL LTDA, decorreu única e exclusivamente do fato de a empresa SUPERGASBRÁS DISTRIBUIDORA DE GÁS S/A ter sido incorporada no curso da ação fiscal autorizada pelo Mandado de Procedimento Fiscal nº 07.1.90.002004 016810 (fls. 03) ou de programação específica; Fl. 7829DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 8/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Resolução nº 1301000.148 S1C3T1 Fl. 7.830 22 b) no caso de programação específica para a empresa SHV GÁS BRASIL LTDA, anexar cópia do Registro de Procedimento Fiscal e do Relatório de Programação correspondente, nos quais foram descritos os elementos motivadores da instauração do procedimento; c) caso tenha havido programação específica para instauração de procedimento fiscal em relação à empresa S&M ENGARRAFADORA DE GÁS LTDA, anexar, da mesma forma, cópia do Registro de Procedimento Fiscal e do Relatório de Programação correspondente, nos quais foram descritos os elementos motivadores da instauração do procedimento; d) anexar o documento que autorizou a extensão do procedimento de fiscalização para os anoscalendário de 2001, 2002, 2003 e 2004 para as empresas incorporadas (SUPERGASBRÁS DISTRIBUIDORA DE GÁS LTDA e S&M ENGARRAFADORA DE GÁS LTDA) e para a incorporadora (SHV GÁS BRASIL LTDA); e e) informar se em razão da autorização porventura concedida e cuja documentação ora se requer (letra “d” acima) foram promovidos lançamentos tributários relativos aos anoscalendário de 2001, 2002, 2003 e 2004 para as empresas SUPERGASBRÁS DISTRIBUIDORA DE GÁS LTDA, S&M ENGARRAFADORA DE GÁS LTDA e SHV GÁS BRASIL LTDA., indicando, se for o caso, os números dos respectivos processos administrativos. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães – Relator Fl. 7830DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 8/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.913520/2009-72
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/08/2004
COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVA.
É ineficaz a DCTF retificadora para efeitos de determinação da pertinência do direito creditório declarado, sobretudo, quando a alteração promovida pelo sujeito passivo reduza o débito originalmente confessado sem o acompanhamento de prova hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado.
Numero da decisão: 3802-001.456
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/08/2004 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVA. É ineficaz a DCTF retificadora para efeitos de determinação da pertinência do direito creditório declarado, sobretudo, quando a alteração promovida pelo sujeito passivo reduza o débito originalmente confessado sem o acompanhamento de prova hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/08/2004 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVA. É ineficaz a DCTF retificadora para efeitos de determinação da pertinência do direito creditório declarado, sobretudo, quando a alteração promovida pelo sujeito passivo reduza o débito originalmente confessado sem o acompanhamento de prova hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 35 20 /2 00 9- 72 Fl. 35DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório A contribuinte GEMAPE MÁQUINAS E PEÇAS LTDA., se insurge no presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0231.671, proferido em primeira instância pela 1ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO EM BELO HORIZONTE – DRJ/BHE, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, negando o direito creditório pleiteado e indeferindo a compensação efetuada, conforme consignado na ementa abaixo: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Data do fato gerador: 31/08/2004 AUSÊNCIA DE PROVAS DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. Na ausência de outras provas, a DCTF retificadora não pode ser considerada instrumento hábil para conferir certeza ao crédito indicado na declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” De acordo com o órgão julgador a quo “a mera apresentação da declaração retificadora, com redução do valor do débito anteriormente confessado, não basta para justificar a reforma da decisão de não homologação da compensação declarada; fazse mister a prova inequívoca de que houve erro de fato no preenchimento da DCTF, isto é, de que o valor correto do débito é aquele constante da DCTF retificadora.” Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da Manifestação de Inconformidade pela 1ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO EM BELO HORIZONTE/BHE, tomase de empréstimo o relatório proferido pela D. Autoridade julgadora de primeira instância: “O interessado transmitiu em 15/05/2006 Per/Dcomp visando a compensar o(s) débito(s) nela declarado(s) com crédito oriundo de pagamento a maior de Cofins, relativo ao fato gerador de 31/08/2004. A Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico (fl. 02) no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débitos do contribuinte, não restando saldo creditório disponível. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 30/04/2009 (fl. 10), o contribuinte apresentou, em 27/05/2009, a Fl. 36DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10680.913520/200972 Acórdão n.º 3802001.456 S3TE02 Fl. 5 3 manifestação de inconformidade de fl. 01, com os argumentos a seguir sintetizados, fazendo anexar os documentos de fls. 02/09. Alega possuir créditos referentes ao PIS e à Cofins recolhidos a maior no período de 11/2002 a 09/2005 e que, após a constatação da existência de tais créditos, procedeu a sua compensação com impostos federais, por meio de PER/Dcomp, conforme legislação em vigor. Ressalta que na época, por lapso, não retificou a DCTF original, mas em 21/05/2009 apresentou DCTF retificadora com os valores corretos de PIS e Cofins a serem recolhidos. Por fim, requer o reconhecimento do crédito a que faz jus e a conseqüente homologação da compensação realizada. É o relatório.” Cientificada da decisão de primeira instância, o sujeito passivo interpôs o Recurso Voluntário alegando como razões para homologação do pedido de compensação objeto do presente processo o cumprimento de todas as obrigações, quais sejam, a principal de pagar o tributo e a acessória de informar, e a comprovação cabal de ter recolhido a maior o valor do tributo compensado. Acosta aos autos, com o intuito de corroborar suas afirmações: i) relatório sintético do valor total de peças sob alíquota zero faturadas diariamente no período entre 01 a 31 de julho de 2004; e ii) relatório analítico por dia com descrição detalhada de todas as peças faturadas sob alíquota zero por cento. É o relatório. Voto Tempestivamente interposto e atendidos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Compulsando os autos, constatase que a Recorrente busca reformar a decisão de 1ª instância com base em precária e insubsistente argumentação, bem como através da juntada intempestiva de pretensos documentos comprobatórios, motivos pelos quais, como se demonstrará, não merece provimento o presente Recurso Voluntário. Consoante defendido pela interessada, a transmissão de DCTF retificadora, para correção do montante devido a título de COFINS em função da equivocada inclusão na apuração do tributo de peças tributadas pela contribuição à alíquota zero, seria conduta suficiente para demonstrar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Ocorre que, como já assentado pela autoridade julgadora a quo, a simples transmissão de declaração retificadora com redução do valor do débito anteriormente confessado, não é documentação hábil para legitimar a compensação efetuada, sendo necessária a juntada de prova inquestionável de que houve erro no preenchimento da DCTF e de que o valor de COFINS efetivamente devido é aquele consignado na retificadora. Fl. 37DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 Ademais, cumpre observar que a Recorrente foi notificada do Despacho Decisório de não homologação da compensação declarada em 30/04/2009, procedendo à retificação da DCTF apenas em 21/05/2009, sendo ineficaz a DCTF retificadora para efeitos de determinação da pertinência do direito creditório declarado, sobretudo, quando a alteração promovida pelo sujeito passivo reduza o débito originalmente confessado sem o acompanhamento de prova hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. Com efeito, a contribuinte já em sede recursal acostou aos autos relatório sintético do valor total de peças sob alíquota zero faturadas diariamente no período entre 01 a 31 de julho de 2004; e relatório analítico por dia com descrição detalhada de todas as peças faturadas sob alíquota zero; pretendendo, assim, demonstrar através de documentos internos a exatidão do débito indicado na declaração retificadora e, via de consequência, a legitimidade do direito creditório. Todavia, relatórios sintéticos internos não são oponíveis ao fisco, por si só, como elementos comprobatórios da materialidade do crédito do sujeito passivo, sendo sim um arrazoado destinado a permitir a compreensão e a visualização da prova a ser juntada – documentos fiscais e/ou contábeis que permitam a verificação do direito de crédito pleiteado. Assim sendo, tendo disposto de todas as oportunidades para comprovar seu direito creditório, e não o fazendo no momento devido, limitandose a Recorrente em trazer arguições perfunctórias e destituídas de validade jurídica para fins de apuração da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado e, por conseguinte, da compensação declarada, deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário ora analisado. Conclusão Pelo exposto, conheço do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 38DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 10580.720303/2007-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
INTEMPESTIVIDADE.
A apresentação intempestiva da manifestação de inconformidade tem o efeito
de tornar definitivo o Despacho Decisório.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3301-001.838
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopes, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 INTEMPESTIVIDADE. A apresentação intempestiva da manifestação de inconformidade tem o efeito de tornar definitivo o Despacho Decisório. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopes, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Andrada Márcio Canuto Natal.
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A apresentação intempestiva da manifestação de inconformidade tem o efeito de tornar definitivo o Despacho Decisório. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopes, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Andrada Márcio Canuto Natal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 03 03 /2 00 7- 05 Fl. 379DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10580.720303/200705 Acórdão n.º 3301001.838 S3C3T1 Fl. 380 2 Relatório O contribuinte apresentou PER/DCOMP, fls. 2/4, solicitando ressarcimento de créditos da contribuição para o PIS/Pasep apurados, conforme art. 3º da Lei nº 10.637/2002, relativos ao 1º trimestre de 2006, no valor de R$ 22.395,00. Conforme Despacho Decisório proferido pela DRF/Feira de SantanaBA, fl. 152, foi efetuado o deferimento parcial do pedido no valor de R$ 21.413,61, sendo glosado o valor de R$ 981,39. Cientificada do Despacho Decisório em 12/05/09, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade em 20/04/2010, alegando, preliminarmente, a tempestividade de sua manifestação, e discorrendo, no mérito, sobre a validade do ressarcimento pleiteado. A DRJ/SalvadorBA em Acórdão de 19/07/2011, não conheceu da Manifestação de Inconformidade, por intempestiva, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 20/10/2006 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. TEMPESTIVIDADE. Não se conhece da Manifestação de Inconformidade apresentada após o prazo definido em lei para a sua apresentação. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido. Não concordando com a decisão da DRJ, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, fls. 320/344, na qual além de repisar todas as alegações de mérito contidas na manifestação de inconformidade, pede a reforma da referida decisão tentando demonstrar que a manifestação de inconformidade foi apresentada dentro do prazo legal. Para tanto o recorrente traz em síntese os seguintes argumentos: Que a decisão da DRJ considerou como data da ciência pessoal do Despacho Decisório o dia 12/05/2009, ou seja, o dia seguinte à confecção da Comunicação nº 112/2009 (datada de 11/05/2009). Afirma, no entanto que há um equívoco em tal conclusão, uma vez que a data da ciência pessoal do teor da Comunicação nº 112/2009 foi efetivamente em 23/03/2010. Assim, tendo sido apresentada Manifestação de Inconformidade em 20/04/2010, dentro do prazo legal previsto no art. 15 do Dec. nº 70.235/72, há que se conhecer a apreciação do mérito, o que não foi feito na decisão recorrida. É o relatório. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10580.720303/200705 Acórdão n.º 3301001.838 S3C3T1 Fl. 381 3 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomo conhecimento. Porém as razões trazidas pelo contribuinte não condizem com a realidade dos elementos constantes dos presentes autos. Primeiramente é necessário corrigir um equívoco constante do recurso voluntário do contribuinte. Ele cita que tomou conhecimento do teor da Comunicação nº 112/2009 em 23/03/2010 e que a DRJ considerou que sua ciência teria se dado em 12/05/2009, uma dia após a confecção da citada Comunicação. Na verdade a Comunicação constante do presente processo é a Comunicação nº 111/2009, fl. 154, e não a de nº 112/2009, que também é do mesmo contribuinte, mas se refere ao processo nº 10580.720302/200752. Porém como as situações tratadas nos dois processos são praticamente idênticas este equívoco do contribuinte não traz prejuízo à este julgamento. Doravante, será considerado como objeto de ciência do presente processo a Comunicação nº 111/2009. O contribuinte afirma que foi cientificado pessoalmente do Despacho Decisório, por meio da Comunicação nº 111/2009, somente em 23/03/2010 e portanto a sua Manifestação de Inconformidade apresentada em 20/04/2010, seria tempestiva nos termos do art. 15 do Dec. nº 70.235/72. Não traz nenhum novo elemento de prova a respeito desta afirmação, cabendo então a análise das peças processuais para elucidação dos fatos. A Comunicação nº 111/2009, fl. 154, datada de 11/05/2009, foi elaborada com o fim específico de dar ciência ao contribuinte do Despacho Decisório que deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento objeto do presente processo. Nela consta expressamente que o contribuinte tem a faculdade de apresentar manifestação de inconformidade da decisão à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, no prazo de 30 dias. A assinatura do Sr. Andrey Manea, procurador do contribuinte conforme procuração de fl. 156, consta efetivamente do documento de fl. 155, que seria uma espécie de extrato dos débitos do processo. Assinatura que confere com a petição apresentada pela recorrente às fls. 157/158. Nesta petição de fls. 157/158 está demonstrado de forma indubitável que o contribuinte tomou conhecimento da Comunicação nº 111/2009, em 12/05/2009, data da referida petição. Observe que a petição traz como documento de referência justamente a Comunicação nº 111/2009 e consta no item 3 do requerimento final da petição, fl. 158, que o contribuinte requer que “seja dado normal prosseguimento ao feito com a homologação do pedido de ressarcimento, objeto do processo administrativo nº 10580.720303/200705”, que nada mais é do que uma concordância expressa do Despacho Decisório, que por sinal homologou 95,62% do crédito pleiteado. O que pode estar causando esta confusão de datas por parte do contribuinte é que ele dever ter sido cientificado em 23/03/2010, do efetivo ressarcimento do valor Fl. 381DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10580.720303/200705 Acórdão n.º 3301001.838 S3C3T1 Fl. 382 4 homologado parcialmente, conforme Autorização para emissão de Ordem Bancária, fl. 246, que foi emitido no início de março/2010. Verificase, no presente caso, que efetivamente o contribuinte foi cientificado do Despacho Decisório que homologou parcialmente o seu pedido de ressarcimento em 12/05/2009. Nos termos do art. 15 do Dec. nº 70.235/72 teria o prazo de 30 dias para apresentar a manifestação de inconformidade. Esta foi apresentada em 20/04/2010, evidenciandose assim a sua apresentação intempestiva. Não cabendo qualquer ressalva ao Acórdão recorrido. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 382DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10920.002427/2004-56
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2001
IMPOSTO DE RENDA. PESSOA FÍSICA. INCIDÊNCIA. COMPROVAÇÃO.
O imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos e/ou de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior.
No presente caso, não há demonstração de que a verba configura-se renda ou provento, motivo de manutenção do acórdão recorrido.
Numero da decisão: 9202-002.715
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, pr maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo e Henrique Pinheiro Torres.
(assinado digitalmente)
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 2001 IMPOSTO DE RENDA. PESSOA FÍSICA. INCIDÊNCIA. COMPROVAÇÃO. O imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos e/ou de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. No presente caso, não há demonstração de que a verba configura-se renda ou provento, motivo de manutenção do acórdão recorrido.
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PESSOA FÍSICA. INCIDÊNCIA. COMPROVAÇÃO. O imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos e/ou de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. No presente caso, não há demonstração de que a verba configurase renda ou provento, motivo de manutenção do acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, pr maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo e Henrique Pinheiro Torres. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 24 27 /2 00 4- 56 Fl. 228DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10920.002427/200456 Acórdão n.º 9202002.715 CSRFT2 Fl. 117 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 073, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 067, que decidiu dar provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo, nos seguintes termos: Assunto: IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA EXERCÍCIO: 2001 AUXÍLIO COMBUSTÍVEL — CARÁTER INDENIZATÓRIO — NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA O auxílio combustível recebido visa ressarcir gastos com a realização de serviço externo em veículo próprio. Tem, assim, incontestável feição indenizatória. Frisese, ademais, que tal verba não se incorpora para qualquer efeito à remuneração, o que evidencia ainda mais seu caráter indenizatório, e denota a impossibilidade de incidência do imposto de renda. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Para esclarecimento inicial, o litígio em questão versa sobre a incidência de IRPF sobre verba para ressarcimento de combustível paga pelo Estado a servidor público. Em seu recurso especial a PGFN alega, em síntese, que: 1. O fundamento utilizado no acórdão recorrido foi no sentido do caráter indenizatório do "auxílio combustível”; 2. Todavia, divergindo desse entendimento , os acórdãos selecionados como paradigmas consideraram que a mesma verba teria natureza remuneratória; 3. Convém ressaltar que os acórdãos paradigmas analisaram exatamente a mesma situação dos presentes autos, qual seja: pagamentos de "auxílio combustível ", pelo Estado de Santa Catarina, a auditores fiscais; 4. A discussão posta nos presentes autos consiste em saber se as verbas percebidas pelo contribuinte, a título de "auxílio transporte", possuem, ou não, natureza Fl. 230DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 indenizatória, questão elementar para definir se essas verbas estão no âmbito de incidência do IR; 5. Ora, conforme se extrai da legislação estadual que disciplina o pagamento da verba referente ao auxílio transporte, vêse que esse pagamento é realizado a todos os servidores citados nos dispositivos acima transcritos , independentemente da comprovação de que fazem uso de seus veículos para a realização de atividades fora de suas repartições; 6. Dessa maneira, recebem o mesmo valor a título de auxílio transporte tanto os servidores que, efetivamente, utilizam seus veículos a fim de se locomoverem para outras localidades a serviço, quanto aqueles que atuam sempre em sua própria repartição e que, portanto , não realizam despesas com transporte; 7. Percebese, assim, que o auxilio transporte atualmente pago aos servidores acima mencionados possui o atributo da generalidade; 8. Desse modo, essa particularidade (generalidade) do auxílio transporte pago pelo Estado de Santa Catarina lhe retira o caráter compensatório , imprimindolhe nítida feição remuneratória; 9. Diante disso, resta evidente que essa parcela remuneratória deve se sujeitar à incidência do Imposto de Renda, por representar acréscimo patrimonial; 10. Ante o exposto, a PGFN requer que seja conhecido o presente recurso, e, no mérito, lhe seja dado provimento. Por despacho, fls. 0104, deuse seguimento ao recurso especial. O sujeito passivo apresentou suas contra razões, fls. 0109, argumentando, em síntese, que a decisão recorrida deve ser mantida. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10920.002427/200456 Acórdão n.º 9202002.715 CSRFT2 Fl. 118 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade – recurso tempestivo e divergências confirmadas e não reformadas conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. O cerne da questão referese a incidência, ou não, do IRPF sobre a verba denominada “Auxílio Combustível”, paga ao sujeito passivo pelo Estado de Santa Catarina. Para a recorrente, a verba não pode ser considerada como indenização, pois, como determina a legislação que a fundamenta, é paga a todos servidores que relaciona, independente de exercerem ou não atividades externas, que gerariam o dano (gastos pela atividade), motivo da suposta indenização. Para o acórdão recorrido a verba possui caráter indenizatório, por não ser paga a todos, nos seguintes termos, fls. 069: “Nesse passo, o auxílio combustível recebido visa ressarcir gastos do Auditor Fiscal com a realização de serviço externo em veículo próprio. Tem, assim, incontestável feição indenizatória, assim como o auxílio combustível recebido pelos servidores da União. Está, portanto, fora do campo de incidência do imposto de renda. Frisese, ademais, que tal verba não se incorpora para qualquer efeito a remuneração do Fiscal, o que evidencia ainda mais seu caráter indenizatório, e denota a impossibilidade de incidência do imposto de renda. Salientese, por fim, ser esse o entendimento uníssono desse Conselho de Contribuintes, firmado em inúmeros julgamentos em análise idêntica a presente. Citese, a título exemplificativo, os respectivos Recursos Voluntários: n° 144.948; n° 144.196; 144.188; 144.109, 144.186 e etc.” Por ser importante, verificamos o motivo do lançamento, fls; 032: No caso em tela, há que se verificar se há previsão legal para que o rendimento recebido a título de "auxíliogasolina" possa ser considerado isento ou nãotributável, de forma a fundamentar a restituição. A Divisão de Tributação da SRF já teve a oportunidade de analisar a questão, proferindo a solução de consulta 73, de 2000, a qual teve a seguinte ementa: "Ementa: SERVIDORES PÚBLICOS. INDENIZAÇÃO DE TRANSPORTE. INCIDÊNCIA. A verba paga pelo Estado de Fl. 232DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Santa Catarina aos Auditores Fiscais da Receita Estadual sob a rubrica "Aux. Combustível — 50%", com nítido caráter remuneratório, constitui rendimento do beneficiário sujeito à incidência do IRPF. Dispositivos Legais: Decreto n° 3.000/1999, art. 39, XXIV; Código Tributário Nacional, art. 43; Lei n° 8.112/1990, art. 60." Por sua vez, a Solução de Consulta 73/2000 afirma que há incidência de IRPF no auxílio tratado pelos fundamentos abaixo, fls. 082 e 083: Conforme se depreende desse texto , a legislação estadual, apesar de estabelecer distinção entre as diversas atividades exercidas pelos seus servidores a fim de definir o valor a ser pago, não estabelece como requisito para seu pagamento que as atividades segam desenvolvidas fora da unidade de lotação, quando existiria, pelo menos potencialmente, a necessidade de despesas com locomoção para o desempenho de suas funções. Dessa forma , tanto o servidor que realiza trabalhos externos, como o de auditoria dos livros fiscais na sede do contribuinte, quanto aquele que desempenha atividades dentro do órgão de lotação, inscrição e alteração cadastral, por exemplo , percebem o mesmo valor a título de auxílio combustível. Apesar de a legislação atribuir a esta verba a denominação de "indenização", o fato de ser paga indistintamente a quem efetua e não efetua gastos com transporte no exercício de suas funções exclui o caráter compensatório, de ressarcimento pela despesa incorrida a bem do serviço público. Ressaltase, por outro lado, seu cunho remuneratório , uma vez que é paga a todos os servidores ativos que exercem funções inerentes à fiscalização, quer realizem ou não despesas com locomoção durante o exercício de suas atividades. Portanto , ao contrário da indenização de transporte paga pela União, em relação à qual a verba paga pelo Estado de Santa Catarina apresenta profundas disparidades, não apenas no tocante às condições de desempenho das atividades exercidas pelos servidores , como também no que pertine aos seus valores, a verba intitulada "Aux. Combustível — 50%" configurase renda do beneficiário e, por isso, está sujeita à incidência do imposto de renda. Portanto, fica claro tanto para a recorrente como para a Solução de Consulta (fundamento do lançamento) que o motivo da verba possuir caráter remuneratório – passível de incidência de IRPF – é por ser paga a todos os servidores, tanto para os que exercem como para os que não exercem atividades externas. O Código Tributário Nacional (CTN) define o fato gerador do IRPF. CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: Fl. 233DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10920.002427/200456 Acórdão n.º 9202002.715 CSRFT2 Fl. 119 7 I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. Assim, para que haja incidência do IRPF é absolutamente necessário que se demonstre que a verba em questão configurase como aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de acréscimo patrimonial não oriundo do capital, do trabalho ou de ambos os fatores. No presente caso a verba é intitulada de “indenização” e o motivo para a incidência – repito, expressa no lançamento e no recurso – é que a mesma é paga a todos os servidores e por ter essa generalidade demonstrarseia seu caráter remuneratório. Com todo respeito a quem defende essa posição, discordamos desse entendimento. Indenizar significa, sinteticamente, ressarcir um dano sofrido. Destarte, para que o Fisco desconfigure essa verba como indenização e a configure como renda seria necessária a demonstração de que o sujeito passivo em questão não sofreu dano algum. Não é porque a verba é paga a todos os servidores que há a configuração de renda. Para os servidores que atuam em atividade externa essa verba é uma indenização, pois há ressarcimento de danos (combustível, seguro, etc). Já para os servidores que não atuam em atividades externas essa verba se configuraria como renda, pois não haveria dano a ser ressarcido. Nesse sentido, caberia ao Fisco motivar o lançamento, demonstrando, de forma clara e precisa, que essa parcela possui as características que a definem como renda, como determina o CTN. CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Cabe os Fisco verificar a ocorrência do fato gerador e determinar a matéria tributável, que, no caso, é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda, assim entendido o produto do trabalho, o que, no nosso entender, não ficou demonstrado, razão da negativa do provimento do recurso.. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em NEGAR PROVIMENTO ao recurso da nobre PGFN, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 235DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 14751.001766/2009-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIPS. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A FATOS GERADORES.
Constitui infração a empresa deixar de apresentar ou apresentar incorretamente à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS, conforme art. 32, inciso IV da Lei nº 8.212/91.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212.
Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A multa aplicada deve ser calculada considerando as disposições do artigo 32-A, inciso I, da Lei n.º 11.941/2009.
Recurso Voluntário PROVIDO EM PARTE.
Crédito tributário MANTIDO PARCIALMENTE.
Numero da decisão: 2302-002.763
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que a multa seja calculada considerando as disposições do art. 32-A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009.
Liége Lacroix Thomasi Presidente da Turma.
Juliana Campos de Carvalho Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Bianca Delgado Pinheiro, André Luís Mársico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
Nome do relator: JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ
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GFIPS. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A FATOS GERADORES. Constitui infração a empresa deixar de apresentar ou apresentar incorretamente à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS, conforme art. 32, inciso IV da Lei nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A multa aplicada deve ser calculada considerando as disposições do artigo 32A, inciso I, da Lei n.º 11.941/2009. Recurso Voluntário PROVIDO EM PARTE. Crédito tributário MANTIDO PARCIALMENTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 17 66 /2 00 9- 70 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI 2 ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que a multa seja calculada considerando as disposições do art. 32A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009. Liége Lacroix Thomasi – Presidente da Turma. Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Bianca Delgado Pinheiro, André Luís Mársico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva e Juliana Campos de Carvalho Cruz. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 14751.001766/200970 Acórdão n.º 2302002.763 S2C3T2 Fl. 215 3 Relatório Tratase o Auto de Infração de penalidade aplicada em face do contribuinte em decorrência da inobservância, no período de 05/2007, à norma disposta no art. 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91 a qual impõe a obrigatoriedade da empresa informar corretamente à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS. De acordo com o relatório fiscal (fls. 09), a entidade declarava em GFIP o código do FPAS nºs 566 e 639, ao invés de declarar o FPAS nº 515. Na ocasião, foi aplicada a multa estabelecida no art. 32, §5º, da Lei nº 8.212/91 c/c art. 284, inciso II e art. 373 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 com redação dada pelo Decreto 4.729/03, cujos conteúdos normativos imputam o percentual de 100% (cem por cento) do valor devido relativo à contribuição não declarada. Foi fixada a multa no montante de R$ 13.291,80 (treze mil, duzentos e noventa e um reais e oitenta centavos). Cientificado do lançamento em 17/07/2009 (fls. 290), o sujeito passivo apresentou impugnação, tempestiva, alegando: a) Que no início das suas atividades, por equívoco, declarava erroneamente o código FPAS; b) Nada obstante as tentativas de corrigir as falhas na declaração, antes mesmo da lavratura do auto de infração, as informações prestadas no programa SEFIP e transmitidas à Receita Federal não chegaram como deveriam; c) Retificou, no exercício de 2007, todos os códigos FPAS incorretamente lançados, porém, não obteve êxito na sua transmissão; d) Que o autuante já imputou penalidade nos mesmos termos que ora estabelece nos autos de infração nºs 37.215.6380 e 37.215.6398, incorrendo em erro e dupla cobrança sobre o mesmo fato, o que é vedado pela legislação pátria. e) Ao final, pleiteou a improcedência do lançamento. Encaminhados os autos à DRJ/REC, os membros da 7ª Turma julgaram improcedente a impugnação. Intimado (fls. 113/114), apresentou Recurso Voluntário ratificando os argumentos expostos na Impugnação. É o relatório. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI 4 Voto Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora. Protocolada a petição dentro do prazo conferido pela legislação, passo à análise das questões suscitadas. Tratase o Auto de Infração de penalidade aplicada em face do contribuinte em decorrência da inobservância, no período de 05/2007, à norma disposta no art. 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91 a qual impõe a obrigatoriedade da empresa informar corretamente à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS. A multa aplicada teve origem no artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. A lei, da época, ao tipificar a penalidade do contribuinte que deixasse de informar corretamente à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS, fixava uma multa no percentual de 100% (cem por cento) do valor devido relativo à contribuição não declarada, vejamos: "Art. 32. A empresa é também obrigada a: ... IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; ... § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior." Posteriormente, com a edição da MP nº 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/09, foi acrescentado à Lei nº 8.212/91 o art. 32A beneficiando o sujeito passivo, vejamos: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será Fl. 124DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 14751.001766/200970 Acórdão n.º 2302002.763 S2C3T2 Fl. 216 5 intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” A partir de então (03.12.2008 – data da publicação da MP nº 449), o contribuinte foi beneficiado com a redução da multa. Se antes era fixado um percentual de 100% sobre o valor devido a título de contribuição não declarada (art. 32, §5º, da Lei 8.212/91 c/c art. 284, inciso II, do Decreto nº 3.048/99 (RPS), posteriormente foi reduzido ao montante de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas (art. 32A, inciso I, da Lei nº 8.212/91 com redação dada pela Lei nº 11.941/09). Sendo a Lei nº 11.941/09 mais benéfica ao contribuinte, ainda que posterior ao fato gerador (2007), admite o Código Tributário Nacional em seu art. 106, inciso II, alínea “c”, aplicação retroativa da norma. Vide: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: ... c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Grifo nosso Fl. 125DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI 6 Por todo o exposto, CONHEÇO o Recurso Voluntário e dou parcial provimento, aplicando a retroatividade benigna da norma, com escopo no art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN, de modo a incidir a multa prevista na norma no art. 32A, inciso I da Lei nº 8.212/91 afastando quaisquer outras. É como voto. Sala das Sessões, 18 de Setembro de 2013 Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora Fl. 126DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI
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Numero do processo: 10820.003093/2008-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2202-000.526
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Pedro Anan Junior, Fabio Brun Goldschmidt, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Maria Lucia Moniz de Aragão Calomino Astorga.
Nome do relator: Não se aplica
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1265; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 414 1 413 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10820.003093/200890 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2202000.526 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 13 de agosto de 2013 Assunto IRRF Recorrente UNIMED DE LINS COOPERAT. TRABALHO MEDICO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Pedro Anan Junior, Fabio Brun Goldschmidt, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Maria Lucia Moniz de Aragão Calomino Astorga. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 20 .0 03 09 3/ 20 08 -9 0 Fl. 414DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10820.003093/200890 Resolução nº 2202000.526 S2C2T2 Fl. 415 2 Relatório 1 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO A recorrente, cooperativa de trabalho médico, realizou pedido de compensação de IRRF a pagar com IRRF retido quando do recebimento de pagamentos de seus segurados pelos planos de saúde. Tal pedido foi realizado por meio de PER/DCOMP (fls. 0310 do e processo) relativa ao período de setembro de 2003. O total do crédito pleiteado foi de R$ 4.309,49. 2 DESPACHO HOMOLOGATÓRIO O pleito da recorrente foi analisado pelo Fisco (fls. 5152 do eprocesso), que emitiu despacho homologatório (fls. 5354 do eprocesso) acolhendo parcialmente o pedido. O fundamento para a negativa de parte dos créditos pleiteados foi a divergência entre os valores declarados a título de retenção sofrida e os valores declarados pelos segurados em suas DIRF’s. 1) RECONHECER o direito creditório da interessada, no montante de R$ 3.060,96, referente ao IRRF retido na fonte por pessoas jurídicas em razão de serviços prestados por profissionais médicos associados à cooperativa de trabalho, no mês de agosto de 2003; e 2) HOMOLOGAR EM PARTE a Declaração de Compensação que constitui o objeto do presente processo, por ter sido demonstrada a inexistência parcial dos créditos relativos à retenção do IRRF, pelas beneficiárias da prestação de serviços de assistência médica pela requerente, conforme segue: Débito P. A. Vencimento Valor R$ IRRF (0588) — parte 3ª semana 09/2003 24/09/2003 2.910,00 Desse modo, remanesceu o saldo devedor de R$ 1.388,49, o qual deveria ser pago pela recorrente ou compensado com outros créditos. 3 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE A recorrente contestou o despacho emitido pela Fazenda, mediante apresentação de manifestação de inconformidade (fls. 7173 do eprocesso) alegando que as retenções foram efetivamente realizadas, e que não pode ser responsabilizada pelos erros de declaração de seus contratantes. Para comprovar a inconformidade das DIRF’s apresentadas pelas fontes pagadoras, apresentou tabela comparativa (fl. 152 do eprocesso) e faturas dos valores recebidos (fls. 153183 do eprocesso). 4 ACÓRDÃO DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE A 5ª Turma da DRJ/POR acordou (fls. 186190 do eprocesso), por unanimidade de votos, pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada. O fundamento Fl. 415DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10820.003093/200890 Resolução nº 2202000.526 S2C2T2 Fl. 416 3 para negar provimento à peça impugnatória da recorrente foi a falta de comprovação da efetividade e da natureza de cada operação. A Turma entendeu que as provas necessárias eram as notas fiscais das operações e o registro contábil do recorrente, de modo que os documentos apresentados foram considerados insuficientes para a comprovação dos fatos necessários. 5 RECURSO VOLUNTÁRIO Ciente do acórdão em 14/09/11, a recorrente apresentou Recurso Voluntário tempestivo, em 30/09/11, reiterando os argumentos da manifestação de inconformidade, acrescentando: a) enquanto sociedade civil, a recorrente está autorizada a emitir faturas, nos termos do art. 20 da Lei nº 5.474/68. Tal fatura deve discriminar a natureza dos serviços prestados, e dessa forma deve servir à comprovação dessa natureza; b) apresenta cópia da conta que registra as retenções sofridas no livro razão analítico (fls. 203412 do eprocesso), e pede a baixa dos autos em diligência para verificar a idoneidade dos crédito utilizados por meio de prova pericial, É o relatório Fl. 416DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10820.003093/200890 Resolução nº 2202000.526 S2C2T2 Fl. 417 4 Voto Conselheiro Relator Rafael Pandolfo A recorrente apresentou recurso voluntário com o fim de reforma de decisão que considerou improcedente a compensação pleiteada por meio de PER/DCOMP para período do ano de 2003. O fundamento da decisão foi a falta de comprovação da efetividade da retenção sofrida. Após extensiva análise dos documentos apresentados, constatouse que i) as duplicatas apresentadas conferem com o relatado no pedido de compensação; ii) estão faltando as páginas 152 a 186 do Livro Razão, na qual estariam presentes as contas de diversas pessoas jurídicas responsáveis por parte das retenções efetuadas, como, por exemplo, Promilat Ind. e Comércio de Laticínios, Prefeitura de Municipal de Sabino e Prefeitura Municipal de Pongai. Desse modo, conjugando a plausibilidade das alegações e comprovações existentes com a prudência indispensável nas declarações que implicam extinção do direito subjetivo da Fazenda, entendo que o feito deve ser convertido em diligência, materializada nas seguintes ações: a) intimação do contribuinte, para que apresente cópia integral do livro “razão auxiliar de clientes”, de modo a corrigir a falha da prova apresentada; b) solicitação à Fiscalização para que confronte os valores contidos nas duplicatas (fls. 167187 e 189209 do eprocesso) com os lançados no Livro Razão a ser apresentado pelo contribuinte, de modo a verificar se todos os valores apresentados a título de retenção sofrida estão devidamente comprovados por esses documentos. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 417DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por RAFAEL PANDOLFO
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Numero do processo: 10166.911735/2009-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DO CONTRIBUINTE. CONFERÊNCIA ELETRÔNICA. RETIFICAÇÃO DA DCTF A DESTEMPO. OBSTÁCULO. INEXISTÊNCIA. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA.
Deve ser verificada a procedência do pedido de compensação fundado em direito de crédito recusado exclusivamente com base em cotejo eletrônico das informações prestadas pelo contribuinte na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, desde que essa tenha sido retificada, ainda que extemporaneamente.
Não há que se falar em preclusão do direito de apresentação de provas em fase recursal quando tenha sido dada ciência ao requerente da necessidade de instrução do processo apenas por ocasião da decisão de primeira instância.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3102-001.959
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro José Fernandes do Nascimento votou pelas conclusões.
(assinatura digital)
Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Relator
EDITADO EM: 23/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Helder Massaaki Kanamaru.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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CRÉDITO DO CONTRIBUINTE. CONFERÊNCIA ELETRÔNICA. RETIFICAÇÃO DA DCTF A DESTEMPO. OBSTÁCULO. INEXISTÊNCIA. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. Deve ser verificada a procedência do pedido de compensação fundado em direito de crédito recusado exclusivamente com base em cotejo eletrônico das informações prestadas pelo contribuinte na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, desde que essa tenha sido retificada, ainda que extemporaneamente. Não há que se falar em preclusão do direito de apresentação de provas em fase recursal quando tenha sido dada ciência ao requerente da necessidade de instrução do processo apenas por ocasião da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro José Fernandes do Nascimento votou pelas conclusões. (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro – Presidente (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 91 17 35 /2 00 9- 78 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA 2 EDITADO EM: 23/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Helder Massaaki Kanamaru. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de despacho decisório eletrônico (fl. 21), no qual a autoridade fiscal competente não homologou a Dcomp nº 31447.90040.160307.1.3.040108 porque o pagamento (R$ 2.400.000,00) relativo ao DARF, ali discriminado, foi integralmente utilizado para quitação de débito da contribuinte, apurado em 31/05/2006. A contribuinte tomou ciência do despacho decisório em 20/10/2009 (AR – fl. 39). Inconformada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 1 a 3) em 30/10/2009, na qual transcreve os fatos, faz demonstrativos e argumenta, em síntese, o seguinte: em 06/05/2009 enviou DCTF retificadora na qual foi realizada abertura de crédito (R$ 400.577,45) disponível para compensação, porque o débito de Cofins devido no mês de maio/2006, é de R$ 1.999.422,55 e não de R$ 2.400.000,00, como havia declarado; resta claro que o crédito de R$ 211.180,56 existe de fato, pois faz parte do crédito demonstrado de R$ 400.577,45; quando da compensação realizada em março/2007, o crédito não se limitava a R$ 211.180,56, mas atualizado pela Selic já alcançava a cifra de R$ 231.327,19. No pedido, requer seja reconhecido o crédito relativo ao valor principal de R$ 211.180,56, atualizado para R$ 231.327,19, bem como homologada a declaração de compensação – DCOMP. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2007 Compensação Pagamento indevido Cofins A compensação de débitos tributários somente poderá ser autorizada pela autoridade fiscal competente com crédito liquido e certo do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Retificação de DCTF Só é admissível mediante a comprovação do erro em que se funde, e antes de notificação do ato fiscal. Logo, a retificação de DCTF, por si só, não é prova suficiente para provar a liquidez e certeza do crédito utilizado no Per/Dcomp. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10166.911735/200978 Acórdão n.º 3102001.959 S3C1T2 Fl. 3 3 Reitera que o crédito de Cofins que pretende utilizar para compensação com débito da mesma Contribuição decorre de pagamento a maior realizado no mês de maio de 2006. Que apresentou a DCTF retificadora, de tal sorte que “a composição correta do crédito após abertura em DCTF é de R$ 400.577,45”. Acrescenta que, a título de comprovação da existência do crédito, acostou à Manifestação de Inconformidade o DARF correspondente ao mês de maio de 2006, a DCTF retificadora, o recibo da DCTF retificadora e as duas PerdComp relacionadas ao assunto. Mais tarde, formalizou pedido de juntada aos “autos de outros documentos – já então disponíveis à DRJ – BSB capazes de reforçar ainda mais a comprovação” da efetiva existência do crédito, documentação desconsiderada, segundo sustenta, pela decisão de piso. Noutro vértice, requer a declaração de nulidade do Despacho Decisório, contrário à Portaria MF nº 125/09, artigo 283, por ter sido assinado por AuditorFiscal que não exerce ao cargo de Delegado da Receita Federal do Brasil. A seguir, discorre sobre a regularidade do procedimento da compensação pleiteada e acrescenta, Nesta oportunidade, a ora Recorrente apresenta novamente os seguintes documentos: as Contas do Livro Razão (doc. 02); as planilhas demonstrativas do saldo a pagar de COFINS e da COFINS recolhida no período objeto dos autos (doc. 03); Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – DACON, bem como o DACON – ANALÍTICO (doc. 04), que expõe minuciosamente a composição da base de cálculo da COFINS. Menciona os princípios da formalidade moderada e da verdade material como fonte doutrinária para o suporte do direito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso Voluntário. As decisões desta Turma de Julgamento nos processos que versam sobre o direito à repetição do indébito, ressarcimento ou compensação recusado na instância a quo pela falta de retificação ou retificação extemporânea da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF têm sido tomadas partindose da premissa de que a correção pode ser feita mesmo depois do Despacho Decisório, desde que a contribuinte apresente as provas do direito reclamado. No caso concreto, embora a retificação tenha ocorrido em momento posterior à ciência do Despacho Decisório, contrariando a legislação de regência, a fundamentação contida na decisão recorrida referese à necessidade de comprovação da liquidez e certeza do crédito compensado na Dcomp como razão para o indeferimento da impugnação interposta pela parte, se não vejamos. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA 4 Neste momento processual, para comprovar a liquidez e certeza do crédito compensado na Dcomp, a manifestante deveria ter trazido aos autos a sua escrituração contábil e fiscal mantida com observância às disposições legais, acompanhada por documentos hábeis, conforme previsto no art. 923 do RIR/99, verbis: Art. 923.A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º). Como a manifestante não apresentou nos autos seus registros contábeis e fiscais acompanhados de documentação hábeis não há como reconhecer o crédito reclamado e, em consequência, homologar a declaração de compensação. Em sede de Recurso Voluntário, a empresa apresenta diversos documentos com os quais entende fazer prova do direito reclamado. Quanto a isso, fundamental compreender que não há qualquer razão para que se fale em preclusão do direito à apresentação das provas no caso concreto. Com efeito, não é difícil perceber que a motivação original para a não homologação da compensação apresentada pela parte refere exclusivamente a alocação integral do crédito informado a débitos declarados em DCTF, situação da qual não haveria mesmo que se esperar outra coisa além dos esclarecimentos prestados pelo contribuinte no momento da apresentação da Manifestação de Inconformidade, com os quais, supunha, poderia contornar o entrave que impedia a compensação. Em outras palavras, apenas com ciência da decisão de primeira instância foi que o administrado obteve pleno conhecimento da outra providência que precisava adotar para reconhecimento da existência do crédito, qual fosse, a apresentação de documentos capazes de demonstrar o erro nas informações inicialmente prestadas. Fêlo aqui, em fase recursal. Noutro giro, temse a argüição de nulidade do Despacho Decisório. Compulsando os autos, confirmase à folha 21 do Processo a assinatura de servidor identificado apenas do AuditorFiscal, sem qualquer tipo de delegação de competência. Contudo, conforme prescrito na legislação que regula o Processo Administrativo Fiscal, a nulidade não deve ser declarada quando for possível julgar no mérito favoravelmente ao sujeito passivo. Ainda que aqui não estejamos tratando de uma decisão definitiva, pareceme não fazer nenhum sentido decidir pelo acolhimento da preliminar de nulidade ou mesmo pela conversão do julgamento em diligência, antes que seja possível avaliar a procedência do pedido no mérito. VOTO pelo parcial provimento Recurso Voluntário, para que o Processo retorne à Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte e sejam examinadas as provas carreadas aos autos e julgado no mérito o direito requerido, resguardado o direito ao contraditório e julgamento da lide em primeiro e segundo graus da decisão que vier a ser tomada. Sala de Sessões, 25 de julho de 2013. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 128DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10166.911735/200978 Acórdão n.º 3102001.959 S3C1T2 Fl. 4 5 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 13653.000996/2008-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. RENDIMENTOS DE DEPENDENTE. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO.
Comprovado nos autos que os rendimentos tributáveis omitidos objeto da autuação foram auferidos por dependente que não apresentou declaração de ajuste anual do imposto de renda, correto está o lançamento.
DECLARAÇÃO DE AJUSTE. RETIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Não é possível a retificação da Declaração de Ajuste no bojo do processo de impugnação, após a notificação de lançamento e sem a apresentação de provas de erro material.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-002.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Relator.
EDITADO EM: 19/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Gonçalo Bonet Allage, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka e Celia Maria de Souza Murphy.
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. RENDIMENTOS DE DEPENDENTE. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Comprovado nos autos que os rendimentos tributáveis omitidos objeto da autuação foram auferidos por dependente que não apresentou declaração de ajuste anual do imposto de renda, correto está o lançamento. DECLARAÇÃO DE AJUSTE. RETIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não é possível a retificação da Declaração de Ajuste no bojo do processo de impugnação, após a notificação de lançamento e sem a apresentação de provas de erro material. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Relator. EDITADO EM: 19/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Gonçalo Bonet Allage, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka e Celia Maria de Souza Murphy.
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RENDIMENTOS DE DEPENDENTE. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Comprovado nos autos que os rendimentos tributáveis omitidos objeto da autuação foram auferidos por dependente que não apresentou declaração de ajuste anual do imposto de renda, correto está o lançamento. DECLARAÇÃO DE AJUSTE. RETIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não é possível a retificação da Declaração de Ajuste no bojo do processo de impugnação, após a notificação de lançamento e sem a apresentação de provas de erro material. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 3. 00 09 96 /2 00 8- 86 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 EDITADO EM: 19/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Gonçalo Bonet Allage, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka e Celia Maria de Souza Murphy. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls.57/59) interposto em 20 de junho de 2011 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) (fls.63/66), do qual o Recorrente teve ciência em 15 de junho de 2011, fls.56, que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 07/11, lavrado em 08 de setembro de 2008, em decorrência de dedução indevida com dependentes e omissão de rendimentos, em sua declaração de ajuste anual, exercício 2006, constituindose um imposto suplementar no valor de R$ 2.672,25 mais cominações legais. O acórdão teve a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2006 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEDUÇÃO. DEPENDENTES. Considerase não impugnada a matéria contra a qual o contribuinte não apresenta óbice. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPENDENTE. Os rendimentos tributáveis recebidos pelos dependentes devem ser somados aas rendimentos do contribuinte para efeito de tributação na declaração. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA. JUROS. INFRAÇÃO OBJETIVA. Nos lançamentos de ofício, a aplicação da multa de ofício e a incidência de juros de mora sobre a parcela do tributo não paga no vencimento, foi estabelecida por lei e independe da existência de boafé por parte do contribuinte, pois a infração é do tipo objetiva. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de primeira instância em 15/06/2011 (fl.56), o contribuinte apresentou, em 20/06/2011, o recurso de fls. 57/159, onde tão somente, no que se refere à omissão de rendimentos de dependente, nesse caso a esposa, reitera alegações suscitadas perante o juízo à quo. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 79, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13653.000996/200886 Acórdão n.º 2101002.252 S2C1T1 Fl. 81 3 Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Alega o recorrente que, por erro, lançou como dependente sua esposa, cujos rendimentos auferidos pela mesma não foram informados na Declaração de Ajuste, relativa ao exercício de 2006 e, ainda que não teve intenção de lesar o fisco. Deste modo, não houve qualquer contestação quanto ao efetivo recebimento dos valores pela dependente do Recorrente. Compulsandose os autos podemos observar que na DIRPF (fls. 21/23) do recorrente, além de constar sua esposa como dependente, houve a dedução relativa a esta dependente, donde se conclui que não houve um simples erro de preenchimento. Ademais, se o contribuinte optou por declaração mais onerosa, seja por desconhecer o fato de que seria mais econômico não incluir sua dependente nas declarações, ou por qualquer outro motivo, é dever manter tal declaração; posto que o contribuinte tem a sua disposição ampla gama de informações sobre as formas de declarações. Vejase o seguinte trecho extraído do Perguntas e Respostas do exercício de 2005, editado pela Receita Federal do Brasil: DEPENDENTES 314 Quem pode ser dependente de acordo com a legislação tributária? Podem ser dependentes, para efeito do imposto de renda: 1 companheiro(a) com quem o contribuinte tenha filho ou viva há mais de 5 anos, ou cônjuge; (...) O fato de os dependentes receberem no anocalendário rendimentos tributáveis ou não, não descaracteriza essa condição, desde que tais rendimentos sejam somados aos do declarante. (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35; RIR/1999, art. 77, § 1º; IN SRF nº 15, de 2001, art. 38) Dispõe o artigo 38, § 8º, da Instrução Normativa SRF nº 15/2001: § 8º Os rendimentos tributáveis recebidos pelos dependentes devem ser somados aos rendimentos do contribuinte para efeito de tributação na declaração As instruções de preenchimento da Declaração Anual de Ajuste, exercício 2006, esclarece: “Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Jurídicas PELOS DEPENDENTES Preenchimento Fl. 82DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 As informações desta ficha são obtidas do comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora. Informe o número de inscrição no CPF do dependente, o nome da fonte pagadora, o número de inscrição no CNPJ, o valor dos rendimentos tributáveis recebidos, a contribuição previdenciária oficial, o imposto retido na fonte e o 13º salário.” É de se concluir que, comprovado que a dependente do Recorrente auferiu rendimentos no anobase de 2005, e que tais rendimentos não foram ofertados à tributação pelo mesmo, ou por sua dependente em declaração própria, correto está o lançamento. Quanto a possibilidade de retificação de declaração é de se esclarecer que a retificação, nos termos do Código Tributário Nacional, por iniciativa do próprio declarante, só pode ser realizada antes da notificação de lançamento, e mediante a comprovação de erro, in verbis: Art. 147 do CTN § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou excluir tributo, só é admissível mediante comprovação de erro que se se funde, e antes de notificado o lançamento. Ressaltese que a Declaração relativa ao exercício de 2008 fora entregue espontaneamente em 10 de agosto de 2008, fato possível em razão da inexistência de lançamento de ofício alusivo ao exercício citado, plausibilidade essa regulamentada pelo artigo 832, caput, do RIR/99. Ademais não há prova nos autos do erro de informação na declaração de ajuste do Recorrente. Por todo o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator Fl. 83DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10480.725146/2012-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 29 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2301-000.363
Decisão: Assunto: Contribuições Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2009
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira Presidente
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Mauro Jose Silva, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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decisao_txt : Assunto: Contribuições Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2009 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Mauro Jose Silva, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes.
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Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – Presidente (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Mauro Jose Silva, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .7 25 14 6/ 20 12 -1 0 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 22/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10480.725146/201210 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301 003.363 S2C3T1 Fl. 81 2 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa PROVIDER SOLUÇÕES TECNOLÓGICAS LTDA. contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte e manteve débito tributário referente ao período de 01/06/2007 a 31/12/2009, inclusive 13º. 2. Conforme consta no relatório fiscal ff. 65/72, o auto de infração DEBCAD 37.120.7037 foi lavrado em razão do parcial recolhimento patronal de contribuições previdenciárias devidas ao Grau de Incidência Laborativa Decorrente de Riscos ambientais do Trabalho – GILRAT, sobre total das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e trabalhadores individuais, constituindo parte deste débito a empresa matriz, CNPJ 01.159.435/000146 e a sua filial, CNPJ 01.159.435/000570. 3. Em tempo, o fisco formalizou a Representação Fiscal para Fins Penais, uma vez que, durante o procedimento fiscalizatório, teria verificado fatos que, em tese, configurariam a prática de ilícito previsto nas legislações previdenciária e penal, como se constata às ff. 2 e 3 do apenso I, processo 10480.721443/201016. 4. A empresa, após ter sido devidamente intimada, impugnou o lançamento tempestivamente às ff.787/803. Ao analisar os argumentos constantes na peça impugnatória, a primeira instância administrativa decidiu, por unanimidade de votos, considerála IMPROCEDENTE, mantendo o crédito tributário exigido (ff. 879/856), nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2009 SAT/RA. ATIVIDADE PREPONDERANTE. AUTOENQUADRAMENTO. CONTRIBUIÇÕES É de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, entendida como aquela que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. Assim, são devidas as contribuições de acordo com a atividade preponderante declarada pela empresa em GFIP. SAT/RAT. ATIVIDADES. CESSÃO DE MÃODEOBRA. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com o RPS, a cessão de mãodeobra não é considerada uma atividade para fins de apuração do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, caracterizando se como uma forma de prestação dos serviços. Assim, devese demonstrar a atividade a que efetivamente estão vinculados os obreiros para a verificação do correspondente grau de risco. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2009 DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 22/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10480.725146/201210 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301 003.363 S2C3T1 Fl. 82 3 Diligências e perícias não são meios próprios para a comprovação de fatos que possam ser conhecidos mediante mera apresentação de documentos, cuja guarda e conservação compete ao contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 5. A intimação dessa decisão foi realizada em 29 de março de 2012 (f. 891). Porém, antes da interposição recursal pelo contribuinte, consta nos autos (f. 894), em 05 de abril de 2012, o Despacho e Encaminhamento ao setor de parcelamento para procedimentos cabíveis quanto ao fato de o DEBCAD 37.120.7037, discutido neste processo administrativo, ser ou não objeto de parcelamento, pois, no sistema constam o seu pedido e a sua inclusão ao parcelamento em 26 de novembro de 2011(f. 893). 6. Em resposta, o Despacho às f. 910 ratifica o parcelamento do débito em comento (documentos ff. 896/900 e 905/909) e informa a regularidade do pagamento das parcelas até junho de 2012, tendo em vista que o restante ainda estava a vencer. 7. O contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo às ff. 912/927, ressaltando que, no decorrer deste processo administrativo, desistiu de discutir as competências outrora impugnadas de 06/2007 a 10/2008, por ter inserido os débitos desse período no programa de parcelamento criado pela Lei 11.941/09, sem, todavia, reconhecer o suposto débito tributário restante. Além disso, solicitou, em síntese: Em preliminar: a) reconhecimento de nulidade do auto de infração e do respectivo procedimento de fiscalização, pois estariam eivados de vícios formais graves, sendo impossível seu refazimento em instância administrativa de julgamento; b) nulidade do auto de infração lavrado em desfavor do estabelecimento filial, pois não houve mandado de procedimento fiscal que autorizasse a fiscalização pelo auditor; c) nulidade do auto de infração contra a matriz e a filial, pois, para apuração da atividade econômica preponderante da empresa não poderiam ser consideradas as atividades da filial, ser medida pela c) nulidade do acórdão por ter indeferido o pedido de prova pericial solicitada na impugnação, carreando em cerceamento de defesa; c) no mérito, não se pode exigir débito tributário de filial à empresa matriz, pois possuem CNPJs distintos, sendo cada estabelecimento autônomo e passível, individualmente, de fiscalização; c) o estabelecimento filial foi tributado indevidamenteo tributo em comento não incide sobre os valores pagos a título de ajuda escolar, destinada a adolescente até 14 (quatorze) anos de idade, pois a lei veda sua integração ao saláriodecontribuição; Fl. 82DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 22/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10480.725146/201210 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301 003.363 S2C3T1 Fl. 83 4 d) a inconstitucionalidade da imposição de multa progressiva, porquanto essa teria natureza confiscatória, por ter sido aplicada desproporcionalmente, sendo uma majoração do tributo; e) subsidiariamente, se persistir o lançamento, que a multa aplicada seja recalculada de forma menos gravosa ao contribuinte. 8. Sem contrarrazões fiscais, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Voto 1. Compulsando os autos, verifico que houve mais um apensamento, o processo 10480.725146/201210. Nele foi apresentado o recurso voluntário interposto contra decisão proferida na lide principal (10480.721429/201012), posteriormente juntado, trazendo, pela primeira vez, a informação pelo contribuinte recorrente que nem todo o débito constante no DEBCAD 37.120.7037 foi parcelado. 2. A autoridade administrativa atentouse para essa afirmação do recorrente, porém informa que o sistema próprio do fisco consta a totalidade do débito no programa de parcelamento, sendo inviável sua alteração em 2012, mas seria possível em 2013. 3. Diante da incerteza de quais débitos foram efetivamente objeto de parcelamento, verifico a necessidade de diligência para o saneamento dessa dúvida, em respeito ao princípio constitucional da segurança jurídica à decisão que será proferida por este Conselho. 4. Assim, converto o julgamento em diligência a fim de que o agente tributário informe se há débito remanescente relativo ao DEBCAD 37.120.7037 ou se ele foi parcelado em sua totalidade. 5. Após esse procedimento, dêse vista do resultado da diligência ao contribuinte para que, no prazo de 30 dias, caso queira, manifestese sobre o documento produzido pelo fisco. Conclusão 6. Por todo o exposto, remeto os autos à primeira instância para: a) juntada do documento próprio que declare quais débitos, integrantes do DEBCAD 37.120.7037 discutido no processo 10480.721429/201012 foram verdadeiramente objeto de parcelamento e b) juntada das peças que ensejaram o processamento dos autos do processo 10480.725146/201210 (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 83DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 22/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 13639.000600/2010-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010
Ementa:
CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA INCIDENTES SOBRE A
REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS.
A empresa deve recolher as contribuições previdenciárias a seu cargo, incidentes sobre a remuneração de segurados contribuintes individuais.
CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. CRITÉRIO CUB.
A recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua
apresentação deficiente, consubstancia-se motivo justo, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, com base na área construída e no padrão da obra, da remuneração da mão-de-obra empregada na execução de obra de construção civil, mediante a utilização das tabelas do Custo Unitário Básico CUB, divulgadas mensalmente pelos Sindicatos da
Indústria da Construção Civil-SINDUSCON, cabendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário.
TERCEIROS
São devidas as contribuições arrecadadas para as terceiras entidades, FNDE, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados.
Numero da decisão: 2302-002.223
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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A empresa deve recolher as contribuições previdenciárias a seu cargo, incidentes sobre a remuneração de segurados contribuintes individuais. CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. CRITÉRIO CUB. A recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, consubstanciase motivo justo, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, com base na área construída e no padrão da obra, da remuneração da mãodeobra empregada na execução de obra de construção civil, mediante a utilização das tabelas do Custo Unitário Básico CUB, divulgadas mensalmente pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil SINDUSCON, cabendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. TERCEIROS São devidas as contribuições arrecadadas para as terceiras entidades, FNDE, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 LIEGE LACROIX THOMASI Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR RELATOR Relator. EDITADO EM: 22/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: presentes LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ARLINDO DA COSTA E SILVA, ADRIANA SATO, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, PAULO ROBERTO LARA DOS SANTOS. Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) relativo às contribuições previdenciárias da empresa para outras entidades [INCRA, SEBRAE, SESI e SENAI], vinculadas à obra própria de construção civil, matrícula CEI 50.024.34348/76. Conforme relatório fiscal fls. 10/14, na análise da contabilidade da empresa verificouse a ausência de lançamentos contábeis referentes à matrícula da obra e, por conseguinte, que a escrituração contábil da empresa não merecia fé e não registrava com fidelidade a real situação de seus negócios. Por esta razão, o valor foi apurado por meio de aferição indireta, com fundamento no art. 33, §4º da Lei n. 8.212/91, tendo sido obtido por meio de Aviso de Regularização de Obra (ARO), de 26/10/2010, utilizando o Custo Unitário Básico (CUB), divulgado pelo Sindicato as Indústrias da Construção Civil (SINDUSCON). Cientificado da autuação em 26/11/2010, o Contribuinte apresentou impugnação [fls. 42/73] que, em síntese, alega: (i) O lançamento por aferição indireta não deve prosperar, pois, apesar de lançamentos contábeis referentes à obra ter se dado em razão da perda de documentos correspondentes ao período de 01/2005 a 12/2008 em virtude de enchentes em Cataguases em 2007 e 2008, em 02/01/2009, foi apresentado documento com elemento suficientes para apuração do valor real da base de cálculo da contribuição previdenciária; (ii) diante do caso fortuito, deve ser excluída a responsabilidade da impugnante quanto às divergências encontradas, devendo o lançamento ser anulado; e (iii) alternativamente, pugna pela atenuação da penalidade imposta, visto não ter a impugnante incorrido em reincidência e a inexistência de circunstância agravante pelo que a multa deve ser reduzida ao seu valor mínimo. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 13639.000600/201001 Acórdão n.º 2302002.223 S2C3T2 Fl. 2 3 Em 01/06/2011, a 5ª Turma da DRJ em Juiz de Fora prolatou acórdão que julgou procedente a autuação [fls. 83 e ss]. Intimado do decisum em 14/07/2011 [fl. 88], o sujeito passivo interpôs recurso voluntário tempestivo [15/08/2011] que reitera os argumento de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Sendo tempestiva a interposição e preenchidos os demais requisitos para conhecimento da peça recursal, passo ao exame das questões de mérito. 1 NULIDADE – NÃO ACOLHIMENTO O lançamento, como ato de aplicação do direito, envolve a interpretação da lei, a caracterização do fato previsto na hipótese normativa e a sua ulterior subsunção no tipo legal. Tal procedimento tributário tem por fito nuclear a investigação dos fatos tributários, com o intuito de prova e caracterização [XAVIER, Alberto. Do lançamento no direito tributário brasileiro. 3. ed. Rio de Janeiro, Forense, 2005, p. 131.] Ocorre que, por serem submissos à aplicabilidade e observância do princípio da legalidade, com o objetivo de resguardar os interesses dos particulares contra os arbítrios do poder, entretanto, o Direito Tributário e Previdenciário utilizamse, para proceder à investigação e valoração dos fatos, o princípio inquisitório e o da verdade material. Ora, o dever de cumprimento do disposto em lei é um mecanismo de proteção do interesse do administrado, dessa forma, a observância ao princípio da legalidade é ínsita ao ato administrativo, principalmente aquele relativo ao lançamento de crédito tributário. Da leitura do Relatório da Notificação, denotase, de início, que a autoridade fiscal buscou por diversos meios de provas a determinação da realidade do fato previdenciário encontrado, favorecendo, por conseguinte, o contraditório e ampla defesa por parte do sujeito passivo. Não vislumbro a tese de nulidade da autuação, argüida pela recorrente, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; Fl. 104DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. A recorrente foi devidamente intimada de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). Fl. 105DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 13639.000600/201001 Acórdão n.º 2302002.223 S2C3T2 Fl. 3 5 “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. 2 DA AFERIÇÃO INDIRETA A Constituição Federal de 1988 outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários. Constituição Federal de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Imerso nessa ordem constitucional , ao tratar das obrigações tributárias, já no âmbito infraconstitucional, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo Constituinte Originário, o CTN honrou prescrever, com propriedade, a distinção entre as duas modalidades de obrigações tributárias, ad litteris et verbis: Código Tributário Nacional CTN Fl. 106DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (grifos nossos) §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (grifos nossos) As obrigações acessórias, consoante os termos do Diploma Tributário, consubstanciamse deveres de natureza instrumental, consistentes em um fazer, não fazer ou permitir, fixados na legislação tributária, na abrangência do art. 96 do CTN, em proveito do interesse da administração fiscal no que tange à arrecadação e à fiscalização de tributos. No plano infraconstitucional, no que pertine às contribuições previdenciárias, a disciplina da matéria em relevo ficou a cargo da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual fez inserir na Ordem Jurídica Nacional uma diversidade de obrigações acessórias, criadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização das contribuições previdenciárias, sem transpor os umbrais limitativos erguidos pelo CTN. Envolto no ordenamento realçado nas linhas precedentes, o art. 32 da citada lei de custeio da Seguridade Social estatuiu como obrigação acessória da empresa o lançamento mensal, em títulos próprios da contabilidade, de forma descriminada, de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, o montante das quantias descontadas dos segurados, as contribuições a cargo da empresa, bem como os totais por esta recolhidos. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Com efeito, a estrutura normativa dos tributos em geral aponta no sentido de que a sua base de cálculo, em princípio, deve ser apurada com base em documentos do Sujeito Passivo que registrem, de forma precisa, os montantes pecuniários correspondentes a cada hipótese de incidência prevista nas leis de regência correspondentes. Excepcionalmente, nas Fl. 107DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 13639.000600/201001 Acórdão n.º 2302002.223 S2C3T2 Fl. 4 7 ocasiões em que tais documentos não registrarem, na conformidade exata da lei, a totalidade dos fatos jurígenos tributário e o conhecimento fiel dos montantes acima referidos não for viável, o ordenamento jurídico admite o emprego da aferição indireta, transferido aos ombros do sujeito passivo o ônus da prova em contrário. A apresentação deficiente de qualquer documento ou informação assim como a constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, figura como motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário, a teor do permissivo legal encartado nos parágrafos 3º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. (...) §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) (...) §6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) Deve ser trazido à balha que o Código Tributário Nacional reservou de forma privativa a competência do Auditor Fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil para a constituição do crédito tributário, mediante o lançamento, estatuindo expressamente a Fl. 108DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 possibilidade de a respectiva base de cálculo ser apurada mediante aferição indireta sempre que forem omissos ou não merecerem fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado. Código Tributário Nacional CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Com efeito, o art. 37 da Lei nº 8.212/91, com a redação vigente à época da lavratura do presente lançamento, estabelece que, sendo constatado pela fiscalização o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. No caso em apreciação, em atenção ao disposto no relatório fiscal [fls. 10/14], na análise da contabilidade da empresa, a fiscalização verificou a ausência de lançamento contábeis referentes à matrícula da obra e, por conseguinte, que a escrituração contábil da empresa não merecia fé e não registrava com fidelidade a real situação de seus negócios. Citese por relevante que no procedimento de apuração da matéria tributável por arbitramento, valese a Autoridade Fiscal de outros elementos de sindicância que não aqueles documentos assinalados pela lei como adequados ao registro lapidado dos fatos Fl. 109DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 13639.000600/201001 Acórdão n.º 2302002.223 S2C3T2 Fl. 5 9 geradores de contribuições previdenciárias, tais como as folhas de pagamento, GFIP e os Livros Fiscais. Tais elementos podem ser os mais diversos, como, a título meramente ilustrativo, RPA, notas fiscais, Custo Unitário Básico da construção civil, valor de mercado de utilidades recebidas por segurados, custo de mão de obra empregada em serviços de construção civil, dentre outros. Alguns desses critérios de aferição indireta a serem empregados pela fiscalização, nas hipóteses autorizadas pela lei, como é o presente caso, encontramse positivados na legislação previdenciária, ostentando natureza meramente procedimental interna, não interferindo, de maneira alguma, extra muros, eis que não vinculam nem impõem obrigações, de qualquer espécie, aos contribuintes. A abrangência de seus comandos, advirta se, restringese, tão somente, ao critério de apuração indireta das bases de cálculo de contribuições previdenciárias, nada mais. Em outros casos, que não este, tem a fiscalização que buscar outros parâmetros de aferição os mais diversos imagináveis, de molde a construir hipoteticamente o arcabouço substancial da matéria tributável, tendo por alicerce, muita vez, tão somente, o principio da razoabilidade. Usualmente, valese a fiscalização de um critério de analogia da empresa fiscalizada com as demais empresas atuantes no mesmo ramo e que se encontram em situações similares. Muitas outras ocasiões, tem a autoridade fiscal que extrair de outras fontes de informações, tais como previsões contratuais, o montante da base de cálculo do tributo, para determinar o montante devido. No caso em apreciação, tratandose os fatos geradores da remuneração paga a segurados obrigatórios do RGPS empregados em obra de construção civil, a autoridade fiscal procedeu à apuração do valor da mão de obra utilizada valendose das tabelas do Custo Unitário Básico, conforme determinação expressa assentada nos artigos 429 e 435 da IN SRP nº 3/2005. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 429. A aferição indireta da remuneração dos segurados despendida em obra de construção civil sob responsabilidade de pessoa jurídica ou de pessoa física, com base na área construída e no padrão da obra, será efetuada de acordo com os procedimentos estabelecidos no Capítulo IV deste Título. Art. 435. Para a apuração do valor da mãodeobra empregada na execução de obra de construção civil, em se tratando de edificação, serão utilizadas as tabelas do Custo Unitário Básico CUB, divulgadas mensalmente na Internet ou na imprensa de circulação regular, pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil SINDUSCON. §1º Custo Unitário Básico CUB é a parte do custo por metro quadrado da construção do projetopadrão considerado, calculado pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil de acordo com a Norma Técnica nº 12.721, de 2006, da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, e é utilizado para a avaliação dos custos de construção das edificações. (Redação Fl. 110DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 dada pela IN SRP nº 24, de 30/03/2007) (Vide art. 3º da IN SRP nº 24, de 30/04/2007) §2º Serão utilizadas as tabelas do CUB publicadas no mês da apresentação da DISO, referentes ao CUB obtido para o mês anterior. §3º Em relação à obra de construção civil, consideramse devidas as contribuições indiretamente aferidas e exigidas: I na competência de emissão do ARO; II na competência da emissão das notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços, quando a aferição indireta se der com base nestes documentos; III em qualquer competência no prazo de vigência do Mandado de Procedimento Fiscal, quando a apuração se der em AuditoriaFiscal de obra para a qual não houve a emissão do ARO. §4º Serão utilizadas as tabelas do CUB divulgadas pelo SINDUSCON: I da localidade da obra ou, inexistindo estas; II da unidade da Federação onde se situa a obra; III de outra localidade ou de unidade da Federação que apresente características semelhantes às da localidade da obra, caso inexistam as tabelas previstas nos incisos I e II deste parágrafo, a critério da chefia do Serviço/Seção de Arrecadação da DRP circunscricionante da obra. §5º Para obras executadas fora da circunscrição da DRP do estabelecimento centralizador da empresa construtora, serão utilizadas as tabelas divulgadas pelo SINDUSCON ao qual o município a que pertence a obra esteja vinculado ou, inexistindo estas, as tabelas de CUB previstas no inciso II do § 4º deste artigo. O Aviso de Regularização de Obra apresenta as memórias de cálculo utilizadas pela fiscalização para a apuração, mediante arbitramento, da base de cálculo das contribuições previdenciárias objetos do presente lançamento. Tais documentos expõem de forma discriminada as especificações da obra, matrícula, endereço, destinação, natureza, padrão, número de unidades, enquadramento, valor do CUB e área de enquadramento, assim como a apuração das áreas regularizadas pela remuneração contida em GFIP/GPS e em notas fiscais informadas. Conforme já salientado alhures, os procedimentos e metodologias estampados na IN SRP nº 3/2005 possuem âmbito de regência interna corporis, direcionados exclusivamente às autoridades fiscais, instituindo procedimentos para a apuração indireta da base de cálculo nas situações em que os documentos primários de apuração direta não estiverem disponíveis ou não merecerem fé, com assim se revelou o presente caso. Tais procedimentos não vinculam nem impõem obrigações, de qualquer espécie, aos contribuintes. Diante de tal panorama, exsurge a improcedência da alegação recursal de que a fiscalização valeuse do método de aferição indireta, com uso do CUB, ao arrepio da lei, desprezando toda documentação em poder da empresa. Com efeito, tivesse a empresa cumprido, com o devido rigor, as obrigações acessórias impostas pela legislação previdenciária, lançado mensalmente em títulos próprios de Fl. 111DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 13639.000600/201001 Acórdão n.º 2302002.223 S2C3T2 Fl. 6 11 sua contabilidade, de forma discriminada, todos os fatos geradores de todas as contribuições sociais, o montante das quantias descontadas dos segurados, as contribuições a cargo da empresa e os totais recolhidos, e exibidos todos os livros e documentos relacionados com as contribuições previdenciárias previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social, como assim determinam taxativamente os artigos 32 e 33 da Lei nº 8.212/91, os fatos geradores ora em debate teriam sido apurados diretamente desses documentos, sem a necessidade de se enveredar pelo hostil caminho do arbitramento. Mas assim não ocorreu. A recusa e sonegação de documentos formalmente exigidos mediante termo próprio quebrou o mecanismo idealizado pelo legislador ordinário para a apuração ágil e precisa dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, obrigando os agentes fiscais a investigar uma miríade de outros documentos e títulos diversos e genéricos da contabilidade, para a captação dos fatos jurígenos tributários de sua competência, no cumprimento efetivo do seu dever de ofício. Nessas circunstâncias, as omissões perpetradas pelo Recorrente, da estatura das que foram verificadas pela Autoridade Fiscal, frustraram os objetivos da lei, prejudicando a atuação ágil e eficiente dos agentes do fisco, que se viram impelidos a despender uma energia investigatória suplementar na apuração dos fatos geradores em realce, não somente nos documentos suso destacados, mas, igualmente, em outras fontes de informação. Não procede, portanto, a alegação de que a aferição indireta pautouse no valor da obra a apreço de mercado. A apuração indireta da base de cálculo pelo padrão da obra e pela área construída, conforme previsto nos artigos 434 e 435 da IN SRP nº 3/2005, seguiu, justamente, nos termos da legislação previdenciária acima citada, o critério do Custo Unitário Básico, que resulta no arbitramento da remuneração de mãodeobra empregada na execução da obra com base na área construída e no padrão da obra, mediante a utilização das tabelas do Custo Unitário Básico divulgadas mensalmente pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil SINDUSCON. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 434. A apuração por aferição indireta, com base na área construída e no padrão da obra, da remuneração da mãode obra empregada na execução de obra de construção civil sob responsabilidade de pessoa jurídica, inclusive a relativa à execução de conjunto habitacional popular, definido no inciso XXVI do art. 413, quando a empresa não apresentar a contabilidade, será efetuada de acordo com os procedimentos estabelecidos neste Capítulo. Subseção I Custo Unitário Básico (CUB) Art. 435. Para a apuração do valor da mãodeobra empregada na execução de obra de construção civil, em se tratando de edificação, serão utilizadas as tabelas do Custo Unitário Básico CUB, divulgadas mensalmente na Internet ou na imprensa de circulação regular, pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil SINDUSCON. §1º Custo Unitário Básico CUB é a parte do custo por metro quadrado da construção do projetopadrão considerado, calculado pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil de acordo com a Norma Técnica nº 12.721, de 2006, da Associação Fl. 112DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 12 Brasileira de Normas Técnicas ABNT, e é utilizado para a avaliação dos custos de construção das edificações. (Redação dada pela IN SRP nº 24, de 30/03/2007) (Vide art. 3º da IN SRP nº 24, de 30/04/2007) §2º Serão utilizadas as tabelas do CUB publicadas no mês da apresentação da DISO, referentes ao CUB obtido para o mês anterior. Tal conclusão decorre de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, não requerendo do exegeta o dispêndio de energias intelectuais no exame da legislação em abstrato. Nessa perspectiva, conforme expressamente estatuído na lei, não concordando o sujeito passivo com o valor aferido pela Autoridade Lançadora, competelhe, ante a refigurada distribuição do ônus da prova, que lhe é avesso, demonstrar por meios idôneos que tal montante não condiz com a realidade. Nas oportunidades que teve de se manifestar nos autos do processo, o Recorrente não honrou produzir as provas necessárias à elisão do lançamento tributário que ora se edifica. Limitouse a alegar que a fiscalização teria se valido do método de aferição indireta, com uso do CUB, desprezando a documentação em poder da empresa, mas gravitando à distância do núcleo jurídico sensível do qual se irradiaram os fundamentos de fato e de direito que forneceram esteio ao lançamento em debate. Conforme demonstrado, a fiscalização desprezou a documentação da empresa, como assim alega. As provas dos autos revelam que o Recorrente efetivamente subtraiu e sonegou a documentação em relevo. Nesse diapasão, não se mostra suficiente à elisão do lançamento em foco meras e singelas alegações, em sede de recurso, sem que estas venham cortejadas pelos indispensáveis indícios de prova documental a lhes emprestar o sustentáculo material necessário. 3 TERCEIROS Aduz, ainda, a recorrente que as contribuições devidas à Seguridade Social referentes aos FNDE, INCRA, SESI, SENAI e SEBRAE são inconstitucionais, não devendo, portanto, o débito lançado prosperar. Não obstante o bom arrazoado pela empresa, no meu entendimento, o decisum recorrido merece prosperar incólume. Isso porque, a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, especificamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Fl. 113DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 13639.000600/201001 Acórdão n.º 2302002.223 S2C3T2 Fl. 7 13 Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” No mais, o próprio Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e a súmula nº 02 do mesmo órgão trazem a regra proibitiva nesse sentido: Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009 (que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais): “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” “Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Diante do exposto, rejeito as alegações feitas pela empresa no que se refere à inconstitucionalidade. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Fl. 114DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 14 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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