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Numero do processo: 10907.000184/2003-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 07/08/2001
Ementa: MULTA – Emissão de nota fiscal de produtos destinados à exportação. Demonstrada a substituição da nota fiscal, descaracterizando a utilização de nota fiscal sem saída do produto.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-001.164
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO
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Demonstrada a substituição da nota fiscal, descaracterizando a utilização de nota fiscal sem saída do produto. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente. (assinado digitalmente) ÁLVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO Relator. EDITADO EM: 13/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (presidente da turma), Nanci Gama (vicepresidente), Ricardo Paulo Rosa, Mara Cristina Sifuentes e Álvaro Almeida Filho. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 13/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Relatório O recurso voluntário visa a reforma do acórdão nº 1429.374 da 2ª Turma da DRJ/RPO, que entendeu pela improcedência da impugnação ao auto de infração. Observando o relato da decisão recorrida é possível constatar que: Conforme auto de infração de fls. 01/03, o estabelecimento acima qualificado foi autuado para exigência de multa no valor de R$ 20.928,29, igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, pela emissão, fora dos casos permitidos no Decreto n 2 4.544, de 26 de dezembro de 2002, Regulamento do IPI (RIPI), de 2002, de nota fiscal que não corresponda à saída efetiva, de produto nela descrito, do estabelecimento emitente, multa essa tratada no art. 490, inciso II, do referido diploma regulamentar. Segundo a descrição dos fatos de fl. 02, o contribuinte para efetuar Despacho de Exportação emitiu, em 07/08/2001, nota fiscal de saída n° 15, descrevendo o produto: 49.028 m3 de compensado de pinus, qualidade c+/c+, cola WBP, 915 chapas de 440 x 1220 x 18mm. Porém, como não conseguiu embarcar a mercadoria, na mesma data, emitiu a nota fiscal de saída n° 16, com a descrição do mesmo produto para a realização de outro processo de Despacho de Exportação, caracterizando de que foi emitida a nota fiscal, sem a efetiva saída do produto nela descrito. Regularmente cientificado, o interessado apresentou a impugnação de fls. 55/59, alegando que: 1. Emitiu a nota fiscal n° 16 em substituição à nota fiscal n° 15, para corrigir a informação sobre o peso bruto; 2. Espontaneamente, ao amparo do art. 138 do CTN, formalizou a solicitação de cancelamento do Despacho de Exportação anterior; 3. A emissão de nota fiscal para a correção de informação involuntariamente incorreta na nota fiscal n° 15 encontra amparo no art. 179 do Regulamento do ICMS do Paraná; 4. A denúncia espontânea exclui o pagamento de qualquer penalidade. Por fim, requer o cancelamento do auto de infração. Analisada a impugnação ao auto de infração, decidiu a 2ª Turma da DRJ/RPO, pela procedência do lançamento, conforme demonstra ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 07/08/2001 MULTA REGULAMENTAR. A emissão de nota fiscal que não corresponde à saída efetiva de todos os produtos nela descritos, supostamente Fl. 116DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 13/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10907.000184/200317 Acórdão n.º 310201.164 S3C1T0 Fl. 106 3 destinados à exportação, é punida com multa igual ao valor atribuído, na nota fiscal, aos produtos faltantes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão acima a contribuinte apresentou recurso voluntário alegando que: 1) Ao emitir a nota fiscal nº 15 referente a exportação de madeira, indicou erroneamente 26.000Kg (vinte e seis mil quilos gramas) nos campos destinados às informações dos pesos bruto e líquido da mercadoria, quando na verdade deveria ter informado 23.950Kg(vinte e três mil, novecentos e cinquenta quilos gramas); 2) Detectado o erro foi emitida a nota fiscal nº 16 idêntica a nota fiscal nº 15, alterando apenas o peso, sendo consequentemente modificado o registro e o despacho de exportação; 3) Requereu junto a alfândega de Paranaguá o cancelamento do despacho de exportação referente a nota fiscal nº 15, sendo apresentada a o cancelamento da ordem de embarque; 4) Não há como aplicar a sanção prevista no art. 490, inciso II do RIPI, pois a emissão da nota 16 foi apenas para correção da nota anterior, não infringindo o art. 337 dos mesmo regulamento; 5) Descabido o argumento de ausência de provas nos autos quanto a substituição da nota 15 pela 16, pois foram juntado aos autos documentos que demonstram o cancelamento da exportação das mercadorias descrita na nota nº 15; É o relatório. Voto Conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Conheço do presente recurso por ser tempestivo e tratar de matéria de competência da terceira seção. O recurso ora em análise pretende demonstrar que a sanção imposta não é correta, pois não teria ocorrido a emissão de documento fiscal sem a saída da mercadoria e sim a substituição de uma nota por outra. De acordo com a descrição dos fatos presente no auto de infração às fls. 02 dos autos, a autoridade autuante afirma que: O estabelecimento qualificado nesta Auto de Infração emitiu, em 07 de agosto de 2001, com data da saída da mercadoria no dia 08 de agosto de 2001, Nota Fiscal número 015( fl. 17), 49,028 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 13/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 m3 de Compensado de Pinus, qualidade C+/C+, cola WBP, 915 chapas de 2440 x 1220 x 18 mm, com destino à Port au Prince (Haiti), saindo do Porto de Paranaguá (PR). Vinculoua ao Registro de Exportação 01/0875590001, que por sua vez, foi vinculado à Declaração para Despacho de Exportação 2010592256/0. A mercadoria referente a esse Despacho não embarcou, como informa o representante da empresa na folha 08 . No mesmo dia 07 de agosto de 2001, com data de saída da mercadoria para o dia 08 de agosto de 2001, emitiu Nota Fiscal número 016 (fl. 31), 49,028 m3 de Compensado de Pinnus, qualidade C+/C+, cola WBP, 915 chapas de 2440 x 1220 x 18 mm, com destino & Port au Prince (Haiti), saindo do Porto de Paranaguá (PR). Vinculoua ao Registro de Exportação 01/0897756001, que por sua vez, foi vinculado à Declaração para Despacho de Exportação 2010602298/9. Como podese observar, a mercadoria das duas notas fiscais é exatamente a mesma, assim como a data da emissão e da saída da mercadoria. Dessa forma, há fortes indícios de inexistência da efetiva saída de mercadoria quando da emissão da segunda nota fiscal (número 016). O representante do exportador, em 12 de novembro de 2001, apresentou à Receita Federal correspondência relatando os fatos (fl 08). Nesta correspondência, relata que a Agência Marítima o informou não ser possível embarcar o peso declarado, quando então percebeu que havia informado o peso incorretamente. Nos termos da correspondência, o exportador disse que "para solicitar a Receita alteração no SD já liberado, com certeza o fiscal pediria desova ou pesagem da mercadoria e pelo pouco tempo que restava para o término PRE STACKING acabaríamos perdendo o embarque". "Para que fosse mais ágil, resolveuse então fazer novo processo..." (sic). Percebese, pela declaração do próprio representante do exportador, que foi feito novo despacho de exportação para a mesma mercadoria, quando ainda havia um despacho em curso, o que vem a corroborar a tese de que a emissão da segunda nota fiscal foi feita sem a efetiva saída da mercadoria. Ora de acordo com a motivação do lançamento acima transcrita, percebese que o auto foi lavrado em razão de se ter emitido duas notas fiscais, para a mesma mercadoria, sendo uma delas inutilizada, em razão do peso erroneamente descrito. Inicialmente é oportuno afirmar que tais fatos são incontroversos, pois a própria recorrente assume que não utilizou a nota fiscal número 15, a qual teria sido substituída pela número 16, restando analisar, de acordo as provas colacionados nos autos, se é aplicável a sanção imposta. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 13/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10907.000184/200317 Acórdão n.º 310201.164 S3C1T0 Fl. 107 5 Quando do lançamento estava em vigor o decreto nº 4.544 de 2002, o qual disciplinava em seu art. 333 inciso I1 a obrigatoriedade da emissão da nota fiscal na saída do produto, sendo vedada sua emissão quando não ocorrida a efetiva saída da mercadoria no termos do art. 3372 do mesmo decreto, o qual faz ressalva aos casos previsto no regulamento e na norma Estadual. Com fundamento nas normas acima a autoridade autuante impôs a sanção prevista no art. 490, I do mesmo regulamento, que assim estabelece: Art. 490. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, respectivamente (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, e Decretolei nº 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª): II os que emitirem, fora dos casos permitidos neste Regulamento, nota fiscal que não corresponda à saída efetiva, de produto nela descrito, do estabelecimento emitente, e os que, em proveito próprio ou alheio, utilizarem, receberem ou registrarem essa nota para qualquer efeito, haja ou não destaque do imposto e ainda que a nota se refira a produto isento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, inciso II, e Decretolei nº 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª). (grifo nosso) A norma transcrita estabelece que a sanção deve ser imposta quando emitida a nota fiscal sem a saída da mercadoria, e não esteja contemplada em nenhuma das hipóteses de exceção do próprio decreto. Como demonstrado, permitese a emissão de nota fiscal, mesmo sem a efetiva saída da mercadoria, nos casos previsto neste decreto e na legislação estadual nos termos do art. 337, com base nesse aspecto a recorrente colaciona aos autos às fls. 60/64 parte do decreto nº 5.141 de 2001 do Estado do Paraná que disciplinava o regulamento do ICMS naquela Estado e estabelecia em seu art. 179: Art. 179. Os documentos fiscais serão também emitidos nos seguintes casos (Convênio SINIEF, de 15.12.70, art. 21; Convênio SINIEF 06/89, arts. 4º e 89; Ajustes SINIEF 01/85, 01/86 e 01/89): I ... II na regularização em virtude de diferença de preço em operação ou prestação ou na quantidade de mercadoria, quando efetuada no período de apuração do imposto em que tenha sido emitido o documento fiscal original; Resta clara a possibilidade de emissão de nova nota fiscal quando for necessária a regularização da quantidade da mercadoria descrita na nota anterior. É oportuno ressaltar que de acordo com a documentação colacionada aos autos pela recorrente, é possível identificar que a nota nº 16 foi emitida para corrigir o peso descrito na nota nº 15, vejamos: 1 Dec. 4.544/02 Art. 333. A Nota Fiscal, modelos 1 ou 1A, será emitida: I na saída de produto tributado, mesmo que isento ou de alíquota zero, ou quando imune, do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, ou ainda de estabelecimento comercial atacadista 2 Art. 337. Fora dos casos previstos neste Regulamento e na Legislação Estadual, é vedada a emissão de nota fiscal que não corresponda a uma efetiva saída de mercadoria. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 13/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 Ás fls. 11 dos autos, identificase o extrato da declaração de despacho nº 2010592256, onde é discriminada a mercadoria e sua quantidade, bem como o número de notas que a acompanha, percebese que naquela oportunidade foi discriminado o peso bruto de 26.000Kg referente a mencionada mercadoria discriminada em apenas uma nota fiscal. Observando o extrato às fls. 13, identificase o número do contêiner (SUDU4572071) e o respectivo lacre(650340), o registro de exportação fls. 16 também demonstra a mesma mercadoria e peso, ambos correspondendo a nota fiscal nº 15 consoante discrimina extrato de fls. 13. Já às fls. 22, encontrase outro extrato de declaração de despacho nº 2010602298/9, discriminando a mesma mercadoria, entretanto com o peso inferior, porém através da ordem de embarque de fls. 34 e do documento de exportação “Shipper information” fls. 35, percebese que se trata da mesma carga ao observar o mesmo número do lacre e do contêiner, assim resta evidenciado que a nota é número 16 foi realmente utilizada para corrigir a nota nº 15. Em atenção aos argumentos acima, conheço do recurso voluntário e dou provimento, reformando a decisão recorrida para considerar improcedente o lançamento. Sala de sessões 10 de agosto de 2011. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Relator Fl. 120DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 13/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 11080.002325/2003-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001
IRPF. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações.
No presente caso, houve pagamento antecipado e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador.
Como o fato gerador do imposto de renda é complexivo anual, ele só se aperfeiçoa em 31 de dezembro do ano-calendário, o que fez com que o prazo decadencial tenha se iniciado em 31/12/1997 e terminado em 31/12/2002. Como o lançamento se deu apenas em 10/04/2003, o crédito tributário já havia sido fulminado pela decadência.
MULTA ISOLADA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. No caso, não foi impugnada a multa isolada por falta de recolhimento de carnê leão.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-002.859
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
EDITADO EM: 13/09/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001 IRPF. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN. O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No presente caso, houve pagamento antecipado e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Como o fato gerador do imposto de renda é complexivo anual, ele só se aperfeiçoa em 31 de dezembro do ano-calendário, o que fez com que o prazo decadencial tenha se iniciado em 31/12/1997 e terminado em 31/12/2002. Como o lançamento se deu apenas em 10/04/2003, o crédito tributário já havia sido fulminado pela decadência. MULTA ISOLADA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. No caso, não foi impugnada a multa isolada por falta de recolhimento de carnê leão. Recurso especial provido em parte.
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DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No presente caso, houve pagamento antecipado e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Como o fato gerador do imposto de renda é complexivo anual, ele só se aperfeiçoa em 31 de dezembro do anocalendário, o que fez com que o prazo decadencial tenha se iniciado em 31/12/1997 e terminado em 31/12/2002. Como o lançamento se deu apenas em 10/04/2003, o crédito tributário já havia sido fulminado pela decadência. MULTA ISOLADA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. No caso, não foi impugnada a multa isolada por falta de recolhimento de carnê leão. Recurso especial provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 23 25 /2 00 3- 51 Fl. 4066DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM: 13/09/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. Relatório Trata o presente processo de exigência de Imposto de Renda em nome de Raul Portanova, em razão da constatação de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas (com aplicação de multa isolada), de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas decorrentes do trabalho sem vínculo empregatício, de ganhos de capital na alienação de bens e direitos e de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, perfazendo um crédito tributário no valor de R$ 2.059.654,86. Irresignase a Fazenda Nacional, por meio de seu Representante e através de Recurso Especial (às fls. 2.774/2.785 vol.12), com fundamento no art. 7º, I e II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, em face do Acórdão nº 10617.049 (fls. 2.754/2.769 – vol.12 ), datado de 10 de. setembro de 2008. Notese ter o Acórdão recorrido dado provimento parcial ao Recurso Voluntário de fls. 2606 a 2632 – vol. 12, para (i) reconhecer a decadência do lançamento do anocalendário de 1997; (ii) acatar como despesas do livrocaixa os valores de R$ 11.574,17, de R$ 14.976,25 e de R$ 15.944,68, respectivamente, para os anoscalendários 1998, 1999 e 2000; e (iii) excluir da exigência a multa isolada do carnêleão. Assim, visa a Fazenda Nacional a revisão do julgado nos seguintes aspectos: a) reconhecimento da decadência relativa ao anocalendário 1997: Teria sido adotada, no Acórdão recorrido, a regra do artigo 150, § 4º do CTN para a fixação do termo inicial do prazo decadencial para o lançamento do IRPF. Porém, divergindo deste Fl. 4067DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 11080.002325/200351 Acórdão n.º 9202002.859 CSRFT2 Fl. 10 3 posicionamento, a Fazenda Nacional traz paradigmas (Acórdãos nº 10246355 e 10420.652) que entenderam como aplicáveis, no tocante à decadência, o artigo 173, inciso I, do CTN. Ao se aplicar este último dispositivo, não haveria que se falar em decadência do direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro de 1997 a março de 1998, pois o prazo se estenderia até 31 de dezembro de 2003 para o exercício mais antigo (1998); b) exoneração da multa de ofício isolada do carnêleão: Neste caso, a Fazenda alega não ter sido a questão da multa isolada do carnêleão objeto de impugnação por parte do contribuinte, restando o julgado contrário ao artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, que considera não impugnada qualquer matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Além disso, alega a Fazenda Nacional que a exclusão da multa isolada do carnêleão contrariou o art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 c/c arts. 43 e 44, § 1º, inc. III da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O referido Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido mediante despacho nº 106073/2009, de 12 de fevereiro de 2009 (fls. 2.794/2.796 – vol.12). Cientificado o contribuinte, foram apresentadas Contrarrazões (fls. 2.803/2.804 – vol.12) e Recurso Especial (fls. 2.805/2.816 – vol.12). Em suas Contrarrazões, o contribuinte alega que o Recurso Especial da FN “sequer foi instruído com a cópia da íntegra dos paradigmas indicados como divergência, condição sine qua non da admissibilidade” e coloca que a Presidente da 6ª Câmara do 1º CC/MF “somente analisou um dos aspectos do Recurso Especial, relativo à decadência, não havendo, na peça, qualquer apreciação acerca da parte que trata da multa isolada”. Ainda, o Recurso Especial do Contribuinte não foi admitido pelos Despachos de nº. 2200.040 da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara e nº 9202.040 do Presidente do Carf em exercício na época, ambos de 25 de janeiro de 2011 (fls. 2.827/2.829). A título informativo e para fins de melhor instrução da presente análise, recordese ter sido cientificado o contribuinte do auto de infração de fls. 06 a 09, bem como do Relatório de Fiscalização de fls. 10 a 26 através de via postal em 01 de abril de 2003, consoante aviso de recebimento de fl. 222. Seguiuse a apresentação de impugnação de fls. 225/256, com documentos comprobatórios anexados às fls. 257 a 2.543 (vols. 2 a 11) em 30 de abril de 2003, resultando na decisão da DRJPorto Alegre/RS – 4ª Turma de solicitar diligência para saneamento dos autos (fls. 2.545/2.547) em 20 de agosto de 2004, seguida de posterior Acórdão de lavratura da mesma DRJ (Acórdão DRJ/POA no 5.537, de 27/04/2005, julgando procedente o lançamento original (fls. 2.587/2.600 – vol. 11). No que tange a tal impugnação, é bom ressaltar que o contribuinte solicitou a improcedência total do lançamento, mas deixou de apresentar defesa relativamente às infrações de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica sem vínculo empregatício, omissão de rendimentos recebidos de pessoa física e multas isoladas por falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão e ganho de capital. Portanto, ficou a parcela do crédito tributário correspondente a essas infrações considerada como não impugnada. Entretanto, como o contribuinte requereu a dedução de despesas (livro caixa) e compensação de fonte, os valores de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica Fl. 4068DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 4 sem vínculo empregatício, omissão de rendimentos recebidos de pessoa física e multas isoladas por falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão poderiam sofrer alterações, razão pela qual, nesses aspectos, a exigência fiscal ficou sobrestada até decisão final. Porém, relativamente à infração apurada de ganho de capital na alienação de bens e direitos, o crédito deveria ser exigido de imediato. Assim, essa parcela do crédito tributário foi apartada no processo de nº 11080.006866/200511. Continuando, às fls. 2.606/2.632, o interessado apresentou Recurso Voluntário (13/06/2005), argumentando que não teve oportunidade de se manifestar a respeito das despesas incorridas em sua atividade advocatícia durante a fiscalização, pois não foi intimado para tanto, mas que, em sua impugnação, trouxe aos autos documentação comprobatória dessas deduções e solicitando, resumidamente: a) insubsistência total do lançamento reformandose, na totalidade, a decisão nº 5.537/2005(DRJ/POA/RS); b) de outro modo, insubsistência parcial da exigência, acatandose a tese de que a tributação somente incida sobre 20% dos depósitos bancários, por se tratar da evidência do limite dos honorários percebidos pela Recorrente, no exercício de sua atividade profissional; e c) ainda, se não for este o entendimento dessa Câmara, a insubsistência parcial do lançamento, que impedia o lançamento válido relativamente aos períodos de apuração de janeiro de 1997 a março de 1998, em face à constatação da decadência. Tal Recurso Voluntário foi inicialmente apreciado na 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, em sessão realizada em 25 de maio de 2006, resultando na Resolução 10601.302 (fls. 2.639/2.648), onde se determinou o retorno dos autos à fiscalização para apreciação das provas juntadas pelo sujeito passivo em sede de impugnação, relativamente às despesas pretensamente dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda, e conclusão fundamentada a respeito da possibilidade ou não de dedução dessas respectivas despesas. Findo o relatório por parte da Unidade responsável pela ação fiscal (fls. 2.653/2.709 – vol 12), houve ciência ao interessado, que se manifestou acerca do mesmo relatório através de expediente fls. 2.710/2.752 – vol. 12. Finalmente, o processo retornou ao 1º Conselho de Contribuintes, 6ª Câmara, sendo colocado novamente em julgamento, do qual se originou o Acórdão nº 10617.049 guerreado (fls. 2.754/2.769 – vol.12). É o relatório. Fl. 4069DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 11080.002325/200351 Acórdão n.º 9202002.859 CSRFT2 Fl. 11 5 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Passase, portanto, à análise de mérito da argumentação da Fazenda Nacional, subdividida na forma que trazida a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais. a) Quanto à decadência relativa ao anocalendário de 1997: Sabese que a discussão da decadência dos tributos lançados por homologação é questão tormentosa, que vem dividindo a jurisprudência administrativa e judicial há tempos. No âmbito dos antigos Conselhos de Contribuintes, e agora no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, praticamente todas as interpretações possíveis já tiveram seu espaço. É notório que as inúmeras teses que versam sobre o assunto surgiram do fato do nosso Código Tributário Nacional CTN possuir duas regras de decadência, uma para o direito de constituir o crédito tributário (art. 173), e outra para o direito de não homologar o pagamento antecipado de certos tributos previstos em lei (art. 150, §4o). Apesar de serem situações distintas, o efeito atingido é o mesmo, pois, uma vez homologado tacitamente o pagamento, o crédito tributário estará definitivamente extinto, não se permitindo novo lançamento, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Na verdade, a celeuma não está no prazo da decadência, que é de cinco anos nas duas situações, mas na data de início de sua contagem. Enquanto o art. 173 fixa essa data no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou no dia em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o art. 150, §4o, determina o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Pacificando essa discussão, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, órgão máximo de interpretação das leis federais, firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/0176994 0), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS Fl. 4070DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 6 PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observese que o Acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário. Recentemente, a Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, introduziu o art. 62A no Regimento Interno do CARF RICARF, com a seguinte redação: Fl. 4071DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 11080.002325/200351 Acórdão n.º 9202002.859 CSRFT2 Fl. 12 7 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Desta forma, este CARF forçosamente deve abraçar a interpretação do Recurso Especial nº 973.733 – SC, de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Tem sido esse o entendimento da 2a Turma da CSRF, como demonstram os Acórdãos a seguir transcritos: DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO, AO RESPECTIVO PRAZO DECADENCIAL, DO ARTIGO 150, PARÁGRAFO 4º. DO CTN. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STJ PROFERIDA EM JULGAMENTO DE RECURSO REPETITIVO. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se houve pagamento antecipado, o respectivo prazo decadencial é regido pelo artigo 150, parágrafo 4º. do CTN, nos termos do entendimento pacificado pelo STJ, em julgamento de recurso especial, sob o rito de recurso repetitivo, tendo em vista o previsto no artigo 62A do Regimento Interno do CARF. (Acórdão nº 920201.61, sessão de 10/05/2011, Relatora Susy Gomes Hoffmann) TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). Fl. 4072DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 8 O STJ, em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). (Acórdão nº 920201.376, sessão de 11/04/2011, Relator Gustavo Lian Haddad) Neste processo, a questão é de fácil deslinde, pois existiu antecipação de pagamento na forma de Relatório da Ação Fiscal, às fls.16 (tabela 1) e 18 (Conclusões referentes ao anocalendário de 1997), bem como de demonstrativo de apuração constante do Auto de Infração de fl 39. Ainda, ressaltese que o Acórdão recorrido decidiu que não foi comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, em linha com a aplicação da multa de 75% quando da constituição de ofício do crédito tributário, sendo, assim, obrigatória, no caso, a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na data de ocorrência do fato gerador. Salientese, a propósito, que o pagamento a que se refere o STJ deve ser entendido como qualquer recolhimento do tributo relativamente a todo o período de apuração e não aquele estritamente relacionado ao valor da receita omitida. Como o fato gerador do imposto de renda é complexivo anual, ele só se aperfeiçoa em 31 de dezembro do anocalendário, o que faz com que, no presente caso, ele tenha se aperfeiçoado em 31 de dezembro de 1997, para o anocalendário de 1997(exercício de 1998). Destarte, iniciouse a contagem do prazo decadencial, na situação fática, em 31 de dezembro de 1997, estabelecido o dies ad quem do prazo quinquenal em 31 de dezembro de 2002. Como a ciência do lançamento se deu apenas em 01 de abril de 2003 (fl. 222), concluise que, àquele instante, a parcela do crédito tributário referente ao anocalendário de 1997 já havia sido fulminada pela decadência. b) Quanto à exoneração da multa de ofício isolada do carnêleão (Anos calendário de 1997,1998, 1999 e 2000): Do teor da impugnação de fls. 225 a 256, bem assim do Recurso Voluntário de fls. 2606 a 2632, verificase não ter sido objeto de qualquer contestação pelo então impugnante a aplicação da multa de ofício isolada decorrente do não recolhimento de valores a título de carnê leão para os anoscalendário de 1997 a 2000. Verificase, inclusive, ter sido tal fato expressamente admitido no Acórdão recorrido, em excerto de lavra do Conselheiro Relator do Recurso Voluntário, arquivado à fl. 2797 e reproduzido no Recurso Especial sob análise, expressis verbis: “(...) Embora não faça parte, explicitamente, da defesa apresentada pela Recorrente (grifei), não posso deixar de me manifestar neste Fl. 4073DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 11080.002325/200351 Acórdão n.º 9202002.859 CSRFT2 Fl. 13 9 julgamento com relação à penalidade isolada, exigida de forma concomitante com a multa de ofício. (...)” Caracterizada, assim, a violação, pelo Acórdão recorrido, ao teor do disposto no art. 17 do DecretoLei 70.235, de 1972, por referirse à matéria não impugnada, acedendo se à argumentação da Fazenda especificamente neste item, a fim de que seja mantida a parcela do crédito tributário decorrente da infração constante do item 005 do Auto de Infração de fl. 9 (multa isolada sobre o não recolhimento de valores a título de carnêleão), para todos os anos calendário de 1997 a 2000. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, dar provimento parcial ao Recurso Especial do Procurador da Fazenda Nacional, a fim de restaurar a exigência referente à multa isolada sobre o não recolhimento de valores a título de carnêleão para os anoscalendário de 1997 a 2000. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 4074DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10935.001725/2009-74
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Exercício: 2009
EXCLUSÃO. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. CABIMENTO.
A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional dar-se-á quando comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho.
Numero da decisão: 1803-001.932
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Presidente-substituto
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva e Marcos Antônio Pires.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Presidente-substituto (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva e Marcos Antônio Pires.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Exercício: 2009 EXCLUSÃO. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. CABIMENTO. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Presidentesubstituto (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva e Marcos Antônio Pires. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 17 25 /2 00 9- 74 Fl. 270DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10935.001725/200974 Acórdão n.º 1803001.932 S1TE03 Fl. 271 2 Fl. 271DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10935.001725/200974 Acórdão n.º 1803001.932 S1TE03 Fl. 272 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 229 e 230 numeração digital ND): Tratase de processo de exclusão do Simples Nacional, com efeitos a partir de 01/8/2008, em virtude de a empresa acima identificada ter efetuado a comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, hipótese prevista no art. 29, inciso VII, da Lei Complementar nº 123/2006. Intimado, o contribuinte apresentou defesa tempestiva, alegando que a descrição dos produtos é perfeitamente aceitável em relação à natureza das mercadorias, todos de produtos de pequeno porte (grampos, maquiagem, bolsas, cintos, chaveiros e assemelhados), adquiridos pelo recorrente. A descrição das notas fiscais encontrase em conformidade com a alínea “h” do art. 339 do RIPI, visto que a exigência da “descrição dos produtos”, compreendendo: nome, marca, tipo, modelo, série, espécie, qualidade e demais elementos que permitam sua perfeita identificação, se constitui em um rol exemplificativo e não taxativo, aspecto reforçado na citada norma pela expressão “demais elementos que permitam sua perfeita identificação”, ou seja, qualquer citação que a identifique será válida. Desse modo, as discriminações contidas nas notas fiscais são satisfatórias, devendo, portanto, ser consideradas idôneas. Segue defendendo, que a exigência de etiquetas em cada produto, identificandoos, é exacerbada e ilegal, não servindo como fundamento para um decidir. O Código de Defesa do Consumidor obriga que se tenha exposto o preço de venda, e não etiquetas com detalhamento do produto. Acrescenta que as mercadorias não foram importadas, mas adquiridas no mercado interno, de empresas devidamente registradas na SRFB. Informa que não foram indicadas provas que autorizassem o perdimento de bens. Segue dizendo que o processo de pena de perdimento, referente ao processo nº 10935.009305/200855, não foi mantido por ter sido constatada a prática de descaminho, mas sim por ter recebido mercadorias com notas fiscais ditas com especificações genéricas. Aduz que a pena de perdimento não é elencada como fator para se determinar a exclusão do Simples Nacional, o que macula o Ato Declaratório DRF/CVL nº 012. Por fim, diante das demonstrações de que as notas fiscais identificam perfeitamente as mercadorias e de que o fundamento invocado não existe no processo administrativo de exclusão do regime simplificado de pagamento, pede o reingresso no Simples Nacional. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 229 ND): ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2008 Fl. 272DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10935.001725/200974 Acórdão n.º 1803001.932 S1TE03 Fl. 273 4 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. CONTRABANDO. DESCAMINHO. A comercialização de mercadoria objeto de contrabando ou descaminho constitui elemento motivador para exclusão de ofício da empresa do Simples Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio 3. Cientificada da referida decisão em 04/06/2012 (fls. 238 ND), a tempo, em 29/06/2012, apresenta a interessada Recurso de fls. 242 a 247 (ND), instruído com os documentos de fls. 248 a 267 (ND), nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. Em mesa para julgamento. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10935.001725/200974 Acórdão n.º 1803001.932 S1TE03 Fl. 274 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Conforme consta da Representação Fiscal de fls. 1, no processo nº 10935.009305/200855, foi lavrado Auto de Infração e Apreensão de Mercadoria, caracterizando a comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. 5. Referido Auto de Infração está assim fundamentado (fls. 4): Mercadoria estrangeira exposta a venda, depositada ou em circulação comercial, sem documentação comprobatória de sua regular importação, conforme Termo de Verificação Fiscal em anexo, que passa a fazer parte integrante do presente auto de infração. 6. Em impugnação a esse auto, naquele processo, foi elaborado o Parecer Técnico Conclusivo SAORT nº 011/2009, assim ementado (fls. 218 ND): Aplicase a pena de perdimento das mercadorias de origem e procedência estrangeiras, sem prova de seu regular ingresso no País – infração considerada dano ao Erário, sujeita à pena de perdimento, capitulada no artigo 23, inciso IV e parágrafo único, do DL nº 1.455/76. 7. Com base no referido Parecer Técnico Conclusivo, foi julgada procedente a ação fiscal, e aplicada a pena de perdimento da mercadoria apreendida, em decisão da qual não é cabível recurso na esfera administrativa (fls. 225 ND). 8. Considerandose esses fatos, concordase inteiramente com a decisão recorrida (fls. 232): Ressaltase que as alegações referentes à suficiência dos elementos contidos nas notas fiscais, feitas pela defesa, foram apreciadas. Se porventura o contribuinte, naquele processo, não apresentou as insurgências sobre a descaracterização das notas fiscais, não pode agora fazêlo. Isso porque é no processo de perdimento de bens o momento oportuno para o contribuinte rebater os motivos que levaram o auditor a entender que se tratava de mercadorias adquiridas sem o pagamento do IPI, e, portanto, ilícito tributário caracterizado pela comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. Com efeito, não cabe nestes autos analisar os debates a respeito da motivação e elemento probatórios que deram ensejo ao perdimento de bens pela prática da infração tributária apontada, visto terse operado a preclusão a respeito da matéria. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10935.001725/200974 Acórdão n.º 1803001.932 S1TE03 Fl. 275 6 Tendo sido lavrado o Termo de Perdimento, e estando aquele processo extinto, conforme se observa da decisão administrativa no Auto de Infração 10935.009305/200855 que instruem o presente processo, qualquer prova apresentada neste processo não poderá alterar aquela decisão e, por conseguinte, a exclusão reflexa do simples nacional. 9. Tratandose, pois, de matéria transitada administrativamente, não cabe rediscussão a respeito, motivo pelo qual, reflexamente, é cabível a exclusão da Recorrente do Simples Nacional, na forma do art. 29, inciso VII, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, de seguinte teor: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: [...]; VII comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho; Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 275DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 15504.020292/2008-69
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO.INTEMPESTIVIDADE
Sempre que o recurso for apresentado em prazo maior do que o legalmente previsto, a jurisprudência entende que não se deve recebê-lo, tendo em vista o fenômeno da preclusão.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2403-002.006
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade.
Carlos Alberto Mees Stringari-Presidente
Ivacir Júlio de Souza-Relator
Participara do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO.INTEMPESTIVIDADE Sempre que o recurso for apresentado em prazo maior do que o legalmente previsto, a jurisprudência entende que não se deve recebê-lo, tendo em vista o fenômeno da preclusão. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. Carlos Alberto Mees Stringari-Presidente Ivacir Júlio de Souza-Relator Participara do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
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Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. Carlos Alberto Mees StringariPresidente Ivacir Júlio de SouzaRelator Participara do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 02 02 92 /2 00 8- 69 Fl. 307DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 2 Relatório Tratase de Auto de Infração AI lavrado por descumprimento ao disposto no art. 33, § 3 o da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991 c/c os artigos 232 e 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06 de maio de1999, por ter a Fundação em epígrafe apresentado à Fiscalização escrituração contábil sem o registro do movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço. Segundo o relatório fiscal da infração, a Fundação, após devidamente intimada, não comprovou a sua adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador e realizou, no período autuado, gastos com o fornecimento de alimentação não contabilizados em seus reais valores. Em decorrência da infração cometida foi aplicada penalidade administrativa estabelecida na Lei n° 8.212, de 1991, artigos 92 e 102, e Regulamento da Previdência Social, artigo 283, inciso II, alínea " j " e artigo 373, atualizada, à época da lavratura, pela Portaria MPS n° 77, de 11 de março de 2008, no valor de R$12.548,77 . DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Por unanimidade de votos, na forma do Acórdão n° 0228.868 às fls. 255, a 9ª da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte – DRJ/BHE, em 04 de outubro de 2010, julgou improcedente a impugnação e manteve a multa exigida pelo Auto de Infração em comento. RECURSO A Recorrente interpôs Recurso voluntário na forma do documento de fls. 264. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.020292/200869 Acórdão n.º 2403002.006 S2C4T3 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE A Recorrente alegando que teria sido notificada em 01.03.2011, interpôs Recurso voluntário em 30.03.2011 na forma do documento de fls. 264 : “ Da tempestividade Tendo sido intimada a Recorrente do v. acórdão n° 02 28.867 em data de 01.03.2011. terçafeira, o prazo de 30 (trinta) dias para a apresentação deste recurso teve início em 02.03.2011, quartafeira, para exaurirse em 31.03.2011. quintafeira.” Conforme Aviso de recebimento AR de fls. 263, a empresa fora notificada em 25/02/2011. Portanto o prazo para interpor Recurso expirou em 29/03/2011. Isto posto, concluise intempestiva sua peça recursal. CONCLUSÃO Diante do exposto, não conheço do Recurso por INTEMPESTIVO. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 309DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
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Numero do processo: 10880.010743/00-66
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 30/09/1989 a 31/03/1992
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO
O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Para restituição/compensação de créditos relativos a fatos geradores ocorridos entre setembro de 1989 e março de 1992, cujo pedido foi protocolado até 08 de junho de 2005, aplicava-se o prazo decenal - tese dos 5 + 5. Recursos negados.
Numero da decisão: 9303-002.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos apresentados pela pela Fazenda Nacional e pelo Sujeito Passivo.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente da Sessão.
Henrique Pinheiro Torres - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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TORÇÃO DE FIBRAS TEXTEIS ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 30/09/1989 a 31/03/1992 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Para restituição/compensação de créditos relativos a fatos geradores ocorridos entre setembro de 1989 e março de 1992, cujo pedido foi protocolado até 08 de junho de 2005, aplicavase o prazo decenal tese dos 5 + 5. Recursos negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos apresentados pela pela Fazenda Nacional e pelo Sujeito Passivo. Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente da Sessão. Henrique Pinheiro Torres Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 01 07 43 /0 0- 66 Fl. 347DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/09/ 2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Por bem relatar os fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido. 0 processo trata de pedido de restituição/compensação relativamente a valores do FINSOCIAL, do período de 09/1989 a 03/1992. A protocolização do pedido ocorreu em 13 de julho de 2000, fls. 01 e 02, e foi indeferido pelo Despacho Decisório de fls. 54160. A DERAT Sao Paulo indeferiu o pedido sob o fundamento de era extinto o direito de a contribuinte pleitear tal restituição/compensação, uma vez que entre a data dos pagamentos e a data do pedido há lapso temporal superior a 5 (cinco) anos. Devidamente cientificado do feito, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, fls. 90/21, alegando que (i) o STF se manifestou pela inconstitucionalidade das majorações das aliquotas do FINSOCIAL, e também o STJ e os Conselhos de Contribuintes têm se manifestado nesse sentido; (ii) os dispositivos contidos nos Decretos n's 2.346/97 e 3.001/99 devem ser observados pela Administração Fazenddria; (iii) o entendimento firmado pelo STJ é no sentido de que, em se tratando de lançamento por homologação, o prazo decadencial se inicia quando decorridos cinco anos do fato gerador; (iv) a prescrição se inicia a partir da data em que foi declarado inconstitucional o diploma legal em que se fundou a exação; (v) como o trânsito em julgado ocorreu em 04 de maio de 1993 a decadência e a prescrição só ocorrerão em 04 de maio de 2003. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo — SP, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação, nos termos do ACÓRDÃO DRJ/SPOI N° 07.012 (fls. 136 a 145), sintetizado na seguinte ementa: "Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 30/09/1989 a 31/03/1992 Ementa: FINSOCIAL COMPENSAÇÃO DECADÊNCIA — 0 direito de pleitear a compensação extinguese corn o decurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação, Solicitação Indeferida" Regularmente intimado do Acórdão prolatado, com ciência em 09 de fevereiro de 2006 (AR à fl. 156v), o contribuinte protocolizou, em 09/03/2006, tempestivamente, o recurso voluntário de fls. 158 a 173, acompanhado de documentação da empresa de fls. 175/178, expondo as mesmas razões Fl. 348DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/09/ 2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10880.010743/0066 Acórdão n.º 9303002.304 CSRFT3 Fl. 337 3 apresentadas na manifestação de inconformidade e mais, em síntese: é copiosa a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça sobre o tema e transcreve inúmeras ementas; o prazo para pleitear a restituição de tributo recolhido indevidamente é de 10 anos (5 anos + 5 anos); a aplicação da Lei Complementar 118/2005 é prospectiva, não se aplicando retroativamente; o direito de pleitear a restituição de tributo pago em virtude de lei que se tenha por inconstitucional somente nasce com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direita, ou, em caso de controle incidental, quando da promulgação de Resolução do Senado retirando a norma do mundo jurídico, aplicandose nessa situação, extensivamente, o disposto no art. 165, III e 168, II do CTN. ao final, requer a reforma do acórdão de primeira instância e o reconhecimento do direito de o recorrente ver restituidos os valores pagos a titulo de FINSOCIAL. Decidindo o feito, o Colegiado recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 30/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. No presente julgamento, por medida de economia processual, curvome A posição adotada por esta Camara no sentido de que o prazo para que o contribuinte pleiteie a restituição/compensação de indébito relativo a tributos sujeitos a lançamento por homologação deve ser contado a partir do término do prazo para homologação do pagamento (5 + 5 = 10 anos). Jurisprudência pacificada pelo Superior Tribunal de Justiça. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Inconformada, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial, fls. 206 a 216, onde pugna pelo prazo prescricional de 5 anos, contados a partir do pagamento indevido. A esse recurso foi dado seguimento, nos termos do despacho de fls. 224 a 226, tendo o sujeito passivo apresentado contrarrazões às fls. 291 a 306. Também não se conformando com o acórdão vergastado, o Sujeito Passivo apresentou recurso especial, onde defende que o termo a quo para restituição de indébito de Finsocial seria a data da publicaçãoda MP n° 1.110, ou seja, 31/08/1995. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/09/ 2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 O recurso especial do sujeito passivo foi por mim admitido, nos termos do despacho de fls. 325/326. Contrarrazões vieram às fls. 328 a 333. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres Os recursos são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual deles conheço. A teor do relatado, a matéria posta em debate cingese à questão do termo inicial da prescrição para repetição de indébito. Em seu especial a Fazenda Nacional defende a aplicação do art.. 168 do CTN, com a interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar 188/2005. De outro lado, o sujeito passivo defende, tanto nas contrarrazões quanto em recurso especial, que o termo inicial para repetição de Finsocial seria a data da publicação da Medida Provisória nº 1.110, de 31 de agosto de 1995. Analisando os autos, verificase que o crédito pleiteado referese a períodos de apuração compreendidos entre setembro de 1989 e março de 1992, e que o pedido de restituição foi protocolado em 13 de julho de 2000. Feito esse esclarecimento, passemos, de imediato, ao enfrentamento da questão. Nesta matéria, já me pronunciei inúmeras vezes, entendendo que o termo inicial para repetir indébito é o previsto no artigo 168 do CTN, com a interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar 118/2005, ou seja, o da extinção do crédito pelo pagamento indevido. Esse entendimento vinha prevalecendo neste Colegiado, quando se resolveu sobrestar a matéria até que o Supremo Tribunal Federal se pronunciasse sobre a constitucionalidade do art. 4º da Lei Complementar suso mencionada, que determinava a aplicação retroativa da interpretação autêntica dada pelo citado artigo 3º. A decisão do STF foi no sentido de que o termo inicial do prazo para repetição de indébito, a partir de 09/06/2005, vigência da Lei Complementar 118/2005, era a data da extinção do crédito pelo pagamento; já para as ações de restituição ingressadas até a vigência dessa lei, deverseia aplicar o prazo dos 10 anos, consubstanciado na tese dos 5 mais 5 (cinco anos para homologar e mais 5 para repetir), prevalente no Superior Tribunal de Justiça. Para melhor clareza do aqui exposto, transcrevese a ementa do acórdão pretoriano que decidiu a questão. 04/08/2011 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 Rio GRANDE DO Sul. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE Fl. 350DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/09/ 2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10880.010743/0066 Acórdão n.º 9303002.304 CSRFT3 Fl. 338 5 DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE '9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, 1, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer Outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao Principio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vatatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. lnaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/09/ 2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 54343, § 3, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. AC0RDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob a RE 66.621 / RS Presidência do Senhor Ministro Cezar Peluso, na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário, nos termos do voto da relatora. Essa decisão não deixa margem a dúvida de que o artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005 só produziram efeitos a partir de 9 de junho de 2005, com isso, quem ajuizou ação judicial de repetição de indébito, em período anterior a essa data, gozava do prazo decenal (tese dos 5 + 5) para repetição de indébito, contado a partir do fato gerador da obrigação tributária. Ademais, não se pode olvidar que a Constituição é aquilo que o Supremo Tribunal Federal diz que ela é, com isso, em matéria de controle de constitucionalidade, a última palavra é do STF, por conseguinte, deve todos os demais tribunais e órgãos administrativos observarem suas decisões. D outro lado, não se alegue que predita decisão seria inaplicável ao CARF já que o acórdão do STF teria vedado a aplicação retroativa da lei aos casos de ação judicial impetradas até o início da vigência da lei interpretativa, pois o fundamento para declarar a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º acima citado, foi justamente a ofensa ao princípio da segurança jurídica e da confiança, o que se aplica, de igual modo, aos pedidos administrativos, não havendo qualquer motivo, nesse quesito – segurança jurídica – para diferenciálos dos pedidos judiciais. De todo o exposto, temse que aos pedidos administrativos de repetição de indébito, formalizados até 8 de junho de 2005, aplicase o prazo decenal. Assim, no caso sob exame, temse que os créditos pleiteados, na data em que efetuado o pedido de restituição – 113/07/2000 haviam sido alcançados, parcialmente, pela prescrição, mais precisamente, os relativos a fatos geradores ocorridos até junho de 1990. Os referentes a fatos geradores ocorridos, posteriormente a essa data, encontravamse abrigado pelo prazo decenal da tese dos 5 + 5. Com essas considerações, e considerando que no acórdão recorrido, na contagem do prazo, já foi considerada a tese dos 5 + 5, nego provimento aos recursos apresentados pela Fazenda Nacional e pelo Sujeito Passivo. Henrique Pinheiro Torres Relator 1 O fato gerador do Finsocial era o faturamento mensal, que era apurada no último dia do mês. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/09/ 2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10880.010743/0066 Acórdão n.º 9303002.304 CSRFT3 Fl. 339 7 Fl. 353DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/09/ 2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10510.004285/2009-06
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. TERCEIROS. AUSÊNCIA DE PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE ISENÇÃO AO INSS. IRRETROATIVIDADE DA LEI 12.101/2009. ANÁLISE DO CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA E DOS JUROS APLICADOS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE.
Compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil a arrecadação e fiscalização das contribuições devidas a terceiros.
De acordo com o artigo 55, § 1º, da Lei 8.212/91, vigente à época dos fatos geradores, a isenção devia ser requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que tinha o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido.
O reconhecimento da existência de confisco é o mesmo que reconhecer a inconstitucionalidade da aplicação da multa e dos juros tais como previstos na legislação, o que é vedado a este Conselho.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-002.589
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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TERCEIROS. AUSÊNCIA DE PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE ISENÇÃO AO INSS. IRRETROATIVIDADE DA LEI 12.101/2009. ANÁLISE DO CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA E DOS JUROS APLICADOS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE. Compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil a arrecadação e fiscalização das contribuições devidas a terceiros. De acordo com o artigo 55, § 1º, da Lei 8.212/91, vigente à época dos fatos geradores, a isenção devia ser requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que tinha o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. O reconhecimento da existência de confisco é o mesmo que reconhecer a inconstitucionalidade da aplicação da multa e dos juros tais como previstos na legislação, o que é vedado a este Conselho. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 42 85 /2 00 9- 06 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10510.004285/200906 Acórdão n.º 2803002.589 S2TE03 Fl. 145 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10510.004285/200906 Acórdão n.º 2803002.589 S2TE03 Fl. 146 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pelo INSTITUTO DIOCESANO DA INSTÂNCIA em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada (AI DEBCAD: 37.216.7101). 2. Conforme consta do Relatório Fiscal (fls. 108/110), os valores lançados decorrem da não comprovação do recolhimento das contribuições destinadas às Outras Entidades e Fundos (Terceiros): Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) e Serviço Social do Comércio (SESC). 3. A fiscalização, em seu relatório, informou que a entidade forneceu os documentos solicitados, exceto o Ato Declaratório de Concessão de Isenção Previdenciária ou outro documento que comprove o reconhecimento pelo INSS/Receita Federal do Brasil da isenção das contribuições que trata o §1º do art. 55 da Lei nº 8.212/91. 4. Além disso, verificase que, embora a entidade não tenha comprovado o direito à isenção, desde 03/2005, vem apresentando Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social (GFIP) com códigos específicos de Entidades Beneficentes com Isenção. 5. As diferenças apuradas relativas às contribuições destinadas a Terceiros foram lançadas através do seguinte levantamento (fl. 109): “11.1. RPE – Remunerações Pagas a Empregados referese às remunerações pagas aos empregados, que embora essas remunerações constem na GFIP, as contribuições relativas à parte patronal não foram declaradas como devidas pela entidade.” 6. O acórdão exarado em primeira instância restou ementado nos termos que passo a transcrever abaixo: “COTA PATRONAL. TERCEIROS. Compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil a arrecadação e fiscalização das contribuições devidas a terceiros, conforme art. 3º, da Lei n.º 11.457/2007. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. REQUISITOS LEGAIS. Os requisitos legais necessários ao exercício da imunidade tributária são prescritos na lei vigente à época do fato gerador, consoante artigo 55 da Lei n.º 8.212, de 1991. LEI VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. IRRETROATIVIDADE DA LEI NOVA. VALOR DA MULTA. LEI MAIS BENÉFICA AO INFRATOR. RETROATIVIDADE. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10510.004285/200906 Acórdão n.º 2803002.589 S2TE03 Fl. 147 4 Em matéria tributária a lei nova que prevê multa mais benéfica ao infrator deverá retroagir para alcançar fatos pretéritos. A comparação das multas para verificação e aplicação da mais benéfica somente poderá operacionalizarse quando o pagamento do crédito for postulado pelo contribuinte ou quando do ajuizamento de execução fiscal, conforme Portaria Conjunta PGFN/RFB n.º 14, de 04/12/2009. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” (fls. 113/118). 7. Buscando reverter o lançamento, a contribuinte apresentou recurso voluntário aduzindo em síntese: a) inconstitucionalidade da exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo; b) reconhecimento da recorrente como entidade beneficente de assistência social, pois preenche as exigências estabelecidas pela Constituição Federal/1988 (art. 195, §7º), pelo art. 55 da Lei 8.212/91, bem como pelo Código Tributário Nacional (art. 14), razão pela qual não poderia ter sido autuada por não ter recolhido as contribuições para terceiros; c) afirma que, durante o período fiscalizado, possuía a Certidão de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS); d) pugna pela aplicação da Lei 12.101/2009 retroativamente, nos termos do art. 106, “c”, do CTN, observandose que o pedido de reconhecimento da isenção ao INSS, não atendido pela recorrente, não é mais exigido pela lei nova; e) os juros e a multa aplicados caracterizam confisco das receitas da entidade, porque o seu recolhimento afetará a sua própria sobrevivência. 8. Sem apresentação de contrarrazões, os autos foram enviados para a apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10510.004285/200906 Acórdão n.º 2803002.589 S2TE03 Fl. 148 5 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos – Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. No que se refere à exigibilidade do depósito recursal, defendido pelo contribuinte, cumpre ressaltar que a garantia de instância para admissibilidade de recurso administrativo foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº. 1976, resultando na edição da súmula vinculante nº 21: “É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo”. 2. Dessa forma, não sendo mais exigível o depósito recursal, conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado e preenche os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972. DO DIREITO À ISENÇÃO DA RECORRENTE 3. A autuação se deu em razão do inadimplemento das contribuições previdenciárias atinentes às competências 01/2006 a 13/2007, correspondentes a outras Entidades e Fundos (terceiros), sobre a remuneração paga aos segurados empregados. 4. Pelo que dispõe o relatório fiscal, a fiscalização considerou que a entidade forneceu os documentos solicitados, exceto o Ato Declaratório de Concessão de Isenção Previdenciária ou outro documento que comprove o reconhecimento pelo INSS/Receita Federal do Brasil da isenção das contribuições que trata o § 1º do art. 55 da Lei nº 8.212/91. 5. Além disso, verificase que, embora a entidade não tenha comprovado o direito à isenção, desde 03/2005 vem apresentado Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social (GFIP) com códigos específicos de Entidades Beneficentes com Isenção. 6. A decisão de primeira instância evidenciou a ausência de comprovação do requerimento da isenção ao INSS, nos termos do art. 208, do Decreto n.º 3.048/99, fl. 115, não tendo a recorrente, por consequência, direito à isenção. 7. Ademais, a própria autuada admite que não possuía o pedido de reconhecimento da isenção ao INSS (Ato Declaratório de Concessão de Isenção Previdenciária), fl. 136. 8. Em seus argumentos, o contribuinte sustenta que não poderia ter sido autuado por não ter recolhido as contribuições para terceiros, pois goza de isenção já que preenche as exigências estabelecidas pela Constituição Federal (art. 195, §7º), pelo art. 55 da Lei 8.212/91, bem como pelo Código Tributário Nacional (art. 14). 9. Ademais, a recorrente afirma que, durante o período fiscalizado, possuía a Certidão de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) e pugna pela aplicação da Fl. 148DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10510.004285/200906 Acórdão n.º 2803002.589 S2TE03 Fl. 149 6 Lei 12.101/2009 retroativamente, nos termos do art. 106, “c”, do CTN, observandose que o pedido de reconhecimento da isenção ao INSS, não atendido oportunamente, não é mais exigido pela lei nova. 10. Entretanto, no que se referem às arguições da recorrente, devemos considerar que uma entidade pode, efetivamente, ser filantrópica, mas isto não pressupõe que seja isenta das contribuições previdenciárias. 11. Observase que a isenção era um benefício regulado pela Lei n.º 8.212/91, no seu artigo 55 e pelo Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, nos artigos 206 em diante, sendo concedida pelo INSS àquelas entidades que cumprissem os requisitos descritos na legislação e a solicitassem ao Instituto. 12. Cumpridos os requisitos para o gozo do benefício legal (especificados no artigo 55 da Lei n.º 8.212/91), a entidade deveria requerer a isenção das contribuições previdenciárias ao INSS, conforme dispõe o art. 55, § 1º, da Lei n.º 8.212/91, in verbis: “Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido.” 13. No caso em tela, os documentos acostados no processo não permitem vislumbrar que a entidade era isenta das contribuições previdenciárias no período notificado. 14. Cumpre destacar que a Lei nº 12.101/09, que revogou o artigo 55 da Lei nº 8.212/91, é inaplicável no caso em análise, por não restar caracterizada nenhuma das hipóteses do artigo 106 do Código Tributário Nacional a autorizar a retroatividade de seus efeitos à época dos fatos descritos na inicial. 15. Assim, mesmo que o preenchimento dos demais requisitos previstos no art. 55 permitissem ao contribuinte a solicitação da isenção, a mesma não se dava de forma automática, pelo que se infere da leitura do § 1°, artigo 55 da Lei n° 8.212/91. Portanto, para regular concessão da isenção seria necessário que a entidade procedesse ao requerimento junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil, que dispunha de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. 16. Diante da verificação de inexistência de pedido de reconhecimento da isenção ao INSS (Ato Declaratório de Concessão de Isenção Previdenciária) pelo contribuinte, não há que se falar em isenção pela ausência do cumprimento desse requisito. 17. As regras contidas na Lei nº 12.101/2009 não possuem efeito retroativo, valendo até a sua entrada em vigor as dispostas no art. 55 da lei 8.212/91, vigente à época. 18. Ante o exposto, considerando a lei vigente na data da lavratura do auto de infração, a recorrente não gozava de isenção, e, por conseguinte, é devida a autuação pelo não recolhimento das contribuições para terceiros. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10510.004285/200906 Acórdão n.º 2803002.589 S2TE03 Fl. 150 7 IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE ALEGAÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO DOS JUROS E DA MULTA 19. O reconhecimento da existência de confisco seria o mesmo que reconhecer a inconstitucionalidade da aplicação da multa e dos juros tais como previstos na legislação, o que é vedado a este Conselho, que somente pode reconhecer a inconstitucionalidade de dispositivo legal quando estiver diante de uma das hipóteses previstas no art. 62, parágrafo único, do seu Regimento Interno, quais sejam: “I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993.” 20. No caso dos autos, contudo, não ocorreu qualquer dessas hipóteses. 21. Cumpre esclarecer que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Poder Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III, do Título IV, notadamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte originário teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. 22. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” 23. Reiterase que o Conselho de Contribuintes, por meio de seu Regimento Interno e Súmula, impuseram regra proibitiva nesse sentido: Súmula 02 do Segundo Conselho de Contribuintes, publicada no DOU de 26/09/2007: Fl. 150DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10510.004285/200906 Acórdão n.º 2803002.589 S2TE03 Fl. 151 8 “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária.” “Portaria MF n° 147, de 25/06/2007 (que aprovou o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes): Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” 24. Assim, afasto a alegação de confisco da multa e dos juros aplicados ao presente caso. CONCLUSÃO 25. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negar lhe provimento. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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Numero do processo: 19515.721256/2011-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
A prova tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Nesse sentido, sua realização não constitui direito subjetivo do contribuinte
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que a multa dos Autos de Infração de Obrigação Principal - AIOP seja aplicada observando as disposições do artigo 35, II, da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época dos fatos geradores para as competências até 11/2008, inclusive. Vencidas na votação as Conselheiras Bianca Delgado Pinheiro e Juliana Campos de Carvalho Cruz, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96). Para o Auto de Infração de Obrigação Acessória a multa aplicada deve ser calculada considerando as disposições do artigo 32-A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 11.941/2009.
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente.
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A prova tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Nesse sentido, sua realização não constitui direito subjetivo do contribuinte Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que a multa dos Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP seja aplicada observando as disposições do artigo 35, II, da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época dos fatos geradores para as competências até 11/2008, inclusive. Vencidas na votação as Conselheiras Bianca Delgado Pinheiro e Juliana Campos de Carvalho Cruz, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 12 56 /2 01 1- 43 Fl. 764DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96). Para o Auto de Infração de Obrigação Acessória a multa aplicada deve ser calculada considerando as disposições do artigo 32A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 11.941/2009. LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente. ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 765DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.721256/201143 Acórdão n.º 2302002.741 S2C3T2 Fl. 765 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou a impugnação do contribuinte improcedente, mantendo os créditos tributários lançados. Adotamos trechos do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 702/709), que bem resume o quanto consta dos autos: Tratam os autos de crédito tributário previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, relativo à exigência de contribuições incidentes sobre a remuneração paga e/ou creditada a segurados empregados e contribuintes individuais cooperados, não declaradas em GFIP, nem recolhidas à previdência social, no montante de R$ 1.629.996,19 (um milhão, seiscentos e vinte e nove mil, novecentos e noventa e seis reais e dezenove centavos), consolidado em 20/09/2011. O presente processo é composto pelas seguintes autuações: O Relatório Fiscal informa: * foram examinados os seguintes livros e documentos: Folhas de Pagamento de empregados do período de 01/2007 a 12/2007 e 13° Salário; Folhas de Pagamento de Cooperados; Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – DIPJ relativo ao ano calendário de 2007; Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social – Gfip das competências de 01/2007 a 12/2007 e 13/2007; Livros Diário n° 07 e 08, registro Jucesp n° 113.311 e nº Fl. 766DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 113.312, em 21/09/2010, do exercício de 2007; Livros Razão do ano calendário de 2007; * as GFIP transmitidas pela empresa em 15/02/2007, 01/03/2007 e 14/09/2009, das competências janeiro a dezembro de 2007, foram as últimas GFIP entregues pela empresa antes de iniciado o Procedimento Fiscal. Nestas GFIP as bases de incidência da contribuição previdenciária não refletiram a totalidade da remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais constantes em folhas de pagamento e registros contábeis escriturados nos Livros Diário do ano calendário de 2007, tendo seus valores e informações sobrepostos aos dados das GFIP anteriormente entregues; * na verificação e confronto das remunerações constantes nas folhas de pagamento de segurados empregados e de contribuintes individuais cooperados, bem como dos valores escriturados nos livros Diário referentes a pagamentos a Prestadores de Serviço Pessoa Física sem vínculo empregatício, com as remunerações declaradas em GFIP constatamos que os valores declarados foram informados com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Dos valores de contribuições sociais previdenciárias dessa forma apurada, deduzidos os recolhimentos existentes, foram encontradas diferenças de contribuições sociais destinadas a Previdência Social e a Outras Entidades e Fundos, cujo crédito tributário foi constituído através dos Autos de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e acessória (AIOA), nos termos dos levantamentos abaixo: * Contribuições da Empresa – Auto de Infração (AIOP) n° 37.252.5822: foram consideradas como base de incidência das contribuições previdenciárias as rubricas integrantes da remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais constantes das Folhas de Pagamento e Prestadores de Serviço Pessoa Física, contabilizadas nos Livros Diário do ano calendário de 2007, não declaradas em GFIP, nos termos dos levantamentos: Levantamento FP Folha de Pagamento Empregados – diferenças de recolhimento constatadas nas folhas de pagamento da Administração da Cooperativa de Trabalho dos Condutores Autônomos, confrontados com os valores devidos, não recolhidos, e não declarados nas GFIP das competências janeiro a dezembro de 2007; Levantamento PL Pro Labore – contribuições devidas sobre valores pagos aos dirigentes da Cooperativa (Pró Labore) constatadas através do exame das folhas de pagamento e registros contábeis escriturados nos Livros Diário e Razão, do ano calendário de 2007, não recolhidos e não declarados em GFIP; Levantamento – PA Pagamento a Autônomos (Pagamento efetuado a prestadores de serviços pessoa física sem vínculo empregatício) – contribuições devidas incidentes sobre valores pagos aos prestadores de serviço pessoa física, por serviços prestados de Consultoria e Assessoria Jurídica, conforme Fl. 767DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.721256/201143 Acórdão n.º 2302002.741 S2C3T2 Fl. 766 5 registros contábeis escriturados nos livros Diário e nas contas 4.1.1.05.001 e 4.1.1.05.007, referentes a Serviços de Consultoria e Jurídicos dos Livros Razão, ano calendário de 2007, não recolhidas e não declaradas em GFIP; * Contribuições de Segurados Contribuintes Individuais – Auto de Infração (AIOP) n° 37.252.5849: contribuição de segurados contribuintes individuais Cooperados e Prestadores de Serviço Pessoa Física, sendo considerada como base de incidência das contribuições previdenciárias as remunerações dos segurados cooperados e prestadores de serviço pessoa física contabilizadas nos Livros Diário do ano calendário de 2007, não declaradas em GFIP, nos termos dos levantamentos abaixo: Levantamento CI Folha de Pagamento Cooperados – contribuições incidentes sobre valores pagos a segurados cooperados como remuneração por serviços prestados no ano calendário de 2007, não declaradas em GFIP, não retidas e não recolhidas em época própria, correspondentes à contribuição de 11% dos contribuintes individuais, constatadas através do exame das folhas de pagamento e planilhas de pagamento semanal aos cooperados; Levantamento PA Pagamento a Autônomos (Pagamento efetuado a prestadores de serviços pessoa físicas sem vínculo empregatício) – contribuições incidentes sobre valores pagos a prestadores de serviço pessoa física por serviços de Consultoria e Assessoria Jurídica, não declarados em GFIP, não retidos e não recolhidos em época própria, correspondentes à contribuição de 11% dos contribuintes individuais, constatadas através do exame dos registros contábeis escriturados nos livros Diário e nas contas 4.1.1.05.001 e 4.1.1.05.007 referentes a Serviços de Consultoria e Jurídicos dos Livros Razão, ano calendário de 2007; * Contribuições para Outras Entidades e Fundos (Terceiros) – Auto de Infração (AIOP) n° 37.252.5830: foram consideradas como base de incidência destas contribuições as rubricas integrantes da remuneração dos segurados empregados, bem como, a remuneração de segurados cooperados, constantes das Folhas de Pagamento, não declaradas em GFIP, nos termos dos levantamentos abaixo: Levantamento FP — Folha de Pagamento Empregados – diferenças de contribuição, conforme apurado nas folhas de pagamento da Administração da Cooperativa de Trabalho dos Condutores Autônomos, confrontadas com os valores declarados nas GFIP das competências de janeiro a dezembro de 2007; Levantamento CI Folha de Pagamento – Cooperados contribuições destinadas ao SEST/SENAT de responsabilidade dos transportadores autônomos, incidentes sobre os valores pagos aos segurados cooperados como remuneração por serviços prestados, verificados nas folhas de pagamento, planilhas de pagamento semanal aos cooperados e nos registros contábeis escriturados nos livros Diário e Razão, do exercício de Fl. 768DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 2007, não declarados em GFIP, não retidos e nem recolhidos em época própria, sendo que os valores devidos ao SEST/SENAT, descontados da remuneração dos segurados cooperados, e o respectivo recolhimento, é obrigação da Cooperativa de Trabalho dos Condutores Autônomos; * Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOA) n° 37.252.5857 Da Infração apresentar a empresa Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias; a empresa foi notificada, conforme Termo de Início da Ação Fiscal TIAF, com ciência em 27/05/2010, apresentando GFIP Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social dos meses de janeiro de 2007 a dezembro de 2007, transmitidas via conectividade Social nas datas de 15/02/2007, 01/03/2007 e 14/09/2009, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições sociais previdenciárias, sendo estas últimas GFIP entregues antes de iniciado o Procedimento Fiscal, tendo seus valores e informações sobrepostos aos dados das GFIP anteriormente entregues, pois, estas GFIP continham informações e remuneração de apenas um segurado; o procedimento da empresa configura omissão de fatos geradores de contribuição previdenciária. Os segurados contribuintes individuais cooperados, administradores e prestadores de serviço pessoa física da Cooperativa, cujas remunerações foram omitidas das GFIP entregues, estão relacionados nas folhas de pagamento da empresa; tendo a empresa entregue GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em relação as bases de cálculo, seja em relação aos valores que alteram o valor das contribuições previdenciárias, infringiu a Lei nº8.212/91, artigo 32, inciso IV, § 9°, com redação dada pela Lei n° 11.941/2009, combinado com o artigo 225, inciso IV, § 4° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99; verificouse em consulta ao sistema informatizado da Receita Federal do Brasil PLENUS/ PROCURADORIA/DIVIDA, que não constam antecedentes de infração em nome de "Cooperativa de Trabalho dos Condutores Autônomos Cooperalfa"; Da Aplicação da Multa considerando que a empresa apresentou GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias; considerando a Portaria Interministerial MF/MPS n° 407 de 14/07/2011, artigo 8°, inciso V; Fl. 769DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.721256/201143 Acórdão n.º 2302002.741 S2C3T2 Fl. 767 7 aplicouse a multa prevista na Lei nº 8.212/91, artigo 32A "caput", inciso II, §§ 2º e 3°, incluídos pela Lei nº 11.941, de 27/05/2009, combinado com o artigo 284, inciso II do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, respeitado o disposto no art. 106, inciso II, alínea "c" da Lei nº 5.172/66 CTN, no valor de R$182.931,60 (cento e oitenta e dois mil, novecentos e trinta e um, reais e sessenta centavos); anexadas planilhas de cálculo da multa aplicada, onde estão demonstrados os dados e valores utilizados na determinação do valor da multa; * a não declaração em GFIP da totalidade da remuneração constante em folha de pagamento, configura omissão de fato gerador, configurando indício, em tese, de crime de sonegação de contribuições previdenciárias, previsto no art.337A, incisos I e III do Código Penal DecretoLei n° 2.848 de 07/12/1940, com redação dada pela Lei n° 9.983 de 17/07/2000; * os valores de contribuição devida apurados em cada Auto de Infração encontramse discriminados em planilhas que compõe o Relatório Fiscal; Cientificado pessoalmente do lançamento fiscal em 23/09/2011, o sujeito passivo protocolizou em 25/10/2011 sua impugnação acompanhada de documentos de representação e cópia de peças do presente processo. (...) A 12ª Turma de Julgamento da DRJ de São Paulo I, como afirmado anteriormente, julgou improcedente a impugnação, mantendo os créditos tributários lançados (fls. 701/719). A recorrente foi intimada da decisão em 10/07/2012 (fls. 726), apresentado Recurso Voluntário em 07/08/2012 (fls. 731/741), no qual alega: * teriam sido desconsiderados os valores relativos aos atos cooperativos, pois toda a receita a cargo da cooperativa foi enquadrada como receita dos cooperados. Exemplifica com o combustível, que corresponderia a 15% da receita bruta da cooperativa; * pleiteia a conversão do julgamento em diligência para que a recorrente apresentasse os reais valores repassados aos seus cooperados, descontandose os valores relativos aos atos cooperativos, que não sofrem tributação. Ao final, requer seja dado provimento ao Recurso Voluntário, declarandose a nulidade dos Autos de Infração. É o relatório. Fl. 770DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Atos Cooperativos. Alega a recorrente que teriam sido desconsiderados os valores relativos aos atos cooperativos, pois toda a receita a cargo da cooperativa foi enquadrada como receita dos cooperados. Exemplifica com o combustível, que corresponderia a 15% da receita bruta da cooperativa. Não assiste razão à recorrente. As planilhas constantes dos autos e reproduzidas Relatório Fiscal apontam que a base de cálculo apurada para obtenção das contribuições devidas pelos segurados cooperados na atividade de transporte de passageiros foi de 20% (vinte por cento) sobre a remuneração total dos mesmos, o que atende às prescrições contidas no artigo 201, § 4°, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Aliás, regra esta que parece bem mais benéfica que aquela pretendida pela recorrente que afirma que a principal despesa refeririase ao combustível na base de 15% da receita bruta da cooperativa. Ora, no caso, a dedução foi de 80%, pois apenas 20% dos repasses aos cooperados serviram como base de cálculo da contribuição previdenciária. Isso sem falar que não se compreende a razão do inconformismo. A recorrente afirma que foram desconsideradas “toda sorte de despesas que estão a cargo da cooperativa”, que “a Cooperativa, entre tantas outras atribuições, possui a incumbência de suprir os seus cooperados com os insumos necessários à realização do trabalho de transporte”. Ora, se a despesa está a cargo da cooperativa, sequer está inserida no valor dos repasses aos cooperados. Portanto, concluise que a recorrente acabou beneficiandose duplamente de deduções. Primeiramente, porque descontou os custos antes de proceder o repasse aos cooperados e, depois, pela dedução regulamentar da base de cálculo da contribuição previdenciária relativa aos repasses. Comprovado, desse modo, que os argumentos da recorrente são absolutamente equivocados, visto que a base de cálculo das contribuições previdenciárias em relação aos segurados cooperados, efetivamente não incidiu sobre a receita bruta da cooperativa, deve ser mantido incólume o lançamento. Fl. 771DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.721256/201143 Acórdão n.º 2302002.741 S2C3T2 Fl. 768 9 Diligência. A recorrente insiste ainda no pleito de conversão do julgamento em diligência para que apresentasse os reais valores repassados aos seus cooperados, descontandose os valores relativos aos atos cooperativos, que não sofrem tributação. Primeiramente, cumpre destacar que a recorrente, em nenhuma oportunidade, apresentou argumentação ou prova contundente de que haja algum excesso nos valores considerados pela autoridade fiscal. Portanto, devese destacar que foi facultado à recorrente comprovar as suas alegações e ela não cumpriu com seu ônus. É verdade que o artigo 18 do Decreto n° 70.235/72 faculta a determinação de ofício da diligência ou perícia, quando entendêlas necessárias. No entanto, como visto anteriormente, não há que se cogitar de maiores investigações sobre o fato em debate. Outrossim, a realização da prova não constitui direito subjetivo do contribuinte, pois, em razão do livre convencimento motivado, compete ao julgador deferila, se entendêla necessária. Multa. Retroatividade Benigna. Quanto à multa aplicada no AI debcad 37.252.5857, por ter a recorrente apresentado GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, cumpre destacar nosso entendimento pelo equívoco na aplicação da retroatividade benigna, em razão da edição da Medida Provisória n° 449/2008, posteriormente convertida na Lei n° 11.941/2009. Isso porque a autoridade fiscal, a fim de apurar a multa mais benéfica, fez um somatório da multa moratória de vinte e quadro por cento pelo descumprimento da obrigação principal mais a multa de cem por cento relativas as contribuições não declaradas (obrigação acessória) e comparouas com a multa de ofício de 75% da novel legislação. Ou seja, misturou a legislação relativa à obrigação acessória com as disposições legais pertinentes aos acréscimos legais da obrigação principal. Vejamos nosso entendimento: Apurado o descumprimento de obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer), compete à autoridade fiscal lavrar Auto de Infração, aplicando a penalidade correspondente, que se converterá em obrigação principal, na forma do § 3º do art. 113 do CTN. No presente caso, a obrigação acessória corresponde ao dever de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, por intermédio de documento definido em regulamento (GFIP), TODOS os dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. Ao deixar de informar fatos geradores de contribuições previdenciárias, a recorrente infringiu o artigo 32, IV, § 5º, da Lei n.º 8.212/91; e o artigo 225, IV, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, pois é obrigada a informar, mensalmente, por intermédio da GFIP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, sendo que a apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitava o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada. Fl. 772DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, estava contida no artigo 32, § 5º, da Lei n.º 8.212/91; e no artigo 284, II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99: Art.284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: I valor equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no caput do art. 283, em função do número de segurados, pela não apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, independentemente do recolhimento da contribuição, conforme quadro abaixo: 0 a 5 segurados ½ valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo Acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; e (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) III cinco por cento do valor mínimo previsto no caput do art. 283, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. § 1º A multa de que trata o inciso I, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue, sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração. Fl. 773DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.721256/201143 Acórdão n.º 2302002.741 S2C3T2 Fl. 769 11 § 2º O valor mínimo a que se refere o inciso I será o vigente na data da lavratura do autodeinfração. Era considerado, por competência, o número total de segurados da empresa, para fins do limite máximo da multa, que era apurada por competência, somandose os valores da contribuição não declarada, e seu valor total será o somatório dos valores apurados em cada uma das competências. Entretanto, as multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, já na redação da Lei n.º 11.941/2009, nestas palavras: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. Como afirmado, no caso em tela, o Fisco ao aplicar a multa fez um somatório da multa moratória de 24% pelo descumprimento da obrigação principal mais a multa de cem Fl. 774DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 12 por cento relativas as contribuições não declaradas e comparouas com a multa de ofício de 75%. Mas, quanto à aplicação de multa no Auto de Infração de omissão de fatos geradores em GFIP, nosso entendimento é que, à luz da legislação vigente, as multas devem ser aplicadas de forma isolada, conforme o caso, por descumprimento de obrigação principal ou de obrigação acessória, da forma mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disposto no artigo 106, do Código Tributário Nacional. Embora, em algumas vezes, a obrigação acessória descumprida esteja diretamente ligada à obrigação principal, isto não significa que sejam únicas para aplicação de multa conjunta. Pelo contrário, uma subsiste sem a outra e mesmo não havendo crédito a ser lançado, é obrigatória a lavratura de auto de infração se houve o descumprimento de obrigação acessória. As condutas são tipificadas em lei, com penalidades específicas e aplicação isolada. O art. 44 da Lei n º 9.430/96, traz que a multa de ofício de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Portanto, está claro que as três condutas não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Quando o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não será aplicada a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; porém, se apesar do pagamento, não tiver declarado em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212, justamente por se tratar de condutas distintas. Se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9.430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. Portanto, a multa prevista no artigo 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Ocorre que pode ocorrer de o contribuinte não ter recolhido o tributo e tampouco ter declarado em GFIP. Nessa situação, temos duas infrações distintas e, conseqüentemente, duas penalidades de natureza diversa: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e, por não ter declarado em GFIP, a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. A lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Fl. 775DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.721256/201143 Acórdão n.º 2302002.741 S2C3T2 Fl. 770 13 Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional, o qual dispõe que a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, a multa constante do AI debcad 37.252.5857 deve ser aplicada na forma do art. 32 A, I, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 11.941/2009. Pelas razões ora expendidas, CONHEÇO do recurso para, no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, devendo a multa aplicada no AI debcad 37.252.5857 ser calculada considerando as disposições do artigo 32A, I, da Lei n.º 8.212/91, na redação da Lei n.º 11.941/2009. É como voto. André Luís Mársico Lombardi Relator Fl. 776DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 10860.900302/2008-79
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.479
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. 1 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 60 .9 00 30 2/ 20 08 -7 9 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, proferida pela DRJ Campinas (SP), fl. 26, que transcrevo a seguir: “Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação (fl. 6), tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Cientificada do despacho decisório em 05/05/2008 (fl. 7), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 03/06/2008 (fl. 8/14), na qual alegou que o despacho decisório decorre do fato de não terem sido retificadas as DCTFs que identificam os pagamentos realizados durante o ano de 2003 e em janeiro de 2004 em relação aos débitos de PIS, e informa que estava apresentando as correspondentes declarações retificadoras, conforme cópia que anexava aos autos. A interessada alegou, ainda, que, em conformidade ao disposto no § 1° do art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 786, de 2007, a declaração retificadora substitui integralmente a original, sendo que os valores corretos devidos a titulo de PIS são aqueles declarados na DIPJ 2004. Assim, conclui que os créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior de PIS foram devidamente demonstrados por meio das DCTF retificadoras, restando comprovado que o crédito que possui é suficiente para compensar os débitos da DCOMP. Ao final, entendendo que o procedimento adotado estava em consonância com a legislação vigente à época, a contribuinte requer a nulidade do despacho decisório.” A Delegacia de Julgamento em Campinas (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a 2 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 3341, onde reprisa as razões apresentadas na manifestação de inconformidade de fls. 0914. Aduz ainda que a autoridade competente não observou o procedimento previsto no art. 65 da Instrução Normativa nº 900, de 2008, devendo ser aplicado ao caso o princípio da verdade material, uma vez que ocorreu erro material na apuração do crédito, por parte da recorrente, o que foi levado a conhecimento da DRF posteriormente através da apresentação regular da PER/DCOMP, requerendo seja conhecido e provido o recurso para seja reconhecido o direito creditório relativo aos pagamentos efetuados a maior ou indevidos de IPI, acrescidos de juros equivalentes a taxa SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada, podendo ainda estes valores serem compensados com quaisquer tributos ou contribuições sob a administração da SRF, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. 3 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Em apertada síntese, requer a contribuinte que seja homologada a Declaração de Compensação (DCOMP)de fls. 02/06, alegando que houve equívoco no preenchimento da DCTF remetida à Receita Federal, o que foi posteriormente corrigido através da entrega da DCTF retificadora, corroborada pelas informações constantes na DIPJ apresentada. Ocorre que a Delegacia da Receita Federal entendeu por não homologar a compensação, referindo que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débitos da contribuinte. Ciente do Despacho Decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, contudo, sem apresentar parte da documentação informada, necessária para a análise do pedido, motivo pelo qual foi julgada improcedente a manifestação, restando não homologada a compensação pela DRJ de origem. Não obstante a ausência de parte da documentação comprobatória necessária na origem, motivo do indeferimento do pedido de homologação, a contribuinte recorre a este Conselho de Contribuintes anexando às suas razões a integralidade da documentação comprobatória necessária, o que justifica uma nova análise do seu pedido de homologação da compensação. Desta forma, verificada a documentação apresentada juntamente com o presente recurso, fazse necessária a análise do seu conteúdo probatório. Primeiramente, é necessário observar que a recorrente anexou a mencionada DCTF retificadora, estando esta em consonância com as suas razões recursais, tendo em vista que nela se pode verificar com clareza a informação referente ao crédito existente no período no qual, através da informação da DCTF apresentada anteriormente, haveria débito. Quanto à apresentação da DCTF e da DCTF retificadora, dispõe a Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010, que: Art. 8º Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, 4 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.177, de 25 de julho de 2011) § 4º Na hipótese do inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 7º. § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1 º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. § 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. Art. 9ºA As DCTF retificadoras poderão ser retidas para análise com base na aplicação de parâmetros internos estabelecidos pela RFB. § 1º A pessoa jurídica ou o responsável pelo envio da DCTF retida para análise será intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar documentos sobre as possíveis inconsistências ou indícios de 5 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 irregularidade detectados na análise de que trata o art. 7º. § 2º A intimação para o sujeito passivo prestar esclarecimentos ou apresentar documentação comprobatória poderá ser efetuada de forma eletrônica, observada a legislação específica, prescindindo, neste caso, de assinatura. § 3º O não atendimento à intimação no prazo determinado ensejará a não homologação da retificação. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.258, de 13 de março de 2012). Da análise da Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil acima transcrita, concluise que a DCTF retificadora substitui integralmente à original. Este é o entendimento do Tribunal Regional Federal da 4ª Região: APELAÇÃO CÍVEL Nº 2006.72.06.0006180/SC RELATOR: Des. Federal JOEL ILAN PACIORNIK EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. CDA. PRESUNÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ. DCTF RETIFICADORA. PEDIDO DE REVISÃO DE DÉBITOS INSCRITOS EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. ENCARGO LEGAL. 1. Consoante disposição do art.204doCTNe do art.3ºda Lei nº6.830/80, a dívida regularmente inscrita goza da presunção de certeza e liquidez, a qual só pode ser ilidida por prova inequívoca em sentido contrário. 2. A DCTF retificadora substitui a DCTF anteriormente apresentada. 3. O Pedido de Revisão de Débitos Inscritos em Dívida Ativa da União não tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário, uma vez que não integra o rol das hipóteses legalmente previstas e aptas para tanto (art.151,III, doCTN). 4. Considerando que se encontra presente o encargo legal do Decreto Lei n1.025/69, não há falar em condenação da embargante ao pagamento dos honorários advocatícios. 5. Apelação improvida. (grifei) Havendo divergência encontrada na DCTF retificadora, esta deve ser objeto de auditoria interna da Receita Federal. Todavia, no caso em tela, a contribuinte apresentou também a DIPJ onde consta o crédito apontado, o que comprova a veracidade das suas informações, uma vez que é realizada a análise dos valores informados a título de créditos e débitos quando da apresentação desta, através do cruzamento das informações da Receita Federal com aquelas apresentadas na DIPJ pelo contribuinte. Desta forma, verificando a DIPJ apresentada, constatase que não existe débito no período informado. 6 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Acerca da análise, neste momento, da documentação comprobatória trazida aos autos somente quando da interposição do presente recurso, cumpre ressaltar que o processo administrativo fiscal tem por finalidade a apuração de fatos que podem ou não ensejar o direito de crédito para a Administração ou para o contribuinte. O processo administrativo tributário nada mais é do que uma revisão dos atos administrativos que culminam com o lançamento final do crédito tributário, de modo que o sujeito passivo possa discutir dentro do Executivo a existência de algum equívoco quanto ao lançamento do crédito tributário. É um instrumento de controle da qualidade que a administração dispõe para aperfeiçoar seus atos administrativos. Esta finalidade do processo administrativo enseja a aplicação, em seu âmbito, do princípio da verdade material. No caso dos autos, ainda que juntada posteriormente ao despacho decisório, bem como à decisão da DRJ de origem, a prova trazida aos autos deve ser apreciada para a melhor solução da controvérsia, uma vez que, de fato, comprova o alegado. Se o contribuinte alega ter o direto ao crédito,o qual requer a compensação, e traz aos autos, ainda que somente nesta fase processual, a prova deste direito, não há razão para negarlhe a homologação da compensação. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) aprecie e informe a existência de créditos e débitos, especialmente pela análise da DIPJ onde consta o crédito apontado e a alegada a veracidade das suas informações; b) cientifique a interessada quanto ao teor da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias.julgamento. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. 7 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 19515.001857/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE INFRAÇÃO VERIFICADA NOS AUTOS EM QUE SE DISCUTE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA SEGUE RESULTADO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO QUE SE IMPÕE. Trata-se de multa imputada por descumprimento de obrigação acessória, nos termos do art. 32, inciso II, § 5° da Lei n°8.212/91, por ter a Recorrente, em tese, deixado de contabilizar em títulos próprios os lançamentos referentes a pagamentos de pró-labore a contribuintes individuais. Tendo os créditos de obrigação principal sido cancelados quanto aos lançamentos referentes a contabilização de pagamentos de pró-labore, não há que subsistir a autuação por descumprimento de obrigação acessória.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-003.473
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, vencidos os conselheiros Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado e Ronaldo de Lima Macedo, em dar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente.
Thiago Taborda Simões Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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Recorrente CALZA E SALLES E ADVOGADOS ASSOCIADOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2004 A 31/12/2004 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE INFRAÇÃO VERIFICADA NOS AUTOS EM QUE SE DISCUTE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA SEGUE RESULTADO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO QUE SE IMPÕE. Tratase de multa imputada por descumprimento de obrigação acessória, nos termos do art. 32, inciso II, § 5° da Lei n°8.212/91, por ter a Recorrente, em tese, deixado de contabilizar em títulos próprios os lançamentos referentes a pagamentos de prólabore a contribuintes individuais. Tendo os créditos de obrigação principal sido cancelados quanto aos lançamentos referentes a contabilização de pagamentos de prólabore, não há que subsistir a autuação por descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, vencidos os conselheiros Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado e Ronaldo de Lima Macedo, em dar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 18 57 /2 00 9- 11 Fl. 225DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/08/201 3 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES 2 Thiago Taborda Simões – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/08/201 3 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 19515.001857/200911 Acórdão n.º 2402003.473 S2C4T2 Fl. 114 3 Relatório Tratase de recurso voluntário (Fls. 127/129) interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em São Paulo que, ao analisar a impugnação formulada pela Recorrente, entendeu por sua improcedência, mantendo o crédito tributário em discussão. O crédito em análise, por sua vez, diz respeito à multa imputada por descumprimento de obrigação acessória, nos termos do art. 32, inciso II, § 5° da Lei n°8.212/91, vez que, de acordo com o Relatório Fiscal da Infração, deixou a Recorrente de contabilizar em títulos próprios os lançamentos referentes a pagamentos de prólabore a contribuintes individuais no período de 01/2004 a 12/2004. A multa aplicada corresponde a 100% (cem por cento) do valor devido em contribuição não declarada, observado o limite por competência em função do número de segurados da empresa previsto pelo § 4°, art. 32, da Lei n° 8.212/91, totalizando o montante de R$ 13.291,66 (treze mil, duzentos e noventa e um reais e sessenta e seis centavos). É o Relatório. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/08/201 3 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES 4 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões, Relator Preliminarmente O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. No mérito Tratase de recurso interposto contra auto de infração lavrado por descumprimento de obrigação acessória, nos termos do art. 32, inciso II, § 5° da Lei n°8.212/91, vez que, de acordo com o Relatório Fiscal da Infração, teria deixado a Recorrente de contabilizar em títulos próprios os lançamentos referentes a pagamentos de prólabore. Ante a infração verificada, a autoridade fiscal imputou à Recorrente multa correspondente a 100% (cem por cento) do valor devido em contribuição não declarada, nos termos da Lei vigente à época da infração. Todavia, ante a ausência de infração verificada nos autos dos processos n° 19515.001860/200935 e 19515.001861/200980 (obrigações principais), não há que se falar em imputação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Ante o exposto, reconheço o direito da Recorrente ao cancelamento do auto de infração. Conclusão Isto posto, conheço do recurso voluntário e a ele dou provimento. É como voto. Thiago Taborda Simões Fl. 228DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/08/201 3 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 19515.001857/200911 Acórdão n.º 2402003.473 S2C4T2 Fl. 115 5 Declaração de Voto Após análise dos autos, ouso divergir do conselheiro relator. A autuação em tela ocorreu e razão da empresa haver contabilizado valores considerados como prólabore pela auditoria fiscal em conta do Ativo Circulante Realizável a Curto Prazo, denominadas 12303 Contas Correntes Sócios –Fernando Calza Salles Freire e 12304 – Contas Correntes Sócios – Victor Luis Salles Freire. Entendo que as contas em questão foram utilizadas, de forma indevida, para a contabilização de despesas pessoias dos sócios, bem como de retiradas de numerário por parte deles, o que caracterizaria o pagamento indireto de prólabore. Na análise do recurso apresentado contra o lançamento da obrigação principal, considerei ser este procedente, logo, outro não poderia ser o entendimento senão pela procedência da autuação pelo descumprimento da obrigação acessória correlata. Assim, transcrevo trecho do voto pela procedência do lançamento da obrigação principal. Quanto ao levantamento PLB – Pagamento de Pro Labore, a recorrente em sua impugnação alegou não se tratar de retirada de pro labore dos sócios e que tais valores teriam sido debitados dos lucros auferidos pela empresa e distribuídos aos sócios. A argumentação acima não foi aceita pela primeira instância, em face de os valores distribuídos a título de lucro não guardarem correspondência com os valores das despesas diversas pagas no interesse dos sócios e, principalmente, porque a recorrente não trouxe qualquer comprovação de que estes valores tenham sido debitados da conta de Lucros Acumulados. Diante dos argumentos que afastaram a alegação da recorrente, esta, em seu recurso, reconhece o equívoco da explicação anterior e informa que tais numerários foram lançados em contas do Ativo, como valores a receber dos sócios e, como tal, não poderiam ser considerados retirada de pro labore. O argumento acima não pode ser acolhido pelas razões que se seguem. Abstraindose o fato de que a alegação acima foi apresentada de forma preclusa, ou seja, não foi apresentada na impugnação, esta não tem o condão de levar ao reconhecimento da improcedência do lançamento. Cumpre dizer que ainda que fosse possível acatar a alegação, ela só se prestaria a desconstituir parte do lançamento, uma vez que os valores lançados foram apurados também nas seguintes contas de despesas: Fl. 229DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/08/201 3 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES 6 46220 (CONVENÇÕES, CURSOS E PALESTRAS) 48007 (IMPOSTO S/PROPR. VEIO AUTOMOTOR) 462210 (MULTAS NÃO DEDUTÍVEIS) 46230 (DESPESAS COM VEÍCULOS) 46259 (LICENCIAMENTO DE VEÍCULOS) 46276 ( PRÊMIOS DE SEGUROS) 46286 (PREVIDÊNCIA PRIVADA) No entanto, não confiro razão à recorrente quando esta alega que o fato de haver efetuado lançamentos de despesas diversas dos sócios em contas do ativo, por si só, afasta a natureza de pró labore dos valores. A recorrente criou em sua contabilidade duas contas classificadas no Ativo Circulante Realizável a Curto Prazo, denominadas 12303 Contas Correntes Sócios –Fernando Calza Salles Freire e 12304 – Contas Correntes Sócios – Victor Luis Salles Freire. O ativo circulante das empresas é representado pelas disponibilidades financeiras e outros bens e direitos que se espera sejam transformados em disponibilidades, vendidos ou usados dentro de um ano ou no decorrer de um ciclo operacional. Da análise da cópia do Balanço Patrimonial juntada pela recorrente (fls. 897), verificase que o saldo das duas contas acima representam 72% (setenta e dois por cento) do Ativo Circulante Realizável a Curto Prazo. Além disso, os valores considerados pela auditoria fiscal que foram lançados nas referidas contas, totalizaram, no ano de 2004, em torno de R$ 375.000,00 (trezentos e setenta e cinco mil reais), valor que comparado ao saldo das contas no final do exercício de R$ 2.520.060,47 (dois milhões, quinhentos e vinte mil, sessenta reais e quarenta e sete centavos), leva a inferir que a recorrente vem adotado este procedimento sem a preocupação de, efetivamente, realizar esse suposto ativo. Ademais, o tipo de conta utilizado não se presta ao registro de valores que correspondem claramente a despesas, como, por exemplo, depósitos em contas bancárias pessoais dos sócios, pagamento de faturas de cartões de crédito dos sócios, pagamento de financiamento de veículos não pertencentes à empresa, como também IPVA e multas de trânsito, pagamento de funcionários da fazenda do Dr. Victor, pagamento da empregada da residência do Dr. Victor e do seu motorista, pagamento de previdência privada para familiares dos sócios. Notase que o tipo de contabilização efetuado pela empresa seria adequado a um empréstimo, por exemplo, entre a empresa e os sócios, devidamente documentado e com prazo para o seu pagamento. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/08/201 3 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 19515.001857/200911 Acórdão n.º 2402003.473 S2C4T2 Fl. 116 7 No caso em análise, a contabilização efetuada pela empresa não observou princípios da contabilidade como o da entidade, ao registrar despesas pessoais e retiradas de numerário da empresa pelos sócios em uma conta do Ativo. Asseverese que tratandose de uma conta do Ativo Circulante Realizável a Curto Prazo seria esperado que tais lançamentos se revertessem em disponibilidades para a empresa no máximo no exercício seguinte. No entanto, a recorrente não dá notícias se esses valores foram devolvidos pelos sócios em algum momento. Portanto, não há como acolher a pretensão da recorrente em ver desconstituído o lançamento. Da argumentação contida no voto acima transcrito, podese concluir que deve prevalecer o lançamento da multa pelo descumprimento da obrigação acessória em questão. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 231DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/08/201 3 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES
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Numero do processo: 13009.000156/99-01
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
CONTRADIÇÃO NOS FUNDAMENTOS - EFEITO INFRINGENTE
Contradição endógena aos fundamentos ao se dizer que cabe reconhecer a homologação tácita das compensações e que se devem deduzir dos valores dessas compensações (dos créditos absorvidos nessas compensações) os dos autos de infração relativos ao mesmo ano-calendário dos créditos. Efeito infringente do dispositivo como consequência lógica ou necessária do saneamento da contradição.
Numero da decisão: 1103-000.914
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os embargos, com efeitos infringentes, alterando o dispositivo do Acórdão nº 1103-00.158/2010 para "Dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a concreção da homologação tácita das compensações (que compreendem créditos de PIS, de Cofins e de saldos negativos de IRPJ e de CSLL) pedidas até 22/3/2000, das quais devem ser subtraídos os valores das desistências das compensações formuladas até 22/2/2005 (data em que se aperfeiçoou a homologação tácita), e reconhecer as compensações pedidas após 22/3/2000, dos créditos de PIS e de Cofins postulados, que devem levar em consideração as desistências formuladas após a homologação tácita (após 22/3/2005)."
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Marcelo Baeta Ippolito e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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Interessado 3ª TURMA ORDINÁRIA DA 1ª CÂMARA DA 1ª SEÇÃO DO CARF ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 CONTRADIÇÃO NOS FUNDAMENTOS EFEITO INFRINGENTE Contradição endógena aos fundamentos ao se dizer que cabe reconhecer a homologação tácita das compensações e que se devem deduzir dos valores dessas compensações (dos créditos absorvidos nessas compensações) os dos autos de infração relativos ao mesmo anocalendário dos créditos. Efeito infringente do dispositivo como consequência lógica ou necessária do saneamento da contradição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os embargos, com efeitos infringentes, alterando o dispositivo do Acórdão nº 110300.158/2010 para "Dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a concreção da homologação tácita das compensações (que compreendem créditos de PIS, de Cofins e de saldos negativos de IRPJ e de CSLL) pedidas até 22/3/2000, das quais devem ser subtraídos os valores das desistências das compensações formuladas até 22/2/2005 (data em que se aperfeiçoou a homologação tácita), e reconhecer as compensações pedidas após 22/3/2000, dos créditos de PIS e de Cofins postulados, que devem levar em consideração as desistências formuladas após a homologação tácita (após 22/3/2005)." (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 9. 00 01 56 /9 9- 01 Fl. 2469DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13009.000156/9901 Acórdão n.º 1103000.914 S1C1T3 Fl. 2.470 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Marcelo Baeta Ippolito e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 2470DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13009.000156/9901 Acórdão n.º 1103000.914 S1C1T3 Fl. 2.471 3 Relatório DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DO DESPACHO DECISÓRIO O presente processo originase de pedido de restituição do montante de R$ 1.534.738,20 (fl. 1), apurado na declaração de rendimentos referente ao anocalendário 1998. Tal crédito seria derivado das retenções na fonte ocorridas em 1998, conforme planilha apresentada pela recorrente (fls. 2 a 12). Cumulamse com o pedido de restituição os pedidos de uso do referido montante para compensações com débitos próprios (fls. 19 a 34, 54, 57, 58, 73, 74, 77 a 83, 756 a 758 e 791). A autoridade administrativa, em despacho decisório (fls. 1536 a 1541), decidiu não homologar os pedidos de compensações pleiteados, alegando em síntese que: a) O valor retido de R$ l.534.738,20 informado pela recorrente em planilha anexada aos autos (fls. 2 a 12) referese a: · R$ 164.429,17 de retenções de Imposto de Renda Retido na Fonte (1,5%); e · R$ 1.370.309,03 de retenções por órgãos públicos federais nos códigos de receita 6147 e 6190, sendo R$ 713.940,04 de Imposto de Renda; R$ 179.827,12 de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido; R$ 359.654,25 de Cofins; e R$ 116.887,63 de PIS. b) Destarte, os valores retidos de Cofins e de PIS são compensados mensalmente e não em termos anuais, o que os afastam desse julgamento; c) Relativo ao IRPJ e à CSL, em conformidade com a diligência solicitada para verificar a real existência de saldos negativos de IRPJ e de CSL no exercício de 1999, anocalendário de 1998, a fiscalização (fls. 1.413 e 1.414) observou que a recorrente não teria adicionado ao lucro líquido do referido ano o valor de R$ 1.821.988,08, relativo a faturamento de 1997 recebido em 1998, não obstante a recorrente ter informado que não houvera qualquer adição desse valor na base de cálculo em anos posteriores a 1997 em função de ela não ter recebido os valores relativos a faturamento de órgãos públicos, conforme demonstrado na planilha de fls. 1.348; d) Dessa forma, seria cabível adicionar o valor de R$ 1.821.988,08 ao da linha 15 (Outras Adições) da Ficha 10 da DIPJ, o qual passaria a ser de R$ 2.659.534,35; e) Referente ao valor de R$ 5.100.700,20 informado na linha 28 da mesma Ficha 10 (Outras Exclusões), a fiscalização, com base em planilha apresentada pela recorrente (fl. 1395), constatou a exclusão duplicada das notas fiscais de nºs. 37, 58 e 59, no valor total de R$ 1.096.896,05, visto que tais notas há haviam sido excluídas em 31/12/1997, conforme a planilha de fls. 1.348; Fl. 2471DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13009.000156/9901 Acórdão n.º 1103000.914 S1C1T3 Fl. 2.472 4 f) Uma vez deduzido o valor em duplicidade, restaria líquido, conforme a informação fiscal, o valor de R$ 3.107.495,16 para diferimento a ser informado na Linha 28 (Outras Exclusões) da Ficha 10; g) Essas mesmas correções devem ser aplicadas à CSL, adicionandose ao resultado líquido o valor de R$ 1.821.988,08 e elevando assim o valor da linha 07 da Ficha 30, para R$ 2.659.534,35; e realizar a glosa de R$ 1.096.896,05 do total excluído na linha 16 da mesma Ficha 30 (R$ 5.100.700,20); h) Concernente ao valor de R$ 164.429,17 (Imposto de Renda Retido na Fonte informado pela recorrente), a autoridade fiscal confrontouo com os valores informados em DIRF ou em Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte e constatou valor inferior ao informado pela recorrente, devendo a mesma retificar o valor de IRRF para R$ 143.488,49 (fls. 1524 a 1527) i) Referente ao valor de R$ 713.940,04 (Imposto de Renda Retido na Fonte por Órgão Público informado pela recorrente), a autoridade fiscal confrontouo com valores informados em DIRF, Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte ou pelo Siafi e constatou valor inferior ao informado pela recorrente, devendo a mesma retificar o valor de IRRF por Órgãos Públicos para R$ R$ 676.048,02 (fls. 1.528 a 1.531); j) Uma vez confirmado o valor de R$ 63.741,50 de imposto de renda mensal por estimativa, o valor declarado na linha 17 (Imposto de Renda a Pagar) da Ficha 13 da DIPJ/99, anocalendário 1998, deverá ser retificado de saldo negativo de R$ 942.110,71 para saldo devedor de R$ 46.520,26, inexistindo, pois, saldo negativo a ser utilizado em compensações; k) Esse mesmo critério fora utilizado quanto ao aproveitamento das retenções de CSL feitas pelos órgãos públicos, visto que segundo planilhas acostadas no auto (fls. 1532 a 1535), o valor correto de retenção a ser aproveitado no confronto com a CSL devida no ano é de R$ 171.932,77 e não de R$ 179.827,12; com o quê, a CSL a pagar (linha 26) foi retificada de saldo negativo de R$ 298.313,72 para saldo devedor de R$ 14.796,07; l) Por fim, tendo em vista a inexistência de saldo negativo de IRPJ e de CSL a compensar em 1998, indeferiu o reconhecimento do crédito pleiteado e não homologou as compensações requeridas. Em 5/1/2005, a recorrente protocolizou pedido de desistência dos pedidos de compensação abaixo relacionados (fl. 1146, vez que já fora efetuado o pagamento deles conformidade com o artigo 20 da MP 66/2002): valor data de protocolo Folha Pedido de Compensação R$ 325,17 02/02/99 21 Pedido de Compensação R$ 1.881,82 02/02/99 22 Fl. 2472DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13009.000156/9901 Acórdão n.º 1103000.914 S1C1T3 Fl. 2.473 5 Pedido de Compensação R$ 6.842,03 02/02/99 23 Pedido de Compensação R$ 6.080,20 02/02/99 24 Pedido de Compensação R$ 58.149,34 09/02/99 26 Pedido de Compensação R$ 75.215,87 09/02/99 27 Pedido de Compensação R$ 11.639,75 09/02/99 29 Pedido de Compensação R$ 49.634,50 09/02/99 30 Pedido de Compensação R$ 49.764,97 09/02/99 31 Pedido de Compensação R$ 37.586,33 09/02/99 32 Pedido de Compensação R$ 81.702,39 09/02/99 33 Pedido de Compensação R$ 62.165,09 09/02/99 34 Ainda em 5/1/2005, a recorrente protocolou pedido de cancelamento de débitos devido a inexistência dos mesmos (fl. 1.134), conforme lista abaixo: TRIBUTO P.A. VENCIMENTO VALOR PEDIDO DE COMPENSAÇÃO (fl.) 561 15/03/97 19/3/1997 22.628,62 27 561 22/03/97 26/3/1997 363,86 27 561 29/03/97 2/4/1997 506,70 27 3280 22/02/97 26/2/1997 10,37 22 3280 08/03/97 12/3/1997 10,95 22 3280 22/03/97 26/3/1997 107,99 22 3280 10/05/97 14/5/1997 76,14 22 3280 17/05/97 21/5/1997 17,21 22 3280 24/05/97 28/5/1997 12,01 22 3280 07/06/97 11/6/1997 81,79 22 2430 7/1997 30/8/1997 78.841,41 74 2430 8/1997 30/9/1997 112.174,01 74 2430 9/1997 30/10/1997 50.022,18 74 2430 10/1997 30/11/1997 15.751,14 74 2430 11/1997 30/12/1997 30.655,64 74 2484 3/1999 30/4/1999 800,84 sem correspondente 2484 4/1999 31/5/1999 23.325,01 sem correspondente 2484 8/1999 30/9/1999 33.092,34 sem correspondente 2484 9/1999 31/10/1999 37.089,95 sem correspondente 2484 10/1999 30/11/1999 13.422,73 sem correspondente Em 3/2/2005, a recorrente juntou documento no qual requer a desistência das compensações dos tributos abaixo especificados, em função de parcelamento: Fl. 2473DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13009.000156/9901 Acórdão n.º 1103000.914 S1C1T3 Fl. 2.474 6 TRIBUTO CÓDIGO P.A. VENCIMENTO VALOR IRPJ 2362 01/1999 26/2/1999 490.613,48 IRPJ 2362 02/1999 31/3/1999 778.684,81 CSLL 2484 01/1999 26/2/1999 172.227,24 CSLL 2484 02/1999 31/3/1999 272.682,65 CSLL 2484 01/1999 28/2/1999 15.500,00 CSLL 2484 02/1999 31/3/1999 20.326,17 CSLL 2484 03/1999 30/4/1999 800,84 CSLL 2484 04/1999 31/5/1999 23.325,01 CSLL 2484 08/1999 30/9/1999 33.092,34 CSLL 2484 09/1999 31/10/1999 37.089,95 CSLL 2484 10/1999 30/11/1999 13.422,73 IRPJ 2430 07/1997 30/8/1997 78.841,41 IRPJ 2430 08/1997 30/9/1997 112.174,01 IRPJ 2430 09/1997 30/10/1997 50.022,18 IRPJ 2430 10/1997 30/11/1997 15.751,54 IRPJ 2430 11/1997 30/12/1997 30.655,64 Compulsado os autos, verifica manifestação da Seção de Controle e Acompanhamento Tributário – Sacat (fl. 1.656), na qual informa que os documentos apresentados pela recorrente (fls. 1.147 a 1.339) foram devidamente alocados aos respectivos débitos constantes deste processo, conforme comprovam os extratos anexados às fls. 1.562 a 1.655, em 25/1/2005. É solicitado à Saort informações referentes aos pedidos da requerente (fls. 1.134 e 1.146). Em resposta ao solicitado pela Sacat, a Seção de Orientação e Análise Tributária – Saort (fl. 1.660) manifestouse no seguinte sentido: a) Tendo em vista que a Sacat já alocou os pagamentos que a recorrente efetuou em consonância com a MP 66/2001, será examinado, além do pedido à fl. 1.134, também o solicitado às fls. 1.415 e 1.416; b) Referente ao pedido de cancelamento dos pedidos de compensação pela requerente na fl. 1.134, os débitos referenciados sob os códigos 561 e 3280 foram liquidados por compensação no âmbito do processo nº 13009.000183/9899, conforme se constata nos extrato às fls. 1.562, 1.563, 1.573 e 1.574. Já os débitos referenciados sob o código 2430 e 2484 foram parcelados por intermédio do processo 13009.000062/200504, como informado pela recorrente (fls. 1.415 e 1.416) e pelo que se vê nos extratos anexados aos autos (fls. 1657 a 1.659); c) Dessa forma, devem ser efetivamente desconsiderados os pedidos de compensação relativos aos débitos relacionados à fl. 1.134, uma vez que esses débitos já foram compensados ou parcelados; d) Referente ao pedido de cancelamento dos pedidos de compensação pela requerente nas fls. 1.415 e 1.416, a requerente relaciona 16 débitos referenciados sob os códigos 2362, 2484 e 2430, por motivo de parcelamento no processo nº 13009.000062/2005 Fl. 2474DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13009.000156/9901 Acórdão n.º 1103000.914 S1C1T3 Fl. 2.475 7 40. Verificase que esses débitos foram efetivamente parcelados (fls. 1.657 a 1.659), também devendo ser desconsiderados tais pedidos de compensação. Verificase ainda nos autos que a recorrente, em 6/4/2005, encaminhou pedido (fl. 1.666) à Sacat solicitando liquidação dos débitos abaixo relacionados que excederam ao direito creditório: Código Vencimento Valor Pedido de Compensação (fl.) 561 23/12/1999 105.398,36 81 561 15/12/1999 116.460,53 81 561 17/11/1999 130.435,63 80 DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Devidamente cientificada do r. despacho decisório em 23/3/2005, a requerente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 1.743 a 1.754), em 20/4/2005, na qual alega o quanto segue: a) Preliminarmente, diante da impossibilidade formal de se efetuar compensação de ofício de débitos que não foram devidamente constituídos pelo lançamento na forma do art. 142 do CTN, não cabe em procedimento de restituição aferir a existência de débito de imposto ou contribuição sem que o mesmo esteja definitivamente constituído; b) Outrossim, requer que seja desconsiderado o “ajuste” contido no despacho decisório objeto da manifestação de inconformidade e que se reconheça o crédito e se homologuem as compensações pleiteadas; c) Caso se entenda possível esta forma de lançamento, há que se levar em conta a impossibilidade material de se proceder à retificação da DIPJ do anocalendário de 1998, haja vista que seu resultado já se encontra consolidado pela decadência; logo, não se poderia lançar, ainda que indiretamente, o IRPJ e a CSL, apurados com base na declaração de rendimentos de determinado exercício financeiro já alcançado pela decadência; d) Quanto ao mérito, insurgese à adição na base de cálculo do ano calendário de 1998 do valor de R$ 1.821.988,08 correspondente às notas fiscais de nºs. 10 (parte), 11, 20, 21 e 38 (fl. 10), referentes à prestação de serviços ao Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), pois parte desse valor, R$ 1.630.643,43, foi lançada a resultado do anocalendário de 1997 através de adição à base de cálculo do lucro real como “outras adições”, fato que só agora veio a perceber; e) No anocalendário de 1997, a recorrente excluiu do lucro real, consoante o Lalur (fls. 1.373 a 1.379), e também a Ficha 11, linha 17 de sua DIRPJ, o valor de R$ 10.326.394,49, e não de R$ 9.126.394,48, como consignado no despacho decisório, sendo que esse valor é composto de R$ 8.951.806,42 (somatório das notas fiscais que enumera em tabela) com o valor de R$ 1.374.588,00 relativo à rubrica “outras exclusões”; f) O valor de R$ 7.270.701,62 lançado como soma das adições na linha 15 da ficha 7 da DIRPJ/1998, corresponde a: Fl. 2475DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13009.000156/9901 Acórdão n.º 1103000.914 S1C1T3 Fl. 2.476 8 · R$ 5.048.896,06 de “adição notas não recebidas”: referente às notas ficais recebidas relacionadas com o DNER, conforme tabela que apresenta a recorrente; · R$ 1.630.643,43 de “outras adições”: composto pelas notas fiscais nºs. 10 (parte), 11, 20, 21 e 38, conforme tabela apresentada pela recorrente, ressalvando a existência de uma diferença de R$ 29.452,40, pois o total dessas notas é de R$ 1.660.095,43; · R$ 6.643,99 de “despesas não dedutíveis”; · R$ 6.234,37 de “multas não dedutíveis”; e · R$ 578.589,81 de “INSS efetivamente pago”, g) Por não ter sido adotado o regime de caixa, as notas relacionadas no segundo ponto da alínea supra compuseram o resultado operacional do anocalendário o que impede a sua inclusão na referida base de cálculo, podendo somente ser ali adicionada a diferença entre o valor que fora adicionado em 1997 (R$ 1.630.643,43) e o valor cheio das referidas notas fiscais (R$ 1.821.988,08); h) Referente ao IRRF e a CSL retida por órgãos públicos, não aceita que o despacho decisório utilize um critério diferenciado na análise das informações que são relevantes, optando, sempre, pelo valor que a prejudique, em detrimento da busca da verdade material, haja vista que a autoridade aceitou o valor mensal informado pelo interessado por fonte retentora, somente nos casos em que esse valor era igual ou menor do que o informado pela fonte retentora, ou ainda, adotou o valor informado pela fonte retentora, somente quando menor do que o informado pelo interessado, o que é um absurdo, pois os valores comprovados no somatório anual são maiores do que o por ele informado; i) Por fim, a recorrente requer que seja reformada a decisão denegatória e homologada integralmente a compensação requerida. DA DECISÃO DA DRJ E DO RECURSO VOLUNTÁRIO Em 31/5/2005, a 9ª Turma de Julgamento da DRJ/Rio de Janeiro, acordou, por unanimidade de votos, acolher em parte a manifestação de inconformidade interposta pelo contribuinte, nos termos do relatório e voto para: a) reconhecer como direito creditório passível de compensação o montante de R$ 12.312,43, cuja natureza é de saldo negativo de IR do anocalendário de 1998; b) determinar a homologação da compensação de débitos informados pelo interessado nesse exato limite; c) não homologar, portanto, os débitos declarados como adimplidos por compensação que não forem alcançados pelo referido crédito tributável compensável. A decisão foi fundamentada nas seguintes razões ora sintetizadas: Fl. 2476DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13009.000156/9901 Acórdão n.º 1103000.914 S1C1T3 Fl. 2.477 9 a) Primeiramente, optouse em investigar a questão concernente à liquidez e à certeza do crédito tributário pleiteado notadamente no respeitante aos limites impostos à autoridade fiscal no momento dessa averiguação , tendo em vista que esse ponto é antecedente à análise da repetição de indébito ou da compensação; b) Ainda preliminarmente, afastaramse as alegações de que há impedimentos de natureza material, formal ou temporal a essa investigação, sem que isso implique retificação da declaração ou lançamento tributário; c) A primeira irregularidade seria decorrente da não adição ao lucro líquido do anocalendário de 1998 dos valores de algumas notas fiscais/fatura excluídos em 1997, mas não adicionados em 1998 quando do efetivo pagamento. A recorrente alegou que não teria, nesse caso, feito o diferimento, visto que teria, no anocalendário de 1997, lançado o valor dessas notas fiscais tanto como adição, quanto como exclusão do lucro líquido. Quer dizer com isso, que teria lançado a resultado como receita, pelo regime de competência, mas em seguida teria concomitantemente excluído e adicionado esses mesmos valores ao lucro líquido. Mas a recorrente não se dignou a comprovar tal alegação, sem trazer aos autos a contabilização e o controle do valor na Parte B do Lalur. Portanto, a arguição não pode prosperar; d) A outra irregularidade na apuração do tributo devido referese ao fato de a recorrente ter excluído do lucro líquido em 1998 três notas fiscais/fatura (nºs. 37, 58 e 59, nos valores respectivos de R$ 318.700,44, R$ 323.343,35 e R$ 454.852,26), cujos valores já teriam sido objeto de exclusão do lucro líquido em 1997 (vide planilhas de fls. 1.348 e 1.395); e) A recorrente não impugnou especificamente a glosa da exclusão acima efetuada pela autoridade de origem. Demais disso, não se observou qualquer reparo a ser feito de ofício ao procedimento levado a cabo por aquela autoridade, visto que nada mais fez do que reverter os efeitos da exclusão imprópria; f) Com essas alterações, como apurado pela autoridade da DRF/Volta Redonda, não há que se falar em inexistência de IR ou de CSL devidos em 1998. No que toca ao IR, o valor do Lucro Real de 1998, após as compensações de prejuízos, que a recorrente reputa como zero é, em verdade, de R$ 3.815.193,10. g) Consequentemente, o valor do imposto de renda devido (IR a alíquota de 15% e o adicional) passa de zero para R$ 929.798,28 (R$ 572.278,96 de IR a 15% e R$ 357.519,31 de adicional), conforme tabela abaixo transcrita: Apurado p/Interessado Apurado neste voto Lucro Líquido Período Base 4.850.265,46 4.850.265,46 Adições 976.849,47 2.798.837,55 Exclusões 5.100.700,20 3.107.495,16 Lucro Real Antes Comp. Prejuízo 726.414,73 4.541.607,85 Comp. Prejuízo 726.414,73 726.414,73 Lucro Real Após Comp. Prejuízo 0,00 3.815.193,12 IR a 15% 0,00 572.278,97 Adicional 0,00 357.519,31 IR Total 0,00 929.798,28 h) No que toca à CSL, a apuração assim se apresenta: Fl. 2477DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13009.000156/9901 Acórdão n.º 1103000.914 S1C1T3 Fl. 2.478 10 Apurado p/Interessado Apurado neste voto Lucro Líquido Antes da CSLL 4.850.265,46 4.850.265,46 Adições 976.849,47 2.798.837,55 Exclusões 5.100.700,20 3.107.495,16 BC CSLL Antes Comp. BC Negativa 726.414,73 4.541.607,85 Comp. BC Negativa 726.414,73 726.414,73 BC apurada 0 3.815.193,12 CSLL apurada 0 305.455,45 i) Por fim, referente à manifestação do interessado contra a redução dos valores de tributos retidos na fonte, no que toca ao IR, tem duas origens, a saber: o imposto retido na fonte sobre prestação de serviços, com alíquota de 1,5% e código retenção 1708; e a retenção na fonte sobre receitas de prestação de serviços a órgãos públicos. Na CSL só há a retenção feita pelos órgãos públicos; j) Nesse ponto, a recorrente tem razão em pugnar o critério da autoridade quando do aproveitamento das fontes retidas. Não tem sustentação jurídica, a opção, em todos os casos, pela escolha do valor menor quando da comparação da retenção demonstrada pelo interessado, por meio das planilhas de fls. 1 a 12 com a retenção comprovada por meio dos comprovantes de rendimento pagos fornecidos pelas fontes pagadoras (fls. 760 a 789); k) Portanto, mantêmse como informados os valores de R$ 164.429,17, de IRRF sobre prestação de serviços a entidades privadas; R$ 713.940,04, de IRRF sobre prestação de serviços a órgãos públicos (ambos utilizados no confronto com o IR devido); e de R$ 179.827,12 de retenção de CSL sobre prestação de serviços a órgãos públicos; l) Ante o exposto, observouse que haveria saldo negativo a reconhecer apenas referentes ao IR, como demonstrado nas planilhas abaixo transcritas: IRPJ Apurado p/Interessado Apurado neste voto IR Total 0,00 929.798,28 IR Mensal Estimativa 63.741,50 63.741,50 IRRF 164.429,17 164.429,17 IRRF por Órgãos Públicos 713.940,04 713.940,04 Total Antecipações 942.110,71 942.110,71 Saldo do IR a pagar 942.110,71 12.312,43 CSLL Apurado p/Interessado Apurado neste voto CSLL Apurada 0 305.455,45 CSLL retida Órgãos Públicos 179.827,12 179.827,12 CSLL Mensal Estimativa 118.486,60 118.486,60 Total Antecipações 298.313,72 298.313,72 Saldo CSLL a pagar 298.313,72 7.141,73 Fl. 2478DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13009.000156/9901 Acórdão n.º 1103000.914 S1C1T3 Fl. 2.479 11 Inconformada com a r. decisão, a recorrente, em 3/3/2006 interpôs recurso voluntário (fls. 2.037 à 2.056) , no qual alega que: a) Em caráter preliminar, o crédito tributário referente às Declarações de Compensação protocoladas antes de 25/3/2000 encontrase extinto, nos termos do disposto no art. 156, II, CTN, tendo em vista a homologação tácita das compensações; b) Ainda preliminarmente, a recorrente ressalta que o procedimento descrito no despacho decisório está equivocado, e não encontra guarida na legislação de regência, não cabendo ao Acórdão recorrido inovar em seus fundamentos, para afirmar, de forma simplória, que se trataria a compensação efetuada de ofício de mera “recomposição de saldo negativo”; c) Requer o reconhecimento de todos os tributos recolhidos por órgãos públicos, e não apenas o IRRF e a CSL, mas também a Cofins e o PIS, pois o direito creditório da recorrente, consubstanciado em valores que foram retidos por Órgãos Públicos e Privados para os quais presta serviço, não foi impugnado, assim não havia qualquer débito que autorizasse a “compensação de ofício” a que alude o art. 34 da IN SRF 460/04, razão pela qual requer que seja desconsiderado o “ajuste” contido no despacho decisório objeto da presente lide e homologada a compensação pleiteada no limite dos créditos apresentados; d) Não se pode lançar, ainda que indiretamente, o IRPJ ou a CSL apurado com base de Declaração de Rendimentos de um exercício financeiro (1998) já alcançado pela decadência, ainda que se admita este procedimento oblíquo de lançamento, em desacordo ao que prescreve o artigo 142 do CTN; e) Quanto ao mérito, reitera a argumentação já apresentada na manifestação de inconformidade contra a adição, na base de cálculo (lucro Real) do IRPJ e da CSL do ano calendário de 1998, do valor de R$ 1.821.988,08, correspondente às notas fiscais de nº 10, 11, 20, 21 e 38, referentes a serviços prestados ao Departamento Nacional de Estradas de Rodagem, concluindo, por fim, que estas notas fiscais acima citadas compuseram o resultado operacional do anocalendário de 1997, não podendo ser adicionadas à base de cálculo do IRPJ no ano de 1998, inexistindo razão para o mero exercício especulativo manifestado no Acórdão ora recorrido. DO ACÓRDÃO DO CARF Em sessão de julgamento do dia 7/4/2010, os membros da 3º Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, através do acórdão nº 1103 00.158, de minha relatoria, decidiram, por maioria de votos, DAR provimento parcial ao recurso, para reconhecer a concreção da homologação tácita das compensações (que compreendem créditos de PIS, de Cofins e de saldos negativos de IRPJ e de CSL) pedidas até 22/3/2000, devendo do valor dos créditos dessas compensações ser subtraído o valor dos autos de infração de IRPJ (R$ 136.783,36) e de CSL (R$ 40.679,22) referentes ao anocalendário de 1998 e os valores de desistências de compensação formuladas até 22/3/2005 (data em que se aperfeiçoou a homologação tácita), e reconhecer as compensações pedidas após 22/3/2000, dos créditos de PIS e de Cofins postulados, que devem levar em consideração as desistências formuladas após a homologação tácita (após 22/3/2005), conforme a ementa abaixo. Fl. 2479DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13009.000156/9901 Acórdão n.º 1103000.914 S1C1T3 Fl. 2.480 12 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO DECADÊNCIA DE LANÇAMENTO FEITO POR VIA OBLÍQUA – ART. 150, § 4º, DO CTN Como a compensação pode ser operada ao alvitre do contribuinte dentro do referido prazo decadencial, por ex., no último dia para sua consumação, é imperativo lógico e do razoável e do possível que o termo final para o fisco homologar ou não a compensação não seja o mesmo. Não se divisa decadência, conforme o art. 150, § 4º, do CTN, para a autoridade fiscal questionar sobre as exclusões e adições das receitas que deram causa ao IRRF, mas somente nesse âmbito restrito e para fins da homologação ou não do saldo negativo de IRPJ – jamais para infirmar outras exclusões e adições. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO – HOMOLOGAÇÃO TÁCITA – ART. 74, § 5º, DA LEI 9.430/96 Impõese reconhecer a concreção da homologação tácita das compensações, que compreendem créditos de PIS, de COFINS e de saldos negativos de IRPJ e de CSL, pedidas até 22 de março de 2000, devendo do valor dos créditos dessas compensações ser subtraído o valor dos autos de infração de IRPJ e de CSL atinentes ao anocalendário de 1998 e os valores de desistências de compensação formuladas até 22 de março de 2005. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO – PIS E COFINS Cabe reconhecer as compensações pedidas após 22 de março de 2000 dos créditos de PIS e de COFINS, que devem levar em consideração as desistências formuladas após a homologação tácita – após 22 de março de 2005. DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Vislumbrando obscuridade ou contradição no acórdão nº 110300.158, a recorrente apresentou embargos de declaração de fls. 2.456 a 2.462, alegando, em síntese, o que segue. A recorrente afirmou que no momento em que o acórdão embargado determina a “subtração do valor dos autos de infração de IRPJ e CSL” é necessário que enfrente a “questão subjacente à exigibilidade dos ‘débitos’” representados pelos autos de infração. Porque o próprio acórdão recorrido afirmou que o crédito tributário lançado de ofício seria objeto de inscrição na dívida ativa da União. Assim, asseverou ter restado “obscuro ou contraditório o reconhecimento da homologação tácita, e a propugnada necessidade de ‘subtração’ de valores que são absolutamente estranhos ao presente processo, e se não o forem devem obrigatoriamente terem sido considerados pelo Despacho Decisório que originou a presente lide”. E, mesmo que nenhum dos fatos processuais mencionados tenha ocorrido, a simples menção de que os créditos tributários teriam sido inscritos na dívida ativa já desautorizariam possível mitigação do direito creditório reconhecido. Fl. 2480DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13009.000156/9901 Acórdão n.º 1103000.914 S1C1T3 Fl. 2.481 13 Alegou, ainda, ter ocorrido preterição de seu direito de defesa por ter reformado a decisão da DRJ baseado em alegação nova de “compensação de auto de infração”, tornando nulo o acórdão embargado, por força do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72. Isso em virtude de incompetência do CARF para modificar o lançamento, por ser ato privativo da autoridade lançadora, nos moldes do art. 142 do CTN. Afirmou, ainda, haver contradição entre os fundamentos da decisão proferida pelo CARF e aquela emanada no parecer fiscal que lhe dá efetividade. Pelo exposto, requereu o expurgo da expressão “subtração de valor dos autos de infração de IRPJ e CSL”, bem como seja considerada “a concreção da homologação tácita das compensações (que compreendem créditos de PIS, de COFINS e de saldos negativos de IRPJ e de CSL) pedidas até 22/03/00”, e não apenas o que constante do parecer fiscal. É o relatório. Fl. 2481DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13009.000156/9901 Acórdão n.º 1103000.914 S1C1T3 Fl. 2.482 14 Voto Conselheiro Marcos Takata O recurso é tempestivo (fls. 2.452, 2.453, 2.463 a 2.466, numeração do e processo). Há potencialidade de contradição ou obscuridade no acórdão embargado, com o que conheço dos embargos. De início, quanto ao parecer fiscal emitido pela Seort da DRF/Belo Horizonte, em cumprimento ao acórdão destes embargos, observo o seguinte. Conquanto os terceiro e quarto parágrafos da segunda folha do parecer da Seort (iniciados por “Ou seja” e “Desta forma”) não ostente redação das mais felizes, notase nos parágrafos seguintes que se reconhece: o crédito de saldo negativo de IRPJ de R$ 729.273,42 e o crédito de saldo negativo de CSL de R$ 139.147,90, após se descontarem os valores dos autos de infração, e antes de se deduzirem os valores decorrentes de desistências de compensação; o crédito de saldo negativo de IRPJ de R$ 288.285,76, e o crédito de saldo negativo de CSL de R$ 139.147.90, após deduzidas os valores das desistências. Para daí se acolherem as compensações declaradas compreendendo 88 débitos. Portanto, diversamente do alegado pelo embargante, o referido parecer fiscal não aludiu apenas ao reconhecimento de crédito de PIS e Cofins chancelados pelo acórdão embargado. De toda forma, impende pontuar que os embargos não se prestam a resolver eventual dissonância entre o parecer fiscal do órgão de origem a dar cumprimento ao acórdão do CARF e o dispositivo desse acórdão. Havendo discordância da embargante quanto ao efetuado pelo órgão de origem, àquela assiste o direito de reação, que, exercida, reinstala o contraditório, na mesma lide, na forma e com os efeitos previstos no Decreto 70.235/72. Nesse sentido, a Solução de Consulta Interna – Cosit 18/12 interpreta adequadamente essa questão, ao reconhecer esse direito da embargante. Transcrevese sua ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, RESSARCIMENTO OU REEMBOLSO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. INDEFERIMENTO. RECURSO AO CARF. EXECUÇÃO DO ACÓRDÃO PELA DRF. CÁLCULO DE VALORES. CONTROVÉRSIA. FATO NOVO. Na execução de acórdão do Carf observamse, rigorosamente, os limites materiais estabelecidos por este, inclusive quanto Fl. 2482DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13009.000156/9901 Acórdão n.º 1103000.914 S1C1T3 Fl. 2.483 15 aos valores reivindicados pelo contribuinte, se sobre eles o Colegiado já houver se manifestado declarado objetivamente no julgado. Se no ato de execução do acórdão pela DRF houver discordância do contribuinte quanto aos valores apurados, e sobre os quais o Carf não tenha se manifestado, devolvemse os autos do processo às mesmas instâncias julgadoras, a fim de ser julgada a controvérsia quanto aos valores, sob o rito do Decreto nº 70.235, de 1972. A controvérsia constitui fato novo que se materializa na forma de impugnação (manifestação de inconformidade) e recurso, com efeito suspensivo, previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, admissíveis a partir da ciência da decisão da DRF quanto aos valores objeto da execução. Dispositivos Legais: Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 15 1, III; Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, § 11 do artigo 74; e Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, art. 66. Posto isso, no que concerne aos fundamentos do acórdão embargado, reconheço a contradição neles presente. No acórdão em causa, sob o argumento de ausência de certeza e de liquidez, foram infirmados os valores de principal de R$ 136.783,36 de IRPJ e de R$ 40.679,22 de CSL, por existirem autos de infração desses tributos nesses montantes para o anocalendário de 1998. Ao se firmar que dos valores de crédito de IRPJ e de CSL homologados tacitamente (a bem ver, as compensações homologadas tacitamente) devem ser deduzidos os montantes acima descritos, houve contradição, porquanto deduzir referidos valores é dizer que as compensações tacitamente homologadas não as foram. Ou seja, deduzirem os valores dos autos de infração do direito creditório consumado nas compensações, é afirmar que tais compensações, na parcela dos valores dos autos de infração, não se concretizaram – por homologação tácita. A contradição é endógena aos fundamentos quando se diz que cabe reconhecer a homologação tácita das compensações e, ao mesmo tempo, que se devem deduzir dos valores dessas compensações óbvio, dos créditos absorvidos nessas compensações – os dos autos de infração supramencionados. Para além da contradição radicada nos fundamentos do decisório, faço o registro de que a dedução dos montantes dos autos de infração referidos é inovação no julgamento, porquanto isso não fora objeto de enfrentamento no despacho decisório, e é antecipar o adimplemento dos processos (que presidem tais autos de infração) sem seus desfechos finais. Fl. 2483DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13009.000156/9901 Acórdão n.º 1103000.914 S1C1T3 Fl. 2.484 16 Eventual efeito infringente dos embargos devese dar como consequência lógica ou necessária1 do saneamento de contradição ou do enchimento de omissão existentes (enchimento do vazio) no acórdão embargado. É o que se dá no caso vertente, com o saneamento da contradição acusada. Impõese reconhecer que das compensações homologadas tacitamente não devem ser deduzidos os valores de principal de IRPJ e de CSL dos autos de infração relativos ao anocalendário de 1998. De tais compensações tacitamente homologadas, a dedução dos valores de desistências formuladas antes daquelas é de rigor, pela elementar razão de esses valores não terem sido objeto de compensação inalterável pela homologação tácita. Em tais termos, dou provimento parcial aos embargos, com efeitos infringentes, para alterar o dispositivo do acórdão embargado que passa a ser o seguinte: DAR provimento parcial ao recurso para reconhecer a concreção da homologação tácita das compensações (que compreendem créditos de PIS, de Cofins e de saldos negativos de IRPJ e de CSL) pedidas até 22/3/2000, das quais devem ser subtraídos os valores das desistências das compensações formuladas até 22/2/2005 (data em que se aperfeiçoou a homologação tácita), e reconhecer as compensações pedidas após 22/3/2000, dos créditos de PIS e de Cofins postulados, que devem levar em consideração as desistências formuladas após a homologação tácita (após 22/3/2005). É o meu voto. Sala das Sessões, em 7 de agosto de 2013 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator 1 Cf., entre outros, Nelson Nery Junior e Rosa Maria de Andrade Nery, “Código de Processo Civil Comentado”, 7ª ed., São Paulo: Revista dos Tribunais, 2003, p. 925; Luís Eduardo Simardi Fernandes, “Embargos de Declaração”, 2ª ed., São Paulo: Revista dos Tribunais, 2008, p. 475. Fl. 2484DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13009.000156/9901 Acórdão n.º 1103000.914 S1C1T3 Fl. 2.485 17 Fl. 2485DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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