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Numero do processo: 11065.721801/2017-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/07/2013
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
NULIDADE DO LANÇAMENTO PELO FATO DE A FISCALIZAÇÃO NÃO TER INDICADO A CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
Aplicação do Princípio do DABOMIHIFACTUM, DABOTIBI JUS. Exposto o fato, o juiz aplicará o direito, ainda que não alegado o dispositivo legal ou alegado equivocadamente.
O fato do Termo de Verificação Fiscal não ter indicado a classificação tributária que entendia ser correta, mas ter descrito adequadamente os fatos para propiciar a aplicação das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado e das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado pelos Julgadores de primeira e segunda instâncias, não macula o lançamento.
ART. 24 DA LINDB. INAPLICABILIDADE.NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. MATÉRIA RESERVADA À LEI COMPLEMENTAR.
O artigo 146 da Constituição Federal estabelece que a edição de normas gerais em matéria tributária é matéria reservada à lei complementar. E tem uma razão de ser em função da repartição de competências tributárias entre diversos entes federativos.
O artigo 24 da LINDB dirige-se à revisão de ato, processo ou norma emanados da Administração, bem como de contrato ou ajuste entabulados entre a Administração e o particular, não se aplicando ao lançamento fiscal, já que este não se ocupa da revisão de atos administrativos e não declara a invalidade de ato ou de situação plenamente constituída.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 3302-006.924
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher, parcialmente, os embargos de declaração para sanar a contradição e suprir a omissão, sem, contudo, imprimir-lhes efeitos infringentes.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto).
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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GLOSA DE CRÉDITOS. BEBIDAS. Embargante AMBEV S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/07/2013 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NULIDADE DO LANÇAMENTO PELO FATO DE A FISCALIZAÇÃO NÃO TER INDICADO A CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Aplicação do Princípio do DABOMIHIFACTUM, DABOTIBI JUS. Exposto o fato, o juiz aplicará o direito, ainda que não alegado o dispositivo legal ou alegado equivocadamente. O fato do Termo de Verificação Fiscal não ter indicado a classificação tributária que entendia ser correta, mas ter descrito adequadamente os fatos para propiciar a aplicação das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado e das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado pelos Julgadores de primeira e segunda instâncias, não macula o lançamento. ART. 24 DA LINDB. INAPLICABILIDADE.NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. MATÉRIA RESERVADA À LEI COMPLEMENTAR. O artigo 146 da Constituição Federal estabelece que a edição de normas gerais em matéria tributária é matéria reservada à lei complementar. E tem uma razão de ser em função da repartição de competências tributárias entre diversos entes federativos. O artigo 24 da LINDB dirigese à revisão de ato, processo ou norma emanados da Administração, bem como de contrato ou ajuste entabulados entre a Administração e o particular, não se aplicando ao lançamento fiscal, já que este não se ocupa da revisão de atos administrativos e não declara a invalidade de ato ou de “situação plenamente constituída”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 18 01 /2 01 7- 21 Fl. 656DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher, parcialmente, os embargos de declaração para sanar a contradição e suprir a omissão, sem, contudo, imprimirlhes efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto). Relatório AMBEV S.A. invocou o art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015, para interpor Embargos de Declaração contra o Acórdão n° 3302006.113, de 27 de novembro de 2018. O arrazoado de fls. 632 a 639, após síntese dos fatos relacionados com a lide acusa a decisão do vício de contradição e obscuridade, pois utilizou como fundamento para afastar o argumento de nulidade da Embargante o fato de que o Acórdão prolatado pela DRJ quando do julgamento da Impugnação teria apontado a classificação fiscal adequada. Defende que, em momento algum, o Acórdão consignou que a Fiscalização teria logrado êxito em apontar a classificação fiscal entendida como correta para os kits concentrados, tendo se limitado a afirmar que o referido código NCM/SH teria sido trazido apenas em momento posterior, pela decisão da DRJ que julgou a Impugnação da Embargante. Assim sendo, argumenta que a decisão teria sido omissa quanto à identificação do código NCM aplicável, ponto especificamente apontado pela Embargante a sustentar a nulidade do lançamento. Ademais, ao afastar a nulidade da autuação com fulcro no entendimento descrito acima, o Acórdão embargado também teria incorrido em contradição, eis que expressamente reconheceu a impossibilidade de alteração de critério jurídico em relação a um mesmo lançamento. Aduz que a decisão também omitiuse quanto à necessidade de aplicação do RE n° 212.484/RS ao caso em virtude de norma superveniente, e quanto à juntada dos votos vencidos. Em sua análise, o Despacho de Admissibilidade assim decidiu: A primeira alegação é de contradição e obscuridade em relação ao tópico do recurso voluntário "Nulidade da autuação por ausência de pressupostos de validade", pelo fato de o acórdão Fl. 657DF CARF MF Processo nº 11065.721801/201721 Acórdão n.º 3302006.924 S3C3T2 Fl. 3 3 embargado ter afastado a nulidade em razão de que a decisão de primeira instância teria apontada a correta classificação: "Portanto, o Acórdão entende por correta a classificação tributária no código NCM 2106.90.10, mas afasta a classificação no “Ex Tarifário 01” desse código." A embargante possui razão, pois a alegação foi no sentido da nulidade do lançamento pelo fato de a fiscalização não ter indicado a classificação fiscal, ao passo que a decisão se limitou a dizer que o acórdão da DRJ considerou correta a classificação NCM 2106.90.10, sem enfrentar a acusação de nulidade da autuação. A segunda alegação diz respeito à omissão de apreciação da aplicação do RE 212.484/RS por aplicação do artigo 24 da Lei n° 13.665/2018. Tal alegação não constou do recurso voluntário, mas da petição de efls. 567/572, cujo termo de solicitação de juntada data de 18/10/2018, após o protocolo da peça recursal em 07/03/2018. Verificase que o argumento é lastreado na Lei n° 13.655/2018, publicada em 26/04/2018, portanto, posterior ao protocolo do recurso voluntário. Tratase, smj, de fato novo, cuja apreciação deveria ter sido feita pelo colegiado, ainda que fosse decidido pelo seu não conhecimento, nos termos do artigo 3° e 48 da Lei n° 9.784/1999: Art. 3o O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: [...] III formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; [...] Art. 48. A Administração tem o dever de explicitamente emitir decisão nos processos administrativos e sobre solicitações ou reclamações, em matéria de sua competência. A terceira omissão diz respeito ao não registro dos votos vencidos que constaram no resultado do julgamento. Quanto a este ponto, não assiste razão à recorrente, pois o RICARF exige que o registro apenas do voto do relator e dos votos vencedores, para os quais são designados os redatores, nos termos do artigo 63 do Anexo II do Regimento Interno. Eventuais votos vencidos podem compor o acórdão, na forma de declaração de voto, a qual, porém, é facultativa, conforme §6° do referido artigo 63. Conclusão Com essas considerações, admito, parcialmente, os embargos de declaração quanto à contradição e obscuridade em relação ao Fl. 658DF CARF MF 4 tópico "nulidade da autuação por ausência de pressupostos de validade" e quanto á apreciação do artigo 24 da LINDB, constante da petição de efls. 567/572. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. 1. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO Em 18 de março de 2019, através de Despacho de Admissibilidade de Embargos proferido pela 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, foi admitido o recurso de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO para a manifestação quanto à contradição e obscuridade em relação ao tópico "nulidade da autuação por ausência de pressupostos de validade" e quanto á apreciação do artigo 24 da LINDB, constante da petição de efls. 567/572. Portanto, entendese que o recurso é admissível por atender a forma do artigo 65 do RICARF. 2. DA TEMPESTIVIDADE O Acórdão n° 3302006.113, da 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, data de 27 de novembro de 2018. A Embargante tomou ciência da decisão de segunda instância em 04/01/2019, sextafeira, como informa o termo de ciência de abertura de mensagem, às efolhas 626, sendo que o prazo de 05 (cinco) dias só passou a correr dia 07/01/2019, segundafeira, e protocolou os embargos de declaração em 11/01/2019, conforme Termo de Solicitação de Juntada à folha 627. Assim, concluise que o recurso foi apresentado dentro do prazo legal. O recurso é tempestivo. 3. CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE E OMISSÃO A primeira alegação é de contradição e obscuridade em relação ao tópico do recurso voluntário "Nulidade da autuação por ausência de pressupostos de validade", pelo fato de o acórdão embargado ter afastado a nulidade em razão de que a decisão de primeira instância teria apontada a correta classificação: "Portanto, o Acórdão entende por correta a classificação tributária no código NCM 2106.90.10, mas afasta a classificação no “Ex Tarifário 01” desse código." A embargante possui razão, pois a alegação foi no sentido da nulidade do lançamento pelo fato de a fiscalização não ter indicado a classificação fiscal, ao passo que a decisão se limitou a dizer que o acórdão da DRJ considerou correta a classificação NCM 2106.90.10, sem enfrentar a acusação de nulidade da autuação. Fl. 659DF CARF MF Processo nº 11065.721801/201721 Acórdão n.º 3302006.924 S3C3T2 Fl. 4 5 A segunda alegação diz respeito à omissão de apreciação da aplicação do RE 212.484/RS por aplicação do artigo 24 da Lei n° 13.665/2018. Tal alegação não constou do recurso voluntário, mas da petição de efls. 567/572, cujo termo de solicitação de juntada data de 18/10/2018, após o protocolo da peça recursal em 07/03/2018. Verificase que o argumento é lastreado na Lei n° 13.655/2018, publicada em 26/04/2018, portanto, posterior ao protocolo do recurso voluntário. Tratase, smj, de fato novo, cuja apreciação deveria ter sido feita pelo colegiado, ainda que fosse decidido pelo seu não conhecimento, nos termos do artigo 3° e 48 da Lei n° 9.784/1999: Art. 3o O administrado tem os seguintes direitos perante a 4Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: [...] III formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; [...] Art. 48. A Administração tem o dever de explicitamente emitir decisão nos processos administrativos e sobre solicitações ou reclamações, em matéria de sua competência. 4. DO DEFERIMENTO PARCIAL Nulidade do lançamento pelo fato de a fiscalização não ter indicado a classificação fiscal. Inicialmente, pinçase o seguinte fragmento às folhas 03 do Recurso de Embargos: De plano, cumpre ressaltar que, conforme se depreende da leitura do Termo de Verificação Fiscal ("TVF"), a d. Fiscalização não apontou a classificação fiscal entendida como adequada aos kits concentrados objeto da autuação, se limitando a alegar que "os kits devem ser enquadrados em códigos tributados à alíquota zero', sem jamais explicitar quais códigos seriam esses. Com efeito, a Embargante, por meio de sua Impugnação e Recurso Voluntário, demonstrou de modo inconteste que a ausência de indicação no Auto de Infração e respectivo TVF do código NCM/SH entendido como correto para a reclassificação dos kits concentrados macula a autuação de nulidade, eis que inviabiliza a aferição da alíquota de IPI aplicável e, portanto, torna o auto de infração ilíquido e incerto. Aplicação do Princípio do DABO MIHI FACTUM, DABO TIBI JUS. Exposto o fato, o juiz aplicará o direito, ainda que não alegado o dispositivo legal ou alegado equivocadamente. Fl. 660DF CARF MF 6 O juiz conhece o texto da lei (lex), mas a norma jurídica, o Direito (ius), só vem no caso concreto, só emerge a partir do embate processual. Pois o Direito é algo a descobrirse, desvelarse, a ser encontrado, e não algo já previamente dado. Direito é construção. A título de exemplo, a doutrina de Guilherme de Souza Nucci, na 13a edição de seu “Código de processo penal comentado”, assim se manifesta: [...] o que o juiz pode fazer, na fase da sentença, é levar em consideração o fato narrado pela acusação da peça inicial (denúncia ou queixa), sem se preocupar com a definição jurídica dada, pois o réu se defendeu, ao longo da instrução, dos fatos a ele imputados e não da classificação feita. O juiz pode alterála, sem qualquer cerceamento de defesa, pois o que está em jogo é a sua visão de tipicidade, que pode variar conforme o seu livre convencimento. Embora seja um texto próprio da seara penal, “cai como uma luva” para o caso em comento, demonstrado que pouco importa a classificação tributária indicada, mas os elementos fáticos trazidos na peça vestibular, que no presente caso vem a ser o Auto de Infração. É pacífico que o autuado não se defende da fundamentação jurídica, mas dos fatos, da conduta que lhe é atribuída. O Termo de Verificação Fiscal não apontou a classificação fiscal entendida como adequada aos kits concentrados objeto da autuação, mas através de fatos demonstrou não ser cabível o aproveitamento de créditos incentivados , conforme demonstrativo às fls. 32/33, sendo glosados os créditos que constam do demonstrativo à fl. 70. O Acórdão de Impugnação adotou em sua racio decidendi o suporte fático trazido aos autos pelo Auto de Infração e não há qualquer mácula nisso. Pelo contrário, agir de outro modo, apoiandose em fatos alienígenas aos autos, seria isso sim surpreender o autuado em desacordo ao devido processo legal. Manejando esses fatos, amplamente narrados no RELATÓRIO, o Acórdão de Impugnação, folhas 57, aplicou as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado e das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado para demonstrar: Os “concentrados” ou “kits”, na verdade preparações simples, são apenas produtos intermediários. Somente os preparados compostos podem ser denominados, a rigor, de concentrados, e estes são obtidos apenas nas dependências industriais do sujeito passivo. O Acórdão de Recurso Voluntário expõe satisfatoriamente essa conclusão, folhas 18: O Acórdão de Impugnação cumpriu esses requisitos, na medida em que cotejou os fatos apontados pelo Termo de Verificação Fiscal, da seguinte forma: 1. As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado para afastar o Ex Tarifário 01 do código NCM 2106.90.10 que faz referência expressa a “ preparações compostas Fl. 661DF CARF MF Processo nº 11065.721801/201721 Acórdão n.º 3302006.924 S3C3T2 Fl. 5 7 2. As embalagens individuais dos "kits" que incluem substâncias puras (sais) como benzoato de sódio, sorbato de potássio, ácido cítrico, p. ex., para afastar a isenção prevista no art. 95, III, do RIPI/2010; Esse fato é o que deve preponderar em uma decisão fundamentada: o cotejamento dos fatos apresentados com a legislação aplicável. Uma decisão não precisa inovar. Pelo contrário, devese ater aos fatos apresentados, pois correse o risco de surpreender as partes. Se o Acórdão de Impugnação se prestou, em boa parte, “a reproduzir premissas e fundamentos do lançamento”, consoante alegação feita pelo próprio Recurso Voluntário, demonstra que é ponto incontroverso que o lançamento possui premissas e fundamentos. Portanto, o fato do Termo de Verificação Fiscal não ter indicado a classificação tributária que entendia ser correta, mas ter descrito adequadamente os fatos para propiciar a aplicação das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado e das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado pelos Julgadores de primeira e segunda instâncias, não macula o lançamento. Tampouco esse procedimento se confunde com a alteração do critério jurídico, uma vez que o próprio Acórdão de Recurso Voluntário salientou: O que houve, a bem da verdade, foi a consideração de uma situação de fato anteriormente inexplorada; vale dizer, constatouse, a partir da investigação fiscal no estabelecimento da recorrente, que ela não tinha a possibilidade de enquadrar os “concentrados” na classificação na posição 21.06.90.10 Ex. 01 da TIPI. Essa circunstância fática que impediu o aproveitamento do crédito se confunde com alteração do critério jurídico. Em verdade o texto merece a seguinte correção: (...) Essa circunstância fática que impediu o aproveitamento do crédito não se confunde com alteração do critério jurídico. A aplicação do RE 212.484/RS por aplicação do artigo 24 da Lei n° 13.665/2018. O dispositivo tem a seguinte redação: LINDB Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas situações plenamente constituídas. (Incluído pela Lei n° 13.655, de 2018) Fl. 662DF CARF MF 8 Parágrafo único. Consideramse orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público. (Incluído pela Lei n° 13.655, de 2018) Defende a Recorrente às efolhas 568: Da leitura do dispositivo legal supracitado, depreendese que no âmbito do direito tributário a revisão do ato na esfera administrativa (tal qual o lançamento) deve observar a jurisprudência majoritária no momento da consecução dos fatos geradores, assim como as práticas reiteradas da administração, sob pena de afronta ao princípio da segurança jurídica. Nesse sentido, destacase que a vedação à aplicação retroativa de interpretações atuais à legislação tributária foi um dos objetivos que norteou a introdução do dispositivo supracitado na LINDB. Esse é também o entendimento do professor Carlos Ari Sundfeld, autor cuja obra baseou as alterações da LINDB realizadas pela Lei 13.655/18: (...) Todavia, entendo que não é este o alcance da norma. Tomase por esteio a ratio decidendi do Acórdão de Recurso Voluntário n° 1401003.184, de lavra do i. Conselheiro Daniel Ribeiro Silva: O texto da norma fala em ato administrativo, contrato administrativo, ajuste administrativo, processo administrativo ou norma administrativa. É a conclusão que se chega da concordância verbal do dispositivo, bem como da interpretação sistemática do seu parágrafo único e demais artigos inseridos da alteração legislativa. A própria utilização da terminologia "revisão" também afasta a aplicação do art. 24 ao processo administrativo tributário. Isto porque, o conceito de lançamento previsto no art. 142 do CTN não se amolda a tal conceito. O lançamento, definitivamente, não se configura como procedimento de “revisão”. Ademais, mesmo que, forçando a interpretação da norma se defenda que o lançamento (como ato administrativo) estaria sendo revisto por este Conselho Administrativo (posição que discordo), o ato administrativo não se completou, especialmente por ter sido impugnado pelo contribuinte. Outrossim, também não há como se falar em situação plenamente constituída. Entretanto, ressalto que o direito processual já estabelece uma lógica de precedentes (baseado no mesmo valor de segurança jurídica), a exemplo de decisões com repercussão geral ou as próprias súmulas administrativas vinculantes deste CARF. Entretanto, em todos esses casos há um procedimento específico para sua produção, e defender a aplicação direta do art. 24 da Fl. 663DF CARF MF Processo nº 11065.721801/201721 Acórdão n.º 3302006.924 S3C3T2 Fl. 6 9 LINDB me parece ser tentar burlar um sistema de precedentes já posto. Ainda, necessário lembrar que o direito tributário possui regramento próprio na Constituição Federal que não pode ser ignorado, em especial quando se analisa a hierarquia das fontes normativas. O artigo 146 da Constituição Federal estabelece que a edição de normas gerais em matéria tributária é matéria reservada à lei complementar. E tem uma razão de ser em função da repartição de competências tributárias entre diversos entes federativos. É esse o status do Código Tributário Nacional e de qualquer norma que pretenda veicular norma geral em matéria tributária. Assim, já causa estranheza que o legislador tenha pretendido o alcance que defende a Recorrente por meio da edição de uma lei ordinária federal. Ademais, merece menção que o Núcleo de Estudos Fiscais (NEF) da FGV Direito SP realizou recente colóquio com o objetivo de debater os possíveis impactos da Nova Lei de Introdução às Normas de Direito Brasileiro (LINDB) no direito tributário (https://direitosp.fgv.br/evento/novaleideintroducaonormasdireit obrasileirolindbobjetivandopri ncipiosestruturantesd). No referido evento, um dos idealizadores do projeto de lei que gerou a alteração da LINDB (Prof. Carlos Ari Sundfeld) ao ser indagado sobre a aplicação do art. 24 da LINDB ao processo administrativo tributário, foi contundente ao afirmar que no direito tributário já existem os artigos 100 e 146 do CTN que trazem o "mesmo valor" buscado pela LINDB, e que o art. 24 não se prestaria como algo novo, mas sim um reforço de aplicação à norma já existente. Isto porque que o CTN possui regramento específico sobre a matéria, estabelecendo o artigo 100 que a observância das chamadas normas complementares (das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos) exclui tão somente a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Jamais o principal de tributo. Da mesma forma, o artigo 146 do CTN traz regramento próprio sobre o efeito intertemporal da introdução de novos critérios jurídicos leiase, nova interpretação no processo de constituição do crédito tributário. Ou ainda, o próprio art. 112 do CTN determina a interpretação mais benéfica ao contribuinte de normas que cominem penalidade. Diante disso, dar ao artigo 24 da LINDB o alcance que a Recorrente pretende é, ao fim e ao cabo, acreditar que lei ordinária federal poderia trazer uma espécie de exceção à norma do artigo 100 do CTN, o que vai de encontro a regras Fl. 664DF CARF MF 10 básicas de interpretação das normas em um sistema constitucional complexo como o brasileiro. (...) A natureza do art. 24 não é tão somente interpretativa, isto porque supostamente impõe um dever ao julgador, dever este que afeta a própria materialidade do crédito tributário. Tratase de norma de natureza material sob esse prisma. Assim é que, mesmo que se concluísse pela aplicabilidade da norma ao direito e processo administrativo tributário, tal aplicação, a meu ver, apenas teria efeito para fatos geradores ocorridos após a sua edição, o que não aproveitaria a Recorrente. Outrossim, também analisando hipoteticamente, em casos mais complexos como situações de amortização de ágio, as especificidades e situações fáticas de cada caso impediriam a utilização generalizada do referido dispositivo. Isto porque, o enquadramento de uma empresa como "veículo" demanda a análise fáticoprobatória, que torna cada decisão sobre o tema absolutamente única e peculiar. Além disso, no que se refere ao parecer jurídico anexado aos autos no último dia 12, além de consistir em documento novo, tratase de parecer jurídico contratado pela Recorrente, que não vincula o julgamento deste Relator. Outrossim, as próprias posições exaradas pelo Prof. Carlos Ari Sunfield também já foram analisadas no presente voto, e em nada inovam nem alteram a posição deste Relator sobre o tema. Face ao exposto, voto por rejeitar a aplicação do artigo 24 da LINDB ao caso em questão. Sendo assim, acolho parcialmente, os embargos de declaração para sanar a contradição e suprir a omissão, sem, contudo, imprimirlhes efeitos infringentes. É como voto. Jorge Lima Abud Relator. Fl. 665DF CARF MF Processo nº 11065.721801/201721 Acórdão n.º 3302006.924 S3C3T2 Fl. 7 11 Fl. 666DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13009.000796/2004-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a legislação autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova for atribuído ao contribuinte por presunção legal, caberá a ele a prova da origem dos depósitos bancários em conta de sua titularidade.
Numero da decisão: 2301-006.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente).
Ausente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a legislação autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova for atribuído ao contribuinte por presunção legal, caberá a ele a prova da origem dos depósitos bancários em conta de sua titularidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 9. 00 07 96 /2 00 4- 02 Fl. 209DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.219 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13009.000796/2004-02 1. Trata-se de julgar recurso voluntário (e-fls 195/199) interposto em face do Acórdão nº 13-19.374 (e-fls 184/191) prolatado pela DRJ Rio de Janeiro II, em sessão de julgamento realizada em 17 de março de 2008. 2. Faz-se a transcrição do relatório inserto na decisão recorrida: início da transcrição do relatório contido no Acórdão nº 13-19.374 Contra a pessoa física em epígrafe foi instaurado procedimento fiscal mediante Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 07.1.05.00-2004-00210-9 (fls. 01 a 07), datado de 11/02/2004, que delimitou a atuação fiscal em relação ao imposto sobre a renda relativo ao período compreendido entre 01/1999 a 12/1999. A Declaração de Ajuste Anual deste período encontra-se apensa às fls. 10 a 14. Dando seqüência ao procedimento instaurado, foi lavrado Termo de Início de Fiscalização no qual constava intimação para que o interessado apresentasse relação de nomes de bancos, números de agências e de contas correntes mantidas em instituições financeiras pelo próprio e seus dependentes durante o ano-calendário, acompanhados dos extratos bancários correspondentes, inclusive de aplicações financeiras (fls. 15 e 16). O contribuinte prontamente respondeu à intimação do Ente Fiscal (fls. 18 a 20), contudo não de forma integral devido à ausência de extratos, fato que desencadeou outras 05 intimações datadas de 01/04/2004, 28/05/2004, 06/09/2004, 08/10/2004 e 29/10/2004 (fls. 21 a 117), todas igualmente consideradas pelo intimado. Enfatiza-se que estes três últimos feitos solicitaram, ainda, a identificação da origem dos depósitos de valor acima de R$ 1.000,00 devidamente destacados. No tocante às contas de titularidade do contribuinte e/ou de sua cônjuge mantidas no Banco Porto Real de Investimentos S/A e Banco Banerj S/A, importa esclarecer que ambas foram objeto de Requisições de Movimentação Financeira (RMF) sob nº 07.1.05.00-2004-00046-7 e 07.1.05.00-2004-00045-9, obtendo-se como resposta os documentos apensos às fls. 78 a 104 e 118 a 141, respectivamente. À vista dos elementos de prova juntados, a Autoridade Fiscal entendeu estar defronte de elementos suficientes a respaldarem a lavratura de Auto de Infração de fls. 149 a 156 1 em virtude de apuração omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, devidamente consubstanciado em Termo de Verificação Fiscal de fls. 142 a 148 2 . Sobre o imposto suplementar apurado, no total de R$ 36.472,44, foram aplicados multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, perfazendo crédito tributário no montante de R$ 92.672,82. Cientificado do lançamento em referência em 14/12/2004, tal como notifica o Aviso de Recebimento (AR) à fl. 157, o recorrente, devidamente representado, apresentou impugnação de fls. 159 a 161 3 em 10/01/2005, onde ratifica as informações prestadas em Declaração de Ajuste Anual, além de fundar a origem dos depósitos em transferências interbancárias de numerários entre contas de sua titularidade ou depósitos efetivados por sua genitora, Srª EPONINA GOMES DA GAMA, realizados com objetivo de cobrir pagamento de suas contas. 1 Auto de infração anexado às e-fls. 151/158. 2 Termo de Verificação Fiscal anexado às e-fls. 144/150. 3 Impugnação anexada às e-fls. 161/163. Fl. 210DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.219 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13009.000796/2004-02 O impugnante adita ainda sobre a ausência de intuito de sonegar de sua parte, demonstrada pelo pronto atendimento a todas as intimações realizadas por este órgão, bem como pela necessidade de comprovação da sonegação pelo Ente Fiscal, pois esta não poderia ser suposta em seu entender. Reclama também da inexistência de amparo legal para a cobrança de multa de ofício no patamar de 75%. final da transcrição do relatório contido no Acórdão nº 13-19.374 2.1. Ao julgar considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido, o acórdão recorrido tem a ementa que se segue: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a legislação autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova for atribuído ao contribuinte por presunção legal, caberá a ele a prova da origem dos depósitos bancários em conta de sua titularidade. 3. Ao interpor o recurso voluntário (e-fls 195/199), o Recorrente reitera os argumentos oferecidos na impugnação e acrescenta alegação de incêndio para justificar a impossibilidade de entregar a documentação comprobatória exigida. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles, Relator. 4. O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. 5. Verifico que o recurso voluntário se cinge a trazer a alegação de suposto incêndio ocorrido no local de residência do Recorrente, de modo a justificar a ausência de parte da documentação exigida pela fiscalização, e sustentando, mesmo sem ter juntado prova da ocorrência, que haveria impossibilidade na produção da prova exigida. 6. Considerando o propósito do Recorrente em reiterar os termos da impugnação (e- fls 195), e por concordar com a análise feita pela decisão de primeira instância, utiliza-se a prerrogativa conferida pelo artigo 57, § 3º do Regimento Interno do CARF, adotando-se como razões de decidir os mesmos fundamentos do voto inserto no acórdão recorrido, que se transcreve a seguir: Fl. 211DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.219 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13009.000796/2004-02 início da transcrição do voto contido no Acórdão nº 13-19.374 O lançamento com base em depósitos bancários. Reclama o recorrente sobre a exigência de ônus ao Fiscal de comprovar a sonegação alegada, pois esta não pode ser suposta em seu ver. Primeiramente, mostra-se oportuno aclarar a sistemática do lançamento de crédito tributário pela via da apuração de depósitos bancários de origem não comprovada. A partir de 01/01/1997, a tributação com base em depósitos bancários, suporte legal da presente autuação, passou a reger-se pelos ditames do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, com a alteração introduzida pelo art. 4º da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997, que assim dispõe: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II - no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). § 4º Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Desta forma, a partir da referida data, o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do contribuinte, em instituições financeiras, ou seja, permitiu que se considerasse ocorrido o fato gerador quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária. Neste contexto, depreende-se que, para desfazimento da presunção, o ônus da prova é do sujeito passivo, que após ser regularmente intimado deverá comprovar a origem dos recursos utilizados em operações de depósito ou crédito em conta mantida Fl. 212DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-006.219 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13009.000796/2004-02 junto à instituição financeira, sob pena de ver constituído o crédito tributário por lançamento de ofício. Ao impugnante cabia, portanto, refutar a presunção contida na lei, pois a previsão legal em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem de seus créditos bancários. Trata-se, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. Plácido e Silva assim definiu a presunção juris tantum, em seu “Vocabulário Jurídico”: PRESUNÇÃO ‘JURIS TANTUM’. É a presunção condicional ou relativa, também denominada de simples. E é apelidada de ‘tantum’, porque prevalece ‘até que se demonstre o contrário’. E a destruição dela não cabe a quem a tem em seu favor por determinação legal, mas aquele que não a quer ou não se conforma com a sua determinação. Em assim sendo, a parte deveria trazer ao processo documentação hábil a atestar a saída de numerário de contas de sua genitora e a posterior entrada deste em contas de sua titularidade com escopo de afastar a presunção sobre ele recaída. No entanto, limita-se a alegar a ocorrência da situação fática, em completa dissonância com o disposto nos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que comina ao recorrente o ônus da apresentação de elementos probatórios necessários e suficientes a sustentar sua argumentação quando da impugnação. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Parágrafo único. Na hipótese de devolução do prazo para impugnação do agravamento da exigência inicial, decorrente de decisão de primeira instância, o prazo para apresentação de nova impugnação, começará a fluir a partir da ciência dessa decisão. Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Enfatize-se que em relação à afirmação de transferências interbancárias entre contas de mesma titularidade comporem a base de cálculo do crédito ora em análise, cumpre-nos esclarecer que maior é a necessidade de demonstração do alegado, já que textualmente a Autoridade Tributária afirma tê-los excluído (fl. 145). Desta feita, mantém-se intacta a apuração da infração tributária tratada pelos autos, frente ao insucesso do recorrente em refutar a presunção em favor do Fisco. Fl. 213DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-006.219 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13009.000796/2004-02 Infração à legislação tributária e má-fé. O impugnante adita a inexistência de “vontade ou intuito de sonegar o Imposto que lhe é cobrado”, bem como reclama do patamar gravoso estabelecido para multa de ofício. Cumpre esclarecer que, em se tratando de matéria tributária, não importa se a pessoa física deixou de atender às exigências da lei por má-fé, por intuito de sonegação ou, ainda, se tal fato aconteceu por puro descuido ou desconhecimento. A infração é do tipo objetiva, na forma do art. 136 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), isto é, “a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.” É dever da autoridade administrativa ao recepcionar as declarações, quer sejam originais, quer sejam retificadoras, verificar a correção das informações nelas prestadas. Se da revisão da declaração de rendimentos apresentada for constatada infração a dispositivos da legislação tributária proceder-se-á ao lançamento de ofício, mediante a lavratura de auto de infração. A existência ou não de intenção só se presta a mensurar a intensidade da sanção tal como preceitua o art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 1 o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n o 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2 o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1 o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I - prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II - apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III - apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) §3º Aplicam-se às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Fl. 214DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-006.219 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13009.000796/2004-02 §4º As disposições deste artigo aplicam-se, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Da análise da legislação supratranscrita, vislumbra-se que o percentual aplicado é o menor previsto para a situação de apuração de crédito tributário. Portanto, mostra- se acertada a atitude da autoridade lançadora posto que a ela não cabe decidir pela aplicação ou não da norma legal, visto ter a atividade desempenhada caráter plenamente vinculado, sob pena de responsabilidade funcional, como adverte o parágrafo único do art.142 do CTN, a norma legal não pode ser descumprida: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. final da transcrição do voto contido no Acórdão nº 13-19.374 CCOONNCCLLUUSSÃÃOO 7. Diante do exposto, VOTO por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Fl. 215DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.903855/2012-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 24/09/2010
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO.
A DCTF retificadora apresentada após o início de procedimento fiscal não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos.
Numero da decisão: 3302-007.197
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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SUPERMERCADOS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 24/09/2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o início de procedimento fiscal não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green. Relatório Trata o presente processo da DCOMP eletrônica, transmitida com objetivo de declarar a compensação do(s) débito(s) nela apontado(s), com crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior, relativo ao DARF indicado, referente ao PIS/Cofins. A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório eletrônico, no qual a Delegacia de origem, após constatar a improcedência do crédito original informado no PER/DCOMP, não reconheceu o valor do crédito pretendido e decidiu NÃO HOMOLOGAR a compensação declarada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 90 38 55 /2 01 2- 45 Fl. 84DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.197 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10730.903855/2012-45 Regularmente cientificada da não homologação, a contribuinte protocolou suas razões de defesa alegando que, quando da confecção do Per/Dcomp, por lapso, não foi retificada a DCTF. Procedeu a retificação, dentro do prazo legal, alterando o débito do período de apuração correspondente. Por seu turno, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por entender que compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp, exceto quando comprovado erro no preenchimento da referida declaração. Regularmente cientificada de decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário, aduzindo, em síntese apertada que: (i) a retificação da DTCF após o despacho decisório não pode ser impedimento ao reconhecimento do crédito apurado; e (ii) os documentos carreados aos autos se prestam à comprovar a origem do crédito. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 006.936, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 13227.901478/2012-98, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-006.936): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Inicialmente, destaca-se que a DRJ manteve o despacho decisório por dois motivos, a saber: Assim sendo e, considerando que a DCTF retificadora foi entregue somente após a transmissão do PER/DCOMP e que não foram trazidos aos autos quaisquer elementos comprobatórios do crédito pleiteado, conclui-se que não há qualquer reparo a ser feito no Despacho Decisório sob análise e que não há direito creditório a ser reconhecido para a compensação pretendida. Ao meu ver, o primeiro motivo para DRJ seria totalmente superado, caso o contribuinte tivesse demonstrado à origem do crédito, o que não ocorreu no presente processo, senão vejamos. É incontroverso que a Recorrente cometeu irregularidade no preenchimento do DACON e da DCTF e, que a retificação do último documento fora realizada somente após a transmissão do PER/DCOMP objeto dos autos. Contudo, independentemente das declarações retificadoras terem sido apresentadas pela Recorrente após a transmissão do PER/DCOMP, o que não é causa impeditiva do reconhecimento do crédito, deveria o contribuinte ter comprovado documentalmente a origem dos créditos. Com efeito, a DCTF e o DACON contêm dados e informações declarados pelo próprio contribuinte que devem ser lastreados com a correspondente documentação fiscal que Fl. 85DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.197 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10730.903855/2012-45 comprove os lançamentos contábeis. A simples apresentação de cópias das referidas declarações são insuficientes para comprovar o origem do pretenso crédito almejado pela Recorrente, inviabilizando a confirmação dos valores registrados nas declarações. Não bastasse isso, a Recorrente deveria ter apresentado argumentos mais robustos para comprovar seu direito. Nada foi explicitada em sede de manifestação e recurso. Com todo respeito, os argumentos apresentados pela Recorrente não fazem prova de crédito algum, sequer demonstram qual a composição e/ou origem do crédito que ela alegar possuir. Mais uma vez, repita-se, que é necessário que sejam colacionados aos autos excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea que dê suporte a tais lançamentos. Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 86DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13629.901789/2009-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1401-000.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Eduardo Morgado Rodrigues - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 54 a 82) interposto contra o Acórdão nº 09- 36.000, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG (fls. 47 a 49), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 29 .9 01 78 9/ 20 09 -2 9 Fl. 281DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 1401-000.649 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13629.901789/2009-29 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. A homologação da compensação declarada pela contribuinte está condicionada ao reconhecimento do direito creditório pela autoridade administrativa, o que só é possível com a apresentação de elementos que comprovem a liquidez e certeza do direito alegado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "Versa o presente processo de PER/Dcomp Retificadora, de n° 14776.04697.100308.1.3.04-0448 (fls. 2 a 6), na qual busca-se a compensação de débitos de Pis e Cofins, período de apuração fev/2008, nos valores, respectivamente, de R$ 8.053,87 e RS 1.745,01, com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de CSLL, período de apuração 4o trimestre/2006, DARF no valor de RS 26.259,64. A DRF/CFN/MG, em 07/10/2009, emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação (fl. 7), atestando que "... A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/Dcomp". Inconformada, a contribuinte apresenta sua manifestação, alegando, em síntese (fl. 10): - Que, a empresa efetuou pagamento "a maior" de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, código 2372, no período de Janeiro de 2005 a Dezembro de 2006 e 1º trimestre de 2007, conforme p/anilha em anexo, gerando um crédito de pagamento a maior no valor de R$101.593,79. - Que, a empresa entregou as respectivas DCTF 'S com os valores que foram pagos à época, ou seja, "a maior", não procedendo posteriormente às Retificações devidas. - Que, no oportuno, a empresa entregou as DCTF'S Retificadoras (em anexo) referente ao primeiro e segundo semestres de 2006, podendo aí constatar o valor do crédito do contribuinte, que foi compensado." O acórdão de primeira instância rechaçou os argumentos da Interessada sob o fundamento de que esta não teria apresentado provas que demonstrassem a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Inconformada com a decisão de primeiro grau, a ora Recorrente apresentou o recurso sob análise explicando que o seu direito ao crédito surge do equívoco que cometeu a utilizar o coeficiente de 32%, ao invés de 12%, para a determinação de seu Lucro Presumido, em razão da atividade de serviço de obra com fornecimento de materiais. Para comprovar o alegado, junta uma série de novos documentos e demonstrativos. Fl. 282DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 1401-000.649 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13629.901789/2009-29 É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O presente processo versa sobre a não homologação da DCOMP (fl. 03 a 7) apresentada pela Recorrente sob o argumento de que o recolhimento que ampararia o crédito a ser utilizado já teria sido integralmente alocado para quitação de outro débito. Por sua vez a Recorrente alega que é tributada pela modalidade do Lucro Presumido e vinha aplicando o percentual equivocado de 32% para determinação de sua base tributável, quando o correto seria de 12%, vez que alega prestar serviço de construção civil com fornecimento integral dos materiais. Desta diferença se originaria seu direito creditório. Escora sua pretensão nos dispostos da IN 480/2004 que determinou a base da CSLL de 12% para as receitas provenientes das atividades de construção civil e na Solução de Consulta n° 077 SRRF/6ªRF/Disit de 15 de Junho de 2007, relativa ao processo nº 13629.000405/2007-97 (interessado: Engecel Construções e Comércio Ltda – CNPJ: 17.840.083/000120). Por oportuno, replico a conclusão da mesma: "(...) Conclusão 11. À vista do exposto, respondo à consulente que, a partir da vigência da IN SRF nº 480/2004, as receitas relativas às atividades de construção civil no regime de empreitada com emprego de materiais estão sujeitas ao percentual de 12% na determinação da base de cálculo da CSLL somente nos casos em que o empreiteiro fornecer todos os materiais, sendo que tais materiais devem ser incorporados à obra. Na hipótese de o material ser fornecido, em parte ou no todo, pelo contratante da obra, o percentual a ser aplicado será de 32% (trinta e dois por cento)." Conforme narrado a Decisão de piso bem apontou que a Recorrente falhou em carrear aos autos elementos que demonstrassem a subsunção de suas atividades aos requisitos supra expostos para o gozo do percentual de presunção reduzido. Diante deste cenário, tendo a presente lide desembocado em questões exclusivamente fáticas e probatórias, a Recorrente trouxe em seu recurso diversos documentos novos para comprovar o preenchimento dos requisitos necessários. São eles: Contrato Social, Livro Diário, Livro Razão, Contratos de Empreitadas e Declarações Fiscais, todos referentes ao período do crédito apontado. Os contratos apresentados (fls. 137 a 256) se compreendem em uma série de obras contratadas por licitação com as Prefeituras Municipais de Coronel Fabriciano/MG, Baixo Guandu/ES e Piúma/ES, incluindo diversas obras de construção, manutenção e reparos em vias, Fl. 283DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 1401-000.649 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13629.901789/2009-29 prédios e demais componentes da infra-estrutura pública. Outrossim, também há contratos com a Paróquia São Sebastião / Comunidade Santa Rita, em Coronal Fabriciano/MG, para a construção de um prédio anexo. Dos contratos citados pode-se depreender que há o dever de fornecimento dos materiais necessários para a consecução de cada objeto por parte da Recorrente, havendo, inclusive, menção expressa na maioria deles. Ainda, apresenta a Recorrente os seus livros Diários (arquivo-fl.276) e Razão Analítico (arquivo-fl.277) visando demonstrar tanto a aquisição dos materiais utilizados em cada empreitada, quanto as origem das receitas obtidas. Os Livros Diários e Razão apresentados mostram vultuosas quantias gastas com diversos fornecedores de materiais e insumos típicos da construção civil. Igualmente, há registros de receitas provenientes de seus contratantes. Em primeira análise as comprovações trazidas pelo Interessado parecem corroborar com suas pretensões. Contudo, penso que a DRF de origem possui melhor condições para realizar a verificação de todos os novos documentos, cotejar com seus próprios registros e cálculos e, por fim, opinar quanto ao eventual direito creditório do Contribuinte. Outrossim, insta salientar que, se tratando de documentação trazida pela Recorrente apenas nesta fase recursal, deve-se proporcionar ao Fisco a oportunidade do contraditório. Portanto, para maior convicção e segurança da decisão, entendo que se faz oportuno a baixa do feito em diligência para verificações e confirmação dos novos elementos carreados ao processo. Desta forma, pelo exposto, VOTO por CONVERTER o presente julgamento em diligência para que a autoridade fiscal competente proceda às verificações pertinentes de todo material probatório apresentado pela Recorrente no bojo do Recurso Voluntário e elabore termo circunstanciado esclarecendo quanto a suficiência dos materiais adquiridos e receitas obtidas dos contratos de empreitada em relação aos declarados ao fisco para a determinação do direito ao percentual reduzido para presunção de receita tributável. Após, a Recorrente deve ser cientificada, com reabertura de prazo de 30 dias para complementar as suas razões do recurso. É como voto. (documento assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues - Relator Fl. 284DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.003737/2007-20
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TRIBUTO DECLARADO EM DCTF. PAGAMENTO EM ATRASO. INOCORRÊNCIA DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA DEVIDA.
O instituto da denúncia espontânea aproveita àqueles que recolhem a destempo o tributo sujeito ao lançamento por homologação, apenas nos casos em que não tenha havido prévia declaração do débito em DCTF.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. OBSERVAÇÃO OBRIGATÓRIA.
As decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em regime de recursos repetitivos deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF - Portaria 343/2015 e alterações.
Numero da decisão: 1001-001.302
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Machado Millan - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, Jose Roberto Adelino da Silva e André Severo Chaves.
Nome do relator: ANDREA MACHADO MILLAN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TRIBUTO DECLARADO EM DCTF. PAGAMENTO EM ATRASO. INOCORRÊNCIA DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA DEVIDA. O instituto da denúncia espontânea aproveita àqueles que recolhem a destempo o tributo sujeito ao lançamento por homologação, apenas nos casos em que não tenha havido prévia declaração do débito em DCTF. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. OBSERVAÇÃO OBRIGATÓRIA. As decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em regime de recursos repetitivos deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF - Portaria 343/2015 e alterações.
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TRIBUTO DECLARADO EM DCTF. PAGAMENTO EM ATRASO. INOCORRÊNCIA DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA DEVIDA. O instituto da denúncia espontânea aproveita àqueles que recolhem a destempo o tributo sujeito ao lançamento por homologação, apenas nos casos em que não tenha havido prévia declaração do débito em DCTF. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. OBSERVAÇÃO OBRIGATÓRIA. As decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em regime de recursos repetitivos deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF Portaria 343/2015 e alterações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson – Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 37 37 /2 00 7- 20 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10166.003737/200720 Acórdão n.º 1001001.302 S1C0T1 Fl. 155 2 Andréa Machado Millan Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, Jose Roberto Adelino da Silva e André Severo Chaves. Relatório O presente processo trata de auto de infração lavrado em 08/03/2007 (fls. 42 a 57), através do qual foi efetuado lançamento de multa e juros de mora não pagos ou pagos a menor, no valor total de R$ 12.926,06, referentes ao Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF recolhido com atraso, dos períodos de apuração do primeiro e segundo trimestres de 2003, conforme demonstrativos às fls. 46 a 53, resumidos à fl. 54. Irresignado, o sujeito passivo apresentou a impugnação de fls. 02 a 12, alegando serem indevidos os acréscimos legais porque havia ocorrido a denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional CTN, já que havia efetuado os recolhimentos de IRRF em atraso, com juros de mora, antes de qualquer procedimento administrativo. Alegou que comunicou à Receita Federal, em 01/07/2004, os recolhimentos em atraso (documento à fl. 59), apresentando os DARF correspondentes (DARF às fls. 60 a 82). Que, no auto de infração, a Receita Federal alocou valores pagos a título de juros de mora à multa de mora. Pediu a correção na alocação dos valores alocados e cancelamento do auto. O Acórdão nº 0321.579 (fls. 107 a 111), proferido em 19/07/2007 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília – DF (DRJ/BSA), julgou o lançamento procedente em parte. Abaixo, sua ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 AUTO DE INFRAÇÃO – MOTIVAÇÃO INAPROPRIADA Sendo inadequadas as razões que embasaram a lavratura do Auto de Infração, há que se cancelar a exigência tributária correspondente. MULTA PAGA A MENOR – RECOLHIMENTO INTEMPESTIVO Comprovado o pagamento fora de prazo de débitos declarados em DCTF, é cabível a exigência de multa paga a menor, conforme a legislação de regência. A exigência da multa paga a menor, processada na forma dos autos, está prevista em normas regularmente editadas, não tendo o julgador de 1ª instância administrativa competência para apreciar argüições contra a sua cobrança e é inaplicável, na espécie, o disposto no art. 138 do Código Tributário Nacional. No voto, concluiuse que o crédito tributário constituído a título de juros pagos a menor ou não pagos, no valor de R$ 4.979,65, deveria ser cancelado, porque os DARF apresentados demonstravam seu recolhimento. Que a alocação dos juros pagos, no lançamento de ofício, a débitos de multa, foi inadequada, comprometendo a motivação do lançamento. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10166.003737/200720 Acórdão n.º 1001001.302 S1C0T1 Fl. 156 3 Já o crédito tributário constituído a título de multa paga a menor, no valor de R$ 7.946,41, deveria ser mantido, porque os pagamentos haviam sido efetuados em 18/06/2004, extemporaneamente, cabendo a exigência da multa moratória. Argumentouse que a alegação do interessado de que não havia mais fundamento legal para a multa moratória no pagamento a destempo, com base no artigo 14 da Medida Provisória MP nº 351/2007, que alterou o art. 44 da Lei nº 9.430/1996, era inaplicável ao deslinde da pendência. Isso porque tal MP alterou a legislação somente sobre a cobrança de multa isolada no percentual de 75%, disciplinada no referido art. 44, e não sobre a multa paga a menor, disciplinada nos artigos 43 e 61 da Lei nº 9.430. Assim, decidiuse pela procedência parcial do lançamento, mantendose a multa de mora e cancelandose os juros de mora. Cientificado da decisão de primeira instância em 01/10/2007 (Aviso de Recebimento à fl. 115), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 30/10/2007 (fls. 116 a 128, carimbo aposto à primeira folha). Nele repete o já alegado na manifestação de inconformidade, citando jurisprudência do STJ (AgRg no REsp 873254 / SC, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 07/08/2007, D.J 21.09.2007, dentre outros). Argumenta que a multa de mora possui natureza jurídica de penalidade, sendo assim afastada pela denúncia espontânea. Que a autoridade administrativa buscou fazer crer que tal multa não se constitui em penalidade, mas em compensação pelo atraso do pagamento, não podendo assim ser afastada pela denúncia espontânea. Mas a jurisprudência acostada demonstra que não há tal distinção entre as multas de mora e de ofício. Alega, ainda, que a nova redação do art.44 da Lei nº 9.430/1996 afasta a exigibilidade da multa moratória. Que a acumulação dos artigos 43 e 61 da lei, alegada na decisão de primeira instância, é indevida, porque no lançamento de ofício apenas para cobrança de multa, como autoriza o art. 43, só se aplicam as multas previstas nos artigos imediatamente seguintes, e não a do art. 61, de outro capítulo. Concluindo, em resumo pede que seja reformada a decisão da DRJ/BSA, cancelandose o débito, pelas seguintes razões: (i) correto procedimento utilizado pela empresa, calcado no art. 138 do CTN, ao oferecer denúncia espontânea acompanhada do pagamento dos tributos e juros de mora devidos; (ii) falta de suporte legal para a exigência, tendo em vista a alteração legislativa promovida no art. 44 da Lei nº 9.430/1996. É o Relatório. Voto Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10166.003737/200720 Acórdão n.º 1001001.302 S1C0T1 Fl. 157 4 Conselheira Andréa Machado Millan, Relatora O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Conforme relatório acima, nesse momento processual a questão cingese à caracterização ou não, no caso concreto, da denúncia espontânea, que afastaria a multa de mora. Sobre o tema, o Superior Tribunal de Justiça, na pessoa do então Ministro Teori Albino Zavascki, nos autos do processo nº 2007/01428689, sobre a aplicação do instituto da denúncia espontânea nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação previamente declarados pelo contribuinte e pagos extemporaneamente, decidiu nos seguintes termos. EMENTA 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. (REsp 962379 RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/10/2008, DJe 28/10/2008) Posteriormente, o Superior Tribunal de Justiça tratou da matéria no rito do recurso repetitivo (art. 543C, do Código de Processo Civil), por meio do REsp 1.149.022, com decisão proferida em 09/06/10 (publicada em 24/06/10) e trânsito em julgado ocorrido em 30/08/10. Abaixo, sua ementa: “RECURSO ESPECIAL Nº 1.149.022 SP (2009/01341424) RELATOR: MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE: BANCO PECÚNIA S/A ADVOGADO: SERGIO FARINA FILHO E OUTRO(S) RECORRIDO: UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) PROCURADOR: PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10166.003737/200720 Acórdão n.º 1001001.302 S1C0T1 Fl. 158 5 maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, ano base 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” O artigo 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações, determina que as matérias decididas em Repercussão Geral, pelo STJ, sejam reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Assim, conforme julgados acima, caracterizase a denúncia espontânea quando há o recolhimento, em atraso, de tributo que ainda não foi declarado à Receita Federal, como nos casos em que o pagamento extemporâneo ocorre anteriormente à entrega da DCTF na qual é declarado o débito. No caso concreto, os débitos remanescentes após a decisão de primeira instância constam em demonstrativo à fl. 114. Têm como períodos de apuração as seguintes datas do ano de 2003: 02/01; 02/02; 03/02; 04/02; 01/03; 02/04; 02/05 e 04/05. Os demonstrativos de fls. 46 a 53 indicam que todos os pagamentos foram efetuados em 18/06/2004. Consta na folha de rosto do auto de infração (fl. 44), apenas a data de entrega das DCTF retificadoras relativas ao primeiro e segundo trimestres de 2004 (24/06/2004). Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10166.003737/200720 Acórdão n.º 1001001.302 S1C0T1 Fl. 159 6 Contudo, é a data em que pela primeira vez foram declarados à Receita Federal os débitos pagos em atraso que determina se houve a denúncia espontânea. Essa data está explicitada à folha 84 do processo, onde há uma listagem com todas as DCTF referentes ao ano de 2003. Ali está claro que a DCTF original referente ao primeiro trimestre de 2003 foi transmitida em 15/05/2003, data bem anterior aos pagamentos efetuados (18/06/2004). Essa DCTF foi posteriormente retificada por aquela indicada no auto de infração. Na mesma listagem verificase que a DCTF original referente ao segundo trimestre de 2003 foi transmitida em 15/08/2003, data também bem anterior aos pagamentos efetuados (18/06/2004). Também essa foi posteriormente retificada por aquela indicada no auto de infração. Ocorre, como visto acima, que o instituto da denúncia espontânea aproveita àqueles que recolhem a destempo o tributo sujeito ao lançamento por homologação, apenas nos casos em que não tenha havido prévia declaração do débito em DCTF. No caso em pauta, todos os débitos foram declarados em data anterior aos pagamentos. Portanto, não restou caracterizada a denúncia espontânea que afastaria a multa de mora, sendo devidos os valores lançados de ofício. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan Fl. 160DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.915378/2009-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. NECESSIDADE DE LIQUIDEZ.
A homologação da compensação depende da liquidez e certeza do crédito.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ALTERAÇÃO DAS INFORMAÇÕES SOBRE O CRÉDITO. INEXATIDÃO MATERIAL NÃO CONFIGURADA.
O julgamento de manifestação de inconformidade não pode desbordar do objeto da declaração de compensação apresentada e do despacho
Numero da decisão: 1201-003.033
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Bossa, Alexandre Evaristo Pinto, Efigênio de Freitas Jùnior, Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocada para substituir o conselheiro Allan Marcel Warwar Teixeira) e Marcelo José Luz de Macedo (Suplente Convocado).
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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CRÉDITO. NECESSIDADE DE LIQUIDEZ. A homologação da compensação depende da liquidez e certeza do crédito. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ALTERAÇÃO DAS INFORMAÇÕES SOBRE O CRÉDITO. INEXATIDÃO MATERIAL NÃO CONFIGURADA. O julgamento de manifestação de inconformidade não pode desbordar do objeto da declaração de compensação apresentada e do despacho Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Bossa, Alexandre Evaristo Pinto, Efigênio de Freitas Jùnior, Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocada para substituir o conselheiro Allan Marcel Warwar Teixeira) e Marcelo José Luz de Macedo (Suplente Convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 53 78 /2 00 9- 20 Fl. 179DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-003.033 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.915378/2009-20 Trata-se de Declaração de Compensação (e-fls. 03 e ss) através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito que seria originário de saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) do ano-calendário 2005. O pedido foi indeferido pelo Despacho Decisório n. 834766265 (e-fl. 02), que concluiu que consta na DIPJ do período valor de imposto a pagar no montante de R$ 186.164,48, e não imposto a restituir. Pela precisão na descrição dos fatos, reproduzo parcialmente a seguir o Relatório constante do Acórdão da DRJ (e-fls. 95/99): A interessada apresentou manifestação de inconformidade contra a não homologação de compensações, cujo crédito seria originário de saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) do ano-calendário 2005. As compensações não foram homologadas porque foi constatado saldo de imposto a pagar. A interessada alega, em síntese, que equivocou-se no preenchimento da DIPJ ao não informar os valores retidos na fonte na ficha 12A, que o valor apontado como saldo a pagar foi quitado em 31/05/06 e reafirma a existência de saldo negativo. Por fim, pede que seja reformado o despacho decisório, homologando- se a compensação pelo saldo negativo de IRPJ ou por pagamento indevido ou a maior. O litígio deste processo corresponde à soma do crédito compensado nos PER/Dcomps, equivalente a R$ 100.321,73. A decisão de primeira instância (AC n. 1046.607, 5 ª Turma da DRJ/POA, e- fls. 95/99) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o contribuinte não trouxe aos autos as provas sobre a disponibilidade do crédito; que a retificação de crédito está impedida no âmbito da manifestação de inconformidade e sua análise desbordaria ao que foi objeto do despacho decisório e extrapolaria o litígio. Cientificada da decisão de primeira instância em 21/11/2013 (e-fl. 109) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 11/12/2013 (e-fls. 111/117), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade e aduz que o recolhimento do imposto de renda a pagar também foi recolhido com o código de estimativa (2372). Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa - Relator Fl. 180DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-003.033 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.915378/2009-20 O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Trata-se de compensação declarada e não homologada cujo crédito, segundo informação na PERDCOM, seria originário de saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) do ano-calendário 2005. Segundo o Despacho Decisório, a Unidade Administrativa constatou que o contribuinte apurou em DIPJ saldo de imposto a pagar. O recorrente alega que cometeu três erros. O primeiro erro seria não ter informado em sua DIPJ as retenções de IRRF, no montante de R$ 100.321,73. O segundo, que teria informado em PERDCOMP que o crédito seria oriundo de saldo negativo de imposto de renda, quando na verdade teria apurado saldo de imposto a pagar (e requer, em sede de manifestação de inconformidade, o "valor a pagar", pago indevidamente). Por fim (já no recurso voluntário), alega o recorrente que teria pago o saldo de "imposto a pagar", referente ao ajuste anual, sob o código de estimativa de imposto de renda (código 2372). Bem concluiu a decisão de primeira instância que estão ausentes os pressupostos (art. 170 do CTN) de liquidez (provada pela comprovação documental do quantum compensável) e certeza (reconhecimento por parte da Administração Tributária quanto à possibilidade de o contribuinte compensar-se de supostos indébitos). Questão correlata é a pretensão do Recorrente de modificar, de forma oposta ao permitida na legislação regente e em sede de manifestação de inconformidade, a natureza do crédito requerido: de crédito oriundo de saldo negativo de imposto de renda, para saldo de imposto a pagar apurado indevidamente em ajuste anual (DIPJ) e pago indevidamente. Tal erro não configura inexatidão material de preenchimento da declaração. Por inexatidão material entendem-se os pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de digitação. No presente caso, não se trata de erro material, mas de erro de direito, o que não é escusável. Por concordar e aderir aos fundamentos apresentados pela DRJ, peço vênia para reproduzi-los a seguir, omitindo os textos das normas: O CTN ao prever a compensação como modalidade de extinção do crédito tributário o fez com o seguinte teor: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Deriva da norma a convicção que o pressuposto nuclear para a compensação tributária é que o crédito do contribuinte contra a Fazenda se revista de certeza e liquidez. A certeza diz respeito ao reconhecimento por parte da RFB quanto à possibilidade de o contribuinte compensar-se de supostos indébitos. Já a liquidez do direito há de ser comprovada pela comprovação documental do quantum compensável. Fl. 181DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-003.033 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.915378/2009-20 As informações constantes do presente processo não são suficientes para reformar a decisão proferida pela unidade de origem, porquanto, ausentes os pressupostos de liquidez e certeza. Não há saldo negativo no ano-calendário 2005. As informações da DIPJ informam a existência de saldo a pagar no valor de R$ 186.164,48. Ainda que considerada a ocorrência de retenções na fonte no valor de R$ 100.321,73, confirmadas por Dirf, a soma dos valores retidos na fonte e dos pagamentos por estimativa é insuficiente para liquidar o IRPJ anual devido, restando um saldo de IRPJ a pagar no valor de R$ 85.842,75. Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica DIPJ Valores confirmados IRPJ anual devido (+) 1.004.879,63 1.004.879,63 IRPJ retido na fonte (-) 0,00 100.321,73 IRPJ mensal pago por estimativa (-) 818.715,15 818.715,15 IRPJ (=) 186.164,48 85.842,75 A interessada alega que o valor de R$ 186.164,48 está pago e que, portanto, é-lhe devido o valor de R$ 100.321,73 e pretende que tal valor seja utilizado na compensação, ou como saldo negativo ou como pagamento indevido. O total de IRPJ a pagar não integra o saldo negativo do período. A Lei n° 9.430/1996 dispõe sobre o recolhimento por estimativa e a apuração anual, nos seguintes termos (grifos acrescidos): (...) O resultado final da apuração anual será ou saldo negativo ou saldo a pagar. Não é possível ocorrer, concomitantemente, ambos os saldos. Em havendo saldo negativo, não há saldo a pagar. Em havendo saldo a pagar, não há saldo negativo. Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido aqueles valores estabelecidos nos incisos I a IV do § 4º, do art. 2º da Lei 9.430/96, dentre eles, os valores pagos durante o ano- calendário a título de estimativas mensais. As estimativas mensais tratam-se de antecipações do devido no período. Caso seus valores sejam menores do que o montante devido apurado, tem-se tributo a pagar ou a compensar; caso sejam maiores, tem-se saldo negativo. No presente caso, a interessada não informou os valores retidos na fonte e, por isso, apurou IRPJ a pagar em valor maior do que o Fl. 182DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-003.033 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.915378/2009-20 devido. No entanto, o resultado da apuração anual continua sendo imposto devido. Portanto, tendo em vista a inexistência de saldo negativo, não há crédito passível de utilização em compensação. Pretender-se que o crédito inicialmente informado no PER/Dcomp como saldo negativo seja considerado como pagamento indevido é hipótese incabível. A possibilidade de retificar PER/Dcomp foi instituída originariamente pela Instrução Normativa 460/04, que permitiu efetuar alterações, em caso de inexatidões materiais, mas vedou incluir novos débitos ou aumentar o valor do débito compensado: (...) O erro alegado pela contribuinte não configura inexatidão material de preenchimento da declaração. Por inexatidão material entendem-se os pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de digitação. No presente caso, não se trata de erro material, mas de erro de direito, o que não é escusável. A possibilidade de retificar o crédito informado em PER/Dcomp não é expressamente vedada. No entanto, admitir-se tal hipótese implicaria agressão à própria essência da compensação. Em verdade, estar-se-ia realizando outra compensação, o que ensejaria efeitos jurídicos diferenciados, com reflexos no cálculo de juros moratórios e eventualmente na incidência de multa. O próprio programa desenvolvido pela RFB para análise das compensações impede a retificação do crédito. O procedimento recomendado seria o cancelamento do PER/Dcomp e a transmissão de outro. O cancelamento de PER/Dcomp que utilizou crédito inexistente está previsto na IN RFB 1.300/12: (...) A retificação de crédito também está impedida no âmbito da manifestação de inconformidade. Sua análise desbordaria ao que foi objeto do despacho decisório e extrapolaria o litígio. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96 c/c art. 170 do CTN). Desta forma fazia-se necessário comprovar à autoridade julgadora de primeira instância a exatidão das informações referentes ao crédito alegado e confrontar com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e compará-lo ao pagamento declarado e comprovado. Fl. 183DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1201-003.033 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.915378/2009-20 Mas o pedido de restituição de crédito não foi acompanhado (mesmo quando da apresentação do recurso voluntário) dos atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Destaquei) Desta forma, com base no artigo art. 170 do CTN e art. 74 da lei 9.430/96 o pedido de restituição/compensação cujo crédito não foi comprovado foi indeferido. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 184DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001339/2003-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997
DECADÊNCIA. EXTINÇÃO DO CRÉDITO COM UTILIZAÇÃO DE SALDO NEGATIVO. ATRAÇÃO DA REGRA DO ART. 150, § 4°, do CTN.
A utilização de saldo negativo de períodos anteriores para extinção de débitos supervenientes produz efeito semelhante ao do pagamento para fins de atração do artigo 150, § 4° do CTN para fins de contagem do prazo decadencial.
GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS ACIMA DO LIMITE LEGAL. POSTERGAÇÃO. EFEITOS. Descabe o cancelamento da exigência fiscal em face de evidências de postergação, pois, na forma da Súmula CARF nº 36, a inobservância do limite legal de trinta por cento para compensação de prejuízos fiscais ou bases negativas da CSLL, quando comprovado pelo sujeito passivo que o tributo que deixou de ser pago em razão dessas compensações o foi em período posterior, caracteriza postergação do pagamento do IRPJ ou da CSLL, o que implica em excluir da exigência a parcela paga posteriormente. PROVA. Demonstrado em recurso voluntário que os prejuízos fiscais e bases negativas disponibilizados com a glosa poderiam ter sido utilizados em períodos futuros e anteriores ao lançamento, deve ser dado provimento parcial ao recurso para admitir, em liquidação, a imputação proporcional dos tributos postergados, caso a recomposição das bases tributáveis subsequentes, mediante utilização dos prejuízos e bases negativas glosados, até o limite legal, resulte em valores recolhidos a maior naqueles períodos.
Numero da decisão: 9101-004.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, (i) em relação à matéria postergação, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial para excluir eventuais parcelas postergadas, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura, Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo que, em terceira votação, lhe davam provimento integral. Acordam, ainda, (ii) quanto à matéria decadência, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado (relator) e Lívia De Carli Germano, que não conheceram do recurso e, no mérito, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões, quanto à matéria decadência, os conselheiros André Mendes de Moura e Edeli Pereira Bessa. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Edeli Pereira Bessa, que manifestou intenção de apresentar declaração de voto.
Conforme art. 60, anexo II, do Ricarf, quanto à postergação, em primeira votação, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado (relator) e Cristiane Silva Costa negaram provimento ao recurso, os conselheiros André Mendes de Moura, Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo deram-lhe provimento integral e os conselheiros Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei e Lívia De Carli Germano deram-lhe provimento parcial. Em segunda votação, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado (relator) e Cristiane Silva Costa votaram por negar provimento ao recurso, e os conselheiros André Mendes de Moura, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo por dar-lhe provimento parcial.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o Conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1997 DECADÊNCIA. EXTINÇÃO DO CRÉDITO COM UTILIZAÇÃO DE SALDO NEGATIVO. ATRAÇÃO DA REGRA DO ART. 150, § 4°, do CTN. A utilização de saldo negativo de períodos anteriores para extinção de débitos supervenientes produz efeito semelhante ao do pagamento para fins de atração do artigo 150, § 4° do CTN para fins de contagem do prazo decadencial. GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS ACIMA DO LIMITE LEGAL. POSTERGAÇÃO. EFEITOS. Descabe o cancelamento da exigência fiscal em face de evidências de postergação, pois, na forma da Súmula CARF nº 36, a inobservância do limite legal de trinta por cento para compensação de prejuízos fiscais ou bases negativas da CSLL, quando comprovado pelo sujeito passivo que o tributo que deixou de ser pago em razão dessas compensações o foi em período posterior, caracteriza postergação do pagamento do IRPJ ou da CSLL, o que implica em excluir da exigência a parcela paga posteriormente. PROVA. Demonstrado em recurso voluntário que os prejuízos fiscais e bases negativas disponibilizados com a glosa poderiam ter sido utilizados em períodos futuros e anteriores ao lançamento, deve ser dado provimento parcial ao recurso para admitir, em liquidação, a imputação proporcional dos tributos postergados, caso a recomposição das bases tributáveis subsequentes, mediante utilização dos prejuízos e bases negativas glosados, até o limite legal, resulte em valores recolhidos a maior naqueles períodos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, (i) em relação à matéria postergação, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial para excluir eventuais parcelas postergadas, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura, Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo que, em terceira votação, lhe davam provimento integral. Acordam, ainda, (ii) quanto à matéria decadência, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado (relator) e Lívia De Carli Germano, que não conheceram do recurso e, no mérito, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões, quanto à matéria decadência, os conselheiros André Mendes de Moura e Edeli Pereira Bessa. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Edeli Pereira Bessa, que manifestou intenção de apresentar declaração de voto. Conforme art. 60, anexo II, do Ricarf, quanto à postergação, em primeira votação, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado (relator) e Cristiane Silva Costa negaram provimento ao recurso, os conselheiros André Mendes de Moura, Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo deram-lhe provimento integral e os conselheiros Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei e Lívia De Carli Germano deram-lhe provimento parcial. Em segunda votação, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado (relator) e Cristiane Silva Costa votaram por negar provimento ao recurso, e os conselheiros André Mendes de Moura, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo por dar-lhe provimento parcial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado - Relator (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o Conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2034; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 1.383 1 1.382 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19515.001339/200311 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101004.212 – 1ª Turma Sessão de 04 de junho de 2019 Matéria IRPJ Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado DEVILBISS EQUIPAMENTOS PARA PINTURA LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 DECADÊNCIA. EXTINÇÃO DO CRÉDITO COM UTILIZAÇÃO DE SALDO NEGATIVO. ATRAÇÃO DA REGRA DO ART. 150, § 4°, do CTN. A utilização de saldo negativo de períodos anteriores para extinção de débitos supervenientes produz efeito semelhante ao do pagamento para fins de atração do artigo 150, § 4° do CTN para fins de contagem do prazo decadencial. GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS ACIMA DO LIMITE LEGAL. POSTERGAÇÃO. EFEITOS. Descabe o cancelamento da exigência fiscal em face de evidências de postergação, pois, na forma da Súmula CARF nº 36, a inobservância do limite legal de trinta por cento para compensação de prejuízos fiscais ou bases negativas da CSLL, quando comprovado pelo sujeito passivo que o tributo que deixou de ser pago em razão dessas compensações o foi em período posterior, caracteriza postergação do pagamento do IRPJ ou da CSLL, o que implica em excluir da exigência a parcela paga posteriormente. PROVA. Demonstrado em recurso voluntário que os prejuízos fiscais e bases negativas disponibilizados com a glosa poderiam ter sido utilizados em períodos futuros e anteriores ao lançamento, deve ser dado provimento parcial ao recurso para admitir, em liquidação, a imputação proporcional dos tributos postergados, caso a recomposição das bases tributáveis subsequentes, mediante utilização dos prejuízos e bases negativas glosados, até o limite legal, resulte em valores recolhidos a maior naqueles períodos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 13 39 /2 00 3- 11 Fl. 585DF CARF MF Processo nº 19515.001339/200311 Acórdão n.º 9101004.212 CSRFT1 Fl. 1.384 2 Acordam os membros do colegiado, (i) em relação à matéria postergação, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial para excluir eventuais parcelas postergadas, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura, Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo que, em terceira votação, lhe davam provimento integral. Acordam, ainda, (ii) quanto à matéria decadência, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado (relator) e Lívia De Carli Germano, que não conheceram do recurso e, no mérito, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões, quanto à matéria decadência, os conselheiros André Mendes de Moura e Edeli Pereira Bessa. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Edeli Pereira Bessa, que manifestou intenção de apresentar declaração de voto. Conforme art. 60, anexo II, do Ricarf, quanto à postergação, em primeira votação, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado (relator) e Cristiane Silva Costa negaram provimento ao recurso, os conselheiros André Mendes de Moura, Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo deramlhe provimento integral e os conselheiros Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei e Lívia De Carli Germano deramlhe provimento parcial. Em segunda votação, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado (relator) e Cristiane Silva Costa votaram por negar provimento ao recurso, e os conselheiros André Mendes de Moura, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo por darlhe provimento parcial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o Conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Fl. 586DF CARF MF Processo nº 19515.001339/200311 Acórdão n.º 9101004.212 CSRFT1 Fl. 1.385 3 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência (fls. 502524) interposto pela PGFN contra o acórdão 140200.534 da 2° Turma da 4°Câmara que restou assim ementado e decidido: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1997 DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO DO LANÇAMENTO. FATO GERADOR. Havendo antecipação do tributo, a homologação do lançamento ocorrerá no prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, na forma do artigo 150, § 4°, do CTN. POSTERGAÇÃO. A parcela da base de cálculo da autuação por glosa de compensação de prejuízos e bases negativas da CSLL, sobre a qual foi verificada a ocorrência de postergação, deve ser excluída da exigência do IRPJ e CSLL, não cabendo aperfeiçoar o lançamento para cobrança de multas isoladas em quaisquer percentuais. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1) por maioria de votos, acatar a preliminar de decadência para o IRPJ, vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Jaci de Assis Junior; 2) por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência para a CSLL, os Conselheiros Carlos Pelá, Jaci de Assis Junior, e Moises Giacomelli Nunes da Silva votaram pelas conclusões; e 3) no mérito, também por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. A ora Recorrente alega em seu Recurso Especial a existência de divergência de interpretação entre o acórdão Recorrido e os acórdãos paradigmas nº 9101000.460 e 205 01497 no tocante à contagem do prazo decadencial na hipótese de tributo sujeito ao lançamento por homologação. Os acórdãos paradigmas foram assim ementados: Acórdão 9101000.460 Fl. 587DF CARF MF Processo nº 19515.001339/200311 Acórdão n.º 9101004.212 CSRFT1 Fl. 1.386 4 DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO LANÇAR 1RIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Restando configurado que o sujeito passivo não efetuou recolhimentos, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário deve observar a regra do art. 173, inciso I, do cm. Precedentes no STJ, nos termos do RESP n° 973.733 SC, submetido ao regime do art. 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Acórdão 20501497 Contribuições Sociais Previdenciárias. PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/1996 a 31/01/1996, 01/04/1996 a 30/04/1996, 01/06/1996 a 30/06/1996, 01/06/1997 a 01/09/1997, 01/11/1997 a 30/11/1997. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, não comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 173, I. Além disso, aponta também a PGFN que o acórdão recorrido ao concluir que caberia à fiscalização ter considerado os efeitos decorrentes da postergação do pagamento do tributo, divergiu de entendimento dos acórdãos paradigmas n. 10322.446 e 10807.828 que foram assim ementados: Acórdão 10322.446 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL. LIMITE DE 30%. Os saldos de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, inclusive os apurados até 31/12/94, estão sujeitos ao limite de 30% para compensação regulado pela Medida Provisória 812/94 e alterações posteriores. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO DE TRIBUTO. A postergação de pagamento de tributo pressupõe a prova do seu efetivo pagamento. Acórdão n. 10807.828 Fl. 588DF CARF MF Processo nº 19515.001339/200311 Acórdão n.º 9101004.212 CSRFT1 Fl. 1.387 5 IRPJ – COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL – LIMITE DE 30% POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO – Na situação em que a contribuinte desobedeceu ao limite de 30% previsto no art. 15 da Lei nº 9.065/95, mas em períodobase posterior apurou lucro real que não foi diminuído por compensação de prejuízo fiscal anterior, deve o Fisco na determinação do valor tributável verificar os efeitos da postergação do pagamento do tributo de um para outro períodobase. Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial Em despacho de admissibilidade (fls. 532536), fora dado seguimento ao recurso em relação a ambos os assuntos apresentados. Contrarrazões ao Recurso da PGFN Foram apresentadas contrarrazões pela Contribuinte que, em síntese, alega que: i) não cabe Recurso Especial baseado somente na alegação de não estar comprovado nos autos o recolhimento antecipado, pois, como bem demonstram os paradigmas, a suposta divergência trata da comprovação ou não, nos autos, do pagamento parcial do tributo, sendo que no presente caso tal comprovação fora efetuada e as provas foram exaustivamente analisadas nas instâncias ordinárias; ii) também não cabe o Recurso Especial quanto ao lançamento da CSLL (postergação), vez que pautado tão somente na pretensão de nova análise de provas o que é impossível em sede de Recurso Especial; iii) a matéria da CSLL não fora debatida até a interposição do Recurso Esepcial, tendo ocorrido a preclusão neste ponto por ausência de prequestionamento; iv) quanto ao mérito, acertada a decisão que aplicou a regra do art. 150, § 4° do CTN, restando incabível a aplicação do art.173, I do mesmo diploma como pretende a Recorrente; v) quanto à postergação (CSLL), o erro cometido pela fiscalização não reflete mera impropriedade mas de claro erro material que traz como consequência a nulidade do lançamento. É o Relatório. Fl. 589DF CARF MF Processo nº 19515.001339/200311 Acórdão n.º 9101004.212 CSRFT1 Fl. 1.388 6 Voto Vencido Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Conhecimento Decadência Quanto à discussão da decadência, o acórdão traz que o contribuinte apurou saldo a pagar de R$ 21.124,25 e que tal foi extinto com a utilização de saldos negativos de períodos anteriores, configurando a existência de pagamento parcial, o que atrai a regra de contagem do prazo decadencial do 150, §4° do CTN, conforme decisão do STJ nos autos do REsp n. 973.733SC de relatoria do Min.Luiz Fux, cuja ementa abaixo transcrevo: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, Fl. 590DF CARF MF Processo nº 19515.001339/200311 Acórdão n.º 9101004.212 CSRFT1 Fl. 1.389 7 "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Em suma, entendeu o acórdão recorrido que na ausência de recolhimento, deve ser aplicada a regra do art. 173, I do CTN, contudo, concluiu que no autos fora comprovado o recolhimento parcial do IRPJ com a utilização de saldo negativo de anos anteriores o que justifica a aplicação da contagem nos moldes do art. 150, § 4°do CTN. Já os acórdãos paradigmas vêm no mesmo sentido, qual seja, que nas hipóteses em que o sujeito passivo não efetuou recolhimentos o prazo decadencial do fisco constituir o crédito tributário regese pelo art. 173, I do CTN. Não há divergência jurisprudencial entre acórdão recorrido e paradigmas. O que há, a meu ver, é o inconformismo da PGFN em considerarse a utilização de saldo negativo de períodos anteriores como se pagamento fosse para fins de atração do 150, § 4°do CTN. Para tanto, deveria ter trazido acórdãos paradigmas que expressamente tratassem de tal situação e concluíssem em sentido contrário, qual seja, que a extinção do tributo por meio de utilização de saldo negativo de períodos anteriores não equivale a pagamento. Não encontrei tal debate nos acórdãos paradigmas. Portanto, por absoluta ausência de divergência jurisprudencial e similitude fática, não conheço do Recurso Especial quanto ao tema da decadência. Postergação Já com relação ao tema postergação, o acórdão recorrido entendeu que houve falha na constituição do crédito tributário vez que o excesso de compensações no ano de 1997 poderia ser compensado nos anos de 1998 e seguintes até 2002, fato que não foi observado pela Fl. 591DF CARF MF Processo nº 19515.001339/200311 Acórdão n.º 9101004.212 CSRFT1 Fl. 1.390 8 fiscalização no momento da lavratura do auto de infração o que macula o lançamento, pois, caberia ao fisco exigir o tributo somente sob a postergação na forma do art. 273 do RIR/99. Os acórdãos recorridos ao verificarem os efeitos da postergação, procederam não ao cancelamento do auto mas ao recálculo de forma a ajustálo ou limitálo somente aos efeitos da postergação. Assim, verifico similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas, o que justifica o conhecimento do recurso especial quanto a este tópico. Mérito Decadência (se vencido no conhecimento) Uma vez vencido no conhecimento, na análise de mérito no tangente à regra de contagem do prazo decadencial concluo acertado o acórdão recorrido. Primeiramente, não restam dúvidas de que a ausência de pagamento parcial do tributos nos casos em que a legislação exige tal pagamento antecipado, traz a aplicação do art. 173, I do CTN. O ponto aqui em debate concentrase portanto na natureza da utilização de saldo negativo de períodos anteriores como pagamento do tributo. Ora, quando o contribuinte apura saldo negativo de IRPJ ou CSLL, significa que fez recolhimentos durante o períodobase que restaram maiores do que o valor efetivamente devido ao final do período, restando um valor a ser recuperado, inclusive, por ocasião da apuração de novos débitos no futuro. Foi o que aconteceu no presente caso. O contribuinte utilizou valores já pagos ao Fisco e que se mostraram indevidos, para liquidar débitos fiscais supervenientes, havendo liquidação, ainda que parcial, do tributo devido. Ocorreu a extinção parcial do débito. O art. 156 do CTN prevê as hipóteses de extinção do crédito tributário, que são: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; III a transação; IV remissão; V a prescrição e a decadência; VI a conversão de depósito em renda; VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; Fl. 592DF CARF MF Processo nº 19515.001339/200311 Acórdão n.º 9101004.212 CSRFT1 Fl. 1.391 9 VIII a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164; IX a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória; X a decisão judicial passada em julgado. XI – a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) (Vide Lei nº 13.259, de 2016) Parágrafo único. A lei disporá quanto aos efeitos da extinção total ou parcial do crédito sobre a ulterior verificação da irregularidade da sua constituição, observado o disposto nos artigos 144 e 149. O racional adotado pela decisão do STJ mencionada ao norte e em diversos julgados deste Conselho no sentido de que na hipótese em que o contribuinte não faz qualquer recolhimento do tributo aplicase o art. 173, I do CTN, baseiase na ideia de que não houve qualquer esforço patrimonial para extinção daquele determinado tributo em determinado período. Contudo, como já acima explanado, o crédito tributário pode ser extinto de diversas formas que em sua maioria implicam em esforço patrimonial do contribuinte para liquidação do débito que é o caso da utilização de saldo negativo de períodos anteriores, vez que tratase de ativo presente no patrimônio do contribuinte que está sendo utilizado para extinção de nova obrigação. Entendo que a abordagem não pode ser restritiva ao ponto de considerarse somente o recolhimento em dinheiro. Aliás, entendo que a Súmula CARF n. 123 ratifica o presente entendimento. Vejamos. Súmula CARF nº 123 Imposto de renda retido na fonte relativo a rendimentos sujeitos a ajuste anual caracteriza pagamento apto a atrair a aplicação da regra decadencial prevista no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. Ora, o IRRF não é recolhido pelo contribuinte mas sim pelo responsável tributário. Não há pagamento efetuado pelo contribuinte mas um esforço patrimonial representado pelo valor recebido a menor em relação aquilo a que teria direito em razão da retenção de tal valor pelo responsável tributário. Neste sentido, a Súmula CARF n. 123 concluiu que o IRRF culmina na aplicação do artigo 150, §4º do CTN. Entendo que são análogas a situação da utilização do saldo negativo do IRPJ para extinção de débito tributário e o IRRF para fins de atração do artigo 150, §4º do CTN. Assim, improcedente o Recurso Especial apresentado quanto à esta matéria. Fl. 593DF CARF MF Processo nº 19515.001339/200311 Acórdão n.º 9101004.212 CSRFT1 Fl. 1.392 10 Postergação O art. 273 do RIR/99 dispõe o seguinte: Art. 273. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, atualização monetária, quando for o caso, ou multa, se dela resultar (Decreto Lei nº1.598, de 1977, art. 6º, §5º): I – a postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido; ou II – a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. § 1º O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao período de apuração de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período de apuração a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no § 2º do art. 247 (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 6º, §6º). § 2º O disposto no parágrafo anterior e no § 2º do art. 247 não exclui a cobrança de atualização monetária, quando for o caso, multa de mora e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 7º, e Decreto Lei nº 1.967, de 23 de novembro de 1982, art. 16). O art. 273 do RIR/99 não deixa dúvidas sobre como deve o fisco agir no caso de postergação como é o caso em tela. Deve o lançamento limitarse ao efeito da postergação. A inobservância de tal regra não implica em mero erro de cálculo que pode ser corrigida em instâncias julgadoras mas sim em erro material que leva à nulidade do lançamento fiscal. No presente caso, de fato, houve prejuízo ao erário representado por excesso de compensação em determinado período o que acabou por antecipar de forma indevida os efeitos do crédito do contribuinte. Temos aqui uma descolamento da conduta do contribuinte em relação à legislação apenas no concernente ao aspecto temporal. Assim, caberia ao Fisco lançar o valor equivalente tão somente a tal prejuízo temporal que é o efeito da postergação nos moldes do previsto no art. 273 do RIR/99. Tratase de regra de lançamento fiscal e não simples cálculo. Desta sorte, entendo como improcedente o recurso especial da PGFN também quanto ao presente tópico. Assim, não há que se falar em ausência de pagamento que atraia a regra contida no art, 173, I do CTN. Fl. 594DF CARF MF Processo nº 19515.001339/200311 Acórdão n.º 9101004.212 CSRFT1 Fl. 1.393 11 Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO ESPECIAL para no MÉRITO NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 595DF CARF MF Processo nº 19515.001339/200311 Acórdão n.º 9101004.212 CSRFT1 Fl. 1.394 12 Voto Vencedor Conselheira Edeli Pereira Bessa Redatora designada O Conselheiro Relator restou vencido em seu entendimento de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional na matéria postergação. Em terceira votação, depois de confrontadas as três soluções distintas apresentadas para o litígio, prevaleceu o provimento parcial ao recurso especial, com base nas razões a seguir expostas. No acórdão recorrido foi dado provimento ao recurso voluntário para cancelar as exigências decorrentes da glosa de compensação de prejuízos e bases negativas acima do limite de 30% no anocalendário 1997 porque: Verificase que no anocalendário de 1999 e seguintes a contribuinte apurou IRPJ a pagar, vide exemplo o extrato da DIPJ/2000, fl. 459 dos autos. De igual forma, nos anos de 2000 e seguintes apurou CSLL a pagar, fl. 460, quando poderia ter compensado até 30% do lucro com saldo negativo da CSLL utilizado em excesso no ano de 1997. Portanto, caberia ao fisco exigir o tributo tão somente sob a postergação na forma do art. 273 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999. A matéria em questão é objeto da Súmula CARF nº 36: Súmula CARF nº 36 A inobservância do limite legal de trinta por cento para compensação de prejuízos fiscais ou bases negativas da CSLL, quando comprovado pelo sujeito passivo que o tributo que deixou de ser pago em razão dessas compensações o foi em período posterior, caracteriza postergação do pagamento do IRPJ ou da CSLL, o que implica em excluir da exigência a parcela paga posteriormente. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010). Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 10322679, de 19/10/2006 Acórdão nº 10516138, de 08/11/2006 Acórdão nº 10517260, de 15/10/2008 Acórdão nº 10709299, de 05/03/2008 Acórdão nº 10809603, de 17/04/2008 Nestes termos, é válido interpretar que referido enunciado, ao condicionar a exclusão da parcela paga posteriormente à comprovação pelo sujeito passivo que o tributo que deixou de ser pago em razão dessa compensações o foi em período posterior, afasta a possibilidade de se imputar ao Fisco o dever de aferir eventuais compensações futuras dos prejuízos ou das bases negativas disponibilizados com a glosa, cabendo ao sujeito passivo proválas ao longo do processo administrativo. De fato, vejase o que expressam os paradigmas da referida súmula: · Acórdão nº 10322.679: Fl. 596DF CARF MF Processo nº 19515.001339/200311 Acórdão n.º 9101004.212 CSRFT1 Fl. 1.395 13 No que se refere à questão da postergação do pagamento da CSLL, a princípio assistiria razão ao demandante. Realmente, qualquer fato que tenha impacto na apuração do tributo em diversos períodos, deve ser analisado com a abrangéncia requerida por tal circunstância. Incluise nessa categoria a limitação à compensação de prejuízos ou base de cálculo negativa da CSLL em 30%. A limitação implica no direito à utilização em períodos futuros dos valores não compensados pela trava imposta. Se o sujeito passivo, ainda que indevidamente, compensou o saldo negativo da CSLL sem respeitar as limitações impostas pela norma, ele também deixou de exercer esse direito. Com isso, o descumprimento da legislação resulta, no presente caso, na postergação do pagamento da contribuição para período de apuração posterior ao que seria devida. Caberia a consideração de eventuais valores da CSLL apurados a maior pelo sujeito passivo em períodos subseqüentes, em decorrência da diminuição ou esgotamento da base de cálculo negativa a compensar nesses períodos, em função de seu comportamento anterior. [...] Por outro lado, não se pode olvidar que só é possível falar em diferença de tributo (no caso, CSLL) se o sujeito passivo apurar contribuição devida em períodos posteriores. Na hipótese contrária, não haveria direito de compensação a ser exercido em períodos futuros o que implicaria na exigência da contribuição postergada em sua totalidade. Apesar da recorrente argüir esse direito na peça recursal, não trouxe aos autos qualquer documento que permita atestar o resultado auferido em períodos posteriores e de que forma afetariam a presente exigência. Com isso, não foi comprovada a existência de resultados compensáveis em exercícios posteriores, restando improcedentes as alegações suscitadas. · Acórdão nº 10516.138: Porém, no recurso voluntário traz o mesmo pleito, agora sob o manto da postergação, que tem como principal característica a ocorrência do recolhimento do tributo em período posterior àquele em que deveria ter sido recolhido, mas antes do encerramento da ação fiscal. Isso com apoio no art. 6°, § 3°, do Decretolei n° 1.598/771, como invocado (fls. 211). O dispositivo está interpretado no âmbito administrativo pelo PN Cosit n° 02/1996 que assume a importância de norma impositiva com relação aos procedimentos fiscalizatórios. A análise dos efeitos fiscais do procedimento da ficalizada indica claramente que ao proceder à dedução integral dos prejuízos em 1995, deixou de fazêlo em períodos posteriores, já que estava zerado o valor a compensar, ou ao menos estava baixado do saldo a compensar o montante compensado. Fl. 597DF CARF MF Processo nº 19515.001339/200311 Acórdão n.º 9101004.212 CSRFT1 Fl. 1.396 14 Tendo ocorrido a fiscalização em 1999, a fiscalização obediente ao comando do PN 2/96 deveria ter recomposto os valores relativos aos anos de 1995 a 1998 procedendo à verificação do valor dos tributos recolhidos a título de IRPJ e CSLL para constatar se houvera efetiva postergação ou insuficiência de recolhimento. Não o fez, maculando o lançamento, sendo de se examinar se ocorreram os efeitos da postergação, matéria não oferecida ao judiciário. A recorrente trouxe, na impugnação, a declaração de rendimentos do ano de 1996 (fls. 120 a 137), na qual baseou seu pedido inicial, e mais a DIPJ 2000 do ano de 1999, no curso do qual ocorreu a fiscalização. Na declaração do ano de 1996 se observa que a empresa apresentou um lucro real de R$ 2.167.406,28 sem ter procedido à compensação de prejuízos (fls. 126). Se saldo de prejuízos acumulados tivesse, poderia ter deduzido 30% desse montante, ou R$ 650.221,88. Ainda, a fls. 130, consta o valor de R$ 2.432.828,06 de base tributável da CSLL, da qual apenas 30%, ou R$ 729.848,42 poderiam ser aproveitados sob a rubrica de compensação de bases negativas anteriormente formadas. Nesse ano pouco importa o montante do IRPJ e CSLL recolhidos, uma vez que os recolhimentos corresponderam a mera antecipação e o tributo devido ao final do período decorreu da tributação do lucro real ou da base da CSLL apurados, sendo os excessos restituídos ou compensados com débitos futuros. Não comprovou a recorrente ter havido a possibilidade concreta de compensações nos anos de 1997 e 1998, períodos encerrados anteriormente à ação fiscal. O resultado fiscal de 1999 também não pode ser aproveitado, uma vez que o mecanismo de postergação se considera a posição fiscal no momento da fiscalização, sob pena de caracterização da insuficiência de recolhimento, situação diferente da postergação. [...] Não se deu a postergação com relação ao valor total da glosa, porém parte da glosa foi efetivamente tributada e consequentemente os tributos foram recolhidos posteriormente e antes da ação fiscal, sobre os valores acima apontados. A jurisprudência acerca da matéria inicialmente entendeu que a simples não recomposição dos resultados era suficiente para o cancelamento da exigência, porém evoluiu no sentido de que a postergação somente seria aceita com resultado efetivo nos casos em que a empresa comprovasse objetivamente sua Fl. 598DF CARF MF Processo nº 19515.001339/200311 Acórdão n.º 9101004.212 CSRFT1 Fl. 1.397 15 ocorrência, trazendo ao processo os demonstrativos que comprovassem o recolhimento posterior ao diferimento inicial e anterior à ação fiscal. No presente caso os elementos constantes do processo somente permitem aferir que parcela da glosa poderia provocar redução de tributo em momento posterior, o que permite apenas acolher parcialmente a tese. Assim, é de se prover parcialmente o recurso com relação a este item. · Acórdão nº 10517.260: Na medida em que, ao constituir os créditos tributários, a autoridade fiscal promoveu a compensação dos prejuízos fiscais e das bases negativas ao limite de trinta por cento, a Recorrente protesta pela aplicação do tratamento previsto no Parecer Normativo n° 02/96. É certo que a inobservância do limite de trinta por cento na compensação de prejuízos fiscais e bases negativas pode revelar, tãosomente, postergação do pagamento do imposto, vez que, como alegado pela Recorrente, a antecipação da redução da base de cálculo decorrente de tal procedimento guarda semelhança com o registro antecipado de uma despesa. Porém, tanto em uma situação como na outra, cabe ao contribuinte demonstrar, por meio de documentação hábil e idônea, que o imposto que deixou de ser pago em um período foi, em período subseqüente, devidamente quitado em razão da superveniência de resultados fiscais positivos. Assim, para que o argumento da Recorrente pudesse ser recepcionado, seria necessário que ela trouxesse aos autos comprovação inequívoca de que o imposto que deixou de ser pago relativamente ao anocalendário foi, em período subseqüente e antes do lançamento de oficio, devidamente quitado, fato esse que não se constata nos presentes autos. · Acórdão nº 10709.299: Argumenta que ocorreu a postergação do pagamento de parte do imposto exigido nos anoscalendário de 1997 e 1998 e discute a exigência dos juros de mora calculados pela Taxa Selic. Pede o cancelamento da exigência fiscal, ou sua redução calculandose os efeitos da postergação, ou ainda a realização de diligência para confirmação do critério utilizado no cálculo da postergação. O doc. de fls. 422 apresentado com a impugnação demonstra o cálculo da postergação e indica que foi postergado o valor de R$ 355.443,85. Também foram juntadas cópias das DIPJ dos anos calendário de 1997 e 1998. Fl. 599DF CARF MF Processo nº 19515.001339/200311 Acórdão n.º 9101004.212 CSRFT1 Fl. 1.398 16 Da jurisprudência, cito o acórdão n° 10808862, de 25.05.2006, da mesma empresa, relativo à exigência da CSLL do mesmo exercício, que excluiu da exigência os valores postergados. Dessa forma deve ser excluído do lançamento o valor de R$ 355.443,85 indicado às folhas 422. · Acórdão nº 10809.603: Por fim, resta resolver a questão quanto à postergação do imposto devido. A própria diligência conclui que houve postergação do IRPJ em 1996 (fls. 341), visto que, conforme relata a diligência, nos períodos seguintes à lavratura do auto de infração, a empresa não se utilizou do saldo remanescente de prejuízo fiscal, tendo efetuado os pagamentos do IRPJ apurados nas respectivas DIPJ's, tanto nas estimativas mensais como nos ajustes anuais. Também como resultado da mesma diligência (fls. 340/341), já no anocalendário de 1997, a empresa apresentou lucro real que permitiria a compensação de saldo remanescente de prejuízo fiscal, que não pôde ser compensado no anocalendário de 1996. Logo, o imposto não recolhido em 1996, foi pago (principal) no anocalendário de 1997. Ora, partindo do relato da própria diligência, concluo que o prejuízo causado ao erário público é apenas quanto ao efeito da postergação. Demonstrado no presente caso, que existe hipótese de postergação, sendo certo que existe pagamento no ano seguinte, entendo que o lançamento deve ser restrito à postergação. Todavia, não é possível alterar o lançamento após o prazo decadencial, razão pela qual o lançamento ao qual se aplicaria os efeitos da postergação deve ser totalmente cancelado. Tais excertos, ao validarem a exigência quando o sujeito passivo não faz prova da postergação, e reduzila quando há evidências neste sentido, demonstram que não só incumbe ao sujeito passivo provar a postergação, mas também deixam patente que neles não há um alinhamento quanto à forma a ser observada na demonstração de tais ocorrências. Basta ver que no precedente nº 10809.603 a apuração foi feita em sede de diligência, constando em seu relatório a determinação de que fossem juntadas aos autos as DIPJ´s dos anoscalendário imediatamente posteriores a 1996 e até 2000, com os comprovantes de recolhimento do imposto, a indicar que o sujeito passivo não havia apresentado tais documentos em sua defesa. Já o precedente nº 10517.260 demanda comprovação inequívoca de que o imposto que deixou de ser pago relativamente ao anocalendário foi, em período subseqüente e antes do lançamento de oficio, devidamente quitado, mas não especifica quais elementos se prestariam a tanto. Assim, com fundamento no expresso na Súmula CARF nº 36, o acórdão recorrido deve ser reformado. Já com referência à suficiência da prova apresentada pela contribuinte, importa ter em conta que o recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido nos seguintes termos: Fl. 600DF CARF MF Processo nº 19515.001339/200311 Acórdão n.º 9101004.212 CSRFT1 Fl. 1.399 17 A PGFN insurgese, ainda, contra o entendimento meritório de que caberia à fiscalização ter considerado no lançamento os efeitos oriundos da postergação de pagamento do tributo, fato que levou a Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara a cancelar as exigências de CSLL. Apontou, para fins de caracterização do dissídio jurisprudencial, os seguintes julgados: “COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL. LIMITE DE 30%. Os saldos de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, inclusive os apurados até 31/12/94, estão sujeitos ao limite de 30% para compensação regulado pela Medida Provisória 812/94 e alterações posteriores. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO DE TRIBUTO. A postergação de pagamento de tributo pressupõe a prova do seu efetivo pagamento (...).” (1ºCC, 3ª Câmara, Acórdão nº 10322.446, de 24/05/06). “(...) IRPJ — COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL — LIMITE DE 30% POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO — Na situação em que a contribuinte desobedeceu ao limite de 30% previsto no art. 15 da Lei n° 9.065/95, mas em períodobase posterior apurou lucro real que não foi diminuído por compensação de prejuízo fiscal anterior, deve o Fisco na determinação do valor tributável verificar os efeitos da postergação do pagamento do tributo de um para outro período base (...)” (1ºCC, 8ª Câmara, Acórdão nº 10807.828, de 16/06/04). Sobre a questão da postergação, assim dispôs o acórdão recorrido: “(...) No que tange à CSLL, não se identifica recolhimento no processo. Logo, o prazo decadencial deve ser contado na forma do art. 173 do CTN. Porém, conforme apontado pelo contribuinte, há uma falha na constituição do credito tributário que também se aplica ao IRPJ, qual seja: o excesso de compensações no ano de 1997 poderiam ser compensados nos anos de 1998 e seguintes, até 2002 (ultimo período de apuração fechado antes do ano em que foi realizada a auditoria fiscal), fato que não foi observado pela fiscalização na lavratura dos autos. Verificase que no anocalendário de 1999 e seguintes a contribuinte apurou IRPJ a pagar, vide exemplo o extrato da DIPJ/2000, fls. 459 dos autos. De igual forma, nos anos de 2000 e seguintes apurou CSLL a pagar, fl. 460, quando poderia ter compensado até 30% do lucro com saldo negativo da CSLL utilizado em excesso no ano de 1997. Portanto, caberia ao fisco exigir o tributo somente sob a postergação na forma do art. 273 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999.” (destaquei) Como bem posto pela recorrente, ao entender pela caracterização da postergação de pagamento, o acórdão recorrido divergiu, por exemplo, do segundo paradigma, em que se concluiu pela verificação dos efeitos dela decorrentes, com a recomposição do lucro de cada período e verificação das diferenças, não pelo cancelamento da autuação, consoante o respectivo voto condutor: Fl. 601DF CARF MF Processo nº 19515.001339/200311 Acórdão n.º 9101004.212 CSRFT1 Fl. 1.400 18 “(...) Com efeito, ao compensar integralmente os prejuízos fiscais acumulados com o lucro real dos meses de agosto a novembro do ano de 1995 a autuada infringiu o artigo 15 da Lei n° 9.065/95 que limitou esta compensação a 30%. Nos períodos seguintes, anos de 1996 a 1999, por já ter se utilizado integralmente dos prejuízos fiscais no ano de 1995, tributou a totalidade das suas bases positivas. Caso tivesse procedido corretamente, teria pagado imposto de renda menor nos períodos seguintes, já que não estaria esgotado o seu estoque de prejuízos a compensar. Deveria a fiscalização recompor o lucro real de cada período, detectando as diferenças, contrária à empresa nos meses autuados, e favorável nos períodos seguintes, lançando apenas a correção monetária, quando fosse o caso, e os juros de mora, haja vista que o montante do imposto não pago em 1995 foi parcialmente recolhido pela recorrente nos anos subseqüentes, aplicando os efeitos de postergação previstos no citado Parecer Normativo Cosit n° 02/96.” Presentes os requisitos de admissibilidade, PROPONHO, com base no artigo 25 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria nº 256, de 22/06/09, c/c itens 4.1 e 4.3 da Ordem de Serviço CARF nº 01, de 22/10/09, seja ADMITIDO o recurso especial interposto. Como se vê, a análise da divergência, em exame de admissibilidade, se restringiu à possibilidade de verificar, em julgamento, os efeitos da postergação, sem se cancelar a autuação por inobservância desta providência pela autoridade fiscal, como firmado no acórdão recorrido. De toda a sorte, ainda que a divergência suscitada alcance, também, o conteúdo probatório que deve ser produzido para se admitir, em julgamento, os efeitos da postergação, fato é que, no presente caso, a contribuinte, em recurso voluntário, apesar de não juntar as DIPJ correspondentes, elaborou tabelas evidenciando o lucro real apurado nos anos calendário posteriores (1998 a 2001) e demonstrando a possibilidade de compensação nestes períodos, anteriores à formalização do presente lançamento, dos prejuízos cuja compensação foi glosada no anocalendário 1997, restando em 2001 o saldo de prejuízos no valor de R$ 55.850,35 (efls. 468). À efl. 233 consta extrato das DIPJ apresentadas pela contribuinte, e que confirmam a opção pela tributação com base no lucro real nos anoscalendário 1998 a 2001. Em face destas evidências, é possível reformar o acórdão recorrido para dar parcial provimento ao recurso voluntário, admitindose, na liquidação deste acórdão, a imputação proporcional dos tributos postergados nos anoscalendário 1998 a 2001, caso a recomposição das bases tributáveis, mediante utilização dos prejuízos e bases negativas glosados, até o limite legal, resulte em valores recolhidos a maior naqueles períodos. Estas as razões, portanto, para DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Redatora designada Fl. 602DF CARF MF Processo nº 19515.001339/200311 Acórdão n.º 9101004.212 CSRFT1 Fl. 1.401 19 Declaração de Voto Conselheira Edeli Pereira Bessa Acompanhei o Conselheiro Relator em suas conclusões, por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional acerca da matéria decadência, dado que concordo com a exoneração promovida no acórdão recorrido, relativamente ao IRPJ devido no anocalendário 1997, objeto de lançamento em 09/04/2003, pelas razões a seguir expostas. No âmbito do CARF, a matéria em questão tem seu julgamento afetado pelas disposições do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Isto porque, relativamente à contagem do prazo decadencial na forma do art. 150, do CTN, o Superior Tribunal de Justiça já havia decidido, na sistemática prevista pelo art. 543C do Código de Processo Civil, o que assim foi ementado no acórdão proferido nos autos do REsp nº 973.733/SC, publicado em 18/09/2009: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL.ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Fl. 603DF CARF MF Processo nº 19515.001339/200311 Acórdão n.º 9101004.212 CSRFT1 Fl. 1.402 20 julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Extraise deste julgado que o fato de o tributo sujeitarse a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomar se o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial de 5 (cinco) anos. Resta claro, a partir da ementa transcrita, que é necessário haver uma conduta objetiva a ser homologada, sob pena de a contagem do prazo decadencial ser orientada pelo disposto no art. 173 do CTN. E tal conduta, como já se infere a partir do item 1 da referida ementa, não seria apenas o pagamento antecipado, mas também a declaração prévia do débito. Fl. 604DF CARF MF Processo nº 19515.001339/200311 Acórdão n.º 9101004.212 CSRFT1 Fl. 1.403 21 Relevante notar, porém, que, no caso apreciado pelo Superior Tribunal de Justiça, a discussão central prendiase ao argumento da recorrente (Instituto Nacional de Seguridade Social – INSS) de que o prazo para constituição do crédito tributário seria de 10 (dez) anos, contandose 5 (cinco) anos a partir do encerramento do prazo de homologação previsto no art. 150, §4o do CTN, como antes já havia decidido aquele Tribunal. Por esta razão, os fundamentos do voto condutor mais se dirigiram a registrar a inadmissibilidade da aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, §4o, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal. Em conseqüência não há, naquele julgado, maior aprofundamento acerca do que seria objeto de homologação tácita na forma do art. 150 do CTN, permitindose aqui a livre convicção acerca de sua definição. Referido dispositivo, por sua vez, assim estabelece: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Indispensável, portanto, o exercício da atividade que a lei atribui ao sujeito passivo, a qual não se limita ao pagamento, que deve estar associado à apuração do crédito tributário devido, assim estampada em sua escrituração comercial e fiscal. No presente caso, consoante destacado no acórdão recorrido, a contribuinte informou na Ficha 08 da DIPJ a apuração de IRPJ devido no anocalendário 1997, liquidando o mediante compensação com saldos negativos de períodos anteriores (fl. 25), sendo certo que, à época, sob a vigência do art. 66 da Lei nº 8.383/91, esta compensação poderia ser promovida independentemente de pedido ou declaração de compensação. Para além disso, observase no recibo de entrega da citada DIPJ que o débito de R$ 21.124,25 está ali indicado como "IR a Pagar", acima da seguinte declaração: O presente Recibo de Entrega de Declaração de Rendimentos em disquete, anocalendário 1997, contendo a transcrição de parte das fichas 08, 09, 11, 12 e 17 da referida Declaração, constitui Fl. 605DF CARF MF Processo nº 19515.001339/200311 Acórdão n.º 9101004.212 CSRFT1 Fl. 1.404 22 confissão de dívida, nos termos do artigo 5º do Decretolei nº 2.124/84, correspondendo à expressão da verdade. Assim, evidenciada a declaração de débito no período autuado, com efeitos de confissão de dívida, e a inexistência de qualquer cogitação acerca de dolo, fraude um simulação na apuração do crédito tributário, resta fora de dúvida a submissão do caso à regra decadencial do art. 150, §4º do CTN, do que decorre que o lançamento pertinente ao ano calendário 1997 deveria ter sido formalizado até 31/12/2002, confirmandose a decadência em face da constituição do crédito tributário em 09/04/2003. Estes os fundamentos, portanto, para acompanhar o Relator pelas conclusões e negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional acerca da matéria decadência. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Conselheira Fl. 606DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.001005/2007-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Por disposição legal, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, de forma individualizada.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2002, 2003, 2004
REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. AUTORIDADE COMPETENTE PARA A EMISSÃO.
Podem requisitar as informações referentes à movimentação bancária dos contribuintes as autoridades competentes para expedir o Mandado de Procedimento Fiscal.
PRELIMINAR DE NULIDADE. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DO LANÇAMENTO.
Válido é o lançamento decorrente de procedimento fiscal desenvolvido nos estritos termos legais.
PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Restando comprovado que a descrição dos fatos e o enquadramento legal constante do Auto de Infração caracterizaram a infração praticada, descabida resta a argüição de cerceamento do direito de defesa.
PRELIMINAR DE NULIDADE. LEVANTAMENTO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. INCORRETA APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO.
A existência de incorreções no levantamento da matéria tributável ou na incorreta aplicação da legislação, por parte da autoridade lançadora, não demanda a declaração de nulidade do lançamento como um todo, mas simplesmente sua improcedência (no todo ou em parte).
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2002, 2003, 2004
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA.
As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.
FRAUDE. CARACTERIZAÇÃO.
O reiteramento da conduta ilícita ao longo do tempo descaracteriza o caráter fortuito do procedimento, evidenciando o intuito doloso tendente à fraude.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INTUITO DE FRAUDE. APLICABILIDADE.
É aplicável a multa de ofício qualificada de 150%, naqueles casos em que, no procedimento de ofício, constatado resta que à conduta do contribuinte esteve associado o evidente intuito de fraude.
MULTA DE OFÍCIO APLICADA ISOLADAMENTE.
Será cobrada, isoladamente, a multa de ofício de que trata o inciso I ou II do art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, sobre o valor do imposto mensal devido e não recolhido (carnê-leão), concomitantemente com o imposto suplementar apurado na declaração, acrescido da multa de ofício correspondente e de juros de mora.
INFRAÇÃO. ABRANDAMENTO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Numero da decisão: 2301-006.215
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, vencidos os conselheiros Wesley Rocha e Virgílio Cansino Gil, que desqualificaram a multa.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Por disposição legal, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, de forma individualizada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2002, 2003, 2004 REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. AUTORIDADE COMPETENTE PARA A EMISSÃO. Podem requisitar as informações referentes à movimentação bancária dos contribuintes as autoridades competentes para expedir o Mandado de Procedimento Fiscal. PRELIMINAR DE NULIDADE. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DO LANÇAMENTO. Válido é o lançamento decorrente de procedimento fiscal desenvolvido nos estritos termos legais. PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Restando comprovado que a descrição dos fatos e o enquadramento legal constante do Auto de Infração caracterizaram a infração praticada, descabida resta a argüição de cerceamento do direito de defesa. PRELIMINAR DE NULIDADE. LEVANTAMENTO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. INCORRETA APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. A existência de incorreções no levantamento da matéria tributável ou na incorreta aplicação da legislação, por parte da autoridade lançadora, não demanda a declaração de nulidade do lançamento como um todo, mas simplesmente sua improcedência (no todo ou em parte). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2002, 2003, 2004 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 10 05 /2 00 7- 14 Fl. 703DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.215 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.001005/2007-14 PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão- somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. FRAUDE. CARACTERIZAÇÃO. O reiteramento da conduta ilícita ao longo do tempo descaracteriza o caráter fortuito do procedimento, evidenciando o intuito doloso tendente à fraude. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INTUITO DE FRAUDE. APLICABILIDADE. É aplicável a multa de ofício qualificada de 150%, naqueles casos em que, no procedimento de ofício, constatado resta que à conduta do contribuinte esteve associado o evidente intuito de fraude. MULTA DE OFÍCIO APLICADA ISOLADAMENTE. Será cobrada, isoladamente, a multa de ofício de que trata o inciso I ou II do art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, sobre o valor do imposto mensal devido e não recolhido (carnê-leão), concomitantemente com o imposto suplementar apurado na declaração, acrescido da multa de ofício correspondente e de juros de mora. INFRAÇÃO. ABRANDAMENTO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, vencidos os conselheiros Wesley Rocha e Virgílio Cansino Gil, que desqualificaram a multa. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Fl. 704DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.215 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.001005/2007-14 Relatório 1. Trata-se de julgar recurso voluntário (e-fls 642/656) interposto em face do Acórdão nº 07-14.552 (e-fls 676/694) 1 prolatado pela DRJ Florianópolis em sessão de julgamento realizada em 14 de novembro de 2008. 2. Faz-se a transcrição do relatório inserto na decisão recorrida: início da transcrição do relatório contido no Acórdão nº 07-14.552 Do Lançamento Por meio do Auto de Infração às folhas 547 a 551 2 , foi exigida do contribuinte a importância de R$ 125.234,10 (cento e vinte e cinco mil, duzentos e trinta e quatro reais e dez centavos) a título Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, acrescida de multa de ofício de 75% e 150%, conforme o caso, e dos encargos legais devidos à época do pagamento, e a importância de R$ 2.948,94 a título de multa exigida isoladamente. Nos termos da Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is), fl. 548 a 551 3 , a autuação se deu em razão de: 001 – omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica; 002 - omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoa física; 003 - omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada; 004 – falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê-leão. Conforme relatado no Relatório de Atividade Fiscal 4 , o contribuinte, que exerce a profissão de advogado, por apresentar movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados, foi intimado a apresentar a discriminação dos clientes para os quais teria prestado serviços e a comprovar a origem dos recursos depositados em sua conta corrente. Em resposta, o contribuinte informou que não poderia informar o nome de seus clientes, pois não mais possuía os recibos de pagamento; reintimado, reiterou que não poderia precisar os nomes das pessoas para as quais teria prestado serviço. Foi intimado então a apresentar as petições feitas em nome de seus representados, os recibos de pagamentos e outros documentos referentes aos processos judiciais nos quais tivesse atuado como advogado. Atendeu a intimação apresentando as petições iniciais e alguns recibos esparsos, sem discriminação de valores recebidos e, regra geral, sem os montantes diferidos em cada causa. 1 Anexação às e-fls 676/694 do inteiro teor do Acórdão nº 07-14.552 decorre do atendimento aos termos do Despacho de Saneamento (e-fls 660) que identificara falha na digitalização do acórdão recorrido (e-fls. 626/635). 2 Auto de Infração anexado às e-fls 567/571. 3 E-fls. 568/571. 4 E-fls. 572/600. Fl. 705DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.215 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.001005/2007-14 Foi solicitado então ao Poder Judiciário informações sobre os processos impetrados na Justiça Federal e na Justiça do Trabalho pelo interessado em nome de seus representados. Diante das informações fornecidas, o interessado foi intimado a informar os percentuais cobrados destes, cuja resposta foi novamente de que não tinha como prestar as informações solicitadas. A partir das informações fornecidas pela Justiça, utilizando em parte as informações fornecidas pelo contribuinte, a autoridade fiscal apurou os valores pagos ao fiscalizado por seus clientes. Quanto aos extratos bancários, extrai-se dos autos que depois de reiteradas intimações não atendidas pelo contribuinte, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, através de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF, foram intimados a fornecer tais extratos. A partir dos extratos fornecidos pelas instituições financeiras, o fiscalizado foi intimado a comprovar a origem dos depósitos em sua conta (relacionados na planilha à folha 506 a 509); em resposta este informou que parte do recurso era proveniente de uma doação de sua mãe no valor de R$ 270.000,00, cuja Declaração de Doação foi juntada à folha 513, bem como de transferências entre contas. As transferências comprovadamente ocorridas entre contas do fiscalizado não foram incluídas no lançamento. Já a alegada doação não foi aceita pela autoridade fiscal por não haver a comprovação de que efetivamente tenha ocorrido. Quanto aos demais valores, não houve como relacioná-los a qualquer documento trazido pelo fiscalizado. A autoridade fiscal agravou a multa de ofício aplicável, com base nas razões que seguem: Conforme já mencionado nos itens 2.1.1 e 2.1.2, acima, nas infrações ali descritas ficou evidenciado o propósito do contribuinte de reduzir a base de cálculo do imposto, intenção que foi ratificada pela falta de informações precisas sobre os rendimentos, inclusive omitindo aqueles recebidos judicialmente, e pela apresentação de declaração de doação sem comprovação da origem e disponibilidade dos bens doados. No caso dos honorários não declarados nas DIRPF do período fiscalizado, o contribuinte apresentou somente alguns documentos, informando que não tinha controle nenhum dos valores dos honorários recebidos. Dessa forma, somente através destes documentos esparsos e cópias de petições, não teríamos chegado a conclusão alguma. Foi preciso recolher informações da Justiça Federal e no TRT para que pudéssemos avaliar e comprovar ao menos uma parte do que foi deferido nas sentenças e recebido como honorários assistenciais. Impugnação 1. Da Nulidade do Lançamento Ao longo de seu arrazoado o impugnante em diferentes momentos alega a nulidade do lançamento com base nos argumentos que seguem. Em tópicos onde trata especificamente da nulidade do lançamento, o impugnante defende que foram desrespeitados seus direitos constitucionais a liberdade, “não auto-incriminação”, a intimidade e sigilo de seus dados. Fl. 706DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-006.215 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.001005/2007-14 Nesse sentido alega que como o objetivo da ação fiscal era a constatação de “ilícito tributário e penal em vistas de indícios que já possuía antes da ação fiscal”, em respeito ao princípio constitucional da “não auto-incriminação” o contribuinte deveria ter sido alertado de seu “direito de permanecer em silêncio, para não depor, testemunhar ou informar atos e fatos que contra ele, como cidadão, pudessem ser usados”. Defende ainda que a constituição só admite o acesso a dados do cidadão, contribuinte ou não, com ordem judicial e que, portanto, a partir do momento que a autoridade fiscal obteve da instituição bancária dados de sua movimentação financeira, mesmo se valendo da LC 105/2001, agiu em afronta a direito constitucional do contribuinte, o que torna os dados obtidos uma prova ilícita imprestáveis juridicamente, tornando nulo o lançamento nesta prova fundamentado. Quando contesta a aplicação da multa de ofício, o impugnante alega que a autoridade ao agir em desrespeito ao Decreto nº 2.346/97 e de forma contrária à jurisprudência pacífica do Superior Tribunal Federal - STF, torna nulo o lançamento. Afirma que o Decreto nº 2.346/97 determina que as decisões do STF e do Superior Tribunal de Justiça - STJ devem ser observadas pelos órgãos da Administração Pública; aduz que é entendimento pacífico do STF que “a multa não pode exceder a 30%”. Quando trata da doação recebida de sua mãe, cujo valor pretende que seja excluído do lançamento de omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários não justificados, alega que a autoridade fiscal praticou “coação ilegal” quando agindo como se “agente policial fosse” disse que “os herdeiros poderão responder por falso testemunho”, fundamentação essa que “macula o lançamento e o nulifica nessa parte, o que se requer seja declarado”. Alega ainda nulidade do lançamento face ao cerceamento de defesa decorrente do indevido enquadramento legal da multa isolada decorrente do não recolhimento do imposto devido através do carnê-leão. Defende que a Medida Provisória nº 351 de 2007, em sendo posterior aos fatos postos é inaplicável ao caso. Aduz que não prevalecendo este, outro dispositivo não pode ser invocado em face do princípio constitucional da individualização da pena que determina que “um só fato não pode ser tipificado em dois ou mais dispositivos legais de natureza distinta”. Conclui, tratar- se de cerceamento de defesa que torna nulo o auto de infração. 2. Da Omissão de Rendimentos Decorrentes de Depósitos Bancários não Justificados Intimado da autuação fiscal, o contribuinte a impugna alegando que parte dos depósitos bancários - verificados a partir de seus extratos bancários obtidos pela fiscalização de forma ilegal, já que sem a sua autorização -, tem origem em rendimentos decorrentes de pagamentos de honorários recebidos de pessoas físicas e jurídicas, estes que foram apurados e listados em planilha elaborada pela própria fiscalização. Defende que tais rendimentos estão sendo tributados duplamente: uma pelo recebimento da renda e outro pelo seu depósito em banco; pugna então pela exclusão de tais valores do lançamento por omissão de rendimento decorrente de depósitos bancários não justificados. Pugna ainda pela exclusão do valor de R$ 270.000,00 dos valores de depósitos lançados, valor este decorrente de doação recebida de sua mãe, comprovada por declaração firmada por esta e assinada pelos demais herdeiros. Defende que a Fl. 707DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-006.215 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.001005/2007-14 fiscalização não comprovou que o documento é inidôneo, caso em que deveria “demonstrar, pelo menos, posto que a prova é sua, que ele é falso, que as assinaturas não são verdadeiras” e aduz que o fato de tal doação não constar de sua DIRPF nem na de sua mãe não implica na ilegitimidade do ato. 3. Das Multas Aplicadas Com base em jurisprudência do Conselho de Contribuintes, defende que não é cabível a aplicação concomitante da multa isolada prevista no art. 44, §1º inciso III da Lei nº 9.430/96 com a multa de ofício prevista no inciso I do art. 44 da mesma lei, por ambas incidirem sobre o mesmo fato. Por fim, o impugnante insurge-se conta o agravamento da multa de ofício alegando: - que o fato de os esclarecimentos prestados durante a ação fiscal não terem sido considerados suficiente pela fiscalização em nada embaraçou ou dificultou os trabalhos fiscais, considerando que, conforme consta dos autos, o fisco, não teve “absolutamente nenhuma dificuldade para constituir o crédito tributário”, já que obteve as informações necessárias diretamente das instituições financeiras e no Poder Judiciário; - que a multa não poderia ter sido agravada em face de ter exercido seu legítimo direito ao silêncio, decorrente do princípio constitucional da “não auto-incriminação (Direito Constitucional ao Silêncio)”; - que sem ordem judicial, os extratos bancários obtidos pela fiscalização consistem de provas ilícitas, pelo que a fraude que lhe é imputada passa a ser uma mera presunção sem alicerce jurídico; 4. Taxa Selic Alega que a Taxa Selic é inaplicável a tributos conforme entendimento do STJ que “afastou a aplicação da SELIC como percentual de juros moratórios a serem aplicados em débitos tributários”. Pelas razões postas requer o cancelamento do auto de infração. final da transcrição do relatório contido no Acórdão nº 07-14.552 2.1. Ao julgar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido, o acórdão recorrido tem a ementa que se segue: ESPAÇO RESERVADO PARA TRANSCRIÇÃO DA EMENTA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF ANO-CALENDÁRIO: 2002, 2003, 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Por disposição legal, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação Fl. 708DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-006.215 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.001005/2007-14 hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, de forma individualizada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANO-CALENDÁRIO: 2002, 2003, 2004 REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. AUTORIDADE COMPETENTE PARA A EMISSÃO. Podem requisitar as informações referentes à movimentação bancária dos contribuintes as autoridades competentes para expedir o Mandado de Procedimento Fiscal. PRELIMINAR DE NULIDADE. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DO LANÇAMENTO. Válido é o lançamento decorrente de procedimento fiscal desenvolvido nos estritos termos legais. PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Restando comprovado que a descrição dos fatos e o enquadramento legal constante do Auto de Infração caracterizaram a infração praticada, descabida resta a argüição de cerceamento do direito de defesa. PRELIMINAR DE NULIDADE. LEVANTAMENTO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. INCORRETA APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. A existência de incorreções no levantamento da matéria tributável ou na incorreta aplicação da legislação, por parte da autoridade lançadora, não demanda a declaração de nulidade do lançamento como um todo, mas simplesmente sua improcedência (no todo ou em parte). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ANO-CALENDÁRIO: 2002, 2003, 2004 PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão- somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. FRAUDE. CARACTERIZAÇÃO. O reiteramento da conduta ilícita ao longo do tempo descaracteriza o caráter fortuito do procedimento, evidenciando o intuito doloso tendente à fraude. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INTUITO DE FRAUDE. APLICABILIDADE. É aplicável a multa de ofício qualificada de 150%, naqueles casos em que, no procedimento de ofício, constatado resta que à conduta do contribuinte esteve associado o evidente intuito de fraude. MULTA DE OFÍCIO APLICADA ISOLADAMENTE. Será cobrada, isoladamente, a multa de ofício de que trata o inciso I ou II do art. 44 da Lei n o 9.430, de 1996, sobre o valor do imposto mensal devido e não Fl. 709DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2301-006.215 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.001005/2007-14 recolhido (carnê-leão), concomitantemente com o imposto suplementar apurado na declaração, acrescido da multa de ofício correspondente e de juros de mora. INFRAÇÃO. ABRANDAMENTO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais não vinculam as decisões desta instância julgadora, restringindo-se aos casos julgados e às partes inseridas no processo que resultou a decisão. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. Decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão aquela objeto da decisão. 3. Ao interpor o recurso voluntário (e-fls 642/656), o Recorrente deduz as mesmas alegações ofertadas ao tempo da impugnação. 3.1. Faz-se a transcrição do pedido formulado (e-fls 655/656): III - REQUERIMENTO Destarte, refutando os argumentos da Turma de Julgamento e, considerando mais que: (i) O constrangimento ilegal nulifica o lançamento; (ii) A fundamentação legal com base em LEI POSTERIOR AOS FATOS nulifica o lançamento; (iii) O direito fundamental (cláusula pétrea) de não auto-incriminação impede o agravamento da pena; (iv) A obtenção direta de dados relativos ao Contribuinte pela autoridade fiscal não dificultando, pois, a ação fiscal, exclui o agravamento da pena, de acordo com o posicionamento do Conselho de Contribuintes; (v) Provas obtidas ilicitamente, mediante quebra injurídica do sigilo bancário nulifica o auto de infração; (vi) Quebra do sigilo bancário sem o consentimento do Contribuinte ou sem ordem judicial nulifica o lançamento. (vii) Tributar o rendimento do Contribuinte duplamente, uma vez pelo seu auferimento e outra vez pelo depósito bancário desses rendimentos gera improcedência do 1ançamento; (viii) Documento firmado perante o Tabelião, que tem fé pública, por pessoas capazes juridicamente', não pode ser desconstituído por meras insinuações do agente fiscal, sem prova contrária, não sendo condição de Fl. 710DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2301-006.215 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.001005/2007-14 validade do ato jurídico sua declaração perante a Receita Federal em formulário próprio do imposto de renda; (ix) Multas de 75% e 150% são confiscatórias segundo o STF. Sua aplicação anula o auto de infração; (x) A SELIC não é taxa de juros aplicável a tributos, conforme o Superior Tribunal de Justiça,devendo ser excluída do lançamento. REQUER-SE, o PROVIMENTO do presente Recurso Voluntário e a conseqüente declaração de improcedência do Auto de Infração. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles, Relator. 4. O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. PPRREELLIIMMIINNAARREESS 5. Como se pode divisar, em sede preliminar, o recurso voluntário se cinge a repisar as mesmas alegações ofertadas ao tempo da impugnação, acerca da existência de vícios formais ocorridos durante a fase oficiosa do procedimento fiscal. 5.1. Considero que a decisão de primeira instância perfez análise criteriosa de cada uma das questões suscitadas em sede preliminar no presente recurso: início da transcrição do voto contido no Acórdão nº 07-14.552 1. Preliminar - Da Nulidade do Lançamento Conforme relatado, o impugnante aponta supostos vícios formais cometidos pela autoridade autuante durante o desenvolvimento do procedimento fiscal que entende são capazes de inquinar de nulidade o lançamento. Todavia, como na seqüência veremos, o procedimento fiscal foi desenvolvido nos estritos termos legais, pelo que válido é o lançamento. 1.1. Não Advertência ao Direito ao Silêncio O impugnante invoca a nulidade do lançamento pela não advertência ao direito ao silêncio. Entende que, em se tratando de ação fiscal para constatação de “ilícito tributário e penal”, deveria ter sido alertado para o direito de permanecer em silêncio, não depor, testemunhar ou informar atos ou fatos que contra ele pudessem ser usados. Com efeito, a atividade administrativa do Estado no exercício da sua competência tributante rege-se pelo Princípio da Legalidade, a ele cabe o dever de através dos seus agentes fiscais demonstrar a efetiva realização do fato típico tributário pelo contribuinte, tudo com observância aos direitos e garantias fundamentais do Fl. 711DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2301-006.215 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.001005/2007-14 indivíduo. Tal imposição está contida na regra do artigo 142 do Código Tributário Nacional, que dispõe ser o lançamento tributário o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, identificar o seu sujeito passivo, determinar a matéria tributável e calcular o montante do tributo devido, aplicando, se for o caso, a penalidade cabível. Todavia, se por um lado, incumbe ao Estado provar a ocorrência do fato típico tributário, por outro, o artigo 195 do Código Tributário Nacional, impõe ao contribuinte o dever de colaboração para com as autoridades tributárias na busca da verdade material quanto à ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Assim é que, prescreve o referido comando legal que para os efeitos da legislação tributária, não se aplicam quaisquer dispositivos legais que limitem ou excluam o direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais dos comerciantes, industriais ou produtores, ou a obrigação destes de exibi-los. Aplicável ao caso as palavras de Paulo de Barros Carvalho, quando comentando o artigo 195 do CTN afirma: “o comando não encerra conteúdo de autorização: é uma imposição inafastável do ‘dever’ que a lei atribui aos agentes da administração tributária, e se reflete num desdobramento do princípio da supremacia do interesse público ao do particular. Não pode, portanto, sofrer embargos ou enfrentar obstáculos que não os próprios limites crivados na Constituição, no catálogo dos direitos e garantias individuais. Deve a fiscalização, por outro lado, ficar adstrita aos elementos de interesse, não podendo extravasar a sua competência administrativa” (Paulo de Barros Carvalho. Curso de direito tributário. 15ª ed. São Paulo: Saraiva, 2003. p. 531). Saliente-se que no caso em tela os procedimentos fiscais limitaram-se ao escopo do que pretendiam, no caso a verificação da ocorrência de fato gerador de tributo; se a conduta do contribuinte (omissiva ou comissiva) configura algum ilícito penal, disso não se ocupou a autoridade administrativa, até porque, nesse aspecto sua competência se limita a obrigação de encaminhar o processo administrativo-fiscal ao Ministério Público, nos termos o artigo 83 da Lei 9.430/96. Ou seja, verifica-se que no caso em tela a fiscalização ficou adstrita aos elementos de interesse, não extrapolando sua competência administrativa. A seu turno, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda –, é de uma clareza ímpar, ao estabelecer que: Art. 927. Todas as pessoas físicas ou jurídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos Auditores-Fiscais do Tesouro Nacional no exercício de suas funções, sendo as declarações tomadas por termo e assinadas pelo declarante (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º). (grifos acrescidos) À luz do dispositivo transcrito, não resta dúvidas que todas as pessoas (contribuintes ou não) estão obrigadas a fornecer os elementos necessários para verificação da ocorrência do fato gerador. Assim vê-se que autoridade administrativa tributária não se encontra dentre aquelas obrigadas a informar a seus administrados o direito ao silêncio, pois que tal direito (de interesse particular), na esfera tributária, não se sobrepõe ao dever do contribuinte em colaborar com Administração Tributária (de interesse público). Conclui-se, assim, que a ausência de informação quanto ao direito de se calar não inquina de nulidade o processo administrativo levado a efeito. Fl. 712DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2301-006.215 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.001005/2007-14 1.2. Quebra de Sigilo Bancário De outro turno não há que se falar em irregular quebra de sigilo bancário. Isso em função de a Lei Complementar n o 105, de 10 de janeiro de 2001, que dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras, em seu artigo 6º autorizar aos Auditores Fiscais da Receita Federal, a examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. É certo que, pelo artigo 4.º do Decreto n.º 3.724/2001, poderão requisitar as informações referentes à movimentação bancária dos contribuintes as autoridades competentes para expedir o MPF, no caso as pessoas listadas no o artigo 6.º da Portaria SRF n.º 3.007/2001, dentre as quais se inclui o Delegado da Receita Federal; de se ver as Requisição de Movimentação Financeira às folhas 205, 209. Desta forma verifica-se que as informações financeiras da contribuinte foram obtidas e utilizadas durante o procedimento fiscal nos estritos termos da legislação de regência, portanto não consistindo, de forma alguma, de prova ilícita. Já o argumento de que o lançamento decorre de ato fiscal inconstitucional, mesmo este ato estando amparado pela LC n o 105/01, não merece ser acolhido e nada pode ser aqui dito. É que em casos como este, em que a única forma de afastar uma determinada medida fiscal é a de negar validade aos atos que a prevêem, bastante limitada resta a atuação do julgador administrativo. Em razão de o assunto estar disciplinado em disposição literal de leis regularmente editadas e em face de às instâncias administrativas, pelo caráter vinculado de sua atuação, não ser dada a atribuição de apreciar questões relacionadas com a legalidade ou constitucionalidade de qualquer ato legal, descabidas tornam-se quaisquer manifestações deste juízo. Não estando baseado em prova ilícita, válido e legitimo é o lançamento. 1.3. Afronta ao Decreto nº 2.346/97 e a Jurisprudência do STF O impugnante demonstra entender que a aplicação da multa de ofício nos percentuais cobrados torna nulo o lançamento, pois a autoridade fiscal teria desrespeitado o Decreto nº 2.346/97 ao efetuar o lançamento em desacordo com a jurisprudência do STF. De se ver, que este argumento de defesa também não merece ser acolhido, por ser impertinente ao caso. De fato, a teor do art. 1º, caput e parágrafos, do Decreto nº 2.346/97, as decisões do STF vinculam Administração Pública Federal direta e indireta, todavia somente quando: fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional; declare a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, em ação direta, ou, incidentalmente, após a suspensão de sua execução pelo Senado Federal. Ou seja, a extensão dos efeitos de decisões judiciais a esfera administrativa possui como pressupostos a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal e que tal decisão se refira especificamente à inconstitucionalidade da lei, do tratado ou do ato normativo federal que esteja em litígio. Vê-se claramente que tal situação não se verifica no presente caso. Fato é que como a multa de ofício cabível ao caso está regularmente prevista em lei vigente (no caso, Lei nº 9.430/96, art. 44, I, II), não pode este juízo afastar sua aplicação, sob pena Fl. 713DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 2301-006.215 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.001005/2007-14 de, com isto, estar ultrapassando seus limites legais de competência. Com efeito, os dispositivos legais que fundamentam a aplicação da multa de ofício não foram revogados, nem expressamente declarado inconstitucional pelo STF (em ação direta, ou, pela via incidental), pelo que é vedado ao Auditor Fiscal deixar de aplicá-los e é vedado a órgão julgador da esfera administrativa afastar sua aplicação. Pelo exposto, como o lançamento está fundamentado em dispositivos de lei vigentes, descabida é essa preliminar de nulidade. 1.4. Coação Ilegal O contribuinte alega que foi coagido ilegalmente pela autoridade fiscal quando este em seu relatório fiscal disse que “os herdeiros poderão responder por falso testemunho”. De início, saliente-se que a frase acima em destaque é do contribuinte, extraída da peça de defesa, referindo-se provavelmente (considerando que o contribuinte não precisou o exato momento em que teria sido “coagido”) ao seguinte trecho do Relatório de Atividades Fiscais (fl. 555): Pelo exposto, concluímos que essa Declaração de Doação (fls.513) constitui-se em documento não idôneo, o qual, além de não comprovar a origem dos recursos, como pretendido pelo contribuinte, ainda o enquadraria, e a seus irmãos, em tese, no crime de falsidade ideológica, tal como preceituado no artigo 299 do Código Penal. (grifo no original). Do texto acima transcrito é possível perceber claramente que o teor da afirmação da autoridade fiscal não é de ameaça ou de constrangimento, mas de informação de que a conduta do autuado “ainda o enquadraria, e a seus irmãos, em tese, no crime de falsidade ideológica, tal como preceituado no artigo 299 do Código Penal”. Ademais, um ato de coação pressupõe que o agente coator tenha agido com intenção de com esse ato forçar a pessoa coagida à prática de algum outro ato ou procedimento que esta não esteja disposta a praticar. No presente caso, quando da feitura e emissão do Auto de Infração, a autoridade fiscal já havia dado por finalizado os trabalhos investigativos, não tendo como ou porque pretender forçar o fiscalizado a fornecer qualquer outra informação ou praticar qualquer outro ato. Ou seja, pelo que consta dos autos, não se vislumbra que a autoridade fiscal tenha praticado qualquer ato no sentido coagir o fiscalizado, que por seu turno não trouxe nada mais que uma mera alegação nesse sentido. Evidenciada nos autos a licitude do procedimento fiscal, válido é o lançamento. 1.5. Cerceamento de Defesa Devido a Incorreto Enquadramento Legal O impugnante insiste na nulidade do lançamento também alegando cerceamento de defesa decorrente do indevido enquadramento legal da multa isolada decorrente do não recolhimento do imposto devido através do carnê-leão. Defende que a Medida Provisória nº 351 de 2007, em sendo posterior aos fatos postos é inaplicável ao caso e que em não prevalecendo este, outro dispositivo não pode ser invocado, sob pena de estar-se afrontando o princípio constitucional da individualização da pena e incorrendo-se em cerceamento de defesa, tornando nulo o auto de infração. Fl. 714DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 2301-006.215 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.001005/2007-14 Novamente não cabe razão ao impugnante. Ocorre que não há que aqui se falar em indevido enquadramento legal haja vista a aplicação da multa isolada ter sido corretamente capitulada nos autos – folha 551. Vejamos. A aplicação da multa isolada por falta de pagamento do carnê-leão já era prevista no artigo 44 da Lei n o 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na redação vigente à época do da ocorrência da infração, in verbis: Art.44.Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I-de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II-cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §1 o As multas de que trata este artigo serão exigidas: I -juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; [...] III -isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnê-leão)na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazê-lo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; [...] [grifei] Entretanto, com o advento da Medida Provisória nº 303, de 29/06/2006 e posteriormente com a Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007 (vigente na data do lançamento), o artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 foi alterado, ficando reduzida para 50% a multa aplicada na forma do artigo 8º da Lei nº 7.713 de 22 de dezembro de 1988, que corresponde ao enquadramento legal da infração 004 do lançamento ora em julgamento. Art.14.O art. 44 da Lei n o 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I-de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II-de cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a)na forma do art. 8 o da Lei n o 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; Fl. 715DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 2301-006.215 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.001005/2007-14 [...] Assim, por força do princípio da retroação benigna, previsto no artigo 106 do Código Tributário Nacional, transcrito a seguir, a exigência relativa a essa infração é de 50% do imposto devido e não recolhido oportunamente, ainda que a Medida Provisória - MP em comento somente tenha entrado em vigor em data posterior aos fatos ensejadores da infração em análise. Código Tributário Nacional Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: [...] II – tratando-se de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, os efeitos dessa redução alcançam as penalidades de mesma hipótese de incidência cujos fatos geradores tenham ocorrido antes data da emissão da MP, desde que se tratem de atos não definitivamente julgados, como é a situação que se afigura nos autos. Cabe mencionar ainda, que eventuais incorreções no levantamento da matéria tributável ou na aplicação da legislação, por parte da autoridade lançadora, não demandaria a declaração de nulidade do lançamento como um todo, mas simplesmente sua improcedência (no todo ou em parte). final da transcrição do voto contido no Acórdão nº 07-14.552 5.2. É consabido que no processo administrativo fiscal as causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei 8.748, de 1993.) 5.3. A teor do art. 60 do mesmo diploma legislativo, as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das retromencionadas não configuram nulidade, devendo ser sanadas se Fl. 716DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 2301-006.215 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.001005/2007-14 “resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio”: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. 5.4. Não tendo sido verificadas nenhuma das causas ensejadoras de nulidade, e há que se rejeitar a preliminar de nulidade. MMÉÉRRIITTOO 6. No que respeita ao mérito, também se constata a coincidência entre as alegações formuladas no recurso e aquelas ofertadas ao tempo da impugnação, e por concordar com o inteiro teor da decisão recorrida, faz-se uso da prerrogativa conferida pelo artigo 57, § 3º do Regimento Interno do CARF, adotando-se como fundamento de decidir as razões contidas no voto da decisão recorrida: início da transcrição do voto contido no Acórdão nº 07-14.552 2. Omissão de Rendimento Caracterizada por Depósitos Bancários não Justificados O impugnante alega que parte dos depósitos bancários, verificados a partir de seus extratos bancários (obtidos pela fiscalização de forma ilegal), tem origem em rendimentos decorrentes de pagamentos de honorários recebidos de pessoas físicas e jurídicas, rendimentos estes que estão sendo tributados duplamente, pelo que devem ser excluídos do lançamento por omissão de rendimento decorrente de depósitos bancários não justificados. Pugna ainda pela exclusão do valor de R$ 270.000,00 dos valores de depósitos lançados, valor este decorrente de doação recebida de sua mãe, comprovada por declaração firmada por esta e assinada pelos demais herdeiros, cuja inidoneidade a fiscalização não comprovou. Diante dessas alegações, mencione-se antes que a licitude do procedimento fiscal no que concerne à obtenção e utilização dos dados financeiros do contribuinte junto a instituições bancárias já foi demonstrada no item 1.2 deste voto. Já inidoneidade da declaração de doação prestada pela mãe do contribuinte, através da qual este pretende comprovar parte de seus depósitos bancários, esta será abordada em tópico que trata do agravamento da multa de ofício; para a matéria a que se destina o presente item, essa questão é irrelevante, como se verá mais a adiante. Resta então aqui analisar a pretensão do impugnante de ter excluídos do lançamento os valores referentes a honorários recebidos de pessoas físicas e jurídicas e a rendimentos decorrentes de doação. Vejamos. Impõe-se, de início, esclarecer que a incidência do imposto de renda é sobre a omissão de rendimentos evidenciada pelos depósitos bancários com origem não comprovada, embasada no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, in verbis: Fl. 717DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 2301-006.215 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.001005/2007-14 Art.42.Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1 o O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2 o Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3 o Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II -no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). [...] A presunção legal em favor do Fisco, de que trata o dispositivo legal acima transcrito, lhe impõe tão somente o ônus de comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento do contribuinte; de outro turno, transfere a este o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Tal dispositivo legal, ao mesmo tempo em que delimita o ônus probatório do fisco também o faz em relação ao contribuinte quando impõe que não basta para afastar a presunção, a demonstração genérica de que detinha recursos; seu ônus vai além: precisa ele justificar, de forma individualizada, cada um dos depósitos bancários. Isso se deve ao fato de que especificamente quanto aos critérios de apuração da omissão, o §3º supra transcrito determina que para se apurar o montante tributável deve ser feita a análise individualizada de cada um dos depósitos, e, em assim sendo, por óbvio que deve o contribuinte apresentar documentação comprobatória da origem também de forma individualizada, coincidente em data e valor, de cada um dos ingressos efetuados em sua conta bancária, para afastar a tributação imposta. Diante disso, os argumentos do impugnante são totalmente inócuos ao que pretende. De início o impugnante nem minimamente se ocupou em apontar que valores apurados pela fiscalização como rendimentos recebidos a título de honorários (listados às folhas 561 a 574) corresponderiam especificamente aos depósitos cujos valores foram lançados como rendimentos omitidos (conforme demonstrados nas planilhas às folhas 556 a 558). Não obstante, mencione-se que em análise aos citados dados trazidos pela fiscalização referentes às duas infrações, verifica-se que não há nenhuma correspondência entre os valores lançados, pelo que não procede a alegação de que houve duplicidade na tributação dos valores recebidos a título de honorários. De outro turno, em relação à doação recebida de sua mãe, mesmo que o contribuinte houvesse efetivamente comprovado o recebimento desta, tal Fl. 718DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 2301-006.215 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.001005/2007-14 comprovação por si só não consistiria de um meio hábil capaz de comprovar os ingressos considerados como omissão de receita, apurados e demonstrados pela autoridade fiscal. Quisesse o contribuinte ver acatada sua alegação deveria ter trazido a comprovação da alienação das jóias, ouro e pedras preciosas, bens recebidos em doação que transformados em dinheiro teriam ingressado em sua conta bancária. Fato é que, da análise da defesa, verifica-se claramente que o contribuinte não levou a efeito o ônus que lhe cabia, ou seja, não trouxe nenhuma documentação, coincidente em data e valor, comprobatória da origem dos valores em questão. De se ter presente que as afirmações relativas a fatos, apresentadas pelo contribuinte para contraditar elementos regulares de prova trazidos aos autos pela autoridade fiscal, demandam sua consubstanciação por via de outros elementos probatórios, pois em caso contrário consistem de meras alegações, processualmente inacatáveis. Portanto, não se pode acatar a argumentação posta, em vista de o contribuinte não ter logrado evidenciar aquilo que alega. Assim é que em permanecendo injustificados os valores depositados, prevalece a presunção juris tantum de que estes provêm de fonte ou atividade não declaradas, com o objetivo de subtraí-las à tributação devida. 3. Aplicação Concomitante da Multa de Ofício com a Multa Isolada Não assiste razão ao contribuinte no que tange à cobrança concomitante da multa de ofício e da multa de exigida isoladamente. Isso porque, tanto pela redação vigente à época dos fatos geradores quanto pela introduzida pela Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007, vigente à época do lançamento (convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007), depreende-se as duas multas consistem de penalidades distintas decorrentes de infrações distintas. Destarte, a multa de ofício tem como base de cálculo o imposto suplementar apurado no ajuste anual, em vista de inexatidão das declarações apresentadas pelo interessado, apurado em procedimento fiscal; já a multa isolada tem como base de cálculo o imposto devido mensalmente e não recolhido oportunamente (antecipações obrigatórias via carnê-leão). Vê-se, portanto que as multas visam punir condutas ilícitas diversas. Sem dúvida alguma, a intenção do legislador, ao instituir a exigência da multa isolada pela falta de cumprimento da obrigatória antecipação do imposto por intermédio de recolhimentos mensais (carnê-leão), foi a de estabelecer tratamentos distintos entre o contribuinte que cumpre com sua obrigação em relação aos recolhimentos mensais e aquele que não a cumpre - independentemente de este ter tributado no ajuste anual os rendimentos sujeitos à antecipação. Nesse sentido e com o intuito de regulamentar a matéria, foi editada a Instrução Normativa SRF nº 46, de 13 de maio de 1997, que assim dispõe: Art. 1º O imposto de renda devido pelas pessoas físicas sob a forma de recolhimento mensal (carnê-leão) não pago, está sujeito à cobrança por meio de um dos seguintes procedimentos: [...] II - Se corresponderem a rendimentos recebidos a partir de 1º de janeiro de 1997: Fl. 719DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 2301-006.215 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.001005/2007-14 a) quando não informados na declaração de rendimentos, será lançada a multa de que trata o inciso I ou II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, sobre o valor do imposto mensal devido e não recolhido, que será cobrada isoladamente, bem assim o imposto suplementar apurado na declaração, após a inclusão desses rendimentos, acrescido da referida multa e de juros de mora; b) quando informados na declaração de rendimentos, a multa a que se refere este inciso será exigida isoladamente. (grifos acrescidos) Como se vê, por se tratarem de penalidades aplicáveis a infrações distintas, justifica-se plenamente a exigência concomitante da multa de ofício e da multa isolada. 4. Agravamento da Multa de Ofício Inicialmente a legislação pertinente: a aplicação da multa de ofício, de 150% sobre o tributo devido, tem seu fundamento legal no art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, in verbis: “Art.44.Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) (...) II - cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Lei nº 10.892, de 2004)” (grifei) A leitura da norma supracitada esclarece que o valor da multa qualificada para 150% sobre o valor devido quando constatado evidente intuito de fraude, conceito estabelecido pelos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964, que assim dispõe dispõem: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Conforme relatado, a autoridade fiscal justifica o agravamento da multa argumentando que “ficou evidenciado o propósito do contribuinte de reduzir a base de cálculo do imposto, intenção que foi ratificada pela falta de informações precisas sobre os rendimentos, inclusive omitindo aqueles recebidos judicialmente, e pela apresentação de declaração de doação sem comprovação da origem e disponibilidade dos bens doados”. Relata ainda a autoridade fiscal que “No caso dos honorários não Fl. 720DF CARF MF Fl. 19 do Acórdão n.º 2301-006.215 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.001005/2007-14 declarados nas DIRPF do período fiscalizado, o contribuinte apresentou somente alguns documentos, informando que não tinha controle nenhum dos valores dos honorários recebidos... Foi preciso recolher informações da Justiça Federal e no TRT para que pudéssemos avaliar e comprovar ao menos uma parte do que foi deferido nas sentenças e recebido como honorários assistenciais”. Para análise dos argumentos trazidos contra o agravamento da multa de ofício, antes há que se mencionar que a multa de 150% foi aplicada na infração que trata da omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas e jurídicas e sobre a infração que trata de omissão de rendimentos decorrentes de depósitos não justificados; neste caso, todavia, somente sobre a parte referente ao valor que o impugnante pretendia comprovar a origem através de uma declaração de doação prestada por sua própria mãe, cuja idoneidade foi afastada pela fiscalização. De pronto há que se afastar a alegação do impugnante de que a multa não poderia ter sido agravada em face de ter exercido seu legítimo direito ao silêncio, decorrente do princípio constitucional da “não auto-incriminação”; este argumento já foi devidamente tratado no item 1.1 deste. O mesmo há que se dizer do argumento de que os extratos bancários consistem de prova ilícita da infração e que a fraude que lhe foi imputada não passa de mera presunção sem base legal. Com efeito, a licitude da utilização dos dados obtidos pela fiscalização junto a instituições bancárias já foi demonstrada no item 1.2 deste voto bem como o ônus probatório da fiscalização em face da presunção legal posta pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96 restou demonstrado no item 2. No mais, saliente-se que o agravamento da multa sobre a infração que trata de omissão de rendimentos decorrentes de depósitos não justificados, não foi aplicada pelo não atendimento pelo fiscalizado das intimações fiscais, mas em face da inidoneidade da prova apresentada pelo contribuinte; como visto, a multa foi agravada somente sobre a parte referente ao valor que o impugnante pretendia comprovar a origem através declaração de doação prestada por sua mãe, cuja idoneidade foi afastada pela fiscalização. A esse respeito, em análise aos autos, há que se dar razão a fiscalização. De se ver que, ao contrário do que demonstra entender o impugnante, o posicionamento da fiscalização pela inidoneidade da declaração de doação não se refere ao documento em si, mas a declaração que dele consta; neste caso não cabia a fiscalização demonstrar que “as assinaturas não são verdadeiras”, mas que a doação alegada não ocorreu. A esse respeito a autoridade fiscal afirma que “Pelo exposto, concluímos que essa Declaração de Doação (fls.513) constitui-se em documento não idôneo, o qual, além de não comprovar a origem dos recursos, como pretendido pelo contribuinte, ainda o enquadraria, e a seus irmãos, em tese, no crime de falsidade ideológica, tal como preceituado no artigo 299 do Código Penal.” . Conforme relata a autoridade fiscal: o impugnante não declarou em sua DIRPF do ano-calendário de 2003 o recebimento de doação; os pais do contribuinte, D. Albertina Klein e o Sr. Celso Klein, declararam-se como isentos desde 2000 (fl. 515) apesar de estarem obrigados apresentar declaração de ajuste anual, enquanto donos de bens em valores no montante supostamente dado em doação ao contribuinte por sua mãe; e finalmente, o fiscalizado não apresentou qualquer comprovação de que teria vendido as jóias, ouro e pedras preciosas, bens estes que transformados em dinheiro teriam ingressado em sua conta bancária. Fl. 721DF CARF MF Fl. 20 do Acórdão n.º 2301-006.215 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.001005/2007-14 Com efeito, como bem coloca a autoridade fiscal em seu relatório, a doação deve ser lastreada pelo patrimônio de quem doa e registrada no de quem a recebe, o que não foi feito nem pela doadora nem pelo donatário. Destarte: a inconsistência entre a situação que se extrai das informações contidas nas DIRPF apresentadas pelo contribuinte e por seus pais e a situação que o contribuinte pretende demonstrar através da declaração de doação de sua mãe; o alto valor do rendimento omitido que o autuado pretende justificar através desta; bem como a total falta de comprovação da alienação dos bens recebidos em doação, efetivamente consistem de elementos capazes de por em dúvida a efetiva ocorrência da doação alegada. Assim é que, à luz que dos autos consta, não há como aceitar que a declaração de doação ora em comento seja a fiel expressão da verdade, para além de qualquer dúvida; há que se ter presente que a declaração em questão foi assinada pela mãe e irmãos do autuado (pessoas interessadas no processo face ao estreito parentesco com o autuado), datada de 12/02/2007 - data bem posterior ao início da ação fiscal (com ciência em 20/03/2006) e da intimação para esclarecer a composição dos rendimentos isentos/não tributáveis de cada ano (fl. 184). Fato é que a alegação de defesa não possui nenhum lastro documental nem guarda qualquer coerência e plausibilidade com a situação fática verificada e demonstrada pela fiscalização. Assim sendo, entendo como a autoridade fiscal que concluiu que todos os elementos que se apresentam (por ela apurados e demonstrados nos autos) apontam no sentido de que o fiscalizado buscou utilizar-se de um documento cujo conteúdo não se coaduna com a situação posta, a fim de justificar sua omissão de rendimentos. De se ter presente que o contribuinte, por seu turno, nada trouxe aos autos capaz de demonstrar que a alegada doação efetivamente tenha ocorrido. Não obstante o acima exposto em relação à declaração de doação, fato é que de qualquer forma está caracterizada a intenção do contribuinte em reduzir indevidamente de forma fraudulenta, a base de cálculo de imposto devido. Vejamos. Em relação à infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas e jurídicas, o argumento do impugnante de que não teria causado embaraço a fiscalização não é pertinente ao caso haja vista que a falta de resposta deste não foi utilizada para fundamentar o agravamento da multa; aqui a multa foi agravada em função de estar configurada a evidente intenção do contribuinte em omitir rendimento tributável. Extrai-se do instrumento de defesa que o impugnante não nega que tenha recebido honorários nos anos de 2002, 2003 e 2004. Assim sendo, é fato inconteste que o impugnante efetivamente omitiu a ocorrência de fato gerador da obrigação tributária principal, sendo que a forma reiterada desta conduta (em três anos calendários) afasta por completo a hipótese de erro fortuito e escusável e caracteriza a evidente intenção de praticar a ação tipificada como sonegação no inciso I do art. 71 da Lei n.º 4.502/64. Assim, por tudo que expus, considero que estão presentes nos autos elementos bastantes e suficientes a caracterizar a intenção do contribuinte em reduzir indevidamente de forma fraudulenta, a base de cálculo de imposto devido. Fl. 722DF CARF MF Fl. 21 do Acórdão n.º 2301-006.215 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.001005/2007-14 Com efeito, o dolo envolve aspecto subjetivo que deve ser considerado em um contexto mais amplo, que envolva todos os atos do contribuinte em relação a suas declarações perante o fisco, a fim de se aferir sua real intenção e vontade. Entendo, pois, que a intenção dolosa, uma vez configurada, assim como o foi nos autos, contamina todo o lançamento de sorte que a multa qualificada é cabível em relação a todas as infrações apuradas; observe-se que esta seria aplicável até mesmo àquelas infrações sobre as quais foi aplicada a multa de ofício não agravada de 75% (todavia, não é cabível aqui questionar a aplicação da multa de ofício no sentido de agravar o lançamento). Resta então que não há que se afastar a multa qualificada, em relação as infração sobre as quais esta foi aplicada. 5. Juros de Mora De se ver que nada traz a contribuinte em sua impugnação que lhe possa eximir, pelo menos em sede administrativa, dos juros de mora calculados com base na taxa SELIC. Na verdade, a exigência dos juros apurados a partir deste índice está prevista, de forma literal, no parágrafo 3.º do artigo 61 da Lei n.º 9.430/1996, in verbis, não havendo como afastá-la sem expurgar, também, tal dispositivo literal de lei. Assim, como o uso da taxa SELIC como índice de juros de mora está regularmente prevista em lei vigente, não pode este juízo afastar sua aplicação, sob pena de, com isto, estar ultrapassando seus limites legais de competência. Destarte as autoridades administrativas, pelo caráter vinculado de sua atuação, não dispõem de competência para apreciar questões relacionadas a inconstitucionalidade e ou ilegalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional, razão por que tornam-se descabidas quaisquer manifestações deste juízo. Cumpre então que se declare, nesta instância, a improcedência da alegação do impugnante, referendando o feito fiscal naquilo que se relaciona à aplicação da taxa SELIC como juros de mora. final da transcrição do voto contido no Acórdão nº 07-14.552 7. Em prosseguimento, feitas as averiguações dos montantes dos depósitos bancários (conforme quadros demonstrativos na página seguinte), verificou-se não ser caso de aplicabilidade da Súmula CARF nº 61. Fl. 723DF CARF MF Fl. 22 do Acórdão n.º 2301-006.215 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.001005/2007-14 7.1. Assim, detendo-se nos depósitos de valores individuais até R$ 12.000,00 (doze mil reais), verifica-se que o montante anual movimentado, R$ 107.200,61, considerando as duas instituições financeiras, supera o limite de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). Por esse modo, não há nenhum reparo a ser feito na decisão de primeira instância. "VALOR TOTAL" (e- fls 576/578) Depósitos inferiores a R$ 12.000,00 Depósitos não inferiores a R$ 12.000,00 "Valor R$" (e-fls 578) Depósitos inferiores a R$ 12.000,00 Depósitos não inferiores a R$ 12.000,00 R$ 900,00 R$ 900,00 R$ 0,00 R$ 6.940,00 R$ 6.940,00 R$ 0,00 R$ 660,00 R$ 660,00 R$ 0,00 R$ 5.000,00 R$ 5.000,00 R$ 0,00 R$ 4.925,00 R$ 4.925,00 R$ 0,00 R$ 5.000,00 R$ 5.000,00 R$ 0,00 R$ 1.000,00 R$ 1.000,00 R$ 0,00 R$ 2.591,35 R$ 2.591,35 R$ 0,00 R$ 1.619,00 R$ 1.619,00 R$ 0,00 R$ 2.775,40 R$ 2.775,40 R$ 0,00 R$ 8.000,00 R$ 8.000,00 R$ 0,00 R$ 14.203,00 R$ 0,00 R$ 14.203,00 R$ 2.000,00 R$ 2.000,00 R$ 0,00 R$ 8.618,29 R$ 8.618,29 R$ 0,00 R$ 2.500,00 R$ 2.500,00 R$ 0,00 R$ 45.128,04 R$ 30.925,04 R$ 14.203,00 R$ 25.000,00 R$ 0,00 R$ 25.000,00 R$ 2.000,00 R$ 2.000,00 R$ 0,00 R$ 18.596,00 R$ 0,00 R$ 18.596,00 R$ 2.000,00 R$ 2.000,00 R$ 0,00 R$ 4.270,00 R$ 4.270,00 R$ 0,00 R$ 349,71 R$ 349,71 R$ 0,00 R$ 2.000,00 R$ 2.000,00 R$ 0,00 R$ 2.000,00 R$ 2.000,00 R$ 0,00 R$ 5.000,00 R$ 5.000,00 R$ 0,00 R$ 500,00 R$ 500,00 R$ 0,00 R$ 2.400,00 R$ 2.400,00 R$ 0,00 R$ 4.000,00 R$ 4.000,00 R$ 0,00 R$ 2.000,00 R$ 2.000,00 R$ 0,00 R$ 2.560,00 R$ 2.560,00 R$ 0,00 R$ 2.000,00 R$ 2.000,00 R$ 0,00 R$ 4.000,00 R$ 4.000,00 R$ 0,00 R$ 2.684,24 R$ 2.684,24 R$ 0,00 R$ 4.000,00 R$ 4.000,00 R$ 0,00 R$ 20.000,00 R$ 0,00 R$ 20.000,00 R$ 7.580,71 R$ 7.580,71 R$ 0,00 R$ 1.326,91 R$ 1.326,91 R$ 0,00 R$ 15.000,00 R$ 0,00 R$ 15.000,00 R$ 40.000,00 R$ 0,00 R$ 40.000,00 R$ 4.000,00 R$ 4.000,00 R$ 0,00 R$ 170.000,00 R$ 0,00 R$ 170.000,00 R$ 364.871,57 R$ 76.275,57 R$ 288.596,00 Total Depósitos inferiores a R$ 12.000,00 Depósitos não inferiores a R$ 12.000,00 R$ 409.999,61 R$ 107.200,61 R$ 302.799,00 DEPÓSITOS BANCÁRIOS - UNIBANCO - ANO 2003 DEPÓSITOS BANCÁRIOS - ANO 2003 DEPÓSITOS BANCÁRIOS - CEF - ANO 2003 Fl. 724DF CARF MF Fl. 23 do Acórdão n.º 2301-006.215 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.001005/2007-14 CCOONNCCLLUUSSÃÃOO 8. Em vista do exposto, voto por rejeitar as preliminares e no mérito negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Fl. 725DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.721405/2015-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-002.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
(assinado digitalmente)
LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. (assinado digitalmente) LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário, efls. 566/596, contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão n.º 1292.001 16ª Turma da DRJ/RJO, efls. 532/558, que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada. O relatório da decisão de primeira instância descreve os fatos dos autos. Nesse sentido, transcrevese a seguir o referido relatório: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 03 .7 21 40 5/ 20 15 -2 2 Fl. 616DF CARF MF Processo nº 13603.721405/201522 Resolução nº 3201002.086 S3C2T1 Fl. 617 2 Trata o presente do exame dos Per nº 08934.18342.240810.1.2.04 6715 e nº 11455.49234.290212.1.2.048272 e das Dcomp nº 04703.21181.250810.1.3.042007 e nº 00094.58521.290212.1.3.04 9673, (fls. 2 a 16), que utiliza créditos de pagamento indevido ou a maior no valor original de R$ 766.013,67, oriundos de recolhimento efetuado em 24/07/2009 por meio de DARF no valor R$ 48.257.021,92, referente à Cofins (5856) de 06/2009, com o fim de compensar débito da mesma contribuição de 07/2010, no valor de R$ 823.279,30, e de Cofins – Retenção (3746) da 1ª quinzena de fevereiro de 2012, no valor de R$ 18.153,43. Por meio do Despacho Decisório nº 356/2015 de fls. 520/522 a autoridade fiscal reconheceu parcialmente o direito creditório do PER nº 08934.18342.240810.1.2.046715 no valor de R$ 79.948,14 e, em consequência, homologou parcialmente a compensação efetuada por meio da Dcomp nº 04703.21181.250810.1.3.042007; não reconheceu o direito creditório do PER nº 11455.49234.290212.1.2.048272 e, em consequência, não homologou a compensação efetuada por meio da Dcomp nº 00094.58521.290212.1.3.049673. A ciência ao sujeito passivo se deu em 18/08/2015 (fl. 527). Consta no Termo de Verificação Fiscal de fls. 324/358, que amparou a decisão supra, que o procedimento fiscal se concentrou na verificação da legitimidade dos créditos da Cofins não cumulativa do mercado interno, dos períodos de abril a novembro de 2009, sob amparo do MPF nº 06.1.10.002013004351, relativos a vários Per/Dcomp, dentre os quais os Per nº 08934.18342.240810.1.2.046715 e nº 11455.49234.290212.1.2.048272 e as Dcomp nº 04703.21181.250810.1.3.042007 e nº 00094.58521.290212.1.3.04 9673. Na ocasião, a autoridade fiscal efetuou as seguintes glosas: 1) Em relação bens utilizados como insumos, valores informados na linha 02 das fichas 06A e 16A do Dacon, sobre as partes e peças relacionadas à fl. 345; que não se enquadrariam no conceito de insumo por não serem consumidas diretamente no processo produtivo (Anexo 1 Glosas de Cofins –Item V.1, fl. 359/383); 2) Em relação serviços utilizados como insumos, valores informados na linha 03 das fichas 06A e 16A do Dacon, sobre as prestações relacionadas à fl. 348; que não se enquadrariam no conceito de insumo por não serem aplicadas ou consumidas na produção ou fabricação do produto (Anexo 2 Glosas de Cofins –Item V.2, fl. 384/505); Insatisfeito, o sujeito passivo apresentou em 17/09/2015 a Manifestação de Inconformidade anexada ao documento de fl. 528, por meio da qual sustenta, em síntese, que: A ilegalidade das IN SRF nº 247/2002 e nº 404/2004, devendo o conceito de insumo ser definido pela essencialidade do gasto ao desempenho da atividade econômica do contribuinte. Cita doutrina e posicionamentos do CARF e do STJ nesse sentido; O objeto social da Impugnante compreende as seguintes atividades: (a) estudo, desenvolvimento, projeto, a fabricação, o comércio, mesmo que Fl. 617DF CARF MF Processo nº 13603.721405/201522 Resolução nº 3201002.086 S3C2T1 Fl. 618 3 exterior, a representação e a distribuição de automóveis, veículos a motor em geral, motores, outros grupos e subgrupos, componentes, partes e peças, inclusive de reposição, bem como acessórios; (b) participação em sociedade ou empresa que tenham por objeto afim ou conexo com o seu próprio; (c) dar e receber em locação bens móveis em geral; (d) a prestação de serviços relacionados com o objeto social, inclusive o de treinamento, formação, desenvolvimento profissional e consultoria organizacional; (e) a fabricação, o comércio, mesmo exterior, de máquinas, ferramentas e bens de capital; e (f) a prática de atividades conexas, correlatas ao objetivo social, que independam de autorização legislativa; Os bens relacionados no Anexo 1 Glosas de Cofins –Item V.1 são fundamentais para o processo produtivo e para a obtenção das receitas tributáveis. Como se vê do laudo técnico anexo (doc. nº 05), todos os itens cujos créditos foram glosados são partes e peças de reposição de máquinas e equipamentos essenciais à produção de bens. A título exemplificativo, citemse os seguintes produtos: mangueiras, graxas e óleos, filtros, pendural de fixação de trilhos, roldanas e talhas. Cita posicionamento do CARF específico sobre esse tipo de gasto; Os serviços relacionados no Anexo 2 Glosas de Cofins –Item V.2 referemse vários dispêndios de caráter essencial, cujos contratos e pedidos de compras seguem em anexo à manifestação de inconformidade; Em relação aos serviços de movimentação interna – handling, prestados pelas empresas Ceva Logistics Ltda, Syncreon Logística S/A, Autolog Logística e Serviços Ltda. e GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda, enquadramse no conceito de insumo, seja pelo critério da essencialidade, seja por tratarse de etapa da armazenagem e do frete na venda. Cita posicionamento do CARF que referenda a tomada de créditos sobre esse tipo de dispêndio; Em relação aos serviços de limpeza técnica, prestados pelos fornecedores Adservis Multiperfil Ltda e Villanova do Brasil Logística Ltda, consistem os mesmos na limpeza da linha de produção (instalações e equipamentos) e são necessários e essenciais para fabricação de veículos, sob pena de prejudicar e afetar toda linha de produção da Impugnante. Do contrato firmado com a Adservis (doc.nº 07), extraise que o escopo dos serviços é a limpeza técnica dentro do complexo industrial da Impugnante com ciclos previamente definidos, conforme disposto no Anexo I integrante do referido contrato. Igualmente, em relação aos serviços prestados pela Villanova do Brasil, apesar de constar como "serviços de movimentação interna (handling)”, cuidase de serviços de limpeza técnica, como se denota da nota fiscal anexada (doc. nº 07). Cita posicionamento do CARF que referenda a tomada de créditos sobre esse tipo de dispêndio; Em relação aos serviços de projetação, desenho e cálculo, a maior parte das glosas recaiu sobre tais rubricas. Os serviços foram prestados pelas empresas ABCZ Services Ltda, Altran Consultoria e Tecnologia Ltda, B&B Projetos Ltda, Bonansea Brasil Ltda, CG Engineering do Brasil Ltda, Comau do Brasil Indústria e Comércio Ltda, Continental do Brasil Produtos Automotivos Ltda, Edag do Brasil Fl. 618DF CARF MF Processo nº 13603.721405/201522 Resolução nº 3201002.086 S3C2T1 Fl. 619 4 Ltda., Engineering Simulation and Scientific Software Ltda, General Motors do Brasil Ltda, MTD do Brasil Ltda, MV2 Engenharia Ltda, Magneti Marelli Sistemas Automotivos Indústria e Comércio Ltda, Multicorpos Engenharia Ltda, Promax Engenharia e Projetos Ltda, Resil Minas Indústria e Comércio Ltda, Rieter Automotive Brasil Artefatos de Fibras Têxteis Ltda, Stea Brasil Projetos Industriais, Stola do Brasil Ltda, Thyssenkrupp Automotive Systems do Brasil Ltda, TRW Automotive Ltda, TSP Textura Ltda, Vibracon Engenharia Ltda e Vision Graphic Design do Brasil Ltda; Os serviços de projetação, desenho e cálculo, regra geral, são espécies dos serviços de engenharia, essenciais às atividades de estudo, desenvolvimento, projetação para fabricação de automóveis, veículos a motor em geral, motores, bem como seus componentes, partes e peças. São atividades essenciais, praticamente indissociáveis do objeto social da Impugnante (o que se vê a todas as luzes), que é uma das maiores montadoras de veículos do País; Cita como exemplos: o serviço prestado pela Stola, “relativo a estudos de projetos de sistemas/componentes de carroceria e acabamento interno, (...), execução de gestão de peso de carroceria (...), atividades de microplanificação (...)"; e o serviço prestado pela Altran, que realiza suporte no desenvolvimento de produtos de veículos comerciais, auxiliando, ainda, nas discussões de DFMEA e PFMEA referentes a produtos ou componentes; Os demais prestadores de serviços de "projetação. desenho e cálculo" conforme contratos e pedidos anexos, exercem atividades de (i) projetação para desenvolvimento de veículos atendendo às metodologias Fiat; (ii) microplanificação, execução de desenhos manuais, desenho CAD 2D e 3D; (III) gestão de documentação técnica, elaboração de documentação técnica; (iv) layout e verificação virtual; (v) estudo e projetação de componentes, de sistemas, de caderno de bordo; (vi) cálculo estrutural (geração de malha, análise estática, análise de impacto); (vii) conversão de matemática; e (vii) assessoria e suporte técnico. Cita posicionamento do CARF que referenda a tomada de créditos sobre esse tipo de dispêndio; A Fiscalização glosou também serviços técnicos, tomados pela Impugnante dos fornecedores ABCZ Service Ltda., Altran Consultoria e Tecnologia Ltda., Cetesb Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, Ceva Logistics Ltda., Ergom do Brasil Ltda., GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda., 19 Design Consultoria e Serviços de Software Ltda., Libra Terminal Rio S.A., Metagal Indústria e Comércio Ltda., MTD do Brasil Tecnologia Automotiva Ltda., Meuller Mineira Indústria, Partner Parcerias Indústrias e Automotivas Ltda., Seacam Comércio e Serviços Ltda., Vesi Consultoria e Assessoria Industrial Ltda. e Vision Graphic Design do Brasil Ltda; Apesar de os serviços prestados pela Ceva e pela GFL terem sido classificados como "serviços técnicos", na verdade, sua essência é de serviços de "movimentação interna (handling)". Da mesma forma, os serviços prestados pela ABCZ, pela Altran, pela MTD, pela Stola e pela Vision Graphic são "serviços de projetação, desenho e cálculo"; Fl. 619DF CARF MF Processo nº 13603.721405/201522 Resolução nº 3201002.086 S3C2T1 Fl. 620 5 Em relação àqueles prestados pela Meuller, vêse da nota fiscal anexa (doc nº 09) se tratar de serviços relacionados à engenharia no desenvolvimento de componentes utilizados na produção de veículos da família Palio, Uno, Stilo, Doblô, Punto, Linea e Idea. É dizer, cuidase de serviço essencial ao processo produtivo da Impugnante e, por essa razão, dá direito ao crédito de COFINS; Da análise dos demais contratos e pedidos anexos (doc. nº 09), vêse que o conteúdo de tais atividades compreende a "(...) prestação de serviços técnicos objetivando o execução de partes determinadas de projetos de desenvolvimento tecnológico de titularidade da FIAT”. Cita posicionamento do CARF que referenda a tomada de créditos sobre esse tipo de dispêndio; Em relação aos serviços prestados pela Comau do Brasil Indústria e Comércio Ltda. (doc. nº 09), se extrai do respectivo contrato de prestação de serviços, em especial do seu Anexo I ("escopo dos serviços de manutenção industrial"), que a Comau presta serviços de manutenção industrial, entre os quais se destacam: (i) suporte tecnológico para as atividades manutentivas e atividades de planejamento, gestão de documentação, análise de peças de reposição e análise de quebras; (ii) atividades de troca de ferramentas e eletrodos; (iii) regulagem de braços extratores; (iv) atividades de laboratório eletrônico, com reparação de módulos eletrônicos; (v) serviços e assistência em máquinas especiais, robôs, inversores de frequência ou instalações que requerem meios específicos para sua execução, inclusive knowhow e parâmetros de setup determinados pelos fabricantes etc. (item 4.1 do referido Anexo I). Além disso, a Comau realiza também atividades denominadas "atividades de aviamento e encerramento" (item 4.2 do referido Anexo I), que compreendem diversas atividades relacionadas à ligação, desligamento, preparação e esvaziamento de equipamentos e máquinas das instalações de montagem, pintura e funilaria. Da mesma maneira, devese tratar dos serviços da AVL South America Ltda. (doc. nº 09), que, segundo o contrato, cuidam de serviços de manutenção preventiva, corretiva e calibração dos equipamentos AVL, do Laboratório de Emissões e Consumo e Laboratório de Motores de Engenharia do Produto Powertrain, visando a conservação dos equipamentos em boas condições de funcionamento. Como se infere, todas essas atividades executadas pela Comau e pela AVL integram os serviços de manutenção das instalações produtivas, incluindo equipamentos que fazem parte da linha de produção. Essas atividades de manutenção exigem altos níveis de conhecimento e especialização técnicos, dada a complexidade dos equipamentos que integram a planta industrial de uma empresa montadora de veículos. Cita posicionamento do CARF que referenda a tomada de créditos sobre esse tipo de dispêndio. Por todo o exposto, a Impugnante requer seja reconhecida a totalidade do crédito em epígrafe, com a consequente homologação integral das DCOMP a ele vinculadas, em razão da completa improcedência dos fundamentos do despacho decisório ora questionado. É o relatório Fl. 620DF CARF MF Processo nº 13603.721405/201522 Resolução nº 3201002.086 S3C2T1 Fl. 621 6 A DRJ, por unanimidade de votos, julgou improcedente em parte a impugnação. O Acórdão n.º 1292.001 16ª Turma da DRJ/RJO está assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2009 AUSÊNCIA DE PROVAS A manifestação de inconformidade deve vir instruída com as provas das alegações, uma vez que a alegação, por si só, não produz modificações na análise do direito creditório. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2009 a 30/11/2009 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMO. No regime não cumulativo, somente são considerados insumos, para fins de creditamento, a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. CRÉDITO. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. POSSIBILIDADE. REQUISITOS. As partes e peças de reposição, usadas em máquinas e equipamentos utilizados na produção ou fabricação de bens destinados à venda, quando não representarem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas, e, ainda, sofrerem alterações, tais como o desgaste, o dano, ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação ou em produção, bem como os serviços de manutenção associados são considerados insumo para fins de crédito a ser descontado da Cofins. CRÉDITO. SERVIÇO DE LOGÍSTICA. MOVIMENTAÇÃO INTERNA. HANDLING. IMPOSSIBILIDADE. Os valores pagos por serviço global de logística (que abrange diversos serviços, tais como armazenamento, movimentação interna, inspeção de mercadorias, controle de estoque, embalagem, classificação, procedimentos para importação e exportação, transporte e distribuição, devolução, processamento de dados, etc. não permitem a apuração de créditos da Cofins, por falta de previsão legal. Fl. 621DF CARF MF Processo nº 13603.721405/201522 Resolução nº 3201002.086 S3C2T1 Fl. 622 7 CRÉDITO. LIMPEZA E DESINFECÇÃO DO AMBIENTE PRODUTIVO. IMPOSSIBILIDADE. Não há direito a crédito da não cumulatividade da Cofins sobre gastos com materiais de limpeza e de desinfecção do ambiente produtivo. CRÉDITO. DESPESAS COM O DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS. PROJETOS. PROTÓTIPOS. LABORATÓRIO DE TESTES. IMPOSSIBILIDADE. Despesas incorridas com a contratação de serviços para desenvolvimento de produtos, tais como projetos, design, cálculos, ou em laboratórios de testes, não geram crédito do regime de apuração não cumulativa da Cofins, por não se enquadrarem no conceito de insumo, nem terem previsão legal expressa para o desconto. Inconformada, a ora recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual, requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: 2 Fatos A recorrente explica que o presente processo administrativo é fruto de fiscalização instaurada pela DRF de Contagem/MG para verificação da regularidade do crédito decorrente da COFINS não cumulativa, apurada em relação a operações realizadas no mercado interno. Discorre que a fiscalização resultou em 7 (sete) processos administrativos, a saber: 13603.721398/201569, 13603.721412/201524, 13603.721401/201544, 13603.721405/201522, 13603.721408/201566, 13603.721415/201568 e 13603.721544/201556. Tendo em vista a identidade de matéria, requer o julgamento do conjunto dos processos. A recorrente relata que a DRJ/RJO entendeu por julgar parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, para reconhecer os créditos relacionados ao item V.1 do TVF (bens utilizados como insumos). A DRJ/RJO não reconheceu os créditos tomados sobre as despesas referentes aos serviços (item V.2 do TVF) contratados pela Recorrente, mesmo que se mostrem essenciais ao desenvolvimento de suas atividades. 3 – Direito: razões A recorrente sustenta que a DRJ/RJO adotou o conceito restrito de insumo para não reconhecer os créditos oriundos das despesas com serviços contratados. Alega que os serviços contratados se revelam essenciais às suas atividades; logo, inseremse no conceito de insumo e, como tal, seriam passíveis de creditamento. Nesse sentido, pugna pela ilegalidade das Instruções Normativas SRF ns. 247/02 e 404/04. A seu favor, aponta jurisprudência do CARF e do STJ. Fl. 622DF CARF MF Processo nº 13603.721405/201522 Resolução nº 3201002.086 S3C2T1 Fl. 623 8 A recorrente faz uma análise específica dos serviços cujas glosas foram mantidas (item V.2 do TVF), buscando demonstrar a essencialidade desses serviços às suas atividades. Tais serviços são: 3.1 Serviços de movimentação interna (handling) Relata os serviços de movimentação interna (handling) e cita jurisprudência do CARF. Com efeito, segundo o próprio termo de verificação fiscal, as atividades de handling compreendem os serviços de: (i) movimentação e armazenamento de materiais a serem utilizados na linha de produção dos veículos, desova de containers, entre outros; (ii) movimentação interna de material e de veículos; (iii) retirada de peças armazenadas (prateleiras etc.) e execução do respectivo acondicionamento em embalagens; (iv) movimentação interna das peças vindas do armazém, peças e acessórios; (v) gestão dos transportes das cargas de transferência da produção para filiais; (vi) acompanhamento, programação e diligenciamento das entregas de peças dos fornecedores à filial peças e acessórios; (vii) aquisição de embalagens, locação de equipamentos para movimentação dos materiais, realização de atividades de recebimento, armazenagem, movimentação, abastecimento, transporte de materiais. Essas atividades podem se realizar tanto dentro do estabelecimento matriz ou filial quanto podem ocorrer entre matriz/filiais. (efl. 442) De forma didática, reproduzo o serviços de movimentação interna (handling) na tabela a seguir: 3.1 Serviços de movimentação interna (handling) (i) movimentação e armazenamento de materiais a serem utilizados na linha de produção dos veículos, desova de containers, entre outros; (ii) movimentação interna de material e de veículos; (iii) retirada de peças armazenadas (prateleiras etc.) e execução do respectivo acondicionamento em embalagens; (iv) movimentação interna das peças vindas do armazém, peças e acessórios; (v) gestão dos transportes das cargas de transferência da produção para filiais; (vi) acompanhamento, programação e diligenciamento das entregas de peças dos fornecedores à filial peças e acessórios; (vii) aquisição de embalagens, locação de equipamentos para movimentação dos materiais, realização de atividades de recebimento, armazenagem, movimentação, abastecimento, transporte de materiais. No tocante a tais serviços, a Recorrente menciona contratos com prestadores de serviço: Ceva, Syncreon, Autolog e GFL. Cita a seu favor a Solução de Consulta nº 256, de 24 de julho de 2007 e jurisprudência do CARF. Fl. 623DF CARF MF Processo nº 13603.721405/201522 Resolução nº 3201002.086 S3C2T1 Fl. 624 9 3.2 Serviços de limpeza técnica Relata os serviços de limpeza técnica glosados que foram prestados por empresas contratadas e cita jurisprudência do CARF. (...) os serviços de limpeza técnica consistem na limpeza da linha de produção (instalações e equipamentos) e são necessários e essenciais para fabricação de veículos, sob pena de prejudicar e afetar toda linha de produção da Recorrente. (efl. 448) De forma didática, reproduzo na tabela a seguir: 3.2 Serviços de limpeza técnica – limpeza da linha de produção (instalações e equipamentos) 3.3 Serviços de projetação, desenho e cálculo Relata os serviços de projeção, desenho e cálculo glosados e que foram prestados por empresas contratadas, citando jurisprudência do CARF. Os serviços de projetação, desenho e cálculo, regra geral, são espécies dos serviços de engenharia, essenciais às atividades de estudo, desenvolvimento, projetação para fabricação de automóveis, veículos a motor em geral, motores, bem como seus componentes, partes e peças. São atividades essenciais, praticamente indissociáveis do objeto social da Recorrente (o que se vê a todas as luzes), que é uma das maiores montadoras de veículos do País. (efl. 450) De forma didática, reproduzo na tabela a seguir: 3.3 Serviços de projetação, desenho e cálculo – espécies de serviços de engenharia para estudo, desenvolvimento e projeção par fabricação de partes e peças de automóveis. 3.4 Serviços técnicos A Recorrente explica que neste item se encontram alguns serviços de movimentação interna (handling) e de projeção, desenho e cálculo tratados anteriormente. Em seguida adentra nas explicações dos serviços técnicos que foram objeto de glosa. Adentrandose, especificamente, nos serviços técnicos, em relação àqueles prestados pela Meuller, vêse da nota fiscal anexa (doc. n. 09, cit) se tratar de serviços relacionados à engenharia no desenvolvimento de componentes utilizados na produção de veículos da família Pálio, Uno, Stilo, Doblô, Punto, Linea e Idea. É dizer, cuidase de serviço essencial ao processo produtivo da Recorrente e, por essa razão, dá direito ao crédito de COFINS. Da análise dos demais contratos e pedidos anexos (doc. n. 09, cit), vê se que o conteúdo de tais atividades compreende a "(...) prestação de serviços técnicos objetivando a execução de partes determinadas de projetos de desenvolvimento tecnológico de titularidade da FIAT". Os serviços poderão abranger, além da projetação para desenvolvimento de veículos atendendo às metodologias Fiat, matemática C, matemática B/A, factibilidade, suporte ao design e graphic design. (efl. 454) Fl. 624DF CARF MF Processo nº 13603.721405/201522 Resolução nº 3201002.086 S3C2T1 Fl. 625 10 De forma didática, reproduzo na tabela a seguir: 3.4 Serviços técnicos – serviços relacionados à engenharia no desenvolvimento de componentes. 3.5 Serviços de experimentação A Recorrente relata acerca de serviços de experimentação glosados que foram prestados por empresas contratadas e cita jurisprudência do CARF. No que se refere aos serviços prestados pela Magneti Marelli, espécie de serviços de engenharia, é ver que estes visam oferecer melhoria à dirigibilidade dos veículos fabricados e comercializados pela Recorrente. Esses serviços consistem, em resumo, na recalibração da central eletrônica com alterações de parâmetros internos ao software que mudam o comportamento dos veículos em várias condições de funcionamento, tais como rotações de marcha lenta, trocas de marcha, acelerações e desacelerações, partidas a frio e partidas a quente, inserção de ar condicionado com compensação de giro. A análise da nota fiscal anexa (doc. n. 10 da MI, cit), cuja descrição corresponde aos serviços de engenharia/desenvolvimento, corrobora a natureza dos serviços tomados pela Recorrente. Quanto aos serviços prestados pela Roberto Bosch, percebese, pelo contrato e pedido de compra anexados, que se trata da viabilização da produção de ABS e de Sensor de Velocidade da Roda e de calibração dentro dos requisitos de design, performance e qualidade exigidos pela Recorrente. (efl. De forma didática, reproduzo na tabela a seguir: 3.5 Serviços de experimentação – calibração, recalibração e serviços relacionados à engenharia/desenvolvimento. 4 Pedido A recorrente ao final do seu recurso voluntário pede: Por todo o exposto, a Recorrente requer a reforma parcial do acórdão recorrido, para que se reconheça a totalidade do crédito controlado no PTA em epígrafe, com a consequente homologação integral das DCOMPs a ele vinculados. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. VOTO Leonardo Correia Lima Macedo, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise do Recurso Voluntário. Fl. 625DF CARF MF Processo nº 13603.721405/201522 Resolução nº 3201002.086 S3C2T1 Fl. 626 11 Do Mérito De forma objetiva, o cerne da questão do presente Recurso Voluntário está no conceito de insumo e nas glosas constantes do Termo de Verificação Fiscal (TVF). De forma geral, cabe razão a recorrente. O STJ, por meio do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, em decisão de 22/02/2018, proferida na sistemática dos recursos repetitivos, firmou as seguintes teses em relação aos insumos para creditamento do PIS/COFINS: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Assim, em vista do disposto pelo STJ no RE nº 1.221.170/PR quanto a ilegalidade das Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, bem como da jurisprudência deste CARF, tratase de analisar se os insumos atendem ou não aos requisitos da essencialidade, relevância ou imprescindibilidade conforme ensinamento do superior tribunal. Ocorre, todavia, que durante o julgamento do Recurso Voluntário a turma teve dúvidas e surgiram dificuldades em relacionar os itens glosados pela fiscalização com os contratos correspondentes informados nos autos. Assim, existe dúvida razoável no presente processo conceder ou negar o direito ao crédito, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da Recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Neste contexto, o CARF possui o reiterado entendimento de ser possível, em casos como o presente, a conversão do feito em diligência. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que oportunize a Recorrente o direito de apresentar documentação vinculando os itens glosados com os contratos. Compete a unidade de origem proceder a intimação da Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, apresentar a documentação, bem como outros documentos aptos a comprovar o seu direito aos valores pretendidos. Após a diligência, retornem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Relator. Fl. 626DF CARF MF
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Numero do processo: 19679.008850/2004-43
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-001.320
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Sergio Abelson- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan, André Severo Chaves e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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CONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sergio Abelson Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan, André Severo Chaves e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 88 50 /2 00 4- 43 Fl. 57DF CARF MF 2 Trata o presente processo de recurso voluntário, contra o acórdão número 16 12.400, da 5ª Turma da DRJ/SPO1, que considerou improcedente a impugnação contra o auto de infração lavrado exigindo a multa por atraso na entrega da DIRF. Transcrevo, a seguir, o relatório: Por meio do Auto de Infração de fl. 05, o contribuinte acima identificado foi autuado e notificado a recolher o crédito tributário no valor de R$ 500,00, a titulo de multa por atraso na entrega da Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF, referente ao ano calendário de 2002. Os dispositivos legais infringidos constam na descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração em comento. Não se conformando com o lançamento acima descrito, a interessada apresentou a impugnação de fl(s) 01 a 04, na qual alega, em apertada síntese, que o lançamento em tela não observa os princípios da razoabilidade de da proporcionalidade das multas fiscais. Cientificada em 06/12/2007 (fl 32), a recorrente apresentou o recurso voluntário em 26/12/2007 (fl 33). Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. A DRJ, resumidamente, assim decidiu o pleito: De inicio, é de se registrar que o atraso na entrega da declaração é ostensivo, evidente por si só e, enquanto tal, desnecessário qualquer procedimento fiscal prévio. Ademais, tratase de procedimento sumário de revisão interna da declaração, permitido pela legislação. Ponderase, ainda, que, consoante o parágrafo único do artigo 142 do CTN, a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. E, por ser o lançamento ato privativo da autoridade administrativa é que a lei atribui à Administração o poder de impor, por meio da legislação tributária, ônus e deveres aos particulares, denominados, genericamente, "obrigações acessórias", que têm por objeto as prestações, positivas ou negativas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (art. 113, §2° do CTN). Quando a obrigação acessória não é cumprida, fica subordinada à multa específica (art. 113, § 3°, do CTN). Assim é que a Administração exige do particular diversos procedimentos. No caso, a obrigação acessória implicou não só o cumprimento do ato de entregar a declaração, como também, o dever de fazêlo no prazo previamente determinado, independentemente de qualquer procedimento fiscal. Portanto, havêla entregue, tão só, não exime o contribuinte da penalidade, posto que esta está Fl. 58DF CARF MF Processo nº 19679.008850/200443 Acórdão n.º 1001001.320 S1C0T1 Fl. 3 3 claramente definida, tanto para a hipótese da não entrega, quanto para o caso de seu implemento fora do tempo determinado. ... Quanto à validade da norma instituidora da penalidade bem como ao caráter confiscatório da multa imposta, é de se registrar que os questionamentos relativos a leis e atos regularmente inseridos no ordenamento jurídico exorbitam da competência das autoridades administrativas, às quais cabe apenas cumprir as determinações da legislação em vigor, principalmente em se tratando de norma validamente editada. Acrescese que o dever de observância das normas abrange também as normas complementares editadas no âmbito da Secretaria da Receita Federal SRF, expresso em atos tributários e aduaneiros, conforme expressa disposição da Portaria n° 258, de 24 de agosto de 2001 (...). Assim, votou pela procedência da exigência do crédito tributário. Em seu recurso, a recorrente utiliza, basicamente, os mesmos argumentos utilizados quando de sua impugnação, ou seja: · Infringência do auto de infração aos princípio da razoabilidade e da proporcionalidade das multas fiscais. · A violação da multa fiscal do princípio do não confisco. · Da possibilidade do poder judiciário e a revisão dos limites de aplicação das multas fiscais. Conclui requerendo a anulação do auto de infração. Quanto às alegações da recorrente, ressalto que a penalidade (multa por atraso) foi aplicada em consonância com a legislação vigente, tal como decidido pela DRJ. Quantos aos aspectos alegados pela recorrente, este não é o fórum adequado para tal. Apenas o Poder Judiciário pode analisar e decidir estas matérias. O CARF não é competente para se pronunciar por constitucionalidade de matéria tributária, por força da Súmula 2, do CARF): Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, nego provimento ao presente recurso. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 59DF CARF MF 4 Fl. 60DF CARF MF
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