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Numero do processo: 10467.720302/2010-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006, 2007
DESAPROPRIAÇÃO. PESSOA JURÍDICA. GANHO DE CAPITAL. INEXISTÊNCIA. MATÉRIA DECIDIDA EM RECURSO REPETITIVO DO STJ. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Quando a Constituição fala em preço justo está a se reportar a algo que garanta que o proprietário, pessoa física ou jurídica, com os recursos que receber, adquira bem de idêntico valor. Se houvesse incidência do imposto de renda, em determinadas ocasiões exigido pelo próprio desapropriante, isto quando este for a União, estar-se-ia impossibilitando que o então proprietário recompusesse seu patrimônio.
Não há, na desapropriação, transferência da propriedade, por qualquer negócio jurídico de direito privado. Não sucede, aí, venda do bem ao poder expropriante. Não se configura, outrossim, a noção de preço, como contraprestação pretendida pelo proprietário. O 'quantum' auferido pelo titular da propriedade expropriada é, tão-só, forma de reposição, em seu patrimônio, do justo valor do bem, que perdeu, por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social.
Só é passível de tributação por meio do imposto de renda, a riqueza nova, ou seja, o acréscimo patrimonial experimentado pelo contribuinte ao longo de um determinado espaço de tempo. O valor recebido na desapropriação não representa acréscimo patrimonial, mas sim a substituição do patrimônio correspondente a determinado bem por quantia equivalente em espécie. (Precedente RESP 1.116.460-SP, julgado sob a forma do artigo 543-C, de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF, conforme previsto no artigo 62-A, do Regimento Interno).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-001.356
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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Recorrente ENARQ ENGENHARIA E ARQUITETURA LTDA e POLIBRAS EMPREENDIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 DESAPROPRIAÇÃO. PESSOA JURÍDICA. GANHO DE CAPITAL. INEXISTÊNCIA. MATÉRIA DECIDIDA EM RECURSO REPETITIVO DO STJ. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Quando a Constituição fala em preço justo está a se reportar a algo que garanta que o proprietário, pessoa física ou jurídica, com os recursos que receber, adquira bem de idêntico valor. Se houvesse incidência do imposto de renda, em determinadas ocasiões exigido pelo próprio desapropriante, isto quando este for a União, estarseia impossibilitando que o então proprietário recompusesse seu patrimônio. Não há, na desapropriação, transferência da propriedade, por qualquer negócio jurídico de direito privado. Não sucede, aí, venda do bem ao poder expropriante. Não se configura, outrossim, a noção de preço, como contraprestação pretendida pelo proprietário. O 'quantum' auferido pelo titular da propriedade expropriada é, tãosó, forma de reposição, em seu patrimônio, do justo valor do bem, que perdeu, por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social. Só é passível de tributação por meio do imposto de renda, a riqueza nova, ou seja, o acréscimo patrimonial experimentado pelo contribuinte ao longo de um determinado espaço de tempo. O valor recebido na desapropriação não representa acréscimo patrimonial, mas sim a substituição do patrimônio correspondente a determinado bem por quantia equivalente em espécie. (Precedente RESP 1.116.460SP, julgado sob a forma do artigo 543C, de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF, conforme previsto no artigo 62A, do Regimento Interno). Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 7. 72 03 02 /2 01 0- 54 Fl. 490DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10467.720302/201054 Acórdão n.º 1402001.356 S1C4T2 Fl. 0 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório Pelo que se extrai do auto de infração cuja cópia consta a partir da fl. 245, tratase de exigência notificada ao recorrente em 06/12/2010 (fl. 247), identificando as seguintes infrações, com o enquadramento legal que segue. 001 RECEITAS OPERACIONAIS (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS GERAIS (fl. 247). Em relação à infração descrita no item 001, o lucro foi arbitrado com fatos geradores em cada um dos trimestres dois anoscalendário de 2006 e 2007 e a multa aplicada foi de 75% para a infração de que trata este item cujo enquadramento legal apontado, para o IRPJ, foi o artigo 40 da Lei nº 9.250, de 1995 e artigos 530, III e 532 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999. OO2 GANHOS DE CAPITAL Fato gerador Valor Tributável ou imposto Multa 30/09/2007 R$ 5.599.484,94 150% Enquadramento Legal: artigo 27, II, da Lei nº 9.430, de 1996 e artigo 536, e § 6º, do Regulamento do Imposto de Renda de 1999. Pelo que se extrai do Termo de Verificação Fiscal de fls. 265 e seguintes, a fiscalizada, tributada com base no lucro presumido, foi intimada para apresentar seus livros contábeis, solicitando prorrogação para assim fezêlo. Atendendo a intimação da fiscalização, em 06 de agosto de 2010, a recorrente esclareceu que na DIPJ original do anocalendário de 2007 não havia informado nenhum valor Fl. 491DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10467.720302/201054 Acórdão n.º 1402001.356 S1C4T2 Fl. 0 3 a título de receita. Assim, apresentou DIPJ retificadora de fls. 113 a 130 informando receita bruta no valor de R$ 78.339,18. No decorrer do processo o representante legal da empresa manifestouse sobre a impossibilidade de apresentar documentos solicitados pela fiscalização sob o argumento de que em razão da desapropriação da propriedade ditos documentos haviam ficado num galpão, quando da imissão de posse, e acabaram deteriorandose, visto que o desapropriante, no caso o Governo do Estado da Paraíba, não conservouos. Por não possuir a documentação contábil, a autoridade fiscal pegou os valores informados na DIPJ retificadora e arbitrouos, exigindo com multa de 75%. Quanto à infração de que trata o item 002 da autuação, a autoridade fiscal entendeu que na desapropriação há ganho de capital devendo tal valor ser oferecido à tributação. Como a requerente não declarou tais valores aplicouse multa de 150% sobre esta exigência. Pelo que se extrai dos autos o valor da desapropriação, ao menos em parte, teria sido depositado em conta em nome da empresa POLIOBRAS. Intimado a informar a sua relação com a POLIOBRAS e o interesse desta nos eventos relacionados ao imóvel desapropriado, a proprietária do imóvel respondeu "que a participação da POLIOBRAS no recebimento dos recursos da desapropriação deveuse única e exclusivamente porque a ENARQ estava com restrições cadastrais em suas contas bancárias, precisando da cessão de uma conta de terceiros para recepcionar o depósito, sem contudo haver benefícios financeiros para a POLIOBRAS, que, informou, não é empresa coligada à ENARQ, mas apenas “por razões de conhecimento de Vossas Senhorias goza da confiança da ENARQ para um fato como o ocorrido”. Dado ao fato especificado no parágrafo acima, à empresa POLIOBRAS foi atribuída a condição de responsável solidária, com fundamento no art. 124, I, do CTN. Apresentada impugnação a DRJ julgou procedente o lançamento com acórdão que pode ser sintetizado na seguinte ementa: Anocalendário: 2007 GANHO DE CAPITAL. DESAPROPRIAÇÃO. A desapropriação configura uma das formas de alienação e o correspondente ganho de capital, quando existente, está sujeito ao Imposto de Renda, excetuandose apenas as operações de transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária, objeto de isenção . INDENIZAÇÃO. DESAPROPRIAÇÃO POR UTILIDADE PÚBLICA. GANHO DE CAPITAL. INCIDÊNCIA. O ganho de capital auferido em razão de desapropriação por necessidade ou utilidade pública não é isento do Imposto de Renda nem da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. (....) Fl. 492DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10467.720302/201054 Acórdão n.º 1402001.356 S1C4T2 Fl. 0 4 RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. A empresa ENARQ foi intimada do acórdão por meio do AR de fls. 303. Não identifiquei nos autos intimação da empresa POLIOBRAS. Todavia, o recurso foi apresentado, em conjunto, por ambas as empresas, o que supre eventual falta de intimação. Nas alegações recursais, restritas ao item 002 da autuação, as partes, reiterando os argumentos da impugnação, alegam, em síntese: a) efetivada a desapropriação, foi ajuizada ação popular em que o magistrado, em antecipação de tutela, determinou a "suspensão dos efeitos do ato que culminou com a desapropriação." Assim, o auto de infração deveria ter sido lavrado com exigibilidade suspensa até o trânsito em julgado da desapropriação, pois se esta não permanecer e a primeira recorrente tiver que devolver os valores não há o que se falar em ganho de capital, pois não haverá riqueza nova; c) que na desapropriação não há incidência de imposto de renda. Neste sentido cita jurisprudência do STJ e transcreve a Súmula 39 do antigo Tribunal Federal de Recursos1. d) Destaca que a matéria em questão já foi julgada sob a forma de recursos repetitivos junto ao STJ (RESP 1.116.460SP); e) que a multa tem caráter confiscatório; e) em relação ao recurso da POLIOBRÁS esta reitera a alegação de que somente emprestou sua conta bancária em face das restrições cadastrais da ENARQ, não havendo o que se falar em solidariedade visto que não realizou alienação, não teve imóvel desapropriado, não recebeu valores ou, em síntese, não praticou o fato jurídico tributário. É o relatório. 1 Súmula 39 do TFR. "Não está sujeita ao imposto de renda a indenização recebida por pessoa jurídica, em decorrência de desapropriação amigável ou judicial." Fl. 493DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10467.720302/201054 Acórdão n.º 1402001.356 S1C4T2 Fl. 0 5 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. Os recursos são tempestivos, foram interpostos por partes legítimas, estão devidamente fundamentados e preenchem os demais requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoos e passo ao exame da matéria. Inicialmente, o fato da intimação para julgamento não constar o nome da recorrente POLIOBRÁS não causa nulidade na medida em que o mérito lhe é favorável. Neste sentido aplico o disposto no artigo 59, § 3º, do Decreto 70.235, de 1972, que assim dispõe: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748, de 09.12.1993) Por outro lado, destaco que o recurso é restrito ao item 002 da infração. Não há recurso em relação ao item 001. Assim, neste recurso, nada se examinará em relação ao item 001, prevalecendo, em relação a tal item, o que foi decidido nas instâncias "a quo", caso impugnado. Em relação ao mérito, quando do julgamento do Recurso Especial nº 104 152247, correspondente ao processo nº 10835.001908/200241, que resultou no acórdão nº 930400126, na Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de 04 de maio de 2009, em que era recorrido Gary Pinheiro Couto e recorrente a Procuradoria da Fazenda Nacional, assim enfrentei a matéria: "A desapropriação, prevista no art.5°, XXIV, da Constituição Federal, é um ato coativo do Estado que por necessidade, interesse público, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, expropria o bem privado. Só é passível de tributação por meio do imposto de renda, a riqueza nova, ou seja, o acréscimo patrimonial experimentado pelo contribuinte ao longo de um determinado espaço de tempo. Tudo aquilo que não representar ganhos, mas sim transformações de riqueza, não poderá ser objeto de tributação. Hugo de Brito Machado, citado por Roque Antônio Carrazza, em sua obra Imposto sobre a Renda, 1a. Edição, Ed. Malheiros, 2005, p. 182, assim enfrenta o tema: “Sem o acréscimo patrimonial não há, segundo o código, nem renda, nem proventos. Como se vê, o Código Tributário Nacional estreitou o âmbito do legislador ordinário, que não poderá definir como renda, ou como proventos, algo que não seja, na verdade, um acréscimo patrimonial.” Fl. 494DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10467.720302/201054 Acórdão n.º 1402001.356 S1C4T2 Fl. 0 6 Complementando o que disse Hugo de Brito Machado, Roque Antônio Carrazza afirma que: “É o caso das indenizações. Nelas mostrase de todo ausente este sentido de acréscimo patrimonial; transparece, ao revés, sua vocação meramente compensatória ou reparatória, por perdas sofridas.” “Como já se visualiza, a indenização serve para coibir os prejuízos causados, de forma que o equilíbrio patrimonial do credor lesado se restabeleça. O montante da indenização é correlato ao valor do bem lesado: restabelece o equilíbrio rompido pelo causador do dano. Quem indeniza repara – isto é, compensa – prejuízos.” (...) “Em resumo, a indenização – tenha a origem que tiver – ressarce danos. As quantias a este título recebidas pela pessoa lesada não tipificam renda; apenas recuperamlhe o patrimônio danificado – e, nesta medida, positivamente não tem o condão de transformá la em contribuinte do IR.” “Com efeito, como a indenização compensa a injusta perda de direito, tributála diminuilhe o montante, com isso, logicamente reabrese a lesão que acabara de ser composta. O imposto assim exigido não seria sobre a renda, mas confiscatório, já que acarretaria a expropriação de parte do patrimônio do lesado.” Neste sentido, como razões de decidir, louvome dos seguintes precedentes do STJ: DESAPROPRIAÇÃO INDENIZAÇÃO IMPOSTO DE RENDA NÃO INCIDÊNCIA . A indenização decorrente de desapropriação não apresenta nenhum ganho ou acréscimo de capital e sobre ela não incide o imposto de renda..recurso provido. (RESP 156772. Rel. Min. Garcia Vieira, j. 10/03/1998). TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DESAPROPRIAÇÃO. JUROS MORATÓRIOS E COMPENSATÓRIOS. CONFRONTO ENTRE A LEI 7.713/88 E O ART. 43 DO CTN.MATÉRIA DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DO STF. 1. A análise da conformidade de lei ordinária em face de lei complementar é matéria de natureza constitucional, insuscetível de apreciação em sede de recurso especial. Precedentes da Primeira Turma: AGRESP 591.449/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ 16/02/2004; EAARES 261.925/RJ, Rel. Min. Humberto Gomes de Barros, DJ 15/12/2003. 2. Se o CTN dispõe que renda constituise em todo acréscimo patrimonial, afirmarse que a parcela de juros compensatórios e moratórios de indenização percebida em decorrência de desapropriação deve ser incluída na base de cálculo do imposto Fl. 495DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10467.720302/201054 Acórdão n.º 1402001.356 S1C4T2 Fl. 0 7 de renda, é o mesmo que afirmar que a mencionada verba constitui renda, nos moldes exigidos pela Carta Magna, para fins de tributação. Em outras palavras, é aferir a observância do próprio comando esculpido na Lei Maior, tarefa reservada constitucionalmente ao Colendo Supremo Tribunal Federal. 3. Recurso especial não conhecido (RESP 572950 /RS. Rel. Min. LUIZ FUX. j. 10/08/2004). Em síntese, destinandose o valor da indenização a recompor o patrimônio, o prejuízo, ou o bem jurídico ofendido, não há o que se falar em cobrança do imposto de renda, pois tal valor está fora do campo de incidência tributária. Em se tratando de pessoas físicas assim dispõe a súmula 42 do CARF Sumula 42. Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação. A questão que se põe é se, nos casos de desapropriação em que a proprietária é pessoa jurídica o tratamento seria diferente? A resposta, ao meu sentir é, terminantemente, negativa. Quando a Constituição fala em preço justo está a se reportar a algo que garanta que o proprietário, pessoa física ou jurídica, com os recursos que receber, adquira bem de idêntico valor. Se houvesse incidência do imposto de renda, em determinadas ocasiões exigido pelo próprio desapropriante, isto quando este for a União, estarseia impossibilitando que o então proprietário recompusesse seu patrimônio. O entendimento que trilho segue a mesma linha do STJ que no Recurso Repetitivo nº 1.116.460SP, tendo como parte uma pessoa jurídica e de outro lado a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, assim decidiu: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. IMPOSTO DE RENDA. INDENIZAÇÃO DECORRENTE DE DESAPROPRIAÇÃO. VERBA INDENIZATÓRIA. NÃOINCIDÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A incidência do imposto de renda tem como fato gerador o acréscimo patrimonial (art. 43, do CTN), sendo, por isso, imperioso perscrutar a natureza jurídica da verba percebida, a fim de verificar se há efetivamente a criação de riqueza nova: a) se indenizatória, que, via de regra, não retrata hipótese de incidência da exação; ou b) se remuneratória, ensejando a tributação. Isto porque a tributação ocorre sobre signos presuntivos de capacidade econômica, sendo a obtenção de renda e proventos de qualquer natureza um deles. 2. Com efeito, a Constituição Federal, em seu art. 5º, assim disciplina o instituto da desapropriação: "XXIV a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e Fl. 496DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10467.720302/201054 Acórdão n.º 1402001.356 S1C4T2 Fl. 0 8 prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição;" 3. Destarte, a interpretação mais consentânea com o comando emanado da Carta Maior é no sentido de que a indenização decorrente de desapropriação não encerra ganho de capital, porquanto a propriedade é transferida ao poder público por valor justo e determinado pela justiça a título de indenização, não ensejando lucro, mas mera reposição do valor do bem expropriado. 4. "Representação. Argüição de Inconstitucionalidade parcial do inciso II, do parágrafo 2º, do art. 1º., do Decretolei Federal n. 1641, de 7.12.1978, que inclui a desapropriação entre as modalidades de alienação de imóveis, suscetíveis de gerar lucro a pessoa física e, assim, rendimento tributável pelo imposto de renda. Não há, na desapropriação, transferência da propriedade, por qualquer negócio jurídico de direito privado. Não sucede, aí, venda do bem ao poder expropriante. Não se configura, outrossim, a noção de preço, como contraprestação pretendida pelo proprietário, 'modo privato'. O 'quantum' auferido pelo titular da propriedade expropriada é, tãosó, forma de reposição, em seu patrimônio, do justo valor do bem, que perdeu, por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social. Tal o sentido da 'justa indenização' prevista na Constituição (art. 153, parágrafo 22). Não pode, assim, ser reduzida a justa indenização pela incidência do imposto de renda. Representação procedente, para declarar a inconstitucionalidade da expressão 'desapropriação', contida no art. 1., paragrafo 2., inciso ii, do decretolei n. 1641/78. (Rp 1260, Relator(a): Min. NÉRI DA SILVEIRA, TRIBUNAL PLENO, julgado em 13/08/1987, DJ 18 111988). 5. Deveras, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido da nãoincidência da exação sobre as verbas auferidas a título de indenização advinda de desapropriação, seja por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social, porquanto não representam acréscimo patrimonial. 6. Precedentes: AgRg no Ag 934.006/SP, Rel. Ministro CARLOS FERNANDO MATHIAS, DJ 06.03.2008; REsp 799.434/CE, Rel.Ministra DENISE ARRUDA, DJ 31.05.2007; REsp 674.959/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, DJ 20/03/2006; REsp 673273/AL, Rel. Ministro LUIZ FUX, DJ 02.05.2005; REsp 156.772/RJ, Rel. Min. Garcia Vieira, DJ 04/05/98; REsp 118.534/RS, Rel. Min. Milton Luiz Pereira, DJ 19/12/1997. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Por fim, observo que o Regimento Interno do Carf, em seu artigo Art. 62A. prevê que "as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Carf. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10467.720302/201054 Acórdão n.º 1402001.356 S1C4T2 Fl. 0 9 Reconhecida a não tributação em relação aos recursos recebidos por ocasião da desapropriação, tal decisão importa em reconhecer prejudicada a análise do recurso interposto pela Polibras Empreendimentos Ltda. ISSO POSTO, voto no sentido de dar provimento ao recurso para cancelar o lançamento, restando prejudicadas as demais alegações das recorrentes. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 498DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA
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Numero do processo: 10283.721004/2009-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. VALIDADE.
A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
Numero da decisão: 2201-002.100
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, Por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento do julgamento do recurso, arguida pelo Conselheiro Guilherme Barranco de Souza. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Relator
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Guilherme de Souza Barranco (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. VALIDADE. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento do julgamento do recurso, arguida pelo Conselheiro Guilherme Barranco de Souza. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 10 04 /2 00 9- 04 Fl. 207DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Guilherme de Souza Barranco (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, Gustavo Lian Haddad. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2007, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 02/38, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 2.062.515,41. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada. Cientificada do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, que: 1) Argui como questão preliminar a nulidade do auto de infração; 2) Cita farta jurisprudência administrativa e dos tribunais; 3) Invoca a Súmula 182, do extinto TFR; 4) Alega violação a Princípios Constitucionais; 5) É ilegítimo o lançamento do Imposto de Renda com base apenas em depósitos bancários; 6) É imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, bem como seja comprovada a utilização desses valores em aplicações no mercado financeiro, evidenciando sinais exteriores de riqueza, visto que por si só, depósitos bancários, depósitos “on line”, desbloqueio de depósitos, TED – Transferência Eletrônica Disponível, cheques emitidos e aplicações financeiras não constituem fato gerador do imposto de renda, pois não caracterizam disponibilidade de renda e proventos; 7) Não restou caracterizado disponibilidade de renda; 8) Todos os depósitos foram comprovados, e ainda a própria Secretaria da Receita Federal teve acesso aos dados bancários. A 2ª Turma da DRJ em Belém/PA julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou ilegalidade de Fl. 208DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10283.721004/200904 Acórdão n.º 2201002.100 S2C2T1 Fl. 3 3 dispositivos legais. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Comprovada a legitimidade do lançamento efetuado de ofício e cumpridas as formalidades legais dispostas em lei para sua efetivação, afastamse, por improcedentes, as preliminares argüidas. OMISSÃO DE RENDIMENTOS PROVENIENTES DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base em valores depositados em conta bancária para os quais o titular não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. O ônus da prova existe afetando tanto o Fisco como o sujeito passivo. Não cabe a qualquer delas manterse passiva, apenas alegando fatos que a favorecem, sem carrear provas que os sustentem. Assim, cabe ao Fisco produzir provas que sustentem os lançamentos efetuados, como, ao contribuinte as provas que se contraponham à ação fiscal. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Intimada da decisão de primeira instância em 04/05/2011 (fl. 186), Sonia Maria Lima de Souza apresenta Recurso Voluntário em 30/05/2011 (fls. 189 e seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, relativamente a fatos ocorridos no ano calendário de 2006. Alega a suplicante, em linhas gerais, que é dona de casa e não exerce nenhuma função remunerada. Assevera, ainda, que sua conta bancária era utilizada pelo cônjuge na compra de produtos para os pequenos comerciantes locais e, por não possuir recursos próprios, depositava os valores em sua contacorrente. Assim, como não aufere rendimentos, considerava que não estava exercendo atividade econômica e, consequentemente, não declarou tais valores. Antes de adentrarmos no mérito, cumpre examinar, de antemão, a preliminar de sobrestamento arguida pelo Conselheiro Guilherme Barranco de Souza. Da análise das peças processuais, não há dúvidas que o caso em discussão não admite sobrestamento (§ 1º do art. 62A da Portaria MF n° 256/2009), pois de acordo com a Portaria CARF nº 01/2012, o procedimento de sobrestamento somente será aplicado nas hipóteses em que houver sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o sobrestamento de Recursos Extraordinários que versem sobre matéria idêntica àquela debatida na Suprema Corte. Ademais, a tese de sobrestamento não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Rejeitase, pois, a suscitada preliminar. No mérito, a presente omissão de rendimentos está sendo exigida da contribuinte em vista a existência de depósitos bancários de origem não comprovada, com base na presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a seguir transcrito: Art.42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. De acordo com o dispositivo supra, basta ao Fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origens não comprovadas para que se presuma, até prova em contrário, a cargo do contribuinte, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), e, portanto, cabe ao Fisco comprovar apenas o fato Fl. 210DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10283.721004/200904 Acórdão n.º 2201002.100 S2C2T1 Fl. 4 5 definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. O art. 42 da Lei nº 9.430/1996 tem como embasamento lógico o fato de não ser comum o depósito de numerário, de forma gratuita e indiscriminada, em conta bancária de terceiros. Como corolário dessa afirmativa temse que, até prova em contrário, o que se deposita na conta de determinado titular a ele pertence. O raciocínio foi exposto com clareza por Antônio da Silva Cabral1: O fato de alguém depositar em banco uma quantia superior à declarada é indício de que provavelmente depositou um valor relativo a rendimentos não oferecidos à tributação. Se o depositante não logra explicar que esse dinheiro é de outrem, ou tem origem em valores não sujeitos à tributação, este indício levará à presunção de omissão de rendimentos à tributação. Não se pode olvidar que a utilização da figura jurídica da presunção legal, para fins de encontrar a renda omitida, está em perfeita consonância com os dispositivos legais constante na legislação pátria. No processo tributário administrativo as provas obedecem às disposições estabelecidas no Código Civil. É o que se extrai do art. 212, IV, do referido Código: Art. 212. Salvo o negócio a que se impõe forma especial, o fato jurídico pode ser provado mediante: I confissão; II documento; III testemunha; IV presunção; V perícia. (grifei) A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 constitui um instrumento direcionado à facilitação do trabalho de investigação fiscal, justamente em razão das dificuldades impostas à identificação dos fatos econômicos dos quais participou a recorrente. Existe normalmente uma grande quantidade de ações e negócios não formais efetuados pelo contribuinte, na maioria das vezes marcada pela inexistência de prova documental, razão pela qual a lei desincumbiu a autoridade fiscal de provar sua ocorrência. Portanto, a presunção legal dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda, evidenciando sinais exteriores de riqueza, conforme se observa da Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Assim, não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, a lei considera ocorrido o fato gerador, na forma do artigo 43 do Código Tributário Nacional2. 1 Processo Administrativo Fiscal.; Editora Saraiva, 1993, pág. 311. 2 CTN – Lei n° 5.172, de 1966 – Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I – de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; Fl. 211DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Cabe, ainda, esclarecer que o § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/1990, que previa o arbitramento dos rendimentos com base na renda presumida, foi expressamente revogado pelo art. 88, inciso XVIII, da Lei nº 9.430/1996. Isso, aliás, ratifica a intenção do legislador em dar novo tratamento à matéria, eis que, na lei nova, deixou de existir a obrigatoriedade de se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita. Sobre a jurisprudência colacionada pela defesa, impende registrar que os acórdãos relacionados referemse a momento histórico distinto, no qual não era possível formularse uma presunção legal com base em depósitos bancários, por conseguinte, não abrange o caso em comento, que tem por base legal o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Ademais, em face das disposições do art. 144 do CTN, aplicase ao lançamento a legislação vigente na data da ocorrência do fato gerador. Por fim, em sua peça recursal fundamenta a recorrente sua defesa, basicamente, em questões de direito, não se manifestando quanto às questões de fato, deixando de apresentar as provas da origem dos recursos dos depósitos em suas contas correntes, sendo que são estas, tão somente, que podem afastar a exigência. Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah II – de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10183.006004/2005-77
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 2001
IMPOSTO TERRITORIAL RURAL – ITR. IMUNIDADE. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ATIVIDADES DESENVOLVIDAS NO IMÓVEL RURAL DESTINADAS AOS SEUS OBJETIVOS INSTITUCIONAIS OU MESMO IMÓVEL VAGO. LANÇAMENTO. NECESSIDADE FISCALIZAÇÃO COMPROVAR A INOBSERVÂNCIA DOS PRESSUPOSTOS DO FAVOR FISCAL. NÃO OCORRÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO.
A utilização do imóvel rural para o desenvolvimento de atividades diversas, desde que seus frutos sejam totalmente revertidos aos objetivos institucionais da entidade beneficente de assistência social ou mesmo quando referido imóvel se encontra vago, não representa afronta ao artigo 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal, ou aos princípios da livre concorrência
e/ou isonomia, capaz de negar direito à fruição da imunidade contemplada naquele dispositivo constitucional, conforme precedentes do STF e STJ, traduzidos na Súmula nº 724, cabendo à fiscalização, se entender por bem, desconsiderar a condição de imune da contribuinte, comprovando a inobservância dos requisitos para tanto, sob pena de improcedência do lançamento, como aqui se vislumbra.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.209
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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IMUNIDADE. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ATIVIDADES DESENVOLVIDAS NO IMÓVEL RURAL DESTINADAS AOS SEUS OBJETIVOS INSTITUCIONAIS OU MESMO IMÓVEL VAGO. LANÇAMENTO. NECESSIDADE FISCALIZAÇÃO COMPROVAR A INOBSERVÂNCIA DOS PRESSUPOSTOS DO FAVOR FISCAL. NÃO OCORRÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. A utilização do imóvel rural para o desenvolvimento de atividades diversas, desde que seus frutos sejam totalmente revertidos aos objetivos institucionais da entidade beneficente de assistência social ou mesmo quando referido imóvel se encontra vago, não representa afronta ao artigo 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal, ou aos princípios da livre concorrência e/ou isonomia, capaz de negar direito à fruição da imunidade contemplada naquele dispositivo constitucional, conforme precedentes do STF e STJ, traduzidos na Súmula nº 724, cabendo à fiscalização, se entender por bem, desconsiderar a condição de imune da contribuinte, comprovando a inobservância dos requisitos para tanto, sob pena de improcedência do lançamento, como aqui se vislumbra. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 05/07/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório LEGIÃO DA BOA VONTADE, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 09/12/2005, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação ao exercício de 2001, incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda Fontoura D”, localizado no município de Vila Rica/MT, inscrito na RFB sob o nº 6.040.9916, conforme peça inaugural do feito, às fls. 02/07, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário a Segunda Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Campo Grande/MS, Acórdão nº 0411.878/2007, às fls. 144/151, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, em 20/09/2010, por unanimidade de votos, achou por bem NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 220200.746, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL. RURAL 1TR Exercício: 2001 INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE DO ITR. ALCANCE. A imunidade das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, alcança apenas o 1TR referente aos imóveis rurais de sua propriedade vinculados às suas finalidades essenciais, devendo essa condição ser obrigatoriamente comprovada pela contribuinte.” Irresignada, a contribuinte interpôs Recurso Especial, às fls. 256/267, com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Fl. 2DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 10183.006004/200577 Acórdão n.º 920202.209 CSRFT2 Fl. 2 3 Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras do Conselho a respeito da mesma matéria, com sujeitos da obrigação tributária idênticos (LBV), conforme se extrai do Acórdão nº 210100.619, devendo ser conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada à divergência arguida. Inicialmente, sustenta não haver dúvidas da observância da entidade dos requisitos inscritos no artigo 14 do Códex Tributária, fazendo jus, portanto, à imunidade contemplada nos artigos 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal, e 9°, inciso IV, alínea “c” do CTN, não tendo o Fisco jamais suspendido referido benefício fiscal da contribuinte. Ressalta que o Acórdão recorrido diverge do entendimento inserido no paradigma na medida em que atribui à contribuinte o dever de provar a vinculação das atividades desenvolvidas no imóvel rural aos objetivos institucionais/estatutários da entidade, enquanto o paradigma atribui à fiscalização o dever de comprovar o desvio de finalidade para possibilitar a presente exigência fiscal. Em defesa de sua pretensão, argumenta que o simples fato de não haver prova da destinação dada ao imóvel não autoriza a cobrança do imposto, mormente porque o Fisco não demonstrou a eventual aplicação de recursos financeiros da pessoa imune com desvio de finalidade, consoante se positiva da jurisprudência do STF e do STJ transcrita na peça recursal, reconhecendo este último Tribunal a imunidade, inclusive, de imóvel rural vago. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2ª SJ do CARF entendeu por bem admitir o Recurso Especial da contribuinte, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras do Conselho a propósito da mesma matéria, conforme Despacho nº 220000.275/2011, às fls. 298/302. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da contribuinte, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões, às fls. 305/310, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 4 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2ª SJ do CARF a divergência suscitada pela contribuinte, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram outras decisões das demais Câmaras deste Conselho a respeito da mesma matéria. De início, aduz inexistir dúvidas quanto à observância da entidade dos requisitos inscritos no artigo 14 do Códex Tributária, fazendo jus, portanto, à imunidade contemplada nos artigos 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal, e 9°, inciso IV, alínea “c” do CTN, não tendo o Fisco jamais suspendido referido benefício fiscal da contribuinte. A fazer prevalecer sua pretensão, traz à colação excerto do voto condutor do Acórdão nº 210100.619, ora adotado como paradigma, alegando que a Primeira Turma Ordinária da 1a Câmara da 2a SJ do CARF, ao analisar caso análogo, inclusive com a mesma contribuinte, reconheceu a imunidade da recorrente, relativamente ao pagamento do ITR Exercício 2001, incidente sobre outra propriedade rural, atribuindo o dever de comprovação do desvio de finalidade ao Fisco, ao contrário do que restou decidido pela Turma recorrida. Melhor elucidando, assevera que o Acórdão recorrido diverge do entendimento inserido no paradigma na medida em que atribui à contribuinte o dever de provar a vinculação das atividades desenvolvidas no imóvel rural aos objetivos institucionais/estatutários da entidade, enquanto o paradigma atribui à fiscalização o dever de comprovar o desvio de finalidade para possibilitar a presente exigência fiscal. Por derradeiro, arremata que o simples fato de não haver prova da destinação dada ao imóvel não autoriza a cobrança do imposto, mormente porque o Fisco não demonstrou a eventual aplicação de recursos financeiros da pessoa imune com desvio de finalidade, consoante se positiva da jurisprudência do STF e STJ transcrita na peça recursal, reconhecendo este último Tribunal à imunidade, inclusive, de imóvel rural vago. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a propósito da observância dos requisitos da fruição da imunidade insculpida no artigo 150, inciso VI, alínea “c”, e § 4º, da Constituição Federal, para fins de incidência do ITR sobre imóvel rural de propriedade da entidade autuada, ora recorrente. Indispensável ao deslinde da controvérsia, antes mesmo de adentrar as questões meritórias impende transcrever os dispositivos constitucionais/legais que regulamentam a matéria, senão vejamos: “ CONSTITUIÇÃO FEDERAL Fl. 4DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 10183.006004/200577 Acórdão n.º 920202.209 CSRFT2 Fl. 3 5 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre: [...] c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; § 4º As vedações expressas no inciso VI, alíneas "b" e "c", compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas.” “CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] IV cobrar imposto sobre: [...] c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os Fl. 5DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 6 objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos.” Ao decidir a matéria, o Acórdão recorrido entendeu que caberia à contribuinte demonstrar que as atividades desenvolvidas no imóvel rural em epígrafe se identificavam com os objetivos institucionais da entidade, a teor do disposto em seu Estatuto, o que não logrou à autuada a proceder, mantendose, assim, a autuação na sua integralidade. Em cotejo de referidos argumentos com aqueles constantes no Acórdão paradigma, repitase, no qual versou como recorrente a própria entidade, que pretende seja desconstituído o decisum guerreado, concluímos, com a devida vênia, ter sido naqueles autos aplicado o melhor direito a espécie. Em verdade, tratase da correta aplicação da legislação de regência sobre o tema, qual seja, a relevância jurídica do fato de que a imunidade pretendida pela entidade, com esteio no artigo 150, 4º da CF c/c os artigos 9º e 14º, ambos do CTN, deve ser interpretada em observância ao caráter teleológico da norma, ou seja, de garantir que não venha a ser tributada não apenas o produto financeiro positivo do exercício das atividades da entidade, que se refere a despesas a serem suportadas em prol de seus beneficiários, mas todo e qualquer meio de produção que se destine ao exercício de seu objeto social, desde que observados os requisitos determinados em Lei. Aliás, a jurisprudência administrativa e Judicial restou pacificada, a partir do momento em que o STF consolidou o entendimento de que as entidades beneficentes podem desenvolver atividades com objetivo de auferir lucros, conquanto que utilizados na execução do objeto social da entidade. A rigor, já existe, inclusive, Súmula sobre o assunto, editada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, oriunda do leading case sobre a matéria, RE nº 237.718, DJU de 14.09.2001, confirase: “Súmula 724 – Ainda quando alugado a terceiros, permanece imune ao IPTU o imóvel pertencente a qualquer das entidades referidas pelo art. 150, VI, “c”, da Constituição, desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades essenciais de tais entidades.” A fonte de custeio das Entidades, aptas a receberem o tratamento benéfico da Constituição, portanto, não é apenas aquela proveniente das rendas obtidas pela execução de suas atividades sociais, mas sim dos meios utilizados para a obtenção de rendas, desde que totalmente aplicadas na execução de seu objeto social, nos termos da Lei. Aplicar o preceito Constitucional de forma diversa, seria denegarse validade a própria inteligência da norma, qual seja, a promoção da assistência social. Somente a título de reflexão, estarseia diante de afronta ao princípio da isonomia e da livre concorrência, se a entidade não revertesse os lucros auferidos com as atividades desenvolvidas no imóvel rural aos objetos sociais contemplados em seu estatuto, ou mesmo se os distribuísse aos seus sócios, que daria ensejo à sua própria descaracterização como entidade beneficente de assistência social. Em outras palavras, o que se proíbe não é a obtenção de lucro, mas sim a sua distribuição aos sócios, ou mesmo quando este é a finalidade precípua da pessoa jurídica de direito privado, o que não é o caso dos autos. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 10183.006004/200577 Acórdão n.º 920202.209 CSRFT2 Fl. 4 7 Igualmente, o Superior Tribunal de Justiça vem reconhecendo o direito à imunidade em relação aos imóveis vagos das entidades beneficentes de assistência social, como segue: “AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. IMPOSTO PREDIAL E TERRITORIAL URBANO. INSTITUIÇÃO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL SEM FINS LUCRATIVOS. IMÓVEL VAGO. DIREITO À IMUNIDADE TRIBUTÁRIA COMPROVADO. 1. O imóvel objeto do lançamento é utilizado para o desenvolvimento das atividades educacionais, isto é, está destinado à finalidade essencial da instituição, qual seja a filantropia. 2. De acordo com o inciso lI do art. 333 do CPC, o ónus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. 3. Agravo regimental desprovido.” (AgRg 849.285/MG — Rel. MM. Denise Arruda — Primeira Turma J. 17/04/2007 — DJ. 17/05/2007). Na hipótese dos autos, em que pese a contribuinte não ter apresentado provas das atividades desenvolvidas no imóvel rural em referência, sustenta que se encontra vago, o que não afastaria a imunidade sobre tal bem, na linha da jurisprudência do STJ retromencionada. Dessa forma, não se poderia exigir da contribuinte produzir prova negativa, qual seja, de que não desenvolve qualquer atividade no imóvel rural, uma vez se encontrar vago, incumbindo à fiscalização, neste caso, indicar e comprovar o desvio de finalidade por parte da entidade para poder promover o lançamento desconsiderando sua condição de imune, o que não se vislumbra na hipótese dos autos. Em verdade, o ponto nodal da presente demanda se fixa exatamente neste ônus. De um lado, o Acórdão recorrido firmou o entendimento no sentido de que caberia a contribuinte esclarecer quais as atividades eram efetuadas no imóvel rural, de maneira a se constatar se vinculavam ou eram destinadas às suas finalidades estatutárias. De outro, o decisum paradigma sustentou que era ônus da fiscalização comprovar o desvio de finalidade estatutária praticado pela contribuinte no imóvel rural objeto do lançamento, conclusão compartilhada por este Conselheiro, senão vejamos. Consoante se positiva dos autos, se apresenta incontroverso a imunidade da entidade recorrente, uma vez não contestada pela fiscalização, estendendose, portanto, ao imóvel rural sob análise, sobretudo por se encontrar vago, ou mesmo em razão da fiscalização não ter comprovado o desvio de finalidade tendente a rechaçar o pleito da contribuinte, como restou devidamente assentado no decisório paradigma, o qual analisou matéria idêntica a presente, com a mesma autuada. Mais a mais, como é de conhecimento daqueles que lidam com o direito tributário, afora os casos das presunções legais, onde a própria legislação atribui ao Fl. 7DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 8 contribuinte o ônus da prova, é dever do Fisco comprovar o alegado/imputado, na esteira do disposto no artigo 142 do CTN, sob pena de improcedência do feito. Isto a fiscalização não logrou comprovar, mormente quando resta incontroverso a condição de imune da entidade, só podendo ser desqualificada na hipótese de demonstração da inobservância dos pressupostos legais de tal benefício fiscal por parte da autoridade lançadora, o que não se constata nos autos. A corroborar esse entendimento, é de bom alvitre esclarecer que o Supremo Tribunal Federal, ao analisar caso da mesma natureza, achou por bem afastar a tributação sobre imóvel de propriedade de entidade beneficente, sob o fundamento de que, restando incontroversa a imunidade da contribuinte, presumidamente todo seu patrimônio e o produto dos seus serviços se destinam ao seu fim estatutário, impondo ao Fisco o dever de comprovar o contrário, in verbis: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMUNIDADE. ENTIDADE ASSISTENCIAL. IPTU. O caráter benemérito da recorrida jamais foi questionado pelo recorrente, devendose presumir que todo seu patrimônio, bem como o produto de seus serviços está destinado ao cumprimento de seu mister estatutário. [...]” (2a Turma do STF – Relatora: Ministra Ellen Gracie – Recurso Extraordinário n° 251.7721 SP – Julgamento em 24/06/2003 – DJ de 29/08/2003) (grifamos) Nesse sentido, na esteira da jurisprudência dos nossos Tribunais Superiores, corroborada pelo entendimento inscrito no Acórdão paradigma, impõese restabelecer a ordem legal no sentido de afastar a exigência fiscal tendo em vista que a autoridade fazendária não logrou comprovar a inobservância dos requisitos da imunidade da contribuinte em relação ao imóvel rural em comento, devendo ser retificado o decisum recorrido nos termos encimados. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE E DARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 8DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL
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Numero do processo: 10830.005453/2004-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA/IRPJ
Ano-calendário: 2001
ORDEM DE EMISSÃO DE CERTIFICADO DE INVESTIMENTO. QUITAÇÃO DE DÉBITOS DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. REGULARIDADE FISCAL.
Para a concessão de incentivo fiscal, considera-se atendida a condição de comprovação da quitação de tributos e contribuições federais se, no curso do processo, o contribuinte junta certidões que, no momento da respectiva juntada, estiverem válidas (Súmula CARF N° 37).
Numero da decisão: 1301-000.894
Decisão: Os membros da Turma acordam, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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QUITAÇÃO DE DÉBITOS DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. REGULARIDADE FISCAL. Para a concessão de incentivo fiscal, considerase atendida a condição de comprovação da quitação de tributos e contribuições federais se, no curso do processo, o contribuinte junta certidões que, no momento da respectiva juntada, estiverem válidas (Súmula CARF N° 37). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma acordam, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 569DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/ 04/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Fl. 570DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/ 04/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10830.005453/200445 Acórdão n.º 1301000.894 S1C3T1 Fl. 2 3 Trata o presente processo de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC, relativo ao anocalendário de 2001, protocolizado em 29/09/2004 pelo contribuinte acima identificado (fls. 1). Conforme dados constantes da ficha 29 Aplicações em Incentivos Fiscais da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ/2002 (fls. 355), o contribuinte optou por destinar parcela do imposto de renda para aplicação no FINOR, no montante de R$ 2.282.323,66. Todavia, não foi reconhecido o direito ao incentivo fiscal, conforme se verifica no extrato de fls. 02, por meio do Despacho Decisório de fls. 358, de 06/04/2009, em razão de que haveria irregularidades fiscais do contribuinte, até aquela data, impeditivas a liberação do Incentivo. Cientificado dessa decisão em 29/04/2009 (AR de fls. 359v), o contribuinte protocolizou a manifestação de inconformidade de fls. 366/376, acompanhada dos documentos de fls. 377/430, alegando em síntese que todos os débitos apontados estão com sua exigibilidade suspensa apresentando diversas certidões. A autoridade julgadora de primeira instância (DRJ/SPO I) decidiu a matéria por meio do Acórdão 1628.848, de 06/01/2011 (fl. 433), considerando improcedente a manifestação de inconformidade, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA/IRPJ Anocalendário: 2001 INCENTIVOS FISCAIS. PERC. COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. SÚMULA CARF N° 37. Nos termos da Súmula n° 37 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, que tem efeito vinculante para a administração tributária federal, a exigência de comprovação de regularidade fiscal, para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC, deve se ater ao período a que se refere a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo. INCENTIVOS FISCAIS. PERC. REGULARIDADE PERANTE O FGTS. A apresentação do Certificado de Regularidade do FGTS, emitido pela Caixa Econômica Federal, é obrigatória para a concessão de qualquer benefício por órgão da Administração Federal. É o relatório. Passo ao voto. Voto Fl. 571DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/ 04/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Consta da decisão recorrida: A questão a ser analisada neste processo diz respeito à aplicação do art. 60 da Lei n° 9.069/1995 e do art. 47,1, "a", da Lei n° 8.212/1991, a seguir transcritos: Lei n° 9.069/1995: "Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. " A isto se acrescente que o contribuinte fez acompanhar a manifestação de inconformidade com a "Certidão Conjunta Positiva com efeitos de Negativa" válida, em fls. 418 emitida em 14/05/2009, com validade até 10/11/2009 (a Manifestação de Inconformidade apresentada em 28/05/2009). Sendo assim, os débitos com a RFB e a PGFN não constituem óbice para a concessão do benefício. No entanto, há ainda que se considerar que o indeferimento do PERC também foi motivado por pendências perante o FGTS (fls. 357). O contribuinte colacionou aos autos junto com a manifestação de inconformidade o Certificado de Regularidade do FGTS da incorporadora que não comprova a regularidade da empresa originária com CNPJ 60.522.000/000183 optante pelo gozo do benefício à época da opção (anocalendário 2001). No recurso voluntário o contribuinte argumenta: É de se ressaltar que, ao contrário da alegação do julgador singular à fls.436, a regularidade fiscal da recorrente está demonstrada e provada: a) perante a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional através da certidão válida fornecida; b) regularidade do FGTS. Podese concluir a partir desses dispositivos legais que a ora recorrente tornouse responsável pelas obrigações de sua antecessora, da mesma forma sucedeu em seus direitos, tal como no caso vertente, não influindo, por isso, a questão da numeração do CNPJ, uma vez que o CNPJ n° 60.522.000/000183, está baixado na Receita Federal do Brasil, enquanto que a recorrente, inscrita no CNPJ n° 07.808.708/000107, adquiriu os direitos de usufruir do incentivo fiscal, opção formalizada inicialmente pela Companhia Brasileira de Bebidas, e por conta disso, comprovando, também, sua regularidade fiscal. Essa comprovação está em conformidade com a Súmula CARF n° 37, uma vez que a comprovação pode ocorrer em qualquer momento do processo administrativo. Além disso, esclarece que sua situação fiscal é regular, pois todos as pendências relacionadas pela DRF jurisdicionante referemse a processos fiscais em discussão e garantidos, cuja exigibilidade dos débitos está suspensa. Fl. 572DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/ 04/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10830.005453/200445 Acórdão n.º 1301000.894 S1C3T1 Fl. 3 5 Vêse que, inicialmente, o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão dos Incentivos Fiscais/PERC de 28/09/2004, foi em nome da Companhia Brasileira de Bebidas (CNPJ: 60.522.000/000183), logo após (31/05/2005) incorporada pela Companhia de Bebidas das Américas/Ambev (CNPJ: 02.808.708/000107). Assente na peça recursal que, a incorporação, em linhas gerais, é uma das modalidades de extinção da sociedade empresarial, caracterizandose quando uma ou várias sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direito e obrigações. Inúmeras são as disposições legais acerca do tema, destacandose: o Código Civil, que dispõe sobre o instituto dos artigos 1.113 ao 1.118, o Código Tributário Nacional que normatiza essa modalidade de operação em seus artigos 132 e 133, e a Lei das Sociedades Anônimas Lei n° 6.404/76 que disciplina a incorporação nos artigos 223 ao 227. Observase da leitura das peças que compõem o presente processos que a interessada trouxe aos autos, tanto na manifestação de inconformidade como no recurso que ora se aprecia, diversas Certidões Positivas de Débitos de Tributos e Contribuições Federais com Efeitos de Negativa, emitida em 14/05/2009, (fls. 418), as quais comprovam a suspensão da exigibilidade dos débitos nos termos do artigo 151, III, do CTN, em nome da Companhia de Bebidas das Américas (CNPJ: 02.808.708/000107). Da mesma forma traz a comprovação da regularidade com relação ao FGTS, através da Certidão de Regularidade do FGTS obtida em 21/05/2009. A autoridade julgadora que me precedeu desconsiderou, no caso, a Certidão com relação ao FGTS justificando que o contribuinte colacionou aos autos o Certificado de Regularidade do FGTS da incorporadora que não comprova a regularidade da empresa originária com CNPJ 60.522.000/000183, mas, de outra banda, considera as demais Certidões comprobatórias da suspensão da exigibilidade dos débitos emitidas, da mesma forma, em nome e CNPJ da incorporadora. Antes de se verificar a atual situação fiscal da contribuinte, é necessário decidir se tal requisito para a concessão do benefício, estabelecido no art. 60 da Lei n.° 9.069, de 1995 já não foi atendido com a apresentação de certidões positivas com efeito de negativas ainda válidas no momento da elaboração do despacho decisório atacado. Nesse sentido transcrevo a Súmula "Súmula CARF n° 37 Para fins de deferimento de Pedido de Revisão de Ordem de Incentivo Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto n° 70.235/72" No caso, havendo a empresa apresentado certidões válidas comprovando sua regularidade fiscal, não há como negar o cumprimento da exigência estabelecida no art. 60 da Lei n.° 9.069, de 1995. Diante do exposto, tendo a interessada regularizado sua situação fiscal ao longo do processo, voto por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Fl. 573DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/ 04/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 574DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/ 04/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10510.903749/2009-51
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.214
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel.
Relatório
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 10 .9 03 74 9/ 20 09 -5 1 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903749/200951 Resolução nº 1802000.214 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA), que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte. Inicialmente a interessada transmitiu em 19/04/2006 o PER/DCOMP eletrônico n° 42088.08004.190406.1.3.047520, visando utilizar direito creditório fundado em indébito de Simples, código 6106, onde consta: a) débito compensado Simples (código de receita 6106) Período de apuração: março/2006; vencimento: 20/04/2006 principal: R$ 4.436,49; multa moratória: R$ 0,00; juros de mora: R$ 0,00; Total: R$ 4.436,49. b) crédito utilizado: Nº do PER/DCOMP Inicial: 02916.31065.200306.1.3.045359 Valor Original do Crédito Inicial: R$ 2.916,49 Crédito Original na Data da Transmissão: R$ 2.573,82 Crédito Atualizado: R$ 4.436,49 Total dos débitos desta DCOMP: R$ 4.436,49 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 2.573,82 Saldo do Crédito Original: R$ 0,00 A DRF/Aracajú emitiu Despacho Decisório (fl. 10), onde não homologou a compensação, sob o argumento de que o pagamento fora integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando assim crédito disponível para a compensação conforme se observa: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão Informado no PER/DCOMP: 2.573,82. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903749/200951 Resolução nº 1802000.214 S1TE02 Fl. 4 3 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Inconformada com essa decisão, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que foi excluída do Simples no anocalendário 2002, ficando obrigada a apurar os impostos pelo lucro presumido, conforme Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica DIPJ entregue em 02/09/2003. Porém, como apresentara em 03/04/2003 a Declaração Simplificada DSPJ, cancelada em virtude da apresentação da DIPJ, houve erro nos sistemas da RFB ao continuar vinculando o DARF do crédito à declaração anterior. A DRJ de Salvador (BA) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 19/04/2006 COMPENSAÇÃO. Não cabe reparo a despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débito confessado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 23/08/2011, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 13/09/2011 onde traz suas argumentações e ao fim requer que o acórdão seja reformado de tal forma a ser homologada a totalidade dos pedidos de restituição/compensação efetuados pela recorrente. É o relatório. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903749/200951 Resolução nº 1802000.214 S1TE02 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O presente recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. O presente processo tem origem no PER/DCOMP n.° 42088.08004.190406.1.3.047520, com objetivo de ver reconhecida a compensação de crédito decorrente de pagamento indevido e/ou a maior de Simples (código 6106), no valor original de R$ 2.916,49, com débito de mesma natureza, referente ao período de março/2006. A DRF de Aracajú não homologou a compensação efetuada pela contribuinte alegando que (fl. 10): “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” O DARF mencionado no despacho acima foi alocado para quitar o débito do Simples (código 6106) referente ao período de apuração de 01/02/2002. A DRJ de Salvador (BA) entendeu em seu acórdão que o despacho não merecia qualquer reparo. Ao contrário da DRJ, não consigo entender da mesma forma. Isto porque alega a Recorrente, e não refuta a DRJ, que foi excluída do Simples retroativamente a 01/01/2002. Ora, se de fato houve a exclusão, parece ilógico que haja qualquer alocação na forma defendida pela DRF, tendo em vista que o lançamento não ocorreu nesta modalidade e com esse código, eis que como efeito da exclusão, todos os seus tributos são recalculados com base no lucro real ou no lucro presumido. Com efeito, tudo indica que houve uma antecipação dos tributos nos Simples, não homologados pela Receita Federal do Brasil, o que não gerou o pretenso crédito tributário na modalidade do Simples, tendo havido portanto o lançamento de ofício pela autoridade administrativa, conforme prevê o CTN, art. 142 e seguintes. Ressalvadas as situações do parágrafo 3º (créditos não compensáveis) do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que disciplina a matéria relativa à compensação no âmbito federal, o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos vencidos ou vincendos próprios do contribuinte, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração do mencionado órgão administrativo, vejamos: “Artigo 74 O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903749/200951 Resolução nº 1802000.214 S1TE02 Fl. 6 5 débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. ... § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) VIIos débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) VIIIos débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 1988; e (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) IXos débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa JurídicaIRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL apurados na forma do art. 2o. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008)” Como visto os fundamentos para o indeferimento do PER/DCOMP, tanto pela DRF quanto pela DRJ, por si só, não encontram amparo na norma legal que rege a matéria. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903749/200951 Resolução nº 1802000.214 S1TE02 Fl. 7 6 A questão é saber se de fato resta caracterizado o indébito do pagamento do Simples, comprovado mediante escrituração contábil e fiscal, para que se possa aferir a certeza e liquidez do crédito tributário como dispõe o artigo 170 da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional CTN). Isto posto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a DRF Aracajú: a) preste esclarecimentos sobre o ato declaratório executivo que contém o despacho decisório que excluiu a contribuinte do Simples, juntando cópia do mesmo; b) informe se porventura o crédito em questão foi alocado de ofício nos tributos englobados no Simples por ocasião do recálculo na sistemática do lucro presumido. c) informe se esses créditos foram vinculados ao pagamento de qualquer outro tributo administrado pela RFB; d) junte cópia da DIPJ do anocalendário de 2002 e da DCTF referente a março de 2002; e) dê ciência ao contribuinte do resultado da diligência para que ele querendo possa se manifestar. Concluída a diligência fiscal, a DRF Aracajú deverá lavrar relatório circunstanciado, pormenorizado e conclusivo dos resultados apurados. (documento assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10845.000654/2007-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/08/1986 a 31/10/1988
COTA DE CONTRIBUIÇÃO DE CAFÉ. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.
O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o quinquênio legal, contado a partir daquela data.
Numero da decisão: 3201-001.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
EDITADO EM: 04/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano DAmorim, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sergio Celani e Marcelo Ribeiro Nogueira.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o quinquênio legal, contado a partir daquela data. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 04/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano D’Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sergio Celani e Marcelo Ribeiro Nogueira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 06 54 /2 00 7- 30 Fl. 298DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/05/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Relatório Por bem descrever os andamentos do processo administrativo até a decisão da instância a quo, transcrevo o seu relatório seguido da sua ementa e das razões recursais, a saber: Trata o presente processo de Pedido de Restituição da extinta Quota de Contribuição sobre Exportação de Café; exigida pelo Decretolei n° 2.296/96. O pedido não conhecido, pelas razões expostas no Despacho Decisório DRF/STS nº 077/2006, constante de fls . 198/205. Inconformado, o interessAdo apresentou Manifestação de Inconformidade contra o teor do citado Despacho Decis6rio, às fls. 211/222. Em despacho fundamentado, de fls. 223/228, a Manifestação de Inconformidade apresentada foi recepcionada como Recurso Hierárquico, previsto na Lei n° 9.784/1999. Entretanto, diante de sua intempestividade, conforme determina o inciso I do art. 63 do citado diploma legal, não foi conhecido o Recurso Hierárquico. Ainda inconformado corn a decisão administrativa, o interessado dirigiuse ao Judiciário, onde impetrou Mandado de Segurança de n°2007.61.04.0126555, defendendo a tese de que deveria ser dado ao processo o tratamento constante do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal. Deferida a liminar, o d. Juizo determinou, conforme despacho de fls. 232/234, que seja dado ao presente processo o tratamento pleiteado pelo impetrante. Diante da determinação judicial, o presente processo foi encaminhado a esta DRJ/SPO2, para apreciação dos argumentos expendidos pelo impetrante As fls. 223/228. Seguese um breve relato dos fatos, conforme documentos anexados aos autos: A SUMATRA COMÉRCIO EXTERIOR LTD. requereu, em 28/03/2007, ao Delegado da Receita Federal em Santos/SP (fls. 01), a restituição dos pagamentos que fez a titulo de quota de contribuição ao Instituto Brasileiro do Café — IBC, exigidas nas exportações de café, e recolhidas pelo contribuinte referente ao período compreendido entre 19/08/1986 e 13/10/1988 , no montante de R$ 27.576.307,12 (vinte e sete milhões, quinhentos e setenta e seis mil, trezentos e sete reais e doze centavos). A SUMATRA COMÉRCIO EXTERIOR LTDA. é sucessora de SUMATRA CAFÉS BRASIL, CNPJ 52.681.616/000179, patrocinadora das quotas pleiteadas, e, na forma do Protocolo de Cisão e Justificação, de fls. 23164, foi investida dos direitos e obrigações decorrentes "das atividades operacionais anteriormente exercidas pela sociedade cindida, que forem Fl. 299DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/05/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10845.000654/200730 Acórdão n.º 3201001.249 S3C2T1 Fl. 299 3 constituídos ou reconhecidos, ainda que ocultos após a data da cisão" (fls. 29). • Alega o contribuinte que: 1 o Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade da exigência dessas quotas de contribuição de café ao Instituto Brasileiro do Café, instituídas pelo DL n° 2.295/86; 2 o pronunciamento da Suprema Corte mostra que são indevidos todos os recolhimentos efetuados pela empresa requerente a título de 'quota de contribuição sobre a exportação de café por caracterizar 'pagamento 'indevido ou maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória', conforme previsão contida no art. 66 da Lei n° 8.383/91, com redação do art. 58 da Lei n° 9.069/95. O contribuinte juntou planilha de cálculoatualização das referidas quotas de café, fls. 65, e cópia dos DARF's, fls. 66/197. A DRF/Santos indeferiu a solicitação, Despacho Decisório de fls.198/205, com fundamento no Parecer da PGFN/CAT/n° 1.538, de 18/10/1999, que deu origem ao Ato Declaratório do SRF n° 96, de 30/11/1999 e nos artigos 165 e 168 do CTNLei n° 5.172/66, por caracterizar a ocorrência da decadência. O contribuinte foi cientificado, fls. 10/07/2007, fls. 206, e apresentou sua Manifestação de Inconformidade, fls. 211/222, alegando que: a) o Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade da exigência dessas quotas de contribuição de café, no exercício do controle difuso; b) o prazo de cinco anos começaria a contar a partir da publicação da Resolução do Senado ou a partir da edição de ato especifico da Secretaria da Receita Federal; c) a autoridade administrativa pode e deve, na esteira do decidido pelo STF estender os efeitos da declaração de inconstitucionalidade e promover a restituição do quantum indevidamente pago, em conformidade com os dispositivos do Parecer Cosit n° 58/98; d) traz, ainda, o entendimento administrativo e dos tribunais, bem como de tributaristas, sobre a forma de contagem do prazo de decadência. Ao final requer o deferimento do pedido de restituição. Diante da referida ordem judicial, o processo foi encaminhado pela a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II, que, por sua vez, proferiu o Fl. 300DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/05/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 Acórdão nº 1746.212 na sessão de julgamento de 18/11/2010 (fls. 239/255). Confirase a ementa do referido julgado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 19/08/1986 a 13/10/1988 Restituição do Indébito de Contribuição para o IBC nas exportações de café. Extensão de declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF, nos casos de controle . difuso. Prazo.decadencial. Inconstitucionalidade: Os órgãos administrativos de julgamento podem estender os efeitos de déOara0o de inconstitucionalidade proferida pelo STF, nos casos de controle difuso, se houver inequívoca manifestação do Supremo Tribunal Federal. Quando a decisão do STF não trata especificamente do mesmo assunto,.a extensão não pode ser adotada. (Lei 9430/96, art. 77), do Decreto 2346/97 e Parecer PGFN 948/98). Decadência: Em observância ao principio da segurança das relações jurídicas, o direito não pode retroagir no tempo indefinidamente. A declaração de inconstitucionalidade produz efeito ex tunc, salvo se o ato praticado com base na lei ou ato normativo inconstitucional, não mais for suscetível de revisão administrativa ou judicial (Decreto 2346/97) 0 prazo decadencial contase a partir do pagamento indevido, por analogia do disposto no artigo 168, do CTN (Parecer PGFN 1538/99 e ADNSRF 96/99). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Intimada do teor do referido acórdão em 15/12/2010 (fl. 256), a Recorrente interpôs o recurso voluntário em 07/01/2011 (fls. 258/276), o qual, em síntese, reitera os argumentos defendidos em sua manifestação de inconformidade. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. Nos termos do art. 59 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 456, de 2009, é de se julgar inicialmente a questão preliminar suscitada pela Recorrente, qual seja o dies a quo do prazo para a repetição de indébito de tributo declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Segundo a Recorrente, a contagem do prazo de cinco anos para exercício do direito de pleitear o valor pago indevidamente, nos casos de tributo declarado inconstitucional Fl. 301DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/05/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10845.000654/200730 Acórdão n.º 3201001.249 S3C2T1 Fl. 300 5 pelo Supremo Tribunal Federal, deve ser iniciada a partir da data da decisão judicial, do ato administrativo que acatou tal decisão ou da edição da resolução do Senado que definitivamente extirpe a norma viciada do ordenamento jurídico. A questão do prazo para pleitear a restituição de tributo sujeito a lançamento por homologação foi analisada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621, cuja ementa transcrevese abaixo: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/05/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273) Com efeito, a despeito da existência de vários julgados do CARF a esse respeito, o precedente da Corte Suprema trouxe novas perspectivas para o deslinde da controvérsia acerca do termo inicial de contagem do prazo para a repetição de indébito de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso da Contribuição para o IBC nas exportações de café. E nem se diga que o julgado do STF não se aplica aos casos em que o caráter indevido do tributo decorre de decisão que o tenha declarado a inconstitucional. Como não foram feitas ressalvas no acórdão supracitado, a decisão se aplica a qualquer caso de pagamento indevido, não importando a origem do indébito. Não é por outra razão que há julgados da Câmara Superior de Recursos Fiscais nesse sentido. Confirase: TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O Supremo Tribunal Federal STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621). O Superior Tribunal de Justiça STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005). Fl. 303DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/05/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10845.000654/200730 Acórdão n.º 3201001.249 S3C2T1 Fl. 301 7 No presente caso, o pedido de repetição de indébito deuse antes do início da vigência da LC nº 118/2005 (24/12/2003), aplicandose, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito. Entretanto, o presente pedido deuse em período superior a dez anos entre a data do fato gerador (31/12/1991) e a data do pedido de repetição do indébito. Portanto, o pedido formulado pelo contribuinte não merece prosperar, em virtude de ter ultrapassado o decênio posto a sua disposição para o exercício de seu direito. Recurso especial provido. (Acórdão nº 9202002.504, Rel. Cons. Elias Sampaio Freire, Sessão 30/01/2013) Embora o acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais não tenha ressaltado um aspecto importante do acórdão do STF, é importante que fique claro que o recurso extraordinário foi julgado sob o regime do art. 543B do Código de Processo Civil – regime de repercussão geral –, e, portanto, sua aplicação é obrigatória entre os membros do CARF, nos termos do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno. No caso concreto, os pagamentos indevidos ocorreram entre 08/1986 e 10/1988, sendo que o pedido administrativo de restituição foi formalizado em 28/03/2007, ou seja, depois de concluída a vacacio legis da Lei Complementar nº 118, de 2005. Logo, a despeito da coerência da peça recursal, que faz inclusive menção expressa à Lei nº 11.051, de 2004, e à Resolução do Senado Federal nº 28, de 2005, a sua pretensão não pode prosperar, uma vez que o seu direito de pleitear a restituição do indébito prescreveu cinco anos após o pagamento antecipado sujeito à homologação ulterior. É de se destacar, por fim, algumas ementas recentes relativas a decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais em que a questão da prescrição foi tratada especificamente sob o enfoque da Contribuição para o IBC nas exportações de café. Confira se: COTA DE CONTRIBUIÇÃO DE CAFÉ. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o quinquênio legal, contado a partir daquela data. (Acórdão nº 9303001.186, Rel. Cons. Leonardo Siade Manzan, Sessão de 26/10/2010) ......................................................................................................... COTA CAFÉ. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o quinquênio legal, contado a parti r. daquela data. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/05/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 (Acórdão nº 930301.117, Rel. Cons. Henrique Pinheiro Torres, Sessão de 27/09/2010) ......................................................................................................... COTA DE CONTRIBUIÇÃO DE CAFÉ. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o quinquênio legal, contado a partir daquela data. (Acórdão nº 930300.835, Rel. Cons. Maria Teresa Martinez Lopez, Sessão de 02/02/2010) ......................................................................................................... COTA DE CONTRIBUIÇÃO DE CAFÉ. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o quinquênio legal, contado a partir daquela data. (Acórdão nº 930300.497, Rel. Cons. Susy Gomes Hoffmann, Sessão de 19/11/2009) Diante de todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário, deixando de reconhecer o direito creditório da Recorrente. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 305DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/05/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10805.720257/2007-54
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1801-000.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO A empresa recorre do Acórdão nº 0817.395/10 exarado pela Terceira Turma de Julgamento da DRJ em Fortaleza/PA, fls. 313 a 320, que julgou improcedente o pleito da contribuinte em não haver incidência da multa moratória sobre os débitos declarados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) – fls. 01 a 24, em razão da denúncia espontânea. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “O presente processo contém a apreciação de 5 (cinco) PERDCOMP (fls. 1 a 24) apresentados por meio eletrônico e "baixados" para "tratamento manual", cuja RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 05 .7 20 25 7/ 20 07 -5 4 Fl. 424DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/05/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10805.720257/200754 Resolução nº 1801000.210 S1TE01 Fl. 3 2 compensação ocorreu com base em direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior. O direito creditório foi integralmente reconhecido (fls. 33 e 34) pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santo André (SP), em agosto de 2006, mas insuficiente para extinguir a integralidade dos débitos, por dois motivos, a existência de um débito em duplicidade e a aplicação da multa de mora sobre as dívidas já vencidas no momento da apresentação dos PERDCOMP. O interessado manifestouse, levando a autoridade administrativa a proferir, em 7 de dezembro de 2007, novo despacho (fls. 80 a 82), permitindo ao contribuinte cancelar a informação relativa ao débito confessado em duplicidade, determinando a exclusão do citado débito e mantendo a multa de mora. Tomando ciência em 18.1.2008, o contribuinte comunica, em 28.1.2008, o cancelamento da DCOMP, em que declarara o débito em duplicidade, pede a exclusão desse débito e a retificação do procedimento de compensação feito anteriormente. Em 15.2.2008, dirige "Recurso Voluntário ao Conselho de Contribuintes" (fls. 93 e seguintes). As fls. 184, a autoridade administrativa emitiu novo Despacho Decisório, determinando a exclusão do débito cancelado, a retificação do procedimento de compensação e a continuidade de cobrança dos débitos não compensados. Após realizadas as rotinas de compensação, em função da multa de mora, contestada pelo contribuinte, permaneceu o saldo devedor de R$ 7.622,65 (sete mil, seiscentos e vinte e dois reais e sessenta e cinco centavos), referente ao débito de CSLL (código 2484 e P.A. 06/2005). [...] O processo foi encaminhado à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP), que, antes de julgar a lide, o devolveu (fls. 233) à DRF Santo André (SP), para observar o contido no art. 48, § 3o, da Instrução Normativa (IN) SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005. Reapreciando o assunto, às fls. 234 a 236, a DRF Santo André proferiu despacho, decidindo NEGAR SEGUIMENTO ao requerido pelo interessado por entender incabível a manifestação de inconformidade uma vez que o crédito foi integralmente concedido. Por meio do "Comunicado SEORT n° 1401/2008", o contribuinte foi cientificado da nova decisão, em 7,11.2008, intimado a efetuar ci pagamento do débito remanescente e informado de que a falta de recolhimento dos valores cobrados, no prazo de 30 dias, ensejaria o encaminhamento para inscrição em Dívida Ativa da União. Em 9.2.2009, o processo foi encaminhado à Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional, em Santo André, para cobrança executiva do saldo devedor (fls. 246 a 250). Devido à mudança de domicílio do contribuinte, no dia 26.5.2009, o processo foi encaminhado (fls. 259) à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza (CE) DRF/FOR. Em seguida (fls. 270), os autos foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (DRJ/FOR), em cumprimento à ordem judicial, conferida liminarmente no Mandado de Segurança 2009.61.26.000865, determinando a remessa da Manifestação de Inconformidade apresentada no presente processo administrativo à Delegacia da Receita Federal de Julgamento competente, sem contudo, atribuirse efeito suspensivo em relação à cobrança da multa moratória. Finalmente houve depósito judicial e suspensão da exigibilidade do valor inscrito em Dívida Ativa da União. VOTO [...] Fl. 425DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/05/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10805.720257/200754 Resolução nº 1801000.210 S1TE01 Fl. 4 3 Quanto ao mérito da questão, registrese que o montante do direito creditório alegado pelo contribuinte foi integralmente conhecido pela unidade de origem, motivando a homologação da compensação até o limite do crédito concedido. Ocorre que havia débitos informados para compensação com data de vencimento anteriores ao dia da entrega dos respectivos PERDCOMP, sobre os quais incidiu a multa de mora de 20%, fato que propiciou após os cálculos e demais procedimentos de compensação a permanência de uma parcela restante de débito cuja compensação não foi homologada. E exatamente contra essa parte da compensação não homologada que o contribuinte se insurge, apresentando a manifestação de inconformidade, com base nos seguintes argumentos: a multa de mora não poderia ser exigida porque não está devidamente constituída, uma vez que não foi lançada de ofício (art. 43 da Lei n° 9.430, de 1996) e também não foi confessada nos PERDCOMP, como exige o § 6o do art. 74 da^Lefii0 9.430, de 1996, nem nas DCTF (diz que é indispensável o lançamento da multa de mora, citando o julgamento do STJ relativo ao RESP 840.566PR Relatora Ministra Eliana Calmon); o procedimento de compensação realizado pelo contribuinte, nos termos do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, constitui a denúncia espontânea de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN), não podendo ser exigida a multa moratória (menciona que esse entendimento está corroborado pela jurisprudência administrativa e judicial, citando alguns julgados do Conselho de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do STJ). [...] Portanto, o benefício do art. 138 do CTN alberga somente as multas por infrações que seriam aplicadas caso o contribuinte não se antecipasse e fosse deflagrado o competente procedimento fiscal para o fisco federal, aquelas dispostas nos arts. 44 e 45 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996. A norma que impõe multa moratória para pagamentos espontâneos, após o prazo de vencimento, sempre esteve presente em nosso ordenamento jurídico, a fim de agravar a obrigação tributária cumprida a destempo, objetivando inibir a inadimplência. Na legislação tributária federal atualmente encontrase disposta nos arts. 44, § 1°, inciso II, 47, 61 e 63, § 2°, todos da Lei n° 9.430/96. Ademais, o entendimento da Administração acerca da matéria foi esposado no Parecer Normativo CST n° 61, de 26 de outubro de 1979, nos seguintes termos: [...] Não é demais lembrar o caráter vinculado da atividade tributária, cabendo ao julgador administrativo observar as normas legais e regulamentares, bem como o entendimento da Secretaria da Receita Federal, expresso em atos normativos tributários. Relativamente às decisões proferidas pelo STJ, cumpre consignar que estas têm validade somente inter partes. Destarte, não podem ser estendidas genericamente a outros casos, eis que somente se aplicam sobre a questão em análise e apenas vinculam as partes envolvidas naqueles litígios. [...]” A empresa interpôs tempestivamente (AR – 12/05/10, fls. 331; Recurso – 19/05/2010, fls. 322) o Recurso de fls. 322 a 330, reiterando os termos da defesa exordial. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/05/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10805.720257/200754 Resolução nº 1801000.210 S1TE01 Fl. 5 4 É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. VOTO Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. A matéria ora discutida já foi objeto de decisão do Superior Tribunal de Justiça – STJ, na forma de recurso repetitivo, ao qual está adstrito o julgamento por este órgão colegiado, nos termos do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (Portaria MF nº 256/09 e alterações). No Recurso Especial nº 1.149.022 SP (01/09/2010)1: “RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 1 https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=10649420&sReg=20090134142 4&sData=20100624&sTipo=5&formato=PDF Fl. 427DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/05/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10805.720257/200754 Resolução nº 1801000.210 S1TE01 Fl. 6 5 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Documento: 10649420 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 24/06/2010 Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (grifos não pertencem ao original) Do julgado retro transcrito depreendese que os pagamentos efetuados pelos contribuintes, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que em atraso, em mora, estão exonerados da multa moratória por alcançados pelo instituto da denúncia espontânea, desde que os referidos recolhimentos sejam efetuados antes de qualquer procedimento de ofício ou informação prestada em DCTF. Este órgão julgador, de forma antagônica aos colegiados de primeira instância, por força do artigo 62A do Regimento Interno do CARF – Ricarf, está vinculado às decisões proferidas pelo STJ, processadas sobre o rito do art. 543B e C do CPC: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No caso em concreto, a recorrente argúi que não confessou os débitos declarados nos Per/Dcomp objetos destes autos em DCTF, nem houve qualquer procedimento de ofício para exigir o pagamento dos tributos, mas não há nos autos esta prova. Desta forma, mister é para dirimir o litígio que os autos retornem à unidade de jurisdição da recorrente para que se verifique se os débitos confessados nos Per/Dcomp não foram informados em DCTF, antes da emissão dos pedidos/declarações de compensação, ou se houve qualquer procedimento de ofício para exigilos. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/05/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10805.720257/200754 Resolução nº 1801000.210 S1TE01 Fl. 7 6 Voto em converter o julgamento na realização de diligências. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 429DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/05/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10166.907229/2009-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
O CARF, não tem competência para apreciar, determinar pedido de cancelamento de Per/Dcomp, após proferida qualquer decisão administrativa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-001.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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O CARF, não tem competência para apreciar, determinar pedido de cancelamento de Per/Dcomp, após proferida qualquer decisão administrativa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 72 29 /2 00 9- 84 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Tratam os autos da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 35445.34099.150206.1.3.048551, transmitida eletronicamente em 15/2/2006, com base em créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. A partir das características do DARF foi identificado pelos sistemas da RFB, que o referido pagamento havia sido utilizado integralmente, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada. Assim, em 9/6/2009, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 4), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 18.937,54. Cientificado, via postal, dessa decisão em 18/6/2009 (fl. 52), bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 17/7/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2 e 3, acrescida de documentação anexa. A contribuinte esclarece que “assiste razão a essa Secretaria, posto que tais PER/DCOMP foram encaminhados indevidamente, razão pela qual devem ser cancelados”. Diante disso, reconhecendo ter cometido erro de caráter formal, a contribuinte dá por apropriado o procedimento dessa Secretaria, quanto ao não acolhimento dos PER/DCOMP objeto da presente Manifestação de Inconformidade. É o relatório.” O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/BSB no 0346.676, de 12/01/2012, proferida pelos membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INCOMPETÊNCIA DA DRJ NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTRADITÓRIO. Compete às DRJ conhecer e julgar em primeira instância, após instaurado o litígio, impugnações e manifestações de inconformidade em processos administrativos fiscais. Não há litígio quando não se discute a existência do crédito que fundamentou o ato de não homologação, mas apenas as conseqüências da não homologação da Declaração de Compensação. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Sem Crédito em Litígio” Fl. 154DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.907229/200984 Acórdão n.º 3201001.202 S3C2T1 Fl. 154 3 O julgamento foi por não tomar conhecimento da manifestação de inconformidade. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. A recorrente, em 13/01/2006, através da PER/DCOMP n° 11754.93149.130106.1.3.047081, procedeu a compensação da contribuição para Cofins devida em dezembro/2005. No entanto, em 15/02/2006, encaminhou PER/DCOMP de n° 35445.34099.150206.1.3.048551, para fins de compensação da mesma contribuição (Cofins) devida em janeiro/2006. A situação fática é a acima descrita, daí, a recorrente, solicita o cancelamento do PER/DCOMP transmitido em 15/02/2006, que alega encaminhamento indevido. De acordo com a informação do Despacho Decisório, à fl. 5, indicando que não resta crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp, portanto não possível a sua homologação. No caso, a recorrente solicita o cancelamento do Per/Dcomp. Assim sendo, esta instância administrativa de julgamentoCARF, não tem competência para apreciar, determinar este tipo de pedido, pós proferida qualquer decisão administrativa. Logo, negase o recurso voluntário. Como bem ressaltou, a decisão a quo: A título de orientação, para cancelar o PER/DCOMP objeto dos autos, o contribuinte deveria ter seguido o procedimento previsto no artigo 82 da IN nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que trata da desistência de pedido de compensação, antes de proferida qualquer decisão administrativa. Art. 82. A desistência do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário em meio papel, mediante a apresentação de requerimento à RFB, o qual somente será deferido caso o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento, o pedido de reembolso Fl. 155DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 156DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10120.008408/2008-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/06/2003 a 31/12/2003
INDÉBITOS. CIDE-COMBUSTÍVEIS. RESTITUIÇÃO. LEGITIMIDADE.
O consumidor final não tem legitimidade ativa “ad causam” para interpor pedido de restituição da contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) incidente sobre operações com combustíveis, mas sim o distribuidor destes.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3301-001.403
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2003 a 31/12/2003 INDÉBITOS. CIDECOMBUSTÍVEIS. RESTITUIÇÃO. LEGITIMIDADE. O consumidor final não tem legitimidade ativa “ad causam” para interpor pedido de restituição da contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) incidente sobre operações com combustíveis, mas sim o distribuidor destes. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Alan Fialho Gandra, Andréa Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Fl. 153DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Brasília que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição de indébitos de Cidecombustível paga sobre aquisições de combustíveis. A autoridade administrativa competente indeferiu a restituição dos valores pleiteados sob os fundamentos de ausência de comprovação dos pagamentos indevidos e/ ou a maior e, ainda, na falta de legitimidade da requerente para pleitear a restituição. Inconformada com o despacho decisório, interpôs manifestação de inconformidade (fls. 94/106), insistindo na repetição dos valores pleiteados, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “1.1 DA LEGITIMIDADE. embora não sendo contribuinte da CIDE, a possibilidade jurídica do pedido, caracterizase pela sua atividade, consumidora final do produto que sofreu a incidência dessa contribuição, quando da compra de combustíveis, assumindo inteiramente o ônus e/ou suportando o encargo financeiro respectivo; o direito ao crédito da CIDE não se restringe ao contribuinte de direito, mas da condição prevista no artigo 166 do CTN, ou seja, contribuinte de fato, tendo em vista que adquiriu os produtos inerentes à sua atividade na qualidade de sujeito final da operação tributável da Cidecombustível; ao adquirir os produtos do contribuinte de direito suportou a incidência e repercussão final da referida contribuição lançada em toda a cadeia tributária. Assim, embasada no artigo 166 do CTN, é a parte ativa, afastandose a afirmação de que somente seria possível ao Produtor, Formulador e Importador dos combustíveis, ingressar contra o Fisco para pleitear a restituição de valores recolhidos indevidamente a titulo de CIDE Combustível; 1.2 INEXISTÊNCIA DE DARF. a ausência de DARF justificase, por ser contribuinte de fato, não estando seu ônus representado em guia DARF, mas pelas notas fiscais comprobatórias de aquisição dos combustíveis. A emissão de DARF para recolhimento é ato acessório, cuja obrigação é atribuída ao contribuinte de direito da contribuição; a planilha acostada aos autos demonstra que seu crédito não se baseou nos DARF, mas, nas Notas Fiscais de aquisição de combustível junto ao Produtor, no período de junho a dezembro de 2003, que resultou crédito no montante de R$ 1.682.376,45; 1.3 DO DIREITO a Constituição Federal, nos artigos 149 e 177, visou garantir a atuação da União quanto à instituição das contribuições sociais e intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, especialmente as incidentes nas atividades de importação ou comercialização de petróleo e seus derivados, gás natural e seus derivados e álcool combustível; a Cidecombustível será revertida ao pagamento de subsídios a preços ou transporte de álcool combustível, gás natural e seus derivados e derivados de petróleo; ao financiamento de projetos ambientais relacionados com a indústria do petróleo e do gás; e ao financiamento de programas de infraestrutura de transportes; Fl. 154DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10120.008408/200882 Acórdão n.º 330101.403 S3C3T1 Fl. 154 3 a contribuição nasceu com a Emenda Constitucional n° 33, de 2001, que inseriu o parágrafo 4° ao art. 177 da Carta Magna, e instituída pela Lei n° 10.336/2001, alterada pela Lei 10.363/2002, que estabeleceu novas alíquotas e a destinação e objetivos essenciais; 1.4 DESVIO DE FINALIDADE com arrimo na doutrina, o traço marcante e distintivo da contribuição de intervenção no domínio econômico é a obediência às finalidades que justificam a sua criação. Assim também está a jurisprudência do STF (RE n° 209.3653/SP); o desvio de finalidade dos recursos da Cidecombustível foi reconhecido por decisão do TCU. Assim, constado desvio de finalidade, ocorre o indevido pagamento da CIDE e, por conseqüência, o direito liquido e certo de pleitear a sua restituição; 1.5 DA INEXIGIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO. a Constituição Federal determinou ser obrigatória a vinculação entre os valores arrecadados com a CIDE e a sua aplicação, o que em nenhum momento diverge do texto legal. A Cidecombustível passou a ser devida a partir de janeiro de 2002 para garantir investimentos na infraestrutura de transportes e recuperar o meio ambiente danificado pelo uso do petróleo, gás e álcool; o produto da arrecadação da Cidecombustível seria destinado, na forma da lei orçamentária, ao pagamento de subsídios a preços ou transporte de álcool combustível, de gás natural e seus derivados e de derivados de petróleo; ao financiamento de projetos ambientais relacionados com a indústria do petróleo e do gás e financiamento de programas de infraestrutura de transportes; para Cretella Junior (Tratado de Direito Administrativo. RJ. Forense, 1966. V. 2.) desvio de finalidade consiste no afastamento do espírito da lei, ou seja, ‘desvirtuando o fim, desvirtuase o ato, eivase de vicio irreparável, configurase denominado desvio do fim, desvio de finalidade ou desvio de poder’; o Conselho de Contribuintes, em análise de aplicação e interpretação de legislação, firmou entendimento quanto à necessária observância e convergência entre lei e finalidade, posicionandose no sentido de que ‘não atender ao fim legal é desatender à própria lei’; não restam dúvidas quanto à possibilidade de restituição dos valores por ela recolhidos da CIDECombustíveis, nos moldes da legislação vigente, que comprovadamente sofreram desvinculação entre lei e sua finalidade, não atendendo, assim, ao preceito constitucional; demonstrada regularidade de sua pretensão, resta incontestável seu direito de pleitear/repetir a restituição dos valores da Cidecombustível, relacionados na planilha anexada ao pedido inicial, recolhidos indevidamente no período de junho a dezembro de 2003, no montante de R$ 1.682.376,45, com as atualizações monetárias correspondentes.” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, mantendo o indeferimento da restituição pleiteada, conforme Acórdão nº 03 37.393, datado de 10/06/2010, às fls. 118/124, sob a seguinte ementa: Fl. 155DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 “LEGITIMIDADE RESTITUIÇÃO CIDECOMBUSTÍVEL COMPETÊNCIA PARA AFASTAR NORMA LEGAL. A legitimidade para pleitear a restituição de valores da Cide combustível pagos indevidamente somente cabe ao contribuinte (produtor, formulador e importador, pessoa física ou jurídica) que tenha relação jurídica pessoal e direta com o fato gerador dessa contribuição, estabelecida pela norma tributária. A contribuinte de fato (consumidora final) não ocupa o pólo passivo da relação jurídicotributária pessoal e direta com o fato gerador da Cidecombustível.” Cientificada dessa decisão, inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário (127/148), requerendo a sua reforma a fim de que se reconheça seu direito à restituição dos valores reclamados, a titulo de Cidecombustível, que teria pagado indevidamente, alegando, em síntese, as mesmas razões expendidas na manifestação de inconformidade, legitimidade para pedir a restituição e, ainda, a competência da Secretaria da Receita Federal para análise do mérito por não ser aquela privativa do Poder Judiciário. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. A questão de mérito se restringe ao direito de a recorrente interpor pedido de restituição da parcela da CIDE embutida no preço dos combustíveis adquiridos e consumidos por ela. A Lei nº 10.336, de 19/12/2001, que instituiu a Cidecombustíveis assim dispõe: “Art. 2º. São contribuintes da Cide o produtor, o formulador e o importador, pessoa física ou jurídica, dos combustíveis líquidos relacionados no art. 3º. Parágrafo único. Para efeitos deste artigo, considerase formulador de combustível líquido, derivados de petróleo e derivados de gás natural, a pessoa jurídica, conforme definido pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) autorizada a exercer, em Plantas de Formulação de Combustíveis, as seguintes atividades: I aquisição de correntes de hidrocarbonetos líquidos; II mistura mecânica de correntes de hidrocarbonetos líquidos, com o objetivo de obter gasolinas e diesel; III armazenamento de matériasprimas, de correntes intermediárias e de combustíveis formulados; IV comercialização de gasolinas e de diesel; e Fl. 156DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10120.008408/200882 Acórdão n.º 330101.403 S3C3T1 Fl. 155 5 V comercialização de sobras de correntes.” No presente caso, a recorrente não é contribuinte da Cidecombustível, por não se enquadrar neste dispositivo legal. Assim, nesta condição, é contribuinte de fato por ter adquirido e consumido os produtos onerados por tal contribuição. Assim, ao contrário do seu entendimento, o contribuinte de direito que tem legitimidade para pleitear restituição de Cidecombustível paga indevidamente e/ ou a maior, nos termos da Lei nº 10.336, de 2001, art. 2º, citado e transcrito anteriormente, é o produtor, o formulador e o importador que comercializou o produto. O “contribuinte de fato” não detém legitimidade ativa para pleitear restituição de valores pagos a titulo de tributo indireto recolhido pelo “contribuinte de direito”, por não integrar a relação jurídica tributária pertinente. Este também é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme prova a ementa do julgamento do RESP 1.160.826/PR, transcrita a seguir: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CIDE SOBRE COMBUSTÍVEIS. INDÉBITO. CONSUMIDOR FINAL. RESTITUIÇÃO. ILEGITIMIDADE ATIVA AD CAUSAM. 1. A legislação da Cide sobre combustíveis não prevê, como regra, repasse de ônus tributário ao adquirente do produto, diferentemente do ICMS e do IPI, por exemplo. Por essa ótica estritamente jurídica, é discutível sua classificação como tributo indireto, o que inviabiliza o pleito de restituição formulado pelo suposto contribuinte de fato (consumidor final do combustível). 2. Ainda que se admita que a Cide sobre combustível seja tributo indireto, a jurisprudência da Segunda Turma inclinouse no sentido de que o consumidor final não tem legitimidade ativa ad causam para o pedido de restituição da Parcela de Preço Específica (considerada espécie de Cide), mas sim o distribuidor do combustível, entendimento que se aplica ao caso. 3. Ademais, a Primeira Seção, ao julgar o REsp 903.394/AL sob o regime dos repetitivos (j. 24.3.2010), relativo ao IPI sobre bebidas, passou a adotar o entendimento de que somente o contribuinte de direito tem legitimidade ativa para restituição do indébito relativo a tributo indireto. 4. In casu, é incontroverso que os contribuintes de direito da Cide sobre combustível são o produtor, o formulador e o importador do produto (art. 2º da Lei 10.336/2001), o que ratifica a inexistência de legitimidade ativa do consumidor final. 5. Agravo Regimental não provido. Decisão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça: "A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)Relator(a)." Os Srs. Ministros Mauro Campbell Marques, Eliana Calmon, Castro Meira e Humberto Martins (Presidente) votaram com o Sr. Ministro Relator.” Fl. 157DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Também no julgamento do Resp nº 903.394, sob o regime 543C, do CPC, a Primeira Seção do STJ afastou a legitimidade ativa de contribuintes de fato pleitearem restituição de tributo indireto, como no presente caso, sob o argumento de que somente o contribuinte de direito tem essa prerrogativa, sob a seguinte ementa: “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. DISTRIBUIDORAS DE BEBIDAS. CONTRIBUINTES DE FATO. ILEGITIMIDADE ATIVA AD CAUSAM. SUJEIÇÃO PASSIVA APENAS DOS FABRICANTES (CONTRIBUINTES DE DIREITO). RELEVÂNCIA DA REPERCUSSÃO ECONÔMICA DO TRIBUTO APENAS PARA FINS DE CONDICIONAMENTO DO EXERCÍCIO DO DIREITO SUBJETIVO DO CONTRIBUINTE DE JURE À RESTITUIÇÃO (ARTIGO 166, DO CTN). LITISPENDÊNCIA. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULAS 282 E 356/STF. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 7/STJ. APLICAÇÃO. 1. O ‘contribuinte de fato’ (in casu, distribuidora de bebida) não detém legitimidade ativa ad causam para pleitear a restituição do indébito relativo ao IPI incidente sobre os descontos incondicionais, recolhido pelo ‘contribuinte de direito’ (fabricante de bebida), por não integrar a relação jurídica tributária pertinente. 2. O Código Tributário Nacional, na seção atinente ao pagamento indevido, preceitua que: ‘Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla.’ 3. Conseqüentemente, é certo que o recolhimento indevido de tributo implica na obrigação do Fisco de devolução do indébito ao contribuinte detentor do direito subjetivo de exigilo. 4. Em se tratando dos denominados ‘tributos indiretos’ (aqueles que comportam, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro), a norma tributária (artigo 166, do CTN) impõe que a restituição do indébito somente se faça ao contribuinte que comprovar haver arcado com o referido encargo ou, caso contrário, que tenha sido autorizado expressamente pelo terceiro a quem o ônus foi transferido. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10120.008408/200882 Acórdão n.º 330101.403 S3C3T1 Fl. 156 7 5. A exegese do referido dispositivo indica que: ‘...o art. 166, do CTN, embora contido no corpo de um típico veículo introdutório de norma tributária, veicula, nesta parte, norma específica de direito privado, que atribui ao terceiro o direito de retomar do contribuinte tributário, apenas nas hipóteses em que a transferência for autorizada normativamente, as parcelas correspondentes ao tributo indevidamente recolhido: Tratase de norma privada autônoma, que não se confunde com a norma construída da interpretação literal do art. 166, do CTN. É desnecessária qualquer autorização do contribuinte de fato ao de direito, ou deste àquele. Por sua própria conta, poderá o contribuinte de fato postular o indébito, desde que já recuperado pelo contribuinte de direito junto ao Fisco. No entanto, notese que o contribuinte de fato não poderá acionar diretamente o Estado, por não ter com este nenhuma relação jurídica. Em suma: o direito subjetivo à repetição do indébito pertence exclusivamente ao denominado contribuinte de direito. Porém, uma vez recuperado o indébito por este junto ao Fisco, pode o contribuinte de fato, com base em norma de direito privado, pleitear junto ao contribuinte tributário a restituição daqueles valores. A norma veiculada pelo art. 166 não pode ser aplicada de maneira isolada, há de ser confrontada com todas as regras do sistema, sobretudo com as veiculadas pelos arts. 165, 121 e 123, do CTN. Em nenhuma delas está consignado que o terceiro que arque com o encargo financeiro do tributo possa ser contribuinte. Portanto, só o contribuinte tributário tem direito à repetição do indébito. Ademais, restou consignado alhures que o fundamento último da norma que estabelece o direito à repetição do indébito está na própria Constituição, mormente no primado da estrita legalidade. Com efeito a norma veiculada pelo art. 166 chocase com a própria Constituição Federal, colidindo frontalmente com o princípio da estrita legalidade, razão pela qual há de ser considerada como regra não recepcionada pela ordem tributária atual. E, mesmo perante a ordem jurídica anterior, era manifestamente incompatível frente ao Sistema Constitucional Tributário então vigente. ‘(Marcelo Fortes de Cerqueira, in ‘Curso de Especialização em Direito Tributário Estudos Analíticos em Homenagem a Paulo de Barros Carvalho’, Coordenação de Eurico Marcos Diniz de Santi, Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2007, págs. 390/393) 6. Deveras, o condicionamento do exercício do direito subjetivo do contribuinte que pagou tributo indevido (contribuinte de direito) à comprovação de que não procedera à repercussão econômica do tributo ou à apresentação de autorização do ‘contribuinte de fato" (pessoa que sofreu a incidência econômica do tributo), à luz do disposto no artigo 166, do CTN, não possui o condão de transformar sujeito alheio à relação jurídica tributária em parte legítima na ação de restituição de indébito. 7. À luz da própria interpretação histórica do artigo 166, do CTN, dessumese que somente o contribuinte de direito tem legitimidade para integrar o pólo ativo da ação judicial que objetiva a restituição do ‘tributo indireto’ indevidamente recolhido (Gilberto Ulhôa Canto, ‘Repetição de Indébito’, in Fl. 159DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 Caderno de Pesquisas Tributárias, nº 8, p. 25, São Paulo, Resenha Tributária, 1983; e Marcelo Fortes de Cerqueira, in ‘Curso de Especialização em Direito Tributário Estudos Analíticos em Homenagem a Paulo de Barros Carvalho’, Coordenação de Eurico Marcos Diniz de Santi, Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2007, págs. 390/393). 8. É que, na hipótese em que a repercussão econômica decorre da natureza da exação, ‘o terceiro que suporta com o ônus econômico do tributo não participa da relação jurídica tributária, razão suficiente para que se verifique a impossibilidade desse terceiro vir a integrar a relação consubstanciada na prerrogativa da repetição do indébito, não tendo, portanto, legitimidade processual’ (Paulo de Barros Carvalho, in ‘Direito Tributário Linguagem e Método’, 2ª ed., São Paulo, 2008, Ed. Noeses, pág. 583). 9. In casu, cuidase de mandado de segurança coletivo impetrado por substituto processual das empresas distribuidoras de bebidas, no qual se pretende o reconhecimento do alegado direito líquido e certo de não se submeterem à cobrança de IPI incidente sobre os descontos incondicionais (artigo 14, da Lei 4.502/65, com a redação dada pela Lei 7.798/89), bem como de compensarem os valores indevidamente recolhidos àquele título. 10. Como cediço, em se tratando de industrialização de produtos, a base de cálculo do IPI é o valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria do estabelecimento industrial (artigo 47, II, a, do CTN), ou, na falta daquele valor, o preço corrente da mercadoria ou sua similar no mercado atacadista da praça do remetente (artigo 47, II, b, do CTN). 11. A Lei 7.798/89, entretanto, alterou o artigo 14, da Lei 4.502/65, que passou a vigorar com a seguinte redação: ‘Art. 14. Salvo disposição em contrário, constitui valor tributável: (...) II quanto aos produtos nacionais, o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial. § 1º. O valor da operação compreende o preço do produto, acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário. § 2º. Não podem ser deduzidos do valor da operação os descontos, diferenças ou abatimentos, concedidos a qualquer título, ainda que incondicionalmente. (...)’ 12. Malgrado as Turmas de Direito Público venham assentando a incompatibilidade entre o disposto no artigo 14, § 2º, da Lei 4.502/65, e o artigo 47, II, a, do CTN (indevida ampliação do conceito de valor da operação, base de cálculo do IPI, o que gera o direito à restituição do indébito), o estabelecimento industrial (in casu, o fabricante de bebidas) continua sendo o único sujeito passivo da relação jurídica tributária instaurada com a ocorrência do fato imponível consistente na operação de industrialização de produtos (artigos 46, II, e 51, II, do CTN), sendo certo que a presunção da repercussão econômica do IPI pode ser ilidida por prova em contrário ou, caso constatado o repasse, por autorização expressa do contribuinte de fato (distribuidora de bebidas), à luz do artigo 166, do CTN, o que, Fl. 160DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10120.008408/200882 Acórdão n.º 330101.403 S3C3T1 Fl. 157 9 todavia, não importa na legitimação processual deste terceiro. 13. Mutatis mutandis, é certo que: ‘1. Os consumidores de energia elétrica, de serviços de telecomunicação não possuem legitimidade ativa para pleitear a repetição de eventual indébito tributário do ICMS incidente sobre essas operações. 2. A caracterização do chamado contribuinte de fato prestase unicamente para impor uma condição à repetição de indébito pleiteada pelo contribuinte de direito, que repassa o ônus financeiro do tributo cujo fato gerador tenha realizado (art. 166 do CTN), mas não concede legitimidade ad causam para os consumidores ingressarem em juízo com vistas a discutir determinada relação jurídica da qual não façam parte. 3. Os contribuintes da exação são aqueles que colocam o produto em circulação ou prestam o serviço, concretizando, assim, a hipótese de incidência legalmente prevista. 4. Nos termos da Constituição e da LC 86/97, o consumo não é fato gerador do ICMS. 5. Declarada a ilegitimidade ativa dos consumidores para pleitear a repetição do ICMS.’ (RMS 24.532/AM, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 26.08.2008, DJe 25.09.2008) 14. Conseqüentemente, revelase escorreito o entendimento exarado pelo acórdão regional no sentido de que "as empresas distribuidoras de bebidas, que se apresentam como contribuintes de fato do IPI, não detém legitimidade ativa para postular em juízo o creditamento relativo ao IPI pago pelos fabricantes, haja vista que somente os produtores industriais, como contribuintes de direito do imposto, possuem legitimidade ativa". 15. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” No presente caso, como se trata de pedido de restituição de tributo indireto, Cidecombustível, que foi paga pelo contribuinte de direito e não pela recorrente, esta não tem legitimidade para pedir restituição ora pleiteada. Em face de todo o exposto e de tudo o mais que conta dos autos, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 161DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 13603.002290/2004-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE- SIMPLES. Exercício: 2003
SIMPLES. ATIVIDADE DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. NÃO EQUIPARAÇÃO A DE ENGENHEIRO. SÚMULA N° 57 DO CARF. NÃO CONHECIMENTO. ART. 67, §2°, DO REGIMENTO INTERNO.
Conforme a súmula n° 57 do CARF, não se equipara à atividade de engenheiro a de manutenção de máquinas industriais.
Numero da decisão: 9101-001.278
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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Exercício: 2003 SIMPLES. ATIVIDADE DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. NÃO EQUIPARAÇÃO A DE ENGENHEIRO. SÚMULA N° 57 DO CARF. NÃO CONHECIMENTO. ART. 67, §2°, DO REGIMENTO INTERNO. Conforme a súmula n° 57 do CARF, não se equipara à atividade de engenheiro a de manutenção de máquinas industriais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Fl. 0DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13603.002290/200411 Acórdão n.º 9101001.278 CSRFT1 Fl. 2 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, José Ricardo da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Alberto Pinto Souza Júnior, Valmar Fonsêca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri e Claudemir Rodrigues Malaquias. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com fundamento em divergência jurisprudencial. O contribuinte foi excluído do Simples, por exercer atividade vedada, consistente em instalação, reparação e manutenção de outras máquinas e equipamentos de uso geral. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. 44/47) indeferiu a solicitação do contribuinte, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Exercício: 2003 Ementa: A pessoa jurídica que desempenha atividade privativa de engenheiro e de técnicos, profissões cujo exercício depende de habilitação profissional legalmente exigida, está impedida de participar do Simples. Solicitação Indeferida O contribuinte interpôs recurso voluntário. A antiga Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes deu provimento ao recurso do contribuinte. Eis a ementa do julgado: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2003 SIMPLES. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. VENDA E FABRICAÇÃO DE MÁQUINAS/FERRAMENTAS INDUSTRIAIS. A vedações à inclusão no Simples, descritas no artigo 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317/96, devem ser interpretadas restritivamente, pois que importam em restrição a um direito constitucionalmente previsto (art. 179 CF). RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13603.002290/200411 Acórdão n.º 9101001.278 CSRFT1 Fl. 3 3 A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial, com fundamento em divergência jurisprudencial (fls. 61/68). Alegou, a recorrente, que a atividade exercida pelo contribuinte encontrase vedada nos termos do artigo 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317/96. Segundo a recorrente: “Como se pode perceber, a atividade de "instalação, reparação e manutenção de máquinas e equipamentos" (fls.08/11;41), exercida pela Recorrida, a teor da Resolução CONFEA n.° 218/73, é atividade a ser desenvolvida por profissionais em nível médio e superior de engenharia. A referida Resolução, tendo em vista a sua atribuição legal para regulamentar o exercício profissional e as atividades a que se refere a Lei n.° 5194/66, reza: Art. 1° Para efeito de fiscalização do exercício profissional correspondente as diferentes modalidades da Engenharia, Arquitetura e Agronomia em nível superior e em nível médio, ficam designadas as seguintes atividades: (...) Atividade 04 — Assistência, assessoria e consultoria; Atividade 11 — Execução de obra e serviço técnico; Atividade 16 Execução de instalação, montagem e reparo; Atividade 17 Operação e manutenção de equipamento e instalação; 0 art. 9° desse normativo descreve especificamente a competência do engenheiro eletrônico. Vejase: Art. 9° Compete ao ENGENHEIRO ELETRÔNICO ou ao ENGENHEIRO ELETRICISTA, MODALIDADE ELETRÔNICA ou ao ENGENHEIRO DE COMUNICAÇÃO: I o desempenho das atividades 01 a 18 do artigo 10 desta Resolução, referentes a materiais elétricos e eletrônicos; equipamentos eletrônicos em geral; sistemas de comunicação e telecomunicações; sistemas de medição e controle elétrico e eletrônico; seus serviços afins e correlatos. Ademais, a analise da opção da empresa ao Simples é feita com base em critérios objetivos, ou seja, pela análise do objeto social e não se a atividade é realizada ou não diretamente pelos sócios. Assim entendendo essa Câmara, aduzse em inovação da legislação, o que seria proibido a esse órgão administrativo. Nesse diapasão, vale aduzir que a interpretação restritiva não pode conduzir o aplicador ao descumprimento de ato normativo. Destarte, a expressão "assemelhados", prevista no art. 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317/96, tem seu conteúdo perfeitamente delimitado pelos atos normativos supra, não Fl. 2DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13603.002290/200411 Acórdão n.º 9101001.278 CSRFT1 Fl. 4 4 sendo passível de interpretação que abstraia tal conteúdo normativo, ainda que para garantir direito constitucional disposto no art. 179, CF. Neste sentido, postulou pela reforma do acórdão recorrido. O contribuinte não apresentou contrarrazões, nos termos do documento de fls. 129 dos autos. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Não preenche, contudo, os demais requisitos de admissibilidade. De fato, a divergência jurisprudencial suscitada diz respeito à possibilidade de inclusão no Simples de contribuinte que exerce a atividade de “instalação, reparação e manutenção de máquinas e equipamentos”. Sobre o tema, este tribunal administrativo já fixou o seu entendimento, consolidado no enunciado n° 57 da sua súmula jurisprudencial: Súmula CARF n° 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. O Regimento Interno do CARF dispõe, em seu artigo 67: Seção II Do Recurso Especial Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13603.002290/200411 Acórdão n.º 9101001.278 CSRFT1 Fl. 5 5 Diante do exposto, não conheço do recurso especial da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 24 de janeiro de 2012 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 4DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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