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Numero do processo: 15586.000392/2007-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001, 01/01/2002 a 31/01/2002, 01/03/2002 a 30/04/2003, 01/06/2003 a 31/12/2004
VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS. RECEITAS FINANCEIRAS.
As variações cambiais ativas, ainda que decorrentes de contratos de câmbio de exportações de mercadorias, não constituem receitas de exportações de mercadorias e sim receitas financeiras sujeitas à incidência da contribuição para o PIS no regime não-cumulativo.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO.
A partir de 2 de agosto de 2004, a alíquota da Cofins não cumulativa incidente sobre receitas financeiras, com exceção daquelas decorrentes de juros sobre o capital e de operações de hedge, foi reduzida a zero.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-001.799
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Possas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martinez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Debruo e Andréa Medrado Darzé.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001, 01/01/2002 a 31/01/2002, 01/03/2002 a 30/04/2003, 01/06/2003 a 31/12/2004 VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS. RECEITAS FINANCEIRAS. As variações cambiais ativas, ainda que decorrentes de contratos de câmbio de exportações de mercadorias, não constituem receitas de exportações de mercadorias e sim receitas financeiras sujeitas à incidência da contribuição para o PIS no regime não-cumulativo. REGIME NÃO-CUMULATIVO. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. A partir de 2 de agosto de 2004, a alíquota da Cofins não cumulativa incidente sobre receitas financeiras, com exceção daquelas decorrentes de juros sobre o capital e de operações de hedge, foi reduzida a zero. Recurso Voluntário Provido em Parte
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RECEITAS FINANCEIRAS. As variações cambiais ativas, ainda que decorrentes de contratos de câmbio de exportações de mercadorias, não constituem receitas de exportações de mercadorias e sim receitas financeiras sujeitas à incidência da contribuição para o PIS no regime nãocumulativo. REGIME NÃOCUMULATIVO. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. A partir de 2 de agosto de 2004, a alíquota do PIS não cumulativo incidente sobre receitas financeiras, com exceção daquelas decorrentes de juros sobre o capital e de operações de hedge, foi reduzida a zero. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001, 01/01/2002 a 31/01/2002, 01/03/2002 a 30/04/2003, 01/06/2003 a 31/12/2004 VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS. RECEITAS FINANCEIRAS. As variações cambiais ativas, ainda que decorrentes de contratos de câmbio de exportações de mercadorias, não constituem receitas de exportações de mercadorias e sim receitas financeiras sujeitas à incidência da contribuição para o PIS no regime nãocumulativo. REGIME NÃOCUMULATIVO. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. A partir de 2 de agosto de 2004, a alíquota da Cofins não cumulativa incidente sobre receitas financeiras, com exceção daquelas decorrentes de juros sobre o capital e de operações de hedge, foi reduzida a zero. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 03 92 /2 00 7- 25 Fl. 1258DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Possas Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martinez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Debruo e Andréa Medrado Darzé. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Rio de Janeiro II que julgou procedente, em parte, a impugnação interposta contra os lançamentos das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), ambas com incidência cumulativa e não cumulativa, referentes aos fatos geradores dos meses de competência a novembro de 2001, janeiro de 2002, março de 2002 a abril de 2003, junho de 2003 a dezembro de 2004. Os lançamentos decorreram de diferenças entre os valores das contribuições declarados/pagos e os efetivamente devidos, apurados com base na escrituração fiscal e contábil da recorrente, conforme Termo de Verificação Fiscal às fls. 1.069/1.083, parte integrante dos autos de infração. Inconformada com a exigência dos créditos tributários, a recorrente impugnou os lançamentos (fls. 1.117/1.130), alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “1.A fiscalização recalculou a base de cálculo do PIS e COFINS, incluindo na mesma, além de alguns valores que reconhecidamente deveriam ter integrado a base de cálculo relativos a receitas de vendas, devoluções e créditos de PIS e COFINS não cumulativos, o AFRFB incluiu em tal base de cálculo, indevidamente, receitas financeiras que derivam de variação cambial verificada no curso de procedimento de exportação, e que, por gozarem de imunidade constitucional, não podem sofre a incidência de PIS e de COFINS; 2. Vale ser registrado que 90% (noventa por cento) do que a fiscalização tratou como receita operacional excluída da base de cálculo do PIS e COFINS é de receita proveniente da variação cambial decorrente de procedimentos de exportação, e que, portanto, realmente não deveriam ter integrado tal base de cálculo, ante a imunidade constitucional que gozam tais operações; 3. A Constituição Federal concedeu imunidade ao PIS e COFINS em relação as receitas derivadas da exportação, sendo que a legislação infraconstitucional, Fl. 1259DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 15586.000392/200725 Acórdão n.º 3301001.799 S3C3T1 Fl. 1.259 3 prestigiando o texto constitucional, ratificou a não incidência das referidas contribuições sociais; 4. Os valores retirados pelo ilustre fiscal autuante da conta 4201.01.0007 – Variação Cambial Ativa atinge o montante de R$ 5.898.924,87, que coincide com o Livro Razão da contribuinte. Assim, excluindose tal valor da base de cálculo apurada pelo AFRFB (R$ 8.224.793,12), a mesma deve ser reduzida para R$ 2.325.868,25. Consequentemente, o imposto a recolher mereceria ser reduzido para R$118.965,35 (COFINS) e R$ 19.013,65 (PIS); 5. Além disso, as receitas financeiras somente vieram a integrar a base de cálculo do PIS em 31 de agosto de 2002, com a publicação da MP n° 66/2002, posteriormente convertida na Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e do COFINS em 31 de outubro de 2003, com a publicação da MP n° 135/2003, posteriormente convertida na Lei n° 10.833/2003; 6. Antes das citadas datas é inconstitucional considerar Receitas Financeiras como base de cálculo do PIS e da COFINS, já que os Tribunais Superiores já declararam constitucional a Lei n°9.718/98; 7. Ao incluir receitas financeiras como base de cálculo das contribuições sociais, a Lei n° 9.718/98 alargou indevidamente o conceito de faturamento trazido no artigo 195, I, da CF. Conceituase faturamento como a receita bruta derivada da venda de bens e serviços; 8. A ampliação de tal conceito contrariou a Constituição Federal e o artigo 110, do CTN, sendo que a ilegalidade somente foi sanada com a Emenda Constitucional n° 20/98, que incluiu o termo "receitas" no artigo 195, I, da Constituição e a edição de novas leis (Lei n° 10.637/2002 e Lei n° 10.833/2003); 9. Conforme se verifica nas tabelas as fls. 07, 08 e 09, do Termo de Verificação Fiscal, o autuante incluiu receitas financeiras na base de cálculo de PIS e COFINS no período em que tal inclusão foi considerada inconstitucional, devendo os valores lançados no item "receitas financeiras" serem excluídos da referida base de cálculo até agosto de 2002, em relação ao PIS e até outubro de 2003, em relação a COFINS; 10. Desta forma, refeitos os cálculos pela Impugnante, restaria um valor de R$ 7.011,08 de principal em relação ao PIS e de R$ 37.840,72, reconhecidamente devido; 11. Diante do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal em relação à parte do lançamento impugnada e que gerou o tributo não recolhido pela Impugnante (inclusão de receitas financeiras em período considerado inconstitucional na base de cálculo da PIS e da COFINS e/ou inclusão das receitas advindas da variação cambial ativa em procedimentos de exportação), espera e requer a Impugnante seja julgada procedente a presente impugnação, anulandose os autos de infração e, por conseqüência, cancelandose o débito fiscal na parte impugnada, bem como reconhecendose a quitação do tributo da parte não impugnada. Protesta, ainda, pela produção de todos os meios de prova admitidos no processo administrativo fiscal.” Analisada a impugnação, aquela DRJ julgoua procedente, em parte, conforme acórdão nº 1338.318, datado de 17/11/2011, às fls. 1.229/1.239, sob as seguintes ementas: Fl. 1260DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 “BASE DE CÁLCULO – ALTERAÇÃO – LEI Nº 9.718/98 – INCONSTITUCIONALIDADE PARCIAL Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberandose, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixase de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72. DA COBRANÇA NÃOCUMULATIVA DO PIS E DO PASEP A contribuição para o PIS/Pasep, apurada na sistemática da nãocumulatividade, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. BASE DE CÁLCULO ALTERAÇÃO – LEI Nº 9.718/98 – INCONSTITUCIONALIDADE PARCIAL Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberandose, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixase de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72. DA COBRANÇA NÃOCUMULATIVA DA COFINS A COFINS apurada na sistemática da nãocumulatividade, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerase como não impugnada a contribuição lançada, quando não contestada expressamente pelo contribuinte. PROVA DOCUMENTAL A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual.” Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs o recurso voluntário (fls. 1.248/1.255), requerendo a sua reforma a fim que se cancelem os lançamentos, alegando, em sínese, que, ao contrário do entendimento da autoridade julgadora de primeira instância, impugnou as parcelas lançadas para as competências de março de 2003 a setembro de 2004 e para dezembro de 2004, sob o fundamento de que as receitas financeiras (variações cambiais ativas) gozam de imunidade nos termos do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal, do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, e do art. 5º da Lei nº 10.637, de 2002, por decorrerem de receitas de exportação. Citou e transcreveu ementas de julgados na esfera judicial, STJ e dos TRFs da 1ª e 4ª Regiões, reconhecendo tal isenção. Informou que recolheu as diferenças lançadas e exigidas, decorrentes da não inclusão nas bases de cálculo das contribuições das receitas relativas a vendas, devoluções e créditos não cumulativos. Alegou, ainda, que a Fl. 1261DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 15586.000392/200725 Acórdão n.º 3301001.799 S3C3T1 Fl. 1.260 5 matéria encontrase em discussão perante o plenário do Supremo Tribunal Federal que, em decisão proferida em 22/10/2010, nos autos do RE nº 627.815/PR, reconheceu a repercussão geral do tema. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende, em parte, aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Preliminarmente, em nosso entendimento, não se aplica ao presente caso o disposto no § 1º do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), tendo em vista que a decisão do STF, nos autos do RE nº 627.815/PR, se refere às contribuições para o PIS e Cofins com incidência cumulativa, nos termos da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, não se aplicando às contribuições com incidência não cumulativas, instituídas pelas Leis nº 10.637 (PIS), de 30/12/2002, e nº 10.833 (Cofins), de 29/12/2003, com vigência a partir de 1º de dezembro de 2002 e 1º de fevereiro de 2004, respectivamente. Também, ainda, em preliminar, apesar de consta da decisão recorrida que a recorrente não teria impugnado as diferenças lançadas com fundamento nas Leis nº 10.637 (PIS), de 2002, e nº 10.833 (Cofins), de 2003, e, assim, concordado com incidência dessas contribuições sobre as receitas de variações cambiais ativas, de fato a autoridade julgadora se manifestou sobre esta matéria ao decidir de forma expressa que as bases de cálculo são o faturamento mensal definido nos arts. 1º, § 1º, daquelas leis. A autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente, em parte, a impugnação e manteve a exigência apenas das parcelas lançadas com fundamento nas Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, ou seja, contribuições com incidência não cumulativa. A recorrente, em seu recurso voluntário, concordou com as diferenças lançadas, decorrentes da não inclusão de outras receitas, que não as financeiras, nas bases de cálculo das referidas contribuições, informando literalmente: “Esclareçase, por fim, que os valores que a Recorrente efetivamente reconheceu como devidos e recolheu, na forma do item 23, da peça de defesa, referemse a inclusão na base de cálculo do PIS e COFINS de receitas relativas a vendas, devoluções e créditos de PIS e COFINS não cumulativos, conforme citado no item 3 da peça de defesa, sendo que todo o restante da autuação lastreouse na inclusão em tal base de cálculo, indevidamente, de receitas financeiras que derivam de variação cambial verificada no curso de procedimento de exportação, e que gozam de imunidade constitucional”. Assim, a questão de mérito a ser decidida nesta fase recursal se restringe à incidência do PIS e Cofins, ambas não cumulativas, sobre receitas financeiras. Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 As contribuições para o PIS e Cofins com incidência não cumulativa foram instituídas pelas Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, que assim dispõem: I) Lei nº 10.637, de 2002: “Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Produção de efeito § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; II (VETADO) III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda dos produtos de que tratam as Leis no 9.990, de 21 de julho de 2000, no 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e no 10.485, de 3 de julho de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. VI não operacionais, decorrentes da venda de ativo imobilizado. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) [...].” I) Lei nº 10.833, de 20030 “Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 1263DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 15586.000392/200725 Acórdão n.º 3301001.799 S3C3T1 Fl. 1.261 7 § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda dos produtos de que tratam as Leis nos 9.990, de 21 de julho de 2000, 10.147, de 21 de dezembro de 2000, 10.485, de 3 de julho de 2002, e 10.560, de 13 de novembro de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. [...].” Ora, segundo estes dispositivos legais, a base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins com incidência não cumulativa é o faturamento mensal, assim entendido como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Já as receitas passíveis de exclusão de suas bases de cálculo estão elencadas no § 3º dos art. 1º de ambas as leis, citados e transcritos acima. As receitas financeiras não estão elencadas dentre aquelas passiveis de exclusão. Ao contrário do entendimento da recorrente, receitas financeiras de variação cambial ativa, ainda que decorrentes de liquidação contratos de câmbios de exportação de mercadorias não constituem receitas de exportação destas, mas receitas financeiras. O Código Tributário Nacional, assim dispõe quanto aos benefícios tributários: Fl. 1264DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 “Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; [...].” Assim, não há que se falar em exclusão das receitas financeiras das bases de cálculo do PIS e da Cofins com incidência cumulativa. No entanto, a partir de 02 de agosto de 2004, a alíquota dessas contribuições, com incidência não cumulativa, incidente sobre receitas financeiras foi reduzida para 0,0 % (zero por cento), conforme estabelece o Decreto nº 5.164, de 30/07/2004, literalmente: “Art. 1º Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das referidas contribuições. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica às receitas financeiras oriundas de juros sobre capital próprio e as decorrentes de operações de hedge. Art. 2º O disposto no art. 1o aplicase, também, às pessoas jurídicas que tenham apenas parte de suas receitas submetidas ao regime de incidência nãocumulativa. Art. 3º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 2 de agosto de 2004.” Dessa forma, para as competências de agosto de 2004 em diante, as receitas financeiras, inclusive de variações cambias ativas, deverão ser excluídas das bases de cálculo do PIS e da Cofins, ambas incidência não cumulativa. Em face do exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário para excluir das parcelas do PIS e da Cofins lançadas e exigidas para as competências de agosto de 2004 em diante, os valores das contribuições apurados sobre as receitas financeiras e respectivas cominações legais, mantendose a exigência das parcelas remanescentes, inclusive daquelas lançadas e exigidas para as demais competências, mantidas pela autoridade julgadora de primeira instância. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 15586.000392/200725 Acórdão n.º 3301001.799 S3C3T1 Fl. 1.262 9 Fl. 1266DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10640.900401/2009-26
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
Ementa:
Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada e, não havendo análise pelas autoridades a quo, quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado e a compensação objeto do PERDCOMP, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado
Numero da decisão: 1802-001.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Nunes Castilho Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Jose de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 04 01 /2 00 9- 26 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10640.900401/200926 Acórdão n.º 1802001.611 S1TE02 Fl. 129 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Jose de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Juiz de Fora – RJ (DRJJFA), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Recorrente. Por esclarecer os fatos e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do Acórdão citado, verbis: O interessado transmitiu a Dcomp nº 35450.22036.020305.1.3.040930, visando compensar os débitos nela declarados, com crédito oriundo de pagamento a maior ao CSLL, efetuado em 28/02/2005. A DRF Juiz de Fora/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não homologa a compensação pleiteada. A empresa apresenta manifestação de inconformidade (fl. 01), na qual alega que “o crédito tributário foi apurado seguindo as normas tributárias, com base em balanço ou balancete de suspensão”. “É o breve relatório.”. Em sua decisão, a DRJJFA houve por bem não reconhecer o direito creditório pleiteado pelo contribuinte através do Acórdão n° 09 – 37.941, Sessão de 29 de novembro de 2011, conforme ementa transcrita abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. Ano calendário: 2005 ESTIMATIVA IRPJ. COMPENSAÇÃO. Pagamento efetuado a título de estimativa de CSLL não pode ser objeto de compensação, devendo ser usado para dedução da contribuição anual devida ou na composição do saldo negativo respectivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10640.900401/200926 Acórdão n.º 1802001.611 S1TE02 Fl. 130 3 Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou, em 02/04/2012, Recurso Voluntário (fls. 118/120) no qual aduziu, em síntese: 1) Entende que a existência do recolhimento a maior da estimativa mensal de CSLL, seria suficiente para embasar o pedido de compensação; 2) Alega por derradeiro que a não homologação do pedido de compensação ensejaria a perda do crédito tributário em decorrência da prescrição. É o relatório, passo a decidir. Voto Conselheiro Relator Marco Antonio Nunes Castilho A recorrente foi cientificada da decisão da DRJ, em 06.03.2012, conforme aviso de recebimento às fls. 116 e, apresentou o recurso, tempestivamente, no prazo de 30 dias, em 02.04.2012, atendendo aos demais pressupostos para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. A Recorrente alega que restou comprovado nos documentos apresentados perante a Delegacia Regional de Julgamento de Juiz de Fora, que apurou estimativa de CSLL, para o período de 01/2005, no valor de R$10.863,69 e, efetuou em 28.02.2005, pagamento de estimativa (código 5993) para o período correspondente, no valor de R$17.200,68, sendo que posteriormente transmitiu a DComp nº 35450.22036.020305.1.3.040930, na qual utiliza a diferença como crédito a ser compensado. A DRJ manteve a não homologação da compensação efetuada, sob o argumento de que o pagamento efetuado a título de estimativa de CSLL não pode ser objeto de compensação, devendo ser usado para dedução da contribuição anual devida ou na composição do saldo negativo respectivo. Em seu recurso voluntário, a Recorrente alega que a não homologação ensejaria a perda do direito creditório em decorrência da prescrição, sendo uma questão de “justiça” a autoridade fiscal permitir a utilização do crédito na compensação solicitada. Assim, a decisão da DRJ concluiu que, somente a base de cálculos negativa da CSLL apurada no encerramento do ano calendário constitui valor passível de restituição/compensação, não sendo cabível, portanto, a solicitação decorrente de eventuais valores relativos a recolhimentos efetuados por estimativa no decorrer do ano calendário. À época em que a compensação foi processada encontravase em vigor a Instrução Normativa nº 460/2004, que em seu artigo 10 previa a impossibilidade de compensação em caso de pagamento a maior ou indevido de estimativa mensal e, quando do julgamento se encontrava em vigor a Instrução Normativa nº 600/2005, que em seu artigo 10, Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10640.900401/200926 Acórdão n.º 1802001.611 S1TE02 Fl. 131 4 reproduzia de forma integral o preceito da Instrução Normativa nº 460/2004, também vedando a possibilidade de compensação do pagamento a maior efetuado a título de estimativa. Sobre os mencionados atos normativos a Recorrente alega que nos termos do artigo 106 do Código Tributário Nacional, deve ser admitida a retroatividade benéfica da revogação da Instrução Normativa SRF n° 600/05, pelo artigo 100 da Instrução Normativa RFB n° 900/08 que, inclusive, não mais veda a compensação de créditos relativos a pagamentos de IRPJ e CSLL por estimativa, conforme previsto em seu artigo 11. De fato a restrição contida no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005 não mais se repete na IN SRF nº 900/2008 e alterações posteriores. Portanto, ressalvadas as situações do parágrafo 3º (créditos não compensáveis) do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que disciplina a matéria relativa à compensação no âmbito federal, o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos vencidos ou vincendos próprios do contribuinte, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração do mencionado órgão administrativo, vejamos: ... Artigo 74 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. ... § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV os créditos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10640.900401/200926 Acórdão n.º 1802001.611 S1TE02 Fl. 132 5 Refis, ou do parcelamento a ele alternativo; e (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V os débitos que já tenham sido objeto de compensação não homologada pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) VIIos débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) VIIIos débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 1988; e (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) IXos débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa JurídicaIRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL apurados na forma do art. 2o. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) Sobre essa matéria, o próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a Súmula no. 84, em 10.12.2012, com o seguinte teor: Súmula 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Como visto, os fundamentos para o indeferimento do PERDCOMP, por si só, tanto pela DRFJFA quanto pela DRJ, não encontram amparo na norma legal que rege a matéria. A questão é saber se de fato resta caracterizado o indébito do pagamento de estimativa, comprovado mediante escrituração contábil e fiscal, para que se possa aferir a certeza e liquidez do crédito tributário como dispõe o artigo 170 da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário NacionalCTN). Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10640.900401/200926 Acórdão n.º 1802001.611 S1TE02 Fl. 133 6 Nesse sentido, apesar de constar dos autos a DIPJ/2005, DCTF(s), DARF de recolhimento da estimativa, não fora possível aferir qual valor das estimativas que fora levado para compor o ajuste final. Isto porque, a Recorrente possui diversos PERDCOMPS requerendo compensação de estimativas pagas durante o anocalendário de 2004: Processos no. 10640.900400/200981, 10640.900398/200941, 10640.900401/200926, 10640.900402/2009 71, 10640.901865/200950, 10640.901866/200902, 10640.901867/200949, 10640.901866/200902, 10640.901868/200993. Desta forma, tornase inviável, nessa fase processual, a análise quanto ao crédito alegado e conseqüente compensação pleiteada. Porém, a motivação para o indeferimento do pleito tanto pela autoridade administrativa da Receita Federal, quanto pela Delegacia de Julgamento restringese ao teor da IN SRF no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004, e como visto extrapolam o conteúdo da Lei nº 9430/96. Assim, não havendo análise quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado objeto do PERDCOMP e, afastado o óbice escorado apenas no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005, que serviu de fundamento para a não homologação da compensação pleiteada, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar ou não o direito creditório alegado. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para que sejam devolvidos os autos à DRF de origem (Juiz de Fora/MG) para análise do PERDCOMP em comento e proferido outro despacho decisório que deverá ser cientificado ao interessado para sua manifestação se for o caso. (documento assinado digitalmente) Relator Marco Antonio Nunes Castilho Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
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Numero do processo: 10925.000913/2010-38
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Sun Jul 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2007
INSUMOS. TERMO. ALCANCE.
São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam, processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser diretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes.
EMBALAGEM PARA TRANSPORTE. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO.
Se o serviço de transporte das mercadorias fizer parte da operação de venda, e tiver seus custos suportados pelo produtor, as embalagens de transporte serão necessárias para a preservação da integridade dos bens durante o transporte e gerarão direito a crédito.
ENCARGOS COM DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. CREDITAMENTO.
A pessoa jurídica poderá descontar créditos da base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS relativos aos encargos com depreciação de bens e equipamentos incorporados ao ativo imobilizado que efetivamente participem do processo produtivo da empresa.
PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3803-003.300
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente o Conselheiro Juliano Eduardo Lirani. Acompanhou o julgamento: Drª Denise da Silveira Peres de Aquino Costa, OAB/SC nº 10264.
[assinado digitalmente]
Alexandre Kern - Presidente.
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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TERMO. ALCANCE. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam, processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser diretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. EMBALAGEM PARA TRANSPORTE. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. Se o serviço de transporte das mercadorias fizer parte da operação de venda, e tiver seus custos suportados pelo produtor, as embalagens de transporte serão necessárias para a preservação da integridade dos bens durante o transporte e gerarão direito a crédito. ENCARGOS COM DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. CREDITAMENTO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos da base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS relativos aos encargos com depreciação de bens e equipamentos incorporados ao ativo imobilizado que efetivamente participem do processo produtivo da empresa. PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 09 13 /2 01 0- 38 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/ 11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/05/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Direito Creditório Reconhecido em Parte. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente o Conselheiro Juliano Eduardo Lirani. Acompanhou o julgamento: Drª Denise da Silveira Peres de Aquino Costa, OAB/SC nº 10264. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues. Relatório O Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação da contribuição para o PIS nãocumulativo, no valor de R$ 12.365,15, decorrente de operações no mercado externo, que remanesceram ao final do 3º trimestre de 2007, após as deduções do valor das contribuições a recolher, concernentes às demais operações no mercado interno. A DRF em Joaçaba adotou como razão de decidir Parecer Fiscal elaborado por aquela Delegacia, homologando a compensação de parcela do crédito pleiteado, no valor de R$ 6.640,49. Ademais, a autoridade de piso se manifestou pela glosa da base de cálculo da contribuição, o crédito referente às operações de aquisição de embalagens de transporte; gastos com bens e serviços que não são considerados insumos e encargos com depreciação de bens do ativo imobilizado que não são diretamente utilizados no processo produtivo. Cientificado, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual defende que a Receita Federal do Brasil passou a considerar como insumo todo aquele bem ou serviço aplicado no processo produtivo da empresa, de modo que geram créditos os gastos e despesas com todos os bens, produtos e serviços utilizados para a consecução da atividade da empresa, seja participando do processo produtivo efetivamente, desgastandose ou não, em contato ou não com o produto final industrializado, bem como com os serviços primordiais cuja contratação é necessária para a efetivação das atividades desenvolvidas pela empresa. Em relação aos materiais utilizados na embalagem dos produtos, a contribuinte afirma que para "efetuar a comercialização de seus produtos, bem como o transporte e venda dos mesmos, é indispensável realizar a sua proteção, por meio de insumos adquiridos especificamente para esta finalidade, tais como chapas de papelão ondulado, etiqueta adesiva, cantoneiras, entre outros". Defende, então, que "os materiais adquiridos para a Fl. 154DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/ 11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10925.000913/201038 Acórdão n.º 3803003.300 S3TE03 Fl. 11 3 confecção das embalagens participam da venda do produto, pois necessitam ser devidamente embalados, de forma a garantir a integridade da mercadoria que seguirá até seu destino final". No que concerne aos bens e serviços, cujos valores foram glosados por não consistem de insumo, a interessada reclama que os valores a estes relacionados não poderiam ser glosados em razão de sua descrição genérica e afirma que cabia a Autoridade Fiscal buscar a verdade, não estando este obrigado a restringir seu exame ao que foi alegado, trazido ou provado. Afirma que os serviços prestados por HEMERSON LEONILDO OLENKA ME, cuja atividade envolve o cultivo de pinus e o apoio à produção florestal, e por ZAMARI SERVIÇOS RURAIS LTDA, que atua na produção de serviços rurais, estão perfeitamente integrados ao seu processo produtivo, o que poderia ter sido verificado numa simples verificação in loco do processo produtivo. Quanto a glosa referente aos bens do ativo imobilizado, defende o direito a crédito em relação a: 1. equipamentos/máquinas adquiridos para manter usina termoelétrica, responsáveis pela produção da energia consumida no parque fabril; 2. equipamentos e máquinas que realizam o trabalho de exaustão, como os equipamentos filtrantes MIB 02 (Exautores) MCA Brandt, cavalete para o exaustor, e todas as peças de reposição adquiridas para a manutenção destes equipamentos; 3. equipamentos que realizam a medição de ruídos (como o decibilimetro ESC 35 a 130 DB Mod. DEC405), utilizado dentro das dependências da empresa, para realizar o trabalho de manutenção das condições locais, para o bom desempenho das atividades dos funcionários que estão em contato direito com o processo produtivo no parque fabril; 4. máquinas que efetuam os pacote das embalagens, qual seja a máquina de arquear Blancks, máquinas de prensar, aparelho CH 48 (utilizado para a realização do lacre das embalagens e tem por finalidade amarrar a madeira), aparelho esticador (utilizado para a aplicação do filme plástico nas embalagens); 5. máquinas que realizam o deslocamento dos produtos dentro das instalações da empresa, como é o caso das empilhadeiras Hyster Mod. H80J e empilhadeiras MCA Clark C interno 122, carro hidráulico para pallets; 6. equipamento controlador fitosanitário, utilizado na secagem de madeiras dentro das estufas, que realiza o trabalho de manter o produto (madeiras) sem a presença de fungos, sendo aplicado diretamente sobre ele. Ao final, requereu a atualização dos créditos pela taxa SELIC, a partir da data de protocolo do respectivo pedido administrativo de ressarcimento; a oportunidade de provar o alegado por meio de todos as prova em direito admitidas, principalmente através da juntada de novos documentos e o reconhecimento integral do crédito pleiteado e homologação das compensações declaradas. A DRJ em Florianópolis indeferiu a manifestação e não reconheceu o direito creditório pleiteado. Eis a ementa: Fl. 155DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/ 11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/05/2013 por ALEXANDRE KERN 4 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2007 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. ONUS DO CONTRIBUINTE. Nos processos administrativos referentes a repetição de indébito, cabe ao contribuinte, em sede de Manifestação de Inconformidade, provar o teor das alegações que contrapõe aos argumentos postos pela Autoridade Fiscal para não acatar, ou acatar apenas parcialmente o pleito repetitório. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Ano calendário: 2006 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. A legislação é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento: somente dão direito A. crédito os custos com bens e serviços tidos como insumos &retamente aplicados na produção de bem destinado A. venda e as despesas e os encargos expressamente previstos na legislação de regência. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade da contribuição, para fins de creditamento de valores, somente são considerados como insumos: as matérias primas, os produtos intermediários e o material de embalagem, que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades fisicas ou químicas, em função de sua aplicação direta no processo produtivo do bem destinado à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no Pais, aplicados diretamente na produção ou fabricação do produto destinado à venda. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas as embalagens que se caracterizam como insumos, que são incorporadas ao produto destinado A venda durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação) dão direito a crédito. As agregadas ao produto apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo As suas aquisições. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime da nãocomutatividade, a pessoa jurídica poderá descontar créditos a titulo de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens, adquiridos de pessoa jurídica Fl. 156DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/ 11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10925.000913/201038 Acórdão n.º 3803003.300 S3TE03 Fl. 12 5 domiciliada no Pais e incorporados ao ativo imobilizado, que estejam diretamente associados ao processo produtivo de bens destinados A venda. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual, em apertada síntese repisa os mesmos argumentos da Manifestação de Inconformidade, requerendo a reforma do julgado hostilizado para que seja homologada a compensação declarada. Trouxe, ainda, notas fiscais de serviços prestados pela pessoa jurídica Zamaris Serviços Rurais LTDA e Empreiteira Pedroso LTDA, para contrapor os argumentos expostos pela DRJ em Florianópolis para manter a glosa efetuada pela DRF em Joaçaba. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. A contribuinte já identificada acima buscou via Per/Dcomp a compensação de crédito, decorrente de operações no mercado externo, remanescentes após as deduções do valor das contribuições a recolher, concernentes às demais operações no mercado interno. Sua pretensão foi parcialmente reconhecida pela delegacia de origem o que ensejou o presente inconformismo. Quanto da análise do crédito, a autoridade fiscal entendeu que a contribuinte não faria jus à exclusão da base de cálculo das contribuições sociais concernentes a algumas operações realizadas por esta no mercado interno. Tais glosas foram objeto de impugnação no recurso voluntário, uma vez que foram mantidas pela DRJ em Florianópolis, e serão objeto de apreciação neste voto. DO CONCEITO DE INSUMOS No tocante ao mérito da lide, a qual desemboca para o conceito de insumos defendido pela receita federal e contraposto pela contribuinte, pedimos vênia para discordar da primeira e fazer as considerações iniciais que consideramos relevantes para a compreensão desta decisão. A Madecal Agro Industrial LTDA. tem por objeto social a implantação, manutenção e comércio de florestas e a exploração da indústria e comércio de madeiras, bem como a industrialização, comercialização, importação e exportação de resíduos e compostos de madeira e plástico na forma granulada, e de produtos na forma extrudada ou injetada. Busca a contribuinte através de declaração de compensação, compensar seus débitos com crédito de PIS nãocumulativo relativo ao 2º trimestre de 2007. Seu pleito foi parcialmente deferido, tendo a autoridade fiscal oportunamente esclarecido que os valores Fl. 157DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/ 11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/05/2013 por ALEXANDRE KERN 6 glosados dizem respeito à aquisições que estariam fora do conceito de insumos tendo em vista que não configuram matéria prima, produto intermediário, material de embalagem e também não são serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Em 29 de agosto de 2002, foi editada a Medida Provisória nº. 66, que instituiu a sistemática da não cumulatividade do Pis/Pasep, reproduzindoa na Lei n. 10.637, de 30 de dezembro de 2000. Em seu art. 3º, inciso II, a referida lei autoriza a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. In verbis: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (grifamos) Da mesma forma, a Medida Provisória n. 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003, instituiu a sistemática da não cumulatividade da Cofins, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, de redação idêntica àquela do Pis/Pasep senão vejamos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Por intermédio da Emenda Constitucional n. 42/2003, de 31 de dezembro de 2003, o princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais alcançou o plano constitucional através da inserção do § 12 ao art. 195, que assim dispôs: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Fl. 158DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/ 11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10925.000913/201038 Acórdão n.º 3803003.300 S3TE03 Fl. 13 7 [...] b) a receita ou o faturamento; [...] § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. O art 3º, inciso II das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, dispõe sobre a possibilidade de a pessoa jurídica descontar créditos relacionados a bens e serviços, utilizados como “insumo” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Buscando normatizar o conteúdo da legislação fiscal em comento, a Secretaria da Receita Federal veiculou, através das Instruções Normativas ns. 247/02 (redação alterada pela Instrução Normativa 358/2003), e 404/04, estabelecendo, para fins de aproveitamento de créditos, o alcance do termo "insumo", vejamos: Instrução Normativa SRF n. 247/2002 PIS/Pasep Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I – das aquisições efetuadas no mês: [...]b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: (Redação dada pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.2) na prestação de serviços; (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...]§ 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) Fl. 159DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/ 11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/05/2013 por ALEXANDRE KERN 8 II utilizados na prestação de serviços: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) (grifamos) Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: [...]b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; [...]§ 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (grifamos) [...] O que se extrai da leitura dos dispositivos acima transcritos é que o creditamento das contribuições sociais encontramse adstritas aos bens utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, à matériaprima, ao produto intermediário, ao material de embalagem e quaisquer outros que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano Fl. 160DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/ 11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10925.000913/201038 Acórdão n.º 3803003.300 S3TE03 Fl. 14 9 ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Em se tratando de serviços, os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, necessário, ainda, que os bens não estejam incluídos no ativo imobilizado, bem assim, os serviços sejam prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, sendo aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto ou prestação do serviço. Como se observa, a interpretação conferida pelos atos normativos da Receita Federal, em muito se assemelha ao conceito de “insumos” conferido pela legislação do IPI, o qual se transcreve abaixo a título comparativo: Decreto n. 7.212/2010 RIPI/2010 Art.226.Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; Todavia, não concebo a idéia de que a sistemática do Pis/Pasep e da Cofins possa em tanto se assemelhar àquela adotada pela legislação que regulamenta o IPI. O regime da nãocumulatividade do IPI, cujo critério material é a operação relativa à produtos industrializados, encontra respaldo no art. 153, § 3º, II, da Constituição Federal, o qual permite "a compensação do que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores", a fim de impedir a tributação em cascata. Desse modo, na sistemática da nãocumulatividade, temos o desconto do débito da saída do produto com o valor do crédito da entrada do insumo que foi aplicado no produto industrializado, fazendo com que haja a compensação dos valores cobrados nas etapas anteriores. Por tal razão, o conceito de "insumos" para fins de nãocumulatividade do IPI, restringese basicamente às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, bem como aos produtos que são consumidos no processo de industrialização, que tenham efetivo contato com o produto. Por outro lado, no caso do Pis/Pasep e da Cofins, o legislador não restringiu a apropriação de créditos de Pis/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II do artigo 3º da Lei 10.637/2002, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, jamais se conceberia. Entrementes, não podemos admitir que se amplie tal conceito ao ponto de permitir o abatimento de toda e qualquer despesa necessária à manutenção da atividade empresarial (despesas operacionais), conforme preceitua o RIR (Decreto 3000/99) nos arts. 290 e 299. A autorização para a dedução de despesas operacionais equipararia o PIS e a COFINS ao imposto de renda, o que não seria adequado, já que, além das contribuições Fl. 161DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/ 11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/05/2013 por ALEXANDRE KERN 10 incidirem sobre o lucro, e não sobre a receita, o IR onera o produtor, sem levar em consideração a especificidade de suas atividades, o que não pode ser aplicado para o caso das contribuições em questão. Desta forma, pactuo do entendimento que o termo “insumos” utulizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as depesas necessárias à atividade da empresa. Imprescindível salientar que também não se pode entender como insumo tão somente os gastos com bens ligados à “essencialidade ao processo produtivo” ante o seu inegável subjetivismo. Assim, creio que o critério que mais confere segurança jurídica para a Administração Fazendária e seus administrados é o da aplicação direta do bem no processo produtivo, todavia, não basta que o bem seja aplicado diretamente no processo do produção do produto industrializado, mas que a subtração deste obste a atividade da empresa ou implique em substancial perda da qualidade do produto ou serviço daí resultante, além de que tal bem não integre o ativo imobilizado da empresa, o que impossibilitaria o creditamento. O mesmo, também encontrase reproduzido no Resp 1.246.317 MG de relatoria do Min. Mauro Campbell e foi adotado por esta Turma Especial para fins de interpretação do conceito de “insumos” na legislação das contribuições sociais. Desta forma, como outrora demonstrado, a abrangência do termo “insumos”para fins de creditamento do Pis/Pasep e da Cofins vai além daquele estabelecido pela legislação do IPI (MP, PI e ME), porém, aquém do alcance estabelecido pela legislação do IR, ressaltando que o gasto necessita ser essencial ao processo produtivo, de forma que sua subtração importe na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante, e que aquele bem tenha sido aplicado diretamente no processo produtivo. DA GLOSA REFERENTE ÀS EMBALAGENS APLICADAS AOS PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS DESTINADOS AO TRANSPORTE O Despacho Decisório sustentou que as embalagens para o fim de transporte não geram direito ao creditamento tendo em vista que a legislação de regência conceitua o processo de industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo. No entender da autoridade fiscal atuante, as embalagens que se destinam ao transporte dos produtos elaborados não compõem o processo de industrialização, diferentemente das embalagens de apresentação. Muito embora a autoridade fiscal entenda que as embalagens de transporte possam eventualmente se prestar também à garantia da integridade de seu conteúdo, ainda assim, justificou que por não conterem rótulos indispensáveis ou indicações promocionais que impliquem despesas mais elevadas em sua elaboração, não possuem o objetivo de, por si só, motivar a compra do produto nelas acondicionado ou valorizálos em razão dos materiais e acabamentos nelas empregados, que é o que caracteriza uma embalagem de apresentação. A DRJ perfilhou o mesmo entendimento esposado pela DRF em Joaçaba e manteve a glosa referente às embalagens aplicadas aos produtos industrializados destinados ao transporte. Em sua defesa, a Recorrente aduziu que os produtos industrializados compõemse Fl. 162DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/ 11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10925.000913/201038 Acórdão n.º 3803003.300 S3TE03 Fl. 15 11 de madeira e para efetuar a comercialização e o transporte dos seus produtos, é necessário efetuar a proteção, o que somente é possível mediante a aquisição de insumo adquiridos para esta finalidade, tais como chapas de papelão ondulado, etiqueta adesiva, cantoneiras entre outros. Os insumos glosados pela autoridade administrativa foram: a) etiquetas adesivas; b) chapa de papelão ondulado c) cantoneiras d) filme stretch e) fita de aço A Madecal em seu recurso, explicou que todos esses produtos são necessário para a proteção do produto comercializado para que o mesmo chegue em bom estado ao consumidor final. As etiquetas adesivas são legalmente exigidas para produtos destinados ao exterior e coladas na madeira, a chapa de papelão ondulado é utilizada como proteção superior, inferior e laterais do produto embalado como proteção, as cantoneiras servem para proteger as laterais do pacote, o filme stretch e a fita de aço possuem a finalidade de amarrar este pacote. Não há como concordar com o posicionamento adotado pela delegacia de origem e de julgamento. Isto porque, a embalagem de transporte integra o custo de venda do produto e faz parte do processo de industrial, que só se encerra com a aquisição pelo consumidor final. A embalagem destinada ao transporte visa a conservação e proteção do produto durante o transporte contra agentes externos indesejáveis. Se o serviço de transporte das mercadorias integra a operação de venda, com custos suportados pelo produtor, tais embalagens se mostram imprescindíveis para a proteção e manutenção da integridade da madeira durante seu transporte, bem como, para garantir que o consumidor adquira um produto de qualidade, devem ser consideradas como insumos deste. Numa interpretação extensiva, podese considerar o material de transporte insumo sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias, nos termos definidos no art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/02 e 10.833/03. No caso das contribuições sociais, as Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 deixaram bem clara esta intenção quando incluiu os serviços de armazenagem de mercadoria e de frete, quando suportados pelo vendedor. A própria lei mais recente, ao dar efetividade ao princípio da nãocumulatividade expresso no art. 195, §12, da Constituição Federal, visando sempre diminuir os custos finais do produto, pelo nãorepasse a este destes tributos cobrados em toda cadeia produtiva, considerou a situação de o próprio produtor arcar com os custos de armazenagem e de frete, descontandose os créditos de PIS e COFINS destes serviços da base de cálculo das contribuições sociais. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça e desta Turma Especial, julgados em 19/08/2009 e 23/05/2012, respectivamente.1 1 Resp nº 1125253/SC. Relatoria do Min. Humberto Martins. Acórdão nº 380302.983, da 3ª Turma Especial, da 3ª Seção. Relatoria do I. Cons. Jorge Victor Rodrigues. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/ 11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/05/2013 por ALEXANDRE KERN 12 Da mesma forma, entendo que a IN SRF 358, de 09/09/2003 ao incluir no conceito de insumos o material de embalagem utilizado no processo produtivo, não fez qualquer distinção se para apresentação ou para transporte de mercadorias. Justamente por ser genérico, pretendeu o legislador com o art. 8º § 4º, I da IN SRF nº 404/04, autorizar o creditamento de todo e qualquer material de embalagem desde que comprovadamente utilizado no processo de produção do bem. Desta feita, voto para reformar as decisões hostilizadas no sentido de considerar as aquisições de materiais que compõem as embalagens utilizadas no transporte dos produtos industrializados pela empresa. DA GLOSA REFERENTE AOS DEMAIS BENS E SERVIÇOS NÃO CONSIDERADOS INSUMOS Compulsando o Parecer Fiscal que motivou o reconhecimento parcial do crédito pleiteado pela Recorrente, observase que os valores constantes do Quadro 2 foram glosados pela Receita Federal tendo em vista a descrição genérica da contribuinte, o que impossibilitou a identificação de certos bens e serviços como insumos do processo produtivo da madeira. O Colegiado a quo manteve o decisum, justificando que nos casos de repetição de indébito a incumbência do ônus probandi é do próprio contribuinte, o qual alega a existência de crédito a seu favor. Neste ponto, não há o que repreender na decisão proferida pela DRJ em Florianópolis. Como regra, impende a quem alega o ônus da prova. A ambos, administração fazendária e contribuintes, cabe a produção de provas que proporcionem condições de convicção ao julgador favoráveis à sua pretensão. Em casos como este, em que o contribuinte alega a existência de crédito, sobre este recai a responsabilidade da apresentação de todos os elementos de provas que demonstrem a cabal existência do crédito pretendido, desta forma, a apresentação de tais documentos oferecem maior possibilidade de apreciação objetiva e segura quanto às conclusões extraídas de seus resultados, assegurando ampla defesa ao contribuinte, para que o mesmo não seja maculado além do expressamente previsto na legislação tributária. De outro turno, em sede de Manifestação de Inconformidade entendeu aquele Órgão que não logrou a contribuinte comprovar o teor de suas alegações: “dos serviços glosados não constam serviços prestados pela empresa HEMERSON LEONILDO OLENICA ME; consta do campo DESCRIÇÃO DOS SERVIÇOS das notas n° 35 e 36 emitidas pela empresa ZAMARI SERVIÇOS RURAIS LTDA, que se encontram juntadas nos autos do processo 10925.001731/200860 (Cofins do mesmo período), a descrição "Locação de 03 máquinas c/ implemento"”. Para contrapor os argumentos até então expendidos em seu desfavor, trouxe a Madecal notas fiscais de prestação de serviços bem como comprovantes de situação cadastral das empresas Zamari Serviços Rurais LTDA. e Empreiteira Pedroso LTDA, com o fito de comprovar, por meio destes, que os serviços contratados destas pessoas jurídicas são insumos no processo produtivo da madeira comercializada pela ora Recorrente. Destarte, não se presta a instância recursal à analise de provas posto que tal feito já é realizado, a priori, pela SRF e em momento posterior pela DRJ. Competência esta Fl. 164DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/ 11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10925.000913/201038 Acórdão n.º 3803003.300 S3TE03 Fl. 16 13 delegada pelo art. 15, incisos I e V do Decreto 7.482, de 16 de maio de 2011 e art. 25, inciso I da Lei nº 70.235 de 06 de março de 1972. Vide: Art. 15. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete: I planejar, coordenar, supervisionar, executar, controlar e avaliar as atividades de administração tributária federal e aduaneira, inclusive as relativas às contribuições sociais destinadas ao financiamento da seguridade social e às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor; V preparar e julgar, em primeira instância, processos administrativos de determinação e exigência de créditos tributários e de reconhecimento de direitos creditórios, relativos aos tributos por ela administrados; Art. 25. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: I em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal; Nesse sentido, o Contribuinte contou com dois momentos distintos e oportunos para apresentar a devida documentação que comprovasse suas alegações, visto que, por tratarse de repetição de indébito, incumbe ao próprio Contribuinte a prova de fato constitutivo de seu direito. Outrossim, reza o parágrafo 4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72 que “a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual”. Preceitua, ainda, o mesmo artigo 16 que da impugnação constará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que comprovem o direito do impugnante. Como se percebe, o momento processual para a apresentação das provas que a Recorrente entendessem cabíveis foi a Manifestação de Inconformidade, de modo que não se conhecerá dos documentos acima elencados nesta instância recursal. Observese que não se presta esta instância à análise probatória, entendimento já consolidado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Da Glosa Referente aos Bens do Ativo Imobilizado A Autoridade Fiscal glosou encargos com depreciação de bens do ativo imobilizado não aplicados diretamente no processo produtivo de bens destinados à venda. O argumento utilizado foi que “vários dos bens declarados na linha 09 não encontram relação com o processo produtivo da interessada”. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/ 11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/05/2013 por ALEXANDRE KERN 14 A contribuinte contesta a glosa procedida pela Autoridade Fiscal alegando que “existem algumas máquinas/equipamentos nas dependências da empresa que participam do processo produtivo, embora a ele não se integrem”. Observase que a DRJ de piso manteve a decisão da DRF neste ponto, tendo em vista que a contribuinte não logrou êxito em comprovar nos autos a efetiva participação, no processo produtivo da madeira, das máquinas que compõem o ativo imobilizado da empresa. Considerou o Colegiado que a contribuinte deveria ter trazido junto à Manifestação de Inconformidade as notas fiscais de aquisição dos bens que menciona, o que possibilitaria a verificação da origem de cada um dos bens objeto da presente glosa (notese que da listagem de bens fornecida pela contribuinte não constam o nome e nem o CNPJ dos fornecedores) e a aferição da natureza (aplicação dentro da empresa) de cada um deles. Temendo a insuficiência da argumentação para reformar o julgado anterior, a ora Recorrente retificou o erro cometido em primeiro grau, apresentando no Recurso Voluntário novos instrumentos de prova, qual seja, cópias das notas fiscais de aquisição dos bens que compõem o ativo imobilizado e que ao seu entender participam ativamente do processo produtivo dos bens comercializados pela empresa. Cotejando as glosas realizadas pela autoridade atuante que constam no Parecer Fiscal com o conceito de insumos expendido mais acima, observamos de pronto que a decisão proferida pela DRJ merece reparos. Novamente reportome ao objeto social da ora Recorrente: a implantação, manutenção e comércio de florestas e a exploração da indústria e comércio de madeiras, bem como a industrialização, comercialização, importação e exportação de resíduos e compostos de madeira e plástico na forma granulada, e de produtos na forma extrudada ou injetada. Percebe se então que a renda e os lucros da empresa provém, basicamente, da comercialização de madeiras. De antemão observo que nem todos os bens glosados pela autoridade fiscal são passíveis de creditamento, ou tiveram sua participação no processo produtivo comprovados. Compulsando os autos é possível perceber que no Parecer Fiscal o parecerista tomou o cuidado de descrever a função de cada equipamento glosado no estabelecimento comercial da empresa. Por outra via, em seu recurso voluntário, a contribuinte defende o direito a crédito de equipamentos como a empilhadeira Hyster, carro hidráulico, máquina de arquear blanks, cortador de grama dirigível, roçadeira, aparelho CH 48, aparelho esticador, laminadora polaseal, kit controlador fitosanitário. Assim, entendo que o contribuinte faz jus ao desconto da base de cálculo da contribuição social em questão dos valores glosados constantes do Parecer Fiscal referentes ao encargo com depreciação dos bens do ativo imobilizado, com exceção dos seguintes bens e equipamentos: cortador de grama; equipamento para combate de incêndio; roçadeira; macaco; módulo solar; torres para comunicação; equipamento de proteção para incêndio; cancela automática; máquina para cortar asfalto; sistema para armazenamento de combustível. Conclusão Ante o exposto, voto por dar PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para que sejam descontados da base de cálculo da contribuição social em questão, os valores expendidos com embalagem de transporte e com despesas com bens do ativo imobilizado, com exceção dos seguintes bens e equipamentos: cortador de grama; equipamento para combate de incêndio; roçadeira; macaco; módulo solar; torres para comunicação; Fl. 166DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/ 11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10925.000913/201038 Acórdão n.º 3803003.300 S3TE03 Fl. 17 15 equipamento de proteção para incêndio; cancela automática; máquina para cortar asfalto; sistema para armazenamento de combustível, tendo em vista que não tiveram aplicação direta no processo produtivo ou cuja aplicação não foi comprovada. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 167DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/ 11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/05/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 13971.910872/2009-99
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS.
A realização de diligências destina-se a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.
Numero da decisão: 3403-002.104
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITOS. DÉBITOS CONFESSADOS. ERRO. COMPROVAÇÃO. O deferimento de pedido de restituição de pagamento indevido de débito depende da prova do erro na confissão, passível de ser produzida, mesmo no curso do contencioso administrativo fiscal, até o momento processual da reclamação, prescindindo, nesse caso, de prévia retificação da DCTF. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 91 08 72 /2 00 9- 99 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório INDUSTRIAL REX LTDA. formulou o Pedido de Restituição e Declaração de Compensação, por meio do qual pretendeu restituirse de indébito de Cofins (Cód. 5856), por pagamento efetuado em 16/02/2007, e compensar o direito creditório com débitos de IPI. Por Despacho Decisório Eletrônico, a DRF/BlumenauSC indeferiu o pleito e não homologou a compensação porque o pagamento indigitado foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Sobreveio reclamação, por meio da qual o contribuinte alega que o despacho decisório contestado não adentrou no mérito do crédito postulado . Pleiteia a declaração de nulidade do ato administrativo, em razão de faltarlhe motivação, fundamentação, o que feriria o direito ao contraditório e à ampla defesa. Argúi também a ausência de fundamentação , desvio de finalidade e prejuízo ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo legal . E argumenta no sentido da necessidade da busca pela verdade material, princípio reitor da atuação administrativa. Complementarmente, pugna pela não exigência da multa de mora em razão da necessária subordinação aos princípios da vedação ao confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. E contesta, por fim, a imposição dos juros de mora calculados com base na taxa Selic, chamando à colação à limitação dos juros de mora pretensamente posta no Código Tributário Nacional. Pleiteia, por fim, a decretação da nulidade do despacho decisório e a obstaculização de qualquer cobrança de valores resultantes do referido ato administrativo. A DRJ/FNS4ª Turma julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão no 07029.068, de 25 de maio de 2012, fls. 59 a 63, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.910872/200999 Acórdão n.º 3403002.104 S3C4T3 Fl. 105 3 Para que os recolhimentos relativos a débitos declarados em DCTF sejam tidos como indevidos e passíveis de repetição, é preciso que o sujeito passivo retifique a declaração originalmente apresentada, alterando os valores daqueles débitos para, com isso, consubstanciar juridicamente a existência do indébito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso interposto contra a decisão da DRJ/FNS4ª Turma. O arrazoado de fls. 67 a 89, após síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma as arguições de nulidade já cogitadas na manifestação de continuidade. Invoca o princípio da verdade material para protestar por seu direito de provar o crédito mesmo na fase recursal. Tacha de nula a aplicação da multa de mora de 20% sobre os valores que diz serem indevidamente compensados. Da mesma forma, rechaça a incidência de juros Selic sobre o débito emergente da não homologação da compensação. Conclui, requerendo integral provimento ao Recurso Voluntário, a fim de que sejam homologadas as compensações declaradas. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 67 a 89 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJFNS4ª Turma nº 07029.068, de 25 de maio de 2012. Matéria controvertida A decisão recorrida não conheceu da reclamação quanto aos acréscimos legais incidentes sobre o valor do débito que emergiu inadimplido pela não homologação da compensação declarada. Fêlo bem. Tratandose de cobrança propriamente dita, a matéria escapa do rito instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Incidentalmente, saiba a recorrente que os acréscimos legais sobre os débitos não pagos na data de seu vencimento estão expressamente previstos no art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não cabendo aos agentes da Administração deixar de aplicálos em face de argumentos de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN 4 Preliminares de nulidade do Despacho Decisório Nesse ponto, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que, forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, passam a fazer parte integrante desse voto. O despacho decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, devendo ser refutada a argüição. Ainda que de forma sintética, o despacho decisório contém motivação, base legal e permitiu ao contribuinte total conhecimento das irregularidades imputadas a seu pleito, habilitandolhe o exercício pleno do seu direito de defesa. Também não há que se falar em desvio de finalidade do ato administrativo, até mesmo porque este está corretamente fundamentado. Mérito Afastadas as preliminares argüidas e não conhecida a insurgência contra procedimentos de cobrança, a inconformidade manifestada na reclamação ficou vazia. Nada obstante, a decisão recorrida, assentandose sobre a premissa de que a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação reclama a prévia retificação do valor do débito pretensamente confessado em erro em DCTF, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade sumariamente, sem qualquer menção ao “deserto” em que se transformou o presente processo no que diz respeito à prova do direito creditório aventado. Já é entendimento assentado nesta Turma o de que tal óbice deve ser afastado, em face do contido no art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), reproduzido no art. 57 do Regulamento do Processo Administrativo Fiscal, aprovado pelo Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, norma com aplicação autorizada aos processos da espécie pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 30 de dezembro de 2008. Na verdade, a prévia retificação da DCTF apenas viabiliza o processamento automático dos PER/Dcomp, mas jamais poderia ser tida como requisito para a verificação da liquidez e certeza de direito creditório. Se é certo que a espontaneidade da confissão do débito implica a sua irretratabilidade, também o é que o art. 214 do Código Civil – CC Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, admite sua revogação quando produzida em erro de fato. E, conforme visto, mesmo na fase contenciosa do procedimento administrativo fiscal, que ora se desenrola, o requerente, enquanto manifestante, pode (e deve) produzir a prova necessária para a demonstração de seu direito, entre elas, a do erro no preenchimento de declaração. Tecidas essas considerações preambulares, por meio das quais se refuta a necessidade de prévia retificação da DCTF e se reafirma o direito de produção probatório do crédito postulado até o momento processual da reclamação, não se pode deixar de reconhecer que não há o menor início de prova do indébito. O recorrente, a certa altura de sua peça recursal, protestou por seu direito de provar o direito creditório. Mas a insurgência limitouse a isso. O recorrente não alega erro na declaração, não questiona legalidade ou inconstitucionalidade da norma de incidência tributária, nem qualquer outra das fantasiosas construções de indébitos freqüentes depois da edição da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002. Nada. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.910872/200999 Acórdão n.º 3403002.104 S3C4T3 Fl. 106 5 Matéria de extremada importância em sede processual é a referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. Neste campo, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o principio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de oficio, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9° do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento "deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". De outro lado, ao contribuinte a legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de oficio: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras do lançamento. Já nos casos de repetição de indébito, como no presente processo, entretanto, o quadro resta um pouco modificado, como a seguir se verá. Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. Tanto é assim que a Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que rege atualmente os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3° A restituição a que se refere o art. 2° poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § Iº A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante cio Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN 6 [..1 § 4° Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3° serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. [..1 Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada. mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Como se percebe, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prerrequisito ao conhecimento do pleito. E o que se deve ter por documentos comprobatórios do crédito? Por óbvio que os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito; sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. É certo que as normas acima transcritas prevêem a realização de diligências, por parte da autoridade fiscal, destinadas à verificação da exatidão das informações trazidas pelos contribuintes, mas é preciso ter em conta que tal previsão não existe com o fim de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/pleiteante; em outras palavras, as diligências servem para esclarecer pontos duvidosos específicos, e não para que a autoridade fiscal, diante da falta de comprovação da existência do crédito, supra tal omissão do contribuinte. No caso específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, o contribuinte cumpre o ônus que a legislação lhe atribui, quando traz os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de oficio, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valer se das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas Fl. 109DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.910872/200999 Acórdão n.º 3403002.104 S3C4T3 Fl. 107 7 questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. Se, de um lado é certo que o DARF informado no PER/Dcomp comprova um recolhimento, de outro, inexiste nos autos qualquer prova de que o pagamento seja indevido. Há tãosomente a alegação do requerente, ora recorrente. Nada mais. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). A esse propósito, reportome à Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. De acordo com o seu art. 36, que regulamenta o sistema de distribuição da carga probatória no Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do requerente: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também corrobora esse entendimento: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à Fl. 110DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN 8 existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) À falta da prova do erro, capaz de afastar o atributo de irretratabilidade da confissão de dívida, milita contra a alegação do requerente a presunção de que o pagamento não lhe confere qualquer direito creditório porque foi alocado a débito espontaneamente confessado em DCTF. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.910872/200999 Acórdão n.º 3403002.104 S3C4T3 Fl. 108 9 Conclusão Nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 23 de abril de 2013 Alexandre Kern Fl. 112DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10650.902399/2011-25
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2000
ISENÇÃO. RECEITA DE VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS REALIZADAS ATÉ 14 DE DEZEMBRO DE 2000. VEDAÇÃO LEGAL.
Por expressa vedação legal, até 14 de dezembro de 2000, a isenção da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre as receitas das operações de exportação para o exterior não era extensível às receitas das vendas para a Zona Franca de Manaus (ZFM).
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NÃO COMPROVADA A EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. INDEFERIMENTO MANTIDO.
Mantém-se o indeferimento do pedido de restituição quando não comprovada a existência do crédito pleiteado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-001.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro Solon Sehn acompanhou o voto do Relator quanto ao fundamento da inexistência de prova do direito creditório.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2000 ISENÇÃO. RECEITA DE VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS REALIZADAS ATÉ 14 DE DEZEMBRO DE 2000. VEDAÇÃO LEGAL. Por expressa vedação legal, até 14 de dezembro de 2000, a isenção da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre as receitas das operações de exportação para o exterior não era extensível às receitas das vendas para a Zona Franca de Manaus (ZFM). PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NÃO COMPROVADA A EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. INDEFERIMENTO MANTIDO. Mantémse o indeferimento do pedido de restituição quando não comprovada a existência do crédito pleiteado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro Solon Sehn acompanhou o voto do Relator quanto ao fundamento da inexistência de prova do direito creditório. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 90 23 99 /2 01 1- 25 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), transmitido em 29/3/2004, no valor de R$ 146,93, relativo ao pagamento a maior que o devido da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de janeiro de 2000, referente a vendas de mercadorias a clientes estabelecidos na Zona Franca de Manaus (ZFM). Por meio do Despacho Decisório (eletrônico) de fl. 5, o pedido foi indeferido, por inexistência de crédito, com base no argumento de que o pagamento indicado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não existindo crédito disponível para restituição. Em sede de manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou, em preliminar, nulidade do Despacho Decisório por cerceamento do direito de defesa, sob alegação de que não tinha certeza quanto ao motivo do indeferimento nem informações precisas acerca das supostas incorreções cometidas pelo contribuinte. No mérito, alegou que tinha direito à restituição do crédito pleiteado, com base nos seguintes argumentos: a) as vendas para clientes situados na ZFM eram equiparadas à uma exportação para o estrangeiro, logo, todas as vantagens fiscais que a legislação tributária estabelecesse para as operações de exportação, seja por meio de imunidade, seja por meio de isenção, seriam extensíveis à Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins; b) a Medida Provisória nº 18586 determinara que, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, as receitas de exportação de mercadorias para o exterior eram isentas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, no entanto vedara a isenção das vendas para a ZFM; c) a limitação constante da referida Medida Provisória fora contestada perante o Supremo Tribunal Federal (STF), por intermédio da Medida Cautelar nº 2.2161; d) o STF havia decidido que não era permitido à lei/medida provisória suprimir direitos que foram outorgados constitucionalmente aos contribuintes; e e) o suposto erro formal contido na DCTF, não era capaz de extinguir o direito creditório originado de pagamentos comprovadamente recolhidos a maior, sob pena de agressão aos princípios da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade. Para fim de comprovação da existência do crédito pleiteado, solicitou realização de diligência e apresentou quesitos. Sobreveio o acórdão da 1ª Turma de Julgamento da DRJ Juiz de Fora/MG, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, com base nas seguintes razões: a) a motivação do Despacho Decisório era perfeitamente clara e adequada ao descrever o motivo da inexistência do crédito solicitado, logo, não era cabível a sua nulidade; b) a realização da diligência proposta era desnecessária, uma vez que os quesitos formulados eram do conhecimento do Colegiado e as questões de fato eram irrelevantes para a solução do litígio, ademais, os elementos coligidos aos autos eram suficientes para o julgamento da lide; c) no mérito, com respaldo no entendimento exarado na Solução de Divergência Cosit nº 22, de 2002, não acolheu o pedido de restituição formulado, com base nos argumentos, explicitados na ementa do acórdão recorrido, a seguir transcritos: Fl. 115DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10650.902399/201125 Acórdão n.º 3802001.654 S3TE02 Fl. 21 3 A isenção prevista no art. 14 da Medida Provisória nº 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. A isenção não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1º de fevereiro de 1999 e 17 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, e reedições. Em 24/5/2012, a Recorrente foi cientificada da decisão primeira instância. Em 21/6/2012, protocolou o Recurso Voluntário de fls. 78/93, em que, apenas em relação ao mérito, reafirmou os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade. Em aditamento, alegou que: a) os efeitos fiscais da equiparação das vendas para a ZFM a uma operação de exportação para o exterior também valeriam para a Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, instituídas após a vigência do Decretolei n° 288, de 28 de fevereiro de 1967, pois, a expressão “constantes da legislação em vigor” do artigo 4º do citado Decretolei, não tinha o condão de conferir interpretação estática à isenção das vendas para a ZFM, de modo a alcançar apenas os tributos vigentes ao tempo em que o referido diploma entrou em vigor, nem tampouco mitigara a equiparação entre as exportações para o exterior e as exportações para a ZFM; b) a Contribuição para o PIS/Pasep não incidiria para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, o que abrange a competência reclamada pela recorrente, haja vista (i) a supressão da expressão “na Zona Franca de Manaus” do inciso I, § 2°, do artigo 14 da MP nº 2.03725, de 2000, e sucessivas reedições, e (ii) a equiparação dos efeitos fiscais das exportações para o exterior às exportações para a ZFM, contemplada no artigo 14, II, da referida MP e sucessivas reedições, conforme prevê o artigo 4º do Decretolei nº 288, de 1967, e a jurisprudência dos tribunais superiores; e c) a restituição do indébito era sempre devida, sendo irrelevante a retificação ou não da DCTF, o que pode ser feita em qualquer momento no curso da homologação do crédito pleiteado, a menos que haja procedimento fiscal instaurado de ofício, o que não é o caso. Ademais, o direito da recorrente não poderia ser mitigado por eventual erro ou falha no preenchimento da DCTF, haja vista que o processo administrativo fiscal era informado pelos princípios da verdade material, prejuízo ou insignificância, razoabilidade e proporcionalidade. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Duas questões de mérito são relevantes no caso em tela. A primeira, diz respeito à isenção das receitas de venda para a ZFM da cobrança da Contribuição para o Fl. 116DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 4 PIS/Pasep, origem do suposto crédito pleiteado pela recorrente. A segunda, referese à necessidade de retificação prévia da DCTF, para fim de reconhecimento do direito à restituição da parcela do valor crédito pleiteada e computada no valor total do débito declarado na DCTF. O deslinde da primeira questão prescinde da análise e decisão quanto a existência jurídica do alegado direito à isenção, que, caso não seja reconhecido, obviamente, torna desnecessária a análise da segunda questão. E a razão é evidente, se não há suporte legal para a alegada isenção, consequentemente, inexiste o alegado indébito, logo o valor total do débito declarado na DCTF está correto e é devido, não havendo motivo para a retificação da citada Declaração. Da isenção da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre as receitas de venda para a ZFM. Em relação a esse ponto, a controvérsia gira em torno da isenção da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre as receitas de vendas realizadas às pessoas jurídicas situadas na ZFM. A Turma de Julgamento a quo entendeu que não existia previsão legal para a referida isenção, com base no argumento de que a equiparação, para efeitos fiscais, das vendas para ZFM às operações de exportação para o exterior, prevista no art. 4º do Decretolei nº 288, de 1967, aplicavase apenas aos benefícios fiscais em vigor na data da edição do referido Decretolei. Por outro lado, a recorrente alegou que a citada isenção existia desde 1º de fevereiro de 1999, por força do inciso II do art. 14 da Medida Provisória nº 2.03725, de 2000, que teve sucessivas reedições, até a redação definitiva da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, que tem a seguinte redação: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: [...] II da exportação de mercadorias para o exterior; [...] § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. [...] Segundo a recorrente, como as receitas de venda para a ZFM foram excluídas da vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 2000, tais receitas passaram ser isentas, desde 1º de fevereiro de 1999, nos termos do inciso II do art. 14 anteriormente transcrito, pois, para efeitos fiscais, as operações de venda para ZFM eram equiparadas às operações de exportação para o exterior, conforme estabelecido no art. 4º do Decretolei nº 288, de 1967, a seguir reproduzido: Art. 4° A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10650.902399/201125 Acórdão n.º 3802001.654 S3TE02 Fl. 22 5 De fato, antes da edição da Medida Provisória nº 1.95231, de 14 de dezembro de 2000, o inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 2000, tinha a seguinte redação: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: [...] II da exportação de mercadorias para o exterior; [...] § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; [...] (grifos não originais) Após a edição da Medida Provisória nº 1.95231, de 2000, a expressão “na Zona Franca Manaus”, constante do inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 2.037 24, de 2000, foi excluída, conforme exposto no art. 11 da referida MP, a seguir reproduzido: Art. 11. O inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 23 de novembro de 2000, passa a vigorar com a seguinte redação: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; (NR) Em face dessa alteração, a partir da edição da Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, a expressão “na Zona Franca de Manaus” foi suprimida do inciso I do § 2º do art. 14, passando a ter a seguinte redação: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: [...] II da exportação de mercadorias para o exterior; [...] § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; [...] Após sucessivas reedições, essa nova redação foi mantida até a edição da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, e permanece em vigor até a presente data. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 6 Com a supressão da expressão “na Zona Franca de Manaus” do referido preceito legal, a partir 15/12/2000, data da vigência da Medida Provisória nº 1.95231, de 2000, às receitas das vendas para a ZFM foram excluídas da restrição legal quanto à extensão do benefício da isenção da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins incidente sobre as receitas de exportação, prevista no inciso II do caput do art. 14 das citadas Medidas Provisórias. Em consequência dessa alteração, a partir de 15/12/2000, para fim de isenção da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, foi restabelecida a equiparação das vendas para ZFM às operações de exportação para o exterior, nos termos do art. 4º do Decretolei nº 288, de 1967. Da mesma forma, a isenção das receitas de exportação foi estendida às receias das vendas de mercadorias para ZFM, conforme estabelecido no inciso II do caput do art. 14 das citadas Medidas Provisórias. O entendimento aqui esposado, está em consonância com decisão liminar unânime do pleno do C. Supremo Tribunal Federal (STF), proferida em 07/12/2000, nos autos da ADI nº 2.3489, em que deferida medida cautelar, com efeito ex nunc para suspender a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus” constante do artigo 14, § 2º, I, da Medida Provisória nº 2.03724, de 2000. Essa decisão liminar foi mantida até 10/2/2005, quando foi revogada, por meio de decisão que, em face da ausência de aditamento da inicial, declarou prejudicado o pedido por perda de objeto. A proximidade das datas evidencia que a finalidade da novel redação do inciso I do § 2º do art. 14 fora adequar o texto normativo ao conteúdo da referida decisão liminar. Assim, em conformidade com teor da referida decisão, no período em que vigeu a vedação ao direito da isenção em apreço, este Colegiado, por expressa vedação legal, determinada no art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), em relação às receitas de vendas para a ZFM, não tem competência para afastar a aplicação da vedação estabelecida no artigo 14, § 2º, I, vigente até o advento da Medida Provisória nº 1.95231, de 2000. No caso em tela, o crédito pleiteado referese a receitas de vendas para a ZFM do mês de janeiro de 2000, período em que tais receitas estavam sujeitas à cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep. Logo, se não havia isenção, não houve alegado pagamento indevido, portanto, inexistente o direito creditório pleiteado. Demonstrada a inexistência do direito material, fica prejudicada a análise da questão formal concernente à necessidade de retificação da DCTF previamente ao pedido de restituição em apreço. No caso em tela, embora não exista fundamento jurídico para o direito creditório pleiteado, entendo oportuno analisar a questão probatória, o que será feito no tópico a seguir. Da inexistência de prova do direito creditório. Com o fim de provar a existência do direito ao crédito pleiteado, a recorrente trouxe à colação dos autos, instruindo a Manifestação de Inconformidade, apenas as notas fiscais de vendas do mês de janeiro de 2000 (fls. 54/63), realizadas para os clientes situados na ZFM. As referidas notas fiscais, embora necessárias para comprovar as receitas das vendas para a ZFM, são insuficientes para comprovar a parcela do pagamento maior que o devido da Contribuição para PIS/Pasep do mês de outubro de 1999. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10650.902399/201125 Acórdão n.º 3802001.654 S3TE02 Fl. 23 7 Na fase de manifestação de inconformidade, por força do disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), a recorrente tinha o ônus de acostar aos autos a prova inequívoca do crédito requerido. Para tal finalidade, são considerados adequados, dentre outros, os seguintes documentos: o Demonstrativo de Apuração da Contribuição e as cópias das folhas dos livros fiscais (Registro de Saídas e de Apuração do ICMS ou do IPI) e contábeis (Razão) do respectivo período de apuração do crédito pleiteado. Assim, fica demonstrado que a recorrente não se desincumbiu adequadamente do ônus probatório determinado no inciso III do artigo 16 do PAF, logo, também em razão da ausência de comprovação do crédito pleiteado, deve ser mantido o indeferimento do pedido de restituição em apreço. Da conclusão. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 120DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA
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Numero do processo: 19515.002353/2004-12
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2006
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/08/1999, 13/12/1999
Ementa: DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO.
Nos casos em que não tenha havido pagamento antecipado, o prazo de decadência para lançamento de imposto sujeito ao lançamento por homologação inicia-se no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. MULTA INCABÍVEL. INCIDÊNCIA DE JUROS. SÚMULA Nº 5 DO 1º CC.
Suspensa a exigibilidade do tributo antes de iniciado o procedimento de fiscalização, são devidos os juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, salvo quando existir depósito no montante integral, sendo indevida a multa de ofício aplicada.
Assunto: NORMAS PROCESSUAIS.
Data do fato gerador: 31/08/1999, 13/12/1999
Ementa: CONCOMITÂNCIA. SÚMULA Nº 1 DO 1º CC.
A simples existência de sentença denegatória com exame do mérito em Mandado de Segurança impetrado pelo recorrente já impede o reexame das mesmas matérias de mérito objeto do recurso, que sequer poderiam ser reapreciadas na instância administrativa, seja porque de acordo com a lei processual “nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas, relativas à mesma lide” (art. 471 do CPC), “sendo defeso à parte discutir, no curso do processo, as questões já decididas” (art. 473 do CPC), seja ainda porque a concomitância de discussão nas esferas judicial e administrativa enseja a renúncia desta última, pelo princípio da inafastabilidade e unicidade da jurisdição, hipótese em que as instâncias administrativas de julgamento estão legalmente impedidas de conhecer e reapreciar questões já discutidas na esfera judicial.
Recursos de ofício e voluntário negados.
Numero da decisão: 201-79.606
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES: I) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio; e II) pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça (Relator), Roberto Velloso (Suplente),
Fabiola Cassiano Keramidas e Gustavo Vieira de Melo Monteiro, que davam provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar os períodos lançados até primeiro de outubro de 1999. Designado o Conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto
vencedor.
Matéria: IOF - ação fiscal- (insuf. na puração e recolhimento)
Nome do relator: Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça
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Acórdão 201-79.606 aeP--1 Roa lar Sessão de 20 de setembro de 2006 Recorrentes DRJ EM CAMPINAS - SP e PARMALAT BRASIL S/A INDÚSTRIA DE ALIMENTOS Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/08/1999, 13/12/1999 Ementa: DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Nos casos em que não tenha havido pagamento antecipado, o prazo de decadência para lançamento de imposto sujeito ao lançamento por homologação inicia-se no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. 1 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. MULTA INCABÍVEL. INCIDÊNCIA DE JUROS. SÚMULA 142 5 DO 1 2 CC. 1 Suspensa a exigibilidade do tributo antes de iniciado o procedimento de fiscalização, são devidos os juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, salvoquando existir depósito no ; montante integral, sendo . indevida a multa de oficio aplicada. Assunto: NORMAS PROCESSUAIS. Data do fato gerador: 31/08/1999, 13/12/1999 Ementa: CONCOMITÂNCIA. SÚMULA 1\1 2 1 DO 12 CC. A simples existência de sentença denegatória com exame do mérito em Mandado de Segurança impetrado pelo recorrente. já impe& u itexarric das mesmas matérias de mérito objeto do recurso, que 4/4 cornam nr CoNFERE com o TikRevINTES Processo n.° 19515.002353/2004-12 t CCO2/C01 t 1 • Aa° n.* 201-79.606 rotai, _QL./ 5 i Fls. 363 kg°, • 44 Cruz Mal AO 3942 sequer poderiam ser reapreciadas na instância administrativa, seja porque de acordo com a lei processual "nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas, relativas à mesma lide" (art. 471 do CPC), "sendo defeso à parte discutir, no curso do processo, as questões já decididas" (art. 473 do CPC), seja ainda porque a concomitância de discussão nas esferas judicial e administrativa enseja a renúncia desta última, pelo princípio da inafastabilidade e unicidade da jurisdição, hipótese em que as instâncias administrativas de julgamento estão legalmente impedidas de conhecer e reapreciar questões já discutidas na esfera judicial. Recursos de oficio e voluntário negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES: I) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio; e II) pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça (Relator), Roberto Velloso Fabiola Cassiano Keramidas e Gustavo Vieira de Melo Monteiro, que davam provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar os períodos lançados até primeiro de outubro de 1999. Designado o Conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor. tEk , tgailL/01. Sitit . S A MARIA COELHO MARQU Presidente JOS T NIO FRANCISCO 6r-Designado n 1 1 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva e Maurício Taveira e Silva. ; A' SEGUcoNNOOF De CONTRIBUINTES ERECONcomsELH9 • hoJesso n.° 19515.002353/2004-12 1 O ORIGINAL CCO2/C01 • Acena) n.° 201-79.606 Fls. 364 asma. _QL./ id"'Y GaiL da cru - mar .463942 Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 304/348 — vol. II) e recurso de oficio (fl. 278 — II) interpostos contra o Acórdão DRJ/CPS n 2 12.202, de 14/02/2002, constante de fls. 277/287, exarado pela 3 2 Turma da DR.! em Campinas - SP que, por unanimidade de votos, hoirve por bem "JULGAR procedente em parte" o lançamento original de IOF (MPF n2 08.1.90.00-2002-04402-0), notificado em 25/10/2004 (fls. 68/81 — vol. I), no valor total de R$ 28.274.541,10 (10F R$ 10.975.592,15; juros de mora R$ 9.067.254,91; e multa proporcional R$ 8.231.694,04), que acusou a ora recorrente de ter apurado, em procedimento de ; verificações obrigatórias, falta de recolhimento de IOF devido sobre empréstimos coricedidos a pessoas jurídicas (cf. TV de fl. 65) no período de 28/02/99 a 31/12/99. Em razão desSes fatos a d. fiscalização acusa infringência ao art. 77, inc. III, do Decreto-Lei n 2 5.844/43; art.; 149 do C'TN, arts. 3 2 e 62 do Decreto n2 2.219/97 (Regulamente do I0F) e art. 13 da Lei n2 9.779/99, considerando exigíveis a multa de 75%, capitulada no art. 44, inciso I, da Lei n2 9.430/96, além dos juros calculados pela taxa Selic conforme o art. 61, § 3 2, da Lei n29.430/96. Por sua vez, reconhecendo expressamente que a impugnação atendia aos reqtúsitos de admissibilidade, a r. decisão de fls. 277/287, da 3 2 Turma da DRJ de Campinas - SP ! houve por bem manter em parte o lançamento original de IOF retromencionado aos fundamentos sintetizados em sua ementa nos seguintes termos: "Assunto:Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/08/1999, 13/12/1999 Ementa:LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. n ARTS. 150, 4°, E 173, I, DO CTN. Na hipótese em que o recolhimento dos tributos sujeitos a lançamento por homologação não ocorre ou ocorre em desconformidade com a legislação aplicável e, por conseguinte, procede-se ao lançamento de oficio (C27V; art. 149), o prazo decadencial de 5 (cinco) anos, nos 1 termos do art. 173, I, do CTN, tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que esse lançamento de oficio poderia haver sido realizado. (Precedente STJ - RESP 1822411SP). Considera-se extinta pelo instituto da decadência somente a parcela do crédito tributário lançado sem a observância do prazo assim contado. Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Data do fato gerador: 31108/1999, 13/12/1999 Ementa: PROCESSOADMINISTRATIVO FISCAL CONCOMITÂNCIA COMA ÇÃO JUDICIAL. A concessão de medida liminar em mandado de segurança, anterior a ação fiscal, importa na renuncia de discutir a matéria objeto da ação judicial na esfera administrativa, uma vez que as decisões judiciais se sobrepõem às administrativas, sendo analisados apenas os aspectos do lançamento não abrangidos pela ação mandamentaL DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO. COMPROVAÇÃO. .011 - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • Processo n.° 19515.002353/2004-12 CONFERE COMO ORIGINAL 1CCO2/C01 Ac6 t rdâo n.° 201-79.606 f? 7- i 05 o9 J Fls. 365 May Guta Ou: MM.: A44 Me Afastam-se os argumentos apresentados na impugnaçao uja procedência é negada pela própria contribuinte posteriormente e aqueles desacompanhados de base probatória. LANÇAMEATO DE OFICIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. MULTA. INCABÍVEL Suspensa a exigibilidade do tributo antes de iniciado o procedimento de fiscalização, afasta-se a multa de oficio aplicada Lançamento Procedente em Parte". Tendo havido sucumbência parcial da Fazenda Pública, o d. Presidente da C. 32 Turma da DRJ em Campinas - SP recorreu de oficio (fl. 278 — vol. II) a este Eg. Conselho de Contribuintes, nos termos do art. 34 do Decreto ri? 70235/72 (com as alterações das Leis n2 8.748193 e n2 9.532/97), e do art. r da Portaria MF n°375/2001. Em suas razões de recurso voluntário ((ls. 304/348 — vol. II) oportunamente apresentadas e instruídas com a Relação de Bens e Direitos para 'Arrolamento (fl. 352), a ora recorrente sustenta a insubsistência da autuação e da decisão de 1 2 instância na parte em que a manteve, tendo em vista: a) a contradição da decisão de primeira instância no que tange a apreciação do mérito sem conhecimento das alegações aduzidas na impugnação; b) a liminar concedida pelo poder judiciário; c) a decadência do direito de a Fazenda lançar o crédito tributário em apreço, em face da incidência do art. 150, parágrafo 4 2, do CTN, haja vista que entre a data dos supostos fatos geradores indicados (período de 28/02/1999 a 01/10/1999) e a data da lavratura do auto de infração (25/10/2004) já havia decorrido o lapso temporal de cinco anos; d) a fixação irregular de alíquota por portaria; e) a irregular aplicação da penalidade. É o Relatório. 7 #4- . . • Proc so n.° 19515.002353/2004-12 W • SEGUNDO coNsetso DE CCO2/C01• • Ac6r Ao n.°201-79.606 CONFERE com o ojorE3t1INTE3 Fls. 366 Grasiga,_ / 01 kfirin dada Cm " AO 3942 Voto Vencido Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator: O recurso voluntário (fls. 304/348 — vol. II) reúne as condições de admissibilidade e merece ser parcialmente provido para reformar parcialmente r. decisão ora recOrrida. Inicialmente anoto que a simples existência de sentença concessiva no referido mandado de segurança impetrado pela recorrente já impede um reexame das mesmas matérias de Mérito objeto do presente recurso, que sequer poderiam ser reapreciadas na instância administrativa, seja porque de acordo com a lei processual "nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas, relativas à mesma lide" (art. 471 do CPC), sendo "defeso à parte diséutir, no curso do processo, as questões já decididas" (art. 473 do CPC), seja ainda porque, havendo concomitância de discussão, esta C. Câmara tem reiteradamente proclamado, que "a discussão concomitante de matérias nas esferas judicial e administrativa enseja a renúncia nesta, pelo princípio da inafastabilidade e unicidade da jurisdição" (cf. Ac. n2 201-77.493, Rec. n2 122.188, da 1 2 Câm. do 22 CC, em sessão de 17/02/2004, R,.el. Antonio Mario de Abreu Pinto; e cf. tb Ac. n2 Acórdão ns' 201-77.519, Rec. ri2 122.642, em sessão de 16/03/2004, Rel. GuStavo Vieira de Melo Monteiro). Neste ponto mostra-se incensurável a r. decisão recorrida quando deixa de conhecer da impugnação "relativamente aos fatos geradores ocorridos de abril de 2000 a março de 2002, (.) ante a propositura de ação judicial com o mesmo objeto", razão pela qual merece ser mantida por seus próprios e jurídicos fundamentos, afinando-se plenamente com jurisprudência dominante do 1 2 CC, cristalizada na a Súmula n2 1, recentemente aprovada, que expressamente dispõe: "importa renúncia às instâncias adMinistrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade • processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." (cf. DOU-1, de 26/6/2006, p. 26, e RDDT vol. 132/239). Entretanto, o mesmo não se pode afirmar da r. decisão recorrida na parte relativa à questão da decadência, que merece reforma por não se conformar com o que dispõe a lei • ' I c ementar e com a interpretação que lhes emprestá a jurisprudênCia judicial _e adrhinistrativa. Realmente, embora não se possa ignorar que "a discussão concomitante de matérias nas esferas judicial e administrativa enseja a renúncia nesta, pelo princípio da inatastabilidade e unicidade da jurisdição" (cf. Ac. ri9 201-77.493, Rec. n2 122.188, da 12 Câm. do 22 CC, em sessão de 17/02/2004, Rel. Antonio Mario de Abreu Pinto; e cf. tb Ac. n2 • Acsk.érdão di 201-77.519, Rec. rt2 122.642, em sessão de 16/03/2004, Rel. Gustavo Vieira de • Melo Monteiro), o mesmo não se pode dizer das matérias objeto da impugnação ou do recurso adrninistrativo que, por ser distinta da constante do processo judicial, se prenda a competências pri+ativamente atribuídas pela lei à autoridade administrativa (ex vi dos arts. 142, .145, 147, 149 e 1 150 do CTN), como é o caso do lançamento, de sua homologação e do prazo decadencial extritivo de ambos. Wik 5 • ' • • SEGUNDO CONSELHO DE CONTFUBUINTEr CONFERE COM O ORIGINAL Processo n.° 19515.002353/2004-12 CCO2/C01 § • • • • .1 ActUlloact 201-79.606 ; / OS / O? Fls. 367 leder ete Que Matt A943942 Relativamente à decadência, verifica-se que solidamente apoiado no princípio constitucional da reserva da lei complementar, o Eg. STJ recentemente esclareceu que "as norml as dos arts. 150, § 42 e 173" do CTN "não são de aplicação cumulativa ou concorrente, ante' s são reciprocamente excludentes, tendo em vista a diversidade dos pressupostos da reskectiva aplicação: o art. 150, § 42, aplica-se exclusivamente aos tributos 'cuja legislação afr.:bua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa'; o art. 173, ao revés, aplica-se tributos em que o lançamento, em princípio, ante' cede o pagamento". Assim, entende aquela Eg. Corte que "a aplicação concorrente dos arti. 150, § 42 e 173", a par de ser 'juridicamente insustentável" e padecer de invencível "ilOgicidade", apresenta-se como "solução (.) deplorável do ponto de vista dos direitos do cidadão porque mais que duplica o prazo decadencial de cinco anos, arraigado na tradição jurídica brasileira como o limite tolerável da insegurança jurídica" (cf. Ac. da 2! Turma do STJ no R. Esp. n2 638.962-PR, rel. Min. Luiz Fux, publ. no DJU de 01/08/2005 e na RDDT 12f/238). Dos preceitos expostos, desde logo verifica-se que o auto de infração original 25/10/2004 (fls. 68/81 — vol. I), jamais poderia abranger operações ocorridas no período de 28/02/99 a 31/10/99, sobre as quais já se achava extinto o direito da Fazenda Pública de proceder ao lançamento, por se ter consumado o prazo decadencial e a conseqüente extinção do crédito tributário nos expressos termos dos arts. 150, § 4 2 e 156, inc. V, do CTN, impondo-se a exclusão das referidas operações do lançamento, tal como já prpclamou as Jurisprudências administrativa e judicial retrocitadas. Finalmente, ao excluir a multa no caso de suspensão de exigibilidade, a r. decisão recorrida mostra-se incensurável, afinando-se plenamente com a jurisprudência dorifinante do Eg. 1 9 CC, recentemente cristalizada no disposto na Súmula n2 5, que expressamente determina que somente "são devidos juros de mora sobre o crédito tributário nãci integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral" (cf. DOU-1, de 26/6/2006, p. 27), o que impõe o imProvimento do recurso de oficio (fl. 278 — vol. II). Isto posto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de oficio e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para reformar parcialmente a r. decisão exarada pela 3! Turma da DRJ em Campinas - SP e, na esteira da jurisprudência do STJ retiomencionada, para proclamar a decadência e a extinção do direito de constituir o crédito tributário em relação às operações ocorridas no período de 28/02/99 a 31/10/99, nos expressos • - • tet4l/e/tos arts. 150; § 42, e 156, inc. V, do CTN, mantendo no mais a r. decisão recorrida. É o meu voto. Sala das Sessões, em 20 de setembro de 2006. 4immArásoe4IS FERNANDO LUIZ DA GAMLLOBO D'EÇA SEGLINIT----.--rt -ON o DE CONTRIBUINTE-S. Processo n • 19515.002353/2004-12 CONFERE COM O ORIGINAL Erro! A origem • Acórdao n.°201-79.606 • da referencia não foi encontrada. kik" Cru - . Fls. 369.. Mat.: )91 3942 Voto Vencedor Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO, Relator-Designado. 1 Conforme esclarecido pelo Relator, trata-se de auto de infração lavrado em 25. . de outubro de 2004 (fls. 68/81 - vol. I), relativamente a operações ocorridas no período de período de 28 de fevereiro de 1999 a 31 de outubro de 1999. • 1 Nesse contexto, trata-se de saber se se aplica ao caso concreto a regra do art. 1509 § 42 (cinco anos do fato gerador), ou a do art. 173, I, do CTINI (cinco anos do 1 2 dia do exercício seguinte). São duas as razões que, segundo a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, causam o deslocamento da contagem do prazo, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, para a regra do art. 173, I: falta de pagamento antecipado e ocorrência de doho, fraude ou simulação (que não é o caso dos presentes autos). Dispõem os arts. 150 e § 1 2 e 149, V, do CTN: "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administittiva, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § I° O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: - quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa - - _ legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte;" Da combinação das disposições, tem-se que a hipótese de omissão ou inexatidão no exercício da atividade do art. 150 (antecipação do pagamento) é . caso de . lançamento de 01 O. Inicialmente, é preciso admitir que há divergências em relação à interpretação das disposições do art. 150, quanto ao que representaria a "atividade" atribuída por lei ao suj ito passivo. Obviamente, se a lei atribui ao sujeito passivo o dever de efetuar o "pagamento antecipado", está implícito que deve apurar o imposto devido. As atividades de apuração dos fatds sujeitos ao imposto e de aplicação da legislação ao caso concreto, portanto, mesmo que não se apure imposto, são obrigatoriamente exercidas pelo sujeito passivo. irgke7 • - SEGUNDO CONSELHO DE COM:SUN T.t.: CONFERE COM O ORIGINAL • Processo n.°19515.002353/2004-12CCO2/C01 !Cra te) 5 Ac6nM stra, 7- » o n.°201-79.606 — Fls. 369 MI44./ Goteia Cna Mat:Agfl9q Assim, é claro que a lei atribui ao sujeito passivo, ainda que impl - citamente, o • • I.dei,fiettrapurar os fatos e aplicar a lei. Entretanto, o Superior Tribunal de Justiça adotou a tese de que, sem pagamento antecipado, não haveria objeto à homologação, razão pela qual se trataria de lançamento de oficio, e não de lançamento por homologação. Dessa forma, na ausência de recolhimento do imposto, aplica-se a disposição do art.I173, I, do Código Tributário Nacional (Lei n2 5.172, de 1966), de forma que, tratando-se de períodos do ano de 1999, que poderiam já ter sido objetos de lançamento no próprio ano, a contagem iniciou-se em 1 2 de janeiro de 2000, finalizando-se em 31 de dezembro de 2004, não tendo ocorrido decadência. À vista do exposto, no tocante à decadência, voto por negar provimento ao recurso, acompanhando o Ilustre Relator no restante do recurso. Sala das Sessões, em 20 de setembro de 2006. JOS T ' • CISCO • kM- • Page 1 _0008700.PDF Page 1 _0008900.PDF Page 1 _0009100.PDF Page 1 _0009300.PDF Page 1 _0009500.PDF Page 1 _0009700.PDF Page 1 _0009900.PDF Page 1
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Numero do processo: 10920.006453/2008-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RELEVAÇÃO NO CASO DE AS FALTAS SEREM SANADAS. A multa por descumprimento das obrigações acessórias relativas ás contribuições previdenciárias somente será relevada se o infrator for primário, não tiver incorrido em agravantes e comprovar a correção de todas as faltas até a data da ciência da decisão da autoridade que julgar o auto de infração, artigo 291, § 1º do Regulamento da Previdência Social, vigente até a edição do Decreto n.º 6.032, de 01/02/2007. Nesse período, a multa por descumprimento de obrigação acessória comportava relevação se todas as falhas apontadas pela fiscalização fossem corrigidas até a data da decisão de primeira instância. Sem que fique demonstrado que as falhas foram sanadas, não há amparo para o pleito de relevação. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime - aplicação do art. 32-A para as infrações relacionadas com a GFIP - e o regime vigente à data do fato gerador - aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.585
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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Recorrente ARGENTAUREOS DOURAÇÃO E PRATEAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RELEVAÇÃO NO CASO DE AS FALTAS SEREM SANADAS. A multa por descumprimento das obrigações acessórias relativas ás contribuições previdenciárias somente será relevada se o infrator for primário, não tiver incorrido em agravantes e comprovar a correção de todas as faltas até a data da ciência da decisão da autoridade que julgar o auto de infração, artigo 291, § 1º do Regulamento da Previdência Social, vigente até a edição do Decreto n.º 6.032, de 01/02/2007. Nesse período, a multa por descumprimento de obrigação acessória comportava relevação se todas as falhas apontadas pela fiscalização fossem corrigidas até a data da decisão de primeira instância. Sem que fique demonstrado que as falhas foram sanadas, não há amparo para o pleito de relevação. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP e o regime vigente à data do fato gerador aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 2 Acordam os membros do colegiado, I) por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10920.006453/200887 Acórdão n.º 230102.585 S2C3T1 Fl. 102 3 Relatório Tratase de Auto de Infração (AI) nº 37.198.5069, lavrado em 20/10/2008, por ter a empresa acima identificada, segundo Relatório Fiscal da Infração, fls. 09/14, apresentado o documento a que se refere o art. 32, inciso IV e §3º com informações inexatas, incompletas ou omissas em relação aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, no período de 01/2004 a 12/2007, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 138.955,91, fls. 01. A fiscalização apontou que o contribuinte deixou de declarar em GFIP as remunerações dos prestadores de serviços autônomos, bem como teve problemas no envio das competências 13. Após tomar ciência pessoal da autuação em 21/10/2008 fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 61/63 , na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. Em vista das informações sobre a correção da falta, dói solicitada diligência para que a fiscalização apurasse tal situação, fls. 60. A informação fiscal de fls. 61/63 dá conta que somente as GFIPs das competências 13 foram corrigidas, remanescendo sem correção as demais. A 6ª Turma da DRJ/Florianópolis, no Acórdão de fls. 90/92, julgou a impugnação procedente em parte, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 22/04/2010, fls. 95. O órgão julgador acatou a relevação parcial da multa em relação às competências 13. O recurso voluntário, apresentado em 10/05/2010, fls. 96/98, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Alega que houve um erro no reenvio das GFIPs, pois ao informar novos dados os dados anteriores foram apagados. Sem que tenha ocorrido máfé, entende que a multa deve ser afastada. Requer a aplicação do novo regime de multas da MP 449. É o relatório. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Conselheiro Mauro José Silva, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. A recorrente insiste na relevação da multa aplicada , ainda que tenha ficado constatado que as falhas não foram integralmente sanadas. Sobre a relevação da multa, a legislação aplicável ao caso determina o seguinte: RPS Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. § 1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. Portanto, somente com a correção de todas as faltas é que podemos aplicar a relevação da penalidade. Sem amparo legal, portanto, o pleito da recorrente. Sobre a ausência de máfé, ainda que acatássemos tal argumento, isso não seria capaz de afastar a multa aplicada, tendo em vista o conteúdo do art. 136 do CTN. Ou seja, a intenção do agente é irrelevante na aplicação das penalidades tributárias. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10920.006453/200887 Acórdão n.º 230102.585 S2C3T1 Fl. 103 5 Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: • lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores esta; • lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 6 Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo Fl. 112DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10920.006453/200887 Acórdão n.º 230102.585 S2C3T1 Fl. 104 7 terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva Fl. 113DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 8 lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora Fl. 114DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10920.006453/200887 Acórdão n.º 230102.585 S2C3T1 Fl. 105 9 no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO de modo a manter a multa mais benéfica quando comparada a penalidade prevista nos parágrafos do art. 32 com aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 115DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 10735.001358/2002-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1992 a 30/04/2002 PER/DCOMP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. REPERCUSSÃO GERAL - ART. 543-C DO CPC. ART. 62-A DO RICARF - O instituto da denúncia espontânea não é aplicável quando se trata de mero atraso no pagamento de obrigações tributárias já conhecidas do órgão fazendário, sendo esse o entendimento consolidado nas decisões proferidas pelo STJ na sistemática da repercussão geral, portanto de aplicação obrigatória no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-001.371
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1992 a 30/04/2002 PER/DCOMP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. REPERCUSSÃO GERAL ART. 543C DO CPC. ART. 62A DO RICARF O instituto da denúncia espontânea não é aplicável quando se trata de mero atraso no pagamento de obrigações tributárias já conhecidas do órgão fazendário, sendo esse o entendimento consolidado nas decisões proferidas pelo STJ na sistemática da repercussão geral, portanto de aplicação obrigatória no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Fabíola Cassiano Keramidas, Helio Eduardo de Paiva Araújo e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por WALBER JO SE DA SILVA 2 Relatório Por bem relatar os fatos, transcrevo parte do relatório que instruiu a decisão recorrida, no Acórdão nº 1212.024, sessão de 05/10/2006, proferida pela Sétima Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (fls. 253/257): Em 11/04/2002, a interessada protocolou PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO, fls. 1 e 193, posteriormente convertido em DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, na forma do art. 74, § 4°, da Lei n° 9.430/1996. De acordo com o pedido, a interessada pretende liquidar diversos débitos de COFINS, CSLL e IPI, mediante compensação com multa sobre recolhimento espontâneo de PIS, COFINS, CSLL, IRPJ, IRRF e IPI, no valor de R$ 405.464,57. Posteriormente, solicitou outro pedido de compensação, em 08/05/2002, fl. 227, que somente foi juntado aos autos em 12/01/2006. Em 03/06/2005, após análise, foi emitido Despacho Decisório pela DERAT/Rio de Janeiro, fl. 199 e Parecer conclusivo de fls. 194/198 com ciência da interessada em 16/01/2006, fl. 226, não reconhecendo o direito credit6rio e não homologando as compensações efetuadas pela interessada, que apenas considerou o primeiro pedido de compensação, com fundamento nas seguintes razões: . inexistência de crédito com requisitos de liquidez e certeza, nos termos do art. 170 do CTN, pois o contribuinte não motivou nem comprovou que seus pagamentos foram indevidos para surgir o crédito pleiteado; . ao descrever seu crédito como multa sobre recolhimento espontâneo de tributos, leva a crer tratarse de recolhimentos de multa de mora, incidentes quando o tributo não foi pago na data de vencimento; conforme o entendimento da Coordenação Geral do Sistema de TributaçãoCOSIT/SRF, a multa de mora não é excluída pela denúncia espontânea; . se fosse cabível, grande parte dos valores relacionados já teriam sido alcançados pela decadência do direito de pleitear a repetição de indébito, que é de 5 anos; . assim, os pagamentos das multas foram devidos, não havendo o que restituir; Em função da juntada posterior aos autos da decisão do segundo pedido de compensação com débitos de CSLL e IPI, fl. 231, foram emitidos novo Parecer e Despacho Decisório complementares, ás fls. 232/236, ciência da interessada em 03/02/2006, fl. 238, mantendo os mesmos motivos iniciais de indeferimento. Inconformada com a referida decisão, a interessada apresentou, em 15/02/2006, a manifestação de inconformidade de fls. 239/250 (...). Fl. 379DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por WALBER JO SE DA SILVA Processo nº 10735.001358/200299 Acórdão n.º 3302001.371 S3C3T2 Fl. 2 3 Consta do Pedido de Restituição (fls. 01) que o mesmo se refere a multa sobre recolhimento espontâneo de PIS, COFINS, CSLL, IRPJ, IRRF e IPI, e que estariam sendo anexadas planilhas demonstrando o cálculo da restituição, bem como 180 DARF’s. Nessas planilhas são relacionados os seguintes pagamentos que teriam sido efetuados a título de multa de mora, no período de janeiro de 1988 a dezembro de 2002: • Fls. 14 a 18: multa de mora sobre recolhimento do PIS, totalizando R$6.857,23; • Fls. 32 a 36: idem sobre recolhimentos relativos ao IPI, totalizando R$140.625,30; • Fls. 69 a 73: idem sobre recolhimentos relativos à COFINS, totalizando R$98.966,90; • Fls. 114 a 118: idem sobre recolhimentos relativos à CSLL, totalizando R$33.438,25; • Fls. 131 a 135: idem sobre recolhimentos relativos ao IRPJ, totalizando R$124.377,24, e • Fls. 160 a 164: idem sobre recolhimentos relativos ao IRRF, totalizando R$1.199,65. A decisão de primeiro grau está assim ementada (fls. 253): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/1992 a 30/04/2002 Ementa: DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. Incabível a restituição/compensação da multa de mora recolhida quando da ocorrência de pagamento em atraso. Rest/Ress. Indeferido Comp. não homologada Cientificada dessa decisão em 20 de setembro de 2007 (AR de fls. 260) a interessada protocolizou recurso voluntário a este Conselho no dia 19 de outubro seguinte (fls. 261/288), apresentando, em síntese, os seguintes argumentos: que é absolutamente incabível o pagamento da multa de mora quando do recolhimento espontâneo de obrigações tributárias após a data de vencimento, à luz do art. 138 do Código Tributário Nacional – CTN, que transcreve; que a doutrina de renomados tributaristas corrobora seu entendimento, fazendo citações, mediante transcrição, de textos desses doutrinadores; que a jurisprudência emanada dos tribunais superiores milita a seu favor, consoante referências feitas a alguns julgados do Supremo Tribunal Federal – STF; que também a Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, órgão julgador pertencente ao CARF, se posiciona nessa mesma linha de entendimento, fazendo referência a julgados mediante transcrição; Fl. 380DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por WALBER JO SE DA SILVA 4 conclui asseverando que uma vez atendidos os requisitos do art. 138 do CTN, quais sejam: pagamento do tributo antes do início de qualquer procedimento fiscal, devidamente acrescido dos juros moratórios, nenhuma penalidade adicional, incluindo multas moratórias, é devida. É o relatório. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por WALBER JO SE DA SILVA Processo nº 10735.001358/200299 Acórdão n.º 3302001.371 S3C3T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Relator. O recurso é tempestivo e assente em lei, devendo ser conhecido. Tratase de PER/DCOMP protocolizada em 11/04/2002, compreendendo alegados indébitos fiscais que teriam sido recolhidos no período compreendido entre janeiro de 1988 e dezembro de 2002, relativos a pagamentos espontâneos de tributos já vencidos, efetuados com o acréscimo de juros e de multa de mora, entendendo a interessada que tal multa de mora teria sido recolhida indevidamente, porquanto ao caso aplicarseia o instituto da denúncia espontânea disciplinada no art. 138 do Código Tributário Nacional – CTN. Conforme enfatizado na decisão recorrida, parte desses pretensos indébitos fiscais, na data da formalização do pedido de restituição, já teria sido alcançada pela prescrição temporal, mesmo levandose em consideração o prazo prescricional de dez anos aplicável ao caso, já que a data de protocolização do pedido (11/04/2002) é anterior à vigência da Lei Complementar nº 118/2005 (a partir de 09/06/2005), caso em que a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior (dez anos), limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. Entretanto a discussão dessa matéria, que seria em sede de preliminar, deixa de ter relevância para o presente caso em face de o litígio ter condições de ser solucionado mediante apreciação da arguida ‘denúncia espontânea’ quanto ao seu mérito, cujo instituto, conforme já referido, está disciplinado pelo art. 138, do CTN, que assim dispõe: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Por definição, entendo que a denúncia somente faz sentido se se referir a algo que ainda não seja do conhecimento da pessoa ou instituição a quem a mesma é prestada, ou seja, não se pode falar que tenha havido denúncia de ato ou fato que já fosse do conhecimento de quem a recebera. A propósito, tomando emprestadas as bem lançadas referências feitas pela i. ex Conselheira Josefa Maria Coelho Marques, no voto condutor do Acórdão nº CSRF/0201.603, sessão de 22/03/2004, denunciar, na acepção empregada no art. 138 do CTN, significa dar a conhecer, revelar, noticiar, o que só faz sentido em se tratando de algo ou alguma coisa até então desconhecida e que merecesse ser levada ao conhecimento de quem de direito, de onde se infere a evidente conclusão de que o pagamento espontâneo, após o vencimento, de tributo cuja existência já seja do conhecimento do sujeito ativo da obrigação, não é suficiente para que, ao caso, se aplique o instituto da denúncia espontânea. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por WALBER JO SE DA SILVA 6 Esse entendimento foi consagrado pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ, consoante decisões assim ementadas: • TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECLARADO E PAGO A DESTEMPO. NÃO CONFIGURAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. RECURSO PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA PARTE, PROVIDO. 1. A ausência de prequestionamento da matéria relativa à prescrição atrai a incidência do óbice das Súmulas 282 e 356/STF. 2. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Resp 962.379, de relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, Dje 28/10/08, submetido ao rito dos processos repetitivos previsto no art. 543C do CPC, firmou entendimento de que, na hipótese de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o crédito declarado e constituído pelo contribuinte e pago a destempo não configura denúncia espontânea. 3. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido para afastar a incidência da denúncia espontânea. (REsp 1063076 / PR, RECURSO ESPECIAL 2008/01219453, Relator(a) Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, Data do Julgamento 05/04/2011, Data da Publicação/Fonte DJe 11/04/2011) • TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (RECURSO ESPECIAL Nº 962.379 RS (2007/01428689), RELATOR : MINISTRO TEORI ALBINO ZAVASCKI) Sendo assim, e em razão do disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de Fl. 383DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por WALBER JO SE DA SILVA Processo nº 10735.001358/200299 Acórdão n.º 3302001.371 S3C3T2 Fl. 4 7 22/06/2009, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 22/12/2010, as decisões deste Tribunal Administrativo estão vinculadas ao entendimento emanado do STJ quanto aos seus julgados na sistemática da repercussão geral a que alude o art. 543C do Código de Processo Civil – CPC, conforme segue: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No seu recurso voluntário (fls. 264), assevera a recorrente que De fato, em decorrência de eventuais problemas de caixa, gerados pela atual conjuntura econômica, o recolhimento de alguns tributos e contribuições federais foi efetuado fora do prazo regularmente estabelecido, contudo, de forma espontânea, de onde se extrai que estamos diante do pagamento de obrigações que já se faziam conhecidas do órgão fazendário e que foram liquidadas após o data de vencimento, tendo o recolhimento sido efetuado com os acréscimos legais representados pelos juros e pela multa de mora, ou seja, tratase de mero atraso no pagamento de tributos, não havendo falarse de denúncia espontânea. Verificase, pois, que o caso moldase perfeitamente ao que foi decidido pelo STJ nos julgados acima referidos, razão pela qual nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Fl. 384DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por WALBER JO SE DA SILVA
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Numero do processo: 13227.720730/2011-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1º de janeiro de 1997, caracteriza-se como omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta bancária, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Preliminar rejeitada
Recurso negado
Numero da decisão: 2201-002.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinatura digital
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente
Assinatura digital
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator
EDITADO EM: 18 de abril de 2013.
Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Rayana Alves de Oliveira França e Ricardo Anderle (suplente convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator EDITADO EM: 18 de abril de 2013. Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Rayana Alves de Oliveira França e Ricardo Anderle (suplente convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
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Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1º de janeiro de 1997, caracterizase como omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta bancária, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Preliminar rejeitada Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 72 07 30 /2 01 1- 89 Fl. 528DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 EDITADO EM: 18 de abril de 2013. Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Rayana Alves de Oliveira França e Ricardo Anderle (suplente convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório LUIZ MOACIR DE MEDEIROS interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJBELÉM/PA (fls. 459) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 07/10, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF, referente ao exercício de 2009, no valor de R$ 846.831,60, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 1.673.339,24. A infração que ensejou o lançamento foi a omissão de rendimentos apurada com base em depósitos bancários com origens não comprovadas, conforme descrição detalhada dos fatos e fundamentos legais da exigência no Termo de Verificação de infração às fls. 13/20. O Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que embora tenha tenta conseguir os extratos bancários junto aos Bancos, não conseguiu, pois a requisição foi prejudicada pela greve dos bancários; que em razão disso determinouse a quebra do seu nsigilo bancário, sem autorização judicial; que., além disso, foram desconsiderados os comprovantes por ele apresentados, autuandoo com base em ilações; que o Fisco não comprova o seu acréscimo patrimonial, ou o auferimento de ganhos, e o autua por depósitos bancários, e ainda, com multa de ofício. O Contribuinte argumenta que o Decreto nº 70.235, de 1972 não foi recepcionado pela Carta Política de 1988, por ferir o princípoio da reserva legal, mas, mesmo assim, esta norma define os procedimentos a serem observados, orientação ignorada pelos Autuantes. Observa que o auto de infração sequer foi assinado pelo autuado, sendolhe enviado via AR. Quanto ao mérito, o Impugnante alega que realizou uma negociação junto com a empresa Agriflora Compensados Industria e Comércio Ltda, estabelecida na área urbana de Giparaná para desenvolver suas atividades como administrador financeiro, sendo que, no exercício dessa atividade, deparouse com a falta de crédito da empresa junto às instituiçlões financeiras e passou, então, a trocar créditos (cheques prédatados) na Cooperativa de Crédito de Giparaná, resultado esta atividade financeira em um passivo de R$ 3.500.000,00, pois todo o crédito era trocado em seu nome era para a empresa, e depositado na conta desta. Por fim, o Contribuinte tece considerações, respaldado em súmula do STF sobre a representação fiscal para fins penas antes do lançamento definitivo de crédito tributário. Referese à Súmula Vinculante do STF nº 29. A DRJBELÉM/PA julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. Fl. 529DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13227.720730/201189 Acórdão n.º 2201002.039 S2C2T1 Fl. 3 3 Inicialmente a DRJBELÉM/PA tece considerações sobre o lançamento com base em depósitos bancários com origens não comprovadas, concluindo pela regularidade deste tipo de procedimento. Sobre as alegadas origens dos depósitos, observou a DRJ observou que os documentos apresentados pelo Contribuinte e que lastreariam suas alegações de que os depósitos teriam origem em operações de desconto de duplicatas ou empréstimos, e que se encontram às fls 287/399 não trazem nenhuma assinatura, o que impede a averiguação de sua autenticidade e, portanto, não se prestam como meio de prova. Sobre as queixas do Contribuinte á quebra do seu sigilo bancários, a turma Julgadora de primeira instância observou que o procedimento tem previsão legal, e cita a Lei nº 9.311, de 1996 e o Decreto nº 3.724, de 2001, este último que define os procedimentos para a obtenção, por parte do Fisco, das informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes, e concluiu que tais procedimentos foram observados no caso. Sobre a alegada nulidade do lançamento por falhas materiais, como a ausência de assinatura do Autuado, a DRJ rebate a alegação observando que todo o procedimento fiscal, quanto a estes aspectos, transcorreu conforme as orientações normativas. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 10/02/2012 (fls. 474) e, em 12/03/2012, interpôs o recurso voluntário de fls. 477/503, que ora se examina, e no qual reitera, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Examino, inicialmente, a argüição de nulidade do lançamento. Alega o Contribuinte que o lançamento traz falhas materiais como a ausência de sua assinatura e inobservância das orientações do Decreto nº 70.235, de 1972 o qual, segundo o Contribuinte, não foi recepcionado pela Constituição de 1988. Sobre os vícios apontados, a alegação não procede. O auto de infração não traz a assinatura do Contribuinte porque lhe foi enviado por AR, o que está em consonância com as orientações legais, não se constituindo o fato em vício algum. Sobre as alegadas divergências entre o procedimento adotado e as orientações do Decreto nº 70.235, a Contribuinte não os especificas e, compulsando os autos não vislumbro vício algum quanto a este aspecto. E sobre a alegação de que o Decreto nº 70.235, de 1972 não foi recepcionado pela Constituição, a afirmação é gratuita, apresentada sem nenhum respaldo na doutrina ou na jurisprudência. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Não vislumbro, assim, nenhum vício que possa ensejar a nulidade do lançamento, razão pela qual rejeito a preliminar. Quanto ao mérito, relativamente à possibilidade do lançamento com base em presunção de omissão de rendimentos a partir de depósitos bancários com origem não comprovada, este procedimento tem previsão em disposição expressa de lei a qual prevê como conseqüência para a verificação de depósitos bancários cuja origem, regularmente intimado, o Contribuinte não logre comprovar como documentos hábeis e idôneos, a se de presumir que se trata de rendimentos subtraídos ao crivo da tributação, autorizando o Fisco a exigir o imposto correspondente. Tratase do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o qual para melhor clareza, transcrevo a seguir, já com as alterações e acréscimos introduzidos pela Lei nº 9.481, de 1997 e 10.637, de 2002, in verbis: Art. 42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de Fl. 531DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13227.720730/201189 Acórdão n.º 2201002.039 S2C2T1 Fl. 4 5 informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Como se vê, é a própria lei que considera como rendimentos omitidos os depósitos bancários de origem não comprovada, instituindo, assim, uma presunção, no caso, relativa, que é um instrumento ao qual o Direito lança mão para alcançar certos tipos de situações que sem ele lhe escapariam. Como ensina Alfredo Augusto Becker (Becker, A. Augusto. Teoria Geral do Direito Tributário. 3ª Ed. – São Paulo: Lejus, 2002, p.508): As presunções ou são resultado do raciocínio ou são estabelecidas pela lei, a qual raciocina pelo homem, donde classificamse em presunções simples; ou comuns, ou de homem (praesumptiones hominis) e presunções legais, ou de direito (praesumptiones juris). Estas, por sua vez, se subdividem em absolutas, condicionais e mistas. As absolutas (juris et de jure) não admitem prova em contrário; as condicionais ou relativas (júris tantum), admitem prova em contrário; as mistas, ou intermédias, não admitem contra a verdade por elas estabelecidas senão certos meios de prova, referidos e previsto na própria lei. E o próprio Alfredo A. Becker, na mesma obra, define a presunção como sendo "o resultado do processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável" e mais adiante averba: "A regra jurídica cria uma presunção legal quando, baseandose no fato conhecido cuja existência é certa, impõe a certeza jurídica da existência do fato desconhecido cuja existência é provável em virtude da correlação natural de existência entre estes dois fatos". Pois bem, o lançamento que ora se examina teve por base uma presunção legal do tipo juris tantum, onde o fato conhecido é a existência de depósitos bancários de origem não comprovada e a certeza jurídica decorrente desse fato é o de que tais depósitos foram feitos com rendimentos subtraídos ao crivo da tributação. Tal presunção pode ser ilidida mediante prova em contrário, a cargo do autuado. Não se trata aqui, portanto, de confundir depósitos bancários com renda, mas de se presumir um a partir do outro e, neste aspecto o lançamento está de pleno acordo com a orientação normativa. Quanto às alegadas origens relacionadas a negociações que o contribuinte diz que fez junto com a empresa Agriflora Compensados Industria e Comércio Ltda, em nome de quem movimentou cerca de R$ 3.500.000,00, a afirmação está desacompanhada de elementos que a comprove. Para comprovar as origens dos depósitos bancários, não basta apenas indicar uma possível orígem para os depósitos, uma origem genérica, é preciso indicar de forma individualizada, se não a atotalidade dos depósitos, de parte significativa destes. E no caso, o Contribuinte não aponta um único depósito que teria a alegada origem. Nestas condições, penso que paira incólume a presunção de omissão de rendimentos. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 533DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 13888.720672/2008-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2004
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a sua lavratura, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa. ITR - ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL - EXCLUSÃO DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL.
O recorrente foi autuado pelo fato de ter excluído da base de cálculo do ITR área de preservação permanente e reserva legal sem prévio ato declaratório ambiental. A Medida Provisória 2.166, de 24 de agosto de 2001, ao inserir o parágrafo 7, ao artigo 10 da Lei 9.393, de 1996, dispensa a apresentação do contribuinte, de ato declaratório do IBAMA, com a finalidade de excluir da base de cálculo do ITR as áreas de preservação permanente e de reserva legal, ressalvada a possibilidade da Administração Tributária demonstrar a falta de veracidade da declaração do contribuinte. Quando o contribuinte for intimado e conseguir demonstrar através de provas inequívocas, como por exemplo, averbação no registro de imóveis ou laudo de avaliação assinado por profissional competente o que deve prevalecer é a verdade material Preliminar rejeitada.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-001.739
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada pela Recorrente e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos dos votos do Relator e do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros Nelson Mallmann (Relator) e Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Anan Junior.
Nome do relator: NELSON MALLMANN
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NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a sua lavratura, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa. ITR ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL EXCLUSÃO DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. O recorrente foi autuado pelo fato de ter excluído da base de cálculo do ITR área de preservação permanente e reserva legal sem prévio ato declaratório ambiental. A Medida Provisória 2.166, de 24 de agosto de 2001, ao inserir o parágrafo 7, ao artigo 10 da Lei 9.393, de 1996, dispensa a apresentação do contribuinte, de ato declaratório do IBAMA, com a finalidade de excluir da base de cálculo do ITR as áreas de preservação permanente e de reserva legal, ressalvada a possibilidade da Administração Tributária demonstrar a falta de veracidade da declaração do contribuinte. Quando o contribuinte for intimado e conseguir demonstrar através de provas inequívocas, como por exemplo, averbação no registro de imóveis ou laudo de avaliação assinado por profissional competente o que deve prevalecer é a verdade material Preliminar rejeitada. Recurso provido. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada pela Recorrente e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos dos votos do Relator e do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros Nelson Mallmann (Relator) e Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Anan Junior. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente e Relator (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes justificadamente, os Conselheiros Antonio Lopo Martinez e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 13888.720672/200812 Acórdão n.º 220201.739 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório ANTONIA GENI RIBEIRO FERNNDES DOMARCO, contribuinte inscrita no CPF/MF sob o nº 062.923.44851, com domicílio fiscal na cidade de Piracicaba Estado de São Paulo, na Rua do Rosário, nº 514 – Bairro Centro, jurisdicionada, para fins de ITR (NIRF 0.788.3692 – Sitio Monte Carmelo, situada no município de Santa Maria da Serra SP), a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Piracicaba SP, inconformada com a decisão de Primeira Instância de fls. 102/112, prolatada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande MS, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 141/159. Contra a contribuinte acima mencionada foi lavrado, em 01/12/2008, a Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (fls. 01/05), com ciência, em 05/12/2008, através de AR (fls. 47), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 27.418,63 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de imposto, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, 1% ao mês, calculado sobre o valor do imposto de renda relativo ao período base de 2003, fato gerador 01/01/2004, exercício 2004. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização, onde a autoridade lançadora entendeu haver as seguintes irregularidades: 1 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE NÃO COMPROVADA: Após regularmente intimada, a contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a titulo de preservação permanente no imóvel rural. O Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Infração capitulada no artigo 10, § 1º, inciso II, alínea “a” e 14, da Lei nº 9.393, de 1996, artigo 17, § 1º, da lei nº 6.938, de 1981. 2 VALOR DA TERRA NUA DECLARADO NÃO COMPROVADO: Após regularmente intimado, o sujeito passivo apresentou Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT)', o valor da terra nua foi alterado, tendo como base os valores informados pelo contribuinte no atendimento à intimação. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. A AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil, responsável pela constituição do crédito tributário, esclarece, ainda, através da própria Notificação de Lançamento, entre outros, os seguintes aspectos: que a Declaração de ITR do sujeito passivo incidiu em Malha Fiscal, nos parâmetros Áreas Não Tributáveis e Cálculo do Valor da Terra Nua VTN. “O sujeito passivo informou na Declaração de Informação e Apuração do ITR DIAT, no quadro Distribuição da Área do Imóvel, 136,0 ha como Área” de Preservação – Permanente; Fl. 246DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 4 que regularmente intimado e transcorrido o prazo fixado, o interessado apresentou Ato Declaratório Ambiental ADA, relativo ao exercício de 2007, protocolado em 25/09/2007, documento este que não se presta a atender as exigências para as isenções do exercício de 2004. A legislação do ITR prevê que para se beneficiar da isenção do imposto sobre as áreas não tributáveis, fazse necessária a apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA, no prazo e condições fixados em ato normativo. O artigo 9°, § 3°, inciso I, da Instrução Normativa SRF n° 256/2002 dispõe que as áreas não tributáveis do imóvel rural deverão ser obrigatoriamente informadas em ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), no prazo de até seis meses, contado a partir da data final fixada para a entrega da DITR. A obrigatoriedade da utilização do ADA para reduzir o valor a pagar do ITR está prevista na Política Nacional de Meio Ambiente Lei n° 6.938, de 31/08/1981, artigo 170, § I, com a redação dada pelo artigo I o da Lei n° 10.165, de 27/12/2000; que em relação à Área de Preservação Permanente, além da não apresentação do ADA válido para o exercício em pauta, o interessado apresentou Planta do Imóvel Fazenda Monte Carmelo onde é informado e constatado 50,7 6 ha para este tipo de área ambiental referente às regiões em torno da malha hidrográfica da fazenda e não 136,0 hectares como foi declarado na DITR; que quanto ao Laudo de Avaliação do Imóvel, o sujeito passivo entregou cópias das averbações na matrícula do registro do imóvel onde consta a redução da área total do imóvel para 220,9 ha, modificando a área total informada na DITR que foi de 271 hectares; que quanto ao Valor da Terra Nua VTN, acatamos o valor apresentado pelo contribuinte de R$ 4.132,23 (quatro mil cento e trinta e dois reais e vinte e três centavos) por hectare que está coerente com os parâmetros mínimos aceitos pela Receita Federal do Brasil para o município de Santa Maria da Serra no exercício de 2004; que com base nessas informações, foi então utilizado o Valor da Terra Nua – VTN para o exercício 2004 para a Fazenda Monte Carmelo de R$ 4.132,23/ ha, perfazendo um total de R$ 912.809,61 (novecentos e doze mil, oitocentos e nove reais e sessenta e um centavos), conforme demonstrado abaixo: Área Total do Imóvel retificada = 220,9 há; VTN/ha = R$ 4.132,23; VTN do Imóvel = VTN/ha x Área do Imóvel; VTN do Imóvel =. 4132,23 x 220,9 = R$ 912.809,61; que, desta forma, considerandose o não atendimento à exigência contida no Termo de Intimação Fiscal n° 08125/00003/2008 referente à apresentação do ADA válido para o exercício de 2004 e considerandose a apresentação do Laudo de Avaliação do Imóvel, lavrouse o presente lançamento de ofício, exercício 2004 glosandose 136,0 ha, como Área de Preservação Permanente e aceitouse a nova área total do imóvel e o valor da terra nua informados pelo contribuinte. Em sua peça impugnatória de fls. 58/74, instruída pelos documentos de fls. 77/101, apresentada, tempestivamente, em 30/12/2008, a contribuinte se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que para a não aceitação das declarações da contribuinte, e imposição das respectivas sanções administrativas, em ambas as situações, a Receita Federal alegou a inexistência do Ato Declaratório Ambienta! (ADA). Fl. 247DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 13888.720672/200812 Acórdão n.º 220201.739 S2C2T2 Fl. 3 5 que não obstante, de acordo com o Laudo Suplementar ao Laudo Técnico solicitado no Termo de Intimação Fiscal n° 08125/0003/2008 (Anexo), temse que dos 220,87 ha (duzentos e vinte vírgula oitenta e sete hectares), 64% (sessenta e quatro por cento) do referido imóvel, vale dizer, 141,44 ha (cento e quarenta e um vírgula quarenta e quatro hectares), constituemse, "apenas e tão somente, por força da Lei n° 4.771 /65 (Código Florestal), em Área de Preservação Permanente (APP); que uma vez que as Áreas de Preservação Permanente (APPs) não podem ser utilizadas, quer por alteração ou quer por supressão das florestas e/ou demais formas de vegetação lá existentes, constituindose em uma limitação administrativa ao exercício do direito de propriedade, tais áreas são, também por força de Lei, isentas de tributação; que essa se constituiu, portanto, na razão legal para que ao longo de muitos anos, e independentemente da existência de qualquer declaração do Poder Público, uma vez que desde 1965 assim o exige o Código Florestal e suas posteriores alterações, a contribuinte, ora Impugnante, tenha lançado em suas declarações uma área de 136 ha (cento e trinta e seis hectares) como sendo Área de Preservação Permanente (APP); que há, a esse propósito, que ser observado que os 136 ha (cento e trinta e seis hectares) que vinham continuadamente sendo declarados pela contribuinte como Área de Preservação Permanente (APP) em muito se aproximam dos 141,44 ha (cento e quarenta e um vírgula quarenta e quatro hectares) ora declarados; que, portanto, apenas por esse fato já se tem presente a justificação legal para a isenção do Imposto Territorial Rural (ITR) em relação a essas áreas sem a necessidade de documentos tais qual o Ato Declaratório Ambiental (ADA) para as Áreas de Preservação Permanente (APPs); que em complementação ao que já fora colocado, não há, pois, quer para as Áreas de Preservação Permanente (APPs) ou quer para as Reservas Legal Florestal (RLFs) a necessidade de se exigir o Ato Declaratório Ambiental (ADA), uma vez que tal condição depende única e tão somente da Lei (Código Florestal) e não de uma declaração do Poder Público; que no que se refere à Reserva Legal Florestal (RLF), uma vez que a área da Área de Preservação Permanente (APP) corresponde a 64 % (sessenta e quatro por cento) da área total do imóvel da contribuinte (141,44 ha: 220,87 ha), ou seja, mais do que "50% (cinqüenta por cento) da propriedade rural há a possibilidade legal de que o proprietário utilize 20 % (vinte por cento) da Área de Preservação Permanente (APP) existente para fins de averbação da Reserva Legal Florestal (RLF), conforme dispõe o inc. II, do § 6o, do art. 16 do Código Florestal (Lei n° 4.771/65); que esta é, portanto, a razão que justifica os 44,28 ha (quarenta e quatro vírgula vinte e oito hectares) acima referenciados terem sido colocados a título de Reserva Legal Florestal (RLF); constituindose, no entanto, também como Área de Preservação Permanente (APP); que no que se refere ao Valor da Terra Nua (VTN), em estrita obediência ao que dispõe o inc. II, do § 1o, do art. 12 da Lei n° 8.629, de 25 de fevereiro de 1993 e do art. 3o da Portaria SRF n° 447, de 28 de março de 2002, a contribuinte, ora Impugnante, utilizouse de dados do IEA, conforme é ressaltado pelo Laudo Suplementar em Anexo; Fl. 248DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 6 que, assim, para os anos de 2003 a 2008 foram utilizados como elemento integrador da matriz de exação no que se refere à base de cálculo, uma área útil inferior a 79,43 ha (220,87 ha 141,44 ha), e valores mínimos de VTN (Fonte: IEA; cf. Anexo) para os anos de 2003 e 2004 de R$ 2.003,12. Valores, esses, em função tanto das condições topográficas da área quanto em virtude da baixa fertilidade e profundidade dos solos, o que muito desvaloriza seu valor pela inequívoca impossibilidade de aproveitamento. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pela impugnante, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande MS decide julgar procedente o lançamento mantendo o crédito tributário lançado, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que, preliminarmente, observase que é improcedente e carece de fundamentação legal o pedido de nulidade do lançamento, pois a Notificação de Lançamento foi lavrada com observação dos requisitos legais estabelecidos no art. 11, do Decreto n° 70.235/72, que rege o Processo Administrativo Fiscal, trazendo todas as informações obrigatórias previstas nos incisos I, II, III e IV, principalmente as necessárias para que se estabeleça o contraditório e a ampla defesa do autuado; que, no presente caso, a notificação de lançamento identificou as irregularidades apuradas e motivou, de conformidade com a legislação, cada alteração efetuada na DITR/2003, de forma clara, como se depreende na "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" de fls. 02 a 04, em consonância, com os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, possibilitando assim, que a interessada apresentasse sua defesa, onde expôs os motivos de fato e de direito, os pontos discordantes da autuação, suscitando preliminares e o mérito relativamente às matérias envolvidas; que sobre este assunto, ressaltamos que o lançamento é ato privativo da Administração Pública pelo qual se verifica e registra a ocorrência do fato gerador, a fim de apurar o quantum devido pelo sujeito passivo da obrigação tributária, prevista no artigo 113 da Lei n° 5.172/1966, o Código Tributário Nacional CTN. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, como previsto no parágrafo I o do art. 142 do CTN; que as declarações do ITR entregues pelo contribuinte à Receita Federal são submetidas à revisão mediante "Malha Fiscal", atividade exercida pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. Da revisão da declaração poderá resultar lavratura de Auto de Infração ou emissão de Notificação de Lançamento quando forem constatadas inexatidões materiais devidas a lapso manifesto ou erros de cálculos cometidos pelo sujeito passivo ou infração à legislação tributária; que da análise das peças do presente processo, constatase na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 02 a 0 4, que a fiscalização glosou totalmente a área declarada a título de preservação permanente de 136,0 ha, modificou o valor da terra nua declarado com base no valor apurado no laudo de avaliação do imóvel apresentado pela contribuinte e também alterou a área total conforme o georreferenciamento realizado no imóvel rural recentemente; que, nesta fase, a interessada pretende que seja considerada isenção de uma área correspondente a 141,4 ha. Assim distribuída: 50,77 ha de Mata; 46,39 de Mata Remanescente; e 44, 28 ha de Reserva Legal, e apresenta nos autos, Planta do imóvel, ADA de 2007, para endossar sua tese. Com relação ao V T N declarado, entende a contribuinte que deve ser aceito, em 2004, o valor de R$ 2.066,12/ha. Para justificar esse valor anexou ao Fl. 249DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 13888.720672/200812 Acórdão n.º 220201.739 S2C2T2 Fl. 4 7 processo, fls. 72 a 75, Laudo Suplementar ao Laudo Técnico que foi apresentado previamente no atendimento à intimação; que, no caso em questão, apesar de a contribuinte ter apresentado Planta de Georreferenciado, à fl. 46, com nova distribuição da área do imóvel, porém as áreas ali descritas não podem ser aceitas, em virtude de o ADA à fl. 44 ser intempestivo para o exercício de 2004, pois a data de emissão é 25/09/2007. Cumpre ressaltar que a apresentação desse documento é válido apenas para o exercício ali mencionado; que no que pertine à área de reserva legal, verificase que com base na legislação de regência da matéria, exigese o cumprimento de duas obrigações para fins de acatar a exclusão da mesma da incidência do ITR: averbação tempestiva dessa área à margem da matrícula do imóvel perante o Cartório de Registro de Imóveis competente e a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental ADA perante o IBAMA. Tal obrigatoriedade está contida no art. 16, § 8o, da Lei n° 4.771/1965, com as alterações introduzidas pela Lei n° 7.803/1989, e redação dada pelo art. I o da Medida Provisória n° 2.166 67, de 24 de agosto de 2001; art. 11 § I o, da IN SRF n° 256/2002, e art. 12, § I o do Decreto n° 4.382/2002 RITR está prevista na Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 170, § 1 °, com a redação dada pela Lei n° 10.165, de 27 de dezembro de 2000, art. I; que analisando os documentos anexados aos autos, observase que a área de reserva legal foi averbada somente em 28 de janeiro de 2008 (averbações 08, 09, 10 e 11 da Matrícula n° 16.790), fls. 29 a 37. Além dessa primeira exigência não cumprida pela contribuinte, também se fazia necessário comprovar nos autos, para se justificar a exclusão dessa área de tributação que ela fosse informada no ADA protocolizado tempestivamente no IBAMA; que, com relação ao Valor da Terra Nua, convém salientar que o contribuinte apresentou laudo técnico, onde foram apurados a área total do imóvel de 220,9 ha e o valor da terra nua de R$ 4.132,23/ha, resultando no VTN tributado de R$ 912.809,61; que cabe salientar que o valor da terra nua considerado no lançamento somente poderá ser revisto mediante apresentação de Laudo Técnico de Avaliação, acompanhado de cópia de Anotação de Responsabilidade Técnica ART, devidamente registrada no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia CREA, efetuado por perito (Engenheiro Civil, Engenheiro Agrônomo ou Engenheiro Florestal), devidamente habilitado, que demonstre o atendimento das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, demonstrando os métodos avaliatórios e fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel e dos bens nele incorporados e/ou de avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais (Exatorias) ou Municipais, bem como aquelas efetuadas pela Emater, com as características mencionadas anteriormente com relação ao laudo técnico; que o Laudo Suplementar apresentado às fls. 80 a 83, não atende satisfatoriamente aos requisitos da NBR 14.6533 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, pois deixou de indicar as fontes pesquisadas para encontrar o valor da avaliação atribuída ao imóvel de R$ 2.066,12/ha, a metodologia e a memória de cálculo; que, dessa forma, impõese reconhecer que o laudo apresentado, apesar de elaborado por profissional habilitado, não apresenta o rigor exigido pela norma ABNT para que possa ser aceito como prova suficiente para justificar a revisão do VTN tributado. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 8 A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURALITR Exercício: 2004 Nulidade do Lançamento Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Áreas Isentas. Tributação. Para a exclusão da tributação sobre áreas de preservação permanente, é necessária a comprovação efetiva da existência dessas áreas e apresentação de Ato Declaratório Ambiental (ADA) ao IBAMA, no prazo previsto na legislação tributária. Valor da Terra Nua VTN. A base de cálculo do imposto será o valor da terra nua apurado pela fiscalização, como previsto em Lei, se não existir comprovação que justifique reconhecer valor menor. Área do Imóvel. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, conforme legislação processual. Juros de mora. Multa de Ofício Lançada. E cabível a cobrança de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), e da multa de ofício por expressa previsão legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 11/05/2011, conforme Termo constante às fls. 114/116, a recorrente interpôs, tempestivamente (07/06/2011), o recurso voluntário de fls. 141/159, instruído pelos documentos de fls. 161/240, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nos mesmos argumentos apresentados na fase impugnatória. É o relatório. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 13888.720672/200812 Acórdão n.º 220201.739 S2C2T2 Fl. 5 9 Voto Vencido Conselheiro Nelson Mallmann, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Como visto no relatório e nos autos, a discussão gira em torno de uma preliminar de nulidade do lançamento e no mérito a discussão diz respeito à área de preservação permanente (136,0 ha) e o nó da questão restringese a exigência relativa ao ADA — Ato Declaratório Ambiental, que deve conter as informações de tais áreas e ter sido protocolado tempestivamente junto ao IBAMA/órgão conveniado, para fins de exclusão dessas áreas da tributação, bem como a falta de averbação, até a data do fato gerador, da área de utilização limitada (reserva legal) no Cartório de Imóveis (averbação tempestiva realizada até 01/01/2004). Resta, ainda, no mérito a discussão sobre a validade do Valor da Terra Nua arbitrado tem por base o Laudo de Avaliação apresentado pela própria contribuinte. Observase nos autos, que a decisão recorrida esclareceu que o ADA trazido não foi protocolado no IBAMA no prazo legal para o exercício em análise (ADA intempestivo relativo a outro exercício), bem como não há a devida averbação, de forma tempestiva, à margem da respectiva matrícula da área de utilização limitada – reserva legal pretendida pela recorrente. Relativamente ao Valor da Terra Nua (VTN), arbitrado pela autoridade fiscal pelo valor fornecido pela própria contribuinte mediante Laudo de Avaliação em atendimento a Intimação Fiscal, informou que não seria passível de aceitação o Laudo de Avaliação Suplementar apresentado já que não foi elaborado de forma eficaz para alterar o valor constante do lançamento. Assim, verificase que das duas exigências previstas para justificar a exclusão de tais áreas da incidência do ITR/2004, qualquer que sejam as suas reais dimensões, foi a falta de averbação tempestiva no Cartório de Registro de Imóveis da área de utilização limitada (reserva legal), sendo que faltou a apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA) para as duas áreas (área de preservação permanente e área de reserva legal) e esta é a maior questão discutida nos autos. É de se registrar, inicialmente, que a recorrente apresentou laudo de avaliação do imóvel, apurando o Valor da Terra Nua – VTN, bem como apresentou laudo, de forma precária, atestando a existência destas áreas (preservação permanente + utilização limitada (reserva legal)). Quanto à preliminar de nulidade do lançamento argüida, sob o entendimento de que de que houve, em síntese, ofensa ao princípio constitucional do contraditório e ampla defesa, assegurado no art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal de 1988, por discordar, em síntese, dos procedimentos adotados pela fiscalização para lavratura da presente Notificação de Lançamento, é de se dizer que a decisão recorrida já se manifestou, que o trabalho fiscal iniciouse na forma prevista nos arts. 7º e 23 do Decreto n° 70.235, de 1972, observada especificamente, a Instrução Normativa SRF n° 094, de 1997, que dispõe sobre os Fl. 252DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 10 procedimentos adotados para a revisão sistemática das declarações apresentadas pelos contribuintes em geral, relativas a tributos ou contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, feita mediante a utilização de malhas. Observou, ainda, a decisão recorrida, que o trabalho de revisão então realizado pela fiscalização é eminentemente documental e a falta de comprovação, em qualquer situação, de dados cadastrais informados na correspondente declaração (DIAC/DIAT), incluindo a subavaliação do VTN, autoriza o lançamento de oficio, regularmente formalizado através de auto de infração, nos termos do art. 14 da Lei n° 9.393, de 1996, combinado com o disposto no art. 149, inciso V, da Lei n° 5.172, de 1966 — CTN, e art. 4° da citada IN/SRF n° 094/1997, observada, no que diz respeito aos documentos de prova, a Norma de Execução (NE) correlata, no caso, a NE SRF Cofis n° 002, de 07 de outubro de 2003 não havendo necessidade de verificar "in loco" a ocorrência de possíveis irregularidades, como sugere o requerente. Ora, não há que se falar em área de preservação permanente e área de utilização limitada (reserva legal) na extensão pretendida, já que a própria recorrente nada informou em sua DIAT/2004, conforme pode ser observado às fls. 08 dos autos, com exceção da área total equivocada de 271,0 há, reduzida pela autoridade lançadora para 220,9 ha e da área de preservação permanente de 136,0 ha glosada pela autoridade lançadora. Ademais, mesmo que fosse possível, a contribuinte não atenderia às normais legais, já que é corrente majoritária neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que a área de utilização limitada / reserva legal, para fins de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, se faz necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental ADA, fazendose, também, necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel, no Cartório de Registro de Imóveis, até a data do fato gerador do imposto, bem como a partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. Em assim sendo, entendo, que o procedimento fiscal realizado pelo agente do fisco foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. O princípio da verdade material tem por escopo, como a própria expressão indica, a busca da verdade real, verdadeira, e consagra, na realidade, a liberdade da prova, no sentido de que a Administração possa valerse de qualquer meio de prova que a autoridade processante ou julgadora tome conhecimento, levandoas aos autos, naturalmente, e desde que, obviamente dela dê conhecimento às partes; ao mesmo tempo em que deva reconhecer ao contribuinte o direito de juntar provas ao processo até a fase de interposição do recurso voluntário. O Decreto n.º 70.235, de 1972, em seu artigo 9º, define o auto de infração e a notificação de lançamento como instrumentos de formalização da exigência do crédito tributário, quando afirma: A exigência do crédito tributário será formalizado em auto de infração ou notificação de lançamento distinto para cada tributo Fl. 253DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 13888.720672/200812 Acórdão n.º 220201.739 S2C2T2 Fl. 6 11 Com nova redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748/93: A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. O auto de infração, bem como a notificação de lançamento por constituírem peças básicas na sistemática processual tributária, a lei estabeleceu requisitos específicos para a sua lavratura e expedição, sendo que a sua lavratura tem por fim deixar consignado a ocorrência de uma ou mais infrações à legislação tributária, seja para o fim de apuração de um crédito fiscal, seja com o objetivo de neutralizar, no todo ou em parte, os efeitos da compensação de prejuízos a que o contribuinte tenha direito, e a falta do cumprimento de forma estabelecida em lei torna inexistente o ato, sejam os atos formais ou solenes. Se houver vício na forma, o ato pode invalidarse. Ora, não procede à nulidade do lançamento argüida sob o argumento de que o auto de infração não foi lavrado dentro dos parâmetros exigidos pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, ou seja, que a sua lavratura foi efetuada de forma a prejudicar a ampla defesa. Com a devida vênia, a Notificação de Lançamento foi lavrado tendo por base os valores constantes em documentos oficiais, onde consta de forma clara a existência das áreas glosadas, que são partes integrantes do Auto de Infração, sendo que o mesmo, identifica por nome e CPF o autuado, esclarece que foi lavrado na Delegacia da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte, cuja ciência foi por AR e descreve as irregularidades praticadas e o seu enquadramento legal assinado pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, cumprindo o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional, ou seja, o ato é próprio do agente administrativo investido no cargo de AuditorFiscal. Não tenho dúvidas, que o excesso de formalismo, a vedação à atuação de ofício do julgador na produção de provas e a declaração de nulidades puramente formais são exemplos possíveis de serem extraídos da prática forense e estranhos ao ambiente do processo administrativo fiscal. A etapa contenciosa caracterizase pelo aparecimento formalizado no conflito de interesses, isto é, transmudase a atividade administrativa de procedimento para processo no momento em que o contribuinte registra seu inconformismo com o ato praticado pela administração, seja ato de lançamento de tributo ou qualquer outro ato que, no seu entender, causalhe gravame com a aplicação de multa por suposto nãocumprimento de dever instrumental. Assim, a etapa anterior à lavratura do auto de infração e ao processo administrativo fiscal, constitui efetivamente uma fase inquisitória, que apesar de estar regrada em leis e regulamentos, faculta à Administração a mais completa liberdade no escopo de flagrar a ocorrência do fato gerador. Nessa fase não há contraditório, porque o fisco está apenas coletando dados para se convencer ou não da ocorrência do fato imponível ensejador da tributação. Não há, ainda, exigência de crédito tributário formalizada, inexistindo, conseqüentemente, resistência a ser oposta pelo sujeito fiscalizado. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 12 O lançamento, como ato administrativo vinculado, celebrase com estrita observância dos pressupostos estabelecidos pelo art. 142 do Código Tributário Nacional, cuja motivação deve estar apoiada estritamente na lei, sem a possibilidade de realização de um juízo de oportunidade e conveniência pela autoridade fiscal. O ato administrativo deve estar consubstanciado por instrumentos capazes de demonstrar, com segurança e certeza, os legítimos fundamentos reveladores da ocorrência do fato jurídico tributário. Isso tudo foi observado quando da determinação do tributo devido, através do Auto de Infração lavrado. Assim, não há como pretender premissas de nulidade do auto de infração, nas formas propostas pelo recorrente, neste processo, já que o mesmo preenche todos os requisitos legais necessários. Nunca é demais lembrar, que até a interposição da peça impugnatória pelo contribuinte, o conflito de interesses ainda não está configurado. Os atos anteriores ao lançamento referemse à investigação fiscal propriamente dita, constituindose medidas preparatórias tendentes a definir a pretensão da Fazenda. Ou seja, são simples procedimentos que tãosomente poderão conduzir a constituição do crédito tributário. Na fase procedimental não há que se falar em contraditório ou ampla defesa, pois não há ainda, qualquer espécie de pretensão fiscal sendo exigida pela Fazenda Pública, mas tãosomente o exercício da faculdade da administração tributária em verificar o fiel cumprimento da legislação tributária por parte do sujeito passivo. O litígio só vem a ser instaurado a partir da impugnação tempestiva da exigência, na chamada fase contenciosa, não se podendo cogitar de preterição do direito de defesa antes de materializada a própria exigência fiscal por intermédio de auto de infração ou notificação do lançamento. Assim, após a impugnação, oportunizase ao contribuinte a contestação da exigência fiscal. A partir daí, instaurase o processo, ou seja, configurase o litígio. Ademais, no caso em questão, o ônus da prova documental é do contribuinte autuado, a qual cumpre guardar ou produzir, conforme o caso, até a data de homologação do autolançamento, prevista no § 4° do art. 150, do Código Tributário Nacional, os documentos necessários à comprovação dos dados cadastrais informados na declaração (DIAC/DIAT) para efeito de apuração do ITR devido naquele exercido, e apresentálos à autoridade fiscal, quando exigido. Da mesma forma, não há como negar que a irregularidade apontada pelo autuante foi devidamente caracterizada e compreendida pelo interessado, tanto é verdade que o mesmo contestou o referido auto de infração de forma a não deixar dúvidas quanto ao perfeito conhecimento dos fatos, através da Impugnação acompanhada de documentação. Portanto, o fundamental é que o contribuinte tenha tomado ciência do presente auto de infração, e tenha exercido de forma plena, dentro do prazo legal, o seu direito de defesa. Enfim, no caso dos autos, a autoridade lançadora cumpriu todos os preceitos estabelecidos na legislação em vigor e o lançamento foi efetuado com base em dados reais sobre o suplicante, conforme se constata nos autos, com perfeito embasamento legal e tipificação da infração cometida. Como se vê, não procede à situação conflitante alegada pela recorrente, ou seja, não se verificam, por isso, os pressupostos exigidos que permitam a declaração de nulidade do Auto de Infração. Da mesma forma, não posso acompanhar o raciocínio da recorrente quanto ao mérito, já que discordo frontalmente no que diz respeito ao Ato Declaratório Ambiental – ADA, exigência mútua para as áreas de preservação permanente e de utilização limitada Fl. 255DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 13888.720672/200812 Acórdão n.º 220201.739 S2C2T2 Fl. 7 13 (reserva legal), além da exigência concomitante da averbação da área de reserva legal nos Cartórios de Registro, pelos motivos abaixo expostos. Não resta duvidas de que se confirmou o não cumprimento de uma exigência genérica, aplicada tanto às áreas de utilização limitada (Reserva Legal, Reserva Particular do Patrimônio Natural ou Imprestável para a atividade produtiva/Interesse Ecológico), quanto às áreas de preservação permanente, de que as áreas ambientais do imóvel, para fins de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, sejam devidamente reconhecidas como de interesse ambiental, por intermédio de Ato Declaratório Ambiental ADA, emitido pelo IBAMA/órgão conveniado ou, pelo menos, que seja comprovado a protocolização tempestiva do seu requerimento (do ADA). Como visto nos autos, a discussão principal de mérito diz respeito à área de preservação permanente e área de utilização limitada (reserva legal), e o nó da questão restringese a exigência relativa ao ADA — Ato Declaratório Ambiental, que deve conter as informações de tais áreas e ter sido protocolado tempestivamente junto ao IBAMA/órgão conveniado, para fins de exclusão dessas áreas da tributação, bem como a exigência da averbação tempestiva da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis. Não há dúvidas que, a princípio, por trataremse de áreas não tributáveis, cabe destacar que as áreas assim declaradas estão sujeitas à comprovação para serem aceitas, de acordo com a situação em que se enquadrem: 1 — Reserva Legal — é necessário que o contribuinte protocolize o Ato Declaratório Ambiental (ADA) no prazo legal e que as áreas estejam averbadas no Registro de Imóveis competente até a data da ocorrência do fato gerador (Lei n° 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela MP n° 2.166, de 2001, art. 1°); 2— Reserva Legal do Patrimônio Natural — RPPN — protocolo do ADA no prazo legal; que as áreas sejam reconhecidas pelo IBAMA ou por órgão estadual de meio ambiente, mediante requerimento do proprietário (Decreto n° 1.922, de 1996 e Lei nº 9.985, de 2000, art. . 21); que as áreas estejam averbadas no Registro de Imóveis competente na data da ocorrência do fato gerador (Lei n° 9.985, de 2000, art. 21; Decreto n° 4.382, de 2002, art. 13, parágrafo único); 3 — Interesse Ecológico protocolo do ADA no prazo legal; reconhecimento, em caráter especifico, para determinada área, de órgão competente federal ou estadual (Lei n° 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, II, "b" e "c"); 4 — Servidão Florestal — protocolo do ADA no prazo legal; que as áreas estejam averbadas no Registro de Imóveis competente na data da ocorrência do fato gerador (Lei n° 4.771, de 1965, art. 44A, acrescentado pela MP n° 2.16667, de 2001, art. 2°); 5 Para as áreas de Preservação Permanente, há a necessidade que o contribuinte protocolize o Ato Declaratório Ambiental (ADA) no prazo legal ou reconhecimento da área através de Laudo Técnico, firmado por Engenheiro Agrônomo ou Florestal acompanhado da ART (Anotação da Responsabilidade Técnica) e de acordo com as normas da ABNT. As áreas de Preservação Permanente são as descritas na Lei n° 4.771, de 1965, artigos 2° e 3°, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989, artigo 1°. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 14 Assim, verificase que a exigência prevista para justificar a exclusão de tal área da incidência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR/2004, qualquer que sejam as suas reais dimensões, não foi providenciada de forma tempestiva, qual seja, não cumprimento de uma exigência genérica, aplicada tanto às áreas de utilização limitada (Reserva Legal, Reserva Particular do Patrimônio Natural ou Imprestável para a atividade produtiva/Interesse Ecológico), quanto as áreas de preservação permanente, de que as áreas ambientais do imóvel, para fins de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, sejam devidamente reconhecidas como de interesse ambiental, por intermédio de Ato Declaratório Ambiental ADA, emitido pelo IBAMA/órgão conveniado ou, pelo menos, que seja comprovado a protocolização tempestiva do seu requerimento. No tocante à apuração do imposto, de acordo com as instruções de preenchimento da DITR, podem ser excluídas, da área total do imóvel, para determinar a área tributável, as áreas de preservação permanente e de utilização limitada, sendo essas últimas compostas pela área de reserva legal, pelas áreas de reserva particular do patrimônio natural, e pelas áreas imprestáveis para a atividade produtiva, se declaradas de interesse ecológico, mediante ato do órgão competente federal ou estadual; Como é de notório conhecimento, o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR incide sobre: (i) o direito de propriedade do imóvel rural; (ii) o domínio útil; (iii) a posse por usufruto; (iv) a posse a qualquer título, tudo conforme ditado pela Lei nº 9.393, de 1996. Conquanto, este tributo será devido sempre que no plano fático se configurar a hipótese de incidência ditada pela norma (Lei 9393/96): (i) a norma dita que a obrigação tributária nasce sempre em primeiro de janeiro de cada ano uma vez que a periodicidade deste tributo é anual; (ii) o imóvel deve estar localizado em zona rural; (iii) os demais requisitos já constam acima posse, propriedade ou domínio útil. Tenho para mim que para excluir as áreas de Interesse Ambiental de Preservação Permanente e as de Utilização Limitada da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR e anular a sua influência na determinação do Grau de Utilização, duas condições têm de ser atendidas. Uma é a sua averbação a margem da escritura no Cartório de Registro de Imóveis outra é a sua informação no Ato Declaratório Ambiental – ADA. Destaquese que ambas devem ser atendidas à época a que se refere a Declaração do ITR. É de se ressaltar, que em nenhum momento estou questionando a existência e o estado das Reservas Preservacionistas, relatórios técnicos que atestam a sua existência não atingem o âmago da questão. Mesmo aquelas possíveis áreas consideradas inaproveitáveis, para integrarem as reservas da propriedade, para fins de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, devem, no meu ponto de vista, obrigatoriamente, atender as exigências legais. Um dos objetivos precípuos da legislação ambiental e tributária é, indubitavelmente, estimular a preservação do meio ambiente, via beneficio fiscal. No entanto, o beneficio da exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, inclusive em áreas de proteção e/ou interesse ambiental como os Parques Estaduais, não se estende genérica e automaticamente a todas as áreas do imóvel por ele abrangidas. Somente se aplica a áreas especificas da propriedade, vale dizer, somente para as áreas de interesse ambiental situadas no imóvel como: área de preservação permanente, área de reserva legal, área de reserva particular do patrimônio natural e área de proteção de ecossistema bem como área imprestável para a atividade rural, desde que reconhecidas de interesse ambiental e desde que haja o reconhecimento dessas áreas por ato especifico, por imóvel, expedido pelo IBAMA, o Ato Declaratório Ambiental (ADA). Fl. 257DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 13888.720672/200812 Acórdão n.º 220201.739 S2C2T2 Fl. 8 15 Não tenho dúvidas, de que a obrigatoriedade da apresentação do ADA para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de utilização limitada (reserva legal) da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, surgiu no ordenamento jurídico pátrio com o art. 1º da Lei nº 10.165, de 2000 que incluiu o art. 17, § 1º na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001, verbis: Art. 17 O Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria." (NR) (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Tal dispositivo teve vigência a partir do exercício de 2001, anteriormente a este, a imposição da apresentação do ADA para tal fim era definido por ato infralegal, que contrariava o disposto no § 1º do inciso II do art. 97, do Código Tributário Nacional. Os presentes autos tratam do lançamento de ITR do exercício de 2004, portanto, a exigência do ADA para fins de exclusão da base de cálculo daquele tributo encontra respaldo legal, pelo quê, deve ser mantido quanto a este ponto, já o recorrente não comprovou nos autos a protocolização, de forma tempestiva, do requerimento/ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado. É oportuno salientar, que Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem entendido em suas decisões de que a dispensa de comprovação relativa às áreas de interesse ambiental (preservação permanente/utilização limitada), conforme redação do parágrafo 7°, do art. 10, da Lei n° 9.363, de 1996, introduzido originariamente pelo art. 3º da MP n° 1.95650, de 2000, e mantido na MP n° 2.16667, de 2001, ocorre quando da entrega da declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, o que não dispensa o contribuinte de, uma vez sob procedimento administrativo de fiscalização, comprovar as informações contidas em sua declaração por meio dos documentos hábeis previstos na legislação de regência da matéria. Não obstante a pretensão da requerente de querer comprovar nos autos a efetiva existência de área de preservação permanente e de área reserva legal no imóvel (materialidade) por meio do documento “Laudo de Avaliação do Imóvel”, cabe ressaltar que essa comprovação, no meu entendimento, não é suficiente para que a lide seja decidida a seu favor, pois o que se busca nos autos é a comprovação do reconhecimento das referidas áreas mediante ato do IBAMA ou órgão delegado por convênio ou, no mínimo, a comprovação da protocolização tempestiva do requerimento do Ato Declaratório Ambiental (ADA). Enfim, a solicitação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA) constituiuse um ônus para o contribuinte. Assim, caso não desejasse a incidência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR sobre as áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, o proprietário do imóvel deveria ter providenciado, dentro do prazo legal, o requerimento do ADA. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 16 Portanto, não há outro tratamento a ser dada à área de preservação permanente glosada pela fiscalização, por falta de comprovação da exigência tratada anteriormente, que devem realmente passar a compor as áreas tributável e aproveitável do imóvel, respectivamente, para fins de apuração do VTN tributado e do seu Grau de Utilização (do imóvel). Desta forma, não tendo sido comprovada a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental — ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado, cabe manter a glosa efetuada pela fiscalização em relação à área de preservação permanente. Como já manifestou a decisão de primeira instância o lançamento foi legal e corretamente efetuado. Foi modificado o Valor da Terra Nua VTN declarado através da Declaração de ITR pelo valor constante do Laudo de Avaliação apresentado pela própria recorrente em detrimento do valor constante da tabela do SIPT aptidão agrícola (fls. 15). Ou seja, a autoridade fiscal não concordando com o VTN declarado DITR/2004 aceitou o VTN de R$ 4.132,23 informado pela recorrente através do Laudo de Avaliação ao invés de utilizar o VTN médio por aptidão agrícola de R$ 6.143,25. Ora, é legal e de conhecimento de todos os contribuintes que toda declaração apresentada está sujeita a verificação por parte da autoridade fiscal, o qual tem, por ofício, obrigação em intimar o declarante a apresentar comprovante e/ou prestar esclarecimentos a respeito do declarado, sob pena de retificação e arbitramento de lançamento. Da análise efetuada na documentação apresentada pela contribuinte, ficou constatado a apresentação do Laudo de Avaliação para se proceder a comprovação do Valor da Terra Nua – VTN, lançado pelo contribuinte em sua DIAT/2004, entretanto o valor do VTN constante do laudo é superior (R$ 4.132,23) e por isso foi lavrado o Auto de Infração. Como visto nos autos, a autoridade lançadora entendeu que houve subavaliação do Valor da Terra Nua VTN, tendo em vista os valores constantes do Sistema de Preço de Terras (SIPT), instituído pela Secretaria da Receita Federal em consonância ao art. 14, caput, da Lei n° 9.393, de 1996, razão pela qual o VTN declarado para o imóvel na DITR/2004, de R$ 76.601,80 (R$ 346,77 por hectare), foi aumentado para R$ 912.809,61 (R$ 4.132,23 por hectare), valor este apurado com base no valor apontado no Laudo de Avaliação, que é inferior SIPT para as áreas de "pastagem/pecuária", consoante extrato do SIPT, às fls. 15, cujo valor médio do VTN é de R$ 6.143,25. Observou, ainda, a decisão recorrida, que autoridade fiscal lançadora não poderia deixar de arbitrar um novo Valor de Terra Nua, tendo em vista que o VTN declarado, por hectare, para o exercício de 2004, até prova documental hábil em contrário, estaria subavaliado, por ser muito inferior não só a todos os VTN por hectare listados, qualquer que seja a aptidão agrícola da terra (pastagem/pecuária (R$ 6.143,25/ha) e cultura/lavoura (R$ 9.965,03/ha). Mesmo que o procedimento utilizado pela fiscalização para apuração do Valor da Terra Nua VTN, fosse com base nos valores constantes em sistema da Secretaria da Receita Federal, encontraria amparo no artigo 14, da Lei n° 9.393, de 1996. É de se ressaltar, que o valor do SIPT só é utilizado quando, depois de intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado. Da mesma forma, tal valor fica sujeito à revisão quando o contribuinte logra Fl. 259DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 13888.720672/200812 Acórdão n.º 220201.739 S2C2T2 Fl. 9 17 comprovar que seu imóvel possui características que o distingam dos demais imóveis do mesmo município. No presente caso a recorrente apresentou o Laudo de Avaliação confirmando o valor do VTN de R$ 4.132,23. No caso em questão o Valor da Terra Nua VTN por hectare utilizado para o cálculo do imposto não foi extraído do SIPT, alimentado com informações, repassados pela Secretaria Estadual de Agricultura do estado em que pertence o município de localização do imóvel constante da base de dados da Receita Federal, conforme se constata às fls. 15, já que a autoridade lançadora se deu por satisfeita em razão do Laudo de Avaliação apresentado confirmando o valor do VTN de R$ 4.132,23. O fato de a autoridade fiscal arbitrar a base de cálculo do tributo diferente da apurada pela interessada não violou os direitos fundamentais do contraditório e ampla defesa previstos na Constituição, pois, em nada obstou para que a interessado houvesse apresentado Laudo Técnico de Avaliação Suplementar, dentro dos parâmetros legais exigidos pela legislação de regência, para demonstrar, especificamente, o Valor da Terra Nua VTN da propriedade levando em conta suas peculiaridades. Não há duvidas de que o Valor da Terra Nua VTN considerado no lançamento pode ser revisto pela autoridade administrativa com base em laudo técnico elaborado por Engenheiro Civil, Florestal ou Agrônomo, acompanhado de cópia de Anotação de Responsabilidade Técnica — ART, devidamente registrada no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia — CREA, e que demonstre o atendimento das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT, através da explicitação dos métodos avaliatórios e fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel e dos bens nele incorporados. A título de referência, para justificar as avaliações, poderão ser apresentados anúncios em jornais, revistas, folhetos de publicação geral, que tenham divulgado aqueles valores e que levem à convicção do valor da terra nua na data do fato gerador. Ora, o Laudo de Avaliação Suplementar apresentado que, mesmo tendo sido elaborado por profissional devidamente habilitado, não atendeu a todos os requisitos das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e nem comprova e/ou demonstra, de maneira inequívoca, através da apresentação de documentação hábil e idônea, o valor fundiário do imóvel e a existência de características particulares desfavoráveis, que pudessem justificar a revisão do Valor da Terra Nua, não é prova suficiente para afastar o Valor da Terra Nua (VTN) informado pelo próprio contribuinte, através de apresentação de Laudo de Avaliação compatível com os VTN médios por aptidão agrícola, fornecidos pela Secretaria Estadual de Agricultura, e adotado pelo Fisco para o lançamento do Imposto Territorial Rural (ITR). Não tenho dúvidas de que o Laudo Técnico elaborado em desacordo com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, desacompanhado de comprovantes de pesquisas de preços contemporâneos ao do ano base do lançamento, em quantidade mínima exigível e, comprovadamente, com as mesmas características do imóvel em pauta e da mesma região de sua localização, que justificariam o reconhecimento de valor menor, não constitui elemento de prova suficiente para rever o lançamento. Para finalizar a redação do presente voto vencedor, cabe, ainda, tecer alguns comentários sobre a aplicação da penalidade e dos juros de mora lançados com base na taxa SELIC. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 18 Quanto à multa de lançamento de ofício mantida é de se dizer, que se entende como procedimento fiscal à ação fiscal para apuração de infrações e que se concretize com a lavratura do ato cabível, assim considerado o termo de início de fiscalização, termo de apreensão, auto de infração, notificação, representação fiscal ou qualquer ato escrito dos agentes do fisco, no exercício de suas funções inerentes ao cargo. Tais atos excluirão a espontaneidade se o contribuinte deles tomar conhecimento pela intimação. Os atos que formalizam o início do procedimento fiscal encontramse elencados no artigo 7º do Decreto n.º 70.235/72. Em sintonia com o disposto no artigo 138, parágrafo único do Código Tributário Nacional CTN, esses atos têm o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo e de todos os demais envolvidos nas infrações que vierem a ser verificadas. Em outras palavras, deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não exclui suas responsabilidades, sujeitandoos às penalidades próprias dos procedimentos de ofício. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e torna ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização. Ressaltese, com efeito, que o emprego da alternativa “ou” na redação dada pelo legislador ao artigo 138, do Código Tributário Nacional CTN, denota que não apenas a medida de fiscalização tem o condão de constituirse em marco inicial da ação fiscal, mas, também, consoante reza o mencionado dispositivo legal, “qualquer procedimento administrativo” relacionado com a infração é fato deflagrador do processo administrativo tributário e da conseqüente exclusão de espontaneidade do sujeito passivo pelo prazo de 60 dias, prorrogável sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, na forma do parágrafo 2°, do art. 7°, do Dec. n° 70.235, de 1972. O entendimento, aqui esposado, é doutrina consagrada, conforme ensina o mestre FABIO FANUCCHI em “Prática de Direito Tributário”, pág. 220: O processo contencioso administrativo terá início por uma das seguintes formas: 1. pedido de esclarecimentos sobre situação jurídicotributária do sujeito passivo, através de intimação a esse; 2. representação ou denúncia de agente fiscal ou terceiro, a respeito de circunstâncias capazes de conduzir o sujeito passivo à assunção de responsabilidades tributárias; 3 autodenúncia do sujeito passivo sobre sua situação irregular perante a legislação tributária; 4. inconformismo expressamente manifestado pelo sujeito passivo, insurgindose ele contra lançamento efetuado. (...). A representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da intimação para esclarecimentos, sendo peças iniciais do processo que irá se estender até a solução final, através de uma decisão que as julguem procedentes ou improcedentes, com os efeitos naturais que possam produzir tais conclusões. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 13888.720672/200812 Acórdão n.º 220201.739 S2C2T2 Fl. 10 19 No mesmo sentido, transcrevo comentário de A.A. CONTREIRAS DE CARVALHO em “Processo Administrativo Tributário”, 2ª Edição, págs. 88/89 e 90, tratando de Atos e Termos Processuais: Mas é dos atos processuais que cogitamos, nestes comentários. São atos processuais os que se realizam conforme as regras do processo, visando dar existência à relação jurídicoprocessual. Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas em razão de outro processo, do qual depende. No processo administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros: a) o auto de infração; b) a representação; c) a intimação e d) a notificação (...). Mas, retornando a nossa referência aos atos processuais, é de assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser lavrada, privativamente, por agentes fiscais, em fiscalização externa, já no que concerne às faltas apuradas em serviço interno da Repartição fiscal, a peça que as documenta é a representação. Notese que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal. Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a penalidade aplicável, a sua ausência implicará na invalidade do lançamento. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte, entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levandose em conta a ausência de máfé, de dolo, e antecedentes do contribuinte. A multa que excede o montante do próprio crédito tributário, somente pode ser admitida se, em processo regular, nos casos de minuciosa comprovação, em contraditório pleno e amplo, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, restar provado um prejuízo para fazenda Pública, decorrente de ato praticado pelo contribuinte. Por outro lado, a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de 1988, é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Além disso, é de se ressaltar, mais uma vez, que a multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal, não cabendo às autoridades administrativas estendêlo. Assim, as multas são devidas, no lançamento de ofício, em face da infração às regras instituídas pela legislação fiscal não declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150, IV da Constituição Federal, não conflitando com o estatuído no art. 5°, XXII da mesma constituição, que se refere à garantia do direito de propriedade. Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 20 Da mesma forma, não vejo como se poderia acolher o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade formal da multa de ofício aplicada e dos juros moratórios com base na taxa SELIC. É meu entendimento, acompanhado pelos pares desta Turma de Julgamento, que quanto à discussão sobre a inconstitucionalidade de normas legais, os órgãos administrativos judicantes estão impedidos de declarar a inconstitucionalidade de lei ou regulamento, face à inexistência de previsão constitucional. No sistema jurídico brasileiro, somente o Poder Judiciário pode declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, através do chamado controle incidental e do controle pela Ação Direta de Inconstitucionalidade. No caso de lei sancionada pelo Presidente da República é que dito controle seria mesmo incabível, por ilógico, pois se o Chefe Supremo da Administração Federal já fizera o controle preventivo da constitucionalidade e da conveniência, para poder promulgar a lei, não seria razoável que subordinados, na escala hierárquica administrativa, considerasse inconstitucional lei ou dispositivo legal que aquele houvesse considerado constitucional. Exercendo a jurisdição no limite de sua competência, o julgador administrativo não pode nunca ferir o princípio de ampla defesa, já que esta só pode ser apreciada no foro próprio. Se verdade fosse, que o Poder Executivo deva deixar aplicar lei que entenda inconstitucional, maior insegurança teriam os cidadãos, por ficarem à mercê do alvedrio do Executivo. O poder Executivo haverá de cumprir o que emana da lei, ainda que materialmente possa ela ser inconstitucional. A sanção da lei pelo Chefe do Poder Executivo afasta sob o ponto de vista formal a possibilidade da argüição de inconstitucionalidade, no seu âmbito interno. Se assim entendesse, o chefe de Governo vetálaia, nos termos do artigo 66, § 1º da Constituição. Rejeitado o veto, ao teor do § 4º do mesmo artigo constitucional, promulguea ou não o Presidente da República, a lei haverá de ser executada na sua inteireza, não podendo ficar exposta ao capricho ou à conveniência do Poder Executivo. Facultaselhe, tãosomente, a propositura da ação própria perante o órgão jurisdicional e, enquanto pendente a decisão, continuará o Poder Executivo a lhe dar execução. Imaginese se assim não fosse, facultandose ao Poder Executivo, através de seus diversos departamentos, desconhecer a norma legislativa ou simplesmente negarlhe executoriedade por entendêla, unilateralmente, inconstitucional. A evolução do direito, como quer o suplicante, não deve pôr em risco toda uma construção sistêmica baseada na independência e na harmonia dos Poderes, e em cujos princípios repousa o estado democrático. Assim, não se deve a pretexto de negar validade a uma lei pretensamente inconstitucional, praticarse inconstitucionalidade ainda maior consubstanciada no exercício de competência de que este Colegiado não dispõe, pois que deferida a outro Poder. Ademais, estas matérias (inconstitucionalidade de leis e juros moratórios com base na taxa SELIC) já estão pacificadas no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, razão pela qual o Presidente do então Primeiro Conselho de Contribuintes, objetivando a condensação da jurisprudência predominante neste Conselho, conforme o que prescreve o art. 30 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (RICC), aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de março de 1998, providenciou a edição e aprovação de diversas súmulas, que foram publicadas no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28 de junho de 2006, vigorando para as decisões proferidas a partir de 28 de julho de 2006. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 13888.720672/200812 Acórdão n.º 220201.739 S2C2T2 Fl. 11 21 Atualmente estas súmulas foram convertidas para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, pela Portaria CARF nº 106, de 2009 (publicada no DOU de 22/12/2009), assim redigidas: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)” e “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4)”. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada pela recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 264DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 22 Voto Vencedor Conselheiro Pedro Anan Junior, Redator Designado O voto do nobre relator o conselheiro Nelson Mallmann, está muito bem fundamentado. Apesar das razões e fundamentos que o levaram a chegar a tal conclusão no que diz respeito à necessidade ou não da apresentação do ADA, tenho entendimento diverso do dele em alguns pontos, daí a razão de abrir a divergência que culminou prevalecendo no julgamento pela turma. Tratase de lançamento fiscal de ITR, de glosa de área de preservação permanente por não ter o sujeito passivo protocolado tempestivamente o Ato Declaratório Ambiental – ADA junto ao IBAMA, apesar de ter apresentado Laudo Técnico. A decisão recorrida, que confirmou o lançamento, apóiase na premissa de que a exclusão da área de preservação permanente da apuração da base de cálculo do ITR há necessidade do protocolo do ADA tempestivamente junto ao IBAMA. A questão exige que se separe a análise da disciplina normativa que as áreas de preservação permanente e reserva legal recebem no âmbito do Direito Tributário daquela que recebem no contexto do Direito Ambiental. A Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, expressamente exclui da base de cálculo tributável do ITR as áreas de reserva legal e de preservação permanente (art. 10, § 1º, inciso II, letra “a”), ou seja, estas áreas constituem elementos redutores da base de cálculo tributável do ITR. A base de cálculo tributária é a própria exteriorização econômica do fato tributável. Por essa razão, a base de cálculo está submetida à reserva legal e aos rigores da legalidade tributária, contemplada constitucionalmente como uma das principais limitações constitucionais ao poder de tributar (art. 150, I, CF). O Código Tributário Nacional (art. 97, IV), de forma mais explícita, ratifica a necessidade de lei formal para a disciplina da base de cálculo tributável. Importante destacar que o Código Tributário Nacional (art. 97, § 1º) vincula os conceitos de majoração tributária (submetida à reserva legal) ao efeito “onerosidade”, produzido em decorrência de modificação da base de cálculo tributária. Vale dizer, qualquer alteração de base de cálculo que torne o tributo mais oneroso para o sujeito passivo submetese ao regime jurídico aplicável à majoração tributária, notadamente ‘a exigência de que seja veiculada por lei formal e atenda aos interstícios temporais previstos constitucionalmente (anterioridade geral, anterioridade nonagesimal) para cada espécie tributária. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano (art. 1º, lei 9.393/96). Fl. 265DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 13888.720672/200812 Acórdão n.º 220201.739 S2C2T2 Fl. 12 23 A base de cálculo tributável é resultado de uma operação complexa que tem como ponto de partida o Valor da Terra Nua – VTN, o qual sofre o efeito de vários elementos redutores. Do valor do imóvel declarado pelo contribuinte (Valor da Terra Nua) devem ser excluídos (art. 10, § 1º, Lei 9.393/96) os valores relativos a construções, instalações e benfeitorias; culturas permanentes e temporárias; pastagens cultivadas e melhoradas; florestas plantadas. Outro conceito importante na definição da base de cálculo tributável do ITR é o de “área tributável”, entendida como a área total do imóvel, excluídas, ou seja, devem ser considerados como elementos redutores: as áreas de preservação permanente e de reserva legal; as áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas nas áreas de preservação permanente e de reserva legal; as áreas comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; as áreas sob regime de servidão florestal ou ambiental; as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; e as áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. Da multiplicação do Valor da Terra Nua (VTN) pelo quociente entre a área tributável e a área total, chegase ao Valor da Terra Nua tributável (VTNt), que á efetiva base de cálculo sobre a qual deve incidir a alíquota (variável) do ITR. Importante aferir, no entanto, o Grau de Utilização da terra, tarefa que exige a análise e determinação da “área aproveitável” e da “área efetivamente utilizada”. Considerase como “área aproveitável”, a que for passível de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, excluídas as áreas ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias e os elementos redutores da área tributável, entre os quais se destacam as áreas de preservação permanente e as de reserva legal. Por outro lado, entendese por “área efetivamente utilizada” a porção do imóvel que no ano anterior tenha sido plantada com produtos vegetais; servido de pastagem, nativa ou plantada, observados índices de lotação por zona de pecuária; tenha sido objeto de exploração extrativa, observados os índices de rendimento por produto e a legislação ambiental; tenha servido para exploração de atividades granjeira e aqüícola, ou tenha sido o objeto de implantação de projeto técnico, nos termos do art. 7º da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993. O Grau de Utilização – GU do imóvel rural é a relação percentual entre a área efetivamente utilizada e a área aproveitável. A base de cálculo tributável do ITR é o Valor da Terra Nua tributável (VTNt), sobre a qual incidirão alíquotas variáveis dependendo da área total do imóvel e do Grau de Utilização da terra (art. 11, caput, Lei 9.393/96). Fl. 266DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 24 Qualquer alteração nos elementos redutores da base de cálculo tributável poderá ensejar modificação no nível de onerosidade tributária, índice que pode refletir majoração tributária, a submeterse aos rigores da reserva legal, na forma do disposto na Constituição Federal e no Código Tributário Nacional. As áreas de preservação permanente e de reserva legal constituem, como visto, elementos redutores da “área tributável”, e por isso influenciam diretamente a base de cálculo tributável (Valor da Terra Nua tributável – VTNt), na medida em que esta é o resultado da multiplicação do Valor da Terra Nua (VTN) pelo quociente entre a área tributável e a área total. A desconsideração de elementos redutores do valor da “área tributável”, tais como as áreas de preservação permanente e reserva legal, leva inexoravelmente ao aumento do número resultante da divisão entre área tributável e área total do imóvel, resultado que repercute aumentando o valor da Terra Nua Tributável (VTNt), base de cálculo do ITR. A rigor, a base de cálculo do ITR (VTNt) é o resultado da multiplicação do Valor da Terra Nua (VTN) pelo índice resultante da divisão da área tributável pela área total do imóvel. O aumento de área tributável, decorrente, por exemplo, da desconsideração de elementos que o reduzem, como as áreas de preservação permanente e de reserva legal, conduz a um aumento na base de cálculo do ITR na medida em que aumenta o resultado da divisão da área tributável pela área total do imóvel. Ao disciplinar a base de cálculo do ITR, a Lei 9.393/96 não impôs qualquer condição para que as áreas de preservação permanente e de reserva legal fossem consideradas como elementos redutores da área tributável por este imposto. Ocorre que a IN/SRF 67/97, conferindo nova redação ao art. 10, § 4º da IN/SRF 43/97, estabeleceu que: Art. 10. § 4º As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declaratório do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio, para fins de apuração do ITR. Observado o seguinte: I as áreas de reserva legal, para fins de obtenção do ato declaratório do IBAMA, deverão estar averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, conforme preceitua a Lei nº 4.771, de 1965, II o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR, para protocolar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA. Como visto, o referido ato regulamentar criou três condições relativas aos elementos redutores da base de cálculo do ITR (áreas de preservação permanente e de reserva legal), a saber: Primeiro, as áreas de preservação permanente só poderão ser utilizadas para fins de apuração da base de cálculo do ITR após o protocolo, pelo interessado, de requerimento junto ao IBAMA solicitando a expedição de ato declaratório reconhecendo as características ambientais do imóvel. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 13888.720672/200812 Acórdão n.º 220201.739 S2C2T2 Fl. 13 25 Segundo, as áreas de reserva legal deverão estar averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel antes do pleito de expedição do ato declaratório junto ao IBAMA. Terceiro, o requerimento para expedição do ato declaratório deve ser protocolado junto ao IBAMA no prazo de até seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR. Segundo a dicção da citada Instrução Normativa, se não cumpridas às três condições por ela criadas, as áreas de preservação permanente e de reserva legal não poderão ser utilizadas pelo sujeito passivo como elementos redutores da base de cálculo do ITR. As referidas condições foram reproduzidas posteriormente pelo art. 17 da IN/SRF 73/2000 e da IN 60/2001 e constam do Decreto 4.382/2002 (art. 10, § 1º e 12, § 1º). Como resta claro, a lei tributária, ao definir o fato gerador do ITR, estabeleceu a sua base de cálculo sem condições. Atos regulamentares editados posteriormente, a pretexto de regular o tributo, na prática, tornaramno mais oneroso, na medida em que majoraram a sua base de cálculo, criando condições (antes inexistentes) para que esta pudesse ser apurada. O Código Tributário Nacional (art. 97, § 1º) é expresso ao equiparar à majoração do tributo, submetida à reserva de lei, qualquer modificação de sua base de cálculo, que resulte em tornálo mais oneroso”. No caso em concreto no que diz respeito à área de preservação permanente, o Recorrente não preencheu os requisitos previstos na Instrução Normativa 67/97, ou seja não protocolou tempestivamente o ADA junto ao IBAMA,mas apresentou laudo técnico, onde há a comprovação de que a área é de preservação permanente. No meu entender o que deve prevalecer no caso em concreto é a verdade material, ou seja apesar do Recorrente não ter protocolado o ADA tempestivamente junto ao IBAMA, isso não tira a natureza jurídica da sua exclusão, uma vez que comprovou através de Laudo Técnico que a área se prestava a conservação permanente. Salientese uma vez a própria legislação que rege a matéria não exige tal requisito. O que a Lei 9.393/96 não exige a prévia comprovação por parte do contribuinte, cabe ao mesmo comprovar quando for devidamente intimado pela autoridade fiscal que a área é de preservação permanente ou reserva legal. Desta forma, entendo que assiste razão a recorrente, e dou provimento ao recurso apresentado reconhecendo a exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Jr. Redator Designado Fl. 268DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 26 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR
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