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Numero do processo: 19647.008545/2008-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 19 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3302-000.369
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria da Conceição Arnaldo Jacó- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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(assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) Maria da Conceição Arnaldo Jacó Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Tratamse de recursos de ofício e voluntário interpostos, respectivamente pela DRJ do Recife e pela contribuinte PRIMO SCHINCARIOL INDÚSTRIA DE CERVEJAS E REFRIGERANTES DO NORDESTE S/A, contra decisão da 5ª Turma da DRJ/REC a qual, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, nos termos do Acórdão nº 1134.532 5° Turma da DRJ/REC, proferido em 29 de julho de 2011. Na origem, cuidase de Auto de Infração do Imposto sobre Produtos Industrializados, relativo aos períodos de apuração de 01/05/2003 a 31/12/2005, com multa qualificada em 150%, em face de suposta participação da contribuinte em esquema criminoso. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 96 47 .0 08 54 5/ 20 08 -5 2 Fl. 9555DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.008545/200852 Resolução nº 3302000.369 S3C3T2 Fl. 9.556 2 A detalhada descrição dos fatos está no Termo de Verificação Fiscal, às efls. 1683 a 1723 V9. Segundo a fiscalização, em resumo, houve falta de destaque do IPI quando das saídas dos produtos destinados às empresas: 1) Disbetil Distribuidora de Bebidas Timbaubense Ltda, CNPJ: 00.130.689/000179; 2) Cocais Distribuidora de Bebidas Ltda, CNPJ: 04.584.044/000590 e 3) Subeal Surubim Bebidas Alimentos Ltda, CNPJ: 01.016.078/000169 e 4) Outros Destinatários, no período em que produziam efeitos decisões prolatadas pela Justiça Federal, favoráveis aos distribuidores acima nomeados, no sentido de afastar a tributação por unidade, instituída pela Lei n° 7.798/89, que tem seus valores fixados por normas infralegais, contrariando, no entendimento das autoras das ações, o Código Tributário Nacional e a Constituição Federal. Para melhor esclarecimento acerca do lançamento, transcrevese a seguir trecho do relatório do Acórdão ora recorrido: “Por força do disposto no RIPI/2002, quando se tratarem de saídas de produtos classificados no Cap. 22 da TIPI (bebidas, líquidos alcoólicos e vinagres), ficam os estabelecimentos industriais sujeitos à alíquota especifica (valor do IPI devido por unidade do produto) prevista na TIPI. Os produtos assim sujeitos ao IPI por unidade de produto, pagarão o imposto uma única vez (conforme arts. 139 e 143 do RIPI/02). Constatadas, pois, saídas de produtos fabricados pela autuada, em operações de venda para as distribuidoras DISBET1L, SUBEAL E COCAIS, sem o devido destaque do IPI nas notas fiscais de saída, sob a alegação de haver decisões judiciais favoráveis a essas distribuidoras com o efeito suspensivo conferido em consonância com o art.151 do CTN. Contudo, a fiscalização apurou que as decisões judiciais que obstavam a cobrança do IPI foram revistas, conforme exposto no TVF, às fls.1.415/1.416, no subtítulo "Interrupção da suspensão amparada em decisão judicial. Dai o lançamento. No subtítulo "Interrupção da Suspensão amparada em decisão judicial", fls.1.415/1.416, informase que: (1) Quanto à SUBEAL: processo n° 2001.83.00.0079824 (TRF/5° Região). A distribuidora impetrante pediu tutela antecipada para que fosse desobrigada do IPI nas aquisições das industrias fornecedoras (como a Primo Schincariol) em face da alegada ilegalidade de atos declaratórios da Receita Federal que haveriam imposto pautas fiscais para os produtos referidos. A autora obteve sentença judicial favorável, da qual a Fazenda Nacional apelou. 0 TRF/5ª R deu provimento parcial à apelação da União, determinando que o IPI fosse exigido sob as normas do regime geral, isto é, mediante a aplicação das alíquotas constantes da TIPI sobre o valor da operação tributável, reconhecendo, entretanto, a legitimidade da autora (distribuidora de bebidas) para figurar no pólo passivo da ação, bem como a ilegalidade do regime de pauta fiscal para efeito de recolhimento do IPI. A publicação desse acórdão se deu em 15.12.2005, e desde então o IPI passou a ser exigível nos termos definidos. Houve recurso especial ao Fl. 9556DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.008545/200852 Resolução nº 3302000.369 S3C3T2 Fl. 9.557 3 STJ, por parte de ambas as partes o qual não havia sido julgado até a data da autuação (até ai chegou a informação fiscal As fls.1.416); (2) Quanto à DISBETIL: processo n° 2002.83.00.0117891 (TRF/5ªR). A autora obteve êxito inicial mediante sentença proferida pela 6ª Vara PE nos autos da ação mandamental, ficando a impetrante desobrigada de suportar o 1PI nas aquisições a seus fornecedores fabricantes de bebidas. Houve recurso da Fazenda Nacional, e esta apelação obteve provimento integral, reconhecendose a ilegitimidade da apelada para figurar no pólo ativo da ação mandamental, e determinadose a extinção do processo sem julgamento do mérito. 0 acórdão foi publicado em 23.05.2006, e a partir de então deixou de haver a suspensão do IPI anteriormente consignada na sentença judicial, A DISBETIL interpôs, contudo, recurso especial ao STJ (REsp no 1029241); (3) Quanto à COCAIS: processo n° 2002.37.00.0034149 (6a Vara JF/MA). Segundo a fiscalização, também para esse os efeitos suspensivos da cobrança do 1PI perderam validade. A fiscalização informou que para o período auditado, os valores do imposto não destacados nas notas fiscais de saída da Primo Schincariol (fls.171/933) se confundem com os valores devidos de 1PI lançados de oficio no auto de infração objeto do presente processo. Em síntese, segundo a fiscalização, a autuada infringiu as disposições do RIPI/02 omitindose, enquanto estabelecimento industrial contribuinte do IPI, de fazer o devido lançamento do IPI (destaque do 1P1), nas respectivas notas fiscais de saída, sujeitandose à penalidade prevista no art.80, II, da Lei 4.502/64, c/a redação dada pela Lei 9.430/96. Os valores do IPI não destacados estão discriminados no demonstrativo "Saídas sem lançamento do IPI" (fls. 934/1.185) para cada uma das empresas que ajuizaram ações judiciais a fim de impedir a obrigatoriedade de tais destaques. Ademais, a fiscalização aponta que os atos praticados pelo Grupo Schincariol com a participação de terceiros estão tipificados como crimes tributários nos termos da Lei 4.502/64, arts.72 e 73, traduzindose em fraude e conluio. A acusação penal contra dirigentes do Grupo Schincariol foge ao escopo do presente processo administrativo, no entanto, para subsidiar as investigações fiscais de que ora se trata, a fiscalização levou em consideração elementos colhidos no âmbito da investigação de inteligência fiscal pela CoordenaçãoGeral de Pesquisa e Investigação da Secretaria da Receita Federal — COPEI (Operação Pista Livre, também denominada Operação Cevada), a qual resultou posteriormente em operação conjunta com a Policia Federal em regime de ForçaTarefa., efetivamente cumprido em meados de 2005, e porquanto O Relatório resultante dessas investigações especiais foram levadas ao Ministério Público, que ofereceu denúncia de prática de crimes tributários Fl. 9557DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.008545/200852 Resolução nº 3302000.369 S3C3T2 Fl. 9.558 4 perante a Justiça Federal. A denúncia foi recebida e gerou a ação penal que também abrange dirigentes do conglomerado Schincariol, inserta no processo judicial n° 2005.51.07.0006503 da 1ª Vara Federal de Itaboraí (tramitando então no TRF/2ª R). Esses fatos constam também da representação perante a Justiça Federal feita pela Policia Federal, no inquérito policial IPL n° 154/2005, objetivando a busca e apreensão de documentos e/ou objetos relacionados aos crimes investigados e para a prisão temporária das pessoas indicadas se refiram a fatos verificados em investigações anteriores podem seus efeitos não perdurarem necessariamente até a data da presente autuação. A investigação policial objetivou demonstrar esquema milionário de sonegação fiscal por parte de grandiosa organização criminosa liderada por dirigentes do conglomerado Schincariol, relacionando além de crimes contra a ordem tributária, crimes de falsidade e de corrupção ativa/passiva (ver fls.1.417/1.442). No relatório policial demonstrase que o sistema de comercialização dos produtos Schincariol foi estruturado em uma rede de distribuição direta, por empresas do próprio grupo, e por distribuição indireta, por meio de distribuidores terceirizados (chamados "parceiros"), através de contratos de distribuição/revenda. Dentre os revendedores "parceiros" constava o Grupo Marinaldo Rosendo o qual atuava preferencialmente por meio de "laranjas", para proteger o titular Marinaldo Rosendo de Albuquerque da imputação dos crimes praticados e das sanções decorrentes, inclusive as tributárias. Pertencem a esse grupo a DISBETIL, a SUBEAL e a COCAIS, além da PR Distribuidora de Bebidas e Alimentos Ltda, da Barbosa Distribuidora Norte de Bebidas Ltda e da Distribuidora de Bebidas Dois Pingüins Ltda (esta INAPTA; vide quadro as fls.1.420). A partir de emails interceptados, reproduzidos as fls.1.421, observamse fortes indícios de que as empresas mencionadas agiam sob o comando do Grupo Marinaldo Rosendo, explicitandose também a preocupação em dissimular a vinculação entre as empresas, para fazêlas parecer independentes. Chama a atenção a situação da DISBETIL que, cumprindo o cronograma de mudanças planejadas para extinção e abertura de novas filiais e mudança no quadro societário, abriu filial em São Gonçalo/RJ onde antes funcionava centro de distribuição da própria Schincariol, transformou essa filial em matriz, que antes era localizada em Pernambuco e, não por coincidência, após a execução do mandado de busca e apreensão já referido, retornou com a matriz para Pernambuco. Constatouse, por meio de interceptação de emails e conversas telefônicas, que o Grupo Schincariol além de comandar/promover constantes mudanças no quadro societário das empresas mencionadas, empenhavase na abertura de novas empresas distribuidoras em locais sob jurisdição de órgãos da Justiça Federal que vinham julgando favoravelmente as demandas relativas ao IPI, com obtenção de tutela antecipada/liminares que impediam o destaque de IPI nas suas aquisições junto a. Schincariol (ver tabela de fls.1.423). Registrouse que o auto de infração objeto do presente processo administrativo visa ao lançamento de oficio de IPI que deixou de ser destacado e recolhido, com respaldo em liminares concedidas em mandados de segurança ou por força de tutela antecipada em ações Fl. 9558DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.008545/200852 Resolução nº 3302000.369 S3C3T2 Fl. 9.559 5 ajuizadas por empresas do Grupo Marinaldo Rosendo (neste caso interessando especialmente a DISBETIL, a SUBEAL e a COCAIS). Que, embora essas ações fossem aparentemente patrocinadas por terceiros, a investigação policial apontou que os verdadeiros mentores e beneficiários dessas decisões judiciais parciais era o Grupo Schincariol que, em última analise, se utilizava daquelas empresas como meio fraudulento de se esquivar do pagamento de tributos federais. As autoras das ações judiciais, enquanto adquirentes das bebidas, pretendiam ficar desobrigadas de suportar o ônus do IPI incidente na saída do estabelecimento industrial fornecedor. Segundo o pedido na esfera judicial, os fornecedores deveriam ser notificados a se abster de agregar o IPI (e de fazer o destaque na NF) nas vendas as distribuidoras. Conforme os registros policiais, a intenção era uma blindagem do Grupo Schincariol contra efeitos financeiros e penais decorrentes das ações ilegais, havendo preocupação de levar a responsabilidade pelo possível desfecho desfavorável das ações judiciais, quando transitassem em julgado, para as distribuidoras autoras e não para as empresas fornecedoras (Grupo Schincariol). Se prosperasse tal esquema, resultariam incobráveis os impostos devidos e não destacados e nem recolhidos, senão pela incapacidade econômica das referidas distribuidoras e de seus sócios, pela falta de previsão legal, haja vista que no caso em comento o contribuinte de direito do IPI é exclusivamente o estabelecimento industrial fornecedor, descabendo cobrar das empresas adquirentes o IPI omitido naquelas saídas das empresas do Grupo Schincariol. Segundo a fiscalização, a fraude e o conluio restaram constatados pela demonstração, por meio de fortes e numerosos indícios na investigação policial, de que o esquema de sonegação foi arquitetado a partir do interesse do Grupo Schincariol de utilizar distribuidores "parceiros", incumbidos de montar uma rede de empresas em nome de laranjas, para assumir a responsabilidade pela parte suja e arriscada do esquema criminoso, entre elas o ajuizamento das comentadas ações judiciais. As interceptações telefônicas e de emails, vide fls.1.428/1.434, evidenciam que a decisão sobre a conveniência ou não de pedidos liminares judiciais cabia à administração do Grupo Schincariol. Há partes em que advogado contratado pelo G. Schincariol contacta o contador geral de um distribuidor parceiro para informar a cassação de uma das liminares obtidas, lamentando especialmente que a decisão judicial acusava ilegalidade de utilização de pauta fiscal, mas reconhecia que havia IPI a ser cobrado com base nas alíquotas constantes da TIPI sobre o valor da venda. Em outros trechos de conversas interceptadas fica estabelecido o pleno conhecimento por parte do Grupo Schincariol de que em muitas operações, embora as notas fiscais de saída fossem emitidas tendo por destinatário a DISBETIL, detentora de liminar judicial que impedia a cobrança do IPI nas vendas realizadas pela Schincariol, na verdade as mercadorias se destinavam à PR Distribuidora de Bebidas e Alimentos, que não estava amparada por decisão judicial, e para onde seguiam fisicamente. A fiscalização chama a atenção para o interesse financeiro do apontado esquema de sonegação (desenhado na investigação policial), Fl. 9559DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.008545/200852 Resolução nº 3302000.369 S3C3T2 Fl. 9.560 6 como aspecto importante para a compreensão do modus operandi em sua completude. As reiteradas utilizações de liminares/tutela antecipada pelas distribuidoras "parceiras", adquirentes de mercadorias da Schincariol, permitia não apenas a esta se eximir do pagamento do 1PI (e em alguns casos do ICMS) na qualidade de contribuinte de direito, mas também aquelas distribuidoras se beneficiavam ao adquirir mercadorias desoneradas do IPI que em condições normais, deveriam comprar as mercadorias com o destaque do IPI a ser repassado ao consumidor final, que é quem de fato suporta o ônus financeiro do IPI. Havia assim uma redução do custo do produto por meio de sonegação do IPI. A estratégia serviu à Schincariol em estabelecer um preço entre o preço dos concorrentes, os quais tinham seu produtos devidamente onerados pelo IPI/ICM ao longo da cadeia de produção/comercialização, e um preço mínimo, chamariz para a conquista predatória de novos mercados, em prejuízo de concorrentes cumpridores de suas obrigações fiscais. 0 esquema proporcionou, além da desoneração aproveitada pela Schincariol enquanto contribuinte de direito, também a realização de lucros excedentes e ilegais, visto que o preço final do produto ficava estabelecido abaixo do valor dos produtos concorrentes, apenas no quantum necessário à. conquista predatória de mercado. A fiscalização aponta, ainda, que como a apropriação desse "lucro" extraordinário pelo Grupo Schincariol não poderia ser registrada nos seus registros contábeis, estes se realizavam por meio de ingressos em papelmoeda, conforme registrou a investigação policial. Nas folhas 1.435/1.442 apontase a trajetória desses "lucros", primeiro sua apropriação pelo Grupo Mariano Rosendo, em seguida sua entrega ao grupo Schincariol. Concluiuse, por fim, que todos os indícios apurados por decorrência das investigações a cargo da forçatarefa que reuniu a Receita Federal e a Policia Federal apontam a prática de crimes contra a ordem tributária, pelos dirigentes do Grupo Schincariol, em conluio com os chamados Distribuidores Parceiros, permitindo a acusação fiscal de que a ora autuada agiu com evidente intuito de fraude, como definido nos arts. 72 e 73 da Lei 4.502/64, em consonância com o art.44, II, da Lei 9.430/96.” A autuada foi cientificada da exigência em 12/06/2008 (efls. 1464) e, irresignada, apresentou de impugnação, em 11/07/2008 (efls. 1735 A 1792 V9), na qual, em longa argumentação, baseia a sua defesa, fundamentalmente, nos seguintes itens: 1. Ilicitude das provas obtidas através de escutas telefônicas e interceptações de mensagens eletrônicas reconhecida pelo STJ em favor do proprietário de um dos maiores distribuidores envolvidos (o Sr. Marinaldo Rosendo de Albuquerque teve em seu favor Habeas Corpus (HC n° 57.2641RJ; DJ de 13/03/2007) impetrado perante o E. STJ (2006/00803023)), com o fundamento de que se buscava, principalmente, sonegação fiscal na chamada "Operação Cevada" e ainda não havia crédito tributário constituído e que, por expressa determinação judicial, não podem servir de fundamento a lavratura do auto de infração ora combatido; Fl. 9560DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.008545/200852 Resolução nº 3302000.369 S3C3T2 Fl. 9.561 7 2. Inexistência de fraude e conluio, em face: Das Decisões Soberanas e Independentes do Poder Judiciário “não se pode cogitar da prática de dolo/conluio, em face do Fisco, quando a exoneração do recolhimento do tributo deuse por ordem do Poder Judiciário, em decisão soberana e incontestável, e não por meros atos praticados voluntariamente pelas partes mencionadas no presente processo (o que, insistase, não ocorreu).(...) Portanto, é claro que a presunção do Sr. Agente Fiscal', para caracterizar a prática de fraude/conluio pela Impugnante, no sentido de que as distribuidoras seriam abertas nas regiões em que a Justiça Federal concedia decisões favoráveis à tese da pauta fiscal, não merece qualquer guarida, tendo em vista o direito constitucional direito constitucional ao livre acesso ao Poder Judiciário.”; Da Necessidade Operacional da Contratação dos Distribuidores para a Revenda dos Produtos da Impugnante decadência do direito de constituir parte dos créditos tributários de 1PI (Prejudicial de mérito). 3. Falta de motivação para constituição dos créditos tributários de IPI em vendas efetuadas a "outros destinatários". 4. necessidade de recomposição dos cálculos efetuados no a to de infração. 5. peculiaridade das ações judiciais propostas pelas distribuidoras. 6. Ilegitimidade passiva da fábrica, já que quem ingressou com as ações foram os distribuidores e a falta de destaque se deu em obediência a ordem judicial. 7. Impossibilidade de aplicação da multa agravada, seja pela aplicação da retroatividade benigna, já que a norma disposta no art.45 da Lei 9.430196 foi expressamente revogada pelo art.40, I,da Lei n° 11.488/07. seja pela falta de comprovação da prática de fraude ou conluio pela ora impugnante, haja vista que a fiscalização se baseou exclusivamente em indícios considerados ilícitos para tal acusação fiscal. A DRJ/REC, em 30/06/2009, ao examinar inicialmente os presentes autos, resolveu, na esteira do Despacho de Diligência nº 401 – 5ª Turma da DRJ/REC.(efls. 2045 a 2049 do V9, com repetição às efls. 2314 a 2316 e efls. 2321 a 2323), determinar à Unidade de Origem a realização de diligência no sentido de que fosse fornecido: “1) Cópia do inteiro teor da decisão da Justiça Federal de 1ª instancia que concedeu a tutela antecipada na Ação Ordinária nº 2001.83.00.0079824, 7ª Vara/PE; 2) Cópias (ou comprovação através de consultas aos Sistemas da RFB), de eventuais depósitos administrativos ou judiciais do IPI feitos pelo fabricante ou pela autora, desde que foi prolatada a decisão a que se refere o Item 1; 3) Cópias (ou comprovação através de consultas aos Sistemas da RFB), de eventuais depósitos administrativos ou judiciais do IPI feitos pelo fabricante ou pela autora, desde que foi prolatada a decisão que Fl. 9561DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.008545/200852 Resolução nº 3302000.369 S3C3T2 Fl. 9.562 8 concedeu, em parte, o pedido de liminar no Mandado de Segurança n° 2002.83.00.011789l,68 Vara/PE; 4) 0 valor das vendas, mês a mês, para a SUBEAL — SURUBIM BEBIDAS E ALIMENTOS LTDA., de dezembro de 2004 a abril de 2005, e se, neste mesmo período, a partir da data em que foi publicado o acórdão (03/02/2005) no qual o TRF da_5ª Região decidiu pela exigibilidade do tributo na conformidade do regime geral, no julgamento da AC n° 289.199/PE, houve ou não destaque do IPI e de que forma (alíquota específica ou ad valorem); 5) 0 valor das vendas, mês a mês, para a DISBETIL — DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS TIMBAUBENSE LTDA, de dezembro de 2004 a abril de 2005; 6) Justificativa da fábrica para o não destaque do IPI nas saídas para a DISBETIL apenas a partir de fevereiro de 2005, quando a Justiça Federal de 1° grau já tinha concedido a segurança desde 22/11/2002, no MS n° 2002.83.00.0117891, 6ª Vara/PE.” A diligência solicitada foi respondida pelo auditor fiscal autuante, conforme documento de e –fls. 2053 a 2055 (repetição às fls. 2317 e 2318). Consta às efls. 2057 a 2075, as contrarazões apresentadas pela interessada, por decorrência da ciência do TIF datado de 09.06.2010, em atenção ao teor do Despacho n° 401 5ª Turma da DRJ/REC. Na resposta da diligência, a fiscalização chama a atenção para a os dados que evidenciam que a SUBEAL operou apenas até dez/2004, e as operações passam a ser realizadas a partir de março/2005 com a DISBETIL, notandose que foi em 03/02/2005, data intermediária entre a saída de cena da primeira e a entrada da segunda, que houve a publicação do acórdão TRF/5 3R que revogou a ordem que favorecia a SUBEAL. A conclusão da autoridade fiscal, consoante com a descrição realizada no TVF anexo ao auto de infração, foi que as datas de operação confirmam o modus operandi cujo comando atribui a Primo Schincariol, que tratava de transferir as operações de determinada distribuidora (geralmente em nome de "laranjas"), quando deixasse de estar amparada por medida judicial, para outra ainda amparada pela medida impeditiva de destaque do IPI nas operações focadas. A autoridade julgadora de 1ª instância administrativa por meio do Acórdão nº 1134.532 5° Turma da DRJ/REC, proferido em 29 de julho de 2011, decide por unanimidade de votos, julgar a impugnação procedente em parte, declarandose a legalidade da constituição do crédito tributário de IPI, preventiva de decadência, cujo valor não foi destacado nas operações especificadas, não foi recolhido aos cofres públicos, nem tampouco foi objeto de depósito judicial cautelar, mas afastando a aplicação da multa qualificada, para que seja exigida apenas no percentual de 75% sobre os valores de IPI devidos e não recolhidos em cada período de apuração, consoante se demonstra pela transcrição da ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/05/2003 a 31/12/2005 LEGITIMIDADE PASSIVA. O IPI é tributo indireto. Na instância judicial foi reconhecida, pelo E. STJ, urna muito especifica legitimidade ativa das distribuidoras de Fl. 9562DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.008545/200852 Resolução nº 3302000.369 S3C3T2 Fl. 9.563 9 bebidas, restando claro que a fabricante ostenta a condição de contribuinte de direito do IPI, isto é, responsável tributário, e a distribuidora a de mero contribuinte de fato. Nessa condição a distribuidora teve legitimidade reconhecida para questionar judicialmente apenas certos aspectos como, por exemplo, a inclusão de descontos incondicionais na base de cálculo do tributo ou até para pleitear eventual repetição de indébito dali decorrente. Não se descaracterizou a condição da fabricante de bebidas como responsável tributário. A distribuidora, autora na demanda judicial, ao obter da autoridade judicial a expedição de ordem dirigida a fabricante, para impedila de destacar o IPI nas notas fiscais de saída, certamente poderá ser chamada a suportar o ônus de eventual sucumbência, mas, em face da lei, não se poderá afastar a responsabilidade tributária do contribuinte de direito do IPI, único responsável legal pelo tributo não destacado e não recolhido.A distribuidora de bebidas cumpre o papel do chamado contribuinte de fato, conceito econômico, e não jurídico, utilizado para identificar aquele que suporta o ônus financeiro da tributação embutida no custo do produto, mas, com base no ordenamento jurídico tributário, não tem perante a administração fiscal a responsabilidade pelo pagamento do IPI incidente na operação. Essa responsabilidade é do contribuinte de direito do IPI, por força de lei. Este que, no caso, é identificado na fabricante fornecedora das bebidas, que pode e deve ser alojada no pólo passivo da relação jurídica tributária material. Assim, a fabricante de bebidas é legitimo sujeito passivo para o lançamento tributário objeto do presente processo. IPI DEVIDO E NÃO RECOLHIDO AO ERÁRIO. No período considerado apenas foram registrados saldos devedores do IPI. Não havendo saldos credores do IPI registrados no RAIPI nos períodos de apuração abrangidos na auditoria, os valores não destacados do IPI apurados no auto de infração identificam os valores de imposto efetivamente devidos e não recolhidos. LANÇAMENTO. CONSTITUIÇÃO FORMAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Em nenhum momento deixou de existir a responsabilidade tributária do contribuinte de direito. Na decisão judicial que conferiu a tutela parcial antecipada a certa distribuidora, ao se determinar ao fabricante fornecedor que depositasse os valores de IPI que deixaria de destacar e de recolher, lembrouse ali tal responsabilidade. No âmbito do Habeas Corpus, no qual resultaram anuladas as autorizações de interceptação telefônica e de dado a autoridade judicial também reiterou a necessidade de prévia constituição do crédito tributário, por lançamento contra o contribuinte de direito, sobre o qual pendia a acusação de sonegação fiscal promovida pelo Ministério Público. É cabível o lançamento objeto do presente processo. NÃ0 CARACTERIZAÇÃO DE DOLO. Não restou caracterizada como fraudulenta ou dolosa a falta de destaque e de recolhimento do IPI, visto que tais omissões decorreram de provisória tutela judicial antecipada às distribuidoras. A conduta omissiva encontrou provisória justificativa por força de ato emanado Fl. 9563DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.008545/200852 Resolução nº 3302000.369 S3C3T2 Fl. 9.564 10 de autoridade judiciária. A ora impugnante não se valeu de artificio doloso para deixar de destacar o IPI nas notas fiscais de venda aos distribuidores. Não caracterizada a figura típica da sonegação. ARGUIÇÃO DE DECADÊNCIA AFASTADA. Ainda que afastada em consideração preliminar a caracterização de dolo, segundo o entendimento oficial da Receita Federal, tratandose de tributo submetido ao lançamento por homologação, e não tendo havido prévio recolhimento do IPI, a regra é a do art.173, I, do CTN. No caso, quanto aos créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram entre 31.05.2003 e 10.06.2003, não houve qualquer antecipação do valor devido, e somente haveria decadência a partir de 01.01.2009, no entanto o auto de infração objeto do presente processo foi cientificado a interessada em 12.06.2008. Não houve decadência. NÃO CABIMENTO DA MULTA QUALIFICADA. MANTIDA MULTA DE OFICIO PELA FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DEVIDO. Não restou caracterizada a hipótese de sonegação fiscal nos termos delineados pelo art.71 da Lei 4,502/64. Não pode a ora impugnante ser punida pelo cumprimento de decisões judiciais que por certo tempo beneficiaram as distribuidoras ainda que com repercussão patrimonial favorável à fabricante, mas à medida que reste descaracterizada a alegação de suposta ilegalidade na tributação das bebidas, que não se tratou de utilizar regime de pauta fiscal, ao transitar em julgado as respectivas ações judiciais em desfavor das distribuidoras, haverá de ser exigida a responsabilidade tributária do contribuinte de direito, com relação justamente ao crédito tributário regular e devidamente constituído pelo lançamento objeto do presente processo. No caso, não cabe a aplicação da multa qualificada de 150%, mas tão somente limitada a 75% sobre o valor do IPI devido e não recolhido ao erário. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI FORMAL VIGENTE. INCOMPETÊNCIA. A aplicação dos juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC está legitimamente inserida no ordenamento jurídico. As teses apresentadas contra a aplicação da taxa SELIC são arguições de inconstitucionalidade de lei formalmente vigente, assunto que não compete às instâncias administrativas analisar. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Em face da exoneração parcial do crédito tributário relativo à multa, em montante superior ao limite de alçada estabelecido na Portaria MF n° 03/2008, a autoridade julgadora de 1ª instância administrativa recorreu de oficio da decisão ao Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 9564DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.008545/200852 Resolução nº 3302000.369 S3C3T2 Fl. 9.565 11 A ciência da decisão à contribuinte deuse por meio da INTIMAÇÃO 13876.368/2012 KG – DRF/SOR/ARF/ITU Itu, 27 de Junho de 2012 (efl. 9308), em 05/07/2012, conforme Aviso de RecebimentoAR de efl. 9316. A contribuinte, irresignada, apresenta em 03/08/2012, por intermédio de sua sucessora, recurso voluntário de efls. 9317/9465, no qual reprisa os argumentos de sua impugnação, e, em face da decisão proferida acrescenta outras alegações, consoante itens e subitens a seguir relacionados: I DOS FATOS II PRELIMINARMENTE II.1 Da Utilização de "Supostas Provas" Ilícitas para Fundamentar o Presente Lançamento II.2 AD ARGUMENTANDUM Da Inexistência de Fraude e Conluio II.2.1. Das Decisões Soberanas e Independentes do Poder Judiciário II.2.2. Da Necessidade Operacional da Contratação dos Distribuidores para a Revenda dos Produtos da Recorrente II.3 Da Decadência do Direito do Fisco Constituir Parte dos Créditos Tributários de IPI II.4. Da Falta de Motivação para a Constituição dos Créditos Tributários de IPI, Supostamente Devidos, em Decorrência das Vendas Efetuadas aos "Outros Destinatários III DO DIREITO III.1. Das Ações Judiciais Propostas pelas Empresas Distribuidoras Aspectos Gerais III.1.1 Da Ação Proposta pela Empresa COCAIS DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA ("COCAIS") III.1.2 Da Ação Proposta pela Empresa SUBEAL SURUBIM BEBIDAS E ALIMENTOS LTDA ("SUBEAL") III.1.3 Da Ação Proposta pela Empresa DISBETIL DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS TIMBAUENSE LTDA ("DISBETIL") III.2. Da Responsabilidade do Contribuinte de Fato (Empresas Distribuidoras) pelo não Recolhimento do IPI / Da Ilegitimidade Passiva da Recorrente Da Nulidade do Auto de Infração III.3. Da Impossibilidade da Cobrança da Multa de Ofício III.4. Da Ilegalidade da Cobrança de Juros Sobre a Multa IV. DO PEDIDO Fl. 9565DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.008545/200852 Resolução nº 3302000.369 S3C3T2 Fl. 9.566 12 Assim requer: “Diante de todo o exposto, requerse seja conhecido e provido o presente Recurso Voluntário, com a consequente reforma parcial da decisão ora recorrida, quer com relação às preliminares, quer com relação ao mérito, com o consequente cancelamento do auto de infração, originário do presente processo administrativo.” Às fl 9477 a 9518 consta as contrarrazões da PGFN. Nos termos regimentais, o processo foi a mim distribuído. É o Relatório. VOTO Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ RECURSO DE OFÍCIO Passase, inicialmente, ao exame do recurso de ofício, o qual foi impetrada em face da exoneração parcial do crédito tributário relativo à desqualificação da multa de oficio(reduzida de 150% para 75%), em montante superior ao limite de alçada estabelecido na Portaria MF n° 03/2008. Entendeu o julgador de 1ª instância administrativa que, no caso, não restou caracterizada como fraudulenta ou dolosa a falta de destaque e de recolhimento do IPI, in verbis: “Pretende a impugnante que todas as provas obtidas mediante interceptação considerada ilegal, pelo STJ, não podem servir de fundamento ao auditor fiscal para o lançamento objeto deste processo administrativo. Há, primeiramente, que se observar que a ilicitude constatada decorreu da ausência até aquele momento de lançamento do crédito tributário supostamente sonegado, conforme explicitado no voto do eminente Relator no âmbito do processo do Habeas Corpus n° 57.264/RJ supramencionado, Min. Paulo Medina (fls.1.614/1.615): ‘Falouse em suspeita e prática de crime de sonegação de tributo sem que, naquele momento, como de resto, até o presente, tenha havido, por parte da autoridade administrativa competente, qualquer procedimento de autuação ou notificação de natureza fiscal. A existência do crédito tributário é, no entanto, condição absolutamente indispensável para que se possa dar inicio à persecução penal pela prática do delito dessa natureza. 0 lançamento definitivo do tributo é condição objetiva de punibilidade dos delitos definidos no art.] ° , da Lei 8.137/90’. Vale dizer o eminente Ministro relator chamou a atenção para que no caso do chamado crime de resultado, como acontece com a sonegação fiscal, o processo penal é dependente da constituição definitiva do crédito tributário que caracterize a materialidade do tributo sonegado. Porém o contrario não acontece, isto é, o processo administrativo fiscal formado para apreciar o lançamento do crédito tributário, abrangendo a acusação fiscal de sonegação, cujo dolo deve ser provado também na seara administrativa, não é dependente de Fl. 9566DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.008545/200852 Resolução nº 3302000.369 S3C3T2 Fl. 9.567 13 eventual processo penal paralelo formado a partir do acatamento de denúncia do Ministério Público. Naquele HC, houve a decisão de conceder a ordem para anular todas as decisões judiciais autorizativas das interceptações telefônicas e de dados, especificamente para determinar o desentranhamento das respectivas transcrições dos autos da ação penal que já estava instaurada. Assim esclareceu o Min. Relator, conforme consta em cópia As fls.1.619 do presente processo: ‘A conseqüência da anulação das decisões de quebra do sigilo telefônico, entretanto, não é outra senão o desentranhamento, seja dos autos de eventual inquérito (policial) seja dos autos da ação penal já instaurada ...’. Observese, entretanto, por outro lado, que as informações colhidas na investigação conjunta da Receita Federal e da Policia Federal conquanto tenham sido consideradas ilegítimas para compor o processo penal antes da caracterização da materialidade do tributo sonegado, trazem a lume a chamada verdade material atinente as condutas dos envolvidos, entre os quais a ora impugnante e alguns dos distribuidores de seus produtos. A partir da circunstância de serem as distribuidoras contribuintes de fato do IPI, com legitimidade ativa para contestar judicialmente suposta ilegalidade no valor do IPI que deveria ser destacado na nota fiscal pelo contribuinte de direito, estabeleceuse um planejamento tributário que justificasse a omissão em destacar o IPI nas saídas para as distribuidoras que se beneficiassem de tutela antecipada ou de liminar em mandado de segurança. Em tese, há que se distinguir espécies de planejamento tributário. Há a forma licita, capaz de resultar na chamada elisão fiscal, mas há outra espécie ilícita, que vêm sendo identificada no direito comparado e também na doutrina tributária pátria como "elusão tributária". Vale notar, que por força da verdade material, no âmbito do presente processo administrativo não podem e não devem ser desprezadas as evidências de concerto das condutas instrumentalizadas das distribuidoras, a partir do interesse da ora impugnante. Há aqui que se levar em conta o imbróglio planejado para que pequenas empresas distribuidoras, na maior parte representadas por "laranjas", sem patrimônio suficiente para garantir o valor dos tributos que pretenderam questionar judicialmente na qualidade de contribuinte de fato do IPI (não de direito), com legitimidade reconhecida apenas para reclamar de supostas ilegalidades na apuração do quantum de IPI a ser destacado na Nota Fiscal de aquisição de bebidas, pudessem escamotear a responsabilidade tributária da fabricante das bebidas, contribuinte de direito, obrigada não somente a fazer o destaque do IPI, mas também a considerálo como débito na apuração não cumulativa, para recolher o que viesse a resultar como saldo devedor do IPI no período legal de apuração. Dai porque em casos como, por exemplo, a da Distribuidora SUBEAL, o Poder Judiciário com elogiável prudência explicitou a necessidade de depósitos judiciais por parte do fornecedor (Primo Schincariol), conforme se explicitou na tutela inicialmente concedida, porque em Fl. 9567DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.008545/200852 Resolução nº 3302000.369 S3C3T2 Fl. 9.568 14 nenhum momento restou afastada a responsabilidade tributária do contribuinte de direito. Registrase, no entanto, que tais depósitos judiciais não se realizaram, nem quanto a esta distribuidora e nem quanto às demais eventualmente beneficiadas temporariamente pela tutela antecipada em face da alegação, não confirmada, de suposta utilização de ilegal pauta fiscal para a tributação do IPI bebidas. Já dissemos antes que o E. TRF/5ª Região já decidiu no processo referente à DISBETIL, que não se tratou de utilização do que se convencionou chamar de "pauta fiscal", não havendo nenhum arbitramento de base de cálculo, mas mera utilização de alíquota "ad rem" (chamada de alíquota especifica), prevista no art.2° da Lei 7.798/89, e explicitada por meio de decreto presidencial, na TIPI. Vale dizer, utilizouse premissa inválida, de suposta ilegalidade da base de cálculo do IPI a ser destacado pelo fabricante, para permitir que a distribuidora pudesse obter, ainda que provisoriamente, tutela judicial que transbordou para justificar à fabricante, contribuinte do IPI por força de lei, a omissão de destacar o IPI nas notas fiscais de saída para a distribuidora beneficiada. Mas, reiterese, em nenhum momento deixou de existir a responsabilidade tributária do contribuinte de direito. Quando na mesma decisão judicial que conferiu a tutela parcial antecipada se exigiu do fornecedor que depositasse os valores que deixaria de destacar e de recolher, estavase ali afirmando tal responsabilidade, e mesmo no âmbito do Habeas Corpus acima identificado, quando se estabeleceu a necessidade de prévia constituição do crédito tributário, por lançamento contra o contribuinte de direito, sobre o qual pendia a acusação de sonegação fiscal promovida pelo Ministério Público, mais uma vez houve lembrança dessa responsabilidade. Contudo, deve ser reconhecido que, mesmo quando se considerem as comunicações e articulações entre a ora impugnante e as mencionadas distribuidoras, não restou caracterizada a hipótese de sonegação fiscal nos termos delineados pelo art.71 da Lei 4.502/6,. não restou caracterizada como fraudulenta ou dolosa a falta de destaque e de recolhimento do IPI, visto que tais omissões decorreram de provisória tutela parcial antecipada às distribuidoras. Reconhecendose neste ponto que a conduta omissiva encontrou provisória justificativa por força de ato emanado de autoridade judiciária e não apenas pela vontade da ora impugnante. Esta não se valeu de artifício doloso para deixar de destacar o IPI nas notas fiscais de venda aos distribuidores. E verdade que instrumentalizou a conduta das distribuidoras, de impetrar ações judiciais a partir de premissa inválida e inverídica, capaz ao menos de procrastinar o cumprimento de suas obrigações tributárias, mas incapaz de fazer desaparecer sua responsabilidade pelos tributos afinal não recolhidos ao erário. Embora não possa ser punida pelo cumprimento de decisões judiciais que por certo tempo beneficiaram as distribuidoras com repercussão patrimonial favorável à fabricante, medida que reste descaracterizada a alegação de suposta ilegalidade, que não se tratou de utilizar regime de pauta fiscal, ao transitar em julgado as respectivas ações judiciais haverá de ser lembrada a responsabilidade tributária do contribuinte de direito, com relação justamente ao crédito tributário devidamente constituído pelo lançamento objeto do presente processo. Em suma, Fl. 9568DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.008545/200852 Resolução nº 3302000.369 S3C3T2 Fl. 9.569 15 neste ponto já resta claro que não caberá a aplicação de multa qualificada, ou punição especifica pela falta de destaque, mas tão somente poderá caber a multa de oficio sobre o valor do IPI que tenha sido apurado como devido e não recolhido ao erário.” Em seu recurso de ofício defende a contribuinte que todas “as ‘supostas provas’ utilizadas para fundamentar a autuação fiscal, que teve como premissa a suposta ocorrência de fraude e conluio, tais como as transcrições das interceptações telefônicas e os emails trocados entre as partes envolvidas (administradores da Recorrente e os representantes dos distribuidores do suposto Grupo Marinaldo), já foram consideradas ilícitas pelo Superior Tribunal de Justiça..”(grifos do original) Constatase do Termo de Verificação Fiscal (efls 1683 a 1723 V9) que a qualificação da multa foi fundamentada no item DENÚNCIA DA PRATICA DE CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA, no qual se afirma que os atos praticados pelo Grupo Schincariol, em conluio com os ali denominados distribuidores parceiros, buscavam impedir que o momento da ocorrência do fato gerador fosse tomado na saída dos produtos das Industrias Schincariol, postergadoo para o momento da saída dos produtos de estabelecimentos comerciais em nome de laranjas, modificando, pois, uma de suas características essenciais, e assim evitando o pagamento e inviabilizando o ressarcimento aos cofres públicos das importância do IPI que deixaram de ser recolhidas, enquadrando tais condutas nos arts. 72 e 73 da supracitada Lei n° 4.502/64. Segundo relato da fiscalização, a demonstração da conduta dolosa baseouse nas provas colhidas pelas investigações levadas a efeito, no âmbito da operação Pista Livre (também denominada operação Cevada), pela Copei (CoordenaçãoGeral de Pesquisa e Investigação da Secretaria da Receita Federal) e posteriormente, em regime de "Força Tarefa", com o Departamento de Policia Federal e, conseqüentemente nas provas contidas na Ação Penal inserta no processo judicial n° 2005.51.07.000650:3 da 1ª Vara Federal de ltaboraí, conforme se extrai do referido termo, in verbis: “Para alcançarmos nosso objetivo nos valeremos das investigações levadas a efeito, no âmbito da operação Pista Livre (também denominada operação Cevada) pela Copei (CoordenaçãoGeral de Pesquisa e Investigação da Secretaria da Receita Federal) e posteriormente, em regime de "Força Tarefa", com o Departamento de Policia Federal. Relatório encaminhado ao Ministério Público Federal provocou o oferecimento de denúncia junto à Justiça Federal pela prática de crimes perpetrados, inclusive, pelos dirigentes do conglomerado SCHINCARIOL. Recebida a denúncia, gerou a Ação Penal inserta no processo judicial n° 2005.51.07.000650:3 da 1ª Vara Federal de ltaboraí, atualmente tramitando no TRF – 2ª Região. Os fatos aqui narrados estão consignados na Representação — formulada pelo Departamento de Policia Federal (inquérito policial IPL n° 154/2005 —• DELEFIN/DRCOR/SR/DPF/RF) junto a Justiça Federal — para a busca e apreensão de documentos e/ou objetos relacionados aos crimes então investigados e para a prisão temporária das pessoas indicadas. Lembramos que o mandado de busca e apreensão foi autorizado à vista dos elementos consignados na Representação, tendo aquele sido executado em meados de 2005, logo Fl. 9569DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.008545/200852 Resolução nº 3302000.369 S3C3T2 Fl. 9.570 16 os fatos foram verificados nas investigações anteriores a esta data e necessariamente não perduram até a presente data”. Depreendese, portanto, que a operação cevada iniciouse por meio do trabalho efetuado pela RFB, especificamente pela Copei (CoordenaçãoGeral de Pesquisa e Investigação da Secretaria da Receita Federal) e cujo relatório encaminhado ao Ministério Público Federal provocou o oferecimento de denúncia junto à Justiça Federal pela prática de crimes perpetrados, inclusive, pelos dirigentes do conglomerado SCHINCARIOL. Recebida a denúncia, gerou a Ação Penal inserta no processo judicial n° 2005.51.07.000650:3 da 1ª Vara Federal de ltaboraí, atualmente tramitando no TRF 2a Região. Consoante consta dos autos às efls 1889 a 1931 do Volume 10, a Decisão do STJ no Habbeas Corpus n° 57.624 RJ (2006/00803023), do eminente relator Min. Paulo Medina, cujo Paciente é o Sr. Marinaldo Rosendo de Albuquerque, este citado diversas vezes no aludido "Termo de Verificação" como sendo o representante dos distribuidores (COCAIS, SUBEAL E DISBETIL), foi no sentido de conceder a Ordem para anular todas as decisões autorizativas da interceptação das comunicações telefônicas e de dados, aí incluídas as decisões de prorrogação do prazo fixado originalmente e, conseqüentemente, determinar o desentranhamento, dos autos da ação penal já instaurada, de todo e qualquer elemento originado das decisões anuladas. Verificase que a motivação para a anulação de tais decisões autorizativas foi o entendimento de que “a existência de crédito tributário é condição absolutamente indispensável para que se possa dar início à persecução penal pela prática de delito de sonegação fiscal. O lançamento definitivo do tributo é condição objetiva de punibilidade dos delitos definidos no artigo 1º, da Lei 8.137/90.” Em outras palavras, entendeu o STJ que a autorização judicial para quebra do sigilo das comunicações telefônicas e telemáticas, para o efeito de investigação de crime de sonegação de tributo, é ilegal se deferida antes de configurada a condição objetiva de punibilidade de delito, qual seja, o lançamento definitivo do crédito tributário, que no caso, ainda não existia. Entrementes, verificase do voto do relator do mencionado Habeas Corpus que “a denúncia oferecida contra o Paciente e mais 77 (setenta e sete) pessoas, não faz qualquer alusão a delito tributário (HC nº 49.524), mas aos crimes de ‘quadrilha ou bando’ (art. 288, CP); ‘corrupção ativa’ (art. 333, parágrafo único, CP); ‘corrupção passiva’ (art. 317, 1º, CP); ‘falsificação de documento particular’ (art. 298, CP) e ‘falsidade ideológica’(art. 299, CP) todos eles, aliás, no contexto de comportamentos tendentes à sonegação, como fim último.” Em face dessa realidade, o relator efetua ressalva sobre os efeitos da decisão proferida naquele Habeas Corpus para a ação penal, nos seguintes termos: “Bem, feitos esses esclarecimentos, concluo, no que respeita ao pedido formulado na impetração, que não podia ter sido deferida a escuta telefônica, não por se tratar de investigação de crime tributário, mas, rigorosamente, por não haver tributo em concreto e, via de conseqüência, condição de punibilidade do fato. Fl. 9570DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.008545/200852 Resolução nº 3302000.369 S3C3T2 Fl. 9.571 17 Hão de ser, assim, anuladas todas as decisões autorizativas da interceptação das comunicações telefônicas e de dados, aí incluídas as decisões de prorrogação do prazo fixado originalmente. Uma vez anuladas as decisões, surge uma questão que não pode ser olvidada: E quanto à prova colhida em relação aos demais delitos, cuja prática o Ministério Público Federal atribui ao Paciente e a outras 77 (setenta e sete) pessoas, de nacionalidade brasileira e estrangeira, dentre advogados, contadores, fiscais fazendários, auditores fiscais, policiais militares, dirigentes, gerentes e empregados de empresas envolvidas? Estaria essa prova "contaminada" pela ilegalidade da forma de sua obtenção? Enfim, qual o efeito, para a ação penal já instaurada, que estaria a decorrer da anulação da decisão judicial e, via de conseqüência, da imprestabilidade das provas colhidas por intermédio da interceptação anulada? Sem dúvida que essa matéria está estreitamente vinculada ao objeto deste habeas corpus, mas a resposta, ao menos no momento, não pode ser conclusiva. Os elementos trazidos nesta impetração não são suficientes para examinarse, a contento, a exata origem do conjunto probatório que dá sustentação à denúncia, bem como o liame existente entre uma e outra prova. Em suma, com base no que consta destes autos, impossível dirimir qualquer dúvida ou assentar qualquer premissa necessária à conclusão no tocante à validade da prova carreada contra o Paciente, pela imputação de outros delitos que não o de sonegação fiscal. A conseqüência da anulação das decisões de quebra do sigilo telefônico, entretanto, não é outra senão o desentranhamento, seja dos autos de eventual inquérito seja dos autos da ação penal já instaurada, de todo e qualquer material gravado ou impresso de degravação de comunicação telefônica ou documento relativo à comunicação telemática ou informatizada, produzido em conseqüência da medida que se invalida. A hipótese de vir a ser ou não esse material probatório a única fonte de prova relativa aos delitos constantes da denúncia já oferecida é algo que não pode ser confirmado nos limites desta impetração, como já se disse, por falta de instrução suficiente.” É de se ressaltar, então, que a decisão do STJ proferida no Habeas Corpus n° 57.624 RJ (2006/00803023), não julgou sobre a existência ou não de crime contra a ordem tributária, sobre a autoria e, tampouco, desconstituiu a denúncia, como, também, não efetuou análise sobre quais provas constantes da ação penal estariam inválidas em face daquela decisão, mas, unicamente, determinou a anulação das decisões autorizativas das escutas telefônicas e telemáticas e, em conseqüência, o desentranhamento, seja dos autos de eventual inquérito seja dos autos da ação penal já instaurada, de todo e qualquer material gravado ou Fl. 9571DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.008545/200852 Resolução nº 3302000.369 S3C3T2 Fl. 9.572 18 impresso de degravação de comunicação telefônica ou documento relativo à comunicação telemática ou informatizada, produzido em conseqüência da medida que se invalida. Ainda, convém ressaltar que no referido Habeas Corpus, o relator menciona que por idêntico motivo foi concedida a ordem, por unanimidade, no Habeas Corpus HC nº 49.524, para trancamento do Inquérito Policial, naquilo que respeita à investigação quanto à prática de delito tributário, até o exaurimento da via administrativofiscal. Entretanto, na decisão deste HC nº 49.524, cuja cópia foi adquirida no sítio do STJ e anexada aos autos às e fls 9522 a 9551( por meio do Despacho 330210/CAJ2013 de efl 9554), restou destacado que a autoridade policial requereu a quebra do sigilo bancário ao Juízo Federal de Itaboraí, fazendo referência à possível prática de outros delitos: ‘exportação fictícia’, ‘formação de quadrilha, através de utilização de empresas em nome de ‘laranjas’’, ‘notas fiscais ‘viajadas’’ e ‘‘clonagem’de placas’, dentre outras.” O que pode sugerir a motivação pelo o qual o Inquérito Policial só tenha sido trancado parcialmente. Também, na mesma decisão do HC nº 49.524, não se conheceu do pedido de trancamento da Ação Penal, posto que, segundo as palavras do relator, o Min. Paulo Medina, “Rigorosamente falando, não há lugar para a tese invocada de ausência de condição objetiva de punibilidade lançamento definitivo ,fundamento original da impetração para o pedido de trancamento de ‘eventual futura ação penal’,visto que a ação penal já instaurada não tem como objeto delito de natureza tributária”. Ressalta aquele relator que o Ministério Público “classifica os fatos narradas na denúncia em ‘quadrilha ou bando’ (art.288,CP); ‘corrupção ativa’ (art. 333, parágrafo único,CP); ‘corrupção passiva’ (art.317,1º,CP); ‘falsificação de documento particular’ (art.298,CP) e ‘falsidade ideológica’(art.299,CP).” E, ressalta que a individualização da conduta do Paciente está no subitem 4.45 da denúncia, transcrevendo in totum essa parte da denúncia, demonstrando o modus operandi. Portanto, tendo em vista que: 1. o Termo de Verificação Fiscal descreve que a demonstração da conduta dolosa baseouse nas provas colhidas pelas investigações levadas a efeito, no âmbito da operação Pista Livre (também denominada operação Cevada), pela Copei (CoordenaçãoGeral de Pesquisa e Investigação da Secretaria da Receita Federal) e posteriormente, em regime de "Força Tarefa", com o Departamento de Policia Federal; 2. a denúncia ofertada pelo o Ministério Público Federal junto à Justiça Federal pela prática de crimes perpetrados, inclusive, pelos dirigentes do conglomerado SCHINCARIOL foi provocada pelo então Relatório encaminhado pela Copei (CoordenaçãoGeral de Pesquisa e Investigação da Secretaria da Receita Federal), e que, tal denúncia gerou a Ação Penal inserta no processo judicial n° 2005.51.07.000650:3 da 1ª Vara Federal de ltaboraí, atualmente tramitando no TRF 2a Região, a qual teve o pedido de trancamento negado no HC nº 49.524 e, portanto, teve o seu curso normal; 3. o eminente relator do Habeas Corpus n° 57.624 RJ (2006/00803023), Min. Paulo Medina, efetuou ressalvas acerca dos efeitos da decisão Fl. 9572DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.008545/200852 Resolução nº 3302000.369 S3C3T2 Fl. 9.573 19 proferida no mencionado Habeas Corpus sobre as provas constantes da Ação Penal inserta no processo judicial n° 2005.51.07.000650:3 da 1ª Vara Federal de ltaboraí, no sentido de ser impossível analisar naquele Habeas Corpus quais provas constantes da ação penal estariam, ou não, contaminadas com a decisão ali proferida; o relator da decisão do HC nº 49.524, o Min. Paulo Medina, que decidiu pelo o trancamento do Inquérito Policial, apenas no que pertine ao crime de sonegação fiscal, até que o Processo Administrativo fiscal esteja transitado em julgado, mantendose, porém, em relação aos demais supostos crimes; ressaltou que as provas desse crime devem ser levantadas pela própria administração fiscal; 4. O convencimento acerca da existência, ou não, de conduta dolosa, está atrelado unicamente à questões probatórias. Fazse necessário, então, ter o conhecimento sobre: 1. o teor do relatório encaminhado pela Copei (CoordenaçãoGeral de Pesquisa e Investigação da Secretaria da Receita Federal) para o Ministério Público e qual o efeito da decisão proferida no Habbeas Corpus n° 57.624 RJ (2006/00803023) sobre ele ; 2. o inteiro teor da denúncia efetuada pelo o Ministério Público e das decisões até então proferidas na Ação Penal inserta no processo judicial n° 2005.51.07.000650:3 da 1ª Vara Federal de ltaboraí; 3. o teor dos relatórios da Polícia Federal que ensejaram a solicitação da medida cautelar de afastamento do sigilo de comunicações e posterior instauração do inquérito policial n° 154/2005; 4. informações atinente à situação atual da Ação Penal inserta no processo judicial n° 2005.51.07.000650:3 da 1ª Vara Federal de ltaboraí, e do Inquérito Policial n° 154/2005. E ainda, compulsando os autos, verificase que, em um grande número de notas fiscais não há a comprovação de recebimento das mercadorias pelo o adquirente. Em outras tantas, verificase que o frete corre por conta do destinatário.As cargas são recebidas na fábrica, no mesmo dia da emissão da nota, pelo o transportador, em cujo recibo da nota consta a seguinte declaração:“Declaro que acompanhei a amarração da carga e que está em perfeita ordem para o seu transporte”. Assim, fazse necessário demonstrar a efetiva entrega das mercadorias nas instalações dos adquirentes, quais sejam: 1) Disbetil Distribuidora de Bebidas Timbaubense Ltda, CNPJ: 00.130.689/000179; 2) Cocais Distribuidora de Bebidas Ltda, CNPJ: 04.584.044/000590 e 3) Subeal Surubim Bebidas Alimentos Ltda, CNPJ: 01.016.078/000169. Fl. 9573DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.008545/200852 Resolução nº 3302000.369 S3C3T2 Fl. 9.574 20 Também, em face das alegações da contribuinte apresentadas no sub item “II.2.2. Da Necessidade Operacional da Contratação dos Distribuidores para a Revenda dos Produtos da Recorrente”, no qual efetua a ressalva de que o rígido controle que exerce sobre as ações judiciais de seus distribuidores não significa interesse econômico, mas sim interesse em emitir corretamente as notas fiscais em conformidade com as decisões judiciais, mister se faz demonstrar a destinação da produção para mencionadas distribuidoras, em períodos antes das liminares concedidas atendendo aos pleitos dos distribuidores ora sob análise, durante a vigência das liminares e depois da cassação das liminares, visando, inclusive, esclarecer as divergências alegadas pela contribuinte em suas contrarrazões ao resultado da diligência efetuada pela DRF/Rec, consoante consta à efl 2271, quando assim se manifestou: “Contudo, diversamente da afirmação exposta pela DRF, é importante demonstrar, com base nas informações extraídas do próprio auto de infração, originário do presente processo, as impropriedades dessa alegação, conforme ilustra o quadro abaixo”: INFORMAÇõES EXTRAÍDAS DO PRÓPRIO AUTO DE INFRAÇÃO ALEGAÇÕES DA DRF/REC EM RESPOSTA À DILIGENCIA No período compreendido entre 10/01/05 e 10/02/05 (ou seja, mesmo após a publicação do acórdão proferido na ação judicial da SUBEAL), a Requerente vendeu os seus produtos industrializados à SUBEAL. Tanto isso é verdade que a Fiscalização constituiu os créditos tributários de IPI nesse período Nesse período não foi realizada qualquer venda à SUBEAL No período compreendido entre 10/02/05 e 28/02/05 (ou seja, antes mesmo da publicação do acórdão proferido na ação judicial da SUBEAL), a Requerente vendeu os seus produtos industrializados à DISBETIL. Tanto isso é verdade que a Fiscalização constituiu os créditos tributários de IPI nesse período. Nesse período não foi realizada qualquer venda à DISBETIL DO RECURSO VOLUNTÁRIO Entre outras argüições, a recorrente insiste na decadência do direito do Fisco constituir parte dos créditos tributários de IPI, especificamente referentes aos períodos de apuração ocorridos entre 31.05.2003 e 10.06.2003, tendo como uma das linhas de seus argumentos a aplicação do disposto no artigo 150, §4° do CTN, sob a alegação de que não restou comprovada a ocorrência de fraude e do conluio, que o tributo exigido IPI é sujeito Fl. 9574DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.008545/200852 Resolução nº 3302000.369 S3C3T2 Fl. 9.575 21 ao lançamento por homologação e que houve o devido recolhimento do IPI nos períodos de apuração compreendidos entre 31/05/2003 e 10/06/03, relacionando, a título exemplificativo, algumas guias DARF A DRJ/REC, apesar de reconhecer a inexistência de fraude/conluio, não aplicou o disposto no artigo 150, §4° do CTN, mas sim a regra prevista no artigo 173, I do mesmo diploma, sob a alegação de que não houve o pagamento do IPI, in verbis: “Não se sustenta a argumentação. Primeiro deve ser esclarecida qual a norma regente do prazo decadencial no presente caso. Ainda que se tenha afastado, em consideração preliminar, a caracterização de fraude/conluio, segundo o entendimento oficial da Receita Federal tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, e não tendo havido prévio recolhimento do IPI, a regra é o art. 173, I,do CTN”. Diante da negativa da DRJ e da afirmativa da recorrente, resta a necessidade de se confirmar, ou não, a existência dos pagamentos alegados. E, ainda, no sub item “III.1 Das Ações Judiciais Propostas pelas Empresas Distribuidoras Aspectos Gerais”, a recorrente alega que “ao lavrar o aludido auto de infração, o Sr. Auditor Fiscal, referendado pela DRJ, não observou, como seria de rigor, as peculiaridades de cada uma das ações judiciais propostas pelas empresas distribuidoras nem, tampouco, os efeitos, concretos, decorrentes da revogação das medidas judiciais para a Recorrente. Ao contrário, pela análise da decisão ora recorrida, notase que a DRJ fez um breve comentário sobre o andamento de cada uma das ações judiciais propostas pelas distribuidoras (fls. 1.861) e, ao final, concluiu, de maneira genérica, que a premissa utilizada pelas distribuidoras, nas respectivas lides judiciais era equivocada.” E arremata: “Dessa forma, fazse necessário analisar a situação processual de cada uma das ações propostas pelos distribuidores, a fim de se demonstrar os graves equívocos cometidos pela DRJ ao referendar o procedimento adotado pela Fiscalização, que impedem a manutenção dos créditos tributários de IPI lançados (caso não tenham sido acolhidas as preliminares até aqui expostas, suficientes do cancelamento da autuação).” Ao mencionar cada uma das ações impetradas pelas distribuidoras, a recorrente afirma que as ações visavam a suspensão da exigibilidade da cobrança do IPI com base na pautas fiscais de valores. Para melhor análise dos argumentos trazidos neste sub item, fazse necessário analisar as petições de cada uma das ações impetradas pelas distribuidoras mencionadas neste lançamento. Sabese que no Processo administrativo fiscal prepondera o princípio do livre convencimento motivado, podendo a autoridade julgadora solicitar diligência que achar necessária, como se pode inferir dos artigos 29 e 31 do Decreto n.º 70.235/1972: “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias”. Fl. 9575DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.008545/200852 Resolução nº 3302000.369 S3C3T2 Fl. 9.576 22 “Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referir se, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências”. Assim, tendo em conta o que foi acima mencionado, remanescendo dúvidas diante dos fatos presentes nos autos. e em face do princípio da Oficialidade, informador do Processo Administrativo Fiscal, segundo o qual, de acordo com as palavras do Auditor Fiscal Gilson Wessler Michels1, “compete à própria administração impulsionar o processo até a sua conclusão, diligenciando no sentido de reunir o conhecimento dos atos necessários ao seu deslinde”, proponho a realização de diligência para que sejam trazidos aos autos os documentos e informações relacionados abaixo, devendo o agente responsável pela realização da diligência promover todos os esforços para bem concretizar a demanda, tais quais, intimar a contribuinte e/ou as distribuidoras, oficiar a Polícia Federal, o Ministério Público e ou o Poder Judiciário, elaborar planilhas e, ao final, cientificar a contribuinte para que a mesma, querendo, possa manifestarse sobre o resultado da diligência, em observância ao principio do contraditório e da ampla defesa, retornando, depois de tais providências, o presente processo ao CARF para posterior julgamento: DOCUMENTOS E INFORMAÇÕES SOLICITADOS: i. Cópia do relatório encaminhado pela Copei (CoordenaçãoGeral de Pesquisa e Investigação da Secretaria da Receita Federal) para o Ministério Público relativo à operação denominada Pista livre ou Cevada; ii. Cópia de provas elaboradas pela RFB e que acompanharam o relatório mencionado no item imediatamente acima, se existirem; iii. Cópia da denúncia efetuada pelo o Ministério Público e das decisões até então proferidas na Ação Penal inserta no processo judicial n° 2005.51.07.000650:3 da 1ª Vara Federal de ltaboraí; iv. Cópia dos relatórios da Polícia Federal que ensejaram a solicitação da medida cautelar de afastamento do sigilo de comunicações e posterior instauração do inquérito policial n° 154/2005; v. Certidão de Objeto e Pé da Ação Penal inserta no Processo Judicial n° 2005.51.07.000650:3 da 1ª Vara Federal de ltaboraí, visando apurar a situação atual do respectivo processo judicial; vi. Informações acerca das provas ilícitas (contaminadas) e sobre as consideradas válidas na Ação Penal inserta no Processo Judicial n° 2005.51.07.000650:3 da 1ª Vara 1 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Comentários e Anotações ao Decreto n.º 70.235, de 06/03/1972 Fl. 9576DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.008545/200852 Resolução nº 3302000.369 S3C3T2 Fl. 9.577 23 Federal de ltaboraí, tendo em conta os efeitos da decisão do STJ no Habbeas Corpus n° 57.624 RJ (2006/00803023); vii. Informações atinentes à situação atual do Inquérito Policial n° 154/2005. viii. Cópias das ações judiciais impetradas pelas distribuidoras 1) Disbetil Distribuidora de Bebidas Timbaubense Ltda, CNPJ: 00.130.689/000179; 2) Cocais Distribuidora de Bebidas Ltda, CNPJ: 04.584.044/000590 e 3) Subeal Surubim Bebidas Alimentos Ltda, CNPJ: 01.016.078/0001, contemplando os seguintes itens: · Cópia das petições iniciais, relacionadas com a Ação Ordinária, Medida Cautelar ou Mandado de Segurança; · Cópia das medidas liminares concedidas;Cópia das sentenças proferidas; · Certidão de Objeto e Pé, visando apurar a situação atual do processo judicial; · Certidão de transito em julgado, se este já foi alcançado; ix. Cópias dos Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas relativos ao serviços de transportes efetuados para a devida entrega dos produtos destinados aos distribuidores mencionados nos lançamentos, nos respectivos períodos de apuração objeto do lançamento ora sob litígio; x. Planilha demonstrativa das operações mensais praticadas pela contribuinte, ora recorrente, com as distribuidoras mencionadas na autuação, abrangendo os períodos que antecedem (um ano antes) as liminares e/ou sentenças judiciais proferidas que atenderam o pleito das distribuidoras, durante a vigência dessas liminares e ou decisões judiciais e depois da cassação das liminares e ou decisões judiciais (um ano depois), bem como a representação percentual mensal dessas operações em relação à produção total em cada mês; xi. Planilha demonstrativa contendo informações sobre quais outros fornecedores transacionaram com as distribuidoras mencionadas na autuação, nos mesmos períodos destacados no inciso anterior; Fl. 9577DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.008545/200852 Resolução nº 3302000.369 S3C3T2 Fl. 9.578 24 xii. Manifestação por parte da autoridade fiscal acerca das inconsistências apontadas pela contribuinte em suas contrarrazões ao resultado da diligência requerida pela DRJ/Rec, consoante consta à efl. 2272 (Volume X); xiii. Informações acerca da existência, ou não, de recolhimentos de IPI bebidas, referentes aos saldos devedores originalmente apurados pela a contribuinte, em cada um dos períodos de apuração objeto do presente lançamento ora contestado; xiv. Informações sobre a ocorrência, ou não, de pagamentos, assim considerados pela dedução dos débitos, nos períodos de apuração do imposto, em face dos créditos admitidos, quando não resultar saldo a recolher, em conformidade com a regra prevista no inciso III do parágrafo único do art. 124 do RIPI 2002; xv. Outras informações ou documentos que julgar úteis ou necessários ao julgamento do presente feito;. xvi. Relatório circunstanciado consolidando as informações e manifestações resultantes do atendimento à presente solicitação de diligência ; CONCLUSÃO Assim, com base no acima exposto e sendo determinante para o julgamento dos presentes autos a anexação de tais manifestações, informações e documentos, voto no sentido de converter o julgamento em diligência. É como voto. (Assinado digitalmente) Maria da Conceição Arnaldo Jacó Relatora Fl. 9578DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10935.001588/2007-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 4.
MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. INOCORRÊNCIA. CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
A multa de ofício aplicada ao lançamento decorre de expressa determinação legal. Ademais, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, a teor da Súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 1302-001.278
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator, vencidos os Conselheiros Alberto Pinto e Tadeu Matosinho que negavam provimento ao recurso. O Conselheiro Alberto Pinto apresentou declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006 SOCIEDADES CORRETORAS DE SEGUROS. MAJORAÇÃO DA ALÍQUOTA PARA 4%. INAPLICABILIDADE. DIFERENÇA ENTRE OS TERMOS: "SOCIEDADES CORRETORAS DE SEGUROS", "AGENTES AUTÔNOMOS DE SEGUROS PRIVADOS" E "SOCIEDADES CORRETORAS". NÃO INCIDÊNCIA DA ALÍQUOTA MAJORADA. As empresas corretoras de seguros, cujo objeto social se refere às atividades de intermediação para captação de clientes (segurados), não se enquadram no conceito de sociedades corretoras, previsto no art. 22, § 1º, da Lei nº 8.212, porquanto estas destinamse à distribuição de títulos e valores mobiliários. Da mesma forma, não existe equivalência entre o conceito de corretor de seguros e o de agente autônomo de seguros privados, cujas atividades são disciplinadas pelos regimes jurídicos estabelecidos, respectivamente, no DecretoLei 73/1966 e na Lei 4.886/1965. Precedentes do STJ e do 1º Conselho de Contribuintes. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006 JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 4. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. INOCORRÊNCIA. CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. INCOMPETÊNCIA DO CARF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 15 88 /2 00 7- 14 Fl. 325DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10935.001588/200714 Acórdão n.º 1302001.278 S1C3T2 Fl. 326 2 A multa de ofício aplicada ao lançamento decorre de expressa determinação legal. Ademais, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, a teor da Súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator, vencidos os Conselheiros Alberto Pinto e Tadeu Matosinho que negavam provimento ao recurso. O Conselheiro Alberto Pinto apresentou declaração de voto. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório F1 SEGUROS CORRETORA DE SEGUROS LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 0626.032, de 01/04/2010, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Trata o presente processo de autos de infração para constituição de crédito tributário de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. As infrações apuradas pelo Fisco estão descritas no Termo de Constatação Fiscal de fls. 224/226 e planilhas de fls. 227/234, podem ser sintetizadas como segue: · Omissão de receitas, com base nas diferenças entre as receitas informadas pela contribuinte em DIPJ e os valores informados por seus clientes em DIRF. Esta infração gerou autuação de IRPJ e reflexos de CSLL, PIS e COFINS (item 4 do Termo de Constatação Fiscal, fl. 225). · Diferença na apuração do IRPJ, apurada com base na diferença entre a receita contabilizada e o valor declarado em DCTF (item 1 do Termo de Constatação Fiscal, fl. 224). Fl. 326DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10935.001588/200714 Acórdão n.º 1302001.278 S1C3T2 Fl. 327 3 · Diferença na apuração da CSLL, apurada com base na diferença entre a receita contabilizada e o valor declarado em DCTF (item 2 do Termo de Constatação Fiscal, fl. 224). · Diferenças na apuração da COFINS. O Fisco esclarece que “a maior parte das diferenças [...] foi decorrente da não observância da alteração introduzida pelo art. 18 da Lei 10.684/2003, que elevou a contribuição da Cofins de 3% para 4%, para as empresas que têm por atividade a corretagem de seguro, como é o caso do contribuinte” (item 3 do Termo de Constatação Fiscal, fl. 225). Cientificada das exigências e com elas inconformada, a interessada apresentou impugnação ao lançamento (fls. 279/293), na qual aduz razões que foram assim sintetizadas pelo diligente relator do processo em primeira instância: Analogia indevida entre agente autônomo de seguros e corretor de seguros – Cofins a. Cita o Ato Declaratório Interpretativo n° 21/2003, que dispõe sobre a alíquota da Cofins devida pelas associações de poupança e empréstimo e pelos agentes autônomos de seguros, e o art. 52 da IN SRF n° 247/2002, e afirma que a SRF equipara as sociedades corretoras de seguros com as integrantes do sistema financeiro, em decorrência do art. 22, §1° da Lei 8.212/91; b. Cita doutrina de Hiromi Higuchi e decisão do Conselho de Contribuintes; C. Cita o art. 1° do decreto n° 56.903, de 24/09/1965, que regulamenta a profissão de corretor de seguros de vida e de capitalização e da sua habilitação como profissional pessoa física; d. Conclui ser ilegal a equiparação acima comentada, descabendo a exigência da Cofins sobre as receitas da empresa à alíquota de 4%, relativamente aos fatos geradores entre 30/09/2003 e 31/12/2005; Multa. Confisco e. Cita doutrina, entende que existem limites para a penalização do contribuinte através de multas; e, se por um lado, temse como indiscutível que o descumprimento de qualquer obrigação fiscal corresponderá à respectiva sanção, por outro lado, verificase que esta deverá obedecer a determinados limites; f. Aduz que, numa situação de estabilização econômica, multas excessivas e juros elevados configuram ganho excessivo que não se coaduna com a estabilização, constituindo um verdadeiro confisco; g. Assevera que incide às multas o disposto nos arts. 145, §1° e 150, inciso I da CF/88; h. Argumenta que o STF já repelia a multa confiscatória entes da CF/88; i. Requer a exclusão de todos os lançamentos a multa de 75%, por seu evidente caráter confiscatório; Selic Fl. 327DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10935.001588/200714 Acórdão n.º 1302001.278 S1C3T2 Fl. 328 4 j. Alega que houve erro no cálculo dos percentuais acumulados dos juros de mora Selic, da ordem de 0,05% por mês, conforme planilha anexada, feita com base em tabela disponibilizada pela DRF/Curitiba; k. Demonstra que os juros foram incorretamente calculados em todos os meses, em percentual 0,05% a maior; 1. Entende que a taxa de juros não pode ser aplicada com base na Selic, por conter ela um componente embutido de correção monetária relativa ao período a que se refere, pois a correção monetária está extinta desde 01/01/96, e aceitar essa aplicação é acolher o mascaramento da cobrança de correção monetária disfarçada de juros de mora; m. Lembra que o STF considerou inaplicável a utilização da taxa referencial para cobrança de débitos fiscais, por se tratar de índice de remuneração real do capital; n. Aponta que, na prática, essas taxas acabam por conter, além da parcela de atualização monetária e da remuneração do capital a ser captado, uma parcela representativa também da especulação diária e permanente que caracteriza esse mercado universalmente; o. Pondera que, estando a correção monetária sujeita ao princípio da legalidade estrita, somente lei formal expressa poderá determinar a sua cobrança, merecendo, pois, repulsa, dispositivo de lei que, institui de forma velada, sob a capa de juros de mora, a cobrança de correção monetária sobre débitos fiscais, aumentando por via indireta, o valor do imposto, com violação do art. 150, I da CF/88; p. A final, pede o reconhecimento: i) da cobrança indevida de 4% da alíquota da Cofins; ii) do caráter confiscatório da multa de 75%; iii) os erros de cálculo de 0,05% nos percentuais de juros de mora; iv) a cobrança de juros na forma da Selic. A 2ª Turma da DRJ em Curitiba/PR analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 0626.032, de 01/04/2010 (fls. 298/311), considerou parcialmente procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. PERCENTUAL. LEGALIDADE. Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. A utilização da taxa Selic como juros moratórios decorre de expressa disposição legal. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10935.001588/200714 Acórdão n.º 1302001.278 S1C3T2 Fl. 329 5 JUROS DE MORA. ERRO NO CÁLCULO DOS JUROS ACUMULADOS. Comprovado o erro no cálculo dos juros Selic acumulados, cobrados a maior em 0,05% para todos os períodos lançados, impõese reconhecer a inexigibilidade dos valores calculados em excesso. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITAS. VALORES INFORMADOS EM DIRF. Correto o lançamento do IRPJ, fundado em omissão de receitas, apurada com base em valores informados em DIRF pelos clientes da empresa autuada. PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase aos lançamentos reflexos alusivos ao PIS, à Cofins e à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 COFINS. ALÍQUOTA DE 4%. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. CORRETORAS DE SEGUROS. A partir da Lei n° 10.684, de 30 de maio de 2003, para cálculo da Cofins, incide a alíquota de 4% para as instituições financeiras e outras figuras equiparadas, incluindo as corretoras de seguros. Por relevante, esclareço que a decisão de primeira instância manteve integralmente as exigências de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS e respectivas multas, e reconheceu erro material no cálculo dos juros de mora, determinando que seja feito novo cálculo por ocasião da cobrança. Ciente da decisão de primeira instância em 16/04/2010, conforme Aviso de Recebimento à fl. 318, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 14/05/2010 conforme carimbo de recepção à folha 319. No recurso interposto (fls. 320/322), a recorrente reitera os argumentos trazidos na impugnação, no que tange ao caráter confiscatório da multa de 75% aplicada ao lançamento; e à impossibilidade de aplicação de juros à taxa SELIC, por neles estar embutida uma componente de correção monetária, proibida a partir de 01/01/1996. Pede, assim, que a multa e os juros sejam afastados. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10935.001588/200714 Acórdão n.º 1302001.278 S1C3T2 Fl. 330 6 Ainda, a interessada questiona a alíquota de 4% empregada no cálculo da COFINS, a qual considera inaplicável às corretoras de seguros, sua situação. Entende que descabe atribuir a condição de instituição financeira às corretoras de seguros, da mesma forma que estas últimas (corretoras de seguros) não podem ser equiparadas aos agentes autônomos de seguros. Colaciona jurisprudência administrativa e judicial em favor de sua tese e pede que não seja admitida a alíquota de 4% da COFINS exigida pelo Fisco. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. A primeira questão a ser enfrentada diz respeito ao lançamento de COFINS, ao qual foi aplicada a alíquota de 4%, com base no art. 18 da Lei nº 10.684/2003. Sustenta a recorrente que tais disposições não lhe seriam aplicáveis. Vejamos, então, a legislação aplicável, a exemplo do que fez a Autoridade Julgadora em primeira instância (grifos não constam do original): Lei n° 10. 684, de 30 de maio de 2003 Art. 18. Fica elevada para quatro por cento a aliquota da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS devida pelas pessoas jurídicas referidas nos §§ 6º e 8° do art. 3° da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998 § 6° Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei n° 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5°, poderão excluir ou deduzir: (Incluído pela Medida Provisória n'2.15835, de 2001) I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: (Incluído pela Medida Provisória n° 2.158 35, de 2001) a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; (Incluída pela Medida Provisória n'2.15835, de 2001) Fl. 330DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10935.001588/200714 Acórdão n.º 1302001.278 S1C3T2 Fl. 331 7 b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; (Incluída pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) c) deságio na colocação de títulos; (Incluída pela Medida Provisória no 2.158 35, de 2001) d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; (Incluída pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; (Incluída pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. (Incluído pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; (Incluído pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. (Incluído pela Medida Provisória no 2.158 35, de 2001) [...] § 8° Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, poderão ser deduzidas as despesas de captação de recursos incorridas pelas pessoas jurídicas que tenham por objeto a securitização de créditos: (Incluído pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) I imobiliários, nos termos da Lei n° 9.514, de 20 de novembro de 1997; (Incluído pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) II financeiros, observada regulamentação editada pelo Conselho Monetário Nacional. (Incluído pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) III agrícolas, conforme ato do Conselho Monetário Nacional. (Incluído pela Lei no 11.196, de 2005) Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: [...] Fl. 331DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10935.001588/200714 Acórdão n.º 1302001.278 S1C3T2 Fl. 332 8 § 1º No caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização, agentes autônomos de seguros privados e de crédito e entidades de previdência privada abertas e fechadas, além das contribuições referidas neste artigo e no art. 23, é devida a contribuição adicional de dois vírgula cinco por cento sobre a base de cálculo definida nos incisos I e III deste artigo. (Redação dada pela Lei n° 9.876, de 26/11/99) Pois bem. Compulsando os autos, constato que a autoridade lançadora considerou aplicável à contribuinte a majoração de alíquota (de 3% para 4%) introduzida pelo art. 18 da Lei nº 10.684/2003, acima transcrito, levandose em conta sua atividade de corretagem de seguros (Termo de Constatação Fiscal, item 3.2, fl. 225). Na mesma linha a decisão de primeira instância, que inclusive, fez sublinhar, nos textos legais, a expressão “sociedades corretoras”, não acolhendo, assim, as razões de impugnação, que buscavam firmar diferenças entre “corretoras de seguros” e “agentes autônomos de seguros privados” (Acórdão recorrido, itens 14 e 15, fls. 304/307). Inicialmente, fazse necessário verificar se a expressão “sociedades corretoras”, presente no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212/1991 e, ainda, no inciso I do § 6º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, pode ser entendida isoladamente, ou se deve ser compreendida como integrante da expressão que a acompanha no texto, a saber, “sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários”. Em outras palavras, se devem ser aqui consideradas todas e quaisquer sociedades corretoras, independentemente de seu ramo específico de atuação, ou tão somente aquelas que se dedicam à corretagem e à distribuição de títulos e valores mobiliários. A meu ver, a resposta deve ser pela segunda alternativa. Em primeiro lugar, diante da análise das alíneas “a” a “e” do inciso I do § 6º do art. 3º, acima transcrito, em que se verifica que todas as despesas passíveis de dedução da base de cálculo da contribuição estão diretamente ligadas a operações financeiras e/ou a operações com títulos e valores mobiliários. Não se trata de despesas habituais nem pertinentes a corretoras de seguros. Em segundo lugar, diante da constatação de que existem, atuando no mercado, sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, e também sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários. Ambas são instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil e que compõem o Sistema Financeiro Nacional, atuando na intermediação de títulos e valores mobiliários, nos mercados financeiros e de capitais1. A distinção entre ambas é que as primeiras possuem maior âmbito de atuação do que as segundas, distinção esta que ficou bastante reduzida (segundo alguns, deixou de haver distinção prática) a 1 Conforme definição da ANCORD Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias, em http://www.ancord.org.br/Website_Ancord/paginas/associacao_oqsao.html, consultado em 22/10/2013. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10935.001588/200714 Acórdão n.º 1302001.278 S1C3T2 Fl. 333 9 partir da Decisão Conjunta Bacen e CVM nº 17, de 02/03/20092, a qual autorizou as SDTVMs a também operar diretamente nas bolsas de valores. O que se depreende, então, é que a expressão “sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários” deve ser entendida em seu conjunto, abrangendo tanto as sociedades corretoras, quanto as distribuidoras e, ainda, aquelas autorizadas a desempenhar os dois papéis, mas sempre no escopo da intermediação de títulos e valores mobiliários. Com a devida vênia da Autoridade Julgadora em primeira instância, não comungo do entendimento de que a expressão “sociedades corretoras”, no caso, possa ser tida isoladamente, de forma a alcançar as sociedades corretoras de seguros, situação da interessada. A seguir, cabe verificar se as sociedades corretoras de seguros, para os fins aqui discutidos, poderiam ser alcançadas pelas disposições legais que mencionam “agentes autônomos de seguros privados”, conforme anteriormente transcrito. Quanto a este ponto, a jurisprudência administrativa e judicial se encontra pacificada. Tratase de atividades distintas. A corretagem de seguros é disciplinada pelo DecretoLei nº 73/1966, e tem por objeto a intermediação de negócios. Quem age, o faz em nome próprio, de forma autônoma, aproximando a empresa seguradora e o terceiro interessado em contratar, e sua remuneração é por comissão. Por outro lado, o agente autônomo de seguros privados atua como representante comercial das companhias seguradores, sob o regime jurídico da Lei nº 4.886/1965. Por pertinente, colaciono a seguir exemplos da jurisprudência sobre a matéria (grifos não constam dos originais). Ressalto que as discussões, em alguns dos processos mencionados, se deram em torno da incidência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), mas as conclusões acerca da distinção entre corretoras de seguros e agentes autônomos de seguros privados são perfeitamente aplicáveis. REsp nº 1.039.784 – RS, data do julgamento 07/05/2009, publicado no Dje em 19/06/2009, Relator Min. Herman Benjamin. 2ª Turma do STJ. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ART. 108, § 1º, DO CTN. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. ALÍNEA "C". NÃODEMONSTRAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. CORRETORA DE SEGUROS. AGENTES AUTÔNOMOS DE SEGUROS PRIVADOS. DISTINÇÃO CONCEITUAL. 2 DECISÃOCONJUNTA Nº 17 BANCO CENTRAL DO BRASIL COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS Autoriza as sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários a operar diretamente nos ambientes e sistemas de negociação dos mercados organizados de bolsa de valores. A Diretoria Colegiada do Banco Central do Brasil e o Colegiado da Comissão de Valores Mobiliários, com base no art. 2º, inciso XV, do Regulamento anexo à Resolução nº 1.120, de 4 de abril de 1986, com a redação dada pela Resolução nº 1.653, de 26 de outubro de 1989, D E C I D I R A M: Art. 1º As sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários ficam autorizadas a operar diretamente nos ambientes e sistemas de negociação dos mercados organizados de bolsa de valores. Art. 2º Esta decisãoconjunta entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 2 de Março de 2009. (Publicada no D.O.U de 04/03/2009, Seção 1, pag. 42) Fl. 333DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10935.001588/200714 Acórdão n.º 1302001.278 S1C3T2 Fl. 334 10 [...] 3. Inexiste equivalência entre o conceito de corretor de seguros e o de agente autônomo de seguros privados, cujas atividades são disciplinadas pelos regimes jurídicos estabelecidos, respectivamente, no DecretoLei 73/1966 e na Lei 4.886/1965. Entendimento pacificado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 4. Dessa forma, na cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro das sociedades corretoras de seguro não incide a alíquota prevista no art. 23, § 1º, da Lei 8.212/1991, porque aplicável somente às instituições financeiras, aos estabelecimentos a elas equiparados e aos agentes autônomos de seguros privados. [...] REsp nº 989.735 – PR, data do julgamento 01/12/2009, publicado no Dje em 10/12/2009, Relatora Min. Denise Arruda. 1ª Turma do STJ. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE LUCRO LÍQUIDO. EXEGESE DO ART. 22, § 1º, DA LEI 8.212/91. O TERMO "SOCIEDADES CORRETORAS DE SEGUROS" DIFERE DE "AGENTES AUTÔNOMOS DE SEGUROS PRIVADOS". NÃO INCIDÊNCIA DE ALÍQUOTA MAJORADA. ACÓRDÃO RECORRIDO EM CONFORMIDADE COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. AgRg no REsp nº 1.251.506 – PR, data do julgamento 01/09/2011, publicado no Dje em 06/09/2011, Relator Min. Benedito Gonçalves. 1ª Turma do STJ. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. COFINS. EMPRESAS CORRETORAS DE SEGUROS. MAJORAÇÃO DA ALÍQUOTA PARA 4%. INAPLICABILIDADE. DIFERENÇA ENTRES OS TERMOS "SOCIEDADES CORRETORAS DE SEGUROS" E "EMPRESAS CORRETORAS DE SEGUROS" E "AGENTES AUTÔNOMOS DE SEGUROS PRIVADOS". NÃO INCIDÊNCIA DA ALÍQUOTA MAJORADA. PRECEDENTES. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Hipótese na qual se discute a majoração da alíquota da COFINS de 3% para 4% sobre o faturamento das corretoras de seguros. 2. O Tribunal de origem decidiu pela não incidência da majoração ao fundamento de que não há como equiparar as corretoras de seguros, como no caso dos autos, às pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, que são as sociedades corretoras e os agentes autônomos. 3. O entendimento desta Corte, já aplicado quanto à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, é no mesmo sentido, Fl. 334DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10935.001588/200714 Acórdão n.º 1302001.278 S1C3T2 Fl. 335 11 de que as empresas corretoras de seguros, cujo objeto social se refere às atividades de intermediação para captação de clientes (segurados), não se enquadram no conceito de sociedades corretoras, previsto no art. 22, § 1º, da Lei nº 8.212, porquanto estas destinamse à distribuição de títulos e valores mobiliários. Da mesma forma, não existe equivalência entre o conceito de corretor de seguros e o de agente autônomo de seguros privados, cujas atividades são disciplinadas pelos regimes jurídicos estabelecidos, respectivamente, no DecretoLei 73/1966 e na Lei 4.886/1965, conforme já delineado no julgamento do REsp 989.735/PR. 4. Agravo regimental não provido. AgRg no AREsp nº 307.943 – RS, data do julgamento 03/09/2013, publicado no Dje em 10/09/2013, Relator Min. Benedito Gonçalves. 1ª Turma do STJ. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. COFINS. SOCIEDADES CORRETORAS DE SEGUROS. MAJORAÇÃO DA ALÍQUOTA PARA 4%. INAPLICABILIDADE. DIFERENÇA ENTRES OS TERMOS: "SOCIEDADES CORRETORAS DE SEGUROS", "AGENTES AUTÔNOMOS DE SEGUROS PRIVADOS" E "SOCIEDADES CORRETORAS". NÃO INCIDÊNCIA DA ALÍQUOTA MAJORADA. 1. Hipótese na qual se discute a majoração da alíquota da COFINS de 3% para 4% sobre o faturamento das corretoras de seguros. 2. O Tribunal de origem decidiu pela não incidência da majoração ao fundamento de que não há como equiparar as corretoras de seguros, como no caso dos autos, às pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, que são as sociedades corretoras e os agentes autônomos. 3. O entendimento desta Corte, já aplicado quanto à CSLL, é no mesmo sentido, de que as empresas corretoras de seguros, cujo objeto social se refere às atividades de intermediação para captação de clientes (segurados), não se enquadram no conceito de sociedades corretoras, previsto no art. 22, § 1º, da Lei nº 8.212, porquanto estas destinamse à distribuição de títulos e valores mobiliários. Da mesma forma, não existe equivalência entre o conceito de corretor de seguros e o de agente autônomo de seguros privados, cujas atividades são disciplinadas pelos regimes jurídicos estabelecidos, respectivamente, no DecretoLei 73/1966 e na Lei 4.886/1965, conforme já delineado no julgamento do REsp 989.735/PR. 4. Agravo regimental não provido. AgRg no AREsp nº 370.921 – RS, data do julgamento 01/10/2013, publicado no Dje em 09/10/2013, Relator Min. Humberto Martins. 2ª Turma do STJ. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10935.001588/200714 Acórdão n.º 1302001.278 S1C3T2 Fl. 336 12 TRIBUTÁRIO. COFINS. EMPRESAS CORRETORAS DE SEGUROS. MAJORAÇÃO DA ALÍQUOTA (ART. 18 DA LEI 10.684/2003). IMPOSSIBILIDADE. 1. O STJ firmou o entendimento de que as Sociedades Corretoras de Seguros, responsáveis por intermediar a captação de interessados na realização de seguros, não podem ser equiparadas aos agentes de seguros privados (art. 22,§ 1º, da Lei 8.212). Dessa forma, a majoração da alíquota da Cofins (art. 18 da Lei 10.684/2003), de 3% para 4%, não alcança as corretoras de seguro. Agravo regimental não provido. AgRg no AREsp nº 341.247 – RS, data do julgamento 22/10/2013, publicado no Dje em 29/10/2013, Relator Min. Arnaldo Esteves Lima. 1ª Turma do STJ. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. COFINS. MAJORAÇÃO DA ALÍQUOTA. EMPRESAS CORRETORAS DE SEGURO. ROL DO ART. 22, §1º, DA LEI 8.212/91. INAPLICABILIDADE. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. "O Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que as Sociedades Corretoras de Seguros, responsáveis por intermediar a captação de interessados na realização de seguros, não podem ser equiparadas aos agentes de seguros privados (art. 22,§ 1º, da Lei 8.212), cuja atividade é típica das instituições financeiras na busca de concretizar negócios jurídicos nas bolsas de mercadorias e futuros. Dessa forma, a majoração da alíquota da Cofins (art. 18 da Lei 10.684/2003), de 3% para 4%, não alcança as corretoras de seguro" (AgRg no AREsp 334.240/RS, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, Segunda Turma, DJe 12/9/13). 2. Agravo regimental não provido. AgRg no AREsp nº 355.485 – RS, data do julgamento 22/10/2013, publicado no Dje em 29/10/2013, Relator Min. Sérgio Kukina. 1ª Turma do STJ. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. COFINS. EMPRESAS CORRETORAS DE SEGUROS. MAJORAÇÃO DA ALÍQUOTA DE 3% PARA 4%. INAPLICABILIDADE. PRECEDENTES. ENTENDIMENTO PACÍFICO DO STJ. INOVAÇÃO RECURSAL. INVIABILIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. 1. Esta Corte Superior firmou entendimento no sentido de que as empresas corretoras de seguros, responsáveis por intermediar a captação de interessados na realização de seguros, não podem ser equiparadas aos agentes de seguros privados (art. 22,§ 1º, do da Lei nº 8.212/91), cuja atividade é típica das instituições financeiras na busca de concretizar negócios jurídicos nas bolsas de mercadorias e futuros. Dessa forma, a majoração da Fl. 336DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10935.001588/200714 Acórdão n.º 1302001.278 S1C3T2 Fl. 337 13 alíquota da COFINS (art. 18 da Lei 10.684/2003), de 3% para 4%, não alcança as corretoras de seguros. A propósito: AgRg no AREsp 334.240/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/08/2013, DJe 12/09/2013 e AgRg no REsp 1251506/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 01/09/2011, Dje 10/09/2013. 2. Não se mostra possível discutir em agravo regimental matéria que não foi decidida pelo Tribunal de origem, tampouco objeto das razões do recurso especial, por se tratar de inovação recursal, sobre a qual ocorreu preclusão consumativa. 3. Agravo regimental a que se nega provimento. Na esfera administrativa, a discussão vem de longa data, confirase: Acórdão CSRF/0103.633, de 06/11/2001, Rel. Cons. José Carlos Passuelo CSSL — COINCIDÊNCIA CONCEITUAL ENTRE OS TERMOS "AGENTE AUTÔNOMO DE SEGUROS PRIVADOS" E "CORRETOR DE SEGUROS "— INEXISTÊNCIA ART.. 22, § 1°, DA LEI N° 8.218/91 — ALíQUOTA MAJORADA — NÃO APLICAÇÃO ÀS CORRETORAS DE SEGURO — Em prestígio à estrita legalidade, certeza e segurança jurídica, as corretoras de seguros não podem ser equiparadas aos agentes autônomos de seguro, tendo em vista tratarse de pessoas jurídicas submetidas a diferentes regimes e institutos jurídicos, revestindose cada uma das atividades de natureza e características específicas, sendo vedado o emprego de analogia para estender o alcance da lei, no tocante à fixação do pólo passivo da relação jurídico tributária, a hipótese que não estejam legal e expressamente previstas A interpretação do teor contido no art. 1°, do Decreto n° 56.903/65, determina a não coincidência entre o conceito atribuído ao termo "agente autônomo" e ao termo "corretor de seguros". Acórdão 10194.207, de 14/05/2003, Rel. Cons. Raul Pimentel CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO — ALIGUOTA MAJORADA — CORRETORAS DE SEGUROS— Em prestigio à estrita legalidade, certeza e segurança jurídica, as corretoras de seguro não podem ser equiparadas aos agentes autônomos de seguro arrolados expressamente no artigo 21, da Lei n° 8.212/91, tendo em vista tratarse de pessoas jurídicas submetidas a diferentes regimes e características específicas, sendo vedado o emprego de analogia para estender o alcance da lei, no tocante à fixação do pólo passivo da relação jurídico tributária, a hipótese que não esteja legal e expressamente previstas. Acórdão 10706.870, de 06/11/2002, Rel. Cons. Luiz Martins Valero Fl. 337DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10935.001588/200714 Acórdão n.º 1302001.278 S1C3T2 Fl. 338 14 CSLL E PIS CORRETORAS DE SEGURO A lista do § 1° do art. 22 da Lei n° 8.212/91 não inclui as corretoras de seguros entre as instituições sujeitas às alíquotas majoradas pela Emenda Constitucional n° 10 de 1996. Acórdão 10809.718, de 18/09/2008, Rel. Cons. Cândido Rodrigues Neuber CSSL. CORRETORA DE SEGUROS E AGENTE AUTÔNOMO DE SEGUROS PRIVADOS. TRATAMENTO IMPOSITIVO ÚNICO. INCORREÇÃO. EXTENSÃO DA LISTA PRESCRITA PELA LEI 8.212/91. IMPOSSIBILIDADE. ROL TAXATIVO. Enquanto o representante ou a agência tem uma função de mandatário das sociedades seguradoras junto ao seu público alvo, com poderes de emitir apólices, garantir responsabilidades nãoliquidadas, atender aos portadores de apólices ou interessados em contratos de seguros, e efetuar o pagamento de indenizações e de capitais garantidos, a corretora de seguros que, com aquele não se vincula por subordinação ou por semelhança operacional, objetiva angariar e promover contratos de seguros, exercitando a função de intermediadora entre as sociedades seguradoras e os seus demandadores pessoas fisicas ou jurídicas de direito privado. Inferese, pois, que as corretoras de seguro com as agências ou representações não se confundem, não se enquadrando, dessa forma, no elenco taxativo previsto no artigo 22 da Lei n." 8.212/91. Assim sendo, seja porque as sociedades corretoras de seguros não se confundem com os agentes autônomos de seguros privados, seja porque as sociedades corretoras de seguros não se enquadram no conceito de “sociedades corretoras”, previsto no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212/1991, visto que estas últimas são aquelas que se dedicam a operações envolvendo títulos e valores mobiliários, deve ser dado provimento ao recurso voluntário, quanto a este ponto, afastandose a aplicação da alíquota majorada. A exação deve, então, ser recalculada com a alíquota aplicável às pessoas jurídicas em geral. A seguir, insurgese a recorrente contra a aplicação da multa de ofício de 75%, prevista pelo art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. Por sua ótica, essa multa teria efeito confiscatório, afrontando assim o inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. Assim reza o dispositivo constitucional invocado pela recorrente (grifo não consta do original): Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] IV utilizar tributo com efeito de confisco; [...] Por pertinente, reproduzo abaixo o artigo 3º da Lei nº 5.172/1966 (CTN) (grifo não consta do original): Fl. 338DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10935.001588/200714 Acórdão n.º 1302001.278 S1C3T2 Fl. 339 15 Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Ora, desde que tributo não é sanção de ato ilícito, conforme dispõe o CTN, fica patente a distinção entre tributo e multa, esta, sim, de natureza punitiva. E a vedação constitucional invocada se refere tão somente a tributo. Quanto à multa ora em discussão, inaplicável a limitação constitucional do poder de tributar trazida pela recorrente. E para sepultar de vez qualquer discussão sobre esse ponto, deve ser trazida à colação a súmula nº 2 deste Primeiro Conselho de Contribuintes, pelo que desnecessário se faz qualquer outro comentário: Súmula 1ºCC nº 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Finalmente, a recorrente se insurge contra a cobrança de juros à taxa SELIC. A matéria já foi inúmeras vezes discutida por este Colegiado, bem assim pelo extinto Primeiro Conselho de Contribuintes e pelo CARF, que o sucedeu funcionalmente, e se encontra pacificada, a ponto de resultar na súmula nº 4, a seguir reproduzida: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por amor à clareza, trago à colação às disposições do art. 161, § 1º, do CTN (grifos não constam do original): Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Ocorre que a Lei nº 9.430/1996, em seu artigo 61, § 3º, conjugado com o art. 5º, § 3º, veio a dispor de modo diverso, estabelecendo a aplicação de juros equivalentes à taxa SELIC sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos não pagos, nos seguintes termos (grifos não constam do original): Art. 5º O imposto de renda devido, apurado na forma do art. 1º, será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. [...] § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, Fl. 339DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10935.001588/200714 Acórdão n.º 1302001.278 S1C3T2 Fl. 340 16 calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. [...] Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Não acolho, pois, o pedido de desconsideração dos valores decorrentes da aplicação da taxa SELIC. Em conclusão, por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar as exigências de COFINS decorrentes da aplicação da alíquota majorada de que trata o art. 18 da Lei nº 10.684/2003. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Declaração de Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior Com a devida vênia do ilustre Relator, ouso divergir do seu voto pelas razões que seguem. Primeiramente, ressalto que o fulcro da questão posta reside em saber se sociedade corretora de seguros se enquadra no conceito de agente autônomo de seguro privado, pois, caso se enquadre, não haverá dúvida de que a elas deverá ser aplicado o disposto no art. 18 da Lei nº 10.684/2003. Sustentam alguns julgados deste Colegiado que sociedade corretora de seguros privados e agente autônomo de seguro privado são conceitos jurídicos díspares, para Fl. 340DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10935.001588/200714 Acórdão n.º 1302001.278 S1C3T2 Fl. 341 17 tanto lembram que as sociedades corretoras são reguladas pelas regras do Decreto n˚ 59.903/65 e na Lei n˚ 4.594/64, mas, data maxima venia, nenhum diploma legal aduzem que tenha conceituado ou mesmo regulado o "agente autônomo de seguro privado". Assim ficam as indagações: Qual a norma que definiu o que seja um agente autônomo de seguro privado? Qual a norma que regulou a atividade do agente autônomo de seguro privado? Tais julgados não citam. Logo, quando definem o que seja um "agente autônomo de seguro privado", fazemno sem qualquer amparo no ordenamento jurídico, principalmente, quando sustentam que o agente autônomo necessariamente será um mandatário da companhia seguradora e que sua atividade não será regulada pela Susep. Nenhum dos julgados deste colegiado citou qualquer norma legal que definisse agente autônomo de seguro privado como, por eles, sustentado. Em um deles, o ilustre relator sustentou que: "Comumente os "agentes autônomos de seguros privados", são considerados como representantes das sociedades seguradoras com amplos poderes para representálas, ao passo que as "sociedades corretoras de seguros", constituídas obrigatoriamente por corretores de seguros, são meras comissárias na caça de clientes no mercado, não praticando atividades". Cito apenas para ilustrar como os arestos estavam desprovidos de qualquer suporte legal. O art. 100 do Decreto n˚ 60.459/67, que regulamentou o DecretoLei n˚ 73/66, já dispunha que "O corretor de seguros, profissional autônomo, pessoa física ou jurídica, é o intermediário legalmente autorizado a angariar e promover contratos de seguro entre as Sociedades Seguradoras e as pessoas físicas ou jurídicas de direito privado. À míngua de qualquer norma em contrário, a expressão cunhada pelo legislador ordinário de 1991 (art. 22 da Lei n˚ 8.212/91), "agente autônomo de seguro privado", é totalmente enquadrável no conceito do art. 100 retro citado. Só não seria enquadrável se o termo agente não pudesse se referir a uma pessoa física ou jurídica, o que logicamente não é verdade. Ademais, vale lembrar que o vetusto DecretoLei n˚ 2.381/40, que aprovou o quadro das atividades e profissões para fins de Registro de Associações e enquadramento sindical, expressamente enquadrou os corretores de seguros e de capitalização no Grupo: Agentes Autônomos de Seguros Privados e de Crédito. Aí está a definição jurídica de "agente autônomo de seguro privado" e a fonte da qual se abeberou o legislador previdenciário de 1991 para cunhar, no art. 22 da Lei n˚ 8.212/91, a referida expressão. O referido Decretolei coloca, dentro da Confederação Nacional das Empresas de Crédito, três grupos: primeiro, os Estabelecimentos bancários; segundo, as Empresas de Seguros Privados e Capitalização; terceiro, os Agentes Autônomos de Seguros Privados e de Créditos, sendo esse último grupo, expressamente, composto pelos corretores de seguros e de capitalização e pelos corretores de fundos públicos e câmbio. Notase assim, primeiro, a origem da expressão cunhada pelo legislador de 1991 e, em segundo, que, já de longe, o ordenamento jurídico já aplicava às corretoras de seguro regramento próprio de instituições financeiras. Assim, concluo que as sociedades corretoras de seguro privado se enquadram no conceito de "agente autônomo de seguro privado" de que trata art. 22, §1˚, da Lei 8.212/91, razão pela qual voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Fl. 341DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10935.001588/200714 Acórdão n.º 1302001.278 S1C3T2 Fl. 342 18 Fl. 342DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10850.900093/2006-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/08/2002
OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES. CONCEITO.
É permitida a dedução dos valores da base de cálculo das contribuições dos eventos listados no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, assim considerados, entre outros, os pagamentos de médicos, hospitais, laboratórios, clinicas.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.012
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termo do voto do relator. Vencida a Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negava provimento.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 28/01/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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DEDUÇÕES. CONCEITO. É permitida a dedução dos valores da base de cálculo das contribuições dos eventos listados no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, assim considerados, entre outros, os pagamentos de médicos, hospitais, laboratórios, clinicas. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termo do voto do relator. Vencida a Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negava provimento. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 00 93 /2 00 6- 11 Fl. 203DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES 2 EDITADO EM: 28/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Ribeirão Preto: Trata o presente de Declaração de Compensação apresentada pelo interessado utilizando o como crédito pagamento indevido de COFINS referente ao período de apuração agosto de 2002, relacionado no Despacho Decisório, fls. 48. Através do Despacho Decisório de fls. 46/49, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações declaradas em virtude da verificação da inexistência do crédito apresentado para a compensação. Verificouse que o interessado excluiu da base de cálculo das contribuições para a Cofins, a titulo de "Outras Exclusões" valores pagos a prestadores de serviço, clinicas, hospitais, etc. Essas exclusões não foram aceitas, pois não autorizadas legalmente e, refeita a base de cálculo, verificouse que o valor devido do PIS e da Cofins, nos referidos períodos de apuração, era até superior aos valores efetivamente pagos. Assim pela inexistência de pagamento indevido ou a maior, ou seja, de crédito, não homologou as compensações e determinou a cobrança do crédito tributário não compensado. Cientificado da decisão, o interessado apresentou manifestação de inconformidade, fls. 58/65, alegando, em breve síntese, o seguinte: a) No mérito, alega que é operadora de planos de saúde, nos termos da Lei n° 9.656, de 1998, discorre sobre o conceito de faturamento, concluindo que, no seu caso, adstringese ao resultado das receitas decorrentes do serviço que presta, consubstanciado nas contraprestações auferidas dos beneficiários dos planos de assistência à saúde que opera. b) Conclui que não há de se falar em exclusão indevida da base de calculo da Cofins relativamente aos valores pagos a prestadores de serviço, clinicas, hospitais e outros assemelhados, uma vez que sequer tais valores fazem parte da base de cálculo do tributo. Ao final, requer o reconhecimento do seu direito creditório e a homologação da compensação declarada. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10850.900093/200611 Acórdão n.º 3302002.012 S3C3T2 Fl. 204 3 A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem indeferir a manifestação de inconformidade em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/08/2002 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXCLUSÃO. LEGISLAÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. Interpretase literalmente a legislação que trata da exclusão do crédito tributário, nos termos do disposto no art. 111, do CTN. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO DO SUJEITO PASSIVO.CONDIÇÃO ESSENCIAL. Nos termos do disposto no art, 170, do C'TN, a condição essencial para a compensação tributária é a comprovação da liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Não efetuada essa comprovação, não é de se homologar a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Contra esta decisão foi apresentado Recurso onde são reprisados os argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada. É o relatório. Voto Conselheiro Relator ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório acima transcrito, os pedidos de restituição e as compensações dele decorrentes foram considerados indevidos uma vez que a fiscalização entendeu como indevidas as deduções da base de calculo efetuadas pela recorrente. As divergências foram assim resumidas: Verificouse que o interessado excluiu da base de cálculo das contribuições para a Cofins, a titulo de "Outras Exclusões" valores pagos a prestadores de serviço, clinicas, hospitais, etc. A recorrente entende que faz jus a exclusão do que ela denomina como sendo atos cooperativos auxiliares (hospitais, clinicas, etc) e os médicos não cooperados, mas que na verdade são valores referentes às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos de que trata o inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES 4 É bom destacar que tal benefício não está relacionado a atividade cooperativista, pois está direcionado as operadoras de plano de assistência à saúde. Sobre este tema são esclarecedores os argumentos externados pela ilustre Conselheira Fabiola C. Keramidas, nos autos do processo nº 13971.002373/200411, que com o brilhantismo de praxe assim pontuou: “Indenizações Referentes a Eventos Ocorridos Este é, seguramente, dos conceitos trazidos pela legislação, o de mais difícil interpretação. As maiores divergências estão justamente no entendimento de sua significação. Isso porque, a despeito de, assim como nos itens analisados anteriormente, existir uma rubrica contábil indicando quais seriam/onde estariam os eventos ocorridos, fato é que os agentes administrativos têm apresentado o entendimento de que esta não pode ter sido a intenção do legislador, uma vez que o PIS e Cofins incidem sobre o faturamento e ao praticar a exclusão de toda a rubrica contábil, estarseia tributando apenas a receita líquida. Neste sentido, entende a administração que como não é possível a “mudança do conceito de faturamento”, não se admite, ao contribuinte, qualquer exclusão referente a este inciso. De acordo com este raciocínio a fiscalização proferiu várias interpretações no sentido de não permitir aos contribuintes a exclusão das bases de cálculos do PIS e COFINS do valor pago aos credenciados. A meu ver é impossível esta interpretação, sob pena de expressa negativa à aplicação do dispositivo legal, o que não pode ser feito pela administração pública. Que o dispositivo estabeleceu alguma espécie de exclusão, não resta dúvida, e para tal conclusão basta ler os termos da lei. Vejamos os exatos termos trazidos sobre este assunto no parágrafo 9º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, a saber: “§ 9° Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (...) III — o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzido das importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades.” Da análise do texto citado, pareceme que para decifrar a intenção do legislador é preciso repartir o dispositivo em duas partes: (a) indenizações de eventos ocorridos e efetivamente pagos e (b) valores recebidos a titulo de transferência de responsabilidades. A simples leitura do inciso III é suficiente para constatar que se trata de uma DEDUÇÃO seguida de uma ADIÇÃO. Poderão ser excluídas as referidas indenizações, mas deverão ser incluídos os valores recebidos a título de transferência de responsabilidades. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10850.900093/200611 Acórdão n.º 3302002.012 S3C3T2 Fl. 205 5 A expressão “... poderão deduzir o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos...” é óbvia. Inconteste que é possível a exclusão de algum valor, a questão, a meu ver é: qual valor? Ao meu sentir, impedir a exclusão de qualquer valor em relação a este inciso por entender que seria “tributação de receita líquida” é uma discussão que não pertence a este tribunal administrativo e uma interpretação defesa às autoridades administrativas. Se o questionamento é sobre a regularidade/constitucionalidade da lei, no sentido do desvirtuamento da intenção do legislador, é preciso que os órgãos competentes (no caso a Advocacia Geral da União – AGU) tomem as medidas cabíveis para obter a invalidade do dispositivo normativo. Não compete ao auditor fiscal, assim como ao julgador administrativo, deixar de aplicar a lei, sob pena de responsabilidade funcional. É preciso que, ao menos, seja feita a interpretação do dispositivo mencionado. Somente se permite a restrição da redução definida pelo legislador se ela for pautada na interpretação do dispositivo legal. Assim, minha questão quanto ao posicionamento adotado pela fiscalização é: se os agentes administrativos entendem que o pagamento aos credenciados e a rede própria não consistem em indenizações dos eventos ocorridos, o que consiste? De pronto, afasto o entendimento de que o inciso III está vinculado aos eventos decorrentes de “cessão de responsabilidade”. Em primeiro lugar porque não existe evento com “cessão de responsabilidade”, esta apenas é possível, inclusive por determinação da ANS, quando se opera a “transferência da responsabilidade pelo beneficiário”. Inclusive, o pagamento por cessão da responsabilidade independe de qualquer evento, é devido simplesmente porque a responsabilidade foi transferida. O simples fato do pagamento para CONGÊNERES e para simples CREDENCIADOS ser realizado de forma diferente (o primeiro fixo por mês, o segundo por evento ocorrido e comprovado) já é suficiente para se constatar a diferença do inciso I e III neste particular. Neste diapasão, em termos operacionais, quando se trata de indenização por evento, automaticamente se exclui a cessão de responsabilidade, razão pela qual todos os valores referentes à transferência de responsabilidade estão localizados no inciso I do citado § 9º. Por idêntica forma, aparto a interpretação de que o legislador não pretendeu excluir da base de cálculo o valor pago a terceiros, pois não resta dúvida de que o inciso I do §9º referese a terceiros (CONGÊNERES), que como dito alhures são espécie de credenciados contratados de forma indireta. Neste sentido, que é possível a exclusão da base de cálculo de valores pagos a terceiros, não tenho dúvida, e em afirmação a isto está o próprio inciso I do dispositivo legal analisado. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES 6 Com este raciocínio questiono: qual o conceito de eventos ocorridos? O que o legislador pretendeu, ao expressamente conceder a possibilidade de redução da base de cálculo dos tributos em discussão? A despeito do entendimento que vêm sendo apresentado pela fiscalização, conforme se depreende do Plano de Contas da ANS, os eventos ocorridos estão sim definidos na conta “4.1. EVENTOS INDENIZÁVEIS LÍQUIDOS / SINISTROS RETIDOS”. E tratase de identidade de classificação, é exatamente este termo – eventos – que permite a interpretação que a intenção da lei é alcançar esta rubrica contábil. Várias OPS aplicam este entendimento de forma genérica e excluem da base de cálculo o valor referente ao inteiro teor da conta “4.1.1. EVENTOS CONHECIDOS / INDENIZAÇÕES AVISADAS DE ASSISTÊNCIA MÉDICOHOSPITALAR”. Todavia, também não coaduno com este entendimento. É que entendo que, como se trata de benefício fiscal, a lei deve ser analisada em seus termos literais1, lembrando que no ordenamento jurídico não há palavras inúteis. A rubrica 4.1.1. contém registros dos custos incorridos com a rede própria e a rede contratada (no caso terceiros simplesmente credenciados, não congêneres). Ocorre que entendo que os custos com a rede própria não estão incluídos no dispositivo de desoneração legal. Explico. Conforme se depreende do texto legal, o inciso III permite a dedução do “...valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos ...” O que significa indenizações de eventos ocorridos efetivamente pagos? Mais uma vez socorrome dos aspectos técnicos específicos do setor. É cediço que o setor da saúde é diverso dos demais setores da sociedade, não apenas por tratar de serviço essencial e se sujeitar às regras definidas por Agência Reguladora, mas pela própria operação e exatamente por isso é que a legislação limitou à possibilidade de exclusão da base de cálculo aos eventos ocorridos efetivamente pagos. Em aspectos práticos, para fim de atender as determinações da ANS, a sistemática de procedimento das empresas de saúde geralmente obedece ao seguinte critério: (1)O credenciado presta o serviço para o beneficiário;Janeiro /X1 (2)após o serviço prestado, este credenciado informa à OPS, apresentando a documentação suporte necessária para o ressarcimento do custo, já que a credenciada trabalha por 1 Código Tributário Nacional: "Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias." Fl. 208DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10850.900093/200611 Acórdão n.º 3302002.012 S3C3T2 Fl. 206 7 evento (ao contrário da congênere). A OPS reconhece a despesa quando desse aviso/notificação.Fevereiro/X1 (3)apenas após validar a informação da credenciada a OPS realiza o pagamento.Março/X1 As operadoras de saúde possuem sistemas de controles internos contábeis e extracontábeis, integrados com os controles da ANS, e toda esta informação é importante porque justamente com base nesta movimentação de faturamento/ pagamento/ despesas/ utilização de rede credenciada, que a ANS faz todos os seus controles, não necessariamente contábeis. Por exemplo, é com base nesta informação que são feitos os cálculos dos valores que precisarão ser provisionados (as mencionadas Provisões Técnicas que garantem o atendimento aos beneficiários); assim como são controladas as alterações de produto (descredenciamento/alteração de rede credenciada). Podese citar, ainda, o cruzamento de informações com o SUS (que é uma espécie de terceiro, uma vez que as operadoras precisam ressarcilo na hipótese da Rede pública de atendimento médico vir a atender beneficiários das OPS). Neste diapasão, os eventos ocorridos em janeiro/X1, serão reconhecidos contabilmente em fevereiro/X1, quando AVISADOS, e efetivamente pagos a partir de março/X1, quando da validação e aprovação final das contas apresentadas para a OPS, sendo impossível qualquer outro procedimento. Este procedimento específico tem uma razão de ser. Até o momento do pagamento podem ocorrer e efetivamente ocorrem – glosas. Assim, na hipótese de o legislador permitir a contabilização e dedução do valor AVISADO, estaria utilizando valor não definitivo. Por outro giro, ao utilizar o valor PAGO, a legislação adota o custo efetivo do evento, não o valor informado pelo credenciado, mas aquele efetivamente aceito pela OPS contratante e efetivamente pago. Podese dizer que, com este procedimento, o legislador buscou os números finais mais objetivos possíveis, pois a partir do pagamento entendese incabível qualquer tipo de reajuste. Esta “apuração do número final”, inclusive, permite a rastreabilidade dos valores envolvidos, por ser um número definitivo. Procedimento diverso significaria a contabilização de números preliminares sujeitos a ajustes nos meses seguintes, o que macularia a objetividade da apuração da referida exclusão. É uma espécie de exceção aos regimes de caixa e competência, e por isso que se tornou imperioso ao legislador reconhecer a especificidade do setor e determinar que apenas poderia ser deduzido o valor das “indenizações referentes a evento ocorrido efetivamente pago”, sob pena de (i) o benefício não poder ser aplicado ao setor; (ii) causar grande confusão nos controles ou, no limite, (iii) serem deduzidos valores preliminares, ainda não pagos, e reconhecidos contabilmente. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES 8 É exatamente em razão desta especificidade de procedimento do setor que discordo do raciocínio de exclusão total e genérica da conta 4.1.1. É que não são todos os eventos registrados naquela rubrica que podem, a meu ver, ser considerados como “indenizações” ou ‘eventos ocorridos, efetivamente pagos”. A Rede Própria consiste no exercício direto do serviço médico, incluindo portanto todos os custos e despesas operacionais decorrentes da utilização de hospitais, clínicas, ambulatórios, laboratórios, serviços de imagem, inclusive folha de salário dos empregados médicos e paramédicos, depreciação dos imóveis operacionais,...., das OPS. Para tais, não há como tratálos nos limites de definição ao termo “indenização”. Estes eventos não são “indenizados” pelas OPS, mas sim custeados por ela. A folha de pagamento salarial não precisa ser avisada ou aguardar qualquer procedimento de confirmação para ser “efetivamente paga”, é simplesmente elaborada pelas OPS e paga, de forma automática, todos os meses, como em qualquer outra empresa. Não me parece, ao conhecer o procedimento do setor, que os valores referentes à rede própria estejam dentre aqueles imaginados pelo legislador, e esta interpretação decorre justamente da análise dos termos legais. Todavia, é visível a identidade dos dizeres apostos no inciso III com o procedimento adotado para os credenciados. Indiscutível que são estes os valores cuja exclusão foi pretendida pelo legislador. Os credenciados – não congêneres – atuam por evento, e recebem o pagamento para cada serviço prestado, após estar efetivamente confirmado pela OPS contratante. Todavia, é preciso atentar para o fato de que não são todos os eventos AVISADOS pelos terceiros que serão deduzidos, mas apenas aqueles efetivamente pagos, por isso se considera a conta contábil de resultado. Reitero que não se trata de discutir o conceito de faturamento para as OPS, esta questão já foi superada quando definida a base de cálculo. Tratase de dar efetividade à intenção do legislador que foi, claramente, beneficiar esse setor de saúde com a exclusão de determinados valores da base de cálculo constituída para pagamento dos tributos em tela (justamente do valor total do faturamento). Ante os esclarecimentos expostos, entendo que o inciso III, do parágrafo 9º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98 determinou com absoluta clareza a exclusão dos valores efetivamente pagos aos terceiros (rede credenciada e SUS), não congêneres, os quais se coadunam exatamente com os dispositivos legais mencionados. No que se refere à mencionada ADIÇÃO, também presente neste inciso, mais uma vez deparamonos com o conceito de transferência de responsabilidade. Conforme já analisado, tem se a transferência de responsabilidade quando a outra OPS e exerce a função de CONGÊNERE, ou seja, a mesma função da OPS que a contratou, respondendo inclusive civil e penalmente pela prestação do serviço médico. No caso, assim como a Recorrente contrata terceiros para lhe prestar serviços, no Fl. 210DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10850.900093/200611 Acórdão n.º 3302002.012 S3C3T2 Fl. 207 9 exercício de suas atividades é contratada por outras empresas para atender aos beneficiários destas. A OPS contratada assume a totalidade dos RISCOS no atendimento médico hospitalar de determinados usuários da OPS contratante. Dessa forma, as partes estabelecem o valor que a contratada deverá faturar contra a contratante, usualmente em função das quantidades de beneficiários a serem assistidos e o tipo do plano de saúde (hospitalar, ambulatorial,...). É cediço que tais contratações são muito comuns neste segmento em virtude da necessária abrangência geográfica dos planos de saúde. É certo que as pessoas estão em constante movimento, e esta mobilidade faz com que, às vezes, tenham que ser atendidas em locais (cidades/estados) diversos daqueles onde a OPS que mantém seu plano de saúde possui estabelecimento, bem como os clientes corporativos que mantém filiais e empregados em vários municípios brasileiros, onde a OPS contratada pelo cliente empresarial, não tem estabelecimento. Assim, para poder atender aos seus beneficiários, e com a devida autorização da ANS, as OPS se servem de outras empresas de saúde, as quais terão condições de atender o beneficiário de acordo com as especificidades e nos locais que estes necessitem. A meu ver, é evidente que esta receita – mensalidade recebida pela Recorrente para atender beneficiários, ainda que de terceiros – é faturamento da Recorrente. Está vinculado ao objeto social da entidade e resulta de sua prestação de serviços. Todavia, assim como exposto alhures, os valores relativos a esta receita, nos termos do Plano de Contas da ANS, não estão registrados no GRUPO 3, que é o vinculado às RECEITAS, ao contrário, estão registrados no GRUPO 4, que é rubrica de CUSTOS e DESPESAS. Neste aspecto, as receitas advindas do FATURAMENTO da OPS contratada como congênere (empresas pertencentes ao mesmo gênero da Recorrente) contra a OPS que a contratou, é classificada contabilmente como uma rubrica redutora dos Custos e Despesas, in verbis: “ CONTA: 4.1.2.3 () RECUPERAÇÃO / RESSARCIMENTO DE EVENTOS/ SINISTROS EM CORESPONSABILIDADE DE ASSISTÊNCIA MÉDICO HOSPITALAR” Registro que esta é a exata contraposição da conta contábil 3.1.1.7. conta redutora das Receitas que está expressamente excluída da tributação, conforme inciso I – razão pela qual é necessário o seu reconhecimento e inclusão na base de cálculo dos tributos em questão. Ao obrigar a tributação sobre os valores recebidos a título de transferência de responsabilidades, a legislação garante que aquele que efetivamente prestou o serviço, seja tributado. Pareceme claro que, em relação a este item o legislador pretendeu “ajustar” a base de cálculo do PIS e da COFINS das operadoras de saúde para que a tributação recaísse sobre o seu faturamento total, uma vez que a sua aposição em conta Fl. 211DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES 10 redutora de custos e despesas podia evitar que fosse tributado pelo PIS e Cofins, mesmo consistindo faturamento da operadora. Assim, entendo que devam ser excluídos da base de calculo das contribuições os pagamentos de médicos, hospitais, laboratórios, clinicas, valores estes relacionados ao item III do dispositivo legal ora analisado. Neste contexto são indevidas as glosas efetuadas pela autoridade fiscal relacionadas a pagamentos de médicos, hospitais, laboratórios, clinicas, ente outros, devendo o processo retornar a DRF para que o pedido de restituição e as compensações a ele vinculadas sejam reanalizadas, devendo o crédito ser reconstituído e verificada a sua suficiência para fins da compensação pretendida. Assim, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinada digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 212DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 10845.905891/2011-75
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.572
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio De Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu , Sidney Eduardo Stahl, Relator
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio De Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu , Sidney Eduardo Stahl, Relator
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio De Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu , Sidney Eduardo Stahl, Relator RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 45 .9 05 89 1/ 20 11 -7 5 Fl. 405DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.905891/201175 Resolução nº 3801000.572 S3TE01 Fl. 404 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ de Ribeirão Preto que indeferiu pedido de restituição/compensação da contribuinte. A DRF de origem proferiu despacho decisório eletrônico não homologando a compensação sob o fundamento de que o pagamento informado em PER/DCOMP, através de guia DARF, foi integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Inconformado, apresentou o contribuinte manifestação de inconformidade sustentando, em síntese, que a origem do seu crédito decorre de pagamentos a maior, realizados em função da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei n.º 9.718/1998 e que houve falta de aprofundamento na investigação dos fatos. Em face da inconstitucionalidade alegada, reclama que, na base de cálculo do tributo, somente deveriam ter sido incluídos os valores correspondentes ao seu faturamento, excluindose a parcela que foi calculada sobre receitas financeiras acostando aos autos os demonstrativos e os documentos correspondentes. Em sede de Manifestação de Inconformidade retifica o valor inicialmente pleiteado A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000 CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis e somente pode afastar as normas declaradas inconstitucionais nos casos expressamente previstos no ordenamento jurídico. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.905891/201175 Resolução nº 3801000.572 S3TE01 Fl. 405 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apresenta a contribuinte o presente Recurso Voluntário apontando como fundamento os mesmos apresentados na manifestação de inconformidade. É o importa relatar. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.905891/201175 Resolução nº 3801000.572 S3TE01 Fl. 406 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. São dois os pontos que ainda se encontram em discussão no presente processo: o um, a possibilidade da recorrente retificar a Per/Dcomp em sua manifestação de inconformidade e o dois o seu direito ao aproveitamento dos valores indevidamente pagos em decorrência do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS por conta da alteração do artigo 3 º, da Lei n.º 9.718/98. Quanto ao primeiro ponto, tenho que não há como se alterar o pedido de compensação/restituição no curso do presente processo, quer porque os limites do processo se dão na sua origem, nos termos do disposto no Decreto 70.235/1972, quer subsidiariamente pelo disposto no Código de Processo Civil, além disso, havendo meio próprio de retificação da Per/Dcomp não se pode permitir que se o faça por outros meios. Quanto ao segundo ponto apesar da brilhante tese esposada no acórdão da DRJ tenho que o presente processo deve seguir caminho diverso. O Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.905891/201175 Resolução nº 3801000.572 S3TE01 Fl. 407 5 Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585235, abaixo colacionado: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.905891/201175 Resolução nº 3801000.572 S3TE01 Fl. 408 6 Não considerar tais documentos e negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) Examine os documentos existentes e a escrita fiscal da interessada em relação às compensações requeridas apurando se estão corretos os valores inicialmente pleiteados correspondentes á indevida ampliação da base de cálculo do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98; b) Cientificar a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação, se assim desejar; c) Retornar o processo a este CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10850.907647/2011-78
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3803-000.376
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem audite a escrituração contábil-fiscal da pessoa jurídica, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem audite a escrituração contábilfiscal da pessoa jurídica, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado por meio de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 07 64 7/ 20 11 -7 8 Fl. 306DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907647/201178 Resolução nº 3803000.376 S3TE03 Fl. 307 2 Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à plena restituição, assim como a reunião dos processos ali identificados para julgamento em conjunto, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o indébito decorreria da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, dispositivo esse que promovera o alargamento da base de cálculo da contribuição para além do faturamento, este consistente no resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços; b) o CARF tem reconhecido o direito pleiteado, por força do contido na Lei nº 11.941, de 2009, que revogou o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, assim como do disposto no Decreto nº 7.574, de 2011, no art. 26A, § 6º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, e no art. 62A do Regimento Interno do CARF; c) o despacho decisório fora emitido em desacordo com a legislação e a jurisprudência pacificada sobre o tema, não tendo a autoridade administrativa aprofundado na investigação dos fatos, dada a falta de intimação prévia para prestar esclarecimentos acerca da higidez do crédito, o que contrariaria o art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, do DARF, de planilha de cálculo da contribuição e de partes do Livro Diário e do Balancete, acompanhadas dos termos de abertura e de encerramento. A DRJ Ribeirão Preto/SP rejeitou a reunião dos processos para julgamento conjunto, por se referirem a fatos e provas distintos, e não reconheceu o direito creditório, considerando que a autoridade administrativa teria procedido corretamente ao indeferir o pleito do contribuinte, em razão do fato de que o débito confessado em DCTF seria do mesmo valor do montante recolhido, o que evidenciaria a inexistência de saldo credor, conclusão essa reforçada pela inocorrência de retificação da DCTF. Aduziu o relator do voto condutor da decisão recorrida que, no tocante à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da contribuição, no presente caso, não se discutiria o entendimento do STF, tampouco se questionaria a vinculação do CARF à decisão proferida no Recurso Extraordinário (RE) julgado na sistemática da repercussão geral, e que a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, pela Lei nº 11.941, de 2009, não alcançaria este processo por não se aplicar retroativamente. Destacou, ainda, o julgador de piso, que o caput do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, vedaria o afastamento da aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as exceções previstas no § 6º, incisos I e II, do mesmo artigo, exceções essas não aplicáveis ao presente caso. Segundo o relator, amparandose no Parecer PGFN/CDA nº 2.025, de 2011, as condições previstas no inciso II do § 6º do 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, não se verificariam em relação à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da contribuição, sendo inaplicáveis ao presente caso; e, no que se refere ao inciso I do mesmo dispositivo, ele não abrangeria decisão proferida em controle difuso de constitucionalidade, a qual produziria efeitos somente em relação às partes da relação processual, mesmo que proferida em processo julgado pela sistemática da repercussão geral. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907647/201178 Resolução nº 3803000.376 S3TE03 Fl. 308 3 Destacou, também, o julgador de primeira instância, que, ainda que os óbices à utilização integral do recolhimento não existissem, o contribuinte não teria se desincumbido de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior, tendo requerido a restituição de todo o valor da contribuição recolhido no período, o que só seria possível se não tivesse auferido nenhum faturamento, apenas receitas financeiras, o que não ficou comprovado. Finalmente, ressaltou o relator de piso, que a cópia parcial do livro Diário apresentada, constando apenas algumas folhas de lançamentos e parte do balancete do período em exame, permitiria vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa, em razão do que não haveria como se apurar o total da base de cálculo da contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse acerca de eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante. Cientificado da decisão em 24 de abril de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 22 de maio do mesmo ano, reiterou o pedido de julgamento em conjunto dos processos ali identificados e requereu o reconhecimento do direito à plena restituição da contribuição calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, repisando os mesmos argumentos de defesa apresentados na primeira instância, sendo acrescentadas as seguintes alegações: a) a DCTF não seria o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, devendose elucidar que nem o art. 165 do CTN nem o art. 74 da Lei n. 9.430, de 1996, condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações, tratandose de formalidade, a qual não pode se sobrepor ao direito substantivo; b) “[a] exigência de retificação de declarações é medida que, além de não constar da lei, tampouco das normas infralegais, decorre de excesso de formalismo, que restringe o direito à repetição de indébito, em detrimento do princípio da legalidade, que deve nortear não apenas a apuração de tributos, como sua restituição, além de também se distanciar do alcance do interesse público”; c) “a afirmação do acórdão recorrido está em total desconformidade com o princípio da verdade material, que rege o processo administrativo fiscal, e pelo qual o julgador deve buscar a verdade dos fatos, desconsiderando as formalidades, cabendolhe analisar todos os vieses da situação fática antes de lançar mão do ato administrativo, notadamente em casos em que a interpretação do contexto fático dependa, exclusivamente, da devida análise probatória”; d) “[o] princípio de que a contabilidade, lastreada em documentação idônea, faz prova a favor do contribuinte não é estranho ao direito tributário, estando expressamente previsto no Decretolei nº 1.598/77, fundamento legal do artigo 923 do RIR/99”, sendo de “manifesta obviedade que as autoridades administrativas almejam negar o reconhecimento ao crédito a todo custo, o que não tem mínimas condições de prevalecer, haja vista que, além dos argumentos expostos, a jurisprudência administrativa já se manifestou no sentido de que, quando em boa ordem, a escrituração contábil faz prova em favor do contribuinte”; e) a Planilha de cálculo, o DARF, o livro Diário,o balancete e os respectivos termos de abertura e encerramento apresentados, referentes ao período sob análise, foram considerados insuficientes na decisão recorrida, o que denotaria a ocorrência de uma análise superficial dos documentos acostados; Fl. 308DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907647/201178 Resolução nº 3803000.376 S3TE03 Fl. 309 4 f) “ainda que a documentação juntada não fosse suficiente para comprovar o crédito, o que se admite apenas em caráter argumentativo, a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, conforme previsão do art. 18 do Decreto nº 70.235”; g) ao invocar a preclusão do direito de apresentação de novas provas após a manifestação de inconformidade, a autoridade julgadora não se dera conta de que “uma das hipóteses que autoriza a apresentação posterior de prova documental se configura no momento em que se faz necessário contrapor fatos ou razões que, porventura, foram trazidos posteriormente aos autos”, conforme disciplina do art. 16, § 4o, "c", do Decreto nº 70.235, de 1972; h) no acórdão recorrido, afirmouse que os órgãos administrativos não estariam vinculados a decisões de inconstitucionalidade exaradas na esfera judicial em controle difuso de constitucionalidade, sendo que tal afirmação encontrarseia “em total desconformidade com o que vem decidindo a jurisprudência administrativa, que já se manifestou favoravelmente à aplicação, pelo fisco, das decisões que declararam a inconstitucionalidade do parágrafo 1o, do art. 3o, da Lei 9.718/98, em razão de terem sido proferidas em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal e demonstrarem o entendimento pacífico e inequívoco daquela Corte sobre a matéria”; i) “um dispositivo de lei declarado inconstitucional é uma norma absolutamente nula, impossibilitada de produzir efeitos jurídicos válidos, em razão do seu desacordo com o texto constitucional, a quem deve irrestrita obediência. Ora, seria ilógico que a administração fazendária continuasse a reconhecer a validade de um artigo de lei já declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal”; j) “o inciso I, do parágrafo 6o, do art. 26A, incluído no Decreto n. 70.235, de 6.3.1972, pela Lei n. 11.941, de 27.5.2009, "in verbis", determina que, nos casos de lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, os órgãos de julgamento da administração fiscal federal devem afastar sua aplicação consoante o entendimento exarado na decisão:” Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópia integral do livro Diário e dos balancetes relativos ao anocalendário 2000 e da Demonstração de Lucros e Prejuízos Acumulados. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos acerca do pedido de restituição de valor recolhido a maior da contribuição apurada sobre receitas que extrapolam o conceito de faturamento, com fundamento na inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, do alargamento da base de cálculo promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907647/201178 Resolução nº 3803000.376 S3TE03 Fl. 310 5 Quanto ao pedido de julgamento em conjunto dos processos identificados na peça recursal, informase que eles foram incluídos na pauta da mesma sessão, encontrandose, portanto, atendido o pedido do Recorrente acerca dessa questão. De início, devese registrar que a decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP encontrase em conformidade com a legislação processual então vigente, uma vez que sua prolação se dera em 28 de março de 2013, data essa anterior à alteração do art. 19, inciso IV, e § 5º, da Lei nº 10.522, de 2002, promovida pelo art. 21 da Lei nº 12.844, de 2013, cuja vigência se deu a partir de 19 de julho de 2013. Tal alteração legislativa se refere à determinação dirigida às unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil de reproduzirem em suas decisões o entendimento adotado em decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil (repercussão geral), após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Anteriormente a essa alteração da lei, a disciplina da matéria restringiase ao art. 62A do Regulamento do CARF, aplicável apenas a este órgão colegiado, e ao contido no art. 26A, § 6º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, que excetuava a hipótese de inconstitucionalidade declarada por decisão plenária do STF da vedação dirigida aos órgãos de julgamento administrativos relativa à impossibilidade de afastamento da aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade,. Notese que essa exceção contida no § 6º, inciso I, do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, não obrigava o julgador administrativo a reproduzir o teor da decisão plenária do STF, tratandose de hipótese de permissão autorizada de adoção do entendimento da Corte Constitucional. Feitas essas considerações, passase à análise do fundamento legal do pedido de restituição. A inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição, para além do faturamento, operado pela Lei nº 9.718, de 1998, foi objeto de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) 1, em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil CPC), cujo teor deve ser, obrigatoriamente, observado por este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. A Lei n° 9.718, decorrente da conversão da Medida Provisória nº 1.724, de 29 de outubro de 1998, foi publicada em novembro de 1998, quando vigia a redação original do art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, em que se previa apenas o faturamento como hipótese de incidência da contribuição social, não constando a possibilidade de alcançar outras receitas auferidas pela pessoa jurídica, o que veio a ocorrer somente em dezembro do mesmo ano por meio da Emenda Constitucional n° 20. 1 Em 27 de novembro de 2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário nº 585.235, cujo mérito da repercussão geral foi julgado em 10 de setembro de 2008, pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, cujo teor passou, desde então, a vincular os demais órgãos judiciais e o CARF. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907647/201178 Resolução nº 3803000.376 S3TE03 Fl. 311 6 De acordo com o entendimento do STF2, o alargamento posterior da base de cálculo das contribuições de “faturamento” para “receita e faturamento”, operada por meio da Emenda Constitucional n° 20/1998, não teve o condão de convalidar legislação anterior que previa a incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS sobre a totalidade das receitas da pessoa jurídica. Não se pode olvidar que o termo faturamento referese ao somatório das receitas decorrentes de vendas de mercadorias ou serviços, conforme se depreende do contido no art. 2° da Lei Complementar n° 70, de 1970, in verbis: Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. (grifei) Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. O fato de o Supremo Tribunal Federal ter considerado o conceito de faturamento equivalente ao de “receita bruta” não pode ser interpretado como dilatação autorizada do alcance de tais institutos, pois o termo “receita bruta” foi considerado como coincidente com o de faturamento, ou seja, a totalidade das receitas provenientes da venda de mercadorias e serviços. A possibilidade de se tributarem outras receitas somente passou a vigorar após a vigência da Emenda Constitucional n° 20, de 1998, quando se incluiu, dentre as hipóteses de fatos geradores das contribuições sociais, a “receita” genericamente considerada. Dessa forma, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que estipula que as decisões definitivas do STF proferidas na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF, concluise pelo direito do contribuinte de obter a restituição de recolhimentos relativos à contribuição apurada sobre as receitas não abrangidas pelo conceito de faturamento, restando verificar, nos autos, a existência inequívoca de prova do indébito reclamado. Desde a Manifestação de Inconformidade, o Recorrente já havia trazido aos autos cópia de parte do Livro Diário, relativa ao período sob comento, em que se encontram identificadas inúmeras contas, dentre elas algumas relativas a rendimentos de aplicação financeira e de lucros obtidos no mercado de renda variável, que vêm a ser a receita correspondente ao alegado alargamento da base de cálculo da contribuição. Junto ao Recurso Voluntário, o Recorrente, em razão da alegação do julgador de piso de que as partes o livro Diário e do Balancete então apresentadas não seriam suficientes à apuração da base de cálculo total da contribuição no período, trouxe aos autos cópia integral do 2 REs nº 585.235, 346.084, 357.950, 358.273, 390.840, dentre outros. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907647/201178 Resolução nº 3803000.376 S3TE03 Fl. 312 7 livro Diário e do Balancete, contudo relativos ao anocalendário 2001, enquanto que, nos presentes autos, se controverte acerca da tributação do anocalendário 2000. Contudo, conforme já havia destacado o julgador de primeira instância, tendo o contribuinte requerido no Pedido Eletrônico de Restituição (PER) a devolução de todo o valor da contribuição recolhido no período, a conclusão a que se chega é que toda a receita auferida teria natureza financeira, não tendo havido então a ocorrência de faturamento. Na planilha apresentada e na escrituração, o valor da contribuição apurada para o período é inferior ao montante efetivamente recolhido. Nesse sentido, não remanescem dúvidas quanto ao auferimento de receitas financeiras no período, tratandose de elemento de prova consistente que robustece a tese defendida pelo Recorrente. Contudo, apenas essa constatação não se mostra suficiente para se decidir, peremptoriamente, acerca do direito creditório pleiteado pelo Recorrente, pois, nos termos do art. 923 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, “[a] escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º)” – grifei. Além disso, o fato de não se constatar do livro Diário e do Balancete a ocorrência de faturamento, mas apenas de receitas financeiras, indica a necessidade de se estender a pesquisa a toda a escrituração contábilfiscal do Recorrente para se esclarecer essa peculiaridade, tendose em conta que o seu objeto social encontrase definido no estatuto como “a) administração de bens móveis por conta própria ou de terceiros; b) representação comercial; c) promoção e publicidade; d) prestação de serviços técnicos; e) participação no capital e proventos de :outras sociedades.” Nesse contexto, com base no contido no art. 18, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que a autoridade administrativa audite a escrituração contábilfiscal da pessoa jurídica, assim como os documentos fiscais que a lastreiam, com vistas a se apurarem o faturamento e as demais receitas auferidas no período sob análise neste processo, bem como a contribuição devida, tendose em conta a inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição operado pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Mostrase relevante verificar se o objeto social da pessoa jurídica não abrange a prestação de serviços de caráter financeiro, situação em que parte ou a totalidade das receitas financeiras auferidas pode se configurar faturamento ou receita bruta, suscetível de tributação com base na Lei nº 9.718, de 1998, mesmo considerando a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo já declarada pelo STF. Após as providências ora requeridas, o Recorrente deverá ser cientificado dos seus resultados, franqueandolhe o prazo de 30 (trinta) para se pronunciar, devendo, ao final, os autos retornar a esta 3a Turma Especial da 3ª Seção do CARF para julgamento. É como voto. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907647/201178 Resolução nº 3803000.376 S3TE03 Fl. 313 8 (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 313DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 13770.000709/98-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998
EMBARGOS. CONTRADIÇÃO. EXISTÊNCIA.
Existindo no acórdão contradição entre a decisão e a parte dispositiva do voto condutor, a questão deve ser submetida à deliberação da Câmara, impondo-se a retificação do acórdão para adequá-lo à realidade da lide. Comprovado, no presente caso, que houve contradição entre a decisão e o voto vencedor.
Embargos Acolhidos. Acórdão Re-Ratificado.
Numero da decisão: 3302-002.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para re-ratificar o acórdão embargado, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 28/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Pedro Sousa Bispo, Jonathan Barros Vita e Mônica Elisa de Lima.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998 EMBARGOS. CONTRADIÇÃO. EXISTÊNCIA. Existindo no acórdão contradição entre a decisão e a parte dispositiva do voto condutor, a questão deve ser submetida à deliberação da Câmara, impondo-se a retificação do acórdão para adequá-lo à realidade da lide. Comprovado, no presente caso, que houve contradição entre a decisão e o voto vencedor. Embargos Acolhidos. Acórdão Re-Ratificado.
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CONTRADIÇÃO. EXISTÊNCIA. Existindo no acórdão contradição entre a decisão e a parte dispositiva do voto condutor, a questão deve ser submetida à deliberação da Câmara, impondose a retificação do acórdão para adequálo à realidade da lide. Comprovado, no presente caso, que houve contradição entre a decisão e o voto vencedor. Embargos Acolhidos. Acórdão ReRatificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para reratificar o acórdão embargado, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 28/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Pedro Sousa Bispo, Jonathan Barros Vita e Mônica Elisa de Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 0. 00 07 09 /9 8- 69 Fl. 614DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13770.000709/9869 Acórdão n.º 3302002.354 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI deferido parcialmente pela autoridade competente da RFB em face da glosa de crédito apurado indevidamente. A empresa interessada apresentou Manifestação de Inconformidade que restou indeferida pela DRJ. Inconformada a empresa apresentou recurso voluntário que restou provido em parte, nos termos do Acórdão nº 330201.476, de 20/03/2012, cujo resultado do julgamento foi redigido nos seguintes termos: ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito presumido das despesas com produtos químicos utilizados no tratamento de água e das despesas de depreciação da madeira utilizada na produção da celulose. Vencidos, quanto às despesas de depreciação, os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), José Antonio Francisco e Alexandre Gomes. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. Ciente do referido acórdão e tempestivamente, a Fazenda Nacional ingressou com embargos de declaração alegando existência de contradição entre o decidido pelo Colegiado e o constante do voto condutor do acórdão. Alega a Fazenda Nacional que na decisão do Colegiado consta o reconhecimento do direito ao crédito presumido das despesas com produtos químicos utilizados no tratamento de água (sem nenhuma restrição) e no voto condutor do acórdão consta o reconhecimento do direito ao crédito presumido das despesas com produtos químicos utilizados no tratamento da água onde a madeira é cozida (mais restrito). O Presidente da 2ª Turma de Julgamento entendeu procedente as alegações da Fazenda Nacional e determinou seguimento aos embargos declaratórios e sua inclusão em pauta de julgamento, nos termos do Despacho nº 3302002, de 18/01/2013. É o Relatório do essencial. Voto Fl. 615DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13770.000709/9869 Acórdão n.º 3302002.354 S3C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA – Relator. Os embargos foram interpostos dentro do prazo regimental e atende aos demais preceitos regimentais. Dele se conhece. Como relatado, a decisão desta Turma de Julgamento restou consignada no acórdão embargado nos seguintes termos: ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito presumido das despesas com produtos químicos utilizados no tratamento de água e das despesas de depreciação da madeira utilizada na produção da celulose. Vencidos, quanto às despesas de depreciação, os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), José Antonio Francisco e Alexandre Gomes. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. Esta matéria foi tratada no voto condutor do acórdão embargado nos seguintes termos: Quanto as despesas com aquisição de produtos químicos utilizados na água, somente dão direito ao crédito os produtos químicos utilizados diretamente na água onde a madeira é cozida, posto que entra em contato com ela. Aí não se inclui os produtos químicos utilizados junto com combustível ou na limpeza das caldeiras, por exemplo. [...] Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito ao crédito presumido do IPI nas aquisições de produtos químicos utilizados na água onde a madeira é cozida e nas apropriações de despesas de depreciação da floresta (madeira). Há que se observar que a Conselheira Relatora, Dra. Fabiola Cassiano Keramidas, conduziu seu voto, neste particular, sem fazer expressa referência à utilização dos produtos químicos na água onde a madeira é cozida. Disse a Ilustre Conselheira: Por outro giro, concluo pela possibilidade de dedução dos custos com a aquisição dos produtos químicos para tratamento da água eliminox nalco, triact 1820 nalco, resina catiônica para trocadores catiônicos, resina aniônica forte para trocadores anônicos, resina aniônica fraca, polietrolito para tratamento de água, sulfato de alumínio, areia, floculan, floculan 1, polietrolito superfloc por entender que a atividade da empresa prescinde da utilização deste material e que este é consumido inteiramente na produção da celulose. Vêse que no voto condutor do acórdão embargado os produtos químicos com direito a crédito, reconhecido pelo voto condutor da decisão embargada, são unicamente Fl. 616DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13770.000709/9869 Acórdão n.º 3302002.354 S3C3T2 Fl. 5 4 aqueles “utilizados diretamente na água onde a madeira é cozida, posto que entra em contato com ela”. Por outro lado, o voto da Conselheira Relatora nomeia os produtos químicos utilizados no tratamento da água, sem fazer nenhuma restrição à origem e ao uso da água tratada com esses produtos químicos. Isto posto, voto no sentido acolher os embargos de declaração para re ratificar o acórdão embargado, passando a decisão do Acórdão nº 330201.476, de 20/03/2012, ter a seguinte redação: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito presumido das despesas com produtos químicos utilizados diretamente na água onde a madeira é cozida e das despesas de depreciação da madeira utilizada na produção da celulose. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), José Antonio Francisco e Alexandre Gomes. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator Fl. 617DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10480.916648/2009-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004
CONSTITUIÇÃO DE MULTA EM ANÁLISE DE PROCESSO DE COMPENSAÇÃO.
O procedimento de análise de processo de compensação não condiz em meio hábil para a constituição de multa que não havia sido previamente constituída. Imprescindibilidade de lançamento do débito tributário.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA - ARTIGO 138 do CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL - CANCELAMENTO DE MULTA MORATÓRIA.
Deve ser reconhecida a aplicação do artigo 138 do Código Tributário Nacional - CTN - nos casos em que, antes da ocorrência do procedimento de fiscalização o contribuinte realiza a declaração do tributo até então não recolhido, acompanhada de pagamento. Entendimento expressado pelo Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial nº 962.379, julgado em caráter repetitivo). A denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencida a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negava provimento. O conselheiro Walber José da Silva apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Gileno Gurjão Barreto e Jonathan Barros Vita.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 CONSTITUIÇÃO DE MULTA EM ANÁLISE DE PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. O procedimento de análise de processo de compensação não condiz em meio hábil para a constituição de multa que não havia sido previamente constituída. Imprescindibilidade de lançamento do débito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA - ARTIGO 138 do CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL - CANCELAMENTO DE MULTA MORATÓRIA. Deve ser reconhecida a aplicação do artigo 138 do Código Tributário Nacional - CTN - nos casos em que, antes da ocorrência do procedimento de fiscalização o contribuinte realiza a declaração do tributo até então não recolhido, acompanhada de pagamento. Entendimento expressado pelo Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial nº 962.379, julgado em caráter repetitivo). A denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencida a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negava provimento. O conselheiro Walber José da Silva apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Gileno Gurjão Barreto e Jonathan Barros Vita.
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O procedimento de análise de processo de compensação não condiz em meio hábil para a constituição de multa que não havia sido previamente constituída. Imprescindibilidade de lançamento do débito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA ARTIGO 138 do CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL CANCELAMENTO DE MULTA MORATÓRIA. Deve ser reconhecida a aplicação do artigo 138 do Código Tributário Nacional CTN nos casos em que, antes da ocorrência do procedimento de fiscalização o contribuinte realiza a declaração do tributo até então não recolhido, acompanhada de pagamento. Entendimento expressado pelo Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial nº 962.379, julgado em caráter repetitivo). A denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencida a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negava provimento. O conselheiro Walber José da Silva apresentará declaração de voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 66 48 /2 00 9- 44 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Gileno Gurjão Barreto e Jonathan Barros Vita. Relatório Tratase de simples Declaração de Compensação de COFINS com débito de IRPJ (fls. 01/05), transmitida em 26/09/2006, indeferida em razão da suposta insuficiência de créditos. A questão é confusa e para evitar erros, é preciso analisar todo o histórico ocorrido. Segundo informações da Recorrente (fls. 11/13), o crédito utilizado nesta compensação originouse de DARF recolhido indevidamente, explica: com a entrada em vigor do regime da não cumulatividade, a Recorrente passou a sujeitarse à nova sistemática de cálculo do PIS/COFINS. No entanto, por exceção legal, as receitas da empresa decorrentes dos contratos firmados antes de 31/10/2003, permaneceram tributadas pela forma cumulativa, isto é, com alíquota reduzida. Registrase que os requisitos para que tais contratos permanecessem sob este regime era que fosse longevo e que tivesse preço prédeterminado. No ano de 2005, a Recorrente analisou a legislação e verificou que a correção monetária dos contratos poderia ser interpretada como componente descaracterizador do conceito de “prédeterminado”, na dúvida, em razão de ter promovido a atualização dos preços de alguns dos contratos que estavam sob a sistemática cumulativa, migrou a tributação de tais receitas para o regime não cumulativo, que possui alíquota superior às do regime cumulativo. Em relação ao período passado, a Recorrente entendeu por bem recalcular os valores e recolher a diferença entre os regimes, como se a receita daqueles contratos estivesse no regime não cumulativo. Para quitar este valor em aberto, a Recorrente promoveu com atraso o recolhimento do COFINS relativa a receitas auferidas na competência de 05/2004, tendo para tanto utilizado o meio da denúncia espontânea, ou seja, com a inclusão de juros de mora mas sem recolhimento da multa moratória. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10480.916648/200944 Acórdão n.º 3302002.183 S3C3T2 Fl. 11 3 O crédito referese a pagamento efetuado – via DARF em 29/04/2005, em procedimento de denúncia espontânea relativo à competência 05/2004, e decorre de pagamento a maior da contribuição em virtude de diferenças na aplicação de regime cumulativo e não cumulativo na apuração da contribuição. Informa ainda a Recorrente que, posteriormente, com a edição da Lei n° 11.196/06, esclareceuse que mero reajuste de preços não alteraria o regime de apuração das contribuições, isto é, esclareceuse que os valores relacionados a contratos firmados antes de 31/10/2003, ainda que atualizados, permaneceriam sujeitos à sistemática da cumulatividade. Neste momento, a Recorrente percebeu que havia recolhido o COFINS da competência 05/2004 sob o regime de apuração errado – não cumulativo ao invés do cumulativo. Ao confrontar os valores devidos por uma e por outra sistemática de apuração, a Recorrente verificou que havia recolhido tributo a maior, sendo que é este o crédito que está sendo utilizado na compensação sob análise. O Despacho Decisório (fls. 07/09) homologou parcialmente a compensação, sob o fundamento de que o crédito apresentado pela Recorrente era insuficiente para quitar o débito que se pretendeu extinguir, sem muitas explicações indicou que o crédito existente era inferior ao valor declarado pela Recorrente na Dcomp e glosou o adicional compensado. Inconformada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 11/13) por meio da qual esclarece que após buscar e refazer cálculos, descobriu que a suposta inexistência de crédito ocorreu em razão de o Fisco entender que, no pagamento do COFINS realizado em 2005 na forma não cumulativa, a contribuinte deveria ter recolhido multa moratória, posto tratarse de pagamento em atraso. Em virtude deste fato, a fiscalização promoveu a imputação do valor recolhido da forma como entendia estar correta, concluindo pela inexistência de saldo/crédito suficiente à quitação da totalidade do débito objeto da compensação. Após esclarecer a glosa imputada pelo Despacho Decisório, a Recorrente passou a defender a não inclusão da multa moratória no recolhimento em atraso, posto que ocorrida a denúncia espontânea. Informa, ainda, que o procedimento de denúncia espontânea está em análise pela Receita Federal (Processo Administrativo nº 19647.004378/200528). Ainda, em sua defesa, a Recorrente apresentou a segunda DCTF retificadora, que foi transmitida em 05/03/2007 (fls. 21/23), na qual constituiu o crédito em discussão ao declarar o débito de COFINS Não Cumulativo (código 5856) para a competência de 05/2004 como sendo de R$ 1.089.954,80. De acordo com a DCTF, este valor foi quitado por meio de uma guia DARF, paga em atraso (pelo que consta dos autos, assumese que em 29/04/2005), sendo o total da guia recolhida R$ 1.757.245,07 e o total indicado como relativo ao pagamento do débito R$ 1.089.954,80. A declaração em DCTF restou consignada da seguinte forma, a saber: Fl. 121DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 Por fim, a Recorrente registra que o processo de compensação ainda está em andamento, o que impediria a cobrança da multa, razão pela qual a cobrança do valor glosado na compensação deve ser cancelada. A DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da Recorrente e manteve a homologação parcial da compensação, por entender que a multa moratória é devida em pagamentos atrasados, ainda que na forma de denúncia espontânea (fls. 57/62), verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA A COFINS Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 Ementa: PAGAMENTO ESPONTÂNEO EM ATRASO. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. Sobre o valor do tributo pago após o vencimento, mesmo que a denúncia seja espontânea, antes do inicio de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração, incide a multa de mora prevista no art. 61 da Lei n° 9.430/96. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. COBRANÇA DA PARCELA NÃO HOMOLOGADA. Constatada insuficiência de crédito para fazer frente aos débitos declarados em DCOMP, cabe a cobrança da parcela não homologada, com os acréscimos legais cabíveis (§§ 2° e 7° do art. 74 da Lei n° 9.430/96). DARF 1 PA: 31/05/2004 CÓDIGO RECEITA – 5856 VCTO – 15/06/2004 Valor do Principal R$ 1.556.461,53 Valor da Multa R$ 0,00 Valor dos Juros R$ 200.783,54 Valor Total do DARF R$ 1.757.245,07 Valor Pago do Débito R$ 1.089.954,80 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10480.916648/200944 Acórdão n.º 3302002.183 S3C3T2 Fl. 12 5 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Assim como a Recorrente, os julgadores administrativos foram em busca da origem da causa da glosa, valendose de pesquisas, simulações e análises do sistema da Receita Federal. Inicialmente consignaram a ocorrência do pagamento declarado pela contribuinte anexando para tanto o extrato do SINAL (fls. 53 – vcto 15/06/04), onde consta que em 29/04/2005, foi recolhido o valor de R$ 1.757.245,07 (sendo R$ 1.556.461,53 a título de principal e R$ 200.783,54 de multa). Na seqüência a decisão indicou como pago, em 29/04/2005, o total de R$ 1.089.954,80 e adotou como premissa que a questão referese ao pagamento em atraso deste valor apurado, verbis: “Para tal, consideremos que o valor devido relativo a maio de 2004, cujo vencimento se deu em 15/06/2004, foi pago em atraso, em 29/04/2005. Qual seria o valor necessário para a sua quitação ???” Ainda, apresentou a simulação do pagamento, concluindo que o valor de R$ R$ 1.089.954,80 em verdade seria R$ 1.448.549,92, sendo que esta constatação é que gerou a insuficiência do crédito. Com estas considerações, os julgadores administrativos de primeira instância mantiveram o Despacho Decisório. Para finalizar, a decisão recorrida discorre acerca da manutenção da multa de mora no caso de denúncia espontânea e afasta a alegação de que a matéria estaria vinculada ao processo de denúncia espontânea por entender que independente da denúncia espontânea, o a multa de mora se mantém, já que este tipo de penalidade não se extingue com a denúncia espontânea. Diz a decisão que “toda a discussão restringese a multa de mora, não sobre o pagamento realizado a destempo, mas sim sobre a parcela do débito que o sujeito passivo pretende quitar com aquele DARF.” Irresignada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 68/74), no qual reitera os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, além de trazer jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça favorável a seu entendimento. Vieramme então, os autos para decisão. É o relatório. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 Voto Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Relatora O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele conheço. Após extenso relatório, necessário para a compreensão dos fatos ocorridos, percebese que a questão em discussão referese (i) à possibilidade de a autoridade administrativa exigir, em sede de procedimento de compensação, multa moratória que em etapa anterior reduziria o crédito tributário e (ii) incidência de multa de mora no caso de denúncia espontânea. Algumas premissas fáticas devem ser consideradas. Primeiro, nestes autos não se discute a origem do crédito, ou seja, não se questiona se a contribuinte poderia voltar ao regime cumulativo do PIS e COFINS ou se teria direito ao crédito a maior. Em segundo lugar, não há dúvida quanto ao valor do débito principal devido pela Recorrente, ao contrário, pois as autoridades administrativas assumiram o valor indicado na DCTF retificadora (R$ 1.089.954,80). Vale dizer, tanto Fisco como o contribuinte concordam que o valor de principal devido a título de COFINS neste caso representa o valor indicado na segunda retificadora da DCTF. Neste sentido, destaco trecho do acórdão da DRJ, verbis: “Na discriminação das vinculações da Cofins relativa a maio de 2004 (fls. 023, 054 e 055), podese observar que todo o débito declarado, no valor de R$ 1.089.954,80, foi extinto pelo pagamento em atraso informado na DCOMP. Em termos absolutos, o valor total do DARF é superior ao do débito, mas resta saber se, feitas as devidas imputações, ainda restaria alguma diferença, e o quantum.” (destaquei) Logo, como esclarecido, in casu a contribuinte procedeu à retificaçãos de DCTF, consolidando duas vezes o quantum debitório da Cofins referente ao período de 05/2004. Do que se depreende dos autos, em relação ao valor principal, as alterações restaram da seguinte forma consignadas: DCTF 1 DCTF 2 R$ 1.556.461,53 – pago 29/04/2005 R$ 1.089.954,80 – retificado 29/04/2005 R$ 1.556.461,53 R$ 1.089.954,80 Consolidado o valor principal em R$ 1.089.954,80, o que se discute nos autos é a possibilidade da cobrança de multa de mora em relação, justamente, ao valor R$ 1.089.954,80 indicado na DCTF 2, que foi pago por meio da guia DARF em 29/04/05, que recolheu R$1.757.245,07. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10480.916648/200944 Acórdão n.º 3302002.183 S3C3T2 Fl. 13 7 Especificamente, a Recorrente entende que possui um determinado saldo credor (R$ 527.585,35), enquanto as autoridades administrativas entendem que o valor é outro (R$ 309.594,39), a saber: (A) DARF PAGO (B) VALOR DEVIDO (C = A B) SALDO DE CRÉDITO O QUE PENSA? Principal Multa Juros Contribuinte 1.757.245,07 1.089.954,80 X 140.604,16 526.686,11 DRF/DRJ 1.757.245,07 1.089.954,80 217.990,96 140.604,16 308.695,15 O valor entendido por devido pelas autoridades administrativas está demonstrado na Guia DARF simulada (fls. 56). Em resumo, a questão é justamente o crédito. Enquanto a Recorrente entende que tem direito ao crédito de R$ 526.686,11; a DRF/DRJ conclui que o crédito efetivo é no montante de R$ 308.695,15. A diferença é exatamente o valor da multa (R$ 217.990;96). Registrase que, conforme esclarecido pela decisão da DRJ, a diferença entre o valor que foi glosado (R$ 268.107,07) e à multa (R$ 217.990;96) decorre da aplicação da Taxa Selic, entre o pagamento indevido e efetiva compensação. Neste aspecto alcançamos a primeira questão a ser analisada. É possível, por meio da análise da presente compensação, avaliar o crédito indicado para compensação? A resposta é afirmativa. Todavia, esta revisão não permite a constituição, via transversa, de débito tributário até então não constituído. Conforme constatado dos documentos dos autos, a constituição do débito tributário foi realizada pela contribuinte quando da apresentação da segunda DCTF retificadora, quando a Recorrente confessou o débito em atraso mas não constituiu a multa. Nesta oportunidade a Recorrente declarou como devido o principal e os respectivos juros, uma vez que pretendeu a realização de denúncia espontânea. O presente processo não é o meio hábil para lançar a multa que não foi constituída pela contribuinte ou fiscalização. A próxima questão a ser avaliada referese à denúncia espontânea. Inicialmente cumpre registrar que o processo administrativo nº 19647.004378/200528, no qual, de acordo com informações contidas nos autos, a questão da denúncia espontânea estaria sendo discutida, não tratou do procedimento espontâneo adotado pelo Contribuinte, conforme se atesta dos documentos trazidos aos autos. Assim, não há concomitância no julgamento da questão, razão pela qual adentro ao mérito da questão. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 8 Nos termos relatados, a insuficiência do crédito se deu em razão de a fiscalização entender que a denúncia espontânea realizada pelo contribuinte em 29/04/05 não afastar a multa incidência de moratória de 20%. Ocorre que tal interpretação não se coaduna com a jurisprudência majoritária, menos ainda com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça proferido em sede de recurso repetitivo1: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à 1 As decisões proferidas em sede de Recurso Repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça são de observação obrigatória pelos julgadores administrativos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF conforme artigo 62A do Regimento Interno: "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF." Fl. 126DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10480.916648/200944 Acórdão n.º 3302002.183 S3C3T2 Fl. 14 9 parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (Recurso Especial nº 1.149.022 SP (2009/01341424) – Ministro Luix Fux – destaquei) Inaplicável, portanto o entendimento do v. acórdão no sentido de impossibilidade de se eximir a multa de mora com a denúncia espontânea,o que faz com que o crédito pleiteado pela Recorrente seja suficiente à satisfação da compensação pretendida. Ante o exposto, conheço do presente recurso para o fim de DARLHE PROVIMENTO, reconhecendo a compensação nos termos como realizados. É como voto. Sala das Sessões, em 27 de junho de 2013 (assinado digitalmente) Relatora Fabiola Cassiano Keramidas Fl. 127DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 10 Declaração de Voto CONSELHEIRO WALBER JOSÉ DA SILVA Inicialmente, acato a decisão da DRJ de não analisar a legitimidade dos débitos declarados ou pagos pela Recorrente, isto é, se o valor devido de Cofins do PA 05/04 está correto ou não (tanto no regime cumulativo como no regime não cumulativo). A minha análise se restringirá ao objeto da lide estabelecida (ocorreu ou não denúncia espontânea com direito ao pagamento da Cofins sem a multa de mora) pelo fato da Recorrente (i) ter efetuado o pagamento de um débito de Cofins em atraso e sem multa de mora (que julgava devido); (ii) ter comunicado o fato à RFB para caracterizar a denúncia espontânea; (iii) não ter efetuado a retificação da DCTF quando do pagamento; (iv) e posteriormente (dois anos depois) apresenta DCTF retificadora declarando um débito de valor diferente do constante da comunicação feita à RFB via processo (do mesmo PA) e vinculandoo ao mesmo DARF constante da referida comunicação à RFB (para liquidar débito). Há que se decidir se o débito de Cofins declarado na DCTF retificadora, do mesmo PA, mas com valor diferente do débito constante da “denúncia espontânea” e do DARF pago dois anos antes é o mesmo débito (como defende a Recorrente) ou é um débito “novo” que o contribuinte pretende quitar com aquele DARF, como entendeu a DRJ. Também é necessário decidir se esta situação estar albergada pela decisão proferida pelo STJ (REsp nº 1.149.022 – SP rito RR) sobre a incidência da multa de mora nos pagamentos espontâneos, posto que não houve a retificação do valor declarado anteriormente (DCTF) quando do pagamento, vindo o contribuintes a fazêlo dois anos depois, mudando para menos o valor do débito que entende devido. Tudo isto sem que houvesse procedimentos fiscalizatório prévio. Passo à análise das questões de mérito da lide. A comunicação da “denuncia espontânea” feita pela Recorrente em maio/05 é inócua e em anda afeta meu entendimento sobre a lide. Portanto, não a levarei em consideração. Conforme abaixo se vê, a decisão do STJ (REsp nº 1.149.022 – SP) trata do caso em que o contribuinte retifica declaração de débito para incluir diferença e, concomitantemente, efetua o pagamento da diferença, tudo isto antes de qualquer procedimento fiscalizatório. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa Fl. 128DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10480.916648/200944 Acórdão n.º 3302002.183 S3C3T2 Fl. 15 11 (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. [...] 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. No caso dos autos, previamente a qualquer procedimentos fiscalizatório, o contribuinte, antes de efetuar a retificação da declaração, efetuou o pagamento de Cofins e, muito tempo depois, é que procedeu a retificação da declaração (DCTF) para incluir uma diferença menor do que a que tinha pago anteriormente (vinculou na DCTF o débito ao DARF pago anteriormente) e, por entender indevido parte do pagamento efetuado, está pleiteando a restituição do indébito. A DRJ entende que discussão restringese à multa de mora, não sobre o pagamento realizado a destempo (o DARF), mas sim sobre o débito que o sujeito passivo pretende quitar com aquele DARF. Muito bem. Fiquemos com o entendimento da DRJ de que aqui não se discute se sobre o débito de Cofins pago no dia 29/04/2005 incidia ou não a multa de mora. Mas sim se sobre o débito que a Recorrente pretende quitar com aquele pagamento incide ou não multa de mora. Lembro que, como bem disse a decisão recorrida, o aproveitamento do pagamento na DCTF é feito pelo total do DARF recolhido e não pelo valor de cada uma das parcelas pagas. Também é importante lembrar que aqui não se está tratando de compensação de débitos de Cofins com créditos de Cofins. Isto porque o DARF utilizado para quitar o débito declarado também é de Cofins e do mesmo período de apuração do DARF pago. Portanto, tratase aqui de simples alocação de pagamento de Cofins a débito declarado de Cofins do mesmo PA. O detalhe é que o pagamento ocorreu após o vencimento do débito. No DARF pode ter sido destacado, ou não, multa e juros de mora. Não faz diferença porque a alocação é feita pelo total pago e não parcela por parcela, como se disse. Outro detalhe fundamental é que o débito se refere a diferença, ou seja, é um complemento do valor regularmente declarado em DCTF e esta diferença só foi declarada em Fl. 129DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 12 DCTF muito tempo após a realização do pagamento. Pagamento e retificação da declaração não foram concomitantes. E este detalhe – pagamento e retificação da declaração não são concomitantes – faz toda a diferença para a decisão recorrida. A decisão do STJ no REsp acima citado se refere a retificação de declaração e pagamento concomitantes. No meu entendimento, SMJ, se o pagamento e a retificação da declaração ocorreram antes de qualquer procedimento de ofício, e o pagamento antecedeu à retificação da declaração, aplicase a decisão do STJ sobre a matéria. Se entre o pagamento e retificação da DCTF tivesse o Fisco iniciado procedimento de fiscalização, não se caracterizaria a denúncia espontânea (mesmo com a comunicação do contribuinte via processo) porque a condição estabelecida pelo STJ é que ocorra a retificação da declaração (que impede o lançamento de ofício) e o pagamento. Sem um ou sem o outro, é devido a multa de mora ou de ofício, conforme o caso. Por isto é que a decisão do STJ é no sentido de que a multa de mora é devida no caso de débito declarado e não pago. No caso dos autos, pagamento e retificação da declaração não ocorreram simultaneamente. No entanto, o pagamento ocorreu antes da retificação da DCTF e não houve procedimento fiscalizatório antes da retificação da DCTF. Por esta razão, entendo que ao caso aplicase a decisão do STJ no Recurso Repetitivo acima referido para declarar indevida a multa de mora no pagamento em tela. Isto posto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Fl. 130DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 10940.000938/2001-52
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
AQUISIÇÃO DE INSUMOS PARA INDUSTRIALIZAÇÃO. DIREITO A RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR DO IPI EM VISTA DA IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM O IMPOSTO DEVIDO NA SAÍDA DE OUTROS PRODUTOS. POSSIBILIDADE.
O artigo 11 da Lei n° 9.779/99 faculta à empresa o direito ao ressarcimento do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos.
Realidade em que o sujeito passivo, embora tenha escriturado corretamente o saldo credor passível de ressarcimento, pleiteou montante a maior, devendo, pois, ser reconhecido o direito unicamente do saldo apurado de forma escorreita no livro Registro de Apuração do IPI.
Recurso ao qual se dá parcial provimento.
Numero da decisão: 3802-002.079
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Declarou voto o conselheiro Regis Xavier Holanda.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 AQUISIÇÃO DE INSUMOS PARA INDUSTRIALIZAÇÃO. DIREITO A RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR DO IPI EM VISTA DA IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM O IMPOSTO DEVIDO NA SAÍDA DE OUTROS PRODUTOS. POSSIBILIDADE. O artigo 11 da Lei n° 9.779/99 faculta à empresa o direito ao ressarcimento do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos. Realidade em que o sujeito passivo, embora tenha escriturado corretamente o saldo credor passível de ressarcimento, pleiteou montante a maior, devendo, pois, ser reconhecido o direito unicamente do saldo apurado de forma escorreita no livro Registro de Apuração do IPI. Recurso ao qual se dá parcial provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Declarou voto o conselheiro Regis Xavier Holanda. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 09 38 /2 00 1- 52 Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2ª Turma da DRJ Ribeirão Preto (fls. 571/576), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela recorrente, nos termos do Acórdão nº 14 27.335, proferido em 27 de janeiro de 2010. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: A interessada protocolizou, em 18/07/2001, o pedido de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) referentes a insumos utilizados na fabricação de produtos vendidos no 2° trimestre calendário de 2001, com esteio na Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999, art. 11, e no montante de R$ 2.627.720,75, concomitantemente com pedidos de compensação (fls. 1 e 24). No Despacho Decisório de 11/01/2006, de fls. 456/462, a DRF em Ponta Grossa, PR, deferiu apenas parcialmente a solicitação de créditos de IPI, no valor de R$ 2.120.662,07 (saldo credor passível de ressarcimento), sem direito a juros compensatórios, e homologou as compensações declaradas até o limite do direito creditório reconhecido: houve, em relação ao total de créditos relativos a insumos aplicados na industrialização (R$ 2.627.720,75), a redução no montante de R$ 507.058,68 correspondente aos débitos do imposto no trimestrecalendário, conforme demonstrativo de fl. 461. As aquisições com CFOP 1.32, 2.22, 2.32, 2.99 e 3.12 foram objeto de compensação na escrita fiscal, mas os respectivos créditos não são sujeitos a ressarcimento. Insubmissa à decisão administrativa da qual teve ciência em 09/02/2006, conforme o AR nos autos, a interessada apresentou, em 28/03/2006, a manifestação de inconformidade, de fls. 475/482, subscrita pelo patrono da pessoa jurídica, qualificado no instrumento de fls. 502/503, em que, resumidamente, afirma que a decisão recorrida é nula por preterição do direito de defesa (PAF, art. 59, II) e violação do principio da motivação (Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 2°), uma vez que a requerente não tem condições de conhecer as verdadeiras razões do deferimento apenas parcial do pleito; foi equivocada a recomposição do saldo credor feita pelo auditor fiscal, pois não considerou os créditos relativos às aquisições para revenda (CFOP 1.12, 2.12 e 3.12), mas computou os débitos referentes às saídas para revenda (CFOP 5.12 e 6.12), e, portanto, a diminuição dos créditos da interessada é decorrente da duplicidade de débitos considerados na apuração do saldo credor; por fim, requer o conhecimento e provimento da manifestação de inconformidade, sendo julgado procedente o pedido de restituição formulado e anulada a decisão proferida. Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10940.000938/200152 Acórdão n.º 3802002.079 S3TE02 Fl. 487 3 O julgamento foi convertido em diligência em 30/06/2006 pela DRJ/Porto Alegre/RS (fl. 505), para a identificação e quantificação dos itens glosados que deram azo à redução do ressarcimento, com a devida motivação. No relatório de diligência de 17/08/2006 (fls. 506/508), a autoridade fiscal, principalmente, afiança que não se trata de glosa, mas sim de "não inclusão", por determinação legal, de valores escriturados com CFOP referente a devoluções (1.32 e 2.32), transferências para comercialização (2.22), outras entradas não especificadas (2.99) e compras para comercialização (3.12), conforme o livro Registro de Apuração do IPI (fls. 85/107). Na manifestação de 25/09/2006 (fls. 515/518), a requerente contesta o relatório e afirma que teria havido glosa, sim, tendo sido reduzido o montante do pleito de R$ 2.627.720,75 para R$ 2.120.662,07. A celeuma teria sido criada com a intimação n° 109, de 19/07/2005, sendo que na tabela 3.2 teria informado, por exigência do referido termo, somente os créditos decorrentes da entrada de insumos aplicados na industrialização, conforme a Lei n° 9.779, de 1999, art. 11, com a exclusão de créditos relativos a operações de devolução de mercadorias e a aquisições para revenda. Se houve a exclusão de créditos referentes a aquisições para revenda ou a devoluções (CFOP 3.12, 1.32, 2.32), deveria também ter sido efetuada a exclusão dos débitos relativos as saídas a título de revenda (CFOP 5.11, 6.11, 6.12). Por tudo isso, estaria demonstrada a contradição e a inconsistência da decisão administrativa combatida. Nova resolução de diligencia da DRJ/Porto Alegre/RS em 19/10/2006 (fls. 520/521): esclarecimento da parcela de R$ 216.386,71 excluída do montante do pleito, com a explicitação da respectiva motivação. Intimação de 20/11/2006 (fls. 522/523) para a requerente justificar a diferença de R$ 216.386,71, com demonstração da origem e comprovação documental. Não houve atendimento da solicitação porque a autoridade fiscal não havia tomado a providência requisitada pela DRJ de Porto Alegre: justificativa para a glosa. Novo relatório de diligência em 15/02/2007 (fls. 527/531): da parcela indeferida (R$ 507.058,68), R$ 290.671,97 diz respeito a créditos de IPI não passíveis de ressarcimento porque não se destinam a industrialização (CFOP 1.32, 2.22, 2.32, 2.99 e 3.12) e R$ 216.386,71 se referem a créditos não comprovados pelas tabelas 3.2 e 3.4 (fls. 45/107), sendo que o ônus da prova cabe ao titular do direito creditório reclamado. O saldo credor apurado na escrita fiscal não coincide necessariamente com o saldo credor passível de ressarcimento de que trata a IN SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004, art. 16, § 4°, conforme instruções de preenchimento constantes do programa gerador do PER/DCOMP. Por outro lado, não há previsão legal para a exclusão de débitos de IPI, mesmo que por saídas a título de revenda (CFOP 5.12 e 6.12), na compensação da escrita fiscal, conforme pretende a interessada. Na manifestação de 19/03/2007 (fls. 533/543) a interessada basicamente repete que não poderiam ser computados os débitos concernentes as saídas com CFOP 5.12 e 6.12, e afirma que no pleito original de ressarcimento não teria incluído os créditos referentes aos Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 códigos de CFOP 1.32, 2.22, 2.32, 2.99 e 3.12, que não são passíveis de ressarcimento. Em 28/03/2007, conforme o despacho de fl. 545, por força da Portaria SRF n° 179, de 13 de fevereiro de 2007, este processo foi encaminhado a esta DRJ. A requerente juntou ao processo (fls. 549/554), em 17/04/2007, cópia da Resolução n° 20400.313 de 07/11/2006 da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em que fora determinada, em diligência, a exclusão, do saldo credor do trimestre, dos débitos referentes às saídas com CFOP 5.12 e 6.12. Nova juntada pela contribuinte em 17/01/2009 (fls. 557/569): Acórdão n° 20403.146, de 08/04/2008, da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em que é dado provimento ao recurso da interessada em virtude de sucessiva mudança de critério jurídico para indeferir o direito creditório em questão, prejudicial ao direito de defesa da requerente. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acatados pela primeira instância de julgamento, que, não obstante haver reconhecido a falta de clareza do despacho decisório de fls. 456/462, entendeu serem legítimas as exclusões correspondentes aos CFOP 1.32, 2.32, 2.22, 2.99 e 3.12. O correspondente Acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR ESCRITURAL. Ao cabo do trimestrecalendário, somente o saldo credor resultante do confronto entre créditos (relativos a insumos utilizados na industrialização) e débitos em cada período de apuração é passível de ressarcimento/compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 DESPACHO DECISÓRIO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Ainda que haja deficiência na motivação de um despacho decisório, outros elementos presentes nos autos são aptos a evitar o cerceamento de defesa e elidir a respectiva nulidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da referida decisão em 25/05/2010 (conforme AR de fls. 578), a interessada, em 23/06/2010 (fls. 468), apresentou o recurso voluntário de fls. 581/593, onde aduz o seguinte: a) que o único fundamento utilizado para deferir apenas parcialmente o pleito foi a impossibilidade de cômputo, para fins de ressarcimento ou compensação, das aquisições de insumos destinados à comercialização, ao ativo permanente e a qualquer outra situação que não integre o processo produtivo, haja vista que não se subsumem ao conceito de “aplicados na industrialização”; tais aquisições, correspondentes aos CFOP 1.32, 2.22, 2.32, 2.99 e 3.12 “[...] já foram utilizados pelo contribuinte na escrita Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10940.000938/200152 Acórdão n.º 3802002.079 S3TE02 Fl. 488 5 fiscal, no batimento dos créditos versus débitos, na apuração do saldo no RAIPI” (grifos e destaque da recorrente); b) que a interessada, atendendo a requerimento do próprio Auditor Fiscal, foi obrigada a elaborar as tabelas 3.2, 3.3 e 3.4A considerando todas as entradas sujeitas a crédito passível de ressarcimento, por serem destinadas à industrialização, bem como todas as operações com débito do imposto, ainda que já consideradas na apuração decendial do saldo no RAIPI; todavia, “[...] em nenhum momento o Auditor Fiscal logrou demonstrar, ou fazer qualquer referência, a quais insumos teriam sido computados pela Recorrente em seu livro de Registro que não seriam passíveis de crédito, posto que o montante informado pela contribuinte coincidiu com aquele constante da Tabela final, da página 6, do Despacho Decisório; c) que a veracidade de tal afirmação seria atestada diante da conversão do julgamento em diligência pela DRJ Porto Alegre, então competente para o julgamento do feito, que, na ocasião, fez a seguinte indagação: 1.1 — Ocorre que não foram identificados os produtos, cujos créditos foram glosados, nem quantificados seus valores, o que dificulta/impossibilita a apreciação das referidas glosas, e também foi dito que os produtos informados na fl. 323 (em resposta de intimação) de fato são utilizados na linha de produção (fl. 343). Esta afirmação não se harmoniza com as glosas referidas acima, necessitando maiores esclarecimentos, fatos esses amplamente explorados pela defesa. 2. Por estas razões, encaminho o processo à DRF/Ponta Grossa, Saort, para diligenciar, no sentido de identificar e quantificar os itens glosados, com a respectiva motivação, abrindose prazo ao contribuinte para se manifestar sobre a matéria objeto da diligência, após, a esta DRJB/POA, 3a Turma. d) que a DRF Ponta Grossa, “[...] ao contrário de atender, objetivamente, aos termos da diligência, preferiu explicar o seguinte:” Não se trata de 'glosa', mas sim 'não inclusão' por determinação legal e consequentemente, somente os valores lançados na escrita fiscal com CFOP referentes as devoluções (1.32 e 2.32), transferências para comercialização (2.22), outras entradas não especificadas (2.99) e compras para comercialização (3.12), não foram incluídos nos créditos do IPI, cujo total por decêndio no 2° trimestre de 2001, está discriminado na coluna A das 'Entradas' da tabela à fl. 461. Portanto. não houve nenhum produto ou crédito glosado propriamente dito. A expressão "não entram no cômputo do ressarcimento e da compensação os créditos do IPI destacados nas compras dos insumos com os seguintes códigos CFOP: 1.32, 2.22, 2.32, 2.99 e 3.12" foi usada no citado Despacho, por terem sido computados no montante da coluna A (f. 461) apenas os créditos oriundos das aquisições destinadas à industrialização. Tal fato pode ser facilmente constatado, partindo dos totais da coluna "Imposto Creditado" das Entradas do livro RAIPI (fls. 85/107) e excluindo os valores com CFOP não passíveis de ressarcimento (1.32, 2.22, 2.32, Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 2.99 e 3.12), cuja diferença é igual ao total dos créditos do IPI relacionados na tabela 3.2 e transcritos em resumo no quadro 3.4 — Demonstração dos Totais (fls. 45/49 e 84) elaborados pelo contribuinte, importâncias estas coincidentes com aquelas inseridas na tabela "Saldo do IPI a ressarcir" do Despacho Decisório (fl. 461)." (grifado) e) que, insatisfeita com os esclarecimentos acima, a DRJ Porto Alegre decidiu realizar nova diligência baseada no seguinte questionamento: 2. O relatório fiscal (fls. 456/462) assevera que os insumos adquiridos com CFOPs 1.32, 2.22, 2.32, 2.99 e 3.12 não entram no cômputo do ressarcimento ou compensação, porque não se subsumem ao conceito de aplicados na industrialização. 2.1 Baixado em diligência para quantificar os itens excluídos, apenas foram indicadas as folhas do RAIPI (85/107) onde estavam registradas as parcelas que, afinal somadas, atingiram a cifra de R$ 290.671,97. 2.2 Somada a importância excluída (R$ 290.671,91) com o valor deferido do ressarcimento (R$ 2.120.662,07), chegase ao total de R$ 2.411.334,04 que, confrontado com o valor requerido do ressarcimento de R$ 2.627.720,75, aflora uma diferença a menor de R$ 216.386,71 cuja origem não foi esclarecida. 3. Por esta razão, encaminhese o processo à DRF/Ponta Grossa, Saort, para esclarecer a redução da parcela de R$ 216.386,71, no pedido de ressarcimento da fl. 02, com a respectiva motivação, abrindose prazo ao contribuinte para se manifestar sobre a matéria da diligência, retornando, após, a esta DRJ/POA, 3a Turma. f) que o auditor fiscal, “em longa e confusa resposta a essa nova diligência”, não esclareceu a diferença apontada acima; g) que a conclusão a que chegou o despacho decisório não coincide com os lançamentos existentes no RAIPI, e que “[...] tal resultado tem origem no equivocado entendimento do Auditor Fiscal, reiterado em inúmeros outros procedimentos administrativos de ressarcimento de créditos apresentados pela empresa, de considerar, no cálculo do saldo credor, operações de saída já compensadas com outros créditos não passíveis de ressarcimento, distorcendo o resultado final”; h) que a decisão recorrida “[...] se baseou apenas [...] no Demonstrativo constante da página 6, do Despacho Decisório, para refutar as alegações contidas na Manifestação de Inconformidade”; i) que “a Recorrente, em síntese, suscitou, basicamente, dois argumentos distintos para contestar o aludido Demonstrativo e sua metodologia de cálculo, quais sejam: a) a nulidade do despacho decisório por ausência de motivação e; b) o indevido cômputo, nos demonstrativos requeridos pela fiscalização (Tabelas 3.2 a 3.4), que ensejaram o Demonstrativo da página 6, das operações realizadas com CFOP 5.12 e 6.12, posto que tais operações foram anteriormente confrontadas com os créditos gerados por operações de igual natureza (aquisição para revenda e material para uso e consumo), os quais não eram passíveis de ressarcimento”; Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10940.000938/200152 Acórdão n.º 3802002.079 S3TE02 Fl. 489 7 j) reproduz trecho do voto de primeira instância em que a decisão vergastada reconhece a falta de “clareza e objetividade” do despacho decisório, embora tenha entendido não estar caracterizado o cerceamento ao direito de defesa da recorrente, e, portanto, a nulidade; k) que “o Despacho Decisório trouxe como único argumento para o deferimento parcial o de que não poderiam ser geradores de créditos passíveis de ressarcimento aquelas aquisições não destinadas a integrar o processo produtivo, todavia, não declinou quais insumos seriam esses [...]”; l) que a DRJ Porto Alegre já acenava para o reconhecimento da nulidade do despacho decisório diante dos resultados das diligências requeridas; m) que inexiste lançamento de créditos não passíveis de ressarcimento no pleito da recorrente; n) que “o que motivou o deferimento apenas parcial do pleito de ressarcimento foi o critério adotado pelo Auditor na elaboração das tabelas 3.2 a 3.4A, já que, de um lado a Recorrente teve que discriminar os créditos passíveis de ressarcimento (Coluna A, da tabela da página 6) e, de outro, teve que lançar todas as operações com débito de imposto, mesmo aquelas que já teriam sido objeto de batimento com os créditos não passíveis de ressarcimento, como o próprio Auditor Fiscal reconheceu na mesma página 6, do Despacho Decisório”; o) que “se as operações com CFOP 5.12 e 6.12 já haviam sido utilizadas na escrita fiscal, não poderiam, mais uma vez, ser consideradas na coluna de débitos do IPI”; “esse procedimento, totalmente irregular, gerou a diferença indeferida pelo Auditor Fiscal”; p) que, tendo sido demonstrado que não houve pleito de ressarcimento de créditos que não eram passíveis de ressarcimento, o despacho decisório tornouse imotivado; q) no tópico DO ERRO NA RECOMPOSIÇÃO DO SALDO CREDOR DO IPI, ressalta a recorrente que, não obstante tenha adquirido outros produtos cujo crédito não possibilitava o pedido de ressarcimento segundo o artigo 11 da Lei no 9.779/99, o fato desses créditos constarem do total creditado no período não permitiria a conclusão de que os mesmos integraram o pleito de ressarcimento da Recorrente; r) que “ao proceder à recomposição do saldo credor do IPI, o Sr. Auditor Fiscal da Receita Federal manejou em evidente equívoco, pois, a ora Recorrente, ao apresentar os documentos que suportaram os créditos do imposto federal, não considerou créditos decorrentes de operações de entrada com Códigos Fiscais de Operações e Prestações – CFOP's 1.32, 2.22, 2.32, 2.99 e 3.12, ou seja, devoluções de vendas, outras entradas não especificadas e compras para comercialização, ainda que registrados no Livro de Apuração, tanto que ressaltado pelo próprio Auditor Fiscal, às fls. 06 do Despacho Decisório, que tais créditos foram utilizados na apuração decendial do imposto”; Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 8 s) “assim, não poderia a Secretaria da Receita Federal considerar como débitos, no quadro constante no despacho decisório do processo administrativo, aqueles referentes as saídas com CFOP's 5.102 e 6.102, vale dizer, saída de produtos para revenda, 6.556, devolução de compra de material de uso ou consumo, já que tais saídas somente poderiam ser confrontadas com os créditos gerados por operações de mesma natureza”; t) que “considerando, que os CFOP's 1.32, 2.22, 2.32, 2.99 e 3.12, não foram considerados no quadro de entradas com créditos de IPI no demonstrativo de pedido de ressarcimento e compensação apresentado ao fisco federal, não poderia haver deduções de débitos de operações com CFOP's 5.102, 6.102 e 6.556, pois se assim ocorresse estarseia diminuindo o crédito a que teria direito a Recorrente de forma indevida e sem previsão legal”; u) que “os créditos das entradas de bens para revenda (importados para venda no mercado nacional) são compensados com saídas de bens de revenda e, desta forma, não devem ser considerados como utilizados nos casos descritos no artigo 11, da Lei n° 9.779/99, ou seja, como insumos para fabricação de produtos com saída com códigos 5.102, 6.102 e 6.556”; v) que “o procedimento adotado pela fiscalização federal provocou a compensação de créditos de aquisição de matériasprimas, materiais intermediários e materiais de embalagem destinados à produção com débitos de saída de produtos de revenda e devoluções de compra de material de uso ou consumo, de CFOP's 5.102, 6.102 e 6.556, operações essas que já haviam sido compensadas anteriormente com créditos decorrentes de entradas de produtos com CFOP's 1.32, 2.22, 2.32, 2.99 e 3.12”; w) que “o próprio Auditor Fiscal reconhece tal fato ao lançar, às fls. 06 do Despacho Decisório, que ‘... estes valores já foram utilizados pelo contribuinte na escrita fiscal, no batimento dos créditos versus débitos, na apuração decendial do saldo no RAIPI’”; x) cita julgado de pleito da recorrente objeto do processo no 10940.000557/200049, em que “o então Conselho de Contribuintes teve o entendimento claro e pacífico de que improcederia computar no cálculo do saldo do IPI a ser ressarcido, na coluna dos débitos, saídas ocorridas cuja entrada dos insumos não geravam créditos ressarcíveis e que, por conta disto, foram normalmente batidos na apuração normal do tributo, não havendo razoabilidade que aqueles pudessem ser novamente contabilizados, como de fato fez o Sr. Auditor Fiscal, neste caso”. Por todo o exposto, requer seja dado provimento ao seu recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10940.000938/200152 Acórdão n.º 3802002.079 S3TE02 Fl. 490 9 O recurso é tempestivo e merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Conforme relatado, vêse que a glosa parcial do pleito foi fundamentada na impossibilidade de cômputo, para fins de ressarcimento ou compensação, das aquisições de insumos destinados à comercialização, ao ativo permanente e a qualquer outra situação que não integre o processo produtivo, haja vista que não se subsumem ao conceito de “aplicados na industrialização”. A tabela 3.2 (fls. 45/59) – confeccionada pela empresa – diz respeito à apuração do crédito do IPI pela aquisição de insumos utilizados no processo produtivo durante o segundo trimestre de 2001 (CFOP 1.11, 2.11 e 3.11). A soma dos correspondentes créditos no período corresponde a R$ 2.627.720,75. Quanto a esse valor não há qualquer controvérsia, constando o mesmo da apuração feita pela SAORT da DRF Ponta Grossa, como consignado às fls. 461 (despacho decisório). Assim, conforme afirmado pela própria DRJ Ribeirão Preto no voto condutor do acórdão de primeira instância, tal montante não aborda “os créditos concernentes às entradas com CFOP 1.32, 2.32, 2.22, 2.99 e 3.12” (v. fls. 574). Tais códigos, de fato, não estão relacionados com o processo industrial. Diversamente, consta do despacho decisório que glosou parcialmente o direito creditório vislumbrado que aludida glosa foi decorrente das “compras dos insumos” inerentes aos citados CFOP (1.32, 2.22, 2.32, 2.99 e 3.12). De forma paradoxal, é afirmado, no referido despacho, que tais valores “[...] já foram utilizados pelo contribuinte na escrita fiscal, no batimento dos créditos versus débitos, na apuração decendial do saldo no RAIPI”. Confirase o trecho do citado despacho decisório de onde foram extraídas as afirmações acima colacionadas (v. fls. 461): Com respaldo no art. 11 da Lei n° 9.779/1999, inferese não caber direito ao postulante incluir o crédito do IPI relativo às aquisições de insumos não integrantes dos produtos fabricados, para fins de ressarcimento em espécie ou compensação com outros tributos administrados pela SRF, excluindose a parcela relativa a esses insumos destinada à comercialização, ao ativo permanente e a qualquer outra situação que não integre o processo produtivo, haja vista que não se subsumem ao conceito de "aplicados na industrialização". Logo, não entram no cômputo do ressarcimento e da compensação os créditos do IPI destacados nas compras dos insumos com os seguintes códigos CFOP: 1.32, 2.22, 2.32, 2.99 e 3.12. Entretanto, estes valores já foram utilizados pelo contribuinte na escrita fiscal, no batimento dos créditos versus débitos, na apuração decendial do saldo no RAIPI. Foram verificadas as notas fiscais referentes às entradas de mercadorias com direito ao crédito de IPI e as notas fiscais de saídas do estabelecimento industrial, por amostragem (fls. 110/438), e ficou constatada a correta escrituração fiscal desta amostra, não se constatando outras discrepâncias, exceto o caso já comentado. Deste modo, o saldo credor em moeda corrente correspondente ao 2°. trimestre de 2001 ficou assim constituído: Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 10 O estorno disposto no art. 17 da IN SRF no 600/2005 está demonstrado à fl. 108, na escrituração fiscal do 1o decêndio de julho de 2001. Diante do exposto, proponho o reconhecimento parcial do direito creditório da importância de R$ 2.120.662,07 [...]. (grifos nossos) Não obstante os fundamentos apresentados pela autoridade administrativa responsável pelo exame do pleito (v. despacho decisório, especialmente fls. 461 – trecho acima reproduzido), constatase, do teor da planilha de cálculo objeto do referenciado despacho, que o direito creditório foi apurado de forma diversa à fundamentação aduzida. Com efeito, o saldo do IPI a ressarcir foi obtido pela simples diferença entre: i) o crédito do IPI pela aquisição de insumos utilizados no processo produtivo (apurado na tabela 3.2 – Demonstração das operações de crédito do IPI (Entradas) – CFOP 1.11, 2.11 e 3.11) (fls. 45/59), e; ii) o valor do IPI nas saídas de mercadorias (tabela 3.3 – Demonstração das operações de débito do IPI (Saídas) – CFOP 5.12, 5.31, 5.95, 6.12, 6.31, 6.95 e 6.99) (fls. 60/83). Na verdade, tal apuração nada mais é do que a reprodução da tabela 3.4 do sujeito passivo – Demonstração dos totais 2001 2o Trimestre – acostada às fls. 84 dos autos, a qual não representa o cálculo, pela interessada, do imposto passível de ressarcimento, mas unicamente o atendimento à intimação no 109/2005 (fls. 37/39), onde a autoridade fiscal exige referida declaração no leiaute prescrito (v. fls. 38), qual seja, o reproduzido no despacho decisório e na referenciada tabela 3.4. Do que foi acima exposto, resta evidente que a autoridade administrativa, ao examinar o pleito, muito embora tenha atestado, primeiramente, o escorreito levantamento do crédito do IPI relativo à aquisição de insumos (pois não incluiu as operações relativas aos CFOP 1.32, 2.22, 2.32, 2.99 e 3.12), apresentou, no entanto, demonstrativo de cálculo onde o levantamento do crédito foi realizado sem respaldo nas razões apresentadas. Além disso, a apuração do direito creditório pela autoridade administrativa revelase equivocada, já que o montante do crédito passível de ressarcimento (correspondente à aquisição de insumos para industrialização) foi diminuído com base nos valores lançados a débito do imposto pela venda de mercadorias adquiridas de terceiros. Enfim, correlacionou indevidamente rubricas de naturezas distintas. Com efeito, a apuração do saldo trimestral no contacorrente do IPI é necessária para verificar se há saldo credor do imposto, o qual, se equivalente ou inferior ao Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10940.000938/200152 Acórdão n.º 3802002.079 S3TE02 Fl. 491 11 montante creditório decorrente da aquisição de insumos utilizados na industrialização (artigo 11 da Lei no 9.779/99) – calculado separadamente –, poderá ser objeto de ressarcimento. Em outras palavras, o saldo credor do imposto decorrente da aquisição de insumos para industrialização, que remanescer ao final do trimestrecalendário (depois dos débitos no acerto do contacorrente), poderá ser utilizado para fins de ressarcimento ou compensação, como, aliás, autorizam expressamente o artigo 11 da Lei no 9.779/99 e o § 2º do artigo 2o da IN SRF no 33, de 04/03/1999. Isso é bastante para evidenciar o erro procedimental adotado pela autoridade administrativa, que, conforme acima exposto, confundiu a apuração dos créditos passíveis de ressarcimento com o levantamento do saldo credor do imposto. Em outras palavras, referida autoridade não distinguiu a forma de apuração do crédito com a condição para a obtenção do incentivo na forma de ressarcimento ou compensação, tendo laborado em erro ao confrontar operações de naturezas diversas. A decisão de primeira instância também não é feliz em demonstrar a legitimidade da glosa parcial do crédito pleiteado pela interessada. Nos fundamentos da referida decisão, muito embora esteja registrada a falta de clareza do despacho decisório em comento, tentase explicar a glosa com a simples citação “[...] das planilhas de fls. 45/83, da cópia da escrita fiscal de fls. 85/108 e da planilha de fl. 461 [...]”; todavia, a decisão de primeira instância não atesta efetivamente o suposto cômputo indevido, por parte da interessada, de créditos passíveis de ressarcimento. Como já ressaltado, a autoridade administrativa chegou a afirmar que o levantamento do crédito do IPI foi realizado de forma correta pelo sujeito passivo. Contudo, referida autoridade equivocouse ao fazer o levantamento do montante ao qual a interessada teria direito mediante ressarcimento. Analisando o Registro de Apuração do IPI, constatase que a suplicante, com efeito, apurou e escriturou corretamente o saldo credor do imposto ao qual teria direito. Porém, no pleito de ressarcimento – como bem ressaltado pelo conselheiro Regis Holanda, que teve vistas dos autos –, o contribuinte deixou de subtrair o saldo devedor resultante do confronto entre: a) o total de créditos relativos a operações outras somado ao saldo credor do trimestre anterior (debitado o correspondente pedido de ressarcimento) e; b) o total de saídas (débitos do imposto). Assim, e não obstante o equívoco metodológico em que incorreu a fiscalização tributária, a interessada apurou corretamente o saldo credor do imposto ao qual tem direito mediante ressarcimento, o que demonstra a inexistência de qualquer prejuízo para a defesa da reclamante. O saldo passível de ressarcimento, repito, calculado e escriturado corretamente, corresponde a R$ 2.565.283,74, conforme demonstrado na tabela abaixo, onde estão indicadas as fls. do processo eletrônico correspondentes aos lançamentos, no Registro de Apuração do IPI, dos correspondentes valores. O erro da interessada, retratado no pleito de reconhecimento de direito creditório (no montante de R$ 2.627.720,75) superior ao alicerçado em sua escrituração, deixa claro que a glosa correta, considerando o pedido inicialmente apresentado, deveria ter sido no valor de R$ 62.437,01. O que foi acima afirmado pode ser visualizado nas tabelas abaixo: Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 12 Demonstrativo de apuração do saldo credor do IPI no 2º trimestre de 2001 passível de ressarcimento segundo o artigo 11 da Lei nº 9.779/99 (apuração decêndio a decêndio) Período Créditos, Débitos e Saldo do IPI no período Valor fls. eProcesso Saldo credor trim. anterior (jan a abr/2001) antes pedido ressarcimento 1.194.265,79 174 Trimestre anterior () Pedido de ressarcimento proc. 10940.00034/0120 1.040.316,09 " (=) Saldo credor do trimestre anterior 153.949,70 (+) Créditos 174.281,04 174 1º Dec abr/2001 () Débitos 54.087,15 " (=) Saldo credor do decêndio 274.143,59 " (+) Créditos 201.875,02 180 2º Dec abr/2001 () Débitos 63.210,89 " (=) Saldo credor do decêndio 412.807,72 " (+) Créditos 473.547,31 186 3º Dec abr/2001 () Débitos 55.171,56 " (=) Saldo credor do decêndio 831.183,47 " (+) Créditos 218.440,72 190 1º Dec maio/2001 () Débitos 45.582,94 " (=) Saldo credor do decêndio 1.004.041,25 " (+) Créditos 248.808,55 194 2º Dec maio/2001 () Débitos 80.790,52 " (=) Saldo credor do decêndio 1.172.059,28 " (+) Créditos 606.167,91 200 3º Dec maio/2001 () Débitos 58.301,06 " (=) Saldo credor do decêndio 1.719.926,13 " (+) Créditos 251.387,88 204 1º Dec jun/2001 () Débitos 45.072,84 " (=) Saldo credor do decêndio 1.926.241,17 " (+) Créditos 242.412,31 210 2º Dec jun/2001 () Débitos 39.927,22 " (=) Saldo credor do decêndio 2.128.726,26 " (+) Créditos 501.471,98 216 3º Dec jun/2001 () Débitos 64.914,50 216 e 218 (=) Saldo credor do decêndio/trimestre (passível de ressarcimento) 2.565.283,74 216 e 218 Valor pleiteado do ressarcimento 2.627.720,75 218 Valor que deverá ser glosado 62.437,01 Demonstrativo de apuração do saldo credor do IPI passível de ressarcimento (apuração consolidada do período) Saldo credor do trimestre anterior (1º trimestre de 2001) 153.949,70 (+) Créditos do trimestre (2º trimestre/2001) 2.918.392,72 () Débitos do trimestres (2º trimestre/2001) 507.058,68 (=) Saldo credor do trimestre passível de ressarcimento 2.565.283,74 () Direito creditório já reconhecido pela unidade preparadora 2.120.662,07 (=) Crédito adicional ao qual faz jus a suplicante 444.621,67 Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10940.000938/200152 Acórdão n.º 3802002.079 S3TE02 Fl. 492 13 Da Conclusão Por todo o exposto, voto para dar parcial provimento ao recurso voluntário interposto pela recorrente, reconhecendo o direito creditório de R$ 2.565.283,74, conforme demonstrado acima, devendo ser homologadas as compensações até o limite do crédito em tela. Esclareçase que no referido montante de R$ 2.565.283,74 está incluído o valor de R$ 2.120.662,07 já deferido pela unidade preparadora. Assim, em conseqüência do presente recurso, reconhecese o direito creditório adicional de R$ 444.621,67. Sala de Sessões, em 25 de setembro de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Declaração de Voto Do saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem aplicados na industrialização Tratase de pedido de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) referentes a insumos utilizados na fabricação de produtos vendidos no 2° trimestrecalendário de 2001, com esteio na Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999, art. 11, no montante original de R$ 2.627.720,75, concomitantemente com pedidos de compensação (fls. 1 e 24). No Despacho Decisório de 11/01/2006, de fls. 456/462, a DRF em Ponta Grossa, PR, deferiu apenas parcialmente a solicitação de créditos de IPI, no valor de R$ 2.120.662,07 (saldo credor passível de ressarcimento), sem direito a juros compensatórios, e homologou as compensações declaradas até o limite do direito creditório reconhecido: houve, em relação ao total de créditos relativos a insumos aplicados na industrialização (R$ 2.627.720,75), a redução no montante de R$ 507.058,68 correspondente aos débitos do imposto no trimestrecalendário, conforme demonstrativo de fl. 461. Foram desconsiderados da escrita fiscal os créditos relativos às operações com CFOP 1.32, 2.22, 2.32, 2.99 e 3.12. Manifestação de inconformidade acostada a fls. 475 a 482, em que o interessado alega que foi equivocada a recomposição do saldo credor feita pelo auditor fiscal, pois não considerou os créditos relativos às aquisições para revenda (CFOP 1.12, 2.12 e 3.12), mas computou os débitos referentes às saídas para revenda (CFOP 5.12 e 6.12). Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 14 A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte. Em recurso voluntário, a interessada repisa que “ao proceder à recomposição do saldo credor do IPI, o Sr. Auditor Fiscal da Receita Federal manejou em evidente equívoco, pois, a ora Recorrente, ao apresentar os documentos que suportaram os créditos do imposto federal, não considerou créditos decorrentes de operações de entrada com Códigos Fiscais de Operações e Prestações – CFOP's 1.32, 2.22, 2.32, 2.99 e 3.12, ou seja, devoluções de vendas, outras entradas não especificadas e compras para comercialização, ainda que registrados no Livro de Apuração, tanto que ressaltado pelo próprio Auditor Fiscal, às fls. 06 do Despacho Decisório, que tais créditos foram utilizados na apuração decendial do imposto”; A matéria em apreço encontra tratamento normativo na Lei nº 9.779, de 1999, art. 11, que faz menção ao saldo credor acumulado no trimestre e não ao total de créditos do trimestre: “Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestre calendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda”. A Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, art. 2º, é absolutamente didática sobre o assunto: “Art. 2º Os créditos do IPI relativos a matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para emprego nos produtos industrializados, serão registrados na escrita fiscal, respeitado o prazo do art. 347 do RIPI: I – quando do recebimento da respectiva nota fiscal, na hipótese de entrada simbólica dos referidos insumos;II no período de apuração da efetiva entrada dos referidos insumos no estabelecimento industrial, nos demais casos. § 1º O aproveitamento dos créditos a que faz menção o caput darseá, inicialmente, por compensação do imposto devido pelas saídas dos produtos do estabelecimento industrial no período de apuração em que forem escriturados. § 2º No caso de remanescer saldo credor, após efetuada a compensação referida no parágrafo anterior, será adotado o seguinte procedimento: I o saldo credor remanescente de cada período de apuração será transferido para o período de apuração subseqüente; II ao final de cada trimestrecalendário, permanecendo saldo credor, esse poderá ser utilizado para ressarcimento ou compensação, na forma da Instrução Normativa SRF n.º 21, de 10 de março de 1997. Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10940.000938/200152 Acórdão n.º 3802002.079 S3TE02 Fl. 493 15 § 3º Deverão ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT)”.(g.m.) Analisando a questão, penso que incorreram em equívoco fiscalização e contribuinte. Explico. O valor correto a ser ressarcido, entendo, é o saldo credor apurado na escrita fiscal do contribuinte ao final do 2º trimestre de 2001: no valor de R$ 2.565.283,74 (fl. 107, 216 digital). A Fiscalização deveria, após apurar o total de créditos de IPI decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, ter subtraído eventual saldo devedor existente ( R$ 62.437,01) resultante do confronto entre o total de créditos relativos a operações outras somado ao saldo credor final (debitado o correspondente pedido de ressarcimento) do trimestre anterior (R$ 290.671,97 + R$ 153.949,70) e o total de saídas ( R$ 507.058,68), e não esse último valor. Ora, uma vez consideradas todas as saídas de produtos, haveria que se considerar também todas as entradas. A lógica da sistemática, penso, seria, a uma, não permitir que créditos oriundos de operações não afetas a industrialização própria fossem objeto de ressarcimento, e, a duas, priorizar a utilização dos créditos de aquisição de insumos inicialmente na compensação realizada na escrita fiscal. Noutro giro, o valor a ser ressarcido corresponderia ao saldo credor apurado na escrita fiscal, considerandose todas as entradas e saídas, tomandose o cuidado de se averiguar se o seu valor é inferior ou igual ao total de créditos decorrentes da aquisição de insumos para se evitar o ressarcimento de créditos não admitidos pela IN SRF nº 33/99. Por outro lado, também o contribuinte incorreu em equívoco. Consoante se verifica à fl. 108 (pg. 218 digital), após apurar o saldo credor do período (R$ 2.565.283,74), solicita, como ressarcimento de créditos, o valor total dos insumos adquiridos, e não o saldo, no valor de R$ 2.627.720,75. Ora, a diferença de R$ 62.437,01 – que corresponde ao saldo devedor acima explicitado a mais no pedido de ressarcimento, como pode se observar da escrita fiscal, acaba por advir de créditos do primeiro decêndio de julho de 2001. Assim, além do valor de R$ 2.120.662,07 já reconhecido pelo despacho decisório, reconheço ainda o valor de R$ 444.621,67, totalizando o valor de R$ 2.565.283,74, que corresponde ao saldo credor apurado na escrita fiscal do contribuinte (e inferior ao total de créditos decorrentes da aquisição de insumos). Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 16 Da conclusão Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao presente recurso voluntário para reconhecer, além do já deferido pelo despacho decisório da unidade de origem, o valor adicional de R$ 444.621,67, totalizando o valor de R$ 2.565.283,74 a título de crédito de IPI, homologando as respectivas compensações até o limite do valor reconhecido. Sala das Sessões, em 25 de setembro de 2013. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 10675.902599/2009-85
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
Compensação. Procedência do Direito Creditório.
Uma vez reconhecido o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo, as compensações devem ser homologadas até o limite do crédito reconhecido.
Numero da decisão: 1801-001.798
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Marcos Vinicius Barros Ottoni e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Roberto Massao Chinen, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. PROCEDÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Uma vez reconhecido o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo, as compensações devem ser homologadas até o limite do crédito reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Marcos Vinicius Barros Ottoni e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Roberto Massao Chinen, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes. Relatório Por economia processual reproduzo relatório adotado na Resolução n º 1801 00.096: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 25 99 /2 00 9- 85 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório. Trata o presente processo de PERDCOMP eletrônico (fls. 01/03), transmitido em 22/09/2006, pelo qual pretende a interessada a compensação de débito de estimativa de CSLL de agosto/2006, com direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL apurada no mês de outubro de 2005 (recolhimento em novembro/2005), no valor corrigido de R$ 1.718,74 (original de R$ 1.528,58), baixado para tratamento manual neste processo. Pelo Despacho Decisório Eletrônico de fl. 04 a compensação pleiteada foi não homologada, ao fundamento de não haver crédito disponível para compensação pois o valor do indébito pleiteado já estaria alocado a outro débito. Na manifestação de inconformidade apresentada (fls. 06/14) a interessada alegou, entre outros aspectos: a) que a manifestação de inconformidade deve suspender o crédito tributário; b) que os recolhimentos efetuados a titulo de estimativa mensal ultrapassaram o valor devido a titulo de IRPJ e CSLL; c) que houve erro de fato no preenchimento do PERDCOMP, pois foi informado o crédito como "pagamento indevido ou a maior" quando na verdade se tratava de "saldo negativo ". Apreciando o litígio a DRJ em Juiz de Fora/MG indeferiu o pleito ao argumento de que o art. 10 da IN SRF 600/2005 determina que os recolhimentos indevidos ou a maior de estimativa de IRPJ ou de CSLL somente podem ser utilizados ao final do período de apuração como dedução do devido a título de imposto ou contribuição, ou para composição do saldo negativo porventura apurado. Observou que o manifestante deveria ter demonstrado de forma inequívoca a ocorrência de erro de fato e que o crédito realmente se trataria de saldo negativo e não de pagamento indevido ou a maior, e que entretanto, não foi possível fazer a correlação do valor do saldo negativo apurado com os valores das estimativas levados originalmente à compensação. Consignou que dos autos consta que o crédito originalmente pleiteado inclui valores de CSLL relativos a outro período de apuração (AC 2004) e que a soma do valor original pleiteado em todas as PERDCOMPs vinculadas ao direito creditório não se coadunaria com o valor do saldo negativo de CSLL que o interessado alega ser o crédito (fls. 10 e 11). Cientificada, em 21/09/2011, do acórdão, apresentou a interessada, em 21/10/2011, o recurso voluntário de fls., Informa, inicialmente, com base em demonstrativo, que teria informado em DIPJ, declarado em DCTF e recolhido, durante o anocalendário 2005, estimativas mensais de CSLL totalizando R$ 34.178,14, mas na apuração final da contribuição, o valor devido teria sido de R$ 21.024,11, e haveria, assim, um saldo negativo de CSLL a seu favor de R$ 13.154,03. No anocalendário 2006 teria se aproveitado desse crédito para compensar débitos de estimativa de CSLL, conforme demonstrativo que apresenta. Afirma que, ao contrário do que constou da decisão de 1a. instância, teria demonstrado o saldo negativo de CSLL na ficha 17 da DIPJ/2006, no valor de R$ 13.154,04 e Fl. 108DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902599/200985 Acórdão n.º 1801001.798 S1TE01 Fl. 3 3 reitera que houve erro de fato no tipo de crédito informado no PERDCOMP, que deveria ter sido de saldo negativo de CSLL. Em sessão realizada em 11/04/2012, esta 1a. Turma Especial / 3a. Câmara / 1a. Seção do CARF, por maioria de votos, converteu o julgamento na realização de diligências, para que para a Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona a Recorrente analisasse a origem e a procedência saldo negativo anual de CSLL, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB. Também deveriam ser examinados conjuntamente os Per/DComp que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, com a elaboração de relatório a respeito das conclusões. Efetuada a diligência solicitada, com a elaboração do relatório de Informação Fiscal às fls. 99/101 do processo digital, cientificado à interessada em 29/11/2012 (AR fl. 103), que optou por quedarse silente a respeito de seu conteúdo. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Como visto, este e outros processos sob apreciação desta Turma de Julgamento tratam de compensação de débitos próprios do contribuinte, com saldo negativo de CSLL do anocalendário 2005, segundo alegações da defesa. A fim de verificar a existência, procedência e suficiência do indébito alegado os processos foram baixados, em conjunto, para diligência. O resultado dos trabalhos encontra se deduzido no Relatório de Informação Fiscal (fls. 99/101), que passo a reproduzir: Informação Fiscal PROCESSO N º PERDCOMP RES. CARF 10675.902588/200903 28737.76627.280306.1.3.044600 180100104/2012 10675.902589/200940 28866.87613.280306.1.3.040747 180100105/2012 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 10675.902591/200919 30176.21042.250406.1.3.048500 180100107/2012 10675.902593/200916 13781.82468.250506.1.3.045101 180100109/2012 10675.902590/200974 35267.21125.250406.1.3.048594 180100106/2012 10675.902594/200952 11171.63226.230606.1.3.043603 180100110/2012 10675.902596/200941 20375.69676.210706.1.3.045002 180100112/2012 10675.902595/200905 09118.82525.210706.1.3.045471 180100111/2012 10675.902597/200996 40908.87659.280806.1.3.040372 180100113/2012 10675.902599/200985 22341.86147.220906.1.3.046019 180100096/2012 10675.902598/200931 04232.24444.220906.1.3.043411 180100095/2012 10675.902600/200971 19981.00959.251006.1.3.043580 180100097/2012 10675.902601/200916 18527.19549.301106.1.3.044569 180100098/ 2012 A presente Informação Fiscal abrange os processos acima identificados, os quais tiveram o julgamento convertido em diligência pela 1ª Turma Especial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, através das Resoluções citadas. A diligência solicitada tem como objeto a análise da origem e procedência do saldo negativo anual de CSLL, do anocalendário 2005, devendo ser examinados em conjunto todos os PER/DCOMP que tiverem por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas. Os processos relacionados referemse a DCOMP não homologadas, relativas a créditos de pagamentos indevidos ou a maiores de estimativas de CSLL (código 2484), do anocalendário 2005, totalizando o valor pleiteado de R$ 12.920,70, conforme abaixo detalhado. Segundo as alegações do contribuinte o crédito solicitado corresponderia na verdade ao saldo negativo de CSLL do exercício 2006, indevidamente requerido como crédito de pagamento indevido ou a maior de estimativa. CRÉDITO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR PROCESSO PERDCOMP VALOR(R$) TRIB. CÓD. DATA PAGTO PA 10675.902588/200903 28737.76627.280306.1.3.044600 964,68 CSLL 2484 28/09/2005 31/08/2005 10675.902589/200940 28866.87613.280306.1.3.040747 810,29 CSLL 2484 28/09/2005 31/08/2005 10675.902591/200919 30176.21042.250406.1.3.048500 769,20 CSLL 2484 28/09/2005 31/08/2005 10675.902593/200916 13781.82468.250506.1.3.045101 1.361,67 CSLL 2484 28/10/2005 30/09/2005 10675.902590/200974 35267.21125.250406.1.3.048594 229,46 CSLL 2484 28/10/2005 30/09/2005 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902599/200985 Acórdão n.º 1801001.798 S1TE01 Fl. 4 5 10675.902594/200952 11171.63226.230606.1.3.043603 382,82 CSLL 2484 28/10/2005 30/09/2005 10675.902596/200941 20375.69676.210706.1.3.045002 1.153,98 CSLL 2484 28/10/2005 30/09/2005 10675.902595/200905 09118.82525.210706.1.3.045471 322,32 CSLL 2484 29/11/2005 31/10/2005 10675.902597/200996 40908.87659.280806.1.3.040372 1.776,54 CSLL 2484 29/11/2005 31/10/2005 10675.902599/200985 22341.86147.220906.1.3.046019 1.528,58 CSLL 2484 29/11/2005 31/10/2005 10675.902598/200931 04232.24444.220906.1.3.043411 769,61 CSLL 2484 29/12/2005 30/11/2005 10675.902600/200971 19981.00959.251006.1.3.043580 2.771,38 CSLL 2484 29/12/2005 30/11/2005 10675.902601/200916 18527.19549.301106.1.3.044569 80,17 CSLL 2484 29/12/2005 30/11/2005 TOTAL DO CRÉDITO CSLL 12.920,70 Conforme se verifica na DIPJ Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica, nº 059432658, regularmente apresentada pelo contribuinte, relativa ao exercício 2006, anocalendário 2005, a empresa apurou na ficha 17 a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida de R$ 21.024,11, que deduzida das estimativas pagas no decorrer do período de apuração (no total de R$ 34.178,15) resultou no saldo negativo anual de CSLL no valor de R$ 13.154,04. Os débitos de estimativas informados na DIPJ/2006 foram devidamente confessados em DCTF e liquidados pelos pagamentos relacionados a seguir, conforme extrato do Sistema SIEF/Fiscel anexado aos processos. Na última coluna do demonstrativo abaixo estão destacados os valores referentes aos pagamentos de estimativas que foram objeto das declarações de compensação entregues pelo contribuinte, totalizando o crédito pleiteado de R$ 12.920,70. N º PAGAMENTO CÓDIGO DATA ARRECADAÇÃO VALOR(R$) VALOR OBJETO DCOMP 4919701808 2484 28/02/2005 2.373,19 0208825446 2484 28/03/2005 3.002,78 0209761896 2484 29/04/2005 2.868,03 5072607938 2484 31/05/2005 3.555,15 5116278968 2484 28/06/2005 2.854,66 5167127538 2484 26/07/2005 2.605,28 1892652981 2484 26/08/2005 3.032,74 1987428871 2484 28/09/2005 3.228,07 2.544,17 2076652671 2484 28/10/2005 3.249,53 3.127,93 2133582661 2484 14/11/2005 111,74 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 2133582841 2484 14/11/2005 48,38 2155698461 2484 29/11/2005 3.627,44 3.627,44 2246085561 2484 29/12/2005 3.621,16 3.621,16 34.178,15 12.920,70 Uma vez confirmada a existência do crédito de saldo negativo de CSLL para o período 01/01/2005 a 31/12/2005 no valor declarado na DIPJ/2006 de R$ 13.154,04 (treze mil cento e cinqüenta e quatro reais e quatro centavos), entendo que o contribuinte faz jus ao crédito de saldo negativo no valor de R$ 12.920,70 correspondente ao total pleiteado nas dcomp em análise. Ademais, tratandose de crédito de saldo negativo, a correção pela taxa selic aplicarseá a partir do dia seguinte ao do encerramento do período de apuração (01/01/2006). Assim, efetuando por meio do sistema NEOSAPO, aplicativo homologado pela RFB, a simulação do encontro de contas entre o crédito de saldo negativo de CSLL no valor de R$ 12.920,70 e os débitos compensados nas respectivas dcomp em análise, verificase nos demonstrativos de cálculo anexados aos processos que o crédito não foi suficiente para homologação de todas as declarações de compensação transmitidas pelo contribuinte, conforme detalhado no quadro a seguir. VALORES EM REAIS (R$) PROCESSO PERDCOMP CÓD. PA VENC VALOR SITUAÇÃO DCOMP 10675.902588/200903 28737.76627.280306.1.3.044600 2484 jan06 24/02/2006 943,69 HOMOLOGADA TOTAL 10675.902589/200940 28866.87613.280306.1.3.040747 2484 fev06 31/03/2006 873,82 HOMOLOGADA TOTAL 10675.902591/200919 30176.21042.250406.1.3.048500 2484 mar06 28/04/2006 840,43 HOMOLOGADA TOTAL 10675.902593/200916 13781.82468.250506.1.3.045101 2484 abr06 31/05/2006 1.483,27 HOMOLOGADA TOTAL 10675.902590/200974 35267.21125.250406.1.3.048594 2484 mar06 28/04/2006 247,47 HOMOLOGADA TOTAL 10675.902594/200952 11171.63226.230606.1.3.043603 2484 mai06 30/06/2006 421,91 HOMOLOGADA TOTAL 10675.902596/200941 20375.69676.210706.1.3.045002 2484 jun06 31/07/2006 1.285,42 HOMOLOGADA TOTAL 10675.902595/200905 09118.82525.210706.1.3.045471 2484 jun06 31/07/2006 354,58 HOMOLOGADA TOTAL 10675.902597/200996 40908.87659.280806.1.3.040372 2484 jul06 31/08/2006 1.975,16 HOMOLOGADA TOTAL 10675.902599/200985 22341.86147.220906.1.3.046019 2484 ago06 29/09/2006 1.718,14 HOMOLOGADA TOTAL 10675.902598/200931 04232.24444.220906.1.3.043411 2484 ago06 29/09/2006 854,04 HOMOLOGADA TOTAL 10675.902600/200971 19981.00959.251006.1.3.043580 2484 set06 31/10/2006 3.104,78 HOMOLOGADA PARCIAL * 10675.902601/200916 18527.19549.301106.1.3.044569 2484 out06 30/11/2006 90,69 NÃO HOMOLOGAD A * TOTAL DO CRÉDITO CSLL Fl. 112DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902599/200985 Acórdão n.º 1801001.798 S1TE01 Fl. 5 7 Concluindo, remanesceria como saldos devedores os débitos abaixo discriminados, a serem exigidos do sujeito passivo, com os acréscimos legais devidos até a data do pagamento. Cód P.A. Venc. Vr original do débito (R$) Vr. extingo por compensação (R$) Saldo devedor (R$) Processo n º PERDCOMP 2484 09/2006 31/10/2006 3.104,78 2.930,27 174,71 10675.902600/200971 19981.00959.251006.1.3.043580 2484 10/2006 31/11/2006 90,69 0,00 90,69 10675.902601/200916 18527.19549.301106.1.3.044569 Estas as informações prestadas em atendimento à diligência solicitada. Com base no quanto exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecer o direito creditório relativo ao saldo negativo de CSLL do ano calendário 2005, no valor de R$ 12.920,70, e homologar as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido, nos exatos termos dos demonstrativos acima elaborados pela autoridade fiscal, e que ora compõem o presente voto. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 113DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10120.005143/2005-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
ITR - ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - AVERBAÇÃO EFETIVADA ANTES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR - ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL NÃO APRESENTADO.
A norma expressa no artigo 17-O da Lei n° 6.938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei 10.165/2000, não é taxativa quanto à exigência de apresentação tempestiva do ADA para fins de exclusão da base de cálculo do ITR da área de utilização limitada. O ADA restringe-se a informações prestadas pelo contribuinte ao órgão ambiental acerca da existência de áreas de interesse ecológico.
Extrai-se do Manual de Perguntas e Respostas editado pelo IBAMA, no item n° 40, que a própria Administração Pública entende que o ADA tem efeito meramente declaratório, não sendo o único documento comprobatório da área de utilização limitada, podendo ser levado em conta para tal finalidade, dentre outros, a sua averbação ou termo de responsabilidade de averbação, tal qual ocorre neste feito.
No caso, há Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta firmado entre o interessado e o IBAMA em 07/08/1990, além da averbação feita em 16/11/1990, sendo que o fato gerador do ITR ocorreu em 01/01/2002.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.934
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Gonçalo Bonet Allage Relator
EDITADO EM: 13/11/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2195; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 183 1 182 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10120.005143/200518 Recurso nº 338.380 Especial do Procurador Acórdão nº 9202002.934 – 2ª Turma Sessão de 05 de novembro de 2013 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado WALDO PALMERSTON XAVIER ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ITR ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA AVERBAÇÃO EFETIVADA ANTES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL NÃO APRESENTADO. A norma expressa no artigo 17O da Lei n° 6.938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei 10.165/2000, não é taxativa quanto à exigência de apresentação tempestiva do ADA para fins de exclusão da base de cálculo do ITR da área de utilização limitada. O ADA restringese a informações prestadas pelo contribuinte ao órgão ambiental acerca da existência de áreas de interesse ecológico. Extraise do Manual de Perguntas e Respostas editado pelo IBAMA, no item n° 40, que a própria Administração Pública entende que o ADA tem efeito meramente declaratório, não sendo o único documento comprobatório da área de utilização limitada, podendo ser levado em conta para tal finalidade, dentre outros, a sua averbação ou termo de responsabilidade de averbação, tal qual ocorre neste feito. No caso, há Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta firmado entre o interessado e o IBAMA em 07/08/1990, além da averbação feita em 16/11/1990, sendo que o fato gerador do ITR ocorreu em 01/01/2002. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 51 43 /2 00 5- 18 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10120.005143/200518 Acórdão n.º 9202002.934 CSRFT2 Fl. 184 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 13/11/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Waldo Palmerston Xavier foi lavrado o auto de infração de fls. 4853, para a exigência de imposto sobre a propriedade territorial rural, exercício 2002, em razão da glosa de área de utilização limitada, relativamente ao imóvel denominado Fazenda Pontal, situado no município de Santa Fé de Goiás (GO). A autoridade lançadora justificou a constituição do crédito tributário da seguinte forma (fls. 49): Da análise dos documentos apresentados, pudemos extrair, para efeito fiscal do fato gerador do ITR/2002, referente ao imóvel supraqualificado, que a área de 334,60ha, informada pelo contribuinte na respectiva Ditr/2002, como área de utilização limitada, do tipo reserva legal, tem sua averbação procedida pelo CRI da Comarca de Jussara/GO, de acordo com o termo de responsabilidade de preservação de floresta, firmado pelo interessado e o IBAMA, em 7 de agosto de 1990, estando gravada à margem das matrículas de números 71 a 77, conforme Av.1, Mat. 71, realizada naquele cartório de imóveis, em 16.11.1990. Contudo, o contribuinte não fez instruir a sua carta resposta aquele termo fiscal com o Ato Declaratório Ambiental ADA, do órgão competente, para satisfazer à condição de uso da prerrogativa de exclusão daquela área de reserva legal como de natureza não tributável. Portanto, ao se subsumir esses fatos, sobretudo, ao disposto no §7°, art. 3° , da MP 216667, de 24 de agosto de 2001, c/c os §§ 3°e 4°, do art. 10, do Decreto n° 4.382, de 19 de setembro de 2002, que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do ITR, atrelados a outros institutos da espécie listados no enquadramento legal, a seguir, resta configurada a infração fiscal ora consignada. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10120.005143/200518 Acórdão n.º 9202002.934 CSRFT2 Fl. 185 3 Acrescentese que a leitura, feita pelo sistema da SRF no banco de dados do Ibama sobre os Atos Declaratórios Ambientais (ADA's), objeto de comunicação daquele Instituto à Coordenação de Fiscalização desta Secretaria, em 18.9.2003, por intermédio do ofício n° 109/2003CCGREF, não registrou a certificação do ato ambiental da área de 334,60ha, registrada pelo contribuinte na sua Ditr/2002. No caso, a ação fiscal teve início em 29/04/2005 (fls. 07), o contribuinte não apresentou o ADA, mas efetivou averbação da área de reserva legal de 330,73 ha em 16/11/1990 (fls. 1028), em razão de Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta firmado em 07/08/1990 junto ao IBAMA. A área de utilização limitada foi reduzida de 334,6 ha para 0,0 ha (fls. 51). A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) considerou o lançamento procedente (fls. 7380). Em segunda instância, a Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF proferiu o acórdão n° 220100.674, que se encontra às fls. 140143, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2° e 16 da Lei n° 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel. Recurso provido. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso. Intimada do acórdão em 19/12/2010 (fls. 144), a Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 147155, acompanhado do documento de fls. 156, cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) O v. acórdão ora recorrido, por unanimidade de votos proveu o recurso voluntário do contribuinte para excluir do cálculo do ITR lançado os valores correspondentes à área de reserva legal; b) Divergindo deste entendimento, o acórdão paradigma n° 30239244 exige a apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental — ADA ou mesmo de requerimento do contribuinte para a emissão deste, junto ao Fl. 3DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10120.005143/200518 Acórdão n.º 9202002.934 CSRFT2 Fl. 186 4 órgão ambiental competente, tudo com vistas ao reconhecimento da isenção do ITR — exercício 2002 sobre as áreas de utilização limitada; c) Os acórdãos recorrido e paradigma partem de premissas fáticas idênticas, tendo em vista que todos discutem lançamentos relativos ao ITR, para chegar a conclusões distintas. Enquanto o acórdão impugnado dispensa a comprovação por meio de ADA, o acórdão paradigma não dispensa a referida exigência; d) Da análise das alegações e da documentação apresentadas pelo contribuinte, com a finalidade de justificar a área de reserva legal, confirmase o não cumprimento da exigência da apresentação de ADA perante o IBAMA ou órgão conveniado, relativamente ao ITR do exercício de 2002; e) A Lei n° 9.393/96 prevê a exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal da incidência do ITR no art. 10, inciso II; f) O primeiro ponto que se deve destacar, no tocante às áreas de preservação permanente e reserva legal, é que o citado dispositivo legal trata de concessão de benefício fiscal, razão pela qual deve ser interpretado literalmente, de acordo com o art. 111 da Lei n° 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN); g) Assim, para efeito da exclusão da área de reserva legal da incidência do ITR, é necessário que o contribuinte comprove o reconhecimento formal específica e individualmente da área como tal, apresentando o ADA respectivo ou protocolizando requerimento de ADA perante o IBAMA ou em órgãos ambientais delegados por meio de convênio, no prazo de seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da declaração; h) A exigência do ADA encontrase consagrada na Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 170, § 1°, com a redação dada pelo art. 1° da Lei n° 10.165, de 27/12/2000, já em vigor para o ITR do exercício de 2002. De fato, esse diploma reiterou os termos da Instrução Normativa n° 43/97 e atos posteriores, no que concerne ao meio de prova disponibilizado aos contribuintes para o reconhecimento das áreas de utilização limitada, com vista à redução da incidência do ITR; i) A obrigatoriedade de apresentação do ADA ou do protocolo de requerimento para sua emissão é exigência que sempre decorreu da legislação tributária e, atualmente, encontra previsão expressa no art. 17 0, § 1°, da Lei n° 6.938/81, já em vigor para o ITR/2002, tal como é o caso dos autos; j) Da mesma forma, a Instrução Normativa SRF n° 60, de 06/06/2001, que revogou a Instrução Normativa SRF n° 73/2000, consolidou, em seu art. 17, caput e incisos, a exigência de lei; Fl. 4DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10120.005143/200518 Acórdão n.º 9202002.934 CSRFT2 Fl. 187 5 k) O Decreto n° 4.382, de 19/09/2002, por sua vez, que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do ITR (Regulamento do ITR), e que consolidou toda base legal deste tributo que se encontrava em vigência à data de sua edição em um único instrumento inclusive a Medida Provisória n° 2.16667/2001, tratou da matéria em seu art. 10; l) Nos termos da legislação, o contribuinte teria o prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA; m) Logo, ao estabelecer a necessidade de reconhecimento pelo Poder Público, a Administração Tributária, por meio de ato normativo, fixou condição para a nãoincidência tributária sobre as áreas de preservação permanente e de utilização limitada, elencadas e definidas no Código Florestal e na legislação do ITR; n) A exigência do ADA não caracteriza obrigação acessória, visto que a sua exigência não está vinculada ao interesse da arrecadação ou da fiscalização de tributos, nem se converte, caso não apresentado ou não requerido a tempo, em penalidade pecuniária, definida no art. 113, §§ 2° e 3°, da Lei n° 5.172/1966 (Código Tributário Nacional — CTN). Ou seja: a ausência do ADA não enseja multa regulamentar o que ocorreria caso se tratasse de obrigação acessória , mas sim incidência do imposto; o) Por outro lado, é inteiramente equivocado o entendimento, no sentido de que não existe mais a exigência de prazo para apresentação de ADA, em virtude do disposto no § 7° do art. 10 da Lei n° 9.393/1996, incluído pelo art. 3° da Medida Provisória n° 2.16667, de 24/08/2001; p) A literalidade do texto dispensa maiores comentários. O que não é exigido do declarante é a prévia comprovação das informações prestadas. Assim, o contribuinte preenche os dados relativos às áreas de preservação permanente e de utilização limitada, apura e recolhe o imposto devido, e apresenta a sua DITR, sem que lhe seja exigida qualquer comprovação naquele momento. No entanto, caso solicitado pela Secretaria da Receita Federal, o contribuinte deverá apresentar as provas das situações utilizadas para dispensar o pagamento do tributo; q) Registrese que, no presente processo, não se discute a materialidade, ou seja, a existência efetiva das áreas de preservação permanente e reserva legal. O que se busca é a comprovação do cumprimento, tempestivo, de uma obrigação prevista na legislação, referente à área de que se trata, para fins de exclusão da tributação; r) A condição supra referida está vinculada ao aspecto temporal, não sendo coerente nem prudente que a regularização junto ao IBAMA das áreas excluídas da tributação do ITR pudesse ser feita a qualquer tempo, de acordo com a conveniência do contribuinte; Fl. 5DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10120.005143/200518 Acórdão n.º 9202002.934 CSRFT2 Fl. 188 6 s) No caso concreto, o contribuinte não apresentou o ADA tempestivamente, não atendendo, portanto, às exigências da legislação do ITR, razão pela qual deve ser mantida a glosa efetivada pela fiscalização das áreas de reserva legal; t) Requer seja conhecido e provido o recurso para que seja reformada, nesse ponto, a decisão recorrida. Admitido o recurso através do despacho n° 220000.244 (fls. 157161), o contribuinte foi intimado e, devidamente representado, apresentou contrarrazões às fls. 167 181, defendendo, fundamentalmente, a necessidade de manutenção da decisão recorrida. É o Relatório. Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário. A recorrente insurgiuse contra a exclusão da base de cálculo do ITR da área de reserva legal, suscitando que só faz jus a este benefício o contribuinte que tiver apresentado tempestivamente o ADA, o que não ocorre no caso em tela, invocando como paradigma o acórdão n° 30239.244. Eis a matéria em litígio. Pois bem, o artigo 10, § 1°, inciso II, alínea “a”, da Lei n° 9.393/96 tem a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1°. Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; Fl. 6DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10120.005143/200518 Acórdão n.º 9202002.934 CSRFT2 Fl. 189 7 II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Portanto, de acordo com tal regra, as áreas de preservação permanente e de reserva legal, previstas no Código Florestal vigente ao tempo dos fatos em apreço (Lei n° 4.771/65), estão excluídas da base de cálculo do ITR. A chamada área de reserva legal ou de utilização limitada tinha contornos estabelecidos pelo artigo 16 do Código Florestal anterior, com a redação que lhe foi dada pela Medida Provisória n° 2.16667/2001, da seguinte forma: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1°. O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2°. A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3°. Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10120.005143/200518 Acórdão n.º 9202002.934 CSRFT2 Fl. 190 8 § 4°. A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5°. O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. § 6°. Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. § 7°. O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. § 8°. A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis Fl. 8DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10120.005143/200518 Acórdão n.º 9202002.934 CSRFT2 Fl. 191 9 competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. § 9°. A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. Ressalto, novamente, que a glosa da área de reserva legal informada na DITR/2002 foi promovida pela ausência de apresentação tempestiva do ADA. Com relação à matéria, devo destacar que em momento anterior à alteração promovida no artigo 17O da Lei n° 6.938/81 pela Lei n° 10.165, de 27/12/2000, apenas Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal veiculavam tal obrigação. A ausência de amparo legal para a exigência do ADA, quanto a fatos ocorridos até o exercício 2000, deu origem ao Enunciado CARF n° 41, que tem o seguinte conteúdo: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000”. No entanto, o caso em apreço está relacionado ao exercício 2002. A Súmula, então, é inaplicável à espécie. Para fatos ocorridos a partir do exercício 2001, inclusive, o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei 10.165/2000, passou a prever que: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei n° 10.165. de 2000) § 1ºA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA (incluído nela Lei n° 10.165. de 2000) Fl. 9DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10120.005143/200518 Acórdão n.º 9202002.934 CSRFT2 Fl. 192 10 § 1º. A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei n°10.165, de 2000) Embora este texto pareça demonstrar que a legislação é taxativa ao exigir a protocolização tempestiva do ADA para fins de exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de preservação permanente e de utilização limitada, sob minha ótica, não se pode olvidar que a apresentação do ADA pelo contribuinte ao IBAMA ou órgão conveniado – até que haja uma vistoria pelo órgão competente e a ratificação ou retificação das declarações ali contidas – restringese a informações prestadas pelo contribuinte ao órgão ambiental acerca da existência de áreas que têm algum interesse ecológico. Segundo penso, com o advento de tal regra, o ADA apresentado tempestivamente tem a função de inverter o ônus da prova, passando este a ser do Fisco a partir da sua entrega. Caso não ocorra o protocolo tempestivo do ADA, pode o contribuinte se valer de outros meios de prova visando à fruição da redução da base de cálculo do ITR. Nesse sentido, no que toca à demonstração da existência efetiva das áreas em referência, na página do IBAMA na internet (www.ibama.gov.br), nos “Serviços Online”, na parte relativa ao “Ato Declaratório Ambiental – ADA”, no link “Respostas às Perguntas mais Freqüentes sobre o ADA”, em resposta à pergunta n° 40 (“Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das áreas de interesse ambiental?”), consta a possibilidade de apresentação dos seguintes documentos para tal finalidade: ● Ato Declaratório Ambiental – ADA e o comprovante da entrega do mesmo; ● Ato do Poder Público declarando as florestas e demais formas de vegetação natural como Área de Preservação Permanente, conforme dispõe o Código Florestal em seu artigo 3.; ● Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e discrimine as Áreas de Interesse Ambiental (Área de Preservação Permanente; Área de Reserva Legal; Reserva Particular do Patrimônio Natural; Área de Declarado Interesse Ecológico; Área de Servidão Florestal ou Ambiental; Áreas Cobertas por Floresta Nativa; Áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas); ● Laudo de vistoria técnica do Ibama relativo à área de interesse ambiental; ● Certidão do Ibama ou de outro órgão de preservação ambiental (órgão ambiental estadual) referente às Áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada; ● Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Reserva Legal; ● Termo de Responsabilidade de Averbação da Área de Reserva Legal (TRARL) ou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC); ● Declaração de interesse ecológico de área imprestável, bem como, de áreas de proteção dos ecossistemas (Ato do Órgão competente, federal ou estadual – Ato do Poder Público – para áreas de declarado interesse ecológico): Se houver uma área no imóvel rural que sirva para a proteção dos ecossistemas e que não seja útil para Fl. 10DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10120.005143/200518 Acórdão n.º 9202002.934 CSRFT2 Fl. 193 11 a agricultura ou pecuária, pode ser solicitada ao órgão ambiental federal ou estadual a vistoria e a declaração daquela como uma Área de Interesse Ecológico. ● Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Servidão Florestal; ● Portaria do Ibama de reconhecimento da Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). Portanto, a própria Administração Pública entende que o ADA tem efeito meramente declaratório, não sendo o único documento comprobatório da área de utilização limitada, podendo ser levado em conta para tal finalidade a sua averbação, eventual termo de responsabilidade de averbação ou termo de ajustamento de conduta. É exatamente o que ocorre no caso em apreço. Em razão de Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta firmado entre o interessado e o IBAMA em 07/08/1990, foi efetivada a averbação das respectivas áreas de reserva legal à margem da matrícula do imóvel em 16/11/1990 (fls. 1024). Portanto, a área de reserva legal encontrase comprovada e averbada desde antes da ocorrência do fato gerador, que se verificou em 01/01/2002, de modo que a decisão recorrida merece ser confirmada. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 11DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por GONCALO BONET ALLAGE
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