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Numero do processo: 13603.904316/2011-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
COMPENSAÇÃO - SALDO NEGATIVO DE IRPJ.
Não se admite a compensação de débito com crédito que se comprova inexistente. O contribuinte deve munir a contabilidade de documentos e elementos que comprovem a efetiva realização dos fatos nela registrados. No caso, o contribuinte não traz os documentos que a lei define como hábeis para provar as retenções que teria contabilizado, insistindo em aduzir que os possui e estão à disposição.
Numero da decisão: 1401-002.481
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia de Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 COMPENSAÇÃO - SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Não se admite a compensação de débito com crédito que se comprova inexistente. O contribuinte deve munir a contabilidade de documentos e elementos que comprovem a efetiva realização dos fatos nela registrados. No caso, o contribuinte não traz os documentos que a lei define como hábeis para provar as retenções que teria contabilizado, insistindo em aduzir que os possui e estão à disposição.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 COMPENSAÇÃO SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Não se admite a compensação de débito com crédito que se comprova inexistente. O contribuinte deve munir a contabilidade de documentos e elementos que comprovem a efetiva realização dos fatos nela registrados. No caso, o contribuinte não traz os documentos que a lei define como hábeis para provar as retenções que teria contabilizado, insistindo em aduzir que os possui e estão à disposição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia de Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 43 16 /2 01 1- 96 Fl. 514DF CARF MF Processo nº 13603.904316/201196 Acórdão n.º 1401002.481 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte (MG) que manteve o crédito tributário decorrente da não homologação de pedido de compensação apresentado pelo contribuinte. 2. Foi emitido despacho decisório, por meio do qual foi parcialmente homologada a compensação declarada no PER/DCOMP objeto do presente lançamento. 3. O crédito transmitido pela via da compensação foi reconhecido como insuficiente para compensar integralmente os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual se homologou o débito parcialmente. 4. O interessado apresentou MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, na qual alegou: · Que "houve um equívoco, por parte da RFB, na apuração dos valores relativos aos créditos compensados, já que foi considerado indevidamente como valor original utilizado na Declaração de Compensação"; · Diz que, “com as devidas correções, o valor do crédito utilizado na data da transmissão da Declaração de Compensação, ora parcialmente homologada, se faz perfeitamente justificável e suficiente, conforme atestam as tabelas anexas. As tabelas que seguem anexas trazem a discriminação de todas as notas fiscais e respectivas retenções efetuadas O total de retenções é superior aos valores compensados. O valor do crédito informado se fazia suficiente para compensação dos débitos relacionados na declaração parcialmente homologada”; · Requereu o acolhimento da presente Manifestação de Inconformidade para homologar a compensação declarada no PER/DCOMP, com o reconhecimento da extinção do crédito tributário objeto da compensação. Protestando, pela produção de todos os meios de prova em direito admitidos, destacando que não juntou cópia de cada nota fiscal em virtude do volume de documentos. 5. O Acórdão ora Recorrido recebeu a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Não se admite a compensação de débito com crédito que se comprova inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Fl. 515DF CARF MF Processo nº 13603.904316/201196 Acórdão n.º 1401002.481 S1C4T1 Fl. 4 3 5. Isto porque, segundo entendimento da Turma, no Despacho Decisório considerouse confirmado o IRRF em valor inferior ao declarado, não tendo sido considerada a totalidade das retenções informadas no PER/DCOMP em virtude da não confirmação em DIRF. 6. Por isso, “na falta da confirmação por DIRF, o documento hábil para comprovar a retenção, a ser apresentado pelo beneficiário dos pagamentos é o previsto no art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, disciplinado pela Instrução Normativa SRF nº 119, de 28 de dezembro de 2000, e alterações posteriores. É requisito para dedução do imposto retido a sua comprovação mediante comprovante de rendimento regularmente emitido pela fonte pagadora, consoante expressa disposição legal contida nos seguintes dispositivos: art. 55 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985; art. 815 do RIR de 1999; art. 4º da Instrução Normativa SRF nº. 119, de 2000”. 7. Considerou, que “não há crédito de saldo negativo de IRPJ do trimestre objeto de compensação, além do já reconhecido no despacho decisório”. 8. Ciente da decisão do Acórdão que julgou improcedente a manifestação apresentada, o contribuinte interpõe Recurso Voluntário, alegando as seguintes razões: · DO INDEFERIMENTO DE PROVAS: alega que “destacou em sua Manifestação de Inconformidade que não juntou cópia de cada nota fiscal objeto do pedido de compensação, pois o volume de documentos inviabilizaria o manuseio da mesma”. Mas, os livros de Notas Fiscais estariam à disposição; · NO MÉRITO, destaca que houve equívoco por parte da RFB na apuração dos valores relativos aos créditos compensados; · Argumenta que “o valor do crédito utilizado na data da transmissão da Declaração de Compensação se faz perfeitamente justificável e suficiente, conforme as tabelas anexadas”, destacando, que o total de retenções é superior aos valores compensados pela Recorrente. · Afirma que conforme os documentos e tabelas anexas ao presente recurso voluntário, demonstra a insubsistência e improcedência da homologação parcial da compensação declarada, com isso, requereu a extinção do crédito tributário com a consequente homologação da compensação declarada no PER/DCOMP em sua integralidade. 9. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº Fl. 516DF CARF MF Processo nº 13603.904316/201196 Acórdão n.º 1401002.481 S1C4T1 Fl. 5 4 1401002.331, de 16.03.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13603.904309/201194, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Nos presentes autos o contribuinte solicita a compensação de débito com crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ apurado no período de 01/04/2007 a 30/06/2007, concorrendo para a formação do saldo negativo parcela referente à dedução de imposto de renda retido na fonte. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.331): "Sendo tempestivo, passo a analisar o Recurso Voluntário. No que se refere à preliminar de nulidade em razão do indeferimento da produção de provas entendo que a mesma não merece ser acolhida. Em regra geral, o momento oportuno para a juntada de provas em que se fundamentam as alegações é quando da apresentação da impugnação (art. 15 do Dec. n.º 70.235, de 1972). A impugnação, deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, constituindose ônus do contribuinte apresentar as provas de suas alegações. No caso concreto, até o presente momento, o contribuinte não traz aos autos, nem exemplificativamente ou por amostragem, parte das provas que amparam seu direito, simplesmente aduz que em razão do grande volume as mesmas encontramse à disposição. Tratamse de documentos que deveriam estar em posse do contribuinte e, mesmo tendo a sua manifestação de inconformidade indeferida, permanece sem fazer prova do que alega. Daí que não se admite que o pedido de realização de diligência seja usado como instrumento de coleta de provas que cabiam à parte interessada produzir, e muito menos transferir esse ônus à autoridade administrativa. Outrossim, o deferimento de diligência cabe à análise do julgador, de acordo com as razões e fundamentos apresentados nos autos. No caso concreto, diante da inexistência de contexto probatório hábil a dar suporte às razões do contribuinte, o julgador optou por indeferir a diligência, decisão com a qual me coaduno. Assim, não há o que se falar em desrespeito ao princípio da verdade material quando a parte interessada não demonstra, nem de forma exemplificativa, que há alguma verdade, diferente da dos autos, que deva ser alcançada. Face o exposto, deixo de acolher a preliminar de nulidade. Como visto, o crédito utilizado na compensação é de saldo negativo de IRPJ, concorrendo para a formação do saldo Fl. 517DF CARF MF Processo nº 13603.904316/201196 Acórdão n.º 1401002.481 S1C4T1 Fl. 6 5 negativo parcela referente à dedução de imposto de renda retido na fonte. Portanto, o crédito utilizado nas compensações analisadas tem origem na dedução efetuada, de cuja confirmação depende a homologação pretendida. Na falta da confirmação por DIRF, o documento hábil para comprovar a retenção, a ser apresentado pelo beneficiário dos pagamentos é o previsto no art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, disciplinado pela Instrução Normativa SRF nº 119, de 28 de dezembro de 2000, e alterações posteriores. É requisito para dedução do imposto retido a sua comprovação mediante comprovante de rendimento regularmente emitido pela fonte pagadora, consoante expressa disposição legal contida nos seguintes dispositivos: art. 55 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985; art. 815 do RIR de 1999; art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 119, de 2000. O contribuinte deve munir a contabilidade de documentos e elementos que comprovem a efetiva realização dos fatos nela registrados. No caso, o contribuinte não traz os documentos que a lei define como hábeis para provar as retenções que teria contabilizado, insistindo em aduzir que os possui e estão à disposição. Assim, diante da inexistência de comprovação do saldo negativo, não dou provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 518DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.906944/2011-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES.
Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DE PRELIMINAR EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
No julgamento de recurso voluntário em que se supera preliminar que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES. Constatado a existência do crédito tributário, por meio das DCTFs e DIPJs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório tributário, este deve ser analisado pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Numero da decisão: 1301-003.092
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: Relator
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DE PRELIMINAR EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera preliminar que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES. Constatado a existência do crédito tributário, por meio das DCTFs e DIPJs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório tributário, este deve ser analisado pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2022; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.906944/201180 Recurso nº 1 Embargos Acórdão nº 1301003.092 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de maio de 2018 Matéria Embargos de Declaração Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado IMAGEMAMA DIAGNÓSTICO POR IMAGEM LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolatase nova decisão para suprila, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, concluise pela alteração no resultado do julgado. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DE PRELIMINAR EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera preliminar que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES. Constatado a existência do crédito tributário, por meio das DCTFs e DIPJs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório tributário, este deve ser analisado pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 69 44 /2 01 1- 80 Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10380.906944/201180 Acórdão n.º 1301003.092 S1C3T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10380.906944/201180 Acórdão n.º 1301003.092 S1C3T1 Fl. 4 3 Relatório Transcrevo os trechos de interesse do despacho quando da admissão dos embargos: No julgamento do recurso do processo em epígrafe, entendeu o colegiado em superar os óbices de direito, elencados preliminarmente, pela unidade de origem para não reconhecer o direito creditório pleiteado. Ato contínuo, entendeuse por bem converter julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem, superadas as questões de direito, procedesse às análises de fato a fim de verificar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado. Ao final, deveria elaborar relatório circunstanciado, abrindose vista ao contribuinte para que esse, querendo, se manifestasse a respeito das conclusões da autoridade fiscal, e a seguir encaminhasse os autos novamente ao CARF para que pudesse, enfim, decidir sobre o mérito da exigência. Pois bem, assim deliberando, o colegiado deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo do contribuinte, em tese, ao direito de recurso em caso de não reconhecimento integral do crédito pleiteado, uma vez que o mérito da exigência poderia não vir a ser examinado não examinado pela DRJ, acarretando, repitase, em tese, supressão de instância. Por essas razões, nos termos do inciso I, do art. 65, do Anexo II do RICARF, oponho os presentes embargos de declaração em razão de omissão, no acórdão embargado, de ponto sobre qual deveria pronunciarse a turma. E, a fim de se evitar burocracia absolutamente desnecessária, tendo em vista que compete ao Presidente do colegiado analisar a admissibilidade dos embargos, já o admito de plano, determinandose o encaminhamento dos autos ao relator do acórdão embargado para relato e inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10380.906944/201180 Acórdão n.º 1301003.092 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.088, de 17.05.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10380.904202/201110, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.088): "Conforme já relatado, no acórdão embargado o colegiado deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo do contribuinte, em tese, ao direito de recurso em caso de não reconhecimento integral do crédito pleiteado, uma vez que o mérito da exigência poderia não vir a ser examinado não examinado pela DRJ, acarretando, repitase, em tese, supressão de instância. De fato, no acórdão embargado, o colegiado entendeu por bem superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância. Contudo, ao se determinar, superada a citada preliminar, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. Por essas razões, entendo que o resultado mais adequado para o julgado seria dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para analise o mérito do pedido. Caberá à DRF de origem analisar o mérito do crédito pleiteado nas compensações, levando em consideração os débitos de IRPJ e CSLL constantes das DIPJs e DCTFs retificadoras apresentadas. Saliento que a autoridade fiscal deverá considerar que o IRPJ e a CSLL devem ser apurados mediante aplicação dos coeficientes, respectivamente, de 8% e de 12%, nos termos do acórdão no REsp 1.116.399/BA, decidido sob a sistemática de Recurso Repetitivo do Superior Tribunal de Justiça. Nessa hipótese, eventual indeferimento do pleito do contribuinte, ainda que parcial, poderá ensejar nova apresentação de manifestação de inconformidade, e, se, for o caso, interposição Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10380.906944/201180 Acórdão n.º 1301003.092 S1C3T1 Fl. 6 5 de novo recurso voluntário, garantindo ao contribuinte o pleno exercício de sua defesa. CONCLUSÃO Isso posto, voto por acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 116DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.001782/2006-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/04/2003
Ementa:
EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MATERIAL. EQUÍVOCO RECONHECIDO.
Identificado o erro material tal equívoco deve ser sanado, sem que isso implique em efeitos infringentes.
Embargos acolhidos apenas para fins de retificação de erro material.
Numero da decisão: 3402-005.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos Inominados para retificar o erro material no acórdão embargado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/04/2003 Ementa: EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MATERIAL. EQUÍVOCO RECONHECIDO. Identificado o erro material tal equívoco deve ser sanado, sem que isso implique em efeitos infringentes. Embargos acolhidos apenas para fins de retificação de erro material.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos Inominados para retificar o erro material no acórdão embargado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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HOLDING S/A ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2003 Ementa: EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MATERIAL. EQUÍVOCO RECONHECIDO. Identificado o erro material tal equívoco deve ser sanado, sem que isso implique em efeitos infringentes. Embargos acolhidos apenas para fins de retificação de erro material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos Inominados para retificar o erro material no acórdão embargado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 00 17 82 /2 00 6- 41 Fl. 297DF CARF MF 2 Relatório 1. Tratase de processo administrativo decorrente da apresentação de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indeferiu pedido de restituição do contribuinte, manifestação essa julgada improcedente pela DRJ de Ribeirão Preto. 2. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs recurso voluntário alegando a legitimidade do seu crédito, bem como a submissão do Poder Executivo ao precedente vinculante do STF veiculado no âmbito do julgamento do RE n. 390.840/MG. Tal recurso foi provido por esta Turma julgadora, conforme retratado no acórdão n. 3402004.93 (fls. 284/287). 3. Ocorre que, em sede de cumprimento da decisão alhures mencionada, o titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão, interpôs os embargos de declaração de fls. 292/293, tendo por escopo suprir erro material. 4. Tal recurso foi admitido pelo r. despacho de fls. 295/296. 5. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Diniz Ribeiro 6. O recurso interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. 7. No mérito tal recurso merece ser provido, já que de fato possui notório erro material. Isso porque, ao se analisar o teor do relatório do voto embargado, bem como sua parte dispositiva, este Relator, por um lapso, afirmou que o presente caso tratarseia de compensação declarada pelo contribuinte e não homologada pelo fisco, enquanto que, em verdade, o que se tem aqui é pedido de restituição indeferido pela fiscalização. 8. Tal lapso está presente tanto no relatório do voto, quando na sua parte dispositiva, motivo pelo qual os embargos inominados interpostos devem ser conhecidos e provido para a retificação do acórdão embargado. Dispositivo 9. Ante o exposto, voto por conhecer e dar provimento aos embargos inominados interpostos, sem efeitos infringentes, devendo o acórdão embargado ser retificado para que, onde se lê 1. Tratase de processo administrativo decorrente da apresentação de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que não homologou compensação declarada pelo contribuinte... seja lido 1. Tratase de processo administrativo decorrente da apresentação de manifestação de inconformidade contra Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10850.001782/200641 Acórdão n.º 3402005.258 S3C4T2 Fl. 298 3 despacho decisório que indeferiu pedido de restituição apresentado pelo contribuinte... bem como para que, onde se lê 10. Diante do exposto voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, reconhecendo a juridicidade do crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado. seja lido 10. Diante do exposto voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, reconhecendo a juridicidade do crédito por ele vindicado, de modo que o pedido de restituição apresentado pelo contribuinte seja analisado pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado. 10. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Fl. 299DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.908204/2009-74
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 13/08/2004
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprová-lo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 13/08/2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprová-lo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR PIS Recorrente CLINICA PRÓVIDA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 13/08/2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comproválo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 82 04 /2 00 9- 74 Fl. 36DF CARF MF Processo nº 10983.908204/200974 Acórdão n.º 3002000.131 S3C0T2 Fl. 37 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves Relatório O processo administrativo ora em análise trata de PER/DCOMP 30024.04806.200606.l.3.04~8586, transmitido em 20/06/2006, cujo crédito teria origem em recolhimento do PIS efetuado a maior. A compensação declarada não foi homologada, conforme Despacho Decisório (fl. 04), pelos seguintes motivos: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." Após ser intimada da decisão em 29/06/2009, a ora recorrente apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade em 13/07/2009 (fl. 02/03), na qual informou que foi retificada a DCTF, referente 3° Trimestre/2004, e entregue em 30/06/2009, com as devidas correções dos débitos do PIS, objetivando comprovar o seu direito creditório. Para comprovar o seu suposto crédito, a recorrente juntou apenas cópia da DCTF retificadora à sua Manifestação de inconformidade. Em seqüência, analisando as argumentações da contribuinte e os documentos juntados, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis DRJ/FNS julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 . COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 32/34), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando fatos e argumentos já apresentados e acrescentando que, de acordo com o art. 170 do Código Tributário Nacional c/c Fl. 37DF CARF MF Processo nº 10983.908204/200974 Acórdão n.º 3002000.131 S3C0T2 Fl. 38 3 o art. 34 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, não haveria vedação legal ao procedimento realizado pela ora recorrente e, assim, devendo ser pressuposta sua validade. Ademais, a recorrente assevera que as leis tributárias somente têm o condão de determinar a forma de sua tributação, porém, sem jamais interferir em sua própria natureza jurídica, a ponto de restringir ou atingir o patrimônio do contribuinte para pagamento de débitos, que não são por ele devido. A recorrente não apresenta mais nenhum documento. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Entendo que a questão fundamental a ser decidida no presente julgamento se refere ao direito probatório em processos administrativos fiscais. Assim, desde logo, refuto os argumentos jurídicos apresentados pela recorrente. O art. 173 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao autor, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, em regra, incumbe à parte fornecer os elementos de prova das alegações que fizer, visando prover o julgador com os meios necessários para o seu convencimento, quanto à veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão. Seguindo essa mesma linha, o art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, que regula os processos administrativos federais, dispõe que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Quanto ao processo administrativo fiscal, o art. 16 do Decreto 70.235/72 assim estabelece: Art. 16. A impugnação mencionará: I omissis ......................................................................................................... Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10983.908204/200974 Acórdão n.º 3002000.131 S3C0T2 Fl. 39 4 III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Inciso com redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/1993) ......................................................................................................... § 1° omissis ......................................................................................................... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluíndo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira se a fato ou a direito superveniente; c) destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 9.532, de 10/12/1997) ......................................................................................................... Como se percebe dos dispositivos transcritos, o dever de provar incumbe a quem alega. Assim, creio que o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário e processos decorrentes de pedido de restituição, ressarcimento e compensação. Nestes, cabe ao contribuinte provar a liquidez e a certeza do seu crédito, naqueles, cabe ao fisco provar a ocorrência do fato gerador. Ainda sobre o mesmo tema, devese tecer alguns comentários sobre o valor probatório do material eventualmente apresentado. Não basta a juntada de documentos, estes devem possuir valor probatório, mínimo que seja, considerandose as vicissitude do caso concreto posto em análise. Assim, determinado documento pode guardar conteúdo probatório das alegações em um processo e, em outro, não se configurar prova. Por certo, em regra, as declarações fiscais transmitidas pelo contribuinte, assim como, seus registros contábeis, fazem prova em seu favor. Contudo, esses elementos, para possuírem algum valor probatório, devem ter sido elaborados segundo os ditames legais e em época apropriada. Vejamos, por exemplo, a DCTF retificadora. Como vem se manifestando, reiteradamente, este Conselho, a apresentação da DCTF retificadora antes da transmissão do pedido de compensação, em casos de pagamento indevido ou a maior, ou mesmo antes da ciência do Despacho Decisório, não é condição para a homologação da compensação pleiteada, pois o direito creditório não surge com a declaração, mas com o efetivo pagamento indevido ou a maior. Entretanto, a mera apresentação da DCTF retificadora não tem o condão de, por si só, comproválo. Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10983.908204/200974 Acórdão n.º 3002000.131 S3C0T2 Fl. 40 5 No presente caso em análise, a ora recorrente restringiuse apenas a fazer alegações sobre seu suposto crédito e, para comproválo, limitouse a juntar cópia da DCTF retificadora, transmitida após a ciência do Despacho Decisório. Dessa forma, forçoso é admitir que a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o seu suposto direito creditório, seja por seus erros anteriores ao Despacho Decisório, seja pela ausência da apresentação de provas robustas da sua liquidez e certeza, tanto na instância a quo, como nesta Corte. Por isso, entendo que a decisão atacada foi correta. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário e não reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 40DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000735/2010-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ERRO MATERIAL. CONSTATAÇÃO. RECEPCIONADOS EMBARGOS INOMINADOS. ARTIGO 66 RICARF. CORREÇÃO.
Nos termos do artigo 66 do Regimento Interno do CARF, restando comprovada a existência de erro material no Acórdão guerreado, cabem embargos inominados para sanear o lapso manifesto quanto ao número da Turma, Câmara e Seção, bem como quanto ao número do Acórdão.
Numero da decisão: 2401-005.378
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, para corrigir o erro material apontado referente ao número do acórdão, turma, câmara e seção.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ERRO MATERIAL. CONSTATAÇÃO. RECEPCIONADOS EMBARGOS INOMINADOS. ARTIGO 66 RICARF. CORREÇÃO. Nos termos do artigo 66 do Regimento Interno do CARF, restando comprovada a existência de erro material no Acórdão guerreado, cabem embargos inominados para sanear o lapso manifesto quanto ao número da Turma, Câmara e Seção, bem como quanto ao número do Acórdão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 07 35 /2 01 0- 57 Fl. 265DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, para corrigir o erro material apontado referente ao número do acórdão, turma, câmara e seção. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira. Fl. 266DF CARF MF Processo nº 15586.000735/201057 Acórdão n.º 2401005.378 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório CENTRO EDUCACIONAL CASA DO ESTUDANTE LTDA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lançado Crédito Previdenciário correspondente à parte da empresa e ao pagamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, em relação ao período de 01/2006 a 12/2007. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à 2ª Seção de Julgamento do CARF, contra decisão de primeira instância, a egrégia 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, em 09 de setembro de 2014, achou por bem conhecer do Recurso da contribuinte e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, o fazendo sob a égide dos fundamentos consubstanciados no Acórdão, com sua ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO.DIÁRIAS. AJUDA DE CUSTO. Denominadas como diárias e ajuda de custo, as verbas pagas de forma habitual, sempre aos mesmos empregados, sem que se tenha havido comprovação mediante relatórios dos empregados com efetiva demonstração das despesas realizadas à luz dos respectivos recibos e notas fiscais, tais valores não se caracterizam indenização mas sim remuneração. LANÇAMENTO. FATO GERADOR.LEI DE REGÊNCIA. O artigo 144 do Código Tributário NacionalCTN aduz que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente. MULTA DE MORA As contribuições sociais, pagas com atraso, ficam sujeitas à multa de mora prevista artigo 35 da Lei 8.212/91na forma da redação dada pela Lei n° 11.491, 2009. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais e das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, na forma da redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MULTA MAIS BENÉFICA. Fl. 267DF CARF MF 4 Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, cabe aplicar multa menos gravosa. Recurso Voluntário Provido em Parte. Interposto Recurso Especial pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em preliminar, a recorrente informa a existência de erro material no acórdão recorrido, uma vez que consta Turma, Câmara e Seção diversa da pertinente, além do número do acórdão também contes identificação errônea, a Nobre Conselheira Liege Lacroix Thomasi, deparouse com a existência dos erros mencionados, apreciando de ofício como embargo inominado, com fulcro no art. 66 do RICARF. Diante do exposto, proponho os presentes embargos, a fim de que o processo administrativo seja novamente pautado para saneamento do erro material apontado, conforme despacho, às efls 263/264, com o devido "de acordo" da Presidente da Câmara. É o relatório. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 15586.000735/201057 Acórdão n.º 2401005.378 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Com fulcro no art. 66 do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, adoto o despacho do Conselheiro como embargos inominados. Deixo de apreciar a questão da tempestividade, posto que, sendo adotado o despacho como embargos inominados, não há no RICARF prazo para sua interposição. Vejase o teor do artigo 66 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Como já devidamente lançado no Despacho que propôs o acolhimento dos presentes Embargos, a Conselheira Dra. Liege Lacroix Thomasi, com o "de acordo' da Dra. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, constatou que houve erro material, inclusive, já se manifestando quanto ao seu posicionamento. Nesse sentido, procedem os Embargos Inominados, impondo seja acolhida sua pretensão para que aludidos erros sejam devidamente saneados. Com efeito, por este acórdão devese prover a correção da inexatidão material devida a lapso manifesto de erro de escrita do número do Acórdão, bem como a Turma e Câmara julgadora para: "Acórdão n° 2403002.676 proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção", conforme consta da ATA DA REUNIÃO DE JULGAMENTO, questão objetiva sobre a qual não paira dúvida. Conforme verificamos na decisão efls. 267, onde se lê, no cabeçalho do acórdão: CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Acórdão nº 1101002.676 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Leiase: CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Acórdão nº 2403002676 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Fl. 269DF CARF MF 6 Por todo o exposto VOTO NO SENTIDO DE ACOLHER OS EMBARGOS INOMINADOS de acordo com o artigo 66 do RICARF, para corrigir o erro material constante do Acórdão n° 2403002.676 nos termos da fundamentação, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira. Fl. 270DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.730626/2013-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR EXONERADO INFERIOR AO LIMITE DE ALÇADA. MOMENTO DE AFERIÇÃO DO VALOR. DATA DE APRECIAÇÃO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
1. A Súmula CARF nº 103 preleciona que o limite de alçada deve ser aferido na data de apreciação do recurso em segunda instância.
2. Observa-se na planilha final constante da conclusão do acórdão de impugnação que os sujeitos passivos não foram exonerados do pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior ao limite de alçada, o que torna o recurso de ofício não passível de conhecimento.
NULIDADE DAS AUTUAÇÕES POR FALTA DE JUNTADA DE PROVAS. INCOMPETÊNCIA DO AGENTE FISCAL. UTILIZAÇÃO DE AFERIÇÃO INDIRETA. INEXISTÊNCIA.
1. A falta de juntada aos autos dos documentos comprobatórios pela fiscalização resultaria na falta de prova dos fatos alegados, e não na nulidade do lançamento.
2. Segundo o § 2º do art. 229 do Regulamento da Previdência Social, o auditor fiscal poderá desconsiderar o vínculo negocial e efetuar o enquadramento como segurado empregado, caso constate que o segurado contratado, sob qualquer denominação, preenche as condições referidas no inc. I do caput do art. 9º.
3. Entende-se, em primeiro lugar, que não se tratou propriamente de aferição indireta, vez que a fiscalização partiu de uma medida de grandeza diretamente mensurável a título de previdência, e não de um arbitramento da base de cálculo.
4. Em segundo lugar, ainda que tivesse havido aferição de tal natureza, ela não teria implicado a nulidade dos lançamentos, uma vez que ela tem sim base legal, mais precisamente o § 3º do art. 33 da Lei 8212/91, sendo facultado ao sujeito passivo e ao terceiro legalmente obrigado a possibilidade de avaliação contraditória, inclusive em sede de processo administrativo.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. INEXISTÊNCIA DE LANÇAMENTO EFETUADO COM BASE EM MERA PRESUNÇÃO. REALIDADE DOS FATOS. CONTRATAÇÃO DE EMPREGADOS ATRAVÉS DE PESSOAS JURÍDICAS. DESCONSIDERAÇÃO DOS VÍNCULOS NEGOCIAIS. POSSIBILIDADE.
1. Os lançamentos não foram realizados com base em meras presunções, mas sim com lastro no vasto acervo probatório produzido pela fiscalização, tais como exame das notas fiscais emitidas pelas empresas prestadoras de serviços; análise da contabilidade da primeira recorrente; levantamento da sua estrutura gerencial e operacional, bem como dos seus cargos de direção; avaliação dos endereços das empresas; aferição dos seus capitais sociais; dentre tantas outras provas e levantamentos efetuados em sede de fiscalização; mesmo diante da negativa da empresa autuada em fornecer, satisfatoriamente, os documentos solicitados antes da lavratura dos autos
2. As recorrentes não tiveram êxito em desconstituir o trabalho da fiscalização, uma vez que, como bem decidido pela DRJ, houve inequívoca demonstração de prestação de serviços em caráter não eventual, sob subordinação e mediante remuneração.
DEDUÇÃO DE VALORES RECOLHIDOS PELAS EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS.
1. Firmadas as premissas (i) de que os serviços não eram prestados pelas pessoas jurídicas, mas sim pelas físicas; (ii) e que a quase totalidade dos sócios dessas empresas contratadas prestavam serviços apenas à primeira recorrente; tem-se a conclusão de que os recolhimentos efetuados pelas prestadoras a título de quota patronal e de contribuição do segurado contribuinte individual são indevidas.
2. Isto é, se os valores pagos às pessoas jurídicas prestadoras de serviços eram, na verdade, remunerações pagas aos sócios pessoas físicas, isso equivale a reclassificar as remunerações das pessoas jurídicas para as pessoas físicas.
3. Desta forma, e para evitar o enriquecimento ilícito da União, que se baseia nas premissas retro mencionadas, entende-se que tais contribuições realmente devem ser deduzidas do lançamento, o que deverá ser aferido no momento da liquidação do presente julgado.
GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CARACTERIZAÇÃO. SOLIDARIEDADE. ART. 30, IX, DA LEI N. 8.212/91. ART. 124 DO CTN.
Caracterizado a formação de grupo econômico de fato, com provas substanciais nos autos do processo administrativo fiscal, decorre a solidariedade quanto à obrigação tributária de natureza previdenciária, forte no art. 30, IX, da Lei n. 8.212/91 c/c art. 124 do CTN.
Numero da decisão: 2402-006.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, conhecer do recurso voluntário e afastar as preliminares de nulidade do recurso voluntário e, no mérito, pelo voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário para deduzir do lançamento os recolhimentos efetuados pelas empresas prestadoras de serviços a título de quota patronal e de contribuição do segurado contribuinte individual caracterizados como segurados empregados. Vencidos João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior que proviam o recurso também para excluir do pólo passivo da relação tributária a empresa REFRAMAX LTDA. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luis Henrique Dias Lima.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Dias Lima - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR EXONERADO INFERIOR AO LIMITE DE ALÇADA. MOMENTO DE AFERIÇÃO DO VALOR. DATA DE APRECIAÇÃO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO. 1. A Súmula CARF nº 103 preleciona que o limite de alçada deve ser aferido na data de apreciação do recurso em segunda instância. 2. Observa-se na planilha final constante da conclusão do acórdão de impugnação que os sujeitos passivos não foram exonerados do pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior ao limite de alçada, o que torna o recurso de ofício não passível de conhecimento. NULIDADE DAS AUTUAÇÕES POR FALTA DE JUNTADA DE PROVAS. INCOMPETÊNCIA DO AGENTE FISCAL. UTILIZAÇÃO DE AFERIÇÃO INDIRETA. INEXISTÊNCIA. 1. A falta de juntada aos autos dos documentos comprobatórios pela fiscalização resultaria na falta de prova dos fatos alegados, e não na nulidade do lançamento. 2. Segundo o § 2º do art. 229 do Regulamento da Previdência Social, o auditor fiscal poderá desconsiderar o vínculo negocial e efetuar o enquadramento como segurado empregado, caso constate que o segurado contratado, sob qualquer denominação, preenche as condições referidas no inc. I do caput do art. 9º. 3. Entende-se, em primeiro lugar, que não se tratou propriamente de aferição indireta, vez que a fiscalização partiu de uma medida de grandeza diretamente mensurável a título de previdência, e não de um arbitramento da base de cálculo. 4. Em segundo lugar, ainda que tivesse havido aferição de tal natureza, ela não teria implicado a nulidade dos lançamentos, uma vez que ela tem sim base legal, mais precisamente o § 3º do art. 33 da Lei 8212/91, sendo facultado ao sujeito passivo e ao terceiro legalmente obrigado a possibilidade de avaliação contraditória, inclusive em sede de processo administrativo. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. INEXISTÊNCIA DE LANÇAMENTO EFETUADO COM BASE EM MERA PRESUNÇÃO. REALIDADE DOS FATOS. CONTRATAÇÃO DE EMPREGADOS ATRAVÉS DE PESSOAS JURÍDICAS. DESCONSIDERAÇÃO DOS VÍNCULOS NEGOCIAIS. POSSIBILIDADE. 1. Os lançamentos não foram realizados com base em meras presunções, mas sim com lastro no vasto acervo probatório produzido pela fiscalização, tais como exame das notas fiscais emitidas pelas empresas prestadoras de serviços; análise da contabilidade da primeira recorrente; levantamento da sua estrutura gerencial e operacional, bem como dos seus cargos de direção; avaliação dos endereços das empresas; aferição dos seus capitais sociais; dentre tantas outras provas e levantamentos efetuados em sede de fiscalização; mesmo diante da negativa da empresa autuada em fornecer, satisfatoriamente, os documentos solicitados antes da lavratura dos autos 2. As recorrentes não tiveram êxito em desconstituir o trabalho da fiscalização, uma vez que, como bem decidido pela DRJ, houve inequívoca demonstração de prestação de serviços em caráter não eventual, sob subordinação e mediante remuneração. DEDUÇÃO DE VALORES RECOLHIDOS PELAS EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS. 1. Firmadas as premissas (i) de que os serviços não eram prestados pelas pessoas jurídicas, mas sim pelas físicas; (ii) e que a quase totalidade dos sócios dessas empresas contratadas prestavam serviços apenas à primeira recorrente; tem-se a conclusão de que os recolhimentos efetuados pelas prestadoras a título de quota patronal e de contribuição do segurado contribuinte individual são indevidas. 2. Isto é, se os valores pagos às pessoas jurídicas prestadoras de serviços eram, na verdade, remunerações pagas aos sócios pessoas físicas, isso equivale a reclassificar as remunerações das pessoas jurídicas para as pessoas físicas. 3. Desta forma, e para evitar o enriquecimento ilícito da União, que se baseia nas premissas retro mencionadas, entende-se que tais contribuições realmente devem ser deduzidas do lançamento, o que deverá ser aferido no momento da liquidação do presente julgado. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CARACTERIZAÇÃO. SOLIDARIEDADE. ART. 30, IX, DA LEI N. 8.212/91. ART. 124 DO CTN. Caracterizado a formação de grupo econômico de fato, com provas substanciais nos autos do processo administrativo fiscal, decorre a solidariedade quanto à obrigação tributária de natureza previdenciária, forte no art. 30, IX, da Lei n. 8.212/91 c/c art. 124 do CTN.
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VALOR EXONERADO INFERIOR AO LIMITE DE ALÇADA. MOMENTO DE AFERIÇÃO DO VALOR. DATA DE APRECIAÇÃO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO. 1. A Súmula CARF nº 103 preleciona que o limite de alçada deve ser aferido na data de apreciação do recurso em segunda instância. 2. Observase na planilha final constante da conclusão do acórdão de impugnação que os sujeitos passivos não foram exonerados do pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior ao limite de alçada, o que torna o recurso de ofício não passível de conhecimento. NULIDADE DAS AUTUAÇÕES POR FALTA DE JUNTADA DE PROVAS. INCOMPETÊNCIA DO AGENTE FISCAL. UTILIZAÇÃO DE AFERIÇÃO INDIRETA. INEXISTÊNCIA. 1. A falta de juntada aos autos dos documentos comprobatórios pela fiscalização resultaria na falta de prova dos fatos alegados, e não na nulidade do lançamento. 2. Segundo o § 2º do art. 229 do Regulamento da Previdência Social, o auditor fiscal poderá desconsiderar o vínculo negocial e efetuar o enquadramento como segurado empregado, caso constate que o segurado contratado, sob qualquer denominação, preenche as condições referidas no inc. I do caput do art. 9º. 3. Entendese, em primeiro lugar, que não se tratou propriamente de aferição indireta, vez que a fiscalização partiu de uma medida de grandeza diretamente mensurável a título de previdência, e não de um arbitramento da base de cálculo. 4. Em segundo lugar, ainda que tivesse havido aferição de tal natureza, ela não teria implicado a nulidade dos lançamentos, uma vez que ela tem sim base legal, mais precisamente o § 3º do art. 33 da Lei 8212/91, sendo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 73 06 26 /2 01 3- 73 Fl. 962DF CARF MF 2 facultado ao sujeito passivo e ao terceiro legalmente obrigado a possibilidade de avaliação contraditória, inclusive em sede de processo administrativo. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. INEXISTÊNCIA DE LANÇAMENTO EFETUADO COM BASE EM MERA PRESUNÇÃO. REALIDADE DOS FATOS. CONTRATAÇÃO DE EMPREGADOS ATRAVÉS DE PESSOAS JURÍDICAS. DESCONSIDERAÇÃO DOS VÍNCULOS NEGOCIAIS. POSSIBILIDADE. 1. Os lançamentos não foram realizados com base em meras presunções, mas sim com lastro no vasto acervo probatório produzido pela fiscalização, tais como exame das notas fiscais emitidas pelas empresas prestadoras de serviços; análise da contabilidade da primeira recorrente; levantamento da sua estrutura gerencial e operacional, bem como dos seus cargos de direção; avaliação dos endereços das empresas; aferição dos seus capitais sociais; dentre tantas outras provas e levantamentos efetuados em sede de fiscalização; mesmo diante da negativa da empresa autuada em fornecer, satisfatoriamente, os documentos solicitados antes da lavratura dos autos 2. As recorrentes não tiveram êxito em desconstituir o trabalho da fiscalização, uma vez que, como bem decidido pela DRJ, houve inequívoca demonstração de prestação de serviços em caráter não eventual, sob subordinação e mediante remuneração. DEDUÇÃO DE VALORES RECOLHIDOS PELAS EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS. 1. Firmadas as premissas (i) de que os serviços não eram prestados pelas pessoas jurídicas, mas sim pelas físicas; (ii) e que a quase totalidade dos sócios dessas empresas contratadas prestavam serviços apenas à primeira recorrente; temse a conclusão de que os recolhimentos efetuados pelas prestadoras a título de quota patronal e de contribuição do segurado contribuinte individual são indevidas. 2. Isto é, se os valores pagos às pessoas jurídicas prestadoras de serviços eram, na verdade, remunerações pagas aos sócios pessoas físicas, isso equivale a reclassificar as remunerações das pessoas jurídicas para as pessoas físicas. 3. Desta forma, e para evitar o enriquecimento ilícito da União, que se baseia nas premissas retro mencionadas, entendese que tais contribuições realmente devem ser deduzidas do lançamento, o que deverá ser aferido no momento da liquidação do presente julgado. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CARACTERIZAÇÃO. SOLIDARIEDADE. ART. 30, IX, DA LEI N. 8.212/91. ART. 124 DO CTN. Caracterizado a formação de grupo econômico de fato, com provas substanciais nos autos do processo administrativo fiscal, decorre a solidariedade quanto à obrigação tributária de natureza previdenciária, forte no art. 30, IX, da Lei n. 8.212/91 c/c art. 124 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 963DF CARF MF Processo nº 15504.730626/201373 Acórdão n.º 2402006.069 S2C4T2 Fl. 3 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, conhecer do recurso voluntário e afastar as preliminares de nulidade do recurso voluntário e, no mérito, pelo voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário para deduzir do lançamento os recolhimentos efetuados pelas empresas prestadoras de serviços a título de quota patronal e de contribuição do segurado contribuinte individual caracterizados como segurados empregados. Vencidos João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior que proviam o recurso também para excluir do pólo passivo da relação tributária a empresa REFRAMAX LTDA. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luis Henrique Dias Lima. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator (assinado digitalmente) Luis Henrique Dias Lima Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Fl. 964DF CARF MF 4 Relatório A fiscalização lavrou os seguintes Autos de Infração (AI) DEBCAD em face do sujeito passivo: a) DEBCAD 51.051.9180, relativo à falta de recolhimento das contribuições devidas à seguridade social, parte patronal, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados, inclusive para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho; b) DEBCAD 51.051.9199, relativo à falta de recolhimento das contribuições devidas à seguridade social, parte segurados, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados. Segundo o relatório fiscal da infração e o relatório do acórdão de impugnação, que ora se adota: 3.1.1 REMUNERAÇÃO PAGA/CREDITADA ATRAVÉS DE NOTAS FISCAIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EMITIDAS POR PESSOA JURÍDICA Levantamento PJ: O trabalho de fiscalização desenvolvido na empresa REFRAMAX ENGENHARIA S/A constatou a existência de diversas empresas prestadoras de serviços contratadas com exclusividade conforme aponta as notas fiscais seqüenciais e pesquisas efetuadas nos sistemas da RFBReceita Federal do Brasil. O resultado da pesquisa demonstra que a fiscalizada é a única responsável pela totalidade das receitas dessas empresas contratadas, com raras exceções onde o faturamento para outras empresas representa parcela ínfima em relação ao total faturado, conforme relatado no detalhamento de cada empresa. Ficou constatado também que essas empresas não tinham empregados ou colaboradores nesse período, sendo que os serviços contratados foram pessoalmente executados pelos seus sócios, ou um deles, e os titulares de empresas individuais. O sujeito passivo foi intimado a apresentar os contratos, as medições dos serviços ou outros documentos que comprovassem as condições em que os serviços foram prestados. A fiscalizada apresentou apenas as notas fiscais e os contratos. Na pesquisa realizada nos registros contábeis da fiscalizada, foram localizados vestígios da presença dos sócios que prestaram os serviços, como registros de despesas de viagem em seus nomes. Os contratos prevêem o reembolso pela REFRAMAX desse tipo de despesa. O processo que se dá esse reembolso é o mesmo aplicado aos empregados formalizados da empresa, inclusive com o fornecimento de adiantamento, para alguns casos. O adiantamento e o reembolso das despesas é feito diretamente à pessoa física. Em uma relação contratual entre duas pessoas jurídicas, o normal seria a contratada arcar com as despesas e posteriormente ser reembolsada. A escrituração Fl. 965DF CARF MF Processo nº 15504.730626/201373 Acórdão n.º 2402006.069 S2C4T2 Fl. 4 5 contábil seria mais transparente, pois haveria o reconhecimento da despesa que originlamente é de sua responsabilidade e depois, por obrigação contratual, seria reembolsada da referida despesa. Quando a pessoa física responsável pela realização da despesa presta contas diretamente à contratante fica a impressão de que a presença da pessoa jurídica nesta relação contratual é dispensável.. Outro item resultante da pesquisa na contabilidade da fiscalizada foi a verificação da existência de registros contábeis relativos a plano de previdência privada. A empresa, então, foi intimada a apresentar os contratos, notas fiscais e termos de adesão, mas a fiscalização não foi atendida. Ao analisar os lançamentos contábeis, verificase a existência de valores lançados a crédito da conta contábil 3.4.1.004.0003 (PREVIDÊNCIA PRIVADA) e correspondentes a recuperação de despesa. O histórico desses lançamentos cita alguns nomes: José Maria Vilela, Júlio César Oliveira de Figueiredo, Glayce, José Custódio da Silva, José Robeito Silva Marluzzo, Paulo Henrique Abreu Coelho, Gilmar Soares, Rodrigo Otávio F Barros, todos sócios das empresas contratadas citadas neste relatório. Esse indício aponta que o plano de previdência privada contratado tinha como foco de beneficiários o alto comando da fiscalizada, aí incluídas as pessoas físicas sócias das pessoas jurídicas contratadas, ocupantes de parte dos principais cargos na estrutura organizacional da fiscalizada, como demonstrado mais adiante. Na análise dos contratos apresentados, a fiscalização constatou que os serviços contratados se resumem a cinco grupos, conforme o objeto de cada contrato demonstrado no ANEXO VIII: 1) Assessoria na captação de contratos (AS TECNOLOGIA); 2) Assessoria visando melhoria no relacionamento com os clientes, abrangendo desde fase captação do contrato até atividades pósvenda (ASTERVIL E PAULO HENRIQUE); 3) Comercialização de materiais, planejamento e supervisão de obras (THERMO SERVICE); 4) Comercialização de serviços e materiais (GUILHERME); 5) Planejamento, assistência técnica e gerenciamento de obras de montagem, supervisão/gerenciamento de serviços de manutenção (BETNOGUE, EVANDRO, RENATO BRAGA, GV CONSULTORIA, H&J TECNOLOGIA EM MONTAGEM, LDE, MP SERVIÇOS, MRA REFRATÁRIOS, MRLIZ, OLIVEIRA, REFRABRAS, REFRAPLIC e RJR). As atribuições descritas no escopo de cada contrato são próprias da estrutura gerencial e operacional da fiscalizada, incluindo desde a elaboração de proposta inicial visando a captação de novos contratos, a aprovação, o acompanhamento e a supervisão dos contratos, a elaboração de medições para os clientes e de Fl. 966DF CARF MF 6 relatórios para a contratante sobre o andamento da obra e de seus custos, até o pós venda. A remuneração se dá de forma fixa, em todos eles, e também variável para alguns desses contratos. A remuneração variável corresponde à aplicação de um percentual, previamente estabelecido, sobre o resultado econômico dos contratos. Face os indícios de que as pessoas físicas contratadas através das empresas identificadas exerciam cargos na estrutura organizacional da fiscalizada, a mesma foi intimada a identificar os ocupantes dos cargos descritos no organograma da empresa. A resposta veio sem informação para os seguintes cargos: Vinculados à Diretoria Executiva: Gerência de Refratário, Gerência de Contratos, Gerência de Isolamento; Coordenação de Obras vinculado à Gerência de Isolamento; Supervisão de Obras, vinculada à Gerência de Refratários, Supervisão de Contratos, vinculada à Gerência de Contratos e Supervisão de Obras, vinculada à Gerência de Isolamento. Vinculados à Diretoria de Administração: Assessoria Jurídica, Consultoria de Treinamento e Qualificação de Pessoal e Gerência de Administração. Coincidentemente os cargos sem identificação do titular se encaixam perfeitamente com as informações pesquisadas na internet e colhidas no site da Reframax e no site de relacionamento Linkedin: Ressaltase que as informações relativas às pessoas de José Roberto Silva Marluzzo, José Maria Vilela Ribeiro e Manoel Ribeiro Arantes foram corroboradas por assinaturas firmadas em contratos e aditivos e identificadas com carimbos, conforme demonstrado no relato caso a caso. Pesquisas realizadas nos sistemas da RFB não apontam a existência de vínculo, como empregado ou qualquer outro vínculo, das pessoas identificadas no quadro acima, com a fiscalizada, em qualquer época. Isto quer dizer que não se pode Fl. 967DF CARF MF Processo nº 15504.730626/201373 Acórdão n.º 2402006.069 S2C4T2 Fl. 5 7 negar a contemporaneidade das informações da internet com os fatos relatados. As empresas EVANDRO CARVALHO DE SOUZA, GPO GERENCIAMENTO E PLANEJAMENTO DE OBRAS LTDA, PAULO HENRIQUE ABREU COELHO ME E THERMO SERVICE LTDA têm o mesmo endereço (rua da Bahia, 504 , sala 1002, Centro, Belo HorizonteMG), coincidentemente o mesmo endereço onde se estabelece a empresa Talento Serviços Ltda, cuja sócia é Eloísa Maria de Souza, contadora da fiscalizada. Também, a Sra. Eloísa é a responsável pelo preenchimento da DIPJ dessas empresas e das empresas ASTERVIL, MRA e OLIVEIRA. Registrese que as primeiras quatro empresas são responsáveis por 55,67% e as sete empresas por 74,87% da despesa correspondente ao grupo de empresas citadas neste relatório (2008 a 2010), cujos sócios ocuparam cargos de Gerentes e Coordenadores, conforme quadro acima. Este fato, que a princípio parece irrelevante, comprova que a contratação de pessoas para ocuparem cargos de gerenciamento através de pessoas jurídicas foi uma estratégia da empresa fiscalizada. Estratégia irregular, pois fere a norma legal de contratação de segurados empregados. As empresas GPO GERENCIAMENTO E PLANEJAMENTO LTDA têm como sócios cotistas as empresas REFRAMAX LTDA e REFRAMAX ENGENHARIA S/A e a empresa THERMO SERVICE LTDA tem a fiscalizada como sócio cotista. Essas empresas têm baixo capital social, 7.000,00 e 5.000,00, respectivamente. Esses fatos comprovam a participação da fiscalizada no planejamento e execução da prática ilegal apontada neste relatório. O que está demonstrado neste relatório é que parte do staff gerencial, principalmente o operacional, da fiscalizada foi contratada por intermédio de pessoas jurídicas das quais eram sócios ou titulares. Na seqüência, o REFISC elenca uma a uma as empresas que se enquadram na descrição acima, com os fatos constatados e que foram acima sintetizados [...]. Em continuidade, relata que em todos os contratos de prestação de serviços discriminados anteriormente no REFISC estão presentes os pressupostos fáticojurídicos da relação de emprego, contidos nos artigos 2º e 3º da CLT: i) pessoalidade – o empregado não tem como prestar serviço por intermédio de outrem, não pode ser substituído por outra pessoa. ii) onerosidade – deve o empregador remunerar o empregado pelos serviços prestados. Fl. 968DF CARF MF 8 iii) não eventualidade – os serviços contratados estão direta ou indiretamente relacionados com as atividades normais da empresa. iiii) subordinação jurídica – os serviços são prestados sob dependência hierárquica que implica no poder diretivo do empregador sobre o empregado, que lhe confere o direito de dirigir a prestação de serviços, dando ordens, fiscalizando, indicando métodos de trabalho e condições de execução das tarefas distribuídas. Dispõe ainda que a verificação da realidade fática da prestação de serviços se sobrepõe a qualquer denominação ou mesmo declaração das partes. Neste contexto, transcreve art. 229 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Discorre sobre cada um dos pressupostos acima, relacionandoos com a realidade constatada pela fiscalização junto à autuada. 3.1.2 PLR PAGO EM DESACORDO COM LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA – Levantamento PL. Informa o REFISC que foi constatado pagamento a alguns empregados de adiantamentos a título de Participação nos Lucros ou Resultados em diversas vezes durante o exercício, o que contraria o art. 3º, § 2º, da Lei nº 10.101/2000, transcreve. 3.1.3 – BENEFÍCIO (PREVIDÊNCIA PRIVADA) NÃO EXTENSIVO A TOTALIDADE DOS EMPREGADOS/DIRIGENTES – Levantamento PP. A fiscalização constatou na escrituração contábil da autuada a existência de contratação de plano de previdência privada, tendo sido intimada a apresentar o contrato, termos de adesão e comprovação de que o benefício era extensivo a todos os empregados e dirigentes, a fiscalização não foi atendida. Aduz ainda que os lançamentos contábeis citam nomes de pessoas sócias das empresas citadas no subitem 3.1.1 do REFISC, conforme acima. Desta forma, entendeu a fiscalização que o plano de previdência privada tinha como beneficiários o seu quadro de gestores. Não tendo sido comprovado a extensão do benefício a todos os segurados e dirigentes, concluiu o fisco que o benefício não atende o contido no art. 28, § 9º, alínea “p” da Lei nº 8.212/91, parágrafo que trata das parcelas que não integram o salário de contribuição para fins tributários. Na seqüência do REFISC trata a fiscalização da determinação do salário de contribuição considerado, registrando que no caso dos pagamentos efetuados através de pessoas jurídicas, foi utilizado o procedimento de aferição indireta com base nos valores das notas fiscais de serviços, tendo em vista que cada pessoa jurídica corresponde a um ou mais prestador de serviços enquadrado como segurado empregado, não sendo possível a discriminação do valor que corresponde a cada segurado. Transcreve art. 33, §§ 3º e 6º, da Lei nº 8.212/91, que trata da aferição indireta. Fl. 969DF CARF MF Processo nº 15504.730626/201373 Acórdão n.º 2402006.069 S2C4T2 Fl. 6 9 Quanto a determinação do salário de contribuição no caso do benefício não extensivo a todos os empregados/dirigentes, dispõe a fiscalização que também determinou por aferição indireta, considerando o saldo mensal da conta contábil 3.4.1.004.0003 (PREVIDÊNCIA PRIVADA), onde se deduziu do valor debitado os créditos lançados. Já no caso do pagamento de PLR em desacordo com o disposto na legislação específica, o valor de salário de contribuição considerado foi o valor efetivamente pago a cada segurado mensalmente, conforme Anexo IV e totalizado no Anexo V. Quanto a determinação da contribuição a cargo do segurado, informa o REFISC que nos casos em que o salário de contribuição foi apurado pelo critério de aferição indireta, a contribuinte foi calculada com a aplicação da alíquota mínima sobre o total mensal. Já nos casos em que as empresas foram constituídas na forma de empresário individual e nos demais casos, utilizouse a alíquota correspondente a faixa salarial, respeitado o limite máximo de contribuição. E, por fim, para os segurados com remuneração já declarada, foi adicionada a remuneração apurada pelo fisco para fins de enquadramento na faixa salarial correta. Discorre sobre as alíquotas aplicadas, apresenta tabela de contribuição previdenciária dos segurados por período, relaciona os elementos verificados que embasaram a apuração das contribuições devidas, informa a multa de ofício de 75% aplicada em conformidade com o contido no art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 e registra que a fundamentação legal encontrase elencada no anexo Fundamentos Legais do Débito – FLD. Aduz ainda sobre a constatação da existência do grupo empresarial REFRAMAX, do qual fazem parte a fiscalizada e a empresa REFRAMAX LTDA – CNPJ:02.972.756/000128, cujos sócios são os administradores da empresa fiscalizada. Dispõe que considerando o interesse comum na situação que constitui os fatos geradores apurados foi aplicada a responsabilidade solidária prevista no art. 124, inciso I, do CTN e no art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91. A responsável solidária foi cientificada do crédito tributário através do Termo de Sujeição Passiva – TSP. A autuada e a empresa arrolada como componente do grupo econômico foram cientificadas dos lançamentos em 06/11/2013, já que quem recebeu as lavraturas foi o administrador/diretor principal das duas empresas o Sr. Renato Vieira Ribeiro de Souza, tendo sido protocoladas impugnações da autuada e da solidária, uma para cada AIOP lavrado, dispondo, em síntese, que: Impugnações apresentadas pela autuada: As duas defesas apresentadas trazem, em suma, as mesmas alegações, Fl. 970DF CARF MF 10 diferenciandose em pontos que serão identificados no resumo que se segue, conforme o AIOP a que se refere. Faz breve resumo dos lançamentos ocorridos na ação fiscal. Nulidade do lançamento fiscal. Cerceamento do direito de defesa. Utilização pelo fisco de provas que não constam do processo administrativo ou sem qualquer comprovação de veracidade. Dispõe que ao relatar os trabalhos executados, a auditoria fiscal faz referência à análise de dados e documentos das diversas empresas contratadas obtidos a partir de sistemas da Administração Pública Federal, tais como RAIS e Guia de Recolhimento de FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, quando informa que as empresas contratadas pela impugnante não informaram a existência de qualquer empregado ou colaborador no período fiscalizado. Tais informações não são públicas e de acesso da impugnante e nenhum destes dados foram colacionados aos autos. Prejudicado o direito de defesa da autuada, já que apenas com acesso aos aludidos documentos poderia reportarse ao mesmo suporte com o qual atuara o agente fazendário, analisandose e se defendendo quanto aos fatos invocados ou ao raciocínio jurídico que sobre eles se fez incidir. Traz manifestações doutrinárias. Questiona se é verdadeira a assertiva fiscal de que algumas empresas não tinham empregados, ou se seu faturamento baseouse unicamente nos serviços prestados à impugnante. Dispõe ainda que as informações prestadas por terceiros não podem ser consideradas como a “rainha das provas”, impassíveis de erros e falhas ou serem utilizadas irrestritamente pela fiscalização. Discorre sobre o tema, é dever do agente fazendário acostar aos autos todos os elementos de prova que lhe deram substrato. Transcreve decisões do CARF. Aborda também a questão da fiscalização terse utilizado de informações constantes no site Likedin ou em outros sítios na internet. Qualquer um pode fazer constar o que quiser nestes sítios, inclusive afirmações falsas exageradas, sem que haja o mínimo de controle ou verificação. Tais informações não foram assinadas eletronicamente, muito menos pelos profissionais aos quais se imputa aqui vínculo empregatício com a impugnante. O Fisco não tem certeza quanto à autoria das declarações, logo jamais poderia utilizalas como meio de prova para realizar a autuação. Discorre fartamente sobre o tema, traz decisões do STJ e do CARF, devendo ser reconhecida a nulidade dos lançamentos em discussão. Nulidade dos lançamentos. Incompetência do agente fiscal para desconsiderar a existência de pessoa jurídica e reconhecer relações de emprego. O fisco ao realizar os presentes lançamentos agiu fora dos parâmetros legais, pois desconsiderou a regular constituição de pessoas jurídicas e concluiu pela existência de relações de emprego, sem que o ordenamento jurídico pátrio lhe conferisse este poder. Cita e transcreve art. 114 da Constituição Federal, que trata da competência da Justiça do Trabalho. É desta a competência para Fl. 971DF CARF MF Processo nº 15504.730626/201373 Acórdão n.º 2402006.069 S2C4T2 Fl. 7 11 apreciar questões oriundas das relações do trabalho, inclusive, o reconhecimento das relações de emprego. O art. 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 em flagrante vulneração às ordens constitucionais e legais postas, institui competência aos fiscais previdenciários para descaracterizarem relações jurídicas previamente pactuadas e reconhecerem a existência de vínculo empregatício, com vistas a exigir as contribuições sociais dos supostos empregadores. Esse artigo além de afrontar o art. 114 da Carta Magna, também não possui embasamento legal. Transcreve art. 33 da Lei nº 8.212/91, conclui que o poder dos auditores da Receita Federal do Brasil RFB é amplo, inclusive lhes sendo dado todo acesso a escrituração contábil e de faturamento da empresa, contudo em nenhum momento o citado estatuto prevê a possibilidade de reconhecimento de vínculo empregatício pela fiscalização. Tampouco a Lei nº 10.593/2002, que trata da carreira do auditores fiscais da RFB autoriza tal procedimento, transcreve. Portanto, são nulos os presentes lançamentos. Também a desconsideração da personalidade jurídica de empresas prestadoras de serviços realizada pelo fisco nessas autuações também não faz parte de seu rol de competências legais. Transcreve art. 50 do Código Civil. Dispõe que o art. 129 da lei nº 11.196/2005 ratifica tal posicionamento da impugnante, transcreveo. Também o art. 116, parágrafo único, do CTN não dá azo à interpretação distinta da exposta até aqui, transcreveo. Entretanto, essa disposição legal não permite a desconstrução de situações jurídicas consolidadas, como é o caso das pessoas jurídicas regularmente constituídas que prestaram serviços à impugnante. Diante de todo o exposto, portanto, notase a ilegitimidade do fisco para realizar o vertente lançamento, já que desprovido de competência legal para reconhecer relações de emprego e desconsiderar a personalidade jurídica de empresas regularmente constituídas. Requer novamente a nulidade dos presentes Autos de Infração. Nulidade do lançamento fiscal. Utilização do método de aferição indireta e, hipótese não admitida em lei. O salário de contribuição dos valores lançados incidentes sobre verbas pagas a título de previdência privada foi apurado através de aferição indireta, considerando para tanto, o saldo da respectiva conta contábil. Ocorre que o método de aferição indireta é admitido apenas quando a fiscalização constata que a contabilidade do contribuinte não registra o movimento real da pretensa remuneração paga, forma subsidiária de quantificação do fato gerador a qual só se pode apelar nos casos rigidamente estabelecidos em lei, transcreve o caput do art. 33 da Lei nº 8.212/91 e seu parágrafo 6º. Se a fiscalização considerou como base de cálculo da exação os valores lançados contabilmente pela impugnante, não há que se falar que houve registro incorreto dos valores pagos a título de previdência privada. Tendo em vista que a aferição teve lastro nas informações contábeis da impugnante e inexistindo qualquer omissão de Fl. 972DF CARF MF 12 esclarecimentos, descabido e ilegal o vertente arbitramento de contribuições. Transcreve art. 148 do CTN, cita legislação relativa a imposto de renda e contribuição social sobre o lucro, requer seja estendido entendimento específico destes tributos ao caso em tela, cita art. 97, inciso IV, do CTN, que dispõe que somente lei pode estabelecer a fixação de base de cálculo de tributo. Aduz que o contido no art. 33, § 6º, da Lei nº 8.212/91 reclama posterior regulamentação legal, sendo incosntitucionais e ilegais, por afronta ao princípio da legalidade, arbitramento neste dispositivo legal embasado. Nulidade dos lançamentos. Desconsideração pela autoridade fiscal dos valores recolhidos a título de contribuição social pelas pessoas jurídicas prestadores de serviços. Discorre sobre o tema, aduzindo que a autoridade fiscal, em absoluto descompasso com o dever imposto no artigo 142 do CTN, deixou de verificar e deduzir dos presentes lançamentos as contribuições sociais já recolhidas pelas pessoas jurídicas que prestaram serviços à impugnante. Transcreve decisões do Conselho de Administração dos Recursos Fiscais CARF e conclui que diante do intransponível vício de apuração, há de se declarar nulos os lançamentos em tela. Da insubsistência dos presentes AIOP. Lançamento realizado com base em mera presunção. Elementos de prova que mostram, de forma cabal, a inexistência da relação de emprego. Conforme se depreende o contido no art. 142 do CTN, o lançamento tributário se funda na lei e na motivada demonstração da ocorrência dos fatos geradores dos tributos. Compete ao fisco, ao realizar uma autuação, comprovar de forma robusta as premissas fáticas aptas a validar este procedimento. Traz manifestações doutrinárias e decisões do CARF. Dispõe que “assim, a comprovação de fatos através das presunções simples não prescinde da conjugação de três condições, quais sejam gravidade (a relação de verossimilhança entre a realidade e o fato deduzido com suporte na presunção deve ser relevante, embora incerta), precisão (o indício que enseja a presunção não pode levar a várias presunções, mas apenas ao fato conhecido que se quer provar) e concordância (quando existir mais de um indício, todos devem evidenciar um mesmo fato). evidenciar um mesmo fato). Neste sentido, temse o recente acórdão n° 103 23.357, da TERCEIRA CÂMARA do então PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES DO MINISTÉRIO DA FAZENDA, do qual se extrai que ao Fisco ao se valer de prova indireta, de indícios, estes "hão de ser graves, precisos, concordantes entre si,resultantes de uma forte probabilidade e indutores de ligação direta do fato desconhecido com o fato conhecido”. Dentre os fatos apontados pela fiscalização para reconhecimento da relação empregatícia está a prestação de serviços pelas empresas discriminadas na autuação unicamente para a impugnante e o registro de despesas de viagem em nome dos sócios daquelas nos registros contábeis da fiscalizada. A prova da existência de emprego impõe que se confirmem todos os pressupostos elencados no art. 3º da CLT. Discorre sobre o tema. Fl. 973DF CARF MF Processo nº 15504.730626/201373 Acórdão n.º 2402006.069 S2C4T2 Fl. 8 13 Aduz que o REFISC informa que os serviços prestados à autuada eram realizados pelos sócios das prestadoras, assevera que não há nenhuma vedação para que isso ocorra. Relaciona nomes de empresas que lhe prestaram serviços, com os contratos firmados entre as partes, e conclui que isso demonstra que os serviços foram prestados por pessoas jurídicas – PJ e não por pessoas físicas – PF. O que afasta a existência de eventual relação de emprego. As despesas de viagem em nome dos sócios das prestadoras também não caracteriza a pessoalidade pretendida pela fiscalização. Nada impede que despesas realizadas por PJ sejam atribuídas à tomadora dos serviços, e os montantes entregues aos representantes das contratadas, tudo em nome da praticidade, que é elemento essencial no mundo empresarial moderno. Ressaltese que eventual prática contábil não usual, não é suficiente para demonstrar a existência ou não do vínculo empregatício. Alega também o fisco que a pessoalidade estaria evidenciada também nas hipóteses em que o sócio da empresa prestadora de serviços compõem, concomitantemente, o quadro de funcionários da impugnante. Não há nenhuma vedação legal vedando a cumulação de emprego com a inciativa privada, e muito menos, quando esta atividade poderá ser exercida pelo sócio do empregado simultaneamente à prestação laboral de serviços. O fisco em nenhum momento confirmou que todos os sócios das PJ não atuaram em prol da impugnante, apenas afirmou que um ou outro sócio tinha relação de emprego com a impugnante. Discorre sobre a possibilidade de se manter um profissional no quadro de empregados e ao mesmo tempo ocorrer a prestação de serviços via prestadora, em regime de tempo parcial. È o caso do profissional Eduardo Cury, sócio da empresa EC Engenharia e Construções Ltda, Jesus Fernandes de Souza, sócio da empresa Thermo Service Ltda e Guilherme de Lucena Chrispim, conforme destacado no REFISC. A ausência de empregados não importa em concluir que exista a relação de emprego. Os serviços prestados por estas empresas são sim muitas vezes prestados pelos próprios empreendedores. Veja a empresa GPO – Gerenciadora de Projetos e Obras Ltda. Integrada por 6 sócios, sendo 2 administradores e 4 engenheiros, cada um com sua atividade conforme sua aptidão. Mesmo firmas individuais, os serviços podem ser prestados pelo próprio sócio, cita quatro. Discorre sobre assessoria técnica e representação comercial e suas características. Cita e transcreve o art. 1º da Lei nº 4.886/1965. A fiscalização chegou ao absurdo de considerar relação de emprego atividade que a legislação pátria expressamente conceitua como não assalariada. Toda a assertiva da fiscalização partiu basicamente, dos contratos de prestação de serviços firmados entre as partes, declarações em GFIP e RAIS e de informações constantes em páginas eletrônicas sociais, como o Linkedin. GFIP e RAIS não informam a existência de empregados na empresas contratadas, o que enseja mero indício, que não ensejam a relação de emprego e que destituído do requisito de gravidade, não dão Fl. 974DF CARF MF 14 sustento à elaboração dos presentes AIOP. Informações constantes em redes sociais ou até mesmo em jornais e revistas constituem documentos que não ensejam força probante quanto a realidade dos fatos ali discriminados, já que passível de equívocos, falsidades e exageros. Informações no Linkedin somente consistiriam em provas se fossem assinadas pelo declarante. Podese dizer que os dados ali apresentados são verdadeiros e que as informações foram prestadas pelo próprio profissional? Certo que não. A impugnante jamais as ratificou. Sobre a não eventualidade, requisito essencial para se caracterizar a relação de emprego, a impugnante chama o Anexo I, para dispor que nos casos como das empresas AS Tecnologia e Serviços Refratários Ltda, Atref Assitência Técnica em Refratários, MP Serviços Técnicos Ltda, Refraplic Assistência Técnica em Refratários Ltda e EC Engenharia & Construções Ltda não houve continuidade dos serviços prestados. Dispõe sobre as atividades de algumas das empresas elencadas pela fiscalização, que exercem atividade de representação comercial, demonstra seu faturamento ocorrem em meses alternados, concluindo que um trabalhador empregado não ficaria por meses sem receber salário. Dispõe fartamente sobre a terceirização das atividadesmeio. Quanto à onerosidade, assevera a fiscalização que ela estaria consubstanciada nos pagamentos efetuados a profissionais a cada trinta dias, o que é uma afirmação descabida e enganosa do fisco. Registra o REFISC que os pagamentos foram contabilizados pela impugnante na conta “Serviços de Terceiros – PJ”. Ora se todos os pagamentos foram realizados em razão de prestação de serviços por PJ, como podese inferir que existe relação de emprego? Nenhum pagamento foi feito aos sócios dessas PJ. Apresenta relação de pagamentos mês a mês não consecutivos a várias prestadoras. Relativamente à subordinação, dispõe que as empresas que prestam serviços à impugnante de fato se sujeitam a diretrizes por ela traçadas, porém não em razão da relação de emprego, e sim decorrente exclusivamente dos contratos por elas firmados para a prestação de serviços e das cláusulas neles avençadas e livremente estipuladas. Tratase de vínculo mercantil e não laboral. Cita que algumas empresas não prestaram serviços somente à impugnante. Cita empresas que prestaram serviços a outros clientes, não podendo a fiscalização afirmar que existe relação de emprego entre todos os sócios da PJ que prestaram serviços a impugnante. Tendo em vista que as empresas são constituídas por profissionais conhecidos da impugnante, não é difícil de se concluir que a autuada seja a principal ou uma das principais clientes das empresas prestadoras. Daí se inferir pela existência de pretenso vínculo empregatício, somente através de mera presunção. Conclui que o trabalho fiscal não foi capaz de demonstrar a simultânea ocorrência dos elementos imprescindíveis à relação de emprego. Desta forma, requer sejam julgados improcedentes os AIOP em tela. Fl. 975DF CARF MF Processo nº 15504.730626/201373 Acórdão n.º 2402006.069 S2C4T2 Fl. 9 15 Na absurda hipótese de não se acatar os argumentos até então suscitados, requer que se proceda a dedução dos valores aqui lançados os valores das contribuições recolhidas pelas empresas prestadoras de serviços à impugnante cuja personalidade jurídica foi desconsiderada pelo fisco. Discorre sobre o tema. Requer também a exclusão das contribuições incidentes sobre parcelas destinadas à previdência privada. É de se notar que o fisco não discriminou no REFISC a quais empregados foram pagas essas verbas. A impugnação específica ao AIOP Debcad nº 51.051.9199 traz argumentações específicas, relativas a inexigibilidade das contribuições sobre valor superior ao limite máximo do salário de contribuição na apuração procedida pelo fisco. O fisco, ao invés de fazer incidir a alíquota mínima de 8% sobre o limite do salário de contribuição para determinar o montante a ser cobrado no AIOP em tela, acabou por aplicar a alíquota sobre a totalidade das receitas auferidas pelas empresas de prestação de serviços. Apresenta tabelas de contribuição dos segurados, por faixas salariais. Caberia ao fisco, uma vez ilegalmente desconsiderando a personalidade jurídica das empresas que prestaram serviços à impugnante, imputando descabido vínculo empregatício aos respectivos sócios, fazer incidir a alíquota de 8% sobre o limite do salário de contribuição previsto na legislação acima. Procedimento que aliás, foi observado em relação às firmas individuais, citaas e so respectivos valores do limite legal cobrado por período. A incidência da alíquota de 8% decorre da ausência de aferição do quanto foi efetivamente pago a cada sócio, pretensamente a título de salários, cabendo na dúvida, interpretarse a lei de forma favorável ao contribuinte, conforme art. 112 do CTN. Requer seja declarada a nulidade dos presentes lançamentos, conforme razões aduzidas preliminarmente. Se superados argumentos em sede preliminar, pedese sejam julgados improcedentes os lançamentos, visto que diante das provas e fatos colacionados aos autos, inexiste o vínculo empregatício presumido pelo fisco. Finalmente, se requer em caráter subsidiário, a dedução de todos os valores pagos a título de contribuição social pelas empresas que prestaram serviços à impugnante, em respeito ao princípio do non bis in idem. Requer também, relativamente ao AIOP Debcad nº 51.051.919 9, que as contribuições dos segurados elencados na impugnação, seja cobrada observandose o limite do salário de contribuição e a alíquota de 8%. A empresa arrolada como responsável solidária pelos lançamentos em decorrência da caracterização de grupo e conômico REFRAMAX LTDA – CNPJ: 02.972.756/000128 – também apresentou impugnações distintas por AIOP lavrado, no entanto, ambas com o mesmo conteúdo, conforme abaixo: Mediante Termos de Sujeição Passiva Solidária, a Receita Federal do Brasil RFB informou a impugnante sobre o Fl. 976DF CARF MF 16 lançamento imputado à empresa REFRAMAX S/A, dispondo que com base no art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91, sobre a sua responsabilidade solidária, por integrar o mesmo grupo econômico que a autuada principal. Inexistência de responsabilidade solidária. Não vinculação da impugnante ao fato gerador. A responsabilidade solidária regulada pelo art. 124 do CTN limita a possibilidade de designação do responsável a alguém que esteja vinculado ao fato jurídico originário do crédito tributário. Não pode a administração exigir tributo de quem não seja o sujeito passivo nos termos do CTN. Não é permitido à fiscalização eleger ao arrepio da legislação, um coresponsável pelo crédito quem de fato não figurou como sujeito passivo da relação obrigacional tributária. O art. 146, inciso III, da Constituição Federal não deixa dúvidas, de que existindo norma geral inserida no ordenamento jurídico por Lei Complementar, o CTN, a lei ordinária não pode rever solidariedade sem se ater aos parâmetros fixados pela lei geral. A responsabilidade prevista no art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91 deveria obedecer aos comandos do CTN, cita o inciso II do art. 124, do CTN. Transcreve o art. 128 do CTN, que limita a possibilidade de designação da solidariedade, ao determinar que somente será responsável pela obrigação tributária aquele que concorrer para o seu surgimento. Não tendo a impugnante nem negociado, nem celebrado contratos com empresas terceirizadas, não pode ser considerada responsável pelos referidos créditos tributários. Traz entendimento do STF. Da não configuração do grupo econômico. É provável que o agente fiscal tenha entendido que a REFRAMAX ENGENHARIA S/A e a impugnante fazem parte de um grupo econômico, na forma do § 2º do art. 2º da CLT. Esse conceito é aplicável apenas para fins de legislação trabalhista, não podendo ser utilizado para fins previdenciários e tributários. Mesmo se entendendo que se aplicasse tal conceito ao acaso em tela, deve o fisco comprovar de forma cabal que as pessoas jurídicas pertencem ao mesmo grupo econômico e tiveram coparticipação na realização do fato gerador da exação. No presente caso, o auditor limitouse a alegar que os administradores são os mesmos, o que não leva a impugnante à condição de responsável solidária. Traz manifestação doutrinária. Assim, por qualquer viés que se analise a situação, não se pode concluir pela responsabilidade da impugnante, seja porque ela não se encontra vinculada ao fato gerador das exações exigidas, seja porque, mesmo na remota possibilidade de existência de grupo econômico, este fato por si só não enseja a responsabilidade solidária. A impugnante reitera os demais termos da impugnação apresentada pela REFRAMAX ENGENHARIA S/A. Fl. 977DF CARF MF Processo nº 15504.730626/201373 Acórdão n.º 2402006.069 S2C4T2 Fl. 10 17 Requer seja declarada a ausência de sua responsabilidade pela exações supostamente devidas pela empresa REFRAMAX ENGENHARIA S/A, nos termos dos arts 146, III, da CF/88, 124 e 128 do CTN. Que sejam apreciadas em sua inteireza as razões suscitadas na impugnação apresentada pela empresa REFRAMAX ENGENHARIA S/A. A DRJ julgou parcialmente procedentes as impugnações, conforme conclusão abaixo: Isto posto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto pela procedência parcial da impugnação, mantendose integralmente o crédito tributário exigido através do AIOP Debcad nº 51.051.9180 e parcialmente o valor cobrado através do AIOP nº 51.051.9199, com a retificação das contribuições dos segurados empregados, conforme planilha acima apresentada e a seguir resumida. É como voto. Eis a ementa da decisão: PESSOAS JURÍDICAS. CARACTERIZAÇÃO SEGURADOS EMPREGADOS. LEGALIDADE. AFERIÇÃO INDIRETA. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. POSSIBILIDADE. Ocorrência da requalificação dos fatos tributários apurados, a demonstração, por meio de provas consistentes e de circunstâncias fáticas suficientemente convergentes, de que a prestação de serviços entre duas pessoas jurídicas “mascarava”, na verdade, uma relação direta entre a autuada e as pessoas físicas titulares daquelas empresas, que são, perante a legislação tributária previdenciária, segurados empregados da autada. Presentes os requisitos necessários à caracterização dos segurados como empregados da autuada. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. É vedado à Administração Pública o exame da legalidade e constitucionalidade das Leis. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. LANÇAMENTO INCONTROVERSO. Consolidase administrativamente a matéria não impugnada, assim entendida aquela que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante. Apenas a REFRAMAX ENGENHARIA LTDA foi intimada da decisão a quo (v. fls. 752/753), o que ocorreu em 21/11/2014, mas ambas as empresas interpuseram recursos voluntários em 23/12/2014, nos quais reafirmaram as mesmas teses de defesa formuladas em sede de impugnação, à exceção da parte já reconhecida pela DRJ. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 978DF CARF MF 18 Voto Vencido Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. Já o recurso de ofício não deve ser conhecido. A Portaria MF nº 63/2017 estabeleceu um novo limite para a interposição de tal recurso, elevandoo para R$ 2.500.000,00. Vejase: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. A Súmula CARF nº 103 preleciona que o limite de alçada deve ser aferido na data de apreciação do recurso em segunda instância: Súmula CARF nº 103 : Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Neste caso, observase na planilha final constante da conclusão do acórdão de impugnação ("contribuição devida DE" e "contribuição devida PARA") que os sujeitos passivos não foram exonerados do pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior ao limite de alçada, o que torna o recurso de ofício não passível de conhecimento. 2 Das nulidades As recorrentes suscitam a nulidade das autuações diante da (a) utilização de provas que não constam no processo administrativo; (b) incompetência do agente fiscal para desconsiderar pessoa jurídica e reconhecer relações de emprego; (c) utilização do método de aferição indireta em hipótese não admitida em lei; e (d) desconsideração pela autoridade fiscal dos valores já recolhidos pelas pessoas jurídicas prestadoras de serviços. Tais preliminares devem ser rejeitadas e o acórdão de impugnação as enfrentou de forma exaustiva e acertada. Fl. 979DF CARF MF Processo nº 15504.730626/201373 Acórdão n.º 2402006.069 S2C4T2 Fl. 11 19 Segundo se observa na decisão recorrida, de fato a fiscalização não anexou aos autos as informações obtidas junto aos sistemas RAIS e GFIP, que dariam conta de que as prestadoras não tinham empregados em seus quadros. Essa omissão, entretanto, não implica a nulidade dos lançamentos, pois, na pior das hipóteses, e uma vez situada na instrução probatória, deveria resultar na deficiência da instrução quanto à alegação de que as empresas prestadoras não tinham empregados. Dito de outra forma, a falta de juntada aos autos dos documentos comprobatórios pela fiscalização resultaria na falta de prova dos fatos alegados, e não na nulidade do lançamento, mesmo porque a autuação está amparada em inúmeras outras alegações e em variados elementos probatórios, que serão analisados no mérito desta decisão. Ademais, as recorrentes não provaram ter sofrido qualquer prejuízo e sequer contestaram a afirmação feita pelo agente fiscal, concentrando suas alegações, nesse tocante, em questões meramente tangenciais. Todos os demais elementos de prova foram fartamente juntados aos autos e não há qualquer nulidade a ser declarada. Por outro lado, refutase a assertiva acerca da incompetência do agente fiscal. Segundo o § 2º do art. 229 do Regulamento da Previdência Social, o auditor fiscal poderá desconsiderar o vínculo negocial e efetuar o enquadramento como segurado empregado, caso constate que o segurado contratado, sob qualquer denominação, preenche as condições referidas no inc. I do caput do art. 9º. Esse inc. I preleciona que empregado é que aquele que presta serviço em caráter não eventual, sob subordinação e mediante remuneração: Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; ......................................................................................................... Art. 229. [...]: § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado.(Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) Como se vê, havendo demonstração (a) de não eventualidade; (b) de subordinação e (c) de remuneração, pode ser descaracterizado o vínculo pactuado, corroborandose a existência efetiva de vínculo empregatício, oculto sob a contração de Fl. 980DF CARF MF 20 contribuinte individual, de trabalhador avulso, ou de qualquer outra denominação, inclusive de pessoas jurídicas e de cooperativas de trabalho. O art. 142 do CTN prevê que a autoridade administrativa tem competência privativa para constituir o crédito tributário pelo lançamento, constituição que demanda a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente. Ademais, e como bem asseverado pelo acórdão de impugnação, "o que a auditoria fiscal procedeu foi somente à caracterização de segurado empregado para fins previdenciários", e não para fins trabalhistas. Mais ainda, não houve qualquer necessidade de desconsideração da personalidade jurídica das empresas contratadas, vez que a verificação do fato gerador das contribuições prescinde de tal providência. Lembrese, a propósito, que a verificação da ocorrência do fato gerador dispensa até mesmo o exame acerca da validade ou invalidade dos negócios jurídicos. O inc. I do art. 118 do CTN preleciona que a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Ao tratar da nulidade ou anulabilidade, em comentário ao citado preceito legal, o prof. Hugo de Brito Machado afirma, com precisão, que "ao Direito Tributário importa a realidade. Não a forma jurídica"1. Significa dizer que basta a existência do fato, e "não se há de indagar a respeito da validade do ato ou negócio jurídico"2, podendo se afirmar o mesmo em relação à desconsideração da personalidade jurídica das empresas contratadas. O que importa para o direito tributário é a realidade, e não a aparente verdade resultante dos negócios jurídicos celebrados pela primeira recorrente. O princípio da realidade sobrepõese ao aspecto formal, considerados os elementos tributários, conforme jurisprudência do STF3. Ao tratar da jurisprudência administrativa deste Conselho, em tópico atinente à elisão e evasão tributárias, a prof. Maria Rita Ferragut menciona a existência de "negócios lícitos mas não oponíveis ao Fisco"4, corroborando a importância da substância do fato, em detrimento de sua forma de exteriorização. Por tais razões, o art. 129 da Lei 11196/2005 não tem qualquer aplicação ao caso in concreto. Quanto à alegada nulidade da utilização do método de aferição indireta dos valores incidentes sobre verbas pagas a título de previdência privada, entendese, em primeiro lugar, que não se tratou propriamente de aferição de tal natureza, vez que a fiscalização partiu de uma medida de grandeza diretamente mensurável a título de previdência, e não de um arbitramento da base de cálculo. Vejase, nesse sentido, a afirmação extraída da folha 71 do relatório fiscal: 1 MACHADO, Hugo de Brito. Comentários ao código tributário nacional, volume II. São Paulo: Atlas, 2004, p. 396. 2 MACHADO, Hugo de Brito. Obra citada, p. 388. 3 STF, RE 346084 / PR. 4 FERRAGUT, Maria Rita. As provas e o direito tributário: teoria e prática como instrumentos para a construção da verdade jurídica. São Paulo: Saraiva, 2016, p. 115. Fl. 981DF CARF MF Processo nº 15504.730626/201373 Acórdão n.º 2402006.069 S2C4T2 Fl. 12 21 Também neste caso o salário de contribuição foi apurado por aferição indireta considerando o saldo mensal da conta 3.4.1.004.0003 (PREVIDÊNCIA PRIVADA), onde se deduziu do valor debitado o valor do crédito lançado. O procedimento de aferição indireta está fundamentado no art. 33, parágrafos 3o. e 6o. da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, conforme descrito no subitem anterior. Como se vê, o lançamento tomou por base os valores contabilizados a título de previdência privada, inclusive sem qualquer reajustamento desses montantes. Em segundo lugar, ainda que tivesse havido aferição indireta, ela não teria importado na nulidade dos lançamentos. Isso porque a aferição indireta tem sim base legal, mais precisamente o § 3º do art. 33 da Lei 8212/91, sendo facultado ao sujeito passivo e ao terceiro legalmente obrigado a possibilidade de avaliação contraditória, inclusive em sede de processo administrativo, o que não foi feito. Por fim, a propalada desconsideração pela autoridade fiscal dos valores já recolhidos pelas pessoas jurídicas prestadoras de serviços igualmente não implica a nulidade da autuação. Tal assertiva é de mérito e como tal será analisada e enfrentada. Quer dizer, se porventura devem ser considerados os valores já recolhidos pelas prestadoras de serviços, tais quantias devem ser deduzidas do lançamento, não subsistindo qualquer vício de nulidade. 3 Do mérito 3.1 DA PRESUNÇÃO Ao contrário do que alegam as recorrentes, os lançamentos não foram realizados com base em meras presunções, mas sim com lastro no vasto acervo probatório produzido pela fiscalização, tais como exame das notas fiscais emitidas pelas empresas prestadoras de serviços; análise da contabilidade da primeira recorrente; levantamento da sua estrutura gerencial e operacional, bem como dos seus cargos de direção; avaliação dos endereços das empresas; aferição dos seus capitais sociais; dentre tantas outras provas e levantamentos efetuados em sede de fiscalização; mesmo diante da negativa da empresa autuada em fornecer, satisfatoriamente, os documentos solicitados antes da lavratura dos autos. A conclusão a que se chegará ao final desta fundamentação se apóia, portanto, na instrução probatória, na sua valoração e na verificação da norma aplicável aos fatos comprovados. Fl. 982DF CARF MF 22 Não há dúvidas sobre a premissa maior (direito), devendo serem sopesadas as premissas menores (fatos), a fim de se evitar decisão maculada por problemas de prova5. Nesse ponto, cabe lembrar que o Direito brasileiro adotou o sistema da persuasão racional do julgador, ou livre convencimento (art. 371 do NCPC e do art. 9º do Decreto 70.235/1972), segundo o qual "o julgador é livre para decidir segundo seu convencimento, que necessariamente deve estar pautado no conjunto probatório constante dos autos"6. Muito embora o julgador tenha um certo grau de liberdade de apreciação, ele está vinculado à prova dos autos. Em sendo assim, o exame do fato jurídico controvertido (contratação de trabalhadores pessoas físicas através de pessoas jurídicas) depende, eminentemente, da instrução probatória produzida pelas partes (Fisco e contribuinte). Como dito acima, o auditor fiscal poderá desconsiderar o vínculo negocial e efetuar o enquadramento como segurado empregado, caso constate que o segurado contratado, sob qualquer denominação, preenche as condições referidas no inc. I do caput do art. 9º do Regulamento da Previdência Social. Empregado é que aquele que presta serviço em caráter não eventual, sob subordinação e mediante remuneração. No caso dos autos, as recorrentes não tiveram êxito em desconstituir o trabalho da fiscalização, uma vez que, como bem decidido pela DRJ, houve inequívoca demonstração de prestação de serviços em caráter não eventual, sob subordinação e mediante remuneração. O acórdão de impugnação, arvorandose no relatório fiscal e na prova dos autos, fez um exaustivo exame acerca da não eventualidade, da habitualidade, da onerosidade e da subordinação, tendo concluído, de forma incensurável, pela caracterização do vínculo de emprego para fins tributários. O que importa dizer, por ora, para evitar mera reiteração do que já foi afirmado pela DRJ, é que o conjunto de provas colacionado pela fiscalização demonstra que as pessoas físicas sócias das empresas contratadas é que prestavam os serviços de maneira não eventual, sob subordinação e mediante remuneração. O fato incontroverso de que quase todas as prestadoras de serviços não tinham empregados; e os fatos documentalmente comprovados segundo os quais: (a) a maior parte da remuneração dessas empresas prestadoras se dava a valores fixos; (b) as notas fiscais eram emitidas sequencialmente e sempre em favor da primeira recorrente; (c) publicamente (no site de relacionamento profissional Linkedin e no próprio site da primeira recorrente), parte dos sócios de tais empresas eram considerados como empregados da primeira recorrente; (d) a primeira recorrente contabilizava e realizava o reembolso de despesas de viagens dos sócios das prestadoras diretamente à pessoa física; (e) com raras exceções, o faturamento das empresas eram consubstanciado exclusivamente dos valores pagos pela primeira recorrente; (f) o sujeito passivo pagava plano de previdência privada aos sócios dessas empresas; (g) determinadas empresas têm o mesmo endereço do contador da fiscalizada; (h) as autuadas são 5 VIANNA, José Ricardo Alvarez. Justificação Interna e Justificação Externa nas Decisões Judiciais no novo CPC. Disponível em http://www.jrav.com.br/justificacaointernaejustificacaoexternanasdecisoesjudiciaisno novocpc/, acesso em 09 de março de 2017. 6 FERRAGUT, Maria Rita. As provas e o direito tributário: teoria e prática como instrumentos para a construção da verdade jurídica. São Paulo: Saraiva, 2016, p. 91. Fl. 983DF CARF MF Processo nº 15504.730626/201373 Acórdão n.º 2402006.069 S2C4T2 Fl. 13 23 sócias de algumas empresas; (i) alguns sócios das empresas contratadas são também registrados como empregados da primeira recorrente; são uma demonstração contundente da contratação de empregados através de pessoas jurídicas. Como se vê, e conforme reiteradamente afirmado pelo acórdão recorrido, a tese da fiscalização não se sustenta numa prova isolada, mas sim num conjunto de provas, o qual revela a contratação de trabalhadores pessoas físicas através de pessoa jurídica, em situação de mera interposição formal. Os casos pontuais alinhavados em sede de impugnação e recurso não resistem à prova dos autos, como bem rechaçado pela decisão a quo. Vejase (fls. 724 e seguintes): Na impugnação apresentada, assevera ainda a impugnante que, de fato, os serviços prestados pelas empresas contratadas, muitas vezes o foram por seus próprios empreendedores, citando como exemplo a empresa GPO – Gerenciamento de Projetos e Obras Ltda, integrada por seis sócios sendo dois administradores e quatro engenheiros, cada um com uma qualificação profissional específica na prestação de serviços à autuada, detalha as atividades a serem executadas. Aduz que a ausência de empregados não importa em concluir pela relação de emprego. A própria alegação da autuada aponta a necessidade de ser especificamente aqueles profissionais os determinados a executar essas funções, ou seja, ela própria caracteriza aqui a pessoalidade na execução dos serviços contratados. Ou seja, a ausência de empregados, por si só, não caracteriza a relação de emprego que embasa os autos, mas é mais um ponto convergente na caracterização dessa relação. Na seqüência, a autuada dispõe sobre as empresas Evandro de Carvalho Souza, Guilherme Lucena Chrispim, Paulo Henrique Abreu Coelho e Renato Braga Refratários e Planejamentos. Com relação a todas, alega que suas atividades não exigem auxílio profissional e que os serviços podem ser realizados pelos próprios empreendedores, nas atividades de assistência técnica nas obras de montagem e isolamento térmico e representação comercial. Indaga a impugnante se o profissional, ciente de suas habilidades técnicas, não poderia prestar serviços de assessoria, sem qualquer vínculo empregatício e de forma autônoma, inclusive para auferir maior renda e ampliar seu mercado? Conclui que certamente poderia. Ocorre que, conforme REFISC, o conjunto de fatos encontrados pelo fisco relativos a estas empresas apontam de forma consistente para a existência da relação de emprego para fins tributários. Isto porque, além de existir despesas de viagem em nome de Evandro de Carvalho Souza, de não ter empregados no período fiscalizado, da atividade prestada estar intrinsicamente ligada à atividade normal da autuada, a própria empresa informa no seu site que o Sr. Evandro Carvalho ocupa a função de Coordenador de Obras, e também no seu informativo Fl. 984DF CARF MF 24 Informax nº 34, edição de dezembro/2012 a fevereiro/2013, o Sr. Evandro é apresentado como Coordenador de Obras e Contratos – Filial VitóriaES. Além disso, a remuneração contratual, conforme cláusula Quarta do contrato nº CC–09–0083, à fl. 317, determina remuneração fixa mensal. A numeração das notas fiscais emitidas pela empresa demonstram seqüência numérica para todo o período objeto dos AIOP que compõem este processo, o que afasta de pronto a questão trazida pela impugnante atinente à ampliação do mercado de trabalho da empresa e a possibilidade do profissional auferir maior renda com outros clientes. Quanto a empresa Guilherme Lucena Chrispim, dispõe a autuada que a atividade de representação comercial exercida pela contratada, pode, de acordo com o art. 1º da Lei nº 4.886/1965, ser realizada tanto por PF como por PJ, sem relação de emprego. Ocorre que, conforme já dito acima, o REFISC traz elementos que confirmam efetivamente no sentido da existência de relação de emprego, já que a PF do Sr. Guilherme Lucena Chrispim foi contratado pela autuada exatamente em 05/11/2008 como empregado (Gerente de Desenvolvimento Comercial, e posteriormente, Gerente de Marketing) e em 01/11/2008 firmase contrato de prestação de serviços entre a PJ Guilherme Lucena Chrispim e a impugnante, sendo que a partir de 12/2008, o faturamento da PJ é exclusivo com a autuada. O contrato com a PJ determina remuneração fixa. Por todo o exposto, a fiscalização considerou que o montante pago através das NFS emitidas pela PJ Guilherme Lucena Chrispim referese a complementação da remuneração do segurado empregado. Não produz a impugnante elementos que se contraponham a esta conclusão. Já quanto a empresa Paulo Henrique Abreu Coelho, além de na escrituração contábil da autuada existir pagamentos de despesas de viagem em nome do titular da PJ, o mesmo não tem empregados em sua empresa em todo o período objeto da fiscalização, seu faturamento é exclusivo com a autuada nos anos de 2009 e 2010, a numeração das notas fiscais emitidas pela empresa demonstram seqüência numérica para todo o período objeto dos AIOP que compõem este processo, o que afasta de pronto a questão trazida pela impugnante atinente à ampliação do mercado de trabalho da empresa e a possibilidade do profissional auferir maior renda com outros clientes e em seu perfil no site de relacionamento Linkedin o Sr. Paulo de identifica como Diretor de Negócios da Reframax, ou seja, existem elementos consistentes de que a conclusão fiscal é procedente, não cabendo se acatar as argumentações da impugnante. Já quanto a Renato Braga Refratários e Planejamento, as mesmas condições se repetem, com escrituração de despesas de viagem em nome de Renato Braga e pagamento de refeição, cujo histórico do lançamento o identifica como Coordenador. Além disso, a empresa não tem empregados em todo o período objeto da fiscalização, seu faturamento é exclusivo com a autuada nos anos de 2009 e 2010 e a numeração das notas fiscais emitidas pela empresa demonstram seqüência numérica para todo o período objeto dos AIOP que compõem este processo, o que Fl. 985DF CARF MF Processo nº 15504.730626/201373 Acórdão n.º 2402006.069 S2C4T2 Fl. 14 25 afasta de pronto a questão trazida pela impugnante atinente à ampliação do mercado de trabalho da empresa e a possibilidade do profissional auferir maior renda com outros clientes. Também aqui, se repete a procedência da conclusão do fisco. Quanto ao pressuposto da relação de emprego, a não eventualidade, assim dispôs o REFISC: [...] Relativamente a este pressuposto da relação de emprego, dispõe a impugnante que ele não se faz presente nas relações firmadas com as empresas contratadas. Cita as empresas AS Tecnologia e Serviços Refratários, Atref Assistência Técnica em Refratários, MP Serviços Técnicos Ltda, Refraplic Assistência Técnica em Refratários Ltda e a EC Engenharia e Construções Ltda em que não houve continuidade dos serviços prestados, confirmando a eventualidade dos serviços. Analisandose o Anexo I ao REFISC temse que todas elas tem seqüenciais notas fiscais emitidas para a autuada, muitas vezes em valores fixos mensalmente, exceto a EC Engenharia cujo faturamento ocorreu apenas na competência 03/2009, mas cujo sócio é segurado empregado registrado como tal na autuada, conforme já disposto anteriormente. Não há que se falar que não houve continuidade nos serviços prestados por estas empresas, o próprio Anexo I aponta de forma clara para o contrário. [...] No caso das duas empresas citadas, AS Tecnologia e Serviços Refratários Ltda e Guilherme Lucena Chrispim , em que pese a autuada ter o entendimento que os serviços por elas prestados não se enquadram na sua atividadefim, a representação comercial da autuada faz parte sim das atividades normais de qualquer empresa, por óbvio, já que a venda de seus produtos e serviços é que a mantém no mercado, nenhuma dúvida existe quanto a este ponto. Quanto ao período de faturamento de cada uma delas, a empresa Guilherme apresenta nota fiscal em todas as competências de 2009 e 2010, e, excetuandose os dois meses apontados pela impugnante como tendo havido significativa variação de valores, nos demais em geral são valores fixos mensalmente, que se repetem por meses. Mesmo o fato da empresa AS não ter faturamento mensal e em valores variados, não afasta a nãoeventualidade dos serviços por ela prestados, mesmo porque ela permanece na condição de contratada da autuada de 2008 a 2010, sendo seu faturamento exclusivo com a impugnante e a natureza dos serviços por ela prestados justificar emissão de notas fiscais em períodos não consecutivos, conforme cláusula quarta do contrato firmado com a autuada. Registrese que o relatório fiscal contém uma análise expressiva dos fatos e das provas relacionadas a mais de vinte de empresas, sem que a recorrente tivesse se desincumbido de demonstrar o desacerto do trabalho da fiscalização, razão pela qual o recurso deve ser desprovido neste ponto. Fl. 986DF CARF MF 26 3.2 DA DEDUÇÃO DE VALORES RECOLHIDOS O insucesso da tese principal torna necessário analisar e julgar a tese subsidiária, qual seja, a dedução do presente lançamento das contribuições já recolhidas pelas prestadoras de serviços. No entender da DRJ, não haveria respaldo legal para tal procedimento. Ocorre que, firmadas as premissas (i) de que os serviços não eram prestados pelas pessoas jurídicas, mas sim pelas físicas; (ii) e que a quase totalidade dos sócios dessas empresas contratadas prestavam serviços apenas à primeira recorrente; temse a conclusão de que os recolhimentos efetuados pelas prestadoras a título de quota patronal e de contribuição do segurado contribuinte individual são indevidas. Isto é, se os valores pagos às pessoas jurídicas prestadoras de serviços eram, na verdade, remunerações pagas aos sócios pessoas físicas, isso equivale a reclassificar as remunerações das pessoas jurídicas para as pessoas físicas. Desta forma, e para evitar o enriquecimento ilícito da União, que se baseia nas premissas retro mencionadas, entendese que tais contribuições realmente devem ser deduzidas do lançamento, o que deverá ser aferido no momento da liquidação do presente julgado. Dentro desse espírito condutor, pode ser citada a Súmula CARF nº 76: Súmula CARF nº 76: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Como dito, afirmar que os valores pagos às pessoas jurídicas prestadoras de serviços eram, na verdade, remunerações pagas aos sócios pessoas físicas equivale a reclassificar as remunerações das pessoas jurídicas para as pessoas físicas, podendose, portanto, citar o emblemático julgamento abaixo, deste colegiado, neste ponto julgado por unanimidade: [...] RECLASSIFICAÇÃO DE RECEITA TRIBUTADA NA PESSOA JURÍDICA PARA RENDIMENTOS DE PESSOA FÍSICA. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS PAGOS NA PESSOA JURÍDICA. Devem ser compensados na apuração de crédito tributário os valores arrecadados sob o código de tributos exigidos da pessoa jurídica, cuja receita foi desclassificada e convertida em rendimentos de pessoa física, base de cálculo do lançamento de oficio. (CARF, Contribuinte Neymar da Silva Santos Junior, Recurso Voluntário, Relatora Bianca Felicia Rothschild, Sessão 15/03/2015, Acórdão 2402005.703) O mesmo não se pode afirmar quanto às contribuições alegadamente recolhidas sobre os valores pagos a título de previdência privada, uma vez que a primeira recorrente não comprovou ter pago qualquer valor a esse respeito. Muito pelo contrário, a Fl. 987DF CARF MF Processo nº 15504.730626/201373 Acórdão n.º 2402006.069 S2C4T2 Fl. 15 27 autuação foi lavrada exatamente pela falta de recolhimento das contribuições incidentes sobre os montantes pagos aos trabalhadores sob a rubrica previdência privada. 4 Da solidariedade da REFRAMAX LTDA A fiscalização caracterizou a REFRAMAX LTDA como contribuinte solidária sob a afirmação de que ela integraria grupo econômico com a primeira recorrente e de que ela teria interesse comum na situação que constitui os fatos geradores apurados. Vejase: Foi constatada a existência do grupo empresarial REFRAMAX do qual fazem parte a fiscalizada e a empresa REFRAMAX LTDA – CNPJ 02.972.756/000128, cujos sócios são os administradores da empresa fiscalizada. Considerando o interesse comum na situação que constitui os fatos geradores apurados, será aplicada a responsabilidade solidária prevista no art. 124, inciso I, do CTN, e no art. 30, inciso IX, da Lei 8.212/1991. A responsável solidária será cientificada do crédito previdenciário ora lançado, através do Termo de Sujeição PassivaTSP. Caso seja do seu interesse, a responsável solidária poderá apresentar impugnação no prazo e nos locais citados no subitem 9.8; Em primeiro lugar, entendese que a autoridade fiscal não caracterizou a existência de um efetivo grupo econômico entre as duas recorrentes, a despeito de ambas as empresas adotarem, como parte de sua denominação social, a expressão REFRAMAX. Ao revés, o agente autuante simplesmente afirmou haver o grupo empresarial REFRAMAX, tendo em vista que os sócios da REFRAMAX LTDA são os administradoras da REFRAMAX ENGENHARIA S/A. Diferentemente do que preconiza o art. 2º, § 2º, da CLT, e o art. 494 da IN RFB 971, o lançamento não demonstrou que as empresas realmente estariam "sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer atividade econômica". Vejase que, na dicção das normas encimadas, não basta a existência de ligação societária entre as pessoas jurídicas, sendo, sim, necessária a demonstração inequívoca de direção, controle ou administração: CLT Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. § 1º Equiparamse ao empregador, para os efeitos exclusivos da relação de emprego, os profissionais liberais, as instituições de beneficência, as associações recreativas ou outras instituições sem fins lucrativos, que admitirem trabalhadores como empregados. § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a Fl. 988DF CARF MF 28 direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. ......................................................................................................... IN RFB 971 Art. 494. Caracterizase grupo econômico quando 2 (duas) ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Logo, deve ser afastada a responsabilidade solidária das sócias pessoas jurídicas, uma vez que não houve prova efetiva da existência de grupo econômico. Em segundo lugar, vale acrescentar que a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento de que a existência de grupo econômico, por si só, não é suficiente para ensejar responsabilidade solidária, na forma prevista no art. 124 do Código Tributário Nacional. Colacionase, abaixo, a ementa de duas decisões recentes, para, em seguida, transcrever a numeração de sucessivas decisões no mesmo sentido: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. ISS. SUJEIÇÃO PASSIVA. ARRENDAMENTO MERCANTIL. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. VERIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. 1. "'Na responsabilidade solidária de que cuida o art. 124, I, do CTN, não basta o fato de as empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico, o que por si só, não tem o condão de provocar a solidariedade no pagamento de tributo devido por uma das empresas' (HARADA, Kiyoshi. 'Responsabilidade tributária solidária por interesse comum na situação que constitua o fato gerador')" (AgRg no Ag 1.055.860/RS, Rel. Min. Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 17.2.2009, DJe 26.3.2009). [...] (AgRg no AREsp 603.177/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/03/2015, DJe 27/03/2015) ................................................................................................ PROCESSO CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INEXISTENTE. EXECUÇÃO FISCAL. CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. LEGITIMIDADE PASSIVA. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. SÚMULA 7/STJ. [...] 4. Correto o entendimento firmado no acórdão recorrido de que, nos termos do art. 124 do CTN, existe responsabilidade Fl. 989DF CARF MF Processo nº 15504.730626/201373 Acórdão n.º 2402006.069 S2C4T2 Fl. 16 29 tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, apenas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução de referida situação. [...] (AgRg no AREsp 429.923/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 10/12/2013, DJe 16/12/2013) ......................................................................................................... (i) AgRg no Ag 1415293/RS, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/06/2012, DJe 21/09/2012; (ii) AgRg no REsp 1535048/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/09/2015, DJe 21/09/2015; (iii) AgRg no AREsp 21.073/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/10/2011, DJe 26/10/2011; (iv) AgRg no Ag 1392703/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/06/2011, DJe 14/06/2011 Logo, muito embora o art. 30, inc. IX, da Lei 8.212/1991, preveja a existência de solidariedade entre as empresas que integram o mesmo grupo econômico, interpretase tal dispositivo em conformidade com o art. 124, inc. I, do Código Tributário Nacional, que requer um plus para a efetiva existência de solidariedade, a saber: o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. A solidariedade ou a responsabilidade pressupõem a regra matriz de incidência, bem como a regra matriz de solidariedade ou responsabilidade, cada uma com seus pressupostos fáticos e seus sujeitos próprios (contribuintes, solidários, responsáveis, etc). Neste caso concreto, não tendo havido a efetiva caracterização de grupo econômico, tampouco a demonstração de que todas as pessoas jurídicas tinham interesse comum na situação constitutiva do fato gerador da obrigação principal, deve ser afastada a solidariedade imputada à recorrente REFRAMAX LTDA. 5 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de: (a) NÃO CONHECER do recurso de ofício; (b) CONHECER do recurso voluntário interposto pela REFRAMAX ENGENHARIA S/A, para REJEITAR AS PRELIMINARES de nulidade do lançamento e, no mérito, DARLHE PARCIAL provimento, a fim de deduzir dos lançamentos os recolhimentos efetuados pelas empresas prestadoras de serviços a título de quota patronal e de contribuição do segurado contribuinte individual, o que deverá ser apurado em sede de liquidação; Fl. 990DF CARF MF 30 (c) CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário da REFRAMAX LTDA, a fim de excluíla do pólo passivo das autuações. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 991DF CARF MF Processo nº 15504.730626/201373 Acórdão n.º 2402006.069 S2C4T2 Fl. 17 31 Voto Vencedor Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Redator Designado. Não obstante o bem elaborado voto do i. Relator, dele divirjo, no que diz respeito à exclusão da Recorrente do polo passivo da relação tributária, pelas razões de fato e de direito que passo a expor. A divergência em tela diz respeito especificamente à exclusão da pessoa jurídica REFRAMAX LTDA. CNPJ 02.972.756/000128 do polo passivo da relação jurídicatributária em litígio, consoante os termos do Recurso Voluntário de efls. 858/958. Muito bem. O Relatório Fiscal (efls. 32/75) informa que a Recorrente (REFRAMAX LTDA.) é do mesmo grupo empresarial da REFRAMAX ENGENHARIA S/A (empresa fiscalizada), e, junto com esta, é sócio cotista da pessoa jurídica GPO GERENCIAMENTO E PLANEJAMENTO LTDA. (empresa contratada pela REFRAMAX ENGENHARIA S/A). Por sua vez, a pessoa jurídica THERMO SERVICE LTDA. (empresa contratada pela REFRAMAX ENGENHARIA S/A) tem a própria contratante, como sócio cotista. Os sócios da REFRAMAX LTDA. são os administradores da REFRAMAX ENGENHARIA S/A (empresa fiscalizada). O Relatório Fiscal (efls. 32/75) também denuncia e demonstra de forma detalhada que "parte do staff gerencial, principalmente o operacional, da fiscalizada foi contratada por intermédio de pessoas jurídicas das quais eram sócios ou titulares". Com efeito, o referido relatório esmiuça especificamente nas efls. 36/63 os contratos firmados pela REFRAMAX ENGENHARIA S/A (empresa fiscalizada) com todas as contratadas (total de 21 empresas), incluindo a GPO GERENCIAMENTO E PLANEJAMENTO LTDA. e a THERMO SERVICE LTDA., pessoas jurídicas nas quais a empresa fiscalizada tem participação social, conforme já informado, concluindo, ao fim e ao cabo, que "os fatos relatados demonstram que o sujeito passivo recorreu à prática de contratação de segurados empregados utilizando da prática irregular de elaboração de contratos de prestação de serviços com pessoas jurídicas para mascarar relações de emprego". Destarte, as situações fáticas reveladas no Relatório Fiscal (efls. 32/75) e fartamente comprovadas nos autos constituemse contundente conjunto probatório com força suficiente à caracterização de um grupo econômico de fato, que compreende, no caso concreto, além da REFRAMAX ENGENHARIA S/A e da REFRAMAX LTDA., todas as demais empresas contratadas, embora apenas as duas empresas retrocitadas tenham sido arroladas como solidárias em face do crédito tributário de natureza previdenciária em lide. Fl. 992DF CARF MF 32 Nesse contexto o art. 124 do CTN (Lei n. 5.172/1966) informa norma geral aplicável a todos os tributos existentes no sistema tributário nacional, nos seguintes termos: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. (grifei) Não obstante a expressão "interesse comum" consignada no art. 124, I, do CTN, encartar um conceito indeterminado, é mister procederse a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançarse a ratio essendi do referido dispositivo legal. Assim, verificase que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas jurídicas solidariamente obrigadas estejam no mesmo polo da relação jurídica que deu azo à hipótese de incidência tributária, exatamente porque não encontraria respaldo na lógica jurídicatributária a integração no polo passivo da relação jurídica de uma empresa que não tenha qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Nessa perspectiva, é forçoso concluir que o interesse qualificado pela lei não há de ser o mero interesse social, moral, econômico ou financeiro no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas sim o interesse jurídico, atrelado à atuação comum ou conjunta no pressuposto fático do tributo. Assim, caracteriza responsabilidade solidária em matéria tributária a realização conjunta de situações que, per se, configuram a hipótese de incidência tributária, irrelevante que se trate ou não de grupo econômico formalmente constituído. É cediço que os grupos econômicos de fato caracterizamse por serem criados com o fim exclusivo de redução do risco empresarial e maximização de lucros, caracterizando se um abuso de direito, inclusive para fins de afastar a incidência de tributos, no caso concreto, na espécie contribuições sociais. Constatase, a partir das situações relatadas nos autos e detalhadas no Relatório Fiscal (efls. 32/75), uma evidente unidade de interesse jurídico das várias pessoas jurídicas envolvidas, consolidandose evidente interesse comum nos atos negociais de propriedade e de circulação de riquezas. Noutro giro, há previsão legal de solidariedade quanto às contribuições à Seguridade Social, independentemente da natureza (formal ou de fato) do grupo econômico, bastando tãosomente a sua caracterização, nos termos exatos do art. 30, IX, da Lei n. 8.212/1991, verbis: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: [...] IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; [...] (grifei) Fl. 993DF CARF MF Processo nº 15504.730626/201373 Acórdão n.º 2402006.069 S2C4T2 Fl. 18 33 Considerandose o disposto no art. 30, IX, da Lei n. 8.212/91, acima reproduzido, não há dúvidas que, no caso específico das contribuições previdenciárias, incide não apenas a regra do inciso I do art. 124 do CTN, mas também do inciso II do retrocitado dispositivo legal. Em face dos elementos de prova acostados aos autos, bem assim das evidências denunciadas no Relatório Fiscal (efls. 32/75), é inquestionável a solidariedade da pessoa jurídica REFRAMAX LTDA. em relação ao crédito tributário em litígio, uma vez presente o liame entre a materialidade da hipótese de incidência tributária e a unidade de interesse jurídico das pessoas jurídicas que compõem o grupo econômico de fato em tela e no qual a REFRAMAX LTDA. se inclui. Ante o exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso de ofício, conhecer do recurso voluntário e afastar as preliminares de nulidade do recurso voluntário e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário para deduzir do lançamento os recolhimentos efetuados pelas empresas prestadoras de serviços a título de quota patronal e de contribuição do segurado contribuinte individual caracterizados como segurados empregados, bem assim manter no polo passivo da relação tributária a empresa REFRAMAX LTDA. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 994DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.928896/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2005
Ementa:
SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE.
Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal.
SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES.
A instalação de elevadores amolda-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços.
Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.175
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra acompanharam o Relator do acórdão paradigma pelas conclusões (art. 63, § 8º do RICARF).
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Ano-calendário: 2005 Ementa: SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores amolda-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.
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ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores amoldase ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra acompanharam o Relator do acórdão paradigma pelas conclusões (art. 63, § 8º do RICARF). (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 88 96 /2 00 9- 11 Fl. 369DF CARF MF Processo nº 11080.928896/200911 Acórdão n.º 3402005.175 S3C4T2 Fl. 0 2 Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado. Relatório Trata o presente processo de DCOMP transmitida com objetivo de compensar os débitos nela apontados com créditos provenientes de pagamento indevido ou a maior. A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório, no qual a Delegacia de origem, com base em informação fiscal resultante de diligência do Serviço de Fiscalização para apuração do direito creditório informado na DCOMP, onde ficou constatada a improcedência do mesmo, revisou de ofício o reconhecimento do direito creditório automático para não reconhecimento do direito creditório por inexistência do crédito e também de ofício revisou a homologação total da compensação efetuada através da mencionada declaração para compensação não homologada. A autoridade fiscal que proferiu a referida informação tomou por base a Solução de Consulta 446 SRRF/8ª RF/Disit, de 18/08/2007, uma vez que a Solução de Consulta 104 SRRF/10ª RF/Disit, de 18/08/2008, foi anulada pelo Parecer 52 SRRF10/Disit, de 13/09/2011, sob o seguinte argumento: É vedada a coexistência de duas soluções de consulta vigentes e eficazes sobre o mesmo fato, relativas a um mesmo sujeito passivo(...). Por sua vez, a Solução de Consulta vigente tem a seguinte ementa para o PIS: ELEVADORES. NÃOCUMULATIVIDADE. A instalação de elevador por seu produtor não caracteriza obra de construção civil, descabendo a aplicação do art. 10, XX, da Lei nº 10.833, de 2003. Caracterizase como operação de industrialização, na modalidade montagem, a reunião de partes, peças e componentes da qual resulte elevador, inclusive quando realizada fora do estabelecimento do executor, no próprio prédio onde esse equipamento será utilizado. Sofre incidência da contribuição para o PIS/Pasep em regime de apuração não cumulativo o total das receitas decorrentes do fornecimento de elevador por seu produtor, o qual se conclui ao final do processo de montagem. Para a Cofins foi proferida ementa com igual teor. (...). Uma vez intimado o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, a qual foi julgada improcedente pelo acórdão 09054.874, que entendeu que a compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, não verificado no caso em comento, afastou a preliminar de nulidade do Despacho Decisório e concluiu que "a Fl. 370DF CARF MF Processo nº 11080.928896/200911 Acórdão n.º 3402005.175 S3C4T2 Fl. 0 3 decisão judicial transitada em julgado é, na verdade, a lei aplicada ao caso concreto e, tratandose de exclusão do crédito tributário, deve ser interpretada literalmente". Diante deste quadro, o contribuinte apresentou o recurso voluntário tempestivo, oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.145, de 18 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 11080.729500/201323, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.145): "5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. A discussão travada nos autos e o precedente vinculante deste CARF favorável ao contribuinte 6. A questão aqui travada não é nova, uma vez que já foi decidida por este CARF para o mesmíssimo contribuinte de forma paradigmática, i.e., nos termos do art. 47, § 2º do RICARF. Referida decisão foi veiculada por intermédio do acórdão n. 3201002.448 e encontrase assim prescrita: (...). A princípio, temse que o cerne da questão é definir qual a natureza da atividade exercida pela Recorrente (instalação de elevadores): se construção civil ou se industrialização. Tal definição determinará se a Recorrente deveria, à época dos fatos geradores, apurar o recolhimento do PIS e da COFINS pelo regime não cumulativo ou pelo cumulativo. Há peculiar situação no feito, consistente no fato de que a Recorrente teria apresentado duas Consultas Fiscais acerca do tratamento tributário mais adequado, obtendo Soluções conflitantes. Na primeira delas, Solução de Consulta nº 446/2007, da 8ª Região Fiscal, concluiuse que se tratava de industrialização e que, portanto, as receitas estariam Fl. 371DF CARF MF Processo nº 11080.928896/200911 Acórdão n.º 3402005.175 S3C4T2 Fl. 0 4 sujeitas ao regime não cumulativo das citadas contribuições. A segunda, Solução de Consulta nº 104/2008, da 10ª Região Fiscal, afirmou que as receitas estariam sob o regime cumulativo. No caso, o crédito postulado pela Recorrente origina da aplicação do segundo entendimento. Os créditos postulados, portando, decorrem da reapuração do PIS e da COFINS outrora calculados pelo regime não cumulativo e reajustados para o cumulativo. Idêntica questão já foi examinada por esta mesma Turma na sessão de 24 de fevereiro de 2016, em decisão por maioria proferida nos autos do Processo nº 11080.726628/201335, da mesma THYSSENKRUPP ELEVADORES S/A, no qual a Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi designada Relatora para o Voto Vencedor. O referido Acórdão nº 3201002.070 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 Fl. 372DF CARF MF Processo nº 11080.928896/200911 Acórdão n.º 3402005.175 S3C4T2 Fl. 0 5 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado Vistos,relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Winderley Morais Pereira, relator. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Como consta em ata, o voto da i. Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi por mim acompanhado integralmente. Por essa razão, peço vênia para transcrevêlo como fundamento do presente julgado: Como se depreende do voto do eminente relator, o mérito da presente demanda não foi conhecido, por se entender que havia solução de consulta, proferida para a situação específica dos autos e proposta pela própria Recorrente. Com efeito, no mérito a Recorrente alega que o regime jurídico de apuração das contribuições sociais, tome a sua atividades de instalação de elevadores como prestação de serviços de construção civil, o que determinaria a aplicação do regime cumulativo. A Recorrente obteve a solução de consulta SRRF/8ªRF/DISIT nº 446, de 18/09/2007, que ao analisar as atividades realizadas pela Recorrente de instalação de elevadores, decidiu não ser atividade de construção civil e portanto, estariam sujeita a apuração do PIS e da COFINS no regime não cumulativo. Fl. 373DF CARF MF Processo nº 11080.928896/200911 Acórdão n.º 3402005.175 S3C4T2 Fl. 0 6 Não obstante, a Recorrente protocolou nova consulta, na Superintendência da Receita Federal do Brasil na 10ª Região Fiscal (Solução de Consulta SRRF/10ªRF/DISIT nº 104, de 18 de agosto de 2008), que considerou a atividade da Recorrente como prestação de serviços de construção civil e portanto, enquadrada nas disposições do art. 10, XX, da Lei nº 10.833/2003, determinando a apuração do PIS e da COFINS no regime cumulativo.(fls. 391 a 397). O entendimento do eminente Conselheiro Winderley Morais Pereira foi no sentido de que, em sendo a solução de consulta instrumento de garantia do contribuinte para esclarecimentos quanto a aplicação da legislação, a possibilidade de consultas do mesmo contribuinte tratando da mesma matéria serem protocoladas em unidades diversas da RFB, poderia mitigar a força normativa das consultas. Por essa razão, a decisão anterior não produziria efeito, nos termos do art. 54, IV do Decreto nº 70.235/72. Contudo, a questão que se põe e da qual se diverge do ilustre relator, é precisamente sobre a possibilidade de a decisão proferida no âmbito do contencioso administrativo fiscal, se sobrepor a decisão em solução de consulta, para o mesmo contribuinte. Ora, embora pelo processo de consulta possa se entender que o contribuinte recorra à Administração para buscar a correta exegese de determinada norma jurídica, verificase o que se busca, invariavelmente, é uma medida protetiva, de cunho preventivo, para a estruturação tributária de suas operações. O fato é que no âmbito do processo de consulta, o contribuinte não comparece na condição de mero consulente, até mesmo porque, já traz em seu pedido o posicionamento que entende cabível, com a respectiva fundamentação legal, o que aliás, é condição para o processamento de sua consulta, de acordo com a legislação em vigor, sob pena de sua ineficácia. Embora o procedimento de consulta não se equipare lógica e juridicamente ao processo administrativo fiscal, o fato é que este também possui conteúdo persuasivo, buscandose convencimento da Administração, acerca de determinada interpretação. E se assim for o caso, a solução em consulta conferelhe medida protetiva, um verdadeiro escudo contra eventuais futuros entendimentos administrativos contrários. Por essa razão, apenas a solução de consulta favorável ao contribuinte tem repercussões no contencioso administrativo fiscal, no sentido de coibir o lançamento. Observese que, nessa toada, dispõe o art. 100 do Decreto n. 7574/2011: (...). Fl. 374DF CARF MF Processo nº 11080.928896/200911 Acórdão n.º 3402005.175 S3C4T2 Fl. 0 7 Acresçase, por fim, que as decisões proferidas em procedimentos de consulta e no processo administrativo fiscal são lógica e juridicamente distintas, de sorte que não se verifica quaisquer relações de hierarquia entre elas. Superadas a questão, partese para o conhecimento do mérito da lide. A atividade de instalação de elevadores deve ser caracterizada como serviço, e não como atividade de industrialização, frisandose que, na hipótese dos autos, a Recorrente aparta a atividade de fabricação dos elevadores, da de sua instalação. Além de todas os fundamentos jurídicos trazidos pela Recorrente, como o fato de que a instalação de elevadores sob encomenda ser complemento da obra de construção civil, esta, indubitavelmente subsumida ao conceito de serviço, por se agregarem ao solo, dentre outras, temse que, para efeitos da legislação federal, que passou a tributar os serviços pelas contribuições sociais, bem como instituir o instrumental necessário para o controle do comércio exterior de serviços, com a edição da Nomenclatura Brasileira de Serviços, Decreto n. 7708/2011, não há mais dúvidas quanto ao enquadramento. Destarte, de acordo com o art. 2o do decreto, a NBS será adotada como nomenclatura única na classificação das transações com serviços, intangíveis e outras operações que produzam variações no patrimônio das pessoas físicas, pessoas jurídicas e entes despersonalizados. Os serviços de instalação de elevadores estão assim dispostos: SEÇÃO I SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO Capítulo 1 Serviços de construção 1.0131 Outros serviços de instalação 1.0131.10.00 Serviços de instalação de elevadores, esteiras e escadas rolantes O direito positivo brasileiro não traz um conceito conotativo de "serviço' nem mesmo para efeitos de incidência do ISSQN, operando sempre com definições denotativas, ou seja, com listas que arrolam o que são considerados os "serviços" para efeitos de tributação. Portanto, não se questiona a validade, vigência e eficácia da Nomenclatura Brasileira de Serviços, para esse fim. Não se olvide, finalmente, que os decretos são de aplicação obrigatória para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de maneira que considerada a atividade em questão como serviço, deve ser a aplicação do regime cumulativo das contribuições sociais. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 11080.928896/200911 Acórdão n.º 3402005.175 S3C4T2 Fl. 0 8 Por essas razões, entendo que há de ser dado provimento ao recurso voluntário.Com efeito, não vislumbro a possibilidade de uma Solução de Consulta expedida pela Receita Federal do Brasil vincular, ad eternum, uma exigência tributária que se mostre claramente ilegítima. Não se trata aqui de discutir se o contribuinte poderia ou não ter formulado uma segunda Consulta Fiscal, ou mesmo qual das respostas deveria prevalecer. Tratase aqui de reconhecer a legalidade ou ilegalidade de uma exigência tributária, ou, melhor dizendo, de definição acerca do alcance de uma norma tributária. Mesmo se admitisse que, de acordo com as normas procedimentais, a segunda Solução de Consulta deveria ser tida por inexistente, tal constatação, por óbvio, não chancela a legitimidade da primeira Solução de Consulta. Afinal, este não é o meio adequado para se definir fato gerador de obrigação tributária. E, nesse sentido, trago o seguinte precedente do Superior Tribunal de Justiça que reconhece o serviço de instalação e montagem de elevadores como obra de engenharia, e não como industrialização (portanto, atraindo a incidência do regime cumulativo do PIS e da COFINS à época dos fatos geradores): TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. FORNECIMENTO DE ELEVADORES. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A atividade de fornecimento de elevadores, que envolve a produção sob encomenda e a instalação no edifício, encerra, precipuamente, uma obra de engenharia que complementa o serviço de construção civil, não se enquadrando no conceito de montagem industrial, para fins de incidência do IPI. 2. Recurso especial provido. (REsp 1231669/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/11/2013, DJe 16/05/2014) Diante do exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, exonerando o crédito tributário lançado. 7. Referida decisão apresenta um caráter vinculante, devendo ser seguida por esta Turma julgadora. Neste aspecto, todavia, não concordou o colegiado, que entende que, em tese, o colegiado poderia julgar de forma diferente daquele precedente paradigmático, haja vista que se está diante de outro lote de processos (ainda que referentes aos mesmíssimos fatos e com as mesmíssimas partes litigantes). Deixo tais considerações aqui registradas em razão do disposto no esquizofrênico art. 63, Fl. 376DF CARF MF Processo nº 11080.928896/200911 Acórdão n.º 3402005.175 S3C4T2 Fl. 0 9 §8º do RICARF1, que determina que as conclusões adotadas pelo colegiado seja externada por aquele Conselheiro que divergiu (e continua divergindo) e que foi vencido em relação à tais conclusões. 8. Tais considerações do colegiado, entretanto, não trazem qualquer repercussão no caso prático, até porque, no que tange ao mérito, a Turma julgadora aderiu integralmente com as precisas considerações elaboradas pela então Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e replicadas pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (transcritas alhures), motivo pelo qual emprego tais fundamentos para fins de motivação do presente voto, o que faço com amparo no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/992. Dispositivo 9. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. 10. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. 1 "Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...). § 8º Na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros." 2 "Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...). § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...)." Fl. 377DF CARF MF Processo nº 11080.928896/200911 Acórdão n.º 3402005.175 S3C4T2 Fl. 0 10 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado deu provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra . Fl. 378DF CARF MF
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Numero do processo: 16707.002551/2003-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1998
DA EXISTÊNCIA DOS CRÉDITOS FISCAIS PASSIVEIS DE COMPENSAÇÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
A diligência realizada confirmou a existência de créditos passíveis de compensação.
Lançamento Improcedente.
Numero da decisão: 1401-002.371
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1998 DA EXISTÊNCIA DOS CRÉDITOS FISCAIS PASSIVEIS DE COMPENSAÇÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. A diligência realizada confirmou a existência de créditos passíveis de compensação. Lançamento Improcedente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
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PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. A diligência realizada confirmou a existência de créditos passíveis de compensação. Lançamento Improcedente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 25 51 /2 00 3- 41 Fl. 239DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em Recife (PE) que julgou parcialmente procedente a impugnação administrativa apresentada pelo contribuinte, para manter em parte o crédito tributário exigido. Tratase de auto de infração lavrado contra o contribuinte ora identificado, com origem em revisão da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (DIRPJ), correspondente ao anocalendário de 1988, exercício de 1999, através do qual foi constituído crédito tributário no valor de R$ 259.760,51, referente ao IRPJ, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, conforme tabela abaixo: IRPJ Principal R$100.243,32 Multa R$ 75.182,49 Juros R$ 84.334,70 Valor Total: R$ 259.760,51 As exigências tributárias decorrem da "não realização do lucro inflacionário acumulado, que deveria ter sido realizado ao menos no percentual mínimo exigido pela legislação de regência". Ciente da autuação fiscal, o interessado apresentou IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA em 08/09/2003 (fls. 45 /68), na qual alegou: 1. Afirmou que "já se extinguiu o direito de constituir o crédito tributário em relação aos anoscalendários de 1993/1995, razão pela qual o fisco deveria ter considerado a repercussão desse fato na base de calculo utilizada para a exação fiscal". 2. A fiscalização “não levou em consideração o prejuízo fiscal apurado na DIPJ nem o valor do lucro inflacionário realizado, cobrando o IRPJ sobre o valor de R$ 424.973,31, como se não houvesse valor a compensar”. 3. Diz que em 12/03/03, "a empresa retificou de forma espontânea a DIPJ do ano calendário de 1998. Na ficha 10 consta um prejuízo contábil no valor de R$ 139.160,71, e a adição de lucro inflacionário realizado no valor de R$ 100.000,00, restando ao final, um saldo de prejuízo fiscal no valor de R$ 39.160,71". 4. Afirma que no "LALUR, a empresa tem registrado um saldo de R$ 222.526,28, correspondente à (Baixa de Bens/Custos bens baixados DIFER. IPC/BTNF), que provém da adição ao lucro real da quantia de R$ 265.859.844,00, na DIPJ do períodobase de 1991. Tal parcela, correspondente ao cursos dos bens baixados relativos à diferença de correção monetária pelo IPC/BTNF, poderá ser deduzida a partir do Fl. 240DF CARF MF Processo nº 16707.002551/200341 Acórdão n.º 1401002.371 S1C4T1 Fl. 240 3 exercício financeiro de 1994, períodobase de 1993, consoante prevê o art. 39 do Decreto nº 332/91". 5. Diz que "no demonstrativo de apuração do imposto consta o período base como sendo de 01/10/1998 a 31/12/1998, tratandose de equivoco lamentável, vez que o período base coincidiu com o ano calendário (01/01 a 31/12/1998). Com consequência disto, a base tributável foi calculada incorretamente. 6. Aduz que a fiscalização cometeu mais um equivoco, "considerou realizado lucro inflacionário em valor superior ao mínimo exigido. Se a empresa antecipou a realização do lucro inflacionário no ano calendário de 1997, já cumpriu o que determina a legislação, considerando que a legislação determina o percentual mínimo de 10%, o valor correto aplicado seria de R$ 92.477,77". 7. Argumenta que "para comprovar a improcedência do auto de infração, anexou a cópia da ficha de controle inflacionário, constante da parte B do LALUS, relativo ao ano calendário de 2000. Nele podese verificar o controle do lucro inflacionário da empresa, ressaltandose a coincidência, com o consignado no SAPLI, do saldo existente em janeiro de 1993, no valor de R$ 49.211.728,00 (sic)". 8. Requereu a improcedência integral do lançamento. Requereu ainda, a realização de pericia contábil. O Acórdão ora Recorrido (1119.400 5ª Turma da DRJ/REC) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 Lançamento Suplementar. Compensação de Prejuízos Fiscais. Observados os requisitos legais, os prejuízos fiscais podem ser utilizados para compensar o crédito tributário apurado em procedimento de ofício. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO POSTERIOR À CIÊNCIA DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível antes de cientificado do início do procedimento fiscal. Lançamento Procedente em Parte. Depreendese do entendimento da turma julgadora, que o "valor de lucro inflacionário que a impugnante diz ter realizado no anocalendário de 1997, no valor de R$ 2.900.000,00 já está devidamente consignado no "SAPLI", reduzindo o saldo a realizar nos períodos seguintes. Os valores relativos aos anoscalendários de 1996/1998 foram realizados de ofício, e divergem do demonstrativo porque reconhecida a decadência em relação a períodos anteriores ao da realização”. Acerca da compensação de prejuízos fiscais segundo entendimento da Turma, “como afirma a impugnante foi entregue no anocalendário de 1988, a DIPJ sujeita à Fl. 241DF CARF MF 4 apuração anual, enquanto a autoridade lançadora estimou o IRPJ como se a apuração fosse trimestral. Nesse contexto, o adicional não poderia ter sido estimado com base no que ultrapassasse o valor de R$ 60.000,00 referente ao 4º trimestre, mas R$ 240.000,00 referente a todo o períodobase, o que no caso não resultaria na cobrança de imposto a título de adicional ao IRPJ”. Dessa forma, a turma julgou procedente em parte a impugnação apresentada para manter o IRPJ (principal), exigido no auto de infração, no valor de R$ 18.334,98, sobre o qual incidirão multa de ofício e juros de mora, reduzindo o saldo de prejuízos fiscais em R$ 52.385,66. Ciente da decisão do Acórdão em 18/07/2007 (fls.158) que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada, o contribuinte interpõe Recurso Voluntário em 07/08/2007 (fls. 164/191), alegando as seguintes razões: 1. DO ARROLAMENTO DE BENS PARA PROSSEGUIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. EXIGÊNCIA DECLARADA INSCONSTITUCIONAL PELO SUPREMO: Diz que deixou de apresentar o arrolamento de bens como um requisito de admissibilidade do recurso administrativo, em face da declaração de inconstitucionalidade de tal medida declarada pelo STF na Adin nº 1977. 2. DA RETIFICAÇÃO ESPONTÂNEA DA DIPJ DO ANO CALENDÁRIO DE 1998 PERÍODO DE 01/01/98 A 31/12/98: Aduz que "deveria ter sido aceita a retificação efetuada pela recorrente da DIPJ 1999 em 12/07/2003, haja vista ter readquirido o direito a espontaneidade no final de abril daquele ano calendário, já que antes da ciência do lançamento pela empresa (18/07/2003), único ato escrito e inquisitório promovido pela autoridade fiscal, qual seja, a intimação para prestação de informações deuse em 27/02/2003". 3. DA EXISTÊNCIA DOS CRÉDITOS FISCAIS PASSIVEIS DE COMPENSAÇÃO NO ANO CALENDÁRIO DE 1998, SEM QUALQUER RESTRIÇÃO. DEVER DE COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO: Aduz que "a baixa de bens e os encargos de depreciação decorrente da diferença de correção monetária IPC/BTNF, já que não se trata de retificação de declaração com fundamento em erro, mas apenas de exclusão do lucro real não feito oportunamente pela recorrente em face da situação de prejuízo fiscal em que se encontrava no ano calendário de 1998". Solicita diligencia para que seja confirmada a existência do saldo devedor de correção monetária relativa à baixa de bens e aos encargos de depreciação diferença IPC/BTNF". 4. DO LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZADO. CALCULO INCIDENTE SOBRE O SALDO DO LUCRO INFLACIONÁRIO ACUMULADO NO ANO ANTERIOR. FUNDAMENTOS LEGAIS DO AUTO DE INFRAÇÃO NÃO PASSIVÉIS DE ALTERAÇÃO PELA AUTORIDADE JULGADORA: Afirma que a DRJRecife inovou o lançamento e firmou novo entendimento, contrariando a fundamentação legal apontada no auto de infração, o que é vedado à autoridade julgadora, por força do art. 1º da Lei nº 8.748/93. Assim, diz que "em tendo sido retificado de forma espontânea o lançamento, Fl. 242DF CARF MF Processo nº 16707.002551/200341 Acórdão n.º 1401002.371 S1C4T1 Fl. 241 5 através da DIPJ, entregue em 12/07/2003, quando foram adicionados ao lucro real RS 100.000,00 a título de lucro inflacionário realizado, tornase evidente que foi cumprida a norma legal, vez que esse valor ultrapassa ao mínimo de RS 17.561,89, estabelecido no art. 8 da Lei nº 9.065/1995”. 5. Requereu o provimento do recurso voluntário interposto. Às fls. DESPACHO DA 5ª TURMA/DRJ/REVIFE/PE PARA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. – Considerando o entendimento jurisprudencial do primeiro Conselho de Contribuintes, “os procedimentos dessa natureza correspondem a uma via dupla, sendo cabível ao Fisco exigir tributo sobre os resultados ainda devidos, decorrentes de falta de apropriação de correção monetária de balanço, porém, é certo que o saldo da conta de correção monetária resulta de lançamentos a crédito e à débito. Assim, devese levar em conta, que caso o contribuinte tivesse procedido ao aproveitamento de saldos de correção monetária passiveis de exclusão teria também como conseqüência um valor menor na base de cálculo do lucro real”. O Julgamento foi convertido em diligência para que a fiscalização certificasse o saldo apontado pela recorrente no demonstrativo que faz alusão ao controle na parte B do Lalur (fls. 36). Às fls. 226/227 – TERMO DE DILIGÊNCIA DO PROCEDIMENTO FISCAL que chegou à seguinte Conclusão: “Com base nas informações prestadas no LALUR e nas declarações de Imposto de Renda entregues pelo contribuinte à RFB, concluise que ele possui saldo de créditos a serem compensados no valor de R$ 223.521,82, referentes à BAIXA DE BENS/CUSTO DOS BENS BAIXADOS/DIFER. IPC/BTNF LEI Nº 8200/91”. Intimado do resultado da diligência o Recorrente quedouse inerte. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao eprocesso. O caso em análise é absolutamente simples e decorre de matéria de fato e análise de prova. Em sede de impugnação o contribuinte teve reduzida a exigência fiscal para manter o IRPJ (principal), exigido no auto de infração, no valor de R$ 18.334,98. Já em Recurso o contribuinte insiste na existência de créditos compensáveis no referido exercício, razão pela qual em atenção ao princípio da verdade material o processo foi convertido em diligência para verificar a autenticidade dos créditos passíveis de compensação, relativos à ‘BAIXA DE BENS/CUSTO DOS BENS BAIXADOS DIFER/IPC/BTNF LEI 8200/91’ constantes da impugnação, às fls. 56 e 57 dos autos, e devidamente registrados no LALÜR. Fl. 243DF CARF MF 6 Na realização da diligência o agente fiscal conseguiu obter os documentos necessários nos autos do PAF nº 16707.2016/200129 e conseguiu confirmar que com base nas informações prestadas no LALUR e nas declarações de Imposto de Renda entregues pelo contribuinte à RFB, o Recorrente possui saldo de créditos a serem compensados no valor de R$ 223.521,82, referentes a BAIXA DE BENS/CUSTO DOS BENS BAIXADOS DIFER. IPC/BTNF LEI 8200/91. Assim, havendo créditos suficientes para satisfação do crédito remanescente, que não foram considerados e compensados quando do lançamento, assiste razão ao Recorrente, razão pela qual voto pelo provimento integral do Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 244DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.900321/2008-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-004.924
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 03 21 /2 00 8- 15 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13884.900321/200815 Acórdão n.º 3401004.924 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de declaração de compensação, realizada com base em suposto crédito de contribuição social originário de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, em razão da inexistência de crédito disponível. Cientificada desse despacho, a manifestante protocolou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos, pois não considerou os termos do parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/98, quando apurou as bases de cálculos das contribuições; o único fundamento para a glosa das compensações é uma pretensa inexistência de crédito; não foi sequer solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não o crédito; tivesse a autoridade intimado o contribuinte, teria acesso As planilhas de apuração, podendo verificar a regularidade do encontro de contas efetuado; pelas razões alegadas, deve ser anulado o despacho decisório, determinando que a autoridade efetue as diligências necessárias para comprovar a origem e existência do crédito utilizado, alternativamente, requer que seja logo homologada a compensação. Ao final pede deferimento da presente manifestação de inconformidade" . A Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 0530.577, em que se decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que "os valores faturados, ainda que repassados a terceiros, compõem a base tributável da contribuição social, em face da inexistência de permissivo legal para sua exclusão". Devidamente notificada desta decisão, a recorrente interpôs tempestivamente o recurso voluntário ora em apreço, no qual reitera as razões vertidas em sua impugnação. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13884.900321/200815 Acórdão n.º 3401004.924 S3C4T1 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.923, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 13884.900342/200831, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.923): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: Conforme relatado, a não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de estar o Darf informado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos da contribuinte. No caso, a contribuinte transmitiu sua DCOMP compensando débito com suposto crédito de contribuição social decorrente de pagamento indevido ou a maior, apontando um documento de arrecadação como origem desse crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte na DCOMP foi realizada também de forma eletrônica, cotejandoos com os demais por ela informados A. Receita Federal em outras declarações (DCTFs, DIPJ, etc), bem como com outras bases de dados desse órgão (pagamentos, etc), tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito de Cofins da interessada. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito liquido e certo) para suportar uma nova Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13884.900321/200815 Acórdão n.º 3401004.924 S3C4T1 Fl. 5 4 extinção, desta vez por meio de compensação. Dai a não homologação, não havendo qualquer nulidade nesse procedimento. Sobre o motivo da não homologação, como já antes explicitado neste voto, revelase procedente, pois, de acordo com as próprias informações prestadas pela contribuinte Receita Federal, o direito creditório apontado na DCOMP era inexistente. Não obstante, agora, em sede de manifestação de inconformidade, pretende a contribuinte demonstrar que seus débitos de contribuição social antes declarados e pagos são indevidos, pois não havia considerado, quando da apuração da base de cálculos das contribuições, o disposto no parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei n° 9.718/1998. Em termos legais, significa ver excluídos da receita bruta os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para terceiros, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo. Neste ponto, fazse necessário destacar que, por força de sua vinculação aos atos legais, assim como àqueles emanados por autoridades que lhe são hierarquicamente superiores, este colegiado está adstrito à interpretação que a própria administração pública dá legislação tributária. 110 A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Ato Declaratório SRF n°56, de 20 de julho de 2000, já se posicionou a respeito da situação em exame: Ato Declaratório SRF n° 56, de 2000: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do art. 20 do art. 3° da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; Considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 9 de junho de 2000; Considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de I° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a titulo de valores que, computados Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13884.900321/200815 Acórdão n.º 3401004.924 S3C4T1 Fl. 6 5 como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica" (destacouse). Esse entendimento torna sem força a argumentação alegada pela Contribuinte no sentido de que as provas dos alegados créditos, consistentes em planilhas de apuração da contribuição social, deveriam ser examinadas na busca da constatação da regularidade do encontro de contas, uma vez que o crédito calcado neste dispositivo é inexistente. Diante de tudo exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o disposto no despacho decisório da unidade de origem. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato",1 postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. 2 Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401 003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 2 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13884.900321/200815 Acórdão n.º 3401004.924 S3C4T1 Fl. 7 6 Acrescese a tal constatação o intento da contribuinte de ver compensado seu débito com crédito fundado em quaestio jurídica que busca inaugurar em fase de instauração de contencioso administrativo posterior à apresentação de sua declaração de compensação, com a apresentação de sua impugnação, sob o pálio do argumento de que devem ser expurgados da receita bruta, ainda que assim escriturados, os valores que tenham sido transferidos para terceiros, nos termos do § 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/1998, argumento que se encontra em contrariedade com o preceptivo normativo do Ato Declaratório SRF n° 56, de 20/07/2000. Independentemente da discussão respeitante à matéria, no entanto, o que se constata é que a compensação tem por base direito creditório ilíquido e incerto, carente de prova de sua constituição definitiva, uma vez que a contribuinte somente poderia utilizar, na compensação de débitos próprios relativos a tributos administrados pela RFB, crédito passível de restituição ou de ressarcimento. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 71DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.002291/2001-31
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001
RECURSO ESPECIAL FAZENDÁRIO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se admite recurso especial quando não há similitude fática entre os acórdãos paradigmas e o acórdão recorrido.
RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE. NÃO PROVIMENTO.
É defeso ao Julgador Administrativo afastar a exigência fiscal, em vista da literalidade do disposto no art. 1° do Decreto n. 5/91. Referido dispositivo indica expressamente a forma de fruição do beneficio fiscal em referência, não permitindo que tal beneficio tenha qualquer reflexo sobre o valor do adicional do IRPJ a ser recolhido pelo contribuinte.
Numero da decisão: 9101-003.456
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencido o conselheiro Rafael Vidal de Araújo, que conheceu parcialmente do recurso. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. Declararam-se impedidas de participar do julgamento a conselheira Cristiane Silva Costa, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à conselheira Cristiane Silva Costa), Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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EMBRACO. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 RECURSO ESPECIAL FAZENDÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. Não se admite recurso especial quando não há similitude fática entre os acórdãos paradigmas e o acórdão recorrido. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE. NÃO PROVIMENTO. É defeso ao Julgador Administrativo afastar a exigência fiscal, em vista da literalidade do disposto no art. 1° do Decreto n. 5/91. Referido dispositivo indica expressamente a forma de fruição do beneficio fiscal em referência, não permitindo que tal beneficio tenha qualquer reflexo sobre o valor do adicional do IRPJ a ser recolhido pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencido o conselheiro Rafael Vidal de Araújo, que conheceu parcialmente do recurso. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento. Declararamse impedidas de participar do julgamento a conselheira Cristiane Silva Costa, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 22 91 /2 00 1- 31 Fl. 1570DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à conselheira Cristiane Silva Costa), Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela PGFN e pelo contribuinte em epígrafe. Na origem, o lançamento, na parte que interessa ao presente julgamento, abrangeu as seguintes questões: 1. Exclusão indevida, nos anos de 1996 a 1998, na apuração do lucro real, de valores referentes ao lucro da exploração calculado com base em exportações realizadas ao abrigo do programa BEFIEX, tributado pelo contribuinte pela alíquota de 6%; O Fisco entendeu indevida a tributação, por alíquota diferenciada reduzida, das exportações nos anoscalendário de 1996 a 1998. Argumentou que o DecretoLei 2.397/87, por seu artigo 11, passou a tributar integralmente pelo 1RPJ o lucro decorrente das exportações, ressalvados, de acordo com o parágrafo único, os projetos aprovados ate 31 de dezembro de 1987. Já o DecretoLei 2.413, de 10 de fevereiro de 1988, amenizou tal tributação, determinando alíquotas beneficiadas de 3% e 6%, para os exercícios de 1989 e 1990, respectivamente. Por fim, o DecretoLei 2.433, de 19 de maio de 1988, revogou o DecretoLei 1.219/72, determinando uma nova política industrial para concessões de benefícios, ressalvando, em seu artigo 27, os projetos ate então examinados pela Secretaria Executiva do Conselho de Desenvolvimento Industrial. Baseado na convicção de que a aprovação do programa da empresa Consul S.A. só se deu em 14 de julho de 1988, e, ainda, que a inclusão do contribuinte neste mesmo programa ocorreu apenas em 29 de dezembro de 1989, definiu como indevida a utilização da alíquota de 6% pelo contribuinte. 2. exclusão indevida do lucro liquido na apuração do lucro real da parcela referente ao Programa de Alimentação ao Trabalhador, nos anos de 1996 a 2000, do valor referente ao dobro das despesas realizadas com o PAT. Sobre essas duas matérias, ao fim e ao cabo do julgamento do Recurso Voluntário e Embargos de Declaração que vieram posteriormente, restou decidido o quanto segue: Fl. 1571DF CARF MF Processo nº 10920.002291/200131 Acórdão n.º 9101003.456 CSRFT1 Fl. 1.571 3 1. Foi dado provimento ao Voluntário, para cancelamento de lançamento referente à exclusão do lucro do exercício do lucro da exploração das operações abrangidas pelo BEFIEX, entendendose como correto o cálculo realizado pelo contribuinte, dada permissão contida no artigo 27 do DecretoLei 2.433/88; Para o colegiado a quo, o contribuinte aderiu a programa já existente, da empresa Consul S.A., conforme previa o artigo 50, § 2° do DecretoLei n° 1.219/72 e assim concluiu que a solidariedade vale tanto para as responsabilidades como para as condições contratuais estabelecidas no próprio programa. Literalmente, assentou: "Por este motivo, concordo com as alegações da recorrente de que sua adesão foi a um programa preexistente, nas condições jurídicas e econômicas já estabelecidas, portanto com efeitos ex tunc". 2. Foi dado provimento parcial ao recurso para excluir da tributação parte da glosa do incentivo do PAT incidente sobre o IRPJ normal, remanescendo apenas a tributação sobre o adicional do IRPJ. Intimada dessa decisão, a Fazenda Nacional apresenta Recurso Especial de Divergência, sustentando que: ü O acórdão recorrido compreendeu que a adesão da contribuinte ao programa, como co participante não teria efeito apenas a partir de seu ingresso no programa, mas efeito ex tunc. Ou seja, o beneficiário que adere posteriormente ao programa BEFIEX pode gozar do mesmo tratamento fiscal mais benéfico que o titular do programa, considerandose a data em que o programa foi aprovado em relação ao titular; ü Tal interpretação não pode prevalecer, o efeito do ingresso do contribuinte deve ser apenas ex nunc; ü o contribuinte não observou a metodologia de cálculo de dedução das despesas relativas ao PAT de acordo com o Decreto 5/91. No caso concreto, não foi deduzido do imposto devido o valor resultante da aplicação da alíquota do imposto sobre a totalidade das despesas com o PAT. Não é cabível qualquer alegação de que o resultado prático dessa metodologia e da sistemática utilizada seria o mesmo. O Recurso da Fazenda foi integralmente conhecido, conforme despacho de admissibilidade. Intimado da decisão e do Recurso da Fazenda o contribuinte apresenta contrarrazões, pugnando pelo não conhecimento do Recurso Fazendário e, no caso de seu conhecimento, pela sua improcedência. Além das contrarrazões o contribuinte também apresenta Recurso Especial de divergência, alegando que o incentivo ao PAT também surte efeitos quanto ao adicional de alíquota do IRPJ, já que, nos termos da Lei é o Lucro tributável que é reduzido pelo benefício, Fl. 1572DF CARF MF 4 de modo que toda a apuração do imposto e adicional subsequentes também são impactadas pelo incentivo. Assim, é ilegal o Decreto 5/91 que traz regra distinta da Lei ao impor a aplicação da alíquota do imposto sobre as despesas com o PAT, para fins de dedução do imposto devido. O Recurso do contribuinte foi integralmente conhecido, conforme despacho de admissibilidade. Intimada do Recurso do contribuinte, a Fazenda Nacional apresenta contrarrazões, pugnando pelo seu não provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator CONHECIMENTO Sobre a admissibilidade do Recurso do contribuinte, entendo não haver reparos a serem feitos no despacho de admissibilidade. Nem mesmo a Fazenda se insurgiu quanto a isso. Assim, conheço do recurso do contribuinte nos moldes do despacho de admissibilidade. Com relação ao recurso da Fazenda, insurgese o contribuinte contra seu conhecimento, em relação à ambas matérias discutidas. a) PAT Em relação à matéria cálculo do PAT, entendo ter razão o contribuinte. Conforme decisão recorrida, o incentivo ao PAT não é aplicável em relação à ao adicional de IRPJ, mas, para o cálculo do IRPJ à alíquota de 15%, o Decreto 5/91, apesar de trazer forma de cálculo distinta da forma trazida pela Lei, não extrapola seu limite, sendo o resultado de ambas formas de cálculo igual. Entendeuse que o cálculo do benefício através da dedução em dobro das despesas na apuração do Lucro Real (fórmula legal) e a dedução do valor da aplicação da alíquota do imposto sobre as despesas com o PAT do imposto devido chegam ao mesmo resultado em relação ao imposto calculado pela alíquota de 15%. Nesse contexto, foi dado parcial provimento ao recurso do Contribuinte, para cancelar o lançamento em relação ao imposto com base na alíquota de 15%. Com relação ao primeiro paradigma trazido pela Fazenda (Ac.910100.147) é evidente a impossibilidade de identificação da divergência. Isso porque a conclusão no sentido de impossibilidade do julgador administrativo afastar a aplicação do Decreto por ilegalidade, o foi apenas com relação ao adicional do IRPJ, conforme se pode ver da seguinte passagem do voto do Relator: A despeito dos precedentes administrativos e jurisprudenciais sobre o tema e do fato de esta tributação ser manifestamente censurável face às disposições da Lei n. 6.321/76 pelos motivos acima mencionados, entendo que e defeso ao Julgador Fl. 1573DF CARF MF Processo nº 10920.002291/200131 Acórdão n.º 9101003.456 CSRFT1 Fl. 1.572 5 Administrativo afastar a exigência fiscal impugnada, em vista da literalidade do disposto no art. 1° do Decreto n. 5191 e nos artigos 428 e 429 do RIRJ80. Referidos dispositivos indicam expressamente a forma de fruição do beneficio fiscal em referencia, não permitindo que tal beneficio tenha qualquer reflexo sobre o valor do adicional do IRPJ a ser recolhido pelo contribuinte. Ou seja, no caso do paradigma foi mantido lançamento com base na impossibilidade de se aplicar o incentivo relativo ao PAT em relação ao adicional de IRPJ. Na decisão recorrida, da mesma forma, entendeuse que o incentivo ao PAT também não seria aplicável em relação ao adicional de IRPJ. Logo, não há divergência de entendimentos, mas, sim, convergência. Portanto, não se pode conhecer do recurso da Fazenda em relação à este acórdão paradigma. Em relação ao segundo paradigma, melhor sorte não cabe à Fazenda, pelo mesmo motivo. Vêse do relatório do acórdão paradigma que o ponto a ser decidido também foi com relação ao adicional de IRPJ, nos seguintes termos: 3. A Fiscalização identificou dedução a maior do incentivo fiscal relativo ao Pat. O contribuinte utilizou metodologia diversa da prevista em regulamento para dar efetividade ao incentivo. Não foi deduzido do imposto devido o valor resultante da aplicação da alíquota do imposto sobre a totalidade das despesas com o Pat. O interessado deduziu parte dos gastos com o programa do resultado tributável. A diferença de procedimento gera como efeito o aumento do beneficio, pois dessa forma o incentivo é calculado não só com base na alíquota do imposto, mas também com base na alíquota do imposto adicional. No caso sob análise, o contribuinte efetuou gastos de R$ 245.646,00 no anocalendário 1995 e de R$ 268.572,80 no anocalendário 1996. As deduções ao resultado tributável foram parciais, nos montantes de R$ 212.092,88 no anocalendário 1995 e de R$ 196.914,81 no anocalendário 1996. Mesmo considerando a integralidade dos gastos com o Pat, a equipe fiscal apurou recolhimento a menor do IRPJ nos valores de R$ 29.788,44, relativamente no anocalendário 1995, e de R$ 8.942,80 relativamente ao anocalendário 1996 (vide quadro demonstrativo à folha 28). Adentrandose ao voto do relator mais evidente ainda fica o ponto de que a discussão girou em torno dos efeitos do incentivo ao PAT em relação ao adicional do IRPJ. Isso fica ainda mais evidente quando o relator valese da primeira decisão proferida pelo CARF nos presentes (acórdão 10807564) autos para justificar o argumento de que o adicional do IRPJ não seria afetado pelo incentivo ao PAT. Isso fica evidente com a seguinte passagem do acórdão transcrito pelo paradigma: Já se disse que o efeito é quanto ao adicional, pois em uma empresa que não chegue a pagar o adicional do imposto de renda a parcela a deduzir seria a mesma, seja pela exclusão da Fl. 1574DF CARF MF 6 despesa no lucro real ou pela dedução mediante aplicação da alíquota no total dos dispêndios. Mais adiante, o relator do acórdão paradigma cita outro julgado que trata também dos efeitos do incentivo quanto ao adicional do IRPJ, conforme se pode ver abaixo: O tema já foi enfrentado por esta Câmara, a exemplo do Acórdão n° 10321.338/2003, assim ementado: "PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR DEDUÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO Limitase a 5% (cinco por cento) do Imposto devido à • dedução para o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, e para efeito de cálculo do limite de dedução não inclui o imposto adicional. Negado provimento." Como se vê, também no caso desse segundo paradigma a discussão girou em torno de seu impacto no cálculo do adicional de IRPJ, culminando com a decisão no sentido de que não haveria impacto, da mesma forma que a decisão contida nos presentes autos. Logo, não há divergência de entendimentos, mas, sim, convergência. Portanto, também não se pode conhecer do recurso da Fazenda em relação à este acórdão paradigma. b) BEFIEX Como já mencionado, a Fazenda objetiva discutir os efeitos da habilitação de coobrigado ao programa BEFIEX já concedido, se ex tunc ou ex nunc. No caso do acórdão recorrido entendeuse que a habilitação de coobrigado opera efeitos ex tunc. A Fazenda justifica que no caso do paradigma de nº 10507416 entendeuse que tais efeitos seriam ex nunc. Contudo, ao consultar o voto do referido acórdão não se pode verificar qualquer menção aos efeitos da habilitação. A decisão pautouse em outras razões de decidir. Inicialmente, importante explicar que o caso do paradigma originouse em retificação de DIPJ pelo contribuinte, com o objetivo de alterar apuração do IRPJ inicialmente feita sem se considerar o incentivo do BEFIEX, para apuração com referido benefício, haja vista posterior cohabilitação da autuada. Contudo, as razões de decidir da Turma julgadora, como já dito, não se pautaram nos efeitos da cohabilitação. Tendo em vista que foi breve o voto ali proferido, peço vênias para sua integral transcrição: O recurso é tempestivo, dele tomo conhecimento. Em exame matéria inerente ao não acolhimento de retificação de declaração de rendimentos. Entendo não caber razão à contribuinte. Não vejo, no caso, qualquer hipótese que possa ensejar o entendimento quanto ao conhecimento de um pedido de retificação de Declaração do IRPJ. Fl. 1575DF CARF MF Processo nº 10920.002291/200131 Acórdão n.º 9101003.456 CSRFT1 Fl. 1.573 7 Neste sentido, adoto e transcrevo as razões de decidir da autoridade anterior, de seguinte tese: Não bastassem estas afirmativas, outros elementos firmam minha convicção quanto a improcedência do pleito da recorrente. a saber: a) o artigo 19 da Lei 1.219/72 (que ampara o programa BEFIEX), estabelece à possibilidade apenas para as empresas fabricantes de produtos manufaturados. Este fato por si só., desfigura o enquadramento solicitado; b) Porém, a PGFN ainda admite a presença de Empresas Comerciais ir Exportadoras no BEFIEX, talvez por interpretação analógica do ar artigo 43 do Decreto 96.760, mas ainda assim a recorrente não estaria beneficiada, já que à época de seu enquadramento ainda era uma sociedade limitada impossível de ser "Trading Company" ver docs. das fls. 90, 72 e 03; c) Não pode aproveitar também a recorrente a possibilidade de ter ocorrido uma cisão, já que demonstrado e provada a inexistência de tal hipótese. Em suma, impossível o enquadramento pleiteado, e, em consequência„ a fluicão de benefícios no âmbito do IRPJ. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. É o meu voto. Como se vê, em nenhuma passagem da decisão paradigmática trazida há qualquer menção acerca dos efeitos da cohabilitação. Logo, não há como vislumbrar a divergência mencionada pela Fazenda. No paradigma de nº 30329640 discutiuse a possibilidade de transferência de mercadorias importadas com suspensão do Imposto de Importação e IPI no âmbito do programa BEFIEX de uma sociedade detentora do incentivo para outra sociedade, resultante de cisão dessa sociedade beneficiada. A discussão girou em torno do período posterior à cisão até o momento em que reconhecido o mesmo tratamento fiscal à empresa originária da cisão. É o que se pode depreender da seguinte passagem do voto respectivo: Neste ponto, a interessada sustenta que a GEVISA teria se tornado participante do Programa BEFIEX da GEBrasil através do ato de cisão, e que o Termo Aditivo de inclusão da GEVISA operou apenas um efeito declaratório e não constitutivo do direito da nova sociedade. Como se pode ver, o que se discutiu foram os efeitos da cisão em relação ao incentivo, melhor dizendo, se os direitos ao incentivo também teriam acompanhado a parcela cindida, de modo que a nova sociedade que surgiu com tal operação societária já o possuía de plano ou se dependia de reconhecimento prévio. Fl. 1576DF CARF MF 8 Discutiuse se a transferência com suspensão do II e IPI necessitava ou não de comunicação prévia à BEFIEX, nos moldes exigidos pelo DL 1.219/72, artigo 5º, abaixo transcrito: Art. 5º Poderá ser admitida a participação de mais de uma empresa na proposição, implementação e execução do programa de exportação, ficando, neste caso, facultada, mediante comunicação prévia à BEFIEX e, a preços por esta fixados, a transferência, a título oneroso, entre as empresas integrantes do mesmo programa, dos bens importados com os benefícios previstos no artigo 1º deste Decretolei. A questão foi resolvida com base no ADN CST n° 08/84, que tratava especificamente da possibilidade de transferência de bens importados com benefício fiscal com a suspensão do II e IPI para a cisão, dentre outras operações societárias. Vale aqui a transcrição da seguinte passagem do voto do relator: Para resolver este ponto especifico, penso que é útil que nos socorramos do ADN CST n° 08/84, que define "I as hipóteses de integralização de capital social, por pessoa física ou jurídica, incorporacão, fusão, cisão,sucessão de sociedades que configurem transferência de propriedade ou de bens importados com benefícios fiscais, antes de decorridos 5 anos do seu reconhecimento, sujeitamse as disposições da IN SRF n° 02/79. (grifo meu). II Verificada, nesses casos, a impossibilidade real de obtenção da decisão prévia da autoridade fiscal, a transferência de bens, com manutenção dos benefícios, poderá ser objeto de homologação posterior, mediante expressa concordância do órgão concedente (a Comissão Befiex), se for o caso, e observados os demais procedimentos previstos na referida IN "(grifos meus). Resta claro que a legislação regente abre uma possibilidade para que quando por algum motivo não tenha sido previamente obtida a autorização da SRF, possa haver homologação posterior. As exigências para que tal homologação possa ocorrer são, no presente caso, que haja expressa concordância da Comissão Befiex, já ocorrida, e logicamente que a SRF não oponha nenhuma razão concreta capaz de fazer desmoronar o direito reconhecido pela referida Comissão. Ao longo das peças processuais nenhuma outra razão foi apontada pela Administração Tributária que não fosse a falta de sua autorização previa. A decisão de Primeira Instância reconheceu, a meu ver corretamente, a validade das guias de importação correspondentes aos bens importados com isenção. 0 Termo Aditivo 681X192 concedeu à Gevisa S/A o mesmo tratamento fiscal dispensado à GE Brasil no que diz respeito aos benefícios fiscais sob análise. Por todo o exposto, diante do fato de que as empresas cindida e sucessora cumpriram suas obrigações diante do Programa Fl. 1577DF CARF MF Processo nº 10920.002291/200131 Acórdão n.º 9101003.456 CSRFT1 Fl. 1.574 9 Befiex, que a Comissão Befiex reconheceu à GE VISA S/A o mesmo tratamento fiscal que havia estabelecido para a GE Brasil a partir de 14/12/92, concluo, s.m.j, que apenas são devidos os tributos (II e IPIvinculado) referentes aos bens importados com isenção pela GE e transferidos a GEVISA S/A no período compreendido entre 16/09/92 e 14/12/92. Pois bem. Como se pode ver, não há qualquer similitude fática e/ou jurídica entre tal acórdão paradigma e o caso presente. Do ponto de vista fático, o evento cisão é deveras importante para o caso paradigmático. No presente caso, sequer operação societária de cisão ou qualquer outra semelhante houve. Do ponto de vista jurídico, as normas aplicadas no caso paradigmático são específicas para a situação fática ali avaliada (ADN CST n° 08/84), trazendo procedimentos específicos e tratando de tributos específicos, quais sejam II e IPI suspensos. No caso dos autos, discutese a cohabilitação de empresa ao BEFIEX e seus efeitos quanto ao benefício no âmbito do IRPJ. São situações fáticas e jurídicas completamente distintas. Logo, entendo não restar demonstrada a divergência capaz de fazerse admitir o recurso da Fazenda. Nesse contexto, não conhecer do recurso da Fazenda Nacional. MÉRITO RECURSO DO CONTRIBUINTE Com relação ao recurso apresentado pelo Contribuinte, tenho posição semelhante ao relator do Acórdão 910100147, no sentido de que, apesar de meu entendimento pessoal quanto legalidade da aplicação do incentivo ao PAT também para o adicional do IRPJ, na condição de julgador administrativo não possuo competência para julgar a ilegalidade ou inconstitucionalidade de atos emanados do poder executivo. Não entendo que se trata de interpretação do Decreto conforme a Lei, como aduz o Contribuinte em sede recursal. Mas, conforme o relator do acórdão recorrido, vejo proibição legal para utilização de benefícios fiscais para redução do adicional do IRPJ (DecretoLei 1.704/79, artigo 1°, § 3º; Lei 8.541/92, artigo 10, § 2° e Lei 9.249, artigo 3º, § 4°). Nesse contexto, utilizome dos fundamentos constantes do voto do relator do acórdão 910100147 para tomada de decisão: No mérito, com ressalva do entendimento pessoal deste Relator, o recurso merece provimento. Fl. 1578DF CARF MF 10 (...) O art. 1" da Lei n. 6.321/76 estabelece expressamente que as despesas incorridas no âmbito de programas de alimentação do trabalhador previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho são dedutíveis, em dobro, do lucro tributável para fins do imposto de renda, verbis: "Art. 1°. As pessoas jurídicas poderão deduzir, do lucro tributável para fins do imposto sobre a renda, o dobro das despesas comprovadamente realizadas no período base, 'em programas de alimentação do trabalhador, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho na forma ern que dispuser o regulamento desta Lei. §1°. A dedução a que se refere o ca put deste artigo não poderá exceder em cada exercício financeiro, isoladamente, a 5% (cinco por cento) e cumulativamente cont a dedução de que trata a Lei n° 6.297, de 15 de dezembro de 1975, a 10% (dez por cento) do lucro tributável. §2°. As despesas não deduzidas no exercício financeiro correspondente poderão ser transferidas para dedução nos dois exercícios financeiros subseqüentes." Como bem assinalado pelo acórdão recorrido, o dispositivo em comento não estabelece redução ou dedução do imposto de renda (como pretende a Recorrente) ou do adicional de que trata o Decretolei n. 1.704/79, mas sim a dedução do lucro tributável, ou seja, do lucro sobre o qual irá incidir a aliquota do imposto e o citado adicional. A interpretação do dispositivo em apreço indica de forma unívoca que o termo "na forma 'em que dispuser o regulamento desta Lei" esta relacionado com a expressão "programas de alimentação do trabalhador previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho", jamais com a possibilidade de que o incentivo fiscal instituído possa sofrer limitações por normas infralegais. Em outros termos, referido dispositivo estabelece que os programas de alimentação do trabalhador serão previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho na forma em que dispuser o regulamento, sendo os custos respectivos deduzidos sempre em dobro do lucro tributável no período base. O § 1º do art. 1° da Lei n. 6.321/76, que estabelece limitação do incentivo à 5% do lucro tributável (isoladamente) ou 10% do lucro tributável (em conjunto com a dedução das despesas com qualificação da mãodeobra — Lei n. 6.297/75), confirma que a dedução de que se trata diz respeito à base de cálculo do imposto, não ao imposto em si. Não há, pois, incompatibilidade entre a Lei n. 6.321/76 e os §§ 2° e 3° do Decretolei n. 1.704/79 que estabelecem não serem admitidas "deduções" do adicional ao imposto de renda. Não há dedução do adicional do imposto de renda na hipótese, mas sim do lucro tributável que serve de base para sua apuração (assim como para a 'apuração do próprio imposto). Entenderse em sentido contrário implicaria questionarse a dedutibilidade para fins de apuração do adicional do IRPJ — de todos os demais custos, despesas e encargos da pessoa jurídica que reduzem o lucro tributável e, por conseguinte, o citado adicional. Fl. 1579DF CARF MF Processo nº 10920.002291/200131 Acórdão n.º 9101003.456 CSRFT1 Fl. 1.575 11 O art. 1° do Decreto n. 5/91 e os arts. 428 e 429 do RIR/80 extrapolaram os limites meramente regulamentares da citada Lei n. 6.321/76 para estabelecer forma distinta daquela por esta estabelecida para apuração do citado beneficio fiscal. Tais dispositivos "regulamentares", a pretexto de coadunar referida legislação com a irredutibilidade do adicional do imposto de renda (Decretolei n. 1.704/79, art. 1º, § 3°), restringiram indevidamente o alcance do incentivo fiscal previsto na Lei n. 6.321/76. Assim dispõem os citados dispositivos "regulamentares", verbis: "Art. 1° A pessoa jurídica poderá deduzir, do imposto de renda devido, valor equivalente à aplicação da alíquota cabível do imposto de renda sobre a soma das despesas de custeio realizadas, no períodobase, em Programas de Alimentação do Trabalhador, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social MTPS, nos termos 'deste regulamento. § 1º As despesas realizadas durante o períodobase da pessoa jurídica, além de constituírem custo operacional, poderão ser consideradas em igual montante para o fim previsto neste artigo. § 2°A dedução do imposto de renda estará limitada a 5% (cinco por cento) do lucro tributável em cada exercício, podendo o eventual excesso ser transferido para a dedução nos 2 (dois) exercícios subseqüentes." Art. 428 A pessoa jurídica poderá deduzir, do imposto devido, valor equivalente à aplicação da alíquota cabível do imposto sobre a soma das despesas de custeio realizadas, no período base, em programas de alimentação do trabalhador, nos termos desta Seção (Lei n°6.321/76, art. 1°) § único As despesas de custeio admitidas na base de cálculo do incentivo são aquelas que vierem a constituir o custo direto da refeição, podendo ser considerados, além da matériaprima, mãodeobra, encargos decorrentes de salários, asseio, e os gastos de energia diretamente relacionados corn o preparo e a distribuição das refeições, diminuída a participação dás trabalhadores nos custos. Art. 429 A dedução a que se refere o artigo anterior não poderá exceder, em cada exercício financeiro, a 5% (cinco por cento) do imposto devido, observado o disposto no artigo 439, podendo o eventual excesso ser transferido para dedução nos 02 (dois) exercícios subseqüentes (Lei n° 6.321/76, art. 1º, §§1º e 2º). Ao invés de permitirem a dedução em dobro do lucro tributável das despesas com alimentação para o trabalhador tal corno previsto em lei, os atos regulamentares acima transcritos restringiram a fruição do beneficio legal A possibilidade de dedução de tais gastos na escrita comercial do contribuinte e A posterior redução, do imposto devido, do valor equivalente Fl. 1580DF CARF MF 12 aplicação da aliquota cabível do imposto de renda sobre tais despesas. Há precedentes dessa Corte Administrativa e de órgãos do Poder Judiciário que reconhecem a legitimidade do procedimento do contribuinte de deduzir, em dobro, do lucro tributável, o valor das despesas aferidas com a alimentação de seus trabalhadores nos estritos termos da Lei n. 6.321/76. Veja se, nesse sentido, ementa de acórdãos proferidos pelo extinto Primeiro Conselho de Contribuintes e de Tribunais Judiciais, verbis: (...) A despeito dos precedentes administrativos e jurisprudenciais sobre o tema e do fato de esta tributação ser manifestamente censurável face às disposições da Lei n. 6.321/76 pelos motivos acima mencionados, entendo que e defeso ao Julgador Administrativo afastar a exigência fiscal impugnada, em vista da literalidade do disposto no art. 1° do Decreto n. 5/91 e nos artigos 428 e 429 do RIRJ80. Referidos dispositivos indicam expressamente a forma de fruição do beneficio fiscal em referencia, não permitindo que tal beneficio tenha qualquer reflexo sobre o valor do adicional do IRPJ a ser recolhido pelo contribuinte. Ante os expressos termos da Súmula n. 2 do 1° CC, pois, inclino meu voto no sentido de dar provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional. Nesse contexto, voto por negar provimento ao recurso do Contribuinte. Diante de todo o exposto, concluo por não conhecer do Recurso da Fazenda Nacional e negar provimento ao Recurso do Contribuinte. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 1581DF CARF MF
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