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Numero do processo: 10820.720888/2011-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO
Acolhem-se os embargos declaratórios para sanar a omissão apontada para alterar o dispositivo do Acórdão, sem atribuição de efeitos infringentes.
Numero da decisão: 2401-005.409
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos, na parte em que foram admitidos, e dar-lhes provimento, sem efeitos infringentes, para alterar o dispositivo do acórdão embargado para: "Por unanimidade de votos, afastar as preliminares e negar provimento ao recurso".
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO Acolhem-se os embargos declaratórios para sanar a omissão apontada para alterar o dispositivo do Acórdão, sem atribuição de efeitos infringentes.
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OMISSÃO Acolhemse os embargos declaratórios para sanar a omissão apontada para alterar o dispositivo do Acórdão, sem atribuição de efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 72 08 88 /2 01 1- 61 Fl. 700DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos, na parte em que foram admitidos, e darlhes provimento, sem efeitos infringentes, para alterar o dispositivo do acórdão embargado para: "Por unanimidade de votos, afastar as preliminares e negar provimento ao recurso". (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira. Fl. 701DF CARF MF Processo nº 10820.720888/201161 Acórdão n.º 2401005.409 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pelos contribuintes, em face de decisão prolatada no Acórdão nº 2401004.062 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), da lavra da Conselheira Maria Cleci Coti Martins (fls. 656/667), em sessão de julgamento realizada em 27 de janeiro de 2016, que possui a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006, 2007, 2008 CÔNJUGE MEEIRO. ESPÓLIO. A legislação permite que os rendimentos próprios do cônjuge meeiro sejam declarados em conjunto com os do espólio, conforme par.3 art. 12 Decreto 3000/99. HERDEIROS. ILEGITIMIDADE PASSIVA. Os herdeiros são solidariamente responsáveis pelos tributos do de cujus até a data da partilha. Caso dos autos. MULTA QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO. Comprovado nos autos e reconhecido pela contribuinte, fica caracterizada a ocorrência do dolo e, portanto, justificada a qualificação da multa. ATIVIDADE RURAL. ESCOLHA DE TRIBUTAÇÃO. A escolha do tipo de tributação da atividade rural é efetuada pelo contribuinte no momento da declaração de imposto de renda. (art. 71, Decreto 3000/99) Recurso Voluntário Negado. Nas razões de Embargos formuladas às fls. 684/690, alegam os Embargantes que o lançamento tributário encontrase eivado de vícios insanáveis relacionados à verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, à determinação da matéria tributável, no cálculo do montante do tributo devido, na identificação do sujeito passivo, na aplicação de multas. Aponta contradição relativa ao fato da fiscalização ter sido iniciada porque a sra. Genoveva Munari Gatto não efetuou a declaração de imposto de renda nos anoscalendário 2006, 2007 e 2008, razão pela qual não haveria razão para se aplicar a multa agravada a todos os envolvidos, indistintamente. O vício de omissão seria decorrente do fato do Acórdão embargado não ter registrado ter sido a votação unânime ou por maioria, bem como, considera o voto omisso no que tange á responsabilização dos herdeiros, o que seria causa suficiente para viciar de nulidade a decisão. Fl. 702DF CARF MF 4 Em despacho de admissibilidade de fls. 698/699, ocorreu admissão parcial dos embargos declaratórios, para inclusão em pauta de julgamento. O processo foi redistribuído para a relatoria desta Conselheira. É o relatório Fl. 703DF CARF MF Processo nº 10820.720888/201161 Acórdão n.º 2401005.409 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Juízo de admissibilidade Conheço dos embargos declaratórios, pois presentes os requisitos de admissibilidade. Mérito Os embargos foram admitidos somente quanto à omissão apontada no dispositivo, tendo em vista que não consignou se a decisão ocorreu por maioria ou por unanimidade de votos do Colegiado. Destarte, conforme se observa à fl. 657, o dispositivo do Acórdão assim estabelece: Acordam os membros do colegiado, em afastar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. Na Ata do julgamento ocorrido aos vinte e sete dias do mês de janeiro do ano de dois mil e dezesseis, às quatorze horas, constatase que a decisão foi proferida por unanimidade: Relator(a): MARIA CLECI COTI MARTINS Processo: 10820.720888/201161 Recorrente: GENOVEVA MUNARI GATTO e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Acórdão 2401004.062 Decisão: por unanimidade, em afastar as preliminares e no mérito, em negar provimento ao recurso. Fl. 704DF CARF MF 6 Dessa forma, deve ser sanada a omissão apontada para que o dispositivo do Acórdão reflita a decisão tomada pelo colegiado que, por unanimidade de votos, afastou as preliminares e negou provimento ao Recurso dos contribuintes. Conclusão Ante o exposto, conheço dos Embargos de Declaração, na parte admitida pela presidente da Turma, e, no mérito, DOULHES PROVIMENTO sem efeitos infringentes para alterar o dispositivo do Acórdão, sanando a omissão apontada. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 705DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16095.720152/2015-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2011, 2012
PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. A ausência de impugnação por autuado importa em definitividade do lançamento para ele.
RESPONSABILIDADE GERENCIAL. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. No caso concreto, todo o volume de operações e infrações à lei realizadas pela autuada foram permitidas pelos seus 2 únicos sócios administradores. Nesta esteira, não há como alegar desconhecimento ou falta de acompanhamento em um volume de operações tão vultoso e em tamanha freqüência. Também entendo que não é razoável alegar desconhecimento de que estariam infringindo a legislação tributária.
RESPONSABILIDADE NA SUCESSÃO. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas.
LANÇAMENTOS CONEXOS. Mantido o lançamento de IRPJ, igual sorte aguarda aqueles que dele decorrerem, em face da relação causal que os vincula e dos fundamentos de fato que compartilham.
GLOSA DE CUSTOS. Aplicam-se aos custos e despesas operacionais as disposições sobre dedutibilidade de rendimentos pagos a terceiros.
MULTA QUALIFICADA. Restou caracterizado o dolo e intenção de sonegar dos autuados, razão pela qual deve ser restabelecida a multa qualificada na parte que foi reduzida, devendo ser aplicada a penalidade de 150% sobre o lançamento remanescente.
Numero da decisão: 1401-002.294
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso de Ofício para restaurar as multas qualificadas relativas às glosas mantidas, e negar provimento aos Recursos Voluntários.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Presidente em Exercício), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Ailton Neves da Silva (suplente convocado em substituição do Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2011, 2012 PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. A ausência de impugnação por autuado importa em definitividade do lançamento para ele. RESPONSABILIDADE GERENCIAL. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. No caso concreto, todo o volume de operações e infrações à lei realizadas pela autuada foram permitidas pelos seus 2 únicos sócios administradores. Nesta esteira, não há como alegar desconhecimento ou falta de acompanhamento em um volume de operações tão vultoso e em tamanha freqüência. Também entendo que não é razoável alegar desconhecimento de que estariam infringindo a legislação tributária. RESPONSABILIDADE NA SUCESSÃO. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. LANÇAMENTOS CONEXOS. Mantido o lançamento de IRPJ, igual sorte aguarda aqueles que dele decorrerem, em face da relação causal que os vincula e dos fundamentos de fato que compartilham. GLOSA DE CUSTOS. Aplicam-se aos custos e despesas operacionais as disposições sobre dedutibilidade de rendimentos pagos a terceiros. MULTA QUALIFICADA. Restou caracterizado o dolo e intenção de sonegar dos autuados, razão pela qual deve ser restabelecida a multa qualificada na parte que foi reduzida, devendo ser aplicada a penalidade de 150% sobre o lançamento remanescente.
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AUSÊNCIA DE LITÍGIO. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. A ausência de impugnação por autuado importa em definitividade do lançamento para ele. RESPONSABILIDADE GERENCIAL. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. No caso concreto, todo o volume de operações e infrações à lei realizadas pela autuada foram permitidas pelos seus 2 únicos sócios administradores. Nesta esteira, não há como alegar desconhecimento ou falta de acompanhamento em um volume de operações tão vultoso e em tamanha freqüência. Também entendo que não é razoável alegar desconhecimento de que estariam infringindo a legislação tributária. RESPONSABILIDADE NA SUCESSÃO. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. LANÇAMENTOS CONEXOS. Mantido o lançamento de IRPJ, igual sorte aguarda aqueles que dele decorrerem, em face da relação causal que os vincula e dos fundamentos de fato que compartilham. GLOSA DE CUSTOS. Aplicamse aos custos e despesas operacionais as disposições sobre dedutibilidade de rendimentos pagos a terceiros. MULTA QUALIFICADA. Restou caracterizado o dolo e intenção de sonegar dos autuados, razão pela qual deve ser restabelecida a multa qualificada na parte que foi reduzida, devendo ser aplicada a penalidade de 150% sobre o lançamento remanescente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 01 52 /2 01 5- 45 Fl. 10822DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso de Ofício para restaurar as multas qualificadas relativas às glosas mantidas, e negar provimento aos Recursos Voluntários. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Presidente em Exercício), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Ailton Neves da Silva (suplente convocado em substituição do Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratamse de Recursos Voluntário e de Ofício interpostos em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte (MG) que manteve parcialmente o crédito tributário decorrente de supostas infrações à legislação tributária, exigindose do contribuinte o IRPJ, CSLL, Cofins e PIS. Tais lançamentos originaramse de verificação do cumprimento das obrigações tributárias por parte da interessada, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 8.135 à 8.157. Extraise do Termo de Verificação Fiscal – TVF às fls. 8.135 a 8.157 dos autos, que “os valores de CUSTOS NÃO COMPROVADOS, nos anos de 2011 e 2012, nos valores respectivos de R$ 134.713.029,21 e R$ 54.156.057,80, serão objeto de glosa, para efeito de apuração de IRPJ e CSLL”. A fiscalização relata que, “em 6 de março de 2014, intimou a interessada a comprovar, em detalhes, os pagamentos feitos a diversos fornecedores (fl. 8.136)”. A fiscalização, ressaltou que “tanto MAQMETAIS LTDA quanto LINHACOS LTDA. foram declaradas inaptas por força de Atos Declaratórios Executivos lavrados pelas DRF em Santo André e Ribeirão Preto, respectivamente. Intimaramse as pessoas jurídicas acima, por via postal, a apresentar contabilidade e documentos comprobatórios das vendas supostamente realizadas à interessada, mas, em todos os casos, os envelopes foram devolvidos pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). Também em todos os casos, intimaramse os respectivos sócios no mesmo sentido, sem sucesso, com exceção de AGL CNPJ 04.294.094/000100. Por fim, foram elas cientificadas dos termos das referidas intimações por via de edital eletrônico”. Conforme consta no TVF, “o contribuinte tendo sido intimado a apresentar as documentações relativas à aquisição de insumos/mercadorias, nos anoscalendários 2011 e 2012, limitouse a apresentar alguns comprovantes de pagamentos, deixando de apresentar os demais elementos, especialmente os dados das pessoas responsáveis pelo fornecimento e Fl. 10823DF CARF MF Processo nº 16095.720152/201545 Acórdão n.º 1401002.294 S1C4T1 Fl. 10823 3 contato, os comprovantes de pedidos de compra, e os comprovantes de entrada das mercadorias, tais como identificação dos veículos de transporte dos materiais, pesagem de mercadorias nas entradas, e demais controle de recebimento de mercadorias. Os referidos valores de aquisições de insumos/mercadorias, de empresas inidôneas acima relacionadas, cujas efetivas transações não foram comprovadas nos valores de R$ 134.713.029,21 e R$ 54.156.057,80, nos anos de 2011 e 2012, respectivamente, serão objeto de glosa, por serem consideradas inidôneas, nos termos da legislação em vigor”. Em 04/01/2012, houve a cisão parcial da empresa CORDEIRO FIOS E CABOS ELETRICOS LTDA., resultando na empresa cindida CORDEIRO CABOS ELETRICOS S.A., pelo que, contra a mesma, foi lavrado Termo de Sujeição Passiva, em razão de ter concluído a fiscalização, equivocadamente, que a essa pessoa jurídica deveria ser imputada a responsabilidade tributária solidária, por sucessão, pelo montante cobrado da empresa CORDEIRO FIOS E CABOS ELETRICOS LTDA. Assim, “os valores de IRPJ e CSLL devidos sobre valores de glosa de créditos da aquisição de insumos/mercadorias de empresas inidôneas, conforme documentos acostados ao processo, e demonstrativo anexo I, foram objeto de autuação, nos termos da legislação vigente. Igualmente, os valores devidos de PIS e COFINS NãoCumulativos, foram recalculados levandose em consideração os valores das bases de cálculo de créditos de PIS e COFINS declaradas, deduzidas de valores de glosa de créditos calculadas sobre a aquisição de insumos/mercadorias de empresas inidôneas, conforme documentos acostados ao processo, e demonstrativo anexo I. Os valores de PIS e COFINS a Pagar apuradas, conforme demonstrativos Anexos II e III, foram objeto de autuação, nos termos da legislação vigente”. Foram “glosadas as aquisições de insumos “cujas efetivas transações não foram comprovadas” (fl. 8.144), dando origem aos lançamentos de ofício constantes da TABELA I. Em todos os lançamentos, foram considerados solidariamente responsáveis tanto os administradores da interessada, CARLOS ALBERTO CORDEIRO, CPF 854.839.90820, e MARIA ISABEL DE MELO CORDEIRO, CPF 029.773.94842, quanto sua sucessora, CORDEIRO CABOS ELÉTRICOS S/A, CNPJ 14.197.209/000100”. Cientificado da autuação, os interessados apresentam IMPUGNAÇÕES ADMINISTRATIVAS, trazendo em seu bojo as seguintes razões: · Impugnação I (apresentada em 01/03/2016 – fls. 8.254/8.268 pelos sócios – Carlos Roberto Cordeiro e Maria Isabel de Melo Cordeiro): 1. DA EFETIVA OCORRÊNCIA DA OPERAÇÃO: Afirma que “por "resguardar a boa fé do adquirente" o C. Superior Tribunal de Justiça entendeu a necessidade de manutenção dos efeitos tributários como se a operação tivesse ocorrido regularmente, no caso, a manutenção dos respectivos créditos do ICMS. Tratase de hipótese idêntica àquela ora analisada, sendo que, considerando a boa fé do contribuinte que realizou operações com fornecedor que à época dos fatos se encontrava idôneo perante a Administração Pública, os limos. Julgadores entenderam por bem reconhecer a possibilidade de dedução dos custos com a aquisição de materiais para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ. (...) Assim, as operações de aquisição de vergalhões de cobre e demais insumos foram pagas, em parte, por meio dos fornecimentos de sucata de cobre, como comprovam não só o contrato de parceria supra mencionado, mas, ainda, o detalhamento Fl. 10824DF CARF MF 4 da correspondente liquidação financeira e eventuais comprovantes de pagamento dos valores residuais”. 2. DA NÃO SUBSUNÇÃO DOS DEFENDENTES À HIPÓTESE LEGAL DE RESPONSABILIZAÇÃO DE TERCEIROS — ARTIGO 135 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL: Alega que efetivamente ocorreu a operação de aquisição de materiais, e o fisco não trouxe provas capazes de demonstrar o intuito dos Defendentes em fraudar a Fazenda Pública Federal, sem as quais (referidas provas) não é possível atribuir aos mesmos a responsabilização solidária pelos débitos cobrados da autuada, dada a impossibilidade de se presumir a ocorrência de fraude, que deve ser devidamente comprovada. Entretanto, por expressa determinação do artigo 135 do CTN, a responsabilidade destas pessoas somente ocorrerá quando demonstrados, de forma inequívoca, os elementos ligando tais pessoas aos fatos, ou seja, o fato de os sócios haverem agido com excesso de poderes ou infração à lei, o que não ocorreu e nem foi comprovado pelo Fisco autuante”. (...) “Portanto, é nula a pretensão em apropriarse do patrimônio particular de sócios sem que estes tenham praticado infração à lei ou ao contrato social de sociedade limitada, exatamente como ocorre no presente caso, em que resta evidente que a operação de aquisição de materiais efetivamente ocorreu e que não houve intuito de fraudar a Fazenda Pública Federal por parte dos Defendentes, que não praticaram qualquer ato com infração à lei”. 3. Requereu que a impugnação seja julgada totalmente procedente. · Impugnação II (apresentada em 01/03/2016 – fls. 8.280/8.293 pela Pessoa Jurídica – Cordeiro Cabos Elétricos S.A ): 1. DA AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA: Ressalta que “somente haverá responsabilidade solidária quando as pessoas envolvidas tiverem interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal ou quando a lei assim o determinar, na medida em que a responsabilização solidária em matéria tributária não se presume”. (...) “Não pode o simples reflexo do interesse econômico de uma determinada situação ou fato jurídico sujeito à hipótese de incidência tributária servir de esteio para pressupor coincidência de interesse jurídico, que depende de realização conjunta daquele mesmo fato tributável. E é exatamente nesse sentido que pecou a fiscalização, ao lavrar o AIIM com imputação de solidariedade passiva tributária à Defendente, visto que a autuada e a Defendente são empresas distintas, uma vez que a ora Impugnante fabrica fios e cabos, e a autuada Cordeiro Ltda., responsável pelos tributos e operações que estão sendo cobradas por solidariedade da ora Impugnante, revende e comercializa cabos e fios”. 2. Afirma ainda, que “conforme se depreende da leitura do anexo "instrumento particular de protocolo e justificação de cisão parcial da CORDEIRO FIOS E CABOS ELETRICOS LTDA., seguida de incorporação do acervo cindido pela CORDEIRO CABOS ELETRICOS S.A.", a referida cisão parcial foi motivada pela necessidade de reorganizar os ativos das partes, de modo a gerar maior eficiência operacional, financeira, administrativa e econômica das Fl. 10825DF CARF MF Processo nº 16095.720152/201545 Acórdão n.º 1401002.294 S1C4T1 Fl. 10824 5 sociedades, havendo apenas uma divisão do faturamento após a operação realizada, e não diminuição de receita se comparadas as duas atividades”. 3. Diz que “não tem responsabilidade tributária solidária com a autuada perante os débitos cobrados dessa última, na medida em que o mencionado parágrafo único, do artigo 233, da Lei no 6.404/76 prevê o afastamento da solidariedade quando as partes assim estipularem, e foi o que ocorreu no caso em questão, visto que foi expressamente declarado que a defendente sucede a autuada apenas nos direitos e obrigações transferidos em decorrência da incorporação do Acervo Cindido da Cordeiro Ltda., sem solidariedade em relação ao patrimônio remanescente da Cordeiro Ltda”. 4. DA NÃO RESPONSABILIDADE PELA MULTA QUALIFICADA: Aduz que “restou consignado que "a a responsabilidade não se presume, deve ser expressa”. Se não há previsão, responsabilidade não há. Como regra geral, a denominação "tributo", definida no art. 3° do CTN e inserida no art. 132 do CTN, não é extensiva as multas, quer decorrentes de obrigação principal, quer decorrentes de obrigação acessória; a responsabilidade da sucessora, nos termos do art. 132 do CTIV, restringese ao tributo não pago pela sucedida, dele não fazendo parte a multa”. 5. Requereu o cancelamento do Termo de Sujeição Passiva lavrado contra a Defendente CORDEIRO CABOS ELETRICOS S.A, para que a mesma não tenha mais responsabilidade solidária perante o débito cobrado da autuada CORDEIRO FIOS E CABOS ELETRICOS LTDA. 6. Subsidiariamente, requereu que seja afastada a responsabilização em relação a multa qualificada aplicada no percentual de 150%. · Impugnação III (apresentada em 01/03/2016 – pela Pessoa Jurídica – Cordeiro Cabos Elétricos LTDA ): 1. DA NULIDADE DO ACÓRDÃO PROFERIDO PELA DRJ: alega que “a falta de motivação para decidir pela falta de exclusão dos impostos da base de cálculo do IRPJ e da CSSL objeto do AIIM torna nula de pleno direito a decisão, por absoluto cerceamento de defesa e por infringência à própria lei processual que impõe que as decisões devem ser motivadas e justificadas a fim de preservação do contraditório e da ampla defesa”. 2. DA NULIDADE DA PRÓPRIA AUTUAÇÃO: Afirma que “deixouse de considerar o custo líquido de aquisição de insumos pela Recorrente, incluindo, indevidamente, os créditos de PIS, COFINS e ICMS, na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, bem como (ii) ignorouse o fato de a Recorrente ter procedido à venda de sucata para as mesmas pessoas jurídicas que foram declaradas inidôneas, operações estas, que, se desconsideradas, resultariam na impossibilidade de tributação destas receitas, bem como na existência de débitos tributários. (...) Destarte, “da forma como Fl. 10826DF CARF MF 6 atuou a fiscalização, acompanhada pela DRJ, a Recorrente resta totalmente impossibilitada de exercer o seu contraditório a este respeito e, ainda pior, ao invés de ampla, sua defesa resta totalmente limitada, em total afronta aos seus Direitos Constitucionais”. 3. DA EFETIVA OCORRÊNCIA DA OPERAÇÃO: Diz que, deve se considerar “a boafé do contribuinte que realizou operações com fornecedor que à época dos fatos se encontrava idôneo perante a Administração Pública, os Ilmos. Julgadores entenderam por bem reconhecer a possibilidade de dedução dos custos com a aquisição de materiais para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ”. 4. DA COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS: Mencionase que “firmou com seus fornecedores contratos de parceria comercial, segundo os quais estes lhes forneceriam os vergalhões de cobre e esta, por sua vez, fornecerlhesia sucata de cobre, conforme demonstra o conjunto de documentos contábeis já anexados aos autos (DOC. 02 da Impugnação) e os contratos de parceria comercial ora colacionados. Assim, as operações de aquisição de vergalhões de cobre foram pagas, em parte, por meio do fornecimento de sucata de cobre, como comprovam os contratos de parceria supramencionados, as notas fiscais de saída, as compensações e comprovantes de pagamento dos valores residuais. Com efeito, os documentos comprovam que o faturamento para as empresas posteriormente declaradas inidôneas no montante de R$ 108.797.574,87 foi devidamente contabilizado e fez parte da base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e da COFINS”. “Não houve o enfrentamento das provas ou, quiçá, a contestação específica a algum dado trazido pela Recorrente, o que, por si só, prejudica até mesmo a ampla defesa da Recorrente, eis que não há qualquer argumento válido para se chegar a conclusão da DRJ de que “nada provam da regularidade dos fornecedores da Recorrente à época dos fatos”. 5. DA REGULARIDADE DOS FORNECEDORES DA RECORRENTE À ÉPOCA DOS FATOS: Afirma que “pecou o v. acórdão recorrido na medida em que, uma vez mais, ignorou o fato de que a Recorrente jamais poderia ter conhecimento da irregularidade dos seus fornecedores perante a Administração Pública à época dos fatos, uma vez que, no ano calendário de 2011, absolutamente todos eles constavam como ativos e regulares. (...) É pertinente que se diga que a nota fiscal eletrônica foi criada justamente para evitar fraudes, de sorte que, a cada emissão a Fazenda é instada a autorizála. Inclusive, a partir do momento em que o contribuinte passa a ser obrigado a emitir notas fiscais eletrônicas, deixa de estar obrigado a consultar SINTEGRA, pois caso exista qualquer irregularidade, as notas fiscais são automaticamente bloqueadas e sua emissão proibida”. 6. Do procedimento de inidoneidade Estadual das empresas Fornecedoras – Da imprestabilidade da prova emprestada para a constituição do presente crédito fiscal: Frisouse que “muitos dos sócios destas empresas “inidôneas” foram localizados. No entanto, Fl. 10827DF CARF MF Processo nº 16095.720152/201545 Acórdão n.º 1401002.294 S1C4T1 Fl. 10825 7 mesmo assim, a fiscalização, de maneira ilegal, voltouse para os destinatários das mercadorias para cobrar o crédito tributário que na verdade deveria ser cobrado das empresas fornecedoras ou de seus sócios”. (...) Destaca que é possível constatar, “que a empresa AGL COMÉRCIO DE CONDUTORES ELÉTRICOS não só existia à época das operações, como também possui uma filial no Estado da Bahia, conforme se dessume do comprovante de inscrição cadastral junto à SRF”. 7. Afirma que “a empresa ASRNER já foi reconhecida como uma empresa em que sua inidoneidade foi declarada de forma duvidosa, e no mínimo, o fato da fiscalização ter encontrado a empresa no local, têla fiscalizado, e mais, nada ter feito durante todo o período das operações com a Recorrente não pode implicar na responsabilização e glosa do crédito da Recorrente que absolutamente estava em total boafé e sequer foi protegida por quem por ofício deveria ter feito o seu trabalho que é FISCALIZAR. 8. Mencionase, que “o Fisco Estadual ao efetuar as diligências na empresa EBF COMÉRCIO DE CONDUTORES ELÉTRICOS LTDA., Inscrição Estadual/SP nº. 147.454.649.117 e CNPJ/MF nº: 12.498.261/000162, não só localizou o estabelecimento da referida empresa, como também seu sócio. Ou seja, não é verdadeiro que a empresa não existia ou que jamais funcionou no local, e muito menos que não foi localizada”. 9. DA NECESSIDADE DE SE DESCONSIDERAR AS OPERAÇÕES DE VENDA PARA AS EMPRESAS POSTERIORMENTE DECLARADAS INIDÔNEAS: Argumenta que “a tributação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) Lucro Real se dá mediante a apuração contábil dos resultados, com os ajustes determinados pela legislação fiscal. A base de cálculo do imposto, determinada segundo a lei vigente na data de ocorrência do fato gerador, é o lucro real correspondente ao período de apuração. Além disto, na apuração do Lucro Real, são operacionais e, portanto, dedutíveis, as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei 4.506/1964, artigo 47), tais como a aquisição de insumos. Partindo destas premissas, não é necessário muito esforço para se concluir que, como consequência direta da desconsideração de todas as operações realizadas com as empresas declaradas inidôneas, temse não só a impossibilidade de dedução dos custos e, por conseguinte, a majoração da base tributável, mas, ainda, a desconsideração dos rendimentos oriundos da venda de sucata para estas como forma de redução da base tributável”. 10. DA NECESSIDADE DE EXCLUIR OS TRIBUTOS DA BASE DE CÁLCULO: Afirma que “pela simples leitura do “Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais”, item D1, observase que a D. Fiscalização realizou a glosa de custos supostamente não comprovados que possuem efeito imediato na Fl. 10828DF CARF MF 8 apuração do IRPJ e CSLL”. “Para comprovar que o contribuinte não se beneficiou de um custo no montante de R$ 134.713.027,21 para reduzir o seu resultado tributável em sua apuração original, juntamos planilha que detalha as informações das notas fiscais de aquisição de Insumos que totaliza R$ 134.713.027,21”. “Verifica se que a D. Fiscalização se equivocou ao determinar que o valor total das notas fiscais foi o custo lançado no resultado da Recorrente e que reduziu o valor do lucro que serviu de base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Através deste procedimento equivocado glosouse um valor muito maior do que o valor que reduziu originalmente o resultado”. 11. DA BOA FÉ DA RECORRENTE E DA NECESSIDADE DE AFASTAMENTO DA MULTA QUALIFICADA: Diz que todas as operações de venda de sucata resultaram em débitos de PIS e COFINS e receitas tributáveis pelo IRPJ e pela CSLL, então não existiria motivo de ordem tributária pelo qual seria vantajoso para a Recorrente fraudar a ocorrência de operações que supostamente não aconteceram na realidade”. E que, “falta ao caso concreto, elemento imprescindível à caracterização da fraude, o próprio intuito de obter vantagem, ou seja, o dolo”. 12. Afirma que, “de acordo com os contratos de parceria comercial celebrados com as empresas posteriormente declaradas inidôneas, a obrigação de entrega e retirada das mercadorias não era da Recorrente e, assim sendo, esta sequer tinha conhecimento de como isto ocorria, com quais veículos, etc.. Logo, não há que se falar em responsabilização da Recorrente por eventuais incoerências nos dados relativos ao transporte dos materiais, os quais podem, muito bem, ter ocorrido em razão de meros erros de digitação”. 13. Requereu a declaração da nulidade do v. acórdão proferido pela DRJ no que tange à ausência de análise de todos os argumentos de defesa, bem como dos próprios autos de infração em si pelas razões acima delineadas; 14. Subsidiariamente, requereu o cancelamento integral do crédito tributário. O Acórdão ora Recorrido (0272.559 4ª Turma da DRJ/BHE) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2012 RESPONSABILIDADE NA SUCESSÃO A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. RESPONSABILIDADE GERENCIAL Fl. 10829DF CARF MF Processo nº 16095.720152/201545 Acórdão n.º 1401002.294 S1C4T1 Fl. 10826 9 Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2012 LITÍGIO Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. LANÇAMENTOS CONEXOS Mantido o lançamento de IRPJ, igual sorte aguarda aqueles que dele decorrerem, em face da relação causal que os vincula e dos fundamentos de fato que compartilham. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Exercício: 2012 CUSTOS Aplicamse aos custos e despesas operacionais as disposições sobre dedutibilidade de rendimentos pagos a terceiros. PENALIDADES PECUNIÁRIAS Nos casos de lançamento de ofício, será aplicada multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, percentual este que será duplicado em caso de fraude, sonegação ou conluio. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. Os membros da 4ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, para (a) manter a responsabilidade solidária de CARLOS ALBERTO CORDEIRO, MARIA ISABEL DE MELO CORDEIRO e CORDEIRO CABOS ELÉTRICOS S.A. e (b) reduzir os valores originais a serem cobrados (antes dos acréscimos legais de multa por lançamento de ofício e juros de mora) aos valores seguintes: TRIBUTOS SUJEITO À MULTA DE 75% SUJEITO À MULTA DE 150% SOMATÓRIO: IRPJ R$ 11.203.454,02 R$ 19.735.057,75 R$ 30.938.511,77 Fl. 10830DF CARF MF 10 CSLL R$ 4.047.525,52 R$ 7.129.778,89 R$ 11.177.304,41 Cofins R$ 273.819,24 R$ 608.089,10 R$ 881.908,34 PIS R$ 59.134,99 R$ 131.325,11 R$ 190.460,09 Isto porque, segundo entendimento da turma, “a glosa ora em exame deriva da falta de comprovação de diversas compras de mercadorias que integraram os custos da interessada, ora impugnante, uma vez que esta não logrou indicar nem a forma como se teria dado o correspondente pagamento, nem as circunstâncias em que teriam ocorrido tais aquisições." A Turma aduziu ainda que, "o Autor do feito constatou que diversas sociedades empresárias, supostamente fornecedoras destas mercadorias, encontravamse em situação irregular e que esta situação patentearia a intenção dolosa de fraudar o Erário da União. Por oportuno, assinalese que a vedação constitucional ao uso de tributo com finalidade de confisco dirigese exclusivamente ao legislador, não à autoridade fazendária, cujos atos devem se amoldar ao que determina o parágrafo único do artigo 142 do CTN”. (...) “Paralelamente, a interessada não oferece quaisquer provas de haver realizado pagamentos a EBF COMÉRCIO DE CONDUTORES ELÉTRICOS LTDA G&R COMÉRCIO DE MATERIAIS ELÉTRICOS LTDA.; portanto, a glosa deve ser mantida. Conquanto também surjam autos indícios de possíveis irregularidades por parte destas pessoas jurídicas (como o simples fato de não haverem sido localizadas), não quedou demonstrada a participação da interessada nestas mesmas irregularidades; em assim sucedendo, cabe reduzir a multa de ofício no caso destas pessoas jurídicas”. Verificouse a turma julgadora, que “os argumentos das pessoas físicas de CARLOS ALBERTO CORDEIRO e MARIA ISABEL DE MELO CORDEIRO não logram afastar sua responsabilização solidária, uma vez que quedaram estremes de dúvidas tanto a prática – reiterada, acentuese – de ilícitos dolosos de ordem tributária quanto seu papel de gestores da interessada, durante o período fiscalizado. Atos desta gravidade, praticados com tamanha frequência, implicam a intervenção – ou, no mínimo, a anuência – dos administradores da sociedade autuada, os beneficiários últimos de tais práticas, condição de únicos quotistas daquela pessoa jurídica”. Aduziu que “há que se considerar que, ao menos nos presentes autos, não ficou estreme de dúvidas a possível irregularidade da sociedade empresária AGL COMÉRCIO DE CONDUTORES ELÉTRICOS LTDA., cabendo recordar, adicionalmente, ter sido um de seus sócios o único a atender intimação para prestar esclarecimentos. Por conseguinte, no que diz respeito à AGL LTDA., cabível acatar os valores comprovados de custos para recalcular os tributos correspondentes e, paralelamente, reduzir a multa por lançamento de ofício a 75%”. Afirma ainda, que “a interessada não oferece quaisquer provas de haver realizado pagamentos a EBF COMÉRCIO DE CONDUTORES ELÉTRICOS LTDA e G&R COMÉRCIO DE MATERIAIS ELÉTRICOS LTDA.; portanto, a glosa deve ser mantida. Conquanto também surjam autos indícios de possíveis irregularidades por parte destas pessoas jurídicas (como o simples fato de não haverem sido localizadas), não quedou demonstrada a participação da interessada nestas mesmas irregularidades; em assim sucedendo, cabe reduzir a multa de ofício no caso destas pessoas jurídicas. Neste contexto, há que se analisar a situação de MAQMETAIS COMERCIAL LTDA., cuja inscrição no CNPJ foi considerada inapta pela DRF em Santo André, conforme Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/SAE nº 50, de 16 de Fl. 10831DF CARF MF Processo nº 16095.720152/201545 Acórdão n.º 1401002.294 S1C4T1 Fl. 10827 11 dezembro de 2014, expedido com base na Instrução Normativa (IN) RFB nº 1.470, de 2014, revogada pela IN/SRF 1.634, de 2016. Ora, cumpre recordar que, de acordo com ambas IN, consideramse inidôneos os documentos emitidos por sociedades cuja inscrição se encontre suspensa a partir da data de publicação do ADE; uma vez que isto só ocorreu em 7 de janeiro de 2015, os efeitos deste ADE não retroagem para alcançar as notas fiscais glosadas. Assim sendo, apesar deste ADE, a multa a ser aplicada também deve situarse no patamar de 75%”. Ciente da decisão do Acórdão em 04/04/2017 (fls.8.533), que julgou parcialmente procedente as impugnações apresentadas, o contribuinte interpõe 03 Recursos Voluntários. Com exceção do recurso apresentado pelos sócios Carlos Roberto Cordeiro e Maria Isabel de Melo Cordeiro, os demais recursos são meras repetições das razões apresentadas em suas Impugnações. Em razão da mera repetição das razões de impugnação, as quais já foram relatadas acima, passo a citar apenas os argumentos trazidos pelos sócios: · Recurso Voluntário (apresentado em 09/05/2017 pelos sócios – Carlos Roberto Cordeiro e Maria Isabel de Melo Cordeiro [fls.10.788./ 10812.] ): 1. DA IMPOSSIBILIDADE DE RESPONSABILIZAÇÃO — AUSÊNCIA DE ATO PRATICADO PELOS RECORRENTES: Afirma que “a responsabilização do art. 135 do CTN exige que a pessoa física, na qualidade de gestora de uma pessoa jurídica, venha a praticar ato com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, ou seja, para incidência da norma deve haver uma conduta ative do contribuinte. Mas não se extrai dos autos uma indicação sequer acerca de quais atos, praticados pessoalmente pelos ora Recorrentes, teriam conduzido à conclusão pela sua responsabilização pelo crédito tributário exigido da pessoa jurídica”. 2. DA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DOLO: Alega que “o negócio jurídico firmado pela empresa CORDEIRO FIOS E CABOS ELÉTRICOS LTDA., como sobredito, estava em perfeita consonância com a realidade fática na qual uma empresa está inserida. Ademais disso, investidos dos poderes de administradores da empresa, os Recorrentes apenas levaram a termo as aquisições dos insumos imprescindíveis para a consecução da atividade empresarial, sem que isso, nem de longe, configure um arremedo de excesso de poder, já que essa tarefa fazia parte de suas atribuições! Dessa forma, “como a responsabilidade pessoal referida no art. 135, III, deriva da condição de administrador de bens alheios, era imprescindível que a Autoridade Fiscal aparelhasse sua acusação, mediante a comprovação da prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos”. 3. DA AUSÊNCIA DE PROVAS QUANTO AO EXCESSO DE PODERES OU À INFRAÇÃO DA LEI E AO CONTRATO SOCIAL — REQUISITO INDISPENSÁVEL À INCIDÊNCIA DO ARTIGO 135 DO CTN: Aduz que a fiscalização limitouse a asseverar, de forma claramente deficitária, que os Recorrentes seriam responsabilizados pelo crédito tributário supostamente devido pela CORDEIRO FIOS E CABOS Fl. 10832DF CARF MF 12 ELÉTRICOS LTDA. com fundamento no artigo 135 do CTN, ou seja, em razão de atos praticados por "excesso de poderes, infração de lei,” contrato social ou estatuto. A atuação com o excesso de poderes pressupõe que a pessoa investida dos poderes de gestão da sociedade pratique atos, ainda que em nome da sociedade, extrapolando os limites contidos no estatuto social. Mas como se vê, In casu, não há se quer menção à qual dispositivo do Contrato Social da CORDEIRO FIOS E CABOS ELÉTRICOS LTDA. teria sido infringido pelos Recorrentes, deficiência esta que resvala na primeira causa de insubsistência da pretensa responsabilização tributária dos Recorrentes nos moldes do artigo 135 do CTN. Nesse espeque, porque não é demais rememorar, há que se destacar que quem fora autuada foi a empresa CORDEIRO FIOS E CABOS ELETRICOS LTDA. Ora, Julgadores, a responsabilização dos Recorrentes pela figura legal retromencionada pressupõe a ocorrência de ato pessoal dos mesmos com fraude à lei, o que não se observa no presente caso”. (...) Pelo exposto, “imperioso destacar que a imputação de responsabilidade aos Recorrentes pelos tributos devidos por outrem (CORDEIRO FIOS E CABOS ELÉTRICOS LTDA.), deveria, ao menos, ter fulcro em elementos de prova suficientes para sua manutenção. Provas estas, que, por seu turno, estavam sob a incumbência preponderante da fiscalização, que tinha sobre si o ônus de comprovar, solidamente, que suas alegações e conclusões não estavam calcadas em meras presunções carregadas de ideias pré concebidas com o único objetivo de promover a autuação, na forma mais onerosa possível”. 4. DA IMPOSSIBILIDADE DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA DA CORDEIRO FIOS E CABOS ELÉTRICOS LTDA. PARA RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA DOS RECORRENTES: Frisouse que para “que a responsabilização dos Recorrentes pudesse efetivamente prosperar, haveria de contar com elementos probatórios suficientes a demonstrar que eles distorceram as normas legais ou os atos societários a fim de desvirtuar o objeto social e a personalidade jurídica da CORDEIRO FIOS E CABOS ELÉTRICOS LTDA., utilizandose do poder de gestão ou representação da entidade indevidamente, em seu proveito próprio. Entretanto, tais provas não constam dos autos, até porque a fiscalização sequer se deu ao trabalho de elucidar os fatos que poderiam dar azo à incidência do artigo 135 no presente caso, demonstrando, de forma clara e inconteste, que a responsabilização dos Recorrentes deuse à margem dos requisitos legais e em completa manipulação dos institutos jurídicos que impõem a preservação e separação da pessoa jurídica e daquela pessoa física que, por força de convenções, age em seu nome ou a representa”. 5. Requereu a procedência do Recurso Voluntário interposto para excluir a responsabilidade tributária dos sócios. É o relatório do essencial. Tabela do plano Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva. Relator Fl. 10833DF CARF MF Processo nº 16095.720152/201545 Acórdão n.º 1401002.294 S1C4T1 Fl. 10828 13 Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao eprocesso. Inicialmente passo a analisar o Recurso de Ofício. Da análise da decisão recorrida, diante do grande número de fornecedores e documentos, a DRJ de forma bastante efetiva conseguiu identificar distinções nas situações postas no TVF. Sendo assim, no que se refere ao fornecedor AGL COMÉRCIO DE CONDUTORES ELÉTRICOS LTDA, a Recorrente conseguiu comprovar o pagamento e a realização de parte das operações (aproximadamente 30%). Assim, corretamente, a DRJ excluiu as glosas cujas despesas foram comprovadas. Além disso, reduziu a multa antes qualificada. Quanto à MAQMETAIS COMERCIAL LTDA., cuja inscrição no CNPJ foi considerada inapta pela DRF em Santo André, conforme Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/SAE nº 50, de 16 de dezembro de 2014, expedido com base na Instrução Normativa (IN) RFB nº 1.470, de 2014, revogada pela IN/SRF 1.634, de 2016. Ora, cumpre recordar que, de acordo com ambas IN, consideramse inidôneos os documentos emitidos por sociedades cuja inscrição se encontre suspensa a partir da data de publicação do ADE; uma vez que isto só ocorreu em 7 de janeiro de 2015, os efeitos deste ADE não retroagem para alcançar as notas fiscais glosadas. Em razão disso, manteve a glosa e reduziu a multa qualificada. No que se referem aos fornecedores EBF COMÉRCIO DE CONDUTORES ELÉTRICOS LTDA e G&R COMÉRCIO DE MATERIAIS ELÉTRICOS LTDA, em que pese o contribuinte não tenha logrado êxito em comprovar as operações, com exceção da inaptidão e não localização das empresas, a DRJ entendeu que não haveriam provas de que a recorrente teria ciência das irregularidades. Em razão disso igualmente reduziu a multa qualificada. Com a devida vênia, com exceção da exclusão das glosas cujas despesas foram comprovadas entendo não assistir razão à DRJ. O fato é que da análise dos autos é possível verificar que a autuada tinha um verdadeiro modus operandi, e um volume absolutamente incompatível de despesas não comprovadas de diversos fornecedores. A Recorrente chegou a afirmar que teria um conta corrente com os fornecedores, que receberia cobre e devolveria sucata, mas como justificar, no caso do fornecedor AGL COMERCIO DE CONDUTORES ELÉTRICOS que ele tenha adquirido mais de R$ 10 milhões em insumos e apenas comprovado o pagamento e a efetiva operação relativo a aproximadamente R$ 3 milhões? A empresa compra R$ 10 milhões em insumos e devolve (no conta corrente) R$ 7 milhões em sucatas? E no caso da EBF e G&R em que não logrou êxito em sequer comprovar os pagamentos realizados para os fornecedores, a Recorrente faria permuta integral de insumos com sucata? Não vejo como serem factíveis os argumentos. Outrossim, não se trata de um volume pequeno de operações, em que se possa perder comprovação de pagamento de uma ou outra operação, mas se tratam de operações milionárias. No que se refere à MAQMETAIS, por mais que a ADE não seja retroativa, o fato é que o contribuinte não conseguiu lograr êxito em comprovar a efetividade dos custos e, diante de todo o conjunto probatório aferese que esse era um verdadeiro padrão da empresa. Fl. 10834DF CARF MF 14 Se este julgador estivesse diante de uma análise isolada da situação dos acima referidos fornecedores, talvez tivesse chegado à mesma conclusão da DRJ. Entretanto, levando em consideração todo o padrão da empresa, bem como as demais operações fraudulentas que serão tratadas quando da análise do Recurso Voluntário, não posso concordar com a decisão tomada. Assim, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso de Ofício para restaurar a multa qualificada para as glosas mantidas. No que se refere ao Recurso Voluntário, no que se refere aos Recursos apresentados pela CORDEIROS S.A e CORDEIROS LTDA, é fácil constatar que constituem se em repetições dos argumentos utilizados em sede de impugnação, os quais foram detalhadamente apreciadas pelo julgador a quo. Nestes termos, cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador pelo § 3º do Art. 57 do Regimento Interno do CARF: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017). Da análise do presente processo, entendo ser plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. Assim, no que se referem ao Recurso apresentado pela CORDEIROS LTDA, voto no sentido de manter a decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos, nos termos da faculdade garantida ao julgador pelo § 3º do Art. 57 do Regimento Interno do CARF: Por outro lado, no que tange a DETROIT COMÉRCIO DE METAIS FERROSOS E NÃO FERROSOS LTDA., LINHACOS COMÉRCIO DE METAIS LTDA., KOBBER METAIS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CONDUTORES ELÉTRICOS LTDA., NOSSA LAMINAÇÃO COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. e ELETROCELL COMERCIAL E Fl. 10835DF CARF MF Processo nº 16095.720152/201545 Acórdão n.º 1401002.294 S1C4T1 Fl. 10829 15 ARREMATADORA LTDA., a situação é inteiramente diversa, diante da mais de uma centena de notas fiscais (NF) nitidamente forjadas, assim referidas pelo Autor do feito (fl. 8.143): a) em pelo menos 161 notas fiscais [...] foram indicadas no campo “Transportador placa do veículo”, os seguintes veículos de transporte de passageiros, camionetas, microonibus, e motocicletas, que não se prestam ao transporte de mercadorias e nem comportam as quantidades de mercadorias constantes das notas fiscais [...]. Efetivamente, na NF copiada à fl. 5.268, consta que uma carga de 24.219 kg (equivalente ao peso aproximado de quatro elefantes africanos – Loxodonta africana – machos e adultos) haveria sido transportada pelo veículo de placas CBL8148, que não passa de uma camioneta Fiat Fiorino. E isto não é o pior: à fl. 5.276, afirmase que uma carga equivalente (24.118 kg) haveria sido entregue usandose o veículo de placas DKL7433, que vem a ser uma motocicleta Honda. Confirase: E estes não são casos isolados: os autos estão repletos de aberrações desta natureza (examinemse, a título de exemplo, fls. 5.267 e seguintes). Confrontada com esta situação, a interessada dá de ombros e limitase a afirmar que não lhe caberiam a “entrega e retirada das mercadorias” e, assim sendo, não teria tomado “conhecimento de como isto ocorria, com quais veículos, etc.”, atribuindo “eventuais incoerências nos dados relativos ao transporte dos materiais” a “meros erros de digitação”. Porém, esta andrajosa justificativa é refutada pelo fato de que tais pretensos lapsos haveriam ocorrido dezenas e dezenas de vezes a pessoas jurídicas alegadamente distintas: assim, por exemplo, tanto S&S INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. quanto LINHACOS COMÉRCIO DE METAIS LTDA. quanto, ainda, DETROIT – COMÉRCIO DE METAIS atribuem os mesmos superpoderes à já mencionada motocicleta de entregador de pizzas (confirase tabela de fls. 8.143 e 8.144). Por conseguinte, cabíveis tanto a glosa destes valores quanto a exacerbação da penalidade pecuniária, como preconizado pelo Autor do feito. Observese por óbvio, mas oportuno, que a qualificação da multa de ofício proporcional ao IRPJ derivado da glosa dos custos associados a LINHACOS LTDA. desvinculase Fl. 10836DF CARF MF 16 inteiramente dos efeitos do Ato Declaratório Executivo de lavra da DRF em Ribeirão Preto. Além disso, consta das peças processuais que quatro pessoas físicas (ISRAEL LOPES DA SILVA, CPF nº 095.346.43858; MIRIAN LOPES PEREIRA, CPF nº 078.280.62877; RHAISA AIMÉE SCALONA SILVA, CPF nº 407.440.66832; e SELMA SANTOS SILVA, CPF nº 268.535.16800) teriam sido sócias, em algum momento, tanto de ASRNER COMÉRCIO DE METAIS LTDA. quanto de KOBBER METAIS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CONDUTORES ELÉTRICOS LTDA (vejamse fls. 7.517 a 7.522 e 7.784 a 7.787). Uma vez que esta última figura como emitente de notas fiscais patentemente contrafeitas, é mister entender que ASRNER LTDA., com a qual partilhou seus sócios, também deva ser considerada inidônea. Cabe ainda adicionar que a mesma SELMA SANTOS SILVA alega que seus documentos lhe haveriam sido subtraídos, o que acentua ainda mais a mácula de ilegitimidade que atinge ambas as sociedades, pois que se valeram de tais documentos para a prática de delitos tributários. Logo, cabível exacerbar a multa proporcional aos tributos derivados da glosa dos custos associados a ASRNER LTDA. Isto posto, examinemse as demais alegações da interessada. Ao longo de sua defesa, ela aduz, repetidamente, que a comprovação da efetividade de suas aquisições residiria no fato de haver revendido “como sucata”, às “mesmas empresas que lhe forneciam os produtos”, os “materiais adquiridos” que não estivessem “em condições satisfatórias de uso”; disso resultaria um encontro de contas que lhe impossibilitaria a comprovação dos pagamentos feitos pela aquisição destes insumos. Efetivamente, às fls. 6.375, 6.388 e 6.403 existe correspondência neste sentido entre a interessada e três de seus alegados fornecedores, ASRNER COMÉRCIO DE METAIS LTDA., KOBBER METAIS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CONDUTORES ELÉTRICOS LTDA. e AGL COMÉRCIO DE CONDUTORES ELÉTRICOS LTDA. De plano, cabe desconsiderar os supostos negócios envolvendo as duas primeiras sociedades, pelos motivos acima expostos; e no que diz respeito à última, é óbvio que tal correspondência, de per si, nada comprova. Logo, este argumento não pode ser acolhido. A interessada ainda acrescenta o sofisma de que, se [...] todas as operações de venda de sucata resultaram em débitos de PIS e COFINS e receitas tributáveis pelo IRPJ e pela CSLL, então não existiria motivo de ordem tributária pelo qual seria vantajoso para a Impugnante fraudar a ocorrência de operações que supostamente não aconteceram na realidade. Tratase de uma inverdade patente, pois eventuais vendas feitas pela impugnante não supririam a necessidade de apresentar provas da ocorrência de suas próprias compras: por óbvio, tratase de eventos totalmente distintos, embora a interessada busque por força estabelecer uma relação causal entre eles. Em outro ponto, a impugnante assevera que, se desconsideradas fossem as compras feitas a tais sociedades, o mesmo deveria a acontecer a suas vendas – um patente absurdo, tanto lógico quanto jurídico, pelo mesmo motivo: se ela vendeu uma Fl. 10837DF CARF MF Processo nº 16095.720152/201545 Acórdão n.º 1401002.294 S1C4T1 Fl. 10830 17 mercadoria, ocorreu fato gerador de tributos, ressalvada a hipótese da imunidade; e se deduziu custos na apuração de seu lucro real, submetese à obrigação de comproválos. Mesmo que comprador e vendedor se confundissem, isto não elidiria a necessidade de fazer prova robusta da efetividade de pagamentos ou, no mínimo, de eventuais encontros de contas entre ambos – o que, repitase, não ocorre no presente julgamento. A impugnante aduz que todas as pessoas jurídicas ora consideradas inidôneas teriam sido, durante o anocalendário de 2011, corretas fornecedoras de seus insumos; ou seja, muito embora admita que em um dado momento elas hajam sido consideradas irregulares, salienta que isto teria acontecido somente depois de findo o período fiscalizado. Dito de outra forma, a interessada alega que, em 2011, adquiriu mercadorias de honestos comerciantes que, de súbito, talvez já no primeiro minuto de 2012, converteramse em fraudadores tributários: uma conjectura muito pouco plausível. E menos crível ainda é a hipótese que isso haja acontecido não uma, mas diversas vezes, e sempre a sociedades que seriam suas supostas fornecedoras. Somese a isto a circunstância de que nenhuma destas pessoas jurídicas foi encontrada em funcionamento pelo Fisco da União e que nenhum dos sócios, de nenhuma delas (com a já mencionada exceção de AGL COMÉRCIO DE CONDUTORES ELÉTRICOS LTDA.), haja atendido à intimação para prestar esclarecimentos. Logo, este argumento é inadmissível e, de toda forma, não faz prova da efetividade dos custos glosados. No que tange à descabida assertiva de que os lançamentos em tela impediriam que se soubesse “com a mais absoluta certeza quais são os valores que efetivamente poderiam ser exigidos”, só se pode dizer que o quantum debeatur está claramente indicado nos autos de infração. Quanto à “incidência de juros sobre a multa de ofício”, basta destacar que tal cobrança inexiste nos autos em exame e, portanto, não constitui matéria litigiosa, no termos do PAF; em assim sucedendo, falece competência a este Colegiado para se manifestar a respeito. Por fim, cabe salientar que no curso do presente processo não foram vulnerados quaisquer princípios constitucionais e que a jurisprudência apresentada pela interessada não gozam do status de legislação tributária, nos termos dos artigos 96 a 100 do CTN. Mantido o lançamento de IRPJ, igual sorte caberá a seus consectários, em face da identidade dos elementos de prova de todos os tributos ora em tela. (...) Assim, firme nesses argumentos, e tendo a convicção de que o modus operandi da autuada está absolutamente claro e, diante da inexistência de argumentos capazes Fl. 10838DF CARF MF 18 de elidir o lançamento, mantenho a decisão recorrida quanto ao Recurso da CORDEIROS LTDA pelos seus próprios fundamentos. Outrossim, no que se refere à qualificação da multa, tanto pelas razões aduzidas na decisão da DRJ quanto pelas razões que apresentei na análise do Recurso de Ofício, voto pela manutenção da multa de 150%. No que se refere ao Recurso apresentado pela CORDEIROS SA, também voto no sentido de manter a decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos, nos termos da faculdade garantida ao julgador pelo § 3º do Art. 57 do Regimento Interno do CARF: Isto porque o artigo 5. do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, assim dispõe: Art 5º Respondem pelos tributos das pessoas jurídicas transformadas, extintas ou cindidas: I a pessoa jurídica resultante da transformação de outra; II a pessoa jurídica constituída pela fusão de outras, ou em decorrência de cisão de sociedade; III a pessoa jurídica que incorporar outra ou parcela do patrimônio de sociedade cindida; Desta feita, independente das razões empresariais que tenham levado ao surgimento da Recorrente, a sua responsabilidade é clara e emana de expresso dispositivo legal. Passo à análise do Recurso Voluntário apresentado pelos sócios Carlos Roberto Cordeiro e Maria Isabel de Melo Cordeiro. Em suas razões eles alegam resumidamente que: (i) a responsabilização do art. 135 do CTN exige que a pessoa física, na qualidade de gestora de uma pessoa jurídica, venha a praticar ato com excesso de poderes ou infração de lei, mas não se extrai dos autos uma indicação sequer acerca de quais atos, praticados pessoalmente pelos ora Recorrentes, teriam conduzido à conclusão pela sua responsabilização pelo crédito tributário exigido da pessoa jurídica; (ii) o negócio jurídico firmado pela empresa CORDEIRO FIOS E CABOS ELÉTRICOS LTDA., estava em perfeita consonância com a realidade fática na qual uma empresa está inserida. Ademais disso, investidos dos poderes de administradores da empresa, os Recorrentes apenas levaram a termo as aquisições dos insumos imprescindíveis para a consecução da atividade empresarial. (iii) a responsabilização dos Recorrentes pela figura legal retromencionada pressupõe a ocorrência de ato pessoal dos mesmos com fraude à lei, o que não se observa no presente caso”. (iv) que não estariam presentes os requisitos para a desconsideração da personalidade jurídica da empresa. Entendo que os argumentos não logram afastar sua responsabilização solidária. O TVF é absolutamente claro ao descrever toda a operação fraudulenta. Não se trata de uma única operação glosada, mas de centenas, em situações das mais absurdas possíveis. Fl. 10839DF CARF MF Processo nº 16095.720152/201545 Acórdão n.º 1401002.294 S1C4T1 Fl. 10831 19 Tratamse de glosas decorrentes de operações realizadas com 13 fornecedores distintos, todos eles posteriormente se tornaram inaptos ou foram baixados depois de um período de negócios com a autuada. O presente lançamento glosou o equivalente a R$ 134 milhões de despesas não comprovadas. Por outro lado, não se trata de uma empresa com faturamento baixo, pelo contrário, a média de aquisições de insumos girou em torno de R$ 70 milhões mensais durante o período. Seria o mesmo que dizer que uma empresa do porte e do faturamento da autuada tivesse simplesmente deixado de acompanhar ou comprovar a aquisição de 20% dos seus insumos anuais. Outrossim, outras situações absurdas como entregas de toneladas de insumos em motocicletas, automóveis de passeio ou microônibus apenas atestam a irracionalidade das operações. E todo esse volume de operações e infrações à lei realizadas pela autuada foram permitidas pelos seus 2 únicos sócios administradores. Nesta esteira, entendo que não há como alegar desconhecimento ou falta de acompanhamento em um volume de operações tão vultoso e em tamanha freqüência. Também entendo que não é razoável alegar desconhecimento de que estariam infringindo a legislação tributária. Por último, no que se refere à alegação de impossibilidade de desconsideração da personalidade jurídica da contribuinte, esta efetivamente não ocorreu, mas sim a atribuição de responsabilidade solidária dos sócios nos termos do art. 135 do CTN. Face o exposto, voto por negar provimento ao Recurso dos sócios responsáveis solidários. Assim, voto pelo provimento parcial do Recurso de Ofício para restaurar a multa qualificada relativas às glosas mantidas pela DRJ e pelo não provimento dos Recursos Voluntários. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 10840DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.902183/2011-26
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005
DCTF RETIFICADORA. DESPACHO DECISÓRIO. ENTREGA ANTERIOR. AUSÊNCIA DE ANÁLISE. NULIDADE.
Considerando que a Dctf retificadora, transmitida em conformidade com a legislação de regência, substitui a Dctf originalmente apresentada, é de se declarar a nulidade do despacho decisório que não homologou a compensação declarada sob o pressuposto das informações constantes na Dctf original quando essas já haviam sido alteradas por Dctf retificadora transmitida anteriormente ao despacho decisório, da qual resultaria o alegado crédito decorrente do pagamento a maior do débito retificado.
Numero da decisão: 3001-000.313
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário e no mérito, por unanimidade, em dar provimento parcial, para anular o Despacho Decisório, por vício material.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 DCTF RETIFICADORA. DESPACHO DECISÓRIO. ENTREGA ANTERIOR. AUSÊNCIA DE ANÁLISE. NULIDADE. Considerando que a Dctf retificadora, transmitida em conformidade com a legislação de regência, substitui a Dctf originalmente apresentada, é de se declarar a nulidade do despacho decisório que não homologou a compensação declarada sob o pressuposto das informações constantes na Dctf original quando essas já haviam sido alteradas por Dctf retificadora transmitida anteriormente ao despacho decisório, da qual resultaria o alegado crédito decorrente do pagamento a maior do débito retificado.
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M. OLIVEIRA COMÉRCIO DE INSUMOS AGROPECUÁRIOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 DCTF RETIFICADORA. DESPACHO DECISÓRIO. ENTREGA ANTERIOR. AUSÊNCIA DE ANÁLISE. NULIDADE. Considerando que a Dctf retificadora, transmitida em conformidade com a legislação de regência, substitui a Dctf originalmente apresentada, é de se declarar a nulidade do despacho decisório que não homologou a compensação declarada sob o pressuposto das informações constantes na Dctf original quando essas já haviam sido alteradas por Dctf retificadora transmitida anteriormente ao despacho decisório, da qual resultaria o alegado crédito decorrente do pagamento a maior do débito retificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário e no mérito, por unanimidade, em dar provimento parcial, para anular o Despacho Decisório, por vício material. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório Dos fatos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 90 21 83 /2 01 1- 26 Fl. 80DF CARF MF 2 Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 0258.167, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG DRJ/BHE, que, em sessão de julgamento realizada no dia 28.07.2014, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Transcrevo o relatório do acórdão recorrido (efls. 47 a 51): Relatório O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 941302209, emitido eletronicamente em 05/07/2011, referente ao PER/DCOMP nº 40298.08043.300307.1.3.040079. A declaração de compensação, gerada pelo programa PER/DCOMP, foi transmitida com o objetivo de compensar direito creditório correspondente a(o) COFINS Código de Receita 2172, do período de apuração Agosto/2005, no valor original na data de transmissão de R$ 5.308,63, representado por Darf recolhido em 15/09/2005, no montante total de R$ 5.425,77. De acordo com o Despacho Decisório, “em razão de não ter sido apresentada a Declaração (obrigação acessória) relativa ao período correspondente ao crédito original informado no PER/DCOMP e de não ter havido atendimento ao termo de intimação para apresentação da referida declaração, não foi possível confirmar a existência do crédito pleiteado”. Diante desses fatos, não se homologou a compensação declarada. Como enquadramento legal citouse: art. 165 e 170 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). Art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificado do Despacho Decisório em 20/07/2011 (fl. 16) a Interessada apresenta, em 19/08/2011, manifestação de inconformidade alegando o que se segue: • As contribuições para o Pis e Cofins foram recolhidas sobre a receita bruta originada da venda de diversos produtos agrícolas. • Ao realizar uma auditoria interna, durante o anocalendário de 2007, verificouse que a Recorrente incluía na base de cálculo das contribuições receitas de vendas de produtos tributados à alíquota zero, nos termos do art. 1º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004. • Considerando a quantia já paga pela empresa, restou constituído um indébito tributário de sua titularidade no valor original de R$ 5.308,63, compensado através da DCOMP em análise. • Todavia, a compensação declarada não foi homologada pela autoridade administrativa, sob o argumento de inexistência do crédito, sem intimação prévia ao sujeito passivo. • No momento do preenchimento do PER/DCOMP, a Recorrente não apresentou a DCTF Retificadora, por não vislumbrar na IN Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10530.902183/201126 Acórdão n.º 3001000.313 S3C0T1 Fl. 81 3 600/2005 qualquer exigência para apresentála juntamente com o pedido de compensação. • A Reclamante incorreu em mero vício procedimental, em culpa concorrente com a RFB que nada fez para advertilo quanto à falta de apresentação de DCTF Retificadora, necessária à validação de seu crédito. • A Reclamante, ao tomar conhecimento da falha procedimental em que incorreu, corrigiua, de logo, para retificar a DCTF ao real valor devido de R$ 117,14. • Ao indeferir a compensação a Delegacia da Receita Federal desconsiderou direito subjetivo da Recorrente, comprovado através de documentos idôneos, fazendo prevalecer o esteio processual sobre a verdade material, subtraindo, assim, um crédito de direito do sujeito passivo. • A Instrução Normativa nº 786, de 19 de novembro de 2007, foi publicada após a realização do PER/DCOMP e não pode retroagir para reger fatos praticados em períodos anteriores. • Sendo assim, não há que se alegar que o sujeito passivo não poderia se apropriar de crédito pago a maior ao Erário, por lhe faltar espontaneidade, vez que ele mesmo iniciou o procedimento administrativo de compensação, instando a administração a manifestarse. • A Contribuinte realizou todos os atos administrativos para garantir a compensação, olvidandose apenas de um, que já foi devidamente sanado com a retificação da DCTF. • A natureza da DCTF retificadora se coaduna com as razões da Contribuinte posto que, “a DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados”. • À vista do exposto, devese reconhecer a inaplicabilidade do art. 11, § 2º, III da Instrução Normativa 786/2007, para reconhecer o direito creditório da Reclamante. • Por fim, requer o acolhimento da manifestação de inconformidade apresentada, com a consequente reforma do despacho decisório e homologação da compensação. É o relatório. Da decisão de 1ª Instância A 1ª Turma da DRJ/BHE, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou citado acórdão, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 82DF CARF MF 4 Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 AUSÊNCIA DE PROVAS DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. Na ausência de provas, a DCTF retificadora não pode ser considerada instrumento hábil para conferir certeza ao crédito indicado na declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do recurso voluntário Irresignado com os termos do acórdão vergastado, o contribuinte interpôs recurso voluntário para, em apertada síntese, alertar que quase dois anos antes de a fiscalização proferir o despacho decisório em questão, que não homologou a compensação declarada, já havia retificado da Dctf originalmente apresentada, a fim de informar o valor correto do débito de Cofins. Portanto, referido despacho carece de fundamentação válida, pois a Dctf retificadora, apresentada tempestivamente, constitui documento hábil para demonstrar e comprovar a existência do crédito fiscal em seu favor. Todavia, mesmo diante da retificação tempestiva da declaração, o Fisco inadvertidamente ignorou a existência da Dctf retificadora. Afirma também que ao ignorar a Dctf retificadora, a fiscalização e o colegiado a quo acabaram por ferir um direito básico do administrado, conforme prevê o inciso III do artigo 3º da Lei 9.784 de 1999. Mais, ao omitirse em relação à Dctf retificadora, ou não intimar previamente o contribuinte para apresentar quaisquer outros documentos comprobatórios do indébito tributário apontado, a fiscalização também violou o artigo 29 da já citada lei, pois acaso o Fisco entendesse que a declaração prestada pelo contribuinte não constitui instrumento hábil à análise do direito creditório deveria indicar quais documentos são capazes de conferir certeza e liquidez ao crédito reivindicado, sob pena de a decisão recorrida atentar contra o princípio da verdade material, da garantia ao contraditório e à ampla defesa, conduzindo para a conclusão de que o despacho decisório em apreço está eivado de nulidade, conforme o disposto no inciso II do artigo 59 do Decreto 70.235 de 1972. Neste sentido, requer o provimento do presente recurso para reformar o acórdão recorrido, homologando a compensação declarada no Per/Dcomp 40298.08043.300307.1.3.040079, ou, subsidiariamente, para anular o despacho decisório emitido em 05.07.2011 e demais atos administrativos, convertendo o julgamento em diligência, para que os autos retornem à origem a fim de que a autoridade competente proceda à análise da compensação, levando em consideração a Dctf retificadora transmitida em 19.11.2009, bem como, se for do interesse da fiscalização, proceda a análise o procedimento, à luz da escrituração contábilfiscal do contribuinte. Do encaminhamento O processo digital, então, foi encaminhado para ser analisado por este Carf na forma regimental. É o relatório. Voto Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10530.902183/201126 Acórdão n.º 3001000.313 S3C0T1 Fl. 82 5 Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da admissibilidade Em 15.07.2015 o contribuinte tomou conhecimento do acórdão recorrido, é o que informa o expediente de efl. 52. Em 13.08.2015, irresignado com os termos da referida decisão, o recorrente providencia a juntada do recurso voluntário de efls. 53 a 77, é o que depreendese do carimbo aposto pela ARFIRECÊ/BA na "Folha de Rosto " da referida petição. Na hipótese dos autos, nos termos da legislação processual aplicável (Decreto 70.235 de 1972) e do que dispõe o Ricarf vigente, temse que referida peça recursal é tempestiva e reúne os demais requisitos de admissibilidade; de modo que dela tomo conhecimento. Do mérito O Despacho Decisório nº rastreamento 941302209, emitido eletronicamente em 05.07.2011, referese ao PER/DCOMP 40298.08043.300307.1.3.040079, transmitido com o objetivo de compensar direito creditório correspondente à Cofins do período de apuração relativo ao mês de agosto de 2005, no valor original na data de transmissão de R$ 5.308,63, representado por Darf recolhido em 15.09.2005, no montante total de R$ 5.425,77, decidiu no sentido de que “em razão de não ter sido apresentada a Declaração (obrigação acessória) relativa ao período correspondente ao crédito original informado no PER/DCOMP e de não ter havido atendimento ao termo de intimação para apresentação da referida declaração, não foi possível confirmar a existência do crédito pleiteado”. Razão pelo qual não se homologou a compensação declarada. No entanto, se tivesse levado em consideração a retificação da Dctf transmitida em 19.11.2009, o conteúdo dessa decisão certamente seria outro, vez que ainda restaria saldo de crédito no pagamento apontado como indevido, obviamente, que ainda sujeito à análise de mérito pela fiscalização quanto a sua certeza e liquidez. Assim, temse que o despacho decisório foi emitido sob o pressuposto das informações constantes na Dctf original, que já havia, à época, sido substituída pela Dctf retificadora, a qual, então, careceu de análise na decisão quanto à veracidade dos novos dados informados que poderia assegurar o direito creditório ao contribuinte. Essa questão restou bem esclarecida no Acórdão 3403002.223, da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, objeto de julgamento realizado na sessão de dia 22.05.2013. Nesse sentido, peço vênia para transcrever parte do voto condutor do Ilustre Conselheiro Alexandre Kern: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. Fl. 84DF CARF MF 6 A apresentação espontânea DCTF retificadora antes da edição do despacho decisório, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, devendo por tanto ser nele considerada. Processo Anulado Aguardando Nova Decisão (...) VOTO (...) Permitome recapitular que, anteriormente à atual sistemática, a DCTF retificadora somente se prestava a reduzir o montante do tributo declarado, sujeitandose a um procedimento administrativo de análise do mérito da retificação, de forma que o valor inicialmente declarado somente seria alterado para o menor se houvesse prova antecipada do erro. Todavia, desde as alterações introduzidas pela Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001, art. 18, a DCTF retificadora, quando admitida, tem os mesmos efeitos da original (art. 9º, I, da Instrução Normativa RFB nº 1.110, 24 de dezembro de 2010), tem a mesma natureza da declaração original. A esse propósito, vejase o que já decidiu a 2ª Turma do STJ, no REsp 044027/SC (...) De acordo com a IN citada acima, vigente atualmente, não se admitem retificações de DCTF tendentes reduzir tributo previamente confessado cobrança já tenha sido enviada à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ou que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. Evidentemente, não se trata disso no caso sub judice. Ademais, a retificação da DCTF em questão operouse ao abrigado da espontaneidade, porquanto efetuada antes de qualquer procedimento do Fisco. Nessas circunstâncias, a DCTF retificadora apresentada alterou eficazmente a situação jurídica anterior e inverteu o ônus da prova de que inexistiria pagamento a maior. Contudo, os efeitos da retificação da DCTF foram solenemente desconsiderados tanto no despacho decisório quanto pelo acórdão de primeira instância. A nova realidade estampada na DCTF retificadora tem de ser devidamente avaliada pela Autoridade Fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a repetição e não homologada a compensação. À vista do exposto, voto por dar provimento ao recurso, para anular o processo ab ovo, determinando à Autoridade Fiscal competente que reexamine o pleito objeto do presente processo, considerando a DCTF que estiver vigendo por ocasião da edição do novo despacho decisório. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10530.902183/201126 Acórdão n.º 3001000.313 S3C0T1 Fl. 83 7 Nessa linha foi também decidido recentemente em situação semelhante a do presente processo, no Acórdão 3201003.071, da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, objeto de julgamento realizado na sessão de 27.06.2017. Nesse sentido, uma vez mais, peço vênia para transcrever parte do voto condutor do Ilustre Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira: (...) Com efeito, com base na DCTF original não haveria pagamento a maior de Cofins e, por conseguinte, nenhum direito creditório, o que demonstraria o acerto do despacho decisório original, proferido em 07/10/2009. Ocorre que antes da prolação do despacho decisório, a recorrente após correção e ajustes informados em seu recurso, transmitiu DCTF retificadora, em 18/09/2009, portanto, em data anterior ao término da análise de sua DCOMP. No ponto, importa decidir se o despacho decisório deveria ser proferido em observância à DCTF retificadora que constava na base de dados da Secretaria da Receita Federal RFB; e mais, questão fundamental é saber se a recorrente, na eminência da prolação de despacho decisório, eralhe permitido retificar a DCTF para reduzir valor de tributo devido, que corresponderia ao direito ao crédito do valor pago a maior. Depreendese do despacho decisório que a unidade de origem decidiu por não homologar a compensação, sob o fundamento de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito da titularidade do contribuinte. Este procedimento, eletrônico digase de passagem, é efetuado segundo os princípios da compensação, que nada mais é que o encontro de contas entre débito e crédito, este caracterizado pelo pagamento a maior ou indevido, consubstanciado, no caso em apreço, em um DARF. Quanto ao débito, é o valor extraído do documento hábil no qual o contribuinte confessa sua dívida tributária, qual seja, a DCTF válida que consta da base de dados da RFB. Assim, uma vez que no presente caso a não homologação da compensação declarada decorrera apenas da vinculação do pagamento ao débito informado na DCTF original, deve ser aceita como prova a DCTF retificadora transmitida antes da emissão do despacho decisório, desde que não haja impedimento normativo à sua utilização. À época dos fatos vigia a IN RFB nº 903/2008 que dispunha do Capítulo V para tratar da retificação de declarações. Seu art. 11 rezava: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa Fl. 86DF CARF MF 8 integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. Os dispositivos não carecem de maiores interpretações. A DCTF retificadora, quando admitida, tem a mesma natureza e efeitos da declaração original. De acordo com a IN citada acima não se admitem retificações de DCTF tendentes reduzir tributo previamente confessado cobrança já tenha sido enviada à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ou tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. No caso dos autos, não ha incidência de nenhuma das hipóteses de inadmissibilidade da DCTF retificadora. Ademais, a retificação da DCTF em questão operouse ao abrigado da espontaneidade, porquanto efetuada antes de qualquer procedimento do Fisco. Nessas circunstâncias, a DCTF retificadora apresentada alterou eficazmente a situação jurídica anterior; contudo, os efeitos da retificação da DCTF foram solenemente desconsiderados no despacho decisório. A nova realidade estampada na DCTF retificadora tem de ser devidamente avaliada pela Autoridade Fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a repetição e não homologada a compensação. (...) Da conclusão Diante do exposto, conheço do recurso voluntário e, no mérito, doulhe parcial provimento, para anular, por vício material, o despacho decisório e dos demais atos administrativos posteriores, que dele diretamente dependam ou sejam consequência, e para possibilitar à autoridade competente da unidade de origem reexaminar, dentro do prazo Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10530.902183/201126 Acórdão n.º 3001000.313 S3C0T1 Fl. 84 9 prescricional, o pleito de compensação considerando a Dctf vigente no momento da nova decisão. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10552.000259/2007-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1996 a 31/05/2005
DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE. ARTIGO 45 DA LEI N 8.212/91. SUMULA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
Consideram-se decaídos os créditos tributários lançados com base no artigo 45 da Lei n° 8.212/9l, que determinava o prazo decadencial de 10 anos para as contribuições previdenciárias, por ter sido este artigo considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos ` da Súmula Vinculante n° 8, publicada no DOU em 20/06/2008.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LICENÇA-PRÊMIO INDENIZADA. NÃO INCIDÊNCIA.
Somente não integram o salário de contribuição as parcelas expressamente excluídas por Lei.
A licença-Prêmio indenizada não integra o salário de contribuição previdenciária.
NORMAS REGIMENTAIS. CONCOMITÂNCIA DISCUSSÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. MESMO OBJETO. NÃO CONHECIMENTO DAS ALEGAÇÕES RECURSAIS. SÚMULA CARF N° 01.
De conformidade o artigo 78, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, a propositura de ação judicial com o mesmo objeto do recurso voluntário representa desistência da discussão de aludida matéria na esfera administrativa, ensejando o não conhecimento da peça recursal.
RECURSO VOLUNTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SALÁRIO INDIRETO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4o, DO CTN. SÚMULA CARF No 99. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos REs nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicou-se o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratar-se de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal), na esteira da jurisprudência consolidada neste Colegiado, consagrada na Súmula CARF no 99. Mais a mais, consta do TEAF e do Relatório Fiscal que no decorrer da ação fiscal a autoridade fazendária examinou Comprovantes de Recolhimento, além de outros documentos, o que nos leva a concluir pela existência de pagamentos parciais realizados pela contribuinte.
CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO.
Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas a e b, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ABONO. NÃO INCIDÊNCIA.
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os abonos únicos previstos em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculados do salário e pago sem habitualidade, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 16/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional PGFN.
SALÁRIO INDIRETO. BÔNUS ANUAL, PRÊMIO ASSIDUIDADE. PRÊMIO PRODUÇÃO. BÔNUS PAGO A GERENTES. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. INOBSERVÂNCIA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA.
Desincumbindo-se o Fisco do ônus de comprovar o fato gerador das contribuições previdenciárias, cabe ao contribuinte demonstrar, com documentação hábil e idônea, que as verbas concedidas aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais se enquadram em uma das hipóteses previstas no § 9°, do artigo 28, da Lei n° 8.212/91, de maneira a rechaçar a tributação imputada. Na hipótese dos autos, assim não o tendo feito, relativamente as verbas intituladas Prêmio Assiduidade, Prêmio Produção e Bônus, é de se manter a exigência fiscal na forma lançada.
NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO.
Nos termos do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária.
A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 2401-005.579
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício e, no mérito, negar-lhe provimento. Por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, e dar-lhe provimento parcial para: a) declarar a decadência até 10/2001; e b) excluir do lançamento os levantamentos ADA e ADE - abono.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1996 a 31/05/2005 DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE. ARTIGO 45 DA LEI N 8.212/91. SUMULA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Consideram-se decaídos os créditos tributários lançados com base no artigo 45 da Lei n° 8.212/9l, que determinava o prazo decadencial de 10 anos para as contribuições previdenciárias, por ter sido este artigo considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos ` da Súmula Vinculante n° 8, publicada no DOU em 20/06/2008. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LICENÇA-PRÊMIO INDENIZADA. NÃO INCIDÊNCIA. Somente não integram o salário de contribuição as parcelas expressamente excluídas por Lei. A licença-Prêmio indenizada não integra o salário de contribuição previdenciária. NORMAS REGIMENTAIS. CONCOMITÂNCIA DISCUSSÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. MESMO OBJETO. NÃO CONHECIMENTO DAS ALEGAÇÕES RECURSAIS. SÚMULA CARF N° 01. De conformidade o artigo 78, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, a propositura de ação judicial com o mesmo objeto do recurso voluntário representa desistência da discussão de aludida matéria na esfera administrativa, ensejando o não conhecimento da peça recursal. RECURSO VOLUNTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SALÁRIO INDIRETO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4o, DO CTN. SÚMULA CARF No 99. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos REs nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicou-se o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratar-se de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal), na esteira da jurisprudência consolidada neste Colegiado, consagrada na Súmula CARF no 99. Mais a mais, consta do TEAF e do Relatório Fiscal que no decorrer da ação fiscal a autoridade fazendária examinou Comprovantes de Recolhimento, além de outros documentos, o que nos leva a concluir pela existência de pagamentos parciais realizados pela contribuinte. CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas a e b, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ABONO. NÃO INCIDÊNCIA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os abonos únicos previstos em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculados do salário e pago sem habitualidade, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 16/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional PGFN. SALÁRIO INDIRETO. BÔNUS ANUAL, PRÊMIO ASSIDUIDADE. PRÊMIO PRODUÇÃO. BÔNUS PAGO A GERENTES. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. INOBSERVÂNCIA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. Desincumbindo-se o Fisco do ônus de comprovar o fato gerador das contribuições previdenciárias, cabe ao contribuinte demonstrar, com documentação hábil e idônea, que as verbas concedidas aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais se enquadram em uma das hipóteses previstas no § 9°, do artigo 28, da Lei n° 8.212/91, de maneira a rechaçar a tributação imputada. Na hipótese dos autos, assim não o tendo feito, relativamente as verbas intituladas Prêmio Assiduidade, Prêmio Produção e Bônus, é de se manter a exigência fiscal na forma lançada. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1996 a 31/05/2005 DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE. ARTIGO 45 DA LEI N” 8.212/91. SUMULA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Consideramse decaídos os créditos tributários lançados com base no artigo 45 da Lei n° 8.212/9l, que determinava o prazo decadencial de 10 anos para as contribuições previdenciárias, por ter sido este artigo considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos ` da Súmula Vinculante n° 8, publicada no DOU em 20/06/2008. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LICENÇAPRÊMIO INDENIZADA. NÃO INCIDÊNCIA. Somente não integram o salário de contribuição as parcelas expressamente excluídas por Lei. A licençaPrêmio indenizada não integra o salário de contribuição previdenciária. NORMAS REGIMENTAIS. CONCOMITÂNCIA DISCUSSÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. MESMO OBJETO. NÃO CONHECIMENTO DAS ALEGAÇÕES RECURSAIS. SÚMULA CARF N° 01. De conformidade o artigo 78, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, a propositura de ação judicial com o mesmo objeto do recurso voluntário representa desistência da discussão de aludida matéria na esfera administrativa, ensejando o não conhecimento da peça recursal. RECURSO VOLUNTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SALÁRIO INDIRETO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4o, DO CTN. SÚMULA CARF No 99. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 55 2. 00 02 59 /2 00 7- 42 Fl. 5721DF CARF MF 2 O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicouse o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratarse de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal), na esteira da jurisprudência consolidada neste Colegiado, consagrada na Súmula CARF no 99. Mais a mais, consta do TEAF e do Relatório Fiscal que no decorrer da ação fiscal a autoridade fazendária examinou Comprovantes de Recolhimento, além de outros documentos, o que nos leva a concluir pela existência de pagamentos parciais realizados pela contribuinte. CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ABONO. NÃO INCIDÊNCIA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os abonos únicos previstos em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculados do salário e pago sem habitualidade, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 16/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN. SALÁRIO INDIRETO. BÔNUS ANUAL, PRÊMIO ASSIDUIDADE. PRÊMIO PRODUÇÃO. BÔNUS PAGO A GERENTES. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. INOBSERVÂNCIA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. Desincumbindose o Fisco do ônus de comprovar o fato gerador das contribuições previdenciárias, cabe ao contribuinte demonstrar, com documentação hábil e idônea, que as verbas concedidas aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais se enquadram em uma das hipóteses previstas no § 9°, do artigo 28, da Lei n° 8.212/91, de maneira a rechaçar a tributação imputada. Na hipótese dos autos, assim não o tendo feito, relativamente as verbas intituladas Prêmio Assiduidade, Prêmio Produção e Bônus, é de se manter a exigência fiscal na forma lançada. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando Fl. 5722DF CARF MF Processo nº 10552.000259/200742 Acórdão n.º 2401005.579 S2C4T1 Fl. 3 3 deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício e, no mérito, negarlhe provimento. Por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, e darlhe provimento parcial para: a) declarar a decadência até 10/2001; e b) excluir do lançamento os levantamentos ADA e ADE abono. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. Fl. 5723DF CARF MF 4 Relatório ELEVA ALIMENTOS S.A., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 6a Turma da DRJ em Porto Alegre/RS, Acórdão nº 1024.149/2010, às fls. 5.592/5.611, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal, relativo às contribuições sociais destinadas ao INSS, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e a outras entidades (Terceiros), incidentes sobre os valores pagos aos seus segurados empregados e contribuições incidentes sobre pagamentos efetuados a contribuinte individuais que lhe prestaram serviços e, ainda, contribuição da empresa correspondente a 15% sobre a Nota Fiscal emitida por cooperativa de trabalho, em relação às competências 04/1996 a 05/2005, conforme Relatório Fiscal, às efls.327/340 e demais documentos que instruem o processo, consubstanciados nos seguintes levantamentos: CÓDIGO RUBRICA PERÍODO ORIGEM ADA Abono Dissídio Coletivo Avipal 09/2001 a 05/2005 Folha de Pagamento ADE Abono Dissídio Coletivo Elege 09/2001 a 02/2004 Folha de Pagamento AFR Contribuinte Individual Fretes Avipal 05/2001 a 12/2004 Contabilidade AP1 Aviso Prévio Proporcional Elege 04/1996 a 11/1998 Folha de Pagamento AP2 Aviso Prévio Proporcional Elege 01/1999 a 02/1999 Folha de Pagamento ASS Prêmio Assiduidade Elege e Avipal 01/2003 a 05/2005 Controle Extra Folha BOA Bônus Avipal 12/2004 Contabilidade CAV Contribuinte Individual Avipal 03/2001 a 05/2005 Contabilidade CEA Contribuinte Individual Elege antes GFIP 06/1996 a 12/1998 Contabilidade CEP Contribuinte Individual Elege após GFIP 01/1999 a 03/2004 Contabilidade Fl. 5724DF CARF MF Processo nº 10552.000259/200742 Acórdão n.º 2401005.579 S2C4T1 Fl. 4 5 COA Cooperativa de Trabalho Elege 09/2000 a 03/2004 Contabilidade COF Cooperativa de Fretes Avipal 01/2001 a 05/2005 Contabilidade COO Cooperativa de Trabalho Avipal 01/2001 a 05/2005 Contabilidade EFR Elege Contribuintes Individuais Fretes 01/2002 a 02/2003 Contabilidade LIC LicençaPrêmio Dissídio Coletivo Avipal 07/2001 a 05/2005 Folha de Pagamento PLA Participação Lucros Resultados Avipal 07/2001 a 01/2004 Folha de Pagamento PLE Participação Lucros Resultados Elege 07/1999 a 12/2001 Folha de Pagamento PPA Prêmio Produção Avipal 07/2001 a 05/2005 Folha de Pagamento PPE Prêmio Produção Elege 08/1999 a 04/2004 Folha de Pagamento UNA Unimed Avipal 01/2001 a 05/2005 Contabilidade UNE Unimed Elege 03/2000 a 03/2004 Contabilidade A contribuinte foi cientificada do lançamento fiscal em 28/11/2006, fls. 01, e apresentou impugnação, através do instrumento de fls. 2250/2308, requerendo a decretação da improcedência do feito. Após análise dos argumentos contidos na peça impugnatória, em confronto com o Relatório Fiscal e seus anexos, constatouse a necessidade de alguns esclarecimentos por parte da fiscalização sobre as alegações da impugnante de que nos lançamentos relativos a contribuintes individuais foram considerados pagamentos efetuados a segurados empregados e estagiários, bem como sobre a existência de registros em duplicidade e manifestação sobre os documentos apresentados referentes às contribuições de cooperativas de trabalho. O serviço de fiscalização manifestouse, às fls. 5021/5022, informando que: quanto aos lançamentos de contribuintes individuais e contribuintes freteiros, procedem as • alegações da empresa, tendo sido proferido parecer para exclusão dos valores pagos a segurados empregados relativos à indenização de quilometragem e despesas de viagem, bem como os valores pagos a estagiários. Também foram excluídos os valores lançados em duplicidade, conforme solicitado pelo contribuinte. Fl. 5725DF CARF MF 6 Os valores não comprovados documentalmente e que por ventura estejam na situação em questão dos contribuintes individuais aqui tratados permanecerão lançados. Com relação aos documentos apresentados, referentes à contribuição de cooperativas de trabalho, informa que foram excluídos os valores recolhidos de acordo com as GPS apresentadas nas páginas 2355 a 2583 deste processo. Acrescenta que os valores resultantes após a exclusão efetuada, deverão permanecer no lançamento, visando garantir o prazo de decadência do crédito tributário, haja vista que a segurança concedida mediante sentença no processo n° 2004.71.00.045915 determina a suspensão da exigibilidade da contribuição. Estes valores deverão ser separados do crédito face a tramitação da ação judicial. Por sua vez, a 6ª Turma da DRJ em Porto Alegre/RS entendeu por bem julgar parcialmente procedente o lançamento, exonerando parte do crédito tributário, por entender que parte do lançamento encontrase fulminado pela decadência e pela não incidência das contribuições sobre a rubrica "licença prêmio", o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão já mencionado, sintetizados na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1996 a 31/05/2005 NFLD DEBCAD N° 37.039.9129 NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. CONTRIBUIÇÕES DA PARTE DA EMPRESA. DECADÊNCIA. ABONOS, PRÊMIOS E BÔNUS INTEGRAM A REMUNERAÇÃO. COOPERATIVAS. AÇÃO JUDICIAL. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO. LICENÇAPRÊMIO INDENIZADA. ERRO MATERIAL. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. A teor da Súmula Vinculante n.° 08, do STF, o prazo para constituição de crédito relativo às contribuições para a Seguridade Social segue a sistemática do Código Tributário Nacional. Lançamento cientificado ao sujeito passivo em 28/11/2006, está fulminado pelo instituto da decadência para o período de 04/1996 a 11/2000. Somente não integram o salário de contribuição as parcelas expressamente excluídas por Lei. A licençaPrêmio indenizada não integra o salário de contribuição previdenciário. Comprovado equívoco no lançamento, cabe sua retificação. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em observância ao disposto no artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício da decisão encimada, que declarou procedente em parte o lançamento fiscal. Regularmente intimada e inconformada com a parte mantida pela Decisão recorrida, a autuada apresentou Recurso Voluntário, às efls. 5.622/5.653, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Fl. 5726DF CARF MF Processo nº 10552.000259/200742 Acórdão n.º 2401005.579 S2C4T1 Fl. 5 7 Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa às alegações da impugnação, preliminarmente pugnando pela decretação da decadência até outubro de 2001, de acordo com a aplicação de maneira correta do § 4° do art. 150 do CTN. Em relação ao mérito, faz uma explanação sobre a definição de salário de contribuição, base de cálculo e exigência das contribuições, contrapondo às rubricas de maneira individualizadas nos seguintes termos: a) ABONO PAGOS AOS FUNCIONÁRIOS Os referidos pagamentos são abonos desvinculados do salário, pois têm natureza indenizatória. Tais acordos foram firmados com os sindicatos das categorias como forma de indenizar seus empregados pela adoção de regime especial de compensação de jornada/horas de trabalho. Portanto indevida sua cobrança. b) PRÊMIO ASSIDUIDADE Os prêmios entregues através de cartões de benefícios são o resultado do cumprimento de condições préestabelecidas, portanto resta evidente que determinados funcionários destacarseão e receberão prêmios de forma mais seguida. Outros porém, receberão o prêmio poucas vezes ou jamais receberão, tendo em vista o não cumprimento dos requisitos estabelecidos como condição para sua percepção. Conclui dizendo que tais pagamentos não são ganhos habituais e sim eventuais. Afirma que ganhos habituais são aqueles percebidos através de disposição duradoura adquirida pela repetição freqüente de pagamentos. Diz, ainda, que o pagamento do prêmio feito pela Avipal aos seus funcionários não é pelo seu trabalho ordinário, mas sim pelo cumprimento de objetivos pré determinados, portanto é inquestionável a aplicação do artigo 28, § 9°, "e", item 7, da Lei 8.212/91, que diz que não integram o saláriodecontribuição as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário. Cita doutrinas e jurisprudências e solicita a desconstituição do crédito levantado. c) PRÊMIO PRODUÇÃO Aduz que o prêmio produção está também atrelado ao cumprimento de metas préestabelecidas, cujo pagamento, justamente por isso, é eventual e, portanto, não se trata de contraprestação pelo trabalho. Dessa forma, tal como exposto acima quanto ao prêmio Assiduidade, inexiste fundamento legal para inclusão do Prêmio Produção na base de incidência de contribuições previdenciárias, ao que também essa parcela deve ser excluída do lançamento ora contraditado. d) BÔNUS PAGOS A GERENTES DA EMPRESA Reitera o argumento antes referido sobre a necessidade de habitualidade do pagamento para sua inclusão no saláriodecontribuição previsto pelo art. 28 da Lei n° 8.212/91. Salienta que restou apontado pela própria fiscalização que o pagamento ora em questão ocorreu apenas no final do ano de 2004, para gerentes da empresa. Nesse sentido, Fl. 5727DF CARF MF 8 considerando o período abrangido pela fiscalização e o pagamento apenas em uma oportunidade do referido bônus, fica clara a natureza de ganho eventual intrínseca a tal parcela, na forma do disposto no art. 28, § 9 0, "e", item 7, da Lei n° 8.212/91, razão pela qual impõese a sua exclusão do crédito tributário em comento. e) PAGAMENTOS EFETUADOS A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS A empresa alega que foram lançados indevidamente pagamentos feitos a título de reembolso de despesas de viagem e de quilometragem realizada pelos funcionários empregados, com a utilização de veículo próprio, para realização de trabalhos em nome da empresa, e pagamentos a título de ressarcimento de despesas médicas. Apresenta planilhas e documentos (fls. 2284, 2584/2786 e 4608 a 4852). Que no lançamento também constam, indevidamente, pagamentos efetuados a estagiários (anexa documentos a fls. 2787a 2828), pagamentos efetuados a pessoas jurídicas, e pagamentos feitos em reclamatórias trabalhistas. Apresenta recibos de pagamentos de contribuições previdenciárias efetuados em reclamatórias trabalhistas e que foram inseridos • no lançamento ora contestado (fls. 4884/5009). Que há duplicidade de lançamentos. Apresenta planilha a fls. 4858 a 4882, para demonstrar tal afirmação. Cita como exemplo os valores pagos a Noeli Maria Bruxel (13/09/2004), Erani Pereira da Silva (22/09/2004) e Ernani Renato Miiller (03/09/2004). Apresenta descrição das contas contábeis utilizadas pela empresa nos anos de 2001 a 2005 e, por fim, alega que a fiscalização não justificou a não aceitação dos recibos, notas fiscais e outros documentos apresentados, cerceando o direito de defesa, assim como solicita a realização de perícia contábil para que sejam esclarecidas as afirmações suscitadas, nos termos constantes de fls. 2306 /2307. f) PAGAMENTOS EFETUADOS A COOPERATIVA A empresa alega, inicialmente, a inconstitucionalidade material e formal do artigo 1° da Lei n° 9.876/99, na parte que inseriu o inciso IV do artigo 22 da Lei 8.212191, Refere a existência de causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário tendo em vista • ação judicial (mandado de segurança n° 2004.71.00.045915) com sentença concedendo a segurança para fins de declarar, incidentalmente, a inconstitucionalidade do dispositivo da lei 9.876/99 que inseriu o inciso IV do artigo 22 da Lei 8212/91 e reconhecer a inexigibilidade das contribuições previdenciárias sobre valores pagos a cooperativas de trabalho. Contra tal sentença foi interposto recurso ao qual não foi agregado efeito suspensivo, portanto impossível qualquer lançamento contra a impugnante que tenha como base o dispositivo declarado inconstitucional. g) PAGAMENTOS EFETUADOS A COOPERATIVA DE PRODUÇÃO Salienta que a Cooperativa Regional Castilhense de Carnes e Derivados é uma cooperativa de produção e que a fiscalização cometeu um equívoco em classificar a mesma, como sendo de trabalho. Aduz que a fiscalização justifica esta classificação, por causa do fornecimento, pela Avipal, dos animais, embalagens, rótulos, etiquetas, caixas de papelão, fardos, sacos, etc.., necessários à comercialização da produção nos mercados internos e externos, e que tal procedimento comprovaria que a única obrigação da referida cooperativa estava na cessão da força de trabalho para realização do abate. Ressalta que houve interpretação errônea da fiscalização referente aos contratos celebrados entre as partes e desconhecimento da definição legal de cooperativa de Fl. 5728DF CARF MF Processo nº 10552.000259/200742 Acórdão n.º 2401005.579 S2C4T1 Fl. 6 9 produção. Destaca que se considera cooperativa de produção aquela em que seus associados contribuem com serviços laborativos ou profissionais para a produção em comum de bens, quando a cooperativa detenha por qualquer forma os meios de produção. Diz que o traço distintivo das cooperativas de produção está na detenção dos meios de produção (instrumentos necessários para a realização do trabalho). Afirma que, na hipótese em análise, podese dizer que os meios de produção necessários para o abate e a desossa de suínos contratada com a cooperativa são o imóvel em que esta está instalada, as ferramentasutilizadas para a realização do trabalho, as câmaras frigoríficas onde os produtos industrializados serão mantidos, enfim, tudo aquilo que é necessário para a entrega do produto • na forma contratada. Sendo assim, deve ser reconhecida a natureza de cooperativa de produção da cooperativa Regional Castilhense de Carnes e Derivados e, conseqüentemente, excluída do crédito tributário a parcela relativa à exigência de pagamento de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a esta cooperativa. h) PERÍCIA Pugna pela realização de perícia. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para decretar a decadência dos Autos de Infração, tornandoos sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao Recurso Voluntário, aduzindo o que segue: a) Não há os autos prova de recolhimento para o período sob análise, portanto, para fins de decadência, devese aplicar o art. 173, I, do CTN. b) Há concomitância entre as instâncias administrativa e judicial no que concerne à contribuição incidente sobre os valores pagos a cooperativas de trabalho. c) Da impossibilidade do órgão administrativo analisar a inconstitucionalidade da contribuição social prevista no artigo 22, IV, da Lei n° 8.212/91. Além de retificar a constitucionalidade desta. d) Da classificação da cooperativa regional castilhense de carnes e derivados como cooperativa de trabalho. e) O pagamento a título de abono, prêmio por assiduidade, bônus e prêmio por produção caracterizamse salário de contribuição. f) Do pagamentos efetuados a contribuintes individuais. É o relatório. Fl. 5729DF CARF MF 10 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator RECURSO DE OFÍCIO Presente o pressuposto de admissibilidade, em razão do crédito desonerado se encontrar sob o manto do limite de alçada, conheço do recurso de ofício e passo a análise da matéria posta nos autos. Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, que de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 287/300, referese às contribuições da empresa destinadas ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e a outras entidades (Salário Educação, INCRA, SESI, SENAI e SEBRAE), incidentes sobre valores pagos aos seus segurados empregados e contribuições incidentes sobre pagamentos efetuados a contribuintes individuais que lhe prestaram serviços e, ainda, contribuição da empresa correspondente a 15% sobre a Nota Fiscal emitida por cooperativa de trabalho. Por sua vez, a 6ª Turma da DRJ em Porto Alegre/RS entendeu por bem julgar parcialmente procedente o lançamento, exonerando parte do crédito tributário, por entender que parte do lançamento encontrase fulminado pela decadência e pela não incidência das contribuições sobre a rubrica "licença prêmio", o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão já mencionado. Feita as considerações acima, passamos a analise dos pontos específicos: DECADÊNCIA Inicialmente, cumpre esclarecer que a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito foi lavrada considerando o prazo de dez anos para a Seguridade Social constituir seus créditos, nos termos do que estabelecia o art. 45 da Lei n° 8.212/91: Art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I — do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; II — da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada. Em decorrência do julgamento dos Recursos Extraordinários n° 556.664, 559.882, 559.943 e 560.626 o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula Vinculante if 8, publicada no D.O.U. de 20/06/2008, nos seguintes termos: São inconstitucionais o parágrafo único do art. 5° do Decreto Lei n° 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Fl. 5730DF CARF MF Processo nº 10552.000259/200742 Acórdão n.º 2401005.579 S2C4T1 Fl. 7 11 De acordo com a Lei 11.417/2006, após o Supremo Tribunal Federal editar enunciado de súmula, esta terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, a partir de sua publicação na imprensa oficial. Assim, a nova súmula alcança todos os créditos pendentes de pagamento e constituídos após o lapso temporal de cinco anos. Na esteira desse entendimento, não se pode cogitar em irregularidade na decisão levada a efeito pelo julgador de primeira instância, porquanto agiu da melhor forma, com estrita observância da legislação de regência, reconhecendo a improcedência do crédito tributário nos termos encimados. Por amor a clareza, reitero a ocorrência da decadência dos valores relativos aos fatos geradores das competências 04/1996 a 11/2000, conforme decidido pela autoridade julgadora de primeira instância. LICENÇAPRÊMIO Como é de conhecimento daqueles que lidam com o direito tributário, há algumas verbas pagas aos trabalhadores que são excluídas por lei do salário de contribuição, desde que suas regras sejam corretamente aplicadas. Nesse sentido, consta expressamente no item 8, alínea "e", do parágrafo 9° do artigo 28 da Lei n° 8.212/91, que as importâncias recebidas a título de licença´prêmio indenizada não integram o salário de contribuição, senão vejamos: Lei n° 8.212/91 Art. 28 (...) § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei n°9.528, de 10.12.97) (...) e) as importâncias: (Incluído pela Lei n°9.528, de 10.12.97) (...) 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Incluído pela Lei n° 9.711, de 20.11.98) (grifo nosso) Conforme depreende da legislação encimada, não incide contribuições previdenciárias sobre ás importâncias pagas a título de licençaprêmio. Mais a mais, a empresa destaca que os pagamentos foram efetuados a título de Licença Prêmio indenizada na forma prevista nos acordos coletivos firmados com o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Alimentação, especificamente na cláusula que trata do assunto. A referida cláusula dispõe que será concedida LicençaPrêmio remunerada de 10 (dez) dias corridos, a todos os empregados da categoria que, na vigência do acordo, vierem a completar 10 (dez), 20 (vinte) ou 30 (trinta) anos de serviço contínuo na mesma empresa, Fl. 5731DF CARF MF 12 podendo esses dias ser convertidos em indenização, a critério das partes, desde que não tenha o trabalhador mais do que 5 (cinco) faltas não justificadas nos últimos 10 (dez) anos. Da leitura acima, depreendese que os empregados da contribuinte, quando preenchem os requisitos ali estipulados, adquirem o direito de usufruir dez dias de Licença Prêmio remunerada e no caso de não desfrutar do benefício, os referidos dias poderão ser convertidos em pecúnia. Portanto, a conversão em pecúnia é uma forma de compensar o dano sofrido pelo não gozo dos dias de licença que teria direito. É de se ressaltar que os pagamentos efetuados em virtude de Licença Prêmio não gozada têm caráter indenizatório, não estando sujeitos à incidência de contribuição previdenciária. Neste diapasão, deve ser mantida incólume a decisão recorrida. Por todo o exposto, estando à decisão de primeira instância em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO E NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o decisum recorrido em sua integralidade, pelas razões de fato e de direito acima ofertadas. RECURSO VOLUNTÁRIO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE CONCOMITÂNCIA PAGAMENTOS EFETUADOS A COOPERATIVAS DELIMITAÇÃO DA LIDE Apesar de presente o pressuposto de admissibilidade, ser tempestivo, há nos autos questão preliminar, indispensável ao deslinde da controvérsia, que deve ser elucidada, prejudicando, assim, o conhecimento de parte do recurso, como passaremos a demonstrar. Com efeito, a Recorrente impetrou na Seção Judiciária do Estado do Rio Grande do Sul o Mandado de Segurança nº 2004.71.00.045915, objetivando obter perante o Poder Judiciário a que não lhe fosse exigido o pagamento da contribuição instituída pelo art. 22, IV, da Lei n° 8.212/91, com a redação da Lei n° 9.876/99, ou seja, recolhimento de 15% sobre o valor bruto das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços por cooperados através de cooperativas de trabalho. Assentado que a citada medida judicial versa no tudo e no todo sobre a mesma matéria tratada no presente Processo Administrativo Fiscal em relação aos levantamentos COA, COF, COO, UNA e UNE (pagamentos efetuados a cooperativa), e que a decisão proferida na Instância Judicial subjuga qualquer outra exarada na esfera administrativa, adquirindo inclusive o atributo da coisa julgada formal e material, resulta que, qualquer que seja o veredictum proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, bem como por esta Corte Administrativa, acerca da matéria objeto do litígio, será tido como letra morta diante da decisão judicial transitada em julgado. Da leitura da norma esculpida no §3º do art. 126 da Lei nº 8.213/91, numa interpretação sistemática e teleológica com os princípios da eficiência e da economia processual, conduz ao entendimento de que a propositura de ação judicial que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo, importa renúncia dos beneficiários acobertados pelos resultados de tal demanda ao direito de recorrer na esfera administrativa e à desistência do eventual recurso interposto. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Fl. 5732DF CARF MF Processo nº 10552.000259/200742 Acórdão n.º 2401005.579 S2C4T1 Fl. 8 13 Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) (...) 3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. A matéria em apreço já foi enfrentada, em situações pretéritas idênticas, por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, dando ensejo à edição da Súmula nº 1, cujo Verbete transcrevemos adiante: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante desse quadro, pugnamos pelo não conhecimento dos temas levados à apreciação do Poder Judiciário, e reiterados no vertente Instrumento Recursal interposto perante este Colegiado, com fundamento no preceito insculpido no art. 126, §3º da Lei nº 8.213/91, em interpretação sistemática e teleológica com os princípios da eficiência e da economia processual. A renúncia ora em voga independe de ato volitivo da parte, ou mesmo da vontade psicológica do Impetrante. Ela decorre ex lege, e de forma objetiva, independentemente do motivo ou do tempo em que a demanda tenha sido ajuizada perante o poder judiciário. Tal conclusão não colide com as diretivas positivadas no art. 35 da Portaria RFB n°10.875/2007, in verbis: Portaria RFB n°10.875, de 16 de agosto de 2007. Art. 35. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente ao lançamento, com o mesmo objeto, importa em renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. Mesmo em se tratando de matéria já declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, no entender deste Colegiado, não há como conhecer do recurso em observância ao princípio da celeridade e economia processual, por afronta direta a todos os fundamentos acima expostos. Cabe a DRF de origem verificar o resultado da demanda judicial no momento da execução do julgado, especialmente em se tratando de matéria julgada inconstitucional. Verificamos a existência de argumentos distintos daqueles ventilados na demanda judicial, neste aspecto, por preencher o pressuposto de admissibilidade, conheço das alegações sobre a decadência, necessidade de diligência/perícia e as demais rubricas. PRELIMINAR Fl. 5733DF CARF MF 14 DA DECADÊNCIA ART. 150, §4° DO CTN A recorrente, preliminarmente, pugna pela decretação da decadência até outubro de 2001, de acordo com a aplicação de maneira correta do § 4° do art. 150 do CTN, eis que a contribuinte recolheu a contribuição previdenciária sobre as parcelas remuneratórias, apenas não tendo recolhido a referida contribuição sobre outros valores, ou seja, sobre as parcelas que não tinham tal natureza, diante da nãoincidência prevista no art. 28, § 90, da Lei n. 8.212/91. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Ao fim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando as Contribuições Previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos submetidos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que apurar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs Fl. 5734DF CARF MF Processo nº 10552.000259/200742 Acórdão n.º 2401005.579 S2C4T1 Fl. 9 15 expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que as Contribuições Sociais Previdenciárias deve observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4°, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo o entendimento que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou Fl. 5735DF CARF MF 16 simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como Fl. 5736DF CARF MF Processo nº 10552.000259/200742 Acórdão n.º 2401005.579 S2C4T1 Fl. 10 17 antecipação de pagamento das contribuições, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. Para afastar qualquer dúvida a esse respeito foi editada a Súmula CARF n° 99, que assim dispõe: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015. Em outras palavras, quanto ao AIOP de obrigação principal, a tese em que a nobre Procuradora da Fazenda se apoiava em sua contrarrazão, no sentido de que "fatiar" a remuneração a ser analisada em "reconhecida" e "não reconhecida" pela contribuinte, fora rechaçada pela Súmula encimada. Em suma, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela existência de antecipação de pagamento, por tratase em parte de salário indireto, portanto, diferenças de contribuições, eis que a contribuinte promoveu o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal), fato relevante para a aplicação do instituto, nos termos da decisão do STJ acima ementada, a qual estamos obrigados a observar. Mais a mais, como se extrai do Relatório Fiscal do Auto de Infração, no decorrer da ação fiscal a autoridade fazendária examinou Comprovantes de Recolhimento (Guias de Recolhimento da Previdência Social GPS), além de outros documentos, o que nos leva a concluir pela existência de pagamentos parciais realizados pela contribuinte, versou o auditor: 26. Analisando os resumos das folhas de pagamento vislumbrou se, de pronto, a seguinte situação: o valor resultante da soma das rubricas passíveis de incidência de contribuição (exceto as que a empresa assim não considera) apresentouse desigual ao que a própria empresa informa na rubrica denominada BASE INSS e, ainda, aos valores recolhidos nas GRP S/GP S. (...) 87. Diante das constatações descritas nos itens anteriores entendemos que todos os recolhimentos efetuados no código de recolhimento 2100 referemse a outros fatos geradores (folha de pagamento, por exemplo). Assim, é de manter a ordem legal no sentido de adotar o prazo decadencial inscrito no artigo 150, § 4o, do Código Tributário Nacional, em face do recolhimento parcial das contribuições previdenciárias ora lançadas. Fl. 5737DF CARF MF 18 Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 28/11/2006 com a devida ciência da contribuinte, a exigência fiscal resta parcialmente fulminada pela decadência, relativamente aos fatos geradores ocorridos no período até 10/2001, impondo seja decretada a improcedência parcial do feito. MÉRITO Em suas razões recursais, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve parte substancial da exigência fiscal, dissertando a propósito da pretensa não incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas pagas a título de Prêmio Assiduidade, Prêmio Produção e Bônus, além de se insurgir contra os pagamentos efetuados a contribuintes individuais e realização de perícia, como passaremos a analisar de maneira individualizada adiante. Em defesa de sua pretensão, elabora substancioso arrazoado contemplando com especificidade as verbas concedidas aos segurados empregados, acima elencadas, concluindo estarem fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias. Em virtude das 04 (quatro) verbas lançadas na presente autuação como salário indireto, cada uma com suas peculiaridades, analisaremos a questão posta nos autos de maneira individualizada, após transcrição dos dispositivos legais que regulamentam a matéria, senão vejamos. Antes de adentrar as questões de mérito, é de bom alvitre trazer à baila o disposto nos artigos 111, inciso II e 176, do CTN, indispensáveis ao deslinde da lide, in verbis: “Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I – suspensão ou exclusão do crédito tributário; II – outorga de isenção; III – dispensa do cumprimento de obrigações acessórias”” Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração.” Extraise dos dispositivos legais supracitados que qualquer espécie de isenção que o Poder Público pretenda conceder deve decorrer de lei disciplinadora, sendo sua interpretação literal e não extensiva. Por sua vez, as importâncias que não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias estão expressamente listadas no artigo 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, o qual estabelece os pressupostos legais para que não se caracterizem como salário decontribuição, visando garantir os direitos dos empregados, como segue: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 5738DF CARF MF Processo nº 10552.000259/200742 Acórdão n.º 2401005.579 S2C4T1 Fl. 11 19 a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Fl. 5739DF CARF MF 20 h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 5740DF CARF MF Processo nº 10552.000259/200742 Acórdão n.º 2401005.579 S2C4T1 Fl. 12 21 t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) ” Com mais especificidade, contemplando as verbas em epígrafe, o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, em seu artigo 214, § 9°, prescreve a não incidência de contribuições previdenciárias nas seguintes condições, in verbis: Art. 214. Entendese por saláriodecontribuição: [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: [...] VI a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; [...] X a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; § 10. As parcelas referidas no parágrafo anterior, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o saláriodecontribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. [...] Como se observa, tendo a autoridade lançadora inserido os pagamentos realizados pela empresa aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais no conceito de remuneração (saláriodecontribuição), nos termos do artigo 28 da Lei n° 8.212/91, comprovando/demonstrado com especificidade a natureza remuneratória das verbas concedidas, impõese ao contribuinte afastar a pretensão fiscal enquadrando tais pagamentos em uma das hipóteses de não incidência, isenção ou imunidade elencadas na norma encimada, observando, porém, os requisitos legais para tanto. Fl. 5741DF CARF MF 22 Em outras palavras, desincumbindose o Fisco do ônus de comprovar o fato gerador das contribuições previdenciárias, cabe ao contribuinte demonstrar, com documentação hábil e idônea, que as verbas concedidas aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais se enquadram em uma das hipóteses previstas no § 9°, do artigo 28, da Lei n° 8.212/91, de maneira a rechaçar a tributação imputada. Voltando à análise do caso sub examine, a contribuinte se insurgiu contra a tributação de todas as verbas pagas aos seus funcionários, razão pela qual passaremos a analisar os argumentos relacionados a tais rubricas individualmente, em razão de suas peculiaridades, arrimadas especialmente na jurisprudência administrativa e atual de nossos Tribunais Superiores, senão vejamos: ABONO LEVANTAMENTOS ADA E ADE No caso em exame, tratase de pagamento feito aos empregados da empresa sob o título de ABONO (importância paga como compensação de jornada/horas trabalhadas), decorrente de acordos firmados com os sindicatos das categorias e não estipulado através de Lei. Antes de mais nada, para a exata delimitação da acusação fiscal, tornase imprescindível transcrever o conteúdo do Relatório Fiscal, in verbis: 46. Verificada em folha de pagamento, constatamos não haver incidência de contribuição sobre os valores classificados nesta rubrica. 47. A empresa informa assim proceder apenas por se tratar de abono constante de convenção/dissídio. Realmente estes valores constam dos referidos instrumentos. No entanto, depoimentos de empregados, inclusive do setor de recursos humanos, e de representantes sindicais são no sentido de informar que o abono dissídio coletivo foi instituído em lugar do PLR por falta de "vontade política da empresa". 48. Se não bastassem os argumentos retrocitados é de salientar, como também fizemos aos representantes da empresa, que estes valores não constam das exceções legais à incidência de contribuição, fato que não ensejaria o presente levantamento de débito. Como se observa do texto acusatório, para a autoridade lançadora os abonos não estão a salvo da tributação previdenciária, além de mencionar que referida rubrica fora instituída em lugar do PLR por falta de "vontade da empresa". Pois bem. Do ponto de vista dos preceitos tributários aplicáveis ao abono e das questões fáticas, a acusação fiscal é singela e frágil, nem mesmo aprofundouse na identificação da existência de habitualidade nos pagamentos e/ou de conexão com a retribuição pelo trabalho, a despeito dos depoimentos informando ter o abono substituído um PLR. Quanto a alegação de ser o ABONO uma verba substitutiva de PLR, não há como acatar a acusação fiscal, uma vez desprovida de provas e maiores detalhes. Tratandose apenas de uma citação acerca de "depoimentos" que sequer foram anexados aos autos. A empresa por sua vez, se limitando a acusação fiscal, afirma que referidos pagamentos são abonos desvinculados do salário, pois têm natureza indenizatória. Tais acordos Fl. 5742DF CARF MF Processo nº 10552.000259/200742 Acórdão n.º 2401005.579 S2C4T1 Fl. 13 23 foram firmados com os sindicatos das categorias como forma de indenizar seus empregados pela adoção de regime especial de compensação de jornada/horas de trabalho. Portanto indevida sua cobrança. Inicialmente cabe trazer à baila a regulamentação do item 7 da alínea "e" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, por meio da alínea "j" do inciso V do § 9º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999: Lei nº 8.212, de 1991 Art. 28 (...) § 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (...) RPS/1999 Art. 214 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) V as importâncias recebidas a título de: (...) j) ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei. (...) (grifamos) Com relação à desvinculação do abono em relação ao salário, a verdade é que o Decreto não pode impor limitação ou exigência não existente em Lei. O Decreto tem sim autorização para interpretar a Lei, regulamentála, mas não para inovar, extrapolar os seus limites. Efetivamente, a Lei nº 8.212/1991 fala em desvinculação do abono em relação ao salário. Não há ali nenhuma menção à desvinculação decorrer de Lei. Observase, outrossim, que constam nos autos Convenções Coletiva de Trabalho na qual realmente são previstos o pagamento de um abono salarial aos funcionários da empresa, por amor a clareza, transcrevo excerto de um acordo: Abono indenizatório: A Avipal, em feitio transacional, pagará, a título de abono indenizatório, a quantia de R$ 200,00 (duzentos reais), no mês de abril de 2004, aos seus empregados efetivos em 31/12/2003, Fl. 5743DF CARF MF 24 como compensação pela adoção de regime especial de compensação de jornada/horas de trabalho, nos termos do art. 144 da CLT. (...) O abono de que trata o caput desta cláusula é único e excepcional, tendo, portanto, natureza indenizatória, desvinculado do salário, razão pela qual não integra a remuneração nem está sujeito à incidência de qualquer encargo trabalhista ou previdenciário, nos termos do disposto no art. 144 da CLT e no art. 28, § 9 0, letra 'e', item 7, da Lei 8.212/1991, com a redação que lhe foi dada pela Lei n o 9.711/1998, de 20/11/1998. A questão já foi objeto, inclusive, de Ato Declaratório da PGFN nº 16/2011, no qual restou decidido que: A PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida (....), tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2114/2011, (...) DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: 'nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária'.(grifo nosso) Tratase de entendimento que deve ser obrigatoriamente reproduzido, nos termos dos art. 45, VI, e 62, II, 'c', ambos do Anexo II ao RICARF. Por esse motivo, sendo a fundamentação da acusação fiscal singela e frágil, a inclusão de tal valor na base de cálculo exclusivamente por entender não fazer parte das exceções das contribuições, é necessário dar provimento ao recurso voluntário nesse ponto. PRÊMIO POR ASSIDUIDADE LEVANTAMENTO ASS A acusação fiscal darseá nos seguintes termos: 53. Consta da folha a rubrica V025 e V050 correspondente ao PRÊMIO ASSIDUIDADE. 54. Este pagamento, efetuado em moeda corrente, é feito a empregados lotados nas unidades de frango. O código V025 é utilizado para pagamento do prêmio aos empregados lotados em Lajeado e o código V050 para os lotados em Arroio do Meio; em ambos os casos com data de admissão anterior a 2002. 55. Além deste pagamento, sobre o qual a empresa faz, corretamente, incidir a contribuição previdenciária, existe outra forma— mediante tíquetes. 56. Para os empregados admitidos em data posterior a 2002 estes pagamentos são efetuados mediante entrega de tíquetes refeição, através da mesma empresa conveniada pelo PAT (Visa Vale e, anteriormente, SODEXEIOPASS); fazem jus aqueles empregados que não lograram faltas durante o mês. Este controle é exercido nas unidades dos segurados assim Fl. 5744DF CARF MF Processo nº 10552.000259/200742 Acórdão n.º 2401005.579 S2C4T1 Fl. 14 25 beneficiados. O responsável pela informação envia relação dos favorecidos ao setor de recursos humanos que providencia a remessa dos tíquetes. 57. Esta modalidade de pagamento, frisamos, não está incluída na folha de pagamento da empresa. 58. Esta modalidade de pagamento em tíquetes não está contemplada em convênios firmados com o Programa de Assistência ao Trabalhador — PAT/MTE. 59. Qualquer forma de pagamento que remunere segurado empregado pelo trabalho que exerce é remuneração, e assim procedemos ao incluir os valores assim pagos no levantamento do presente débito. 60. Suscitado o tema foramnos colocadas à disposição relações contendo nominata e valores aos assim favorecidos, relações estas acompanhadas de resumo do controle mensal. Estes valores serviram de base para o levantamento do débito. Já a contribuinte alega que os prêmios entregues através de cartões de benefícios são o resultado do cumprimento de condições préestabelecidas, portanto resta evidente que determinados funcionários destacarseão e receberão prêmios de forma mais seguida. Outros porém, receberão o prêmio poucas vezes ou jamais receberão, tendo em vista o não cumprimento dos requisitos estabelecidos como condição para sua percepção. Conclui dizendo que tais pagamentos não são ganhos habituais e sim eventuais. Afirma que ganhos habituais são aqueles percebidos através de disposição duradoura adquirida pela repetição freqüente de pagamentos. Diz, ainda, que o pagamento do prêmio feito pela Avipal aos seus funcionários não é pelo seu trabalho ordinário, mas sim pelo cumprimento de objetivos pré determinados, portanto é inquestionável a aplicação do artigo 28, § 9°, "e", item 7, da Lei 8.212/91, que diz que não integram o saláriodecontribuição as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário. Cita doutrinas e jurisprudências e solicita a desconstituição do crédito levantado. Aduz que o prêmio assiduidade concedido a seus empregados seria eventual e desvinculado do salário, não integrando o salário de contribuição previdenciário por se amoldar às importâncias descritas no item "7" da alínea "e" do § 9° do art. 28 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n" 9.711/1998. O Referido dispositivo tem a seguinte redação: § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (.) 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; Sem razão a recorrente. Fl. 5745DF CARF MF 26 Para a previdência social, o ganho eventual é aquele que independe da vontade do trabalhador e de seu desempenho, é concedido por liberalidade do empregador sem criar expectativas para o empregado. Ora, os prêmios assiduidade não são eventuais. Para percebêlos basta que o empregado não tenha atrasos, faltas, licenças não remuneradas, falta justificada e/ou abonada, férias durante o mês, podendo ser "premiado" todos os meses do ano ou apenas naqueles em que preencher os requisitos, o que lhe retira a característica de eventualidade. Para que se verifique a habitualidade, basta a reiteração ou continuidade do pagamento do mesmo, independentemente da periodicidade ser mensal, semestral ou anual. Também não se trata de abono expressamente desvinculado do salário por força de Lei (alínea "j" do inc. V do § 9° do art. 214 do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, na redação dada pelo Decreto n° 3.265/99), pois não se vislumbra dispositivo de Lei que determine o pagamento de tíquetes refeição como prêmio assiduidade a segurados empregados. O fato do valor do tíquete, ou do prêmio, não estar vinculado ao valor do salário dos trabalhadores contemplados, não descaracteriza a natureza salarial do pagamento, posto que decorre da relação laboral e do cumprimento de requisitos prédeterminados pelo empregador. Prêmio é o pagamento decorrente do fato de ter o empregado cumprido a meta esperada e previamente estabelecida. Dessa forma, se integrará ao patrimônio do trabalhador, considerado o critério objetivo para a sua percepção, o que renderá ensejo à previsibilidade de sua obtenção. Nesse contexto, tal verba, por estar ligada à condição pessoal do trabalhador (no presente caso, o atingimento da meta de assiduidade estabelecida pela empresa), será também considerada componente da sua remuneração. Portanto, negase provimento neste ponto. PRÊMIO POR PRODUÇÃO LEVANTAMENTOS PPA e PPE A autoridade lançadora utilizou como fundamento à sua empreitada os seguintes fatos: 34. Em que pese a nomenclatura adotada para esta rubrica, segundo a gerência de recursos humanos, à este título são pagas horas trabalhadas de segurado empregado requisitado durante seu período de férias. A informação obtida na empresa é de que este valor não poderia ter sido pago em outra rubrica na oportunidade da prestação do serviço (férias). Sendo assim, é paga somente quando da ocorrência de rescisão de contrato de trabalho. 35. À luz da legislação previdenciária (inobstante o fato de admitirmos a enorme probabilidade de que estes valores possam já ter sido pagos quando da efetiva prestação do serviço), o que de fato ocorre é o pagamento do serviço prestado por segurado empregado. Portanto, utilizando esta ou aquela rubrica, estes valores deveriam ter sido incluídos no saláriodecontribuição da empresa, quer tenham sido interrompidas as férias ou não. O contrato de trabalho vigia à época da • prestação do serviço, o qual foi efetivamente prestado pelo então empregado. 36. Esta rubrica, na mudança do sistema RCM para o Rhevolution, em 07/2001, passa a ser utilizada com o código V026. Fl. 5746DF CARF MF Processo nº 10552.000259/200742 Acórdão n.º 2401005.579 S2C4T1 Fl. 15 27 Por sua vez, em sua peça recursal, a contribuinte aduz que o prêmio produção está também atrelado ao cumprimento de metas préestabelecidas, cujo pagamento, justamente por isso, é eventual e, portanto, não se trata de contraprestação pelo trabalho. Dessa forma, tal como exposto acima quanto ao prêmio Assiduidade, inexiste fundamento legal para inclusão do Prêmio Produção na base de incidência de contribuições previdenciárias, ao que também essa parcela deve ser excluída do lançamento ora contraditado. Não obstante as alegações de fato e de direito ofertadas pela contribuinte, o entendimento acima alinhavado não é capaz de rechaçar a exigência fiscal, mormente quando pagos em desconformidade com a legislação de regência. Isto porque, uma vez a autoridade fiscal se desincumbindo do ônus de comprovar a ocorrência do fato gerador do tributo, o que ocorrera in casu, cabe ao contribuinte demonstrar que os pagamento concedidos aos seus segurados não possuem natureza remuneratória, o que não se vislumbra no caso vertente, como já exposto no tópico acima. A propósito da matéria, o julgador de primeira instância foi muito feliz ao rechaçar o pleito da contribuinte, como segue: Também integra o saláriodecontribuição o abono ou a gratificação, independente do valor, cuja concessão estiver vinculada a fatores de ordem geral dos empregados, via de regra, a sua produção. Tais gratificações caracterizamse como prêmios. O regulamento da empresa, acordo ou convenção coletiva de trabalho não podem ser opostos para derrogar a aplicabilidade da legislação previdenciária quanto à incidência de contribuições. Com efeito, ao admitir a não incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas retro, pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais em total afronta aos dispositivos legais que regulam a matéria, teríamos que interpretar o artigo 28, § 9º, e seus incisos, da Lei nº 8.212/91, de forma extensiva, o que vai de encontro com a legislação tributária, como acima demonstrado. Afora as demais discussões a respeito da matéria, o certo é que nos termos do artigo 28, § 9º, da Lei n° 8.212/91, não integram o salário de contribuição às importâncias recebidas pelo empregado ali elencadas, sendo defeso à interpretação de referida previsão legal extensivamente, de forma a incluir outras verbas, senão aquela (s) constante (s) da norma disciplinadora do “benefício” em comento, a pretexto de meras ilações desprovidas de qualquer amparo legal ou fático, sobretudo quando os pagamentos foram efetuados aos funcionários da empresa sem qualquer observância às normas legais. Nessa toada, tendo a contribuinte concedido a seus segurados empregados e/ou contribuintes individuais as verbas encimadas, ser levar em consideração os preceitos legais que disciplinam o tema, não há que se falar em não incidência de contribuições previdenciárias sobre referidas importâncias, por se caracterizarem como salário de contribuição, impondo a manutenção do feito. BÔNUS PAGOS A GERENTES LEVANTAMENTO BOA Fl. 5747DF CARF MF 28 O relatório fiscal de fls. 297 noticia que tais pagamentos foram retirados da conta 000333 Adiantamento emergencial, mais precisamente nos seguintes termos: 77. Do exame da contabilidade foi detectado pagamento de "36 bônus anual 2004 gerentes", cujo histórico é oriundo do lançamento de 30.12.2004, na conta 000333 Adiantamento Emergencial. 78. Solicitado o documento do fato contábil que originou o lançamento, nada foi apresentado. 79. Assim, os valores são considerados pela auditoria no saláriodecontribuição da empresa, a partir do qual serão calculadas as contribuições patronal, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de capacidade laborativa e às outras entidades e fundos. 80. A contribuição referente aos segurados empregados não foi calculada haja vista a contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos gerentes já ter alcançado o limite máximo, de contribuições conforme tabela INSS. A recorrente alega que o bônus pago, base de cálculo do crédito previdenciário apurado na presente NFLD, não tem natureza salarial tendo em vista que o mesmo foi pago uma única vez. Não obstante as alegações de fato e de direito ofertadas pela contribuinte, o entendimento acima alinhavado não é capaz de rechaçar a exigência fiscal, mormente quando pagos em desconformidade com a legislação de regência. Isto porque, uma vez a autoridade fiscal se desincumbindo do ônus de comprovar a ocorrência do fato gerador do tributo, o que ocorrera in casu, cabe ao contribuinte demonstrar que os pagamento concedidos aos seus segurados não possuem natureza remuneratória, o que não se vislumbra no caso vertente. A rigor, no decorrer da ação fiscal, a recorrente quedouse silente quando chamado a explicitar as condições para o pagamento de tal rubrica. Em verdade, em sede de impugnação e, posteriormente, recurso voluntária, a contribuinte escora seu pleito no fato de o Bônus ter sido pago numa única oportunidade no ano. Ora, o fato de ter sido pago uma única vez não descaracteriza a natureza salarial do pagamento. Poderia a contribuinte ter trazidos elementos de prova junto á peça impugnatória/recursal que determinassem a não incidência de contribuições previdenciárias sobre referido bônus, porém, limitaramse apenas a alegar que tais valores estariam enquadrados na norma de isenção. Não exercido o ônus da prova junto à impugnação, deve ser mantido o lançamento das contribuições previdenciárias que incidiram sobre os valores de bônus anual registrados na folha de pagamento da empresa Destacase, ademais, que o pagamento de bônus não está dentre as verbas expressamente excluídas do salário de contribuição previdenciário contidas no § 9° do artigo 28 da Lei n° 8.212/91. Fl. 5748DF CARF MF Processo nº 10552.000259/200742 Acórdão n.º 2401005.579 S2C4T1 Fl. 16 29 Neste diapasão, não merece guarida a pretensão da contribuinte. PAGAMENTOS EFETUADOS A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS LEVANTAMENTOS CAV, CEA e CEP Quanto a este tópico, em suas razões recursais, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal, aduzindo para tanto os mesmos argumentos da impugnação, não acrescentando nem um novo documento ou fundamento sequer. Assim sendo, uma vez que a contribuinte simplesmente repisas as alegações da defesa inaugural, peço vênia para transcrever excertos da decisão recorrida e adotálos como razões de decidir, por muito bem analisar as alegações suscitadas pela autuada e documentos acostados aos autos, in verbis: DOS LANÇAMENTOS EFETUADOS SOB OS CÓDIGOS CAV, CEA, E CEP PAGAMENTOS EFETUADOS A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS O levantamento CEA foi totalmente excluído do processo devido à declaração de decadência. No levantamento CEP, o período de 01/1999 a 11/2000, foi excluído pela • decadência e mantido o restante. Referente aos argumentos trazidos pela impugnante em relação ao levantamento CAV, esclarecemos que o serviço de fiscalização manifestouse, às f1s. 5021/5022, informando que procedem as alegações da empresa, sugerindo a exclusão dos valores lançados indevidamente e em duplicidade, conforme solicitado pelo contribuinte. Não houve comprovação para afastar os lançamentos remanescentes. As planilhas de fls. 5029/5130 (volume XVIII), anexas pela fiscalização demonstram os lançamentos que devem ser excluídos do crédito tributário, por levantamento e por competência. As retificações efetuadas foram cientificadas à impugnante em 05/08/2008, que não se pronunciou sobre o resultado da diligência. Cumpre destacar, ainda, que o relatório fiscal não menciona a não aceitação de recibos, Notas Fiscais ou outros documentos apresentados pelo contribuinte, de modo que entendo incabível tal argumento da impugnação para este lançamento. Portanto, nego provimento ao recurso. PROVA PERICIAL A contribuinte, por derradeiro, pugna pela realização de perícia. Em que pese o esforço da recorrente, sua irresignação, contudo, não merece acolhimento. Ao contrário do que alega a contribuinte, a autoridade recorrida não privilegiou o lançamento em prejuízo das razões e documentos apresentados pela então impugnante. Fl. 5749DF CARF MF 30 Observese, com relação aos documentos e razões ofertadas pela contribuinte, que o julgador de primeira instância foi muito feliz em sua decisão, tendo em vista que cabe exclusivamente a ele conceder a força probante que assim entender. A documentação constante do processo serve justamente para formar a convicção do julgador, podendo interpretála da forma que melhor entender, refutálas ou desconsiderálas, de acordo com sua convicção, conquanto que de forma fundamentada. Aliás, é o que determina o artigo 29 do Decreto 70.235/1972, como segue: Seção VI Do Julgamento em Primeira Instância [...] Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Assim, o pleito da recorrente não tem o condão de macular a decisão recorrida, porquanto o julgador monocrático procedeu da melhor forma, exarando decisão fundamentada, debatendo acerca das razões pertinentes lançadas pela contribuinte, formando livremente sua convicção, nos termos do dispositivo legal encimado. Além de a recorrente não atender os requisitos para concessão da perícia, inscritos no artigo 16, inciso IV, do Decreto 70.235/72, a autoridade recorrida já tinha formado sua convicção com base nos demais documentos constantes dos autos, sendo despiciendo a produção de prova pericial. Com efeito, a produção de prova pericial se faz necessária quando indispensável ao deslinde da questão, não se prestando para fins protelatórios, o que impõe o seu indeferimento nos termos do artigo 38, § 2º da Lei nº 9.784/99 c/c o artigo 16, inciso IV, § 1º do Decreto 70.235/72, in verbis: Lei 9.784/99 Art. 38. [...] § 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Decreto 70.235/72 Art. 16. [...] IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Fl. 5750DF CARF MF Processo nº 10552.000259/200742 Acórdão n.º 2401005.579 S2C4T1 Fl. 17 31 Mais a mais, tratandose de matéria de fato, caberia a contribuinte ao ofertar a sua defesa produzir a prova em contrário através de documentação hábil e idônea. Vale salientar ainda que no presente caso, mostrase prescindível a perícia, posto que as informações ali solicitadas foram sanadas através do pronunciamento fiscal e das planilhas elaboradas pela fiscalização e cientificadas à contribuinte, a qual não se manifestou sobre as novas informações prestadas pela fiscalização, mantendo o mesmo pedido da inicial. Portanto, a perícia solicitada fica prejudicada. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração, sub examine, em consonância parcial com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE: a) CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO; b) CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO para: b.1.) decretar a decadência relativamente aos fatos geradores ocorridos até 10/2001, e b.2) NO MÉRITO, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para: excluir do lançamento os levantamentos ADA e ADE relativos ao pagamento do ABONO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira. Fl. 5751DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.914235/2009-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2010
INTEMPESTIVIDADE. CIÊNCIA DO SUJEITO PASSIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVANTE DE INTIMAÇÃO. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NECESSIDADE DE NOVO JULGAMENTO.
Não havendo nos autos o comprovante da ciência do sujeito passivo por via postal, mas mero relatório dos Correios de que a correspondência contendo o Despacho Decisório foi entregue, não há como se aferir que a ciência se deu na data nele constante, eis que se trata de documento apócrifo, não comprovando a intimação do sujeito passivo.
De acordo com o diploma legal que rege o Processo Administrativo Fiscal, na ausência de prova do recebimento, considera-se a intimação efetuada quinze dias após a sua expedição. Em face da não observância da regra processual pela decisão a quo, houve um erro no exame de admissibilidade da manifestação de inconformidade, a qual não poderia ser considerada intempestiva, devendo o acórdão recorrido ser anulado, com o retorno à primeira instância, para o proferimento de nova decisão, desta feita com o enfretamento do mérito das razões da Manifestação de Inconformidade.
Numero da decisão: 2201-004.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2010 INTEMPESTIVIDADE. CIÊNCIA DO SUJEITO PASSIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVANTE DE INTIMAÇÃO. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NECESSIDADE DE NOVO JULGAMENTO. Não havendo nos autos o comprovante da ciência do sujeito passivo por via postal, mas mero relatório dos Correios de que a correspondência contendo o Despacho Decisório foi entregue, não há como se aferir que a ciência se deu na data nele constante, eis que se trata de documento apócrifo, não comprovando a intimação do sujeito passivo. De acordo com o diploma legal que rege o Processo Administrativo Fiscal, na ausência de prova do recebimento, considerase a intimação efetuada quinze dias após a sua expedição. Em face da não observância da regra processual pela decisão a quo, houve um erro no exame de admissibilidade da manifestação de inconformidade, a qual não poderia ser considerada intempestiva, devendo o acórdão recorrido ser anulado, com o retorno à primeira instância, para o proferimento de nova decisão, desta feita com o enfretamento do mérito das razões da Manifestação de Inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 42 35 /2 00 9- 84 Fl. 269DF CARF MF Processo nº 16327.914235/200984 Acórdão n.º 2201004.449 S2C2T1 Fl. 270 2 Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 1632.955 8a Turma da DRJ/SP1, o qual julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada em face da não homologação da DCOMP nº 11006.29643.110608.1.7.040039, protocolizada em 19/11/2009. A manifestação de inconformidade (fls. 01 a 04), em face do Despacho Decisório eletrônico n° (de Rastreamento) 848708546 (fl. 18), de 07/10/2009, no qual a autoridade não homologou, por inexistência de direito creditório, a compensação declarada na DCOMP. Na Fundamentação da decisão, a autoridade informa que, consoante os sistemas de controle da RFB, o valor recolhido em DARF, em 03/10/2007, de R$ 429.391,43, código de receita 5706, relativo ao período de apuração de 30/09/2007, declarado na DCOMP como indevido ou a maior, teria sido integralmente utilizado na quitação de débito do interessado (mesmo tributo, valor e período de apuração mencionados), não restando, assim, crédito disponível para compensação. Em conseqüência, apurou valor devedor consolidado para pagamento até 30/10/2009, referente ao débito indevidamente compensado mediante a referida DCOMP, de R$ 94.732,19, de principal, R$ 20.765,29, de juros, e de R$ 18.946,43, de multa. Cientificado da decisão, em 19/10/2009 (fl. 35), o interessado apresentou manifestação de inconformidade, em 19/11/2009 (fl. 01), oferecendo, em síntese, as seguintes informações e razões: i) o direito creditório invocado, de R$ 94.732,19, seria líquido e certoporque integraria a diferença de R$ 95.011,26 paga a maior de “IRRF – Juros sobre o Capital Próprio”, código 5706, pelo recolhimento de R$ 429.391,43, efetuado em 03/10/2007, referente ao período de apuração da 30/09/2007, em lugar do valor correto, de R$ 334.380,17 (R$ 95.011,26 = R$ 429.391,43 R$ 334.380,17); ii) teria declarado, equivocadamente, o débito na DCTF que teria sido retificada em 27/10/2009 (fl. 19) para conter o valor correto (fl. 22); iii) considerando seu direito à compensação assegurado pelo artigo 74 da Lei n° 9.430/96 e pelos artigos 165 e 170 do CTN, requer seja revisto o Despacho Decisório, homologandose a compensação declarada. Foi prolatado o Acórdão nº 1632.955 8a Turma da DRJ/SP1 (fls. 160/165), que julgou pelo não conhecimento da manifestação de inconformidade, nos termos da seguinte ementa: Fl. 270DF CARF MF Processo nº 16327.914235/200984 Acórdão n.º 2201004.449 S2C2T1 Fl. 271 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 03/10/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. TEMPESTIVIDADE NÃO PROVADA. MÉRITO NÃO CONHECIDO. A contestação da data constante de comprovante emitido pelos Correios, de ciência da Decisão, mostrase inócua quando o contribuinte não logra trazer aos autos prova documental de outra data, alegada, que tornaria tempestiva a interposição da peça irresignatória. Eventual petição apresentada fora do prazo, mas suscitando questão de tempestividade, caracteriza impugnação e instaura a fase litigiosa do procedimento, comportando julgamento apenas dessa matéria preliminar, não do mérito. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida. Sem Crédito em Litígio Em face dessa decisão, cuja ciência se deu em 25/08/2011 (fl.171) e o recurso voluntário foi protocolado tempestivamente em 26/09/2011 (fls. 191/198), tendo apresentado as razões recursais, a seguir sintetizadas: 1) A tempestividade do recurso voluntário; 2) Que o presente recurso seja recebido com efeito suspensivo, nos termos do artigos 33, do Decreto 70.235/72. Ainda sobre o efeito suspensivo, alegou o art. 151, III, do CTN que prevê que as reclamações e recursos suspendem a exigibilidade do crédito tributário; 3) Que, ao contrário do alegado pela DRJ, há sim prova nos autos de que a intimação se deu no dia 20/10/2009. A ausência de AR contraria o disposto no artigo 23, II, do Decreto 70.235/72. O sistema de rastreamento dos correios não é prova da ocorrência da regular intimação. Por fim, requer seja provido o recurso voluntário para que os autos voltem à Delegacia da Receita Federal para julgamento do mérito da manifestação e inconformidade e, caso seja necessário, que seja intimada novamente para apresentar eventuais documentos, nos termos do artigo 16, §4º, alíneas "a" e "b", do Decreto 70.235/72. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 16327.914235/200984 Acórdão n.º 2201004.449 S2C2T1 Fl. 272 4 Mérito O julgamento da presente lide se restringe à análise da tempestividade da Manifestação de Inconformidade. No entendimento da DRJ, o protocolo foi intempestivo, uma vez que se deu em 19/11/2009, um dia após findo o prazo legal de 30 (trinta) dias. De acordo com o entendimento da autoridade julgadora de primeira instância, a prova da intimação do sujeito passivo é um relatório dos Correios atestando que a entrega de deu no dia 19/10/2009. Não há nos autos comprovante do recebimento da intimação (Aviso de Recebimento AR). Para o caso que se cuida, o Decreto nº 70.235/1972 estabelece que ausente o comprovante de recebimento da intimação deverá ser considerada realizada 15 (quinze) dias após a sua expedição. Vejamos: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: I no endereço da administração tributária na internet; II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. § 2° Considerase feita a intimação: II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Grifouse). Ocorre que, também não há nos autos a cópia da intimação para se aferir a data de sua expedição. Todavia, essa ausência pode ser suprida por uma dedução lógica. Se o Despacho Decisório foi emitido em 07/10/2009, a expedição da intimação só poderá ter se dado em data igual ou posterior à sua emissão. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 16327.914235/200984 Acórdão n.º 2201004.449 S2C2T1 Fl. 273 5 Considerando a data da expedição como sendo 07/10/2009, temse que o 15º dia posterior a esta data é 22/10/2009, dia em que efetivamente deve ser considerada realizada a intimação, nos termos das disposições normativas do Decreto nº 70.235/1972 supra transcritas. Com base nessas considerações, temse que a decisão de primeira instância padece de vício, eis que proferida em desacordo com o que estabelece o Decreto nº 70.23/1972, culminando em inegável preterição ao direito de defesa do contribuinte. Destarte, deve ser anulado o acórdão recorrido, com retorno dos autos à DRJ de origem para o proferimento de nova decisão, desta feita, com o enfretamento do mérito. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar lhe provimento. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 273DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.908430/2009-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES.
Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DE PRELIMINAR EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
No julgamento de recurso voluntário em que se supera preliminar que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES. Constatado a existência do crédito tributário, por meio das DCTFs e DIPJs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório tributário, este deve ser analisado pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Numero da decisão: 1301-003.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DE PRELIMINAR EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera preliminar que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES. Constatado a existência do crédito tributário, por meio das DCTFs e DIPJs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório tributário, este deve ser analisado pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolatase nova decisão para suprila, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, concluise pela alteração no resultado do julgado. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DE PRELIMINAR EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera preliminar que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES. Constatado a existência do crédito tributário, por meio das DCTFs e DIPJs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório tributário, este deve ser analisado pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 84 30 /2 00 9- 44 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10380.908430/200944 Acórdão n.º 1301003.119 S1C3T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10380.908430/200944 Acórdão n.º 1301003.119 S1C3T1 Fl. 4 3 Relatório Transcrevo os trechos de interesse do despacho quando da admissão dos embargos: No julgamento do recurso do processo em epígrafe, entendeu o colegiado em superar os óbices de direito, elencados preliminarmente, pela unidade de origem para não reconhecer o direito creditório pleiteado. Ato contínuo, entendeuse por bem converter julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem, superadas as questões de direito, procedesse às análises de fato a fim de verificar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado. Ao final, deveria elaborar relatório circunstanciado, abrindose vista ao contribuinte para que esse, querendo, se manifestasse a respeito das conclusões da autoridade fiscal, e a seguir encaminhasse os autos novamente ao CARF para que pudesse, enfim, decidir sobre o mérito da exigência. Pois bem, assim deliberando, o colegiado deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo do contribuinte, em tese, ao direito de recurso em caso de não reconhecimento integral do crédito pleiteado, uma vez que o mérito da exigência poderia não vir a ser examinado não examinado pela DRJ, acarretando, repitase, em tese, supressão de instância. Por essas razões, nos termos do inciso I, do art. 65, do Anexo II do RICARF, oponho os presentes embargos de declaração em razão de omissão, no acórdão embargado, de ponto sobre qual deveria pronunciarse a turma. E, a fim de se evitar burocracia absolutamente desnecessária, tendo em vista que compete ao Presidente do colegiado analisar a admissibilidade dos embargos, já o admito de plano, determinandose o encaminhamento dos autos ao relator do acórdão embargado para relato e inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10380.908430/200944 Acórdão n.º 1301003.119 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.088, de 17.05.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10380.904202/201110, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.088): "Conforme já relatado, no acórdão embargado o colegiado deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo do contribuinte, em tese, ao direito de recurso em caso de não reconhecimento integral do crédito pleiteado, uma vez que o mérito da exigência poderia não vir a ser examinado não examinado pela DRJ, acarretando, repitase, em tese, supressão de instância. De fato, no acórdão embargado, o colegiado entendeu por bem superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância. Contudo, ao se determinar, superada a citada preliminar, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. Por essas razões, entendo que o resultado mais adequado para o julgado seria dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para analise o mérito do pedido. Caberá à DRF de origem analisar o mérito do crédito pleiteado nas compensações, levando em consideração os débitos de IRPJ e CSLL constantes das DIPJs e DCTFs retificadoras apresentadas. Saliento que a autoridade fiscal deverá considerar que o IRPJ e a CSLL devem ser apurados mediante aplicação dos coeficientes, respectivamente, de 8% e de 12%, nos termos do acórdão no REsp 1.116.399/BA, decidido sob a sistemática de Recurso Repetitivo do Superior Tribunal de Justiça. Nessa hipótese, eventual indeferimento do pleito do contribuinte, ainda que parcial, poderá ensejar nova apresentação de manifestação de inconformidade, e, se, for o caso, interposição Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10380.908430/200944 Acórdão n.º 1301003.119 S1C3T1 Fl. 6 5 de novo recurso voluntário, garantindo ao contribuinte o pleno exercício de sua defesa. CONCLUSÃO Isso posto, voto por acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.733718/2013-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE INTERESSE RECURSAL.
Não se deve conhecer do recurso voluntário quando faltar interesse recursal ao sujeito passivo.
AUTO DE INFRAÇÃO. ERRO NA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. METODOLOGIA EQUIVOCADA DE APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA.
1. Não houve erro jurídico na determinação das bases de cálculo dos diversos lançamentos, uma vez que a autoridade administrativa identificou os fatos geradores das contribuições e suas respectivas bases.
2. A ação fiscal foi conduzida por servidor competente, que concedeu à recorrente os prazos legais para a apresentação de documentos e prestação de esclarecimentos; as autuações foram devidamente motivadas e foi concedido ao sujeito passivo o prazo legal para a formulação de impugnação; os lançamentos ainda contém clara descrição do fato gerador da obrigação, da matéria tributável, do montante do tributo devido, da identificação do sujeito passivo e da penalidade aplicável; não houve nenhum prejuízo para os direitos de defesa e do contraditório da recorrente, que puderam ser exercidos na forma e no prazo legal.
3. Os lançamentos estão instruídos com os relatórios de apropriação de documentos apresentados - RADA, que demonstram como a documentação fornecida pela contribuinte ou apurada em procedimento fiscal foi apropriada pelo agente autuante. Entre tais documentos, constam as guias de recolhimentos e eventuais créditos diversos, o que revela que não foram desconsiderados os pagamentos e demais declarações.
CONTRIBUIÇÕES SUBSTITUTIVAS DEVIDAS PELA AGROINDÚSTRIA. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO.
1. As notas fiscais colacionadas aos autos não contêm valores destacados a título de ICMS e nem mesmo a existência de ICMS-ST.
2. Da mesma forma, os relatórios indicam a não incidência do imposto nas operações.
INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 1º DA LEI 10256/2001. NOVA REDAÇÃO AO ART. 25 DA LEI 8212/91. FUNRURAL. CONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. NOVA REDAÇÃO AO ART. 22A DA LEI 8212/91. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA PELO STF. PROCESSO PENDENTE DE JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE O CARF DECLARAR A INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA Nº 2.
1. Quanto ao denominado FUNRURAL, a Suprema Corte, sob o regime dos arts. 1036 e seguintes do CPC, declarou ser "constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção" (STF, RE 718874).
2. Quanto à contribuição substitutiva devida pela agroindústria, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da tese relativa à sua inconstitucionalidade. Processo pendente de julgamento.
3. Inexistindo declaração de inconstitucionalidade sob o regime da repercussão geral, é vedado aos membros do CARF deixar de observar a lei (art. 62, caput, do RICARF).
4. Súmula CARF 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. NÃO INCIDÊNCIA SOBRE O TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS INDENIZADAS OU GOZADAS, SOBRE O AVISO PRÉVIO INDENIZADO E SOBRE A IMPORTÂNCIA PAGA NOS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIO-DOENÇA. RECURSO PROVIDO.
Em recurso repetitivo, de observância obrigatória pelo CARF, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que não incidem contribuições previdenciárias sobre o terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas, sobre o aviso prévio indenizado e sobre a importância paga nos quinze dias que antecedem o auxílio-doença.
Numero da decisão: 2402-006.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso para, na parte conhecida, afastar a preliminar de nulidade. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento parcial, a fim de excluir da base de cálculo do AI DEBCAD 51.049.680-6 as importâncias pagas a título de terço constitucional de férias, aviso prévio indenizado e a importância paga nos quinze dias que antecedem o auxílio-doença, vencidos os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti e Denny Medeiros da Silveira, que lhe deram provimento parcial em menor extensão. Manifestou a intenção de apresentar declaração de voto o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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FALTA DE INTERESSE RECURSAL. Não se deve conhecer do recurso voluntário quando faltar interesse recursal ao sujeito passivo. AUTO DE INFRAÇÃO. ERRO NA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. METODOLOGIA EQUIVOCADA DE APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA. 1. Não houve erro jurídico na determinação das bases de cálculo dos diversos lançamentos, uma vez que a autoridade administrativa identificou os fatos geradores das contribuições e suas respectivas bases. 2. A ação fiscal foi conduzida por servidor competente, que concedeu à recorrente os prazos legais para a apresentação de documentos e prestação de esclarecimentos; as autuações foram devidamente motivadas e foi concedido ao sujeito passivo o prazo legal para a formulação de impugnação; os lançamentos ainda contém clara descrição do fato gerador da obrigação, da matéria tributável, do montante do tributo devido, da identificação do sujeito passivo e da penalidade aplicável; não houve nenhum prejuízo para os direitos de defesa e do contraditório da recorrente, que puderam ser exercidos na forma e no prazo legal. 3. Os lançamentos estão instruídos com os relatórios de apropriação de documentos apresentados RADA, que demonstram como a documentação fornecida pela contribuinte ou apurada em procedimento fiscal foi apropriada pelo agente autuante. Entre tais documentos, constam as guias de recolhimentos e eventuais créditos diversos, o que revela que não foram desconsiderados os pagamentos e demais declarações. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 73 37 18 /2 01 3- 15 Fl. 3434DF CARF MF 2 CONTRIBUIÇÕES SUBSTITUTIVAS DEVIDAS PELA AGROINDÚSTRIA. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO. 1. As notas fiscais colacionadas aos autos não contêm valores destacados a título de ICMS e nem mesmo a existência de ICMSST. 2. Da mesma forma, os relatórios indicam a não incidência do imposto nas operações. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 1º DA LEI 10256/2001. NOVA REDAÇÃO AO ART. 25 DA LEI 8212/91. FUNRURAL. CONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. NOVA REDAÇÃO AO ART. 22A DA LEI 8212/91. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA PELO STF. PROCESSO PENDENTE DE JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE O CARF DECLARAR A INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA Nº 2. 1. Quanto ao denominado FUNRURAL, a Suprema Corte, sob o regime dos arts. 1036 e seguintes do CPC, declarou ser "constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção" (STF, RE 718874). 2. Quanto à contribuição substitutiva devida pela agroindústria, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da tese relativa à sua inconstitucionalidade. Processo pendente de julgamento. 3. Inexistindo declaração de inconstitucionalidade sob o regime da repercussão geral, é vedado aos membros do CARF deixar de observar a lei (art. 62, caput, do RICARF). 4. Súmula CARF 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. NÃO INCIDÊNCIA SOBRE O TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS INDENIZADAS OU GOZADAS, SOBRE O AVISO PRÉVIO INDENIZADO E SOBRE A IMPORTÂNCIA PAGA NOS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIODOENÇA. RECURSO PROVIDO. Em recurso repetitivo, de observância obrigatória pelo CARF, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que não incidem contribuições previdenciárias sobre o terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas, sobre o aviso prévio indenizado e sobre a importância paga nos quinze dias que antecedem o auxíliodoença. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 3435DF CARF MF Processo nº 10480.733718/201315 Acórdão n.º 2402006.163 S2C4T2 Fl. 3 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso para, na parte conhecida, afastar a preliminar de nulidade. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento parcial, a fim de excluir da base de cálculo do AI DEBCAD 51.049.6806 as importâncias pagas a título de terço constitucional de férias, aviso prévio indenizado e a importância paga nos quinze dias que antecedem o auxílio doença, vencidos os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti e Denny Medeiros da Silveira, que lhe deram provimento parcial em menor extensão. Manifestou a intenção de apresentar declaração de voto o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Fl. 3436DF CARF MF 4 Relatório A fiscalização lavrou os seguintes Autos de Infração (AI) DEBCAD em face do sujeito passivo: (a) AI DEBCAD 51.028.1966, para a constituição das contribuições devidas à seguridade social, pela agroindústria, incidentes sobre a comercialização da produção rural; (b) AI DEBCAD 51.049.6822, para a constituição das contribuições devidas à seguridade social, devidas por subrogação, incidentes sobre a aquisição de produtos rurais (canadeaçúcar) de produtor rural pessoa física, as quais foram retidas pelo sujeito passivo, mas não foram recolhidas; (c) AI DEBCAD 51.049.6830, para a constituição das contribuições devidas à seguridade social, devidas por subrogação, incidentes sobre a aquisição de produtos rurais (canadeaçúcar) de produtor rural pessoa física, as quais não foram retidas, mas foram apuradas pela fiscalização; (d) AI DEBCAD 51.049.6806, para a constituição das contribuições devidas à seguridade social, parte segurados empregados, as quais foram retidas, mas não foram recolhidas; (e) AI DEBCAD 51.049.6814, para a constituição das contribuições devidas a outras entidades e fundos (salárioeducação, INCRA, SENAI, SESI, SEBRAE e SENAR. Cientificado dos lançamentos, o sujeito passivo apresentou impugnação fazendo resumo dos fatos, aduzindo a tempestividade da defesa e deduzindo os seguintes pontos de insurgência: (a) preliminar de nulidade por cerceamento de defesa; (b) erro na base de cálculo do AI DEBCAD 51.028.1966; (c) inconstitucionalidade/ilegalidade da legislação que fundamenta a exação; (d) não incidência do SENAR sobre a receita decorrente de exportação; (e) não incidência de contribuição previdenciária sobre verbas de natureza indenizatória. Os autos foram remetidos em diligência fiscal, em razão das alegações de ocorrência de erros de fato na apuração da base de cálculo. Em resposta, a autoridade lançadora concluiu serem procedentes as alegações relativas às inclusões indevidas de valores de devolução de mercadorias e de exportação, indicando os respectivos valores a serem excluídos do lançamento. Fl. 3437DF CARF MF Processo nº 10480.733718/201315 Acórdão n.º 2402006.163 S2C4T2 Fl. 4 5 O processo retornou novamente em diligência, para pronunciamento da autoridade lançadora acerca das novas matérias de fato aduzidas pela defesa, tendo sido emitida nova Informação Fiscal, segundo a qual: Os argumentos e documentos apresentados pela defendente demonstraram que os valores contabilmente lançados na conta “mercadorias a entregar” também não integram a base de cálculo das contribuições discutidas. Em assim sendo, os Autos de Infração DEBCAD 51.028.1966 e 51.049.6814 devem ser retificados para a exclusão dos valores que incidiram sobre “devolução de mercadorias”, “exportações” e “mercadorias a entregar”, levantamento PR PRODUÇÃO, conforme valores de contribuição ali discriminados. Em sessão realizada em 12 de março de 2015, a DRJ julgou a impugnação procedente em parte, conforme decisão assim ementada: CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. Não cabe à esfera administrativa conhecer de argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo, matéria de competência do Poder Judiciário. NULIDADE. Ausentes as hipóteses do art. 59 do Decreto n.º 70.235/72, não há como prosperar a argüição de nulidade. ICMS. INTEGRA BASE DE CÁLCULO. O valor do ICMS integra a base utilizada para o cálculo da contribuição incidente sobre a produção rural. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. O pedido de diligência desnecessária deve ser indeferido. COMPROVAÇÃO DE QUE A EXIGÊNCIA FISCAL INCIDIU SOBRE VALORES QUE NÃO COMPÕEM A HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. Comprovado que a exigência fiscal incidiu sobre valores lançados na contabilidade sob o título de “devolução de mercadorias”, “exportações” e “mercadorias a entregar” e que tais valores não compõem a hipótese de incidência tributária, retificase o lançamento fiscal. O montante exonerado não desafiou a interposição de recurso de ofício. O sujeito passivo foi intimado da decisão através de edital eletrônico, com data de ciência prevista para 20/07/2015 e interpôs recurso voluntário em 11/08/2015, no qual, em conformidade com sua impugnação, suscitou as seguintes teses recursais: a) preliminar de nulidade do lançamento em face do erro na base de cálculo; Fl. 3438DF CARF MF 6 b) erro na base de cálculo decorrente da falha na metodologia utilizada pela fiscalização para apurar o tributo, pois o fiscal teria se limitado a colher informações contábeis, não se atentando aos pagamentos e demais declarações; c) erro na base de cálculo do AI DEBCAD 51.028.1966, diante da não exclusão do ICMSST; d) inconstitucionalidade/ilegalidade do art. 1º da Lei 10.256/01, que alterou a redação do art. 22A, incs. I e II, e art. 25 da Lei 8212/91; e) não incidência do SENAR sobre a receita decorrente de exportação; f) exclusão da parcela destacada a título de ICMS das bases de cálculo das contribuições; g) ilegalidade da incidência de contribuição sobre verbas de natureza indenizatória, tais como terço constitucional de férias, terço constitucional sobre férias gozadas, aviso prévio indenizado, importância paga nos quinze dias que antecedem o auxílio doença. O julgamento do recurso foi convertido em diligência, a fim de verificar se o sujeito passivo efetuou o parcelamento dos débitos controlados nestes autos, sobretudo diante de informações esparsas a respeito de um provável parcelamento. À fl. 3432, a autoridade informou não haver contas ativas de parcelamento. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 3439DF CARF MF Processo nº 10480.733718/201315 Acórdão n.º 2402006.163 S2C4T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, mas deve ser parcialmente conhecido. A contribuinte não tem interesse recursal na tese relativa à não incidência do SENAR sobre a receita decorrente de exportação, uma vez que a DRJ, em conformidade com as informações fiscais colhidas em sede de diligências, acolheu a impugnação nesse ponto. Vejase o seguinte trecho do voto condutor do acórdão de impugnação: No que se refere às alegações de não incidência de contribuição sobre valores encontrados na contabilidade sob o título de “devolução de mercadorias”, “exportações” e “mercadorias a entregar”, conforme já destacado no Relatório supra, assiste razão à defendente, devendo o débito ser retificado conforme manifestação da autoridade lançadora na informação resultado da diligência e da qual o impugnante teve ciência. Portanto, o recurso voluntário não tem aptidão para gerar uma decisão mais vantajosa para a recorrente nesse tocante, diante do acolhimento da tese esposada na própria defesa administrativa. O interesse recursal reside justamente na possibilidade de a peça recursal provocar uma prestação jurisdicional concreta mais benéfica ao recorrente, o que não se vislumbra no presente caso, conforme já demonstrado. 2 Da nulidade do lançamento Ao contrário do que afirma o sujeito passivo, não houve erro jurídico na determinação das bases de cálculo dos diversos lançamentos, uma vez que a autoridade administrativa identificou os fatos geradores das contribuições e suas respectivas bases, tais como (i) a receita bruta da comercialização da produção rural auferida pela agroindústria; (ii) a receita bruta da comercialização da produção rural auferida pelo produtor pessoa física; e (iii) a remuneração paga, devida ou creditada a segurados empregados. A eventual inclusão indevida de valores deve ser decotada dos lançamentos, mas não implica qualquer nulidade, mormente porque não inviabiliza o direito de defesa da autuada e porque seria um erro de fato, e não um erro de direito. A conclusão poderia ser diferente se, do ponto de vista jurídico, a autoridade administrativa tivesse eleito uma medida de grandeza equivocada, como, por exemplo, ter identificado a base de cálculo das contribuições substitutivas devidas pela agroindústria como sendo a folha de salários. Fl. 3440DF CARF MF 8 Como se viu, todavia, não houve erro de direito na identificação das bases, mas, hipoteticamente, a inclusão de valores de forma equivocada. Por outro lado, a ação fiscal foi conduzida por servidor competente, que concedeu à recorrente os prazos legais para a apresentação de documentos e prestação de esclarecimentos; as autuações foram devidamente motivadas e foi concedido ao sujeito passivo o prazo legal para a formulação de impugnação; os lançamentos ainda contém clara descrição do fato gerador da obrigação, da matéria tributável, do montante do tributo devido, da identificação do sujeito passivo e da penalidade aplicável; não houve nenhum prejuízo para os direitos de defesa e do contraditório da recorrente, que puderam ser exercidos na forma e no prazo legal. Ou seja, a fiscalização transcorreu dentro da mais restrita legalidade e não houve qualquer inobservância ao direito de defesa da recorrente, rejeitandose, portanto, a preliminar de nulidade do lançamento. 3 Da utilização de metodologia equivocada A recorrente afirma existir erro na base de cálculo decorrente da falha na metodologia utilizada pela fiscalização para apurar o tributo, pois o fiscal teria se limitado a colher informações contábeis, não se atentando aos pagamentos e demais declarações. No entanto, os lançamentos estão instruídos com os relatórios de apropriação de documentos apresentados RADA, que demonstram como a documentação fornecida pela contribuinte ou apurada em procedimento fiscal foi apropriada pelo agente autuante. Entre tais documentos, constam as guias de recolhimentos e eventuais créditos diversos, o que revela que não foram desconsiderados os pagamentos e demais declarações. 4 Da exclusão do ICMSST e do ICMS Não devem ser providas as teses atinentes (i) à base de cálculo equivocada, diante da não exclusão do ICMSST; (ii) e à exclusão da parcela destacada a título de ICMS das bases de cálculo das contribuições. As notas fiscais colacionadas às folhas 2310 e seguintes não contêm valores destacados a título de ICMS e nem mesmo a existência de ICMSST. Da mesma forma, os relatórios de folhas 2332 e seguintes indicam a "NÃO INCIDÊNCIA DE ICMS". Acrescentese que a contribuinte não provou que teria tributado suas operações com o citado imposto, em nenhuma das modalidades afirmadas, inexistindo qualquer prova que possa implicar o acatamento de sua tese. 5 Da inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 10256/01 A recorrente defende a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 10256/01, que alterou a redação do art. 22A, incs. I e II, e do art. 25, ambos da Lei 8212/91. Quanto ao denominado FUNRURAL, a Suprema Corte, sob o regime dos arts. 1036 e seguintes do CPC, declarou ser "constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, Fl. 3441DF CARF MF Processo nº 10480.733718/201315 Acórdão n.º 2402006.163 S2C4T2 Fl. 6 9 incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção", conforme se vê na ementa abaixo: TRIBUTÁRIO. EC 20/98. NOVA REDAÇÃO AO ARTIGO 195, I DA CF. POSSIBILIDADE DE EDIÇÃO DE LEI ORDINÁRIA PARA INSTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO DE EMPREGADORES RURAIS PESSOAS FÍSICAS INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. CONSTITUCIONALIDADE DA LEI 10.256/2001. 1.A declaração incidental de inconstitucionalidade no julgamento do RE 596.177 aplicase, por força do regime de repercussão geral, a todos os casos idênticos para aquela determinada situação, não retirando do ordenamento jurídico, entretanto, o texto legal do artigo 25, que, manteve vigência e eficácia para as demais hipóteses. 2.A Lei 10.256, de 9 de julho de 2001 alterou o artigo 25 da Lei 8.212/91, reintroduziu o empregador rural como sujeito passivo da contribuição, com a alíquota de 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; espécie da base de cálculo receita, autorizada pelo novo texto da EC 20/98. 3. Recurso extraordinário provido, com afirmação de tese segundo a qual É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/01, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção. (RE 718874, Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Relator(a) p/ Acórdão: Min. ALEXANDRE DE MORAES, Tribunal Pleno, julgado em 30/03/2017, PROCESSO ELETRÔNICO DJe219 DIVULG 26092017 PUBLIC 27092017 REPUBLICAÇÃO: DJe225 DIVULG 02102017 PUBLIC 03102017) De acordo com o art. 62, § 1º, inc. II, alínea "b", do Regimento Interno deste Conselho RICARF, tal decisão é de observância obrigatória pelos membros das turmas de julgamento, negandose, pois, provimento ao recurso nesse particular. Quanto à contribuição substitutiva devida pela agroindústria, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da tese relativa à sua inconstitucionalidade, conforme se vê na ementa abaixo: EMENTA DIREITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ARTIGO 22A DA LEI Nº 8.212/91. REDAÇÃO CONFERIDA PELA LEI Nº 10.256/01. CONTRIBUIÇÃO DEVIDA PELA AGROINDUSTRIA. PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA. INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUÇÃO PRÓPRIA OU DE PRODUÇÃO PRÓPRIA E ADQUIRIDA DE TERCEIROS. RECEITA BRUTA PROVENIENTE DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. EXIGIBILIDADE. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL.(RE 611601 RG, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 03/06/2010, DJe110 DIVULG 17 062010 PUBLIC 18062010 EMENT VOL0240605 PP01051 LEXSTF v. 32, n. 379, 2010, p. 227236 ) Fl. 3442DF CARF MF 10 A questão ainda não foi julgada pela Suprema Corte e, inexistindo declaração de inconstitucionalidade sob o regime da repercussão geral, é vedado aos membros do CARF deixar de observar a lei (art. 62, caput, do RICARF). Dito de outra forma, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vejase, nesse sentido, a Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A verificação de que a norma implicaria infringência ao desenho constitucional da exação tributária exacerba a competência originária desta Corte administrativa, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal, também se negando provimento quanto à tese de inconstitucionalidade do art. 22A da Lei 8212/91. 6 Da não incidência de contribuições sobre verbas indenizatórias No que diz respeito ao AI DEBCAD 51.049.6806, o qual abriga as contribuições retidas dos segurados empregados e não recolhidas, a recorrente sustenta a sua não incidência sobre o terço constitucional de férias, terço constitucional sobre férias gozadas, aviso prévio indenizado, bem como sobre a importância paga nos quinze dias que antecedem o auxíliodoença. O Superior Tribunal de Justiça já julgou tais teses de não incidência em recurso especial representativo de controvérsia. Convém transcrever, nesse contexto, a ementa abaixo, de observância obrigatória pelo CARF, conforme preleciona o já mencionado art. 62, § 1º, inc. II, alínea "b", do seu Regimento Interno. PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DISCUSSÃO A RESPEITO DA INCIDÊNCIA OU NÃO SOBRE AS SEGUINTES VERBAS: TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS; SALÁRIO MATERNIDADE; SALÁRIO PATERNIDADE; AVISO PRÉVIO INDENIZADO; IMPORTÂNCIA PAGA NOS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIODOENÇA. [...] 1.2 Terço constitucional de férias. No que se refere ao adicional de férias relativo às férias indenizadas, a não incidência de contribuição previdenciária decorre de expressa previsão legal (art. 28, § 9º, "d", da Lei 8.212/91 redação dada pela Lei 9.528/97). Em relação ao adicional de férias concernente às férias gozadas, tal importância possui natureza indenizatória/compensatória, e não constitui ganho habitual do empregado, razão pela qual sobre ela não é possível a incidência de contribuição previdenciária (a cargo da empresa). A Primeira Seção/STJ, no julgamento do AgRg nos EREsp Fl. 3443DF CARF MF Processo nº 10480.733718/201315 Acórdão n.º 2402006.163 S2C4T2 Fl. 7 11 957.719/SC (Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 16.11.2010), ratificando entendimento das Turmas de Direito Público deste Tribunal, adotou a seguinte orientação: "Jurisprudência das Turmas que compõem a Primeira Seção desta Corte consolidada no sentido de afastar a contribuição previdenciária do terço de férias também de empregados celetistas contratados por empresas privadas". [...] 2.2 Aviso prévio indenizado. A despeito da atual moldura legislativa (Lei 9.528/97 e Decreto 6.727/2009), as importâncias pagas a título de indenização, que não correspondam a serviços prestados nem a tempo à disposição do empregador, não ensejam a incidência de contribuição previdenciária. A CLT estabelece que, em se tratando de contrato de trabalho por prazo indeterminado, a parte que, sem justo motivo, quiser a sua rescisão, deverá comunicar a outra a sua intenção com a devida antecedência. Não concedido o aviso prévio pelo empregador, nasce para o empregado o direito aos salários correspondentes ao prazo do aviso, garantida sempre a integração desse período no seu tempo de serviço (art. 487, § 1º, da CLT). Desse modo, o pagamento decorrente da falta de aviso prévio, isto é, o aviso prévio indenizado, visa a reparar o dano causado ao trabalhador que não fora alertado sobre a futura rescisão contratual com a antecedência mínima estipulada na Constituição Federal (atualmente regulamentada pela Lei 12.506/2011). Dessarte, não há como se conferir à referida verba o caráter remuneratório pretendido pela Fazenda Nacional, por não retribuir o trabalho, mas sim reparar um dano. Ressaltese que, "se o aviso prévio é indenizado, no período que lhe corresponderia o empregado não presta trabalho algum, nem fica à disposição do empregador. Assim, por ser ela estranha à hipótese de incidência, é irrelevante a circunstância de não haver previsão legal de isenção em relação a tal verba" (REsp 1.221.665/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 23.2.2011). A corroborar a tese sobre a natureza indenizatória do aviso prévio indenizado, destacamse, na doutrina, as lições de Maurício Godinho Delgado e Amauri Mascaro Nascimento. Precedentes: REsp 1.198.964/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 4.10.2010; REsp 1.213.133/SC, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 1º.12.2010; AgRg no REsp 1.205.593/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 4.2.2011; AgRg no REsp 1.218.883/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 22.2.2011; AgRg no REsp 1.220.119/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 29.11.2011. 2.3 Importância paga nos quinze dias que antecedem o auxílio doença. Fl. 3444DF CARF MF 12 No que se refere ao segurado empregado, durante os primeiros quinze dias consecutivos ao do afastamento da atividade por motivo de doença, incumbe ao empregador efetuar o pagamento do seu salário integral (art. 60, § 3º, da Lei 8.213/91 com redação dada pela Lei 9.876/99). Não obstante nesse período haja o pagamento efetuado pelo empregador, a importância paga não é destinada a retribuir o trabalho, sobretudo porque no intervalo dos quinze dias consecutivos ocorre a interrupção do contrato de trabalho, ou seja, nenhum serviço é prestado pelo empregado. Nesse contexto, a orientação das Turmas que integram a Primeira Seção/STJ firmouse no sentido de que sobre a importância paga pelo empregador ao empregado durante os primeiros quinze dias de afastamento por motivo de doença não incide a contribuição previdenciária, por não se enquadrar na hipótese de incidência da exação, que exige verba de natureza remuneratória. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.100.424/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 18.3.2010; AgRg no REsp 1074103/SP, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe 16.4.2009; AgRg no REsp 957.719/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 2.12.2009; REsp 836.531/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 17.8.2006. [...] Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. (REsp 1230957/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 26/02/2014, DJe 18/03/2014) Vejase que, quanto ao terço constitucional de férias, o Tribunal Superior entendeu que (i) a não incidência das contribuições sobre o adicional relativo às férias indenizadas decorre de expressa previsão legal, ao passo que (ii) a não incidência sobre o adicional relativo às férias gozadas decorre do fato de sua natureza indenizatória/compensatória, não constituindo, a par disso, ganho habitual. Sobre a importância paga nos quinze dias que antecedem o auxíliodoença, entendeuse que ela não é destinada a retribuir o trabalho, sobretudo porque no intervalo dos quinze dias consecutivos ocorre a interrupção do contrato de trabalho, de maneira que nenhum serviço é prestado pelo empregado. Com relação ao aviso prévio indenizado, ainda vale ressaltar o seguinte: O pagamento dessa verba em favor do empregado tem amparo no § 1º do art. 487 da CLT, segundo o qual "a falta do aviso prévio por parte do empregador dá ao empregado o direito aos salários correspondentes ao prazo do aviso, garantida sempre a integração desse período no seu tempo de serviço". Logo, o pagamento do aviso prévio indenizado não tem caráter remuneratório, vez que o empregado, nessa hipótese, não presta serviço para o empregador e nem está à sua disposição. Não se trata de rendimento pago, devido ou creditado, destinado a retribuir o trabalho que não está sendo prestado. Fl. 3445DF CARF MF Processo nº 10480.733718/201315 Acórdão n.º 2402006.163 S2C4T2 Fl. 8 13 Em se tratando de contrato de trabalho por prazo indeterminado, a parte que sem justo motivo pretender rescindilo, deverá comunicar a outra com a antecedência mínima prevista na CLT e na Lei nº 12506/11. Não o fazendo o empregador, nasce para o empregado o direito ao salário correspondente, independentemente de qualquer prestação, não se podendo cogitar, pois, de retribuição de trabalho. Há apenas o pagamento de uma indenização, a qual visa a reparar o empregado que não fora alertado em tempo hábil. O inc. I do art. 28 da Lei nº 8.212/1991 explicita que o salário de contribuição constitui uma remuneração destinada a retribuir o trabalho. Inexistindo o pagamento de remuneração, inexiste o núcleo do fato gerador da contribuição em referência, o que ocorre com o aviso prévio indenizado. O mesmo, a propósito, podese afirmar em relação à importância paga nos quinze dias que antecedem o auxíliodoença. A redação original da alínea e do § 9º do art. 28 foi alterada para excluir a menção do aviso prévio indenizado como não constitutivo do salário de contribuição. Contudo, essa modificação legislativa em nada alterou o núcleo do fato gerador da contribuição, que exige a remuneração paga, devida ou creditada, destinada a retribuir o trabalho. Expressandose de outra forma, a alteração legislativa não alterou a natureza da citada rubrica. Essa interpretação está em conformidade com a alínea a do inc. I do art. 195 da CF, segundo a qual as contribuições sociais incidem sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados à pessoa física que lhe preste serviço. É sabido que, ao instituir e partilhar competências tributárias, a Constituição prédefiniu o fato gerador e o sujeito passivo dos tributos. Como se vê, de toda forma, não se está declarando inconstitucionalidade, mas apenas declarando a não incidência da contribuição sobre o aviso prévio indenizado, com base no inc. I do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, não havendo qualquer ofensa à Súmula CARF nº 2. O REsp nº 1230957/RS está suspenso por Recurso Extraordinário com repercussão geral (Tema 163 265), mas o aviso prévio indenizado, por não ter caráter remuneratório, não é salário de contribuição. Em síntese, deve ser dado provimento ao recurso nesse particular, a fim de excluir da base de cálculo do AI DEBCAD 51.049.6806 as importâncias pagas a título de terço constitucional de férias, terço constitucional de férias gozadas, aviso prévio indenizado e a importância paga nos quinze dias que antecedem o auxíliodoença. Fl. 3446DF CARF MF 14 7 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER PARCIALMENTE do recurso voluntário para, na parte conhecida, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, a fim de excluir da base de cálculo do AI DEBCAD 51.049.6806 as importâncias pagas a título de terço constitucional de férias, terço constitucional de férias gozadas, aviso prévio indenizado e a importância paga nos quinze dias que antecedem o auxíliodoença. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 3447DF CARF MF Processo nº 10480.733718/201315 Acórdão n.º 2402006.163 S2C4T2 Fl. 9 15 Declaração de Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Com relação às chamadas “verbas indenizatórias”, com a maxima venia, divirjo do Relator quanto à “observância obrigatória pelo CARF” à citada decisão judicial. Vejamos o que dispõe o Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, Anexo II, art. 62, § 1º, inciso II, alínea “b”: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: [...] II que fundamente crédito tributário objeto de: [...] b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (Grifo nosso) Conforme se observa na transcrição acima, a observância, pelo CARF, às decisões proferidas pelos Tribunais Superiores, no julgamento de recursos repetitivos e com repercussão geral, somente é obrigatória se tais decisões forem definitivas, porém, não é o que ocorre, até o momento, em relação à decisão em comento, ou seja, o REsp 1230957/RS. Em consulta ao “site”1 do Superior Tribunal de Justiça (STJ), constatase, como bem apontado pelo Relator, que a decisão prolatada no julgamento do REsp 1230957/RS ainda não é definitiva, uma vez que o processo se encontra suspenso por Recurso Extraordinário, com repercussão geral, desde 6/8/15. Sendo assim, entendemos que não cabe, nesse momento, afastar a incidência das contribuições sobre as verbas ora discutidas, tendo por fundamento o disposto no art. 62, § 1º, inciso II, alínea “b”, do Anexo II do RICARF. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira 1 Disponível em: < http://www.stj.jus.br/portal/site/STJ>. Acesso em: 9/5/18. Fl. 3448DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11052.000990/2010-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1202-000.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em determinar o sobrestamento do julgamento do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente Substituto
(documento assinado digitalmente)
Nereida de Miranda Finamore - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Carlos Mozart Barreto Vianna, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Gilberto Baptista e Orlando Jose Gonçalves Bueno.
Relatório
Contra o contribuinte TOP LINE LTDA. (CNPJ 05.278.871/0001-95), foram lavrados Autos de Infração, com base na sistemática do SIMPLES, em relação aos tributos:
- IRPJ (fls. 145/162) R$ 83.514,89;
- contribuição ao PIS (fls. 163/169) R$ 60.978, 90;
- CSLL (fls. 170/179) R$ 84.588,01;
- Cofins (fls. 180/189) R$ 248.133,31 - Contribuição Social para o INSS relativa ao Simples (fls. 190/199) R$ 715.822,50.
Referidos autos de infração foram lavrados sob argumento de omissão de receitas, sendo aplicada multa de ofício agravada no importe de 112,5% e, em relação à infração de falta de recolhimento, fora aplicada multa de 75%, sem prejuízo dos acréscimos legais pertinentes para os dois casos.
Transcrevo o entendimento fiscal contido no Termo de Verificação Fiscal (fls. 140/142), reproduzido pelo relatório do acórdão recorrido da DRJ:
a) Em 22/10/2009, compareceu o Fisco no endereço de cadastro da empresa na RFB, quando foi dada ciência do início da fiscalização;
b) Em 08/12/2009, foi encaminhada, via postal, ao Sr. Sylvio de Almeida Júnior, sócio majoritário da empresa a cópia do Termo de Intimação 0001, a qual não chegou ao seu destino, em face de o interessado ter o seu domicílio cadastrado no sistema da RFB com o número errado;
c) Em 04/02/2010, encaminhamos, via postal, para a sócia da empresa (10% do capital social), Sra. Cátia Cilene da Costa Santos, Termo de Intimação Fiscal lavrado nesta mesma data, recebido em seu domicílio fiscal, em 06/02/2010, sem que nenhuma resposta fosse apresentada;
d) Uma vez não atendida a solicitação do Termo de Início, foi entregue, em 10/12/2009, a reiteração da intimação do termo n° 0001, sendo dada ciência ao Sr. Diamantino dos Santos Neto, que informou que seu cargo na empresa era de "atendente";
e) Nesta mesma data, a Sra. Débora Albernaz de Souza entregou nesta repartição pedido de prorrogação de prazo para apresentação da documentação solicitada, sem especificar qual seria o prazo pretendido e necessário ao atendimento. Posteriormente, em 05/01/2010, reiterou o pedido de prorrogação, solicitando 30 dias, o que foi atendido;
f) Em meados de março de 2010, após diversas tentativas de agendar uma reunião com o sócio majoritário na sede da empresa, não foi possível, nem mesmo com o encaminhamento dos agentes fiscais até a empresa, o contato com os sócios;
g) Na semana seguinte, compareceu nesta Equipe Fiscal o sócio majoritário, informando que se encontrava adoentado e que designaria o Sr. Diamantino para tomar as providências necessárias ao atendimento das intimações, que nunca ocorreu;
h) Em 04/03/2010, foi solicitado ao Registro Civil das Pessoas Jurídicas cópia dos Atos Constitutivos e Alterações da empresa;
i) Em 19/05/2010, foi a empresa cientificada da inclusão do ano-calendário de 2007 na ação fiscal, reiterando, ainda, as solicitações relativas ao ano-calendário de 2006, também não havendo qualquer resposta;
j) Foi emitida Requisição de Movimentação Financeira (RMF), em 07/06/2010, encaminhada ao UNIBANCO;
k) Com base na mencionada movimentação financeira, foi lavrado Termo de Intimação, em 08/07/2010, do qual consta como anexo relação dos extratos bancários dos anos de 2006 e 2007, realizados na conta corrente 100320-9, agência 7088, do UNIBANCO S/A, a fim de que o interessado comprovasse a origem dos depósitos realizados naquela conta, concedendo, para tanto, o prazo de 20 dias. Também não houve atendimento;
l) Em 14/09/2010, o Fisco intimou as seguintes instituições financeiras, clientes do contribuinte, a fornecer relação de notas fiscais ou documentos equivalentes, juntamente com cópias das mesmas, relativas aos serviços prestados, no decorrer, tanto do ano de 2006 quanto de 2007:
Banco BVA S/A - Anos de 2006 e 2007;
Banco Sofisa S/A - Ano de 2007;
Banco Pine S/A - Ano de 2007;
m) Posteriormente, tendo em vista o atendimento incompleto por parte do Banco BVA S/A, foi este reintimado a apresentar os documentos não entregues ou a justificar os valores dos depósitos não comprovados, realizados para o contribuinte, conforme relação anexa e parte integrante do Termo de Intimação;
n) Em sua resposta, datada de 05/11/2010, informou e comprovou que tais depósitos referiam-se a empréstimos tomados por servidores públicos junto ao Banco BVA S/A, conforme relação anexa e que foram depositados na conta da TOP LINE Ltda., com a finalidade de liquidar empréstimos tomados pelos mesmos servidores junto a outras instituições financeiras, conforme Termo de Liquidação de Empréstimos em Outra Instituição Financeira, também em anexo à resposta;
o) Diante do exposto, e com base nos valores constantes no quadro de apuração dos valores a tributar, no qual se encontram totalizados, mensalmente, o faturamento da empresa, tomando por base valores dos depósitos bancários e onde também são lançados valores mensais declarados na Declaração Simplificada, foi apurado duas modalidades de valores a tributar:
Sujeitos à multa qualificada de 150%, acrescida do percentual de agravamento, chegando a 225%, em face do não atendimento às intimações; e Sujeitos à multa de 75%, com o agravamento previsto também em função do não atendimento às intimações;
p) Também foi lavrada a Representação Fiscal para Fins Penais, em decorrência dos ilícitos, em tese, praticados, bem como os Termos de Sujeição Passiva Solidária para os sócios Sylvio de Almeida Júnior e Cátia Cilene da Costa Santos, únicos sócios da empresa interessada. (grifamos)
Contra a decisão, a contribuinte Top Line Ltda. e Cátia Cilene da Costa Santos apresentaram Impugnação (fl. 215/224)
Preliminarmente, aduz a nulidade do Auto de Infração, por sua impropriedade e pela inexistência de justa causa para a lavratura, por entender que não infringiu nenhuma norma contrária ao ordenamento jurídico pátrio. Invoca o artigo 5º da Constituição Federal, pedindo pelo direito de ampla defesa.
Discorrendo sobre a exclusão da contribuinte do SIMPLES, aponta que, nos termos da Lei Complementar nº 123/2006, na opção para o sistema, a adesão deve ser realizada no mês de janeiro, sendo irretratável para todo o ano-calendário, informação complementada pela Resolução CGSN nº 38 de 1º de Setembro de 2008, possibilitadora da utilização da receita bruta total recebida a partir de 1º.01.2009 para as Micro Empresas e Empresas de Pequeno Porte. Em caso de exclusão, esta é permitida até o último dia útil do mês de janeiro do ano-calendário subseqüente ao que se excedeu a receita bruta permitida, conforme Resolução CGSN nº 04 de 2007, artigo 12, I, o que, em seu entender, é representativo da ausência de justa causa para o prosseguimento do feito.
No mérito, indica que a autuação não prospera, por sua contrariedade à legislação de regência do Simples, já a opção ao sistema é irretratável, o que indica violação da estrita legalidade, da anterioridade e da igualdade em matéria tributária.
Aponta que o cálculo efetuado pelo fisco carece de veracidade, por não considerar, no total do imposto a pagar, o imposto devido em virtude de serviço executado, ressaltando que sua atuação é no ramo de financiamento de empréstimo, pelo que apenas recebe um percentual por funcionar como intermediador entre a Instituição Financeira e a pessoa física que requereu o empréstimo, e que por tais motivos, a tributação imposta teria caráter de confisco, afrontando o artigo 150, IV da Constituição Federal.
Sobre o tema, invoca a doutrina de Roque Antonio Carrazza, de onde entende que, no caso de escrita fiscal imprestável, atrasada ou inexistente, contra a contribuinte será lavrado auto de infração com tributação pelo lucro arbitrado, com a ressalva de que, enquanto não tornado definitivo o lançamento,deve-se regularizar as demonstrações contábeis, recolhendo o imposto corretamente. Informa que pela legislação em vigor, no caso de empresas optantes pelo Simples, nos termos da Resolução CGSN nº 38 de 2008, somente a partir de 1º.01. 2009 é que tornou-se possível a utilização do regime de caixa, apontando que o período apurado no auto de infração sob discussão é relativo ao ano de 2006, onde a sujeição era tão somente ao regime de competência.
Ainda, indica que a Sra. Débora Albernaz de Souza e o Sr. Diamantino dos Santos Neto nunca fizeram parte do Contrato Social da contribuinte e que, assim, nos termos do artigo 1.174 do Código Civil, os atos por eles praticados são nulos de pleno direito.
Não obstante tais fatos, impugna a tributação por entender que não lhe pode ser negado o direito de demonstrar contabilmente o lucro real ou a existência de prejuízo, que o exima do lançamento.
Insurgindo-se contra os valores tributados, indica que diferentemente do que apurou o fisco, os valores a serem considerados são os constantes das notas fiscais acostadas à impugnação, reflexo dos serviços prestados. Aponta que apresentou Declaração PJSI 2007, relativa ao ano-calendário de 2006, com os valores de acordo com o exigido pela legislação do Simples, motivo pelo qual pugna pelo afastamento do valor de R$ 8.453.154,82, referentes a supostos depósitos bancários em contas de sua titularidade.
Invocando a questão da Responsabilidade Solidária, indica que sua escrita contábil não se encontra em dia, por ter seu contador Sr. Deolindo Gonçalves de Oliveira descumprido a obrigação assumida perante a contribuinte, fato que a Sra. Cátia Cilene da Costa Santos só teve ciência por ocasião da intimação dos autos de infração. Disto, entende que há responsabilidade solidária para com o responsável pela escrita fiscal por ato doloso, que deveria ser demandado neste feito, nos termos do artigo 1.177 do Código Civil.
Aponta que a lavratura foi feita sem menção ao nome do contador, e que este seria a única pessoa capaz de elucidar divergências entre os valores apurados e poderia prestar informações sobre os livros fiscais. Traz o artigo 128 do CTN, indicativo da atribuição de responsabilidade a terceiro, mencionando doutrina de Luiz Alberto Gurgel de Faria e José Alexandre Zapatero sobre o tema.
Prossegue, apontando que são necessárias duas condições para a responsabilidade de terceiro, que a obrigação não possa mais ser cumprida pelo próprio contribuinte e que o terceiro tenha participado do ato que configure o fato gerador do tributo, ou tenha se omitido indevidamente. Nos termos do artigo 135 do CTN, entende que responsabilidade nestes moldes só é admitida quando houve atuação com excesso de poderes ou em infração à lei, ao contrato social ou aos estatutos. Destaca que a sócia minoritária, Cátia Cilene, que detém 10% do Capital Social, não poderia responder pela dívida que não deu causa. Indica ser pacífico na jurisprudência que a omissão no pagamento, por si só não acarreta a responsabilidade pessoal, trazendo o artigo 136 do CTN quanto as infrações, invocando o Princípio da Capacidade Contributiva contido no artigo 145, §1º.
Salienta ainda que, quando houve a intimação da Sra. Cátia, esta havia entregue o Termo de Intimação Fiscal nº 01 ao sócio Majoritário Sr. Sylvio de Almeida Júnior, que informou que trataria de tudo e que ela não precisaria se preocupar, porque estava tudo sobre controle.
Assim, requer prazo legal para dar regularidade à escrituração contábil e a conseqüente apuração do IRPJ e reflexos.
Invoca o Princípio da Especialidade em relação às contribuições devidas ao INSS, impugnando o lançamento destas, pois entende que o sistema do Simples instituiu tratamento diferenciado aos seus optantes, motivo pelo qual, em virtude de atos praticados no ano- calendário de 2006, só poderia ser excluída em 2007, trazendo jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça que entende amparar seu entendimento.
Requer o afastamento da taxa Selic como juros moratórios, invocando, inicialmente, neste sentido o artigo 37 da Constituição Federal, requerendo a aplicação do Princípio da Estrita Legalidade tributária e da Segurança Jurídica. Aponta que aludida taxa é aplicável exclusivamente às relações praticadas no âmbito do sistema financeiro nacional e que não fora criada com fins tributários, mas sim para remunerar títulos públicos e que, sua utilização é indevida e carente de amparo legal para as relações tributárias, motivos que amparam a declaração da ilegalidade de sua utilização como quer o fisco. Traz doutrina de José Alexandre Zapatero, que indica que a utilização da taxa Selic contraria às disposições do artigo 161, §1º do CTN, por este possuir natureza de Lei Complementar. Acosta ainda decisões do STJ e STF neste sentido.
Assim, requer o recebimento da impugnação, com a concessão de efeito suspensivo e ao final cancelando-se o débito fiscal reclamado.
Pede pelo deferimento do prazo de 6 meses para contabilização da movimentação financeira e lançamento de imposto por parte da sócia Sra. Cátia Cilene da Costa Santos ou que, em caso de indeferimento, que eventual condenação seja restrita ao percentual de participação societária desta, no caso, 10% do capital social.
Por fim, pugna pelo parcelamento de débito fiscal apurado, no máximo permitido pela legislação em vigor.
A 4ª Turma da DRJ/RJ1, ao julgar o feito no acórdão nº 1236.831 (fls. 334/361), entende ser o lançamento procedente.
Afasta a alegação trazida pela contribuinte sobre o equívoco no preenchimento da DIPJ 2007 fora causado pelo escritório de contabilidade, devendo a esta empresa ser atribuída a responsabilidade com base no artigo 1.177 do Código Civil e no artigo 135 do CTN, eis que, na relação jurídica tributária estabelecida entre o fisco e a empresa, esta é tida como sujeito passivo da obrigação, nos termos do artigo 121 do CTN.
Indica no caso concreto a inexistência de previsão legal de atribuição de responsabilidade tributária ao escritório de contabilidade, e que, ainda que houvesse algum contrato particular entre a contribuinte e o escritório que lhe prestava serviços de modo a transferir a responsabilidade tributária, tal avença seria tida como inexistente perante a Fazenda Pública, não produzindo qualquer efeitos, nos termos do artigo 123 do CTN. Nesse sentido, aponta jurisprudência do Conselho de Contribuintes (Recurso 087405 Primeira Câmara do Conselho de Contribuintes).
Afasta ainda a incidência do Código Civil à relação, eis que a discussão no presente feito é regida por regras de direito público, previstas no Direito Administrativo e Tributário.
Analisando o requerimento de exclusão da responsabilidade tributária imputado à sócia da empresa Cátia Cilene da Costa Santos, por sua qualidade de sócia minoritária e por ter o outro sócio afirmado que cuidaria de tudo, indica que a referida senhora, junto com o Sr. Sylvio de Almeida Junior eram sócios e responsáveis pelas obrigações assumidas pela empresa, fossem as principais ou as acessórias, conforme o artigo 135, II e III e artigo 137, I, todos do CTN.
Assinala sua adesão ao entendimento de que a responsabilidade tributária, ainda que pessoal do autor do ato praticado com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, não afasta a responsabilidade da pessoa jurídica, citando Luiz Alberto Gurgel de Faria e trazendo também a opinião de Hugo de Brito Machado.
Afirma que, ainda que haja a imputação de responsabilidade pessoal aos indicados nos incisos do artigo 135 do CTN, não se afasta a responsabilidade da contribuinte autuada pela aludida responsabilização pessoal, havendo na hipótese solidariedade e dando maior garantia do recebimento do crédito tributário.
Deve-se considerar, portanto, correta a inclusão dos descritos no artigo 135 do CTN, justificando o julgador a conjugação do citado artigo com os artigos 9º e 58 da Lei nº 9.784/1999, com observância da Portaria RFB nº 2.284/2010.
Prosseguindo sobre o tema, discorre sobre o que seria infração a lei, permissiva da responsabilidade. Aponta que o CTN não indica a lei a ser infringida para imputar a responsabilidade das pessoas indicadas no artigo 135, e que, em seu entender, é indubitável que a falta de recolhimento do tributo, constitui, por si só, uma ilicitude, porquanto configura o descumprimento de um dever jurídico decorrente de diversas leis tributárias, acostando decisões do Poder Judiciário que entende ampararem sua pretensão. Indica ainda que a aludida responsabilidade é subjetiva, e portanto, é imprescindível a demonstração de culpa a quem esta fora imputada.
Acresce que a responsabilidade tributária também fora fundamentada no artigo 137, I do CTN, pela fiscalização, apontando que este dispositivo atribui a responsabilidade pessoal ao agente em caso de serem as infrações tidas como crime ou contravenções, excetuando-se destes o exercício regular da administração. Traz doutrina de Renato Lopes Becho sobre o tema.
Assim, entende que é dever dos sócios saldar as obrigações inerentes a empresa, não havendo de se falar em exclusão da responsabilidade da Sra. Cátia Cilene, especialmente em razão da omissão do sócio gerente, Sr. Sylvio, pelo que também rejeita o pedido de exclusão da responsabilidade solidária.
Prossegue indicando que se deve afastar a alegação de nulidade dos atos praticados por Débora Albernaz de Souza e por Diamantino dos Santos Neto, invocada pela não participação destes no contrato social, já que a ciência dos termos de intimação tomadas por empregado do interessado é válida. Ainda, aponta que aludidas pessoas exerciam, ao menos em aparência, alguma função na empresa, eis que as intimações foram efetuadas de forma pessoal (na sede da empresa) e, ante a teoria da aparência, estes estavam autorizados a receber intimações para apresentação de documentos inerente ao prosseguimento da investigação fiscal, pelo que considera válidas as intimações efetuadas pela fiscalização.
Afasta também o pleito de concessão de prazo para juntada de escrituração contábil, por entender que já houve tempo hábil para a prática de tal ato e para apresentação das justificativas para afastar a imputação fiscal e que, se fosse impossível a apresentação dos aludidos documentos na impugnação, poderia trazê-los até antes do julgamento nos termos do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Traz ainda doutrina contida no livro Nulidades no Processo Penal, de Ada Pellegrini Grinover, Antônio Scarance Fernandes e Antônio Magalhães Gomes Filho, cujos preceitos aplicam-se subsidiariamente ao Processo Administrativo Tributário. Disto, entende que na ausência de demonstração do prejuízo causado à defesa e ante a inércia do interessado, afastando alegação de cerceamento de defesa e rejeitando a preliminar de nulidade examinada.
Em relação à apreciação de inconstitucionalidade, indica que esta não pode ser efetuada na esfera administrativa, por ultrapassar os limites de sua competência legal, como dispõe o Parecer Normativo CST nº 329/1970. Neste passo, indica que as Delegacias da Receita Federal de Julgamento, como órgão de jurisdição administrativa, restringem sua atuação ao exame de adequação dos atos praticados dos agentes com a lei e atos administrativos competentes, nos termos do artigo 7º da Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006, de onde entende que a autoridade administrativa cabe aplicar a legislação, sem emitir juízo de valor sobre a constitucionalidade ou outros aspectos da validade, função restrita ao Poder Judiciário. Traz jurisprudência dos Colegiados Administrativos sobre a questão, especialmente a Súmula nº 2 do Primeiro Conselho de Contribuintes.
Tal situação é excepcionada pela existência de decisão em processo judicial que a interessada tenha participado ou de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, nos termos do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997, afastando assim a arguição da contribuinte.
Ao analisar a questão da omissão de receitas apurada por depósitos bancários de origem não comprovada, indica que há presunção deste fato, eis que é independente da contabilização dos depósitos e da qualidade de escrituração, nos termos do artigo 42 da Lei nº 9430/1996. Aponta que o mesmo entendimento é dado pela jurisprudência administrativa, colacionando decisão. Assim, entende que referidos valores, devidamente apurados, constituem fato gerador do imposto de renda, nos termos do artigo 43 do CTN.
Indica que, com a edição da Lei nº 9430/96, houve no artigo 42 a regulamentação da tributação com base em depósitos bancários. Neste caso, após regular intimação, se não houver comprovação da origem dos recursos, o fisco possui autorização para proceder ao lançamento destes valores como omissão de receitas, indicando ainda que se comprovado que aludido numerário fora proveniente de receitas de Pessoa Jurídica sem que fossem levados à conta de resultado, estes devem ser submetidos à tributação específica.
Aponta que a hipótese é caso de presunção legal de omissão de receitas, onde o ônus da prova é expressamente transferido à contribuinte. Cita doutrina de José Luiz bulhões Pedreira.
No caso concreto, após fiscalização e regular intimação pelo fisco, não houve comprovação por documentos hábeis e idôneos que apontassem os valores contidos na receita bruta e origem dos créditos da conta-corrente examinada, de modo a afastar a presunção legal. Citando o artigo 923 do RIR/99, indica a necessidade de comprovação das alegações por documentos hábeis.
Ante a situação, de não comprovação da origem dos recursos em suas contas, entende perfeitamente cabível a autuação com base no artigo 42 da Lei nº 9430/1996. Traz jurisprudência administrativa que entende amparar suas considerações.
Após a autuação, com o surgimento de nova base de cálculo, necessário o ajuste percentual ante a nova receita bruta, resultando na infração de Insuficiência de Recolhimento.
Ao analisar a exclusão da interessada do Simples no ano de 2006, aponta como correto o entendimento do contribuinte, já que em 2006 não houve exclusão da interessada do Simples, mencionando que os autos de infração foram lavrados sob a ótica simplificada, havendo a participação de receitas para cada tributo de abrangência do DARF recolhido sob código de receita 6106 (SIMPLES) faz alusão.
Indica que pela legislação pertinente ao SIMPLES (Lei nº 9317/1996), a mudança da base de cálculo até o limite atribuído à Empresa de Pequeno Porte (EPP), possui um percentual sobre a receita bruta e sobre ele incide as participações para cada tributo/contribuição, estando entre eles a contribuição para o INSS. Assim, entende por correta a aplicação da legislação pela fiscalização, eis que houve o ajuste das bases de cálculo relativas às infrações apuradas, utilizando para o cálculo do tributos/contribuições devidos os percentuais previstos na legislação, indicando que a exclusão do Sistema SIMPLES só deveria surtir efeitos para o ano-calendário subseqüente à ocorrência do fato gerador, no caso 2007.
Em relação a aplicação da taxa SELIC, que a interessada busca afastar no presente feito, entende que quanto aos percentuais de juros devem ser utilizados como parâmetro o CTN, artigo 161, §1º, e o artigo 61 da Lei nº 9430/1996. Da conjugação de tais dispositivos, decide que débitos a favor da União, decorrentes de tributos e contribuições, de competência da SRF, sujeitam-se aos juros de mora equivalentes aos da taxa Selic (a partir de 1º de janeiro de 1997), acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% no mês de pagamento, tendo o lançamento se adstrito à legislação em vigor sobre o tema.
Ainda, indica que a utilização da taxa Selic possui entendimento pacífico na jurisprudência do Conselho de Contribuintes, especialmente ante o teor do Enunciado nº 4 por ela expedido, o que leva a decisão recorrida a reconhecer como corretos os autos de infração inclusive em relação aos juros de mora.
Analisa a questão da imposição da penalidade agravada e qualificada, invocando de início, o teor do artigo 44, inciso I, §1º e 2º, da Lei n° 9.430/1996 e a justificativa da duplicação de percentual, conforme disposição dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. Indica que foram emitidas diversas intimações para a empresa e seus sócios, que, em resposta tentaram desqualificar o trabalho fiscal, o que para o julgador só reforça o escopo de obstruir a atuação do fisco. Entende que, quanto à infração de omissão de receitas, a tentativa por parte dos sócios da empresa de impedir o Fisco de concluir o seu trabalho, em face da ausência de respostas às intimações, bem como das mudanças de endereço da empresa e do sócio majoritário e da tentativa de desqualificação dos funcionários quando do recebimento das intimações, somando-se a isso o fato de que as discrepâncias entre os valores declarados na DIPJ e àqueles constantes nos extratos bancários da conta corrente da empresa interessada, leva à manutenção da qualificação da multa bem como do seu agravamento, devendo ser mantido o percentual de 225% para estes casos, conforme o disposto nos autos de infração.
O Recurso Voluntário da Sra. Cátia Cilene da Costa Santos contra à decisão foi apresentado em 07.08.12.
Invocando a Responsabilidade Solidária dos Sócios contida no artigo 135, III do CTN, destaca de início, que ao determinar a responsabilidade ao responsável tributário, seria caracterizadora de despersonalização da pessoa jurídica, nas hipóteses ali listadas, sem as quais, não haveria de se falar em desconsideração da personalidade jurídica.
Informa que passou a integrar a empresa autuada como sócia minoritária (com averbação na matricula em 5.10.2006), sendo que o outro sócio, Sylvio de Almeida Júnior, ocupava o cargo de Presidente e sócio majoritário responsável por responder pela sociedade ativa e passivamente, em juízo ou fora dela.
Indica que os administradores, independente da sua responsabilidade pela integralização do capital social se forem sócios, somente respondem por obrigações tributárias contraídas no período de sua gestão, nos termos do artigo 128 do CTN.
Destaca neste ponto, que, embora fizesse parte do grupo societário à época dos fatos geradores aqui discutidos, não há provas de que tenha participado dos atos de gerência, tampouco agindo com o excesso de poder ou infração à lei ou ao estatuto, não havendo o que contestar quanto a cobrança de débitos ocorridos em período anterior a sua entrada na empresa.
Informa ainda que nunca praticou ou exerceu ato de administração na empresa, justificando tal fato com informações trazidas com a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ano-calendário 2007, onde aparece como responsável e representante o Sr. Sylvio de Almeida Junior, igualmente indicado com 90% dos rendimentos dos sócios, tendo a recorrente apenas 10% do capital social.
Aponta que toda a ação fiscal se deu com conhecimento e participação direta do Sr. Sylvio, e feito à revelia da recorrente. Traz também a informação contida em fls. 31-103 (laudo do Banco Unibanco), onde os representantes são Sr. Jorge dos Santos e o Sr. Sylvio.
Ante tais fatos, é claro que a efetiva gerência e administração do negócio eram de responsabilidade do sócio majoritário, configurando seu CPF como o de responsável pela empresa Top Line Ltda.
Por conta disto, entende a recorrente que não se deve imputar responsabilidade a ela, que detém somente o poder de direito, mas não de fato, por não possuir autonomia para exercer gerência na sociedade devedora, especialmente porque não há quaisquer indícios de que teria incorrido nas hipóteses previstas no artigo 135, III, do CTN. Destaca que, ante o caso concreto, que só é possível a inclusão no pólo passivo da ação fiscal acionista com poder de controle da empresa. Traz jurisprudência do STJ, informativa da necessidade de configuração de atos praticados com excesso de poderes, infração à lei, contrato social ou estatuto para inclusão de sócio nos débitos.
Prossegue, informando quanto à dissolução irregular da sociedade, que conforme entendimentos jurisprudenciais, a responsabilidade só pode ser atribuída ao administrador que exerce de fato poderes de gerência na sociedade e, não havendo condutas ao arrepio da lei, não há de se falar em responsabilização pessoal dos dirigentes.
Ainda, indica que, em caso de desconsideração da personalidade jurídica, esta deve ser feita em função do poder de controle societário, devendo recair sobre tais membros esta responsabilização, que não pode ser imposta devido somente à condição de cotista.
Diz também que a mera qualidade de administrador também não é suficiente, sendo necessário que este atue com poder de gerência e que conduza a sociedade a atos infringentes de lei, contrato social ou estatutos. Traz doutrina de Bernardo Ribeiro Moraes.
Pugna pela ocorrência de cerceamento de defesa, aduzindo, de início, que para a efetivação plena da defesa e do contraditório, o auto de infração deve ser lógico, objetivo, preciso e explícito, devendo capitular corretamente os dispositivos tidos como infringidos. Assim, em face da total ausência de participação da recorrente nos negócios da empresa, esta se viu com seus direitos cerceados devido à falta de informação sobre os acontecimentos que geraram a lavratura do auto de infração.... Invoca o artigo 5º, LIV e LV da Constituição Brasileira e lições de Magalhães Noronha.
Aduz que é inconcebível sua inclusão no pÓlo passivo, porque sempre zelou por suas obrigações fiscais, e que os atos praticados contra ela encontram-se eivados de vícios e com cerceamento à sua defesa e que nada deve ao fisco.
Invoca exagero na penalidade aplicada, eis que o Fisco teria aplicado multa agravada de 225%, apenas baseando-se em presunções quanto ao aludido evidente intuito de fraude, sem que houvesse esta comprovação, especialmente em relação às ações da requerente, informando que, em casos onde ocorre fraude, o dolo deve ser comprovado de maneira inquestionável, o que não ocorreu no caso presente.
Indica que é função das autoridades fiscais zelar pela primazia da lei, devendo manter estreita relação com os fatos que efetivamente ocorreram. Disto, indica que nada do que fora relatado no Auto de Infração aponta para conduta dolosa ou intuito de fraude, sem que ainda haja prova documental que justificasse a aplicação da multa qualificada, imposta em valor exorbitante. Traz jurisprudência administrativa, que demonstra a necessidade de perquirir, na situação concreta, a ocorrência de dolo ou culpa do agente.
Ressalta, quanto ao valor da penalidade, a necessidade de respeito de proporcionalidade entre o dano e o ressarcimento, conforme magistério de Sacha Calmon Navarro.
Pelo exposto, pugna pela nulidade dos autos, pela ocorrência de vícios insanáveis, especialmente quanto à prova das alegações, pela imposição de multa agravada indevidamente aplicada e pela arbitrária inclusão da recorrente no pólo passivo. Traz jurisprudência administrativa sobre o tema, sem citar fontes.
Aponta que o lançamento, por ser ato administrativo, pode ser nulo ou anulável, mas não revogado, como reza o entendimento Supremo Tribunal Federal, contido na Súmula nº 473. Informa que o ato será nulo na ocorrência de vício profundo que comprometa o ato administrativo, com efeitos ex-tunc. Explana também sobre o ato anulável e as razoes de sua anulabilidade, para por fim, entender por inconcebível a cobrança efetuada pelo auto de infração discutido.
Ainda, aduz que o débito fiscal aqui discutido afronta a razoabilidade e a proporcionalidade, motivo pelo qual não merece prosperar.
Busca o provimento do recurso para que seja acatada a integralidade da impugnação e a exclusão da recorrente Cátia Cilene da Costa do pólo passivo do processo, por não ser qualificada como responsável tributária, nos termo do artigo 135, III do CTN.
É o relatório.
VOTO
Como já relatado, o presente processo trata de lançamento fiscal para exigência dos tributos sujeitos à sistemática do SIMPLES, face a ocorrência da presunção de omissão de receitas (artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996) ao ser constatado, pela fiscalização, a existência de movimentação financeira bancária, em nome da empresa, sem comprovação da origem.
Como consta do Termo de Verificação Fiscal, fls 231, ao Unibanco S/A foi solicitado apresentar os extratos com a movimentação financeira bancária mediante a emissão, pela autoridade fiscal, de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira-RMF, nos termos do artigo 6° da Lei Complementar n° 105, de 2001, regulamentado pelo Decreto n° 3.724, de 2001.
A recorrente não se manifestou acerca da matéria relativa à licitude da obtenção dos extratos bancários que serviram de base para a apuração da presunção de omissão de receitas. Todavia, em que pese existir autorização legal para a requisição desses extratos bancários diretamente às instituições financeiras, discute-se atualmente no Supremo Tribunal Federal-STF a constitucionalidade da quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, matéria examinada em sede do Recurso Extraordinário-RE 601314, o qual teve sua repercussão geral reconhecida em 23/10/2009. Pela consulta efetuada no sítio do STF na internet, revela que o processo ainda aguarda julgamento do mérito assim registrado:
RE 601314 RG / SP - SÃO PAULO REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI Julgamento: 22/10/2009 Publicação DJe-218 DIVULG 19-11-2009 PUBLIC 20-11-2009 EMENT VOL-02383-07 PP-01422 EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL.
Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Cármen Lúcia e Cezar Peluso. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI Relator (destaquei)
Como se trata de matéria com repercussão geral reconhecida, parece ser razoável, e prudente, aguardar a decisão da E. Suprema Corte acerca da constitucionalidade dos meios de prova obtidos no presente processo (extratos bancários), evitando-se, assim, a anulação do lançamento por vício na obtenção das provas.
O Regimento Interno do STF- RISTF, em seu art. 328, abaixo reproduzido, determina que todos os demais recursos extraordinários, com questão idêntica, sejam sobrestados, até que o Supremo Tribunal Federal decida os que tenham sido selecionados como representativos da causa:
Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzir-se em múltiplos feitos, a Presidência do Tribunal ou o(a) Relator(a), de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543-B do Código de Processo Civil, podendo pedir-lhes informações, que deverão ser prestadas em cinco dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica.
Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a Presidência do Tribunal ou o(a) Relator(a) selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543-B do Código de Processo Civil.
Art. 328-A. Nos casos previstos no art. 543-B, caput, do Código de Processo Civil, o Tribunal de origem não emitirá juízo de admissibilidade sobre os recursos extraordinários já sobrestados, nem sobre os que venham a ser interpostos, até que o Supremo Tribunal Federal decida os que tenham sido selecionados nos termos do § 1º daquele artigo. (destaque meus)
Da leitura acima, percebe-se que a própria Corte Superior determina o sobrestamento dos processos judiciais em trâmite na esfera daquele poder até decisão final, pelo Supremo Tribunal Federal, da matéria com repercussão geral. Isso decorre em razão do atendimento aos princípios da eficiência e da economia processual com o objetivo de melhor atender ao interesse público.
Assim, por uma questão de economia processual, tendo como objetivo afastar possíveis prejuízos para todas as partes, Fazenda, Contribuinte e a movimentação de toda a máquina do próprio Poder Judiciário, caso ocorra a impetração de alguma ação judicial a respeito da exigência aqui discutida, tem-se como mais do que razoável, e prudente, aguardar a decisão do E. Supremo Tribunal Federal acerca da licitude da obtenção dos extratos bancários, evitando-se possível anulação do processo por vício na obtenção das provas.
Com efeito, o artigo 62-A, §1º do RICARF (Portaria MF nº 256, de 22 de Junho de 2009 e alterações), estabelece o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria:
Art. 62-A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
§ 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543-B. {2} Já a Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, no seu art. 2º, § 2o, inciso I, prevê a hipótese de que o sobrestamento seja apreciado durante a sessão de julgamento:
Art. 2o. Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsuma-se, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1o.
§ 1o. No caso da identificação se verificar antes da sessão de julgamento do processo:
I- o conselheiro relator deverá elaborar requerimento fundamentado ao Presidente da respectiva Turma, sugerindo o sobrestamento do julgamento do recurso do processo;
II- o Presidente da Turma, com base na competência de que trata o art. 17, caput e inciso VII, do Anexo II do RICARF, determinará, por despacho:
a)o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; ou b)o julgamento do recurso na situação em que o processo se encontra.
§ 2o. Sendo suscitada a hipótese de sobrestamento durante a sessão de julgamento do processo, o incidente deverá ser julgado pela Turma, que poderá:
I- decidir pelo sobrestamento do processo do julgamento do recurso, mediante resolução; ou II- recusar o sobrestamento e realizar o julgamento do recurso.
§ 3o. Na ocorrência de sobrestamento, nos termos dos §§ 1o e 2o, as respectivas Secretarias de Câmara deverão receber os processos e mantê-los em caixa específica, movimentando-os para a atividade SOBRESTADO. (grifei)
Por tratar-se de matéria a ser apreciada pelo E. Supremo Tribunal Federal no rito da Repercussão Geral (licitude da obtenção dos extratos bancários), o próprio RICARF recomenda o sobrestamento do processo (art. 62-A, § 1º do RICARF), sendo que essa hipótese poderá ser apreciada durante a sessão de julgamento Turma de julgamento, nos termos do art. 2º, § 2o, inciso I, da Portaria CARF nº 001, de 2012.
Em vista do exposto, proponho que seja determinado o sobrestamento do julgamento do recurso voluntário, até que seja proferida decisão nos autos do Recurso Extraordinário-RE 601314, em trâmite perante o E. Supremo Tribunal Federal.
(documento assinado digitalmente)
Nereida de Miranda Finamore Horta, relatora
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em determinar o sobrestamento do julgamento do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente Substituto (documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Carlos Mozart Barreto Vianna, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Gilberto Baptista e Orlando Jose Gonçalves Bueno. Relatório Contra o contribuinte TOP LINE LTDA. (CNPJ 05.278.871/0001-95), foram lavrados Autos de Infração, com base na sistemática do SIMPLES, em relação aos tributos: - IRPJ (fls. 145/162) R$ 83.514,89; - contribuição ao PIS (fls. 163/169) R$ 60.978, 90; - CSLL (fls. 170/179) R$ 84.588,01; - Cofins (fls. 180/189) R$ 248.133,31 - Contribuição Social para o INSS relativa ao Simples (fls. 190/199) R$ 715.822,50. Referidos autos de infração foram lavrados sob argumento de omissão de receitas, sendo aplicada multa de ofício agravada no importe de 112,5% e, em relação à infração de falta de recolhimento, fora aplicada multa de 75%, sem prejuízo dos acréscimos legais pertinentes para os dois casos. Transcrevo o entendimento fiscal contido no Termo de Verificação Fiscal (fls. 140/142), reproduzido pelo relatório do acórdão recorrido da DRJ: a) Em 22/10/2009, compareceu o Fisco no endereço de cadastro da empresa na RFB, quando foi dada ciência do início da fiscalização; b) Em 08/12/2009, foi encaminhada, via postal, ao Sr. Sylvio de Almeida Júnior, sócio majoritário da empresa a cópia do Termo de Intimação 0001, a qual não chegou ao seu destino, em face de o interessado ter o seu domicílio cadastrado no sistema da RFB com o número errado; c) Em 04/02/2010, encaminhamos, via postal, para a sócia da empresa (10% do capital social), Sra. Cátia Cilene da Costa Santos, Termo de Intimação Fiscal lavrado nesta mesma data, recebido em seu domicílio fiscal, em 06/02/2010, sem que nenhuma resposta fosse apresentada; d) Uma vez não atendida a solicitação do Termo de Início, foi entregue, em 10/12/2009, a reiteração da intimação do termo n° 0001, sendo dada ciência ao Sr. Diamantino dos Santos Neto, que informou que seu cargo na empresa era de "atendente"; e) Nesta mesma data, a Sra. Débora Albernaz de Souza entregou nesta repartição pedido de prorrogação de prazo para apresentação da documentação solicitada, sem especificar qual seria o prazo pretendido e necessário ao atendimento. Posteriormente, em 05/01/2010, reiterou o pedido de prorrogação, solicitando 30 dias, o que foi atendido; f) Em meados de março de 2010, após diversas tentativas de agendar uma reunião com o sócio majoritário na sede da empresa, não foi possível, nem mesmo com o encaminhamento dos agentes fiscais até a empresa, o contato com os sócios; g) Na semana seguinte, compareceu nesta Equipe Fiscal o sócio majoritário, informando que se encontrava adoentado e que designaria o Sr. Diamantino para tomar as providências necessárias ao atendimento das intimações, que nunca ocorreu; h) Em 04/03/2010, foi solicitado ao Registro Civil das Pessoas Jurídicas cópia dos Atos Constitutivos e Alterações da empresa; i) Em 19/05/2010, foi a empresa cientificada da inclusão do ano-calendário de 2007 na ação fiscal, reiterando, ainda, as solicitações relativas ao ano-calendário de 2006, também não havendo qualquer resposta; j) Foi emitida Requisição de Movimentação Financeira (RMF), em 07/06/2010, encaminhada ao UNIBANCO; k) Com base na mencionada movimentação financeira, foi lavrado Termo de Intimação, em 08/07/2010, do qual consta como anexo relação dos extratos bancários dos anos de 2006 e 2007, realizados na conta corrente 100320-9, agência 7088, do UNIBANCO S/A, a fim de que o interessado comprovasse a origem dos depósitos realizados naquela conta, concedendo, para tanto, o prazo de 20 dias. Também não houve atendimento; l) Em 14/09/2010, o Fisco intimou as seguintes instituições financeiras, clientes do contribuinte, a fornecer relação de notas fiscais ou documentos equivalentes, juntamente com cópias das mesmas, relativas aos serviços prestados, no decorrer, tanto do ano de 2006 quanto de 2007: Banco BVA S/A - Anos de 2006 e 2007; Banco Sofisa S/A - Ano de 2007; Banco Pine S/A - Ano de 2007; m) Posteriormente, tendo em vista o atendimento incompleto por parte do Banco BVA S/A, foi este reintimado a apresentar os documentos não entregues ou a justificar os valores dos depósitos não comprovados, realizados para o contribuinte, conforme relação anexa e parte integrante do Termo de Intimação; n) Em sua resposta, datada de 05/11/2010, informou e comprovou que tais depósitos referiam-se a empréstimos tomados por servidores públicos junto ao Banco BVA S/A, conforme relação anexa e que foram depositados na conta da TOP LINE Ltda., com a finalidade de liquidar empréstimos tomados pelos mesmos servidores junto a outras instituições financeiras, conforme Termo de Liquidação de Empréstimos em Outra Instituição Financeira, também em anexo à resposta; o) Diante do exposto, e com base nos valores constantes no quadro de apuração dos valores a tributar, no qual se encontram totalizados, mensalmente, o faturamento da empresa, tomando por base valores dos depósitos bancários e onde também são lançados valores mensais declarados na Declaração Simplificada, foi apurado duas modalidades de valores a tributar: Sujeitos à multa qualificada de 150%, acrescida do percentual de agravamento, chegando a 225%, em face do não atendimento às intimações; e Sujeitos à multa de 75%, com o agravamento previsto também em função do não atendimento às intimações; p) Também foi lavrada a Representação Fiscal para Fins Penais, em decorrência dos ilícitos, em tese, praticados, bem como os Termos de Sujeição Passiva Solidária para os sócios Sylvio de Almeida Júnior e Cátia Cilene da Costa Santos, únicos sócios da empresa interessada. (grifamos) Contra a decisão, a contribuinte Top Line Ltda. e Cátia Cilene da Costa Santos apresentaram Impugnação (fl. 215/224) Preliminarmente, aduz a nulidade do Auto de Infração, por sua impropriedade e pela inexistência de justa causa para a lavratura, por entender que não infringiu nenhuma norma contrária ao ordenamento jurídico pátrio. Invoca o artigo 5º da Constituição Federal, pedindo pelo direito de ampla defesa. Discorrendo sobre a exclusão da contribuinte do SIMPLES, aponta que, nos termos da Lei Complementar nº 123/2006, na opção para o sistema, a adesão deve ser realizada no mês de janeiro, sendo irretratável para todo o ano-calendário, informação complementada pela Resolução CGSN nº 38 de 1º de Setembro de 2008, possibilitadora da utilização da receita bruta total recebida a partir de 1º.01.2009 para as Micro Empresas e Empresas de Pequeno Porte. Em caso de exclusão, esta é permitida até o último dia útil do mês de janeiro do ano-calendário subseqüente ao que se excedeu a receita bruta permitida, conforme Resolução CGSN nº 04 de 2007, artigo 12, I, o que, em seu entender, é representativo da ausência de justa causa para o prosseguimento do feito. No mérito, indica que a autuação não prospera, por sua contrariedade à legislação de regência do Simples, já a opção ao sistema é irretratável, o que indica violação da estrita legalidade, da anterioridade e da igualdade em matéria tributária. Aponta que o cálculo efetuado pelo fisco carece de veracidade, por não considerar, no total do imposto a pagar, o imposto devido em virtude de serviço executado, ressaltando que sua atuação é no ramo de financiamento de empréstimo, pelo que apenas recebe um percentual por funcionar como intermediador entre a Instituição Financeira e a pessoa física que requereu o empréstimo, e que por tais motivos, a tributação imposta teria caráter de confisco, afrontando o artigo 150, IV da Constituição Federal. Sobre o tema, invoca a doutrina de Roque Antonio Carrazza, de onde entende que, no caso de escrita fiscal imprestável, atrasada ou inexistente, contra a contribuinte será lavrado auto de infração com tributação pelo lucro arbitrado, com a ressalva de que, enquanto não tornado definitivo o lançamento,deve-se regularizar as demonstrações contábeis, recolhendo o imposto corretamente. Informa que pela legislação em vigor, no caso de empresas optantes pelo Simples, nos termos da Resolução CGSN nº 38 de 2008, somente a partir de 1º.01. 2009 é que tornou-se possível a utilização do regime de caixa, apontando que o período apurado no auto de infração sob discussão é relativo ao ano de 2006, onde a sujeição era tão somente ao regime de competência. Ainda, indica que a Sra. Débora Albernaz de Souza e o Sr. Diamantino dos Santos Neto nunca fizeram parte do Contrato Social da contribuinte e que, assim, nos termos do artigo 1.174 do Código Civil, os atos por eles praticados são nulos de pleno direito. Não obstante tais fatos, impugna a tributação por entender que não lhe pode ser negado o direito de demonstrar contabilmente o lucro real ou a existência de prejuízo, que o exima do lançamento. Insurgindo-se contra os valores tributados, indica que diferentemente do que apurou o fisco, os valores a serem considerados são os constantes das notas fiscais acostadas à impugnação, reflexo dos serviços prestados. Aponta que apresentou Declaração PJSI 2007, relativa ao ano-calendário de 2006, com os valores de acordo com o exigido pela legislação do Simples, motivo pelo qual pugna pelo afastamento do valor de R$ 8.453.154,82, referentes a supostos depósitos bancários em contas de sua titularidade. Invocando a questão da Responsabilidade Solidária, indica que sua escrita contábil não se encontra em dia, por ter seu contador Sr. Deolindo Gonçalves de Oliveira descumprido a obrigação assumida perante a contribuinte, fato que a Sra. Cátia Cilene da Costa Santos só teve ciência por ocasião da intimação dos autos de infração. Disto, entende que há responsabilidade solidária para com o responsável pela escrita fiscal por ato doloso, que deveria ser demandado neste feito, nos termos do artigo 1.177 do Código Civil. Aponta que a lavratura foi feita sem menção ao nome do contador, e que este seria a única pessoa capaz de elucidar divergências entre os valores apurados e poderia prestar informações sobre os livros fiscais. Traz o artigo 128 do CTN, indicativo da atribuição de responsabilidade a terceiro, mencionando doutrina de Luiz Alberto Gurgel de Faria e José Alexandre Zapatero sobre o tema. Prossegue, apontando que são necessárias duas condições para a responsabilidade de terceiro, que a obrigação não possa mais ser cumprida pelo próprio contribuinte e que o terceiro tenha participado do ato que configure o fato gerador do tributo, ou tenha se omitido indevidamente. Nos termos do artigo 135 do CTN, entende que responsabilidade nestes moldes só é admitida quando houve atuação com excesso de poderes ou em infração à lei, ao contrato social ou aos estatutos. Destaca que a sócia minoritária, Cátia Cilene, que detém 10% do Capital Social, não poderia responder pela dívida que não deu causa. Indica ser pacífico na jurisprudência que a omissão no pagamento, por si só não acarreta a responsabilidade pessoal, trazendo o artigo 136 do CTN quanto as infrações, invocando o Princípio da Capacidade Contributiva contido no artigo 145, §1º. Salienta ainda que, quando houve a intimação da Sra. Cátia, esta havia entregue o Termo de Intimação Fiscal nº 01 ao sócio Majoritário Sr. Sylvio de Almeida Júnior, que informou que trataria de tudo e que ela não precisaria se preocupar, porque estava tudo sobre controle. Assim, requer prazo legal para dar regularidade à escrituração contábil e a conseqüente apuração do IRPJ e reflexos. Invoca o Princípio da Especialidade em relação às contribuições devidas ao INSS, impugnando o lançamento destas, pois entende que o sistema do Simples instituiu tratamento diferenciado aos seus optantes, motivo pelo qual, em virtude de atos praticados no ano- calendário de 2006, só poderia ser excluída em 2007, trazendo jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça que entende amparar seu entendimento. Requer o afastamento da taxa Selic como juros moratórios, invocando, inicialmente, neste sentido o artigo 37 da Constituição Federal, requerendo a aplicação do Princípio da Estrita Legalidade tributária e da Segurança Jurídica. Aponta que aludida taxa é aplicável exclusivamente às relações praticadas no âmbito do sistema financeiro nacional e que não fora criada com fins tributários, mas sim para remunerar títulos públicos e que, sua utilização é indevida e carente de amparo legal para as relações tributárias, motivos que amparam a declaração da ilegalidade de sua utilização como quer o fisco. Traz doutrina de José Alexandre Zapatero, que indica que a utilização da taxa Selic contraria às disposições do artigo 161, §1º do CTN, por este possuir natureza de Lei Complementar. Acosta ainda decisões do STJ e STF neste sentido. Assim, requer o recebimento da impugnação, com a concessão de efeito suspensivo e ao final cancelando-se o débito fiscal reclamado. Pede pelo deferimento do prazo de 6 meses para contabilização da movimentação financeira e lançamento de imposto por parte da sócia Sra. Cátia Cilene da Costa Santos ou que, em caso de indeferimento, que eventual condenação seja restrita ao percentual de participação societária desta, no caso, 10% do capital social. Por fim, pugna pelo parcelamento de débito fiscal apurado, no máximo permitido pela legislação em vigor. A 4ª Turma da DRJ/RJ1, ao julgar o feito no acórdão nº 1236.831 (fls. 334/361), entende ser o lançamento procedente. Afasta a alegação trazida pela contribuinte sobre o equívoco no preenchimento da DIPJ 2007 fora causado pelo escritório de contabilidade, devendo a esta empresa ser atribuída a responsabilidade com base no artigo 1.177 do Código Civil e no artigo 135 do CTN, eis que, na relação jurídica tributária estabelecida entre o fisco e a empresa, esta é tida como sujeito passivo da obrigação, nos termos do artigo 121 do CTN. Indica no caso concreto a inexistência de previsão legal de atribuição de responsabilidade tributária ao escritório de contabilidade, e que, ainda que houvesse algum contrato particular entre a contribuinte e o escritório que lhe prestava serviços de modo a transferir a responsabilidade tributária, tal avença seria tida como inexistente perante a Fazenda Pública, não produzindo qualquer efeitos, nos termos do artigo 123 do CTN. Nesse sentido, aponta jurisprudência do Conselho de Contribuintes (Recurso 087405 Primeira Câmara do Conselho de Contribuintes). Afasta ainda a incidência do Código Civil à relação, eis que a discussão no presente feito é regida por regras de direito público, previstas no Direito Administrativo e Tributário. Analisando o requerimento de exclusão da responsabilidade tributária imputado à sócia da empresa Cátia Cilene da Costa Santos, por sua qualidade de sócia minoritária e por ter o outro sócio afirmado que cuidaria de tudo, indica que a referida senhora, junto com o Sr. Sylvio de Almeida Junior eram sócios e responsáveis pelas obrigações assumidas pela empresa, fossem as principais ou as acessórias, conforme o artigo 135, II e III e artigo 137, I, todos do CTN. Assinala sua adesão ao entendimento de que a responsabilidade tributária, ainda que pessoal do autor do ato praticado com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, não afasta a responsabilidade da pessoa jurídica, citando Luiz Alberto Gurgel de Faria e trazendo também a opinião de Hugo de Brito Machado. Afirma que, ainda que haja a imputação de responsabilidade pessoal aos indicados nos incisos do artigo 135 do CTN, não se afasta a responsabilidade da contribuinte autuada pela aludida responsabilização pessoal, havendo na hipótese solidariedade e dando maior garantia do recebimento do crédito tributário. Deve-se considerar, portanto, correta a inclusão dos descritos no artigo 135 do CTN, justificando o julgador a conjugação do citado artigo com os artigos 9º e 58 da Lei nº 9.784/1999, com observância da Portaria RFB nº 2.284/2010. Prosseguindo sobre o tema, discorre sobre o que seria infração a lei, permissiva da responsabilidade. Aponta que o CTN não indica a lei a ser infringida para imputar a responsabilidade das pessoas indicadas no artigo 135, e que, em seu entender, é indubitável que a falta de recolhimento do tributo, constitui, por si só, uma ilicitude, porquanto configura o descumprimento de um dever jurídico decorrente de diversas leis tributárias, acostando decisões do Poder Judiciário que entende ampararem sua pretensão. Indica ainda que a aludida responsabilidade é subjetiva, e portanto, é imprescindível a demonstração de culpa a quem esta fora imputada. Acresce que a responsabilidade tributária também fora fundamentada no artigo 137, I do CTN, pela fiscalização, apontando que este dispositivo atribui a responsabilidade pessoal ao agente em caso de serem as infrações tidas como crime ou contravenções, excetuando-se destes o exercício regular da administração. Traz doutrina de Renato Lopes Becho sobre o tema. Assim, entende que é dever dos sócios saldar as obrigações inerentes a empresa, não havendo de se falar em exclusão da responsabilidade da Sra. Cátia Cilene, especialmente em razão da omissão do sócio gerente, Sr. Sylvio, pelo que também rejeita o pedido de exclusão da responsabilidade solidária. Prossegue indicando que se deve afastar a alegação de nulidade dos atos praticados por Débora Albernaz de Souza e por Diamantino dos Santos Neto, invocada pela não participação destes no contrato social, já que a ciência dos termos de intimação tomadas por empregado do interessado é válida. Ainda, aponta que aludidas pessoas exerciam, ao menos em aparência, alguma função na empresa, eis que as intimações foram efetuadas de forma pessoal (na sede da empresa) e, ante a teoria da aparência, estes estavam autorizados a receber intimações para apresentação de documentos inerente ao prosseguimento da investigação fiscal, pelo que considera válidas as intimações efetuadas pela fiscalização. Afasta também o pleito de concessão de prazo para juntada de escrituração contábil, por entender que já houve tempo hábil para a prática de tal ato e para apresentação das justificativas para afastar a imputação fiscal e que, se fosse impossível a apresentação dos aludidos documentos na impugnação, poderia trazê-los até antes do julgamento nos termos do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Traz ainda doutrina contida no livro Nulidades no Processo Penal, de Ada Pellegrini Grinover, Antônio Scarance Fernandes e Antônio Magalhães Gomes Filho, cujos preceitos aplicam-se subsidiariamente ao Processo Administrativo Tributário. Disto, entende que na ausência de demonstração do prejuízo causado à defesa e ante a inércia do interessado, afastando alegação de cerceamento de defesa e rejeitando a preliminar de nulidade examinada. Em relação à apreciação de inconstitucionalidade, indica que esta não pode ser efetuada na esfera administrativa, por ultrapassar os limites de sua competência legal, como dispõe o Parecer Normativo CST nº 329/1970. Neste passo, indica que as Delegacias da Receita Federal de Julgamento, como órgão de jurisdição administrativa, restringem sua atuação ao exame de adequação dos atos praticados dos agentes com a lei e atos administrativos competentes, nos termos do artigo 7º da Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006, de onde entende que a autoridade administrativa cabe aplicar a legislação, sem emitir juízo de valor sobre a constitucionalidade ou outros aspectos da validade, função restrita ao Poder Judiciário. Traz jurisprudência dos Colegiados Administrativos sobre a questão, especialmente a Súmula nº 2 do Primeiro Conselho de Contribuintes. Tal situação é excepcionada pela existência de decisão em processo judicial que a interessada tenha participado ou de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, nos termos do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997, afastando assim a arguição da contribuinte. Ao analisar a questão da omissão de receitas apurada por depósitos bancários de origem não comprovada, indica que há presunção deste fato, eis que é independente da contabilização dos depósitos e da qualidade de escrituração, nos termos do artigo 42 da Lei nº 9430/1996. Aponta que o mesmo entendimento é dado pela jurisprudência administrativa, colacionando decisão. Assim, entende que referidos valores, devidamente apurados, constituem fato gerador do imposto de renda, nos termos do artigo 43 do CTN. Indica que, com a edição da Lei nº 9430/96, houve no artigo 42 a regulamentação da tributação com base em depósitos bancários. Neste caso, após regular intimação, se não houver comprovação da origem dos recursos, o fisco possui autorização para proceder ao lançamento destes valores como omissão de receitas, indicando ainda que se comprovado que aludido numerário fora proveniente de receitas de Pessoa Jurídica sem que fossem levados à conta de resultado, estes devem ser submetidos à tributação específica. Aponta que a hipótese é caso de presunção legal de omissão de receitas, onde o ônus da prova é expressamente transferido à contribuinte. Cita doutrina de José Luiz bulhões Pedreira. No caso concreto, após fiscalização e regular intimação pelo fisco, não houve comprovação por documentos hábeis e idôneos que apontassem os valores contidos na receita bruta e origem dos créditos da conta-corrente examinada, de modo a afastar a presunção legal. Citando o artigo 923 do RIR/99, indica a necessidade de comprovação das alegações por documentos hábeis. Ante a situação, de não comprovação da origem dos recursos em suas contas, entende perfeitamente cabível a autuação com base no artigo 42 da Lei nº 9430/1996. Traz jurisprudência administrativa que entende amparar suas considerações. Após a autuação, com o surgimento de nova base de cálculo, necessário o ajuste percentual ante a nova receita bruta, resultando na infração de Insuficiência de Recolhimento. Ao analisar a exclusão da interessada do Simples no ano de 2006, aponta como correto o entendimento do contribuinte, já que em 2006 não houve exclusão da interessada do Simples, mencionando que os autos de infração foram lavrados sob a ótica simplificada, havendo a participação de receitas para cada tributo de abrangência do DARF recolhido sob código de receita 6106 (SIMPLES) faz alusão. Indica que pela legislação pertinente ao SIMPLES (Lei nº 9317/1996), a mudança da base de cálculo até o limite atribuído à Empresa de Pequeno Porte (EPP), possui um percentual sobre a receita bruta e sobre ele incide as participações para cada tributo/contribuição, estando entre eles a contribuição para o INSS. Assim, entende por correta a aplicação da legislação pela fiscalização, eis que houve o ajuste das bases de cálculo relativas às infrações apuradas, utilizando para o cálculo do tributos/contribuições devidos os percentuais previstos na legislação, indicando que a exclusão do Sistema SIMPLES só deveria surtir efeitos para o ano-calendário subseqüente à ocorrência do fato gerador, no caso 2007. Em relação a aplicação da taxa SELIC, que a interessada busca afastar no presente feito, entende que quanto aos percentuais de juros devem ser utilizados como parâmetro o CTN, artigo 161, §1º, e o artigo 61 da Lei nº 9430/1996. Da conjugação de tais dispositivos, decide que débitos a favor da União, decorrentes de tributos e contribuições, de competência da SRF, sujeitam-se aos juros de mora equivalentes aos da taxa Selic (a partir de 1º de janeiro de 1997), acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% no mês de pagamento, tendo o lançamento se adstrito à legislação em vigor sobre o tema. Ainda, indica que a utilização da taxa Selic possui entendimento pacífico na jurisprudência do Conselho de Contribuintes, especialmente ante o teor do Enunciado nº 4 por ela expedido, o que leva a decisão recorrida a reconhecer como corretos os autos de infração inclusive em relação aos juros de mora. Analisa a questão da imposição da penalidade agravada e qualificada, invocando de início, o teor do artigo 44, inciso I, §1º e 2º, da Lei n° 9.430/1996 e a justificativa da duplicação de percentual, conforme disposição dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. Indica que foram emitidas diversas intimações para a empresa e seus sócios, que, em resposta tentaram desqualificar o trabalho fiscal, o que para o julgador só reforça o escopo de obstruir a atuação do fisco. Entende que, quanto à infração de omissão de receitas, a tentativa por parte dos sócios da empresa de impedir o Fisco de concluir o seu trabalho, em face da ausência de respostas às intimações, bem como das mudanças de endereço da empresa e do sócio majoritário e da tentativa de desqualificação dos funcionários quando do recebimento das intimações, somando-se a isso o fato de que as discrepâncias entre os valores declarados na DIPJ e àqueles constantes nos extratos bancários da conta corrente da empresa interessada, leva à manutenção da qualificação da multa bem como do seu agravamento, devendo ser mantido o percentual de 225% para estes casos, conforme o disposto nos autos de infração. O Recurso Voluntário da Sra. Cátia Cilene da Costa Santos contra à decisão foi apresentado em 07.08.12. Invocando a Responsabilidade Solidária dos Sócios contida no artigo 135, III do CTN, destaca de início, que ao determinar a responsabilidade ao responsável tributário, seria caracterizadora de despersonalização da pessoa jurídica, nas hipóteses ali listadas, sem as quais, não haveria de se falar em desconsideração da personalidade jurídica. Informa que passou a integrar a empresa autuada como sócia minoritária (com averbação na matricula em 5.10.2006), sendo que o outro sócio, Sylvio de Almeida Júnior, ocupava o cargo de Presidente e sócio majoritário responsável por responder pela sociedade ativa e passivamente, em juízo ou fora dela. Indica que os administradores, independente da sua responsabilidade pela integralização do capital social se forem sócios, somente respondem por obrigações tributárias contraídas no período de sua gestão, nos termos do artigo 128 do CTN. Destaca neste ponto, que, embora fizesse parte do grupo societário à época dos fatos geradores aqui discutidos, não há provas de que tenha participado dos atos de gerência, tampouco agindo com o excesso de poder ou infração à lei ou ao estatuto, não havendo o que contestar quanto a cobrança de débitos ocorridos em período anterior a sua entrada na empresa. Informa ainda que nunca praticou ou exerceu ato de administração na empresa, justificando tal fato com informações trazidas com a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ano-calendário 2007, onde aparece como responsável e representante o Sr. Sylvio de Almeida Junior, igualmente indicado com 90% dos rendimentos dos sócios, tendo a recorrente apenas 10% do capital social. Aponta que toda a ação fiscal se deu com conhecimento e participação direta do Sr. Sylvio, e feito à revelia da recorrente. Traz também a informação contida em fls. 31-103 (laudo do Banco Unibanco), onde os representantes são Sr. Jorge dos Santos e o Sr. Sylvio. Ante tais fatos, é claro que a efetiva gerência e administração do negócio eram de responsabilidade do sócio majoritário, configurando seu CPF como o de responsável pela empresa Top Line Ltda. Por conta disto, entende a recorrente que não se deve imputar responsabilidade a ela, que detém somente o poder de direito, mas não de fato, por não possuir autonomia para exercer gerência na sociedade devedora, especialmente porque não há quaisquer indícios de que teria incorrido nas hipóteses previstas no artigo 135, III, do CTN. Destaca que, ante o caso concreto, que só é possível a inclusão no pólo passivo da ação fiscal acionista com poder de controle da empresa. Traz jurisprudência do STJ, informativa da necessidade de configuração de atos praticados com excesso de poderes, infração à lei, contrato social ou estatuto para inclusão de sócio nos débitos. Prossegue, informando quanto à dissolução irregular da sociedade, que conforme entendimentos jurisprudenciais, a responsabilidade só pode ser atribuída ao administrador que exerce de fato poderes de gerência na sociedade e, não havendo condutas ao arrepio da lei, não há de se falar em responsabilização pessoal dos dirigentes. Ainda, indica que, em caso de desconsideração da personalidade jurídica, esta deve ser feita em função do poder de controle societário, devendo recair sobre tais membros esta responsabilização, que não pode ser imposta devido somente à condição de cotista. Diz também que a mera qualidade de administrador também não é suficiente, sendo necessário que este atue com poder de gerência e que conduza a sociedade a atos infringentes de lei, contrato social ou estatutos. Traz doutrina de Bernardo Ribeiro Moraes. Pugna pela ocorrência de cerceamento de defesa, aduzindo, de início, que para a efetivação plena da defesa e do contraditório, o auto de infração deve ser lógico, objetivo, preciso e explícito, devendo capitular corretamente os dispositivos tidos como infringidos. Assim, em face da total ausência de participação da recorrente nos negócios da empresa, esta se viu com seus direitos cerceados devido à falta de informação sobre os acontecimentos que geraram a lavratura do auto de infração.... Invoca o artigo 5º, LIV e LV da Constituição Brasileira e lições de Magalhães Noronha. Aduz que é inconcebível sua inclusão no pÓlo passivo, porque sempre zelou por suas obrigações fiscais, e que os atos praticados contra ela encontram-se eivados de vícios e com cerceamento à sua defesa e que nada deve ao fisco. Invoca exagero na penalidade aplicada, eis que o Fisco teria aplicado multa agravada de 225%, apenas baseando-se em presunções quanto ao aludido evidente intuito de fraude, sem que houvesse esta comprovação, especialmente em relação às ações da requerente, informando que, em casos onde ocorre fraude, o dolo deve ser comprovado de maneira inquestionável, o que não ocorreu no caso presente. Indica que é função das autoridades fiscais zelar pela primazia da lei, devendo manter estreita relação com os fatos que efetivamente ocorreram. Disto, indica que nada do que fora relatado no Auto de Infração aponta para conduta dolosa ou intuito de fraude, sem que ainda haja prova documental que justificasse a aplicação da multa qualificada, imposta em valor exorbitante. Traz jurisprudência administrativa, que demonstra a necessidade de perquirir, na situação concreta, a ocorrência de dolo ou culpa do agente. Ressalta, quanto ao valor da penalidade, a necessidade de respeito de proporcionalidade entre o dano e o ressarcimento, conforme magistério de Sacha Calmon Navarro. Pelo exposto, pugna pela nulidade dos autos, pela ocorrência de vícios insanáveis, especialmente quanto à prova das alegações, pela imposição de multa agravada indevidamente aplicada e pela arbitrária inclusão da recorrente no pólo passivo. Traz jurisprudência administrativa sobre o tema, sem citar fontes. Aponta que o lançamento, por ser ato administrativo, pode ser nulo ou anulável, mas não revogado, como reza o entendimento Supremo Tribunal Federal, contido na Súmula nº 473. Informa que o ato será nulo na ocorrência de vício profundo que comprometa o ato administrativo, com efeitos ex-tunc. Explana também sobre o ato anulável e as razoes de sua anulabilidade, para por fim, entender por inconcebível a cobrança efetuada pelo auto de infração discutido. Ainda, aduz que o débito fiscal aqui discutido afronta a razoabilidade e a proporcionalidade, motivo pelo qual não merece prosperar. Busca o provimento do recurso para que seja acatada a integralidade da impugnação e a exclusão da recorrente Cátia Cilene da Costa do pólo passivo do processo, por não ser qualificada como responsável tributária, nos termo do artigo 135, III do CTN. É o relatório. VOTO Como já relatado, o presente processo trata de lançamento fiscal para exigência dos tributos sujeitos à sistemática do SIMPLES, face a ocorrência da presunção de omissão de receitas (artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996) ao ser constatado, pela fiscalização, a existência de movimentação financeira bancária, em nome da empresa, sem comprovação da origem. Como consta do Termo de Verificação Fiscal, fls 231, ao Unibanco S/A foi solicitado apresentar os extratos com a movimentação financeira bancária mediante a emissão, pela autoridade fiscal, de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira-RMF, nos termos do artigo 6° da Lei Complementar n° 105, de 2001, regulamentado pelo Decreto n° 3.724, de 2001. A recorrente não se manifestou acerca da matéria relativa à licitude da obtenção dos extratos bancários que serviram de base para a apuração da presunção de omissão de receitas. Todavia, em que pese existir autorização legal para a requisição desses extratos bancários diretamente às instituições financeiras, discute-se atualmente no Supremo Tribunal Federal-STF a constitucionalidade da quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, matéria examinada em sede do Recurso Extraordinário-RE 601314, o qual teve sua repercussão geral reconhecida em 23/10/2009. Pela consulta efetuada no sítio do STF na internet, revela que o processo ainda aguarda julgamento do mérito assim registrado: RE 601314 RG / SP - SÃO PAULO REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI Julgamento: 22/10/2009 Publicação DJe-218 DIVULG 19-11-2009 PUBLIC 20-11-2009 EMENT VOL-02383-07 PP-01422 EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Cármen Lúcia e Cezar Peluso. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI Relator (destaquei) Como se trata de matéria com repercussão geral reconhecida, parece ser razoável, e prudente, aguardar a decisão da E. Suprema Corte acerca da constitucionalidade dos meios de prova obtidos no presente processo (extratos bancários), evitando-se, assim, a anulação do lançamento por vício na obtenção das provas. O Regimento Interno do STF- RISTF, em seu art. 328, abaixo reproduzido, determina que todos os demais recursos extraordinários, com questão idêntica, sejam sobrestados, até que o Supremo Tribunal Federal decida os que tenham sido selecionados como representativos da causa: Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzir-se em múltiplos feitos, a Presidência do Tribunal ou o(a) Relator(a), de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543-B do Código de Processo Civil, podendo pedir-lhes informações, que deverão ser prestadas em cinco dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a Presidência do Tribunal ou o(a) Relator(a) selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543-B do Código de Processo Civil. Art. 328-A. Nos casos previstos no art. 543-B, caput, do Código de Processo Civil, o Tribunal de origem não emitirá juízo de admissibilidade sobre os recursos extraordinários já sobrestados, nem sobre os que venham a ser interpostos, até que o Supremo Tribunal Federal decida os que tenham sido selecionados nos termos do § 1º daquele artigo. (destaque meus) Da leitura acima, percebe-se que a própria Corte Superior determina o sobrestamento dos processos judiciais em trâmite na esfera daquele poder até decisão final, pelo Supremo Tribunal Federal, da matéria com repercussão geral. Isso decorre em razão do atendimento aos princípios da eficiência e da economia processual com o objetivo de melhor atender ao interesse público. Assim, por uma questão de economia processual, tendo como objetivo afastar possíveis prejuízos para todas as partes, Fazenda, Contribuinte e a movimentação de toda a máquina do próprio Poder Judiciário, caso ocorra a impetração de alguma ação judicial a respeito da exigência aqui discutida, tem-se como mais do que razoável, e prudente, aguardar a decisão do E. Supremo Tribunal Federal acerca da licitude da obtenção dos extratos bancários, evitando-se possível anulação do processo por vício na obtenção das provas. Com efeito, o artigo 62-A, §1º do RICARF (Portaria MF nº 256, de 22 de Junho de 2009 e alterações), estabelece o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria: Art. 62-A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543-B. {2} Já a Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, no seu art. 2º, § 2o, inciso I, prevê a hipótese de que o sobrestamento seja apreciado durante a sessão de julgamento: Art. 2o. Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsuma-se, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1o. § 1o. No caso da identificação se verificar antes da sessão de julgamento do processo: I- o conselheiro relator deverá elaborar requerimento fundamentado ao Presidente da respectiva Turma, sugerindo o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; II- o Presidente da Turma, com base na competência de que trata o art. 17, caput e inciso VII, do Anexo II do RICARF, determinará, por despacho: a)o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; ou b)o julgamento do recurso na situação em que o processo se encontra. § 2o. Sendo suscitada a hipótese de sobrestamento durante a sessão de julgamento do processo, o incidente deverá ser julgado pela Turma, que poderá: I- decidir pelo sobrestamento do processo do julgamento do recurso, mediante resolução; ou II- recusar o sobrestamento e realizar o julgamento do recurso. § 3o. Na ocorrência de sobrestamento, nos termos dos §§ 1o e 2o, as respectivas Secretarias de Câmara deverão receber os processos e mantê-los em caixa específica, movimentando-os para a atividade SOBRESTADO. (grifei) Por tratar-se de matéria a ser apreciada pelo E. Supremo Tribunal Federal no rito da Repercussão Geral (licitude da obtenção dos extratos bancários), o próprio RICARF recomenda o sobrestamento do processo (art. 62-A, § 1º do RICARF), sendo que essa hipótese poderá ser apreciada durante a sessão de julgamento Turma de julgamento, nos termos do art. 2º, § 2o, inciso I, da Portaria CARF nº 001, de 2012. Em vista do exposto, proponho que seja determinado o sobrestamento do julgamento do recurso voluntário, até que seja proferida decisão nos autos do Recurso Extraordinário-RE 601314, em trâmite perante o E. Supremo Tribunal Federal. (documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta, relatora
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em determinar o sobrestamento do julgamento do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente Substituto (documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Carlos Mozart Barreto Vianna, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Gilberto Baptista e Orlando Jose Gonçalves Bueno. Relatório Contra o contribuinte TOP LINE LTDA. (CNPJ 05.278.871/000195), foram lavrados Autos de Infração, com base na sistemática do SIMPLES, em relação aos tributos: IRPJ (fls. 145/162) – R$ 83.514,89; contribuição ao PIS (fls. 163/169) – R$ 60.978, 90; CSLL (fls. 170/179) – R$ 84.588,01; Cofins (fls. 180/189) – R$ 248.133,31 Contribuição Social para o INSS relativa ao Simples – (fls. 190/199) – R$ 715.822,50. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 52 .0 00 99 0/ 20 10 -7 7 Fl. 419DF CARF MF Processo nº 11052.000990/201077 Resolução nº 1202000.195 S1C2T2 Fl. 3 2 Referidos autos de infração foram lavrados sob argumento de omissão de receitas, sendo aplicada multa de ofício agravada no importe de 112,5% e, em relação à infração de falta de recolhimento, fora aplicada multa de 75%, sem prejuízo dos acréscimos legais pertinentes para os dois casos. Transcrevo o entendimento fiscal contido no Termo de Verificação Fiscal (fls. 140/142), reproduzido pelo relatório do acórdão recorrido da DRJ: “a) Em 22/10/2009, compareceu o Fisco no endereço de cadastro da empresa na RFB, quando foi dada ciência do início da fiscalização; b) Em 08/12/2009, foi encaminhada, via postal, ao Sr. Sylvio de Almeida Júnior, sócio majoritário da empresa a cópia do Termo de Intimação 0001, a qual não chegou ao seu destino, em face de o interessado ter o seu domicílio cadastrado no sistema da RFB com o número errado; c) Em 04/02/2010, encaminhamos, via postal, para a sócia da empresa (10% do capital social), Sra. Cátia Cilene da Costa Santos, Termo de Intimação Fiscal lavrado nesta mesma data, recebido em seu domicílio fiscal, em 06/02/2010, sem que nenhuma resposta fosse apresentada; d) Uma vez não atendida a solicitação do Termo de Início, foi entregue, em 10/12/2009, a reiteração da intimação do termo n° 0001, sendo dada ciência ao Sr. Diamantino dos Santos Neto, que informou que seu cargo na empresa era de "atendente"; e) Nesta mesma data, a Sra. Débora Albernaz de Souza entregou nesta repartição pedido de prorrogação de prazo para apresentação da documentação solicitada, sem especificar qual seria o prazo pretendido e necessário ao atendimento. Posteriormente, em 05/01/2010, reiterou o pedido de prorrogação, solicitando 30 dias, o que foi atendido; f) Em meados de março de 2010, após diversas tentativas de agendar uma reunião com o sócio majoritário na sede da empresa, não foi possível, nem mesmo com o encaminhamento dos agentes fiscais até a empresa, o contato com os sócios; g) Na semana seguinte, compareceu nesta Equipe Fiscal o sócio majoritário, informando que se encontrava adoentado e que designaria o Sr. Diamantino para tomar as providências necessárias ao atendimento das intimações, que nunca ocorreu; h) Em 04/03/2010, foi solicitado ao Registro Civil das Pessoas Jurídicas cópia dos Atos Constitutivos e Alterações da empresa; i) Em 19/05/2010, foi a empresa cientificada da inclusão do ano calendário de 2007 na ação fiscal, reiterando, ainda, as solicitações relativas ao anocalendário de 2006, também não havendo qualquer resposta; j) Foi emitida Requisição de Movimentação Financeira (RMF), em 07/06/2010, encaminhada ao UNIBANCO; k) Com base na mencionada movimentação financeira, foi lavrado Termo de Intimação, em 08/07/2010, do qual consta como anexo Fl. 420DF CARF MF Processo nº 11052.000990/201077 Resolução nº 1202000.195 S1C2T2 Fl. 4 3 relação dos extratos bancários dos anos de 2006 e 2007, realizados na conta corrente 1003209, agência 7088, do UNIBANCO S/A, a fim de que o interessado comprovasse a origem dos depósitos realizados naquela conta, concedendo, para tanto, o prazo de 20 dias. Também não houve atendimento; l) Em 14/09/2010, o Fisco intimou as seguintes instituições financeiras, clientes do contribuinte, a fornecer relação de notas fiscais ou documentos equivalentes, juntamente com cópias das mesmas, relativas aos serviços prestados, no decorrer, tanto do ano de 2006 quanto de 2007: • Banco BVA S/A Anos de 2006 e 2007; • Banco Sofisa S/A Ano de 2007; • Banco Pine S/A Ano de 2007; m) Posteriormente, tendo em vista o atendimento incompleto por parte do Banco BVA S/A, foi este reintimado a apresentar os documentos não entregues ou a justificar os valores dos depósitos não comprovados, realizados para o contribuinte, conforme relação anexa e parte integrante do Termo de Intimação; n) Em sua resposta, datada de 05/11/2010, informou e comprovou que tais depósitos referiamse a empréstimos tomados por servidores públicos junto ao Banco BVA S/A, conforme relação anexa e que foram depositados na conta da TOP LINE Ltda., com a finalidade de liquidar empréstimos tomados pelos mesmos servidores junto a outras instituições financeiras, conforme Termo de Liquidação de Empréstimos em Outra Instituição Financeira, também em anexo à resposta; o) Diante do exposto, e com base nos valores constantes no quadro de apuração dos valores a tributar, no qual se encontram totalizados, mensalmente, o faturamento da empresa, tomando por base valores dos depósitos bancários e onde também são lançados valores mensais declarados na Declaração Simplificada, foi apurado duas modalidades de valores a tributar: • Sujeitos à multa qualificada de 150%, acrescida do percentual de agravamento, chegando a 225%, em face do não atendimento às intimações; e • Sujeitos à multa de 75%, com o agravamento previsto também em função do não atendimento às intimações; p) Também foi lavrada a Representação Fiscal para Fins Penais, em decorrência dos ilícitos, em tese, praticados, bem como os Termos de Sujeição Passiva Solidária para os sócios Sylvio de Almeida Júnior e Cátia Cilene da Costa Santos, únicos sócios da empresa interessada.” (grifamos) Contra a decisão, a contribuinte Top Line Ltda. e Cátia Cilene da Costa Santos apresentaram Impugnação (fl. 215/224) Preliminarmente, aduz a nulidade do Auto de Infração, por sua impropriedade e pela inexistência de justa causa para a lavratura, por entender que não infringiu nenhuma Fl. 421DF CARF MF Processo nº 11052.000990/201077 Resolução nº 1202000.195 S1C2T2 Fl. 5 4 norma contrária ao ordenamento jurídico pátrio. Invoca o artigo 5º da Constituição Federal, pedindo pelo direito de ampla defesa. Discorrendo sobre a exclusão da contribuinte do SIMPLES, aponta que, nos termos da Lei Complementar nº 123/2006, na opção para o sistema, a adesão deve ser realizada no mês de janeiro, sendo irretratável para todo o anocalendário, informação complementada pela Resolução CGSN nº 38 de 1º de Setembro de 2008, possibilitadora da utilização da receita bruta total recebida a partir de 1º.01.2009 para as Micro Empresas e Empresas de Pequeno Porte. Em caso de exclusão, esta é permitida até o último dia útil do mês de janeiro do ano calendário subseqüente ao que se excedeu a receita bruta permitida, conforme Resolução CGSN nº 04 de 2007, artigo 12, I, o que, em seu entender, é representativo da ausência de justa causa para o prosseguimento do feito. No mérito, indica que a autuação não prospera, por sua contrariedade à legislação de regência do Simples, já a opção ao sistema é irretratável, o que indica violação da estrita legalidade, da anterioridade e da igualdade em matéria tributária. Aponta que o cálculo efetuado pelo fisco carece de veracidade, por não considerar, no total do imposto a pagar, o imposto devido em virtude de serviço executado, ressaltando que sua atuação é no ramo de “financiamento de empréstimo”, pelo que “apenas recebe um percentual por funcionar como intermediador entre a Instituição Financeira e a pessoa física que requereu o empréstimo”, e que por tais motivos, a tributação imposta teria caráter de confisco, afrontando o artigo 150, IV da Constituição Federal. Sobre o tema, invoca a doutrina de Roque Antonio Carrazza, de onde entende que, no caso de escrita fiscal imprestável, atrasada ou inexistente, contra a contribuinte será lavrado auto de infração com tributação pelo lucro arbitrado, com a ressalva de que, enquanto não tornado definitivo o lançamento,devese regularizar as demonstrações contábeis, recolhendo o imposto corretamente. Informa que pela legislação em vigor, no caso de empresas optantes pelo Simples, nos termos da Resolução CGSN nº 38 de 2008, somente a partir de 1º.01. 2009 é que tornouse possível a utilização do regime de caixa, apontando que o período apurado no auto de infração sob discussão é relativo ao ano de 2006, onde a sujeição era tão somente ao regime de competência. Ainda, indica que a Sra. Débora Albernaz de Souza e o Sr. Diamantino dos Santos Neto nunca fizeram parte do Contrato Social da contribuinte e que, assim, nos termos do artigo 1.174 do Código Civil, os atos por eles praticados são nulos de pleno direito. Não obstante tais fatos, impugna a tributação por entender que não lhe pode ser negado o direito de demonstrar contabilmente o lucro real ou a existência de prejuízo, que o exima do lançamento. Insurgindose contra os valores tributados, indica que diferentemente do que apurou o fisco, os valores a serem considerados são os constantes das notas fiscais acostadas à impugnação, reflexo dos serviços prestados. Aponta que apresentou “Declaração PJSI 2007”, relativa ao anocalendário de 2006, com os valores de acordo com o exigido pela legislação do Simples, motivo pelo qual pugna pelo afastamento do valor de R$ 8.453.154,82, referentes a supostos depósitos bancários em contas de sua titularidade. Invocando a questão da Responsabilidade Solidária, indica que sua escrita contábil não se encontra em dia, por ter seu contador – Sr. Deolindo Gonçalves de Oliveira – Fl. 422DF CARF MF Processo nº 11052.000990/201077 Resolução nº 1202000.195 S1C2T2 Fl. 6 5 descumprido a obrigação assumida perante a contribuinte, fato que a Sra. Cátia Cilene da Costa Santos só teve ciência por ocasião da intimação dos autos de infração. Disto, entende que há responsabilidade solidária para com o responsável pela escrita fiscal por ato doloso, que deveria ser demandado neste feito, nos termos do artigo 1.177 do Código Civil. Aponta que a lavratura foi feita sem menção ao nome do contador, e que este seria a única pessoa capaz de elucidar divergências entre os valores apurados e poderia prestar informações sobre os livros fiscais. Traz o artigo 128 do CTN, indicativo da atribuição de responsabilidade a terceiro, mencionando doutrina de Luiz Alberto Gurgel de Faria e José Alexandre Zapatero sobre o tema. Prossegue, apontando que são necessárias duas condições para a responsabilidade de terceiro, que a obrigação não possa mais ser cumprida pelo próprio contribuinte e que o terceiro tenha participado do ato que configure o fato gerador do tributo, ou tenha se omitido indevidamente. Nos termos do artigo 135 do CTN, entende que responsabilidade nestes moldes só é admitida quando houve atuação com excesso de poderes ou em infração à lei, ao contrato social ou aos estatutos. Destaca que a sócia minoritária, Cátia Cilene, que detém 10% do Capital Social, não poderia responder pela dívida que não deu causa. Indica ser pacífico na jurisprudência que a omissão no pagamento, por si só não acarreta a responsabilidade pessoal, trazendo o artigo 136 do CTN quanto as infrações, invocando o Princípio da Capacidade Contributiva contido no artigo 145, §1º. Salienta ainda que, quando houve a intimação da Sra. Cátia, esta havia entregue o Termo de Intimação Fiscal nº 01 ao sócio Majoritário Sr. Sylvio de Almeida Júnior, que “informou que trataria de tudo e que ela não precisaria se preocupar, porque estava tudo sobre controle”. Assim, requer prazo legal para dar regularidade à escrituração contábil e a conseqüente apuração do IRPJ e reflexos. Invoca o Princípio da Especialidade em relação às contribuições devidas ao INSS, impugnando o lançamento destas, pois entende que o sistema do Simples instituiu tratamento diferenciado aos seus optantes, motivo pelo qual, em virtude de atos praticados no ano calendário de 2006, só poderia ser excluída em 2007, trazendo jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça que entende amparar seu entendimento. Requer o afastamento da taxa Selic como juros moratórios, invocando, inicialmente, neste sentido o artigo 37 da Constituição Federal, requerendo a aplicação do Princípio da Estrita Legalidade tributária e da Segurança Jurídica. Aponta que aludida taxa é aplicável exclusivamente às relações praticadas no âmbito do sistema financeiro nacional e que não fora criada com fins tributários, mas sim para remunerar títulos públicos e que, sua utilização é indevida e carente de amparo legal para as relações tributárias, motivos que amparam a declaração da ilegalidade de sua utilização como quer o fisco. Traz doutrina de José Alexandre Zapatero, que indica que a utilização da taxa Selic contraria às disposições do artigo 161, §1º do CTN, por este possuir natureza de Lei Complementar. Acosta ainda decisões do STJ e STF neste sentido. Assim, requer o recebimento da impugnação, com a concessão de efeito suspensivo e ao final cancelandose o débito fiscal reclamado. Fl. 423DF CARF MF Processo nº 11052.000990/201077 Resolução nº 1202000.195 S1C2T2 Fl. 7 6 Pede pelo deferimento do prazo de 6 meses para contabilização da movimentação financeira e lançamento de imposto por parte da sócia Sra. Cátia Cilene da Costa Santos ou que, em caso de indeferimento, que eventual condenação seja restrita ao percentual de participação societária desta, no caso, 10% do capital social. Por fim, pugna pelo parcelamento de débito fiscal apurado, no máximo permitido pela legislação em vigor. A 4ª Turma da DRJ/RJ1, ao julgar o feito no acórdão nº 1236.831 (fls. 334/361), entende ser o lançamento procedente. Afasta a alegação trazida pela contribuinte sobre o equívoco no preenchimento da DIPJ 2007 fora causado pelo escritório de contabilidade, devendo a esta empresa ser atribuída a responsabilidade com base no artigo 1.177 do Código Civil e no artigo 135 do CTN, eis que, na relação jurídica tributária estabelecida entre o fisco e a empresa, esta é tida como sujeito passivo da obrigação, nos termos do artigo 121 do CTN. Indica no caso concreto a inexistência de previsão legal de atribuição de responsabilidade tributária ao escritório de contabilidade, e que, ainda que houvesse algum contrato particular entre a contribuinte e o escritório que lhe prestava serviços de modo a transferir a responsabilidade tributária, tal avença seria tida como inexistente perante a Fazenda Pública, não produzindo qualquer efeitos, nos termos do artigo 123 do CTN. Nesse sentido, aponta jurisprudência do Conselho de Contribuintes (Recurso 087405 – Primeira Câmara do Conselho de Contribuintes). Afasta ainda a incidência do Código Civil à relação, eis que a discussão no presente feito é regida por regras de direito público, previstas no Direito Administrativo e Tributário. Analisando o requerimento de exclusão da responsabilidade tributária imputado à sócia da empresa – Cátia Cilene da Costa Santos, por sua qualidade de sócia minoritária e por ter o outro sócio afirmado que “cuidaria de tudo”, indica que a referida senhora, junto com o Sr. Sylvio de Almeida Junior eram sócios e responsáveis pelas obrigações assumidas pela empresa, fossem as principais ou as acessórias, conforme o artigo 135, II e III e artigo 137, I, todos do CTN. Assinala sua adesão ao entendimento de que “a responsabilidade tributária, ainda que pessoal do autor do ato praticado com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, não afasta a responsabilidade da pessoa jurídica”, citando Luiz Alberto Gurgel de Faria e trazendo também a opinião de Hugo de Brito Machado. Afirma que, ainda que haja a imputação de responsabilidade pessoal aos indicados nos incisos do artigo 135 do CTN, não se afasta a responsabilidade da contribuinte autuada pela aludida responsabilização pessoal, havendo na hipótese solidariedade e dando maior garantia do recebimento do crédito tributário. Devese considerar, portanto, correta a inclusão dos descritos no artigo 135 do CTN, justificando o julgador a conjugação do citado artigo com os artigos 9º e 58 da Lei nº 9.784/1999, com observância da Portaria RFB nº 2.284/2010. Fl. 424DF CARF MF Processo nº 11052.000990/201077 Resolução nº 1202000.195 S1C2T2 Fl. 8 7 Prosseguindo sobre o tema, discorre sobre o que seria infração a lei, permissiva da responsabilidade. Aponta que o CTN não indica a lei a ser infringida para imputar a responsabilidade das pessoas indicadas no artigo 135, e que, em seu entender, “é indubitável que a falta de recolhimento do tributo, constitui, por si só, uma ilicitude, porquanto configura o descumprimento de um dever jurídico decorrente de diversas leis tributárias”, acostando decisões do Poder Judiciário que entende ampararem sua pretensão. Indica ainda que a aludida responsabilidade é subjetiva, e portanto, é imprescindível a demonstração de culpa a quem esta fora imputada. Acresce que a responsabilidade tributária também fora fundamentada no artigo 137, I do CTN, pela fiscalização, apontando que este dispositivo atribui a responsabilidade pessoal ao agente em caso de serem as infrações tidas como crime ou contravenções, excetuandose destes o exercício regular da administração. Traz doutrina de Renato Lopes Becho sobre o tema. Assim, entende que é dever dos sócios saldar as obrigações inerentes a empresa, não havendo de se falar em exclusão da responsabilidade da Sra. Cátia Cilene, especialmente em razão da omissão do sócio – gerente, Sr. Sylvio, pelo que também rejeita o pedido de exclusão da responsabilidade solidária. Prossegue indicando que se deve afastar a alegação de nulidade dos atos praticados por Débora Albernaz de Souza e por Diamantino dos Santos Neto, invocada pela não participação destes no contrato social, já que a ciência dos termos de intimação tomadas por empregado do interessado é válida. Ainda, aponta que aludidas pessoas exerciam, ao menos em aparência, alguma função na empresa, eis que as intimações foram efetuadas de forma pessoal (na sede da empresa) e, ante a teoria da aparência, estes estavam autorizados a receber intimações para apresentação de documentos inerente ao prosseguimento da investigação fiscal, pelo que considera válidas as intimações efetuadas pela fiscalização. Afasta também o pleito de concessão de prazo para juntada de escrituração contábil, por entender que já houve tempo hábil para a prática de tal ato e para apresentação das justificativas para afastar a imputação fiscal e que, se fosse impossível a apresentação dos aludidos documentos na impugnação, poderia trazêlos até antes do julgamento nos termos do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Traz ainda doutrina contida no livro Nulidades no Processo Penal, de Ada Pellegrini Grinover, Antônio Scarance Fernandes e Antônio Magalhães Gomes Filho, cujos preceitos aplicamse subsidiariamente ao Processo Administrativo Tributário. Disto, entende que na ausência de demonstração do prejuízo causado à defesa e ante a inércia do interessado, afastando alegação de cerceamento de defesa e rejeitando a preliminar de nulidade examinada. Em relação à apreciação de inconstitucionalidade, indica que esta não pode ser efetuada na esfera administrativa, por ultrapassar os limites de sua competência legal, como dispõe o Parecer Normativo CST nº 329/1970. Neste passo, indica que as Delegacias da Receita Federal de Julgamento, como órgão de jurisdição administrativa, restringem sua atuação ao exame de adequação dos atos praticados dos agentes com a lei e atos administrativos competentes, nos termos do artigo 7º da Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006, de onde entende que a autoridade administrativa cabe aplicar a legislação, sem emitir juízo de valor sobre a constitucionalidade ou outros aspectos da validade, função restrita ao Poder Judiciário. Traz jurisprudência dos Colegiados Administrativos sobre a questão, especialmente a Súmula nº 2 do Primeiro Conselho de Contribuintes. Fl. 425DF CARF MF Processo nº 11052.000990/201077 Resolução nº 1202000.195 S1C2T2 Fl. 9 8 Tal situação é excepcionada pela existência de decisão em processo judicial que a interessada tenha participado ou de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, nos termos do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997, afastando assim a arguição da contribuinte. Ao analisar a questão da omissão de receitas apurada por depósitos bancários de origem não comprovada, indica que há presunção deste fato, eis que é independente da contabilização dos depósitos e da qualidade de escrituração, nos termos do artigo 42 da Lei nº 9430/1996. Aponta que o mesmo entendimento é dado pela jurisprudência administrativa, colacionando decisão. Assim, entende que referidos valores, devidamente apurados, constituem fato gerador do imposto de renda, nos termos do artigo 43 do CTN. Indica que, com a edição da Lei nº 9430/96, houve no artigo 42 a regulamentação da tributação com base em depósitos bancários. Neste caso, após regular intimação, se não houver comprovação da origem dos recursos, o fisco possui autorização para proceder ao lançamento destes valores como omissão de receitas, indicando ainda que se comprovado que aludido numerário fora proveniente de receitas de Pessoa Jurídica sem que fossem levados à conta de resultado, estes devem ser submetidos à tributação específica. Aponta que a hipótese é caso de presunção legal de omissão de receitas, onde o ônus da prova é expressamente transferido à contribuinte. Cita doutrina de José Luiz bulhões Pedreira. No caso concreto, após fiscalização e regular intimação pelo fisco, não houve comprovação por documentos hábeis e idôneos que apontassem os valores contidos na receita bruta e origem dos créditos da contacorrente examinada, de modo a afastar a presunção legal. Citando o artigo 923 do RIR/99, indica a necessidade de comprovação das alegações por documentos hábeis. Ante a situação, de não comprovação da origem dos recursos em suas contas, entende perfeitamente cabível a autuação com base no artigo 42 da Lei nº 9430/1996. Traz jurisprudência administrativa que entende amparar suas considerações. Após a autuação, com o surgimento de nova base de cálculo, necessário o ajuste percentual ante a nova receita bruta, resultando na infração de Insuficiência de Recolhimento. Ao analisar a exclusão da interessada do Simples no ano de 2006, aponta como correto o entendimento do contribuinte, já que em 2006 não houve exclusão da interessada do Simples, mencionando que os autos de infração foram lavrados “sob a ótica simplificada, havendo a participação de receitas para cada tributo de abrangência do DARF recolhido sob código de receita 6106 (SIMPLES) faz alusão”. Indica que pela legislação pertinente ao SIMPLES (Lei nº 9317/1996), “a mudança da base de cálculo até o limite atribuído à Empresa de Pequeno Porte (EPP), possui um percentual sobre a receita bruta e sobre ele incide as participações para cada tributo/contribuição, estando entre eles a contribuição para o INSS”. Assim, entende por correta a aplicação da legislação pela fiscalização, eis que houve o ajuste das bases de cálculo relativas às infrações apuradas, utilizando para o cálculo do tributos/contribuições devidos os percentuais previstos na legislação, indicando que a exclusão do Sistema SIMPLES só deveria surtir efeitos para o anocalendário subseqüente à ocorrência do fato gerador, no caso 2007. Fl. 426DF CARF MF Processo nº 11052.000990/201077 Resolução nº 1202000.195 S1C2T2 Fl. 10 9 Em relação a aplicação da taxa SELIC, que a interessada busca afastar no presente feito, entende que quanto aos percentuais de juros devem ser utilizados como parâmetro o CTN, artigo 161, §1º, e o artigo 61 da Lei nº 9430/1996. Da conjugação de tais dispositivos, decide que débitos a favor da União, decorrentes de tributos e contribuições, de competência da SRF, sujeitamse aos juros de mora equivalentes aos da taxa Selic (a partir de 1º de janeiro de 1997), acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% no mês de pagamento, tendo o lançamento se adstrito à legislação em vigor sobre o tema. Ainda, indica que a utilização da taxa Selic possui entendimento pacífico na jurisprudência do Conselho de Contribuintes, especialmente ante o teor do Enunciado nº 4 por ela expedido, o que leva a decisão recorrida a reconhecer como corretos os autos de infração inclusive em relação aos juros de mora. Analisa a questão da imposição da penalidade agravada e qualificada, invocando de início, o teor do artigo 44, inciso I, §1º e 2º, da Lei n° 9.430/1996 e a justificativa da duplicação de percentual, conforme disposição dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. Indica que foram emitidas diversas intimações para a empresa e seus sócios, que, em resposta tentaram desqualificar o trabalho fiscal, o que para o julgador só reforça o escopo de obstruir a atuação do fisco. Entende que, quanto à infração de omissão de receitas, “a tentativa por parte dos sócios da empresa de impedir o Fisco de concluir o seu trabalho, em face da ausência de respostas às intimações, bem como das mudanças de endereço da empresa e do sócio majoritário e da tentativa de desqualificação dos funcionários quando do recebimento das intimações, somandose a isso o fato de que as discrepâncias entre os valores declarados na DIPJ e àqueles constantes nos extratos bancários da conta corrente da empresa interessada, leva à manutenção da qualificação da multa bem como do seu agravamento, devendo ser mantido o percentual de 225% para estes casos, conforme o disposto nos autos de infração.” O Recurso Voluntário da Sra. Cátia Cilene da Costa Santos contra à decisão foi apresentado em 07.08.12. Invocando a Responsabilidade Solidária dos Sócios contida no artigo 135, III do CTN, destaca de início, que ao determinar a responsabilidade ao responsável tributário, seria caracterizadora de despersonalização da pessoa jurídica, nas hipóteses ali listadas, sem as quais, não haveria de se falar em desconsideração da personalidade jurídica. Informa que passou a integrar a empresa autuada como sócia minoritária (com averbação na matricula em 5.10.2006), sendo que o outro sócio, Sylvio de Almeida Júnior, ocupava o cargo de “Presidente e sócio majoritário” responsável por responder pela sociedade ativa e passivamente, em “juízo ou fora dela”. Indica que os administradores, independente da sua responsabilidade pela integralização do capital social se forem sócios, somente respondem por obrigações tributárias contraídas no período de sua gestão, nos termos do artigo 128 do CTN. Destaca neste ponto, que, embora fizesse parte do grupo societário à época dos fatos geradores aqui discutidos, não há provas de que tenha participado dos atos de gerência, tampouco agindo com o excesso de poder ou infração à lei ou ao estatuto, não havendo o que contestar quanto a cobrança de débitos ocorridos em período anterior a sua entrada na empresa. Fl. 427DF CARF MF Processo nº 11052.000990/201077 Resolução nº 1202000.195 S1C2T2 Fl. 11 10 Informa ainda que nunca praticou ou exerceu ato de administração na empresa, justificando tal fato com informações trazidas com a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – anocalendário 2007, onde aparece como responsável e representante o Sr. Sylvio de Almeida Junior, igualmente indicado com 90% dos rendimentos dos sócios, tendo a recorrente apenas 10% do capital social. Aponta que toda a ação fiscal se deu com conhecimento e participação direta do Sr. Sylvio, e feito à revelia da recorrente. Traz também a informação contida em fls. 31103 (laudo do Banco Unibanco), onde os representantes são Sr. Jorge dos Santos e o Sr. Sylvio. Ante tais fatos, é claro que a efetiva gerência e administração do negócio eram de responsabilidade do sócio majoritário, configurando seu CPF como o de responsável pela empresa Top Line Ltda. Por conta disto, entende a recorrente que não se deve imputar responsabilidade a ela, que detém somente o poder de direito, mas não de fato, por não possuir autonomia para exercer gerência na sociedade devedora, especialmente porque não há quaisquer indícios de que teria incorrido nas hipóteses previstas no artigo 135, III, do CTN. Destaca que, ante o caso concreto, que só é possível a inclusão no pólo passivo da ação fiscal acionista com poder de controle da empresa. Traz jurisprudência do STJ, informativa da necessidade de configuração de atos praticados com excesso de poderes, infração à lei, contrato social ou estatuto para inclusão de sócio nos débitos. Prossegue, informando quanto à dissolução irregular da sociedade, que conforme entendimentos jurisprudenciais, a responsabilidade só pode ser atribuída ao administrador que exerce de fato poderes de gerência na sociedade e, não havendo condutas ao arrepio da lei, não há de se falar em responsabilização pessoal dos dirigentes. Ainda, indica que, em caso de desconsideração da personalidade jurídica, esta deve ser feita em função do poder de controle societário, devendo recair sobre tais membros esta responsabilização, que não pode ser imposta devido somente à condição de cotista. Diz também que a mera qualidade de administrador também não é suficiente, sendo necessário que este atue com poder de gerência e que conduza a sociedade a atos infringentes de lei, contrato social ou estatutos. Traz doutrina de Bernardo Ribeiro Moraes. Pugna pela ocorrência de cerceamento de defesa, aduzindo, de início, que para a efetivação plena da defesa e do contraditório, o auto de infração deve ser lógico, objetivo, preciso e explícito, devendo capitular corretamente os dispositivos tidos como infringidos. Assim, em face da total ausência de participação da recorrente nos negócios da empresa, “esta se viu com seus direitos cerceados devido à falta de informação sobre os acontecimentos que geraram a lavratura do auto de infração...”. Invoca o artigo 5º, LIV e LV da Constituição Brasileira e lições de Magalhães Noronha. Aduz que é inconcebível sua inclusão no pÓlo passivo, porque sempre zelou por suas obrigações fiscais, e que os atos praticados contra ela encontramse eivados de vícios e com cerceamento à sua defesa e que nada deve ao fisco. Invoca exagero na penalidade aplicada, eis que o Fisco teria aplicado multa agravada de 225%, apenas baseandose em presunções quanto ao aludido “evidente intuito de fraude”, sem que houvesse esta comprovação, especialmente em relação às ações da Fl. 428DF CARF MF Processo nº 11052.000990/201077 Resolução nº 1202000.195 S1C2T2 Fl. 12 11 requerente, informando que, em casos onde ocorre fraude, o dolo deve ser comprovado de maneira inquestionável, o que não ocorreu no caso presente. Indica que é função das autoridades fiscais zelar pela primazia da lei, devendo manter estreita relação com os fatos que efetivamente ocorreram. Disto, indica que nada do que fora relatado no Auto de Infração aponta para conduta dolosa ou intuito de fraude, sem que ainda haja prova documental que justificasse a aplicação da multa qualificada, imposta em valor exorbitante. Traz jurisprudência administrativa, que demonstra a necessidade de perquirir, na situação concreta, a ocorrência de dolo ou culpa do agente. Ressalta, quanto ao valor da penalidade, a necessidade de respeito de proporcionalidade entre o dano e o ressarcimento, conforme magistério de Sacha Calmon Navarro. Pelo exposto, pugna pela nulidade dos autos, pela ocorrência de vícios insanáveis, especialmente quanto à prova das alegações, pela imposição de multa agravada indevidamente aplicada e pela arbitrária inclusão da recorrente no pólo passivo. Traz jurisprudência administrativa sobre o tema, sem citar fontes. Aponta que o lançamento, por ser ato administrativo, pode ser nulo ou anulável, mas não revogado, como reza o entendimento Supremo Tribunal Federal, contido na Súmula nº 473. Informa que o ato será nulo na ocorrência de vício profundo que comprometa o ato administrativo, com efeitos extunc. Explana também sobre o ato anulável e as razoes de sua anulabilidade, para por fim, entender por inconcebível a cobrança efetuada pelo auto de infração discutido. Ainda, aduz que o débito fiscal aqui discutido afronta a razoabilidade e a proporcionalidade, motivo pelo qual não merece prosperar. Busca o provimento do recurso para que seja acatada a integralidade da impugnação e a exclusão da recorrente Cátia Cilene da Costa do pólo passivo do processo, por não ser qualificada como responsável tributária, nos termo do artigo 135, III do CTN. É o relatório. VOTO Como já relatado, o presente processo trata de lançamento fiscal para exigência dos tributos sujeitos à sistemática do SIMPLES, face a ocorrência da presunção de omissão de receitas (artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996) ao ser constatado, pela fiscalização, a existência de movimentação financeira bancária, em nome da empresa, sem comprovação da origem. Como consta do Termo de Verificação Fiscal, fls 231, ao Unibanco S/A foi solicitado apresentar os extratos com a movimentação financeira bancária mediante a emissão, pela autoridade fiscal, de Requisição de Informações sobre Movimentação FinanceiraRMF, nos termos do artigo 6° da Lei Complementar n° 105, de 2001, regulamentado pelo Decreto n° 3.724, de 2001. A recorrente não se manifestou acerca da matéria relativa à licitude da obtenção dos extratos bancários que serviram de base para a apuração da presunção de omissão de receitas. Todavia, em que pese existir autorização legal para a requisição desses extratos Fl. 429DF CARF MF Processo nº 11052.000990/201077 Resolução nº 1202000.195 S1C2T2 Fl. 13 12 bancários diretamente às instituições financeiras, discutese atualmente no Supremo Tribunal FederalSTF a constitucionalidade da quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, matéria examinada em sede do Recurso ExtraordinárioRE 601314, o qual teve sua “repercussão geral” reconhecida em 23/10/2009. Pela consulta efetuada no sítio do STF na internet, revela que o processo ainda aguarda julgamento do mérito assim registrado: RE 601314 RG / SP SÃO PAULO REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI Julgamento: 22/10/2009 Publicação DJe218 DIVULG 19112009 PUBLIC 20112009 EMENT VOL0238307 PP01422 EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Cármen Lúcia e Cezar Peluso. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI Relator (destaquei) Como se trata de matéria com repercussão geral reconhecida, parece ser razoável, e prudente, aguardar a decisão da E. Suprema Corte acerca da constitucionalidade dos meios de prova obtidos no presente processo (extratos bancários), evitandose, assim, a anulação do lançamento por vício na obtenção das provas. O Regimento Interno do STF RISTF, em seu art. 328, abaixo reproduzido, determina que todos os demais recursos extraordinários, com questão idêntica, sejam sobrestados, até que o Supremo Tribunal Federal decida os que tenham sido selecionados como representativos da causa: Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, a Presidência do Tribunal ou o(a) Relator(a), de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em cinco dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a Presidência do Tribunal ou o(a) Relator(a) selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. Art. 328A. Nos casos previstos no art. 543B, caput, do Código de Processo Civil, o Tribunal de origem não emitirá juízo de admissibilidade sobre os recursos extraordinários já sobrestados, nem Fl. 430DF CARF MF Processo nº 11052.000990/201077 Resolução nº 1202000.195 S1C2T2 Fl. 14 13 sobre os que venham a ser interpostos, até que o Supremo Tribunal Federal decida os que tenham sido selecionados nos termos do § 1º daquele artigo. (destaque meus) Da leitura acima, percebese que a própria Corte Superior determina o sobrestamento dos processos judiciais em trâmite na esfera daquele poder até decisão final, pelo Supremo Tribunal Federal, da matéria com repercussão geral. Isso decorre em razão do atendimento aos princípios da eficiência e da economia processual com o objetivo de melhor atender ao interesse público. Assim, por uma questão de economia processual, tendo como objetivo afastar possíveis prejuízos para todas as partes, Fazenda, Contribuinte e a movimentação de toda a máquina do próprio Poder Judiciário, caso ocorra a impetração de alguma ação judicial a respeito da exigência aqui discutida, temse como mais do que razoável, e prudente, aguardar a decisão do E. Supremo Tribunal Federal acerca da “licitude da obtenção dos extratos bancários”, evitandose possível anulação do processo por vício na obtenção das provas. Com efeito, o artigo 62A, §1º do RICARF (Portaria MF nº 256, de 22 de Junho de 2009 e alterações), estabelece o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. {2} Já a Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, no seu art. 2º, § 2o, inciso I, prevê a hipótese de que o sobrestamento seja apreciado durante a sessão de julgamento: Art. 2o. Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1o. § 1o. No caso da identificação se verificar antes da sessão de julgamento do processo: I o conselheiro relator deverá elaborar requerimento fundamentado ao Presidente da respectiva Turma, sugerindo o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; II o Presidente da Turma, com base na competência de que trata o art. 17, caput e inciso VII, do Anexo II do RICARF, determinará, por despacho: a)o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; ou b)o julgamento do recurso na situação em que o processo se encontra. Fl. 431DF CARF MF Processo nº 11052.000990/201077 Resolução nº 1202000.195 S1C2T2 Fl. 15 14 § 2o. Sendo suscitada a hipótese de sobrestamento durante a sessão de julgamento do processo, o incidente deverá ser julgado pela Turma, que poderá: I decidir pelo sobrestamento do processo do julgamento do recurso, mediante resolução; ou II recusar o sobrestamento e realizar o julgamento do recurso. § 3o. Na ocorrência de sobrestamento, nos termos dos §§ 1o e 2o, as respectivas Secretarias de Câmara deverão receber os processos e mantêlos em caixa específica, movimentandoos para a atividade SOBRESTADO. (grifei) Por tratarse de matéria a ser apreciada pelo E. Supremo Tribunal Federal no rito da Repercussão Geral (licitude da obtenção dos extratos bancários), o próprio RICARF recomenda o sobrestamento do processo (art. 62A, § 1º do RICARF), sendo que essa hipótese poderá ser apreciada durante a sessão de julgamento Turma de julgamento, nos termos do art. 2º, § 2o, inciso I, da Portaria CARF nº 001, de 2012. Em vista do exposto, proponho que seja determinado o sobrestamento do julgamento do recurso voluntário, até que seja proferida decisão nos autos do Recurso ExtraordinárioRE 601314, em trâmite perante o E. Supremo Tribunal Federal. (documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta, relatora Relatório Contra o contribuinte TOP LINE LTDA. (CNPJ 05.278.871/000195), foram lavrados Autos de Infração, com base na sistemática do SIMPLES, em relação aos tributos: IRPJ (fls. 145/162) – R$ 83.514,89; contribuição ao PIS (fls. 163/169) – R$ 60.978, 90; CSLL (fls. 170/179) – R$ 84.588,01; Cofins (fls. 180/189) – R$ 248.133,31 Contribuição Social para o INSS relativa ao Simples – (fls. 190/199) – R$ 715.822,50. Referidos autos de infração foram lavrados sob argumento de omissão de receitas, sendo aplicada multa de ofício agravada no importe de 112,5% e, em relação à infração de falta de recolhimento, fora aplicada multa de 75%, sem prejuízo dos acréscimos legais pertinentes para os dois casos. Transcrevo o entendimento fiscal contido no Termo de Verificação Fiscal (fls. 140/142), reproduzido pelo relatório do acórdão recorrido da DRJ: “a) Em 22/10/2009, compareceu o Fisco no endereço de cadastro da empresa na RFB, quando foi dada ciência do início da fiscalização; Fl. 432DF CARF MF Processo nº 11052.000990/201077 Resolução nº 1202000.195 S1C2T2 Fl. 16 15 b) Em 08/12/2009, foi encaminhada, via postal, ao Sr. Sylvio de Almeida Júnior, sócio majoritário da empresa a cópia do Termo de Intimação 0001, a qual não chegou ao seu destino, em face de o interessado ter o seu domicílio cadastrado no sistema da RFB com o número errado; c) Em 04/02/2010, encaminhamos, via postal, para a sócia da empresa (10% do capital social), Sra. Cátia Cilene da Costa Santos, Termo de Intimação Fiscal lavrado nesta mesma data, recebido em seu domicílio fiscal, em 06/02/2010, sem que nenhuma resposta fosse apresentada; d) Uma vez não atendida a solicitação do Termo de Início, foi entregue, em 10/12/2009, a reiteração da intimação do termo n° 0001, sendo dada ciência ao Sr. Diamantino dos Santos Neto, que informou que seu cargo na empresa era de "atendente"; e) Nesta mesma data, a Sra. Débora Albernaz de Souza entregou nesta repartição pedido de prorrogação de prazo para apresentação da documentação solicitada, sem especificar qual seria o prazo pretendido e necessário ao atendimento. Posteriormente, em 05/01/2010, reiterou o pedido de prorrogação, solicitando 30 dias, o que foi atendido; f) Em meados de março de 2010, após diversas tentativas de agendar uma reunião com o sócio majoritário na sede da empresa, não foi possível, nem mesmo com o encaminhamento dos agentes fiscais até a empresa, o contato com os sócios; g) Na semana seguinte, compareceu nesta Equipe Fiscal o sócio majoritário, informando que se encontrava adoentado e que designaria o Sr. Diamantino para tomar as providências necessárias ao atendimento das intimações, que nunca ocorreu; h) Em 04/03/2010, foi solicitado ao Registro Civil das Pessoas Jurídicas cópia dos Atos Constitutivos e Alterações da empresa; i) Em 19/05/2010, foi a empresa cientificada da inclusão do ano calendário de 2007 na ação fiscal, reiterando, ainda, as solicitações relativas ao anocalendário de 2006, também não havendo qualquer resposta; j) Foi emitida Requisição de Movimentação Financeira (RMF), em 07/06/2010, encaminhada ao UNIBANCO; k) Com base na mencionada movimentação financeira, foi lavrado Termo de Intimação, em 08/07/2010, do qual consta como anexo relação dos extratos bancários dos anos de 2006 e 2007, realizados na conta corrente 1003209, agência 7088, do UNIBANCO S/A, a fim de que o interessado comprovasse a origem dos depósitos realizados naquela conta, concedendo, para tanto, o prazo de 20 dias. Também não houve atendimento; l) Em 14/09/2010, o Fisco intimou as seguintes instituições financeiras, clientes do contribuinte, a fornecer relação de notas fiscais ou documentos equivalentes, juntamente com cópias das mesmas, relativas aos serviços prestados, no decorrer, tanto do ano de 2006 quanto de 2007: Fl. 433DF CARF MF Processo nº 11052.000990/201077 Resolução nº 1202000.195 S1C2T2 Fl. 17 16 • Banco BVA S/A Anos de 2006 e 2007; • Banco Sofisa S/A Ano de 2007; • Banco Pine S/A Ano de 2007; m) Posteriormente, tendo em vista o atendimento incompleto por parte do Banco BVA S/A, foi este reintimado a apresentar os documentos não entregues ou a justificar os valores dos depósitos não comprovados, realizados para o contribuinte, conforme relação anexa e parte integrante do Termo de Intimação; n) Em sua resposta, datada de 05/11/2010, informou e comprovou que tais depósitos referiamse a empréstimos tomados por servidores públicos junto ao Banco BVA S/A, conforme relação anexa e que foram depositados na conta da TOP LINE Ltda., com a finalidade de liquidar empréstimos tomados pelos mesmos servidores junto a outras instituições financeiras, conforme Termo de Liquidação de Empréstimos em Outra Instituição Financeira, também em anexo à resposta; o) Diante do exposto, e com base nos valores constantes no quadro de apuração dos valores a tributar, no qual se encontram totalizados, mensalmente, o faturamento da empresa, tomando por base valores dos depósitos bancários e onde também são lançados valores mensais declarados na Declaração Simplificada, foi apurado duas modalidades de valores a tributar: • Sujeitos à multa qualificada de 150%, acrescida do percentual de agravamento, chegando a 225%, em face do não atendimento às intimações; e • Sujeitos à multa de 75%, com o agravamento previsto também em função do não atendimento às intimações; p) Também foi lavrada a Representação Fiscal para Fins Penais, em decorrência dos ilícitos, em tese, praticados, bem como os Termos de Sujeição Passiva Solidária para os sócios Sylvio de Almeida Júnior e Cátia Cilene da Costa Santos, únicos sócios da empresa interessada.” (grifamos) Contra a decisão, a contribuinte Top Line Ltda. e Cátia Cilene da Costa Santos apresentaram Impugnação (fl. 215/224) Preliminarmente, aduz a nulidade do Auto de Infração, por sua impropriedade e pela inexistência de justa causa para a lavratura, por entender que não infringiu nenhuma norma contrária ao ordenamento jurídico pátrio. Invoca o artigo 5º da Constituição Federal, pedindo pelo direito de ampla defesa. Discorrendo sobre a exclusão da contribuinte do SIMPLES, aponta que, nos termos da Lei Complementar nº 123/2006, na opção para o sistema, a adesão deve ser realizada no mês de janeiro, sendo irretratável para todo o anocalendário, informação complementada pela Resolução CGSN nº 38 de 1º de Setembro de 2008, possibilitadora da utilização da receita bruta total recebida a partir de 1º.01.2009 para as Micro Empresas e Empresas de Pequeno Porte. Em caso de exclusão, esta é permitida até o último dia útil do mês de janeiro do ano calendário subseqüente ao que se excedeu a receita bruta permitida, conforme Resolução Fl. 434DF CARF MF Processo nº 11052.000990/201077 Resolução nº 1202000.195 S1C2T2 Fl. 18 17 CGSN nº 04 de 2007, artigo 12, I, o que, em seu entender, é representativo da ausência de justa causa para o prosseguimento do feito. No mérito, indica que a autuação não prospera, por sua contrariedade à legislação de regência do Simples, já a opção ao sistema é irretratável, o que indica violação da estrita legalidade, da anterioridade e da igualdade em matéria tributária. Aponta que o cálculo efetuado pelo fisco carece de veracidade, por não considerar, no total do imposto a pagar, o imposto devido em virtude de serviço executado, ressaltando que sua atuação é no ramo de “financiamento de empréstimo”, pelo que “apenas recebe um percentual por funcionar como intermediador entre a Instituição Financeira e a pessoa física que requereu o empréstimo”, e que por tais motivos, a tributação imposta teria caráter de confisco, afrontando o artigo 150, IV da Constituição Federal. Sobre o tema, invoca a doutrina de Roque Antonio Carrazza, de onde entende que, no caso de escrita fiscal imprestável, atrasada ou inexistente, contra a contribuinte será lavrado auto de infração com tributação pelo lucro arbitrado, com a ressalva de que, enquanto não tornado definitivo o lançamento,devese regularizar as demonstrações contábeis, recolhendo o imposto corretamente. Informa que pela legislação em vigor, no caso de empresas optantes pelo Simples, nos termos da Resolução CGSN nº 38 de 2008, somente a partir de 1º.01. 2009 é que tornouse possível a utilização do regime de caixa, apontando que o período apurado no auto de infração sob discussão é relativo ao ano de 2006, onde a sujeição era tão somente ao regime de competência. Ainda, indica que a Sra. Débora Albernaz de Souza e o Sr. Diamantino dos Santos Neto nunca fizeram parte do Contrato Social da contribuinte e que, assim, nos termos do artigo 1.174 do Código Civil, os atos por eles praticados são nulos de pleno direito. Não obstante tais fatos, impugna a tributação por entender que não lhe pode ser negado o direito de demonstrar contabilmente o lucro real ou a existência de prejuízo, que o exima do lançamento. Insurgindose contra os valores tributados, indica que diferentemente do que apurou o fisco, os valores a serem considerados são os constantes das notas fiscais acostadas à impugnação, reflexo dos serviços prestados. Aponta que apresentou “Declaração PJSI 2007”, relativa ao anocalendário de 2006, com os valores de acordo com o exigido pela legislação do Simples, motivo pelo qual pugna pelo afastamento do valor de R$ 8.453.154,82, referentes a supostos depósitos bancários em contas de sua titularidade. Invocando a questão da Responsabilidade Solidária, indica que sua escrita contábil não se encontra em dia, por ter seu contador – Sr. Deolindo Gonçalves de Oliveira – descumprido a obrigação assumida perante a contribuinte, fato que a Sra. Cátia Cilene da Costa Santos só teve ciência por ocasião da intimação dos autos de infração. Disto, entende que há responsabilidade solidária para com o responsável pela escrita fiscal por ato doloso, que deveria ser demandado neste feito, nos termos do artigo 1.177 do Código Civil. Aponta que a lavratura foi feita sem menção ao nome do contador, e que este seria a única pessoa capaz de elucidar divergências entre os valores apurados e poderia prestar informações sobre os livros fiscais. Traz o artigo 128 do CTN, indicativo da atribuição de responsabilidade a terceiro, mencionando doutrina de Luiz Alberto Gurgel de Faria e José Alexandre Zapatero sobre o tema. Fl. 435DF CARF MF Processo nº 11052.000990/201077 Resolução nº 1202000.195 S1C2T2 Fl. 19 18 Prossegue, apontando que são necessárias duas condições para a responsabilidade de terceiro, que a obrigação não possa mais ser cumprida pelo próprio contribuinte e que o terceiro tenha participado do ato que configure o fato gerador do tributo, ou tenha se omitido indevidamente. Nos termos do artigo 135 do CTN, entende que responsabilidade nestes moldes só é admitida quando houve atuação com excesso de poderes ou em infração à lei, ao contrato social ou aos estatutos. Destaca que a sócia minoritária, Cátia Cilene, que detém 10% do Capital Social, não poderia responder pela dívida que não deu causa. Indica ser pacífico na jurisprudência que a omissão no pagamento, por si só não acarreta a responsabilidade pessoal, trazendo o artigo 136 do CTN quanto as infrações, invocando o Princípio da Capacidade Contributiva contido no artigo 145, §1º. Salienta ainda que, quando houve a intimação da Sra. Cátia, esta havia entregue o Termo de Intimação Fiscal nº 01 ao sócio Majoritário Sr. Sylvio de Almeida Júnior, que “informou que trataria de tudo e que ela não precisaria se preocupar, porque estava tudo sobre controle”. Assim, requer prazo legal para dar regularidade à escrituração contábil e a conseqüente apuração do IRPJ e reflexos. Invoca o Princípio da Especialidade em relação às contribuições devidas ao INSS, impugnando o lançamento destas, pois entende que o sistema do Simples instituiu tratamento diferenciado aos seus optantes, motivo pelo qual, em virtude de atos praticados no ano calendário de 2006, só poderia ser excluída em 2007, trazendo jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça que entende amparar seu entendimento. Requer o afastamento da taxa Selic como juros moratórios, invocando, inicialmente, neste sentido o artigo 37 da Constituição Federal, requerendo a aplicação do Princípio da Estrita Legalidade tributária e da Segurança Jurídica. Aponta que aludida taxa é aplicável exclusivamente às relações praticadas no âmbito do sistema financeiro nacional e que não fora criada com fins tributários, mas sim para remunerar títulos públicos e que, sua utilização é indevida e carente de amparo legal para as relações tributárias, motivos que amparam a declaração da ilegalidade de sua utilização como quer o fisco. Traz doutrina de José Alexandre Zapatero, que indica que a utilização da taxa Selic contraria às disposições do artigo 161, §1º do CTN, por este possuir natureza de Lei Complementar. Acosta ainda decisões do STJ e STF neste sentido. Assim, requer o recebimento da impugnação, com a concessão de efeito suspensivo e ao final cancelandose o débito fiscal reclamado. Pede pelo deferimento do prazo de 6 meses para contabilização da movimentação financeira e lançamento de imposto por parte da sócia Sra. Cátia Cilene da Costa Santos ou que, em caso de indeferimento, que eventual condenação seja restrita ao percentual de participação societária desta, no caso, 10% do capital social. Por fim, pugna pelo parcelamento de débito fiscal apurado, no máximo permitido pela legislação em vigor. A 4ª Turma da DRJ/RJ1, ao julgar o feito no acórdão nº 1236.831 (fls. 334/361), entende ser o lançamento procedente. Fl. 436DF CARF MF Processo nº 11052.000990/201077 Resolução nº 1202000.195 S1C2T2 Fl. 20 19 Afasta a alegação trazida pela contribuinte sobre o equívoco no preenchimento da DIPJ 2007 fora causado pelo escritório de contabilidade, devendo a esta empresa ser atribuída a responsabilidade com base no artigo 1.177 do Código Civil e no artigo 135 do CTN, eis que, na relação jurídica tributária estabelecida entre o fisco e a empresa, esta é tida como sujeito passivo da obrigação, nos termos do artigo 121 do CTN. Indica no caso concreto a inexistência de previsão legal de atribuição de responsabilidade tributária ao escritório de contabilidade, e que, ainda que houvesse algum contrato particular entre a contribuinte e o escritório que lhe prestava serviços de modo a transferir a responsabilidade tributária, tal avença seria tida como inexistente perante a Fazenda Pública, não produzindo qualquer efeitos, nos termos do artigo 123 do CTN. Nesse sentido, aponta jurisprudência do Conselho de Contribuintes (Recurso 087405 – Primeira Câmara do Conselho de Contribuintes). Afasta ainda a incidência do Código Civil à relação, eis que a discussão no presente feito é regida por regras de direito público, previstas no Direito Administrativo e Tributário. Analisando o requerimento de exclusão da responsabilidade tributária imputado à sócia da empresa – Cátia Cilene da Costa Santos, por sua qualidade de sócia minoritária e por ter o outro sócio afirmado que “cuidaria de tudo”, indica que a referida senhora, junto com o Sr. Sylvio de Almeida Junior eram sócios e responsáveis pelas obrigações assumidas pela empresa, fossem as principais ou as acessórias, conforme o artigo 135, II e III e artigo 137, I, todos do CTN. Assinala sua adesão ao entendimento de que “a responsabilidade tributária, ainda que pessoal do autor do ato praticado com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, não afasta a responsabilidade da pessoa jurídica”, citando Luiz Alberto Gurgel de Faria e trazendo também a opinião de Hugo de Brito Machado. Afirma que, ainda que haja a imputação de responsabilidade pessoal aos indicados nos incisos do artigo 135 do CTN, não se afasta a responsabilidade da contribuinte autuada pela aludida responsabilização pessoal, havendo na hipótese solidariedade e dando maior garantia do recebimento do crédito tributário. Devese considerar, portanto, correta a inclusão dos descritos no artigo 135 do CTN, justificando o julgador a conjugação do citado artigo com os artigos 9º e 58 da Lei nº 9.784/1999, com observância da Portaria RFB nº 2.284/2010. Prosseguindo sobre o tema, discorre sobre o que seria infração a lei, permissiva da responsabilidade. Aponta que o CTN não indica a lei a ser infringida para imputar a responsabilidade das pessoas indicadas no artigo 135, e que, em seu entender, “é indubitável que a falta de recolhimento do tributo, constitui, por si só, uma ilicitude, porquanto configura o descumprimento de um dever jurídico decorrente de diversas leis tributárias”, acostando decisões do Poder Judiciário que entende ampararem sua pretensão. Indica ainda que a aludida responsabilidade é subjetiva, e portanto, é imprescindível a demonstração de culpa a quem esta fora imputada. Acresce que a responsabilidade tributária também fora fundamentada no artigo 137, I do CTN, pela fiscalização, apontando que este dispositivo atribui a responsabilidade pessoal ao agente em caso de serem as infrações tidas como crime ou contravenções, Fl. 437DF CARF MF Processo nº 11052.000990/201077 Resolução nº 1202000.195 S1C2T2 Fl. 21 20 excetuandose destes o exercício regular da administração. Traz doutrina de Renato Lopes Becho sobre o tema. Assim, entende que é dever dos sócios saldar as obrigações inerentes a empresa, não havendo de se falar em exclusão da responsabilidade da Sra. Cátia Cilene, especialmente em razão da omissão do sócio – gerente, Sr. Sylvio, pelo que também rejeita o pedido de exclusão da responsabilidade solidária. Prossegue indicando que se deve afastar a alegação de nulidade dos atos praticados por Débora Albernaz de Souza e por Diamantino dos Santos Neto, invocada pela não participação destes no contrato social, já que a ciência dos termos de intimação tomadas por empregado do interessado é válida. Ainda, aponta que aludidas pessoas exerciam, ao menos em aparência, alguma função na empresa, eis que as intimações foram efetuadas de forma pessoal (na sede da empresa) e, ante a teoria da aparência, estes estavam autorizados a receber intimações para apresentação de documentos inerente ao prosseguimento da investigação fiscal, pelo que considera válidas as intimações efetuadas pela fiscalização. Afasta também o pleito de concessão de prazo para juntada de escrituração contábil, por entender que já houve tempo hábil para a prática de tal ato e para apresentação das justificativas para afastar a imputação fiscal e que, se fosse impossível a apresentação dos aludidos documentos na impugnação, poderia trazêlos até antes do julgamento nos termos do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Traz ainda doutrina contida no livro Nulidades no Processo Penal, de Ada Pellegrini Grinover, Antônio Scarance Fernandes e Antônio Magalhães Gomes Filho, cujos preceitos aplicamse subsidiariamente ao Processo Administrativo Tributário. Disto, entende que na ausência de demonstração do prejuízo causado à defesa e ante a inércia do interessado, afastando alegação de cerceamento de defesa e rejeitando a preliminar de nulidade examinada. Em relação à apreciação de inconstitucionalidade, indica que esta não pode ser efetuada na esfera administrativa, por ultrapassar os limites de sua competência legal, como dispõe o Parecer Normativo CST nº 329/1970. Neste passo, indica que as Delegacias da Receita Federal de Julgamento, como órgão de jurisdição administrativa, restringem sua atuação ao exame de adequação dos atos praticados dos agentes com a lei e atos administrativos competentes, nos termos do artigo 7º da Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006, de onde entende que a autoridade administrativa cabe aplicar a legislação, sem emitir juízo de valor sobre a constitucionalidade ou outros aspectos da validade, função restrita ao Poder Judiciário. Traz jurisprudência dos Colegiados Administrativos sobre a questão, especialmente a Súmula nº 2 do Primeiro Conselho de Contribuintes. Tal situação é excepcionada pela existência de decisão em processo judicial que a interessada tenha participado ou de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, nos termos do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997, afastando assim a arguição da contribuinte. Ao analisar a questão da omissão de receitas apurada por depósitos bancários de origem não comprovada, indica que há presunção deste fato, eis que é independente da contabilização dos depósitos e da qualidade de escrituração, nos termos do artigo 42 da Lei nº 9430/1996. Aponta que o mesmo entendimento é dado pela jurisprudência administrativa, colacionando decisão. Assim, entende que referidos valores, devidamente apurados, constituem fato gerador do imposto de renda, nos termos do artigo 43 do CTN. Fl. 438DF CARF MF Processo nº 11052.000990/201077 Resolução nº 1202000.195 S1C2T2 Fl. 22 21 Indica que, com a edição da Lei nº 9430/96, houve no artigo 42 a regulamentação da tributação com base em depósitos bancários. Neste caso, após regular intimação, se não houver comprovação da origem dos recursos, o fisco possui autorização para proceder ao lançamento destes valores como omissão de receitas, indicando ainda que se comprovado que aludido numerário fora proveniente de receitas de Pessoa Jurídica sem que fossem levados à conta de resultado, estes devem ser submetidos à tributação específica. Aponta que a hipótese é caso de presunção legal de omissão de receitas, onde o ônus da prova é expressamente transferido à contribuinte. Cita doutrina de José Luiz bulhões Pedreira. No caso concreto, após fiscalização e regular intimação pelo fisco, não houve comprovação por documentos hábeis e idôneos que apontassem os valores contidos na receita bruta e origem dos créditos da contacorrente examinada, de modo a afastar a presunção legal. Citando o artigo 923 do RIR/99, indica a necessidade de comprovação das alegações por documentos hábeis. Ante a situação, de não comprovação da origem dos recursos em suas contas, entende perfeitamente cabível a autuação com base no artigo 42 da Lei nº 9430/1996. Traz jurisprudência administrativa que entende amparar suas considerações. Após a autuação, com o surgimento de nova base de cálculo, necessário o ajuste percentual ante a nova receita bruta, resultando na infração de Insuficiência de Recolhimento. Ao analisar a exclusão da interessada do Simples no ano de 2006, aponta como correto o entendimento do contribuinte, já que em 2006 não houve exclusão da interessada do Simples, mencionando que os autos de infração foram lavrados “sob a ótica simplificada, havendo a participação de receitas para cada tributo de abrangência do DARF recolhido sob código de receita 6106 (SIMPLES) faz alusão”. Indica que pela legislação pertinente ao SIMPLES (Lei nº 9317/1996), “a mudança da base de cálculo até o limite atribuído à Empresa de Pequeno Porte (EPP), possui um percentual sobre a receita bruta e sobre ele incide as participações para cada tributo/contribuição, estando entre eles a contribuição para o INSS”. Assim, entende por correta a aplicação da legislação pela fiscalização, eis que houve o ajuste das bases de cálculo relativas às infrações apuradas, utilizando para o cálculo do tributos/contribuições devidos os percentuais previstos na legislação, indicando que a exclusão do Sistema SIMPLES só deveria surtir efeitos para o anocalendário subseqüente à ocorrência do fato gerador, no caso 2007. Em relação a aplicação da taxa SELIC, que a interessada busca afastar no presente feito, entende que quanto aos percentuais de juros devem ser utilizados como parâmetro o CTN, artigo 161, §1º, e o artigo 61 da Lei nº 9430/1996. Da conjugação de tais dispositivos, decide que débitos a favor da União, decorrentes de tributos e contribuições, de competência da SRF, sujeitamse aos juros de mora equivalentes aos da taxa Selic (a partir de 1º de janeiro de 1997), acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% no mês de pagamento, tendo o lançamento se adstrito à legislação em vigor sobre o tema. Ainda, indica que a utilização da taxa Selic possui entendimento pacífico na jurisprudência do Conselho de Contribuintes, especialmente ante o teor do Enunciado nº 4 por Fl. 439DF CARF MF Processo nº 11052.000990/201077 Resolução nº 1202000.195 S1C2T2 Fl. 23 22 ela expedido, o que leva a decisão recorrida a reconhecer como corretos os autos de infração inclusive em relação aos juros de mora. Analisa a questão da imposição da penalidade agravada e qualificada, invocando de início, o teor do artigo 44, inciso I, §1º e 2º, da Lei n° 9.430/1996 e a justificativa da duplicação de percentual, conforme disposição dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. Indica que foram emitidas diversas intimações para a empresa e seus sócios, que, em resposta tentaram desqualificar o trabalho fiscal, o que para o julgador só reforça o escopo de obstruir a atuação do fisco. Entende que, quanto à infração de omissão de receitas, “a tentativa por parte dos sócios da empresa de impedir o Fisco de concluir o seu trabalho, em face da ausência de respostas às intimações, bem como das mudanças de endereço da empresa e do sócio majoritário e da tentativa de desqualificação dos funcionários quando do recebimento das intimações, somandose a isso o fato de que as discrepâncias entre os valores declarados na DIPJ e àqueles constantes nos extratos bancários da conta corrente da empresa interessada, leva à manutenção da qualificação da multa bem como do seu agravamento, devendo ser mantido o percentual de 225% para estes casos, conforme o disposto nos autos de infração.” O Recurso Voluntário da Sra. Cátia Cilene da Costa Santos contra à decisão foi apresentado em 07.08.12. Invocando a Responsabilidade Solidária dos Sócios contida no artigo 135, III do CTN, destaca de início, que ao determinar a responsabilidade ao responsável tributário, seria caracterizadora de despersonalização da pessoa jurídica, nas hipóteses ali listadas, sem as quais, não haveria de se falar em desconsideração da personalidade jurídica. Informa que passou a integrar a empresa autuada como sócia minoritária (com averbação na matricula em 5.10.2006), sendo que o outro sócio, Sylvio de Almeida Júnior, ocupava o cargo de “Presidente e sócio majoritário” responsável por responder pela sociedade ativa e passivamente, em “juízo ou fora dela”. Indica que os administradores, independente da sua responsabilidade pela integralização do capital social se forem sócios, somente respondem por obrigações tributárias contraídas no período de sua gestão, nos termos do artigo 128 do CTN. Destaca neste ponto, que, embora fizesse parte do grupo societário à época dos fatos geradores aqui discutidos, não há provas de que tenha participado dos atos de gerência, tampouco agindo com o excesso de poder ou infração à lei ou ao estatuto, não havendo o que contestar quanto a cobrança de débitos ocorridos em período anterior a sua entrada na empresa. Informa ainda que nunca praticou ou exerceu ato de administração na empresa, justificando tal fato com informações trazidas com a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – anocalendário 2007, onde aparece como responsável e representante o Sr. Sylvio de Almeida Junior, igualmente indicado com 90% dos rendimentos dos sócios, tendo a recorrente apenas 10% do capital social. Aponta que toda a ação fiscal se deu com conhecimento e participação direta do Sr. Sylvio, e feito à revelia da recorrente. Traz também a informação contida em fls. 31103 (laudo do Banco Unibanco), onde os representantes são Sr. Jorge dos Santos e o Sr. Sylvio. Fl. 440DF CARF MF Processo nº 11052.000990/201077 Resolução nº 1202000.195 S1C2T2 Fl. 24 23 Ante tais fatos, é claro que a efetiva gerência e administração do negócio eram de responsabilidade do sócio majoritário, configurando seu CPF como o de responsável pela empresa Top Line Ltda. Por conta disto, entende a recorrente que não se deve imputar responsabilidade a ela, que detém somente o poder de direito, mas não de fato, por não possuir autonomia para exercer gerência na sociedade devedora, especialmente porque não há quaisquer indícios de que teria incorrido nas hipóteses previstas no artigo 135, III, do CTN. Destaca que, ante o caso concreto, que só é possível a inclusão no pólo passivo da ação fiscal acionista com poder de controle da empresa. Traz jurisprudência do STJ, informativa da necessidade de configuração de atos praticados com excesso de poderes, infração à lei, contrato social ou estatuto para inclusão de sócio nos débitos. Prossegue, informando quanto à dissolução irregular da sociedade, que conforme entendimentos jurisprudenciais, a responsabilidade só pode ser atribuída ao administrador que exerce de fato poderes de gerência na sociedade e, não havendo condutas ao arrepio da lei, não há de se falar em responsabilização pessoal dos dirigentes. Ainda, indica que, em caso de desconsideração da personalidade jurídica, esta deve ser feita em função do poder de controle societário, devendo recair sobre tais membros esta responsabilização, que não pode ser imposta devido somente à condição de cotista. Diz também que a mera qualidade de administrador também não é suficiente, sendo necessário que este atue com poder de gerência e que conduza a sociedade a atos infringentes de lei, contrato social ou estatutos. Traz doutrina de Bernardo Ribeiro Moraes. Pugna pela ocorrência de cerceamento de defesa, aduzindo, de início, que para a efetivação plena da defesa e do contraditório, o auto de infração deve ser lógico, objetivo, preciso e explícito, devendo capitular corretamente os dispositivos tidos como infringidos. Assim, em face da total ausência de participação da recorrente nos negócios da empresa, “esta se viu com seus direitos cerceados devido à falta de informação sobre os acontecimentos que geraram a lavratura do auto de infração...”. Invoca o artigo 5º, LIV e LV da Constituição Brasileira e lições de Magalhães Noronha. Aduz que é inconcebível sua inclusão no pÓlo passivo, porque sempre zelou por suas obrigações fiscais, e que os atos praticados contra ela encontramse eivados de vícios e com cerceamento à sua defesa e que nada deve ao fisco. Invoca exagero na penalidade aplicada, eis que o Fisco teria aplicado multa agravada de 225%, apenas baseandose em presunções quanto ao aludido “evidente intuito de fraude”, sem que houvesse esta comprovação, especialmente em relação às ações da requerente, informando que, em casos onde ocorre fraude, o dolo deve ser comprovado de maneira inquestionável, o que não ocorreu no caso presente. Indica que é função das autoridades fiscais zelar pela primazia da lei, devendo manter estreita relação com os fatos que efetivamente ocorreram. Disto, indica que nada do que fora relatado no Auto de Infração aponta para conduta dolosa ou intuito de fraude, sem que ainda haja prova documental que justificasse a aplicação da multa qualificada, imposta em valor exorbitante. Traz jurisprudência administrativa, que demonstra a necessidade de perquirir, na situação concreta, a ocorrência de dolo ou culpa do agente. Fl. 441DF CARF MF Processo nº 11052.000990/201077 Resolução nº 1202000.195 S1C2T2 Fl. 25 24 Ressalta, quanto ao valor da penalidade, a necessidade de respeito de proporcionalidade entre o dano e o ressarcimento, conforme magistério de Sacha Calmon Navarro. Pelo exposto, pugna pela nulidade dos autos, pela ocorrência de vícios insanáveis, especialmente quanto à prova das alegações, pela imposição de multa agravada indevidamente aplicada e pela arbitrária inclusão da recorrente no pólo passivo. Traz jurisprudência administrativa sobre o tema, sem citar fontes. Aponta que o lançamento, por ser ato administrativo, pode ser nulo ou anulável, mas não revogado, como reza o entendimento Supremo Tribunal Federal, contido na Súmula nº 473. Informa que o ato será nulo na ocorrência de vício profundo que comprometa o ato administrativo, com efeitos extunc. Explana também sobre o ato anulável e as razoes de sua anulabilidade, para por fim, entender por inconcebível a cobrança efetuada pelo auto de infração discutido. Ainda, aduz que o débito fiscal aqui discutido afronta a razoabilidade e a proporcionalidade, motivo pelo qual não merece prosperar. Busca o provimento do recurso para que seja acatada a integralidade da impugnação e a exclusão da recorrente Cátia Cilene da Costa do pólo passivo do processo, por não ser qualificada como responsável tributária, nos termo do artigo 135, III do CTN. É o relatório. VOTO Como já relatado, o presente processo trata de lançamento fiscal para exigência dos tributos sujeitos à sistemática do SIMPLES, face a ocorrência da presunção de omissão de receitas (artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996) ao ser constatado, pela fiscalização, a existência de movimentação financeira bancária, em nome da empresa, sem comprovação da origem. Como consta do Termo de Verificação Fiscal, fls 231, ao Unibanco S/A foi solicitado apresentar os extratos com a movimentação financeira bancária mediante a emissão, pela autoridade fiscal, de Requisição de Informações sobre Movimentação FinanceiraRMF, nos termos do artigo 6° da Lei Complementar n° 105, de 2001, regulamentado pelo Decreto n° 3.724, de 2001. A recorrente não se manifestou acerca da matéria relativa à licitude da obtenção dos extratos bancários que serviram de base para a apuração da presunção de omissão de receitas. Todavia, em que pese existir autorização legal para a requisição desses extratos bancários diretamente às instituições financeiras, discutese atualmente no Supremo Tribunal FederalSTF a constitucionalidade da quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, matéria examinada em sede do Recurso ExtraordinárioRE 601314, o qual teve sua “repercussão geral” reconhecida em 23/10/2009. Pela consulta efetuada no sítio do STF na internet, revela que o processo ainda aguarda julgamento do mérito assim registrado: RE 601314 RG / SP SÃO PAULO REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI Julgamento: 22/10/2009 Publicação DJe218 DIVULG 19112009 PUBLIC 20112009 EMENT VOL0238307 PP01422 EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fl. 442DF CARF MF Processo nº 11052.000990/201077 Resolução nº 1202000.195 S1C2T2 Fl. 26 25 FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Cármen Lúcia e Cezar Peluso. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI Relator (destaquei) Como se trata de matéria com repercussão geral reconhecida, parece ser razoável, e prudente, aguardar a decisão da E. Suprema Corte acerca da constitucionalidade dos meios de prova obtidos no presente processo (extratos bancários), evitandose, assim, a anulação do lançamento por vício na obtenção das provas. O Regimento Interno do STF RISTF, em seu art. 328, abaixo reproduzido, determina que todos os demais recursos extraordinários, com questão idêntica, sejam sobrestados, até que o Supremo Tribunal Federal decida os que tenham sido selecionados como representativos da causa: Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, a Presidência do Tribunal ou o(a) Relator(a), de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em cinco dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a Presidência do Tribunal ou o(a) Relator(a) selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. Art. 328A. Nos casos previstos no art. 543B, caput, do Código de Processo Civil, o Tribunal de origem não emitirá juízo de admissibilidade sobre os recursos extraordinários já sobrestados, nem sobre os que venham a ser interpostos, até que o Supremo Tribunal Federal decida os que tenham sido selecionados nos termos do § 1º daquele artigo. (destaque meus) Da leitura acima, percebese que a própria Corte Superior determina o sobrestamento dos processos judiciais em trâmite na esfera daquele poder até decisão final, pelo Supremo Tribunal Federal, da matéria com repercussão geral. Isso decorre em razão do atendimento aos princípios da eficiência e da economia processual com o objetivo de melhor atender ao interesse público. Fl. 443DF CARF MF Processo nº 11052.000990/201077 Resolução nº 1202000.195 S1C2T2 Fl. 27 26 Assim, por uma questão de economia processual, tendo como objetivo afastar possíveis prejuízos para todas as partes, Fazenda, Contribuinte e a movimentação de toda a máquina do próprio Poder Judiciário, caso ocorra a impetração de alguma ação judicial a respeito da exigência aqui discutida, temse como mais do que razoável, e prudente, aguardar a decisão do E. Supremo Tribunal Federal acerca da “licitude da obtenção dos extratos bancários”, evitandose possível anulação do processo por vício na obtenção das provas. Com efeito, o artigo 62A, §1º do RICARF (Portaria MF nº 256, de 22 de Junho de 2009 e alterações), estabelece o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. {2} Já a Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, no seu art. 2º, § 2o, inciso I, prevê a hipótese de que o sobrestamento seja apreciado durante a sessão de julgamento: Art. 2o. Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1o. § 1o. No caso da identificação se verificar antes da sessão de julgamento do processo: I o conselheiro relator deverá elaborar requerimento fundamentado ao Presidente da respectiva Turma, sugerindo o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; II o Presidente da Turma, com base na competência de que trata o art. 17, caput e inciso VII, do Anexo II do RICARF, determinará, por despacho: a)o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; ou b)o julgamento do recurso na situação em que o processo se encontra. § 2o. Sendo suscitada a hipótese de sobrestamento durante a sessão de julgamento do processo, o incidente deverá ser julgado pela Turma, que poderá: I decidir pelo sobrestamento do processo do julgamento do recurso, mediante resolução; ou II recusar o sobrestamento e realizar o julgamento do recurso. § 3o. Na ocorrência de sobrestamento, nos termos dos §§ 1o e 2o, as respectivas Secretarias de Câmara deverão receber os processos e mantêlos em caixa específica, movimentandoos para a atividade SOBRESTADO. (grifei) Fl. 444DF CARF MF Processo nº 11052.000990/201077 Resolução nº 1202000.195 S1C2T2 Fl. 28 27 Por tratarse de matéria a ser apreciada pelo E. Supremo Tribunal Federal no rito da Repercussão Geral (licitude da obtenção dos extratos bancários), o próprio RICARF recomenda o sobrestamento do processo (art. 62A, § 1º do RICARF), sendo que essa hipótese poderá ser apreciada durante a sessão de julgamento Turma de julgamento, nos termos do art. 2º, § 2o, inciso I, da Portaria CARF nº 001, de 2012. Em vista do exposto, proponho que seja determinado o sobrestamento do julgamento do recurso voluntário, até que seja proferida decisão nos autos do Recurso ExtraordinárioRE 601314, em trâmite perante o E. Supremo Tribunal Federal. (documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta, relatora Fl. 445DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000674/2008-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005, 2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONTRIBUINTE. DECISÃO EXTRA PETITA. COM EFEITOS INFRINGENTES
Os embargos de declaração são cabíveis quando a decisão embargada extrapola a matéria que lhe competia examinar. A parte do crédito tributário, referente à exigência de CSLL, exonerada pela DRJ, se tornou definitiva, tendo em vista que o montante exonerado estava abaixo do limite de alçada.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONTRIBUINTE. OMISSÃO. SEM EFEITOS INFRINGENTES
Os embargos de declaração são cabíveis em face de obscuridade, ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma (art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF.
Ocorrendo a omissão apontada pelo contribuinte devem ser acolhidos para sanar a omissão apontada, sem efeitos modificativos, de forma a manter a decisão que aplicou a limitação da multa isolada à CSLL efetivamente devida ao final do período.
Numero da decisão: 1301-002.814
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios para: (i) com efeitos infringentes, afastar a parte do acórdão que restabelecia decisão da DRJ não passível de reexame pelo CARF; e (ii) sem efeitos infringentes, suprir as omissões apontadas, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005, 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONTRIBUINTE. DECISÃO EXTRA PETITA. COM EFEITOS INFRINGENTES Os embargos de declaração são cabíveis quando a decisão embargada extrapola a matéria que lhe competia examinar. A parte do crédito tributário, referente à exigência de CSLL, exonerada pela DRJ, se tornou definitiva, tendo em vista que o montante exonerado estava abaixo do limite de alçada. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONTRIBUINTE. OMISSÃO. SEM EFEITOS INFRINGENTES Os embargos de declaração são cabíveis em face de obscuridade, ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma (art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Ocorrendo a omissão apontada pelo contribuinte devem ser acolhidos para sanar a omissão apontada, sem efeitos modificativos, de forma a manter a decisão que aplicou a limitação da multa isolada à CSLL efetivamente devida ao final do período.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1865; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 611 1 610 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19740.000674/200834 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1301002.814 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2018 Matéria EMBARGOS DECLARAÇÃO CONTRIBUINTE Embargante SUL AMERICA COMPANHIA DE SEGUROS GERAIS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONTRIBUINTE. DECISÃO EXTRA PETITA. COM EFEITOS INFRINGENTES Os embargos de declaração são cabíveis quando a decisão embargada extrapola a matéria que lhe competia examinar. A parte do crédito tributário, referente à exigência de CSLL, exonerada pela DRJ, se tornou definitiva, tendo em vista que o montante exonerado estava abaixo do limite de alçada. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONTRIBUINTE. OMISSÃO. SEM EFEITOS INFRINGENTES Os embargos de declaração são cabíveis em face de obscuridade, ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma (art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Ocorrendo a omissão apontada pelo contribuinte devem ser acolhidos para sanar a omissão apontada, sem efeitos modificativos, de forma a manter a decisão que aplicou a limitação da multa isolada à CSLL efetivamente devida ao final do período. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios para: (i) com efeitos infringentes, afastar a parte do acórdão que restabelecia decisão da DRJ não passível de reexame pelo CARF; e (ii) sem efeitos infringentes, suprir as omissões apontadas, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 06 74 /2 00 8- 34 Fl. 612DF CARF MF Processo nº 19740.000674/200834 Acórdão n.º 1301002.814 S1C3T1 Fl. 612 2 Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Tratam os presentes de embargos de declaração opostos pelo contribuinte acima identificado, em face do acórdão nº 1803002.100, prolatado pela então 3ª Turma Especial desta Seção de Julgamento, na sessão de 12 de março de 2014. O acórdão embargado foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005, 2006 TRIBUTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA INDEDUTIBILIDADE Os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do CTN, são indedutíveis na apuração da base de cálculo da CSLL, conforme regra do art. 13, inciso I, da Lei 9.249/95. Uma vez constatada a dedução indevida, é necessária a verificação da situação da demanda judicial para determinar qual procedimento a ser adotado durante a ação fiscal. Alega a embargante que o aresto combatido padece de vícios que especifica, devendo serem admitidos para (i) adequarse ao que efetivamente está em discussão, pois ao se pronunciar sobre o lançamento para a cobrança da CSLL, o citado acórdão foi maculado pelo vício da nulidade, por tratarse de decisão extrapetita; (ii) suprir as omissões apontadas relativas à aplicação da multa isolada decorrente de estimativas não recolhidas. Suscita, resumidamente, que a decisão de primeira instância, ao apreciar a impugnação apresentada, julgou improcedente o lançamento para a cobrança da CSLL e procedente o lançamento para a cobrança de multa, tornandose definitiva a decisão que julgou improcedente a cobrança de CSLL, em face do valor exonerado ter sido inferior ao limite previsto em legislação vigente à época. No que tange a parte que restou vencida, qual seja, a aplicação da multa isolada com fulcro na letra "b" do inciso II, do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, noticia que ingressou com o competente Recurso Voluntário, apresentando suas considerações sobre o tema, porém alega que elas não foram analisadas, por não haver quaisquer comentários a elas na parte expositiva do voto, havendo apenas, quando da formulação da ementa, acolhimento parcial de uma de suas alegações, porém, sem explicar como se chegou àquela conclusão. Fl. 613DF CARF MF Processo nº 19740.000674/200834 Acórdão n.º 1301002.814 S1C3T1 Fl. 613 3 Às fls. 544 a 547, encontrase o Despacho de Admissibilidade de Embargos, mediante o qual foram admitidos, para submetêlos à apreciação do Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator Os embargos são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade previstos no vigente Regimento Interno do CARF, razão pela qual os conheço e passo a analisálos. Primeiramente, necessário delimitar a lide. Delimitação da lide O objeto do lançamento foi crédito tributário de CSLL dos anos de 2004 e 2005, motivado pela falta de adição ao lucro liquido das despesas com pagamento de PIS e de COFINS, que, ao tempo dos fatos, se encontravam com exigibilidade suspensa por força de liminar em ação judicial. A par da exigência do tributo, foi "aplicada multa isolada em relação à desconsideração pelo contribuinte dessas despesas na apuração das estimativas calculadas mensalmente com base em balancetes de suspensão e redução, conforme demonstrativos de fls. 82 e 83". (efls. 94 TVF). Impugnado o lançamento, os autos foram remetidos à DRJ Rio de Janeiro I, que deu provimento parcial à impugnação, excluindo o crédito tributário relativo à CSLL, porém mantendo a integralidade da multa isolada. Entendeu aquele colegiado que, à época do lançamento, já existindo trânsito em julgado da decisão que considerou devidos o PIS e a COFINS, a irregularidade tributária passível de autuação seria apenas a postergação do tributo devido, jamais a falta de adição de créditos tributários com exigibilidade suspensa. Desse modo, em relação à exigência de CSLL, de fato, tornouse definitiva a decisão proferida na primeira instância administrativa, uma vez que, tendo em vista o valor envolvido, o recurso de ofício se mostrou incabível, impossibilitando discussão sobre esta parte do lançamento neste Conselho. A parte controversa encontrase limitada à aplicação da multa isolada com fulcro na letra "b" do inciso II, do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, por falta de recolhimento de estimativas dos meses de janeiro a maio de 2004 e fevereiro, março, maio, junho, outubro a dezembro de 2005. Irresignada contra a manutenção da referida multa isolada, foi apresentado recurso voluntário, onde o contribuinte pugnou por seu reexame, porém, ao apreciálo, a extinta 3ª Turma Especial decidiu, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário e, assim, não admitiu a dedução dos depósitos judiciais (tributo com exigibilidade suspensa) da base de cálculo da CSLL. Entretanto, deu provimento parcial ao recurso para limitar a multa isolada à CSLL efetivamente devida no final do período. Inconformado com o decisium, o contribuinte apresenta embargos de declaração, alegando que o aresto combatido padece de vícios que especifica, devendo (i) adequarse ao que efetivamente está em discussão, pois ao se pronunciar sobre o lançamento Fl. 614DF CARF MF Processo nº 19740.000674/200834 Acórdão n.º 1301002.814 S1C3T1 Fl. 614 4 para a cobrança da CSLL, entende que o citado acórdão foi maculado pelo vício da nulidade, por tratarse de decisão extrapetita; (ii) ser suprida as omissões apontadas relativas à aplicação da multa isolada decorrente de estimativas não recolhidas. Em seguida, foi proferido o Despacho de Admissibilidade de Embargos, mediante o qual foram admitidos, para submetêlos à apreciação do Colegiado. Assim, delimitada a lide, passo a analisar dos embargos de declaração opostos pelo contribuinte. Da Análise dos Embargos de Declaração Como se viu, ao apreciar o recurso apresentado, a 3ª Turma Especial desta 1ª Seção de Julgamento, pronunciouse sobre matéria incontroversa, não devolvida, que não cabia mais discussão, decidindo pela procedência da cobrança da CSLL. Com esta iniciativa, com a devida vênia, "ressuscitou" matéria "morta", através de um pronunciamento intempestivo. De fato, parte do crédito tributário, referente à exigência de CSLL, exonerada pela DRJ, se tornou definitiva, tendo em vista que o montante exonerado estava abaixo do limite de alçada. Portanto, nesse ponto, a decisão da DRJ deve ser restabelecida. Além desse equívoco, ainda há que se corrigir o vício de omissão apontado pelo embargante: pelo que se colhe do resultado do julgamento, aquele Colegiado decidiu por limitar a multa isolada ao valor da CSLL efetivamente devida ao final do período, porém, não apresentou qualquer fundamento sobre esta decisão. Em função disso, a Turma silenciouse quanto aos fundamentos da decisão sobre a multa isolada aplicada. Em primeiro lugar, não procede a alegação de impossibilidade de concomitância de multa isolada com a multa de ofício vinculada ao tributo. É que, no caso concreto, ao ser afastada a exigência da CSLL (o principal), a mesma sorte tiveram os acessórios, ou seja, os juros de mora e a multa de 75%. Portanto, do crédito tributário inicialmente lançado, remanesceu apenas a multa isolada, sem qualquer cumulação com qualquer outra multa. No que tange aos fundamentos a serem adotados para dar suporte à decisão que limitou a multa isolada à CSLL efetivamente devida ao final do período, adotase como razões de decidir o entendimento consagrado na ementa do Acórdão nº 10322466, trazido pela própria embargante, e cujo teor vai abaixo reproduzido: IRPJ. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. Conforme precedentes desta E. Câmara (v.g., Recurso 124.946), a exigência da multa de lançamento de ofício isolada, sobre diferenças de Imposto de Renda Pessoa Jurídica não recolhidas mensalmente, somente faz sentido se operada no curso do próprio anocalendário ou, se após o seu encerramento, se da irregularidade praticada pela contribuinte (falta de recolhimento ou recolhimento a menor) resultar prejuízo ao fisco, como a insuficiência de recolhimento mensal frente à apuração, após encerrado o anocalendário, de imposto devido maior do que o recolhido por estimativa. Recurso parcialmente provido para Fl. 615DF CARF MF Processo nº 19740.000674/200834 Acórdão n.º 1301002.814 S1C3T1 Fl. 615 5 fazer incidir a multa isolada apenas sobre o valor do IRPJ informado pela contribuinte na declaração de ajuste anual (DIPJ) dos anosbase respectivos, ante a época da lavratura do lançamento e o nãopagamento de quaisquer quantias a título de IRPJ por estimativa pelo contribuinte nos período assinalados. (Publicado no D.O.U. nº 128 de 06/07/06.) Conclusão Pelo exposto, voto por acolher os embargos declaratórios para: (i) com efeitos infringentes, afastar parte do acórdão que tratava da primeira infração, que não faz parte do litígio no CARF; e (ii) sem efeitos infringentes, para manter a decisão que aplicou a limitação da multa isolada à CSLL efetivamente devida ao final do período. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 616DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721280/2014-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2010
APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. LANÇAMENTO. NULIDADE.
É nulo, por vício material, o lançamento que não especifica de forma satisfatória, as rubricas que integram a base de cálculo utilizada para aferir o tributo devido.
RECOLHIMENTOS EFETUADOS. CONTRIBUINTES ESPECÍFICOS. GPS APROPRIADA.
Ainda que os registros do contribuinte apontem que o tributo devido relacionado a contribuinte específico foi recolhido, não há que alterar o lançamento se tais valores foram devidamente apropriados pelo Agente Fiscal.
DOCUMENTOS PROBATÓRIOS. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao contribuinte apresentar comprovação de fatos modificativos, extintivos ou impeditivos do direito de crédito constituído pelo Fisco.
CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO NA DIRF.
Constatado erro de enquadramento de rendimento na DIRF que serviu de lastro para o lançamento de contribuições previdenciárias sobre rendimentos pagos a contribuintes individuais, já que se ajustar o lançamento excluindo-se os valores que, comprovadamente, não devem integrar a base de cálculo do tributo previdenciário.
Numero da decisão: 2201-004.369
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, também por unanimidade de votos, em conhecê-lo e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para afastar a imposição fiscal previdenciária incidente sobre os pagamentos efetuados à Sra. Sandra Soares de Souza Schulze, incluída no Levantamento CI - Contribuintes Individuais.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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LANÇAMENTO. NULIDADE. É nulo, por vício material, o lançamento que não especifica de forma satisfatória, as rubricas que integram a base de cálculo utilizada para aferir o tributo devido. RECOLHIMENTOS EFETUADOS. CONTRIBUINTES ESPECÍFICOS. GPS APROPRIADA. Ainda que os registros do contribuinte apontem que o tributo devido relacionado a contribuinte específico foi recolhido, não há que alterar o lançamento se tais valores foram devidamente apropriados pelo Agente Fiscal. DOCUMENTOS PROBATÓRIOS. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte apresentar comprovação de fatos modificativos, extintivos ou impeditivos do direito de crédito constituído pelo Fisco. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO NA DIRF. 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Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório O presente processo trata de Recursos Voluntário e de Ofício em face do Acórdão nº 0835.146 6ª Turma da DRJ/FOR, fl. 5081 a 5090, que assim relatou a lide administrativa: Tratase de processo no nome da contribuinte em epígrafe, doravante mencionado simplesmente como contribuinte ou Accenture, por meio do qual foi formalizado crédito tributário. O processo se compõe dos seguintes Autos de Infração: a) Autos de Infração de Obrigações Principais: b) Auto de Infração com multa por descumprimento de obrigação acessória: Fl. 5243DF CARF MF Processo nº 19515.721280/201425 Acórdão n.º 2201004.369 S2C2T1 Fl. 5.242 3 Consta no Termo de Verificação Fiscal que: O Auto de Infração nº 51.063.1444 foi lavrado porque a empresa, depois de intimada a apresentar a folha de pagamento de contribuintes individuais, informou que não prepara essa folha. A multa foi aplicada com base na Lei nº 8.212/91, arts. 92 e 102, e no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, art. 283, I, “a”, em seu valor mínimo, atualizado pela Portaria PT/MPS/MF nº 19/2014. Não foram apuradas circunstâncias agravantes, tampouco atenuantes. Foram lançadas no levantamento “ND – DIFERENÇA FP E GFIP” as contribuições relativas a remunerações apuradas nas folhas de pagamento e contabilidade, não reconhecidas pela empresa como base de cálculo, tais como, férias, abono constitucional de férias e aviso prévio indenizado, todos especificados em planilha anexa. Tais valores não foram declarados nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. No levantamento FP (Diferença de RAT e FAP), foram lançadas as diferenças de RAT decorrentes da constatação da declaração incorreta da alíquota (1%, ao invés de 2%) e do Fator Previdenciário Acidentário – FAP incorreto (1, ao invés de 1,7099). No levantamento CI (Contribuintes Individuais) foram lançadas as contribuições incidentes sobre bases de cálculo apuradas pela comparação dos valores informados pela empresa em Declaração de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – DIRF (código de recolhimento 0588) com os valores declarados em GFIP na categoria 13. Foi constatada a existência, em tese, de crime de Sonegação de Contribuição Previdenciária, o que enseja a emissão de Representação Fiscal para Fins Penais. A ciência da empresa ocorreu em 14/11/2014, conforme Aviso de Recebimento – AR juntado aos autos. Em 15/12/2014, foi apresentada impugnação, na qual foi alegado, em síntese, que: A impugnação é tempestiva. A Auditoria incorreu em erro na apuração do valor das férias e do terço constitucional de férias. Comparando os resumos das folhas de pagamento com a planilha da autoridade fiscal, a impugnante constatou que as contribuições foram calculadas sobre um valor duplicado dessas rubricas. Os valores de férias e terço constitucional de férias eram indicados inicialmente em uma folha de férias emitida no mês de início da fruição das férias, sendo nesse momento retido o Imposto sobre a Renda. Posteriormente, esses mesmos valores eram indicados na folha de pagamento mensal. A impugnante já recolheu as contribuições previdenciárias e as de terceiros incidentes sobre as rubricas férias, terço Fl. 5244DF CARF MF 4 constitucional de férias e aviso prévio indenizado conforme comprovam os seguintes documentos: resumo da folha de pagamento, cópia do comprovante de declaração GFIP/SEFIP, cópias das guias. Em face do grande número de documentos a serem analisados, fazse necessária a conversão do julgamento em diligência, para a verificação de todas as planilhas juntadas, visando à comprovação do erro no cálculo da fiscalização. Ainda que se entenda que o cálculo da Auditoria está correto, não pode ser mantido o lançamento, pois referidas rubricas constituem parcelas de natureza indenizatória e não representam rendimento do trabalho. Durante o gozo de férias, não há prestação de serviços ou disponibilidade do segurado empregado, não se enquadrando essa verba no conceito de salário. Esse é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial nº 1.322.945/DF, que afastou a incidência da contribuição previdenciária sobre o pagamento de férias gozadas. O terço constitucional de férias, verba destinada a reforçar as finanças do trabalhador no seu período de férias, tem a mesma natureza do abono pecuniário previsto no art. 143 da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT. Esse abono, por não ser devido em contraprestação pelo trabalho realizado, também não tem natureza salarial, nos termos do art. 144 da CLT. Se o abono pecuniário não sofre incidência da contribuição previdenciária, conforme art. 28, §9º, “e”, da Lei nº 8.212/1991, da mesma forma não há incidência sobre o terço constitucional de férias. O Supremo Tribunal Federal – STF vêm decidindo que não há incidência da contribuição previdenciária sobre o adicional constitucional de férias, sob o fundamento de que somente as parcelas incorporáveis ao salário do servidor público têm incidência da exação. O mesmo raciocínio se aplica aos trabalhadores da iniciativa privada, aos quais deve ser dado tratamento isonômico. Ademais, o STJ, no julgamento do Recurso Especial nº 1.230.957/RS em sede de recurso repetitivo, reconheceu que o adicional de férias gozadas possui natureza indenizatória/compensatória, não incidindo a contribuição previdenciária sobre ele. O aviso prévio indenizado é pagamento de indenização que não guarda relação com a prestação de serviços. A Lei nº 8.212/1991, na sua redação original, excluía expressamente o aviso prévio indenizado da incidência da contribuição previdenciária. Embora a redação atual não disponha a respeito, o Decreto nº 3.048/1999 explicitou que tal verba não integra a base de cálculo dessa contribuição. Mesmo com a revogação da alínea “f” do inciso V do §9º do art. 214 do Decreto nº 3.048/1999 pelo Decreto nº 6.727/2009, o aviso prévio indenizado, pela sua natureza, não sofre incidência da contribuição previdenciária, por ser verba indenizatória. A Fl. 5245DF CARF MF Processo nº 19515.721280/201425 Acórdão n.º 2201004.369 S2C2T1 Fl. 5.243 5 isenção da tributação do aviso prévio indenizado pelo Imposto sobre a Renda evidencia essa natureza. A jurisprudência dos Tribunais Regionais Federais afastam a incidência da contribuição previdenciária sobre o aviso prévio indenizado e a 1ª Seção do STJ, ao analisar o Recurso Especial nº 1.230.957/RS em sede de recurso repetitivo, reconheceu que essa verba não tem caráter remuneratório e não está sujeita a essa contribuição. O Supremo Tribunal Federal – STF recusou o Recurso Extraordinário com Agravo nº 745.901, ante a ausência de repercussão geral, por não se tratar de matéria constitucional, prevalecendo o entendimento do STJ. De acordo com o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, aprovado pela Portaria nº 256/2009, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STJ na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento de recursos. Não há diferença de RAT decorrente do recolhimento a menor em função da aplicação da alíquota de 1% no lugar de 2%, a qual foi apurada pela fiscalização para a competência 01/2010. A empresa já havia detectado esse equívoco e fez um recolhimento complementar da diferença entre a alíquota de 1% e a alíquota de 3,42% (arredondamento do percentual de 3,4198%). Para comprovar o alegado, a impugnante anexa planilha e cópia das Guias da Previdência Social – GPS complementares. Em razão do volume de documentos a serem analisados, reitera o pedido de diligência. Para as demais competências (02/2010 a 12/2010), houve o recolhimento do RAT com a alíquota de 2%, tendo sido lançada apenas a diferença decorrente do FAP. A impugnante entende, contudo, que o FAP utilizado é o correto, pois havia diversas inconsistências na formação desse índice. A empresa não pode ser penalizada com o cômputo do auxílio doença no FAP, já que esse benefício é concedido ao segurado que fica incapacitado por doença ou acidente que não guarda nexo com o trabalho. O Ministério da Previdência Social – MPS, contudo, computou no rol de “AuxílioDoença por acidente de trabalho – B91”, para o cálculo do FAP 2009 (vigência 2010), segurados empregados afastados por perceberem esse benefício. A metodologia do FAP prevê no cômputo para o cálculo do índice de frequência, todas as ocorrências acidentárias registradas por meio de Comunicação de Acidente de Trabalho – CAT, o que inclui indevidamente eventos como simples assistência médica, afastamento inferior a 15 dias e acidente de trajeto ou doença profissional. Tal inclusão contraria a natureza desse índice, não tendo a empresa qualquer influência sobre as vias em que trafegam seus empregados no percurso para o trabalho. O Tribunal Regional Federal da 3ª Região afastou os acidentes de trajeto do cálculo do FAP em caso semelhante em face dos mesmos argumentos. Fl. 5246DF CARF MF 6 É inconstitucional a delegação para o Poder Executivo estabelecer a metodologia de apuração do FAP, pois há afronta ao princípio da estrita legalidade. Ademais, o FAP vai de encontro aos princípios da Regra da Contrapartida, da Equidade na Forma de Participação no Custeio e do Equilíbrio Financeiro e Atuarial. Além disso, na forma em que foi disponibilizado o FAP, a empresa ficou impossibilitada de checar as informações. O STF, ao analisar o RE nº 684.261, reconheceu a existência da repercussão geral acerca do multiplicador do FAP, matéria que aguarda julgamento. No que diz respeito ao lançamento das contribuições incidentes sobre remunerações de contribuintes individuais, a impugnante esclarece que houve sim o recolhimento da contribuição previdenciária sobre parte dos pagamentos feitos e declarados em DIRF e, em relação a casos específicos, o recolhimento não ocorreu por não se tratar de verba sujeita à incidência de contribuição previdenciária. Os pagamentos realizados ao Sr. Antônio Parente no ano de 2010 foram objeto de recolhimento da contribuição, conforme comprovam a cópia da GFIP, GPS, comprovante bancário e os outros documentos anexados (documento nº 17). O pagamento feito à Sra. Denise Duarte Damiani no valor de R$.576.865,00 referese à venda de suas quotas e à indenização pelo período de não concorrência previsto no contrato, não decorrendo de prestação de qualquer trabalho ou serviço. O pagamento pelas quotas foi realizado em uma única parcela, paga em 1º/12/2010. A base de cálculo do Imposto sobre a Renda foi no valor de R$ 574.730,14 em face de um pequeno desconto efetuado no momento do pagamento. O mesmo ocorreu com relação ao pagamento de R$ 576.615,00 efetuado ao Sr. Fernando Jimenez Boldrini pela venda de suas quotas e à indenização pelo período de não concorrência. Foramlhe pagas 11 prestações mensais, sendo a primeira em 30/09/2010, no valor de R$ 95.977,50 e as demais no valor de R$ 47.988,75, além do montante de R$ 750,00 pago em 30/09/2010. Assim, os três pagamentos no valor de R$ 47.305,96 indicados pela fiscalização corresponderam a três parcelas de um total de 11, acordadas no contrato de compra e venda de quotas. A base de cálculo do Imposto sobre a Renda sobre cada parcela foi no valor de R$ 47.305,96 em razão de pequeno desconto efetuado no momento do pagamento. Os pagamentos efetuados ao Sr. Nestor no ano de 2010 foram objeto de recolhimento de contribuição previdenciária, conforme comprovam a cópia da GFIP, a GPS, comprovantes bancários e outros documentos acostados (Doc. nº 20). Os pagamentos efetuados à Sra. Sandra Soares de Souza Schulze se deram a título de aluguel de um imóvel por três meses no ano de 2010, no valor mensal de R$.1.847,37. Não são, pois, pagamentos vinculados a prestação de serviço e não sofrem incidência de contribuição previdenciária. Houve equívoco no preenchimento da DIRF, tendo a impugnante indicado o código Fl. 5247DF CARF MF Processo nº 19515.721280/201425 Acórdão n.º 2201004.369 S2C2T1 Fl. 5.244 7 de receita 0588 (Rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício), quando deveria ter indicado o código de receita 3208 (Aluguéis e royalties pagos a pessoa física), conforme constou no DARF de recolhimento do Imposto sobre a Renda. Para comprovar esse fato, junta cópia do informe de retenção do Imposto sobre a Renda sobre o valor de aluguel pago à Sra. Denise (Doc. nº 21). O Auto de Infração nº 51.063.1444 considerou como fatos geradores não declarados em GFIP os valores lançados no Auto de Infração nº 51.063.1452, objeto de questionamento na impugnação. Como foi comprovada a improcedência dos lançamentos relativos aos contribuintes individuais, a obrigação acessória deve seguir a mesma sorte, não havendo fundamento jurídico para a cobrança. Não havendo imputação específica a nenhuma das pessoas que têm vínculo com a empresa, não podem elas ser responsabilizadas de forma genérica, sem serem observados os requisitos do art. 135, III, do Código Tributário Nacional. Assim, essas pessoas devem ser excluídas do Relatório de Vínculos anexo ao Auto de Infração. Ao final, a defendente requer seja acolhida e provida a sua impugnação, para que os Autos de Infração sejam julgados improcedentes. Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente juntada de novos documentos ou quaisquer providências que se entendam necessárias. O julgamento foi convertido em diligência por meio da Resolução nº 2.907, de 26/03/2015, para que a Auditoria Fiscal se manifestasse sobre a alegação de que houve valores de férias lançados em duplicidade, bem como elaborasse planilha com a discriminação das rubricas que compuseram o levantamento ND. A diligência foi efetuada, tendo a Auditoria emitido relatório em 26/08/2015, do qual a contribuinte teve ciência em 27/08/2015, conforme AR juntado aos autos. No relatório consta que na tabela de incidência da empresa, foi encontrada a relação de rubricas, tendo sido classificadas as rubricas relativas a férias e 1/3 de férias no código 9, que significa “outras bases de cálculo”. Por sua vez, o aviso prévio indenizado foi classificado no código 6, base de cálculo exclusiva do FGTS. O correto era a empresa ter classificado as rubricas no código 1, ou seja, base de cálculo de contribuições previdenciárias. Foram analisados, por amostragem, os resumos das folhas de pagamento apresentados da competência 01/2010, matriz e filial 2. A diferença encontrada entre folha e GFIP foi praticamente idêntica à lançada. Foi elaborada planilha onde constam, por estabelecimento e competência, a relação nominal dos segurados, o total de remuneração que constitui saláriode contribuição, os valores declarados em GFIP e a diferença não declarada. A planilha, anexada em CDRoom somente Fl. 5248DF CARF MF 8 contempla os segurados onde foram verificadas diferenças de valores não declarados em GFIP. Em 25/09/2015, a contribuinte apresentou peça impugnatória, na qual alega, em resumo, que: A fiscalização limitouse a dizer que as rubricas deveriam estar enquadradas no código 1, sem analisar todas as planilhas e demais documentos apresentados com a impugnação. Foram analisados os mesmos documentos disponíveis durante o período de fiscalização, com a realização do mesmo procedimento já efetivado anteriormente. A fiscalização verificou o resumo da folha em formato MANAD no qual constava o enquadramento incorreto. Como já dito, foram registradas férias e o terço de férias duas vezes, a primeira para fins de incidência de Imposto sobre a Renda e a segunda para fins de incidência de contribuição patronal, terceiros e FGTS. Na época, não havia validação que detectasse esse equívoco. A impugnante retificou os códigos e submeteu a folha novamente à validação, sendo zeradas as divergências. Já tinham sido pagas, pois, as contribuições previdenciárias patronais e destinadas a terceiros. Foi juntado aos autos o MANAD retificado, o qual não apontou qualquer divergência de recolhimentos a menor. Ocorreu a mesma coisa com o aviso prévio indenizado, o qual foi retificado, após o que restou demonstrado que não houve recolhimento a menor. Ao final, a impugnante requer que: (i) seja declarado que houve o recolhimento da contribuição patronal e daquela destinadas a terceiros incidentes sobre as rubricas de férias, terço constitucional de férias e aviso prévio indenizado; (ii) sejam julgados improcedentes os Autos de Infração 51.063.1452 e 51.063.1460 na parte relativa à ausência de recolhimentos das contribuições incidentes sobre o pagamento de férias, terço constitucional de férias e aviso prévio indenizado; (iii) reitera os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Debruçada sobre os termos da Impugnação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE, julgoua parcialmente procedente, lastreada nas razões que podem ser assim resumidas: Da Aplicação das Decisões Judiciais no Processo Administrativo Fiscal (...) Em resumo, a DRJ somente deve reproduzir na decisão de primeira instância administrativa a tese do Judiciário relativa a matéria objeto de decisão definitiva exarada no STJ ou no STF no rito dos arts. 543B (rito de repercussão geral) ou 543C (rito dos recursos repetitivos) na hipótese da comunicação da PGFN. Da Diferença de RAT/FAP A competência para atribuição do FAP às empresas ou equiparadas é do Ministério da Previdência Social, conforme Fl. 5249DF CARF MF Processo nº 19515.721280/201425 Acórdão n.º 2201004.369 S2C2T1 Fl. 5.245 9 definido no art. 202B do RPS, incluído pelo Decreto nº 7.126/2010, publicado em 04/03/2010. Conforme o mesmo dispositivo, §2º, da decisão proferida pelo Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional caberá recurso, no prazo de trinta dias, para a Secretaria de Políticas de Previdência Social, que examinará a matéria em caráter terminativo. A Auditora Fiscal utilizou os FAP informados pelo Ministério da Previdência Social e qualquer contestação contra os índices deveriam ter sido dirigidos àquele Ministério, no rito estabelecido em regulamento. Nem a Auditora Fiscal, nem este colegiado tem competência para alterar o FAP estabelecido. Dos Contribuintes Individuais (...) ... A prova das alegações é imprescindível para que sejam acatadas. (...) Dessa forma, os argumentos relativos às contribuições incidentes sobre as remunerações de contribuintes individuais não são pertinentes, devendo ser mantido o lançamento. Do Auto de Infração 51.063.1444 (...) O argumento da impugnante é, pois, descabido uma vez que o fato de não haver lançamento dos demais valores pagos aos contribuintes individuais não a exime de incluílos nas folhas de pagamento. Do Relatório de Vínculos (...) O Relatório de Vínculos, que faz parte integrante do Auto de Infração, apenas identifica as pessoas de interesse da Administração Tributária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, não sendo o instrumento cabível para imputação de responsabilidade pelo crédito tributário. Das Férias e Do Aviso Prévio Indenizado (...) A descrição do fato gerador, com a delimitação da matéria tributável, é requisito expresso não só no art. 142 do CTN, mas também no art. 10, III, do Decreto nº 70.235/1972. No caso, o fato narrado pela Auditoria Fiscal não restou comprovado por ela, o que se evidencia ao se contrastar a planilha confeccionada com os demais dados disponíveis no banco de dados na Secretaria da Receita Federal do Brasil e apresentados pela contribuinte. Assim, o lançamento, na parte efetuada sob o levantamento ND está eivado de vício material, sendo nulo. Da Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de julgar procedente em parte a impugnação e manter em parte o crédito tributário, declarando nulo por vício de natureza material o lançamento efetuado sob o levantamento ND – DIFERENÇA FP E GFIP, nos seguintes termos: Fl. 5250DF CARF MF 10 I) julgando procedente em parte o Auto de Infração nº 51.063.1452, com a exclusão dos valores constantes na tabela em anexo; II) julgando improcedente o lançamento efetuado por meio do Auto de Infração nº 51.063.1460, o qual fica integralmente exonerado. Contra a Decisão acima, foi interposto Recurso de Ofício, em virtude de o crédito tributário exonerado ser superior ao limite de alçada previsto no Decreto nº 70.235/72, art. 34, I, c/c artigo 1º da Portaria do Ministro da Fazenda nº 3, de 07/01/2008. Cientificado do Acórdão de 1ª Instância administrativa em 15 de dezembro de 2016, conforme Termo de Ciência de fl. 5118, ainda inconformado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fl. 5120 a 5136, no qual reitera parte dos argumentos já expressos em sede de impugnação, os quais serão detalhados no curso do voto a seguir. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por preencher as condições de admissibilidade, conheço dos recursos de ofício e voluntário. Do Recurso de Ofício. Conforme se vê no Relatório supra, o julgamento em 1ª Instância foi convertido em diligência nos termos da Resolução de fl. 5017 a 5020. O objeto da diligência determinada está relacionado ao Levantamento ND Diferença entre Folha de Pagamento e GFIP, que compreende a exigência de contribuições previdenciárias incidentes sobre valores identificados na contabilidade do autuado que, indevidamente, não teriam integrado a base de cálculo do tributo, os quais são relativos a férias, terço constitucional de férias e aviso prévio indenizado. A defesa alegou que as férias foram consideradas em duplicidade, já que emitia folha de controle de férias em paralelo aos valores lançados na folha de pagamento, a qual foi anexada aos autos. Assim, tendo em vista a grande quantidade de documentos a serem analisados, o Julgador de 1ª Instância entendeu que seria indispensável que a Fiscalização elaborasse planilha detalhada da base de cálculo do Levantamento ND, discriminando, por competência, todas as rubricas (férias, terço constitucional de férias, aviso prévio, etc). A Autoridade Fiscal, em cumprimento à diligência (fl. 5037/5040), relatou que apurou tributo sobre as verbas citadas no parágrafo precedente já que tais rubricas foram classificadas incorretamente (classificou nos códigos 6 e 9, quando deveria ter classificado no código 1), não tendo sido consideradas pela empresa no cálculo da contribuição previdenciária. No julgamento em 1ª Instância, foi exonerada parte do lançamento em razão da conclusão de que a Autoridade Lançadora, ainda que por amostragem, não cumpriu a Fl. 5251DF CARF MF Processo nº 19515.721280/201425 Acórdão n.º 2201004.369 S2C2T1 Fl. 5.246 11 diligência requerida, ao não especificar adequadamente as rubricas que compuseram as diferenças que justificaram a autuação. Cotejando os documentos apresentados com informações sistêmicas dos anos 2009 e 2010, o Julgador concluiu que a remuneração mensal dos segurados é compatível com o valor alegado pela empresa e que o montante lançado representaria aproximadamente o dobro do que seria devido. Firme em suas convicções, concluiu que o Levantamento ND está eivado de nulidade, por vício material, que alcança requisito fundamental do lançamento expresso no art. 142 do CTN, do que resultou a exoneração parcial do DEBCAD 51.063.1452 e integral do DEBCAD 51.063.1460, tendo sido formalizado o necessário Recurso de Ofício, em razão do valor exonerado. A diligência requerida decorre da verossimilhança dos argumentos da defesa e da necessidade de análise de vasta documentação apresentada no curso da impugnação, em particular aquelas relativas ao resumo de folha de pagamento e o seu cotejo com GFIP e GPS (doc. nº 5, 6 e 7). No Relatório Fiscal de Diligência contido em fl. 5037 a 5040, o Agente Fiscal pretendeu demonstrar a procedência do lançamento, afirmando que, analisando por amostragem (01/2010, filial 0001) o Resumo da Folha de Pagamentos apresentado pelo contribuinte e comparando com os valores declarados em GFIP, é possível constatar que as diferenças apuradas são compatíveis com o lançamento efetuado (Diferença identificada R$ 1.692.082,47; Valor lançado R$ 1.676.931,49. Não obstante, de fato, não apresentou planilha discriminando as rubricas que compõem o lançamento nos termos requeridos na Resolução de fl. 5017 e ss, o que, inicialmente, impossibilitou a formação de convicção do julgador quanto à procedência ou não das alegações relativas à duplicidade apontada em sede de impugnação. Diante de tal cenário, os membros da Turma de Julgamento de 1ª Instância, acatando por unanimidade as conclusões do voto do relator, que analisando documentos inseridos nos autos e informações contidas nos sistemas da RFB concluiu que os elementos disponíveis são suficientes à afirmação de ocorrência de erro na apuração da base de cálculo do tributo lançado, decidiram pela supracitada nulidade do Levantamento ND. Não identifico motivos que justifiquem a alteração das conclusões da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Afinal, ainda que haja uma parcela do valor lançado não alcançado pela alegada duplicidade (aviso prévio indenizado), sem que haja uma segregação de rubricas não é possível quantificar o que deve ou não ser mantido do lançamento. Constatase que o Agente Fiscal, no exercício de sua competência privativa, não se desincumbiu da obrigação da detalhar adequadamente os valores que compõem a base de cálculo do tributo lançado, o que impõe o reconhecimento da nulidade do Levantamento ND por vicio material, por macular a essência da atividade de lançamento, que seria a verificação da ocorrência do fato gerador, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante devido do tributo, a identificação do sujeito passivo, tudo nos termos do art. 142 da Lei 5.172/66 (CTN). Fl. 5252DF CARF MF 12 Assim, nego provimento ao Recurso de Ofício. Do Recurso Voluntário Do Recolhimento do SAT/RAT ajustada pelo FAP na competência janeiro de 2010 Afirma o Recorrente que a Fiscalização considerou incorreto o recolhimento da contribuição ao SAT/RAT com base na alíquota de 1% na competência de Janeiro de 2010, por entender que o correto seria 2%, além do ajuste pelo FAP de 1,7099, totalizando uma contribuição a este título no percentual de 3.4198%. Contudo, esclarece que comprovou, em sua impugnação, especificamente na competência de janeiro de 2010, que houve o recolhimento da diferença que está sendo exigida antes da lavratura do Auto de Infração. A DRJ não acatou os argumentos do contribuinte sob a alegação de que os valores recolhidos em GPS não têm vinculação específica às contribuições devidas a segurados, patronal, RAT, etc. Entendeu o Julgador que agiu corretamente a Fiscalização ao fazer convergir para as contribuições declaradas o montante recolhido e os valores de retenção destacados em notas fiscais de serviço, já que todas as guias apresentadas pela autuada (planilha de fl. 2040) foram aproveitadas pela Auditoria, conforme se pode ver no Relatório de Documentos Apresentados RDA, fl.387. Não há dúvidas de que o Agente Fiscal considerou os pagamento efetuados pelo contribuinte ao apurar os valores devidos do lançamento, é o que se verifica no Relatório de Documentos Apresentados inserido nos autos a partir de fl. 387. Tal aparente impropriedade decorre de que os recolhimentos são efetuados sem identificar a que contribuintes se referem, o que leva sua alocação ao débito de forma global, por código de recolhimento, razão pela qual considero o lançamento e a decisão recorrida procedentes. Inconsistências identificadas na metodologia de cálculo do Índice FAP 2009 (vigência ano de 2010). Alega o recorrente que, para os meses de fevereiro a dezembro de 2010, houve efetivo recolhimento considerando em 2% a alíquota SAT/RAT, tendo sido lançada apenas a diferença entre o FAP de 1 e 1,7099, do que resulta a cobrança do percentual correspondente a 1,4198 [(2 x 1,7099) 2]. Sustenta que o índice FAP 1 utilizado estaria correto, na medida em que existiam diversas inconsistências na formação do índice considerado pela fiscalização, sendo necessária a exclusão de determinados eventos que foram indevidamente considerados no cálculo do índice da Recorrente, razão pela qual entende que merece revisão a conclusão do Julgador de 1ª Instância, que alegou incompetência legal para tratar do tema, que estaria a cargo do Ministério da Previdência Social.. Após tecer considerações sobre a metodologia utilizada para cálculo do índice FAP, aponta os eventos que, em seu entendimento não poderiam ser computados. Fl. 5253DF CARF MF Processo nº 19515.721280/201425 Acórdão n.º 2201004.369 S2C2T1 Fl. 5.247 13 Em item imediatamente seguinte, a defesa questiona a legalidade e inconstitucionalidade do Índice FAP, por entender que é inconstitucional a atribuição de competência ao Poder Executivo para estabelecer a metodologia, sistemática, parâmetros e critérios para cálculo e aplicação do FAP, já que a matéria só poderia ser veiculada por lei, citando que o tema é objeto de Recurso Especial ainda em andamento, com repercussão geral reconhecida. Os temas em tela não merecem maiores considerações, pois não há dúvidas de que agiu bem a Autoridade recorrida, já que é sim possível a contestação do FAP atribuído às empresas, mas tal pleito deve ser objeto de demanda específica junto ao Ministério da Previdência Social, nos termos do art. 202B do Decreto 3.048/19991. Não há nos autos nenhum elemento que aponte que a citada contestação foi formalizada. Quanto à alegação de ilegalidade de tal alteração, conforme já dito alhures, não é matéria para tratamento em julgamento administrativo de 2ª Instância qualquer juízo sobre a inconstitucionalidade de leis tributária ou mesmo o afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto sob amparo de inconstitucionalidade, tudo conforme se vê nos comandos abaixo: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ricarf. Portaria MF 343/2015. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Portanto, não procedem os argumentos recursais. Improcedência da cobrança da contribuição previdenciária patronal incidente sobre pagamentos efetuados a contribuintes individuais Alega a defesa que a Fiscalização concluiu que não teria havido o recolhimento de contribuição previdenciária patronal incidente sobre os valores pagos a supostos contribuintes individuais, tendo chegado a tal conclusão a partir do cotejo das informações em DIRF, no código 0588 (rendimento do trabalho sem vínculo empregatício), e os valores declarados em GFIP (contribuintes individuais). Sustenta que houve sim recolhimento de contribuições previdenciárias sobre determinados pagamentos efetuados e, em relação a casos específicos, não houve pagamento por não se tratar de operação sujeita à incidência de contribuição previdenciária. A Delegacia de Julgamento entendeu improcedentes os argumentos de que há valores recolhidos não considerados pela fiscalização, já que todos os recolhimentos efetuados foram devidamente apropriados em caráter prioritário para fazer face aos valores declarados em GFIP. Quanto aos argumentos de que sobre as operações não deveriam incidir contribuições previdenciárias, não foram apresentadas provas inequívocas das alegações. 1 Art. 202B. O FAP atribuído às empresas pelo Ministério da Previdência Social poderá ser contestado perante o Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional da Secretaria Políticas de Previdência Social do Ministério da Previdência Social, no prazo de trinta dias da sua divulgação oficial. (Incluído pelo Decreto nº 7.126, de 2010) Fl. 5254DF CARF MF 14 Passase à análise segregada dos argumentos. Antônio Meurer Parente Ribeiro e Nestor Cerveira Filho Alega o recorrente que efetuou os recolhimentos da contribuição previdenciária devida sobre os pagamentos realizados, tendo apresentando resumo de pagamentos e valores a recolher, fl. 4.909, bem assim as GPS de fl. 4910 a 4920, no caso do Sr. Antônio Meurer. Já em relação ao Sr. Nestor, os documentos constam de fl. 4954 e ss. Não obstante, os recolhimentos comprovados foram devidamente considerados pelo Auditor Fiscal no lançamento, é o que se verifica do cotejo das GPS apresentadas e os recolhimentos constantes do Relatório de Documentos Apresentados de fl. 387 e ss. Embora os registros do contribuinte indiquem que os valores das contribuições devidas sobre os pagamentos efetuados aos Srs. Antônio Meurer e Nertor Cerveira tenham sido recolhidos, ao final, não haveria diferença, pois caso alocados tais pagamentos especificamente para extinguir a obrigação relativa aos citados contribuintes individuais, valores equivalentes apurados teriam restado não recolhidos e, por tal razão incluídos no lançamento. Conforme já dito alhures, tal aparente impropriedade decorre de que os recolhimentos são efetuados sem identificar a que contribuintes se referem, o que leva sua alocação ao débito de forma global, por código de recolhimento, razão pela qual considero o lançamento e a decisão recorrida procedentes. Denise Duarte Damiani e Fernando Jimenez Boldrini Alega o recorrente que o valor bruto total de R$ 576.865,00 pago à Sra. Denise seria decorrente da aquisição de suas quotas na Sociedade Accenture Consultoria de Telecomunicações, Mídia e Serviços Financeiros Ltda, não decorrendo de qualquer prestação de serviço Os documentos apresentados pela defesa para este tópico estão contidos nos autos em fl. 4938 a 4952, nos quais é possível encontrar um contrato de compra e venda de quotas em que a Sra. Denise figura como vendedora e a Recorrente como compradora, bem assim um recibo relativo à operação. Em relação ao Sr. Fernando, a alegação é a mesma, com a diferença de as quotas transacionadas eram da Accenture Consultoria de Recursos Naturais Ltda, cujos documentos constam de fl. 4991 a 5005. A DRJ não reconheceu força probante para tais documentos por não apresentarem qualquer assinatura. Mesmo cientificado do teor do decidido em 1ª Instância, o recorrente não complementou a documentação de modo a robustecer suas alegações e o que se tem até agora nos autos são meras minutas de documentos que noticiam eventos que não se pode efetivamente dizer que ocorreram. Assim, não identifico motivos para alterar a Decisão recorrida, já que cabia exclusivamente ao contribuinte apresentar comprovação de fatos modificativos, extintivos ou impeditivos do direito de crédito constituído pelo Fisco. O que não foi feito. Fl. 5255DF CARF MF Processo nº 19515.721280/201425 Acórdão n.º 2201004.369 S2C2T1 Fl. 5.248 15 Sandra Soares de Souza Schulze Alega o recorrente que os valores pagos à Sra. Sandra seriam decorrente de contrato de aluguel e que o valor lançado corresponderia a três meses, indevidamente lançados em dirf no código 0588 (Rendimentos sem Vínculo Empregatício), quando o correto seria 3208 (Aluguéis e Royalties). Juntou aos autos, em sede de impugnação, o comprovante de rendimentos de fl. 4953. A Delegacia de Julgamento entendeu que a Declaração de Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza – IRPF da Sra Sandra não se presta a provar que o valor pago a ela decorre de aluguel de imóvel de sua propriedade. Embora com alguma incorreção, já que o documento juntado não é uma declaração de rendimentos, mas um comprovante de rendimentos, a conclusão da DRJ está correta, já que tal documento não se presta à comprovação desejada pela defesa. Não obstante, após o recurso voluntário, foi juntado aos autos o contrato de locação que ampara o argumento recursal. Assim, neste tema, entendo que prosperam as razões da defesa, devendo ser afastada a imposição fiscal previdenciária incidente sobre os pagamentos efetuados à Sra. Sandra Soares de Souza Schulze, incluída no Levantamento CI Contribuintes Individuais. Auto de Infração nº 51.063.1444 Obrigação acessória. Insurgese o contribuinte contra a exigência amparada no argumento de que a autuação decorre do DEBCAD 51.063.1452, o qual já teria sido exonerado parcialmente, com a convicção da defesa de que as demais infrações estariam plenamente justificadas no recurso voluntário ora sob análise. Portanto, os argumentos recursais se limitam a pleitear, em relação à presente autuação, a aplicação do reflexos decorrentes da análise das infrações relativas às ocorrências capituladas nos AIOP resultantes do mesmo procedimento fiscal, esperando que todas as infrações imputadas fossem excluídas no curso do presente julgamento, o que, considerando o teor do voto acima, não se confirmou. Assim, considerando que o valor lançado não varia de acordo com a quantidade de infrações identificadas, a exigência fiscal deve ser mantida. Conclusão Assim, tendo em vista tudo que consta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais que integram o presente, voto por conhecer do recurso de ofício para negarlhe provimento. Quanto ao recurso voluntário, por conhecer e, no mérito, darlhe parcial provimento para afastar a imposição fiscal previdenciária incidente sobre os pagamentos efetuados à Sra. Sandra Soares de Souza Schulze, incluída no Levantamento CI Contribuintes Individuais. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 5256DF CARF MF 16 Fl. 5257DF CARF MF
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