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7280733 #
Numero do processo: 10820.720888/2011-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO Acolhem-se os embargos declaratórios para sanar a omissão apontada para alterar o dispositivo do Acórdão, sem atribuição de efeitos infringentes.
Numero da decisão: 2401-005.409
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos, na parte em que foram admitidos, e dar-lhes provimento, sem efeitos infringentes, para alterar o dispositivo do acórdão embargado para: "Por unanimidade de votos, afastar as preliminares e negar provimento ao recurso". (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 789; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T1  Fl. 2          1 1  S2­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10820.720888/2011­61  Recurso nº               Embargos  Acórdão nº  2401­005.409  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  4 de abril de 2018  Matéria  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Embargante  GENOVEVA MUNARI GATTO  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2006, 2007, 2008  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO  Acolhem­se  os  embargos  declaratórios  para  sanar  a  omissão  apontada  para  alterar o dispositivo do Acórdão, sem atribuição de efeitos infringentes.          Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 72 08 88 /2 01 1- 61 Fl. 700DF CARF MF     2       Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  dos  embargos,  na  parte  em  que  foram  admitidos,  e  dar­lhes  provimento,  sem  efeitos  infringentes, para alterar o dispositivo do acórdão embargado para: "Por unanimidade de votos,  afastar as preliminares e negar provimento ao recurso".        (Assinado digitalmente)  Miriam Denise Xavier ­ Presidente.         (Assinado digitalmente)  Andréa Viana Arrais Egypto ­ Relatora.        Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier,  Francisco  Ricardo  Gouveia  Coutinho,  Andréa  Viana  Arrais  Egypto,  Luciana Matos  Pereira  Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira.  Fl. 701DF CARF MF Processo nº 10820.720888/2011­61  Acórdão n.º 2401­005.409  S2­C4T1  Fl. 3          3     Relatório  Trata­se de embargos de declaração opostos pelos contribuintes, em face de  decisão prolatada no Acórdão nº 2401004.062 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 2ª Seção do  Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais  (CARF),  da  lavra  da Conselheira Maria  Cleci  Coti Martins (fls. 656/667), em sessão de julgamento realizada em 27 de janeiro de 2016, que  possui a ementa abaixo transcrita:  ASSUNTO:  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  IRPF  Ano­calendário: 2006, 2007, 2008  CÔNJUGE  MEEIRO.  ESPÓLIO.  A  legislação  permite  que  os  rendimentos  próprios  do  cônjuge  meeiro  sejam  declarados  em  conjunto  com  os  do  espólio,  conforme  par.3  art.  12  Decreto  3000/99.  HERDEIROS.  ILEGITIMIDADE  PASSIVA.  Os  herdeiros  são  solidariamente responsáveis pelos tributos do de cujus até a data  da partilha. Caso dos autos.  MULTA  QUALIFICADA.  COMPROVAÇÃO.  Comprovado  nos  autos  e  reconhecido  pela  contribuinte,  fica  caracterizada  a  ocorrência  do  dolo  e,  portanto,  justificada  a  qualificação  da  multa.  ATIVIDADE RURAL. ESCOLHA DE TRIBUTAÇÃO. A escolha  do  tipo  de  tributação  da  atividade  rural  é  efetuada  pelo  contribuinte  no  momento  da  declaração  de  imposto  de  renda.  (art. 71, Decreto 3000/99)  Recurso Voluntário Negado.  Nas razões de Embargos formuladas às fls. 684/690, alegam os Embargantes  que o lançamento tributário encontra­se eivado de vícios insanáveis relacionados à verificação  da ocorrência do fato gerador da obrigação, à determinação da matéria tributável, no cálculo do  montante do tributo devido, na identificação do sujeito passivo, na aplicação de multas.   Aponta contradição relativa ao fato da fiscalização ter sido iniciada porque a  sra. Genoveva Munari Gatto não efetuou a declaração de imposto de renda nos anos­calendário  2006, 2007 e 2008, razão pela qual não haveria razão para se aplicar a multa agravada a todos  os envolvidos, indistintamente.  O vício de omissão seria decorrente do fato do Acórdão embargado não  ter  registrado ter sido a votação unânime ou por maioria, bem como, considera o voto omisso no  que  tange  á  responsabilização  dos  herdeiros,  o  que  seria  causa  suficiente  para  viciar  de  nulidade a decisão.  Fl. 702DF CARF MF     4 Em  despacho  de  admissibilidade  de  fls.  698/699,  ocorreu  admissão  parcial  dos embargos declaratórios, para inclusão em pauta de julgamento.  O processo foi redistribuído para a relatoria desta Conselheira.    É o relatório  Fl. 703DF CARF MF Processo nº 10820.720888/2011­61  Acórdão n.º 2401­005.409  S2­C4T1  Fl. 4          5     Voto             Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto ­ Relatora.      Juízo de admissibilidade  Conheço  dos  embargos  declaratórios,  pois  presentes  os  requisitos  de  admissibilidade.      Mérito  Os  embargos  foram  admitidos  somente  quanto  à  omissão  apontada  no  dispositivo,  tendo  em  vista  que  não  consignou  se  a  decisão  ocorreu  por  maioria  ou  por  unanimidade de votos do Colegiado.  Destarte,  conforme  se  observa  à  fl.  657,  o  dispositivo  do  Acórdão  assim  estabelece: Acordam os membros do  colegiado,  em afastar as preliminares  e,  no mérito,  em  negar provimento ao recurso.  Na Ata do julgamento ocorrido aos vinte e sete dias do mês de janeiro do ano  de  dois  mil  e  dezesseis,  às  quatorze  horas,  constata­se  que  a  decisão  foi  proferida  por  unanimidade:    Relator(a): MARIA CLECI COTI MARTINS  Processo: 10820.720888/2011­61  Recorrente:  GENOVEVA  MUNARI  GATTO  e  Recorrida:  FAZENDA NACIONAL  Acórdão 2401­004.062  Decisão:  por  unanimidade,  em  afastar  as  preliminares  e  no  mérito, em negar provimento ao recurso.    Fl. 704DF CARF MF     6 Dessa forma, deve ser sanada a omissão apontada para que o dispositivo do  Acórdão  reflita  a  decisão  tomada  pelo  colegiado  que,  por  unanimidade  de  votos,  afastou  as  preliminares e negou provimento ao Recurso dos contribuintes.      Conclusão  Ante o exposto, conheço dos Embargos de Declaração, na parte admitida pela  presidente da Turma, e, no mérito, DOU­LHES PROVIMENTO sem efeitos infringentes para  alterar o dispositivo do Acórdão, sanando a omissão apontada.    (Assinado digitalmente)  Andréa Viana Arrais Egypto.                                Fl. 705DF CARF MF

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7268677 #
Numero do processo: 16095.720152/2015-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2011, 2012 PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. A ausência de impugnação por autuado importa em definitividade do lançamento para ele. RESPONSABILIDADE GERENCIAL. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. No caso concreto, todo o volume de operações e infrações à lei realizadas pela autuada foram permitidas pelos seus 2 únicos sócios administradores. Nesta esteira, não há como alegar desconhecimento ou falta de acompanhamento em um volume de operações tão vultoso e em tamanha freqüência. Também entendo que não é razoável alegar desconhecimento de que estariam infringindo a legislação tributária. RESPONSABILIDADE NA SUCESSÃO. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. LANÇAMENTOS CONEXOS. Mantido o lançamento de IRPJ, igual sorte aguarda aqueles que dele decorrerem, em face da relação causal que os vincula e dos fundamentos de fato que compartilham. GLOSA DE CUSTOS. Aplicam-se aos custos e despesas operacionais as disposições sobre dedutibilidade de rendimentos pagos a terceiros. MULTA QUALIFICADA. Restou caracterizado o dolo e intenção de sonegar dos autuados, razão pela qual deve ser restabelecida a multa qualificada na parte que foi reduzida, devendo ser aplicada a penalidade de 150% sobre o lançamento remanescente.
Numero da decisão: 1401-002.294
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso de Ofício para restaurar as multas qualificadas relativas às glosas mantidas, e negar provimento aos Recursos Voluntários. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Presidente em Exercício), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Ailton Neves da Silva (suplente convocado em substituição do Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2011, 2012 PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. A ausência de impugnação por autuado importa em definitividade do lançamento para ele. RESPONSABILIDADE GERENCIAL. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. No caso concreto, todo o volume de operações e infrações à lei realizadas pela autuada foram permitidas pelos seus 2 únicos sócios administradores. Nesta esteira, não há como alegar desconhecimento ou falta de acompanhamento em um volume de operações tão vultoso e em tamanha freqüência. Também entendo que não é razoável alegar desconhecimento de que estariam infringindo a legislação tributária. RESPONSABILIDADE NA SUCESSÃO. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. LANÇAMENTOS CONEXOS. Mantido o lançamento de IRPJ, igual sorte aguarda aqueles que dele decorrerem, em face da relação causal que os vincula e dos fundamentos de fato que compartilham. GLOSA DE CUSTOS. Aplicam-se aos custos e despesas operacionais as disposições sobre dedutibilidade de rendimentos pagos a terceiros. MULTA QUALIFICADA. Restou caracterizado o dolo e intenção de sonegar dos autuados, razão pela qual deve ser restabelecida a multa qualificada na parte que foi reduzida, devendo ser aplicada a penalidade de 150% sobre o lançamento remanescente.

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1401­002.294  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  13 de março de 2018  Matéria  IRPJ e Reflexos  Recorrentes  CORDEIRO FIOS E CABOS ELETRICOS LTDA              FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Exercício: 2011, 2012  PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. Considerar­se­á não impugnada a  matéria  que  não  tenha  sido  expressamente  contestada  pelo  impugnante.  A  ausência  de  impugnação  por  autuado  importa  em  definitividade  do  lançamento para ele.   RESPONSABILIDADE  GERENCIAL.  Os  diretores,  gerentes  ou  representantes  de  pessoas  jurídicas  de  direito  privado  são  pessoalmente  responsáveis  pelos  créditos  correspondentes  a  obrigações  tributárias  resultantes  de  atos  praticados  com  excesso  de  poderes  ou  infração  de  lei,  contrato social ou estatutos. No caso concreto, todo o volume de operações e  infrações à  lei  realizadas pela autuada foram permitidas pelos seus 2 únicos  sócios  administradores. Nesta  esteira,  não há como alegar desconhecimento  ou falta de acompanhamento em um volume de operações  tão vultoso e em  tamanha  freqüência.  Também  entendo  que  não  é  razoável  alegar  desconhecimento de que estariam infringindo a legislação tributária.  RESPONSABILIDADE  NA  SUCESSÃO.  A  pessoa  jurídica  de  direito  privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em  outra  é  responsável  pelos  tributos  devidos  até  à  data  do  ato  pelas  pessoas  jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas.  LANÇAMENTOS CONEXOS. Mantido  o  lançamento  de  IRPJ,  igual  sorte  aguarda  aqueles  que  dele  decorrerem,  em  face  da  relação  causal  que  os  vincula e dos fundamentos de fato que compartilham.  GLOSA  DE  CUSTOS.  Aplicam­se  aos  custos  e  despesas  operacionais  as  disposições sobre dedutibilidade de rendimentos pagos a terceiros.  MULTA QUALIFICADA. Restou caracterizado o dolo e intenção de sonegar  dos  autuados,  razão pela qual deve  ser  restabelecida  a multa qualificada na  parte que  foi  reduzida, devendo ser aplicada a penalidade de 150% sobre o  lançamento remanescente.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 01 52 /2 01 5- 45 Fl. 10822DF CARF MF     2     Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento  parcial ao Recurso de Ofício para  restaurar as multas qualificadas  relativas às glosas mantidas, e  negar provimento aos Recursos Voluntários.   (assinado digitalmente)  Guilherme Adolfo dos Santos Mendes ­ Presidente em Exercício.     (assinado digitalmente)  Daniel Ribeiro Silva ­ Relator.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos  Santos  Mendes  (Presidente  em  Exercício),  Livia  de  Carli  Germano  (Vice­Presidente),  Luiz  Rodrigo  de Oliveira Barbosa, Abel Nunes  de Oliveira Neto, Ailton Neves  da  Silva  (suplente  convocado  em  substituição  do  Conselheiro  Luiz  Augusto  de  Souza  Gonçalves),  Luciana  Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.     Relatório  Tratam­se de Recursos Voluntário e de Ofício interpostos em face do acórdão  proferido  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  em  Belo  Horizonte  (MG)  que  manteve  parcialmente  o  crédito  tributário  decorrente  de  supostas  infrações  à  legislação  tributária,  exigindo­se do contribuinte o IRPJ, CSLL, Cofins e PIS.  Tais  lançamentos  originaram­se  de  verificação  do  cumprimento  das  obrigações  tributárias por parte da  interessada, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls.  8.135 à 8.157.  Extrai­se  do Termo  de Verificação  Fiscal  – TVF  às  fls.  8.135  a  8.157  dos  autos,  que  “os valores de CUSTOS NÃO COMPROVADOS, nos  anos de 2011 e 2012, nos  valores  respectivos  de  R$  134.713.029,21  e  R$  54.156.057,80,  serão  objeto  de  glosa,  para  efeito de apuração de IRPJ e CSLL”.  A fiscalização relata que, “em 6 de março de 2014,  intimou a  interessada a  comprovar,  em  detalhes,  os  pagamentos  feitos  a  diversos  fornecedores  (fl.  8.136)”.  A  fiscalização,  ressaltou  que  “tanto  MAQMETAIS  LTDA  quanto  LINHACOS  LTDA.  foram  declaradas  inaptas por  força de Atos Declaratórios Executivos  lavrados pelas DRF em Santo  André  e  Ribeirão  Preto,  respectivamente.  Intimaram­se  as  pessoas  jurídicas  acima,  por  via  postal,  a  apresentar  contabilidade  e  documentos  comprobatórios  das  vendas  supostamente  realizadas à interessada, mas, em todos os casos, os envelopes foram devolvidos pela Empresa  Brasileira  de  Correios  e  Telégrafos  (ECT).  Também  em  todos  os  casos,  intimaram­se  os  respectivos  sócios  no  mesmo  sentido,  sem  sucesso,  com  exceção  de  AGL  CNPJ  04.294.094/0001­00. Por fim, foram elas cientificadas dos termos das referidas intimações por  via de edital eletrônico”.  Conforme consta no TVF, “o contribuinte tendo sido intimado a apresentar as  documentações  relativas  à  aquisição  de  insumos/mercadorias,  nos  anos­calendários  2011  e  2012, limitou­se a apresentar alguns comprovantes de pagamentos, deixando de apresentar os  demais  elementos,  especialmente  os  dados  das  pessoas  responsáveis  pelo  fornecimento  e  Fl. 10823DF CARF MF Processo nº 16095.720152/2015­45  Acórdão n.º 1401­002.294  S1­C4T1  Fl. 10823          3 contato,  os  comprovantes  de  pedidos  de  compra,  e  os  comprovantes  de  entrada  das  mercadorias,  tais  como  identificação  dos  veículos  de  transporte  dos  materiais,  pesagem  de  mercadorias  nas  entradas,  e  demais  controle  de  recebimento  de  mercadorias.  Os  referidos  valores  de  aquisições  de  insumos/mercadorias,  de  empresas  inidôneas  acima  relacionadas,  cujas  efetivas  transações  não  foram  comprovadas  nos  valores  de  R$  134.713.029,21  e  R$  54.156.057,80,  nos  anos  de  2011  e  2012,  respectivamente,  serão  objeto  de  glosa,  por  serem  consideradas inidôneas, nos termos da legislação em vigor”.  Em  04/01/2012,  houve  a  cisão  parcial  da  empresa  CORDEIRO  FIOS  E  CABOS  ELETRICOS  LTDA.,  resultando  na  empresa  cindida  CORDEIRO  CABOS  ELETRICOS S.A., pelo que, contra a mesma, foi lavrado Termo de Sujeição Passiva, em razão  de  ter  concluído  a  fiscalização,  equivocadamente,  que  a  essa  pessoa  jurídica  deveria  ser  imputada  a  responsabilidade  tributária  solidária,  por  sucessão,  pelo  montante  cobrado  da  empresa CORDEIRO FIOS E CABOS ELETRICOS LTDA.  Assim,  “os  valores  de  IRPJ  e  CSLL  devidos  sobre  valores  de  glosa  de  créditos  da  aquisição  de  insumos/mercadorias  de  empresas  inidôneas,  conforme documentos  acostados  ao  processo,  e  demonstrativo  anexo  I,  foram  objeto  de  autuação,  nos  termos  da  legislação vigente. Igualmente, os valores devidos de PIS e COFINS Não­Cumulativos, foram  recalculados levando­se em consideração os valores das bases de cálculo de créditos de PIS e  COFINS declaradas, deduzidas de valores de glosa de créditos calculadas sobre a aquisição de  insumos/mercadorias de  empresas  inidôneas,  conforme documentos  acostados  ao processo,  e  demonstrativo  anexo  I.  Os  valores  de  PIS  e  COFINS  a  Pagar  apuradas,  conforme  demonstrativos Anexos II e III, foram objeto de autuação, nos termos da legislação vigente”.  Foram  “glosadas  as  aquisições  de  insumos  “cujas  efetivas  transações  não  foram  comprovadas”  (fl.  8.144),  dando  origem  aos  lançamentos  de  ofício  constantes  da  TABELA I. Em  todos os  lançamentos,  foram considerados solidariamente responsáveis  tanto  os administradores da interessada, CARLOS ALBERTO CORDEIRO, CPF 854.839.908­20, e  MARIA  ISABEL  DE  MELO  CORDEIRO,  CPF  029.773.948­42,  quanto  sua  sucessora,  CORDEIRO CABOS ELÉTRICOS S/A, CNPJ 14.197.209/0001­00”.  Cientificado  da  autuação,  os  interessados  apresentam  IMPUGNAÇÕES  ADMINISTRATIVAS, trazendo em seu bojo as seguintes razões:  · Impugnação  I  (apresentada  em 01/03/2016 –  fls.  8.254/8.268 pelos  sócios – Carlos Roberto Cordeiro e Maria Isabel de Melo Cordeiro):  1.  DA  EFETIVA  OCORRÊNCIA  DA  OPERAÇÃO:  Afirma  que  “por  "resguardar a boa fé do adquirente" o C. Superior Tribunal de Justiça  entendeu a necessidade de manutenção dos efeitos tributários como se  a operação  tivesse ocorrido regularmente, no caso, a manutenção dos  respectivos créditos do ICMS. Trata­se de hipótese idêntica àquela ora  analisada,  sendo  que,  considerando  a  boa  fé  do  contribuinte  que  realizou  operações  com  fornecedor  que  à  época  dos  fatos  se  encontrava  idôneo  perante  a  Administração  Pública,  os  limos.  Julgadores entenderam por bem reconhecer a possibilidade de dedução  dos custos com a aquisição de materiais para fins de apuração da base  de  cálculo  do  IRPJ.  (...)  Assim,  as  operações  de  aquisição  de  vergalhões  de  cobre  e  demais  insumos  foram  pagas,  em  parte,  por  meio dos fornecimentos de sucata de cobre, como comprovam não só  o contrato de parceria supra mencionado, mas, ainda, o detalhamento  Fl. 10824DF CARF MF     4 da correspondente  liquidação  financeira  e eventuais  comprovantes de  pagamento dos valores residuais”.  2.  DA  NÃO  SUBSUNÇÃO  DOS  DEFENDENTES  À  HIPÓTESE  LEGAL DE RESPONSABILIZAÇÃO DE TERCEIROS — ARTIGO  135  DO  CÓDIGO  TRIBUTÁRIO  NACIONAL:  Alega  que  efetivamente  ocorreu  a  operação  de  aquisição  de materiais,  e  o  fisco  não trouxe provas capazes de demonstrar o intuito dos Defendentes em  fraudar a Fazenda Pública Federal, sem as quais (referidas provas) não  é  possível  atribuir  aos  mesmos  a  responsabilização  solidária  pelos  débitos cobrados da autuada, dada a impossibilidade de se presumir a  ocorrência  de  fraude,  que  deve  ser  devidamente  comprovada.  Entretanto,  por  expressa  determinação  do  artigo  135  do  CTN,  a  responsabilidade  destas  pessoas  somente  ocorrerá  quando  demonstrados, de forma inequívoca, os elementos ligando tais pessoas  aos fatos, ou seja, o fato de os sócios haverem agido com excesso de  poderes  ou  infração  à  lei,  o  que  não  ocorreu  e  nem  foi  comprovado  pelo Fisco autuante”. (...) “Portanto, é nula a pretensão em apropriar­se  do  patrimônio  particular  de  sócios  sem  que  estes  tenham  praticado  infração à lei ou ao contrato social de sociedade limitada, exatamente  como ocorre no presente caso, em que resta evidente que a operação de  aquisição de materiais efetivamente ocorreu e que não houve intuito de  fraudar a Fazenda Pública Federal por parte dos Defendentes, que não  praticaram qualquer ato com infração à lei”.  3.  Requereu que a impugnação seja julgada totalmente procedente.    · Impugnação  II  (apresentada  em  01/03/2016  –  fls.  8.280/8.293  pela  Pessoa Jurídica – Cordeiro Cabos Elétricos S.A ):  1.  DA  AUSÊNCIA  DE  RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA:  Ressalta  que  “somente  haverá  responsabilidade  solidária  quando  as  pessoas  envolvidas  tiverem  interesse  comum  na  situação  que  constitua  o  fato  gerador da obrigação principal ou quando a lei assim o determinar, na  medida em que a responsabilização solidária em matéria tributária não  se presume”. (...) “Não pode o simples reflexo do interesse econômico  de  uma  determinada  situação  ou  fato  jurídico  sujeito  à  hipótese  de  incidência  tributária  servir  de  esteio  para  pressupor  coincidência  de  interesse  jurídico, que depende de realização conjunta daquele mesmo  fato tributável. E é exatamente nesse sentido que pecou a fiscalização,  ao  lavrar o AIIM com  imputação de  solidariedade passiva  tributária à  Defendente, visto que a autuada e a Defendente são empresas distintas,  uma  vez  que  a  ora  Impugnante  fabrica  fios  e  cabos,  e  a  autuada  Cordeiro Ltda., responsável pelos tributos e operações que estão sendo  cobradas por solidariedade da ora Impugnante, revende e comercializa  cabos e fios”.   2.  Afirma  ainda,  que  “conforme  se  depreende  da  leitura  do  anexo  "instrumento particular  de protocolo  e  justificação de cisão parcial  da  CORDEIRO  FIOS  E  CABOS  ELETRICOS  LTDA.,  seguida  de  incorporação  do  acervo  cindido  pela  CORDEIRO  CABOS  ELETRICOS  S.A.",  a  referida  cisão  parcial  foi  motivada  pela  necessidade de reorganizar os ativos das partes, de modo a gerar maior  eficiência  operacional,  financeira,  administrativa  e  econômica  das  Fl. 10825DF CARF MF Processo nº 16095.720152/2015­45  Acórdão n.º 1401­002.294  S1­C4T1  Fl. 10824          5 sociedades,  havendo  apenas  uma  divisão  do  faturamento  após  a  operação realizada, e não diminuição de receita se comparadas as duas  atividades”.  3.  Diz  que  “não  tem  responsabilidade  tributária  solidária  com  a  autuada  perante  os  débitos  cobrados  dessa  última,  na  medida  em  que  o  mencionado parágrafo único, do artigo 233, da Lei no 6.404/76 prevê o  afastamento da solidariedade quando as partes assim estipularem, e foi  o  que  ocorreu  no  caso  em  questão,  visto  que  foi  expressamente  declarado  que  a  defendente  sucede  a  autuada  apenas  nos  direitos  e  obrigações  transferidos  em  decorrência  da  incorporação  do  Acervo  Cindido da Cordeiro Ltda., sem solidariedade em relação ao patrimônio  remanescente da Cordeiro Ltda”.  4.  DA  NÃO  RESPONSABILIDADE  PELA MULTA  QUALIFICADA:  Aduz  que  “restou  consignado  que  "a­  a  responsabilidade  não  se  presume, deve ser expressa”. Se não há previsão, responsabilidade não  há. Como regra geral,  a denominação  "tributo",  definida no art. 3° do  CTN e  inserida no  art.  132  do CTN,  não  é  extensiva  as multas,  quer  decorrentes  de  obrigação  principal,  quer  decorrentes  de  obrigação  acessória;  a  responsabilidade  da  sucessora,  nos  termos  do  art.  132  do  CTIV, restringe­se ao tributo não pago pela sucedida, dele não fazendo  parte a multa”.  5.  Requereu o cancelamento do Termo de Sujeição Passiva lavrado contra  a  Defendente  ­  CORDEIRO  CABOS  ELETRICOS  S.A,  para  que  a  mesma  não  tenha  mais  responsabilidade  solidária  perante  o  débito  cobrado da autuada CORDEIRO FIOS E CABOS ELETRICOS LTDA.  6.  Subsidiariamente,  requereu  que  seja  afastada  a  responsabilização  em  relação a multa qualificada aplicada no percentual de 150%.    · Impugnação III (apresentada em 01/03/2016 – pela Pessoa Jurídica –  Cordeiro Cabos Elétricos LTDA ):  1.  DA  NULIDADE  DO  ACÓRDÃO  PROFERIDO  PELA  DRJ:  alega que “a falta de motivação para decidir pela falta de exclusão  dos  impostos  da  base  de  cálculo  do  IRPJ  e  da  CSSL  objeto  do  AIIM  torna  nula  de  pleno  direito  a  decisão,  por  absoluto  cerceamento de defesa e por  infringência à própria  lei processual  que  impõe  que  as  decisões  devem  ser motivadas  e  justificadas  a  fim de preservação do contraditório e da ampla defesa”.  2.  DA  NULIDADE  DA  PRÓPRIA  AUTUAÇÃO:  Afirma  que  “deixou­se de considerar o custo líquido de aquisição de insumos  pela  Recorrente,  incluindo,  indevidamente,  os  créditos  de  PIS,  COFINS  e  ICMS,  na  base  de  cálculo  do  IRPJ  e  da  CSLL,  bem  como (ii) ignorou­se o fato de a Recorrente ter procedido à venda  de sucata para as mesmas pessoas  jurídicas que foram declaradas  inidôneas, operações estas, que, se desconsideradas, resultariam na  impossibilidade  de  tributação  destas  receitas,  bem  como  na  existência  de  débitos  tributários.  (...)  Destarte,  “da  forma  como  Fl. 10826DF CARF MF     6 atuou  a  fiscalização,  acompanhada  pela  DRJ,  a  Recorrente  resta  totalmente  impossibilitada  de  exercer  o  seu  contraditório  a  este  respeito  e,  ainda  pior,  ao  invés  de  ampla,  sua  defesa  resta  totalmente  limitada,  em  total  afronta  aos  seus  Direitos  Constitucionais”.  3.  DA EFETIVA OCORRÊNCIA DA OPERAÇÃO: Diz que, deve­ se  considerar  “a  boa­fé  do  contribuinte  que  realizou  operações  com  fornecedor  que  à  época  dos  fatos  se  encontrava  idôneo  perante a Administração Pública, os Ilmos. Julgadores entenderam  por bem reconhecer a possibilidade de dedução dos custos com a  aquisição de materiais para fins de apuração da base de cálculo do  IRPJ”.  4.  DA COMPROVAÇÃO DOS  PAGAMENTOS: Menciona­se  que  “firmou  com  seus  fornecedores  contratos  de  parceria  comercial,  segundo os quais estes  lhes forneceriam os vergalhões de cobre e  esta,  por  sua  vez,  fornecer­lhes­ia  sucata  de  cobre,  conforme  demonstra  o  conjunto  de  documentos  contábeis  já  anexados  aos  autos  (DOC.  02  da  Impugnação)  e  os  contratos  de  parceria  comercial ora colacionados. Assim, as operações de aquisição de  vergalhões  de  cobre  foram  pagas,  em  parte,  por  meio  do  fornecimento  de  sucata  de  cobre,  como  comprovam os  contratos  de  parceria  supramencionados,  as  notas  fiscais  de  saída,  as  compensações  e  comprovantes  de  pagamento  dos  valores  residuais.  Com  efeito,  os  documentos  comprovam  que  o  faturamento para as empresas posteriormente declaradas inidôneas  no montante de R$ 108.797.574,87 foi devidamente contabilizado  e fez parte da base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e da COFINS”.  “Não houve o  enfrentamento das provas ou, quiçá,  a  contestação  específica a algum dado trazido pela Recorrente, o que, por si só,  prejudica até mesmo a ampla defesa da Recorrente, eis que não há  qualquer argumento válido para se chegar a conclusão da DRJ de  que “nada provam da regularidade dos fornecedores da Recorrente  à época dos fatos”.  5.  DA  REGULARIDADE  DOS  FORNECEDORES  DA  RECORRENTE À ÉPOCA DOS FATOS: Afirma que “pecou o v.  acórdão recorrido na medida em que, uma vez mais, ignorou o fato  de  que  a  Recorrente  jamais  poderia  ter  conhecimento  da  irregularidade  dos  seus  fornecedores  perante  a  Administração  Pública  à  época  dos  fatos,  uma  vez  que,  no  ano  calendário  de  2011,  absolutamente  todos  eles  constavam  como  ativos  e  regulares. (...) É pertinente que se diga que a nota fiscal eletrônica  foi  criada  justamente  para  evitar  fraudes,  de  sorte  que,  a  cada  emissão  a  Fazenda  é  instada  a  autorizá­la.  Inclusive,  a  partir  do  momento em que o contribuinte passa a ser obrigado a emitir notas  fiscais  eletrônicas,  deixa  de  estar  obrigado  a  consultar  SINTEGRA,  pois  caso  exista  qualquer  irregularidade,  as  notas  fiscais são automaticamente bloqueadas e sua emissão proibida”.  6.  Do  procedimento  de  inidoneidade  Estadual  das  empresas  Fornecedoras  –  Da  imprestabilidade  da  prova  emprestada  para  a  constituição do presente crédito  fiscal: Frisou­se que “muitos dos  sócios destas empresas “inidôneas” foram localizados. No entanto,  Fl. 10827DF CARF MF Processo nº 16095.720152/2015­45  Acórdão n.º 1401­002.294  S1­C4T1  Fl. 10825          7 mesmo assim, a fiscalização, de maneira ilegal, voltou­se para os  destinatários das mercadorias para  cobrar o  crédito  tributário que  na verdade deveria  ser  cobrado das  empresas  fornecedoras ou de  seus sócios”. (...) Destaca que é possível constatar, “que a empresa  AGL  COMÉRCIO  DE  CONDUTORES  ELÉTRICOS  não  só  existia à época das operações, como também possui uma filial no  Estado  da  Bahia,  conforme  se  dessume  do  comprovante  de  inscrição cadastral junto à SRF”.   7.  Afirma  que  “a  empresa  ASRNER  já  foi  reconhecida  como  uma  empresa em que sua inidoneidade foi declarada de forma duvidosa,  e no mínimo, o  fato da  fiscalização  ter  encontrado a empresa no  local,  tê­la  fiscalizado,  e  mais,  nada  ter  feito  durante  todo  o  período  das  operações  com  a  Recorrente  não  pode  implicar  na  responsabilização  e  glosa  do  crédito  da  Recorrente  que  absolutamente  estava  em  total  boa­fé  e  sequer  foi  protegida  por  quem  por  ofício  deveria  ter  feito  o  seu  trabalho  que  é  FISCALIZAR.  8.  Menciona­se,  que  “o  Fisco  Estadual  ao  efetuar  as  diligências  na  empresa  EBF  ­  COMÉRCIO  DE  CONDUTORES  ELÉTRICOS  LTDA., Inscrição Estadual/SP ­ nº. 147.454.649.117 e CNPJ/MF ­  nº:  12.498.261/0001­62,  não  só  localizou  o  estabelecimento  da  referida  empresa,  como  também  seu  sócio.  Ou  seja,  não  é  verdadeiro que a empresa não existia ou que jamais funcionou no  local, e muito menos que não foi localizada”.  9.  DA  NECESSIDADE  DE  SE  DESCONSIDERAR  AS  OPERAÇÕES  DE  VENDA  PARA  AS  EMPRESAS  POSTERIORMENTE DECLARADAS  INIDÔNEAS: Argumenta  que  “a  tributação  do  Imposto  de Renda  Pessoa  Jurídica  (IRPJ)  ­  Lucro Real se dá mediante a apuração contábil dos resultados, com  os  ajustes  determinados  pela  legislação  fiscal. A  base  de  cálculo  do  imposto,  determinada  segundo  a  lei  vigente  na  data  de  ocorrência  do  fato  gerador,  é  o  lucro  real  correspondente  ao  período de apuração. Além disto, na apuração do Lucro Real, são  operacionais  e,  portanto,  dedutíveis,  as  despesas  não  computadas  nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da  respectiva fonte produtora (Lei 4.506/1964, artigo 47), tais como a  aquisição de insumos. Partindo destas premissas, não é necessário  muito esforço para  se concluir que,  como consequência direta da  desconsideração de todas as operações realizadas com as empresas  declaradas inidôneas, tem­se não só a impossibilidade de dedução  dos custos e, por conseguinte, a majoração da base tributável, mas,  ainda,  a  desconsideração  dos  rendimentos  oriundos  da  venda  de  sucata para estas como forma de redução da base tributável”.  10. DA NECESSIDADE DE EXCLUIR OS  TRIBUTOS DA BASE  DE CÁLCULO: Afirma que  “pela  simples  leitura do  “Termo de  Verificação  e  Constatação  de  Irregularidades  Fiscais”,  item D­1,  observa­se  que  a  D.  Fiscalização  realizou  a  glosa  de  custos  supostamente  não  comprovados  que  possuem  efeito  imediato  na  Fl. 10828DF CARF MF     8 apuração  do  IRPJ  e CSLL”.  “Para  comprovar  que o  contribuinte  não se beneficiou de um custo no montante de R$ 134.713.027,21  para  reduzir  o  seu  resultado  tributável  em  sua  apuração  original,  juntamos planilha que detalha as informações das notas fiscais de  aquisição de Insumos que totaliza R$ 134.713.027,21”. “Verifica­ se que a D. Fiscalização se equivocou ao determinar que o valor  total  das  notas  fiscais  foi  o  custo  lançado  no  resultado  da  Recorrente e que  reduziu o valor do  lucro que  serviu de base de  cálculo  do  IRPJ  e  da  CSLL.  Através  deste  procedimento  equivocado  glosou­se  um  valor muito maior  do  que  o  valor  que  reduziu originalmente o resultado”.  11. DA  BOA  FÉ  DA  RECORRENTE  E  DA  NECESSIDADE  DE  AFASTAMENTO DA MULTA QUALIFICADA: Diz  que  todas  as  operações  de  venda  de  sucata  resultaram  em débitos  de PIS  e  COFINS e receitas  tributáveis pelo  IRPJ e pela CSLL, então não  existiria motivo de ordem tributária pelo qual seria vantajoso para  a Recorrente fraudar a ocorrência de operações que supostamente  não  aconteceram  na  realidade”.  E  que,  “falta  ao  caso  concreto,  elemento  imprescindível  à  caracterização  da  fraude,  o  próprio  intuito de obter vantagem, ou seja, o dolo”.  12. Afirma  que,  “de  acordo  com  os  contratos  de  parceria  comercial  celebrados com as empresas posteriormente declaradas inidôneas,  a  obrigação  de  entrega  e  retirada  das  mercadorias  não  era  da  Recorrente  e,  assim  sendo,  esta  sequer  tinha  conhecimento  de  como  isto ocorria,  com quais  veículos,  etc.. Logo, não há que  se  falar  em  responsabilização  da  Recorrente  por  eventuais  incoerências  nos  dados  relativos  ao  transporte  dos  materiais,  os  quais podem, muito bem, ter ocorrido em razão de meros erros de  digitação”.  13. Requereu  a  declaração  da  nulidade  do  v.  acórdão  proferido  pela  DRJ no que tange à ausência de análise de todos os argumentos de  defesa,  bem  como  dos  próprios  autos  de  infração  em  si  pelas  razões acima delineadas;  14. Subsidiariamente,  requereu  o  cancelamento  integral  do  crédito  tributário.    O Acórdão  ora Recorrido  (02­72.559­ 4ª Turma da DRJ/BHE)  recebeu  a  seguinte ementa:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Exercício: 2012  RESPONSABILIDADE NA SUCESSÃO  A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou  incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à  data  do  ato  pelas  pessoas  jurídicas  de  direito  privado  fusionadas,  transformadas ou incorporadas.  RESPONSABILIDADE GERENCIAL  Fl. 10829DF CARF MF Processo nº 16095.720152/2015­45  Acórdão n.º 1401­002.294  S1­C4T1  Fl. 10826          9 Os  diretores,  gerentes  ou  representantes  de  pessoas  jurídicas  de  direito  privado  são  pessoalmente  responsáveis  pelos  créditos  correspondentes  a  obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes  ou infração de lei, contrato social ou estatutos.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Exercício: 2012  LITÍGIO  Considerar­se­á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente  contestada pelo impugnante.  LANÇAMENTOS CONEXOS  Mantido  o  lançamento  de  IRPJ,  igual  sorte  aguarda  aqueles  que  dele  decorrerem, em face da relação causal que os vincula e dos fundamentos de  fato que compartilham.  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ  Exercício: 2012  CUSTOS  Aplicam­se  aos  custos  e  despesas  operacionais  as  disposições  sobre  dedutibilidade de rendimentos pagos a terceiros.  PENALIDADES PECUNIÁRIAS  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  será  aplicada  multa  de  75%  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração  inexata, percentual este que será duplicado em caso de fraude, sonegação ou  conluio.  Impugnação Procedente em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte.    Os membros da 4ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos,  julgou  procedente em parte a impugnação, para (a) manter a responsabilidade solidária de CARLOS  ALBERTO CORDEIRO, MARIA  ISABEL DE MELO CORDEIRO e CORDEIRO CABOS  ELÉTRICOS S.A. e  (b)  reduzir os valores originais a  serem cobrados  (antes dos acréscimos  legais de multa por lançamento de ofício e juros de mora) aos valores seguintes:        TRIBUTOS  SUJEITO À MULTA DE  75%  SUJEITO À MULTA  DE 150%  SOMATÓRIO:  IRPJ  R$ 11.203.454,02  R$ 19.735.057,75  R$ 30.938.511,77  Fl. 10830DF CARF MF     10 CSLL  R$ 4.047.525,52  R$ 7.129.778,89  R$ 11.177.304,41  Cofins  R$ 273.819,24  R$ 608.089,10  R$ 881.908,34  PIS  R$ 59.134,99  R$ 131.325,11  R$ 190.460,09    Isto porque, segundo entendimento da turma, “a glosa ora em exame deriva  da  falta  de  comprovação  de  diversas  compras  de  mercadorias  que  integraram  os  custos  da  interessada, ora impugnante, uma vez que esta não logrou indicar nem a forma como se teria  dado  o  correspondente  pagamento,  nem  as  circunstâncias  em  que  teriam  ocorrido  tais  aquisições."   A  Turma  aduziu  ainda  que,  "o  Autor  do  feito  constatou  que  diversas  sociedades  empresárias,  supostamente  fornecedoras  destas  mercadorias,  encontravam­se  em  situação  irregular  e  que  esta  situação  patentearia  a  intenção  dolosa  de  fraudar  o  Erário  da  União. Por oportuno, assinale­se que a vedação constitucional ao uso de tributo com finalidade  de  confisco  dirige­se  exclusivamente  ao  legislador,  não  à  autoridade  fazendária,  cujos  atos  devem  se  amoldar  ao  que  determina  o  parágrafo  único  do  artigo  142  do  CTN”.  (...)  “Paralelamente,  a  interessada não oferece quaisquer provas de haver  realizado pagamentos  a  EBF  COMÉRCIO  DE  CONDUTORES  ELÉTRICOS  LTDA  G&R  COMÉRCIO  DE  MATERIAIS  ELÉTRICOS  LTDA.;  portanto,  a  glosa  deve  ser mantida.  Conquanto  também  surjam autos  indícios de possíveis  irregularidades por parte destas pessoas  jurídicas  (como o  simples  fato  de  não  haverem  sido  localizadas),  não  quedou  demonstrada  a  participação  da  interessada nestas mesmas irregularidades; em assim sucedendo, cabe reduzir a multa de ofício  no caso destas pessoas jurídicas”.  Verificou­se  a  turma  julgadora,  que  “os  argumentos  das  pessoas  físicas  de  CARLOS ALBERTO CORDEIRO  e MARIA  ISABEL DE MELO CORDEIRO não  logram  afastar  sua  responsabilização  solidária,  uma  vez  que  quedaram  estremes  de  dúvidas  tanto  a  prática  –  reiterada,  acentue­se  –  de  ilícitos  dolosos  de  ordem  tributária  quanto  seu  papel  de  gestores  da  interessada,  durante  o  período  fiscalizado. Atos  desta  gravidade,  praticados  com  tamanha  frequência,  implicam  a  intervenção  –  ou,  no  mínimo,  a  anuência  –  dos  administradores  da  sociedade  autuada,  os  beneficiários  últimos  de  tais  práticas,  condição  de  únicos quotistas daquela pessoa jurídica”.  Aduziu  que  “há  que  se  considerar  que,  ao menos  nos  presentes  autos,  não  ficou estreme de dúvidas a possível irregularidade da sociedade empresária AGL COMÉRCIO  DE CONDUTORES ELÉTRICOS LTDA., cabendo recordar, adicionalmente,  ter sido um de  seus sócios o único a atender intimação para prestar esclarecimentos. Por conseguinte, no que  diz respeito à AGL LTDA., cabível acatar os valores comprovados de custos para recalcular os  tributos correspondentes e, paralelamente, reduzir a multa por lançamento de ofício a 75%”.  Afirma  ainda,  que  “a  interessada  não  oferece  quaisquer  provas  de  haver  realizado pagamentos a EBF COMÉRCIO DE CONDUTORES ELÉTRICOS LTDA e G&R  COMÉRCIO  DE  MATERIAIS  ELÉTRICOS  LTDA.;  portanto,  a  glosa  deve  ser  mantida.  Conquanto também surjam autos indícios de possíveis irregularidades por parte destas pessoas  jurídicas  (como o simples  fato de não haverem sido  localizadas), não quedou demonstrada a  participação da interessada nestas mesmas irregularidades; em assim sucedendo, cabe reduzir a  multa de ofício no caso destas pessoas jurídicas. Neste contexto, há que se analisar a situação  de MAQMETAIS COMERCIAL LTDA., cuja inscrição no CNPJ foi considerada inapta pela  DRF em Santo André, conforme Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/SAE nº 50, de 16 de  Fl. 10831DF CARF MF Processo nº 16095.720152/2015­45  Acórdão n.º 1401­002.294  S1­C4T1  Fl. 10827          11 dezembro de 2014, expedido com base na  Instrução Normativa (IN) RFB nº 1.470, de 2014,  revogada pela  IN/SRF 1.634, de 2016. Ora,  cumpre  recordar que,  de  acordo com ambas  IN,  consideram­se  inidôneos  os  documentos  emitidos  por  sociedades  cuja  inscrição  se  encontre  suspensa a partir da data de publicação do ADE; uma vez que isto só ocorreu em 7 de janeiro  de 2015, os  efeitos deste ADE não  retroagem para  alcançar  as notas  fiscais glosadas. Assim  sendo, apesar deste ADE, a multa a ser aplicada também deve situar­se no patamar de 75%”.  Ciente  da  decisão  do  Acórdão  em  04/04/2017  (fls.8.533),  que  julgou  parcialmente  procedente  as  impugnações  apresentadas,  o  contribuinte  interpõe  03 Recursos  Voluntários. Com  exceção  do  recurso  apresentado  pelos  sócios  Carlos  Roberto  Cordeiro  e  Maria  Isabel  de  Melo  Cordeiro,  os  demais  recursos  são  meras  repetições  das  razões  apresentadas em suas Impugnações.  Em  razão  da mera  repetição  das  razões  de  impugnação,  as  quais  já  foram  relatadas acima, passo a citar apenas os argumentos trazidos pelos sócios:     · Recurso  Voluntário  (apresentado  em  09/05/2017  pelos  sócios  –  Carlos  Roberto Cordeiro e Maria Isabel de Melo Cordeiro ­ [fls.10.788./ 10812.] ):    1.  DA  IMPOSSIBILIDADE  DE  RESPONSABILIZAÇÃO —  AUSÊNCIA  DE  ATO  PRATICADO  PELOS  RECORRENTES:  Afirma  que  “a  responsabilização  do  art.  135  do  CTN  exige  que  a  pessoa  física,  na  qualidade  de  gestora  de  uma  pessoa  jurídica,  venha  a  praticar  ato  com  excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, ou seja,  para  incidência  da  norma deve  haver  uma  conduta  ative  do  contribuinte.  Mas  não  se  extrai  dos  autos  uma  indicação  sequer  acerca  de  quais  atos,  praticados  pessoalmente  pelos  ora  Recorrentes,  teriam  conduzido  à  conclusão  pela  sua  responsabilização  pelo  crédito  tributário  exigido  da  pessoa jurídica”.  2.  DA  AUSÊNCIA  DE  COMPROVAÇÃO  DE  DOLO:  Alega  que  “o  negócio  jurídico  firmado  pela  empresa  CORDEIRO  FIOS  E  CABOS  ELÉTRICOS  LTDA.,  como  sobredito,  estava  em  perfeita  consonância  com a realidade fática na qual uma empresa está inserida. Ademais disso,  investidos  dos  poderes  de  administradores  da  empresa,  os  Recorrentes  apenas levaram a termo as aquisições dos insumos imprescindíveis para a  consecução  da  atividade  empresarial,  sem  que  isso,  nem  de  longe,  configure um arremedo de excesso de poder, já que essa tarefa fazia parte  de  suas  atribuições!  Dessa  forma,  “como  a  responsabilidade  pessoal  referida  no  art.  135,  III,  deriva  da  condição  de  administrador  de  bens  alheios,  era  imprescindível  que  a  Autoridade  Fiscal  aparelhasse  sua  acusação,  mediante  a  comprovação  da  prática  de  atos  com  excesso  de  poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos”.  3.  DA AUSÊNCIA DE PROVAS QUANTO AO EXCESSO DE PODERES  OU  À  INFRAÇÃO  DA  LEI  E  AO  CONTRATO  SOCIAL  —  REQUISITO INDISPENSÁVEL À INCIDÊNCIA DO ARTIGO 135 DO  CTN: Aduz que a fiscalização limitou­se a asseverar, de forma claramente  deficitária,  que  os  Recorrentes  seriam  responsabilizados  pelo  crédito  tributário  supostamente  devido  pela  CORDEIRO  FIOS  E  CABOS  Fl. 10832DF CARF MF     12 ELÉTRICOS LTDA. com fundamento no artigo 135 do CTN, ou seja, em  razão de atos praticados por "excesso de poderes, infração de lei,” contrato  social  ou  estatuto. A atuação com o excesso de  poderes pressupõe que a  pessoa  investida dos poderes de  gestão da  sociedade pratique  atos,  ainda  que  em nome da  sociedade,  extrapolando os  limites  contidos  no  estatuto  social. Mas como se vê, In casu, não há se quer menção à qual dispositivo  do Contrato Social da CORDEIRO FIOS E CABOS ELÉTRICOS LTDA.  teria  sido  infringido  pelos  Recorrentes,  deficiência  esta  que  resvala  na  primeira  causa  de  insubsistência  da  pretensa  responsabilização  tributária  dos Recorrentes nos moldes do artigo 135 do CTN. Nesse espeque, porque  não é demais rememorar, há que se destacar que quem fora autuada foi a  empresa  CORDEIRO  FIOS  E  CABOS  ELETRICOS  LTDA.  Ora,  Julgadores,  a  responsabilização  dos  Recorrentes  pela  figura  legal  retromencionada pressupõe a ocorrência de ato pessoal dos mesmos com  fraude  à  lei,  o  que  não  se  observa  no  presente  caso”.  (...)  Pelo  exposto,  “imperioso destacar que a imputação de responsabilidade aos Recorrentes  pelos  tributos  devidos  por  outrem  (CORDEIRO  FIOS  E  CABOS  ELÉTRICOS  LTDA.),  deveria,  ao  menos,  ter  fulcro  em  elementos  de  prova  suficientes  para  sua manutenção.  Provas  estas,  que,  por  seu  turno,  estavam sob a incumbência preponderante da fiscalização, que tinha sobre  si o ônus de comprovar, solidamente, que suas alegações e conclusões não  estavam  calcadas  em  meras  presunções  carregadas  de  ideias  pré­ concebidas com o único objetivo de promover a autuação, na forma mais  onerosa possível”.  4.  DA  IMPOSSIBILIDADE  DE  DESCONSIDERAÇÃO  DA  PERSONALIDADE  JURÍDICA  DA  CORDEIRO  FIOS  E  CABOS  ELÉTRICOS  LTDA.  PARA  RESPONSABILIZAÇÃO  TRIBUTÁRIA  DOS RECORRENTES: Frisou­se  que para  “que  a  responsabilização  dos  Recorrentes  pudesse  efetivamente  prosperar,  haveria  de  contar  com  elementos  probatórios  suficientes  a  demonstrar  que  eles  distorceram  as  normas legais ou os atos societários a fim de desvirtuar o objeto social e a  personalidade  jurídica  da  CORDEIRO  FIOS  E  CABOS  ELÉTRICOS  LTDA.,  utilizando­se  do  poder  de  gestão  ou  representação  da  entidade  indevidamente,  em  seu  proveito  próprio.  Entretanto,  tais  provas  não  constam dos autos, até porque a fiscalização sequer se deu ao trabalho de  elucidar  os  fatos  que  poderiam  dar  azo  à  incidência  do  artigo  135  no  presente  caso,  demonstrando,  de  forma  clara  e  inconteste,  que  a  responsabilização dos Recorrentes deu­se à margem dos requisitos legais e  em  completa  manipulação  dos  institutos  jurídicos  que  impõem  a  preservação e separação da pessoa jurídica e daquela pessoa física que, por  força de convenções, age em seu nome ou a representa”.  5.  Requereu  a  procedência  do Recurso Voluntário  interposto  para  excluir  a  responsabilidade tributária dos sócios.    É o relatório do essencial.  Tabela  do  plano  Voto             Conselheiro Daniel Ribeiro Silva. ­ Relator  Fl. 10833DF CARF MF Processo nº 16095.720152/2015­45  Acórdão n.º 1401­002.294  S1­C4T1  Fl. 10828          13 Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao  e­processo.  Inicialmente passo a analisar o Recurso de Ofício.  Da análise da decisão recorrida, diante do grande número de fornecedores e  documentos,  a DRJ  de  forma  bastante  efetiva  conseguiu  identificar  distinções  nas  situações  postas no TVF.  Sendo  assim,  no  que  se  refere  ao  fornecedor  AGL  COMÉRCIO  DE  CONDUTORES  ELÉTRICOS  LTDA,  a  Recorrente  conseguiu  comprovar  o  pagamento  e  a  realização  de  parte  das  operações  (aproximadamente  30%).  Assim,  corretamente,  a  DRJ  excluiu  as  glosas  cujas  despesas  foram  comprovadas.  Além  disso,  reduziu  a  multa  antes  qualificada.  Quanto à MAQMETAIS COMERCIAL LTDA., cuja inscrição no CNPJ foi  considerada  inapta pela DRF em Santo André,  conforme Ato Declaratório Executivo  (ADE)  DRF/SAE nº 50, de 16 de dezembro de 2014, expedido com base na Instrução Normativa (IN)  RFB nº 1.470, de 2014, revogada pela  IN/SRF 1.634, de 2016. Ora, cumpre recordar que, de  acordo com ambas  IN, consideram­se inidôneos os documentos emitidos por sociedades cuja  inscrição  se  encontre  suspensa  a  partir  da data  de publicação  do ADE;  uma vez  que  isto  só  ocorreu em 7 de janeiro de 2015, os efeitos deste ADE não retroagem para alcançar as notas  fiscais glosadas. Em razão disso, manteve a glosa e reduziu a multa qualificada.  No que se referem aos fornecedores EBF COMÉRCIO DE CONDUTORES  ELÉTRICOS LTDA e G&R COMÉRCIO DE MATERIAIS ELÉTRICOS LTDA, em que pese  o contribuinte não tenha logrado êxito em comprovar as operações, com exceção da inaptidão e  não  localização das empresas,  a DRJ entendeu que não haveriam provas de que a  recorrente  teria ciência das irregularidades. Em razão disso igualmente reduziu a multa qualificada.  Com  a  devida  vênia,  com  exceção  da  exclusão  das  glosas  cujas  despesas  foram comprovadas entendo não assistir razão à DRJ.  O fato é que da análise dos autos é possível verificar que a autuada tinha um  verdadeiro  modus  operandi,  e  um  volume  absolutamente  incompatível  de  despesas  não  comprovadas de diversos fornecedores.  A  Recorrente  chegou  a  afirmar  que  teria  um  conta  corrente  com  os  fornecedores,  que  receberia  cobre  e  devolveria  sucata,  mas  como  justificar,  no  caso  do  fornecedor AGL COMERCIO DE CONDUTORES ELÉTRICOS que ele tenha adquirido mais  de R$ 10 milhões em insumos e apenas comprovado o pagamento e a efetiva operação relativo  a aproximadamente R$ 3 milhões?  A empresa compra R$ 10 milhões em insumos e devolve (no conta corrente)  R$ 7 milhões em sucatas?  E no caso da EBF e G&R em que não logrou êxito em sequer comprovar os  pagamentos  realizados  para os  fornecedores,  a Recorrente  faria permuta  integral  de  insumos  com sucata? Não vejo como serem factíveis os argumentos.  Outrossim,  não  se  trata  de  um  volume  pequeno  de  operações,  em  que  se  possa  perder  comprovação  de  pagamento  de  uma  ou  outra  operação,  mas  se  tratam  de  operações milionárias.  No que se refere à MAQMETAIS, por mais que a ADE não seja retroativa, o  fato é que o contribuinte não conseguiu lograr êxito em comprovar a efetividade dos custos e,  diante de todo o conjunto probatório afere­se que esse era um verdadeiro padrão da empresa.  Fl. 10834DF CARF MF     14 Se este julgador estivesse diante de uma análise isolada da situação dos acima  referidos fornecedores, talvez tivesse chegado à mesma conclusão da DRJ. Entretanto, levando  em consideração todo o padrão da empresa, bem como as demais operações fraudulentas que  serão  tratadas quando da análise do Recurso Voluntário, não posso concordar com a decisão  tomada.  Assim, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso de Ofício para  restaurar a multa qualificada para as glosas mantidas.  No  que  se  refere  ao  Recurso  Voluntário,  no  que  se  refere  aos  Recursos  apresentados pela CORDEIROS S.A e CORDEIROS LTDA, é fácil constatar que constituem­ se  em  repetições  dos  argumentos  utilizados  em  sede  de  impugnação,  os  quais  foram  detalhadamente apreciadas pelo julgador a quo.  Nestes  termos, cumpre ressaltar a  faculdade garantida ao  julgador pelo § 3º  do Art. 57 do Regimento Interno do CARF:    Art.  57.  Em  cada  sessão  de  julgamento  será  observada  a  seguinte ordem:  I ­ verificação do quórum regimental;  II ­ deliberação sobre matéria de expediente; e  III  ­  relatório,  debate  e  votação  dos  recursos  constantes  da  pauta.  §  1º  A  ementa,  relatório  e  voto  deverão  ser  disponibilizados  exclusivamente  aos  conselheiros  do  colegiado,  previamente  ao  início  de  cada  sessão  de  julgamento  correspondente,  em  meio  eletrônico.  §  2º  Os  processos  para  os  quais  o  relator  não  apresentar,  no  prazo  e  forma  estabelecidos  no  §  1º,  a  ementa,  o  relatório  e  o  voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar  o fato em ata.  § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da  decisão  de  primeira  instância,  se  o  relator  registrar  que  as  partes  não  apresentaram  novas  razões  de  defesa  perante  a  segunda  instância  e  propuser  a  confirmação  e  adoção  da  decisão recorrida.  (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de  2017).    Da análise do presente processo, entendo ser plenamente cabível a aplicação  do respectivo dispositivo regimental uma vez que não inova nas suas razões já apresentadas em  sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida.  Assim, no que se referem ao Recurso apresentado pela CORDEIROS LTDA,  voto no sentido de manter a decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos, nos termos da  faculdade garantida ao julgador pelo § 3º do Art. 57 do Regimento Interno do CARF:    Por  outro  lado,  no  que  tange  a  DETROIT  COMÉRCIO  DE  METAIS  FERROSOS  E  NÃO  FERROSOS  LTDA.,  LINHACOS  COMÉRCIO  DE  METAIS  LTDA.,  KOBBER  METAIS  INDÚSTRIA  E  COMÉRCIO  DE  CONDUTORES  ELÉTRICOS  LTDA.,  NOSSA  LAMINAÇÃO  COMÉRCIO  IMPORTAÇÃO  E  EXPORTAÇÃO  LTDA.  e  ELETROCELL  COMERCIAL  E  Fl. 10835DF CARF MF Processo nº 16095.720152/2015­45  Acórdão n.º 1401­002.294  S1­C4T1  Fl. 10829          15 ARREMATADORA  LTDA.,  a  situação  é  inteiramente  diversa,  diante da mais de uma centena de notas fiscais (NF) nitidamente  forjadas, assim referidas pelo Autor do feito (fl. 8.143):  a)  em  pelo  menos  161  notas  fiscais  [...]  foram  indicadas  no  campo “Transportador ­ placa do veículo”, os seguintes veículos  de  transporte  de  passageiros,  camionetas,  microonibus,  e  motocicletas, que não se prestam ao transporte de mercadorias e  nem comportam as quantidades de mercadorias constantes das  notas fiscais [...].  Efetivamente, na NF copiada à fl. 5.268, consta que uma carga  de  24.219  kg  (equivalente  ao  peso  aproximado  de  quatro  elefantes  africanos  –  Loxodonta  africana  –  machos  e  adultos)  haveria sido transportada pelo veículo de placas CBL8148, que  não passa de uma camioneta Fiat Fiorino. E isto não é o pior: à  fl.  5.276,  afirma­se  que  uma  carga  equivalente  (24.118  kg)  haveria  sido entregue usando­se o veículo de placas DKL7433,  que vem a ser uma motocicleta Honda. Confira­se:          E  estes  não  são  casos  isolados:  os  autos  estão  repletos  de  aberrações desta natureza (examinem­se, a título de exemplo, fls.  5.267 e seguintes).  Confrontada  com  esta  situação,  a  interessada  dá  de  ombros  e  limita­se a afirmar que não lhe caberiam a “entrega e retirada  das  mercadorias”  e,  assim  sendo,  não  teria  tomado  “conhecimento de como isto ocorria, com quais veículos, etc.”,  atribuindo  “eventuais  incoerências  nos  dados  relativos  ao  transporte dos materiais” a “meros erros de digitação”. Porém,  esta  andrajosa  justificativa  é  refutada  pelo  fato  de  que  tais  pretensos lapsos haveriam ocorrido dezenas e dezenas de vezes a  pessoas  jurídicas  alegadamente  distintas:  assim,  por  exemplo,  tanto  S&S  INDÚSTRIA  E  COMÉRCIO  LTDA.  quanto  LINHACOS  COMÉRCIO  DE  METAIS  LTDA.  quanto,  ainda,  DETROIT  –  COMÉRCIO  DE  METAIS  atribuem  os  mesmos  superpoderes  à  já  mencionada  motocicleta  de  entregador  de  pizzas (confira­se tabela de fls. 8.143 e 8.144). Por conseguinte,  cabíveis  tanto  a  glosa  destes  valores  quanto  a  exacerbação  da  penalidade  pecuniária,  como  preconizado  pelo  Autor  do  feito.  Observe­se  por  óbvio,  mas  oportuno,  que  a  qualificação  da  multa  de  ofício  proporcional  ao  IRPJ  derivado  da  glosa  dos  custos  associados  a  LINHACOS  LTDA.  desvincula­se  Fl. 10836DF CARF MF     16 inteiramente dos efeitos do Ato Declaratório Executivo de lavra  da DRF em Ribeirão Preto.  Além  disso,  consta  das  peças  processuais  que  quatro  pessoas  físicas  (ISRAEL  LOPES  DA  SILVA,  CPF  nº  095.346.438­58;  MIRIAN  LOPES  PEREIRA,  CPF  nº  078.280.628­77;  RHAISA  AIMÉE  SCALONA  SILVA,  CPF  nº  407.440.668­32;  e  SELMA  SANTOS SILVA, CPF nº 268.535.168­00) teriam sido sócias, em  algum  momento,  tanto  de  ASRNER  COMÉRCIO  DE  METAIS  LTDA. quanto de KOBBER METAIS INDÚSTRIA E COMÉRCIO  DE  CONDUTORES  ELÉTRICOS  LTDA  (vejam­se  fls.  7.517  a  7.522  e  7.784  a  7.787).  Uma  vez  que  esta  última  figura  como  emitente  de  notas  fiscais  patentemente  contrafeitas,  é  mister  entender que ASRNER LTDA., com a qual partilhou seus sócios,  também  deva  ser  considerada  inidônea.  Cabe  ainda  adicionar  que  a  mesma  SELMA  SANTOS  SILVA  alega  que  seus  documentos  lhe haveriam sido subtraídos,  o que acentua ainda  mais a mácula de ilegitimidade que atinge ambas as sociedades,  pois que se valeram de tais documentos para a prática de delitos  tributários.  Logo,  cabível  exacerbar  a  multa  proporcional  aos  tributos  derivados  da  glosa  dos  custos  associados  a  ASRNER  LTDA.  Isto posto, examinem­se as demais alegações da interessada. Ao  longo  de  sua  defesa,  ela  aduz,  repetidamente,  que  a  comprovação da efetividade de suas aquisições residiria no fato  de  haver  revendido  “como  sucata”,  às  “mesmas  empresas  que  lhe forneciam os produtos”, os “materiais adquiridos” que não  estivessem “em condições satisfatórias de uso”; disso resultaria  um  encontro  de  contas  que  lhe  impossibilitaria  a  comprovação  dos pagamentos feitos pela aquisição destes insumos.  Efetivamente, às fls. 6.375, 6.388 e 6.403 existe correspondência  neste  sentido  entre  a  interessada  e  três  de  seus  alegados  fornecedores,  ASRNER  COMÉRCIO  DE  METAIS  LTDA.,  KOBBER  METAIS  INDÚSTRIA  E  COMÉRCIO  DE  CONDUTORES  ELÉTRICOS  LTDA.  e  AGL  COMÉRCIO  DE  CONDUTORES  ELÉTRICOS  LTDA.  De  plano,  cabe  desconsiderar  os  supostos  negócios  envolvendo  as  duas  primeiras sociedades, pelos motivos acima expostos; e no que diz  respeito  à  última,  é  óbvio  que  tal  correspondência,  de  per  si,  nada comprova. Logo, este argumento não pode ser acolhido.  A interessada ainda acrescenta o sofisma de que, se [...] todas as  operações  de  venda  de  sucata  resultaram  em  débitos  de  PIS  e  COFINS e receitas tributáveis pelo IRPJ e pela CSLL, então não  existiria  motivo  de  ordem  tributária  pelo  qual  seria  vantajoso  para a Impugnante fraudar a  ocorrência  de  operações  que  supostamente  não  aconteceram  na  realidade.  Trata­se de uma inverdade patente, pois eventuais vendas feitas  pela  impugnante  não  supririam  a  necessidade  de  apresentar  provas  da  ocorrência  de  suas  próprias  compras:  por  óbvio,  trata­se  de  eventos  totalmente  distintos,  embora  a  interessada  busque por força estabelecer uma relação causal entre eles. Em  outro  ponto,  a  impugnante  assevera  que,  se  desconsideradas  fossem as  compras  feitas a  tais  sociedades,  o mesmo deveria a  acontecer  a  suas  vendas  –  um  patente  absurdo,  tanto  lógico  quanto  jurídico,  pelo  mesmo  motivo:  se  ela  vendeu  uma  Fl. 10837DF CARF MF Processo nº 16095.720152/2015­45  Acórdão n.º 1401­002.294  S1­C4T1  Fl. 10830          17 mercadoria,  ocorreu  fato  gerador  de  tributos,  ressalvada  a  hipótese da imunidade; e se deduziu custos na apuração de seu  lucro real, submete­se à obrigação de comprová­los. Mesmo que  comprador  e  vendedor  se  confundissem,  isto  não  elidiria  a  necessidade  de  fazer  prova  robusta  da  efetividade  de  pagamentos  ou,  no  mínimo,  de  eventuais  encontros  de  contas  entre  ambos  –  o  que,  repita­se,  não  ocorre  no  presente  julgamento.  A  impugnante  aduz  que  todas  as  pessoas  jurídicas  ora  consideradas inidôneas teriam sido, durante o ano­calendário de  2011,  corretas  fornecedoras  de  seus  insumos;  ou  seja,  muito  embora  admita  que  em  um  dado  momento  elas  hajam  sido  consideradas  irregulares,  salienta  que  isto  teria  acontecido  somente  depois  de  findo  o  período  fiscalizado.  Dito  de  outra  forma, a interessada alega que, em 2011, adquiriu mercadorias  de  honestos  comerciantes  que,  de  súbito,  talvez  já  no  primeiro  minuto  de  2012,  converteram­se  em  fraudadores  tributários:  uma conjectura muito pouco plausível. E menos crível ainda é a  hipótese que isso haja acontecido não uma, mas diversas vezes, e  sempre a sociedades que seriam suas supostas fornecedoras.  Some­se  a  isto  a  circunstância de  que  nenhuma destas  pessoas  jurídicas foi encontrada em funcionamento pelo Fisco da União  e  que  nenhum  dos  sócios,  de  nenhuma  delas  (com  a  já  mencionada  exceção  de AGL COMÉRCIO DE CONDUTORES  ELÉTRICOS  LTDA.),  haja  atendido  à  intimação  para  prestar  esclarecimentos. Logo, este argumento é inadmissível e, de toda  forma, não faz prova da efetividade dos custos glosados.  No que  tange à  descabida  assertiva de  que  os  lançamentos  em  tela  impediriam  que  se  soubesse  “com  a mais  absoluta  certeza  quais são os valores que efetivamente poderiam ser exigidos”, só  se pode dizer que o quantum debeatur está claramente indicado  nos autos de infração.  Quanto  à  “incidência  de  juros  sobre  a  multa  de  ofício”,  basta  destacar  que  tal  cobrança  inexiste  nos  autos  em  exame  e,  portanto, não constitui matéria litigiosa, no termos do PAF; em  assim  sucedendo,  falece  competência  a  este Colegiado  para  se  manifestar a respeito.  Por  fim,  cabe salientar que no  curso do presente processo não  foram  vulnerados  quaisquer  princípios  constitucionais  e  que  a  jurisprudência  apresentada  pela  interessada  não  gozam  do  status de legislação tributária, nos termos dos artigos 96 a 100  do CTN.  Mantido  o  lançamento  de  IRPJ,  igual  sorte  caberá  a  seus  consectários,  em face da  identidade dos elementos de prova de  todos os tributos ora em tela.    (...)    Assim,  firme  nesses  argumentos,  e  tendo  a  convicção  de  que  o  modus  operandi da autuada está absolutamente claro e, diante da inexistência de argumentos capazes  Fl. 10838DF CARF MF     18 de  elidir  o  lançamento,  mantenho  a  decisão  recorrida  quanto  ao  Recurso  da  CORDEIROS  LTDA pelos seus próprios fundamentos.  Outrossim,  no  que  se  refere  à  qualificação  da  multa,  tanto  pelas  razões  aduzidas  na  decisão  da  DRJ  quanto  pelas  razões  que  apresentei  na  análise  do  Recurso  de  Ofício, voto pela manutenção da multa de 150%.  No  que  se  refere  ao  Recurso  apresentado  pela  CORDEIROS  SA,  também  voto no sentido de manter a decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos, nos termos da  faculdade garantida ao julgador pelo § 3º do Art. 57 do Regimento Interno do CARF:  Isto porque o artigo 5. do Decreto­lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977,  assim dispõe:  Art  5º  ­  Respondem  pelos  tributos  das  pessoas  jurídicas  transformadas, extintas ou cindidas:  I ­ a pessoa jurídica resultante da transformação de outra;  II  ­  a  pessoa  jurídica  constituída  pela  fusão  de  outras,  ou  em  decorrência de cisão de sociedade;  III  ­  a  pessoa  jurídica  que  incorporar  outra  ou  parcela  do  patrimônio de sociedade cindida;    Desta feita, independente das razões empresariais que tenham levado ao surgimento  da Recorrente, a sua responsabilidade é clara e emana de expresso dispositivo legal.  Passo  à  análise  do  Recurso  Voluntário  apresentado  pelos  sócios Carlos  Roberto  Cordeiro e Maria Isabel de Melo Cordeiro.  Em suas razões eles alegam resumidamente que:  (i)  a  responsabilização do art.  135 do CTN exige que  a pessoa  física,  na  qualidade  de  gestora  de  uma  pessoa  jurídica,  venha  a  praticar  ato  com  excesso  de  poderes  ou  infração  de  lei, mas  não  se  extrai  dos  autos  uma  indicação  sequer  acerca de quais  atos,  praticados pessoalmente pelos ora  Recorrentes, teriam conduzido à conclusão pela sua responsabilização pelo  crédito tributário exigido da pessoa jurídica;  (ii) o negócio jurídico firmado pela empresa CORDEIRO FIOS E CABOS  ELÉTRICOS  LTDA.,  estava  em  perfeita  consonância  com  a  realidade  fática  na  qual  uma  empresa  está  inserida. Ademais  disso,  investidos  dos  poderes de administradores da empresa, os Recorrentes apenas  levaram a  termo  as  aquisições  dos  insumos  imprescindíveis  para  a  consecução  da  atividade empresarial.  (iii) a responsabilização dos Recorrentes pela figura legal retromencionada  pressupõe a ocorrência de ato pessoal dos mesmos com fraude à lei, o que  não se observa no presente caso”.   (iv)  que  não  estariam  presentes  os  requisitos  para  a  desconsideração  da  personalidade jurídica da empresa.    Entendo  que  os  argumentos  não  logram  afastar  sua  responsabilização  solidária. O TVF é absolutamente claro ao descrever toda a operação fraudulenta.  Não se trata de uma única operação glosada, mas de centenas, em situações  das mais absurdas possíveis.  Fl. 10839DF CARF MF Processo nº 16095.720152/2015­45  Acórdão n.º 1401­002.294  S1­C4T1  Fl. 10831          19 Tratam­se de glosas decorrentes de operações realizadas com 13 fornecedores  distintos,  todos  eles  posteriormente  se  tornaram  inaptos  ou  foram  baixados  depois  de  um  período de negócios com a autuada.  O presente  lançamento glosou o  equivalente a R$ 134 milhões de despesas  não comprovadas. Por outro  lado, não se  trata de uma empresa com faturamento baixo, pelo  contrário, a média de aquisições de insumos girou em torno de R$ 70 milhões mensais durante  o período.  Seria  o  mesmo  que  dizer  que  uma  empresa  do  porte  e  do  faturamento  da  autuada  tivesse simplesmente deixado de acompanhar ou comprovar a aquisição de 20% dos  seus insumos anuais.  Outrossim, outras situações absurdas como entregas de toneladas de insumos  em motocicletas, automóveis de passeio ou microônibus apenas atestam a irracionalidade das  operações.  E  todo  esse  volume  de  operações  e  infrações  à  lei  realizadas  pela  autuada  foram permitidas pelos seus 2 únicos sócios administradores. Nesta esteira, entendo que não há  como alegar desconhecimento ou falta de acompanhamento em um volume de operações  tão  vultoso e em tamanha freqüência.   Também entendo que não é razoável alegar desconhecimento de que estariam  infringindo a legislação tributária.  Por  último,  no  que  se  refere  à  alegação  de  impossibilidade  de  desconsideração da personalidade jurídica da contribuinte, esta efetivamente não ocorreu, mas  sim a atribuição de responsabilidade solidária dos sócios nos termos do art. 135 do CTN.  Face  o  exposto,  voto  por  negar  provimento  ao  Recurso  dos  sócios  responsáveis solidários.  Assim, voto pelo provimento parcial  do Recurso de Ofício para  restaurar a  multa qualificada relativas às glosas mantidas pela DRJ e pelo não provimento dos Recursos  Voluntários.  É como voto.     (assinado digitalmente)  Daniel Ribeiro Silva                              Fl. 10840DF CARF MF

score : 1.0
7248468 #
Numero do processo: 10530.902183/2011-26
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 DCTF RETIFICADORA. DESPACHO DECISÓRIO. ENTREGA ANTERIOR. AUSÊNCIA DE ANÁLISE. NULIDADE. Considerando que a Dctf retificadora, transmitida em conformidade com a legislação de regência, substitui a Dctf originalmente apresentada, é de se declarar a nulidade do despacho decisório que não homologou a compensação declarada sob o pressuposto das informações constantes na Dctf original quando essas já haviam sido alteradas por Dctf retificadora transmitida anteriormente ao despacho decisório, da qual resultaria o alegado crédito decorrente do pagamento a maior do débito retificado.
Numero da decisão: 3001-000.313
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário e no mérito, por unanimidade, em dar provimento parcial, para anular o Despacho Decisório, por vício material. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI

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3001­000.313  –  Turma Extraordinária / 1ª Turma   Sessão de  11 de abril de 2018  Matéria  PER/DCOMP ­ COFINS ­ COMPENSAÇÃO  Recorrente  CARLOS A. M. OLIVEIRA COMÉRCIO DE INSUMOS  AGROPECUÁRIOS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005  DCTF  RETIFICADORA.  DESPACHO  DECISÓRIO.  ENTREGA  ANTERIOR. AUSÊNCIA DE ANÁLISE. NULIDADE.  Considerando  que  a  Dctf  retificadora,  transmitida  em  conformidade  com  a  legislação  de  regência,  substitui  a  Dctf  originalmente  apresentada,  é  de  se  declarar  a  nulidade  do  despacho  decisório  que  não  homologou  a  compensação  declarada  sob  o  pressuposto  das  informações  constantes  na  Dctf  original  quando  essas  já  haviam  sido  alteradas  por  Dctf  retificadora  transmitida anteriormente ao despacho decisório, da qual resultaria o alegado  crédito decorrente do pagamento a maior do débito retificado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Voluntário e no mérito, por unanimidade, em dar provimento parcial, para anular o  Despacho Decisório, por vício material.    (assinado digitalmente)  Orlando Rutigliani Berri ­ Presidente e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Orlando  Rutigliani  Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.  Relatório  Dos fatos     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 90 21 83 /2 01 1- 26 Fl. 80DF CARF MF     2 Cuida­se de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 02­58.167, da 1ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Belo  Horizonte/MG  ­ DRJ/BHE­,  que,  em  sessão  de  julgamento  realizada  no  dia  28.07.2014,  que  julgou  improcedente a manifestação de inconformidade.  Transcrevo o relatório do acórdão recorrido (efls. 47 a 51):  Relatório  O  presente  processo  trata  de Manifestação  de  Inconformidade  contra Despacho Decisório nº rastreamento 941302209, emitido  eletronicamente  em  05/07/2011,  referente  ao  PER/DCOMP  nº  40298.08043.300307.1.3.04­0079.  A  declaração  de  compensação,  gerada  pelo  programa  PER/DCOMP,  foi  transmitida  com  o  objetivo  de  compensar  direito  creditório  correspondente  a(o)  COFINS  ­  Código  de  Receita  2172,  do  período  de  apuração  Agosto/2005,  no  valor  original  na  data  de  transmissão  de  R$  5.308,63,  representado  por  Darf  recolhido  em  15/09/2005,  no  montante  total  de  R$  5.425,77.  De  acordo  com  o  Despacho  Decisório,  “em  razão  de  não  ter  sido  apresentada  a  Declaração  (obrigação  acessória)  relativa  ao  período  correspondente  ao  crédito  original  informado  no  PER/DCOMP  e  de  não  ter  havido  atendimento  ao  termo  de  intimação  para  apresentação  da  referida  declaração,  não  foi  possível  confirmar  a  existência  do  crédito  pleiteado”.  Diante  desses fatos, não se homologou a compensação declarada.  Como  enquadramento  legal  citou­se:  art.  165  e  170  da  Lei  nº  5.172 de 25 de outubro de 1966  (Código Tributário Nacional  ­  CTN). Art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.  Cientificado  do  Despacho  Decisório  em  20/07/2011  (fl.  16)  a  Interessada  apresenta,  em  19/08/2011,  manifestação  de  inconformidade alegando o que se segue:  • As contribuições para o Pis e Cofins foram recolhidas sobre a  receita bruta originada da venda de diversos produtos agrícolas.  • Ao realizar uma auditoria interna, durante o ano­calendário de  2007,  verificou­se  que  a Recorrente  incluía  na base de  cálculo  das  contribuições  receitas  de  vendas  de  produtos  tributados  à  alíquota zero, nos  termos do art. 1º da Lei nº 10.925, de 23 de  julho de 2004.  •  Considerando  a  quantia  já  paga  pela  empresa,  restou  constituído  um  indébito  tributário  de  sua  titularidade  no  valor  original  de  R$  5.308,63,  compensado  através  da  DCOMP  em  análise.  •  Todavia,  a  compensação  declarada não  foi  homologada  pela  autoridade  administrativa,  sob  o  argumento  de  inexistência  do  crédito, sem intimação prévia ao sujeito passivo.  • No momento do preenchimento do PER/DCOMP, a Recorrente  não apresentou a DCTF Retificadora, por não vislumbrar na IN  Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10530.902183/2011­26  Acórdão n.º 3001­000.313  S3­C0T1  Fl. 81          3 600/2005 qualquer exigência para apresentá­la juntamente com  o pedido de compensação.  • A Reclamante incorreu em mero vício procedimental, em culpa  concorrente  com a RFB que  nada  fez  para  adverti­lo  quanto à  falta  de  apresentação  de  DCTF  Retificadora,  necessária  à  validação de seu crédito.  • A Reclamante, ao tomar conhecimento da falha procedimental  em que incorreu, corrigiu­a, de logo, para retificar a DCTF ao  real valor devido de R$ 117,14.  •  Ao  indeferir  a  compensação  a Delegacia  da  Receita  Federal  desconsiderou  direito  subjetivo  da  Recorrente,  comprovado  através  de  documentos  idôneos,  fazendo  prevalecer  o  esteio  processual  sobre  a  verdade  material,  subtraindo,  assim,  um  crédito de direito do sujeito passivo.  • A Instrução Normativa nº 786, de 19 de novembro de 2007, foi  publicada  após  a  realização  do  PER/DCOMP  e  não  pode  retroagir para reger fatos praticados em períodos anteriores.  •  Sendo assim, não há que  se alegar que o  sujeito passivo não  poderia se apropriar de crédito pago a maior ao Erário, por lhe  faltar espontaneidade, vez que ele mesmo iniciou o procedimento  administrativo  de  compensação,  instando  a  administração  a  manifestar­se.  •  A  Contribuinte  realizou  todos  os  atos  administrativos  para  garantir a compensação, olvidando­se apenas de um, que já foi  devidamente sanado com a retificação da DCTF.  • A natureza da DCTF retificadora se coaduna com as razões da  Contribuinte  posto  que,  “a  DCTF  retificadora  terá  a  mesma  natureza  da  declaração  originariamente  apresentada,  substituindo­a  integralmente,  e  servirá  para  declarar  novos  débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados  ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados”.  •  À  vista  do  exposto,  deve­se  reconhecer  a  inaplicabilidade  do  art.  11,  §  2º,  III  da  Instrução  Normativa  786/2007,  para  reconhecer o direito creditório da Reclamante.  •  Por  fim,  requer  o  acolhimento  da  manifestação  de  inconformidade  apresentada,  com  a  consequente  reforma  do  despacho decisório e homologação da compensação.  É o relatório.  Da decisão de 1ª Instância   A  1ª  Turma  da  DRJ/BHE,  ao  julgar  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade, exarou citado acórdão, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Fl. 82DF CARF MF     4 Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005  AUSÊNCIA  DE  PROVAS  DA  EXISTÊNCIA  DO  CRÉDITO.  COMPENSAÇÃO INDEFERIDA.  Na  ausência  de  provas,  a  DCTF  retificadora  não  pode  ser  considerada  instrumento  hábil  para  conferir  certeza ao  crédito  indicado na declaração de compensação.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Do recurso voluntário  Irresignado  com  os  termos  do  acórdão  vergastado,  o  contribuinte  interpôs  recurso voluntário para, em apertada síntese, alertar que quase dois anos antes de a fiscalização  proferir  o  despacho  decisório  em  questão,  que  não  homologou  a  compensação  declarada,  já  havia retificado da Dctf originalmente apresentada, a fim de informar o valor correto do débito  de  Cofins.  Portanto,  referido  despacho  carece  de  fundamentação  válida,  pois  a  Dctf  retificadora,  apresentada  tempestivamente,  constitui  documento  hábil  para  demonstrar  e  comprovar a existência do crédito  fiscal em seu  favor. Todavia, mesmo diante da retificação  tempestiva da declaração, o Fisco inadvertidamente ignorou a existência da Dctf retificadora.  Afirma  também  que  ao  ignorar  a  Dctf  retificadora,  a  fiscalização  e  o  colegiado a quo acabaram por ferir um direito básico do administrado, conforme prevê o inciso  III do artigo 3º da Lei 9.784 de 1999. Mais, ao omitir­se em relação à Dctf retificadora, ou não  intimar  previamente  o  contribuinte  para  apresentar  quaisquer  outros  documentos  comprobatórios do indébito tributário apontado, a fiscalização também violou o artigo 29 da já  citada  lei,  pois  acaso  o  Fisco  entendesse  que  a  declaração  prestada  pelo  contribuinte  não  constitui instrumento hábil à análise do direito creditório deveria indicar quais documentos são  capazes de conferir certeza e liquidez ao crédito reivindicado, sob pena de a decisão recorrida  atentar contra o princípio da verdade material, da garantia ao contraditório e à ampla defesa,  conduzindo para a conclusão de que o despacho decisório em apreço está eivado de nulidade,  conforme o disposto no inciso II do artigo 59 do Decreto 70.235 de 1972.  Neste  sentido,  requer  o  provimento  do  presente  recurso  para  reformar  o  acórdão  recorrido,  homologando  a  compensação  declarada  no  Per/Dcomp  40298.08043.300307.1.3.04­0079,  ou,  subsidiariamente,  para  anular  o  despacho  decisório  emitido em 05.07.2011 e demais atos administrativos, convertendo o julgamento em diligência,  para que os autos retornem à origem a fim de que a autoridade competente proceda à análise da  compensação,  levando  em  consideração  a Dctf  retificadora  transmitida  em  19.11.2009,  bem  como,  se  for  do  interesse  da  fiscalização,  proceda  a  análise  o  procedimento,  à  luz  da  escrituração contábil­fiscal do contribuinte.  Do encaminhamento  O processo digital, então, foi encaminhado para ser analisado por este Carf na  forma regimental.  É o relatório.  Voto             Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10530.902183/2011­26  Acórdão n.º 3001­000.313  S3­C0T1  Fl. 82          5 Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator   Da admissibilidade  Em 15.07.2015 o contribuinte tomou conhecimento do acórdão recorrido, é o  que informa o expediente de efl. 52.  Em 13.08.2015,  irresignado com os termos da referida decisão, o recorrente  providencia a juntada do recurso voluntário de efls. 53 a 77, é o que depreende­se do carimbo  aposto pela ARF­IRECÊ/BA na "Folha de Rosto " da referida petição.  Na hipótese dos autos, nos termos da legislação processual aplicável (Decreto  70.235  de  1972)  e  do  que  dispõe  o  Ricarf  vigente,  tem­se  que  referida  peça  recursal  é  tempestiva  e  reúne  os  demais  requisitos  de  admissibilidade;  de  modo  que  dela  tomo  conhecimento.  Do mérito  O Despacho Decisório ­nº rastreamento 941302209­, emitido eletronicamente  em 05.07.2011, refere­se ao PER/DCOMP 40298.08043.300307.1.3.04­0079, transmitido com  o  objetivo  de  compensar  direito  creditório  correspondente  à  Cofins  do  período  de  apuração  relativo ao mês de agosto de 2005, no valor original na data de  transmissão de R$ 5.308,63,  representado por Darf recolhido em 15.09.2005, no montante total de R$ 5.425,77, decidiu no  sentido  de  que “em  razão  de  não  ter  sido  apresentada a Declaração  (obrigação acessória)  relativa ao período correspondente ao crédito original  informado no PER/DCOMP e de não  ter havido atendimento ao termo de intimação para apresentação da referida declaração, não  foi possível confirmar a existência do crédito pleiteado”. Razão pelo qual não se homologou a  compensação declarada.  No  entanto,  se  tivesse  levado  em  consideração  a  retificação  da  Dctf  transmitida  em  19.11.2009,  o  conteúdo  dessa  decisão  certamente  seria  outro,  vez  que  ainda  restaria saldo de crédito no pagamento apontado como indevido, obviamente, que ainda sujeito  à análise de mérito pela fiscalização quanto a sua certeza e liquidez.  Assim,  tem­se  que  o  despacho  decisório  foi  emitido  sob  o  pressuposto  das  informações  constantes  na  Dctf  original,  que  já  havia,  à  época,  sido  substituída  pela  Dctf  retificadora, a qual, então, careceu de análise na decisão quanto à veracidade dos novos dados  informados que poderia assegurar o direito creditório ao contribuinte.  Essa questão restou bem esclarecida no Acórdão 3403­002.223, da 3ª Turma  Ordinária  da 4ª Câmara,  objeto  de  julgamento  realizado  na  sessão  de dia  22.05.2013. Nesse  sentido, peço vênia para transcrever parte do voto condutor do Ilustre Conselheiro Alexandre  Kern:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003  COMPENSAÇÃO.  NÃO  HOMOLOGAÇÃO.  DCTF  RETIFICADORA. EFEITOS.  Fl. 84DF CARF MF     6 A apresentação espontânea DCTF retificadora antes da  edição  do  despacho  decisório,  nas  hipóteses  em  que  é  admitida  pela  legislação,  substitui  a  original  em  relação  aos  débitos  e  vinculações declarados, devendo por tanto ser nele considerada.  Processo Anulado  Aguardando Nova Decisão  (...)  VOTO  (...)  Permito­me recapitular que, anteriormente à atual sistemática, a  DCTF retificadora somente se prestava a reduzir o montante do  tributo  declarado,  sujeitando­se  a  um  procedimento  administrativo de análise do mérito da retificação, de forma que  o  valor  inicialmente  declarado  somente  seria  alterado  para  o  menor se houvesse prova antecipada do erro. Todavia, desde as  alterações introduzidas pela Medida Provisória no 2.189­49, de  23  de  agosto  de  2001,  art.  18,  a  DCTF  retificadora,  quando  admitida,  tem  os  mesmos  efeitos  da  original  (art.  9º,  I,  da  Instrução Normativa  RFB  nº  1.110,  24  de  dezembro  de  2010),  tem a mesma natureza da declaração original. A esse propósito,  veja­se o que já decidiu a 2ª Turma do STJ, no REsp 044027/SC  (...)  De  acordo  com  a  IN  citada  acima,  vigente  atualmente,  não  se  admitem  retificações  de  DCTF  tendentes  reduzir  tributo  previamente  confessado  cobrança  já  tenha  sido  enviada  à  Procuradoria­Geral  da  Fazenda  Nacional  ou  que  tenha  sido  objeto de exame em procedimento de fiscalização.  Evidentemente, não se trata disso no caso sub judice. Ademais, a  retificação  da  DCTF  em  questão  operou­se  ao  abrigado  da  espontaneidade,  porquanto  efetuada  antes  de  qualquer  procedimento  do  Fisco.  Nessas  circunstâncias,  a  DCTF  retificadora apresentada alterou eficazmente a situação jurídica  anterior e inverteu o ônus da prova de que inexistiria pagamento  a maior.  Contudo, os efeitos da retificação da DCTF  foram solenemente  desconsiderados  tanto  no  despacho  decisório  quanto  pelo  acórdão de primeira instância.  A  nova  realidade  estampada  na DCTF  retificadora  tem  de  ser  devidamente  avaliada  pela  Autoridade  Fiscal,  quanto  à  sua  liquidez  e  certeza.  Somente  após  tal  providência  é  que  eventualmente  poderá  ser  denegada  a  repetição  e  não  homologada a compensação.  À  vista  do  exposto,  voto  por  dar  provimento  ao  recurso,  para  anular  o  processo  ab  ovo,  determinando  à  Autoridade  Fiscal  competente que reexamine o pleito objeto do presente processo,  considerando a DCTF que estiver vigendo por ocasião da edição  do novo despacho decisório.  Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10530.902183/2011­26  Acórdão n.º 3001­000.313  S3­C0T1  Fl. 83          7 Nessa linha foi também decidido recentemente em situação semelhante a do  presente processo, no Acórdão 3201­003.071, da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, objeto de  julgamento realizado na sessão de 27.06.2017. Nesse sentido, uma vez mais, peço vênia para  transcrever parte do voto condutor do Ilustre Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira:  (...)  Com efeito, com base na DCTF original não haveria pagamento  a maior de Cofins e, por conseguinte, nenhum direito creditório,  o  que  demonstraria  o  acerto  do  despacho  decisório  original,  proferido  em  07/10/2009.  Ocorre  que  antes  da  prolação  do  despacho  decisório,  a  recorrente  após  correção  e  ajustes  informados  em  seu  recurso,  transmitiu  DCTF  retificadora,  em  18/09/2009, portanto, em data anterior ao término da análise de  sua DCOMP.  No  ponto,  importa  decidir  se  o  despacho  decisório  deveria  ser  proferido em observância à DCTF retificadora que constava na  base  de  dados  da  Secretaria  da  Receita  Federal  RFB;  e mais,  questão  fundamental  é  saber  se  a  recorrente,  na  eminência  da  prolação  de  despacho  decisório,  era­lhe  permitido  retificar  a  DCTF para reduzir valor de tributo devido, que corresponderia  ao direito ao crédito do valor pago a maior.  Depreende­se  do  despacho  decisório  que  a  unidade  de  origem  decidiu por não homologar a compensação, sob o fundamento de  que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado  para quitação de débito da titularidade do contribuinte.  Este  procedimento,  eletrônico  diga­se  de  passagem,  é  efetuado  segundo os princípios da compensação, que nada mais é que o  encontro de contas entre débito e crédito, este caracterizado pelo  pagamento  a  maior  ou  indevido,  consubstanciado,  no  caso  em  apreço, em um DARF. Quanto ao débito, é o valor extraído do  documento  hábil  no  qual  o  contribuinte  confessa  sua  dívida  tributária,  qual  seja,  a  DCTF  válida  que  consta  da  base  de  dados da RFB.  Assim,  uma  vez  que  no  presente  caso  a  não  homologação  da  compensação  declarada  decorrera  apenas  da  vinculação  do  pagamento  ao  débito  informado  na  DCTF  original,  deve  ser  aceita  como  prova  a  DCTF  retificadora  transmitida  antes  da  emissão do despacho decisório, desde que não haja impedimento  normativo à sua utilização.  À época dos fatos vigia a IN RFB nº 903/2008 que dispunha do  Capítulo V para tratar da retificação de declarações. Seu art. 11  rezava:  Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF  será  efetuada  mediante  apresentação  de  DCTF  retificadora,  elaborada  com  observância  das  mesmas  normas estabelecidas para a declaração retificada.  §  1º  A  DCTF  retificadora  terá  a  mesma  natureza  da  declaração originariamente  apresentada,  substituindo­a  Fl. 86DF CARF MF     8 integralmente,  e  servirá  para  declarar  novos  débitos,  aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados  ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados.  § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por  objeto  alterar  os  débitos  relativos  a  impostos  e  contribuições:  I  ­  cujos  saldos  a  pagar  já  tenham  sido  enviados  à  Procuradoria­Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para  inscrição  em DAU,  nos  casos  em que  importe  alteração  desses saldos;  II  ­  cujos  valores  apurados  em  procedimentos  de  auditoria  interna,  relativos  às  informações  indevidas  ou  não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento,  parcelamento,  compensação  ou  suspensão  de  exigibilidade,  já  tenham  sido  enviados  à  PGFN  para  inscrição em DAU; ou  III  ­  em  relação  aos  quais  a pessoa  jurídica  tenha  sido  intimada de início de procedimento fiscal.  Os dispositivos não carecem de maiores interpretações. A DCTF  retificadora,  quando  admitida,  tem  a mesma  natureza  e  efeitos  da declaração original.  De acordo com a IN citada acima não se admitem retificações de  DCTF  tendentes  reduzir  tributo  previamente  confessado  cobrança  já  tenha  sido  enviada  à  Procuradoria­Geral  da  Fazenda  Nacional  ou  tenha  sido  objeto  de  exame  em  procedimento de fiscalização.  No caso dos autos, não ha incidência de nenhuma das hipóteses  de  inadmissibilidade  da  DCTF  retificadora.  Ademais,  a  retificação  da  DCTF  em  questão  operou­se  ao  abrigado  da  espontaneidade,  porquanto  efetuada  antes  de  qualquer  procedimento do Fisco.  Nessas circunstâncias, a DCTF retificadora apresentada alterou  eficazmente a  situação  jurídica anterior;  contudo, os efeitos da  retificação  da  DCTF  foram  solenemente  desconsiderados  no  despacho decisório.  A  nova  realidade  estampada  na DCTF  retificadora  tem  de  ser  devidamente  avaliada  pela  Autoridade  Fiscal,  quanto  à  sua  liquidez  e  certeza.  Somente  após  tal  providência  é  que  eventualmente  poderá  ser  denegada  a  repetição  e  não  homologada a compensação.  (...)  Da conclusão  Diante  do  exposto,  conheço  do  recurso  voluntário  e,  no  mérito,  dou­lhe  parcial  provimento,  para  anular,  por  vício material,  o  despacho  decisório  e  dos  demais  atos  administrativos  posteriores,  que  dele  diretamente  dependam  ou  sejam  consequência,  e  para  possibilitar  à  autoridade  competente  da  unidade  de  origem  reexaminar,  dentro  do  prazo  Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10530.902183/2011­26  Acórdão n.º 3001­000.313  S3­C0T1  Fl. 84          9 prescricional,  o  pleito  de  compensação  considerando  a  Dctf  vigente  no  momento  da  nova  decisão.    (assinado digitalmente)  Orlando Rutigliani Berri                                Fl. 88DF CARF MF

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Numero do processo: 10552.000259/2007-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1996 a 31/05/2005 DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE. ARTIGO 45 DA LEI N” 8.212/91. SUMULA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Consideram-se decaídos os créditos tributários lançados com base no artigo 45 da Lei n° 8.212/9l, que determinava o prazo decadencial de 10 anos para as contribuições previdenciárias, por ter sido este artigo considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos ` da Súmula Vinculante n° 8, publicada no DOU em 20/06/2008. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LICENÇA-PRÊMIO INDENIZADA. NÃO INCIDÊNCIA. Somente não integram o salário de contribuição as parcelas expressamente excluídas por Lei. A licença-Prêmio indenizada não integra o salário de contribuição previdenciária. NORMAS REGIMENTAIS. CONCOMITÂNCIA DISCUSSÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. MESMO OBJETO. NÃO CONHECIMENTO DAS ALEGAÇÕES RECURSAIS. SÚMULA CARF N° 01. De conformidade o artigo 78, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, a propositura de ação judicial com o mesmo objeto do recurso voluntário representa desistência da discussão de aludida matéria na esfera administrativa, ensejando o não conhecimento da peça recursal. RECURSO VOLUNTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SALÁRIO INDIRETO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4o, DO CTN. SÚMULA CARF No 99. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicou-se o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratar-se de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal), na esteira da jurisprudência consolidada neste Colegiado, consagrada na Súmula CARF no 99. Mais a mais, consta do TEAF e do Relatório Fiscal que no decorrer da ação fiscal a autoridade fazendária examinou Comprovantes de Recolhimento, além de outros documentos, o que nos leva a concluir pela existência de pagamentos parciais realizados pela contribuinte. CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ABONO. NÃO INCIDÊNCIA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os abonos únicos previstos em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculados do salário e pago sem habitualidade, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 16/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional PGFN. SALÁRIO INDIRETO. BÔNUS ANUAL, PRÊMIO ASSIDUIDADE. PRÊMIO PRODUÇÃO. BÔNUS PAGO A GERENTES. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. INOBSERVÂNCIA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. Desincumbindo-se o Fisco do ônus de comprovar o fato gerador das contribuições previdenciárias, cabe ao contribuinte demonstrar, com documentação hábil e idônea, que as verbas concedidas aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais se enquadram em uma das hipóteses previstas no § 9°, do artigo 28, da Lei n° 8.212/91, de maneira a rechaçar a tributação imputada. Na hipótese dos autos, assim não o tendo feito, relativamente as verbas intituladas Prêmio Assiduidade, Prêmio Produção e Bônus, é de se manter a exigência fiscal na forma lançada. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 2401-005.579
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício e, no mérito, negar-lhe provimento. Por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, e dar-lhe provimento parcial para: a) declarar a decadência até 10/2001; e b) excluir do lançamento os levantamentos ADA e ADE - abono. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA

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2401­005.579  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  07 de junho de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Recorrentes  ELEVA ALIMENTOS S.A.              FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/04/1996 a 31/05/2005  DECADÊNCIA.  INCONSTITUCIONALIDADE. ARTIGO 45 DA LEI N”  8.212/91. SUMULA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.  Consideram­se decaídos os créditos  tributários  lançados  com base no artigo  45 da Lei n° 8.212/9l, que determinava o prazo decadencial de 10 anos para  as  contribuições  previdenciárias,  por  ter  sido  este  artigo  considerado  inconstitucional  pelo  Supremo  Tribunal  Federal,  nos  termos  `  da  Súmula  Vinculante n° 8, publicada no DOU em 20/06/2008.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  LICENÇA­PRÊMIO  INDENIZADA. NÃO INCIDÊNCIA.  Somente  não  integram  o  salário  de  contribuição  as  parcelas  expressamente  excluídas por Lei.  A  licença­Prêmio  indenizada  não  integra  o  salário  de  contribuição  previdenciária.  NORMAS REGIMENTAIS. CONCOMITÂNCIA DISCUSSÃO JUDICIAL  E ADMINISTRATIVA. MESMO OBJETO. NÃO CONHECIMENTO DAS  ALEGAÇÕES RECURSAIS. SÚMULA CARF N° 01.  De  conformidade  o  artigo  78,  §  2º,  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  CARF,  aprovado  pela  Portaria  MF  nº  343/2015,  a  propositura  de  ação  judicial  com  o  mesmo  objeto  do  recurso  voluntário  representa  desistência  da  discussão  de  aludida matéria  na  esfera  administrativa, ensejando o não conhecimento da peça recursal.  RECURSO  VOLUNTÁRIO.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  DECADÊNCIA.  OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL.  SALÁRIO  INDIRETO.  ANTECIPAÇÃO  DE  PAGAMENTO.  OCORRÊNCIA.  APLICAÇÃO  ARTIGO  150,  §  4o,  DO CTN.  SÚMULA CARF No  99.  OBSERVÂNCIA  OBRIGATÓRIA.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 55 2. 00 02 59 /2 00 7- 42 Fl. 5721DF CARF MF     2 O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05  (cinco)  anos,  nos  termos  dos  dispositivos  legais  constantes  do  Código  Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do  artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos  RE’s  nºs  556664,  559882  e  560626,  oportunidade  em  que  fora  aprovada  Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicou­se o prazo  decadencial  insculpido  no  artigo  150,  §  4º,  do  CTN,  eis  que  restou  comprovada  a  ocorrência  de  antecipação  de  pagamento,  por  tratar­se  de  salário  indireto,  tendo  a  contribuinte  efetuado  o  recolhimento  das  contribuições  previdenciárias  incidentes  sobre  a  remuneração  reconhecida  (salário  normal),  na  esteira  da  jurisprudência  consolidada  neste  Colegiado,  consagrada  na  Súmula  CARF  no  99.  Mais  a  mais,  consta  do  TEAF  e  do  Relatório  Fiscal  que  no  decorrer  da  ação  fiscal  a  autoridade  fazendária  examinou Comprovantes de Recolhimento, além de outros documentos, o que  nos  leva  a  concluir  pela  existência  de  pagamentos  parciais  realizados  pela  contribuinte.  CONTRIBUIÇÕES  SEGURADO  EMPREGADO  E  CONTRIBUINTE  INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO.  Nos  termos  do  artigo  30,  inciso  I,  alíneas  “a”  e  “b”,  da  Lei  nº  8.212/91,  a  empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados,  trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando­ as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado  na legislação de regência.  CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ABONO. NÃO INCIDÊNCIA.  Não  há  incidência  de  contribuição  previdenciária  sobre  os  abonos  únicos  previstos  em  Convenção  Coletiva  de  Trabalho,  desvinculados  do  salário  e  pago sem habitualidade, conforme entendimento contido no Ato Declaratório  nº 16/2011 da Procuradoria­Geral da Fazenda Nacional PGFN.  SALÁRIO  INDIRETO.  BÔNUS  ANUAL,  PRÊMIO  ASSIDUIDADE.  PRÊMIO  PRODUÇÃO.  BÔNUS  PAGO  A  GERENTES.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  INCIDÊNCIA.  INOBSERVÂNCIA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA.  Desincumbindo­se  o  Fisco  do  ônus  de  comprovar  o  fato  gerador  das  contribuições  previdenciárias,  cabe  ao  contribuinte  demonstrar,  com  documentação  hábil  e  idônea,  que  as  verbas  concedidas  aos  segurados  empregados  e/ou  contribuintes  individuais  se  enquadram  em  uma  das  hipóteses previstas no § 9°,  do  artigo 28, da Lei n° 8.212/91, de maneira  a  rechaçar  a  tributação  imputada.  Na  hipótese  dos  autos,  assim  não  o  tendo  feito,  relativamente  as  verbas  intituladas  Prêmio  Assiduidade,  Prêmio  Produção e Bônus, é de se manter a exigência fiscal na forma lançada.  NORMAS  GERAIS  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  LIVRE  CONVICÇÃO  JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO.  Nos termos do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de  primeira  instância,  na  apreciação  das  provas,  formará  livremente  sua  convicção, podendo determinar diligência que entender necessária.  A  produção  de  prova  pericial  deve  ser  indeferida  se  desnecessária  e/ou  protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando  Fl. 5722DF CARF MF Processo nº 10552.000259/2007­42  Acórdão n.º 2401­005.579  S2­C4T1  Fl. 3          3 deixar  de  atender  aos  requisitos  constantes  no  artigo  16,  inciso  IV,  do  Decreto nº 70.235/72.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do  recurso  de  ofício  e,  no  mérito,  negar­lhe  provimento.  Por  unanimidade  de  votos,  em  conhecer do recurso voluntário, e dar­lhe provimento parcial para: a) declarar a decadência até  10/2001; e b) excluir do lançamento os levantamentos ADA e ADE ­ abono.        (assinado digitalmente)  Miriam Denise Xavier ­ Presidente        (assinado digitalmente)  Rayd Santana Ferreira ­ Relator         Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess,  Andrea  Viana Arrais  Egypto,  Francisco  Ricardo  Gouveia  Coutinho,  Rayd  Santana  Ferreira,  Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Luciana Matos Pereira Barbosa e  Miriam Denise Xavier.     Fl. 5723DF CARF MF     4   Relatório  ELEVA ALIMENTOS S.A., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado,  já qualificada nos autos do processo em referência,  recorre a este Conselho da decisão da 6a  Turma  da  DRJ  em  Porto  Alegre/RS,  Acórdão  nº  10­24.149/2010,  às  fls.  5.592/5.611,  que  julgou procedente em parte o lançamento fiscal, relativo às contribuições sociais destinadas ao  INSS,  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrentes  dos  riscos  ambientais  do  trabalho  e  a  outras  entidades  (Terceiros), incidentes sobre os valores pagos aos seus segurados empregados e contribuições  incidentes sobre pagamentos efetuados a contribuinte individuais que lhe prestaram serviços e,  ainda,  contribuição  da  empresa  correspondente  a  15%  sobre  a  Nota  Fiscal  emitida  por  cooperativa de  trabalho, em relação às competências 04/1996 a 05/2005, conforme Relatório  Fiscal, às e­fls.327/340 e demais documentos que instruem o processo, consubstanciados nos  seguintes levantamentos:  CÓDIGO  RUBRICA  PERÍODO  ORIGEM  ADA  Abono  Dissídio  Coletivo Avipal  09/2001 a 05/2005  Folha de Pagamento  ADE  Abono  Dissídio  Coletivo Elege  09/2001 a 02/2004  Folha de Pagamento  AFR  Contribuinte  Individual  Fretes  Avipal  05/2001 a 12/2004  Contabilidade  AP1   Aviso  Prévio  Proporcional Elege  04/1996 a 11/1998  Folha de Pagamento  AP2  Aviso  Prévio  Proporcional Elege  01/1999 a 02/1999  Folha de Pagamento  ASS  Prêmio Assiduidade   Elege e Avipal  01/2003 a 05/2005  Controle Extra Folha  BOA  Bônus Avipal  12/2004  Contabilidade  CAV  Contribuinte  Individual Avipal  03/2001 a 05/2005  Contabilidade  CEA  Contribuinte  Individual Elege antes  GFIP  06/1996 a 12/1998  Contabilidade  CEP  Contribuinte  Individual  Elege  após  GFIP  01/1999 a 03/2004  Contabilidade  Fl. 5724DF CARF MF Processo nº 10552.000259/2007­42  Acórdão n.º 2401­005.579  S2­C4T1  Fl. 4          5 COA  Cooperativa  de  Trabalho ­ Elege  09/2000 a 03/2004  Contabilidade  COF  Cooperativa  de  Fretes  ­ Avipal  01/2001 a 05/2005  Contabilidade  COO  Cooperativa  de  Trabalho ­ Avipal  01/2001 a 05/2005  Contabilidade  EFR  Elege  ­  Contribuintes  Individuais Fretes  01/2002 a 02/2003  Contabilidade  LIC  Licença­Prêmio  Dissídio  Coletivo  Avipal  07/2001 a 05/2005  Folha de Pagamento  PLA  Participação  Lucros  Resultados Avipal  07/2001 a 01/2004  Folha de Pagamento  PLE  Participação  Lucros  Resultados Elege  07/1999 a 12/2001  Folha de Pagamento  PPA  Prêmio  Produção  Avipal  07/2001 a 05/2005  Folha de Pagamento  PPE  Prêmio  Produção  Elege  08/1999 a 04/2004  Folha de Pagamento  UNA  Unimed Avipal  01/2001 a 05/2005  Contabilidade  UNE  Unimed Elege  03/2000 a 03/2004  Contabilidade  A contribuinte foi cientificada do lançamento fiscal em 28/11/2006, fls. 01, e  apresentou impugnação, através do instrumento de fls. 2250/2308, requerendo a decretação da  improcedência do feito.  Após  análise dos  argumentos  contidos  na peça  impugnatória,  em  confronto  com o Relatório Fiscal e seus anexos, constatou­se a necessidade de alguns esclarecimentos por  parte  da  fiscalização  sobre  as  alegações  da  impugnante  de  que  nos  lançamentos  relativos  a  contribuintes individuais foram considerados pagamentos efetuados a segurados empregados e  estagiários, bem como sobre a existência de registros em duplicidade e manifestação sobre os  documentos apresentados referentes às contribuições de cooperativas de trabalho.  O serviço de fiscalização ­manifestou­se, às fls. 5021/5022, informando que:  quanto  aos  lançamentos  de  contribuintes  individuais  e  contribuintes  freteiros,  procedem  as  •  alegações  da  empresa,  tendo  sido  proferido  parecer  para  exclusão  dos  valores  pagos  a  segurados  empregados  relativos à  indenização de quilometragem e despesas de viagem, bem  como  os  valores  pagos  a  estagiários.  Também  foram  excluídos  os  valores  lançados  em  duplicidade, conforme solicitado pelo contribuinte.  Fl. 5725DF CARF MF     6 Os valores não comprovados documentalmente e que por ventura estejam na  situação em questão dos contribuintes individuais aqui tratados permanecerão lançados.  Com  relação  aos  documentos  apresentados,  referentes  à  contribuição  de  cooperativas de trabalho, informa que foram excluídos os valores recolhidos de acordo com as  GPS  apresentadas  nas  páginas  2355  a  2583  deste  processo.  Acrescenta  que  os  valores  resultantes  após  a  exclusão  efetuada,  deverão  permanecer  no  lançamento,  visando garantir  o  prazo  de  decadência  do  crédito  tributário,  haja  vista  que  a  segurança  concedida  mediante  sentença  no  processo  n°  2004.71.00.04591­5  determina  a  suspensão  da  exigibilidade  da  contribuição. Estes valores deverão ser separados do crédito face a tramitação da ação judicial.  Por sua vez, a 6ª Turma da DRJ em Porto Alegre/RS entendeu por bem julgar  parcialmente  procedente  o  lançamento,  exonerando  parte  do  crédito  tributário,  por  entender  que  parte  do  lançamento  encontra­se  fulminado  pela  decadência  e  pela  não  incidência  das  contribuições  sobre  a  rubrica  "licença  prêmio",  o  fazendo  sob  a  égide  dos  fundamentos  inseridos no Acórdão já mencionado, sintetizados na seguinte ementa:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS   Período de apuração: 01/04/1996 a 31/05/2005   NFLD  DEBCAD  N°  37.039.912­9  NOTIFICAÇÃO  FISCAL  DE  LANÇAMENTO  DE  DÉBITO.  CONTRIBUIÇÕES  DA  PARTE  DA  EMPRESA.  DECADÊNCIA.  ABONOS,  PRÊMIOS  E  BÔNUS  INTEGRAM  A  REMUNERAÇÃO.  COOPERATIVAS.  AÇÃO  JUDICIAL.  COMPROVAÇÃO  DE  PAGAMENTO.  LICENÇA­PRÊMIO  INDENIZADA.  ERRO  MATERIAL. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO.  A  teor  da  Súmula  Vinculante  n.°  08,  do  STF,  o  prazo  para  constituição  de  crédito  relativo  às  contribuições  para  a  Seguridade  Social  segue  a  sistemática  do  Código  Tributário  Nacional.  Lançamento cientificado ao sujeito passivo em 28/11/2006, está  fulminado  pelo  instituto  da  decadência  para  o  período  de  04/1996 a 11/2000.  Somente  não  integram  o  salário  de  contribuição  as  parcelas  expressamente excluídas por Lei.  A  licença­Prêmio  indenizada  não  integra  o  salário  de  contribuição previdenciário.  Comprovado equívoco no lançamento, cabe sua retificação.  Impugnação Procedente em Parte   Crédito Tributário Mantido em Parte  Em observância ao disposto no artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72,  c/c artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu  de ofício da decisão encimada, que declarou procedente em parte o lançamento fiscal.  Regularmente  intimada  e  inconformada  com  a  parte  mantida  pela  Decisão  recorrida,  a  autuada  apresentou  Recurso  Voluntário,  às  e­fls.  5.622/5.653,  procurando  demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões:  Fl. 5726DF CARF MF Processo nº 10552.000259/2007­42  Acórdão n.º 2401­005.579  S2­C4T1  Fl. 5          7 Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o  lançamento, repisa às alegações da impugnação, preliminarmente pugnando pela decretação da  decadência até outubro de 2001, de acordo com a aplicação de maneira correta do § 4° do art.  150 do CTN.  Em  relação  ao mérito,  faz  uma  explanação  sobre  a  definição  de  salário  de  contribuição,  base  de  cálculo  e  exigência  das  contribuições,  contrapondo  às  rubricas  de  maneira individualizadas nos seguintes termos:  a) ABONO PAGOS AOS FUNCIONÁRIOS  Os  referidos  pagamentos  são  abonos  desvinculados  do  salário,  pois  têm  natureza  indenizatória.  Tais  acordos  foram  firmados  com  os  sindicatos  das  categorias  como  forma  de  indenizar  seus  empregados  pela  adoção  de  regime  especial  de  compensação  de  jornada/horas de trabalho. Portanto indevida sua cobrança.  b) PRÊMIO ASSIDUIDADE  Os  prêmios  entregues  através  de  cartões  de  benefícios  são  o  resultado  do  cumprimento  de  condições  pré­estabelecidas,  portanto  resta  evidente  que  determinados  funcionários  destacar­se­ão  e  receberão  prêmios  de  forma  mais  seguida.  Outros  porém,  receberão o prêmio poucas vezes ou jamais receberão, tendo em vista o não cumprimento dos  requisitos  estabelecidos  como  condição  para  sua  percepção.  Conclui  dizendo  que  tais  pagamentos não são ganhos habituais e sim eventuais. Afirma que ganhos habituais são aqueles  percebidos através de disposição duradoura adquirida pela repetição freqüente de pagamentos.  Diz,  ainda,  que  o  pagamento  do  prêmio  feito  pela  Avipal  aos  seus  funcionários não  é pelo  seu  trabalho ordinário, mas  sim pelo  cumprimento de objetivos pré­ determinados,  portanto  é  inquestionável  a  aplicação  do  artigo  28,  §  9°,  "e",  item  7,  da  Lei  8.212/91, que diz que não integram o salário­de­contribuição as importâncias recebidas a título  de  ganhos  eventuais  e  os  abonos  expressamente  desvinculados  do  salário.  Cita  doutrinas  e  jurisprudências e solicita a desconstituição do crédito levantado.  c) PRÊMIO PRODUÇÃO  Aduz que o prêmio produção está também atrelado ao cumprimento de metas  pré­estabelecidas, cujo pagamento, justamente por isso, é eventual e, portanto, não se trata de  contraprestação pelo trabalho.  Dessa forma, tal como exposto acima quanto ao prêmio Assiduidade, inexiste  fundamento  legal  para  inclusão  do  Prêmio  Produção  na  base  de  incidência  de  contribuições  previdenciárias, ao que também essa parcela deve ser excluída do lançamento ora contraditado.  d) BÔNUS PAGOS A GERENTES DA EMPRESA  Reitera o argumento antes  referido sobre a necessidade de habitualidade do  pagamento  para  sua  inclusão  no  salário­de­contribuição  previsto  pelo  art.  28  da  Lei  n°  8.212/91.  Salienta que restou apontado pela própria  fiscalização que o pagamento ora  em questão ocorreu apenas no final do ano de 2004, para gerentes da empresa. Nesse sentido,  Fl. 5727DF CARF MF     8 considerando  o  período  abrangido  pela  fiscalização  e  o  pagamento  apenas  em  uma  oportunidade do referido bônus, fica clara a natureza de ganho eventual intrínseca a tal parcela,  na forma do disposto no art. 28, § 9 0, "e", item 7, da Lei n° 8.212/91, razão pela qual impõe­se  a sua exclusão do crédito tributário em comento.  e) PAGAMENTOS EFETUADOS A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS  A  empresa  alega  que  foram  lançados  indevidamente  pagamentos  feitos  a  título  de  reembolso  de despesas  de  viagem e  de  quilometragem  realizada pelos  funcionários  empregados,  com  a  utilização  de  veículo  próprio,  para  realização  de  trabalhos  em  nome  da  empresa,  e pagamentos  a  título de ressarcimento de despesas médicas. Apresenta planilhas e  documentos (fls. 2284, 2584/2786 e 4608 a 4852).  Que no lançamento também constam, indevidamente, pagamentos efetuados  a estagiários (anexa documentos a fls. 2787­a 2828), pagamentos efetuados a pessoas jurídicas,  e  pagamentos  feitos  em  reclamatórias  trabalhistas.  Apresenta  recibos  de  pagamentos  de  contribuições previdenciárias efetuados em reclamatórias  trabalhistas e que  foram  inseridos  •  no lançamento ora contestado (fls. 4884/5009).  Que há duplicidade de  lançamentos. Apresenta  planilha  a  fls.  4858 a 4882,  para  demonstrar  tal  afirmação.  Cita  como  exemplo  os  valores  pagos  a  Noeli  Maria  Bruxel  (13/09/2004), Erani Pereira da Silva (22/09/2004) e Ernani Renato Miiller (03/09/2004).  Apresenta descrição das contas contábeis utilizadas pela empresa nos anos de  2001  a  2005  e,  por  fim,  alega que  a  fiscalização  não  justificou  a não  aceitação  dos  recibos,  notas  fiscais  e  outros  documentos  apresentados,  cerceando  o  direito  de  defesa,  assim  como  solicita a realização de perícia contábil para que sejam esclarecidas as afirmações suscitadas,  nos termos constantes de fls. 2306 /2307.  f) PAGAMENTOS EFETUADOS A COOPERATIVA  A empresa alega,  inicialmente, a  inconstitucionalidade material e  formal do  artigo 1° da Lei n° 9.876/99, na parte que  inseriu o  inciso  IV do artigo 22 da Lei 8.212191,  Refere a existência de causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário tendo em vista •  ação  judicial  (mandado  de  segurança  n°  2004.71.00.04591­5)  com  sentença  concedendo  a  segurança para fins de declarar, incidentalmente, a inconstitucionalidade do dispositivo da lei  9.876/99 que inseriu o inciso IV do artigo 22 da Lei 8212/91 e reconhecer a inexigibilidade das  contribuições  previdenciárias  sobre  valores  pagos  a  cooperativas  de  trabalho.  Contra  tal  sentença foi interposto recurso ao qual não foi agregado efeito suspensivo, portanto impossível  qualquer  lançamento  contra  a  impugnante  que  tenha  como  base  o  dispositivo  declarado  inconstitucional.  g) PAGAMENTOS EFETUADOS A COOPERATIVA DE PRODUÇÃO  Salienta  que  a  Cooperativa  Regional  Castilhense  de  Carnes  e  Derivados  é  uma  cooperativa  de  produção  e  que  a  fiscalização  cometeu  um  equívoco  em  classificar  a  mesma, como sendo de trabalho. Aduz que a fiscalização justifica esta classificação, por causa  do fornecimento, pela Avipal, dos animais, embalagens, rótulos, etiquetas, caixas de papelão,  fardos,  sacos,  etc..,  necessários  à  comercialização  da  produção  nos  mercados  internos  e  externos,  e que  tal  procedimento  comprovaria que a única obrigação da  referida  cooperativa  estava na cessão da força de trabalho para realização do abate.  Ressalta  que  houve  interpretação  errônea  da  fiscalização  referente  aos  contratos  celebrados  entre  as  partes  e  desconhecimento  da  definição  legal  de  cooperativa de  Fl. 5728DF CARF MF Processo nº 10552.000259/2007­42  Acórdão n.º 2401­005.579  S2­C4T1  Fl. 6          9 produção. Destaca que  se  considera  cooperativa  de produção  aquela  em que  seus  associados  contribuem  com  serviços  laborativos  ou  profissionais  para  a  produção  em  comum  de  bens,  quando a cooperativa detenha por qualquer forma os meios de produção.  Diz que o traço distintivo das cooperativas de produção está na detenção dos  meios  de  produção  (instrumentos  necessários  para  a  realização  do  trabalho). Afirma que,  na  hipótese  em  análise,  pode­se  dizer  que  os  meios  de  produção  necessários  para  o  abate  e  a  desossa de  suínos  contratada  com a  cooperativa  são  o  imóvel  em que  esta  está  instalada,  as  ferramentas­utilizadas para a realização do trabalho, as câmaras frigoríficas onde os produtos  industrializados serão mantidos, enfim, tudo aquilo que é necessário para a entrega do produto  • na forma contratada.  Sendo assim, deve ser reconhecida a natureza de cooperativa de produção da  cooperativa  Regional  Castilhense  de  Carnes  e  Derivados  e,  conseqüentemente,  excluída  do  crédito tributário a parcela relativa à exigência de pagamento de contribuições previdenciárias  sobre os valores pagos a esta cooperativa.  h) PERÍCIA  Pugna pela realização de perícia.  Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para decretar a  decadência  dos  Autos  de  Infração,  tornando­os  sem  efeito  e,  no  mérito,  a  sua  absoluta  improcedência.  A  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  apresentou  contrarrazões  ao  Recurso  Voluntário, aduzindo o que segue:  a)  Não  há  os  autos  prova  de  recolhimento  para  o  período  sob  análise,  portanto, para fins de decadência, deve­se aplicar o art. 173, I, do CTN.  b)  Há  concomitância  entre  as  instâncias  administrativa  e  judicial  no  que  concerne à contribuição incidente sobre os valores pagos a cooperativas de trabalho.  c)  Da  impossibilidade  do  órgão  administrativo  analisar  a  inconstitucionalidade  da  contribuição  social  prevista  no  artigo  22,  IV,  da  Lei  n°  8.212/91.  Além de retificar a constitucionalidade desta.  d) Da classificação da cooperativa regional castilhense de carnes e derivados  como cooperativa de trabalho.  e) O pagamento a  título de abono, prêmio por  assiduidade, bônus e prêmio  por produção caracterizam­se salário de contribuição.  f) Do pagamentos efetuados a contribuintes individuais.  É o relatório.  Fl. 5729DF CARF MF     10   Voto             Conselheiro Rayd Santana Ferreira ­ Relator  RECURSO DE OFÍCIO   Presente o pressuposto de admissibilidade, em razão do crédito desonerado se  encontrar sob o manto do limite de alçada, conheço do recurso de ofício e passo a análise da  matéria posta nos autos.  Trata­se  de  crédito  lançado  pela  fiscalização  contra  a  empresa  acima  identificada, que de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 287/300, refere­se às contribuições  da empresa destinadas ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social, ao financiamento dos  benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes  dos  riscos  ambientais  do  trabalho  e  a  outras  entidades  (Salário  Educação,  INCRA,  SESI,  SENAI  e  SEBRAE),  incidentes  sobre  valores  pagos  aos  seus  segurados  empregados  e  contribuições  incidentes  sobre  pagamentos  efetuados  a  contribuintes  individuais  que  lhe  prestaram serviços e, ainda, contribuição da empresa correspondente a 15% sobre a Nota Fiscal  emitida por cooperativa de trabalho.  Por sua vez, a 6ª Turma da DRJ em Porto Alegre/RS entendeu por bem julgar  parcialmente  procedente  o  lançamento,  exonerando  parte  do  crédito  tributário,  por  entender  que  parte  do  lançamento  encontra­se  fulminado  pela  decadência  e  pela  não  incidência  das  contribuições  sobre  a  rubrica  "licença  prêmio",  o  fazendo  sob  a  égide  dos  fundamentos  inseridos no Acórdão já mencionado.  Feita as considerações acima, passamos a analise dos pontos específicos:  DECADÊNCIA  Inicialmente,  cumpre  esclarecer  que  a  presente  Notificação  Fiscal  de  Lançamento de Débito foi lavrada considerando o prazo de dez anos para a Seguridade Social  constituir seus créditos, nos termos do que estabelecia o art. 45 da Lei n° 8.212/91:  Art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus  créditos extingue­se após 10 (dez) anos contados:  I  —  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  crédito poderia ter sido constituído;  II — da data  em que  se  tornar definitiva a decisão que houver  anulado,  por  vício  formal,  a  constituição  de  crédito  anteriormente efetuada.  Em  decorrência  do  julgamento  dos  Recursos  Extraordinários  n°  556.664,  559.882,  559.943  e  560.626  o  Supremo  Tribunal  Federal  editou  a  Súmula  Vinculante  if  8,  publicada no D.O.U. de 20/06/2008, nos seguintes termos:  São  inconstitucionais o parágrafo único do art.  5° do Decreto­ Lei  n°  1.569/77  e  os  artigos  45  e  46  da  Lei  n°  8.212/91,  que  tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.  Fl. 5730DF CARF MF Processo nº 10552.000259/2007­42  Acórdão n.º 2401­005.579  S2­C4T1  Fl. 7          11 De acordo com a Lei 11.417/2006, após o Supremo Tribunal Federal editar  enunciado  de  súmula,  esta  terá  efeito  vinculante  em  relação  aos  demais  órgãos  do  Poder  Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal,  a partir de sua publicação na imprensa oficial. Assim, a nova súmula alcança todos os créditos  pendentes de pagamento e constituídos após o lapso temporal de cinco anos.  Na  esteira  desse  entendimento,  não  se  pode  cogitar  em  irregularidade  na  decisão  levada a efeito pelo  julgador de primeira  instância, porquanto agiu da melhor  forma,  com estrita  observância da  legislação  de  regência,  reconhecendo  a  improcedência  do  crédito  tributário nos termos encimados.  Por amor a clareza,  reitero a ocorrência da decadência dos valores  relativos  aos  fatos geradores das  competências 04/1996 a 11/2000, conforme decidido pela autoridade  julgadora de primeira instância.   LICENÇA­PRÊMIO  Como  é  de  conhecimento  daqueles  que  lidam  com  o  direito  tributário,  há  algumas verbas pagas aos  trabalhadores que são excluídas por  lei do salário de contribuição,  desde que suas regras sejam corretamente aplicadas.  Nesse sentido, consta expressamente no item 8, alínea "e", do parágrafo 9° do  artigo  28  da  Lei  n°  8.212/91,  que  as  importâncias  recebidas  a  título  de  licença´prêmio  indenizada não integram o salário de contribuição, senão vejamos:  Lei n° 8.212/91  Art. 28 (...)  § 9° Não integram o salário­de­contribuição para os fins desta  Lei,  exclusivamente:  (Redação  dada  pela  Lei  n°9.528,  de  10.12.97)  (...)  e) as importâncias: (Incluído pela Lei n°9.528, de 10.12.97)  (...)  8.  recebidas  a  título  de  licença­prêmio  indenizada;  (Incluído  pela Lei n° 9.711, de 20.11.98) (grifo nosso)  Conforme  depreende  da  legislação  encimada,  não  incide  contribuições  previdenciárias sobre ás importâncias pagas a título de licença­prêmio.  Mais a mais, a empresa destaca que os pagamentos foram efetuados a título  de  Licença­  Prêmio  indenizada  na  forma  prevista  nos  acordos  coletivos  firmados  com  o  Sindicato  dos  Trabalhadores  na  Indústria  de  Alimentação,  especificamente  na  cláusula  que  trata do assunto.  A referida cláusula dispõe que será concedida Licença­Prêmio remunerada de  10 (dez) dias corridos, a todos os empregados da categoria que, na vigência do acordo, vierem  a  completar 10  (dez),  20  (vinte) ou 30  (trinta)  anos de  serviço  contínuo  na mesma empresa,  Fl. 5731DF CARF MF     12 podendo esses dias ser convertidos em indenização, a critério das partes, desde que não tenha o  trabalhador mais do que 5 (cinco) faltas não justificadas nos últimos 10 (dez) anos.  Da  leitura  acima,  depreende­se que  os  empregados  da  contribuinte,  quando  preenchem os  requisitos  ali  estipulados,  adquirem o  direito  de  usufruir  dez  dias  de Licença­ Prêmio  remunerada  e  no  caso  de  não  desfrutar  do  benefício,  os  referidos  dias  poderão  ser  convertidos em pecúnia. Portanto, a conversão em pecúnia é uma forma de compensar o dano  sofrido pelo não gozo dos dias de licença que teria direito.  É de se ressaltar que os pagamentos efetuados em virtude de Licença­ Prêmio  não  gozada  têm  caráter  indenizatório,  não  estando  sujeitos  à  incidência  de  contribuição  previdenciária.  Neste diapasão, deve ser mantida incólume a decisão recorrida.  Por todo o exposto, estando à decisão de primeira instância em consonância  com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO  RECURSO DE OFÍCIO E NEGAR­LHE PROVIMENTO, mantendo o decisum recorrido em  sua integralidade, pelas razões de fato e de direito acima ofertadas.  RECURSO VOLUNTÁRIO  JUÍZO  DE  ADMISSIBILIDADE  ­  CONCOMITÂNCIA  ­  PAGAMENTOS EFETUADOS A COOPERATIVAS ­ DELIMITAÇÃO DA LIDE  Apesar de presente o pressuposto de admissibilidade, ser tempestivo, há nos  autos  questão  preliminar,  indispensável  ao  deslinde  da  controvérsia,  que  deve  ser  elucidada,  prejudicando, assim, o conhecimento de parte do recurso, como passaremos a demonstrar.  Com  efeito,  a  Recorrente  impetrou  na  Seção  Judiciária  do  Estado  do  Rio  Grande do Sul o Mandado de Segurança nº 2004.71.00.04591­5, objetivando obter perante o  Poder Judiciário a que não lhe fosse exigido o pagamento da contribuição instituída pelo art.  22, IV, da Lei n° 8.212/91, com a redação da Lei n° 9.876/99, ou seja, recolhimento de 15%  sobre o valor bruto das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços por cooperados através  de cooperativas de trabalho.  Assentado  que  a  citada  medida  judicial  versa  no  tudo  e  no  todo  sobre  a  mesma  matéria  tratada  no  presente  Processo  Administrativo  Fiscal  em  relação  aos  levantamentos COA, COF, COO, UNA e UNE (pagamentos efetuados a cooperativa), e que a  decisão proferida na Instância Judicial subjuga qualquer outra exarada na esfera administrativa,  adquirindo  inclusive o  atributo da  coisa  julgada  formal  e material,  resulta que,  qualquer que  seja o veredictum proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, bem  como por esta Corte Administrativa, acerca da matéria objeto do  litígio, será  tido como letra  morta diante da decisão judicial transitada em julgado.  Da  leitura da norma esculpida no §3º do art. 126 da Lei nº 8.213/91, numa  interpretação  sistemática  e  teleológica  com  os  princípios  da  eficiência  e  da  economia  processual, conduz ao entendimento de que a propositura de ação judicial que tenha por objeto  idêntico  pedido  sobre  o  qual  versa  o  processo  administrativo,  importa  renúncia  dos  beneficiários  acobertados  pelos  resultados  de  tal  demanda  ao  direito  de  recorrer  na  esfera  administrativa e à desistência do eventual recurso interposto.  Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991   Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social­ INSS  nos  processos  de  interesse  dos  beneficiários  e  dos  contribuintes  da  Seguridade  Social  caberá  recurso  para  o  Fl. 5732DF CARF MF Processo nº 10552.000259/2007­42  Acórdão n.º 2401­005.579  S2­C4T1  Fl. 8          13 Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser  o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997)  (...)  3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que  tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo  administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera  administrativa e desistência do recurso interposto.  A matéria em apreço já foi enfrentada, em situações pretéritas idênticas, por  este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, dando ensejo à edição da Súmula  nº 1, cujo Verbete transcrevemos adiante:  Súmula CARF nº 1:  Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo  de  ação  judicial  por  qualquer  modalidade  processual,  antes  ou  depois  do  lançamento  de  ofício,  com  o  mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas  a  apreciação,  pelo  órgão  de  julgamento  administrativo,  de  matéria distinta da constante do processo judicial.  Diante desse quadro, pugnamos pelo não conhecimento dos temas levados à  apreciação  do  Poder  Judiciário,  e  reiterados  no  vertente  Instrumento  Recursal  interposto  perante  este  Colegiado,  com  fundamento  no  preceito  insculpido  no  art.  126,  §3º  da  Lei  nº  8.213/91,  em  interpretação  sistemática  e  teleológica  com  os  princípios  da  eficiência  e  da  economia processual.  A  renúncia  ora  em  voga  independe  de  ato  volitivo  da  parte,  ou mesmo  da  vontade  psicológica  do  Impetrante.  Ela  decorre  ex  lege,  e  de  forma  objetiva,  independentemente do motivo ou do  tempo em que a demanda  tenha sido ajuizada perante o  poder judiciário.  Tal conclusão não colide com as diretivas positivadas no art. 35 da Portaria  RFB n°10.875/2007, in verbis:  Portaria RFB n°10.875, de 16 de agosto de 2007.  Art. 35. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo, por  qualquer  modalidade  processual,  antes  ou  posteriormente  ao  lançamento,  com  o  mesmo  objeto,  importa  em  renúncia  às  instâncias  administrativas  ou  desistência  de  eventual  recurso  interposto.  Mesmo em se tratando de matéria já declarada inconstitucional pelo Supremo  Tribunal  Federal,  no  entender  deste  Colegiado,  não  há  como  conhecer  do  recurso  em  observância  ao  princípio  da  celeridade  e  economia  processual,  por  afronta  direta  a  todos  os  fundamentos acima expostos.  Cabe a DRF de origem verificar o resultado da demanda judicial no momento  da execução do julgado, especialmente em se tratando de matéria julgada inconstitucional.  Verificamos  a  existência  de  argumentos  distintos  daqueles  ventilados  na  demanda judicial, neste aspecto, por preencher o pressuposto de admissibilidade, conheço das  alegações sobre a decadência, necessidade de diligência/perícia e as demais rubricas.  PRELIMINAR  Fl. 5733DF CARF MF     14 DA DECADÊNCIA ­ ART. 150, §4° DO CTN  A  recorrente,  preliminarmente,  pugna  pela  decretação  da  decadência  até  outubro de 2001, de acordo com a aplicação de maneira correta do § 4° do art. 150 do CTN, eis  que  a  contribuinte  recolheu  a  contribuição  previdenciária  sobre  as  parcelas  remuneratórias,  apenas  não  tendo  recolhido  a  referida  contribuição  sobre  outros  valores,  ou  seja,  sobre  as  parcelas que não tinham tal natureza, diante da não­incidência prevista no art. 28, § 90, da Lei  n. 8.212/91.  Indispensável  ao  deslinde  da  controvérsia,  mister  se  faz  elucidar,  resumidamente,  as  espécies  de  lançamento  tributário  que  nosso  ordenamento  jurídico  contempla, como segue.  Primeiramente  destaca­se  o  lançamento  de  ofício  ou  direto,  previsto  no  artigo  149  do  CTN,  onde  o  fisco  toma  a  iniciativa  de  sua  prática,  por  razões  inerentes  a  natureza  do  tributo  ou  quando  o  contribuinte  deixa  de  cumprir  suas  obrigações  legais.  Já  o  lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal,  é  aquele  em que o  contribuinte  toma a  iniciativa do procedimento,  ofertando  sua declaração  tributária, colaborando ativamente. Ao fim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo  150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido  e  promove  o  pagamento,  ficando  sujeito  a  eventual  homologação  por  parte  das  autoridades  fazendárias.  Dessa  forma,  estando  as  Contribuições  Previdenciárias  sujeitas  ao  lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a  ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levando­se em consideração a  natureza  do  tributo  atribuída  por  lei,  independentemente  da  ocorrência  de  pagamento,  entendimento compartilhado por este conselheiro.  Ou seja, a regra para os tributos submetidos ao lançamento por homologação  é o  artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual  somente não prevalecerá nas hipóteses de  ocorrência de dolo,  fraude ou  conluio,  o que  ensejaria o deslocamento do prazo decadencial  para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal.  Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza  tão  somente  pelo  pagamento.  Ao  contrário,  trata­se,  em  verdade,  de  um  procedimento  complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não.  Observe­se, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o  lançamento  por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida  por  lei.  E,  esta,  em  momento  algum  afirma  que  assim  o  é  tão  somente  quando  houver  pagamento.  Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não  tem nada a recolher, ou mesmo quando encontra­se beneficiado por isenções e/ou imunidades,  onde,  em  que  pese  haver  o  dever  de  elaborar  declarações  pertinentes,  informando  os  fatos  geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do  tributo em razão de uma benesse fiscal?  Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do  fato  gerador  do  tributo,  nos  termos  do  artigo  150,  §  4º,  do  CTN,  proceder  à  análise  das  informações  prestadas  pelo  contribuinte  homologando­as  ou  não,  quando  inexistir  concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que apurar  devida.  Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por  homologação  é  o  prazo  decadencial  insculpido  no  artigo  150,  §  4º,  do  CTN,  o  qual  dispôs  Fl. 5734DF CARF MF Processo nº 10552.000259/2007­42  Acórdão n.º 2401­005.579  S2­C4T1  Fl. 9          15 expressamente  os  casos  em  que  referido  prazo  deslocar­se­á  para  o  artigo  173,  inciso  I,  na  ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação  específica  contempla  a  aplicação  de  outro  prazo  decadencial,  afastando­se  a  regra  do  artigo  150,  §  4º.  Como  se  constata,  a  toda  evidência,  a  contagem  do  lapso  temporal  em  comento  independe de pagamento.  Ou  seja,  comprovando­se  que o  contribuinte  deixou  efetuar  o  recolhimento  dos tributos devidos e/ou promover o auto­lançamento com dolo, utilizando­se de instrumentos  ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso  I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se  extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema.  Por  outro  lado,  alguns  julgadores  e  doutrinadores  entendem  que  somente  aplicar­se­ia  o  artigo  150,  §  4º,  do CTN quando  comprovada  a  ocorrência  de  recolhimentos  relativamente  ao  fato  gerador  lançado,  seja  qual  for  o  valor.  Em  outras  palavras,  a  homologação dependeria de antecipação de pagamento para  se caracterizar,  e a  sua ausência  daria  ensejo  ao  lançamento  de  ofício,  com  observância  do  prazo  decadencial  do  artigo  173,  inciso I.  Ressalta­se, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que  o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover  qualquer ato  tendente  a apuração da base de cálculo do  tributo devido,  seja pelo pagamento,  escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o  contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse  se cogitar em “homologação”.  Afora  posicionamento  pessoal  a  propósito  da matéria,  por  entender  que  as  Contribuições Sociais Previdenciárias deve observância ao prazo decadencial do artigo 150, §  4°,  do  Códex  Tributário,  independentemente  de  antecipação  de  pagamento,  salvo  quando  comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do  Regimento  Interno  do  CARF  (artigo  62­A),  introduzida  pela  Portaria  MF  nº  586/2010,  os  julgadores  deste  Colegiado  estão  obrigados  a  “reproduzir”  as  decisões  do  STJ  tomadas  por  recurso  repetitivo,  razão  pela  qual  deixaremos  de  abordar  aludida  discussão,  mantendo  o  entendimento que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos  do mesmo  tributo  no  período  objeto  do  lançamento,  na  forma  decidida  por  aquele  Tribunal  Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado:  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN.  IMPOSSIBILIDADE.  1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento  antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  Fl. 5735DF CARF MF     16 simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes  da Primeira  Seção: Resp  766.050/PR, Rel.  Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP,  Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed.,  Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).  5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida­se de tributo  sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege  de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não  restou  adimplida  pelo  contribuinte,  no  que  concerne  aos  fatos  imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro  de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos  deu­se em 26.03.2001.  6.  Destarte,  revelam­se  caducos  os  créditos  tributários  executados,  tendo  em  vista  o  decurso  do  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  que  o  Fisco  efetuasse  o  lançamento  de  ofício  substitutivo.  7.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.  Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo  Regimento  Interno  do  CARF  que  nos  lançamentos  por  homologação  a  antecipação  de  pagamento é  indispensável à aplicação do  instituto da decadência, nos  cabe  tão somente nos  quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência.  Entrementes,  a controvérsia em relação a  referido  tema encontra­se distante  de  remansoso  desfecho,  se  fixando  agora  em  determinar  o  que  pode  ser  considerado  como  Fl. 5736DF CARF MF Processo nº 10552.000259/2007­42  Acórdão n.º 2401­005.579  S2­C4T1  Fl. 10          17 antecipação de pagamento das contribuições, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou  procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal.  Para afastar qualquer dúvida a esse  respeito  foi editada a Súmula CARF n°  99, que assim dispõe:  Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150,  § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza  pagamento  antecipado  o  recolhimento,  ainda  que  parcial,  do  valor  considerado  como  devido  pelo  contribuinte  na  competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo  que  não  tenha  sido  incluída,  na  base  de  cálculo  deste  recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida  no auto de infração.  Essa súmula é de observância obrigatória, nos  termos do “caput” do art. 72  do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015.  Em outras palavras, quanto ao AIOP de obrigação principal, a tese em que a  nobre Procuradora  da  Fazenda  se  apoiava  em  sua  contrarrazão,  no  sentido  de  que  "fatiar"  a  remuneração  a  ser  analisada  em  "reconhecida"  e  "não  reconhecida"  pela  contribuinte,  fora  rechaçada pela Súmula encimada.  Em  suma,  despiciendas  maiores  elucubrações  a  propósito  da matéria,  uma  vez  que  a  simples  análise  dos  autos  nos  leva  a  concluir  pela  existência  de  antecipação  de  pagamento,  por  trata­se  em  parte  de  salário  indireto,  portanto,  diferenças  de  contribuições,  eis  que  a  contribuinte  promoveu  o  recolhimento  das  contribuições  incidentes  sobre  a  remuneração  reconhecida  (salário  normal),  fato  relevante  para  a  aplicação  do  instituto,  nos  termos  da  decisão  do  STJ  acima  ementada,  a  qual  estamos  obrigados a observar.  Mais  a  mais,  como  se  extrai  do  Relatório  Fiscal  do  Auto  de  Infração,  no  decorrer  da  ação  fiscal  a  autoridade  fazendária  examinou  Comprovantes  de  Recolhimento  (Guias de Recolhimento da Previdência Social ­ GPS), além de outros documentos, o que nos  leva a  concluir  pela  existência de pagamentos parciais  realizados pela  contribuinte,  versou o  auditor:  26. Analisando os resumos das folhas de pagamento vislumbrou­ se,  de  pronto,  a  seguinte  situação:  o  valor  resultante  da  soma  das  rubricas passíveis de  incidência de contribuição  (exceto as  que a empresa assim não considera) apresentou­se desigual ao  que  a  própria  empresa  informa  na  rubrica  denominada  BASE  INSS e, ainda, aos valores recolhidos nas GRP S/GP S.  (...)  87.  Diante  das  constatações  descritas  nos  itens  anteriores  entendemos que  todos os  recolhimentos efetuados no código de  recolhimento 2100 referem­se a outros fatos geradores (folha de  pagamento, por exemplo).  Assim, é de manter a ordem legal no sentido de adotar o prazo decadencial  inscrito no artigo 150, § 4o, do Código Tributário Nacional, em face do  recolhimento parcial  das contribuições previdenciárias ora lançadas.  Fl. 5737DF CARF MF     18 Destarte,  tendo  a  fiscalização  constituído  o  crédito  previdenciário  em  28/11/2006  com  a  devida  ciência  da  contribuinte,  a  exigência  fiscal  resta  parcialmente  fulminada  pela  decadência,  relativamente  aos  fatos  geradores  ocorridos  no  período  até  10/2001, impondo seja decretada a improcedência parcial do feito.  MÉRITO  Em  suas  razões  recursais,  pretende  a  contribuinte  a  reforma  da  decisão  recorrida,  a  qual  manteve  parte  substancial  da  exigência  fiscal,  dissertando  a  propósito  da  pretensa  não  incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  as  verbas  pagas  a  título  de  Prêmio  Assiduidade,  Prêmio  Produção  e  Bônus,  além  de  se  insurgir  contra  os  pagamentos  efetuados  a  contribuintes  individuais  e  realização  de perícia,  como passaremos  a  analisar  de  maneira individualizada adiante.  Em  defesa  de  sua  pretensão,  elabora  substancioso  arrazoado  contemplando  com  especificidade  as  verbas  concedidas  aos  segurados  empregados,  acima  elencadas,  concluindo estarem fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias.  Em  virtude  das  04  (quatro)  verbas  lançadas  na  presente  autuação  como  salário indireto, cada uma com suas peculiaridades, analisaremos a questão posta nos autos de  maneira individualizada, após transcrição dos dispositivos legais que regulamentam a matéria,  senão vejamos.  Antes  de  adentrar  as  questões  de mérito,  é  de  bom  alvitre  trazer  à  baila  o  disposto nos artigos 111, inciso II e 176, do CTN, indispensáveis ao deslinde da lide, in verbis:  “Art. 111.  Interpreta­se literalmente a legislação tributária que  disponha sobre:  I – suspensão ou exclusão do crédito tributário;  II – outorga de isenção;  III – dispensa do cumprimento de obrigações acessórias””  Art.  176.  A  isenção,  ainda  quando  prevista  em  contrato,  é  sempre  decorrente  de  lei  que  especifique  as  condições  e  requisitos  exigidos  para  a  sua  concessão,  os  tributos  a  que  se  aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração.”  Extrai­se dos dispositivos legais supracitados que qualquer espécie de isenção  que  o  Poder  Público  pretenda  conceder  deve  decorrer  de  lei  disciplinadora,  sendo  sua  interpretação literal e não extensiva.  Por  sua  vez,  as  importâncias  que  não  integram  a  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias  estão  expressamente  listadas  no  artigo  28,  §  9º,  da  Lei  nº  8.212/91, o qual estabelece os pressupostos legais para que não se caracterizem como salário­ de­contribuição, visando garantir os direitos dos empregados, como segue:  “Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:  [...]  § 9º Não  integram o salário­de­contribuição para os  fins desta  Lei,  exclusivamente:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10.12.97)  Fl. 5738DF CARF MF Processo nº 10552.000259/2007­42  Acórdão n.º 2401­005.579  S2­C4T1  Fl. 11          19 a)  os  benefícios  da  previdência  social,  nos  termos  e  limites  legais, salvo o  salário­maternidade;  (Redação dada pela Lei nº  9.528, de 10.12.97).   b)  as  ajudas  de  custo  e  o  adicional  mensal  recebidos  pelo  aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973;   c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas  de  alimentação  aprovados  pelo  Ministério  do  Trabalho  e  da  Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de  1976;  d)  as  importâncias  recebidas  a  título  de  férias  indenizadas  e  respectivo  adicional  constitucional,  inclusive  o  valor  correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o  art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho­CLT;  (Redação  dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).   e)  as  importâncias:  (Alínea  alterada  e  itens  de  1  a  5  acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97   1.  previstas  no  inciso  I  do  art.  10  do  Ato  das  Disposições  Constitucionais Transitórias;   2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de  outubro  de  1988,  do  empregado  não  optante  pelo  Fundo  de  Garantia do Tempo de Serviço­FGTS;   3.  recebidas a  título da  indenização de que  trata o art.  479 da  CLT;   4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei  nº 5.889, de 8 de junho de 1973;   5. recebidas a título de incentivo à demissão;  6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e  144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998).  7.  recebidas  a  título  de  ganhos  eventuais  e  os  abonos  expressamente  desvinculados  do  salário;  (Redação  dada  pela  Lei nº 9.711, de 1998).  8.  recebidas  a  título  de  licença­prêmio  indenizada;  (Redação  dada pela Lei nº 9.711, de 1998).  9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei  nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº  9.711, de 1998).  f)  a  parcela  recebida  a  título  de  vale­transporte,  na  forma  da  legislação própria;  g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente  em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado,  na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528,  de 10.12.97).  Fl. 5739DF CARF MF     20 h)  as  diárias  para  viagens,  desde  que  não  excedam  a  50%  (cinqüenta por cento) da remuneração mensal;  i)  a  importância  recebida a  título de bolsa de complementação  educacional  de  estagiário,  quando  paga  nos  termos  da  Lei  nº  6.494, de 7 de dezembro de 1977;   j)  a participação nos  lucros ou  resultados da  empresa, quando  paga ou creditada de acordo com lei específica;   l)  o  abono  do  Programa  de  Integração  Social­PIS  e  do  Programa  de  Assistência  ao  Servidor  Público­PASEP;  (Alínea  acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)  m)  os  valores  correspondentes  a  transporte,  alimentação  e  habitação  fornecidos  pela  empresa  ao  empregado  contratado  para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em  canteiro  de  obras  ou  local  que,  por  força  da  atividade,  exija  deslocamento  e  estada,  observadas  as  normas  de  proteção  estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada  pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)  n)  a  importância  paga  ao  empregado  a  título  de  complementação  ao  valor  do  auxílio­doença,  desde  que  este  direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa;  (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)  o)  as  parcelas  destinadas  à  assistência  ao  trabalhador  da  agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870,  de  1º  de  dezembro  de  1965;  (Alínea  acrescentada  pela  Lei  nº  9.528, de 10.12.97).  p)  o  valor  das  contribuições  efetivamente  pago  pela  pessoa  jurídica  relativo  a  programa  de  previdência  complementar,  aberto  ou  fechado,  desde  que  disponível  à  totalidade  de  seus  empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º  e  468  da  CLT;  (Alínea  acrescentada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10.12.97)  q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou  odontológico,  próprio  da  empresa  ou  por  ela  conveniado,  inclusive  o  reembolso  de  despesas  com  medicamentos,  óculos,  aparelhos  ortopédicos,  despesas  médico­hospitalares  e  outras  similares,  desde  que  a  cobertura  abranja  a  totalidade  dos  empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela  Lei nº 9.528, de 10.12.97)   r)  o  valor  correspondente  a  vestuários,  equipamentos  e  outros  acessórios  fornecidos  ao  empregado  e  utilizados  no  local  do  trabalho  para  prestação  dos  respectivos  serviços;  (Alínea  acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)   s)  o  ressarcimento  de  despesas  pelo  uso  de  veículo  do  empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a  legislação  trabalhista,  observado  o  limite máximo  de  seis  anos  de  idade,  quando  devidamente  comprovadas  as  despesas  realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)   Fl. 5740DF CARF MF Processo nº 10552.000259/2007­42  Acórdão n.º 2401­005.579  S2­C4T1  Fl. 12          21 t)  o  valor  relativo  a  plano  educacional  que  vise  à  educação  básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro  de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais  vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que  não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos  os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação  dada pela Lei nº 9.711, de 1998).  u)  a  importância  recebida  a  título  de  bolsa  de  aprendizagem  garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo  com  o  disposto  no  art.  64  da  Lei  nº  8.069,  de  13  de  julho  de  1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)   v)  os  valores  recebidos  em  decorrência  da  cessão  de  direitos  autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)   x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea  acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) ”  Com  mais  especificidade,  contemplando  as  verbas  em  epígrafe,  o  Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, em seu artigo  214, § 9°, prescreve a não incidência de contribuições previdenciárias nas seguintes condições,  in verbis:  Art. 214. Entende­se por salário­de­contribuição:  [...]  § 9º Não integram o salário­de­contribuição, exclusivamente:  [...]  VI ­ a parcela recebida a título de vale­transporte, na forma da  legislação própria;  [...]    X  ­  a  participação  do  empregado  nos  lucros  ou  resultados  da  empresa,  quando  paga  ou  creditada  de  acordo  com  lei  específica;  § 10. As parcelas referidas no parágrafo anterior, quando pagas  ou  creditadas  em  desacordo  com  a  legislação  pertinente,  integram o  salário­de­contribuição para  todos os  fins  e efeitos,  sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. [...]  Como  se  observa,  tendo  a  autoridade  lançadora  inserido  os  pagamentos  realizados pela empresa aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais no conceito  de  remuneração  (salário­de­contribuição),  nos  termos  do  artigo  28  da  Lei  n°  8.212/91,  comprovando/demonstrado  com  especificidade  a  natureza  remuneratória  das  verbas  concedidas,  impõe­se  ao  contribuinte  afastar a pretensão  fiscal  enquadrando  tais pagamentos  em uma das hipóteses de não incidência, isenção ou imunidade elencadas na norma encimada,  observando, porém, os requisitos legais para tanto.  Fl. 5741DF CARF MF     22 Em outras palavras, desincumbindo­se o Fisco do ônus de comprovar o fato  gerador das contribuições previdenciárias, cabe ao contribuinte demonstrar, com documentação  hábil  e  idônea,  que  as  verbas  concedidas  aos  segurados  empregados  e/ou  contribuintes  individuais  se  enquadram  em  uma  das  hipóteses  previstas  no  §  9°,  do  artigo  28,  da  Lei  n°  8.212/91, de maneira a rechaçar a tributação imputada.  Voltando à análise do caso sub examine, a contribuinte se insurgiu contra a  tributação  de  todas  as  verbas  pagas  aos  seus  funcionários,  razão  pela  qual  passaremos  a  analisar  os  argumentos  relacionados  a  tais  rubricas  individualmente,  em  razão  de  suas  peculiaridades,  arrimadas  especialmente  na  jurisprudência  administrativa  e  atual  de  nossos  Tribunais Superiores, senão vejamos:  ABONO ­ LEVANTAMENTOS ADA E ADE  No caso em exame, trata­se de pagamento feito aos empregados da empresa  sob o título de ABONO (importância paga como compensação de jornada/horas trabalhadas),  decorrente de  acordos  firmados  com os  sindicatos das categorias e não  estipulado através de  Lei.  Antes  de  mais  nada,  para  a  exata  delimitação  da  acusação  fiscal,  torna­se  imprescindível transcrever o conteúdo do Relatório Fiscal, in verbis:  46.  Verificada  em  folha  de  pagamento,  constatamos  não  haver  incidência  de  contribuição  sobre  os  valores  classificados  nesta  rubrica.  47. A empresa  informa assim proceder apenas por  se  tratar de  abono constante de convenção/dissídio. Realmente estes valores  constam dos referidos instrumentos. No entanto, depoimentos de  empregados,  inclusive  do  setor  de  recursos  humanos,  e  de  representantes sindicais são no sentido de informar que o abono  dissídio  coletivo  foi  instituído  em  lugar  do  PLR  por  falta  de  "vontade política da empresa".  48. Se não bastassem os argumentos retrocitados é de salientar,  como também fizemos aos representantes da empresa, que estes  valores  não  constam  das  exceções  legais  à  incidência  de  contribuição, fato que não ensejaria o presente levantamento de  débito.  Como se observa do texto acusatório, para a autoridade lançadora os abonos  não  estão  a  salvo  da  tributação  previdenciária,  além  de mencionar  que  referida  rubrica  fora  instituída em lugar do PLR por falta de "vontade da empresa".  Pois bem. Do ponto de vista dos preceitos  tributários aplicáveis ao abono e  das  questões  fáticas,  a  acusação  fiscal  é  singela  e  frágil,  nem  mesmo  aprofundou­se  na  identificação da existência de habitualidade nos pagamentos e/ou de conexão com a retribuição  pelo trabalho, a despeito dos depoimentos informando ter o abono substituído um PLR.   Quanto a alegação de ser o ABONO uma verba substitutiva de PLR, não há  como acatar a acusação fiscal, uma vez desprovida de provas e maiores detalhes. Tratando­se  apenas de uma citação acerca de "depoimentos" que sequer foram anexados aos autos.  A empresa por sua vez, se limitando a acusação fiscal, afirma que referidos  pagamentos são abonos desvinculados do salário, pois têm natureza indenizatória. Tais acordos  Fl. 5742DF CARF MF Processo nº 10552.000259/2007­42  Acórdão n.º 2401­005.579  S2­C4T1  Fl. 13          23 foram  firmados  com os  sindicatos  das  categorias  como  forma de  indenizar  seus  empregados  pela  adoção  de  regime  especial  de  compensação  de  jornada/horas  de  trabalho.  Portanto  indevida sua cobrança.  Inicialmente cabe trazer à baila a regulamentação do item 7 da alínea "e" do §  9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, por meio da alínea "j" do inciso V do § 9º do art. 214 do  Regulamento da Previdência Social  (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de  1999:  Lei nº 8.212, de 1991   Art. 28 (...)  § 9º Não  integram o salário de contribuição para os  fins desta  Lei, exclusivamente:  (...)  e) as importâncias:  (...)  7.  recebidas  a  título  de  ganhos  eventuais  e  os  abonos  expressamente desvinculados do salário; (...)  RPS/1999 Art. 214 (...)  § 9º Não integram o salário­de­contribuição, exclusivamente:  (...)  V ­ as importâncias recebidas a título de:  (...)  j)  ganhos  eventuais  e  abonos  expressamente  desvinculados  do  salário por força de lei.  (...)  (grifamos)  Com relação à desvinculação do abono em relação ao salário, a verdade é que  o Decreto  não  pode  impor  limitação  ou  exigência  não  existente  em Lei. O Decreto  tem  sim  autorização  para  interpretar  a  Lei,  regulamentá­la,  mas  não  para  inovar,  extrapolar  os  seus  limites.  Efetivamente,  a  Lei  nº  8.212/1991  fala  em  desvinculação  do  abono  em  relação  ao  salário. Não há ali nenhuma menção à desvinculação decorrer de Lei.  Observa­se,  outrossim,  que  constam  nos  autos  Convenções  Coletiva  de  Trabalho na qual realmente são previstos o pagamento de um abono salarial aos funcionários  da empresa, por amor a clareza, transcrevo excerto de um acordo:  Abono indenizatório:  A  Avipal,  em  feitio  transacional,  pagará,  a  título  de  abono  indenizatório,  a quantia de R$ 200,00  (duzentos  reais),  no mês  de abril de 2004, aos seus empregados efetivos em 31/12/2003,  Fl. 5743DF CARF MF     24 como  compensação  pela  adoção  de  regime  especial  de  compensação  de  jornada/horas  de  trabalho,  nos  termos  do  art.  144 da CLT.  (...)  O  abono  de  que  trata  o  caput  desta  cláusula  é  único  e  excepcional,  tendo,  portanto,  natureza  indenizatória,  desvinculado  do  salário,  razão  pela  qual  não  integra  a  remuneração nem está sujeito à incidência de qualquer encargo  trabalhista ou previdenciário, nos termos do disposto no art. 144  da CLT e no art. 28, § 9 0,  letra  'e',  item 7, da Lei 8.212/1991,  com  a  redação  que  lhe  foi  dada  pela  Lei  n  o  9.711/1998,  de  20/11/1998.  A questão já foi objeto, inclusive, de Ato Declaratório da PGFN nº 16/2011,  no qual restou decidido que:  A PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso  da competência legal que lhe foi conferida (....), tendo em vista a  aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2114/2011, (...) DECLARA  que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e  de  interposição  de  recursos,  bem  como  a  desistência  dos  já  interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante:  'nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre  o  abono  único,  previsto  em  Convenção  Coletiva  de  trabalho,  desvinculado  do  salário  e  pago  sem  habitualidade,  não  há  incidência de contribuição previdenciária'.(grifo nosso)  Trata­se  de  entendimento  que  deve  ser  obrigatoriamente  reproduzido,  nos  termos dos art. 45, VI, e 62, II, 'c', ambos do Anexo II ao RICARF.  Por esse motivo, sendo a fundamentação da acusação fiscal singela e frágil, a  inclusão  de  tal  valor  na  base  de  cálculo  exclusivamente  por  entender  não  fazer  parte  das  exceções das contribuições, é necessário dar provimento ao recurso voluntário nesse ponto.  PRÊMIO POR ASSIDUIDADE ­ LEVANTAMENTO ASS  A acusação fiscal dar­se­á nos seguintes termos:  53. Consta  da  folha a  rubrica V025  e V050  correspondente  ao  PRÊMIO ASSIDUIDADE.  54.  Este  pagamento,  efetuado  em  moeda  corrente,  é  feito  a  empregados  lotados  nas  unidades  de  frango. O  código  V025  é  utilizado para pagamento do prêmio aos empregados lotados em  Lajeado e o código V050 para os lotados em Arroio do Meio; em  ambos os casos com data de admissão anterior a 2002.  55.  Além  deste  pagamento,  sobre  o  qual  a  empresa  faz,  corretamente, incidir a contribuição previdenciária, existe outra  forma— mediante tíquetes.  56.  Para  os  empregados  admitidos  em  data  posterior  a  2002  estes  pagamentos  são  efetuados  mediante  entrega  de  tíquetes  refeição, através da mesma empresa conveniada pelo PAT (Visa­ Vale  e,  anteriormente,  SODEXEIOPASS);  fazem  jus  aqueles  empregados  que  não  lograram  faltas  durante  o  mês.  Este  controle  é  exercido  nas  unidades  dos  segurados  assim  Fl. 5744DF CARF MF Processo nº 10552.000259/2007­42  Acórdão n.º 2401­005.579  S2­C4T1  Fl. 14          25 beneficiados. O responsável pela  informação envia  relação dos  favorecidos  ao  setor  de  recursos  humanos  que  providencia  a  remessa dos tíquetes.  57. Esta modalidade de pagamento,  frisamos, não está  incluída  na folha de pagamento da empresa.  58.  Esta  modalidade  de  pagamento  em  tíquetes  não  está  contemplada  em  convênios  firmados  com  o  Programa  de  Assistência ao Trabalhador — PAT/MTE.  59.  Qualquer  forma  de  pagamento  que  remunere  segurado  empregado  pelo  trabalho  que  exerce  é  remuneração,  e  assim  procedemos ao  incluir os valores assim pagos no  levantamento  do presente débito.  60. Suscitado o tema foram­nos colocadas à disposição relações  contendo  nominata  e  valores  aos  assim  favorecidos,  relações  estas  acompanhadas  de  resumo  do  controle  mensal.  Estes  valores serviram de base para o levantamento do débito.  Já  a  contribuinte  alega  que  os  prêmios  entregues  através  de  cartões  de  benefícios  são  o  resultado  do  cumprimento  de  condições  pré­estabelecidas,  portanto  resta  evidente  que  determinados  funcionários  destacar­se­ão  e  receberão  prêmios  de  forma  mais  seguida. Outros porém, receberão o prêmio poucas vezes ou jamais receberão, tendo em vista o  não  cumprimento  dos  requisitos  estabelecidos  como  condição  para  sua  percepção.  Conclui  dizendo  que  tais  pagamentos  não  são  ganhos  habituais  e  sim  eventuais. Afirma  que  ganhos  habituais  são  aqueles  percebidos  através  de  disposição  duradoura  adquirida  pela  repetição  freqüente de pagamentos.  Diz,  ainda,  que  o  pagamento  do  prêmio  feito  pela  Avipal  aos  seus  funcionários não  é pelo  seu  trabalho ordinário, mas  sim pelo  cumprimento de objetivos pré­ determinados,  portanto  é  inquestionável  a  aplicação  do  artigo  28,  §  9°,  "e",  item  7,  da  Lei  8.212/91, que diz que não integram o salário­de­contribuição as importâncias recebidas a título  de  ganhos  eventuais  e  os  abonos  expressamente  desvinculados  do  salário.  Cita  doutrinas  e  jurisprudências e solicita a desconstituição do crédito levantado.  Aduz que o prêmio assiduidade concedido a seus empregados seria eventual e  desvinculado do salário, não integrando o salário de contribuição previdenciário por se amoldar  às  importâncias descritas no item "7" da alínea "e" do § 9° do art. 28 da Lei n° 8.212/91, na  redação dada pela Lei n" 9.711/1998. O Referido dispositivo tem a seguinte redação:  § 9° Não  integram o salário­de­contribuição para os  fins desta  Lei, exclusivamente:  (...)  e) as importâncias:  (.)  7.  recebidas  a  título  de  ganhos  eventuais  e  os  abonos  expressamente desvinculados do salário;  Sem razão a recorrente.  Fl. 5745DF CARF MF     26 Para  a  previdência  social,  o  ganho  eventual  é  aquele  que  independe  da  vontade do trabalhador e de seu desempenho, é concedido por liberalidade do empregador sem  criar  expectativas  para  o  empregado.  Ora,  os  prêmios  assiduidade  não  são  eventuais.  Para  percebê­los basta que o  empregado não  tenha atrasos,  faltas,  licenças não  remuneradas,  falta  justificada e/ou abonada, férias durante o mês, podendo ser "premiado" todos os meses do ano  ou  apenas  naqueles  em  que  preencher  os  requisitos,  o  que  lhe  retira  a  característica  de  eventualidade.  Para  que  se  verifique  a  habitualidade,  basta  a  reiteração  ou  continuidade  do  pagamento do mesmo, independentemente da periodicidade ser mensal, semestral ou anual.  Também  não  se  trata  de  abono  expressamente  desvinculado  do  salário  por  força de Lei  (alínea "j" do  inc. V do § 9° do art. 214 do Regulamento da Previdência Social  aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, na  redação dada pelo Decreto n° 3.265/99),  pois não  se  vislumbra  dispositivo  de  Lei  que  determine  o  pagamento  de  tíquetes  refeição  como  prêmio  assiduidade  a  segurados  empregados.  O  fato  do  valor  do  tíquete,  ou  do  prêmio,  não  estar  vinculado  ao  valor  do  salário  dos  trabalhadores  contemplados,  não  descaracteriza  a natureza  salarial  do  pagamento,  posto  que decorre  da  relação  laboral  e  do  cumprimento  de  requisitos  pré­determinados pelo empregador.  Prêmio  é  o  pagamento  decorrente  do  fato  de  ter  o  empregado  cumprido  a  meta  esperada  e  previamente  estabelecida.  Dessa  forma,  se  integrará  ao  patrimônio  do  trabalhador,  considerado  o  critério  objetivo  para  a  sua  percepção,  o  que  renderá  ensejo  à  previsibilidade de sua obtenção. Nesse contexto, tal verba, por estar ligada à condição pessoal  do  trabalhador  (no  presente  caso,  o  atingimento  da  meta  de  assiduidade  estabelecida  pela  empresa), será também considerada componente da sua remuneração.  Portanto, nega­se provimento neste ponto.  PRÊMIO POR PRODUÇÃO ­ LEVANTAMENTOS PPA e PPE  A  autoridade  lançadora  utilizou  como  fundamento  à  sua  empreitada  os  seguintes fatos:  34.  Em  que  pese  a  nomenclatura  adotada  para  esta  rubrica,  segundo a gerência de recursos humanos, à este título são pagas  horas  trabalhadas  de  segurado  empregado  requisitado  durante  seu período de férias. A informação obtida na empresa é de que  este  valor  não  poderia  ter  sido  pago  em  outra  rubrica  na  oportunidade  da  prestação  do  serviço  (férias).  Sendo  assim,  é  paga somente quando da ocorrência de rescisão de contrato de  trabalho.  35.  À  luz  da  legislação  previdenciária  (inobstante  o  fato  de  admitirmos a enorme probabilidade de que estes valores possam  já ter sido pagos quando da efetiva prestação do serviço), o que  de fato ocorre é o pagamento do serviço prestado por segurado  empregado.  Portanto,  utilizando  esta  ou  aquela  rubrica,  estes  valores  deveriam  ter  sido  incluídos  no  salário­de­contribuição  da empresa, quer tenham sido interrompidas as férias ou não. O  contrato de trabalho vigia à época da • prestação do serviço, o  qual foi efetivamente prestado pelo então empregado.  36.  Esta  rubrica,  na  mudança  do  sistema  RCM  para  o  Rhevolution,  em  07/2001,  passa  a  ser  utilizada  com  o  código  V026.  Fl. 5746DF CARF MF Processo nº 10552.000259/2007­42  Acórdão n.º 2401­005.579  S2­C4T1  Fl. 15          27 Por sua vez, em sua peça recursal, a contribuinte aduz que o prêmio produção  está também atrelado ao cumprimento de metas pré­estabelecidas, cujo pagamento, justamente  por isso, é eventual e, portanto, não se trata de contraprestação pelo trabalho.  Dessa forma, tal como exposto acima quanto ao prêmio Assiduidade, inexiste  fundamento  legal  para  inclusão  do  Prêmio  Produção  na  base  de  incidência  de  contribuições  previdenciárias, ao que também essa parcela deve ser excluída do lançamento ora contraditado.  Não obstante as alegações de fato e de direito ofertadas pela contribuinte, o  entendimento acima alinhavado não é capaz de rechaçar a exigência fiscal, mormente quando  pagos em desconformidade com a legislação de regência.  Isto  porque,  uma  vez  a  autoridade  fiscal  se  desincumbindo  do  ônus  de  comprovar a ocorrência do fato gerador do tributo, o que ocorrera in casu, cabe ao contribuinte  demonstrar  que  os  pagamento  concedidos  aos  seus  segurados  não  possuem  natureza  remuneratória, o que não se vislumbra no caso vertente, como já exposto no tópico acima.  A propósito  da matéria,  o  julgador  de primeira  instância  foi muito  feliz  ao  rechaçar o pleito da contribuinte, como segue:  Também  integra  o  salário­de­contribuição  o  abono  ou  a  gratificação,  independente  do  valor,  cuja  concessão  estiver  vinculada  a  fatores  de  ordem  geral  dos  empregados,  via  de  regra, a sua produção. Tais gratificações caracterizam­se como  prêmios.  O  regulamento  da  empresa,  acordo  ou  convenção  coletiva  de  trabalho não podem ser opostos para derrogar a aplicabilidade  da  legislação  previdenciária  quanto  à  incidência  de  contribuições.  Com  efeito,  ao  admitir  a  não  incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  as  verbas  retro,  pagas  aos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais  em  total  afronta aos dispositivos legais que regulam a matéria, teríamos que interpretar o artigo 28, § 9º,  e seus incisos, da Lei nº 8.212/91, de forma extensiva, o que vai de encontro com a legislação  tributária, como acima demonstrado.  Afora as demais discussões a respeito da matéria, o certo é que nos termos do  artigo  28,  §  9º,  da  Lei  n°  8.212/91,  não  integram  o  salário  de  contribuição  às  importâncias  recebidas pelo empregado ali elencadas, sendo defeso à interpretação de referida previsão legal  extensivamente,  de  forma  a  incluir  outras  verbas,  senão  aquela  (s)  constante  (s)  da  norma  disciplinadora do “benefício” em comento, a pretexto de meras ilações desprovidas de qualquer  amparo legal ou fático, sobretudo quando os pagamentos foram efetuados aos funcionários da  empresa sem qualquer observância às normas legais.  Nessa  toada,  tendo  a  contribuinte  concedido  a  seus  segurados  empregados  e/ou  contribuintes  individuais  as  verbas  encimadas,  ser  levar  em  consideração  os  preceitos  legais  que  disciplinam  o  tema,  não  há  que  se  falar  em  não  incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  referidas  importâncias,  por  se  caracterizarem  como  salário  de  contribuição, impondo a manutenção do feito.  BÔNUS PAGOS A GERENTES ­ LEVANTAMENTO BOA  Fl. 5747DF CARF MF     28 O relatório fiscal de fls. 297 noticia que tais pagamentos foram retirados da  conta 000333 ­ Adiantamento emergencial, mais precisamente nos seguintes termos:  77. Do exame da contabilidade foi detectado pagamento de "36  bônus  anual  2004  gerentes",  cujo  histórico  é  oriundo  do  lançamento  de  30.12.2004,  na  conta  000333  ­  Adiantamento  Emergencial.  78.  Solicitado  o  documento  do  fato  contábil  que  originou  o  lançamento, nada foi apresentado.  79.  Assim,  os  valores  são  considerados  pela  auditoria  no  salário­de­contribuição  da  empresa,  a  partir  do  qual  serão  calculadas  as  contribuições  patronal,  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  capacidade laborativa e às outras entidades e fundos.  80. A contribuição referente aos segurados empregados não  foi  calculada  haja  vista  a  contribuição  previdenciária  incidente  sobre  a  remuneração  dos  gerentes  já  ter  alcançado  o  limite  máximo, de contribuições conforme tabela INSS.  A  recorrente  alega  que  o  bônus  pago,  base  de  cálculo  do  crédito  previdenciário  apurado  na  presente  NFLD,  não  tem  natureza  salarial  tendo  em  vista  que  o  mesmo foi pago uma única vez.  Não obstante as alegações de fato e de direito ofertadas pela contribuinte, o  entendimento acima alinhavado não é capaz de rechaçar a exigência fiscal, mormente quando  pagos em desconformidade com a legislação de regência.  Isto  porque,  uma  vez  a  autoridade  fiscal  se  desincumbindo  do  ônus  de  comprovar a ocorrência do fato gerador do tributo, o que ocorrera in casu, cabe ao contribuinte  demonstrar  que  os  pagamento  concedidos  aos  seus  segurados  não  possuem  natureza  remuneratória, o que não se vislumbra no caso vertente. A rigor, no decorrer da ação fiscal, a  recorrente quedou­se silente quando chamado a explicitar as condições para o pagamento de tal  rubrica.  Em verdade, em sede de impugnação e, posteriormente, recurso voluntária, a  contribuinte escora  seu pleito no  fato de o Bônus  ter  sido pago numa única oportunidade no  ano.  Ora,  o  fato  de  ter  sido  pago  uma  única  vez  não  descaracteriza  a  natureza  salarial do pagamento.  Poderia  a  contribuinte  ter  trazidos  elementos  de  prova  junto  á  peça  impugnatória/recursal  que  determinassem  a  não  incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  referido  bônus,  porém,  limitaram­se  apenas  a  alegar  que  tais  valores  estariam  enquadrados na norma de isenção.  Não  exercido  o  ônus  da  prova  junto  à  impugnação,  deve  ser  mantido  o  lançamento das  contribuições previdenciárias que  incidiram sobre os valores de bônus  anual  registrados na folha de pagamento da empresa  Destaca­se,  ademais,  que  o  pagamento  de  bônus  não  está  dentre  as  verbas  expressamente excluídas do salário de contribuição previdenciário contidas no § 9° do artigo  28 da Lei n° 8.212/91.  Fl. 5748DF CARF MF Processo nº 10552.000259/2007­42  Acórdão n.º 2401­005.579  S2­C4T1  Fl. 16          29 Neste diapasão, não merece guarida a pretensão da contribuinte.  PAGAMENTOS EFETUADOS A CONTRIBUINTES  INDIVIDUAIS  ­  LEVANTAMENTOS CAV, CEA e CEP  Quanto  a  este  tópico,  em  suas  razões  recursais,  pretende  a  contribuinte  a  reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal, aduzindo para tanto os mesmos  argumentos  da  impugnação,  não  acrescentando  nem  um  novo  documento  ou  fundamento  sequer.  Assim sendo, uma vez que a contribuinte simplesmente repisas as alegações  da defesa inaugural, peço vênia para transcrever excertos da decisão recorrida e adotá­los como  razões de decidir, por muito bem analisar as alegações suscitadas pela autuada e documentos  acostados aos autos, in verbis:  DOS LANÇAMENTOS EFETUADOS SOB OS CÓDIGOS CAV,  CEA,  E  CEP  ­  PAGAMENTOS  EFETUADOS  A  CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS   O levantamento CEA foi totalmente excluído do processo devido  à declaração de decadência.  No  levantamento  CEP,  o  período  de  01/1999  a  11/2000,  foi  excluído pela • decadência e mantido o restante.  Referente aos argumentos trazidos pela impugnante em relação  ao  levantamento  CAV,  esclarecemos  que  o  serviço  de  fiscalização  manifestou­se,  às  f1s.  5021/5022,  informando  que  procedem  as  alegações  da  empresa,  sugerindo  a  exclusão  dos  valores  lançados  indevidamente  e  em  duplicidade,  conforme  solicitado  pelo  contribuinte.  Não  houve  comprovação  para  afastar os lançamentos remanescentes.  As  planilhas  de  fls.  5029/5130  (volume  XVIII),  anexas  pela  fiscalização  demonstram  os  lançamentos  que  devem  ser  excluídos  do  crédito  tributário,  por  levantamento  e  por  competência.  As  retificações  efetuadas  foram  cientificadas  à  impugnante  em  05/08/2008,  que  não  se  pronunciou  sobre  o  resultado da diligência.  Cumpre destacar,  ainda, que o  relatório  fiscal não menciona a  não  aceitação  de  recibos,  Notas  Fiscais  ou  outros  documentos  apresentados  pelo  contribuinte,  de modo que  entendo  incabível  tal argumento da impugnação para este lançamento.  Portanto, nego provimento ao recurso.  PROVA PERICIAL  A contribuinte, por derradeiro, pugna pela realização de perícia.  Em que pese o esforço da recorrente, sua irresignação, contudo, não merece  acolhimento. Ao contrário do que alega a contribuinte, a autoridade recorrida não privilegiou o  lançamento em prejuízo das razões e documentos apresentados pela então impugnante.  Fl. 5749DF CARF MF     30 Observe­se, com relação aos documentos e razões ofertadas pela contribuinte,  que o julgador de primeira instância foi muito feliz em sua decisão,  tendo em vista que cabe  exclusivamente a ele conceder a força probante que assim entender. A documentação constante  do  processo  serve  justamente  para  formar  a  convicção  do  julgador,  podendo  interpretá­la da  forma  que  melhor  entender,  refutá­las  ou  desconsiderá­las,  de  acordo  com  sua  convicção,  conquanto  que  de  forma  fundamentada.  Aliás,  é  o  que  determina  o  artigo  29  do  Decreto  70.235/1972, como segue:      Seção VI  Do Julgamento em Primeira Instância  [...]  Art.  29.  Na  apreciação  da  prova,  a  autoridade  julgadora  formará  livremente  sua  convicção,  podendo  determinar  as  diligências que entender necessárias.  Assim,  o  pleito  da  recorrente  não  tem  o  condão  de  macular  a  decisão  recorrida,  porquanto  o  julgador  monocrático  procedeu  da  melhor  forma,  exarando  decisão  fundamentada, debatendo acerca das  razões pertinentes  lançadas pela contribuinte,  formando  livremente sua convicção, nos termos do dispositivo legal encimado.  Além  de  a  recorrente  não  atender  os  requisitos  para  concessão  da  perícia,  inscritos no artigo 16, inciso IV, do Decreto 70.235/72, a autoridade recorrida já tinha formado  sua  convicção  com  base  nos  demais  documentos  constantes  dos  autos,  sendo  despiciendo  a  produção de prova pericial.  Com  efeito,  a  produção  de  prova  pericial  se  faz  necessária  quando  indispensável ao deslinde da questão, não se prestando para fins protelatórios, o que impõe o  seu indeferimento nos termos do artigo 38, § 2º da Lei nº 9.784/99 c/c o artigo 16, inciso IV, §  1º do Decreto 70.235/72, in verbis:  Lei 9.784/99  Art. 38.  [...]  §  2º  Somente  poderão  ser  recusadas,  mediante  decisão  fundamentada,  as  provas  propostas  pelos  interessados  quando  sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias.  Decreto 70.235/72  Art. 16.  [...]  IV ­ as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam  efetuadas,  expostos  os  motivos  que  as  justifiquem,  com  a  formulação de  quesitos  referentes aos  exames  desejados,  assim  como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação  profissional de seu perito;   § 1º ­ Considerar­se­á não formulado o pedido de diligência ou  perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no  inciso  IV do art. 16.  Fl. 5750DF CARF MF Processo nº 10552.000259/2007­42  Acórdão n.º 2401­005.579  S2­C4T1  Fl. 17          31 Mais a mais, tratando­se de matéria de fato, caberia a contribuinte ao ofertar a  sua defesa produzir a prova em contrário através de documentação hábil e idônea.   Vale  salientar  ainda  que  no  presente  caso, mostra­se  prescindível  a  perícia,  posto que as informações ali solicitadas foram sanadas através do pronunciamento fiscal e das  planilhas elaboradas pela fiscalização e cientificadas à contribuinte, a qual não se manifestou  sobre as novas informações prestadas pela fiscalização, mantendo o mesmo pedido da inicial.  Portanto, a perícia solicitada fica prejudicada.  Por  todo  o  exposto,  estando  o  Auto  de  Infração,  sub  examine,  em  consonância parcial com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO  DE:  a)  CONHECER  DO  RECURSO  DE  OFÍCIO  e,  no  mérito,  NEGAR­LHE  PROVIMENTO;  b) CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO para:   b.1.)  decretar  a  decadência  relativamente  aos  fatos  geradores  ocorridos  até  10/2001, e  b.2) NO MÉRITO, DAR­LHE PARCIAL PROVIMENTO, para: excluir do  lançamento  os  levantamentos  ADA  e  ADE  ­  relativos  ao  pagamento  do  ABONO,  pelas  razões de fato e de direito acima esposadas.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Rayd Santana Ferreira.                              Fl. 5751DF CARF MF

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Numero do processo: 16327.914235/2009-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2010 INTEMPESTIVIDADE. CIÊNCIA DO SUJEITO PASSIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVANTE DE INTIMAÇÃO. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NECESSIDADE DE NOVO JULGAMENTO. Não havendo nos autos o comprovante da ciência do sujeito passivo por via postal, mas mero relatório dos Correios de que a correspondência contendo o Despacho Decisório foi entregue, não há como se aferir que a ciência se deu na data nele constante, eis que se trata de documento apócrifo, não comprovando a intimação do sujeito passivo. De acordo com o diploma legal que rege o Processo Administrativo Fiscal, na ausência de prova do recebimento, considera-se a intimação efetuada quinze dias após a sua expedição. Em face da não observância da regra processual pela decisão a quo, houve um erro no exame de admissibilidade da manifestação de inconformidade, a qual não poderia ser considerada intempestiva, devendo o acórdão recorrido ser anulado, com o retorno à primeira instância, para o proferimento de nova decisão, desta feita com o enfretamento do mérito das razões da Manifestação de Inconformidade.
Numero da decisão: 2201-004.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA

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Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 16­32.955 ­  8a  Turma  da  DRJ/SP1,  o  qual  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  apresentada  em  face  da  não  homologação  da  DCOMP  nº  11006.29643.110608.1.7.04­0039,  protocolizada em 19/11/2009.  A  manifestação  de  inconformidade  (fls.  01  a  04),  em  face  do  Despacho  Decisório  eletrônico  n°  (de  Rastreamento)  848708546  (fl.  18),  de  07/10/2009,  no  qual  a  autoridade não homologou, por inexistência de direito creditório, a compensação declarada na  DCOMP.   Na  Fundamentação  da  decisão,  a  autoridade  informa  que,  consoante  os  sistemas de controle da RFB, o valor recolhido em DARF, em 03/10/2007, de R$ 429.391,43,  código de receita 5706, relativo ao período de apuração de 30/09/2007, declarado na DCOMP  como  indevido  ou  a  maior,  teria  sido  integralmente  utilizado  na  quitação  de  débito  do  interessado  (mesmo  tributo,  valor  e período de  apuração mencionados),  não  restando,  assim,  crédito disponível para compensação.  Em  conseqüência,  apurou  valor  devedor  consolidado  para  pagamento  até  30/10/2009,  referente  ao débito  indevidamente  compensado mediante  a  referida DCOMP, de  R$ 94.732,19, de principal, R$ 20.765,29, de juros, e de R$ 18.946,43, de multa.  Cientificado  da  decisão,  em  19/10/2009  (fl.  35),  o  interessado  apresentou  manifestação de inconformidade, em 19/11/2009 (fl. 01), oferecendo, em síntese, as seguintes  informações e razões:  i) o direito creditório invocado, de R$ 94.732,19, seria líquido e certoporque  integraria a diferença de R$ 95.011,26 paga a maior de “IRRF – Juros sobre o Capital Próprio”,  código  5706,  pelo  recolhimento  de  R$  429.391,43,  efetuado  em  03/10/2007,  referente  ao  período  de  apuração  da  30/09/2007,  em  lugar  do  valor  correto,  de  R$  334.380,17  (R$  95.011,26 = R$ 429.391,43 ­ R$ 334.380,17);  ii)  teria  declarado,  equivocadamente,  o  débito  na  DCTF  que  teria  sido  retificada em 27/10/2009 (fl. 19) para conter o valor correto (fl. 22);  iii) considerando seu direito à compensação assegurado pelo artigo 74 da Lei  n°  9.430/96  e  pelos  artigos  165  e  170  do  CTN,  requer  seja  revisto  o  Despacho  Decisório,  homologando­se a compensação declarada.  Foi prolatado o Acórdão nº 16­32.955 ­ 8a Turma da DRJ/SP1 (fls. 160/165),  que julgou pelo não conhecimento da manifestação de inconformidade, nos termos da seguinte  ementa:  Fl. 270DF CARF MF Processo nº 16327.914235/2009­84  Acórdão n.º 2201­004.449  S2­C2T1  Fl. 271          3 ASSUNTO:  IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE  IRRF  Data do fato gerador: 03/10/2007  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO  DCOMP.  MANIFESTAÇÃO  DE  INCONFORMIDADE.  TEMPESTIVIDADE  NÃO  PROVADA.  MÉRITO  NÃO  CONHECIDO.  A  contestação  da  data  constante de  comprovante  emitido  pelos  Correios,  de  ciência  da  Decisão,  mostra­se  inócua  quando  o  contribuinte  não  logra  trazer  aos  autos  prova  documental  de  outra  data,  alegada,  que  tornaria  tempestiva  a  interposição  da  peça irresignatória. Eventual petição apresentada fora do prazo,  mas  suscitando  questão  de  tempestividade,  caracteriza  impugnação  e  instaura  a  fase  litigiosa  do  procedimento,  comportando  julgamento apenas  dessa matéria preliminar,  não  do  mérito.  Manifestação  de  Inconformidade  Não  Conhecida.  Sem Crédito em Litígio    Em face dessa decisão, cuja ciência se deu em 25/08/2011 (fl.171) e o recurso  voluntário  foi protocolado  tempestivamente em 26/09/2011  (fls. 191/198),  tendo apresentado  as razões recursais, a seguir sintetizadas:  1)  A tempestividade do recurso voluntário;  2)  Que o presente recurso seja recebido com efeito suspensivo, nos termos do  artigos 33, do Decreto 70.235/72. Ainda sobre o efeito suspensivo, alegou o  art. 151, III, do CTN que prevê que as reclamações e recursos suspendem a  exigibilidade do crédito tributário;  3)  Que,  ao  contrário  do  alegado  pela DRJ,  há  sim  prova  nos  autos  de  que  a  intimação se deu no dia 20/10/2009. A ausência de AR contraria o disposto  no  artigo  23,  II,  do  Decreto  70.235/72.  O  sistema  de  rastreamento  dos  correios não é prova da ocorrência da regular intimação.  Por fim, requer seja provido o recurso voluntário para que os autos voltem à  Delegacia da Receita Federal para julgamento do mérito da manifestação e inconformidade e,  caso seja necessário, que seja intimada novamente para apresentar eventuais documentos, nos  termos do artigo 16, §4º, alíneas "a" e "b", do Decreto 70.235/72.        É o relatório.  Voto             Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra ­ Relator  Admissibilidade       O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  preenche  os  demais  requisitos  de  admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido.  Fl. 271DF CARF MF Processo nº 16327.914235/2009­84  Acórdão n.º 2201­004.449  S2­C2T1  Fl. 272          4 Mérito  O  julgamento  da  presente  lide  se  restringe  à  análise  da  tempestividade  da  Manifestação de Inconformidade. No entendimento da DRJ, o protocolo foi intempestivo, uma  vez que se deu em 19/11/2009, um dia após findo o prazo legal de 30 (trinta) dias.   De acordo com o entendimento da autoridade julgadora de primeira instância,  a prova da intimação do sujeito passivo é um relatório dos Correios atestando que a entrega de  deu no dia 19/10/2009. Não há nos autos comprovante do recebimento da intimação (Aviso de  Recebimento ­ AR).  Para o caso que se cuida, o Decreto nº 70.235/1972 estabelece que ausente o  comprovante  de  recebimento  da  intimação  deverá  ser  considerada  realizada 15  (quinze) dias  após a sua expedição. Vejamos:  Art. 23. Far­se­á a intimação:  I ­ pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão  preparador,  na  repartição  ou  fora  dela,  provada  com  a  assinatura  do  sujeito  passivo,  seu mandatário  ou  preposto,  ou,  no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar;   II ­ por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via,  com  prova  de  recebimento  no  domicílio  tributário  eleito  pelo  sujeito passivo;   III ­ por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante:   a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou   b)  registro  em  meio  magnético  ou  equivalente  utilizado  pelo  sujeito passivo.   §  1o  Quando  resultar  improfícuo  um  dos  meios  previstos  no caput deste  artigo  ou  quando  o  sujeito  passivo  tiver  sua  inscrição  declarada  inapta  perante  o  cadastro  fiscal,  a  intimação poderá ser feita por edital publicado:   I ­ no endereço da administração tributária na internet;   II  ­  em  dependência,  franqueada  ao  público,  do  órgão  encarregado da intimação; ou   III ­ uma única vez, em órgão da imprensa oficial local.   § 2° Considera­se feita a intimação:  II  ­  no  caso  do  inciso  II  do  caput  deste  artigo,  na  data  do  recebimento  ou,  se  omitida,  quinze  dias  após  a  data  da  expedição da intimação; (Grifou­se).  Ocorre que,  também não há nos autos a cópia da  intimação para se aferir a  data de sua expedição. Todavia, essa ausência pode ser suprida por uma dedução lógica. Se o  Despacho Decisório  foi  emitido  em  07/10/2009,  a  expedição  da  intimação  só  poderá  ter  se  dado em data igual ou posterior à sua emissão.  Fl. 272DF CARF MF Processo nº 16327.914235/2009­84  Acórdão n.º 2201­004.449  S2­C2T1  Fl. 273          5 Considerando a data da expedição como sendo 07/10/2009, tem­se que o 15º  dia posterior a esta data é 22/10/2009, dia em que efetivamente deve ser considerada realizada  a  intimação,  nos  termos  das  disposições  normativas  do  Decreto  nº  70.235/1972  supra  transcritas.  Com base nessas  considerações,  tem­se que a decisão de primeira  instância  padece de vício, eis que proferida em desacordo com o que estabelece o Decreto nº 70.23/1972,  culminando em inegável preterição ao direito de defesa do contribuinte.  Destarte, deve ser anulado o acórdão recorrido, com retorno dos autos à DRJ  de origem para o proferimento de nova decisão, desta feita, com o enfretamento do mérito.    Conclusão  Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar­ lhe provimento.   (assinado digitalmente)  Daniel Melo Mendes Bezerra                                             Fl. 273DF CARF MF

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7308042 #
Numero do processo: 10380.908430/2009-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DE PRELIMINAR EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera preliminar que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES. Constatado a existência do crédito tributário, por meio das DCTFs e DIPJs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório tributário, este deve ser analisado pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Numero da decisão: 1301-003.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: Relator

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1301­003.119  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  17 de maio de 2018  Matéria  Embargos de Declaração  Embargante  FAZENDA NACIONAL  Interessado  IMAGEMAMA DIAGNÓSTICO POR IMAGEM LTDA    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2001, 2002, 2003  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO.  EFEITOS INFRINGENTES.   Constatada  omissão  no  acórdão  embargado,  prolata­se  nova  decisão  para  supri­la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão,  conclui­se pela alteração no resultado do julgado.  PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO  E  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  SUPERAÇÃO  DE  PRELIMINAR  EM  QUE  SE  BASEARAM  AS  DECISÕES  ANTERIORES.  IMPOSSIBILIDADE  DE  DECISÃO  DE  MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.  No  julgamento  de  recurso  voluntário  em  que  se  supera  preliminar  que  embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão  de  primeira  instância,  a  conversão  do  julgamento  em  diligência  para  apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF  para  nova  decisão  poderá  implicar  cerceamento  do  direito  de  defesa  do  contribuinte  em  razão  da  impossibilidade  de  apresentação  de  recurso  em  matéria probatória.  PEDIDO  DE  COMPENSAÇÃO.  POSSIBILIDADE  DE  RETIFICAÇÃO  DAS  DECLARAÇÕES.  Constatado  a  existência  do  crédito  tributário,  por  meio  das  DCTFs  e  DIPJs  retificadoras  apresentadas  antes  da  emissão  do  despacho  decisório  tributário,  este  deve  ser  analisado  pela  fiscalização,  em  homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo.  INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.  A prova do  indébito  tributário,  fato  jurídico a dar  fundamento ao direito de  repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o  pagamento indevido ou maior que o devido.          AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 84 30 /2 00 9- 44 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10380.908430/2009­44  Acórdão n.º 1301­003.119  S1­C3T1  Fl. 3          2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os  embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e  dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o  despacho  decisório  e  a  decisão  de  primeira  instância,  determinando  o  retorno  dos  autos  à  unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado,  retomando­se,  a  partir daí, o rito processual habitual.   (assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente e Relator    Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior,  José  Eduardo  Dornelas  Souza,  Nelso  Kichel,  Marcos  Paulo  Leme  Brisola  Caseiro,  Amélia  Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a  Conselheira Bianca Felícia Rothschild.  Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10380.908430/2009­44  Acórdão n.º 1301­003.119  S1­C3T1  Fl. 4          3   Relatório  Transcrevo  os  trechos  de  interesse  do  despacho  quando  da  admissão  dos  embargos:  No julgamento do recurso do processo em epígrafe, entendeu o colegiado em  superar  os  óbices  de  direito,  elencados  preliminarmente,  pela  unidade  de  origem para não reconhecer o direito creditório pleiteado.  Ato contínuo, entendeu­se por bem converter julgamento em diligência a fim de  que  a  unidade  de  origem,  superadas  as  questões  de  direito,  procedesse  às  análises de fato a fim de verificar a  liquidez e a certeza do crédito pleiteado.  Ao  final,  deveria  elaborar  relatório  circunstanciado,  abrindo­se  vista  ao  contribuinte  para  que  esse,  querendo,  se  manifestasse  a  respeito  das  conclusões da autoridade fiscal, e a seguir encaminhasse os autos novamente  ao CARF para que pudesse, enfim, decidir sobre o mérito da exigência.  Pois  bem,  assim  deliberando,  o  colegiado  deixou  de  se  manifestar  sobre  eventual  prejuízo  do  contribuinte,  em  tese,  ao  direito  de  recurso  em  caso  de  não  reconhecimento  integral  do  crédito  pleiteado,  uma  vez  que  o  mérito  da  exigência  poderia  não  vir  a  ser  examinado  não  examinado  pela  DRJ,  acarretando, repita­se, em tese, supressão de instância.  Por essas razões, nos termos do inciso I, do art. 65, do Anexo II do RICARF,  oponho os presentes embargos de declaração em razão de omissão, no acórdão  embargado, de ponto sobre qual deveria pronunciar­se a turma.  E, a  fim de se evitar burocracia absolutamente desnecessária,  tendo em vista  que  compete  ao  Presidente  do  colegiado  analisar  a  admissibilidade  dos  embargos, já o admito de plano, determinando­se o encaminhamento dos autos  ao  relator  do  acórdão  embargado  para  relato  e  inclusão  em  pauta  de  julgamento.  É o relatório.    Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10380.908430/2009­44  Acórdão n.º 1301­003.119  S1­C3T1  Fl. 5          4 Voto             Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº  1301­003.088, de 17.05.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10380.904202/2011­10,  paradigma ao qual o presente processo fica vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301­003.088):  "Conforme  já  relatado,  no  acórdão  embargado  o  colegiado  deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo do contribuinte,  em  tese,  ao  direito  de  recurso  em caso  de  não  reconhecimento  integral do crédito pleiteado, uma vez que o mérito da exigência  poderia  não  vir  a  ser  examinado  não  examinado  pela  DRJ,  acarretando, repita­se, em tese, supressão de instância.  De fato, no acórdão embargado, o colegiado entendeu por bem  superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e  a decisão de primeira instância.  Contudo,  ao  se  determinar,  superada  a  citada  preliminar,  a  conversão  do  julgamento  em  diligência  para  apreciação  do  mérito  do  pedido,  com  o  posterior  retorno  dos  autos  ao CARF  para  nova  decisão  poderá  implicar  cerceamento  do  direito  de  defesa  do  contribuinte  em  razão  da  impossibilidade  de  apresentação de recurso em matéria probatória.  Por essas razões, entendo que o resultado mais adequado para o  julgado  seria  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário,  determinando  o  retorno  dos  autos  à  unidade  de  origem  para  analise o mérito do pedido.   Caberá à DRF de origem analisar o mérito do crédito pleiteado  nas compensações, levando em consideração os débitos de IRPJ  e  CSLL  constantes  das  DIPJs  e  DCTFs  retificadoras  apresentadas.   Saliento que a autoridade fiscal deverá considerar que o IRPJ e  a  CSLL  devem  ser  apurados  mediante  aplicação  dos  coeficientes,  respectivamente,  de  8%  e  de  12%,  nos  termos  do  acórdão  no  REsp  1.116.399/BA,  decidido  sob  a  sistemática  de  Recurso Repetitivo do Superior Tribunal de Justiça.  Nessa hipótese, eventual indeferimento do pleito do contribuinte,  ainda  que  parcial,  poderá  ensejar  nova  apresentação  de  manifestação de  inconformidade, e,  se,  for o caso,  interposição  Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10380.908430/2009­44  Acórdão n.º 1301­003.119  S1­C3T1  Fl. 6          5 de novo recurso voluntário, garantindo ao contribuinte o pleno  exercício de sua defesa.  CONCLUSÃO  Isso  posto,  voto  por  acolher  os  embargos  de  declaração  para  suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes,  e dar provimento parcial ao recurso  voluntário para  superar a  preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão  de  primeira  instância,  determinando  o  retorno  dos  autos  à  unidade  de  origem  para  que  analise  o  mérito  do  direito  creditório  pleiteado,  retomando­se,  a  partir  daí,  o  rito  processual habitual."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por acolher os  embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e  dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o  despacho  decisório  e  a  decisão  de  primeira  instância,  determinando  o  retorno  dos  autos  à  unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado,  retomando­se,  a  partir daí, o rito processual habitual.   (assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto                                Fl. 112DF CARF MF

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7304527 #
Numero do processo: 10480.733718/2013-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. Não se deve conhecer do recurso voluntário quando faltar interesse recursal ao sujeito passivo. AUTO DE INFRAÇÃO. ERRO NA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. METODOLOGIA EQUIVOCADA DE APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA. 1. Não houve erro jurídico na determinação das bases de cálculo dos diversos lançamentos, uma vez que a autoridade administrativa identificou os fatos geradores das contribuições e suas respectivas bases. 2. A ação fiscal foi conduzida por servidor competente, que concedeu à recorrente os prazos legais para a apresentação de documentos e prestação de esclarecimentos; as autuações foram devidamente motivadas e foi concedido ao sujeito passivo o prazo legal para a formulação de impugnação; os lançamentos ainda contém clara descrição do fato gerador da obrigação, da matéria tributável, do montante do tributo devido, da identificação do sujeito passivo e da penalidade aplicável; não houve nenhum prejuízo para os direitos de defesa e do contraditório da recorrente, que puderam ser exercidos na forma e no prazo legal. 3. Os lançamentos estão instruídos com os relatórios de apropriação de documentos apresentados - RADA, que demonstram como a documentação fornecida pela contribuinte ou apurada em procedimento fiscal foi apropriada pelo agente autuante. Entre tais documentos, constam as guias de recolhimentos e eventuais créditos diversos, o que revela que não foram desconsiderados os pagamentos e demais declarações. CONTRIBUIÇÕES SUBSTITUTIVAS DEVIDAS PELA AGROINDÚSTRIA. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO. 1. As notas fiscais colacionadas aos autos não contêm valores destacados a título de ICMS e nem mesmo a existência de ICMS-ST. 2. Da mesma forma, os relatórios indicam a não incidência do imposto nas operações. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 1º DA LEI 10256/2001. NOVA REDAÇÃO AO ART. 25 DA LEI 8212/91. FUNRURAL. CONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. NOVA REDAÇÃO AO ART. 22A DA LEI 8212/91. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA PELO STF. PROCESSO PENDENTE DE JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE O CARF DECLARAR A INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA Nº 2. 1. Quanto ao denominado FUNRURAL, a Suprema Corte, sob o regime dos arts. 1036 e seguintes do CPC, declarou ser "constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção" (STF, RE 718874). 2. Quanto à contribuição substitutiva devida pela agroindústria, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da tese relativa à sua inconstitucionalidade. Processo pendente de julgamento. 3. Inexistindo declaração de inconstitucionalidade sob o regime da repercussão geral, é vedado aos membros do CARF deixar de observar a lei (art. 62, caput, do RICARF). 4. Súmula CARF 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. NÃO INCIDÊNCIA SOBRE O TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS INDENIZADAS OU GOZADAS, SOBRE O AVISO PRÉVIO INDENIZADO E SOBRE A IMPORTÂNCIA PAGA NOS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIO-DOENÇA. RECURSO PROVIDO. Em recurso repetitivo, de observância obrigatória pelo CARF, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que não incidem contribuições previdenciárias sobre o terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas, sobre o aviso prévio indenizado e sobre a importância paga nos quinze dias que antecedem o auxílio-doença.
Numero da decisão: 2402-006.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso para, na parte conhecida, afastar a preliminar de nulidade. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento parcial, a fim de excluir da base de cálculo do AI DEBCAD 51.049.680-6 as importâncias pagas a título de terço constitucional de férias, aviso prévio indenizado e a importância paga nos quinze dias que antecedem o auxílio-doença, vencidos os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti e Denny Medeiros da Silveira, que lhe deram provimento parcial em menor extensão. Manifestou a intenção de apresentar declaração de voto o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2107; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 2          1 1  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10480.733718/2013­15  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2402­006.163  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  09 de maio de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL  Recorrente  VALE VERDE EMPREENDIMENTOS AGRICOLAS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010  RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE INTERESSE RECURSAL.  Não se deve conhecer do recurso voluntário quando faltar interesse recursal  ao sujeito passivo.  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  ERRO  NA  DETERMINAÇÃO  DA  BASE  DE  CÁLCULO.  NULIDADE.  INEXISTÊNCIA.  METODOLOGIA  EQUIVOCADA  DE  APURAÇÃO  DO  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  INEXISTÊNCIA.  1. Não houve erro jurídico na determinação das bases de cálculo dos diversos  lançamentos,  uma  vez  que  a  autoridade  administrativa  identificou  os  fatos  geradores das contribuições e suas respectivas bases.   2.  A  ação  fiscal  foi  conduzida  por  servidor  competente,  que  concedeu  à  recorrente os prazos legais para a apresentação de documentos e prestação de  esclarecimentos; as autuações foram devidamente motivadas e foi concedido  ao  sujeito  passivo  o  prazo  legal  para  a  formulação  de  impugnação;  os  lançamentos  ainda contém clara descrição do  fato gerador da obrigação,  da  matéria tributável, do montante do tributo devido, da identificação do sujeito  passivo  e  da  penalidade  aplicável;  não  houve  nenhum  prejuízo  para  os  direitos de defesa e do contraditório da recorrente, que puderam ser exercidos  na forma e no prazo legal.  3.  Os  lançamentos  estão  instruídos  com  os  relatórios  de  apropriação  de  documentos  apresentados  ­ RADA, que demonstram como a documentação  fornecida pela contribuinte ou apurada em procedimento fiscal foi apropriada  pelo  agente  autuante.  Entre  tais  documentos,  constam  as  guias  de  recolhimentos  e  eventuais  créditos  diversos,  o  que  revela  que  não  foram  desconsiderados os pagamentos e demais declarações.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 73 37 18 /2 01 3- 15 Fl. 3434DF CARF MF   2 CONTRIBUIÇÕES  SUBSTITUTIVAS  DEVIDAS  PELA  AGROINDÚSTRIA.  EXCLUSÃO  DO  ICMS  DA  BASE  DE  CÁLCULO.  AUSÊNCIA DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO.   1. As notas  fiscais  colacionadas aos autos não contêm valores destacados a  título de ICMS e nem mesmo a existência de ICMS­ST.   2. Da mesma  forma, os  relatórios  indicam a não  incidência do  imposto nas  operações.  INCONSTITUCIONALIDADE DO ART.  1º  DA  LEI  10256/2001.  NOVA  REDAÇÃO  AO  ART.  25  DA  LEI  8212/91.  FUNRURAL.  CONSTITUCIONALIDADE  DECLARADA  PELO  STF.  NOVA  REDAÇÃO  AO  ART.  22A  DA  LEI  8212/91.  REPERCUSSÃO  GERAL  RECONHECIDA  PELO  STF.  PROCESSO  PENDENTE  DE  JULGAMENTO.  IMPOSSIBILIDADE  DE  O  CARF  DECLARAR  A  INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA Nº 2.   1. Quanto ao denominado FUNRURAL, a Suprema Corte, sob o regime dos  arts.  1036  e  seguintes  do  CPC,  declarou  ser  "constitucional  formal  e  materialmente  a  contribuição  social  do  empregador  rural  pessoa  física,  instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a  comercialização de sua produção" (STF, RE 718874).  2. Quanto  à  contribuição  substitutiva  devida  pela  agroindústria,  o  Supremo  Tribunal  Federal  reconheceu  a  repercussão  geral  da  tese  relativa  à  sua  inconstitucionalidade. Processo pendente de julgamento.   3.  Inexistindo  declaração  de  inconstitucionalidade  sob  o  regime  da  repercussão geral, é vedado aos membros do CARF deixar de observar a lei  (art. 62, caput, do RICARF).  4. Súmula CARF 2: O CARF não é competente para  se pronunciar  sobre a  inconstitucionalidade de lei tributária.  CONTRIBUIÇÕES  DEVIDAS  À  SEGURIDADE  SOCIAL.  NÃO  INCIDÊNCIA  SOBRE  O  TERÇO  CONSTITUCIONAL  DE  FÉRIAS  INDENIZADAS  OU  GOZADAS,  SOBRE  O  AVISO  PRÉVIO  INDENIZADO E SOBRE A IMPORTÂNCIA PAGA NOS QUINZE DIAS  QUE ANTECEDEM O AUXÍLIO­DOENÇA. RECURSO PROVIDO.   Em  recurso  repetitivo,  de  observância  obrigatória  pelo  CARF,  o  Superior  Tribunal  de  Justiça  decidiu  que  não  incidem  contribuições  previdenciárias  sobre o terço constitucional de férias  indenizadas ou gozadas, sobre o aviso  prévio indenizado e sobre a importância paga nos quinze dias que antecedem  o auxílio­doença.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.   Fl. 3435DF CARF MF Processo nº 10480.733718/2013­15  Acórdão n.º 2402­006.163  S2­C4T2  Fl. 3          3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  parcialmente do Recurso para, na parte conhecida, afastar a preliminar de nulidade. No mérito,  por  maioria  de  votos,  acordam  em  dar­lhe  provimento  parcial,  a  fim  de  excluir  da  base  de  cálculo do AI DEBCAD 51.049.680­6 as importâncias pagas a título de terço constitucional de  férias, aviso prévio indenizado e a importância paga nos quinze dias que antecedem o auxílio­ doença, vencidos os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti e  Denny  Medeiros  da  Silveira,  que  lhe  deram  provimento  parcial  em  menor  extensão.  Manifestou  a  intenção  de  apresentar  declaração  de  voto  o  Conselheiro  Denny Medeiros  da  Silveira.    (assinado digitalmente)  Mário Pereira de Pinho Filho ­ Presidente     (assinado digitalmente)  João Victor Ribeiro Aldinucci ­ Relator    Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho  Filho,  Denny  Medeiros  da  Silveira,  João  Victor  Ribeiro  Aldinucci,  Mauricio  Nogueira  Righetti,  Jamed  Abdul  Nasser  Feitoza,  Luis  Henrique  Dias  Lima,  Renata  Toratti  Cassini  e  Gregorio Rechmann Junior.   Fl. 3436DF CARF MF   4 Relatório  A fiscalização lavrou os seguintes Autos de Infração (AI) DEBCAD em face  do sujeito passivo:  (a) AI DEBCAD 51.028.196­6, para a constituição das contribuições devidas  à seguridade social, pela agroindústria, incidentes sobre a comercialização da  produção rural;  (b) AI DEBCAD 51.049.682­2, para a constituição das contribuições devidas  à seguridade social, devidas por sub­rogação, incidentes sobre a aquisição de  produtos  rurais  (cana­de­açúcar)  de  produtor  rural  pessoa  física,  as  quais  foram retidas pelo sujeito passivo, mas não foram recolhidas;  (c) AI DEBCAD 51.049.683­0, para a constituição das contribuições devidas  à seguridade social, devidas por sub­rogação, incidentes sobre a aquisição de  produtos rurais (cana­de­açúcar) de produtor rural pessoa física, as quais não  foram retidas, mas foram apuradas pela fiscalização;   (d) AI DEBCAD 51.049.680­6, para a constituição das contribuições devidas  à seguridade social, parte segurados empregados, as quais foram retidas, mas  não foram recolhidas;  (e) AI DEBCAD 51.049.681­4, para a constituição das contribuições devidas  a  outras  entidades  e  fundos  (salário­educação,  INCRA,  SENAI,  SESI,  SEBRAE e SENAR.   Cientificado  dos  lançamentos,  o  sujeito  passivo  apresentou  impugnação  fazendo  resumo  dos  fatos,  aduzindo  a  tempestividade  da  defesa  e  deduzindo  os  seguintes  pontos de insurgência:  (a) preliminar de nulidade por cerceamento de defesa;  (b) erro na base de cálculo do AI DEBCAD 51.028.196­6;  (c) inconstitucionalidade/ilegalidade da legislação que fundamenta a exação;  (d) não incidência do SENAR sobre a receita decorrente de exportação;  (e)  não  incidência  de  contribuição  previdenciária  sobre  verbas  de  natureza  indenizatória.  Os  autos  foram  remetidos  em  diligência  fiscal,  em  razão  das  alegações  de  ocorrência de erros de fato na apuração da base de cálculo.  Em resposta, a autoridade lançadora concluiu serem procedentes as alegações  relativas  às  inclusões  indevidas  de  valores  de  devolução  de  mercadorias  e  de  exportação,  indicando os respectivos valores a serem excluídos do lançamento.  Fl. 3437DF CARF MF Processo nº 10480.733718/2013­15  Acórdão n.º 2402­006.163  S2­C4T2  Fl. 4          5 O  processo  retornou  novamente  em  diligência,  para  pronunciamento  da  autoridade  lançadora  acerca  das  novas  matérias  de  fato  aduzidas  pela  defesa,  tendo  sido  emitida nova Informação Fiscal, segundo a qual:  Os  argumentos  e  documentos  apresentados  pela  defendente  demonstraram que  os  valores  contabilmente  lançados  na  conta  “mercadorias  a  entregar”  também  não  integram  a  base  de  cálculo das contribuições discutidas. Em assim sendo, os Autos  de  Infração  DEBCAD  51.028.196­6  e  51.049.681­4  devem  ser  retificados  para  a  exclusão  dos  valores  que  incidiram  sobre  “devolução de mercadorias”,  “exportações”  e “mercadorias  a  entregar”,  levantamento PR PRODUÇÃO, conforme valores de  contribuição ali discriminados.  Em sessão  realizada em 12 de março de 2015,  a DRJ  julgou a  impugnação  procedente em parte, conforme decisão assim ementada:  CONTENCIOSO  ADMINISTRATIVO.  ILEGALIDADE  E  INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO.  Não  cabe  à  esfera  administrativa  conhecer  de  argüições  de  inconstitucionalidade  ou  ilegalidade  de  lei  ou  ato  normativo,  matéria de competência do Poder Judiciário.  NULIDADE.  Ausentes as hipóteses do art. 59 do Decreto n.º 70.235/72, não  há como prosperar a argüição de nulidade.  ICMS. INTEGRA BASE DE CÁLCULO.  O  valor  do  ICMS  integra  a  base  utilizada  para  o  cálculo  da  contribuição incidente sobre a produção rural.  DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.  O pedido de diligência desnecessária deve ser indeferido.  COMPROVAÇÃO  DE  QUE  A  EXIGÊNCIA  FISCAL  INCIDIU  SOBRE  VALORES  QUE  NÃO  COMPÕEM  A  HIPÓTESE  DE  INCIDÊNCIA. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO.  Comprovado  que  a  exigência  fiscal  incidiu  sobre  valores  lançados  na  contabilidade  sob  o  título  de  “devolução  de  mercadorias”, “exportações” e “mercadorias a entregar” e que  tais  valores  não  compõem  a  hipótese  de  incidência  tributária,  retifica­se o lançamento fiscal.  O montante exonerado não desafiou a interposição de recurso de ofício.   O  sujeito  passivo  foi  intimado da decisão  através  de  edital  eletrônico,  com  data de ciência prevista para 20/07/2015 e interpôs recurso voluntário em 11/08/2015, no qual,  em conformidade com sua impugnação, suscitou as seguintes teses recursais:  a) preliminar de nulidade do lançamento em face do erro na base de cálculo;  Fl. 3438DF CARF MF   6 b) erro na base de cálculo decorrente da falha na metodologia utilizada pela  fiscalização  para  apurar  o  tributo,  pois  o  fiscal  teria  se  limitado  a  colher  informações  contábeis,  não  se  atentando  aos  pagamentos  e  demais  declarações;  c) erro  na  base  de  cálculo  do  AI  DEBCAD  51.028.196­6,  diante  da  não  exclusão do ICMS­ST;  d) inconstitucionalidade/ilegalidade do art. 1º da Lei 10.256/01, que alterou a  redação do art. 22­A, incs. I e II, e art. 25 da Lei 8212/91;  e) não incidência do SENAR sobre a receita decorrente de exportação;  f)  exclusão da parcela destacada a  título de  ICMS das bases de cálculo das  contribuições;  g) ilegalidade  da  incidência  de  contribuição  sobre  verbas  de  natureza  indenizatória,  tais  como  terço  constitucional  de  férias,  terço  constitucional  sobre férias gozadas, aviso prévio  indenizado,  importância paga nos quinze  dias que antecedem o auxílio doença.  O julgamento do recurso foi convertido em diligência, a fim de verificar se o  sujeito passivo efetuou o parcelamento dos débitos controlados nestes autos, sobretudo diante  de informações esparsas a respeito de um provável parcelamento.   À fl. 3432, a autoridade informou não haver contas ativas de parcelamento.   Sem contrarrazões.   É o relatório.   Fl. 3439DF CARF MF Processo nº 10480.733718/2013­15  Acórdão n.º 2402­006.163  S2­C4T2  Fl. 5          7   Voto             Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci ­ Relator  1  Conhecimento  O recurso voluntário é tempestivo, mas deve ser parcialmente conhecido.  A contribuinte não tem interesse recursal na tese relativa à não incidência do  SENAR sobre a receita decorrente de exportação, uma vez que a DRJ, em conformidade com  as  informações  fiscais  colhidas  em  sede  de  diligências,  acolheu  a  impugnação  nesse  ponto.  Veja­se o seguinte trecho do voto condutor do acórdão de impugnação:  No que se refere às alegações de não incidência de contribuição  sobre  valores  encontrados  na  contabilidade  sob  o  título  de  “devolução de mercadorias”,  “exportações”  e “mercadorias  a  entregar”,  conforme  já  destacado  no  Relatório  supra,  assiste  razão  à  defendente,  devendo  o  débito  ser  retificado  conforme  manifestação da autoridade  lançadora na  informação resultado  da diligência e da qual o impugnante teve ciência.  Portanto, o recurso voluntário não tem aptidão para gerar uma decisão mais  vantajosa para a  recorrente nesse  tocante, diante do acolhimento da  tese esposada na própria  defesa administrativa.   O  interesse  recursal  reside  justamente  na  possibilidade  de  a  peça  recursal  provocar  uma  prestação  jurisdicional  concreta  mais  benéfica  ao  recorrente,  o  que  não  se  vislumbra no presente caso, conforme já demonstrado.   2  Da nulidade do lançamento  Ao  contrário  do  que  afirma  o  sujeito  passivo,  não  houve  erro  jurídico  na  determinação  das  bases  de  cálculo  dos  diversos  lançamentos,  uma  vez  que  a  autoridade  administrativa  identificou  os  fatos  geradores  das  contribuições  e  suas  respectivas  bases,  tais  como (i) a receita bruta da comercialização da produção rural auferida pela agroindústria; (ii) a  receita bruta da comercialização da produção rural auferida pelo produtor pessoa física; e (iii) a  remuneração paga, devida ou creditada a segurados empregados.   A eventual inclusão indevida de valores deve ser decotada dos lançamentos,  mas  não  implica  qualquer  nulidade, mormente  porque  não  inviabiliza  o  direito  de  defesa  da  autuada e porque seria um erro de fato, e não um erro de direito.   A conclusão poderia ser diferente se, do ponto de vista jurídico, a autoridade  administrativa  tivesse  eleito  uma  medida  de  grandeza  equivocada,  como,  por  exemplo,  ter  identificado a base de cálculo das contribuições substitutivas devidas pela agroindústria como  sendo a folha de salários.   Fl. 3440DF CARF MF   8 Como se viu,  todavia, não houve erro de direito na  identificação das bases,  mas, hipoteticamente, a inclusão de valores de forma equivocada.   Por  outro  lado,  a  ação  fiscal  foi  conduzida  por  servidor  competente,  que  concedeu  à  recorrente  os  prazos  legais  para  a  apresentação  de  documentos  e  prestação  de  esclarecimentos; as autuações foram devidamente motivadas e foi concedido ao sujeito passivo  o prazo legal para a formulação de impugnação; os lançamentos ainda contém clara descrição  do  fato  gerador  da  obrigação,  da  matéria  tributável,  do  montante  do  tributo  devido,  da  identificação do sujeito passivo e da penalidade aplicável; não houve nenhum prejuízo para os  direitos de defesa e do contraditório da recorrente, que puderam ser exercidos na forma e no  prazo legal.  Ou  seja,  a  fiscalização  transcorreu  dentro  da mais  restrita  legalidade  e  não  houve  qualquer  inobservância  ao  direito  de  defesa  da  recorrente,  rejeitando­se,  portanto,  a  preliminar de nulidade do lançamento.   3  Da utilização de metodologia equivocada   A  recorrente  afirma  existir  erro  na  base  de  cálculo  decorrente  da  falha  na  metodologia utilizada pela  fiscalização para  apurar o  tributo, pois o  fiscal  teria  se  limitado a  colher informações contábeis, não se atentando aos pagamentos e demais declarações.   No entanto, os lançamentos estão instruídos com os relatórios de apropriação  de documentos apresentados ­ RADA, que demonstram como a documentação fornecida pela  contribuinte ou apurada em procedimento fiscal foi apropriada pelo agente autuante. Entre tais  documentos, constam as guias de recolhimentos e eventuais créditos diversos, o que revela que  não foram desconsiderados os pagamentos e demais declarações.   4  Da exclusão do ICMS­ST e do ICMS  Não devem ser providas as  teses atinentes  (i) à base de cálculo equivocada,  diante da não exclusão do ICMS­ST; (ii) e à exclusão da parcela destacada a título de ICMS  das bases de cálculo das contribuições.   As notas fiscais colacionadas às folhas 2310 e seguintes não contêm valores  destacados a título de ICMS e nem mesmo a existência de ICMS­ST.   Da mesma forma, os  relatórios de  folhas 2332 e seguintes  indicam a "NÃO  INCIDÊNCIA DE ICMS".   Acrescente­se  que  a  contribuinte  não  provou  que  teria  tributado  suas  operações  com  o  citado  imposto,  em  nenhuma  das  modalidades  afirmadas,  inexistindo  qualquer prova que possa implicar o acatamento de sua tese.   5  Da inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 10256/01  A recorrente defende a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 10256/01, que  alterou a redação do art. 22­A, incs. I e II, e do art. 25, ambos da Lei 8212/91.   Quanto  ao  denominado  FUNRURAL,  a  Suprema  Corte,  sob  o  regime  dos  arts.  1036  e  seguintes  do  CPC,  declarou  ser  "constitucional  formal  e  materialmente  a  contribuição  social  do  empregador  rural  pessoa  física,  instituída  pela  Lei  10.256/2001,  Fl. 3441DF CARF MF Processo nº 10480.733718/2013­15  Acórdão n.º 2402­006.163  S2­C4T2  Fl. 6          9 incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção", conforme se  vê na ementa abaixo:  TRIBUTÁRIO. EC 20/98. NOVA REDAÇÃO AO ARTIGO 195, I  DA  CF.  POSSIBILIDADE  DE  EDIÇÃO  DE  LEI  ORDINÁRIA  PARA  INSTITUIÇÃO  DE  CONTRIBUIÇÃO  DE  EMPREGADORES  RURAIS  PESSOAS  FÍSICAS  INCIDENTE  SOBRE  A  COMERCIALIZAÇÃO  DA  PRODUÇÃO  RURAL.  CONSTITUCIONALIDADE  DA  LEI  10.256/2001.  1.A  declaração incidental de inconstitucionalidade no julgamento do  RE 596.177 aplica­se, por força do regime de repercussão geral,  a  todos  os  casos  idênticos  para  aquela  determinada  situação,  não retirando do ordenamento jurídico, entretanto, o texto legal  do  artigo  25,  que, manteve  vigência  e  eficácia  para  as  demais  hipóteses. 2.A Lei 10.256, de 9 de julho de 2001 alterou o artigo  25  da  Lei  8.212/91,  reintroduziu  o  empregador  rural  como  sujeito passivo da contribuição, com a alíquota de 2% da receita  bruta proveniente da comercialização da sua produção; espécie  da  base  de  cálculo  receita,  autorizada  pelo  novo  texto  da  EC  20/98. 3. Recurso extraordinário provido, com afirmação de tese  segundo  a  qual  É  constitucional  formal  e  materialmente  a  contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída  pela Lei 10.256/01, incidente sobre a receita bruta obtida com a  comercialização de sua produção.  (RE  718874,  Relator(a):  Min.  EDSON  FACHIN,  Relator(a)  p/  Acórdão:  Min.  ALEXANDRE  DE  MORAES,  Tribunal  Pleno,  julgado  em  30/03/2017,  PROCESSO  ELETRÔNICO  DJe­219  DIVULG  26­09­2017  PUBLIC  27­09­2017  REPUBLICAÇÃO:  DJe­225 DIVULG 02­10­2017 PUBLIC 03­10­2017)  De acordo com o art. 62, § 1º, inc. II, alínea "b", do Regimento Interno deste  Conselho  ­ RICARF,  tal  decisão  é  de observância  obrigatória  pelos membros  das  turmas  de  julgamento, negando­se, pois, provimento ao recurso nesse particular.   Quanto  à  contribuição  substitutiva  devida  pela  agroindústria,  o  Supremo  Tribunal Federal  reconheceu a  repercussão  geral  da  tese  relativa à  sua  inconstitucionalidade,  conforme se vê na ementa abaixo:  EMENTA  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  ARTIGO  22A  DA  LEI  Nº  8.212/91.  REDAÇÃO  CONFERIDA  PELA  LEI  Nº  10.256/01.  CONTRIBUIÇÃO  DEVIDA  PELA  AGROINDUSTRIA.  PRODUTOR  RURAL  PESSOA  JURÍDICA.  INDUSTRIALIZAÇÃO  DE  PRODUÇÃO  PRÓPRIA  OU  DE  PRODUÇÃO  PRÓPRIA  E  ADQUIRIDA  DE  TERCEIROS.  RECEITA  BRUTA  PROVENIENTE  DA  COMERCIALIZAÇÃO  DA  PRODUÇÃO.  EXIGIBILIDADE.  EXISTÊNCIA  DE  REPERCUSSÃO  GERAL.(RE  611601  RG,  Relator(a):  Min.  DIAS TOFFOLI, julgado em 03/06/2010, DJe­110 DIVULG 17­ 06­2010 PUBLIC 18­06­2010 EMENT VOL­02406­05 PP­01051  LEXSTF v. 32, n. 379, 2010, p. 227­236 )  Fl. 3442DF CARF MF   10 A questão ainda não foi julgada pela Suprema Corte e, inexistindo declaração  de inconstitucionalidade sob o regime da repercussão geral, é vedado aos membros do CARF  deixar de observar a lei (art. 62, caput, do RICARF).   Dito de outra  forma, o CARF não é competente para se pronunciar  sobre a  inconstitucionalidade de lei tributária. Veja­se, nesse sentido, a Súmula CARF nº 2:  Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  A  verificação  de  que  a  norma  implicaria  infringência  ao  desenho  constitucional  da  exação  tributária  exacerba  a  competência  originária  desta  Corte  administrativa,  que  é  a  de  órgão  revisor  dos  atos  praticados  pela Administração,  bem  como  invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal, também  se negando provimento quanto à tese de inconstitucionalidade do art. 22A da Lei 8212/91.   6  Da não incidência de contribuições sobre verbas indenizatórias  No  que  diz  respeito  ao  AI  DEBCAD  51.049.680­6,  o  qual  abriga  as  contribuições  retidas dos segurados empregados e não recolhidas, a recorrente sustenta a sua  não incidência sobre o terço constitucional de férias, terço constitucional sobre férias gozadas,  aviso prévio indenizado, bem como sobre a importância paga nos quinze dias que antecedem o  auxílio­doença.   O  Superior  Tribunal  de  Justiça  já  julgou  tais  teses  de  não  incidência  em  recurso especial representativo de controvérsia.   Convém  transcrever,  nesse  contexto,  a  ementa  abaixo,  de  observância  obrigatória pelo CARF, conforme preleciona o já mencionado art. 62, § 1º, inc. II, alínea "b",  do seu Regimento Interno.   PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS.  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA  A  CARGO  DA  EMPRESA.  REGIME  GERAL  DA  PREVIDÊNCIA  SOCIAL.  DISCUSSÃO A RESPEITO DA INCIDÊNCIA OU NÃO SOBRE  AS  SEGUINTES  VERBAS:  TERÇO  CONSTITUCIONAL  DE  FÉRIAS;  SALÁRIO  MATERNIDADE;  SALÁRIO  PATERNIDADE;  AVISO  PRÉVIO  INDENIZADO;  IMPORTÂNCIA PAGA NOS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM  O AUXÍLIO­DOENÇA.  [...]  1.2 Terço constitucional de férias.  No  que  se  refere  ao  adicional  de  férias  relativo  às  férias  indenizadas,  a  não  incidência  de  contribuição  previdenciária  decorre  de  expressa  previsão  legal  (art.  28,  §  9º,  "d",  da  Lei  8.212/91 ­ redação dada pela Lei 9.528/97).  Em  relação  ao  adicional  de  férias  concernente  às  férias  gozadas,  tal  importância  possui  natureza  indenizatória/compensatória, e não constitui ganho habitual do  empregado,  razão  pela  qual  sobre  ela  não  é  possível  a  incidência de contribuição previdenciária (a cargo da empresa).  A  Primeira  Seção/STJ,  no  julgamento  do  AgRg  nos  EREsp  Fl. 3443DF CARF MF Processo nº 10480.733718/2013­15  Acórdão n.º 2402­006.163  S2­C4T2  Fl. 7          11 957.719/SC (Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 16.11.2010),  ratificando  entendimento  das  Turmas  de  Direito  Público  deste  Tribunal,  adotou  a  seguinte  orientação:  "Jurisprudência  das  Turmas que compõem a Primeira Seção desta Corte consolidada  no sentido de afastar a contribuição previdenciária do terço de  férias  também  de  empregados  celetistas  contratados  por  empresas privadas".  [...]  2.2 Aviso prévio indenizado.  A despeito da atual moldura legislativa (Lei 9.528/97 e Decreto  6.727/2009), as importâncias pagas a título de indenização, que  não  correspondam  a  serviços  prestados  nem  a  tempo  à  disposição  do  empregador,  não  ensejam  a  incidência  de  contribuição previdenciária.  A CLT  estabelece  que,  em  se  tratando  de  contrato  de  trabalho  por prazo indeterminado, a parte que, sem justo motivo, quiser a  sua  rescisão,  deverá  comunicar  a  outra  a  sua  intenção  com  a  devida  antecedência.  Não  concedido  o  aviso  prévio  pelo  empregador,  nasce  para  o  empregado  o  direito  aos  salários  correspondentes  ao  prazo  do  aviso,  garantida  sempre  a  integração desse período no seu tempo de serviço (art. 487, § 1º,  da CLT). Desse modo, o pagamento decorrente da falta de aviso  prévio, isto é, o aviso prévio indenizado, visa a reparar o dano  causado  ao  trabalhador  que  não  fora  alertado  sobre  a  futura  rescisão  contratual  com  a  antecedência  mínima  estipulada  na  Constituição  Federal  (atualmente  regulamentada  pela  Lei  12.506/2011).  Dessarte,  não  há  como  se  conferir  à  referida  verba  o  caráter  remuneratório  pretendido  pela  Fazenda  Nacional,  por  não  retribuir  o  trabalho,  mas  sim  reparar  um  dano.  Ressalte­se  que,  "se  o  aviso  prévio  é  indenizado,  no  período  que  lhe  corresponderia  o  empregado  não  presta  trabalho  algum,  nem  fica  à  disposição  do  empregador.  Assim,  por  ser  ela  estranha  à  hipótese  de  incidência,  é  irrelevante  a  circunstância de não haver previsão legal de isenção em relação  a  tal  verba"  (REsp  1.221.665/PR,  1ª  Turma,  Rel.  Min.  Teori  Albino Zavascki, DJe de 23.2.2011).  A  corroborar  a  tese  sobre  a  natureza  indenizatória  do  aviso  prévio  indenizado,  destacam­se,  na  doutrina,  as  lições  de  Maurício Godinho Delgado e Amauri Mascaro Nascimento.  Precedentes:  REsp  1.198.964/PR,  2ª  Turma,  Rel.  Min.  Mauro  Campbell  Marques,  DJe  de  4.10.2010;  REsp  1.213.133/SC,  2ª  Turma,  Rel.  Min.  Castro  Meira,  DJe  de  1º.12.2010;  AgRg  no  REsp 1.205.593/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe  de 4.2.2011; AgRg no REsp 1.218.883/SC, 1ª Turma, Rel. Min.  Benedito  Gonçalves,  DJe  de  22.2.2011;  AgRg  no  REsp  1.220.119/RS,  2ª  Turma,  Rel. Min.  Cesar  Asfor  Rocha, DJe  de  29.11.2011.  2.3 Importância paga nos quinze dias que antecedem o auxílio­  doença.  Fl. 3444DF CARF MF   12 No que se refere ao segurado empregado, durante os primeiros  quinze  dias  consecutivos  ao  do  afastamento  da  atividade  por  motivo de doença, incumbe ao empregador efetuar o pagamento  do  seu  salário  integral  (art.  60,  §  3º,  da  Lei  8.213/91  com  redação  dada  pela  Lei  9.876/99). Não  obstante  nesse  período  haja  o  pagamento  efetuado  pelo  empregador,  a  importância  paga não é destinada a  retribuir o  trabalho,  sobretudo porque  no  intervalo dos quinze dias consecutivos ocorre a  interrupção  do  contrato  de  trabalho,  ou  seja,  nenhum  serviço  é  prestado  pelo  empregado. Nesse  contexto,  a  orientação das  Turmas  que  integram  a  Primeira  Seção/STJ  firmou­se  no  sentido  de  que  sobre  a  importância  paga  pelo  empregador  ao  empregado  durante os primeiros quinze dias de afastamento por motivo de  doença  não  incide  a  contribuição  previdenciária,  por  não  se  enquadrar na hipótese de incidência da exação, que exige verba  de natureza remuneratória.  Nesse sentido: AgRg no REsp 1.100.424/PR, 2ª Turma, Rel. Min.  Herman Benjamin, DJe 18.3.2010; AgRg no REsp 1074103/SP,  2ª  Turma,  Rel.  Min.  Castro  Meira,  DJe  16.4.2009;  AgRg  no  REsp 957.719/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 2.12.2009;  REsp 836.531/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ  de 17.8.2006.  [...]  Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 543­C do CPC, c/c a  Resolução 8/2008 ­ Presidência/STJ.  (REsp  1230957/RS,  Rel.  Ministro  MAURO  CAMPBELL  MARQUES,  PRIMEIRA  SEÇÃO,  julgado  em  26/02/2014,  DJe  18/03/2014)  Veja­se  que,  quanto  ao  terço  constitucional  de  férias,  o  Tribunal  Superior  entendeu  que  (i)  a  não  incidência  das  contribuições  sobre  o  adicional  relativo  às  férias  indenizadas  decorre  de  expressa  previsão  legal,  ao  passo  que  (ii)  a  não  incidência  sobre  o  adicional  relativo  às  férias  gozadas  decorre  do  fato  de  sua  natureza  indenizatória/compensatória, não constituindo, a par disso, ganho habitual.   Sobre  a  importância paga nos quinze dias que  antecedem o auxílio­doença,  entendeu­se que ela não é destinada a retribuir o  trabalho, sobretudo porque no intervalo dos  quinze dias consecutivos ocorre a interrupção do contrato de trabalho, de maneira que nenhum  serviço é prestado pelo empregado.   Com relação ao aviso prévio indenizado, ainda vale ressaltar o seguinte:   O pagamento dessa verba em favor do empregado tem amparo no § 1º do art.  487  da  CLT,  segundo  o  qual  "a  falta  do  aviso  prévio  por  parte  do  empregador  dá  ao  empregado  o  direito  aos  salários  correspondentes  ao  prazo  do  aviso,  garantida  sempre  a  integração desse período no seu tempo de serviço".   Logo,  o  pagamento  do  aviso  prévio  indenizado  não  tem  caráter  remuneratório, vez que o empregado, nessa hipótese, não presta serviço para o empregador e  nem está à sua disposição.   Não se trata de rendimento pago, devido ou creditado, destinado a retribuir o  trabalho que não está sendo prestado.   Fl. 3445DF CARF MF Processo nº 10480.733718/2013­15  Acórdão n.º 2402­006.163  S2­C4T2  Fl. 8          13 Em se tratando de contrato de trabalho por prazo indeterminado, a parte que  sem justo motivo pretender rescindi­lo, deverá comunicar a outra com a antecedência mínima  prevista na CLT e na Lei nº 12506/11.   Não  o  fazendo  o  empregador,  nasce  para  o  empregado  o  direito  ao  salário  correspondente,  independentemente  de  qualquer  prestação,  não  se  podendo  cogitar,  pois,  de  retribuição de  trabalho. Há apenas o pagamento de uma  indenização,  a qual visa a  reparar o  empregado que não fora alertado em tempo hábil.   O  inc.  I  do  art.  28  da  Lei  nº  8.212/1991  explicita  que  o  salário  de  contribuição constitui uma remuneração destinada a retribuir o trabalho.   Inexistindo o pagamento de remuneração,  inexiste o núcleo do  fato gerador  da  contribuição  em  referência,  o  que  ocorre  com  o  aviso  prévio  indenizado.  O  mesmo,  a  propósito,  pode­se  afirmar  em  relação  à  importância  paga  nos  quinze  dias  que  antecedem  o  auxílio­doença.   A redação original da alínea e do § 9º do art. 28 foi alterada para excluir a  menção do aviso prévio indenizado como não constitutivo do salário de contribuição.   Contudo,  essa  modificação  legislativa  em  nada  alterou  o  núcleo  do  fato  gerador  da  contribuição,  que  exige  a  remuneração  paga,  devida  ou  creditada,  destinada  a  retribuir  o  trabalho.  Expressando­se  de  outra  forma,  a  alteração  legislativa  não  alterou  a  natureza da citada rubrica.   Essa interpretação está em conformidade com a alínea a do inc. I do art. 195  da  CF,  segundo  a  qual  as  contribuições  sociais  incidem  sobre  a  folha  de  salários  e  demais  rendimentos do trabalho pagos ou creditados à pessoa física que lhe preste serviço.   É sabido que, ao instituir e partilhar competências tributárias, a Constituição  pré­definiu o fato gerador e o sujeito passivo dos tributos.   Como se vê, de toda forma, não se está declarando inconstitucionalidade, mas  apenas declarando a não incidência da contribuição sobre o aviso prévio indenizado, com base  no inc. I do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, não havendo qualquer ofensa à Súmula CARF nº 2.   O  REsp  nº  1230957/RS  está  suspenso  por  Recurso  Extraordinário  com  repercussão  geral  (Tema  163  ­  265),  mas  o  aviso  prévio  indenizado,  por  não  ter  caráter  remuneratório, não é salário de contribuição.   Em síntese, deve ser dado provimento ao  recurso nesse particular,  a  fim de  excluir  da  base  de  cálculo  do AI  DEBCAD  51.049.680­6  as  importâncias  pagas  a  título  de  terço constitucional de férias, terço constitucional de férias gozadas, aviso prévio indenizado e  a importância paga nos quinze dias que antecedem o auxílio­doença.           Fl. 3446DF CARF MF   14     7  Conclusão  Diante do exposto, vota­se no sentido de CONHECER PARCIALMENTE do  recurso  voluntário  para,  na  parte  conhecida,  REJEITAR  a  preliminar  de  nulidade  do  lançamento e, no mérito, DAR­LHE PARCIAL PROVIMENTO, a fim de excluir da base de  cálculo do AI DEBCAD 51.049.680­6 as importâncias pagas a título de terço constitucional de  férias, terço constitucional de férias gozadas, aviso prévio indenizado e a importância paga nos  quinze dias que antecedem o auxílio­doença.  (assinado digitalmente)  João Victor Ribeiro Aldinucci                   Fl. 3447DF CARF MF Processo nº 10480.733718/2013­15  Acórdão n.º 2402­006.163  S2­C4T2  Fl. 9          15 Declaração de Voto  Conselheiro Denny Medeiros da Silveira  Com  relação  às  chamadas  “verbas  indenizatórias”,  com  a  maxima  venia,  divirjo do Relator quanto à “observância obrigatória pelo CARF” à citada decisão judicial.  Vejamos o que dispõe o Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado  pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, Anexo II, art. 62, § 1º, inciso II, alínea “b”:  Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF  afastar  a  aplicação  ou  deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.  §  1º O disposto  no  caput  não  se  aplica  aos  casos  de  tratado,  acordo  internacional, lei ou ato normativo:  [...]  II ­ que fundamente crédito tributário objeto de:  [...]  b)  Decisão  definitiva  do  Supremo  Tribunal  Federal  ou  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  em  sede de  julgamento  realizado nos  termos dos  arts.  543­B  e  543­C  da  Lei  nº  5.869,  de  1973,  ou  dos  arts.  1.036  a  1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 ­ Código de Processo Civil, na forma  disciplinada  pela  Administração  Tributária;  (Redação  dada  pela  Portaria MF nº 152, de 2016)   (Grifo nosso)  Conforme  se  observa  na  transcrição  acima,  a  observância,  pelo  CARF,  às  decisões  proferidas  pelos Tribunais Superiores,  no  julgamento  de  recursos  repetitivos  e  com  repercussão geral, somente é obrigatória se tais decisões forem definitivas, porém, não é o que  ocorre, até o momento, em relação à decisão em comento, ou seja, o REsp 1230957/RS.  Em  consulta  ao  “site”1  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ),  constata­se,  como bem apontado pelo Relator, que a decisão prolatada no julgamento do REsp 1230957/RS  ainda  não  é  definitiva,  uma  vez  que  o  processo  se  encontra  suspenso  por  Recurso  Extraordinário, com repercussão geral, desde 6/8/15.  Sendo assim, entendemos que não cabe, nesse momento, afastar a incidência  das contribuições sobre as verbas ora discutidas, tendo por fundamento o disposto no art. 62, §  1º, inciso II, alínea “b”, do Anexo II do RICARF.  (assinado digitalmente)  Denny Medeiros da Silveira                                                              1 Disponível em: < http://www.stj.jus.br/portal/site/STJ>. Acesso em: 9/5/18.  Fl. 3448DF CARF MF

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Numero do processo: 11052.000990/2010-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1202-000.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em determinar o sobrestamento do julgamento do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente Substituto (documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Carlos Mozart Barreto Vianna, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Gilberto Baptista e Orlando Jose Gonçalves Bueno. Relatório Contra o contribuinte TOP LINE LTDA. (CNPJ 05.278.871/0001-95), foram lavrados Autos de Infração, com base na sistemática do SIMPLES, em relação aos tributos: - IRPJ (fls. 145/162) – R$ 83.514,89; - contribuição ao PIS (fls. 163/169) – R$ 60.978, 90; - CSLL (fls. 170/179) – R$ 84.588,01; - Cofins (fls. 180/189) – R$ 248.133,31 - Contribuição Social para o INSS relativa ao Simples – (fls. 190/199) – R$ 715.822,50. Referidos autos de infração foram lavrados sob argumento de omissão de receitas, sendo aplicada multa de ofício agravada no importe de 112,5% e, em relação à infração de falta de recolhimento, fora aplicada multa de 75%, sem prejuízo dos acréscimos legais pertinentes para os dois casos. Transcrevo o entendimento fiscal contido no Termo de Verificação Fiscal (fls. 140/142), reproduzido pelo relatório do acórdão recorrido da DRJ: “a) Em 22/10/2009, compareceu o Fisco no endereço de cadastro da empresa na RFB, quando foi dada ciência do início da fiscalização; b) Em 08/12/2009, foi encaminhada, via postal, ao Sr. Sylvio de Almeida Júnior, sócio majoritário da empresa a cópia do Termo de Intimação 0001, a qual não chegou ao seu destino, em face de o interessado ter o seu domicílio cadastrado no sistema da RFB com o número errado; c) Em 04/02/2010, encaminhamos, via postal, para a sócia da empresa (10% do capital social), Sra. Cátia Cilene da Costa Santos, Termo de Intimação Fiscal lavrado nesta mesma data, recebido em seu domicílio fiscal, em 06/02/2010, sem que nenhuma resposta fosse apresentada; d) Uma vez não atendida a solicitação do Termo de Início, foi entregue, em 10/12/2009, a reiteração da intimação do termo n° 0001, sendo dada ciência ao Sr. Diamantino dos Santos Neto, que informou que seu cargo na empresa era de "atendente"; e) Nesta mesma data, a Sra. Débora Albernaz de Souza entregou nesta repartição pedido de prorrogação de prazo para apresentação da documentação solicitada, sem especificar qual seria o prazo pretendido e necessário ao atendimento. Posteriormente, em 05/01/2010, reiterou o pedido de prorrogação, solicitando 30 dias, o que foi atendido; f) Em meados de março de 2010, após diversas tentativas de agendar uma reunião com o sócio majoritário na sede da empresa, não foi possível, nem mesmo com o encaminhamento dos agentes fiscais até a empresa, o contato com os sócios; g) Na semana seguinte, compareceu nesta Equipe Fiscal o sócio majoritário, informando que se encontrava adoentado e que designaria o Sr. Diamantino para tomar as providências necessárias ao atendimento das intimações, que nunca ocorreu; h) Em 04/03/2010, foi solicitado ao Registro Civil das Pessoas Jurídicas cópia dos Atos Constitutivos e Alterações da empresa; i) Em 19/05/2010, foi a empresa cientificada da inclusão do ano-calendário de 2007 na ação fiscal, reiterando, ainda, as solicitações relativas ao ano-calendário de 2006, também não havendo qualquer resposta; j) Foi emitida Requisição de Movimentação Financeira (RMF), em 07/06/2010, encaminhada ao UNIBANCO; k) Com base na mencionada movimentação financeira, foi lavrado Termo de Intimação, em 08/07/2010, do qual consta como anexo relação dos extratos bancários dos anos de 2006 e 2007, realizados na conta corrente 100320-9, agência 7088, do UNIBANCO S/A, a fim de que o interessado comprovasse a origem dos depósitos realizados naquela conta, concedendo, para tanto, o prazo de 20 dias. Também não houve atendimento; l) Em 14/09/2010, o Fisco intimou as seguintes instituições financeiras, clientes do contribuinte, a fornecer relação de notas fiscais ou documentos equivalentes, juntamente com cópias das mesmas, relativas aos serviços prestados, no decorrer, tanto do ano de 2006 quanto de 2007: • Banco BVA S/A - Anos de 2006 e 2007; • Banco Sofisa S/A - Ano de 2007; • Banco Pine S/A - Ano de 2007; m) Posteriormente, tendo em vista o atendimento incompleto por parte do Banco BVA S/A, foi este reintimado a apresentar os documentos não entregues ou a justificar os valores dos depósitos não comprovados, realizados para o contribuinte, conforme relação anexa e parte integrante do Termo de Intimação; n) Em sua resposta, datada de 05/11/2010, informou e comprovou que tais depósitos referiam-se a empréstimos tomados por servidores públicos junto ao Banco BVA S/A, conforme relação anexa e que foram depositados na conta da TOP LINE Ltda., com a finalidade de liquidar empréstimos tomados pelos mesmos servidores junto a outras instituições financeiras, conforme Termo de Liquidação de Empréstimos em Outra Instituição Financeira, também em anexo à resposta; o) Diante do exposto, e com base nos valores constantes no quadro de apuração dos valores a tributar, no qual se encontram totalizados, mensalmente, o faturamento da empresa, tomando por base valores dos depósitos bancários e onde também são lançados valores mensais declarados na Declaração Simplificada, foi apurado duas modalidades de valores a tributar: • Sujeitos à multa qualificada de 150%, acrescida do percentual de agravamento, chegando a 225%, em face do não atendimento às intimações; e • Sujeitos à multa de 75%, com o agravamento previsto também em função do não atendimento às intimações; p) Também foi lavrada a Representação Fiscal para Fins Penais, em decorrência dos ilícitos, em tese, praticados, bem como os Termos de Sujeição Passiva Solidária para os sócios Sylvio de Almeida Júnior e Cátia Cilene da Costa Santos, únicos sócios da empresa interessada.” (grifamos) Contra a decisão, a contribuinte Top Line Ltda. e Cátia Cilene da Costa Santos apresentaram Impugnação (fl. 215/224) Preliminarmente, aduz a nulidade do Auto de Infração, por sua impropriedade e pela inexistência de justa causa para a lavratura, por entender que não infringiu nenhuma norma contrária ao ordenamento jurídico pátrio. Invoca o artigo 5º da Constituição Federal, pedindo pelo direito de ampla defesa. Discorrendo sobre a exclusão da contribuinte do SIMPLES, aponta que, nos termos da Lei Complementar nº 123/2006, na opção para o sistema, a adesão deve ser realizada no mês de janeiro, sendo irretratável para todo o ano-calendário, informação complementada pela Resolução CGSN nº 38 de 1º de Setembro de 2008, possibilitadora da utilização da receita bruta total recebida a partir de 1º.01.2009 para as Micro Empresas e Empresas de Pequeno Porte. Em caso de exclusão, esta é permitida até o último dia útil do mês de janeiro do ano-calendário subseqüente ao que se excedeu a receita bruta permitida, conforme Resolução CGSN nº 04 de 2007, artigo 12, I, o que, em seu entender, é representativo da ausência de justa causa para o prosseguimento do feito. No mérito, indica que a autuação não prospera, por sua contrariedade à legislação de regência do Simples, já a opção ao sistema é irretratável, o que indica violação da estrita legalidade, da anterioridade e da igualdade em matéria tributária. Aponta que o cálculo efetuado pelo fisco carece de veracidade, por não considerar, no total do imposto a pagar, o imposto devido em virtude de serviço executado, ressaltando que sua atuação é no ramo de “financiamento de empréstimo”, pelo que “apenas recebe um percentual por funcionar como intermediador entre a Instituição Financeira e a pessoa física que requereu o empréstimo”, e que por tais motivos, a tributação imposta teria caráter de confisco, afrontando o artigo 150, IV da Constituição Federal. Sobre o tema, invoca a doutrina de Roque Antonio Carrazza, de onde entende que, no caso de escrita fiscal imprestável, atrasada ou inexistente, contra a contribuinte será lavrado auto de infração com tributação pelo lucro arbitrado, com a ressalva de que, enquanto não tornado definitivo o lançamento,deve-se regularizar as demonstrações contábeis, recolhendo o imposto corretamente. Informa que pela legislação em vigor, no caso de empresas optantes pelo Simples, nos termos da Resolução CGSN nº 38 de 2008, somente a partir de 1º.01. 2009 é que tornou-se possível a utilização do regime de caixa, apontando que o período apurado no auto de infração sob discussão é relativo ao ano de 2006, onde a sujeição era tão somente ao regime de competência. Ainda, indica que a Sra. Débora Albernaz de Souza e o Sr. Diamantino dos Santos Neto nunca fizeram parte do Contrato Social da contribuinte e que, assim, nos termos do artigo 1.174 do Código Civil, os atos por eles praticados são nulos de pleno direito. Não obstante tais fatos, impugna a tributação por entender que não lhe pode ser negado o direito de demonstrar contabilmente o lucro real ou a existência de prejuízo, que o exima do lançamento. Insurgindo-se contra os valores tributados, indica que diferentemente do que apurou o fisco, os valores a serem considerados são os constantes das notas fiscais acostadas à impugnação, reflexo dos serviços prestados. Aponta que apresentou “Declaração PJSI 2007”, relativa ao ano-calendário de 2006, com os valores de acordo com o exigido pela legislação do Simples, motivo pelo qual pugna pelo afastamento do valor de R$ 8.453.154,82, referentes a supostos depósitos bancários em contas de sua titularidade. Invocando a questão da Responsabilidade Solidária, indica que sua escrita contábil não se encontra em dia, por ter seu contador – Sr. Deolindo Gonçalves de Oliveira – descumprido a obrigação assumida perante a contribuinte, fato que a Sra. Cátia Cilene da Costa Santos só teve ciência por ocasião da intimação dos autos de infração. Disto, entende que há responsabilidade solidária para com o responsável pela escrita fiscal por ato doloso, que deveria ser demandado neste feito, nos termos do artigo 1.177 do Código Civil. Aponta que a lavratura foi feita sem menção ao nome do contador, e que este seria a única pessoa capaz de elucidar divergências entre os valores apurados e poderia prestar informações sobre os livros fiscais. Traz o artigo 128 do CTN, indicativo da atribuição de responsabilidade a terceiro, mencionando doutrina de Luiz Alberto Gurgel de Faria e José Alexandre Zapatero sobre o tema. Prossegue, apontando que são necessárias duas condições para a responsabilidade de terceiro, que a obrigação não possa mais ser cumprida pelo próprio contribuinte e que o terceiro tenha participado do ato que configure o fato gerador do tributo, ou tenha se omitido indevidamente. Nos termos do artigo 135 do CTN, entende que responsabilidade nestes moldes só é admitida quando houve atuação com excesso de poderes ou em infração à lei, ao contrato social ou aos estatutos. Destaca que a sócia minoritária, Cátia Cilene, que detém 10% do Capital Social, não poderia responder pela dívida que não deu causa. Indica ser pacífico na jurisprudência que a omissão no pagamento, por si só não acarreta a responsabilidade pessoal, trazendo o artigo 136 do CTN quanto as infrações, invocando o Princípio da Capacidade Contributiva contido no artigo 145, §1º. Salienta ainda que, quando houve a intimação da Sra. Cátia, esta havia entregue o Termo de Intimação Fiscal nº 01 ao sócio Majoritário Sr. Sylvio de Almeida Júnior, que “informou que trataria de tudo e que ela não precisaria se preocupar, porque estava tudo sobre controle”. Assim, requer prazo legal para dar regularidade à escrituração contábil e a conseqüente apuração do IRPJ e reflexos. Invoca o Princípio da Especialidade em relação às contribuições devidas ao INSS, impugnando o lançamento destas, pois entende que o sistema do Simples instituiu tratamento diferenciado aos seus optantes, motivo pelo qual, em virtude de atos praticados no ano- calendário de 2006, só poderia ser excluída em 2007, trazendo jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça que entende amparar seu entendimento. Requer o afastamento da taxa Selic como juros moratórios, invocando, inicialmente, neste sentido o artigo 37 da Constituição Federal, requerendo a aplicação do Princípio da Estrita Legalidade tributária e da Segurança Jurídica. Aponta que aludida taxa é aplicável exclusivamente às relações praticadas no âmbito do sistema financeiro nacional e que não fora criada com fins tributários, mas sim para remunerar títulos públicos e que, sua utilização é indevida e carente de amparo legal para as relações tributárias, motivos que amparam a declaração da ilegalidade de sua utilização como quer o fisco. Traz doutrina de José Alexandre Zapatero, que indica que a utilização da taxa Selic contraria às disposições do artigo 161, §1º do CTN, por este possuir natureza de Lei Complementar. Acosta ainda decisões do STJ e STF neste sentido. Assim, requer o recebimento da impugnação, com a concessão de efeito suspensivo e ao final cancelando-se o débito fiscal reclamado. Pede pelo deferimento do prazo de 6 meses para contabilização da movimentação financeira e lançamento de imposto por parte da sócia Sra. Cátia Cilene da Costa Santos ou que, em caso de indeferimento, que eventual condenação seja restrita ao percentual de participação societária desta, no caso, 10% do capital social. Por fim, pugna pelo parcelamento de débito fiscal apurado, no máximo permitido pela legislação em vigor. A 4ª Turma da DRJ/RJ1, ao julgar o feito no acórdão nº 1236.831 (fls. 334/361), entende ser o lançamento procedente. Afasta a alegação trazida pela contribuinte sobre o equívoco no preenchimento da DIPJ 2007 fora causado pelo escritório de contabilidade, devendo a esta empresa ser atribuída a responsabilidade com base no artigo 1.177 do Código Civil e no artigo 135 do CTN, eis que, na relação jurídica tributária estabelecida entre o fisco e a empresa, esta é tida como sujeito passivo da obrigação, nos termos do artigo 121 do CTN. Indica no caso concreto a inexistência de previsão legal de atribuição de responsabilidade tributária ao escritório de contabilidade, e que, ainda que houvesse algum contrato particular entre a contribuinte e o escritório que lhe prestava serviços de modo a transferir a responsabilidade tributária, tal avença seria tida como inexistente perante a Fazenda Pública, não produzindo qualquer efeitos, nos termos do artigo 123 do CTN. Nesse sentido, aponta jurisprudência do Conselho de Contribuintes (Recurso 087405 – Primeira Câmara do Conselho de Contribuintes). Afasta ainda a incidência do Código Civil à relação, eis que a discussão no presente feito é regida por regras de direito público, previstas no Direito Administrativo e Tributário. Analisando o requerimento de exclusão da responsabilidade tributária imputado à sócia da empresa – Cátia Cilene da Costa Santos, por sua qualidade de sócia minoritária e por ter o outro sócio afirmado que “cuidaria de tudo”, indica que a referida senhora, junto com o Sr. Sylvio de Almeida Junior eram sócios e responsáveis pelas obrigações assumidas pela empresa, fossem as principais ou as acessórias, conforme o artigo 135, II e III e artigo 137, I, todos do CTN. Assinala sua adesão ao entendimento de que “a responsabilidade tributária, ainda que pessoal do autor do ato praticado com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, não afasta a responsabilidade da pessoa jurídica”, citando Luiz Alberto Gurgel de Faria e trazendo também a opinião de Hugo de Brito Machado. Afirma que, ainda que haja a imputação de responsabilidade pessoal aos indicados nos incisos do artigo 135 do CTN, não se afasta a responsabilidade da contribuinte autuada pela aludida responsabilização pessoal, havendo na hipótese solidariedade e dando maior garantia do recebimento do crédito tributário. Deve-se considerar, portanto, correta a inclusão dos descritos no artigo 135 do CTN, justificando o julgador a conjugação do citado artigo com os artigos 9º e 58 da Lei nº 9.784/1999, com observância da Portaria RFB nº 2.284/2010. Prosseguindo sobre o tema, discorre sobre o que seria infração a lei, permissiva da responsabilidade. Aponta que o CTN não indica a lei a ser infringida para imputar a responsabilidade das pessoas indicadas no artigo 135, e que, em seu entender, “é indubitável que a falta de recolhimento do tributo, constitui, por si só, uma ilicitude, porquanto configura o descumprimento de um dever jurídico decorrente de diversas leis tributárias”, acostando decisões do Poder Judiciário que entende ampararem sua pretensão. Indica ainda que a aludida responsabilidade é subjetiva, e portanto, é imprescindível a demonstração de culpa a quem esta fora imputada. Acresce que a responsabilidade tributária também fora fundamentada no artigo 137, I do CTN, pela fiscalização, apontando que este dispositivo atribui a responsabilidade pessoal ao agente em caso de serem as infrações tidas como crime ou contravenções, excetuando-se destes o exercício regular da administração. Traz doutrina de Renato Lopes Becho sobre o tema. Assim, entende que é dever dos sócios saldar as obrigações inerentes a empresa, não havendo de se falar em exclusão da responsabilidade da Sra. Cátia Cilene, especialmente em razão da omissão do sócio – gerente, Sr. Sylvio, pelo que também rejeita o pedido de exclusão da responsabilidade solidária. Prossegue indicando que se deve afastar a alegação de nulidade dos atos praticados por Débora Albernaz de Souza e por Diamantino dos Santos Neto, invocada pela não participação destes no contrato social, já que a ciência dos termos de intimação tomadas por empregado do interessado é válida. Ainda, aponta que aludidas pessoas exerciam, ao menos em aparência, alguma função na empresa, eis que as intimações foram efetuadas de forma pessoal (na sede da empresa) e, ante a teoria da aparência, estes estavam autorizados a receber intimações para apresentação de documentos inerente ao prosseguimento da investigação fiscal, pelo que considera válidas as intimações efetuadas pela fiscalização. Afasta também o pleito de concessão de prazo para juntada de escrituração contábil, por entender que já houve tempo hábil para a prática de tal ato e para apresentação das justificativas para afastar a imputação fiscal e que, se fosse impossível a apresentação dos aludidos documentos na impugnação, poderia trazê-los até antes do julgamento nos termos do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Traz ainda doutrina contida no livro Nulidades no Processo Penal, de Ada Pellegrini Grinover, Antônio Scarance Fernandes e Antônio Magalhães Gomes Filho, cujos preceitos aplicam-se subsidiariamente ao Processo Administrativo Tributário. Disto, entende que na ausência de demonstração do prejuízo causado à defesa e ante a inércia do interessado, afastando alegação de cerceamento de defesa e rejeitando a preliminar de nulidade examinada. Em relação à apreciação de inconstitucionalidade, indica que esta não pode ser efetuada na esfera administrativa, por ultrapassar os limites de sua competência legal, como dispõe o Parecer Normativo CST nº 329/1970. Neste passo, indica que as Delegacias da Receita Federal de Julgamento, como órgão de jurisdição administrativa, restringem sua atuação ao exame de adequação dos atos praticados dos agentes com a lei e atos administrativos competentes, nos termos do artigo 7º da Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006, de onde entende que a autoridade administrativa cabe aplicar a legislação, sem emitir juízo de valor sobre a constitucionalidade ou outros aspectos da validade, função restrita ao Poder Judiciário. Traz jurisprudência dos Colegiados Administrativos sobre a questão, especialmente a Súmula nº 2 do Primeiro Conselho de Contribuintes. Tal situação é excepcionada pela existência de decisão em processo judicial que a interessada tenha participado ou de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, nos termos do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997, afastando assim a arguição da contribuinte. Ao analisar a questão da omissão de receitas apurada por depósitos bancários de origem não comprovada, indica que há presunção deste fato, eis que é independente da contabilização dos depósitos e da qualidade de escrituração, nos termos do artigo 42 da Lei nº 9430/1996. Aponta que o mesmo entendimento é dado pela jurisprudência administrativa, colacionando decisão. Assim, entende que referidos valores, devidamente apurados, constituem fato gerador do imposto de renda, nos termos do artigo 43 do CTN. Indica que, com a edição da Lei nº 9430/96, houve no artigo 42 a regulamentação da tributação com base em depósitos bancários. Neste caso, após regular intimação, se não houver comprovação da origem dos recursos, o fisco possui autorização para proceder ao lançamento destes valores como omissão de receitas, indicando ainda que se comprovado que aludido numerário fora proveniente de receitas de Pessoa Jurídica sem que fossem levados à conta de resultado, estes devem ser submetidos à tributação específica. Aponta que a hipótese é caso de presunção legal de omissão de receitas, onde o ônus da prova é expressamente transferido à contribuinte. Cita doutrina de José Luiz bulhões Pedreira. No caso concreto, após fiscalização e regular intimação pelo fisco, não houve comprovação por documentos hábeis e idôneos que apontassem os valores contidos na receita bruta e origem dos créditos da conta-corrente examinada, de modo a afastar a presunção legal. Citando o artigo 923 do RIR/99, indica a necessidade de comprovação das alegações por documentos hábeis. Ante a situação, de não comprovação da origem dos recursos em suas contas, entende perfeitamente cabível a autuação com base no artigo 42 da Lei nº 9430/1996. Traz jurisprudência administrativa que entende amparar suas considerações. Após a autuação, com o surgimento de nova base de cálculo, necessário o ajuste percentual ante a nova receita bruta, resultando na infração de Insuficiência de Recolhimento. Ao analisar a exclusão da interessada do Simples no ano de 2006, aponta como correto o entendimento do contribuinte, já que em 2006 não houve exclusão da interessada do Simples, mencionando que os autos de infração foram lavrados “sob a ótica simplificada, havendo a participação de receitas para cada tributo de abrangência do DARF recolhido sob código de receita 6106 (SIMPLES) faz alusão”. Indica que pela legislação pertinente ao SIMPLES (Lei nº 9317/1996), “a mudança da base de cálculo até o limite atribuído à Empresa de Pequeno Porte (EPP), possui um percentual sobre a receita bruta e sobre ele incide as participações para cada tributo/contribuição, estando entre eles a contribuição para o INSS”. Assim, entende por correta a aplicação da legislação pela fiscalização, eis que houve o ajuste das bases de cálculo relativas às infrações apuradas, utilizando para o cálculo do tributos/contribuições devidos os percentuais previstos na legislação, indicando que a exclusão do Sistema SIMPLES só deveria surtir efeitos para o ano-calendário subseqüente à ocorrência do fato gerador, no caso 2007. Em relação a aplicação da taxa SELIC, que a interessada busca afastar no presente feito, entende que quanto aos percentuais de juros devem ser utilizados como parâmetro o CTN, artigo 161, §1º, e o artigo 61 da Lei nº 9430/1996. Da conjugação de tais dispositivos, decide que débitos a favor da União, decorrentes de tributos e contribuições, de competência da SRF, sujeitam-se aos juros de mora equivalentes aos da taxa Selic (a partir de 1º de janeiro de 1997), acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% no mês de pagamento, tendo o lançamento se adstrito à legislação em vigor sobre o tema. Ainda, indica que a utilização da taxa Selic possui entendimento pacífico na jurisprudência do Conselho de Contribuintes, especialmente ante o teor do Enunciado nº 4 por ela expedido, o que leva a decisão recorrida a reconhecer como corretos os autos de infração inclusive em relação aos juros de mora. Analisa a questão da imposição da penalidade agravada e qualificada, invocando de início, o teor do artigo 44, inciso I, §1º e 2º, da Lei n° 9.430/1996 e a justificativa da duplicação de percentual, conforme disposição dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. Indica que foram emitidas diversas intimações para a empresa e seus sócios, que, em resposta tentaram desqualificar o trabalho fiscal, o que para o julgador só reforça o escopo de obstruir a atuação do fisco. Entende que, quanto à infração de omissão de receitas, “a tentativa por parte dos sócios da empresa de impedir o Fisco de concluir o seu trabalho, em face da ausência de respostas às intimações, bem como das mudanças de endereço da empresa e do sócio majoritário e da tentativa de desqualificação dos funcionários quando do recebimento das intimações, somando-se a isso o fato de que as discrepâncias entre os valores declarados na DIPJ e àqueles constantes nos extratos bancários da conta corrente da empresa interessada, leva à manutenção da qualificação da multa bem como do seu agravamento, devendo ser mantido o percentual de 225% para estes casos, conforme o disposto nos autos de infração.” O Recurso Voluntário da Sra. Cátia Cilene da Costa Santos contra à decisão foi apresentado em 07.08.12. Invocando a Responsabilidade Solidária dos Sócios contida no artigo 135, III do CTN, destaca de início, que ao determinar a responsabilidade ao responsável tributário, seria caracterizadora de despersonalização da pessoa jurídica, nas hipóteses ali listadas, sem as quais, não haveria de se falar em desconsideração da personalidade jurídica. Informa que passou a integrar a empresa autuada como sócia minoritária (com averbação na matricula em 5.10.2006), sendo que o outro sócio, Sylvio de Almeida Júnior, ocupava o cargo de “Presidente e sócio majoritário” responsável por responder pela sociedade ativa e passivamente, em “juízo ou fora dela”. Indica que os administradores, independente da sua responsabilidade pela integralização do capital social se forem sócios, somente respondem por obrigações tributárias contraídas no período de sua gestão, nos termos do artigo 128 do CTN. Destaca neste ponto, que, embora fizesse parte do grupo societário à época dos fatos geradores aqui discutidos, não há provas de que tenha participado dos atos de gerência, tampouco agindo com o excesso de poder ou infração à lei ou ao estatuto, não havendo o que contestar quanto a cobrança de débitos ocorridos em período anterior a sua entrada na empresa. Informa ainda que nunca praticou ou exerceu ato de administração na empresa, justificando tal fato com informações trazidas com a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – ano-calendário 2007, onde aparece como responsável e representante o Sr. Sylvio de Almeida Junior, igualmente indicado com 90% dos rendimentos dos sócios, tendo a recorrente apenas 10% do capital social. Aponta que toda a ação fiscal se deu com conhecimento e participação direta do Sr. Sylvio, e feito à revelia da recorrente. Traz também a informação contida em fls. 31-103 (laudo do Banco Unibanco), onde os representantes são Sr. Jorge dos Santos e o Sr. Sylvio. Ante tais fatos, é claro que a efetiva gerência e administração do negócio eram de responsabilidade do sócio majoritário, configurando seu CPF como o de responsável pela empresa Top Line Ltda. Por conta disto, entende a recorrente que não se deve imputar responsabilidade a ela, que detém somente o poder de direito, mas não de fato, por não possuir autonomia para exercer gerência na sociedade devedora, especialmente porque não há quaisquer indícios de que teria incorrido nas hipóteses previstas no artigo 135, III, do CTN. Destaca que, ante o caso concreto, que só é possível a inclusão no pólo passivo da ação fiscal acionista com poder de controle da empresa. Traz jurisprudência do STJ, informativa da necessidade de configuração de atos praticados com excesso de poderes, infração à lei, contrato social ou estatuto para inclusão de sócio nos débitos. Prossegue, informando quanto à dissolução irregular da sociedade, que conforme entendimentos jurisprudenciais, a responsabilidade só pode ser atribuída ao administrador que exerce de fato poderes de gerência na sociedade e, não havendo condutas ao arrepio da lei, não há de se falar em responsabilização pessoal dos dirigentes. Ainda, indica que, em caso de desconsideração da personalidade jurídica, esta deve ser feita em função do poder de controle societário, devendo recair sobre tais membros esta responsabilização, que não pode ser imposta devido somente à condição de cotista. Diz também que a mera qualidade de administrador também não é suficiente, sendo necessário que este atue com poder de gerência e que conduza a sociedade a atos infringentes de lei, contrato social ou estatutos. Traz doutrina de Bernardo Ribeiro Moraes. Pugna pela ocorrência de cerceamento de defesa, aduzindo, de início, que para a efetivação plena da defesa e do contraditório, o auto de infração deve ser lógico, objetivo, preciso e explícito, devendo capitular corretamente os dispositivos tidos como infringidos. Assim, em face da total ausência de participação da recorrente nos negócios da empresa, “esta se viu com seus direitos cerceados devido à falta de informação sobre os acontecimentos que geraram a lavratura do auto de infração...”. Invoca o artigo 5º, LIV e LV da Constituição Brasileira e lições de Magalhães Noronha. Aduz que é inconcebível sua inclusão no pÓlo passivo, porque sempre zelou por suas obrigações fiscais, e que os atos praticados contra ela encontram-se eivados de vícios e com cerceamento à sua defesa e que nada deve ao fisco. Invoca exagero na penalidade aplicada, eis que o Fisco teria aplicado multa agravada de 225%, apenas baseando-se em presunções quanto ao aludido “evidente intuito de fraude”, sem que houvesse esta comprovação, especialmente em relação às ações da requerente, informando que, em casos onde ocorre fraude, o dolo deve ser comprovado de maneira inquestionável, o que não ocorreu no caso presente. Indica que é função das autoridades fiscais zelar pela primazia da lei, devendo manter estreita relação com os fatos que efetivamente ocorreram. Disto, indica que nada do que fora relatado no Auto de Infração aponta para conduta dolosa ou intuito de fraude, sem que ainda haja prova documental que justificasse a aplicação da multa qualificada, imposta em valor exorbitante. Traz jurisprudência administrativa, que demonstra a necessidade de perquirir, na situação concreta, a ocorrência de dolo ou culpa do agente. Ressalta, quanto ao valor da penalidade, a necessidade de respeito de proporcionalidade entre o dano e o ressarcimento, conforme magistério de Sacha Calmon Navarro. Pelo exposto, pugna pela nulidade dos autos, pela ocorrência de vícios insanáveis, especialmente quanto à prova das alegações, pela imposição de multa agravada indevidamente aplicada e pela arbitrária inclusão da recorrente no pólo passivo. Traz jurisprudência administrativa sobre o tema, sem citar fontes. Aponta que o lançamento, por ser ato administrativo, pode ser nulo ou anulável, mas não revogado, como reza o entendimento Supremo Tribunal Federal, contido na Súmula nº 473. Informa que o ato será nulo na ocorrência de vício profundo que comprometa o ato administrativo, com efeitos ex-tunc. Explana também sobre o ato anulável e as razoes de sua anulabilidade, para por fim, entender por inconcebível a cobrança efetuada pelo auto de infração discutido. Ainda, aduz que o débito fiscal aqui discutido afronta a razoabilidade e a proporcionalidade, motivo pelo qual não merece prosperar. Busca o provimento do recurso para que seja acatada a integralidade da impugnação e a exclusão da recorrente Cátia Cilene da Costa do pólo passivo do processo, por não ser qualificada como responsável tributária, nos termo do artigo 135, III do CTN. É o relatório. VOTO Como já relatado, o presente processo trata de lançamento fiscal para exigência dos tributos sujeitos à sistemática do SIMPLES, face a ocorrência da presunção de omissão de receitas (artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996) ao ser constatado, pela fiscalização, a existência de movimentação financeira bancária, em nome da empresa, sem comprovação da origem. Como consta do Termo de Verificação Fiscal, fls 231, ao Unibanco S/A foi solicitado apresentar os extratos com a movimentação financeira bancária mediante a emissão, pela autoridade fiscal, de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira-RMF, nos termos do artigo 6° da Lei Complementar n° 105, de 2001, regulamentado pelo Decreto n° 3.724, de 2001. A recorrente não se manifestou acerca da matéria relativa à licitude da obtenção dos extratos bancários que serviram de base para a apuração da presunção de omissão de receitas. Todavia, em que pese existir autorização legal para a requisição desses extratos bancários diretamente às instituições financeiras, discute-se atualmente no Supremo Tribunal Federal-STF a constitucionalidade da quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, matéria examinada em sede do Recurso Extraordinário-RE 601314, o qual teve sua “repercussão geral” reconhecida em 23/10/2009. Pela consulta efetuada no sítio do STF na internet, revela que o processo ainda aguarda julgamento do mérito assim registrado: RE 601314 RG / SP - SÃO PAULO REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI Julgamento: 22/10/2009 Publicação DJe-218 DIVULG 19-11-2009 PUBLIC 20-11-2009 EMENT VOL-02383-07 PP-01422 EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Cármen Lúcia e Cezar Peluso. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI Relator (destaquei) Como se trata de matéria com repercussão geral reconhecida, parece ser razoável, e prudente, aguardar a decisão da E. Suprema Corte acerca da constitucionalidade dos meios de prova obtidos no presente processo (extratos bancários), evitando-se, assim, a anulação do lançamento por vício na obtenção das provas. O Regimento Interno do STF- RISTF, em seu art. 328, abaixo reproduzido, determina que todos os demais recursos extraordinários, com questão idêntica, sejam sobrestados, até que o Supremo Tribunal Federal decida os que tenham sido selecionados como representativos da causa: Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzir-se em múltiplos feitos, a Presidência do Tribunal ou o(a) Relator(a), de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543-B do Código de Processo Civil, podendo pedir-lhes informações, que deverão ser prestadas em cinco dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a Presidência do Tribunal ou o(a) Relator(a) selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543-B do Código de Processo Civil. Art. 328-A. Nos casos previstos no art. 543-B, caput, do Código de Processo Civil, o Tribunal de origem não emitirá juízo de admissibilidade sobre os recursos extraordinários já sobrestados, nem sobre os que venham a ser interpostos, até que o Supremo Tribunal Federal decida os que tenham sido selecionados nos termos do § 1º daquele artigo. (destaque meus) Da leitura acima, percebe-se que a própria Corte Superior determina o sobrestamento dos processos judiciais em trâmite na esfera daquele poder até decisão final, pelo Supremo Tribunal Federal, da matéria com repercussão geral. Isso decorre em razão do atendimento aos princípios da eficiência e da economia processual com o objetivo de melhor atender ao interesse público. Assim, por uma questão de economia processual, tendo como objetivo afastar possíveis prejuízos para todas as partes, Fazenda, Contribuinte e a movimentação de toda a máquina do próprio Poder Judiciário, caso ocorra a impetração de alguma ação judicial a respeito da exigência aqui discutida, tem-se como mais do que razoável, e prudente, aguardar a decisão do E. Supremo Tribunal Federal acerca da “licitude da obtenção dos extratos bancários”, evitando-se possível anulação do processo por vício na obtenção das provas. Com efeito, o artigo 62-A, §1º do RICARF (Portaria MF nº 256, de 22 de Junho de 2009 e alterações), estabelece o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria: Art. 62-A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543-B. {2} Já a Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, no seu art. 2º, § 2o, inciso I, prevê a hipótese de que o sobrestamento seja apreciado durante a sessão de julgamento: Art. 2o. Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsuma-se, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1o. § 1o. No caso da identificação se verificar antes da sessão de julgamento do processo: I- o conselheiro relator deverá elaborar requerimento fundamentado ao Presidente da respectiva Turma, sugerindo o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; II- o Presidente da Turma, com base na competência de que trata o art. 17, caput e inciso VII, do Anexo II do RICARF, determinará, por despacho: a)o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; ou b)o julgamento do recurso na situação em que o processo se encontra. § 2o. Sendo suscitada a hipótese de sobrestamento durante a sessão de julgamento do processo, o incidente deverá ser julgado pela Turma, que poderá: I- decidir pelo sobrestamento do processo do julgamento do recurso, mediante resolução; ou II- recusar o sobrestamento e realizar o julgamento do recurso. § 3o. Na ocorrência de sobrestamento, nos termos dos §§ 1o e 2o, as respectivas Secretarias de Câmara deverão receber os processos e mantê-los em caixa específica, movimentando-os para a atividade SOBRESTADO. (grifei) Por tratar-se de matéria a ser apreciada pelo E. Supremo Tribunal Federal no rito da Repercussão Geral (licitude da obtenção dos extratos bancários), o próprio RICARF recomenda o sobrestamento do processo (art. 62-A, § 1º do RICARF), sendo que essa hipótese poderá ser apreciada durante a sessão de julgamento Turma de julgamento, nos termos do art. 2º, § 2o, inciso I, da Portaria CARF nº 001, de 2012. Em vista do exposto, proponho que seja determinado o sobrestamento do julgamento do recurso voluntário, até que seja proferida decisão nos autos do Recurso Extraordinário-RE 601314, em trâmite perante o E. Supremo Tribunal Federal. (documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta, relatora
Nome do relator: Não se aplica

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em determinar o sobrestamento do julgamento do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente Substituto (documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Carlos Mozart Barreto Vianna, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Gilberto Baptista e Orlando Jose Gonçalves Bueno. Relatório Contra o contribuinte TOP LINE LTDA. (CNPJ 05.278.871/0001-95), foram lavrados Autos de Infração, com base na sistemática do SIMPLES, em relação aos tributos: - IRPJ (fls. 145/162) – R$ 83.514,89; - contribuição ao PIS (fls. 163/169) – R$ 60.978, 90; - CSLL (fls. 170/179) – R$ 84.588,01; - Cofins (fls. 180/189) – R$ 248.133,31 - Contribuição Social para o INSS relativa ao Simples – (fls. 190/199) – R$ 715.822,50. Referidos autos de infração foram lavrados sob argumento de omissão de receitas, sendo aplicada multa de ofício agravada no importe de 112,5% e, em relação à infração de falta de recolhimento, fora aplicada multa de 75%, sem prejuízo dos acréscimos legais pertinentes para os dois casos. Transcrevo o entendimento fiscal contido no Termo de Verificação Fiscal (fls. 140/142), reproduzido pelo relatório do acórdão recorrido da DRJ: “a) Em 22/10/2009, compareceu o Fisco no endereço de cadastro da empresa na RFB, quando foi dada ciência do início da fiscalização; b) Em 08/12/2009, foi encaminhada, via postal, ao Sr. Sylvio de Almeida Júnior, sócio majoritário da empresa a cópia do Termo de Intimação 0001, a qual não chegou ao seu destino, em face de o interessado ter o seu domicílio cadastrado no sistema da RFB com o número errado; c) Em 04/02/2010, encaminhamos, via postal, para a sócia da empresa (10% do capital social), Sra. Cátia Cilene da Costa Santos, Termo de Intimação Fiscal lavrado nesta mesma data, recebido em seu domicílio fiscal, em 06/02/2010, sem que nenhuma resposta fosse apresentada; d) Uma vez não atendida a solicitação do Termo de Início, foi entregue, em 10/12/2009, a reiteração da intimação do termo n° 0001, sendo dada ciência ao Sr. Diamantino dos Santos Neto, que informou que seu cargo na empresa era de "atendente"; e) Nesta mesma data, a Sra. Débora Albernaz de Souza entregou nesta repartição pedido de prorrogação de prazo para apresentação da documentação solicitada, sem especificar qual seria o prazo pretendido e necessário ao atendimento. Posteriormente, em 05/01/2010, reiterou o pedido de prorrogação, solicitando 30 dias, o que foi atendido; f) Em meados de março de 2010, após diversas tentativas de agendar uma reunião com o sócio majoritário na sede da empresa, não foi possível, nem mesmo com o encaminhamento dos agentes fiscais até a empresa, o contato com os sócios; g) Na semana seguinte, compareceu nesta Equipe Fiscal o sócio majoritário, informando que se encontrava adoentado e que designaria o Sr. Diamantino para tomar as providências necessárias ao atendimento das intimações, que nunca ocorreu; h) Em 04/03/2010, foi solicitado ao Registro Civil das Pessoas Jurídicas cópia dos Atos Constitutivos e Alterações da empresa; i) Em 19/05/2010, foi a empresa cientificada da inclusão do ano-calendário de 2007 na ação fiscal, reiterando, ainda, as solicitações relativas ao ano-calendário de 2006, também não havendo qualquer resposta; j) Foi emitida Requisição de Movimentação Financeira (RMF), em 07/06/2010, encaminhada ao UNIBANCO; k) Com base na mencionada movimentação financeira, foi lavrado Termo de Intimação, em 08/07/2010, do qual consta como anexo relação dos extratos bancários dos anos de 2006 e 2007, realizados na conta corrente 100320-9, agência 7088, do UNIBANCO S/A, a fim de que o interessado comprovasse a origem dos depósitos realizados naquela conta, concedendo, para tanto, o prazo de 20 dias. Também não houve atendimento; l) Em 14/09/2010, o Fisco intimou as seguintes instituições financeiras, clientes do contribuinte, a fornecer relação de notas fiscais ou documentos equivalentes, juntamente com cópias das mesmas, relativas aos serviços prestados, no decorrer, tanto do ano de 2006 quanto de 2007: • Banco BVA S/A - Anos de 2006 e 2007; • Banco Sofisa S/A - Ano de 2007; • Banco Pine S/A - Ano de 2007; m) Posteriormente, tendo em vista o atendimento incompleto por parte do Banco BVA S/A, foi este reintimado a apresentar os documentos não entregues ou a justificar os valores dos depósitos não comprovados, realizados para o contribuinte, conforme relação anexa e parte integrante do Termo de Intimação; n) Em sua resposta, datada de 05/11/2010, informou e comprovou que tais depósitos referiam-se a empréstimos tomados por servidores públicos junto ao Banco BVA S/A, conforme relação anexa e que foram depositados na conta da TOP LINE Ltda., com a finalidade de liquidar empréstimos tomados pelos mesmos servidores junto a outras instituições financeiras, conforme Termo de Liquidação de Empréstimos em Outra Instituição Financeira, também em anexo à resposta; o) Diante do exposto, e com base nos valores constantes no quadro de apuração dos valores a tributar, no qual se encontram totalizados, mensalmente, o faturamento da empresa, tomando por base valores dos depósitos bancários e onde também são lançados valores mensais declarados na Declaração Simplificada, foi apurado duas modalidades de valores a tributar: • Sujeitos à multa qualificada de 150%, acrescida do percentual de agravamento, chegando a 225%, em face do não atendimento às intimações; e • Sujeitos à multa de 75%, com o agravamento previsto também em função do não atendimento às intimações; p) Também foi lavrada a Representação Fiscal para Fins Penais, em decorrência dos ilícitos, em tese, praticados, bem como os Termos de Sujeição Passiva Solidária para os sócios Sylvio de Almeida Júnior e Cátia Cilene da Costa Santos, únicos sócios da empresa interessada.” (grifamos) Contra a decisão, a contribuinte Top Line Ltda. e Cátia Cilene da Costa Santos apresentaram Impugnação (fl. 215/224) Preliminarmente, aduz a nulidade do Auto de Infração, por sua impropriedade e pela inexistência de justa causa para a lavratura, por entender que não infringiu nenhuma norma contrária ao ordenamento jurídico pátrio. Invoca o artigo 5º da Constituição Federal, pedindo pelo direito de ampla defesa. Discorrendo sobre a exclusão da contribuinte do SIMPLES, aponta que, nos termos da Lei Complementar nº 123/2006, na opção para o sistema, a adesão deve ser realizada no mês de janeiro, sendo irretratável para todo o ano-calendário, informação complementada pela Resolução CGSN nº 38 de 1º de Setembro de 2008, possibilitadora da utilização da receita bruta total recebida a partir de 1º.01.2009 para as Micro Empresas e Empresas de Pequeno Porte. Em caso de exclusão, esta é permitida até o último dia útil do mês de janeiro do ano-calendário subseqüente ao que se excedeu a receita bruta permitida, conforme Resolução CGSN nº 04 de 2007, artigo 12, I, o que, em seu entender, é representativo da ausência de justa causa para o prosseguimento do feito. No mérito, indica que a autuação não prospera, por sua contrariedade à legislação de regência do Simples, já a opção ao sistema é irretratável, o que indica violação da estrita legalidade, da anterioridade e da igualdade em matéria tributária. Aponta que o cálculo efetuado pelo fisco carece de veracidade, por não considerar, no total do imposto a pagar, o imposto devido em virtude de serviço executado, ressaltando que sua atuação é no ramo de “financiamento de empréstimo”, pelo que “apenas recebe um percentual por funcionar como intermediador entre a Instituição Financeira e a pessoa física que requereu o empréstimo”, e que por tais motivos, a tributação imposta teria caráter de confisco, afrontando o artigo 150, IV da Constituição Federal. Sobre o tema, invoca a doutrina de Roque Antonio Carrazza, de onde entende que, no caso de escrita fiscal imprestável, atrasada ou inexistente, contra a contribuinte será lavrado auto de infração com tributação pelo lucro arbitrado, com a ressalva de que, enquanto não tornado definitivo o lançamento,deve-se regularizar as demonstrações contábeis, recolhendo o imposto corretamente. Informa que pela legislação em vigor, no caso de empresas optantes pelo Simples, nos termos da Resolução CGSN nº 38 de 2008, somente a partir de 1º.01. 2009 é que tornou-se possível a utilização do regime de caixa, apontando que o período apurado no auto de infração sob discussão é relativo ao ano de 2006, onde a sujeição era tão somente ao regime de competência. Ainda, indica que a Sra. Débora Albernaz de Souza e o Sr. Diamantino dos Santos Neto nunca fizeram parte do Contrato Social da contribuinte e que, assim, nos termos do artigo 1.174 do Código Civil, os atos por eles praticados são nulos de pleno direito. Não obstante tais fatos, impugna a tributação por entender que não lhe pode ser negado o direito de demonstrar contabilmente o lucro real ou a existência de prejuízo, que o exima do lançamento. Insurgindo-se contra os valores tributados, indica que diferentemente do que apurou o fisco, os valores a serem considerados são os constantes das notas fiscais acostadas à impugnação, reflexo dos serviços prestados. Aponta que apresentou “Declaração PJSI 2007”, relativa ao ano-calendário de 2006, com os valores de acordo com o exigido pela legislação do Simples, motivo pelo qual pugna pelo afastamento do valor de R$ 8.453.154,82, referentes a supostos depósitos bancários em contas de sua titularidade. Invocando a questão da Responsabilidade Solidária, indica que sua escrita contábil não se encontra em dia, por ter seu contador – Sr. Deolindo Gonçalves de Oliveira – descumprido a obrigação assumida perante a contribuinte, fato que a Sra. Cátia Cilene da Costa Santos só teve ciência por ocasião da intimação dos autos de infração. Disto, entende que há responsabilidade solidária para com o responsável pela escrita fiscal por ato doloso, que deveria ser demandado neste feito, nos termos do artigo 1.177 do Código Civil. Aponta que a lavratura foi feita sem menção ao nome do contador, e que este seria a única pessoa capaz de elucidar divergências entre os valores apurados e poderia prestar informações sobre os livros fiscais. Traz o artigo 128 do CTN, indicativo da atribuição de responsabilidade a terceiro, mencionando doutrina de Luiz Alberto Gurgel de Faria e José Alexandre Zapatero sobre o tema. Prossegue, apontando que são necessárias duas condições para a responsabilidade de terceiro, que a obrigação não possa mais ser cumprida pelo próprio contribuinte e que o terceiro tenha participado do ato que configure o fato gerador do tributo, ou tenha se omitido indevidamente. Nos termos do artigo 135 do CTN, entende que responsabilidade nestes moldes só é admitida quando houve atuação com excesso de poderes ou em infração à lei, ao contrato social ou aos estatutos. Destaca que a sócia minoritária, Cátia Cilene, que detém 10% do Capital Social, não poderia responder pela dívida que não deu causa. Indica ser pacífico na jurisprudência que a omissão no pagamento, por si só não acarreta a responsabilidade pessoal, trazendo o artigo 136 do CTN quanto as infrações, invocando o Princípio da Capacidade Contributiva contido no artigo 145, §1º. Salienta ainda que, quando houve a intimação da Sra. Cátia, esta havia entregue o Termo de Intimação Fiscal nº 01 ao sócio Majoritário Sr. Sylvio de Almeida Júnior, que “informou que trataria de tudo e que ela não precisaria se preocupar, porque estava tudo sobre controle”. Assim, requer prazo legal para dar regularidade à escrituração contábil e a conseqüente apuração do IRPJ e reflexos. Invoca o Princípio da Especialidade em relação às contribuições devidas ao INSS, impugnando o lançamento destas, pois entende que o sistema do Simples instituiu tratamento diferenciado aos seus optantes, motivo pelo qual, em virtude de atos praticados no ano- calendário de 2006, só poderia ser excluída em 2007, trazendo jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça que entende amparar seu entendimento. Requer o afastamento da taxa Selic como juros moratórios, invocando, inicialmente, neste sentido o artigo 37 da Constituição Federal, requerendo a aplicação do Princípio da Estrita Legalidade tributária e da Segurança Jurídica. Aponta que aludida taxa é aplicável exclusivamente às relações praticadas no âmbito do sistema financeiro nacional e que não fora criada com fins tributários, mas sim para remunerar títulos públicos e que, sua utilização é indevida e carente de amparo legal para as relações tributárias, motivos que amparam a declaração da ilegalidade de sua utilização como quer o fisco. Traz doutrina de José Alexandre Zapatero, que indica que a utilização da taxa Selic contraria às disposições do artigo 161, §1º do CTN, por este possuir natureza de Lei Complementar. Acosta ainda decisões do STJ e STF neste sentido. Assim, requer o recebimento da impugnação, com a concessão de efeito suspensivo e ao final cancelando-se o débito fiscal reclamado. Pede pelo deferimento do prazo de 6 meses para contabilização da movimentação financeira e lançamento de imposto por parte da sócia Sra. Cátia Cilene da Costa Santos ou que, em caso de indeferimento, que eventual condenação seja restrita ao percentual de participação societária desta, no caso, 10% do capital social. Por fim, pugna pelo parcelamento de débito fiscal apurado, no máximo permitido pela legislação em vigor. A 4ª Turma da DRJ/RJ1, ao julgar o feito no acórdão nº 1236.831 (fls. 334/361), entende ser o lançamento procedente. Afasta a alegação trazida pela contribuinte sobre o equívoco no preenchimento da DIPJ 2007 fora causado pelo escritório de contabilidade, devendo a esta empresa ser atribuída a responsabilidade com base no artigo 1.177 do Código Civil e no artigo 135 do CTN, eis que, na relação jurídica tributária estabelecida entre o fisco e a empresa, esta é tida como sujeito passivo da obrigação, nos termos do artigo 121 do CTN. Indica no caso concreto a inexistência de previsão legal de atribuição de responsabilidade tributária ao escritório de contabilidade, e que, ainda que houvesse algum contrato particular entre a contribuinte e o escritório que lhe prestava serviços de modo a transferir a responsabilidade tributária, tal avença seria tida como inexistente perante a Fazenda Pública, não produzindo qualquer efeitos, nos termos do artigo 123 do CTN. Nesse sentido, aponta jurisprudência do Conselho de Contribuintes (Recurso 087405 – Primeira Câmara do Conselho de Contribuintes). Afasta ainda a incidência do Código Civil à relação, eis que a discussão no presente feito é regida por regras de direito público, previstas no Direito Administrativo e Tributário. Analisando o requerimento de exclusão da responsabilidade tributária imputado à sócia da empresa – Cátia Cilene da Costa Santos, por sua qualidade de sócia minoritária e por ter o outro sócio afirmado que “cuidaria de tudo”, indica que a referida senhora, junto com o Sr. Sylvio de Almeida Junior eram sócios e responsáveis pelas obrigações assumidas pela empresa, fossem as principais ou as acessórias, conforme o artigo 135, II e III e artigo 137, I, todos do CTN. Assinala sua adesão ao entendimento de que “a responsabilidade tributária, ainda que pessoal do autor do ato praticado com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, não afasta a responsabilidade da pessoa jurídica”, citando Luiz Alberto Gurgel de Faria e trazendo também a opinião de Hugo de Brito Machado. Afirma que, ainda que haja a imputação de responsabilidade pessoal aos indicados nos incisos do artigo 135 do CTN, não se afasta a responsabilidade da contribuinte autuada pela aludida responsabilização pessoal, havendo na hipótese solidariedade e dando maior garantia do recebimento do crédito tributário. Deve-se considerar, portanto, correta a inclusão dos descritos no artigo 135 do CTN, justificando o julgador a conjugação do citado artigo com os artigos 9º e 58 da Lei nº 9.784/1999, com observância da Portaria RFB nº 2.284/2010. Prosseguindo sobre o tema, discorre sobre o que seria infração a lei, permissiva da responsabilidade. Aponta que o CTN não indica a lei a ser infringida para imputar a responsabilidade das pessoas indicadas no artigo 135, e que, em seu entender, “é indubitável que a falta de recolhimento do tributo, constitui, por si só, uma ilicitude, porquanto configura o descumprimento de um dever jurídico decorrente de diversas leis tributárias”, acostando decisões do Poder Judiciário que entende ampararem sua pretensão. Indica ainda que a aludida responsabilidade é subjetiva, e portanto, é imprescindível a demonstração de culpa a quem esta fora imputada. Acresce que a responsabilidade tributária também fora fundamentada no artigo 137, I do CTN, pela fiscalização, apontando que este dispositivo atribui a responsabilidade pessoal ao agente em caso de serem as infrações tidas como crime ou contravenções, excetuando-se destes o exercício regular da administração. Traz doutrina de Renato Lopes Becho sobre o tema. Assim, entende que é dever dos sócios saldar as obrigações inerentes a empresa, não havendo de se falar em exclusão da responsabilidade da Sra. Cátia Cilene, especialmente em razão da omissão do sócio – gerente, Sr. Sylvio, pelo que também rejeita o pedido de exclusão da responsabilidade solidária. Prossegue indicando que se deve afastar a alegação de nulidade dos atos praticados por Débora Albernaz de Souza e por Diamantino dos Santos Neto, invocada pela não participação destes no contrato social, já que a ciência dos termos de intimação tomadas por empregado do interessado é válida. Ainda, aponta que aludidas pessoas exerciam, ao menos em aparência, alguma função na empresa, eis que as intimações foram efetuadas de forma pessoal (na sede da empresa) e, ante a teoria da aparência, estes estavam autorizados a receber intimações para apresentação de documentos inerente ao prosseguimento da investigação fiscal, pelo que considera válidas as intimações efetuadas pela fiscalização. Afasta também o pleito de concessão de prazo para juntada de escrituração contábil, por entender que já houve tempo hábil para a prática de tal ato e para apresentação das justificativas para afastar a imputação fiscal e que, se fosse impossível a apresentação dos aludidos documentos na impugnação, poderia trazê-los até antes do julgamento nos termos do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Traz ainda doutrina contida no livro Nulidades no Processo Penal, de Ada Pellegrini Grinover, Antônio Scarance Fernandes e Antônio Magalhães Gomes Filho, cujos preceitos aplicam-se subsidiariamente ao Processo Administrativo Tributário. Disto, entende que na ausência de demonstração do prejuízo causado à defesa e ante a inércia do interessado, afastando alegação de cerceamento de defesa e rejeitando a preliminar de nulidade examinada. Em relação à apreciação de inconstitucionalidade, indica que esta não pode ser efetuada na esfera administrativa, por ultrapassar os limites de sua competência legal, como dispõe o Parecer Normativo CST nº 329/1970. Neste passo, indica que as Delegacias da Receita Federal de Julgamento, como órgão de jurisdição administrativa, restringem sua atuação ao exame de adequação dos atos praticados dos agentes com a lei e atos administrativos competentes, nos termos do artigo 7º da Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006, de onde entende que a autoridade administrativa cabe aplicar a legislação, sem emitir juízo de valor sobre a constitucionalidade ou outros aspectos da validade, função restrita ao Poder Judiciário. Traz jurisprudência dos Colegiados Administrativos sobre a questão, especialmente a Súmula nº 2 do Primeiro Conselho de Contribuintes. Tal situação é excepcionada pela existência de decisão em processo judicial que a interessada tenha participado ou de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, nos termos do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997, afastando assim a arguição da contribuinte. Ao analisar a questão da omissão de receitas apurada por depósitos bancários de origem não comprovada, indica que há presunção deste fato, eis que é independente da contabilização dos depósitos e da qualidade de escrituração, nos termos do artigo 42 da Lei nº 9430/1996. Aponta que o mesmo entendimento é dado pela jurisprudência administrativa, colacionando decisão. Assim, entende que referidos valores, devidamente apurados, constituem fato gerador do imposto de renda, nos termos do artigo 43 do CTN. Indica que, com a edição da Lei nº 9430/96, houve no artigo 42 a regulamentação da tributação com base em depósitos bancários. Neste caso, após regular intimação, se não houver comprovação da origem dos recursos, o fisco possui autorização para proceder ao lançamento destes valores como omissão de receitas, indicando ainda que se comprovado que aludido numerário fora proveniente de receitas de Pessoa Jurídica sem que fossem levados à conta de resultado, estes devem ser submetidos à tributação específica. Aponta que a hipótese é caso de presunção legal de omissão de receitas, onde o ônus da prova é expressamente transferido à contribuinte. Cita doutrina de José Luiz bulhões Pedreira. No caso concreto, após fiscalização e regular intimação pelo fisco, não houve comprovação por documentos hábeis e idôneos que apontassem os valores contidos na receita bruta e origem dos créditos da conta-corrente examinada, de modo a afastar a presunção legal. Citando o artigo 923 do RIR/99, indica a necessidade de comprovação das alegações por documentos hábeis. Ante a situação, de não comprovação da origem dos recursos em suas contas, entende perfeitamente cabível a autuação com base no artigo 42 da Lei nº 9430/1996. Traz jurisprudência administrativa que entende amparar suas considerações. Após a autuação, com o surgimento de nova base de cálculo, necessário o ajuste percentual ante a nova receita bruta, resultando na infração de Insuficiência de Recolhimento. Ao analisar a exclusão da interessada do Simples no ano de 2006, aponta como correto o entendimento do contribuinte, já que em 2006 não houve exclusão da interessada do Simples, mencionando que os autos de infração foram lavrados “sob a ótica simplificada, havendo a participação de receitas para cada tributo de abrangência do DARF recolhido sob código de receita 6106 (SIMPLES) faz alusão”. Indica que pela legislação pertinente ao SIMPLES (Lei nº 9317/1996), “a mudança da base de cálculo até o limite atribuído à Empresa de Pequeno Porte (EPP), possui um percentual sobre a receita bruta e sobre ele incide as participações para cada tributo/contribuição, estando entre eles a contribuição para o INSS”. Assim, entende por correta a aplicação da legislação pela fiscalização, eis que houve o ajuste das bases de cálculo relativas às infrações apuradas, utilizando para o cálculo do tributos/contribuições devidos os percentuais previstos na legislação, indicando que a exclusão do Sistema SIMPLES só deveria surtir efeitos para o ano-calendário subseqüente à ocorrência do fato gerador, no caso 2007. Em relação a aplicação da taxa SELIC, que a interessada busca afastar no presente feito, entende que quanto aos percentuais de juros devem ser utilizados como parâmetro o CTN, artigo 161, §1º, e o artigo 61 da Lei nº 9430/1996. Da conjugação de tais dispositivos, decide que débitos a favor da União, decorrentes de tributos e contribuições, de competência da SRF, sujeitam-se aos juros de mora equivalentes aos da taxa Selic (a partir de 1º de janeiro de 1997), acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% no mês de pagamento, tendo o lançamento se adstrito à legislação em vigor sobre o tema. Ainda, indica que a utilização da taxa Selic possui entendimento pacífico na jurisprudência do Conselho de Contribuintes, especialmente ante o teor do Enunciado nº 4 por ela expedido, o que leva a decisão recorrida a reconhecer como corretos os autos de infração inclusive em relação aos juros de mora. Analisa a questão da imposição da penalidade agravada e qualificada, invocando de início, o teor do artigo 44, inciso I, §1º e 2º, da Lei n° 9.430/1996 e a justificativa da duplicação de percentual, conforme disposição dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. Indica que foram emitidas diversas intimações para a empresa e seus sócios, que, em resposta tentaram desqualificar o trabalho fiscal, o que para o julgador só reforça o escopo de obstruir a atuação do fisco. Entende que, quanto à infração de omissão de receitas, “a tentativa por parte dos sócios da empresa de impedir o Fisco de concluir o seu trabalho, em face da ausência de respostas às intimações, bem como das mudanças de endereço da empresa e do sócio majoritário e da tentativa de desqualificação dos funcionários quando do recebimento das intimações, somando-se a isso o fato de que as discrepâncias entre os valores declarados na DIPJ e àqueles constantes nos extratos bancários da conta corrente da empresa interessada, leva à manutenção da qualificação da multa bem como do seu agravamento, devendo ser mantido o percentual de 225% para estes casos, conforme o disposto nos autos de infração.” O Recurso Voluntário da Sra. Cátia Cilene da Costa Santos contra à decisão foi apresentado em 07.08.12. Invocando a Responsabilidade Solidária dos Sócios contida no artigo 135, III do CTN, destaca de início, que ao determinar a responsabilidade ao responsável tributário, seria caracterizadora de despersonalização da pessoa jurídica, nas hipóteses ali listadas, sem as quais, não haveria de se falar em desconsideração da personalidade jurídica. Informa que passou a integrar a empresa autuada como sócia minoritária (com averbação na matricula em 5.10.2006), sendo que o outro sócio, Sylvio de Almeida Júnior, ocupava o cargo de “Presidente e sócio majoritário” responsável por responder pela sociedade ativa e passivamente, em “juízo ou fora dela”. Indica que os administradores, independente da sua responsabilidade pela integralização do capital social se forem sócios, somente respondem por obrigações tributárias contraídas no período de sua gestão, nos termos do artigo 128 do CTN. Destaca neste ponto, que, embora fizesse parte do grupo societário à época dos fatos geradores aqui discutidos, não há provas de que tenha participado dos atos de gerência, tampouco agindo com o excesso de poder ou infração à lei ou ao estatuto, não havendo o que contestar quanto a cobrança de débitos ocorridos em período anterior a sua entrada na empresa. Informa ainda que nunca praticou ou exerceu ato de administração na empresa, justificando tal fato com informações trazidas com a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – ano-calendário 2007, onde aparece como responsável e representante o Sr. Sylvio de Almeida Junior, igualmente indicado com 90% dos rendimentos dos sócios, tendo a recorrente apenas 10% do capital social. Aponta que toda a ação fiscal se deu com conhecimento e participação direta do Sr. Sylvio, e feito à revelia da recorrente. Traz também a informação contida em fls. 31-103 (laudo do Banco Unibanco), onde os representantes são Sr. Jorge dos Santos e o Sr. Sylvio. Ante tais fatos, é claro que a efetiva gerência e administração do negócio eram de responsabilidade do sócio majoritário, configurando seu CPF como o de responsável pela empresa Top Line Ltda. Por conta disto, entende a recorrente que não se deve imputar responsabilidade a ela, que detém somente o poder de direito, mas não de fato, por não possuir autonomia para exercer gerência na sociedade devedora, especialmente porque não há quaisquer indícios de que teria incorrido nas hipóteses previstas no artigo 135, III, do CTN. Destaca que, ante o caso concreto, que só é possível a inclusão no pólo passivo da ação fiscal acionista com poder de controle da empresa. Traz jurisprudência do STJ, informativa da necessidade de configuração de atos praticados com excesso de poderes, infração à lei, contrato social ou estatuto para inclusão de sócio nos débitos. Prossegue, informando quanto à dissolução irregular da sociedade, que conforme entendimentos jurisprudenciais, a responsabilidade só pode ser atribuída ao administrador que exerce de fato poderes de gerência na sociedade e, não havendo condutas ao arrepio da lei, não há de se falar em responsabilização pessoal dos dirigentes. Ainda, indica que, em caso de desconsideração da personalidade jurídica, esta deve ser feita em função do poder de controle societário, devendo recair sobre tais membros esta responsabilização, que não pode ser imposta devido somente à condição de cotista. Diz também que a mera qualidade de administrador também não é suficiente, sendo necessário que este atue com poder de gerência e que conduza a sociedade a atos infringentes de lei, contrato social ou estatutos. Traz doutrina de Bernardo Ribeiro Moraes. Pugna pela ocorrência de cerceamento de defesa, aduzindo, de início, que para a efetivação plena da defesa e do contraditório, o auto de infração deve ser lógico, objetivo, preciso e explícito, devendo capitular corretamente os dispositivos tidos como infringidos. Assim, em face da total ausência de participação da recorrente nos negócios da empresa, “esta se viu com seus direitos cerceados devido à falta de informação sobre os acontecimentos que geraram a lavratura do auto de infração...”. Invoca o artigo 5º, LIV e LV da Constituição Brasileira e lições de Magalhães Noronha. Aduz que é inconcebível sua inclusão no pÓlo passivo, porque sempre zelou por suas obrigações fiscais, e que os atos praticados contra ela encontram-se eivados de vícios e com cerceamento à sua defesa e que nada deve ao fisco. Invoca exagero na penalidade aplicada, eis que o Fisco teria aplicado multa agravada de 225%, apenas baseando-se em presunções quanto ao aludido “evidente intuito de fraude”, sem que houvesse esta comprovação, especialmente em relação às ações da requerente, informando que, em casos onde ocorre fraude, o dolo deve ser comprovado de maneira inquestionável, o que não ocorreu no caso presente. Indica que é função das autoridades fiscais zelar pela primazia da lei, devendo manter estreita relação com os fatos que efetivamente ocorreram. Disto, indica que nada do que fora relatado no Auto de Infração aponta para conduta dolosa ou intuito de fraude, sem que ainda haja prova documental que justificasse a aplicação da multa qualificada, imposta em valor exorbitante. Traz jurisprudência administrativa, que demonstra a necessidade de perquirir, na situação concreta, a ocorrência de dolo ou culpa do agente. Ressalta, quanto ao valor da penalidade, a necessidade de respeito de proporcionalidade entre o dano e o ressarcimento, conforme magistério de Sacha Calmon Navarro. Pelo exposto, pugna pela nulidade dos autos, pela ocorrência de vícios insanáveis, especialmente quanto à prova das alegações, pela imposição de multa agravada indevidamente aplicada e pela arbitrária inclusão da recorrente no pólo passivo. Traz jurisprudência administrativa sobre o tema, sem citar fontes. Aponta que o lançamento, por ser ato administrativo, pode ser nulo ou anulável, mas não revogado, como reza o entendimento Supremo Tribunal Federal, contido na Súmula nº 473. Informa que o ato será nulo na ocorrência de vício profundo que comprometa o ato administrativo, com efeitos ex-tunc. Explana também sobre o ato anulável e as razoes de sua anulabilidade, para por fim, entender por inconcebível a cobrança efetuada pelo auto de infração discutido. Ainda, aduz que o débito fiscal aqui discutido afronta a razoabilidade e a proporcionalidade, motivo pelo qual não merece prosperar. Busca o provimento do recurso para que seja acatada a integralidade da impugnação e a exclusão da recorrente Cátia Cilene da Costa do pólo passivo do processo, por não ser qualificada como responsável tributária, nos termo do artigo 135, III do CTN. É o relatório. VOTO Como já relatado, o presente processo trata de lançamento fiscal para exigência dos tributos sujeitos à sistemática do SIMPLES, face a ocorrência da presunção de omissão de receitas (artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996) ao ser constatado, pela fiscalização, a existência de movimentação financeira bancária, em nome da empresa, sem comprovação da origem. Como consta do Termo de Verificação Fiscal, fls 231, ao Unibanco S/A foi solicitado apresentar os extratos com a movimentação financeira bancária mediante a emissão, pela autoridade fiscal, de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira-RMF, nos termos do artigo 6° da Lei Complementar n° 105, de 2001, regulamentado pelo Decreto n° 3.724, de 2001. A recorrente não se manifestou acerca da matéria relativa à licitude da obtenção dos extratos bancários que serviram de base para a apuração da presunção de omissão de receitas. Todavia, em que pese existir autorização legal para a requisição desses extratos bancários diretamente às instituições financeiras, discute-se atualmente no Supremo Tribunal Federal-STF a constitucionalidade da quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, matéria examinada em sede do Recurso Extraordinário-RE 601314, o qual teve sua “repercussão geral” reconhecida em 23/10/2009. Pela consulta efetuada no sítio do STF na internet, revela que o processo ainda aguarda julgamento do mérito assim registrado: RE 601314 RG / SP - SÃO PAULO REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI Julgamento: 22/10/2009 Publicação DJe-218 DIVULG 19-11-2009 PUBLIC 20-11-2009 EMENT VOL-02383-07 PP-01422 EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Cármen Lúcia e Cezar Peluso. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI Relator (destaquei) Como se trata de matéria com repercussão geral reconhecida, parece ser razoável, e prudente, aguardar a decisão da E. Suprema Corte acerca da constitucionalidade dos meios de prova obtidos no presente processo (extratos bancários), evitando-se, assim, a anulação do lançamento por vício na obtenção das provas. O Regimento Interno do STF- RISTF, em seu art. 328, abaixo reproduzido, determina que todos os demais recursos extraordinários, com questão idêntica, sejam sobrestados, até que o Supremo Tribunal Federal decida os que tenham sido selecionados como representativos da causa: Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzir-se em múltiplos feitos, a Presidência do Tribunal ou o(a) Relator(a), de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543-B do Código de Processo Civil, podendo pedir-lhes informações, que deverão ser prestadas em cinco dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a Presidência do Tribunal ou o(a) Relator(a) selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543-B do Código de Processo Civil. Art. 328-A. Nos casos previstos no art. 543-B, caput, do Código de Processo Civil, o Tribunal de origem não emitirá juízo de admissibilidade sobre os recursos extraordinários já sobrestados, nem sobre os que venham a ser interpostos, até que o Supremo Tribunal Federal decida os que tenham sido selecionados nos termos do § 1º daquele artigo. (destaque meus) Da leitura acima, percebe-se que a própria Corte Superior determina o sobrestamento dos processos judiciais em trâmite na esfera daquele poder até decisão final, pelo Supremo Tribunal Federal, da matéria com repercussão geral. Isso decorre em razão do atendimento aos princípios da eficiência e da economia processual com o objetivo de melhor atender ao interesse público. Assim, por uma questão de economia processual, tendo como objetivo afastar possíveis prejuízos para todas as partes, Fazenda, Contribuinte e a movimentação de toda a máquina do próprio Poder Judiciário, caso ocorra a impetração de alguma ação judicial a respeito da exigência aqui discutida, tem-se como mais do que razoável, e prudente, aguardar a decisão do E. Supremo Tribunal Federal acerca da “licitude da obtenção dos extratos bancários”, evitando-se possível anulação do processo por vício na obtenção das provas. Com efeito, o artigo 62-A, §1º do RICARF (Portaria MF nº 256, de 22 de Junho de 2009 e alterações), estabelece o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria: Art. 62-A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543-B. {2} Já a Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, no seu art. 2º, § 2o, inciso I, prevê a hipótese de que o sobrestamento seja apreciado durante a sessão de julgamento: Art. 2o. Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsuma-se, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1o. § 1o. No caso da identificação se verificar antes da sessão de julgamento do processo: I- o conselheiro relator deverá elaborar requerimento fundamentado ao Presidente da respectiva Turma, sugerindo o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; II- o Presidente da Turma, com base na competência de que trata o art. 17, caput e inciso VII, do Anexo II do RICARF, determinará, por despacho: a)o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; ou b)o julgamento do recurso na situação em que o processo se encontra. § 2o. Sendo suscitada a hipótese de sobrestamento durante a sessão de julgamento do processo, o incidente deverá ser julgado pela Turma, que poderá: I- decidir pelo sobrestamento do processo do julgamento do recurso, mediante resolução; ou II- recusar o sobrestamento e realizar o julgamento do recurso. § 3o. Na ocorrência de sobrestamento, nos termos dos §§ 1o e 2o, as respectivas Secretarias de Câmara deverão receber os processos e mantê-los em caixa específica, movimentando-os para a atividade SOBRESTADO. (grifei) Por tratar-se de matéria a ser apreciada pelo E. Supremo Tribunal Federal no rito da Repercussão Geral (licitude da obtenção dos extratos bancários), o próprio RICARF recomenda o sobrestamento do processo (art. 62-A, § 1º do RICARF), sendo que essa hipótese poderá ser apreciada durante a sessão de julgamento Turma de julgamento, nos termos do art. 2º, § 2o, inciso I, da Portaria CARF nº 001, de 2012. Em vista do exposto, proponho que seja determinado o sobrestamento do julgamento do recurso voluntário, até que seja proferida decisão nos autos do Recurso Extraordinário-RE 601314, em trâmite perante o E. Supremo Tribunal Federal. (documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta, relatora

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1202­000.195  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  12 de junho de 2013  Assunto  IRPJ  Recorrente  TOP LINE LTDA.   Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em determinar o  sobrestamento  do  julgamento  do  recurso,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  integram  o  presente julgado.  (documento assinado digitalmente)  Carlos Alberto Donassolo – Presidente Substituto   (documento assinado digitalmente)  Nereida de Miranda Finamore ­ Relatora  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Carlos  Alberto  Donassolo,  Carlos  Mozart  Barreto  Vianna,  Viviane  Vidal  Wagner,  Nereida  de  Miranda  Finamore Horta, Gilberto Baptista e Orlando Jose Gonçalves Bueno.   Relatório   Contra  o  contribuinte  TOP  LINE  LTDA.  (CNPJ  05.278.871/0001­95),  foram  lavrados Autos de Infração, com base na sistemática do SIMPLES, em relação aos tributos:  ­ IRPJ (fls. 145/162) – R$ 83.514,89;  ­ contribuição ao PIS (fls. 163/169) – R$ 60.978, 90;  ­ CSLL (fls. 170/179) – R$ 84.588,01;  ­  Cofins  (fls.  180/189)  –  R$  248.133,31  ­  Contribuição  Social  para  o  INSS  relativa ao Simples – (fls. 190/199) – R$ 715.822,50.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 52 .0 00 99 0/ 20 10 -7 7 Fl. 419DF CARF MF Processo nº 11052.000990/2010­77  Resolução nº  1202­000.195  S1­C2T2  Fl. 3          2 Referidos  autos  de  infração  foram  lavrados  sob  argumento  de  omissão  de  receitas,  sendo  aplicada  multa  de  ofício  agravada  no  importe  de  112,5%  e,  em  relação  à  infração de  falta de  recolhimento,  fora aplicada multa de 75%,  sem prejuízo dos  acréscimos  legais pertinentes para os dois casos.  Transcrevo o entendimento fiscal contido no Termo de Verificação Fiscal  (fls.  140/142), reproduzido pelo relatório do acórdão recorrido da DRJ:  “a) Em 22/10/2009, compareceu o Fisco no endereço de cadastro da  empresa na RFB, quando foi dada ciência do início da fiscalização;  b)  Em  08/12/2009,  foi  encaminhada,  via  postal,  ao  Sr.  Sylvio  de  Almeida  Júnior,  sócio  majoritário  da  empresa  a  cópia  do  Termo  de  Intimação  0001,  a  qual  não  chegou  ao  seu  destino,  em  face  de  o  interessado  ter o  seu domicílio cadastrado no  sistema da RFB com o  número errado;  c) Em 04/02/2010, encaminhamos, via postal, para a sócia da empresa  (10% do capital social), Sra. Cátia Cilene da Costa Santos, Termo de  Intimação Fiscal lavrado nesta mesma data, recebido em seu domicílio  fiscal, em 06/02/2010, sem que nenhuma resposta fosse apresentada;  d)  Uma  vez  não  atendida  a  solicitação  do  Termo  de  Início,  foi  entregue, em 10/12/2009, a reiteração da intimação do termo n° 0001,  sendo dada ciência ao Sr. Diamantino dos Santos Neto, que informou  que seu cargo na empresa era de "atendente";  e) Nesta mesma data, a Sra. Débora Albernaz de Souza entregou nesta  repartição  pedido  de  prorrogação  de  prazo  para  apresentação  da  documentação solicitada, sem especificar qual seria o prazo pretendido  e necessário ao atendimento. Posteriormente, em 05/01/2010, reiterou  o pedido de prorrogação, solicitando 30 dias, o que foi atendido;  f) Em meados de março de 2010, após diversas tentativas de agendar  uma  reunião  com  o  sócio  majoritário  na  sede  da  empresa,  não  foi  possível, nem mesmo com o encaminhamento dos agentes fiscais até a  empresa, o contato com os sócios;  g)  Na  semana  seguinte,  compareceu  nesta  Equipe  Fiscal  o  sócio  majoritário, informando que se encontrava adoentado e que designaria  o  Sr.  Diamantino  para  tomar  as  providências  necessárias  ao  atendimento das intimações, que nunca ocorreu;  h)  Em  04/03/2010,  foi  solicitado  ao  Registro  Civil  das  Pessoas  Jurídicas cópia dos Atos Constitutivos e Alterações da empresa;  i)  Em  19/05/2010,  foi  a  empresa  cientificada  da  inclusão  do  ano­ calendário  de  2007  na  ação  fiscal,  reiterando,  ainda,  as  solicitações  relativas  ao  ano­calendário  de  2006,  também  não  havendo  qualquer  resposta;  j)  Foi  emitida  Requisição  de  Movimentação  Financeira  (RMF),  em  07/06/2010, encaminhada ao UNIBANCO;  k)  Com  base  na  mencionada  movimentação  financeira,  foi  lavrado  Termo  de  Intimação,  em  08/07/2010,  do  qual  consta  como  anexo  Fl. 420DF CARF MF Processo nº 11052.000990/2010­77  Resolução nº  1202­000.195  S1­C2T2  Fl. 4          3 relação dos extratos bancários dos anos de 2006 e 2007, realizados na  conta corrente 100320­9, agência 7088, do UNIBANCO S/A, a fim de  que  o  interessado  comprovasse  a  origem  dos  depósitos  realizados  naquela  conta,  concedendo,  para  tanto,  o  prazo  de 20  dias.  Também  não houve atendimento;  l) Em 14/09/2010, o Fisco intimou as seguintes instituições financeiras,  clientes  do  contribuinte,  a  fornecer  relação  de  notas  fiscais  ou  documentos equivalentes, juntamente com cópias das mesmas, relativas  aos  serviços prestados,  no decorrer,  tanto do ano de 2006 quanto de  2007:  • Banco BVA S/A ­ Anos de 2006 e 2007;  • Banco Sofisa S/A ­ Ano de 2007;  • Banco Pine S/A ­ Ano de 2007;  m) Posteriormente, tendo em vista o atendimento incompleto por parte  do Banco BVA S/A, foi este reintimado a apresentar os documentos não  entregues  ou  a  justificar  os  valores  dos  depósitos  não  comprovados,  realizados  para  o  contribuinte,  conforme  relação  anexa  e  parte  integrante do Termo de Intimação;  n) Em sua resposta, datada de 05/11/2010, informou e comprovou que  tais  depósitos  referiam­se  a  empréstimos  tomados  por  servidores  públicos junto ao Banco BVA S/A, conforme relação anexa e que foram  depositados na conta da TOP LINE Ltda., com a finalidade de liquidar  empréstimos  tomados  pelos  mesmos  servidores  junto  a  outras  instituições  financeiras,  conforme  Termo  de  Liquidação  de  Empréstimos  em  Outra  Instituição  Financeira,  também  em  anexo  à  resposta;  o) Diante do exposto, e com base nos valores constantes no quadro de  apuração  dos  valores  a  tributar,  no  qual  se  encontram  totalizados,  mensalmente, o faturamento da empresa, tomando por base valores dos  depósitos  bancários  e  onde  também  são  lançados  valores  mensais  declarados na Declaração Simplificada, foi apurado duas modalidades  de valores a tributar:  •  Sujeitos  à  multa  qualificada  de  150%,  acrescida  do  percentual  de  agravamento,  chegando  a  225%,  em  face  do  não  atendimento  às  intimações; e • Sujeitos à multa de 75%, com o agravamento previsto  também em função do não atendimento às intimações;  p) Também  foi  lavrada a Representação Fiscal para Fins Penais,  em  decorrência dos  ilícitos, em tese, praticados, bem como os Termos de  Sujeição Passiva Solidária para os sócios Sylvio de Almeida Júnior e  Cátia Cilene da Costa Santos, únicos sócios da empresa interessada.”  (grifamos)  Contra a decisão, a contribuinte Top Line Ltda. e Cátia Cilene da Costa Santos  apresentaram Impugnação (fl. 215/224)  Preliminarmente, aduz a nulidade do Auto de Infração, por sua impropriedade e  pela  inexistência  de  justa  causa  para  a  lavratura,  por  entender  que  não  infringiu  nenhuma  Fl. 421DF CARF MF Processo nº 11052.000990/2010­77  Resolução nº  1202­000.195  S1­C2T2  Fl. 5          4 norma  contrária  ao  ordenamento  jurídico  pátrio.  Invoca  o  artigo  5º  da Constituição  Federal,  pedindo pelo direito de ampla defesa.  Discorrendo  sobre  a  exclusão  da  contribuinte  do  SIMPLES,  aponta  que,  nos  termos da Lei Complementar nº 123/2006, na opção para o sistema, a adesão deve ser realizada  no mês de  janeiro, sendo  irretratável para todo o ano­calendário,  informação complementada  pela Resolução CGSN nº 38 de 1º de Setembro de 2008, possibilitadora da utilização da receita  bruta  total  recebida  a  partir  de  1º.01.2009  para  as Micro  Empresas  e  Empresas  de  Pequeno  Porte. Em caso de exclusão, esta é permitida até o último dia útil do mês de  janeiro do ano­ calendário  subseqüente  ao  que  se  excedeu  a  receita  bruta  permitida,  conforme  Resolução  CGSN nº 04 de 2007, artigo 12, I, o que, em seu entender, é representativo da ausência de justa  causa para o prosseguimento do feito.  No  mérito,  indica  que  a  autuação  não  prospera,  por  sua  contrariedade  à  legislação de regência do Simples, já a opção ao sistema é irretratável, o que indica violação da  estrita legalidade, da anterioridade e da igualdade em matéria tributária.  Aponta  que  o  cálculo  efetuado  pelo  fisco  carece  de  veracidade,  por  não  considerar,  no  total  do  imposto  a pagar,  o  imposto  devido  em virtude de  serviço  executado,  ressaltando que sua atuação é no ramo de “financiamento de empréstimo”, pelo que “apenas  recebe  um  percentual  por  funcionar  como  intermediador  entre  a  Instituição Financeira  e  a  pessoa  física que requereu o empréstimo”, e que por  tais motivos, a  tributação  imposta  teria  caráter de confisco, afrontando o artigo 150, IV da Constituição Federal.  Sobre o  tema,  invoca a doutrina de Roque Antonio Carrazza, de onde entende  que,  no  caso  de  escrita  fiscal  imprestável,  atrasada ou  inexistente,  contra  a  contribuinte  será  lavrado auto de infração com tributação pelo lucro arbitrado, com a ressalva de que, enquanto  não  tornado  definitivo  o  lançamento,deve­se  regularizar  as  demonstrações  contábeis,  recolhendo o imposto corretamente. Informa que pela legislação em vigor, no caso de empresas  optantes  pelo  Simples,  nos  termos  da Resolução CGSN  nº  38  de  2008,  somente  a  partir  de  1º.01. 2009 é que tornou­se possível a utilização do regime de caixa, apontando que o período  apurado no auto de infração sob discussão é relativo ao ano de 2006, onde a sujeição era tão  somente ao regime de competência.  Ainda,  indica  que  a  Sra.  Débora  Albernaz  de  Souza  e  o  Sr.  Diamantino  dos  Santos Neto nunca fizeram parte do Contrato Social da contribuinte e que, assim, nos termos  do artigo 1.174 do Código Civil, os atos por eles praticados são nulos de pleno direito.  Não obstante tais fatos, impugna a tributação por entender que não lhe pode ser  negado o direito de demonstrar contabilmente o  lucro real ou a existência de prejuízo, que o  exima do lançamento.  Insurgindo­se  contra  os  valores  tributados,  indica  que  diferentemente  do  que  apurou o fisco, os valores a serem considerados são os constantes das notas fiscais acostadas à  impugnação, reflexo dos serviços prestados. Aponta que apresentou “Declaração PJSI 2007”,  relativa ao ano­calendário de 2006, com os valores de acordo com o exigido pela legislação do  Simples, motivo pelo qual pugna pelo afastamento do valor de R$ 8.453.154,82, referentes a  supostos depósitos bancários em contas de sua titularidade.  Invocando  a  questão  da  Responsabilidade  Solidária,  indica  que  sua  escrita  contábil não se encontra em dia, por ter seu contador – Sr. Deolindo Gonçalves de Oliveira –  Fl. 422DF CARF MF Processo nº 11052.000990/2010­77  Resolução nº  1202­000.195  S1­C2T2  Fl. 6          5 descumprido a obrigação assumida perante a contribuinte, fato que a Sra. Cátia Cilene da Costa  Santos só teve ciência por ocasião da intimação dos autos de infração. Disto, entende que há  responsabilidade  solidária  para  com  o  responsável  pela  escrita  fiscal  por  ato  doloso,  que  deveria ser demandado neste feito, nos termos do artigo 1.177 do Código Civil.  Aponta que a  lavratura  foi  feita  sem menção ao nome do contador,  e que este  seria a única pessoa capaz de elucidar divergências entre os valores apurados e poderia prestar  informações  sobre  os  livros  fiscais.  Traz  o  artigo  128  do  CTN,  indicativo  da  atribuição  de  responsabilidade  a  terceiro,  mencionando  doutrina  de  Luiz  Alberto  Gurgel  de  Faria  e  José  Alexandre Zapatero sobre o tema.  Prossegue,  apontando  que  são  necessárias  duas  condições  para  a  responsabilidade  de  terceiro,  que  a  obrigação  não  possa  mais  ser  cumprida  pelo  próprio  contribuinte e que o terceiro tenha participado do ato que configure o fato gerador do tributo,  ou  tenha  se  omitido  indevidamente.  Nos  termos  do  artigo  135  do  CTN,  entende  que  responsabilidade nestes moldes só é admitida quando houve atuação com excesso de poderes  ou em infração à lei, ao contrato social ou aos estatutos. Destaca que a sócia minoritária, Cátia  Cilene,  que  detém  10%  do  Capital  Social,  não  poderia  responder  pela  dívida  que  não  deu  causa. Indica ser pacífico na jurisprudência que a omissão no pagamento, por si só não acarreta  a  responsabilidade  pessoal,  trazendo  o  artigo  136  do CTN quanto  as  infrações,  invocando  o  Princípio da Capacidade Contributiva contido no artigo 145, §1º.  Salienta ainda que, quando houve a intimação da Sra. Cátia, esta havia entregue  o  Termo  de  Intimação  Fiscal  nº  01  ao  sócio Majoritário  Sr.  Sylvio  de  Almeida  Júnior,  que  “informou  que  trataria  de  tudo  e  que  ela  não  precisaria  se  preocupar,  porque  estava  tudo  sobre controle”.  Assim,  requer  prazo  legal  para  dar  regularidade  à  escrituração  contábil  e  a  conseqüente apuração do IRPJ e reflexos.  Invoca  o  Princípio  da  Especialidade  em  relação  às  contribuições  devidas  ao  INSS,  impugnando  o  lançamento  destas,  pois  entende  que  o  sistema  do  Simples  instituiu  tratamento diferenciado aos seus optantes, motivo pelo qual, em virtude de atos praticados no  ano­ calendário de 2006, só poderia ser excluída em 2007, trazendo jurisprudência do Superior  Tribunal de Justiça que entende amparar seu entendimento.  Requer  o  afastamento  da  taxa  Selic  como  juros  moratórios,  invocando,  inicialmente,  neste  sentido  o  artigo  37  da  Constituição  Federal,  requerendo  a  aplicação  do  Princípio da Estrita Legalidade tributária e da Segurança Jurídica. Aponta que aludida  taxa é  aplicável exclusivamente às relações praticadas no âmbito do sistema financeiro nacional e que  não  fora  criada  com  fins  tributários,  mas  sim  para  remunerar  títulos  públicos  e  que,  sua  utilização  é  indevida  e  carente  de  amparo  legal  para  as  relações  tributárias,  motivos  que  amparam a declaração da ilegalidade de sua utilização como quer o fisco. Traz doutrina de José  Alexandre Zapatero, que indica que a utilização da taxa Selic contraria às disposições do artigo  161, §1º do CTN, por este possuir natureza de Lei Complementar. Acosta ainda decisões do  STJ e STF neste sentido.  Assim,  requer  o  recebimento  da  impugnação,  com  a  concessão  de  efeito  suspensivo e ao final cancelando­se o débito fiscal reclamado.  Fl. 423DF CARF MF Processo nº 11052.000990/2010­77  Resolução nº  1202­000.195  S1­C2T2  Fl. 7          6 Pede  pelo  deferimento  do  prazo  de  6  meses  para  contabilização  da  movimentação  financeira  e  lançamento  de  imposto  por  parte  da  sócia  Sra.  Cátia  Cilene  da  Costa  Santos  ou  que,  em  caso  de  indeferimento,  que  eventual  condenação  seja  restrita  ao  percentual de participação societária desta, no caso, 10% do capital social.  Por  fim,  pugna  pelo  parcelamento  de  débito  fiscal  apurado,  no  máximo  permitido pela legislação em vigor.  A 4ª Turma da DRJ/RJ1, ao julgar o feito no acórdão nº 1236.831 (fls. 334/361),  entende ser o lançamento procedente.  Afasta a alegação trazida pela contribuinte sobre o equívoco no preenchimento  da  DIPJ  2007  fora  causado  pelo  escritório  de  contabilidade,  devendo  a  esta  empresa  ser  atribuída a responsabilidade com base no artigo 1.177 do Código Civil e no artigo 135 do CTN,  eis que, na relação jurídica tributária estabelecida entre o fisco e a empresa, esta é  tida como  sujeito passivo da obrigação, nos termos do artigo 121 do CTN.  Indica  no  caso  concreto  a  inexistência  de  previsão  legal  de  atribuição  de  responsabilidade  tributária  ao  escritório  de  contabilidade,  e  que,  ainda  que  houvesse  algum  contrato  particular  entre  a  contribuinte  e  o  escritório  que  lhe  prestava  serviços  de  modo  a  transferir a responsabilidade tributária, tal avença seria tida como inexistente perante a Fazenda  Pública,  não  produzindo qualquer  efeitos,  nos  termos  do  artigo  123  do CTN. Nesse  sentido,  aponta  jurisprudência do Conselho de Contribuintes  (Recurso 087405 – Primeira Câmara do  Conselho de Contribuintes).  Afasta  ainda  a  incidência  do  Código  Civil  à  relação,  eis  que  a  discussão  no  presente  feito  é  regida  por  regras  de  direito  público,  previstas  no  Direito  Administrativo  e  Tributário.  Analisando o requerimento de exclusão da responsabilidade tributária imputado  à sócia da empresa – Cátia Cilene da Costa Santos, por sua qualidade de sócia minoritária e por  ter o outro sócio afirmado que “cuidaria de tudo”, indica que a referida senhora, junto com o  Sr.  Sylvio  de  Almeida  Junior  eram  sócios  e  responsáveis  pelas  obrigações  assumidas  pela  empresa, fossem as principais ou as acessórias, conforme o artigo 135, II e III e artigo 137, I,  todos do CTN.  Assinala  sua  adesão  ao  entendimento  de  que  “a  responsabilidade  tributária,  ainda que pessoal do autor do ato praticado com excesso de poderes ou infração de lei, contrato  social  ou  estatutos,  não  afasta  a  responsabilidade  da  pessoa  jurídica”,  citando  Luiz  Alberto  Gurgel de Faria e trazendo também a opinião de Hugo de Brito Machado.  Afirma  que,  ainda  que  haja  a  imputação  de  responsabilidade  pessoal  aos  indicados nos incisos do artigo 135 do CTN, não se afasta a responsabilidade da contribuinte  autuada  pela  aludida  responsabilização  pessoal,  havendo  na  hipótese  solidariedade  e  dando  maior garantia do recebimento do crédito tributário.  Deve­se considerar, portanto, correta a inclusão dos descritos no artigo 135 do  CTN,  justificando o  julgador a conjugação do citado artigo com os artigos 9º e 58 da Lei nº  9.784/1999, com observância da Portaria RFB nº 2.284/2010.   Fl. 424DF CARF MF Processo nº 11052.000990/2010­77  Resolução nº  1202­000.195  S1­C2T2  Fl. 8          7 Prosseguindo sobre o tema, discorre sobre o que seria infração a lei, permissiva  da  responsabilidade.  Aponta  que  o  CTN  não  indica  a  lei  a  ser  infringida  para  imputar  a  responsabilidade das pessoas  indicadas no artigo 135, e que, em seu entender, “é  indubitável  que a falta de recolhimento do tributo, constitui, por si só, uma ilicitude, porquanto configura  o  descumprimento  de  um  dever  jurídico  decorrente  de  diversas  leis  tributárias”,  acostando  decisões do Poder Judiciário que entende ampararem sua pretensão. Indica ainda que a aludida  responsabilidade é subjetiva, e portanto, é imprescindível a demonstração de culpa a quem esta  fora imputada.  Acresce que a responsabilidade tributária  também fora fundamentada no artigo  137,  I  do  CTN,  pela  fiscalização,  apontando  que  este  dispositivo  atribui  a  responsabilidade  pessoal  ao  agente  em  caso  de  serem  as  infrações  tidas  como  crime  ou  contravenções,  excetuando­se  destes  o  exercício  regular  da  administração.  Traz  doutrina  de  Renato  Lopes  Becho sobre o tema.  Assim, entende que é dever dos sócios saldar as obrigações inerentes a empresa,  não havendo de se falar em exclusão da responsabilidade da Sra. Cátia Cilene, especialmente  em  razão  da  omissão  do  sócio  –  gerente,  Sr.  Sylvio,  pelo  que  também  rejeita  o  pedido  de  exclusão da responsabilidade solidária.  Prossegue  indicando  que  se  deve  afastar  a  alegação  de  nulidade  dos  atos  praticados por Débora Albernaz de Souza  e por Diamantino dos Santos Neto,  invocada pela  não participação destes no contrato social,  já que a ciência dos  termos de  intimação  tomadas  por  empregado  do  interessado  é  válida.  Ainda,  aponta  que  aludidas  pessoas  exerciam,  ao  menos  em  aparência,  alguma  função  na  empresa,  eis  que  as  intimações  foram  efetuadas  de  forma pessoal (na sede da empresa) e, ante a teoria da aparência, estes estavam autorizados a  receber  intimações  para  apresentação  de  documentos  inerente  ao  prosseguimento  da  investigação fiscal, pelo que considera válidas as intimações efetuadas pela fiscalização.  Afasta  também  o  pleito  de  concessão  de  prazo  para  juntada  de  escrituração  contábil, por entender que  já houve tempo hábil para a prática de  tal ato e para apresentação  das justificativas para afastar a imputação fiscal e que, se fosse impossível a apresentação dos  aludidos documentos na impugnação, poderia trazê­los até antes do julgamento nos termos do  artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.  Traz  ainda  doutrina  contida  no  livro  Nulidades  no  Processo  Penal,  de  Ada  Pellegrini  Grinover,  Antônio  Scarance  Fernandes  e  Antônio Magalhães  Gomes  Filho,  cujos  preceitos  aplicam­se  subsidiariamente  ao  Processo Administrativo  Tributário. Disto,  entende  que na ausência de demonstração do prejuízo causado à defesa e ante a inércia do interessado,  afastando alegação de cerceamento de defesa e rejeitando a preliminar de nulidade examinada.  Em relação à apreciação de inconstitucionalidade, indica que esta não pode ser  efetuada  na  esfera  administrativa,  por  ultrapassar  os  limites  de  sua  competência  legal,  como  dispõe  o  Parecer  Normativo  CST  nº  329/1970.  Neste  passo,  indica  que  as  Delegacias  da  Receita  Federal  de  Julgamento,  como  órgão  de  jurisdição  administrativa,  restringem  sua  atuação  ao  exame  de  adequação  dos  atos  praticados  dos  agentes  com  a  lei  e  atos  administrativos competentes, nos termos do artigo 7º da Portaria MF nº 58, de 17 de março de  2006,  de  onde  entende  que  a  autoridade  administrativa  cabe  aplicar  a  legislação,  sem  emitir  juízo  de  valor  sobre  a  constitucionalidade ou  outros  aspectos  da validade,  função  restrita  ao  Poder  Judiciário.  Traz  jurisprudência  dos  Colegiados  Administrativos  sobre  a  questão,  especialmente a Súmula nº 2 do Primeiro Conselho de Contribuintes.  Fl. 425DF CARF MF Processo nº 11052.000990/2010­77  Resolução nº  1202­000.195  S1­C2T2  Fl. 9          8 Tal situação é excepcionada pela existência de decisão em processo judicial que  a  interessada  tenha  participado  ou  de  decisão  definitiva  do  Supremo  Tribunal  Federal  que  declare  a  inconstitucionalidade  de  lei,  tratado  ou  ato  normativo,  nos  termos  do  artigo  4º,  parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997, afastando assim a arguição da contribuinte.  Ao analisar a questão da omissão de receitas apurada por depósitos bancários de  origem  não  comprovada,  indica  que  há  presunção  deste  fato,  eis  que  é  independente  da  contabilização dos depósitos e da qualidade de escrituração, nos termos do artigo 42 da Lei nº  9430/1996.  Aponta  que  o  mesmo  entendimento  é  dado  pela  jurisprudência  administrativa,  colacionando decisão. Assim, entende que referidos valores, devidamente apurados, constituem  fato gerador do imposto de renda, nos termos do artigo 43 do CTN.  Indica  que,  com  a  edição  da  Lei  nº  9430/96,  houve  no  artigo  42  a  regulamentação  da  tributação  com  base  em  depósitos  bancários.  Neste  caso,  após  regular  intimação, se não houver comprovação da origem dos recursos, o fisco possui autorização para  proceder  ao  lançamento  destes  valores  como  omissão  de  receitas,  indicando  ainda  que  se  comprovado que  aludido  numerário  fora  proveniente  de  receitas  de Pessoa  Jurídica  sem que  fossem levados à conta de resultado, estes devem ser submetidos à tributação específica.  Aponta que a hipótese é caso de presunção legal de omissão de receitas, onde o  ônus da prova é expressamente transferido à contribuinte. Cita doutrina de José Luiz bulhões  Pedreira.   No caso  concreto,  após  fiscalização  e  regular  intimação pelo  fisco,  não  houve  comprovação por documentos hábeis e idôneos que apontassem os valores contidos na receita  bruta e origem dos créditos da conta­corrente examinada, de modo a afastar a presunção legal.  Citando  o  artigo  923  do  RIR/99,  indica  a  necessidade  de  comprovação  das  alegações  por  documentos hábeis.  Ante  a  situação, de não  comprovação da origem dos  recursos  em suas  contas,  entende  perfeitamente  cabível  a  autuação  com  base  no  artigo  42  da Lei  nº  9430/1996.  Traz  jurisprudência administrativa que entende amparar suas considerações.  Após a autuação, com o surgimento de nova base de cálculo, necessário o ajuste  percentual ante a nova receita bruta, resultando na infração de Insuficiência de Recolhimento.  Ao analisar a exclusão da interessada do Simples no ano de 2006, aponta como  correto o entendimento do contribuinte, já que em 2006 não houve exclusão da interessada do  Simples,  mencionando  que  os  autos  de  infração  foram  lavrados  “sob  a  ótica  simplificada,  havendo a participação de receitas para cada tributo de abrangência do DARF recolhido sob  código de receita 6106 (SIMPLES) faz alusão”.  Indica  que  pela  legislação  pertinente  ao  SIMPLES  (Lei  nº  9317/1996),  “a  mudança da base de cálculo até o limite atribuído à Empresa de Pequeno Porte (EPP), possui  um  percentual  sobre  a  receita  bruta  e  sobre  ele  incide  as  participações  para  cada  tributo/contribuição,  estando  entre  eles  a  contribuição  para  o  INSS”.  Assim,  entende  por  correta a aplicação da legislação pela fiscalização, eis que houve o ajuste das bases de cálculo  relativas às  infrações apuradas, utilizando para o cálculo do tributos/contribuições devidos os  percentuais previstos na legislação, indicando que a exclusão do Sistema SIMPLES só deveria  surtir efeitos para o ano­calendário subseqüente à ocorrência do fato gerador, no caso 2007.  Fl. 426DF CARF MF Processo nº 11052.000990/2010­77  Resolução nº  1202­000.195  S1­C2T2  Fl. 10          9 Em  relação  a  aplicação  da  taxa  SELIC,  que  a  interessada  busca  afastar  no  presente  feito,  entende  que  quanto  aos  percentuais  de  juros  devem  ser  utilizados  como  parâmetro o CTN, artigo 161, §1º, e o artigo 61 da Lei nº 9430/1996. Da conjugação de  tais  dispositivos, decide que débitos a favor da União, decorrentes de tributos e contribuições, de  competência da SRF, sujeitam­se aos juros de mora equivalentes aos da taxa Selic (a partir de  1º  de  janeiro  de  1997),  acumulada  mensalmente,  até  o  último  dia  do  mês  anterior  ao  do  pagamento,  e  de  1% no mês  de  pagamento,  tendo  o  lançamento  se  adstrito  à  legislação  em  vigor sobre o tema.  Ainda,  indica  que  a  utilização  da  taxa  Selic  possui  entendimento  pacífico  na  jurisprudência do Conselho de Contribuintes, especialmente ante o teor do Enunciado nº 4 por  ela expedido, o que leva a decisão recorrida a reconhecer como corretos os autos de infração  inclusive em relação aos juros de mora.  Analisa a questão da imposição da penalidade agravada e qualificada, invocando  de  início,  o  teor  do  artigo  44,  inciso  I,  §1º  e  2º,  da  Lei  n°  9.430/1996  e  a  justificativa  da  duplicação de percentual, conforme disposição dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964.  Indica que foram emitidas diversas intimações para a empresa e seus sócios, que, em resposta  tentaram desqualificar o trabalho fiscal, o que para o julgador só reforça o escopo de obstruir a  atuação do fisco. Entende que, quanto à infração de omissão de receitas, “a tentativa por parte  dos sócios da empresa de impedir o Fisco de concluir o seu trabalho, em face da ausência de  respostas  às  intimações,  bem  como  das  mudanças  de  endereço  da  empresa  e  do  sócio  majoritário  e  da  tentativa  de  desqualificação  dos  funcionários  quando  do  recebimento  das  intimações, somando­se a isso o fato de que as discrepâncias entre os valores declarados na  DIPJ e àqueles constantes nos extratos bancários da conta corrente da empresa interessada,  leva  à  manutenção  da  qualificação  da  multa  bem  como  do  seu  agravamento,  devendo  ser  mantido o percentual de 225% para estes casos, conforme o disposto nos autos de infração.”  O Recurso Voluntário da Sra. Cátia Cilene da Costa Santos contra à decisão foi  apresentado em 07.08.12.  Invocando a Responsabilidade Solidária dos Sócios contida no artigo 135, III do  CTN, destaca de  início, que ao determinar a  responsabilidade ao responsável  tributário, seria  caracterizadora  de  despersonalização  da  pessoa  jurídica,  nas  hipóteses  ali  listadas,  sem  as  quais, não haveria de se falar em desconsideração da personalidade jurídica.  Informa que passou a integrar a empresa autuada como sócia minoritária (com  averbação  na matricula  em  5.10.2006),  sendo  que  o  outro  sócio,  Sylvio  de Almeida  Júnior,  ocupava o cargo de “Presidente e sócio majoritário” responsável por responder pela sociedade  ativa e passivamente, em “juízo ou fora dela”.  Indica  que  os  administradores,  independente  da  sua  responsabilidade  pela  integralização do capital social se forem sócios, somente respondem por obrigações tributárias  contraídas no período de sua gestão, nos termos do artigo 128 do CTN.   Destaca neste ponto, que, embora fizesse parte do grupo societário à época dos  fatos geradores aqui discutidos, não há provas de que tenha participado dos atos de gerência,  tampouco agindo com o excesso de poder ou infração à lei ou ao estatuto, não havendo o que  contestar quanto a cobrança de débitos ocorridos em período anterior a sua entrada na empresa.  Fl. 427DF CARF MF Processo nº 11052.000990/2010­77  Resolução nº  1202­000.195  S1­C2T2  Fl. 11          10 Informa ainda que nunca praticou ou exerceu ato de administração na empresa,  justificando  tal  fato  com  informações  trazidas  com  a  Declaração  Simplificada  da  Pessoa  Jurídica – ano­calendário 2007, onde aparece como responsável e representante o Sr. Sylvio de  Almeida Junior, igualmente indicado com 90% dos rendimentos dos sócios, tendo a recorrente  apenas 10% do capital social.  Aponta que toda a ação fiscal se deu com conhecimento e participação direta do  Sr. Sylvio, e  feito à  revelia da recorrente. Traz  também a  informação contida em fls. 31­103  (laudo do Banco Unibanco), onde os representantes são Sr. Jorge dos Santos e o Sr. Sylvio.  Ante tais fatos, é claro que a efetiva gerência e administração do negócio eram  de  responsabilidade do sócio majoritário,  configurando seu CPF como o de  responsável pela  empresa Top Line Ltda.  Por conta disto, entende a recorrente que não se deve imputar responsabilidade a  ela, que detém somente o poder de direito, mas não de  fato, por não possuir autonomia para  exercer  gerência  na  sociedade  devedora,  especialmente  porque  não  há  quaisquer  indícios  de  que teria incorrido nas hipóteses previstas no artigo 135, III, do CTN. Destaca que, ante o caso  concreto, que só é possível a  inclusão no pólo passivo da ação fiscal acionista com poder de  controle da empresa. Traz jurisprudência do STJ, informativa da necessidade de configuração  de  atos  praticados  com  excesso  de  poderes,  infração  à  lei,  contrato  social  ou  estatuto  para  inclusão de sócio nos débitos.  Prossegue,  informando  quanto  à  dissolução  irregular  da  sociedade,  que  conforme  entendimentos  jurisprudenciais,  a  responsabilidade  só  pode  ser  atribuída  ao  administrador que exerce de fato poderes de gerência na sociedade e, não havendo condutas ao  arrepio da lei, não há de se falar em responsabilização pessoal dos dirigentes.  Ainda,  indica que,  em caso de desconsideração  da personalidade  jurídica,  esta  deve ser  feita em função do poder de controle societário, devendo recair  sobre tais membros  esta responsabilização, que não pode ser imposta devido somente à condição de cotista.  Diz  também que a mera  qualidade  de  administrador  também não  é  suficiente,  sendo  necessário  que  este  atue  com  poder  de  gerência  e  que  conduza  a  sociedade  a  atos  infringentes de lei, contrato social ou estatutos. Traz doutrina de Bernardo Ribeiro Moraes.  Pugna pela ocorrência de cerceamento de defesa, aduzindo, de início, que para a  efetivação  plena  da  defesa  e  do  contraditório,  o  auto  de  infração  deve  ser  lógico,  objetivo,  preciso  e  explícito,  devendo  capitular  corretamente  os  dispositivos  tidos  como  infringidos.  Assim, em face da total ausência de participação da recorrente nos negócios da empresa, “esta  se viu com seus direitos cerceados devido à falta de informação sobre os acontecimentos que  geraram  a  lavratura  do  auto  de  infração...”.  Invoca  o  artigo  5º,  LIV  e  LV  da Constituição  Brasileira e lições de Magalhães Noronha.  Aduz que é inconcebível sua inclusão no pÓlo passivo, porque sempre zelou por  suas obrigações  fiscais,  e que os atos praticados contra ela  encontram­se eivados de vícios e  com cerceamento à sua defesa e que nada deve ao fisco.  Invoca  exagero  na  penalidade  aplicada,  eis  que  o  Fisco  teria  aplicado  multa  agravada de 225%, apenas baseando­se em presunções quanto ao aludido “evidente intuito de  fraude”,  sem  que  houvesse  esta  comprovação,  especialmente  em  relação  às  ações  da  Fl. 428DF CARF MF Processo nº 11052.000990/2010­77  Resolução nº  1202­000.195  S1­C2T2  Fl. 12          11 requerente,  informando  que,  em  casos  onde  ocorre  fraude,  o  dolo  deve  ser  comprovado  de  maneira inquestionável, o que não ocorreu no caso presente.  Indica que é função das autoridades fiscais zelar pela primazia da lei, devendo  manter estreita relação com os fatos que efetivamente ocorreram. Disto, indica que nada do que  fora  relatado no Auto de  Infração aponta para  conduta dolosa ou  intuito de  fraude,  sem que  ainda  haja  prova  documental  que  justificasse  a  aplicação  da  multa  qualificada,  imposta  em  valor  exorbitante.  Traz  jurisprudência  administrativa,  que  demonstra  a  necessidade  de  perquirir, na situação concreta, a ocorrência de dolo ou culpa do agente.  Ressalta,  quanto  ao  valor  da  penalidade,  a  necessidade  de  respeito  de  proporcionalidade  entre  o  dano  e  o  ressarcimento,  conforme  magistério  de  Sacha  Calmon  Navarro.  Pelo  exposto,  pugna  pela  nulidade  dos  autos,  pela  ocorrência  de  vícios  insanáveis,  especialmente  quanto  à  prova  das  alegações,  pela  imposição  de  multa  agravada  indevidamente  aplicada  e  pela  arbitrária  inclusão  da  recorrente  no  pólo  passivo.  Traz  jurisprudência administrativa sobre o tema, sem citar fontes.  Aponta que o lançamento, por ser ato administrativo, pode ser nulo ou anulável,  mas não revogado, como reza o entendimento Supremo Tribunal Federal, contido na Súmula nº  473.  Informa  que  o  ato  será  nulo  na  ocorrência  de  vício  profundo  que  comprometa  o  ato  administrativo, com efeitos ex­tunc. Explana também sobre o ato anulável e as razoes de sua  anulabilidade,  para  por  fim,  entender  por  inconcebível  a  cobrança  efetuada  pelo  auto  de  infração discutido.  Ainda,  aduz  que  o  débito  fiscal  aqui  discutido  afronta  a  razoabilidade  e  a  proporcionalidade, motivo pelo qual não merece prosperar.  Busca  o  provimento  do  recurso  para  que  seja  acatada  a  integralidade  da  impugnação e a exclusão da recorrente Cátia Cilene da Costa do pólo passivo do processo, por  não ser qualificada como responsável tributária, nos termo do artigo 135, III do CTN.  É o relatório.  VOTO   Como já relatado, o presente processo trata de lançamento fiscal para exigência  dos tributos sujeitos à sistemática do SIMPLES, face a ocorrência da presunção de omissão de  receitas (artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996) ao ser constatado, pela fiscalização, a existência de  movimentação financeira bancária, em nome da empresa, sem comprovação da origem.  Como  consta  do  Termo  de  Verificação  Fiscal,  fls  231,  ao  Unibanco  S/A  foi  solicitado apresentar os extratos com a movimentação financeira bancária mediante a emissão,  pela  autoridade  fiscal,  de  Requisição  de  Informações  sobre Movimentação  Financeira­RMF,  nos termos do artigo 6° da Lei Complementar n° 105, de 2001, regulamentado pelo Decreto n°  3.724, de 2001.  A recorrente não se manifestou acerca da matéria relativa à licitude da obtenção  dos  extratos  bancários  que  serviram  de  base  para  a  apuração  da  presunção  de  omissão  de  receitas.  Todavia,  em  que  pese  existir  autorização  legal  para  a  requisição  desses  extratos  Fl. 429DF CARF MF Processo nº 11052.000990/2010­77  Resolução nº  1202­000.195  S1­C2T2  Fl. 13          12 bancários diretamente às  instituições  financeiras, discute­se atualmente no Supremo Tribunal  Federal­STF  a  constitucionalidade  da  quebra  do  sigilo  bancário  sem  autorização  judicial,  matéria  examinada  em  sede  do  Recurso  Extraordinário­RE  601314,  o  qual  teve  sua  “repercussão  geral”  reconhecida  em  23/10/2009.  Pela  consulta  efetuada  no  sítio  do  STF  na  internet, revela que o processo ainda aguarda julgamento do mérito assim registrado:  RE  601314  RG  /  SP  ­  SÃO  PAULO  REPERCUSSÃO  GERAL  NO  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO  Relator(a):  Min.  RICARDO  LEWANDOWSKI  Julgamento:  22/10/2009  Publicação  DJe­218  DIVULG  19­11­2009  PUBLIC  20­11­2009  EMENT  VOL­02383­07  PP­01422  EMENTA:  CONSTITUCIONAL.  SIGILO  BANCÁRIO.  FORNECIMENTO  DE  INFORMAÇÕES  SOBRE  MOVIMENTAÇÃO  BANCÁRIA  DE  CONTRIBUINTES,  PELAS  INSTITUIÇÕES  FINANCEIRAS,  DIRETAMENTE  AO  FISCO,  SEM  PRÉVIA  AUTORIZAÇÃO  JUDICIAL  (LEI  COMPLEMENTAR  105/2001).  POSSIBILIDADE  DE  APLICAÇÃO  DA  LEI  10.174/2001  PARA  APURAÇÃO  DE  CRÉDITOS  TRIBUTÁRIOS  REFERENTES  A  EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA  JURÍDICA  DA  QUESTÃO  CONSTITUCIONAL.  EXISTÊNCIA  DE  REPERCUSSÃO GERAL.  Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da  questão  constitucional  suscitada.  Não  se  manifestaram  os  Ministros  Cármen Lúcia  e Cezar Peluso. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI  Relator (destaquei)  Como  se  trata  de  matéria  com  repercussão  geral  reconhecida,  parece  ser  razoável, e prudente, aguardar a decisão da E. Suprema Corte acerca da constitucionalidade dos  meios  de  prova  obtidos  no  presente  processo  (extratos  bancários),  evitando­se,  assim,  a  anulação do lançamento por vício na obtenção das provas.  O  Regimento  Interno  do  STF­  RISTF,  em  seu  art.  328,  abaixo  reproduzido,  determina  que  todos  os  demais  recursos  extraordinários,  com  questão  idêntica,  sejam  sobrestados, até que o Supremo Tribunal Federal decida os que tenham sido selecionados como  representativos da causa:   Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível  de reproduzir­se em múltiplos feitos, a Presidência do Tribunal ou o(a)  Relator(a),  de  ofício  ou  a  requerimento  da  parte  interessada,  comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de  que  observem o  disposto  no  art.  543­B do Código  de Processo Civil,  podendo pedir­lhes  informações,  que  deverão  ser  prestadas  em cinco  dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica.  Parágrafo  único.  Quando  se  verificar  subida  ou  distribuição  de  múltiplos  recursos  com  fundamento  em  idêntica  controvérsia,  a  Presidência  do  Tribunal  ou  o(a)  Relator(a)  selecionará  um  ou  mais  representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos  tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos  parágrafos do art. 543­B do Código de Processo Civil.  Art.  328­A.  Nos  casos  previstos  no  art.  543­B,  caput,  do  Código  de  Processo  Civil,  o  Tribunal  de  origem  não  emitirá  juízo  de  admissibilidade sobre os recursos extraordinários já sobrestados, nem  Fl. 430DF CARF MF Processo nº 11052.000990/2010­77  Resolução nº  1202­000.195  S1­C2T2  Fl. 14          13 sobre  os  que  venham  a  ser  interpostos,  até  que  o  Supremo  Tribunal  Federal  decida  os  que  tenham  sido  selecionados  nos  termos  do  §  1º  daquele artigo. (destaque meus)  Da  leitura  acima,  percebe­se  que  a  própria  Corte  Superior  determina  o  sobrestamento  dos  processos  judiciais  em  trâmite  na  esfera  daquele  poder  até  decisão  final,  pelo Supremo Tribunal Federal, da matéria com repercussão geral.  Isso decorre em razão do  atendimento aos princípios da eficiência e da economia processual com o objetivo de melhor  atender ao interesse público.  Assim,  por  uma questão  de  economia  processual,  tendo  como objetivo  afastar  possíveis  prejuízos  para  todas  as  partes,  Fazenda, Contribuinte  e  a movimentação  de  toda  a  máquina  do  próprio  Poder  Judiciário,  caso  ocorra  a  impetração  de  alguma  ação  judicial  a  respeito da exigência aqui discutida, tem­se como mais do que razoável, e prudente, aguardar a  decisão  do  E.  Supremo  Tribunal  Federal  acerca  da  “licitude  da  obtenção  dos  extratos  bancários”, evitando­se possível anulação do processo por vício na obtenção das provas.   Com efeito, o artigo 62­A, §1º do RICARF (Portaria MF nº 256, de 22 de Junho  de 2009 e alterações), estabelece o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o  STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria:  Art. 62­A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo  Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543­B e 543­ C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos no âmbito do CARF.  §  1º  Ficarão  sobrestados  os  julgamentos  dos  recursos  sempre  que  o  STF  também  sobrestar  o  julgamento  dos  recursos  extraordinários  da  mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543­ B. {2} Já a Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, no seu art.  2º,  §  2o,  inciso  I,  prevê  a  hipótese  de  que  o  sobrestamento  seja  apreciado durante a sessão de julgamento:  Art. 2o. Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício  ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsuma­se, em  tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1o.  §  1o.  No  caso  da  identificação  se  verificar  antes  da  sessão  de  julgamento do processo:  I­  o  conselheiro  relator  deverá  elaborar  requerimento  fundamentado  ao  Presidente  da  respectiva  Turma,  sugerindo  o  sobrestamento  do  julgamento do recurso do processo;  II­ o Presidente da Turma, com base na competência de que trata o art.  17,  caput  e  inciso  VII,  do  Anexo  II  do  RICARF,  determinará,  por  despacho:  a)o  sobrestamento  do  julgamento  do  recurso  do  processo;  ou  b)o  julgamento do recurso na situação em que o processo se encontra.  Fl. 431DF CARF MF Processo nº 11052.000990/2010­77  Resolução nº  1202­000.195  S1­C2T2  Fl. 15          14 § 2o. Sendo suscitada a hipótese de sobrestamento durante a sessão de  julgamento  do  processo,  o  incidente  deverá  ser  julgado  pela  Turma,  que poderá:  I­  decidir  pelo  sobrestamento  do  processo  do  julgamento  do  recurso,  mediante  resolução;  ou  II­  recusar  o  sobrestamento  e  realizar  o  julgamento do recurso.  § 3o. Na ocorrência de sobrestamento, nos termos dos §§ 1o e 2o, as  respectivas  Secretarias  de  Câmara  deverão  receber  os  processos  e  mantê­los  em  caixa  específica,  movimentando­os  para  a  atividade  SOBRESTADO. (grifei)  Por tratar­se de matéria a ser apreciada pelo E. Supremo Tribunal Federal no rito  da  Repercussão  Geral  (licitude  da  obtenção  dos  extratos  bancários),  o  próprio  RICARF  recomenda o sobrestamento do processo (art. 62­A, § 1º do RICARF), sendo que essa hipótese  poderá ser apreciada durante a sessão de julgamento Turma de julgamento, nos termos do art.  2º, § 2o, inciso I, da Portaria CARF nº 001, de 2012.  Em  vista  do  exposto,  proponho  que  seja  determinado  o  sobrestamento  do  julgamento  do  recurso  voluntário,  até  que  seja  proferida  decisão  nos  autos  do  Recurso  Extraordinário­RE 601314, em trâmite perante o E. Supremo Tribunal Federal.   (documento assinado digitalmente)   Nereida de Miranda Finamore Horta, relatora    Relatório   Contra  o  contribuinte  TOP  LINE  LTDA.  (CNPJ  05.278.871/0001­95),  foram  lavrados Autos de Infração, com base na sistemática do SIMPLES, em relação aos tributos:  ­ IRPJ (fls. 145/162) – R$ 83.514,89;  ­ contribuição ao PIS (fls. 163/169) – R$ 60.978, 90;  ­ CSLL (fls. 170/179) – R$ 84.588,01;  ­  Cofins  (fls.  180/189)  –  R$  248.133,31  ­  Contribuição  Social  para  o  INSS  relativa ao Simples – (fls. 190/199) – R$ 715.822,50.  Referidos  autos  de  infração  foram  lavrados  sob  argumento  de  omissão  de  receitas,  sendo  aplicada  multa  de  ofício  agravada  no  importe  de  112,5%  e,  em  relação  à  infração de  falta de  recolhimento,  fora aplicada multa de 75%,  sem prejuízo dos  acréscimos  legais pertinentes para os dois casos.  Transcrevo o entendimento fiscal contido no Termo de Verificação Fiscal  (fls.  140/142), reproduzido pelo relatório do acórdão recorrido da DRJ:  “a) Em 22/10/2009, compareceu o Fisco no endereço de cadastro da  empresa na RFB, quando foi dada ciência do início da fiscalização;  Fl. 432DF CARF MF Processo nº 11052.000990/2010­77  Resolução nº  1202­000.195  S1­C2T2  Fl. 16          15 b)  Em  08/12/2009,  foi  encaminhada,  via  postal,  ao  Sr.  Sylvio  de  Almeida  Júnior,  sócio  majoritário  da  empresa  a  cópia  do  Termo  de  Intimação  0001,  a  qual  não  chegou  ao  seu  destino,  em  face  de  o  interessado  ter o  seu domicílio cadastrado no  sistema da RFB com o  número errado;  c) Em 04/02/2010, encaminhamos, via postal, para a sócia da empresa  (10% do capital social), Sra. Cátia Cilene da Costa Santos, Termo de  Intimação Fiscal lavrado nesta mesma data, recebido em seu domicílio  fiscal, em 06/02/2010, sem que nenhuma resposta fosse apresentada;  d)  Uma  vez  não  atendida  a  solicitação  do  Termo  de  Início,  foi  entregue, em 10/12/2009, a reiteração da intimação do termo n° 0001,  sendo dada ciência ao Sr. Diamantino dos Santos Neto, que informou  que seu cargo na empresa era de "atendente";  e) Nesta mesma data, a Sra. Débora Albernaz de Souza entregou nesta  repartição  pedido  de  prorrogação  de  prazo  para  apresentação  da  documentação solicitada, sem especificar qual seria o prazo pretendido  e necessário ao atendimento. Posteriormente, em 05/01/2010, reiterou  o pedido de prorrogação, solicitando 30 dias, o que foi atendido;  f) Em meados de março de 2010, após diversas tentativas de agendar  uma  reunião  com  o  sócio  majoritário  na  sede  da  empresa,  não  foi  possível, nem mesmo com o encaminhamento dos agentes fiscais até a  empresa, o contato com os sócios;  g)  Na  semana  seguinte,  compareceu  nesta  Equipe  Fiscal  o  sócio  majoritário, informando que se encontrava adoentado e que designaria  o  Sr.  Diamantino  para  tomar  as  providências  necessárias  ao  atendimento das intimações, que nunca ocorreu;  h)  Em  04/03/2010,  foi  solicitado  ao  Registro  Civil  das  Pessoas  Jurídicas cópia dos Atos Constitutivos e Alterações da empresa;  i)  Em  19/05/2010,  foi  a  empresa  cientificada  da  inclusão  do  ano­ calendário  de  2007  na  ação  fiscal,  reiterando,  ainda,  as  solicitações  relativas  ao  ano­calendário  de  2006,  também  não  havendo  qualquer  resposta;  j)  Foi  emitida  Requisição  de  Movimentação  Financeira  (RMF),  em  07/06/2010, encaminhada ao UNIBANCO;  k)  Com  base  na  mencionada  movimentação  financeira,  foi  lavrado  Termo  de  Intimação,  em  08/07/2010,  do  qual  consta  como  anexo  relação dos extratos bancários dos anos de 2006 e 2007, realizados na  conta corrente 100320­9, agência 7088, do UNIBANCO S/A, a fim de  que  o  interessado  comprovasse  a  origem  dos  depósitos  realizados  naquela  conta,  concedendo,  para  tanto,  o  prazo  de 20  dias.  Também  não houve atendimento;  l) Em 14/09/2010, o Fisco intimou as seguintes instituições financeiras,  clientes  do  contribuinte,  a  fornecer  relação  de  notas  fiscais  ou  documentos equivalentes, juntamente com cópias das mesmas, relativas  aos  serviços prestados,  no decorrer,  tanto do ano de 2006 quanto de  2007:  Fl. 433DF CARF MF Processo nº 11052.000990/2010­77  Resolução nº  1202­000.195  S1­C2T2  Fl. 17          16 • Banco BVA S/A ­ Anos de 2006 e 2007;  • Banco Sofisa S/A ­ Ano de 2007;  • Banco Pine S/A ­ Ano de 2007;  m) Posteriormente, tendo em vista o atendimento incompleto por parte  do Banco BVA S/A, foi este reintimado a apresentar os documentos não  entregues  ou  a  justificar  os  valores  dos  depósitos  não  comprovados,  realizados  para  o  contribuinte,  conforme  relação  anexa  e  parte  integrante do Termo de Intimação;  n) Em sua resposta, datada de 05/11/2010, informou e comprovou que  tais  depósitos  referiam­se  a  empréstimos  tomados  por  servidores  públicos junto ao Banco BVA S/A, conforme relação anexa e que foram  depositados na conta da TOP LINE Ltda., com a finalidade de liquidar  empréstimos  tomados  pelos  mesmos  servidores  junto  a  outras  instituições  financeiras,  conforme  Termo  de  Liquidação  de  Empréstimos  em  Outra  Instituição  Financeira,  também  em  anexo  à  resposta;  o) Diante do exposto, e com base nos valores constantes no quadro de  apuração  dos  valores  a  tributar,  no  qual  se  encontram  totalizados,  mensalmente, o faturamento da empresa, tomando por base valores dos  depósitos  bancários  e  onde  também  são  lançados  valores  mensais  declarados na Declaração Simplificada, foi apurado duas modalidades  de valores a tributar:  •  Sujeitos  à  multa  qualificada  de  150%,  acrescida  do  percentual  de  agravamento,  chegando  a  225%,  em  face  do  não  atendimento  às  intimações; e • Sujeitos à multa de 75%, com o agravamento previsto  também em função do não atendimento às intimações;  p) Também  foi  lavrada a Representação Fiscal para Fins Penais,  em  decorrência dos  ilícitos, em tese, praticados, bem como os Termos de  Sujeição Passiva Solidária para os sócios Sylvio de Almeida Júnior e  Cátia Cilene da Costa Santos, únicos sócios da empresa interessada.”  (grifamos)  Contra a decisão, a contribuinte Top Line Ltda. e Cátia Cilene da Costa Santos  apresentaram Impugnação (fl. 215/224)  Preliminarmente, aduz a nulidade do Auto de Infração, por sua impropriedade e  pela  inexistência  de  justa  causa  para  a  lavratura,  por  entender  que  não  infringiu  nenhuma  norma  contrária  ao  ordenamento  jurídico  pátrio.  Invoca  o  artigo  5º  da Constituição  Federal,  pedindo pelo direito de ampla defesa.  Discorrendo  sobre  a  exclusão  da  contribuinte  do  SIMPLES,  aponta  que,  nos  termos da Lei Complementar nº 123/2006, na opção para o sistema, a adesão deve ser realizada  no mês de  janeiro, sendo  irretratável para todo o ano­calendário,  informação complementada  pela Resolução CGSN nº 38 de 1º de Setembro de 2008, possibilitadora da utilização da receita  bruta  total  recebida  a  partir  de  1º.01.2009  para  as Micro  Empresas  e  Empresas  de  Pequeno  Porte. Em caso de exclusão, esta é permitida até o último dia útil do mês de  janeiro do ano­ calendário  subseqüente  ao  que  se  excedeu  a  receita  bruta  permitida,  conforme  Resolução  Fl. 434DF CARF MF Processo nº 11052.000990/2010­77  Resolução nº  1202­000.195  S1­C2T2  Fl. 18          17 CGSN nº 04 de 2007, artigo 12, I, o que, em seu entender, é representativo da ausência de justa  causa para o prosseguimento do feito.  No  mérito,  indica  que  a  autuação  não  prospera,  por  sua  contrariedade  à  legislação de regência do Simples, já a opção ao sistema é irretratável, o que indica violação da  estrita legalidade, da anterioridade e da igualdade em matéria tributária.  Aponta  que  o  cálculo  efetuado  pelo  fisco  carece  de  veracidade,  por  não  considerar,  no  total  do  imposto  a pagar,  o  imposto  devido  em virtude de  serviço  executado,  ressaltando que sua atuação é no ramo de “financiamento de empréstimo”, pelo que “apenas  recebe  um  percentual  por  funcionar  como  intermediador  entre  a  Instituição Financeira  e  a  pessoa  física que requereu o empréstimo”, e que por  tais motivos, a  tributação  imposta  teria  caráter de confisco, afrontando o artigo 150, IV da Constituição Federal.  Sobre o  tema,  invoca a doutrina de Roque Antonio Carrazza, de onde entende  que,  no  caso  de  escrita  fiscal  imprestável,  atrasada ou  inexistente,  contra  a  contribuinte  será  lavrado auto de infração com tributação pelo lucro arbitrado, com a ressalva de que, enquanto  não  tornado  definitivo  o  lançamento,deve­se  regularizar  as  demonstrações  contábeis,  recolhendo o imposto corretamente. Informa que pela legislação em vigor, no caso de empresas  optantes  pelo  Simples,  nos  termos  da Resolução CGSN  nº  38  de  2008,  somente  a  partir  de  1º.01. 2009 é que tornou­se possível a utilização do regime de caixa, apontando que o período  apurado no auto de infração sob discussão é relativo ao ano de 2006, onde a sujeição era tão  somente ao regime de competência.  Ainda,  indica  que  a  Sra.  Débora  Albernaz  de  Souza  e  o  Sr.  Diamantino  dos  Santos Neto nunca fizeram parte do Contrato Social da contribuinte e que, assim, nos termos  do artigo 1.174 do Código Civil, os atos por eles praticados são nulos de pleno direito.  Não obstante tais fatos, impugna a tributação por entender que não lhe pode ser  negado o direito de demonstrar contabilmente o  lucro real ou a existência de prejuízo, que o  exima do lançamento.  Insurgindo­se  contra  os  valores  tributados,  indica  que  diferentemente  do  que  apurou o fisco, os valores a serem considerados são os constantes das notas fiscais acostadas à  impugnação, reflexo dos serviços prestados. Aponta que apresentou “Declaração PJSI 2007”,  relativa ao ano­calendário de 2006, com os valores de acordo com o exigido pela legislação do  Simples, motivo pelo qual pugna pelo afastamento do valor de R$ 8.453.154,82, referentes a  supostos depósitos bancários em contas de sua titularidade.  Invocando  a  questão  da  Responsabilidade  Solidária,  indica  que  sua  escrita  contábil não se encontra em dia, por ter seu contador – Sr. Deolindo Gonçalves de Oliveira –  descumprido a obrigação assumida perante a contribuinte, fato que a Sra. Cátia Cilene da Costa  Santos só teve ciência por ocasião da intimação dos autos de infração. Disto, entende que há  responsabilidade  solidária  para  com  o  responsável  pela  escrita  fiscal  por  ato  doloso,  que  deveria ser demandado neste feito, nos termos do artigo 1.177 do Código Civil.  Aponta que a  lavratura  foi  feita  sem menção ao nome do contador,  e que este  seria a única pessoa capaz de elucidar divergências entre os valores apurados e poderia prestar  informações  sobre  os  livros  fiscais.  Traz  o  artigo  128  do  CTN,  indicativo  da  atribuição  de  responsabilidade  a  terceiro,  mencionando  doutrina  de  Luiz  Alberto  Gurgel  de  Faria  e  José  Alexandre Zapatero sobre o tema.  Fl. 435DF CARF MF Processo nº 11052.000990/2010­77  Resolução nº  1202­000.195  S1­C2T2  Fl. 19          18 Prossegue,  apontando  que  são  necessárias  duas  condições  para  a  responsabilidade  de  terceiro,  que  a  obrigação  não  possa  mais  ser  cumprida  pelo  próprio  contribuinte e que o terceiro tenha participado do ato que configure o fato gerador do tributo,  ou  tenha  se  omitido  indevidamente.  Nos  termos  do  artigo  135  do  CTN,  entende  que  responsabilidade nestes moldes só é admitida quando houve atuação com excesso de poderes  ou em infração à lei, ao contrato social ou aos estatutos. Destaca que a sócia minoritária, Cátia  Cilene,  que  detém  10%  do  Capital  Social,  não  poderia  responder  pela  dívida  que  não  deu  causa. Indica ser pacífico na jurisprudência que a omissão no pagamento, por si só não acarreta  a  responsabilidade  pessoal,  trazendo  o  artigo  136  do CTN quanto  as  infrações,  invocando  o  Princípio da Capacidade Contributiva contido no artigo 145, §1º.  Salienta ainda que, quando houve a intimação da Sra. Cátia, esta havia entregue  o  Termo  de  Intimação  Fiscal  nº  01  ao  sócio Majoritário  Sr.  Sylvio  de  Almeida  Júnior,  que  “informou  que  trataria  de  tudo  e  que  ela  não  precisaria  se  preocupar,  porque  estava  tudo  sobre controle”.  Assim,  requer  prazo  legal  para  dar  regularidade  à  escrituração  contábil  e  a  conseqüente apuração do IRPJ e reflexos.  Invoca  o  Princípio  da  Especialidade  em  relação  às  contribuições  devidas  ao  INSS,  impugnando  o  lançamento  destas,  pois  entende  que  o  sistema  do  Simples  instituiu  tratamento diferenciado aos seus optantes, motivo pelo qual, em virtude de atos praticados no  ano­ calendário de 2006, só poderia ser excluída em 2007, trazendo jurisprudência do Superior  Tribunal de Justiça que entende amparar seu entendimento.  Requer  o  afastamento  da  taxa  Selic  como  juros  moratórios,  invocando,  inicialmente,  neste  sentido  o  artigo  37  da  Constituição  Federal,  requerendo  a  aplicação  do  Princípio da Estrita Legalidade tributária e da Segurança Jurídica. Aponta que aludida  taxa é  aplicável exclusivamente às relações praticadas no âmbito do sistema financeiro nacional e que  não  fora  criada  com  fins  tributários,  mas  sim  para  remunerar  títulos  públicos  e  que,  sua  utilização  é  indevida  e  carente  de  amparo  legal  para  as  relações  tributárias,  motivos  que  amparam a declaração da ilegalidade de sua utilização como quer o fisco. Traz doutrina de José  Alexandre Zapatero, que indica que a utilização da taxa Selic contraria às disposições do artigo  161, §1º do CTN, por este possuir natureza de Lei Complementar. Acosta ainda decisões do  STJ e STF neste sentido.  Assim,  requer  o  recebimento  da  impugnação,  com  a  concessão  de  efeito  suspensivo e ao final cancelando­se o débito fiscal reclamado.  Pede  pelo  deferimento  do  prazo  de  6  meses  para  contabilização  da  movimentação  financeira  e  lançamento  de  imposto  por  parte  da  sócia  Sra.  Cátia  Cilene  da  Costa  Santos  ou  que,  em  caso  de  indeferimento,  que  eventual  condenação  seja  restrita  ao  percentual de participação societária desta, no caso, 10% do capital social.  Por  fim,  pugna  pelo  parcelamento  de  débito  fiscal  apurado,  no  máximo  permitido pela legislação em vigor.  A 4ª Turma da DRJ/RJ1, ao julgar o feito no acórdão nº 1236.831 (fls. 334/361),  entende ser o lançamento procedente.  Fl. 436DF CARF MF Processo nº 11052.000990/2010­77  Resolução nº  1202­000.195  S1­C2T2  Fl. 20          19 Afasta a alegação trazida pela contribuinte sobre o equívoco no preenchimento  da  DIPJ  2007  fora  causado  pelo  escritório  de  contabilidade,  devendo  a  esta  empresa  ser  atribuída a responsabilidade com base no artigo 1.177 do Código Civil e no artigo 135 do CTN,  eis que, na relação jurídica tributária estabelecida entre o fisco e a empresa, esta é  tida como  sujeito passivo da obrigação, nos termos do artigo 121 do CTN.  Indica  no  caso  concreto  a  inexistência  de  previsão  legal  de  atribuição  de  responsabilidade  tributária  ao  escritório  de  contabilidade,  e  que,  ainda  que  houvesse  algum  contrato  particular  entre  a  contribuinte  e  o  escritório  que  lhe  prestava  serviços  de  modo  a  transferir a responsabilidade tributária, tal avença seria tida como inexistente perante a Fazenda  Pública,  não  produzindo qualquer  efeitos,  nos  termos  do  artigo  123  do CTN. Nesse  sentido,  aponta  jurisprudência do Conselho de Contribuintes  (Recurso 087405 – Primeira Câmara do  Conselho de Contribuintes).  Afasta  ainda  a  incidência  do  Código  Civil  à  relação,  eis  que  a  discussão  no  presente  feito  é  regida  por  regras  de  direito  público,  previstas  no  Direito  Administrativo  e  Tributário.  Analisando o requerimento de exclusão da responsabilidade tributária imputado  à sócia da empresa – Cátia Cilene da Costa Santos, por sua qualidade de sócia minoritária e por  ter o outro sócio afirmado que “cuidaria de tudo”, indica que a referida senhora, junto com o  Sr.  Sylvio  de  Almeida  Junior  eram  sócios  e  responsáveis  pelas  obrigações  assumidas  pela  empresa, fossem as principais ou as acessórias, conforme o artigo 135, II e III e artigo 137, I,  todos do CTN.  Assinala  sua  adesão  ao  entendimento  de  que  “a  responsabilidade  tributária,  ainda que pessoal do autor do ato praticado com excesso de poderes ou infração de lei, contrato  social  ou  estatutos,  não  afasta  a  responsabilidade  da  pessoa  jurídica”,  citando  Luiz  Alberto  Gurgel de Faria e trazendo também a opinião de Hugo de Brito Machado.  Afirma  que,  ainda  que  haja  a  imputação  de  responsabilidade  pessoal  aos  indicados nos incisos do artigo 135 do CTN, não se afasta a responsabilidade da contribuinte  autuada  pela  aludida  responsabilização  pessoal,  havendo  na  hipótese  solidariedade  e  dando  maior garantia do recebimento do crédito tributário.  Deve­se considerar, portanto, correta a inclusão dos descritos no artigo 135 do  CTN,  justificando o  julgador a conjugação do citado artigo com os artigos 9º e 58 da Lei nº  9.784/1999, com observância da Portaria RFB nº 2.284/2010.   Prosseguindo sobre o tema, discorre sobre o que seria infração a lei, permissiva  da  responsabilidade.  Aponta  que  o  CTN  não  indica  a  lei  a  ser  infringida  para  imputar  a  responsabilidade das pessoas  indicadas no artigo 135, e que, em seu entender, “é  indubitável  que a falta de recolhimento do tributo, constitui, por si só, uma ilicitude, porquanto configura  o  descumprimento  de  um  dever  jurídico  decorrente  de  diversas  leis  tributárias”,  acostando  decisões do Poder Judiciário que entende ampararem sua pretensão. Indica ainda que a aludida  responsabilidade é subjetiva, e portanto, é imprescindível a demonstração de culpa a quem esta  fora imputada.  Acresce que a responsabilidade tributária  também fora fundamentada no artigo  137,  I  do  CTN,  pela  fiscalização,  apontando  que  este  dispositivo  atribui  a  responsabilidade  pessoal  ao  agente  em  caso  de  serem  as  infrações  tidas  como  crime  ou  contravenções,  Fl. 437DF CARF MF Processo nº 11052.000990/2010­77  Resolução nº  1202­000.195  S1­C2T2  Fl. 21          20 excetuando­se  destes  o  exercício  regular  da  administração.  Traz  doutrina  de  Renato  Lopes  Becho sobre o tema.  Assim, entende que é dever dos sócios saldar as obrigações inerentes a empresa,  não havendo de se falar em exclusão da responsabilidade da Sra. Cátia Cilene, especialmente  em  razão  da  omissão  do  sócio  –  gerente,  Sr.  Sylvio,  pelo  que  também  rejeita  o  pedido  de  exclusão da responsabilidade solidária.  Prossegue  indicando  que  se  deve  afastar  a  alegação  de  nulidade  dos  atos  praticados por Débora Albernaz de Souza  e por Diamantino dos Santos Neto,  invocada pela  não participação destes no contrato social,  já que a ciência dos  termos de  intimação  tomadas  por  empregado  do  interessado  é  válida.  Ainda,  aponta  que  aludidas  pessoas  exerciam,  ao  menos  em  aparência,  alguma  função  na  empresa,  eis  que  as  intimações  foram  efetuadas  de  forma pessoal (na sede da empresa) e, ante a teoria da aparência, estes estavam autorizados a  receber  intimações  para  apresentação  de  documentos  inerente  ao  prosseguimento  da  investigação fiscal, pelo que considera válidas as intimações efetuadas pela fiscalização.  Afasta  também  o  pleito  de  concessão  de  prazo  para  juntada  de  escrituração  contábil, por entender que  já houve tempo hábil para a prática de  tal ato e para apresentação  das justificativas para afastar a imputação fiscal e que, se fosse impossível a apresentação dos  aludidos documentos na impugnação, poderia trazê­los até antes do julgamento nos termos do  artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.  Traz  ainda  doutrina  contida  no  livro  Nulidades  no  Processo  Penal,  de  Ada  Pellegrini  Grinover,  Antônio  Scarance  Fernandes  e  Antônio Magalhães  Gomes  Filho,  cujos  preceitos  aplicam­se  subsidiariamente  ao  Processo Administrativo  Tributário. Disto,  entende  que na ausência de demonstração do prejuízo causado à defesa e ante a inércia do interessado,  afastando alegação de cerceamento de defesa e rejeitando a preliminar de nulidade examinada.  Em relação à apreciação de inconstitucionalidade, indica que esta não pode ser  efetuada  na  esfera  administrativa,  por  ultrapassar  os  limites  de  sua  competência  legal,  como  dispõe  o  Parecer  Normativo  CST  nº  329/1970.  Neste  passo,  indica  que  as  Delegacias  da  Receita  Federal  de  Julgamento,  como  órgão  de  jurisdição  administrativa,  restringem  sua  atuação  ao  exame  de  adequação  dos  atos  praticados  dos  agentes  com  a  lei  e  atos  administrativos competentes, nos termos do artigo 7º da Portaria MF nº 58, de 17 de março de  2006,  de  onde  entende  que  a  autoridade  administrativa  cabe  aplicar  a  legislação,  sem  emitir  juízo  de  valor  sobre  a  constitucionalidade ou  outros  aspectos  da validade,  função  restrita  ao  Poder  Judiciário.  Traz  jurisprudência  dos  Colegiados  Administrativos  sobre  a  questão,  especialmente a Súmula nº 2 do Primeiro Conselho de Contribuintes.  Tal situação é excepcionada pela existência de decisão em processo judicial que  a  interessada  tenha  participado  ou  de  decisão  definitiva  do  Supremo  Tribunal  Federal  que  declare  a  inconstitucionalidade  de  lei,  tratado  ou  ato  normativo,  nos  termos  do  artigo  4º,  parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997, afastando assim a arguição da contribuinte.  Ao analisar a questão da omissão de receitas apurada por depósitos bancários de  origem  não  comprovada,  indica  que  há  presunção  deste  fato,  eis  que  é  independente  da  contabilização dos depósitos e da qualidade de escrituração, nos termos do artigo 42 da Lei nº  9430/1996.  Aponta  que  o  mesmo  entendimento  é  dado  pela  jurisprudência  administrativa,  colacionando decisão. Assim, entende que referidos valores, devidamente apurados, constituem  fato gerador do imposto de renda, nos termos do artigo 43 do CTN.  Fl. 438DF CARF MF Processo nº 11052.000990/2010­77  Resolução nº  1202­000.195  S1­C2T2  Fl. 22          21 Indica  que,  com  a  edição  da  Lei  nº  9430/96,  houve  no  artigo  42  a  regulamentação  da  tributação  com  base  em  depósitos  bancários.  Neste  caso,  após  regular  intimação, se não houver comprovação da origem dos recursos, o fisco possui autorização para  proceder  ao  lançamento  destes  valores  como  omissão  de  receitas,  indicando  ainda  que  se  comprovado que  aludido  numerário  fora  proveniente  de  receitas  de Pessoa  Jurídica  sem que  fossem levados à conta de resultado, estes devem ser submetidos à tributação específica.  Aponta que a hipótese é caso de presunção legal de omissão de receitas, onde o  ônus da prova é expressamente transferido à contribuinte. Cita doutrina de José Luiz bulhões  Pedreira.   No caso  concreto,  após  fiscalização  e  regular  intimação pelo  fisco,  não  houve  comprovação por documentos hábeis e idôneos que apontassem os valores contidos na receita  bruta e origem dos créditos da conta­corrente examinada, de modo a afastar a presunção legal.  Citando  o  artigo  923  do  RIR/99,  indica  a  necessidade  de  comprovação  das  alegações  por  documentos hábeis.  Ante  a  situação, de não  comprovação da origem dos  recursos  em suas  contas,  entende  perfeitamente  cabível  a  autuação  com  base  no  artigo  42  da Lei  nº  9430/1996.  Traz  jurisprudência administrativa que entende amparar suas considerações.  Após a autuação, com o surgimento de nova base de cálculo, necessário o ajuste  percentual ante a nova receita bruta, resultando na infração de Insuficiência de Recolhimento.  Ao analisar a exclusão da interessada do Simples no ano de 2006, aponta como  correto o entendimento do contribuinte, já que em 2006 não houve exclusão da interessada do  Simples,  mencionando  que  os  autos  de  infração  foram  lavrados  “sob  a  ótica  simplificada,  havendo a participação de receitas para cada tributo de abrangência do DARF recolhido sob  código de receita 6106 (SIMPLES) faz alusão”.  Indica  que  pela  legislação  pertinente  ao  SIMPLES  (Lei  nº  9317/1996),  “a  mudança da base de cálculo até o limite atribuído à Empresa de Pequeno Porte (EPP), possui  um  percentual  sobre  a  receita  bruta  e  sobre  ele  incide  as  participações  para  cada  tributo/contribuição,  estando  entre  eles  a  contribuição  para  o  INSS”.  Assim,  entende  por  correta a aplicação da legislação pela fiscalização, eis que houve o ajuste das bases de cálculo  relativas às  infrações apuradas, utilizando para o cálculo do tributos/contribuições devidos os  percentuais previstos na legislação, indicando que a exclusão do Sistema SIMPLES só deveria  surtir efeitos para o ano­calendário subseqüente à ocorrência do fato gerador, no caso 2007.  Em  relação  a  aplicação  da  taxa  SELIC,  que  a  interessada  busca  afastar  no  presente  feito,  entende  que  quanto  aos  percentuais  de  juros  devem  ser  utilizados  como  parâmetro o CTN, artigo 161, §1º, e o artigo 61 da Lei nº 9430/1996. Da conjugação de  tais  dispositivos, decide que débitos a favor da União, decorrentes de tributos e contribuições, de  competência da SRF, sujeitam­se aos juros de mora equivalentes aos da taxa Selic (a partir de  1º  de  janeiro  de  1997),  acumulada  mensalmente,  até  o  último  dia  do  mês  anterior  ao  do  pagamento,  e  de  1% no mês  de  pagamento,  tendo  o  lançamento  se  adstrito  à  legislação  em  vigor sobre o tema.  Ainda,  indica  que  a  utilização  da  taxa  Selic  possui  entendimento  pacífico  na  jurisprudência do Conselho de Contribuintes, especialmente ante o teor do Enunciado nº 4 por  Fl. 439DF CARF MF Processo nº 11052.000990/2010­77  Resolução nº  1202­000.195  S1­C2T2  Fl. 23          22 ela expedido, o que leva a decisão recorrida a reconhecer como corretos os autos de infração  inclusive em relação aos juros de mora.  Analisa a questão da imposição da penalidade agravada e qualificada, invocando  de  início,  o  teor  do  artigo  44,  inciso  I,  §1º  e  2º,  da  Lei  n°  9.430/1996  e  a  justificativa  da  duplicação de percentual, conforme disposição dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964.  Indica que foram emitidas diversas intimações para a empresa e seus sócios, que, em resposta  tentaram desqualificar o trabalho fiscal, o que para o julgador só reforça o escopo de obstruir a  atuação do fisco. Entende que, quanto à infração de omissão de receitas, “a tentativa por parte  dos sócios da empresa de impedir o Fisco de concluir o seu trabalho, em face da ausência de  respostas  às  intimações,  bem  como  das  mudanças  de  endereço  da  empresa  e  do  sócio  majoritário  e  da  tentativa  de  desqualificação  dos  funcionários  quando  do  recebimento  das  intimações, somando­se a isso o fato de que as discrepâncias entre os valores declarados na  DIPJ e àqueles constantes nos extratos bancários da conta corrente da empresa interessada,  leva  à  manutenção  da  qualificação  da  multa  bem  como  do  seu  agravamento,  devendo  ser  mantido o percentual de 225% para estes casos, conforme o disposto nos autos de infração.”  O Recurso Voluntário da Sra. Cátia Cilene da Costa Santos contra à decisão foi  apresentado em 07.08.12.  Invocando a Responsabilidade Solidária dos Sócios contida no artigo 135, III do  CTN, destaca de  início, que ao determinar a  responsabilidade ao responsável  tributário, seria  caracterizadora  de  despersonalização  da  pessoa  jurídica,  nas  hipóteses  ali  listadas,  sem  as  quais, não haveria de se falar em desconsideração da personalidade jurídica.  Informa que passou a integrar a empresa autuada como sócia minoritária (com  averbação  na matricula  em  5.10.2006),  sendo  que  o  outro  sócio,  Sylvio  de Almeida  Júnior,  ocupava o cargo de “Presidente e sócio majoritário” responsável por responder pela sociedade  ativa e passivamente, em “juízo ou fora dela”.  Indica  que  os  administradores,  independente  da  sua  responsabilidade  pela  integralização do capital social se forem sócios, somente respondem por obrigações tributárias  contraídas no período de sua gestão, nos termos do artigo 128 do CTN.   Destaca neste ponto, que, embora fizesse parte do grupo societário à época dos  fatos geradores aqui discutidos, não há provas de que tenha participado dos atos de gerência,  tampouco agindo com o excesso de poder ou infração à lei ou ao estatuto, não havendo o que  contestar quanto a cobrança de débitos ocorridos em período anterior a sua entrada na empresa.  Informa ainda que nunca praticou ou exerceu ato de administração na empresa,  justificando  tal  fato  com  informações  trazidas  com  a  Declaração  Simplificada  da  Pessoa  Jurídica – ano­calendário 2007, onde aparece como responsável e representante o Sr. Sylvio de  Almeida Junior, igualmente indicado com 90% dos rendimentos dos sócios, tendo a recorrente  apenas 10% do capital social.  Aponta que toda a ação fiscal se deu com conhecimento e participação direta do  Sr. Sylvio, e  feito à  revelia da recorrente. Traz  também a  informação contida em fls. 31­103  (laudo do Banco Unibanco), onde os representantes são Sr. Jorge dos Santos e o Sr. Sylvio.  Fl. 440DF CARF MF Processo nº 11052.000990/2010­77  Resolução nº  1202­000.195  S1­C2T2  Fl. 24          23 Ante tais fatos, é claro que a efetiva gerência e administração do negócio eram  de  responsabilidade do sócio majoritário,  configurando seu CPF como o de  responsável pela  empresa Top Line Ltda.  Por conta disto, entende a recorrente que não se deve imputar responsabilidade a  ela, que detém somente o poder de direito, mas não de  fato, por não possuir autonomia para  exercer  gerência  na  sociedade  devedora,  especialmente  porque  não  há  quaisquer  indícios  de  que teria incorrido nas hipóteses previstas no artigo 135, III, do CTN. Destaca que, ante o caso  concreto, que só é possível a  inclusão no pólo passivo da ação fiscal acionista com poder de  controle da empresa. Traz jurisprudência do STJ, informativa da necessidade de configuração  de  atos  praticados  com  excesso  de  poderes,  infração  à  lei,  contrato  social  ou  estatuto  para  inclusão de sócio nos débitos.  Prossegue,  informando  quanto  à  dissolução  irregular  da  sociedade,  que  conforme  entendimentos  jurisprudenciais,  a  responsabilidade  só  pode  ser  atribuída  ao  administrador que exerce de fato poderes de gerência na sociedade e, não havendo condutas ao  arrepio da lei, não há de se falar em responsabilização pessoal dos dirigentes.  Ainda,  indica que,  em caso de desconsideração  da personalidade  jurídica,  esta  deve ser  feita em função do poder de controle societário, devendo recair  sobre tais membros  esta responsabilização, que não pode ser imposta devido somente à condição de cotista.  Diz  também que a mera  qualidade  de  administrador  também não  é  suficiente,  sendo  necessário  que  este  atue  com  poder  de  gerência  e  que  conduza  a  sociedade  a  atos  infringentes de lei, contrato social ou estatutos. Traz doutrina de Bernardo Ribeiro Moraes.  Pugna pela ocorrência de cerceamento de defesa, aduzindo, de início, que para a  efetivação  plena  da  defesa  e  do  contraditório,  o  auto  de  infração  deve  ser  lógico,  objetivo,  preciso  e  explícito,  devendo  capitular  corretamente  os  dispositivos  tidos  como  infringidos.  Assim, em face da total ausência de participação da recorrente nos negócios da empresa, “esta  se viu com seus direitos cerceados devido à falta de informação sobre os acontecimentos que  geraram  a  lavratura  do  auto  de  infração...”.  Invoca  o  artigo  5º,  LIV  e  LV  da Constituição  Brasileira e lições de Magalhães Noronha.  Aduz que é inconcebível sua inclusão no pÓlo passivo, porque sempre zelou por  suas obrigações  fiscais,  e que os atos praticados contra ela  encontram­se eivados de vícios e  com cerceamento à sua defesa e que nada deve ao fisco.  Invoca  exagero  na  penalidade  aplicada,  eis  que  o  Fisco  teria  aplicado  multa  agravada de 225%, apenas baseando­se em presunções quanto ao aludido “evidente intuito de  fraude”,  sem  que  houvesse  esta  comprovação,  especialmente  em  relação  às  ações  da  requerente,  informando  que,  em  casos  onde  ocorre  fraude,  o  dolo  deve  ser  comprovado  de  maneira inquestionável, o que não ocorreu no caso presente.  Indica que é função das autoridades fiscais zelar pela primazia da lei, devendo  manter estreita relação com os fatos que efetivamente ocorreram. Disto, indica que nada do que  fora  relatado no Auto de  Infração aponta para  conduta dolosa ou  intuito de  fraude,  sem que  ainda  haja  prova  documental  que  justificasse  a  aplicação  da  multa  qualificada,  imposta  em  valor  exorbitante.  Traz  jurisprudência  administrativa,  que  demonstra  a  necessidade  de  perquirir, na situação concreta, a ocorrência de dolo ou culpa do agente.  Fl. 441DF CARF MF Processo nº 11052.000990/2010­77  Resolução nº  1202­000.195  S1­C2T2  Fl. 25          24 Ressalta,  quanto  ao  valor  da  penalidade,  a  necessidade  de  respeito  de  proporcionalidade  entre  o  dano  e  o  ressarcimento,  conforme  magistério  de  Sacha  Calmon  Navarro.  Pelo  exposto,  pugna  pela  nulidade  dos  autos,  pela  ocorrência  de  vícios  insanáveis,  especialmente  quanto  à  prova  das  alegações,  pela  imposição  de  multa  agravada  indevidamente  aplicada  e  pela  arbitrária  inclusão  da  recorrente  no  pólo  passivo.  Traz  jurisprudência administrativa sobre o tema, sem citar fontes.  Aponta que o lançamento, por ser ato administrativo, pode ser nulo ou anulável,  mas não revogado, como reza o entendimento Supremo Tribunal Federal, contido na Súmula nº  473.  Informa  que  o  ato  será  nulo  na  ocorrência  de  vício  profundo  que  comprometa  o  ato  administrativo, com efeitos ex­tunc. Explana também sobre o ato anulável e as razoes de sua  anulabilidade,  para  por  fim,  entender  por  inconcebível  a  cobrança  efetuada  pelo  auto  de  infração discutido.  Ainda,  aduz  que  o  débito  fiscal  aqui  discutido  afronta  a  razoabilidade  e  a  proporcionalidade, motivo pelo qual não merece prosperar.  Busca  o  provimento  do  recurso  para  que  seja  acatada  a  integralidade  da  impugnação e a exclusão da recorrente Cátia Cilene da Costa do pólo passivo do processo, por  não ser qualificada como responsável tributária, nos termo do artigo 135, III do CTN.  É o relatório.  VOTO   Como já relatado, o presente processo trata de lançamento fiscal para exigência  dos tributos sujeitos à sistemática do SIMPLES, face a ocorrência da presunção de omissão de  receitas (artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996) ao ser constatado, pela fiscalização, a existência de  movimentação financeira bancária, em nome da empresa, sem comprovação da origem.  Como  consta  do  Termo  de  Verificação  Fiscal,  fls  231,  ao  Unibanco  S/A  foi  solicitado apresentar os extratos com a movimentação financeira bancária mediante a emissão,  pela  autoridade  fiscal,  de  Requisição  de  Informações  sobre Movimentação  Financeira­RMF,  nos termos do artigo 6° da Lei Complementar n° 105, de 2001, regulamentado pelo Decreto n°  3.724, de 2001.  A recorrente não se manifestou acerca da matéria relativa à licitude da obtenção  dos  extratos  bancários  que  serviram  de  base  para  a  apuração  da  presunção  de  omissão  de  receitas.  Todavia,  em  que  pese  existir  autorização  legal  para  a  requisição  desses  extratos  bancários diretamente às  instituições  financeiras, discute­se atualmente no Supremo Tribunal  Federal­STF  a  constitucionalidade  da  quebra  do  sigilo  bancário  sem  autorização  judicial,  matéria  examinada  em  sede  do  Recurso  Extraordinário­RE  601314,  o  qual  teve  sua  “repercussão  geral”  reconhecida  em  23/10/2009.  Pela  consulta  efetuada  no  sítio  do  STF  na  internet, revela que o processo ainda aguarda julgamento do mérito assim registrado:  RE  601314  RG  /  SP  ­  SÃO  PAULO  REPERCUSSÃO  GERAL  NO  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO  Relator(a):  Min.  RICARDO  LEWANDOWSKI  Julgamento:  22/10/2009  Publicação  DJe­218  DIVULG  19­11­2009  PUBLIC  20­11­2009  EMENT  VOL­02383­07  PP­01422  EMENTA:  CONSTITUCIONAL.  SIGILO  BANCÁRIO.  Fl. 442DF CARF MF Processo nº 11052.000990/2010­77  Resolução nº  1202­000.195  S1­C2T2  Fl. 26          25 FORNECIMENTO  DE  INFORMAÇÕES  SOBRE  MOVIMENTAÇÃO  BANCÁRIA  DE  CONTRIBUINTES,  PELAS  INSTITUIÇÕES  FINANCEIRAS,  DIRETAMENTE  AO  FISCO,  SEM  PRÉVIA  AUTORIZAÇÃO  JUDICIAL  (LEI  COMPLEMENTAR  105/2001).  POSSIBILIDADE  DE  APLICAÇÃO  DA  LEI  10.174/2001  PARA  APURAÇÃO  DE  CRÉDITOS  TRIBUTÁRIOS  REFERENTES  A  EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA  JURÍDICA  DA  QUESTÃO  CONSTITUCIONAL.  EXISTÊNCIA  DE  REPERCUSSÃO GERAL.  Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da  questão  constitucional  suscitada.  Não  se  manifestaram  os  Ministros  Cármen Lúcia  e Cezar Peluso. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI  Relator (destaquei)  Como  se  trata  de  matéria  com  repercussão  geral  reconhecida,  parece  ser  razoável, e prudente, aguardar a decisão da E. Suprema Corte acerca da constitucionalidade dos  meios  de  prova  obtidos  no  presente  processo  (extratos  bancários),  evitando­se,  assim,  a  anulação do lançamento por vício na obtenção das provas.  O  Regimento  Interno  do  STF­  RISTF,  em  seu  art.  328,  abaixo  reproduzido,  determina  que  todos  os  demais  recursos  extraordinários,  com  questão  idêntica,  sejam  sobrestados, até que o Supremo Tribunal Federal decida os que tenham sido selecionados como  representativos da causa:   Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível  de reproduzir­se em múltiplos feitos, a Presidência do Tribunal ou o(a)  Relator(a),  de  ofício  ou  a  requerimento  da  parte  interessada,  comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de  que  observem o  disposto  no  art.  543­B do Código  de Processo Civil,  podendo pedir­lhes  informações,  que  deverão  ser  prestadas  em cinco  dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica.  Parágrafo  único.  Quando  se  verificar  subida  ou  distribuição  de  múltiplos  recursos  com  fundamento  em  idêntica  controvérsia,  a  Presidência  do  Tribunal  ou  o(a)  Relator(a)  selecionará  um  ou  mais  representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos  tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos  parágrafos do art. 543­B do Código de Processo Civil.  Art.  328­A.  Nos  casos  previstos  no  art.  543­B,  caput,  do  Código  de  Processo  Civil,  o  Tribunal  de  origem  não  emitirá  juízo  de  admissibilidade sobre os recursos extraordinários já sobrestados, nem  sobre  os  que  venham  a  ser  interpostos,  até  que  o  Supremo  Tribunal  Federal  decida  os  que  tenham  sido  selecionados  nos  termos  do  §  1º  daquele artigo. (destaque meus)  Da  leitura  acima,  percebe­se  que  a  própria  Corte  Superior  determina  o  sobrestamento  dos  processos  judiciais  em  trâmite  na  esfera  daquele  poder  até  decisão  final,  pelo Supremo Tribunal Federal, da matéria com repercussão geral.  Isso decorre em razão do  atendimento aos princípios da eficiência e da economia processual com o objetivo de melhor  atender ao interesse público.  Fl. 443DF CARF MF Processo nº 11052.000990/2010­77  Resolução nº  1202­000.195  S1­C2T2  Fl. 27          26 Assim,  por  uma questão  de  economia  processual,  tendo  como objetivo  afastar  possíveis  prejuízos  para  todas  as  partes,  Fazenda, Contribuinte  e  a movimentação  de  toda  a  máquina  do  próprio  Poder  Judiciário,  caso  ocorra  a  impetração  de  alguma  ação  judicial  a  respeito da exigência aqui discutida, tem­se como mais do que razoável, e prudente, aguardar a  decisão  do  E.  Supremo  Tribunal  Federal  acerca  da  “licitude  da  obtenção  dos  extratos  bancários”, evitando­se possível anulação do processo por vício na obtenção das provas.   Com efeito, o artigo 62­A, §1º do RICARF (Portaria MF nº 256, de 22 de Junho  de 2009 e alterações), estabelece o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o  STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria:  Art. 62­A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo  Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543­B e 543­ C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos no âmbito do CARF.  §  1º  Ficarão  sobrestados  os  julgamentos  dos  recursos  sempre  que  o  STF  também  sobrestar  o  julgamento  dos  recursos  extraordinários  da  mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543­ B. {2} Já a Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, no seu art.  2º,  §  2o,  inciso  I,  prevê  a  hipótese  de  que  o  sobrestamento  seja  apreciado durante a sessão de julgamento:  Art. 2o. Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício  ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsuma­se, em  tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1o.  §  1o.  No  caso  da  identificação  se  verificar  antes  da  sessão  de  julgamento do processo:  I­  o  conselheiro  relator  deverá  elaborar  requerimento  fundamentado  ao  Presidente  da  respectiva  Turma,  sugerindo  o  sobrestamento  do  julgamento do recurso do processo;  II­ o Presidente da Turma, com base na competência de que trata o art.  17,  caput  e  inciso  VII,  do  Anexo  II  do  RICARF,  determinará,  por  despacho:  a)o  sobrestamento  do  julgamento  do  recurso  do  processo;  ou  b)o  julgamento do recurso na situação em que o processo se encontra.  § 2o. Sendo suscitada a hipótese de sobrestamento durante a sessão de  julgamento  do  processo,  o  incidente  deverá  ser  julgado  pela  Turma,  que poderá:  I­  decidir  pelo  sobrestamento  do  processo  do  julgamento  do  recurso,  mediante  resolução;  ou  II­  recusar  o  sobrestamento  e  realizar  o  julgamento do recurso.  § 3o. Na ocorrência de sobrestamento, nos termos dos §§ 1o e 2o, as  respectivas  Secretarias  de  Câmara  deverão  receber  os  processos  e  mantê­los  em  caixa  específica,  movimentando­os  para  a  atividade  SOBRESTADO. (grifei)  Fl. 444DF CARF MF Processo nº 11052.000990/2010­77  Resolução nº  1202­000.195  S1­C2T2  Fl. 28          27 Por tratar­se de matéria a ser apreciada pelo E. Supremo Tribunal Federal no rito  da  Repercussão  Geral  (licitude  da  obtenção  dos  extratos  bancários),  o  próprio  RICARF  recomenda o sobrestamento do processo (art. 62­A, § 1º do RICARF), sendo que essa hipótese  poderá ser apreciada durante a sessão de julgamento Turma de julgamento, nos termos do art.  2º, § 2o, inciso I, da Portaria CARF nº 001, de 2012.  Em  vista  do  exposto,  proponho  que  seja  determinado  o  sobrestamento  do  julgamento  do  recurso  voluntário,  até  que  seja  proferida  decisão  nos  autos  do  Recurso  Extraordinário­RE 601314, em trâmite perante o E. Supremo Tribunal Federal.   (documento assinado digitalmente)   Nereida de Miranda Finamore Horta, relatora      Fl. 445DF CARF MF

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Numero do processo: 19740.000674/2008-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005, 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONTRIBUINTE. DECISÃO EXTRA PETITA. COM EFEITOS INFRINGENTES Os embargos de declaração são cabíveis quando a decisão embargada extrapola a matéria que lhe competia examinar. A parte do crédito tributário, referente à exigência de CSLL, exonerada pela DRJ, se tornou definitiva, tendo em vista que o montante exonerado estava abaixo do limite de alçada. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONTRIBUINTE. OMISSÃO. SEM EFEITOS INFRINGENTES Os embargos de declaração são cabíveis em face de obscuridade, ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma (art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Ocorrendo a omissão apontada pelo contribuinte devem ser acolhidos para sanar a omissão apontada, sem efeitos modificativos, de forma a manter a decisão que aplicou a limitação da multa isolada à CSLL efetivamente devida ao final do período.
Numero da decisão: 1301-002.814
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios para: (i) com efeitos infringentes, afastar a parte do acórdão que restabelecia decisão da DRJ não passível de reexame pelo CARF; e (ii) sem efeitos infringentes, suprir as omissões apontadas, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA

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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005, 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONTRIBUINTE. DECISÃO EXTRA PETITA. COM EFEITOS INFRINGENTES Os embargos de declaração são cabíveis quando a decisão embargada extrapola a matéria que lhe competia examinar. A parte do crédito tributário, referente à exigência de CSLL, exonerada pela DRJ, se tornou definitiva, tendo em vista que o montante exonerado estava abaixo do limite de alçada. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONTRIBUINTE. OMISSÃO. SEM EFEITOS INFRINGENTES Os embargos de declaração são cabíveis em face de obscuridade, ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma (art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Ocorrendo a omissão apontada pelo contribuinte devem ser acolhidos para sanar a omissão apontada, sem efeitos modificativos, de forma a manter a decisão que aplicou a limitação da multa isolada à CSLL efetivamente devida ao final do período.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios para: (i) com efeitos infringentes, afastar a parte do acórdão que restabelecia decisão da DRJ não passível de reexame pelo CARF; e (ii) sem efeitos infringentes, suprir as omissões apontadas, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.

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1301­002.814  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  12 de março de 2018  Matéria  EMBARGOS DECLARAÇÃO CONTRIBUINTE  Embargante  SUL AMERICA COMPANHIA DE SEGUROS GERAIS  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2005, 2006  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO  CONTRIBUINTE.  DECISÃO  EXTRA  PETITA. COM EFEITOS INFRINGENTES  Os  embargos  de  declaração  são  cabíveis  quando  a  decisão  embargada  extrapola a matéria que lhe competia examinar. A parte do crédito tributário,  referente  à  exigência  de  CSLL,  exonerada  pela  DRJ,  se  tornou  definitiva,  tendo em vista que o montante exonerado estava abaixo do limite de alçada.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO  CONTRIBUINTE.  OMISSÃO.  SEM  EFEITOS INFRINGENTES  Os  embargos  de  declaração  são  cabíveis  em  face  de  obscuridade,  ou  contradição  entre  a  decisão  e  os  seus  fundamentos,  ou  for  omitido  ponto  sobre o qual devia pronunciar­se a turma (art. 65 do Anexo II do Regimento  Interno do CARF.   Ocorrendo  a  omissão  apontada  pelo  contribuinte  devem  ser  acolhidos  para  sanar  a  omissão  apontada,  sem  efeitos  modificativos,  de  forma  a manter  a  decisão que aplicou a limitação da multa isolada à CSLL efetivamente devida  ao final do período.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher  os  embargos  declaratórios  para:  (i)  com  efeitos  infringentes,  afastar  a  parte  do  acórdão  que  restabelecia  decisão  da  DRJ  não  passível  de  reexame  pelo  CARF;  e  (ii)  sem  efeitos  infringentes, suprir as omissões apontadas, nos termos do voto do relator.   (assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 06 74 /2 00 8- 34 Fl. 612DF CARF MF Processo nº 19740.000674/2008­34  Acórdão n.º 1301­002.814  S1­C3T1  Fl. 612          2 Fernando Brasil de Oliveira Pinto ­ Presidente  (assinado digitalmente)  José Eduardo Dornelas Souza ­ Relator  Participaram  do  presente  julgamento  os Conselheiros Roberto  Silva  Junior,  José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de  Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando  Brasil de Oliveira Pinto.  Relatório  Tratam  os  presentes  de  embargos  de  declaração  opostos  pelo  contribuinte  acima  identificado,  em  face  do  acórdão  nº  1803­002.100,  prolatado  pela  então  3ª  Turma  Especial desta Seção de Julgamento, na sessão de 12 de março de 2014.  O acórdão embargado foi assim ementado:   ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Exercício: 2005, 2006  TRIBUTO  COM  EXIGIBILIDADE  SUSPENSA  INDEDUTIBILIDADE  Os  tributos  e  contribuições  que  estejam  com  exigibilidade  suspensa,  nos  termos  do  art.  151  do  CTN,  são  indedutíveis  na  apuração da base  de  cálculo  da CSLL,  conforme  regra  do art.  13, inciso I, da Lei 9.249/95.  Uma  vez  constatada  a  dedução  indevida,  é  necessária  a  verificação  da  situação  da  demanda  judicial  para  determinar  qual procedimento a ser adotado durante a ação fiscal.  Alega a embargante que o aresto combatido padece de vícios que especifica,  devendo serem admitidos para (i) adequar­se ao que efetivamente está em discussão, pois ao se  pronunciar sobre o lançamento para a cobrança da CSLL, o citado acórdão foi maculado pelo  vício  da  nulidade,  por  tratar­se  de  decisão  extra­petita;  (ii)  suprir  as  omissões  apontadas  relativas à aplicação da multa isolada decorrente de estimativas não recolhidas.  Suscita,  resumidamente,  que  a  decisão  de  primeira  instância,  ao  apreciar  a  impugnação  apresentada,  julgou  improcedente  o  lançamento  para  a  cobrança  da  CSLL  e  procedente o lançamento para a cobrança de multa, tornando­se definitiva a decisão que julgou  improcedente  a  cobrança  de  CSLL,  em  face  do  valor  exonerado  ter  sido  inferior  ao  limite  previsto em legislação vigente à época. No que tange a parte que restou vencida, qual seja, a  aplicação da multa isolada com fulcro na letra "b" do inciso II, do artigo 44 da Lei nº 9.430/96,  noticia que ingressou com o competente Recurso Voluntário, apresentando suas considerações  sobre o tema, porém alega que elas não foram analisadas, por não haver quaisquer comentários  a  elas  na  parte  expositiva  do  voto,  havendo  apenas,  quando  da  formulação  da  ementa,  acolhimento  parcial  de  uma de  suas  alegações,  porém,  sem  explicar  como  se  chegou  àquela  conclusão.  Fl. 613DF CARF MF Processo nº 19740.000674/2008­34  Acórdão n.º 1301­002.814  S1­C3T1  Fl. 613          3  Às fls. 544 a 547, encontra­se o Despacho de Admissibilidade de Embargos,  mediante o qual foram admitidos, para submetê­los à apreciação do Colegiado.  É o relatório.  Voto             Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator  Os  embargos  são  tempestivos  e  atendem  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade previstos no vigente Regimento Interno do CARF, razão pela qual os conheço  e passo a analisá­los.  Primeiramente, necessário delimitar a lide.   Delimitação da lide  O objeto do  lançamento  foi  crédito  tributário de CSLL dos  anos de 2004 e  2005, motivado pela falta de adição ao lucro liquido das despesas com pagamento de PIS e de  COFINS,  que,  ao  tempo dos  fatos,  se  encontravam com exigibilidade  suspensa por  força  de  liminar em ação judicial. A par da exigência do tributo, foi "aplicada multa isolada em relação  à desconsideração pelo contribuinte dessas despesas na apuração das estimativas calculadas  mensalmente com base em balancetes de suspensão e redução, conforme demonstrativos de fls.  82 e 83". (e­fls. 94 ­ TVF).  Impugnado o lançamento, os autos foram remetidos à DRJ ­ Rio de Janeiro I,  que  deu  provimento  parcial  à  impugnação,  excluindo  o  crédito  tributário  relativo  à  CSLL,  porém mantendo a integralidade da multa isolada. Entendeu aquele colegiado que, à época do  lançamento,  já  existindo  trânsito  em  julgado  da  decisão  que  considerou  devidos  o  PIS  e  a  COFINS, a irregularidade tributária passível de autuação seria apenas a postergação do tributo  devido, jamais a falta de adição de créditos tributários com exigibilidade suspensa.  Desse modo, em relação à exigência de CSLL, de fato, tornou­se definitiva a  decisão  proferida  na  primeira  instância  administrativa,  uma  vez  que,  tendo  em  vista  o  valor  envolvido, o recurso de ofício se mostrou incabível, impossibilitando discussão sobre esta parte  do  lançamento  neste  Conselho.  A  parte  controversa  encontra­se  limitada  à  aplicação  da  multa  isolada com fulcro na  letra "b" do  inciso II, do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, por  falta  de  recolhimento  de  estimativas  dos meses  de  janeiro  a maio  de  2004  e  fevereiro,  março, maio, junho, outubro a dezembro de 2005.  Irresignada  contra  a manutenção  da  referida multa  isolada,  foi  apresentado  recurso  voluntário,  onde  o  contribuinte  pugnou  por  seu  reexame,  porém,  ao  apreciá­lo,  a  extinta  3ª  Turma  Especial  decidiu,  por  voto  de  qualidade,  negar  provimento  ao  recurso  voluntário e, assim, não admitiu a dedução dos depósitos  judiciais  (tributo com exigibilidade  suspensa)  da  base  de  cálculo  da  CSLL.  Entretanto,  deu  provimento  parcial  ao  recurso  para  limitar a multa isolada à CSLL efetivamente devida no final do período.  Inconformado  com  o  decisium,  o  contribuinte  apresenta  embargos  de  declaração,  alegando  que  o  aresto  combatido  padece  de  vícios  que  especifica,  devendo  (i)  adequar­se ao que efetivamente está em discussão, pois ao se pronunciar sobre o lançamento  Fl. 614DF CARF MF Processo nº 19740.000674/2008­34  Acórdão n.º 1301­002.814  S1­C3T1  Fl. 614          4 para a cobrança da CSLL, entende que o citado acórdão foi maculado pelo vício da nulidade,  por tratar­se de decisão extra­petita; (ii) ser suprida as omissões apontadas relativas à aplicação  da multa isolada decorrente de estimativas não recolhidas.  Em  seguida,  foi  proferido  o  Despacho  de  Admissibilidade  de  Embargos,  mediante o qual foram admitidos, para submetê­los à apreciação do Colegiado.  Assim,  delimitada  a  lide,  passo  a  analisar  dos  embargos  de  declaração  opostos pelo contribuinte.  Da Análise dos Embargos de Declaração   Como se viu, ao apreciar o recurso apresentado, a 3ª Turma Especial desta 1ª  Seção de Julgamento, pronunciou­se sobre matéria incontroversa, não devolvida, que não cabia  mais discussão, decidindo pela procedência da cobrança da CSLL. Com esta iniciativa, com a  devida vênia, "ressuscitou" matéria "morta", através de um pronunciamento intempestivo.   De fato, parte do crédito tributário, referente à exigência de CSLL, exonerada  pela DRJ,  se  tornou  definitiva,  tendo  em  vista  que  o montante  exonerado  estava  abaixo  do  limite de alçada. Portanto, nesse ponto, a decisão da DRJ deve ser restabelecida.  Além desse equívoco, ainda há que se corrigir o vício de omissão apontado  pelo embargante: pelo que se colhe do resultado do julgamento, aquele Colegiado decidiu por  limitar a multa isolada ao valor da CSLL efetivamente devida ao final do período, porém, não  apresentou  qualquer  fundamento  sobre  esta  decisão.  Em  função  disso,  a  Turma  silenciou­se  quanto aos fundamentos da decisão sobre a multa isolada aplicada.   Em  primeiro  lugar,  não  procede  a  alegação  de  impossibilidade  de  concomitância  de multa  isolada  com  a multa  de  ofício  vinculada  ao  tributo.  É  que,  no  caso  concreto,  ao  ser  afastada  a  exigência  da  CSLL  (o  principal),  a  mesma  sorte  tiveram  os  acessórios,  ou  seja,  os  juros  de  mora  e  a  multa  de  75%.  Portanto,  do  crédito  tributário  inicialmente  lançado,  remanesceu  apenas  a  multa  isolada,  sem  qualquer  cumulação  com  qualquer outra multa.  No que tange aos fundamentos a serem adotados para dar suporte à decisão  que  limitou a multa  isolada à CSLL efetivamente devida ao  final do período, adota­se como  razões de decidir o entendimento consagrado na ementa do Acórdão nº 103­22466, trazido pela  própria embargante, e cujo teor vai abaixo reproduzido:  IRPJ.  RECOLHIMENTO  POR  ESTIMATIVA.  MULTA  ISOLADA.  Conforme precedentes desta E. Câmara (v.g., Recurso 124.946),  a  exigência  da  multa  de  lançamento  de  ofício  isolada,  sobre  diferenças de Imposto de Renda Pessoa Jurídica não recolhidas  mensalmente,  somente  faz  sentido  se  operada  no  curso  do  próprio  ano­calendário  ou,  se  após  o  seu  encerramento,  se  da  irregularidade praticada pela contribuinte (falta de recolhimento  ou  recolhimento  a  menor)  resultar  prejuízo  ao  fisco,  como  a  insuficiência  de  recolhimento  mensal  frente  à  apuração,  após  encerrado o ano­calendário, de  imposto devido maior do que o  recolhido  por  estimativa.  Recurso  parcialmente  provido  para  Fl. 615DF CARF MF Processo nº 19740.000674/2008­34  Acórdão n.º 1301­002.814  S1­C3T1  Fl. 615          5 fazer  incidir  a  multa  isolada  apenas  sobre  o  valor  do  IRPJ  informado  pela  contribuinte  na  declaração  de  ajuste  anual  (DIPJ) dos anos­base respectivos, ante a época da lavratura do  lançamento e o não­pagamento de quaisquer quantias a título de  IRPJ por  estimativa  pelo  contribuinte  nos  período  assinalados.  (Publicado no D.O.U. nº 128 de 06/07/06.)  Conclusão  Pelo  exposto,  voto  por  acolher  os  embargos  declaratórios  para:  (i)  com  efeitos infringentes, afastar parte do acórdão que tratava da primeira infração, que não faz parte  do  litígio  no  CARF;  e  (ii)  sem  efeitos  infringentes,  para  manter  a  decisão  que  aplicou  a  limitação da multa isolada à CSLL efetivamente devida ao final do período.  (assinado digitalmente)  José Eduardo Dornelas Souza                                Fl. 616DF CARF MF

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7279852 #
Numero do processo: 19515.721280/2014-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 2010 APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. LANÇAMENTO. NULIDADE. É nulo, por vício material, o lançamento que não especifica de forma satisfatória, as rubricas que integram a base de cálculo utilizada para aferir o tributo devido. RECOLHIMENTOS EFETUADOS. CONTRIBUINTES ESPECÍFICOS. GPS APROPRIADA. Ainda que os registros do contribuinte apontem que o tributo devido relacionado a contribuinte específico foi recolhido, não há que alterar o lançamento se tais valores foram devidamente apropriados pelo Agente Fiscal. DOCUMENTOS PROBATÓRIOS. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte apresentar comprovação de fatos modificativos, extintivos ou impeditivos do direito de crédito constituído pelo Fisco. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO NA DIRF. Constatado erro de enquadramento de rendimento na DIRF que serviu de lastro para o lançamento de contribuições previdenciárias sobre rendimentos pagos a contribuintes individuais, já que se ajustar o lançamento excluindo-se os valores que, comprovadamente, não devem integrar a base de cálculo do tributo previdenciário.
Numero da decisão: 2201-004.369
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, também por unanimidade de votos, em conhecê-lo e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para afastar a imposição fiscal previdenciária incidente sobre os pagamentos efetuados à Sra. Sandra Soares de Souza Schulze, incluída no Levantamento CI - Contribuintes Individuais. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1846; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T1  Fl. 5.241          1 5.240  S2­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19515.721280/2014­25  Recurso nº               De Ofício e Voluntário  Acórdão nº  2201­004.369  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  03 de abril de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS  Recorrentes  ACCENTURE DO BRASIL LTDA               FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Ano­calendário: 2010  APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. LANÇAMENTO. NULIDADE.  É  nulo,  por  vício  material,  o  lançamento  que  não  especifica  de  forma  satisfatória, as rubricas que integram a base de cálculo utilizada para aferir o  tributo devido.  RECOLHIMENTOS  EFETUADOS.  CONTRIBUINTES  ESPECÍFICOS.  GPS APROPRIADA.  Ainda  que  os  registros  do  contribuinte  apontem  que  o  tributo  devido  relacionado  a  contribuinte  específico  foi  recolhido,  não  há  que  alterar  o  lançamento  se  tais  valores  foram  devidamente  apropriados  pelo  Agente  Fiscal.  DOCUMENTOS PROBATÓRIOS. ÔNUS DA PROVA.  Cabe  ao  contribuinte  apresentar  comprovação  de  fatos  modificativos,  extintivos ou impeditivos do direito de crédito constituído pelo Fisco.  CONTRIBUINTES  INDIVIDUAIS.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO NA DIRF.  Constatado  erro  de  enquadramento  de  rendimento  na  DIRF  que  serviu  de  lastro para o lançamento de contribuições previdenciárias sobre rendimentos  pagos a contribuintes individuais, já que se ajustar o lançamento excluindo­se  os valores que, comprovadamente, não devem integrar a base de cálculo do  tributo previdenciário.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os membros  do  colegiado,    por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso de ofício. Quanto  ao  recurso voluntário,  também por unanimidade de     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 12 80 /2 01 4- 25 Fl. 5242DF CARF MF     2 votos, em conhecê­lo e, no mérito, dar­lhe provimento parcial para afastar a  imposição fiscal  previdenciária  incidente  sobre  os  pagamentos  efetuados  à  Sra.  Sandra  Soares  de  Souza  Schulze, incluída no Levantamento CI ­ Contribuintes Individuais.  (assinado digitalmente)  Carlos Henrique de Oliveira ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Carlos Alberto do Amaral Azeredo ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  Henrique  de  Oliveira,  José  Alfredo  Duarte  Filho,  Douglas  Kakazu  Kushiyama, Marcelo Milton  da  Silva  Risso, Dione  Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto  do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes  Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.  Relatório  O  presente  processo  trata  de  Recursos  Voluntário  e  de  Ofício  em  face  do  Acórdão    nº  08­35.146  ­  6ª  Turma  da DRJ/FOR,  fl.  5081  a  5090,  que  assim  relatou  a  lide  administrativa:  Trata­se  de  processo  no  nome  da  contribuinte  em  epígrafe,  doravante  mencionado  simplesmente  como  contribuinte  ou  Accenture, por meio do qual foi formalizado crédito tributário. O  processo se compõe dos seguintes Autos de Infração:  a) Autos de Infração de Obrigações Principais:    b)  Auto  de  Infração  com  multa  por  descumprimento  de  obrigação acessória:    Fl. 5243DF CARF MF Processo nº 19515.721280/2014­25  Acórdão n.º 2201­004.369  S2­C2T1  Fl. 5.242          3 Consta no Termo de Verificação Fiscal que:  O  Auto  de  Infração  nº  51.063.144­4  foi  lavrado  porque  a  empresa, depois de intimada a apresentar a folha de pagamento  de  contribuintes  individuais,  informou  que  não  prepara  essa  folha. A multa foi aplicada com base na Lei nº 8.212/91, arts. 92  e 102, e no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado  pelo Decreto n.º 3.048/99, art. 283, I, “a”, em seu valor mínimo,  atualizado  pela  Portaria  PT/MPS/MF  nº  19/2014.  Não  foram  apuradas circunstâncias agravantes, tampouco atenuantes.  Foram  lançadas  no  levantamento  “ND  –  DIFERENÇA  FP  E  GFIP” as contribuições relativas a remunerações apuradas nas  folhas  de  pagamento  e  contabilidade,  não  reconhecidas  pela  empresa  como  base  de  cálculo,  tais  como,  férias,  abono  constitucional  de  férias  e  aviso  prévio  indenizado,  todos  especificados  em  planilha  anexa.  Tais  valores  não  foram  declarados nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do  Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP.  No levantamento FP (Diferença de RAT e FAP), foram lançadas  as diferenças de RAT decorrentes da constatação da declaração  incorreta  da  alíquota  (1%,  ao  invés  de  2%)  e  do  Fator  Previdenciário  Acidentário  –  FAP  incorreto  (1,  ao  invés  de  1,7099).  No  levantamento CI (Contribuintes Individuais)  foram lançadas  as contribuições incidentes sobre bases de cálculo apuradas pela  comparação  dos  valores  informados  pela  empresa  em  Declaração de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – DIRF  (código  de  recolhimento  0588)  com  os  valores  declarados  em  GFIP na categoria 13.  Foi constatada a existência, em tese, de crime de Sonegação de  Contribuição  Previdenciária,  o  que  enseja  a  emissão  de  Representação Fiscal para Fins Penais.  A ciência da empresa ocorreu em 14/11/2014, conforme Aviso de  Recebimento  –  AR  juntado  aos  autos.  Em  15/12/2014,  foi  apresentada impugnação, na qual foi alegado, em síntese, que:  A impugnação é tempestiva.  A Auditoria incorreu em erro na apuração do valor das férias e  do  terço  constitucional  de  férias.  Comparando  os  resumos  das  folhas  de  pagamento  com  a  planilha  da  autoridade  fiscal,  a  impugnante  constatou  que  as  contribuições  foram  calculadas  sobre um valor duplicado dessas rubricas. Os valores de férias e  terço  constitucional  de  férias  eram  indicados  inicialmente  em  uma  folha  de  férias  emitida  no  mês  de  início  da  fruição  das  férias,  sendo  nesse  momento  retido  o  Imposto  sobre  a  Renda.  Posteriormente,  esses mesmos  valores  eram  indicados  na  folha  de pagamento mensal.  A impugnante já recolheu as contribuições previdenciárias e as  de  terceiros  incidentes  sobre  as  rubricas  férias,  terço  Fl. 5244DF CARF MF     4 constitucional  de  férias  e  aviso  prévio  indenizado  conforme  comprovam  os  seguintes  documentos:  resumo  da  folha  de  pagamento,  cópia do  comprovante de declaração GFIP/SEFIP,  cópias das guias.  Em face do grande número de documentos a serem analisados,  faz­se necessária a conversão do julgamento em diligência, para  a  verificação  de  todas  as  planilhas  juntadas,  visando  à  comprovação do erro no cálculo da fiscalização.  Ainda  que  se  entenda  que  o  cálculo  da Auditoria  está  correto,  não  pode  ser  mantido  o  lançamento,  pois  referidas  rubricas  constituem parcelas de natureza indenizatória e não representam  rendimento do trabalho.  Durante  o  gozo  de  férias,  não  há  prestação  de  serviços  ou  disponibilidade  do  segurado  empregado,  não  se  enquadrando  essa  verba  no  conceito  de  salário.  Esse  é  o  entendimento  do  Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial  nº  1.322.945/DF,  que  afastou  a  incidência  da  contribuição  previdenciária sobre o pagamento de férias gozadas.  O  terço  constitucional  de  férias,  verba  destinada a  reforçar  as  finanças do trabalhador no seu período de férias, tem a mesma  natureza  do  abono  pecuniário  previsto  no  art.  143  da  Consolidação das Leis do Trabalho – CLT. Esse abono, por não  ser devido em contraprestação pelo trabalho realizado, também  não tem natureza salarial, nos termos do art. 144 da CLT. Se o  abono  pecuniário  não  sofre  incidência  da  contribuição  previdenciária, conforme art. 28, §9º, “e”, da Lei nº 8.212/1991,  da mesma forma não há incidência sobre o terço constitucional  de férias.  O Supremo Tribunal Federal – STF vêm decidindo que não há  incidência  da  contribuição  previdenciária  sobre  o  adicional  constitucional  de  férias,  sob  o  fundamento  de  que  somente  as  parcelas  incorporáveis  ao  salário  do  servidor  público  têm  incidência  da  exação.  O  mesmo  raciocínio  se  aplica  aos  trabalhadores  da  iniciativa  privada,  aos  quais  deve  ser  dado  tratamento isonômico.  Ademais,  o  STJ,  no  julgamento  do  Recurso  Especial  nº  1.230.957/RS  em  sede  de  recurso  repetitivo,  reconheceu  que  o  adicional  de  férias  gozadas  possui  natureza  indenizatória/compensatória,  não  incidindo  a  contribuição  previdenciária sobre ele.  O aviso prévio indenizado é pagamento de indenização que não  guarda  relação  com  a  prestação  de  serviços.  A  Lei  nº  8.212/1991,  na  sua  redação  original,  excluía  expressamente  o  aviso  prévio  indenizado  da  incidência  da  contribuição  previdenciária.  Embora  a  redação  atual  não  disponha  a  respeito,  o Decreto  nº  3.048/1999  explicitou  que  tal  verba  não  integra  a  base  de  cálculo  dessa  contribuição.  Mesmo  com  a  revogação  da  alínea  “f”  do  inciso  V  do  §9º  do  art.  214  do  Decreto  nº  3.048/1999  pelo  Decreto  nº  6.727/2009,  o  aviso  prévio  indenizado,  pela  sua  natureza,  não  sofre  incidência  da  contribuição  previdenciária,  por  ser  verba  indenizatória.  A  Fl. 5245DF CARF MF Processo nº 19515.721280/2014­25  Acórdão n.º 2201­004.369  S2­C2T1  Fl. 5.243          5 isenção da  tributação do aviso  prévio  indenizado  pelo  Imposto  sobre a Renda evidencia essa natureza.  A  jurisprudência  dos  Tribunais  Regionais  Federais  afastam  a  incidência  da  contribuição  previdenciária  sobre  o  aviso  prévio  indenizado e a 1ª Seção do STJ, ao analisar o Recurso Especial  nº  1.230.957/RS  em  sede  de  recurso  repetitivo,  reconheceu  que  essa  verba  não  tem  caráter  remuneratório  e  não  está  sujeita a  essa contribuição. O Supremo Tribunal Federal – STF recusou o  Recurso Extraordinário com Agravo nº 745.901, ante a ausência  de  repercussão  geral,  por  não  se  tratar  de  matéria  constitucional, prevalecendo o entendimento do STJ.  De  acordo com o  art.  62­A do Regimento  Interno  do Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  –  CARF,  aprovado  pela  Portaria  nº  256/2009,  as  decisões  definitivas  de  mérito  proferidas pelo STJ na sistemática do art. 543­C do Código de  Processo  Civil,  devem  ser  reproduzidas  pelos  Conselheiros  no  julgamento de recursos.  Não há  diferença  de RAT decorrente  do  recolhimento  a menor  em  função da  aplicação  da  alíquota  de  1% no  lugar  de  2%,  a  qual foi apurada pela fiscalização para a competência 01/2010.  A  empresa  já  havia  detectado  esse  equívoco  e  fez  um  recolhimento complementar da diferença entre a alíquota de 1%  e  a  alíquota  de  3,42%  (arredondamento  do  percentual  de  3,4198%).  Para  comprovar  o  alegado,  a  impugnante  anexa  planilha  e  cópia  das  Guias  da  Previdência  Social  –  GPS  complementares.  Em  razão  do  volume  de  documentos  a  serem  analisados, reitera o pedido de diligência.  Para  as  demais  competências  (02/2010  a  12/2010),  houve  o  recolhimento do RAT com a alíquota de 2%, tendo sido lançada  apenas  a  diferença  decorrente  do FAP. A  impugnante  entende,  contudo,  que  o  FAP  utilizado  é  o  correto,  pois  havia  diversas  inconsistências na formação desse índice.   A empresa não pode ser penalizada com o cômputo do auxílio­ doença no FAP, já que esse benefício é concedido ao segurado  que  fica  incapacitado  por  doença  ou  acidente  que  não  guarda  nexo com o trabalho. O Ministério da Previdência Social – MPS,  contudo,  computou  no  rol  de  “Auxílio­Doença  por  acidente  de  trabalho – B91”, para o cálculo do FAP 2009 (vigência 2010),  segurados empregados afastados por perceberem esse benefício.  A  metodologia  do  FAP  prevê  no  cômputo  para  o  cálculo  do  índice  de  frequência,  todas  as  ocorrências  acidentárias  registradas por meio de Comunicação de Acidente de Trabalho –  CAT,  o  que  inclui  indevidamente  eventos  como  simples  assistência médica, afastamento inferior a 15 dias e acidente de  trajeto ou doença profissional. Tal inclusão contraria a natureza  desse  índice, não tendo a empresa qualquer influência sobre as  vias  em  que  trafegam  seus  empregados  no  percurso  para  o  trabalho. O Tribunal Regional Federal da 3ª Região afastou os  acidentes de  trajeto do cálculo do FAP em caso semelhante em  face dos mesmos argumentos.  Fl. 5246DF CARF MF     6 É  inconstitucional  a  delegação  para  o  Poder  Executivo  estabelecer a metodologia de apuração do FAP, pois há afronta  ao  princípio  da  estrita  legalidade.  Ademais,  o  FAP  vai  de  encontro  aos  princípios  da  Regra  da  Contrapartida,  da  Equidade na Forma de Participação no Custeio e do Equilíbrio  Financeiro  e  Atuarial.  Além  disso,  na  forma  em  que  foi  disponibilizado  o  FAP,  a  empresa  ficou  impossibilitada  de  checar as informações.  O STF, ao analisar o RE nº 684.261, reconheceu a existência da  repercussão geral acerca do multiplicador do FAP, matéria que  aguarda julgamento.  No que diz respeito ao lançamento das contribuições incidentes  sobre  remunerações  de  contribuintes  individuais,  a  impugnante  esclarece  que  houve  sim  o  recolhimento  da  contribuição  previdenciária  sobre  parte  dos  pagamentos  feitos  e  declarados  em DIRF e, em relação a casos específicos, o recolhimento não  ocorreu  por  não  se  tratar  de  verba  sujeita  à  incidência  de  contribuição previdenciária.  Os  pagamentos  realizados  ao  Sr.  Antônio  Parente  no  ano  de  2010  foram  objeto  de  recolhimento  da  contribuição,  conforme  comprovam a cópia da GFIP, GPS, comprovante bancário e os  outros documentos anexados (documento nº 17).  O  pagamento  feito  à  Sra. Denise Duarte Damiani  no  valor  de  R$.576.865,00 refere­se à venda de suas quotas e à indenização  pelo  período  de  não  concorrência  previsto  no  contrato,  não  decorrendo  de  prestação  de  qualquer  trabalho  ou  serviço.  O  pagamento  pelas  quotas  foi  realizado  em  uma  única  parcela,  paga  em  1º/12/2010.  A  base  de  cálculo  do  Imposto  sobre  a  Renda  foi  no  valor  de  R$  574.730,14  em  face  de  um  pequeno  desconto efetuado no momento do pagamento.  O mesmo ocorreu com relação ao pagamento de R$ 576.615,00  efetuado ao Sr. Fernando Jimenez Boldrini pela  venda de  suas  quotas  e  à  indenização  pelo  período  de  não  concorrência.  Foram­lhe  pagas  11  prestações  mensais,  sendo  a  primeira  em  30/09/2010, no valor de R$ 95.977,50 e as demais no  valor  de  R$  47.988,75,  além  do  montante  de  R$  750,00  pago  em  30/09/2010. Assim, os três pagamentos no valor de R$ 47.305,96  indicados  pela  fiscalização  corresponderam  a  três  parcelas  de  um  total  de  11,  acordadas  no  contrato  de  compra  e  venda  de  quotas. A base de cálculo do Imposto sobre a Renda sobre cada  parcela  foi  no  valor  de  R$  47.305,96  em  razão  de  pequeno  desconto efetuado no momento do pagamento.  Os  pagamentos  efetuados  ao  Sr.  Nestor  no  ano  de  2010  foram  objeto de recolhimento de contribuição previdenciária, conforme  comprovam a cópia da GFIP, a GPS, comprovantes bancários e  outros documentos acostados (Doc. nº 20).  Os pagamentos efetuados à Sra. Sandra Soares de Souza Schulze  se deram a título de aluguel de um imóvel por três meses no ano  de  2010,  no  valor  mensal  de  R$.1.847,37.  Não  são,  pois,  pagamentos  vinculados  a  prestação  de  serviço  e  não  sofrem  incidência  de  contribuição  previdenciária.  Houve  equívoco  no  preenchimento da DIRF, tendo a impugnante indicado o código  Fl. 5247DF CARF MF Processo nº 19515.721280/2014­25  Acórdão n.º 2201­004.369  S2­C2T1  Fl. 5.244          7 de  receita  0588  (Rendimentos  do  trabalho  sem  vínculo  empregatício), quando deveria  ter  indicado o código de  receita  3208  (Aluguéis  e  royalties  pagos  a  pessoa  física),  conforme  constou  no DARF  de  recolhimento  do  Imposto  sobre  a  Renda.  Para comprovar esse fato, junta cópia do informe de retenção do  Imposto  sobre  a  Renda  sobre  o  valor  de  aluguel  pago  à  Sra.  Denise (Doc. nº 21).  O  Auto  de  Infração  nº  51.063.144­4  considerou  como  fatos  geradores não declarados em GFIP os valores lançados no Auto  de  Infração  nº  51.063.145­2,  objeto  de  questionamento  na  impugnação.  Como  foi  comprovada  a  improcedência  dos  lançamentos relativos aos contribuintes individuais, a obrigação  acessória deve seguir a mesma  sorte,  não havendo  fundamento  jurídico para a cobrança.  Não havendo  imputação específica a nenhuma das pessoas que  têm  vínculo  com  a  empresa,  não  podem  elas  ser  responsabilizadas de  forma genérica,  sem  serem observados os  requisitos do art. 135, III, do Código Tributário Nacional. Assim,  essas  pessoas  devem  ser  excluídas  do  Relatório  de  Vínculos  anexo ao Auto de Infração.  Ao  final,  a  defendente  requer  seja  acolhida  e  provida  a  sua  impugnação,  para  que  os  Autos  de  Infração  sejam  julgados  improcedentes. Protesta provar o alegado por todos os meios de  prova  em  direito  admitidos,  especialmente  juntada  de  novos  documentos  ou  quaisquer  providências  que  se  entendam  necessárias.  O  julgamento  foi  convertido  em  diligência  por  meio  da  Resolução nº 2.907, de 26/03/2015, para que a Auditoria Fiscal  se manifestasse sobre a alegação de que houve valores de férias  lançados em duplicidade, bem como elaborasse planilha com a  discriminação  das  rubricas  que  compuseram  o  levantamento  ND.  A diligência foi efetuada, tendo a Auditoria emitido relatório em  26/08/2015, do qual a contribuinte  teve ciência em 27/08/2015,  conforme  AR  juntado  aos  autos.  No  relatório  consta  que  na  tabela  de  incidência  da  empresa,  foi  encontrada  a  relação  de  rubricas, tendo sido classificadas as rubricas relativas a férias e  1/3  de  férias  no  código  9,  que  significa  “outras  bases  de  cálculo”. Por sua vez, o aviso prévio indenizado foi classificado  no código 6, base de cálculo exclusiva do FGTS. O correto era a  empresa  ter classificado as  rubricas no código 1, ou seja, base  de cálculo de contribuições previdenciárias. Foram analisados,  por  amostragem,  os  resumos  das  folhas  de  pagamento  apresentados  da  competência  01/2010,  matriz  e  filial  2.  A  diferença  encontrada  entre  folha  e  GFIP  foi  praticamente  idêntica  à  lançada.  Foi  elaborada  planilha  onde  constam,  por  estabelecimento  e  competência,  a  relação  nominal  dos  segurados,  o  total  de  remuneração  que  constitui  salário­de­ contribuição, os valores declarados em GFIP e a diferença não  declarada.  A  planilha,  anexada  em  CD­Room  somente  Fl. 5248DF CARF MF     8 contempla  os  segurados  onde  foram  verificadas  diferenças  de  valores não declarados em GFIP.  Em  25/09/2015,  a  contribuinte  apresentou  peça  impugnatória,  na qual alega, em resumo, que:  A fiscalização limitou­se a dizer que as rubricas deveriam estar  enquadradas  no  código  1,  sem  analisar  todas  as  planilhas  e  demais  documentos  apresentados  com  a  impugnação.  Foram  analisados os mesmos documentos disponíveis durante o período  de  fiscalização,  com  a  realização  do  mesmo  procedimento  já  efetivado anteriormente.  A fiscalização verificou o resumo da folha em formato MANAD  no  qual  constava  o  enquadramento  incorreto.  Como  já  dito,  foram  registradas  férias  e  o  terço  de  férias  duas  vezes,  a  primeira para  fins de  incidência de Imposto sobre a Renda e a  segunda  para  fins  de  incidência  de  contribuição  patronal,  terceiros e FGTS. Na época, não havia validação que detectasse  esse equívoco. A  impugnante  retificou os códigos e  submeteu a  folha novamente à validação, sendo zeradas as divergências. Já  tinham  sido  pagas,  pois,  as  contribuições  previdenciárias  patronais  e  destinadas  a  terceiros.  Foi  juntado  aos  autos  o  MANAD retificado, o qual não apontou qualquer divergência de  recolhimentos a menor.  Ocorreu  a mesma coisa  com o  aviso  prévio  indenizado,  o  qual  foi  retificado,  após  o  que  restou  demonstrado  que  não  houve  recolhimento a menor.  Ao final, a impugnante requer que: (i) seja declarado que houve  o recolhimento da contribuição patronal e daquela destinadas a  terceiros  incidentes  sobre  as  rubricas  de  férias,  terço  constitucional  de  férias  e  aviso  prévio  indenizado;  (ii)  sejam  julgados  improcedentes  os  Autos  de  Infração  51.063.145­2  e  51.063.146­0 na parte relativa à ausência de recolhimentos das  contribuições  incidentes  sobre  o  pagamento  de  férias,  terço  constitucional de férias e aviso prévio indenizado; (iii) reitera os  argumentos apresentados na impugnação.  É o relatório.  Debruçada sobre os  termos da  Impugnação, a Delegacia da Receita Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Fortaleza/CE,  julgou­a  parcialmente  procedente,  lastreada  nas  razões que podem ser assim resumidas:  Da  Aplicação  das  Decisões  Judiciais  no  Processo  Administrativo Fiscal  (...) Em resumo, a DRJ somente deve  reproduzir na decisão de  primeira instância administrativa a tese do Judiciário relativa a  matéria objeto de decisão definitiva exarada no STJ ou no STF  no rito dos arts. 543­B (rito de repercussão geral) ou 543­C (rito  dos recursos repetitivos) na hipótese da comunicação da PGFN.  Da Diferença de RAT/FAP  A  competência  para  atribuição  do  FAP  às  empresas  ou  equiparadas  é  do  Ministério  da  Previdência  Social,  conforme  Fl. 5249DF CARF MF Processo nº 19515.721280/2014­25  Acórdão n.º 2201­004.369  S2­C2T1  Fl. 5.245          9 definido  no  art.  202­B  do  RPS,  incluído  pelo  Decreto  nº  7.126/2010,  publicado  em  04/03/2010.  Conforme  o  mesmo  dispositivo,  §2º,  da  decisão  proferida  pelo  Departamento  de  Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional caberá recurso, no  prazo  de  trinta  dias,  para  a  Secretaria  de  Políticas  de  Previdência  Social,  que  examinará  a  matéria  em  caráter  terminativo. A Auditora Fiscal utilizou os FAP informados pelo  Ministério da Previdência Social e qualquer contestação contra  os índices deveriam ter sido dirigidos àquele Ministério, no rito  estabelecido  em regulamento. Nem a Auditora Fiscal,  nem este  colegiado tem competência para alterar o FAP estabelecido.  Dos Contribuintes Individuais  (...)  ...  A  prova das  alegações  é  imprescindível  para que  sejam  acatadas.  (...)  Dessa  forma,  os  argumentos  relativos  às  contribuições  incidentes  sobre  as  remunerações  de  contribuintes  individuais  não são pertinentes, devendo ser mantido o lançamento.  Do Auto de Infração 51.063.144­4  (...) O argumento da impugnante é, pois, descabido uma vez que  o  fato  de  não  haver  lançamento  dos  demais  valores  pagos  aos  contribuintes individuais não a exime de incluí­los nas folhas de  pagamento.  Do Relatório de Vínculos  (...) O Relatório de Vínculos, que faz parte integrante do Auto de  Infração,  apenas  identifica  as  pessoas  de  interesse  da  Administração Tributária em razão de seu vínculo com o sujeito  passivo,  não  sendo  o  instrumento  cabível  para  imputação  de  responsabilidade pelo crédito tributário.  Das Férias e Do Aviso Prévio Indenizado  (...) A descrição do fato gerador, com a delimitação da matéria  tributável, é requisito expresso não só no art. 142 do CTN, mas  também no  art.  10,  III,  do Decreto  nº  70.235/1972. No  caso, o  fato  narrado pela Auditoria Fiscal  não  restou  comprovado por  ela, o que se evidencia ao se contrastar a planilha confeccionada  com  os  demais  dados  disponíveis  no  banco  de  dados  na  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  e  apresentados  pela  contribuinte.   Assim, o lançamento, na parte efetuada sob o levantamento ND  está eivado de vício material, sendo nulo.  Da Conclusão  Por  todo  o  exposto,  voto  no  sentido  de  julgar  procedente  em  parte  a  impugnação  e  manter  em  parte  o  crédito  tributário,  declarando  nulo  por  vício  de  natureza  material  o  lançamento  efetuado  sob  o  levantamento  ND  –  DIFERENÇA  FP  E  GFIP,  nos seguintes termos:  Fl. 5250DF CARF MF     10 I)  julgando  procedente  em  parte  o  Auto  de  Infração  nº  51.063.145­2,  com a  exclusão dos  valores  constantes na  tabela  em anexo;  II)  julgando  improcedente  o  lançamento  efetuado  por  meio  do  Auto  de  Infração  nº  51.063.146­0,  o  qual  fica  integralmente  exonerado.  Contra  a Decisão  acima,  foi  interposto Recurso  de Ofício,  em virtude de  o  crédito tributário exonerado ser superior ao limite de alçada previsto no Decreto nº 70.235/72,  art. 34, I, c/c artigo 1º da Portaria do Ministro da Fazenda nº 3, de 07/01/2008.  Cientificado do Acórdão de 1ª  Instância administrativa em 15 de dezembro  de  2016,  conforme  Termo  de  Ciência  de  fl.  5118,  ainda  inconformado,  o  contribuinte  apresentou o Recurso Voluntário de fl. 5120 a 5136, no qual  reitera parte dos argumentos  já  expressos em sede de impugnação, os quais serão detalhados no curso do voto a seguir.  É o relatório necessário.  Voto             Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo ­ Relator   Por  preencher  as  condições  de  admissibilidade,  conheço  dos  recursos  de  ofício e voluntário.  Do Recurso de Ofício.  Conforme  se  vê  no  Relatório  supra,  o  julgamento  em  1ª  Instância  foi  convertido em diligência nos termos da Resolução de fl. 5017 a 5020.  O objeto da diligência determinada está  relacionado ao Levantamento ND ­  Diferença  entre  Folha  de  Pagamento  e  GFIP,  que  compreende  a  exigência  de  contribuições  previdenciárias  incidentes  sobre  valores  identificados  na  contabilidade  do  autuado  que,  indevidamente,  não  teriam  integrado  a  base  de  cálculo  do  tributo,  os  quais  são  relativos  a  férias, terço constitucional de férias e aviso prévio indenizado.  A  defesa  alegou  que  as  férias  foram  consideradas  em  duplicidade,  já  que  emitia folha de controle de férias em paralelo aos valores lançados na folha de pagamento, a  qual foi anexada aos autos.  Assim,  tendo  em  vista  a  grande  quantidade  de  documentos  a  serem  analisados,  o  Julgador  de  1ª  Instância  entendeu  que  seria  indispensável  que  a  Fiscalização  elaborasse  planilha  detalhada  da  base  de  cálculo  do  Levantamento  ND,  discriminando,  por  competência, todas as rubricas (férias, terço constitucional de férias, aviso prévio, etc).  A Autoridade  Fiscal,  em  cumprimento  à  diligência  (fl.  5037/5040),  relatou  que apurou tributo sobre as verbas citadas no parágrafo precedente já que tais rubricas foram  classificadas incorretamente (classificou nos códigos 6 e 9, quando deveria ter classificado no  código 1), não tendo sido consideradas pela empresa no cálculo da contribuição previdenciária.  No julgamento em 1ª Instância, foi exonerada parte do lançamento em razão  da  conclusão  de  que  a  Autoridade  Lançadora,  ainda  que  por  amostragem,  não  cumpriu  a  Fl. 5251DF CARF MF Processo nº 19515.721280/2014­25  Acórdão n.º 2201­004.369  S2­C2T1  Fl. 5.246          11 diligência  requerida,  ao  não  especificar  adequadamente  as  rubricas  que  compuseram  as  diferenças que justificaram a autuação.  Cotejando os documentos apresentados com informações sistêmicas dos anos  2009 e 2010, o Julgador concluiu que a remuneração mensal dos segurados é compatível com o  valor alegado pela empresa e que o montante lançado representaria aproximadamente o dobro  do que seria devido.  Firme em suas convicções, concluiu que o Levantamento ND está eivado de  nulidade, por vício material, que alcança requisito fundamental do lançamento expresso no art.  142 do CTN, do que  resultou  a exoneração parcial  do DEBCAD 51.063.145­2  e  integral  do  DEBCAD 51.063.146­0, tendo sido formalizado o necessário Recurso de Ofício, em razão do  valor exonerado.  A diligência requerida decorre da verossimilhança dos argumentos da defesa  e da necessidade de análise de vasta documentação apresentada no curso da impugnação, em  particular aquelas relativas ao resumo de folha de pagamento e o seu cotejo com GFIP e GPS  (doc. nº 5, 6 e 7).  No  Relatório  Fiscal  de  Diligência  contido  em  fl.  5037  a  5040,  o  Agente  Fiscal  pretendeu  demonstrar  a  procedência  do  lançamento,  afirmando  que,  analisando  por  amostragem  (01/2010,  filial  0001)  o  Resumo  da  Folha  de  Pagamentos  apresentado  pelo  contribuinte  e  comparando  com  os  valores  declarados  em GFIP,  é  possível  constatar  que  as  diferenças  apuradas  são  compatíveis  com  o  lançamento  efetuado  (Diferença  identificada R$  1.692.082,47; Valor lançado R$ 1.676.931,49.   Não obstante, de fato, não apresentou planilha discriminando as rubricas que  compõem  o  lançamento  nos  termos  requeridos  na  Resolução  de  fl.  5017  e  ss,  o  que,  inicialmente, impossibilitou a formação de convicção do julgador quanto à procedência ou não  das alegações relativas à duplicidade apontada em sede de impugnação.   Diante de tal cenário, os membros da Turma de Julgamento de 1ª Instância,  acatando  por  unanimidade  as  conclusões  do  voto  do  relator,  que  analisando  documentos  inseridos  nos  autos  e  informações  contidas  nos  sistemas  da RFB concluiu  que  os  elementos  disponíveis são suficientes à afirmação de ocorrência de erro na apuração da base de cálculo do  tributo lançado, decidiram pela supracitada nulidade do Levantamento ND.  Não  identifico  motivos  que  justifiquem  a  alteração  das  conclusões  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento.  Afinal,  ainda  que  haja  uma  parcela  do  valor  lançado não alcançado pela alegada duplicidade (aviso prévio indenizado), sem que haja uma  segregação  de  rubricas  não  é  possível  quantificar  o  que  deve  ou  não  ser  mantido  do  lançamento.  Constata­se que o Agente Fiscal, no exercício de sua competência privativa,  não se desincumbiu da obrigação da detalhar adequadamente os valores que compõem a base  de cálculo do tributo lançado, o que impõe o reconhecimento da nulidade do Levantamento ND  por vicio material, por macular a essência da atividade de lançamento, que seria a verificação  da  ocorrência  do  fato  gerador,  a  determinação  da matéria  tributável,  o  cálculo  do montante  devido  do  tributo,  a  identificação  do  sujeito  passivo,  tudo  nos  termos  do  art.  142  da  Lei  5.172/66 (CTN).  Fl. 5252DF CARF MF     12 Assim, nego provimento ao Recurso de Ofício.  Do Recurso Voluntário  Do  Recolhimento  do  SAT/RAT  ajustada  pelo  FAP  na  competência  janeiro de 2010  Afirma o Recorrente que a Fiscalização considerou incorreto o recolhimento  da contribuição ao SAT/RAT com base na alíquota de 1% na competência de Janeiro de 2010,  por  entender  que  o  correto  seria  2%,  além  do  ajuste  pelo  FAP  de  1,7099,  totalizando  uma  contribuição a este título no percentual de 3.4198%.  Contudo, esclarece que comprovou, em sua impugnação, especificamente na  competência de janeiro de 2010, que houve o recolhimento da diferença que está sendo exigida  antes da lavratura do Auto de Infração.  A DRJ não acatou os argumentos do contribuinte  sob a alegação de que os  valores  recolhidos  em  GPS  não  têm  vinculação  específica  às  contribuições  devidas  a  segurados, patronal, RAT, etc.   Entendeu o Julgador que agiu corretamente a Fiscalização ao fazer convergir  para as contribuições declaradas o montante recolhido e os valores de retenção destacados em  notas fiscais de serviço, já que todas as guias apresentadas pela autuada (planilha de fl. 2040)  foram  aproveitadas  pela  Auditoria,  conforme  se  pode  ver  no  Relatório  de  Documentos  Apresentados ­ RDA, fl.387.  Não há dúvidas de que o Agente Fiscal considerou os pagamento efetuados  pelo contribuinte ao apurar os valores devidos do lançamento, é o que se verifica no Relatório  de Documentos Apresentados inserido nos autos a partir de fl. 387.  Tal  aparente  impropriedade  decorre  de  que  os  recolhimentos  são  efetuados  sem  identificar  a  que  contribuintes  se  referem,  o  que  leva  sua  alocação  ao  débito  de  forma  global,  por  código  de  recolhimento,  razão  pela  qual  considero  o  lançamento  e  a  decisão  recorrida procedentes.  Inconsistências  identificadas  na metodologia  de  cálculo  do  Índice  FAP  2009 (vigência ano de 2010).  Alega  o  recorrente  que,  para  os  meses  de  fevereiro  a  dezembro  de  2010,  houve  efetivo  recolhimento  considerando  em  2%  a  alíquota  SAT/RAT,  tendo  sido  lançada  apenas  a  diferença  entre  o  FAP  de  1  e  1,7099,  do  que  resulta  a  cobrança  do  percentual  correspondente a 1,4198 [(2 x 1,7099) ­ 2].  Sustenta  que  o  índice  FAP  1  utilizado  estaria  correto,  na  medida  em  que  existiam diversas  inconsistências na  formação do  índice considerado pela  fiscalização,  sendo  necessária  a  exclusão  de  determinados  eventos  que  foram  indevidamente  considerados  no  cálculo do  índice da Recorrente,  razão pela qual entende que merece revisão a conclusão do  Julgador  de  1ª  Instância,  que  alegou  incompetência  legal  para  tratar  do  tema,  que  estaria  a  cargo do Ministério da Previdência Social..  Após  tecer  considerações  sobre  a  metodologia  utilizada  para  cálculo  do  índice FAP, aponta os eventos que, em seu entendimento não poderiam ser computados.  Fl. 5253DF CARF MF Processo nº 19515.721280/2014­25  Acórdão n.º 2201­004.369  S2­C2T1  Fl. 5.247          13 Em  item  imediatamente  seguinte,  a  defesa  questiona  a  legalidade  e  inconstitucionalidade  do  Índice  FAP,  por  entender  que  é  inconstitucional  a  atribuição  de  competência  ao  Poder  Executivo  para  estabelecer  a  metodologia,  sistemática,  parâmetros  e  critérios  para  cálculo  e  aplicação  do FAP,  já que  a matéria  só  poderia  ser  veiculada  por  lei,  citando que o tema é objeto de Recurso Especial ainda em andamento, com repercussão geral  reconhecida.  Os temas em tela não merecem maiores considerações, pois não há dúvidas  de que agiu bem a Autoridade recorrida, já que é sim possível a contestação do FAP atribuído  às  empresas,  mas  tal  pleito  deve  ser  objeto  de  demanda  específica  junto  ao  Ministério  da  Previdência  Social,  nos  termos  do  art.  202­B  do  Decreto  3.048/19991.  Não  há  nos  autos  nenhum elemento que aponte que a citada contestação foi formalizada.  Quanto à alegação de  ilegalidade de  tal  alteração, conforme  já dito alhures,  não  é matéria  para  tratamento  em  julgamento  administrativo  de  2ª  Instância  qualquer  juízo  sobre  a  inconstitucionalidade  de  leis  tributária  ou mesmo  o  afastar  a  aplicação  ou  deixar  de  observar  lei  ou  decreto  sob  amparo  de  inconstitucionalidade,  tudo  conforme  se  vê  nos  comandos abaixo:  Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  Ricarf.­  Portaria  MF  343/2015.  ­  Art.  62.  Fica  vedado  aos  membros  das  turmas  de  julgamento  do  CARF  afastar  a  aplicação ou deixar de observar  tratado, acordo  internacional,  lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.  Portanto, não procedem os argumentos recursais.  Improcedência  da  cobrança  da  contribuição  previdenciária  patronal  incidente sobre pagamentos efetuados a contribuintes individuais  Alega  a  defesa  que  a  Fiscalização  concluiu  que  não  teria  havido  o  recolhimento  de  contribuição  previdenciária  patronal  incidente  sobre  os  valores  pagos  a  supostos  contribuintes  individuais,  tendo  chegado  a  tal  conclusão  a  partir  do  cotejo  das  informações em DIRF, no código 0588 (rendimento do trabalho sem vínculo empregatício), e  os valores declarados em GFIP (contribuintes individuais).  Sustenta que houve sim recolhimento de contribuições previdenciárias sobre  determinados pagamentos efetuados e, em relação a casos específicos, não houve pagamento  por não se tratar de operação sujeita à incidência de contribuição previdenciária.  A Delegacia de Julgamento entendeu improcedentes os argumentos de que há  valores recolhidos não considerados pela fiscalização, já que todos os recolhimentos efetuados  foram  devidamente  apropriados  em  caráter  prioritário  para  fazer  face  aos  valores  declarados  em  GFIP.  Quanto  aos  argumentos  de  que  sobre  as  operações  não  deveriam  incidir  contribuições previdenciárias, não foram apresentadas provas inequívocas das alegações.                                                              1 Art. 202­B.  O FAP atribuído às empresas pelo Ministério da Previdência Social poderá ser contestado perante o  Departamento  de Políticas  de Saúde  e Segurança Ocupacional da Secretaria Políticas  de Previdência  Social  do  Ministério  da  Previdência  Social,  no  prazo  de  trinta  dias  da  sua  divulgação  oficial.  (Incluído  pelo  Decreto  nº  7.126, de 2010)  Fl. 5254DF CARF MF     14 Passa­se à análise segregada dos argumentos.  Antônio Meurer Parente Ribeiro e Nestor Cerveira Filho  Alega  o  recorrente  que  efetuou  os  recolhimentos  da  contribuição  previdenciária  devida  sobre  os  pagamentos  realizados,  tendo  apresentando  resumo  de  pagamentos e valores a recolher, fl. 4.909, bem assim as GPS de fl. 4910 a 4920, no caso do Sr.  Antônio Meurer. Já em relação ao Sr. Nestor, os documentos constam de fl. 4954 e ss.  Não  obstante,  os  recolhimentos  comprovados  foram  devidamente  considerados  pelo  Auditor  Fiscal  no  lançamento,  é  o  que  se  verifica  do  cotejo  das  GPS  apresentadas  e os  recolhimentos  constantes do Relatório de Documentos Apresentados de  fl.  387 e ss.  Embora  os  registros  do  contribuinte  indiquem  que  os  valores  das  contribuições  devidas  sobre  os  pagamentos  efetuados  aos  Srs.  Antônio  Meurer  e  Nertor  Cerveira  tenham  sido  recolhidos,  ao  final,  não  haveria  diferença,  pois  caso  alocados  tais  pagamentos  especificamente  para  extinguir  a  obrigação  relativa  aos  citados  contribuintes  individuais,  valores  equivalentes  apurados  teriam  restado  não  recolhidos  e,  por  tal  razão  incluídos no lançamento.   Conforme  já  dito  alhures,  tal  aparente  impropriedade  decorre  de  que  os  recolhimentos  são  efetuados  sem  identificar  a  que  contribuintes  se  referem,  o  que  leva  sua  alocação ao débito de forma global, por código de recolhimento, razão pela qual considero o  lançamento e a decisão recorrida procedentes.  Denise Duarte Damiani e Fernando Jimenez Boldrini  Alega  o  recorrente  que  o  valor  bruto  total  de  R$  576.865,00  pago  à  Sra.  Denise  seria  decorrente  da  aquisição  de  suas  quotas  na Sociedade Accenture Consultoria  de  Telecomunicações, Mídia e Serviços Financeiros Ltda, não decorrendo de qualquer prestação  de serviço  Os documentos apresentados pela defesa para este tópico estão contidos nos  autos em fl. 4938 a 4952, nos quais é possível encontrar um contrato de compra e venda de  quotas  em que a Sra. Denise  figura  como vendedora  e a Recorrente  como compradora,  bem  assim um recibo relativo à operação.  Em  relação  ao Sr.  Fernando,  a  alegação  é a mesma,  com a diferença de  as  quotas  transacionadas  eram  da  Accenture  Consultoria  de  Recursos  Naturais  Ltda,  cujos  documentos constam de fl. 4991 a 5005.  A  DRJ  não  reconheceu  força  probante  para  tais  documentos  por  não  apresentarem qualquer assinatura.  Mesmo  cientificado  do  teor  do  decidido  em  1ª  Instância,  o  recorrente  não  complementou a documentação de modo a robustecer suas alegações e o que se tem até agora  nos  autos  são  meras  minutas  de  documentos  que  noticiam  eventos  que  não  se  pode  efetivamente dizer que ocorreram.  Assim, não  identifico motivos para alterar a Decisão recorrida,  já que cabia  exclusivamente ao contribuinte apresentar comprovação de  fatos modificativos, extintivos ou  impeditivos do direito de crédito constituído pelo Fisco. O que não foi feito.  Fl. 5255DF CARF MF Processo nº 19515.721280/2014­25  Acórdão n.º 2201­004.369  S2­C2T1  Fl. 5.248          15 Sandra Soares de Souza Schulze  Alega o recorrente que os valores pagos à Sra. Sandra seriam decorrente de  contrato de aluguel e que o valor lançado corresponderia a três meses, indevidamente lançados  em dirf no código 0588 (Rendimentos sem Vínculo Empregatício), quando o correto seria 3208  (Aluguéis  e  Royalties).  Juntou  aos  autos,  em  sede  de  impugnação,  o  comprovante  de  rendimentos de fl. 4953.  A Delegacia de  Julgamento  entendeu que a Declaração de  Imposto  sobre  a  Renda e Proventos de Qualquer Natureza – IRPF da Sra Sandra não se presta a provar que o  valor pago a ela decorre de aluguel de imóvel de sua propriedade.   Embora  com  alguma  incorreção,  já  que  o  documento  juntado  não  é  uma  declaração  de  rendimentos, mas  um  comprovante  de  rendimentos,  a  conclusão  da DRJ  está  correta, já que tal documento não se presta à comprovação desejada pela defesa.  Não obstante, após o recurso voluntário, foi  juntado aos autos o contrato de  locação que ampara o argumento recursal.  Assim, neste tema, entendo que prosperam as razões da defesa, devendo ser  afastada  a  imposição  fiscal  previdenciária  incidente  sobre  os  pagamentos  efetuados  à  Sra.  Sandra Soares de Souza Schulze, incluída no Levantamento CI ­ Contribuintes Individuais.  Auto de Infração nº 51.063.144­4 ­ Obrigação acessória.  Insurge­se o contribuinte contra a exigência amparada no argumento de que a  autuação decorre do DEBCAD 51.063.145­2, o qual já teria sido exonerado parcialmente, com  a convicção da defesa de que as demais infrações estariam plenamente justificadas no recurso  voluntário ora sob análise.  Portanto, os argumentos recursais se limitam a pleitear, em relação à presente  autuação, a aplicação do reflexos decorrentes da análise das infrações relativas às ocorrências  capituladas  nos  AIOP  resultantes  do  mesmo  procedimento  fiscal,  esperando  que  todas  as  infrações imputadas fossem excluídas no curso do presente julgamento, o que, considerando o  teor do voto acima, não se confirmou.  Assim,  considerando  que  o  valor  lançado  não  varia  de  acordo  com  a  quantidade de infrações identificadas, a exigência fiscal deve ser mantida.  Conclusão  Assim, tendo em vista tudo que consta nos autos, bem assim na descrição e  fundamentos  legais  que  integram  o  presente,  voto  por  conhecer  do  recurso  de  ofício  para  negar­lhe provimento. Quanto ao recurso voluntário, por conhecer e, no mérito, dar­lhe parcial  provimento  para  afastar  a  imposição  fiscal  previdenciária  incidente  sobre  os  pagamentos  efetuados à Sra. Sandra Soares de Souza Schulze, incluída no Levantamento CI ­ Contribuintes  Individuais.  (assinado digitalmente)  Carlos Alberto do Amaral Azeredo   Fl. 5256DF CARF MF     16                               Fl. 5257DF CARF MF

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