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Numero do processo: 10680.918849/2016-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 23/11/2012
CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO E DEFERIDO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO.
Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição.
A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3201-003.530
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
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DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição. A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora. Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório MRV ENGENHARIA E PARTICIPAÇÕES S/A declarou compensação de crédito da contribuição (PIS/Cofins) com débito de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 88 49 /2 01 6- 59 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10680.918849/201659 Acórdão n.º 3201003.530 S3C2T1 Fl. 3 2 A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente requereu a anulação do despacho decisório e a homologação da compensação, alegando o seguinte: a) transmitira Pedido de Restituição (PER) para garantir o direito ao crédito de pagamento efetuado a maior, crédito esse objeto de compensação declarada posteriormente; b) devido a incompatibilidade do programa gerador da declaração, o número do PER não foi informado na declaração de compensação. Nos termos do Acórdão nº 06058.671, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) decidido que, por se encontrar retido o direito creditório reconhecido administrativamente até que fossem liquidados os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública, encontravase correto o despacho decisório de não homologação da compensação declarada. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, aduzindo, inicialmente, que havia entendido que a glosa de seu crédito se dera por ocorrência de erro operacional nos sistemas da Receita Federal, fato esse esclarecido somente na decisão da DRJ. Arguiu o Recorrente que a decisão recorrida sustentarase na premissa equivocada de que o não deferimento do direito creditório decorrera da discordância do contribuinte quanto ao procedimento de compensação de ofício, procedimento esse que não alcança débitos que se encontrem com exigibilidade suspensa, de acordo com decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) REsp nº 1.213.082/PR , submetido à sistemática dos recursos repetitivos, de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF,. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.508, de 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 10680.904616/201679, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.508): O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. (...) Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10680.918849/201659 Acórdão n.º 3201003.530 S3C2T1 Fl. 4 3 Não há litígio a ser decidido nesta instância. A pretensão da contribuinte é ter reconhecido seu direito ao crédito informado em Pedido de Restituição. Ocorre que, conforme informado no voto da decisão recorrida, o crédito indicado já foi integralmente reconhecido e deferido no PER n° 39452.15834.310314.1.2.044815, tendo como resultado extraído da tela do Sief Processo: "DEFERIDO TOTALMENTE RDC AUTOMÁTICO". Ora, uma vez reconhecido e deferido o crédito não há o que se decidir quanto ao direito da contribuinte. A negativa da unidade de origem em efetuar a compensação, sob o fundamento de que o crédito está retido frente a débito pendente de liquidação, não se constitui matéria a ser apreciada pelo CARF, devendo negar conhecimento ao recurso da contribuinte. Conclusão Diante do exposto, voto para NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto, uma vez que na origem o crédito fora reconhecido e deferido. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à contribuição para o PIS. Além disso, devese ressaltar, que, neste processo, também ocorreram fatos da mesma natureza daqueles observados no processo paradigma que ensejaram o não conhecimento do recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira . Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000414/2009-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
AQUISIÇÃO. VEÍCULOS NOVOS, PEÇAS E ACESSÓRIOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO. REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL.
No regime não-cumulativo das Contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador.
A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485, de 2002, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, b, c/c da Lei nº 10.637, de 2002 e da Lei nº 10.833, de 2003.
CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE.
A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição.
PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA.
Deve ser indeferido o pedido de perícia/diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
PIS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA.
Aplica-se ao lançamento da Contribuição para o PIS/Pasep o decidido em relação à COFINS lançada a partir da mesma matéria fática.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-005.102
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto que davam provimento. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 AQUISIÇÃO. VEÍCULOS NOVOS, PEÇAS E ACESSÓRIOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO. REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. No regime não-cumulativo das Contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485, de 2002, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, b, c/c da Lei nº 10.637, de 2002 e da Lei nº 10.833, de 2003. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. Deve ser indeferido o pedido de perícia/diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 PIS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplica-se ao lançamento da Contribuição para o PIS/Pasep o decidido em relação à COFINS lançada a partir da mesma matéria fática. Recurso Voluntário Negado.
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VEÍCULOS NOVOS, PEÇAS E ACESSÓRIOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO. REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. No regime nãocumulativo das Contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485, de 2002, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.637, de 2002 e da Lei nº 10.833, de 2003. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. Deve ser indeferido o pedido de perícia/diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 PIS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 04 14 /2 00 9- 84 Fl. 126DF CARF MF 2 Aplicase ao lançamento da Contribuição para o PIS/Pasep o decidido em relação à COFINS lançada a partir da mesma matéria fática. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto que davam provimento. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire). Relatório Tratase o presente processo de Pedido Eletrônico de Ressarcimento/Restituição (PER), efetuado através da Declaração de Compensação (DCOMP) nº 15824.51822.010408.1.1.115356 (fls. 2/4), formulado pela empresa AUTOSTAR COMERCIAL E IMPORTADORA LTDA., optante na forma de tributação pelo Lucro Real, referente ao 1° Trimestre de 2008, no valor de crédito de R$ 3.959.631,08. Destacase que a Recorrente é uma pessoa jurídica de direito privado que tem por objeto social, a compra e venda de automóveis, importação de veículos automotores, comércio de peças e acessórios, entre outros, conforme descrito na clausula segunda do seu contrato social. Consta dos autos que a Recorrente impetrou liminar em Mandado de Segurança para apreciar Pedido de Ressarcimento (PER) (fls. 2/4), referente aos supostos créditos de Cofins do 1º trimestre de 2008. A DERAT/São Paulo (SP) indeferiu o pleito em despacho decisório que foi cientificado em 01/06/2009 (fls. 10/14). Irresignada com a decisão, em 01/7/2009, protocolou a Manifestação de Inconformidade (fls. 20 e seguintes), na qual a defesa argumenta, em resumo que: a) com o advento da Lei nº 10.485/2002, a receita proveniente da venda de veículos automotores passou a sujeitarse à incidência monofásica do Pis e da Cofins, recaindo sobre o montador ou importador a responsabilidade pelo recolhimento dessas contribuições; b) a Lei nº 10.865/2004, ao alterar a Lei nº 10.485/2002 com reflexos nas leis nº 10.637/2002 (Pis) e nº 10.833/2003 (Cofins) se por um lado reduziu a zero a alíquota de ambas as contribuições relativamente às receitas auferidas pelas concessionárias com a comercialização dos produtos sujeitos ao regime monofásico, por outro lado vetou o aproveitamento dos créditos correspondentes a essas operações; Fl. 127DF CARF MF Processo nº 16349.000414/200984 Acórdão n.º 3402005.102 S3C4T2 Fl. 127 3 c) as alterações introduzidas pelas leis nº 10.485/2002 e nº 10.865/2004, a par de criar “exação muito superior ao usual” e vetar a não cumulatividade (regime a que faz jus), criaram “carga tributária além da capacidade contributiva do recorrente, em verdadeiro confisco tributário, exigência portanto inconstitucional”(fl. 23); d) o art. 17 da lei nº 11.033/2004, oriunda da MP nº 206/2004, autorizou de forma expressa o aproveitamento dos créditos vinculados a operações comerciais de venda realizadas com alíquota zero; e) a Fazenda Nacional, ao indeferir o Pedido de Ressarcimento, negou vigência ao referido dispositivo legal, “que alterou a Legislação atinente a espécie, negando coercitivamente o DIREITO do recorrente de utilizar seus créditos vinculados a suas vendas com alíquota ‘ZERO’, razão do seu inconformismo” (fl. 24); f) discorre sobre o princípio da não cumulatividade e reafirma que o Fisco impede de exercer “DIREITO LÍQUIDO E CERTO de creditarse dos valores recolhidos nas fases anteriores, sob pena de verse autuado e cobrado judicialmente” (fl. 27); g) invoca o art. 195 da Constituição Federal e alega que o sistema monofásico de tributação teria instituído novo imposto sem amparo legal, asseverando que a lei nº 10.865/2004, embora determine que a recorrente promova os fatos geradores relativos ao Pis e à Cofins, não lhe permite aproveitar os créditos advindos dos produtos a serem vendidos com alíquota zero; acrescenta que tal vedação sobre ser ilegal e inconstitucional constitui grave ofensa aos ditames da lei nº 11.033/2004. h) afirma que a exclusão das operações de venda com alíquota zero do regime não cumulativo implica tributação excessiva ou confisco e que o art. 17 da lei nº 11.033/2004 teria por objetivo precisamente afastar a ilegalidade e a inconstitucionalidade ínsitas a essa sistemática e declara que o indeferimento do pedido de ressarcimento representa “flagrante afronta ao princípio da capacidade contributiva, da isonomia, da estrita legalidade e o desrespeito a vinculação dos atos públicos” (fls. 34/36); i) assinala ainda que, em face da recusa do recorrido em atender à determinação legal, não lhe restou alternativa senão recorrer ao Poder Judiciário para que este determine que a RFB respeite a lei, vale dizer, o art. 17 da lei nº 11.033/2004, reconhecendo lhe o direito líquido e certo ao crédito vinculado; j) discorre acerca dos princípios da capacidade contributiva, da isonomia e da legalidade, afirma ser “ilegal e nula a exigência”, uma vez que a autoridade administrativa age em desacordo com a lei, que permite à recorrente aproveitar integralmente seu crédito vinculado, inclusive os créditos vinculados a vendas com alíquota zero; k) acrescenta que, ao afirmar que o pedido da requerente, fundado no art. 17 da lei nº 11.033, não se aplica excepcionalmente à revenda de veículos e peças, a RFB pretende “fazer legislação anterior modificar a posterior em absoluto descompasso com a Lei natural”; l) remata o arrazoado, requerendo que este órgão julgador lhe assegure o direito de apurar os débitos de Pis e Cofins vincendos mercê do aproveitamento dos créditos vinculados à compra de veículos “zero”, peças e acessórios, nos moldes do art. 17 da Lei nº 11.033/2004, bem como a autorize, para determinar tais créditos, a aplicar as alíquotas de Fl. 128DF CARF MF 4 1,65% para o Pis e 7,60% para a Cofins, segundo prevêem respectivamente as leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Requer, em suma, a reforma do despacho decisório impugnado, bem como o ressarcimento “dos valores relativos ao crédito vinculado de PIS e COFINS nos termos do art. 17 da Lei 11.033”. No entanto, os argumentos aduzidos pela Recorrente, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 1642.482, de 13/12/2012, prolatado pela DRJ em São Paulo I (SP): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIMENTO. Somente se reputa nulo o despacho decisório nas hipóteses previstas no art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. Não compete ao julgador da esfera administrativa a análise de questões que versem sobre a constitucionalidade de norma legal regularmente editada. CONCESSIONÁRIA DE VEÍCULOS. PEDIDO ELETRÔNICO DE RESSARCIMENTO. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS MONOFÁSICOS PARA REVENDA. INEXISTÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO. A aquisição de produtos monofásicos para revenda constitui exceção à regra geral da nãocumulatividade, não gerando créditos por força da vedação contida no art. 3°, I, da Lei nº 10.833/2004. Em razão disso, não se aplica a esses produtos —notadamente aos veículos automotores e autopeças comercializados pela recorrente o art. 17 da lei nº 11.033/2004. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 21/05/2013 a Recorrente foi devidamente cientificada por meio de AR Correios (fl. 72) e não resignada com a r. decisão, a empresa em 18/06/2013 (fl. 74), interpôs o presente recurso voluntário, (fls. 74/88) no qual, repisa os argumentos de sua impugnação, em suma, alegando as seguintes razões: (i) elabora uma digressão fática do processo, discorre sobre a legislação do PIS e da COFINS e aduz que o r. Acórdão, não aplicou o melhor direito à espécie, ensejando sua nulidade ou reforma para o recebimento, processamento e acolhimento do presente Recurso Voluntário, como melhor se depreende dos dizeres adiante citados; (ii) Do Direito: discorre sobre o regime da não cumulatividade, que a Recorrente é uma empresa de direito privado, está obrigada às determinações impostas nas Leis 10.637/08 e 10.833/033, as quais sofreram alterações da Lei 10.865/04, futuramente alterada Fl. 129DF CARF MF Processo nº 16349.000414/200984 Acórdão n.º 3402005.102 S3C4T2 Fl. 128 5 pela Lei 11.033/04, além disso, ainda esta sujeita às implicações da Lei 10.485/2002, que determina o recolhimento na forma monofásica, que na realidade constitui a substituição tributária, disfarçada; a) que ao negar o seu direito conforme despacho da DIORT e acórdão da DRJ/SP1, a Recorrente esta excluída desta sistemática, por estar subordinada ao determinado na Lei nº 10.485/02 e dos dispostos nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Esta sistemática instituída pelas leis em questão, na qual determina alíquota zero para a venda para Recorrente, onera a tributação excessivamente ou até mesmo ocorre um confisco; b) para afastar tais ilegalidades e inconstitucionalidades decorrentes da exigência nas leis, o poder executivo promulgou a MP 206/04, futuramente constituindo a Lei 11.033, de 2004, na qual modificou a legislação então em vigor, principalmente no que se refere ao artigo 17 da referida Lei; c) afirma que pelo entendimento do quanto descrito no referido artigo 17 da Lei 11.033/04, com as devidas modificações na Lei n°. 10.865/04, podemos concluir que as empresas, no caso a Recorrente, sujeitas a venda com alíquota zero, com relação às exações ao PIS/COFINS não cumulativos, podem aproveitar os créditos decorrentes de operações anteriores vinculadas ao seu faturamento. Diante de todo o exposto, pleiteia o reconhecimento do Recurso Voluntário, para que seja acolhido o pedido, reconhecendo que a Recorrente possa realizar a apuração do PIS/COFINS não cumulativos vincendos aproveitandose dos créditos vinculados decorrentes da compra de carros novos, "zero quilometro", peças e acessórios., determinando ainda, a autorização para determinação do crédito a aplicação das alíquotas de 1,65% e 7,60%, respectivamente para PIS e para a CONFINS, conforme disposto nas Leis. Por fim, tendo em vista o principio da verdade material e caso seja necessária a realização de instrução probatória, a Recorrente requer a produção de todos os meios de provas admitidos em direito. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Waldir Navarro Bezerra 1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2. Objeto da lide A discussão confinase ao Pedido de Ressarcimento (PER) efetuado pela Recorrente, com a premissa de que podem ser descontadas como crédito as aquisições de produtos para revenda, sujeitos à tributação monofásica (apuração do PIS/COFINS não cumulativos, aproveitandose dos créditos vinculados decorrentes da compra de carros novos, Fl. 130DF CARF MF 6 "zero quilometro", peças e acessórios), ainda que a pessoa jurídica adquirente esteja sujeita à nãocumulatividade e que seja receita de venda seja sujeita à alíquota zero. 3. Preliminar de nulidade A Recorrente aduz em seu recurso que "(...) o r. Acórdão, não aplicou o melhor direito à espécie, ensejando sua nulidade ou reforma para o recebimento, processamento e acolhimento do presente Recurso Voluntário, como melhor se depreende dos dizeres adiante citados". Pelo que se depreende do trecho acima, alega a Recorrente ser “ilegal e nula a exigência”, referindose, aparentemente, ao despacho denegatório proferido pela DERAT/SPO. Pois bem. No âmbito do processo administrativo fiscal, as hipóteses de nulidade de despachos e decisões proferidas pelas autoridades, estão previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), o qual regulamenta o processo administrativo fiscal: “Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §§..........................................................................................” Manobrando os autos, no caso concreto, não se vislumbra a ocorrência de nenhuma das duas hipóteses acima. O Despacho Decisório (DD) de fls. 10/15, foi lavrado em 26/05/2009, por autoridade competente e se encontra bem fundamentado às fls. 11/13. O teor da Manifestação de Inconformidade demonstra pleno conhecimento do conteúdo do referido Despacho e a Recorrente defendeuse de todos os pontos atacados, demonstrando o perfeito entendimento e conhecimento do indeferimento, o que elimina a possibilidade de cerceamento do direito de defesa. Desta forma, não que se falar em nulidade da decisão. 4. Arguições de ilegalidade e inconstitucionalidade Alega a Recorrente que "(...) Assim, para afastar tais ilegalidades e inconstitucionalidades decorrentes da exigência nas leis, o poder executivo promulgou a MP 206/04, futuramente constituindo a Lei 11.033, de 21 de dezembro de 2004, na qual modificou a legislação então em vigor, principalmente no que se refere ao artigo 17 da referida Lei, in verbis (...): (Grifei) A Recorrente invocando diversos princípios constitucionais, argúi de ilegal e inconstitucional a referida vedação aos créditos do PIS e da COFINS. No entanto, é necessário salientar que a apreciação de assuntos dessa natureza estão fora da alçada de competência das esferas administrativas de julgamento e devem ser levadas ao Poder Judiciário, se for o caso, a teor da Súmula CARF nº 2. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Registrese ainda que é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação da norma vigente, sob fundamento de inconstitucionalidade (art. 26A, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação que lhe deu a Lei nº 11.941/2009). Fl. 131DF CARF MF Processo nº 16349.000414/200984 Acórdão n.º 3402005.102 S3C4T2 Fl. 129 7 Posto isto, não se pode adentrar ao mérito dos princípios constitucionais invocados pela Recorrente. 5. Quanto ao MÉRITO Aduz a Recorrente que "(...) possa realizar a apuração do PIS/COFINS não cumulativos vincendos aproveitandose dos créditos vinculados decorrentes da compra de carros novos, "zero quilometro", peças e acessórios, determinando ainda, a autorização para determinação do crédito a aplicação das alíquotas de 1,65% e 7,60%, respectivamente para PIS e para a CONFINS, conforme disposto nas Leis". "(...) Assim pelo entendimento do quanto descrito no referido artigo 17 da Lei 11.033/04, com as devidas modificações na Lei n°. 10.865/04, podemos concluir que as empresas, no caso a Recorrente, sujeitas a venda com alíquota zero, com relação às exações ao PIS/COFINS não cumulativos, podem aproveitar os créditos decorrentes de operações anteriores vinculadas ao seu faturamento". Pois bem. Como relatado, a Recorrente é uma pessoa jurídica de direito privado que tem por objeto social, a compra e venda de automóveis, importação de veículos automotores, comércio de peças e acessórios, entre outros, conforme descrito na clausula segunda do seu contrato social, tendo realizado operações de revenda de produtos de incidência monofásica de PIS e COFINS, sujeitos, portanto, à alíquota zero na operação de revenda. Em relação ao PIS e da COFINS, os veículos automotores, bem como as autopeças mencionadas nos anexos I e II da Lei nº 10.485/2002, estão sujeitos ao regime de tributação monofásica (concentrada) desde o advento desse diploma legal, cujos arts. 1º e 3º, após as alterações introduzidas pela lei nº 10.865/2004, trazem a seguinte redação: “Art. 1º As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/ PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)” Art. 3º As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) § 2º Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 132DF CARF MF 8 II o caput do art. 1º desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5º, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004)” No caso, cabe ressaltar que os produtos em questão (carros zero quilômetro, peças e acessórios), objeto das vendas da Recorrente, são bens submetidos à alíquota zero, já que toda a tributação da cadeia econômica foi concentrada, pelo desenho legal, na indústria produtora ou nos importadores. Nos dispositivos transcritos acima, o regime de incidência monofásica instituído pela Lei nº 10.485/2002 atribuiu a qualidade de contribuinte exclusivamente aos fabricantes e importadores de veículos e das autopeças mencionadas em seus anexos I e II, concentrando neles, portanto, a tributação das receitas auferidas na comercialização desses produtos. Nesse diapasão, para os veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI e dos produtos relacionados nos Anexos I e II, a cobrança da COFINS terá incidência monofásica, com alíquotas diferenciadas para as pessoas jurídicas fabricantes e importadoras. O regime monofásico concentra a cobrança do tributo em uma etapa da cadeia produtiva, desonerando a etapa seguinte. E ainda, a referida lei reduziu a zero as alíquotas da COFINS incidentes sobre as receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas ou varejistas com a venda desses mesmos produtos. Cumpre informar que a sistemática da não cumulatividade das Contribuições para o PIS e COFINS está toda ela organizada nas Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, desde a composição da base de cálculo, às exclusões admitidas até a geração de créditos, não sendo possível ao intérprete alargar conceitos a fim de ver a geração de créditos admitida para outros dispêndios que não aqueles textualmente relacionados nesses diplomas. Quanto ao regime monofásico, a legislação impõe que o fabricante ou importador dos produtos (monofásicos) recolham o PIS/COFINS em uma alíquota diferenciada e majorada, bem como a fixação de alíquota zero de PIS/COFINS sobre a receita auferida com a venda dos mesmos pelos demais participantes da cadeia produtiva (distribuidores, atacadistas e varejistas). Então, não se cogita do sistema de compensação entre créditos e débitos. E foi por essa razão que a Lei nº 10.485, de 2002, fixou a tributação devida ao PIS e à COFINS no início da cadeia produtiva, fabricantes e/ou importadores de veículos automotores e autopeças, estabelecendo alíquota mais elevada nesta etapa de comercialização, desonerando a fase em que se integram as concessionárias, mediante atribuição de alíquota zero, nos termos dos seus artigos 2º, § 2º, II; 3º, § 2º, I e II; e 5º, parágrafo único. Ressaltase que tais dispositivos não foram revogadas pela Lei nº 10.833, de 2003. No que toca especificamente à COFINS, o art. 2º, §1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.833/2004, instituidora do regime de apuração nãocumulativa dessa Contribuição, prevê de forma expressa, na redação dada pela lei nº 10.865/2004. Vejase: Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] Fl. 133DF CARF MF Processo nº 16349.000414/200984 Acórdão n.º 3402005.102 S3C4T2 Fl. 130 9 III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3° da Lei n° 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, de autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005)” Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) (...); b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei; (Grifos nosso) (...) Entendo que não se faz necessários maiores esforços de interpretação para se chegar a conclusão de que a alínea “b” do art. 3º acima citado, referese exatamente aos bens sujeitos à tributação concentrada, como aqueles revendidos pela Recorrente e que foram listados no §1º, III, do art. 2º da referida Lei nº 10.833, de 2002. Logo, é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação aos veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da TIPI e aos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 2002, adquiridos para revenda. Tal vedação, por sinal, se acha também consignadas nos artigos 1º e 26, da IN SRF nº 594, de 26/12/2005, que consolidou a legislação acerca da incidência monofásica do PIS e da COFINS. Desta forma, as pessoas jurídicas sujeitas à incidência não cumulativa da COFINS não podem descontar do montante apurado créditos calculados em relação aos produtos em apreço, quando adquiridos para revenda, uma vez que estes estão sujeitos à tributação monofásica. Nessa linha, o STJ (Superior Tribunal de Justiça), também vem decidindo nesta direção, conforme precedente abaixo reproduzido, que veda uso de créditos de PIS e Cofins em sistema monofásico: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. REGIME MONOFÁSICO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. 1. A incidência monofásica do PIS e da COFINS não se compatibiliza com a técnica do creditamento. Precedentes: AgRg no Resp 1.221.142/PR, Rel. Ministro Ari Pargendler. Primeira Turma, julgado em 18/12/2012. DJe 04/02/2013; AgRg no REsp 1.227.544/PR. Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 17/12/2012: AgRg no REsp 1.256.107/PR, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 10/05/2012; AgRg no REsp 1.241.354/RS, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 10/05/2012.” Fl. 134DF CARF MF 10 (REsp 1346181 / PE; DJe 04/08/2014; Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho) 42. Colhese do voto do Ministro Sérgio Kukina a seguinte argumentação: “Em meu sentir, é correto o entendimento da impossibilidade de creditamento por parte do distribuidor que revende bem submetido à tributação monofásica. Com efeito, essa sistemática de apuração e cobrança consiste em concentrar em uma única fase (etapa de produção, fabricação e importação) a incidência de referidas contribuições, em que se fixam alíquotas superiores àquelas ordinariamente previstas e se desoneram as fases posteriores de comercialização. (...) Assim, não se revela possível o aproveitamento de créditos pelo contribuinte, na hipótese, o distribuidor, que, apesar de integrar o ciclo econômico, não sofre a incidência da exação.” (Grifei) Também alega a Recorrente em seu recurso que, "(...) Diante do exposto, o entendimento do na cordão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I não merece prosperar, visto que a Recorrente possui DIREITO LIQUIDO E CERTO ao crédito vinculado, nos termos do art. 17 da Lei 11.033/04, respeitando assim a Lei em comento e não exija da Recorrente direito distinto do contido na legislação pertinente": Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Entendo que esse dispositivo (art. 17, da Lei 11.033/04) não se aplica ao caso destes autos, uma vez que diz respeito tão somente ao direito de manutenção de créditos apurados, no caso de vendas em que não haja tributação por uma das razões nele previstas. Mas isso só se aplica, por óbvio, aos créditos passíveis de apropriação. Só se pode manter aquilo que se possui. Se existe vedação para apuração e apropriação de créditos nas aquisições para revenda de produtos sujeitos à tributação monofásica, não existe crédito a ser mantido, ou seja: (i) referese a “manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados” nas operações de vendas com isenção, alíquota zero ou não incidência da COFINS, ou seja, tratase de créditos legalmente autorizados da COFINS (neste caso o crédito está proibido); e (ii) é regra geral que coexiste com vedação ao creditamento por norma específica. A incidência monofásica das contribuições discutidas incorre na inviabilidade lógica e econômica do reconhecimento de crédito recuperável pelos comerciantes varejistas e atacadistas, pois inexistente cadeia tributária após a venda destinada ao consumidor final, razão pela qual o art. 17 da Lei nº 11.033/04, afigurase incompatível com este caso. Por fim, o art. 3º, I, da Lei nº 10.833/2004 não foi revogado pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004. Este diploma legal, segundo disposição constante em seu art. 6º, alterou apenas os arts. 8º e 28 da Lei nº 10.865/2004, sem produzir nenhum reflexo na vedação prevista no art. 3º, I, "b", da Lei nº 10.833/2004, ou seja, não revoga expressa ou tacitamente o inciso I, alínea “b”, do art. 3º da Lei nº 10.833/03. E, para concluir, cabe salientar que nos termos do art. 15 da Lei nº 10.833/2003, conforme entendimento exarado neste voto, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos, peças e acessórios) aplicase tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: Fl. 135DF CARF MF Processo nº 16349.000414/200984 Acórdão n.º 3402005.102 S3C4T2 Fl. 131 11 I nos incisos I e II do § 3° do art. 1° desta Lei ; II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1° e 10 a 20 do art. 3° desta Lei. 6. Do pedido de Diligência Quanto ao pedido de diligência realizado na peça recursal para fins de instrução probatória. o mesmo há que ser indeferido, uma vez que a mesma seria desnecessária ao julgamento da presente lide. Embora a Recorrente requer em seu recurso que "(...) Por fim, tendo em vista o principio da verdade material e caso seja necessária a realização de instrução probatória, a Recorrente requer a produção de todos os meios de provas admitidos em direito". Ressaltase que o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, autoriza o julgador a determinar, de ofício ou a pedido, perícias ou diligências, quando considerálas necessárias para a instrução do processo e, consequentemente, para a solução do litígio. Desta forma, não há dúvidas quanto a legalidade do procedimento adotado pelo Fisco durante o procedimento fiscal. As informações apresentadas pela fiscalização e os elementos disponibilizado pela Recorrente, presentes neste processo, a meu ver, permitem que formemos convicção a esse respeito. O que se discute nos autos é matéria de direito. Portanto, em face da existência nos autos de elementos de provas suficientes para o julgamento do processo, tornase prescindível a realização de diligência ou perícia. Posto isto, voto por indeferir o pedido de diligência solicitado. 7. Dispositivo Diante de tudo o que fora exposto, voto no sentido negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12268.000480/2008-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2004 a 31/07/2006
NULIDADE. INEXISTÊNCIA. AUTUAÇÃO DEVIDAMENTE FUNDAMENTADA.
O Auto de Infração contém fundamentação legal, estando, inclusive, instruído com o anexo "FLD - Fundamentos Legais do Débito".
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. CARTÕES DE INCENTIVO. PAGAMENTO DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL.
Os pagamentos efetuados aos trabalhadores da empresa por meio de cartões de incentivo são, em verdade, remunerações sujeitas à incidência das contribuições devidas à seguridade social.
ARBITRAMENTO. POSSIBILIDADE. RECUSA EM APRESENTAR DOCUMENTO.
O § 3º do art. 33 da Lei 8212/91 preleciona que ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.
Numero da decisão: 2402-006.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2004 a 31/07/2006 NULIDADE. INEXISTÊNCIA. AUTUAÇÃO DEVIDAMENTE FUNDAMENTADA. O Auto de Infração contém fundamentação legal, estando, inclusive, instruído com o anexo "FLD - Fundamentos Legais do Débito". CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. CARTÕES DE INCENTIVO. PAGAMENTO DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. Os pagamentos efetuados aos trabalhadores da empresa por meio de cartões de incentivo são, em verdade, remunerações sujeitas à incidência das contribuições devidas à seguridade social. ARBITRAMENTO. POSSIBILIDADE. RECUSA EM APRESENTAR DOCUMENTO. O § 3º do art. 33 da Lei 8212/91 preleciona que ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.
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INEXISTÊNCIA. AUTUAÇÃO DEVIDAMENTE FUNDAMENTADA. O Auto de Infração contém fundamentação legal, estando, inclusive, instruído com o anexo "FLD Fundamentos Legais do Débito". CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. CARTÕES DE INCENTIVO. PAGAMENTO DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. Os pagamentos efetuados aos trabalhadores da empresa por meio de cartões de incentivo são, em verdade, remunerações sujeitas à incidência das contribuições devidas à seguridade social. ARBITRAMENTO. POSSIBILIDADE. RECUSA EM APRESENTAR DOCUMENTO. O § 3º do art. 33 da Lei 8212/91 preleciona que ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 04 80 /2 00 8- 12 Fl. 155DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 12268.000480/200812 Acórdão n.º 2402006.167 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório A fiscalização lavrou os seguintes Autos de Infração (AI) em face do sujeito passivo: (a) AI DEBCAD 37.193.7485 PAF 12268.000480/200812, para a constituição das contribuições devidas à seguridade social, correspondentes à parte da empresa, inclusive a alíquota GILRAT, incidentes sobre as remunerações pagas aos seus empregados; (b) AI DEBCAD 37.193.7493 PAF 12268.000479/200898, para a constituição das contribuições devidas à seguridade social, correspondentes à parte dos segurados empregados, incidentes sobre as suas remunerações; (c) AI DEBCAD 37.193.7507 PAF 12268.000498/200814, para a constituição das contribuições devidas a outras entidades e fundos, incidentes sobre as remunerações pagas aos seus empregados; (d) AI DEBCAD 37.193.7558 PAF 12268.000481/200867, para a constituição de multa devida pelo descumprimento de obrigação acessória, por ter a empresa apresentado a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. De acordo com a acusação, a contribuinte teria remunerado empregados mediante crédito nas contas dos cartões a eles entregues, os quais podiam ser utilizados em lojas conveniadas ou através de saques em caixas eletrônicos. Os cartões teriam sido fornecidos por meio de contrato de prestacã̧o de serviço celebrado com a Salles, Adan & Associados Marketing de Incentivos S/C Ltda. A base de cálculo das contribuições foi arbitrada, uma vez que a contribuinte, intimada, não teria apresentado o citado contrato, tendo sido utilizadas as notas fiscais e/ou faturas de serviços atinentes ao negócio firmado com aquela empresa. Os fatos geradores não foram declarados em GFIP. O sujeito passivo apresentou impugnação tempestiva, a qual foi julgada improcedente, conforme decisão assim ementada: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA É devida a contribuicã̧o sobre as remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, a segurados empregados. AFERIÇÃO INDIRETA Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informacã̧o, ou sua apresentação deficiente, a auditoriafiscal da Fl. 157DF CARF MF 4 Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário.O momento para apresentação de provas é quando da impugnação, sob pena de assim não procedendo a Impugnante consumarse a preclusão temporal. Intimada da decisão em 06/03/2009, através de aviso de recebimento, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 06/04/2009, no qual, reafirmando os fundamentos de sua impugnação, suscitou o seguinte: (a) o Auto de Infração não contém fundamentação legal; (b) o fato gerador presumido pela fiscalização não se amolda à legislação; (c) as contribuições previdenciárias não incidem sobre a prestação de serviços entre pessoas jurídicas; (d) não houve prestação de serviços; (e) o caso não admite aferição indireta; (f) a contribuinte não está obrigada a apresentar documento inexistente e nem a fazer prova negativa; (g) não houve recusa ou sonegação de documentos ou informações. O PAF 12268.000481/200867 foi apensado aos demais por força de despacho/decisão de conexão devidamente chancelado pelo Presidente desta Seção. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 12268.000480/200812 Acórdão n.º 2402006.167 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Das razões de decidir O recurso voluntário deve ser desprovido. Ao contrário do que afirma a recorrente, o Auto de Infração contém fundamentação legal, estando, inclusive, instruído com o anexo "FLD – FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO". Por outro lado, a fiscalização constatou que a recorrente remunerou seus empregados através de cartões de incentivo, tendo analisado, segundo se observa no TEAF, as folhas de pagamentos e outros elementos, tais como as notas fiscais de serviços colacionadas aos autos. Essa discussão (remuneração paga por meio de cartões de incentivo ou de premiação) é recorrente neste Conselho, tendo se firmado o entendimento já pacificado, inclusive na Câmara Superior de Recursos Fiscais, pela incidência das contribuições devidas à seguridade social. Com efeito, no PAF 10803.720155/201216 se decidiu, por unanimidade, que os pagamentos efetuados por meio de cartões de premiação se constituem em remuneração tributável. Eis a ementa do decisum, no ponto em questão: [...] REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. Integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter de retribuição pelo serviço, ou seja, contraprestação de serviço prestado. [...] (PAF 10803.720155/201216, Relator Ronaldo de Lima Macedo, Acórdão 2402004.781, Sessão de 09/12/2015). Fl. 159DF CARF MF 6 Para evitar tautologia, devem ser adotados como razões de decidir os seguintes fundamentos: Considerando o Relatório Fiscal (fls. 35/42) e o contrato firmado entre a empresa Expertise Comunicação Total S/C Ltda e a Recorrente, constatase que era fornecido cartão de premiação aos segurados empregados, destinado a programa de estímulo ao aumento de produtividade e, portanto, relacionado ao alcance de metas de desempenho, conforme registro no contrato de prestação de serviço, que tem como objeto “Prestação de serviços de marketing de relacionamento, incentivo e fidelização e gerenciamento de premiação, mediante a utilização do cartão eletrônico denominado Exclusive Card”, no qual foi estabelecido: [...] Assim, os referidos “colaboradores” são escolhidos e indicados pela própria empresa contratante como beneficiários dos prêmios, pela razão mais óbvia possível, são subordinados à Recorrente. É importante esclarecer que os contratos firmados entre a Recorrente e a referida empresa Expertise Comunicação Total S/C Ltda não têm o condão de afastar a incidência da lei, pois, pouco importa que nestes contratos esteja previsto expressamente que os prêmios não configuram salários nem remunerações. Isso está em consonância com o art. 126 do Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966 –, in verbis: [...] Os valores pagos por meio de cartão de incentivo são considerados prêmios e prêmio é um salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como a produção, a eficiência, dentre outros fatores de produção. Caracterizase pelo seu aspecto condicional; uma vez atingida a condição prevista por parte do trabalhador, este faz jus ao mesmo. Portanto, por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação do serviço prestado e, por conseqüência, possui natureza jurídica salarial. [...] A meu ver, a habitualidade não fica caracterizada apenas pelo pagamento em tempo certo, de forma mensal, bimestral, semestral, ou anual, mas pela garantia do recebimento a cada implemento de condição por parte do trabalhador. [...] O pagamento de prêmios por cumprimento de condição leva tais valores a aderirem ao contrato de trabalho, cuja eventual supressão pode caracterizar alteração prejudicial do contrato de trabalho, o que é vedado pelo art. 468 da Consolidação das Leis do Trabalho, que dispõe neste sentido: Por força do art. 126 retro mencionado, é desnecessária qualquer análise sobre a legalidade do contrato, bastando que se apure, como apurou a fiscalização, a existência do fato gerador das contribuições lançadas (art. 142). Fl. 160DF CARF MF Processo nº 12268.000480/200812 Acórdão n.º 2402006.167 S2C4T2 Fl. 5 7 Os argumentos acima são suficientes para rechaçar as alegações do sujeito passivo acerca (a) da existência de fato gerador presumido; (b) da incidência de contribuições sobre a prestação de serviços entre pessoas jurídicas; e (c) de que não teria havido prestação de serviços. A ação real verificada na análise dos documentos foi a de que a recorrente remunerou seus empregados através dos cartões fornecidos pela empresa contratada. Muito menos se pode acolher a afirmação, da contribuinte, sobre o livro de registro de empregados, já que a documentação analisada pela fiscalização demonstrou o pagamento indireto de salários por intermédio dos citados cartões. O que importa para o direito tributário é a realidade, e não a aparente verdade resultante dos negócios jurídicos celebrados pela recorrente. É irrelevante a nomenclatura do instrumento negocial ou mesmo a eventual fatura, importando, sim, identificar a materialidade da hipótese de incidência e sua efetiva ocorrência no mundo real. O princípio da realidade sobrepõese ao aspecto formal, considerados os elementos tributários, conforme jurisprudência do Supremo Tribunal Federal1. Lembrese que o inc. I do art. 118 do Código Tributário Nacional preleciona que a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Ao tratar da nulidade ou anulabilidade, em comentário ao citado preceito legal, o prof. Hugo de Brito Machado afirma, com precisão, que "ao Direito Tributário importa a realidade. Não a forma jurídica"2. Significa dizer que basta a existência do fato, e "não se há de indagar a respeito da validade do ato ou negócio jurídico"3. Acrescentese, ainda, que à autoridade administrativa compete verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, ex vi do art. 142 do Código, o qual, a propósito, não contém qualquer disposição atinente à licitude ou ilicitude do fato que consubstancia a hipótese de incidência. Apenas a título de argumentação, também vale lembrar que o lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa quando se comprove a existência de dolo, fraude ou simulação, o que demonstra a imprescindibilidade do fato, e não de sua qualificação ou exteriorização jurídica. É sabido que o contrato tem eficácia entre as partes, de tal maneira que as suas cláusulas não são necessariamente opostas ao Fisco e a terceiros. Exemplificativamente, e com viés fortemente interpretativo, o art. 123 do Código preceitua que as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública. 1 STF, RE 346084 / PR. 2 MACHADO, Hugo de Brito. Comentários ao código tributário nacional, volume II. São Paulo: Atlas, 2004, p. 396. 3 MACHADO, Hugo de Brito. Obra citada, p. 388. Fl. 161DF CARF MF 8 Dizse com viés interpretativo, porque tal dispositivo apenas enuncia o que o direito privado já enunciava: o contrato obriga as partes contratantes e, em regra, não pode prejudicar direito de terceiros. Ao tratar da jurisprudência administrativa deste Conselho, em tópico atinente à elisão e evasão tributárias, a prof. Maria Rita Ferragut menciona a existência de "negócios lícitos mas não oponíveis ao Fisco"4, corroborando a importância da substância do fato, em detrimento de sua forma de exteriorização. Por fim, o § 3º do art. 33 da Lei 8212/91 preleciona que ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. Esse dispositivo está inspirado no art. 148 do Código Tributário Nacional, segundo o qual a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará a base de cálculo do tributo sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Neste caso concreto, e conforme se vê no relatório fiscal e está devidamente documentado, o sujeito passivo foi intimado a apresentar o contrato de prestação de serviços celebrado com a empresa antes referida, mas não o apresentou, o que resultou no arbitramento de valores, tomandose por base as notas fiscais de serviços. Ademais, a recorrente nem mesmo tentou apresentar qualquer avaliação contraditória, como faculta o Código Tributário Nacional. 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER e NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci 4 FERRAGUT, Maria Rita. As provas e o direito tributário: teoria e prática como instrumentos para a construção da verdade jurídica. São Paulo: Saraiva, 2016, p. 115. Fl. 162DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10746.904191/2012-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007
EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL.
A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrando-se que a norma faculta a apresentação destes em papel.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-004.286
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007 EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL. A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrando-se que a norma faculta a apresentação destes em papel. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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PIS/COFINS. Recorrente JOÃO ALVES DE ALMEIDA GOIANO EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007 EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL. A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrandose que a norma faculta a apresentação destes em papel. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 90 41 91 /2 01 2- 62 Fl. 1175DF CARF MF Processo nº 10746.904191/201262 Acórdão n.º 3301004.286 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 03052.840, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília. Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor para a realização da compensação pretendida. Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. A 4ª Turma da DRJ/BSB julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório sob o fundamento, em síntese, que não foi comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição. Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte protocolou recurso voluntário e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos documentação comprobatória, e no que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Encaminhado o processo para julgamento por este Carf, a 3ª Turma Especial desta Terceira Sessão decidiu pela conversão daquele em diligência, por meio da Resolução 3803000.565. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, em cumprimento ao procedimento de Diligência Fiscal, através da Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO, no qual foi realizado o confronto entre as informações provenientes de Declarações da requerente armazenadas nos sistemas de controle da RFB e as constantes nos documentos fiscais apresentados (planilhas e notas fiscais), onde propôs o deferimento parcial do Pedido de Restituição, reconhecendo assim o direito creditório em favor do requerente no montante ali expresso. Fl. 1176DF CARF MF Processo nº 10746.904191/201262 Acórdão n.º 3301004.286 S3C3T1 Fl. 4 3 Cientificada do resultado da diligência, a contribuinte declarou que está de acordo com os valores propostos pela autoridade fiscal perante o CARF, conforme Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO constante nos autos. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.279, de 20 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10746.904178/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.279): "A recorrente bem coloca a discussão, no recurso voluntário que apresentou: A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade por entender que, para se comprovar a existência de crédito supostamente decorrente de pagamento a maior, a simples entrega de declarações retificadoras não é bastante e que "é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração", ônus este, da contribuinte. Em seu recurso a esta decisão de primeira instância, a contribuinte juntou livros contábeis e fiscais, além de notas fiscais. Fl. 1177DF CARF MF Processo nº 10746.904191/201262 Acórdão n.º 3301004.286 S3C3T1 Fl. 5 4 Sucederamse então exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação da documentação. Registrese que a norma faculta a apresentação desta em papel. Tal questão fora ultrapassada por resolução de Turma desta CARF, a qual determinou que se baixassem os autos em diligência, em apreço ao princípio da verdade material, "com vistas à apuração e pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente (sic) para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido", o que fez acertadamente, a meu ver. A norma em pauta, Lei nº 10.833/03, artigos 58A e 58B (revogados em 2015, mas vigentes à época dos fatos), de fato, dá direito à redução 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos lá especificados, o que fora verificado em sede de diligência A recorrente traz indevidamente tal questão como preliminar. Seguem os dispositivos legais referidos: Por fim, ultrapassada a relatada questão da apresentação de documentos, o resultado da diligência demonstrou o acerto parcial dos valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo "deferimento parcial do PER sob nº 01179.52590.291210.1.2.046407, reconhecendo o direito creditório em favor da requerente no montante original de R$ 14,76" (grifos do original), com o que concordo. Fl. 1178DF CARF MF Processo nº 10746.904191/201262 Acórdão n.º 3301004.286 S3C3T1 Fl. 6 5 Assim, por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o resultado da diligência demonstrou o acerto parcial dos valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo o deferimento parcial do PER apresentado, reconhecendo o direito creditório em favor da requerente no montante original expresso na Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO constante nos autos, com o que concordo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 1179DF CARF MF
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Numero do processo: 13732.000291/2001-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
ILL. RESTITUIÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL PARA O PEDIDO.
O prazo decadencial para o pedido de restituição do Imposto sobre o Lucro Líquido de sociedade limitada deve ser contado a partir da vigência da Instrução Normativa SRF nº 63, de 25/07/1997.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001
MÉRITO. FALTA DE ENFRENTAMENTO PELA DRJ. VIOLAÇÃO AO DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO E AO CONTRADITÓRIO. RETORNO DO PROCESSO À DRJ.
Se a instância a quo deixou de enfrentar questão de mérito em razão de ter indeferido o crédito pleiteado motivada na decadência e este tribunal de 2ª instância concluiu por afastar tal motivação, necessária a baixa do processo à DRJ para que enfrente as questões de mérito que circundam a lide.
Numero da decisão: 1401-002.520
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para afastar o fundamento de decadência do direito creditório, determinando o retorno do processo à DRJ Rio de Janeiro I para que aprecie o mérito do pedido de compensação.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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RESTITUIÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL PARA O PEDIDO. O prazo decadencial para o pedido de restituição do Imposto sobre o Lucro Líquido de sociedade limitada deve ser contado a partir da vigência da Instrução Normativa SRF nº 63, de 25/07/1997. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 MÉRITO. FALTA DE ENFRENTAMENTO PELA DRJ. VIOLAÇÃO AO DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO E AO CONTRADITÓRIO. RETORNO DO PROCESSO À DRJ. Se a instância a quo deixou de enfrentar questão de mérito em razão de ter indeferido o crédito pleiteado motivada na decadência e este tribunal de 2ª instância concluiu por afastar tal motivação, necessária a baixa do processo à DRJ para que enfrente as questões de mérito que circundam a lide. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para afastar o fundamento de decadência do direito creditório, determinando o retorno do processo à DRJ Rio de Janeiro I para que aprecie o mérito do pedido de compensação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 2. 00 02 91 /2 00 1- 11 Fl. 164DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJO I), que, por meio do Acórdão 1211.465, de 23 de agosto de 2006, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela empresa, mantendo na íntegra a não homologação do crédito tributário pleiteado. Os fatos foram apurados na empresa Halen Veículos Ltda, que posteriormente foi sucedida, por incorporação, pela empresa Orly Veículos e Peças S/A. Por economia processual, sirvome do relatório constante no Acórdão da DRJ: (início da transcrição do relatório constante no acórdão da DRJ) Trata o presente processo do pedido de restituição/compensação de fls. 01, 38 e 44, no qual a interessada acima identificada alega possuir crédito contra a Fazenda Pública do imposto de renda retido na fonte IRRF sobre rendimentos de participações societárias, código 0764, decorrente de recolhimento a maior/indevido efetuado em 30/04/90, através do documento de Arrecadação de Receitas Federais Darf cujo original foi juntado à fl. 02, e que após as conversões para Real e incidência da taxa Selic até outubro de 2001 resultaria no crédito de R$13.043,69, conforme planilha de cálculos juntada às fls. 14/15. 2. Com o crédito que alega possuir a interessada busca extinguir por compensação os débitos da contribuição para o Programa de Integração Social PIS e da contribuição para o financiamento da seguridade social Cofins referentes a outubro e novembro de 2001, listados às fls. 38 e 44. 3. Foi proferido o Despacho Decisório Saort/DRF Campos RJ nº 31/2006, de fls. 52/57, que não homologou a compensação declarada, concluindo que já teria transcorrido o prazo limite para pleitear a restituição/compensação, previsto no inc. I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), ou seja, cinco anos a contar da extinção do crédito tributário. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 13732.000291/200111 Acórdão n.º 1401002.520 S1C4T1 Fl. 165 3 4. Inconformada com o indeferimento do pedido, a interessada interpôs a manifestação de inconformidade de fls. 60/65, acompanhada dos documentos de fls. 66/82, na qual alega, em síntese, que o prazo decadencial para pleitear a restituição de valores recolhidos com base em dispositivo de lei declarado inconstitucional somente se inicia com a publicação da Resolução do Senado Federal que suspendeu a lei declarada inconstitucional. Assim, argumenta a interessada que não há que se falar em decadência, tendo em vista que protocolizou o pedido de restituição/compensação em 24/10/2001 e o prazo para requerer o crédito alegado somente se encerraria em cinco anos a contar da publicação da Resolução do Senado Federal. Cita jurisprudência administrativa e judicial sobre a matéria. (término da transcrição do relatório constante no acórdão da DRJ) A DRJ manteve a decisão de não homologação do pedido de restituição da empresa, concluindo, assim como a DRF, pela decadência do pedido de restituição do IRRF supostamente pago a maior, por ter decorrido prazo maior que 5 (cinco) anos entre o pagamento a maior do tributo em discussão pagamento em 30/04/1990 e a data do protocolo do pedido de restituição em 24/10/2001. Segue ementa do acórdão da DRJ: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2001 Ementa: RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo pago indevidamente extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário, que, à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar n° 118/2005, coincide com a data do pagamento indevido. Rest/Ress. Indeferido Comp. não homologada Irresignada com a decisão da DRJ, a empresa apresentou recurso voluntário tempestivo em que alega que o pedido de restituição do Imposto sobre o Lucro Líquido pago, segundo ela, indevidamente, fora apresentado tempestivamente dentro do prazo de 5 (cinco) anos. É que, segundo a recorrente, o prazo decadencial deve ser contado da data da publicação da Resolução do Senado nº 82/1996, que suspendeu os efeitos de parte do art. 35 da Lei 7.713/1988, decretado inconstitucional pelo STF. Desta forma, pugna pelo afastamento da decadência do direito de pedir a restituição do tributo em comento, pleiteando pela homologação do crédito objeto do pedido de restituição e de compensação. Em julgamento no CARF, esta turma, verificando a possibilidade de afastar o fundamento de prescrição do direito de solicitar a restituição do suposto crédito, resolveu baixar o processo em diligência (Acórdão nº 1401000.486, 21 de setembro de 2017) solicitando a anexação ao processo do contrato social vigente à época do pagamento a maior do ILL, para que fosse analisada questão atinente à previsão de pagamento de lucros e dividendos aos sócios/ acionistas. Fl. 166DF CARF MF 4 A delegacia de origem, por sua vez, intimou a empresa Orly Veículos e Peças S/A que, como já dito, é sucessora por incorporação da empresa que solicitou a restituição do crédito de ILL (Halen Veículos Ltda) a entregar o(s) contrato(s) social(is) vigente(s) à época da geração do crédito. Não obstante a regular intimação, a empresa não respondeu ao termo de intimação fiscal. Desta forma, a Delegacia da Receita Federal encaminhou o processo ao CARF, para prosseguimento de seu julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. A discussão neste processo cingese em verificar se o imposto de renda retido na fonte sobre o lucro líquido ILL, cuja incidência se deu a partir da vigência do art. 35 da Lei 7.713/1988, recolhido pela recorrente em 30/04/1990, é considerado indevido, em razão da decretação da inconstitucionalidade, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), de parte deste dispositivo. A DRF e a DRJ convergiram posicionamento de que a restituição fora protocolada além do prazo decadencial constante no inciso I do art. 168 do CTN, razão pela qual indeferiram o pedido de restituição/compensação. Assim, há dois pontos que precisam ser desembaraçados neste voto, para que se conclua sobre o direito do contribuinte de reaver o tributo aqui discutido: 1º) análise da decadência1 sobre o pedido de restituição/compensação de tributo que foi decretado inconstitucional pelo STF, com posterior edição de Resolução pelo Senado Federal e publicação de Instrução Normativa pela Secretaria da Receita Federal. Qual o termo inicial do prazo para pedir restituição: do pagamento indevido, da publicação da Resolução do Senado ou da vigência da IN SRF? 2º) caso o direito de solicitar a referida restituição/compensação não esteja decaído, devese avançar e verificar outra condição essencial para que seja reconhecido o direito ao crédito: se há previsão contratual (no contrato social) de distribuição de lucros aos cotistas a ponto de se caracterizar a disponibilidade jurídica ou econômica dos lucros, o que pressupõe a constitucionalidade da norma em relação aos sócios cotistas. PREJUDICIAL DE MÉRITO 1 Sem adentrar na discussão sobre qual signo é o mais apropriado ao caso de repetição de indébito (prescrição ou decadência), utilizo o termo "decadência" na sua acepção mais ampla, contemplando ambos os signos. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 13732.000291/200111 Acórdão n.º 1401002.520 S1C4T1 Fl. 166 5 Decadência do direito de pleitear restituição de tributo posteriormente declarado inconstitucional Como visto, a fiscalização e a DRJ não homologaram o crédito decorrente do Imposto sobre o Lucro Líquido (ILL) sobre lucros disponibilizados por sócios cotistas tendo em vista que a empresa havia protocolado pedido após o prazo de cinco anos constante no inciso I do art. 168 do CTN. Para tanto, considerou como termo inicial a data do recolhimento a maior do tributo, que posteriormente foi decretado parcialmente inconstitucional pelo STF. Por outro lado, a recorrente alega que a contagem do prazo para pedir restituição do ILL deveria ter como termo inicial a data da publicação do Senado Federal, qual seja, 18/11/1996. Como seu pedido fora protocolado em 24/10/2001, portanto, antes do termo final para o pedido (18/11/2001), não estaria decaído seu direito de petição. Pois bem. Entendo que tem razão a recorrente. O art. 35 da Lei 7.713/1988 comportava a seguinte redação: Art. 35. O sócio quotista, o acionista ou titular da empresa individual ficará sujeito ao imposto de renda na fonte, à alíquota de oito por cento, calculado com base no lucro líquido apurado pelas pessoas jurídicas na data do encerramento do período base. Posteriormente, o STF reconheceu a inconstitucionalidade da expressão "o acionista" da redação acima, conforme RE nº 172.0581/SC. Após, o Senado Federal publicou Resolução (nº 82, de 19/11/1996), em que suspendeu a execução dos efeitos da expressão ("o acionista") ora decretada inconstitucional pelo STF. Como o termo "acionista" é inerente às sociedades por ações, tal exoneração somente alcançou o pagamento de lucros a acionistas de uma sociedade por ações, não abrangendo os sócios de uma sociedade limitada (LTDA). O relator do RE, Ministro Marco Aurélio, consignou que a simples apuração de lucro líquido, não se subsumia ao conceito de renda, do art. 43 do CTN, para caracterizar o fato gerador do imposto de renda na modalidade "desconto na fonte". Percebeuse também que a motivação para manutenção da expressão "o sócio cotista" na redação do art. 35 Lei 7.713/1988 era porque a apuração do lucro e sua destinação ensejaria, em regra, a disponibilidade jurídica da renda, fato caracterizador da incidência do imposto sobre a renda. Por outro lado, aduziu o Exmo. Sr. Relator que à sociedade limitada, cujo contrato social não dispusesse sobre a disponibilidade imediata do lucro do exercício, se aplicaria a decisão de inconstitucionalidade de parte da redação do art. 35. Ou seja, o que se deve avaliar é se a sociedade limitada previu a distribuição imediata dos lucros apurados para que a exação seja considerada constitucional. No mesmo sentido, a Receita Federal editou a Instrução Normativa SRF nº 63, de 25/07/1997, que assim dispôs: Art. 1º Fica vedada a constituição de créditos da Fazenda Nacional, relativamente ao imposto de renda na fonte sobre o Fl. 168DF CARF MF 6 lucro liquido, de que trata o art. 35 da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, em relação às sociedades por ações. Parágrafo único: O disposto neste artigo se aplica às demais sociedades nos casos que o contrato social, na data do encerramento do período base de apuração, não previa a disponibilidade, econômica ou jurídica, imediata ao sócio cotista, do lucro líquido apurado. Como dito, a DRF e a DRJ afastaram o direito da recorrente esbarrando em questão prejudicial de mérito, que é a decadência conforme disposta no inciso I do art. 168 do CTN, que faz remição aos incisos I e II do art. 165 do CTN, vejase: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (...) Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; (...) Como visto, o prazo de cinco anos contados da extinção do crédito tributário, no caso, contados do pagamento do tributo, somente pode ser aplicado em relação a pagamento de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável. A expressão "tributo indevido" nos leva a entender como um pagamento sobre um tributo (legal e constitucional) que foi recolhido indevidamente por quem não desenvolveu o fato gerador da relação obrigacional tributária. No caso concreto, não foi o que aconteceu. A recorrente recolheu tributo que, à época era considerado devido. Isto porque há uma presunção de constitucionalidade das leis vigentes no ordenamento jurídico, até que decisão superveniente afaste tal regramento. Nessa linha, entendo que a decretação da inconstitucionalidade de um dispositivo "legal" encontra tratamento peculiar no ordenamento jurídico, devendo ser afastada a regra de que o prazo se conta a partir da data da extinção do crédito tributário. A meu ver, a redação do inciso II do art. 168 do CTN, que faz remição ao inciso III do art. 165 do CTN, deve ser aplicada ao caso concreto, vejase: Fl. 169DF CARF MF Processo nº 13732.000291/200111 Acórdão n.º 1401002.520 S1C4T1 Fl. 167 7 Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: (...) II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. (...) Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: (...) III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Como a decisão do STF referiuse especificamente ao termo "o acionista", entendo que o prazo para contagem do direito de pedir o indébito começou a contar a partir da publicação da Instrução Normativa SRF nº 63, de 25/07/1997, que estendeu, de forma mais aclarada, a suspensão da exigência do imposto de renda na fonte sobre o lucro líquido (ILL) para as sociedades limitadas, desde que não houvesse a disponibilidade jurídica (ou econômica) da renda. Mesmo que se entenda que o STF tenha decidido pela exclusão dos sócios cotistas da sociedades Ltdas, a suspensão dos efeitos de tal norma somente se deu com a publicação do Resolução nº 82 do Senado Federal, na data de 19/11/1996, o que também permitiria que o pedido da recorrente fosse feito na data de 24/10/2001. Desta forma, de qualquer lado que se aviste as proposições quanto à contagem do prazo, é de afastar a decadência reconhecida pela DRJ nos termos do inciso I do art. 168 do CTN, o que nos permite explorar a questão meritória. MÉRITO Aplicação do dispositivo decretado inconstitucional ao caso concreto Ultrapassado isto, deverseia avaliar se a segunda condição para o direito creditório foi preenchida: que o contrato social temporal não previa a disponibilidade jurídica ou econômica da renda a ser auferida, in casu, os lucros do exercício. Ocorre que, em análise do processo, não verifiquei a anexação do contrato social vigente à época do pagamento do ILL efetuado a maior. Até porque não se avançou ao julgamento do mérito, justamente por ter sido reconhecida a decadência. Fl. 170DF CARF MF 8 Como a empresa não foi, em momento algum, notificada a apresentar o referido contrato social, entendi pertinente baixar o processo em diligência para que a unidade de origem intimasse a empresa fiscalizada a apresentar o contrato social vigente à época do pagamento do ILL efetuado a maior. Entretanto, como já dito no relatório deste acórdão, a empresa não respondeu à intimação da fiscalização. Diante disso, não há como avaliar qual seria a previsão constante no contrato social e, por isso, preparei meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Não obstante meu posicionamento, no julgamento no CARF, a turma percebeu a necessidade de enfrentamento desta questão de mérito pela delegacia de julgamento, tendo em vista não haver sido respeitado o direito ao duplo grau de jurisdição. Tal princípio, a meu ver, poderia ser superado caso minha proposta fosse de dar provimento ao recurso voluntário, o que não se subsume ao caso aqui discutido. Desta forma, em respeito ao direito ao contraditório e ao duplo grau de jurisidição, proponho baixar o processo à DRJ/RJO I para que enfrente as questões de mérito trazidas no recurso voluntário. Conclusão Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso voluntário para afastar o fundamento de decadência do direito creditório, determinando o retorno do processo à DRJ Rio de Janeiro I para que aprecie o mérito do pedido de compensação. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 171DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.908406/2009-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES.
Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DE PRELIMINAR EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
No julgamento de recurso voluntário em que se supera preliminar que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES. Constatado a existência do crédito tributário, por meio das DCTFs e DIPJs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório tributário, este deve ser analisado pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Numero da decisão: 1301-003.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DE PRELIMINAR EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera preliminar que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES. Constatado a existência do crédito tributário, por meio das DCTFs e DIPJs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório tributário, este deve ser analisado pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
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OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolatase nova decisão para suprila, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, concluise pela alteração no resultado do julgado. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DE PRELIMINAR EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera preliminar que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES. Constatado a existência do crédito tributário, por meio das DCTFs e DIPJs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório tributário, este deve ser analisado pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 84 06 /2 00 9- 13 Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10380.908406/200913 Acórdão n.º 1301003.095 S1C3T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10380.908406/200913 Acórdão n.º 1301003.095 S1C3T1 Fl. 4 3 Relatório Transcrevo os trechos de interesse do despacho quando da admissão dos embargos: No julgamento do recurso do processo em epígrafe, entendeu o colegiado em superar os óbices de direito, elencados preliminarmente, pela unidade de origem para não reconhecer o direito creditório pleiteado. Ato contínuo, entendeuse por bem converter julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem, superadas as questões de direito, procedesse às análises de fato a fim de verificar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado. Ao final, deveria elaborar relatório circunstanciado, abrindose vista ao contribuinte para que esse, querendo, se manifestasse a respeito das conclusões da autoridade fiscal, e a seguir encaminhasse os autos novamente ao CARF para que pudesse, enfim, decidir sobre o mérito da exigência. Pois bem, assim deliberando, o colegiado deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo do contribuinte, em tese, ao direito de recurso em caso de não reconhecimento integral do crédito pleiteado, uma vez que o mérito da exigência poderia não vir a ser examinado não examinado pela DRJ, acarretando, repitase, em tese, supressão de instância. Por essas razões, nos termos do inciso I, do art. 65, do Anexo II do RICARF, oponho os presentes embargos de declaração em razão de omissão, no acórdão embargado, de ponto sobre qual deveria pronunciarse a turma. E, a fim de se evitar burocracia absolutamente desnecessária, tendo em vista que compete ao Presidente do colegiado analisar a admissibilidade dos embargos, já o admito de plano, determinandose o encaminhamento dos autos ao relator do acórdão embargado para relato e inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10380.908406/200913 Acórdão n.º 1301003.095 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.088, de 17.05.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10380.904202/201110, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.088): "Conforme já relatado, no acórdão embargado o colegiado deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo do contribuinte, em tese, ao direito de recurso em caso de não reconhecimento integral do crédito pleiteado, uma vez que o mérito da exigência poderia não vir a ser examinado não examinado pela DRJ, acarretando, repitase, em tese, supressão de instância. De fato, no acórdão embargado, o colegiado entendeu por bem superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância. Contudo, ao se determinar, superada a citada preliminar, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. Por essas razões, entendo que o resultado mais adequado para o julgado seria dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para analise o mérito do pedido. Caberá à DRF de origem analisar o mérito do crédito pleiteado nas compensações, levando em consideração os débitos de IRPJ e CSLL constantes das DIPJs e DCTFs retificadoras apresentadas. Saliento que a autoridade fiscal deverá considerar que o IRPJ e a CSLL devem ser apurados mediante aplicação dos coeficientes, respectivamente, de 8% e de 12%, nos termos do acórdão no REsp 1.116.399/BA, decidido sob a sistemática de Recurso Repetitivo do Superior Tribunal de Justiça. Nessa hipótese, eventual indeferimento do pleito do contribuinte, ainda que parcial, poderá ensejar nova apresentação de manifestação de inconformidade, e, se, for o caso, interposição Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10380.908406/200913 Acórdão n.º 1301003.095 S1C3T1 Fl. 6 5 de novo recurso voluntário, garantindo ao contribuinte o pleno exercício de sua defesa. CONCLUSÃO Isso posto, voto por acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.676289/2009-74
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS DCOMP. EFEITOS. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO PELA DRJ.
A análise de DCTF retificadora enviada após a transmissão da DCOMP não encontra óbice na legislação.
Com fulcro no disposto no art. 60 do Decreto nº 70.235/1972, os autos deverão retornar à DRJ para que proceda à verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, sob pena de supressão de instância.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Aguardando Nova Decisão.
Numero da decisão: 3002-000.201
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acatar a preliminar suscitada no recurso, vencido o conselheiro Carlos Alberto que rejeitou a preliminar suscitada, e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para determinar o retorno dos autos à DRJ para análise da certeza e liquidez do crédito tributário alegado. Votaram pelas conclusões os conselheiros Larissa Nunes Girard e Carlos Alberto da Silva Esteves.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS DCOMP. EFEITOS. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO PELA DRJ. A análise de DCTF retificadora enviada após a transmissão da DCOMP não encontra óbice na legislação. Com fulcro no disposto no art. 60 do Decreto nº 70.235/1972, os autos deverão retornar à DRJ para que proceda à verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, sob pena de supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1731; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 154 1 153 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.676289/200974 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.201 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 17 de maio de 2018 Matéria DCTF retificada após despacho decisório. Recorrente PARTAGE EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS DCOMP. EFEITOS. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO PELA DRJ. A análise de DCTF retificadora enviada após a transmissão da DCOMP não encontra óbice na legislação. Com fulcro no disposto no art. 60 do Decreto nº 70.235/1972, os autos deverão retornar à DRJ para que proceda à verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, sob pena de supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acatar a preliminar suscitada no recurso, vencido o conselheiro Carlos Alberto que rejeitou a preliminar suscitada, e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para determinar o retorno dos autos à DRJ para análise da certeza e liquidez do crédito tributário alegado. Votaram pelas conclusões os conselheiros Larissa Nunes Girard e Carlos Alberto da Silva Esteves. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 62 89 /2 00 9- 74 Fl. 154DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fl. 48 dos autos: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (Dcomp) eletrônica nº 34812.19655.260406..3.046198, transmitida em 26 de abril de 2006, por meio da qual a contribuinte solicita compensação de débito com crédito, no valor de R$ 32.901,00, que teria sido indevidamente recolhido a título de contribuição ao Programa de Integração Social (PIS/Pasep), mediante Darf código 6912, em 15 de março de 2005, no valor de R$ 63.518,15, relativo ao período de apuração de 28 de fevereiro de 2005. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Tributação em São Paulo – Derat/SP pela não homologação da compensação declarada, mediante Despacho Decisório, à folha 7, emitido em 23 de outubro de 2009, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia – 28 de fevereiro de 2005, no valor de R$ 63.518,15, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados na Dcomp. Inconformada com a não homologação da compensação, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, à folha 10, na qual alega, em síntese, que informou indevidamente o débito de PIS/Pasep na DCTF de fevereiro de 2005, a qual retificou em 19 de novembro de 2009, demonstrando o crédito pleiteado no valor de R$ 32.901,00. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a negativa de homologação (fls. 47/49), conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Como fundamento, consignou que, no momento de apresentação da DCOMP pelo contribuinte, o crédito perante a Fazenda não tinha sua existência evidenciada, já que a DCTF retificadora, que evidenciou a existência do crédito, só foi apresentada posteriormente à emissão do despacho decisório. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10880.676289/200974 Acórdão n.º 3002000.201 S3C0T2 Fl. 155 3 Além disso, entendeu a DRJ que, como a DCOMP possui o efeito de extinguir o crédito tributário, sob condição resolutória de posterior homologação, não haveria possibilidade de homologar uma compensação com base em um crédito que, à época da data de apresentação da DCOMP, não existia juridicamente. Segundo o seu entendimento, somente a partir da retificação da DCTF é que o contribuinte passaria a ter crédito perante a Fazenda, só podendo, portanto, produzir efeitos para DCOMP’s apresentadas a partir de então. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 24/09/2015 (vide Termo de Ciência por Abertura de Mensagem à fl. 56 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 26/10/2015, Recurso Voluntário (fls. 58/109), através do qual trouxe fundamentação jurídica bem mais robusta do que aquela apresentada em sua manifestação de inconformidade, no intuito de ter reconhecido o seu direito creditório, com a consequente homologação da compensação realizada. Em seu recurso, argumentou, inicialmente, que a decisão recorrida estaria equivocada, pois as informações encontramse corrigidas no sistema da Receita Federal, não havendo prejuízo para a atividade de conhecimento das autoridades acerca da existência do crédito do contribuinte, e que este é legítimo. Alegou que a decisão da DRJ seria destituída de motivação e teria gerado insuficiência do exercício da atividade fiscalizatória, pois teria se pautado em erro e deixado de analisar devidamente o caso a fim de verificar a correção da compensação. Isso porque, seria obrigação da Administração investigar a procedência do crédito declarado pelo contribuinte para fins de homologação de DCOMP, conforme entendimento da própria RFB, expressado na Resolução Interna Cosit nº 16/2002, de modo a comprometerse com a verdade material, no sentido do Parecer PGFN/CAT nº 591/2014. Afirmou, com base nos artigos 142, 145 e 149 do CTN, que no caso de o lançamento ter se baseado em erro, omissão ou inexatidão, deve ser revisto. No presente caso, a não verificação pela fiscalização da efetiva existência do crédito foi o erro/inexatidão. Por fim, alegou que a retificação da DCTF com vistas a comprovar o pagamento indevido, realizada posteriormente à prolação de despacho decisório, seria legítima, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 2/2015, pois a ocorrência de erro material no cumprimento de obrigações acessórias (preenchimento de DCTF) não deve afastar o direito à utilização do seu crédito, ressaltando que o princípio da verdade material é aplicado pelo CARF nos casos de retificação posterior dos referidos erros. Argumentou que seria duplamente penalizada caso seja negado o direito creditório, por ficar impedida de obter restituição e por ter que pagar o débito quitado via compensação com acréscimo de juros e multa. Juntou aos autos, nesta oportunidade, os seguintes documentos: (i) memória de cálculo da DCTF original (fl. 109); (ii) DCTF original (fls. 110/125); (iii) memória de cálculo da DCTF retificadora (fl. 126); (iv) DCTF retificadora (fls. 127/142); Balancetes (fls. 143/149); DIPJ, incluindo a Ficha 06, com a demonstração do resultado (fls. 150/151). Apresentou, ainda, pedido alternativo de conversão do julgamento em diligência e/ou designação de perícia técnica. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. Fl. 156DF CARF MF 4 É o relatório. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo (a contagem do prazo se iniciou na sexta feira, dia 25/10/15, e teve seu término prorrogado para a segundafeira, dia 26/10/15, visto que o último dos 30 dias do prazo foi um sábado) e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Em resumo, sustentou o contribuinte em seu Recurso Voluntário que teria havido erro na decisão recorrida, que não teria analisado a existência do crédito tributário pleiteado. Defendeu a desnecessidade de prévia retificação da DCTF, nos moldes do que dispõe o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, bem como pugnou pela aplicação do princípio da verdade material, e dos artigos 142, 145 e 149 do CTN. Penso que assiste parcial razão ao contribuinte em seu pleito. Consoante restou devidamente descrito acima, a DRJ, em sua decisão, não chegou a se debruçar acerca da liquidez e certeza do crédito tributário pleiteado, por entender que não seria admitida a análise de DCTF retificadora enviada após a transmissão da DCOMP (premissa). É o que se infere da passagem a seguir, extraída do voto constante da decisão recorrida (fl. 53): Por óbvio que não se está aqui a afirmar que o crédito contra a Fazenda Nacional existe ou não existe, dado que não é isto que importa para o caso concreto que aqui se tem. O que se afirma, e isto sim, é que só a partir da retificação da DCTF é que a contribuinte passa a ter crédito contra a Fazenda devidamente conformado na forma da lei. Assim, a retificação efetuada pode produzir efeitos em relação a Dcomp apresentada posteriormente a esta retificação, mas não para validar compensações anteriores. De se dizer que débitos anteriores, não adimplidos no prazo legal, podem ser incluídos em Dcomp, mas neste caso, por óbvio, tais débitos deverão ser declarados com a devida adição da multa e dos juros de mora legalmente previstos (aliás, está aqui mais uma razão para a impossibilidade de validação retroativa da compensação: como só posteriormente à data de vencimento do tributo e à data de prolação do Despacho Decisório é que houvesse retificação da DCTF, estarseia permitindo, com a validação retroativa, o adimplemento a destempo da obrigação tributária, sem o acréscimo da penalidade e encargos legais previstos). Não há, portanto, como acatar as razões da contribuinte, devendo a não homologação da compensação ser mantida, nos termos do Despacho Decisório. Ou seja, a decisão da DRJ encontrase fundamentada na premissa de que não seria possível uma DCTF retificadora surtir efeitos em relação à DCOMP transmitida anteriormente à referida retificação. Por essa razão, não chegou a analisar o mérito da contenda, relativo à existência ou não do crédito tributário alegado. Ao me debruçar acerca da premissa adotada na decisão recorrida, entendo ter a DRJ se equivocado em seus fundamentos. Isso porque, a legislação pátria não impõe qualquer impedimento para que a DCTF seja retificada após a transmissão da DCOMP, nem afasta da DCTF retificadora o seu efeito natural de substituir a DCTF originalmente apresentada. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10880.676289/200974 Acórdão n.º 3002000.201 S3C0T2 Fl. 156 5 Sobre os efeitos da DCTF retificadora, tragase à colação o art. 18 da MP nº 2.18949/2001, bem como o art. 11 da Instrução Normativa nº 903/2008, in verbis: Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. *** Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada do início de procedimento fiscal. Da leitura dos dispositivos acima transcritos, verificase que o caso concreto aqui analisado (procedimento eletrônico de não homologação da compensação pleiteada em razão da não localização de créditos suficientes) não se encontra dentre as hipóteses expressamente previstas na legislação em que a retificadora não surtirá efeitos. Logo, inferese que os efeitos da DCTF retificadora em tal caso, desde que validamente comprovadas as alterações ali inseridas, serão os mesmos da DCTF originalmente transmitida. Entendo, portanto, que o entendimento da DRJ que negou a homologação da compensação tão somente sob o fundamento da impossibilidade de análise de DCTF retificadora apresentada após a DCOMP, não possui respaldo legal. Ou seja, mesmo após a transmissão da DCOMP, é possível que a DCTF retificadora atinja os seus efeitos de substituir a original, desde que os valores ali retificados correspondam à realidade daquele contribuinte, cuja comprovação há de ser apreciada pela DRF/DRJ. Fl. 158DF CARF MF 6 Consolidando o entendimento acima disposto, oriundo da legislação que rege a matéria, o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015 assim dispôs: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10880.676289/200974 Acórdão n.º 3002000.201 S3C0T2 Fl. 157 7 administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Do transcrito acima, extraise que a limitação trazida pela legislação para fins de admissão de DCTF retificadora tendente à homologação de pedidos de compensação é de que esta retificadora esteja em linha com o princípio da verdade material, correspondendo aos valores corretamente registrados nos registros contábeis/fiscais da empresa, e que não esteja divergente de outras declarações apresentadas pelo contribuinte, a exemplo da DIPJ e Dacon. Acontece que tal análise não chegou a ser realizada no caso concreto ora apreciado, seja pela DRF, visto que a DCTF retificadora ainda não havia sido transmitida quando do despacho decisório, seja pela DRJ, em razão do equivocada premissa adotada por tal instância de julgamento. Entendo ter a decisão recorrida, ao assim proceder, prejudicado o sujeito passivo, pois, tendo em vista a adoção de premissa equivocada (impossibilidade de análise de DCTF retificadora), deixou de apreciar o mérito da contenda (existência ou não do crédito tributário). E, uma vez constatada tal falha, tornase imperativa a sua correção, com amparo no art. 60 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. De outro norte, entendo que não seria possível à presente instância de julgamento, ao superar a referida premissa, julgar o mérito da contenda, sob pena de supressão de instância. Sendo assim, tornase imperativo o retorno dos autos à DRJ, inclusive em observância ao princípio da verdade material, para que esta analise a certeza e liquidez do crédito tributário em testilha. Sobre a possibilidade de envio de DCTF retificadora após a transmissão da DCOMP e a necessidade de análise do direito creditório em si, já se manifestou este Conselho Administrativo Fiscal em diversas oportunidades, a exemplo dos Acórdãos a seguir colacionados: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ADMISSIBILIDADE. O crédito tributário do contribuinte nasce do pagamento indevido ou a maior que o devido, porém ele apenas se torna oponível à Receita Federal após a devida retificação e/ou correção das respectivas Declarações, quando então o Órgão Administrativo poderá tomar conhecimento daquele direito creditório em questão. De qualquer forma, em determinadas situações, em razão do procedimento Fl. 160DF CARF MF 8 eletrônico de compensação, em que não há espaço para emendas ou correções pelo contribuinte, há que se admitir e analisar a retificação da DCTF efetuada posteriormente ao despacho decisório, sob pena de excesso de rigorismo, que não resolve satisfatoriamente a lide travada e leva o contribuinte ao Poder Judiciário, apenas fazendo aumentar a condenável litigiosidade. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão nº 3403003.340, Rel. Cons. Luiz Rogério Sawaya Batista, Sessão de 15/10/2014) *** NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 Ementa: COMPENSAÇÃO. FORMALISMO MODERADO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração. Recurso Voluntário Provido. Aguardando Nova Decisão. (Acórdão nº 3803002.683 de 22/03/2012). *** Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 COFINS. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DUPLO GRAU. NOVO JULGAMENTO PELA DRJ. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e crédito nela declarados. A sua apresentação após a não homologação de compensação, por ausência de saldo de créditos na DCTF original, tem como consequência a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Contudo, havendo no decorrer do processo tal verificação por parte autoridade fiscal de origem, que por sua vez gerou o devido direito à nova manifestação de inconformidade pelo sujeito passivo, cumpre devolver os autos para julgamento da Delegacia da Receita Federal competente, evitando a supressão de instância no processo administrativo (artigo 60 do Decreto 70.235/72). Recurso voluntário parcialmente provido. Aguardando nova decisão. (Acórdão nº 3402004.383, de 30/08/2017) Com fulcro nos fundamentos acima expostos, entendo que deve ser acatado o argumento preliminar do contribuinte de que a decisão recorrida incorreu em erro ao não apreciar a existência do crédito tributário alegado. Como consequência, há de ser dado parcial provimento ao recurso voluntário interposto, tão somente para fins de reconhecer o direito do contribuinte de ter analisada a DCTF retificadora enviada após a DCOMP. Uma vez superada a premissa equivocadamente adotada na decisão recorrida, considerando que a existência do crédito tributário em comento não chegou a ser analisada pela instância anterior, entendo que os autos deverão ser devolvidos à DRJ, para que esta analise a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado pelo contribuinte, evitando assim supressão de instância. Diante do entendimento acima apresentado, tornase despicienda a análise do pedido alternativo apresentado pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário acerca da necessidade de conversão do julgamento em diligência e/ou designação de perícia técnica. Da conclusão Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10880.676289/200974 Acórdão n.º 3002000.201 S3C0T2 Fl. 158 9 Voto, portanto, no sentido de, com fulcro no art. 60 do Decreto nº 70.235/1972, acatar a preliminar de erro suscitada pelo contribuinte e, no mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto, tão somente para fins de reconhecer a possibilidade de análise da DCTF retificadora enviada após a DCOMP, e, por consequência, determinar o retorno dos autos à DRJ, para que profira nova decisão, em que seja analisada a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 162DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.906524/2008-13
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE.
Expirado o Prazo de trinta dias para impugnar o ato que considerou não homologada a compensação, deve ser declarada a revelia, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar.
Numero da decisão: 1001-000.526
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, apenas para confirmar o que já dispôs a Decisão de Primeira instância: petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE. Expirado o Prazo de trinta dias para impugnar o ato que considerou não homologada a compensação, deve ser declarada a revelia, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, apenas para confirmar o que já dispôs a Decisão de Primeira instância: petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE. Expirado o Prazo de trinta dias para impugnar o ato que considerou não homologada a compensação, deve ser declarada a revelia, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, apenas para confirmar o que já dispôs a Decisão de Primeira instância: petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 65 24 /2 00 8- 13 Fl. 142DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação 24727.36141.280704.1.3.042292 (efls. 35/39), de 20/07/2004, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos indevidos (código 2362, competência 10/2003). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 775495468 (e fl. 05), que analisou as informações e reconheceu que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado em 31/07/2008 (efl. 42), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 27/05/2009 (efl. 02). A manifestação foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 02 25.592 4ª Turma da DRJ/BHE, efl. 43/47). A mesma decisão de primeira instância não conheceu da manifestação de inconformidade improcedente, por intempestiva: No caso concreto, a ciência ocorreu no dia 31/07/2008 (quinta feira), conforme aviso de recebimento de fls. 41, e não em 21/05/2009, como afirma a contribuinte. Assim, o prazo de trinta dias para apresentação da manifestação da interessada encerrouse em 01/09/2008 (segundafeira). Entretanto, a manifestação de inconformidade de fl. 1 foi apresentada somente em 27/05/2009, ou seja, mais de oito meses após o prazo de trinta dias estipulado pelo art. 15 do Decreto n° 70.235/72. Logo, está configurada a intempestividade do pedido. À luz, pois, do arts. 14 e 21 do Decreto n° 70.235/72, a intempestividade do pedido implica a revelia, não se instaurando a fase litigiosa do procedimento. Não havendo lide, não há que se falar em julgamento. Cientificada em 25/03/2010 (efl. 50)a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 27042010 (efl. 160) que repete os argumentos da manifestação de inconformidade. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço parcialmente apenas para confirmar o que já dispôs a Decisão de Primera instância: petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância. Isto porque o contribuinte foi cientificado do Despacho Decisório 775495471 (efl. 05), em 21/07/2008 (efl. 42), mas apresentou manifestação de inconformidade somente em em 27/05/2009 (efl. 02). A decisão de primeira instância bem interpretou a legislação aplicável à matéria ao averbar que à luz, pois, do arts. 14 e 21 do Decreto n° 70.235/72, a intempestividade Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10680.906524/200813 Acórdão n.º 1001000.526 S1C0T1 Fl. 143 3 do pedido implica a revelia, não se instaurando a fase litigiosa do procedimento. Não havendo lide, não há que se falar em julgamento. Pelo exposto, voto por conhecer parcialmente e negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 144DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.000837/2007-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
Ementa
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. NÃO CABIMENTO
Ocorrendo denúncia espontânea, o contribuinte efetuará o pagamento apenas do tributo e dos juros de mora, pois o art. 138 do CTN não faz qualquer alusão sobre multas de qualquer natureza.
Numero da decisão: 1302-002.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os embargos e acolhê-los, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimaraes da Fonseca e Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias.
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DIVERGÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO ENTRE O VOTO E O ACÓRDÃO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRÁS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 Ementa DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. NÃO CABIMENTO Ocorrendo denúncia espontânea, o contribuinte efetuará o pagamento apenas do tributo e dos juros de mora, pois o art. 138 do CTN não faz qualquer alusão sobre multas de qualquer natureza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os embargos e acolhêlos, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimaraes da Fonseca e Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 08 37 /2 00 7- 62 Fl. 154DF CARF MF Processo nº 15374.000837/200762 Acórdão n.º 1302002.574 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Embargos Inominados opostos pela Fazenda Nacional, face ao Acórdão nº 1302002.086, de 23/03/2017, desta 2ª Turma que, por unanimidade de votos, acolheu os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, face ao Acórdão nº 101 96.802, de 25/06/2008 da Turma extinta, cuja ementa transcrevo a seguir: MULTA ISOLADA RETROATIVIDADE BENIGNA No julgamento dos processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, a multa isolada exigida pela falta de recolhimento do tributo em atraso, sem a inclusão da multa de mora, deve ser exonerada pela aplicação retroativa do artigo 14 da MP n° 351, de 22/01/2007, convertida na Lei n° 11.488/2007, que deixou de caracterizar o fato como hipótese para aplicação da citada multa. [...] ACORDAM os membros da PRIMEIRA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A embargante opõese ao referido acórdão em embargos de declaração (1302002.086), indicando inexatidão material consistente no fato de que o acórdão cuidou integralmente de matéria estranha aos autos. Afirma que, o acórdão decorreu de admissibilidade de Embargos de Declaração que haviam se manifestado pela existência de contradição já contida no acórdão n.° 10196.802, de 25/06/2008 (Turma Carf extinta), revelada pela confusão entre multa de mora e multa de ofício (isolada), regidas pelos dispositivos: a) multa de mora art. 160 da Lei n.° 5.172/66, arts. 43 e 61, §§ 1.° e 2.°, da Lei n.° 9.430/96, e art. 9.°, § único, da Lei n.° 10.426/2002; e b) multa de ofício (isolada) art. 44, I, da Lei n.° 9.430/96. Os excertos abaixo, transcritos do texto dos Embargos Inominados, argumentam sobre a causa, a adequação e a necessidade da oposição em questão: [...] O e. colegiado a quo proferiu acórdão julgando MATÉRIA ESTRANHA AOS AUTOS. O lançamento analisado NÃO trata de "multa isolada". Com efeito, a exigência em tela é relativa à diferença de multa paga a menor, com base legal no art. 160 da Lei n° 5.172/1996; arts. 43 e 61, § 1°e2°, da Lei n° 9.430/1996; e art. 9°, § único, da Lei n° 10.426/2002. Tais dispositivos, não foram revogados ou alterados por qualquer legislação superveniente, razão pela qual não faz sentido falar em retroatividade benigna no presente caso. Ressaltese, mais uma vez, que a multa fixada no art. 44, § 1°, inciso I e a fixada no art. 43, ambos da Lei 9.430/96 são diferentes entre si: a primeira, é multa de ofício, lançada isoladamente e calculada sob um percentual de 75%; a segunda, por seu turno, é multa de mora, calculada isoladamente, sob um percentual de 20%. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 15374.000837/200762 Acórdão n.º 1302002.574 S1C3T2 Fl. 4 3 [... ] Assim, o aresto embargado merece ser sanado, para que o acórdão proferido nos autos esteja condizente com a matéria objeto do lançamento. (destaques da embargante). Nos termos do Despacho de Admissibilidade, após a revisão da ementa, relatório e voto do acórdão n.° 10196.802 de recurso voluntário, observouse que, de fato, o relatório do Acórdão embargado apresentou matéria regida pelas normas que tratam de multa moratória, e a ementa e o voto referemse a multa de ofício (isolada), regida por outros dispositivos legais e correspondentes a outras hipóteses de incidência não tratadas nos autos do processo. Indevidamente menciona multa isolada e invoca preceitos correspondentes a esta, quando o caso concreto envolve exclusivamente multa de mora (por recolhimento em atraso de CSLL). Nesse sentido, observemse os trechos, abaixo transcritos: Ementa: MULTA ISOLADA RETROATIVIDADE BENIGNA No julgamento dos processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no inciso I do artigo 44 da Lei n.° 9.430/96, a multa isolada exigida pela falta de recolhimento do tributo em atraso, sem a inclusão da multa de mora, deve ser exonerada pela aplicação retroativa do artigo 14 da MP n.° 351, de 22/01/2007, convertida na Lei n.° 11.488/2007, que deixou de caracterizar o fato como hipótese para aplicação da citada multa. Relatório: [...] O lançamento é decorrente de Auditoria Interna em Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF, anocalendário de 2004, no valor de R$ 13.295.634,19. Tratase de multa isolada prevista nos artigos 43 e 61, § 1.° e 2.°, da Lei n.° 9.430/96; e art. 9.°, parágrafo único, da Lei n.° 10.426/2002, em decorrência do pagamento da CSLL em atraso, sem o recolhimento da multa moratória, conforme o demonstrativo abaixo: [...] Voto: [...] Considerando a revogação do inciso I, do artigo 44 da Lei n.° 9.430/96, que previa a exigência da multa isolada de 75%, no caso do recolhimento em atraso de tributo sem a inclusão da multa de mora, face ao princípio da retroatividade benigna, consagrado no artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN, é cabível a exoneração da multa isolada sempre que se constatar que o lançamento decorreu de falta de inclusão da multa moratória por ocasião do recolhimento de tributo em atraso. [...] Por sua vez, o acórdão de embargos (recorrido), que integrou o acórdão 101 96.802, manteve o entendimento e as conclusões, reproduzindo a mesma contradição, acolhendo os embargos de declaração sem efeitos modificativos. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 15374.000837/200762 Acórdão n.º 1302002.574 S1C3T2 Fl. 5 4 Assim, reconheceuse que houve lapso manifesto, haja vista que o acórdão de embargos de declaração da Fazenda Nacional, incorreu no mesmo erro do acórdão de recurso voluntário, ao analisar a matéria como se tratasse de lançamento de multa de ofício exigida isoladamente e não de multa de mora não recolhida sobre CSLL paga com atraso, resultando, ao acolher os embargos, na consolidação da contradição contida no acórdão de recurso voluntário, que fora apontada nos embargos de declaração. Assim verificado, admitiuse os Embargos Inominados da PFN. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator À vista do despacho que admitiu os embargos de declaração da PGFN, passo à análise. Por ocasião do Acórdão relativo aos Embargos de Declaração, registrouse que, de fato, havia a referida incongruência entre os termos do relatório do Acórdão da Turma Extinta do CARF e seu respectivo voto. Vale relembrar, como a seguir transcrito: Relatório O lançamento é decorrente de Auditoria Interna em Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF, anocalendário de 2004, no valor de R$ 13.295.634,19. Tratase de multa isolada prevista nos artigos 43 e 61, § 1º e 2º, da Lei n° 9.430/1996; e art. 9º, § único, da Lei n° 10.426/2002, em decorrência do pagamento da CSLL em atraso, sem o recolhimento da multa moratória, conforme o demonstrativo abaixo: Voto Considerando a revogação do inciso I, do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, que previa a exigência da multa isolada de 75%, no caso do recolhimento em atraso de tributo sem a inclusão da multa de mora, face ao princípio da retroatividade benigna, consagrado no artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN, é cabível a exoneração da multa isolada sempre que se constatar que o lançamento decorreu da falta de inclusão da multa moratória por ocasião do recolhimento de tributo em atraso. Mesmo diante das razões dos Embargos de Declaração, verificase que o acórdão que as apreciou, em realidade, não corrigiu a contradição apontada, eis que, não observou que, os autos de infração em questão tratam de cobrança de multa de mora relativa ao pagamento em atraso de CSLL (e não de multa isolada pelo pagamento em atraso de CSLL, sem inclusão de multa de mora). Fl. 157DF CARF MF Processo nº 15374.000837/200762 Acórdão n.º 1302002.574 S1C3T2 Fl. 6 5 Notese que, originariamente, a interessada foi autuada por não ter pago multa de mora de 20%, no pagamento em atraso de CSLL. A interessada sustentou que, não haveria multa de mora, por estar caracterizada denúncia espontânea. Alegou que, pelo fato de ter efetuado o pagamento previamente a qualquer procedimento de fiscalização, estariam atendidas as disposições do art. 138 do CTN e, assim, não caberia multa de mora. A Turma Extinta do CARF apreciou tais razões de recurso voluntário e concluiu por dar provimento ao Recurso Voluntário. Afastouse, portanto, a incidência de multa de mora no caso de denúncia espontânea. Todavia, a Turma Extinta do CARF não apreciou os fundamentos consignados nos Autos de Infração (arts. 43 e 61, § 1º e 2º, da Lei n° 9.430/1996; e art. 9º, § único, da Lei n° 10.426/2002). Observase que, a Turma Extinta do CARF concluiu por outros fundamentos, nos termos a seguir transcritos: Considerando a revogação do inciso I, do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, que previa a exigência da multa isolada de 75%, no caso do recolhimento em atraso de tributo sem a inclusão da multa de mora, face ao princípio da retroatividade benigna, consagrado no artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN, é cabível a exoneração da multa isolada sempre que se constatar que o lançamento decorreu da falta de inclusão da multa moratória por ocasião do recolhimento de tributo em atraso. Seguindo esses fundamentos, a Turma Extinta do CARF registrou na ementa do respectivo acórdão, os seguintes termos: MULTA ISOLADA RETROATIVIDADE BENIGNA No julgamento dos processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no inciso I do artigo 44 da Lei n.° 9.430/96, a multa isolada exigida pela falta de recolhimento do tributo em atraso, sem a inclusão da multa de mora, deve ser exonerada pela aplicação retroativa do artigo 14 da MP n.° 351, de 22/01/2007, convertida na Lei n.° 11.488/2007, que deixou de caracterizar o fato como hipótese para aplicação da citada multa. Não obstante o fato de a Turma Extinta do CARF haver concluído por dar provimento ao recurso voluntário, observase em seus fundamentos, que não há manifestação específica no que diz respeito à questão, se deve haver ou não multa de mora, no caso de denúncia espontânea. A fiscalização fundamentou a incidência de multa de mora, no caso de denúncia espontânea, com base nas seguintes disposições legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições Auto de Infração sem Tributo Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Seção IV Fl. 158DF CARF MF Processo nº 15374.000837/200762 Acórdão n.º 1302002.574 S1C3T2 Fl. 7 6 Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002. Art. 9º Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1º, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) À vista dos fundamentos legais consignados pela fiscalização, com base nos quais concluiu que é devida a cobrança de multa de mora, mesmo no caso de demonstrada denúncia espontânea, passase à análise das referidas disposições do art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN), a seguir transcrito: Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 25/10/1966) Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito Fl. 159DF CARF MF Processo nº 15374.000837/200762 Acórdão n.º 1302002.574 S1C3T2 Fl. 8 7 da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Sobre a questão relativa à incidência ou não de multa de mora, no caso de denúncia espontânea, o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento, sob duas premissas a seguir abordadas. A primeira delas é fundada na própria literalidade do artigo 138 do Código Tributário Nacional, como acima transcrito. Como se vê, o dispositivo legal aduz que, em ocorrendo a denúncia espontânea, o contribuinte efetuará o pagamento apenas do tributo e dos juros de mora. Não há qualquer alusão genérica ou específica a multas de qualquer natureza. O silêncio da lei seria então eloquente e intencional, no sentido da exclusão tanto das multas punitivas quanto das moratórias. Outra premissa, parte do fato de que, tanto a natureza dos fatos, quanto às circunstâncias que ensejam as multas moratórias e as multas de ofício, envolvem repercussões advindas da prática de ilícitos tributários e evidenciam o aspecto sancionador da Administração Tributária, no exercício da supremacia e indisponibilidade do interesse público. Nesse ponto, portanto, as multas de mora e as multas de ofício não se diferem. Em tais bases, portanto, as multas de mora não teriam caráter indenizatório (para isso, servem os juros de mora), mas sim feição punitiva. Nesse sentido, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça: “PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL EM EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ART. 544 DO CPC. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CTN, ART. 138. TRIBUTO NÃO PAGO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. (...)12. Inegável, assim, que engendrada a denúncia espontânea nesses termos, revelase incompatível a aplicação de qualquer punição. Memorável a lição de Ataliba no sentido de que: “O art. 138 do C.T.N. é incompatível com qualquer punição. Se são indiscerníveis as sanções punitivas, tornamse peremptas todas as pretensões à sua aplicação. Por tudo isso, sentimonos autorizados a afirmar que a autodenúncia de que cuida o art. 138 do C.T.N. extingue a punibilidade de infrações (chamadas penais, administrativas ou tributárias)” (Leandro Paulsen, Direito Tributário, p. 979, 6ª Ed. cit. Geraldo Ataliba in Denúncia espontânea e exclusão de responsabilidade penal, em revista de Direito Tributário nº 66, Ed. Malheiros, p. 29) (...) 14. Precedentes: REsp n.º 511.337/SC, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 05/09/2005; REsp n.º 615.083/MG, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 15/05/2005; e REsp n.º 738.397/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 08/08/2005). 15. Agravo Regimental desprovido.” (STJ, Primeira Turma, AGEDAG AGRAVO REGIMENTAL NOS Fl. 160DF CARF MF Processo nº 15374.000837/200762 Acórdão n.º 1302002.574 S1C3T2 Fl. 9 8 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO DE INSTRUMENTO – 755008, Data da Publicação: 18/09/2006) Assim, à vista desse entendimento do STJ, concluo que assiste razão à Recorrente ao sustentar que, não cabe a cobrança de multa de mora, pois, utilizandose do referido instituto da denúncia espontânea, pagou os valores devidos de CSLL, acrescidos de juros de mora, previamente a qualquer procedimento de fiscalização. Em consonância com tais fundamentos, voto por acolher os Embargos Inominados da Fazenda Nacional para que, diante do fato de que o acórdão recorrido, relativo aos Embargos de Declaração também da Fazenda Nacional, não sanou a contradição que houve entre os fundamentos da Turma Extinta do CARF (multa isolada pelo pagamento em atraso de CSLL, sem a inclusão da multa de mora retroatividade benigna revogação do inciso I, do artigo 44 da Lei n° 9.430/96) e os fundamentos do auto de infração (multa de mora, em denúncia espontânea arts. 43 e 61, § 1º e 2º, da Lei n° 9.430/1996; e art. 9º, § único, da Lei n° 10.426/2002) seja sanada a referida contradição, de modo que o afastamento da multa de mora em denúncia espontânea (art. 138, CTN) seja fundamentado no fato de que não se aplica ao caso de denúncia espontânea as disposições dos arts. 43 e 61, § 1º e 2º, da Lei n° 9.430/1996; e art. 9º, § único, da Lei n° 10.426/2002. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 161DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.721755/2012-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CARDIOSCÓPIO.
A mercadoria denominada cardioscópio, quando se constitui em aparelho de eletrodiagnóstico endoscópico, classifica-se na NCM 9018.19.10.
LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA.
O lançamento decorrente de reclassificação fiscal de mercadorias deve ser declarado improcedente, na hipótese de não apontar a classificação correta da mercadoria.
Numero da decisão: 3201-003.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo, Marcelo Giovani Vieira, Winderley Morais Pereira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
(assinatura digital)
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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CARDIOSCÓPIO. A mercadoria denominada “cardioscópio”, quando se constitui em aparelho de eletrodiagnóstico endoscópico, classificase na NCM 9018.19.10. LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. O lançamento decorrente de reclassificação fiscal de mercadorias deve ser declarado improcedente, na hipótese de não apontar a classificação correta da mercadoria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo, Marcelo Giovani Vieira, Winderley Morais Pereira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. (assinatura digital) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA – Presidente. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 17 55 /2 01 2- 18 Fl. 1930DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 1790 em face da decisão de primeira instância administrativa fiscal proferida pela DRJ/RJ de fls 1755, que manteve o lançamento e determinou a improcedência da Impugnação de fls. 1450, apresentada em oposição ao Auto de Infração de Cofins de fls. 366 e Relatório Fiscal de fls. 387, lavrados em razão de erro na classificação fiscal de produto. Como de costume desta Turma de Julgamento, transcrevese o mesmo relatório utilizado na decisão de primeira instância: "Tratase de auto de infração de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins, lavrado em 20/12/2012, relativos aos períodos de apuração janeiro/2008 a dezembro/2008, que constituiu crédito tributário no montante total de R$ 9.684.643,27, somados o principal, multa de ofício e juros de mora. Conforme relatório fiscal que acompanha o auto de infração, na verificação das divergências de apuração das contribuições declaradas em Dacon e DCTF, bem como registradas na contabilidade da contribuinte, constatouse que algumas receitas de venda consideradas como isentas pela contribuinte são na realidade passíveis de tributação. São os termos do relatório: 5. DOS FATOS.... 5.3 Com base nos registros contábeis fornecidos pela empresa, nas informações enviadas à Secretaria da Receita Federal, através das Declarações de Apuração de Contribuições Sociais DACON, nas Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF constatamos as divergências na apuração dos tributos PIS e COFINS conforme relatamos abaixo: 5.4A auditoria, ao verificar os valores constantes na Declaração de Apuração de ContribuiçõesSociais DACON de 2008, constatou que o contribuinte declarou receitas com alíquotas reduzidas e lavramos o competente Termo de Solicitação de Esclarecimentos n° 4, em 18/10/2012, para esclarecer os seguintes fatos, e informar os elementos solicitados: ... 5.5O contribuinte apresentou os esclarecimentos em carta datada de 26/10/2012, na qual apresenta os devidos esclarecimentos e planilha em mídia digital denominada "Produtos Alíquota Zero 2008", relacionando mensalmente os produtos sujeitos à isenção total ou parcial do PIS COFINS,contendo as informações que segue: FILIAL, CLIENTE, NOME, CNPJ, NOTA FISCAL, Fl. 1931DF CARF MF Processo nº 10283.721755/201218 Acórdão n.º 3201003.671 S3C2T1 Fl. 1.931 3 CFOP,CÓDIGO, UND, QUANT., TOTAL, NCM e REGIME DE TRIBUTAÇÃO. 5.6 O contribuinte esclareceu que se baseou no Art. 1o inciso III do DECRETO 5.821 de 29/06/2006 para efetuar o enquadramento da isenção (total/parcial) do PIS/COFINS 5.7 Ao analisar a legislação citada pelo contribuinte, a auditoria concluiu, naquela fase dos trabalhos, que o mesmo efetuou de forma equivocada a classificação do produto Cardioscópio natabela TIPI n° NCM 90.18.90.99 = Outros, em detrimento da utilização dos códigos do grupo 90.18.1, o qual seria mais especifico para classificação dos Cardioscópios. ... 5.9 A auditoria apresentou ao contribuinte a planilha com os novos cálculos dos tributos PIS/COFINS em 19/11/2012 e CONCEDEU prazo de 05(cinco) dias úteis para se manifestar e o mesmo apresentou os seus argumentos em carta de 27 de novembro de 2012. 5.10 A auditoria não aceitou, em sua íntegra, os argumentos apresentados pelo contribuinte, conforme relata a seguir: 5.11 De fato assiste razão ao contribuinte ao afirmar que a NESH (Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias) equipara o CARDIOSCÓPIO ao ENDOSCOPIO, conforme menciona em sua carta (27/11/2012). Para sermos mais exatos, a NESH classifica o cardioscópio como um tipo do "gênero cardioscópio, conforme podemos verificar no texto do subitem “I” / "O" da NESH abaixo transcrito: I. INSTRUMENTOS E APARELHOS UTILIZADOS EM MEDICINA OU EM CIRURGIA HUMANAS O) Os endoscópios: gastroscopios, toracoscópios, peritoneoscópios, broncoscópios, cistoscópios, uretroscópíos, ressectoscópios, cardioscópios, colonoscópios, nefroscópios, laringoscopios, etc. Muitos destes instrumentos possuem um canal operatorio de dimensão suficiente para efetuar uma intervenção cirúrgica por meio de instrumentos controlados à distância (telecomandados). Todavia, os endoscópios (fibroscópios) de usos não médicos, excluemse desta posição (posição 90.13). 5.12 Então, uma vez que segundo a NESH, o cardioscópio é um tipo de endoscópio, aplicase a esse produto a seguinte classificação da TIPI: 90.18.90.94 Endoscópios. Dessa forma e com base nessa análise mais detalhada, restou retificado nosso entendimento anterior (Termo de Solicitação de Esclarecimento n° 3 de 02/07/2012) de que o produto estaria classificado sob a rubrica 90.18.1 Aparelhos de eletrodiagnóstico (incluindo os aparelhos de exploração funcional e os de verificação de parâmetros fisiológicos). Fl. 1932DF CARF MF 4 5.13 Portanto, definida a correta posição do produto na TIPI, abordaremos agora, a aplicação da legislação que estabelece isenção do PIS e da COFINS. Segundo o Decreto 5821/2006 alterado pelo Decreto 6337/2007 combinado com Decreto 6426/2008, os produtos que gozam de isenção são os relacionados no Anexo III das referidas normas. De acordo com esse anexo, somente estão incluídos os seguintes subitens do grupo 90.18: a) os produtos classificados no subitem 90.18.90.95 Grampos e clipes, seus aplicadores e extratores e; b) 90.18.90.99 outros. 5.14 Ora, o subitem 90.18.90.95 Grampos e clipes, seus aplicadores e extratores não se aplica ao caso sob análise. Quanto ao 90.18.90.99, este, por ser "código residual", somente se aplicaria se o produto, que integra o grupo 90.18 Instrumentos e aparelhos para medicina, cirurgia, odontologia e veterinária, incluindo os aparelhos para cintilografia e outros aparelhos eletromédicos, bem como os aparelhos para testes visuais, não estivesse previsto em nenhum outro item, o que não é o caso, visto que o produto em tela, conforme demonstrado anteriormente, está enquadrado no subitem 9018.90.94 Endoscópios. 5.15 Desta forma, fica demonstrado que o produto sob análise está classificado sob a rubrica 90.18.90. 94 ENDOSCÓPIOS, e, por esse motivo, conforme argumentos de fato e de direito acima aduzidos, não goza de isenção do PIS e da COFINS. ... Prossegue o relatório fiscal informando os procedimentos adotados para o cálculo das contribuições devidas sobre a receita bruta da contribuinte, e do montante a ser exigido pelo lançamento. Sobre a multa aplicada, assim fundamentou: 11. MULTAS APLICADAS a)Conforme acima descrito, o sujeito passivo apresentou para a autoridade fazendária, no caso a Secretaria da Receita Federal do Brasil, as DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais referentes ao ano calendário objeto deste procedimento fiscal (2008) com valores dos tributos PIS/COFINS inferiores ao efetivamente devidos. Tal omissão também se deu nos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais DACON's, assim como não ofereceu os valores dos tributos devidos nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. b) O fato acima descrito ensejou o enquadramento das multas aplicadas conforme § 1o do artigo 44 da Lei 9.430/1996. c) A multa aplicada de acordo com os dispositivos legais citados foi de 75%. Cientificada da autuação em 21/12/2012, a contribuinte interpôs impugnação em 22/01/2013. Fl. 1933DF CARF MF Processo nº 10283.721755/201218 Acórdão n.º 3201003.671 S3C2T1 Fl. 1.932 5 Inicialmente, narra os fatos que antecederam a autuação, para informar, em síntese e fundamentalmente, que a classificação fiscal por ela adotada para o produto cardioscópio de sinais vitais – 9018.90.99 – já constava de seu projeto industrial aprovado pela SUFRAMA em 1992. Especificamente quanto ao modelo DX 2010/VIESN, a classificação fiscal 9018.90.99 consta do ato da SUFRAMA de 1998 que aprovou seu pedido de inclusão de equipamentos no seu projeto industrial, o qual é assinado também por engenheiro eletricista responsável. Registra que a internação dos produtos assim classificados submetese à autorização prévia da Receita Federal, nos termos da Instrução Normativa SRF, nº 242, de 2002. Em sede de preliminar, alega a nulidade do auto de infração, tendo em vista que, em síntese, a constituição do crédito tributário não poderia ser fundamentada em mera presunção. No caso, para refutar a classificação fiscal por ela adotada, cumpriria à autoridade fiscal demonstrar por meio de prova técnica que os produtos por ela comercializados se enquadrariam em outra classificação fiscal, ou que tais produtos seriam, na realidade, endoscópios (os quais se enquadram na classificação apontada pela fiscalização), e não apenas se pautar em sua interpretação das normas explicativas (NESH). Evidencia a mera presunção o fato de ter a fiscalização inicialmente concluído pela classificação fiscal 90.18.1, para depois defender outra, 9018.90.94. Aduz que ao assim proceder a fiscalização lhe transferiu o ônus da prova, incorrendo em ofensa aos princípios da ampla defesa, contraditório, e segurança jurídica. Cita doutrina e jurisprudência administrativa que corroborariam seu entendimento. Argui ainda a nulidade do auto por ofensa ao princípio da legalidade, pois somente caberia auto de infração em face de infração cometida, o que não teria ocorrido no caso. Concretamente, a classificação fiscal por ela utilizada decorreu de determinação da SUFRAMA, e vem sendo aceita pela Receita Federal no processo de internação de suas mercadorias desde 1992. No mérito, alega, em síntese e fundamentalmente, que ainda que a mera leitura da NESH fosse suficiente para a desconsideração da classificação por ela utilizada para os cardioscópios de sinais vitais por ela comercializados, não seria possível daí concluir que esses produtos devem ser classificados no código 9018.90.94 da NCM, pois a própria NESH também menciona os cardioscópios em outro item que abrange os equipamentos de eletrodiagnóstico, classificados sob o código 9018.1. Ressalta que conforme entendimento da Organização Mundial das Aduanas, as notas explicativas possuem natureza meramente consultiva, e não dispositiva. Outrossim, alega que caso a fiscalização tivesse buscado provas de ordem técnica teria constatado que os produtos em tela não podem ser considerados como endoscópios. Discorre acerca do funcionamento dos endoscópios e dos cardioscópios de sinais Fl. 1934DF CARF MF 6 vitais, para enfim concluir que além de desempenhar outras funções não sugeridas ao endoscópio, o cardioscópio de sinais vitais (ou monitor de sinais biológicos) NÃO desempenha qualquer uma das funções que são próprias dos endoscópios. Afirma que a classificação fiscal em referência já é por ela adotada há mais de vinte anos, e, portanto, não há que se cogitar de pretender beneficiarse da legislação do PIS e da Cofins. Requer a aplicação do princípio estabelecido no art. 112 do Código Tributário Nacional (CTN), in dúbio pro réu, haja vista o posicionamento divergente em relação à correta classificação fiscal do produto em questão durante o procedimento fiscal, e considerando ainda resposta da RFB em Solução de Consulta de empresa concorrente (nº 382, de 10/11/2004, da 10a Região Fiscal). Cita jurisprudência administrativa que corroborariam seu entendimento. Dessa forma, deve prevalecer a classificação fiscal NCM 9018.90.99 no presente caso, adotada há mais de 20 anos pela Requerente e expressamente reconhecida pela própria SUFRAMA. Alega ainda que a presente autuação promove alteração de critérios jurídicos já adotados em lançamento anteriormente homologado pelo Fisco, o que não seria possível à luz dos artigos 146, 149 e 150 do CTN. Os argumentos explicitados estão assim por ela sintetizados em sua conclusão: (iv) conforme a pacífica jurisprudência pátria, uma vez aceita pelo Fisco a classificação fiscal indicada no momento da saída dos cardioscópios de sinais vitais da ZFM, com a finalização do despacho de internação para o território nacional e a consequente homologação expressa do lançamento, não há que se cogitar qualquer nova fiscalização sobre a mesma situação jurídica já aperfeiçoada e que possa permitir qualquer alteração/revisão de critério jurídico já adotado pelas Autoridades Fiscais, sob pena de violação aos artigos 146, 149 e 150 do CTN; e (v) a aceitação, desde 1992, da classificação fiscal 9018.90.99 adotada pela Requerente para o cardioscópios de sinais vitais, corroborada pela emissão do parecer "Análise de Listagem de Insumos n° 90/98", também representa a adoção de um critério jurídico com relação à classificação fiscal da referida mercadoria por parte de todos os órgãos representados pelos membros que compõem o Conselho de Administração da SUFRAMA, dentre estes o Ministério da Fazenda, de modo que a eventual mudança do referido critério jurídico também seria contrária aos artigos 146, 149 e 150 do CTN. Subsidiariamente, prossegue alegando a inaplicabilidade da multa de ofício de 75% e dos juros de mora. Primeiro, por entender que o parecer que lhe foi emitido pela SUFRAMA denominado "Análise de Listagem de Insumos n° 90/98", que atesta a classificação por ela utilizada para o cardioscópio de sinais vitais, caracterizase como norma complementar nos termos do art. 100, I, do CTN, e, portanto, sua observância não pode ensejar a aplicação de multa e juros. Segundo, porque há mais de vinte anos a Receita Federal defere os despachos de internação dos cardioscópios de sinais vitais com a classificação Fl. 1935DF CARF MF Processo nº 10283.721755/201218 Acórdão n.º 3201003.671 S3C2T1 Fl. 1.933 7 fiscal 9018.90.99, o que configura pratica reiterada da autoridade administrativa, modalidade de norma complementar à legislação tributária nos termos do art. 100, III, do CTN. Assim, não poderia ser ela penalizada por seguir práticas reiteradas da administração. E, por fim, porque os documentos analisados pelo Fisco sempre contiveram todos os elementos necessários à identificação das mercadorias, não se lhe podendo ser imputado qualquer intuito doloso ou fraudulento. Nesse sentido, cita o Ato Declaratório Cosit nº 10, de 1997. Cita ainda doutrina e jurisprudência administrativa que corroboram seus argumentos. Além disso, menciona o valor confiscatório da multa, e requer a aplicação do art. 112 do CTN. Alega, por fim, que, conforme entendimento jurisprudencial e doutrinário, seria inaplicável a taxa Selic ao cálculo dos juros de mora dos créditos tributários." Esta decisão de primeira instância administrativa fiscal foi proferida com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. RECEITA DE VENDAS SUJEITAS A ALÍQUOTA ZERO. Sujeitamse à incidência de alíquota zero das contribuições para o PIS e a Cofins as receitas de vendas no mercado interno dos produtos destinados ao uso em hospitais, clínicas e consultórios médicos e odontológicos, campanhas de saúde realizadas pelo poder público, laboratório de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas, classificados nas posições 30.02, 30.06, 39.26, 40.15 e 90.18, da NCM, relacionadas nos respectivos anexos dos Decretos vigentes à época dos fatos geradores. Constatada comercialização de produto cuja classificação fiscal não consta daqueles anexos, a receita de vendas dali provenientes compõem a base de cálculo tributável das contribuições na forma da legislação de regência. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe à autoridade lançadora provar a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do fisco. Comprovado o do direito de lançar cabe ao sujeito passivo alegar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos e além de alegálos, comproválos efetivamente, nos termos do Código de Processo Civil, que Fl. 1936DF CARF MF 8 estabelece as regras de distribuição do ônus da prova aplicáveis ao PAF, subsidiariamente. ERRO DE DIREITO. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. A adoção de critério jurídico conforme constante do art. 146 do CTN, ato necessário para que possa ocorrer erro de direito, no que se refere à classificação fiscal, só ocorre quando ela (classificação) está devidamente estabelecida em legislação normativa específica, processo de consulta ou no lançamento de ofício. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. MULTA DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA. Constatada falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração ou de declaração inexata, correto o lançamento da multa de ofício no percentual de 75%. MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO. A exclusão de imposição de penalidades, de cobrança de juros de mora e de atualização monetária depende de observância de atos que se caracterizem como normas complementares, nos termos do Código Tributário Nacional. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CONFISCO. O percentual da multa de ofício aplicada decorre de lei, não tendo a autoridade administrativa competência para afastálo sob a alegação de confisco. JUROS DE MORA. SELIC. A aplicação de juros com base na taxa Selic decorre de lei, não tendo a autoridade administrativa competência para afastála. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido." Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reiterou os argumentos de impugnação. Em fls. 1908 este Conselho proferiu Resolução para que fosse confirmada a aderência do contribuinte à intimação eletrônica. Em fls. 1914 a diligência foi cumprida e confirma a aderência. Os autos foram novamente distribuídos e pautados nos moldes do regimentos interno. Relatório proferido. Fl. 1937DF CARF MF Processo nº 10283.721755/201218 Acórdão n.º 3201003.671 S3C2T1 Fl. 1.934 9 Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção de Julgamento e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Apesar de confirmada a aderência do contribuinte à intimação eletrônica, verificase nos autos que houve a intimação por correio, conforme Aviso de Recebimento de fls. 1787, recebido em 01/11/13. Ainda que também haja intimação eletrônica por decurso de prazo, não há como negar o fato de que o Recurso Voluntário, protocolado em 02/12/13, tem sua tempestividade materializada com relação à data de intimação por correio, acima mencionada. realizado o ato da intimação por correio, não há base legal para sua desconstituição, visto que a ciência do contribuinte é pilar fundamental do Estado Democrático de Direito e questão de ordem pública. Assim, se não houvesse intimação por correio e, somente neste caso, o presente Recurso Voluntário poderia ser considerado intempestivo. Com relação à alegação de nulidade do Auto de Infração, o processo administrativo fiscal é norteado pelo entendimento de que, se for possível o julgamento do mérito sem prejuízo para as partes, a nulidade não deve ser decretada, conforme determinado nos Art. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. 1 É igualmente importante registrar que a Receita Federal do Brasil possui competência para realizar a reclassificação fiscal de produtos, com base na NESH, premissa legal que reforça a desnecessidade de determinação da nulidade do lançamento. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 1938DF CARF MF 10 Portanto, em que pese o lançamento não possuir qualquer nulidade evidente que permita o julgamento preliminar do caso, os autos possuem uma peculiaridade importante, a ausência de prova direta e indireta. Diante da ausência de prova direta e indireta, a junção de indícios, não é possível concluir pela ocorrência da infração apontada pela fiscalização. O Art. 142 do Código Tributário Nacional, amparado por outros dispositivos do Decreto 70.235/72 e dentro de uma hierarquia infra constitucional, em perfeita consonância com regras constitucionais de limitação ao Poder do Estado, determinou que os lançamentos de ofício devem ser acompanhados da prova da ocorrência da infração fiscal. Não existindo prova nos autos, o lançamento não deve prosperar, por ausência de materialidade. Não se trata de nulidade. Conforme apontado pelo contribuinte, não há nos autos nenhum laudo ou análise técnica que permita a identificação do produto. Sem a identificação do produto, não há como relacionar este ao texto legal constante nas posições das nomenclaturas fiscais. O próprio colegiado de primeira instância reconhece a fragilidade na identificação do produto reclassificado pela fiscalização, de modo que aponta outras duas possibilidades de reclassificação, conforme trecho extraído da decisão de primeira instância reproduzido a seguir: Assim, ainda que um produto fosse um mero Endoscópio, duas classificações fiscais poderiam corresponder ao produto. Logo, a reclassificação do produto, por parte da fiscalização, não pode ser realizada por negativa, mas somente por assertiva. Mais uma vez a identificação do produto tomou relevância nos autos, visto que o contribuinte juntou aos autos a Solução de Consulta n.º 382/2004, que confirma a classificação utilizada pelo contribuinte, conforme exposto a seguir: Fl. 1939DF CARF MF Processo nº 10283.721755/201218 Acórdão n.º 3201003.671 S3C2T1 Fl. 1.935 11 Sem um amparo fático e técnico, a fiscalização realizou o lançamento de ofício sob o entendimento de que o "Cardioscópio de Sinais Vitais Modelo DX 2010/VIESN" não se enquadraria na posição 90.18.90.99, mas sim na posição 90.18.90.94, por ser mais específica e em razão do Cardioscópio ser uma espécie de Endoscópio. Estes são os textos das posições: Fl. 1940DF CARF MF 12 Diante da ausência de provas, diante da existência de mais de uma posição com o texto "Endoscópio" conforme exposto anteriormente neste voto e, considerando a possibilidade do produto do contribuinte adequarse à posição residual "outros", visto que sequer sua identificação esta clara nos autos, não há como concluir que o contribuinte classificou seu produto de forma equivocada, assim como não há como concluir que a reclassificação por parte da fiscalização foi correta. Em adição, verificase que o contribuinte possui amparo fático e normativo da Suframa na classificação que utiliza por mais de 20 anos, conforme trecho do Recurso Voluntário exposto a seguir (amparado pela Resolução Suframa de fls. 1697): Assim, não havendo motivo, prova ou junção de indícios suficientes para a desconstituição da classificação 90.18.90.99, permanece o direito à alíquota zero, prevista no Art. 1.º do Decreto 6.426/2008. 2 2 Art. 1º Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, da Contribuição para o PIS/PASEPImportação e da COFINS Importação incidentes sobre a receita decorrente da venda no mercado interno e sobre a operação de importação dos produtos: Fl. 1941DF CARF MF Processo nº 10283.721755/201218 Acórdão n.º 3201003.671 S3C2T1 Fl. 1.936 13 Cabe, por fim, registrar, que esta Turma de julgamento apresentou entendimento diverso, que está consubstanciado no entendimento apresentado em voto vista pelo nobre colega Conselheiro Marcelo Giovani, registrado a seguir: "A turma votou pelas conclusões, considerando que, embora a classificação adotada pelo contribuinte não tenha sido correta, a do Fisco também não foi correta. A empresa adotou a classificação 90.18.90.99, e o Fisco, 90.18.90.94 Com efeito, os cardioscópios são tipos de endoscópios, conforme expressam as Nesh. Nas notas à posição 90.18, temos: "A presente posição compreende um conjunto particularmente vasto de instrumentos e aparelhos, de quaisquer matérias (incluídos os metais preciosos), que se caracterizam essencialmente pelo fato de que o seu uso normal exige, na quase totalidade dos casos, a intervenção de um técnico (médico, cirurgião, dentista, veterinário, parteira, etc.), para estabelecer um diagnóstico, para prevenir ou tratar uma doença, para operar, etc. (...) I. INSTRUMENTOS E APARELHOS UTILIZADOS EM MEDICINA OU EM CIRURGIA HUMANAS Entre estes, devem mencionarse: (...) O) Os endoscópios: gastroscópios, toracoscópios, peritoneoscópios, broncoscópios, cistoscópios, uretroscópios, ressectoscópios, cardioscópios, colonoscópios, nefroscópios, laringoscópios, etc. Muitos destes instrumentos possuem um canal operatório de dimensão suficiente para efetuar uma intervenção cirúrgica por meio de instrumentos controlados à distância (telecomandados). Todavia, os endoscópios (fibroscópios) de usos não médicos, excluemse desta posição (posição 90.13). " Há duas classificações cujo texto é “endoscópios”, 90.18.19.10 e 9018.90.94: 90.18 Instrumentos e aparelhos para medicina, cirurgia, odontologia e veterinária, incluindo os aparelhos para cintilografia e outros aparelhos eletromédicos, bem como os aparelhos para testes visuais. 9018.1 Aparelhos de eletrodiagnóstico (incluindo os aparelhos de exploração funcional e os de verificação de parâmetros fisiológicos): III destinados ao uso em hospitais, clínicas e consultórios médicos e odontológicos, campanhas de saúde realizadas pelo poder público, laboratório de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas, classificados nas posições 30.02, 30.06, 39.26, 40.15 e 90.18, da NCM, relacionados no Anexo III deste Decreto. Fl. 1942DF CARF MF 14 9018.11.00 Eletrocardiógrafos 9018.12 Aparelhos de diagnóstico por varredura ultrassônica (scanners) 9018.12.10 Ecógrafos com análise espectral Doppler 9018.12.90 Outros 9018.13.00 Aparelhos de diagnóstico por visualização de ressonância magnética 9018.14 Aparelhos de cintilografia 9018.14.10 Scanner de tomografia por emissão de posítrons (PET Positron Emission Tomography) 9018.14.20 Câmaras gama 9018.14.90 Outros 9018.19 Outros 9018.19.10 Endoscópios 9018.19.20 Audiômetros 9018.19.80 Outros 9018.19.90 Partes 9018.20 Aparelhos de raios ultravioleta ou infravermelhos 9018.20.10 Para cirurgia, que operem por laser 9018.20.20 Outros, para tratamento bucal, que operem por laser 9018.20.90 Outros 9018.3 Seringas, agulhas, cateteres, cânulas e instrumentos semelhantes: 9018.31 Seringas, mesmo com agulhas 9018.31.1 De plástico 9018.31.11 De capacidade inferior ou igual a 2 cm3 9018.31.19 Outras 9018.31.90 Outras 9018.32 Agulhas tubulares de metal e agulhas para suturas 9018.32.1 Tubulares de metal 9018.32.11 Gengivais 9018.32.12 De aço cromoníquel, bisel trifacetado e diâmetro exterior superior ou igual a 1,6 mm, do tipo das utilizadas com bolsas de sangue 9018.32.19 Outras 9018.32.20 Para suturas 9018.39 Outros 9018.39.10 Agulhas 9018.39.2 Sondas, cateteres e cânulas 9018.39.21 De borracha 9018.39.22 Cateteres de poli(cloreto de vinila), para embolectomia arterial 9018.39.23 Cateteres de poli(cloreto de vinila), para termodiluição 9018.39.24 Cateteres intravenosos periféricos, de poliuretano ou de copolímero de etileno tetrafluoretileno (ETFE) 9018.39.29 Outros 9018.39.30 Lancetas para vacinação e cautérios 9018.39.9 Outros 9018.39.91 Artigo para fístula arteriovenosa, composto de agulha, base de fixação tipo borboleta, tubo plástico com conector e obturador 9018.39.99 Outros 9018.4 Outros instrumentos e aparelhos para odontologia: Fl. 1943DF CARF MF Processo nº 10283.721755/201218 Acórdão n.º 3201003.671 S3C2T1 Fl. 1.937 15 9018.41.00 Aparelhos dentários de brocar, mesmo combinados numa base comum com outros equipamentos dentários 9018.49 Outros 9018.49.1 Brocas 9018.49.11 De carboneto de tungstênio (volfrâmio) 9018.49.12 De açovanádio 9018.49.19 Outras 9018.49.20 Limas 9018.49.40 Para tratamento bucal, que operem por projeção cinética de partículas 9018.49.9 Outros 9018.49.91 Para desenho e construção de peças cerâmicas para restaurações dentárias, computadorizados 9018.49.99 Outros 9018.50 Outros instrumentos e aparelhos para oftalmologia 9018.50.10 Microscópios binoculares, dos tipos utilizados em cirurgia oftalmológica 9018.50.90 Outros 9018.90 Outros instrumentos e aparelhos 9018.90.10 Para transfusão de sangue ou infusão intravenosa 9018.90.2 Bisturis 9018.90.21 Elétricos 9018.90.29 Outros 9018.90.3 Litótomos e litotritores 9018.90.31 Litotritores por onda de choque 9018.90.39 Outros 9018.90.40 Rins artificiais 9018.90.50 Aparelhos de diatermia 9018.90.9 Outros 9018.90.91 Incubadoras para bebês 9018.90.92 Aparelhos para medida da pressão arterial 9018.90.93 Aparelhos para terapia intrauretral por microondas (TUMT), próprios para o tratamento de afecções prostáticas, computadorizados 9018.90.94 Endoscópios 9018.90.95 Grampos e clipes, seus aplicadores e extratores 9018.90.96 Desfibriladores externos que operem unicamente em modo automático (AED Automatic Externai Defibrillator) 9018.90.99 Outros Todavia, conforme RGI 1, somente se comparam textos de mesmo nível. Devemos primeiro comparar 9018.1 com 9018.9, para adequar a mercadoria. A posição 9018.1 é para aparelhos de eletrodiagnóstico, enquanto 9018.9 é para outros aparelhos. Ora, a mercadoria em foco é um aparelho de eletrodiagnóstico, portanto, deve ser classificada dentro da subposição 9018.1. Fl. 1944DF CARF MF 16 E, dentro da subposição 9018.1, temos textualmente a 9018.19.10, que classifica endoscópios. Portanto, a classificação correta para a mercadoria é 9018.19.10. Considerando que o Fisco não apontou corretamente a classificação fiscal, prejudicando a defesa do contribuinte, o lançamento deve ser declarado improcedente." Em razão disto, registrei meu entendimento e o entendimento do Conselheiro Marcelo Giovani (acompanhado pela Turma) no meu voto e adotei na Ementa o entendimento apresentado pelo Conselheiro Marcelo Giovani e seguido por esta Turma de julgamento. CONCLUSÃO. Diante do exposto, votase para que o Recurso Voluntário seja provido. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Fl. 1945DF CARF MF
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