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Numero do processo: 19726.001390/2008-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2201-000.360
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, para saneamento dos autos pela unidade preparadora, mediante a juntada integral do recurso voluntário, vencido o Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso, relator, que reconheceu a extinção de parte do crédito tributário pela decadência e a nulidade dos valores remanescentes por vício no lançamento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Débora Fófano Dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, para saneamento dos autos pela unidade preparadora, mediante a juntada integral do recurso voluntário, vencido o Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso, relator, que reconheceu a extinção de parte do crédito tributário pela decadência e a nulidade dos valores remanescentes por vício no lançamento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Débora Fófano Dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório 01 Tratase de lançamento de DEBCAD nº 32.594.6442 das competências de 01/1987 a 08/1996 tendo por objeto a contribuição social devida à Seguridade Social, contra a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 97 26 .0 01 39 0/ 20 08 -4 3 Fl. 232DF CARF MF Processo nº 19726.001390/200843 Resolução nº 2201000.360 S2C2T1 Fl. 233 2 empresa acima identificada, correspondentes à parte da empresa, segurados e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do SAT e às destinadas a Terceiros fls. 55, com ciência do contribuinte em 15/01/1998 conforme informação de fls. 68. 02 De acordo com o Relatório Fiscal, às fls. 29/30, a apuração do crédito baseouse na análise dos seguintes documentos: A empresa foi devida e regularmente notificada através do competente TIAF (Termo de inicio de ação fiscal),cópia anexa, para apresentar os elementos necessários a verificação fiscal, assim também compreendidos os esclarecimentos e informações de interesse da fiscalização e, porque não dizer, da própria empresa. No decorrer dos trabalhos, todavia, as coisas não correram como era de se esperar. Assim é que, por exemplo, tomandose por base a massa salarial constante do sistema do INSS, extraída das RAIS anualmente apresentadas pela em presa, os valores dos saláriosdecontribuição constantes das guias de recolhimento (GRPS), em inúmeras competências, não conferiam com a referida massa salarial (que, extraída das RAIS, nada mais é do que os salários mensais pagos pela empresa, ou seja, corresponde as folhas de pagamento). Solicitados esclarecimentos sobre esse grande número de divergências e/ou, ainda, apresentação de elementos e/ou informações que pudessem trazer luz a matéria, não houve êxito. Em face da situação a empresa foi, inclusive, autuada por deixar de cumprir com o estabelecido no item III, do art. 32, da Lei n. 8.212/91 (código de fundamentos legais na 35). Auto de Infração n. DEBCAD 32.594.6418. Para apuração das diferenças existentes, elaboramos um primeiro quadro com todos os recolhimentos efetuados pela empresa através de suas várias matrículas (CGC e CEI's), para o período de 01/87 a 12/96 (período da massa salarial conhecida). ANEXO I. Num segundo quadro para o mesmo período discriminamos na primeira coluna, a MASSA SALARIAL; na segunda coluna o total, das GRPS do quadro anterior, ou seja, o TOTAL RECOLHIDO; na terceira coluna, a DIFERENÇA entre o valor da primeira (massa salarial) e a segunda coluna (total recolhido). Essa diferença é o valor devido pela empresa em saláriosdecontribuição. ANEXO II.I A coluna seguinte (a quarta de valores) tem o título PARCELAMENTO: Ocorre que, do total de contribuições devidas pela empresa (coluna anterior), parte dele foi de imediato reconhecido pela mesma, em razão do que requereu de pronto um parcelamento (nº 679/97). Os valores mensais constantes desse parcelamento são os que constam dessa coluna para efeito de dedução do débito ora apurado. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 19726.001390/200843 Resolução nº 2201000.360 S2C2T1 Fl. 234 3 Na coluna seguinte sob o título PROCESSOS TRABALHISTAS, estão incluídos os valores relativos a dois processos trabalhistas, cujas contribuições não foram satisfeitas pela reclamada: Pro. 484/92 – 35ª Junta Reclamante Josue de Araujo Soares Acordo de Cr$50.000,00. para pagamento em 05/05/92; e Proc. 276/92 Junta de Terezopolis Reclamante Francisco Ermilson Maciel Acordo de Cr$500.000,00, para pagamento em 13/07/92. E, finalmente a última coluna registra as importâncias mensais devidas pela empresa, ora apuradas e, o im. bjeto da presente N.F.L.D. A presente apuração tem como fundamento legal a legislação pertinente e vigente, especialmente o §3º do Art. 33 da Lei nº 8.212, de 24/07/91, Lei regulamentada atualmente pelo Dec. Nº 2.173, de 05/03/97 (ROCSS). ANEXOS: I Primeiro quadro (Recolhimentos efetuados pela empresa nas matriculas CEI's e CGC) 3 folhas. II Segundo quadro (importâncias da massasalarial, total de GRPS's, diferenças, parcelamento, processos trabalhistas e NFLD ) 3 folhas III Extrato da massa salarial 2 folhas. 03 A Notificada impugnou o lançamento por meio do instrumento de fls. 38/40, alegando em síntese que: a) Deixaram de ser considerados os valores pagos na Obra CEI 7.90.60.93.7270. b) Existem divergências entre a massa salarial efetiva e a que foi referida pela fiscalização. c) A contribuinte traz valores discriminativo anexo em que estão indicados: 1 A massa salarial efetiva e apresentada pela fiscalização 2 valores dedutíveis das parcelas referidas como CEI l7.90.60.93.72.70 e os débitos parcelados, sendo que neste último caso não há divergência entre a suplicante e a fiscalização. 3 Comparativo do valor lançado na GR com o devido sendo a diferença a menor lançada no mapa anexo às fls. 41/43. Requer que sobre estes valores seja aditado ao pedido de parcelamento, inexistindo por conseguinte após esta providencia saldo a reclamar. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 19726.001390/200843 Resolução nº 2201000.360 S2C2T1 Fl. 235 4 Tratandose de divergência sobre a matéria de fato, essencial ao deslinde da controvérsia, entende a suplicante que só uma prova pericial poderia em termos finais encerrar a questão. 04 – Às fls. 52/53 a autoridade fiscal através de relatório sobre a defesa, refutou os argumentos do contribuinte dessa forma: Atendendo a promoção do setor de análise passamos a fazer a apreciação da defesa de fls.36 e seguintes. As razoes da empresa carecem de total e absoluta falta de fundamentos. Assim é que a empresa se restringe ao demonstrativo que elaborou e anexou. Tal demonstrativo, todavia utilizouse de números equivocados. E, nem poderia ser diferente, eis que, a requerente sequer tem conhecimento do que representam as expressões usadas, especialmente o que é "massa salarial", a ponto de dizer textualmente no item 1, "os valores que autuante denominou genericamente de "massa salarial" (sic). Ora, a tal "genérica massa salarial", nada mais representa senão a RAIS emitida pela própria empresa, e constante no sistema DA Previdência (fls. 20/21). O parcelamento firmado pela suplicante e protocolado na ação fiscal, foi devidamente considerado na apuração (fls. 18/19), e textualmente informado pelo rela tório anexo à NFLD, fls. 26. Com relação aos supostos valores pagos na obra alínea "a" do item 4 da defesa (fls. 37) se eles existem, nem foram apresentados por ocasião da visita fiscal, nem, tampouco comprovado na defesa. O alegado na alínea "b", bem ratifica a ignorância por parte da requerente o significado de massa salarial; não existe massa salarial efetiva e outra referida pela fiscalização. Isso porque a referida pela fiscalização é exatamente a efetiva.. De outro lado, não existe indeferimento de provas, já que não ha como indeferir o que não foi apresentado. Pelo tudo o exposto somos pela manutenção do débito em toda a sua plenitude. 05 – Após a manifestação da Fiscalização houve a prolação da decisão notificação DN de fls.. 55 e 61 respectivamente: Fl. 235DF CARF MF Processo nº 19726.001390/200843 Resolução nº 2201000.360 S2C2T1 Fl. 236 5 06 – Após, houve a inscrição do referido lançamento em Dívida Ativa de acordo com os documentos de fls. 68/159. 07 – Às fls. 160 é juntado cópia apenas da primeira folha de protocolo do recurso do contribuinte que não fora (ao que parece) verificado pela fiscalização na época, havendo inclusive determinação judicial em mandado de segurança da época dos fatos em que Fl. 236DF CARF MF Processo nº 19726.001390/200843 Resolução nº 2201000.360 S2C2T1 Fl. 237 6 o Judiciário determina o recebimento do recurso sem a necessidade de exigência do depósito de 30% (trinta por cento) do débito existente à época, de acordo com fls. 184/190 (acórdão do STJ). 08 – Após, às fls. 191 manifestação da DERAT em 25/09/2008 determinando para que seja tomada as providências para cumprimento da decisão exarada nos autos do mandado de segurança informado pelo contribuinte, seguindo de informação às fls. 195 com o cumprimento da decisão: 09 – Esse o relatório do necessário e do que foi possível efetuar em vista do escasso número de informações e peças processuais incompletas no presente caso. Voto Vencido Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 10 – Verifico que houve por parte das autoridades fiscais para cumprimento da decisão judicial em mandado de segurança o encaminhamento de apenas folha de rosto da peça informada como recurso, e considero em vista da precariedade da formação desses autos que a análise das condições de admissibilidade do recurso interposto esteja a contento haja vista nenhuma informação contrária das autoridades fiscais que trabalharam com o respectivo processo anteriormente. 11 – Apesar de restar prejudicada a análise dos argumentos do contribuinte, em vista da precariedade da formação do referido processo, contudo, entendo possível a análise por esse E. Conselho do controle da legalidade do lançamento e a possibilidade de decretar a nulidade por vício material de ofício e de outras matérias de ordem pública independente do contribuinte ter tratado do tema. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 19726.001390/200843 Resolução nº 2201000.360 S2C2T1 Fl. 238 7 12 – O lançamento tributário por ser uma espécie de ato administrativo vinculado1 e, portanto, contem procedimentos quase que plenamente delineados em lei2, estando portanto, sob a égide do controle da legalidade pela própria Administração Pública a teor da Súmula 346 do E. STF: Administração Pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos. 13 – A respeito do assunto decisão do E. STF: "O Supremo Tribunal já assentou que diante de indícios de ilegalidade, a Administração deve exercer seu poderdever de anular seus próprios atos, sem que isso importe em contrariedade ao princípio da segurança jurídica. Nesse sentido, as súmulas 346 e 473 deste Supremo Tribunal: 'A administração pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos' (Súmula 346).'A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial' (Súmula 473)." (AO 1483, Relatora Ministra Cármen Lúcia, Primeira Turma, julgamento em 20.5.2014, DJe de 3.6.2014)” 14 – Citando parte do artigo dos Drs. Edilson Pereira Nobre Júnior e João Otávio Martins Pimentel in Contencioso Administrativo Tributário Federal no Brasil: O que esperar do CARF depois da Operação Zelotes?3 citando Ricardo Lobo Torres quando trata do dever da Administração Pública de aferição de legalidade e controle de seus próprios atos, os autores dizem: “Em relação ao processo administrativo fiscal, que mais interessa ao presente trabalho, Lobo Torres (1999, p. 78) ensina que: ‘tem por objetivo a autotutela da legalidade pela Administração, ou seja, o controle da justa e legal aplicação das normas tributárias aos fatos geradores concretos. É um dos instrumentos para a efetivação da justiça tributária e para a garantia dos direitos fundamentais do 1 1 “Atos vinculados ou regrados são aqueles para os quais a lei estabelece os requisitos e condições de sua realização” MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro.25ª Ed. São Paulo: Malheiros, 2000. p 156 2 “que o ato administrativo será vinculado quando suportado em norma que não deixa margem para opções ou escolhas estabelecendo que, diante de determinados requisitos, a Administração deverá agir de tal ou qual forma. Sendo assim, em tal modalidade a atuação da Administração se restringe a uma única possibilidade de conduta ou única solução possível diante de determinada situação de fato, qual seja aquela solução que já se encontra previamente delineada na norma, sem qualquer margem de apreciação subjetiva”. DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 21ª. ed. São Paulo: Atlas, 2008. 3 https://www.direito.ufmg.br/revista/index.php/revista/article/download/1811/1720 os autores são respectivamente Professor do Programa de PósGraduação em Direito da Faculdade de Direito do Recife – UFPE, instituição pela qual é Mestre e Doutor. Desembargador do Tribunal Regional Federal da 5ª Região. Membro da Academia de Letras Jurídicas do Rio Grande do Norte. e Mestrando em Direito do Estado, Regulação e Tributação Indutora pela UFPE. Advogado no Recife. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 19726.001390/200843 Resolução nº 2201000.360 S2C2T1 Fl. 239 8 contribuinte.’ Em síntese, o processo administrativo fiscal não constitui mero formalismo, mas tem o condão de legitimar a atividade administrativa, trazendo o cidadão a dela participar. Garantese, com isso, o interesse público que deve guiar a atividade da Administração, e o controle da legalidade de seus atos, proteção básica para evitar o abuso de poder.” 15 – No caso, considerando que o lançamento do DEBCAD nº 32.594.6442 das competências de 01/1987 a 08/1996 teve ciência do contribuinte em 15/01/1998 conforme informação de fls. 68, aliado ao fato do lançamento indicar a cobrança de diferenças de contribuições sociais, conforme relatório fiscal às fls. 29/30, de acordo com o art. 150, § 4ºdo CTN reconheço a decadência dos créditos do período quinquenal anterior a 01/1998 e portanto, estão decaídos os créditos do período de 01/1987 a 12/1992. 16 – Quanto aos demais créditos, verificando a forma como houve o lançamento e os atos posteriores ao desenrolar do processo administrativo, entendo que a autoridade fiscal passou ao largo de comprovar a constituição do crédito tributário relacionado às rubricas indicadas às fls. 55 não havendo sequer provas quanto às diferenças apontas, sendo que a autoridade fiscal utilizou como único meio de prova indicado como base da autuação as informações da RAIS do contribuinte, e com isso fazendo praticamente a aferição “indireta” e constatando como fato gerador “a massa salarial” da contribuinte. 17 – Ora, desde quando a RAIS, documento que é utilizado para informações sociais e estatísticas pelo Ministério do Trabalho, por si só, pode ser considerado como elemento de prova para identificar eventuais diferenças de fatos geradores da contribuição previdenciária, sendo que o ônus de identificar os segurados e respectivos fatos geradores é da fiscalização quando indica que há diferenças não declaradas pelo sujeito passivo. 18 – Sequer houve a constatação individual das bases de cálculo e identificação dos segurados, com o rigor da descrição determinada pelo art. 142 do CTN e portanto, entendo que há mácula material ao lançamento, não havendo sequer condições de se sustentar pelos seus fundamentos constantes do relatório fiscal e pela falta de provas sobre os fatos geradores indicados nas rubricas de fls. 55. 19 – Portanto, de ofício, dou provimento ao recurso para decretar a nulidade do lançamento na forma da fundamentação acima. Conclusão 20 Diante do exposto, conheço do recurso e no mérito, de ofício reconheço a decadência das competências de 01/1987 a 12/1992 e no período restante decreto a nulidade do lançamento por vício material por desatendimento aos termos do art. 142 do CTN na forma da fundamentação acima. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 239DF CARF MF Processo nº 19726.001390/200843 Resolução nº 2201000.360 S2C2T1 Fl. 240 9 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Redator Designado Em que pese a pertinência das razões e fundamentos legais expressos no voto do Ilustre Relator, ouso discordar de suas conclusões, pelas razões que passo a expor. Após detida análise dos autos, verificase que às e fls. 160 apenas foi juntada a cópia da primeira página do recurso do contribuinte, contendo inclusive o número de NFLD diversa da que está sob análise. Assim, o presente processo não se encontra apto para julgamento, por conta da inexistência nos autos da íntegra das razões do recurvo voluntário, às quais se mostram absolutamente necessárias para formação de juízo do julgador administrativo, inclusive, quanto a uma eventual declaração de nulidade, em particular em razão do que prevê o § 3º do art. 59, do Decreto 70.235/724. Conclusão Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a unidade preparadora junte aos autos cópia integral do recurso voluntário do contribuinte aos autos. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo 4 § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta Fl. 240DF CARF MF
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Numero do processo: 14120.000105/2006-19
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2002-000.087
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência à Unidade de Origem para que a autoridade lançadora se pronuncie sobre os documentos juntados pela recorrente em sede de Recurso Voluntário e elabore relatório conclusivo informando se eles se revelam hábeis ou não a confirmar as deduções de Livro Caixa informadas na Declaração de Ajuste em exame.
Posteriormente, a interessada deverá ser cientificada da diligência realizada, com abertura de prazo para sua manifestação.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência à Unidade de Origem para que a autoridade lançadora se pronuncie sobre os documentos juntados pela recorrente em sede de Recurso Voluntário e elabore relatório conclusivo informando se eles se revelam hábeis ou não a confirmar as deduções de Livro Caixa informadas na Declaração de Ajuste em exame. Posteriormente, a interessada deverá ser cientificada da diligência realizada, com abertura de prazo para sua manifestação. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de Auto de Infração (efls. 26/38) lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF do ano calendário 2003. O lançamento decorre da apuração de Dedução Indevida de Previdência Oficial, Dedução RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 41 20 .0 00 10 5/ 20 06 -1 9 Fl. 551DF CARF MF Processo nº 14120.000105/200619 Resolução nº 2002000.087 S2C0T2 Fl. 552 2 Indevida de Dependente, Dedução Indevida de Despesas Médicas, Dedução Indevida de Despesas de Livro Caixa e Dedução Indevida de Despesa com Instrução. A contribuinte apresentou Impugnação (efls. 54/84) cujos argumentos foram sintetizados no relatório do acórdão recorrido (efls. 397/407). Consta ainda do referido relatório: A vista dos documentos apresentados foi realizada diligencia, cujo resultado encontrase à f. 138, em que foi salientado que não houve comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas. Ciente disto, manifestouse o inventariante à f. 140, juntando extratos bancários com a finalidade de comprovar que o pagamento das despesas se deu com disponibilidades de moeda corrente oriunda de saques em contas correntes. O lançamento foi julgado procedente em parte pela 3ª Turma da DRJ/CGE em decisão assim ementada (efls. 393/445): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE Não ocorre nulidade quando o lançamento foi efetuado com base na legislação vigente, permitindo o conhecimento das razões e fundamentos da autuação, o estabelecimento do contraditório e o exercício da ampla defesa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO POR EDITAL É validade a intimação por edital quando resultar improfícua a via pessoal, postal ou eletrônica DEDUÇÕES COMPROVADAS. Devem ser restabelecidas as deduções pleiteadas na declaração de ajuste que forem comprovadas com a impugnação. DESPESAS MÉDICAS. A dedução das despesas médicas limitase a pagamentos especificados e comprovados mediante documentação hábil e idônea. LIVROCAIXA. A dedução das despesas relativas ao exercício de profissão sem vinculo empregatício está condicionada à sua comprovação, mediante documentação idônea, escrituradas em livrocaixa. Cientificada do acórdão de primeira instância em 23/06/2009 (efls. 483), a interessada ingressou com Recurso Voluntário acompanhado de documentos em 23/07/2009 (efls. 494/510), conforme confirmado através do Extrato do Processo (efls. 490), com os argumentos a seguir sintetizados. Fl. 552DF CARF MF Processo nº 14120.000105/200619 Resolução nº 2002000.087 S2C0T2 Fl. 553 3 Insurgese contra a glosa de despesas médicas mantida na decisão recorrida uma vez que os documentos apresentados cumprem todos os requisitos exigidos pela lei e pela Instrução Normativa nº 15/2001. Alega que a comprovação da prestação de serviços em forma não exigida por lei está provada nos autos, exemplificativamente, pelos comprovantes bancários. Relaciona saques efetuados com alguns recibos emitidos pelos profissionais a fim de demonstrar o efetivo pagamento das despesas. Reitera que o recibo assinado deve constituir prova até que seja devidamente ilidido pela autoridade administrativa. Acrescenta que é possível a autoridade administrativa comprovar as deduções em causa confrontandoas com as declarações de renda dos prestadores de serviços. Aponta a possibilidade de o contribuinte apresentar, na falta de recibo ou nota fiscal, a cópia do cheque do pagamento efetuado. Requer a juntada do livro caixa escriturado por profissional competente onde estão discriminadas todas as despesas incorridas para a percepção da receita e a manutenção da atividade da recorrente. Expõe que, para que os gastos sejam dedutíveis, é preciso que sejam efetivamente incorridos, sejam necessários ou úteis, além de normais e usuais, ou relacionados com a atividade. Indica a juntada de recibos de pagamento do aluguel do consultório e de gastos com telefone. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O litígio a ser analisado recai somente sobre as glosas de despesas médicas e de despesas com Livro Caixa mantidas pelo Colegiado a quo. No que concerne à dedução de Livro Caixa, verificase que a decisão recorrida manteve a infração apurada por não ter sido apresentado o Livro Caixa escriturado e por não ter o contribuinte comprovado que os gastos decorrem do exercício de sua atividade profissional. Nesse ponto, impõese observar que, anteriormente ao julgamento de primeira instância, a DRJ/CGE encaminhou o presente processo em diligência para que a auditoria fiscal informasse se os documentos juntados à Impugnação, os quais não haviam sido apreciados por ocasião do procedimento fiscal, eram os adequados para atender à Intimação de efls. 06 (efls. 313). Em resposta, a fiscalização apresentou a seguinte constatação (efls. 319): Os documentos anexados a este processo correspondem aos solicitados originalmente. Fl. 553DF CARF MF Processo nº 14120.000105/200619 Resolução nº 2002000.087 S2C0T2 Fl. 554 4 Tais documentos serviram de base para a DIRPF 2004. Ao serem analisados, os mesmos justificam as despesas com educação, bem como as dependências e pagamentos de previdência oficial e com a Unimed e demais fundos de assistência a servidores. No entanto, para os recibos odontológicos, de fisioterapia e de psicólogo, que são de valores relevantes, não foram apresentados documentos hábeis e idôneos, tais como cheques compensados, extratos, que comprovassem o efetivo pagamento da destas despesas, como solicitados no item 3 da intimação inicial da fiscalização. Verificase, portanto, que nada foi dito especificamente sobre os documentos juntados pela contribuinte para comprovar as despesas com Livro Caixa informadas em sua declaração. Ao contrário, expõe o auditor que os documentos anexados ao processo correspondem aos solicitados originalmente. Assim, considerando que a decisão de piso apontou a ausência de Livro Caixa como uma das razões para a manutenção da glosa efetuada no lançamento e que este foi juntado aos autos em sede de Recurso Voluntário (efls. 516/544), entendo que o referido documento deve ser examinado pela fiscalização juntamente com os recibos anteriormente apresentados de forma a garantir o direito à ampla defesa da contribuinte. Em vista do exposto, voto por converter o julgamento do Recurso em diligência à Unidade de Origem para que a autoridade lançadora se pronuncie sobre os documentos juntados pela recorrente em sede de Recurso Voluntário e elabore relatório conclusivo informando se eles se revelam hábeis ou não a confirmar as deduções de Livro Caixa informadas na Declaração de Ajuste em exame. Posteriormente, a interessada deverá ser cientificada da diligência realizada, com abertura de prazo para sua manifestação. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 554DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13634.001962/2008-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
Ementa:
IRPF - GLOSA DF, DESPESAS MÉDICAS — RECIBOS NECESSIDADE
COMPROVACA0 DA EFETIVIDADE DOS TRATAMENTOS
Cabe ao sujeito passivo a comprovação, com documentação idônea, da efetividade da despesa medica utilizada Como dedução na declaração de ajuste anual. A falta da comprovação permite o lançamento de oficio do imposto que deixou de ser pago.
Recurso Negado
Numero da decisão: 2101-000.908
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Ana Neyle Olimpio Holanda
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 Ementa: IRPF - GLOSA DF, DESPESAS MÉDICAS — RECIBOS NECESSIDADE COMPROVACA0 DA EFETIVIDADE DOS TRATAMENTOS Cabe ao sujeito passivo a comprovação, com documentação idônea, da efetividade da despesa medica utilizada Como dedução na declaração de ajuste anual. A falta da comprovação permite o lançamento de oficio do imposto que deixou de ser pago. Recurso Negado
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A falta da comprovação permite o lançamento de oficio do imposto que deixou de ser pago. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos Os presentes autos. 1 ACORDAM os membros do Fóle , iado, pot unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da elatôra. 77 - 1 TO MARCOS CÂNDIDO GQ, ia.--r‘Jc=L , Anti le OlunproMolanc 'Relatora Fdifado cm: 08.02.2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ana Neyle Olimpio Holanda, Caio Marcos Cândido, Alexandre Naoki Nishioka, José Raimundo Tosta dos Santos, Odmir Fernandes e Gonçalo 13onet Relatorio 'traia o presente process() de Notifica0o N" 2006/06450:108444016, que exige do sujeito passivo acima identificado, crédito tri butario relativo ao imposto sobre a renda das pessoas fisicas (IRPF), referente no ano-calendario 2005, exercício 2006, no montante de R$ 3.716,39, acrescido dc juros de mora e multa de oficio, por ter sido detectada deduç'áo indevida de despesas medicas, coin a aplicaçiio de multa de oficio ri aliquota de 75% e enquadramento legal no artigo 8', II, a, e §§ 2' e 3', da Lei IV 9.250, de 26/12/1995, ii tigos 43 a 48 da Insturçao Normativa S.RF n" 15, de 06/02/2001, e artigos 73, 80 e 83,11, do Decreto n' 3.000, de 26/03/1999, Regulamento do Imposto de Renda - R1R/1999. 2. A autuaçao motivou-se na fait) de apresentaydo de documentos capazes de comprovar as despesas médicas declaradas, no valor dc R$ 14,289,41.. 3. Cientilicado do lançamento, o sujeito passivo apresentou a impugnacao de ti. 01.. 4. Submetida a lide a julgamento, os membros da 6 Turma da Delegacia da. Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) acordaram OF dar o lançamento como parcialmente procedente, para excluir da base de calerdo a despesa médica declarada com o Ministério da Sande, 11.0 valor de R$ 1.239,41, o document() de if 05, constante no Comprovante de Rendimentos e Imposto de Renda .R.etido na Fonte, resumindo seu entendimento na ementa a seguir transcrita: A satnto Impost() sabre a Renda de Pe.s.s. oa Física - IRPF Excreicio 2006 DEDUÇÕES. D.E,SPESAS MiLDICAS ,S"(.4o passiveis de &Wiled() (la base de calculo do impo.sto de Renda as de.spesds tnódicas se dffidafileilie COMprOVada S. CM nome do conitibuinte OH dc veils dependenks, por documentação que prts'eneha todos OS requiyitos estabelecidos em Lançamento Procedente eat Parte 5, Cientificado aos 19/06/2009, o sujeito passivo, irresignado, .interpOs, .tempestivamente, o recurs() volunt(nio de fis. 30 a 31, acompanhado dos documentos de Ps.. 32 a 40. 6 Na petiçao rectusal o sujeito passivo aduz, em apeitada síntese, os seguintes argumentos em sua defesa: — com relacao aos honorários médicos pagos a Priscila Correa Cavalcante, no valor de R$1.3.000,00 (treze mil reais), foi apenas preenchido o CPF no puni eito recibo, sendo os demais do mesmo valor, e na deelaraçao do 1RP F 2006/2005, na ficha de pagamento, 2 Procc.sso n" I 3634.00 1962/2008-37 52- 1 1 111 Acõtdiio ii 2101-00 905 F I 4•=; tambern I'M declarado o número de CPF para todos os pagamentos, demonstrando assim a sua veracidade; II - Como prova. documental e corno prova de que os procedimentos foram realizados, tambern anexada. a presente, o relatório de atendimento da paciente pelo médico corn prescricao e encaminhamento a fisioterapia, e a ficha de anamnese da fisioterapeuta, demonstrando assim a necessidade do atendianento e sua realização.. In - no pagamento dos honorarios a -Heide Figueiredo dc Almeida e Silva, no valor do R$ 50,00 (onic -IL:Ionia reais), todos os dados exigidos estdo preenchidos, ní/ío havendo o que questionar por parte do fisco 7. Ao final, pugna sejam acolhidas as razões do recurso, cancelando-se o &Into fiscal reclamado. É o Relatório. Voto Consel hello Ana Neyle Olimpio Holanda, Relatora O recurso preenche os requisitos para sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. A I ide que chega a este colegiado trata de lançamento em virtud.e dolor sido apurada dedução indevida cam despesas médicas eretuadas em pagamento de despesas médicas declaradas. (..) fisco considerou deficiente a .prova da efetividade do pagamento das despesas, vez que a. autuada houvera apresentado apenas o recibo de prestaçao de serviços, sendo que o colegiado julgador de primeira instancia excluiu da base de caleuto a despesa médica declarada. com o Ministério da SaCide, no valor de R$ 1,239,41, o documento de IT 05, constante no Comprovante de Rendimentos e Imposto de Renda Retido na Fonte. Assim, restaram, para a análise deste colegiado, as glosas das despesas médicas a seguir discriminadas: Profissional Tipo de Serviço Hs, Valor (RS) l.risci ia Conea Cavaleanti Fisioterapia 07/12 13.000,00 Heide Figliciicdo de Aim da e Silva Exame I.aboratorial 06 50,00 C) exare laboratorial, no valor de R$ 50,00, esta respaldado cm recibo, .fornecido peta profissional Heide Figueiredo de Almeida e Silv. ' • ,— No documento cantado aos autos não esta especificada a característica do exame realizado, para que se possa averiguar a pertinencia da sua realização pelo profissional in &lieu.. Fritretanto, como sói acontecer, os exames laboratoriais, por exigirern alguma complex idade, são prestados por laboratórios dc analises clínicas, constituídos como pessoa jurídica, pant o que, a comprovação perante o fisco deve ser a apresentação dc nota fiscal de scrviços, Na espécie, alega a recorrente que tal exame teria sido empreendido por pessoa física, o que rião é usual, deixando de aduzir aos autos ()taros elementos de convicção para continua a efetividade do serviço prestado, pelo clue, deve ser mantida a glosa Perpetraria Fin lase recursal, para respaldar as despesas incorridas corn serviços de fisioterapia, o sujerto passivo aduz ao caderno processual .receituário do medico ortopedista Sebastião Eliseu da Silva, datado de 01/01/2005, em n que está assentada a determinação da necessidade de realização de tratamento fisioterápico, acompanhado de Relatório Medico, 11. 39, especificando a doença que acometera a recorrente e o tratamento indicado. Também, a profissional Priscila Correa Cavalcanti apresenta Relatório de Evolução de Fisioterapia Domiciliar, If 40. Entrenrentes, esta descrito naquele Relatório Medico, como também no diagnostico fisioterapêutico, que a paciente estaria acometida de dor na coluna lombar - lombalgia. Verifica-se que nos recibos apresentados há a indicação de sessões de fisioterapia a R$ 50,00, o que, em fevereiro teria resultado um total de R$ 900,00, e, para os meses de janeiro e março a dezembro, valores de R$ 1,100,00, o que resultaria cm 22 (vinte e duas sessões de fisioterapia mensais, ou seja, em todos os dias da semana. Sem se querer adentrar a scam médica, mas, atendo-se ao principio da razoabilidade, um problema dc saúde que demandasse sessões de fisioterapia com tal frequência requereria um acompanhamento medico regular, e, com a possível realização dc exames, para averiguar a evolução do tratamento. Por tal, entendo que a apresentação de documentos complementares, que demonstrassem o acompanhamento da paciente, corn a especificação dos procedimentos realizados, seri am de fundamental importância para comprovar a sua efetividade Diante de tais fatos, necessário seria que a. recorrente aduzisse aos autos elementos capazes de demonstrar, inequivocamente, a efetividade da prestação dos serviços declarados, para que fosse mantida a dedução apresentada. Corn eleito, a mingua de tais elementos, deve sei mantida a glosa perpetrada impende observar quo as deduções permitidas quando da apuração da base de calculi) do imposto sobre a renda somente podem ocorrer quando ficar comprovada a sua efetiva realização. Ë. evidente clue o legislador não poderia estabelecer que o documento apresentado pelo contribuinte, por si so, fosse suficiente para perinitir a dedução do gasto na apuração da base de calculo do imposto de renda I ão importante quanto o prcenchimento dos requisitos formais do documento comprobatório da despesa, é a constatação da efetividade do pagamento direcionado ao fim indicado. I) / oco n' I :1634.00 I 962/2008-37 S2-C111 Acc -A (1".,io 11 2101-00..908 1..[ 44 Isto quer dizer que os documentos relacionados as despesas permitidas como dedução da base de calculo do imposto sobre a renda lido representam Irma presunção absoluta a inquestionável, pois, sempre que necessario, a autoridade tributária poderá. exigir do sujeito passivo a comprovação da sua efetividade. Comprovar a efetividade da. despesa não é simplesmente apresentar os documentos que lastreiam a dedução. mais do que isso: na comprovação da efetividade do gasto, devem ser apresentadas as provas da saída dos recursos e a destinação coincidente corn o rim titi I i zado.. 0 recibo de prestação de serviços médicos é uma declaração particular, efetiva entre as partes, pai a fins de prova de quitação de débitos, mas insuficiente em s J1 -1C.',S I na, contra terceiros, emu° prova do pagamento que atesta, competi ado ao interessado, em caso de duvida, comprová-los através de provas materiais É o que estabelece o artigo 368 do Código de Processo Civil: A.ri $ 68 As declarações constantes do documento particular, escrito e ass inado, on somente assinado, picsruncin-se vet (laden -as eat la(ão ao signa hirio Paiãfzrafir nnico. Orlando, todavia, contriver declaração de ciência, relativa a determinado fato, o documento partkular pr ova a deelaração, mas não o fino declarado, competindo ao interessado cm suo veracidade o (inns de provar o fato. Destarte, não apresenta aquele documento qualquer valor probatório em favor da recorrente, corno eta assim o quo:. E, embora tenham sido observadas as formalidades extrinsecas exigidas, 'id° são documentos válidos e capazes de provar a efetiva prestação dos serviços. Muito pelo contrário, são documentos falsos, que além de não produzirem os efeitos que se propõetn, o sujeito passivo, ao sabê-los inidõneos, ião deveria te-los utilizado para reduzir o valor do impost() sobre a renda devido. .Forte no exposto, e de tudo que dos autos consta, somos por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. P. o volo Sala das Sessões, em 2 de dezembro de 2010 _na Holanda 5
score : 1.0
Numero do processo: 17546.000375/2007-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2001 a 31/05/2006
VALE-TRANSPORTE. VERBA DE NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
O pagamento de verbas a título de vale-transporte, qualquer que seja a forma de pagamento, possui natureza indenizatória, não passível, portanto, de incidência de contribuição previdenciária. Súmula CARF nº 89.
Numero da decisão: 2402-007.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Gregório Rechmann Junior, substituído pelo conselheiro José Alfredo Duarte Filho.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2001 a 31/05/2006 VALE-TRANSPORTE. VERBA DE NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O pagamento de verbas a título de vale-transporte, qualquer que seja a forma de pagamento, possui natureza indenizatória, não passível, portanto, de incidência de contribuição previdenciária. Súmula CARF nº 89.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Gregório Rechmann Junior, substituído pelo conselheiro José Alfredo Duarte Filho. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e Denny Medeiros da Silveira.
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VERBA DE NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O pagamento de verbas a título de valetransporte, qualquer que seja a forma de pagamento, possui natureza indenizatória, não passível, portanto, de incidência de contribuição previdenciária. Súmula CARF nº 89. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Gregório Rechmann Junior, substituído pelo conselheiro José Alfredo Duarte Filho. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e Denny Medeiros da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 54 6. 00 03 75 /2 00 7- 90 Fl. 226DF CARF MF Processo nº 17546.000375/200790 Acórdão n.º 2402007.083 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na Sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402007.072 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de março de 2019, proferido no âmbito do processo n° 18050.003581/200877, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402007.072 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Cuidase de Recurso Voluntário em face da Decisão de 1ª Instância Administrativa que julgou procedente o lançamento de Contribuições Previdenciárias incidentes sobre verbas pagas pela empresa, a título de "Vale Transporte", a segurados obrigatórios do RGPS, conforme discriminado no relatório fiscal. Irresignado, o Contribuinte apresentou impugnação administrativa em resistência ao lançamento em tela, a qual se houve por julgada improcedente pelo Órgão Julgador de 1ª Instância. Devidamente cientificada da susocitada decisão, a Impugnante, agora Recorrente, interpôs Recurso Voluntário pugnando, ao fim, pela improcedência do lançamento. É o relatório." Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402007.072 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de março de 2019, proferido no âmbito do processo n° 18050.003581/200877, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevemos, a seguir, nos termos regimentais, o excerto de interesse do voto condutor proferido pelo Conselheiro Luís Henrique Dias Lima, digno Relator da decisão paradigma suso citada, o qual versa especificamente sobre a matéria de mérito que permeia o acima referenciado Acórdão nº 2402007.072 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de março de 2019. Acórdão nº 2402007.072 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "1 Do Conhecimento do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72 e alterações posteriores. Portanto, dele CONHEÇO. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 17546.000375/200790 Acórdão n.º 2402007.083 S2C4T2 Fl. 4 3 [...] 3 Do Mérito Inicialmente, é oportuno destacar que o art. 28, § 9°, alínea "f", da Lei nº 8.212/1991, estabelece que a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria, não integra o salário de contribuição. O valetransporte foi instituído pela Lei nº 7.418/85 e regulamentado pelo Decreto nº 95.247/87, definindo um paradigma procedimental no qual o empregador fornecerá os vales a seus empregados para utilização efetiva em despesas de deslocamento residênciatrabalho e viceversa, através do sistema de transporte coletivo público, urbano ou intermunicipal/interestadual, excluídos os serviços seletivos e os especiais. De se observar que a exclusão do valetransporte do saláriode contribuição pressupõe o seu fornecimento de acordo com a legislação, sob pena de incidência de contribuição previdenciária. No que pertine à natureza indenizatória do valetransporte, é oportuno resgatar o estabelecido no Parecer PGFN/CRJ nº 189/2016, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda DOU de 29/03/2016: Parecer PGFN/CRJ nº 189/20 [...] 5. Não obstante, o Pleno do STF, no julgamento do Recurso Extraordinário n° 478.410/SP (não submetido ao rito do art. 543B do CPC), em 10/03/2010, firmou o entendimento de que é inconstitucional a incidência de contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em espécie, já que, qualquer que seja a forma de pagamento, detém o beneficio natureza indenizatória. De acordo com a Corte Suprema, ao admitirse que o valetransporte possa ter a sua natureza alterada pelo fato de ser pago em dinheiro importaria em relativizar o curso legal da moeda. Sendo assim, considerou que a cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago em pecúnia a título de valetransporte afrontaria a Constituição em sua totalidade normativa. Eis a ementa do julgado: (grifei) EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o beneficio de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse beneficio ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de Fl. 228DF CARF MF Processo nº 17546.000375/200790 Acórdão n.º 2402007.083 S2C4T2 Fl. 5 4 moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido e padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório e qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a titulo de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento. (RE 478410, Relator(a): Min. EROS GRAU, Tribunal Pleno, julgado em 10103/2010, DJe086 DIVULG 13052010 PUBLIC 14052010 EMENT VOL0240104 PP00822 RDECTRAB v. 17, n. 192, 2010, p. 145166) 6. Em sequência, no julgamento de Embargos de Declaração,o STF, utilizando a técnica da declaração de inconstitucionalidade parcial sem redução de texto, fez constar da conclusão do acórdão embargado a proclamação da "inconstitucionalidade da aplicação do art. 5° do Decreto n° 95.247/87 e do art. 4°, caput, da Lei n° 7.418/85 como fundamentos para a incidência de contribuições previdenciária sobre os valores pagos em pecúnia a título de valetransporte aos trabalhadores", sem qualquer modificação, portanto, do teor da deliberação anterior. [...] Na esteira do supra citado Parecer, a PGFN editou o Ato Declaratório nº 004/2016 determinando que nas ações judiciais fundadas no entendimento de que não há incidência de contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia considerando o caráter indenizatório da verba. No mesmo diapasão seguiu a Secretaria da Receita Federal do Brasil consoante o entendimento consolidado na Solução de Consulta Cosit nº 146, de 27 de setembro de 2016, sumarizado na ementa abaixo: Solução de Consulta Cosit nº 146/2016 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. VALETRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos em dinheiro a título de valetransporte. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 17546.000375/200790 Acórdão n.º 2402007.083 S2C4T2 Fl. 6 5 A não incidência da contribuição está limitada ao valor pago em dinheiro estritamente necessário para o custeio do deslocamento residênciatrabalho e viceversa, em transporte coletivo, conforme prevê o art.1º da Lei nº 7.418, de 1985. Dispositivos Legais: Lei nº 10.522, de 2002, art. 19, inciso II e §4º, Ato Declaratório nº 4, de 31 de março de 2016, da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. Súmula AGU nº 60, de 8 de dezembro de 2011. No mesmo sentido segue a Súmula nº 89 do CARF, in verbis: Súmula CARF nº 89 A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. Nessa perspectiva, considerandose a natureza indenizatória do valetransporte, são procedentes as alegações da Recorrente, impondose o cancelamento do lançamento em apreço, não havendo que se falar de remuneração indireta a atrair a incidência de contribuições previdenciárias. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima" Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, cancelando se integralmente o lançamento. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Relator. Fl. 230DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910884/2011-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração:01/09/2000 a 30/09/2000
RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO DO INDÉBITO.
Verifica-se ausência de fundamento do indébito preconizado pela recorrente, uma vez que o STF já explicitou a identidade entre o conceito de faturamento e a receita operacional da pessoa jurídica, tida esta última como a resultante de sua atividade principal, que no caso das instituições financeiras abarca as receitas de intermediação financeira (spreads).
Numero da decisão: 3302-006.755
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Paulo Guilherme Deroulede votaram pelas conclusões por entender que os documentos acostados permitiriam a conversão em diligência para apurar o direito creditório, caso, no mérito, a recorrente fosse vencedora e que as rendas de aplicações de recursos próprios compõem o faturamento das instituições financeiras.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração:01/09/2000 a 30/09/2000 RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO DO INDÉBITO. Verifica-se ausência de fundamento do indébito preconizado pela recorrente, uma vez que o STF já explicitou a identidade entre o conceito de faturamento e a receita operacional da pessoa jurídica, tida esta última como a resultante de sua atividade principal, que no caso das instituições financeiras abarca as receitas de intermediação financeira (spreads).
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Paulo Guilherme Deroulede votaram pelas conclusões por entender que os documentos acostados permitiriam a conversão em diligência para apurar o direito creditório, caso, no mérito, a recorrente fosse vencedora e que as rendas de aplicações de recursos próprios compõem o faturamento das instituições financeiras. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração:01/09/2000 a 30/09/2000 RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO DO INDÉBITO. Verificase ausência de fundamento do indébito preconizado pela recorrente, uma vez que o STF já explicitou a identidade entre o conceito de faturamento e a receita operacional da pessoa jurídica, tida esta última como a resultante de sua atividade principal, que no caso das instituições financeiras abarca as receitas de intermediação financeira (spreads). Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Paulo Guilherme Deroulede votaram pelas conclusões por entender que os documentos acostados permitiriam a conversão em diligência para apurar o direito creditório, caso, no mérito, a recorrente fosse vencedora e que as rendas de aplicações de recursos próprios compõem o faturamento das instituições financeiras. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 08 84 /2 01 1- 21 Fl. 140DF CARF MF Processo nº 16327.910884/201121 Acórdão n.º 3302006.755 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitido o Despacho Decisório, através do qual a RFB não homologou a compensação realizada através de PER/.DCOMP. Referido PER/DCOMP teve como suporte um crédito declarado a título de pagamento indevido ou a maior de COFINS.. O Despacho Decisório fundamentou a não homologação sob a justificativa de que o pagamento referente ao DARF indicado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação. Ciente do Despacho Decisório, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, na qual, alega em síntese que: • a autoridade administrativa deveria ter intimado o contribuinte previamente ao indeferimento da compensação, sob pena de caracterização de cerceamento do direito de defesa; • os documentos apresentados não deixam dúvida de que efetuou recolhimento a título de contribuição ao PIS calculado sobre base de cálculo diversa da constitucionalmente prevista, fazendo jus portanto à restituição do valor recolhido indevidamente a maior; • o pedido de restituição tem por fundamento o fato de o Impugnante ter efetuado o recolhimento da contribuição em questão nos termos da Lei n° 9.718/98, sendo certo que o Plenário do Supremo Tribunal Federal já reconheceu a inconstitucionalidade do parágrafo 1o do artigo 3o da Lei n° 9.718/98, entendendo só ser possível a exigência com base no faturamento das empresas, assim entendido como a receita decorrente da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços; • o conceito de faturamento deve ser extraído da alínea “a” do § 1º do art. 1º do DL 1940/82, na redação do DL 2397/87 e LC 7/70, nele não podendo ser inseridas outras receitas, tais como as provenientes de juros sobre capital próprio, dividendos, receitas financeiras, etc; • não concorda com a conclusão expressa no Parecer PGFN/CAT nº 2773/2007, segundo o qual a declaração de inconstitucionalidade do art. 1º, § 1º da Lei nº 9.718/98 não atinge as receitas financeiras das instituições financeiras; • a prevalecer o entendimento de que o conceito de faturamento varia em função do objeto social de cada contribuinte, a base de cálculo das contribuições ficaria sujeita a um grau de incerteza inaceitável; Fl. 141DF CARF MF Processo nº 16327.910884/201121 Acórdão n.º 3302006.755 S3C3T2 Fl. 4 3 • não há qualquer relação de identidade entre o conceito de faturamento (receita bruta das vendas de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza) com a atividade principal dos contribuintes; • a questão encontrase pendente de decisão pelo STF no RE nº 609.096, reconhecido o efeito de repercussão geral; assim, de acordo com o art. 62A do Regimento Interno do CARF, deve ficar o presente feito sobrestado até o julgamento final do STF sobre a matéria; • mesmo que se entenda que as receitas financeiras auferidas pelas instituições financeiras têm natureza de receita de prestação de serviços, quando menos, mereceria ser parcialmente deferido o pedido de restituição, posto que não seriam operacionais as receitas financeiras decorrentes de aplicações de recursos próprios ou de terceiros; • não se questiona o fato de que integram a base de cálculo as prestações de serviços bancários, tais como administração de fundos de investimentos, assessoria em operações de fusão e aquisição; • ao final solicita seja julgada procedente a presente manifestação de inconformidade, para o fim de reformar o despacho decisório e deferir o pedido de restituição pleiteado e ainda que (sic) se o caso, após o julgamento pelo STF do RE nº 609.096. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 08031.458. Regularmente cientificada desta decisão, a Recorrente interpôs o recurso voluntário ora em apreço, tempestivamente, no qual essencialmente reitera os argumentos iniciais apresentados na impugnação e aduz que a decisão recorrida está equivocada, uma vez que tratase de pedido de restituição, e não de compensação, e no caso a legislação é expressa no sentido de que a autoridade administrativa deve intimar previamente o contribuinte a apresentar os documentos necessários à comprovação do indébito antes de decidir sobre o pedido formulado. Rebate a decisão recorrida quando essa sustenta que o crédito tributário não é líquido e certo, e a critica quanto ao entendimento de que o conceito de faturamento varia em função do objeto social de cada contribuinte. Diz, ainda, que a MP n° 627/2013 introduziu um conceito de "receita bruta" semelhante ao do antigo art. 44 da Lei n° 4.506/64, mas com uma significativa alteração do inciso IV, que passou a incluir na receita bruta "as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica, não compreendidas nos incisos I a III", ou seja, criou no ordenamento jurídico o conceito de faturamento nos termos defendidos pela r. decisão recorrida. Assim, a adoção de tal base de cálculo antes da edição desta MP implicaria legislar positivamente, já que ausente qualquer fundamento legal que sustentasse a exigência da contribuição ao PIS e da COFINS nestes termos. Subsidiariamente, merece ser parcialmente deferido o pedido de restituição, uma vez que não podem integrar a base de cálculo as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e ou de terceiros em hipóteses que não envolvam intermediação financeira. Por fim, requer reforma da decisão e reconhecimento da restituição pleiteada. É o relatório. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 16327.910884/201121 Acórdão n.º 3302006.755 S3C3T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.743, de 28 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 16327.909520/201106, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.743): "O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. DO DESPACHO DECISÓRIO Em sede de manifestação de inconformidade, foi invocada nulidade do despacho decisório porque, segundo a manifestante, a Receita Federal deveria têla intimado previamente à emissão do despacho decisório. O recurso voluntário traz novamente a preliminar dizendo que a decisão recorrida está equivocada, uma vez que tratase de pedido de restituição, e não de compensação, e no caso a legislação é expressa no sentido de que a autoridade administrativa deve intimar previamente o contribuinte a apresentar os documentos necessários à comprovação do indébito antes de decidir sobre o pedido formulado. Apesar de a decisão recorrida estar, de fato, equivocada quanto à natureza do pedido restituição, e não compensação a recorrente não tem razão quanto à matéria de fundo: obrigatoriedade de intimação para apresentar documentos previamente à prolação de despacho decisório. A uma, porque toda a legislação aplicável e inclusive indicada pela própria recorrente, Instruções Normativas n°s 600/2005, 900/2008 e 1300/2012, quando trata de apresentação de documentos comprobatórios, o faz como sendo uma prerrogativa da autoridade tributária, e o verbo utilizado é sempre "poderá". A duas, porque a conjuntura do procedimento de restituição não justificava apresentação de documentos o alegado pagamento indevido constava nos sistemas da Receita Federal como totalmente utilizado para a liquidação de débito confessado pelo próprio contribuinte em DCTF, há mais de cinco anos, sendo que não foi em momento algum retificado, portanto operada a Fl. 143DF CARF MF Processo nº 16327.910884/201121 Acórdão n.º 3302006.755 S3C3T2 Fl. 6 5 decadência do direito de retificar, de modo que a Administração detinha as informações necessárias à prolação do Despacho Decisório. Dessarte, merece ser rejeitada a preliminar de nulidade do despacho decisório. Superada a preliminar, passase ao mérito do litígio. DA AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO DO INDÉBITO A recorrente rebate a decisão recorrida quando essa sustenta que o crédito tributário não é líquido e certo, considerando que o STF ainda não se pronunciou em definitivo sobre a constitucionalidade da incidência do PIS e COFINS sobre as receitas financeiras das instituições financeiras, e a critica quanto ao entendimento de que o conceito de faturamento varia em função do objeto social de cada contribuinte. Ora, a decisão recorrida simplesmente tratou de analisar a documentação trazida aos autos pela então manifestante e verificar qual o conceito de faturamento que o STF entendia aplicável às instituições financeiras, que é o caso da recorrente: No presente caso, o contribuinte alega que o pagamento indevido decorreu do fato de a contribuição haver sido recolhida com base na receita bruta, quando deveria ter sido recolhida com base no faturamento, já que o STF declarou inconstitucional o dispositivo legal que definiu a totalidade da receita bruta como base de cálculo (§ 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98). A diferença entre os valores recolhidos segundo esses dois critérios seria o pagamento a maior. De fato, não resta dúvidas de que o STF declarou a inconstitucionalidade do § 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98 e que, em conseqüência dessa decisão, a base de cálculo admitida passou a ser o faturamento, tal como previsto no art. 2º da LC nº 70/91. Não resta dúvidas também de que a decisão do STF em causa atende o disposto no §5º do art. 19 da Lei nº 10.522/20025, pelo que vincula esta instância administrativa de julgamento. Contudo, a determinação do valor do pagamento a maior dependeria, no mínimo, de um levantamento comparativo entre o valor devido segundo a receita bruta e o devido segundo o faturamento, sendo necessário discriminar quais as espécies de ingressos integrariam e quais não integrariam o faturamento, tais como: receita de intermediação de operações financeiras (spread), tarifas de prestação de serviços; dividendos; juros sobre capital próprio; remuneração sobre depósitos compulsórios, etc. No presente caso, o contribuinte simplesmente “zerou” a base de cálculo, como se faturamento não tivesse auferido. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 16327.910884/201121 Acórdão n.º 3302006.755 S3C3T2 Fl. 7 6 Isso é o que se constata do demonstrativo por ele elaborado, anexo às fls. 44. Contraditoriamente, a própria manifestante admite que não questiona que integram a base de cálculo das contribuições as receitas de prestações de serviços bancários, tais como administração de fundos de investimentos, assessoria em operações de fusão e aquisição, etc. Sua tese essencial é a não incidência da contribuição sobre as receitas financeiras decorrentes de intermediação financeira (spread). A esse propósito, o contribuinte invoca a alínea “a” do § 1º do art. 1º do DL 1940/826, para delimitar o conceito de faturamento. De fato, referido dispositivo define como base de calculo da contribuição “a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços...”, só que se olvidou a manifestante de observar que logo em seguida, na alínea “b” do mesmo dispositivo, a lei faz incidir a contribuição sobre “as rendas e receitas operacionais das instituições financeiras e entidades a elas equiparadas...”, expressando a clara intenção de incluir o spread na base de cálculo do então Finsocial. Ora, é sabido, conforme reconhece a própria manifestante em sua manifestação de inconformidade, que o STF ainda não se pronunciou em definitivo sobre a constitucionalidade da incidência do PIS e Cofins sobre as receitas financeiras das instituições financeiras. A matéria está sendo discutida no RE 609096/RS, com efeito de repercussão geral, sob relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski (concluso ao relator em 02/09/2014). Pesquisando os debates que se desenvolveram na sessão do Tribunal Pleno que julgou o RE 346.084/PR, na qual se decidiu pela inconstitucionalidade do § 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98, os Ministros explicitaram entendimento no sentido da identidade entre o conceito de faturamento e a receita operacional da pessoa jurídica, tida esta última como a resultante de sua atividade principal. Seguese breve transcrição do que afirmaram alguns Ministros acerca do tema: Ministro César Peluso: “Por todo o exposto, julgo inconstitucional o parágrafo 1° do art. 3° da Lei 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para "toda e qualquer receita", cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, parágrafo 4°, se considerado para esse efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3°, julgoo constitucional, para lhe dar interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE n° 150755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de "receita bruta de venda de Fl. 145DF CARF MF Processo nº 16327.910884/201121 Acórdão n.º 3302006.755 S3C3T2 Fl. 8 7 mercadoria e de prestação de serviços", adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (...) Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de "receita bruta igual a faturamento ". (grifos nossos) Ministro Marco Aurélio: “O Tribunal estabeleceu a sinonímia "faturamento/receita bruta ", conforme decisão proferida na Ação Declaratória de Constitucionalidade n° 11/DF receita bruta evidentemente apanhando a atividade precípua da empresa. (...) Operacional. (...) " (grifo nosso) Ministro Carlos Britto: A Constituição de 88, pelo seu art. 195, I, redação originária, usou do substantivo "faturamento ", sem a conjunção disjuntiva "ou " receita ". Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total da empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo Decretolei 2397, de 1987, art. 22, parágrafo 1°, "a ", assim redigido (...) : "Art. 22. ................................................................... § 1°............................................................. a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda; " Por isso, estou insistindo na sinonímia "faturamento" e "receita operacional", exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. (...) Esse tratamento normativo do faturamento como receita operacional foi reproduzido pela Lei Complementar 70/91, cujo artigo 2° assim dispõe (....) ". (grifos nossos) Ministro Sepúlveda Pertence: Fl. 146DF CARF MF Processo nº 16327.910884/201121 Acórdão n.º 3302006.755 S3C3T2 Fl. 9 8 Recordemse, na conformidade do referido DL 2.397/87, a nova redação do § 1° e o § 4° esse, então acrescentado ao art. 1° do DL 1.940/82, regente do FINSOCIAL sobre a receita bruta das empresas : 'Art. 22 (...) Parágrafo 1° A contribuição social de que trata este artigo será de 0,5% (meio por cento) e incidirá mensalmente sobre: (...); b) as rendas e receitas operacionais das instituições financeiras e entidades a elas equiparadas (...); c) as receitas operacionais e patrimoniais das sociedades seguradoras e entidades a elas equiparadas.' (...) FINSOCIAL, é na legislação desta [contribuição], e não alhures, que se há de buscar a definição específica da respectiva base de cálculo, na qual receita bruta e faturamento se identificam: (...), essa é a solução imposta, no ponto, pelo postulado da interpretação conforme a Constituição. (...) No prosseguimento da discussão, (...), acentuei RTJ149/287; "(...) . O que tentei mostrar no meu voto, a partir do Decretolei n° 2.397, é que a lei tributária, ao contrário, para o efeito de FINSOCIAL, chamou receita bruta o que é faturamento. E, aí, ela se ajusta à Constituição." Essa interpretação conforme veio a ser a base da definição de receita como base de cálculo da COFINS, na Lei Complementar 70, cuja constitucionalidade se declarou na ADC n° 1, Moreira Alves. Como se vê, além de não estar julgada no STF a questão da incidência do PIS e Cofins sobre as receitas financeiras das instituições financeiras, não é precipitado afirmar, com base nas manifestações acima, que existem reais perspectivas de que venha a ser julgada constitucional essa incidência. Nessa mesma linha de raciocínio se expressa o Parecer PGFN/CAT/N° 2.773/2007, segundo o qual, as receitas de serviços das instituições financeiras, inseridas no conceito de faturamento, abarcam as receitas advindas da cobrança de tarifas (serviços bancários) e das operações bancárias (intermediação financeira). A própria manifestante admite, ainda que em caráter subsidiário do entendimento principal, a possibilidade dessa interpretação, ao formular pedido alternativo no sentido de quando menos excluir da base de cálculo as receitas financeiras de aplicação de recursos próprios Fl. 147DF CARF MF Processo nº 16327.910884/201121 Acórdão n.º 3302006.755 S3C3T2 Fl. 10 9 (capital de giro) e de terceiros e da remuneração dos depósitos compulsórios junto ao BACEN. Pelas razões acima expostas, não há como se aceitar que o crédito pretendido pelo contribuinte seja líquido e certo. Assim é que data maxima venia da posição da recorrente, comungo da visão da decisão recorrida, que apenas verificou haver ausência de fundamento do indébito alegado pela recorrente. Entretanto, a maioria do colegiado votou pelas conclusões, por entender que os documentos acostados permitiriam a conversão em diligência para apurar o direito creditório, caso, no mérito, a recorrente fosse vencedora. Assim, a afirmação contida no voto da DRJ de que haveria necessidade de levantamento comparativo e discriminação das espécies de ingressos integrantes da base de cálculo não se sustenta, já que a recorrente juntou o doc 06, contendo o balancete contábil, discriminando as contas de receitas operacionais, receitas não operacionais e despesas operacionais, suficientes, em princípio, para a verificação das parcelas componentes da base de cálculo a que se referiu a decisão de primeira instância. DAS ALTERAÇÕES PROMOVIDAS PELA MP N° 627/2013 Em outro item, diz a recorrente que a MP n° 627/2013, art 2º e 49,1 introduziu um conceito de "receita bruta" 1 "Art. 2° O DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 12. A receita bruta compreende: 1 o produto da venda de bens nas operações de conta própria; II o preço da prestação de serviços em geral; III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica, não compreendidas nos incisos I a III. § 1° A receita líquida será a receita bruta diminuída de: 1 devoluções e vendas canceladas; II descontos concedidos incondicionalmente; III tributos sobre ela incidentes; e IV valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei n° 6.404, de 1976, das operações vinculadas à receita bruta. (...) § 4° Na receita bruta, não se incluem os tributos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante, pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de mero depositário. § 5° Na receita bruta, incluemse os tributos sobre ela incidentes e os valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei n° 6.404, de 1976, das operações previstas no caput, observado o disposto no § 4°." (NR)" e "Art. 49. A Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 30 O faturamento a que se refere o art. 2° compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977. § 2° (...) 1 as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (...) Fl. 148DF CARF MF Processo nº 16327.910884/201121 Acórdão n.º 3302006.755 S3C3T2 Fl. 11 10 semelhante ao do antigo art. 44 da Lei n° 4.506/64, mas com uma significativa alteração do inciso IV, que passou a incluir na receita bruta "as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica, não compreendidas nos incisos I a III", ou seja, criou no ordenamento jurídico o conceito de faturamento nos termos defendidos pela r. decisão recorrida, e a adoção de tal base de cálculo antes da edição da MP implicaria legislar positivamente, já que ausente qualquer fundamento legal que sustentasse a exigência da contribuição ao PIS e da COFINS nestes termos. Com todo respeito à alegação trazida, não foi esse o conceito de faturamento defendido pela r. decisão recorrida, e sim o expresso anteriormente no item DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO deste voto, que buscou nas palavras dos ministros do STF a devida compreensão da legislação aplicável às contribuições sociais até então (Lei nº 9.718/98, art. 3º, interpretação cfe. Constituição, LC nº 70/91 e DL nº 1.940/82) PEDIDO SUBSIDIÁRIO Subsidiariamente, a recorrente pede ser parcialmente deferida a restituição, porque não podem integrar a base de cálculo as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e ou de terceiros em hipóteses que não envolvam intermediação financeira. Em tese, o pedido tem boa dose de razoabilidade, contudo resta prejudicado, porquanto esbarra na análise já feita em primeira instância, contrária à pretensão da então impugnante, sem que fosse contraditada de forma específica: Contudo, a determinação do valor do pagamento a maior dependeria, no mínimo, de um levantamento comparativo entre o valor devido segundo a receita bruta e o devido segundo o faturamento, sendo necessário discriminar quais as espécies de ingressos integrariam e quais não integrariam o faturamento, tais como: receita de intermediação de operações financeiras (spread), tarifas de prestação de serviços; dividendos; juros sobre capital próprio; remuneração sobre depósitos compulsórios, etc. No presente caso, o contribuinte simplesmente “zerou” a base de cálculo, como se faturamento não tivesse auferido. Isso é o que se constata do demonstrativo por ele elaborado, anexo às fls. 44. Contraditoriamente, a própria manifestante admite que não questiona que integram a § 13. A contribuição incidente na hipótese de contratos, com prazo de execução superior a um ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços a serem produzidos, será calculada sobre a receita apurada de acordo com os critérios de reconhecimento adotados pela legislação do imposto sobre a renda, previstos para a espécie de operação." (NR)" Fl. 149DF CARF MF Processo nº 16327.910884/201121 Acórdão n.º 3302006.755 S3C3T2 Fl. 12 11 base de cálculo das contribuições as receitas de prestações de serviços bancários, tais como administração de fundos de investimentos, assessoria em operações de fusão e aquisição, etc. Sua tese essencial é a não incidência da contribuição sobre as receitas financeiras decorrentes de intermediação financeira (spread). Demais disso, nenhuma prova da existência de tais receitas financeiras (decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e ou de terceiros em hipóteses que não envolvam intermediação financeira) foi apontada nos autos. Neste tópico, a maioria do colegiado votou pelas conclusões, entendendo que as rendas de aplicações de recursos próprios compõem o faturamento das instituições financeiras, não havendo boa dose de razoabilidade no pedido. O argumento central do apelo sustentase no julgamento do RE 585.235/MG, oportunidade na qual o Pleno do STF declarou inconstitucional o §1º do artigo 3ª da Lei 9.718/1998, cuja consequência foi a exclusão das receitas financeiras da base de cálculo da contribuição ao PIS, porém com a manutenção das receitas operacionais da empresa, nos termos do art. 1ª, § 2º da Lei 10.637/2002. A Recorrente defende que o entendimento firmado no RE 585.235/MG aplicase também às instituições financeiras, especialmente à administradoras de cartão de crédito, quando as receitas financeiras advirem da aplicação de recursos próprios. Afirma em seu Recurso que, em razão de objeto social amplo, a aplicação de receitas próprias não configura sua atividade principal e entende pela não tributação pelo PIS receitas financeiras. É imperiosa menção do tratamento legal dado às empresas que compõem o Sistema Financeiro Nacional SNF, tais como a Recorrente. A Lei 4.595/1964 no seu artigo 17 traça as diretrizes gerais do SFN, objeto social das empresas que o integram e atividades típicas: Art. 17. Consideramse instituições financeiras, para os efeitos da legislação em vigor, as pessoas jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros. Parágrafo único. Para os efeitos desta lei e da legislação em vigor, equiparamse às instituições financeiras as pessoas físicas que exerçam qualquer das atividades referidas neste artigo, de forma permanente ou eventual (grifado). Fl. 150DF CARF MF Processo nº 16327.910884/201121 Acórdão n.º 3302006.755 S3C3T2 Fl. 13 12 A Recorrente, por ser administradora de cartões de crédito, funciona sob a égide da Lei 4.595/1964, mediante autorização do Banco Central do Brasil e tem como atividade a aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, nos termos do artigo 17 da Lei 4.595/1964, de maneira que independe o que é transcrito em seus atos constitutivos; vale, por império da lei, a atividade de fato exercida pela Recorrente. Posto isso, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 151DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.902578/2013-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Há de se rejeitar a preliminar de nulidade quando comprovado que a autoridade fiscal cumpriu todos os requisitos pertinentes à formalização do lançamento, tendo o sujeito passivo sido cientificado do fato e das provas documentais que motivaram a autuação e, no exercício pleno de sua defesa, manifestado contestação de forma ampla e irrestrita, que foi recebida e apreciada pela autoridade julgadora.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO / DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Numero da decisão: 1302-003.443
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Há de se rejeitar a preliminar de nulidade quando comprovado que a autoridade fiscal cumpriu todos os requisitos pertinentes à formalização do lançamento, tendo o sujeito passivo sido cientificado do fato e das provas documentais que motivaram a autuação e, no exercício pleno de sua defesa, manifestado contestação de forma ampla e irrestrita, que foi recebida e apreciada pela autoridade julgadora. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO / DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Há de se rejeitar a preliminar de nulidade quando comprovado que a autoridade fiscal cumpriu todos os requisitos pertinentes à formalização do lançamento, tendo o sujeito passivo sido cientificado do fato e das provas documentais que motivaram a autuação e, no exercício pleno de sua defesa, manifestado contestação de forma ampla e irrestrita, que foi recebida e apreciada pela autoridade julgadora. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO / DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 25 78 /2 01 3- 96 Fl. 4107DF CARF MF Processo nº 10166.902578/201396 Acórdão n.º 1302003.443 S1C3T2 Fl. 4.107 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Para a devida síntese do processo em exame, transcrevo o relatório da DRJ, complementandoo ao final: Tratase de pedidos de compensação formulados por BRASFORT EMPRESA DE SEGURANÇA LTDA, por meio dos PER/DCOMP, discriminados abaixo: 2. A DRF/Brasília ,por meio de Despacho Decisório proferido em 03/05/2013, ás fls.39193921, número de rastreamento 024884558, não homologou as compensações pretendidas, porque não se comprovou integralmente o direito creditório apresentado.Com efeito, das parcelas de composição do crédito de R$ 990.017,29, provenientes de retenções na fonte verificadas no 10 trimestre de 2007, a autoridade fiscal verificou estarem disponíveis para a compensação tãosomente R$ 402.879,75, valor insuficiente para formar saldo negativo. Restaram não compensados: R$ 69.778,06 (de principal), acrescidos de R$ 13.955,58 (de multa) e R$ 40.476,32 (de juros). 3. Devidamente cientificada em 13/05/2013, cf. AR à fl. 3922, a contribuinte apresentou tempestivamente, em 12/06/2013, manifestação de inconformidade, às fls. 35993615, por meio da qual sustenta, em apertada síntese, que a Lei assegura o direito do contribuinte à compensação de créditos apurados relativos a tributos administrados pela Receita Federal (art. 170 do CTN c/c art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996) e que, no caso concreto, acredita que a não homologação "possa ter sido originada por falta de informações das fontes retentoras do crédito", porém, dado que não há dúvida de que os valores apresentados como parcelas de composição do direito creditório foram efetivamente retidos na fonte fazse mister a homologação do feito. Fl. 4108DF CARF MF Processo nº 10166.902578/201396 Acórdão n.º 1302003.443 S1C3T2 Fl. 4.108 3 Após análise das razões acima, a 1ª Turma de Julgamento da DRJ/CTA, através do Acórdão nº 0645.219, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e, por via de consequência, não reconheceu o direito creditório pleiteado. Nesse sentido, segue ementa do acórdão recorrido que demonstra esse entendimento: DIREITOS CREDITÓRIOS INSUFICIENTES PARA A EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PLEITEADOS. A contribuinte não logrou demonstrar a existência de direitos creditórios de IRPJ suficientes para promover a extinção dos débitos pleiteados o equívoco apurado pela autoridade fiscal decorreu da tentativa de empregar, como parcelas de composição, valores retidos na fonte referentes a outros tributos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário submetendo o caso à apreciação deste Conselho, aduzindo, em síntese, as mesmas razões da Manifestação de Inconformidade isto é, que não foi possível discriminar cada período de apuração do crédito em razão de impossibilidade técnica do PERDCOMP. Alega também a ocorrência de violação à ampla defesa, por não ter conseguido acessar os autos do processo e que o acórdão atacado se baseou em meras conjecturas, pois se o julgador tivesse multiplicado o valor apurado pelo contribuinte por 0,507937, teria encontrado resultado diferente do apontado no julgamento. Aduz ainda que possui direito legal à compensação tributária, e que, caso se entendesse pela deficiência de provas, teria que ser determinada a realização de diligências. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. Presentes os requisitos de admissibilidade recursal, tomo conhecimento do presente Recurso Voluntário. Preliminar Conforme já exposto, a recorrente alega ter ocorrido violação à ampla defesa, por não ter conseguido acessar os autos do processo. Tal alegação não merece prosperar. Fl. 4109DF CARF MF Processo nº 10166.902578/201396 Acórdão n.º 1302003.443 S1C3T2 Fl. 4.109 4 Conforme admitido pela própria recorrente, ela foi regularmente intimada da decisão. Tanto a fiscalização quanto o órgão julgador de primeiro grau foram diligentes na observância ao contraditório e à ampla defesa, sendo oportunizado à Recorrente o direito de se manifestar sobre as compensações não homologadas, antes do julgamento de primeira instância. Ademais, da leitura dos autos se depreende que a recorrente teve diversas oportunidades durante o processo para se pronunciar. Nesse contexto, não há como se falar em ofensa ao devido processo legal e à ampla defesa, máxime quando há nos autos prova de que o contribuinte foi regularmente cientificado do presente lançamento, tendo tido acesso a todas as informações necessárias para elaborar a sua defesa. Tanto foi possível o pleno exercício do direito de defesa e do contraditório que utilizou dessa prerrogativa, conseguindo contestar (na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário) tanto os aspectos formais como materiais do despacho decisório, de uma forma bastante abrangente e extensa. Por fim, cabe destacar que o pedido de cópia do processo só foi protocolado após o prazo para interposição de Recurso Voluntário, não tendo que se falar em dificuldade para acessar aos autos nessa situação. Pelo exposto, concluise pela improcedência das alegações recursais quanto à nulidade do procedimento administrativo em análise por ofensa a ampla defesa. Mérito A lide versa sobre o não reconhecimento por parte da autoridade fiscal de R$ 587.137,53 (R$ 990.017,29 – R$ 402.879,75) relativos a valores de imposto de renda retidos na fonte no primeiro trimestre do anocalendário de 2007. No entender da contribuinte, os valores pleiteados encontramse efetivamente comprovados em sua contabilidade e por meio dos documentos juntados em sede de impugnação. A tabela a seguir sintetiza as diferenças encontradas, entre a autoridade fiscal e a interessada, em relação ao primeiro trimestre de 2007. As retenções efetuadas pela FUNAI, no total de R$ 3.152,88 foram inteiramente confirmadas. Fl. 4110DF CARF MF Processo nº 10166.902578/201396 Acórdão n.º 1302003.443 S1C3T2 Fl. 4.110 5 A autoridade fiscal verificou, no Sistema DIRF, a existência das retenções de IRPJ efetuadas pelas pessoas jurídicas relacionadas pela interessada – cf. cópias juntadas ao feito, após o quê calculou as parcelas referentes ao terceiro trimestre de 2007 e sobre essas fez incidir a fração de 0,5079, que será explicada adiante. A discriminação da forma como a autoridade fiscal apurou os valores reconhecidos encontrase na tabela a seguir: No caso em comento, a DRJ entendeu pela manutenção da homologação parcial, conforme decidido no despacho decisório. Pelo tanto, demonstrou que, “A diferença decorre do fato de a contribuinte entender que o valor integral anual dos tributos retidos na fonte sob o código 6190, poderiam ser usados como origem de direito creditório de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica referente ao 2º trimestre de 2006, enquanto, para a autoridade fiscal, sobre as quantias de abril, maio e junho, deveriam ser aplicadas a porcentagem indicada na coluna (%) equivalente ao peso do IRPJ nas retenções efetuadas., conforme será visto adiante.” E ainda, nas linhas do acórdão recorrido: 9. Esse fracionamento deriva do fato que as retenções referentes as (sic) pagamentos efetuados a empresas prestadoras de serviços de vigilância sob o código 6190 englobam diversos tributos: IR (à alíquota de 4,80%), CSLL (à alíquota de 1,0%), COFINS (à alíquota de 3,0%) e, por fim, PIS/PASEP (à alíquota de 0,65%), totalizando 9,45%. Assim, fica claro que somente pode compor saldo negativo de IRPJ, a fração correspondente a esse tributo, vale dizer, 0,507937 (4,8%/9,45%). No Recurso Voluntário, o contribuinte pretende a reforma da decisão. Alega que, por impossibilidade técnica do sistema, não foi possível informar os saldos credores acumulados em períodos anteriores na PER/DCOMP. Indica ainda que, caso a Administração Fazendária aplicasse o percentual indicado por esta, de 0,507937 ao valor indicado pelo contribuinte, seria encontrado valor discrepante. Observase, contudo, que o contribuinte, em momento algum, demonstrou a chamada discrepância nesse valor. Tampouco comprovou a supracitada impossibilidade técnica do sistema. Como amplamente apontado pela decisão, as discrepâncias encontradas não decorrem de falta de informação do Fisco a respeito das retenções efetuadas como entende a contribuinte, mas, ao contrário, no modo como as retenções demonstradas podem ser empregadas para fins de compensação na forma de legislação aplicável. Fl. 4111DF CARF MF Processo nº 10166.902578/201396 Acórdão n.º 1302003.443 S1C3T2 Fl. 4.111 6 Ademais, a autoridade fiscal apenas aplicou a proporção prevista no Anexo I da IN SRF nº 480 de 2004 e constatou a insuficiência do direito creditório da recorrente. Da leitura dos autos do processo se observa que o Despacho Decisório demonstrou claramente a razão da homologação apenas parcial do crédito tributário. Em contrário, o contribuinte, a quem cabia demonstrar a veracidade dos fatos, produziu apenas afirmações vagas, sem apresentar provas. O direito de o contribuinte efetuar a compensação está, pois, condicionado ao cumprimento de formalidades que permitam à Administração Tributária, a bem do interesse público, controlar os valores de débitos e créditos compensados. Correto o entendimento do acórdão recorrido, no sentido de que os erros cometidos nas DCOMP não podem ser vistos como meras inexatidões materiais passíveis de revisão, pois são decorrentes de equivocada aplicação do direito posto. Além disso, como amplamente exposto, o recorrente não fez prova do que alegou na peça recursal. Assim, por tudo o exposto, demonstrado que o contribuinte não se desincumbiu do ônus de comprovar o alegado, não cabe prosperar o pedido. Conclusão Ante o exposto, rejeito a preliminar suscitada e, no mérito, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 4112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35415.000586/2006-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2006
VALE-TRANSPORTE. VERBA DE NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
O pagamento de verbas a título de vale-transporte, qualquer que seja a forma de pagamento, possui natureza indenizatória, não passível, portanto, de incidência de contribuição previdenciária. Súmula CARF nº 89.
Numero da decisão: 2402-007.087
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Gregório Rechmann Junior, substituído pelo conselheiro José Alfredo Duarte Filho.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Gregório Rechmann Junior, substituído pelo conselheiro José Alfredo Duarte Filho. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e Denny Medeiros da Silveira.
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VERBA DE NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O pagamento de verbas a título de valetransporte, qualquer que seja a forma de pagamento, possui natureza indenizatória, não passível, portanto, de incidência de contribuição previdenciária. Súmula CARF nº 89. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Gregório Rechmann Junior, substituído pelo conselheiro José Alfredo Duarte Filho. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e Denny Medeiros da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 41 5. 00 05 86 /2 00 6- 19 Fl. 296DF CARF MF Processo nº 35415.000586/200619 Acórdão n.º 2402007.087 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na Sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402007.072 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de março de 2019, proferido no âmbito do processo n° 18050.003581/200877, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402007.072 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Cuidase de Recurso Voluntário em face da Decisão de 1ª Instância Administrativa que julgou procedente o lançamento de Contribuições Previdenciárias incidentes sobre verbas pagas pela empresa, a título de "Vale Transporte", a segurados obrigatórios do RGPS, conforme discriminado no relatório fiscal. Irresignado, o Contribuinte apresentou impugnação administrativa em resistência ao lançamento em tela, a qual se houve por julgada improcedente pelo Órgão Julgador de 1ª Instância. Devidamente cientificada da susocitada decisão, a Impugnante, agora Recorrente, interpôs Recurso Voluntário pugnando, ao fim, pela improcedência do lançamento. É o relatório." Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402007.072 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de março de 2019, proferido no âmbito do processo n° 18050.003581/200877, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevemos, a seguir, nos termos regimentais, o excerto de interesse do voto condutor proferido pelo Conselheiro Luís Henrique Dias Lima, digno Relator da decisão paradigma suso citada, o qual versa especificamente sobre a matéria de mérito que permeia o acima referenciado Acórdão nº 2402007.072 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de março de 2019. Acórdão nº 2402007.072 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "1 Do Conhecimento do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72 e alterações posteriores. Portanto, dele CONHEÇO. Fl. 297DF CARF MF Processo nº 35415.000586/200619 Acórdão n.º 2402007.087 S2C4T2 Fl. 4 3 [...] 3 Do Mérito Inicialmente, é oportuno destacar que o art. 28, § 9°, alínea "f", da Lei nº 8.212/1991, estabelece que a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria, não integra o salário de contribuição. O valetransporte foi instituído pela Lei nº 7.418/85 e regulamentado pelo Decreto nº 95.247/87, definindo um paradigma procedimental no qual o empregador fornecerá os vales a seus empregados para utilização efetiva em despesas de deslocamento residênciatrabalho e viceversa, através do sistema de transporte coletivo público, urbano ou intermunicipal/interestadual, excluídos os serviços seletivos e os especiais. De se observar que a exclusão do valetransporte do saláriode contribuição pressupõe o seu fornecimento de acordo com a legislação, sob pena de incidência de contribuição previdenciária. No que pertine à natureza indenizatória do valetransporte, é oportuno resgatar o estabelecido no Parecer PGFN/CRJ nº 189/2016, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda DOU de 29/03/2016: Parecer PGFN/CRJ nº 189/20 [...] 5. Não obstante, o Pleno do STF, no julgamento do Recurso Extraordinário n° 478.410/SP (não submetido ao rito do art. 543B do CPC), em 10/03/2010, firmou o entendimento de que é inconstitucional a incidência de contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em espécie, já que, qualquer que seja a forma de pagamento, detém o beneficio natureza indenizatória. De acordo com a Corte Suprema, ao admitirse que o valetransporte possa ter a sua natureza alterada pelo fato de ser pago em dinheiro importaria em relativizar o curso legal da moeda. Sendo assim, considerou que a cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago em pecúnia a título de valetransporte afrontaria a Constituição em sua totalidade normativa. Eis a ementa do julgado: (grifei) EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o beneficio de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse beneficio ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de Fl. 298DF CARF MF Processo nº 35415.000586/200619 Acórdão n.º 2402007.087 S2C4T2 Fl. 5 4 moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido e padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório e qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a titulo de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento. (RE 478410, Relator(a): Min. EROS GRAU, Tribunal Pleno, julgado em 10103/2010, DJe086 DIVULG 13052010 PUBLIC 14052010 EMENT VOL0240104 PP00822 RDECTRAB v. 17, n. 192, 2010, p. 145166) 6. Em sequência, no julgamento de Embargos de Declaração,o STF, utilizando a técnica da declaração de inconstitucionalidade parcial sem redução de texto, fez constar da conclusão do acórdão embargado a proclamação da "inconstitucionalidade da aplicação do art. 5° do Decreto n° 95.247/87 e do art. 4°, caput, da Lei n° 7.418/85 como fundamentos para a incidência de contribuições previdenciária sobre os valores pagos em pecúnia a título de valetransporte aos trabalhadores", sem qualquer modificação, portanto, do teor da deliberação anterior. [...] Na esteira do supra citado Parecer, a PGFN editou o Ato Declaratório nº 004/2016 determinando que nas ações judiciais fundadas no entendimento de que não há incidência de contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia considerando o caráter indenizatório da verba. No mesmo diapasão seguiu a Secretaria da Receita Federal do Brasil consoante o entendimento consolidado na Solução de Consulta Cosit nº 146, de 27 de setembro de 2016, sumarizado na ementa abaixo: Solução de Consulta Cosit nº 146/2016 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. VALETRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos em dinheiro a título de valetransporte. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 35415.000586/200619 Acórdão n.º 2402007.087 S2C4T2 Fl. 6 5 A não incidência da contribuição está limitada ao valor pago em dinheiro estritamente necessário para o custeio do deslocamento residênciatrabalho e viceversa, em transporte coletivo, conforme prevê o art.1º da Lei nº 7.418, de 1985. Dispositivos Legais: Lei nº 10.522, de 2002, art. 19, inciso II e §4º, Ato Declaratório nº 4, de 31 de março de 2016, da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. Súmula AGU nº 60, de 8 de dezembro de 2011. No mesmo sentido segue a Súmula nº 89 do CARF, in verbis: Súmula CARF nº 89 A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. Nessa perspectiva, considerandose a natureza indenizatória do valetransporte, são procedentes as alegações da Recorrente, impondose o cancelamento do lançamento em apreço, não havendo que se falar de remuneração indireta a atrair a incidência de contribuições previdenciárias. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima" Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, cancelando se integralmente o lançamento. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Relator. Fl. 300DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.902459/2015-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2013
PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO APÓS PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE.
Constatando-se dos documentos acostados ao processo que o contribuinte apresentou equivocadamente PER/DCOMP relativo a pagamento a maior ou indevido quando seu crédito deveria ser manejado como saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, refaz-se a análise do crédito sob a forma de Saldo Negativo, e, apurando-se crédito disponível, aplica-se ao mesmo a sistemática de atualização aplicável aos saldos negativos para fins de compensação com os débitos declarados nos PER/DCOMP.
Numero da decisão: 1401-003.204
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório relativo ao saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2013, no valor de R$ 217.754,18, determinando que o mesmo seja atualizado pela taxa SELIC a partir de 01/01/2014, e homologando as compensações efetuadas no âmbito deste processo até o limite do valor reconhecido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10680.902443/2015-73, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2013 PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO APÓS PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE. Constatandose dos documentos acostados ao processo que o contribuinte apresentou equivocadamente PER/DCOMP relativo a pagamento a maior ou indevido quando seu crédito deveria ser manejado como saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, refazse a análise do crédito sob a forma de Saldo Negativo, e, apurandose crédito disponível, aplicase ao mesmo a sistemática de atualização aplicável aos saldos negativos para fins de compensação com os débitos declarados nos PER/DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório relativo ao saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2013, no valor de R$ 217.754,18, determinando que o mesmo seja atualizado pela taxa SELIC a partir de 01/01/2014, e homologando as compensações efetuadas no âmbito deste processo até o limite do valor reconhecido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10680.902443/201573, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 24 59 /2 01 5- 86 Fl. 418DF CARF MF Processo nº 10680.902459/201586 Acórdão n.º 1401003.204 S1C4T1 Fl. 3 2 Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Iniciemos com a transcrição de trechos do relatório da Decisão de Piso. Versa o presente processo sobre a controvérsia instaurada, em razão do indeferimento pela Administração Tributária do pleito compensatório apresentado pelo interessado através de PER/DCOMP, alegando que o DARF foi integralmente utilizado para a compensação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Devidamente intimado, o interessado apresentou, manifestação de inconformidade, alegando que: Houve uma antecipação de IRPJ e CSLL que, ao final do exercício, verificouse que foi maior que o tributo devido, uma vez que o contribuinte encerrou o exercício com prejuízo; O pedido foi indeferido sob o argumento de inexistência de crédito. Foi, no entanto, em razão de mudança legislativa acerca do instituto dos pagamentos por estimativa, utilizado o teor do Parecer Normativo COSIT nº 08/2014 (atualmente Parecer Normativo Cosit nº 02/2016) para afastar o motivo e realizar a análise do mérito, o que ocorreu, entendendo a administração tributária que, efetivamente, no caso dos autos inexistia crédito disponibilizado nas estimativas recolhidas, eis que, foram utilizadas integralmente para compor o saldo negativo, não havendo recolhimentos efetuados de forma indevida ou a maior. A interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando que poderia compensar estimativas pagas a maior ou indevida independentemente do final do período de apuração, fato esse que, antes era pautado na Instruções Normativas vigentes, mas a partir da IN RFB nº 900/2008, tal situação deixou de existir, requerendo, ainda a nulidade do despacho decisório. A Delegacia de Julgamento, na análise da manifestação de inconformidade julgou pela sua improcedência em razão de não ser possível a modificação do tipo de crédito após a emissão do despacho decisório e que analisando os pedidos de pagamento a maior e que os valores devidos de estimativa são idênticos inexiste o crédito pretendido. Cientificada de decisão a interessada apresentou recurso voluntário no qual repisa os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade, junta precedentes deste CARF e pleiteia que lhe seja reconhecido o direito de crédito. É o breve relatório. Fl. 419DF CARF MF Processo nº 10680.902459/201586 Acórdão n.º 1401003.204 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401003.188, de 19/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº10680.902443/201573, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1401003.188): O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, por isso dele tomo conhecimento. O caso em análise no presente processo diz respeito á possibilidade de o contribuinte, que apresentou declaração de compensação pretendendo créditos de pagamento indevido por estimativa de IRPJ/CSLL, possa ter reconhecido o direito de crédito relativo a Saldo Negativo de IRPJ/CSLL no exercício. Verificase, no presente caso que o contribuinte, optante pelo lucro real, recolheu IRPJ e CSLL por estimativa em diversos meses do ano de 2013. Apresentou regularmente as DCTFs destes períodos informando os débitos e a sua quitação por DARF que, posteriormente, entendeu se referirem a pagamentos indevidos. Em sua DIPJ apresentou informações de que apurou o IRPJ e CSLL devidos por estimativa com base na receita bruta, e que, no final do exercício, inexistindo lucro a ser tributado, os valores dos pagamentos realizados a título de estimativa transformaram se em crédito em benefício da empresa. Na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário pretende que, em razão da apuração de prejuízo no exercício, seja reconhecido o crédito como saldo negativo de IRPJ e CSLL no exercício. Diante dos fatos acima narrados e da confirmação da existência dos pagamentos realizados temos a seguinte decisão a tomar: O contribuinte cometeu os seguintes equívocos: 1 – Optou pelo lucro real e pela apuração das estimativas no ano de 2013, recolheu os valores e os confessou em DCTF tendo, posteriormente, solicitado o crédito destes mesmos pagamentos sem retificar suas DCTF e DIPJ; 2 – Apresentou a DIPJ informando a correta apuração dos saldos negativos de IRPJ e CSLL a que faria jus; Fl. 420DF CARF MF Processo nº 10680.902459/201586 Acórdão n.º 1401003.204 S1C4T1 Fl. 5 4 3 Ao requer os créditos que entendia fazer jus o fez por meio de PER/DCOMP relativo a pagamento indevido ou a maior em vez de saldo negativo; Por sua vez a decisão que não reconheceu o crédito está juridicamente correta vez que analisou o pedido de pagamento indevido a partir das informações da DCTF e DARF da empresa. Constatamos, no entanto, com base nos documentos acostados ao processo, que efetivamente o contribuinte faz jus aos saldos negativos de CSLL do anocalendário 2013 no montante equivalente aos pagamentos realizados por estimativa, visto inexistir saldo de devido de CSLL. Com base nestas informações a nossa análise prendese ao fato de considerar que, no presente caso, o contribuinte incidiu apenas em erro de fato ao preencher a PER/DCOMP ou se houve um erro de direito ao pleitear crédito diferente do que deveria ter sido solicitado. A este respeito entende este relator que não se trata de simples erro de fato. Ora, errarse o período de apuração, o exercício ou mesmo o tipo de tributo solicitado no PER/DCOMP pode se considerar um erro de fato. Neste caso o problema não é tão simples. Aqui o contribuinte solicitou crédito absolutamente diverso do crédito que efetivamente lhe assistia direito. Tratase, claramente de erro material que, digase de passagem, sequer é escusável, haja vista o porte da empresa, a apuração pelo lucro real e o período de tempo decorrido entre a instituição dos PER/DCOMP eletrônicos (2003) e os pedidos do contribuinte (2012). Ocorre, entretanto, que por mais que este relator entenda que o erro cometido na empresa não se adequa aos precedentes apresentados em sede recursal, sou firme na corrente que entende no sentido de que a verdade material deve prevalecer como fundamento de decidir em todos os processos, sejam administrativos, sejam judiciais. VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. (Acórdão nº 3401 003.096, de 23/02/2016) DCOMP. CRÉDITO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. RECONHECIMENTO Na hipótese de mero equívoco no preenchimento da DCTF, contrastando com as informações acertadas da DIPJ e com a comprovação do recolhimento a maior através de DARF juntado aos autos, não há razão para penalizar o contribuinte, sendo medida certa o reconhecimento do crédito pleiteado. (Acórdão nº 1201002.106, de 16/03/2018) Fl. 421DF CARF MF Processo nº 10680.902459/201586 Acórdão n.º 1401003.204 S1C4T1 Fl. 6 5 COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. (Acórdão nº 1302002.031, de 26/01/2017) Neste sentido é que não pode este relator se furtar a decidir contra a verdade apresentada nos autos. A verdade é que, com base na apuração do lucro do exercício, não existiu lucro tributável e, assim, não era devido, ao final do exercício a apuração do IRPJ e CSLL devidos. Em razão deste fatos os recolhimentos abaixo realizados, relativos aos pagamentos de CSLL por estimativa, tornaramse saldo negativo de CSLL ao final do exercício. À vista do exposto e em atenção ao princípio da informalidade e da fungibilidade, precedentes abaixo, que rege o processo administrativo fiscal, constatandose que, no mérito, assiste razão ao contribuinte quanto à existência de créditos, mesmo que não da espécie originalmente pleiteada, entendo que deve ser reconhecido o direito de crédito da empresa, não em relação aos pagamentos indevidos da forma por ela solicitada, mas sim em razão da existência de saldos negativos de CSLL que se formaram a partir destes mesmos pagamentos. Registro, para bem deixar delineado meu entendimento, que não entendo que o princípio da informalidade e da fungibilidade sejam aplicáveis de qualquer forma e em qualquer situação. Esta aplicação deve ser casuística e se adequar à realidade de cada processo. Neste processo, em específico, a utilização da informalidade prendese a um fato singelo. Para a aferição da existência do crédito, a partir das informações apresentadas em petição simples de duas páginas, se daria apenas pela análise da ficha de apuração do IRPJ e CSLL a pagar, nas quais resta demonstrada a inexistência de saldos dos tributos a serem pagos. Em razão da facilidade de conhecimento do verdadeiro direito da empresa é que entendo poder ser aplicada a informalidade e a fungibilidade neste processo de modo a garantir um direito que, de fato, sempre assistiu ao contribuinte. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RESSARCIMENTO DE IPI. DEFERIMENTO PARCIAL. INCONFORMIDADE POSTERIOR A PARECER DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA E ANTERIOR A DESPACHO DECISÓRIO QUE O HOMOLOGA. APRECIAÇÃO PELA DRJ. CABIMENTO. Contra indeferimento de ressarcimento do IPI cabe manifestação de inconformidade, a ser apreciada pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento nos termos do Decreto n° 70.235/72. Tendo o contribuinte tomado ciência de parecer da administração tributária que propõe o deferimento parcial do seu pedido, e ingressado com manifestação de inconformidade antes do Fl. 422DF CARF MF Processo nº 10680.902459/201586 Acórdão n.º 1401003.204 S1C4T1 Fl. 7 6 despacho decisório que homologa tal parecer, considerase instaurado o litígio e, por isso, deve a primeira instância analisar a inconformidade, sob pena de ofensa à ampla defesa e ao contraditório e desprezo pelos princípios da informalidade moderada e da fungibilidade, que norteiam o processo administrativo fiscal. Por não ter sido conhecida pela DRJ a inconformidade, anulase a decisão a quo para que outra seja produzida com apreciação das razões de inconformismo. (Acórdão nº 3102001.572, de 19/07/2012) PAGAMENTO A MAIOR. SALDO NEGATIVO. TRANSMUTABILIDADE. POSSIBILIDADE. Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade devese permitir a retificação da Dcomp quando se trata de erro material no seu preenchimento. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez admitida que outra é a natureza do crédito, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte, como foi o caso.(Acórdão nº 1401001.655, de 09/06/2016) Ementa: PAGAMENTO A MAIOR. SALDO NEGATIVO. TRANSMUTABILIDADE. POSSIBILIDADE. Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade devese permitir a retificação da Dcomp quando é patente o erro material no seu preenchimento e que tenha ficado bem configurada a divergência, facilmente perceptível, entre o que foi apresentado e o que queria ser apresentado, revelado no próprio contexto em que foi feita a declaração. (Acórdão nº 1401000.737, de 15/03/2012) NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO E DA DECISÃO RECORRIDA. Não padece de nulidade o Auto de Infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, com lógica e nos prazos devidos, o seu direito de defesa. A competência das DRJ pode ser alterada por ato interno da RFB, para melhor distribuição de quantidade de processos ou concentração de assuntos, sem que isso fira, de plano, qualquer direito do Contribuinte. As formalidades não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Alegada eventual irregularidade, cabe, à autoridade administrativa ou judicial, verificar, pois, se tal implicou efetivo prejuízo à defesa do contribuinte. Daí falarse do princípio da informalidade do processo administrativo. (Acórdão nº 2202003.053, de 08/12/2015) Fl. 423DF CARF MF Processo nº 10680.902459/201586 Acórdão n.º 1401003.204 S1C4T1 Fl. 8 7 NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL. Padece de nulidade o Auto de Infração com inobservância ao art. 10, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72, não contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais individualizados por infração, em diferentes fatos geradores do imposto de renda retido na fonte, levando o contribuinte a equivocadas interpretações que confundiram a impugnação. A nulidade não decorre propriamente do descumprimento do requisito formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa. As formalidades não são um fim em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Daí falarse do princípio da informalidade do processo administrativo. (Acórdão nº 2202003.671, de 07/02/2017) Por isso, entendo que assiste razão ao recorrente quanto à existência de saldo negativo de CSLL do exercício 2014, ano calendário 2013, no montante de R$ 217.754,18 , formados a partir dos recolhimentos das estimativas destes tributos realizados durante o ano. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, em obediência ao Princípio da Verdade Material, a fim de: Reconhecer, em atenção ao princípio da informalidade e da fungibilidade, o direito do contribuinte de crédito relativo a saldo negativo de CSLL do exercício 2014, anocalendário 2013, no valor original de R$ 217.754,18; Fl. 424DF CARF MF Processo nº 10680.902459/201586 Acórdão n.º 1401003.204 S1C4T1 Fl. 9 8 Determinar que estes valores devem ser acrescidos pela taxa SELIC apenas a partir de 01/01/2014, haja vista se tratar se saldo negativo que, desta forma deve ser atualizado e, Determinar que os créditos, agora reconhecidos, podem ser utilizados na compensação dos débitos informados nos PER/DCOMP de pagamento indevido de CSLL relativos aos recolhimentos que formaram o saldo acima e que foram requeridos sob a forma de PER/DCOMP de pagamento a maior, cobrandose as diferenças ao final apuradas após a realização dos procedimentos de compensação Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de dar provimento ao recurso, em obediência ao Princípio da Verdade Material, a fim de: a) Reconhecer, em atenção ao princípio da informalidade e da fungibilidade, o direito do contribuinte de crédito relativo a saldo negativo de CSLL do exercício 2014, anocalendário 2013, no valor original de R$ 217.754,18; b) Determinar que estes valores devem ser acrescidos pela taxa SELIC apenas a partir de 01/01/2014, haja vista se tratar se saldo negativo que, desta forma deve ser atualizado e, c) Determinar que os créditos, agora reconhecidos, podem ser utilizados na compensação dos débitos informados nos PER/DCOMP de pagamento indevido de CSLL relativos aos recolhimentos que formaram o saldo acima e que foram requeridos sob a forma de PER/DCOMP de pagamento a maior, cobrandose as diferenças ao final apuradas após a realização dos procedimentos de compensação (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 425DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.005830/2001-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2001
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA TITULARIDADE DO DIREITO CREDITÓRIO.
A apresentação de documentos suficientes à análise do direito creditório e a comprovação da devolução da quantia retida ao beneficiário da fonte pagadora autorizam o reconhecimento do direito creditório à empresa que reteve o imposto de renda na fonte indevidamente.
Numero da decisão: 1301-003.835
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o crédito, em valores originais, no valor de R$ 1.517.794,33.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA TITULARIDADE DO DIREITO CREDITÓRIO. A apresentação de documentos suficientes à análise do direito creditório e a comprovação da devolução da quantia retida ao beneficiário da fonte pagadora autorizam o reconhecimento do direito creditório à empresa que reteve o imposto de renda na fonte indevidamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o crédito, em valores originais, no valor de R$ 1.517.794,33. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 58 30 /2 00 1- 51 Fl. 165DF CARF MF 2 Trata o presente processo de pedido de restituição (fl. 03) no montante de R$1.517.794,33, cumulado com pedido de compensação de igual valor (fl. 04). Foram anexados juntamente com os referidos pedidos: cópia de DARF de recolhimento (código de receita 0473), documentos outorgando poderes de representação ao signatário dos pedidos, planilha, cópia de “Contrato de Câmbio de Venda – Tipo 04 – Transferências Financeiras para o Exterior” (fls. 15/17), cópia de “Autorização para Venda de Câmbio” (fl. 18), cópia do “Contrato de Câmbio de Venda – Tipo 08 – Alteração” (fl. 20/21). A DIORT/DERAT/SPO indeferiu o pedido de restituição e não homologou o pedido de compensação por considerar que o valor recolhido por meio de DARF corresponde ao exato valor do imposto incidente sobre o montante autorizado pelo Banco Central do Brasil – BACEN – e as remessas já efetuadas, comprovadas conforme o Contrato de Câmbio de fl. 15 e registro no verso do documento de fl. 18 (fl. 19 na numeração digital). O contribuinte arguiu que a remessa não seria integralmente composta de rendimentos pagos a residente no exterior (em razão da prestação de serviços), mas que parte dos valores remetidos seriam destinados a cobrir o custo de materiais utilizados no conserto de turbinas, adquiridos pela prestadora de serviço e a elas agregados. Desse modo, teria se equivocado em recolher o IRRF sobre todo o valor, quando ele seria devido apenas sobre a remuneração da prestação de serviços. A DRJ converteu o julgamento em diligência, cujo relatório assim dispôs: 4. O contribuinte foi intimado em 31/05/2011, com recebimento em 02/06/2001 (fls. 115 e 116) a apresentar documentação comprobatória, especificada no corpo da intimação. 5. Em 14/06/2011, o contribuinte solicitou um prazo adicional de quinze dias para apresentar os documentos requeridos (fl. 121). Não apresentou qualquer documento. 6. Em 30/09/2011, os então representantes do contribuinte apresentaram renúncia ao mandato outorgado pelo contribuinte (fls. 119 e 120). 7. Em 10/02/2012, o contribuinte foi novamente intimado, com recebimento em 16/02/2012, conforme documentos de fls. 114 e 115. 8. Em 02/03/2012, o contribuinte apresentou parte da documentação requerida (fls. 93 a 108), e solicitou mais trinta dias para apresentação dos documentos comprobatórios restantes. 9. Em 02/04/2012, o contribuinte apresentou mais uma parte da documentação requerida (fls. 109 a 113), e solicitou mais quinze dias para apresentação dos documentos comprobatórios restantes. 10. Considerando o tempo transcorrido, desde a primeira intimação para apresentação de documentação comprobatória, até a presente data, 21/01/2013, e não tendo sido a mesma integralmente apresentada, proponho que o processo seja devolvido à Quarta Turma da DRJSPI, com proposta de indeferimento da Manifestação de Inconformidade, em virtude de não terem sido fornecidos os elementos necessários à verificação do direito alegado pela Manifestante. A empresa apresentou manifestação contrária ao posicionamento da Autoridade Administrativa (fls. 126/129), entendendo que, tendo sido apresentadas as invoices e os contratos de câmbio relacionados aos pagamentos em análise, possuía o Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11610.005830/200151 Acórdão n.º 1301003.835 S1C3T1 Fl. 3 3 auditor fiscal elementos suficientes para, em cumprimento à determinação da Delegacia de Julgamento, confirmar a parcela correlata aos serviços e aquela vinculada ao ressarcimento dos materiais, tendo deixado, aquela Autoridade, de cumprir seu mister. A DRJ julgou improcedente o pleito do Contribuinte, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. NÃO TITULARIDADE DO DIREITO CREDITÓRIO. A não apresentação da totalidade dos documentos necessários à análise do direito creditório e a não devolução da quantia retida ao beneficiário da fonte pagadora impedem o reconhecimento do direito creditório à empresa que alega ter retido imposto de renda na fonte indevidamente. Irresignado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário aduzindo: i) a nulidade da decisão da DRJ, por ter invocado como fundamento a Solução de Consulta nº 22/2013; ii) repisou os argumentos da manifestação de inconformidade, e juntou o "swift" que comprova a transferência internacional do valor recolhido a maior. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido pelo Colegiado. Aduz o contribuinte que efetuou remessas para o exterior, em razão do conserto de turbinas de aeronaves, mas procedeu incorretamente o recolhimento do IRRF, pois calculou a retenção sobre todo o valor da remessa, quando, em rigor, deveria ser excluído da base de cálculo o que não correspondesse a serviço, mas sim a valor dos materiais utilizados. Apresentou a seguinte planilha: Fl. 167DF CARF MF 4 Além disso, consta às fls. 3639 os invoices (documento que consubstancia a operação internacional) que demonstram o rateio de valores apresentado na planilha acima. Nas fls. 16 e ss. constam os contratos de câmbio para a remessa de valores. A remessa estava sujeita à alíquota de 25%, nos termos do art. 682 e 685, II, "a" do RIR/99. Em primeiro lugar, pleiteia o Contribuinte a nulidade da decisão a quo por ter invocado, entre seus fundamentos, a Solução de Consulta Cosit nº 22/2013: Com a devida vênia, entendo que a referida manifestação sequer se enquadra no tipo de situação que se analisa aqui. Ela trata de uma correspondente da Caixa Econômica Federal que, por ser optante do Simples Nacional, entende que não deveria se sujeitar às retenções na fonte, com base no art. 12 da LC nº 123/2006, e aduz a consulta: Diante disso, a eventual retenção (e recolhimento) de tributos nos pagamentos feitos a pessoas jurídicas inscritas no Simples Nacional, nos moldes do art. 34 da Lei nº 10.833, de 2003, configura hipótese de pagamento indevido de tributos, o que garante ao sujeito passivo o direito à restituição da importância indevidamente retida, com fundamento no art. 165, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). Labora em equívoco a fiscalização ao fazer essa analogia, pois a referida consulta trata de uma hipótese de responsabilidade tributário, na qual a Caixa Econômica está na condição de substituta, e por isso o regime de restituição do tributo pode ser aquele do art. 166 do CTN. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 11610.005830/200151 Acórdão n.º 1301003.835 S1C3T1 Fl. 4 5 Em se tratando do IRRF nas remessas para o exterior, o fundamento normativo é diverso. Nesses casos, com base no art. 45 do CTN, a fonte pagadora é contribuinte do tributo, e não responsável tributário, não havendo justificativa para submeter tal situação ao regime jurídico do art. 166 a relação jurídica tributária se instaura única e exclusivamente entre a fonte pagadora e a União, visto que o beneficiário se encontra fora da jurisdição tributária brasileira. A despeito disso, o contribuinte juntou aos autos o comprovante do swift correspondente ao envio da diferença retida indevidamente. Explico: as transferências internacionais em moeda estrangeira possuem peculiaridades que vão desde o enquadramento cambial (codificação que identifica o motivo da transferência), a demanda documental que respalda o fechamento do câmbio e o envio da ordem de pagamento para o exterior (swift), e a consequência tributária retida na contratação e liquidação da operação cambial. O código swift foi instituído pela norma ISO 9362 e se trata de um código gerido pela Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication (cuja siga é "swift"). Sua finalidade é identificar uma instituição bancária por meio de um código universal único, que pode ter entre 8 e 11 caracteres. Seus quatro primeiros dígitos informam qual é o banco utilizado, os dois seguintes indicam o país de origem da remessa, e os últimos indicam a unidade específica do banco. Vejamos o comprovante apresentado pelo contribuinte: Verificase que a Recorrente remeteu USD 590.410,45, por meio do Banco do Brasil S.A., no Rio de Janeiro (BRASBRRJRJ1), para o MTU AERO ENGINES GMBH, por meio do BAYERISCHE HYPO UND VEREINSBANK. Como se pode ver, o valor de USD 590.410 corresponde a exatamente 25% de USD 2.361.641, que foi o valor da remessa relativo a ressarcimento do custo de materiais Fl. 169DF CARF MF 6 utilizados, deixando absolutamente claro que o recolhimento a maior por erro da fonte pagadora não recaiu economicamente sobre o beneficiário no exterior, mas sim sobre a Recorrente. Nesse sentido, entendo que o argumento da decisão recorrida não procede. Prosseguindo, na análise das provas, o despacho decisório trouxe esse sumário às fls. 26: Como se vê, o valor recolhido corresponde exatamente àquilo que foi recolhido conforme DARF de fl. 3. Entretanto, a despeito de não constar nos autos a DI correspondente à reimportação das turbinas, após a manutenção das mesmas, as invoices apresentadas deixam absolutamente claro o quanto do valor da remessa corresponde a serviços, e o quanto corresponde a materiais. Senão vejamos a de fl. 36: Inclusive, todas as remessas foram para o mesmo beneficiário do swift analisado acima: O contexto probatório, somado à consciência de que se trata de prática usual do mercado da aviação o envio de turbinas para reparos no exterior, deixa claro o que aconteceu, não havendo justificativa para rejeitar o pleito do contribuinte. Desse modo, por todo o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o crédito no valor de R$ 1.517.794,33. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 11610.005830/200151 Acórdão n.º 1301003.835 S1C3T1 Fl. 5 7 É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 171DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10952.000034/2005-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
Ementa:
IRPF — GLOSA DESPESAS MEDICAS RECIBOS NECESSIDADE COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE DOS TRATAMENTOS
Cabe ao sujeito passivo a comprovação, com documentação idônea, da efetividade da despesa médica utilizada como dedução na declaração de ajuste anual. A Falta da comprovação permite o lançamento de oficio do imposto que deixou de ser pago.
Recurso Negado
Numero da decisão: 2101-000.928
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, per unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos tem nos do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Ana Neyle Olimpio Holanda
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 Ementa: IRPF — GLOSA DESPESAS MEDICAS RECIBOS NECESSIDADE COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE DOS TRATAMENTOS Cabe ao sujeito passivo a comprovação, com documentação idônea, da efetividade da despesa médica utilizada como dedução na declaração de ajuste anual. A Falta da comprovação permite o lançamento de oficio do imposto que deixou de ser pago. Recurso Negado
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A Falta da comprovação permite o lançamento de oficio do imposto clue deixou de ser pago, Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos Os presentes autos. ACORDAM os membros do C7olegiado, per unanitnidade de votos, em negar ptovitnento ao recurso, nos tem mos do voto da R.ekitora -N, 1Âi() MARCOS CAN IDO P 7esidente na e O1impT(1.) olanda Relatora Ed itado em: 08.02 20 1 1 Participaram. do presente julgamento os Conselheiros Ana .Neyle Olimpio Holanda, Caio Marcos Cindido, Alexandre Naoki Nishioka, Jose •Raimundo - tosta dos Santos, Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. Relatório '1 raia o presente processo da auto de infraço, que exige do sujedo passivo acima identificado, credito tributalio ielativo ao imposto sobie a renda das pessoas lisieas (IRPF), referente ao ano-calendatio 2001, exercício 2002, no montante de R$ 3 803,45, acrescido de juros de mota e multa de oficio, poi ter sido detectada deducao indevida de despesas medicas, coin a aplieacAo de multa de oficio i aliquota de 75% e enquadramento legal no il .tigo 8°,11, a, e §§ 2"e 3', da Lei n" 9 250, de 26/12/1995, e .irtigos 43 a 48 da histrucao .Normativa SRFn" 15, de 06/02/2001. A autuaçao motivou-se no fito de o sujeito passivo, regularmente intimado, Rao logrou comprovar a eletividade da realizaçao das despesas medicas, no total de despesas médicas de R$ 16202,60. 3 Cientificado do lançamento, o sujeito passivo apresentou a impugnacao de 01 a 02. 4 De tI. 34, detetminacao do Presidente da 3" Firtma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) para intimar o impuguante a apresentar documentos bancatios, tais como extratos, copias de cheques, recibo de deposito, que comprovem o eletivo pagamento das despesas a que se refere o recibo de R$ 11 000,00, emitido pelo fisioterapeuta Odir Bared() da Costa (lis. 10) Caso os pagamenlos tenham sido efetuados ein espécie, o autuado deverd comprovar o saque baneario em valotes e datas compatíveis coin as despesas declaradas. 5. latimado, o sujeito passivo alega que pagava mensalmente, as vezes semanalmente ou quizenalmente, em espécie, .n.ao lembrando as datas cortetas. 6. Após a providências, a lide foi submetida a julgamento, quando os membros da 3" l'urma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento ein Salvador (BA) acordaram pot dar o lançamento como parcialmente procedente, para restabelecer o valor de despesas medicas que sonumi R$ I. .252,20 de despesas médicas, resumindo set] entendiinento na ementa a seguir transcrita: ji 51!T110 htip0 to S-ohre a Renda de PeAsea Jhka - IRPJ Ano-crdenddiio 2001 DP,S1'.12„S4S AlÍ,DICAS A efi!tividade do paamento de dopes-as- medicos deve ficai connvovada quando 05 valote der/orados sat, cAragcradus estai ern tin vida sohre a idoneidade do icei ho apreentado Lan(amenio Proceden te em Parte 7. Cientilicado aos 28/07/2009, o sideito passivo, inesignado, interp6s, tempestivamente, o recurso volunlario de fis. 48 a 49. 2 Proces() n I 0952 000031/200.5- I I 52-CAT I Acc.")1 ..dio ii " 2101-00„928 ['I. 54 S. .Na petição reeursal o sujeito passivo aduz em sua defesa que fez juntar as provas necessarias ao cancelamento do auto de infração, razdo pela qual requer o exame, visando a decimal- nulo aquele lançamento. Relatório. Voto Conselheira Ana .Neyle 01 Ímpio Holanda, Relatora 0 recurso preendre os requisitos para sua ad.missibilidade, dele tomo conhecimento. A lide que Chega a este colegiado trata de lançamento em virtude de ter sido apurada deduçdo indevida corn despesas médicas de que o sujeito passivo nao logrou comprovar a efetividade, referente ao ano-calendario 2001, exercicio 2002, no montante de R$ 16202,60, sendo que os documentos apresentados não são sulieientes para comprovar realização dos serviços. O colegiado .julgador de primeira instaneia deliberou pelo restabelecimento das despesas medicas no valor de R$ 1.252,20, representadas por recibos aduzidos pelo sujeito passivo Hs,. 03 a 09), cujos valores estdo a seguir enumerados: Insti tuto de Previdência e Assistência Jerônimo Monteiro — R$ 306,20 Clinica de Olhos da Praia — R$ 800,00 II.Zomel Jorge. Pappin — R$ 94,00 Centro de Vacinação da Praia R$ 52,00 Assim, restaram, para a analise deste colegiado, as glosas das despesas medicas a seguir discriminadas: Odir Barcelo da Costa R$ 11.000,00 Antonio ,Lepori Vale - R$ 49,60 'Mônica. Ribeiro • R$ 207,00 Antonio Sergio Pretti. — R$ 2.000,00 Walter Compostrini —R$ 2,000,00 O sujeito passivo fluo apresentou os recibos de prestaçdo de serviços em. nome de Antonio Lepori Vale, .Mônica Ribeiro, Antonio Sergio Pretti e Walter Compostrini, portanto, não se pode considerar os valores declarados, devendo set mantida a glosa perpetrada. Quanto as despesas no total de R$ 11.000,00, que alega o sujeito passivo terem sido pagas ao tisioterapeuta Odir Barcelos da Costa, o recibo apresentado nib especifica as datas dos pagamentos, mas tão somente que seriam do ano 2001. No documento carreado aos autos não está especificada a caracteristica do exame realizado, para que se possa averiguar a pertinência da sua realização pelo profissional medico, vez que, tal espécie dc exames costumam Sei: realizados por laboratórios de análises, pessoas juridicas. Entendo que a apresentação de documentos complementares, que demonstrassem o acompanhamento do paciente, corn a especificação dos pimedimentos realizados, seriam de fundamental importância para comprovar a sua efefivida& Como também, as declarações dos profissionais envolvidos, ratificando a efetiva prestação dos serviços. Diante de tais fatos, necessário scria que o recorrente aduzisse aos autos elementos capazes de demonstrar, inequivocamente, a efetividade da prestação dos serviços declarados, para que fosse Inantida a dedução apresentad a. hnpende observa que as deduções perrnitidas quando da a.puração da -base de cálculo do imposto sobre a renda somente podem ocorrer quando fi car comprovada a sua efetiva realização. E evidente que o legislador não poderia estabelecer que o documento apresentado pelo contribuinte, por si so, fosse suficiente para perrnitir a dedução do gasto .na apuração da base de cálculo do imposto de renda. Tao importante quanto o preenchimento dos requisitos lõrmais do documento comprobatorio da despesa, é a constatação da efetividade do pagamento direcionado ao rim indicado. Isto quer dizer que os documentos relacionados as despesas permitidas como dedução da base de cálculo do imposto sobre a renda não representam urna presunção absolut a. a inquestionável, pois, sempre que necessário, a autoridade tributária poderá exigir do sujeito passivo a comprovação da sua efetividade. Comprovar a eletividade da despesa não é simplesmente apresentai os documentos que lastreiam a dedução. È mais do que isso: na comprovação da efetividade do gasto, devem ser apresentadas as provas da saída dos recursos e a (lest inação coincidente coin o tim. utilizado 0 recibo de prestação dc serviços medicos é uma declaração particular, efetiva entre as partes, para fins de prova de quitação de débitos, mas insuficiente em si mesma, contra tei eenos, como prova do pagamento que atesta, competindo no interessado, cm caso de dúvida, comprová-los através de provas materiais. É o que estabelece o artigo 308 do Código de Process() Civil: Ail 368. As deckm.Kik.N conslantey do documento particular, i to e a ssinado. OU somente presumem- se verdadeiras releNao ao signatário. Paragr•fi.) Quando, todavia, contiver declaiaciio de it:101Iva a determinado Jan). o document° particular prova a r.k.c.larao7o„ mas nao o lino declarado, competindo 00 intefes.sado cm .51/0 veracidade O ciint de provar o /010 Destarte, não apresenta aquele documento qualquer valor probatório ern favor do recorrente, como eta assim o quer.. E, embora tenham sido observadas as formalidades extrínsecas exigidas, não são documentos válidos e capazes de .provar a efetiva pm estação dos .), serviços. 4 ProGcsso ii 0951.0(1003-1/2005- I I S2-CIT I Acóyffion" 21.01-00..928 H. 55 Forte rm ex posto, e de tudo que dos autos consta, somos por negar provimcnto ao recurso voluntario apresentado F. o voto.. Sala das Sessões, em 2 de dezembro de 2010 -Ana N,-yte Olimpt(
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