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Numero do processo: 10880.690968/2009-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO
O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do débito é medida que se impõe.
PROVAS. PRECLUSÃO.
Diante de fatos e razões novas trazidas aos autos, admite-se a juntada posterior de documentos nos termos da letra "c", do §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.058
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Sarah Maria L. de A. Paes de Souza, Diego Weis Jr e Paulo Guilherme Déroulède votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do débito é medida que se impõe. PROVAS. PRECLUSÃO. Diante de fatos e razões novas trazidas aos autos, admite-se a juntada posterior de documentos nos termos da letra "c", do §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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Recorrente COMPANHIA DO METROPOLITANO DE SAO PAULO METRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do débito é medida que se impõe. PROVAS. PRECLUSÃO. Diante de fatos e razões novas trazidas aos autos, admitese a juntada posterior de documentos nos termos da letra "c", do §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Sarah Maria L. de A. Paes de Souza, Diego Weis Jr e Paulo Guilherme Déroulède votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 09 68 /2 00 9- 56 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10880.690968/200956 Acórdão n.º 3302005.058 S3C3T2 Fl. 3 2 Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação), cujo crédito provém de pagamento indevido ou a maior de PIS/PASEP não cumulativo. Por intermédio do Despacho Decisório eletrônico emitido pela unidade de origem, a compensação declarada não foi homologada, tendo em vista a inexistência do crédito. Ciente desta decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de inconformidade alegando em síntese: Apurou e recolheu PIS/PASEP não cumulativo incluindo na base de cálculo do tributo, de forma indevida, montante referente a juros e variações monetárias ativas; Desta forma, faz jus ao crédito de PIS/PASEP não cumulativo calculado sobre os juros e as variações monetárias; Retificou o DACON c a DCTF, para fins de informar a correta base de cálculo de PIS/PASEP não cumulativo; Requer a homologação da compensação declarada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 1632.942. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após regularmente cientificada, apresentou, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade e apresenta diversos documentos com vistas a comprovar o direito pleiteado. Ao final requer que não sendo possível a análise da documentação apresentada, que seja a mesma remetida à instância de origem, para que sobre ela se pronuncie a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.037, de Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10880.690968/200956 Acórdão n.º 3302005.058 S3C3T2 Fl. 4 3 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.690947/200931, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.037): "Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da preclusão probatória Argui o recorrente que apurou e recolheu o PIS/PASEP nãocumulativo de 10/2004 incluindo na base de cálculo do tributo, de forma indevida, montante referente a juros e variações monetárias ativas, fazendo jus, portanto ao crédito de PIS/PASEP não cumulativo calculado sobre os juros e as variações monetárias. Ressalta ainda em favor de sua tese que retificou o DACON c a DCTF, para fins de informar a correta base de cálculo do PIS/PASEP não cumulativo. Ocorre que ao apresentar a Manifestação de Inconformidade, momento processual que instaura a lide administrativa, não comprovou perante o órgão a quo com documentos hábeis e idôneos o recebimento dos referidos juros e variações monetárias ativas e, tampouco que os mesmos compuseram a base de cálculo do tributo, ensejando, por conseguinte pagamento a maior. Quando da apresentação do recurso voluntário acosta documentos não apresentados quando da manifestação de inconformidade. Nesse sentido cabem os seguintes esclarecimentos. A juntada posterior ao momento impugnatório, de provas ao processo somente encontra amparo se comprovadas às condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, abaixo transcrito: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10880.690968/200956 Acórdão n.º 3302005.058 S3C3T2 Fl. 5 4 recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito)(grifei). Por oportuno registrese que o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, prescreve em seu art. 9º que [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito]. Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. Observase que a norma acima destacada é clara ao estabelecer o momento processual a serem carreadas as provas aos autos, pelo contribuinte, a fim de subsidiar o julgador com os elementos probatórios que possibilitem a livre convicção motivada na apreciação das provas dos autos, conforme é assegurado pelo 1art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972. No presente caso, como já demonstrado, o contribuinte deixou de apresentar quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, documento comprobatório quanto aos créditos pleiteados. Quanto ao ato de provar pondera 2Fabiana: Mediante a atividade probatória compõese a prova, entendida como fato jurídico em sentido amplo, que é o relato em linguagem competente de evento supostamente acontecido no passado, para que, mediante a decisão do julgador, constituase o fato jurídico em sentido estrito, desencadeando os correspondentes efeitos. (...) Iso não significa, contudo, que para provar algo basta simplesmente juntar um documento aos autos. É preciso estabelecer relação de implicação entre esse documento e o fato que se pretende provar. A prova decorre exatamente do vínculo entre o documento e o fato probando.(grifei). Nesse mister, os documentos apresentados somente em sede recursal, visando comprovar os aludidos créditos não encontram respaldo nas disposições excepcionais previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, visto que sequer demonstra o recorrente estar abrigado em uma das hipóteses excepcionais disciplinadas nas alíneas de "a" a "c" do artigo 16, acima já reproduzidos. Na linha acima expendida revelase incabível devolver os autos à instância a quo para a análise dos documentos apresentados, já que deixaram de ser oportunamente apresentados à referida instância. 1 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. 2 Tomé, Fabiana Del Padre, A prova no Direito Tributário, São Paulo:Noeses, 2005, págs:177/178. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10880.690968/200956 Acórdão n.º 3302005.058 S3C3T2 Fl. 6 5 Tendo em vista que em votação, a maioria dos conselheiros acolheu apenas a conclusão desta relatora, seguem abaixo reproduzidos, conforme determina o artigo 63, § 8º do Anexo II do RICARF, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros. Por entender aplicável ao presente caso a norma prevista na letra "c", do §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72 que, diante de fatos e razões novas trazidas aos autos, admite a juntada posterior de documentos, os demais Conselheiros decidiram afastar a preclusão aplicada pela i. Relatora. Isto porque, diferentemente do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação por inexistência do crédito, a matéria concernente a comprovação da origem dos créditos apurados pela Recorrente somente foi trazida aos autos quando do proferimento da decisão combatida, oportunizando, assim, a Recorrente contrapor os fatos novos com a juntada de documentos que entendese necessário para tanto. Por este motivo, restou decidido pelos demais Conselheiros afastar a preclusão e admitir a análise dos documentos juntados pela Recorrente em seu recurso voluntário. Pois bem. Em sede recursal a Recorrente trouxe as seguintes alegações de mérito: "A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo Capital indeferiu a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente sob o argumento de que competia a ela apresentar documentos contábeis e fiscais que comprovassem o recolhimento a maior do tributo cuja homologação de compensação for requerida mas esta não os apresentou. (...) Nestas condições, em que a exigência do crédito tributário deve se pautar pelo princípio da verdade material, com base no mesmo princípio dever apurado o crédito reclamado pela Recorrente, razão pela qual a ela deve ser reconhecido o direito de trazer aos autos do presente processo, mesmo em sede de Recurso Voluntário, os documentos fiscais e contábeis que demonstram a sua existência, para seja homologada a compensação por ela realizada. Juntamente com suas razões recursais a Recorrente carreou aos autos os seguintes documentos para comprovar seu pretenso direito: (i) PER/DCOMP; (ii) Comprovantes de arrecadação; e (iii) planilhas e livros diário geral. Entretanto, constatase que no recurso interposto pela Recorrente não há uma linha argumentativa demonstrando a composição/origem do crédito perseguido pelo contribuinte, limitando, suas alegações, apenas em relação ao direito de juntar documentos em sede recursal. Ora, caberia a Recorrente explicitar, ainda que de forma concisa, a composição/origem do crédito e, apontar quais documentos dão suporte às suas alegações, nada neste sentido foi realizado pela Recorrente. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10880.690968/200956 Acórdão n.º 3302005.058 S3C3T2 Fl. 7 6 Ressaltase que o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC3). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do débito é medida que se impõe. Deste modo, tornase imprestável os documentos juntados pela Recorrente para o fim de comprovar o direito ao crédito, motivo pelo qual os demais Conselheiros acompanharam a i. ilustre Relatora pelas conclusões. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède 3 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor Fl. 101DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.001207/2007-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
IMPOSTO DE RENDA PESSOA A FÍSICA. DEDUÇÃO COM DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO POR MEIO DE DOCUMENTOS IDÔNEOS.
Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, e devem se referir às despesas do contribuinte ou de seus dependentes.
CABE AO INTERESSADO APRESENTAR PROVAS DE SEU DIREITO. AFASTAMENTO PARCIAL DA GLOSA EFETUADA.
O contribuinte obrou comprovar parte de seu direito por documentos idôneos que demonstrem a possibilidade de afastar a glosa do Imposto de Renda, podendo ser restabelecida as deduções naquilo que foi comprovando, sendo, contudo, mantida a exigência fiscal naquilo que não preenchem as exigências legais.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-005.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para afastar a glosa no valor de R$ 14.368,00, mantendo as demais glosas lançadas.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Bellini Junior, Andréa Brose Adolfo, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 IMPOSTO DE RENDA PESSOA A FÍSICA. DEDUÇÃO COM DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO POR MEIO DE DOCUMENTOS IDÔNEOS. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, e devem se referir às despesas do contribuinte ou de seus dependentes. CABE AO INTERESSADO APRESENTAR PROVAS DE SEU DIREITO. AFASTAMENTO PARCIAL DA GLOSA EFETUADA. O contribuinte obrou comprovar parte de seu direito por documentos idôneos que demonstrem a possibilidade de afastar a glosa do Imposto de Renda, podendo ser restabelecida as deduções naquilo que foi comprovando, sendo, contudo, mantida a exigência fiscal naquilo que não preenchem as exigências legais. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para afastar a glosa no valor de R$ 14.368,00, mantendo as demais glosas lançadas. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Bellini Junior, Andréa Brose Adolfo, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1562; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 320 1 319 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.001207/200702 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.202 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 7 de março de 2018 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente ANARITA ALVES GAMA DE ARAGÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 IMPOSTO DE RENDA PESSOA A FÍSICA. DEDUÇÃO COM DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO POR MEIO DE DOCUMENTOS IDÔNEOS. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, e devem se referir às despesas do contribuinte ou de seus dependentes. CABE AO INTERESSADO APRESENTAR PROVAS DE SEU DIREITO. AFASTAMENTO PARCIAL DA GLOSA EFETUADA. O contribuinte obrou comprovar parte de seu direito por documentos idôneos que demonstrem a possibilidade de afastar a glosa do Imposto de Renda, podendo ser restabelecida as deduções naquilo que foi comprovando, sendo, contudo, mantida a exigência fiscal naquilo que não preenchem as exigências legais. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para afastar a glosa no valor de R$ 14.368,00, mantendo as demais glosas lançadas. (assinado digitalmente) João Bellini Junior – Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 12 07 /2 00 7- 02 Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10640.001207/200702 Acórdão n.º 2301005.202 S2C3T1 Fl. 321 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Bellini Junior, Andréa Brose Adolfo, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por ANARITA ALVES GAMA DE ARAGÃO, contra o acórdão de julgamento n.º 0918.611 (fls. 255/269), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de ForaMG (1ª Turma da DRJ/JFA), que julgou procedente o auto de lançamento e improcedente a impugnação, decorrentes de fiscalização e autuação na quantia de R$24.184,17, acrescidos de juros e multas. O citado lançamento de fiscalização levada a efeito ocorreu quando foi efetuada a glosa das deduções de despesas médicas na Declaração Anual de Imposto de Renda 2005, nos valores especificados na fl. 13. Ficou constatado no Termo de Verificação Fiscal (fl. 23), as seguintes glosas, dos respectivos profissionais: O Termo de verificação Fiscal constatou irregularidades nas informações prestadas pelo profissional Eduardo de Paula Sarchis, do qual extraiuse que todos os contribuintes que apresentaram recibos deste profissional tiveram abertura de processo de representação fiscal para fins penais, o que acarretou na multa qualificada de 150%. Alegou a recorrente que o referido profissional, apesar da flagrada inconsistência, afirma ter prestado o serviço, e que a fiscalização não poderia simplesmente presumir que não houve a prestação de serviço com o efetivo pagamento. Quanto às demais glosas, cabe transcrever a constatação da fiscalização (fl 29): "Em relação ao anocalendário de 2004, inclusive por se encontrar em malha, utilizou os beneficiários "Débora Barreto de Almeida" CPF 055.163.49605,valor de RS6.000,00, recibos emitidos de janeiro a dezembro, dito como tratamento Odontológico, "Daniela de Cássia S. Almeida'', CPF 008.450.20617, valor RS9.500,00, recibos emitidos de março a setembro. Também especificado Como tratamento odontológico, em nome de Pamela Gama de Aragão 170, data de nascimento 22/02/90, Marco Aurélio Veiga de Melo, valor de RS15.000,00, recibos emitidos de janeiro a outubro, também dito como tratamento odontológico. Ainete R. Brilhante Narciso, CPF 284.069.66653. recibos emitidos de janeiro a Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10640.001207/200702 Acórdão n.º 2301005.202 S2C3T1 Fl. 322 3 junho (RS420,00), janeiro a novembro (RS2.052,00), janeiro a agosto (RS560,00), janeiro a novembro (RS5.073.00). cujos valores da referida emitente totalizaram R$ 8.015,00, dito como tratamento Psicólogo. Os valores constam dos demonstrativos acima, e não tiveram seus pagamentos comprovados, inclusive não apresentou entrega de documentação de serviços supostamente Esclarecemos que a simples apresentação de recibos. sem comprovação do efetivo pagamento das supostas despesas aos beneficiários mencionados, via cópia de cheques ou transferência bancária, e a comprovação da efetiva prestação de serviço, conforme consta de valor incompatível em relação ao preço médio, caracterizam falta de entrega dos recursos ao emitente". Nesse sentido, foi julgada totalmente improcedente a impugnação do contribuinte, por não ter apresentado prova idônea dos efetivos pagamentos, desconsiderando os recibos apresentados, bem como das demais declarações e documentos apresentados pelo Contribuinte, conforme transcreve se parte do voto: "(...) Os recibos e declarações dos profissionais por si sós não foram considerados como provas incontestes pela autoridade fiscal, que respaldada cm dispositivos legais. intimou a contribuinte a comprovar a efetividade dos pagamentos. que se limitou a informar que tais pagamentos foram efetuados em espécie e em cheques de pequeno valor, argumento não aceito pela autoridade autuante e sequer por este julgador: não há nenhuma proibição que se façam pagamentos em espécie, em contrapartida o usual é que a maioria dos pagamentos sejam leitos em cheques, depósitos bancários, transferências entre contas, etc. Podese também comprovar o pagamento em espécie mediante saques bancários com datas e valores próximos aos que constam dos recibos por meio dos quais se quer comprovar algo. Nada disto a contribuinte apresentou. Os extratos bancários apresentados não fornecem esses dados, tal como anteriormente discriminados". A recorrente apresenta seu recurso em suma argumentando que a grande maioria dos pagamentos dos profissionais citados, foram em espécie, bem como apresenta uma série de demonstrativo de pagamentos por meio de cheques, alguns de maneira não tão clara, com a seguinte relação do seu recurso: "(...) A cópia do cheque de n 441408 de 2 de abril de 2004, Banespa no valor de R$ 800,00, compensado no dia 8 de abril, depositado no banco do Brasil,apesar do valor não estava nominal. (doc.01); A cópia do cheque de n 441409 05 de abril de 2004, no valor de R$ 600,00 compensado dia 07, não dá para ler o nome do beneficiário. (doc.02); Apresento cópias das solicitações de cheques efetuadas junto aos bancos citados acima, onde marquei os que ainda não recebi; (doc. 03) No mês de janeiro, o somatório dos saques totalizou R$4360,00 e o pagamento dos recibos foram R$ 3494,00; No mês de fevereiro, saque no Banco do Brasil de R$ 1500,00 e no Banespa de R$ 5000, 00, fora os cheques e o pagamento aos profissionais liberais pelo atendimento somaram R$3550,00; (doc. 04) No mês de março, saque no Banco do Brasil no valor R$ 2100,00 e saque de cheque efetuado pelo meu marido no valor de R$ 2916,00(doc.04) e o pagamento de recibos no valor de R$ 5021,00; Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10640.001207/200702 Acórdão n.º 2301005.202 S2C3T1 Fl. 323 4 No mês de abril, saques no valor de R$ 3960,00 e cheques no valor R$ 8004,21,00 e pagamentos de recibos no valor R$ 5014,00; No mês de maio, saques no valor de R$ 1760,00 e em cheques R$ 4180,00 e valor pago em recibos R$4914,00; No mês de julho, saques no valor de R$ 1600,00 e cheques R$ 3992,72 e valor pago em recibos R$5171,00; No mês de julho, saques no valor de R$ 1600,00 e cheques R$ 4582,87, o valor pago em recibos R$ 5073,00; No período de agosto a dezembro, realizei saques em dinheiro no valor R$ 7140, 00, não estou informando os saques realizados no mês novembro e dezembro no Banespa por falta de extratos, cheques no valor R$ 8408,46,venda da Blazer por R$ 17000,00, retirada da Poupex no valor R$ 1641,00, o gasto com recibos totalizaram R$ 16.014,00;" (sic). Em suma é o que alega, pedindo para que seja reconhecido todos seus pagamentos. Diante dos fatos apresentados, é o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha relator O Recurso Voluntário foi interposto tempestivamente. Portanto, deve ser conhecido. Sendo assim, passo a analisar o mérito. A Lei nº 9.250/95, em seu art. 8º, inciso II, “a”, e § 2º , incisos I a V, cujos dispositivos seguem abaixo transcritos, estabelece que: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: [...] II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ....... § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10640.001207/200702 Acórdão n.º 2301005.202 S2C3T1 Fl. 324 5 III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. (grifouse). A recorrente em seu recurso apresenta uma série de cópias de cheques não nominais, mas que diz ser para pagamento dos profissionais. Ao final do seu recurso a Contribuinte informa o seguinte: "Acreditava com as cópias dos cheques pudessem identificar o profissional, infelizmente não posso afirmar que cheques foram dados a tal profissional, pois as cópias dos cheques não constam o seu nome, uma vez que nunca coloco cheque nominal, pois muitas vezes os beneficiários fazem pagamentos de material com eles; absurdo foi o Banco do Brasil receber depósito em cheques de valor de R$ 800,00 (doc 01) sem estar nominal". Grifase. Nesse sentido, a própria recorrente confessa não saber se os cheques emitidos foram para tais profissionais. Em que pese a afirmação contundente e até sincera da recorrente, fica difícil a esse julgador promover tais cheques a pagamentos dos profissionais citados. Por outro lado, há farta documentação no processo administrativo de alguns profissionais que prestaram os serviços como recibos, declarações e laudos que poderia ensejar a interpretação de pagamento, mediante dinheiro dos procedimentos realizados à recorrente. Contudo, esclareço o seguinte. Os recibos emitidos por Eduardo de Paula Sarchis, para tratamento de fisioterapia (fl. 57), são inviáveis sua aceitação, tendo em vista a informação da fiscalização de que os recibos emitidos por este profissional a todos os contribuintes que apresentaram esses comprovantes não seriam verdadeiros. Em que pese a Declaração de fl. 145, dando conta que esse profissional prestou os serviços, bem como a informação de recebimento dos valores em espécie, existe a abertura de processo administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais (fl. 97) para checar a veracidade das informações. A recorrente também alega que esse não seria motivo para presumir o não recebimento dos valores. Contudo, entendo não ser razoável aceitá los como comprovantes de pagamento. Caso houvesse alguma conclusão favorável à Recorrente no processo citado, deveria esta trazer a este feito que ora se debate, com o intuito de validar suas argumentações. Portanto, compreendo não estarem provadas as despesas mencionadas. Os recibos emitidos por Anete R. Brilhante Narciso (fls. 79 a 85), no que dizem respeito a tratamento piscoterápicos, são relativos a atendimentos familiar, bem como para tratamento de sua filha. O dispositivo legal determina que seja para tratamento próprio ou de seu Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10640.001207/200702 Acórdão n.º 2301005.202 S2C3T1 Fl. 325 6 dependente. Contudo, não é possível concluir sobre quem recebeu o procedimento terapêutico, em especial quando a profissional cita "tratamento de sua filha". Isso porque, conforme informado pela própria Contribuinte esta possui mais de uma filha, e não é possível definir para quem foi o tratamento realizado e se ainda seria de fato sua dependente. Segundo se constata dos recibos de fls. 59, 61 e 63 não constam para quem foi realizado o tratamento odontológico. Apesar da declaração emitida pela Sra. Débora Barreto de Almeida, os recibos não preenchem integralmente as exigências legais, faltando informação para quem se destinou o tratamento custeado. Por outro lado, verificando de toda a documentação juntada, entendo que há recibos que preencheram as exigências legais. Senão vejamos. Os recibos emitidos por Daniella de Cássia (dentista) nas fls. 65 e 67 foram destinados a tratamento de Pamela Gama de Aragão. Consta do processo administrativo na DIRPF (fl. 47) que a pessoa indicada é dependente da Recorrente, somada a Declaração de fl. 227 e do relatório da fl. 231, entendo ser possível restabelecer a dedução das despesas havidas com esse tratamento, na quantia de R$9.295,00. Os recibos emitidos por Anete R. Brilhante Narciso (fls. 89, 91 e 93), consta que são para seu tratamento individual, podendo ser deduzido no imposto de Renda, os quais totalizando a quantia de R$5.073,00, da dedução realizada. Nesse sentido, concluo que quanto a estas glosas a Contribuinte conseguiu comprovar os pagamentos realizados, somada a tentativa de demonstrar as movimentações financeiras da recorrente. Assim, compreendo que de toda a documentação juntada ao feito, deve ser afastada a glosa na quantia de R$ 14.368,00. Referente aos demais recibos, entendo que não foram preenchidos os requisitos legais. Nesse sentido, o contribuinte deve comprovar de forma idônea as deduções pretendidas, consoante prescreve o artigo 73 e § I o do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999, aprovado pelo Decreto n.° 3.000, de 26 de março de 1999, estabelece que: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10640.001207/200702 Acórdão n.º 2301005.202 S2C3T1 Fl. 326 7 No que diz respeito aos comprovantes de pagamento, cito a Instrução Normativa n.º 1.500, de 2014, da Receita Federal do Brasil, em que seu artigo 97, dispõe o seguinte: "Art. 97. A dedução a título de despesas médicas limitase a pagamentos especificados e comprovados mediante documento fiscal ou outra documentação hábil e idônea que contenha, no mínimo: I nome, endereço, número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou CNPJ do prestador do serviço; II a identificação do responsável pelo pagamento, bem como a do beneficiário caso seja pessoa diversa daquela; III data de sua emissão; e IV assinatura do prestador do serviço". A Instrução Normativa impõe alguns requisitos para o aceite do recibo (comprovante) emitido por profissional. Deve constar que o tratamento seja específico para a Declarante ou para sua dependente, contenha informações de que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu, somada a informação da sua inscrição no Conselho Profissional. Esses elementos se ajustam com as exigências da legislação em vigor, bem como às imposições da Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme a Instrução Normativa n.º 15 de 2001, da SRFB, em seu artigo 46, assim impõe: "IN SRF 15, de 2001 INSRF15, de 2001. Art.46.A dedução a título de despesas médicas é condicionada a que os pagamentos sejam especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, a comprovação ser feita com a indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento". Assim, concluo que parte da documentação pode ser aceita para comprovação das despesas médicas havidas pela recorrente e sua dependente. Contudo, em relação as demais deduções não vislumbrei comprovantes que preenchem os requisitos legais. Conclusão Em face do exposto, voto por CONHECER e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para afastar a glosa no valor de R$ 14.368,00, mantendo as demais glosas lançadas e por consequência a exigência fiscal remanescente. É como voto. (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator. Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10640.001207/200702 Acórdão n.º 2301005.202 S2C3T1 Fl. 327 8 Fl. 327DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.922521/2013-38
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA ALHEIA À MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE OU AO ACÓRDÃO RECORRIDO. PRECLUSÃO.
É precluso o direito de se apresentar argumentos que não tenham sido suscitados na manifestação de inconformidade e na decisão recorrida.
RECURSO NÃO APRESENTA NOVAS RAZÕES. DECISÃO RECORRIDA. MANUTENÇÃO PELOS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS.
O recorrente, afora os argumentos não suscitados na decisão recorrida, apresenta recurso que basicamente repete e reitera as razões da manifestação de inconformidade. Nestes termos, cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador da segunda instância, pelo Regimento Interno do CARF, da proposta de manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos.
Numero da decisão: 3001-000.245
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer em relação à preclusão do direito de defesa, vencido o conselheiro Renato Vieira de Avila que conheceu totalmente do Recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2012 RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA ALHEIA À MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE OU AO ACÓRDÃO RECORRIDO. PRECLUSÃO. É precluso o direito de se apresentar argumentos que não tenham sido suscitados na manifestação de inconformidade e na decisão recorrida. RECURSO NÃO APRESENTA NOVAS RAZÕES. DECISÃO RECORRIDA. MANUTENÇÃO PELOS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. O recorrente, afora os argumentos não suscitados na decisão recorrida, apresenta recurso que basicamente repete e reitera as razões da manifestação de inconformidade. Nestes termos, cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador da segunda instância, pelo Regimento Interno do CARF, da proposta de manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos.
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MATÉRIA ALHEIA À MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE OU AO ACÓRDÃO RECORRIDO. PRECLUSÃO. É precluso o direito de se apresentar argumentos que não tenham sido suscitados na manifestação de inconformidade e na decisão recorrida. RECURSO NÃO APRESENTA NOVAS RAZÕES. DECISÃO RECORRIDA. MANUTENÇÃO PELOS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. O recorrente, afora os argumentos não suscitados na decisão recorrida, apresenta recurso que basicamente repete e reitera as razões da manifestação de inconformidade. Nestes termos, cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador da segunda instância, pelo Regimento Interno do CARF, da proposta de manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer em relação à preclusão do direito de defesa, vencido o conselheiro Renato Vieira de Avila que conheceu totalmente do Recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 25 21 /2 01 3- 38 Fl. 56DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 0258.360, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG DRJ/BHE que, em sessão de julgamento realizada no dia 29.07.2014, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconheceu o direito creditório postulado e, por decorrência, não homologou a compensação pleiteada. Dos fatos Por bem sintetizar os fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido (efls. 30 a 37): Relatório DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório com número de rastreamento 57873093, emitido eletronicamente em 02/08/2013, referente ao PER/DCOMP nº 35404.13799.190413.1.3.048242. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS, Código de Receita 2172, no valor de R$7.828,97, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 25/04/2012. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que a alegação de que não restou crédito disponível não pode ser entendida como fundamento para o DD; que a autoridade administrativa quedouse inerte na análise de qualquer situação que legitima o crédito postulado; que o processo administrativo no âmbito federal tem regulamentação própria e deve ser observada pela autoridade julgadora; Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10880.922521/201338 Acórdão n.º 3001000.245 S3C0T1 Fl. 57 3 que a Lei 9784, de 1999, no art. 2, inciso VIII, dispõe, entre outros, sobre os princípios da legalidade, motivação e observância das formalidades; que a autoridade não se deu nem sequer ao trabalho de motivar seu despacho; que se torna evidente que a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, porque o crédito propriamente dito nem sequer foi apreciado; que a autoridade administrativa limitouse a verificar se o pagamento realizado estava disponível em seus sistemas; que diversas situações que acarretariam na restituição do valor recolhido, seja pela inclusão indevida de valores na base de cálculo, seja por erro de fato na apuração do imposto, seja por situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo, hipóteses que são regulamentadas pela IN 1.300/2012; que a autoridade administrativa furtouse em analisar qualquer das possibilidades que ensejaria a restituição postulada; que simplesmente não homologar a compensação sem explicar os motivos da suposta indisponibilidade do crédito, torna a decisão totalmente nula, por não oferecer os elementos necessários para que a empresa possa promover sua defesa e a prova da existência deste crédito; que houve cerceamento de direito de defesa, porque a autoridade nem sequer intimou a empresa a prestar os esclarecimentos necessários; em observância ao princípio constitucional da eficiência, a administração está obrigada a intimar o interessado a fazer os esclarecimentos necessários e comprovar o alegado, sempre que lhe restar dúvidas; que ficou impossibilitada a oportuna apresentação de prova do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe o motivo do indeferimento, tampouco a impugnante; há de ser aplicada a regra autorizadora da produção posterior de provas, para o momento em que a lide esteja delineada em seus termos. Ao final, pedese que seja determinada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, que seja acatada a preliminar de nulidade, que sejam promovidas as diligências necessárias à comprovação do crédito, que este seja reconhecido e que a compensação seja homologada. Da decisão de 1ª Instância Fl. 58DF CARF MF 4 A 2ª Turma da DRJ/BHE, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou citado acórdão, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2012 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do recurso voluntário Irresignado com os termos do acórdão vergastado, o requerente interpôs recurso voluntário. Saliento, de plano, que referida peça é composta por dois conjuntos de argumentos, um primeiro no qual aduz que a autoridade administrativa deixou de apreciar o processo judicial 001862627.2013.4.03.6100, que segundo alega, está em trâmite na 22ª Vara Federal da Capital/SP e que julgou o pedido procedente, bem como determinou a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins do recorrente; e um segundo em que, fazendo uso de outras palavras, desenvolve os mesmos questionamentos, ou seja, aqueles já apresentados na sua manifestação de inconformidade. No que confere identidade com as alegações suscitadas em ambas as peças (manifestação de inconformidade e recurso voluntário), a fim de evidenciála, tomo a liberdade de transcrever os itens do recurso voluntário a seguir, ipsis litteris: (...) 11. Pois bem, no despacho que indeferiu o pedido da recorrente ficou consignado; A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando credito(sic) disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Grifei 12. Dessa forma, estamos diante de um ato administrativo vinculado, sendo necessário preencher os requisitos atribuídos por lei, isto é, não houvera a fundamentação de quais foram os pagamentos localizados, visto que simplesmente noticia por meio da margem da discricionariedade que foram localizados um ou mais pagamentos. 13. Dessa forma, a violação de qualquer dos princípios da Administração ou do direito administrativo, assim como suas regras, pode inibir a edição do ato, a violação isolada ou conjuntamente, sugere o exercício do controle dos atos da Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10880.922521/201338 Acórdão n.º 3001000.245 S3C0T1 Fl. 58 5 administração, seja por meio da aplicação dos princípios da auto tutela e tutela. 14. Deve a Recorrida rever seus próprios atos, seja para revogá los (quando inconvenientes) seja para anulálos (quando ilegais). "..." (Sumula(sic) 473 do Supremo Tribunal Federal))(sic). 15. A atuação administrativa desconforme, ou contraria aos princípios enunciados, carreta (sic), por isso, ao ato a invalidade dos efeitos almejados pelo agente ou pela Administração. 16. Como sabemos, a Constituição da República, em norma revestida de conteúdo VEDATÓRIO (CF, art. 5º, LVI), desautoriza, por incompatível com os postulados que regem uma sociedade fundada em bases democráticas (CF, art. 1º), qualquer prova cuja obtenção, pelo Poder Público, derive de transgressão a cláusulas de ordem constitucional, repelindo, por isso mesmo, quaisquer elementos probatórios que resultem de violação do direito material (ou, até mesmo, do direito processual), não prevalecendo, em consequência, no ordenamento normativo brasileiro, em matéria de atividade probatória, a fórmula autoritária do 'male captum, bene retetum'.(sic) 18.(sic) Assim, esse tipo de procedimento que indeferiu o pedido do contribuinte por meio de um ato discricionário e noticia que foram localizados um ou mais pagamentos, por meio de sua administração tributária, vais ao desencontro aos postulados consagrados pela Constituição da República, e revelamse inaceitáveis e não são corroborados pelo Supremo Tribunal Federal, conforme jurisprudência in verbi(sic): (...) Do encaminhamento O presente processo digital, então, foi encaminhado para ser analisado por este CARF na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da tempestividade O contribuinte em 03.11.2015, segundo o "Termo de Abertura de Documento", tomou conhecimento do acórdão de manifestação de inconformidade (efl. 40). Fl. 60DF CARF MF 6 Irresignado com a referida decisão, o recorrente em 02.12.2015, conforme o "Termo de Análise de Solicitação de Juntada" (efl. 54), registrou a solicitação de juntada do recurso voluntário apresentado (efls. 43 a 53). No caso, compulsando as datas acima destacadas e confrontandoas com a legislação processual de regência, concluise que o recurso voluntário é tempestivo. Do não conhecimento Proferida decisão de primeira instância administrativa que seja total ou parcialmente desfavorável ao contribuinte, desta caberá recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do artigo 33 do Decreto 70.235 de 06.03.1972: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. O dispositivo acima transcrito não deixa dúvida de que os motivos de fato ou de direito, os pontos de discordância e as razões e provas que o sujeito passivo possuir devem ser apresentados em sede de impugnação/manifestação de inconformidade. Quanto ao recurso voluntário, este deve ser interposto em face da decisão de piso (recorrida), restando precluso o direito de se trazer argumentos que não tenham sido suscitados na impugnação/manifestação de inconformidade ou no decisum a quo. No entanto, compulsando a manifestação de inconformidade e o recurso voluntário constatase, conforme já evidenciado no relatório deste acórdão, que, ainda que em sede de manifestação de inconformidade o recorrente tenha se ocupado em rebater as razões de decidir do despacho decisório, para nela suscitar o acatamento das diversas preliminares aduzidas, no intuito de pretender a declaração de nulidade do despacho, por entender que este está eivado de vício insanável, em face da suposta ausência da exposição dos fundamentos que culminaram com a não homologação da compensação declarada, bem assim, para que fosse determinada a remessa dos autos para a unidade de origem, a fim de esta realizar as diligências necessárias à comprovação do alegado crédito, no recurso voluntário, para além de reprisálas circunstância que será devidamente tratada no próximo tópico, traz argumento sobre o qual foi silente na manifestação de inconformidade, qual seja, a que diz respeito ao fato de que "a autoridade administrativa" deixar "apreciar o processo judicial em tramite(sic) na 22ª Vara Federal da Capital/SP, processo n. 001862627.2013.4.03.6100, que julgou o pedido procedente, bem como determinou a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins". Vejase que, embora desprovidos de consistência, não há como conhecer do argumento contido no recurso voluntário que trata do aventado processo judicial 0018626 27.2013.4.03.6100, eis que a questão nele abordada não foi objeto da manifestação de inconformidade, tampouco da decisão recorrida. Isto porque não pode o recorrente modificar o pedido ou invocar outra causa petendi (causa de pedir) nesta fase do contencioso administrativo, sob pena de violação do princípio da congruência e ofender aos preceitos gravados nos artigos 16 e 17 do Decreto 70.235 de 1972 e nos artigos 141, 223, 329 e 492 do Código de Processo Civil, mormente quando falece razão para somente agora trazer aduzir estes novos questionamentos. Por decorrência, a matéria ventilada no recurso voluntário deve limitarse àquela trazida pelo recorrente em sua manifestação de inconformidade, posto que é defeso à parte contrária ser surpreendida com novos argumentos nesta fase processual, sob pena de violar o princípio do contraditório e da ampla defesa, da supressão de instância e da lealdade Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10880.922521/201338 Acórdão n.º 3001000.245 S3C0T1 Fl. 59 7 processual, que deve preponderar entre as partes e ser incentivada e supervisionada pelo órgão julgador. Da manutenção dos fundamentos da decisão recorrida Dispõe o artigo 57 do Anexo II do RICARF (Portaria MF 343 de 09.06.2015), in verbis: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: (...) § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. (...) § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) (grifei) Nos termos do faculdade garantida ao julgador do colegiado ad quem, pela norma acima transcrita e, em especial, a grifada, a decisão recorrida deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos no que se refere (i) ao pedido de posterior juntada de prova e realização de diligência, (ii) à arguição de nulidade do despacho decisório, (iii) à motivação do despacho decisório, (iv) à falta de intimação para prestar esclarecimentos e, por fim, (v) ao ônus da prova, razão pela qual transcrevo na íntegra seu voto condutor. Vejamos: Voto A manifestação de inconformidade é tempestiva e dela tomase conhecimento. PEDIDO DE POSTERIOR JUNTADA DE PROVA E DILIGÊNCIA O momento oportuno para a juntada de provas em que se fundamentam as alegações é quando da apresentação da impugnação (art. 15 do Dec. n.º 70.235, de 1972). O § 4º e o § 5º do art. 16 do Dec. n.º 70.235, de 1972, instituídos pelo art. 67 da Lei n.º 9.532, de 10 de dezembro de 1997, estabelecem a preclusão da juntada de prova documental depois de trazida a impugnação, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Sem a comprovação da ocorrência de uma dessas condições, não há falar em juntada de novos documentos. Fl. 62DF CARF MF 8 Alegase que a apresentação de provas não foi possível, porque o interessado não sabe o motivo da não homologação da compensação. O alegado desconhecimento não se justifica, conforme se demonstra no tópico seguinte deste voto. Da mesma forma, considerase não formulado o pedido de diligência que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Dec. n.º 70.235, de 1972, acrescido pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748, de 09 de dezembro de 1993 (§ 1º do mesmo art. 16). O pedido de diligência deve conter os motivos que o justifiquem e os quesitos referentes aos exames desejados, não sendo admitido quando efetuado de forma genérica. De toda sorte, o pedido de diligência deve ser indeferido, por ser prescindível. Não cabe a realização de diligência para sanar a insuficiência de prova das alegações do contribuinte. A diligência só se justifica quando há dúvida diante dos fatos; ela visa a fornecer ao julgador informações necessárias para a formação da sua convicção que não estejam a sua disposição. No caso, há nos autos elementos suficientes para a solução da lide. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO Quanto à argüição de nulidade do despacho, ela é descabida. A matéria é regida pelos arts. 59 e 60 do Dec. n.º 70.235, de 1972, abaixo transcritos: "Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ................................................... Art. 60 As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." O despacho contestado não é nulo, porque não observadas as hipóteses do inciso II do art. 59 acima transcrito. O ato foi lavrado por autoridade competente e não houve preterição do direito de defesa. A alegada falta de motivação do despacho não se confirma e a falta de intimação prévia não prejudica a defesa, conforme será demonstrado em tópico mais adiante deste voto. Outras irregularidades, incorreções e omissões não importam nulidade, mas saneamento, quando muito. Entretanto, nada há que demande o saneamento previsto no art. 60 do Dec. n.º 70.235, de 1972, transcrito no item anterior deste voto. No ato contestado não há o que prejudique o próprio processo, ou o estabelecimento da relação jurídica processual, nele constando todas as formalidades exigidas na legislação para que seja considerado válido ou juridicamente perfeito. Em verdade, não se verificam, no despacho decisório, irregularidades, Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10880.922521/201338 Acórdão n.º 3001000.245 S3C0T1 Fl. 60 9 incorreções nem omissões que prejudiquem o reclamante, ou influam na solução do litígio. Motivação do Despacho Decisório O despacho não deixa dúvida quanto à sua motivação: o fundamento de fato para a não homologação é a inexistência do crédito utilizado na compensação; o fundamento legal é, entre outros, o art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996. O caput do referido artigo diz que o sujeito passivo que apurar crédito passível de restituição ou de ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos próprios. Isso significa que, se o sujeito passivo não apurar crédito passível de restituição ou ressarcimento, não poderá fazer compensação. Portanto, a inexistência do crédito utilizado no PER/DCOMP é fundamento de fato legítimo e suficiente para a não homologação. O despacho decisório explicita de maneira fundamentada, como se concluiu pela inexistência do crédito utilizado. Lá consta que o Darf apresentado como origem do crédito foi utilizado para pagamento de tributo declarado. Entre as informações nele apresentadas, estão o valor original do débito declarado, seu período de apuração e o código do tributo. Demonstrase, assim, que o despacho traz, de forma explícita, a motivação da não homologação. A exposição é clara e exaustiva, não havendo preterição do direito de defesa. A análise da motivação é questão de mérito. Sua eventual improcedência não é motivo de nulidade e não afeta o estabelecimento da relação jurídica processual. Falta de Intimação Para Prestar Esclarecimentos Pelo que dispõe o Decreto nº 70.235, de 1972, não constitui irregularidade a falta de oportunidade para a manifestação do sujeito passivo antes da ciência do despacho decisório de não homologação da compensação. O Decreto nº 70.235, de 1972, rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal (art. 1º). A sua sistemática compreende a existência de autos de infração ou notificações de lançamento, que formalizam a exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada, nos termos de seu art. 9º, com a redação data pela Lei nº 8.748, de 1993. No caso, não se trata de processo de exigência de crédito tributário, mas de não homologação de compensação. Outras normas facultaram a apresentação de reclamação contra atos administrativos distintos do lançamento e imputaram a competência de seu julgamento, em 1ª instância, também às Delegacias da Receita Federal de Julgamento. Diz o § 9º do art. 74 da Lei n.º 9.430, 27 de dezembro de 1996, que é facultado ao sujeito passivo, apresentar manifestação de inconformidade Fl. 64DF CARF MF 10 contra a nãohomologação da compensação. De acordo com o § 11 do mesmo artigo 74, a manifestação de inconformidade de que trata o § 9º segue o Decreto n.º 70.235, de 1972. O Dec. n.º 70.235, de 1972, tratou da lide fiscal como algo que gira em torno da exigência fiscal e é por ela delimitada. Antes da formalização da exigência, com a ciência do auto de infração, não há o que contestar, não há do que se defender, não há litígio. Intimações para prestar esclarecimentos, quando feitas no curso das investigações, não conferem contraditório; respostas a elas dadas não constituem defesa, pois sem auto de infração, não há acusação do que se defender. A impugnação da exigência é que instaura a fase litigiosa do procedimento (art. 14 do Dec. n.º 70.235, de 1972). O direito ao contraditório e a ampla defesa surgem com a ciência do lançamento. No processo de nãohomologação de compensação não há auto de infração nem lançamento. O despacho decisório não constitui “decisão” no processo administrativo, e sim ato contra o qual se instaura o litígio. O tratamento que o Decreto determina para o auto de infração deve ser dado ao despacho decisório contestado (ato de nãohomologação da compensação); o tratamento determinado para a impugnação deve ser dado à manifestação de inconformidade. Assim sendo, o litígio só se instaura com a apresentação da manifestação de inconformidade. Antes da ciência do despacho decisório, não há falar em contraditório, muito menos em oportunidade para o sujeito passivo se manifestar contra a motivação da nãohomologação da compensação. Assim sendo, é despropositada a alegação de falta de oportunidade para defesa. A oportunidade foi dada pelo despacho decisório, no qual o sujeito passivo é alertado para o direito ao contraditório que lhe assiste. Tal direito foi exercido com a apresentação de manifestação de inconformidade. A análise que aqui se faz da manifestação de inconformidade comprova que o direito de defesa e o devido processo legal estão sendo respeitados. ÔNUS DA PROVA É condição indispensável para a homologação da compensação pretendida, que o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública seja líquido e certo (art. 170 do CTN). Em um processo de restituição, ressarcimento ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, em ambos os casos mediante a apresentação do PER/DCOMP, de tal sorte que incumbirá a ele o contribuinte demonstrar seu direito. Levandose em conta que o crédito oferecido à compensação deve ser líquido e certo, concluise que a RFB deve indeferir o pedido ou não homologar a compensação, quando não há certeza e liquidez, como ocorre nos casos de contradição do próprio contribuinte em suas declarações. Se o Darf indicado como origem do crédito utilizado no PER/DCOMP foi anteriormente vinculado em DCTF pelo Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10880.922521/201338 Acórdão n.º 3001000.245 S3C0T1 Fl. 61 11 próprio sujeito passivo a um débito nela declarado, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. A DCTF tem a natureza jurídica de confissão de dívida e é instrumento hábil e suficiente para a exigência do débito nela confessado. A declaração presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 219 e CPC, art. 368). A declaração válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Assim, para contestar o fundamento do despacho decisório, cabe ao recorrente demonstrar erro ou a falsidade de sua DCTF. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. O contribuinte não trouxe aos autos nenhum documento contábil ou fiscal que demonstrasse suas afirmações genéricas. Ele alega que há situações que podem dar ensejo à restituição, como a inclusão indevida de valores na base de cálculo, erro material na apuração do imposto e reduções de valores da base de cálculo que são autorizadas. Contudo, não prova nenhuma situação concreta que o favoreça e que não tenha sido considerada na apuração do débito confessado em DCTF. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo podem ser assim consolidadas: (...) Ainda que o DARF utilizado constituísse pagamento indevido, não seria suficiente para fazer frente a tantas compensações com ele pretendidas. O mesmo DARF, no valor de R$8.427,06, foi utilizado em 15 PER/DCOMP para compensar débitos que somam R$104.391,80, conforme abaixo discriminado: (...) SOMA 104.391,80 Isto porque, ao meu sentir resta absolutamente demonstrado (i) a lisura do procedimento que culminou no despacho decisório, (ii) seus aspectos intrínsecos e extrínsecos e, de resto, (iii) a ausência de fundamentos jurídicos e fáticos que pudessem dar guarida às pretensões do recorrente, posto que não logrou, seja em sede de manifestação de inconformidade seja em fase recursal, comprovar, de forma mínima sequer, a existência do suposto crédito, informado no PER/DCOMP 35404.13799.190413.1.3.048242. Por todos esses fatos, não tenho como chegar a outra conclusão senão a de que a decisão contida no acórdão recorrido é inelutável. Da conclusão Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer da parte do Recurso Voluntário apresentado que trata da não apreciação do processo judicial 0018626 27.2013.4.03.6100, em face da preclusão, e na parte conhecida negarlhe provimento. Fl. 66DF CARF MF 12 (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 67DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.905376/2012-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2009 a 28/02/2009
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO INTEMPESTIVA. INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA. IMPOSSIBILIDADE.
A apresentação da manifestação de inconformidade fora do prazo de 30 (trinta dias), ainda que seja apenas 1 (um) dias, não instaura a fase litigiosa do processo e impede o conhecimento da matéria litigiosa pelas instâncias julgadoras.
PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE SUSCITADA. POSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO PELAS INSTÂNCIAS JULGADORAS. NÃO COMPROVADO O CUMPRIMENTO DO PRAZO. CONHECIMENTO DO MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito do processo administrativo fiscal, é passível conhecimento pelas instâncias julgadoras apenas a preliminar de tempestividade da manifestação de inconformidade suscitada pelo sujeito passivo, porém, se referida preliminar não for superada, como ocorreu nos presentes, não se toma conhecimento das questões meritórias suscitadas em sede de manifestação de inconformidade e de recurso voluntário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.955
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
PAULO GUILHERME DÉROULÈDE - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1662; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.905376/201289 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302004.955 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2018 Matéria PIS/COFINS COMPENSAÇÃO Recorrente MASA DA AMAZÔNIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2009 a 28/02/2009 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO INTEMPESTIVA. INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA. IMPOSSIBILIDADE. A apresentação da manifestação de inconformidade fora do prazo de 30 (trinta dias), ainda que seja apenas 1 (um) dias, não instaura a fase litigiosa do processo e impede o conhecimento da matéria litigiosa pelas instâncias julgadoras. PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE SUSCITADA. POSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO PELAS INSTÂNCIAS JULGADORAS. NÃO COMPROVADO O CUMPRIMENTO DO PRAZO. CONHECIMENTO DO MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, é passível conhecimento pelas instâncias julgadoras apenas a preliminar de tempestividade da manifestação de inconformidade suscitada pelo sujeito passivo, porém, se referida preliminar não for superada, como ocorreu nos presentes, não se toma conhecimento das questões meritórias suscitadas em sede de manifestação de inconformidade e de recurso voluntário. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) PAULO GUILHERME DÉROULÈDE Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 53 76 /2 01 2- 89 Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10283.905376/201289 Acórdão n.º 3302004.955 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Contra o contribuinte acima identificado foi emitido o Despacho Decisório pela unidade de origem que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP sob a justificativa de que o pagamento referente ao DARF indicado foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ciente do Despacho Decisório, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual alega em síntese que: • Sua manifestação de inconformidade era tempestiva e afirmou que recebeu a Intimação da Exigência em 23/01/2013 e apresentou a manifestação em 22/02/2013. • Ressalta, que “ainda que o recurso seja intempestivo, o que se admite apenas para fins de argumentação, a autoridade local encarregada da administração do tributo (Delegacia da Receita Federal em Manaus) não é competente para julgar a tempestividade do recurso, devendo este seguir para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, órgão competente para julgar tal fato, conforme previsão do art. 35 do Decreto nº 70.235/72.” • A legislação federal referente à restituição/compensação assegura em caso de não homologação da compensação o direito a interposição de manifestação de inconformidade; • O Despacho Decisório de não homologação foi demasiadamente sucinto e não esclareceu o porquê da decisão. • Os princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa não foram respeitados pela administração tributária. O Despacho Decisório deve ser considerado nulo uma vez que não expôs os motivos da não homologação prejudicando seu direito de defesa; • É “empresa industrial com projeto aprovado na SUFRAMA e detentora de incentivos fiscais próprios da Zona Franca de Manaus, instituídos pelo DecretoLei nº 288/1967, bem como sujeita ao regime de apuração pela sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, podendo descontar créditos que poderão ser deduzidos do montante devido de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil.” Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10283.905376/201289 Acórdão n.º 3302004.955 S3C3T2 Fl. 4 3 • Faz jus aos créditos de PIS e COFINS, com base nos artigos 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, especificamente com relação ao inciso III: “energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica.” • Levantou os créditos no mês de competência e utilizou parte do crédito oriundo de energia elétrica prevista no inciso III, conforme DACONs retificadoras para pagamento das contribuições vencidas no período; • “A manifestante, inclusive, providenciou a retificação da DCTF correspondente, regularizando qualquer pendência que ainda pudesse haver.” A defesa relaciona os Acórdãos nºs 1246124 de 10 de maio de 2012 da 17ª Turma e 1638673 de 11 de maio de 2012 da 3ª Turma. 17ª TURMA ACÓRDÃO N° 1246124 de 10 de Maio de 2012 ASSUNTO: Normas de Administração Tributária EMENTA: COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Em face das evidências de erro na apuração e recolhimento do tributo, e não se verificando outros impedimentos ao reconhecimento do direito creditório alegado, cumpre admitir a compensação promovida até o limite do crédito informado na DCOMP. 3ª TURMA ACÓRDÃO N° 1638673 de 11 de Maio de 2012 ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. DESPACHO DECISÓRIO. ERRO. SALDO UTILIZÁVEL. Verificado erro no despacho decisório, o qual afirmara equivocadamente ter sido o valor pago indevidamente totalmente utilizado em momento anterior, restabelecese o direito ao crédito contra o Fisco a ser utilizado nas compensações constantes da DCOMP. Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 • “é fato que a Declaração entregue à Receita Federal do Brasil pela Manifestante não nega seu direito à compensação e, mais, comprova a legitimidade de seu comportamento idôneo.” • Ao final requer que se julgue procedente a Manifestação de Inconformidade, para o efeito de reformar o Despacho Decisório exarado no processo e homologar integralmente a PER/DCOMP constante nos autos. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 08 033.534. O fundamento adotado foi o de que a manifestação de inconformidade havia sido apresentada após o decurso do prazo estabelecido na legislação que rege o processo administrativo fiscal, considerandose, portanto, intempestiva. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10283.905376/201289 Acórdão n.º 3302004.955 S3C3T2 Fl. 5 4 Cientificada, a requerente protocolou o recurso voluntário em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. Em aditamento, em sede de preliminar, a recorrente alegou que a decisão do órgão julgador de primeiro grau de não analisar o mérito em razão da apresentação intempestiva da manifestação de inconformidade não merecia prosperar, pelas seguintes razões: a) a manifestação da inconformidade fora apresentada com apenas 1 (um) dia de atraso, porque não fora possível protocolar no dia 21/1/2015, mas somente no dia seguinte, por “questões impeditivas do próprio Centro de Atendimento ao Contribuinte CAC em Manaus/AM.”; e b) não era razoável que o mérito da manifestação de inconformidade fosse vilipendiado em razão de um fato totalmente alheio à vontade do contribuinte, “sendo uma afronta, inclusive aos Princípios da Razoabilidade, Ampla Defesa e do Contraditório.”; e c) a autoridade julgadora desconsiderou os princípios basilares do processo administrativo, a saber, os Princípios da Verdade Material, da Moralidade e do Informalismo Moderado É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.936, de 29 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10283.905335/201292, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.936): "O recurso foi apresentado tempestivamente, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O litígio cingese à preliminar de intempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade, que foi apreciada no julgamento de primeiro grau, por força do que dispõe o art. 56, § 2º, do Decreto 7.574/2011, a seguir transcrito: Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no70.235, de 1972, arts. 14e15). [...] Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10283.905376/201289 Acórdão n.º 3302004.955 S3C3T2 Fl. 6 5 §2º Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. [...] (grifos não originais) Não há controvérsia nos autos quanto ao descumprimento do prazo de apresentação da manifestação de inconformidade. Nas próprias peças defensivas colacionadas aos autos, a recorrente, expressamente, reconhecera que a peça instauradora do litígio fora apresentada no dia seguinte ao vencimento do prazo de 30 (trinta) dias, fixado no art. 15 do Decreto 70.235/1972. Diante dessa constatação, não remanesce qualquer dúvida que, como não foi instaurado o litígio em relação ao mérito, nos termos do art. 14 do Decreto 70.235/1972, induvidosamente, este Colegiado não poderá se manifestar sobre as questões meritórias alegadas pela recorrente no recurso em apreço. Portanto, a presente análise limitarseá à preliminar de tempestividade da manifestação de inconformidade suscitada pela recorrente. E em relação a essa questão, no recurso em apreço, a recorrente alegou que a manifestação da inconformidade não fora apresentada dentro prazo legal, porque “questões impeditivas do próprio Centro de Atendimento ao Contribuinte CAC em Manaus/AM.” Acontece que a recorrente não trouxe à colação dos autos nenhum elemento probatório que confirmasse o alegado. Assim, em razão dessa omissão, por razão óbvia, não há ser acatada tal alegação. A recorrente alegou que não era razoável que o mérito da manifestação de inconformidade fosse vilipendiado em razão de um fato totalmente alheio à vontade do contribuinte, “sendo uma afronta, inclusive aos Princípios da Razoabilidade, Ampla Defesa e do Contraditório.” No âmbito do processo administrativo fiscal, por disposição expressa do caput do art. 26A do Decreto 70.235/1972, é expressamente vedado ao julgador afastar aplicação ou deixar de observar preceito legal dotado de plena vigência e eficácia, inclusive, em situações que, em tese, possa configurar conflito com os princípios constitucionais explícitos ou implícitos. Assim, ainda que se possa vislumbrar, no caso em tela, algum conflito com os princípios da razoabilidade, ampla defesa e do contraditório, há de prevalecer o disposto no art. 14, combinado com o disposto no art. 15, ambos do Decreto 70.235/1972. Portanto, não há como acatar a presente alegação suscitada pela recorrente. Com base no mesmo fundamento, também não merece acolhimento a alegação da recorrente de que a autoridade julgadora desconsiderou princípios basilares do processo administrativo, tais como os princípios da verdade material, da moralidade e do informalismo moderado. Aliás, no caso, não houve desconsideração dos referidos princípios no julgamento de primeiro grau, haja vista que as autoridades julgadoras Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10283.905376/201289 Acórdão n.º 3302004.955 S3C3T2 Fl. 7 6 não apreciaram as questões meritórias, por estrito cumprimento do disposto nos referidos preceitos legais. Com base nessas considerações, resta demonstrado que a decisão de primeiro foi proferida com estrita observância das normas legais que regem o processo administrativo fiscal, portanto, não há qualquer reparo a ser feito. Por todo o exposto, votase por negar provimento ao recurso voluntário, para manter na íntegra a decisão recorrida. Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo restou configurada a intempestividade da Manifestação de Inconformidade, não trazendo a recorrente à colação dos autos nenhum elemento probatório que infirmasse a decisão recorrida. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 187DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.724719/2011-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2007
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. SUMULA CARF Nº 26
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada
A presunção legal em tela inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte aclarar a origem e a natureza de tais valores mediante a comprovação de fatos modificativos, extintivos ou impeditivos do direito de crédito constituído pelo Fisco.
Numero da decisão: 2201-004.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 26/02/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006, 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. SUMULA CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada A presunção legal em tela inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte aclarar a origem e a natureza de tais valores mediante a comprovação de fatos modificativos, extintivos ou impeditivos do direito de crédito constituído pelo Fisco.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. EDITADO EM: 26/02/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. SUMULA CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada A presunção legal em tela inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte aclarar a origem e a natureza de tais valores mediante a comprovação de fatos modificativos, extintivos ou impeditivos do direito de crédito constituído pelo Fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. EDITADO EM: 26/02/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 47 19 /2 01 1- 89 Fl. 218DF CARF MF 2 Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. Relatório O presente processo trata de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, fl. 151 a 160, pelo qual a Autoridade Administrativa lançou crédito tributário relativo aos períodos de apuração de 2006 e 2007, consolidado conforme resumo abaixo: CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO Imposto 42.952,47 Juros de Mora (calculado até 10/2011) 18.212,70 Multa Proporcional (75%) 32.214,35 TOTAL 93.379,52 Analisando as informações contidas na Descrição dos Fatos de fl. 157 a 159 e no Termo de Verificação Fiscal de fl. 162 a 169, constatase que a Ação Fiscal foi motivada pela incompatibilidade entre os rendimentos declarados e a movimentação financeira verificada em conta bancária mantida no Banco HSBC, cujos extratos foram obtidos em razão de decisão judicial que determinou a quebra de sigilo bancário. Ao final do procedimento fiscal, foi lançado crédito tributário lastreado em omissão rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Os motivos que levaram ao lançamento podem ser assim resumidos: que a movimentação bancária auditada é mantida em conjunto com o Sr. Carlos Alberto Giacomello; que, a partir dos extratos bancários, foi elaborada planilha com os créditos individualizados que deveriam ter a origem comprovada mediante apresentação de documentação hábil e idônea, compatível em data e valor, sendo desconsiderados valores correspondentes a devolução de cheques; que a fiscalizada alegou que, embora figurasse como 2ª titular da conta bancária mantida no HSBC, apenas o 1º titular, Sr. Carlos Alberto Giacomello, a movimentava, razão pela qual este apresentaria as devidas justificativas. Afirmou, ainda, que mantinha contas em outras instituições nas quais recebia proventos e salários; que o Sr. Carlos Alberto Giacomello apresentou justificativas, planilhas e documentos que foram devidamente analisadas, objetivando demonstrar que a maioria dos créditos efetuados em sua conta bancária tem origem em prólabore e distribuição de lucros relativos a anos anteriores, mas sem a apresentação de documentos comprobatórios; que além das justificativas citadas no item precedente, o Sr. Carlos Giacomello apresentou informação sobre a venda de veículo Peugeot, em 27/09/2007, pelo valor de R$ 32.500,00, mas tal operação não corresponde a nenhum depósito identificado na conta bancária auditada; que diante das constatações fiscais, a contribuinte foi novamente intimada, com abertura de prazo para apresentação de elementos que pudessem comprovar a origem dos valores em tela, sendo, neste ato, informada sobre a previsão contida no § 6º do art. 42 da Lei 9.430/96, que determina a imputação proporcional, a cada titular da conta bancária, dos valores Fl. 219DF CARF MF Processo nº 11020.724719/201189 Acórdão n.º 2201004.159 S2C2T1 Fl. 219 3 dos rendimentos cuja origem não for comprovada. Em resposta a tal intimação, a contribuinte nada apresentou além de manter os mesmos argumentos anteriores; que foram considerados de origem não comprovadas os valores creditados na conta 0143408, da Agência 1140 do Banco HSBC, que, considerando os cotitulares terem apresentados declaração em separado, resultou na constituição de crédito tributário de R$ 93.379,52. Ciente do lançamento em 15 de dezembro de 2011, conforme AR de fl. 175, inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, a impugnação de fl. 178 a 183, cujas razões podem ser assim sintetizadas: que não movimentava a conta mantida junto ao HSBC, e que seus recursos são movimentados no Banco Banrisul e no Banco Itaú; que o auto se limita a apontar que, não tendo a impugnante apresentado documentação hábil e idônea para comprovar a origem dos recursos movimentas por seu marido, o Sr. Carlos Giacomello, cabe ao ora autuado responder pela metade dos débitos lançados, o que, por si só, seria suficiente para de declarar a insubsistência do lançamento; que o produto da alienação de veículo sob sua titularidade teria sido direcionado para a administração de seu marido, em cuja declaração de rendimentos havia sido declarada tal propriedade; sustenta que seu marido foi beneficiário de participação nos lucros apurados e distribuído pela Valbank Fomento Mercantil LTDA no ano de 2005, resultando em um crédito de R$ 115.800,00 em moeda corrente no início do ano de 2006; que parte dos créditos efetuados na citada conta bancária decorre de doações de incentivo à prática de corridas amadoras de automóveis; que a documentação relativa às alienações do veículos está acostada às fl. 120/148 (R$ 3.000,00, pela venda realizada em 19/07/2007; R$ 30.000,00 pela venda realizada em 06/07/2007; e R$ 32.500,00, pela venda realizada em 27/09/2007). que a presunção de omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada é relativa, cedendo a elementos que a tornem insubsistente, não podendo o contribuinte ser penalizado por não manter a organização de suas finanças; que há registros de créditos considerados como de origem não comprovada que se referem ao mesmo valor, seja por depósito diretamente de cheque entre contas, seja por se referir a saques que, em momento posterior, serviu para cobrir saldos devedores de outra conta. Debruçada sobre os termos da Impugnação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS. f. 189 a 195, julgoua improcedente, lastreada nas razões que podem ser assim resumidas: (...) À impugnante cabia, portanto, refutar a presunção contida na lei, pois a previsão legal em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a Fl. 220DF CARF MF 4 comprovação da origem de seus créditos bancários. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. (...) Em sua peça impugnatória, apesar de toda a legislação retrotranscrita lhe impor o ônus de demonstrar a origem de seus créditos bancários constantes do Auto de Infração, a impugnante não apresenta documentos hábeis ou mesmo outros meios de prova que demonstre de forma inequívoca a origem dos referidos depósitos. (...) As explicações apresentadas sobre os valores depositados em suas contas correntes são inadequadas e, além disso, elas não estão embasadas em documentos/comprovantes. A autuada justifica a origem da grande maioria dos depósitos/créditos das contas bancárias com rendimentos de pró labore pagos e com os valores de lucros distribuídos de anos anteriores a seu cônjuge, sem acostar comprovantes individuais destas operações. Não comprova quando e onde foi depositado o lucro distribuído em 31/12/2005, nem explica porque este lucro teria sido aproveitado ao longo de dois anos. Também não esclarece porque há tantos depósitos de cheques, que pressupõe que os recursos vieram de outras contas. Não apresenta documentos vinculativos do produto das vendas dos veículos com os depósitos/créditos em suas contas em termos de datas e valores. No mesmo sentido, não vislumbro razão nas alegações da contribuinte de que há operações do seu cônjuge entre suas contascorrentes não havendo duas receitas distintas. No primeiro exemplo apresentado (abaixo), verifico que não há coincidência das datas e nem dos valores envolvidos. (...) E, no segundo exemplo apresentado (abaixo), verifico que não há identificação comum dos cheques envolvidos. (...) Desta forma, entendo que a contribuinte não comprovou a origem dos recursos creditados / depositados na conta bancária do HSBC (agência 1140 c/c 10036400) com documentos hábeis e idôneos, compatíveis em datas e valores. Como também não comprovou que não movimentava a conta corrente em conjunto, conforme previsão do § 6° do art 42 da Lei 9.430/96, devem imputados a ela 50% dos valores dos rendimentos/receitas identificados pela movimentação da conta. Ciente do Acórdão da DRJ em 16 de abril de 2012, conforme fl. 201, ainda inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário de fl. 203 a 2013, em que reitera integralmente os argumentos já expressos em sede de impugnação. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 221DF CARF MF Processo nº 11020.724719/201189 Acórdão n.º 2201004.159 S2C2T1 Fl. 220 5 Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. O lançamento em tela decorre de presunção legal de omissão de rendimentos de que trata o art. 42 da Lei 9.43096, que assim dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). § 4º Tratando se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Fl. 222DF CARF MF 6 A imputação proporcional da omissão de rendimentos identificada entre os cotitulares foi devidamente cientificada aos interessados, neste caso, a ora recorrente e o seu cônjuge, Sr. Carlos Alberto Giacomello Tal medida poderia ser, de plano, evitada se um dos dois cônjuges, expressamente, declarasse ser o único responsável por toda a movimentação financeira registrada na conta bancária mantida em conjunto. Mas como se viu, não foi isso o que aconteceu, restando autuados ambos os cotitulares, na proporção de 50% para cada um. Assim, o procedimento fiscal que atribuiu a responsabilidade pela infração à autuada em razão da mera condição de cotitular da conta mantida no HSBC está plenamente alinhado ao que prevê a legislação (§ 6º do art. 42 da Lei 9.430/96), não tendo sido apresentado, além das alegações da defesa, qualquer elemento que pudesse atestar que todo o montante movimentado seria de titularidade do marido da recorrente. O lançamento relacionado ao Sr. Carlos Alberto Giacomello foi objeto do processo 11020.724687/201111, cujo trâmite administrativo já se encerrou, restando o crédito tributário lançado mantido e, atualmente, inscrito em Dívida Ativa da União. Assim, eventuais argumentos expressos no recurso que estejam relacionados ao mérito dos créditos já definitivamente constituídos no processo do Sr. Carlos Giacomello não emprestam quaisquer efeitos à presente demanda, restando a discussão no presente limitada às alegações que possam evidenciar a improcedência da omissão de rendimentos relacionada a depósitos de origem não comprovada identificados na conta bancária mantida no HSBC. A alegação de que um veículo de sua titularidade teria sido comprovadamente alienado, com o depósito do numerário decorrente da operação em conta de exclusiva titularidade do seu marido não altera o lançamento ora sob análise. Pois, tratase de venda de veículo pelo valor de R$ 32.500,00, realizada em 27 de setembro de 2007, data em que não há registros de créditos tão relevantes na conta bancária mantida no HSBC, é o que se depreende da análise conjunta das informações disponíveis em fl. 74, 103 e 118. Quanto à alegada origem de valores em lucros distribuídos, necessário seria que a autuada apresentasse a demonstração do efetivo depósito efetuado pela própria sociedade que distribuiu lucro, ou ao menos que os cheques depositados tivessem como beneficiária tal pessoa jurídica, sendo depositado em conta diversa mediante endosso. A planilha apresentada no curso do procedimento fiscal e acostada a partir de fl. 82, frisese, desacompanhada de outros elementos probatórios, não merece fé, já que não é crível que uma distribuição de lucros tenha sido levada a termo em incontáveis parcelas quase que diárias e em valores irrisórios. É certo que, antes de chegar à citada conta do HSBC, tais valores poderiam ter transitado por outras contas bancárias e, de lá, sacados em doses homeopáticas, mas tal possibilidade deveria ser comprovada com extratos que evidenciassem esse trânsito. Quanto aos alegados créditos decorrentes de venda de veículo, da mesma forma, não faz sentido crer, por exemplo, que alguém formalize a venda um automóvel por R$ 32.500,00, em setembro de 2007, cujo pagamento tenha ocorrido da seguinte forma: Fl. 223DF CARF MF Processo nº 11020.724719/201189 Acórdão n.º 2201004.159 S2C2T1 Fl. 221 7 Ademais, a própria recorrente afirma que o citado valor, que seria relativo à venda do veículo comprovada em fl. 148, teria sido depositado em conta sob exclusiva responsabilidade de seu esposo, conforme excerto abaixo: Por outro lado, sustenta o contribuinte que a omissão de rendimentos caracterizada por depósito de origem não comprovada é uma presunção legal relativa, podendo ser afastada mediante elementos comprobatórios. Está correto o recorrente em sua conclusão. Não obstante, no início da presente peça, foi possível identificar que a fiscalização ora sob análise resultou da incompatibilidade entre informações fornecidas por instituições financeiras e aquelas inseridas pelo contribuinte em sua declaração de rendimentos. A partir daí, desenvolveuse todo o procedimento de Auditoria Fiscal tendente à apuração dos fatos. Ocorre que parte da movimentação financeira identificada não teve sua origem devidamente demonstrada pelo beneficiário dos créditos, sendo, portando, aplicável os termos da presunção legal que, nos casos de movimentação financeira de origem não comprovada, inverteu o ônus da prova, com a ressalva de que outro poderia ser o desfecho se optasse o contribuinte por aclarar a origem e a natureza de tais valores mediante a comprovação de fatos modificativos, extintivos ou impeditivos do direito de crédito constituído pelo Fisco. O que não foi feito. Do mesmo modo, inimaginável atribuir a não comprovação da origem dos recursos que transitaram na conta do recorrente a sua própria falta de organização, já que resultaria em benefício resultante da própria torpeza. Quanto aos exemplos contidos na amostra indicada pelo recorrente, que supostamente apontaria falha do procedimento fiscal, temse que ambos não emprestam seus efeitos ao lançamento em tela, já que apontam saque efetuado no HSBC para cobrir saldo devedor de conta no Santander, ou mesmo depósito de cheque emitido contra a conta do HSBC depositado em conta no Santander. Ou seja, as duas operações evidenciam saídas do HSBC e, ao contrário, a autuação em questão se refere a ingressos identificados no HSBC. Por fim, quanto ao argumento recursal contrário à imputação de responsabilidade do autuado para apresentar provas da origem dos valores depositados em sua Fl. 224DF CARF MF 8 conta bancária, diante de uma suposta dificuldade de analise individual de cada crédito, como já expresso acima, tratase inversão do ônus da prova decorrente de expressa previsão legal, não prosperando os argumentos recursais. Portanto, corretos o lançamento e a decisão recorrida, razão pela qual nego provimento ao recurso voluntário. Conclusão Por tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais que integram o presente, nego provimento ao recurso voluntário recurso voluntário. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 225DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13056.720047/2013-12
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.033
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem para confirmar a existência dos parcelamentos dos débitos constantes do Termo de Indeferimento, em 31/01/2013.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa, Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem para confirmar a existência dos parcelamentos dos débitos constantes do Termo de Indeferimento, em 31/01/2013. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa – Presidente (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa, Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 0434.498 da 2ª Turma da DRJ/CGE, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, face à existência de débitos fiscais, sem exigibilidade suspensa, consoante o artigo 17, incisos V, da Lei Complementar nº 123, de 2006. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 56 .7 20 04 7/ 20 13 -1 2 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13056.720047/201312 Resolução nº 1001000.033 S1C0T1 Fl. 78 2 A ora recorrente apresentou uma impugnação ao referido termo. cuja decisão da DRJ foi contrária à manifestação de inconformidade, a qual reproduzo o voto: A manifestação de inconformidade é tempestiva e dela conheço. A interessada argumentou que os débitos ensejadores de sua exclusão do Simples haviam sido parcelados, conforme os documentos juntados às fls. 0716. Porém, não trouxe certidão negativa ou positiva com efeitos de negativa relativa às contribuições previdenciárias e às de terceiros, o que comprovaria sua regularidade fiscal, vez que é o documento hábil para tanto, nos termos dos arts. 205 e 206 do CTN. A tentativa de obtêla via internet não surtiu efeito, vez que ali foi certificado que a empresa possui pendências nos sistemas da Receita Federal. Conclusão. Em face do exposto e considerando tudo mais que dos autos consta, julgo improcedente a manifestação de inconformidade e mantenho o Termo de Indeferimento deOpção ao Simples Nacional por seus próprios fundamentos. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva, Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo que apresenta os demais pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele eu conheço. Alega a Recorrente, em Recurso Voluntário, que efetuou o parcelamento de todos os seus débitos, apontados no Termo de Indeferimento de Opção. Apresentou a documentação que comprova a sua adesão aos parcelamentos, antes de 31/01/2013,conforme se observa da leitura de seu Recurso Voluntário, como segue: Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13056.720047/201312 Resolução nº 1001000.033 S1C0T1 Fl. 79 3 A DRJ não questionou este argumento, entretanto, baseou a sua decisão, única e exclusivamente, no fato de a Recorrente não ter apresentado a certidão negativa de débitos (ou positiva com efeitos de negativa) e que, ainda, não a obteve porque foi certificado que a empresa possui pendências nos sistemas da Receita Federal. Portanto negou provimento a impugnação, baseada no artigo 205, do Código Tributário Nacional CTN, o qual reproduzo a seguir: Art. 205. A lei poderá exigir que a prova da quitação de determinado tributo, quando exigível, seja feita por certidão negativa, expedida à vista de requerimento do interessado, que contenha todas as informações necessárias à identificação de sua pessoa, domicílio fiscal e ramo de negócio ou atividade e indique o período a que se refere o pedido. Parágrafo único. A certidão negativa será sempre expedida nos termos em que tenha sido requerida e será fornecida dentro de 10 (dez) dias da data da entrada do requerimento na repartição. Os débitos indicados no termo de indeferimento foram parcelados, consoante a documentação apresentada pelo Recorrente. O art. 205, do CTN dispõe que "A lei poderá exigir que a prova da quitação de determinado tributo, quando exigível, seja feita por certidão negativa,". No caso, nem a Lei Complementar 123/2006 e nem a Resolução CGSN 94/2011 impõem a apresentação da referida certidão como condição para o ingresso no Simples Nacional. Proponho converter o processo em diligência para que a unidade de origem confirme que as provas apresentadas são suficientes e idôneas para se concluir que os débitos existentes estavam com a exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151, inciso VI, do Código Tributário Nacional CTN, e sendo, devidamente, quitados, posto que a ausência da CND (ou positiva com efeitos de negativa), na visão deste relator, não é requerida tanto pela Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13056.720047/201312 Resolução nº 1001000.033 S1C0T1 Fl. 80 4 LC 123/2006 e nem pela Resolução CGSN 94/2011, como condição necessária para a opção pelo Simples Nacional, conforme disposto no art. 205, do CTN, acima transcrito. Concluída a diligência, deverá ser dada ciência de seu conteúdo à interessada, ofertandolhe prazo adequado para, se assim desejar, se pronunciar nos autos. Na seqüência, o processo deve retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 56DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.009384/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005
BENEFÍCIO FISCAL. SUDENE. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS.
O usufruto do benefício fiscal de redução do IRPJ em relação às empresas sediadas na região da Sudene deve ser apoiado por autorização da Receita Federal contemporânea à sua utilização.
ERRO DE FATO. ALTERAÇÃO DA BASE DE LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE.
Erros de fato cometidos pelo sujeito passivo podem ser corrigidos durante a fase contenciosa, para que a tributação recaia sobre a realidade fática.
PREJUÍZO FISCAL. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL.
Constatado que o sujeito passivo possuía saldo de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL, e uma vez solicitada sua compensação pelo contribuinte, imperativa sua utilização para reduzir a base de tributação.
Numero da decisão: 1401-002.179
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005 BENEFÍCIO FISCAL. SUDENE. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. O usufruto do benefício fiscal de redução do IRPJ em relação às empresas sediadas na região da Sudene deve ser apoiado por autorização da Receita Federal contemporânea à sua utilização. ERRO DE FATO. ALTERAÇÃO DA BASE DE LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. Erros de fato cometidos pelo sujeito passivo podem ser corrigidos durante a fase contenciosa, para que a tributação recaia sobre a realidade fática. PREJUÍZO FISCAL. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. Constatado que o sujeito passivo possuía saldo de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL, e uma vez solicitada sua compensação pelo contribuinte, imperativa sua utilização para reduzir a base de tributação.
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SUDENE. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. O usufruto do benefício fiscal de redução do IRPJ em relação às empresas sediadas na região da Sudene deve ser apoiado por autorização da Receita Federal contemporânea à sua utilização. ERRO DE FATO. ALTERAÇÃO DA BASE DE LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. Erros de fato cometidos pelo sujeito passivo podem ser corrigidos durante a fase contenciosa, para que a tributação recaia sobre a realidade fática. PREJUÍZO FISCAL. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. Constatado que o sujeito passivo possuía saldo de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL, e uma vez solicitada sua compensação pelo contribuinte, imperativa sua utilização para reduzir a base de tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 93 84 /2 00 8- 18 Fl. 1036DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), que, por meio do Acórdão 1269.823, de 29 de outubro de 2014, julgou improcedente a impugnação apresentada pela empresa. Reproduzo, por oportuno, o teor do relatório constante no acórdão da DRJ: (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) Versa a controvérsia sobre a lavratura pelo fisco dos autos de infração de IRPJ, no valor de R$ 560.444,29 e de CSLL, no valor de R$ 214.700,11, acrescidos da multa de ofício de 75% e dos juros de mora. O entendimento do fisco encontrase no Termo de Constatação, cujo teor, em síntese, a seguir reproduzo: a) Analisando as justificativas e os elementos apresentados no curso da ação fiscal, confrontandoos com os registros existentes nos bancos de dados da Receita Federal, é possível constatar que, a movimentação financeira encontrase contabilizada e que decorre, em sua maior parte, das receitas também contabilizadas; b) Contudo, nem toda a receita lançada/contabilizada foi oferecida à tributação nas correspondentes DIPJ; c) Da mesma forma, foi constatado que o valor informado na DIPJ não foi declarado em DCTF ou pago; d) As infrações incorridas foram: Omissão de receitas – O interessado informou em receitas tributáveis apenas o 1º trimestre do ano de 2004, nada informando quanto aos demais trimestres. No ano de 2005, apenas no 1º trimestre informou receitas compatíveis com as contabilizadas, informando nos demais trimestres receitas inferiores às contabilizadas, conforme abaixo: Fl. 1037DF CARF MF Processo nº 10380.009384/200818 Acórdão n.º 1401002.179 S1C4T1 Fl. 1.037 3 DEMONSTRATIVO DE RECEITAS NÃO TRIBUTADAS Período Receitas Contabilizadas* Receitas Tributadas Diferença Tributável 1T/2004 1.524.042,43 1.524.042,43 2T/2004 2.403.884,08 2.403.884,08 3T/2004 2.793.887,72 2.793.887,72 4T/2004 2.456.524,69 2.456.524,69 1T/2005 1.985.171,22 2.029.893,31 2T/2005 3.256.150,25 3.022.736,65 233.413,60 3T/2005 2.667.969,70 1.727.969,70 940.000,00 4T/2005 2.538.891,92 2.288.891,92 250.000,00 * Receitas Contabilizadas, código contábil "411 RECEITA BRUTA", obtidas dos balancetes trimestrais extraídos dos arquivos magnéticos entregues pelo contribuinte em atendimento à intimação e validados pelo sistema SINCO Arquivos Contábeis disponível no sítio da Receita Federal. Lucro operacional não declarado – Valor correspondente ao lucro operacional escriturado/informado na DIPJ relativa ao 1º trimestre de 2004, mas cujo imposto ou contribuição (IRPJ ou CSLL) não foi declarado em DCTF, impondose o seu lançamento de ofício. Devidamente cientificada, em 09/07/2008 (fls. 606), a interessada, em 06/08/2008, apresentou impugnação (fls. 612/626), cujo teor, em síntese, a seguir reproduzo: Do benefício de isenção e redução do imposto de renda sobre o Lucro da Exploração a) A empresa goza do direito de isenção do IR incidente sobre o Lucro da Exploração, conforme Lei nº 9.532/1997; b) Nessa época, a sistemática de liberação era de que após a concessão do benefício corria sob a responsabilidade da SUDENE a prestação das devidas informações ao fisco, nos termos do RIR 1999, arts. 546 e 550; c) Assim, concluise que a empresa não omitiu receita, pois goza de isenção nos termos da legislação em vigor, não havendo fundamento para esta autuação; d) Vale ressaltar, ainda, que o benefício aqui tratado não é afastado pelo fato de a empresa ter sofrido autuação, posto que nos termos do RIR/1999, art. 618, os benefícios concedidos as empresas só são afastados quando ela pratica crimes contra a ordem tributária definidos na Lei nº 8.137/1990 ou quando faltar emissão de nota fiscal; Do cálculo correto do imposto devido a) Percebese que o fisco confrontou as receitas omissas com as despesas e custos informados erroneamente, deduzindo que se tratava de lucro, aplicando a tributação sem considerar a dedução do incentivo do IRPJ e, conseqüentemente, o cálculo do lucro da exploração; b) Na verdade, o fisco confrontou as receitas omissas no 2º, 3º e 4º trimestres de 2004 com as informações de despesas e custos que constavam de forma equivocada nas DIPJ; Fl. 1038DF CARF MF 4 c) Na demonstração do resultado da empresa ainda averiguase que há o valor de R$ 50.101,69 referente ao 3º e 4º trimestres de 2004 de isenção e redução do imposto sobre o lucro real e este valor não foi considerado pelo fiscal; d) Quando da análise do ano de 2005, detectouse que as receitas conciliadas e as receitas informadas para a RFB, conforme consta do auto de infração também encontram divergências, conforme abaixo: Período Base Receitas Conciliadas Receitas Informadas a RFB Diferença 1º Trim/2005 2.001.765,49 1.985.171,22 16.594,27 2º Trim/2005 2.604.805,40 3.256.150,25 651.344,85 3º Trim/2005 2.509.523,81 2.667.969,70 158.445,89 4º Trim/2005 2.228.005,86 2.538.891,92 310.886,06 TOTAL 9.344.100,56 10.448.183,09 1.104.082,53 e) Da tabela acima, percebese que as receitas informadas são bem maiores do que a realidade apresentada na empresa, o que ensejou a presente autuação; f) Assim, percebese que para o ano de 2004, conforme a DRE e, considerando os benefícios concedidos à impugnante o valor real de CSLL era de R$ 17.323,29, não gerando nenhum valor a pagar com relação ao IRPJ; g) Tal fato resultou de erros cometidos pela contabilidade da empresa que, ao enviar as DIPJ não informou o benefício da SUDENE com direito ao lucro da exploração o que ocasionou as inconsistências, isto porque a nova contadora da empresa assumiu a contabilidade na semana que foi emitido o Termo de Início de Ação Fiscal e só depois do recebimento é que foi constatado o erro de fato; h) Entretanto, já se fez a conciliação dos valores e os acertos nos anos de 2004, tendo sido possível demonstrar o valor real dos tributos em questão e o mesmo está sendo feito para se auferir o valor real dos tributos para o ano de 2005; i) Cuidando o caso de diferença de imposto determinada pela simples conferência de dados informados pelo contribuinte em declaração de rendimentos, incide, ainda, a possibilidade de revisão de ofício pela autoridade, caso seja verificado erro de fato no preenchimento da declaração, perceptível mediante uma revisão sumária dos elementos que a compõem; j) Requer seja deferida a perícia contábil e nomeia como assistente a contadora Mônica Araújo Vieira. É o Relatório. (término da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) A DRJ, por meio do Acórdão 1269.823, de 29 de outubro de 2014, julgou improcedente a impugnação apresentada pela empresa, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Fl. 1039DF CARF MF Processo nº 10380.009384/200818 Acórdão n.º 1401002.179 S1C4T1 Fl. 1.038 5 A perícia contábil tornase prescindível quando as razões de decidir deixem de demandar conhecimentos técnicos. INCENTIVO FISCAL. SUDENE. REDUÇÃO. RECONHECIMENTO NECESSÁRIO PELA RECEITA FEDERAL. O gozo do incentivo fiscal de redução por implantação de empreendimento em área de atuação da Sudene depende de prévio reconhecimento do direito por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil, de forma expressa ou tácita, após apresentação de requerimento pela pessoa jurídica instruído com laudo constitutivo expedido por aquela superintendência. ALEGAÇÃO DE ERRO NO CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Cai por terra a alegação de erro de cálculo na autuação, quando o motivo reside em fato não provado pelo interessado, em face da ausência de comprovação da sua isenção devidamente concedida pela RFB. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada eletronicamente em 22/11/2014 (efl. 713), a empresa apresentou recurso voluntário (efls. 716 a 727) na data de 09/12/2014 (efl. 716) em que repisou os argumentos apresentados na impugnação, e acrescentou os seguintes argumentos, conforme extraído do teor da Resolução nº 1410000.358, desta turma ordinária, datada de 10/12/2015: A DRJ/RJ1 não enfrentou os argumentos centrais da impugnação apresentados pela Recorrente. A DRJ detevese apenas no quesito relativo à possibilidade ou não de a contribuinte utilizar o incentivo de redução do IRPJ, previsto na Portaria DAI/ITE 0141/1998 de lavra da Sudene, nos cálculos do lançamento de IRPJ, realizado pela DRF/FOR. A questão maior, não enfrentada no Acórdão em comento, diz respeito à apuração do resultado nos anoscalendário de 2004 e 2005, haja vista erro de fato cometido pela Recorrente quando da elaboração da Declaração de Informações EconômicasFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e que para corroborar trouxe aos autos a sua Demonstração de resultado. Alega ainda que nos cálculos efetuados pelo AFRFB não foi utilizado o direito de a Recorrente utilizar o prejuízo acumulado e a base negativa de CSLL acumulada, existente em 31.12.2003, conforme se comprova com a cópia da DIPJ, Balanço e Demonstração de Resultado que fazem parte do Livro Diário daquele ano, que ora se junta neste PAF. Em julgamento nesta turma do CARF, resolveuse baixar o referido processo em diligência, para que a fiscalização verificasse o que segue: Do exposto, o presente processo deve seguir para diligência, para: investigar os valores dos Prejuízos Fiscais e da Base Negativa da CSLL ainda não compensados, ou seja, passíveis de compensação, a partir de confronto do Sapli e do Lalur, no limite da trava de 30%; Fl. 1040DF CARF MF 6 Investigar também mais profundamente o referido erro de fato no preenchimento da declaração informado pelo contribuinte em seu recurso; Se for o caso, ajustas as bases de cálculo e recalcular os novos tributos devidos, inclusive já considerando o aproveitamento dos saldos de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL no limite de 30%. Ao fim, elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas. Entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. Como resultado da diligência, a fiscalização considerou os erros de fato cometidos pela empresa no ano de 2004 e os saldos de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL, refazendo o cálculo dos tributos a serem mantidos. Cientificada do teor do parecer fiscal, a empresa reafirmou pedido de redução do IRPJ em 75%, em razão de seu direito de usufruto do benefício fiscal concedido pela Sudene. Após, o processo retornou a este CARF, cabendo a mim a sua relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Como visto, o que se deve avaliar é: i) se a empresa cometeu erro de fato na informação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL; ii) se a empresa tem direito à redução de 75% do IRPJ em razão do benefício fiscal da Sudene; e iii) se, no lançamento fiscal, a fiscalização deveria considerar o valor do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL do anocalendário de 2004. Pois bem. Erro de Fato Em relação ao suposto erro de fato cometido pela recorrente na apuração da base de cálculo dos tributos exigidos, esta turma em outra composição demandou à fiscalização que verificasse se os argumentos da recorrente procediam. Na informação fiscal, a autoridade fiscal informou que a recorrente cometeu erro de fato em relação ao ano de 2004. Assim, preparou novo cálculo para o lançamento fiscal. Fl. 1041DF CARF MF Processo nº 10380.009384/200818 Acórdão n.º 1401002.179 S1C4T1 Fl. 1.039 7 Por concordar com os cálculos apresentados pela fiscalização, em relação ao anocalendário de 2004, reproduzo e adoto como razões de decidir o quanto disposto na referida Informação Fiscal (efl. 892): Em relação ao ano de 2005, entendeu a fiscalização que os valores autuados condizem com a contabilidade apresentada em época própria pela recorrente, e que a "nova" contabilidade apresentada durante a diligência fiscal deve ser rechaçada, uma vez que o valor de receita está bem abaixo daquele anteriormente apresentado e o livro apresentado contempla apenas 4 (quatro) folhas, sendo 1 (uma) folha referente ao termo de abertura e 1 (uma) folha referente ao termo de encerramento. Concordo com a conclusão da fiscalização, uma vez que a recorrente não trouxe demais elementos ou documentos para corroborar seu argumento quanto à "nova" contabilidade apresentada, ainda mais que foram apresentadas somente 4 (quatro) folhas do referido livro comercial, o que traz mais descredibilidade aos seus argumentos. Desta forma, quanto ao anocalendário de 2005, também reproduzo e adoto como razões de decidir o quanto disposto na referida Informação Fiscal (efl. 892): Benefício Fiscal redução do IRPJ Em relação ao pedido de redução do IRPJ em razão do benefício fiscal da Sudene, entendo que é uma questão probatória. Para ter direito ao usufruto do benefício fiscal de redução da base do IRPJ, a empresa deve encaminhar declaração à Receita Federal, expedida pela Sudene, de que atende às condições mínimas exigidas para o gozo do benefício. O Delegado da Receita Federal Fl. 1042DF CARF MF 8 decidirá o pedido no prazo de 180 dias do protocolo. Caso não o faça, a requerente exercerá seu direito ao benefício, desde que a Sudene tenha recomendado o direito ao gozo do benefício e até que sobrevenha decisão irrecorrível. Esta é a redação do art. 553 do RIR/99, que tem base legal na Lei nº 4.239, de 1963, ou seja, período anterior ao fato gerador aqui apurado: Art. 553. O direito à redução de que trata o art. 551 será reconhecido pela Delegacia da Receita Federal a que estiver jurisdicionado o contribuinte (Lei nº 4.239, de 1963, art. 16). § 1º O reconhecimento do direito à redução será requerido pela pessoa jurídica, que deverá instruir o pedido com declaração, expedida pela SUDENE, de que satisfaz as condições mínimas para gozo do favor fiscal. § 2º O Delegado da Receita Federal decidirá sobre o pedido de reconhecimento do direito à redução dentro de 180 dias da respectiva apresentação à repartição fiscal competente. § 3º Expirado o prazo indicado no parágrafo anterior, sem que a requerente tenha sido notificada da decisão contrária ao pedido e enquanto não sobrevier decisão irrecorrível, considerarseá a interessada automaticamente no pleno gozo da redução pretendida, se o favor tiver sido recomendado pela SUDENE, através da declaração mencionada no § 1º deste artigo. § 4º Do despacho que denegar, parcial ou totalmente, o pedido da requerente, caberá impugnação para o Delegado da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, dentro do prazo de trinta dias, a contar do recebimento da competente comunicação. § 5º Tornandose irrecorrível, na esfera administrativa, a decisão contrária ao pedido a que se refere este artigo, a repartição competente procederá ao lançamento das importâncias que, até então, tenham sido reduzidas do imposto devido, efetuandose a cobrança do débito. § 6º A cobrança prevista no parágrafo anterior não alcançará as parcelas correspondentes às reduções feitas durante o período em que a pessoa jurídica interessada esteja em pleno gozo da redução de que trata o § 3º deste artigo. § 7º A redução de que trata o art. 551produzirá efeitos a partir da data da apresentação à SUDENE do requerimento devidamente instruído na forma prevista no art. 7º do Decreto nº 62.214. de 18 de março de 1969. A recorrente alega que, se o ADE nº 14/2010 (efl. 872) trata de ampliação do empreendimento, é de se concluir que a receita já havia reconhecido anteriormente o direito ao uso do benefício fiscal, vejase (efl. 726): E mais, a Receita Federal do Brasil tem ciência da existência do incentivo fiscal concedido à Recorrente para os anoscalendários de 2004 e 2005, já que em 04 de fevereiro de 2010, através do Ato Declaratório Executivo nº 14 ADE nº 14/2010 (doc. 04), a DRJ/FOR, expressamente declara a existência de redução de imposto de renda e adicionais, como base no lucro da exploração de que trata o Laudo Constitutivo nº 0143/2009, de lavra da Sudene. Fl. 1043DF CARF MF Processo nº 10380.009384/200818 Acórdão n.º 1401002.179 S1C4T1 Fl. 1.040 9 Entretanto, em consulta ao ADE nº 14/2010, verificase que o documento emitido pela Receita Federal reconhece que a empresa tem direito à utilização do benefício fiscal somente a partir do anocalendário de 2009, ou seja, período bem posterior ao fatos geradores lançados no auto de infração e, inclusive, posterior ao próprio lançamento fiscal, cuja ciência da empresa se deu na data de 30/06/2008. Ainda, apesar de constar no documento que se trata de uma ampliação do investimento, não há indício algum de que a empresa já possuía o referido incentivo em período anterior a 2009. Por fim, nem a Portaria DAI/ITE nº 0141/1998 é capaz de comprovar que a recorrente teria comunicado à Receita Federal sobre o pedido de adesão à utilização do benefício fiscal, mesmo que tenha consignado que o início do prazo de isenção é no ano calendário 1997. Desta forma, não há como reconhecer o direito ao benefício fiscal nos anos objeto do lançamento fiscal em debate, quais sejam, 2004 e 2005, devendo ser negado provimento quanto a este ponto. Utilização de Prejuízo Fiscal e de Base de Cálculo Negativa de CSLL Quanto ao prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL, a fiscalização reconheceu o direito da empresa à correspondente compensação. Desta forma, por concordar com seu teor, reproduzo trecho da Informação Fiscal efetuada pela fiscalização, após conclusão da diligência, que adoto como razões de decidir (efl. 892): Fl. 1044DF CARF MF 10 Conclusão Diante do exposto, voto por DAR provimento parcial ao recurso voluntário, para tão somente reconhecer o erro de fato apurado no anocalendário de 2004 e a utilização do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa, todos conforme os cálculos apresentados pela fiscalização na Informação Fiscal preparada após conclusão da diligência fiscal. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 1045DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.720240/2015-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012
PLANO DE OPÇÃO DE AÇÕES. RETRIBUIÇÃO PELA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FATO GERADOR.
Sobre a retribuição pela prestação de serviços na forma de gratificação utilidade, representado pelas opções outorgadas a executivos da pessoa jurídica, incidem as contribuições previdenciárias previstas na legislação de regência, na data do exercício das opções.
PLR. PLANOS PRÓPRIOS. PARTICIPAÇÃO SINDICAL.
A simples referência genérica em instrumento coletivo de negociação ao acolhimento de planos próprios não supre a exigência legal de participação da entidade sindical, ou representante por ela indicado em comissão, bem como dos trabalhadores, na fixação de regras claras e objetivas, e critérios de avaliação, destinadas aos beneficiários.
JUROS DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CTN E LEGISLAÇÃO FEDERAL. PRECEDENTES STJ.
A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício encontra fulcro legal em diversos dispositivos do CTN e da legislação tributária federal, sendo acolhida também nas decisões do STJ a respeito do tema.
Numero da decisão: 2402-006.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Gregorio Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini que deram provimento parcial. Votou pelas conclusões em relação aos planos Stock Options o Conselheiro Luis Henrique Dias Lima e, em relação à PLR, os Conselheiros Jamed Abdul Nasser Feitoza e João Victor Ribeiro Aldinucci. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. Recorrente BRF S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 PLANO DE OPÇÃO DE AÇÕES. RETRIBUIÇÃO PELA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FATO GERADOR. Sobre a retribuição pela prestação de serviços na forma de gratificação utilidade, representado pelas opções outorgadas a executivos da pessoa jurídica, incidem as contribuições previdenciárias previstas na legislação de regência, na data do exercício das opções. PLR. PLANOS PRÓPRIOS. PARTICIPAÇÃO SINDICAL. A simples referência genérica em instrumento coletivo de negociação ao acolhimento de planos próprios não supre a exigência legal de participação da entidade sindical, ou representante por ela indicado em comissão, bem como dos trabalhadores, na fixação de regras claras e objetivas, e critérios de avaliação, destinadas aos beneficiários. JUROS DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CTN E LEGISLAÇÃO FEDERAL. PRECEDENTES STJ. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício encontra fulcro legal em diversos dispositivos do CTN e da legislação tributária federal, sendo acolhida também nas decisões do STJ a respeito do tema. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 02 40 /2 01 5- 56 Fl. 1357DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Gregorio Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini que deram provimento parcial. Votou pelas conclusões em relação aos planos Stock Options o Conselheiro Luis Henrique Dias Lima e, em relação à PLR, os Conselheiros Jamed Abdul Nasser Feitoza e João Victor Ribeiro Aldinucci. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Fl. 1358DF CARF MF Processo nº 10983.720240/201556 Acórdão n.º 2402006.051 S2C4T2 Fl. 1.358 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF) DRJ/BSB, que julgou procedente autos de infração referente às contribuições previdenciárias, incidentes sobre os valores pagos a segurados empregados a título de Bônus (Lev. BN), Distribuição Lucros (Lev. DL), Gratificação Especial (Lev. GE), Rubrica 1350 (Lev. P1), Rubrica 1351 (Lev. P2) e Stock Options (Lev. SO), em desacordo com a legislação previdenciária. Em razão do procedimento fiscal, foram lavrados os DEBCAD nº 51.040.3360 (parte da empresa e RAT) e DEBCAD nº 51.040.3379 (contribuições de terceiros). Passo a transcrever o resumo efetuado pela instância de piso relativamente às principais conclusões do Relatório Fiscal e aos termos da impugnação. 1.1 PLANO DE OPÇÕES DE COMPRA DE AÇÕES O período desse lançamento compreende as competências 03/2011, 09/2011, 11/2011, 03/2012, 05/2012, 11/2012, e tem como fato gerador o pagamento efetuado aos beneficiários do “Plano de Opções de Compra de Ações” da autuada, com a efetivação na data do exercício das opções. Em seu relatório, a fiscalização inicia discorrendo sobre plano de opção de compra de ações a preço préfixado, afirmando ser esse um dos modelos de sistemas de remuneração variável utilizado no Brasil, trazendo a legislação e a jurisprudência sobre a matéria, e concluindo pela natureza remuneratória de tal verba. Explica que os planos de opção de compra de ações dão aos seus detentores o direito de comprarem ações de sua empresa a um preço fixado dentro de certo período, sendo que as opções, freqüentemente, só podem ser exercidas depois de decorrido um período da aquisição do direito e/ou se tiverem sido preenchidas certas condições. Em sua explanação, a autoridade autuante esclarece que o preço de exercício é o preço a pagar para se obter a ação quando a opção é exercida, podendo ser estabelecido ainda um prêmio sobre o valor de mercado, e o que irá caracterizar a operação como mercantil é a existência de risco na operação. A seguir, traz considerações sobre o plano de opção de ações específico da autuada, relatando suas peculiaridades e informando que: a) a empresa apresentou Relação de Outorgas, detalhando a quantidade de opções outorgadas por beneficiário, bem como o exercício destas opções; b) o Plano da BRF visa a atração e retenção de executivos por meio da oferta de remuneração variável sob a forma de opções de ações, conforme estabelecido nos seus artigos 1 e 2 (Objetivos e Beneficiários Elegíveis); c) o prazo de carência do Plano da BRF é de 3 anos, sendo que a cada 12 meses o beneficiário adquire direito a exercer 1/3 das opções; d) o Plano destinase exclusivamente aos diretores da empresa e, conforme descrito na Proposta do Conselho de Administração para a Assembléia Geral Ordinária e Extraordinária de 24/04/2012, item 13.1.b.c, o Plano de Opção de Compra de Ações integra a remuneração variável da diretoria. Fl. 1359DF CARF MF 4 Conclui, da análise das características do Plano da autuada e das considerações da CVM no sentido de que a concessão de ações a empregados é uma forma flexível de remuneração, que o “Plano de Opção de Compra de Ações” possui natureza remuneratória, destinandose a criar um atrativo ao beneficiário, mantendo o na empresa pela promessa de ganhos futuros. Observa que a CVM detém poderes legais para disciplinar, normatizar e fiscalizar a atuação dos integrantes do mercado de valores mobiliários e assevera que o Plano de Opção da BRF tem caráter de habitualidade e se assemelha a um bônus anual, com possibilidade do exercício de 1/3 das opções outorgadas a cada ano. Informa que, como o pagamento do valor referente ao exercício das opções tem prazo de 5 dias úteis para sua efetivação, os beneficiários têm a possibilidade de alienar as ações em data anterior ao pagamento e em montante superior ao devido para a integralização das opções exercidas, evitando, assim, o próprio desembolso e afastando qualquer risco na operação, já que tem condições de escolher a melhor ocasião para o exercício. Segundo ainda a fiscalização, a ausência de risco na operação desfigura a natureza mercantil, uma vez que no momento do exercício da opção o beneficiário tem conhecimento do valor das ações, podendo ainda fazer o pagamento somente 5 dias úteis após a opção. Esclarece que o valor intrínseco é a diferença entre o valor justo (preço pelo qual a ação poderia ser vendida na Bolsa de Valores) e o preço de exercício e, no caso, a remuneração líquida é a diferença entre o valor recebido da empresa (valor de mercado) e o valor pago (valor do exercício). Elabora o Demonstrativo do Valor Intrínseco das Opções por Ocasião dos Exercícios (fls. 568/569), com subtotais por competência e discriminação por beneficiário e operação, trazendo informações de: a) valor pago no exercício, apurado a partir da “Relação de Outorgas” (fls. 364/375), com a quantidade de opções de ações, custo por ação e o valor total pago no exercício; b) valor de mercado na data do exercício, com o valor apurado a partir do preço médio da ação na data do exercício, tendo como cotação as registradas nos pregões da Bovespa e c) resultado, apurado pela diferença entre o valor de mercado na data do exercício e o valor pago no exercício, representando o acréscimo patrimonial do beneficiário em cada operação. 1.2 PROGRAMAS DE RETENÇÃO, INCENTIVO E TRANSIÇÃO Conforme relato fiscal, são programas criados com vistas ao aumento de produtividade e competitividade: a) o programa de Retenção – com o objetivo de reter profissionais estratégicos para a empresa durante o processo de unificação da Perdigão e da Sadia, tendo como participantes os gerentes, supervisores e outros profissionais indicados pelas vicepresidências; b) o de Transição referente a proposta de equalização do pagamento de Bônus, objetivando compensar empregados que tenham seu bônus reduzido e c) o de Incentivo de 2010 e 2011 relativo a Bônus concedidos a executivos definidos em múltiplos salariais, concedidos em função do desempenho medido por meio de indicadores corporativos e de desempenho individual. A autoridade lançadora afirma que, embora a empresa nomeie esses executivos como integrantes de seu PLR, ela não apresentou nenhum acordo coletivo nos quais esses programas estivessem incluídos, contrariando o disposto na Lei 10.101/00. 1.2.1 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS Fl. 1360DF CARF MF Processo nº 10983.720240/201556 Acórdão n.º 2402006.051 S2C4T2 Fl. 1.359 5 O período do lançamento compreende as competências 03/2011 e 03/2012, tendo como fato gerador, segundo entendimento da fiscalização, o pagamento de remuneração sob a rubrica “1352 – Distribuição de Lucros” à presidência da empresa (presidente e vicepresidentes), incluído na FP mas não considerado pela empresa como parcela integrante do salário de contribuição, e não declarado em GFIP. 1.2.2 PAGAMENTO DE BÔNUS O período do lançamento compreende as competências 02/2011, 04/2011, 05/2011, 01/2012 a 05/2012, tendo como fato gerador, conforme ainda entendimento da autoridade lançadora, o pagamento de remuneração sob a rubrica “1351 e 1354 – Pagamento de Bônus” a gerentes, supervisores e coordenadores, definidos pela empresa como cargos estratégicos, incluídos em FP mas não declarados em GFIP. 1.2.3 PAGAMENTO DE GRATIFICAÇÃO ESPECIAL O período do lançamento compreende as competências 01/2011 a 03/2011, 06/2011 a 11/2011, 01/2012, 03/2012 e 05/2012 a 09/2012, tendo como fato gerador, conforme a fiscalização, o pagamento de remuneração sob a rubrica “1036 – Gratificação Especial” a gerentes, supervisores e coordenadores, definidos pela empresa como cargos estratégicos, incluídos em FP mas não declarados em GFIP. 1.2.4 PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO EM RESULTADOS O período do lançamento compreende as competências 02/2011 a 03/2011, 11/2011 a 12/2011, 01/2012 a 04/2012 e 08/2012, tendo como fato gerador, segundo também entendimento fiscal, o pagamento de remuneração sob as rubricas 1350 e 1351, a título de PLR, não incluídos nas planilhas apresentadas pela empresa referente ao pagamento das Participações nos Lucros e Resultados firmadas nas Convenções Coletivas de trabalho de 2010 e 2011. O agente autuante informa que a empresa firmou Convenções Coletivas de Trabalho com diversos sindicatos representativos de seus trabalhadores, estabelecendo o PLR nos exercícios de 2010 e 2011, cujos valores foram pagos em 03/2011 e 03/2012, não se constituindo em base de incidência de contribuição previdenciária, uma vez que foram observados os mandamentos da Lei 10.101/00. Observa que os valores pagos em folha de pagamento nas rubricas 1350 e 1351 extrapolam os valores acordados no PLR da empresa, tendo sido identificados valores que somavam várias vezes o saláriobase do empregado, em desacordo com as regras negociadas. Conclui, da análise das planilhas e esclarecimentos prestados pela empresa, individualizando as quantias pagas a título de PLR, que a BRF incluiu, indistintamente, nas rubricas 1350 e 1351, valores pagos em conformidade com o PLR e valores pagos a título de prêmios e bonificações, sendo que esses últimos foram considerados base de cálculo da contribuição lançada, pois não se enquadram nas disposições da Lei 10.101/00 e não figuram entre as parcelas não integrantes da base de incidência do tributo, previstas no art. 28, § 9o, da Lei 8.212/91. 2. DA IMPUGNAÇÃO Dentro do prazo regulamentar, o contribuinte apresentou sua defesa, alegando, em apertada síntese, que: Fl. 1361DF CARF MF 6 2.1 AUSÊNCIA DE NATUREZA REMUNERATÓRIA DAS STOCK OPTIONS DA IMPUGNANTE os planos de opção de compra de ações oferecidas pela impugnantes aos seus diretores não tem natureza remuneratória; somente há que se falar em base de cálculo das contribuições previdenciárias quando a remuneração auferida tiver a finalidade de retribuir serviços efetivamente prestados, ou seja, é necessário que os pagamentos recebidos pelo empregado sejam contraprestação pelo seu labor; quaisquer valores ou vantagens recebidos pelo empregado que não sejam decorrentes de contraprestação pelo trabalho não podem ser considerados integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias, conforme também entendimento da doutrina, STJ e CARF; as stock options surgiram na década de 50 nos Estados Unidos e, no Brasil, foram introduzidas somente nos anos 80, como resultado do processo de globalização, quando inúmeras empresas estrangeiras que possuem subsidiárias no País as concederam para seus empregados e administradores, principalmente as instituições financeiras e empresas de tecnologia da informação; os planos de stock options surgiram alinhados às mais modernas doutrinas de gestão de pessoas e de motivação de colaboradores, tendo como finalidade reter e incentivar os beneficiários a contribuírem para o crescimento da companhia; tais planos buscam fomentar nos beneficiários o “sentimento de dono”, incentivandoos a alinhar os seus interesses aos dos acionistas, aumentando a possibilidade de incremento no resultado e trazendo benefício a todos, razão pela qual as opções geralmente são concedidas a pessoas com cargos estratégicos, fazendo que essas pessoas queiram permanecer na empresa e busquem contribuir para aumentar o seu valor no mercado; o art. 168, § 3º, da Lei nº 6.404/76, confere às pessoas jurídicas a faculdade de instituição dos planos de stock options no Brasil, notandose que tal dispositivo não determina que esses planos sejam instituídos como contraprestação pelo trabalho, mas, muito ao contrário, a legislação dá plena liberdade à Assembléia Geral para definir regras próprias para as stock options, o que já demonstra a improcedência das alegações da fiscalização de que a possibilidade de definição dos beneficiários pelos acionistas tiraria a natureza de contrato mercantil das opções. existem inúmeras modalidades de planos de opção de compra de ações, sendo que a questão não é tão simples como quer fazer crer a fiscalização quando cita trechos de atos normativos emitidos pela CVM e conclui que qualquer valor recebido no âmbito de qualquer plano de opção de compra de ações seria base de cálculo das contribuições previdenciárias; as deliberações da CVM não possuem o condão de determinar o que é remuneração ou não, para fins de incidência de Contribuições Previdenciárias, limitandose a tratar dos registros contábeis. o modelo mais comum de plano é aquele chamado de clássico, em que, após a Assembléia Geral definir os beneficiários que podem optar, eles, caso tenham interesse, formalizam a opção e firmase um contrato de outorga, sendo o preço das ações sempre atrelado a um valor de mercado, principalmente nas companhias abertas, sendo geralmente vinculado ao valor da ação negociada em bolsa de valores na data da outorga ou a uma média das últimas cotações dessa ação e, ao final do período de maturação, os beneficiários podem exercer a opção e adquirir as ações, Fl. 1362DF CARF MF Processo nº 10983.720240/201556 Acórdão n.º 2402006.051 S2C4T2 Fl. 1.360 7 pagando o preço da outorga, tendo a liberdade de decidir se as vendem ou as mantêm em seu patrimônio. é evidente que, caso as ações desvalorizem da data da outorga até a data do exercício das opções, as stock options não terão valor algum, já que seria mais barato adquirir ações diretamente na bolsa de valores. notase que a modalidade clássica das opções de compra de ações nada mais é que uma oportunidade de investimento concedida ao beneficiário, que pode escolher receber ou não a opção, e que qualquer desvalorização fará com que as opções virem pó, o que deixa evidente o risco a que está sujeito o beneficiário, que pode não receber um único centavo, restando clara a natureza mercantil das stock options. em recentes julgados, o TST afirmou a natureza mercantil das operações, sendo totalmente improcedente a tentativa da fiscalização de emplacar que a Justiça do Trabalho entende que as stock options têm natureza salarial, colacionando meras decisões de primeira instância; em que pese o STJ não ter se pronunciado ainda sobre o tema, já existem decisões dos TRFs que reconhecem a natureza de contrato mercantil das stock options, não havendo dúvida de que a jurisprudência caminha no sentido de pacificar o entendimento quanto à natureza mercantil dos planos de opção de compra de ações; os planos de stock options da impugnante (Plano Padrão e Plano Adicional) têm todas as características essenciais de um modelo clássico e visam reter os executivos e gestores em seus quadros, não havendo que se falar em contraprestação pelo trabalho nem em incidência das contribuições previdenciárias, como também é descabida a suposta habitualidade no pagamento, argumentada pela fiscalização; notase que os planos não são obrigatórios, mas optativos, devendo contar com a expressa adesão e concordância dos beneficiários e, quanto ao preço de compra das ações, a impugnante tomou ainda todos os cuidados para evitar qualquer discricionariedade ou arbitrariedade, instituindo que o preço seria o valor das ações nos últimos 20 pregões da bolsa anteriores à assinatura do Contrato; além de os beneficiários terem que pagar pelas ações, deixando evidente a sua onerosidade, os planos ainda aumentam o risco já existente na volatilidade das ações negociadas em bolsa de valores com a correção pelo IPCA, deixando claro que somente uma valorização significativa dos papéis da impugnante poderá ser vantajoso para os beneficiários do plano; deixase claro que todas as ações foram devidamente pagas pelos beneficiários, como pode ser verificado dos comprovantes de pagamento anexos e a fiscalização, ao alegar que o beneficiário tem cinco dias úteis para pagar pelas ações, podendo vendêlas antes de desembolsar o valor de aquisição, está utilizando apenas uma possibilidade de fato como elemento do fato gerador do tributo, o que não pode ser admitido; tal análise nunca foi feita pela fiscalização, que nunca emitiu uma única intimação aos beneficiários para lhes questionar como haviam feito o pagamento, preferindo ficar no terreno das possibilidades, fundamentando nelas o lançamento ora combatido; Fl. 1363DF CARF MF 8 a fiscalização também não se atentou para a possibilidade de o adquirente não vender as ações, mas as manter em seu patrimônio, pois tem real interesse em participar dos negócios da impugnante por um longo prazo; o risco para o beneficiário não está depois do exercício da opção, ainda que aqueles que decidam manter as ações em seu patrimônio possam perder dinheiro com a desvalorização dessas, mas o risco encontrase justamente entre o momento da outorga e o momento do exercício; as stock options estão fora da remuneração, sendo apenas incentivos de longo prazo para reter executivos, pois quem aceita receber as opções escolhe permanecer nos quadros da impugnante por pelo menos mais três anos, na expectativa de auferir um ganho com a oportunidade de investimento proporcionada pelas stock options; como a expectativa é baseada na volatilidade do mercado somada à evolução do IPCA, fica bastante evidente o risco assumido por aqueles que aceitam receber as opções, que trocam a possibilidade de mobilidade de carreira e de um eventual incremento na remuneração pela possibilidade de ganho nas stock options, que é bastante incerta; é bastante clara a natureza de contrato mercantil dos planos firmados pela impugnante, que não pode se confundir com remuneração pra fins de incidência de contribuição previdenciária, pois as opções não são outorgadas com a finalidade de retribuir o trabalho, mas com objetivos bastante diversos; 2.2 – DO ERRO MATERIAL NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE AS STOCK OPTIONS / IMPOSSIBILIDADE DE ARBITRAMENTO o agente fiscal cometeu grave equívoco ao considerar que os beneficiários teriam recebido o valor de venda das ações da própria impugnante, e a diferença entre esse valor e o preço para exercício das ações seria a sua remuneração; salientese que as ações foram vendidas na bolsa de valores a terceiros, que pagaram o preço de venda diretamente aos beneficiários; é um absurdo a presunção da fiscalização de que todos os beneficiários venderam as ações, formalizando lançamento simplesmente com base no valor de mercado destas na data do exercício, tributando fatos incertos e não provados, sem qualquer base legal, o que configura um verdadeiro arbitramento da base de cálculo, que somente pode ser efetuado caso os documentos apresentados pelo sujeito passivo sejam omissos ou não mereçam fé, o que não foi dito no presente caso; verificase que a fiscalização criou o fato gerador das contribuições lançadas em decorrência dos planos de stock options da impugnante, o que é claramente ilegal e configura erro material, em ofensa ao art. 142, do CTN, devendo levar ao cancelamento da autuação; muitos beneficiários do plano objeto da autuação são acionistas da companhia até os dias atuais, o que evidencia que a fiscalização não verificou se houve a efetiva venda das ações no mercado bursátil; a única remuneração que poderia ter sido aventada pela fiscalização como base de cálculo seria o valor da opção da ação da impugnante na data da assinatura do contrato de opção, que é negociada em Bolsa de Valores e possui preço, mas não o foi; Fl. 1364DF CARF MF Processo nº 10983.720240/201556 Acórdão n.º 2402006.051 S2C4T2 Fl. 1.361 9 resta clara a presunção e a arbitrariedade com que o lançamento ora combatido foi efetuado, culminando em erro material por ofensa ao art. 142, do CTN, razão pela qual deve ser cancelado. 2.3 DA REGULARIDADE DOS PAGAMENTOS EFETUADOS A TÍTULO DE PLR / NÃO INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS os pagamentos denominados pela fiscalização de distribuição nos lucros e bônus, são, na realidade, pagamentos a título de PLR a seus empregados, os quais foram pagos segundo as normas e métricas definidas nos Acordos de PLR e legislação previdenciária; a fiscalização não apontou qualquer vício formal quanto aos acordos coletivos firmados pela impugnante relativos aos anos de 2011 e 2012, que abrangeram todos os funcionários (entre eles o presidente, vicepresidente, gerentes, supervisores e coordenadores), que em 31/12 do ano base de apuração ainda mantinham vínculo empregatício com a empresa, e que tivessem sido admitido, no máximo, até 30/06 do mesmo ano; a forma de remuneração geral foi estabelecida de forma clara no Anexo I do Acordo, que também previam a possibilidade de existirem planos de metas específicos para certos cargos; com base nesse permissivo, a impugnante desenvolveu o denominado Programa de Incentivo de Curto Prazo (ICP), que integram o PLR da empresa e se destinam aos seus profissionais chave, tais como diretores, gerentes, entre outros, tendo sido os pagamentos efetuados no âmbito desse programa denominados de “bônus”; além desse, a impugnante ainda adotou o ICP destinado ao diretor presidente e aos vice presidentes, denominados como “distribuição de lucros”, com potencial de ganho semelhante ao ICP dos gerentes; destacase que não há qualquer impedimento legal para o estabelecimento de planos de PLR diferentes entre os empregados, como reconhecido pelo próprio CSRF, que firmou entendimento que a PLR não precisa ser extensiva a todos os trabalhadores, já que a lei assim não exige, e nem que sejam igualitários; é evidente que todos os pagamentos aos funcionários (presidente, vice presidentes, gestores e demais) foram realizados no âmbito do PLR e estão em perfeita conformidade com a legislação vigente, não incidindo contribuições sobre tais verbas, restando demonstrada a insubsistência das autuações lavradas; a fiscalização desconsiderou o parágrafo único, do item 4 e o item 4.1.7, dos Acordos Coletivos de PLR de 2011 e 2012, respectivamente, que autorizaram a impugnante a desenvolver programas de PLR específicos a diferentes cargos de seu quadro de trabalhadores e, se o próprio sindicato e representantes dos trabalhadores consentiram com tal possibilidade, não há que se falar em ausência de acordo coletivo que ampare os programas ICP, nem em desatendimento dos requisitos previstos na Lei 10.101/00; o CARF já vem decidindo no sentido de ser viável o estabelecimento de um acordo geral de PLR e a especificação e detalhamento das métricas ocorrer em momento posterior; Fl. 1365DF CARF MF 10 não há óbice legal para o estabelecimento das metas corporativas e individuais para o recebimento do PLR em documento apartado do acordo coletivo, como ocorreu no caso em tela; concluise que os PLR da impugnante foram elaborados em conformidade com as disposições da Lei 10.101/00, e que os programas IPC são integrantes desses PLR, motivo pelos quais os pagamentos efetuados no âmbito de tais programas não estão sujeitos à incidência de contribuições previdenciárias; 2.4 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS tal rubrica (“1352”) decorre do programa ICP, destinado ao presidente e aos vicepresidentes, integrante do programa de PLR da impugnante que, conforme já demonstrado, cumpre todos os requisito legais; em tal programa são fixados indicadores que, se atingidos integralmente, dá ao presidente, a título de PLR, um valor correspondente a 12 salários nominais, enquanto que os vicepresidentes receberiam 10 salários nominais; tal programa cumpre com o requisito legal de fixação de regras claras e objetivas, devendose reconhecer a insubsistência deste item dos autos de infração. 2.5 PAGAMENTO DE BÔNUS tais rubricas (“1351 e 1354”), são pagamentos efetuados com fundamento nos Planos IPC, destinados aos gestores que cumprissem com os indicadores do plano denominado “bônus”; a depender do cargo, os empregados fariam jus a receber, a título de PLR, um “bônus” que variava de 9 a 12 salários, composto de duas parcelas, a corporativa e a individual, sendo a rimeira integrada por indicadores financeiros da impugnante, como a margem EBITDA e o Lucro Líquido, e a segunda, por sua vez, incluía metas de SGB; caso se superassem as parcelas corporativas e individuais, o potencial de ganho aumentaria, fazendo com que o empregado recebesse parcela adicional, paga em forma de rateio, como por exemplo ocorreu com o gerente de vendas, Sr. Elver Vinícius Nunes; resta demonstrada a adequação do pagamento da PLR destinada aos gestores com as regras estabelecidas no Programa ICP 2011, devendo ser reconhecida a regularidade dos pagamentos sob tais rubricas, que integram o programa de PLR da impugnante que, por força da Lei 10.101/00 e da alínea “j”, do § 9o, do art. 28 da Lei 8.212/91, sobre elas não incidem contribuições previdenciárias, devendo ser cancelado também esse item dos autos de infração; 2.6 PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO EM RESULTADOS a fiscalização aceitou apenas os pagamentos de PLR que estavam na regra geral aplicável aos empregados de menor nível hierárquico, de modo que todo valor que a fiscalização chamou de excedentes, prêmios e bonificações, referiase aos ICP acima mencionados, aplicáveis aos empregados de maior nível hierárquico; o programa de PLR da impugnante é muito mais amplo do que restou considerado pela fiscalização, pois nele estão inseridos os programas ICP destinados aos gestores; o mesmo equívoco que levou a fiscalização a exigir contribuições sobre os pagamentos de distribuição de lucros e bônus, também levou a fiscalização a exigir contribuição sobre os supostos valores de PLR pagos em desacordo com o Plano; Fl. 1366DF CARF MF Processo nº 10983.720240/201556 Acórdão n.º 2402006.051 S2C4T2 Fl. 1.362 11 todo o suposto excedente nada mais é que os valores pagos no âmbito dos ICP, cuja sistemática e previsão nos acordos já foi detalhadamente explanada acima, devendo, portanto, serem cancelados os lançamentos referentes ao presente tópico, por todos eles se referirem a pagamentos efetuados a título de PLR; 2.7 DA NÃO INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SOBRE OS PAGAMENTOS EFETUADOS A TÍTULO DE “GRATIFICAÇÕES ESPECIAIS” as denominadas “gratificações especiais” eram, na realidade, “gratificações eventuais” pagas pela impugnante a empregados específicos, em uma única oportunidade quando de seu desligamento, como forma de agradecimento e compensação pela cláusula de não concorrência; são ganhos eventuais dos funcionários e não devem integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias, nos termos do item “7”, da alínea “e”, do § 9o, do art. 28, da Lei 8.212/91, e o caráter eventual da gratificação em questão pode ser comprovada pelos documentos anexados, que retratam os Termos de Rescisão dos colaboradores agraciados; as verbas eventuais não denotam a mesma tratativa no campo jurídico, uma vez que desvinculadas da habitualidade decorrente da prestação dos serviços, caráter esse intrínseco às verbas salariais; as pretensas gratificações especiais que pretende tributar a autoridade lançadora se afastam por completo do conceito de remuneração, haja vista não se tratar de verba paga com habitualidade e se materializar uma única vez quando do desligamento de um funcionário da impugnante; à luz da legislação de regência, da doutrina e da jurisprudência dominante, temse que as parcelas pagas pela impugnante a título de gratificação especial jamais tiveram o condão de remunerar os serviços prestados por seus colaboradores, já que eram pagas quando do desligamento dos funcionários, o que demonstram também o caráter eventual dessa rubrica, não havendo como se admitir sua inclusão na base imponível das contribuições previdenciárias, devendo ser integralmente cancelada autuação. Ao final, defende a ilegitimidade da incidência de juros sobre a multa de ofício. A exigência foi mantida no julgamento de primeiro grau (efls. 1025/1051), dando ensejo à interposição de recurso voluntário em 04/01/2016 (efls. 105/1130), no qual foram repisados os argumento de impugnação. Por sua vez, a PGFN apresentou suas contrarrazões às efls. 1216/1245. Em 14/11/2017 e após iniciado o julgamento do recurso voluntário na sessão de 04/10/2017, o qual interrompido por pedido de vistas a recorrente apresentou petição informando estar desistindo parcialmente do recurso, renunciando a qualquer direito ou inconformidade relativamente à incidência das contribuições previdenciárias sobre as gratificações especiais (efls. 1306/1309). É o relatório. Fl. 1367DF CARF MF 12 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Considerando o pedido de desistência parcial do recurso, relativamente ao lançamento associado às gratificações especiais, constará do presente voto apenas a fundamentação relativa às demais matérias que restaram controversas. Dos planos de opções Cabe explicar inicialmente, que o mercado de opções, em sua gênese, tratase de mercado de derivativos voltado à gestão de risco, sendo as opções direitos de compra (ou de venda), a um preço pré determinado, de um ativoobjeto em uma data específica ou até uma certa data. As opções negociadas em um mercado com liquidez são padronizadas pela instituição que o gerencia, como a empresa B3, no Brasil, a qual define as séries de opções a serem abertas, discriminadas por vencimento. Por exemplo, a BRF S.A. possuía, em 16/08/2017, diversas opções de compra negociadas naquele mercado com vencimentos em 21/08/2017, 18/09/2017 e 16/10/2017, sendo estabelecidas, pela B3, diversos preços de exercício para cada vencimento, as referidas séries de opções. Assim sendo, os agentes econômicos podem, ao comprar determinadas opções na bolsa, buscar proteção contra as oscilações de preço de mercado, caso possuam ações da empresa; poderão simplesmente especular, ao adquirir opções de compra que não precifiquem, a seu ver, adequadamente as possibilidades de incremento no valor da empresa; ou ainda, montar estratégias de renda fixa mediante o uso simultâneo de opções de compra e de venda do ativo (box de opções). Tudo isso é viabilizado pela negociação em um mercado de livre acesso, que possibilita a adequada mensuração do preço do ativo que é a opção, preço esse chamado "prêmio", o qual por sua vez requer dos operadores a consideração de elementos tais como a volatilidade do ativoobjeto, a taxa de juros do mercado, tempo entre a negociação e o vencimento da opção, assim como, por óbvio, a diferença entre o preço do ativo em questão e o preço de exercício (conhecido como strike). Para tal feito, são utilizados sofisticados modelos matemáticos, sendo os mais conhecidos dentre eles os modelos denominados "Black and Scholes" e binomial. Já as denominadas employee stock options, ora abordadas, possuem natureza bastante diversa. Fl. 1368DF CARF MF Processo nº 10983.720240/201556 Acórdão n.º 2402006.051 S2C4T2 Fl. 1.363 13 Surgiram no estrangeiro, como parte do pacote de benefícios e vantagens oferecidas a administradores e empregados, visando a sua retenção nos quadros da empresa, em especial nas de pequeno e médio porte, que, descapitalizadas, necessitavam de trabalhadores qualificados para a consecução de seus objetivos; com o tempo, se espraiaram sendo utilizadas por diferentes tipos de empresas, integrando com frequência o pacote remuneratório ofertado pelas grandes companhias, especialmente as americanas e inglesas. À evidência, a concessão de um direito de aquisição de uma participação no capital de uma empresa com potencial de crescimento, com a consequente perspectiva de valorização dessa participação ação revelase bastante atrativa, representando a outorga desse direito opção uma efetiva vantagem econômica para o beneficiário, frente ao terceiro que não possui vínculos com a companhia. Por sua vez as empresas, mesmo tendo em vista a possível diluição do valor de suas ações com o efetivo exercício das opções, com a outorga destas fazem convergir os objetivos dos investidores com o de empregados e administradores. No que tange ao direito positivo pátrio, as opções do gênero têm sua previsão no § 3º do art. 168 da Lei das S.A.: Art. 168. O estatuto pode conter autorização para aumento do capital social independentemente de reforma estatutária. (...) § 3º O estatuto pode prever que a companhia, dentro do limite de capital autorizado, e de acordo com plano aprovado pela assembléiageral, outorgue opção de compra de ações a seus administradores ou empregados, ou a pessoas naturais que prestem serviços à companhia ou a sociedade sob seu controle. Evidentemente, tal dispositivo não traz referência sobre o caráter remuneratório de tais opções, muito menos sobre a incidência de contribuições previdenciárias, por ser matéria estranha à lei que o veicula. A Comissão de Valores Mobiliários, ao tratar da matéria na qualidade de regulador dos mercados mobiliários, denotou que1: A companhia aberta empregadora pode adotar vários tipos de planos para remunerar executivos e funcionários pela outorga de opções de compra de ações emitidas pela companhia. Nos planos de outorga de ações convencionais, por exemplo, a companhia empregadora outorga opções para compra de um número fixo de ações da companhia, a um preço estabelecido, durante um período específico, em troca de serviços correntes ou futuros dos executivos e funcionários. Este tipo de remuneração é usual no mercado americano e, em menor escala, nos mercados da comunidade européia, como forma de alinhar os objetivos dos investidores ao objetivo dos administradores e empregados. (grifei) Nesse diapasão, e tendo em vista o projeto de convergência das normas contábeis brasileiras às internacionais, no caso o IFRS 2 Sharebased Payment, que trata das transações com pagamento baseado em ações e derivativos conexos, a Deliberação CVM nº 1 CVM. Ofício Circular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007. Brasíulia, 14/02/2007, item 25.3. Fl. 1369DF CARF MF 14 562/08 mais uma vez destacou, ao aprovar o Pronunciamento Técnico CPC 10, o entendimento daquele órgão acerca do caráter remuneratório das employee stock options: Deliberação CVM nº 562, de 17 de dezembro de 2008 A PRESIDENTE DA COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS – CVM torna público que o Colegiado, (...) DELIBEROU: I – aprovar e tornar obrigatório, para as companhias abertas, o Pronunciamento Técnico CPC 10, anexo à presente Deliberação, que trata de Pagamento Baseado em Ações, emitido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC; (...) 12. Em geral, ações, opções de ações ou outros instrumentos patrimoniais são concedidos aos empregados como parte da remuneração destes, adicionalmente ao salário e outros benefícios concedidos (...) Ao beneficiar empregados com a concessão de ações ou opções de ações adicionalmente a outras formas de remuneração, a entidade visa a obter benefícios adicionais (...) (grifei) O disposto no item 12 do mencionado Pronunciamento Técnico CPC 10 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, segue na mesma linha: 12. Em geral, ações, opções de ações ou outros instrumentos patrimoniais são concedidos aos empregados como parte da remuneração destes, adicionalmente ao salário e outros benefícios concedidos. Normalmente não é possível mensurar de forma direta cada componente específico do pacote de remuneração dos empregados, bem como não é possível mensurar o valor justo do pacote como umtodo. Portanto, é necessário mensurar o valor justo dos instrumentos patrimoniais outorgados. Além disso, ações e opções de ações são concedidas como parte de um acordo de pagamento de bônus ao invés de o serem como parte da remuneração básica dos empregados, ou seja, tratase de incentivo para permanecerem empregados na entidade ou de recompensa por seus esforços na melhoria do desempenho da entidade. Ao beneficiar empregados com a concessão de ações ou opções de ações adicionalmente a outras formas de remuneração, a entidade visa a obter benefícios adicionais. Em função da dificuldade de mensuração direta do valor justo dos serviços recebidos, a entidade deve mensurálos deforma indireta, ou seja, deve tomar o valor justo dos instrumentos patrimoniais outorgados como o valor justo dos serviços recebidos. (grifei) O entendimento das normas contábeis e societárias acerca da natureza remuneratória dos planos do gênero é sumarizado pela doutrina de Sérgio de Iudícibus e Eliseu Martins, à fl. 539 do Manual de Contabilidade Societária FIPECAFI (São Paulo, Editora Atlas, 2010): Algumas empresas optam por remunerar seus empregados (executivos, administradores ou outros colaboradores) por meio de pacotes que incluem ações e opções de ações. A idéia subjacente à remuneração com base em ações é fazer com que os funcionários sejam incentivados a atingir determinadas metas e, assim, se tornem, também, donos da entidade ou tenham a oportunidade de ganhar pela diferença entre o valor de mercado das ações que subscrevem e o valor da subscrição. Esse tipo de remuneração visa incentivar os empregados ao comprometimento com a maximização do valor da empresa, alinhando seus interesses com aos dos acionistas. Isso é necessário, pois de acordo com a Teoria da Agência, os empregados (agentes) e os acionistas (principais) possuem objetivos que, por muitas vezes, podem ser conflitantes. Fl. 1370DF CARF MF Processo nº 10983.720240/201556 Acórdão n.º 2402006.051 S2C4T2 Fl. 1.364 15 Nesse cenário, os planos de ações e de opções de ações constituem uma característica comum da remuneração de diretores, executivos e outros empregados. (grifei) Nessa linha, concluise que os planos de opções disponibilizados por empresas aos seus empregados e colaboradores, possuem, de uma maneira geral, ínsito caráter remuneratório e não de "operação mercantil" como alegado na peça recursal, tratandose na verdade de retribuição disponibilizada, interna corporis, em razão de vínculo de prestação de serviços contratualmente estabelecido. Registrese que eventuais decisões exaradas pelo poder judicante com entendimento em sentido diverso do ora encaminhado não vinculam este Colegiado ainda que possam auxiliar na formação do convencimento dos julgadores salvo se atinentes à lide versada nos autos, quando deverão ser simplesmente cumpridas pela administração, ou quando presentes as hipóteses previstas no art. 62 do RICARF, do que não se trata no caso. Noutro giro, há que se considerar que a seguridade social deve ser financiada, a teor dos incisos I e II do art. 195, e § 11 do art. 201 da CF, c/c o disposto nos arts. 22 e 28 da Lei nº 8.212/91, por contribuições sociais incidentes sobre os pagamentos efetuados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades, sendo necessária norma expressa, forte nos arts. 111 e 176 do CTN, para que determinada retribuição pelo trabalho não componha a base de cálculo daquelas contribuições. Vale lembrar que a redação vigente à época dos fatos do art. 457 da CLT, explicitava, ainda, que as gratificações ajustadas estavam incluídas no conceito juslaboral de remuneração. Impende assim, e a par das considerações doutrinárias e disposições legais acima expostas, passar ao caso em apreço para verificar as características particulares do plano de opção de ações em foco, com vistas a averiguar as alegações do autuado no sentido de que não possuiria tal plano caráter remuneratório, ao contrário do que sói prevalecer. De pronto, devese notar que ser a adesão ao plano uma faculdade do beneficiário em nada afeta a vantagem eventualmente auferida, decorrente do vínculo com a empresa. Uma vez aceita a outorga de opções, ocorre para aquele a incorporação de uma perspectiva de posterior aquisição de vantagem patrimonial, a qual, contudo, ainda não se reveste de condições que permitam a sua adequada mensuração, tampouco está dotada de livre disponibilidade, o que ocorrerá em momento posterior, como será visto oportunamente. Quanto à questão da habitualidade, cuidese de frisar que Arnaldo Sussekind já alertava que ela constitui "...regra jurídica tacitamente criada em decorrência da reiteração de certa conduta genérica no cenário interno da empresa2". É, então, previsibilidade qualificada por essa reiteração, que gera justa expectativa nos potenciais beneficiários da recorrência na outorga de opção de ações. No caso concreto existia a previsão de outorga anual das opções, no plano de opção de compra de ações. E, no plano de opção de compra de ações adicional, estava prevista outorga adicional de opções, caso o beneficiário comprasse ações da empresa em bolsa. Então, em ambos os planos havia a expectativa nos potenciais beneficiários da recorrência no auferimento das vantagens ofertadas, tanto pelo prisma mencionado, quanto 2 SUSSEKIND, A. In; MARANHÃO, D.;VIANNA, S; LIMA, T: Instituições do Direito do Trabalho. 21ª ed. revista e atualizada. São Paulo:LTr, 2003, v.1, p. 373. Fl. 1371DF CARF MF 16 pela possibilidade de exercício de 1/3 das opções outorgadas a cada ano, estando presente, por conseguinte, a habitualidade. De sua parte, a existência de pessoalidade no plano é inequívoca, dado que apenas os prestadores de serviço à companhia, no caso seus diretores executivos, são destinatários da outorga das opções intransferíveis. Já a retributividade exsurge clara, pois para fazerem os participantes jus à possibilidade de exercer às opções outorgadas deveriam manter o vínculo de prestação de serviços com a empresa concedente daqueles títulos, durante um certo período, o que é consubstanciado nas cláusulas fidelizatórias atinentes ao vesting period (carência) Aliás, a natureza remuneratória e retributiva dos planos em comento é atestada sucessivamente em documentos de lavra do recorrente, como este exemplo colhido pela fiscalização (efls. 669/670), da “Proposta do Conselho de Administração para a Assembléia Geral Ordinária e Extraordinária de 24/04/2012” – item 13.1.b.c – a o “Plano de Opção de Compra de Ações”: No mesmo sentido, dentre outros documentos, o folder de divulgação do plano apresenta como título "plano de remuneração de ações" (efl. 360). Sustenta a recorrente, também, que nos planos em comento os beneficiários tiveram que pagar pelas ações, o que revelaria a sua onerosidade. Porém, o financiamento no todo ou em parte da ações adquiridas por meio do exercício das opções, mesmo que torne ainda mais evidente, quando presente, o caráter remuneratório de um determinado plano, não é elemento essencial deste, sequer necessário para sua configuração. O que importa é que se constate a existência de vantagem econômica, ainda que sob a forma de utilidades, no caso opções de ações, disponibilizadas de forma exclusiva a pessoas físicas prestadoras de serviços à pessoa jurídica, em razão desse vínculo. Acrescentese que existe a possibilidade, consoante item 10.2 do plano, de o contemplado exercer as opções e vender as ações assim obtidas, para só cinco dias úteis depois fazer o pagamento do preço de exercício estipulado nas opções, cobrindo sua obrigação com o resultado da venda "10.2 O pagamento poderá ser feito pelo Beneficiário em até 5 (cinco) dias úteis após o registro das Ações em seu nome, sendo facultado ao Beneficiário o uso do saldo líquido de impostos da negociação das Ações adquiridas pelo exercício das Opções para o pagamento do Preço de Exercício". Fl. 1372DF CARF MF Processo nº 10983.720240/201556 Acórdão n.º 2402006.051 S2C4T2 Fl. 1.365 17 Em outras palavras, nesses casos nenhum desembolso será feito pelo beneficiário, que aufere o ganho sem precisar lançar mão de suas disponibilidades de caixa. Nessa sequência de considerações, importa lembrar que, em se falando de remuneração variável, existe sempre o risco de que as condições combinadas para a percepção dos rendimentos não se verifiquem, ao final do período acertado para sua implementação. Por exemplo, é perfeitamente possível que prêmios ou bônus não sejam pagos, em razão de o empregado não ter conseguido atingir as metas fixadas para que fizesse jus aos valores correspondentes. Inclusive, tal feito pode ter assim se sucedido em virtude de motivos externos ao próprio desempenho daquele, como dificuldades da empresa, problemas regulatórios, no mercado de atuação, etc. A despeito disso, o fato é que, quando recebido o prêmio, a este é reconhecido, por força das normas de regência, pacífica doutrina e jurisprudência, o caráter remuneratório. A percepção ou não de montantes associados à forma de remuneração variável não tem correlação alguma, portanto, com o reconhecimento ou não de sua natureza remuneratória; pelo contrário, apenas reforça a apreensão de sua variabilidade intrínseca, em contraposição às parcelas fixas, de feição salarial. Os planos de stock options são espécie do gênero remuneração variável, e não obstante se incorporem na expectativa dos beneficiários os ganhos deles decorrentes, estes não são em absoluto assegurados, embora possam, dependendo das condições implementadas no programa, notadamente o preço de exercício fixado, ter os riscos associados consideravelmente diminuídos. Ressaltese que a partir do momento da outorga riscos surgem, pois o preço do ativoobjeto (ação da BRF, no caso) oscila no mercado aberto. Porém tal variação não tem relevância para fins tributários, pois enquanto transcorre o período de carência podese considerar que os contratos de outorga firmados ficam sob a vigência de condição suspensiva nos termos previstos no inciso I do art. 117 do CTN, dado que o beneficiário tem a propriedade sobre um ativo, a opção outorgada, sobre o qual não tem o poder de disposição tampouco o de utilização, na medida em que não pode convertêlo no ativoobjeto a seu talante, para fins de auferir eventual vantagem econômica daí decorrente. A partir desse momento, é facultado ao beneficiário o exercício da opção. Se em dado momento, por exemplo, uma semana após o término da carência o preço da ação no mercado está em R$ 80,00, para um preço de exercício da opção fixado em R$ 25,00, e o beneficiário resolve esperar três meses para exercer a opção, por quaisquer motivos, e o preço da ação cai para R$ 50,00, ele teria deixado, a princípio, de ganhar vantagem proporcionalmente à essa diferença de preço (R$ 80,00 R$ 50,00), em virtude dessa sua decisão. Se tratam tais possibilidades, contudo, de consequências da decisão de investimento do beneficiário da opção outorgada, não desnaturando o caráter remuneratório da operação. Assim, há riscos potenciais derivados da oscilação do preço do ativoobjeto no mercado, em maior ou menor grau, dependendo da conformação do plano, bem antes do exercício. E tal risco não é muito amenizado ou aumentado, pelo fato de o preço de exercício Fl. 1373DF CARF MF 18 ser corrigido pelo IPCA, dado o conhecido descompasso entre as tendências dos índices de inflação e os movimentos do mercado acionário. Noutro giro, e passando ao que concerne à data do fato gerador e questões correlatas, há que se reiterar que, uma vez cumprido o vesting period, o beneficiário pode tomar as providências para exercer o seu direito de exercer as opções que entraram em sua esfera jurídica. Fossem opções negociadas em bolsa, bastaria que o seu proprietário, verificando que o contrato de opção tivesse valor intrínseco, dado pela diferença positiva entre a cotação do ativoobjeto no mercado (spot) e o preço de exercício da opção (strike), emitisse ordem eletrônica para o exercício da opção, convertendoa na correspondente ação. Ou seja, naquela mesma data, teria auferido ganho relativo a essa diferença de preço, por ter ingressado em seu patrimônio ação por um preço inferior ao que teria de pagar se fosse comprar esse ativo em um mercado livre. Aliás, para as opções de mercado, é possível emitir inclusive ordens casadas, ou seja, exercer a opção de compra e vender as ações advindas desse exercício mediante a mesma ordem, permitindo a liquidação por diferença. Em síntese, no caso das opções negociadas no mercado, é possível aferir a cada dia o valor intrínseco da opção, independente do seu efetivo exercício, sendo esse valor correspondente à precitada diferença positiva entre o preço do ativoobjeto e o preço de exercício da opção, tomadas naquela mesma data. Tal valor é, por conseguinte, bastante adequado para apurar a vantagem econômica obtida. Então, caso o exercício das employee stock options se desse de maneira igual ou similar, poderia se dizer que a partir do término da carência, ao detentor das opções outorgadas o valor da gratificação utilidade auferida já estaria assegurado, sendo dimensionado conforme o valor intrínseco da opção naquela data. Vencida a carência, então, o valor da utilidade conferida ao beneficiário do plano seria perfeitamente quantificável, viabilizando a mensuração do aspecto numérico do fato jurídico tributário concernente à incidência das contribuições previdenciárias nos termos dos arts. 22 e 28 da Lei nº 8.212/91, o que não era possibilitado até então, face à existência da condição suspensiva relativa à carência. Isso, independentemente de ser efetivamente exercida a opção ou não, pois a partir daí a decisão pessoal do participante de não exercer a opção não afetaria a apuração do fato gerador, já ocorrido. Sob esse prisma, e em consonância com julgados em sentido convergente relativos ao imposto de renda, este relator encaminhou em ocasião anterior (Acórdão nº 2402 005.346, j. 15/06/2016), ainda que ao final restasse vencido, voto considerando como data do fato gerador a data em que vencida a carência. Entendo, contudo, deva ser revisto tal posicionamento, tendo em vista ponderações adicionais, a seguir expostas. Na verdade, o procedimento relativo ao exercício das opções outorgadas em um plano remuneratório difere substancialmente do exercício das opções negociadas a mercado, nas quais como visto, basta a emissão de uma ordem eletrônica ao corretor e em instantes é exercida a opção anteriormente adquirida. Fl. 1374DF CARF MF Processo nº 10983.720240/201556 Acórdão n.º 2402006.051 S2C4T2 Fl. 1.366 19 Para demonstrar tal diferença, nada mais oportuno do que utilizar como exemplo o próprio caso concreto analisado, e verificar como as opções "maduras" eram exercidas, na prática, o que pode ser feito mediante a leitura de trecho do Anexo 13 da Proposta do Conselho de Administração para AGE, o qual versava sobre a remuneração dos administradores baseada em ações (efl. 369): d. Condições de aquisição Para aquisição das Ações, conforme Plano proposto, o Beneficiário deverá respeitar o período de carência (Vesting) de acordo com o descrito na letra “f” infra. Respeitado o prazo de carência e havendo o interesse do Beneficiário pelo exercício, o mesmo deverá fazêlo mediante uma notificação expressa, por escrito. Não verificados quaisquer impeditivos legais, o Conselho de Administração, na reunião ordinária do mês imediatamente seguinte ao recebimento da Notificação de Exercício, promoverá o respectivo aumento do capital social da Sociedade, dentro do limite do capital autorizado; ou realizará todos os atos necessários para autorizar a negociação privada das Ações mantidas em tesouraria de forma a conceder ao Participante as Ações referentes às Opções Maduras. O exercício da opção, realizado conforme os termos deste item, será formalizado mediante a celebração de Termo de Subscrição de Ações; Contrato de Compra e Venda de Ações; ou qualquer outro documento que venha a ser determinado pelo Conselho de Administração e/ou pela instituição financeira responsável pela escrituração das Ações, o qual deverá conter, necessariamente, as seguintes informações: (a) a quantidade de Ações adquiridas ou subscritas; (b) o Preço do Exercício; e (c) a forma de pagamento. (grifei) Resta hialino da leitura do trecho encimado que não bastava a simples manifestação de sua vontade para que o titular pudesse exercer as opções outorgadas, ainda que o preço do ativoobjeto parecesse bastante atrativo, já no fim da carência. Não obstante a notificação expressa realizada pelo beneficiário, destinada à empresa a qual seria o equivalente aproximado à ordem eletrônica nas opções de mercado deveriase esperar ainda haver a reunião do Conselho de Administração, e a posterior realização dos atos necessários, seja aumento de capital, seja negociação de ações em tesouraria, para que somente então pudessem estar disponíveis as ações correspondentes às opções objeto de exercício. Complementarmente, era preciso a formalização de Termo de Subscrição de Ações ou eventuais outros documentos para levar a seu término a conferência das ações ao beneficiário. Inexistia prazo determinado avençado ou estatuído para que tais trâmites fossem levados a efeito, o que significa que o beneficiário notificava a empresa de seu interesse em exercer as opções, mas não sabia de antemão, a princípio, qual seria a data da conversão daquelas em ações, e consequentemente, o valor de mercado que então vigoraria. Ou seja, tinha ele uma perspectiva de ganho, fato que o levou a avisar a empresa do seu interesse no exercício, mas não sabia qual seria, ao final, com o exercício, a sua medida. Fl. 1375DF CARF MF 20 Descortinado esse panorama, constatase ser deveras difícil, para não dizer inviável, atribuir um valor certo para as opções outorgadas, antes da data em que completado o procedimento do exercício, mais acima descrito. Merece realce denotar que as opções outorgadas eram pessoais e intransferíveis, carecendo da qualidade de disponibilidade, uma das facetas do direito de propriedade. Não podendo assim ser negociadas com terceiros, mesmo que vinculados à companhia, não existia um mercado secundário para a formação adequada de seu preço. Distintamente, opções "de mercado" contam com liquidez de negociação que permite a adequada mensuração de seu preço, o prêmio, com auxílio das ferramentas matemáticas dantes mencionadas3. Por sua vez, o valor intrínseco na data em que realizada a manifestação de interesse do beneficiário na outorga (notificação) não tem representatividade para aferir o ganho, porque não há certeza acerca de qual será a data em que o procedimento de exercício estará perfectibilizado, e qual será o preço do ativoobjeto na ocasião. Por sua vez, nas opções de mercado, o detentor já tem a perspectiva bastante aproximada de qual é o valor intrínseco, para qualquer data de negociação, de um modo geral, bastando consultar os preços de negociação na bolsa "online", seja do ativoobjeto, seja da própria opção. Nessa esteira, e em consonância com os argumentos já expendidos no decorrer desta fundamentação, verificase que somente na data do efetivo exercício da opção é que se incorpora definitivamente ao patrimônio do beneficiário a utilidade dotada de valor econômico determinado que lhe foi conferida pelo outorgante em decorrência do vínculo de prestação de serviços, representada pela diferença positiva de preço entre o ativoobjeto (preço médio da ação) e o preço de exercício naquela data, base de cálculo corretamente utilizada pela fiscalização no lançamento. Em outros termos, é nessa data que estão presentes os atributos de mensurabilidade e de certeza jurídica quanto à percepção da utilidade, revestida então de disponibilidade jurídica. Vale registrar ser costumeiro que o exercício de opções remuneratórias esteja associada a processo complexo, composto de várias etapas sequenciais, dentre as quais apenas a manifestação de interesse do beneficiário no exercício, por meio da necessária comunicação está no seu alvedrio; as posteriores, dependem da consecução de determinados procedimentos no âmbito da empresa outorgante. Assim, temse que o direito adquirido quando do término da carência não possui o atributo de eficácia, que depende de atos posteriores para se configurar de maneira plena. Nos termos utilizados no inciso II do art. 116 do CTN, podese considerar que ainda não está definitivamente constituída a situação jurídica que dá ensejo a ocorrência do fato gerador. A problemática relativa à matéria foi bem constatada no Relatório Final do Grupo de Peritos da Comissão Européia no estudo "O enquadramento jurídico e administrativo dos Planos de Opções de Ações para Empregados na UE"4, em passagem na qual se discute as dificuldades encontradas na tributação da vantagem econômica auferida pelos empregados, já no momento de aquisição de direito fim do prazo de carência: 3 Diversamente, no plano de opções remuneratório, a falta de disponibilidade jurídica faz com que o detentor da opção nunca possa realizar o seu valor temporal (que representa a expectativa de futuros aumentos do preço da ação subjacente, ativoobjeto), mas apenas o valor intríseco. 4 Disponível em http://ec.europa.eu/growth/content/employeestockoptionsfinalreport_pt, acesso em 14/8/2017. Fl. 1376DF CARF MF Processo nº 10983.720240/201556 Acórdão n.º 2402006.051 S2C4T2 Fl. 1.367 21 Ao contrário de uma opção nãotransaccionável e sem aquisição de direitos que apenas represente uma hipótese de ganhos futuros, a aquisição de direitos sobre uma opção constitui uma vantagem econômica concreta. A opção pode ser exercida e, se as ações puderem ser vendidas imediatamente, essa opção pode ser rapidamente convertida em dinheiro. Por esta razão, nenhum argumento relativo ao sistema fiscal vai contra a tributação no momento da aquisição de direitos. No entanto, considerando a questão da avaliação, a tributação no momento da aquisição de direitos sofre das mesmas debilidades que a tributação no momento da concessão. Além disso, a tributação no momento da aquisição de direitos pode criar problemas administrativos para as empresas que têm obrigações de apresentar relatórios e fazer reservas, uma vez que as empresas terão de instalar um "sistema de controle" de todas as opções que são concedidas. (...) Na maioria dos países, os planos de opções de acções para empregados são tributados quando a opção é exercida, ou seja, quando o preço de exercício é pago e se obtêm as ações. Habitualmente, não há qualquer problema de avaliação, pelo menos para as ações cotadas. O montante tributado é igual à diferença entre o valor de mercado, mais alto, das ações obtidas e o custo da sua obtenção, ou seja, o preço de exercício pago ("spread" (diferencial) ou valor intrínseco) mais qualquer montante que o empregado possa ter pago para obter as opções. (grifei) O direito comparado revela, então, os desafios em se dimensionar a vantagem econômica quando do fim do vesting, tanto mais quando as opções não podem ser imediatamente exercidas, e consequentemente há impedimento para as ações correspondentes serem vendidas, como no particular. Sem embargo, deve ser ressalvado que apenas a análise do caso concreto poderá revelar com clareza esses pontos, pois cada plano de stock options possui seus contornos e detalhes que podem conduzir a conclusões não necessariamente similares a ora partilhada, ainda que coerentes, por óbvio, com a situação examinada em si. De todo modo, temse como correto na espécie ter a fiscalização tomado como data do fato gerador a data do exercício do direto outorgado, momento no qual pôde ser mensurado com a necessária certeza o aspecto quantitativo da gratificação utilidade que se incorporou ao patrimônio do prestador de serviços beneficiário, representada pela diferença apurada pelo valor de mercado das ações na data do exercício (valor recebido da empresa), e o valor pago pelo beneficiário (valor de exercício). Calha assinalar que, estando associada a percepção do rendimento ao exercício da opção, se tal feito não ocorre em razão de o beneficiário não considerar os preços vigentes da ação atrativos, ou ainda por problemas intrínsecos à empresa, seja no processamento da notificação pleiteando o exercício, seja de mercado, simplesmente não ocorre o fato gerador das contribuições. Porém, ocorrendo o exercício, verificase sua hipótese de incidência em concreto. E o que acontece depois disso é irrelevante para fins tributários. O detentor das ações frutos da conversão pode permanecer com elas, sem as vender, porém sobre aquele ganho inicial remuneratório (diferença preço de mercado x preço de exercício) já houve a incidência das contribuições; a partir daí, considerando a decisão de investimento de alienar as essas ações a terceiros, poderá incidir imposto de renda, se apurado ganho de capital. São contudo, situações distintas material e temporalmente, e que não se confundem com a percepção de remuneração, como parece entender o recorrente. Fl. 1377DF CARF MF 22 Não há reparos a realizar no lançamento, portanto, no que tange a esse levantamento. Dos pagamentos a título de PLR e bônus Reza o art. 2º da Lei nº 10.101/00 (edição vigente à época): Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2oO instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. O contribuinte efetuou pagamentos a seus empregados a título de distribuição de lucros, bônus, gratificação especial e programa de participação de resultados, sob as rubricas 1352, 1351 e 1354, 1063, e 1350 e 1351, respectivamente. Defende serem, a distribuição de lucros e bônus, bem como o programa de participação de resultados, na realidade pagamentos a título de PLR realizados conforme acordo coletivo sem vício de forma. Relembrando o relatado mais acima, o bônus é pago conforme programa ICP (Incentivo de Curto Prazo) e é destinada aos gestores em geral (de diretores executivos a supervisores, ver efls. 961/965), enquanto a distribuição de lucros, também a título de ICP, é voltada ao presidente e aos vicepresidentes (efls. 966 e ss). Nessa linha, prossegue dizendo que o modo de remuneração geral foi firmado de forma clara no anexo I do acordo coletivo, acrescentando que "havia expressa previsão do parágrafo único do item 4 e o item 4.1.7", quanto à possibilidade de existirem planos de metas específicos para certos cargos e que, com base nesse permissivo, desenvolveu o denominado programa de incentivo de curto prazo (ICP), que integra o PLR da empresa e se destinam aos seus profissionais chave, tais como diretores, gerentes, entre outros. Oportuno transcrever o teor do item 4.1. do anexo do "acordo coletivo de participação nos lucros e resultados 2010/2011" (em alguns acordos, o estabelecido no Fl. 1378DF CARF MF Processo nº 10983.720240/201556 Acórdão n.º 2402006.051 S2C4T2 Fl. 1.368 23 parágrafo único é regrado, em termos praticamente idênticos, no subitem 4.1.7, sendo somente explicitado que o disposto se aplica somente aos cargos de gestão): 04. ABRANGÊNCIA: 4.1. Da forma de participação Participam deste programa todos os funcionários que em 31 de dezembro do ano base de apuração ainda mantenham vínculo empregatício com a empresa e desde que tenham sido admitidos, no máximo, até 30 de junho do mesmo ano. § único: Para os cargos/funcionários que possuem programas próprios de incentivo, a Participação nos lucros e Resultados será vinculada ao atingimento de metas estipuladas anualmente pelo Conselho de Administração com base no retorno do capital investido. A instância de origem, diante de tais dispositivos, afirmou que "em nenhum momento está dito que o PLR constante do Acordo Coletivo firmado com a categoria engloba os programas de incentivo aos executivos da empresa". Já o recorrente alega, com base nos mesmos preceitos, que os acordos "previam a possibilidade de existir planos de metas específicos para certos cargos". A leitura da disposição revela que, efetivamente, não há incorporação expressa dos programas próprios ao acordo coletivo, mas é inquestionável que se procurou vinculálos àquele, em certa medida. Em que pese a dificuldade de chegar a uma exegese inatacável acerca do alcance do dito parágrafo, face à dubiedade de sua redação, o fato é que o contribuinte, a partir dele, entende que se os representantes dos trabalhadores e o sindicato consentiram com a possibilidade de existência de planos de metas específicos para certos cargos, o que estaria evidenciado por suas assinaturas no acordo de PLR em comento, a exigência de participação sindical estaria atendida. Para reforçar o argumento, cita dois acórdãos do CARF, o de nº 9202 003.105, da CSRF (j. 25/03/2014), e o de nº 2402003.500, da 1ª Turma desta Câmara (j. 27/01/2015). Tais acórdãos, contudo, não representam precedentes satisfatórios para nortear as questões aqui discutidas, visto que, concordese ou não com o que foi neles decidido, as situações de fato são distintas. Em ambos, a regulamentação detalhada dos termos do próprio acordo coletivo foi efetuada em instrumentos adicionais. Especificamente com relação à decisão da CSRF, há ao menos indício de prova, naquele caso, que houve eleição de comissão permanente de empregados para discutir os termos da avença, com documentação de eleição desses membros, bem como está documentada nos autos a ciência dos empregados das metas e objetivos a serem alcançados. Diferentemente, na espécie temse não o detalhamento dos termos do próprio acordo em outros instrumentos, mas sim a inserção de referência a planos diversos em parágrafo de cláusula do acordo, sem qualquer sinal de prova de que as regras relativas a esses planos ou "programas" próprios tenham sido em algum momento objeto de discussão entre a empresa e seus funcionários. Fl. 1379DF CARF MF 24 Anotese, outrossim, que os programas de ICP juntados aos autos são documentos assinados pelo Presidente da BRF S.A. e que neles não há nenhuma indicação de que tenham sido estipuladas metas pelo Conselho de Administração, como requerido, em tese, pelo próprio regramento do acordo. Façase parênteses para ressalvar não se discordar da possibilidade de haver pagamentos diferenciados de PLR conforme o nível hierárquico do funcionário, prática não vedada pela Lei nº 10.101/00, desde que, é claro, não se transformem em substitutivos do salário. Por outra via, também não se revelam as regras dispostas nos documentos relativos aos ICPs dos gestores de diferentes categorias, pouco claras ou carentes de estipulação dos direitos substantivos e adjetivos requeridos pela norma de regência. Os pagamentos de bônus (rubrica 1351 e 1354) e distribuição de lucros (1352) são, reconhecese, compatíveis com os termos dos respectivos ICPs. Entretanto, mister é explicar que o pagamento pelo empregador de valores vinculados à conduta individual ou coletiva dos funcionários constituise, na generalidade das vezes, em prêmio, reconhecido por uníssona doutrina e normas trabalhistas, bem como tributárias, como forma de remuneração, do tipo incentivo salarial. Para que valores do gênero possam ser enquadrados como PLR, é imprescindível que sejam cumpridos os requisitos objetivos estabelecidos pela Lei nº 10.101/00, dentre os quais se destaca que haja efetiva negociação entre trabalhadores e empregados, com a devida participação ou supervisão da entidade sindical. Tal feito é deveras importante, mesmo se levado em conta o contexto atual de flexibilização das negociações entre as partes, pois não se pode conceber que verbas de ínsita natureza remuneratória, como prêmios salvo se observadas as salvaguardas firmadas naquele diploma sejam por via transversa retiradas do campo de incidência não só das contribuições sociais, mas também das obrigações trabalhistas, substituindo salário devido ao empregado, com prejuízo para este e para o financiamento da seguridade social. No caso dos autos, não há qualquer prova de que esses programas ou planos próprios tenham sido debatidos, ou ao menos delineados em termos gerais com os representantes dos trabalhadores. O único precário indício que se poderia considerar presente é o multicitado parágrafo único do item 4.1. do acordo coletivo, o qual não se consubstancia suficiente para atestar a efetividade da negociação. Tal fato aponta, como hipótese mais provável, que se tratam tais programas de instrumentos de premiação concebidos unilateralmente pelo empregador, e depois inseridos no bojo do acordo coletivo visando, precipuamente, darlhes um "verniz" de PLR conforme à lei. Conjecturas à parte, a realidade é que não resta comprovado terem sidos os termos dos planos próprios sido submetidos a qualquer tipo de negociação entre o recorrente e seus funcionários. Reiterese que nada impede que a pessoa jurídica pague prêmios e outros benefícios a seus empregados, mas a distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados requer o estrito atendimento aos requisitos dispostos na Lei nº 10.101/00, que abriga a positivação legal dos preceitos do inciso XI do art. 7º da CF. Sem isso, os pagamentos eventualmente realizados não estão contemplados com os preceitos isentivos previstos naquele diploma legal. Fl. 1380DF CARF MF Processo nº 10983.720240/201556 Acórdão n.º 2402006.051 S2C4T2 Fl. 1.369 25 Vide, a respeito do assunto, recente decisão da CSRF, no Acórdão nº 9202 005.707 (j. 29/08/2017), cuja ementa se transcreve: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS PARA FIXAÇÃO DO DIREITO À PERCEPÇÃO. Os instrumentos decorrentes da negociação deverão conter regras claras e objetivos quanto à fixação dos direitos substantivos de participação nos lucros ou resultados. Para caracterização de regras claras, é necessária a existência de mecanismos de aferição do resultado do esforço inteiramente presentes no acordo já em sua celebração, para que possam ser conhecidos e escrutinados pelos envolvidos na negociação. Por fim, há que se mencionar que não se vislumbra qualquer reforma a realizar no cômputo das infrações relativas às rubricas 1350 e 1351, "participação nos lucros", em levantamento que abrangeu apenas os pagamentos que excederam o acordo coletivo. Como bem discorrido pela instância de piso: O PLR acordado entre a empresa e os sindicatos, por meio do Acordo Coletivo, estabeleceu que a participação de cada funcionário deveria ser proporcional a seu saláriobase, respeitado um piso mínimo de R$250,00, para o ano de 2010, e R$300,00, para o ano 2011. Entretanto, verificouse que o pagamentos nas rubricas 1350 e 1351 extrapolaram os valores descritos nas planilhas apresentadas pela empresa, que trazem o cálculo previsto no acordo coletivo, sendo que alguns pagamentos somavam várias vezes o saláriobase do empregado, em desacordo com as regras negociadas no PLR. Da análise das informações prestadas pela empresa, a fiscalização constatou que a impugnante incluiu nas rubricas 1350 e 1351, além dos valores acordados no PLR, valores pagos a títulos de prêmios e bonificações de seus empregados. A autuada alega que todo valor que a fiscalização chamou de excedentes, prêmios e bonificações, referiase aos ICP acima mencionados, aplicáveis aos empregados de maior nível hierárquico. Contudo, diferentemente do que afirma a autuada, verificase que esses pagamentos foram realizados aos mesmos empregados que receberam os valores relativos ao PLR objeto do Acordo Coletivo. Portanto, esse valor excedente tratase de pagamento de prêmios e gratificações, que não foram objeto das Convenções Coletivas de Trabalho de 2010 e 2011. Anotese que não foram detalhadas as situações concretas para as quais as premissas adotadas pela fiscalização não correspondessem aos valores apurados, motivo pelo qual não há reparos a realizar no lançamento, também nesse particular. Dos juros sobre a multa de ofício O caput do art. 161 do CTN assim dispõe: Fl. 1381DF CARF MF 26 Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Na sistemática do CTN, a obrigação tributária principal é de ínsita natureza pecuniária, sendo composta por tributo e multa, nos termos do seu art. 113 e §§. Os arts. 139 e 142 do Código deixam claro que o crédito tributário tem a mesma natureza da obrigação principal, podendo ser assim, composto tanto por tributo quanto por multa. Destarte, o art. 161 supra, quando trata do crédito tributário, está tratando da obrigação principal revestida de exigibilidade, a qual, não paga no vencimento, está sujeita a juros de mora. Portanto, a incidência dos juros em apreço sobre as multas que porventura componham o crédito tributário é preceito estabelecido no CTN. O legislador ordinário respeitou os parâmetros da lei complementar, ao regrar no art. 61 da Lei nº 9430/96, que os débitos decorrentes de tributos e contribuições sofrem incidência de juros de mora. A saber, o termo"decorrente" significa consequente, ou seja, além do tributo propriamente dito, os débitos que lhe dele são resultantes, ainda que não necessariamente, tais como as multas de ofício proporcionais, as quais também deverão ser acrescidas dos juros. Em consonância com esse entendimento, vale lembrar que o § 8º do art. 84 da Lei nº 8.981/95, reza que os juros de mora se aplicam aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, categoria na qual se incluem, logicamente, as multas de ofício, sejam proporcionais ou lançadas isoladamente. A jurisprudência do STJ consolidouse nesse sentido, conforme se depreende da leitura da ementa do acórdão do AgRg noREspnº 1.335.688/PR (1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 10/12/2012) : PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (grifei) Do REsp nº 1.129.990/PR (2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 14/09/2009) convém colacionar o seguinte trecho do Voto condutor, aclarando a questão: De maneira simplificada, os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, advém a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, Fl. 1382DF CARF MF Processo nº 10983.720240/201556 Acórdão n.º 2402006.051 S2C4T2 Fl. 1.370 27 constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. Em suma, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 1383DF CARF MF
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Numero do processo: 19311.720151/2015-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011, 2012
NULIDADE. INOCORRÊNCIA DAS HIPÓTESES PREVISTAS NO PAF. AFASTAMENTO QUE SE IMPÕE.
Não estando configurada nenhuma das hipóteses elencadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, impõe-se o afastamento do pedido de nulidade.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011, 2012
LUCRO PRESUMIDO. APURAÇÃO DE RECEITA ACIMA DO LIMITE LEGAL PARA MANUTENÇÃO NO REGIME. CONSIDERAÇÃO DA RECEITA DO MESMO ANO EM QUE FOI FEITA A EXCLUSÃO DO REGIME. ERRO DE MOTIVAÇÃO.
Os efeitos da exclusão de empresa optante pelo lucro presumido com fulcro na obtenção de receita bruta acima do limite legal somente devem atribuídos no ano seguinte àquele em que a empresa apurou a receita acima do limite. Se a fiscalização fundamentou a exclusão efetuada em 2011 baseada na receita bruta de 2011 e a exclusão efetuada em 2012 baseada na receita bruta de 2012, resta claro o erro de motivação do lançamento.
PASSIVO FICTÍCIO. ANÁLISE PREJUDICADA EM RAZÃO DO ERRO DE MOTIVAÇÃO PARA A EXCLUSÃO DO LUCRO PRESUMIDO.
Se o erro de motivação ensejou a improcedência do lançamento, eventual fato gerador decorrente de omissão de receitas por passivo fictício resta prejudicado.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Por se tratarem dos mesmos elementos de prova, aplica-se à CSLL, ao PIS e à COFINS tudo o quando foi decidido em relação ao IRPJ.
Numero da decisão: 1401-002.201
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade, e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011, 2012 NULIDADE. INOCORRÊNCIA DAS HIPÓTESES PREVISTAS NO PAF. AFASTAMENTO QUE SE IMPÕE. Não estando configurada nenhuma das hipóteses elencadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, impõe-se o afastamento do pedido de nulidade. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011, 2012 LUCRO PRESUMIDO. APURAÇÃO DE RECEITA ACIMA DO LIMITE LEGAL PARA MANUTENÇÃO NO REGIME. CONSIDERAÇÃO DA RECEITA DO MESMO ANO EM QUE FOI FEITA A EXCLUSÃO DO REGIME. ERRO DE MOTIVAÇÃO. Os efeitos da exclusão de empresa optante pelo lucro presumido com fulcro na obtenção de receita bruta acima do limite legal somente devem atribuídos no ano seguinte àquele em que a empresa apurou a receita acima do limite. Se a fiscalização fundamentou a exclusão efetuada em 2011 baseada na receita bruta de 2011 e a exclusão efetuada em 2012 baseada na receita bruta de 2012, resta claro o erro de motivação do lançamento. PASSIVO FICTÍCIO. ANÁLISE PREJUDICADA EM RAZÃO DO ERRO DE MOTIVAÇÃO PARA A EXCLUSÃO DO LUCRO PRESUMIDO. Se o erro de motivação ensejou a improcedência do lançamento, eventual fato gerador decorrente de omissão de receitas por passivo fictício resta prejudicado. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Por se tratarem dos mesmos elementos de prova, aplica-se à CSLL, ao PIS e à COFINS tudo o quando foi decidido em relação ao IRPJ.
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INOCORRÊNCIA DAS HIPÓTESES PREVISTAS NO PAF. AFASTAMENTO QUE SE IMPÕE. Não estando configurada nenhuma das hipóteses elencadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, impõese o afastamento do pedido de nulidade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 LUCRO PRESUMIDO. APURAÇÃO DE RECEITA ACIMA DO LIMITE LEGAL PARA MANUTENÇÃO NO REGIME. CONSIDERAÇÃO DA RECEITA DO MESMO ANO EM QUE FOI FEITA A EXCLUSÃO DO REGIME. ERRO DE MOTIVAÇÃO. Os efeitos da exclusão de empresa optante pelo lucro presumido com fulcro na obtenção de receita bruta acima do limite legal somente devem atribuídos no ano seguinte àquele em que a empresa apurou a receita acima do limite. Se a fiscalização fundamentou a exclusão efetuada em 2011 baseada na receita bruta de 2011 e a exclusão efetuada em 2012 baseada na receita bruta de 2012, resta claro o erro de motivação do lançamento. PASSIVO FICTÍCIO. ANÁLISE PREJUDICADA EM RAZÃO DO ERRO DE MOTIVAÇÃO PARA A EXCLUSÃO DO LUCRO PRESUMIDO. Se o erro de motivação ensejou a improcedência do lançamento, eventual fato gerador decorrente de omissão de receitas por passivo fictício resta prejudicado. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Por se tratarem dos mesmos elementos de prova, aplicase à CSLL, ao PIS e à COFINS tudo o quando foi decidido em relação ao IRPJ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 01 51 /2 01 5- 97 Fl. 6864DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade, e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSB), que, por meio do Acórdão 0372.084, de 23 de setembro de 2016, julgou improcedente a impugnação apresentada pela empresa, mantendo o lançamento fiscal na íntegra. Reproduzo, por oportuno, o teor do relatório constante no acórdão da DRJ: (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) A ação fiscal teve início em 03/04/2014, com a solicitação da autoridade fiscal de diversos documentos conforme o Termo de Início de Procedimento Fiscal (TIPF). Após prorrogações de prazo, o contribuinte foi intimado a esclarecer pelo Termo de Intimação Fiscal (TIF) 03 a opção pelo Lucro Presumido a despeito de suas receitas declaradas excederem o limite para 2011 e 2012. Após prorrogações, a autoridade fiscal solicitou a escrituração contábil do anocalendário de 2010. Pelo TIF nº 5 a autoridade fiscal solicitou os extratos bancários dos anos calendário de 2010, 2011, 2012, relação de bens Diários e Razão daqueles anos. Em 19 de dezembro de 2014 a autoridade fiscal solicitou esclarecimentos sobre a regularização legal da escrituração fiscal. Em 14 de maio de 2015 a autoridade fiscal intimou o contribuinte a justificar várias operações constantes do livro Diário. Fl. 6865DF CARF MF Processo nº 19311.720151/201597 Acórdão n.º 1401002.201 S1C4T1 Fl. 6.865 3 A autoridade fiscal intimou o contribuinte a preencher os formulários denominados “composição do passivo circulante e não circulante”, fornecendo os documentos de origem da dívida e os pagamentos dessas obrigações. A autoridade fiscal constatou o não preenchimento dos formulários, bem como a não apresentação dos documentos relativos às dívidas contraídas sob a rubrica contábil “créditos de pessoas ligadas (físicas/jurídicas)”, e “empréstimos de sócios/Acionistas não adm” referente ao anocalendário de 2011 e 2012, conforme DIPJs. Diante disso, a autoridade fiscal apurou “omissão de receitas” nos anos calendário de 2011 e 2012, caracterizada na forma de passivo fictício, nos termos do art. 281 do RIR/99. O arbitramento foi efetuado, pois o contribuinte não poderia optar pelo lucro presumido devido às receitas por ela declaradas. Os autos de infração totalizaram: IRPJ R$ 29.984.434,33, CSLL R$ 7.717.386,87, PIS R$ 3.472.319,78, Cofins R$ 14.608.897,92. O contribuinte apresentou a sua impugnação no dia 21 de outubro de 2015 (ciência no dia 23 de setembro de 2015) que em apertada síntese alega: DA NULIDADE DO LANÇAMENTO Teria havido erro na determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, pois, qualquer erro no lançamento o tornaria nulo. Seria nulo, também, por ter procedido o arbitramento em vez do Lucro Real. Também seria nulo, pois, não foi oportunizado ao impugnante a possibilidade de enquadramento no Lucro Real, tendo havido, então, cerceamento ao direito de defesa. Também seria nulo, pois, houve erro na determinação da base de cálculo do Lucro Arbitrado, pois, foram considerados os empréstimos ofertados por terceiros. A impugnante entende que não se pode imputar a acusação de omissão de receitas a empréstimos contabilizados. Em anexo acórdãos administrativos. A impugnante afirma que a fiscalização imputou a acusação de que deveria ela estar no Lucro Real devido aos empréstimos, e isto não procederia. A fiscalização teria considerado como receita tributária os empréstimos. A impugnante alega que as tabelas apresentadas são provas de seu endividamento (empréstimos). Provas adicionais de terceiros como extratos bancários seriam protegidas por sigilo bancário, e não caberia a empresa fornecer, mas sim a fiscalização. O endividamento contraído junto as pessoa ligadas, sem comprovação, não era ônus da impugnante, mas sim da fiscalização. O fato das receitas declaradas serem superiores ao permitido para o Lucro Presumido não procedem, pois, a fiscalização deveria saber que a empresa atua no ramo de corretagem, e as receitas não lhe pertencem. Alega que a fiscalização deveria ter quebrado o sigilo bancário do contribuinte para saber que as receitas não eram dele. Fl. 6866DF CARF MF 4 A fiscalização deveria ter imputado a omissão no Lucro Real, e não no Arbitrado. Os fatos seriam desconhecidos, e assim, não poderia ter a presunção. O arbitramento se dá quando a escrita for imprestável para apuração do Lucro Real. Alega que o art. 148 do CTN implica em contraditório. O arbitramento não pode considerar as receitas, mas apenas a renda efetiva obtida. Assim, a receita total omitida não pode compor o Lucro Arbitrado. A impugnante entende não haver passivo fictício, e que a autuação se deu por inferência. (término da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) A 15ª Turma da DRJ/RJO, por meio do Acórdão 0372.084, de 23 de setembro de 2016, julgou improcedente a impugnação apresentada pela empresa, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 ARBITRAMENTO Uma das hipóteses da apuração do imposto devido se dar por arbitramento ocorre quando a contribuinte opta indevidamente pelo Lucro Presumido. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. A manutenção no passivo de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada faz presumir a ocorrência de omissão de receitas. DA TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Lançamentos reflexos. Ao se decidir de forma exaustiva a matéria referenciada ao lançamento principal de IRPJ, a solução adotada espraia seus efeitos aos lançamentos reflexos, próprio da sistemática de tributação das pessoas jurídicas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada eletronicamente da decisão de DRJ em 24/01/2017 (efl. 256), e insatisfeita com a decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário (efls. 260 a 276) em 22/02/2017 (efl. 258), em que apresenta os seguintes argumentos: II. PRELIMINARMENTE II.1. DOS ARGUMENTOS EXPOSTOS NA IMPUGNAÇÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA Fl. 6867DF CARF MF Processo nº 19311.720151/201597 Acórdão n.º 1401002.201 S1C4T1 Fl. 6.866 5 Alega que a decisão recorrida se limitou a manter a exigência, desconsiderando os argumentos jurídicos apresentados na impugnação, assim como as provas produzidas na peça de defesa inicial. Assim, reitera as razões contidas na impugnação e pede que este colegiado analiseas. II.2. DA AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA A recorrente alega que a delegacia de piso não apresentou argumentos lógicos e concatenados, a ponto de rebater todas as argumentações apresentadas na peça impugnatória, o que teria cerceado seu direito de defesa. Com efeito, em sua defesa inicial, a Recorrente apresentou argumentos mais do que suficientes a infirmar a autuação lavrada. Todavia, o Julgador a quo somente os apreciou de maneira superficial, violando de maneira insanável a legalidade, a ampla defesa e o contraditório que devem pautar todos os atos administrativos (artigos 5°, LV e 37, Constituição Federal). III. MERITORIAMENTE III.1. DA IMPOSSIBILIDADE DE ARBITRAMENTO DO LUCRO QUANTO AO ANOCALENDÁRIO 2011 – EXERCÍCIO 2012 A recorrente alega que a fiscalização arbitrou, indevidamente, o lucro do ano calendário de 2011. Isto porque a fiscalização se utilizou da receita bruta declarada pela recorrente no próprio anocalendário de 2011, para fundamentar o arbitramento do lucro, em razão do faturamento ultrapassar o limite para manutenção do lucro presumido. Segundo a recorrente, o limite a ser verificado é em relação à receita bruta auferida no anocalendário imediatamente anterior. No caso, informa que não há provas de que a receita bruta do anocalendário de 2010, tenha ultrapassado o limite de R$ 48.000.000,00, conforme redação, da época dos fatos, do art. 46 da Lei nº 10.637/2002. Assim, pede pelo cancelamento do lançamento quanto ao anocalendário de 2011. III.2. DA INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO DE RECEITAS Alega a recorrente que a escrituração contábil continha todas as informações sobre os empréstimos contratados nos anos de 2011 e 2012. Entretanto, o fisco ignorou as informações constantes na contabilidade e efetuou o lançamento fiscal. Assim, a recorrente conclui seu pedido: De outra parte, vêse que fisco simplesmente subtraiu o saldo final de um período do saldo final do período anterior e considerou toda a variação como receita omitida. O mínimo que deveria o fisco fazer é identificar quais os valores que considerou como receitas omitidas e notificar o contribuinte para este comprovasse sua origem. Isso não foi feito, logo não há como se manter a inclusão de tais importâncias na base de cálculo do imposto a título de omissão de receitas. Fl. 6868DF CARF MF 6 No CARF, coube a mim a relatoria do processo. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Como visto, a fiscalização autuou a empresa por 2 motivos: 1) a empresa optou indevidamente pelo lucro presumido, uma vez que a receita bruta apurada nos anos de 2011 e 2012 ultrapassaram o limite para manutenção em tal regime de apuração do IRPJ; assim, a fiscalização arbitrou o lucro da empresa com base no art. 530, IV, do RIR/99; 2) a empresa manteve em sua conta de passivo obrigações cuja exigibilidade não foi comprovada, o que gerou omissão de receitas por passivo fictício. Desta forma, procurarei abordar todos os questionamentos trazidos pela recorrente em sua peça recursal, tentando respeitar a ordem cronológica ali estabelecida. Documentos apresentados após o prazo do recurso voluntário Na data de 07/02/2018, a recorrente juntou ao processo pedido de anexação de documentos, dentre eles petição em que repisa os argumentos contidos no recurso voluntário. Na petição, a recorrente alega questão de ordem pública, que se resume no que segue (efl. 4.989 e 4.990): i) nulidade do lançamento por vício de motivação, na medida em o fato determinando do arbitramento não ocorreu, a saber: o não preenchimento do formulário solicitado pelo “Termo de Intimação Fiscal” de fls. 35/47; a recusa da recorrente em apresentar documentos; e irregularidade na opção pelo lucro presumido no anocalendário 2011. ii) nulidade do lançamento em razão dos vícios atinentes ao TDPF e MPF, eis que não havia autorização para fiscalização e lançamento da CSLL, do PIS e da COFINS; Fl. 6869DF CARF MF Processo nº 19311.720151/201597 Acórdão n.º 1401002.201 S1C4T1 Fl. 6.867 7 iii) nulidade do auto de infração pelo indevido arbitramento para o ano calendário 2011, pois havia a mais absoluta regularidade pela opção do lucro presumido para este período; e iv) nulidade do lançamento por erro na técnica de arbitramento empregada pela Fiscalização. A recorrente também apresenta outras questões de mérito. Entendo que nenhum dos argumentos ofertados pela recorrente subsumemse à hipótese de nulidade do lançamento fiscal, mas sim trazem questões relevantes relativas ao mérito, que serão enfrentadas mais adiante. PRELIMINARES DE NULIDADE Alega a empresa autuada que nem todos os argumentos apresentados na impugnação foram contraargumentados pela DRJ. Não entendo ter razão a recorrente. Cabe esclarecer que o julgador não precisa enfrentar todos os pontos questionados pela empresa autuada, se já formou seu convencimento por meio das questões mais essenciais trazidas no recurso, desde que tais questões sejam fundamentais para o julgamento da lide e a falta de discussão de outros pontos não permita violação ao direito de defesa da empresa. O Ministro do STF Francisco Galvão, em decisão monocrática proferida no Recurso Especial nº 792.497, em 10/11/2005, também convergiu seu entendimento no mesmo sentido: Como é de sabença geral, o julgador não está obrigado a discorrer sobre todos os regramentos legais ou todos os argumentos alavancados pelas partes. As proposições poderão ou não ser explicitamente dissecadas pelo magistrado, que só estará obrigado a examinar a contenda nos limites da demanda, fundamentando o seu proceder de acordo com o livre convencimento, baseado nos aspectos pertinentes à hipótese sub judice e com a legislação que entender aplicável ao caso concreto. Nesse sentido, confiramse os seguintes julgados, verbis: (...) 1. Não ocorre violação do art. 535, do CPC, quando o acórdão recorrido não denota qualquer omissão, contradição ou obscuridade no referente à tutela prestada, uma vez que o julgador não se obriga a examinar todas e quaisquer argumentações trazidas pelos litigantes a juízo, senão aquelas necessárias e suficientes ao deslinde da controvérsia. (...)Resp nº 394.768/DF, DJ 01/07/2002, pág. 247) 1. Inexiste violação ao art. 535, I e II do CPC, se o Tribunal a quo, de forma clara e precisa, pronunciouse acerca dos fundamentos suficientes à prestação jurisdicional invocada. (...) AG Resp nº 109.122/PR, DJ 08/09/2003, p. 263.” Fl. 6870DF CARF MF 8 Além disso, a empresa alega cerceamento de seu direito de defesa, e ainda violação aos princípios da legalidade, ampla defesa e contraditório. Como já reproduzido acima, o art. 59 da Decreto nº 70.235/1972 estabelece as hipóteses de nulidade do lançamento fiscal: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Apesar de constar como nulidade o cerceamento do direito de defesa, não vejo presente no caso concreto. Em análise da peça recursal, percebese que a empresa apenas argumenta a violação, mas não traz nenhum exemplo do que poderia ter cerceado seu direito de defesa. Desta forma, afasto as preliminares de nulidade. MÉRITO A recorrente alega que a fiscalização indicou que o arbitramento se deu em razão da ultrapassagem do limite para a manutenção da apuração do IRPJ no lucro presumido. Embora a recorrente só tenha apresentado este argumento no recurso voluntário, entendo que esta é uma questão que deve ser enfrentada por este relator, porque está intimamente ligada ao fundamento legal da infração. Pois bem. A fiscalização arbitrou o lucro da empresa com base no art. 530, IV, do RIR/99, vejase: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; O arbitramento se deu em razão da empresa ter optado indevidamente pelo lucro presumido nos anos de 2011 e 2012, por ter auferido receita bruta nos anos de 2011 e 2012 acima do limite permitido para a manutenção no lucro presumido. Veja no trecho do Termo de Constatação Fiscal o fundamento utilizado pela fiscalização para excluir a empresa do lucro presumido (efls. 110 a 112): 2.3 O contribuinte optou indevidamente pelo Lucro Presumido, no ano calendário de 2011, exercício de 2012, e no anocalendário de 2012, exercício de 2013. Fl. 6871DF CARF MF Processo nº 19311.720151/201597 Acórdão n.º 1401002.201 S1C4T1 Fl. 6.868 9 (...) Motivação para a exclusão do lucro presumido do ano de 2011: (...) 2.7 O contribuinte entregou a DIPJ, referente ao anocalendário de 2011, exercício de 2012, com a opção indevida pelo Lucro Presumido, informando os seguintes valores na sua DIPJ, sujeitandose à tributação do Imposto de Renda com base no coeficiente de 32%, a título de Lucro Presumido: 1º TRIMESTRE 2º TRIMESTRE 3º TRIMESTRE 4º TRIMESTRE TOTAL Receita Declarada Receita Declarada Receita Declarada Receita Declarada 14.864.326,70 14.884.464,11 16.360.455,90 16.218.561,17 62.327.807,88 Lucro Apurado Lucro Apurado Lucro Apurado Lucro Apurado 4.756.584,54 4.763.028,52 5.235.345,89 5.189.939,57 19.944.898,52 IR apurado IR apurado IR apurado IR apurado 713.487,68 714.454,28 785.301,88 778.490,94 2.991.734,78 Adicional Adicional Adicional Adicional 469.658,45 470.302,85 517.534,59 512.993,96 1.970.489,85 IR Devido IR Devido IR Devido IR Devido 1.183.146,13 1.184.757,13 1.302.836,47 1.291.484,90 4.962.224,63 Dedução Dedução Dedução Dedução 22.001,19 66.003,57 67.762,38 47.520,00 203.287,14 IR pago IR pago IR pago IR pago 1.161.144,94 1.118.753,56 1.235.074,09 1.243.964,90 4.758.937,49 (...) Motivação para a exclusão do lucro presumido do ano de 2012: (...) 2.8 O contribuinte entregou a DIPJ, referente ao anocalendário de 2012, exercício de 2013, com a opção indevida pelo Lucro Presumido, informando os seguintes valores na sua DIPJ, sujeitandose à tributação do Imposto de Renda com base no coeficiente de 32%, a título de Lucro Presumido: Fl. 6872DF CARF MF 10 1º TRIMESTRE 2º TRIMESTRE 3º TRIMESTRE 4º TRIMESTRE TOTAL Receita Declarada Receita Declarada Receita Declarada Receita Declarada 17.933.834,08 14.775.526,36 16.509.052,92 17.255.709,71 66.474.123,07 Lucro Apurado Lucro Apurado Lucro Apurado Lucro Apurado 5.738.826,91 4.728.168,44 5.282.896,93 5.521.827,11 21.271.719,39 IR apurado IR apurado IR apurado IR apurado 860.824,04 709.225,27 792.434,54 828.274,07 3.190.757,92 Adicional Adicional Adicional Adicional 567.882,69 466.814,84 522.289,69 546.182,71 2.103.171,93 IR Devido IR Devido IR Devido IR Devido 1.428.706,73 1.176.042,11 1.314.724,23 1.374.456,78 5.293.929,85 Dedução Dedução Dedução Dedução 95.040,00 47.520,00 71.280,00 74.986,56 288.826,56 IR pago IR pago IR pago IR pago 1.333.666,73 1.128.522,11 1.243.444,23 1.299.470,22 5.005.103,29 Como visto, a receita apurada relativa ao ano de 2011 foi considerada para a exclusão da empresa do lucro presumido do próprio ano de 2011. Assim também foi feito em relação ao ano de 2012, em que foi considerada para a exclusão da empresa do lucro presumido a receita do próprio ano de 2012. Entretanto, a fiscalização deveria verificar as receitas brutas auferidas pela empresa nos anoscalendário de 2010 e 2011, para que constatar se a empresa poderia optar pelo lucro presumido nos anoscalendário de 2011 e 2012, respectivamente, conforme redação do art. 13 da Lei nº 9.718/1998, com redação dada pela Lei nº 10.637/2002: Art. 13. A pessoa jurídica cuja receita bruta total, no ano calendário anterior, tenha sido igual ou inferior a R$ 48.000.000,00 (quarenta e oito milhões de reais), ou a R$ 4.000.000,00 (quatro milhões de reais) multiplicado pelo número de meses de atividade do anocalendário anterior, quando inferior a 12 (doze) meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido. (destaquei) E, como visto alhures, não foi isso que aconteceu! Tornase mais cristalino o erro da auditoria fiscal quando se percebe que a receita de 2010, por exemplo, sequer foi destacada pela fiscalização para que fosse caracterizada a opção indevida pelo lucro presumido no ano de 2011. O que se percebe é que a fiscalização pode ter confundido a base de lançamento do lucro arbitrado, que é a receita bruta do ano que se quer tributar, no caso, 2011 e 2012, com a base para caracterizar a opção indevida pelo lucro presumido, no caso, 2010 e 2011, respectivamente. Fl. 6873DF CARF MF Processo nº 19311.720151/201597 Acórdão n.º 1401002.201 S1C4T1 Fl. 6.869 11 Este equívoco cometido pelo fisco consubstanciase em erro de motivação do lançamento fiscal, pois alcança a própria substância do lançamento. E mesmo que se saiba que a receita do ano de 2011 ultrapassara o limite legal para a manutenção no presumido, o que poderia justificar a sustentação do lançamento para o ano de 2012, sabese que não foi esse o fundamento da exclusão do lucro presumido do ano de 2012, por parte da fiscalização. Caso este julgador se servisse deste fundamento, entendo que estaria inovando no critério jurídico do lançamento fiscal, o que seria causa de nulidade do acórdão desta instância, conforme dita o art. 146 do CTN: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Desta forma, entendo que o lançamento deve ser exonerado pelas razões acima dispostas. Quanto ao passivo fictício, como o lançamento fiscal apresentou o erro de motivação já descrito acima, não cabe a este julgador embrenharse na existência de omissão de receitas por passivo fictício, eis que a exclusão da empresa do lucro presumido contém um vício insanável. Outrossim, tornase prejudicada a tributação reflexa da CSLL, do PIS e da COFINS, em razão da exoneração do lançamento do IRPJ, devendo também ser exoneradas tais contribuições sociais. Conclusão Diante do exposto, voto por AFASTAR as preliminares de nulidade e, no mérito, voto por DAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 6874DF CARF MF 12 Fl. 6875DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.000953/2005-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/06/2003
PIS. DECRETOS-LEI N° 2445/88 E 2449/88. PROCESSO JUDICIAL. APLICAÇÃO DE DECISÃO PROFERIDA NOS AUTOS. A decisão judicial deve ser reconhecida e devidamente aplicada pelo órgão administrativo de julgamento. Comprovado o recolhimento a maior a título de PIS, à época dos declarados inconstitucionais Decretos-Lei nº 2445/88 e 2449/88, resta evidente o direito à compensação de tais valores.
PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. SÚMULA CARF Nº 15 (VINCULANTE). A base de cálculo do PIS das empresas industriais e comerciais, até a data em que passou a viger as modificações introduzidas pela Medida Provisória nº 1.212/95 (29/02/1996), era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária, podendo a semestralidade ser reconhecida de ofício. Aplicação da Súmula CARF nº 15, vinculante.
DILIGÊNCIA. RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. JUNHO/2003. Em processo de diligência fiscal, determinado nos autos do processo n° 10855.000880/2003-78, foi reconhecido o indébito alegado pelo contribuinte. Crédito extinto, nos termos do art. 156, II, do CTN, para o período de apuração de junho/2003.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-004.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
José Henrique Mauri - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1976; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 326 1 325 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.000953/200593 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301004.269 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 2 de fevereiro de 2018 Matéria Contribuição para o PIS/Pasep Recorrente Catalent Brasil Ltda Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/06/2003 PIS. DECRETOSLEI N° 2445/88 E 2449/88. PROCESSO JUDICIAL. APLICAÇÃO DE DECISÃO PROFERIDA NOS AUTOS. A decisão judicial deve ser reconhecida e devidamente aplicada pelo órgão administrativo de julgamento. Comprovado o recolhimento a maior a título de PIS, à época dos declarados inconstitucionais DecretosLei nº 2445/88 e 2449/88, resta evidente o direito à compensação de tais valores. PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. SÚMULA CARF Nº 15 (VINCULANTE). A base de cálculo do PIS das empresas industriais e comerciais, até a data em que passou a viger as modificações introduzidas pela Medida Provisória nº 1.212/95 (29/02/1996), era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária, podendo a semestralidade ser reconhecida de ofício. Aplicação da Súmula CARF nº 15, vinculante. DILIGÊNCIA. RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. JUNHO/2003. Em processo de diligência fiscal, determinado nos autos do processo n° 10855.000880/200378, foi reconhecido o indébito alegado pelo contribuinte. Crédito extinto, nos termos do art. 156, II, do CTN, para o período de apuração de junho/2003. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 09 53 /2 00 5- 93 Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10855.000953/200593 Acórdão n.º 3301004.269 S3C3T1 Fl. 327 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase, na origem, de declaração de compensação de créditos de PIS dos meses de outubro de 1990 a abril de 1994, com vistas a compensar créditos de PIS, relativo ao período de apuração de junho de 2003, previamente reconhecidos e apurados nos termos da Ação Ordinária n° 95.09044393, cujo acórdão transitou em julgado na data de 06/04/2000. Do relatório da decisão recorrida, efls. 287s, consta: Tratase de manifestação de inconformidade (fls. 89 a 97) contra o Despacho Decisório de fl. 85, proferido pela Delegacia da Receita Federal em Sorocaba, SP. Segundo consta no despacho supra, inexiste crédito a compensar conforme despacho extraído do processo 10855.00880/200378 de fl. 84. Desta forma, diante do não reconhecimento do direito creditório, a Declaração de Compensação (DCOMP) apresentada pela contribuinte não foi homologada. Irresignada, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade em comento, sendo essas as suas razões de defesa, em síntese: Correção monetária dos indébitos apurados, adotando como índice a Taxa Selic e aplicação da semestralidade na base de cálculo no cálculo do PIS. Dando prosseguimento ao processo, este foi encaminhado para a DRJ em Ribeirão Preto para julgamento. A 4ª Turma da DRJ/POR, no acórdão n° 1414.751, negou provimento à manifestação de inconformidade, com decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP BASE DE CALCULO. FATURAMENTO. SEMESTRALIDADE. A base de cálculo do PIS é o faturamento do próprio mês de ocorrência do fato gerador. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO A COMPENSAR. Ante a inexistência de crédito a compensar, não se homologa a declaração de compensação apresentada. Em seu recurso voluntário, a empresa reiterou os fundamentos de sua impugnação, requerendo a aplicação da semestralidade e da atualização pela taxa SELIC. Ao final, defendeu o acolhimento do pleito com a consequente homologação da DCOMP. Tratase o presente, de processo vinculado ao processo n° 10855.000880/200378, ao qual, inclusive, está apenso. Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10855.000953/200593 Acórdão n.º 3301004.269 S3C3T1 Fl. 328 3 Nos autos do processo n° 10855.000880/200378, a 3ª Turma Especial do CARF, por meio da Resolução n° 3803000.116, converteu o julgamento em diligência, para determinar: o retorno do processo à delegacia fiscal de origem, para que se proceda a apuração do crédito em questão, observandose a semestralidade da base de cálculo do PIS do período de outubro de 1990 a abril de 1994 e, ainda, a correção monetária do crédito, até a data da compensação do PIS da competência abril de 2003 objeto da presente demanda, com base na variação da taxa Selic, nos exatos termos da decisão judicial proferida pelo TRF 3ª Região. A diligência foi cumprida, nos termos da informação fiscal que lá consta, e fls. 1253 e s. Sobre o resultado, a empresa manifestouse, nas efls. 1296 e s. Ressaltase que a diligência investigou e certificou também se o direito creditório cobre os débitos de PIS de junho/2003, que é objeto deste presente processo, bem como de outros processos também apensados ao de n° 10855.000880/200378. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. É pacífico o entendimento de que a base de cálculo do PIS, sob o regime da Lei Complementar nº 7/70, é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária, e, sendo inconstitucionais os Decretoslei nº 2445 e 2449/88, conforme a Resolução do Senado nº 49/95, deve prevalecer a Lei Complementar, nos termos em que imposta até a edição da Medida Provisória nº 1.212/95, convertida na Lei nº 9.715/98. A matéria é inclusive tema da Súmula CARF nº 15 (vinculante): “A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária.” Por conseguinte, exsurgiu o direito de o contribuinte compensar os valores recolhidos indevidamente a título de PIS de acordo com os atos inconstitucionais, naquilo que superou o previsto na Lei Complementar n° 7/70, direito que fora reconhecido na Ação Judicial Ordinária n° 95.09044393, de titularidade da Recorrente. Dessa forma, andou bem a Resolução n° 3803000.116, do processo n° 10855.000880/200378, ao determinar de ofício a aplicação da semestralidade. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10855.000953/200593 Acórdão n.º 3301004.269 S3C3T1 Fl. 329 4 Como resultado da diligência, a Delegacia competente verificou que quase a totalidade dos valores em litígio no processo n° 10855.000880/200378, no presente e ainda nos outros processos em apenso ao primeiro, foram objeto de compensação. Relata a autoridade fiscal que do confronto dos débitos apurados com os recolhimentos havidos no mesmo período, obtémse, como resultado, conforme relatório “Demonstrativo de Saldo de Pagamentos”, o montante de R$ 300.809,62 (trezentos mil, oitocentos e nove reais e sessenta e dois centavos) que corresponde ao efetivo direito creditório do contribuinte antes de realizadas as compensações por ele declaradas em DCTF e em Declarações de Compensação (a partir de 2003). Transcrevo parte do teor da informação fiscal, efls. 1253s do processo n° 10855.000880/200378: III – Das Compensações – Até o Limite do Crédito Apurado e Reconhecido As compensações foram realizadas até o limite do crédito apurado e reconhecido, por ordem direta dos períodos de apuração dos débitos de PIS informados/declarados pelo contribuinte, do mais antigo para o mais recente. No demonstrativo “Quadro Resumo – Demonstrativo de Utilização de Crédito do PIS para Compensação com o próprio PIS” juntado às fls. 1189, é possível se verificar a consumação do crédito apurado após a amortização de cada um dos débitos de PIS, até a sua completa exaustão. Nos demonstrativos, listagens e demonstrativos citados adiante, as compensações serão tratadas pormenorizadamente. Para fins de operacionalização e controle nos sistemas da Receita Federal do Brasil – RFB, as compensações informadas e declaradas pelo contribuinte foram divididas em dois períodos distintos, a saber: • período de apuração de 07/1996 a 10/2000 – compensações informadas em DCTF; • período de apuração de 02/2003 a 01/2004 – compensações declaradas em DCOMP. Para o primeiro conjunto – PA 07/1996 a 10/2000 – o crédito reconhecido foi suficiente para a amortização de todas as contribuições de PIS, conforme demonstrado nos seguintes relatórios: • Listagem de Créditos/Saldos Remanescentes, fls. 1190/1191; • Listagem de Débitos/Saldos Remanescentes, fls. 1192/1193; • Demonstrativo Analítico de Compensação, fls. 1194/1230. Já para o segundo conjunto – PA 02/2003 a 01/2004 – o crédito apurado foi suficiente para a compensação total das contribuições do PIS relativas aos períodos de apuração de fevereiro/2003 até novembro/2003 e parcial do período de apuração dezembro/2003, conforme relatórios anexos: • Listagem de Créditos/Saldos Remanescentes II, fls. 1231; • Listagem de Débitos/Saldos Remanescentes II, fls. 1232; • Demonstrativo Analítico de Compensação II, fls. 1233/1240. Dessa forma, conforme “Listagem de Débitos/Saldos Remanescentes” de fls. 1232, remanesceram os débitos de PIS de dezembro/2003 (parcial), no valor de R$ 7.980,88, e janeiro de 2004, no valor de R$ 8.378,17, valores estes sujeitos à cobrança final e inscrição em dívida ativa. Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10855.000953/200593 Acórdão n.º 3301004.269 S3C3T1 Fl. 330 5 Sobre o resultado da diligência, a Recorrente reclamou apenas que a diferença a pagar existente em 12/2003 e 01/2004 se devia por erro na conversão entre as moedas, de cruzeiro real para real, concordando com os demais termos da informação fiscal: Ocorre que, de acordo com os cálculos da ora Requerente (planilha juntada aos autos do processo, o direito creditório antes de realizadas as compensações corresponde ao valor de R$ 307.182,97 (trezentos e sete mil, cento e oitenta e dois reais e noventa e sete centavos), e não de R$ 300.809,62 (trezentos mil, oitocentos e nove reais e sessenta e dois centavos) como apontado pela autoridade administrativa. Aparentemente, a autoridade administrativa considerou todos os pagamentos realizados pela ora Recorrente, mas, ao converter os valores de Cruzeiros (CR$) para Reais (R$), na planilha denominada “Demonstrativos de Saldos e Pagamentos”, não mencionou a fórmula utilizada para tanto, o que impede a Requerente de contraditar os cálculos da Receita Federal e que implica em nítido cerceamento do direito de defesa. Com efeito, nos termos da informação fiscal, partindose do valor apurado pela Receita Federal antes das compensações (R$ 300.809,62), ao final, remanescerão os débitos de PIS de dezembro/2003, no valor de R$ 7.098,88 e janeiro de 2004, no valor de R$ 8.378,17, pois o crédito não seria suficiente para liquidar integralmente as compensações declaradas. Por outro lado, partindose do valor apurado pelo contribuinte (R$ 307.182,97), verificarseá que, realizadas as compensações, não remanescerá débito algum. Tal alegação foi afastada no acórdão n° 3301004.085, com os seguintes fundamentos do voto condutor: Não há o que se deferir quanto ao pleito de esclarecimento do método de cálculo utilizado na conversão de valores de cruzeiros para reais, com o apontamento dos índices aplicados. Isso Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10855.000953/200593 Acórdão n.º 3301004.269 S3C3T1 Fl. 331 6 porque as conversões são realizadas automaticamente pelo sistema da Receita Federal, o SICALQ, que está, inclusive, disponível para download no site www.receita.fazenda.gov.br. De todo modo, o sistema atende ao comando da Medida Provisória n° 542/1994 e reedições e da Lei n° 9069/1995. As regras de conversão do cruzeiro real para real estão postas no art. 12 e seguintes da Lei n° 9069/1995. Logo, a argumentação da Recorrente não desqualificou o trabalho da auditoria fiscal. Diante disso, considerando as premissas apontadas pela Recorrente, a partir das quais a diligência foi efetuada (itens i a iv citados acima), bem como o resultado avalizado pela interessada, entendo que é imperioso reconhecer o indébito devidamente comprovado. Restou a ementa daquele acórdão, assim redigida: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 28/02/2003 PIS. DECRETOSLEI N° 2445/88 E 2449/88. PROCESSO JUDICIAL. APLICAÇÃO DE DECISÃO PROFERIDA NOS AUTOS. A decisão judicial deve ser reconhecida e devidamente aplicada pelo órgão administrativo de julgamento. Comprovado o recolhimento a maior a título de PIS, à época dos declarados inconstitucionais DecretosLei nº 2445/88 e 2449/88, resta evidente o direito à compensação de tais valores. Reconhecimento parcial do indébito alegado pelo contribuinte, conforme o demonstrado no procedimento de diligência fiscal. Crédito parcialmente extinto, nos termos do art. 156, II, do CTN. PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. SÚMULA CARF Nº 15 (VINCULANTE). A base de cálculo do PIS das empresas industriais e comerciais, até a data em que passou a viger as modificações introduzidas pela Medida Provisória nº 1.212/95 (29/02/1996), era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária, podendo a semestralidade ser reconhecida de ofício. Aplicação da Súmula CARF nº 15, vinculante. Recurso voluntário parcialmente provido. Então, a conclusão do acórdão n° 3301004.085, do PA n° 10855.000880/200378, foi de reconhecer que se operou a extinção do crédito, nos termos do art. 156, II, do CTN, até o limite reconhecido pela autoridade fiscal, no procedimento de diligência fiscal, dando provimento parcial ao recurso voluntário. Isso porque, como apontou a autoridade diligenciante, restou saldo a pagar de PIS de dezembro/2003 (parcial), no valor de R$ 7.980,88, e janeiro de 2004, no valor de R$ 8.378,17. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10855.000953/200593 Acórdão n.º 3301004.269 S3C3T1 Fl. 332 7 Resta, por conseguinte, neste processo, aplicar o resultado do processo n° 10855.000880/200378. Logo, deve ser reconhecido que o crédito apurado foi suficiente para compensar integralmente os débitos de PIS do período de junho/2003, que é o objeto do presente processo. Portanto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 332DF CARF MF
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