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Numero do processo: 10980.004256/2007-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/02/2004 a 31/03/2004
MULTA DE MORA. PAGAMENTO INTEMPESTIVO. CABIMENTO.
A exigência de multa de mora é devida quando comprovado que o pagamento do débito foi realizado a destempo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3202-000.301
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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PAGAMENTO INTEMPESTIVO. CABIMENTO. A exigência de multa de mora é devida quando comprovado que o pagamento do débito foi realizado a destempo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Jose Luiz Novo Rossari Presidente. Mara Cristina Sifuentes Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José Luiz Novo Rossari, Mara Cristina Sifuentes, Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, e Antônio Spolador Júnior. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 9ª Turma da DRJ Curitiba, a qual, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, nos termos do Acórdão nº 0623.808, proferido em 23 de setembro de 2009. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES Assinado digitalmente em 20/07/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, 18/07/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 2 Trata o presente processo do Auto de Infração n° 0011109, às fls. 20/27, cientificado em 21/03/2007 (fl. 78), em que são exigidos R$ 6.470,44 de multa de mora não paga, com fundamento no art. 160 da Lei n° 5.172, de 1966, art. 43 e 61 e §§. 1° e 2º da Lei n° 9.430, de 1996, e art. 90, par. único, da Lei nº 10.426, de 2002. O lançamento fiscal originouse de Auditoria Interna na DCTF retificadora do primeiro trimestre de 2004, em que se constatou a falta de pagamento de acréscimos legais. Em 19/04/2007, a interessada apresentou a impugnação de fls. 01/10, acompanhada dos documentos de fls. 11/69, onde alega, em síntese, a ocorrência de equívocos na apuração do débito e a denúncia espontânea da infração, a teor do art. 138 do CTN. Transcreve jurisprudência e requer o cancelamento do lançamento. Requer, ainda, que lhe seja possibilitada a retificação do DACON e da DCTF para que possa ingressar com pedido de restituição. Posteriormente, em 23/04/2007, a contribuinte solicitou a juntada de documentos (cópia) pessoais do sócio da empresa (fls. 70/71). À fl. 76, despacho do Secat da DRF em Curitiba propondo a manutenção da exigência. No voto condutor do acórdão recorrido a DRJ afirma que, em síntese: A impugnante informa que ao apurar os valores devidos a título de COFINS teria se equivocado na interpretação do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003. Diz, também, que, em relação aos mesmos períodos, teria recolhido valores de COFINS nãocumulativa e de COFINS cumulativa. Salienta, inclusive, que "os valores pagos em 29/05/2006 com o intuito da Denúncia Espontânea devem ser objeto de indébito tributário". [...] O processo ora sob análise, como já ressaltado, foi formalizado apenas para a exigência da multa de mora (isolada) sobre os valores devidos a título de COFINS (em 02 e 03/2004) recolhidos a destempo sem o pertinente acréscimo. Eventuais erros na apuração do débito e, até mesmo, os pedidos de restituição de valores acaso pagos a maior ou indevidamente, seguem trâmites que não se confundem com o presente. Nesse contexto, já que não dizem respeito à exigência e a questão, deixase de tomar conhecimento de tais alegações (pelos mesmos motivos, resta prejudicado o pedido para que seja possibilitada a retificação do DACON e da DCTF do 1º trimestre de 2004, com vistas à repetição do suposto indébito). Conforme relatado, a impugnante alega a denúncia espontânea da infração (art. 138 do CTN). Transcreve jurisprudência e pede o cancelamento do lançamento. O art. 161 do CTN dispõe que o crédito não integralmente pago no vencimento deverá ser acrescido dos juros de mora, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária. Inserese no rol das penalidades a multa de mora. O próprio CTN, no art. 134, parágrafo único, adota esse entendimento, ao dispor, nos casos em que especifica, em matéria de penalidades, a aplicação tãosomente das de caráter moratório. Assim, constituindo o CTN um conjunto de normas gerais, visando de modo precípuo ao legislador ordinário e não ao sujeito passivo, admitir a literal aplicação do art. 138 do CTN no caso ora em exame equivaleria a admitir uma moratória geral e indiscriminada. Além do que, adotar uma interpretação extensiva de seus efeitos, Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES Assinado digitalmente em 20/07/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, 18/07/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10980.004256/200738 Acórdão n.º 320200.301 S3C2T2 Fl. 101 3 no sentido de excluir a penalidade moratória, seria contrariar toda a legislação tributária que cuida de sua aplicação.[...] Uma leitura mais atenta do art. 138 nos permite inferir que o que emerge de seu conteúdo encontrase adstrito à exclusão da penalidade de cunho punitivo. Já a multa de mora não se destina a imputar falta ao sujeito passivo, mas diversamente, compensar o sujeito ativo pelo prejuízo suportado em virtude do atraso no recebimento de receita previamente determinada, portanto é de natureza exclusivamente indenizatória. Ademais, por se tratar de tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, o fato de a contribuinte antecipálo e mesmo declarálo não a exonera do recolhimento dos acréscimos moratórios previstos na legislação de regência, quando esse pagamento ocorrer intempestivamente, como no presente caso. Tal entendimento, aliás, já foi pacificado inclusive no âmbito do Superior Tribunal de Justiça. É o que se extrai da Súmula IV 360, abaixo transcrita: O beneficio da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. O art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, dispõe que os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal (atual Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB), cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitado a 20 % (vinte por cento). Por sua vez, o art. 43 da Lei nº 9.430, de 1996, dispõe que poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente à multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Com efeito, estando a multa de mora expressamente prevista na legislação e submetendose a administração tributária ao princípio constitucional da legalidade, princípio basilar e norteador de toda a administração pública, não tem a autoridade tributária competência para afastar os efeitos de lei inquestionavelmente em vigor. Desse modo, com esteio nas normas legais pertinentes podese inferir que não caracteriza espontaneidade qualquer iniciativa do sujeito passivo, contribuinte ou responsável, diferente do seu comparecimento ao órgão arrecadador para recolher o tributo, mediante o documento próprio, na forma das instruções da Secretaria da Receita Federal, com os acréscimos moratórios de que tratam a legislação de regência. Nesse contexto, não tendo a contribuinte logrado afastar os pressupostos legais que ensejaram o lançamento no que diz respeito à cobrança da multa de mora não paga, considerase acertado o feito. Quanto à jurisprudência apresentada, em face da inexistência de norma legal que lhe confira eficácia normativa, não pode ser estendida administrativamente. Posto isso, voto para que seja julgado procedente o lançamento, mantendose a exigência de R$ 6.470,44 de multa de mora isolada. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES Assinado digitalmente em 20/07/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, 18/07/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 4 A empresa apresentou Recurso Voluntário, onde, em síntese, traz as seguintes alegações e pedidos: O procedimento da recorrente se amolda ao previsto no artigo 138 da lei 5.172 de 25 de outubro de 1966, ou seja ao Instituto da Denúncia espontânea, que assim dispõe: "Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único: Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração." Vejamos que o recolhimento foi efetuado conforme exigido na referida lei, e demonstrado conforme DARF e realizado antecipadamente a qualquer medida administrativa ou de fiscalização do fato ocorrido por parte do Erário Público. [...] Decisões administrativas, em seus órgãos colegiados, já tem aderido à tese de que a multa de mora não passa de uma sanção e assim não podendo ser imposta ao não responsável, ficando o infrator com direito subjetivo de exclusão da mesma, com fulcro no artigo 138 do CTN. (Cita diversos acórdãos de diversas câmaras e do CSRF). [...] Reiteramos que em relação ao Conselho de contribuintes o entendimento é pacífico quanto a possibilidade de aproveitamento do Instituto da Denúncia espontânea, para excluir a multa moratória, do pagamento do principal quando acompanhado da correção e dos juros devidos, como é o caso da recorrente. É importante, também analisarmos o entendimento do poder judiciário quanto a matéria. Assim destacamos o precedente do Tribunal federal da 4ª Região e jurisprudências do STJ Superior Tribunal Judiciário. Como precedente temos a apelação em Mandato de segurança n°2005.71.00.0150127 RS, publicado no diário da Justiça da União n° 98 de 24/05/2006, Comarca DJU 2 T.R.F. 4ª REGIÃO Vara 1ª TURMA BOL. 252, página 585 Item: 2º Seção: 2. [...] É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Do mérito O cerne da questão se restringe à possibilidade da aplicação da multa de mora, prevista no art. 61 da Lei nº 9430/96, nos casos de pagamento dos tributos fora do prazo mas antes de qualquer procedimento fiscal . Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES Assinado digitalmente em 20/07/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, 18/07/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10980.004256/200738 Acórdão n.º 320200.301 S3C2T2 Fl. 102 5 A recorrente alega em sua defesa que estaria amparada pelo instituto da denúncia espontânea e por isso, respaldada por diversos julgados do CARF e também do judiciário, não se aplicaria a multa de mora, por ser seu caráter punitivo. Entretanto, apesar das decisões que fazem coro a esta linha de raciocínio, este não é o meu entendimento. Acompanho o parecer da DRJ quanto ao esclarecimento que: a multa de mora não se destina a imputar falta ao sujeito passivo, mas diversamente, compensar o sujeito ativo pelo prejuízo suportado em virtude do atraso no recebimento de receita previamente determinada. É clara a disposição do art. 61 da Lei nº 9430/96 quando enuncia: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Mara Cristina Sifuentes Fl. 5DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES Assinado digitalmente em 20/07/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, 18/07/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES
score : 1.0
Numero do processo: 11128.007929/2007-24
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 14/08/2007
MULTA. AUSÊNCIA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO.
A multa por falta de licença para importação é exigência relacionada diretamente ao importador, ao Operador Portuário não pode ser atribuída tal responsabilidade. Cancela-se a multa também por ausência de fundamentação.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3403-001.714
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento à multa por ausência de autorização de importação no valor de R$ 1.110,82. Os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Raquel Motta Brandão Minatel e Marcos Tranchesi Ortiz votaram pela conclusão por entenderem que não há no processo elementos que demonstrem a ausência de licença de importação e a forma de cálculo do valor lançado.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Raquel Motta Brandão Minatel.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 14/08/2007 MULTA. AUSÊNCIA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. A multa por falta de licença para importação é exigência relacionada diretamente ao importador, ao Operador Portuário não pode ser atribuída tal responsabilidade. Cancela-se a multa também por ausência de fundamentação. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento à multa por ausência de autorização de importação no valor de R$ 1.110,82. Os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Raquel Motta Brandão Minatel e Marcos Tranchesi Ortiz votaram pela conclusão por entenderem que não há no processo elementos que demonstrem a ausência de licença de importação e a forma de cálculo do valor lançado. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Raquel Motta Brandão Minatel.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1944; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 9 1 8 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.007929/200724 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403001.714 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 19 de julho de 2012 Matéria IMPOSTO ADUANEIRO Recorrente TECONDI TERMINAIS PARA CONTÊINERES DA MARGEM DIREITA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 14/08/2007 MULTA. AUSÊNCIA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. A multa por falta de licença para importação é exigência relacionada diretamente ao importador, ao Operador Portuário não pode ser atribuída tal responsabilidade. Cancelase a multa também por ausência de fundamentação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento à multa por ausência de autorização de importação no valor de R$ 1.110,82. Os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Raquel Motta Brandão Minatel e Marcos Tranchesi Ortiz votaram pela conclusão por entenderem que não há no processo elementos que demonstrem a ausência de licença de importação e a forma de cálculo do valor lançado. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Raquel Motta Brandão Minatel. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 79 29 /2 00 7- 24 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Relatório Tratase de Auto de Infração aplicado por responsabilidade pelo extravio de mercadoria relativo ao crédito aduaneiro apurado em 14 de agosto de 2007. Assegura a descrição contida no Auto de Infração que a responsabilidade é do Operador Portuário, empresa Tecondi Terminais para Contêineres da Margem Direita S/A, decorrente de diferença a menor do peso consignado no Manifesto de Carga emitido pelo Transportador. De modo que, reproduzo o relatório da Decisão atacada por expressar com fidelidade a situação dos autos. “Relatório. Trata o presente processo de auto de infração lavrado em face do contribuinte em epígrafe, para a exigência do crédito tributário constituído pela cobrança do Imposto sobreProdutos Industrializado–IPI ;multa de ofício sobre o IPI; ContribuiçãoparaoPIS/PASEP importação; multa de ofício sobre o PIS/PASEP na Importação; COFINS Importação;multa de ofício sobreo COFINS Importação e multa ao controle administrativo das importações, totalizando o valor de R$ 75.933,87 (setenta e cinco mil e novecentos e trintae três reais e oitenta centavos), portersido a ele imputada a responsabilidade pela falta dasmercadorias apurada em ato de vistoria aduaneira. Conforme consta da descrição dos fatos foi realizada a Vistoria Aduaneira nas mercadorias amparadas pelo Conhecimento Marítimo nº. CMDU NA1372936, Navio MARUBA CONFIDENCE, procedente do porto de Miami. O procedimento de Vistoria Aduaneira foi realizado no dia 09/10/2007, no TERMINAL TRANSBRASA , para a apuração de avaria e/ou extravio, identificaro responsável e apurar o crédito tributário dele exigível nos termos do art.581, parágrafo 1º do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº.4.543/02, cuja regra matriz encontrase no art.60, parágrafo único do Decretonº.37/66. Segundo informações dadas pela autoridade aduaneira, a carga apresentava diferença de peso, avarias visíveis externamente, bem como identificadas por fotos anexas e Termo de Avaria nº. 27.117, emitido no momento de ingresso do cofre de carga no citado terminal. Relata a fiscalização que ao final deste procedimento foi apurado o extravio de 11 unidades de placa para TV Play TV e 3600 leitoras/gravadoras de DVD/RW. Para a identificação do responsável pelo crédito tributário advindo do extravio, a autoridade aduaneira levou em consideração fatos preponderantes ocorridos no processo de Fl. 185DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 11128.007929/200724 Acórdão n.º 3403001.714 S3C4T3 Fl. 10 3 descarga do navio até a sua entrega ao recinto alfandegado secundário. Pesou consideravelmente, em sua avaliação, o fato do operador. Portuário TECONDI SA ter efetuado a entrega das mercadorias extamente às 16:42: 15h do dia 15/08/2007, após têla recebido diretamente do costado do navio às 06:05: 00h do dia 14/08/2007. Ressalta que, perante a autoridade aduaneira, o operador portuário é responsável pelas mercadorias sujeitas a controle no período em que estas lhe sejam confiadas. Sendo assim, deve zelar por sua integridade. Houve destaque para o fato de não existir registro de lavratura de termo de avaria quando do ingresso do cofre, que acondicionava as mercadorias, no recinto do operador portuário. Noticia também que na verificação do container foi constatado que este portava os lacres manifestados (21819 e 368471), com acréscimo do lacre 150695–TRANSBRASA. Conformes e demonstra em foto anexa ao processo, um dos lacres, em forma de tranca especial (ZLOC378471) possui indícios de violação com aposição de adesivos de silicone em vários pontos. Realça que o mesmo adesivo foi encontrado nas dobradiças do container. Além disso, após a sua desova, verificouse que a parede do fundo apresentava indícios de utilização de tinta nova, na cor azul profundo, que destacava das portas e dos terminais de cor cinza escura. Assim, com base no artigo 591 do Regulamento Aduaneiro, regra matriz artigo 60 do Decretolei37/66, foi imputada a responsabilidade pela faltadas mercadorias ao Operador Portuário TECONDI S/A, conforme Demonstrativo de Apuração de Avarias e/ou Faltas de Mercadorias Estrangeiras, fls.87/89. O interessado foi devidamente cientificado do auto de infração, por meio de Aviso de Recebimento–AR, fls.95 versodatado de 19/11/2007. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante apresentou sua defesa, fls.113/133, alegando resumidamente o que se segue: Dos Fatos. 1. A impugnante é pessoa jurídica que opera em recinto alfandegado localizado na zona primária de Santos; 2. Toda operação por ela exercida, ou seja, movimentação e armazenagem de cargas sujeitamse ao controle e fiscalização da Alfandegado Porto de Santos; Fl. 186DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 3. Em 14/8/07 a impugnante recepcionou o contêiner de carga nº.ECMU1577123 com destino ao recinto alfandegado de zona secundária – TRANSBRASA – local em que se daria o processo de nacionalização das mercadorias nele acondicionadas; 4. O referido contêiner adentrou no recinto da TRANSBRASA em 15/8/07; 5. O importador da mercadoria – MEGAWARE – ao constatar divergência de peso a menor solicitou, em 17/9/07, a Vistoria Aduaneira nos termos do artigo 581, §1º do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº. 4.543/02; 6. Em 09/10/07 foi realizada Vistoria Aduaneira que imputou a responsabilidade pela faltadas mercadorias à impugnante, conforme consta na descrição dos fatos do auto de infração lavrado; 7. Entretanto, a autuação não deve prosperar, pois a responsabilidade pela falta das mercadorias se deve ao transportador marítimo pelos motivos que se seguem; Excludente de responsabilidade. 8. O artigo 591 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto 4.543/02 deixa claro que a responsabilidade pelo extravio ou pela avaria de mercadoria será de quem lhe deu causa; 9. Nesse mesmo sentido, do mesmo diploma legal, encontrase o artigo 592, IV que dispõe que para efeitos fiscais, é responsável o transportador quando houver divergência, para menos, de peso declarado no manifesto; 10. A Vistoria Aduaneira foi solicitada pelo importador após constatar o percentual de 56% (cinquenta e seis porcento) a menor no peso das mercadorias por ele importadas; 11. Um breve histórico sobre o trajeto da carga será feito como intuito de demonstrar que é descabida a responsabilidade atribuída à impugnante; 12. Ao ser descarregado no terminal da impugnante, o contêiner ECMU1577123 não apresentou divergência significativa de peso, pois o manifesto de carga transmitido pelo transportador marítimo – ALPHA TRANSPORTES INTERNACIONAIS LTDA apresentou a seguinte tonelagem: WGT–2.502.950 TNE; 13. O peso líquido apurado pela impugnante, no termo de avaria, foi de 2.320 toneladas, o que se mostrou próximo ao manifesto de carga consignado pelo transportador marítimo ALPHA – 2.509 toneladas que, por sua vez, não divergiu quando da pesagem aferida no recinto alfandegado secundário da TRANSBRASA 2.430 toneladas; 14. Não há registro por parte da TRANSBRASA de divergência de peso. As ressalvas por ela feitas são as mesmas da Fl. 187DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 11128.007929/200724 Acórdão n.º 3403001.714 S3C4T3 Fl. 11 5 impugnante (teto amassado e furado e painel frontal amassado...); 15. Portanto, a excludente de responsabilidade por parte de terceiro deve ser acolhida, pois a responsabilidade fiscal atribuída à impugnante está afastada pelo fato de não ter dado causa ao extravio das mercadorias nem concorrido para isso; 16. O transportador marítimo ALPHA foi quem deu causa efetiva ao extravio das mercadorias, pois quando o referido contêiner embarcou no navio MARUBA CONFIDENCE já apresentava divergência de peso daquele consignado no conhecimento de carga – 5.518 toneladas. Tal divergência não foi ressalvada pelo transportador; 17. A impugnante, no desembarque do contêiner, estava munida apenas com o manifesto de carga. Como não houve divergência significativa de peso, deixou de proceder à conferência final do manifesto, nos termos do art. 51 Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decretonº. 4.543/02. 18. Nessa linha encontramse algumas decisões do Conselho de Contribuintes; 19. A excludente de responsabilidade por fato de terceiro deve ser apreciada, vez que parte das mercadorias a condicionadas no contêiner foi extraviada, no porto de Maime, antes mesmo do desembarque; Do Termo de Avaria lavrado pela impugnante 20. Nesse sentido, descabe a alegação feita pela autoridade fiscal à impugnante no que tange a imputação de responsabilidade pelo fato de não ter sido apresentado o Termo de Avaria relativo às irregularidades apresentadas no contêiner; Do intervalo temporal. 21. O fato de ter sido o contêiner recepcionado no dia 14/08/07 às 6:05:00 h e disponibilizado à TRANSBRASA no dia 15/08/2007 às 16:42:15 h não é motivo para imputar a responsabilidade sobre o extravio das mercadorias à impugnante; 22. Neste caso, o contêiner, logo após a operação portuária realizada pela impugnante, já se encontrava disponibilizado na área pátio para a sua retirada. No entanto,sua remoção se deu no momento em que a TRANSBRASA entendeu ser conveniente; Da falta de responsabilidade pela multa ao controle administrativo. 23. Com relação à penalidade aplicada por infração ao CAI, no valor de R$ 1.110,82, que se presume tratar de multa por falta de Licença de Importação (LI) deve recair sobre o importador Fl. 188DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 das mercadorias, pois a impugnante não é a importadora das mercadorias, logo tal cobrança é ilegal e descabida; Da ilegalidade das multas sobre o PIS e COFINS. 24. Em total desrespeito ao princípio da legalidade (artigo 150 da Constituição Federal), já que não há fato que se enquadre à hipótese em comento, ainda que por analogia (artigo 108, §1º do CTN) a autoridade administrativa aplicou a multa correspondente a 75% sobre o PIS e COFINS com base no artigo 80 da Lei nº. 4.502/64 com redação dada pela Leinº. 11.488/07; Da desproporcionalidade da exigência do encargo de 75%a título de multa de IPI – natureza confiscatória. 25. A exigência de 75% sobre o montante do valor apurado, a título de multa de IPI, tem caráter confiscatório, pois o percentual aplicado é incompatível com a atual realidade do país. Assim, viola o princípio constitucional expresso no artigo 150, IV da CF que veda o confisco; 26. Posto isso, deve ser declarada a inconstitucionalidade do artigo 488, I do Decreto 4.544/02, uma vez que os percentuais de multas contidos na referida legislação ferem diretamente o princípio da proporcionalidade e da razoabilidade e, sobretudo, em homenagem ao artigo 150, IV que veda o confisco; Erro material. 27. Caso não sejam acolhidas as alegações anteriormente elencadas pela impugnante, temse que levar em consideração o erro do agente do fisco ao lançar os seguintes valores: R$ 17.741,79; R$ 18.445,79 e R$ 4004,68 respectivamente ao IPI, COFINS e PIS sobre as 3.600 leitorgravadoras de DVD/RW. Isto, porque foi constatado em Vistoria Aduaneira que somente parte da mercadoria acondicionada no contêiner de carga foi extraviada; 28. Desta forma, concluise que senão há extravio também não há incidência de PIS, COFINS e PIS. De tal sorte, os valores devem ser excluídos; Do Pedido. 29. Posto que o auto de infração encontrase contaminado de vício nos termos do que dispõe o artigo 53 da lei 9.784/99: Art.53–A administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e poderá revoga los por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. 30. Requer a nulidade absoluta da exigência tributária pela excludente de responsabilidade, nos termos do artigo 592, IV do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº. 4.543/02, ou subsidiariamente: a) A exclusão da penalidade de R$ 1.110,82 por ausência de responsabilidade; Fl. 189DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 11128.007929/200724 Acórdão n.º 3403001.714 S3C4T3 Fl. 12 7 b) A exclusão dos valores de R$ 17.741,79; R$ 18.445,79 e R$ 4.004,68 respectivamente ao IPI, COFINS e PIS sobre as 3.600 leitorgravadoras de DVD/RW, eis que tais mercadorias não foram objeto de extravio; c) A exclusão do valor de R$ 14.523,01 pelo não recolhimento da COFINS, bem como o valor de R$ 3.153,53 pelo não recolhimento do PIS, em homenagem ao princípio da legalidade; d) Declaração de inconstitucionalidade incidenter tantum, do artigo 488, I, do Decreto nº. 4.544/02, pois os percentuais contidos no referido diploma legal ferem diretamente os princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade e, sobretudo, em homenagem ao artigo 150, IV da CF que veda o confisco; e) Por fim, requer a oitiva do Sr.Marcelo Simões Paiva, despachante aduaneiro do importador. “É o Relatório”. Em razões recursais aduz em preliminar a prescrição intercorrente, no mais mantém os argumentos tecidos na fase inicial. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho Relator. Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, impõe o seu conhecimento. A irresignação demonstrada no recurso se refere à excludente de responsabilidade por fato de terceiro. Aduz a Recorrente que não teria dado causa ao extravio das mercadorias relacionadas no auto de infração e, imputa ao transportador Marítimo, a empresa Alpha, alegando, que o peso não confere com o manifesto de carga desde partida do navio, MARUBA CONFIDENCE, quando já apresentava divergência de peso daquele consignado no conhecimento de carga – 5.518 toneladas. O argumento é de que o manifesto consignava 5.518 toneladas e, o peso líquido apurado pela Recorrente, no termo de avaria foi de 2.320 toneladas, segundo ele pouco diverge da pesagem aferida no recinto alfandegado secundário da Transbrasa, que alcançou de 2.430 toneladas. O documento de fl. 16 menciona peso liquido de 5.518.000 toneladas, assim como o de fl. 16 que informa o peso liquido manifestado em “BL” de 5.518.000. Nesse ponto assiste razão a Recorrente. Entretanto, esse dado por si só é insuficiente para atribuir a causa do desaparecimento dos produtos ao transportador. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 8 No caso concreto há divergência de peso, se é em relação ao peso consignado no manifesto ou aquele encontrado pela empresa Transbrasa, a verdade que há diferença para menos do peso da mercadoria condicionada no contêiner. Imputase a responsabilidade à Operadora Portuária em razão de não ter sido diligente com a carga que lhe foi entregue. O desvio ou avaria pode ter ocorrido, no entanto, cabia a operador diligenciar no sentido de demonstrar o contrário do que afirma a fiscalização, mesmo tratando de indícios como os apontados relativos a rompimento de lacre, pintura diferente na tranca e dobradiças do contêiner. Deixando de conferir o real peso do contêiner no momento que esse baixou no costado, assumiu por conta própria o risco da possibilidade da falta de mercadoria, de modo não poder imputar ao transportador essa responsabilidade pela subtração dos produtos condicionados naquela caixa. As evidências de rompimento apontadas pela fiscalização e aquelas mencionadas pela empresa encarregada da guarda da caixa (depositária) só consubstanciam a falta das mercadorias. Além do mais a Recorrente não conseguiu demonstrar situação legitima capaz de afastar da sua responsabilidade quanto ao extravio ocorrido, afasto o argumento aduzido sustentado quanto à excludente de responsabilidade prevista no artigo 592, IV do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº. 4.543/02, motivo pelo qual há de se manter o entendimento proclamado na decisão recorrida. Tendo afastado o argumento excludente da responsabilidade prevista pelo dispositivo retro mencionado quanto à responsabilidade tributária da Recorrente, passo examinar alegação de erro material alusivo à incidência, respectivamente, ao IPI, COFINS e PIS sobre as 3.600 leitoras/gravadoras de DVD/RW. Extraíse da leitura da descrição dos fatos contidos no Auto de Infração de que teria sido constatado pela fiscalização que parte da carga de 11 (onze) unidades de caixas de som creative, 100 (cem) unidade de placa para TV Play e 3.600 (três mil e seiscentas) leitoras/gravadoras de DVD/RW teriam sido extraviadas. Ao examinar o manifesto de carga constatase que as quantidades são menores das descritas no mapa de apuração elaborado pela fiscalização, fls. 24, 26 a 29, fl.34 e planilha de fl.74 (cálculo) e do demonstrativo intitulado “DACFA – Demonstrativo de Apuração e Cálculo de falta/Avaria” utilizado para exigir os tributos, com exceção 3.600 (três mil e seiscentas) leitoras/gravadoras de DVD/RW. Afirmação motivadora do lançamento é de que parte teria sido extraviada, quando assim afirma a fiscalização se refere ao todo, verdadeiramente à quantidade descrita nos documentos frete são superiores, aponta como extraviadas as quantidades referentes: 11 (onze) unidades de caixas de som creative, 100 (cem) unidade de placa para TV Play e 3.600 (três mil e seiscentas) leitoras/gravadoras de DVD/RW. Compulsei detidamente os autos e cheguei à conclusão de que as mercadorias subtraídas, cuja responsabilidade tributária por força legal imputase a recorrente, são exatamente aquelas apontadas no documento de fl.90. Portanto, o fato de mencionar parte da carga não desqualifica o auto de infração, pois os demonstrativos relacionam a quantidade exata das mercadorias subtraídas da caixa. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 11128.007929/200724 Acórdão n.º 3403001.714 S3C4T3 Fl. 13 9 Se o extravio se refere à parte das mercadorias, é em relação a essas que deve ser arroladas e valoradas. No caso em tela o fato gerador encontra delimitado no universo fático, atividade específica da fiscalização que é de averiguar e quantificar. Da descrição da irregularidade, nos termos do relatório da atividade fiscal, há quantificação e identificação afasta qualquer questão prejudicial ao lançamento, a meu sentir, ao fisco averiguar, identificar e quantificar os produtos tidos como extraviados cumpriu à risca a sua incumbência. Assim, tenho como certo que o fato gerador capaz de determinar a matéria tributável restou identificado. A prova produzida pela autoridade fiscal demonstra com precisão o “quantum” teria sido considerado como matéria tributável, assegurando a certeza e liquidez do crédito tributário. De modo que, não vislumbro inconsistência na constituição do crédito tributário em razão da fiscalização ter atendido os requisitos essenciais inscritos no art. 142 do CTN, assim sendo, mantenho na integra a decisão recorrida. Multa por Infração ao CAI. Em relação aplicação da penalidade por ausência de licença para importação se revela descabida. Com razão a Recorrente, tratase de exigência relacionada ao importador. No caso deste caderno processual não há como atribuir ao Operador Portuário a condição de importador, a responsabilidade lhe atribuída decorre do extravio da parte da carga ocorrida quando o contêiner encontrava sob sua guarda. Além do que, deixou o fisco de fundamentar aplicação da multa, o que leva o seu afastamento. Assim, conheço do recurso e dou provimento parcial para afastar aplicação da multa por ausência de autorização de importação no valor de R$ 1.110,82 (um mil e cento dez reais e oitenta centavos). É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 192DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 10380.017117/2008-14
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 24/11/2008
AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE SANÇÃO. CORREÇÃO PARCIAL DA FALTA. RECONHECIDA NO CURSO DA FISCALIZAÇÃO. EXISTÊNCIA DE FALTAS SEM CORREÇÃO. MULTA FIXADA NO MÍNIMO LEGAL ESTABELECIDA PARA A ESPÉCIE.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-002.433
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinado Digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente).
Eduardo de Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior. Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado Digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado Digitalmente). Eduardo de Oliveira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior. Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1604; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 191 1 190 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.017117/200814 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803002.433 – 3ª Turma Especial Sessão de 19 de junho de 2013 Matéria CP: AUTO DE INFRAÇÃO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EM GERAL. Recorrente JOSÉ ANCHIETA MAGALHÃES MOREIRA ME. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 24/11/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE SANÇÃO. CORREÇÃO PARCIAL DA FALTA. RECONHECIDA NO CURSO DA FISCALIZAÇÃO. EXISTÊNCIA DE FALTAS SEM CORREÇÃO. MULTA FIXADA NO MÍNIMO LEGAL ESTABELECIDA PARA A ESPÉCIE. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado Digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior. Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 71 17 /2 00 8- 14 Fl. 191DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.017117/200814 Acórdão n.º 2803002.433 S2TE03 Fl. 192 2 Relatório O presente Auto de Infração – AI, com DEBCAD 37.178.1531, CFL.38, deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n. 8.212, de 24.07.91, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, conforme previsto no art. 33, parágrafos 2. e 3. da referida Lei, combinado com os artigos 232 e 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração – AI, fls. 01. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 26/11/2008, conforme – Folha de Rosto do Auto de Infração – AI, de fls. 01. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, as fls. 19 a 29, recebida, em 26/12/2008, a qual foi acompanhada dos documentos, de fls. 30 a 139. A impugnação, considerada tempestiva, fls. 140. A primeira instância exarou o Acórdão nº 0824.120 6ª Turma da DRJ/FOR, em 10/10/2012, fls. 142 a 146, no qual a impugnação foi considerada improcedente. A empresa tomou conhecimento desse decisório, em 27/11/2012, AR, de fls. 188. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 154, recebida, em 27/12/2012, com as razões recursais, as fls. 155 a 163, acompanhado dos documentos, de fls. 164 a 181, as teses recursais estão assim resumidas. · que o Ato Declaratório Executivo nº 69/2008 de exclusão do simples é nulo, pois sua receita bruta anual mormente no ano de 2004 não ultrapassou o limite legal, mas que a lei estabeleceu exceções para inclusão no SIMPLES entre elas a do artigo 9º, XIII; · que a empresa foi excluída do SIMPLES, pois em seu contrato social consta uma série de serviços que no entender do fisco configura serviços de engenharia, não sendo necessário habilitação profissional de engenharia para realizar os serviços constantes das notas fiscais analisadas, sendo que o Sr. José Anchieta empresário individual é técnico de telefonia inscrito no CREACE, a lei não veda o serviço de técnico; · que o Acórdão ao considerar válido o ADE 69/2008 violou o artigo 84, da Lei 5.194/66, regulamentado pelo RS CONFEA 262/1979; os artigos 1º; 2º e 3º da Lei 9.317/96 e os artigo 96 e 100, I, do CTN Fl. 192DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.017117/200814 Acórdão n.º 2803002.433 S2TE03 Fl. 193 3 · que a decisão do acórdão recorrido não está de acordo com a jurisprudência do STJ, transcreve decisões, demonstrado, assim, a divergência entre os acórdão da DRJ e do STJ, porém em situação fática idêntica, cita decisão do TRF4; · que demonstrada a nulidade do ADE 69/2008 em razão da comprovação dos requisitos para inclusão no sistema SIMPLES, tornase ilegal a obrigatoriedade da escrituração do Diário, nos termos do artigo 7º, § 1º, da Lei 9.317/96; · Por fim, a recorrente requer e pede: a) acolhimento do recurso com a reforma da decisão a quo; b) declaração de insubsistência do auto de infração. O Recurso Voluntário foi considerado tempestivo, fls. 190. Por fim, os autos subiram ao CARF, fls. 190. É o Relatório. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.017117/200814 Acórdão n.º 2803002.433 S2TE03 Fl. 194 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O Ato Declaratório Executivo Nº 69/2008 não está em discussão nestes autos este ato foi discutido nos autos do processo 10380.017769/200859 e foi julgado regular pela primeira instância e pelo CARF estando, hoje, arquivado no Arquivo Geral da SAMFCE, desde 19/12/2012, conforme consulta COMPROT realizada nesta data, portanto os motivos da exclusão para este julgamento são irrelevantes. Ademais, independentemente de ser a empresa recorrente empresa inscrita ou não no programa SIMPLES Federal a autuação se manteria, vejamos. No caso de empresa sem o benefício do SIMPLES a escrituração do Livro Diário é obrigatória e sua não apresentação/entrega ao fisco quando solicitado ou apresentação com escrituração deficiente configura violação a legislação, o que é passível de sanção por descumprimento de obrigação acessória. No caso de empresa submetida ao sistema SIMPLES ela está dispensada de escriturar o Livro Diário, mas para isso deve substituílo pela escrituração e outros livros, bem como deve guardar os documentos, que dão suporte aos livros previstos pelas alíneas “a”, “b” e “c”, do parágrafo primeiro, do artigo 7º, da Lei 9.317/96. Assim sendo, a contrário senso do artigo não mantendo estes três últimos o Diário surge como obrigação. A empresa ora recorrente apesar de intimada pelo agente fiscal, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, de fls. 06 e 07 e pelo Termo de Intimação Fiscal – TIF, de fls. 08, não apresentou os documentos exigidos por lei. Aliás, o agente fiscal registrou em seu Relatório Fiscal da Infração, fls. 10, “que a empresa não escritura o livro CAIXA.”, assim sendo teria ela a obrigação de escriturar o Livro Diário. Mas quanto a esta obrigação o agente autuante assim asseverou “o contribuinte deixou de apresentar o Livro Diário com as formalidades legais exigidas, como o registro na Junta Comercial do Estado no período de 01/2004 a 12/2004. Tal falta foi corrigida pelo contribuinte durante a ação fiscal, mediante registro na JUCEC na data de 24/10/2008.”, ou seja, fica evidente que o próprio contribuinte sabia de sua obrigação. Apesar de tal falta ter sido corrigida as demais faltas elencadas no auto de infração permanecem e assim não há como excluir a multa e a atuação, observe o trecho do Relatório Fiscal da Infração. Outrossim, foram solicitados, por meio Termo de Intimação, os comprovantes de caixa dos lançamentos das contas: manutenção de conservação e limpeza 34201.0018; assessoria contábil Fl. 194DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.017117/200814 Acórdão n.º 2803002.433 S2TE03 Fl. 195 5 34201.0020; assessoria jurídica 342010039; despesas de viagens 34201.0046. 0 contribuinte deixou de exibir tais documentos. Ademais, o contribuinte deixou de apresentar o contrato de prestação de serviços celebrado com a empresa Alcatel Telecomunicações SA, que ensejou a emissão das seguintes notas fiscais discriminadas de acordo com a planilha abaixo: A não entrega destes outros documentos justificam a manutenção da autuação. Não está sendo objeto destes autos o ADE 69/2008, pois este já foi discutido em outros autos, cuja a tramitação administrava está concluída e em desfavor do contribuinte, as alegações sobre este e seu direito de permanência no SIMPLES e demais alegações relativas a matéria são impertinentes, por divórcio ideológico. E M E N T A: AGRAVO DE INSTRUMENTO AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS EM QUE SE ASSENTOU O ATO DECISÓRIO QUESTIONADO IMPUGNAÇÃO RECURSAL QUE NÃO GUARDA PERTINÊNCIA COM OS FUNDAMENTOS EM QUE SE ASSENTOU O ATO DECISÓRIO QUESTIONADO OCORRÊNCIA DE DIVÓRCIO IDEOLÓGICO INADMISSIBILIDADE RECURSO IMPROVIDO. O RECURSO DE AGRAVO DEVE IMPUGNAR, ESPECIFICADAMENTE, TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. O recurso de agravo a que se referem os arts. 545 e 557, § 1º, ambos do CPC, na redação dada pela Lei nº 9.756/98, deve infirmar todos os fundamentos jurídicos em que se assenta a decisão agravada. O descumprimento dessa obrigação processual, por parte do recorrente, torna inviável o recurso de agravo por ele interposto. Precedentes. A ocorrência de divergência temática entre as razões em que se apóia a petição recursal, de um lado, e os fundamentos que dão suporte à matéria efetivamente versada na decisão recorrida, de outro, configura hipótese de divórcio ideológico, que, por comprometer a exata compreensão do pleito deduzido pela parte recorrente, inviabiliza, ante a ausência de pertinente impugnação, o acolhimento do recurso interposto. Precedentes.(AIAgR 440079, CELSO DE MELLO, STF Posto isto, não há razões fáticas e jurídicas para acatar os pedidos da recorrente. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.017117/200814 Acórdão n.º 2803002.433 S2TE03 Fl. 196 6 CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso para no mérito negarlhe provimento, tendo em vista que as alegações não merecem prosperar por não encontrarem amparo na lei. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10882.903338/2008-56
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2000
DIREITO CREDITÓRIO.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da certeza e liquidez quanto ao crédito que pretende seja reconhecido junto à Fazenda Pública.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2000
IRPJ. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO-CALENDÁRIO.
SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO.
Os recolhimentos mensais do IRPJ calculados sobre balancetes ou receita bruta, as denominadas estimativas, bem assim as retenções levadas a efeito por fontes pagadoras, caracterizam meras antecipações do imposto a ser apurado com o balanço patrimonial levantado no final do ano-calendário.
A feição de pagamento, modalidade extintiva da obrigação tributária, só se
exterioriza em 31 de dezembro, pois aí ocorrente o fato gerador do imposto de renda de pessoa jurídica optante pelo regime de tributação do lucro na periodicidade anual.
Do confronto entre o montante antecipado ao longo do ano-calendário e o quantum do tributo apurado em 31 de dezembro poderá resultar saldo de imposto a pagar ou saldo negativo de IRPJ, este último, pagamento a maior que o devido, é passível de restituição ou compensação, sobre o qual serão acrescidos de juros à taxa Selic contados a partir de 1º de janeiro subseqüente.
Comprovado, na fase de julgamento, o recolhimento de parte das antecipações noticiadas na declaração de compensação, é de se acatar o direito creditório correspondente.
Numero da decisão: 1103-000.692
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
parcial provimento ao recurso para reconhecer o crédito da contribuinte no valor de R$ 58.354,70.
Nome do relator: JOSE SERGIO GOMES
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2000 DIREITO CREDITÓRIO. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da certeza e liquidez quanto ao crédito que pretende seja reconhecido junto à Fazenda Pública. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2000 IRPJ. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO-CALENDÁRIO. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. Os recolhimentos mensais do IRPJ calculados sobre balancetes ou receita bruta, as denominadas estimativas, bem assim as retenções levadas a efeito por fontes pagadoras, caracterizam meras antecipações do imposto a ser apurado com o balanço patrimonial levantado no final do ano-calendário. A feição de pagamento, modalidade extintiva da obrigação tributária, só se exterioriza em 31 de dezembro, pois aí ocorrente o fato gerador do imposto de renda de pessoa jurídica optante pelo regime de tributação do lucro na periodicidade anual. Do confronto entre o montante antecipado ao longo do ano-calendário e o quantum do tributo apurado em 31 de dezembro poderá resultar saldo de imposto a pagar ou saldo negativo de IRPJ, este último, pagamento a maior que o devido, é passível de restituição ou compensação, sobre o qual serão acrescidos de juros à taxa Selic contados a partir de 1º de janeiro subseqüente. Comprovado, na fase de julgamento, o recolhimento de parte das antecipações noticiadas na declaração de compensação, é de se acatar o direito creditório correspondente.
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Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da certeza e liquidez quanto ao crédito que pretende seja reconhecido junto à Fazenda Pública. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 IRPJ. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO CALENDÁRIO. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. Os recolhimentos mensais do IRPJ calculados sobre balancetes ou receita bruta, as denominadas estimativas, bem assim as retenções levadas a efeito por fontes pagadoras, caracterizam meras antecipações do imposto a ser apurado com o balanço patrimonial levantado no final do anocalendário. A feição de pagamento, modalidade extintiva da obrigação tributária, só se exterioriza em 31 de dezembro, pois aí ocorrente o fato gerador do imposto de renda de pessoa jurídica optante pelo regime de tributação do lucro na periodicidade anual. Do confronto entre o montante antecipado ao longo do anocalendário e o quantum do tributo apurado em 31 de dezembro poderá resultar saldo de imposto a pagar ou saldo negativo de IRPJ, este último, pagamento a maior que o devido, é passível de restituição ou compensação, sobre o qual serão acrescidos de juros à taxa Selic contados a partir de 1º de janeiro subseqüente. Comprovado, na fase de julgamento, o recolhimento de parte das antecipações noticiadas na declaração de compensação, é de se acatar o direito creditório correspondente. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 15/05/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10882.903338/200856 Acórdão n.º 110300.692 S1C1T3 Fl. 158 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para reconhecer o crédito da contribuinte no valor de R$ 58.354,70. documento assinado digitalmente ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Presidente. documento assinado digitalmente JOSÉ SÉRGIO GOMES Relator. Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva e Hugo Correia Sotero. Relatório Em foco recurso voluntário contra decisão da 4ª Turma de Julgamento da DRJ em CampinasSP que acolheu em parte a solicitação de reforma do despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em OsascoSP, o qual não reconheceu o direito creditório contra a Fazenda Nacional por conta de apontado indébito a título de saldo negativo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) apurado no anocalendário de 2000 e, consequentemente, deixou de homologar a compensação inserta na Declaração de Compensação (Dcomp) nº 41755.01721.150705.1.3.021394 transmitida pela internet à central de dados da Receita Federal do Brasil em data de 15 de julho de 2005 visando extinguir débito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) apurada em junho de 2005. Registrese que o crédito buscado na Dcomp referenciada fora indicado em 10 (dez) outras sucessivas declarações de compensação veiculando extinção de débitos da COFINS e da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) de períodos posteriores a junho de 2005, cujas compensações foram igualmente declaradas não homologadas em vista da constatação de inexistência do direito creditório noticiado. Analisando a declaração de compensação inaugural concluiu a Delegacia da Receita Federal do Brasil em OsascoSP que seria improcedente o indébito fiscal nela indicado, na ordem de R$ 142.832,92, por não corresponder ao saldo negativo de R$ 396.136,95 informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ). Inconformada, a contribuinte ingressou com manifestação de inconformidade prevista no artigo 74, § 7º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, argumentando que Fl. 187DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 15/05/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10882.903338/200856 Acórdão n.º 110300.692 S1C1T3 Fl. 159 3 cometeu erro no preenchimento da DIPJ e que o saldo negativo correto é aquele indicado na declaração de compensação, o que seria verificável pelos Documentos de Arrecadação de Receitas Federais (DARFs) e importâncias do imposto de renda retido por fontes pagadoras (IRRF) relacionadas na ficha de composição do crédito citado na Dcomp. Pugnou, também, pela nulidade do despacho decisório em vista da ausência de motivação da Receita Federal em desconsiderar os DARFs e o IRRF constantes de seus próprios controles internos. Ressaltou, ainda, que já promovera a retificação da DIPJ para lhe corrigir o erro e requereu, ao final, a improcedência do despacho decisório. Aquela 4ª Turma de Julgamento admitiu o inconformismo e afastou a preliminar de nulidade. Quanto ao mérito consignou, inicialmente, que em vista dos princípios da instrumentalidade do processo, da economia processual, da verdade material, do contraditório e da ampla defesa, as divergências entre saldos negativos indicados na DIPJ e nos PER/DCOMP podem ser supridos pela instância administrativa julgadora de forma a tornar possível a apreciação do direito creditório utilizado para a compensação declarada. Assim, analisou as retenções na fonte e as estimativas noticiadas, parcelas que formam o saldo negativo do período, concluindo que a interessada não apresentou os informes de rendimentos e de retenções previstos no artigo 55 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985 e que inexistem nos sistemas informatizados da Receita Federal afetos às Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRFs) qualquer informação que liste a contribuinte como beneficiária. Em relação às estimativas mensais registrou a apuração de recolhimentos daquelas apuradas nos meses de setembro (integralmente) e outubro (parcialmente), as quais perfazem o montante de R$ 34.382,04. No tocante aos valores correspondentes aos demais meses, informados na DIPJ, frisou que não foram objeto de pagamento, consoante a base de dados da Receita Federal, nem tampouco essas dívidas foram confessadas em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTFs), com exceção daquela referente ao mês de novembro, no valor de R$ 58.354,70. Passo seguinte compulsou as antecipações com o tributo apurado em 31 de dezembro e concluiu pela existência de saldo negativo na ordem de R$ 3.626,68, donde reconheceu o direito creditório nesse valor e homologou a compensação até este limite. Ciente do decisório em 23 de fevereiro de 2011, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 25 do mês seguinte no qual aduz que o próprio Acórdão recorrido reconhece a possibilidade de ter havido equívoco no preenchimento das DIRFs pelas fontes pagadoras ou mesmo omissão, porém, em nenhum momento menciona convidar tais fontes retentoras para melhores esclarecimentos e também não considerou a possibilidade da contribuinte fazer a comprovação através de suas escriturações. Portanto, a compensação realizada não poderia ser simplesmente indeferida, com a indicação de dispositivos genéricos. Pugna pela efetividade do pagamento da estimativa do mês de novembro, na quantia de R$ 58.354,70, consoante comprovante juntado e ao final requer o provimento do recurso e a homologação da compensação, seguindose a extinção do crédito tributário. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 15/05/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10882.903338/200856 Acórdão n.º 110300.692 S1C1T3 Fl. 160 4 É o relatório, em apertada síntese. Voto Conselheiro José Sérgio Gomes, Relator Observo a legitimidade processual e o aviamento do recurso no trintídio legal. Assim sendo, dele tomo conhecimento. O litígio se prende à importância de R$ 139.206,24, fruto da diferença entre a somatória dos créditos utilizados nas declarações de compensação (R$ 142.832,92) e aquele reconhecido pela autoridade julgadora de primeira instância (R$ 3.626,68). Não há maiores entraves na compreensão de que a regra de apuração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), quando não exercida a regular opção pelo regime do lucro presumido, se dá nos trimestres civis do ano calendário mediante o levantamento de balanços patrimoniais e elaboração de demonstrativos de resultados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro, consoante dispõe o artigo 220 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. A apuração anual é uma alternativa dada pelos artigos 222 e 223 do RIR/99 que, para o seu exercício, requer pagamentos mensais calculados sobre base de cálculo estimada, isto é, determinados mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, sendo certo que em determinados tipos de atividade econômica dito percentual poderá ser de um inteiro e seis décimos por cento; dezesseis por cento ou trinta e dois por cento. Com base na receita, então, estimase o lucro, daí a denominação de pagamentos por estimativa. Exercida a opção, com o pagamento do imposto ou contribuição correspondente ao mês de janeiro ou do início de atividade e que, a propósito, é de caráter irretratável (RIR/99, art. 232), a pessoa jurídica somente poderá suspender ou reduzir os recolhimentos devidos em cada mês se demonstrar, através de balanços e balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive o adicional, calculado com base no lucro real do período em curso (RIR/99, art. 230). Apurado o imposto e contribuição devidos no anocalendário, mediante o levantamento do balanço em 31 de dezembro, deles deduzse, entre outros elementos, as antecipações efetuadas, quais sejam, as parcelas do imposto de renda retido por fontes pagadoras de rendimentos e as estimativas regularmente adimplidas. Acaso a somatória de essas quantias ultrapassar aquele valor estará exteriorizada a figura do saldo de imposto/contribuição a ser restituído ou compensado (RIR, art. 231), também chamado de saldo negativo de IRPJ ou CSLL; inversamente, afigurase o saldo de imposto ou contribuição a pagar. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 15/05/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10882.903338/200856 Acórdão n.º 110300.692 S1C1T3 Fl. 161 5 Aflorada, então, a figura do saldo negativo, este sim é passível de restituição ou compensação com o próprio ou outros tributos e sobre o qual incidirão juros à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados entre o mês de janeiro subseqüente até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que for restituído ou em que estiver sendo efetuada a compensação. No caso dos autos a Requerente foi instada pela resposta dada à sua manifestação de inconformidade, ocasião em que se inaugurou o contraditório, a apresentar a prova dos pagamentos das estimativas e das retenções na fonte, ambos indicados em sua declaração de compensação e, à exceção do pagamento da estimativa de novembro (R$ 58.354,70), que será adiante analisado, não o fez. Creio equivocado o entendimento da Recorrente no sentido de que a autoridade fiscal deveria “convidar” as fontes retentoras indicadas em sua declaração de compensação para apresentarem as cifras ditas retidas. Com efeito, tenho que recai sobre a contribuinte o ônus de comprovar o direito que alega possuir em face da Fazenda Nacional, regra basilar extraída do artigo 333, inciso I, do estatuto processual civil pátrio, e sendo sua pretensão constitutiva, como efetivamente o é, descabe atribuir à Administração os requisitos aplicáveis no lançamento de crédito tributário. Por sua vez, o princípio da verdade material que governa o processo administrativo não vai a ponto de obrigar o Fisco na produção de provas a favor da Requerente, salvo aquelas que for do conhecimento da Administração e conste de seus registros e, no caso, essa diligência fora levada a efeito, inclusive no que diz respeito aos recolhimentos das estimativas mensais, consoante expressa assertiva da autoridade fiscal julgadora. Enfim, os comprovantes legais das apontadas retenções (Lei nº 7.450/85, artigo 55) não foram apresentados pela interessada e a autoridade fiscal ainda assim diligenciou no banco de dados da Receita Federal, oportunidade em que aferiu a inexistência delas, bem assim, dos pagamentos das noticiadas estimativas. Quanto à insinuação da defesa para que suas “escriturações” fossem levadas em conta, registro que a contribuinte nada carreou aos autos. Ora, sem adentrar no mérito do grau de eficácia desse elemento de prova fato é que a juntada só dependeu de sua vontade, de sorte que não o trazendo descabe invocar qualquer desprezo por parte da autoridade fazendária. Contudo, há de considerar o pagamento da estimativa do mês de novembro, conforme comprovante de arrecadação expedido no sitio da Receita Federal do Brasil na rede mundial de computadores (internet), juntado à fl. 153. Referido documento expressa que em 28/12/2000 a contribuinte recolheu a quantia de R$ 58.354,70 por conta do código de receita nº 5993, afeto a estimativa mensal, portanto, regular parcela de antecipação. Consigno que em consulta pública ao sítio www.receita.fazenda.gov.br aferi a autenticidade desse informe. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 15/05/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10882.903338/200856 Acórdão n.º 110300.692 S1C1T3 Fl. 162 6 Por conseqüência, a pretensão repetitória afigurase procedente quanto a essa parte, eis que a avaliação fiscal no tocante ao anocalendário de 2000 já apontou a figura de saldo negativo mesmo sem o cômputo dessa parcela. Com tais razões, VOTO pelo provimento parcial do recurso voluntário para reconhecer o direito creditório contra a Fazenda Nacional, relativo a saldo credor de IRPJ do anocalendário de 2000, na quantia de R$ 58.354,70, seguindose a homologação das compensações que lhe decorrer. documento assinado digitalmente José Sérgio Gomes Fl. 191DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 15/05/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 13888.000516/00-96
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jul 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1989 a 28/02/1992
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. Quando do julgamento do RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, foi declarada a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, momento em que estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN.
Diante das decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores a respeito da matéria, aplica-se ao caso os estritos termos em que foram prolatadas, considerando-se o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tão-somente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 09 de junho de 2005 em diante.
Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), vale o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º, com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional dar-se-á a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador).
Numero da decisão: 9900-000.728
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Relator
EDITADO EM: 06/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Relator EDITADO EM: 06/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 28/02/1992 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. Quando do julgamento do RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, foi declarada a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, momento em que estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. Diante das decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores a respeito da matéria, aplicase ao caso os estritos termos em que foram prolatadas, considerandose o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tão somente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 09 de junho de 2005 em diante. Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), vale o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º, com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional darseá a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 05 16 /0 0- 96 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Relator EDITADO EM: 06/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, versando sobre a contagem do prazo prescricional do direito à repetição de indébitos tributários. A recorrente assevera que referido prazo seria de 5 (cinco) anos a contar da data em que ocorreu o recolhimento indevido ou a maior que o devido, consoante interpretação a ser dada ao inciso I do art. 165 do Código Tributário Nacional – CTN, interpretação essa que teria sido referendada pela Lei Complementar nº 118/2005. A discussão em causa, portanto, reportase exclusivamente ao prazo prescricional para requerer a repetição de indébito tributário, sendo importante ressaltar que o presente pedido foi formalizado anteriormente à vigência da Lei Complementar nº 118/2005, que passou a viger a partir do dia 09/06/2005. No presente caso, a data de protocolo do pedido de restituição/compensação foi formalizado em 02/06/2000, e se refere a fatos geradores ocorridos entre 09/89 e 02/92. É o relatório. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13888.000516/0096 Acórdão n.º 9900000.728 CSRFPL Fl. 11 3 Voto Conselheiro Francisco Sales Ribeiro de Queiroz Relator O recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, consoante atesta o despacho competente, devendo ser conhecido. Conforme relatado, a questão que se põe à apreciação deste Colegiado diz respeito exclusivamente à preliminar de prescrição do direito à repetição de indébitos fiscais, merecendo ressaltar que o acórdão paradigma considerou irrelevante que o indébito tenha por fundamento a declaração de inconstitucionalidade ou simples erro, aplicando o prazo quinquenal a partir da extinção do crédito tributário, conforme se extrai da leitura da ementa transcrita no recurso extraordinário, a seguir: ACÓRDÃO PARADIGMA "Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ILL O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido." (grifo nosso). (Recurso n° 102147786. Processo n° 10183.003219/200293. Acórdão CSRF/0400.810. Quarta Turma. Relatora Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo). Os dispositivos da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional – CTN, citados na ementa acima transcrita, estão assim redigidos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. ......................................................................................................... Fl. 278DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (vide art. 3º da LC. nº 118, de 2005) II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. ......................................................................................................... A modalidade de extinção do crédito tributário a que se refere o supra transcrito dispositivo do inciso I, do art. 168 é o definido no inciso I, do art. 156, também do CTN, a seguir: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; (...). Assim, contado da data da extinção do crédito tributário, pelo pagamento, teria o contribuinte cinco anos para fazer valer o seu direito à restituição, entendimento que mereceu intermináveis discussões no âmbito do contencioso administrativo tributário e nos Tribunais Superiores do Poder Judiciário pátrio. Dessa forma, em face da interminável batalha judicial estabelecida sobre o tema, e com a pretensão de pacificar e tornar definitivo um entendimento a respeito, sobreveio a Lei Complementar LC nº 118/2005, cujos artigos 3º e 4º alteraram e acrescentaram dispositivos ao Código Tributário Nacional CTN, dispondo ainda sobre a interpretação a ser dada ao inciso I do art. 168 da mesma Lei, nos termos a seguir reproduzidos: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. Art. 4º Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Por seu turno, o mencionado inciso I, do art. 106, do CTN, estabelece que: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; (...). Fl. 279DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13888.000516/0096 Acórdão n.º 9900000.728 CSRFPL Fl. 12 5 Assim, a questão já teria sido definitivamente resolvida com a edição dos suso transcritos dispositivos da LC nº 118/2005, segundo o qual a interpretação a ser dada ao inciso I, do art.168, do CTN, é a de que “a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei.” (Lei nº 5.172/1966 – CTN) Entretanto, o Superior Tribunal de Justiça STJ declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4° da LC nº 118/2005, ao entender que não se trata de lei meramente interpretativa, já que inova o ordenamento jurídico no tocante ao momento em que o crédito tornase extinto, e que, portanto, não pode retroagir nos moldes do artigo 106, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN, sob pena de ofender o princípio da segurança jurídica, de respeitável proteção em nosso ordenamento. Referida matéria, até a sessão de 04/08/2011 do Supremo Tribunal Federal – STF, encontravase submetida ao regime de repercussão geral, oportunidade em que foi negado provimento ao RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, declarando a inconstitucionalidade do acima transcrito art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 (cinco) anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 09/06/2005, tendo referida decisão Suprema sido assim ementada: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/2005, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts . 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a Fl. 280DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido Por seu turno, o Superior Tribunal de Justiça STJ, em recentíssima decisão (sessão de 02/08/2012), ao julgar o recurso representativo de controvérsia REsp nº 1.269.570 MG, entre muitas outras mais antigas, seguiu a referida posição jurisprudencial proferida do Tribunal Maior, consoante se extrai da leitura da ementa do REsp 1089356/PR, assim disposta: REsp 1089356 / PR RECURSO ESPECIAL 2008/02103521 Relator(a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES (1141) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 02/08/2012 Data da Publicação/Fonte DJe 09/08/2012 Ementa TRIBUTÁRIO. RECURSOS ESPECIAIS. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 543B, § 3º, DO CPC. MANDADO DE SEGURANÇA QUE ATACA INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE SALDOS NEGATIVOS DA CSLL REFERENTES AO EXERCÍCIO DE 1996. PEDIDO ADMINISTRATIVO PROTOCOLADO ANTES DE 09/06/2005. INAPLICABILIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº. 118/2005 E DO ART. 16 DA LEI Nº. 9.065/95. 1. Tanto o STF quanto o STJ entendem que, para as ações de repetição de indébito relativas a tributos sujeitos a lançamento por homologação ajuizadas de 09/06/2005 em diante, deve ser aplicado o prazo prescricional quinquenal previsto no art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, ou seja, prazo de cinco anos com termo inicial na data do pagamento. Já para as ações ajuizadas antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o Fl. 281DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13888.000516/0096 Acórdão n.º 9900000.728 CSRFPL Fl. 13 7 entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, §4º com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5). Precedente do STJ: recurso representativo da controvérsia REsp n. 1.269.570MG, 1ª Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 23.05.2012. Precedente do STF (repercussão geral): recurso representativo da controvérsia RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011. 2. No caso, embora se trate de mandado de segurança ajuizado no ano de 2007, houve observância do prazo do art. 18 da Lei nº. 1.533/51 e a impetrante impugna o ato administrativo que decretou a prescrição do seu direito de pleitear a restituição dos saldos negativos da CSLL referentes ao anocalendário de 1995, exercício de 1996, cujo pedido de restituição foi protocolado administrativamente em 05.07.2002, antes, portanto, da Lei Complementar n. 118/2005. Diante das peculiaridades dos autos, o Tribunal de origem decidiu que o prazo prescricional deve ser contado da data de protocolo do pedido administrativo de restituição. Em assim decidindo, a Turma Regional não negou vigência ao art. 168, I, do CTN; muito pelo contrário, observou entendimento já endossado pela Primeira Turma do STJ (REsp 963.352/PR, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 13.11.2008). 3. No tocante ao recurso da impetrante, deve ser mantido o acórdão do Tribunal de origem, embora por outro fundamento, pois, ainda que o art. 16 da Lei n. 9.065/95 não se aplique nas hipóteses de restituição, via compensação, de saldos negativos da CSLL, no caso a impetrante formulou administrativamente simples pedido de restituição. Na espécie, ao adotar a data de homologação do lançamento como termo inicial do prazo prescricional quinquenal para se pleitear a restituição do tributo supostamente pago a maior, o Tribunal de origem considerou tempestivo o pedido de restituição, o qual, por conseguinte, deverá ter curso regular na instância administrativa. Mesmo que a decisão emanada do Poder Judiciário não contemple a possibilidade de compensação dos saldos negativos da CSLL com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, nada obsta que a impetrante efetue a compensação sob a regência da legislação tributária posteriormente concebida. 4. Recurso especial da Fazenda Nacional parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido, e recurso especial da impetrante não provido, em juízo de retratação. Nessa mesma linha, transcrevo ementa de outros julgados do STJ, nos quais o prazo prescricional é contado, em se tratando de pagamentos indevidos cuja repetição fora requerida anteriormente à vigência da LC nº 118∕2005 (09/06/2005), da data do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita ou expressa: “TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL EM CONTROLE CONCENTRADO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REGRA DOS "CINCO MAIS CINCO". PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. A Primeira Seção desta Corte firmou entendimento de que, "mesmo em caso de exação tida por inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, seja em controle concentrado, seja em difuso, ainda que tenha sido publicada Resolução do Senado Federal (art. 52, X, da Carta Magna), a prescrição do direito de pleitear a restituição, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita ou expressa." 2. O entendimento jurisprudencial é a síntese da melhor exegese da legislação no momento da aplicação do direito, por isso é aceitável a sua mudança para o devido aprimoramento da prestação jurisdicional. Agravo regimental improvido.” (AgRg no Ag 1406333 / PE, Relator: Ministro Humberto Martins) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA O SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (ILL). PRESCRIÇÃO. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". RESP 1.002.932/SP (ART.543C DO CPC). COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. DATA DO AJUIZAMENTO DA AÇÃO. RESP 1.137.738/SP (ART. 543C DO CPC). POSSIBILIDADE, IN CASU, DE COMPENSAÇÃO COM TRIBUTO DA MESMA ESPÉCIE. CORREÇÃO MONETÁRIA. FEV/1991. IPC. 21,87%. 1. Agravos regimentais interpostos pelos contribuintes e pela Fazenda Nacional contra decisão que negou seguimento aos seus recursos especiais. 2. A Primeira Seção adota o entendimento sufragado no julgamento dos REsp 435.835/SC para aplicar a tese dos "cinco mais cinco" à contagem do prazo prescricional, inclusive para a repetição de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Precedentes: EREsp 507.466/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Primeira Seção, julgado em 25/3/2009, DJe 6/4/2009; AgRg nos EAg 779581/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 9/5/2007, DJe 1/9/2008; EREsp 653.748/CE, Rel. Ministro José Delgado, Rel. p/ Acórdão Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 23/11/2005, DJ 27/3/2006. 3. O Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso especial representativo de controvérsia (REsp 1.002.932/SP), ratificou orientação no sentido de que o princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC n. 118/05 aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, porquanto é norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação respectiva. 4. Em sede de compensação tributária, deve ser aplicada a legislação vigente por ocasião do ajuizamento da demanda. "[A] Fl. 283DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13888.000516/0096 Acórdão n.º 9900000.728 CSRFPL Fl. 14 9 autorização da Secretaria da Receita Federal constituía pressuposto para a compensação pretendida pelo contribuinte, sob a égide da redação primitiva do artigo 74, da Lei 9.430/96, em se tratando de tributos sob a administração do aludido órgão público, compensáveis entre si". (REsp 1.137.738/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 1º/2/2010, julgado sob o rito do art. 543C do CPC). 5. Na correção de indébito tributário incide o índice de 21,87% em fevereiro de 1991 (expurgo inflacionário, IPC/IBGE em substituição à INPC do mês). Precedentes: REsp 968.949/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 10/3/2011; EDcl no AgRg nos EDcl no REsp 871.152/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 19/8/2010; AgRg no REsp 945.285/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 7/6/2010; REsp 1.124.456/DF, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/4/2010. 6. Agravo regimental das contribuintes parcialmente provido para assegurar a correção monetária no mês de fevereiro de 1991 pelo índice de 21,87%. 7. Agravo regimental da Fazenda Nacional não provido.” (AgRg no REsp 1131971 / RJ, Relator: Ministro Benedito Gonçalves) Através da Portaria MF nº 586, de 21/12/2010–DOU de 22/12/2010, foram introduzidas alterações no Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 256, DOU de 23/06/2009, sobrevindo o art. 62A, que assim dispõe: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Sendo assim, diante dessas decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores, outra não poderia ser minha posição a respeito da matéria, senão a de aplicar ao caso os estritos termos das sobreditas decisões do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, considerandose o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tão somente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 9 de junho de 2005 em diante. Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), valeria o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional darseia a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador). Fl. 284DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 No presente caso, a data de protocolo do pedido de restituição/compensação foi formalizado em 02/06/2000, e se refere a fatos geradores ocorridos entre 09/89 e 02/92. Sendo assim, o direito à repetição não foi alcançado pela prescrição. Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, devendo o processo retornar à repartição de origem para que seja analisada a viabilidade do pedido quanto às questões de mérito, sua liquidez, demais matérias não examinadas e adoção das providências que considerar cabíveis, devendo o processo, posteriormente, seguir seu trâmite de acordo com o Decreto nº 70.235/1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal – PAF. É assim que voto. (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Fl. 285DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 13116.001192/2004-58
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2004
IMUNIDADE. INSTITUIÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS.
Em conformidade com a constituição federal, e, tratando de Instituição de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da imunidade, na linha da melhor doutrina e de acordo com a jurisprudência do STF e STJ, a imunidade da entidade deve ser reconhecida como um todo, capaz de abranger toda e qualquer receita proveniente de sua atividade.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3403-001.918
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acorda o membro do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Robson José Bayerl, que deu provimento em menor extensão, em razão de entender que o contribuinte atendia ao art. 55 da Lei nº 8.212/91 apenas em parte do período lançado.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2004 IMUNIDADE. INSTITUIÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. Em conformidade com a constituição federal, e, tratando de Instituição de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da imunidade, na linha da melhor doutrina e de acordo com a jurisprudência do STF e STJ, a imunidade da entidade deve ser reconhecida como um todo, capaz de abranger toda e qualquer receita proveniente de sua atividade. Recurso Provido.
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INSTITUIÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. Em conformidade com a constituição federal, e, tratando de Instituição de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da imunidade, na linha da melhor doutrina e de acordo com a jurisprudência do STF e STJ, a imunidade da entidade deve ser reconhecida como um todo, capaz de abranger toda e qualquer receita proveniente de sua atividade. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acorda o membro do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Robson José Bayerl, que deu provimento em menor extensão, em razão de entender que o contribuinte atendia ao art. 55 da Lei nº 8.212/91 apenas em parte do período lançado. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 00 11 92 /2 00 4- 58 Fl. 2065DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário em razão da decisão que manteve o crédito tributário relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS do período de apuração de 01.01.2002 A 30.06.2004. A celeuma apresentada neste caderno se refere à fruição da imunidade pela Recorrente, cujo entendimento das Autoridades Fiscais é de que não poderia receber verbas oriundas de outras fontes, assim como: contraprestações dos serviços de educação. Essa discussão decorre das disposições do artigo 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998, que criou condições e deu tratamento de inseção e não de imunidade. Transcrevese o relatório da decisão recorrida por refletir a situação dos autos. “Tratam os autos de lançamento de Cofins, consubstanciado no auto de infração as fl. 03/14, referente a fatos geradores ocorridos nos anos 2002/2004, com crédito tributário total é de R$ 2.381.533,59 (sendo os juros calculados até 31/08/2004). 2. Consoante descrição dos fatos, o lançamento decorreu de falta de recolhimento da Cofins incidente sobre rendimentos de aplicação financeira, de contraprestação de serviços de educação, de vendas de uniformes, de serviços de cantina, de escola de futebol, de eventos, de aluguéis de imóveis e outras receitas "meio"; valores, estes, não abrangidos pela isenção prevista em lei, vez que com caráter contraprestacional. Um maior detalhamento está nos relatórios fiscais ás fl. 15/18, 28/31 e 32/33. 3. Cientificado do lançamento em 29/09/2004, o sujeito passivo apresentou a impugnação as fl. 774/821, acostada dos documentos as fl. 822/994, em 28/10/2004, alegando, em síntese: • Viabiliza vasto atendimento assistencial e filantrópico, sem fins lucrativos, tendo, inclusive, recebido o Certificado de Entidade Filantrópica nº 00000208798196900 do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), órgão ligado ao Poder Executivo Federal. Entre atividades de assistência e filantrópicas cita os seguintes projetos: Educar com Arte, Sopão, Fazendinha. Além disso, alguns das suas escolas não cobram mensalidades de seus alunos, em vista de convênio com a Secretaria de Estado da Educação de Goiás, que paga os salários de professores e alguns administradores; • Não distribui 'qualquer parcela de seu patrimônio e de suas rendas a titulo de lucro ou de participação no seu resultado, Fl. 2066DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13116.001192/200458 Acórdão n.º 3403001.918 S3C4T3 Fl. 10 3 consoante comprovam seus atos estatutários e documentos anexados. Aplica integralmente no pais seus recursos; Está amparado pela imunidade tributária determinada no art. 150, VI, alínea "c" e no art. 195, parágrafo 7 °, da Constituição Federal. Há, pois, erro no auto, quando faz constar tratarse de isenção tributária; Não compete ao AuditorFiscal da Receita Federal descaracterizar a categoria de Entidade Filantrópica de Assistência Social, pois tal competência é do CNAS, nos termos do art. 18 da Lei no. 8.742/93. Como o auto de infração se deu pela descaracterização da condição de entidade filantrópica de assistência social, este esta juridicamente equivocado; 0 conceito de assistência social para fins de aplicação do parágrafo 7° . do art. 195 e do art. 150, VI, alínea "c", da Constituição Federal é dado pelo art. 203 desta, em consonância com o disposto no seu art. 6°, onde consta que são direitos sociais, entre outros, a educação, o lazer, a assistência aos desamparados. Logo, as suas atividades sociais, enquanto entidade beneficente de assistência social, de formação educacional, cultural, artística, literária, cívica e moral, encontramse albergadas pela imunidade tributária; • 0 art. 14 da CTN é a lei a que se referem os art. 150, VI, alínea "c" e 195, parágrafo 70, da Constituição Federal. Esta Lei Complementar é que dispõe sobre os requisitos a serem cumpridos pelas entidades de educação e assistência social, os quais estão por si atendidos. Não podem a Lei Ordinária, os Regulamentos ou qualquer outra espécie normativa não complementar, legal ou infralegal, criar requisitos adicionais; oportunidade em que são inconstitucionais; • A exigência de mensalidades escolares e a receita de realização de eventos revertemse as atividades assistenciais. Quanto à cobrança de mensalidades, esta se dá como regra, em apenas duas unidades escolares ligadas, mas, assim mesmo, apenas daqueles que podem pagar pelo estudo, sendo que inúmeros outros recebem bolsas no percentual de suas necessidades, e outros estudam de forma inteiramente gratuita ou a um custo baixíssimo; • Quanto às aplicações financeiras, entende perfeitamente possível aplicar os recursos que lhe chegam com escopo de multiplicálos a fim de atender seus objetivos sociais, sob pena de, não o fazendo, gerir mal aquilo que lhe confiam; • A venda de produtos em promoções festiva , nada mais é do que o resultado obtido em festas religiosas promovidas para angariar fundos para a manutenção de suas atividades assistenciais de caráter filantrópico. São as tradicionais festas juninas; • Os valores de alugueres auferidos de imóveis são integralmente aplicados na realização\de suas finalidades estatutárias, como Fl. 2067DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 "criar, congregar, dirigir, manter e promover obras de assistência educacional e social, visando o bem estar social, a ordem pública, a liberdade, a cidadania, a democracia, o progresso, a promoção humana, a cultura e a evangelização"; A Toda organização civil ou comercial, possui, de certa maneira, substância econômica; o que não se admite é a finalidade lucrativa, e essa, em nenhum momento, foi apontada pelo atuante; • Os dispositivos da Lei no. 9.732/98 e do Decreto no. 3.048/99 são inconstitucionais, pois atentam contra filantrópicas e educacionais (o contribuinte mencionou algumas decisões nesse sentido); bem assim reconhecendo a competência complementar e suficiência do art. 14 do CTN para dispor acerca dos requisitos a serem atendidos pelas instituições beneficentes para a fruição da imunidade tributária; • O STF concedeu liminar na ADIN no. 2.2085/DF, de 1999, impetrada pela Confederação Nacional de Saúde — Hospitais, Estabelecimentos e Serviços — CNS, suspendendo os efeitos do art. 1°, da Lei no. 9.332/98, na parte em que alterou a redação do art.55, inciso III, da Lei no. 8.212/91, incluindo também os parágrafos 3 0, 40, e 5°, bem assim os efeitos dos seus art. 4°, 5º 7º; Requereu a suspensão da exigibilidade do crédito tributário nos termos do art. 151, III, do CF, bem assim o reconhecimento da sua imunidade tributária, posto que cumpridos os requisitos legais para tanto. É o relatório”. Voto Conselheiro Relator Domingos de Sá Filho. Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual tomo conhecimento. A questão cinge a imunidade com observância das condições elencadas pela Lei 8.212/91. Assim, passo a examinar essa matéria à luz da Constituição Federal. Esse tema, imunidade, tratada pelo art. 150 da Carta Política de 1988 tem sido ao longo desses anos, reiteradamente, decidida pelo Supremo Tribunal Federal, o que se constata é a ausência de consenso doutrinário no que tange a sua real natureza. Entre os doutrinadores ao tratarem desse assunto ensinam que, a imunidade consiste na exclusão de competência da União, Estados, Distrito Federal e Municípios para instituir tributos relativamente a determinados atos, fatos e pessoas. No rol das pessoas protegidas pelo manto da imunidade encontram as instituições políticas, as de atividades religiosas, das instituições educacionais, assistenciais e de filantropia e o acesso às informações. Fl. 2068DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13116.001192/200458 Acórdão n.º 3403001.918 S3C4T3 Fl. 11 5 Como se sabe a imunidade não se confunde com isenção, pois se trata de norma constitucional que denega competência às pessoas estatais, como ensina DERZI MISABEL ABREU MACHADO. Em relação à isenção, a doutrina afirma que essa regra isentiva reside em lei ordinária, de modo que, a isenção é exceção feita pela própria regra jurídica de tributação, daí limitar o interprete de ampliar o seu âmbito de incidência. Ao contrário da exceção, a imunidade é o obstáculo criado por norma constitucional, a impedir a incidência de lei ordinária de tributação. COELHO, Sacha Calmon Navarro, Curso de Direito Tributário Brasileiro, 10ª ed. Forense, 2009,p. 253 e 258, ensina: “... não se trata de imunizar apenas a incidência do imposto de renda, dos impostos sobre o patrimônio e dos impostos sobre serviços, como durante muito tempo pensou o STF e também nós. Tratase de vedar a incidência de quaisquer impostos sobre a renda, o patrimônio e os serviços das pessoas políticas, como sempre quis Baleeiro. (...)... o que importa é preservar o “patrimônio” e a “renda” das pessoas políticas e de suas autarquias do ataque de quaisquer impostos. Este, sem dúvida, é o melhor caminho, o mais consentâneo com a axiologia do princípio imunitário in examen”. No mesmo norte é o que se extraí da lição abaixo: “Ressaltese que os preceitos constitucionais sobre imunidade produzem efeitos independentemente da edição de lei integrativa, ainda que esta seja requerida expressamente na Constituição. Apenas pode a lei prevista conter a eficácia do preceito constitucional, mas não impedila por sua ausência.” (DIAS DE SOUZA, Hamilton. In Comentários ao Código Tributário N acional, vol. 1, coord. Ives Gandra da Silva Martins. Saraiva, 1998, p.10). No caso concreto a fiscalização afirma que se trata de pessoa imune, no entanto, segregou e tributou às receitas decorrentes da contraprestação de mensalidades, uniforme, agendas, cantina, aluguéis e escola de futebol, receitas financeiras e outras receitas, diante do entendimento de que no caso de imunidade não pode haver contraprestação pelos serviços prestados. Se as entidades filantrópicas estão amparadas pela norma do art. 150, VI, letra “c”, todas as suas rendas encontram abrangidas, pois o objetivo dessa norma é assegurar que as rendas provenientes das atividades que sustentam as entidades sejam desoneradas, cujo intuito é de viabilizar a sobrevivência com o propósito do desenvolvimento, sabiamente o legislador constitucional buscou proteger o patrimônio, afastando a incidência de qualquer tributo, de modo a garantir a eficiência dos serviços prestados. Nesse diapasão é pertinente a lição de SOUZA, Igor Nascimento: ““ Entidade de assistência social”.” Considera entidade de Assistência social aquela que, sem visar o lucro, cumpre um dos objetivos previsto no artigo 203 da Constituição Federal de Fl. 2069DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 1988, ou seja, pratica algum ato que implique na proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência, à velhice, o amparo às crianças e adolescentes carentes, a promoção da integração ao mercado de trabalho, a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiências e a promoção de sua integração à vida comunitária, ou a garantia de um salário mínimo mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprove não possuir meios de prover à própria manutenção ou de tela provida por sua família, desde que a prática deste ato seja voluntária, implique em mera liberalidade do praticante, ou seja, não decorra de imposição legal”. O Supremo Tribunal Federal em reiteradas decisões já demonstrou claramente que a imunidade é extensiva a toda e qualquer receita, nessa mesma linha, com arrimo em precedente do STF, o Superior Tribunal de Justiça STJ vem norteando sua posição em relação ao assunto veja: “ENTIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ICMS. COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTO DE SUA ATIVIDADE AGRÍCOLA. INOCORRÊNCIA. PRECEDENTES DO STF. 1. O recolhimento de ICMS, incidente sobre os produtos hortifrutícolas produzidos e comercializados pela entidade assistencial, não ofende a imunidade tributária que lhe é assegurada na Constituição da República. Precedente do STF. 2. O tributo repercute economicamente ao adquirente, pois se encontra embutido no preço do bem adquirido. 3. Recurso conhecido, porém, desprovido”. (STJ, 2ª T. RMS 7.943, Min. Laurita Vaz, out/02). O precedente do STF, RE 186175: “ICMS. A imunidade do ente imune impede a exigência do ICMS sobre a saída de mercadorias que promove”. “O Tribunal, por maioria, negou provimento a embargos de divergência opostos, em embargos declaratórios, contra acórdão da 2ª Turma que não conhecerá de recurso extraordinário do embargante ao fundamento de a imunidade prevista no art. 150, VI, “c”, da CF., que veda a instituição de impostos sobre patrimônio, renda ou serviços de entidade de assistência social, abrange o ICMS. Invocavase como paradigma o acórdão proferido pela 1ª Turma no RE 164162/SP (DJU de 13.9.96) que entendera não configurar violação à mencionada imunidade a exigência fiscal sobre os bens produzidos e fabricados pela entidade, tendo em conta repercutir o ônus, economicamente, no consumidor, contribuinte de fato do tributo que se acha embutido no preço. Considerouse o entendimento fixado pelo Plenário no RE 210251/SP (DJU de 28.11.2003) no sentido de estarem às entidades de assistência social imunes à incidência do ICMS relativamente à comercialização de bens por elas produzidos, nos termos do art. 150, VI, c, da CF. Vencido o Min. Carlos Brito, que dava provimento ao recurso, adotando a orientação preconizada pela 1ª Turma. (RE 186175)”. (Informativo 437 do STF, ago/06). Fl. 2070DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13116.001192/200458 Acórdão n.º 3403001.918 S3C4T3 Fl. 12 7 A lei infraconstitucional fixa os requisitos contido no art. 150, VI, c, para a efetiva fruição do benefício, condicionando o interessado ao atendimento de certas exigências, no entanto, salvo melhor juízo, o entendimento a prevalecer deve ser da norma maior proveniente da Carta Política de 1988, que contempla com a exoneração tributária a atividade das pessoas imune, em relação às leis secundárias. Nesse passo adoto como fundamento de decidir parte das razões contidas em declaração de voto nos autos do processo administrativo número 15504.012246/201019, Acórdão nº 3403.01698, da lavra do Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz: “No esforço de compreender o alcance da expressão é convidativo interpretála em comparação com o sentido atribuído a outra expressão, de sentido no mínimo análogo, contida no §4o, do artigo 150, da CF/88. A pretexto de limitar a imunidade a impostos prevista para templos de qualquer culto, partidos políticos, sindicatos e também instituições de educação e assistência social, o dispositivo refere ao patrimônio, renda e serviços associados às “finalidades essenciais das entidades” em comento.(grifei) Também parte da doutrina enxerga entre as duas expressões a aproximação de sentido que autoriza emprestar a interpretação construída para uma na compreensão da extensão da outra. É como pensa Leandro Marins de Souza, no seu “Tributação do Terceiro Setor no Brasil”: “Não é a condição contraprestacional que define se a receita é oriunda de atividade própria da entidade ou não. O conceito a ser aqui utilizado é o mesmo trabalhado quando da interpretação da cláusula do artigo 150, §4o da Constituição Federal, que se remete às finalidades essenciais das entidades. Ora, é própria a atividade da instituição quando se volta a seus objetivos institucionais, a suas finalidades essenciais. Estando fora desta característica, a atividade não será própria de entidades sem fins lucrativos, afastandose a isenção em comento”. (Tributação do Terceiro Setor no Brasil. São Paulo: Dialética, 2004, p. 296) Pensando o dispositivo constitucional, o STF lhe atribuiu exegese “finalística”, se é que assim se poderia designar seu entendimento. Depreendeu que renda relacionada às “atividades essenciais” da pessoa jurídica seria não necessariamente aquela oriunda da prática de suas atividades essenciais, mas a que, obtida das mais variadas origens, a entidade destinasse à consecução e ao desenvolvimento de suas finalidades estatuárias. A compreensão está bem sintetizada na Súmula no 724 da Corte, enunciada em dezembro de 2003: “Ainda quando alugado a terceiros, permanece imune ao IPTU o imóvel pertencente a qualquer das entidades referidas pelo art. 150, VI, ‘c’ da Constituição, desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades essenciais de tais entidades”. Sob esta leitura, abstraise completamente da procedência da receita para focalizar tãosomente a sua aplicação que, de acordo com o STF, há de ser na perseguição dos objetivos Fl. 2071DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 8 estatutários da entidade. A prevalecer semelhante compreensão para a hipótese em concreto, as receitas de atividades contraprestacionais estariam albergadas pela isenção tanto quanto os ingressos gratuitos, a depender exclusivamente do destino que se lhes der. Esta leitura comete o pecado de reduzir dois requisitos constitucionais independentes para a fruição da imunidade a apenas um. Exigir que a instituição aplique suas rendas na consecução de seus propósitos estatutários é o mesmo que demandarlhe a dedicação a fins nãolucrativos. O que vem a ser uma entidade sem escopo de lucro, senão aquela cujos recursos precisam ser permanentemente revertidos ao objeto social, em vista de vedação a que sejam distribuídos? Vejase, a respeito, os incisos I e II, do artigo 14 do CTN e, ainda mais revelador, o §3o do artigo 12, da Lei no 9.532/97: “Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais”. Pareceme, portanto, que por inutilizar a independência da restrição contida no §4o do artigo 150 da CF em face de um outro requisito constitucional, a proposta hermenêutica consolidada na Súmula STF no 724 não seja a melhor. Mas ainda mantendo como referência a imunidade do artigo 150, inciso VI, da CF/88, podese buscar o sentido para a expressão “finalidades essenciais” no próprio CTN que, afinal, tem a incumbência constitucional de, justamente, disciplinar as limitações ao poder de tributar. E o §2o, do artigo 14 do Código adjudica o seguinte sentido ao texto da CF: “Art. 14. §2o Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9o são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previsto nos respectivos estatutos ou atos constitutivos”. Assim, esse assunto restou apreciado e submetido a essa Turma em conformidade com a constituição federal, e, por se tratar de Instituição de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da imunidade, na linha da melhor doutrina e de acordo com a jurisprudência do STF e STJ, inclino em reconhecer a imunidade da entidade como um todo, capaz de abranger toda e qualquer receita proveniente de sua atividade. Com essas considerações concluo no sentido de que as receitas da recorrente encontram protegidas pelo manto da imunidade. Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento para afastar à incidência de tributação sobre as receitas da recorrente. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 2072DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13116.001192/200458 Acórdão n.º 3403001.918 S3C4T3 Fl. 13 9 Fl. 2073DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 16542.000584/2009-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
IRPF - MOLÉSTIA GRAVE - ISENÇÃO - INÍCIO DA VIGÊNCIA.
Os proventos de aposentadoria ou pensão por moléstia grave são isentos do imposto de renda, quando a pessoa física prova, mediante laudo oficial, ser portadora de cardiopatia grave. In casu, estabelece-se o empeço da vigência na data do diagnóstico constante no laudo médico do paciente.
Numero da decisão: 2101-002.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, Eivanice Canário da Silva
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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Os proventos de aposentadoria ou pensão por moléstia grave são isentos do imposto de renda, quando a pessoa física prova, mediante laudo oficial, ser portadora de cardiopatia grave. In casu, estabelecese o empeço da vigência na data do diagnóstico constante no laudo médico do paciente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, Eivanice Canário da Silva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 54 2. 00 05 84 /2 00 9- 72 Fl. 45DF CARF MF Impresso em 24/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 29/33) interposto em 18 de novembro de 2009 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC), (fls. 23/27), do qual o Recorrente teve ciência em 05 de novembro de 2009 (fls.28), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 10/13, lavrado em 04 de maio de 2009, em decorrência de omissões de rendimentos tributáveis, no valor de R$ 126.289,95, recebidos do Ministério do Trabalho e Emprego, no anocalendário de 2003. O acórdão teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 DISPENSA DE EMENTA Acórdão dispensado de ementa de acordo com a Portaria SRF nº 1.364, de 10 de novembro de 2004. Impugnação Improcedente Outros Valores Controlados Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário em 18 de novembro de 2009 (fls. 29/33), onde argumenta, em síntese, que: a) Quanto a existência de cardiopatia grave desde abril/2000, em que pese ter havido um atestado médico que pode ter levado o fiscal a imaginar que “tornouse grave apenas em julho/2008, é completo equívoco; b) Que o laudo pericial foi apresentado ao fisco em 18/05/2009 declarando que a cardiopatia grave foi diagnosticada por seu médico, desde o mês de abril de 2000. Por fim, requer seja declarada insubsistente a decisão da 6ª Câmara e consequentemente a improcedência do lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Fl. 46DF CARF MF Impresso em 24/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16542.000584/200972 Acórdão n.º 2101002.163 S2C1T1 Fl. 46 3 Versam os presentes autos sobre lançamento no qual foi constatado, na Declaração Retificadora entregue em 30/09/2008, omissão de rendimentos tributáveis no valor de R$ 126.289,95, recebidos do Ministério do Trabalho e Emprego, no anocalendário de 2003, sendo alterado o imposto a restituir declarado de R$ 20.481,35 para R$ 3.713,64, sendo que já lhe fora restituído a importância de R$2.888,64, por conta das informações anteriormente prestadas na Declaração de Ajuste Anual original, entregue em 14/04/2004. De seu lado, insiste o recorrente sustentando que é portador de moléstia grave desde abril de 2000, consequentemente, seus rendimentos não poderiam ser alcançados pela tributação. Portanto, a única questão em debate consiste em saber se a condicionante da isenção, ou seja, a comprovação da moléstia grave, foi feita a contento e na forma da Lei, de modo a desconstituir a exigência e, via de conseqüência, validar o imposto a restituir pleiteado na declaração retificadora do recorrente. A autoridade recorrida, ao argumento de que o documento de fls. 15, não se prestaria à comprovação da data de início de vigência para os fins da isenção do imposto de renda pleiteado como sendo abril de 2000, caminhou pela manutenção da exigência, eis que não estariam atendidos os requisitos ensejadores benefício, vez que o contribuinte àquela época, apresentavase “apenas com insuficiência cardíaca e hipertensão arterial”. O Ato Declaratório Normativo COSIT n° 10, de 16 de maio de 1996, ao disciplinar a matéria estabelece que: "I — a isenção a que se referem os incisos XII e XXXV do art. 5° da IN SRF n° 025/96 se aplica aos rendimentos recebidos a partir da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial." (g.n.) Grifo nosso. No presente processo, o laudo médico (fl. 15), emitido pela Junta Médica do Ministério do Trabalho, identifica a data em que a doença foi contraída, em que pese apontar o diagnóstico através de médico assistente do interessado. O laudo médico não contradiz o fato, identifica o fato. Ora, a menção no referido documento oficial de que a cardiopatia grave foi diagnosticada pelo médico do paciente, desde o mês de abril do ano de 2000, legitima a realidade insofismável da data em que a doença fora contraída; admitir o contrário seria tornar o documento inservível ao que se propõe, posto que conteria uma declaração incorreta, sem estar lastreada em exames e avaliações confiáveis. Ressaltese que não é competência da autoridade fiscal opinar sobre provável data em que a moléstia grave foi contraída, por ser essa atribuição privativa dos profissionais da medicina. Destarte, com as presentes considerações e diante da suficiência da prova documental trazida aos autos, voto no sentido de dar provimento ao recurso. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator Fl. 47DF CARF MF Impresso em 24/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 24/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 18471.000891/2006-17
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 OMISSÃO DE RECEITAS Na apuração da omissão de receitas por depósitos bancários não escriturados, estes devem ser inquiridos individualmente, sob pena de cancelamento do auto de infração.
Numero da decisão: 1103-000.597
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a parcela da exigência correspondente à omissão de receitas identificada com base em depósitos bancários (infração 1).
Nome do relator: MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a parcela da exigência correspondente à omissão de receitas identificada com base em depósitos bancários (infração 1). (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Fl. 0DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 2 Trata se de recurso voluntário interposto pela contribuinte acima qualificada a respeito da decisão da DRJ do Rio de Janeiro I que negou provimento a impugnação da contribuinte. Tem origem o presente processo nos autos de infração de fls. 366/3395, lavrados pela Defic Rio de Janeiro RJ, contra Chase do Brasil Enterprises Ltda, relativos ao anocalendário 2002, para exigir o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ no valor de R$ 38.031,11, o Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF no valor de R$ 320.289,83, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL no valor de R$ 26.459,10, a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins no valor de R$ 73.497,54 e a Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS no valor de R$ 15.924,42, todos acrescidos da multa proporcional de 75%, prevista no artigo 44I da Lei nº 9.430/96 e de juros de mora. Deram causa aos lançamentos, conforme Descrição dos Fatos de fls. 367/368 e 373 e Termo de Constatação de Infração Fiscal de fls. 357/365, as infrações abaixo descritas. As duas primeiras ensejaram exigência de IRPJ, CSLL, Cofins e PIS e a terceira, de IRRF. Omissão de receita caracterizada pelo confronto de depósitos bancários com receitas registradas no livro Diário: A fiscalização verificou que os depósitos bancários registrados a débito nas contas bancos totalizavam valores superiores às receitas escrituradas no livro Diário e intimou o autuado a explicar a origem daqueles depósitos (fl. 47). Da diferença constatada, abateu os valores de transferências entre contascorrentes comprovadas pelo autuado (fls. 52/199) e, tendo em vista que o autuado não comprovou a origem dos demais recursos depositados, considerou o resultado receita omitida. As diferenças foram apuradas mensalmente e o quadro a seguir mostra os totais anuais: depósitos bancários receita livro Diário diferença transferências comprovadas omissão de receitas 4.551.847,80 3.309.818,57 1.242.029,23 533.358,00 721.328,71 Omissão de receita caracterizada pelo confronto das receitas registradas no livro Diário com as receitas informadas na DIPJ: A fiscalização constatou que as receitas escrituradas no livro Diário excediam as receitas informadas na DIPJ (DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES ECONÔMICOFISCAIS DA PESSOA JURÍDICA). Intimou o autuado a esclarecer a discrepância (fl. 47) e, diante da falta de explicações, considerou a diferença receita omitida. As diferenças foram apuradas mensalmente e o quadro a seguir mostra os totais anuais: re ceita liv ro Diário eceita IPJ missão de receitas 3. 309.818,57 .629.098,66 .707.492,31 Pagamentos sem causa a beneficiários não identificados: Fl. 1DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 18471.000891/200617 Acórdão n.º 110300.597 S1C1T3 Fl. 2 3 A fiscalização intimou o autuado (fl. 47) a apresentar individualização, identificação e documentação hábil, relativas aos lançamentos a débito efetuados na conta “212010018 – fornecedores a pagar” (fls. 53/58). Após, intimouo a apresentar, além dos elementos acima, a composição do saldo devedor de R$ 915.113,80 daquela conta em 30.12.2002, e a discriminar o beneficiário e a motivação dos pagamentos (fl. 249). Em resposta, o autuado apresentou uma série de notas fiscais de compra de 2003 e duplicatas de 2002 (fls. 250/267 e 268/296), que teriam sido pagas em forma de adiantamentos em 2002, gerando, assim, o saldo devedor naquela conta. Tendo em vista que o autuado não apresentou qualquer relação entre as duplicatas pagas em 2002 e as mercadorias recebidas em 2003 e que os valores das duplicatas não conferem com os das notas fiscais, a fiscalização considerou o saldo da conta de R$ 915.113,80 como pagamento sem causa feito a beneficiário não identificado e, sobre tal valor exigiu o IRRF à alíquota de 35%. Cientificado das autuações em 06.09.2006 (fls. 366, 372, 376, 382 e 389), o autuado apresentou, em 09.10.2006, as impugnações de fls. 414/421 e 518/529, alegando, em síntese, que: Tratase uma ação fiscal precipitada dissociada da busca da verdade material; O auto de infração não contém os precisos elementos que conferissem certeza e liquidez ao crédito tributário; Quanto à omissão de R$ 721.328,71, a fiscalização confrontou a movimentação bancária com as disponibilidades financeiras, mas deixou de considerar as disponibilidades existentes em 31.12.2001, correspondentes às duplicatas a receber no valor de R$ 695.664,41, que efetivamente foram recebidas em 2002, e ao saldo de caixa de R$ 25.932,27, valores que constam do livro Diário e das DIPJ; Quanto à omissão de R$ 1.707.492,31, derivada da comparação das receitas escrituradas no livro Diário com as informadas na DIPJ, a fiscalização errou, pois considerou como receita a provisão e não a receita real. Anexa cópia do livro Registro de Saídas, onde estão registradas as receitas efetivas que coincidem com as receitas informadas na DIPJ; Quanto à exigência de IRRF: a fiscalização não realizou as inspeções adequadas para identificar os beneficiários dos adiantamentos, baseouse em presunções e agiu de forma superficial, deixando, assim, de buscar a verdade material e afastando a indispensável certeza da constituição do crédito tributário; A fiscalização atribuiu à legislação que embasou o lançamento uma interpretação que não se coaduna com o próprio texto legal; A fiscalização transferiu o ônus da prova ao autuado, não trouxe os elementos de prova; Diante de tantas ilegalidades, incongruências e de uma exação absurda, abusiva, ilegítima e arbitrária, fica o autuado impossibilitado de manifestarse plenamente, o que representa cerceamento do direito de defesa; O lançamento infringiu o princípio da legalidade; Fl. 2DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 4 A fiscalização não indicou com precisão a matéria tributável, infringindo o art. 9º do Decreto 70.235/72 e os art. 3º e 5º da IN SRF 94/97, que determinam que o auto de infração deve conter a descrição dos fatos e demonstrar a base de cálculo, e que o responsável pela revisão da declaração do contribuinte deve intimálo a prestar esclarecimentos; Se não foram suficientes as respostas prestadas pelo autuado a respeito dos pagamentos feitos, cabia à fiscalização provar a ineficácia dos esclarecimentos; A conta “fornecedores a pagar” tinha um saldo devedor, em 31.12.2002, de R$ 915.113,80, que se referia aos adiantamentos efetuados aos fornecedores conforme documentos ora juntados; Os pagamentos eram feitos de forma adiantada porque o autuado importava mercadorias por meio de “tradings” e as notas fiscais só eram emitidas após o desembaraço das mercadorias; Realmente, os adiantamentos deveriam ser registrados na conta “adiantamentos a fornecedores”, do ativo circulante, e não na conta “fornecedores a pagar”, mas este fato não acarretou falta de pagamento de imposto de renda ou de contribuições; Conforme se depreende do art. 674 do RIR/99, a data do fato gerador do imposto é a do pagamento efetuado a beneficiário não identificado. No entanto, na data do fato gerador indicada no auto de infração “31.12.2002” – não houve qualquer pagamento como se pode ver pelos livros contábeis. O valor que serviu de base para tributação é o somatório de vários adiantamentos efetuados ao longo de 2002, conforme relação anexa; A DRJ decidiu (ementa): “OMISSÃO DE RECEITAS. Considerase receita omitida a diferença verificada entre os depósitos em contas bancárias e as receitas contabilizadas, se o contribuinte não comprova a origem dos recursos depositados. OMISSÃO DE RECEITAS. Considerase receita omitida a diferença verificada entre as receitas contabilizadas e as informadas na DIPJ. CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Uma vez julgada a matéria contida no lançamento principal, igual sorte colhem os autos de infração lavrados por decorrência do mesmo fato que ensejou aquele. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Data do fato gerador: 31/12/2002 ERRO NO LANÇAMENTO. DATA DO FATO GERADOR. VALOR TRIBUTÁVEL. Deve ser cancelado o auto de infração que contém erro na data do fato gerador e no valor tributável.” A contribuinte, recorreu (resumo): Não pode prosperar um lançamento que claramente ofende ao conceito básico de convicção e certeza, indispensáveis à validação do crédito tributário. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 18471.000891/200617 Acórdão n.º 110300.597 S1C1T3 Fl. 3 5 Na hipótese de tal constatação não ser considerada suficiente para o cancelamento total da exigência tributária em questão, não pode ser aceita a interpretação da Delegacia de Julgamento, no tocante à origem dos depósitos bancários, quanto à necessidade de abatimento do saldo constante da conta "contas a receber" em 31/12/2002 (Fls. 943 e 944): "Portanto, é justo que se abatam R$ 695.664,41 dos R$ 721.328,71 apurados pela fiscalização." Por outro lado, o saldo de R$ 145.873,22 em 31.12.2002, da mesma conta "contas a receber" (DIPJ —fl.37) tem efeito contrário, já que representa receitas relativas a 2002 que não foram efetivamente recebidas nesse ano. Assim, para atender ao pleito do autuado, de forma mais justa, devem ser abatidos dos R$ 721.328,71 apenas R$ 549.791,19 (diferença entre R$ 695.664,41 e R$ 145.873,22)." Nada mais justo que a aceitação do saldo inicial de contas a receber, uma vez que todos os valores constantes dessa conta foram efetivamente recebidos em 2002. O mesmo não pode ser dito quanto ao saldo constante do balanço de encerramento. Para ser aceita tal presunção, seria necessária a absoluta certeza de que a rubrica "contas a receber" recebe débitos apenas a crédito de contas de receita, o que em momento algum ficou demonstrado ou comprovado. Além do acima descrito, para que houvesse absoluta precisão no valor tido como receita omitida, seria necessária a identificação de cada depósito supostamente não comprovado, conforme determina o parágrafo 3ºdo art.42 da Lei 9.430/96, também transcrito pelo agente autuante em seu Termo de Constatação de Infração Fiscal (fls. 3/9 e 4/9). Da mesma forma, a exigência de crédito tributário decorrente de possíveis divergências entre valores constantes dos assentamentos contábeis e declarados na DIPJ, carecem da necessária certeza para sua constituição. No quadro elaborado pela fiscalização fl. 5/9, como pode ser observado, o Auditor simplesmente desconsiderou o primeiro trimestre, quando nos três meses teria havido informação a maior na DIPJ. Não houve por parte da fiscalização sequer a preocupação de verificar qual o regime adotado pela Empresa para fins fiscais, se caixa ou competência, bem como se os valores constantes como informados a menor na DIPJ do exercício de 2003 não constaram da DIPJ do exercício seguinte. Apenas efetuou o lançamento tendo como base valores supostamente omitidos. Em anexo jurisprudência. Voto Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator Fl. 4DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 6 Quanto à admissibilidade do recurso, primeiramente, preciso analisar quanto à tempestividade do mesmo. O despacho da autoridade preparadora. de fl.984, embora pareça afirmar que o recurso fora postado nos 30 dias previsto, afirma que o recebimento foi datado de 05/03/2010. Esta data torna intempestivo o recurso datado de 07/04/2010, fl 957. Mesmo com está manifestação, como cabe a instância “ad quem” fazer também seu juízo de admissibilidade, assim, em análise do aviso de recebimento de fl.956, observo que a data da assinatura de recebimento não confere com o despacho da autoridade “a quo”, pois, está ilegível. Acrescento a isto a informação de fl.956, onde consta data de recebimento de 09/03/2010. Assim, tomo como tempestivo o recurso. A primeira infração omissão de receita o levantamento promovido pela fiscalização, que consubstanciou a omissão de receitas em 2002, decorre da comparação de depósitos bancários com receitas escrituradas no livro Diário, em virtude de o autuado não ter comprovado a origem dos depósitos. Contudo, a intimação de fl.47/50, realmente não individualiza os depósitos, assim, não procedeu conforme o parágrafo 3º do art.42 da Lei 9.430/96. Por isso, não pode permanecer. Dessa forma, cancelase os valores remanescentes da receita omitida de R$ 171.537,52. Quanto a segunda infração as alegações da recorrente não são suficientes para ilidir o lançamento, pois, o lançamento foi, conforme tabela transcrita pela própria recorrente em seu recurso, adequado, não tendo razão a recorrente ao afirmar que a fiscalização desconsiderou o 1º trimestre, haja vista que o lançamento foi trimestral. Assim, não há reparos quanto a esta infração. Em face do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso, para cancelar os valores da primeira infração integralmente. Sala das Sessões, em 16 de janeiro de 2012 (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso Fl. 5DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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Numero do processo: 10380.006135/2006-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
LANÇAMENTO DECORRENTE.
Tratando-se de lançamento decorrente, aplica-se a ele o resultado do julgamento da autuação tida como principal.
LUCRO LÍQUIDO. PROVISÕES. EXCLUSÕES.
Se a glosa da exclusão da provisão ao lucro líquido decorre da não confirmação do fato provisionado, cabe ao sujeito passivo demonstrar quando efetivamente ocorreu a perda correspondente; se é uma despesa dedutível e se efetivamente houve uma provisão anterior
Numero da decisão: 1402-001.395
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por voto de qualidade, rejeitar a preliminar de nulidade da autuação. Vencidos os Conselheiros Marcos Vinicius Barros Ottoni, Sandra Maria Dias Nunes e Paulo Roberto Cortez, que a acolhiam. Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a dedução no valor de R$ 276.637,28 em 2001, referente ao IRRF, e cancelar as multas aplicadas, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá Participou do julgamento o Conselheiro Marcos Vinicius Barros Ottoni.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Marcos Vinícius Barros Ottoni., Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Sandra Maria Dias Nunes, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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INDEDUTIBILIDADE. TRIBUTAÇÃO. PERÍODO DE APURAÇÃO. Os efeitos tributários da reversão de uma provisão considerada indedutível devem ser analisados no período pretérito em que teria ocorrido a exclusão indevida. Nessa hipótese, é ônus da Fiscalização identificar com precisão a ocorrência da irregularidade, ainda mais se os documentos apresentados pela defesa aparentemente dão lastro à dedução efetuada posteriormente. LUCRO LÍQUIDO. PROVISÕES. EXCLUSÕES. Se a glosa da exclusão da provisão ao lucro líquido decorre da não confirmação do fato provisionado, cabe ao sujeito passivo demonstrar quando efetivamente ocorreu a perda correspondente; se é uma despesa dedutível e se efetivamente houve uma provisão anterior ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001, 2002, 2003 INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. Em função de expressa previsão legal, deve ser aplicada a multa isolada sobre os pagamentos que deixaram de ser realizados concernentes ao imposto de renda a título de estimativa, seja qual for o resultado apurado no ajuste final do período de apuração e independentemente da imputação da multa de ofício exigida em conjunto com o tributo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001, 2002, 2003 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 61 35 /2 00 6- 17 Fl. 4178DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 20/06 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 LANÇAMENTO DECORRENTE. Tratandose de lançamento decorrente, aplicase a ele o resultado do julgamento da autuação tida como principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por voto de qualidade, rejeitar a preliminar de nulidade da autuação. Vencidos os Conselheiros Marcos Vinicius Barros Ottoni, Sandra Maria Dias Nunes e Paulo Roberto Cortez, que a acolhiam. Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a dedução no valor de R$ 276.637,28 em 2001, referente ao IRRF, e cancelar as multas aplicadas, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá Participou do julgamento o Conselheiro Marcos Vinicius Barros Ottoni. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Marcos Vinícius Barros Ottoni., Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Sandra Maria Dias Nunes, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 4179DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 20/06 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10380.006135/200617 Acórdão n.º 1402001.395 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório I) Da autuação: Contra o sujeito passivo de que trata o presente processo foram lavrados os autos de infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, fls. 04/16, no valor total R$ 30.523.114,75, e da Contribuição Social sobre o Lucro, fls. 17/24, no valor total de R$ 8.897.887,81. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 04/09, foram apuradas as seguintes infrações. 1. Exclusões/Compensações não Autorizadas na Apuração do Lucro Real Exclusões Indevidas. Glosa de exclusões ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real, feitas a título de provisões, em desacordo com o que determinam os arts. 247, 250 e 335 do Decreto nº 3000, de 29/03/99 RIR/ 99, nos anoscalendário de 2001 a 2003, ensejando a recomposição do lucro real destes períodos de apuração e a conseqüente cobrança da diferença de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, com os acréscimos legais cabíveis. Idêntica exigência está sendo feita, de forma reflexa, quanto à Contribuição Social sobre o Lucro, haja vista que a fiscalizada também procedeu às mesmas exclusões indevidas, conforme se constata pelas informações na Ficha 17 das Declarações de Informações da Pessoa Jurídica DIPJ, infringindo o art. 2º § 1º da Lei nº 7.689/88, o art. 13, I, da Lei nº 9.249/95 e o art. 28 da Lei nº 9.430/96. A fiscalização constatou que a autuada BEC havia feito exclusões, a título de provisões, nos anoscalendário de 2001 a 2003, em montante bastante superior ao das adições de mesma natureza no mesmo período, nos seguintes termos: No anocalendário de 1999, o valor utilizado a título de exclusões de provisões, diminuído das adições de mesma natureza, efetuadas no período, ultrapassou o saldo vindo do ano anterior, isto é, já houve, naquele ano, exclusões indevidas e, por conseqüência, a inexistência de saldo a excluir em períodos posteriores; No anocalendário de 2000, as exclusões de provisões também foram maiores que adições de mesma natureza; e O somatório do valor das exclusões de provisões nos anoscalendário sob ação fiscal, isto é, de 2001 a 2003, superaram o somatório das adições de mesma natureza. Após analisar as justificativas apresentadas pela fiscalizada, a autoridade lançadora considerou indevidas as exclusões efetuadas a título de provisões nos montantes de R$ 46.302.695,90; em 2001; R$ 8.345.614,89; em 2002 e R$ 2.532.234,97; em 2003. Fl. 4180DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 20/06 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 2. Imposto de Renda Pessoa Jurídica Diferença Apurada entre o Valor Escriturado e o Declarado/Pago. No anocalendário de 2000, a fiscalizada apurou um saldo negativo de IRPJ – Ajuste Anual superior ao que teria direito, no montante de R$ 741.676,93, haja vista ter indevidamente compensado com o IRPJ Estimativa, dos períodos de apuração de abril a junho, daquele ano, idêntica quantia que se encontrava escriturada na conta OUTROS PAGAMENTOS/DECON/IR RECOLHIDO A MAIOR. Acontece que o saldo da referida conta foi gerado por saldo negativo do IRPJ do anobase de 1993, cujo direito à compensação iniciouse em 01/05/1994, conforme disposto no art. 519, II, do Regulamento aprovado pelo Decreto nº 1.041/94; logo, o prazo decadencial do referido direito, por expressa disposição do art. 168 do Código Tributário Nacional, foi completado em 30/04/1999, tornando indevidas as compensações efetuadas após esta data, no caso os períodos de apuração de abril a junho de 2000. Assim, foram refeitos os cálculos do IRPJ do anocalendário de 2000, conforme se encontra no DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO IRPJ AJUSTE ANUAL DE 2000 (fls.29), no qual se verifica que o saldo negativo daquele período foi de R$ 1.934.900,36 e não como constou na DIPJ, de R$ 2.676.577,29 (2.676.577,29 1.934.900,36 = 741.676,93). Partindose do saldo negativo a compensar, no valor de R$ 1.934.900,36, foi elaborado o DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DOS VALORES COMPENSÁVEIS AJUSTE ANUAL DE 2000 (fls. 35) em que se verifica que a fiscalizada poderia ter compensado, em 2001, o valor total de R$ 2.062.929,37, correspondente ao principal acrescido dos juros SELIC. Entretanto, como se constata da análise do DEMONSTRATIVO DO IRPJ AJUSTE ANUAL DE 2000 VALORES COMPENSADOS PELA EMPRESA, feito a partir dos lançamentos efetuados na rubrica contábil 1.8.8.65.99.02.15 OUTROS PAGAMENTOS/DECON/IR RECOLHIDO A MAIOR2000 (docs. fls. 37/43) a mesma considerou, como saldo original a compensar, o valor de R$ 2.260.706,00, que correspondia ao total recolhido de IRPJEstimativa (código 2319); o referido valor, acrescido de juros SELIC, fez com que a autuada fizesse uma compensação total de R$ 2.297.342,40. Tal procedimento gerou compensação indevida no valor de R$ 234.413,03 (2.297.342,40 2.062.929,37 = 234.413,03) a qual foi efetuada com o IRPJ Estimativa dos meses de julho e agosto/2001, que foram as últimas compensações escrituradas na mencionada rubrica contábil. Ademais, a empresa também compensou com o IRPJ Estimativa do mês de agosto/2001, o valor de R$ 459.596,82 relativo ao pretenso saldo do anocalendário de 1993, ao qual, conforme já relatado anteriormente, não tinha mais direito à compensação. Verificase, por todo o exposto, como se acha calculado nos demonstrativos mencionados, que a fiscalizada utilizouse, na apuração do ajuste anual de 2001, de IRPJ Estimativa informado em DCTF, mas não recolhido em função de compensações indevidas por ela efetuadas com pretensos saldos negativos vindos do anocalendário de 1993 (R$ 459.596,82) e do anocalendário de 2000 (R$ 234.413,03), totalizando uma compensação indevida de R$ 694.009,85. Deste valor, diminuído do saldo negativo apurado na DIPJ do ano de 2001 (R$ 44.287,03), encontrase a diferença do saldo do IRPJ Ajuste Anual do ano calendário de 2001 que deixou de ser recolhido e que está sendo objeto de exigência no presente auto de infração. 3. Multas Isoladas Diferença Apurada entre o Valor Escriturado e o Declarado/Pago IRPJ– Estimativa. Fl. 4181DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 20/06 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10380.006135/200617 Acórdão n.º 1402001.395 S1C4T2 Fl. 4 5 Falta de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica Estimativa, código de receita 2319, relativo ao meses de janeiro e março a junho do anocalendário de 2001, no valor de R$ 4.870.898,53, conforme demonstrativo APURAÇÃO DO IRPJ ESTIMATIVA – ANO DE 2001 EXCLUSÕES GLOSADAS (fls. 51) gerando a multa prevista no art. 44, IV, da Lei nº 9.430/96, no valor de R$ 3.653.173,90, cujos fatos que motivaram a presente exigência fiscal já estão relatados na primeira infração acima descrita, que se refere a glosa de exclusões no ajuste anual. Acontece que a autuada utilizouse dos mesmos ajustes na apuração da base de cálculo da estimativa dos períodos mencionados, conforme se constata nas cópias de LALUR em anexo, fls. 87/115. Houve também falta de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica Estimativa relativo ao meses de julho e agosto do mesmo anocalendário de 2001, no valor de R$ 694.009,85, conforme demonstrativo APURAÇÃO DO IRPJ ESTIMATIVA ANO DE 2001 – COMPENSAÇÕES INDEVIDAS, gerando a multa prevista no art. 44, IV, da Lei nº 9.430/96, no valor de R$ 520.507,39. II) Da impugnação: Inconformado com as exigências, das quais tomou ciência em 06/07/2006, fls. 175/176, apresentou o contribuinte impugnação em 04/08/2006, fls. 200/243, contrapondo se aos lançamentos com base nos argumentos a seguir sintetizados. 1) Nulidade: Suscita em preliminar a nulidade do Auto de Infração, pois as glosas efetuadas corresponderiam a valores não individualizados, e foram feitas, não sobre fatos aos quais a lei não atribui dedutibilidade, mas, sim, decorreriam de uma posição doutrinária assumida pela D. Autoridade Fiscal, e de um cálculo que teria sido feito, cuja demonstração não constaria destes autos. A primeira questão que saltaria à vista seria a confissão da prática diametralmente oposta ao disposto no Artigo 142 do CTN, e condenada, veementemente, pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. “Não se identificam os fatos sobre os quais quer se exigir tributos, o que se constata é somatória de valores, glosados antes mesmo de se averiguar se o que está a eles subjacente, gozaria ou não das prerrogativas legais para a dedutibilidade”. O segundo ponto destacado pela defesa é a criação de um conta corrente entre adições e exclusões, segundo a qual somente se poderia fazer exclusões quando existente saldo de adições disponíveis para tal fim, uma vez que não se entra no mérito do valor a ser excluído em si, o que se verifica é se há saldo para tal. O terceiro ponto destacado pela defesa referese ao desprezo através do qual os autos de infração se referem à tentativa da fiscalizada, em suas respostas, de fazer a correspondência entre a exclusão realizada e o fato contábil subjacente, empregando o D. agente fiscal, sempre, a expressão supostamente adicionados. Como quarto e último ponto, destaca outra assertiva posta no fundamento da glosa, a de que fora demonstrada a inexistência de saldo na tal conta corrente entre adições e exclusões. Fl. 4182DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 20/06 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 Do exposto, considera que fica evidente a absoluta preterição ao direito de defesa, devendo ser decretada a absoluta nulidade dos presentes autos de infração. 2) Da inaplicabilidade da multa responsabilidade da empresa sucessora. De acordo com a defesa, a lavratura dos presentes autos de infração, não fosse ilegal, seria, no mínimo, imoral. Na época em que se passaram os fatos, nos anos calendário 2001, 2002, e 2003, constituíase a impugnante um banco estatal, empresa de economia mista, controlada pelo Governo Federal. Ou seja, se equívocos houveram por parte da impugnante na apuração do IRPJ e da CSLL devidos, o que se admite apenas por argumentação, tais equívocos seriam de responsabilidade exclusiva da antiga administração, ou seja, do próprio Governo Federal. Explica que a atual administração da impugnante, assim, sucedeu a administração existente nos anos onde se verificou as supostas irregularidades, constituindose a impugnante, hoje, uma empresa privada decorrente da transformação de uma empresa de economia mista, sendo descabida, pois, a penalidade aplicada através dos Autos de Infração objeto da presente impugnação, uma vez que fere, frontalmente, as disposições do Código Tributário Nacional acerca da matéria. Assim, mesmo que devidos fossem os tributos objeto dos presentes Autos de Infração, o que se admite, ad argumentandum, apenas por amor ao debate, somente os valores pretensamente devido a título de IRPJ e CSLL poderiam ser imputados à impugnante, jamais a multa. Somente seria possível a aplicação da multa punitiva, fosse o auto de infração lavrado anteriormente à data da transformação, o que, de fato, não aconteceu, sendo este, destarte, o pacífico entendimento do E. Conselho de Contribuintes (ementas de acórdãos transcritos às fls. 204/206). 3) A legitimidade das exclusões efetuadas: A legitimidade das exclusões efetuadas pela impugnante estaria demonstrada de maneira cabal nos documentos colocados à disposição da fiscalização e por ela ignorados, documentação esta consistente de cópias da escrituração contábil, do Livro de Apuração do Lucro Real, partes "A" e "B" e das DIRPJ's correspondentes. Através destes documentos mostrase a interação entre os ajustes adições e exclusões e a apuração contábil, tudo de maneira simples e direta. a) Anocalendário de 2001: Para o ano calendário de 2001, o Auto de Infração discrimina duas glosas, uma no valor de R$ 2.805.261,81 e outra no montante de R$ 43.497.434,09, perfazendo o valor total de R$ 46.302.695,90, importância somada à base de cálculo do imposto de renda para exigir imposto complementar, e a contribuição social decorrente. O primeiro montante glosado, R$2.805.261,81, corresponde a uma parcela da multa imposta à impugnante pelo Banco Central do Brasil em 1999. Multada, a impugnante, não possuía outra alternativa, senão provisionar o valor integral da punição imposta pela autoridade, o que foi efetivamente feito, e se demonstrou através da escrituração contábil da impugnante, cuja cópia fora colocada à disposição da fiscalização (e por ela ignorada). Do ponto de vista fiscal, esta despesa não é dedutível, devendo ser objeto, portanto, de uma adição para anular o efeito da despesa com a multa sobre a base de cálculo do imposto. O LALUR de 1.999 reflete a adição. A discussão acerca da legitimidade da multa aplicada à impugnante se estendeu até 2.001, quando a autoridade julgadora do Banco Central Fl. 4183DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 20/06 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10380.006135/200617 Acórdão n.º 1402001.395 S1C4T2 Fl. 5 7 do Brasil entendeu ser indevida uma parte da multa, exatamente o valor que agora é objeto desta glosa. Assim, a impugnante reverteu em sua contabilidade parte do valor provisionado, para que isto não afetasse a base de cálculo do imposto, e procedeu à exclusão no LALUR do exato valor revertido da provisão anteriormente feita. Em respeito à legislação em vigor, que outro procedimento poderia se esperar da impugnante? Onde e em que momento o tratamento contábilfiscal dispensado a este fato concreto fere qualquer norma legal? Ora, Srs. Julgadores, este é exatamente o procedimento exigido do contribuinte pelo artigo 247 do RIR/99. Por sua vez, o valor de R$ 43.497.434,09 corresponderia ao agrupamento de 12 (doze) eventos contábeis relativos ao ano de 2001, correspondentes a ajustes no saldo de provisões das mais variadas naturezas, tais como provisões para adequar valor de ativos ao seu valor real, provisões para fazer face à não liquidação de títulos a receber, provisões constituídas em reclamações de natureza trabalhista, etc. A maior parte das despesas que compõem o valor glosado de R$ 43.497.434,09 é de natureza trabalhista, relativa a reclamações cujos processos judiciais chegaram ao seu término, sendo a impugnante compelida a pagar a seus funcionários parte do que se discutiu nas respectivas ações trabalhistas, e que, por tal motivo, estava provisionado contabilmente, a título de verbas de natureza salarial. O primeiro destes valores corresponde a R$ 29.934.981,82 do total de R$43.497.434,09. No momento que este valor perde a característica de despesa provisionada e adquire a condição de verbas salariais pagas, muda o tratamento fiscal a ele dispensado. Como o valor já fora provisionado e adicionado, resta neste momento, do ponto de vista fiscal, efetuar a exclusão, que assegurará a dedutibilidade da despesa garantida por lei. Os documentos entregues à fiscalização (Anexo 3) demonstram que esta provisão foi constituída e adicionada, gradativamente, nos anos de 1.998 (R$17.356.021,40), 1999 (R$10.844.070,70) e 2000 (R$5.447.254,35). Mais uma vez, o que estaria incorreto, frente à lei, nesta prática adotada pela impugnante? Exatamente o mesmo ocorreu em 2001 com o pagamento de indenização de licença prêmio para empregados. Encontravase provisionado e adicionado, a este título, o valor de R$ 2.262.696,68, dos quais R$ 1.151.998,61 foi adicionado na DIPJ/98, e R$ 1.110.689,07 na DIPJ/2000 (a título de "licença prêmio nova"), sendo esta a origem do valor da glosa de R$2.216.268,53; relativamente à glosa de R$890.939,96, sua origem remonta das adições de R$486.973,59 (DIPJ/98) e R$423.077,52 (DIPJ/2000), em ambos os casos a título de "encargos sociais licença prêmio". Nos casos acima destacados, o valor foi liquidado, pagandose os empregados, tendo esta despesa se materializado e, assim, conforme determina a lei, tornouse dedutível. Se dedutível, nada mais correto do que procederse à sua exclusão. De maneira idêntica, o mesmo ocorreu com relação às pendências relativas ao 13º salário, que, de provisão, passou a despesa efetiva em 2.001, no valor de R$ 626.864,04. As provisões e adições remontavam a 1998 e 1999, como demonstram os documentos entregues à fiscalização (Anexo 3). Fl. 4184DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 20/06 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 8 Outro subgrupo de despesas que constituem esse total glosado, corresponde a provisões anteriormente constituídas e adicionadas que foram revertidas, ou seja, anulouse contabilmente a despesa, o que, na prática, tem o mesmo efeito de se contabilizar uma receita. Como a despesa fora adicionada, nada mais justo que excluir a reversão para que a operação continue a não ter nenhum impacto sobre a base imponível do tributo. Conforme a documentação apresentada à fiscalização (Anexo 3), tem essa natureza os seguintes valores: R$6.233.824,37, R$276.337,28, R$191.724,57 e R$301.506,80. A documentação apresentada à fiscalização e ora anexada (Anexo 3), demonstra o momento exato em que a provisão foi constituída e a adição ao lucro líquido efetivada. Por fim, fecha o valor questionado no anocalendário de 2.001 um outro subgrupo, correspondente a provisões constituídas para ajustar o valor contábil de ativos ao seu valor real ou de mercado. Assim, se o valor contabilizado do bem é maior que o de mercado, a prática contábil exige que seja provisionado valor para ajustar o valor do ativo ao mercado, gerando, em contrapartida, uma despesa indedutível, e, portanto, objeto de uma adição ao lucro líquido. Na seqüência dos fatos, o valor do ativo pode voltar ao patamar inicial, fazendose necessário novo ajuste no sentido contrário, ou então ocorre a realização do ativo, efetivandose a perda. Se se reverte a provisão pelo aumento do valor do ativo, a exclusão se faz necessária para anular o efeito da receita correspondente a reversão da despesa, e, em havendo a realização da perda, também será necessária a exclusão, pois neste caso a lei assegura a dedutibilidade das perdas decorrentes dos ativos operacionais, por serem necessários ao desenvolvimento do negócio. Os documentos apresentados à fiscalização (Anexo 3) atestam que compõem este subgrupo os seguintes valores: R$742.560,23, R$3.999,38, R$2.067.549,61 e R$ 10.877,50, e demonstram o momento da constituição da provisão, a respectiva adição e sua reversão ou transformação em perda efetiva, que justificam as exclusões efetuadas. Desse modo, analisados caso a caso os fatos, é irreparável o tratamento contábilfiscal a eles dispensado, em perfeita consonância com o mandamento legal de regência. Inquestionável, pois, o valor apurado como base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social correspondente aquele ano calendário, nada restando a ser exigido b) Anocalendário 2002: Neste anocalendário a glosa das exclusões correspondeu ao valor total de R$ 8.345.614,89. Os fatos cujos valores compõem esse montante, conforme os documentos apresentados à fiscalização (Anexo 4), são ajustes às provisões contabilizadas com a finalidade de sintonizar o valor contábil de ativos ao valor real ou de mercado. Valem aqui todas as explicações aduzidas para o tópico referente ao ano calendário anterior, e os documentos, já entregues à fiscalização, e que agora passam a fazer parte do processo, demonstram o momento da constituição destas provisões e as respectivas adições. Compõem este valor os fatos contábeis com os seguintes valores individuais: R$ 5.341.899,51 (desvalorização de títulos livres), R$978,06, R$979,67, R$1.664.553,08, R$2.058,50, R$9.122,50 e R$1.326.023,57. Tais provisões foram constituídas e adicionadas ao lucro líquido do exercício nos anos de 1.998, 2.000 e 2.001, tudo como amplamente demonstrado no mencionado Anexo 5. Merece reparo a informação prestada pela impugnante à fiscalização com relação à parcela de R$ 9.122,50, informada como uma provisão constituída e adicionada no Fl. 4185DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 20/06 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10380.006135/200617 Acórdão n.º 1402001.395 S1C4T2 Fl. 6 9 ano de 2.001. Prontamente, a fiscalização identificou o equívoco, e até utiliza o erro como argumento em sua autuação, tentando passalo como fato representativo dos procedimentos da impugnante. Neste universo de valores de mais de 50 milhões de reais, o erro situase num fato cujo valor não atinge 10 mil reais. É preciso, contudo, salientar que o erro contido na informação prestada foi, de pronto, identificado, significando que a totalidade das informações prestadas foram detidamente conferidas e não questionadas por representarem informações corretas, dignas de fé. Ainda há por se dizer que a exclusão procedida com relação à reversão de R$9.122,50 está correta, não tendo sido ela efetuada em 2.001, mas em 2.000, conforme atestam os documentos agora apresentados. Como se vê, é irreparável o procedimento adotado pela impugnante, demonstrando ser completamente descabida a glosa. c) Anocalendário 2003: A glosa para este ano calendário montou em R$2.532.234,97, e quatro fatos compõe esse montante: R$917.030,76, R$803.756,13, R$90.077,80 e R$721.370,28. Os três primeiros valores decorrem de provisões constituídas para ajustar ao mercado o valor contábil de ativos, sendo que os dois primeiros foram feitos por conta de recuperação de valor destes bens e a exclusão se prende a neutralizar a receita corresponde lançada na contabilidade, tendo em conta que a perda houvera, anteriormente, sido adicionada. Por sua vez, o terceiro valor corresponde a perda efetivada pela alienação do ativo a ela se prendendo a exclusão. Quanto ao último valor também se prende à realização da despesa provisionada, de vez que houve a condenação judicial dentro da ação que ensejara a constituição da provisão, devidamente adicionada a seu tempo. Tais fatos foram devidamente comprovados através da documentação disponibilizada (e ignorada) pela fiscalização, documentos ora anexados aos presentes autos. Novamente, não cabe reparo ao procedimento da impugnante, devendo permanecer intacto o valor de imposto apurado em sua declaração para o período. De acordo com a defesa, a fiscalização fugiu da análise individual de cada fato e o seu cotejamento à lei em vigor, preferiu, no que se denomina no linguajar popular, fazer uma conta de chegar, uma apuração englobada, muito menos trabalhosa, decerto. Outro elemento que veio a causar distorção no resultado auferido pela fiscalização, é o estabelecimento do conceito de conta corrente entre exclusões e adições que, absolutamente, não está na lei, nem em seu espírito. Repitase, a referência e o fio condutor da sistemática é o lucro líquido. Tentar estabelecer o conceito de saldo entre adições e exclusões conduz, inexoravelmente, a erros, pois, no seu conceito, tanto a exclusão como a adição dizem respeito ao lucro contábil e não uma com a outra. Seria como depositar recursos numa conta corrente e sacar em outra, o saldo das duas contas estariam errados. A defesa informa que procedeu, agora, à juntada dos seguintes documentos: (i) LALUR, de 1998 a 2003; (ii) DIPJ, de 1998 a 2003; e (iii) Balancetes consolidados, de 1998 a 2003. Informou, ainda que, para facilitarse a análise e melhor compreensão dos documentos que ora se junta, elaborou a impugnante três PLANILHAS, em anexo, onde demonstra cada Fl. 4186DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 20/06 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 10 uma das exclusões que deram origem às glosas que ora se discute, e as respectivas adições, indicando, ainda, cada documento fiscal e contábil que lhes dão suporte. 4) Exigência fiscal incidente sobre valor já inscrito em dívida ativa: A defesa alega que foi exigido na presente autuação, valores já discutidos judicialmente e depositados em Juízo. Nesse sentido, apresenta os seguintes argumentos. Teria a impugnante compensado indevidamente um saldo negativo de IRPJ, no montante de R$ 741.676,93, eis que mencionado saldo teria sido gerado em 1993, o direito a sua compensação se iniciado em 1994 e se esgotado em 1999, sendo, assim, ilegal a compensação realizada pela impugnante durante o período de abril a junho de 2.000. Independentemente da legitimidade do procedimento adotado pela impugnante, que não vem ao caso abrirse maiores discussões, o fato é que esse montante de R$741.676,93, relativo ao IRPJ, fatos geradores abril, maio e junho de 2.000, fora inscrito em dívida ativa da União em 28.01.05 (CDA no 30.2.05.00113387 doc. anexo), muito antes, portanto, da lavratura dos presentes autos, fato este que, por si só, já acarretaria na completa nulidade do lançamento, pois, se o débito já se encontra inscrito na dívida ativa, a glosa relativa a esta suposta compensação indevida acarretaria numa dupla exigência do crédito tributário. Não fosse o bastante, tendose em vista os constrangimentos que aquela inscrição vinha causando à impugnante, ajuizou ela perante a 6ª Vara da Justiça Federal da Seção Judiciária do Ceará, Ação Cautelar de Depósito (Processo nº 2005.81.00.0019002), tendo procedido ao depósito integral em Juízo dos valores correspondentes à CDA nº 30.2.05.00113387, para fins da suspensão da exigibilidade do crédito tributário (CTN, art. 150, II), possibilitandose, assim, a expedição da Certidão Positiva de Débitos com Efeitos de Negativa (CTN, art. 206) a favor da impugnante. Cabe aqui um pequeno alerta. É bem verdade que o E. Conselho de Contribuintes tem, reiteradamente, não conhecido de recursos cuja matéria já se encontra, concomitantemente, em discussão perante o Judiciário. Contudo, não é este o caso da glosa do montante de R$741.676,93, relativo ao IRPJ, fatos geradores abril (R$299.775,78), maio (R$426.620,20) e junho (R$15.280,96) de 2.000, efetuada pelo D. agente fiscal. A discussão judicial restringese à CDA nº 30.2.05.00113387, cujo montante integral encontrase depositado judicialmente, e, assim, se vencedora, a impugnante procederá ao levantamento dos valores, e a inscrição cancelada, se perdedora, os valores serão convertidos em renda da União, e o crédito tributário extinto. Contudo, inadvertidamente, houve por bem o D. agente fiscal proceder uma nova glosa de um valor já inscrito em dívida ativa, numa clara e evidente dupla exigência do mesmíssimo crédito tributário, sendo o caso, pois, de se anular o presente lançamento, para que a discussão acerca da legitimidade da compensação efetuada pela impugnante fique restrita à ação judicial por ela ajuizada e à CDA n' 30.2.05.00113387. 5) A ilegalidade e arbitrariedade da aplicação das multas isoladas De acordo com a defesa, a aplicação da multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96 somente teria aplicabilidade dentro do próprio exercício, ou seja, verificando a fiscalização a ausência do pagamento das antecipações dos tributos, dentro do exercício, aplicaria as multas isoladas, eis que os tributos em si IRPJ e CSLL ainda não seriam devidos, e, portanto, não poderiam ser exigidos. Fl. 4187DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 20/06 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10380.006135/200617 Acórdão n.º 1402001.395 S1C4T2 Fl. 7 11 Após o encerramento do exercício onde as antecipações deveriam ocorrer, os tributos em si passariam a ser exigidos, deixando de ser aplicada a multa isolada para, ao invés dela, aplicarse a multa de ofício, incidente sobre o valor do tributo devido e não pago. Considera que o agente fiscal não só aplica multa isolada após o encerramento do exercício, como, também, aplica uma dupla penalidade por uma mesma suposta infração, práticas estas absolutamente repudiadas pelo E. Conselho de Contribuintes, inclusive pela C. Câmara Superior de Recursos Fiscais (ementas de acórdãos transcritas às fls. 220/222). Além disso, ressalta que foi publicada na data de 30.06.06 (três dias após a lavratura dos autos, mas anteriormente ao encaminhamento dos mesmos e à ciência da impugnante), a Medida Provisória nº 303 que deu nova redação ao art. 44 da Lei nº9.430/96. Assim, o inciso IV do artigo 44 da Lei no 9.430/96 simplesmente deixou de existir, sendo o caso, pois, da aplicação das disposições do artigo 106 do Código Tributário Nacional. 6) A ilegal e arbitrária exigência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Solicita a defesa que todos argumentos e todo o raciocínio desenvolvido para a demonstração da arbitrariedade e ilegalidade da exigência do IRPJ se aplicam, integralmente, no caso da CSLL, pelo que ficam expressamente reiterados e ratificados. Contudo, no caso da CSLL, considera que a arbitrariedade da exigência é ainda mais flagrante, e demonstraria, com clareza, o descaso da autoridade fiscal na lavratura dos presentes autos de infração. Isto porque, em se tratando de adições e exclusões, as regras do IRPJ e da CSLL não são absolutamente idênticas, circunstância não observada pelo D. agente fiscal. Ora, o valor de R$2.805.261,81, mencionado no item 2 do auto de infração lavrado para a exigência da CSLL, e relativo à multa aplicada pelo Banco Central do Brasil à impugnante, simplesmente não foi excluído da base de cálculo da CSLL no ano de 2.001, haja vista não ter sido adicionado à base de cálculo da contribuição de 1.999, por se tratar de multa. Tal fato poderá ser facilmente verificado, e comprovado, através da análise da DIPJ, anocalendário 2001, ficha 9 B, linha 28 (apuração do lucro real), cujo valor das exclusões é de R$ 50.035.774,14, comparada com a ficha 17, linha 27 (apuração da CSLL), cujo valor das exclusões é de R$ 47.230.512,33, perfazendo, assim, uma diferença de R$ 2.805.261,81, exatamente o valor glosado pela fiscalização, que, conforme antes esclarecido, não fora excluído da base de cálculo da CSLL no ano de 2001. III) Das diligências: Em primeira apreciação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza – CE, converteu o julgamento em diligência para que a autoridade lançadora efetuasse os exames necessários para verificar a autenticidade dos documentos e demonstrativos anexados à peça impugnatória, em especial os quadros demonstrativos às fls. 337/339, e também sobre as demais explicações apresentadas pelo sujeito passivo, no que concerne às exclusões efetuadas a título de provisões. Fl. 4188DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 20/06 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 12 Da análise do Relatório de Diligência Fiscal e da nova contestação apresentada pela defesa, a turma julgadora decidiu pelo retorno do processo à autoridade lançadora sob os seguintes argumentos: O mecanismo de adições e exclusões não seria uma conta corrente em si, mas um sistema de interrelação entre duas escritas, a mercantil e a fiscal. A exclusão de um período não decorreria necessariamente de uma adição de um predeterminado período anterior, de sorte que a análise do saldo das adições e exclusões lançadas a esse título em determinado período de tempo não é elemento de prova suficiente para comprovar uma irregularidade; Para se admitir a glosa efetuada deve estar devidamente demonstrado nos autos que o total de exclusões lançadas pela empresa na apuração do lucro real do ano calendário de 1999 corresponderia também a valores lançados como adição no referido ano e em anos anteriores. Assim, não restaria saldo a ser excluído em períodos subseqüentes, conforme afirma o autuante; O Relatório de Diligência Fiscal não permitiria a obtenção de tal conclusão, uma vez que a análise é efetuada em termos de total de valores excluídos, não identificando cada um dos valores que compõem a exclusão efetuada em 1999 e a sua vinculação com os valores excluídos de 2001 a 2003. Portanto, o processo deveria retornar à autoridade local para que fosse feita a exata correlação entre cada valor glosado, relativo às exclusões ocorridas nos anoscalendário de 2001 a 2003, e o correspondente lançamento supostamente ocorrido em 1999 ou em período anterior, que inviabilizou a possibilidade de ocorrência da exclusão futura. Em resposta à solicitação da primeira instância julgadora a autoridade fiscal designada para a realização da diligência respondeu que: (...) O novo pedido do órgão julgador, provocado por manifestação contrária do sujeito passivo às conclusões da diligência anterior, revelase, com todo o respeito devido ao ilustre Colegiado, desnecessário e de impossível execução; acarreta, ainda, inaceitável inversão do ônus da prova e reabertura indevida da fiscalização, tudo ao arrepio da legislação de regência e da própria jurisprudência administrativa, como adiante se demonstrará. (...) IV) Da decisão de primeira instância: A autoridade julgadora ratificou o entendimento manifestado quando da solicitação da diligência no sentido o presente caso não poderia ser analisado apenas sob a ótica de um saldo de exclusões a utilizar, gerados a partir do reconhecimento de uma provisão indedutível para fins de apuração do lucro real. Seria preciso identificar o tratamento contábil dado pelo contribuinte em todas as operações envolvidas, e com base nesta informação determinar o momento em que foi efetuada a exclusão sem amparo legal. Nessa linha foi dado provimento parcial ao recurso para restabelecer a dedução das despesas referentes às provisões em relação às quais a glosa teria sido motivada apenas por uma suposto aproveitamento indevido em anos anteriores como resultado da constatação de que ao longo dos últimos anos o somatório das exclusões foi muito superior ao das adições. Fl. 4189DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 20/06 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10380.006135/200617 Acórdão n.º 1402001.395 S1C4T2 Fl. 8 13 Também foi provida parcialmente a impugnação contra o item referente às diferenças entre o valor escriturado e o declarado/pago, excluindose da apuração os valores inscritos em dívida ativa e, como conseqüência o valor tributável de R$ 234.413,03. Em relação à matéria exonerada, a primeira instância julgadora recorreu de ofício a esta Corte administrativa. V) Do recurso voluntário: Devidamente cientificado da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário onde reitera em essência as razões de mérito expedidas na peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 4190DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 20/06 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 14 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Como introdução ao presente voto registrese que a principal matéria tratada nos autos foi a glosa de exclusões ao lucro líquido, para fins de apuração do lucro real, de valores contabilizados a título de provisões em desacordo com a legislação de regência. O tema sob exame consistiu fundamentalmente num juízo de valoração probante em relação às informações constantes na escrituração contábil e no que tange a outros documentos apresentados pelo sujeito passivo. A complexidade dessa análise fez com que o Órgão julgador de primeira instância demandasse a realização de duas diligências. A primeira delas para fosse verificada a autenticidade dos documentos e demonstrativos anexados à peça impugnatória, inclusive os quadros demonstrativos, e também sobre as demais explicações apresentadas pelo sujeito passivo, no que concerne às exclusões efetuadas a título de provisões. No entendimento de que inexiste na legislação presunção legal que autorize a conclusão de que as exclusões decorrentes da reversão de provisões devem ser consideradas indevidas, a partir da constatação de que nos últimos anos o somatório das exclusões foi bem superior aos das adições lançadas a esse título, o Órgão julgador requereu nova diligência a fim de que fosse demonstrado que o total de exclusões lançadas pela empresa na apuração do lucro real do anocalendário de 1999 corresponderia também a valores lançados como adição no referido ano e em anos anteriores. Assim, não restaria saldo a ser excluído em períodos subseqüentes, nos termos da conclusão a que chegou o autuante. Independentemente do infrutífero resultado da diligência, circunstância que foi exaustivamente tratada no bojo do voto condutor da decisão recorrida, a primeira instância julgadora utilizou nas razões de decidir a metodologia pela qual no controle das adições e exclusões decorrentes da constituição de provisões é necessário que se identifique a operação que justificou o fato provisionado e o tratamento dado pela legislação tributária, não só a sua contrapartida, mas também à dedutibilidade do dispêndio em si. Mais ainda, é fundamental que seja identificado em que momento ocorre a reversão da provisão ou a consumação da perda. Com a menção às razões de decidir que nortearam a primeira instância julgadora passemos à análise dos recursos apresentados. RECURSO DE OFÍCIO 1) Exclusões ao lucro líquido Com relação a todas as exclusões que foram restabelecidas pelo Órgão julgador, a decisão lamentou o posicionamento da autoridade lançadora que não prestou os esclarecimentos requeridos. Fl. 4191DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 20/06 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10380.006135/200617 Acórdão n.º 1402001.395 S1C4T2 Fl. 9 15 Nas situações que envolveram a reversão de provisões conforme tabela abaixo, não ficou demonstrado que a empresa teria se aproveitado indevidamente no ano de 1999 da exclusão do valor questionado. Este ônus deveria ser do Fisco, uma vez que os documentos apresentados pela defesa aparentemente dão lastro à dedução efetuada posteriormente. Item da decisão Exclusão restabelecida Anocalendário I 2.805.261,81 2001 V 2.532.009,24 2001 VI 979,67 2002 IX 742.560,23 2001 XII 80.077,80 2003 XIII 325.666.24 2003 XIII 217.188,14 2003 Assim, pela ausência de provas em sentido contrário a decisão acatou os argumentos de defesa, posicionamento que, a meu ver, não merece críticas Nas situações em que a exclusão decorreu da não confirmação do fato provisionado, conforme tabela a seguir, haveria a necessidade de se confirmar quando efetivamente a perda correspondente ao fato provisionado se confirmou; se é uma despesa dedutível e se efetivamente houve uma provisão anterior. Ainda que esse ônus seja do sujeito passivo a autoridade julgadora não poderia manter a exigência nos casos em que tenha sido outro o cerne da autuação: Item da decisão Exclusão restabelecida Anocalendário II 29.934.981,82 2001 III 3.107.208,49 2001 IV 626.864.04 2001 IX 2.067.549,61 2001 IX 2.058,50 2002 IX 10.877,50 2001 IX 9.122,50 2002 Nesses casos, o lançamento teve como base o que seria a inexistência da saldo favorável à empresa que permitisse seu aproveitamento fiscal. Como a autoridade lançadora não aprofundou as investigações para demonstrar a exclusão indevida, a decisão recorrida assim se pronunciou: Fl. 4192DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 20/06 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 16 Era preciso, no presente caso, aprofundar a análise, indicando em que momento teria supostamente ocorrido o lançamento indevido, ou demonstrar que o lançamento contábil efetuado no período da autuação não estava lastreado com documentos hábeis e idôneos. Portanto, se o autuante não se preocupou com esse aspecto, é de se presumir que existiam documentos hábeis lastreando a contabilidade da empresa que embasaram o lançamento contábil em questão. Entendo que o posicionamento do acórdão sob exame guarda coerência com a metodologia adotada motivo pelo qual a decisão não merece reparos. 2) Exigência sobre valor inscrito em dívida ativa: No que se refere à exigência fiscal sobre valor já inscrito em dívida ativa, também está correta a decisão recorrida. Assim se pronunciou a decisão nessa questão: A origem de todo problema ocorreu a compensação indevida efetuada pela empresa, no anocalendário de 2000, com saldo negativo referente a período considerado já prescrito – 1993. A glosa resultou na redução de parte do saldo negativo apurado em 2000, correspondente aos valores de estimativa do referido ano que tinham sido objeto de compensação com o saldo negativo de 1993. Assim, houve uma redução no saldo negativo de 2000 no valor de R$ 741.676,93 [2.676.577,29(DIPJ) = 1.934.900,36(correto)]. Como o contribuinte tinha se utilizado, em 2001, integralmente do saldo negativo apurado em 2000, foi feita a recomposição dos valores compensáveis, conforme Demonstrativo de Apuração dos Valores Compensáveis Ajuste Anual de 2000 (fls. 38) em que se verifica que a fiscalizada poderia ter compensado, em 2001, o valor total de R$ 2.062.929,37, correspondente ao principal acrescido dos juros SELIC. Tal procedimento gerou compensação indevida no valor de R$ 234.413,03 (2.297.342,40 2.062.929,37 = 234.413,03) a qual foi efetuada com o IRPJ Estimativa dos meses de julho e agosto/2001, que foram as últimas compensações escrituradas na mencionada rubrica contábil. Como restou demonstrado que o valor das estimativas no anocalendário de 2000 já estava sendo cobrado em procedimento de execução, não haveria impedimento para utilização desses valores na composição do saldo negativo daquele ano. Em resumo do exposto, meu voto é por negar provimento ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO 1) Exclusões ao lucro liquído: A metodologia da análise efetuada pela decisão recorrida implicou na manutenção de parte do lançamento referente às exclusões, conforme abaixo explicitado, com o esclarecimento de que a numeração reportase à adotada pelo acórdão questionado: Item V – R$ 3.701.705,50; em 2001 A decisão recorrida ressaltou que a tributação nesse item não está lastreada apenas na tese de que houve exclusões em excesso em anos anteriores, mas também no fato de o contribuinte não ter apresentado elementos hábeis e idôneos para demonstrar a perda efetiva. Fl. 4193DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 20/06 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10380.006135/200617 Acórdão n.º 1402001.395 S1C4T2 Fl. 10 17 Nesse caso, seria ônus do sujeito passivo apresentar os elementos de prova que embasam a sua escrituração, o que não ocorreu. Em sede de recurso voluntário, a interessada tenta demonstrar que o procedimento contábil adotado pela empresa tem o mesmo efeito daquele entendido como correto pelo acórdão sob exame. Entretanto, não foram trazidos novos elementos que demonstrassem a perda efetiva nos termos realçados pela primeira instância julgadora. Recurso não provido nesse item. Item VI – R$ 276.637,28; em 2001 Tratase de valor referente a imposto de renda retido na fonte incidente sobre receitas recebidas pela pessoa jurídica. Nessa situação constituise num direito, uma antecipação do imposto devido passível de utilização como crédito no cômputo do resultado ao final do período de apuração. Aqui, ouso divergir da decisão recorrida. Conforme admitido pela autoridade julgadora o crédito não utilizado transformouse em despesa só que indedutível. Se não houve questionamento em relação ao cômputo do valor do imposto como receita quando da realização da operação que lhe deu origem ( em contrapartida à respectiva conta de ativo), a baixa do crédito deve gerar uma despesa dedutível sob pena de enriquecimento sem causa do erário. Recurso provido nesse item. Item VII – R$ 191.724,57; em 2001: Da mesma forma que no item V supra, a interessada tentou justificar a exclusão ratificando os argumentos quanto à legitimidade dos lançamento contábeis efetuados. Entretanto, a rejeição derivou não apenas do que seria o excesso de exclusões globais mas também da ausência de documentação comprobatória que embasasse aqueles lançamentos, especialmente quanto ao fato dos valores que teriam aumentado o Resultado do Exercício em 2001, tendo como origem a conta 188920090 PROVISÃO DEVEDORES DIVERSOS NO PAÍS, referiremse efetivamente a operações contabilizadas como provisões indedutíveis em 1998 (fls. 163 do PA), bem como de que as perdas se efetivaram em 2001. Recurso não provido nesse item. Item VIII R$ 301.506,80; em 2001: Nos moldes do item anterior, a interessada não apresentou documentos hábeis para lastrear os lançamentos contábeis principalmente no que se refere à comprovação da efetivação da perda em 2001, ainda que tenha sido intimada especificamente para fazêlo. Em sede recursal, apenas reiterou o que seria a coerência dos lançamentos contábeis mas não trouxe qualquer documento hábil a embasálos. Recurso não provido nesse item. Item IX – R$ 3.999,38; em 2001 e R$ 978,06, em 2002: A interessada não apresentou defesa em relação a esses valores motivo pelo qual a exigência deve ser mantida para esse item. Fl. 4194DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 20/06 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 18 Item X – R$ 5.341.899,51 e R$ 1.326.023,57; em 2002: Aqui ocorreu a mesma situação do item V acima analisado. A interessada tenta demonstrar que o procedimento contábil adotado pela empresa tem o mesmo efeito daquele entendido como correto pelo acórdão sob exame. Entretanto, não foram trazidos novos elementos de prova que demonstrassem a confirmação de um fato provisionado ou a reversão de uma provisão, mas tão somente uma transferência entre contas retificadoras do ativo. Especificamente no que se refere ao valor de R$ 1.326.023,57; a interessada não logrou justificar a diferença entre o montante computado como despesas de provisões e o valor da respectiva reversão. Recurso não provido nesse item. Item XI – R$ 1.664.553,08; em 2002: Nos moldes dos itens anteriores, a interessada não apresentou documentos hábeis para lastrear os lançamentos contábeis principalmente no que se refere à justificativa para a diferença entre o montante computado como despesas de provisões e o valor da reversão. Em sede recursal, apenas reiterou o que seria a coerência dos lançamentos contábeis mas não trouxe qualquer documento hábil a embasálos. Recurso não provido nesse item. Item XII – R$ 10.000,00; em 2003: A interessada não apresentou defesa em relação a esse valor motivo pelo qual a exigência deve ser mantida para esse item. Item XIII – R$ 699.842,62 e R$ 478.089,89; em 2003: O valor de R$ 699.842,62 tem origem nas contrapartidas do lançamento no valor de R$ 917.030,76 efetuado na conta de provisão para créditos de liquidação duvidosa. Foram identificadas contrapartidas em contas de resultado no valor de R$ 106.193,46 (despesas de provisões) e R$ 323.381, 60 ( reversão de provisões). Assim, só poderia ser excluído o valor de R$ 217.188,14 (R$ 323.381,60 – R$ 106.193,46) O valor do ajuste da provisão (R$ 699.842,62) teve como contrapartida diversas contas patrimoniais e não poderia justificar uma exclusão ao lucro líquido, até porque a interessada não apresentou comprovação efetiva das operações que lhe deram origem. No recurso voluntário, o sujeito passivo limitouse a reiterar na literalidade os argumentos expedidos na peça impugnatória sem apresentar qualquer novo elemento que embasasse as razões de defesa. Raciocínio idêntico aplicase ao valor de R$ 478.089,89 que tem origem nas contrapartidas do lançamento no valor de R$ 807.756,13 efetuado na conta de provisão para pagamentos a efetuar. Foram identificadas contrapartidas em contas de resultado no valor de R$ 152.573,66 (despesas de provisões) e R$ 478.239,90 ( reversão de provisões). Assim, só poderia ser excluído o valor de R$ 325.666,24 (R$ 478.239,90 – R$ 152.573,66). Nesses termos, o recurso não merece provimento nesse item. Fl. 4195DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 20/06 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10380.006135/200617 Acórdão n.º 1402001.395 S1C4T2 Fl. 11 19 Item XIV – R$ 721.370,28; em 2003: Intimada a justificar a origem do valor sob exame, a interessada afirmou tratarse do resultado líquido da variação patrimonial ocorrida na provisão em 2003 nos moldes seguintes: a) R$ 315.815,31, referente à constituição de provisão efetuada ao longo de 2003 contabilizada a débito das contas 8.1.8.30.60.031 Despesa de provisões operacionais outros passivos remanescentes e 8.1.9.99.00.439 Outras Despesas Operacionais – atualização de passivos contingentes; b) R$ 84.779,33, relativo à reversão de provisão contabilizada na conta 7.1.9.90.60.09 – Reversão de Provisões Operacionais Outros Créditos de Liquidação Duvidosa Outros Créditos Remanescentes, e c) R$ 952.406,25, referente ao ajuste dessa provisão, tendo como contra partida diversas contas patrimoniais, indicadas nos mencionados quadros específicos. Conforme bem esclarecido pela decisão recorrida, apenas o valor da alínea “b” justificaria a exclusão ao lucro líquido. O valor de R$ 315.815,31 seria neutro em termos de resultado, por se referir à constituição de provisão indedutível e o montante de R$ 952.406,25 simplesmente não foi justificado. Na peça recursal, a interessada limitase a reiterar que o lançamento foi devidamente comprovado através da documentação disponibilizada. Recurso não provido quanto a esse item. 2) Exigência sobre valor inscrito em dívida ativa: Nesse item, a recorrente protesta contra a manutenção parcial da exigência em relação ao valor de R$ 415.309,79; ratificando os argumentos quanto à impossibilidade de exigir valores já inscritos em dívida ativa. Na verdade, os valores inscritos que montam a R$ 741.676,93 já foram considerados em sua integralidade pela decisão recorrida. Como parcela integrante do saldo negativo do IRPJ apurado no ano calendário de 1993, foi entendido como prescrito pela autoridade lançadora e não foi aceito na compensação de valores devidos a título de estimativas no anocalendário de 2000. Como decorrência, essas estimativas foram excluídas da apuração do resultado e diminuídas do saldo negativo naquele período (2.676.577,29 – 741.676,93 = 1.934.577,29) Tendo em vista que algumas estimativas referentes ao anocalendário de 2001 foram compensadas com o saldo negativo de 2000, houve um excesso de compensação pela diminuição do saldo (2.297.342,40 – 2.062.929,37 = 234.413,03 ), ocorrida nos termos descritos no item anterior. Ao constatar que de fato o valor de R$ 741.676,93 havia sido inscrito em dívida ativa, a decisão recorrida cancelou a exigência daí decorrente, correspondente ao valor tributável de R$ 234.413.03. Fl. 4196DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 20/06 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 20 O valor de 415.309,79 referese à parcela do saldo negativo de 1993 que foi utilizado para compensar parte da estimativa da agosto de 2001 e que, no entendimento da autoridade lançadora corroborado pela decisão recorrida, não poderia mais ser compensado em função da prescrição. Matérias distintas, portanto. 3) Multa de ofício na sucessão: Na questão referente à aplicação da multa de ofício, entendo que assiste razão à recorrente. A literalidade do caput do art. 132 do CTN estabelece que a responsabilidade da sucessora aplicase a tributos o que, por definição, exclui a multa de ofício que se constitui em penalidade. Ressaltese que a sucessão em comento é aquela decorrente da privatização da instituição financeira, procedimento esse formalizado antes da autuação. Esse posicionamento não se aplicaria se a redação do dispositivo mencionasse “crédito tributário” no lugar de “tributos”. Nesse caso, haveria uma abrangência maior, pois o crédito tributário envolve o principal e todos os consectários legais. Salientese que existem situações nas quais a multa seria cabível na sucessão. A primeira e a mais comum delas foi pacificada no âmbito do CARF através da Súmula CARF n° 47 pela qual é cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. Também incide a multa quando a autuação ocorreu antes da sucessão. Nesse caso, haveria naturalmente a cobrança da multa e o crédito tributário assim constituído seria incluído no passivo da empresa a ser extinta podendo ser cobrado da sucessora. Outra hipótese que ensejaria a responsabilidade por penalidades decorrentes de infrações tributárias ocorre nas situações envolvendo fraude, promovida exatamente com o objetivo de livrar a empresa sucedida das penalidades, quiçá também dos tributos. O conluio entre os administradores e/ou sócios das empresas envolvidas no processo sucessório, quando devidamente comprovado pela fiscalização, leva à responsabilidade da sucessora, a abarcar além dos tributos e juros de mora, também a multa de ofício. Nenhuma dessas hipóteses referese ao presente caso. Assim, como regra geral, a multa não seria exigível. Esse entendimento aplicarseia também à incidência da multa isolada. 4) Resumo: Em resumo do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a dedução da despesa com IRRF em 2001 no valor de R$ 276.637,28 e cancelar as multas aplicadas. Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 4197DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 20/06 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10380.006135/200617 Acórdão n.º 1402001.395 S1C4T2 Fl. 12 21 Fl. 4198DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 20/06 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10855.901980/2008-28
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Relatório. Por economia processual e considerar pertinente, adoto o Relatório da decisão recorrida (fl.61) que a seguir transcrevo: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face dc Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) dc fls. 01/02, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de CSLL (código de receita: 2372) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLL: 2372). Por intermédio do despacho decisório de fls. 03/04, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 55 .9 01 98 0/ 20 08 -2 8 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.901980/200828 Resolução nº 1802000.241 S1TE02 Fl. 3 2 PER/Dcomp de n° 12855.10014.200904.1.3.044453, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls.06/10, acompanhada dos documentos de fls. 11/55, na qual alega erro de cálculo na DCTF, relativa ao 3° trimestre de 2003. A contribuinte apresentou quadrosdemonstrativos para comprovar o seu direito ao crédito, atinente ao pagamento da CSLL (cód: 2372), período de apuração: 3° trimestre de 2003, efetuado em 31/10/2003, bem como retificou a informação constante de sua DCTF, de forma a demonstrar os pontos de discordância apontados na impugnação. Ao final, requer que seja acolhida a presente impugnação. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Ribeirão Preto/SP) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1431.720, de 26 de novembro de 2010 (fls.60/63), cientificado ao interessado em 10/01/2011 (fl.66). A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.60): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/10/2003 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 24/01/2011, no qual argúi, em síntese, que: Quando na apuração da CSLL, a partir de 01/09/2003, por força do art. 22 da lei 10.684/2003, a base de cálculo, devida pela pessoa jurídica optante pelo lucro presumido foi interpretada de maneira errônea: 0 correto para receita bruta nas atividades comerciais, industriais e industrialização por encomenda é de 12%; Sendo que para receita bruta na atividade de industrialização por encomenda foi de 32%. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.901980/200828 Resolução nº 1802000.241 S1TE02 Fl. 4 3 Para demonstrar o erro no cálculo de apuração da CSLL do 3º trimestre de 2003, apresenta planilhas de cálculo, DARFs e Registros de Saída (fls.70/98). Finalmente, requer seja homologada a compensação em lide. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 12855.10014.200904.1.3.044453 (fls.1/2), transmitido em 20/09/2004, em que a contribuinte pretende compensar débito de CSLL: R$ 1.754,27, código 2372, relativa ao 2º trimestre de 2004, com a utilização de crédito no valor de R$ 1.695,56 , decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL (DARF: código – 2372; Período de Apuração: 30/09/2003; Data de Arrecadação: 30/09/2003, Valor: R$ 7.858,63). Conforme relatado, por intermédio do despacho decisório de fl.03, emitido em 18/07/2008 não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no PER/DCOMP, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito (R$ 7.858,63) foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Consta da decisão recorrida o seguinte esclarecimento sobre o crédito pleiteado: 0 valor do indébito com o qual a contribuinte declarou a compensação, objeto deste processo, seria originário de pagamento indevido ou a maior de contribuição social sobre o lucro liquido (CSLL), código de receita: 2372, no valor de R$ 1.695,56, relativo ao terceiro trimestre de 2003. Com efeito, no que diz respeito à CSLL, atinente ao terceiro trimestre do anocalendário de 2003, observo que a contribuinte retificou a DCTF do período, para alterar, para menos, o montante da divida originariamente declarada, de R$ 22.711,83 para R$ 17.625,19, de modo a delinear o crédito pretendido (fls. 57/59 dos autos). Para melhor elucidação, cabe esclarecer que originariamente a contribuinte apurou, a titulo de CSLL, 3° trimestre de 2003, o montante de R$ 22.717,87, que foram pagos mediante três DARF nos seguintes valores: a) R$ 7.858,63, em 31/10/2003; b) R$ 7.937,21 (principal de R$ 7.858,63), em 28/11/2003; e c) R$ 8.042,52 (principal de R$ 7.858,63), em 30/12/2003. Posteriormente, a contribuinte apresentou DCTFretificadora informando que a CSLL devida no 3° trimestre de 2003 seria no montante de R$ 17.625,19, que em três quotas resultaria na cifra de R$ 5.875,06, o que demonstraria, em tese, o valor do crédito utilizado na Fl. 126DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.901980/200828 Resolução nº 1802000.241 S1TE02 Fl. 5 4 presente PER/Dcomp, 1° quota, no valor de R$ 1.695,56 (R$ 7.858,63 menos R$ 5.875,06). Depreendese da alegação da pessoa jurídica expressa no recurso voluntário e demonstrativo (fl.70) que, no 3º trimestre de 2003, sobre parte da receita bruta total no valor de R$ 787.749,65 a reclamante calculou a base de cálculo de sua CSLL equivocadamente com o percentual de 32% (R$ 282.593,68 x 32% x 9% industrialização por encomenda) quando o correto seria o coeficiente de 12% (R$ 282.593,68 x 12% x 9%) como calculado sobre a receita bruta nas atividades comerciais e industriais, de acordo com o artigo 22 da Lei nº10.684, de 30/05/2003 que alterou a redação do artigo 20 da Lei nº 9.430/96, a partir de 01/09/2003 (artigo 29, inciso III Lei nº10.684/2003). Ou seja, sobre a mencionada parte da receita bruta R$ 282.593,68, apurou CSLL no valor de R$ 8.138,70 (282.593,68 x 32% x 9%) quando o correto seria R$ 3.052,01 (282.593,68 x 12% x 9%), resultando em pagamento a maior na ordem de R$ 5.086,69 (8.138,70 3.052,01) em três quotas de R$ 1.695,56, partindo da premissa que a CSLL total relativa ao 3º trimestre fora paga mediante três DARF nos seguintes valores: a) R$ 7.858,63, em 31/10/2003; b) R$ 7.937,21 (principal de R$ 7.858,63), em 28/11/2003; e c) R$ 8.042,52 (principal de R$ 7.858,63), em 30/12/2003. Sobre o alegado indébito tributário, vale transcrever o Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 26 que dispõe sobre a caracterização de industrialização para fins de apuração das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, verbis: Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 26, de 25 de abril de 2008 DOU de 28.4.2008 – Dispõe sobre a caracterização de industrialização para fins de apuração das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL , no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 224 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 95, de 30 de abril de 2007 , e tendo em vista o disposto no art. 15 da Lei n º 9.249, de 26 de dezembro de 1995 , e o que consta do processo n º 10168.002277/200701, declara: Art. 1 º Para fins de apuração das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), consideramse industrialização as operações definidas no art. 4 º do Decreto n º 4.544, de 26 de dezembro de 2002 , observadas as disposições do art. 5 º c/c o art. 7 º do referido decreto. Art. 2 º Fica revogado o ADI RFB n º 20, de 13 de dezembro de 2007 . A Receita Federal revogou uma interpretação dada em dezembro/2007, que resultava em aumento do Imposto de Renda e de CSLL para as empresas que pagam o imposto pelo regime de lucro presumido ou por estimativa. O Ato Declaratório Interpretativo RFB 20/2007, revogado pelo Ato Declaratório Interpretativo RFB 26/2008, gerou muita controvérsia enquanto esteve vigente, pois aumentava a base de cálculo de 8% para 32% (no caso do IRPJ) e de 12% para 32% (no caso da CSLL) para a maioria das operações de industrialização por encomenda. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.901980/200828 Resolução nº 1802000.241 S1TE02 Fl. 6 5 Pela interpretação anterior, consideravase prestação de serviço, para fins da apuração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) as operações de industrialização por encomenda quando na composição do custo total dos insumos do produto industrializado por encomenda houvesse a preponderância dos custos dos insumos fornecidos pelo encomendante. Com a revogação desta interpretação, a Receita Federal definiu que, para fins de apuração das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), consideramse industrialização as operações definidas no art. 4º do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (adiante reproduzido), observadas as disposições do art. 5º c/c o art. 7º do referido decreto: Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): I – a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II – a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III – a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV – a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou V – a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento Contraditando os fundamentos da decisão recorrida e no intuito de comprovar o crédito alegado, a Recorrente juntou ao seu recurso voluntário, Planilha de Calculo da CSLL 3° trimestre/2003; DARFs relativos ao 3° trimestre/2003; Registro de Saídas (Vendas com o código 5101 e 5102 Industrialização por encomenda com código 5124). Apesar da documentação apresentada, não se tem objetivamente conhecido o faturamento do terceiro trimestre de 2003, pois, não foram juntadas as notas fiscais tampouco a DIPJ/2004. Portanto, não se sabe ao certo qual a receita bruta e o coeficiente aplicado para a presunção da base de cálculo da CSLL do mencionado trimestre declarado na DIPJ/2004. Desse modo, fazse mister que sejam encaminhados os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba/SP para que seja verificado e especificado, à luz da documentação fiscal (notas fiscais emitidas), contábil (escrituração) e DIPJ/2004, qual o Fl. 128DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.901980/200828 Resolução nº 1802000.241 S1TE02 Fl. 7 6 montante da receita bruta obtida/declarada e CSLL devida e paga, em relação ao ano calendário de 2003. Realizada a diligência, deve ser elaborado relatório circunstanciado, do qual deve ser dada ciência à Contribuinte para sua manifestação, se do seu interesse, no prazo de 30 (trinta dias). Apresentada a manifestação ou transcorrido o prazo, devem os autos retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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