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Numero do processo: 10920.000634/2009-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Aplica-se ao lançamento decorrente as mesmas conclusões sobre o IRPJ, em função da estrita relação de causa e efeito entre eles.
DEDUTIBILIDADE DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTO IMPUGNADO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. IMPOSSIBILIDADE.
Os tributos e contribuições lançados conjuntamente não são passíveis de dedução da base de cálculo do IRPJ, por terem suspensa sua exigibilidade em função de apresentação de impugnação e recurso.
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
A incidência de multa isolada aplicável na hipótese de falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL não elide a aplicação concomitante de multa de ofício calculada sobre diferenças do IRPJ e da CSLL devidos na apuração anual, por observarem previsões legais específicas.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO.
A infração de omissão de receitas com a utilização de contas movimentadas em instituição financeira clandestina, por meio de pagamentos não contabilizados, cuja origem não foi esclarecida, evidencia a natureza fraudulenta da operação, dada a impossibilidade de se afastar do dolo na conduta, ainda reiterada, caracterizando, em tese, o crime de sonegação fiscal.
Numero da decisão: 1202-000.964
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade do acórdão recorrido, da ilicitude das provas emprestadas e de decadência. Em relação ao mérito: i) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso quanto à matéria presunção da omissão de receitas dos valores movimentados em conta de depósito, vencidos os conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta e Geraldo Valentim Neto; ii) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto às matérias aquisição de imóvel sem comprovação de origem dos recursos e dedução do PIS e da Cofins na apuração da matéria tributável de IRPJ e CSLL; e iii) pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto à impossibilidade de cumulação das multas aplicadas e da qualificação da multa, vencidos os conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Andrada Marcio Canuto Natal, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplica-se ao lançamento decorrente as mesmas conclusões sobre o IRPJ, em função da estrita relação de causa e efeito entre eles. DEDUTIBILIDADE DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTO IMPUGNADO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. IMPOSSIBILIDADE. Os tributos e contribuições lançados conjuntamente não são passíveis de dedução da base de cálculo do IRPJ, por terem suspensa sua exigibilidade em função de apresentação de impugnação e recurso. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A incidência de multa isolada aplicável na hipótese de falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL não elide a aplicação concomitante de multa de ofício calculada sobre diferenças do IRPJ e da CSLL devidos na apuração anual, por observarem previsões legais específicas. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO. A infração de omissão de receitas com a utilização de contas movimentadas em instituição financeira clandestina, por meio de pagamentos não contabilizados, cuja origem não foi esclarecida, evidencia a natureza fraudulenta da operação, dada a impossibilidade de se afastar do dolo na conduta, ainda reiterada, caracterizando, em tese, o crime de sonegação fiscal.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Decisão que esclarece as razões do convencimento do julgador quando da análise das provas atende ao princípio livre convencimento motivado e afasta causa de nulidade. NULIDADE DAS PROVAS. COMPARTILHAMENTO. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. VALIDADE. Havendo autorização judicial expressa para o compartilhamento com a RFB das provas produzidas fora do âmbito do procedimento fiscal afastase a ilicitude das provas como causa de nulidade do lançamento fiscal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008 OMISSÃO DE RECEITAS. REMESSA DE NUMERÁRIO PARA O EXTERIOR. FALTA DE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. PRESUNÇÃO. Caracteriza omissão de receitas a remessa de numerário para o exterior, por conta e ordem do contribuinte, sem a respectiva escrituração contábil, o que autoriza a presunção legal de que tenham sido efetuados com recursos mantidos à margem da contabilidade. DEDUTIBILIDADE DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTO IMPUGNADO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. IMPOSSIBILIDADE. Os tributos e contribuições lançados conjuntamente não são passíveis de dedução da base de cálculo do IRPJ, por terem suspensa sua exigibilidade em função de apresentação de impugnação e recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 06 34 /2 00 9- 81 Fl. 2266DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10920.000634/200981 Acórdão n.º 1202000.964 S1C2T2 Fl. 3 2 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A incidência de multa isolada aplicável na hipótese de falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL não elide a aplicação concomitante de multa de ofício calculada sobre diferenças do IRPJ e da CSLL devidos na apuração anual, por observarem previsões legais específicas. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO. A infração de omissão de receitas com a utilização de contas movimentadas em instituição financeira clandestina, por meio de pagamentos não contabilizados, cuja origem não foi esclarecida, evidencia a natureza fraudulenta da operação, dada a impossibilidade de se afastar do dolo na conduta, ainda reiterada, caracterizando, em tese, o crime de sonegação fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase ao lançamento decorrente as mesmas conclusões sobre o IRPJ, em função da estrita relação de causa e efeito entre eles. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase ao lançamento decorrente as mesmas conclusões sobre o IRPJ, em função da estrita relação de causa e efeito entre eles. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase ao lançamento decorrente as mesmas conclusões sobre o IRPJ, em função da estrita relação de causa e efeito entre eles. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade do acórdão recorrido, da ilicitude das provas emprestadas e de decadência. Em relação ao mérito: i) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso quanto à matéria presunção da omissão de receitas dos valores movimentados em conta de depósito, vencidos os conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta e Geraldo Valentim Neto; ii) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto às matérias aquisição de imóvel sem comprovação de origem dos recursos e dedução do PIS e da Cofins na apuração da matéria tributável de IRPJ e CSLL; e iii) pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto à impossibilidade de cumulação das multas aplicadas e da Fl. 2267DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10920.000634/200981 Acórdão n.º 1202000.964 S1C2T2 Fl. 4 3 qualificação da multa, vencidos os conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente Substituto (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Andrada Marcio Canuto Natal, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno. Fl. 2268DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10920.000634/200981 Acórdão n.º 1202000.964 S1C2T2 Fl. 5 4 Relatório Tratase de Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, referente a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2004 a 2007 (fls.606682). Do "Termo de Verificação Fiscal" (fls.629651) se extrai que a ação fiscal teve início a partir de uma operação conjunta realizada pela Policia Federal e pela Receita Federal do Brasil, denominada Operação OURO VERDE, montada para investigar uma instituição financeira clandestina (GRUPO ROGER). Nos autos do procedimento n.° 2006.72.00.0081320, foi deferido o desmembramento das investigações dos clientes identificados e o compartilhamento das provas produzidas na investigaçãomãe. Em decorrência disso, foi instaurado o IPL 290/2006 DPF/JVE/SC para apurar a conduta dos operadores da DALILA TÊXTIL LTDA, cujos sócios eram: JOSÉ ANTONIO DA SILVA (CPF 30180.78949) e EVERLI TERESINHA KLEIN DA SILVA (CPF 891.904.40900), em que foram apreendidos documentos e arquivos magnéticos, através de mandados de busca e apreensão, conforme relatório policial (fls.101107). De acordo com as investigações realizadas (fls.101125), o "GRUPO ROGER", organizado por Rogério Luis Gonçalves (CPF 505.007.08991) e Clóvis Marcelino Gonçalves (CPF 352.319.12972), possuía estrutura montada destinada à lavagem de dinheiro, manutenção de instituição financeira clandestina, evasão de divisas e sonegação fiscal. Dentre os "clientes" do Grupo foi identificada a empresa DALILA TÊXTIL LTDA, que mantinha contas junto àquela instituição, onde eram movimentados recursos à margem da sua contabilidade, representados pela conta 2740 — DALI— EU, conforme extrato (fls.127/128), onde eram movimentados valores em EUROS, e a conta 2883 — DALI — USD, conforme extrato (fls.129/130), onde eram movimentados valores em dólares. Durante o procedimento fiscal, o contribuinte foi intimado a: (i) comprovar, através de documentação hábil e idônea, a origem dos valores enviados ao exterior, a partir de relação e cópias de fax anexadas e (ii) informar se os valores do item anterior estão escriturados e se foram oferecidos a tributação, especificando os lançamentos contábeis efetuados na escrituração das operações e apresentando a respectiva documentação (Declaração de Importação – DI, fatura, etc.). Em resposta, o contribuinte informou que nunca manteve relações comerciais com a empresa GROZBECKERT KG e que por este motivo não tinha como ou por que ter promovido as supostas remessas para a empresa mencionada (fls.494 499). Foi intimada a Sra. Irlea Cecilia Moser, funcionária da empresa Roger Câmbio e Turismo e uma das operadoras do sistema financeiro paralelo montado pelo "GRUPO ROGER", para prestar depoimento pessoal. Perguntada a respeito dos facsimiles (fls.504507), interceptados pela Policia Federal durante as investigações realizadas, informou que as remessas não foram efetuadas pela empresa Dalila Têxtil Ltda e que acredita serem de responsabilidade de NS Importação e Comércio Ltda, outra empresa cliente do "GRUPO ROGER", que não queria se expor (fls. 501 a 503). Foram glosadas a compensação de prejuízos de exercícios anteriores na apuração da base de cálculo do IRPJ e a compensação de base de cálculo negativa da CSLL de Fl. 2269DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10920.000634/200981 Acórdão n.º 1202000.964 S1C2T2 Fl. 6 5 períodos anteriores, além de lançadas diferenças apuradas em verificações obrigatórias. Estas infrações não foram impugnadas. No tocante à “operação Ouro Verde”, a partir da verificação da movimentação financeira realizada com o “Grupo Roger”: CONTAS 2740— DALI — EU e 2883 — DALI – USD, a fiscalização apurou omissão de receitas. Também foi apurada omissão de receitas pela aquisição de imóvel sem comprovação de origem dos recursos. Em função das omissões decorrentes das operações financeiras e aquisição de imóvel (itens 3.5.1 e 3.5.2) foram lançados o IRPJ e, como reflexos, a CSLL, PIS não cumulativo e COFINS nãocumulativo, calculados sobre as omissões apuradas. Foi lavrada, ainda, multa isolada pelo não recolhimento mensal ou apuração incorreta, do IRPJ e da CSLL, com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução, a partir dos demonstrativos dos cálculos mensais do lucro real e da base de cálculo da CSLL constam dos Livros de Apuração do Lucro Real — LALUR, pois verificada a compensação indevida de prejuízos de exercícios anteriores nas apurações das estimativas mensais do imposto devido (fls. 520 a 558). Sobre os lançamentos de IRPJ e reflexos pelas infrações decorrentes de omissões de receitas (operações financeiras e aquisição de imóvel itens 3.51, 3.5.2 e 3.5.4), foi lançada a multa de ofício de 150%, prevista no inciso II do art. 44 da Lei 9.430/96. Na impugnação, o contribuinte contestou a multa isolada de IRPJ e CSLL por estimativa, alegando que a) a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas é possível e b) encerrado o anobase, a multa isolada deixa de ser exigível, e c) a multa isolada não pode ser cumulada com a "multa proporcional". Sobre as "Omissões de receitas", apontou como fundamentos comuns: (i) decadência: considera que receitas não foram auferidas na data dos depósitos, mas antes de 2004, estando decaído em 05/03/2009 (data da ciência do lançamento) e (ii) nulidade das provas emprestadas da operação policial “Ouro Verde”, já que o início da persecução criminal ocorreu antes de configurada a existência de crédito tributário, conforme jurisprudência do STJ; o MPF não teria legitimidade ou competência funcional para realizar investigação criminal, conforme STJ; o contribuinte não é parte nos processos judiciais de origem das provas, o que causa cerceamento do seu direito de defesa; decisões judiciais não amparam a quebra indireta de sigilo pela RFB, que não era parte naqueles processos, pois não foi autorizado o compartilhamento das provas. Sustentou, ainda, que a fiscalização não verificou a prestabilidade dos documentos. Sobre a “Aplicação" de recursos em "instituição financeira clandestina", aduziu que: a) nunca teve conta no "Grupo Roger"; b) seu nome foi indevidamente usado por terceiros; c) a presunção da Lei n° 9.430/96 (art. 42) não se aplica ao caso; d) completa ausência de provas. Sobre a “aquisição de terreno não contabilizada”, alegou que a) a aquisição do imóvel não se concretizou, não tendo havido pagamentos e b) as provas são ilícitas. Fl. 2270DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10920.000634/200981 Acórdão n.º 1202000.964 S1C2T2 Fl. 7 6 Sobre as "Omissões de receitas", apresentou as seguintes conclusões comuns: a) não demonstração de omissão de receitas; b) inexistência de omissão de receitas; c) atração do art. 112 do Código Tributário Nacional. Ainda afirmou a possibilidade de deduções relacionadas ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, conforme art. 41 da Lei nº 8.981/95, e questionou a Multa Isolada sobre as supostas omissões de receitas. Sobre a multa de 150%, aponta que o Fisco não demonstrou sonegação, que situação se enquadra na Súmula CARF nº 14, que faltam provas efetivas e que a desproporcionalidade é inconstitucional. A 3ª Turma da DRJ/Florianópolis (SC) julgou a impugnação procedente em parte, afastando a glosa das compensações de prejuízos fiscais de períodos anteriores na apuração de estimativas mensais, por meio de balancetes de suspensão ou redução, relativamente aos meses de agosto, setembro e dezembro de 2004, e dezembro de 2005, e exonerando as respectivas multas isoladas de IRPJ e CSLL, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 ESTIMATIVA MENSAL. BALANÇO OU BALANCETE DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO. COMPOSIÇÃO. A cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto, o contribuinte deve determinar um novo lucro real para o período em curso, desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo anocalendário. As adições, exclusões e compensações de prejuízos fiscais computadas na apuração do lucro real, correspondentes aos balanços ou balancetes, devem constar, discriminadamente, na Parte A do Lalur, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. DATA DO AUFERIMENTO. O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. INDEDUTIBILIDADE PELO REGIME DE COMPETÊNCIA. Os tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa por força da apresentação de reclamações ou recursos não podem ser deduzidos para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 Fl. 2271DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10920.000634/200981 Acórdão n.º 1202000.964 S1C2T2 Fl. 8 7 ARGUIÇÃO DE NULIDADE DAS PROVAS. MANDADO JUDICIAL. LEGITIMIDADE DO LANÇAMENTO. Ê legitimo o lançamento decorrente de procedimento de fiscalização em que são utilizadas provas cujo acesso foi autorizado judicialmente. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE. PROCESSO CRIMINAL. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. A apreciação de arguições de ilegalidade do processo penal extrapola a esfera de competência do juizo administrativo, ante à supremacia das decisões judiciais sobre as decisões proferidas em processo administrativo. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTANCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS E COFINS. Sempre que o fato se enquadrar ao mesmo tempo na hipótese de incidência de mais de um tributo ou contribuição, as conclusões quanto a ele aplicarseão igualmente no julgamento de todas as exações. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFICIO. QUALIFICAÇÃO POR SONEGAÇÃO. APLICABILIDADE. aplicável a multa de oficio qualificada de 150%, naqueles casos em que, no procedimento de oficio, constatado resta que à conduta do contribuinte esteve associado o intuito de sonegar. CONCOMITÂNCIA DE MULTA ISOLADA COM MULTA ACOMPANHADA DO TRIBUTO. Os contribuintes que deixarem de recolher no curso do ano calendário as parcelas devidas a titulo de antecipação (estimativa) do IRPJ ou da CSLL, sujeitamse à multa de oficio de cinquenta por cento, aplicada isoladamente, calculada sobre os valores de antecipação não pagos. Esta multa de oficio não se confunde com aquela aplicada sobre o IRPJ ou a CSLL apurados no ajuste anual, não pagos no vencimento, por não possuírem a mesma hipótese legal de aplicação. Em razão do montante exonerado, abaixo do limite de alçada, não houve recurso de ofício. Fl. 2272DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10920.000634/200981 Acórdão n.º 1202000.964 S1C2T2 Fl. 9 8 Cientificado dessa decisão em 23/02/2012 (cfe AR, fl.2191), o contribuinte, inconformado, apresentou recurso voluntário em 22/03/2012 (fls.21922239), em que, basicamente, repisa as razões da impugnação e afirma que a decisão recorrida não analisou os pedidos relativos à nulidade das provas e a inconstitucionalidade das multas aplicadas. É o relatório. Fl. 2273DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10920.000634/200981 Acórdão n.º 1202000.964 S1C2T2 Fl. 10 9 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora O recurso preenche as condições de admissibilidade, inclusive temporal, devendo ser conhecido. PRELIMINARES Da nulidade da decisão recorrida Inicialmente, sobre a acusação de que a decisão recorrida não analisou os pedidos relativos à nulidade das provas, cumpre observar que a falta de análise não se confunde com a negativa do pedido. Da simples leitura da decisão recorrida, é possível verificar que o julgador enfrentou cada um dos argumentos da defesa e concluiu pela sua improcedência, pelo que não há que se falar em nulidade da decisão recorrida. Da nulidade das provas Sobre a alegação de que as provas seriam nulas porque o Ministério Público Federal não teria legitimidade ou competência funcional para realizar investigação criminal, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, cabe esclarece que a questão, novamente, reservase ao Poder Judiciário. A recorrente sustenta, ainda, que não era parte nos processos judiciais de origem das provas, o que causa cerceamento do seu direito de defesa, que as decisões judiciais não amparam a quebra indireta de sigilo pela Receita Federal do Brasil, que não era parte naqueles processos, pois não teria sido autorizado o compartilhamento das provas. Todavia, como bem observado pela decisão recorrida, no processo judicial n° 2006.72.00.0105153, em que o contribuinte, ora recorrente, é investigado, foi deferida a quebra do seu sigilo fiscal, o compartilhamento das provas obtidas pela Policia Federal com a Receita Federal, bem como o compartilhamento das provas produzidas nos autos pertinentes a ROGER TUR, nos seguintes termos (fls. 8994): a) decreto a quebra do sigilo fiscal, com fundamento no art. 1°, § 4º, da Lei Complementar n° 105, 2001 e no artigo 198 do Código Tributário Nacional, das pessoas fisicas e jurídicas, compreendidos nos últimos cinco anos, para ação conjunta entre as autoridades policial e fiscal, a serem identificadas no transcorrer das investigações e que se enquadram na delimitação e descrição acima referida. b) autorizo, o compartilhamento das provas obtidas nessa investigação aos integrantes da força tarefa a ser composta pela autoridade policial que preside o inquérito e os servidores que serão designados pelo chefe do Escritório de Pesquisa e Investigação — ESPEI da 9° Regido Fiscal; d) defiro o desmembramento das investigações para os clientes a serem identificados, desde que estejam enquadrados na descrição e delimitação acima referida, com o compartilhamento das provas produzidas nos autos pertinentes a ROGER TUR (2005.72.00.0134793 e 2006.72.00.0081320), inclusive com as Fl. 2274DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10920.000634/200981 Acórdão n.º 1202000.964 S1C2T2 Fl. 11 10 produzidas pela força tarefa (Policia Federal e Receita Federal), quando da formação dos respectivos inquéritos. Nos mesmos autos foi deferido o pedido de busca e apreensão, com quebra do sigilo telemático e de informática, assim como o compartilhamento das provas com a Receita Federal, nos seguintes termos (fls. 95 a 99): a) defiro os pedidos de busca e apreensão domiciliar e pessoal, o que faço com fundamento no que dispõem os arts. 240 e seguintes do Código de Processo Penal; b) decreto a quebra do sigilo telemático e de informática, com base no art. 1°, parágrafo único, da Lei n° 9.296, de 1986, para que a Policia Federal submeta perícia, computadores, servidores, mídias ou qualquer outro ambiente computacional/telemático que venha a ser apreendido, nos endereços em que procedidas as buscas. [...] Permitese desde já, o compartilhamento com a Receita Federal, dos objetos apreendidos que contenham informações úteis na apuração de ilícitos fiscais. Diante disso, é de se afastar qualquer alegação de ilicitude das provas oriundas do processo judicial, pois o compartilhamento é explícito. Ademais, descabe ao julgador administrativo questionar a forma de obtenção das provas na esfera judicial, ainda que o Ministério Público não fosse competente para tanto, como alega a recorrente. A partir do “Relatório de Análise Financeira" (fls. 101125), encaminhado pela Polícia Federal para a Receita Federal, que inclui cópias de facsímiles interceptados, contendo ordens de depósito dos cheques de clientes da ora recorrente (fls.122124; 187; 198 200), além de alguns cheques de clientes, a fiscalização efetuou novas investigações para a verificação da efetividade das conclusões da Polícia Federal, com inquirição de pessoas envolvidas com as operações e cruzamentos de dados, consoante se infere do relatório fiscal e dos elementos constantes dos autos. Quanto à alegação de nulidade das provas emprestadas da operação policial “Ouro Verde”, já que o início da persecução criminal ocorreu antes de configurada a existência de crédito tributário, conforme jurisprudência do STJ, cabe observar que a jurisprudência referida não se aplica ao caso dos autos, mas aos casos em que o próprio ilícito tributário foi descoberto por autoridades fiscais. Diante disso, inexiste qualquer razão para que as provas juntadas aos autos sejam consideradas ilícitas, pelo que se indefere o pedido de nulidade das provas. Da decadência No caso concreto, a omissão de receitas decorre de (a) falta de comprovação da origem dos valores creditados em conta de depósito e (b) falta de comprovação de origem dos recursos utilizados em pagamentos utilizados na aquisição de imóvel. A recorrente alega que no período de 2004 a 2007 a fiscalização não teria identificado receitas não declaradas, razão pela qual se as receitas omitidas realmente tivessem existido somente poderiam ter sido auferidas antes de 2004. Sendo assim, sustenta que, da Fl. 2275DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10920.000634/200981 Acórdão n.º 1202000.964 S1C2T2 Fl. 12 11 ciência dos autos de infração, em 05/03/2009, já teria transcorrido o prazo decadencial. Sem razão a recorrente. No primeiro caso, a existência de omissão de receitas está associada presunção legal prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/96, fundamento do art. 287 do RIR/99, que dispõe: Art.287.Caracterizamse também como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42). §1ºO valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42, §1º). [...] Do texto legal se extrai que, para fins de caracterização da omissão da receita, importa para a data do crédito efetuado pela instituição financeira. Dessa data, por conseguinte, iniciase para a Administração Tributária a contagem do prazo decadencial para o lançamento. Como no caso concreto os créditos bancários que deram origem à primeira infração (item a, retro) ocorreram no curso dos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007, não há que se falar em transcurso do prazo decadencial para constituição do crédito tributário. Menos ainda em relação ao segundo caso (item b, retro), pois os pagamentos para aquisição do imóvel, cujos recursos não foram comprovados, ocorreram no ano de 2006. Assim, rejeitase a preliminar de decadência. Do mérito Antes de analisar o mérito propriamente dito, cabe ressaltar que a apreciação de alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação tributária, como referido pela decisão recorrida, foge à alçada das autoridades administrativas de qualquer instância, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. A apreciação de tais alegações é reservada ao Poder Judiciário, que detém competência privativa sobre o deslinde de discussões quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas. Nesse sentido, a súmula CARF nº 2 reflete a jurisprudência pacificada do órgão, ao dispôs que: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Da omissão dos recursos aplicados em instituição financeira clandestina A acusação fiscal aponta a omissão de recursos aplicados em instituição financeira clandestina. A recorrente sustenta a falta de provas que caracterizem essa omissão nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Quanto à incidência do art. 42 da Lei nº 9.430/96 sobre movimentações em instituições financeiras irregulares, cumpre referir que o texto legal é aberto: “caracterizamse também como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de Fl. 2276DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10920.000634/200981 Acórdão n.º 1202000.964 S1C2T2 Fl. 13 12 investimento mantida junto a instituição financeira”, sem precisar a natureza desta, o que permite inferir pela inclusão de instituição financeira clandestina na aplicação da presunção legal. A utilização de instituição financeira paralela ao sistema financeiro nacional, por si só, denota a intenção de não se submeter aos meios oficiais impostos a toda a sociedade, buscando se evadir das normas jurídicas vigentes. Equivale à utilização de interposta pessoa para dificultar o conhecimento, por parte das autoridades fiscais, da ocorrência de fato gerador. Nesses casos, até mais do que em outros, fica evidenciada a necessidade de aplicação da norma presuntiva da omissão de receitas do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Vale lembrar que presunções e indícios fazem parte do cotidiano da Administração Tributária, orientando o processo administrativo fiscal, e podem, sim, fundamentar as autuações, ainda quando não decorram expressamente da lei. Ademais, os indícios possuem alta relevância na formação da convicção do aplicador do direito, consoante a lição de Maria Rita Ferragut sobre o tema presunções abordado no trabalho “Evasão fiscal: o parágrafo único do artigo 116 do CTN e os limites de sua aplicação” (Revista Dialética de Direito Tributário nº 67 , Dialética, São Paulo, 2001, págs. 119 e 120), verbis: As presunções assumem vital importância quando se trata de produzir provas indiretas acerca de atos praticados mediante dolo, fraude, simulação, dissimulação e máfé em geral, tendo em vista que, nessas circunstâncias, o sujeito pratica o ilícito de forma a dificultar em demasia a produção de provas diretas. Os indícios, por essa razão, convertemse em elementos fundamentais para a identificação de fatos propositadamente ocultados para se evitar a incidência normativa. Em casos como o presente, a verificação de provas diretas é praticamente impossível, dado o caráter sorrateiro das operações. Se a movimentação financeira é paralela à oficial, a escrituração correspondente, quando existente, também é paralela aos livros contábeis oficiais. Assim, a única forma de identificação da infração é a partir do conjunto de provas indiretas, decorrentes de indícios. No presente caso, constatase a conjugação do nome e endereço da autuada, ora recorrente, nos documentos periciados pela Polícia Federal, ainda que de forma abreviada, acrescido da confirmação das operações por parte da autoridade fiscal através de coleta de testemunhos. A recorrente destaca que o Laudo Pericial (fls.205211) consigna que "Não foram observadas informações que pudessem identificar os titulares das contascorrentes ou dos códigos", mas deixa de observar que tal conclusão decorre da análise de apenas uma parte do material apreendido (fl. 205): um disco óptico gravável (CDR) e dois dispositivos de armazenagem portátil (pendrive), em que o código "DALI" encontrado nas informações poderia identificar pessoa distinta da recorrente. Fl. 2277DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10920.000634/200981 Acórdão n.º 1202000.964 S1C2T2 Fl. 14 13 Todavia, o conjunto probatório constante dos autos demonstra que foram adotadas outras linhas de investigação por parte da autoridade fiscal. Conforme mencionado no TVF (fl. 635), a autoridade fiscal tomou o depoimento da Sra. Irléa Cecilia Moser, conforme termo anexado (fls. 501503), funcionária do Grupo Roger, em que esta negou que as remessas à empresa Groz Beckert, na Alemanha, tivessem sido feitas pela recorrente. Inferese que foi essa a razão pela qual não foram incluídos esses valores para efeito de constituição de crédito tributário. Através do mesmo depoimento foi possível averiguar que a recorrente mantinha duas contas, uma em Euros e outra em Dólares (item 10 do depoimento), o que foi corroborado pelo “Relatório de Análise Financeira” emitido pela Polícia Federal. Assim, o cruzamento das informações converge para a conclusão de que a impugnante realmente mantinha duas contas correntes na “instituição financeira clandestina” do Grupo Roger. A recorrente sustenta que os documentos apresentados pela autoridade fiscal não têm valor legal por constituírem meras cópias, sem apresentação dos originais. Equivoca se, contudo, pois, além de serem oriundas de inquérito policial e chancelados pela autoridade judicial que permitiu o compartilhamento das provas, todas as informações contidas nos extratos obtidos a partir de pendrives apreendidos pela Polícia Federal condizem e o depoimento da operadora do sistema (Sra. Irléa), corroborando a tese da autoridade fiscal de que houve omissão de receitas. A recorrente ainda sustenta que a fiscalização não conseguiu demonstrar a origem dos supostos recursos; que não seria razoável a empresa promover omissão de receitas no importe de R$ 245.000,00 (duzentos e quarenta e cinco mil reais), sendo que ofereceu à tributação o montante de R$ 241.000.000,00 (duzentos e quarenta e um milhões de reais) e que, em caso de dúvida, não deveria prosperar o lançamento, por conta do disposto no art. 112 do CTN. Ocorre que a declaração e a tributação de receitas em montante elevado não descaracteriza a situação de omissão de parte das receitas verificada nos autos a partir da falta de comprovação da origem de recursos transitados por conta em instituição financeira clandestina e de recursos utilizados na aquisição de imóveis. Do conjunto probatório presente nos autos é possível concluir que tais recursos foram, de fato, mantidos à margem da escrituração, sem que fossem submetidos à devida tributação. A invocação do art. 112 do CTN, que prevê que “a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado” não socorre a recorrente, visto que aqui não se trata de dúvida quanto à capitulação, natureza ou circunstâncias dos fatos ou de seus efeitos, nem quanto à autoria, punibilidade ou natureza ou grau da penalidade aplicável. Tratase, sim, de apuração de fatos ilícitos, através de indícios convergentes, praticados pelo contribuinte, os quais, uma vez caracterizados, permitem o enquadramento nas normas tributárias supra mencionadas. Diante do exposto, deve ser mantida a autuação. Da aquisição de imóvel sem comprovação da origem dos recursos Quanto à validade das provas acostadas aos autos em relação aos contratos de aquisição de imóvel, cumpre destacar que a decisão judicial permitia a apreensão dos referidos contratos, ao dispor: "Permitese desde já, o compartilhamento com a Receita Federal, dos objetos apreendidos que contenham informações úteis na apuração de ilícitos fiscais" (fl. 99). Fl. 2278DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10920.000634/200981 Acórdão n.º 1202000.964 S1C2T2 Fl. 15 14 Esse é o caso dos contratos, que serviram para apurar a movimentação de recursos à margem da escrituração da recorrente. A recorrente alega que o negócio não se concretizou, porque houve demora no desmembramento do terreno. Por esta razão, a impugnante teria comprado outro terreno, agora de Egon e Nelci Dietrich, e estes teriam comprado o terreno do casal Mileller. Ocorre que não existe comprovação da desistência do referido negócio. Ao contrário. A alegação de atraso no desmembramento do terreno pode ser afastada pela simples consulta aos autos, já que, no contrato particular de compra e venda firmado com o casal Mileller, o objeto do negócio é a parcela de 50% de um terreno de 6.656 m2, registrado sob a matrícula 15.628, no Cartório de Registro de Imóveis e Hipotecas da Comarca de Ibirama (SC), a ser desmembrado pelos vendedores no prazo máximo de 150 dias, o que ocorreu em 11/07/2006, consoante informação do Registro de Imóveis da Comarca de Presidente Getúlio. Isso significa o desmembramento do terreno em poucos dias após a assinatura do referido contrato, o que descaracteriza a hipótese de atraso. Além disso, o contrato estabelecia multa de R$ 10.000,00 para os vendedores pela inobservância do pactuado, além da devolução em dobro do valor que tivessem recebido, caso o contrato não se concretizasse por culpa única dos vendedores. Assim, eventual desistência acarretaria o recebimento de pesada multa à recorrente, o que seria extremamente simples de se comprovar. Mas essa prova nunca chegou aos autos. Através de "Contrato de Permuta" (fls.402404), firmado em 13/06/2006, a recorrente permutou o terreno adquirido do casal Weller com outro terreno do casal Egon e Nelci Dietrich, tendo alegado à autoridade fiscal que o objetivo final das operações era adquirir o terreno do casal Dietrich, que ficava ao lado da unidade industrial de sua propriedade naquela cidade. Foi concedido um prazo de 18 meses contados da assinatura do contrato, "para a desocupação total do imóvel matriculado sob o n° 8.576, podendo estes [casal Dietrich] utilizarem a casa edificada no imóvel, bem como o galpão onde encontrase instalada a confecção, até o muro atrás do galpão", conforme o parágrafo único da cláusula quarta, o que demonstra a falta de pressa na desocupação do imóvel, ao contrário do alegado pela recorrente. Assim, como não ficou comprovado o cancelamento dos referidos contratos, prevalecem as datas e pagamentos apurados pela autoridade fiscal, devendo ser mantida a autuação. Da dedução da CSLL, PIS e COFINS da base de cálculo do IRPJ A recorrente ainda pleiteia a dedução de PIS e Cofins na apuração da matéria tributável de IRPJ e CSLL, invocando o art. 41 da Lei n° 8.981/95, que tem a seguinte redação: Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutiveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 1° 0 disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos lia IV do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial. De fato, a CSLL e as contribuições para o PIS e a Cofins são, em regra, dedutíveis na apuração do lucro real, conforme previsto no caput do dispositivo supra Fl. 2279DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10920.000634/200981 Acórdão n.º 1202000.964 S1C2T2 Fl. 16 15 transcrito, mas não poderão ser deduzidas quando estiverem com a exigibilidade suspensa, consoante a exceção prevista no §1º do mesmo dispositivo legal. Como a exigibilidade dos tributos e contribuições discutidos nos presentes autos encontrase suspensa, em razão do próprio recurso voluntário, a teor do art. 151, inciso III, do CTN, a pretensão da recorrente não se justifica. Negase provimento nessa parte. Da multa isolada A recorrente alega que a multa isolada sobre a falta de recolhimento de estimativa não poderia ser exigida após o fim do período anual, quando já se conhece o lucro real; e que não poderia haver a exigência de multa isolada e multa de oficio de 75% exigida juntamente com o tributo, sob pena de haver cumulação de penalidades em decorrência do mesmo fato jurídico. Sem razão, como se demonstrará. Nos casos de ausência de recolhimento das estimativas mensais, a Lei nº 9.430/96, art. 44, prevê a incidência de multa isolada sobre o valor apurado no mês. A alíquota de 50%, prevista na nova redação dada pela Medida Provisória 351, de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15/06/2007, aplicase retroativamente por inserir uma penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos seguintes termos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:[...] II – de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal:[...] b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Enquanto isso, a multa de ofício de 75% é prevista no inciso I do mesmo artigo, consoante redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, como se verificou no caso concreto. A tese alegada pela recorrente, de que não incide multa isolada por falta de recolhimento de estimativas concomitantemente com a apuração de multa de ofício sobre o tributo apurado ao final do ano calendário, embora adotada por boa parte dos membros deste Conselho, data venia, não merece ser reconhecida. Respeitando as opiniões em contrário, entendese que a legislação é expressa. Sendo a opção pela sistemática das estimativas mensais concedida ao contribuinte como uma faculdade pela Lei nº 9.430/96, em seu art. 2º, uma vez optante, ele estará sujeito às regras daquela sistemática. A sistemática de recolhimento por estimativas, de caráter facultativo, não tem o condão de equiparar os recolhimentos com uma antecipação do tributo, já que o fato gerador do imposto e da contribuição social apurado anualmente, de natureza complexiva, apenas irá se configurar em 31 de dezembro do anocalendário em referência. Fl. 2280DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10920.000634/200981 Acórdão n.º 1202000.964 S1C2T2 Fl. 17 16 O legislador instituiu a opção como alternativa à regra de apuração trimestral, mas estipulou que esta traz consequências, na medida em que a falta de recolhimento representa um ato ilícito, caracterizado pelo descumprimento de um dever. Assim, a falta de recolhimento gera uma infração específica. Pretender equiparar as bases de cálculo da multa isolada e da multa de ofício não parece conforme ao sentido da lei. Ora, são distintos tributo e multa pela sua própria natureza jurídica. Enquanto um decorre de ato lícito – fato gerador –, o outro decorre da realização de um ato ilícito, comissivo ou omissivo, como é o caso em análise. Da mesma forma, distinguese a multa isolada, esta devida nos casos em que for detectada a falta de recolhimento do tributo estimado a cada mês, da multa de ofício incidente sobre o montante do tributo calculado após o encerramento do período de apuração. Entendo que não há que se confundir a base de cálculo da multa isolada e a base de cálculo de eventual multa de ofício, já que, em caso de opção pela sistemática das estimativas, o tributo não é apurado trimestralmente, mas anualmente, e a base de cálculo da multa isolada é a estimativa mensal calculada a partir da receita bruta. A multa de ofício, por sua vez, incide sobre o imposto ou contribuição efetivamente devidos ao final do período de apuração. Nesse sentido, a nova redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, ao art. 44 da Lei nº 9.430/96, que alterou o percentual da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas, de 75% para 50%, veio apenas reforçar essa distinção. Ademais, a legislação possibilita o não recolhimento de antecipação, desde que apresentado o balancete mensal que comprove que as antecipações recolhidas superam o valor do tributo até aquele momento apurado, o que não implica dizer que a multa isolada prevista no art. 44, inciso II, alínea “b” da Lei nº 9.430/96 não é devida após o encerramento do período. A determinação legal é clara nesse sentido, ao reafirmar que a multa é devida “ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente”. Em outras palavras, a regra é clara: o descumprimento do dever de antecipação deve ser sancionado na forma da lei, independentemente do valor do imposto ou contribuição calculada ao final do exercício, ou mesmo da existência de prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa. Fica ressalvada, apenas, a hipótese de apresentação de balancetes de suspensão ou redução que demonstrem que o valor pago já seria maior do que o devido, o que não se verificou no presente caso. Ademais, para acolher a tese da recorrente, seria necessário afastar regra legal expressa, o que não se inclui na função de julgamento na esfera administrativa, pela impossibilidade de manifestação sobre eventual inconstitucionalidade da legislação tributária, consoante a regra prevista no art. 26A do Decreto nº 70.235,de 6.03.1972, com a redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941, de 27.05.2009, e reproduzida no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22.06.2009. Nesse sentido, o julgamento da ilegalidade de uma norma sob o argumento de desproporcionalidade necessariamente atrai a apreciação de sua compatibilidade com o texto Fl. 2281DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10920.000634/200981 Acórdão n.º 1202000.964 S1C2T2 Fl. 18 17 constitucional, fazendo incidir, na hipótese, o teor da Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Da multa de ofício de 150% Quanto à multa qualificada, a recorrente alega (I) que a fiscalização não demonstrou a ocorrência de sonegação, de modo não caberia a multa de 150%; (II) que a multa de oficio é desproporcional à suposta falta cometida e viola o patrimônio do contribuinte, infringindo dispositivos constitucionais e (III) que a progressividade da multa no tempo viola o princípio da ampla defesa. Para analisar os argumentos da recorrente sobre a inconstitucionalidade da multa (itens II e III, retro), o julgador deve, necessariamente, averiguar a constitucionalidade ou não da legislação tributária. Ocorre que isso é prerrogativa do Poder Judiciário, visto que questões constitucionais não podem ser apreciadas no âmbito administrativo, salvo raras exceções, nos termos do art. 62 do Anexo II da Portaria MF nº 259, de 22/06/2009 (RICARF), que dispõe: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Acrescentese, ainda, o teor da súmula CARF nº 2 (“O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”), de observância obrigatória pelo colegiado, por força de norma regimental (art. 72 do RICARF). Em relação ao primeiro ponto da defesa (item I), a alegação de que não ficou demonstrada a ocorrência de sonegação fiscal esbarra nas evidências constantes dos autos. Como visto anteriormente, restou substancialmente caracterizada nos autos a infração de omissão de receitas com a utilização de contas movimentadas em instituição financeira clandestina, e por meio de pagamentos não contabilizados, cuja origem não foi esclarecida, a qual, por si só, evidencia a natureza fraudulenta da mesma, dada a impossibilidade de se afastar do dolo na conduta. Ademais, a reiteração da conduta, durante vários anoscalendário, afasta por completo a ocorrência de “simples” omissão de que trata a súmula CARF nº 14. Fl. 2282DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10920.000634/200981 Acórdão n.º 1202000.964 S1C2T2 Fl. 19 18 Desse modo, caracterizouse, em tese, o crime de sonegação de que trata o inciso I, do art. 71, da Lei n° 4.502/64: Art. 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Diante disso, mantémse a qualificação da multa de ofício. Dos lançamentos reflexos Aplicamse aos lançamentos reflexos de CSLL, PIS e COFINS as mesmas conclusões sobre o IRPJ, em função da estrita relação de causa e efeito entre eles. Dispositivo Em face do exposto, são rejeitadas as preliminares de nulidade da decisão recorrida e das provas emprestadas, de decadência e, no mérito, negase provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 2283DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
score : 1.0
Numero do processo: 10920.000375/2010-21
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005, 01/12/2006 a 31/12/2006, 01/12/2007 a 31/12/2007, 01/12/2008 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. SUBSÍDIO PARA FUTURA AÇÃO JUDICIAL. PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. POSSIBILIDADE DE PARTICIPAÇÃO DOS ADMINISTRADORES. INEXISTÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. OBSERVÂNCIA DA LEI MAIS BENÉFICA.
A participação nos lucros e resultados da empresa relativa aos administradores enquadra-se nas hipóteses previstas pela Lei nº. 8.212/91 referentes às parcelas não integrantes do salário de contribuição, quando observados os requisitos legais relativos à constituição do Programa de Participação nos Lucros ou Resultados - PLR, previstos na Lei nº. 10.101/2000.
Os relatórios de vínculos é parte integrante dos processos de lançamento e se destina a esclarecer a composição societária da empresa no período do débito, a fim de subsidiar futuras ações judiciais. Esse relatório não tem o condão de atribuir responsabilidade pessoal.
As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei nº. 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº. 9.430/1996, se mais benéfica ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-002.325
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, para aplicar a multa prevista no artigo 35, da Lei 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei 11.941/09, se mais benéfica ao contribuinte. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra, quanto à multa. Declarou-se impedido/suspeito de votar o Conselheiro Gustavo Vettorato.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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RELATÓRIO DE VÍNCULOS. SUBSÍDIO PARA FUTURA AÇÃO JUDICIAL. PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. POSSIBILIDADE DE PARTICIPAÇÃO DOS ADMINISTRADORES. INEXISTÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. OBSERVÂNCIA DA LEI MAIS BENÉFICA. A participação nos lucros e resultados da empresa relativa aos administradores enquadrase nas hipóteses previstas pela Lei nº. 8.212/91 referentes às parcelas não integrantes do salário de contribuição, quando observados os requisitos legais relativos à constituição do Programa de Participação nos Lucros ou Resultados PLR, previstos na Lei nº. 10.101/2000. Os relatórios de vínculos é parte integrante dos processos de lançamento e se destina a esclarecer a composição societária da empresa no período do débito, a fim de subsidiar futuras ações judiciais. Esse relatório não tem o condão de atribuir responsabilidade pessoal. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei nº. 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº. 9.430/1996, se mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 03 75 /2 01 0- 21 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.000375/201021 Acórdão n.º 2803002.325 S2TE03 Fl. 115 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, para aplicar a multa prevista no artigo 35, da Lei 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei 11.941/09, se mais benéfica ao contribuinte. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra, quanto à multa. Declarouse impedido/suspeito de votar o Conselheiro Gustavo Vettorato. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.000375/201021 Acórdão n.º 2803002.325 S2TE03 Fl. 116 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela COMPANHIA FABRIL LEPPER em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada. 2. Conforme consta do Relatório Fiscal (fls. 17/24), os valores lançados referemse às contribuições sociais previdenciárias de responsabilidade da empresa sobre pagamentos ou créditos de participações nos lucros (gratificações) efetuados em favor de dirigentes eleitos da companhia (contribuintes individuais). 3. O auditor fiscal, para a autuação, utilizouse dos seguintes argumentos (fl. 18): “O pagamento ou crédito de participação nos lucros de administradores, regida pela Lei n°. 6.404/76, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias em qualquer caso, por falta de previsão legal de não incidência. 9. Tais dispêndios, para fins previdenciários, não se confundem e nem se revestem das características jurídicas que qualificam a Participação nos Lucros atribuída a empregados, regulada na Lei n° 10.101, de 19 de dezembro de 2000. 10. A não incidência prevista na legislação (Lei n°. 8.212/91, art. 28, §9 0, j) é aplicável unicamente As participações dos empregados, quando distribuídas em conformidade com a Lei no 10.101/2000. 11. Com efeito, a Constituição Federal (artigo 70, XI) assegura a participação nos lucros ou resultados como direito dos trabalhadores, porém remete à observância da lei. Essa, por sua vez, especifica o conceito de trabalhadores restringindoo aos empregados, nos seguintes termos: "Art. 2° A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados (...).” 4. O acórdão (fl. 79) exarado em primeira instância restou ementado nos termos que passo a transcrever abaixo: “PARTICIPAÇÃO NO LUCRO. ADMINISTRADOR. SOCIEDADE ANÔNIMA. A participação dos membros do conselho de administração e da diretoria no lucro de companhia, prevista na Lei nº 6.404/1976, sofre a incidência de contribuições sociais previdenciárias por caracterizar contraprestação aos serviços prestados. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2008 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.000375/201021 Acórdão n.º 2803002.325 S2TE03 Fl. 117 4 RELATÓRIO DE VÍNCULOS. A mera inclusão do nome de pessoas físicas ligadas à Autuada pessoa jurídica no relatório de vínculos que integra o auto de infração visa apenas fornecer subsídios à Procuradoria da Fazenda Nacional, para que esta, caso seja necessário, pleiteie judicialmente o redirecionamento de eventual execução forçada do crédito tributário. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade de atos legais regularmente editados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” 5. Buscando reverter o lançamento, a contribuinte apresentou recurso voluntário aduzindo em síntese: a) argumenta que a autuação atribui de forma indevida a responsabilidade tributária às pessoas físicas constantes do relatório de vínculos; b) afirma que a regra vigente na legislação aplicável é de que não há incidência de contribuições previdenciárias na participação nos lucros, tanto no que se refere aos lucros distribuídos aos acionistas da empresa, bem como nos valores pagos aos administradores a título de participação nos lucros, posto que a participação não possui natureza de retribuição pela prestação de trabalho ou equiparada; c) aduz que os diretores são empregados, eleitos pelo Conselho de Administração, conforme previsão no estatuto Social, Administradores da recorrente, são pessoas físicas, qualificados como empresários/contribuintes individuais, que recebem remuneração mensal (salário de contribuição), seja em pecúnia (prólabore) seja em utilidades, destinada tão somente a retribuir o trabalho prestado; c) a participação nos lucros não constitui fato gerador da contribuição previdenciária, visto que não está abrangido pelo salário de contribuição. 6. Sem apresentação de contrarrazões, os autos foram enviados para a apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.000375/201021 Acórdão n.º 2803002.325 S2TE03 Fl. 118 5 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DO RELATÓRIO DE VÍNCULOS 2. A recorrente aduz que a autuação atribui de forma indevida a responsabilidade tributária às pessoas físicas constantes do relatório de vínculos. Portanto, devem ser excluídas da presente autuação, todas as pessoas físicas, diretores e presidentes, em face de não possuírem responsabilidade tributária perante os lançamentos efetuados neste auto. 3. Cumpre esclarecer que o relatório em discussão, anexado aos autos (f. 09), não tem como escopo incluir os sócios da empresa no polo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa, pois o chamamento dos responsáveis só ocorre em fase de execução fiscal. 4. De modo que, a responsabilização dos sócios somente ocorrerá por ordem judicial, nas hipóteses estabelecidas na lei, com respeito ao devido processo legal. O débito foi lançado somente contra a pessoa jurídica e, neste momento, os sócios não sofreram restrições em seus direitos. Assim, esta discussão é inócua na esfera administrativa. 5. Além disso, o relatório de vínculos é utilizado como instrumento de informação, a fim de discriminar a composição societária da empresa no período do lançamento ou autuação, relacionando todas as pessoas físicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. 6. Fundamentando o exposto, citase o art. 660 da Instrução Normativa SRP nº. 03 de 14/07/2005, que determina a inclusão do referido relatório nos processos administrativos fiscais: “Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativo fiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: (...) X – Relação de CoResponsáveis CORESP, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; Fl. 118DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.000375/201021 Acórdão n.º 2803002.325 S2TE03 Fl. 119 6 XI – Relação de Vínculos, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; (...)” “Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa”. 7. Pelo exposto, nesta parte, não assiste razão ao contribuinte. DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS 8. Sobre a participação nos lucros, alega a recorrente que a regra vigente na legislação aplicável é de que não há incidência de contribuições previdenciárias na participação nos lucros, tanto no que se refere aos lucros distribuídos aos acionistas da empresa, bem como nos valores pagos aos administradores a título de participação nos lucros, posto que a participação não possui natureza de retribuição pela prestação de trabalho ou equiparada, não sendo, portanto considerada salário de contribuição. 9. A fiscalização dispôs que a participação de administradores não pode ser confundida com a distribuição de lucros ou dividendos a detentores do capital social e que esta distribuição disciplinada pelos arts. 201 e 202 da Lei nº. 6.404/76 deverá obedecer a legislação para ser considerada como não incidente de contribuição previdenciária. 10. Contudo, tal entendimento não merece prosperar, pois a legislação vigente faz expressa menção da hipótese em que não ocorre incidência sobre as parcelas pagas a título de participação nos lucros ou resultados, conforme se depreende da transcrição abaixo: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica.” 11. Com a análise do instituto, verificase que deve ser dada interpretação de modo a examinar o diploma legislativo específico. 12. Dessa forma, apenas na ausência de diploma legislativo específico é que se poderia afirmar que a participação em resultados relativa aos administradores da empresa seria integrante do salário de contribuição e passível de incidência de contribuição previdenciária. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.000375/201021 Acórdão n.º 2803002.325 S2TE03 Fl. 120 7 13. Contudo, a Lei nº. 6.404, Lei das Sociedades por Ações prevê expressamente participação dos administradores nos lucros remanescentes da empresa, conforme se depreende dos artigos 190 e 201 da referida Lei, a seguir transcritos: Art. 190. As participações estatutárias de empregados, administradores e partes beneficiárias serão determinadas, sucessivamente e nessa ordem, com base nos lucros que remanescerem depois de deduzida a participação anteriormente calculada. Parágrafo único. Aplicase ao pagamento das participações dos administradores e das partes beneficiárias o disposto nos parágrafos do artigo 201. Art. 201. A companhia somente pode pagar dividendos à conta de lucro líquido do exercício, de lucros acumulados e de reserva de lucros; e à conta de reserva de capital, no caso das ações preferenciais de que trata o § 5º do artigo 17. 14. Diante do exposto, ao contrário do que entendeu a fiscalização, podese afirmar que a participação nos lucros e resultados da empresa relativa aos diretores não empregados enquadrase nas hipóteses previstas pela Lei nº. 8.212/91 referentes às parcelas não integrantes do salário de contribuição, sendo indevida, portanto, a incidência de contribuição previdenciária, desde que observados os requisitos legais relativos à constituição do Programa de Participação nos Lucros ou Resultados PLR. 15. Passo a análise da validade da PLR estabelecida pela recorrente. 16. A legislação em vigor sobre o tema determina a existência de requisitos para a PLR, que corresponde à parcela não fixa da remuneração do trabalhador e guarda uma relação direta com o desempenho da empresa, diferentemente dos aumentos reais de salários. 17. A PLR depende de vários indicadores que definirão o valor final a ser pago àqueles que dela participam. Estes indicadores são, entre outros, o comportamento do lucro, a rentabilidade e a evolução do desempenho dos empregados. 18. Observase que a Lei nº. 10.101/2000 versa sobre a PLR dos empregados, apresentando os seguintes requisitos: “Art. 2º. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, Fl. 120DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.000375/201021 Acórdão n.º 2803002.325 S2TE03 Fl. 121 8 período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente.” 19. Pelo que se depreende dos autos, os pagamentos foram efetuados de acordo com a previsão estatutária, nos seguintes termos (fl. 34): “ARTIGO 10– Além dos honorários fixados pela assembléia geral, os diretores perceberão uma participação nos lucros, fixada em assembléia geral, observados os limites legais. Parágrafo único – a assembléia poderá fixar o valor da participação individual ou coletivamente, delegando, neste caso, ao diretor presidente, a distribuição da verba.” 20. Desse modo, não se vislumbra critério que ofereça qualquer estímulo para a atividade produtiva, que dependa dos resultados eventualmente alcançados ou da atividade desenvolvida, o que contraria os requisitos legalmente dispostos. 21. Portanto, como os dispositivos legais devem ser rigorosamente observados para que o contribuinte não tenha que recolher a contribuição previdenciária quando houver PLR instituído na empresa, não há que se falar, no caso sob análise, em ausência de fato gerador de obrigação principal, pois a PLR da recorrente não obedeceu aos critérios legalmente exigidos, sendo devida a incidência da contribuição previdenciária. DA MULTA APLICADA 22. Sobre a multa aplicada, cumpre ressaltar que, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº. 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº. 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. 23. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº. 8.212/1991 que assim dispõe: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” 24. E o supracitado art. 61, da Lei nº. 9.430/96, por sua vez, assevera que: Fl. 121DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.000375/201021 Acórdão n.º 2803002.325 S2TE03 Fl. 122 9 “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...). § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” 25. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº. 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. 26. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº. 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº. 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº. 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. CONCLUSÃO 27. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, darlhe provimento parcial, para aplicar a multa prevista no artigo 35, da Lei nº. 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei nº. 11.941/09, se mais benéfica ao contribuinte. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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Numero do processo: 10845.002587/2001-01
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. VALORES RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS DECLARADOS EQUIVOCADAMENTE COMO DE PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO LANÇAMENTO.
Tendo a contribuinte demonstrado o equívoco em sua Declaração, com documentação hábil e idônea, ao informar indevidamente valores recebidos de pessoas jurídicas como se de pessoas físicas fossem, impõe-se excluir da base de cálculo do crédito tributário apurado tais importâncias, já devidamente tributadas, sob pena de exigência fiscal em duplicidade.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.702
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo e Henrique Pinheiro Torres.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM: 20/06/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. VALORES RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS DECLARADOS EQUIVOCADAMENTE COMO DE PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO LANÇAMENTO. Tendo a contribuinte demonstrado o equívoco em sua Declaração, com documentação hábil e idônea, ao informar indevidamente valores recebidos de pessoas jurídicas como se de pessoas físicas fossem, impõese excluir da base de cálculo do crédito tributário apurado tais importâncias, já devidamente tributadas, sob pena de exigência fiscal em duplicidade. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo e Henrique Pinheiro Torres. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 25 87 /2 00 1- 01 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 20/06/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório MARA RUDGE, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente de omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, em relação ao exercício 2000, conforme peça inaugural do feito, às fls. 02/11, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao então Primeiro Conselho de Contribuintes contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Santa Maria/RS, consubstanciada no Acórdão nº 4.799/2005, às fls. 17/18, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 6a Câmara, em 07/08/2008, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 106 17.010, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Exercício: 2000 IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA Comprovado, pela Recorrente, o equívoco cometido em sua DIRPF na qual declarou como sendo pessoas físicas as fontes pagadoras que eram, na verdade, pessoas jurídicas não pode o lançamento prevalecer na sua integralidade. IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS APROVEITAMENTO DAS DEDUÇÕES Fl. 231DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10845.002587/200101 Acórdão n.º 9202002.702 CSRFT2 Fl. 8 3 Apurada omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, e restando devidamente comprovado que foi efetuada retenção na fonte do IRRF, bem como da contribuição previdenciária oficial, deve ser permitida a dedução dos respectivos valores da base de cálculo do imposto exigido. Recurso voluntário parcialmente provido.” Irresignada, a Procuradoria interpôs Recurso Especial, às fls. 186/192, com arrimo no artigo 7o, incido I, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado a legislação que contempla a matéria, mais precisamente o artigo 3o, § 1o, da Lei n° 7.713/1988, bem como os artigos 43 e 45 do Decreto n° 3.000/1999, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada à contrariedade à lei arguida. Assevera que a Câmara recorrida entendeu por bem afastar a tributação sobre os valores erroneamente declarados como rendimentos recebidos de pessoas físicas, enquanto o correto seria de pessoas jurídicas, ainda que não coincidentes as importâncias, sem que a contribuinte tenha apresentado nenhuma prova neste sentido, lastreando sua pretensão em meras alegações. Contrapõese ao decisum guerreado, aduzindo que nos autos não há conjunto probatório para demonstrar que o valor de R$ 26.199,29, quantia declarada como percebida de pessoa física, seria o montante considerado pela autuação como de pessoa jurídica, malferindo, portanto, o disposto no artigo 3°, § 1°, da Lei n° 7.713/1998. Acrescenta que a construção de acréscimo patrimonial se apresenta como procedimento utilizado pela fiscalização na constituição de créditos tributários, caracterizando se, ainda, como uma presunção legal relativa, levada a efeito a partir de elementos colhidos pela autoridade lançadora, só podendo ser afastada a omissão de rendimentos quando o contribuinte comprovar o contrário presumido com base em elementos de provas, uma vez que a presunção legal é do Fisco. Na hipótese dos autos, em que pese afirmar ter incorrido em erro no preenchimento da Declaração de Imposto de Renda, informando equivocadamente rendimentos recebidos de pessoas físicas, a contribuinte não se desincumbiu do ônus de comprovar o alegado, não podendo o julgador afastar a presunção legal do lançamento sem que repouse em prova contundente. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, a ilustre Presidente da então 6ª Câmara do 1o Conselho de Contribuintes, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Procuradoria, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido, em tese, contrariou a legislação tributária, conforme Despacho nº 106025/2009, às fls. 193/194. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Procuradoria, a contribuinte ofereceu suas contrarrazões, às fls. 198/202, corroborando os fundamentos de fato e de direito do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pela ilustre Presidente da então 6ª Câmara do 1o Conselho de Contribuintes a contrariedade à lei e às provas constantes dos autos, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, a contribuinte fora autuada, na parte objeto de contestação pela Procuradoria nesta assentada, em razão da constatação de omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, em relação ao exercício 2000, consoante peça inaugural do feito, às fls. 02/11. Por sua vez, a contribuinte vem alegando desde a impugnação que parte dos rendimentos tributados como de pessoas jurídicas foram declarados equivocadamente como se recebidos de pessoas físicas, entendimento que veio a ser rechaçado pela autoridade julgadora de primeira instância, diante da ausência de provas tendentes à revisão do lançamento. Em outra via, a Câmara recorrida achou por bem acolher em parte a pretensão da contribuinte, determinando a exclusão da base de cálculo do imposto relativo ao anocalendário de 1999 o valor de R$ 27.760,26, reconhecendo que a Recorrente não recebeu rendimentos pagos a pessoas físicas no montante por ela declarado. Incoformada, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência, suscitando que o Acórdão recorrido malferiu o disposto no artigo 3o, § 1o, da Lei n° 7.713/1988, bem como os artigos 43 e 45 do Decreto n° 3.000/1999, ao afastar a tributação sobre os valores erroneamente declarados como rendimentos recebidos de pessoas físicas, enquanto o correto seria de pessoas jurídicas, ainda que não coincidentes as importâncias, sem que a contribuinte tenha apresentado nenhuma prova neste sentido, lastreando sua pretensão em meras alegações. A fazer prevalecer seu entendimento, assevera inexistir nos autos conjunto probatório para demonstrar que o valor de R$ 26.199,29, quantia declarada como percebida de pessoa física, seria o montante considerado pela autuação como de pessoa jurídica, malferindo, portanto, o disposto no artigo 3°, § 1°, da Lei n° 7.713/1998. Alega que a construção de acréscimo patrimonial se apresenta como procedimento utilizado pela fiscalização na constituição de créditos tributários, caracterizando se, ainda, como uma presunção legal relativa, levada a efeito a partir de elementos colhidos pela autoridade lançadora, só podendo ser afastada a omissão de rendimentos quando o contribuinte comprovar o contrário presumido com base em elementos de provas, uma vez que a presunção legal é do Fisco. In casu, muito embora argumente ter incorrido em erro no preenchimento da Declaração de Imposto de Renda, informando equivocadamente rendimentos recebidos de Fl. 233DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10845.002587/200101 Acórdão n.º 9202002.702 CSRFT2 Fl. 9 5 pessoas físicas, a contribuinte não se desincumbiu do ônus de comprovar o alegado, não podendo o julgador afastar a presunção legal do lançamento sem que repouse em prova contundente. Não obstante as substanciosas razões de fato e de direito ofertadas pela Procuradoria da Fazenda Nacional em defesa do restabelecimento total da exigência fiscal, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar, senão vejamos. Com efeito, como restou muito bem delineado no Acórdão recorrido, a então 6a Câmara do 1o Conselho de Contribuintes analisou 03 (três) processos distintos da mesma contribuinte (10845.002515/0021, 10845.002514/0068, além do presente), reconhecendo a improcedência parcial do feito em todos os casos, consoante se infere do excerto do voto condutor do Acórdão n° 10614.452, da lavra do ilustre Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, de onde peço vênia para transcrever e adotar como razões de decidir, in verbis: “IRPF — RENDIMENTOS TRIBUTADOS EM DUPLICIDADE. Não se pode admitir dupla tributação sobre um único rendimento. No caso, deve prevalecer a omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, tal qual apontado pela autoridade lançadora, mas a parcela dos referidos valores, que equivocadamente foi oferecida à tributação na declaração de ajuste anual como rendimentos recebidos de pessoas físicas, não deve ser novamente tributada. IRPF — OMISSÃO DE RENDIMENTOS — APROVEITAMENTO DAS DEDUÇÕES. Tendo sido apurada omissão de rendimentos referente à determinada fonte pagadora, as eventuais deduções precisam ser aproveitadas para se determinar com exatidão a base de cálculo do tributo devido. Recurso provido. Voto [...] Verificase que a divergência entre a exigência fiscal e a pretensão da recorrente está relacionada apenas com os rendimentos recebidos de pessoas físicas, na medida em que a autoridade lançadora considerou o valor contido na DIRPF/98, de R$ 30.204,17, enquanto a contribuinte alega que recebeu apenas R$ 806,00. Em anexo ao recurso, às fls. 146, encontrase planilha que demonstra a composição do montante informado como rendimentos recebidos de pessoa física na declaração de ajuste anual do exercício 1998. Analisando os extratos de fls. 101102, constatase que a Secretaria da Receita Federal tem prova de que a autuada auferiu rendimentos de pessoas jurídicas no valor de R$ 74.053,99, sobre o qual não pairam dúvidas. Desde a impugnação apresentada a contribuinte alega ter informado, por equívoco, na declaração de rendimentos do ano Fl. 234DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 calendário 1997, como rendimentos recebidos de pessoas físicas valores recebidos de pessoas jurídicas. Informa que auferiu, de pessoas físicas, rendimentos de apenas R$ 806,00. Compulsando os autos chego à conclusão de que não há nenhuma prova que possa infirmar a alegação da recorrente, com relação aos rendimentos recebidos de pessoas físicas. Os documentos juntados às fls. 148210, ao contrário, apontam no sentido de que a contribuinte, de fato e equivocadamente, informou parte dos rendimentos recebidos de pessoa jurídica como sendo rendimentos recebidos de pessoas físicas. Sendo assim, a tributação relativa ao anocalendário 1997 deve levar em conta os seguintes valores: rendimentos recebidos de pessoas jurídicas de R$ 74.053,99; rendimentos recebidos de pessoas físicas de R$ 806,00; contribuição previdenciária oficial de R$ 3.311,74; e imposto de renda retido na fonte de R$ 3.395,43. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso nos termos acima especificados.” Foi precisamente o que ocorrera na hipótese dos autos, onde a contribuinte apresentou Declaração informando o valor de R$ 26.199,29, como rendimentos recebidos de pessoas físicas, e R$ 20.199,90 recebidos de pessoas jurídicas. Diante da autuação, os rendimentos recebidos de pessoas jurídicas foram reajustados para R$ 61.443,71, com IRRF para R$ 2.517,83, mantendose os rendimentos declarados como recebidos de pessoas físicas. Posteriormente, a contribuinte promoveu a Retificação de sua Declaração, incluindo os valores recebidos pela Prefeitura Municipal de Guarujá (R$ 13.770,46) e Sociedade Santamarense Beneficente do Guarujá (R$ 15.652,35), devidamente comprovados nos autos, às fls. 37 e 38, respectivamente. Inobstante a Declaração Retificadora não produzir qualquer efeito no presente lançamento, eis que apresentada posteriormente à notificação/autuação, mister reconhecer os valores comprovadamente recebidos de pessoas jurídicas (Prefeitura do Guarujá e Sociedade Santamarense Beneficente do Guarujá) e equivocadamente ofertados à tributação na Declaração original como se recebidos de pessoa física, sob pena de bin in idem. Observese, que o conjunto probatório constante dos autos oferece proteção ao pleito da contribuinte, o que, juntamente com a jurisprudência a respeito do tema, tem o condão de afastar a presunção legal edificada pela fiscalização, na linha do que restou decidido no Acórdão recorrido. Na esteira desse entendimento, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, na forma Fl. 235DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10845.002587/200101 Acórdão n.º 9202002.702 CSRFT2 Fl. 10 7 decidida pela então 6a Câmara do 1o Conselho de Contribuintes, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 236DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10860.905026/2009-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007
PROVA DO INDÉBITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. DESCUMPRIMENTO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CABIMENTO.
No âmbito do procedimento de compensação, o ônus da prova do indébito tributário recai sobre o declarante que, se não exercido ou exercido inadequadamente, implica não homologação da compensação declarada, por ausência de comprovação do crédito utilizado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.915
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007 PROVA DO INDÉBITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. DESCUMPRIMENTO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CABIMENTO. No âmbito do procedimento de compensação, o ônus da prova do indébito tributário recai sobre o declarante que, se não exercido ou exercido inadequadamente, implica não homologação da compensação declarada, por ausência de comprovação do crédito utilizado. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. CABIMENTO. A não comprovação da existência do crédito utilizado na compensação constitui motivo suficiente para a não homologação do respectivo procedimento compensatório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007 PROVA DO INDÉBITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. DESCUMPRIMENTO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CABIMENTO. No âmbito do procedimento de compensação, o ônus da prova do indébito tributário recai sobre o declarante que, se não exercido ou exercido inadequadamente, implica não homologação da compensação declarada, por ausência de comprovação do crédito utilizado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 50 26 /2 00 9- 16 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 2 Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DComp) eletrônica, transmitida em 15/2/2008, em que informada a compensação da parcela indevida do pagamento da Cofins do mês de julho de 2007, no valor de R$ 21.372,09, com débito do IPI do mês de janeiro de 2008. Por intermédio do Despacho Decisório eletrônico de fl. 7, em razão da inexistência de crédito disponível, a compensação não foi homologada, sob o argumento de que, embora localizado na base dados, o pagamento informado havia sido integralmente utilizado na quitação do débito da Cofins do mês de julho de 2007, no valor de R$ 34.526,91. Em sede de manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou que: a) o direito creditório compensado referiase ao pagamento maior que o devido da Cofins, calculada sobre o valor do ICMS, que não integrava a base de cálculo da referida Contribuição, pois não se representava faturamento, mas mero ingresso financeiro, repassado ao Fisco Estadual; e b) a matéria encontravase em regime de repercussão geral no STF, aguardando o julgamento da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 18. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, a 8ª Turma de Julgamento da DRJ em Capinas/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por falta de comprovação do crédito compensado, com base nos seguintes argumentos: a) estava correto o despacho decisório que não homologara a compensação declarada pelo contribuinte, por insuficiência de crédito; b) o reconhecimento do direito creditório aproveitado em DComp não homologada necessitava da prova de sua existência e do montante, o que não feito pela manifestante, que não carreara aos autos o conjunto probatório que possibilitasse a verificação da existência do alegado pagamento indevido ou a maior que o devido; c) as autoridades administrativas eram incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade da legislação tributária vigente no País; e d) o valor do ICMS integrava a base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, portanto, era inexistente o direito creditório compensado. Em 23/7/2012, a recorrente foi cientificada da referida decisão. Em 20/8/2012, apresentou o Recurso Voluntário de fls. 63/71, no qual reafirmou os argumentos de defesa suscitados na fase de manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Fl. 92DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10860.905026/200916 Acórdão n.º 3102001.915 S3C1T2 Fl. 21 3 Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia cingese à comprovação do direito creditório utilizado na DComp de fls. 2/6. A recorrente alegou que crédito compensado era proveniente do pagamento maior que do devido da Cofins do mês de julho de 2007, calculada sobre o valor do ICMS incluído na base de cálculo da referida Contribuição, porém, não apresentou nenhum documento fiscal ou contábil que comprovasse o alegado. No âmbito do procedimento de compensação, realizado pelo contribuinte, este tem o ônus de provar que o crédito utilizado atende os requisitos da certeza e liquidez, conforme exige o art. 170 do CTN, e que, na data da entrega da referida Declaração, o crédito era passível de restituição ou ressarcimento, nos termos do caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Nesse sentido, quando originário de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, além do cumprimento dos requisitos formais determinados na legislação específica, o contribuinte deve comprovar, com documentação adequada, que o alegado indébito é decorrente de alguma das causas especificadas nos incisos I a III do art. 165 do CTN. Em conformidade os referidos preceitos legais, determina o inciso III do art. 161 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), combinado com o § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, que, desde a fase de manifestação de inconformidade, a recorrente tinha o ônus/dever de provar o alegado indébito, mediante apresentação de documentação contábil e fiscal adequada, e assim refutar o fato da inexistência do crédito suscitado na decisão não homologatória da compensação e comprovado nos autos. Segundo a recorrente, a origem do crédito utilizado teve origem no suposto pagamento a maior que o devido da Cofins, que prescinde de comprovação com documentos contábeis e fiscais adequados, previstos na legislação tributária, o que não ocorreu no caso em tela. Não se pode olvidar, ademais, que, em conformidade com o disposto no art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), que se aplica subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, a prova compete a quem alega o direito reivindicado, por conseguinte, quando o fato é alegado pelo contribuinte, caso do crédito tributário utilizado na compensação de em apreço, a ele compete provar o alegado, com prova adequada. Na ausência de comprovação do fato alegado, consequentemente, a análise da questão jurídica suscitada pela recorrente, atinente à exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins fica prejudicada. 1 "Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; [...]" Fl. 93DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 4 Dessa forma, demonstrada a falta de comprovação da existência do crédito utilizado na compensação em apreço, condição suficiente para o deslinde da contenda, em decorrência, deve ser mantida a não homologação da compensação em apreço. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 94DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO
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Numero do processo: 10166.013657/2009-44
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
Os rendimentos tributáveis recebidos pelos dependentes devem ser somados aos rendimentos do contribuinte para efeito de tributação na declaração de ajuste anual.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.056
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Ewan Teles Aguiar.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 Os rendimentos tributáveis recebidos pelos dependentes devem ser somados aos rendimentos do contribuinte para efeito de tributação na declaração de ajuste anual. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Ewan Teles Aguiar. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1750; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 68 1 67 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.013657/200944 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801003.056 – 1ª Turma Especial Sessão de 18 de junho de 2013 Matéria IRPF Recorrente MARIA APARECIDA GUIMARÃES SANTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 Os rendimentos tributáveis recebidos pelos dependentes devem ser somados aos rendimentos do contribuinte para efeito de tributação na declaração de ajuste anual. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Ewan Teles Aguiar. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o “Relatório” da decisão de 1ª instância (fl. 53 deste processo digital), reproduzido a seguir: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 01 36 57 /2 00 9- 44 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10166.013657/200944 Acórdão n.º 2801003.056 S2TE01 Fl. 69 2 Contra a contribuinte qualificada foi emitida a Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF, referente ao exercício 2008, na qual foi apurado os seguintes valores (em Reais): (1) Imposto a Restituir apurado na Declaração Após a Revisão 2.546,45 (2) Imposto já Restituído 0,00 (3) Saldo de Imposto a Restituir Ajustado (12) 2.546,45 O referido lançamento teve origem na constatação das seguintes infrações: Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Fonte Pagadora: Lenildo Lourenço dos Santos ME. Valor: R$ 12.173,05. Omissão de rendimentos relacionada aos dependentes; Dedução Indevida de Incentivo glosa de dedução indevida de incentivo, pleiteada indevidamente na Declaração de Imposto de Renda. Valor: 930,00; A base legal do lançamento encontrase nos autos. A contribuinte teve ciência do lançamento em 12/11/09, conforme documento de fl. 50 e, em 09/12/09, apresentou impugnação, em petição de fls. 0203 acompanhada dos documentos de fls. 0433, alegando, resumidamente, o que se segue: requer que sejam excluídas as suas filhas Jackeline e Jamila Guimarães Santos da relação de dependência, bem como os respectivos pagamentos das despesas com instrução e os rendimentos tributáveis considerados omitidos; que não declarou a contribuição previdenciária paga à empregada doméstica e despesas com instrução própria, conforme documentos anexados. Ao final, requer a exclusão das dependentes e das respectivas deduções das despesas com instrução, bem como a exclusão dos rendimentos tributáveis e a inclusão das deduções de despesas com instrução própria e de contribuição previdenciária pagas pelo empregador doméstico, para devolver o imposto a restituir de R$ 5.583,11, conforme Declaração simulada em anexo. A impugnação apresentada foi julgada improcedente, nos termos da ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2008 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEDUÇÃO DE INCENTIVO. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10166.013657/200944 Acórdão n.º 2801003.056 S2TE01 Fl. 70 3 Considerase não impugnada, portanto não litigiosa, a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE DEPENDENTES. TRIBUTAÇÃO. Os rendimentos tributáveis recebidos pelos dependentes devem ser somados aos rendimentos do contribuinte para efeito de tributação na declaração de ajuste anual. Cientificado da decisão de primeira instância em 26/01/2012 (fl. 60), a Interessada interpôs, em 24/02/2012, o recurso de fls. 61/63. Na peça recursal requer sejam desconsiderados, em sua declaração de ajuste anual, a dependência das filhas Jackeline Guimarães Santos e Jamila Guimarães Santos e as despesas com instrução das mesmas, além da exclusão da base de cálculo do imposto dos rendimentos tributáveis por elas recebidos. Obtempera que deixou de declarar a contribuição previdenciária paga à empregada doméstica e despesas com instrução própria, conforme documentos que anexa, e pleiteia que tais despesas sejam acrescidas em sua declaração. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presente os requisitos de admissibilidade. Na declaração apresentada para o exercício de 2008, anocalendário 2007 (fls. 41/44 deste processo digital), a Recorrente incluiu, entre seus dependentes, as filhas Jackeline Guimarães Santos e Jamila Guimarães Santos. A Autoridade lançadora, à vista das DIRF apresentadas por Lenildo Lourenço dos Santos ME (fls. 10/11), apurou omissão de rendimentos recebidos pelas referidas dependentes nos valores, respectivamente, de R$ 6.433,01 e R$ 5.740,04, e lavrou a presente Notificação de Lançamento. Pleiteia a Interessada, agora, a exclusão das dependentes e dos rendimentos omitidos na declaração, bem como das despesas com instrução das filhas. Observo, por oportuno, que a inclusão de dependentes na Declaração de Ajuste Anual é uma faculdade do contribuinte, que, se exercida, implica na obrigatoriedade de se declarar os rendimentos por eles recebidos. Na espécie, a Recorrente deveria ter observado o que dispõe a legislação tributária a respeito da matéria. Em consonância com o § 8º do art. 38 da Instrução Normativa SRF nº 15, de 6 de fevereiro de 2001: Art. 38.Podem ser considerados dependentes: (...) Fl. 70DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10166.013657/200944 Acórdão n.º 2801003.056 S2TE01 Fl. 71 4 III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; (...) § 8º Os rendimentos tributáveis recebidos pelos dependentes devem ser somados aos rendimentos do contribuinte para efeito de tributação na declaração. Assim, optando a Recorrente por incluir as filhas na declaração de ajuste anual, deveria também ter lançado, na mesma declaração, os rendimentos por elas percebidos. Em relação às supostas despesas não declaradas, adiro às razões expostas na decisão de piso, no sentido de que: a) os comprovantes de recolhimentos de contribuições previdenciárias, acostados aos autos em fls. 31/33 deste processo digital, referemse ao anocalendário de 2006, exercício 2007, sendo descabida a pretensão da Interessada de deduzir tais despesas na declaração do anocalendário de 2007, exercício de 2008; e b) os documentos juntados aos autos às fls. 15/30 deste processo digital não comprovam o pagamento de despesas com instrução da Recorrente. Os comprovantes bancários apresentados evidenciam apenas o agendamento de pagamento de títulos, conforme noticiado nos próprios documentos, a ver: PAGAMENTO AGENDADO. A QUITAÇÃO EFETIVA DESSE DÉBITO DEPENDERÁ DA EXISTÊNCIA DE SALDO NA SUA CONTA CORRENTE ÀS 21HS DA DATA ESCOLHIDA PARA PAGAMENTO. O COMPROVANTE DEFINITIVO SOMENTE SERÁ EMITIDO APÓS A QUITAÇÃO. Face ao exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos Almeida Fl. 71DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 13864.000450/2007-69
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/2002
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou
inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo,
portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
ALIMENTAÇÃO SEM PAT PAGO EM ESPÉCIE
A Cesta básica e refeições não incluídas no PAT (Programa de Alimentação
do Trabalhador), instituído pela Lei 6.321/76 e recebidos em espécie pelos
segurados empregados da empresa, integra o salário de contribuição nos
termos do art. 28, inciso I, c/c o parágrafo 9º, alínea “c” da Lei 8.212/91.
VALE-TRANSPORTE
PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal decidiu, nos autos do Recurso Extraordinário n°
478.410/SP, em março 2010, que não constitui base de cálculo de
contribuição previdenciária o valor pago em pecúnia ao empregado a titulo de
vale-transporte.
GLOSA DE SALÁRIO-FAMÍLIA
Os valores de salário-família
pagos indevidamente pelo contribuinte devem
ser objeto de glosa pela fiscalização, nos termos do art. 65 da Lei 8.213/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-001.418
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para: I - declarar
a decadência do crédito fiscal para o período de 01/1997 a 07/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4o, do CTN; II – excluir o credito fiscal
para o Levantamento VT2 (Vale-transporte
1999/2002) competências: 08/2002 a 12/2002; III –
manter o crédito fiscal para o Levantamento CB2 (Cesta Básica e Refeições 1999/2002)
competências: 08/2002 a 12/2002, e Levantamento GL2 (Glosa de salário-família
de
1999/2002) competências: 08/2002 a 12/2002.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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ementa_s : ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/2002 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. ALIMENTAÇÃO SEM PAT PAGO EM ESPÉCIE A Cesta básica e refeições não incluídas no PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador), instituído pela Lei 6.321/76 e recebidos em espécie pelos segurados empregados da empresa, integra o salário de contribuição nos termos do art. 28, inciso I, c/c o parágrafo 9º, alínea “c” da Lei 8.212/91. VALE-TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal decidiu, nos autos do Recurso Extraordinário n° 478.410/SP, em março 2010, que não constitui base de cálculo de contribuição previdenciária o valor pago em pecúnia ao empregado a titulo de vale-transporte. GLOSA DE SALÁRIO-FAMÍLIA Os valores de salário-família pagos indevidamente pelo contribuinte devem ser objeto de glosa pela fiscalização, nos termos do art. 65 da Lei 8.213/91. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: I - declarar a decadência do crédito fiscal para o período de 01/1997 a 07/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4o, do CTN; II – excluir o credito fiscal para o Levantamento VT2 (Vale-transporte 1999/2002) competências: 08/2002 a 12/2002; III – manter o crédito fiscal para o Levantamento CB2 (Cesta Básica e Refeições 1999/2002) competências: 08/2002 a 12/2002, e Levantamento GL2 (Glosa de salário-família de 1999/2002) competências: 08/2002 a 12/2002.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2058; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 285 1 284 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13864.000450/200769 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 280301.418 – 3ª Turma Especial Sessão de 13 de março de 2012 Matéria SALÁRIO INDIRETO: CESTA BÁSICA. VALE TRANSPORTE EM PECÚNIA. Recorrente SEGPAV SERVIÇOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/2002 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. ALIMENTAÇÃO SEM PAT PAGO EM ESPÉCIE A Cesta básica e refeições não incluídas no PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador), instituído pela Lei 6.321/76 e recebidos em espécie pelos segurados empregados da empresa, integra o salário de contribuição nos termos do art. 28, inciso I, c/c o parágrafo 9º, alínea “c” da Lei 8.212/91. VALETRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal decidiu, nos autos do Recurso Extraordinário n° 478.410/SP, em março 2010, que não constitui base de cálculo de contribuição previdenciária o valor pago em pecúnia ao empregado a titulo de valetransporte. GLOSA DE SALÁRIOFAMÍLIA Os valores de saláriofamília pagos indevidamente pelo contribuinte devem ser objeto de glosa pela fiscalização, nos termos do art. 65 da Lei 8.213/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: I declarar a decadência do crédito fiscal para o período de Fl. 1DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13864.000450/200769 Acórdão n.º 280301.418 S2TE03 Fl. 286 2 01/1997 a 07/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4o, do CTN; II – excluir o credito fiscal para o Levantamento VT2 (Valetransporte 1999/2002) competências: 08/2002 a 12/2002; III – manter o crédito fiscal para o Levantamento CB2 (Cesta Básica e Refeições 1999/2002) competências: 08/2002 a 12/2002, e Levantamento GL2 (Glosa de saláriofamília de 1999/2002) competências: 08/2002 a 12/2002. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13864.000450/200769 Acórdão n.º 280301.418 S2TE03 Fl. 287 3 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de Notificação Fiscal decorrente de pagamentos efetuados aos segurados empregados e sobre os quais estão sendo cobradas as contribuições sociais devidas pelos segurados empregados sem retenção, pela empresa, ao SAT para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho, e a Terceiros (Outras Entidades), período de 07/1997 a 12/2002. O lançamento é composto dos seguintes levantamentos a seguir discriminados: I) CB1 Cestas Básicas e Refeições 1997/1998 Valores relativos a cestas básicas e refeições, recebidos em espécie, apurados em resumos de Folhas de Pagamento, sem inscrição no PAT Programa de Alimentação do Trabalhador; II) CB2 Cestas básicas e Refeições 1999/2002 Valores relativos a cestas básicas e refeições, recebidos em espécie, apurados em resumos de Folhas de Pagamento e Livros Diários, sem inscrição no PAT Programa de Alimentação do Trabalhador, não declarados em GFIP; III) GL1 Glosa de Salário Família 1997/1998 Glosa de salário família deduzidos incorretamente pela empresa; IV) GL2 Glosa de Salário Família 1999/2002 Glosa de salário família deduzidos incorretamente pela empresa; V) VT1 Vale Transporte 1997/1998 Valores relativos a valetransporte pago em espécie, em desacordo com a lei, apurados em resumos de Folha de Pagamento; VI) VT2 Vale Transporte 1999/2002 Valores relativos a valetransporte pagos em espécie, em desacordo com a lei, apurados em resumos de Folha de Pagamento e contabilidade, não declarados em GFIP. DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO O contribuinte foi cientificado da notificação fiscal em 13/08/2007, fl. 01 dos autos físicos, apresentando defesa. A decisão de primeira instância administrativa fiscal julgou procedente o lançamento, fls. 264 a 268. O contribuinte foi cientificado da decisão em 27/02/2008, fl. 270, apresentando recurso voluntário em 28/03/2008, fls. 273/279, alegando em síntese: a decadência parcial do crédito fiscal em razão da regra do art. 173, Inciso I, do CTN; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13864.000450/200769 Acórdão n.º 280301.418 S2TE03 Fl. 288 4 a verba paga a titulo de cesta básica não tem natureza salarial, visto instituída/imposta por força de Convenção Coletiva; portanto não se caracteriza como ato de liberalidade do Empregador; a recorrente efetuou o desconto da parcela correspondente 6% (seis por cento) do saláriobase de seus trabalhadores, na forma do entendimento pacifico e cristalizado da Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, de modo que o débito lançado pela Receita Fazendária, relativamente incidência sobre o Vale Transporte é inteiramente indevido, visto que independentemente do pagamento em dinheiro ou vale papel/magnético, a contribuição previdenciária só é devida quando inexiste o custeio/participação dos empregados, conforme julgados daquele Pretório; apesar de ter sido apresentada grande parte da documentação exigida pela fiscalização tributária, comprobatória do direito ao beneficio do saláriofamília, nenhum pagamento/reembolso foi homologado; por fim, requer a improcedência do lançamento fiscal. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13864.000450/200769 Acórdão n.º 280301.418 S2TE03 Fl. 289 5 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso voluntário é tempestivo, fl. 284, pressuposto de admissibilidade cumprido, passo ao exame das questões suscitadas. DA DECADÊNCIA Quanto à questão relativa à fluência do prazo decadencial, a mesma deve ser analisada. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Se não houver pagamento antecipado há que ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. Da análise dos autos depreendese que houve pagamento parcial por parte do contribuinte conforme Relatório de Documentos Apresentados – RDA, fls. 69/86, logo o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de cinco anos a contar do fato gerador (§ 4º do art. 150 do CTN). Fl. 5DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13864.000450/200769 Acórdão n.º 280301.418 S2TE03 Fl. 290 6 REGRA DO ART. 150, § 4o. DO CTN. O crédito fiscal compreende o período de 07/1997 a 12/2002. O contribuinte foi cientificado em 13/08/2007, fl. 01. Assim, o período de 01/1997 a 07/2002, inclusive, está decadente na regra do art. 150, § 4o. do CTN. Deste modo, o lançamento fiscal será analisado para as seguintes competências remanescentes: Levantamento CB2 (Cesta Básica e Refeições 1999/2002) competências: 08/2002 a 12/2002. Salários de contribuição relativos à cesta básica e refeições não incluídas no PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador), instituído pela Lei 6.321/76 e recebidos em espécie pelos segurados empregados da empresa; apurados através das Folhas de Pagamento e dos Livros Diário apresentados. Remunerações não declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social; Levantamento VT2 (Valetransporte 1999/2002) competências: 08/2002 a 12/2002. Salários de contribuição relativos aos valores de valetransporte pagos em espécie aos segurados empregados da empresa; Levantamento GL2 (Glosa de saláriofamília de 1999/2002) competências: 08/2002 a 12/2002. Glosa de saláriofamília deduzido pela empresa incorretamente. ALIMENTAÇÃO SEM PAT PAGO EM ESPÉCIE A Cesta básica e refeições não incluídas no PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador), instituído pela Lei 6.321/76 e recebidos em espécie pelos segurados empregados da empresa, integra o salário de contribuição nos termos do art. 28, inciso I, c/c o parágrafo 9º, alínea “c” da Lei 8.212/91: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente:(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; Fl. 6DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13864.000450/200769 Acórdão n.º 280301.418 S2TE03 Fl. 291 7 Este também é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça – STJ, Primeira Turma, Recurso Especial 674999, quando estabelece que o auxílioalimentação pago em espécie e com habitualidade integra o salário e como tal sofre a incidência da contribuição previdenciária, interpretação que se harmoniza com o art. 111 do CTN (interpretação literal da legislação tributária que dispõe sobre outorga de isenção). São os termos do voto: Processo: RESP 200401090880RESP RECURSO ESPECIAL – 674999 , Relator(a) LUIZ FUX , Sigla do órgão STJ , Órgão julgador PRIMEIRA TURMA , Fonte DJ DATA:30/05/2005 PG:00245 Decisão por unanimidade Ementa: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. AJUDA ALIMENTAÇÃO PAGA PELO BANCO DO BRASIL EM ESPÉCIE AOS SEUS EMPREGADOS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA INSCRIÇÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR – PAT 1. A comprovação da inscrição no PAT não pode ser levada a efeito na instância especial posto interditada pela Súmula 07. 2. O auxílio alimentação que inibe a carga tributária é aquele prestado in natura. 3. Deveras, o auxílio alimentação pago em espécie e com habitualidade integra o salário e como tal sofre a incidência da contribuição previdenciária. 4. Interpretação que se harmoniza com o art. 111, do CTN. 5. O auxílio alimentação in natura gera despesa operacional ao passo que aquele pago em espécie é salário. 6. Como é cediço, somente o auxílioalimentação pago in natura, por gerar despesas operacionais, de acordo com o art. 28, § 9º, alínea "c", não integra o salário inibindo, pois, a carga tributária, ao passo que se pago em espécie e com habitualidade é passível de incidência da contribuição previdenciária. 7. Impende salientar que, consoante colhese do v. aresto impugnado, o Banco Recorrente não logrou provar sua inscrição no PAT, o auxílioalimentação por ele fornecido a seus empregados integra a base de cálculo da Contribuição Previdenciária. 8. Esta Corte, por inúmeras vezes, versou o tema em debate e, em sua maioria, manifesta entendimento no sentido de que o auxílio alimentação, quando pago em espécie,passa a integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária, assumindo, pois feição salarial, afastandose, somente de tal incidência quando o pagamento for efetuado "in natura", divergindo, porém quanto a necessidade ou não de o empregador estar inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, como se observa dos arestos seguintes: "TRIBUTÁRIO. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO.REFEIÇÕES REALIZADAS NAS DEPENDÊNCIAS DA EMPRESA E DESCONTADAS, PARTE, DO SALÁRIO DO EMPREGADO. PAGAMENTO IN NATURA. NÃOINCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. 1. Recurso Especial interposto contra v. Acórdão que entendeu ser indevida a incidência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos pela empresa a título de alimentação a seus empregados, quando efetuados descontos nos salários destes, Fl. 7DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13864.000450/200769 Acórdão n.º 280301.418 S2TE03 Fl. 292 8 ainda que não esteja devidamente aprovado pelo Ministério do Trabalho. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido de que o pagamento "in natura" do auxílioalimentação, isto é, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. 3. Precedentes das 1ª, 2ª, 3 e 5ª Turmas desta Corte Superior. 4. Recurso improvido." (RESP 320185/RS, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, 1ª Turma, DJ de 03/09/2001) "PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO.EMBARGOS À EXECUÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO.PAGAMENTO EM ESPÉCIE. LEGALIDADE DA COBRANÇA. VINCULAÇÃO AO PAT. MATÉRIA DE PROVA. SÚMULA 07/STJ. 1. Incabível o reexame da prova em sede de recurso especial. 2. Apenas o pagamento 'in natura' do auxílioalimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária. 3. Recurso especial não conhecido." (RESP 180567/CE, Rel. Min. FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, 2ª Turma, DJ de 23/04/2001) "Lei 6.321/76. Decreto 5/91. Não há pagamento "in natura", de molde a fazer incidir o disposto no artigo 6º do Decreto 5/91, se esse se efetua mediante entrega de tíquetes que propiciam a aquisição de bens." (RESP 112209/RS, Rel. Min. EDUARDO RIBEIRO, 3ª Turma, DJ de 03/05/1999) "Reclamação trabalhista. Horas extras. Vale alimentação.Matéria de fato (Súmula nº 07/STJ). Precedente da Corte. 1. Decidindo o Tribunal de origem, no que se refere à contagem das horas extras, com base na prova pericial, a passagem do especial encontra a barreira da Súmula nº 07 da Corte. 2. Como assentado em precedente da Corte, o vale alimentação integra o salário, considerando que a legislação aplicável afasta, apenas, a parcela in natura, isto é, quando a própria alimentação é fornecida. 3. Recurso especial conhecido,em parte, mas improvido." (RESP 163962/RS, Rel. Min. CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO, 3ª Turma, DJ de 24/05/1999) "CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.ALIMENTAÇÃO FORNECIDA POR EMPRESA. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR (PAT). NATUREZA NÃO SALARIAL. REEXAME DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE PELA VIA ELEITA DO ESPECIAL. I AFIGURASE ESCORREITO O V. ACÓRDÃO VERGASTADO AO DECIDIR QUE A ALIMENTAÇÃO PAGA, ESTEJA O EMPREGADOR INSCRITO OU NÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR (PAT), NÃO E SALÁRIO "IN NATURA", NÃO E SALÁRIO UTILIDADE, POR ISSO QUE NÃO PODE, NUM OU NOUTRO CASO, HAVER INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ADEMAIS, NÃO E O RECURSO ESPECIAL O MEIO HÁBIL PARA REEXAMINAR PROVAS. II RECURSO NÃO CONHECIDO."(RESP 85306/DF, Rel. Min. JOSE DE JESUS FILHO, 1ª Turma, DJ de 16/12/1996) 9. Recurso Especial improvido. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13864.000450/200769 Acórdão n.º 280301.418 S2TE03 Fl. 293 9 Data da Decisão 05/05/2005 , Data da Publicação 30/05/2005 VALETRANSPORTE PAGO EM ESPÉCIE A Lei n ° 8.212/91, em seu art. 28, inciso I, estabelece como salário de contribuição, para fins de incidência das contribuições, a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Há algumas parcelas que, por expressa disposição legal, estão excluídas da base de incidência das contribuições previdenciárias, em razão de sua natureza indenizatória ou assistencial. É o caso do valetransporte pago em conformidade com a legislação de regência. É o que dispõe o art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991: “Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria;” Diante deste dispositivo, entendese que a parcela paga em desacordo com a legislação de regência deverá se sujeitar à incidência das contribuições previdenciárias. Assim sendo, o pagamento de vale transporte em pecúnia encontrase em manifesto desacordo com o regramento trazido pelo Decreto n ° 95.247/1987, especificamente, em relação ao artigo 5º, que assim estabelece: “Art. 5° É vedado ao empregador substituir o ValeTransporte por antecipação em dinheiro ou qualquer outra forma de pagamento, ressalvado o disposto no parágrafo único deste artigo. Parágrafo único. No caso de falta ou insuficiência de estoque de ValeTransporte, necessário ao atendimento da demanda e ao funcionamento do sistema, o beneficiário será ressarcido pelo empregador, na folha de pagamento imediata, da parcela correspondente, quando tiver efetuado, por conta própria, a despesa para seu deslocamento.” Todavia, em março de 2010, o Pleno do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 478.410/SP, considerou, por maioria, que a restrição imposta pelo Decreto nº 95.247/87 contraria frontalmente a Constituição Republicana, sendo inquestionável a sua natureza indenizatória, ainda que a referida verba seja paga em dinheiro. O julgamento em questão foi assim ementado: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13864.000450/200769 Acórdão n.º 280301.418 S2TE03 Fl. 294 10 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento.” (RE nº 478.410/SP, Relator: Ministro Eros Grau) Muito embora o Regimento Interno do presente Conselho (art. 62, parágrafo único) permita o reconhecimento da inconstitucionalidade de determinados atos normativos tão somente quando esta tenha sido declarada por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal, cumpre esclarecer que o acórdão proferido no RE nº 478.410 é resultante de julgamento realizado pelo Plenário da Corte, tendo havido apenas dois votos contrários a esse entendimento, o que não é suficiente para desencadear uma mudança do posicionamento externado. Apesar de não se tratar de assunto com efeitos da repercussão geral, de qualquer sorte, a repercussão já está sinalizada. Em razão da decisão do STF que concluiu pela inconstitucionalidade da incidência da contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia por ter caráter indenizatório, o Superior Tribunal de Justiça – STJ reviu sua orientação anterior no sentido de acompanhar o entendimento do STF. São os termos das decisões: Processo RESP 200901216375RESP RECURSO ESPECIAL – 1180562, Relator(a) CASTRO MEIRA , Sigla do órgão STJ, Órgão julgador SEGUNDA TURMA , Fonte DJE DATA:26/08/2010 RJPTP VOL.:00032 PG:00133 Ementa: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.VALETRANSPORTE.PAGAMENTO EM PECÚNIA. NÃOINCIDÊNCIA. PRECEDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. REVISÃO. NECESSIDADE. 1. O Supremo Tribunal Federal, na assentada de 10.03.2003, em caso análogo (RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau), concluiu que é inconstitucional a incidência da Fl. 10DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13864.000450/200769 Acórdão n.º 280301.418 S2TE03 Fl. 295 11 contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, já que, qualquer que seja a forma de pagamento, detém o benefício natureza indenizatória. Informativo 578 do Supremo Tribunal Federal. 2. Assim, deve ser revista a orientação pacífica desta Corte que reconhecia a incidência da contribuição previdenciária na hipótese quando o benefício é pago em pecúnia, já que o art. 5º do Decreto 95.247/87 expressamente proibira o empregador de efetuar o pagamento em dinheiro. 3. Recurso especial provido. Data da Decisão 17/08/2010, Data da Publicação 26/08/2010 .............. Processo AR 200501301278AR AÇÃO RESCISÓRIA – 3394 , Relator(a) HUMBERTO MARTINS , Sigla do órgão STJ , Órgão julgador PRIMEIRA SEÇÃO , Fonte DJE DATA:22/09/2010 Ementa: AÇÃO RESCISÓRIA – PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA –VALE TRANSPORTE– PAGAMENTO EM PECÚNIA– NÃO INCIDÊNCIA – ERRO DE FATO – OCORRÊNCIA – AUXÍLIO CRECHE/BABÁ – ACÓRDÃO RESCINDENDO NÃO CONHECEU DO RECURSO NESSA PARTE. 1. Há erro de fato quando o órgão julgador imagina ou supõe que um fato existiu, sem nunca ter ocorrido, ou quando simplesmente ignora fato existente, não se pronunciando sobre ele. 2. In casu, ocorreu erro de fato no acórdão rescindendo, porquanto considerou inexistente um fato efetivamente ocorrido, ou seja, partiu de premissa errônea pois pressupôs a inexistência de desconto das parcelas de seus empregados a titulo de valetransporte,quando é incontroverso nos autos que tal fato ocorrera. 3. O Pleno do Supremo Tribunal Federal, no âmbito de recurso extraordinário, consolidou jurisprudência no sentido de que "a cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa" (RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau, Tribunal Pleno, julgado em 10.3.2010, DJe086 DIVULG 13.5.2010 PUBLIC 14.5.2010). 4. No que tange ao auxíliocreche/babá, esta Corte Superior é incompetente para examinar o feito, uma vez que não cabe ação rescisória com a finalidade de desconstituir julgado que não apreciou o mérito da demanda, neste ponto específico. Precedentes: AgRg na AR 3.827/SP, Rel. Min. Humberto Martins, Primeira Seção, DJe 22.10.2009; AR 2.622/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, Primeira Seção, DJe 8.9.2008. Ação rescisória parcialmente procedente. Data da Decisão 23/06/2010 , Data da Publicação 22/09/2010 Destarte, reconheço a impossibilidade da exigência do crédito tributário sobre o valetransporte pago em pecúnia por ser caráter indenizatório, devendo ser excluído do lançamento fiscal. GLOSA DE SALÁRIOFAMÍLIA Fl. 11DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13864.000450/200769 Acórdão n.º 280301.418 S2TE03 Fl. 296 12 O contribuinte não provou nos autos que a glosa de saláriofamília efetuada pela fiscalização é improcedente. Tais valores foram apurados por intermédio da folha de pagamento e do livro Diário. Assim, fica mantida o crédito fiscal para a rubrica em comento, nos termos do art. 65 da Lei 8.213/91. O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 114, todos do CTN, com período apurado, discriminação dos fatos geradores por intermédio do Relatório de Lançamentos – RL contendo a competência (mês e ano), a base de cálculo, e, ainda, o Discriminativo Analítico de Débito – DAD que informa as alíquotas e os valores das contribuições previdenciárias devidas; a Instrução para o Contribuinte – IPC; os Fundamentos Legais do Débito – FLD; a identificação do contribuinte, identificação do Auditor Fiscal notificante, Relatório Fiscal, consoante artigo 33 da Lei n° 8.212/91 e demais dispositivos mencionados nos autos. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto em dar provimento parcial ao recurso, para: I declarar a decadência do crédito fiscal para o período de 01/1997 a 07/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4o, do CTN; II – excluir o crédito fiscal para o Levantamento VT2 (Valetransporte 1999/2002) competências: 08/2002 a 12/2002; III – manter o crédito fiscal para o Levantamento CB2 (Cesta Básica e Refeições 1999/2002) competências: 08/2002 a 12/2002, e Levantamento GL2 (Glosa de saláriofamília de 1999/2002) competências: 08/2002 a 12/2002. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 12DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 13603.723374/2010-30
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. EXCLUSÃO DO SIMPLES. CONSEQUENCIAS. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E/OU INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE ACATAMENTO.
O lançamento foi realizado em virtude de o contribuinte ter sido excluído do SIMPLES, pelo Ato Declaratório nº 02, de 18 de janeiro de 2008 (fls.248). A exclusão do referido sistema implica necessariamente na imediata cobrança das contribuições relativas à parte patronal, bem como aquelas destinadas aos denominados Terceiros.
A sistemática utilizada pela autoridade administrativa incumbida do lançamento foi totalmente amparada pela legislação tributária em vigor, em especial o art. 142 do Código Tributário Nacional - CTN, bem como o art. 10 do Decreto nº 70.235/72.
Não há que se falar em ilegalidade, porquanto o lançamento se deu exatamente na forma da lei. Como não se tem notícia de qualquer declaração de inconstitucionalidade da lei balizadora do lançamento pelo Supremo Tribunal Federal, não resta dúvida da correção do trabalho levado a cabo pela fiscalização.
No que diz respeito à inconstitucionalidade aventada pelo contribuinte, os julgadores da segunda instância administrativa devem se ater aos comandos da Súmula nº 2 que determina que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-002.516
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Fábio Pallaretti Calcini.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. EXCLUSÃO DO SIMPLES. CONSEQUENCIAS. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E/OU INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE ACATAMENTO. O lançamento foi realizado em virtude de o contribuinte ter sido excluído do SIMPLES, pelo Ato Declaratório nº 02, de 18 de janeiro de 2008 (fls.248). A exclusão do referido sistema implica necessariamente na imediata cobrança das contribuições relativas à parte patronal, bem como aquelas destinadas aos denominados Terceiros. A sistemática utilizada pela autoridade administrativa incumbida do lançamento foi totalmente amparada pela legislação tributária em vigor, em especial o art. 142 do Código Tributário Nacional - CTN, bem como o art. 10 do Decreto nº 70.235/72. Não há que se falar em ilegalidade, porquanto o lançamento se deu exatamente na forma da lei. Como não se tem notícia de qualquer declaração de inconstitucionalidade da lei balizadora do lançamento pelo Supremo Tribunal Federal, não resta dúvida da correção do trabalho levado a cabo pela fiscalização. No que diz respeito à inconstitucionalidade aventada pelo contribuinte, os julgadores da segunda instância administrativa devem se ater aos comandos da Súmula nº 2 que determina que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. EXCLUSÃO DO SIMPLES. CONSEQUENCIAS. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E/OU INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE ACATAMENTO. 1. O lançamento foi realizado em virtude de o contribuinte ter sido excluído do SIMPLES, pelo Ato Declaratório nº 02, de 18 de janeiro de 2008 (fls.248). A exclusão do referido sistema implica necessariamente na imediata cobrança das contribuições relativas à parte patronal, bem como aquelas destinadas aos denominados “Terceiros”. 2. A sistemática utilizada pela autoridade administrativa incumbida do lançamento foi totalmente amparada pela legislação tributária em vigor, em especial o art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, bem como o art. 10 do Decreto nº 70.235/72. 3. Não há que se falar em ilegalidade, porquanto o lançamento se deu exatamente na forma da lei. Como não se tem notícia de qualquer declaração de inconstitucionalidade da lei balizadora do lançamento pelo Supremo Tribunal Federal, não resta dúvida da correção do trabalho levado a cabo pela fiscalização. 4. No que diz respeito à inconstitucionalidade aventada pelo contribuinte, os julgadores da segunda instância administrativa devem se ater aos comandos da Súmula nº 2 que determina que “o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 33 74 /2 01 0- 30 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 1/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13603.723374/201030 Acórdão n.º 2803002.516 S2TE03 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Fábio Pallaretti Calcini. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 1/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13603.723374/201030 Acórdão n.º 2803002.516 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte dos segurados empregados e contribuintes individuais descontadas das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos mesmos, conforme dispõe o Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 29 a 31). O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 27 de outubro de 2011 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTE DOS SEGURADOS. A empresa é obrigada a arrecadar a contribuição dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração e recolhêla, no prazo fixado pela legislação previdenciária. EXCLUSÃO DO SIMPLES. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES fica obrigada a recolher as contribuições destinadas à Previdência Social, relativas à quota patronal e das destinadas a outras entidades e fundos, denominados “Terceiros”, de acordo com a legislação aplicada às empresas em geral. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E/OU INCONSTITUCIONALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Tratase de Auto de Infração lavrado em função do suposto inadimplemento das obrigações principais e acessórias relativas às contribuições sociais previdenciárias devidas ao INSS, relativas à parte da empresa, incidentes sobre salários pagos a segurados empregados, referidas no art. 22, I da Lei nº 8.212/91. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 1/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13603.723374/201030 Acórdão n.º 2803002.516 S2TE03 Fl. 5 4 Notificada da lavratura do auto de infração, a ora Recorrente apresentou impugnação, na qual aduziu a ilegalidade da conduta perpetrada pela Fazenda Nacional, ao fazer retroagir, mediante ato administrativo, os efeitos da exclusão da Empresa do regime jurídica benéfico do qual fazia parte. Ademais, levantouse que as multas nos percentuais do lançamento são excessivas e ofendem o direito de propriedade, pois resultam numa forma de tributação com efeito de confisco, onerando ilegalmente o patrimônio da Autuada, em franca violação ao art. 150, inciso IV, da Constituição Federal. Resta indubitável, assim, que o termo inicial dos efeitos do ato de exclusão do contribuinte do SIMPLES é a data da sua efetiva notificação, caso não recorrida, e não a data de 1.1.2004, como pretende a Fiscalização. É ilegal a exigência de pagamento de diferenças de tributos. Ainda no tocante à ilegal constituição do crédito tributário, igual ilegalidade se verifica na aplicação das multas e demais sanções, visto que indevido o próprio crédito principal. A aplicação da multa de 75% se verifica absolutamente inconstitucional, tendo em vista os limites estabelecidos em nossa Constituição. Por todo o exposto, alegado e provado, resta cristalina a total improcedência da autuação fiscal, diante do distanciamento da exigência com os princípios que informa sua imposição, pelo que requer a reforma da r. Decisão ora recorrida, com o consequente cancelamento das exigências consubstanciadas no Processo Administrativo nº 13603.723374/201030, sendo reconhecida a total procedência das razões de mérito aqui aduzidas, pela ilegalidade do lançamento e, por conseguinte, do Auto de Infração lavrado, por se tratar de um imperativo de Justiça! Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 1/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13603.723374/201030 Acórdão n.º 2803002.516 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O lançamento foi realizado em virtude de o contribuinte ter sido excluído do SIMPLES, pelo Ato Declaratório nº 02, de 18 de janeiro de 2008 (fls.248). A exclusão do referido sistema implica necessariamente na imediata cobrança das contribuições relativas à parte patronal, bem como aquelas destinadas aos denominados “Terceiros”. Assim, a empresa excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte passa a ser tratada da mesma forma que as empresas em geral, ou seja, aquelas que não fazem parte de programas governamentais, devendo, portanto, pagar seus tributos na integralidade, sem qualquer benefício. Além do pagamento das obrigações principais, a empresa excluída também será obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias nos mesmos moldes das empresas não optantes. In casu, é certo que várias obrigações acessórias serão atribuídas à empresa excluída, tendo em vista que originalmente ela informou ao fisco, dados não correspondentes aos verdadeiros fatos geradores. Como se pode observar, a sistemática utilizada pela autoridade administrativa incumbida do lançamento foi totalmente amparada pela legislação tributária em vigor, em especial o art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, bem como o art. 10 do Decreto nº 70.235/72. Ora, se a autoridade administrativa lançadora cumpriu rigorosamente a legislação que lhe é afeta, não é possível falar em suposto inadimplemento como pretende o contribuinte. De igual modo, também não há que se falar em ilegalidade, porquanto o lançamento se deu exatamente na forma da lei. Como não se tem notícia de qualquer declaração de inconstitucionalidade da lei balizadora do lançamento pelo Supremo Tribunal Federal, não resta dúvida da correção do trabalho levado a cabo pela fiscalização. No que diz respeito à inconstitucionalidade aventada pelo contribuinte, os julgadores da segunda instância administrativa devem se ater aos comandos da Súmula nº 2 que determina que “o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Sobre os percentuais da multa aplicada, a exemplo dos demais fundamentos legais do lançamento, temse que eles estão em perfeita harmonia com a legislação em vigor, não havendo qualquer espaço para alterálos. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 1/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13603.723374/201030 Acórdão n.º 2803002.516 S2TE03 Fl. 7 6 Nada obstante ao inconformismo do contribuinte, o lançamento e a decisão recorrida estão em conformidade com a legislação em vigor e devem ser mantidos pelos seus próprios fundamentos. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 1/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13608.000576/2007-64
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO.
Matéria específica que não foi expressamente impugnada na impugnação apresentada ao julgador de primeira instância será considerada incontroversa, precluindo processualmente a oportunidade de questionamento ulterior, não podendo, assim, ser alegada em grau de recurso..
PENSÃO ALIMENTÍCIA. COMPROVAÇÃO. DEDUÇÃO DA BASE DE
CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA.
Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II).
Recurso provido .
Numero da decisão: 2802-002.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso voluntário, na parte relativa a despesas médicas e com instrução, e, na parte conhecida do recurso voluntário, DAR PROVIMENTO para considerar a dedução a título de pensão alimentícia judicial, no montante R$7.600,00 (sete mil e seisecentos reais), nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
EDITADO EM: 24/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. Matéria específica que não foi expressamente impugnada na impugnação apresentada ao julgador de primeira instância será considerada incontroversa, precluindo processualmente a oportunidade de questionamento ulterior, não podendo, assim, ser alegada em grau de recurso.. PENSÃO ALIMENTÍCIA. COMPROVAÇÃO. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). Recurso provido .
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso voluntário, na parte relativa a despesas médicas e com instrução, e, na parte conhecida do recurso voluntário, DAR PROVIMENTO para considerar a dedução a título de pensão alimentícia judicial, no montante R$7.600,00 (sete mil e seisecentos reais), nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora EDITADO EM: 24/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2029; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 2 1 1 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13608.000576/200764 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802002.307 – 2ª Turma Especial Sessão de 14 de maio de 2013 Matéria IRPF Recorrente HEITOR BRANGIONI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. Matéria específica que não foi expressamente impugnada na impugnação apresentada ao julgador de primeira instância será considerada incontroversa, precluindo processualmente a oportunidade de questionamento ulterior, não podendo, assim, ser alegada em grau de recurso.. PENSÃO ALIMENTÍCIA. COMPROVAÇÃO. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). Recurso provido . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso voluntário, na parte relativa a despesas médicas e com instrução, e, na parte conhecida do recurso voluntário, DAR PROVIMENTO para considerar a dedução a título de pensão alimentícia judicial, no montante R$7.600,00 (sete mil e seisecentos reais), nos termos do voto da relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 8. 00 05 76 /2 00 7- 64 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 24/05/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora EDITADO EM: 24/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano Relatório Trata o presente processo de notificação de lançamento que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), referente ao exercício de 2005, por meio da qual se exigiu do contribuinte o credito tributário de R$ 7.640,15. O lançamento é decorrente da apuração de dedução indevida a título de pensão alimentícia judicial, no valor de R$R$ 20.888,94, dependente no valor de R$2.544,00, despesas médicas no valor de R$3.470,00, despesas com instrução no valor de R$1.998,00. Em sua impugnação, o contribuinte contestou apenas a glosa da dedução de pensão alimentícia judicial, conforme documentos apresentados. A 9ª Turma da DRJ/BHE/MG julgou procedente em parte a impugnação, conforme Acórdão de fls. 52/55, sob o fundamento de que :” O contribuinte juntou, ás fls. 07 e 08, o termo de audiência que determinou o pagamento de pensão alimentícia a sua filha Ana Bárbara equivalente a 24% de seu rendimento liquido, e às fls. 17, o comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte emitido pelo INSS, onde consta o desconto de R$5.508,94 efetuado a titulo de pensão alimentícia. Assim, esse valor pode ser restabelecido. Em relação ao pagamento efetuado a seu filho Raphael Augusto foram juntados, às fls. 11 a 16, o termo de separação judicial e formal de partilha, onde consta a especificação do valor da pensão mensal no montante de 2,5 salários mínimos a ser creditado em conta corrente. Junta, As fls. 32/43, doze recibos simples de pagamento no valor total de R$7.600,00.Assim, os recibos não são capazes de comprovar o pagamento da pensão, pois segundo o termo de audiência trazido aos autos, o pagamento se efetivaria através de depósito em conta corrente da exesposa do contribuinte. Ou seja, os recibos deveriam estar acompanhados de extratos bancários ou comprovantes de depósito efetuados.” Regularmente cientificado daquele acórdão em 26/11/2010 (fl. 61), o interessado interpôs recurso voluntário de fls. 62, em 23/12/2010. Em sua defesa, alega que: · No acordão vergastado não foi aprecidado as glosas com despesas médicas e com instrução e que efetuou gastos com a instrução de Raphael Augusto Mayrink Brangioni no valor de R$4.862,90 e despesas médicas no valor de R$861,55 com sua filha Ana Barbara de Natali e Brangioni. Quanto a pensão alimentícia alega que o acórdão também, padece de reforma quanto ao não reconhecimento aos Fl. 108DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 24/05/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13608.000576/200764 Acórdão n.º 2802002.307 S2TE02 Fl. 3 3 pagamentos de pensão alimentícia ao seu filho Raphael Augusto Mayrink Brangioni, nunca inferior a R$7.600,00 (sète mil e seiscentos reais), nos termos da cópia dos autós: 0521.98.0030089, já acostado ao presente; onde ficou entabulado que pagava a título de pensão alimentícia a importância mensal de 2,5 salários minimos vigentes a época, os quais restaram devidamente comprovados através dos recibos juntados firmados pela sua exesposa, Edvane Aparecida Mairink. · Assevera que por conveniência das partes ficou previamente estabelecido que os valores referentes a pensão alimentícia seriam pagos em espécie e diretamente entregues a sua exesposa e que esta emitiria os recibos para comprovar que os pagamentos realmente haviam se efetivado. Tanto é verdade que sua exesposa compareceu em cartório e firmou Declaração de Escritura Pública, afirmando ter recebido no ano calendário de 2004, no valor de R$7.600,00. · Finalisa seu recurso pleiteando que seja considerada as deduções com despesa com instrução no valor de R$4.862,90, despesas médicas , no importe de R$861,55 pensão alimentícia no valor de R$13.108,94, nos termos dos art. 145 e 149 do CTNCódigo Tributário Nacional. É o relatório Voto Conselheira DayseFernandes Leite, Relatora O recurso é tempestivo, porém não atende a todos os requisitos para sua admissibilidade, como se verá. .Insurgese Recorrente em Voluntário contra a mantença de glosa de despesas despesa com instrução no valor de R$4.862,90, despesas médicas , no importe de R$861,55 e pensão alimentícia no valor de R$13.108,94. Quanto as glosas relativas a despesa médica e despesa com instrução, cumprenos ressaltar que o julgador de primeira instância, destaca em seu voto que “Em relação às glosas efetuadas relativas as deduções com dependentes, despesas com instrução e despesas médicas, o contribuinte nada alega nem junta documentos à impugnação, razão pela qual não merece reparos o feito fiscal, considerandose matéria não impugnada.” Assim, conforme já esclarecido em primeira instância, a glosa dessas despesas não foram objeto de Impugnação, o que impede o conhecimento do recurso quanto a esse pedido, restando preclusa a discussão sobre esses itens, nos termos do artigo do 17 do Decreto nº. 70.235/72. Nesse sentido, jurisprudência desta 2ª Turma Especial: Fl. 109DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 24/05/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF 2a.Seção 2a. Turma Especial. Processo nº. 13707.001104/200549 Recurso n. 161.587 Voluntário Acórdão n. 280200.296 – 2ª Turma Especial. Sessão de 11 de maio de 2010 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA PRECLUSÃO. Resta preclusa a matéria questionada apenas na fase recursal, não debatida na primeira instância e considerada como tal não impugnada na decisão recorrida. Recurso Voluntário Não Conhecido. Assim não conheço essa parte do recurso com fundamento no artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. Quanto a glosa de pensão alimentícia, o recorrente pleitea o restabelecimento de R$13.108,94, sendo que R$4.862,90, já foi restabelecido em primeira instância. Destarte, o litigio gira em torno do valor de R$7.600,00, relativo a pensão alimentícia paga ao seu filho Raphael Augusto Mayrink Brangioni. A decisão recorrida manteve a glosa, tendo em vista que, em relação ao pagamento efetuado a seu filho Raphael Augusto foram juntados, às fls. 11 a 16, o termo de separação judicial e formal de partilha, onde consta a especificação do valor da pensão mensal no montante de 2,5 salários mínimos a ser creditado em conta corrente. Entretanto o contribuinte trouxe para comprovar os pagamentos às fls. 32/43, doze recibos simples de pagamento no valor total de R$7.600,00.Assim, os recibos não são capazes de comprovar o pagamento da pensão, pois segundo o termo de audiência trazido aos autos, o pagamento se efetivaria através de depósito em conta corrente da exesposa do contribuinte. Ou seja, os recibos deveriam estar acompanhados de extratos bancários ou comprovantes de depósito efetuados. Vejamos: A documentação juntada aos autos, fls. 11 a 16 comprova claramente que o recorrente assumiu um compromisso a título de pensão alimentícia, no ano calendário 2004, no valor correspondente a 2,5 salários mínimo, em prol de seu filho, Raphael Augusto Mairink Brangioni, como se vê na sentença homologatória de fl. 16. Considerando que a pensão alimentícia paga em decorrência das normas do direito de família são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física do alimentante (art. 78 do Decreto nº 3.000/99). Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II)), entendo que os recibos de fls. 32/43 c/c o documento de fls.70, comprovam o pagamento a título de pensão alimentícia no valor total de R$7.600,00 a Raphael Augusto Mairink Brangioni, consequentemente se deve deferir a dedução do importe de R$7.600,00 da base de cálculo do IRPF. Diante do exposto, não conheço do recurso com fundamento no artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, na parte relativa a despesas médicas e com instrução e na parte conhecida, voto por dar provimento ao recurso, para considerar a dedução a título de pensão alimentícia judicial, no montante R$ R$7.600,00. (assinado digitalmente) Fl. 110DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 24/05/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13608.000576/200764 Acórdão n.º 2802002.307 S2TE02 Fl. 4 5 Dayse Fernandes Leite Relatora Fl. 111DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 24/05/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10983.902323/2008-32
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME.
O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante.
Numero da decisão: 1803-001.769
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Roberto Armond Ferreira da Silva.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME. O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Roberto Armond Ferreira da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 23 23 /2 00 8- 32 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 16/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório CANCELIER FOMENTO MERCANTIL LTDA, ,pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ FLORIANÓPOLIS (SC), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Por meio do Despacho Decisório constante nos autos, foi considerada nãohomologada a Declaração de Compensação DCOMP n° 08036.41361.231104.1.3.040704 transmitida pela interessada em 23/11/2004, em que figura como crédito pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real (código de receita 2484). Do Despacho Decisório extraise a seguinte motivação: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data . de transmissão informado no PER/DCOMP: 139,70 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Características do Darf PERÍODO DE APURAÇÃOCÓDIGO DE RECEITAVALOR TOTAL DO DARFDATA DE ARRECADAÇÃO 30/09/20032484139,7031/10/2003 Utilização dos Pagamentos Encontrados para o Darf Discriminado no PER/DComp NÚMERO DO PAGAMENTOVALOR ORIGINAL TOTALPROCESSO (PR) PER/DCOMP (PD) DÉBITO (DB)VALOR ORIGINAL UTILIZADO 1502091871139,70DB:CÓD 2484 PA 30/09/2003139,70 VALOR TOTAL139,70 Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Valor Devedor Consolidado, Correspondente aos Débitos Indevidamente Compensados, para Pagamento até 31/07/2008. PRINCIPALMULTAJUROS 91,7518,3548,80 Irresignada com o feito fiscal, a contribuinte encaminhou manifestação de inconformidade, na qual alega: Fl. 101DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 16/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10983.902323/200832 Acórdão n.º 1803001.769 S1TE03 Fl. 101 3 Ao preenchermos as Per/Dcomp, informamos que o tipo de origem do crédito era procedente de pagamentos efetuados durante o exercício 2003 a maior, sendo que em dezembro de 2003 os mesmos ficaram informados na DIPJ 2004 como "Saldo Negativo ". Partindo deste princípio formalizamos cada compensação em 2004 utilizando estes pagamentos a maior por Darf recolhido até a completa utilização destes créditos conforme o resumo abaixo detalhado com ou sem Processo Decisório. Processo de Crédito 10983.902323/200832 Crédito Original RS 139,70 data arrecadação em 31/10/2003 Cód. 2484 Referente parte saído negativo, conforme DIPJ/2004. [...] pedimos que considerem as compensações efetuadas formalizadas através do "Tipo de Origem do Crédito" como Pagamento indevido ou a Maior por Darf recolhido já que os mesmos compunham individualmente o Crédito do Saldo Negativo informado em 31/12/2003 na DIPJ/2004. O "Saldo Negativo" então, foi formalizado como compensação de "pagamento indevido ou a maior" por guia Darf recolhida. [...] Por desconhecimento e falta de assessoria referente à montagem dos Pedidos Eletrônicos e como utilizar o Programa gerador destas compensações assim como todos os procedimentos e termo técnicos que não conseguíamos interpretálos, optamos por utilizar o que está acima exposto. Entendendo estar corretos os procedimentos pelo que ao verificar pendências para encontrar quaisquer erros nada criticou e ainda por cima foi transmitida com sucesso deixandonos confiantes de que os procedimentos adotados foram corretos. [...] A vista de todo o exposto, demonstrado a insubsistência e improcedência da ação fiscal, esperam e requerem a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Neste momento processual foram juntadas ao processo informações relativas a débito declarado em DCTF pela contribuinte (fl. 41). A DRJ FLORIANÓPOLIS (SC), através do acórdão nº 0724.685, de 03 de junho de 2011 (fls. 42/44), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo acórdão foi dispensado de ementa, fundamentando basicamente a decisão na impossibilidade de compensar estimativas de CSLL e IRPJ e da vedação de alteração da PER/DCOMP após o despacho decisório. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 16/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Ciente da decisão em 03/08/2011, conforme ciência pessoal (fl. 48), apresentou o recurso voluntário em 25/08/2011 fls. 53/54, onde reafirma seu direito ao crédito e homologação das compensações. É o relatório. Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de PER/DCOMP contendo o direito creditório relativo a estimativa de CSLL recolhida no ano calendário 2003, com débitos do ano calendário 2004. Alega a recorrente em síntese que conforme consta de sua DIPJ do ano calendário 2003 (Exercício 2004), detém saldo negativo de IRPJ e CSLL, sendo que considerou indevidamente no PER/DCOMP os DARF recolhidos como pagamentos indevidos ou a maior. Assiste parcial razão à interessada. Com efeito, inicialmente não subsiste mais a restrição em relação a compensação de estimativas de IRPJ e CSLL recolhidas indevidamente, apontada como óbice pela Delegacia de Julgamento, conforme entendimento consolidado na Súmula CARF nº 84: (verbis) Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Por outro lado, resta evidente a existência de saldo negativo de IRPJ e CSLL conforme atesta a DIPJ (fls. 26/33), fato que por si só evidenciaria a existência de direito creditório frente a Fazenda Nacional. Considerando, a alegação de que o valor indevidamente recolhido integra o saldo negativo de IRPJ/CSLL, a este título deve ser considerado e apreciado pela unidade jurisdicionante, em conjunto com outras Per/DComp que porventura tenham a mesma origem de crédito. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para que o direito creditório pleiteado seja apreciado, pela DRF de origem, como saldo negativo. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Fl. 103DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 16/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10983.902323/200832 Acórdão n.º 1803001.769 S1TE03 Fl. 102 5 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 16/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 10680.912765/2009-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/06/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado.
Recurso Voluntário Negado
A repetição/compensação de indébito tributário está condicionada a certeza e liquidez do valor pleiteado/declarado.
Numero da decisão: 3301-001.959
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a diligência proposta pelo conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Geraldo Mascarenhas L. C. Diniz, OAB/MG 68.816.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/06/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. Recurso Voluntário Negado A repetição/compensação de indébito tributário está condicionada a certeza e liquidez do valor pleiteado/declarado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a diligência proposta pelo conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Geraldo Mascarenhas L. C. Diniz, OAB/MG 68.816. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira.
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DE TRABALHO MÉDICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 20/09/2000 COOPERATIVA. SUJEIÇÃO. FOLHA DE SALÁRIOS/FATURAMENTO. As sociedades cooperativas estão sujeitas ao PIS sobre o valor da folha mensal de salários, à alíquota de 1,0 %, e sobre as receita operacional bruta, com as exclusões da base de cálculo previstas em lei, à alíquota de 0,65 %. INDÉBITO. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. A repetição/compensação de indébito tributário está condicionada a certeza e liquidez do valor pleiteado/declarado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/06/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a diligência proposta pelo conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Geraldo Mascarenhas L. C. Diniz, OAB/MG 68.816. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 27 65 /2 00 9- 82 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da DRJ Belo Horizonte que julgou improcedente manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou a compensação do débito fiscal de CSLL, vencido na data de 30/06/2005, declarado na Declaração de Compensação (Dcomp) às fls. 09/14, transmitida na data de 24/11/2006, com crédito financeiro decorrente de pagamento da contribuição para o PIS referente à competência de agosto de 2000, recolhida em 20/09/2000. A DRF em Belo Horizonte, MG, não homologou a compensação declarada sob o argumento de que o crédito financeiro declarado foi utilizado integralmente para a extinção do débito declarado na respectiva DCTF, não gerando saldo algum passível de repetição/compensação, conforme Despacho Decisório às fls. 08. Cientificada da decisão da DRF, inconformada, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fl. 02/04), insistindo na homologação da compensação declarada, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “ assevera que, ao contrário do que supõe a fiscalização, não requereu a utilização daquele crédito para a quitação de qualquer outro débito, mas tão somente daquele objeto do ora discutido PER/DCOMP, sendo perfeitamente suficiente para a compensação a ser realizada (documentação anexa); esclarece que o procedimento adotado atendeu regularmente a todos os requisitos da legislação então em vigor, e que a controvérsia que persiste nos autos referese, exclusivamente, à existência do crédito no equivocado entendimento fiscal de que o contribuinte teria pleiteado a compensação de crédito já compensado em processo administrativo diverso; fazendo menção ao art. 156, II do Código Tributário Nacional (CTN), afirma que resta demonstrado o direito creditório postulado, objeto do despacho decisório ora questionado, devendo ser reconhecida e homologada a compensação procedida, desconstituindose a exigência das diferenças apontadas pelo Fisco Federal; (...).” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, mantendo a nãohomologação da compensação do débito declarado, conforme Acórdão nº 0238.028, datado de 20/03/2012, às fls. 51/55, sob a seguinte ementa: “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10680.912765/200982 Acórdão n.º 3301001.959 S3C3T1 Fl. 151 3 Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que falar de crédito passível de compensação.” Intimada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fl. 62/84), requerendo a sua reforma a fim de que se homologue a compensação declarada, alegando, em síntese, que o crédito financeiro utilizado decorreu de pagamento indevido da contribuição para o PIS, apurada sobre a folha de salários de agosto de 2000 e recolhida em 20 de setembro do mesmo ano. Para fundamentar seu recurso, expendeu extenso arrazoado sobre: I – Dos Fatos; II – Do Afastamento da Exigência do PIS Folha pela Receita Federal – Efeito Vinculante da Solução de Consulta Nº 412/2004; e, III – A Ilegalidade da Exigência Concomitante do PIS Folha/Faturamento e a Ausência de Dedução das Rubricas Previstas no Decreto 4.524/02 pela Recorrente, concluindo, ao final, que na decisão proferida na Solução de Consulta nº 412, de 15/12/2004, efetuada por ela, a Receita Federal reconheceu a não incidência dessa contribuição sobre sua folha mensal de salários e a exigência do PIS concomitantemente sobre a folha de salários e sobre o faturamento é ilegal. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. A compensação de crédito financeiro contra a fazenda nacional com débito fiscal vencido está prevista na Lei nº 9.430, de 27/12/1996, que assim dispõe: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. [...]. § 12. A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo, podendo, para fins de apreciação das declarações de compensação e dos pedidos de restituição e de ressarcimento, Fl. 152DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 fixar critérios de prioridade em função do valor compensado ou a ser restituído ou ressarcido e dos prazos de prescrição. [...].” No presente caso, a recorrente declarou crédito financeiro decorrente de pagamento, a título de PIS, apurado sobre a folha mensal de salários, referente à competência de agosto de 2000, no valor de R$1.338,34, efetuado por meio de darf, no valor de R$1.351,58, recolhido em 20/09/2000, visando à compensação de débito de CSLL, no valor de R$2.492,91, vencido em 30/06/2005. Contudo, fazendose o encontro de contas entre o valor do débito do PIS declarado na respectiva DCTF e o valor recolhido, nenhum indébito foi apurado. Na DCTF, a recorrente declarou para o mês de agosto de 2000: a) débito de PIS, no valor de R$1.338,34; e, b) pagamento, via darf, vinculado àquele débito, no valor de R$1.351,58 (incluída multa de mora). Assim, nenhum indébito foi apurado. Em seu recurso voluntário, alegou que o valor de R$1.351,58 se refere ao PIS apurado e pago sobre a folha mensal de salários. No entanto, posteriormente, efetuou consulta à Receita Federal sobre a incidência dessa contribuição sobre sua folha de salários. Em resposta a sua consulta, a Superintendência Regional da Receita Federal da 6ª Região Fiscal, por meio da Solução de Consulta SRRF/6ª RF/DISIT Nº 412, de 15/12/2004, teria reconhecido a não incidência dessa contribuição sobre sua folha mensal de salários. Assim, aquele valor teria sido apurado e pago indevidamente, constituindose indébito tributário passível de repetição/compensação. Ao contrário do entendimento da recorrente, do exame da referida solução de consulta, cópia às fls. 88/95, verificamos que a aquela Superintendência não reconheceu a isenção nem a não incidência do PIS sobre sua folha mensal de salários, assim concluindo: “CONCLUSÃO 17. À vista do exposto, respondo à consulente que, à vista dos elementos do processo, ela não preenche as condições para o tratamento fiscal previsto nos artigos 13 e 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, devendo ter o tratamento fiscal geral aplicável às pessoas jurídicas que não gozam de isenção ou imunidade.” Do exame do Estatuto Social, cópia às fls. 112/148, verificamos que a recorrente é uma sociedade cooperativa de responsabilidade limitada, constituída nos termos da Lei nº 5.764, de 1971, e tem como objeto social a prestação de serviços as suas federadas, cooperativas filiadas. A legislação vigente no período do fato gerador, objeto do pretenso indébito reclamado, Lei nº 9.715, de 25/11/1998, previa a incidência do PIS sobre a folha mensal de salários das sociedades cooperativas e também sobre o faturamento mensal, assim dispondo: “Art. 1º Esta Lei dispõe sobre as contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP, de que tratam o art. 239 da Constituição e as Leis Complementares no 7, de 7 de setembro de 1970, e no 8, de 3 de dezembro de 1970. Art. 2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: Fl. 153DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10680.912765/200982 Acórdão n.º 3301001.959 S3C3T1 Fl. 152 5 I pelas pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda, inclusive as empresas públicas e as sociedades de economia mista e suas subsidiárias, com base no faturamento do mês; [...]; § 1º As sociedades cooperativas, além da contribuição sobre a folha de pagamento mensal, pagarão, também, a contribuição calculada na forma do inciso I, em relação às receitas decorrentes de operações praticadas com não associados. Art. 3º Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário.” Ora, segundo este diploma legal, a recorrente, no período objeto do indébito reclamado, estava sujeita à contribuição para o PIS sobre sua folha mensal de salários e também sobre o faturamento mensal, com as exclusões da base de cálculo, previstas em lei. Assim, a contribuição apurada e paga sobre a folha de salários de agosto de 2000 e recolhida em 20 de setembro de 2000 era devida e não constitui indébito tributário. Quanto à suscitada ilegalidade da exigência do PIS sobre a folha mensal de salários e sobre o faturamento decorrente de operações com não associados, conforme demonstrado anteriormente, tal exigência está fundamentada na Lei nº 9.715, de 25/11/1998. A compensação de débito fiscal, mediante a transmissão de Dcomp, segundo o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, citado e transcrito anteriormente, está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. No presente caso, conforme demonstrado, o crédito financeiro declarado na Dcomp em discussão é incerto e ilíquido, ou seja, ao contrário do entendimento da recorrente, a contribuição para o PIS, apurada e paga sobre a folha de salário de agosto de 2000, era devida por ela e não constitui indébito tributário passível de restituição/compensação. Em face do exposto, nego provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 154DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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