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Numero do processo: 19515.005831/2009-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2005
VERDADE REAL E VERDADE FORMAL.
A não apreciação de documentos juntados aos autos depois da impugnação tempestiva e antes da decisão fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento.
MULTA QUALIFICADA.
Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado do contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DOLO.
A teor do disposto no art. 150 do Código Tributário Nacional, o denominado lançamento por homologação opera-se pelo ato em que a autoridade administrativa, tomando conhecimento da atividade exercida pelo contribuinte no sentido de apurar o tributo devido, expressamente a homologa. O referido artigo fixa o prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para que a autoridade administrativa promova essa homologação. Contudo, se comprovada a ocorrência de dolo, tal prazo, tido como decadencial, não é aplicável. Nesse caso, a decadência é regida pelas disposições do art. 173 do mesmo diploma legal.
MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. LANÇAMENTO VERSUS DILIGÊNCIA.
É vedada qualquer alteração no critério jurídico adotado pela autoridade administrativa no exercício do lançamento, quer pela autoridade responsável pela diligência, quer pela própria autoridade julgadora.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS DE COMISSÕES E DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO IDENTIFICADA.
Na análise da documentação apresentada com a impugnação para comprovar a origem dos recursos depositados na conta corrente da contribuinte autuada deve ser adotado o mesmo critério jurídico adotado pela autoridade administrativa no exercício do lançamento.
Deve ser mantida a exigência apenas quando a divergência de valores entre os depósitos e a documentação comprobatória não passar pelo crivo adotado pela autoridade fiscal responsável pelos lançamentos.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO -CSLL. CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL - PIS. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS.
Verificada a omissão de receita, o valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP.
PIS. COFINS. LUCRO ARBITRADO. REGIME CUMULATIVO.
As pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro arbitrado sujeitam-se ao regime cumulativo de tributação do PIS e da COFINS.
Não havendo prejuízo à defesa e/ou agravamento da exigência inicial, os lançamentos podem e devem ser aperfeiçoados para a sistemática da cumulatividade prevista na Lei.
Numero da decisão: 1301-001.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado,
(i) Recurso de Ofício: Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso; e
(ii) Recurso Voluntário: Por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, vencidos os Conselheiros Hélio Eduardo de Paiva Araújo (Relator) e Gilberto Baptista, que reduziam a multa para o percentual de 75% e, por decorrência, reconheciam a decadência parcial do PIS e COFINS.
Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. Houve sustentação oral proferida pelo Dr. Wagner Britto V. de Oliveira, OAB/DF Nº 34.210.
(documento assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente e Redator Designado.
(documento assinado digitalmente)
Hélio Eduardo de Paiva Araújo - Relator.
EDITADO EM: 28/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista (suplente convocado), Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO
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A não apreciação de documentos juntados aos autos depois da impugnação tempestiva e antes da decisão fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento. MULTA QUALIFICADA. Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado do contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DOLO. A teor do disposto no art. 150 do Código Tributário Nacional, o denominado lançamento por homologação operase pelo ato em que a autoridade administrativa, tomando conhecimento da atividade exercida pelo contribuinte no sentido de apurar o tributo devido, expressamente a homologa. O referido artigo fixa o prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para que a autoridade administrativa promova essa homologação. Contudo, se comprovada a ocorrência de dolo, tal prazo, tido como decadencial, não é aplicável. Nesse caso, a decadência é regida pelas disposições do art. 173 do mesmo diploma legal. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. LANÇAMENTO VERSUS DILIGÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 58 31 /2 00 9- 42 Fl. 4500DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.501 2 É vedada qualquer alteração no critério jurídico adotado pela autoridade administrativa no exercício do lançamento, quer pela autoridade responsável pela diligência, quer pela própria autoridade julgadora. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS DE COMISSÕES E DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO IDENTIFICADA. Na análise da documentação apresentada com a impugnação para comprovar a origem dos recursos depositados na conta corrente da contribuinte autuada deve ser adotado o mesmo critério jurídico adotado pela autoridade administrativa no exercício do lançamento. Deve ser mantida a exigência apenas quando a divergência de valores entre os depósitos e a documentação comprobatória não passar pelo crivo adotado pela autoridade fiscal responsável pelos lançamentos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. 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Acordam os membros do colegiado, (i) Recurso de Ofício: Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso; e (ii) Recurso Voluntário: Por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, vencidos os Conselheiros Hélio Eduardo de Paiva Araújo (Relator) e Gilberto Baptista, que reduziam a multa para o percentual de 75% e, por decorrência, reconheciam a decadência parcial do PIS e COFINS. Fl. 4501DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.502 3 Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. Houve sustentação oral proferida pelo Dr. Wagner Britto V. de Oliveira, OAB/DF Nº 34.210. (documento assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Redator Designado. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator. EDITADO EM: 28/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista (suplente convocado), Wilson Fernandes Guimarães. Fl. 4502DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.503 4 Relatório MARINGÁ PASSAGENS E TURISMO LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1641.000, de31/08/2012, da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP) DRF/SP1, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito. Tratase da impugnação apresentada contra os Autos de Infração, lavrados pela Delegacia de Fiscalização DEFIS de São Paulo/SP, para constituir de ofício o crédito tributário de IRPJ (R$ 7.734.388,25), CSLL (R$ 2.638.177,73), COFINS (R$ 4.341.710,80) e PIS (R$ 999.021,87), de fls. 697/759, totalizando R$ 15.713.298,65, com a incidência de multa de ofício (75%), multa de ofício qualificada (150%) e de juros de mora, calculados até a data do vencimento, devido à apuração de irregularidades relativas aos fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2004, descritas no Termo de Constatação de fls. 682/690. Segundo a fiscalização, conforme cláusula do Contrato Social, a contribuinte se dedicava à atividade de agência de turismo, tendo informado na DIPJ CNAE 63.304/00 (Atividades de Agências de Viagens) e feito opção pelo Lucro Real Anual. Entretanto, a DIPJ foi apresentada em branco, sem qualquer informação quanto ao resultado econômico da atividade e dados patrimoniais desse período de apuração. Na transcrição de Balancete Analítico efetuada no livro Diário – fls. 232/240 (cópias juntadas aos autos), foi verificado que a receita bruta auferida na prestação de serviços, no anocalendário de 2004, seria da ordem de R$ 3.558.126,96 (Conta 0012 – Comissão Turismo Diversos), com a apuração de um prejuízo contábil de R$ 3.163.696,10. Diante da documentação apresentada teriam sido apuradas duas infrações: (i) receitas auferidas em montantes notoriamente superiores àqueles registrados na contabilidade; e (ii) depósitos bancários de origem não comprovada. É a seguinte a descrição fática constante do termo acima referido: No anocalendário de 2004 o contribuinte manteve as conta de depósitos n° 280.610x da agência 33448 do Banco do Brasil S.A., n° 0319130056125 do Banespa S.A., n° 202.3786 da agência 774 do Unibanco S.A., n° 57.4236 da agência 33952 do Bradesco S.A e n° 80.75522.02 da agência Lib. Badaró do Bank de Boston. Através dos Termos de Intimação cientificados em 09/06/2009 (relativo ao Banco do Brasil, fl. 120), e em 14082009 (relativos ao Bank de Boston, Bradesco, Banespa, Unibanco e Itaú, fls. 160, 164, 171), o contribuinte foi intimado para que informasse, em relação aos depósitos e créditos relacionados nos respectivos anexos: Fl. 4503DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.504 5 a) A natureza da(s) operação(ões) ou transação(ões) que deu origem a cada depósito ou crédito em conta corrente, mencionando nome ou a denominação social das pessoas físicas ou jurídicas, o n° do CPF ou do CNPJ, signatárias destas operações ou transações e que efetuaram os referidos depósitos ou créditos; b) Comprovar a regularidade na escrituração de cada uma destas operações ou depósitos/créditos, indicando as contas patrimoniais e de resultado do razão, mencionando a codificação e a denominação contábil, nas quais essas operações foram registradas; c) Colocar a disposição para exame os documentos comprobatórios destas operações, tais como contratos, recibos, faturas, etc. Foi solicitado também para que apresentasse as informações abaixo, caso os recursos recebidos tivessem sido repassados integral ou parcialmente a terceiros: a) Planilha demonstrando o valor recebido pelo contribuinte e os valores repassados, identificando (nome ou a denominação social, CPF ou CNPJ) os seus beneficiários, mencionando a data e o valor do repasse e a que título esses valores foram repassados; b) As contas patrimoniais e de resultado do razão, mencionando a codificação e a denominação contábil, nas quais esses repasses foram registradas; c) Colocar a disposição para exame os documentos comprobatórios quanto a efetividade destes repasses, tais como contratos, recibos, faturas, cópia de cheques, etc. Com relação aos depósitos e créditos supostamente efetuados por companhias aéreas, verificados em conta corrente n° 57.4236 do Bradesco S/A, através do Termo de Intimação de 13/08/2009 (fl. 171), cientificado em 14/08/2009, foi solicitado, ainda, em se tratando de comissões, a comprovação de que a receita fora regularmente submetida a tributação dos tributos e contribuições federais. Em todas as ocasiões o contribuinte foi advertido quanto ao disposto no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, a seguir reproduzido, o qual determina que caracteriza omissão de receitas quando não comprovada a origem dos recursos depositados ou creditados em conta corrente. (...) Considerando que em resposta apresentada em 06/08/2009 relativo aos depósitos e créditos no Banco do Brasil não havia sido prestado qualquer esclarecimento com a indicação das contas patrimoniais e de resultado do razão, com a codificação e a denominação contábil, nas quais esses depósitos e créditos foram registrados (solicitado através do item 1b do Termo de Intimação de 09/06/2009), esse esclarecimento foi reiterado através do Termo de Intimação cientificado em 17/09/2009 (fl.176). Foi solicitado, ainda, esclarecimentos quanto ao esquema de contabilização adotado para o registro do fluxo financeiro da sua atividade de intermediação na venda de passagens aéreas e pacotes de viagens, compreendendo todas as etapas dessa atividade, desde o faturamento relativo a emissão e venda dos bilhetes aéreos ou pacotes terrestres aos clientes da Maringá até o efetivo repasse aos respectivos fornecedores e prestadores de serviços (companhias aéreas, rede hoteleira e demais prestadoras de serviços), indicando o código e a denominação contábil das contas patrimoniais e de resultado debitadas e creditadas em cada etapa. Fl. 4504DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.505 6 Em 22/09/2009 (fl. 181), o contribuinte, sem prestar qualquer destes esclarecimentos, limitouse apenas em afirmar que o objeto social da empresa consiste na prestação de serviços de agenciamento de passagens aéreas e viagens, que os Clientes contratamna para agenciar suas viagens e que a Maringá, por sua vez, utilizando seu conhecimento, verifica as opções, providencia a reserva e a compra dos pacotes em nome de seus clientes. Informou também que a cobrança é feita direta ao cliente através da emissão de Fatura que contém detalhadamente todos os itens do pacote (Hotel, Cia Aérea, Aluguel de Veículos, etc.), os quais são repassados para os Fornecedores e que a Receita da Empresa é derivada da Comissão e apenas esta pode ser considerada como receita própria. Para comprovação dos depósitos e créditos em conta corrente foram apresentadas (em 06/08/2009 ref. Banco do Brasil e em 31/10/2009, ref. demais bancos) planilhas com a indicação das diversas faturas emitidas pelo contribuinte em nome de seus clientes, com a identificação destes, e a indicação do serviço agenciado e os demais dados como o nome do passageiro/hóspede e do fornecedor do serviço que compõe cada um dos créditos e depósitos perquiridos pela fiscalização. Porém, em relação aos depósitos e créditos discriminados no anexo “Depósitos e Créditos em Conta Corrente De Origem Não Comprovada” deste Termo, não foi prestado qualquer esclarecimento pelo contribuinte e nem ficou comprovada mediante a apresentação de documentação hábil e idônea a origem dos recursos depositados ou creditados. Essa constatação inserese na hipótese de omissão de receitas, por presunção legal do artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Considerando que a receita do contribuinte é derivada de comissões e que, conforme informação prestada em 22/09/2009 (fl.182), “apenas esta pode ser considerada Receita Própria e levada em consideração para cálculo do IRPJ, da CSLL, do PIS, da COFINS” através do Termo de Intimação cientificado em 23/10/2009, foi solicitado o demonstrativo mensal dessas receitas, com a indicação do IRRF Imposto de Renda Retido na Fonte devido e recolhido nos termos da IN SRF 153/87. Através da planilha apresentada em 30/09/2009 (fl. 185), devidamente assinada pelo seu representante legal, acompanhada dos respectivos comprovantes relação das faturas/notas fiscais de prestação de serviços, verificouse que o total das receitas de comissões efetivamente auferidas no anocalendário de 2004 somaram na verdade, R$ 24.634.899,03, e não os R$ 3.558.126,96 registradas em sua contabilidade, conforme demonstrado no quadro a seguir: Fl. 4505DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.506 7 Observase que a receita bruta ora verificada é notoriamente desproporcional à receita bruta de R$ 3.558.126,96 e aos custos e despesas correspondentes de R$ 6.365.511,42 registrados na contabilidade do contribuinte, evidenciando claro indício de fraude por ter deixado de refletir a verdade, ocultando ou deixando a quase totalidade de suas receitas operacionais à margem da contabilização. Ademais, não obstante a vultosa receita auferida no período, a DIPJ relativa ao período instrumento através do qual o contribuinte leva ao conhecimento do fisco a ocorrência do fato gerador e, portanto, indispensável ao controle e análise por parte do fisco, conforme vimos, foi apresentada “em branco” sem qualquer informação quanto as suas receitas ou despesas operacionais. Com efeito, o artigo 72 da Lei n° 4.502/64 reza que: “Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento”. Os incisos I e II do artigo 1º da Lei n° 8.137/90, por sua vez, estabelecem que: “Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: I omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; (...)” Mês Barueri São Paulo Rio de Janeiro Santos Campinas Total jan/04 2.223.503,45 187.573,75 50.378,62 12.696,22 2.474.152,04 fev/04 969.773,11 168.286,87 28.926,83 6.502,09 1.173.488,90 mar/04 1.347.330,99 119.471,85 32.507,84 9.124,02 1.508.434,70 abr/04 2.282.881,12 196.740,25 39.710,04 9.813,31 2.529.144,72 mai/04 1.531.476,37 228.201,77 38.562,47 9.864,08 1.808.104,69 jun/04 2.141.761,77 315.178,89 24.370,70 19.496,70 2.500.808,06 jul/04 1.859.821,35 347.118,99 37.489,02 11.151,45 2.255.580,81 ago/04 1.897.389,74 214.564,46 31.054,53 13.797,55 2.156.806,28 set/04 1.728.296,15 217.567,23 22.035,29 11.414,77 1.150,67 1.980.464,11 out/04 1.425.305,55 301.497,45 901,85 1.392,84 1.729.097,69 nov/04 1.653.808,67 112.652,13 60.248,43 2.063,92 1.828.773,15 dez/04 2.334.752,78 337.205,68 18.085,41 2.690.043,87 TOTAL 21.396.101,05 2.746.059,32 383.369,18 104.762,04 4.607,43 24.634.899,02 Fl. 4506DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.507 8 Isto posto, não se insere o presente caso na modalidade de lançamento por homologação prevista no artigo 150 da Lei n° 5.172/66 (CTN), tendo em vista o disposto no final do seu parágrafo 4º: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1° O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2° Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação”. (grifamos) Importante observar que não se verificou também qualquer pagamento antecipado conforme reza o citado artigo 150 ou declaração em DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais dos montantes do imposto de renda devidos por estimativa determinada pelo artigo 2º da Lei n° 9.430/96 e nem do montante eventualmente devido na sua declaração de ajuste anual. O pagamento antecipado, submetendo ao conhecimento da autoridade tributária a ocorrência do respectivo fator gerador mediante apresentação da DIPJ, é requisito próprio dos lançamentos por homologação, conforme pode ser observado na seguinte ementa do Superior Tribunal de Justiça: [transcrição da ementa do julgado pela 1ª Turma do STJ no AgRg no Ag 923805/SC; Min. Rel.: Luiz Fux; DJ 12/11/2008 e de ementas de decisões administrativas] Estas constatações fraude na escrituração contábil, omissão de informações na DIPJ e a falta de pagamento antecipado afastam a aplicabilidade do artigo 150 do CTN ao presente caso, remetendonos ao inciso I do seu artigo 173, o qual elege como marco inicial do direito de constituir o crédito tributário o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado iniciandose a contagem de cinco anos, portanto, a partir de 01/01/2006, desvinculandoo da data da ocorrência do fator gerador 31 de dezembro para apuração anual e 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de Fl. 4507DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.508 9 dezembro no caso de apuração trimestral (art. 1º e 2° da Lei n° 9.430/96) previsto no citado artigo 150. “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Dessa forma, considerando que os dados da escrituração comercial do contribuinte não merecem fé, ao ter deixado de contemplar parte substancial de suas operações, a base de cálculo do imposto de renda deverá ser apurado pelo lucro arbitrado, nos termos do inciso II do artigo 530 e 532 do RIR Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000 de 26 de dezembro de 1999, tomandose como base a receita ora conhecida, sem prejuízo da incidência por reflexo das contribuições devidas e insuficientemente recolhidas. Importante observar ainda, que não foi comprovada a regularidade da escrituração da sua movimentação financeira, relativamente aos depósitos e créditos perquiridos pela fiscalização, com a indicação das contas patrimoniais e de resultado do razão, mencionando a codificação e a denominação contábil nas quais essas operações foram registradas, informações estas reiteradamente solicitadas no curso do procedimento fiscal (subitens 1b e item II dos Termos de Intimação cientificados em 09/06/2009 e em 14/08/2009 e Termo de Intimação cientificado em 17/09/2009). Estabelece o inciso II do artigo 530 do RIR que: "Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n° 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 1°): (...) II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real”. Sobre o lucro arbitrado a jurisprudência administrativa já se posicionou no sentido de que: “OMISSÃO DE PARTE SUBSTANCIAL DAS RECEITAS TRIBUTÁVEIS. DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITA CONTÁBIL/FISCAL Constatada pela Fiscalização a omissão de parte bastante significativa de receitas tributáveis vis a vis os valores declarados, incumbelhe desclassificar a escrita contábil/fiscal eventualmente apresentada pelo contribuinte por ser esta evidentemente inservível para apuração do lucro real (RIR/99, art. 530, II, "b"). Nesses casos, deve a Autoridade arbitrar o lucro da pessoa jurídica, sob pena de fazer incidir os citados Fl. 4508DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.509 10 tributos sobre valores que sabidamente não caracterizam renda (lucro) do contribuinte. O arbitramento considera, por ficção legal, as despesas incorridas pelo contribuinte para a geração da receita omitida. Recurso voluntário a que se dá parcial provimento. (1º CC. /3ª Câmara / ACÓRDÃO 10323.251 em 07.11.2007. Publicado no DOU em: 08.05.2008”.) No quadro a seguir, encontrase resumidamente demonstrado os depósitos de origem não comprovada, a receita bruta de serviços efetiva do período e do IRRF recolhido na fonte incidente sobre as comissões auferidas, nos termos da IN SRF n° 153/87 e passível de dedução do montante a ser apurado. Mês Receita Bruta de Serviços Depósitos não Comprovados Total IRRF IN SRF 153/87 jan/04 2.474.152,04 173.202,26 2.647.354,30 29.314,31 fev/04 1.173.488,90 372.777,51 1.546.266,41 13.465,29 mar/04 1.508.434,70 867.999,31 2.376.434,01 26.807,47 1 Tri 5.156.075,64 1.413.979,08 6.570.054,72 69.587,07 abr/04 2.529.144,72 607.483,49 3.136.628,21 22.311,29 mai/04 1.808.104,69 709.497,78 2.517.602,47 27.945,84 jun/04 2.500.808,06 417.103,99 2.917.912,05 29.267,77 2 Tri 6.838.057,47 1.734.085,26 8.572.142,73 79.524,90 jul/04 2.255.580,81 217.664,25 2.473.245,06 18.313,34 ago/04 2.156.806,28 657.020,22 2.813.826,50 33.442,38 set/04 1.980.464,11 352.542,83 2.333.006,94 29.962,88 3 Tri 6.392.851,20 1.227.227,30 7.620.078,50 81.718,60 out/04 1.729.097,69 448.190,49 2.177.288,18 19.611,33 nov/04 1.828.773,15 297.114,31 2.125.887,46 20.415,27 dez/04 2.690.043,87 342.538,46 3.032.582,33 38.455,27 4 Tri 6.247.914,71 1.087.843,26 7.335.757,97 78.481,87 TOTAL 24.634.899,02 5.463.134,90 30.098.033,92 309.312,44 O demonstrativo de apuração do crédito tributário, dos juros e da multa encontrase no auto de infração que é parte integrante e inseparável do presente Termo de Constatação Fiscal. Ressaltese outrossim que a prestação de informação falsa às autoridades tributárias, mediante a apresentação da DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais omitindo os dados de sua atividade operacional, bem como a omissão ou ocultação de receitas na escrituração contábil e fiscal caracteriza crime contra a ordem tributária prevista nos incisos I e II do artigo 1º da Lei n° 8.137/90, sujeitandoo, em conseqüência, à multa qualificada prevista no artigo 44, parágrafo 1º da Lei n° 9.430/96, sem prejuízo da representação fiscal para fins penais nos termos da Portaria RFB n° 665 de 24 de abril de 2008. Às fls. 691/693 foram juntadas planilhas dos “Depósitos e Créditos em Conta Corrente Não Comprovados”, com discriminação do Banco, Agência, Conta Corrente, Dia, Mês, Ano, Histórico e Valor de cada um dos depósitos. Fl. 4509DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.510 11 Constam do processo também: (i) Termo de Arrolamento de Bens e Direitos (fls. 762/763); (ii) Solicitação e Recibo de Cópia Integral do Processo em 21/12/2009 (fls. 782/785); e (iii) Termo de Vista Processual datado de 07/01/2010 (fls. 787) Cientificada dos lançamentos em 14/12/2009 e intimada a pagar o crédito tributário constituído exofficio, por intermédio de seus advogados e bastantes procuradores, em 13/01/2010, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 794/823, na qual se defende com base nas razões de fato e de direito a seguir expostas. Das razões de Defesa Preliminarmente, afirma a tempestividade da peça de defesa apresentada, e na seqüência, procede a um breve histórico sobre a fiscalização: 1. A autuação fiscal ora atacada decorre de fiscalização federal iniciada por conta do Mandado de Procedimento Fiscal n° 08.1.90.002008070163, de 11 de dezembro de 2008, por meio do qual a Impugnante foi intimada a explicar os depósitos e créditos em suas contas correntes verificados no anocalendário de 2004, referentes às seguintes instituições financeiras: (i) Banco do Brasil, agencia 3344, c.c. 280.610x (cf. Termo de Intimação Fiscal lavrado em 09 de junho de 2009, fls. 120/127) ; (ii) Bank Boston, agência Libero Badaró, c.c. 80.75522.02 (cf. Termo de Intimação Fiscal lavrado em 12 de agosto de 2009, fls. 160/163) ; (iii) Bradesco, agência 33952, c.c. 57.4236; Banespa, agência 319, c.c. 130056125; Unibanco, agência 774, c.c. 202.3786; Banco Itaú, agência 0252, c.c. 55.5743 (cf. Termo de Intimação Fiscal lavrado em 12 de agosto de 2009, fls. 164/170 e Termo de Intimação Fiscal lavrado em 13 de agosto de 2009, fls. 171/173). 2. De acordo com os Termos de Intimação Fiscal acima mencionados, a d. fiscalização solicitou que a Impugnante apresentasse planilhas especificando a natureza das transações que originaram os depósitos e créditos, juntamente com a identificação das pessoas físicas e jurídicas que efetuaram referidas transações, colocando à disposição da d. fiscalização os documentos comprobatórios destas operações. Na hipótese de recursos apenas intermediados pela Impugnante, isto é, recursos recebidos e repassados integral ou parcialmente a terceiros, a d. fiscalização solicitou a identificação e comprovação em separado de tais valores. 3. É importante esclarecer que em Mandado de Procedimento Fiscal anterior (n° 08.1.90.00200701571 1 , de 1° de junho de 2007) a Impugnante já havia sido intimada a apresentar documentos referentes aos exercícios de 2003 e 2004. Dessa forma a d. fiscalização já dispunha dos seguintes documentos: (i) Cópia do Estatuto Social; (ii) Cópia das DIPJ; (iii) Livros de escrituração comercial e fiscal e respectivos arquivos magnéticos; e (iv) Balancetes analíticos das contas patrimoniais e de resultado. 4. Baseado nos documentos previamente apresentados (cf. fls.14/104 dos autos), a d. fiscalização já tinha conhecimento dos evidentes problemas na escrituração comercial e fiscal da Impugnante, uma vez que a incoerência nas informações contidas em cada documento era notória e dispensava profundos questionamentos para se identificar erros primários. 5. Com relação às informações exigidas nos Termos de Intimação Fiscal do presente Mandado de Procedimento Fiscal, a Impugnante foi obrigada a requerer a dilação dos prazos concedidos para apresentação dos documentos devido ao volume Fl. 4510DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.511 12 de informação solicitada (cf. respostas aos Termos de Intimação cientificados em 09/06/2009 e em 14/08/2009, fls. 130/132 e fls. 178/180, respectivamente). Notese que apesar da dificuldade na obtenção dos documentos e no atendimento integral aos questionamentos da d. fiscalização, desde o início, a Impugnante visou colaborar com a d. fiscalização. 6. Não obstante o volume de informações solicitado pela d. fiscalização, a Impugnante apresentou em 06/08/2009 e em 30/10/2009 os extratos bancários referentes às contas correntes mantidas no Banco do Brasil, BankBoston, Banespa, Bradesco, Itaú e Unibanco, acompanhados das respectivas planilhas com a indicação das diversas faturas emitidas que demonstram a origem e a natureza dos créditos e depósitos realizados em sua conta corrente. Além destes documentos, a Impugnante apresentou também os Cadernos de Faturas e Notas Fiscais que comprovam os valores creditados e depositados em cada uma das suas contas correntes (cf. fls. 136/159 e fls. 186/661). 7. A documentação apresentada comprova que parte relevante dos depósitos e créditos nas contas correntes da Impugnante decorre do pagamento de faturas por seus clientes dos serviços contratados, seja transporte aéreo, hospedagem ou outro serviço. Como explicado no decorrer da fiscalização, os valores que transitam nas contas correntes da Impugnante não representam receitas próprias, mas sim receitas de terceiros, i.e. companhias aéreas, hotéis, locadoras de automóveis, etc. 8. Com efeito, a atividade da Impugnante consiste na prestação de serviço de agência turismo, o que significa que os clientes contratam a Impugnante para planejar as suas viagens, incluindo reserva e compra de passagem aérea, acomodação e demais serviços turísticos. Dessa forma, os clientes pagam para a Impugnante o valor do pacote turístico. A Impugnante, por sua vez, repassa os valores para seus fornecedores, sendo remunerada apenas por comissão derivada da intermediação realizada entre os clientes e os fornecedores. 9. A comissão recebida pela Impugnante, a qual se restringe a uma parcela ínfima quando comparada com a movimentação financeira, é sua real receita bruta. Apenas tais valores devem ser considerados para o cálculo dos tributos devidos, i.e. IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. 10. Devido à complexidade e ao volume das informações necessárias para apurar o montante das comissões recebidas pela Impugnante no decorrer do ano de 2004, a d. fiscalização intimou a Impugnante a apresentar demonstrativo mês a mês das comissões recebidas no curso do anocalendário de 2004 e o montante de Imposto de Renda Retido na Fonte (‘IRRF’) recolhido com cópia simples dos DARFs que comprovam sua quitação (cf. Termo de Intimação Fiscal lavrado em 23 de outubro de 2009, fl. 183). 11. Colaborando imediatamente com o Termo de Intimação lavrado em 23 de outubro de 2009, a Impugnante apresentou em 29 de outubro de 2009, uma tabela com as receitas auferidas em função da prestação de serviços de agenciamento de viagens. A tabela apresentada pela Impugnante, apesar de aparentemente destoar das informações contidas nos livros e documentos contábeis e fiscais, reflete o efetivo montante de comissões recebido pela Impugnante, isto é, sua real receita bruta e os respectivos tributos recolhidos sobre tais valores (cf. fl. 185). 12. Em outras palavras, percebendo que sua escrituração contábil e fiscal estava incompleta, pois não refletia a realidade financeira, a Impugnante, com o objetivo de auxiliar a d. fiscalização federal no sentido de apurar a real receita bruta Fl. 4511DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.512 13 auferida no ano de 2004, apresentou tabela com a receita bruta dos serviços prestados por cada um de seus estabelecimentos. 13. Muito provavelmente, caso a Impugnante não tivesse auxiliado a d. fiscalização federal no sentido de apurar a receita bruta auferida no ano de 2004, o lançamento tributário ora atacado sequer teria sido concretizado, pois a escrituração contábil e fiscal da Impugnante não refletia sua realidade econômicofinanceira. 14. Com efeito, sem conhecer a receita bruta auferida pela Impugnante, já que a movimentação financeira nas contas correntes da Impugnante não guarda relação direta com a receita de serviços de agenciamento de viagens, restaria à d. fiscalização federal proceder ao arbitramento do lucro com base no art. 535 do RIR/99. 15. Entretanto, em virtude da colaboração da Impugnante, que reconhece que sua escrituração contábil e fiscal não reflete adequadamente sua realidade econômicofinanceira e não pretende se esquivar de recolher aos cofres públicos a diferença que for efetivamente devida, a d. fiscalização pôde arbitrar o lucro com base no art. 530, II, do RIR/99. 16. Com efeito, para chegar à base de cálculo do IRPJ e da CSLL (lucro arbitrado) a d. fiscalização aplicou os percentuais de 38,4% e 32%, respectivamente, sobre a receita bruta informada pela Impugnante. Por outro lado, como a base de cálculo do PIS e da COFINS é a receita bruta, a d. fiscalização federal também se pautou nas informações prestadas pela Impugnante para proceder à lavratura dos respectivos autos de infração. 17. Ocorre que, como será demonstrado adiante, ao proceder à lavratura dos autos de infração, muito provavelmente percebendo que grande parte do período objeto de fiscalização já havia sido alcançado pela decadência, a d. fiscalização federal fundamentou todo o lançamento tributário arbitrado na suposta existência de evidentes indícios de fraude na escrituração contábil e fiscal da Impugnante, o que, como será tratado adiante, não se pode admitir. 18. Não bastasse isso, além da receita bruta informada pela própria Impugnante no curso da fiscalização, a d. fiscalização federal acrescentou à base de cálculo o montante de R$ 5.463.134,90 (cf. tabela de fls. 683 a 688) relativo a depósitos realizados na conta corrente da Impugnante que supostamente não teriam sido justificados, ou seja, a Impugnante não teria demonstrado a origem e a natureza dos referidos depósitos. 19. Em outras palavras, não obstante a d. fiscalização ter aceito o demonstrativo de entrada de serviços apresentado pela Impugnante para comprovar o valor das comissões recebidas no ano de 2004, tais valores foram acrescidos por “depósitos não comprovados” (cf. fl. 681) para se apurar o total da receita bruta da Impugnante. Nada mais absurdo! 20. É evidente o equívoco presente em tal raciocínio para se apurar a receita bruta da Impugnante, pois o valor constante no demonstrativo de entrada de serviços é fruto de todas as faturas e notas fiscais emitidas pela Impugnante no ano calendário de 2004. Assim, não faz sentido majorar a base de cálculo com valores que na verdade representam receita de terceiros ou mesmo tributar duas vezes os valores das comissões que integram o demonstrativo de entrada de serviços. Os documentos a seguir apresentados comprovarão tal fato. Fl. 4512DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.513 14 21. Apesar do esforço da Impugnante de apresentar as informações solicitadas, a d. fiscalização lavrou o presente auto de infração no qual exigemse os valores apresentados nas tabelas a seguir. Nas tabelas anexadas (doc. 3) destacamse os valores referentes às receitas operacionais, i.e. receita bruta apurada com base no demonstrativo de receita de serviços apresentado pela Impugnante em 29/10/2009 (cf. fl. 185) e os valores dos depósitos bancários de origem não identificada (cf. fls. 683 a 688). 22. Pela simples análise das tabelas anexadas, verificase, desde logo, que a alegação de existência de evidentes indícios de fraude na escrituração contábil e fiscal da Impugnante ‘permitiu’ que a d. fiscalização federal procedesse à lavratura do Auto de Infração com a exigência dos tributos relativos a fatos geradores ocorridos há mais de 05 anos; ademais, foi aplicada a multa qualificada, no percentual de 150% sobre os valores supostamente devidos. 23. Portanto, a descaracterização da fraude fiscal no presente caso é de suma importância, seja para afastar a exigência dos tributos já alcançados pela decadência, segundo a regra prevista no art. 150, §4°, do Código Tributário Nacional, seja para afastar a exigência de multa qualificada, prevista no parágrafo 1º do artigo 44, da Lei n.° 9.430, de 31 de dezembro de 1996, cuja redação foi alterada pelo artigo 14, da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. 24. Nesse contexto, antes de abordar as inúmeras razões pelas quais o Auto de Infração deve ser cancelado, a Impugnante irá demonstrar que as circunstâncias relacionadas à infração supostamente cometida pela Impugnante e carreadas aos autos do presente processo administrativo não caracterizam a ocorrência de fraude. É do que se passa a tratar. Passa a discorrer acerca da não ocorrência da fraude descrita no art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964, na medida em que a autoridade fiscal não provou a prática pela contribuinte de atos com ardil, astúcia, malícia ou máfé, sendo insuficiente a prova de ter a contribuinte deixado de informar e pagar o tributo devido. Transcreve ementa de julgado do Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF) em que foi decidido que “a falta de declaração ou a prestação de declaração inexata, por si sós, não autorizam a qualificação da multa de oficio, que somente se justifica quando presente o evidente intuito de fraude, caracterizado pelo dolo específico, resultante na intenção criminosa e da vontade de obter o resultado da ação ou omissão delituosa, descrito na Lei n° 4.502/64” (Ac. 10323.432 de 17/04/2008). Mais à frente é mencionado também o Acórdão nº 10709.350, publicado em 16/04/2008, que diz que “a qualificação da multa de ofício exige a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo, que não se verifica pela falta de atendimento a intimação fiscal para apresentação de livros e documentos, nem pela omissão na entrega da DCTF”. E ainda o Acórdão nº 10808.591, publicado em 10/11/2005, no qual foi decidido que “o fato de o contribuinte haver apresentado Declaração sem movimento ou com valor inferior ao apurado pela fiscalização não é, por si só, motivo de multa qualificada”. Nas palavras da defesa: Fl. 4513DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.514 15 29. Como se vê, incumbe à d. fiscalização o ônus de comprovar de forma cabal a efetiva intenção dolosa do contribuinte na omissão de receita ou na escrituração equivocada de seus livros contábeis e fiscais. 30. No presente caso, contudo, a d. fiscalização federal considerou que como a receita bruta apurada no curso da fiscalização com total colaboração da própria Impugnante, digase, era “notoriamente desproporcional à receita bruta de R$ 3.558.126,96 e aos custos e despesas correspondentes de R$ 6.365.511,42 registradas na contabilidade do contribuinte” (fls. 677 dos autos do processo administrativo), estaria evidente o indício de fraude. 31. Ademais, o fato de a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (“DIPJ”) referente ao anocalendário de 2004, ter sido apresentada 'em branco' corroboraria a intenção da Impugnante em omitir informações que pudessem levar ao conhecimento do Fisco a base de cálculo dos tributos ora exigidos. 32. Assim, por constatar que as receitas escrituradas nos livros contábeis e fiscais da Impugnante eram desproporcionais à receita bruta informada pela própria Impugnante em 30 de setembro de 2009, e por considerar que a entrega da DIPJ ‘em branco’ evidenciaria o intuito de omitir as informações quanto à ocorrência do fato gerador, a d. fiscalização federal considerou que estaria comprovada a ocorrência de fraude, que (i) deslocaria a regra da contagem do prazo decadencial do disposto no art. 150, §4°, do CTN para o disposto no art. 173, I, do CTN, de forma que o termo inicial seria o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; e (ii) autorizaria a aplicação de multa qualificada, no percentual de 150% sobre os tributos exigidos, com base no parágrafo 1º , do artigo 44, da Lei n.° 9.430/96. 33. Ora, é evidente que o simples fato de a escrituração fiscal e contábil da Impugnante conter vícios, erros e deficiências que a tornavam imprestável para identificar a movimentação financeira e determinar o lucro real ou a entrega da DIPJ ‘em branco’ não evidencia o alegado intuito fraudulento da Impugnante. Pelo contrário, a total divergência entre a escrituração contábil e fiscal da Impugnante e a DIPJ entregue pela Impugnante, por si só, já demonstram a ausência completa de intuito fraudulento. 34. Com efeito, como se mencionou anteriormente, para a caracterização da fraude fiscal é imperioso que esteja configurada a intenção dolosa do contribuinte em ocultar ou reduzir o montante do tributo devido; não basta que o contribuinte, por erro ou incompetência, tenha deixado de informar quaisquer valores em sua DIPJ ou que sua escrituração contábil e fiscal seja incongruente, é imprescindível que seja comprovado que o contribuinte o fez com o claro objetivo de se ‘esquivar’ da tributação. 35. Ora, se a Impugnante pretendesse se esquivar da tributação, fazendo valer o resultado apurado equivocadamente em sua escrituração fiscal e contábil, teria, no mínimo, informado tais valores em sua DIPJ, recolhendo os tributos devidos com base naquelas informações. 36. Não foi o que ocorreu. Se, por um lado, a Impugnante reconheceu que auferia receita bruta mensal pela prestação de serviços de agenciamento de viagens, mediante a emissão de Nota Fiscal de Serviços e o recolhimento, ainda que parcial, do ISS, do PIS, da COFINS e do Imposto de Renda Retido na Fonte (‘IRRF’) sob o código de receita 8045, por outro lado, a Impugnante deixou de proceder à correta escrituração da sua complexa movimentação financeira em seus livros fiscais e Fl. 4514DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.515 16 contábeis e simplesmente deixou de preencher todos os dados de sua DIPJ no ano calendário de 2004. 37. Não bastasse isso, nas Declarações de Créditos e Débitos de Tributos Federais (‘DCTF’) entregues pela Impugnante nos trimestres do anocalendário de 2004, a Impugnante informou os valores recolhidos a título de PIS, COFINS, IRRF e CSLL. 38. Em suma, o que se pode concluir da análise dos fatos ocorridos é que, de fato, houve erros graves na escrituração contábil e fiscal e no preenchimento e entrega da DIPJ da Impugnante em relação ao anocalendário de 2004, mas esses erros decorrem de incompetência do corpo de profissionais da área contábil da Impugnante e não pela presença de intuito fraudulento. 39. Se tivesse intuito fraudulento, a Impugnante certamente teria se utilizado de meios mais elaborados e eficientes para, de forma ardilosa, ocultar a base de cálculo dos tributos devidos. 40. A própria d. fiscalização federal, ao justificar o lançamento por arbitramento da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, afirmou apenas que “os dados da escrituração comercial do contribuinte não merecem fé, ao ter deixado de contemplar parte substancial de suas operações” (fls. 680 dos autos do processo administrativo), mas não tratou da existência de fraude. 41. Tal fato é de suma relevância, pois de acordo com o art. 530, II, do RIR/99 o arbitramento da base de cálculo do IRPJ é cabível quando “a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte [i] revelar evidentes indícios de fraudes ou [ii] contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária ou determinar o lucro real” (destaques e colchetes nossos). 42. Com efeito, a existência de vícios, erros ou deficiências na escrituração fiscal independe da existência de intuito fraudulento, basta que ela se mostre imprestável para determinar a base de cálculo do tributo, no caso o lucro real. 43. Ora, não se questiona que o lançamento por arbitramento era devido, na medida em que a escrituração da Impugnante contém vícios, erros e deficiências que a tornam imprestável para identificar a movimentação financeira e determinar o lucro real. 44. Entretanto, não há como se admitir que o lançamento por arbitramento, com base nas circunstâncias acima descritas, autorize a presunção de ocorrência de fraude. Dizse presunção, pois, como se mostrou, não houve a comprovação do intuito doloso da Impugnante, o que seria imprescindível no presente caso. 45. O que se mostra evidente é que apesar de válido o lançamento por arbitramento realizado pela d. fiscalização federal com base na receita bruta apurada pela imprestabilidade da escrituração fiscal da Impugnante, tal fato, de forma alguma, pode configurar o intuito fraudulento da Impugnante. Conseqüentemente, conforme se passa a demonstrar, impõese a aplicação da regra prevista no art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional e o cancelamento de parte significativa do crédito tributário objeto do auto de infração, tendo em vista a consumação da decadência. Na sequência passa a defender a decadência do crédito tributário, constituído nos lançamentos sob julgamento, e relativo aos fatos geradores ocorridos até Fl. 4515DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.516 17 14/12/2004, com base nos preceitos do art. 150, §4º do CTN, tendo em conta a falta de comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Prossegue a defesa: 50. Assim, no presente caso, é clara a aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 150, §4°, do Código Tributário Nacional, na medida em que o IRPJ, a CSLL, o PIS c a COFINS são, sem dúvida nenhuma, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. 51. Com efeito, a legislação tributária federal atribui ao contribuinte o ônus de apurar a base de cálculo, calcular o montante devido, efetuar o recolhimento e informar a autoridade fiscal sobre a ocorrência do fato gerador e do respectivo recolhimento em relação a todos os tributos objeto do auto de infração. 52. Notese que para efeito de aplicação da regra prevista no art. 150, §4°, do Código Tributário Nacional o que importa é a natureza do lançamento a que está sujeito o tributo e não se houve ou não pagamento, pois o que se homologa é atividade do contribuinte e não o pagamento do tributo. (...) Menciona doutrina e jurisprudência administrativa da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF (Ac. CSRF/0105.427, publicado em 06/08/2007) em favor de seu entendimento, e conclui que, como foi intimada, em 14/12/2009, apenas poderiam subsistir os lançamentos de IRPJ e CSLL relativos ao 4º trimestre de 2004, e de PIS e COFINS de dezembro de 2004. Novamente reitera a impossibilidade de aplicação da multa qualificada de 150%, por não ter a fiscalização logrado êxito em comprovar a fraude nas condutas adotadas pela Impugnante, e por não ter conseguido fazer a subsunção do fato (condutas adotadas) à norma. 67. Com efeito, e como já comprovado à exaustão na seção II, supra, nenhuma fraude se extrai da conduta da Impugnante, cujo erro foi tão somente o de contratar contadores despreparados e imperitos para a realização de seus trabalhos. Os equívocos cometidos na escrituração da Impugnante, aliás, são tão evidentes e primários que deixam claro tratarse de conduta realizada por profissionais claramente incapazes, mas jamais ardilosos e com o intuito fraudulento. 68. A este respeito, vejase que a fraude, pelo seu espectro ilícito (agravante, no caso), carrega consigo uma carga dissimulada, que visa mascarar a realidade de atos ou fatos, com a nítida intenção de evadir a contingência fiscal. O contribuinte que busca fraudar o fisco, portanto, planeja suas condutas dolosa e astutamente de forma a exteriorizar uma realidade falsa, mas quase indefectível. Mascara sua verdadeira situação contábil de forma inteligente, e assim o faz porque tem a real intenção de não ser descoberto e atingir o resultado evasivo, só alcançado pela perfeição das condutas fraudulentas. 69. Nesse sentido, diametralmente oposta a conduta da Impugnante, que a despeito dos diversos erros escriturais, jamais teve a intenção de mascarar dolosamente sua realidade fiscal. Suas condutas não se coadunam com as de quem pretende fazêlo; aliás, as contrariam em absoluto, por chamarem toda a atenção da d. fiscalização federal. Com efeito, quem seria capaz de tentar encobrir a verdade, dando a aparência de real, e, ao mesmo tempo, entregar a DIPJ ‘em branco’? A fraude, o engodo e a simulação são incompatíveis com o estranho, o incomum e com tudo o que parece tortuoso. No que diz respeito ao PIS e à COFINS, diz que teria sido adotada equivocadamente o regime de apuração nãocumulativo: Fl. 4516DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.517 18 74. A atividade da Impugnante é a prestação de serviços de viagem e turismo. Neste sentido, a Lei n° 10.925 de 23 de julho de 2004 estabeleceu um tratamento específico para as receitas decorrentes de tais serviços, no que se refere a incidência de PIS e COFINS. Desta forma, o artigo 5º da mencionada Lei introduziu o inciso XXIV no artigo 10° da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o qual permitiu que as receitas decorrentes da prestação de serviços das agências de viagens e turismo permanecessem sujeitas às normas da legislação da COFINS cumulativa. Tal benefício foi também concedido para o cálculo do PIS sobre as receitas de serviços de viagem e turismo, uma vez que o artigo 15 da Lei n° 10.833/03 foi concomitantemente alterado. 75. Assim, seguindo a lógica da legislação do PIS e da COFINS vigente no ano calendário de 2004, uma pessoa jurídica prestadora de serviços de viagem e turismo, tributada pela sistemática do lucro real (ressaltase tal fato) deveria ter pago a contribuição do PIS de janeiro a julho de 2004 pela sistemática cumulativa deste tributo, i.e. incidindo a alíquota de 1,65% sobre o faturamento; e COFINS de fevereiro a julho pela sistemática cumulativa deste tributo, i.e. incidindo a alíquota de 7,6% sobre o faturamento. 76. As mudanças na legislação do PIS e da COFINS no que se referem às receitas decorrentes da prestação de serviços das agências de viagem e turismo descritas nos parágrafos anteriores fundamentaram o equívoco da d. fiscalização ao aplicar as alíquotas referentes ao PIS e à COFINS nãocumulativos para os meses de janeiro a julho e de fevereiro a julho de 2004, respectivamente. O raciocínio utilizado pela d. fiscalização estaria correto, apenas no caso de a apuração dos tributos devidos ter sido realizada pela sistemática do lucro real. A tributação com base no lucro arbitrado, no entanto, enseja a incidência do PIS e da COFINS pelo regime cumulativo como se demonstrará a seguir. 77. Conforme se verifica nos demonstrativos de apuração dos créditos tributários do presente auto de infração, tanto o IRPJ quanto a CSLL devidos foram calculados com base na sistemática do lucro arbitrado (cf. fls. 689710). Neste sentido, o PIS e a COFINS deveriam também se submeter às regras de apuração do lucro arbitrado. A legislação é clara quanto a este aspecto, pois tanto o artigo 8º da Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002 que dispõe sobre a nãocumulatividade na cobrança do PIS, quanto o artigo 10 da Lei nº 10.833 de 29 de dezembro de 2003, que estabelece as regras de nãocumulatividade da COFINS determinam que as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro arbitrado permanecem sujeitas ao regime cumulativo das referidas contribuições, (...): 78. Desta forma, tanto o PIS quanto a COFINS devidos deveriam ter sido calculados com a aplicação das alíquotas de 0,65% e 3,0% durante todo o ano de 2004. No entanto, a d. fiscalização aplicou a alíquota de 7,60% para calcular a COFINS devida no período de fevereiro a julho de 2004 e a alíquota de 1,65% para apurar o PIS devido nos meses de janeiro a julho de 2004. Notase, portanto, claro equívoco da d. fiscalização, pois não restam dúvidas que tanto o PIS quanto a COFINS deveriam ter sido calculados de acordo com as regras de cobrança cumulativa em todos os meses do anocalendário de 2004. Elabora um demonstrativo do PIS e da COFINS de dezembro de 2004 que considera devidos. Quanto aos depósitos não comprovados, reitera tratarse de inclusão indevida de receitas de terceiros e de tributação em duplicidade de determinadas comissões. Fl. 4517DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.518 19 Diz que, além de ter apresentado os extratos bancários, apresentou também planilhas demonstrativas da origem e natureza dos recursos, cadernos de faturas e notas fiscais, para distinguir os valores que representavam mera intermediação, daqueles valores que deram origem às suas comissões. Em suas palavras: 84. É importante deixar claro que enquanto nas faturas de serviço identificam se os valores que foram cobrados de seus clientes (i.e. os valores referentes a passagens aéreas, hospedagem e transporte terrestre) e repassados para seus fornecedores, isto é, mera receita de terceiros, nas notas fiscais de serviço identificamse os serviços prestados que deram origem as comissões recebidas. Tais informações são complementares para se entender os depósitos e créditos em conta corrente. 85. Não obstante a Impugnante ter apresentado os documentos que auxiliariam a d. fiscalização na reconciliação dos depósitos e créditos em conta corrente com as comissões recebidas e receitas de terceiros, a d. fiscalização solicitou demonstrativo, mês a mês, das receitas auferidas provenientes das comissões no curso do ano calendário de 2004 (cf. Termo de Intimação Fiscal lavrado em 23 de outubro de 2009, fl. 183). 86. De forma a atender a d. fiscalização no prazo determinado, a Impugnante apresentou em 29 de outubro de 2009, demonstrativo dos registros de entrada de serviços, discriminando, mês a mês, as receitas de comissões auferidas pela matriz e filiais, bem como dos tributos recolhidos mensalmente (PIS, COFINS e IRRF) (cf. fl. 185). O demonstrativo apresentado resume todas as informações requeridas individualmente pela d. fiscalização. 87. A tabela apresentada (doc. 04) reconcilia os valores dos “depósitos e créditos não comprovados” com os valores das faturas e notas fiscais de serviço, deixando claro que os “depósitos e créditos não comprovados” estão na verdade incluídos no montante dos R$ 24.634.899,03 declarado pela Impugnante. 88. Por exemplo, o depósito efetuado no Banco do Brasil em 05 de janeiro de 2004, no valor de R$ 110.651,28 referese às faturas (n° 01.45.000573, 01.45.00598, 01.45.000626, 01.45.000839 e 01.45.000840) emitidas em nome da Associação Nacional dos Fabricantes, ANFAVEA (doc.05). 89. Neste sentido, aproveitase para apresentar junto à presente Impugnação cópia das faturas descritas na tabela, organizadas de forma a justificar cada depósito e crédito não comprovado. Isto é, os valores não comprovados nas contas correntes estão desmembrados de forma a demonstrar todas as faturas que os compõem (docs. 05 ao 35). 90. Com relação às Notas Fiscais de serviços prestados, requerse com base no artigo 18, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e no artigo 38, da Lei n° 9.784 de 29 de janeiro de 1999, a realização de diligência ao estabelecimento da Impugnante localizado à Av. São Luiz, n° 165, 10° andar, para averiguação de tais documentos, uma vez que cópias dos documentos originais são ilegíveis. Assim, as notas fiscais descritas na tabela que explicam os valores dos “depósitos e créditos não comprovados” estão à disposição da d. fiscalização para averiguação e comprovação das informações prestadas. 91. Ademais, é importante ressaltar que as informações referentes às notas fiscais já foram juntadas aos autos (cf. fls. 324 até 661). Conseqüentemente, a d. fiscalização pode de imediato conferir a informação contida na tabela acima descrita (doc.04) com a Relação diária de Entrada de Serviços apresentada anteriormente Fl. 4518DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.519 20 pela Impugnante. Por exemplo, na tabela abaixo, selecionouse um depósito decorrente da emissão de notas fiscais do estabelecimento de Barueri, para demonstrar que tais notas fiscais já foram indicadas na listagem de registro de serviços apresentada pela Impugnante no decorrer da fiscalização: (...) 92. A argumentação desenvolvida nos parágrafos anteriores deixa claro que a fiscalização dispunha de duas formas para apuração da receita bruta da Impugnante no ano calendário de 2004; ou seja, (i) segundo a reconciliação dos depósitos e créditos bancários com as informações das faturas e notas fiscais apresentadas pela Impugnante; ou (ii) segundo adoção do valor informado pela Impugnante que resume todas as demais informações, representando o valor consolidado mês a mês das comissões recebidas e excluindo os valores que representam mera receita de terceiros. 93. No entanto, para apuração da receita bruta total da Impugnante, além da receita bruta informada pela própria Impugnante no curso da fiscalização, a d. fiscalização federal acrescentou à base de cálculo o montante de RS 5.463.134,90 (cf. tabela de fls. 683 a 685 dos autos do processo administrativo) relativo a depósitos realizados na conta corrente da Impugnante que supostamente não teriam sido justificados. 94. Em outras palavras, não obstante a d. fiscalização ter aceito o demonstrativo de entrada de serviços apresentado pela Impugnante para comprovar o valor das comissões recebidas no ano de 2004, tais valores foram acrescidos por depósitos não comprovados (cf. fls. 681) para se apurar o total da receita bruta da Impugnante. 95. É evidente o equívoco presente em tal raciocínio para se apurar a receita bruta da Impugnante, pois o valor constante no demonstrativo de entrada de serviços é fruto de todas as faturas e notas fiscais emitidas pela Impugnante no ano calendário de 2004. Assim, não faz sentido majorar a base de cálculo com valores que na verdade representam receita de terceiros ou mesmo tributar duas vezes os valores das comissões que integram o demonstrativo de entrada de serviços. 96. Ademais, as informações adicionais prestadas na tabela (doc. 04) juntamente com as faturas (doc. 05 ao 35) e requerimento de diligência quanto a verificação das notas fiscais, afastam por si só o argumento de que tais depósitos e créditos não foram comprovados. 97. Concluise, portanto, que o valor de R$ 5.463.134,90 acrescido à receita bruta de serviços deve ser cancelado, restringindose o valor total da receita bruta de serviços ao valor de R$ 24.634.899,03. Requer o cancelamento das exigências, e que as intimações sejam encaminhadas, por via postal, ao endereço dos patronos da Impugnante. Às fls. 1678/1683 foi juntado extrato do processo, no qual consta informação de processo administrativo de representação fiscal para fins penais nº 19515005.995/200970. No despacho de encaminhamento do processo para julgamento (fls. 1684), datado de 01/04/2010, a autoridade preparadora manifestouse pela tempestividade da impugnação. Fl. 4519DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.520 21 Há notícia nos autos – fls. 1685, de transferência da competência de julgamento para a DRJ Santa Maria/RS (cf. Anexo Único da Portaria Sutri n° 1.092, de 14 de maio de 2010, publicada no DOU de 17 de maio de 2010). Em 15/06/2010, o Presidente da 1ª Turma de Julgamento da DRJ Santa Maria/RS, mediante o Despacho de fls. 1686/1687, converteu o julgamento em diligência, sob os fundamentos abaixo transcritos: (...) Analisandose os autos, verificase que, para o deslinde da questão e visando a busca da verdade material dos fatos, fazse necessário que a autoridade autuante se manifeste sobre a alegação apresentada, considerando os novos elementos trazidos pela defesa, na fase impugnatória. Diante do exposto e conforme o art. 6º da Portaria MF n° 58, de 17/03/2006, proponho diligência e encaminhamento do presente processo à Delegacia da Receita Federal em São Paulo SP (DEFIS), para confirmar se efetivamente os valores dos depósitos bancários considerados não comprovados no montante de R$ 5.463.134,90 (planilha de fls. 683/685) estão contidos nos valores tributados no montante de R$ 24.634.899,03 a título de receita da prestação de serviços apurada. Solicitase, também, que seja elaborado parecer conclusivo e outros esclarecimentos que julgar necessários para a solução do litígio. Caso seja juntado novos elementos, que seja concedido à interessada o prazo legal de 30 (trinta) dias, para que se manifeste sobre eles. Em 29/07/2010, foi informada a mudança de domicílio tributário da pessoa jurídica, pelo que o processo foi encaminhado para a DRF Barueri/SP (fls. 1690). O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF Diligência foi emitido em 04/10/2010 (fls. 3545), e às fls. 3616/3650, foi juntado o Relatório de Diligência Fiscal elaborado em 22/11/2011, no qual constam as seguintes informações: 5. DA DILIGÊNCIA 5.1 A diligência fiscal teve início em 07/02/2011, com a ciência pessoal da procuradora do CONTRIBUINTE, Patrícia Vieira de Morais Silva RG n° 13.509.208/90 do TERMO DE INÍCIO DE DILIGÊNCIA FISCAL. Dentre os elementos intimados, com prazo de 20 dias corridos para apresentação, foi solicitado que se colocasse à disposição para averiguação no estabelecimento identificado no referido termo, de forma organizada (ordem seqüencial), as notas fiscais originais de serviços prestados que segundo o sujeito passivo são probatórias dos depósitos não comprovados no valor total de R$ 5.463.134,90, objeto de lançamento no auto de infração, conforme relatado no processo n° 19515.005831/200942, bem como as demais Notas Fiscais que compõem a receita total do anocalendário de 2004. 5.2 O sujeito passivo, por meio de carta protocolada nesta repartição pública federal, em 28/02/2011, requereu prazo adicional de 20 dias, contados a partir desta, para cumprimento integral do quanto solicitado pelo TERMO DE INÍCIO DE DILIGÊNCIA FISCAL de 04 de fevereiro de 2011. 5.3 Em 01/03/2011, foi lavrado TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL nº 001, em que foi concedido prazo de 20 (vinte) dias corridos a partir do referido protocolo citado no item anterior deste relatório para atendimento integral dos elementos já intimados no TERMO DE INÍCIO DE DILIGÊNCIA FISCAL de 04 de fevereiro de 2011. Fl. 4520DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.521 22 5.4 Em 21/03/2011, o sujeito passivo, por meio de carta protocolada nesta repartição pública federal, informou que estava apresentando todos os documentos solicitados e que também cumpriu integralmente o quanto solicitado pela fiscalização responsável pela execução do Mandato de Procedimento Fiscal MPF identificado acima. 5.5 Foi lavrado por esta fiscalização TERMO DE CONSTATAÇÃO E INTIMAÇÃO FISCAL, em 30/03/2011, em que se CONSTATAM os seguintes fatos: “a.) Não foi atendido o item n° 1 do Termo de Início de Diligência Fiscal que foi: ‘Apresentar em meio magnético no formato ‘excel’, planilha (Intitulada como RELAÇÃO DE DEPÓSITOS E CRÉDITO EM CONTA CORRENTE), conforme apresentada na impugnação ao auto de infração no referido processo às folhas de 923 a 952 (em anexo a este termo, segue cópia da primeira folha da planilha)”; b.) Não foram autenticados os arquivos, conforme o solicitado no Termo de Início de Diligência Fiscal que foi: ‘Todos os arquivos digitais deverão ser autenticados utilizandose o Sistema Validador e Autenticador de Arquivos Digitais SVA; e INTIMOU: a.) Item 1 do Termo de Início de Diligência Fiscal lavrado em 04/02/2011; b.) Apresentar em meio magnético no formato ‘excel’, planilha (intitulada como REGISTRO DE ENTRADA DE SERVIÇOS), conforme apresentada pelo CONTRIBUINTE na impugnação ao auto de infração do referido processo acostado às folhas de 324 a 599 dos volumes 02 a 03 e anexos de 01 a 06 (em anexo a este termo, segue cópia da primeira folha da planilha); c.) Os arquivos já entregues e os solicitados neste termo devem estar acompanhados de recibo de autenticação gerado no Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais (SVA), devidamente assinado pelo representante legal da empresa. 5.6 O contribuinte protocolou carta nesta Delegacia da Receita Federal em Barueri/SP, em 11/04/2011, e apresentou: (a) planilha, em arquivo magnético, formato ‘excel’, intitulada REGISTRO DE ENTRADA DE SERVIÇOS, constantes às fls. 324 a 661 dos autos do processo administrativo (volumes 02 a 04) e (b) recibo de autenticação gerado no Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, relativo às Notas Fiscais de Serviços emitidas, devidamente assinado pelo representante legal da Requerente. 5.7 Em 11/04/2011, foi lavrado TERMO DE CONSTATAÇÃO E RE INTIMAÇÃO FISCAL, no qual constou a seguinte CONSTATAÇÃO: “O contribuinte por intermédio de seu procurador, Marcelo Muratori RG n° 32.925.2197 SSP/SP, apresentou carta de 11/04/2011, assinada pelo procurador Maurício de Carvalho Silveira Bueno, RG n° 21.253.7222 SSP/SP, em resposta ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal lavrado em 31/03/2011. O código de Identificação Geral dos Arquivos constantes do CD apresentado junto à referida carta não confere com o do recibo de autenticação apresentado junto à referida carta, relativo às Notas Fiscais de Serviços emitidas. Também não confere a quantidade de arquivos constantes no referido recibo com a do referido CD”. O contribuinte foi intimado a apresentar: Todos os arquivos magnéticos solicitados nos termos anteriores, que devem estar acompanhados de recibo de autenticação gerado no Fl. 4521DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.522 23 Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais (SVA), devidamente assinado pelo representante legal da empresa, bem como códigos coincidentes ao do CD a ser apresentado. 5.8 Em 29/04/2011, foi lavrado TERMO DE CONSTATAÇÃO E REINTIMAÇÃO FISCAL, no qual constou a seguinte CONSTATAÇÃO: “1. Em 30/03/2011, foi apresentado, pela procuradora do contribuinte Patrícia Vieira de Morais, portadora da cédula de identidade RG n° 13.509.742 SSP/SP, arquivo em meio magnético, no formato ‘excel’ da planilha (intitulada como RELAÇÃO DE DEPÓSITOS E CRÉDITO EM CONTA CORRENTE); 2. O contribuinte por intermédio de seu procurador, Marcelo Muraron, RG n° 32.925.2197 SSP/SP, apresentou carta de 11/04/2011 assinada pelo procurador Maurício de Carvalho Silveira Bueno, RG n° 21.253.7222 SSP/SP, em resposta ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal, lavrado em 31/03/2011, em que consta: (a) planilha, em arquivo magnético, formato ‘excel’, intitulada REGISTRO DE ENTRADA DE SERVIÇOS, constantes às fls. 324 a 661 dos autos do processo administrativo (volumes 02 a 04), no entanto, havia sido intimado por meio do Termo de Constatação e Intimação Fiscal, lavrado em 31/03/2011, “a apresentar em meio magnético no formato ‘excel’, planilha (intitulada como REGISTRO DE ENTRADA DE SERVIÇOS), conforme apresentada pelo CONTRIBUINTE durante a fiscalização que gerou o auto de infração do referido processo acostado às folhas de 324 a 599 dos volumes 02 a 03 e anexos de 01 a 06 (em anexo a este termo, segue cópia da primeira folha da planilha)”. Portanto, não foi apresentada a parte da planilha constante dos anexos de 01 a 06, conforme apresentada pelo CONTRIBUINTE durante a fiscalização que gerou o auto de infração do referido processo. Desta forma, REITIMAMOS o CONTRIBUINTE acima identificado a apresentar, no prazo de 5 (cinco) dias úteis, os seguintes elementos abaixo especificados: Arquivo em meio magnético, no formato ‘excel’, da planilha (intitulada como REGISTRO DE ENTRADA DE SERVIÇOS), conforme apresentada pelo CONTRIBUINTE na impugnação ao auto de infração do referido processo acostado às folhas dos anexos de 01 a 06. 5.9 O contribuinte protocolou carta nesta Delegacia da Receita Federal em Barueri/SP, em 06/05/2011, e apresentou: (1) planilha, em arquivo magnético, formato ‘excel’, intitulada REGISTRO DE ENTRADA DE SERVIÇOS nos moldes das planilhas impressas (Anexos 01 a 06 do processo administrativo), referentes aos estabelecimentos localizados nos Municípios de Barueri, São Paulo, Rio de Janeiro, Santos e Campinas; (2) Adicionalmente, apresentase neste ato os arquivos digitais contendo os dados relativos às Notas Fiscais de Serviços emitidas por todos os estabelecimentos (Barueri, São Paulo, Rio de Janeiro, Santos e Campinas) da Requerente no anocalendário de 2004, juntamente com os respectivos recibos de autenticação gerado no Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais ("SVA"), devidamente assinados pelos representantes legais da Requerente. 5.10 Em 11/07/2011, foi lavrado TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL n° 002, no qual intimou o CONTRIBUINTE a apresentar: (1) Tabela conforme a apresentada na folha 809 do referido processo (cópia anexa da folha 809) para todos os depósitos e créditos não comprovados (apurados no auto de infração deste processo em tela) com o número da nota fiscal indicadas na listagem de registro de serviços apresentada pela Impugnante no decorrer da fiscalização e o número da folha do processo que está localizada; (2) Cópias de todas as notas fiscais, conforme cópia anexa já fornecida a esta fiscalização no curso desta diligência pelo contribuinte acima identificado, que foram indicadas no documento 04 apresentado pelo Impugnante (folhas 923 a 952 do referido processo). Fl. 4522DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.523 24 5.11 O CONTRIBUINTE protocolou carta nesta Delegacia da Receita Federal em Barueri/SP, em 10/08/2011, onde solicitou a concessão de prazo suplementar de 10 (dez) dias para apresentação dos documentos solicitados pela fiscalização em Termo de Intimação Fiscal n° 02 de julho de 2011. Na própria carta foi concedido o prazo solicitado pelo SUJEITO PASSIVO. 5.12 Em 26/08/2011, o CONTRIBUINTE protocolou carta nesta repartição Pública Federal e apresentou: 5.12.1. Planilhas em arquivo ‘excel’ referentes aos depósitos e créditos não comprovados, com a indicação da Nota Fiscal e das respectivas folhas dos autos devidamente autenticadas pelo Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, bem como os respectivos recibos de entrega (doc. 01); 5.12.2. Cópia de todas as Notas Fiscais de Serviços referentes aos depósitos mencionados no item anterior (doc. 02). 5.13 Em 01/11/2011, o CONTRIBUINTE protocolou carta nesta repartição Pública Federal e apresentou, segundo o sujeito passivo: 5.13.1 1 (um) CDROM contendo planilha em arquivo ‘Excel’ referente aos depósitos e créditos não comprovados, com a indicação da Nota Fiscal e das respectivas folhas dos autos. Referido documento contempla a retificação e revisão das informações anteriormente apresentadas pela Requerente (doc. 01); 5.13.2 1 (um) CDROM contendo todas as Notas Fiscais de Serviços referentes aos depósitos mencionados no item anterior (doc.02). 5.13.3 Os CDRoms foram autenticados pelo Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais (docs 03 e 04). 6. DO PARECER 6.1 Conforme solicitação do Sr. Presidente da 1ª Turma de Julgamento, analisamos por meio da documentação apresentada pelo CONTRIBUINTE acima identificado, durante este procedimento de diligência, se efetivamente os valores dos depósitos bancários considerados não comprovados no montante de R$ 5.463.134,90 (planilha de fls. 683/685 deste processo nº 19515.005831/200942) estão contidos nos valores tributados no montante de R$ 24.634.899,03 a título de receita de prestação de serviços apurada. 6.2 Foi verificado que os valores depositados referentes às faturas ou recibos, indicados na planilha (fls. 923/952 deste processo nº 19515.005831/200942) como tipo Fatura FT ou Recibo RC apresentada pelo CONTRIBUINTE na impugnação ao Auto de Infração no valor total de R$ 30.098.033,93, não estão contidos nos valores tributados no montante de R$ 24.634.899,03 a título de receita de prestação de serviços apurada que só contém Notas Fiscais. 6.3 Os CDs apresentados pelo CONTRIBUINTE, em 01/11/2011, não contêm todas as Notas Fiscais indicadas pelo CONTRIBUINTE na planilha RELAÇÃO DOS DEPÓSITOS E CRÉDITOS EM CONTA CORRENTE acostado às (fls 923 a 952 deste processo). Também na planilha apresentada na mesma data, referente aos depósitos e créditos não comprovados, com a indicação da Nota Fiscal e das respectivas folhas dos autos, algumas Notas Fiscais indicadas na referida planilha não fazem parte do Resumo Registro de Entradas de Serviços (fls. 323 até 661 deste processo). Estas situações são descritas no ANEXO I, integrante deste Relatório. Fl. 4523DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.524 25 6.4 Também foi verificado que para alguns depósitos as Notas Fiscais apresentadas não estão contidas nos valores tributados no montante de R$ 24.634.899,03 a título de receita de prestação de serviços apurada ou não são hábeis para justificar o depósito, pois não têm valores coincidentes e/ou têm datas de emissão posteriores às dos depósitos. Estas situações são descritas no ANEXO I, integrante deste Relatório. 6.5 No ANEXO I, integrante deste Relatório, relatamos as análises feitas dos documentos (Notas Fiscais) apresentados pelo CONTRIBUINTE, durante esta diligência, indicados na planilha RELAÇÃO DOS DEPÓSITOS E CRÉDITOS EM CONTA CORRENTE acostado às (fls 923 a 952 deste processo) como justificativas dos depósitos bancários considerados não comprovados no montante de R$ 5.463.134,90, bem como outras análises necessárias para a solução do litígio. Nas análises dos depósitos bancários foram verificadas as situações descritas nos itens anteriores 6.2, 6.3 e 6.4 deste relatório. 7. DA CONCLUSÃO 7.1 Neste procedimento pudemos concluir que a parcela de R$ 5.267.048,33 dos depósitos bancários considerados não comprovados no montante de R$ 5.463.134,90 ou não têm documentos hábeis para justificar os depósitos e/ou não fazem parte dos valores tributados no montante de R$ 24.634.899,03 a título de receita de prestação de serviços apurada, conforme as análises feitas no ANEXO I, integrante deste Relatório. 7.2 Para a parcela restante dos depósitos, que não foram relacionados no ANEXO I, foram apresentados documentos com datas e valores coincidentes aos dos depósitos e estes valores constam dos valores tributados no montante de R$ 24.634.899,03 a título de receita de prestação de serviços apurada. Também houve valor de depósito somado em duplicidade que foi incluído no montante de R$ 5.463.134,90. Cientificada do resultado do procedimento de diligência fiscal, em 01/12/2011 (fls. 3658), a contribuinte solicitou vista e cópia integral do processo, em 27/12/2011 (fls. 3656 e 3663), e apresentou aditamento à impugnação de fls. 3664/3677, em 02/01/2012, na qual expõe em sua defesa os seguintes argumentos: • Que, no curso do procedimento de diligência, entregou todos os documentos e forneceu todas as informações solicitadas; • Que juntamente com a petição de fls. 3554 apresentou em 01/11/2011: (i) 1 CDRom contendo planilha ‘excel’ referente aos depósitos e créditos não comprovados, com a indicação da Nota Fiscal e das respectivas folhas dos autos; e (ii) 1 CDRom contendo cópia digitalizada de todas as Notas Fiscais de Serviços referentes aos depósitos supostamente não identificados; • Que a documentação apresentada era suficiente para comprovar as alegações da Impugnante, mas a fiscalização teria admitido como identificados e inseridos no montante tributável de R$ 24.634.899,03, apenas uma pequena parcela dos depósitos; • Que numerou os 107 (cento e sete) depósitos bancários analisados no Anexo I do Termo de Encerramento da Diligência Fiscal e elaborou planilha própria para facilitar a compreensão dos esclarecimentos a serem feitos; Fl. 4524DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.525 26 Explicita, então, à fundamentação adotada pela fiscalização, para não ter admitido como identificado ou como incluído no montante já tributado, cada um dos depósitos bancários, nos seguintes termos: 10. Basicamente, o Sr. Auditor Fiscal utilizou 5 (cinco) argumentos principais para considerar que os depósitos bancários alegadamente não identificados no montante de R$ 5.463.134,90 não deveriam ser excluídos da base de cálculo da autuação: (i) Faturas ou recibos que não estariam contidos nos valores tributados: Depósitos Bancários n.°s 3, 4, 5, 7, 14, 15, 16, 21, 22, 23, 25, 27, 28, 29, 30, 33, 35, 41, 46, 47, 52, 55, 65, 70, 71, 82, 89, 95, 101. Segundo a defesa, como não há apontamentos, correlação de documentos ou mesmo planilha a sustentar as afirmações da fiscalização, esta seria uma conclusão injustificada. Assevera que os 28 (vinte e oito) depósitos, a totalizar R$ 2.276.023,88, referemse a pagamentos de faturas emitidas em nome de seus clientes, para a cobrança de valores devidos pelos pacotes turísticos vendidos (passagens aéreas, estadias de hotel, aluguel de carro, etc). Apesar de a fiscalização reconhecer que tais depósitos se referem a faturas ou recibos, emitidos pela Impugnante em nome de seus clientes, não admite que representam receitas de terceiros, conforme esclarecido no curso do procedimento fiscal. Para a fiscalização, “tais valores não estão incluídos no montante de R$ 24.634.899,03 a título de receita de prestação de serviços apurada que só contém Notas Fiscais” (item 6.2 do Parecer Conclusivo). E prossegue: 17. Ora, os pagamentos feitos por clientes relativos a faturas ou recibos de 'pacotes turísticos', como é o caso de todos os depósitos bancários incluídos neste item, não representam receita própria da Impugnante, mas sim receita dos seus 'fornecedores', companhias aéreas, hotéis, locadoras de automóveis etc, a que a Impugnante repassava tais valores. 18. É evidente que somente quando a Impugnante emite Notas Fiscais não Faturas ou Recibos é que se está diante de receita própria; nas demais situações, os depósitos bancários devem ser considerados como receitas de terceiros. 19. De fato, a remuneração da Impugnante é apenas a comissão cobrada pela intermediação dos ‘pacotes turísticos’, não todos os valores que transitam em sua conta corrente e são transferidos aos seus fornecedores. A lógica é bastante simples: (i) quando os depósitos se referem a Faturas ou Recibos emitidas pela Impugnante a seus clientes, os respectivos valores não são receitas próprias da Impugnante, portanto, não podem ser incluídos na base de cálculo do Auto de Infração; (ii) quando os depósitos se referem a Notas Fiscais emitidas pela Impugnante a seus fornecedores ou clientes, os respectivos valores representam receitas próprias da Impugnante decorrentes da prestação de serviços de intermediação de ‘pacotes turísticos’, portanto, já compõem o valor de R$ 24.634.899.03 incluído na base de cálculo do Auto de Infração. 20. Diante disso, considerando que a totalidade dos depósitos bancários objeto deste item referemse a faturas pagas pelos clientes da Impugnante, cujos respectivos recursos foram devidamente transferidos aos fornecedores da Fl. 4525DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.526 27 Impugnante, o montante total de R$ 2.276.023,88 deve ser prontamente excluído da base de cálculo do Auto de Infração, tendo em vista que foram devidamente identificados e não se configuram receita própria da Impugnante. (ii) Datas de emissão dos documentos são posteriores à data do depósito: Depósitos Bancários n.°s 1, 8, 9, 18, 19, 20, 24, 26, 31, 32, 34, 36, 37, 38, 43, 45, 54, 58, 59, 63, 64, 75, 80, 81, 90, 94, 96, 98, 102, 103. Sob tal justificativa, não foram admitidos 30 depósitos no valor de R$ 1.255.244,95. Para a defesa, é natural e próprio das relações comerciais que os pagamentos pela prestação dos serviços sejam feitos em datas distintas das emissões dos documentos fiscais, principalmente quando se trata de agenciamento de viagens. No caso da intermediação de aquisição de passagens aéreas, por exemplo, a empresa procede à aquisição das passagens para os clientes, e a remuneração é feita pela companhia aérea, com base em levantamento periódico feito pela Impugnante ou pela própria companhia aérea, para fins de emissão das Notas Fiscais de Prestação de Serviços, fatos que podem ocorrer em dias completamente distintos. Colaciona o seguinte exemplo: 26. A título ilustrativo, vale verificar os dados relacionados ao depósito bancário descrito no Item n.° 36, relativo à prestação de serviços da Impugnante para a VRG Linhas Aéreas: • Valor do depósito: R$ 12.130,55; • Data do depósito: 23/04/2004; • Nota Fiscal de Serviços Tributados emitida em 26/04/2004, no valor de R$ 12.130,55; • Registro de Entrada de Serviços em nome da VRG Linhas Áreas (razão social da Gol Linhas Aéreas): 26/04/2004. 27. O que se pode perceber, Ilustres Julgadores, é que no dia 23 de abril de 2004 (sextafeira) a VRG Linhas Aéreas transferiu à conta corrente da Impugnante o montante de R$ 12.130,55. A Impugnante, por sua vez, emitiu a respectiva Nota Fiscal de Serviços no mesmo valor no dia 26 de abril de 2004 (segundafeira seguinte), registrando referido documento fiscal em seu Livro de Registro de Entrada de Serviços. 28. Não é necessário muito esforço para se concluir que o mencionado depósito bancário realizado pela VRG Linhas Aéreas referese à remuneração pelo serviço prestado pela impugnante, escriturado através da Nota Fiscal emitida no dia útil seguinte. 29. Apesar disso o Sr. Auditor Fiscal concluiu que, por conta da diferença de 2 (dois) dias entre a data do depósito bancário e a data da emissão da Nota Fiscal de Serviços, o referido documento fiscal não seria hábil para justificar o depósito bancário. Esse mesmo raciocínio foi adotado em relação a todos os depósitos bancários indicados neste item. 30. Ora, o rigor utilizado pelo Sr. Auditor Fiscal para justificar a manutenção dos valores relativos aos depósitos bancários na base de cálculo do Auto de Infração é desarrazoado e desproporcional, pois baseiase em formalidade para se afastar da verdade material. Fl. 4526DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.527 28 31. Com efeito, ficou provado de forma cristalina que os depósitos bancários identificados na conta bancária da Impugnante no montante de R$ 1.255.244,95 referemse a Notas Fiscais que já foram levadas à tributação, mediante a lavratura do Auto de Infração com arbitramento da base de cálculo no montante de R$ 24.634.899.03. Nesse sentido, não como se admitir a inclusão de tais valores na base de cálculo do mesmo Auto de Infração, sob pena de se estar diante de verdadeiro bis in idem. 32. De qualquer forma, o mais importante é que, a par da singela diferença entre a data do depósito bancário e a data da emissão do documento fiscal, todos os demais dados são coincidentes, razão pela qual esta Colenda 1ª Turma da DRJ/STM poderá se valer do parecer conclusivo do Sr. Auditor Fiscal para excluir os valores indicados neste item da base de cálculo do Auto de Infração. (iii) A soma dos valores dos documentos apresentados não coincide com o valor do depósito, portanto, não são hábeis para justificar o depósito: Depósitos Bancários n.°s 11,12, 40, 42, 44, 50, 51, 53, 57, 60, 62, 66, 67, 69, 78, 84, 88, 99, 105 e 107. Justifica a contribuinte a diferença de valores, por conta de descontos ínfimos concedidos pela Impugnante às companhias aéreas, em virtude da longa relação comercial com elas mantida, que não estão discriminados nas Notas Fiscais. No entanto, entende que todas as outras informações relacionadas são mais do que suficientes para a identificação dos depósitos, conforme planilha abaixo transcrita: Nº Valor Depositantes Soma dos Docs Diferença (dep. a menor) Percentual de Desc. Fls. 11 22.639,98 TAM 29.624,02 6.984,04 23,58% 390 12 274.033,50 GOL 282.991,13 8.957,63 3,17% 377, 388/9 40 31.325,00 British Airways 35.581,95 4.256,95 11,96% 420, 428, 444, 449, 470 42 10.746,85 GOL 11.302,77 555,92 4,92% 457 44 19.732,15 TAM 20.158,04 425,89 2,11% 455/6 50 9.943,00 DEL 9.999,79 56,79 0,57% 461, 469, 479 51 22.410,95 Continental 23.192,46 781,51 3,37% 461, 469, 479 53 18.070,57 GOL 18.069,42 1,15 0,01% 491/2 57 57.592,54 GOL 57.788,64 196,10 0,34% 498/508 60 19.125,92 TAM 19.275,66 149,74 0,78% 49, 498, 503 62 38.047,58 TAM 39.215,15 1.167,57 2,98% 503 66 14.648,96 GOL 14.648,63 0,33 0,00% 522/3 67 275.948,23 TAM 278.980,28 3.032,05 1,09% 524/530 69 39.316,46 TAM 39.924,55 608,09 1,52% 523 78 14.772,87 TAM 15.212,46 439,59 2,89% 575 84 17.632,30 GOL 17.968,69 336,39 1,87% 587/8 88 77.420,99 GOL 80.251,15 2.830,16 3,53% 588, 595/6 99 19.768,74 GOL 20.594,55 825,81 4,01% 625 105 7.311,94 GOL 7.641,18 329,24 4,31% 649 107 120.886,35 GOL 120.895,70 9,35 0,01% 651/57 1.111.374,88 1.143.316,22 31.944,30 2,79% E prossegue: Fl. 4527DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.528 29 36. Como se pode perceber, na esmagadora maioria dos casos, as diferenças verificadas não chegam nem a 1% do valor da Nota Fiscal emitida pela Impugnante. Notese, por oportuno, que em todos os casos o valor do depósito é menor do que o valor das Notas Fiscais, o que evidencia o caráter de bonificação da redução do preço pago. 37. Vejase que na soma geral dos depósitos ‘não identificados’ e da soma das Notas Fiscais, a diferença ficou em 3%, que é um percentual de desconto comum no mercado de agências de turismo, assim como o seria para qualquer ramo empresarial. 38. Notese, por relevante, que ao assim proceder, a Impugnante agiu da forma mais conservadora possível no que se refere ao recolhimento do Imposto Sobre Serviços (‘ISS’), de competência municipal. Isso porque, sendo o valor das notas fiscais maior do que o valor dos depósitos, a Impugnante acabou por deixar de excluir da base de cálculo do imposto municipal o valor do desconto. 39. Disso decorre que, pelas mesmas razões indicadas na seção II, supra, é imperioso que seja excluído da base de cálculo do Auto de Infração o montante de R$ 1.111.374,88, haja vista que tal montante referese a depósitos que (i) foram devidamente identificados; e que também (ii) constam do Registro de Entradas de Serviços, o que significa que se encontra dentro da receita bruta global de R$ 24.634.899,03 já levada à tributação. (iv) O valor do documento apresentado para justificar o depósito não é coincidente com o valor do depósito: Depósitos Bancários n.°s 48, 49, 69, 72, 73, 74, 77, 79, 83, 85, 86, 87, 91, 93, 97, 100, 104 e 106. Mais uma vez as diferenças entre os valores das Notas Fiscais e dos depósitos bancários, correspondentes aos pagamentos das comissões, são justificadas pelos descontos concedidos às Companhias Aéreas. Nova planilha é apresentada para demonstrar a vinculação entre os depósitos e as notas fiscais emitidas e já tributadas de ofício, no montante de R$ 24.634.899,03: (v) O desconto indicado para a Nota Fiscal não consta do referido documento apresentado e sem considerar o valor total dos documentos apresentados para justificar este depósito não coincide com o valor do depósito: Depósitos Bancários n.°s 2, 10,13, 17 e 39. A argumentação é reiterada, com a demonstração abaixo acerca da vinculação entre os depósitos e as Notas Fiscais emitidas e tributadas no montante de R$ 24.634.899,03: E prossegue: 48. Novamente o Sr. Auditor Fiscal se prendeu à questões exageradamente formais, por necessariamente vincular a concessão de desconto ao parceiro comercial da Impugnante com a sua expressa menção na Nota Fiscal. Mesmo que se entenda que tal ausência é irregular do ponto de vista da legislação municipal que estipula as regras das Notas Fiscais de Serviços, não se pode chegar ao absurdo de exigir tributos federais, acrescidos de multas e juros em decorrência desta falha. 49. Salta ainda mais aos olhos quando se verifica que descontos de R$ 10,52 (n.° 2) ensejaram a manutenção em duplicidade de um depósito de R$ 31.275,49 na base de cálculo do auto de infração. Fl. 4528DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.529 30 Mais uma vez se constata que o Sr. Auditor Fiscal utilizouse de rigor excessivo para justificar a exigência tributária em duplicidade da Impugnante em total detrimento ao princípio da verdade material, o que não pode ser admitido por essa C. 1ª Turma da DRJ/STM. E conclui: 55. Nesse contexto, o que ficou evidente é que a inclusão do montante de R$ 5.463.134,90 (cf. tabela de fls. 683 a 685 dos autos do processo administrativo) na base de cálculo do Auto de Infração lavrado contra a Impugnante foi totalmente equivocada e deve ser prontamente afastada por esta C. 1ª Turma da DRJ/STM. 56. Com efeito, como se demonstrou, os valores dos depósitos bancários tidos pela d. fiscalização federal como ‘não identificados’, na verdade, referemse (i) ao pagamento faturas ou recibos por clientes da Impugnante, relativos a ‘pacotes turísticos’ agenciados pela Impugante, sendo que os respectivos valores não configuram receita própria da Impugnante, tendo sido repassados aos seus ‘fornecedores’; ou (ii) ao pagamento de Notas Fiscais emitidas pela Impugnante, as quais já tinha sido incluídas no lançamento tributário por arbitramento da base de cálculo. 57. Ora, não obstante a d. fiscalização federal ter aceito o demonstrativo de entrada de serviços apresentado pela Impugnante para comprovar o valor das comissões recebidas no ano de 2004, tais valores foram acrescidos por depósitos bancários supostamente ‘não comprovados’ (cf. fl. 681) para se apurar o total da receita bruta da Impugnante. Em 11/01/2012, cf despacho de fls. 3733, o processo foi encaminhado à DRJ Santa Maria/RS. Entretanto, devido à extinção daquele órgão de julgamento pela Portaria RFB nº 1.916,l de 2010, o processo foi restituído à DRJ São Paulo, órgão julgador com a competência originária para apreciação do feito, em 21/03/2012. A 2ª Turma da DRJ em Campo Grande/MS analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 0433.522, de 17/09/2013 (fls. 1636/1643), considerou parcialmente procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO. Contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário, nos casos em que, apesar de a lei prever o pagamento antecipado da exação, a pessoa jurídica não apura, não declara e não paga o tributo devido, e também quando constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação do contribuinte. MULTA QUALIFICADA A omissão expressiva, reiterada e sistemática, de 86% das receitas auferidas, não apenas na escrituração comercial, mas também nas declarações em que deveria informar a apuração Fl. 4529DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.530 31 das bases de cálculo (DIPJ e DACON) e os tributos e contribuições devidos (DCTF), caracteriza conduta dolosa tendente a impedir ou retardar o conhecimento pelo Fisco Federal da ocorrência dos fatos geradores. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. LANÇAMENTO VERSUS DILIGÊNCIA É vedada qualquer alteração no critério jurídico adotado pela autoridade administrativa no exercício do lançamento, quer pela autoridade responsável pela diligência, quer pela própria autoridade julgadora. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS DE COMISSÕES E DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO IDENTIFICADA. Na análise da documentação apresentada com a impugnação para comprovar a origem dos recursos depositados na conta corrente da contribuinte autuada deve ser adotado o mesmo critério jurídico adotado pela autoridade administrativa no exercício do lançamento. Deve ser mantida a exigência apenas quando a divergência de valores entre os depósitos e a documentação comprobatória não passar pelo crivo adotado pela autoridade fiscal responsável pelos lançamentos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 MATÉRIA NÃO LITIGIOSA. OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS DE COMISSÃO. NOTA FISCAL DE SERVIÇOS. Não se instaura o litígio em relação à matéria com a qual a contribuinte autuada manifesta expressamente a sua concordância. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Verificada a omissão de receita, o valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. PIS. COFINS. LUCRO ARBITRADO. REGIME CUMULATIVO. Fl. 4530DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.531 32 As pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro arbitrado sujeitamse ao regime cumulativo de tributação do PIS e da COFINS. Não havendo prejuízo à defesa e/ou agravamento da exigência inicial, os lançamentos podem e devem ser aperfeiçoados para a sistemática da cumulatividade prevista na Lei. A ciência da decisão de primeira instância foi feita por meio eletrônico em 19/09/2012, conforme Aviso de Recebimento de fl.. A contribuinte apresentou recurso voluntário em 20/10/2012 conforme carimbo de recepção à folha 3.857. No recurso interposto (fls. 3816/4047), a interessada alega preliminarmente a tempestividade de seu recurso. Ainda em preliminares, a recorrente tece considerações acerca do decadência do direito de lançar, por força da aplicação do art. 150 do CTN, uma vez que estáse diante de tributo por homologação. No mérito, a interessada repisaos mesmos argumentos trazidos em sede de Manifestação de Inconformidade os quais podem ser assim resumidos: (i) a impossibilidade do valor de R$ 5.463.134,90 serem acrescidos à receita bruta por que tais valores já se encontram contemplados no valor de R$ 24.634.899,03; e (ii) a impossibilidade de qualificação da multa de ofício, pois ausente o intuito de fraude. Em 19/10/2012, a Recorrente junta vários documentos através do SVA de fls. 4.076/4.077. Já em 30/07/2014, novamente são apresentados documentos no intuito de se afastar, principalmente, a eventual alegação de Fraude e, portanto a qualificação da multa de ofício. Para tanto o contribuinte traz à colação os seguintes documentos: DIPJs dos anos calendário 2002 e 2003, DARFs comprovando o recolhimento do IRRF (8045) sobre as receitas de comissão e agenciamento, bem como comprovantes dos recolhimentos do PIS e da COFINS ao longo do anocalendário de 2004. Com o afastamento da multa qualificada de 150%, pretende à recorrente que o prazo decadencial seja deslocado do artigo 174 para o 150, ambos do CTN. A PGFN, em petição datada de 13/08/2014, se manifesta no sentido de que tais novos documentos não sejam acolhidos, por força da preclusão prevista no art. 16, § 5º, do Decreto nº 70.235/1972. Finalmente, em 24/11/2014, há novo pedido de juntada de documentos, desta feita para se trazer aos autos os comprovantes das despesas do Recorrente, de tal sorte que possa ser comprovado que a base do cálculo do crédito tributário exigido foi em total descompasso com a realidade dos fatos, exigindose do contribuinte tributos indevidos. A PGFN mais uma vez se manifesta no sentido da preclusão, não sendo possível a juntada de documentos extemporâneos. É o Relatório. Fl. 4531DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.532 33 Voto Vencido Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo RECURSO DE OFÍCIO Quanto à admissibilidade do recurso de ofício, devese ressaltar o teor do art. 1º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, publicada no DOU de 07/01/2008, a seguir transcrito: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). No caso em tela, ao somar os valores correspondentes a tributo e multa afastados em primeira instância (fl. 1648), verifico que superam o limite de um milhão de reais, estabelecido pela norma em referência. Portanto, o recurso de ofício é cabível, e dele conheço. Quanto ao mérito, verificase que a autoridade julgadora em primeira instância constatou contradição nas fundamentações utilizadas pela autoridade lançadora e a autoridade diligenciadora, principalmente no que tange à omissão de receitas através de depósitos bancários não identificados. Para maior clareza, transcrevo o excerto da decisão recorrida (desde já me desculpo pelo tamanho da citação, mas entendo ser de extrema relevância para o deslinde da questão): Apenas em relação aos depósitos, no valor total de R$ 196.086,57, os documentos apresentados foram considerados hábeis a justificar a sua origem, devido à coincidência de datas e valores, e porque comprovado que se referiam às operações espelhadas nas notas fiscais de prestação de serviços, já tributadas no montante de R$ 24.634.899,03. Em relação aos depósitos no valor total de R$ 5.267.048,33, a proposta da autoridade responsável pela diligência foi pela manutenção da exigência. Não foi apreciada pela autoridade responsável pela diligência a alegação da defesa de que os depósitos, cuja comprovação foi feita, por ocasião da impugnação, mediante as Faturas ou Recibos, seriam relativos a recursos repassados a terceiros, ou decorrentes de operações por conta alheia, e que assim não deveriam integrar a autuação. Em atendimento aos exatos termos do pedido da autoridade julgadora, o agente fiscal afirmou apenas que os valores depositados, comprovados por documentos tipo Fatura – FT ou Recibo – RC, não estavam contidos nos valores tributados no montante de R$ 24.634.899,03, sem qualquer manifestação acerca da natureza tributável ou não de tais recebimentos. Diante dos preceitos do art. 146 do CTN, é vedada a mudança no critério jurídico adotado pela autoridade administrativa no exercício do lançamento. Por conseguinte, inválida qualquer alteração, quer pela autoridade responsável pela diligência, quer pela própria autoridade julgadora, do critério adotado pela Fl. 4532DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.533 34 fiscalização, quando da lavratura do auto de infração. É a seguinte a redação do dispositivo em comento: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Conforme já dito anteriormente, verificase que foram objeto de autuação, com base na presunção legal de omissão de receitas, por falta da comprovação da origem, apenas os depósitos bancários em relação aos quais a contribuinte não havia apresentado à fiscalização as informações e a documentação de suporte. Ao confrontar a relação que teria dado suporte ao lançamento (fls. 691/693) com as planilhas apresentadas pela empresa no curso do procedimento fiscal para comprovar a origem dos recursos depositados (fls. 153/164, 213/221, 227/230 e 319/324), observase que o autuante acatou como comprovados, recursos que não integraram as receitas de comissões tributadas exofficio. Vejase o exemplo do depósito de origem não comprovada, efetuado no Banco do Brasil, na Agência 3344, Conta Corrente 280.610X em 05/01/2002, no valor de R$ 110.651,26, constante da relação de fls. 691/693, anexa ao Termo de Constatação Fiscal. Compulsando a listagem apresentada no curso do procedimento fiscal pela contribuinte, verificase que em relação a tal depósito (fls. 153) não foram apresentadas quaisquer informações, estando “zerados” todos os campos, nos quais deveriam ser indicados juros, descontos, valor original e valor total. Tal foi o motivo determinante da autuação. No entanto, na mesma fl. 153, verificase que em relação a todos os demais depósitos, efetuados em janeiro, no mesmo banco, no valor total de R$ 7.671.302,93, foram aceitas as informações e a documentação apresentada pela empresa para comprovar a origem dos recursos, e o total do valor depositado apenas nesse banco, supera em muito o valor das receitas auferidas com as comissões, em janeiro, e tributadas de ofício, no valor de R$ 2.474.152,04. Notese, ainda, que a maioria dos depósitos, cuja comprovação foi admitida, têm no histórico do extrato bancário a informação de que se tratava de “cobrança”, mas nem por isso foram incluídos na autuação como outras receitas da atividade, distintas daquelas amparadas pelas notas fiscais de comissão. Já nos demonstrativos dos demais bancos (Banespa, fls. 213/221, Unibanco, fls. 227/230, e Bradesco, fls. 319/324), se verifica que a fiscalização, no curso do procedimento fiscal, acatou as faturas como documentação comprobatória da origem dos recursos depositados, e não reputou tais valores como receitas omitidas. Notese que a autuação se restringiu, como já dito acima, aos depósitos em que não foi apresentada qualquer informação. Inferese do posicionamento adotado, que foi aceita a argumentação da contribuinte de que se dedicava a operações em conta alheia, nas quais apenas parte dos recursos movimentados em suas contas correntes configurava receita tributável de sua atividade empresarial, representada pelas comissões recebidas, com base nas notas fiscais de prestação de serviços apresentadas. Fl. 4533DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.534 35 A exigência efetuada com base na presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, ficou restrita aos depósitos em relação aos quais, no curso do procedimento fiscal, a contribuinte não conseguiu comprovar a origem dos recursos depositados. Verificase aqui a primeira divergência entre os critérios adotados pela autoridade lançadora e pela que procedeu à diligência: enquanto o autuante teria validado que a contribuinte se dedicava à atividade de intermediação, remunerada pelas comissões registradas nas notas fiscais emitidas, acrescentando à exigência somente os depósitos de origem não comprovada; na visão do agente fiscal responsável pela diligência, para que fosse afastada a incidência de omissão de receitas sobre os depósitos, não bastaria a prova da origem do recurso, mas deveria ser comprovado que não se tratava de receita tributável. De um lado, limitouse o autuante a efetuar o lançamento de ofício sobre os depósitos de origem não identificada/comprovada. Por sua vez, o responsável pela diligência fez constar que grande parte dos depósitos, apesar de comprovados, não estavam contidos nas notas fiscais emitidas, pelo que deveriam ser mantidos no montante tributável. Nenhum dos dois fez qualquer apreciação expressa quanto à natureza dos serviços comprovados pela documentação apresentada e que teriam originado os depósitos: se serviços de intermediação, prestados por conta alheia, em que a receita tributável é apenas a comissão; ou serviços receptivos, prestados por conta própria, em que a integralidade dos recursos recebidos dos clientes compõem a receita tributável. Nesse aspecto, oportuno registrar a complexidade fática da determinação das receitas da atividade das agências de viagens e turismo, conforme demonstram as Soluções de Consulta das Superintendências Regionais da Receita Federal – SRRF abaixo transcritas: Solução de Consulta nº 62 – SRRF da 1ª Região Fiscal de 11/08/2011 8. Tratase de dúvida quanto à apuração da base de cálculo de empresa optante pelo Simples Nacional que realiza atividade de agência de turismo, conforme art. 3º, § 1º, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, que assim dispõe: Art. 3º (omissis). § 1º Considerase receita bruta, para fins do disposto no caput deste artigo, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. 9. Para determinar a receita bruta, é salutar compreender as atividades exercidas pelas agências de turismo. A Lei nº 11.771, de 17 de setembro de 2008, assim estabelece, na subseção III: Subseção III Das Agências de Turismo Art. 27. Compreendese por agência de turismo a pessoa jurídica que exerce a atividade econômica de intermediação remunerada entre fornecedores e consumidores de serviços turísticos ou os fornece diretamente. Fl. 4534DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.535 36 § 1º São considerados serviços de operação de viagens, excursões e passeios turísticos, a organização, contratação e execução de programas, roteiros, itinerários, bem como recepção, transferência e a assistência ao turista. § 2º O preço do serviço de intermediação é a comissão recebida dos fornecedores ou o valor que agregar ao preço de custo desses fornecedores, facultandose à agência de turismo cobrar taxa de serviço do consumidor pelos serviços prestados. § 3º As atividades de intermediação de agências de turismo compreendem a oferta, a reserva e a venda a consumidores de um ou mais dos seguintes serviços turísticos fornecidos por terceiros: I passagens; II acomodações e outros serviços em meios de hospedagem; e III programas educacionais e de aprimoramento profissional. § 4º As atividades complementares das agências de turismo compreendem a intermediação ou execução dos seguintes serviços: I obtenção de passaportes, vistos ou qualquer outro documento necessário à realização de viagens; II transporte turístico; III desembaraço de bagagens em viagens e excursões; IV locação de veículos; V obtenção ou venda de ingressos para espetáculos públicos, artísticos, esportivos, culturais e outras manifestações públicas; VI representação de empresas transportadoras, de meios de hospedagem e de outras fornecedoras de serviços turísticos; VII apoio a feiras, exposições de negócios, congressos, convenções e congêneres; VIII venda ou intermediação remunerada de seguros vinculados a viagens, passeios e excursões e de cartões de assistência ao viajante; IX venda de livros, revistas e outros artigos destinados a viajantes; e X acolhimento turístico, consistente na organização de visitas a museus, monumentos históricos e outros locais de interesse turístico. § 5º A intermediação prevista no § 2º deste artigo não impede a oferta, reserva e venda direta ao público pelos fornecedores dos serviços nele elencados. Fl. 4535DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.536 37 § 6º (VETADO) § 7º As agências de turismo que operam diretamente com frota própria deverão atender aos requisitos específicos exigidos para o transporte de superfície. 10. Ante os dispositivos legais acima expostos, verificase que, de um lado, sempre que o serviço da agência de turismo for de intermediação, sua receita é apenas a comissão ou o adicional. Como, por exemplo, a venda de uma passagem a alguém, mediante comissão da transportadora. Nesse caso, apenas o valor da comissão é reputado “resultado em conta alheia” e, nessa condição, incluído da base de cálculo do Simples Nacional, conforme art. 3º, § 1º, da Lei Complementar nº 123, de 2006. 11. Por outro lado, sempre que o serviço for de prestação de serviços receptivos, diretamente ou por subcontratação, e operação de viagens e excursões, sua receita é a íntegra dos valores recebidos pelos seus clientes. Como, por exemplo, a venda de pacotes fechados, com fretamento de aeronaves etc. Nesse caso, o contrário do que ocorre na intermediação, a receita bruta é composta pelo valor integral pago pela contratante, aí incluídos os valores repassados às eventuais sub contratadas (que configuram custos). (...) Solução de Consulta nº 214 – SRRF da 9ª Região Fiscal de 18/08/2008 SIMPLES NACIONAL. AGÊNCIAS DE TURISMO. CONCEITO DE RECEITA BRUTA. A intermediação na venda e comercialização de passagens individuais ou em grupo, passeios, viagens e excursões, bem como a intermediação remunerada na reserva de acomodações em meios de hospedagem, são operações em conta alheia, da agência de turismo. Nesses casos, a base de cálculo do Simples Nacional é apenas o resultado da operação (comissão ou adicional recebido pela agência). Já a prestação de serviços receptivos, diretamente ou por sub contratação, e a operação de viagens e excursões são operações em conta própria, da agência de turismo. Nesses casos, a base de cálculo do Simples Nacional é composta pelo valor integral pago pela contratante, aí incluídos os valores repassados às eventuais subcontratadas. Dispositivos Legais: Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 3º, § 1º. Ademais, há divergência também nos critérios adotados pelo autuante e pelo responsável pela diligência, no que se refere à coincidência de datas e valores entre os depósitos e a documentação de suporte apresentada pela fiscalizada. Fl. 4536DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.537 38 Observese também no confronto entre as fls. 691/693 do anexo ao termo de constatação, e as fls. 153/164 do demonstrativo da origem dos depósitos elaborado pela contribuinte, que o AuditorFiscal que subscreve os lançamentos validou pequenas divergências de valores entre os depósitos e a documentação justificadas com a incidência de juros e/ou de descontos. Já o agente fiscal responsável pela diligência, não validou qualquer comprovação sem que houvesse a plena identidade de datas e valores entre os depósitos e a documentação comprobatória apresentada, tanto que do montante tributável em litígio de R$ 5.463.134,90, somente foram considerados comprovados R$ 196.086,57, ou 4% do valor total dos depósitos submetidos ao procedimento de diligência. Nesse contexto, deve ser mantido o mesmo critério jurídico adotado pelo autuante, durante o procedimento fiscal, na análise dos demonstrativos de fls. 153/164 apresentados pela contribuinte para comprovação da origem dos depósitos, e que foram considerados hábeis, apesar da pequena divergência de valores com a documentação de suporte. Assim, para análise da documentação apresentada, apenas por ocasião da impugnação, com base no demonstrativo de fls. 153/164, impõese determinar um percentual de divergência de valores admitido, por amostragem, com base nos depósitos de maior expressão (acima de 1 milhão de reais). [...] Portanto, de acordo com o critério adotado no lançamento, podem ser admitidas divergências de até 8% entre o valor dos depósitos e da documentação comprobatória, pelo que na análise da documentação trazida aos autos por ocasião da impugnação, deve ser adotado o mesmo critério. Passando à análise da documentação comprobatória dos depósitos, juntadas das fls. 962/1677, acatase a comprovação da origem dos recursos, para afastar a exigência, quando a única razão adotada pelo responsável pela diligência foi o fato de se tratar de faturas não contidas na soma das notas fiscais de serviços. Devem também ser acatadas as razões da defesa com relação à falta de coincidência entre a data dos depósitos e a de emissão dos documentos, de vez que a divergência é de poucos dias. O mesmo raciocínio se aplica às divergências de valores justificadas pela incidência de juros e descontos concedidos, pouco representantivos em relação ao total do valor depositado, e já admitidos pela fiscalização quando da lavratura dos autos de infração (até 8%). No entanto, deve ser mantida a exigência, quando a falta de correspondência entre os valores dos depósitos e da documentação apresentada superar o limite de 8%, e também quando a contribuinte, apesar de mencionar a documentação na planilha de fls. 3696/3723, deixou de apresentála. Foi elaborado um demonstrativo a ser juntado ao final do presente voto dos depósitos em relação aos quais deve ser mantida a exigência porque não comprovada a origem dos recursos. Devem ser mantidos também os depósitos comprovados mediante as notas fiscais de emissão da fiscalizada, mas cujos valores não integram o “Registro de Entrada de Serviços”, conforme anotado pela autoridade diligenciante. Fl. 4537DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.538 39 Não faço reparos ao quanto decidido em primeira instância. Com efeito, dado a diferença de critérios adotados entre as autoridades lançadora e diligenciante, não sendo possível que se adote fundamento distinto daquele adotado no A.I., entendo que a decisão a quo é irretocável. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. A parcela de PIS e COFINS será tratada conjuntamente com o recurso voluntário. RECURSO VOLUNTÁRIO O Recurso Voluntário é tempestivo e, portanto, dele conheço. Antes de mais nada, relevante assinalar que o litígio restringese às seguintes matérias: (i) à decadência dos créditos tributários constituídos de ofício e cujos fatos geradores teriam ocorrido antes de 14/12/2004; (ii) à incidência sobre os depósitos de origem não identificada, no montante total de R$ 5.463.134,90, tributados como receitas omitidas da atividade, com fundamento no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 e alterações posteriores; (iii) ao erro na sistemática de tributação de parte do PIS e da COFINS; e (iv) à aplicação da multa qualificada pelo evidente intuito de fraude. Primeiramente me manifesto quanto ao conhecimento dos documentos trazidos ao autos após a manifestação de inconformidade, pois relevantes para a construção da fundamento desta decisão, mais precisamente as DIPJs 2003 e 2004. No âmbito do processo administrativo fiscal, a juntada de documentos está prevista no artigo 16, parágrafos 4º, 5º, e 6º do Decreto nº. 70.235/72. Em síntese, o dispositivo legal estabelece que a apresentação de documentos deve ser feita no momento da impugnação, sob pena de preclusão. A juntada posterior de documentos, inclusive na fase recursal, só é admitida em situações excepcionais (força maior, fato ou direito superveniente ou contraposição a fatos ou razões posteriormente apresentadas nos autos). A par da aparente objetividade das hipóteses de apresentação de documentos, a questão não é tranqüila. Isso porque, em confronto com o instituto da preclusão, um dos princípios que informam o procedimento administrativo fiscal é o da verdade material (ou verdade real), segundo o qual “a Administração não pode agir baseada apenas em presunções, sempre que lhe for possível descobrir a efetiva ocorrência dos fatos correspondentes”(Hugo de Brito Machado Segundo, Processo Tributário, 4ª ed., Atlas, p. 30). Ou seja: a administração não pode fechar os olhos para provas que indiquem a existência de qualquer fato que interfira na constituição da obrigação tributária. Embora, saiba que há posição neste Conselho no sentido de não admitir a apresentação de documentos após a impugnação, penso que tal rigidez processual que estabelece a preclusão pode e deve ser mitigada. Isso porque o objetivo, por excelência, do processo administrativo fiscal, é apurar a legalidade da tributação. E essa legalidade não se presume pelo decurso do prazo para a prática de determinado ato. Ela deve ser demonstrada de forma inequívoca, tendo o julgador o poderdever de se valer de qualquer prova levada ao processo, desde que lícita. Fl. 4538DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.539 40 Em se tratando de obrigação tributária, cuja constituição está condicionada à observância do princípio da legalidade, a busca pela verdade material deve prevalecer em detrimento de eventual alegação de preclusão, afastadas, evidentemente, as hipóteses de abuso e má fé do contribuinte. Assim, o contribuinte, no exercício de seu direito de defesa, deve sempre – e em qualquer momento, desde que antes do julgamento final – apresentar os documentos que, por qualquer razão, não o foram no momento oportuno (na impugnação). Na relação jurídico tributária, o princípio da verdade material – que nada mais é do que a exteriorização, no processo, do princípio da legalidade –, deve nortear a atuação administrativa, sobrepondose ao instituto da preclusão. A moderação da formalidade, desde que preservadas as garantias fundamentais do contribuinte e ressalvadas as hipóteses de má fé processual, é mais adequada ao processo administrativo fiscal, cabendo ao contribuinte exercer, sempre, o seu direito constitucional à ampla defesa. Deveras, impedir a juntada de documentos necessários à boa instrução do processo sem qualquer justificativa plausível é, em última análise, ilegitimamente comprometer um bom julgamento, abrindose espaço para que sejam proferidas decisões injustas e contrárias ao Direito. Ao contrário, reconhecendo a admissibilidade da prova, ainda que apresentada a destempo, conquanto destoe da letra da lei processual em sentido estrito, se coaduna com os mandamentos contidos em diversos princípios administrativos e atende especialmente a considerações de ordem teleológica: se a finalidade do processo é a atuação da ordem jurídica, esta só será alcançada com a perfeita apuração da verdade dos fatos. Assim procedendo, a autoridade administrativa age em conformidade com os princípios que devem ser observados pela Administração Pública, previstos na Constituição Federal, na Lei do Processo Administrativo Federal (Lei n° 9.784, de 1999) e do Processo Administrativo Fiscal, atendendo especialmente os requisitos da moralidade e da eficiência administrativa, assim como da economia processual, atendendo ao interesse público e a legitimação social. No caso em tela, uma vez acostados aos autos os novos documentos, foi dada ciência à Procuradoria da Fazenda Nacional, para que sobre estes tomasse ciência e, assim querendo, se manifestasse, portanto foi respeitado o direito da parte contrário e também garantiuse o Princípio da NãoSurpresa. Portanto, privilegiando o Princípio da Verdade Material, voto no sentido de conhecer os documentos juntados após à impugnação. PRELIMINARES Da Nulidade do Lançamento: (Erro no Enquadramento Legal) Importa ressaltar que os Lançamento reflexos para constituição dos créditos de PIS e COFINS foram assim divididos: no Auto de Infração 1) COFINS Cumulativo: Fl. 4539DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.540 41 Fatos Geradores: 31/01/2004, 31/08/2004, 31/09/2004, 31/10/2004, 31/11/2004 e 31/12/2004. Enquadramento Legal: Arts. 2º, inciso II e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524/02; 2) COFINS NãoCumulativo Fatos Geradores: 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004 e 31/07/2004. Enquadramento Legal: Arts. 1º, 3º, e 5º da Lei nº 10.833/03 3) PIS Cumulativo: Fatos Geradores: 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004 e 31/12/2004. Enquadramento Legal: Arts. 1º e 3º da Lei Complementar nº 07/70; e Arts. 2º, Inciso I, alínea "a" e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524/02. 4) PIS NãoCumulativo: Fatos Geradores: 31/01/2004, 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004 e 31/07/2004. Enquadramento Legal: Arts. 1°, 3° e 4° da Lei n° 10.637/2002. Sendo os lançamentos acima reflexos do lançamento de ofício do IRPJ, comprovada a omissão de receitas, a partir da falta de contabilização das notas fiscais de comissão, assim como da falta de comprovação da origem dos recursos depositados nas contas correntes de titularidade da empresa, o valor da receita omitida deve ser considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da COFINS e do PIS/ PASEP. Quanto à sistemática de tributação destas contribuições, tendo em conta as expressas disposições do art. 8º, II, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 10, II, da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, tem razão a defesa quanto ao erro de parte dos lançamentos, formalizados na sistemática da nãocumulatividade. É a seguinte a redação dos preceitos em vigor, in verbis: LEI Nº 10.637, DE 30 DE DEZEMBRO DE 2002 Art. 8º Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6º: (...) II – as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; (...) Fl. 4540DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.541 42 LEI No 10.833, DE 29 DE DEZEMBRO DE 2003 Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (...) II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; (...) Entretanto, a 7ª Turma da DRJ/SP1, esposou entendimento de que, em não havendo qualquer prejuízo à defesa, e se a alteração não implicar agravamento da exigência inicial, os lançamentos podem e devem ser retificados para a sistemática da cumulatividade prevista na Lei. Continuou, sua fundamentação no sentido de que, no caso concreto, tanto o contribuinte conhecia a legislação aplicável, que dela se utilizou expressamente para fundamentar a impugnação. Por fim, concluir seu entendimento que seria cabível a retificação porque esta não impunha qualquer inovação fática, bastando a alteração da alíquota aplicável, menos gravosa. Contudo ouso discordar da autoridade julgadora a quo. Determina o art. 10 do Dec. 70.235/1972 que o auto de infração “conterá obrigatoriamente”, dentre outros, “a disposição legal infringida e a penalidade aplicável”. Exige a Lei 9.784/1999, de seu turno, que devam ser observadas nos processos administrativos também “as formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados” (art. 2.º, VIII) e que os atos administrativos “deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos” quando “neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses”, “imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções” ou “decidam recursos administrativos” (art. 50, caput, I, II e V), sendo que a motivação “deve ser explícita, clara e congruente” (art. 50, § 1.º). Somente com a plena motivação da autuação fiscal poderá o contribuinte exercer o contraditório e a ampla defesa, conhecendo, afinal, os exatos motivos que levaram a Administração a entender devido o tributo exigido e, assim, podendo impugnálos adequadamente. Uma vez realizado o lançamento, o contribuinte, por óbvio, defendese das acusações que lhe foram imputadas. A partir do momento em que a decisão de primeiro ou segundo grau modifique as razões do ato de imposição, o direito à defesa e ao contraditório resta atingido, já que não poderia o contribuinte presumir qual seria a fundamentação do órgão ou autoridade julgadora para manter o ato de imposição. Disto resulta que a autoridade julgadora não poderá ajustar o lançamento de forma a agravar a situação do contribuinte ou a mantêlo sob motivação ou capitulação legal distintas daquelas adotadas pela autoridade fiscal autuante. Realmente, se o conhecimento dos fatos e da fundamentação efetiva da ação fiscal só forem possíveis com o recebimento da decisão prolatada pelo julgador apresentando novos motivos pelos quais o tributo exigido seria supostamente devido, tal não terá o efeito de Fl. 4541DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.542 43 legitimar o ato de lançamento, já que o vício decorrente de motivação inadequada enseja nulidade e não anulabilidade, inviabilizando seu aproveitamento. Portanto, se o auto de infração não preencheu os requisitos legais de validade (dentre os quais a devida motivação e a correta capitulação legal), a sua alteração por autoridade superior (quer em razão de impugnação/reclamação interposta pelo autuado, quer em procedimento de revisão de ofício) implica o reconhecimento dos vícios de que padecia a autuação (na hipótese em exame, por motivação e/ou capitulação legal inadequadas ou deficientes), resultando no reconhecimento de sua nulidade. Em resumo, entendo que a autoridade julgadora a quo poderia ter ajustado o lançamento tão somente de forma benéfica ao contribuinte. Somente a autoridade fiscal – não a autoridade julgadora – pode ajustar o lançamento de forma prejudicial ao contribuinte, enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública e desde que observado o disposto no art. 146 do CTN, nas hipóteses do art. 149 do CTN ou quando verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência, inovação ou alteração da fundamentação legal. Nestas situações, deverá ser lavrado novo auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose ao contribuinte o prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. Não poderá a autoridade julgadora manter a exigência sob motivação diversa da constante no termo de verificação fiscal e o erro na capitulação legal ensejará, sempre, a nulidade do respectivo lançamento. Assim, uma vez constatado o erro na capitulação legal do lançamento quanto ao PIS e COFINS não cumulativos1, voto no sentido de decretar a nulidade do auto de infração relativo a tais fatos geradores, exonerandose desta forma, os respectivos créditos tributários lançados de ofício. Da Decadência No que tange à contagem do prazo decadencial, cumpre fazer remissão às disposições do CTN: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) §4º. Se a Lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) 1 fatos geradores (31/01/2004, 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004 e 31/07/2004) e (29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2005, 30/06/2004 e 31/07/2004) respectivamente Fl. 4542DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.543 44 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Diante da grande divergência doutrinária e jurisprudencial acerca do tema, e tendo em conta os preceitos do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF2 (aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, cumpre adotar a decisão do Superior Tribunal de Justiça STJ, no Recurso Especial nº 973.733 SC, admitido como Recurso Representativo de Controvérsia (art. 543C do CPC), em 12/08/2009, e transitado em julgado em 29/10/2009, de ementa com seguinte teor: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento 2 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 4543DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.544 45 antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, ‘Decadência e Prescrição no Direito Tributário’, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o ‘primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, ‘Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro’, 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, ‘Direito Tributário Brasileiro’, 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, ‘Decadência e Prescrição no Direito Tributário’, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). [...] 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 4544DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.545 46 Decorre da decisão, que a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º do CTN depende não apenas de a Lei ordinária de instituição do tributo prever o pagamento antecipado da exação, mas de o sujeito passivo ter regularmente efetuado o pagamento, ainda que parcial do tributo devido, ou de têlo informado em declaração constitutiva do crédito tributário (DCTF), passível de inscrição em dívida ativa. Ainda de acordo com a decisão judicial, a aplicação do prazo previsto no art. 150, § 4º do CTN deve ser afastada, conforme expressamente previsto, caso comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. No caso sob apreciação, como o sujeito passivo não pagou e não declarou em DCTF qualquer valor devido a título de IRPJ ou CSLL, relativos aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2004, dispensável a caracterização da fraude para que a contagem do prazo decadencial seja deslocada do art. 150, § 4º para o art. 173, I do CTN. A alegação do contribuinte de que o IRRF sobre comissões e agenciamentos teria natureza de antecipação do próprio IRPJ que seria apurado e recolhido ao final de cada período de apuração, no entendimento deste relator, não merece prosperar. A natureza destes recolhimentos não se confunde nem se equipara à natureza do IRPJ recolhido por estimativa mensal e, ainda que equiparáveis fossem, ainda assim tais pagamentos não têm o condão de alterar a data de ocorrência do fato gerador do IRPJ, que para o contribuinte seria 31/12/2004, uma vez que o mesmo havia escolhido apurar o seu lucro tributável através do método do Lucro Real Anual. A alteração do método para o Lucro Arbitrado, em razão da imprestabilidade da escrituração do contribuinte, que por imposição legal tem fatos geradores trimestrais, só teria o condão de alterar o prazo decadencial, caso tivesse o contribuinte declarado e pagado o o IRPJ devido ao final dos quatro trimestres de 2004, o que não foi o caso. Portanto, quanto ao IRPJ e CSLL, entendo que o início da contagem do prazo decadencial, por ausência de pagamento, deve seguir aquele previsto no artigo 173, I do CTN. Desta forma, seu marco inicial seria o dia 01/01/2006 e o seu prazo fatal 31/12/2010. Como a ciência do A.I se deu em 14/12/2009, entendo que o respectivo lançamento de ofício poderia ser efetuado pela autoridade fiscal, uma vez que o mesmo permanecia dentro do prazo de 05 (anos) a que dispunha. Já com relação ao PIS e à COFINS, como constam débitos parcialmente declarados em DCTF e pagos, para o deslocamento do prazo decadencial para a regra do art. 173, I, do CTN, é imprescindível a comprovação da conduta fraudulenta adotada pela empresa, o que se passa a analisar. Deixarei de analisar as competências 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2005, 30/06/2004 e 31/07/2004 para a COFINS e 31/01/2004, 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004 e 31/07/2004 para o PIS, por já ter manifestado no sentido de serem nulos os lançamentos, em razão do erro no enquadramento legal do auto de infração. DO MÉRITO Fraude e Dolo na Conduta do Contribuinte: O Auto de Infração em questão foi lavrado com fundamento na impossibilidade de apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (“IRPJ”), e reflexos, pelo Fl. 4545DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.546 47 método do lucro real – ao qual estava obrigada a Contribuinte – pois, no entendimento da Fiscalização, a escrituração não atendia a forma fiscal e comercial exigida em lei. Com efeito, após longa e minuciosa fiscalização, onde o Contribuinte foi várias vezes intimado a apresentar sua escrituração, bem como regularizála, a Fiscalização concluiu pela imprestabilidade da contabilidade determinando o arbitramento do lucro, pois verificou que esta deixava de contemplar parte substancial de suas operações, e, ainda, por não ter ficado comprovada a regularidade da escrituração da sua movimentação financeira, relativamente aos depósitos e créditos efetuados em suas contascorrentes mantidas junto à varias Instituições Financeiras. Assim, a Fiscalização arbitrou como base de cálculo do IRPJ a receita bruta da Contribuinte, obtida mediante planilha intitulada Resumo de Entrada de Serviços (fl. 190), a qual, digase de passagem, fora elaborada pelo próprio contribuinte, ainda que a posteriori, a Fiscalização tenha transcrito referida planilha em documento oficial (fls. 671/672). Além do arbitramento do lucro, a Fiscalização aplicou multa de ofício qualificada – de 150% – por entender que o fato de a Contribuinte ter apresentado Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (“DIPJ”) com todos os valores “zerados” demonstra a intenção de ludibriar o Fisco, o que caracteriza fraude. Diante das exigências constantes no Auto de Infração, a Contribuinte, em sede de Impugnação, alegou que a Fiscalização não dispunha de todos os elementos e meios para apurar o lucro arbitrado e que o conhecimento da receita bruta do contribuinte só se fez possível com a colaboração da interessada, o que, na sua visão, afastaria qualquer alegação de fraude ou dolo no sentido de se ocultar a ocorrência do fato gerador de impostos e contribuições. Quanto à qualificação da multa, a Contribuinte afirmou que apesar da DIPJ/05 ter sido entregue zerada, as DCTFs do anocalendário 2004, foram todas entregues, bem como foram efetuadas as retenções na fonte sobre referidas receitas de comissões e agenciamento, o que também não se coaduna com eventual alegação de fraude. Tenho por entendimento que o dolo, a fraude e a simulação requerem provas diretas e objetivas, não admitindo presunção. O fato da recorrente ter apresentado DIPJ/05 zerada fez com que a autoridade fiscal, de imediato, pudesse perceber que havia algo de errado, podendo, se assim quisesse, dar início a eventual procedimento fiscal. Corrobora esse entendimento o fato de que foram entregues as DCTFs e foram efetuadas as autoretenções (cod. 8045) na fonte incidentes sobre as receitas de comissão e agenciamento, o que, ao meu ver, possibilitava à Fiscalização identificar inconsistências na documentação do interessado. Assim, a não entrega de declaração ou sua entrega sem movimento, por si só, não caracteriza ação ou omissão dolosa com a finalidade de sonegar tributo ou retardar o conhecimento da autoridade fiscal. Para exigência da multa qualificada é necessário prova concreta de que a contribuinte praticou ação ou omissão com a intenção de sonegar tributo ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador pela autoridade responsável pela arrecadação. Fl. 4546DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.547 48 Entendo por dolo a consciência e a vontade de realização dos elementos objetivos (materiais) da conduta que se adjetiva como dolosa. Nas palavras do ilustre conselheiro Claudemir Malaquias, o dolo é “saber e querer a realização da conduta e não exige a consciência da ilicitude”. Permaneço com o entendimento que era adotado em antigos julgados deste Conselho, onde prevalecia a idéia de que só se pode falar em ocorrência de fraude naqueles procedimentos que envolvam adulteração de documentos comprobatórios (notas fiscais, contratos, escrituras públicas, dentre outros), notas fiscais calçadas, notas fiscais frias, notas fiscais paralelas, notas fiscais fornecidas a título gracioso, contabilidade paralela (Caixa 2), conta bancária fictícia, falsidade ideológica, declarações falsas ou errôneas (somente quando apresentadas reiteradamente). No caso presente, não há registros de documentos inidôneos ou fraudes em registros contábeis ou de qualquer natureza. Há documentos zerados, mas que podem facilmente ser cotejados com outros documentos entregues pelo mesmo contribuinte que facilmente desmentem a tal DIPJ zerada. Portanto, a aplicação da multa qualificada de 150% somente pode ser imputada ao sujeito passivo em casos de existência real e comprovada de fraude ou de comprovado intuito de fraude, o que não me parece ser o caso destes autos. Ademais, como bem demonstrou a Recorrente, ainda que com documentos extemporâneos, sobre os quais já me manifestei em tópico alhures, para os anoscalendário anteriores foram entregues as DIPJs correspondentes (DIPJ/03 e DIPJ/04), o que comprova que a entrega da DIPJ/05 tratavase de fato isolado e não pratica contumaz e reiterada do contribuinte no sentido de se tentar ocultar a ocorrência dos fatos geradores de impostos e contribuições. Isto posto, voto no sentido de desqualificar a ocorrência de fraude e dolo na conduta do contribuinte, razão pela qual entendo indevida a qualificação da multa de ofício. Depósitos não comprovados. Majoração Incorreta da Base de Cálculo Alega a recorrente que, não obstante a d. fiscalização ter adotado o seu demonstrativo de entrada de serviços para apurar o quantum da receita bruta do anocalendário de 2004, tais valores foram acrescidos por depósitos tidos como não comprovados. Tal raciocínio, na visão da interessada estaria equivocado, uma vez que tais valores representam receitas de terceiros ou mesmo valores que já compuseram a receita bruta das comissões. Com efeito, a problemática trazida nestes autos, gira em torno da verificação das diferenças de valores entre os depósitos não identificados e os documentos que deram suporte às operações, de modo a possivelmente justificar a origem do montante de R$ 5.463.134,90 incluídos na base de cálculo da exação. A DRJ/SP1, em revisão do lançamento entendeu por bem admitir o mesmo critério adotado no lançamento, entende como admissíveis divergências de até 8% entre o valor dos depósitos e da documentação comprobatória. Ao assim fazer, chegouse a conclusão de que o valor dos depósitos cuja origem seria plenamente identificável era de R$ 4.561.471,44 e não R$ 196.086,57. Ainda assim, a recorrente entende que a totalidade dos valores poderiam ser identificados adotandose o critério de divergência de 8%. Fl. 4547DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.548 49 A título exemplificativo a recorrente traz uma reconciliação para análise: Em que pesem as alegações acima da recorrente, entendo que a mesma teve oportunidade e tempo suficientes para comprovar a correta determinação da base de cálculo do imposto devido, através da identificação, com documentos hábeis e idôneos, dos depósitos existentes em suas contas bancárias. No exemplo acima, a recorrente junta três clientes e três faturas distintas na composição de um único depósito, sem contudo explicar o porquê de termos três clientes realizando um único depósito. Ademais, também não explica o erro na seleção do documento quando da análise do fisco, quero dizer, porque que o Valor de R$ 29.624,04 usado como parâmetro pelo fisco não deve prevalecer. Assim, entendo que deve ser mantida a exigência, quando a falta de correspondência entre os valores dos depósitos e da documentação apresentada superar o limite de 8%, e também quando a contribuinte, apesar de mencionar a documentação na planilha de fls. 3696/3723, deixou de apresentála. Nesse tópico não faço ressalvas ao que já fora decidido em Primeira Instância, devendo ser mantido o lançamento nos termos do demonstrativo juntado ao final do acórdão da DRJ/SP1, porque não comprovada a origem dos valores constantes do referido demonstrativo e também devem ser mantidos os depósitos comprovados mediante as notas fiscais de emissão da fiscalizada, mas cujos valores não integram o “Registro de Entrada de Serviços”. Da Decadência para o PIS e a COFINS Afastada a Hipótese de Fraude Com relação ao PIS e à COFINS, constam débitos declarados em DCTF e pagos, ainda que parcialmente para todos os meses do anocalendário em questão (conforme relatórios do SINAL de fls. 675/678). Desta maneira, entendo que os lançamentos efetuados para os meses de janeiro à novembro de 2004 estariam fulminado pela decadência. Contudo, as os fatos geradores ocorridos em 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2005, 30/06/2004 e 31/07/2004 da COFINS e 31/01/2004, 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004 e 31/07/2004 do PIS, já estão exoneradas por outro fundamento, qual seja, a nulidade do lançamento. Fl. 4548DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.549 50 Assim, reconhecida a decadência dos lançamentos para os fatos geradores até 18/12/20004, tenho que encontramse decaídos todos os outros fatos geradores, salvo o fato gerador de 31/12/2004. CONCLUSÃO De ante de todo o acima exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício e de DAR PROVIMENTO PARCIAL Recurso Voluntário para: 1) anular os lançamentos de ofício quanto aos seguintes fatos geradores por força do erro no enquadramento legal do auto de infração: 1.1.) 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2005, 30/06/2004 e 31/07/2004 para a COFINS; e 1.2) 31/01/2004, 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004 e 31/07/2004 para o PIS; 2) cancelar os lançamentos de ofício quanto aos seguintes fatos geradores, por entender que havia decaído o direito da Fazenda de proceder com o lançamento de ofício, por força da aplicação do art. 150 do CTN: 2.1.) 31/01/2004, 31/08/2004, 31/09/2004, 31/10/2004, 31/11/2004 para a,COFINS; e 2.2.) 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, para o PIS; e 3) desqualificar a multa de ofício lançada em 150%, reduzindoa para o percentual de 75%; Sala de Sessões, 03 de março de 2016. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator Fl. 4549DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.550 51 Voto Vencedor Wilson Fernandes Guimarães, Redator Designado. Em que pese a densa argumentação expendida pelo Ilustre Conselheiro Relator, relativamente à qualificação da multa e, por decorrência, à caducidade do direito de a Fazenda promover os lançamentos tributários, o Colegiado decidiu de forma diversa. Em seu pronunciamento, assinala o Ilustre Relator, relativamente às matérias em questão: [...] Quanto à qualificação da multa, a Contribuinte afirmou que apesar da DIPJ/05 ter sido entregue zerada, as DCTFs do anocalendário 2004, foram todas entregues, bem como foram efetuadas as retenções na fonte sobre referidas receitas de comissões e agenciamento, o que também não se coaduna com eventual alegação de fraude. Tenho por entendimento que o dolo, a fraude e a simulação requerem provas diretas e objetivas, não admitindo presunção. O fato da recorrente ter apresentado DIPJ/05 zerada fez com que a autoridade fiscal, de imediato, pudesse perceber que havia algo de errado, podendo, se assim quisesse, dar início a eventual procedimento fiscal. Corrobora esse entendimento o fato de que foram entregues as DCTFs e foram efetuadas as autoretenções (cod. 8045) na fonte incidentes sobre as receitas de comissão e agenciamento, o que, ao meu ver, possibilitava à Fiscalização identificar inconsistências na documentação do interessado. Assim, a não entrega de declaração ou sua entrega sem movimento, por si só, não caracteriza ação ou omissão dolosa com a finalidade de sonegar tributo ou retardar o conhecimento da autoridade fiscal. Para exigência da multa qualificada é necessário prova concreta de que a contribuinte praticou ação ou omissão com a intenção de sonegar tributo ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador pela autoridade responsável pela arrecadação. Entendo por dolo a consciência e a vontade de realização dos elementos objetivos (materiais) da conduta que se adjetiva como dolosa. Nas palavras do ilustre conselheiro Claudemir Malaquias, o dolo é “saber e querer a realização da conduta e não exige a consciência da ilicitude”. Permaneço com o entendimento que era adotado em antigos julgados deste Conselho, onde prevalecia a idéia de que só se pode falar em ocorrência de fraude naqueles procedimentos que envolvam adulteração de documentos comprobatórios (notas fiscais, contratos, escrituras públicas, dentre outros), notas fiscais calçadas, notas fiscais frias, notas fiscais paralelas, notas fiscais fornecidas a título gracioso, contabilidade paralela (Caixa 2), conta bancária fictícia, falsidade ideológica, declarações falsas ou errôneas (somente quando apresentadas reiteradamente). No caso presente, não há registros de documentos inidôneos ou fraudes em registros contábeis ou de qualquer natureza. Há documentos zerados, mas que Fl. 4550DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.551 52 podem facilmente ser cotejados com outros documentos entregues pelo mesmo contribuinte que facilmente desmentem a tal DIPJ zerada. Portanto, a aplicação da multa qualificada de 150% somente pode ser imputada ao sujeito passivo em casos de existência real e comprovada de fraude ou de comprovado intuito de fraude, o que não me parece ser o caso destes autos. Ademais, como bem demonstrou a Recorrente, ainda que com documentos extemporâneos, sobre os quais já me manifestei em tópico alhures, para os anos calendário anteriores foram entregues as DIPJs correspondentes (DIPJ/03 e DIPJ/04), o que comprova que a entrega da DIPJ/05 tratavase de fato isolado e não pratica contumaz e reiterada do contribuinte no sentido de se tentar ocultar a ocorrência dos fatos geradores de impostos e contribuições. Isto posto, voto no sentido de desqualificar a ocorrência de fraude e dolo na conduta do contribuinte, razão pela qual entendo indevida a qualificação da multa de ofício. ... Da Decadência para o PIS e a COFINS Afastada a Hipótese de Fraude Com relação ao PIS e à COFINS, constam débitos declarados em DCTF e pagos, ainda que parcialmente para todos os meses do anocalendário em questão (conforme relatórios do SINAL de fls. 675/678). Desta maneira, entendo que os lançamentos efetuados para os meses de janeiro à novembro de 2004 estariam fulminado pela decadência. Aos olhos do Colegiado, todavia, o fato de a contribuinte ter apresentado, relativamente ao ano submetido a exame por parte da Fiscalização, declaração de informações ZERADA, não constituiu o único elemento justificador da exasperação da penalidade. Em conformidade com o Termo de Constatação Fiscal de fls. 674/682, embora o seu Balancete apontasse receitas no montante de R$ 3.558.126,96, o que por si só já representava fato indicativo da intenção de evitar a incidência das exações devidas haja vista a declaração ZERADA, em resposta à intimação formalizada no curso da ação fiscal, a própria contribuinte admitiu que o total de receitas de comissões auferidas no ano de 2004 foi de R$ 24.634.899,03 (doc. de fls. 185). No caso, estamos diante de PROVA DIRETA da omissão de receitas. O fato de a contribuinte ter, ela própria, apontado a omissão de receitas, não produz qualquer efeito na aplicação da sanção, eis que ausente norma tributária nesse sentido. Ainda que se desconsidere o montante de receita derivado da aplicação da presunção estampada no art. 42 da Lei nº 9.430/96 (R$ 5.463.134,90), o montante contabilizado, que sequer foi declarado ao Fisco, no valor de R$ 3.558.126,96, correspondeu tão somente a algo em torno de 14,4% da receita que a própria contribuinte admite que auferiu. É digno de destaque também que, para uma receita contabilizada de R$ 3.558.126,96, a contribuinte escriturou custos e despesas de R$ 6.365.511,42, evidenciando, mais uma vez, a efetiva intenção de não submeter à tributação a renda verdadeiramente auferida. Fl. 4551DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 19515.005831/200942 Acórdão n.º 1301001.958 S1C3T1 Fl. 4.552 53 Correta, portanto, para o Colegiado, a exasperação da penalidade por parte da autoridade fiscal. Por decorrência, descabe também falar em caducidade do direito de se efetuar o lançamento tributário relativo ao PIS e COFINS, relativamente aos fatos geradores ocorridos em 31/01/2004, 31/08/2004, 31/09/2004, 31/10/2004 e 31/11/2004 (COFINS), e 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004 e 30/11/2004 (PIS), eis que, presente o dolo na conduta, tornamse inaplicáveis as disposições do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN). No caso, a decadência regese pelo disposto no inciso I do art. 173 do mesmo diploma. A contribuinte foi cientificada do lançamento em 14/12/2009, de modo que, no que diz respeito aos fatos geradores acima mencionados, referida providência foi adotada dentro do prazo legalmente estabelecido, vez que, observado o disposto no já citado inciso I do art. 173 do CTN, a data fatal para tanto seria 31.12.2009. Amparada em tais fundamentos, decidiu a Turma Julgadora, por maioria, manter a multa de ofício no percentual de 150% e manter a incidência do PIS e da COFINS em relação aos fatos geradores ocorridos nos períodos de 31/01/2004, 31/08/2004, 31/09/2004, 31/10/2004 e 31/11/2004 (COFINS), e 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004 e 30/11/2004 (PIS). (documento assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Fl. 4552DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES
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Numero do processo: 11543.003883/2004-21
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jul 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
Ementa: LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO, FRAUDE
DECADÊNCIA. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir do fato gerador, para promover o lançamento ex officio de tributos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), a do lançamento por homologação, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, situação em que se aplica a regra do art., 173, I, contando-se o referido prazo a partir do primeiro
dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado,
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPI
Ano-calendário: 1999, 2000
Ementa: IRP.J., ARBITRAMENTO DO LUCRO., EXTRAVIO DE
DOCUMENTOS, DEVER DE RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITURAÇÃO,
A adoção dos procedimentos para comunicação de extravio de livros e documentos relativos à escrituração da pessoa jurídica deve ser seguida de reconstituição do acervo da sua contabilidade comercial e fiscal. Eventual perda não exclui o contribuinte do seu dever acessório de reunir, guardar em
boa ordem e manter à disposição do Fisco os documentos que dão respaldo à apuração do imposto devido, nem tampouco pressupõe homologação dos valores informados em DIPL.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000
Ementa: MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE.. A
reiterada omissão do registro contábil-fiscal de mais de 95% das vendas realizadas caracteriza o evidente intuito de fraude, requisito para aplicação da multa qualificada (150%).
Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 1999, 2000
Ementa: PIS E COFINS. VENDAS PARA EXPORTAÇÃO. ISENÇÃO, São
isentas de PIS e Cofins as receitas de vendas destinadas ao fim específico de exportação para o exterior.
Numero da decisão: 1103-000.234
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar as
preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso, para determinar a exclusão das notas fiscais relacionadas nas fis, 2,846/2.848, no total de R53.836 735,00, das bases de cálculos de
PIS e Cofins nos respectivos períodos de apuração mensais, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o conselheiro Mario Sergio Fernandes, quanto a esse
item(PIS/Confins).
Nome do relator: Aloysio José Percínio da Silva
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camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 Ementa: LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO, FRAUDE DECADÊNCIA. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir do fato gerador, para promover o lançamento ex officio de tributos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), a do lançamento por homologação, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, situação em que se aplica a regra do art., 173, I, contando-se o referido prazo a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado, Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPI Ano-calendário: 1999, 2000 Ementa: IRP.J., ARBITRAMENTO DO LUCRO., EXTRAVIO DE DOCUMENTOS, DEVER DE RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITURAÇÃO, A adoção dos procedimentos para comunicação de extravio de livros e documentos relativos à escrituração da pessoa jurídica deve ser seguida de reconstituição do acervo da sua contabilidade comercial e fiscal. Eventual perda não exclui o contribuinte do seu dever acessório de reunir, guardar em boa ordem e manter à disposição do Fisco os documentos que dão respaldo à apuração do imposto devido, nem tampouco pressupõe homologação dos valores informados em DIPL. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999, 2000 Ementa: MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE.. A reiterada omissão do registro contábil-fiscal de mais de 95% das vendas realizadas caracteriza o evidente intuito de fraude, requisito para aplicação da multa qualificada (150%). Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 1999, 2000 Ementa: PIS E COFINS. VENDAS PARA EXPORTAÇÃO. ISENÇÃO, São isentas de PIS e Cofins as receitas de vendas destinadas ao fim específico de exportação para o exterior.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-10-07T14:54:43Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-10-07T14:54:43Z; Last-Modified: 2010-10-07T14:54:43Z; dcterms:modified: 2010-10-07T14:54:43Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:1d8b24d7-6881-4a5b-828e-f1ca90a1e4b2; Last-Save-Date: 2010-10-07T14:54:43Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-10-07T14:54:43Z; meta:save-date: 2010-10-07T14:54:43Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-10-07T14:54:43Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-10-07T14:54:43Z; created: 2010-10-07T14:54:43Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; Creation-Date: 2010-10-07T14:54:43Z; pdf:charsPerPage: 1954; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-10-07T14:54:43Z | Conteúdo => 1 SI-CIT3 El MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 11543„00.3883/2004-21 Recurso n" 152.755 Voluntário Acórdão n" 1103-00.2.34 — 1" Câmara / 3" Turma Ordinária Sessão de 5 de julho de 2010 Matéria RR] e reflexos Recorrente ldealcafé Indústria Comércio Importação e Exportação Ltda Recorrida 2" Turma/DRJ/Rio de Janeiro 1-RJ Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 Ementa: LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO, FRAUDE DECADÊNCIA. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir do fato gerador, para promover o lançamento ex officio de tributos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), a do lançamento por homologação, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, situação em que se aplica a regra do art., 17.3, I, contando-se o referido prazo a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado, Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPI Ano-calendário: 1999, 2000 Ementa: IRP.J., ARBITRAMENTO DO LUCRO., EXTRAVIO DE DOCUMENTOS, DEVER DE RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITURAÇÃO, A adoção dos procedimentos para comunicação de extravio de livros e documentos relativos à escrituração da pessoa jurídica deve ser seguida de reconstituição do acervo da sua contabilidade comercial e fiscal. Eventual perda não exclui o contribuinte do seu dever acessório de reunir, guardar em boa ordem e manter à disposição do Fisco os documentos que dão respaldo à apuração do imposto devido, nem tampouco pressupõe homologação dos valores informados em DIPL. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999, 2000 Ementa: MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE.. A reiterada omissão do registro contábil-fiscal de mais de 95% das vendas realizadas caracteriza o evidente intuito de fraude, requisito para aplicação da multa qualificada (150%), Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 1999, 2000 Ementa: PIS E COFINS. VENDAS PARA EXPORTAÇÃO. ISENÇÃO, São isentas de PIS e Cofins as receitas de vendas destinadas ao fim específico de exportação para o exterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso, para determinar a exclusão das notas fiscais relacionadas nas fis, 2,846/2.848, no total de R53.836 735,00, das bases de cálculos de PIS e Cofins nos respectivos períodos de apuração mensais, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o conselheiro Mario Sergio Fernandes, quanto a esse item(PIS/Confins). /- . \ ALOYSIO I f SeNR—Ciái0 DkSILVA - Presidente e Relatar EDITADO EM: 5 sET 2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Pereínio da Silva (Presidente), Mário Sérgio Fernandes Barroso, Gervasio Nicolau Recketenvald, Marcos Shigueo Takata, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correia Sotero (Vice presidente), EDITADO EM: 2 Processo n" 11543 003883/2004-21 Acórdão n." 1103-00.234 SI-CIT3 Relatório Trata-se de recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/RJOI n" 8.316/2005 (fis. 2.595), da 2" Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro 1- RJ. O relatório do aresto contestado fornece a seguinte descrição do procedimento fiscal: "Trata o presente processo de autos de infração lavrados no âmbito da DRF/VITÓRIA/ES, relativos aos anos-calendário de 1999 e 2000, por meio dos quais são exigidos do interessado acima identificado o imposto sobre a renda de pessoa jurídica-IRRI, no valor de R$ L668.119,61 (fls. 2.496/2.504), a contribuição para o programa de integração social-PIS, no valor de R$ 463.621,70 (fis.2.505/2,513), a contribuição para financiamento da seguridade social-COFINS, no valor de R$ 2.131841,81 (fis..2..514/2.522)- e a contribuição social sobre o lucro líquido-CSLL, no valor . de R$ 835.566,34 (fis2,523/2.530), acrescidos de multa de ofício de 150% e encargos moratórios, De acordo com o termo de verificação e de constatação às fls. 2.488/1495, o interessado foi intimado em 17/02/2004 a apresentar livros, documentos fiscais e bancários relativos aos anos-calendário de 1999 e 2000. Após prorrogação de prazo concedida, apresentou, em 24/03/2004, os extratos bancários.. Reintimado, exibiu, em 13/09/2004, o boletim de ocorrência comunicando o furto do veículo da contadora (fis.16/19), que continha, entre outros documentos, pastas de notas .fiscais de saídas de mercadorias e livro Registro de Inventário. Quanto aos demais livros, alegou estarem de posse da contadora, que se encontrava em local incerto e não sabido. No transcurso do procedimento fiscal, foram solicitados aos seus clientes informações acerca de as operações com ele efetuadas, tais como: cópia das notas fiscais de vendas e provas do efetivo pagamento dos valores consignados nas notas .fiscais mencionadas, resultando na vasta documentação que deu origem a 13 (treze) volumes. Cotejando os valores informados pelos clientes (demonstrativo de fis.2.490), e os declarados pelo interessado nas DIPJ/2000 e 2001 a fiscalização concluiu que foram efetuadas vendas de mercadorias sem o respectivo registro contábil, ficando, assim, configurada a omissão de receita.. (--) Uma vez que o interessado, optante pelo lucro presumido, ainda que solicitado, deixou de apresentar os livros de sua escrituração comercial ou os livros Caixa e de Inventário, com base no disposto no art. 47, inciso II, da Lei n" 8..981/1995, base legal do art.. 530 do RIR/1999, foi levado a efeito o arbitramento do lucro. Para apuração da base de cálculo do imposto, foi aplicado o percentual de 9,6%, correspondente à atividade comercial exercida pelo interessado, sobre os valores mensais apurados das receitas omitidas. 3 Em decorrência, foi lavrado o auto de infração de CSLL. Enquadramento legai às As. 2 525. A omissão de receita deu origem, também, aos lançamentos do PIS e da COFINS. Enquadramento legal às As. 2.507 e 2.516, respectivamente. Foi aplicada a muita de oficio qualificada de 150%, como previsto no art. 44, I, da Lei n" 9.430/1996, em face da omissão de receita praticada cie forma reiterada em todos os períodos de apuração entre o 1" trimestre de 1999 e o 4" trimestre de 2000, caracterizando a intenção dolosa de lesar o Fisco. Inconformado, o interessado apresentou em 03/01/2005 a impugnação de As. 2,536/2.574, acompanhada dos documentos de As. 2 575/2.586, (...)" O órgão de primeira instância julgou o lançamento procedente, conforme acórdão assim resumido: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999, 2000 Ementa: NULIDADE - Comprovado que o auto de infração formalizou-se com obediência a todos os requisitos previstos em lei e que não se apresentam nos autos nenhum dos motivos de nulidades apontados no art. 59 do Decreto n" 70135/1972, descabem as alegações do interessado. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. LANÇAMENTO. PENALIDADE. DECADÊNCIA - Decai em dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, o direito de a Fazenda Nacional proceder ao lançamento de penalidades por infrações às normas pertinentes às contribuições para a seguridade social. IMPOSTO SOBRE A RENDA PESSOA JURÍDICA. PENALIDADE. DECADÊNCIA - Comprovada a ocorrência de fraude, decai em cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, o direito de a Fazenda Nacional proceder ao lançamento de penalidades por infrações às normas pertinentes ao imposto sobre a renda. CONDUTA REITERADA.. APLICAÇÃO DA MULTA AGRAVADA - A escrituração e a declaração a menor de valores relevantes de receitas, praticadas de forma reiterada, evidencia a intenção dolosa do contribuinte no cometimento da infração. JUROS DE MORA - Ex-vi do art. 161 do Código 'Tributário Nacional, o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante de sua falta, Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - Ano-calendário: 1999, 2000 Ementa: OMISSÃO DE RECEITA - Caracteriza omissão de receita a diferença entre o montante de vencias apuradas pelo cotejo entre os valores constantes nas declarações de Processo n" 11543.003883/2004-21 S I-Cl T3 Acórdão o " 1103-00234 Fi 3 rendimentos e os valores das notas fiscais de venda, apurados junto aos clientes do contribuinte. ARBITRAMENTO. ALEGAÇÕES DE EXTRAVIO DE LIVROS E DOCUMENTOS — A simples alegação do extravio de livros e documentos que amparam a escrituração contábil e fiscal não é suficiente para descaracterizar o arbitramento do lucro, principalmente quando o fato não é comunicado à época do ocorrido à Secretaria da Receita Federal, e não foi providenciado o refazimento da escrituração.. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL Ano-calendário: 1999, 2000 Ementa: TRIBUTAÇÃO REFLEXA- Pela relação de causa e efeito, é de estender ao lançamento decorrente a decisão prolatada em relação à exigência principal. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 1999, 2000 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DE SEGURIDADE SOCIAL. PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO - Para o beneficio fiscal da isenção, é necessário comprovação de que foram efetuadas vendas às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decreto-lei n" 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, para o fim especifico de exportação." Cientificada da decisão em 06/11/2005 (fis, 2..679), a contribuinte apresentou recurso voluntário no dia 22 do mesmo mês (tis, 2,680), Inicialmente, expôs os motivos que a impossibilitaram de realizar "depósito prévio" e assumiu compromisso de fazê-lo, "através de imóveis", quando da devolução da sua documentação, então em poder da justiça federal. Como preliminares, alegou nulidade do lançamento e da decisão de primeiro grau, por cerceamento de direito de defesa, além de decadência do direito de constituir o crédito tributário. No mérito, afirmou ser necessária a caracterização da imprestabilidade de toda a contabilidade como pressuposto para o arbitramento, "na medida em que a escrituração é por lucro real". No seu entendimento, a omissão de receitas não restou comprovada, não devendo ser confundida com mera movimentação financeira, tomando-se os extratos bancários sem verificar sequer a contabilidade da empresa. Reclamou da inclusão de valores já tributados, 5 6 Defendeu a redução da multa para 75%, em razão da falta de comprovação de evidente intuito de fraude, a exclusão dos juros de mora e a limitação de "eventual mora" a 20% na forma do art, 61 da Lei 9.430/96.. Sobre a multa, argumentou: "Com o pedido da mais alta vénia, imprestável o Auto de infração quando a próptia fiscalização lança ao mesmo tempo multas em 75% e multas em 150%, ou seja, existe a dúvida da existência ou não da sonegação fiscal". Requereu perícia contábil, oportunidade de apresentação de prova da exportação de mercadorias e dilatação do prazo recursal por mais 30 dias, "diante da necessidade de verificação da extensa documentação e respeitando o direito de igualdade". Após intimação para indicação de bens e direitos para arrolamento, não atendida pela recorrente, o processo veio à segunda instância, com base em despacho do órgão preparador (fls. 2,780). Por meio de arrazoado dirigido ao presidente da Terceira Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes (tis. 2.782), a recorrente juntou aos autos cópia de documentação relativa à indicação para arrolamento de bem imóvel "que representa a totalidade do ativo fixo da Requerente" (fls. 2.785 a 2,821). Anexa ao recurso (fls.. 2.729), constou inicial de ação em mandado de segurança datada de 17/11/2005, sem marca de protocolo de recebimento, com o seguinte pedido: "Isto posto, PEDE e REQUER: Se digne Vossa Excelência a receber a presente e deferir o pedido de liminar no sentido de que sejam suspensos todos os atos referentes ao V. Acórdão 8316, de 30 de agosto de 2005, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de .Janeiro-RI, sendo opodunizado o direito da ampla defesa e do contraditório, bem como seja obrigada a Secretaria da Receita Federal a cumprir o disposto no inciso 11 do artigo 19 da Carta Magna e das disposições da Lei 9784 Após, seja citado o representante legal do impetrado, no sentido de que, apresentem as devidas informações, com o fim de que ao final seja determinado a anulação do V. Acórdão 8316, oportunizando o direito de defesa e obrigando a respeitar a vigência do inciso II do artigo 19 da Carta Magna e cumprir as disposições da Lei 9784." Em cumprimento à Resolução n" 103-0L848/2007 (fls. 2.827), os autos .foram devolvidos à unidade de origem para verificação da regularidade do arrolamento do imóvel indicado e da existência de ação judicial impetrada pela recorrente. Intimada para prestar esclarecimento (fls. 2..839), a recorrente compareceu aos autos para informar a inexistência de "qualquer ação judicial em curso, que tenha por objetivo a desconstituição ou modificação da decisão combatida por meio do presente Recurso Voluntário" (fls.. 2.843), além de registrar a desnecessidade de arrolamento de bens e direitos para seguimento do recurso, conforme ADI RE13 tf 09/2007. Juntou certidão da Justiça Federal (fls. 2.859). Na mesma peça, renovou os seus argumentos de contestação da decisão de primeira instância e relacionou notas fiscais supostamente representativas de operações destinadas à exportação de café, que não integrariam, portanto, as bases de cálculo tributáveis de PIS e Cotins. Processo n' 11543.003883/2004-21 S1-CIT3 Aerialijo o 0 1103-00134 Fl 4 As declarações de informações econômico-fiscais da pessoa jurídica (D113.1) dos exercícios 2000 e 2001 registram apuração do !RR] e da CSLL, com base no regime de tributação pelo lucro presumido (fis„ 2,437 e 2.456), Consta pedido da recorrente de envio de intimações para o endereço indicado (fls. 2.837). É o relatório. 7 Voto Conselheiro ALOYSIO JOSÉ PERC.INIO DA SILVA, Relatou O recurso é tempestivo e foi apresentado por parte legítima, além de reunir os demais pressupostos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. O prazo para apresentação do recurso voluntário está previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72, sem qualquer previsão de dilatação. A perícia é desnecessária, uma vez que os autos reúnem os elementos suficientes para a formação da convicção do .julgador, como se verá mais adiante, no enfrentamento do mérito,. Conforme relatado, foi suscitada preliminar de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa, O cerceamento estaria caracterizado pela falta de apresentação à recorrente de "todo o processo que levou a verificação da movimentação fiscal das empresas envolvidas com a chamada circularização", A "circularização" mencionada consiste na coleta de informações de operações da fiscalizada junto a terceiros vinculados ou participantes dessas transações. No caso concreto, a fiscalização realizou diligências em pessoas jurídicas compradoras dos produtos da recorrente para obtenção de informações sobre as suas vendas (da recorrente), com o fim de cotejá-las com valores registrados na contabilidade e informados em DIN. Percebe-se que todos os elementos colhidos pela fiscalização — notas fiscais, recibos, cópia de livros de escrituração, etc — utilizados para demonstração da receita omitida, encontram-se nos autos. O termo fiscal (fia. 2,488), referido nos autos de inflação, contém planilhas discriminando os totais de vendas realizadas por cada cliente e especificando os valores das omissões em cada trimestre, Pelo visto, a recorrente dispôs de todas as informações para conhecimento da infração que lhe foi imputada, garantindo-se, assim, os meios para exercer o seu direito de defesa. Quanto ao acórdão contestado, constata-se que todas as questões suscitadas na impugnação foram enfrentadas e devidamente motivadas. A preliminar de nulidade do lançamento e do acórdão recorrido, por cerceamento do direito de defesa, é descabida, No mérito, inicialmente, deve-se destacar o equívoco do patrono da recorrente acerca das alegações relativas a (i) determinação do valor tributável com base em extratos bancários, (ii) inclusão de valores já tributados, (iii) necessidade de apuração com base no lucro real e (iv) aplicação de multa nos percentuais de 75 % e 150%.. O quadro das vendas e o demonstrativo de receitas omitidas, constantes do termo fiscal (fls., 2.490/91 e 2,493, respectivamente), foram elaborados com base em dados Processo n" 11543 003883/2004-2I S1-C113 Acórdão o" 1103-00.234 El 5 coletados pela fiscalização mediante intimação a .30 (trinta) clientes da recorrente, Os valores utilizados foram extraídos das notas fiscais de vendas emitidas pela própria fiscalizada e comprovadas por consistente documentação formada por intimações, notas fiscais, comprovantes de depósitos bancários, recibos, registros em livros de escrituração comercial e fiscal, etc, a exemplo do conjunto probatório fornecido por Cafenorte S/A importadora e exportadora (fis. 205/215).. Vê-se que a receita de vendas foi apurada por meio de prova direta, e não por presunção fundamentada em movimentação financeira constante de extrato bancário. Também se observa a dedução dos valores informados na DIPJ para fins de quantificação da receita omitida, conforme detalhado no referido demonstrativo de fls. 2.493. O terceiro equívoco do recurso se refere à afirmação quanto à necessidade de apuração pelo regime do lucro real. Tal alegação contraria as DIPJ apresentadas pela recorrente relativas aos anos-calendário abrangidos pelos autos de infração, ambas pelo lucro presumido (fis,.2437 e 2.456). Como último engano, têm-se a crítica à aplicação de multas de 75% e 150%. A simples leitura dos autos de infração contraria a alegação. Com efeito, foi aplicada penalidade ex officio no percentual único de 150%, conforme o art. 44, II, da Lei 9.430/96, A questão relativa ao arbitramento dos lucros foi bem enfrentada no voto condutor do acórdão contestado, assim redigido: "A teor do art. 45 da Lei n" 8.981/1995, a pessoa jurídica que optar pela tributação com base no lucro presumido deverá manter escrituração contábil nos termos da legislação comercial, a menos se mantiver livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária, e o Livro Registro de Inventário. Em consulta as DIPj relativas aos anos fiscalizados, verifica-se que, em l 999, o interessado informou ter efetuado a escrituração do Livro Caixa (fis. 2,441) e, em 2000, a escrituração contábil (fls. 2.476). A obrigatoriedade de se manter- em ordem os livros comerciais e fiscais, bem como os documentos em que se assenta a escrituração, se dá por força do disposto no art. 264 do R1R/1999, in verbis: "Art 264, A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (Decreto-lei n" 486/69, art. 4")." A inobservância do referido dispositivo legal impossibilita o Fisco de apurar o recolhimento correto de tributos, razão pelo qual a lei lhe autoriza a arbitrar o lucro. Entretanto, foram excepcionados alguns casos em que, apesar de ausentes os livros, não se arbitraria o lucro, a menos que comprovada a inexatidão das declarações prestadas ou a existência de vícios que lhes tirassem a confiabilidade Esses são os casos de extravio, deterioração ou a destruição dos documentos, desde que r, preenchidas as exigências previstas no § 1" do artigo 264 do RIR11999. § 1' Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de 48 horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição (Decreto-lei ri," 486/69, art. 10)." No caso em tela, verifica-se que o interessado intimado a apresentar os livros contábeis e fiscais (lis 04/13) alegou que estariam de posse da contadora, que se encontra em local incerto e não sabido. Posteriormente, apresentou boletim de ocorrências, datado de 29/08/2000 comunicando o furto do veículo da mesma que continha os referidos livros, Primeiramente, cabe ressaltar que se equivoca o interessado ao afirmar em sua impugnação que a lei impõe ao contador o dever de guardar a documentação e os livros. Conforme o caput cio art 264, o dever é dele, o contribuinte, por ter relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador (art,121,parágrafo tinico,incisoI, do CIN) Ao contador, dentro do âmbito de sua atuação e no que se referir à parte técnica, juntamente com o contribuinte, é imputada a responsabilidade por qualquer falsidade dos documentos que assinarem e pelas irregularidades de escrituração praticadas no sentido de fraudar o imposto, consoante o disposto no art.39, §1", do Decreto-lei n" 5.844, de 1943. Portanto, o interessado não pode se eximir de suas obrigações tributárias com a simples alegação de que seus documentos e livros foram extraviados pela profissional contratada, a qual está sujeita à fiscalização do exercício de sua profissão pelo Conselho Federal de Contabilidade e pelo Conselho Regional de Contabilidade de sua jurisdição (Decreto-lei n°9295, de 27/05/1946). Não há provas de que o interessado tenha tomado qualquer- providência a fim de se resguardar de possíveis danos causados pela má conduta da contadora, Sra. Eliana Janete Resstel, CPE n°534.784527-91, que teria saído do pais sem devolver os documentos/livros, agravado pelo fato de que, além de ser responsável pela escrituração contábil no período fiscalizado, fez parte do quadro societário da empresa até 02/09/2002 (fis.2..591)., De acordo com o boletim de ocorrência n" 1.758/00, de 29/08/2000, às fis.18/19, no carro furtado da contadora encontravam-se, além de objetos pessoais, pastas com notas fiscais de entrada e saída de mercadorias em nome do interessado, livros fiscais, pastas com documentos diversos e disquetes. Em 30/08/2000, o interessado comunicou à Agência da Receita Estadual de Domingos Marfins, no Estado do Espírito Santo (fis.16/17), a perda dos seguintes documentos: caixa de disquetes contendo backup de toda a movimentação fiscal, 01 (um) Livro de Registro de Entrada de Mercadorias, 01 (um) Livro de Registro de Saída de Mercadorias, 01 (um) Livro de Registro de Inventário, 01 (um) Livro de Registro de Utilização de documentos fiscais e Termo de Ocorrências, pastas contendo colecionadas as notas fiscais de saída, pastas contendo as notas .fiscais de entrada de mercadorias, blocos de notas fiscais mod. 01 — séries 01,02 e 03. Se inexiste prova de que à proprietária foi imputada qualquer responsabilidade pelo furto do automóvel, há que se considerar que este decorreu de caso fortuito ou força maior. Entretanto, tal fino também não libera o interessado do eumprimentoKle suas obrigações tributárias, /V\ 10 11 Processo n" 1543.003883/2004-21 Acórdão n." 1103-00234 S1-C1133 Fi 6 Primeiro, porque inexiste prova de que os documentos furtados referiam-se ao período fiscalizado. Principalmente, em relação ao ano-calendário de 2000, O furto ocorreu bem antes do prazo para a entrega da DIPJ (29/06/2001), a qual foi preenchida com base na escrituração contábil. O livro Razão e Diário não foram delicados como furtados. Segundo, porque deixou de cumprir as exigências legais previstas no § 1" do art. 264, tais como: comunicação do fato à Secretaria de Receita Federal, comunicação à _Junta Comercial e publicação em jornal de grande circulação local. Ademais, inexiste nos autos comprovação de que o interessado tenha providenciado a reconstituição dos livros e documentos supostamente extraviados por furto ou pela ex-sócia e contadora. Assim, ante a falta de apresentação do Livro Caixa (1999) e da escrituração contábil (2000) correto foi o procedimento da fiscalização que arbitrou o lucro, com Mero no disposto no art. 47, inciso III, da Lei ri" 8.981/1995, in verbis: "Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando:.... - o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o art.. 45, parágrafo único;" Ressalte-se, ainda, que conforme disposto no Parecer Normativo n° 23/1978, o arbitramento não representa penalidade e sim valoração do lucro tributável. De acordo com o art, 532 do RIR/1999, o lucro arbitrado é fixado em percentagem da receita bruta quando conhecida. No presente caso, a -fiscalização procedeu ao arbitramento do lucro aplicando o percentual de 9,6% sobre os valores mensais apurados das receitas omitidas, obtidas mediante circularização de clientes. Corretamente, aplicou a aliquota de 15% sobre a base de cálculo (lucro arbitrado), e não sobre o total da receita omitida como alegou o interessado. Improcede, também, a sua solicitação para que fossem expurgados do lançamento os valores contabilizados a titulo de empréstimos, juros, encargos bancários e financeiros, posto que somente seria cabível se a sistemática de apuração da base de cálculo do imposto fosse o lucro real. Em se tratando de lucro arbitrado, ou mesmo a forma anteriormente elegida pelo interessado (lucro presumido) não se cogita deduzir qualquer valor a título de despesa." O entendimento adotado na decisão recorrida coincide com a jurisprudência do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, como se observa nos acórdãos abaixo indicados: "IRP.I. ARBITRAMENTO DO LUCRO. EXTRAVIO DE DOCUMENTOS EM RAZÃO DE ALAGAMENTO. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITURAÇÃO A adoção dos procedimentos previstos no art. 264, § 1", do RIR199, para comunicação de extravio de documentos relativos à escrituração da pessoa jurídica, deve ser seguida de reconstituição do acervo da sua contabilidade comercial e fiscal. Eventual perda de documentação não exclui o contribuinte do seu dever acessório de reunir-, guardar em boa ordem e manter à disposição do fisco os documentos que dão respaldo à apuração do imposto devido, nem tampouco pressupõe homologação dos valores informados em DIPI, (Acórdão 103-22.975/2007 — Recurso 142334) IRPI. ARBITRAMENTO DO LUCRO EXTRAVIO DE DOCUMENTOS EM RAZÃO DE INCÊNDIO. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL-FISCAL. A adoção dos procedimentos previstos no art. 264, § 1°, do RIR199, para comunicação de extravio de documentos relativos à escrituração da pessoa jurídica, deve ser seguida de reconstituição do acervo da contabilidade comercial e fiscal. Eventual perda de documentação não exclui o contribuinte do seu dever acessório de reunir, guardar em boa ordem e manter à disposição do fisco os documentos que dão respaldo à apuração do imposto devido, nem tampouco pressupõe homologação dos valores informados em pipi (Acórdão 101-96 755/2008 — Recurso 158740)" A recorrente refutou a aplicação da multa qualificada (150%) por ausência de comprovação de "evidente intuito de fraude", requisito do art. 44, 1.1, da Lei 9..430/96.. Na minha forma de ver, a reiterada omissão de registro contábil-fiscal de mais de 95% das vendas realizadas, conforme bem destacado na decisão de primeira instância, constitui prova suficiente da intenção de fraudar. O pedido para redução da multa para o percentual de 20% previsto no art. 61 da Lei 9..430/96 é descabido, tendo em vista que, nos casos de lançamento de oficio, aplicam-se as multas previstas no art. 44 do citado ato legal. A recorrente também suscitou preliminar de decadência do direito de constituir' o crédito tributário, só agora enfrentada, após o exame de mérito acerca da aplicação da multa qualificada, tendo cru vista a ressalva quanto à necessidade de comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, contida no art. 150, § 4", do CTN. Os autos versam sobre exigência de tributos enquadrados na modalidade de lançamento por homologação. Nesses casos, conforme o referido 4" do art. 150 do CTN, inicia-se a .contagem do prazo qüinqüenal de decadência a partir da data do fato gerador. Na linguagem do Código, expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O legislador do CTN estabeleceu a ressalva para os casos de dolo, fraude ou simulação, mas não o fez acompanhada de determinação expressa do correspondente prazo decadencial a ser aplicado à hipótese. Diante de tal lacuna, a doutrina e a jurisprudência administrativa do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes consagraram o entendimento de que, em tais casos, deve ser utilizada a norma geral de decadência constante do art.. 173, 1, do Código. Prescreve o dispositivo legal: "Art.. 173.. O direito de a Fazenda Pública constituir o credito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Processo n" 1 I 543 003883/2004-21 SI-C1T3 AL-Ora° o" 1103-00,234 Fl . 7 II - da data em que se tomar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." No caso concreto, em que restou comprovada a ocorrência de evidente intuito de fraude, previsto no art. 44, II, da Lei 9.430/96, aplica-se a norma de decadência do art. 173, 1, do Código. Os seguintes acórdãos do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais exemplificam o entendimento acima exposto: "LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE. DECADÊNCIA. O fisco dispõe de cinco anos para constituir o crédito tributário mediante lançamento ex officio, nos casos de tributos submetidos à modalidade de lançamento por homologação, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando restar comprovado evidente intuito de fraude. (Acórdão 103-22.640/2006) DECADÊNCIA. Estando configurada fraude, dolo ou simulação, inclusive com aplicação de multa qualificada de 150%, não pode ser utilizada a norma do § 4o cio art. 150 do CTN, por expressa previsão_ Nesse caso, aplica-se a regra prevista no art. 173, 1, do mesmo diploma legal (Acórdão 108-09385/2008) DECADÊNCIA IRPJ. A partir de janeiro de 1992, por força do artigo 38 da Lei n" 8.383/91, o IRP.1 passou a ser tributo sujeito ao lançamento pela modalidade homologação. O inicio da contagem do prazo decadencial é o da ocorrência do fato gerador do tributo, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do § 4' do artigo 150 do CIN. Na ocorrência de dolo fraude ou simulação, o inicio da contagem do prazo desloca-se do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual o lançamento poderia ser realizado, antecipando para o dia da entrega da declaração se feita no ano seguinte ao da ocorrência dos fatos geradores. (Art_ 150 § 4"e 173-1 e § único do CTN). (CSRE/01-05,751/2007) IRRI. DECADÊNCIA. O início da contagem do prazo decadencial é o da ocorrência do fato gerador do tributo, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do § 4" do artigo 150 do CTN. Na ocorrência de dolo fraude ou simulação, o início da contagem do prazo desloca-se do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual o lançamento poderia ser realizado (artigo 173, inciso 1 do CTN), hipótese esta que não ocorre no caso. (CSRF/01- 05.925/2008)" 13 I. C NIQOA SILVA '? ALOYSIO Folheando os autos, constata-se que o fato gerador mais antigo é de 31 de janeiro de 1999, sendo possível a constituição do crédito tributário ex officio no próprio ano- calendário (1999). Aplicando-se a norma do art, 173, I, do CTN, têm-se o primeiro dia do exercício seguinte (2000) como termo inicial de contagem do prazo decadencial. Tomando-se cinco anos a partir dessa data, o lançamento poderia ser realizado até 31/1212004. Como o lançamento foi realizado dentro do prazo legal, no dia 06/12/2004, data da ciência ao sujeito passivo, conforme AR de fls. 2.535, é descabida, portanto, a preliminar de decadência. Os juros de mora sobre o crédito tributário em aberto são aplicados "seja qual for o motivo determinante da falta", sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis, segundo determina o art. 161 do CIN. Conforme relatado, o processo também abrange autos de infração do tipo reflexo, de CSL, PIS e Cofins. Nesse caso, a decisão relativa ao auto de infração matriz (IRP,i) deve ser igualmente aplicada no julgamento do auto de inflação decorrente ou reflexo, conforme entendimento amplamente consolidado na jurisprudência deste colegiado, urna vez que ambos os lançamentos, matriz e reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção. Contudo, no que se refere às exigências de PIS e Cofias, a recorrente relacionou notas fiscais supostamente representativas de operações destinadas à exportação de café, que não deveriam integrar as bases de cálculo tributáveis das referidas contribuições, tendo em vista a isenção do art. 14 da MP 1858-6/99 (atual MP 2.158-35/2001), alçada à imunidade pelo art. 149, §2", Ida CF e ratificada pelas Leis 10,637/2002 e 10,8.33/2002 (ad, 5", I e 6', 1, respectivamente), conforme alegado no recurso, Com efeito, a legislação citada prevê a isenção de PIS e Cotins sobre receitas de vendas "destinadas ao fim específico de exportação para o exterior" (art. 14, VIII e §1", da MP 2,158-35/2004 As notas fiscais relacionadas nas fls. 2.846/2.848, totalizando R$ 3.836.735,00, contêm observação de venda para exportação, o que condiz com o alegado pela recorrente. Conclusão Pelo exposto, voto pela rejeição das preliminares suscitadas e, no mérito, pelo provimento parcial ao recurso para determinar a exclusão das notas fiscais relacionadas nas fls. 2.846/2.848, no total de R$ 3.836.735,00, das bases de cálculo de PIS e Cofins, nos respectivos períodos de apuração mensais. A 14 Processo o" 11543 003883/2004-21 S1-C1T3 Acói dão o " 1103-00.234 El 8 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n" 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, 1 5' S EI / 2 (I 1 0 JOSÉ ANTONIO DA SILVA Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração; [ II 15
score : 1.0
Numero do processo: 10380.727339/2013-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
DEDUÇÃO COM DEPENDENTES. NETOS. NÃO COMPROVAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE GUARDA JUDICIAL.
Não havendo comprovação ou indício contemporâneo ao fato gerador que os netos são dependentes do Recorrente, não se admite a dedução do imposto de renda relativa a esses supostos dependentes em razão da inexistência da guarda judicial. Inteligência do art. 77 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR).
DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DEPENDENTES (NETOS). NÃO COMPROVAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE.
As despesas com instrução são dedutíveis na declaração de ajuste anual para pagamentos devidamente comprovados, efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação pré-escolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual estabelecido em lei. Inteligência do art. 81 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR).
A dedução de despesas com instrução na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea tanto da dependência de seus netos (Renan Catunda Bezerra e Davi Catunda Bezerra), no mesmo ano-calendário da obrigação tributária, como também da mantença da guarda judicial, fato este não evidenciado nos autos.
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. DEPENDENTES (NETOS). NÃO COMPROVAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, dentistas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR).
A dedução de despesas médicas e dentistas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO PARCIAL. DEDUTIBILIDADE PARCIAL.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos (psicólogo) e dentista, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos. Inteligência do art. 8°, inciso II, alínea a, da Lei 9.250/1995 e do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$1.910,83, referentes ao Plano de Saúde CAMED do declarante.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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DEDUÇÃO COM INSTRUÇÃO E MÉDICAS Recorrente JOSÉ SANTOS BEZERRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÃO COM DEPENDENTES. NETOS. NÃO COMPROVAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE GUARDA JUDICIAL. Não havendo comprovação ou indício contemporâneo ao fato gerador que os netos são dependentes do Recorrente, não se admite a dedução do imposto de renda relativa a esses supostos dependentes em razão da inexistência da guarda judicial. Inteligência do art. 77 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DEPENDENTES (NETOS). NÃO COMPROVAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. As despesas com instrução são dedutíveis na declaração de ajuste anual para pagamentos devidamente comprovados, efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação préescolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual estabelecido em lei. Inteligência do art. 81 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas com instrução na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea tanto da dependência de seus netos (Renan Catunda Bezerra e Davi Catunda Bezerra), no mesmo anocalendário da obrigação tributária, como também da mantença da guarda judicial, fato este não evidenciado nos autos. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. DEPENDENTES (NETOS). NÃO COMPROVAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, dentistas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 73 39 /2 01 3- 14 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas e dentistas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano calendário da obrigação tributária. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO PARCIAL. DEDUTIBILIDADE PARCIAL. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos (psicólogo) e dentista, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos. Inteligência do art. 8°, inciso II, alínea “a”, da Lei 9.250/1995 e do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$1.910,83, referentes ao Plano de Saúde CAMED do declarante. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Marcelo Malagoli da Silva. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10380.727339/201314 Acórdão n.º 2402005.265 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento de fls. 44/47, resultante de alterações na Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício de 2011, anocalendário de 2010, que implicou apuração de imposto suplementar, sujeito à multa de ofício (75%) e juros legais, em face da constatação das seguintes infrações: 1. dedução indevida a título de dependentes (o contribuinte não apresentou prova de que detém a guarda judicial dos netos Renan Catunda Bezerra e Davi Catunda Bezerra); 2. dedução indevida a título de despesas de instrução (foram glosadas as deduções declaradas a título de despesas efetuadas com a instrução de Renan Catunda Bezerra e Davi Catunda Bezerra); 3. dedução indevida a título de despesas médicas (Glosa do valor de R$6.385,27 indevidamente deduzido a título de despesas médicas pelos seguintes motivos: 1 Glosa do valor de R$ 1.910,83 referente ao plano de saúde Camed por falta de comprovação; 2 Glosa do valor de R$ 2.597,54 referente ao plano de saúde Camed em virtude dos beneficiários Renan Catunda Bezerra (R$ 1.333,88) e Davi Catunda Bezerra (R$ 1.263,66) haverem sido excluídos da declaração do contribuinte; 3 Glosa do valor de R$ 1.876,90 referentes aos serviços prestados pelas empresas: Clínica Ortho Cirurgia Ltda (R$ 471,50), Coopanest (R$ 410,96), Coorlece (R$ 580,88) e Hospital São Carlos (R$ 413,56) em virtude do beneficiário Renan Catunda Bezerra haver sido excluído da declaração do contribuinte. A decisão de primeira instância julgou improcedente a impugnação, mantendose as glosas apontadas pelo Fisco. Cientificado da decisão de primeira instância em 14/10/2013 (fls. 65), o interessado interpôs, em 08/11/2013, o recurso de fls. 67/89. Nas razões recursais aduz que: 1. Dedução Indevida com Dependentes. A glosa é indevida, pois os dependentes são netos, com idade até 21 anos de idade; 2. Dedução Indevida de Despesas com Plano de Saúde. Suposta dedução indevida de despesas pagas ao Plano de Saúde CAMED do declarante no valor de R$2.223,86, correspondente à soma de R$2.069,34 e R$154,52, conforme documentos anexos (Doc. 04 e Doc. 05), havendo negligência na análise dos documentos que resultou na glosa de R$1.910,83. Ao fim, requer seja acolhido o presente recurso para cancelar o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. I GLOSAS DOS DEPENDENTES (NETOS) O Recorrente deseja que sejam restabelecidas as deduções declaradas a título de dependentes relativas Renan Catunda Bezerra e Davi Catunda Bezerra, ambos são netos do declarante. A decisão de primeira instância entendeu que o Recorrente não comprovou que detinha, no anocalendário de 2010, a guarda judicial de seus netos Renan Catunda Bezerra e Davi Catunda Bezerra, nos seguintes termos: “Compulsando os autos, porém, verificase que nenhum dos documentos apresentados pelo Interessado comprova que o mesmo detinha, no anocalendário 2010, a guarda judicial de seus netos Renan Catunda Bezerra e Davi Catunda Bezerra. Ante o exposto, deve ser mantida a glosa das deduções declaradas a título de dependentes relativas a Renan Catunda Bezerra e Davi Catunda Bezerra.” Em sede de recurso, o Recorrente repetiu as mesmas alegações da peça de impugnação e fez alusões às questões doutrinárias e de direito. De fato, constatase que os documentos acostados aos autos (fls. 73/84) não comprovam que o Recorrente detinha a guarda judicial dos seus netos, Renan Catunda Bezerra e Davi Catunda Bezerra, para o anocalendário de 2010 (aspecto temporal do fato gerador). Tais documentos apenas apontam que, no ano de 2013, houve a propositura de uma demanda judicial requerendo a guarda desses menores perante o Tribunal de Justiça do Ceará. Inteligência do art. 77, inciso V e § 2º, do RIR/1999. Em outros termos, a legislação tributária veda, expressamente, a dedução de cota de dependentes netos do beneficiário sem a comprovação da guarda judicial. Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR): Dependentes Art. 77. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida do rendimento tributável a quantia equivalente a noventa reais por dependente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso III). § 1o Poderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 4º, § 3º, e 5º, parágrafo único (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35): Fl. 97DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10380.727339/201314 Acórdão n.º 2402005.265 S2C4T2 Fl. 4 5 I o cônjuge; II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até vinte e um anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV o menor pobre, até vinte e um anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até vinte e um anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. § 2o Os dependentes a que referem os incisos III e V do parágrafo anterior poderão ser assim considerados quando maiores até vinte e quatro anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 1º). § 3º Os dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 2º). § 4º No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 3º). (g.n.) § 5 É vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo dependente, na determinação da base de cálculo do imposto, por mais de um contribuinte (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 4º). Portanto, considerando que o contribuinte não comprovou dentro do ano calendário de 2010, por meio de documentos idôneos e hábeis, que os seus netos Renan Catunda Bezerra e Davi Catunda Bezerra são seus dependentes para fins da legislação do imposto de renda, devem ser mantidas as glosas decorrentes desses supostos dependentes, em razão da ausência de guarda judicial. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 II GLOSA DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO DE DEPENDENTES (NETOS) Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "b", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutiveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, a título de despesas com instrução, os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação préescolar, de 1°, 2° e 3° graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no ano calendário será a diferença entre as somas: II das deduções relativas: b) a pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação préescolar, de 1°, 2°, e 3° graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual de um mil e setecentos reais. (g.n.) O Recorrente alega que os seus netos, Renan Catunda Bezerra e Davi Catunda Bezerra, são deus dependentes e, com isso, poderia deduzir do imposto de renda as despesas de instrução arcadas com eles. Tal alegação não será acatada, pois a dedução de despesas com instrução está limitada àquelas incorridas com o declarante (Recorrente) e com seus dependentes, sendo que os seus netos, Renan Catunda Bezerra e Davi Catunda Bezerra, não foram caracterizados como dependentes para fins de isenção do imposto de renda nos moldes do art. 77, incisos V e § 4º, do RIR/1999. Com isso, é forçoso concluir que não existe fundamento que autorize o restabelecimento das despesas com instrução, mantendose a glosa apurada pelo Fisco, já que o Recorrente não se desincumbiu satisfatoriamente do ônus de prova, com documentos hábeis e idôneos, que detinha a guarda judicial de seus netos (Renan Catunda Bezerra e Davi Catunda Bezerra), e, portanto, não se enquadra na hipótese de isenção prevista no art. 81 do RIR/1999. Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR): Despesas com Educação Art. 81. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação préescolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual de um mil e setecentos reais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "b"). III GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS (PLANO DE SAÚDE) DO INTERESSADO (CONTRIBUINTE DECLARANTE) Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutiveis da base de cálculo do Fl. 99DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10380.727339/201314 Acórdão n.º 2402005.265 S2C4T2 Fl. 5 7 imposto de renda pessoa física, a título de despesas médicas, psicólogo, e com dentistas, os pagamentos especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no ano calendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou cópias dos pagamentos efetuados em favor do Plano de Saúde CAMED no valor de R$2.223,86, correspondente à soma de R$2.069,34 e R$154,52, conforme documentos anexos (Doc. 04, fls. 85, e Doc. 05, fls. 86). Esses documentos de pagamentos do Plano de Saúde CAMED apontam que os serviços foram prestados ao Recorrente no anocalendário de 2010. O Fisco imputou a dedução indevida a título de despesas médicas (glosa), no valor de R$6.385,27, pelos seguintes motivos: 1 Glosa do valor de R$ 1.910,83 referente ao plano de saúde Camed por falta de comprovação; 2 Glosa do valor de R$ 2.597,54 referente ao plano de saúde Camed em virtude dos beneficiários Renan Catunda Bezerra (R$ 1.333,88) e Davi Catunda Bezerra (R$ 1.263,66) haverem sido excluídos da declaração do contribuinte; 3 Glosa do valor de R$ 1.876,90 referentes aos serviços prestados pelas empresas: Clínica Ortho Cirurgia Ltda (R$ 471,50), Coopanest (R$ 410,96), Coorlece (R$ 580,88) e Hospital São Carlos (R$ 413,56) em virtude do beneficiário Renan Catunda Bezerra haver sido excluído da declaração do contribuinte. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 A decisão de primeira instância entendeu que o Recorrente não comprovou as despesas médicas, nos seguintes termos: “[...] No presente caso, depreendese dos autos que o Autuado pleiteia o restabelecimento das deduções declaradas a título de despesas médicas glosadas com base em dois argumentos: primeiro que Renan Catunda Bezerra e Davi Catunda Bezerra devem ser considerados seus dependentes para fins de apuração do imposto de renda pessoa física devido no anocalendário 2010 e, segundo, que o documento reproduzido às fls. 04/05, 07/08 e 30/31 comprova integralmente a despesa declarada a título de despesas médicas pagas à CAMED Saúde referentes ao próprio Interessado (R$ 2.223,86). Em relação ao primeiro argumento, observase que o pleito do Autuado não pode prosperar, visto que, conforme já dito no presente voto, não apresentou nenhuma prova de que Renan Catunda Bezerra e Davi Catunda Bezerra realmente se enquadravam como seus dependentes, para fins de declaração de imposto de renda pessoa física, no ano de 2010. Já no que tange ao segundo argumento, verificase que o pleito do Autuado também é improcedente, porquanto o valor da soma das despesas médicas referentes ao próprio Interessado comprovadas no documento reproduzido às fls. 04/05, 07/08 e 30/31, que não tenham sido declaradas em nome das pessoas jurídicas COFTALCE (R$ 682,24), COOPANEST (R$ 195,50), COOPEURO (R$ 86,86), DIAGNÓSTICOS DA AMÉRICA S/A (R$ 42,76) e INST. BRASILEIRO CIR OCULAR S/C LTDA (R$ 2.758,81), que corresponde a R$ 155,12, não supera o montante da dedução declarada a título de despesas médicas pagas a CAMED referentes ao próprio Interessado que foi mantido pela autoridade fiscal (R$ 313,01). [...]” Entendo que os pagamentos efetuados em favor do Plano de Saúde CAMED no valor de R$2.223,86, correspondente à soma de R$2.069,34 e R$154,52, conforme documentos anexos (Doc. 04, fls. 85, e Doc. 05, fls. 86), contendo inclusive o nome do beneficiário e o seu CPF, emitidos pela Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Nordeste do Brasil, são suficientes para demonstrar a efetividade dos pagamentos com despesas do Plano de Saúde, pois evidenciam a prestação do serviço como o seu respectivo beneficiário, no caso o Recorrente. Com relação às despesas médicas de seus netos, Renan Catunda Bezerra e Davi Catunda Bezerra, as glosas devem ser mantidas, pois seus netos não foram caracterizados como dependentes para fins de isenção do imposto de renda nos moldes do art. 77, incisos V e § 4º, do RIR/1999. Com isso, é forçoso concluir que existe fundamento que autorize o restabelecimento das despesas do Plano de Saúde CAMED no valor de R$1.910,83 (2.069,34 + 154,52 = 2.223,86, menos R$ 313,01). Assim, não deve ser mantida a glosa oriunda das despesas médicas do Plano de Saúde CAMED. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10380.727339/201314 Acórdão n.º 2402005.265 S2C4T2 Fl. 6 9 IV CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$1.910,83, referentes ao Plano de Saúde CAMED do declarante, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 10580.723518/2011-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA.
O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Precedentes do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543-B e 543-C do CPC.
INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA REFAZER O LANÇAMENTO. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA.
O lançamento adotou critério jurídico equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ, impactando a identificação da base de cálculo, das alíquotas vigentes e, consequentemente, o cálculo do tributo devido, o que caracteriza vício material. Não compete ao CARF refazer o lançamento com outros critérios jurídicos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Precedentes do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543-B e 543-C do CPC. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA REFAZER O LANÇAMENTO. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. O lançamento adotou critério jurídico equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ, impactando a identificação da base de cálculo, das alíquotas vigentes e, consequentemente, o cálculo do tributo devido, o que caracteriza vício material. Não compete ao CARF refazer o lançamento com outros critérios jurídicos. Recurso Voluntário Provido.
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE Recorrente MARIA DA GRAÇA DOS SANTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Precedentes do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA REFAZER O LANÇAMENTO. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. O lançamento adotou critério jurídico equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ, impactando a identificação da base de cálculo, das alíquotas vigentes e, consequentemente, o cálculo do tributo devido, o que caracteriza vício material. Não compete ao CARF refazer o lançamento com outros critérios jurídicos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 35 18 /2 01 1- 56 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10580.723518/201156 Acórdão n.º 2402005.151 S2C4T2 Fl. 98 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo acima identificado contra decisão que declarou improcedente a sua impugnação apresentada para desconstituir a Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) que integra o presente processo. Segundo o fisco, constatouse omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, no valor de R$ 54.222,57, auferidos pelo notificado. A base de cálculo do lançamento foi obtida mediante análise dos autos da reclamatória trabalhista. Constatouse ainda omissão de rendimentos recebidos a título de benefícios ou resgates de plano de seguro de vida sujeito à tabela progressiva. Na impugnação o sujeito passivo se insurgiu apenas contra a incidência tributária sobre as parcelas de juros e correção monetária decorrentes do processo trabalhista. A DRJ manteve o lançamento na íntegra. Cientificado da decisão em 23/02/2015, fl. 79, o sujeito passivo apresentou tempestivamente recurso em 11/03/2015, fl. 81, no qual, em síntese alegou que as parcelas de juros e correção foram declaradas indenizatórias pela Justiça do Trabalho, portanto, não poderiam sofrer a incidência tributária. Afirma que, da maneira como foi calculado o imposto, taxandose os rendimentos recebidos acumuladamente por aplicação do regime de caixa, violase flagrantemente o princípio da isonomia. Por fim insurgese contra a multa imposta, por entender que possui caráter confiscatório. É o relatório. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade Conforme relatado, o recurso voluntário foi interposto no prazo legal. Assim, por terem sido atendidos os demais requisitos normativos, deve ser conhecido o recurso. IRPF sobre rendimentos acumulados O sujeito passivo se insurgiu contra a forma como foi efetuada a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente por força de decisão judicial. Sustenta que a tributação no mês do seu recebimento e na declaração de ajuste anual, na qual se determinará o saldo do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, fere o princípio da isonomia. Essa controvérsia jurídica, reiteradamente debatida no Judiciário e neste Conselho, foi solucionada definitivamente pelo STF por ocasião do julgamento do RE 614.406, com repercussão geral e trânsito em julgado, Rel. Min. Rosa Weber, tema 368, redigido nos seguintes termos: Tema 368 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. Como se vê, o citado tema trata exatamente da incidência do IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, hipótese esta idêntica a dos autos, na qual os rendimentos acumuladamente percebidos pela recorrente foram objeto de lançamento de ofício que se baseou na premissa de que eles deveriam ser tributados no mês do seu recebimento (regime de caixa), e não de acordo com a época em que eles deveriam ter sido efetivamente pagos (regime de competência). Naquele recurso extraordinário, com trânsito em julgado em 09/12/2014, a Suprema Corte manteve o acórdão do TRF4, que decidiu pela inconstitucionalidade, sem redução de texto, da regra do art. 12 da Lei nº 7.713/88, no tocante aos rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de remuneração, vantagem pecuniária, proventos e benefícios previdenciários, mormente para afastar o regime de caixa e determinar a incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor (regime de competência). Foi vitoriosa a tese constante na divergência aberta pelo Min. Marco Aurélio, para quem os contribuintes, em casos idênticos aos dos autos, são penalizados duplamente, pois, não recebendo as parcelas nas épocas devidas, são compelidos a ingressar em Juízo e ainda sofrem a junção dos valores para efeito de incidência do imposto, o que viola o princípio da isonomia. Mais ainda, e considerando que o imposto de renda tem como fato gerador a disponibilidade econômica ou jurídica, não se poderia, na visão do citado Min., desconsiderar o fenômeno das épocas próprias, reveladas pela disponibilidade jurídica. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10580.723518/201156 Acórdão n.º 2402005.151 S2C4T2 Fl. 99 5 A título de ilustração, segue a ementa do julgado: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27 112014) A análise do tema, da ementa e do acórdão do recurso extraordinário demonstram que o caso julgado sob o regime da repercussão geral é idêntico ao dos autos. Mas não é só, pois a Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), sob a sistemática de que trata o art. 543C do CPC, já havia decidido que "o imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." Segue a ementa do decisum: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art.543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. (REsp 1118429/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2010, DJe 14/05/2010) Cumpre observar que o regime jurídico instituído pela Lei nº 12.350/2010, conversão da Medida Provisória nº 497/2010, que acrescentou o art. 12A à Lei 7.713/1988, não é aplicável ao presente lançamento, pois aplicável apenas aos rendimentos recebidos nos anoscalendário 2010 e seguintes. Vejase: Art. 12A. [...]. § 7o Os rendimentos de que trata o caput, recebidos entre 1o de janeiro de 2010 e o dia anterior ao de publicação da Lei resultante da conversão da Medida Provisória no 497, de 27 de julho de 2010, poderão ser tributados na forma deste artigo, devendo ser informados na Declaração de Ajuste Anual referente ao anocalendário de 2010. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 Em sendo assim, deve ser aplicado o art. 62, §2o, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, segundo o qual as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC, devem ser reproduzidas pelas suas Turmas. Portanto, o imposto deve ser apurado com base nas tabelas e nas alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, e não no mês do seu recebimento. Ocorre que o lançamento em apreço, ao determinar a tributação do imposto de renda no mês do recebimento, adotou critério jurídico dissonante da jurisprudência do STF e do STJ. Essa forma de apuração impactou a identificação da base de cálculo e das alíquotas vigentes, impactando, por conseguinte, o cálculo do tributo devido, ex vi do art. 142 do CTN. Isto é, o lançamento está eivado de vício material, o que o torna nulo de pleno direito. A adoção do regime de competência, em substituição ao regime de caixa, poderia inclusive colocar os rendimentos numa faixa de isenção do imposto, ou, ainda, numa faixa de tributação menos onerosa ao contribuinte. Não pode passar despercebido, também, o fato de que a distribuição dos valores mês a mês certamente atingiria exercícios pretéritos ao exercício objeto do recurso, o que demonstra que seria necessário outro lançamento de ofício, e não mera retificação do lançamento anteriormente efetuado. Cumpre lembrar que lançamento é justamente o procedimento administrativo (ou ato administrativo) tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, na dicção do art. 142 do CTN. No caso, repitase, houve incorreta identificação da base de cálculo, da alíquota e, por consequência, do montante do tributo devido. Nesse contexto, e como não compete a este Conselho refazer o lançamento com base em outros critérios jurídicos, mormente porque tal procedimento é da competência privativa da autoridade administrativa, entendo que deve ser cancelada a notificação. Em caso análogo, assim se decidiu: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2010 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62A do Regimento Interno. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do Fl. 102DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10580.723518/201156 Acórdão n.º 2402005.151 S2C4T2 Fl. 100 7 tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidá lo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. Recurso Voluntário Provido. (Número do Processo 13002.720640/201122, RECURSO VOLUNTÁRIO, Sessão de 11 de março de 2015, Relator(a) Marcelo Vasconcelos de Almeida, Acórdão nº 2802003.359) Assim, o recurso deve ser provido, uma vez que o litígio ficou restrito a essa questão. Conclusão Voto por conhecer do recurso, dandolhe provimento. Kleber Ferreira de Araújo Relator Fl. 103DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 14485.000005/2007-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1995 a 31/12/1996
PREVIDENCIÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTIMAÇÃO. ÚLTIMO CO-OBRIGADO.. CRÉDITOS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL.
Na forma da Portaria MPS n° 520/2004 disciplinadora do processo administrativo no âmbito do INSS, comando enfático estabelecia que no caso de solidariedade, o prazo seria contado a partir da ciência da intimação do último co-obrigado solidário.
Tomando-se como certo o entendimento de que ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado, em preliminar, cumpre observar hipótese decadencial nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, " In casu", o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da notificação da constituição do crédito tributário.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-004.455
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a decadência do crédito tributário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis e João Bellini Junior. Fez sustentação oral a Dra. Raissa Maia, OAB/DF 33.142.
JOÃO BELINNI JÚNIOR - Presidente.
IVACCIR JÚLIO DE SOUZA - Relator.
EDITADO EM: 21/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : João Bellini Junior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Nathalia Correia Pompeu
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTIMAÇÃO. ÚLTIMO COOBRIGADO.. CRÉDITOS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. Na forma da Portaria MPS n° 520/2004 disciplinadora do processo administrativo no âmbito do INSS, comando enfático estabelecia que no caso de solidariedade, o prazo seria contado a partir da ciência da intimação do último coobrigado solidário. Tomandose como certo o entendimento de que ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado, em preliminar, cumpre observar hipótese decadencial nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, " In casu", o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da notificação da constituição do crédito tributário. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a decadência do crédito tributário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis e João Bellini Junior. Fez sustentação oral a Dra. Raissa Maia, OAB/DF 33.142. JOÃO BELINNI JÚNIOR Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 00 05 /2 00 7- 26 Fl. 655DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 IVACCIR JÚLIO DE SOUZA Relator. EDITADO EM: 21/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : João Bellini Junior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Nathalia Correia Pompeu Fl. 656DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 14485.000005/200726 Acórdão n.º 2301004.455 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Li o Relatório produzido pela instância a quo, e tendo corroborado , por economia processual, com grifos de minha autoria, abaixo o reproduzo na íntegra: "Tratase de crédito previdenciário lançado através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n° 35.872.3787, emitida em 21/12/2005, lavrada pela Auditora Fiscal Sandra Akemi Takai, matrícula 1.334.762, relativa a contribuições destinadas ao financiamento da Seguridade Social rubricas segurados, empresa, e contribuições destinadas ao financiamento dos benefïcios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho rubrica sat/rat, incidentes sobre a remuneração de trabalhadores contratados por cessão de mãodeobra na execução de serviços de montagem industrial, nas competências 05/95 a 12/96, de acordo com o Relatório Fiscal, de fls. 155/161, que substituiu o Relatório Fiscal, de fls. 32/37, no montante de R$ 38.628,53 (trinta e oito mil, seiscentos e vinte e oito Reais e cinqüenta e três centavos), consolidado em 20/12/2005. 2. O Relatório Fiscal esclarece: 2.1. os serviços foram prestados à empresa Serrana de Mineração Ltda., CNPJ 61.074.134/0001 41, que foi incorporada pela Fertisul S/A em 08/97, e esta incorporada pela Fertilizantes Serrana S/A em 07/98, que por sua vez foi incorporada pela Bunge Fertilizantes S/A em 08/2000; 2.2. os serviços foram prestados pela empresa USEMEK USINAGEM MECANICA CAJATI LTDAME, CNPJ 65.945.9331000108, com endereço na Rua Aracaju, 215, Jacupiranga, SP, CEP 11940000; 2.3. o lançamento foi resultado do exame das contas do Razão: 431.043, 433.043, 435.043 e 436.043, intituladas Serviços de Terceiros Pessoa Jurídica, através das quais verificou se a colocação de segurados à disposição do contratante para a realização de serviços contínuos de usinagem e recondicionamento de materiais de montagem, que são serviços auxiliares da construção civil, executados no estabelecimento da contratante; Fl. 657DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 2.4. a empresa deixou de apresentar notas fiscais, contrato de prestação de serviços, cópia das folhas de pagamento específicas e guias de recolhimento vinculadas dos segurados que prestaram serviço, ensejando a lavratura de Auto de Infração pela não apresentação de todos os documentos solicitados pela fiscalização; 2.5. o débito foi lançado em razão da não apresentação pela empresa contratante das cópias autenticadas das guias de recolhimento (GRPS) quitadas e respectivas folhas de pagamento específicas, conforme disposição do art. 31 e parágrafos da Lei n° 8.212/91 e OS INSS/DAF n° 83, de 13/08/93; 2.6. os valores foram apurados com base nas notas fiscais apresentadas, obtendose o salário de contribuição pela aplicação de 40% (quarenta por cento) sobre o valor total do serviço, conforme discriminativo, nos termos do item 11 da OS INSS/DAF n° 83/93; 2.7. será emitido subsídio fiscal encaminhado à Delegacia circunscricionante do estabelecimento sede da empresa prestadora de serviço. 3. Cientificado pessoalmente da notificação em 21/1212005 (fls. 1), o contribuinte interpôs aos 03/01/2006, sob protocolo no 35464.000079/200608, a defesa, de fls. 47/63, acompanhada de Instrumento de Procuração e Substabelecimento (fls. 64/66), cópia de Atas de Assembléia de 29/11/2002 e 29/04/2005 (fls. 67/68), cópia de notas fiscais de prestação de serviço (fls. 69/137), e cópia de Consulta ao Extrato do Devedor do Sistema Dívida da Procuradoria — CDEBEXT, CCREDEXT, CCRED e CDEB (fls. 138/145), alegando, em resumo: 3.1. de acordo com os art. 173 e 156 do CTN, a doutrina e julgados do TRF e STJ, é patente a decadência dos tributos lançados, visto que o período fiscalizado é de 01/1995 a 12/1996 e a data limite para cobrar os tributos referentes ao último período seria o mês de dezembro de 2001, e não dezembro de 2005 como no presente caso, concluindo, após citação do art. 475L do Código de Processo Civil, ser inexigível o título judicial fundado em Lei ou ato normativo inconstitucional ou incompatível com a Constituição; 3.2. os documentos não foram apresentados em razão do STJ já ter pacificado a matéria decadência em 5 anos, não havendo como se exigir da Defendente documentos referentes a períodos anteriores, pois conforme art. 5°, inc. II da Constituição Federal, ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; 3.3. houve observância do art. 31, § 3° da Lei n° 8.212/91, razão pela 40 qual a responsabilidade deve ser elidida. Fl. 658DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 14485.000005/200726 Acórdão n.º 2301004.455 S2C3T1 Fl. 4 5 Ante a farta documentação comprobatória apresentada à fiscalização, novamente aqui anexada, concluise que as contribuições lançadas sobre o valor das notas fiscais foram regular e devidamente recolhidas, pois a Defendente sempre condicionou todo e qualquer pagamento devido a prestador de serviços, à comprovação por parte destes dos recolhimentos previdenciários com a cópia da folha de pagamento e os respectivos recolhimentos, sob pena de suspensão de qualquer crédito que eventualmente lhe fosse devido; 3.4 transcreve acórdão da 1' Turma do STJ no RESP 200200136497PR, no sentido de que a solidariedade prevista no art. 31 da Lei n° 8.212/91 não comporta beneficio de ordem, e que para incidir na possibilidade de elisão estabelecida no § 3°, do art. 31, o contratante deveria ter exigido do executor a apresentação dos comprovantes relativos às obrigações previdenciárias, previamente ao pagamento da nota fiscal ou fatura; 3.5. cita o art. 292, inc. V, combinado com o art. 291, § 1° do Decreto n° 3.048/99, argumentando que a prova documental anexada demonstra que é primária, cumprindo rigorosamente a legislação previdenciária, não incorrendo em nenhuma 40circunstância agravante, fazendo jus à redução de 50% do valor da infração lavrada na presente NFLD, caso não seja julgada insubsistente a notificação; 3.6. ressalta que no tocante aos juros, uma vez que o valor principal se encontra sob o valor atualizado, e a multa decorrer de percentual incidente, eventuais juros,somente seriam devidos a contar de 21/12/2005, data da lavratura da NFLD; 3.7. diante do exposto, protesta pela juntada posterior de outras provas em direito admitidas, aguarda o acolhimento das preliminares e, no mérito, requer seja julgada insubsistente a NFLD com o cancelamento da multa imposta de forma indevida ou, pelo princípio da eventualidade, a redução da multa imposta, e ainda eventuais juros, somente a contar de 21/12/2005. 4. Cientificada da notificação em 27/03/2006 (fls. 44), a empresa prestadora de serviços não interpôs defesa, conforme atestado, às fls. 146. 5. Analisados os autos, considerando o direito constitucional ao contraditório e à ampla defesa, o julgamento foi conve rtido em diligência (fls. 147/152) Cumprida a diligência, foi emitido o Relatório Fiscal Substitutivo (fls. 155/161), tendo a Auditora Fiscal Fl. 659DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 prestado, às fls. 166/167, os seguintes esclarecimentos, in verbis: 1. Os lançamentos foram efetuados com base em lançamentos no livro Razão. Não foram disponibilizados o contrato deprestação de serviços, as notas fiscais, guias de recolhimento e folhas de pagamento solicitadas por esta fiscalização, razão pela qual foi emitido o Auto de Infração pela não apresentação de documentos; 2. Com base nos lançamentos efetuados nos Livros Razão durantea ação fiscal e nos serviços discriminados em notas fiscaisapresentados na defesa, verificouse a colocação de trabalhadores à disposição da contratante para a realização de serviços contínuos de usinagem e recondicionamento de • materiais de montagem, executados no estabelecimento da contratante. Os serviços de usinagem de materiais de montagens tais comoroscas, parafusos, roletes, porcas, eixos, chavetas, pistão, suportes, tubos, etc, e os serviços de recondicionamento destes materiais são serviços auxiliares da construção civil e são executados no próprio local onde está sendo efetuada a instalação ou manutenção para que o cronograma seja cumprido no prazo estabelecido. Nas indústrias dessa natureza são realizadas paradas de manutenção programadas, com prazo determinado, que devem ser cumpridas pelas empresas contratadas sob pena de multas e de forma a não prejudicar a produção. Dessa forma, esses serviços auxiliares, objeto deste levantamento, foram considerados pela fiscalização realizados no estabelecimento da contratante e, portanto, considerada como cessão de mãode obra. 3. Foi emitido o Relatório Fiscal substitutivo (folhas 01 a 07), com cópia à contracapa; 4. Foi revisado o total da Base de Cálculo referente às competências 10195 e 01196, devido o lançamento em duplicidade das notas fiscais n°224 e 248, respectivamente. N. Fiscal Compet Alterado B.Calc.De Para B. de Cálculo 224 10195 9.521,20 8.881,20 248 01196 16.663,20 15.079,20 6. Os contribuintes tomador e prestador de serviços foram comunicados do resultado da diligência fiscal com reabertura de prazo para defesa, respectivamente, em 10/07/2007 e 27/06/2007 (fls. 180/181). 7. A empresa prestadora de serviços não se manifestou nos autos, conforme atestado, às fls. 215. 8. O contribuinte tomador de serviços apresentou em 18/07/2007, sob protocolo n° 35464.003415/200747, a Fl. 660DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 14485.000005/200726 Acórdão n.º 2301004.455 S2C3T1 Fl. 5 7 defesa, de fls. 186/213, repetindo os argumentos da defesa anteriormente apresentada, requerendo, inclusive, através do PT n° 35464.004582/2006 24 (fls. 169/174) que as intimações e publicações sejam feitas em nome exclusivo de seu procurador." DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Na forma do Acórdão de fls. 223, a 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 1 DRJ/SPOI , em 20 de dezembro de 2007 , exarou o Acórdão n° 1615.922 , mantendo o crédito tributário. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Irresignada, a autuada interpôs Recurso Voluntário de fls.261,onde reiterou e as alegações que fizera em sede aquo É o Relatório. Fl. 661DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 Voto Conselheiro Ivaccir Júlio de Souza DA TEMPESTIVIDADE O Recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA NULIDADE Conforme registro de fls. 147, foi requerida DILIGÊNCIA. Na forma do item 7 e seguintes, a instância a quo ao explicitar as razões , acabou por motivar de forma extemporânea o lançamento original: "7. Apesar de constar do Relatório Fiscal que o lançamento foi resultado do exame de lançamentos contábeis, notas fiscais/faturas e contratos , não se observa a indicação do tipo de serviço executado, tampouco a justificativa do enquadramento do serviço prestado como sendo por cessão de mão de obra. 8. Considerando que o Relatório Fiscal informa o exame dos registros contábeis, embora do TEAF não conste o Livro Diário entre os documentos examinados. 9. Considerando a necessidade de se resguardar o direito constitucional ao contraditório e a ampla defesa. 10. Nos termos do art. 11 da Portaria MPAS n° 520/2004, encaminhamos os autos para realização de diligência fiscal , solicitando à AFPS Notificante: 10.1. que esclareça se o lançamento foi obtido com base nos lançamentos contábeis, contratos e notas fiscais apresentados pela empresa ou somente a partir dos lançamentos contábeis; 10.2. que informe, a partir da análise de contrato(s) de prestação de serviços, se possível, com a juntada de cópia do mesmo aos autos, o tipo de serviço executado, bem como justificando o enquadramento do lançamento no conceito de cessão de mão de obra; 10.3. confirmandose a prestação de serviços por cessão de mão de obra, deverá ser elaborado Relatório Fiscal Substitutivo (em duas vias, anexandose a 2a via à contracapa destes autos), do qual conste: a) o correto período abrangido por esta NFLD; b) o tipo de serviço prestado; Fl. 662DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 14485.000005/200726 Acórdão n.º 2301004.455 S2C3T1 Fl. 6 9 c) as razões de seu enquadramento no conceito de cessão de mão de obra; d) as demais informações constantes dos artigos 45 e 52 da OI SRP n° 1112005, conforme item 6 supra; 10.4. em caso de recusa ou não apresentação de documentos para viabilizar a diligência fiscal, ressaltar esta informação no Relatório Fiscal Substitutivo; 10.5. demais esclarecimentos que julgar necessários. 11. À Sra. Chefe do Serviço de Contencioso Administrativo para conhecimento e encaminhamento ao Serviço de Fiscalização para prossegui " Como se nota, o expediente acima orientando o refazimento do lançamento original não só abriu novo prazo para manifestação mas , também, ensejou a nulidade do ato . DA DECADÊNCIA Tomandose como certo o entendimento de que ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado, em preliminar, cumpre observar hipótese decadencial. DA PORTARIA MPS nº 520/2004 Por relevante, impõese revelar que à época das notificações. " in casu" vigia a Portaria MPS n° 520/2004 trazendo comando enfático ao estabelecer que no caso de solidariedade, o prazo seria contado a partir da ciência da intimação do último co obrigado solidário. Dispondo sobre os processos administrativos no âmbito do INSS, a sobredita Portaria disciplinava os processos administrativos decorrentes de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, Auto de Infração. Neste sentido , impende transcrever o art. 34, com destaque para o comando do § 4º da referida norma vigente na oportunidade do lançamento : “Art. 34 A intimação dos atos processuais será efetuada por ciência no processo, via postal com aviso de recebimento, telegrama ou outro meio que assegure a certeza da ciência do interessado, sem sujeição a ordem de preferência. § 1º Quando frustrados os meios indicados no caput deste artigo, a intimação será efetuada por meio de edital e também no caso de interessados indeterminados, desconhecidos ou com domicílio indefinido. Fl. 663DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 § 2º As intimações serão nulas quando feitas sem observância das prescrições legais, mas o comparecimento do administrado supre sua falta ou irregularidade. § 3º Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II nos demais casos do caput, na data do recebimento ou, se omitida a data, quinze dias após a data da postagem da intimação, se utilizada a via postal, ou da expedição se outro for o meio; III quinze dias após a publicação ou afixação do edital, se este for o meio utilizado. a) o edital será publicado, uma única vez, em órgão de imprensa oficial ou afixado em dependência franqueada ao público do órgão encarregado da intimação; b) a afixação e a retirada do edital deverá ser certificada nos autos pelo chefe do órgão encarregado da intimação. § 4º No caso de solidariedade, o prazo será contado a partir da ciência da intimação do último coobrigado.”( grifos de minha autoria) Conforme fls.161, o novo relatório fiscal determinado pela instância a quo foi realizado em 12/02/2007, reabrindose prazo para nova defesa.. Entregue para a tomadora dos serviços via AR em 10/06/ 2007, fls.180, e notificado por edital de fls. 181, em 27/06/2007 para a prestadora , O expediente de fls. 215 trazendo a data da nova impugnação abaixo transcrito, confirma o acima: "Empresa tomadora: BUNGE FERTILIZANTES S/A CNP3 : 61.082.8221000153 Empresa Prestadora: UZEMEK USINAGEM MECÂNICA CA3ATI LTDA ME CNP3 : 65.945.9331000105 Ref. Débito . 35.872.4007 1. A empresa TOMADORA, apresentou NOVA IMPUGNAÇÃO TEMPESTIVA, protocolada sob o PT n.O 35464.00341512007 47, de 18/07/2007, juntada às fls.. 186 a 213 deste processo. 2. A empresa PRESTADORA, embora cientificada, não apresentou IMPUGNAÇÃO. 3. Sugerimos o encaminhamento do processo a DR] I São Paulo, em prosseguimento."EMPRESA Fl. 664DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 14485.000005/200726 Acórdão n.º 2301004.455 S2C3T1 Fl. 7 11 Em razão do sobredito,considerando a data 27/06/2007 para contagem do prazo decadencial, as competências 05/2002 e anteriores se observam decaídas e os créditos então constituídos no interregno apontado, restaram fulminados pelo Instituto da Decadência. Relevante ressaltar que ainda que se considere a data 21/12/2005, referida às fls 02, como marco para contagem decadencial quando a tomadora fora pessoalmente cientificada da autuação, as competências 11/2000 e anteriores já teriam sido alvejadas pelos efeitos do Instituto da Decadência desconstituindo integralmente o lançamento suportado no período 05/95 a 12/96. A realidade encimada, suplanta o ato nulo apontado alhures de vez que o sobredito novo relatório fiscal de fls.161, fora realizado em 12/02/2007 motivando lançamento já decaído. CONCLUSÃO Diante do exposto, por quaisquer dos critérios previstos no Código Tributário Nacional CTN., todos os créditos tributários constituídos restaram fulminadas pelo Instituto da Decadência.Compulsório portanto,reconhecer e declarar a DECADÊNCIA TOTAL do lançamento em comento. CONCLUSÃO Conheço do Recurso Voluntário para EM PRELIMINAR , quer seja nos termos do comando do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ou nos do 173 do mesmo Diploma Legal, RECONHECER e DECLARAR A DECADÊNCIA TOTAL do lançamento em comento. É como voto. Ivaccir Júlio de Souza Relator Fl. 665DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 13962.000437/2010-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1302-000.419
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, vencido o Relator Conselheiro Rogério Aparecido Gil, sendo designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Redatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich,
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, vencido o Relator Conselheiro Rogério Aparecido Gil, sendo designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Redatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 62 .0 00 43 7/ 20 10 -0 5 Fl. 32DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 17/05/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 17/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 13962.000437/201005 Resolução nº 1302000.419 S1C3T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO A DRF indeferiu o pedido de inclusão no Simples Nacional da recorrente, em virtude da existência dos débitos previdenciários nº 366898760, competência 09/2009 no valor de R$ 3.367,96, bem como multa por atraso de DIRF, relativa a 2003, no valor de R$ 500,00, cuja exigibilidade não estava suspensa, portanto em desacordo com a Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V, conforme Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional com data de registro em 09/03/2010 (fls. 03): A recorrente apresentou débito perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil relativo às contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei n°8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a titulo de substituição, cuja exigibilidade não estava suspensa, por ocasião do pedido de opção pelo Simples. Fundamentação Legal: Lei Complementar n°123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. Lista de Débitos 1) Débito: 366898760 Lista de Competências 1)Competência 09/2009 Valor : R$ 3.367,96 Débito com a Secretaria da Receita Federal do Brasil de natureza não previdenciária, cuja exigibilidade não está suspensa. Fundamentação Legal: Lei Complementar n°123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. Lista de Débitos 1)Débito Código da Receita :2170 Nome do Tributo : DIRF ANUAL MULTA POR AT Número do Processo : Periodo de Apuração: 2003 Saldo Devedor : R$ 500,00 Ciente dessa decisão, a recorrente apresentou impugnação em 22/04/2010 (fls. 02), alegando, em síntese, que sempre cumpriu suas obrigações fiscais em dia, contudo, as pendências indicadas derivam de simples problemas de transmissão de GFIP, informações duplicadas, valores indevidos e pendências cadastrais já atualizadas. Assim sendo, alega que Fl. 33DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 17/05/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 17/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 13962.000437/201005 Resolução nº 1302000.419 S1C3T2 Fl. 4 3 não possui impedimento à opção ao Simples Nacional, razão pela qual requereu deferimento de sua opção ao Simples Nacional. Previamente ao encaminhamento à DRJ, a DRF examinou a impugnação e registrou em seu despacho que não era possível concluir por erro de fato no indeferimento da solicitação de opção pelo Simples, pelo fato de que não foram juntados documentos que comprovassem tais alegações. Por sua vez, a DRJ apresentou o seguinte entendimento sobre o indeferimento da opção pelo Simples Nacional: "A interessada argumentou que havia regularizado seus débitos previdenciários, mas não trouxe a certidão negativa ou positiva com efeitos de negativa relativa às contribuições previdenciárias e às de terceiros, o que comprovaria sua regularidade fiscal, vez que é o documento hábil para tanto. A consulta via internet não surtiu efeito, pois não consta no sistema informatizado da Receita Federal expedição de certidão em janeiro de 2010 para que se pudesse obter sua 2ª via. Por outro lado, quanto à multa de 500,00 por atraso na entrega da DIRF nada foi alegado, continuando em cobrança (v. Informações de Apoio para Emissão de Certidão, fls. 11)." A recorrente foi intimada do acórdão da DRJ, em 22/11/2013 (fl. 23). O recurso voluntário foi protocolado em 20/12/2013 (fl. 24). O recurso foi assinado por representante legal, conforme quinta alteração do contrato social (fl. 04). No recurso voluntário a recorrente apresenta as seguintes razões: a) O contribuinte não possui qualquer débito na Receita Federal do Brasil, Secretaria de Estado da Fazenda ou Prefeitura. b) No termo de indeferimento constam débitos referentes aos processos 366898760 e 393818179, cujos valores já haviam sido liquidados e/ou corrigidos antes do prazo legal de 31/01/2011, conforme consta no relatório de divergências apuradas, gerado pelo IP 4147/2011. c) No relatório do recurso, o Sr. julgador alega que não foram anexadas as Certidões Negativas de Debito. Contudo, o regulamento do simples não prevê a apresentação das citadas certidões como prérequisito para enquadramento no imposto simples. Não bastasse, as citadas certidões são emitidas pela própria Receita Federal, constituindo um abuso de autoridade exigir a apresentação de um documento emitido pelo próprio órgão publico. d) Mesmo não estando obrigada, a empresa anexa as certidões negativas de debito obtidas na época. e) Quanto a suposta Multa Dirf, a Receita Federal não enviou a notificação de debito ao contribuinte, provocando o cerceamento de defesa e violando o principio constitucional do devido processo legal, tornando nula a cobrança de tal multa. Fl. 34DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 17/05/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 17/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 13962.000437/201005 Resolução nº 1302000.419 S1C3T2 Fl. 5 4 f) Não bastasse, o art. 17, inciso V, da LC 123/06, que "Institui o Estatuto da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte" é inconstitucional, pois, determina que o empresário que se encontrar em débito com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, e cuja exigibilidade não esteja suspensa, conforme preconiza o art. 151, incisos I a VI do Código Tributário Nacional (CTN), não poderá ingressar ou permanecer nesta condição favorecida, diferenciada e simplificada que a Constituição Federal reservou às empresas de pequeno porte. E na mesma senda, vão o art. 3o, inciso II, aliena "d", e o art. 5o, inciso I, ambos da Resolução CGSN n. 15/2007. Ora, considerando a complexidade do ambiente econômico que as empresas de pequeno porte estão inseridas, seja pela competitividade acirrada (especialmente com os grandes players), globalização, inovação tecnológica extremamente rápida, custos financeiros exorbitantes, ausência de linhas de crédito, legislação empresarial, trabalhista e tributária confusas e burocráticas, crises financeiras nacionais e internacionais, não poderia o legislador constituinte querer que as micro e pequenas empresas não pudessem atrasar seus tributos, pois, seria como "dar com uma mão e tirar com a outra". É inconcebível achar que as micros e pequenas empresas não pudessem sofrer de problemas financeiros como qualquer outra empresa, isso seria utópico, e além da razão. A microempresa e a empresa de pequeno porte, com certeza, sofre ainda mais as conseqüências de qualquer crise do que as demais. Por mais que o art. 179 da Constituição Federal tenha imposto tratamento diferenciado e simplificado em outras áreas, como a financeira, por exemplo, sabemos muito bem que não há linhas de crédito baratas para as empresas de pequeno porte, bem como as que existem, exigem garantias que muitas delas não podem oferecer, restando ainda muita coisa para ser feito, segundo as determinações constitucionais, para atingir o que o legislador constitucional pretendida. g) A LC 123/06, bem como a sua antecessora, a Lei 9.317/96, não foram criadas para resolver os problemas de fluxo de caixa das microempresas e das empresas de pequeno porte, mas sim, foram criadas para regulamentar o que estava disposto na Constituição Federal de 1988. h) A inclusão destes dispositivos na LC 123/06, tem apenas o condão de coagir as microempresas e as empresas de pequeno porte a recolherem seus tributos em dia, tratandose de mais uma manobra arrecadatória imposta pelo governo, que ultimamente não se cansa em editar normas com este objetivo, o que é flagrantemente inconstitucional. As Fazendas Públicas já possuem um instrumento de cobrança ágil, tratase de Lei de Execuções Fiscais, Lei n. 6.830/80, que já dá inúmeras facilidades e garantias para as fazendas cobrarem os seus créditos. i) A exclusão das micro e pequenas empresas da sistemática do Simples Nacional, impondolhe a obrigatoriedade de optar por outra sistemática de tributação, Lucro Presumido ou Real, viola outro princípio constitucional, o da capacidade contributiva, pois, estas sistemáticas são muito mais onerosas que o Simples Nacional. Fl. 35DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 17/05/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 17/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 13962.000437/201005 Resolução nº 1302000.419 S1C3T2 Fl. 6 5 j) Em síntese, este é o verdadeiro tratamento favorecido, diferenciado e simplificado que o legislador estabeleceu para as microempresas e empresas de pequeno porte em nosso país, ou seja, quem não tem condições de pagar seus tributos em dia dever ser onerado com uma carga tributária mais elevada, ou seja, tributada pelo Lucro Presumido ou Real, o que poderá levá las ao estado falimentar ou para a informalidade, o que não é o objetivo declarado em nossa Constituição Federal. k) Caso as micro e pequenas empresas sejam realmente exclusas do Simples Nacional pelos motivos já mencionados, causará um problema social enorme a nível Brasil, pois, como é sabido, as referidas empresas movimentam valores significativos do PIB brasileiro, bem como são grandes empregadoras de mãodeobra, e só conseguem coexistir com as médias e grandes empresas, tendo um tratamento tributário favorecido, como é o caso do Simples Nacional. Como não existem débitos em aberto, o contribuinte requer a impugnação do termo de indeferimento, inclusão no sistema do simples nacional e arquivamento do processo. É o relatório. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 17/05/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 17/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 13962.000437/201005 Resolução nº 1302000.419 S1C3T2 Fl. 7 6 VOTO VENCIDO Conselheiro ROGÉRIO APARECIDO GIL O recurso voluntário é tempestivo e foi assinado por representante legal da recorrente. Conheço do recurso. O indeferimento do pedido de opção pelo Simples Nacional baseouse na existência de débitos previdenciários DEBCADs nº 366898760 e 393818179 e multa por atraso de DIRF, relativa a 2003, no valor de R$ 500,00, cuja exigibilidade não estava suspensa (Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V). A recorrente alegou, genericamente, que tais pendências tinham origem em problemas de transmissão de GFIP, informações duplicadas, valores indevidos e pendências cadastrais já atualizadas. A DRF registrou que não era possível concluir por erro de fato no indeferimento da solicitação de opção pelo Simples, tendo em vista que não foram juntados documentos que comprovassem tais alegações. Na mesma linha, a DRJ registrou que a recorrente não apresentou as certidões que poderiam comprovar a sua regularidade fiscal. Também assinalou que não houve impugnação à multa de 500,00 por atraso na entrega da DIRF. Em sua defesa, a recorrente alegou que referidos débitos previdenciários teriam sido liquidados/regularizados, antes do prazo legal de 31/01/2011 e que essa conformidade poderia ser verificada, em consulta ao relatório de divergências apuradas, gerado pelo IP 4147/2011. Diferentemente dessa alegação, os relatórios fiscais, emitidos em 05/05/2010 (fls. 10/15) anexados na sequência da impugnação, evidenciam que os referidos débitos estavam em cobrança, inclusive a multa por atraso na DIRF. A recorrente anexou ao recurso voluntário Certidão Positiva com Efeitos de Negativa de débitos relativos às contribuições previdenciárias e às de terceiros, de 03/10/2011; e Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativas, de débitos relativos aos tributos federais e à dívida ativa da União, emitida em 26/10/2011. Todavia, tais certidões referemse a situação fiscal posterior à data limite para se comprovar a regularidade exigida para deferimento da opção pelo Simples Nacional. Assim, não há nos autos documento que possa comprovar o pagamento desses valores. Caberia à recorrente demonstrar por meio de documentos hábeis e suficientes a inexistência de débito previdenciário, em cumprimento às disposições do art. 17, inc. V da LC nr. 123/2006. Quanto às demais alegações da recorrente, por meio das quais demonstra sua indignação com as leis que regem esse caso e alega inconstitucionalidade, não vejo fundamento para seu acolhimento, nem mesmo poderiam alterar sua situação que somente seria revertida em seu favor, caso comprovasse a quitação dos referidos débitos previdenciários e multa, até 31/01/2011, o que não ocorreu. Fl. 37DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 17/05/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 17/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 13962.000437/201005 Resolução nº 1302000.419 S1C3T2 Fl. 8 7 Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator Fl. 38DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 17/05/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 17/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 13962.000437/201005 Resolução nº 1302000.419 S1C3T2 Fl. 9 8 VOTO VENCEDOR Conselheira EDELI PEREIRA BESSA O Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional à fl. 02 relaciona os débitos que impediram a opção manifestada pela contribuinte, nos valores de R$ 3.367,96 e R$ 500,00. O ato foi registrado em 09/03/2010 e em 22/04/2010 a contribuinte manifestou sua inconformidade, alegando que as pendências informadas no ato não constituem débitos devidamente constituídos, pois derivam de problemas de transmissão da gfip, informações duplicadas, valores indevidos e pendecias cadastrais já atualizados junto aos orgaos respectivos. A autoridade local juntou o extrato de informações de apoio para emissão de certidão datado de 05/05/2010 (fls. 09/13), no qual consta o débito de R$ 500,00 (multa por atraso na entrega de DIRF, com vencimento em 15/01/2009), bem como processo fiscal em cobrança e débito de Contribuição ao PIS vencido em 13/06/2003 no valor de R$ 700,00. Há também informação de parcelamento no âmbito do PAEX e inscrições em Dívida Ativa da União com exigibilidade suspensa. Já no extrato de dívidas previdenciárias, consta o outro débito que ensejou o indeferimento da opção, de nº 36698760, decorrente da GFIP de 09/2009. Frente à ausência de documentos que suportassem a alegação da contribuinte, a autoridade local não identificou erro de fato e remeteu os autos à DRJ. A decisão de 1ª instância manteve o indeferimento porque não provada a inexistência dos débitos, mormente frente às informações juntadas pela autoridade local que confirmavam as pendências. A contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo no qual apresenta justificativas para o débito previdenciário e nega a existência de outros débitos, discordando da necessidade de juntada de certidão negativa, mas ainda assim afirmando anexar certidões negativas de débitos obtidas na época. Assevera não ter sido notificada da multa por atraso na entrega da DIRF e afirma inconstitucional a restrição ao seu ingresso no SIMPLES em razão das pendências apontadas, invocando o tratamento diferenciado que deve ser conferido a empresas de pequeno porte. À fl. 27/28 constam certidões positiva com efeitos de negativa relativas a contribuições previdenciárias e de terceiros, bem como a tributos federais e à Dívida Ativa da União, a primeira emitida em 03/10/2011 e válida até 31/03/2012 e a segunda emitida em 26/10/2011 e válida até 23/04/2012. Considerando que as certidões apresentadas são posteriores ao indeferimento da opção, elas não são prova suficiente da regularidade alegada. Assim, necessário se faz a conversão do julgamento em diligência para que a autoridade fiscal: · Informe as providências adotadas para que o débito nº 36698760, decorrente da GFIP de 09/2009 não mais constasse como impeditivo à emissão da referida certidão, inclusive manifestandose acerca da sua regularização tempestiva na forma alegada no recurso voluntário; e Fl. 39DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 17/05/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 17/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 13962.000437/201005 Resolução nº 1302000.419 S1C3T2 Fl. 10 9 · Junte aos autos a prova da ciência, à contribuinte, da notificação que constituiu a multa por atraso na entrega da DIRF indicada no termo de indeferimento de opção, caso não confirme a regularização tempestiva deste débito para fins da opção em debate. Ao final dos trabalhos a autoridade fiscal deve produzir relatório circunstanciado, descrevendo suas análises e conclusões daí resultantes, dele cientificando a interessada, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Redatora designada Fl. 40DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 17/05/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 17/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL
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Numero do processo: 10840.003979/99-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1995, 1996, 1997
SALDO NEGATIVO. IRRF. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO.
A prova da retenção de imposto de renda na fonte pode ser realizada mediante outras provas documentais que não sejam os comprovantes de rendimentos a serem fornecidos pelas fontes pagadoras, pois o contribuinte não pode ser penalizado por omissão de terceiros.
COMPENSAÇÃO REALIZADA NA PRÓPRIA ESCRITA FISCAL ANTES DA INSTITUIÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE PEDIDO DE DESISTÊNCIA PARA NOVAS COMPENSAÇÕES NA PRÓPRIA ESCRITA.
Após o pedido de restituição, para que o contribuinte pudesse compensar diretamente em sua escrita seu crédito com débitos de tributos da mesma espécie, deveria, previamente, apresentar pedido de desistência em relação ao crédito que pretendia, anteriormente, ver restituído. Inteligência do art. 14, § 3º, da IN SRF nº 21/97.
Não havendo pedido de desistência do pedido de restituição pendente de decisão, prevalecem os pedidos de compensação realizados via processo administrativo, cabendo a cobrança de eventuais autocompensações realizadas na própria escrita sem haver disponibilidade de indébito para tanto.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1995, 1996, 1997
COMPENSAÇÃO REALIZADA NA PRÓPRIA ESCRITA FISCAL ANTES DA INSTITUIÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE PEDIDO DE DESISTÊNCIA PARA NOVAS COMPENSAÇÕES NA PRÓPRIA ESCRITA.
Após o pedido de restituição, para que o contribuinte pudesse compensar diretamente em sua escrita seu crédito com débitos de tributos da mesma espécie, deveria, previamente, apresentar pedido de desistência em relação ao crédito que pretendia, anteriormente, ver restituído. Inteligência do art. 14, § 3º, da IN SRF nº 21/97.
Não havendo pedido de desistência do pedido de restituição pendente de decisão, prevalecem os pedidos de compensação realizados via processo administrativo, cabendo a cobrança de eventuais autocompensações realizadas na própria escrita sem haver disponibilidade de indébito para tanto.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-002.186
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para: (i) reconhecer o direito creditório adicional de R$ 13.757,99 referente ao ano-calendário de 1996 e de R$ 1.053,39 referente ao ano-calendário de 1997 e homologar as compensações até esse limite; e: (ii) reconhecer o direito à compensação de débitos constantes dos pedidos de compensação destes autos com o saldo de indébito de IRPJ relativo ao ano-calendário de 1997 no montante original de R$ 384.424,10 e com o saldo de indébito de CSLL relativa ao ano-calendário de 1996 no montante original de R$ 21.405,10; homologando as compensações pleiteadas até tais limites de crédito. Vencido o Conselheiro Roberto Silva Júnior que votou por negar provimento em relação ao item ii.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gilberto Baptista, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves e Roberto Silva Júnior.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1995, 1996, 1997 SALDO NEGATIVO. IRRF. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. A prova da retenção de imposto de renda na fonte pode ser realizada mediante outras provas documentais que não sejam os comprovantes de rendimentos a serem fornecidos pelas fontes pagadoras, pois o contribuinte não pode ser penalizado por omissão de terceiros. COMPENSAÇÃO REALIZADA NA PRÓPRIA ESCRITA FISCAL ANTES DA INSTITUIÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE PEDIDO DE DESISTÊNCIA PARA NOVAS COMPENSAÇÕES NA PRÓPRIA ESCRITA. Após o pedido de restituição, para que o contribuinte pudesse compensar diretamente em sua escrita seu crédito com débitos de tributos da mesma espécie, deveria, previamente, apresentar pedido de desistência em relação ao crédito que pretendia, anteriormente, ver restituído. Inteligência do art. 14, § 3º, da IN SRF nº 21/97. Não havendo pedido de desistência do pedido de restituição pendente de decisão, prevalecem os pedidos de compensação realizados via processo administrativo, cabendo a cobrança de eventuais autocompensações realizadas na própria escrita sem haver disponibilidade de indébito para tanto. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1995, 1996, 1997 COMPENSAÇÃO REALIZADA NA PRÓPRIA ESCRITA FISCAL ANTES DA INSTITUIÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE PEDIDO DE DESISTÊNCIA PARA NOVAS COMPENSAÇÕES NA PRÓPRIA ESCRITA. Após o pedido de restituição, para que o contribuinte pudesse compensar diretamente em sua escrita seu crédito com débitos de tributos da mesma espécie, deveria, previamente, apresentar pedido de desistência em relação ao crédito que pretendia, anteriormente, ver restituído. Inteligência do art. 14, § 3º, da IN SRF nº 21/97. Não havendo pedido de desistência do pedido de restituição pendente de decisão, prevalecem os pedidos de compensação realizados via processo administrativo, cabendo a cobrança de eventuais autocompensações realizadas na própria escrita sem haver disponibilidade de indébito para tanto. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para: (i) reconhecer o direito creditório adicional de R$ 13.757,99 referente ao ano-calendário de 1996 e de R$ 1.053,39 referente ao ano-calendário de 1997 e homologar as compensações até esse limite; e: (ii) reconhecer o direito à compensação de débitos constantes dos pedidos de compensação destes autos com o saldo de indébito de IRPJ relativo ao ano-calendário de 1997 no montante original de R$ 384.424,10 e com o saldo de indébito de CSLL relativa ao ano-calendário de 1996 no montante original de R$ 21.405,10; homologando as compensações pleiteadas até tais limites de crédito. Vencido o Conselheiro Roberto Silva Júnior que votou por negar provimento em relação ao item ii. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gilberto Baptista, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves e Roberto Silva Júnior.
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IRRF. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. A prova da retenção de imposto de renda na fonte pode ser realizada mediante outras provas documentais que não sejam os comprovantes de rendimentos a serem fornecidos pelas fontes pagadoras, pois o contribuinte não pode ser penalizado por omissão de terceiros. COMPENSAÇÃO REALIZADA NA PRÓPRIA ESCRITA FISCAL ANTES DA INSTITUIÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE PEDIDO DE DESISTÊNCIA PARA NOVAS COMPENSAÇÕES NA PRÓPRIA ESCRITA. Após o pedido de restituição, para que o contribuinte pudesse compensar diretamente em sua escrita seu crédito com débitos de tributos da mesma espécie, deveria, previamente, apresentar pedido de desistência em relação ao crédito que pretendia, anteriormente, ver restituído. Inteligência do art. 14, § 3º, da IN SRF nº 21/97. Não havendo pedido de desistência do pedido de restituição pendente de decisão, prevalecem os pedidos de compensação realizados via processo administrativo, cabendo a cobrança de eventuais autocompensações realizadas na própria escrita sem haver disponibilidade de indébito para tanto. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1995, 1996, 1997 COMPENSAÇÃO REALIZADA NA PRÓPRIA ESCRITA FISCAL ANTES DA INSTITUIÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 39 79 /9 9- 71 Fl. 1825DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10840.003979/9971 Acórdão n.º 1402002.186 S1C4T2 Fl. 1.826 2 PEDIDO DE DESISTÊNCIA PARA NOVAS COMPENSAÇÕES NA PRÓPRIA ESCRITA. Após o pedido de restituição, para que o contribuinte pudesse compensar diretamente em sua escrita seu crédito com débitos de tributos da mesma espécie, deveria, previamente, apresentar pedido de desistência em relação ao crédito que pretendia, anteriormente, ver restituído. Inteligência do art. 14, § 3º, da IN SRF nº 21/97. Não havendo pedido de desistência do pedido de restituição pendente de decisão, prevalecem os pedidos de compensação realizados via processo administrativo, cabendo a cobrança de eventuais autocompensações realizadas na própria escrita sem haver disponibilidade de indébito para tanto. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para: (i) reconhecer o direito creditório adicional de R$ 13.757,99 referente ao anocalendário de 1996 e de R$ 1.053,39 referente ao anocalendário de 1997 e homologar as compensações até esse limite; e: (ii) reconhecer o direito à compensação de débitos constantes dos pedidos de compensação destes autos com o saldo de indébito de IRPJ relativo ao anocalendário de 1997 no montante original de R$ 384.424,10 e com o saldo de indébito de CSLL relativa ao anocalendário de 1996 no montante original de R$ 21.405,10; homologando as compensações pleiteadas até tais limites de crédito. Vencido o Conselheiro Roberto Silva Júnior que votou por negar provimento em relação ao item ii. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gilberto Baptista, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves e Roberto Silva Júnior. Fl. 1826DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10840.003979/9971 Acórdão n.º 1402002.186 S1C4T2 Fl. 1.827 3 Relatório USINA SÃO FRANCISCO S/A recorre a este Conselho, com fulcro nos §§ 10 e 11 do art. 74 da Lei nº 9.430/96 e no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 1430.919 da 1ª Turma da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Por bem retratar o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: Trata o presente processo administrativo de pedido de restituição de saldos negativos de IRPJ e de CSLL apurados nas DIPJs dos anoscalendário de 1995, 1996 e 1997. À fl. 122 consta cópia de pedido de compensação de crédito com débito de terceiro (CAFÉ PILÃO – CABOCLO LTDA), pedido este que foi transferido ao processo administrativo nº 10880.720.002/200527, que se encontra apensado ao presente processo administrativo. O contribuinte apresentou, ademais, pedidos de compensação às fls. 147, 155, 164, 173, 174, 177, 178, 187, 188 e 234/235 [efls. 163, 172, 182, 192, 193, 196, 197 e 206/207]. Por meio dos despachos de fls. 950957 e de fls. 960961, o direito creditório pleiteado não foi reconhecido e as declarações de compensação não foram homologadas. Em síntese, os fundamentos da decisão são os seguintes: 1 Nos termos do art. 49, § 4º da Lei 10.637/2002, os pedidos de compensação são reputados declarações de compensação desde seu protocolo; 2 A despeito da intimação recebida pelo contribuinte em 22/11/2004, não foram apresentados os documentos solicitados para instruir os autos a fim de comprovar as compensações em análise; 3 Para o anocalendário de 1995, apurouse saldo negativo de IRPJ no montante de R$ 247.337,41. Não foi apurado saldo negativo de CSLL para este ano calendário; 4 Para o anocalendário de 1996, não foi apurado saldo negativo de IRPJ. Apurouse, contudo, saldo negativo de CSLL no valor de R$ 21.405,10; 5 Para o anocalendário de 1997, apurouse saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 475.208,38, composto por uma parcela, no montante de R$ 475.196,39, de IRRF comprovada por informes de rendimentos de aplicações financeiras e por pesquisas no sistema IRF/CONS e por um DARF de R$ 12,00. Quanto à CSLL, apurou se saldo negativo no valor de R$ 24.577,96, fruto de pagamento por estimativa efetuado para o mês de janeiro de 1997; 6 Quanto aos saldos negativos de CSLL apurados para os anos calendário de 1996 (R$ 21.405,10) e de 1997 (R$ 24.577,96), constatouse que foram integralmente utilizados na compensação do débito de CSLL de agosto de 2000, tal como informada em DCTF, remanescendo um saldo devedor de CSLL no valor de R$ 4.177,63, em 30/09/2000; 7 No tocante aos saldos negativos de IRPJ apurados para os anos calendário de 1996 (R$ 247.337,41) e de 1998 (R$ 475.208,38), constatouse que o contribuinte informou nas DCTFs apresentadas para os anos de 1996, 1997, 1999 e 2000 a compensação de diversos débitos de IRRF e de IRPJ com saldos negativos de Fl. 1827DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10840.003979/9971 Acórdão n.º 1402002.186 S1C4T2 Fl. 1.828 4 IRPJ, de modo que, ao imputar os direitos creditórios pleiteados no presente processo administrativo a tais débitos, concluise que remanesceram diversos débitos em aberto, totalizando um valor de R$ 373.034,18. Assim, não remanesce saldo negativo de IRPJ a ser restituído ou utilizado nas compensações pleiteadas no presente processo administrativo. Irresignado, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 966989, na qual deduz as alegações a seguir resumidamente discriminadas: 1 É descabida a afirmação de que não foi atendida intimação supostamente efetuada em 22/11/2004 para instruir o processo com documentos que comprovassem as compensações em análise, pois não houve recebimento de documentação formal da Receita Federal. A suposta intimação não observou o disposto no art. 992 do Decreto 3.000/1999; 2 Ao imputar os saldos negativos pleiteados aos débitos compensados sem processo a autoridade não considerou os saldos negativos relativos a: a) IRPJ do anocalendário de 1998, no montante de R$ 272.179,49; b) IRPJ do anocalendário de 1999, no valor de R$ 101.584,80; c) IRPJ do anocalendário de 2000, no valor de R$ 920.700,55; d) CSLL do anocalendário de 2000, no montante de R$ 433.861,23. Caso tais direitos creditórios fossem computados nas compensações efetuadas pelo contribuinte sem processo, não remanesceriam débitos; 3 Foi indevidamente glosado, para o anocalendário de 1996, o valor de R$ 13.757,99, pois o montante de IRRF foi de R$ 120.163,77, e não de R$ 106.405,78, conforme indicado pela autoridade. Há extratos bancários comprovando tal fato; 4 Foi indevidamente glosado, para o anocalendário de 1997, o valor de R$ 1.053,39, pois o montante de IRRF foi de R$ 476.249,78, e não de R$ 475.196,39, conforme indicado pela autoridade. Há extratos bancários comprovando tal fato; 5 Foi indevidamente glosado, para o anocalendário de 1996, o IRPJ – Incentivo referente ao vale transporte, no montante de R$ 21.196,74. Tal glosa é descabida, pois a dedução é prevista no art. 370 do Decreto 3.000/1999; 6 O saldo credor remanescente de IRPJ, no valor de R$ 10.111,24, para o anocalendário de 1996, reconhecido pela própria autoridade, não foi utilizado por ela no cálculo das compensações; 7 A despeito do fato de que o protocolo do pedido de compensação dos créditos com débitos da CAFÉ PILÃO – CABLOCO LTDA ocorreu somente em 11/04/2000, vale dizer, após a publicação, em 10/04/2000, da IN SRF nº 41/2000 que vedou a compensação com créditos de terceiros, eventual intimação a esta empresa paga pagamento dos supostos débitos não deve prosperar, visto que a compensação não fora efetuada. Por fim, pede o contribuinte que sejam reconhecidos os direitos creditórios pleiteados e sejam homologados os pedidos de compensação. Mediante a Resolução DRJ/RPO nº 674/2006, esta 1ª Turma da DRJ/RPO encaminhou os autos à DRF/RIBEIRÃO PRETO para: 1 apreciar os documentos juntados pelo contribuinte aos autos com o fim de comprovar o IRRF sobre aplicações financeiras; 2 verificar se os saldos negativos de IRPJ e de CSLL dos anos calendário de 1998 a 2000, indicados pelo contribuinte, são suficientes para compensação do saldo remanescente dos débitos apontados no presente processo, bem como aqueles débitos indicados em DCTFs, efetuando o conseqüente exame das declarações correspondentes e eventuais retificadoras apresentadas. Fl. 1828DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10840.003979/9971 Acórdão n.º 1402002.186 S1C4T2 Fl. 1.829 5 Após as análises cabíveis, a DRF/RIBEIRÃO PRETO elaborou o relatório de fls. 16871710, no qual consignou as seguintes conclusões: 1 Os documentos apresentados pelo contribuinte para comprovar a diferença, a seu favor, de R$ 13.757,99 a título de IRRF no anocalendário de 1996 e de R$ 1.099,74 a título de IRRF no anocalendário de 1997 não atendem ao disposto no art. 95, § 3º, do Decreto 1.041/1994, vigente à época dos fatos. Nos termos da norma citada, o IRRF somente pode ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Tal comprovante foi regulamentado pela IN SRF nº 71/1996, que aprovou modelo de Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte. O contribuinte limitouse a apresentar notas de negociação e demonstrativos de movimentação, documentos estes que não atendem às exigências das normas referidas. Ademais, o IRRF sequer foi confirmado pela instituição bancária em DIRF; 2 Todo o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1995, no valor de R$ 247.337,41, foi utilizado nas compensações demonstradas (fl. 889), não remanescendo o saldo de R$ 10.111,24 a que se refere o contribuinte em seu recurso. Não foi apurado saldo negativo de CSLL para o anocalendário de 1995; 3 Para o anocalendário de 1996, não houve apuração de saldo negativo de IRPJ. O montante de R$ 21.196,74, referente a incentivo de valetransporte para este ano, foi integralmente reconhecido nos cálculos efetuados para a elaboração do despacho decisório recorrido. Foi apurado, no anocalendário de 1996, saldo negativo de CSLL no valor de R$ 21.405,10, a despeito de a DIPJ apresentada pelo contribuinte apresentar saldo zero. Tal saldo negativo foi integralmente utilizado para compensar parte do débito de estimativa mensal de CSLL de agosto de 2000; 4 Para o anocalendário de 1997, o saldo negativo de IRPJ apurado foi de R$ 475.208,38, integralmente utilizado em compensações sem processo indicadas pelo contribuinte em DCTFs. Na apuração deste saldo negativo foram considerados apenas os valores de IRRF comprovados por informes de rendimentos de aplicações financeiras, conjuntamente com pesquisas no sistema IRF/CONS. Quanto à CSLL, foi apurado saldo negativo no valor de R$ 24.577,96, a despeito de o contribuinte haver declarado saldo zero na DIPJ. Todo este saldo negativo foi utilizado para compensar parte do débito de estimativa mensal de CSLL de agosto de 2000; 5 Para o anocalendário de 1998 foi apurado saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 269.860,25, integralmente composto por IRRF confirmado em DIRF. Na DIPJ o contribuinte havia informado IRRF no valor de R$ 272.179,49, mas este valor não consta das DIRFs apresentadas pelas fontes pagadoras. O pleito inicial do presente processo administrativo não alcança o saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1998. A despeito disso, ao imputarse tal valor aos débitos compensados em DCTF, concluise que não remanesce saldo credor a ser utilizado no presente processo administrativo. Não houve saldo negativo de CSLL apurado em DIPJ para o anocalendário de 1998; 6 Para o anocalendário de 1999 foi apurado saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 101.574,80, composto integralmente por IRRF. Tampouco este valor foi pleiteado no presente processo administrativo. A despeito disso, ao imputarse tal valor aos débitos compensados em DCTF, concluise que não remanesce saldo credor a ser utilizado no presente processo administrativo. Não houve saldo negativo de CSLL apurado em DIPJ para o anocalendário de 1999; 7 Para o anocalendário de 2000, o saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 920.700,55, apreciado no processo administrativo nº 10840.720134/200525, foi integralmente utilizado para compensar débitos de estimativa de IRPJ em 2001, de Fl. 1829DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10840.003979/9971 Acórdão n.º 1402002.186 S1C4T2 Fl. 1.830 6 modo que não remanesce saldo credor a ser utilizado no presente processo administrativo. Quanto à CSLL, foi apurado, para o anocalendário 2000, saldo negativo no valor de R$ 429.212,22. Este saldo foi utilizado para compensar débitos de estimativa de CSLL de janeiro a novembro de 2001, restando um valor original de R$ 61.358,71. O pleito inicial do presente processo administrativo não alcança os saldos negativos de IRPJ e de CSLL relativos ao anocalendário de 2000; 8 Ao imputar, no sistema SAPO, os saldos negativos de IRPJ apurados para os anoscalendário de 1995, 1997, 1998, 1999 e 2000 aos débitos compensados pelo contribuinte sem processo indicados em DCTFs, concluiu a autoridade que não remanesce qualquer saldo credor a ser utilizado no presente processo administrativo. Quanto à CSLL, ao imputar, no sistema SAPO, os saldos negativos apurados para os anoscalendário de 1996, 1997 e 2000 aos débitos compensados pelo contribuinte sem processo indicados em DCTF, concluiu a autoridade que remanesce um saldo credor no valor de R$ 56.151,32. Porém, este valor não pode ser utilizado no presente processo administrativo, pois o pleito inicial envolve apenas os anoscalendário de 1995, 1996 e 1997, e, ademais, na data do protocolo deste processo sequer havia sido apurado o saldo negativo de CSLL relativo ao anocalendário de 2000. Intimado a manifestarse acerca das conclusões da diligência, o contribuinte pleiteou (fl. 1713) dilação de prazo, por mais sessenta dias, pedido este indeferido, por falta de previsão legal. Não consta dos autos petição protocolizada posteriormente pelo contribuinte. Em análise da manifestação de inconformidade apresentada, a 1ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto julgoua improcedente, tendo o julgado recebido a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1995, 1996, 1997 SALDO NEGATIVO DE IRPJ E DE CSLL APROVEITAMENTO EM COMPENSAÇÕES SEM PROCESSO ADMINISTRATIVO Uma vez constatado que o contribuinte utilizou saldos negativos de IRPJ e de CSLL em compensações sem processo administrativo, é descabida a pretensão de restituição ou de utilização destes mesmos créditos em compensações pleiteadas em processo administrativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente. O contribuinte foi cientificado da decisão em 27 de outubro de 2010, uma (fl. 1761), apresentando 26 de novembro de 2010 o recurso voluntário de fls. 17621788. Reforça todos os argumentos expendidos em sua manifestação de inconformidade. Em resumo, alega que embora tenha sofrido retenção na fonte sobre rendimentos aplicações financeiras no anocalendário de 2007 (debêntures, operações compromissadas e fundo de investimento), a receita financeira auferidas nessas operações foi oferecida à tributação com base no regime de competência em períodos anteriores (anos calendário de 2004 a 2006). A fim de comprovar suas alegações, elaborou tabelas demonstrativas de todos esses períodos, correlacionandoas com sua escrituração contábil e fichas da DIPJ visando a demonstrar que boa parte das receitas financeiras informadas em DIRF referentes ao anocalendário de 2007 (período de resgate dos investimentos), já houvera sido tributado anteriormente em razão do seu reconhecimento pelo regime de competência. É o relatório. Fl. 1830DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10840.003979/9971 Acórdão n.º 1402002.186 S1C4T2 Fl. 1.831 7 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE Conforme relatado, o contribuinte foi cientificado da decisão em 24 de maio de 2013, uma sextafeira (fl. 680). Desse modo, o início da contagem do prazo se deu em 27 de maio de 2013, segundafeira. Considerando que o prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 dias (art. 33 do Decreto nº 70.235/72) e o recurso voluntário foi apresentando em 24 de junho de 2013 (fls. 681749), este se mostra tempestivo. Preenchidos os demais pressupostos para sua admissibilidade, dele, portanto, tomo conhecimento. 2 NULIDADE Alega a Recorrente ser nulo o despacho decisório original em razão de vício em intimação encaminhada por fax. Por oportuno, transcrevo a decisão recorrida a respeito do tema: O contribuinte alega que é descabida a afirmação de que não foi atendida intimação supostamente efetuada em 22/11/2004 para instruir o processo com documentos que comprovassem as compensações em análise, pois não houve recebimento de documentação formal da Receita Federal. Afirma que a suposta intimação não observou o disposto no art. 992 do Decreto 3.000/1999. A alegação não merece prosperar. A intimação de fls. 811 foi encaminhada ao contribuinte por fax (fls. 808810). Conquanto esta não seja uma modalidade de intimação prevista no Decreto 70.235/19725, ao assim proceder a autoridade não incidiu em vício insanável. Com efeito, tendo em vista o princípio da informalidade que impera no processo administrativo, nada obsta a que a comunicação com o contribuinte se dê por meio de tecnologias disponíveis e lícitas, quando não seja causa de cerceamento ao direito de defesa. Na situação ora sob análise, a referida intimação solicitou a apresentação de cópia da DCTFretificadora do terceiro trimestre de 2000 e do respectivo recibo de entrega, tendo em vista que o IRPJEstimativa dos meses de agosto e setembro de 2000 não foram declarados em DCTF. Solicitouse, ademais, a apresentação de demonstrativo de controle das compensações realizadas pela empresa utilizando como crédito o saldo negativo do IRPJ e da CSLL. Quanto à DCTF, é curioso notar que, conforme atestam os documentos de fls. 1715 1716, o contribuinte apresentou, em 27/11/2004 (cinco dias após o recebimento do fax, portanto), declaração retificadora, com indicação dos débitos de IRPJ Estimativa dos meses de agosto e setembro de 2000, tal como solicitado. No tocante à solicitação para apresentação de demonstrativo de controle das compensações realizadas, este item já constava da intimação enviada ao Fl. 1831DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10840.003979/9971 Acórdão n.º 1402002.186 S1C4T2 Fl. 1.832 8 contribuinte (fl. 454) por via posta, conforme atesta o AR de fls. 453. Portanto, a solicitação enviada por fax foi apenas um reforço à intimação já efetuada anteriormente. Diante disso, concluise que da solicitação enviada por fax no dia 22/11/2004 não resultou cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, e, em atenção ao princípio da informalidade, não há que se falar em nulidade. Entendo correta a decisão recorrida. Não é demais relembrar que o art. 23, inciso II, do Decreto nº 70.235/72 é claro ao possibilitar a realização de intimação por qualquer meio ou via, desde que comprovada o seu recebimento. Vejase: Art. 23. Farseá a intimação: [...] II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; E não há dúvidas de que a intimação foi encaminhada ao telefone constante nos cadastros da Recorrente junto à Receita Federal. Ademais, como bem asseverado pela decisão recorrida, não houve qualquer prejuízo ao amplo direito de defesa da Recorrente, não somente antes de formalizado o despacho decisório pela unidade de origem, como também após a instauração do litígio. Desse modo, rejeito a preliminar de nulidade. 3 DEDUÇÃO DO IRRF – COMPROVAÇÃO DE RETENÇÃO A questão diz respeito à comprovação, ou não, da retenção de imposto de renda que compõe o saldo negativo de IRPJ pleiteado. Para a unidade de origem, e também a julgadora de primeira instância, a não apresentação do comprovante de retenção na fonte que deve ser fornecido pela fonte pagadora impede o reconhecimento do crédito correspondente. Ressaltase que a maioria dos créditos de IRFonte que compõe o saldo negativo foi reconhecido já pela unidade de origem. Aduz a Recorrente que o Banco Safra procedeu a diversas retenções de imposto de renda sobre aplicações financeiras (R$ 12.221,37 referentes ao período de maio a novembro de 1996 e R$ 511,84 relativos ao mês de janeiro de 2007). Apresentou ainda em sede de manifestação de inconformidade os extratos bancários do período que comprovariam tais retenções. De igual forma, alega que o Banco ABS de Roma procedeu à retenção de R$ 541,55 relativos ao mês de agosto de 1997. Por fim, salienta que houve retenção por parte do Citibank no montante de R$ 1.199,54 relativos a setembro de 1996 e R$ 337,08 relativos a dezembro de 1996. Para comprovação, apresentou extratos bancários, avisos de lançamento e/ou notas de compra e venda de títulos de renda fixa relativos a tais períodos, todos emitidos pelas correspondentes instituições financeiras. Em primeiro lugar, cabe salientar que as verificações realizadas pela autoridade fiscal limitaramse a verificar se existia ou não documentação comprobatória da retenção, não fazendo qualquer menção quanto ao oferecimento à tributação dos respectivos Fl. 1832DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10840.003979/9971 Acórdão n.º 1402002.186 S1C4T2 Fl. 1.833 9 rendimentos. Desse modo, a fim de não alterar o critério utilizado pela unidade de origem, limitarei a análise aos documentos de prova apresentados. Quanto à comprovação da retenção, este colegiado já firmou seu entendimento no sentido de que o contribuinte não pode ser penalizado pela ausência de entrega do comprovante de retenção por parte da fonte pagadora, sendo possível a comprovação por meio de outras provas documentais. Conforme já mencionado, a Recorrente faz menção a extratos bancários, avisos de lançamento e/ou notas de compra e venda de títulos de renda fixa relativos a tais períodos a fim de comprovar as retenções de IRRF pleiteadas. Compulsando os autos, localizei todos os documentos relativos a essas retenções. Identifiquei ainda que consta nos autos cópias de fichas do Livro Razão da Recorrente. Vejase: Documentos relativos ao Citibank: efls. 1105 e 1106 valores de R$ 32,30 e R$ 1.167,24 referentes a setembro de 1996 (R$ 1.199,54); lançamento à efl. 846: Fl. 1833DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10840.003979/9971 Acórdão n.º 1402002.186 S1C4T2 Fl. 1.834 10 Documentos relativos ao Citibank: efl. 1107, no valor de R$ 337,08, também referente a setembro de 1996, mas lançada no mês de dezembro (efl. 848): Fl. 1834DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10840.003979/9971 Acórdão n.º 1402002.186 S1C4T2 Fl. 1.835 11 Documentos relativos ao Banco ABS de Roma: efl. 1108 (nota de compra e venda) e lançamento à efl. 276: De igual forma, foi possível confirmar as retenções de IRFonte realizadas pelo Banco Safra no período de maio a novembro de 1996, e janeiro de 1997, por meio de documentos expedidos pela própria instituição financeira, compatíveis com os lançamentos contábeis dos mesmos períodos. Fl. 1835DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10840.003979/9971 Acórdão n.º 1402002.186 S1C4T2 Fl. 1.836 12 Desse modo, além dos valores já reconhecidos pela unidade de origem, reconheço saldos negativos de IRPJ adicionais de R$ 13.757,99 referente ao anocalendário de 1996 e de R$ 1.053,39 referente ao anocalendário de 1997. 3 DAS COMPENSAÇÕES REALIZADAS COM E SEM PROCESSO ADMINISTRATIVO Em 10 de setembro de 1999 o contribuinte apresentou pedido de restituição envolvendo os anoscalendário de 1995, 1996 e 1997 referente a IRPJ e a CSLL (efl. 02). Conforme consta à efl. 978, os pedidos de compensação formulados foram convertidos em declaração de compensação (DComp). Em um primeiro momento, a unidade de origem, ao alocar as compensações realizadas diretamente na escrita do contribuinte entendeu não haver saldos disponíveis para as compensações pleiteadas nos autos. Apresentada impugnação, o contribuinte argumento que as alocações realizadas nos anoscalendário de 1996 a 2000 não levaram em consideração os saldos negativos de IRPJ e de CSLL também auferidos no interregno de 1998 a 2000, períodos estranhos ao requerido nestes autos. A turma julgadora de primeira instância, em razão de tal alegação, converteu o julgamento em diligência requerendo que a unidade de origem procedesse também à análise dos saldos negativos de IRPJ e de CSLL referentes aos anoscalendário de 1998 a 2000 a fim de se averiguar se as autocompensações realizadas pelo contribuinte não estariam acobertadas também por tais indébitos, de modo há ainda existir saldos negativos de IRPJ e de CSLL aptos a extinguir os tributos constantes nos pedidos de compensação. Realizada a diligência, concluiuse não haver saldo disponível, exceto em relação à CSLL do anocalendário de 1998, mas que, por não ser alvo de pedido de restituição, não poderia ser utilizada na compensação dos débitos informados pelo contribuinte em seus pedidos de compensação. Analisando o caso, a DRJ aquiesceu tal entendimento. A Recorrente, por sua vez, alega que deveriam ser levadas em consideração somente os pedidos de compensação realizadas nos presentes autos, ignorandose as autocompensações realizadas sem processo. Entendo que assiste razão, em parte, à Recorrente. A meu sentir, após o protocolo do pedido de restituição todas as compensações realizadas deveriam ser precedidas de apresentação, nestes autos, de pedido de compensação. Saliento que a própria norma infralegal expedida pela então Secretaria da Receita Federal impunha limites à compensação realizada diretamente na escrita fiscal após a apresentação de pedido de restituição. Vejase a redação do art. 14, § 3º, da IN SRF nº 21/97: Fl. 1836DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10840.003979/9971 Acórdão n.º 1402002.186 S1C4T2 Fl. 1.837 13 COMPENSAÇÃO ENTRE TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES DA MESMA ESPÉCIE Art. 14. Os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, inclusive quando resultantes de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, poderão ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos subseqüentes, desde que não apurados em procedimento de ofício, independentemente de requerimento. [...] § 3º Se a pessoa jurídica pretender compensar créditos em relação aos quais houver ingressado com pedido de restituição, pendente de decisão administrativa, deverá, previamente, manifestar, por escrito, desistência do pedido formulado. [grifos nossos] Portanto, vêse que, após o pedido de restituição, para que o contribuinte pudesse compensar diretamente em sua escrita seu crédito com débitos de tributos da mesma espécie, deveria, previamente, apresentar pedido de desistência em relação ao crédito que pretendia, anteriormente, ver restituído. Não havendo pedido de desistência do pedido de restituição pendente de decisão, devem prevalecer, portanto, os pedidos de compensação realizados via processo administrativo, cabendo a cobrança de eventuais autocompensações realizadas na própria escrita sem haver disponibilidade de indébito para tanto, obviamente, desde que realizadas antes da ocorrência de prescrição. Ocorre que a unidade de origem procedeu a alocação das compensações realizadas sem processo (diretamente na escrita com tributos da mesma espécie e informado via DCTF) ignorando que houve a apresentação do PER em 10/09/99, mantendo a alocação das compensações realizadas em ordem cronológica, com ou sem pedido de restituição. Como consequência, na data do primeiro pedido de compensação apresentado (11/04/2000 – efl. 126) já não mais havia, no entender da autoridade fiscal, saldo de IRPJ a compensar. Veja efl. 1613 (com observações por mim apostas em vermelho): Fl. 1837DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10840.003979/9971 Acórdão n.º 1402002.186 S1C4T2 Fl. 1.838 14 Entretanto, compulsando os autos não identifiquei qualquer manifestação do contribuinte requerendo a desistência do pedido de restituição. Assim, reconhecese que o saldo de R$ 384.424,10 de IRPJ (saldo original deduzido das compensações realizadas diretamente na escrita na data da apresentação do PER) deveria ter sido utilizado para compensar, a partir dali, as compensações pleiteadas nos autos, e não mais na escrita do contribuinte. Como consequência, após a apresentação do pedido de restituição, deveriam ter sido extintos, em primeiro lugar, os débitos constantes dos pedidos de compensação pleiteados nos autos. Já as autocompensações realizadas pela Recorrente após o pedido de restituição deveriam ter sido alvo de cobrança, e não o contrário, como realizado pela unidade de origem e corroborado pela decisão recorrida. O mesmo ocorre em relação ao saldo negativo de CSLL (efl. 1651): Fl. 1838DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10840.003979/9971 Acórdão n.º 1402002.186 S1C4T2 Fl. 1.839 15 Logo, a base negativa de CSLL referente ao anocalendário de 1996, no valor de R$ 21.405,10, deveria ter sido utilizada para extinção dos débitos a que se referem os pedidos de compensação pleiteados nos autos, e não às compensações realizadas diretamente na escrita (a primeira compensação realizada na escrita se deu em 29/09/2000, portanto, posterior à data de entrega do PER, que se deu em 10/09/99). Havendo saldo de IRPJ a CSLL ainda disponível após extinção dos débitos tributários constantes dos pedidos de compensação não poderiam ter sido utilizados para homologar as autocompensações realizadas pela Recorrente após a apresentação de DComp e justamente em razão da ausência do pedido de desistência. Saliento que todos os pedidos de compensação apresentados nos autos se deram entre 14 de abril de 2000 (efl. 147) e 29 de setembro de 2000 (efl. 207). Esclareço, contudo, que os referidos saldos não poderão, em nenhuma hipótese, ser utilizados para compensação com débitos de terceiros. Por oportuno, é importante ressaltar que considero equivocada a decisão de cobrança dos débitos com base no pedido de compensação com créditos de terceiro realizado já que, na data em que o pedido foi protocolizado não mais se admitia a compensação de débito próprio com créditos de terceiros (o pedido de compensação foi apresentado em 11/04/2000 mas o art. 1º, §1º da IN 41/2000, publicada quatro dias antes dia 07/07/2000 havia vedado tal procedimento). Isso porque a tal pedido não se aplicam os efeitos da declaração de compensação instituída pela Lei nº 10.637/2002, em especial o de confissão de dívida. E, compulsando os autos, concluo ser impossível afirmar se os débitos correspondentes poderiam ser cobrados com base em DCTF, até mesmo porque além de a cópia apresentada pela Recorrente não ter sido confirmada junto à unidade de origem, não há como se admitir a discussão nesses autos de matéria de interesse de terceiros, no caso, o contribuinte que Fl. 1839DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10840.003979/9971 Acórdão n.º 1402002.186 S1C4T2 Fl. 1.840 16 pretendeu compensar seus débitos com créditos da Recorrente, a não ser que houvesse apresentação de recursos por parte do terceiro prejudicado, o que não é o caso dos autos. Desse modo, reconheço o direito à compensação de débitos constantes dos pedidos de compensação destes autos com o saldo de indébito de IRPJ relativo ao ano calendário de 1997 no montante original de R$ 384.424,10 e com o saldo de indébito de CSLL relativa ao anocalendário de 1996 no montante original de R$ 21.405,10, homologando as compensações pleiteadas até tais limites de crédito. 4 CONCLUSÃO Isso posto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para: (i) reconhecer o direito creditório adicional de R$ 13.757,99 referente ao anocalendário de 1996 e de R$ 1.053,39 referente ao ano calendário de 1997 e homologar as compensações até esse limite; (ii) reconhecer o direito à compensação de débitos constantes dos pedidos de compensação destes autos com o saldo de indébito de IRPJ relativo ao anocalendário de 1997 no montante original de R$ 384.424,10 e com o saldo de indébito de CSLL relativa ao anocalendário de 1996 no montante original de R$ 21.405,10, homologando as compensações pleiteadas até tais limites de crédito. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Fl. 1840DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 13819.722933/2013-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA.
Necessária a comprovação da retenção de imposto de renda retido na fonte, para que seja autorizada a compensação na declaração de ajuste anual.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo o contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser afastada a glosa e permitida a compensação.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-003.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA. Necessária a comprovação da retenção de imposto de renda retido na fonte, para que seja autorizada a compensação na declaração de ajuste anual. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo o contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser afastada a glosa e permitida a compensação. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 29 33 /2 01 3- 10 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 13819.722933/201310, em face do acórdão nº 1535.197, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (DRJ/SDR) no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem, que assim os relatou: O contribuinte foi notificado de lançamento relativo ao imposto sobre a renda, exercício 2011, anocalendário2010 (fls.6 a 9), por meio do qual formalizouse a exigência de saldo de imposto a pagar, no valor de R$57.841,29, acrescido de multa e juros de mora, calculados até setembro de 2013, totalizando um crédito tributário de R$81.926,39, até a data da notificação. O lançamento foi motivado por compensação indevida de imposto de renda retido na fonte pela Volkswagen do Brasil Industria de Veículos Automotores Ltda, no valor de R$67.485,33. O contribuinte contesta o lançamento à fl.2, argumentando em síntese que o valor compensado fora efetivamente retido e recolhido sobre rendimentos recebidos em virtude de ação judicial trabalhista, conforme documento que junta às fls.10/11. A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fls. 25/29, onde são reiterados os argumentos já lançados na impugnação, bem como anexado documentos às fls. 32/33, para comprovar a retenção de imposto de renda É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 13819.722933/201310 Acórdão n.º 2202003.424 S2C2T2 Fl. 40 3 Primeiramente, quanto aos documentos juntados em anexo ao recurso voluntário, entendo que devem ser recebidos como prova do alegado, por força do princípio da verdade material. No presente caso, verificase que o contribuinte recebeu valores decorrentes de reclamação trabalhista movida pela contribuinte em face do seu exempregador, através de processo autuado sob o nº 00730008120045020, com trâmite na 4a. Vara do Trabalho de São Bernardo do Campo. Entendeu a DRJ de origem que: "O recolhimento do imposto que o contribuinte refere com o documento de fl.10 não se confirma na base de dados. E também não trouxe aos autos outros documentos comprobatórios do processo judicial, dele extraídos diretamente, a exemplo de planilhas de cálculos, alvarás e guias de levantamento dos valores efetivamente recebidos em virtude dessa ação, que permitam constatar a retenção do imposto que afirma havida. Dessa forma, por falta de comprovação, mantémse indevida a compensação declarada, como apontado no lançamento." Os documentos juntados aos autos em anexo ao recurso voluntário, às fls. 32/33, quais sejam, comprovante de retenção de imposto de renda determinado pela justiça do trabalho, bem como comprovante do SISBB Sistema de Informações do Bando do Brasil, comprovam a retenção do imposto de renda no valor de R$ 67.485,63, sendo exatamente este o valor que foi glosado pela notificação de lançamento, conforme se verifica à fl. 7. Diante disso, entendo que deve ser afastada a glosa consubstanciada na notificação de lançamento, em razão das provas apresentadas. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 41DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA
score : 1.0
Numero do processo: 10640.002632/2010-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. MOLÉSTIA GRAVE. APOSENTADORIA POSTERIOR.
Para que o beneficiário faça jus a isenção do IRPF por ser portador de moléstia grave, a natureza dos rendimentos recebidos deve ser de aposentadoria. Não sendo constatado o recebimento de aposentadoria por portador de moléstia grave, o benefício não deve ser concedido, tampouco retroagir a períodos em que os dois requisitos (receber aposentadoria e ser portador de moléstia grave) não estavam presentes concomitantemente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negar-lhe provimento.
Maria Cleci Coti Martins - Presidente
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rosemary Figueiroa Augusto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. MOLÉSTIA GRAVE. APOSENTADORIA POSTERIOR. Para que o beneficiário faça jus a isenção do IRPF por ser portador de moléstia grave, a natureza dos rendimentos recebidos deve ser de aposentadoria. Não sendo constatado o recebimento de aposentadoria por portador de moléstia grave, o benefício não deve ser concedido, tampouco retroagir a períodos em que os dois requisitos (receber aposentadoria e ser portador de moléstia grave) não estavam presentes concomitantemente. Recurso Voluntário Negado.
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MOLÉSTIA GRAVE. APOSENTADORIA POSTERIOR. Para que o beneficiário faça jus a isenção do IRPF por ser portador de moléstia grave, a natureza dos rendimentos recebidos deve ser de aposentadoria. Não sendo constatado o recebimento de aposentadoria por portador de moléstia grave, o benefício não deve ser concedido, tampouco retroagir a períodos em que os dois requisitos (receber aposentadoria e ser portador de moléstia grave) não estavam presentes concomitantemente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 26 32 /2 01 0- 14 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. Maria Cleci Coti Martins Presidente Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rosemary Figueiroa Augusto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10640.002632/201014 Acórdão n.º 2401004.330 S2C4T1 Fl. 140 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº. 0943.914 (fls. 85/87), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (DRJ/JFA), que julgou improcedente a impugnação (fls. 02) da contribuinte, conforme ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. MOLÉSTIA GRAVE. APOSENTADORIA POSTERIOR. O termo inicial da aposentadoria é posterior ao período sob exame. Em assim sendo, incabível a tentativa passiva de demonstrar que os rendimentos seriam isentos por se referirem a contribuinte que adquiriu moléstia profissional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Notificação de Lançamento nº. 2009/907536061707882 de fls. 04/08 exigiu do contribuinte o recolhimento do crédito tributário no valor de R$ 8.565,41, a título de imposto suplementar, acrescido de multa de mora e juros. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 6) a fiscalização informa a glosa de R$ 89.285,70, correspondente à Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício, nos seguintes termos: Em sede de impugnação, a contribuinte alegou, em síntese: a) Que, tendo trabalhado em áreas insalubres, poderia terse aposentado antes de 2003, quando adquiriu moléstia profissional, pois no ano de 2006 o juiz federal aceitou julgar o seu pedido de contagem de tempo Fl. 141DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 insalubre e, conforme a certidão em anexo, a aposentadoria retroage mais de 10 anos. b) Que seja cancelado o débito fiscal, sendo devolvido a contribuinte o que foi recolhido indevidamente, tendo em vista o fato da justiça federal ter reconhecido seu direito à contagem de tempo insalubre. Intimada do acórdão da DRJ/JFA em 26/11/2013 (A.R. fl. 94), que julgou improcedente a sua impugnação, a recorrente apresentou o seu recurso voluntário em 04/12/2013 (fls. 96/97) no qual alega: a) Que sua declaração de imposto de renda foi feita por um contador, o qual modificou o modelo de declaração que a contribuinte costumava apresentar – o completo – pelo modelo simplificado. b) Que o contador assim o fez, pois a contribuinte mostrou a ele seus comprovantes de aposentadoria (março de 2009) junto com atestado médico do trabalho da prefeitura, comprovando moléstia de um membro superior. Segundo o contador, a contribuinte poderia receber restituição dos impostos desde o ano de 2003, quando esta adquiriu a doença ocupacional. c) Diante do erro cometido na Declaração do IR, a Recorrente pleiteia que seja possível a mudança do modelo após o prazo de apresentação, em observação a peculiaridade da sua situação. É o relatório. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10640.002632/201014 Acórdão n.º 2401004.330 S2C4T1 Fl. 141 5 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Como relatado acima, a Notificação de Lançamento nº. 2009/907536061707882 de fls. 04/08 originase da omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, pela ora recorrente em sua DIRPF ( fls. 72 a 81). Em sede de impugnação a contribuinte pretendeu fossem considerados isentos todos os rendimentos provenientes da fonte pagadora Prefeitura De Juiz de Fora, devido ao fato de ter adquirido moléstia profissional anteriormente ao respectivo recebimento. Pretende tal isenção, ainda que, conforme se infere dos documentos trazidos aos autos, tenha sido aposentada somente em 16/02/2009, enquanto a análise sobre comento diz respeito ao anocalendário de 2008. Já em sede de recurso voluntário (fls. 96/97) a recorrente apresenta documentos a fim de comprovar que faz jus a aposentadoria especial, ainda que em sua declaração de Imposto de Renda, por falha do contador, não tenha constado os dados que a prefeitura forNeceu à contribuinte, no intuito de desconstituir a omissão de receita apontada. Direciona todas as razões da peça recursal, bem como os documentos a ela acostados, para defender a sua condição de portadora de Moléstia Profissional, assim, que faria jus a isenção do imposto de renda incidente sobre os seus rendimentos (que alega serem proventos de aposentadoria por moléstia grave) nos termos do art. 6º, XIV e XXI, da Lei nº. 7.713/88: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças Fl. 143DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. (Incluído pela Lei nº 8.541, de 1992) Como se vê, o que prevê a legislação é a isenção dos proventos de aposentadoria pelos portadores de moléstia profissional, condição que a recorrente alega possuir. O que também alega a recorrente, e traz documentos que, de fato, comprovam tais alegações, é a de que fazia jus (e tal condição fora reconhecida pelo Município de Juiz de Fora) a se aposentar antes da data na qual de fato se aposentou, qual seja, 16/02/2009 (fl. 20). Assim, ainda que haja sentença judicial posterior (fls. 2225), Certidão de Tempo de Contribuição (fl. 26), Certidão da Prefeitura Municipal (fl. 111) reconhecendo que PODERIA ter requerido aposentadoria desde 27 de janeiro de 2007, estes fatos não ilidem o inconteste fato de que os valores recebidos no anocalendário de 2008 eram proveniente do trabalho assalariado. A isenção, conforme o artigo . 6º, XIV e XXI, da Lei nº. 7.713/88, é para os proventos de aposentadoria, não sendo aplicável aos pagamentos de trabalho assalariado que poderiam ser aposentadoria por verificação do tempo de contribuição. Ainda que os documentos acima mencionadas tragam essas conclusões, nenhum deles possuiu o condão de fazer retroagir, formalmente, os efeitos da aposentadoria da recorrente, como ora pretende que assim seja interpretado. Assim, entendo que não se verifica a condição para a aplicação da isenção, qual seja, o recebimento obtido por portador de moléstia grave ser provento de aposentadoria. CONCLUSÃO Ante, o exposto, voto por CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Carlos Alexandre Tortato. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
score : 1.0
Numero do processo: 13748.720666/2011-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
DA OMISSÃO DE RECEITAS POR ERRO DA FONTE PAGADORA. COMPROVAÇÃO PELO CONTRIBUINTE E RECONHECIMENTO DO EQUÍVOCO PELA FONTE PAGADORA. AFASTAMENTO.
Demonstrado pelo contribuinte que a omissão verificada pela autoridade fiscal se dá por erro da fonte pagadora, que realizou o pagamento dos alugueis por meio de pessoa jurídica distinta daquela que celebrou o contrato de locação, deve ser afastada a omissão de rendimentos.
DA OMISSÃO DE RENDIMENTO DE ALUGUEIS. IMPOSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO DE COMISSÕES PAGAS.
Não cabe ao contribuinte afastar da base de cálculo dos alugueis recebidos valores relativos à comissões para pagamento de remuneração à pessoas físicas que o auxiliem na administração de seus bens próprios. Inaplicabilidade do inciso III, art. 632, do RIR/99, por ausência de conexão entre o pagamento de comissão e despesas para cobrança ou recebimento dos alugueis.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe parcial provimento para o fim de: i) afastar a omissão de receitas e a glosa da compensação do imposto de renda referentes ao CNPJ nº. 07.526.983/0010-34; ii) afastar a glosa de compensação do imposto de renda referente ao CNPJ nº. 37.115.367/0025-38, condicionada à verificação pela autoridade preparadora da inclusão em DIRF do valor de R$ 3.911,16 pela fonte pagadora Fundo de Amparo ao Trabalhador, de CNPJ nº. 07.526.983/0010-34. Vencidos os Conselheiros Cleberson Alex Friess e Luciana Matos Pereira Barbosa que votaram pela conversão em diligência para verificação prévia da questão da inclusão ou não das informações em DIRF.
André Luís Marsico Lombardi - Presidente
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 DA OMISSÃO DE RECEITAS POR ERRO DA FONTE PAGADORA. COMPROVAÇÃO PELO CONTRIBUINTE E RECONHECIMENTO DO EQUÍVOCO PELA FONTE PAGADORA. AFASTAMENTO. Demonstrado pelo contribuinte que a omissão verificada pela autoridade fiscal se dá por erro da fonte pagadora, que realizou o pagamento dos alugueis por meio de pessoa jurídica distinta daquela que celebrou o contrato de locação, deve ser afastada a omissão de rendimentos. DA OMISSÃO DE RENDIMENTO DE ALUGUEIS. IMPOSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO DE COMISSÕES PAGAS. Não cabe ao contribuinte afastar da base de cálculo dos alugueis recebidos valores relativos à comissões para pagamento de remuneração à pessoas físicas que o auxiliem na administração de seus bens próprios. Inaplicabilidade do inciso III, art. 632, do RIR/99, por ausência de conexão entre o pagamento de comissão e despesas para cobrança ou recebimento dos alugueis. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe parcial provimento para o fim de: i) afastar a omissão de receitas e a glosa da compensação do imposto de renda referentes ao CNPJ nº. 07.526.983/0010-34; ii) afastar a glosa de compensação do imposto de renda referente ao CNPJ nº. 37.115.367/0025-38, condicionada à verificação pela autoridade preparadora da inclusão em DIRF do valor de R$ 3.911,16 pela fonte pagadora Fundo de Amparo ao Trabalhador, de CNPJ nº. 07.526.983/0010-34. Vencidos os Conselheiros Cleberson Alex Friess e Luciana Matos Pereira Barbosa que votaram pela conversão em diligência para verificação prévia da questão da inclusão ou não das informações em DIRF. André Luís Marsico Lombardi - Presidente Carlos Alexandre Tortato - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
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COMPROVAÇÃO PELO CONTRIBUINTE E RECONHECIMENTO DO EQUÍVOCO PELA FONTE PAGADORA. AFASTAMENTO. Demonstrado pelo contribuinte que a omissão verificada pela autoridade fiscal se dá por erro da fonte pagadora, que realizou o pagamento dos alugueis por meio de pessoa jurídica distinta daquela que celebrou o contrato de locação, deve ser afastada a omissão de rendimentos. DA OMISSÃO DE RENDIMENTO DE ALUGUEIS. IMPOSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO DE COMISSÕES PAGAS. Não cabe ao contribuinte afastar da base de cálculo dos alugueis recebidos valores relativos à comissões para pagamento de remuneração à pessoas físicas que o auxiliem na administração de seus bens próprios. Inaplicabilidade do inciso III, art. 632, do RIR/99, por ausência de conexão entre o pagamento de comissão e despesas para “cobrança ou recebimento” dos alugueis. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 72 06 66 /2 01 1- 57 Fl. 491DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 07/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe parcial provimento para o fim de: i) afastar a omissão de receitas e a glosa da compensação do imposto de renda referentes ao CNPJ nº. 07.526.983/001034; ii) afastar a glosa de compensação do imposto de renda referente ao CNPJ nº. 37.115.367/002538, condicionada à verificação pela autoridade preparadora da inclusão em DIRF do valor de R$ 3.911,16 pela fonte pagadora Fundo de Amparo ao Trabalhador, de CNPJ nº. 07.526.983/001034. Vencidos os Conselheiros Cleberson Alex Friess e Luciana Matos Pereira Barbosa que votaram pela conversão em diligência para verificação prévia da questão da inclusão ou não das informações em DIRF. André Luís Marsico Lombardi Presidente Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 07/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO Processo nº 13748.720666/201157 Acórdão n.º 2401004.142 S2C4T1 Fl. 492 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº. 0431.432 (fls. 365/374), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE), que julgou parcialmente procedente a impugnação (fls. 02/10) do contribuinte, conforme ementa: COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE PAGADORA. O imposto de renda retido na fonte glosado pelo lançamento deve ser restabelecido, quando o contribuinte comprova a retenção. DA OMISSÃO DE RENDIMENTO DE ALUGUEIS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Tributamse os rendimentos omitidos pelo contribuinte, decorrente de alugueis recebidos de pessoas físicas, detectado através de DIMOB da fonte pagadora, caso o contribuinte não consiga demonstrar, através de documentos hábeis, que tal omissão não ocorreu. MATÉRIA NÃOIMPUGNADA. Considerase nãoimpugnada a parte do lançamento com a qual o contribuinte concorda. A Notificação de Lançamento de fls. 353/358 exigiu do contribuinte o recolhimento do crédito tributário consolidado no valor de R$ 61.586,36, decorrente de omissões de rendimentos oriundos de alugueis e compensações indevidas de imposto de renda retido na fonte. Em sua impugnação, o contribuinte apresentou razões e documentos para combater parte das irregularidades apontadas, bem como concordou com parte das glosas efetuadas, inclusive realizando o recolhimento do imposto resultante deste reconhecimento. Após o acórdão da DRJ/CGE que julgou parcialmente procedente a impugnação e exonerou parte do crédito tributário lançado, o contribuinte insurgese por meio do presente recurso voluntário limitando suas razões aos seguintes tópicos: a) ITEM 1: Quanto a omissão relativa à fonte pagadora de CNPJ nº. 07.526.983/001034, esclarece que se trata de equívoco da locatária do imóvel, Delegacia Regional do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego (CNPJ nº. 37.115.367/002538), pois por questões internas de dotação orçamentária, realizaram o pagamento e a consequente emissão da DIRF por pessoa jurídica distinta daquela que figurava no contrato de locação com o locador/recorrente. Para corroborar suas alegações, junta o Contrato de Locação (fls. 405/414) e Ofícios emitidos pela Superintendência Regional do Ministério do Trabalho e Emprego no RJ e mensagens por correio eletrônico enviadas pelo próprio contribuinte (fls. 400/404); Fl. 493DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 07/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO 4 b) ITEM 4: Quanto ao valor mantido no acórdão recorrido a título de omissão de rendimentos junto ao CNPJ nº. 08.788.337/000117, Metamorfose do Trigo Padaria e Confeitaria Ltda., no valor de R$ 787,50, referese a comissão de 5% sobre o valor dos alugueres recebidos mediante intermediação da Sra. Simone Regina Ferreira (CPF nº. 009.303.99722), junta planilhas e contrato de prestação de serviços para corroborar tais alegações; c) Quanto às glosas das compensações de imposto de renda que não foram afastadas pela decisão da DRJ/CGE, o recorrente reconhece o débito e informa o seu pagamento com relação às seguintes pessoas jurídicas: HELADE EMPREENDIMENTOS CULTURAIS LTDA. (00.311.882/000106); J.M.F.F. FERRAGENS LTDA. (02.567.148/000138); CHURRASCARIA LARANJEIRAS, 62 LTDA. (04.508.157/000183); DOM NELSON GRILL RESTAURANTE LTDA. (05.064.131/000156); COMBINANDO COM VOCÊ (05.324.019/000107); CRIMON COMERCIO DE RAÇÕES LTDA. (05.841.172/000101); CENTRO EDUCACIONAL KARST LTDA. (07.529.406/000105); AURELIANO COUTINHO 70 COM. DE COUROS LTDA. (07.819.909/000115); VITORIA MANIA COM. E INDUSTRIA DE ROUPAS LTDA. (08.323.470/000106); MOC COMESTÍVEIS LTDAL (36.427.912/000191); d) Quanto à glosa da compensação do imposto de renda referente ao aluguel recebido da Delegacia Regional do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego (37.115.367/002538), insurgese pelos mesmos motivos já listados no tocante à alegação de omissão relacionada a esta mesma pessoa jurídica. É o relatório. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 07/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO Processo nº 13748.720666/201157 Acórdão n.º 2401004.142 S2C4T1 Fl. 493 5 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato – Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Após a sua impugnação ser julgada improcedente pela DRJ/CGE no tocante à omissão de receita apurada pela fiscalização relacionada a fonte pagadora de CNPJ nº. 07.526.983/001034 sob o fundamento de insuficiência de provas, o recorrente trouxe novos elementos para o fim de corroborar suas alegações. Desde a sua impugnação, o contribuinte alega que não há qualquer omissão no recebimento dos alugueis da fonte pagadora de CNPJ nº. 07.526.983/001034, posto que declarado o recebimento referente ao CNPJ nº. 37.115.367/002538. A controvérsia se instaura ante o fato de o contribuinte ter celebrado contrato de locação com o locatário UNIÃO FEDERAL DELEGACIA REGIONAL DO TRABALHO DO MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO (37.115.367/002538), conforme contratos e aditivo de fls. 405/411 e, por questões internas daquele órgão, o pagamento dos alugueis e a consequente Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte eram realizados pela FUNDO DE AMPARO AO TRABALHADOR, de CNPJ nº. 07.526.983/001034. Primeiramente se faz necessário verificar se, de fato, há a declaração dos rendimentos recebidos da fonte pagadora com a qual se celebrou o contrato de locação, UNIÃO FEDERAL DELEGACIA REGIONAL DO TRABALHO DO MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO (37.115.367/002538), e isto se verifica na página 2 da Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, Exercício 2008, fl. 338 deste PAF, no campo destinado aos "RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS PELO TITULAR". Para fins de comprovação de suas alegações, o recorrente anexou ao seu recurso voluntário o Ofício nº. 20/2013/DIAD/SRTERJ/MTE, de 17 de maio de 2013 (fl. 400), assinado pela Chefe Substituta da Superintendência Regional do Ministério do Trabalho e Emprego no Rio de Janeiro, cujo conteúdo é o seguinte: Fl. 495DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 07/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO 6 Destaco que o referido ofício é datado de 17/05/2013, ao passo que o acórdão recorrido é de 11/04/2013, razão pela qual resta plenamente atendido o requisito art. 16, § 4ª, alínea b (refirase a fato superveniente) e do mesmo tomo conhecimento. Ressalto, todavia, que não entendo que o atendimento aos requisitos específicos do art. 16 sejam imprescindíveis para conhecimento de documentos trazidos ao processo, haja vista a sobreposição do princípio da verdade material a estes requisitos legais. Neste contexto, entendo que devidamente esclarecida a controvérsia demonstrada pelo recorrente desde a sua peça impugnatória, corroborada em sede de recurso voluntário por novas e robustas provas, devendo ser dado provimento ao recurso voluntário neste ponto específico, ao passo que a alegada omissão de receitas da fonte pagadora de CNPJ nº. 07.526.983/001034 se verificou por erro exclusivo desta, que realizou o pagamento do aluguel e a declaração DIRF referente ao contrato firmado entre o recorrente e UNIÃO FEDERAL DELEGACIA REGIONAL DO TRABALHO DO MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO, de CNPJ nº 37.115.367/002538 devidamente informado na Declaração de Ajuste Anual do Recorrente. Via de consequência afasto também a glosa da compensação de imposto de renda relativa ao mesmo CNPJ (07.526.983/001034), ante as mesmas razões acima apontadas, condicionada à verificação pela autoridade preparadora da declaração e retenção em DIRF pela fonte pagadora de CNPJ nº. 07.526.983/001034, que realizou o pagamento do aluguel e a declaração DIRF referente ao contrato firmado entre o recorrente e UNIÃO FEDERAL DELEGACIA REGIONAL DO TRABALHO DO MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO, de CNPJ nº 37.115.367/002538, devidamente informado na Declaração de Ajuste Anual do Recorrente. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 07/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO Processo nº 13748.720666/201157 Acórdão n.º 2401004.142 S2C4T1 Fl. 494 7 No tocante à diferença de R$ 787,50 que restou como omissão da fonte pagadora Metamorfose do Trigo Padaria e Confeitaria Ltda. (08.788.337/000117), o contribuinte alega se tratar de comissão paga a Simone Regine Ferreira (CPF nº. 009.303.997 22), referente a 5% sobre o valor dos alugueis recebidos, valor este não incluído pelo contribuinte na soma dos rendimentos por ele recebidos e declarado como pagamento pelo contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual, onde se verifica (fl. 340) o montante de R$ 44.839.02 à beneficiária Simone Regina Ferreira, valor este que englobaria a comissão referente à fonte pagadora em questão. Para comprovação de sua alegação, o recorrente traz em seu recurso voluntário, para o fim de combater o valor apontado como omissão após o acórdão recorrido, o CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS de fls. 413/414, celebrado entre o próprio e a Sra. Simone Regina Ferreira, cujo objeto é a prestação de serviços de administração de bens, cuja contratada (Simone Regina Ferreira) será remunerada pela importância equivalente a 5% dos alugueis recebidos. Assim, o valor de R$ 983.15 apontado pela decisão recorrida como sendo a omissão verificada no recebimento da fonte pagadora Trigo Padaria e Confeitaria Ltda. (08.788.337/000117), é simplesmente o resultado da diferença entre o valor informado na DIRF retificada da referida empresa (R$ 15.750,00) e o informado na Declaração de Ajuste Anual do recorrente (14.962,50). As exclusões legalmente previstas da base de cálculo do imposto de renda incidente sobre os alugueis estão previstas no artigo 632, III, do RIR/99, assim disposto: Art. 632. Não integrarão a base de cálculo para incidência do imposto, no caso de aluguéis de imóveis (Lei nº 7.739, de 1989, art. 14): I o valor dos impostos, taxas e emolumentos incidentes sobre o bem que produzir o rendimento; II o aluguel pago pela locação do imóvel sublocado; III as despesas para cobrança ou recebimento do rendimento; IV as despesas de condomínio. Ora, o que pretende o recorrente, indiretamente, é enquadrar a comissão paga a Sra. Simone Regina Ferreira como “despesas pagas” para “cobrança ou recebimento” dos alugueis, para deduzilas da base de cálculo dos rendimentos tributáveis. Todavia, entendo que a comissão em questão, celebrada por meio do contrato de fls. 413/414, não pode ser enquadrada nas despesas previstas no dispositivo acima mencionado. Entendo que as despesas mencionadas no inciso III do art. 632 acima seriam aquelas intrinsicamente relacionadas à cobrança ou recebimento dos alugueis, como, por exemplo, taxas bancárias para emissão de boletos e taxa de protesto para cobranças em atraso. Enquadrar a “comissão” em comento é absolutamente ilegal, bem como não há como vinculá la diretamente à cobrança ou recebimento dos alugueis. O objeto do contrato, em sua primeira cláusula (fls. 413) é absolutamente genérico: “prestação de serviços de administração dos bens imóveis do contratante”. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 07/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO 8 Assim, o fato do contribuinte celebrar um contrato para remunerar aqueles que lhe auxiliem na administração de seus bens imóveis não lhe dá o direito de dedução dessas despesas da base de cálculo da sua remuneração obtida. Vejase que o contrato de fls. 413/414 não é específico para a fonte pagadora em questão, tampouco a Sra. Simone Regina Ferreira figura como beneficiária nos contratos de locação (fls. 60/68) firmados entre o recorrente (e sua esposa) e a pessoa jurídica Metamorfose do Trigo Padaria e Confeitaria Ltda. (08.788.337/000117). Vejo que o que pretende o recorrente, por analogia, seria uma equiparação ao regime de apuração do imposto de renda no lucro real das pessoas jurídicas e a possibilidade de dedução das despesas necessárias à consecução das suas atividades. Situação que, obviamente, em nada se amolda ao caso do recorrente. Desse modo, a base de cálculo para o IRPF é a totalidade dos rendimentos recebidos pela pessoa física a título de aluguel, sendo absolutamente indevida a dedução de despesas com pessoas físicas para administração dos imóveis de sua propriedade, por simples falta de previsão legal. Neste ponto específico, nego provimento ao recurso voluntário. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para o fim de: i) afastar a omissão de receitas e a glosa da compensação do imposto de renda referentes ao CNPJ nº. 07.526.983/001034; ii) afastar a glosa de compensação do imposto de renda referente ao CNPJ nº. 37.115.367/002538, condicionada à verificação pela autoridade preparadora da inclusão em DIRF do valor de R$ 3.911,16 pela fonte pagadora FUNDO DE AMPARO AO TRABALHADOR, de CNPJ nº. 07.526.983/001034. É como voto. Carlos Alexandre Tortato. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 07/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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