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Numero do processo: 11128.007255/2007-68
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 25/10/2002
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ACORDO ALADI. REDUÇÃO TARIFÁRIA. EXPEDIÇÃO DIRETA.
Não constitui descumprimento dos requisitos para a concessão do benefício de redução do imposto de importação o fato de quando do transporte de mercadoria originária de país participante, transitar justificadamente por país não participante e, quando demonstrada a operação como expedição direta e cumpridos os demais requisitos de origem, há que se reconhecer o cabimento do benefício do direito creditório proveniente do imposto recolhido a maior. Precedentes.
Numero da decisão: 3803-005.999
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório. O conselheiro Corintho Oliveira Machado votou pelas conclusões. Vencidos os conselheiros Hélcio Lafetá Reis e Demes Brito, que negavam provimento. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Ana Paula Mendes Gesing, OAB-DF 39387.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ACORDO ALADI. REDUÇÃO TARIFÁRIA. EXPEDIÇÃO DIRETA. Não constitui descumprimento dos requisitos para a concessão do benefício de redução do imposto de importação o fato de quando do transporte de mercadoria originária de país participante, transitar justificadamente por país não participante e, quando demonstrada a operação como expedição direta e cumpridos os demais requisitos de origem, há que se reconhecer o cabimento do benefício do direito creditório proveniente do imposto recolhido a maior. Precedentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório. O conselheiro Corintho Oliveira Machado votou pelas conclusões. Vencidos os conselheiros Hélcio Lafetá Reis e Demes Brito, que negavam provimento. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Ana Paula Mendes Gesing, OAB DF 39387. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 72 55 /2 00 7- 68 Fl. 307DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues. Relatório A contribuinte protocolou junto à Inspetoria da Alfândega de Santos Pedido de Reconhecimento de Crédito Tributário e Restituição, com fulcro no art. 2º e seguintes da IN SRF nº 600/05. Desse pedido consta: Informações acerca da incorporação da PANASONIC DO BRASIL LTDA pela sucessora PANASONIC DO BRASIL LIMITADA (atual denominação de PANASONIC DA AMAZÔNIA S.A.); Que importou mercadorias produzidas no México, que posteriormente foram enviadas para os EUA, onde embarcaram para o Brasil ao amparo da DI nº 02/08838664, em operação de comercialização internacional, havendo as mesmas sido desembaraçadas na Alfândega de Santos em 03/10/2002. Que o México é país signatário da ALADI e, por tal razão, faz jus à redução de 20% sobre a alíquota normal do imposto de importação, independentemente da localização geográfica do exportador, no caso os EUA. Que no ato de registro da DI no SISCOMEX o reconhecimento da redução da alíquota de imposto de importação não foi possível, pois esse sistema de processamento de dados administrado pela SRF e SECEX, somente admite a aplicação de redução tarifária da ALADI nos casos em que o exportador esteja localizado em país membro da referida Associação, contrariando, assim, o sistema jurídico vigente, que permite a realização da operação praticada. Que o preenchimento dos campos da referida DI no SISCOMEX foi realizado nos termos seguintes: “Exportador Nome: AMAC CORPORATION País: ESTADOS UNIDOS. E Fabricante/Produtor Nome: KYUSHU MATSUSHITA DE BAJA CALIFÓRNIA País: MÉXICO. Que em razão do exposto foi compelida ao recolhimento integral do imposto de importação (débito automático em conta corrente), eis que o SISCOMEX não reconhece o seu direito, que pode ser devidamente comprovado mediante a apresentação do certificado de origem. Nas razões de direito aduziu pela expressa previsão para a realização da operação de importação e da redução tarifária nos moldes referenciados (Decretos nºs 90782/85 e 98.874/90 – redução de 20% por parte do país exportador), ex vi da Resolução nº 252 do Comitê de Representantes da ALADI, cuja regulamentação no Brasil deuse com a edição do Decreto nº 3.325/99, DOU de 31/12/1999. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11128.007255/200768 Acórdão n.º 3803005.999 S3TE03 Fl. 9 3 A contribuinte também formulou consulta à COANA acerca do preenchimento da DI para fruição de benefício de preferência tarifária, obtendo a orientação adequada nesse sentido, por meio do Ofício nº 2006/00263 – COANA, CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira, bem assim o reconhecimento, em tese, de que houve o cumprimento da expedição direta, em realização de operação de importação de mercadorias já descrita (fls. 75/78). A contribuinte formalizou o Pedido de Retificação de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito de Crédito de R$ 81.121,81 (fls.1), havendo o pedido sido indeferido através de Despacho Decisório nº 142/2011, da lavra do Grupo de Restituição e Parcelamento – GRESP (fls. 149/150), sob a alegação de que as mercadorias produzidas no México foram transacionadas com empresa sediada nos EUA, conforme fatura comercial TO748, doc de fl., foram descarregadas em solo americano em 30/08/2002 (doc. F..) e, no dia 03/09/2002 E 09/09/2002 foi emitida a fatura comercial PC07591 E PC07612 (fls 90/91) pela AMAC CORPORATION, empresa sediada nos EUA, em favor da interessada, PANACONIC DO BRASIL LTDA, sendo as mercadorias embarcadas para o Brasil em 02/10/2002, procedentes de Houston (EUA), conforme conhecimento de Embarque (BL) de fls., portanto a mercadoria foi, no seu entender, faturada por operador de terceiro país, não integrante da ALADI (EUA), conforme atesta o Certificado de Origem em questão. Em face do pedido de restituição de Imposto de Importação formalizado pela contribuinte foi exarado o Despacho Decisório de nº 161/20111 pelo Servido de Orientação e Análise Tributária da Alfândega no Porto de Santos (fls. 135/137), que indeferiu o pleito, eis que a interessada não logrou atender as condições elencadas na alínea ‘b’ do item quatro do art. 1º, da Resolução ALADI nº 252, em especial as constantes nos incisos ‘i’ e ‘ii’, já que as mercadorias não transitaram pelo território dos EUA por motivos geográficos ou por requerimentos de transporte e estavam destinadas a comércio por empresa sediada naquele país. Inconformado o sujeito passivo interpôs a sua manifestação de inconformidade (fls.154/160 ), protestando que o único fundamento para o indeferimento da restituição é o fato das mercadorias originárias do México terem transitado pelos Estados Unidos antes de serem remetidas ao Brasil; bem assim que o procedimento adotado pela Impugnante não feriu nenhuma disposição do acordo firmado no âmbito da ALADI, devendo tal despacho ser reformado, reiterando, ademais, as razões de fato e de direito aduzidas no pedido de reconhecimento de crédito (fls. 188/189 ), para requer a declaração de ineficácia do referido despacho, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e a restituição do indébito. Há o reconhecimento do direito creditório, por meio do contido no Despacho Decisório DRF/SOROCABA/SEORT nº 538, de 19/08/2010, que deferiu o pedido anteriormente formulado pela contribuinte nos autos do processo administrativo nº 10855.003858/200894 (fls. 174/175), a título de precedente. Conclusos foram os autos submetidos ao pronunciamento da 2ª Turma da DRJ/SP2, que por através do Acórdão nº 1755.332, de 17/11/2011 (fls.) proferiu decisão, cuja ementa transcrevese adiante. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Fl. 309DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Data do fato gerador: 03/10/2002 Solicitação de RECONHECIMENTO DO CREDITO TRIBUTÁRIO, em virtude de mercadoria produzida no México, país integrante da ALADI, pleiteando o direito à redução do Imposto de Importação de 20% sobre a alíquota normal. A alínea b), do item quatro, do artigo 19, do DECRETO n° 3.325 de 31/12/199 DOU 31/12/1999, impõe três condições simultâneas para que se contemplem a redução do Imposto. A interessada não logrou êxito em justificar que a mercadoria transitou pelos Estados Unidos da América do Norte por motivos geográficos ou por considerações referentes a requerimentos do transporte. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. O entendimento vazado na decisão em comento segue a mesma linha daquele profligado no Despacho Decisório nº 142/2011, da lavra do Grupo de Restituição e Parcelamento – GRESP (fls. 149/150), de que a mercadoria em questão foi faturada por operador de terceiro país, não integrante da ALADI (EUA), e que não foram atendidas as condições elencadas na alínea ‘b’ do item quatro do artigo 1º da Resolução ALADI nº 252, em especial as constantes nos incisos “I” e “II”, já que as mercadorias não transitaram pelo território dos EUA por motivos geográficos ou por requerimento de transporte e estavam destinadas a comércio por empresa sediada naquele país. Acerca da Decisão nº 203, proferida pela Divisão de Tributação da 8ª RF, pautouse o entendimento exarado no acórdão suso mencionado, que a mesma se refere a INTERMEDIAÇÃO DE EMPRESA DE TERCEIRO PAÍS NÃO MEMBRO DA ASSOCIAÇÃO, não refletindo a situação em comento, ou seja, mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes. Além disso, não faz qualquer concessão quanto às exigências solicitadas pelo artigo 19, do DECRETO n° 3.325 de 31/12/199 DOU 31/12/1999. No que atine às duas decisões proferidas na instância superior administrativa e colacionadas aos autos pela interessada, o voto condutor assinalou que ambas possuem o mesmo teor e, em que pese o respeito ao entendimento esposado e suas razões, não é essa a conclusão que se depreende das exigências da alínea b), do item quatro, do artigo 19, do DECRETO n° 3.325 de 31/12/199 DOU 31/12/1999. É explicita a exigência de que as únicas justificativas para trânsito por um ou mais países não participantes são por motivos geográficos ou por requerimentos de transporte e estavam destinadas a comércio por empresa sediada naquele país, o que a interessada não comprovou. A Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 08/12/2011 e protocolou o seu recurso voluntário na DRF em Campinas/SP, em 06/01/2012, reiterando as mesmas razões de fato e de direito expendidas na exordial, entretanto de maneira pormenorizada, haja vista que a operação de importação foi realizada nos moldes da Resolução nº 252, art. 1º, item quatro, alínea ‘b’, “I” e “II” e item nono, do Comitê de Representantes da ALADI, ex vi do Decreto nº 3.325/99, DOU de 31/12/99. Aduziu, inclusive, que no âmbito da ALADI admitese que a mercadoria produzida em um determinado País (ex: México) seja embarcada para o Brasil com trânsito em Fl. 310DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11128.007255/200768 Acórdão n.º 3803005.999 S3TE03 Fl. 10 5 terceiro País que não seja membro da referida associação (ex: Estados Unidos), devendo, nesta situação, indicar no campo “observações” do Certificado de Origem que a mercadoria será faturada por terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do exportador (“que em definitivo será o que fature a operação a destino”). Persiste na defesa de que o trânsito das mercadorias por território de país não membro da ALADI se deu por conveniência geográfica, implicando inclusive em redução de custos operacionais; que apesar de o México ter acesso ao Oceano Atlântico, como consignado na decisão recorrida, o Porto de Houston oferece condições infinitamente melhores que os portos mexicanos com saída para esse oceano. Ressalta que se trata de uma questão de logística, em razão de maior facilidade e conveniência, motivos o bastante para todas as empresas do mesmo grupo adotar esse caminho para o transporte das mercadorias: México – EUA – Brasil, sem que haja qualquer benefício outro para a Recorrente. Tanto é assim que a própria documentação já indicava o destinatário final. Enfatizou a Recorrente que a eventual falta de justificativa para a operação ter como etapa os EUA antes do destino final (Brasil), alegada no acórdão combatido, não serve como referência para a mitigação do direito creditório, ora pleiteado, pois toda a documentação que acompanhava a DI, já anexada ao pedido de restituição, faz prova do direito a redução tarifária que, não foi concedida no desembaraço por exclusiva impossibilidade técnica do próprio SISCOMEX, inclusive o doc. 10 anexo ao pedido de restituição que menciona como destino final das mercadorias a PANASONIC DO BRAZIL LTDA, restando demonstrado portanto, que desde a entrada das mercadorias nos EUA já havia a consignação de que seu destino final seria o Brasil. Consubstanciou o alegado mencionando a Decisão nº 203, DOU de 15/09/1999, proferida pela Divisão de Tributação da 8ª Região Fiscal, que foi ratificada pelo Ofício nº 2006/00263 da COANA, além de jurisprudência administrativa na qual é parte interessada, por meio dos Acórdãos nº CSRF/0304.584 (11128.000691/0050) e CSRF/03 04.585 (11128.000687/0082), cuja ementa se reproduz: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO – PEDIDO DE RESTITUIÇÃO – ACORDO ALADI – REDUÇÃO TARIFÁRIA – TRIANGULAÇÃO – não constitui descumprimento dos requisitos para a concessão do benefício de redução do imposto de importação o fato de quando do transporte de mercadoria originária de país participante, transitar justificadamente por país não participante, por inteligência do art. 4º, alínea ‘b’, e seus itens, do Regime Geral de Origem, da Resolução 78, firmado entre o Brasil e a Associação Latino americana de Integração – ALADI, aprovado pelo Decreto nº 98.874/90. Recurso especial provido. Cumpridas as exigências requer o provimento do recurso e a declaração de nulidade do acórdão recorrido pelo cerceamento do direito de defesa. É o relatório. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues Relator O recurso interposto preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. A querela devolvida a este Colegiado resumese ao atendimento ou não das condições elencadas na Resolução ALADI nº 252, para fazer jus ao beneplácito da redução em 20% da tarifação do imposto de importação, na operação realizada. A questão inaugural pelo ponto de vista de elemento material de prova restringese à verificação da origem da mercadoria, do local de embarque e do seu destino final. O Certificado de Origem informa como: PAIS EXPORTADOR ESTADOS UNIDOS MEXICANOS PAIS IMPORTADOR BRASIL, além da norma que dá amparo à operação de importação com direito a fruição de redução da alíquota (fl.). No mesmo sentido o documento de fl., denominado: “TRANSPORTATION ENTRY AND MANIFESTO OF GOODS SUBJECT TO CUSTOMS INSPECTION AND PERMIT UNITED STATES CUSTOMS SERVICE”, informa que a mercadoria ali registrada foi importada do México, em 19/12/01, por meio de caminhão, via direta, tendo por porto estrangeiro de embarque BAJA CALIFORNIA e como destino final SÃO SEBASTIÃO, PANASONIC DO BRASIL LTDA, Rodovia Presidente Dutra, KM 155, Brasil. Igualmente a fatura, o BILL OF LADIN (fl.), informa que o local de recebimento da mercadoria como sendo TIJUANA, México, o porto de embarque como sendo HOUSTON e de desembarque como sendo o Porto de Santos. Do ponto de vista da legislação temse que o Decreto nº 3.325/99, DOU de 31/12/99, dispõe sobre a execução da Resolução nº 252, do Comitê de Representantes da ALADI. Assim dispõe o art. 1º dessa Resolução: Art. 1º. A Resolução nº 252, que aprova o texto consolidado e ordenado da Resolução nº 78, do Comitê de Representantes da Associação Latinoamericana de Integração, apensa por cópia a este Decreto, deverá ser executada e cumprida tão inteiramente como nela se contem. Por sua vez o item quarto dessa Resolução estabelece: Quarto – Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do país exportador para o país importador. Para tais efeitos, considerase com expedição direta: (...); Fl. 312DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11128.007255/200768 Acórdão n.º 3803005.999 S3TE03 Fl. 11 7 As mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes, com ou sem transbordo ou armazenamento temporário, sob a vigilância da autoridade aduaneira competente nesses países, desde que: o trânsito esteja justificado por motivos geográficos ou por considerações referentes a requerimentos do transporte; não estejam destinadas ao comércio, uso ou emprego no país de trânsito; não sofram, durante seu transporte e depósito, qualquer operação diferente da carga e descarga ou manuseio para mantêlas em boas condições ou assegurar sua conservação. Finalmente, o item nono do mesmo normativo assim registra: Nono. Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não membro da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, no campo relativo a “observações”, que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que, em definitivo, será o que fature a operação a destino. Do exposto é possível se fazer as seguintes inferências: (i) As mercadorias importadas sob o amparo da DI nº 02/08838664, de 03/10/2002, efetivamente tiveram como origem o País do México, transitaram pelos EUA, e tiveram como destino final o Brasil; (ii) A operação de importação em comento seguiu de acordo com as orientações contidas no item ‘b’ e alíneas ‘i’ e ‘ii’ do artigo 1º da Resolução nº 252; Em razão do tipo de operação de importação por ela realizada, a Recorrente alegou que teria direito à redução do imposto de importação de 20% sobre a alíquota normal, bem assim que por ocasião do registro da DI no SISCOMEX, o referido sistema não reconheceu esse direito. O imbróglio ensejou a realização de consulta pela ora Recorrente formulada à SRF sob o protocolo nº 3633/2006, em 27/07/06, sobre o preenchimento de declaração de importação para fruição de benefício de preferência tarifária. Tais assertivas constam do Of. nº 2006/00263, de 06/10/06, expedido pela Coordenação Geral de Administração Aduaneira, cujos itens 5 a 12 explicitam que houve o cumprimento da expedição direta para as mercadorias em comento, como também o contido no item 13 esclarece sobre o preenchimento da DI para fim de fruição do benefício de preferência tarifária, ex vi do Anexo I da IN SRF nº 206/02, art. 10 (fls.). Fl. 313DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Seguindo a orientação contida no ofício suso mencionado a Recorrente protocolou na unidade preparadora o Pedido de Cancelamento ou de Retificação de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito de Crédito no valor de R$ 81.121,81 (fls.1). A título de precedente há o pedido de reconhecimento de direito creditório formulado pela Recorrente nos autos do processo nº 10855.003858/200894, o qual foi deferido por meio do Despacho Decisório DRF/SOR/SEORT nº 538, de 19/08/10 (fls. 174/175), que reconheceu o direito creditório no valor de R$ 23.622,41, relativo ao imposto de importação. Ainda em Relação ao tema a Recorrente trouxe à baila a Decisão nº 203, DOU de 15/09/99, proferida pela Divisão de Tributação da 8ª Região Fiscal, como também jurisprudência administrativa, na qual é parte interessada, com vistas à consubstanciar os seus argumentos. Ora, há o reconhecimento expresso pelos órgãos oficiais, seja no âmbito regional ou nacional, de que na importação de mercadorias, nas condições supramencionadas, devem as mesmas se beneficiar de alíquotas preferenciais por atender os requisitos previstos na Resolução 252 do Comitê de Representantes da ALADI. Ressaltese que o Despacho Decisório nº 142/2011, apenas analisou os mesmos documentos colacionados aos autos e concluiu que as mercadorias não podem ser beneficiadas com a redução pretendida, pois supostamente foram transacionadas com uma empresa sediada nos EUA, mediante fatura comercial TO 748, foram descarregadas em solo americano em 30/08/2002 e depois foi emitida fatura comercial PC07591 E pc07621 (fls. 90/91), ou seja, em razão da mercadoria haver sido faturada por operador em terceiro país, não integrante da ALADI. Data vênia, consoante o disposto na legislação pertinente já mencionada, não constitui descumprimento dos requisitos para a concessão do benefício de redução do imposto de importação o fato de quando do transporte de mercadoria originária de país participante, transitar justificadamente por país não participante e, quando demonstrada a operação como expedição direta e cumpridos os demais requisitos de origem, há que se reconhecer o cabimento do benefício d o direito creditório proveniente do imposto recolhido a maior. São precedentes o Acórdão CSRF/0304.584 e CSRF/0304.585, mencionados pela Recorrente. Ante todo o exposto oriento meu voto para dar provimento ao recurso interposto, para reconhecer o direito creditório. É assim que voto. Sala de Sessões, em 23 de abril de 2014. Jorge Victor Rodrigues –Relator Fl. 314DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11128.007255/200768 Acórdão n.º 3803005.999 S3TE03 Fl. 12 9 Fl. 315DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 15987.000315/2006-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 06 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1401-000.299
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM DECLINAR competência para a 3ª Seção de Julgamento, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira., Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. .
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM DECLINAR competência para a 3ª Seção de Julgamento, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira., Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. . RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 59 87 .0 00 31 5/ 20 06 -7 1 Fl. 1398DF CARF MF Impresso em 06/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15987.000315/200671 Resolução nº 1401000.299 S1C4T1 Fl. 1.399 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário e de ofício no Acórdão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Ribeirão PretoSP. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: O contribuinte em epígrafe pediu o ressarcimento do saldo credor do IPI apurado no período em destaque, com base na Lei nº 9.779/99, a fim de ser utilizado na compensação dos débitos que declarou. A fiscalização apurou que os créditos escriturados se referiam a insumos aplicados tanto na industrialização de produtos não tributado pelo imposto (revista e jornais). Diante disso, foi exarado o Despacho Decisório da autoridade competente reconhecendo parcialmente o direito creditório e homologando em parte as compensações. Tempestivamente, o interessado apresentou sua manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que, em razão dos produtos NT se dividirem entre os que são “in natura” e os industrializados, a legislação deve ser interpretada conjuntamente com os regramentos constitucionais da nãocumulatividade, imunidade objetiva e seletiva, daí resultando a invalidade do ADI nº 05/2006, inclusive por mudar o critério jurídico e violar o artigo 146 do CTN. Encerrou argüindo sobre a inconstitucionalidade e ilegalidade da utilização da taxa SELIC na imputação dos juros moratórios sobre os débitos exigidos. A DRJ INDEFERIU a solicitação de ressarcimento, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2006 IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTO N/T. Inexiste direito de crédito pela entrada de insumos para fabricação de produtos que estão fora do campo de incidência do imposto, pois neste caso o IPI deve ser contabilizado como custo. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. Perfeitamente cabível a exigência dos juros de mora calculados à taxa referencial do sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, conforme os ditames do art. 13 da Lei n° 9.065/95 e art. 61, § 3º, da Lei n° 9.430/96, uma vez que estas se coadunam com a norma hierarquicamente superior e reguladora da matéria: Código Tributário Nacional, art. 161, § 1º. Irresignada com a decisão de primeira instância a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF. É o relatório. Fl. 1399DF CARF MF Impresso em 06/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15987.000315/200671 Resolução nº 1401000.299 S1C4T1 Fl. 1.400 3 VOTO Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator. O Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria Nº 256, DE 22 DE JUNHO DE 2009, em seu anexo II define objetivamente as competências de cada uma das Seções, nos seguintes termos: Art. 4° À Terceira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Contribuição para o PIS/PASEP e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), inclusive as incidentes na importação de bens e serviços; II Contribuição para o Fundo de Investimento Social (FINSOCIAL); III Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); IV Crédito Presumido de IPI para ressarcimento da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS; (...) (grifei) Art. 7° Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. § 1° A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. § 2° Os recursos interpostos em processos administrativos de cancelamento ou de suspensão de isenção ou de imunidade tributária, dos quais não tenha decorrido a lavratura de auto de infração, incluise na competência da Segunda Seção. § 3° Na hipótese do § 1°, quando o crédito alegado envolver mais de um tributo com competência de diferentes Seções, a competência para julgamento será: (...) (grifei) Conforme relatado, o contribuinte pediu o ressarcimento do saldo credor do IPI apurado no período em destaque, com base na Lei nº 9.779/99, a fim de ser utilizado na compensação dos débitos que declarou. E como visto acima, a competência para julgamento dos recursos que envolvem compensação é definido pelo crédito alegado, que no caso é crédito de IPI, cuja competência segundo o art. 4o do anexo II do RICARF é da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. Fl. 1400DF CARF MF Impresso em 06/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15987.000315/200671 Resolução nº 1401000.299 S1C4T1 Fl. 1.401 4 À vista do que vai acima exposto, meu voto é no sentido declinar da competência para que o julgamento do recurso se dê na 3a Seção de julgamento do CARF. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 1401DF CARF MF Impresso em 06/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10070.001482/2002-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jul 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITOS RECONHECIDOS JUDICIALMENTE A OUTRO CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96 com a redação que lhe deu o art. 49 da Lei nº 10.637/2002, somente são passíveis de aproveitamento em compensação de débitos tributários os créditos de natureza tributária, passíveis de ressarcimento ou de restituição e que tenham sido apurados pelo próprio contribuinte que promove a compensação.
Numero da decisão: 3401-002.940
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça (Relator), Bernardo Leite de Queiroz Lima e Angela Sartori. Designado o Conselheiro Júlio César Alves Ramos para redigir o voto vencedor.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente e redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Angela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Este recurso foi julgado em abril deste ano, tendo o Conselheiro Jean apresentado, a tempo e hora, o relatório e o voto abaixo. Antes, porém, que eu pudesse redigir o acórdão, dr. Jean renunciou ao seu mandato de conselheiro, motivo pelo que não o assina.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITOS RECONHECIDOS JUDICIALMENTE A OUTRO CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96 com a redação que lhe deu o art. 49 da Lei nº 10.637/2002, somente são passíveis de aproveitamento em compensação de débitos tributários os créditos de natureza tributária, passíveis de ressarcimento ou de restituição e que tenham sido apurados pelo próprio contribuinte que promove a compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça (Relator), Bernardo Leite de Queiroz Lima e Angela Sartori. Designado o Conselheiro Júlio César Alves Ramos para redigir o voto vencedor. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente e redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Angela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Este recurso foi julgado em abril deste ano, tendo o Conselheiro Jean apresentado, a tempo e hora, o relatório e o voto abaixo. Antes, porém, que eu pudesse redigir o acórdão, dr. Jean renunciou ao seu mandato de conselheiro, motivo pelo que não o assina.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1851; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 1.296 1 1.295 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10070.001482/200215 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401002.940 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de março de 2015 Matéria PER/DCOMP IPI Recorrente ALLIED DOMECQ DO BRASIL E COM LTDA Recorrida DRJ RIO DE JANEIRO I/RJ ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITOS RECONHECIDOS JUDICIALMENTE A OUTRO CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96 com a redação que lhe deu o art. 49 da Lei nº 10.637/2002, somente são passíveis de aproveitamento em compensação de débitos tributários os créditos de natureza tributária, passíveis de ressarcimento ou de restituição e que tenham sido apurados pelo próprio contribuinte que promove a compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça (Relator), Bernardo Leite de Queiroz Lima e Angela Sartori. Designado o Conselheiro Júlio César Alves Ramos para redigir o voto vencedor. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS – Presidente e redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Angela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite de Queiroz Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 0. 00 14 82 /2 00 2- 15 Fl. 1298DF CARF MF Impresso em 22/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/07/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Este recurso foi julgado em abril deste ano, tendo o Conselheiro Jean apresentado, a tempo e hora, o relatório e o voto abaixo. Antes, porém, que eu pudesse redigir o acórdão, dr. Jean renunciou ao seu mandato de conselheiro, motivo pelo que não o assina. Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito judicial de terceiros (fl.02) para compensar com diversos débitos (fls. 939/942). Nas fls. 629/633, a Contribuinte informou que o crédito era originariamente da Guimarães Café Ltda, obtidos na ação ordinária nº 93.00019902/ES, que transitou em julgado em 21/02/1997. A Guimarães Café iniciou a execução, foi expedido um primeiro precatório, o qual foi levantado. Depois disso, a Guimarães Café cedeu o restante do crédito à Coelho Neto Café Ltda, informando ao juízo. A Coelho Neto, por sua vez, iniciou a execução do precatório complementar, o precatório foi expedido, mas a Coelho Neto cedeu o direito ao crédito à Ellied Domecq Brasil Ind. E Com. Ltda, ora Recorrente. Intimada, a União informou em juízo que não se opunha à cessão de crédito. Após ser incluída no polo ativo da execução, a Recorrente protocolou pedido de desistência da execução judicial para aproveitar os créditos administrativamente. A delegacia de origem negou o ressarcimento e a homologação da compensação, em suma, porque a IN/SRF nº 41, de 7 de abril de 2000, vigente na época da formalização das compensações, passou a vedar a utilização de créditos de terceiros para fins de compensação de débitos próprios (fls.965/968). A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 1030/1041), mas a DRJ Rio de Janeiro I/RJ manteve o indeferimento ao prolatar acórdão com a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS. Indeferese liminarmente o pedido ou a declaração de compensação cujo direito creditório tenha por base crédito de terceiros, cujo pedido ou declaração tenha sido protocolizado a partir de 10 de abril de 2000 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O descumprimento de pressupostos formais e materiais necessários ao procedimento de compensação impõe à autoridade administrativa não homologar a compensação declarada pela interessada. Compensação não Homologada A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 02/03/2009 (fl.1111) e interpôs recurso voluntário em 27/03/2009 (fls. 1112/1137) com as alegações resumidas abaixo: Fl. 1299DF CARF MF Impresso em 22/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/07/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10070.001482/200215 Acórdão n.º 3401002.940 S3C4T1 Fl. 1.297 3 1A Recorrente recebeu a cessão crédito legalmente e chegou até a ser incluída no polo ativo da execução judicial, portanto, não existe impedimento legal para o aproveitamento dos créditos; 2 O art. 74, da Lei nº 9.430/96, autoriza o aproveitamento dos créditos, conforme pleiteado pela Recorrente, sem a necessidade de decisão judicial; 3 Os créditos foram cedidos por termo de cessão e a Recorrente chegou a figurar no polo ativo da execução judicial, portanto, adquiriu todos os direitos sobre os créditos, sendo eles da própria Recorrente e não de terceiros; Ao final, a Recorrente pediu a reforma do acórdão da DRJ para que seja deferida a restituição e homologada as compensações. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O cerne da questão consiste em saber se a Recorrente tem direito ao crédito e se o crédito pode ser utilizado para compensar seus débitos. 1. Do direito ao crédito O debate acerca do direito crédito não demanda delonga, haja vista o crédito ter sido reconhecido em decisão judicial (fls.42/68 e 71/73). Bem como a cessão de crédito e substituição processual também ter sido ratificada por decisão judicial (fl. 74). Portanto, é incontroverso que a Recorrente tem direito ao crédito. 2. Do direito à compensação Ultrapassada a questão do direito creditório, resta saber se a Recorrente tem direito de aproveitar por compensação o crédito que lhe foi cedido. O indeferimento se deu com base na IN/SRF nº 41, de 07 de abril de 2002, que assim dispõe: Fl. 1300DF CARF MF Impresso em 22/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/07/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Art. 1º É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos a impostos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, com créditos de terceiros. Parágrafo único. A vedação referida neste artigo não se aplica aos débitos consolidados no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal REFIS e do parcelamento alternativo instituídos pela Medida Provisória no 2.0045, de 11 de fevereiro de 2000, bem assim em relação aos pedidos de compensação formalizados perante a Secretaria da Receita Federal até o dia imediatamente anterior ao da entrada em vigor desta Instrução Normativa. Art. 2º Fica revogado o art. 15, caput e parágrafos, da Instrução Normativa SRF n. 021, de 10 de março de 1997. Art. 3º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. Os pedidos de compensação foram protocolados somente em junho de 2002, quando já estava vigente a instrução normativa transcrita acima. Não obstante, as instruções normativas são normas complementares, nos termos do art. 100, inciso I, do CTN. Nessa linha, elas estão limitadas ao conteúdo da lei, podendo somente estabelecer os procedimentos estabelecidos no texto legal, de modo que não podem restringir direito que a lei não restrinja. No ano de 2002, a única norma que proibia a compensação com crédito de terceiro era a IN/SRF nº 41/2002, sem nenhum amparo legal. O aproveitamento de crédito de terceiro para compensação foi proibido por lei somente em 2004, quando a Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2003, incluiu o §12 ao art. 74 da Lei nº 9.430/96, que passou a proibir a aludida compensação do seguinte modo: § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: I previstas no § 3º deste artigo; II em que o crédito: a) seja de terceiros; Portanto, na época do protocolo dos pedidos de compensação não existia impedimento legal para a compensação com débitos de terceiros. Além disso, a cessão de crédito cede o direito de receber o crédito e todos os seus acessórios, nos termos do art. 287, do Código Civil, in verbis: Art. 287. Salvo disposição em contrário, na cessão de um crédito abrangemse todos os seus acessórios. Fl. 1301DF CARF MF Impresso em 22/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/07/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10070.001482/200215 Acórdão n.º 3401002.940 S3C4T1 Fl. 1.298 5 Nessa linha, quando recebeu a cessão do crédito e a Fazenda não se opôs, a Recorrente passou a ser credora de fato e de direito sendo, em outras palavras, a “proprietária” do crédito. A partir da cessão, o crédito deixou de ser da cedente e passou a ser da Recorrente, de modo que ela poderia adquiriu todos os acessórios, dentre eles, o direito de compensar. Logo, a Recorrente tem o direito creditório e pode aproveitálo para compensar seus créditos. Ex positis, dou provimento ao recurso voluntário reconhecendo o direito creditório e o direito de aproveitamento do crédito para compensar os débitos da Recorrente. A apuração do montante crédito deve ser procedida pela delegacia de origem. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Voto Vencedor CONSELHEIRO JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Designeime para redigir o acórdão em razão de já ter tido a oportunidade de examinar a matéria em julgamentos realizados ainda na Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. Na ocasião, apreciamos postulação que advinha de crédito prêmio judicialmente reconhecido a determinadas empresas e posteriormente cedido a outras. Lá, como aqui, a cessão fora comunicada ao juiz do feito e homologadas por nada ter objetado a Procuradoria da Fazenda Nacional. Naquela assentada, assim me expressei: O exame da viabilidade das compensações devese iniciar, a meu ver, pela definição da natureza do crédito que está sendo postulado. É que não faz mais sentido sua denegação por se tratar de créditoprêmio. Essa discussão restou superada pelo trânsito em julgado que reconheceu às postulantes originais o direito ao benefício. Assim, mesmo que a compensação tivesse sido promovida por aquelas empresas, tratarseia de crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado. Como os autores das compensações são outros, é preciso que se defina, primeiro, se basta a “aquisição” daqueles créditos ou se é necessária ordem judicial expressa autorizando a compensação por empresas que não figuraram no pólo ativo da ação. De fato, os argumentos da contribuinte podem ser enfeixados na resposta à questão: há necessidade de autorização judicial expressa para que um dado contribuinte possa utilizar em compensação de débitos seus créditos deferidos judicialmente a outrem? Concordo com a resposta afirmativa dada pela DRJ. Fl. 1302DF CARF MF Impresso em 22/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/07/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 É que a redação da Lei nº 9.430/96 com a alteração promovida pela Lei nº 10.637/2002 não deixa dúvidas. Confirase: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5o A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo(NR) Sua atenta leitura permite identificar três requisitos dos créditos que se pretende empregar para extinguir débitos; 1. que eles tenham sido apurados pelo próprio postulante à compensação. Notese que a lei não empregou ambíguas expressões como “créditos de titularidade do postulante” ou “créditos próprios”, que permitiriam, ambas, uma interpretação ampla para acobertar todos aqueles que, no momento da compensação, fossem de titularidade do postulante, seja por apuração própria, seja por aquisição a terceiros. 2. que os créditos sejam relativos a tributos ou contribuições administrados pela SRF. Com isso se excluiu qualquer outro que não tenha a natureza tributária, ou mesmo que a tenha, se refira a tributo que não seja administrado por aquela repartição. Não podem, desse modo, ser opostos créditos oriundos de tributos estaduais, previdenciários ou de qualquer outra natureza não tributária. 3. que os créditos sejam passíveis de restituição ou ressarcimento. Fl. 1303DF CARF MF Impresso em 22/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/07/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10070.001482/200215 Acórdão n.º 3401002.940 S3C4T1 Fl. 1.299 7 Os três requisitos são cumulativos, bastando, pois, o descumprimento de um deles para que a compensação não possa ser deferida com base no artigo. E o benefício instituído pelo Decretolei nº 491/69, de ordinário, desatende pelo menos ao segundo desses requisitos. É que ele, embora no art. 1º daquele ato legal tenha sido chamado de “crédito tributário”, de tributário não tem nada. Não é preciso repetir aqui as lições doutrinárias no sentido de que o mero nome utilizado pelo legislador não tem o condão de alterar a natureza jurídica do que o direito está a regular. E assim é com o créditoprêmio. É que o benefício tratado nos arts. 1º e 2º do Decretolei nº 491/69 constitui um crédito financeiro correspondente a um montante que se apura sobre o valor FOB das exportações, nenhuma correlação guardando com imposto eventualmente pago nessas operações. Tampouco se fala aqui de devolução de imposto pago na exportação ou em aquisições internas necessárias a essa exportação, visto que o próprio imposto já não era exigido nas exportações e o IPI que viesse a ser desembolsado nas aquisições de matérias primas era objeto da disposição do art. 5º do mesmo diploma (admitiase o creditamento e o seu integral aproveitamento, inclusive por ressarcimento em espécie). Assim, o que o benefício fazia era “premiar” o exportador com uma quantia que o estimulava a promover essas exportações mesmo quando o seu preço efetivo não fosse de todo competitivo. Não foi por outra razão que o incentivo foi incomumente atacado nas negociações dos diversos acordos internacionais de livre comércio de que o Brasil fez parte que pretendiam combater o dumping. Até que dessas pressões resultou sua revogação (no meu entender, em 1983). Destarte, mesmo quando efetuada pelo produtorexportador, a compensação de créditosprêmio com base na Lei nº 9.430/96 teria de ser não homologada por desatendimento a um dos requisitos legais. Ocorre que são raras tais postulações diretas pelo exportador. Isso porque a administração tributária tem o entendimento de que o benefício já foi extinto muitos anos antes da própria Lei nº 9.430. Com isso, todos aqueles que o pretendem apurar com referência a exportações ocorridas após 1983 têm de primeiro obter uma tutela do Poder Judiciário que permita afastar a restrição imposta pela Administração. E, em conseqüência, tudo o que esta faz nestes casos é dar cumprimento à ordem judicial expedida. Se ela autoriza a compensação, e a empresa beneficiada com a decisão a comunica via Perdcomp, nada mais cabe à autoridade fazendária que aferir sua liquidez e homologála pro tanto. Não é diferente aqui. Diversos contribuintes postularam judicialmente que o crédito prêmio continuava vigendo, pelo menos até 1989, e que as restrições impostas por Portarias Fl. 1304DF CARF MF Impresso em 22/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/07/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 Ministeriais deveriam ser afastadas por inconstitucionais. E foi isso que lhes foi deferido. Nesse diapasão, não resta a menor dúvida de que os postulantes originais no Judiciário poderiam apresentar Perdcomps com base na decisão judicial obtida. E assim – isto é, como créditos decorrentes de decisão judicial transitada em julgado – teriam de ser examinados pela autoridade administrativa. Nesses termos, ela apenas poderia verificar o montante reconhecido e homologar as compensações até esse montante. Tendo sido postulada a compensação por outro contribuinte, entendo que resta descumprido também, pelo menos, o primeiro dos outros dois requisitos da Lei nº 9.430/96. Com efeito, como bem apontou a decisão recorrida, os créditos não foram apurados por ele. A expressão utilizada na redação dada pela Lei nº 10.637 não deixa dúvidas de que não basta adquirir os créditos. Para que um contribuinte possa efetuar compensações com créditos apurados por outro contribuinte, este segundo contribuinte – o “adquirente” ou cessionário – tem de obter, antes, autorização judicial que obrigue a Administração a superar a restrição posta na Lei. Em meu entender, essa nova redação espancou, de uma vez, qualquer dúvida quanto à possibilidade de aproveitamento de créditos de um contribuinte por outro. Somente aquele que apura os créditos pode opôlos à Fazenda para quitar débitos tributários que possua. Desse modo, pelo menos quanto a compensações promovidas após a edição da Lei nº 10.637 somente o Poder Judiciário tinha a prerrogativa de determinar, em complemento à decisão original, que os novos “titulares por aquisição” o pudessem aproveitar mediante compensação. Isto é, tinha de afastar, também em relação a eles, os obstáculos havidos na própria Lei nº 9.430. Entendo, no que divirjo de observação constante em um dos muitos despachos judiciais relativos à matéria, que a autorização judicial para substituição do pólo ativo da ação pelos cessionários do crédito cumpre o requisito acima mencionado. Isto é, transfere aos substitutos os efeitos da decisão final naquele processo, e como essa decisão foi no sentido da possibilidade de compensação com débitos tributários, considero que ela corresponde a uma ordem judicial para que a Administração Tributária acate compensações promovidas por estes cessionários até o limite do crédito cedido. Também aqui, somente cabe à Administração verificar esse montante e a exata observância da decisão judicial autorizativa. Ocorre que não estava claro nos autos se houve mesmo decisões homologando as substituições processuais, suas datas e se, e quando, haviam transitado em julgado. O que estava comprovado era a existência de comunicações ao Poder Judiciário formalizadas sempre pela cedente, autora original da ação, de cessões de créditos a novas empresas. Por esse motivo, o relator original destes recursos, Dr. Flávio Munhoz, entendeu necessário aclarar se aquelas substituições processuais tinham Fl. 1305DF CARF MF Impresso em 22/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/07/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10070.001482/200215 Acórdão n.º 3401002.940 S3C4T1 Fl. 1.300 9 sido homologadas pela Justiça em decisões transitadas em julgado e as datas desses trânsitos. Infelizmente, a diligência não foi integralmente cumprida. Com efeito, embora tenha trazido diversas informações de relevância para o julgamento, não veio justamente essa informação essencial solicitada. Por outro lado, a certidão produzida pela Secretaria da Primeira Vara Federal Tributária do RS noticiou que em data de 08 de julho de 2005, a ilma. Juíza Verbena Duarte Brito de Carvalho, em exercício naquela instância judicial, proferiu decisão revogatória de todas as decisões que deferiram substituições processuais dos autores originais da ação. Apenas salvaguardou aquelas decisões que tenham sido proferidas pelos Tribunais, em vista de não ter competência para tanto. Examinando a certidão, na parte narratória, percebese que a substituição processual da Calçados Racket e da Calçados Ramarim fora deferida no próprio processo original, já na fase de execução de sentença (fl. 442 destes autos). Na certidão não há informação acerca do trânsito em julgado dessas decisões. Já a substituição da Calçados Kitoki foi postulada diretamente ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região na apelação aos embargos de execução (fl. 443). Ela foi aí deferida na decisão de agosto de 2002 proferida com base no voto da Desembargadora Federal Maria Lúcia Luz Leiria (fl. 443). Essa informação também constara do relatório da DRJ para o julgamento ora questionado (fl. 405 dos presentes autos). Essa decisão foi posteriormente anulada exatamente porque a Desembargadora que o relatara, dra. Maria Lúcia Leiria, fora a prolatora, ainda como Juíza, da decisão original na ação. Nova decisão foi, então, prolatada, impedida aquela Desembargadora, e não há notícia nem na certidão agora produzida nem na anterior que embasara o relatório da DRJ acerca da apreciação, nesta nova decisão, do pedido de substituição processual da Calçados Kitoki. A ora recorrente teve oportunidade de se pronunciar acerca das providências adotadas no cumprimento da diligência requerida e não trouxe aos autos informação que permita concluir ter sido deferida também na segunda decisão a substituição postulada. Nesses termos, imperioso concluir que a decisão que autorizou (?) a substituição da Calçados Racket e da Calçados Ramarim, foi agora revogada. Já a que autorizou a substituição da Calçados Kitoki veio a ser anulada posteriormente pelo próprio TRF em virtude da participação no julgamento, como relatora, da Juíza prolatora da decisão inicial, agora desembargadora daquele Tribunal. Destarte, concluo que, hoje, não vige qualquer autorização judicial para substituição processual que coloque a ora Fl. 1306DF CARF MF Impresso em 22/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/07/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 recorrente no pólo ativo da ação judicial em que se reconheceu o direito ao crédito prêmio. Ainda que possam ter existido decisões que ampararam, à época de sua formalização, as compensações promovidas, a decisão que aqui se há de produzir tem de levar em conta a permanência delas hoje. Prejudicada resta, assim, a verificação proposta por dr. Flávio sobre a data de trânsito em julgado ser anterior ou posterior às cessões de crédito registradas em cartório. Com isso, apenas merece análise adicional o argumento do contribuinte em seu recurso de que a restrição ao aproveitamento dos créditos somente poderia ser cogitada a partir da entrada em vigor do art. 49 da Lei nº 10.637/2002. Em outras palavras, se seria necessária autorização judicial para as compensações requeridas ainda na forma da IN 21/97. Como se sabe, a possibilidade de compensação de débitos tributários com créditos de terceiros nunca esteve expressamente mencionada na legislação que tratava de compensação. Com efeito, tanto o antigo art. 66 da Lei nº 8.383/91, como o art. 74 da Lei nº 9.430/96, em sua versão original, nada mencionam a respeito. De se conferir: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.199) § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. Ocorre que há neles requisito essencial que o crédito ora discutido não atende. É que em ambos os dispositivos somente estão contemplados créditos que sejam passíveis de restituição ou ressarcimento. A via da compensação de débitos tributários é, Fl. 1307DF CARF MF Impresso em 22/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/07/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10070.001482/200215 Acórdão n.º 3401002.940 S3C4T1 Fl. 1.301 11 assim, alternativa oferecida pelo legislador que visa à celeridade do encontro de contas. Com efeito, ao invés da sempre demorada restituição, pode o contribuinte em crédito junto à SRF promover diretamente (no caso da Lei nº 8.383) ou mediante requerimento (na fora da Lei nº 9.430) sua compensação. Notese que no âmbito da Lei nº 8.383 podese identificar mais um óbice: apenas cabem indébitos tributários strictu sensu ou decorrentes de pagamento indevido de receitas patrimoniais. O crédito aqui discutido não se enquadra aí também por esse aspecto. Mas essa restrição pode ser superada uma vez que todas as compensações já foram comunicadas ou requeridas após a edição da Lei nº 9.430, onde tal restrição não está. Contudo, remanesce a necessidade de a Fazenda Nacional estar obrigada, por lei ou por decisão judicial ou administrativa, a restituir ou ressarcir aquela importância. E aqui decidiuse no âmbito do Poder Judiciário – decisão já transitada em julgado – não ser o caso. De fato, no caso vertente, o que restou assentado no âmbito do Poder Judiciário é que o crédito reconhecido aos postulantes originais não era, ao menos em sua integralidade, passível de restituição ou de ressarcimento. Foi esse fundamento que levou à rejeição da execução de sentença proposta por aqueles demandantes originais em acatamento aos argumentos aduzidos pela PFN nos embargos propostos. Gizese que o benefício possuía disciplina própria que difere da compensação prevista nas leis mencionadas. Com efeito, o Regulamento do incentivo, citado na decisão – Decreto 64.833/69 – prevê formas sucessivas de aproveitamento, e a compensação com outros débitos vem antes do ressarcimento em dinheiro. Assim dispôs, especificamente, o art. 3º daquele Decreto: Art. 3º Os créditos tributários previstos no art. 1º deste Decreto somente poderão ser lançados na escrita fiscal à vista de documentação que comprove a exportação efetiva da mercadoria, atendidas as normas baixadas pelo Ministério da Fazenda. § 1º Os créditos tributários serão deduzidos do valor do impôsto sôbre produtos industrializados devido nas operações do mercado interno. § 2º Feita a dedução e havendo excedente de crédito, poderá o estabelecimento industrial exportador; a) manter o crédito excedente para compensações parciais e sucessivas, inclusive transferilo, total ou parcialmente, para os exercícios seguintes: b) transferilo, mediante prévia comunicação por escrito ao órgão da Secretaria da Receita Federal a que estiver jurisdicionado para a escrita fiscal: Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 22/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/07/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 12 I de outro estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, da mesma empresa; II de estabelecimento industrial ou equiparado a industrial com o qual mantenha relação de interdependência, atendida a conceituação do artigo 21, § 7º, do Decreto número 61.514, de 12 de outubro de 1967. § 3º Nos casos, limites, e, atendidas as normas, condições e modelo que o Ministro da Fazenda vier a estabelecer, poderá ser admitida a emissão de documento denominado "Nota de Crédito Fiscal de Exportação", a ser utilizado: a) no pagamento de outros tributos federais; b) na comprovação de excedente de crédito para recebimento em espécie, a título de restituição, nos termos e condições do § 1º, do artigo 7º e inciso 2, do artigo 31 e seu parágrafo único, da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964; c) em outras modalidades de compensação indicadas ou aceitas pelo Ministro da Fazenda Ou seja, não é o mero reconhecimento de um dado montante de créditoprêmio que o torna passível de recebimento em dinheiro. Apenas o é a parcela que remanesce após serem observadas, obrigatoriamente na ordem mencionada, as outras modalidades de aproveitamento. Assim, mesmo que se considerem as afirmações da Juíza atualmente em exercício na Primeira Vara Federal Tributária, prolatora da decisão que revogou as substituições processuais já deferidas, esse direito ao ressarcimento se restringiria, no máximo, a eventual excesso do crédito prêmio apurado pelo cedente depois de esgotadas todas as formas alternativas de aproveitamento, o que, entende ela, somente poderia ser apurado por ele mesmo. Evidentemente, cabe discutir a validade da revogação praticada. Tal discussão, entretanto, deve ser travada pela própria interessada e no âmbito judicial. Aqui, na esfera administrativa, tudo o que nos cabe é cumprir a decisão proferida. Em resumo, as compensações aqui discutidas não são simplesmente de créditos prêmio, mas sendo de créditos apurados por terceiros somente poderiam ser propostas à Fazenda com lastro em decisão judicial própria. A decisão proferida na ação 89.00136224 não serve para tanto na medida em que favorece outros contribuintes. Podese admitir que existissem tais decisões – na forma de acatamento das substituições processuais comunicadas – quando da apresentação das Declarações de Compensação. Não há elementos nos autos para afirmar o contrário. Mas há elementos suficientes para que se diga que hoje elas não existem mais. Com essas considerações, entendo incabíveis todas as compensações comunicadas via PerdComp ou requeridas na forma da IN 21/97 com o direito decorrente da decisão judicial Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 22/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/07/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10070.001482/200215 Acórdão n.º 3401002.940 S3C4T1 Fl. 1.302 13 proferida na ação 89.00136224 e veiculadas por meio deste processo administrativo (10980.004497/200272), bem como nos demais processos a ele apensos: 10980.000297/200396 e 10980.006760/200268. Em decorrência, é o meu voto por negar provimento ao recurso do contribuinte nesse ponto. Ainda que neste processo o direito original não ser relativo ao crédito prêmio, isso em nada afeta os argumentos acima, com os quais propus ao colegiado negar provimento ao recurso do contribuinte, no que fui acompanhado pelos demais conselheiros fazendários, o que permitiu formar a maioria. Negouse, desse modo, provimento ao recurso. CONSELHEIRO JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 22/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/07/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10073.721173/2012-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jul 06 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3202-000.364
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter em diligência o julgamento do recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Irene Souza da Trindade Torres Oliveira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Márcio Leal, OAB/RJ nº. 84.801, e, pela Fazenda Nacional, o Procurador da Fazenda Nacional Frederico Souza Barroso.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza - Relator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Tatiana Midori Migiyama, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter em diligência o julgamento do recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Irene Souza da Trindade Torres Oliveira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Márcio Leal, OAB/RJ nº. 84.801, e, pela Fazenda Nacional, o Procurador da Fazenda Nacional Frederico Souza Barroso. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Charles Mayer de Castro Souza Relator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Tatiana Midori Migiyama, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 28/08/2012, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados e Contribuição PIS/COFINS acrescidos de juros de mora e multa isolada de Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados, no valor de R$ 96.758.819,26, em virtude dos fatos a seguir descritos. A FSTP Brasil Ltda., empresa constituída no País, foi subcontratada pela FSTP Private Ltd., com sede em Cingapura, para a construção de 03 (três) plataformas de produção de petróleo, as denominadas P51, P52 e P56. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 00 73 .7 21 17 3/ 20 12 -1 5 Fl. 15830DF CARF MF Impresso em 06/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/07/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3202000.364 S3C2T2 Fl. 15.831 2 O contrato principal foi firmado entre a Petrobrás Nederland PNBV, subsidiária da Petrobrás S/A, constituída na Holanda e a FSTP Private Ltd. Ao fiscalizar a operação, o auditor julgou ter ocorrido o termo final do regime da IN 513, por entender que as exportações das três Plataformas ensejaria o término do prazo de vigência do regime fiscal da IN 513. Desse modo, as mercadorias adquiridas pela empresa após a exportação não faziam jus à suspensão dos tributos, razão pela qual lançou todos os tributos federais correspondentes– Anexo IX do auto de infração. Com base na mesma premissa, o auto de infração levantou o estoque existente na recorrente, na data pressuposta extinção do regime, e considerou que todas as exportações por ela promovidas para as empresas contratante, situada no exterior, deveriam ser tratadas como remessas para industrialização após a extinção do regime. A Fiscalização considerou, ainda, que determinadas mercadorias aplicadas na construção das Plataformas não se qualificariam como “insumos”, e, portanto, não poderiam ser admitidas no regime da IN 513. Ainda de acordo com o auto de infração, imputouse à FSTP omissão pela não formalização de pedidos de prorrogação de prazos para permanência no entreposto aduaneiro de mercadorias por ele indicadas. Por fim, a autuação destacou o descumprimento de Obrigações Acessórias: no que diz respeito a um pequeno número de mercadorias, que a FSTP (i) não teria informado nas declarações de exportações as respectivas declarações de admissão, e (ii) teria escriturado em duplicidade nos sistemas das Plataformas. Devido a inobservância de obrigações tributárias relativas ao Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Aduaneiro, a empresa autuada incorre nos tributos incidentes nas operações de comércio exterior, nos termos dos artigos 266 do Decreto nº 4.543/2002 e 311 do Decreto nº 6.759/2009; art. 14 da Lei nº 10.865/2004; e art. 23 da IN SRF nº 513/2005, acompanhada da multa de ofício, no percentual de 75%, na forma do art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996. Igualmente, extinto o regime e não tendo sido dada às mercadorias contidas no estoque quaisquer uma das destinações extintivas do regime previstas na norma, no prazo de até de 45 (quarenta e cinco) dias contados do término sua vigência, a fiscalização entendeu configurada a situação de abandono, consoante os artigos 361 e 362 do RA/02, e 408 e 409 do RA/09. Sucessivamente, diante da impossibilidade de suas apreensões (já que foram consumidas no processo industrial), aplicouse a multa equivalente à pena de perdimento, com fundamento no art. 618, inciso XXI e parágrafo 1º, c/c 574, inciso II, alínea “a”, c/c 604, II, do Regulamento Aduaneiro de 2002 e art. 689, inciso XXI, parágrafo 1º, c/c 642, c/c 675, II, do RA/09. A fiscalização, também, aplicou multa de R$ 1.000,00 (mil reais) por dia, prevista no art. 29, parágrafo 1º, da IN SRF nº 513/2005; alínea "e" do inciso VII do art. 107, e §§ 1o e 2o, do Decretolei nº 37/66 (com redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/03), regulamentado pelo RA/09, art. 728, VII, “d”; artigo 97 do CTN; e art. 94 do Decretolei nº 37/66. Fl. 15831DF CARF MF Impresso em 06/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/07/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3202000.364 S3C2T2 Fl. 15.832 3 Contouse, como termo inicial, o dia seguinte ao do encerramento do prazo de permanência das mercadorias no regime aduaneiro, ou seja, o dia seguinte ao do registro da DDE, e como termo final, a data de lavratura do auto de infração, resultando no valor de R$ 1.391.000,00 (P51), R$ 1.820.000,00 (P52) e R$ 435.000,00 (P56). Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 31/08/2012 (fls.14.883), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 01/10/2012, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, de fls. 14.915 à 14.950, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. No julgamento da impugnação, a DRJ julgou improcedente a defesa da contribuinte, conforme resume a ementa abaixo: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 20/10/2007 Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Aduaneiro. Construção de 03 (três) plataformas de produção de petróleo. Não é permitido eleger qualquer outro critério no tocante à exportação do produto acabado, a não ser como uma das hipóteses de extinção do Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Aduaneiro. A admissão da plataforma no REPETRO pressupõe a existência de uma plataforma já construída e exportada, resultando necessariamente na extinção, em momento anterior (exportação da plataforma), do próprio Entreposto Aduaneiro. No tocante a extinção do Regime de Entreposto Aduaneiro, está a se lidar com uma situação de cunho jurídico, sendo a exportação da plataforma o implemento da condição suspensiva, nos moldes do inciso II, do artigo 116 do Código Tributário Nacional. A exportação da plataforma extingue do Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Aduaneiro, não se podendo falar em “fase pré operacional” após o fim da vigência do regime. Dada a existência de estoques de mercadorias sem tenha sido dada às mercadorias quaisquer destinação, configurouse a situação de abandono. Diante da impossibilidade de apreensão das mercadorias, uma vez que foram consumidas no processo industrial, aplicase a multa equivalente ao valor aduaneiro. A fiscalização aponta que, em nenhum momento, foi autorizada a aplicação do regime na própria plataforma, fora da unidade industrial apropriada e/ou autorizada pela Receita Federal do Brasil. Em momento alguma a fiscalização procedeu com a modificação de critérios jurídicos, nem tampouco com os aspectos de direito da importação. Pelo contrário, toda a ação fiscal se baseia no implemento da condição resolutiva (exportação da plataforma).. Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual ratifica os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Fl. 15832DF CARF MF Impresso em 06/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/07/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3202000.364 S3C2T2 Fl. 15.833 4 Com efeito, a empresa pugna pelo reconhecimento da decadência, pois a ciência do lançamento ocorreu depois do prazo para a apuração da regularidade do benefício fiscal (suspensão do tributo), que é de cinco anos contados do registro da declaração de importação, previsto no art. 54, do DL nº 37/66. Ou, por outra, contado no prazo é de cinco anos da data do fato gerador, ao teor do art. 150, § 4º, do CTN, sendo incorreto, de toda a maneira, o acórdão recorrido quando aplicou a regra do art. 173, I, do CTN, de modo a afastar a decadência. Ultrapassada a decadência, a recorrente sustenta que não procede a tese da fiscalização, de que a exportação das Plataformas ensejaria a extinção do Regime Especial da IN/513, ao teor do artigo 17, I, da IN 513. Para a contribuinte, à luz da própria IN 513, o prazo de vigência do regime de entreposto aduaneiro corresponde ao prazo de vigência do contrato necessário para a execução de todo o processo de industrialização das plataformas – inclusive a fase de testes e pré operação, que pressupõem a exportação dessas estruturas. Quanto aos insumos, a recorrente esclarece, primeiramente, que o que é importante para se definir se o bem é passível ou não de admissão, no regime, é tão somente o escopo do contrato de construção. In casu, segundo a empresa, todos os bens listados pela Fiscalização constituem objeto do escopo dos contratos de construção das Plataformas, integrando, em sua maioria, o chamado “Módulo de Acomodação”, ou seja, o local das plataformas onde ficam instalados os dormitórios da tripulação. Qualificamse, assim, como “partes, peças e componentes” da construção, beneficiadas pelo regime da IN 513 (art. 3º, 27, II, e 37), a qual não utiliza a palavra insumos. No que diz respeito a alegação de que a FSTP não teria formalizado pedidos de prorrogação de prazos de permanência de mercadorias nos entrepostos aduaneiros, a recorrente diz que apresentou, sim, os pedidos de prorrogação questionados (fls. 1519715317); e que a apresentação dos referidos pedidos de prorrogação sequer eram necessários, vez que o regime de entreposto aduaneiro para a construção de plataformas permite a admissão de mercadorias pelo prazo previsto no contrato (Decreto nº 6.759/09, art. 408, § 3º) . A contribuinte assevera, por igual, que inexistiu inadimplemento das obrigações acessórias apontadas no auto de infração também é um fato, vez que, ao contrário do alegado: (a) as declarações de admissão das mercadorias relacionadas no “Anexo XXV” do lançamento foram devidamente informadas nos documentos de exportação (fls. 15462 15503); e (b) as mercadorias relativas à declaração de admissão nº 07/05127367 estão devidamente relacionadas nos sistemas da P51 e P56, em razão da alocação de parte dessas mercadorias em cada um desses projetos. A recorrente suscita, outrossim, que teria havido mudança do critério jurídico do lançamento, vedado pelo art. 146 do CTN, uma vez que a Administração tinha entendido, anteriormente, que o prazo de vigência do regime de entreposto aduaneiro, apenas, se extingue ao término do prazo contratual de construção das plataformas. Prega, ainda, por conta disso, com base (i) nos procedimentos e práticas usualmente adotados pela Receita Federal do Brasil e em (ii) orientações – formais ou não – fornecidas diretamente pela referida instituição a FSTP, jamais se poderia cogitar da cobrança de quaisquer encargos moratórios ou penalidades em face da FSTP, por força da regra contida no parágrafo único, do art. 100 do CTN. Fl. 15833DF CARF MF Impresso em 06/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/07/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3202000.364 S3C2T2 Fl. 15.834 5 No que alude à multa em substituição à pena de perdimento, a empresa destaca que é descabida a aplicação de pena de perdimento no caso concreto, tendo em vista que: (i), todas as mercadorias tiveram seu despacho de importação iniciado e devidamente finalizado, não podendo ser consideradas abandonadas (art. 689, XXI, do Decreto nº 6.759/2009), (ii) o STJ não admite a presunção de abandono pelo simples decurso do prazo previsto na legislação para que seu titular lhe dê um destino, sendo imperativa a constatação inequívoca da intenção de abandonar as mercadorias, apurada em processo administrativo – fatos e atos inexistentes no caso da FSTP. A recorrente sustenta o descabimento da multa diária de R$ 1.000,00 (mil reais), prevista no art. 29 da IN 513, pois a penalidade possuiria caráter não compensatório, destinandose apenas a sancionar o inadimplemento de obrigações acessórias cometidas pelo beneficiário durante a vigência do regime. A multa, nessa ótica, é aplicada com o único intuito de forçar o contribuinte a corrigir as irregularidades apontadas pela fiscalização, não sendo por outro motivo que sua aplicação é estendida até a data da efetiva regularização. Revelase, portanto, para a contribuinte, absolutamente ilógico pretenderse a aplicação de multa dessa natureza, quando, segundo o entendimento do próprio fiscal, o próprio regime de entreposto aduaneiro teria sido extinto com o primeiro ato de exportação das plataformas. Por fim, defende que, segundo a jurisprudência do CARF, é inadmissível a cumulação de penalidades para um mesmo fato, sendo, por conseqüência, ilegal, apregoar extinção do regime especial da IN 513, com três sanções conjuntas: multa substitutiva da pena de perdimento, multa diária de R$ 1.000,00 (mil reais) e multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento). O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator ad hoc. Com fundamento no art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF1, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, incumbiume a Presidente da Turma a formalizar o presente acórdão, cujo relator original, Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. Desta forma, a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pelo relator original, que, embora não mais integre os colegiados do CARF, apresentou a minuta do voto na sessão de julgamento, que será adotada na presente formalização. Assim, passase a transcrever, a seguir, o voto que consta da minuta apresentada: 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; Fl. 15834DF CARF MF Impresso em 06/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/07/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3202000.364 S3C2T2 Fl. 15.835 6 O recurso voluntário é tempestivo e, por isso, merece ser apreciado. Inicialmente, observo que presente processo envolve questão complexa, cujo desfecho depende da produção de provas adicionais. Com efeito, é preciso corroborar a assertiva da Recorrente, de que as plataformas exportadas estavam em fase de préoperação, o que impossibilitaria a extinção do regime de entreposto aduaneiro, antes do prazo previsto no contrato, e, consequentemente, tornaria inválido o auto de infração sob julgamento. A princípio, discordo da exegese empreendida pelo acórdão recorrido, de que a necessidade de exportação das plataformas para ver sua funcionalidade, préoperacional, seria uma questão fática que não influenciaria a implementação do termo final do regime especial aduaneiro, caracterizado pela exportação. Isso porque, o art. 4º da IN 513/2005 e o art. 408, § 3º, c/c o art. 405, IV, do Regulamento Aduaneiro – Decreto 6759/2009, dispõem que a atividades de aferição, inspeção e testes, inclusive no caso de préoperação da plataforma, estão abrangidas pelo regime, no prazo previsto no contrato. Eis os texto legais, respectivamente: Art. 4º As mercadorias admitidas no regime, importadas ou destinadas a exportação, poderão ser submetidas a operações de industrialização, bem assim a atividades de aferição, inspeção e testes, inclusive no caso de préoperação da plataforma. *** Art. 405. O regime permite, ainda, a permanência de mercadoria estrangeira em: [...] IV estaleiros navais ou em outras instalações industriais localizadas à beiramar, destinadas à construção de estruturas marítimas, plataformas de petróleo e módulos para plataformas (Lei no 10.833, de 2003, art. 62, parágrafo único). *** Art. 408. A mercadoria poderá permanecer no regime de entreposto aduaneiro na importação pelo prazo de até um ano, prorrogável por período não superior, no total, a dois anos, contados da data do desembaraço aduaneiro de admissão. [...] § 3º Nas hipóteses referidas nos incisos III e IV do art. 405, o regime será concedido pelo prazo previsto no contrato. Diante da literalidade dos artigos acima, não se pode falar que a necessidade de exportar as plataformas na fase de préoperação seriam uma questão fática, desimportante para o regime de entreposto aduaneiro. Fl. 15835DF CARF MF Impresso em 06/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/07/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3202000.364 S3C2T2 Fl. 15.836 7 Uma interpretação literal, mas conjunta, desses dispositivos com o art. 17, I, da IN 513/2005, indica que a extinção do regime aduaneiro especial de entreposto aduaneiro se extingue com a exportação da mercadoria pronta e acabada, depois de efetuadas as atividades de aferição, inspeção e testes, inclusive no caso de préoperação da plataforma. A redação do art. 17, I, da IN 513/2005 é a seguinte: Art. 17.A aplicação do regime se extingue com a adoção, pelo beneficiário, de uma das seguintes providências: (Redação dada pela IN SRF 564, de 24/08/2005) I exportação do produto no qual a mercadoria, nacional ou estrangeira, admitida no regime tenha sido incorporada; Ora, como corretamente destacou a Recorrente, é intuitivo que os testes dos vários subsistemas de uma plataforma de petróleo só podem ser obtidos no próprio local onde esta deverá operar, em alto mar, diretamente nos campos de petróleo. Apenas ali, no local de operação, a plataforma poderá ser conectada com os dutos que advêm dos poços de petróleo, viabilizando a realização dos testes de comissionamento e de préoperação com a carga real da produção. Frisese que a recorrente realizou todas as complementações/retificações das declarações de exportação (DEs), relativamente aos produtos enviados ao contratante para utilização nas plataformas exportadas. Então, se a natureza do bem (plataforma de petróleo) pressupõe a exportação da mercadoria para fase de testes in loco, evidentemente que, nessa hipótese, o regime especial não se extingue, com essa operação, mas com o cumprimento final do contrato, caso contrário aparentemente não faria sentido o disposto no art. 4º da IN 513/2005. Mesmo porque, não se pode perder de vista, que o Fisco é sabedor desse cronograma contratual, nos termos do art. 7º, IV, e 10º, § 1º, III, da IN 513/2005 e do Anexo IV do auto de infração, e deferiu o regime de entreposto aduaneiro nessas condições, não podendo, agora, alegar (sob pena de modificar o critério jurídico adotado, em afronta ao art. 146 do CTN), que o benefício fiscal se extinguiu antes mesmo de cumprido tal cronograma. In verbis: Art. 7ºA habilitação ao regime será requerida por meio do formulário constante do Anexo II a esta Instrução Normativa, a ser apresentado à unidade da RFB com jurisdição, para fins de fiscalização dos tributos incidentes sobre o comércio exterior, sobre o estabelecimento da empresa que realizará a construção ou conversão, acompanhado de: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.410, de 14 de novembro de 2013) [...] II cópia do contrato referente à construção ou à conversão dos bens referidos no art. 1º firmado entre a empresa contratante sediada no exterior e a pessoa jurídica contratada de que trata o art. 6º;(Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.410, de 14 de novembro de 2013) III documentação técnica relativa ao sistema de controle informatizado referido no inciso III do art. 6º; Fl. 15836DF CARF MF Impresso em 06/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/07/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3202000.364 S3C2T2 Fl. 15.837 8 IV descrição do processo de industrialização e correspondente cronograma de execução das etapas do projeto; **** Art. 10.A habilitação para a empresa operar o regime será concedida em caráter precário, por meio de Ato Declaratório Executivo (ADE) do titular da unidade da RFB referida no caput do art. 7º. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.512, de 7 de novembro de 2014) (Vide art, § ú da IN RFB nº 1.512/2014) § 1º O ADE referido no caput será emitido para o número de inscrição no CNPJ do estabelecimento e deverá indicar: [...] III o prazo de habilitação do beneficiário, de acordo com o contrato; e Os próprios ADEs expedidos pela Receita Federal em prol da recorrente fazem alusão ao prazo previsto no contrato. Observese: “Art.1º Habilitada, a título precário, PELOS PRAZOS DE VIGÊNCIA ESTABELECIDOS NOS CONTRATOS FIRMADOS COM A FSTP PRIVATE LIMITED, a empresa FSTP Brasil Ltda., inscrita no CNPJ sob o nº 06.011.542/000146, com sede na Rua da Glória, nº 178, 1º ao 13º andar – parte, município do Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro, a operar o regime especial de entreposto aduaneiro para construção das plataformas destinadas à pesquisa e lavra de jazidas de petróleo e gás natural denominadas P51, P 52 e P56.” Desse modo, julgo pertinente a realização de diligência para certificar se a natureza do bem (plataforma de petróleo) pressupõe a exportação da mercadoria para fase de testes in loco. Igualmente, julgo necessária a realização de diligência para verificar se as mercadorias – retiradas do regime especial por não serem “insumos” – foram destinadas à plataforma de petróleo e se sua aquisição estava prevista nos contratos aprovados pelos ADEs expedidos pela Receita Federal. À luz da legislação tributária, todavia, não procede a exclusão das mercadorias, descritas pela fiscalização, pelo simples fato de não se enquadrarem como insumo. A exclusão dos bens adquiridos só seria possível se fosse dito e demonstrado pela autuação que os bens não foram utilizados nas plataformas, o que não foi o caso dos autos. Deveras, o art. 3º da IN 513/2005, acima reproduzido, exige que os materiais, partes, peças e componentes sejam utilizados na construção ou compõem a plataforma de petróleo tal como encomendada, e não que sejam enquadrados como insumos desta. Assim, é importante verificar se os materiais, partes, peças e componentes foram utilizados na construção da plataforma e se sua aquisição estava prevista nos contratos aprovados pelos ADEs expedidos pela Receita Federal. Fl. 15837DF CARF MF Impresso em 06/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/07/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3202000.364 S3C2T2 Fl. 15.838 9 Por fim, também é adequado verificarse se as mercadorias importadas na declaração nº 07/05127367, embora tenha sido registradas em duplicidade nos sistemas de controle da empresa, tanto no projeto P51, quanto no projeto P52 (Anexo XXV do lançamento), foram somente vinculadas a declaração na construção da plataforma P51, tal como constatou a fiscalização. Confirase: Constatouse que as mercadorias importadas na declaração nº 07/05127367 foram registradas em duplicidade nos sistemas de controle da empresa, tanto no projeto P51, quanto no projeto P52. Porém, com base na informação fornecida no registro de exportação, constatouse a utilização das mercadorias vinculadas a esta declaração na construção da plataforma P51. Ante o exposto, voto para CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que seja elaborado laudo técnico, por instituição federal credenciada, nos termos do art. 30 do Decreto nº 70.235/72, com o objetivo de esclarecer o seguinte: 1) Verificar se a natureza do bem (plataforma de petróleo) pressupõe a exportação da mercadoria para fase de testes in loco? Explicar e fundamentar a resposta. 2) Verificar se os materiais, partes, peças e componentes excluídos pela fiscalização por não se tratarem de insumos foram utilizados na construção ou compõem a plataforma de petróleo e se sua aquisição estava prevista nos contratos aprovados pelos ADEs expedidos pela Receita Federal. Explicar e fundamentar a resposta. 3) Verificar se as mercadorias importadas na declaração nº 07/05127367, embora tenha sido registradas em duplicidade nos sistemas de controle da empresa, tanto no projeto P51, quanto no projeto P52 (Anexo XXV do lançamento), foram somente vinculadas a declaração na construção da plataforma P51, tal como constatou a fiscalização. Explicar e fundamentar a resposta. Além dos questionamentos acima, seja intimada a autoridade fiscal e a recorrente, com o objetivo de formular quesitos adicionais a serem respondidos ao Perito. Depois de elaborado o laudo, seja aberto de 30 dias para que a autoridade fiscal e, posteriormente, a Recorrente, apresentem suas considerações sobre as conclusões técnicas do experto. Após isso, sejam remetidos os autos ao CARF para dar continuidade do julgamento. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 15838DF CARF MF Impresso em 06/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/07/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 13962.000256/2001-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
IPI. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INDUSTRIALIZAÇÃO. NÃO-COMPROVAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PRECEDENTE INVOCADO PELAS PARTES EM OUTRO PROCESSO QUE REFUTOU A PRETENSÃO DA RECORRENTE.
Controvérsia em torno da natureza das atividades da recorrente e a comprovação de que realiza operações de industrialização. Ofertada ampla defesa e contraditório, a parte não fez prova de suas atividades, repetindo no Recurso Voluntário, os mesmos argumentos lançados na manifestação de inconformidade.
Matéria idêntica, envolvendo o direito de crédito da recorrente, já foi objeto de apreciação pela 2ª TO/4ª Câmara/3ª SEJUL/CARF/MF no Processo 13962.000122/99-38, acórdão nº3402-002.050, julgado em sessão de 23/04/2013, o qual negou provimento ao Recurso Voluntário da Recorrente, merecendo o presente recurso o mesmo destino.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-002.321
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário.
RICARDO PAULO ROSA - Presidente.
MIRIAN DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Nanci Gama e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ
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PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INDUSTRIALIZAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PRECEDENTE INVOCADO PELAS PARTES EM OUTRO PROCESSO QUE REFUTOU A PRETENSÃO DA RECORRENTE. Controvérsia em torno da natureza das atividades da recorrente e a comprovação de que realiza operações de industrialização. Ofertada ampla defesa e contraditório, a parte não fez prova de suas atividades, repetindo no Recurso Voluntário, os mesmos argumentos lançados na manifestação de inconformidade. Matéria idêntica, envolvendo o direito de crédito da recorrente, já foi objeto de apreciação pela 2ª TO/4ª Câmara/3ª SEJUL/CARF/MF no Processo 13962.000122/9938, acórdão nº3402002.050, julgado em sessão de 23/04/2013, o qual negou provimento ao Recurso Voluntário da Recorrente, merecendo o presente recurso o mesmo destino. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. RICARDO PAULO ROSA Presidente. MIRIAN DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 2. 00 02 56 /2 00 1- 80 Fl. 349DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 12/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ Processo nº 13962.000256/200180 Acórdão n.º 3102002.321 S3C1T2 Fl. 350 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Nanci Gama e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão proferida no Acórdão 14 32.376 8 a Turma da DRJ/RPO, que na Sessão de 01 de fevereiro de 2011 julgou improcedente a manifestação de inconformidade relativa ao Processo 13962.000256/200180, em que figura como interessado REMY AUTOMOTIVE BRASIL LTDA., CNPJ/CPF 02.684.729/000150, assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 IPI. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. O ressarcimento autorizado pela legislação corresponde ao saldo credor trimestral apurado em consequência do confronto dos créditos e dos débitos do imposto em cada período de apuração. Mas o direito à utilização de créditos está subordinado ao cumprimento das condições estabelecidas para cada caso e das exigências previstas para a sua escrituração, sendo ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. COMPENSAÇÃO. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. A homologação da compensação declarada pelo contribuinte depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional, de acordo com o devido procedimento estabelecido pela legislação. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido Reproduzse o relatório do julgamento de 1º grau: “Trata o presente de pedido de ressarcimento de créditos básicos de IPI, no montante de R$ 20.040,22, referente ao 3º trimestre de 2001, conforme pedido de ressarcimento de fl. 01. Cumulativamente, apresentou os pedidos de compensação de fls. 125/131. De acordo com o Despacho Decisório das fls. 132/136, foi decido pelo indeferimento do pedido da requerente, pois não teria direito ao ressarcimento porque os créditos se refeririam à Fl. 350DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 12/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ Processo nº 13962.000256/200180 Acórdão n.º 3102002.321 S3C1T2 Fl. 351 3 aquisição de produtos destinados à revenda, sem passarem por qualquer etapa de industrialização no estabelecimento da requerente. O aproveitamento do crédito está diretamente vinculado ao emprego dos insumos (matériaprima, produto intermediário e material de embalagem) no processo de industrialização. Não havendo industrialização não há que se pleitear crédito algum. Regularmente cientificada, a postulante apresentou manifestação de inconformidade de fls. 146/152, instruída com os documentos de fls. 153/230, em que alega, entre outras coisas, que o fundamento para o indeferimento não se aplicaria ao seu caso concreto, uma vez que, no seu entender, realiza operações de montagem (inciso III do artigo 4º do RIPI/98) e de acondicionamento e reacondicionamento (inciso IV do artigo 4º do RIPI/98), além das industrializações efetuadas com terceiros. Além desse fato, considerase equiparado a industrial, por dar saída de produtos de sua importação direta (inciso I do artigo 9º do RIPI/98). Esta Delegacia da Recita Federal do Brasil de Julgamento, mediante o despacho de fls. 235/236, baixou o presente processo em diligência, para que o órgão de origem verificase junto ao contribuinte se, efetivamente, realizou no período objeto deste pedido de ressarcimento operação cuja industrialização haja sido realizada por outro estabelecimento, mediante a remessa, por ele efetuada, de matériasprimas, produtos intermediários, embalagens, recipientes, moldes, matrizes ou modelos. A autoridade administrativa em Blumenau, da análise dos documentos apresentados pelo contribuinte, elaborou a Informação Fiscal de fls. 284/286, com a conclusão "que não houve, no 3º trimestre de 2001, efetiva entrada de insumos utilizados nas operações de industrialização por encomenda, bem assim, que não há créditos decorrentes”, pois constatouse que os insumos utilizados nestas operações foram escriturados no livro Registro de Apuração do IPI no 1º trimestre de 2001. Cientificada da Informação Fiscal, a interessada protocolou a manifestação de fls. 290/294, instruída com os documentos de fls. 295/323, alegando, em síntese, argumentos semelhantes aos apresentados na primeira manifestação de inconformidade, ou seja: 1. Além de remeter “rolamentos de agulha” para industrialização por encomenda, a empresa também realizou outras operações; 2. No 3º trimestre de 2001 ocorreram aquisições de materiais de embalagem, conforme relacionado na planilha (arquivo Excel) apresentada na resposta à Intimação Fiscal n. 2 (fls. 241/242) utilizados para embalar/acondicionar os motores de partida “PG150S” também adquiridos no 3º trimestre de 2001; 3. Também ocorreram diversas aquisições de componentes (partes e peças) aplicadas na montagem do “motor de partida”, Fl. 351DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 12/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ Processo nº 13962.000256/200180 Acórdão n.º 3102002.321 S3C1T2 Fl. 352 4 que também é um processo industrial realizado pelo contribuinte, enquadrado no conceito estabelecido pelo inciso III, do art. 4º do RIPI/1998; 4. Diante da legislação vigente, a empresa tem direito ao ressarcimento/compensação do saldo credor de IPI remanescente ao final do trimestre, oriundos de aquisições de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. Em sede de recurso voluntário, a empresa repisa os argumentos de sua manifestação, afirmando realizar operações de industrialização passíveis de lhe garantir o direito creditório É o relatório Voto Conselheira Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pelo qual dele conheço. A pretensão da Recorrente não merece prosperar. Vejamos. A controvérsia posta diz respeito à natureza das atividades da recorrente e a comprovação de que realiza operações de industrialização. A matéria envolvendo o direito de crédito da recorrente já foi objeto de apreciação pela 2ª TO/4ª Câmara/3ª SEJUL/CARF/MF no Processo 13962.000122/9938, acórdão nº 3402002.050, julgado em sessão de 23/04/2013. Tanto a autoridade fiscal da Delegacia da Receita Federal em Blumenau quanto a empresa fazem referência ao processo em questão em suas manifestações, tendo o recorrente, inclusive, anexado cópia da manifestação de inconformidade lá colacionada por ocasião de sua defesa neste processo. No julgado mencionado, a 2ª TO/4ª Câmara/3ª SEJUL/CARF/MF entendeu indevida a pretensão da Recorrente ao argumento de que ela não comprovou que realiza operações de industrialização, assim manifestandose: “Alega a contribuinte em sua impugnação que realiza operações de acondicionamento e reacondicionamento (inciso IV do artigo 4º da RIPI/98), apresentando como prova com os documentos de fls. 463/467. Tais documentos, emitidos pela empresa Irmãos Zen S.A., empresa da qual a contribuinte adquire seus produtos, são apenas cópias das fichas do produto, fazendo menção expressa à conferência do plano de embalagem "DELCO" inclusive com marcação nas peças da marca "AC DELCO " e números de série. Não há como concordar com a impugnante, pois não comprova documentalmente a aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem para a realização das operações de acondicionamentos e reacondicionamentos. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 12/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ Processo nº 13962.000256/200180 Acórdão n.º 3102002.321 S3C1T2 Fl. 353 5 Assim como, não há provas que o processo de industrialização tenha sido realizado "por encomenda" em outros estabelecimentos industriais, conforme definido no art. 9º, inciso IV, e arts. 415 a 419 do Decreto n° 4.544/02 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados RIPI/ 2002). Correto a impugnante ao afirmar que os estabelecimentos importadores produtos de procedência estrangeira que promoverem a saída desses produtos são equiparados a industrial (RIPI/2002, art. 9º). Isso obriga ao destaque do imposto nas saídas (RIPI/art.24). Porém, no caso concreto, não há operação de industrialização no âmbito estabelecimento importador, que apenas dá saída aos insumos importados. O concernente ao desembaraço aduaneiro das matériasprimas pode até existir e ser compensado na escrita fiscal com débitos do próprio imposto em outras operações, contudo, este não ser usufruído sob a forma de ressarcimento e compensação com outros débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de que trata a Lei n° 9.779, de 1999, art. 11. Quanto ao ressarcimento do crédito de insumos utilizados na fabricação produtos exportados, Decretolei n° 491/69, art. 5º e Lei n° 8.402/92, art. 1º, inciso II, conforme citado acima, a contribuinte não comprovou em momento algum as aquisição de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem efetivamente utilizados industrialização dos produtos exportados. Não havendo processo de industrialização, não que se pleitear crédito algum. Não se justifica, assim, a reforma da r. decisão recorrida que deve ser mantida por seus próprios e jurídicos fundamentos, considerandose ainda que ao longo de toda a marcha processual, a ora Recorrente não apresentou nenhuma evidencia concreta e suficiente para descaracterizar a motivação invocada pela d. Fiscalização, para o indeferimento do ressarcimento e conseqüente compensação dos créditos de IPI.. Compulsando os autos, não identifico elementos de prova capazes de agasalhar a pretensão da recorrente. Ao seu revés, verifico que nas oportunidades em que lhe foram franqueadas a sua ampla defesa e contraditório, a empresa não apresentou provas em sentido contrário, repetindo sempre mesmo os argumentos anteriormente lançados na manifestação de inconformidade e agora neste recurso. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso. Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz Fl. 353DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 12/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ Processo nº 13962.000256/200180 Acórdão n.º 3102002.321 S3C1T2 Fl. 354 6 Fl. 354DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 12/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ
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Numero do processo: 19515.001282/2010-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jul 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/12/2006
MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA.
Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. (Súmula CARF nº 47).
Numero da decisão: 1402-001.943
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Cortez, Moises Giacomelli Nuns da Silva e Joselaine Boeira Zatorre que votaram por dar provimento. Declarou-se impedida a Conselheira Cristiane Silva Costa. Participou do julgamento a Conselheira Joselaine Boeira Zatorre.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Cristiane Silva Costa, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez, Joselaine Boeira Zatorre e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2006 PREJUÍZOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO. LIMITE DE 30%. O lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda pode ser compensado em até 30% com os prejuízos fiscais apurados em exercícios anteriores. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2006 BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. COMPENSAÇÃO. LIMITE DE 30%. O resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da contribuição social pode ser compensado em até 30% com as bases de cálculo negativas apuradas em períodos anteriores. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2006 MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. (Súmula CARF nº 47). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Cortez, Moises Giacomelli Nuns da Silva e Joselaine Boeira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 12 82 /2 01 0- 71 Fl. 315DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001282/201071 Acórdão n.º 1402001.943 S1C4T2 Fl. 316 2 Zatorre que votaram por dar provimento. Declarouse impedida a Conselheira Cristiane Silva Costa. Participou do julgamento a Conselheira Joselaine Boeira Zatorre. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Cristiane Silva Costa, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez, Joselaine Boeira Zatorre e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001282/201071 Acórdão n.º 1402001.943 S1C4T2 Fl. 317 3 Relatório Votorantim Cimentos S.A.recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 1ª Turma da DRJ São Paulo01/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Em decorrência de ação fiscal, a contribuinte, acima identificada, foi cientificada de lançamentos de ofício de tributos federais em 18/05/2010 (fl. 122), e intimada a recolher o crédito tributário constituído relativo ao IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), multa proporcional e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos em 31/12/2006. 2. Conforme descrito nos Autos de Infração e no Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 123 a 126), empresa incorporada totalmente pela contribuinte compensou indevidamente a maior, na apuração do lucro real relativo ao último período antes da incorporação, prejuízos fiscais acumulados de períodos anteriores e, na apuração da CSLL relativa ao último período antes da incorporação, base de cálculo negativa de períodosbase anteriores. 3. Tendo em vista o apurado, foram lavrados, conforme preceitua o artigo 9º do Decreto n º 70.235, de 06 de março de 1972, os Autos de Infração de IRPJ (fls. 129 a 131) e de CSLL (fls. 135 a 137), com os respectivos enquadramentos legais e demonstrativos dos montantes dos tributos, multas de ofício aplicadas e juros de mora calculados até 30/04/2010. Os valores dos créditos tributários constituídos são respectivamente de R$6.875.594,43 e R$2.493.286,27. 4. O enquadramento legal da multa de ofício (75%) aplicada é o inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 e o enquadramento legal dos juros de mora aplicado é o artigo 6º, § 2º, da mesma Lei nº 9.430/1996 (fls. 128 e 134). 5. Irresignada com os lançamentos, em 17 de junho de 2010, a autuada apresentou, representada por procuradores (fls. 153 a 162) a impugnação de fls. 140 a 153, acompanhada dos documentos de fls. 154 a 201, na qual alega, em síntese, o seguinte: 5.1. o limitador de 30% para compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculos negativas de CSLL apurados em períodos anteriores, previsto no artigo 250, inciso III, do RIR/1999, e nos artigos 15 e 16 da Lei nº 9.065/1995, representa apenas uma restrição temporal que implica apenas a postergação do direito ao aproveitamento, sem eliminálo por completo, sendo, portanto, inaplicável nos casos de extinção da empresa, por causa da impossibilidade material de compensação nos exercícios seguintes; 5.2. entender diversamente do exposto no subitem anterior é transformar uma limitação temporal relativa em restrição absoluta incompatível com o conceito constitucional de renda e com o disposto no artigo 43 do CTN, conforme doutrina e jurisprudências judicial e administrativa transcritas; Fl. 317DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001282/201071 Acórdão n.º 1402001.943 S1C4T2 Fl. 318 4 5.3. se a incorporadora não pode compensar os prejuízos fiscais da incorporada (artigo 514 do RIR/1999) e esta, por sua vez, não pode compensar integralmente seus prejuízos por ocasião do seu encerramento, estarseá, simplesmente, fulminando o direito à compensação; 5.4. “da análise da exposição de motivos da Medida Provisória nº 998, de 1995, que foi posteriormente convertida em Lei nº 9.065, de 1995, evidenciase que o legislador em momento algum pretendeu eliminar o direito de compensação dos prejuízos fiscais”; 5.5. com base nos princípios da boafé, da proteção da confiança, da segurança jurídica e da lealdade e no inciso XIII do artigo 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que veda a aplicação retroativa de nova interpretação, e em doutrina e jurisprudência reproduzidas, descabe aplicar ao presente caso o novo entendimento externado no processo administrativo nº 13807.003133/200436, já que a conduta da empresa foi pautada na orientação consolidada por anos na jurisprudência do Conselho de Contribuintes; 5.6. de acordo com os artigos 132 e 133 do Código Tributário Nacional e com doutrina e jurisprudência administrativa citadas, não se pode exigir da empresa sucessora a multa decorrente de atos praticados pela pessoa jurídica sucedida; e 5.7. requer o recebimento e o processamento da presente impugnação na forma dos artigos 14, 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972, suspendendose a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional, e, caso seja mantida a limitação para compensação de prejuízos, “requerse o estorno da parcela de imposto devida sobre o prejuízo fiscal não aproveitado, deduzindose proporcionalmente do valor autuado”.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 16 27.396 (fls. 207218) de 27/10/2010, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2006 PREJUÍZOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO. LIMITE DE 30%. O lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda pode ser compensado em até 30% com os prejuízos fiscais apurados em exercícios anteriores. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Data do fato gerador: 31/12/2006 BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. COMPENSAÇÃO. LIMITE DE 30%. O resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da contribuição social pode ser compensado em até 30% com as bases de cálculo negativas apuradas em períodos anteriores. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/12/2006 Fl. 318DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001282/201071 Acórdão n.º 1402001.943 S1C4T2 Fl. 319 5 MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. A pessoa jurídica incorporadora é responsável pelo crédito tributário da incorporada, respondendo tanto pelos tributos e contribuições como por eventual multa de ofício e demais encargos legais decorrentes de infração cometida pela empresa sucedida, mesmo que formalizados após a alteração societária.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 23/11/2010 (termo de fl. 224) a interessada interpôs recurso voluntário em 21/12/2010 (fls. 232247) onde repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001282/201071 Acórdão n.º 1402001.943 S1C4T2 Fl. 320 6 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Das limitações para compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL Por entender que não merecem reparos, adoto os fundamentos da decisão recorrida como razão de decidir no presente voto, na forma a seguir apresentada. As limitações para a compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL apurados em períodos anteriores estão previstas nos artigos 15 e 16 da Lei nº 9.065/1995, nos seguintes termos: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios da base de cálculo negativa utilizada para a compensação. Dessa forma, não há dúvida de que a fiscalização agiu de acordo com a lei ao glosar a parcela da compensação de prejuízos e base de cálculo negativas de CSLL apurados em períodos anteriores que supera 30% do lucro ajustado, já que a lei não excepciona deste limite nem o último período de apuração do contribuinte, seja qual for a sua causa (incorporação, fusão, encerramento voluntário de atividades, falência, etc). A jurisprudência desta Corte também não lhe socorre. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001282/201071 Acórdão n.º 1402001.943 S1C4T2 Fl. 321 7 A CSRF assim se manifestou (Acórdão 9101001.337, sessão de 26/04/2012): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2005 Ementa:INCORPORAÇÃO LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS APLICÁVEL. Os prejuízos fiscais não são elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda, constituindose, ao contrário, como benesse tributária, a qual deve ser gozada, pelo contribuinte, nos estritos limites da lei. À míngua de qualquer previsão legal, não há como se afastar a aplicação da trava de 30% na compensação de prejuízos fiscais da empresa a ser incorporada O então 1º Conselho de Contribuintes, 1ª Câmara, acórdão 10193461, sessão de 24/05/2001 assim decidiu: CSLL COMPENSAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA A regra legal que estabeleceu o limite de 30% do lucro líquido ajustado para compensação não contém exceção para as empresas que sejam objeto de incorporação. (1º Conselho de Contribuintes, 1ª Câmara, acórdão 10193461, sessão de 24/05/2001) Nessa esteira, vejase o excerto da decisão atacada. 10. Além disto, esta limitação para compensação de prejuízos não é atentatória ao conceito de renda previsto no artigo 153, inciso III, da CF, e no artigo 43 do CTN, como afirma a impugnante, nem transforma o imposto de renda em imposto sobre o patrimônio. Isto ocorre justamente porque o imposto de renda não incide apenas sobre os acréscimos patrimoniais definidos pela legislação comercial, mas também sobre a renda conforme definição da legislação fiscal. Se o imposto incidisse apenas sobre acréscimo patrimonial econômicocontábil bastaria, por exemplo, que a contribuinte consumisse todo o lucro obtido com bens não duráveis ou que o doasse a terceiros para que não sofresse qualquer tributação. E, em harmonia com este sistema no qual o imposto de renda não incide apenas sobre acréscimos patrimoniais verificados pelas regras da legislação comercial, é que diversas despesas realizadas pelos contribuintes não são aceitas pela legislação tributária. 11. Além disto, outro fator deve ser considerado nesta questão: a necessidade de delimitar o período de tempo sobre o qual o imposto de renda é calculado. Se seguíssemos a tese da impugnante, o imposto de renda somente poderia ser cobrado no momento de encerramento das atividades da empresa, pois somente neste instante saberíamos com certeza se houve ou não acréscimo ao patrimônio inicialmente despendido na constituição da empresa. Exemplificando: suponhamos que no último ano de existência a contribuinte tivesse um prejuízo tão grande que reduzisse o seu patrimônio líquido a zero. Neste exemplo, se a apuração do imposto de renda devesse considerar as variações patrimoniais de outros períodos, a contribuinte poderia pleitear a restituição do imposto de renda pago nos exercícios em que teve lucro, pois posteriormente teve decréscimo patrimonial. Mas não é isto o que ocorre, pois o imposto de renda é calculado de acordo com o princípio contábil da independência dos exercícios. Desta forma, não há obrigação proveniente da Constituição Federal ou do CTN no sentido de que o lucro tributável apurado seja compensado com prejuízos fiscais apurados anteriormente. A compensação de prejuízos fiscais surge exclusivamente como uma espécie de Fl. 321DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001282/201071 Acórdão n.º 1402001.943 S1C4T2 Fl. 322 8 benefício fiscal concedido pelo legislador ordinário que decidiu limitálo a 30% do lucro ajustado. O legislador ordinário pode, quando assim o decidir, aumentar ou diminuir este limite ou suprimir este benefício. 12. Neste sentido leciona Edson Vianna de Brito (in “Imposto de Renda – Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 – Comentada e Anotada”, Editora Frase, 1995, pág. 162): O imposto de renda, como se sabe, está subordinado ao princípio da independência dos exercícios, o que pressupõe a autonomia dos períodos de apuração e conseqüentemente, o caráter de benefício fiscal atribuído à compensação de prejuízos. Nesta linha de raciocínio, cumpre lembrar que a legislação fiscal, ao autorizar a compensação de prejuízos fiscais, sempre prescreveu um prazo, para que tal faculdade fosse exercida, a exemplo da legislação de outros países, que prevê um prazo para que a compensação seja feita. Ora, seria o conceito de renda daqueles países, diferente daquele admitido no Brasil? Notese que extinto o prazo previsto em lei, os saldos, porventura existentes, não mais seriam passíveis de compensação. Em assim sendo, ultrapassado esse prazo e havendo saldo de prejuízos a compensar, não teria o patrimônio da entidade sofrido diminuição? Ademais, qual seria o argumento, na hipótese em que a empresa tendo apurado lucro contábil – acréscimo patrimonial – em função de ajustes (isenção sobre lucro decorrente da exportação, diferimento do lucro inflacionário, depreciação acelerada incentivada, etc.), previstos na lei tributária apurasse prejuízo fiscal? A impossibilidade de compensação desses prejuízos também representaria tributação do patrimônio? Creio que não. O patrimônio da entidade é passível de alterações em função do lucro ou prejuízo contábil, por ela apurado em sua escrituração comercial, todavia, o lucro tributável é o determinado, segundo as disposições contidas na lei tributária, cujo enfoque é diferente daquele previsto na lei comercial. Neste sentido, lucros apurados na escrituração comercial – acréscimo patrimonial – podem estar isentos do imposto, como as despesas realizadas pela empresa – diminuição patrimonial – podem não ser aceitas pela legislação tributária ou ter sua dedutibilidade limitada, ocasionando, assim, sua adição ao lucro tributável. Na realidade, a empresa pode apurar prejuízo contábil, o que sem sombra de dúvidas produz uma diminuição do patrimônio, e, por outro lado, em função dos ajustes previstos na legislação tributária – cujo enfoque, já frisamos, é diferente daquele contido na lei comercial, a empresa pode apresentar lucro tributável, sujeito, portanto, à incidência do imposto de renda. 13. Este também é o entendimento adotado em acórdãos unânimes proferidos pela Primeira e Segunda Turmas do Superior Tribunal de Justiça, que são as turmas competentes deste tribunal, que dá a palavra final sobre interpretação de lei federal, para julgamento de litígio envolvendo direito tributário, conforme se pode ler nas ementas abaixo reproduzidas: Fl. 322DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001282/201071 Acórdão n.º 1402001.943 S1C4T2 Fl. 323 9 TRIBUTÁRIO – COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS – SUCESSÃO DE PESSOAS JURÍDICAS INCORPORAÇÃO E FUSÃO VEDAÇÃO ART. 33 DO DECRETOLEI 2.341/87 VALIDADE ACÓRDÃO OMISSÃO: NÃOOCORRÊNCIA. 1. Inexiste violação ao art. 535, II, do CPC se o acórdão embargado expressamente se pronuncia sobre as teses aduzidas no recurso especial. 2. Esta Corte firmou jurisprudência no sentido da legalidade das limitações à compensação de prejuízos fiscais, pois a referida faculdade configura benefício fiscal, livremente suprimível pelo titular da competência tributária. 3. A limitação à compensação na sucessão de pessoas jurídicas visa evitar a elisão tributária e configura regular exercício da competência tributária quando realizado por norma jurídica pertinente. 4. Inexiste violação ao art. 43 do CTN se a norma tributária não pretende alcançar algo diverso do acréscimo patrimonial, mas apenas limita os valores dedutíveis da base de cálculo do tributo. 5. O art. 109 do CTN não impede a atribuição de efeitos tributários próprios aos institutos de Direito privados utilizados pela legislação tributária. 6. Recurso especial não provido.(negrito meu) (REsp 1107518 / SC, RECURSO ESPECIAL 2008/02640286, Relator(a): Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, Data do Julgamento: 06/08/2009, Data da Publicação/Fonte: DJe 25/08/2009) COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. IMPOSTO SOBRE A RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. LIMITAÇÃO IMPOSTA COM O ADVENTO DAS LEIS NºS 8.981/95 E 9.065/95. LEGALIDADE. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. ART. 97 DA CF/88. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. AFASTAMENTO. I O Tribunal a quo realizou a prestação jurisdicional invocada, não havendo de se falar em omissão no aresto recorrido, o qual tratou acerca do pedido de argüição de inconstitucionalidade e da oitiva do órgão ministerial. II A discussão no âmbito do Tribunal a quo acerca da interpretação dos artigos 480 e 481 do CPC refoge ao âmbito do recurso especial visto que é travada em torno da interpretação do art. 97 da CF, matéria reservada ao STF. Precedentes: REsp nº 547.653/RJ, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ de 23/05/07; AgRg no REsp nº 467.138/DF, Rel. Min. DENISE ARRUDA, DJ de 15/05/06 e REsp nº 787.626/PE, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ de 06/03/06. III É legal a limitação de compensação de prejuízos resultantes do balanço das empresas, em face das Lei nºs 8.981/95 e 9.065/95, porquanto não houve vedação acerca da dedução, tão somente o escalonamento, em atenção ao interesse público, reduzindo o impacto fiscal. Precedentes: AgRg no REsp nº 994.214/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJ de 21/02/2008; AgRg no Ag nº 875.838/SP, Rel. Min. ELIANA CALMON, DJ de 16/10/2007; REsp nº 686.162/SP, Rel. Min. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001282/201071 Acórdão n.º 1402001.943 S1C4T2 Fl. 324 10 DENISE ARRUDA, DJ de 20/09/2007; AgRg no REsp nº 776.036/SP, Rel. Min. LUIZ FUX, DJ de 24/05/2007. IV Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 989015/SP, AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL, 2007/02217888, Relator(a): Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, Data do Julgamento: 25/11/2008, Data da Publicação/Fonte: DJe 01/12/2008) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. IMPOSTO DE RENDA E CSLL. LIMITAÇÃO DA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS EM 30%. MEDIDA PROVISÓRIA 812/1994. LEIS 8.981/1995 E 9.065/1995. LEGALIDADE. VIOLAÇÃO DO ART. 43 DO CTN. NÃOOCORRÊNCIA. CSLL. ANTERIORIDADE NONAGESIMAL QUE DEVE SER OBSERVADA. 1. É legítima a restrição da compensação dos prejuízos fiscais em 30% (trinta por cento), para fins de cômputo do lucro real e do lucro líquido, nos termos dos arts. 42 e 58 da Lei 8.981/1995, prorrogada pelos arts. 12, 15 e 16 da Lei 9.065/1995. 2. A iterativa jurisprudência do STJ pacificou o entendimento de que a Medida Provisória 812/1994, convertida na Lei 8.981/1995, ao limitar a compensação de prejuízos fiscais, nos exercícios subseqüentes, em 30%, não desvirtuou o conceito de renda ou lucro, tampouco negou vigência ao art. 43 do CTN. 3. A limitação à compensação do Imposto de Renda incide no exercício financeiro de 1994, inclusive. No que tange à CSLL, contudo, deve ser observado o princípio da anterioridade nonagesimal. Precedentes desta Corte e do STF. 4. Agravo Regimental parcialmente provido. (AgRg no REsp 924954 / SP, AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2007/00258608, Relator(a): Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, Data do Julgamento: 25/11/2008, Data da Publicação/Fonte: DJe 11/03/2009). 14. Diante de toda a argumentação apresentada acima, as glosas do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL compensados no montante superior a 30% do lucro ajustado devem ser mantidas, pois os artigos 15 e 16 da Lei nº 9.065/1995 foram introduzidos no ordenamento jurídico de acordo com as regras reguladoras do processo legislativo previstas na CF (artigos 59 a 69), não foram revogados, nem declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Portanto, até o presente momento, estas normas legais gozam da presunção de legitimidade e constitucionalidade, não podendo os particulares e especialmente a própria administração lhes negar existência, validade ou vigência, sendo incabíveis, eventuais alegações de que há tributação sobre o patrimônio, bitributação ou confisco. 15. A impugnante ainda alega que a nova interpretação restritiva do direito à compensação da totalidade dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL no último período de apuração antes da empresa ser incorporada não poderia lhe atingir, pois existe vedação legal para aplicação retroativa de nova interpretação (artigo 2º, inciso XIII, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999) e agiu de acordo com entendimento consolidado por anos na jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001282/201071 Acórdão n.º 1402001.943 S1C4T2 Fl. 325 11 16. Quanto a isto, cabe esclarecer à impugnante que não houve mudança de interpretação da administração tributária (Secretaria da Receita Federal do Brasil) em relação a este assunto. Eventuais decisões proferidas anteriormente pelo extinto Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF) com o mesmo entendimento da autuada não afastam a infração tributária cometida, pois as decisões daquele órgão colegiado de julgamento não têm eficácia normativa nos termos previstos pelo artigo 100, inciso II, do Código Tributário Nacional, sendo as decisões válidas apenas para os contribuintes interessados nos respectivos processos em que foram proferidas. 17. A contribuinte diz que o novo entendimento administrativo foi externado somente no processo administrativo 13807.003133/200436. De fato, foi exarado naqueles autos pela 5ª Câmara do antigo Conselho de Contribuintes, com relatoria do conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, o Acórdão nº 10515.908, assim ementado: INCORPORAÇÃO DECLARAÇÃO FINAL Inexiste amparo para, a luz da legislação que rege a matéria, se proceder, em virtude do desaparecimento da empresa em decorrência de reorganização societária, a compensação dos prejuízos fiscais sem observância do limite de 30% a que se reporta o artigo 15 da Lei nº 9.065, de 1995. No contexto do ordenamento jurídico tributário, em homenagem ao princípio da legalidade, o silêncio da lei não pode ser preenchido pelo seu intérprete, mormente na situação em que tal interpretação objetiva assegurar direito não contemplado, nem mesmo pela via de exceção, nos diplomas legais que regem a matéria. Recurso negado. 18. A sessão de julgamento do processo 13807.003133/200436 ocorreu em 16 de agosto de 2006 e o Acórdão nº 10515.908 foi formalizado em 19 de setembro de 2006. A contribuinte autuada, por sua vez, desrespeitou o limite de 30% para compensação no período encerrado em 21 de novembro de 2006, cuja Declaração de Rendimentos foi entregue em 07 de março de 2007 (fl. 06), datas posteriores, portanto, à alegada mudança de entendimento. Dito de outra forma: mesmo que se admita que as decisões do extinto Conselho de Contribuintes representam interpretação da administração tributária não passível de retroação, ainda assim a antiga interpretação não socorre a contribuinte, pois já havia ocorrido a mudança de interpretação antes do cometimento da infração. 19. De fato, o que se constata é que mesmo antes de 2006 não havia no antigo Conselho de Contribuintes uma interpretação única no sentido de que inexiste limitação para compensação no último período de apuração da pessoa jurídica que possua prejuízos fiscais ou bases de cálculo negativa de CSLL acumulados, conforme se nota na ementa de acórdão proferido em 2001: CSLL COMPENSAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA A regra legal que estabeleceu o limite de 30% do lucro líquido ajustado para compensação não contém exceção para as empresas que sejam objeto de incorporação. (1º Conselho de Contribuintes, 1ª Câmara, acórdão 10193461, sessão de 24/05/2001) Por todo o exposto, entendo que o lançamento, quanto a esse ponto, deve ser mantido. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001282/201071 Acórdão n.º 1402001.943 S1C4T2 Fl. 326 12 Da responsabilidade da sucessora em relação à multa de ofício A recorrente, na condição de sucessora da empresa Cimento Rio Branco S/A, alega que, de acordo com os artigos 132, caput, e 133, caput e inciso I e II, do CTN, não responderia pela multa de ofício imputada à sucedida, sendo responsável somente pelo tributo devido. Os dispositivos invocados assim dispõem: Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: I integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; II subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão. Os dispositivos acima transcritos estabelecem que a sucessora se torna responsável pelos tributos devidos pela sucedida, mas não dispõem expressamente sobre a responsabilidade da sucessora pelas penalidades imputadas à pessoa jurídica sucedida. Assim, há entendimentos, na doutrina e na jurisprudência, de que a sucessora é responsável pelas penalidades imputadas à sucedida, bem como entendimentos em sentido contrário. Esta Corte considera cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. (Súmula CARF nº 47). De fato, a ligação entre as empresas sucessora e sucedida está demonstrada nos autos. Constatase do protocolo e justificação de incorporação, fls. 104 e seguintes, que incorporadora e incorporada são “sociedades interligadas através do controle acionário central comum” (item A1 do protocolo). Assim, à luz do que apregoa a súmula CARF nº 47, há que se manter a multa de ofício, imputada à sucessora. Conclusão Por todo o exposto, VOTO por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 326DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001282/201071 Acórdão n.º 1402001.943 S1C4T2 Fl. 327 13 Fl. 327DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10711.011090/91-11
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 1996
Ementa: CORREÇÃO DE INSTÂNCIA - A reclamação apresentada
contra a matéria agravada em decisão de primeira instância
configura nova impugnação, em respeito ao duplo grau de
jurisdição.
Numero da decisão: 102-30.735
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, determinar a remessa dos autos á repartição de origem para que nova decisão seja prolatada, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: José Clovis Alves
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DE TITULOS E VALORES MOB LTDA RECORRIDA : DRF NO RIO DE JANEIRO - CENO - RJ SESSÃO DE : 1 g DE MARÇO DE 1996 ACÓRDÃO N° : 1 0 2- 30 . 735 CORREÇÃO DE INSTÂNCIA - A reclamação apresentada contra a matéria agravada em decisão de primeira instância configura nova impugnação, em respeito ao duplo grau de jurisdição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por DIS VALORES DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unartímídade de vo to4 , detetmínaA a nemeA4a do4 auto4 a itepa)LtÁição de o itígem pata que nova dec,Lis -c-co óeja pito - lat ada, no4 tetrno4 do telat jitío e voto que pa44 am a íntegitaft. o pite4 ente j ulgado . / bij yÉ i,--,...._ ANTÔNIO DE ! ,e AS DUTRA - PRESIDENTEl JO.' L ,''' - ALVES - RELATOR, / FORMALIZADO EM: 2 2 MAR f29,3 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: URSULA HANSEN , MARIA CLÉLIA PEREIRA DE ANDRADE, Jauo CÉSAR GOMES DA SILVA, SUELI EF/GÊNIA MENDES DE BRITTO e RAMIRO HEISE . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES O 2 PROCESSO N° : 10711011090/91-11 ACÓRDÃO N° : 1 02- 3 0. 735 RECURSO N° : 4.376 RECORRENTE : DIS VALORES DIST DE TIT. E VAL MOB. LTDA RELATÓRIO Em 24 de outubro de 1991, a empresa supra identificado foi autuada e intimada a recolher crédito tributário no valor de CR$ 2 624.940 313,56 de Imposto de Renda Na Fonte, mais acréscimos legais A autuação foi motivada pela não retenção e recolhimento do IRRF incidente sobre operações financeiras de curto prazo, cujo enquadramento legal se encontra perfeitamente discriminado na folha 04 verso Tempestivamente a contribuinte impugnou o lançamento e baseou sua defesa praticamente na assertiva de que as aplicações pertenciam a entidades imunes - Lar Escola São Cosme e Damião e Lar da Criança, e apresenta os certificados de utilidade pública, sendo a nível Federal concedido através do Decreto 91 108 de 12 de março de 1985, demonstra que os cálculos do IRRF estão incorretos e pede perícia Atendendo solicitação do Agente da ARF CENO, fl 227, foi realizada diligência na entidade beneficente, tendo a diretora jurídica do Lar Escola São Cosme e Damião em folhas 230 informado o seguinte. "Em resposta ao TERMO DE INTIMAÇÃO datado de 30 03 93, cabe-nos informar à AUDITORIA FISCAL DO T NACIONAL que, em nossos livros contábeis de 1990/1991, não há nenhum registro de doação neste valor Como tão bem sabido, os senhores auditores hão de concordar que, um valor exorbitante de CR$ 7.257 472.880,60 nunca, jamais uma INSTITUIÇÃO DE CARIDADE poderia dispor para efetuar no mercado financeiro, além do mais era completamente desconhecido de toda ZONA OES1E(população carente), a DISVALORES DTVM LTDA, "EMPRESA DE GRANDE PORTE" que, só opera no MERCADO FINANCEIRO e, com valores altíssimos" (grifos da autora) Junta cópia do livro caixa, balanço e ata de eleição de diretoria,(doc de fls 231/264) O autuante falou no processo fls 274 a 279 tendo opinado pela manutenção da exigência fiscal, depois de constatado que as aplicações na realidade não foram realizadas pela entidade apontada na impugnação, refaz os cálculos já em UFIR reduzindo a base de cálculo e o IRRF, alegando que o erro na exigência inicial se deveu à má qualidade das cópias de documentos fornecidas Em conseqüência do inquérito 91 40641-4, o MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, propôs AÇÃO PENAL PÚBLICA, contra os diretores da autuada, conforme documento de páginas 286/301 A autoridade monocrática indeferiu a impugnação, manteve o lançamento, já retificado pelo autor, e agravou a exigência elevando a multa de oficio de 50% para 150% em virtude de da constatação de evidente intuito de fraude, com fulcro no artigo 729 inciso II do - RIR/80, documento de fólios 305 a 318 ),, Á 11P MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 03 PROCESSO N" : 10711011090/91-11 ACÓRDÃO N" : 1 0 2 - 3 0 . 7 3 5 Tempestivamente a contribuinte interpôs recurso a este Conselho, afirmando em sua peça de defesa, em síntese o seguinte: "Que as operações de curto prazo a que se alude tinham a denominação de "day trade", e consistiam em rápida síntese, na aquisição a mando do cliente e por intermédio da Recorrente, de títulos mobiliários, que seriam negociados no mesmo dia, de forma que o efetivo ingresso de numerário, por parte do investidor, só se desse no caso da operação lhe ter sido desfavorável, ao passo que em caso contrário, houvesse um crédito a receber, pago pela recorrente" (grifo nosso). "A mecânica da operação, assim, não exigia, como de fato não exige, a imediata disponibilidade do numerário aplicado pelo investidor, já o saldo a pagar ou à receber dependeria da diferença de negociação entre os preços de compra e venda, de resto apurada no mesmo dia."(grifo nosso) Quanto Wang desairtimatárloan CUM lrerulimeritcses diz " Ciente de sua responsabilidade tributária como fonte pagadora desses rendimentos, em tese passível de retenção do imposto de renda na fonte, a Recorrente exigiu do "Lar Escola" a apresentação do competente Ato Declaratório de Isenção, expedido pela Receita Federal, o que foi cumprido pela instituição (Doc. 4)." "Os rendimentos auferidos através das operações em tela foram, desse modo, integralmente repassados ao investidor, sem retenção do imposto na fonte, na medida em que beneficiário de isenção legal reconhecida pela própria autoridade fazendária federal." (grifo nosso) Dá exemplo de aplicação e afirma o repasse dos rendimentos ao investidor, insere nos autos cópias de diversos documentos inclusive de cópias de cheques nominativos destinados ao Lar Escola São Cosme e Damião Diz que se culpa houve não foi da Recorrente, mas talvez do mandatário do Lar Escola, e se a contabilidade da instituição é falsa, se o mandatário exorbitava o mandato que lhe fora conferido, ou qual o destino que tenha dado aos rendimentos, a questão é outra, estranha à hipótese dos autos, não servindo, em hipótese alguma, para comprovar um suposto repasse dos rendimentos à Recorrente Diz que o caso é de imunidade e não de isenção como quer o julgador monocrático, portanto a Lei 7.799/89 não teria o condão de revogar aquilo que a Constitui 7o previu Cita alguns acórdãos para sustentar sua posição MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 0 4 PROCESSO N°: 10711011090/91-91 ACÓRDÃO N°: 1 0 2 - 3 0 . 7 3 5 Quanto a majoraçào da multa diz. "Conforme deixou-se claro acima, a Recorrente, na qualidade de Sociedade em Liquidação, não estaria sujeita à multa, e, portanto, muito menos ao agravamento em seu percentual, previsto pela decisão ora recorrida." "Apenas a título de argumentação, esclarece-se que a Recorrente não se furtou à identificação das entidades beneficiárias das aplicações por ele realizadas, tendo indicado o Lar Escola São Cosme e Darnião e o Lar da Criança, como bem já indica a decisão recorrida." Insurge-se também contra a cobrança da Taxa Referencial Diária - TRD, dizendo que a Lei 8.177, que criou a TRD, ser datada de 01/03/91, operou inconstitucional e ilegalmente efeitos ex time, para o período pretérito situado entre 31/08/90 a 01/03/91 É o relatório/ /11(/CS MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 0 5 PROCESSO N°: 10711 011090/91-91 ACÓRDÃO N° : 1 0 2 - 3 0 . 735 VOTO CONSELHEIRO JOSÉ CLÓ VIS ALVES, RELATOR Ao estudar o processo, verificamos que o contribuinte juntou ao seu recurso diversos documentos inclusive cópias de cheques, não autenticadas, com repasses de numerários ao Lar Escola São Cosme e Darnião A conduta usual desta Corte Administrativa tem sido a de, no caso de juntada de documentos, principalmente não autenticados, determinar diligência antes de proferir o veredicto, porém no presente caso, verificamos que houve agravamento da exigência inicial, a multa de oficio inicialmente aplicada pelos AFTNs, de 50%, com apoio no artigo 729 inciso 1, foi majorada pela autoridade monocrática para 150%, modificando o apoio legal para o inciso II do mesmo artigo do RIR/80 Assim, tendo o julgador monocrático, que até então reunia também a condição de autoridade encarregada do lançamento, agravado a exigência inicial, a peça recursal, dirigida a este Conselho se reveste de nova impugnação, devendo, em respeito ao duplo grau de jurisdição a que está submetido o processo administrativo fiscal, ser apreciada como impugnação pela primeira instância de julgamento sob pena de cerceamento do direito de defesa, conforme determina a legislação, "verbis". Decreto 70.235/72 Ari 15 - A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Parágrafo único - Na hipótese de devolução do prazo para impugnação do agravamento da exigência inicial, decorrente de decisão de primeira instância, o prazo para apresentação de nova impugnação começará a fluir a partir da ciência dessa decisão (Redação dada pelo art 1° da Lei 8748, de 09/12/93) (grifamos) Apenas para efeito de economia processual, vale ressaltar que os documentos inseridos devem ser objeto de conferência em diligência para que sua autenticidade seja confirmada, ou não, inclusive junto à beneficiária indicada. Assim, deixo de conhecer o recurso e voto para que o processo seja remetido a primeira instância de julgamento, para prolatar nova decisão monocrática visto que, o recurso interposto reveste-se de nova impugnação, em virtude do agravamento da exigência inicial contida na decisão sin . lar ' páginas 305 a 318. Sala das S - sões •F ). nu 1 9 de março de 1996.i , 110i 4 - _did( go Ir c i ó W.gcVEÔ - 9i'é aior Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001324/2005-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 11 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1401-000.245
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em baixar o processo em diligência, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente
Assinado digitalmente
Maurício Pereira Faro Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias, e Mauricio Pereira Faro.
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em baixar o processo em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva - Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro Relator Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias, e Mauricio Pereira Faro.
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Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias, e Mauricio Pereira Faro. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 01 32 4/ 20 05 -3 5 Fl. 232DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 21/02/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16327.001324/200535 Resolução nº 1401000.245 S1C4T1 Fl. 3 2 Tratase de recurso voluntário interposto pelo Contribuinte, por bem resumir a questao, adoto o relatorio da decisao a quo: Tratase de irresignação do interessado (fls. 94/104) contra o despacho da Deinf/SPO/Diort (fls. 87/91) que indeferiu o seu pleito formulado na petição de fls. 01/06. Nesta, alegando que equivocadamente preencheu e recolheu o Darf referente ao Finor do anocalendário de 2004 em valor superior ao legalmente permitido, com o conseqüente recolhimento a menor do IRPJ, pleiteia o interessado seja transferido o excedente de recolhimento do Finor (cód. receita 9344) para o IRPJ (cód. receita 2390). Contudo, segundo a Solução de Consulta Interna no 19, de 2004, o presente processo não observa o rito do Processo Administrativo Fiscal — PAF (Decreto n° 70.235/72), devendo ter o seguimento previsto na Lei n° 9.784/99. Pelo que se extrai da referida SCI, o recurso contra indeferimento do pedido de retificação de Darf deve ser dirigido à autoridade que proferiu a decisão; não havendo reconsideração, o recurso lid de ser encaminhado A. autoridade que lhe é hierarquicamente superior, sendo competente para decidir o titular da unidade (no caso em apreço, o titular da Deinf/SPO) ao qual estiver subordinada a autoridade administrativa que indeferiu o pedido do contribuinte. Não se trata, ainda, de manifestação de inconformidade relativa a compensação, pois não houve entrega da Declaração de Compensação a que alude o § 1°, do art. 74, da Lei n° 9.430/96, e alterações posteriores. E, mesmo que a entrega tivesse ocorrido, seria considerada não declarada a compensação, pois a aplicação no Finor não tem natureza tributária (alínea e, II, § 12, art. 74, Lei n° 9.430/96), sendo igualmente inaplicável o rito do PAF (§ 13, art. 74). Por fim, cabe observar que, consoante consignado no despacho da Diort (fls. 90), o incentivo fiscal em causa é objeto do PA 16327.001730/200760. Destarte, por não se tratar de nenhuma das hipóteses previstas no art. 174 do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF n° 95/2007, verificase que não compete A. Delegacia de Julgamento julgar o presente processo Ante o exposto, restituase à DEINF/SPO/DIORT, para as suas providências. Irresignado, o contribuinte interpos o recurso ora analisado sustentando que o Presidente de Turma da DRJ seria incompetente para indeferir, monocraticamente, defesa apresentada pelo Contribuinte sob a alegação de que a Turma não seria competente para julgar o caso; e que e tendo em vista o disposto no inciso II do artigo 59, do Decreto n ° 70.235/1972, verificase inconteste a competência da DRJ para a análise dos argumentos expendidos pela Requerente. É o relatório. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 21/02/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16327.001324/200535 Resolução nº 1401000.245 S1C4T1 Fl. 4 3 Considerando a matéria aqui tratada entendo por requisitar a DRF de São Paulo o processo 16327000208/200922 para este Conselho passando este e aquele processo para a Relatoria do Conselheiro Alexandre Alkmin tendo em vista a precedência de sua análise com relaçao aos fatos que deram origem a ambos os feitos. Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro – Relator Fl. 234DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 21/02/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO
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Numero do processo: 16832.000194/2010-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
Ementa:
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
O pedido de compensação feito após a Lei n°.10.637/2002, deverá ser feito via declaração de compensação.
ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. CANCELAMENTO DO LANÇAMENTO.
Aplicação da Súmula nº 82 do CARF, que dispõe: Após o encerramento do ano-calendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas.
O caso dos autos houve o lançamento após o encerramento do ano calendário, qual seja, em 26.02.2010.
Portanto, não são devidas a CSLL e a multa de 75% pela contribuinte.
MULTA ISOLADA. INCIDÊNCIA.
A multa isolada é a única a ser cobrada nos autos, visto que houve o lançamento após o encerramento do ano calendário.
Recurso conhecido e parcialmente provido.
Numero da decisão: 1201-000.918
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR parcial provimento ao Recurso Voluntário, para a multa isolada, vencida a Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat, que a mantinha. Ausente para tratamento de saúde, o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), tendo sido substituído pela Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto Presidente Substituto.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Correia Fuso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Luiz Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Lima Junior.
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. O pedido de compensação feito após a Lei n°.10.637/2002, deverá ser feito via declaração de compensação. ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. CANCELAMENTO DO LANÇAMENTO. Aplicação da Súmula nº 82 do CARF, que dispõe: Após o encerramento do ano-calendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. O caso dos autos houve o lançamento após o encerramento do ano calendário, qual seja, em 26.02.2010. Portanto, não são devidas a CSLL e a multa de 75% pela contribuinte. MULTA ISOLADA. INCIDÊNCIA. A multa isolada é a única a ser cobrada nos autos, visto que houve o lançamento após o encerramento do ano calendário. Recurso conhecido e parcialmente provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR parcial provimento ao Recurso Voluntário, para a multa isolada, vencida a Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat, que a mantinha. Ausente para tratamento de saúde, o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), tendo sido substituído pela Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente Substituto. (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Luiz Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Lima Junior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1997; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16832.000194/201071 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201000.918 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 7 de novembro de 2013 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO DE CSLL Recorrente BEBIDAS REAL DE SÃO GONÇALO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. O pedido de compensação feito após a Lei n°.10.637/2002, deverá ser feito via declaração de compensação. ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. CANCELAMENTO DO LANÇAMENTO. Aplicação da Súmula nº 82 do CARF, que dispõe: Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. O caso dos autos houve o lançamento após o encerramento do ano calendário, qual seja, em 26.02.2010. Portanto, não são devidas a CSLL e a multa de 75% pela contribuinte. MULTA ISOLADA. INCIDÊNCIA. A multa isolada é a única a ser cobrada nos autos, visto que houve o lançamento após o encerramento do ano calendário. Recurso conhecido e parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR parcial provimento ao Recurso Voluntário, para a multa isolada, vencida a Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat, que a mantinha. Ausente para tratamento de saúde, o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), tendo sido substituído pela Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 01 94 /2 01 0- 71 Fl. 589DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 13/11 /2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO 2 (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto – Presidente Substituto. (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Luiz Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Lima Junior. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado pela DRF do Rio de Janeiro, que exigiu da contribuinte o pagamento da CSLL relativa ao ano calendário de 2006, no valor de R$ 561.569,02, acrescido de multa de 75%, e multa isolada pelo não recolhimento de estimativas, no valor de R$ 280.784,52, com juros de mora até 26.02.2010: Infração 001. Falta de recolhimento/declaração de CSLL; Infração 002. Falta de recolhimento de CSLL estimativa. Multa isolada. Consta no termo de verificação fiscal que: a Interessada foi intimada por três vezes, (fls.32/34, 35/36 e 37/38) a esclarecer a diferença entre os valores que constaram na sua DIPJ/2007, (fls.02/07), com os que constaram nas DCTF, (fls.08/31); a Interessada foi intimada a tomar ciência das diferenças mensais de estimativas entre os valores consignados na DIPJ/2007 e nas respectivas DCTF, fls.39/42; em resposta, (fls.47/96), a Interessada contesta as diferenças, informando: que as diferenças "existem por falha no preenchimento na declaração, uma vez que houve omissão de compensação no lançamento dos valores com o processo administrativo DCOMP n°_10730.004805/200473 (Descontos incondicionais) — que engloba os créditos advindos da exclusão da base de cálculo do IPI"; que o citado processo foi julgado não declarado em 28 de janeiro de 2009, tendo sido apresentada manifestação de Fl. 590DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 13/11 /2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16832.000194/201071 Acórdão n.º 1201000.918 S1C2T1 Fl. 3 3 inconformidade, recebida com efeito devolutivo, por força do MS 2009.51.01.0077791; que possível autuação representaria "bis in idem" já que a compensação em questão é objeto do PA n°.10730.004805/200473; que solicitava retificação das DCTF e DIPJ referentes ao ano de 2006; apresentou os DARF de fls.63/95 para o IRPJ e CSLL; com base nas informações acima, a Fiscalização obteve cópia integral do PA n°.10730.004805/200473, que constitui os Anexos 1 e 2, fls.01/259; informou a Fiscalização que os débitos objeto do referido processo são os relacionados pela própria Interessada na respectiva DCOMP, (Anexo 1, fls.41/42), e que os mesmos se referem a estimativas do ano de 2003, ao passo que o presente procedimento referese ao ano de 2006; ainda assim, conforme fls.116/131, do Anexo 1, o PA n°.10730.004805/200473 teve despacho decisório no sentido de ser considerada não declarada a compensação; o pedido de medida liminar foi indeferido, foi negado o agravo e a segurança denegada, (Anexo 1, fls.138/142, 143 e 239); nos sistemas da RFB não há PER/DCOMP com débitos de estimativas de 2006, fls.144; entendendo que tratouse de compensação não declarada, a Fiscalização lançou multa isolada nos meses que houve recolhimento a menor de estimativas, conforme planilhas de fls.151 e 153; da mesma forma, apurouse a diferença de IRPJ e CSLL, conforme planilhas de fls.152 e 154. Inconformada com o crédito tributário originado da ação fiscal, o qual tomou ciência em 29.03.2010, (fls.163), a Interessada apresentou a impugnação de fls.167/215, em 28.04.2010, (fls.165/166), instruída por documentos, na qual alegou que: houve violação ao artigo 149, IX, do CTN; houve erro na capitulação legal, pois, o artigo 74, da Lei n°.9.430, de 1996, trata de compensação e não de lançamento de oficio, além disto, a Fiscalização mencionou a IN RFB 600/05, que foi revogada pela IN RFB 900/08, em 31122008, antes do inicio do procedimento fiscal, devendo o lançamento ser anulado por vicio material; Fl. 591DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 13/11 /2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO 4 ocorreu tãosomente descumprimento de obrigação acessória, pela falta de retificação de DCTF com a finalidade de retratar as compensações que efetivamente ocorreram nos meses autuados de 2006; a Fiscalização deveria ter verificado as compensações na sua contabilidade; apresentou pedido de retificação de DCTF antes da decadência, portanto, não houve justa causa para o lançamento, devendo ser anulado; durante o ano de 2006 foi realizada a compensação do valor devido a recolher com a DCOMP 10730.004805/200473, equivocadamente não informada em DCTF; a afirmação da Fiscalização que os débitos objeto da DCOMP 10730.004805/200473 se referem a estimativas do ano de 2003, ao passo que o presente procedimento referese ao ano de 2006, está errada; não haveria como informar créditos a serem compensados em DCOMP senão com débitos tributários futuros, é um absurdo cogitar o contrário; a DCOMP 10730.004805/200473 teve como objeto a homologação dos créditos decorrentes da exclusão dos descontos incondicionais da base de cálculo do IPI, tendo sido não declarada pelo simples fato de não ter se seguido as formalidades impostas pela SRF; a DCOMP foi apresentada quando estava em vigor a IN SRF 432/04, que não previa a opção DESLN, por este motivo esta compensação não foi feita eletronicamente; os créditos da referida DCOMP não foram contestados no seu mérito pela administração tributária; aqueles créditos do IPI são, pois, legítimos; a Fiscalização não considerou os créditos advindos da exclusão de descontos incondicionais da base de cálculo do IPI (DCOMP 10730.004805/200473), fato este que viola o CTN; com base no artigo 150, parágrafo 7º, da CF e no artigo 128, do CTN houve a homologação tácita da DCOMP 10730.004805/200473; ocorrendo a homologação tácita ocorre a extinção do crédito tributário; portanto, tem direito a compensar os créditos da referida DCOMP com os débitos de estimativa dos meses autuados de 2006; se não há imposto a recolher não cabe multa; não pode cobrar multa com base em regulamento, somente por lei; Fl. 592DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 13/11 /2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16832.000194/201071 Acórdão n.º 1201000.918 S1C2T1 Fl. 4 5 a multa teve natureza de confisco; o Fisco somente pode impor a multa isolada quando constatar recolhimento menor que a base estimada, e apenas dentro do período base de apuração e de pagamento, bem como, antes da entrega da declaração; não cabe o lançamento concomitante de multa isolada e de oficio; a Taxa Selic para fins tributários é ilegal e inconstitucional; requer sustentação oral com base no artigo 5°., LV, da CF e artigo 2°. Parágrafo único da Lei nº.9.784/99; requer autorização para retificação das DCTF, e diligências indicando perito e quesitos às fls.214; requer que as intimações sejam dirigidas aos patronos com endereço de fls.215. A DRJ entendeu pela manutenção do lançamento, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. O pedido de compensação feito após a Lei n°.10.637/2002, deverá ser feito via declaração de compensação. ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. Verificado, no caso concreto, que os débitos de estimativa não foram liquidados nem por pagamento nem por compensação, e nem sequer declarados em DCTF ou qualquer outro instrumento de confissão de divida, é licito ao Fisco recompor a apuração do imposto de renda anual, exigindo, por meio de auto de infração, as diferenças não recolhidas. MULTA ISOLADA. INCIDÊNCIA. 0 artigo 44, da Lei n°.9.430, de 1996, ao prever as infrações por falta de recolhimento de antecipação e de pagamento do tributo ou contribuição (definitivos) não significa duplicidade de tipificação de uma mesma infração ou penalidade. Ao tipificar essas infrações o artigo 44 da Lei n°.9.430, de 1996, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e não se excluem. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte foi intimada da decisão da DRJ em 24.10.2011. Inconformada com a decisão, interpôs Recurso Voluntário em 22.11.2011, alegando em síntese que: Fl. 593DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 13/11 /2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO 6 a) participaram do julgamento apenas 3 (três) julgadores. Em razão da ausência de um dos julgadores não houve respeito ao quorum, e por conta disso feriuse o princípio da ampla defesa e a igualdade, sendo nula a decisão da DRJ; b) quanto ao erro na DCTF, afirma que possuía à época obrigação de apresentar a declaração mensalmente, e que a IN nº 583/2005 previa em seu artigo 12 a possibilidade de realizar a retificação da declaração; c) afirma que nos casos de erro de fato, o CARF vem entendendo pela possibilidade de retificação da DCTF (transcreve decisões desse E. Tribunal); d) afirma que fez o pedido de retificação da DCTF em 2009, antes do prazo de 5 anos que não permitiria a imutabilidade da declaração; e) durante o ano de 2006 foi realizada a compensação do valor devido a recolher com a DCOMP 10730.004805/200473, equivocadamente não informada em DCTF; f) a afirmação da Fiscalização que os débitos objeto da DCOMP 10730.004805/200473 se referem a estimativas do ano de 2003, ao passo que o presente procedimento referese ao ano de 2006, está errada; g) a DCOMP 10730.004805/200473 teve como objeto a homologação dos créditos decorrentes da exclusão dos descontos incondicionais da base de cálculo do IPI, tendo sido não declarada pelo simples fato de não ter se seguido as formalidades impostas pela SRF (não foi feita pelo meio eletrônico); h) os créditos da referida DCOMP não foram contestados no seu mérito pela administração tributária; i) a Fiscalização não considerou os créditos advindos da exclusão de descontos incondicionais da base de cálculo do IPI (DCOMP 10730.004805/200473), fato este que viola o CTN; j) com base no artigo 150, parágrafo 7º, da CF e no artigo 128, do CTN houve a homologação tácita da DCOMP 10730.004805/200473; k) ocorrendo a homologação tácita ocorre a extinção do crédito tributário; l) portanto, tem direito a compensar os créditos da referida DCOMP com os débitos de estimativa dos meses autuados de 2006; m) afirma que a multa deve guardar relação de proporcionalidade ou equivalência com o dano causado; n) quanto à multa isolada, afirma que a mesma não pode ser concomitante com a multa de 75% lavrada na exigência do tributo; o) por fim, alegou a inconstitucionalidade da taxa Selic. Este é o relatório! Voto Fl. 594DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 13/11 /2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16832.000194/201071 Acórdão n.º 1201000.918 S1C2T1 Fl. 5 7 Conselheiro Relator Rafael Correia Fuso O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Quanto à preliminar de nulidade, entendo que o pedido da Recorrente não deve ser atendido. Isso porque, além de ter obedecido o quorum mínimo para julgamento, qual seja, três julgadores, a decisão da DRJ foi unânime (vide fl. 231 dos autos), ou seja, ainda que o quarto julgador participasse do julgamento e fosse voto vencido, em nada alteraria a decisão da DRJ quanto ao seu resultado, daí não haver nenhum prejuízo ou nulidade no julgamento. Vejamos o disposto na Portaria MF nº 58/2006: Art. 13. Somente pode haver deliberação quando presente a maioria dos membros da turma, sendo essa tomada por maioria simples, cabendo ao presidente, além do voto ordinário, o de qualidade. Diante disso, entendo por não haver ilegalidade ou nulidade no julgamento, muito menos há qualquer cerceamento do direito de defesa, pois o contribuinte se defendeu muito bem e recebeu decisão por julgadores competentes e habilitados nos termos do quorum mínimo previsto na regra em vigor à época da prolação da decisão de primeira instância administrativa. Quanto ao mérito, a contribuinte alega ter havido o pagamento do débito por meio de entrega de Declaração de Compensação, que não foi considerada declarada em razão de não ter sido entregue por meio eletrônico. Destacase que à época da entrega (ano de 2006) encontravase em vigor o disposto na IN nº 600/2005, que exigia o meio eletrônico. Como sabido, em 30 de dezembro de 2012, o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 foi alterado pela Lei nº 10.637/2002, sendo que a partir de então passou a exigir expressamente que o pedido de compensação fosse feito por declaração própria. Se o contribuinte não atendeu à exigência legal, não há como reconhecer que houve a compensação ou o pagamento do tributo, muito menos considerar que houve homologação tácita de uma compensação que não ocorreu. O critério da forma é imprescindível para as compensações, visto que a mesma além de notificar o fisco, abrindolhe o prazo para a homologação, é uma garantia do contribuinte de que há pagamento até a ulterior homologação. Portanto, nesse aspecto, a extinção do crédito tributário não ocorreu, ou seja, houve o não pagamento da estimativa. Por fim, quanto à multa isolada, entendo que a decisão da DRJ deve ser reformada. A autuação fiscal exige o recolhimento de CSLL estimativa após o ano calendário, sendo que tal exigência fere flagrantemente a Súmula nº 82 do CARF: Fl. 595DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 13/11 /2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO 8 Súmula CARF nº 82: Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. Diante disso, não é a multa isolada incabível no presente caso, pelo contrário, ela é a única a ser aplicada. Nestes termos, entendo pelo cancelamento parcial do lançamento fiscal, especificamente quanto à exigência da CSLL e da multa de ofício de 75%, devendo ser mantida apenas a multa isolada de 50%, pela falta de pagamento da estimativa. Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso, e no mérito, DOULHE parcial provimento para cancelar a exigência da CSLL e da multa de ofício de 75%, mantendose a exigência da multa isolada. Entendo que é caso de Embargos esse julgamento, visto que no resultado do julgamento publicado na ata da sessão, há nítido equivoco no dispositivo quando prescreve: “para afastar a multa isolada”, vencida a Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat, que a mantinha, pois tal dispositivo não reflete o que fora julgado pela maioria da Turma e o que constou do meu voto, lido em sessão de julgamento! É como voto! (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator Fl. 596DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 13/11 /2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 10730.001691/2008-33
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício:2004
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. VALORES COMPROVADOS.
Comprovado que o valor deduzido era referente as despesas médicas, e não a despesas com previdência privada, é de restabelecer-se a as glosas na mesma medida da comprovação.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.987
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer despesas médicas no valor R$ 5.356,80, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (29/05/2015), em substituição ao Conselheiro Relator Flavio Araujo Rodrigues Torres.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício:2004 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. VALORES COMPROVADOS. Comprovado que o valor deduzido era referente as despesas médicas, e não a despesas com previdência privada, é de restabelecer-se a as glosas na mesma medida da comprovação. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer despesas médicas no valor R$ 5.356,80, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (29/05/2015), em substituição ao Conselheiro Relator Flavio Araujo Rodrigues Torres. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Márcio Henrique Sales Parada.
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DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. VALORES COMPROVADOS. Comprovado que o valor deduzido era referente as despesas médicas, e não a despesas com previdência privada, é de restabelecerse a as glosas na mesma medida da comprovação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer despesas médicas no valor R$ 5.356,80, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (29/05/2015), em substituição ao Conselheiro Relator Flavio Araujo Rodrigues Torres. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Márcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 16 91 /2 00 8- 33 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 31/05/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10730.001691/200833 Acórdão n.º 2801003.987 S2TE01 Fl. 98 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/CGE (acórdão nº 0425.601), em processo administrativo envolvendo a contribuinte Vilma Coelho Bregua Pereira dos Santos. Foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 07/09, no valor de 14.040,20, referente ao Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar, exercício 2004, visto que foram verificadas as seguintes infrações: a) Dedução indevida de previdência privada e FAPI no valor de R$ 5.469,80; b) Dedução indevida de despesas médicas no valor de R$ 16.890,52. R$ 7.389,00 UNIMED CÉLIO COELHO GOMES BREGUA R$ 1.028,50 SOC.PORTUGUESA BENEF. R$ 8.293,00 DIVERSOS A contribuinte apresentou impugnação alegando que a despesa glosada como dedução indevida de previdência privada é, em realidade, referente à despesa médica com plano de saúde, visto que houve um equívoco no preenchimento do código da Declaração Anual. Em relação às despesas médicas, juntou os recibos referentes às prestações de serviço, bem como referiu que alguns destes foram extraviados, não sendo possível sua comprovação. A decisão da 3ª Turma da DRJ/CGE julgou o lançamento parcialmente procedente (fls. 67/72). Desta forma, foram as despesas médicas comprovadas por meio de recibo foram aceitas e a glosa foi afastada, mantevese o lançamento no tocante às despesas que não puderam ser comprovadas pela contribuinte. Em relação à dedução indevida de previdência privada o entendimento foi de que pelos elementos trazidos aos autos, não era possível concluir que se tratava de despesas com plano de saúde. A contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 83/89) alegando que reconhecia o crédito tributário relativo às despesas médicas não comprovadas e juntou a DARF paga no valor de R$ 6.417,64, relativa ao valor não contestado. O cálculo observou em parte a decisão do acórdão, em especial a planilha de fl.72. Por fim, juntou nova declaração da CAMPERJ para cumprimento dos requisitos estabelecidos no acórdão. É o relatório. Voto Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres, relator. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 31/05/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10730.001691/200833 Acórdão n.º 2801003.987 S2TE01 Fl. 99 3 Conheço do recurso voluntário, visto que tempestivo e reunindo todas as condições de admissibilidade. O recurso é relativo apenas à glosa de dedução indevida de previdência privada e FAPI no valor de R$ 5.469,80, apontado pela fiscalização. A recorrente informou em sua impugnação que houve apenas um equívoco no momento do preenchimento do código de sua declaração de ajuste, sendo assim, a despesa é referente à dedução de despesas médicas. Foram juntadas duas declarações da CAMPERJ às fls. 21 e 89. Nesses casos mantenho o entendimento de que deve ser adotado o princípio do formalismo moderado, no sentido de aceitar documentos juntados ao Recurso Voluntário e que corroborem com os fundamentos veiculados no petitório. A dedução de despesas médicas está prevista no art.80 do RIR/99 e prevê: Art.80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei n º 9.250, de 1995, art. 8 º, inciso II, alínea "a"). §1 O disposto neste artigo (Lei n º 9.250, de 1995, art. 8º, § 2 º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza. II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. O acórdão recorrido entendeu por não aceitar a declaração juntada na impugnação, pois não era possível saber a natureza das contribuições e se estas se tratavam de plano de saúde. Na declaração de fl. 89 consta a natureza da CAMPERJ, qual seja: “associação de classe que presta assistência social aos membros do Ministério Público, entidade fechada e sem fins lucrativos, somente reembolsando as despesas médicas de seus associados, não tendo inscrição na ANS”. Desta forma, a despesa se enquadra na possibilidade de dedução contida no inciso II do artigo anteriormente citado, visto que se trata de uma caixa de assistência, que visa cobrir despesas médicas. Ainda, entendo que por mais que tenha havido equívoco no preenchimento da declaração, é possível aceitar neste momento a reclassificação da despesa, devido aos documentos juntados, bem como pela aplicação do princípio da verdade real. Diante do exposto, entendo ser dedutível tal despesa. Apenas ressalto que o valor a ser considerado é de R$ 5.356,80 conforme comprovantes da entidade juntados aos Fl. 99DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 31/05/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10730.001691/200833 Acórdão n.º 2801003.987 S2TE01 Fl. 100 4 autos. Na declaração apresentada pela contribuinte consta o valor de R$ 5.469,80, porém, para fins de dedução, será considerado o valor comprovado nos autos. Diante do exposto, o recurso deve ser parcialmente provido afastandose a glosa relativa às despesas com despesas médicas comprovadas no valor de R$ 5.356,80. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Flavio Araujo Rodrigues Torres. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 31/05/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN
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