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Numero do processo: 11080.919045/2012-75
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 25/11/2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 25/11/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado.
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DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 90 45 /2 01 2- 75 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919045/201275 Acórdão n.º 3801005.185 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919045/201275 Acórdão n.º 3801005.185 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa, contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de finalidade. Expõe que o ato administrativo resumiuse a informar a não homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de crédito disponível; entende que o procedimento correto da fiscalização seria o de intimar a contribuinte para que prestasse informações sobre a origem do crédito, bem como do fundamento de validade; e ressalta a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. Alega que o Despacho Decisório não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que carente de fundamentação, restando prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações, apreensão de documentos, diligências, dentre outros expedientes. Sob o tema “Do Mérito”, discorre especificamente sobre o princípio da verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do suposto crédito, apenas alegando a posterior juntada de documentos que comprovariam as ‘alegações trazidas na presente manifestação’, eis que o direito creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo. Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade da multa de mora em face do princípio constitucional de não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “ASSUNTO: ... Data do Fato Gerador: ... CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919045/201275 Acórdão n.º 3801005.185 S3TE01 Fl. 5 4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. 1PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório pleiteado. MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS. Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência de multa e juros de mora, nos percentuais determinados pela legislação, calculados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento da contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma vez que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. 1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins, consta COFINS. Nos processos em que o crédito seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919045/201275 Acórdão n.º 3801005.185 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919045/201275 Acórdão n.º 3801005.185 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919045/201275 Acórdão n.º 3801005.185 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919045/201275 Acórdão n.º 3801005.185 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919045/201275 Acórdão n.º 3801005.185 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13876.000831/2003-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/1998
DECADÊNCIA. PRAZO 05 (CINCO) ANOS. ARTIGO 150, § 4º CTN
O prazo decadencial para o lançamento das contribuições é de cinco anos a contar da ocorrência do fator gerador, art. 150, §4º do CTN para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.
DO DIREITO À COMPENSAÇÃO
O direito à compensação surge do pagamento indevido. Uma vez comprovado o recolhimento indevido, o valor deve ser restituído ao contribuinte, a uma porque inexistente fato gerador a suportar a exigência fiscal, e a duas, para evitar o enriquecimento sem causa jurídica da União Federal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.746
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator ad hoc.
EDITADO EM: 19/05/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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PRAZO 05 (CINCO) ANOS. ARTIGO 150, § 4º CTN O prazo decadencial para o lançamento das contribuições é de cinco anos a contar da ocorrência do fator gerador, art. 150, §4º do CTN para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. DO DIREITO À COMPENSAÇÃO O direito à compensação surge do pagamento indevido. Uma vez comprovado o recolhimento indevido, o valor deve ser restituído ao contribuinte, a uma porque inexistente fato gerador a suportar a exigência fiscal, e a duas, para evitar o enriquecimento sem causa jurídica da União Federal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator ad hoc. EDITADO EM: 19/05/2015 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 6. 00 08 31 /2 00 3- 85 Fl. 576DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13876.000831/200385 Acórdão n.º 3302002.746 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Adotase o relatório da decisão recorrida, por bem refletir a contenda. Contra a empresa qualificada em epígrafe foi lavrado auto de infração eletrônico de fls. 32/36, em virtude da apuração de falta de recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep do período de julho a dezembro de 1998, exigindoselhe o crédito tributário no valor total de R$47.486,19. O lançamento foi efetuado em decorrência da revisão de DCTFs do terceiro e quarto trimestres de 1998. Segundo tais declarações, os créditos do terceiro trimestre teriam sido compensados em razão do processo judicial nº 98.09020287, e os do quarto trimestre estariam com a exigibilidade suspensa pelo processo judicial nº 92.00501117. O enquadramento legal encontrase às fls. 33 e 36. Cientificada, a interessada apresentou a impugnação de fls. 3/22, na qual alegou que tais débitos foram compensados com crédito oriundo de Contribuição para o PIS/Pasep recolhida indevidamente nos termos dos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449/88 e sob amparo dos processos judiciais nº 98.09020287 e 92.00501117. Discorreu sobre a inconstitucionalidade do PIS, nos termos dos Decretos Leis, o que teria gerado um crédito seu contra a União Federal, passível de compensação nos moldes da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997. Alegou que o prazo para utilização dos indébitos deve ser contado segundo a regra dos cinco mais cinco (arts. 168, I e 150, § 4º do CTN), e portanto todos os seus pagamentos seriam passíveis de compensação. Argumentou também pela não aplicação dos juros calculados pela SELIC, por seu caráter remuneratório e desrespeito ao art. 161, § 1º do CTN, e da multa de ofício de 75%, pois os valores já haviam sido confessados, devendo ser reduzida para 20%. Através da Resolução nº 820 1ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto, o julgamento foi convertido em diligência com retorno dos autos à DRF (fls 281 a 283). Nela o relator solicitou a apuração dos indébitos alegados pela contribuinte, conforme decisões judiciais, considerandose como base de cálculo da contribuição o faturamento do sexto mês anterior ao do fato gerador, em consonância com o Parecer PGFN/CRJ nº 2.143, de 30/10/2006. De acordo com a Informação de fl. 516, do Serviço de Orientação e Análise Tributária da DRF em Sorocaba, depois de elaborados os cálculos conforme solicitado na resolução, inclusive com intimação à contribuinte para apresentação de documentação comprobatória das bases de cálculo da contribuição recolhida, chegouse a um indébito a que a contribuinte faria jus, suficiente para extinguir os débitos do presente processo. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13876.000831/200385 Acórdão n.º 3302002.746 S3C3T2 Fl. 4 3 Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da 4ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário. Intimada do acórdão supra em 08/08/2013, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 09/09/2013, uma segundafeira. É o relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator ad hoc. O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Da Decadência A natureza do lançamento tributário é determinada pela legislação do tributo, através da qual é imposto ao sujeito passivo, ocorrido o fator gerador, a obrigação de identificar a matéria tributável, apurar o imposto devido e efetuar seu pagamento. Travandose nos autos discussão acerca da exigibilidade do PIS, estamos falando de tributo sujeito a lançamento por homologação (art.150 do CTN), cujo prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário decai em cinco anos contados da data do fato gerador, já que o que se homologa é a atividade exercida pelo sujeito passivo, e não o pagamento propriamente dito. Assim, o contribuinte, ao valorar os fatos nos termos da norma aplicável, identificar a matéria tributável, o sujeito passivo e apurar o imposto devido, chegase a conclusão do valor a ser recolhido, ou não. Neste sentido, tendo em vista que o Auto de Infração foi lavrado em 05/07/2003, referente aos períodos de apuração do 4º trimestre de 1998, não há que se falar em decadência do direito da Fazenda Nacional lançar os referidos valores, visto que foi realizado dentro do prazo determinado nos termos do artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional: Artigo 150 – O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, Fl. 578DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13876.000831/200385 Acórdão n.º 3302002.746 S3C3T2 Fl. 5 4 considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.”(grifos nossos) Sob essa ótica, na inexistência de dolo fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial para os impostos e contribuições sujeitos ao lançamento por homologação deve ocorrer sob as regras do parágrafo 4º, do art. 150, do CTN, caso haja comprovação do recolhimento, ou demonstração da compensação realizada. Neste sentido, o seguinte julgado: “DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. APLICAÇÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) “contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito” (artigo 173, I do CTN); e da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este se dá (artigo 150, § 4º, do CTN). Por força do art. 62A do anexo II do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recurso especial negado.” (Acórdão 9202002.768. Sessão 06.08.2013) Assim estando a matéria pacificada neste Colegiado, bem como por imposição do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, deve aderir à tese esposada pelo STJ no Recurso Especial nº 973.733/SC, julgado em 12 de agosto de 2009, cujo acórdão foi submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, nos seguintes termos: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE Fl. 579DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13876.000831/200385 Acórdão n.º 3302002.746 S3C3T2 Fl. 6 5 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13876.000831/200385 Acórdão n.º 3302002.746 S3C3T2 Fl. 7 6 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (STJ – Resp 973.733. DJe 18.09.2009) Ademais, independente de a contribuição ter sido constituída através da entrega da DCTF pelo Recorrente, isto não impede que a Fazenda Nacional faça o lançamento da contribuição devida, muito embora uma vez formalizada pelo próprio contribuinte a existência da obrigação e do correspondente crédito tributário, resta suprida a necessidade da autoridade verificar a ocorrência do fato gerador, indicação do sujeito passivo, calcular o montante devido e notificar o contribuinte para realizar o pagamento. Veja que, a formalização do crédito tributário pode ser feita de diversas formas pelo contribuinte que cumpre as obrigações acessórias de apurar e declarar os tributos devidos (através da DCTF, GFIP, etc...), bem como pelo Fisco através da lavratura do Auto de Infração. Nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, compete a autoridade administrativa constituir o crédito tributário: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Portanto, não há impedimento para o Fisco constituir o crédito tributário, mesmo que o contribuinte tenha cumprido sua obrigação acessória de apresentar sua DCTF, o que supriria a necessidade de o Fisco realizar o lançamento. A declaração de débito realizada pelo contribuinte, não significa preclusão administrativa. A única declaração ipso jure do crédito tributário é a do Fisco, por força da norma insculpida no artigo 142 do CTN. O sujeito ativo tem a obrigação de fiscalizar, lançar e cobrar o tributo devido. Face ao exposto, rejeito a preliminar de prescrição. Do direito à compensação No que tange a compensação entendo assistir razão ao Recorrente. O direito à compensação surge do pagamento indevido. Uma vez comprovado o recolhimento indevido, o valor deve ser restituído ao contribuinte, a uma porque inexistente fato gerador a suportar a exigência fiscal, e a duas, para evitar o enriquecimento sem causa jurídica da União Federal. Prescrevem os artigos 165 do Código Tributário Nacional, e 74 da Lei nº 9.430/96: “Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja Fl. 581DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13876.000831/200385 Acórdão n.º 3302002.746 S3C3T2 Fl. 8 7 qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória.” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002)” Assim, o que interessa verificar é se houve ou não o pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo e em um determinado período de apuração. No mesmo sentido o artigo 5º, caput e inciso XXII da Constituição Federal preveem: “Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) XXII – é garantido o direito de propriedade.” Vale lembrar que toda e qualquer exigência por parte do Estado deverá ser feita com respaldo na lei, de modo que, se o contribuinte entrega aos cofres públicos valores alheios à legislação, a retenção de tais receitas pelo Estado representa indubitável ofensa ao direito de propriedade. Desta forma, tendo a Autora comprovado o recolhimento indevido aos cofres públicos da contribuição ao PIS nos termos dos DecretosLeis nº 2.445/88 e 2.449/88, conforme DARF´s (fls. 143/165), bem como pelos depósitos judiciais (fls. 166/189), cujos valores em nenhum momento foram contestados pelo Fisco, nasceu o seu direito à restituição do referido valor. Adicionalmente, importante denotar que a compensação era possível, pois em vigor à época o art. 66 da Lei no. 8.383/91, que permitia a compensação na conta gráfica. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13876.000831/200385 Acórdão n.º 3302002.746 S3C3T2 Fl. 9 8 Verifico também que consta nos autos as cópias dos Darfs (fls 146 a 164) . Todos os pagamentos foram confirmados nos sistemas (fls 295 a 298). Em atendimento à Intimação DRF/SOR/SEORT nº 0894/2012 CD, de 28/05/2012 (fl 303) , o contribuinte enviou planilhas demonstrando a apuração das Bases de Cálculo relativas ao faturamento do 6º mês anterior ao da ocorrência do fato gerador constantes do Demonstrativo de fls 131 . Enviou também cópia dos livros fiscais de onde foram extraídos os valores para compor as Bases de Cálculo informadas (312 a 504). A Fiscalização, atendendo a diligência proposta pela própria DRJ elaborou planilha (fl 506) e calculou o crédito a que o contribuinte faz jus oriundo do pagamento a maior de PIS. Posteriormente vinculou os saldos dos Darfs aos débitos de PIS objeto de análise neste processo. Repetindo o texto da informação fiscal, “o crédito apurado foi suficiente para compensar todos os débitos (fls 511 a 515). A decisão adotada pela DRJ, no entanto, entendeu que aqueles créditos apenas seriam suficientes para compensar aquela parte do 3º. Trimestre, mas não do quarto trimestre de 1998, pois o processo judicial não comprovaria a suspensão da exigibilidade. Isso ocorreu pois à época, analisandose o processo, julgado a posteriori, não caberia o recolhimento por base reduzida, inclusive porquê já regido por outra legislação, a MP no. 1.212/95. A única possibilidade portanto seria de termos créditos decorrentes do primeiro processo, em valores superiores aos já compensados no primeiro trimestre, mas da sua apuração isso não foi demonstrado. Conclusão Por todo exposto, conheço do recurso e negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator ad hoc. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 11052.000871/2010-14
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO CABIMENTO.
Não são cabíveis embargos de declaração, com fulcro no art. 65, Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, quando não demonstrada a omissão no v. acórdão embargado.
Numero da decisão: 1103-001.104
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, rejeitar os embargos por unanimidade.
Assinado digitalmente
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
Assinado digitalmente
Fábio Nieves Barreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: FABIO NIEVES BARREIRA
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NÃO CABIMENTO. Não são cabíveis embargos de declaração, com fulcro no art. 65, Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, quando não demonstrada a omissão no v. acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, rejeitar os embargos por unanimidade. Assinado digitalmente Aloysio José Percínio da Silva Presidente. Assinado digitalmente Fábio Nieves Barreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 00 08 71 /2 01 0- 14 Fl. 1622DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 11052.000871/201014 Acórdão n.º 1103001.104 S1C1T3 Fl. 3 2 Relatório A embargante opôs embargos de declaração, com fulcro no art. 65, Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, em razão da omissão existente no v. acórdão embargado (fls. ): 1. No que interessa aos presentes embargos de declaração, o v. acórdão de fls. 1.191/1.196 consignou o entendimento da Colenda 3a Turma Ordinária da Ia Câmara da Egrégia Ia Seção de Julgamento do CARF no sentido de não conhecei as razões de mérito do recurso voluntário interposto pela ora Embargante, sob a alegação de que haveria concomitância entre este processo administrativo e o Mandado de Segurança n° 2006.51.01.4903155. 2. De acordo com o v. acórdão de fls. 1.191/1.196 inexistiria a "diferenciação pretendida na medida em que a postulação no Judiciário abarca os quesitos processuais (causa de pedir e objeto) trazidos à Administração, é dizer, coincidência integral". 3.Concessa vênia, ao assim decidir, o v. acórdão de fls. 1.191/1.196 incorreu em grave omissão que merece ser, de pronto, sanada por essa Colenda Câmara. 4. Isso porque, pela leitura do v. acórdão de fls. 1.191/1.196 é possível verificar que o mesmo limitouse a afirmar que haveria coincidência integral entre os "quesitos processuais", sem fazer qualquer menção ao próprio conceito de concomitância entre processos, bem como em relação aos motivos pelos quais, nesse caso concreto, haveria a identidade alegada. Como conseqüência, a embargante requer: 13. Sendo assim, a Embargante respeitosamente requer o acolhimento e provimento dos presentes embargos de declaração, inclusive com efeitos modificativos, para que, sanada a omissão contida no v. acórdão embargado, seja conhecido, no mérito, o recurso voluntário interposto pela ora Embargante. É o relatório. Voto Conselheiro Fábio Nieves Barreira Diz o art. 65, Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e Fl. 1623DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 11052.000871/201014 Acórdão n.º 1103001.104 S1C1T3 Fl. 4 3 os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: (...) Portanto, são condições de admissibilidade do recurso: a) a interposição do recurso no prazo de cinco dias da intimação; e b) a demonstração da deficiência do v. acórdão, relativamente à omissão. O recurso é tempestivo, conforme fls. 1332, 1333 e 1350. Passase, então, a se investigar a presença das demais condições. Como já dito, a recorrente fundamenta a sua pretensão, na omissão do v. acórdão recorrido, que julgou prejudicado o recurso voluntário interposto pela recorrente, fundamentado na concomitância: Observo a legitimidade processual e o aviamento do recurso no trintídio legal. Pelo recurso voluntário conclui que inexiste controvérsia quanto ao fato da matéria estar sendo discutida no Judiciário, conduzido a tanto pela leitura dos itens 68 a 72 da peça recursal (fls. 1.114/1.115), nos quais a contribuinte defende a possibilidade de se defender em instância administrativa mesmo que haja medida judicial em andamento perante os Tribunais Pátrios, sob o entendimento de guarida constitucional, colacionando, inclusive, julgado do Conselho de Contribuintes com essa orientação (sem identificação, contudo, de qual dos três extintos Conselhos teria proferido o decisório nem tampouco qual seria o número do Acórdão). Posteriormente, iniciado o julgamento, a Recorrente trouxe em sua sustentação oral e também nos memoriais apresentados que a causa de pedir e o objeto do Mandado de Segurança nº 2006.51.01.4903155 não se confundem com os postulados no processo administrativo. Aqueles seriam o reconhecimento de direito líquido e certo à amortização do ágio enquanto estes a desconstituição de crédito tributário lançado com base na prática de simulação. Em se tratando de matéria de direito não vejo qualquer obstáculo na análise dessas novas razões. Enfrentando as, e rogando venia, concluo inexistir a diferenciação pretendida na medida em que a postulação no Judiciário abarca os quesitos processuais (causa de pedir e objeto) trazidos à Administração, é dizer, coincidência integral. Fl. 1624DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 11052.000871/201014 Acórdão n.º 1103001.104 S1C1T3 Fl. 5 4 Em sendo assim, há que se ter em mente o princípio constitucional da unidade de jurisdição, consagrado no art. 5º, XXXV da Constituição Federal de 05 de outubro de 1988, segundo o qual a decisão judicial sempre prevalece sobre a administrativa. Desse modo, a ação judicial tratando de determinada matéria infirma a competência administrativa para decidir de modo diverso, uma vez que, se todas as questões podem ser levadas ao Poder Judiciário, a ele é conferida a capacidade de examinálas de forma definitiva e com o efeito de coisa julgada. A propositura de ação judicial pela contribuinte, em razão disso, nos pontos em que haja idêntico questionamento, torna ineficaz o processo administrativo. De fato, havendo o deslocamento da lide para o Poder Judiciário perde o sentido a apreciação da mesma matéria na via administrativa, pois, do contrário, terseia a absurda hipótese de modificação de decisão judicial transitada em julgado e, portanto, definitiva, pela autoridade administrativa. Ademais, observo que a matéria já se encontra sumulada por esta Corte, de sorte que não mais comporta discussões.Vejase: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Oriento meu voto, pois, pelo não conhecimento do recurso, neste particular. A recorrente, por outro lado, alega: 5. Como sabido, para que haja concomitância entre um processo e outro, é imprescindível que tais processos sejam idênticos. Essa identidade entre os processos, por sua vez, deverá ser determinada pela análise de três itens, quais sejam (i) as partes; (ii) a causa de pedir; e (iii) o pedido. 6. Nesse sentido, é importante destacar que o v. acórdão de fls. 1.191/1.196, caso fizesse a análise detida da tríade processual do mandado de segurança e do presente processo administrativo, não chegaria, por óbvio, à conclusão de concomitância que resultou no não conhecimento do recurso voluntário interposto pela ora Embargante. 7. Vale dizer que, em parecer elaborado exatamente para o caso da ora Embargante, o Ilustre Professor Arruda Alvim (doc. 2), dissecando a tríade processual tanto do mandado de segurança quanto do processo administrativo, trata com brilhantismo da Fl. 1625DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 11052.000871/201014 Acórdão n.º 1103001.104 S1C1T3 Fl. 6 5 inexistência de concomitância entre os mesmos. Veja pequeno trecho tratando do tema em voga: (...) "Vejase, ademais, que o precedente mandado de segurança, anterior às autuações fiscais, versa a obrigação tributária: postulouse, judicialmente, a declaração da juridicidade da maneira como se pretendia calcular os valores de IRPJ e CSLL no futuro. Situação diversa ocorre na via administrativa quando, já autuada, a empresa insurgese precisamente em face desse lançamento tributário, com vistas a impedir a constituição definitiva do crédito. Os escopos dos pedidos melhor dizendo, a eficácia dos provimentos requeridos são absolutamente distintos, nas medidas judicial e administrativa analisadas. Isso porque o mandado de segurança com caráter preventivo tem um pedido de natureza declaratória, como reconhece o Superior Tribunal de Justiça: "Quando o mandado de segurança, antecipandose ao lançamento fiscal, não ataca ato algum da autoridade fazendária, prevendo apenas a sua prática, a sentença que concede a ordem tem natureza exclusivamente declaratória do direito a respeito do qual se controverte, induzindo o efeito da coisa julgada" (REsp 12184/RJ, Rei. Ministro ARI PARGENDLER, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/12/1995, DJ 26/02/1996, p. 3981). Essa é uma das principais aplicações, notese, do mandado de segurança preventivo em matéria tributária, em que "o contribuinte se antecipa ao fisco e procede ao pagamento [no caso, ao depósito judicial], o qual se sujeita, numa etapa posterior à conferência e homologação por parte da autoridade administrativa (CTN, art. 150" É o caso de que se cuida: o pedido declaratório não pressupõe ou demanda um lançamento. Pretendese tão somente declarar a juridicidade de uma relação ou situação jurídica. Não se busca a desconstituição do crédito tributário, mas, diversamente, antecipandose a esse lançamento, requerse um provimento judicial que afirme não ser devido determinado tributo. A tutela pleiteada é no sentido de eliminar uma incerteza jurídica atual e que se projeta no futuro, portanto. Deverá sobrevir uma decisão que se limita a reconhecer os contornos da relação jurídica, ou mesmo sua inexistência. Por outro lado, o que se passa nas impugnações é a insurgência do contribuinte em relação ao fato concreto da autuação, as características e o montante desta. (...) O que se busca evidenciar aqui é que essas impugnações ou "manifestações de inconformidade" trazem em si um pedido de cunho eminentemente constitutivo negativo, pois o que se pretende é anular, cancelar, ver desfeito o ato administrativo que determinou o lançamento tributário. Querse estabelecer "um novo status jurídico para os litigantes", com a desconstituição dos atos exarados pela Receita Federal. São, portanto, bastante diferentes o caráter declaratório do mandado Fl. 1626DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 11052.000871/201014 Acórdão n.º 1103001.104 S1C1T3 Fl. 7 6 de segurança preventivo, cujos efeitos operamse a toda relação jurídica futura, do caráter constitutivo (negativo) das impugnações administrativas, que pressupõem necessariamente ?*os específicos e só sobre eles produzirá efeito. Essa diferenciação, por si só, já implica dizer que uma discussão (a ji icial) não impede outras (administrativas) com objetivos e procedimentos estanques, diversos." ( fls. 14/17 do parecer acostado aos presentes embargos de declaração. Grifos nossos e do original.) i. Sem maiores delongas, a Embargante pede vênia para transcrever mais um trecho do parecer elaborado pelo Ilustre Professor Arruda Alvim em que é citado expressamente o v. acórdão ora embargado com o reconhecimento da necessidade de se analisar minuciosamente a defesa administrativa e o processo judicial para se verificar a existência ou não de concomitância. Ou seja, a necessidade de sanar a omissão alegada pela Embargante. Confirase: "Por outro lado, a linha de raciocínio do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no julgamento de um dos processos administrativos aqui analisados, é a seguinte: 'concluo inexistir a diferenciação pretendida na medida em que a postulação no Judiciário abarca os quesitos processuais (causa de pedir e objeto) trazidos à Administração, é dizer, coincidência integral. (...) De fato, havendo o deslocamento da lide para o Poder Judiciário perde o sentido a apreciação da mesma matéria na via administrativa, pois, do contrário, terse ia a absurda hipótese de modificação de decisão judicial transitada em julgado e, portanto, definitiva, pela autoridade administrativa" (CARF, Processo n. 11052.000871/201014, 1*> Câmara, Acórdão n. 110300.634, de 15/03/2012)'. Justamente por isso é que foi necessária a análise do início deste parecer: para que se pudesse observar se a mesma causa de pedir está a fundamentar a ação judicial e as impugnações na via administrativa apresentada pela empresa, isto é, se a insurgência da empresa deuse, nas duas vias (judicial e administrativa), com base em idênticos fundamentos." (fls. 23 do parecer. Grifos do original) 9. Ora, Ilustres Conselheiros, como se depreende da petição inicial do mandado de segurança preventivo (doc. 3), a Embargante identifica como objeto e causa de pedir a reorganização societária realizada que acabou por gerar ágio e tem como pedido a declaração da regularidade da operação societária e o reconhecimento do seu direito à amortização do referido ágio nos termos dos artigos 385 e 386 do Regulamento de Imposto de Renda de 1999. 10. Por outro lado, nestes autos, a Embargante identifica como objeto e causa de pedir o auto de infração lavrado pela Embargada, sob o argumento de que a Embargante teria equivocadamente reduzido seu lucro líquido no exercício de 2006, uma vez que o ágio amortizado era decorrente de uma Fl. 1627DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 11052.000871/201014 Acórdão n.º 1103001.104 S1C1T3 Fl. 8 7 operação simulada. Além disso, discutese, ainda, formalidades da autuação, a suspensão da exigibilidade do suposto crédito tributário e a impossibilidade de cobrança de juros de mora da Embargante. Nesse caso, o pedido da Embargante se limita ao cancelamento (nulidade ou desconstituição) do auto de infração. 11 Como não poderia deixar de ser, em sua detida análise, o Ilustre Professor Arruda Alvim concluiu pela não ocorrência da concomitância entre o presente processo administrativo e o Mandado de Segurança n° 2006.51.01.4903155. Confirase: "1) O Mandado de Segurança n° 2006.51.4903155 e os Processos Administrativos n° 11052.000828/201059, 11052.000.871/201014 e 11052.000.872/201069 possuem o mesmo objeto, pedido, ou causa de pedir? Não. ( . . . ) A diferença de fundamentos que embasam a ação judicial (declaratória) e a impugnação administrativa (constitutiva negativa) conduz à inarredável conclusão de que os pedidos na esfera administrativa não constam do processo judicial. E a distinção de fundamentos que os embasam evidencia a não identidade entre eles, o que acaba por revelar que ambas as formas de impugnação são efetivamente diferentes na exata medida em que seu objeto (pedido) e seu fundamento (causa de pedir) são diversos." (fls. 31 e 35 do parecer. Grifos nossos) 12 Diante disso, a Embargante tem como demonstrada a omissão incorrida pelo v. acórdão de fls. 1.191/1.196 a respeito das especificidades do caso e da patente inexistência de concomitância entre este feito e o Mandado de Segurança n° 2006.51.01.4903155. 13. Sendo assim, a Embargante respeitosamente requer o acolhimento e provimento dos presentes embargos de declaração, inclusive com efeitos modificativos, para que, sanada a omissão contida no v. acórdão embargado, seja conhecido, no mérito, o recurso voluntário interposto pela ora Embargante. 14. Ato contínuo, e na confiança de seu direito, a Embargante respeitosamente reitera os termos do seu recurso voluntário de fls. 1.133/1.178 como se aqui estivesse transcrito tudo o que lá consta, bem como requer que seja dado integral provimento ao seu apelo com o cancelamento da autuação fiscal lavrada contra a Embargante. Da análise das razões ofertadas pela recorrente, verificase que, para esta, a condição à concomitância seria a identidade entre partes, causa de pedir e pedido. Nessa linha, defende que o pedido efetuado nos processo e administrativo e judicial não teriam essa qualidade, posto que no primeiro, a sua natureza é constitutiva, enquanto no segundo, declaratória. Fl. 1628DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 11052.000871/201014 Acórdão n.º 1103001.104 S1C1T3 Fl. 9 8 Percebese, assim, que a omissão no acórdão, apontada pela recorrente, é indireta, conseqüência da decisão de impossibilidade de análise do mérito, por força de determinação regimental (concomitância). Nesse passo, entendo, não está presente a condição imposta no art.65, Anexo II, do Regimento do CARF, na medida em que o v. acórdão embargado não é omisso, na medida em que enfrentou causa prejudicial existente no processo. E, indo além, as condições à concomitância, estipuladas pela recorrente, não são as mesmas impostas pelo CARF, i.é., a natureza do pedido. Para este Órgão de jurisdição administrativa, basta a existência, em mesmo lapso temporal, de processos administrativo e judicial que discutam a mesmo objeto: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. O objeto, conforme lições de Sydnei Sanches (SANCHES, Sydney. Objeto do Processo e Objeto Litigioso do Processo. Porto Alegre: Revista Ajuris, n° 16, 1979), consiste: "por objeto do processo, em seu aspecto global de instrumento institucional de jurisdição, é toda matéria que nele deva ser apreciada pelo juiz, seja em termos de simples cognitio, seja em termos de judicium, envolvendo, pois os pressupostos processuais, as chamadas condições da ação e o próprio mérito; quanto a este examinará também a defesa do réu e do reconvindo, do chamado ao processo e do litisdenunciado (inclusive questões prévias);" Como se verifica do recurso voluntário interposto pela recorrente, fls. 1138, a condição exigida pelo CARF está satisfeita, pois denuncia que o objeto de ambos os processos são idênticos: 14. Na ocasião, a D. Fiscalização da Receita Federal adotou o entendimento de que a FICAP teria reduzido indevidamente o Lucro Líquido nos anoscalendário de 2001 a 2005, em virtude da exclusão, não autorizada pela legislação, de valores referentes a amortizações de ágio. Importa notar que, atualmente, o Processo Administrativo Fiscal n° 18471.000656/200645 encontrase pendente de julgamento perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("CARF"). 15. Em razão de possuir direito líquido e certo à redução do lucro líquido, no anocalendário de 2006 e seguintes, em virtude de a exclusão dos valores referentes às amortizações do ágio, com fundamento na perspectiva de rentabilidade futura, encontrarse expressamente autorizada na legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica ("IRPJ") e da Contribuição Social Fl. 1629DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 11052.000871/201014 Acórdão n.º 1103001.104 S1C1T3 Fl. 10 9 sobre o Lucro Líquido ("CSLL"), a FICAP ajuizou Mandado de Segurança distribuído sob o n° 2006.51.01.4903155. 16. Com vistas a se proteger contra a lavratura de novos autos de infração por parte das Autoridades Tributárias Federais, a FICAP efetuou nos autos do Mandado de Segurança n° 2006.51.01.4903155 o depósito judicial do montante integral não recolhido, a título de IRPJ e de CSLL, em virtude da exclusão dos valores referentes às amortizações do ágio do lucro líquido do anocalendário de 2006 e seguintes, suspendendo a exigibilidade de qualquer pretenso crédito tributário, nos exatos termos do artigo 151, inciso II, do Código Tributário Nacional. – Destacamos. Nesse passo, está correto o v. acórdão embargado, no que tange ao reconhecimento da concomitância e à sua extensão. Em decorrência, recebo os embargos de declaração interpostos, para negar lhes provimento, em decorrência da ausência do preenchimento dos requisitos de admissibilidade. Assinado digitalmente Fábio Nieves Barreira Relator Fl. 1630DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA
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Numero do processo: 13052.000020/2007-00
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano-calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (Acórdão nº CSRF 401-05838).
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9101-001.416
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Valmar Fonsêca de Menezes - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Orlando José Gonçalves Bueno (suplente convocado), José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Ausente, justificadamente, o Conselheiro João Carlos de Lima Junior.
Nome do relator: VALMAR FONSECA DE MENEZES
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A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (Acórdão nº CSRF 40105838). Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Valmar Fonsêca de Menezes Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 2. 00 00 20 /2 00 7- 00 Fl. 638DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Orlando José Gonçalves Bueno (suplente convocado), José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Ausente, justificadamente, o Conselheiro João Carlos de Lima Junior. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra decisão não unânime proferida pela extinta Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes no Acórdão nº 10323.273, sessão de 08/11/2007 (fls. 501/512), que deu provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar a multa isolada aplicada, com fulcro no art. 7º, I, do então vigente Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, Anexo II, de 25/06/2007. Extraise do Despacho de admissibilidade do recurso especial, às fls. 530, que: O acórdão foi recepcionado na Procuradoria da Fazenda Nacional em 11/06/2008, segundo Relação de Movimentação — RM n°. 13723, à fl. 516, considerandose esta intimada 30 (trinta) dias após (§§ 70 ao 90, do artigo 23, do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pela Lei n°. 11.457, de 16/03/2007, D.O.U. de 19/03/2007). 0 recurso especial foi encaminhado em 11/06/2008, conforme RM n°. 11175, à fl. 517, portanto, dentro do prazo de 15 dias (quinze) dias estabelecido no caput do artigo 15 do RICSRF. A recorrente insurgiuse contra a decisão que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso do contribuinte para afastar a exigência da multa isolada por não recolhimento de IRPJ e CSLL sobre bases estimadas. Asseverou que a decisão contrariou o disposto no art. 44, inciso II, "b", da Lei no 9.430/96 (com redação dada pela Lei n° 11.488/2007. Na parte que interessa à presente apreciação, o acórdão recorrido foi assim ementado: IRPJ. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO EM LANÇAMENTO LAVRADO PARA A COBRANÇA DO TRIBUTO. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de oficio exigida no lançamento para cobrança de IRPJ, visto que ambas penalidades tiveram como base o valor da receita omitida apurado em procedimento fiscal. Recurso voluntário a que se dá parcial provimento. Foram apresentadas contrarrazões pela contribuinte às fls. 547/552, as quais serão lidas em plenário. É o relatório. Fl. 639DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO 3 Voto Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, Relator O presente Recurso Especial preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, devendo ser conhecido. Extraise do relatório que a lide posta à nossa apreciação diz respeito a lançamento de ofício que consistiu na cobrança de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas do IRPJ/CSLL, com fulcro no art. 44, § 1º, inciso IV, atual art. 44, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/1996, concomitantemente com a multa de ofício de que trata o art. 44, inciso II, atual art. 44, § 1º, ambos da mesma Lei, lançadas em virtude de diferenças apuradas nos cálculos de variações cambiais relativas aos anoscalendário de 2003 e 2004. Por bem elucidar a matéria, peço vênia para transcrever o voto proferido por este Colegiado no acórdão CSRF nº 40105838, sessão de 15/04/2008, no processo nº. 13626.000292/200304, da lavra do i. Conselheiro Marcos Vinicius Néder de Lima, que adoto como razões de decidir: “(...). Após a edição desse dispositivo legal, inúmeros debates instalaramse no âmbito desse Conselho de Contribuintes, sobretudo acerca da aplicação cumulativa das sanções neles previstas. Na verdade, a leitura isolada dos enunciados do artigo 44 da Lei n° 9.430 tem levado alguns dos meus pares a sustentar a aplicação da multa isolada em todos os casos em que não houver recolhimento da estimativa. Sustentam que a sanção foi concebida justamente para assegurar efetividade ao regime da estimativa e preservar o interesse público. Ressalto, inicialmente, que a divergência não se situa na necessidade de dar efetividade ao regime de estimativa, porquanto o intérprete deve atribuir a lei o sentido que lhe permita a realização de suas finalidades. Mas, a pretexto de concretizálo, não se pode menosprezar o sentido mínimo do texto legal. Por força da segurança jurídica, a interpretação de normas que imponham penalidades deve ser atenta ao que dispõe os textos normativos e esses oferecem limites à construção de sentidos. Na verdade, Kelsen já dizia que toda norma legal deriva de uma vontade pré jurídica (um querer), mas a dificuldade do intérprete repousa na identificação de o que se reputará como sendo essa vontade. No dizer de Marçal Justen Filho, não há qualquer caráter predeterminado apto a qualificar o interesse como público. Sustenta que "o processo de democratização conduz à necessidade de verificar, em cada oportunidade, como se configura o interesse público. Sempre e em todos os casos, tal se dá por meio da intangibilidade dos valores relacionados aos direitos fundamentais1". Nessa trilha de raciocínio, iniciaremos pelo exame das formulações literais, isolando os enunciados prescritivos e sua estrutura lógica, para depois alcançar as significações normativas e, como produto final, a regra jurídica. Norma não são textos nem o conjunto deles, mas os sentidos construídos a partir da interpretação sistemática dos textos2. 1 MARÇAL, Justen Filho. Curso de Direito Administrativo. São Paulo: Saraiva, 2005, p.43/44. 2 Ricardo Guastini citado por Humberto Asila em Teoria dos Princípios, São Paulo: Malheiros, 2005, p.22. Fl. 640DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO 4 Nesse sentido, o artigo 44 da Lei n° 9.430/96 prescreve, de forma sintética, o seguinte: HIPÓTESE CONSEQÜÊNCIA Dado que houve falta de pagamento ou recolhimento, recolhimento após o vencimento do prazo, sem acréscimo de multa moratória Pagar multa de 75% ou 150%3, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição (art. 44, caput, inciso I e II) Dado que pessoa jurídica está sujeita ao pagamento do IR de forma estimada, ainda que tenha apurado base de cálculo negativa no ano correspondente. Pagar multa isolada de 75% calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição (caput, art. 44, §1º, IV) Dado que a pessoa jurídica prova, por meio de balanço ou balancetes mensais, que o valor acumulado excede o valor do imposto calculado com base no lucro real do período. Dispensar recolhimento por estimativa (art. 44, §1º, IV c/c art. 35, §2º, da Lei 8981/95). O exame literal dos textos legais acima transcritos evidencia que o caput do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 determina que a multa seja calculada "sobre a totalidade ou diferença de tributo". Ou seja, as penalidades previstas nos incisos I e II, e no §1°, IV, referemse todas à falta de pagamento de tributo. Assim, ambas as penalidades discutidas nesse processo, por força da previsão legal, incidem sobre a mesma base de cálculo, ao contrário, do quer fazer crer a Procuradoria da Fazenda Nacional. Importante firmar que o valor pago a título de estimativa não tem a natureza de tributo, eis que, juridicamente, o fato gerador do tributo só será tido por ocorrido ao final do período anual (31/12). O valor do lucro — base de cálculo do tributo só será apurado por ocasião do balanço no encerramento do exercício, momento em que são compensados os valores pagos antecipadamente em cada mês sob bases estimadas e realizadas outras deduções desautorizadas no cálculo estimado. O aplicador, diante dessas proposições extraídas do texto legal, deve buscar a interpretação que alcance a coerência interna do conjunto, por isso a construção lógica da regra jurídica não pode levar ao cumprimento de um enunciado prescritivo e ao necessário descumprimento de outro do mesmo dispositivo legal. O intérprete deve buscar o sentido do conjunto que afaste contradições, afinal, dentre a moldura de significações possíveis de um texto de direito positivo a escolha do intérprete de ser feita em consonância com todo ordenamento jurídico. Nesse sentido, vale lembrar que o rigor é maior em se tratando de normas sancionatórias, não se devendo estender a punição além das hipóteses figuradas no texto. Além da obediência genérica ao princípio da legalidade, devem também atender a exigência de objetividade, identificando com clareza e precisão, os elementos definidores da conduta delituosa. Para que seja tida como infração, a ocorrência da vida real, descrita no suposto da norma individual e concreta expedida pelo órgão competente, tem de satisfazer a todos os critérios identificadores tipificados na hipótese da norma geral e abstrata. A insegurança, sobretudo no campo de aplicação de penalidades, é absolutamente incompatível com a essência dos princípios que estruturam os sistemas jurídicos no contexto dos regimes democráticos. Reportandome a doutrina de Paulo de Barros Carvalho, a base de cálculo da regra sancionatória, à semelhança da regra de incidência tributária, apresenta três funções: (i) compor a específica determinação da multa; (ii) medir a dimensão econômica 3 A hipótese de majoração da multa de oficio para 150% está prevista no inciso lido art. 44 da Lei n°9.430/96 caso identificado verdadeiro intuito de fraude. Fl. 641DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO 5 do ato delituoso, e (iii) confirmar, infirmar ou afirmar o critério material da infração. A primeira função permite apurar o montante da sanção. Na segunda, o valor adotado como base de cálculo busca aferir o quanto o sujeito ativo foi prejudicado (função reparadora) e para garantir eficácia a norma (função desestimuladora da conduta ilícita). Por fim, a última função da base de cálculo atende a exigência de proporcionalidade entre o delito e a sanção. Se a conduta visa coibir falta de pagamento de tributo, a base de cálculo apropriada é o montante não pago. Se, por outro lado, a conduta ilícita referese ao descumprimento de um dever instrumental não relacionado à falta de recolhimento de tributo, não seria razoável adotar essa grandeza como base de cálculo. Nessa mesma linha, a adoção de bases de cálculo e percentuais idênticos em duas regras sancionadoras faz pressupor a identidade ou, pelo menos, a proximidade da materialidade dessas condutas ilícitas. Ou seja, sanções que têm a mesma base de cálculo devem, em princípio, corresponder a idêntica conduta ilícita. Essas conclusões aplicadas à legislação tributária evidenciam o desarranjo na adequação das regras sancionadoras atualmente vigentes no imposto sobre a renda, em que ofensas a bens jurídicos de distintos graus de importância para o Direito são atribuídas penas equivalentes, sem que se atente ao princípio da proporcionalidade punitiva. A punição prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430/96 pelo nãorecolhimento do tributo (75% do imposto devido) é equivalente a punição prevista no mesmo artigo pelo descumprimento do dever de antecipar o mesmo tributo (75% do valor da estimativa). Em certos casos, a penalidade isolada chega a ser superior a multa de oficio aplicada pelo não recolhimento do tributo no fim do ano. Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinada conduta, é importante identificar o bem jurídico tutelado pelo Direito. Nesse sentido, para a solução do conflito normativo, devese investigar se uma das sanções previstas para punir determinada conduta pode absorver a outra, desde que o fato tipificado constitui passagem obrigatória de lesão, menor, de um bem de mesma natureza para a prática da infração maior. No caso sob exame, o não recolhimento da estimativa mensal pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. Com efeito, o bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Assim, a interpretação do conflito de normas deve prestigiar a relevância do bem jurídico e não exclusivamente a grandeza da pena cominada, pois o ilícito de passagem não deve ser penalizado de forma mais gravosa que o ilícito principal. É o que os penalistas denominam "princípio da consunção". Segundo as lições de Miguel Reale Junior: "pelo critério da consunção, se ao desenrolar da ação se vem a violar uma pluralidade de normas passandose de uma violação menos grave para outra mais grave, que é o que sucede no crime progressivo, prevalece a norma relativa ao crime em estágio mais grave..." E prossegue "no crime progressivo, portanto, o crime mais grave engloba o menos grave, que não é senão um momento a ser ultrapassado, uma passagem obrigatória para se alcançar uma realização mais grave".4 Assim, não pode ser exigida concomitantemente a multa isolada e a multa de oficio na hipótese de falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também pela falta de antecipação sob a forma estimada. Cobrase apenas a multa de oficio por falta de recolhimento de tributo. 4 Instituições de Direito Penal, Pane Geral. Rio de Janeiro: Forense, 2002, págs. 276 e 277 Fl. 642DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO 6 Essa mesma conduta ocorre, por exemplo, quando o contribuinte atrasa o pagamento do tributo não declarado e é posteriormente fiscalizado. Embora haja previsão de multa de mora pelo atraso de pagamento (20%), essa penalidade é absorvida pela aplicação da multa de oficio de 75%. É pacífico na própria Administração Tributária, que não é possível exigir concomitantemente as duas penalidades — de mora e de oficio — na mesma autuação por falta de recolhimento do tributo. Na dossimetria da pena mais gravosa, já está considerado o fato de o contribuinte estar em mora no pagamento. Nesse sentido, cabe ressaltar que a Medida Provisória 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, veio a disciplinar posteriormente a aplicação de multas nos casos de lançamento de oficio pela Administração Pública Federal. Esse dispositivo legal veio a reconhecer a correção da jurisprudência desta Câmara, estabelecendo (que) a penalidade isolada não deve mais incidir "sobre a totalidade ou diferença de tributo", mas apenas sobre "valor do pagamento mensal" a título de recolhimento de estimativa. Além disso, para compatibilizar as penalidades ao efetivo dano que a conduta ilícita proporciona, ajustou o percentual da multa por falta de recolhimento de estimativas para 50%, passível de redução a 25% no caso de o contribuinte, notificado, efetuar o pagamento do débito no prazo legal de impugnação (Lei no 8.218/91, art. 6°). Assim, a penalidade isolada aplicada em procedimento de oficio em função da não antecipação no curso do exercício se aproxima da multa de mora cobrada nos casos de atraso de pagamento de tributo (20%). Providência que se fazia necessária para tornar a punição proporcional ao dano causado pelo descumprimento do dever de antecipar o tributo. (...).” Por esses fundamentos, que adoto como razões de decidir, nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, mantendo, consequentemente, a decisão exarada no acórdão recorrido. É como voto. (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Fl. 643DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO
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Numero do processo: 13816.000188/2004-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 1997, 1998
ERRO NA ELEIÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. INOCORRÊNCIA DA EXTINÇÃO DA PESSOA JURÍDICA NA AUSÊNCIA DE BAIXA DOS RESPECTIVOS REGISTROS. APLICAÇÃO DO PARECER NORMATIVO CST N. 191/72.
Se, por ocasião do lançamento, ainda não havia ocorrido a baixa dos respectivos registros, inscrições e matriculas nos órgãos competentes, não há que se falar em extinção da pessoa jurídica e conseqüente erro na eleição do sujeito passivo. Aplicação do item 6 do Parecer Normativo CST n° 191/72.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO BASEADO EM MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA NÃO IDENTIFICADA. INCLUSÃO DE NOVOS VALORES EM DILIGÊNCIA. TERMO FINAL NO MOMENTO DA INTIMAÇÃO DA DILIGÊNCIA.
No caso de lançamento baseado em omissão de receita identificada em depósitos bancários de origem não comprovada, a eventual inclusão de novos valores por ocasião de trabalho de diligência, movimenta o termo final da contagem do prazo decadencial para o momento da intimação do contribuinte acerca do trabalho de diligência, uma vez configurada hipótese de reexame com inovação.
FISCALIZAÇÃO PRETÉRITA. INOCORRÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO. POSSIBILIDADE DE REEXAME PELO FISCO. ART. 149 DO CTN.
Conforme disposto no art. 149 do CTN, pode a fiscalização, desde que dentro do prazo legal, efetuar a revisão do lançamento.
O reexame de fatos jurídico-tributários é um permissivo que visa atender a indisponibilidade de interesses do Estado.
PRINCIPIO DA ECONOMIA PROCESSUAL. FATO GERADOR JULGADO EM OUTRO PROCESSO. EFEITO REFLEXO.
Uma vez analisadas todas as particularidades relacionadas ao lançamento dos tributos de que tratam os autos do processo, não cabe o reexame da conduta do Contribuinte ao período em análise nos autos e relacionadas à matéria tributável que serviu de fundamento para o lançamento combatido, se esta já foi julgada em outro processo administrativo, não fazendo qualquer sentido efetuar julgamento em sentido contrário.
Numero da decisão: 1201-001.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em AFASTAR as preliminares suscitadas, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício.
(assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAUJO - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator.
EDITADO EM: 01/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo (Presidente), Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco (Suplente Convocado) e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: Relator
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em AFASTAR as preliminares suscitadas, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAUJO - Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator. EDITADO EM: 01/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo (Presidente), Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco (Suplente Convocado) e Luis Fabiano Alves Penteado.
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INOCORRÊNCIA DA EXTINÇÃO DA PESSOA JURÍDICA NA AUSÊNCIA DE BAIXA DOS RESPECTIVOS REGISTROS. APLICAÇÃO DO PARECER NORMATIVO CST N. 191/72. Se, por ocasião do lançamento, ainda não havia ocorrido a baixa dos respectivos registros, inscrições e matriculas nos órgãos competentes, não há que se falar em extinção da pessoa jurídica e conseqüente erro na eleição do sujeito passivo. Aplicação do item 6 do Parecer Normativo CST n° 191/72. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO BASEADO EM MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA NÃO IDENTIFICADA. INCLUSÃO DE NOVOS VALORES EM DILIGÊNCIA. TERMO FINAL NO MOMENTO DA INTIMAÇÃO DA DILIGÊNCIA. No caso de lançamento baseado em omissão de receita identificada em depósitos bancários de origem não comprovada, a eventual inclusão de novos valores por ocasião de trabalho de diligência, movimenta o termo final da contagem do prazo decadencial para o momento da intimação do contribuinte acerca do trabalho de diligência, uma vez configurada hipótese de reexame com inovação. FISCALIZAÇÃO PRETÉRITA. INOCORRÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO. POSSIBILIDADE DE REEXAME PELO FISCO. ART. 149 DO CTN. Conforme disposto no art. 149 do CTN, pode a fiscalização, desde que dentro do prazo legal, efetuar a revisão do lançamento. O reexame de fatos jurídicotributários é um permissivo que visa atender a indisponibilidade de interesses do Estado. PRINCIPIO DA ECONOMIA PROCESSUAL. FATO GERADOR JULGADO EM OUTRO PROCESSO. EFEITO REFLEXO. Uma vez analisadas todas as particularidades relacionadas ao lançamento dos tributos de que tratam os autos do processo, não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 6. 00 01 88 /2 00 4- 85 Fl. 699DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 2 cabe o reexame da conduta do Contribuinte ao período em análise nos autos e relacionadas à matéria tributável que serviu de fundamento para o lançamento combatido, se esta já foi julgada em outro processo administrativo, não fazendo qualquer sentido efetuar julgamento em sentido contrário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em AFASTAR as preliminares suscitadas, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator. EDITADO EM: 01/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo (Presidente), Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco (Suplente Convocado) e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Contra a Recorrente foi lavrado, em 24/12/2002, ciência em 26/112/2002 e 27/12/2002, nas pessoas do Sr. José Albino Lento, CPF sob n 051.777.38809, e da Sra. Magali Aparecida Sganzerla, CPF sob n°023.364.95813, respectivamente, auto de infração relativo ao IRPJ (Proc. N. 13819.005008/200260), pertinente aos trimestres de 1997 e 1998, já considerados em fiscalização pretérita, inclusive. Reflexamente, formularamse exigências de CSLL, Cofins, Contribuição ao PIS, e IPI — este último recebeu autuação em separado, nos autos sob n° 13819.005009/200212. Posteriormente, os créditos tributários discutidos neste último processo foram transferidos para os presentes autos – Proc. n.13816,000188/200485. As exigências se pautaram na omissão de receita caracterizada pela ausência de demonstração da origem de recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira (Lei n° 9.430/96, art. 42). Porque o Fl. 700DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13816.000188/200485 Acórdão n.º 1201001.151 S1C2T1 Fl. 694 3 contribuinte em questão estaria submetido à sistemática do lucro real e, para tanto, não mantivera escrituração contábilfiscal, o lucro foi arbitrado com fundamento na Lei n° 8.981/95, art. 47, inciso I. Assim, os presentes autos tratam da exigência reflexa do IPI cujo total lançado, também incluindo multa (150%) e juros de mora, alcançou o valor de R$ 12.259.673,42. O contribuinte, em 24/01/2003, apresentou Impugnação nos termos seguintes: 1. Haveria erro na identificação de sujeito passivo, porquanto uma série de atos daria mostras da extinção da pessoa jurídica Diet Dolly Refrigerante Ltda. 2. Devese considerar a "baixa" regular da pessoa jurídica perante os órgãos de fiscalização (Secretaria da Receita Federal incluída), necessariamente estaria em ordem com respeito aos pagamentos de débitos tributários de sua responsabilidade, bem como em relação à apresentação de declarações eventualmente exigíveis. Se houve autuação, esta deveria ser debitada à incúria da Administração Pública no que importa à manutenção e atualização de suas bases de dados. 3. A notícia da inclusão do IPI no bojo das autuações só teria ocorrido na data da própria lavratura do auto de infração, fato que desnaturaria a higidez do lançamento, vez que, de rigor, tanto a emissão de MPFC, bem como a ciência dos sócios, deveriam ser prévias ao inicio dos trabalhos de fiscalização. 4. Fiscalização pretérita, da qual, inclusive, resultou a lavratura de auto de infração pertinente ao IPI e seus reflexos (IRPJ incluído), além de outras exigências por descumprimento de obrigação acessória, todos compreensivos dos períodos aqui autuados (1997 e 1998), afastaria a possibilidade de reexame. Entende o contribuinte que estaria sob os auspícios da homologação do Fisco Federal, inalcançável a uma segunda autuação. 5. Que os fatos geradores de 10/01/1997 a 20/02/1997, foram alcançados pela decadência, com respaldo no art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. 6. A movimentação financeira não se prestaria a medir eventual acréscimo patrimonial e, portanto, não haveria que se falar em materialidade suficiente para a incidência do imposto de renda. Mesmo a Lei n° 9.430/96, art. 42, não encamparia tal interpretação. Haveria, antes de tudo, a par da movimentação financeira, de se continuar o procedimento fiscalizatório no sentido de buscar outros indícios que bastassem a autuação. 7. A Lei n° 9.311/96, art. 11, § 3°, vedaria a utilização de informações levantadas em função da apuração da CPMF para o efeito de "constituição do crédito Fl. 701DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 4 tributário relativo a outras contribuições ou impostos". E, a alteração ai inserida pela Lei n° 10.174/01, que franqueia, justamente, a hipótese contrária, não teria o condão de alcançar fatos pretéritos à sua edição, como os considerados nessa autuação. Mais, também a Lei Complementar n° 105/01, e respectivo Decreto n° 3.724/01 que lhe regulamenta o art. 6°, não se vergariam em direção ao passado. 8. A soma dos valores creditados em conta de depósito (Banco Bradesco S/A, conta n° 120273, agencia 272; HSBC Bank Brasil S/A, conta n° 006972, agência 403; Banco Noroeste S/A, conta n° 505152, agência 029), assim apurada pela fiscalização, levaria ao cômputo de uma base tributável (suposta, a vista dos argumentos acima) incerta. 9. Ainda quanto à suposta imprecisão, agora não mais com respeito aos valores informativos da base de cálculo do IPI (depósitos bancários não justificados), mas propriamente em relação à metodologia de cálculo do valor devido, são criticados; (1) o preço médio por unidade adotado pela fiscalização e constante do demonstrativo de fls. 167/169; (2) o descompasso entre os códigos dos produtos considerados nos demonstrativos (22.02.90.01.01 e 22.02.90.01.02), quando comparados com o código de igual propósito no auto de infração à fl. 179 (22.02.10.00); (3) a obscuridade no cômputo dos "Valores Omitidos ainda não lançados" constante do demonstrativo de fls. 167/169; (4) o fato de não haver sido considerada a redução de 50% de In à conta de adição de suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná, "de acordo corn a NC (221) da TIPI, [...] colocada ao final do Anexo ao Decreto n°97.976, de 18 de julho de 1989". 10. Os exsócios não tiveram ciência da intimação para apresentação de livros e documentos da pessoa jurídica. Demais disso, a intercorrência de caso fortuito (inundação) dera causa à destruição de tais livros e documentos. 11. A imputação da multa de oficio majorada (150%) suporia a demonstração cabal de prática dolosa tendente a frustrar o nascimento da obrigação tributária e/ou o conhecimento desta pela autoridade tributária. Ocorre que o auto de infração em debate não teria passado da simples afirmação, sem mais provas, da ocorrência, em tese, de crime de sonegação fiscal. Os depósitos bancários considerados na autuação, para além de não representarem, por mote próprio, a evidência de renda tributável (como já defendido), também seriam imprestáveis para idêntico propósito quando se tem em conta o enfrentamento de caso fortuito (inundação), que teria destruído livros e documentos fiscalcontabeis. Dal, a melhor conclusão seria dizer que não restaria espaço para a ilação afirmativa de crime de sonegação. 12. Ilegal seria a aplicação da taxa SELIC como taxa de juros. Em 01/12/2003 o julgamento da DRJ foi convertido em diligência. O Resultado da diligência solicitada foi a reformulação do indigitado "Demonstrativo de Valores Creditados" e conseqüente retificação do auto de infração constante deste processo sob n° 13819.005000/200212. No mais, a fiscalização ratifica tudo quanto antes exigido. Fl. 702DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13816.000188/200485 Acórdão n.º 1201001.151 S1C2T1 Fl. 695 5 Diante do resultado da diligência, intimada, a Recorrente acresceu os seguintes pontos em relação à impugnação antes ofertada: 13. Que ora se cuida de novo lançamento, mais gravoso, inclusive, que o anterior. À conta disto, mereceria conhecer da razão do rearranjo do "Demonstrativo de Valores Creditados”, bem como a oportunidade de participar da reformulação operada. Dirseia novo lançamento, aliás, a propósito da inserção, no mencionado demonstrativo, de créditos bancários antes não considerados. 14. Que, pelo disposto no § 3° do art. 18 do Decreto n° 70.235/72, o caso seria de lançamento complementar (em função do agravamento resultante da diligência) e não de novo lançamento. 15. Que, firme na hipótese de se ter, correntemente, um novo lançamento, este cientificado ao contribuinte em 02/01/2004 (via postal), todos os fatos geradores havidos nos decêndios de 1997 e de 1998, seriam inalcançáveis ao lançamento à força da decadência, consoante o CTN, art. 150, § 4°. 16. Que, em oposição à razão do arbitramento (contribuinte obrigado àtributação com base no lucro real que não mantém escrituração na forma das leis comerciais e fiscais), e à vista do caso fortuito enfrentado (inundação), que inutilizara livros e documentos seus, não teria sido intimado a proceder à reconstituição da sua escrita fiscal e contábil. A decisão da DRJ de Campinas julgou procedente em parte o lançamento, contestando cada um dos pontos apresentados na Impugnação: Em relação aos itens 1 e 2: a) Afirmase o distrato social, mas não há prova de seu necessário registro na Junta Comercial competente, o que vincularia terceiros em face do caráter público do Registro. b) Afirmase a baixa de inscrição no CNPJ, motivado por extinção da pessoa jurídica, mas não há prova da Certidão respectiva. E dizer, a eleição do presente sujeito passivo é conforme; Diet Dolly Refrigerantes Ltda., CNPJ sob n° 74.444.054/000143, gozava, à falta de melhor prova em contrário, de personalidade jurídica na época da lavratura e ciência do auto de infração. c) Os fatos alcançados nesta autuação são anteriores à data da suposta baixa (24/06/1999), época em que já figuravam como sócios o Sr. José Albino Lento (que assinava pela sociedade) e a Sra. Magali Aparecida Sganzerla, pessoas para as quais todas as intimações (via postal) foram dirigidas e, ainda, as mesmas que interpõem, em nome da pessoa jurídica, a presente impugnação. Fl. 703DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 6 Referente aos ítens 3,4 e 5, primeiramente, quanto à noticia de que a inclusão do IPI no bojo das autuações (processo sob n°13819.005009/200212) só teria ocorrido na data da própria lavratura do auto de infração, a hipótese versa exigência reflexa da de IRPJ (processo sob n° 13819.005008/200260). Assim, as exigências de CSLL, PIS, Cofins de IPI dimanam imediata e diretamente da conclusão dos trabalhos sobre o IRPJ. Ciência de atos e lermos, MPF's, todos enfim, são considerados no curso do trato com a matéria de IRPJ autuada. Considerando a comparação traçada pelo contribuinte entre, de um lado, os processos administrativotributários sob n° 13819.005008/200260 (IRPJ, e exigências reflexas de PIS,Cofins e CSLL) e n° 13819.005009/200212 (exigência de IPI, também reflexa da de IRPJ), e, por outro turno, aqueles outros estanques nos processos administrativotributários sob n° 13819.000360/200138 (IPI/Bebidas), n° 13819.000361/2001 72 (IRPJ/CSLL), n° 13819.000362/200117 (Cofins), n°13819.000363/200161 (PIS), n° 13819.000361/200172 (DIRP/DIPJ), n° 13819.000364/200114 (DCTF/DIRF), n° 13819.000365/200151 (DIPI/Normal e Bebidas), logo se vê que a qualidade da matéria tributável sob interesse é distinta. Assim é que nas ações fiscais pregressas focouse atenção na emissão de 561 notas fiscais de saída de produtos, bem como no adimplemento de obrigações acessórias. Já na presente ação fiscal (consoante das autuações de IRPJ, PIS, Cofins e CSLL, no processo sob n° 13819.005008/200260, e, também, de IPI, no processo sob n° 13819.005009/200212) esteve sob zelo a ausência de demonstração da origem de recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira. Uns e outros tratam de omissão de receita, porém de olhos d'água distintos. Portanto, à base do que antes dito, de reexame não se cuida, sendo, e desde sempre, de outro lançamento que não guarda relação alguma com os anteriores. E, se a qualidade da materialidade tributável ora apreciada é diversa, mesmo em tese fica impossível falar de homologação anterior. Quanto à decadência, há tempo em favor da Fazenda para promoção do lançamento de ofício. De fato, pois é o primeiro decêndio do mês de janeiro de 1997, para o IPI. Por outro lado, não consta nos sistemas informatizados da SRF (11s. 4541461) pagamento de IPI, e, mesmo que houvesse, porque se trata da hipótese de omissão de receita, não é crível acreditar que o Fisco tenha o dom da onisciência para homologar o que efetivamente desconhece. Para mais disso, a omissão de receita, como aqui configurada, fortalece a hipótese de intenção de fraudar ou simular. A regular o prazo decadencial, portanto, o CTN, art. 173, inciso I, no caso do IPI. Quanto à questão suscitada no ítem 6, a autuação não se fundou em presunção hominis. A autuação pautouse em presunção legal relativa. Em particular, no que disposto na Lei n° 9.430/96, art. 42. Relativo ao item 7, tudo quanto presente na Lei n°10.147/01, na Lei Complementar n° 105/01 e, também, no Decreto n° 3.724/01, não é senão instrumento adicional posto a disposição da fiscalização para conformar o ato administrativo de lançamento. Não tratam, nem de longe, de norma tributária material/substantiva. Veiculam, ao contrário, normas tributárias formais/adjetivas. Prestamse a retroação. Fl. 704DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13816.000188/200485 Acórdão n.º 1201001.151 S1C2T1 Fl. 696 7 Em relação aos itens 8, 13, 14 e 15, o Demonstrativo de Valores Creditados evidenciava descompasso entre, de um lado, as colunas "contacorrente", "data" e "histórico", e, d'outro turno, a coluna "valor", isso quando cotejado com os extratos de fls. 30/52, 54/107 e 109/135. A diligência resolveu o problema. Porém, excluiu e acresceu "linhas" ao Demonstrativo original, ou seja, depósitos ora foram desconsiderados, ora novos depósitos forma incluidos. A porção excluída permanece como sugerido pela fiscalização. Quanto à porção acrescida, porque representa hipótese de reexame com inovação, verificouse que os novos depósitos considerados entre Janeiro/1997 a Dezembro/1998, para o IPI, foram alcançados pela decadência, vez que os representantes da Recorrente foram intimados do resultado da diligência em 02/01/2004 e 05/01/2004. No mais, acresçase que, na oportunidade própria, justamente quando da ciência do resultado da diligência e apresentação de contrarazões, escolheu o contribuinte a via da negação geral, sem dizer precisamente o ponto sobre o qual guardava controvérsia (qual depósito bancário acrescido à relação original não merecedor dessa sorte). Este tipo de expediente é negado pelo art. 16, inciso III, do Decreto n° 70.235/72. Referente aos itens 9, 10 e 16, destaca que não é verdade que os sócios não foram intimados a apresentar livros e documentos da escrituração fiscal e contábil da pessoa jurídica, conforme se depreende do Termo de Início de Fiscalização à fl. 05 e respectiva ciência, via postal, fl. 07, nas pessoas do Sr. José Albino Lento, CPF sob n° 051.777.38809, e da Sra. Magali Aparecida Sganzerla, CPF sob n° 023.364.95813. Quanto ao caso fortuito, a cópia do documento apresentado a fl. 243 não faz referencia a livros e documentos do ano de 1998, e, segundo, que mesmo para aqueles livros e documentos de 1997, cumpriria ao contribuinte dar conseqüência ao disposto no art. 201, § 10, do RIR/94. Demais disso, ainda para os livros e documentos de 1997, há o que dispunha o art. 39 da Lei n° 9.430/96, no sentido de se haver as excludentes de força maior e caso fortuito como irrelevantes para a adoção do arbitramento. Quanto à insurgência frente aos demonstrativos apresentados, e metodologia de cálculo do IPI, digase, antes de tudo, que referidos demonstrativos e mencionada metodologia de cálculo são pertinentes à exigência, sim, de IPI, mas aquela configurada nos autos do processo administrativofiscal sob n° 13819.00360/200128. Para tal, como já foi adiantado, apresentada a competente impugnação, esta foi dada por intempestiva. Assim, a matéria ali tratada restou definitivamente constituída para todos os efeitos administrativos. Assim, tudo que procede daquela autuação não pode ganhar, aqui, nova oportunidade para impugnação. Os valores autuados no processo sob n°13819.00360/200128 serviam para reduzir a autuação no processo presente. No caso exposto ao ítem 11, a omissão de receita, representada por depósitos em contacorrente e sem explicação de sua origem até o momento, leva a crer a intenção de ocular fato tributário Fazenda Pública, sendo correta a aplicação da multa de 150% porque ali vislumbrou a possibilidade de fraude contra a ordem tributária. Fl. 705DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 8 Por fim, quanto ao questionamento voltado contra a aplicação de juros à taxa Selic, no item 12, digase que está fora do escopo do processo administrativo fiscal, a emissão de juízo que resvale sobre aspectos de constitucionalidade ou de legalidade em tese da norma jurídica. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário, por meio do qual ratifica os argumentos trazidos na Impugnação inicial e na manifestação acerca do resultado de diligência. Em decisão de 08/11/2012 a 2° Turma da 2° Câmara desta 1°Seção de Julgamento, com base no RICARF e art. 2º, § 1º da Portaria CARF nº 02 de 2012, decidiu pelo sobrestamento do julgamento do recurso, vez que a autuação foi precedida de fiscalização que intimou instituições bancárias a disponibilizar extratos das contascorrentes de titularidade da empresa, por meio de Requisição de Informações sobre Movimentação FinanceiraRMF., procedimento este que está sob análise do Supremo Tribunal Federal que concluiu tratarse de tema a ser julgado pelo rito de Repercussão Geral (RE 601.314), não estando ainda julgado o seu mérito. Contudo, como a Portaria MF nº 545, de 28 de novembro de 2013, revogou os §§ 1º e 2º do art.62A do Anexo II da Portaria MF nº 256/09, devendo assim serem incluídos em pauta para julgamento os processos referentes às matérias que estão em repercussão geral no Supremo Tribunal Federal (STF) sem trânsito em julgado, de acordo com o rito do art. 543Bdo Código de Processo Civil (CPC). Do Processo n. 13819.005008/20060 Conforme mencionado no início deste relatório, a exigência dos créditos de IPI, objeto destes autos, fora decorrência reflexa da exigência principal relacionada ao IRPJ, tratada nos autos do Proc. n. 13819.005008/200260 que fora distribuído para relatoria do Conselheiro Nelson Losso em 23/02/2005. Em despacho de 28/02/2011 (fls. 666), foi determinada a distribuição por conexão (art. 49, § 7° do Regimento Interno do CARF), para relatoria e julgamento conjunto pelo mesmo Conselheiro. Ocorre que a exigência do IRPJ já havia sido apreciada na Sessão de Julgamento de 28/09/2009, cujo resultado (Acórdão n. 1202.00162) e ementa, transcrevo abaixo: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento, reduzir a multa de ofício para 75% e, por conseqüência, acolher a preliminar de decadência do IRPJ e da CSLL para todos os trimestres do ano calendário de 1997 e primeiro, segundo e terceiro trimestres do ano calendário de 1998. Quanto ao PIS e a COFINS, para os fatos geradores ocorridos até 30 de novembro de 1998, e, no mérito, negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.” Resultado: Provimento Parcial por Unanimidade Fl. 706DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13816.000188/200485 Acórdão n.º 1201001.151 S1C2T1 Fl. 697 9 “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1997, 1998 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO EXTRATOS BANCÁRIOS PROVAS ILÍCITAS — DESVIO DE PODER – Os extratos bancários regularmente requisitados pela autoridade administrativa, com fundamento no artigo 11 da Lei Complementar n° 105/01, artigo 38 da Lei n° 4.595/64 e artigo 8° da Lei n° 7.021/90, não podem ser taxados como provas obtidas de forma ilícita e nem com desvio de poder. A Lei Complementar n° 105/01 e Lei n° 10.174/01 têm aplicação retroativa face ao comando expresso no parágrafo único, do artigo 144, do Código Tributário Nacional. IRPJ — PIS — COFINS CSLL – DECADÊNCIA Ao tributo sujeito modalidade de lançamento por homologação, que ocorre quando a legislação impõe ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, aplicase a regra especial de decadência insculpida no parágrafo 4° do artigo 150 do CTN, refugindo à aplicação do disposto no art. 173 do mesmo Código. Nesse caso, o lapso temporal de cinco anos tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Tendo a ciência do auto de infração sido realizada em 26 de dezembro de 2003, cabível a decadência do IRPJ e da CSLL para os fatos geradores ocorridos até o terceiro trimestre de 1998 e para o PIS e a COFINS para os fatos geradores acontecidos até 30 de novembro de 1998. OMISSÃO DE RECEITAS — FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42 da Lei no 9.430 de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. IRPJ – LUCRO ARBITRADO FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS CONTÁBEIS E FISCAIS – A falta de apresentação pela fiscalizada de livros e documentos contábeis e fiscais impossibilita a apuração do Lucro Real ou do Lucro Presumido, mormente quando não comprovada a destruição de livros e documentos em inundação ocorrida nas dependências da empresa, não sendo atendidas as exigências contidas no art 210, § 1°, do RIR194, com a comunicação à repartição fiscal bem como a tentativa de reconstituição da escrita contábil, restando como única forma de tributação o arbitramento do lucro tributável. MULTA QUALIFICADA — APLICAÇÃO — LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL – Incabível a qualificação da multa de oficio quando não caracterizada nos autos a prática de dolo, fraude ou simulação por parte da autuada. A presunção legal de omissão de receitas por falta de comprovação de origem de depósitos bancários não justifica a aplicação da multa exacerbada. INCONSTITUCIONALIDADE Não cabe a este Conselho negar vigência a lei ingressada regularmente no mundo jurídico, atribuição Fl. 707DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 10 reservada exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal, em pronunciamento final e definitivo. Súmula n°02 do 1° Conselho de Contribuintes. TAXA SELIC — JUROS DE MORA — PREVISÃO LEGAL Os juros de mora são calculados pela Taxa Selic desde abril de 1995, por força da Medida Provisória n° 1.621. Cálculo fiscal em perfeita adequação com a legislação pertinente. Súmula n°04 do 1° Conselho de Contribuintes. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial com fundamento em divergência jurisprudencial, pelo qual sustenta que no caso deve ser aplicado o art. 173, I, do CTN, para contagem do prazo decadencial, em razão da ausência de pagamento antecipado. Em decisão de 15/05/2012(Relatora Conselheira Susy Gomes Hoffmann), foi dado provimento ao Recurso Especial, tendo sido unânime em relação ao anocalendário de 1998 e por maioria em relação ao anocalendário de 1997, conforme abaixo ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. Anocalendário:1998. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO PORHOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO EDE DECLARAÇÃO PRÉVIA DO DÉBITO. APLICAÇÃO, AORESPECTIVO PRAZO DECADENCIAL, DO ARTIGO 173, I, DO CTN.OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STJ PROFERIDA EMJULGAMENTO DE RECURSO REPETITIVO.. FATOS GERADORESOCORRIDOS EM 1998.CIÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO EM26/12/2003. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se não houve pagamento antecipado nem declaração prévia do débito, o respectivo prazo decadencial é regido pelo artigo 173, inciso I, do CTN, nos termos do entendimento pacificado pelo STJ, em julgamento de recurso especial, sob o rito de recurso repetitivo. Necessária observância dessa decisão, tendo em vista o previsto no artigo 62A do Regimento Interno do CARF. É o Relatório! Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos legais, portanto, dele conheço. Fl. 708DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13816.000188/200485 Acórdão n.º 1201001.151 S1C2T1 Fl. 698 11 Preliminares Erro na eleição do sujeito passivo Segundo traz a Recorrente, teria ocorrido erro na identificação de sujeito passivo, porquanto uma série de atos daria mostras da extinção da pessoa jurídica Diet Dolly Refrigerante Ltda. Não concordo. Indubitavelmente, não houve erro na eleição do sujeito passivo, ora Recorrente. Por ocasião do lançamento, ocorrido em 24/12/2002 cuja ciência foi em 26/12/2002 e 27/12/2002, nas pessoas dos sócios, a pessoa jurídica Diet Dolly Refrigerantes Ltda. não estava extinta, uma vez que neste momento, não havia ainda ocorrido a baixa dos respectivos registros, inscrições e matriculas nos órgãos competentes, conforme previsto no item 6 do Parecer Normativo CST n° 191/72, que transcrevo abaixo: “6. Já a extinção de empresa individual ou de sociedade mercantil é o termino da sua existência; é o perecimento da organização, ditada pela desvinculação dos elementos humanos e materiais que dela faziam parte. Dessa despersonalização do ente jurídico decorre a baixa dos respectivos registros,inscrições e matriculas nos órgãos competentes.” Ora, não há dúvidas de que qualquer ato que implique a extinção da sociedade mercantil importa ao Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins. Assim é para o efeito de garantir, dentro outros, a publicidade e conseqüente eficácia do ato perante terceiros. Assim, eventual Distrato Social, para produzir efeitos perante terceiros, inclusive o Fisco, deve ser registrado no órgão competente. Não há nos presentes autos, documentos que comprovem o sucesso no pleito tendente a extinção da ora Recorrente. Ressaltase aqui, não há qualquer comprovação de registro do distrato social apresentado às fls. fl. 232. Alega ainda a Recorrente ter ocorrido a baixa regular frente ao Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ, contudo, não apresenta a Certidão de Baixa no CNPJ, documento este previsto no Art. 19 da IN/SRF n° 27/98. Assim, restando claro que a pessoa jurídica, ora Recorrente, não estava extinta por ocasião da autuação e respectiva ciência, não há que se falar em erro na identificação do sujeito passivo. Afasto assim a alegada a preliminar suscitada pela Recorrente. Fiscalização Pretérita. Homologação. Alega a Recorrente que a notícia da inclusão do IPI no bojo das autuações só teria ocorrido na datada própria lavratura do auto de infração, fato que desnaturaria a higidez do lançamento, vez que, de rigor, tanto a emissão de MPFC, bem como a ciência dos sócios, deveriam ser prévias ao início dos trabalhos de fiscalização. Fl. 709DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 12 Argumenta ainda que a existência de fiscalização pretérita, da qual, inclusive, resultou a lavratura de auto de infração pertinente ao IPI e seus reflexos (IRPJ incluído), além de outras exigências por descumprimento de obrigação acessória, que já compreende os autuados1997 e 1998, o que afastaria a possibilidade de reexame, vez que ocorrida a homologação do Fisco Federal, tornando inalcançável a uma segunda autuação. Neste ponto, cabe ressaltar inicialmente, que o fato que fundamentou a primeira fiscalização não é o mesmo que embasa a presente. Isso porque, a primeira ação fiscal focou atenção na emissão de 561notas fiscais de saída de produtos (de março/1996 a janeiro/1998), obtida via circularização, tendo sido objeto de consideração, também, a observância de obrigações acessórias. Já a presente autuação, originouse na ausência de demonstração da origem de recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida pela Recorrente junto a instituição financeira. Assim, para elucidar este ponto, trago aqui o disposto no art. 149 do CTN: “Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública.” Assim é que o reexame de fatos jurídicotributários é um permissivo que visa atender a indisponibilidade de interesses do Estado. No presente caso, a comparação pretendida pela Recorrente envolve, de um lado, os processos administrativos n° 13819.005008/200260 (IRPJ e reflexos) n° 13819.005009/200212 (IPI – cujo crédito foram transferidos para o presente processo) e, de outro lado, os processos anteriores de n° 13819.000360/200138 (IPI/Bebidas), n° 13819.000361/200172 (IRPJ/CSLL), n° 13819.000362/200117 (Cofins), n° 13819.000363/200161 (PIS), n°13819.000361/200172 (DIRP/DIPJ), n° 13819.000364/2001 14 (DCTF/DIRF), n° 13819.000365/200151 (DIPI Normal e Bebidas). Da leitura de tais processos resta revelado que nas ações fiscais pregressas focouse atenção na emissão de 561 notas fiscais de saída de produtos, bem como no adimplemento de obrigações acessórias. Já na presente ação fiscal, está em discussão a ausência de demonstração da origem de recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira. Certamente, todos tratam do tema omissão de receita, porém, com enfoque diferente. Sendo diferentes as razões,a materialidade tributável também é qualitativamente distinta. Portanto, de reexame não se cuida, mas sim de outro lançamento distinto, que não guarda relação alguma com as anteriores. Assim, se a qualidade da materialidade tributável ora apreciada é diversa, resta prejudicado ao argumento de homologação anterior. Fl. 710DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13816.000188/200485 Acórdão n.º 1201001.151 S1C2T1 Fl. 699 13 Diante do acima exposto, voto por afastar também esta matéria prelimimar. Ausência de MPFC para autuar o IPI. Alega a Recorrente que a inclusão do IPI no bojo das autuações (processo sob n° 13819.005009/200212) só teria ocorrido na data da própria lavratura do auto de infração. Para esclarecer este ponto, devo ressaltar novamente que a exigência do IPI em discussão nestes autos, nada mais é que exigência reflexa da autuação de IRPJ (processo sob n° 13819.005008/200260). Assim, as exigências de CSLL, PIS, Cofins e de IPI, dimanam imediata e diretamente da conclusão dos trabalhos sobre o IRPJ, sendo certo que a ciência de atos e termos, incluindo MPF's, já são considerados no curso dos trabalhos relacionados ao IRPJ, de sorte que entendo improcedente a preliminar suscitada pela Recorrente. Decadência Quanto à alegação de decadência, devemos fazer uma análise detalhada de todos os fatos e atos demonstrados nos autos, para definir qual deve ser a regra aplicável e, passo seguinte, aplicar tal regra com estrita observância da correta consideração de datas. Vejamos. Por um lado, temos que o período mais antigo alcançado pelo lançamento do IPI é o primeiro decêndio do mês de janeiro de 1997. Por outro lado, não consta nos sistemas informatizados da RFB (fls. 454/461) qualquer pagamento a título de IPI ou a declaração dos respectivos débitos em qualquer obrigação acessória. Desta forma e seguindo as regras já estabelecidas pelo STJ na análise do tema em sede de Recurso Repetitivo, devemos aplicar a regra contida no art. 173 do CTN, conforme abaixo ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C,DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO.DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I,DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo Fl. 711DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 14 declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel.Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRgnos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki,julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP,Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e,consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regrada decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi,"Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN,sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal(Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ªed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ªed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C,do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. No caso do IPI, tratandose do lançamento original, temos que para o primeiro decêndio de janeiro de 1997, o prazo de contagem iniciase em 01/01/1998, encerrandose os 05 anos em 31/12/2002. Tendo a ciência dos autos ocorrido em 26/12/2002 e 27/12/2002, não há que se falar em decadência. Contudo, conforme relatado, o Demonstrativo de Valores Creditados apresentado pela Fiscalização, apresentava divergência em relação aos extratos bancários apresentados (fls. 30/52, 54/107 e 109/135). Fl. 712DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13816.000188/200485 Acórdão n.º 1201001.151 S1C2T1 Fl. 700 15 Em razão disso, a própria DRJ determinou diligência para que fosse efetuado o devido cotejo entre as informações constantes no Demonstrativo e nos extratos bancários. De fato, a diligência resolveu o problema. Porém, para tanto, o auditor fiscal excluiu e acresceu "linhas" ao Demonstrativo original, ou seja, alguns depósitos foram desconsiderados e outro forma incluídos. Quanto aos valores excluídos, não há o que se tratar, devendo permanecer o trabalho final da fiscalização. Contudo, os valores acrescidos representam verdadeira hipótese de reexame com inovação. Desta forma, considerando que os representantes da Recorrente foram intimados do resultado da diligência em 02/01/2004 e 05/01/2004, verificouse que os novos depósitos considerados entre Janeiro/1997 a Dezembro/1998, para o IPI, foram alcançados pela decadência. Assim, reconheço a decadência apenas em relação aos novos depósitos, incluídos por ocasião do trabalho de diligência efetuado, para todo o período de janeiro de 1997 a dezembro de 1998, conforme quadros demonstrativos anexados à decisão da DRJ (fls. 463496). Mérito Do Processo Matriz A exigência de créditos de IPI, objeto do presente processo, é efeito reflexo do processo fiscalizatório e conseqüente autuação relativa ao IRPJ (processo matriz), que utilizou como fundamento a omissão de receita caracterizada pela ausência de demonstração da origem de recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira (Lei n° 9.430/96, art. 42). Conforme relatado acima, mencionado processo já foi apreciado pela 2° Turma da 2° Câmara do CARF e também pelo CSRF. O resultado final na esfera administrativa foi, em suma, pela inexistência de nulidade no lançamento, concreta ocorrência de omissão de receita caracterizada pelos depósitos bancários de origem não comprovada, redução da multa de 150% para 75% e aplicação do art. 173, I, do CTN, para fins de contagem do prazo decadencial. Entendo aqui ser aplicável o Princípio da Economia Processual. Para fins de ratificar meu entendimento, trago aqui alguns precedentes deste Conselho a este respeito: Processo: 10680.005386/200519 Recorrente: Fazenda Nacional Recorrido: Contribuinte Ementa da Decisão recorrida: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — IRPJ — PRELIMINAR DE DECADÊNCIA — Consoante Fl. 713DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 16 jurisprudência firmada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, após o advento da Lei n° 8.383/91, o Imposto de Renda de Pessoas Jurídicas é lançado na modalidade de lançamento por homologação e a decadência do direito de constituir crédito tributário regese pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional. PROCEDIMENTO REFLEXO — CSLL Tratandose de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum.” (grifei) “Acórdão n° 106.16458 (Rec. 141.088) sessão de 23/05/2007. Ementa: Cofins – Processo Administrativo Fiscal – PAF – Lançamento Reflexo – Tratandose de lançamento reflexo, a decisão proferida no processo matriz é aplicável ao processo decorrente, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula.” (grifei) “Acórdão n° 10193.463, sessão de 25/05/2001. Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro – Decorrência. Por se tratar de lançamento reflexo daquele que deu origem à exigência do imposto de renda da pessoa jurídica, aplicase a este o mesmo entendimento manifestado em relação ao lançamento principal.” (grifei) Assim, uma vez analisadas em sede de matéria preliminar, todas as particularidades relacionadas ao lançamento dos créditos de IPI de que tratam os autos do presente processo, entendo que a conduta da Recorrente relacionada ao período em análise nestes autos e relacionadas à matéria tributável que serviu de fundamento para o lançamento ora combatido, já foi julgada por esta Câmara, não fazendo qualquer sentido efetuar julgamento em sentido contrário. Em outras palavras, seria desastroso uma decisão considerar que para fins de IRPJ, pode existir a presunção de omissão de receitas identificada através de depósito bancários de origem não comprovada e, para fins de IPI do mesmo período e cujo lançamento partiu da mesma base, tal presunção não possa prosperar. Assim, passo a adotar, em relação à matéria principal de mérito, qual seja, a possibilidade de utilização de dados bancários obtidos junto às instituições financeiras, sem autorização judicial, para fins de lançamento por presunção de omissão de receita nos moldes do art. 42 da Lei n. 9.430/96, bem como, para a definição do percentual da multa de ofício e aplicação da Taxa Selic, os termos do julgamento do processo n. 13819.005008/200260 – Acórdão n. 120200162 da 2° Câmara / 2° Turma Ordinária em sessão de 08/09/2009, conforme abaixo ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 1997, 1998 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO EXTRATOS BANCÁRIOS PROVAS ILÍCITAS — DESVIO DE PODER Os extratos bancários regularmente requisitados pela autoridade administrativa, com fundamento no artigo 11 da Lei Complementar n° 105/01, artigo 38 da Lei n° 4.595/64 e artigo 8° da Lei n°7.021/90 não podem ser taxados como provas obtidas de forma ilícita e nem com desvio de poder. A Lei Fl. 714DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13816.000188/200485 Acórdão n.º 1201001.151 S1C2T1 Fl. 701 17 Complementar n° 105/01 e Lei n° 10.174/01 têm aplicação retroativa face ao comando expresso no parágrafo único, do artigo144, do Código Tributário Nacional. IRPJ — PIS — COFINS CSLL DECADÊNCIA Ao tributo sujeito à modalidade de lançamento por homologação, que ocorre quando a legislação impõe ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, aplicase a regra especial de decadência insculpida no parágrafo 4° do artigo 150 do CTN, refugindo á aplicação do disposto no art. 173 do mesmo Código. Nesse caso, o lapso temporal de cinco anos tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Tendo a ciência do auto de infração sido realizada em 26 de dezembro de 2003,cabível a decadência do IRPJ e da CSLL para os fatos geradores ocorridos até o terceiro trimestre de 1998 e para o PIS e a COFINS para os fatos geradores acontecidos até 30 de novembro de 1998. OMISSÃO DE RECEITAS — FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42 da Lei n° 9430 de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. IRPJ LUCRO ARBITRADO FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS CONTÁBEIS E FISCAIS A falta de apresentação pela fiscalizada de livros e documentos contábeis e fiscais impossibilita a apuração do Lucro Real ou do Lucro Presumido, mormente quando não comprovada a destruição de livros e documentos em inundação ocorrida nas dependências da empresa,não sendo atendidas as exigências contidas no art 210, § 1 0, do RW94, com a comunicação à repartição fiscal bem como a tentativa de reconstituição da escrita contábil, restando como única forma de tributação o arbitramento do lucro tributável. MULTA QUALIFICADA — APLICAÇÃO — LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL Incabível a qualificação da multa de oficio quando não caracterizada nos autos a prática de dolo, fraude ou simulação por parte da autuada. A presunção legal de omissão de receitas por falta de comprovação de origem de depósitos bancários não justifica a aplicação da multa exacerbada. INCONSTITUCIONALIDADE Não cabe a este Conselho negar vigência alei ingressada regularmente no mundo jurídico, atribuição reservada exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal, em pronunciamento final e definitivo. Súmula n°02 do 1° Conselho de Contribuintes. TAXA SELIC — JUROS DE MORA — PREVISÃO LEGAL Os juros demora são calculados pela Taxa Selic desde abril de 1995, por força da Medida Provisória n° 1.621. Cálculo fiscal em perfeita adequação com a legislação pertinente. Súmula n° 04 do 1° Conselho de Contribuintes. Fl. 715DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 18 Considero aqui que o posterior julgamento do Recurso Especial pelo CSRF não alterou em nada o julgamento de mérito, restringindose à matéria decadencial, cuja particularidade de cada tributo, entendo, deva ser considerada. Desta feita, meu voto segue no sentido de: a) julgar procedente o lançamento efetuado com base em presunção de omissão de receita, baseada em movimentação bancária de origem não comprovada pela Recorrente, nos moldes do art. 42 da lei n. 9.430/96, face à total ausência de apresentação de livros contábeis ou comprovações por parte da Recorrente; b) reduzir a multa de ofício para o percentual de 75%, uma vez que não comprovado nos autos a prática de dolo, fraude ou simulação por parte da autuada; c) manter a aplicação da Taxa Selic, conforme Súmula CARF n. 04. Recurso de Ofício Tendo em vista que a decisão da DRJ exonerou parte do crédito tributário lançado, em razão do reconhecimento da ocorrência da decadência para os valores referentes aos depósitos incluídos na base de cálculo do tributo somente por ocasião do trabalho de diligência efetuado pela autoridade fiscalizadora em atendimento à determinação da DRJ, foi apresentado Recurso de Ofício. Não vejo razão para reforma da decisão da DRJ. Conforme já detalhado no tópico deste voto que trata da preliminar de decadência, pois, entendo que os “novos” valores constituem, na realidade, uma inovação no lançamento, devendo, portanto, ser observado o prazo decadencial de 05 anos. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para AFASTAR as preliminares suscitadas e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, bem como, CONHEÇO do Recurso de Ofício para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 716DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13816.000188/200485 Acórdão n.º 1201001.151 S1C2T1 Fl. 702 19 Fl. 717DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Numero do processo: 15521.000062/2009-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
DESAPROPRIAÇÃO. GANHO DE CAPITAL.
Computam-se na determinação do lucro real, como ganhos ou perdas de capital, os resultados na alienação, na desapropriação, na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente. (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 31)
DESAPROPRIAÇÃO. RESERVA ESPECIAL. LUCRO REAL.
O valor da reserva especial deve ser computado na determinação do lucro real no momento da imissão do expropriante na posse do bem. (Art.2° da Lei n°.8.200/1991.
LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL.
A decisão adotada em relação ao IRPJ também se aplica ao lançamento da CSLL, em virtude da íntima relação de causa e efeito que os une.
Numero da decisão: 1401-001.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, pelo voto de qualidade NEGAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Karem Jureidini Dias, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Presidente para Formalização do Acórdão
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator
Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04/09/2015.
Participaram do julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta e Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, pelo voto de qualidade NEGAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Karem Jureidini Dias, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Presidente para Formalização do Acórdão (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04/09/2015. Participaram do julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta e Karem Jureidini Dias.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 PRELIMINARES DE NULIDADE. REJEIÇÃO Rejeitamse as preliminares de nulidade, uma vez comprovado que a autoridade fiscal cumpriu todos os requisitos legais pertinentes à formalização do lançamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 DESAPROPRIAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. Computamse na determinação do lucro real, como ganhos ou perdas de capital, os resultados na alienação, na desapropriação, na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente. (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 31) DESAPROPRIAÇÃO. RESERVA ESPECIAL. LUCRO REAL. O valor da reserva especial deve ser computado na determinação do lucro real no momento da imissão do expropriante na posse do bem. (Art.2° da Lei n°.8.200/1991. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. A decisão adotada em relação ao IRPJ também se aplica ao lançamento da CSLL, em virtude da íntima relação de causa e efeito que os une. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, pelo voto de qualidade NEGAR provimento ao AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 52 1. 00 00 62 /2 00 9- 56 Fl. 641DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000062/200956 Acórdão n.º 1401001.188 S1C4T1 Fl. 3 2 recurso, vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Karem Jureidini Dias, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Presidente para Formalização do Acórdão (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04/09/2015. Participaram do julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta e Karem Jureidini Dias. Fl. 642DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000062/200956 Acórdão n.º 1401001.188 S1C4T1 Fl. 4 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório que consta da decisão de piso, fls. 520521: Trata o processo de autos de infração lavrados pela Delegacia da Receita Federal em Campos dos Goitacazes, (DRF/Campos dos Goitacazes), exigindo da Interessada, acima identificada, o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica, (IRPJ), e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, (CSLL), respectivamente, nos valores de R$2.227.058,72 e R$810.381,13. Os tributos lançados foram acrescidos de multa de ofício de 75%, e juros de mora calculados até 31.03.2009. A descrição dos fatos nos autos de infração informa que houve duas infrações: infração 001: Falta de contabilização do ganho de capital apurado na desapropriação de quatro imóveis; infração 002: Falta de Adição ao Lucro Líquido na Realização de Reserva Especial (Lei nº. 8.200/1991 art. 2a). O enquadramento legal consta nos respectivos autos de infração. O Termo de Verificação Fiscal informa o que segue. Quanto à infração 001: a Prefeitura de Macaé desapropriou quatro imóveis da Interessada, por terem sido declarados de utilidade pública; o Ganho de Capital apurado em 2005 no processo de desapropriação foi de R$9.397.012,89; na DIPJ, tal valor foi indevidamente excluído do Resultado do Exercício quando da apuração do Lucro Real em 2005; a legislação do IR determina que o lucro auferido em decorrência de desapropriação deve ser computado na apuração do Lucro Real (art. 418 do Decreto n°.3.000/1999, RIR/99); a isenção prevista no artigo 423 do RIR/99 está relacionada apenas à desapropriação para fins de Reforma Agrária; a isenção prevista na Constituição Federal, art. 184, §5° está relacionada apenas à desapropriação para fins de Reforma Agrária; a Interessada não praticou nenhum ato que permita que se beneficie do diferimento da tributação previsto no art. 422 do RIR/99; Fl. 643DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000062/200956 Acórdão n.º 1401001.188 S1C4T1 Fl. 5 4 a Interessada contabilizou a baixa dos bens em sua contabilidade e o Lucro decorrente da desapropriação dos mesmos no anocalendário 2005; segundo o Parecer Normativo n° 45/81, o ganho de capital deverá ser apurado no exercício social em que ocorra o recebimento integral da indenização fixada; ainda segundo o Parecer, se a imissão do expropriante na posse do bem ocorrer antes do recebimento integral da indenização, a pessoa jurídica deve dar baixa do bem em sua contabilidade, escriturando o custo contábil do bem e o depósito feito pelo poder expropriante na conta de Resultado de Exercícios Futuros; a Prefeitura, em 2005, antecipou R$1.500.000,00 pela desapropriação dos quatro imóveis, e o restante dos pagamentos só foi efetuado nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2006; assim, em 2005, a Interessada deveria ter baixado os bens de sua contabilidade, escriturando o custo contábil e o depósito feito pelo poder expropriante em conta de Resultado de Exercícios Futuros; desta forma, a contabilização do Ganho de Capital deveria ter sido feita no ano de 2006, mês de março, quando ocorreu o recebimento integral da indenização; em decorrência, foi lançado o valor de R$9.397.012,89 a título de ganho de capital. Quanto à infração 002: houve um erro no preenchimento da DIPJ, onde foi informado um saldo de R$554.279,26 na linha 41 Correção Monetária Dif. IPC/BTNF, da Ficha 36A Balanço Patrimonial (Ativo Permanente Imobilizado), ao invés de informar na linha 42 Correção Monetária Especial, pois foi essa a correção monetária que constou no LALUR, cuja origem e embasamento legal está no artigo 2o da Lei n° 8.200/91; a Interessada efetuou tal correção monetária em 1991, escriturandoa em contas separadas da conta onde constou o valor contábil dos bens e, na medida em que os mesmos foram sendo realizados, ou por depreciação ou por alienação, as quantias proporcionais foram lançadas no resultado do exercício, conforme prevê o § 4o daquele artigo 2º.; ocorre que o § 3o do referido artigo 2o da Lei n° 8.200/1991 determina que deverão ser computados no Lucro Real, os valores realizados de cada bem, seja por alienação, depreciação, amortização, exaustão ou baixa a qualquer título; as realizações por depreciação dos anos de 2004 e 2005 foram de R$5.953,97 e de R$10.749,00, respectivamente, conforme tabela de fls.429; Fl. 644DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000062/200956 Acórdão n.º 1401001.188 S1C4T1 Fl. 6 5 tais valores deveriam ter sido adicionados ao Lucro Líquido na determinação do Lucro Real, nas linhas 14 e 13 das Fichas 09A das DIPJ referentes aos anoscalendário 2004 e 2005, respectivamente; porém, conforme já mencionado, a Interessada deu baixa nos bens em sua contabilidade e apurou o Ganho de Capital, em virtude da desapropriação, em outubro de 2005, quando do recebimento apenas da 1a parcela, mas o entendimento da Receita Federal, através do PN n° 45/81 é de que a tributação deve ser feita após o recebimento da última parcela da indenização, que ocorreu em 2006; assim, a adição ao lucro líquido, efetuada pela Interessada no ano de 2005, no valor de R$130.775,96, em decorrência da baixa dos bens por desapropriação deve ser desconsiderada, sendo que o valor correto que deveria ter sido adicionado seria de R$10.749,00; ocorre que como não deve ser considerada o ganho de capital por desapropriação em 2005, verificase um prejuízo fiscal de R$191.063,20, que anula a autuação do valor de R$10.749,00; para o ano de 2006, período em que deve ser considerada a apuração do lucro na desapropriação dos imóveis, constatouse que o saldo remanescente da Correção Monetária (CM diminuída do saldo das depreciações) não foi adicionado ao Lucro Real; considerando a baixa por desapropriação em 2006, o valor total que deverá ser adicionado ao lucro líquido na apuração do Lucro Real no ano de 2006 é de R$154.585,76, conforme tabela de fls.429 e demonstrativo de fls.435. Também consta no Termo de Verificação que a Interessada deverá ajustar o Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, para 2005 e 2006, conforme demonstrado às fls.430, e para 2006, conforme fls.435. Inconformada com o crédito tributário originado da ação fiscal da qual teve ciência do lançamento em 04052009, a Interessada apresentou em 28/05/2009, impugnação instruída por documentos, arguindo em síntese que: a desapropriação se consuma com a perda da propriedade, que há de ser, por determinação Constitucional, precedida do pagamento da justa indenização; a baixa dos bens foi decorrente de Decreto de Desapropriação, em caráter urgente, pela Prefeitura Municipal de Macaé – RJ; o montante indenizatório, como justa recomposição patrimonial pela perda ocasionada, foi resultado de "Laudo Técnico de Avaliação"; "Parecer Prévio" e "Parecer Autorizativo" da Procuradoria Geral do Município; Fl. 645DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000062/200956 Acórdão n.º 1401001.188 S1C4T1 Fl. 7 6 assim, não cabe imposição tributária, uma vez que ocorreu mera indenização para reposição de danos causados ao seu patrimônio, isto é, houve tão somente a reposição a justo valor, por danos sofridos no seu patrimônio; ocorreu inconstitucionalidade decorrente de violação ao princípio da capacidade econômica ou contributiva, uma vez que o somatório das autuações impostas representaram seis vezes o seu patrimônio líquido; tal fato representou verdadeiro confisco, pois o nível da carga tributária foi de tal ordem que ficou sujeito a uma transferência de renda e de bens para o Estado, que prejudicou sua capacidade de subsistir ou de investir; o Supremo Tribunal Federal, já decidiu que "em face do princípio constitucional da justa e prévia indenização em dinheiro", a indenização decorrente de desapropriação não constitui receita nem acréscimo ao patrimônio do expropriado, inexistindo ganho de capital a ser tributado; ainda que assim não seja, não foi provado que ocorreu ganho de capital; descompasso temporal dos registros contábeis, seja pelo regime de competência, seja pelo regime de caixa, não descaracteriza a natureza jurídica de indenização por danos causados pela desapropriação; a base de cálculo foi a diferença entre o valor da indenização fixada pelo poder público e o valor contábil dos ativos expropriados; o Fisco não considerou o valor de mercado dos respectivos ativos; a circunstância que levou o Fisco a este equívoco de não considerar tais custos teria sido o fato de que não havia valor contábil expresso no Ativo Permanente registrando sua súbita origem no Imobilizado da empresa; isto ocorreu porque no momento que estava para se concretizar a desapropriação ocorreu a avaliação, a valor de mercado, dos bens e direitos que, naquele instante, adquiriram o poder de desmembrarse de cogitações subjetivas para assumir um valor econômico definido; por mero erro material, não promoveu o registro contábil de fato econômico alocando no Ativo Permanente o valor apurado, tendo como contrapartida uma conta de Contingenciamento por Desapropriação que, por sua própria natureza e conformação ao Direito, não integraria o resultado tributável do período base; não poderia ter computado o valor contábil no Ativo Permanente em período anterior ao da desapropriação, sob risco de violar o subitem 19.7.2.1.9 da Norma Brasileira de Fl. 646DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000062/200956 Acórdão n.º 1401001.188 S1C4T1 Fl. 8 7 Contabilidade T 19.7, aprovada pela Resolução n.° 1.066, de 21/12/2005, que, dentre outras providências, estabelece critérios de reconhecimento de contingências ativas; aquele subitem define como contingência ativa um possível ativo, decorrente de eventos passados, cuja existência será confirmada somente pela ocorrência de um evento futuro; no subitem 19.7.5.1.1 a norma define, para fins de classificação como "contingente" o conceito de "praticamente certo"; manda a Resolução que a contingência ativa seja divulgada somente em notas explicativas enquanto for apenas "provável" a entrada dos recursos que lhes correspondam; no subitem 19.7.12 a Norma é mais taxativa quando determina que a entidade não deva contabilizar uma contingência ativa, e que contingências ativas não são reconhecidas nas Demonstrações Contábeis, uma vez que podem tratar de resultado que nunca venha a ser realizado; a avaliação definitiva tornouse praticamente certa somente momentos antes da realização da desapropriação, o que provocou indução ao erro escusável de que não haveria necessidade de se cumprir a etapa de ativação contábil, no Permanente, dos direitos recém mensurados através de laudos técnicos, uma vez que sua indenização operarseia em ato contínuo; transcreve jurisprudência do CARF e da CSRF. A 8ª Turma da DRJ/RJ1, por unanimidade de votos, deu provimento parcial à impugnação, por meio do Acórdão nº 1245.573, que recebeu a seguinte ementa, fls. 518519: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 DECISÃO ADMINISTRATIVA. DELEGACIA DE JULGAMENTO. As Delegacias de Julgamento estão vinculadas às normas legais e regulamentares, conforme determina o artigo 116, inciso III, da Lei nº. 8.112/1990, e o artigo 7º da Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011, devendo ser obedecido o Regulamento do Imposto de Renda, as Súmulas do CARF aprovadas pelo Ministro de Estado da Fazenda com efeito vinculante em relação à administração tributária federal (Portaria MF 383/2010) e ao entendimento da Secretaria da Receita Federal expresso nos diversos tipos de atos normativos. Artigo 7º da Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011. DESAPROPRIAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. Conforme determina o Regulamento do imposto de renda, serão classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados Fl. 647DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000062/200956 Acórdão n.º 1401001.188 S1C4T1 Fl. 9 8 na determinação do lucro real, os resultados na alienação, na desapropriação, na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente. DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 31) DESAPROPRIAÇÃO. RESERVA ESPECIAL. LUCRO REAL. A imissão do expropriante na posse do bem retira deste a função que até então desempenhava, o que justifica a baixa de seu registro nesse grupo de contas. Assim, o valor da reserva especial deverá ser computado na determinação do lucro real naquele momento. Art.2° da Lei n°.8.200/1991. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. O provimento parcial da impugnação à autuação do IRPJ, reflete em relação à impugnação ao lançamento da CSLL, em virtude da relação de causa e efeito que os une. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O contribuinte foi devidamente cientificado do aludido Acórdão em 07/05/2012, conforme Termo de fls. 552 e apresentou recurso voluntário em 25/05/2012 (v. fls. 736743, reiterando os argumentos de defesa apresentados na fase impugnatória. É o relatório. Fl. 648DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000062/200956 Acórdão n.º 1401001.188 S1C4T1 Fl. 10 9 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator O recurso apresentado atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Preliminar de nulidade A recorrente argüiu nulidade do lançamento por alegada inconstitucionalidade decorrente de violação ao princípio da capacidade econômica ou contributiva, uma vez que o somatório das autuações impostas representaram seis vezes o seu patrimônio líquido. Não merece prosperar a alegação da recorrente. No caso em apreço, a autoridade fiscal cumpriu todos os requisitos legais pertinentes à formalização do lançamento. Inocorreu, na espécie, qualquer violação aos princípios da capacidade econômica ou contributiva. Assim sendo, voto pela rejeição da presente preliminar. Mérito A legislação de regência é muito clara acerca da classificação como ganhos ou perdas de capital dos resultados apurados na desapropriação, conforme se verifica pela simples leitura do art. 418 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99 (grifado): Art. 418. Serão classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados na determinação do lucro real, os resultados na alienação, na desapropriação, na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 31). § 1º Ressalvadas as disposições especiais, a determinação do ganho ou perda de capital terá por base o valor contábil do bem, assim entendido o que estiver registrado na escrituração do contribuinte e diminuído, se for o caso, da depreciação, amortização ou exaustão acumulada (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 31, § 1º). O art. 422 do mesmo Regulamento corrobora a conclusão de que resultados positivos auferidos na desapropriação de bens constituem ganho de capital tributável pelo imposto de renda. Tal tributação poderá ser diferida, desde que cumpridos alguns requisitos, verbis (grifado): Fl. 649DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000062/200956 Acórdão n.º 1401001.188 S1C4T1 Fl. 11 10 Art. 422. O contribuinte poderá diferir a tributação do ganho de capital obtido na desapropriação de bens, desde que (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 31, § 4º): I – transfira o ganho de capital para reserva especial de lucros; II aplique, no prazo máximo de dois anos do recebimento da indenização, na aquisição de outros bens do ativo permanente, importância igual ao ganho de capital; III discrimine, na reserva de lucros, os bens objeto da aplicação de que trata o inciso anterior, em condições que permitam a determinação do valor realizado em cada período de apuração. § 1º A reserva será computada na determinação do lucro real nos termos do art. 435, ou quando for utilizada para distribuição de dividendos (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 31, § 5º). § 2º Será mantido controle, no LALUR, do ganho diferido nos termos deste artigo. Como se percebe, é fato inquestionável que o Regulamento do Imposto de Renda determina que incide imposto de renda no caso de desapropriação. Este colegiado julgador, obviamente, encontrase vinculado ao que determina o Regulamento do Imposto de Renda, não se podendo concluir de maneira diversa ao que impõem os artigos acima transcritos. De fato, existe caudalosa jurisprudência administrativa em sentido contrário, conforme bem apontado pela recorrente. No entanto, convém destacar que estes precedentes, sem nenhum exceção, simplesmente ignoram as disposições regulamentares retrotranscritas, baseandose no princípio de que a desapropriação de bens imóveis corresponde a indenização e, por essa razão, o ganho de capital apurado não estaria sujeito aa incidência do IRPJ. Tal princípio, contudo, é inteiramente desprovido de base legal. Não se alegue que tal princípio estaria fundado no art. 5º, inciso XXIV da Constituição Federal, posto que tal regra apenas disciplina sobre a necessidade de justa e prévia indenização em dinheiro, nada dispondo sobre a tributação de eventual ganho de capital apurado por ocasião da desapropriação. Inaplicável à espécie a isenção prevista no art. 423 do mesmo Regulamento, visto que a desapropriação em análise não foi realizada para fins de reforma agrária. Compulsando os autos, facilmente se verifica que a Interessada, em 2005, reconheceu na contabilidade o valor do ganho de capital, contudo, excluiu o respectivo valor no cálculo do lucro real e na base de cálculo da CSLL. Conforme o PN nº 45/81, o ganho ou a perda de capital na desapropriação de bens, deve ser apurado no exercício social em que ocorra o recebimento integral da indenização fixada em acordo ou decisão judicial. Fl. 650DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000062/200956 Acórdão n.º 1401001.188 S1C4T1 Fl. 12 11 No caso em apreço, a apuração do ganho de capital foi realizada em conformidade com os mencionados dispositivos do RIR/99, que têm base legal (DecretoLei nº 1.598, de 1977, artigo 31). Até o momento, os referidos dispositivos legais e regulamentares não foram declarados inconstitucionais por decisão judicial. Estando esta autoridade julgadora vinculada ao que determina a Lei e o Regulamento do Imposto de Renda, não se pode concluir de maneira diversa ao que impõem os artigos 418 e 422 do RIR/99, retrotranscritos. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Fl. 651DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726013/2010-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2010
DACON. MULTA POR ATRASO.
A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária, sujeita o contribuinte à incidência da multa por atraso correspondente.
Numero da decisão: 1401-001.360
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Presidente para Formalização do Acórdão
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator
Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04/09/2015.
Participaram do presentes julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Presidente para Formalização do Acórdão (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04/09/2015. Participaram do presentes julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos.
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MULTA POR ATRASO. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária, sujeita o contribuinte à incidência da multa por atraso correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Presidente para Formalização do Acórdão (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04/09/2015. Participaram do presentes julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 60 13 /2 01 0- 62 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10580.726013/201062 Acórdão n.º 1401001.360 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 20): Por meio de Notificação de Lançamento foi exigida da contribuinte acima qualificada a importância de R$ 500,00 (quinhentos reais), devida a título de Multa por Atraso na Entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON, relativa ao período de apuração de abril de 2010. Em contestação ao feito fiscal, apresentou a contribuinte impugnação na qual argumenta, em síntese, que tentou a transmissão do Dacon no prazo estabelecido 08/06/2010, porém somente conseguiu no dia 09/06/2010, por falha na transmissão do programa. A 4ª Turma da DRJ Florianópolis, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, por meio de Acórdão assim ementado (fls. 19): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2010 DACON. MULTA POR ATRASO. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária, sujeita o contribuinte à incidência da multa por atraso correspondente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte foi cientificada deste Acórdão por meio de Edital, fls. 27, o qual foi ficado em 12/03/2013 e desafixado em 27/03/2013. Em 23/04/2013 a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 3840, insistindo na tese de que tentou realizar a transmissão do Dacon no prazo estabelecido (08/06/2010), porém somente conseguiu no dia 09/06/2010, por falha na transmissão do programa. Acrescentou a recorrente que a própria RFB reconheceu que o sistema de recepção não estava operando normalmente em 08/06/2010. Ressaltou que, não obstante o Fl. 86DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10580.726013/201062 Acórdão n.º 1401001.360 S1C4T1 Fl. 4 3 comunicado divulgado no site da RBF, informando que o sistema já teria voltado a operar normalmente no próprio dia 08/06/2010, na prática o sistema não teria se normalizado no decorrer do aludido dia. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. De plano, convém mencionar que é incontroverso o fato de que o Dacon, relativo ao período de apuração de abril de 2010, foi entregue em atraso. A recorrente admite expressamente esta ocorrência. A defesa da recorrente baseiase tão somente na alegação de impossibilidade da entrega tempestiva, por falha nos sistemas da RFB. O acórdão recorrido, fls. 20, analisou com propriedade esta alegação: Em relação ao período considerado, dispõe o artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 1.015, de 5 de março de 2010, que o Dacon deve ser apresentado até o 5º (quinto) dia útil do 2º (segundo) mês subsequente ao mês de referência, no caso, 08/06/2010, conforme consignado na notificação de lançamento. Por sua vez, o artigo 7º define as penalidades a que está sujeito o contribuinte, entre outras situações, no caso de atraso na entrega do demonstrativo. O artigo 7º da Lei nº 10.426, de 2002, na redação dada pelo artigo 19 da Lei nº 11.051, de 2004, por sua vez, estabelece que o sujeito passivo que deixar de apresentar o Dacon nos prazos fixados, sujeitarseá às seguintes multas mínimas previstas no § 3º da referida norma: § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. No que se refere à alegação da contribuinte de que supostos problemas de conexão com o site da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), cumpre observar que é notório que os contribuintes que deixam para o último momento para transmitir Fl. 87DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10580.726013/201062 Acórdão n.º 1401001.360 S1C4T1 Fl. 5 4 o demonstrativo sujeitamse aos inconvenientes próprios da sobrecarga do sistema; entretanto, não há nenhum registro e comprovação de indisponibilidade de acesso nos últimos dias do prazo fixado para entrega do Dacon relativo a abril de 2010, que tenha impedido a sua transmissão. Também não procede a alegação da recorrente, no sentido de a própria RFB teria admitido, em seu site, que o sistema de recepção da Dacon não estava operando normalmente em 08/06/2010. O comunicado divulgado no site da RFB, abaixo reproduzido (fls. 05), nada menciona acerca de falhas no recebimento da Dacon, no aludido dia 08/06/2010. O comunicado acima apenas reporta que algumas declarações entregues na manhã do dia 08/06/2010 (último dia do prazo) receberam, indevidamente, multa por atraso na entrega da referida declaração. Esse não foi o caso da contribuinte, que reconhecidamente efetuou a transmissão da Dacon no dia subseqüente (09/06/2010), sujeitandose portanto à incidência da aludida multa. Por fim, considero oportuno transcrever do acórdão de piso (fls. 20) algumas considerações gerais sobre importantes princípios que vigoram no âmbito do Direito Tributário: De mais a mais, no Direito Tributário devese observar o princípio da responsabilidade objetiva do sujeito passivo em relação às suas obrigações tributárias e ao cometimento de infrações, ou seja, a responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o artigo 136 do Código Tributário Nacional (CTN). Finalmente, é importante destacar ainda que, de acordo com o parágrafo único do artigo 142 do CTN, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Assim, constatado o atraso na entrega do Dacon, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento de ofício da multa pertinente. Conclusão Fl. 88DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10580.726013/201062 Acórdão n.º 1401001.360 S1C4T1 Fl. 6 5 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Fl. 89DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10830.723109/2011-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 27 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1301-000.258
Decisão: RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Fizeram sustentação oral o advogado Paulo Sehn e o Procurador da Fazenda Nacional Dr. Marco Aurélio Zortea Marques.
(documento assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Fizeram sustentação oral o advogado Paulo Sehn e o Procurador da Fazenda Nacional Dr. Marco Aurélio Zortea Marques. (documento assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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Recorrida Fazenda Nacional RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PPRRIIMMEEIIRRAA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Fizeram sustentação oral o advogado Paulo Sehn e o Procurador da Fazenda Nacional Dr. Marco Aurélio Zortea Marques. (documento assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .7 23 10 9/ 20 11 -6 1 Fl. 227DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por VALMIR SANDRI Erro! Fonte de referência não encontrada. Fls. 3 ___________ Relatório. Cuidase de lançamento de ofício formalizado em 03/08/2011, para imposição da multa de ofício isolada, no percentual de 50%, tendo em vista a não homologação de Declarações de Compensação Eletrônicas DCOMP transmitidas entre 23/06/2010 e 23/12/2010, nas quais é utilizado crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ e de CSLL, apurados no anocalendário de 2008, resultando em crédito tributário no valor de R$ 14.512.588,60. Em impugnação tempestiva o contribuinte, inicialmente, requereu a apensação do processo aos processos de nº 16643.000274/201053, 10830.721022/201159 e 10830.720915/201187, por entender haver entre eles relação de dependência. Defendeu, ainda, que a multa em comento ofende princípios e direitos constitucionais, em razão de a aplicação das multas de ofício aos valores lançados no auto de infração tratado no processo de nº 16643.000274/201053, somada à ora impetrada, juntamente com a multa de mora incidente, no percentual de 20%, ferirem os princípios do não confisco e da proporcionalidade. No mérito, defendese da aplicação do art. 18 §2º da Lei 10.833 de 2003, entendendo que o citado artigo, com as alterações levadas a efeito pela Medida Provisória nº 472/09, posteriormente convertida na Lei nº 12.249/2010, somente seria aplicável nos casos em que apurada conduta ardilosa, com intuito de fraudar a arrecadação tributária. A Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação. Ciente da decisão em 30/08/2012, a interessada ingressou com recurso em 28 de setembro (fl. 170), reeditando as razões da impugnação. É o relatório. É o relatório. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 10830.723109/201161 Resolução nº 1301000.258 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Como visto do relatório, tratase de imposição da multa isolada, no percentual de 50%, incidente sobre compensações não homologadas, com fulcro no art. 74, § 17, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 36 da Lei nº 12.249, de 2010, vigente na datada lavratura do auto de infração. A multa incidiu sobre compensações cujas declarações foram transmitidas entre 23/06/2010 e 23/12/2010. A previsão para imposição de multa isolada em casos de não homologação de compensação surgiu com a Lei nº 10.833/2003, cujo art. 18, em sua redação original, estabeleceu: Art. 18 O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. O dispositivo sofreu sucessivas alterações pelas Leis nº 11.051/2005, nº 11.196/2006, nº 11.488/2007, que, em síntese, assim previram: 1 Após a MP 135 (Lei 10.833/2003) e antes da Lei 11:051/2004: cabe lançamento da multa de ofício, isoladamente, restrita aos casos de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. 2 Após a Lei 11.051/2004, e antes da Lei 11:196/2005: cabe lançamento da multa de ofício, isoladamente, no percentual de 150%, nos casos de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. 53 Após a Lei 11.196/2005 e antes da Lei 11.488, de 2007: cabe lançamento da multa de ofício, isoladamente, nos casos de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, de ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, e quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, sendo o percentual aplicável de 75% ou 150%, conforme o caso. 4 Após a Lei 11.488, de 2007 e antes da MP 472/2009 (Lei 12.949/2010) cabe lançamento da multa de ofício nos casos em que se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, e nos casos de a compensação ser considerada não declarada Fl. 229DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 10830.723109/201161 Resolução nº 1301000.258 S1C3T1 Fl. 5 4 nas hipóteses em que o crédito: (a) seja de terceiros; (b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1o do DecretoLei no 491, de 5 de março de 1969; (c) refirase a título público; (d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou (e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal – SRF, e o percentual será de 75% ou 150%. 4 Após a MP 472/2009 (convertida na Lei 12.949/2010), aplicase a multa de 50% sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Observo que a Medida Provisória nº 676, de outubro de 2014, alterou a redação do § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, mas a nova redação não trouxe modificação benéfica para o caso concreto, que justificasse sua aplicação retroativa. Como não pode, este CARF, negar aplicação a lei vigente, não há como afastar a multa aplicada sobre as compensações não homologadas. Ocorre que os recursos do contribuinte, insurgindose em relação à não homologação das compensações que deram azo à multa, objeto dos processos nº 10830.721022/201159 e 10830.721015/201187, foram julgados por esta Turma, tendo o julamento sido convertido em diligência, nos seguintes termos: “Tendo em conta a influência do decidido no Acórdão nº 1301001.756 no presente litígio, bem como nos demais acima referenciados (10830.720876/201118, 10830.909561/201037, 10830.720885/2011 17, 10830.721014/201111, 10830.720915/201187, 10830.721022/201159 e 10830.723109/201161, encaminho meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a repartição de origem, após fazer a liquidação do decido naquele processo, apure se restou direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ em 31/12/2008, a ser utilizados nas compensações objeto deste processo, elaborando relatório e demonstrativo, dos quais deverá ser dada ciência ao contribuinte para manifestação, caso o deseje. Para cumprimento dessa diligência, os processos relativos a compensação deverão ser apensados ao processo nº 16643.000274/201053.” Como a multa incide sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a repartição de origem elabore demonstrativo que evidencie o montante das compensações não homologadas, após o cumprimento da diligência proposta nos processos 10830.721022/201159 e 10830.721015/201187. É como voto. Sala das Sessões, em 04 de fevereiro de 2015. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 230DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 13768.000083/2007-91
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTO INTRÍNSECO. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. NÃO DEMONSTRAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO.
Para conhecimento do Recurso Especial interposto sob o fundamento de existência de divergência jurisprudencial, deverá o interessado demonstrar fazer constar do recurso interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.561
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os menbros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Junior Relator
EDITADO EM:06/03/2015
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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PRESSUPOSTO INTRÍNSECO. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. NÃO DEMONSTRAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. Para conhecimento do Recurso Especial interposto sob o fundamento de existência de divergência jurisprudencial, deverá o interessado demonstrar fazer constar do recurso interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os menbros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 76 8. 00 00 83 /2 00 7- 91 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 EDITADO EM:06/03/2015 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão de n° 2802 00.495, proferido em 23/09/2010, interpõe Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, com fulcro nos artigos 67 e 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, visando a revisão do julgado. Ciente, formalmente, daquele acórdão em 11/04/2011, conforme Intimação constante às fls. 76, o digno representante da Fazenda Nacional protocolizou o Recurso Especial, em 11/04/2011, isto é, dentro do prazo de 15 (quinze) dias fixado pelo caput do art. 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Suscita a recorrente que, nos termos do art. 67 do Regimento Interno, compete a CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Em sessão plenária de 23/09/2010, a 2 a Turma Especial da 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgou o Recurso Voluntário n° 503.883, proferindo a decisão consubstanciada no Acórdão n° 280200.495, assim ementado:Em sessão plenária de 10/05/2010, a 2 a Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgou o Recurso Voluntário n° 162.421, proferindo a decisão consubstanciada no Acórdão n° 280200.274, assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004 Ementa: DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. FALTA DE ENDEREÇO. Sendo o único obstáculo indicado pela fiscalização para não acatar os recibos das despesas médicas a ausência do endereço do profissional emitente, informação que foi prestada pela recorrente na fase recursal fica superado o óbice, devendo ser restabelecida a dedução. Recurso provido. A decisão foi assim resumida: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do relator. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 13768.000083/200791 Acórdão n.º 9202003.561 CSRFT2 Fl. 8 3 O recurso está manejado quanto à discussão sobre a glosa de dedução por apresentação de comprovantes de despesas médicas com ausência do endereço do profissional. Segue abaixo o acórdão paradigma apresentado seguido de sua respectiva ementa: 10241.918 IRPF DESPESAS MEDICAS São indedutíveis as despesas médicas cujos recibos não preencham as formalidades legais indispensáveis para sua aceitação. Recurso negado 10422.840 DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO A validade da dedução de despesa médica depende da comprovação do efetivo dispêndio do contribuinte e, à luz do artigo 29, do Decreto n° 70.235, de 1972, na apreciação de provas a autoridade julgadora tem a prerrogativa de formar livremente sua convicção. Cabível a glosa de valores deduzidos a titulo de despesas médicas cuja prestação de serviços não foi comprovada. Preliminar rejeitada. Recurso negado. Instado a se manifestar, o i. Presidente da 2ª Câmara da Segunda Seção resolveu dar seguimento ao REsp interposto, conforme se observa abaixo [fls. 92 e ss]: [...] Do simples confronto do voto do acórdão recorrido com as ementas e votos dos acórdãos paradigmas, é possível se concluir que houve o dissídio jurisprudencial. Isso porque se trata da mesma matéria fática e a divergência de julgados, nos termos Regimentais, referese a interpretação divergente em relação ao mesmo dispositivo legal aplicado ao mesmo fato, que no caso em questão é a glosa da dedução de despesas médicas em virtude do sujeito passivo haver comprovado despesas médicas com recibo de profissional sem o correspondente endereço. Assim, o mero cotejo do voto condutor do acórdão recorrido com as ementas e votos dos acórdãos paradigmas j á caracteriza a divergência, haja vista que tipifica tratamentos diferenciados. Ou seja, o acórdão recorrido entende dedutíveis as despesas médicas incorridas, mesmo sem o correspondente endereço nos recibos, aceitando informação do sujeito passivo em momento posterior, ao passo que os acórdãos paradigmas entendem ser indispensável a comprovação da despesa médica com recibos que preencham os requisitos da Lei. Intimado a se manifestar, o Sujeito Passivo reiterou os argumentos no decisum recorrido. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Analiso, inicialmente, se o recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional preenche os requisitos de admissibilidade. Para melhor entendimento, peço vênia aos ilustres Conselheiros para colacionar trecho do voto condutor do acórdão recorrido que esclarece objetivamente o objeto do Auto de Infração [fls. 74 e ss]: [...] O litígio restringese à glosa das despesas médicas efetuadas com Bruno Araujo Ramalho (R$10.000,00); Danielle Oliveira Rocha (R$12.000,00) e Bárbara Sousa Tavares (R$8.000,00) em razão de não constar nos comprovantes apresentados os endereços dos emitentes. A DRJ consignou que caberia ao contribuinte, para fins de ter sua pretensão atendida, providenciar, junto aos profissionais envolvidos, a retificação dos recibos emitidos ou declaração, firmada por cada um dos profissionais envolvidos, no sentido atender a exigência da fiscalização quanto ao endereço, exigência esta que não foi cumprida,de forma que à luz da legislação, as despesas médicas não são passíveis de dedução dos rendimentos tributáveis, tendo em vista o não preenchimento de um dos requisitos legais para tanto, qual seja, indicação do endereço dos profissionais emitentes dos recibos objeto de glosa. Aos argumentos apontados na peça recursal adicionou a recorrente declaração do dentista Bruno Araújo Ramalho (fls. 67) descrevendo que o endereço do consultório está destacado no timbre presente na parte superior do prontuário e que, na época, prestava atendimentos odontológicos no Edificio Rip Center II, na Avenida Carlos Gomes de Sá, n° 730 Sala 201 Mata da Praia, VitóriaES e dividia o consultório com um colega ortodontista (Estephan Moana Filho). Os documentos acostados a partir das fls. 68 são as fichas de tratamento e prontuário em cujo timbre consta o endereço a que o profissional se referiu. Às fls. 71 a recorrente informa o endereços da profissional Bárbara Sousa Tavares e dois endereços de Danielle Oliveira Rocha . O acórdão da DRJ aponta como fundamento da glosa no inciso III do §2º do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, no art. 80 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda) e no art. 46 da Instrução Normativa SRF n° 15, de 6 de fevereiro de 2001. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 13768.000083/200791 Acórdão n.º 9202003.561 CSRFT2 Fl. 9 5 Enquanto o art. 80 do RIR99 é mera repetição do art. 8º da lei 9.250/1995, o art. 46 da IN SRF 15/2001 é a interpretação dada pela Receita Federal. Em homenagem ao princípio da verdade material e, considerando que não há qualquer imputação em desfavor da efetiva realização da despesa, mas tão somente a indicação da falta do endereço nos recibos, considero que a melhor interpretação da norma legal autoriza a glosa em litígio, como será explicitado adiante. Com espeque nesses argumentos, a então 2ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do CARF proferiu Acórdão que deu provimento, por unanimidade, ao Recurso Voluntário interposto pelo Interessado. Em contraponto, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial – divergência , sob a alegação de que para restabelecer deduções de despesas médicas, com base em recibos emitidos por profissionais da saúde, como também nas declarações por eles firmadas, sem, no entanto, a prova do efetivo pagamento de tais despesas: Contudo, mesmo diante da falta de preenchimento desses pressupostos, a decisão recorrida embasou sua conclusão, no sentido de manter a dedução das despesas médicas, com base unicamente informação posteriormente prestada pela própria contribuinte, sem qualquer participação das prestadoras dos serviços supostamente dedutíveis. [...] Muito embora, possa haver diversidade nos requisitos que não foram atendidos nos documentos apresentados pelo contribuinte a título de comprovação, esse fato não tem o condão de descaracterizar a divergência aqui argüida, pois se trata de circunstância acidental. Não obstante esse fato, é sabido que para a caracterização do dissídio jurisprudencial, nos termos dos artigos 541, parágrafo único, do Código de Processo Civil e 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ e consolidado pelo RICSRF, fazse necessária a demonstração da similitude de panorama de fato e da divergência na interpretação do direito entre os acórdãos confrontados. Da análise dos dois julgados (recorrido e paradigma) verificase que não há divergência na interpretação do direito entre os acórdãos, conforme se evidencia abaixo: pois, há convergência dos julgados em face do seguinte argumento: deve o sujeito passivo apresentar aos autos elementos suficientes para firmar a convicção de que os alegados pagamentos foram efetivamente realizados, por meio de documentos idôneos. Evidenciese que nem mesmo o legislador entendeu que o endereço é um dado fundamental, pois facultou ao contribuinte, na falta da documentação, apresentar cheque nominativo o qual não contém a indicação do endereço do profissional. Se o cheque nominativo sem a indicação do endereço e sem a especificação do serviço prestado é suficiente, não haveria razão para que o recibo com a indicação do Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 serviço, CPF do profissional e seu CRO ou CRM e sobre o qual não foi levantada qualquer suspeição, mas que pecou unicamente pela falta do endereço, não possa ser acatado quando o endereço é informado por qualquer outra forma, como no presente caso. DISPOSITIVO Pelo exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É o voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 11516.722734/2012-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2011 a 30/04/2012
Ementa:
ADESÃO AO PARCELAMENTO. CONFISSÃO. DESISTÊNCIA DA DISCUSSÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA.
A adesão ao parcelamento importa confissão irrevogável e irretratável dos débito sem nome do sujeito passivo.
Não há matéria a ser apreciada por esta Corte, quando o objeto do recurso interposto pelo contribuinte é a adesão ao parcelamento de que trata a Lei nº 11.941/09.
Numero da decisão: 2301-004.280
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2011 a 30/04/2012 Ementa: ADESÃO AO PARCELAMENTO. CONFISSÃO. DESISTÊNCIA DA DISCUSSÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A adesão ao parcelamento importa confissão irrevogável e irretratável dos débito sem nome do sujeito passivo. Não há matéria a ser apreciada por esta Corte, quando o objeto do recurso interposto pelo contribuinte é a adesão ao parcelamento de que trata a Lei nº 11.941/09.
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A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2011 a 30/04/2012 Ementa: ADESÃO AO PARCELAMENTO. CONFISSÃO. DESISTÊNCIA DA DISCUSSÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A adesão ao parcelamento importa confissão irrevogável e irretratável dos débito sem nome do sujeito passivo. Não há matéria a ser apreciada por esta Corte, quando o objeto do recurso interposto pelo contribuinte é a adesão ao parcelamento de que trata a Lei nº 11.941/09. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. MARCELO OLIVEIRA - Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator. EDITADO EM: 14/04/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX Fl. 445DF CARF MF Impresso em 19/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 FRIESS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, ADRIANO GONZALES SILVERIO. Relatório Trata este processo dos Autos de Infração nos 51.022.5730e 51.022.5756,abaixo especificados: AI nº 51.022.5730 Cuida de glosa de compensações realizadas pela fiscalizada, referentes ao período de 11/2011 a 04/2012, com fundamento em supostos créditos reconhecidos em decisão judicial decorrentes de contribuições relativas ao RAT pagas a maior, totalizando R$6.979.470,12. AI nº 51.022.5756 Trata de multa isolada aplicada em virtude de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, calculada à taxa de 150% sobre o valor total do débito indevidamente compensado, atinente ao período de 11/2011 a 04/2012, no montante de R$8.347.302,15. Em relação à compensação dos valores fundamentados em créditos da empresa e conhecidos por decisão judicial (RAT), relata o auditor que a empresa requereu em juízo, em 04/04/2006, por meio da Ação Ordinária n° 2006.72.00.0030694 – Seção Judiciária de Santa Catarina 1ª Vara de Florianópolis a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários relativos à incidência da contribuição ao SAT (RAT) sobre os percentuais que excedessem à alíquota de 1% no estabelecimento matriz e a respectiva restituição dos valores recolhidos indevidamente. Em 04/08/2006, sobreveio a sentença (Publicada no D.J.U. de 25/08/2006)julgando procedente parcialmente o pedido da autora, declarando a inexistência de relação jurídico tributária que justifique a incidência da contribuição ao SAT sobre percentuais que excedam a alíquota de 1% no estabelecimento matriz da autora, e condenar o INSS a restituir os valores recolhidos indevidamente, excluídas as parcelas prescritas desde 04.04.2001,acompanhado dos acréscimos legais, nos termos da fundamentação. O INSS apelou. No entanto, o TRF da 4ª Região negou provimento ao recurso, mantendo a alíquota do SAT em 1%, assim como reafirma a ocorrência da prescrição em relação as parcelas pagas anteriores a 04/04/2001. A recorrente, por sua vez, interpôs Recurso Especial no STJ, que continua tramitando, a fim de obter o direito à restituição dos valores pagos a título de SAT nos últimos dez anos, contados da data do ingresso da ação. Em análise à situação posta, o fiscal concluiu que na ação judicialproposta, na qual toda a motivação da empresa se fundamenta, em nenhum momento ventilou-seo instituto da compensação.Assim, sob a ótica do fiscal, ficou claro que, em nenhum momento,adquiriu judicialmente o direito de efetuar a compensação administrativa. Supondo, em tese, que a empresa tivesse o direito à compensação dosvalores questionados, verificou-seque a empresa efetuou a compensação antes mesmo dasentença. Ainda assim, constata-seque a empresa procederia de forma incorreta, eque parte dos valores compensados teriam sido realizados de forma indevida, visto que: 1)atualizou Fl. 446DF CARF MF Impresso em 19/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 11516.722734/2012-00 Acórdão n.º 2301-004.280 S2-C3T1 Fl. 445 3 os valores capitalizando os juros, ou seja, aplicando juros sobre juros; e, 2)compensou valores referentes aos honorários advocatícios. Fato é que a compensação na sua totalidade foi realizada sem o devido suporte legal por tudo o que foi discorrido no relatório e que todos os valores compensados pela empresa nas GFIPs das competências 11/2011 a 04/2012 (incluindo do 13° salário),relativas ao RAT, foram compensados de forma indevida, motivando o lançamento da glosa da compensação. No que se refere à multa isolada, ressalta que os fatos relatados demonstram que a compensação indevida foi realizada com falsidade, o que induz à aplicação da multa isolada, prevista no artigo 89, § 10, da Lei n° 8.212, de 1991.Segundo a autoridade lançadora, houve um agir ímprobo da contribuinte,ficando evidente em face da ausência de qualquer escusa que justifique sua conduta. Não há,pois como se falar em boa-fé objetiva em seu modus operandi. Repisa, assim, o fato de a fiscalizada ter iniciado o processo judicial pleiteando a restituição da contribuição indevida e, de forma ativa, agiu na obtenção do pagamento pelo Poder Judiciário quando requereu a execução da ação, assim como, também deforma ativa, fez inserir os valores indevidamente na declaração prestada ao fisco, efetivando a compensação. Desse modo, da maneira como procedeu, receberia, no mínimo, em duplicidade o valor da ação proposta, visto já ter realizado a compensação (inclusive aumentando o valor com a capitalização dos juros) e segue o curso normal da execução, com intuito de receber o valor da causa judicialmente. Ou seja, promoveu ações que culminam como recebimento em duplicidade do direito, resultando em evidente prejuízo à Previdência Social. A recorrente interpôs impugnação que foi julgada improcedente pela 6ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Brasil em Florianópolis – SC. Foi proferido o acórdão 07-31.361 em 23 de maio de 2013, o qual segue ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2011 a 30/04/2012 AI nº 51.022.5730,de 04/10/2012, e AI nº 51.022.5756,de 04/10/2012. COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA. OBRIGATORIEDADE DE RENÚNCIA À EXECUÇÃO JUDICIAL DO CRÉDITO. A fim de obter a compensação administrativa de contribuição previdenciária devida, deve o detentor de título executivo judicial, antes,renunciar à respectiva ação de execução. PARCELA INCONTROVERSA. OCORRÊNCIA DO TRÂNSITO EM JULGADO. Na ação de execução de título executivo judicial, havendo impugnação parcial, a parte não objeto de impugnação torna-se incontroversa, não sendo mais possível discuti-la judicialmente, ocorrendo, assim, o seu trânsito em julgado. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 19/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 PROVA DESCONSTITUTIVA DE DIREITO. Na hipótese de ficar demonstrado que a impugnante não renunciou à açãode execução, restaria a esta, então, provar que a efetivou, desconstituindo aprova anterior em sentido diverso. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. MULTA DUPLICADA Comprovada a falsidade da declaração feita pelo sujeito passivo, é cabívela aplicação da penalidade pecuniária à taxa de 150% sobre o valor total do débito indevidamente compensado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente intimada da decisão de 1ª instância em 12/07/2013 interpôs Recurso Voluntário em 12/07/2013. Preliminarmente a recorrente defende sua boa-fé. Informa que no período fiscalizado a recorrente procedeu a compensação de valores pagas a maior a título de contribuição do SAT que excedessem o percentual de um por cento, uma vez que, seu estabelecimento matriz mantem apenas atividades administrativas, como reconhecei a fiscalização do INSS. A recorrente traz relatos da cronologia dos fatos: “Pois bem, em 6 de outubro de 2003 a contribuinte formulou pedido de “redução de taxas de risco das áreas administrativas, de 3% para 1%, e nas demais de 3% para 1,5%”, através da CE DRH – 0339/2003, o qual protocolizou no Sistema Informatizado de Protocolo do Instituto Nacional do Seguro Social. (...) Nessa vereda, em 10 de dezembro de 2004, foi concluída a ação fiscal na contribuinte, tendo sido lavrado contra a mesma a NFLD nº 35.330263-5, para lançamento tributário dos créditos tributários da contribuição social adicional para o custeio dos benefícios relativos à aposentadoria especial de alguns estabelecimentos da empresa que não sua matriz. (...) Vem a propósito salientar o item 34.2, do Relatorio Fiscal do Auditor Fiscal do INSS, na qual a autoridade lançadora assim escreveu com ênfase, ipisis litteris: 34.2.2. Diante da impossibilidade de se identificas os trabalhadores submetidos aos agentes nocivos, o lançamento foi arbitrado levando-se em conta todos os setores da empresa, com exceção daqueles citados no quadro a seguir, que presumidamente não possuem trabalhadores exposto. Esta presunção decorre do conhecimento obtido desses locais, quando neles foram realizados os trabalhos de auditoria: UNIORG CNPJ Estabelecimento Setores Excluídos 8010 02.474.103/0001-19 Sede Administrativa Todos os setores foram excluídos. 8380 02.474.103/0002-08 Complexo Jorge Lacerda 31390 – NAIL – Núcleo Fl. 448DF CARF MF Impresso em 19/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 11516.722734/2012-00 Acórdão n.º 2301-004.280 S2-C3T1 Fl. 446 5 Administrativo Jorge Lacerda. (...) Posta assim a questão é de se dizer que de forma lamentável a fiscalização não teve compromisso com a Verdade Material no calo em tela, às pautas suas conclusões pra solução do mesmo com base em elementos extraídos de sitio da internet, como mesmo confessa no item 4.10, do REFISC, apresentados no infame “ANEXO_I_FASES_PROCESSOS_JUDICIAIS.PDF”. No que trata da compensação, a recorrente afirma que a compensação de contribuição previdenciária é feita por intermédio da GFIP na condição de ulterior homologação pela Receita Federal. Informa que desde que efetuou a compensação de Parcela Incontroversa, a contribuinte não praticou nenhum ato executivo quanto a esta. Alega que os contribuintes estão sendo penalizados porque as autoridades lançadoras não espelham seus atos nas leis processuais em vigor, e na interpretação dada pelos tribunais às mesmas, provavelmente por falta de conhecimento. Alega ainda que foi com base no risco de duplo pagamento que a autoridade lançadora glosou a compensação e que a Delegacia da Receita Federal de Florianópolis /SC manteve o lançamento tributário. Frisa então, que houve total afronta ao §1º, do artigo 112, do CTN. Acrescenta que, cumpre observar que o artigo 34, da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, expressamente excetua as contribuições previdenciárias do regime do artigo 70, da mesma Instrução Normativa RFB nº 900/2008 para considerar aplicável as contribuições previdenciárias a sistemática dos artigos 44 a 48, também da mesma Instrução Normativa RFB nº 900/2008. Salienta que, não podem ser impostas à contribuinte que efetua a compensação previdenciária as regras do artigo 70, da Instrução Normativa nº 900/2008, as quais foram igualmente utilizadas como arrimo para o lançamento tributário no presente caso concreto no que tangencia a exigência de desistência e impossibilidade de compensação após a execução. Inferiu ainda a autoridade lançadora que a desistência é condição necessária a compensação. Por fim, requer a recorrente que o recurso voluntário seja conhecido e provido e consequentemente, determinada a anulação do lançamento tributário, com fundamento no artigo 145, I, do Código Tributário Nacional. É o relatório. Voto Fl. 449DF CARF MF Impresso em 19/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator Consta dos autos que o Sujeito Passivo que aderiu ao Parcelamento Especial instituído pela Lei n. 11.941/2009. Como restam incontroversos os fatos geradores e tendo em vista que a confissão [adesão ao parcelamento] ocorreu antes do julgamento do Recurso Voluntário, entendo que afastado o decisum recorrido, pois a adesão ao REFIS implica na renúncia do direito de discutir administrativamente o débito confessado. Tratando-se de parcelamento com confissão irretratável e irrevogável de dívida, aplica-se ao caso o disposto no art. 78 do Regimento Interno do CARF (Anexo II à PortariaMF n. 256, de 2009, com as alterações da Portaria MF n. 446, de 2009, e 586, de 2011),que dispõe o seguinte,com os destaques cabíveis: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Dessa forma, houve desistência do recurso antes de seu julgamento. DISPOSITIVO Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO interposto. É como voto. Manoel Coelho Arruda Júnior - Relator Fl. 450DF CARF MF Impresso em 19/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 11516.722734/2012-00 Acórdão n.º 2301-004.280 S2-C3T1 Fl. 447 7 Fl. 451DF CARF MF Impresso em 19/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Relatório Voto
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