Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,885)
- Primeira Turma Ordinária (16,419)
- Primeira Turma Ordinária (16,225)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,202)
- Terceira Câmara (67,872)
- Segunda Câmara (56,642)
- Primeira Câmara (20,751)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,714)
- Segunda Seção de Julgamen (115,210)
- Primeira Seção de Julgame (77,082)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,551)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,930)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,615)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,690)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10074.000506/2010-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 13/09/2004, 16/09/2004, 24/11/2004, 07/12/2004 Ementa: DECADÊNCIA. PENALIDADES. O direito de impor penalidade extingue-se em 5 (cinco) anos , a contar da data da infração. EXPORTAÇÃO. FALSIDADE IDEOLÓGICA. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO. PROVAS. Inexistindo elementos objetivos que autorizem concluir que as mercadorias efetivamente exportadas foram divergentes das mercadorias descritas nas notas fiscais e respectivas declarações de exportação o lançamento não deve prosperar por falta de suporte probatório. É ônus da autoridade autuante instruir o lançamento com todos os elementos de prova de fatos constituintes do direito da Fazenda. Recurso de Ofício negado provimento
Numero da decisão: 3102-001.325
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201111
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 13/09/2004, 16/09/2004, 24/11/2004, 07/12/2004 Ementa: DECADÊNCIA. PENALIDADES. O direito de impor penalidade extingue-se em 5 (cinco) anos , a contar da data da infração. EXPORTAÇÃO. FALSIDADE IDEOLÓGICA. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO. PROVAS. Inexistindo elementos objetivos que autorizem concluir que as mercadorias efetivamente exportadas foram divergentes das mercadorias descritas nas notas fiscais e respectivas declarações de exportação o lançamento não deve prosperar por falta de suporte probatório. É ônus da autoridade autuante instruir o lançamento com todos os elementos de prova de fatos constituintes do direito da Fazenda. Recurso de Ofício negado provimento
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 10074.000506/2010-99
conteudo_id_s : 5227618
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3102-001.325
nome_arquivo_s : Decisao_10074000506201099.pdf
nome_relator_s : ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 10074000506201099_5227618.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
id : 4578431
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:00:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041575055982592
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1810; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 257 1 256 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10074.000506/201099 Recurso nº 893.166 De Ofício Acórdão nº 310201.325 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de novembro de 2011 Matéria Normas Gerais de Direito Tributário Recorrente Fazenda Nacional Interessado Praiamar Industria Comércio & Distribuição LTDA. Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 13/09/2004, 16/09/2004, 24/11/2004, 07/12/2004 Ementa: DECADÊNCIA. PENALIDADES. O direito de impor penalidade extinguese em 5 (cinco) anos , a contar da data da infração. EXPORTAÇÃO. FALSIDADE IDEOLÓGICA. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO. PROVAS. Inexistindo elementos objetivos que autorizem concluir que as mercadorias efetivamente exportadas foram divergentes das mercadorias descritas nas notas fiscais e respectivas declarações de exportação o lançamento não deve prosperar por falta de suporte probatório. É ônus da autoridade autuante instruir o lançamento com todos os elementos de prova de fatos constituintes do direito da Fazenda. Recurso de Ofício negado provimento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente. Fl. 3858DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 14/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO 2 (assinado digitalmente) ÁLVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO Relator. EDITADO EM: 14/02/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (presidente da turma), Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes Maya Gomes, Winderley Pereira, Leonardo Mussi e Álvaro Almeida Filho. Relatório O recurso de ofício visa a reforma do acórdão nº 0720.850 da 1ª Turma da DRJ/FNA, que entendeu pela improcedência do lançamento. Observando o relato da decisão recorrida é possível identificar que: Trata o presente processo do Auto de Infração de fls. 04 a 95, por meio do qual foi formalizada a constituição do crédito tributário no valor de R$ 21.948.531,62, em razão, segundo o enquadramento legal (fl. 08), da impossibilidade de apreensão das mercadorias, conforme previsto no § 3º do artigo 23 do Decretolei n° 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei n° 10.637/2002, dado que as mercadorias foram exportadas. Inicialmente, informa a autoridade fiscal que a presente fiscalização teve inicio após comunicado do Banco Central do Brasil BACEN relacionado ao fechamento de câmbio de operações de exportação realizadas pela interessada, aliada à demanda de informações oriundas da Vara Única da Justiça Federal de Cáceres MT, que acarretou no conhecimento de que a interessada estaria envolvida na "Operação Vulcano", juntamente com outras empresas de grande porte na distribuição de bebidas. Se constata ainda que a fiscalização obteve vários documentos junto a outros Órgãos Federais e Autoridades Fazendárias do Estado de São Paulo. Depreendese da descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração, bem como do "Relatório de Verificação Fiscal" (fls. 11 a 95) que a interessada submeteu a despachos de exportação mercadorias descritas nas diversas Declarações de Exportação DE's (11s. 864 a 1.058) como "PREPARADO COMPOSTO NÃO ALCOÓLICO" (em alguns casos "PREPARADO COMPOSTO NÃO ALCOÓLICO DA AMAZONIA"), apresentando notas fiscais instrutivas (N. 864 a 1.058) destas mesmas declarações com descrição destas mercadorias como "PREP. COMPOSTO NÃO ALCOÓLICO" (em alguns casos "PREPARADO COMP. NA 0 ALCO6LICO"), classificando tais mercadorias no código NCM 2106.90.10: Fl. 3859DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 14/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10074.000506/201099 Acórdão n.º 310201.325 S3C1T2 Fl. 258 3 2106 PREPARAÇÕES ALIMENTÍCIAS NÃO ESPECIFICADAS NEM COMPREENDIDAS EM OUTRAS POSIÇÕES 2106.90 Outras 2106.90.10 Preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas Relata a fiscalização que a interessada adquiria as mercadorias com grande volume de créditos de IPI e ICMS, e posteriormente as revendia no mercado externo (por valores inferiores ao custo de aquisição, isto é, com prejuízos) com imunidade de impostos, possibilitando, assim, manter os créditos para dedução dos impostos incidentes sobre suas operações normais. Em seu relatório a fiscalização indica que a mercadoria tida como "concentrado" de guaraná é obtida a partir da adição de água e de pequenas quantidades de elementos químicos ao extrato de guaraná (produzido por empresa agrícola). Que, conforme registro no MAPA (fls. 1.698 a 1.714), a cada litro de extrato acrescentase de 4 a 6 litros de água acarretando um rendimento de uma para 5 partes, em média. Afirma ainda que é desnecessário sob o aspecto estritamente técnico a adição de água, que na verdade esta serve apenas para incrementar volume físico do produto e, por conseqüência, o volume de créditos de IPI e de ICMS. Como o aproveitamento de créditos de IPI depende da realização de nova etapa de industrialização a ser promovida pela empresa adquirente, a mercadoria é submetida a um suposto reprocessamento industrial fora da Zona Franca de Manaus, para na seqüência ser encaminhado para exportação. À folhas 15 a fiscalização informa que restou demonstrado nos autos que, na verdade, o material exportado era inservível para consumo e/ou utilização comercial (contendo em sua composição mais de 95% de água), e completamente diverso das informações constantes nos documentos que instruíam as declarações de exportação. Segundo consta dos autos, empresa STRATUS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. (CNPJ n° 04.475.883/000147) é a responsável pelo fornecimento das mercadorias exportadas c seria o ponto de partida do esquema relacionado aos procedimentos que resultam na obtenção de crédito fiscal indevido. Referida empresa efetuou o Registro da mercadoria (Preparado Composto Não Alcoólico da Amazônia PCNAA) no Ministério da Agricultura. Pecuária e Abastecimento (MAPA) sob número DPF/AM 21010.000074/200277, onde constam as especificações do produto, processo de produção, embalagem e rotulagem (fls. 1.689 a 1.697). Também relata a fiscalização que tais mercadorias foram exportadas com preço médio de R$ 51.30 por Kg., mas o custo destas mesmas mercadorias alcançam o preço médio de R$ Fl. 3860DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 14/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO 4 116,46 por Kg., fato que provocou um Prejuízo Comercial de R$ 25.076.544,00. Afirma a fiscalização, à folhas 46. que as primeiras exportações ocorreram em 18/09/2004 e 22/09/2004, e que além de solução aquosa (97 a 99% de água). nos termos Laudos Técnicos (fls. 484 a 528) n° Certificado FIO 1382438907, Certificado n° FIO 1382538907 e o Laudo de Análise n° 0001.01 de 20/12/2004. expedido pela FUNCAMP. a interessada vendeu (exportou) PCNAA fora da validade (que é de 6 meses), pois tais mercadorias foram adquiridas em 02/12/2003 e não receberam nenhuma grama de benzoato de sódio, que segundo a interessada prolongaria a validade das mercadorias. Relata ainda o fluxo documental das remessas de mercadorias no mercado interno anteriormente à sua exportação, indicando que tal movimentação visava especificamente proporcionar o aproveitamento de crédito. Indica também que as compras efetuadas pela interessada, no valor de R$ 19.293.370,63, e relativas ao ano de 2004, só foram quitadas junto ao fornecedor STRATUS, em outubro de 2007, neste mesmo valor (sem juros, correção monetária ou multa). Em relação ao ano de 2005, os pagamentos foram efetuados igualmente em outubro de 2007 (fl. 68). Ressalta que à época dos pagamentos. a interessada já estava sob fiscalização do Fisco Estadual. Com relação ao recebimento das vendas efetuadas por ocasião das exportações, à folhas 70, a fiscalização apresenta um quadro onde estão consignadas as datas e valores, que ocorreram nos anos de 2006 e 2007. A fiscalização informa que a interessada não possuía registro no MAPA. A mercadoria PCNAA. por se tratar de um produto inadequado e inapropriado a fabricação de bebida de refrigerante de guaraná e não o concentrado de guaraná foi utilizado como artifício de "planejamento tributário", projetado unicamente para viabilizar transferências de créditos de tributos. Considerando os fatos citados, a fiscalização concluiu que as notas fiscais faturas, documentos essenciais ao despacho aduaneiro de exportação, apresentavam informação de que se tratava de exportações do produto preparado não alcoólico concentrado de guaraná, tratandose de informação inverídica, ou seja, o conteúdo de tais documentos não condiz com a verdade, tratandose de falsidade ideológica, pois o que de fato ocorreu foi movimentação física de solução aquosa. Assim, em face do disposto no inciso VI, do artigo 105, do DecretoLei n° 37/66 seria aplicável ao caso a pena de perdimento por ter sido apresentado documento necessário ao desembaraço com falsidade. Considerando que tais mercadorias foram exportadas, não sendo possível a sua localização, aplicou se o disposto no § 3°, do artigo 23, do DecretoLei n° 1.455/76, convertendose a pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias exportadas. Fl. 3861DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 14/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10074.000506/201099 Acórdão n.º 310201.325 S3C1T2 Fl. 259 5 Cientificada (pessoalmente, fls. 05 e 95), a interessada apresentou a impugnação de folhas 2.233 a 2.274, anexando os documentos de folhas 2.275 a 2.346. Em síntese apresenta os seguintes argumentos: Que, o direito de impor penalidade está extinto, consumada a decadência. Flagrante ilegalidade, abuso de poder, requer sejam extraídas peça processuais do respectivo processo, remetendoas ao órgão do Ministério Público para as devidas providências legais; Que, há duplicidade de procedimentos fiscais, os mesmos fatos já foram objeto de auto de infração lavrado sob n° 16024.000133/200994: Que, há ofensa aos princípios do devido processo legal e da moti ação dos atos administrativos, a impugnante desconhece a existência de Mandado de Procedimento Fiscal anterior ao presente MPF, e que foi citado no relatório fiscal (fatos apresentados pelo BACEN); Que, há falta de suporte fático, a impugnante adquiriu a referida mercadoria de empresa ativa e regularmente inscrita nos órgãos competentes, promoveu os beneficiamentos necessários por meio de terceiros (industrialização por conta e ordem), remeteu o produto resultado do beneficiamento para seu cliente localizado no exterior e, por fim, recebeu do cliente as divisas contratadas; Que, as auditoras fiscais efetuaram um juízo de valor distante do momento em que o fato ocorreu, utilizandose de divagações e de material de outro contribuinte para justificar aludida autuação; Que, as auditoras fiscais afirmam que as análises dos produtos são da impugnante (fl. 46), entretanto, as mesmas não mencionaram que em momento algum foi efetuada qualquer análise laboratorial e química nos produtos da impugnante. 0 produto analisado à folhas 484 a 528 referemse à amostra extraída de outra empresa; Que, não é possível a autoridade fiscal emitir opinião sobre o produto ou o estabelecimento produtor desprovida de qualquer embasamento técnico fornecido por quem de direito, violando inclusive a competência do 0rgdo Federal (MAPA) que registrou o produto em tela; Que, a fiscalização empresta a conclusão equivocada do Fisco Estadual; Que, o prego praticado nas operações foi condizente com os praticados no comércio; Que, a autuação não possui provas idôneas. A falsidade ideológica carece de ser comprovada; Que, o auto de infração lavrado pelo Fisco do Estado de São Paulo, e tomado como base pelas auditoras fiscais foi cancelado Fl. 3862DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 14/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO 6 pelo Egrégio Tribunal de Impostos e Taxas, através da 13ª Câmara Julgadora; Requer, sejam acolhidas as preliminares ou então seja declarado o lançamento tributário efetuado improcedente, sejam intimados impugnante e procuradores. Analisando os argumentos apresentados pelo contribuinte, os fatos e documentos que desencadearam o lançamento, a DRJ entendeu pela improcedência do lançamento por ausência de provas, nos termos da ementa abaixo ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/09/2004, 16/09/2004, 24/11/2004, 07/12/2004, 25/07/2005 DECADÊNCIA. PENALIDADES. 0 direito de impor penalidade extinguese em 5 (cinco) anos , a contar da data da infração. EXPORTAÇÃO. FALSIDADE IDEOLÓGICA. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO. PROVAS. Inexistindo elementos objetivos que autorizem concluir que as mercadorias efetivamente exportadas foram divergentes das mercadorias descritas nas notas fiscais e respectivas declarações de exportação o lançamento não deve prosperar por falta de suporte probatório. É ônus da autoridade autuante instruir o lançamento com todos os elementos de prova de fatos constituintes do direito da Fazenda. Impugnação Procedente Crédito Tributário Voto Conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Conheço do presente recurso de ofício por tratar de matéria de competência da terceira seção. Como já explicitado resta apenas analisar as razões que levaram a DRJ a concluir pela improcedência do lançamento. Inicialmente cabe analisar o acolhimento da preliminar de decadência, que eximiu a contribuinte dos créditos decorrentes da infrações relativas as declarações de exportações registradas em 2004, no montante de R$ 17.379.766,52(dezessete milhões, trezentos e setenta e nove mil, setecentos e sessenta e seis reais e cinquenta e dois centavos). Ora, a fazenda possui 5(cinco) anos para realizar o lançamento, o qual quando não praticado nesse lapso temporal, decai o direito de celebrálo. Quanto ao tema é oportuno colacionar o conceito do professor Paulo de Barros Carvalho, vejamos: Fl. 3863DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 14/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10074.000506/201099 Acórdão n.º 310201.325 S3C1T2 Fl. 260 7 A decadência ou caducidade é tida como o fato jurídico que faz perecer um direito pelo seu nãoexercício durante certo lapso de tempo. Para que as relações jurídicas não permaneçam indefinidamente, o sistema positivo estipula certo período a fim de que os titulares de direitos subjetivos realizem os atos necessários à sua preservação, e perante a inércia manifestada pelo interessado, deixando fluir o tempo, fulmina a existência do direito, decretandolhe a extinção1. Como regra geral, o prazo de cinco anos, findo o qual se opera a decadência, tem início, de acordo com o inciso I do art. 173 do CTN, no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Quando a lançamento for considerado nulo, o prazo se inicia na data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado o lançamento anterior, consoante prescreve o inciso II do citado artigo. Entretanto, quando o tributo é sujeito ao lançamento por homologação o prazo decadencial passa a fluir da data do respectivo fato gerador, de acordo com o que prescreve o § 4º do art. 150 do CTN, in verbis: § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5(cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. No caso em liça, a autoridade autuante, entendeu pela aplicação da pena de perdimento, nos termos do inciso VI, do art. 1052 do DecretoLei nº 37/66, ao observar que teria sido apresentado documento falso no desembaraço, e assim como não é possível a localização da mercadoria exportada, a pena de perdimento foi convertida em multa, nos termos do § 3º do art. 23 do decretolei nº 1.455/76, que assim estabelece: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas "a" e "b” do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. § 1 O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 3º A pena prevista no § 1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. 1 CARVALHO, Paulo de Barros. In. Curso de Direito Tributário. 18 ed. rev. e atual. São Paulo: Saraiva, 2007.p.482 2 Decretolei nº 37/1966: Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: VI estrangeira ou nacional, na impor/ação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; Fl. 3864DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 14/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO 8 Vêse que a legislação que a lei acima, apresenta norma específica sobre decadência, estabelecendo como marco inicial a data da infração, a qual no caso em espécie é a data das declarações de exportação, conforme estabelece os arts. 138 e 139 do decretolei nº 37/66: Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. Ao observar que a contribuinte apenas foi notificado do lançamento em 27/05/2010(fls. 05), acerta a decisão recorrida ao reconhecer a decadência do direito de impor a penalidade quanto as declarações de exportação apresentadas em 2004. Já em relação ao mérito remanescente, entendeu a decisão recorrida que as provas apresentadas não permitem concluir que as mercadorias exportadas divergem daquelas descritas nas notas fiscais, esvaziando assim a acusação. A decisão recorrida se a teve em especial aos laudos técnicos (fls. 484/528), utilizados pela fiscalização com fundamento para lavratura do auto de infração, e constatou que “ os laudos não possuem ligação direta com as mercadorias exportadas, foram lavrados com base em análise de amostras retiradas de outros embarques pertencentes a outros contribuintes”. Sobre a utilização de laudo técnico realizado em mercadoria que não tem relação com a mercadoria exportada, o então Terceiro Conselho de Contribuintes, assim se posicionou: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 27/10/2000 Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA. LAUDO TÉCNICO. É imprestável para efeito de prova emprestada o laudo técnico elaborado para mercadoria que não possa ser comparada com a amostra da mercadoria submetida a despacho. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Ora, caberia a fazenda apresentar elementos suficientes para fundamentar sua pretensão creditícia, o que não o fez no caso dos autos, pois a acusação decorre de suposta exportação de mercadoria descrita no despacho de exportação como “Preparo composto não alcoólico” quando na verdade a mercadoria exportada seria imprestável para o consumo, por ser composta de mais de 95% de água, divergindo dos documentos que instruíram as declarações de importação. Acontece que não restou comprovado que a mercadoria realmente divergia das declarações de exportação, pois as provas utilizadas foram obtidas através da análise de mercadorias pertencentes a outros contribuintes. Pelas razões acima, conheço do recurso de ofício para negar provimento. Sala de sessões 24 de janeiro de 2012. (assinado digitalmente) Fl. 3865DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 14/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10074.000506/201099 Acórdão n.º 310201.325 S3C1T2 Fl. 261 9 Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Relator Fl. 3866DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 14/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 10510.721220/2011-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
ARBITRAMENTO DE LUCROS. INAPLICABILIDADE AO CASO CONCRETO. Dentre as razões para o arbitramento do lucro está o fato de que não constava na contabilidade da ST o recebimento da Bomtour do valor de R$ 5.948.754,81 e demais parcelas. Este motivo, por si só, deve ser reijado como causa do arbitramento. O arbitramento dá-se quando se verifica que o sujeito passivo deixa de registrar sua real movimentação financeira. Porém, no caso dos autos, como tais valores estavam sendo registrados na SCP, ainda que eu tenha considerado que a recorrente não se desincumbiu, de forma adequada, em provar, em relação a 2007, a existência de SCP, tal fato é razão para considerar os valores recebido pela S.T, mas não razão para arbitramento. Em sendo a S.T tributada pelo lucro presumido, não havendo omissão de receita e nem conta bancária à margem do registros contábeis, o caso é de se lhe atribuir, em 2007, tal receita, sem o reajustamento da base de cálculo para fins do IRPJ.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. ATOS PRATICADOS COM INFRAÇÃO DE LEI. INTERESSE COMUM. Mantém- se a imputação de responsável solidário ao sócio-gerente da Autuada, uma vez evidenciado que ele se beneficiou de vantagens financeiras indevidas, além de ter utilizado interpostas pessoas jurídicas, constituídas de forma artificial, com a intenção dolosa de descumprir a legislação vigente, configurando a prática de atos com infração de lei. Da mesma forma, resta confirmada a responsabilidade tributária solidária atribuída a pessoa jurídica cuja atuação, em conjunto com a Autuada, com a qual mantinha interesse comum na situação constitutiva do fato gerador da obrigação principal.
Recurso voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-001.308
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para: i) reduzir a base de cálculo ao percentual de 32%; ii) excluir a co-responsabilidade de Antonio Manoel de Carvalho Neto quanto às irregularidades apuradas nos ano-calendário de 2007; e iii)afastar a imputação da multa qualificada. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Moisés Giacomelli Nunes da Silva que davam provimento em maior extensão para: i) cancelar a exigência em relação ao ano-calendário de 2008; ii) excluir a co-responsabilidade de Antonio Manoel de Carvalho Neto também quanto às irregularidades apuradas nos ano-calendário de 2008; e: iii) excluir integralmente a co-responsabilidade de Bomtour Serviços Ltda. Designado o Conselheiro Antonio José Praga de Souza para redigir o voto vencedor. Ausente momentaneamente o Conselheiro Frederico Augusto Monteiro de Alencar.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator
(assinado digitalmente)
Antonio Jose Praga de Souza Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201212
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2012 ARBITRAMENTO DE LUCROS. INAPLICABILIDADE AO CASO CONCRETO. Dentre as razões para o arbitramento do lucro está o fato de que não constava na contabilidade da ST o recebimento da Bomtour do valor de R$ 5.948.754,81 e demais parcelas. Este motivo, por si só, deve ser reijado como causa do arbitramento. O arbitramento dá-se quando se verifica que o sujeito passivo deixa de registrar sua real movimentação financeira. Porém, no caso dos autos, como tais valores estavam sendo registrados na SCP, ainda que eu tenha considerado que a recorrente não se desincumbiu, de forma adequada, em provar, em relação a 2007, a existência de SCP, tal fato é razão para considerar os valores recebido pela S.T, mas não razão para arbitramento. Em sendo a S.T tributada pelo lucro presumido, não havendo omissão de receita e nem conta bancária à margem do registros contábeis, o caso é de se lhe atribuir, em 2007, tal receita, sem o reajustamento da base de cálculo para fins do IRPJ. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. ATOS PRATICADOS COM INFRAÇÃO DE LEI. INTERESSE COMUM. Mantém- se a imputação de responsável solidário ao sócio-gerente da Autuada, uma vez evidenciado que ele se beneficiou de vantagens financeiras indevidas, além de ter utilizado interpostas pessoas jurídicas, constituídas de forma artificial, com a intenção dolosa de descumprir a legislação vigente, configurando a prática de atos com infração de lei. Da mesma forma, resta confirmada a responsabilidade tributária solidária atribuída a pessoa jurídica cuja atuação, em conjunto com a Autuada, com a qual mantinha interesse comum na situação constitutiva do fato gerador da obrigação principal. Recurso voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10510.721220/2011-35
anomes_publicacao_s : 201304
conteudo_id_s : 5223417
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1402-001.308
nome_arquivo_s : Decisao_10510721220201135.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10510721220201135_5223417.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para: i) reduzir a base de cálculo ao percentual de 32%; ii) excluir a co-responsabilidade de Antonio Manoel de Carvalho Neto quanto às irregularidades apuradas nos ano-calendário de 2007; e iii)afastar a imputação da multa qualificada. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Moisés Giacomelli Nunes da Silva que davam provimento em maior extensão para: i) cancelar a exigência em relação ao ano-calendário de 2008; ii) excluir a co-responsabilidade de Antonio Manoel de Carvalho Neto também quanto às irregularidades apuradas nos ano-calendário de 2008; e: iii) excluir integralmente a co-responsabilidade de Bomtour Serviços Ltda. Designado o Conselheiro Antonio José Praga de Souza para redigir o voto vencedor. Ausente momentaneamente o Conselheiro Frederico Augusto Monteiro de Alencar. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator (assinado digitalmente) Antonio Jose Praga de Souza Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
id : 4576798
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:00:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041575087439872
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 43; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2697; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 6.060 1 6.059 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10510.721220/201135 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402001.308 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 6 de dezembro de 2012 Matéria IRPJ e REFLEXOS. Recorrente S.T. LOCAÇÃO DE VEÍCULOS LTDA; BOMTOUR SERVIÇOS LTDA e ANTÔNIO MANOEL DE CARVALHO NETTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 ARBITRAMENTO DE LUCROS. INAPLICABILIDADE AO CASO CONCRETO. Dentre as razões para o arbitramento do lucro está o fato de que não constava na contabilidade da ST o recebimento da Bomtour do valor de R$ 5.948.754,81 e demais parcelas. Este motivo, por si só, deve ser reijado como causa do arbitramento. O arbitramento dáse quando se verifica que o sujeito passivo deixa de registrar sua real movimentação financeira. Porém, no caso dos autos, como tais valores estavam sendo registrados na SCP, ainda que eu tenha considerado que a recorrente não se desincumbiu, de forma adequada, em provar, em relação a 2007, a existência de SCP, tal fato é razão para considerar os valores recebido pela S.T, mas não razão para arbitramento. Em sendo a S.T tributada pelo lucro presumido, não havendo omissão de receita e nem conta bancária à margem do registros contábeis, o caso é de se lhe atribuir, em 2007, tal receita, sem o reajustamento da base de cálculo para fins do IRPJ. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. ATOS PRATICADOS COM INFRAÇÃO DE LEI. INTERESSE COMUM. Mantém se a imputação de responsável solidário ao sóciogerente da Autuada, uma vez evidenciado que ele se beneficiou de vantagens financeiras indevidas, além de ter utilizado interpostas pessoas jurídicas, constituídas de forma artificial, com a intenção dolosa de descumprir a legislação vigente, configurando a prática de atos com infração de lei. Da mesma forma, resta confirmada a responsabilidade tributária solidária atribuída a pessoa jurídica cuja atuação, em conjunto com a Autuada, com a qual mantinha interesse comum na situação constitutiva do fato gerador da obrigação principal. Recurso voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 12 20 /2 01 1- 35 Fl. 6060DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10510.721220/201135 Acórdão n.º 1402001.308 S1C4T2 Fl. 6.061 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para: i) reduzir a base de cálculo ao percentual de 32%; ii) excluir a co responsabilidade de Antonio Manoel de Carvalho Neto quanto às irregularidades apuradas nos anocalendário de 2007; e iii)afastar a imputação da multa qualificada. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Moisés Giacomelli Nunes da Silva que davam provimento em maior extensão para: i) cancelar a exigência em relação ao anocalendário de 2008; ii) excluir a coresponsabilidade de Antonio Manoel de Carvalho Neto também quanto às irregularidades apuradas nos anocalendário de 2008; e: iii) excluir integralmente a coresponsabilidade de Bomtour Serviços Ltda. Designado o Conselheiro Antonio José Praga de Souza para redigir o voto vencedor. Ausente momentaneamente o Conselheiro Frederico Augusto Monteiro de Alencar. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator (assinado digitalmente) Antonio Jose Praga de Souza – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório Tratase de autuação correspondente aos anoscalendário de 2007 e 2008, cujo lançamento, com exigência de crédito de IRPJ; CSLL; PIS e Cofins, com multa qualificada, se efetivou em 11042011 (fl. 457). Para efeito de relatório, da fl. 530 do Termo de Verificação Fiscal, transcrevo os seguintes registros efetuados pela autoridade fiscal: 1. não foi encontrado ou apresentado qualquer DARF de recolhimentos de tributos federais efetuados relativos a débitos das SCP´s; 2. nas notas fiscais apresentadas não consta qualquer referência à SCP; 3. em todos os contratos apresentados, a empresa que figura ora como CONTRATANTE, ora como contratada, é a ST Locação Veículos Ltda, sem qualquer menção à SCP; Fl. 6061DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10510.721220/201135 Acórdão n.º 1402001.308 S1C4T2 Fl. 6.062 3 4. nos cheques emitidos para pagamento dos contratos o emitente/sacado é a ST Locação Veículos Ltda; 5. não foi apresentada qualquer prova da existência de uma SCP em 2007 e a única prova da existência da SCP em 2008 é um contrato firmado entre a ST e a Bomtour; 6. Se não há DARF referente a qualquer pagamento das SCPs, se não há notas fiscais especificadas, se não há menção nos contratos da existência da SCP, objetivamente há que se afirmar que não há SCP, logo toda a receita apurada na contabilidade apartada como se fosse da SCP, e constante das notas fiscais e DIRF das fontes pagadoras, deve ser atribuída à ST Veículos. Do que se extrai dos fatos relacionados a partir da fl. 530 dos autos, a essência da controvérsia do presente processo gira em torno dos seguintes fatos1: a) da existência ou não de Sociedade em Conta de Participação, no ano de 2007, entre a empresa S.T. Veículos e Carlos Maurício, este falecido em final de 2008; b) venda do carros que a S.T. Veículos tinha locados (ao Poder Público e empresas privadas) à empresa BOMTOUR, com permanência dos contratos de locação em nome da S.T. Veículos e a existência ou não de Sociedade em Conta de Participação, a partir de 23102007, ou de 02012012, entre a empresa S.T. Veículos e a BOMTOR; c) se é possível a contabilidade e tributação em separado da sócia ostensiva pelo lucro presumido e da Sociedade em Conta de Participação pelo lucro real; d) se a receita considerada omitida foi oferecida à tributação pela sociedade ostensiva ou pela Sociedade em Conta de Participação. Feito os registros especificados nos itens anteriores, observo que o valor do crédito tributário importou em R$ 28.765.285,03, já incluído neste montante os juros de mora até o mês da notificação e a multa qualificada (150%) aplicada no presente caso. Em relação ao IRPJ e a CSLL os fatos geradores se referem a cada um dos trimestres dos anoscalendário de 2007 e 2008. Já em relação ao PIS e a Cofins observouse o aspecto temporal mensal, previsto nas normas que instituíram estas contribuições. Da análise da fl. 516 dos autos observase que a “intimação” do lançamento foi extensiva à empresa BOMTOUR SERVIÇOS LTDA, na forma do artigo 124, do CTN, e ao sóciogerente da empresa S.T. Veículos, Sr. Antônio Manoel de Carvalho Netto, na forma do artigo 153, III, do CTN. A autoridade fiscal destacou que se fez necessário o arbitramento do lucro tendo em vista que a escrituração mantida pela recorrente revela evidentes indícios de fraude, erros e deficiências, que tornam imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. 1 A impugnação da contribuinte direta consta das fls. 566 a 618 e dos responsáveis às fls. 626 a 664 e 5.720 a 5.777. O auto de infração consta das fls. 454 a 524. Fl. 6062DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10510.721220/201135 Acórdão n.º 1402001.308 S1C4T2 Fl. 6.063 4 Do termo de verificação fiscal, para efeito de relatório, colho os seguintes esclarecimentos fornecidos pela autuada e citados pelo auditor: a S.T. Veículos é uma empresa que sempre atuou na locação de veículos; a venda efetuada em 23 de outubro de 2007 alcançou a totalidade da frota; a S.T. sempre contratou, principalmente, com o Poder Público, por meio de licitações, sem possibilidade de transferência destes contratos. Por esta razão, a S.T. Locação, detentora dos contratos firmou Sociedade em Conta de Participação com o Sr. Carlos Maurício e posteriormente com a empresa BOMTOUR, com sede em Salvador, tendo a S.T. Veículos como sócia ostensiva. Diante do fato do acórdão guerreado, na parte que relata os eventos, sintetizar outros detalhes especificados no Termo de Verificação Fiscal, a título de relatório, colho da decisão recorrida as seguintes informações: Inicialmente foi criada uma Sociedade em Conta de Participação – SCP entre a S.T, Veículos e Carlos Maurício, sendo que toda a operação da “ST” foi integralizada na SCP, que passou a locar os veículos e a ser a titular dos direitos e obrigações de todos os contratos da “ST”, enquanto toda a expertise no negócio e os serviços prestados pelo Sr. Carlos Maurício foram também integralizados, formando o fundo social da SCP. Com isso, a “ST” participava com 97% e o Sr. Carlos Maurício com 3%. Assim, dado à existência da S.T. Veículos e a SCP, “passaram a existir duas escritas independentes, sendo uma da “ST”, optante pelo lucro presumido, refletindo sua operação própria, cujas receitas se resumiam a uma “taxa de administração”, calculada com base no faturamento da SCP e paga por esta, em função da “ST” ser a responsável pela administração e operação dos contratos, e a outra da SCP, que optou pelo lucro real, espelhando os resultados da operação de locação dos veículos.” Em 23/10/2007, conforme Instrumento Particular de Venda e Compra de Veículos Automotores e Outras Avenças, às fls. 100 a 128, a “ST” vendeu toda a sua frota, composta de 585 veículos, para a empresa “BOMTUR”, pelo valor de R$16.615.421,48, ficando a “BOMTOUR” como proprietária dos veículos e a “ST” permanecendo como titular dos contratos de locação, razão pela qual, prossegue a Impugnante, a SCP foi extinta, até porque, a partir de 2008, passou a vigorar a SCP formada pela “ST” e pela “BOMTUR”, informou a Autuada. No entendimento da autoridade fiscal, à luz dos artigos 991 e 993, do Código Civil, o Contrato Social é imprescindível para provar a existência da Sociedade em Cota de Participação, como também para estabelecer as regras gerais de operação. Desta forma, depreendese que não há evidência alguma da efetiva existência da SCP que teria sido formada, no ano de 2007, pela Autuada (“ST”), na condição de sócio ostensivo, e pelo Sr. Carlos Maurício Almeida Wanderley, como sócio participante. Prossegue a autoridade fiscal destacando que “a alegação da Impugnante de que não há como se fazer qualquer menção à SCP nas notas fiscais, uma vez que ela não possui CNPJ, e que sua ausência não macula a existência da SCP não faz qualquer sentido, uma vez que, não obstante a atividade constitutiva do objeto social seja exercida unicamente pelo sócio Fl. 6063DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10510.721220/201135 Acórdão n.º 1402001.308 S1C4T2 Fl. 6.064 5 ostensivo, em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade, a indicação da expressão “SCP” após o nome do sócio ostensivo seria bastante simples, além de obrigatória, independendo do fato de a SCP não possuir CNPJ. Ao contrário do que diz a Impugnante, ao proceder dessa forma, ou seja, ignorando o regramento imposto pela legislação pertinente, a “ST” não apenas descumpre uma determinação legal, como dificulta, ou impede, a vinculação da operação realizada com a SCP.” Quanto à inexistência de DARF referente ao recolhimento de quaisquer tributos pela SCP a recorrente justificouse alegando: “Como demonstrado em toda documentação apresentada à D. Fiscalização, tanto a SCP de 2007, quanto a de 2008, foram tributadas pelo regime do Lucro Real para o IRPJ/CSLL e sistema não cumulativo para PIS/COFINS. Como é comum nesse tipo de operação, apuraram prejuízo fiscal para fins de IRPJ/CSLL e saldo credor para fins de PIS/COFINS. Ainda mais, salientase que as despesas com a aquisição dos veículos não são consideradas como ‘ativo’, podendo ser levadas à conta de despesas. Assim, não há DARF’s relativos a ambas as SCP’s”. Do acórdão recorrido, a título de relatório, ainda transcrevo as seguintes passagens que extraio da fl. 5.834 a 5.836: Com a extinção da primeira SCP, em 23/10/2007, era de se esperar o encerramento de todas as suas contas contábeis, até porque os contratos com entidades públicas foram devolvidos pela SCP à “ST”, que, inferese, continuou a operálos, por cerca de setenta dias, mesmo não sendo mais proprietária da frota de veículos, até a constituição da nova SCP “ST/BOMTUR”. Contudo, declara a Impugnante que, a partir de 2008, com a constituição da SCP “ST/BOMTUR”, os saldos iniciais das contas relativas a esta SCP, inclusive as bancárias, corresponderiam aos saldos finais da SCP anterior, ou seja, a contabilidade da segunda SCP teria dado prosseguimento à contabilidade da primeira, embora fossem sociedades distintas, cujos sócios não eram os mesmos. No entanto, os agentes fiscais relacionaram várias contas contábeis que apresentaram saldos finais (2007) e iniciais (2008) com valores não coincidentes. A venda dos veículos foi realizada em 23/10/2007, da primeira SCP (segundo a Autuada) para a “BOMTUR”, pelo valor total de R$16.615.421,48, a serem pagos parceladamente, conforme Instrumento Particular de Venda e Compra de Veículos Automotores e Outra Avenças, às fls. 100 a 111. Logo depois, em 25/10/2007, foi contabilizado pela SCP, a título de “adiantamento a sócio”, o montante de R$5.948.754,81, quantia idêntica ao primeiro pagamento efetuado pela “BOMTUR”, valor este retirado da conta bancária do Banese S/A, para o Sr. Antonio Manoel, sócio da “ST”, mas não da SCP. Salientese que o saldo da referida conta de adiantamento existente em 31/12/2007 foi simplesmente zerado em 01/01/2008, sem qualquer explicação. ... Fl. 6064DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10510.721220/201135 Acórdão n.º 1402001.308 S1C4T2 Fl. 6.065 6 Desse modo, restando suficientemente caracterizado nos autos a inexistência das SCP, ficticiamente criadas pela Contribuinte, havia mesmo que se afastar os efeitos tributários que seriam inerentes a esse tipo de sociedade, cabendo o lançamento dos tributos em nome da “ST”, no caso, o real sujeito passivo das obrigações tributárias principais. Diante das irregularidades constatadas na contabilidade da Autuada, invariavelmente confundida com a contabilidade das pseudo SCP, revelando sua total imprestabilidade, para efeito de determinação do lucro real, bem como de identificar sua correta movimentação bancária, não restou alternativa à Fiscalização que não fosse arbitrar o lucro da pessoa jurídica. O lucro arbitrado é a forma de avaliação da renda das empresas aplicada nas hipóteses de descumprimento de requisitos definidos em lei para tributação do lucro real ou presumido. O arbitramento levado a efeito pelos agentes fiscais fundamentouse no artigo 530, inciso II, do RIR/1999. Ao apreciar as impugnações, a DRJ julgouas improcedentes, sendo que desta decisão as partes foram regularmente intimadas, apresentando recursos que constam às fls especificadas no quadro abaixo e alegações que transcrevo na sequência: Recorrente Fls. S.T. Locação de Veículos Ltda 5.861 a 5.919 Bomtour Serviços Ltda 5.932 a 6.009 Antonio Manoel de Carvalho Teto 6.018 a 6.056 I – Das alegações da recorrente S.T. Veículos 1. Que às fls. 17 e seguintes a autoridade fiscal atestou a entrega dos documentos elencados, incluindose: contrato social; Livro Diário Geral nº 08, do ano calendário de 2008..., notas fiscais emitidas no ano de 2008; contrato de compra e venda dos veículos entre a S.T. Veículos e a Bomtour e cópia do contrato de sociedade em conta de participação entre a Bomtour e a S.T. Veículos; 2. Que em 23102007 a S.T. Veículos vendeu sua frota a Bomtour Serviços. Contudo, esta frota tinha por finalidade atender aos contratos firmados com o Poder Público, contratos estes que não podiam ser cedidos em face da vedação existente na Lei de Licitações; 3. Desta forma, a recorrente possuindo como ativo os contratos e a sua expertise no ramo de locações de veículos ao setor público e a Bomtour possuindo veículos, dentre os quais, digo eu relator, os adquiridos da S.T. Veículos, as partes, segundo alegam, decidiram formar uma SCP, cuja operação pode ser ilustrada da seguinte forma: 1a. ilustração: Fl. 6065DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10510.721220/201135 Acórdão n.º 1402001.308 S1C4T2 Fl. 6.066 7 2a. ilustração: 4. No item 30 de seu recurso a recorrente destaca que existiam duas escritas fiscais: (i) uma da S.T, que reflete apenas operação própria e exclusiva (taxa de administração – Lucro Presumido) e (ii) outra da SCP, que reflete toda a operação de locação de veículos entre S.T. e o Carlos (lucro real) e posteriormente entre a S.T. e a Bomtour; 5. Que solicitado, apresentou à fiscalização 35 caixas de papelão contendo contratos de sublocação firmados entre os proprietários dos veículos alugados e a recorrente, recibos de pagamento, cópias de cheques relativos aos aluguéis e notas fiscais de leasings; 6. Que em face da aquisição dos veículos pala Bomtour, quando da constituição da SCP com a Bomtour, com a S.T. ficou apenas os bens, direitos e obrigações não operacionais, empréstimos com o sócio, funcionários administrativos, dentre outros; 7. Em 1º de janeiro de 2008 foi contabilizado na S.T. seu investimento na SCT ST/BOMTOUR no valor de R$ 8.890.625,56. (item 44 do recurso); Fl. 6066DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10510.721220/201135 Acórdão n.º 1402001.308 S1C4T2 Fl. 6.067 8 8. Dentre os ativos integralizados na ST/BOMTOUR estava o saldo bancário inicial da SCP de 2008 que correspondia ao saldo final da S.T. em 2007. 9. Que a autoridade fiscal fundamentou o arbitramento na suposta omissão de receita, mas o fez exatamente com base nas receitas disponibilizada pela própria recorrente; 10. Que num negócio de mais de 16 milhões de reais a Bomtour e a recorrente nunca forma, empresas ligadas. 11. Se tivesse ocorrido a compra do fundo de comércio, como dito no acórdão recorrido, porque a Bomtour pagaria à recorrente a taxa de administração, tributando se este valor? II – Das alegações da recorrente Bomtour Serviços Ltda – fls. 5.932 a 6.009 1. Inicialmente, no item 9 (fl. 5.936) a recorrente especifica as características das Sociedades em Conta de Participação, fazendo referencia aos artigos 991 e 993 do Código Civil; art. 1º, § 1º, da IN/SRF nº 31, de 2001; art. 10 da Lei nº 9.249, de 1995 e artigo 1º, § 3º, V, b, das Leis nº 10.627, de 2002 e 10.833, de 2003; art, 515, caput, do Regulamento do Imposto de Renda e art. 179 da Lei nº 6.404, de 1976; 2. Conforme se depreende do contrato de SCP, a S.T Locação (não a SCP) ficou incumbida pela administração dos contratos de locação, até porque disponibilizou funcionários para isto, recebendo por tal atividade uma “taxa de administração”, que se constituía na sua própria receita; 3. Que em relação à intimação para que fosse demonstrada a apuração do PIS e da Cofins do anocelendário de 2008, juntou a planilha de fls. 28 na qual demonstrou a apuração destas contribuições, detalhando os créditos e os débitos; 4. Diz a Bomtour que em 1º de janeiro de 2008 foi contabilizado na ST seu investimento na SCP ST/Bomtour (R$ 8.890.625,56), sendo que o mesmo se observa no Balanço da Bomtour, com relação o seu investimento na SCP; 5. Que em 31122008 a ST efetuou a equivalência patrimonial de seu investimento na SCP ST/BOMTOUR, que por ter apurado prejuízo diminuiu seu investimento para R$ 8.371.239,73; 6. Que não pode a D. Fiscalização, após a apresentação, pela S.T., de toda documentação comprobatória das operações realizadas, desconsiderálas em sua totalidade, afirmando a inexistência de qualquer SCP e arbitrando o lucro. É equívoco o pressuposto de omissão de receitas; 7. Que as controvérsias quanto à falta de menção à SPC nas notas ficais se explicam no fato de que esse tipo de Sociedade não possuir CNPJ/MF, bem como personalidade jurídica, já que o objeto social é exercido unicamente pelo sócio ostensivo, conforme o art. 991, do Código Civil. 8. Questiona a recorrente o porquê se lançaria em uma sociedade desse tipo com o fim de se ocultar, se para fins de carga tributária a SCP foi um mau negócio; Fl. 6067DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10510.721220/201135 Acórdão n.º 1402001.308 S1C4T2 Fl. 6.068 9 9. Apenas ao sócio ostensivo da SCP compete explorar, em nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade, o objeto definido no contrato de participação; 10. Quanto à conta bancária, sustenta a recorrente que não há nenhum impedimento na utilização da mesma conta pela S.T. Locação e a SCP e mais, não há previsão que determine que a sócia ostensiva e a SCP tenham contas bancárias diferentes. Isto nem poderia ser diferente, pois a emitente dos cheques sempre foi a sócia ostensiva; 11. Que todas as operações realizadas foram devidamente comprovadas, não havendo uma única transação que não tivesse espelhada em documentos fiscais, tanto é assim que a autoridade fiscal utilizouse dos valores contabilizados pela ST para arbitrar o lucro (item 115 e 186 do recurso – fl 5.989); 12. Que no caso em tela não cabe multa qualificada; III – Das alegações do recorrente Antônio Manoel de Carvalho – fl. 6.018 1. Argumenta o recorrente que seu sobrinho Carlos Maurício era sócio de fato da ST. Locação; 2. Que em face de litígio judicial correspondente ao processo nº 018/2002, da 5a. Vara de Família da Comarca de Aracaju, em que se pretendia fixação de alimentos com base no argumento de que Carlos era sócio de fato da S.T. Locação, para conferir segurança a este, foi celebrado entre este e a S.T, n no ano de 2007, Sociedade em Conta de Participação, existindo duas contabilidades, uma em nome da ST e outra em nome da SCP; 3. Quanto aos demais aspectos o recurso segue a mesma linha de argumentos dos demais recorrentes, destacando inexistir qualquer motivação clara que justifique sua inclusão como terceiro responsável (art. 135, do CTN). É o relatório. Fl. 6068DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10510.721220/201135 Acórdão n.º 1402001.308 S1C4T2 Fl. 6.069 10 Voto Vencido Conselheiro Moises Giacomelli Nunes Da Silva Relator Os recursos são tempestivos, foram interpostos por partes legítimas e estão devidamente fundamentados. Assim, conheçoos e passo ao exame da matéria que, ao meu sentir, envolve questões relacionadas aos seguintes pontos: I – As normas de direito civil aplicáveis à Sociedade em Conta de Participação; II – As normas de direito tributário aplicáveis às Sociedade em Conta de Participação; III Os requisitos caracterizadores da Sociedade em Conta de Participação; IV – A análise da prova quanto à existência ou não, no ano de 2007, em especial nos primeiros três trimestres, de SCP entre a empresa S.T. Locação e o contribuinte Maurício; V A análise da prova quanto à existência ou não, no ano de 2007, em especial no último trimestre, de SCP entre a empresa L.T. Locação e a Bomtour; VI – A análise da prova quanto à existência ou não, no ano de 2008, de SCP entre a empresa L.T. Locação e a Bomtour; VII – Os aspectos relacionados à contabilidade da recorrente S.T. Locação e o arbitramento do lucro tanto no ano de 2007 quanto no ano de 2008. VIII – A questão relacionada à multa qualificada; IX – Os aspectos inerentes à responsabilidade de terceiros do contribuinte Antônio Manoel de Carvalho Neto e a extensão desta; X – Os aspectos relacionados à solidariedade ou não da Bomtour e o regime de SCP. I – Das normas de direito civil aplicáveis à Sociedade em Conta de Participação Conforme lição de Marcelo Andrade Féres2 “o fenômeno associativo é irmão gêmeo da humanidade. Desde os primórdios, a união de homens para a superação das limitações individuais é constante. Com a evolução dos tempos, no entanto, percebese que as sociedades, especialmente as empresárias, deixaram de ser mero instrumento de conjunção de esforços, 2 FÉRES, Marcelo Andrade. Primeiras Consideraçõesa Sobre o Regime Jurídico das Sociedades Contratuais em Fomrtação. Juris Síntese nº 51 março/abril de 2005. Fl. 6069DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10510.721220/201135 Acórdão n.º 1402001.308 S1C4T2 Fl. 6.070 11 para assumirem a função de técnica de baliza da responsabilidade dos sujeitos que delas participam. Por meio do desenvolvimento do instituto da personalidade jurídica dos entes coletivos privados, principalmente pela consagração do princípio da autonomia patrimonial, ensejouse uma clara dissociação entre a sorte da sociedade e a dos seus sócios. A propósito do fenômeno associativo, onde também se inclui as Sociedades em Conta de Participação, a matéria encontrase disciplinada nos artigos 325 e 326, do Código Comercial e artigos 991 a 996, do Código Civil, os quais grifei os pontos relevantes ao caso concreto: Código Comercial .... Da Sociedade em Conta de Participação Art. 325. Quando duas ou mais pessoas, sendo ao menos uma comerciante, se reúnem, sem firma social, para lucro comum, em uma ou mais operações de comércio determinadas, trabalhando um, alguns ou todos, em seu nome individual para o fim social, a associação toma o nome de sociedade em conta de participação, acidental, momentânea ou anônima; esta sociedade não está sujeita às formalidades prescritas para a formação das outras sociedades, e pode provarse por todo o gênero de provas admitidas nos contratos comerciais (artigo 122). Art. 326. Na sociedade em conta de participação, o sócio ostensivo é o único que se obriga para com terceiro; os outros sócios ficam unicamente obrigados para com o mesmo sócio por todos os resultados das transações e obrigações sociais empreendidas nos termos precisos do contrato. Código Civil .... Da Sociedade em Conta de Participação Art. 991. Na sociedade em conta de participação, a atividade constitutiva do objeto social é exercida unicamente pelo sócio ostensivo, em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade, participando os demais dos resultados correspondentes. Parágrafo único. Obrigase perante terceiro tãosomente o sócio ostensivo; e, exclusivamente perante este, o sócio participante, nos termos do contrato social. Art. 992. A constituição da sociedade em conta de participação independe de qualquer formalidade e pode provarse por todos os meios de direito. Art. 993. O contrato social produz efeito somente entre os sócios, e a eventual inscrição de seu instrumento em qualquer registro não confere personalidade jurídica à sociedade. Parágrafo único. Sem prejuízo do direito de fiscalizar a gestão dos negócios sociais, o sócio participante não pode tomar parte nas relações do sócio ostensivo com terceiros, sob pena de responder solidariamente com este pelas obrigações em que intervier. Art. 994. A contribuição do sócio participante constitui, com a do sócio ostensivo, patrimônio especial, objeto da conta de participação relativa aos negócios sociais. § 1º A especialização patrimonial somente produz efeitos em relação aos sócios. Fl. 6070DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10510.721220/201135 Acórdão n.º 1402001.308 S1C4T2 Fl. 6.071 12 § 2º A falência do sócio ostensivo acarreta a dissolução da sociedade e a liquidação da respectiva conta, cujo saldo constituirá crédito quirografário. § 3º Falindo o sócio participante, o contrato social fica sujeito às normas que regulam os efeitos da falência nos contratos bilaterais do falido. Art. 995. Salvo estipulação em contrário, o sócio ostensivo não pode admitir novo sócio sem o consentimento expresso dos demais. .. O fato do artigo 991, do Código Civil, dispor que na sociedade em conta de participação, a atividade constitutiva do objeto social é exercida unicamente pelo sócio ostensivo, em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade, não caracteriza derrogação do artigo 325. do Código Comercial, na parte em que se refere ao trabalho de um, alguns ou todos, em seu nome individual para o fim social. Havendo distribuição dos lucros por evidente que haverá, de alguma forma, participação do sócio oculto na obtenção dos resultados, ainda que tal contribuição seja somente intelectual ou financeira . O que a lei veda é que o sócio oculto pratique ato negocial, relacionado à atividade da SCP, em nome próprio. Os atos negociais são realizados sob a égide do sócio ostensivo, no caso a pessoa jurídica constituída3. Desta forma, na sociedade em cota de participação o contratante nada pode exigir do sócio oculto. Todavia, o sócio ostensivo, em face de contrato com o sócio oculto, pode exigir que este pratique esta ou aquela ação em relação à qual se obrigou. Por exemplo, se o sócio oculto se obrigou a aportar recursos, por determinado lapso temporal, o sócio ostensivo pode exigir que a satisfação esta obrigação. Quanto aos aspectos contábeis do investimento do sócio oculto na Sociedade em Conta de Participação, temse a regra contida no artigo 179, da Lei das Sociedades Anônimas: Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: III em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa. II – Das normas de direito tributário aplicáveis às Sociedade em Conta de Participação Às Sociedades em Conta de Participação aplicamse as disposições contidas nos artigos 148, 149, 254 e 515, do Regulamento do Imposto de Renda; artigo 179, III, da Lei nº 6.404, de 1976 e as disposições constantes nas Instruções Normativas nº 179, de 1987 e IN SRF nº 31, de 2001, normas estas que seguem transcritas: Regulamento do Imposto de Renda ..... 3 Faço tal registro pois em ocasição anterior consignei que: "Do confronto do artigo 325, do Código Comercial, com o artigo 991, do Código Civil, que entrou em vigor em 11012003, tenho que o Código Civil, contém restrição que não existia no Código Comercial. Enquanto o Código Comercial previa, de forma expressa, a participação do trabalho de “alguns ou todos, em seu nome individual para o fim social”, o Código Civil de 2003 faz referência de que a atividade é exercida unicamente pelo sócio ostensivo." Fl. 6071DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10510.721220/201135 Acórdão n.º 1402001.308 S1C4T2 Fl. 6.072 13 Sociedade em Conta de Participação Art. 148. As sociedades em conta de participação são equiparadas às pessoas jurídicas. Art. 149. Na apuração dos resultados dessas sociedades, assim como na tributação dos lucros apurados e dos distribuídos, serão observadas as normas aplicáveis às pessoas jurídicas em geral e o disposto no art. 254, II (DecretoLei nº 2.303, de 1986, art. 7º, parágrafo único). .... Art. 254. A escrituração das operações de sociedade em conta de participação poderá, à opção do sócio ostensivo, ser efetuada nos livros deste ou em livros próprios, observandose o seguinte: I quando forem utilizados os livros do sócio ostensivo, os registros contábeis deverão ser feitos de forma a evidenciar os lançamentos referentes à sociedade em conta de participação; II os resultados e o lucro real correspondentes à sociedade em conta de participação deverão ser apurados e demonstrados destacadamente dos resultados e do lucro real do sócio ostensivo, ainda que a escrituração seja feita nos mesmos livros; III nos documentos relacionados com a atividade da sociedade em conta de participação, o sócio ostensivo deverá fazer constar indicação de modo a permitir identificar sua vinculação com a referida sociedade. .... Art. 515. O prejuízo fiscal apurado por Sociedade em Conta de Participação SCP somente poderá ser compensado com o lucro real decorrente da mesma SCP. Parágrafo único. É vedada a compensação de prejuízos fiscais e lucros entre duas ou mais SCP ou entre estas e o sócio ostensivo Instrução Normativa SRF nº 179, de 1987 1. Os resultados das sociedades em conta de participação SCP, deverão ser apurados, em cada períodobase, com observância das disposições do artigo 16 da Lei Nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, e demais normas fiscais aplicáveis às pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, inclusive quanto à correção monetária das demonstrações financeiras. 2. Compete ao sócio ostensivo a responsabilidade pela apuração dos resultados, apresentação da declaração de rendimentos e recolhimento do imposto devido pela sociedade em conta de participação. 3. A escrituração das operações da SCP poderá, à opção do sócio ostensivo, ser efetuada nos livros deste ou em livros próprios da referida sociedade. 3.1. Quando forem utilizados os livros do sócio ostensivo, os registros contábeis deverão ser feitos de forma a evidenciar os lançamentos referentes à SCP. 3.2. Os resultados e o lucro real correspondentes à SCP deverão ser apurados e demonstrados destacadamente dos resultados e do lucro real do sócio ostensivo, ainda que a escrituração seja feita nos mesmos livros. Fl. 6072DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10510.721220/201135 Acórdão n.º 1402001.308 S1C4T2 Fl. 6.073 14 3.3. Nos documentos relacionados com a atividade da SCP, o sócio ostensivo deverá fazer constar indicação de modo a permitir identificar sua vinculação com a referida sociedade. 4. Não será exigida a inscrição da SCP no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda CGC/MF. 5. O lucro real da SCP será informado e tributado na mesma declaração de rendimentos do sócio ostensivo. 5.1. Não será incluído na declaração de rendimentos o prejuízo fiscal apurado pela SCP, o qual poderá ser compensado com os lucros da mesma nos 4 (quatro) períodosbase subseqüentes. 5.2. Não será permitida a compensação de prejuízos e lucros entre duas ou mais SCP, nem entre estas e o sócio ostensivo. 5.3. O imposto e a contribuição para o Programa de Integração Social PIS serão pagos juntamente com o imposto e a contribuição para o PIS devidos pelo sócio ostensivo, através do mesmo DARF. 5.4. Os demais tributos federais e a contribuição para o FINSOCIAL correspondentes à SCP serão, também, pagos em nome do sócio ostensivo. 5.5. A opção para aplicação do imposto em investimentos regionais e setoriais incentivados, correspondente à SCP, será efetuada pelo sócio ostensivo, em sua própria declaração de rendimentos. 5.5.1. Os certificados de investimento (CI) correspondentes à SCP serão emitidos em nome do sócio ostensivo. 6. Os valores entregues ou aplicados na SCP, pelos sócios pessoas jurídicas, deverão ser por eles classificados em conta do ativo permanente, de conformidade com o disposto no artigo 179, item III, da Lei Nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, estando sujeitos aos critérios de avaliação previstos na referida Lei Nº 6.404/76 e no Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto Nº 85.450, de 04 de dezembro de 1980 (RIR /80). 6.1. Os valores entregues pelos sócios, pessoas jurídicas, somados aos valores entregues pelos sócios, pessoas físicas, constituirão o capital da SCP, que será registrado em conta que represente o patrimônio Líquido desta. 7. Os lucros recebidos de investimento em SCP, avaliado pelo custo de aquisição, ou a contrapartida do ajuste do investimento ao valor de patrimônio líquido da SCP, no caso de investimento avaliado por esse método, não serão computados na determinação do lucro real dos sócios, pessoas jurídicas, das referidas sociedades. 8. Os rendimentos pagos pela SCP, bem como os lucros por elas distribuídos serão tributados na fonte, nos termos da legislação aplicável às demais pessoas jurídicas. 8.1. O imposto incidente na fonte, na forma deste item, terá, nos beneficiários dos rendimentos, o mesmo tratamento dado ao imposto retido na fonte pelas demais pessoas jurídicas. 9. O ganho ou perda de capital na alienação de participação em SCP será apurado segundo os mesmos critérios aplicáveis à alienação de participação societária em outras pessoas jurídicas. 10. Fica revogada a Instrução Normativa SRF Nº 49, de 15 de abril de 1987 (D.O.U. de 21 de abril de 1987). Fl. 6073DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10510.721220/201135 Acórdão n.º 1402001.308 S1C4T2 Fl. 6.074 15 Instrução Normativa SRF nº 31, de 2001 Art. 1º A partir de 1º de janeiro de 2001, observadas as hipóteses de obrigatoriedade de observância do regime de tributação com base no lucro real previstas no art. 14 da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, as sociedades em conta de participação podem optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido. § 1º A opção da sociedade em conta de participação pelo regime de tributação com base no lucro presumido não implica a simultânea opção do sócio ostensivo, nem a opção efetuada por este implica a opção daquela. § 2º O recolhimento dos tributos e contribuições devidos pela sociedade em conta de participação será efetuado mediante a utilização de Darf específico, em nome do sócio ostensivo. Art. 2º As sociedades em conta de participação que exerçam as atividades de compra e venda, loteamento, incorporação e construção de imóveis não poderão optar pelo lucro presumido enquanto não concluídas as operações imobiliárias para as quais haja registro de custo orçado. Art. 3º O disposto nesta Instrução Normativa não prejudica a observância das demais normas relativas ao regime de tributação com base no lucro presumido previstas na legislação tributária, inclusive quanto à adoção do regime de caixa. Art. 4º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. III Dos requisitos caracterizadores da Sociedade em Conta de Participação SPC; Da análise dos dispositivos legais acima transcritos, conforme já apontado pela recorrente, temse que a Sociedade em Conta de Participação, é caracterizada, em relação aos aspectos constitutivos e tributários pelos seguintes vetores: (i) A SCP é uma sociedade, entretanto, não possui personalidade jurídica própria, nos termos dos artigos 991 e seguintes do Código Civil; (ii) É formada com dois tipos de sócios: sócio ostensivo e sócio participante, mas atua somente por meio do sócio ostensivo que, inclusive, responsabilizase perante terceiros (art. 326, do Código Comercial e art. 991, do Código Civil); (iii) O sócio participante obrigase, exclusivamente, perante o sócio ostensivo, nunca perante terceiros em nome da SCP (art. 326, do Código Comercial e art. 991, do Código Civil); (iv) Por não possuir personalidade jurídica; não possuir inscrição no CNPJ/MF; não possuir exigência de registro na Junta Comercial, temse que sua atuação e recolhimento dos tributos dáse exclusivamente com o CNPJ/MF do sócio ostensivo (art. 993, do Código Civil e item 4 da IN SRF nº 179/1987); (v) Para fins de tributação, a SCP é equiparada a pessoa jurídica independente na apuração da CSLL, PIS, COFINS e do IRPJ, o qual poderá ser apurado tanto pelo Lucro Real quanto pelo Lucro Presumido (artigo 1º, §1º, da IN/SRF nº 31/2001); Fl. 6074DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10510.721220/201135 Acórdão n.º 1402001.308 S1C4T2 Fl. 6.075 16 (vi) A opção pelo regime do Lucro Presumido ou Real não vincula a opção do sócio ostensivo, nem a opção efetuada por este implica na opção daquela (art. 149 Regulamento do Imposto de Renda e artigo 1º, §1º, da IN/SRF nº 31/2001); (vii) O recolhimento dos tributos e contribuições federais é efetuado em nome do sócio ostensivo, eis que é quem possui o CNPJ/MF e a quem compete a responsabilidade pela apuração dos resultados, apresentação da declaração de rendimentos (como parte de sua própria declaração) e recolhimento dos tributos devidos pela SCP (itens 2, e 5 da IN SRF nº 179, de 1987). (viii) A SCP, por não ter personalidade jurídica, não tem obrigação de apresentar a DIPJ para a Receita Federal e as obrigações acessórias relativas às informações ao Fisco deverão ser cumpridas pelo sócio ostensivo (item 5 IN SRF nº 179, de 1987; (ix) Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados pela SCP, seja ela tributada pelo Lucro Real, Presumido ou Arbitrado, não estão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integram a base de cálculo do imposto do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior (art. 10 da Lei nº 9.249, de 1995 e, em relação ao PIS e a Cofins, artigo 1º, § 3º, V, b, das Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003); (x) O prejuízo fiscal apurado por uma SCP somente poderá se compensado com o Lucro Real decorrente da mesma SCP (artigo 515, do Regulamento do Imposto de Renda); (xi) Os valores entregues ou aplicados na SCP pelos sócios pessoas jurídicas deverão ser por eles classificados em conta de Ativo Permanente – investimentos (artigo 179, III, da Lei nº 6.404, de 1976); (xii) A escrituração das operações de SCP deverá ser efetuada em livros próprios pelo sócio ostensivo ou nos mesmos livros deste, mas de forma que seja possível a segregação (itens 3 e 3.1 da IN SRF nº 179, de 1987). (xiii) Os resultados e o Lucro Real da SCP deverão ser apurados e demonstrados destacadamente dos resultados e do Lucro Real do sócio ostensivo, ainda que a escrituração seja feita no mesmo livro (item 3.2 da IN SRF nº 179, de 1987). (xiv) Nos casos em que o sócio participante atuar, de forma própria, nas relações do sócio ostensivo com terceiros, este passa a responder solidariamente com este pelas obrigações em que intervier. Ou seja, se o sócio participante intervir de forma a praticar ato que resulte em obrigação à SCP, em relação a tais atos ele passa a ser responsável pelas obrigações decorrentes. (art. 993 do Código Civil); (xv) A independência entre o sócio ostensivo e o sócio participante é tal que a falência deste não diz respeito ao sócio ostensivo. Por sua vez, a falência do sócio ostensivo resulta na extinção da SCP (art. 994, do Código Civil). IV Da análise da prova quanto à existência ou não, no anocalendário de 2007, em especial nos primeiros três trimestres, de SCP entre a empresa S.T. Locação e o contribuinte Maurício Em seu relatório, a autoridade fiscal apontou que não foi apresentada qualquer prova da existência de uma SCP, em 2007, entre a empresa S.T. Locação e o contribuinte Maurício, falecido em 2008. Fl. 6075DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10510.721220/201135 Acórdão n.º 1402001.308 S1C4T2 Fl. 6.076 17 A recorrente, por sua vez, argumenta a existência de Sociedade em Conta de Participação – SCP entre a S.T, Veículos e Carlos Maurício, apontando que todas as operações da “ST” foi integralizada nesta SCP, que passou a locar os veículos e a ser a titular dos direitos e obrigações de todos os contratos da “ST”, enquanto toda a expertise no negócio e os serviços prestados pelo Sr. Carlos Maurício foram também integralizados, formando o fundo social da SCP. Com isso, a “ST” participava com 97% e o Sr. Carlos Maurício com 3%. Assim, segundo a recorrente, dado à existência da S.T. Veículos e a SCP, “passaram a existir duas escritas independentes, sendo uma da “ST”, optante pelo lucro presumido, refletindo sua operação própria, cujas receitas se resumiam a uma “taxa de administração”, calculada com base no faturamento da SCP e paga por esta, em função da “ST” ser a responsável pela administração e operação dos contratos, e a outra da SCP, que optou pelo lucro real, espelhando os resultados da operação de locação dos veículos.” Pelo que se depreende do termo de intimação de fl. 02, datado de 14/07/2010, a autoridade fiscal solicitou, dentre outros documentos, o Livro Caixa ou Diário e Razão do anocalendário de 1997. À fls. 05 encontrase novo Termo de Intimação, este datado de 27/08/2010, em que a fiscalização solicita, dentre outros documentos, arquivos magnéticos relativos aos anoscalendário de 2007 e 2008. Por fim, por meio dos termos de fls. 08 e 10, foi solicitado, dentre outras informações, prova material da existência da Sociedade em Conta de Participação, no ano calendário de 2007 e para: À fl. 17 dos autos, a empresa apresentou os documentos e livros citados à fl. 18, fazendo referência à SCP com a empresa Bomtour, celebrado em 02 de janeiro de 2008. Na ocasião a recorrente destaca que em 23102007 vendeu a totalidade de sua frota à Bomtour, empresa com sede em Salvador, controlada pela BBD Locadora de Veículos, com sede em São Paulo. Contudo, em face de seus contratos com o Poder Público, dado as disposições da Lei de Fl. 6076DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10510.721220/201135 Acórdão n.º 1402001.308 S1C4T2 Fl. 6.077 18 Licitações, por não poder transferilos, celebraram SCP para viabilizar a continuidade do negócio. A primeira vez em que Carlos Maurício é citado pela recorrente aparece à fl. 30, quando da entrega de documentos relativos ao anocalendário de 2007, tendo a recorrente indicado que ele era sócio de fato e sobrinho do sócio de direito Sr. Antônio Manoel e que decidiram constituir uma SCP em que a ST entrou com os veículos e Carlos Maurício com a expertise . No item 16 da fl. 32 a recorrente S.T Veículos destaca que participava em 97% da SCP e Carlos em 3%. Já no item 17 (fl. 33), informa que recebia apenas a taxa de administração e a SCP, que refletia as operações de locação de veículos entre S.T e o Sr. Carlos, o valor correspondente às transações realizadas. Argumenta a recorrente que com a venda dos veículos à Bomtour, em outubro de 2007, a SCP com o Sr. Carlos Maurício foi desfeita. À fl. 34 há protocolo de entrega de 37 caixas de documentos "contendo contratos de sublocação entre os proprietários e a S.T. Veículos. Analisando os contratos de locação, notas fiscais e cheques, bem como o percurso e a finalidade dos veículos locados, temse que a empresa S.T. Veículos vencia licitações voltadas ao transporte escolar, locações de ambulâncias e outros veículos e valiase, em parte, de veículos sublocados de terceiros para adimplir os contratos. Tendo por norte o disposto no artigo 992, do Código Civil, que dispões que "a constituição da sociedade em conta de participação independe de qualquer formalidade e pode provarse por todos os meios de direito", procurei analisar os contratos existentes nos autos; os cheques emitidos e a grafia das notas fiscais ou observações nestas na tentativa de localizar elementos de prova capaz de provar a SCP entre Carlos Maurício e a S.T. Veículos. Em que pese a análise dos autos não localizei elemento de prova neste sentido. Em relação aos aspectos contábeis, a SCP entre a S.T. Veículos e o Sr. Carlos Maurício, a primeira vista, apresentam regularidade. O Livro Diário referente às operações do ano de 2006, foi levado a registro na Junta Comercial em 17042007 e sob os aspectos formais não se identificam irregularidades aparentes. Igualmente, a partir da fl. fl. 363, por exemplo, há o extrato da conta contábil nº 3.2.1.02.109, com os valores da Taxa de Administração, os quais seguem transcritos: À fl. 368 e seguintes, temse a contabilidade de 2007, em separado, da SCP em que aparece a venda de inúmeros veículos, conforme exemplo que segue: Fl. 6077DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10510.721220/201135 Acórdão n.º 1402001.308 S1C4T2 Fl. 6.078 19 À partir da fl. 394 dos autos temse a contabilidade da receita da SCP, indicando o faturamento junto a inúmeros órgãos públicos. Neste sentido segue o exemplo em relação à Prefeitura de Itapicuru: A relação de todos os valores recebidos, no ano 2007, de cada uma das Prefeituras, Secretarias de Estados e demais órgãos públicos, consta da planilha de fls. 146 a 208, de onde cito como exemplo os primeiros dias do mês de janeiro de 2007 (fl. 146) Quando verifico a soma dos valores das notas fiscais em cada um dos trimestres e o valor tributável que constou do auto de infração, constato que há coincidência de valores. Assim, não se pode falar em omissão de receita, mas sim se esta receita podia ser contabilizada como pertencente à SCP entre a empresa S.T. Veículos e o Sr. Carlos Maurício. Diferentemente do posicionamento da fiscalização, à luz do disposto nos artigos 992 e 993, do Código Civil, entendo que a SCP não requer, obrigatoriamente, contrato formal e muito menos inscrição deste em qualquer órgão. O que se exige é a prova da existência deste. A título de exemplo, poderia inexistir contrato entre a S.T.Veículos e o Sr. Carlos Maurício e mesmo assim ficar Fl. 6078DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10510.721220/201135 Acórdão n.º 1402001.308 S1C4T2 Fl. 6.079 20 provado, por anotações em notas fiscais e outros documentos particulares, que ditas receitas eram decorrentes das atividades da SCP e a esta pertenciam. Não ignoro que a contabilidade da recorrente, sob o aspecto formal, contabiliza em separado a receita da SCP. Tal fato é indicativo, mas ao meu sentir não é suficiente. O Código Civil, nos dispositivos antes transcritos, admite a prova da SCP por qualquer meio. O registro contábil é um meio de prova. Contudo, no caso concreto, só o registro, dado o falecimento da outra parte, não se mostra suficiente. A título de comparação, no que diz respeito à empresa Bomtur, por exemplo, há contrato formal da existência da SCP e elemento negocial (compra da frota) superior a R$ 16.000.000,00 (dezesseis milhões de reais). O pagamento mediante cheque e a regular compensação destes, agregado aos demais elementos do contrato, demonstram o negócio previamente realizado e a posterior constituição da Sociedade em Conta de Participação. Somase aos fatos já expostos que em 2007 não há SCP contabilizada no ativo permanente (investimentos da S.T. Veículos), conforme determina o artigo 179, III, da Lei das S/A. Com tais considerações, entendo que a recorrente não provou, em relação ao ano calendário de 1997, a existência de SCP entre ela o contribuinte Carlos Maurício. Quanto à multa qualificada, em face do não reconhecimento da SCP, é matéria que analisarei em item separado. V A análise da prova quanto à existência ou não, no ano de 2007, em especial no último trimestre, de SCP entre a empresa L.T. Locação e a Bomtour. O contrato de compra e venda de fls. 100 e seguintes, junto com os demais elementos existentes nos autos, dentre os quais os comprovantes bancários (fl. 46) e o registro no Livro Razão (fl. 136), não deixam dúvidas de que em 23102008 a empresa S.T. VEÍCULOS, com sede no Estado de Sergipe, vendeu à empresa BOMTOUR SERVIÇOS LTDA, com sede em no Estado da Bahia, a frota de 585 veículos identificados nos anexos I e II do contrato celebrado, pelo valor de R$ 16.615.421,484. A propósito do negócio aqui realizado, observo que o Livro Razão (fl. 366) registra que em 24102007 foi paga a primeira parcela da transação (R$ 5.948.754.81) e neste mesmo dia foi feito adiantamento ao sócio Antônio Manoel no valor de R$ 5.754.754,81). Na cláusula terceira, parágrafo segundo, há disposição contratual prevendo prazo máximo de 90 (noventa) dias para transferência dos registros em favor da Compradora. Observo que esta cláusula trata de formalidade administrativa junto ao órgão de trânsito e não tem relação com a aquisição da propriedade que se deu em 23102007 cabendo, inclusive, à compradora, a obrigação de pagar as parcelas de leasing dos veículos relacionados no ANEXO II do contrato. O Livro Razão da empresa S.T. Veículos, a partir da fl. 280, indica os pagamentos dos contratos de leasing por parte da compradora Bomtour Serviços. 4 Pelo que se extrai da cláusula segunda, parágrafo quarto, (fl. 103), a compradora tinha 45 dias para vistoriar os veículos e caso constatadas divergências entre o número de veículos arrolados e os efetivamente localizados em vistoria, o valor do negócio seria recomposto de forma proporcional. Fl. 6079DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10510.721220/201135 Acórdão n.º 1402001.308 S1C4T2 Fl. 6.080 21 As notas fiscais relacionadas nas planilhas de fls. 146 a 274, mais precisamente a partir de fl. 257, indicam que os veículos negociados continuaram prestando serviços aos clientes até então atendidos, sem dissolução de continuidade. Em relação ao ano de 2008 há contrato formal e registro na contabilidade da recorrente da SCP entre a empresa S.T. Veículos e a Bomtour. Quanto a 2007, a única notícia que se tem é a compra dos veículos pela empresa Bomtour. O contrato de compra e venda previa um prazo de 45 dias para vistoria, mas é absolutamente omisso quando à receita destes veículos. A prova que se tem nos autos é que a referida receita ainda foi contabilizada na SCP existente entre S.T Veículos e Carlos Maurício. Aparentemente é pouco crível que a Bomtour passaria a responder pelas prestações dos veículos sem obter a receita correspondente. Mais, se as prestações do leasing representavam receitas, os rendimentos produzidos por estes veíclulos deveriam representar receita da adquirente. Por outro lado, envolvendo negócios com mais de 500 veículos, com necessidade de vistoria, transferência de contratos junto a instituições financeiras, é compreensível este lapso temporal de dois meses. Em relação ao período entre 23102007 (data do contrato de compra e venda dos veículos) e 02012008 (data do contrato de constituição da novas SCP), a convicção a que chego é que, ocorreu algum tipo de ajuste, só que não consignado nos contratos. Em busca de prova, considerando que os recursos foram creditados na conta da S.T. Veículos, procurei encontrar elementos por meios dos quais pudesse afirmar, com segurança, que todos os saldos finais em 31122007, na conta da S.T. Veículos correspondiam ao saldo inicial na conta da SCP, encontrando as seguintes divergências: Fl. 6080DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10510.721220/201135 Acórdão n.º 1402001.308 S1C4T2 Fl. 6.081 22 Tais divergências, ora a menor, ora maior, podem revelar dois aspectos: a) erro contábil ou b) que a SCP entre a Bomtour e a S.T. Veículos somente iniciou em 2008. Dentre as duas probabilidades, dado o contrato existente entre as citadas empresas e a inexistência de prova em contrário, reconheço que não há provas nos autos da existência de SCP entre a Bomtour e a S.T. Veículos, em 2007. VI – A análise da prova quanto à existência ou não, no ano de 2008, de SCP entre a empresa L.T. Locação e a Bomtour. No primeiro momento parti do pressuposto que pretendendo adquirir tal negócio a empresa Bomtour podia ter incorporado a empresa S.T. Veículos. Se assim tivesse feito não precisava pagar taxa de administração e, considerados as despesas dos contratos de leasing e o creditamento dos créditos de PIS e Cofins decorrentes da locação dos veículos, procedimento que adotou, não apuraria, em tese, contribuições a pagar. Tal fato, se correta a contabilidade em separado da SCP está demonstrado na planilha de fl. 28, a seguir transcrita: Todavia, para incorporação da antiga proprietária dos carros era necessário concordância da vendedora e interesse da compradora. Esta poderia ter recursos para adquirir os veículos, mas não dispor de expertise para gerilos. Por outro lado, seu interesse poderia estar limitado à aquisição de ativos, sem levar consigo funcionários, instalações etc. Por outro lado, para a vendedora, poderia lhe interessar vender os veículos e ficar com a taxa de administração calculada sobre a receita, sem correr maiores riscos. Mais, o passivo da vendedora, em especial o decorrente do número de motoristas, poderia não interessar à compradora. Estas probabilidades envolvendo o negócio demonstram a plausibilidade e recionalidade da constituição da SCP com fundo social de R$ 25.506.047,04 (fl. 400), sendo R$ 16.615.421,00 da Sócia Participante e R$ 8.890.047,00 da sócia ostensiva. Fl. 6081DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10510.721220/201135 Acórdão n.º 1402001.308 S1C4T2 Fl. 6.082 23 Da interpretação que faço dos autos, para viabilizar o aporte por parte da Sócia Participante, em 03122007 os sócios destas fizeram aumento de capital, conforme registrado às fls. 398 e 399: Em que pese a existência do contrato e a escrituração contábil, o auto de infração não reconheceu a existência de SCP entre a S.T. Veículos e a Bomtour pelas seguintes razões: a) inexistência de DARF referente a qualquer pagamento da SCPs; b) não registro nas notas fiscais que se tratava de uma SCP. Quanto ao primeiro argumento a recorrente diz ter apurado prejuízo e, durante o procedimento fiscal, apresentou a planilha de fl. 28, anteriormente transcrita, informando não existir PIS e Cofins a recolher. Por não ter reconhecido a existência da SCP visto que não constou das notas fiscais tal referência, a autoridade fiscal atribuiu à S.T. Veículos toda a receita contida na escrita da SCP e considerou a Bomtour como solidária por ser coprestadora dos serviços. Não sendo apurado tributos devidos pela SCP, ao menos não foram apontados, a análise que faço é se a falta de anotação nas notas fiscais e cheques caracterizam a inexistência da SCP. Tenho que não. Não será um carimbo num cheque ou uma anotação em nota fiscal da expressão SCP que haverá de provar ou não a existência desta. Considerando que os atos negociais se dão em nome da sócia ostensiva, que inclusive é responsável pelos tributos, é necessário que se adotem procedimentos para segregar a receita da SCP e da sócia ostensiva. Tal fato, no caso dos autos, não era empecilho, pois toda a receita da SCP advinha da locação dos veículos. Por fim, ao reconhecer a existência da SCP, não estou afirmando que a contabilidade desta, em especial no que diz respeito às despesas necessárias, consideradas na apuração do lucro real, estão corretas. Igualmente, não estou a afirmar que esta não era devedora de tributos. Minha conclusão é que, diante dos elementos existentes nos autos, em relação ao anocalendário de 2008, há prova efetiva da SCP ora examinada, sendo incabível a tributação contabilizada na SCP como sendo receita da S.T. Veículos, atribuindose à Bomtour a condição de devedora solidária. VIII – Os aspectos relacionados à contabilidade da recorrente S.T. Locação Conforme registrado, quer no ano de 2007, quer no ano de 2008, a recorrente mantinha em separado os valores que considerava receita própria, estes decorrentes da taxa de administração, e os valores correspondentes às SCP. Fl. 6082DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10510.721220/201135 Acórdão n.º 1402001.308 S1C4T2 Fl. 6.083 24 No caso concreto não se fala em omissão de receita. Os valores lançados coincidem com os que estavam escriturados pela recorrente. Não há conta bancária à margem da contabilidade. Dentre as razões para o arbitramento do lucro está o fato de que não constava na contabilidade da ST o recebimento da Bomtour do valor de R$ 5.948.754,81 e demais parcelas. Este motivo, por si só, eu rejeito como causa do arbitramento. O arbitramento dáse quando se verifica que o sujeito passivo deixa de registrar sua real movimentação financeira. Porém, no caso dos autos, como tais valores estavam sendo registrados na SCP, ainda que eu tenha considerado que a recorrente não se desincumbiu, de forma adequada, em provar, em relação a 2007, a existência de SCP, tal fato é razão para considerar os valores recebido pela S.T, mas não razão para arbitramento. Em sendo a S.T tributada pelo lucro presumido, não havendo omissão de receita e nem conta bancária à margem do registros contábeis, o caso é de se lhe atribuir, em 2007, tal receita, sem o reajustamento da base de cálculo. No momento em que não identifiquei prova da SCP entre ST e Carlos Maurício, em 2007, tem razão a autoridade fiscal quando menciona que é incabível considerar a receita da venda de veículos na SCP. Contudo, considerando que tal valor pertencia à ST Veículos, o procedimento era considerar receita desta, sem o reajustamento da base de cálculo. No que se refere ao arbitramento, a autoridade fiscal apresentou, ainda, o seguinte argumento: "Tal é a confusão entre as contabilidades da ST e da ficta SCP que se tornam imprestáveis para determinar o resultado auferido, bem como a própria movimentação financeira e bancária da empresa, especialmente demonstrando a utilização indiscriminada das contas da ST para operações que, segundo alegações, deveriam se referir à ficta SCP". Neste ponto é preciso distinguir a SCP existente entre a S.T. Veículos e Carlos Maurício, em 2007, da SCP com a Bomtour. Quanto ao fato de usar a conta bancária da S.T. para crédito e débito, no momento em que a lei não confere personalidade jurídica à SCP, não vejo como esta, que não é ente de direito, pudesse movimentar conta financeira. O que deve ser observado, na contabilidade, é a separação dos recursos para efeitos contábeis e tributários entre os pertencentes à SCP e o sócio oculto, ainda que os valores sejam creditadas em uma única conta bancária. O fato da S.T Veículos possuir contas bancárias abertas nos anos de 2001 e 1998 e nestas movimentar recursos "ligados à operação de locação", não se constitui em irregularidade e nem causa para o arbitramento. Em relação a 2007, repito, no momento em que não reconheço a existência de SCP entre a ST e Carlos Maurício, todos os valores objeto de lançamento devem ser atribuídos à ST, procedimento já observado quando do lançamento. VIII – Análise da solidariedade e da responsabilidade de terceiros frente ao caso concreto, considerando os aspectos da Sociedade em Conta de Participação, no ano de 2008. De forma sistemática, em cada voto, tenho enfrentado as questões inerentes à solidariedade e a responsabilidade de terceiros com o seguinte quadro: Fl. 6083DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10510.721220/201135 Acórdão n.º 1402001.308 S1C4T2 Fl. 6.084 25 contribuinte (art. 121, § único, I). Seção I Do sujeito passivo responsável (art. 121, § único, II). Capítulo IV interesse comum situação que constitua o FG. (124, I). Seção II – Solidariedade expressamente designada em lei (art. 124, II). LIVRO II Seção I – Disposição Geral Art. 128 (a lei pode atribuir responsabilidade a terceiro). Capítulo V Seção II – Responsabilidade dos sucessores – Art. 129 a 133. pais; tutores e curadores; adm. de bens de terceiros; Art. 134 inventariante; síndico; tabeliães ... sócios, nos caso de liquidação de sociedade e pessoas. Seção III – Responsabilidade de Terceiros pessoas relacionadas art. 134; Art. 135 mandatários, prepostos... diretores, gerentes ou representantes de PJ. Seção IV – Responsabilidade por infrações. Art. 137 É de responsabilidade do agente quando: I conceituadas como crime; II quanto às infrações em cuja definição o dolo específico do agente seja elementar; III – quanto às infrações que decorram direta e exclusivamente do dolo específico: das pessoas referidas art. 134, contra aqueles a quem respondem; dos mandatários contra seus mandantes. dos diretores, gerentes de PJ de direito privado contra estas. Do quadro acima depreendese que não se pode confundir solidariedade tributária e responsabilidade de terceiros. São figuras jurídicas distintas e como tais decorrem de situações fáticas distintas. A solidariedade tributária inserese na Seção II do no Capítulo IV do Livro II do Código Tributário, que trata do sujeito passivo. A responsabilidade tributária de terceiros, incluindo aqui os sócios de direito e de fato, está disciplinada na Seção III do Capitulo V, do Livro II, do CTN. Necessário distinguir sujeito passivo de responsável tributário. O sujeito passivo de que trata o Capítulo IV pode ser o contribuinte (art. 121, § único I) ou o responsável, quando sem revestir a condição de contribuinte sua obrigação decorra de disposição expressa em lei. Em relação à distinção entre contribuinte e responsável atenhamo nos às normas contidas no parágrafo único do artigo 121, “in verbis”: Fl. 6084DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10510.721220/201135 Acórdão n.º 1402001.308 S1C4T2 Fl. 6.085 26 Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. A solidariedade, que não se confunde com responsabilidade de terceiros, decorre das situações previstas no artigo 124, I e II, do CTN, sendo que o interesse comum de que trata o inciso I não se confunde com as situações contidas no inciso II em que a lei pode atribuir a condição de solidário. As hipóteses previstas no artigo 124, I, do CTN (interesse comum), tratam da solidariedade de quem tem qualidade para ser contribuinte direto ou sujeito passivo da obrigação tributária (devedor originário art. 121, I). Ex. IPTU entre coproprietários; Por sua vez, o artigo 124, II, contempla situação em que a lei pode atribuir responsabilidade solidária a pessoas que não revestem a condição de contribuintes, mas por estarem vinculadas ao fato gerador praticado pelo contribuinte podem vir a ser chamadas a responderem pelo crédito tributário, como ocorre, por exemplo, na importação por conta e ordem de terceiros (o artigo 32 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação atribuída pelo artigo 77 da MP nº 2.15835, de 2001), ou nos casos de retenção de imposto de renda na fonte. O interesse comum de que trata o artigo 124, I, não é o interesse econômico, mas sim na questão relacionada à prática do fato gerador. Empresas de um mesmo grupo têm interesse econômico no resultado de suas operações, mas este interesse não serve para atribuir a uma delas a condição de solidária, visto que o interesse apto a qualificar a solidariedade é o interesse jurídico na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária, como ocorre, por exemplo, em caso de copropriedade, com a exigência do IPTU e ITR. A solidariedade de que trata o artigo 124, incisos I e II, não está relacionada a atos ilícitos e se aplica a quem tem a qualidade para ser sujeito passivo da obrigação tributária, ainda que por responsabilidade decorrente de expressa disposição legal, como é dos exemplos já apontados (situações previstas no artigo 32 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação atribuída pela MP nº 2.11535, de 2001 e Lei nº 11.281, de 2006). A situação prevista no artigo 124, I, não pode ser confundida com as situações de que trata o artigo 135, do CTN. Nas hipóteses contidas no artigo 135 vamos encontrar duas normas autônomas, uma aplicável em relação ao contribuinte, aquele que pratica o fato gerador (art. 121, I) e outra em relação ao terceiro que não participa da relação jurídica tributária, mas que, por violação de determinados deveres, pode vir a ser chamado a responder pela obrigação). (RE 562.726/PR, j. 03/11/2010, sob a forma do artigo 543B do CPC). A responsabilidade de terceiro, por pressupor duas normas autônomas: a regramatriz de incidência tributária e a regramatriz de responsabilidade tributária, cada uma com seus pressupostos de fato e seus sujeitos próprios, nos casos de responsabilidade tributária por atos ilícitos, o auto de lançamento deve descrever, de forma direta e objetiva, a conduta do Fl. 6085DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10510.721220/201135 Acórdão n.º 1402001.308 S1C4T2 Fl. 6.086 27 agente e a norma de incidência. Neste sentido, costumo ilustrar a situação com o seguinte quadro: Na solidariedade Na Responsabilidade de terceiro O fato Situação descrita na lei como suporte fático suficiente para exigência do crédito tributário. O fato Situação descrita na lei que impõe conduta omissiva ou comissiva a alguém, sob pena de responder pelo crédito tributário. A autuação Descreve situação que caracteriza a existência do fato gerador, a obrigação de pagar tributo e o quanto a ser pago. A autuação Descreve a situação irregular praticada pelo terceiro da qual decorre a obrigação de, mesmo sem ter praticado o fato gerador, responder pelos tributos devidos. Os limites O valor total do crédito tributário decorrente do fato gerador. Os limites Responsabilidade limitada aos tributos decorrentes dos atos em que intervir com excesso de poderes, infração à lei, contrato social ou estatutos. A defesa Salvo nos casos de débito declarado, o autuado deve ser notificado para apresentar defesa, sob pena de nulidade da inscrição do débito em dívida ativa. A defesa Em qualquer situação o terceiro a quem se imputa infração que caracteriza responsabilidade tributária deve ser notificado para apresentar defesa, sob pena de ineficácia, em relação a ele, do ato administrativo ou judicial que lhe imputar a condição de responsável. A punição Decorre do ato de não pagar tributo. A punição Decorre do ato de praticar conduta omissiva ou comissiva contrária ao direito, da qual resulta o não pagamento de tributo pelo contribuinte direto. Outro detalhe importante é ter presente que o terceiro ou o sócio é responsável não por ser sócio ou por constar do contrato social que exerce a gerência, mas por praticar ato que caracteriza infração descrita em lei. O fato da empresa deixar de pagar tributo não é motivo para imputar ao sócio, seja ele de fato ou de direito, a condição de responsável tributário. Embora não sendo o caso dos autos, em ocasião anterior, o ilustre Conselheiro Carlos Pelá argumentou que “o simples fato de colocar terceira pessoa no contrato social é o suficiente para atribuir a solidariedade.” Não me parece que esta seja a melhor interpretação. Ao meu sentir a solidariedade não decorre do fato de alguém ser sócio, de fato ou de direito, mas sim do ato de praticar conduta que resulta no inadimplemento do crédito tributário. A título de exemplo, citase a retirada de recursos em favor dos sócios de fato, em prejuízo do pagamento dos tributos devidos. Por fim, em outra ocasião, o ilustre presidente da Turma, Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, que já relatou matéria semelhante em brilhante voto em que o acompanhei, questionou este relator em que situações se caracterizava a solidariedade. Em atenção a oportuna indagação, registro que considero caracterizada a solidariedade quando mais de sujeito passivo integra a relação jurídicotributária da qual decorre o fato gerador (art. 121, parágrafo único, I, combinado com o artigo 124, I, ambos do CTN) e nas situações a que se refere o artigo 121, parágrafo único, II, combinado com o art. 124, II, ambos do CTN. A solidariedade entre uma pessoa física e uma pessoa jurídica ou entre duas pessoas jurídicas ou duas pessoas físicas somente ocorre quando ambas participam da relação jurídico tributária. Nada impede, por exemplo, que uma empresa regularmente constituída celebre parceria com profissional, pessoa física, para realizarem pesquisa encomendada por Fl. 6086DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10510.721220/201135 Acórdão n.º 1402001.308 S1C4T2 Fl. 6.087 28 terceiro, ou ainda, que uma empresa ligada à construção civil, junto com engenheiro não integrante da empresa, se unam para executar determinado projeto. Nestes casos, em relação à receita advinda dos serviços prestados haverá solidariedade. O mesmo pode ocorrer em relação ao comércio ou à indústria. Por fim, mas também relevante, em atenção aos debates verificados em sessão anterior, faço questão de registrar que o sócio de fato não é responsável pelo simples fato de ser sócio de fato, mas sim por praticar conduta comissiva ou omissiva relacionada a fato gerador do qual decorra tributo que resulte inadimplido. Isto se aplica, igualmente, nas situações que o sócio de fato ou de direito apropriase dos lucros da empresa sem que esta, por primeiro, tenha pago os tributos devidos. Da análise do recurso no ponto em que Antônio Manuel da Carvalho Neto se insurge quanto a imputação de coresponsabilidade que lhe foi atribuída (art. 135, III, do CTN). O contrato social de fls. 619 demonstra que Antônio Manuel de Carvalho Neto é sócio da empresa ST Veículos. O Termo de Verificação Fiscal lhe atribuiu responsabilidade tributária com fundamento no artigo 135, III, do CTN, em razão dos seguintes fatos (fl. 522 e seguintes): 1) em face do fato de empresa do mesmo ramo de locação de veículos ter adquirido a totalidade de sua frota de veículos, sem prejuízo dos contratos firmados com o Poder Público pela alienante. Esta aquisição correspondente, portanto, ao fundo de comércio da ST Locação. 2) Que a única forma de celebrar o negócio sem prejuízo dos contratos públicos em curso era a associação entre as empresas por meio da SCP. 3) O objetivo da Bomtour com o o contrato sem prejuízos contratos firma porque empresa do mesmo ramo d imputandolhe os 4) 5) Fl. 6087DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10510.721220/201135 Acórdão n.º 1402001.308 S1C4T2 Fl. 6.088 29 6) 7) Para que se impute responsabilidade ao sóciogerente com fundamento no artigo 135, III, do CTN, é necessário identificar: “créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Ë neste sentido que dispõe o artigo 135 que segue grifado: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Quando a norma fala em “créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, temse que a responsabilidade de terceiro não é ilimitada a todo e qualquer crédito, mas sim somente aos créditos correspondentes às obrigações tributárias resultantes das condutas ilícitas. Nesta linha de raciocínio, quando analisei a responsabilidade tributária de Antônio Manuel da Carvalho Neto, em minha proposta inicial de voto, fiz distinção entre as condutas praticadas no ano de 2007 e 2008. Em relação ao ano de 2007 apresentei proposta de Fl. 6088DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10510.721220/201135 Acórdão n.º 1402001.308 S1C4T2 Fl. 6.089 30 voto por manter a responsabilidade tributária deste em face do fato de Manoel ter recebido valores decorrentes da venda dos veículos que fez a Bomtour. Em relação ao ano de 2008 sustentei que o fato da empresa da qual Antônio Manoel era sócio ter firmado Sociedade em Conta de Participação com a empresa Bomtour não implicava em qualquer conduta que pudesse ser tipificada no artigo 135, III, do CTN (excesso de poderes, infração à lei ou ao contrato social). Durante os debates, conforme anotado da ata, prevaleceu o entendimento de exclusão da responsabilidade tributária do sócio Antônio Manoel de Carvalho Neto sob o entendimento de que, para o ano de 2007, era absolutamente incabível as acusações contidas no termo de verificação fiscal fazendo referência a SPC entre a ST Veículos e a empresa BOMTOUR, visto que tal negócio somente se efetivou no ano de 2008, daí a retificação da minha posição inicial para acompanhar o colegiado em relação à exclusão de Antônio Manuel da Cunha Neto também em relação ao ano de 2007, mantendo meu entendimento inicial de que a celebração de SCP entre a empresa ST Veículos, representada por Antônio Manuel e a empresa Bomtour, não se constitui em prática de ato com excesso de poderes, contrário à lei ou contrato social da empresa ST Veículos, razão pela qual, também para o ano de 2008, não há como manter a responsabilidade tributária atribuída a Antônio Manoel de Carvalho Neto. Da responsabilidade atribuída à empresa Bomtour (fl. 557) O termo de sujeição passiva com as condutas imputadas à reconte Bomtour está alicerçado nos seguites fatos: a) que em 23/10/2007 a empresa Bomtour adquiriu a frota de veículos da empresa ST Locação; b) os veículos adquiridos e os contratos de locação propiciaram o exercício de atividade com o objetivo de lucro, constituindose em bens essenciais à atividade da empresa, caracterizandose por fundo de comércio; c) que para evitar que a empresa Bomtur respondesse pelo fundo de comércio foi celebrado a SCP entre a ST Locação e a Bomtour, resultando em responsabilidade desta em relação ao três primeiros trimestres de 2007, nos termos do artigo 133, II, do CTN. d) Em relação ao quarto trimestre de 2007 e ao ano de 2008, a empresa Bomtour foi considerada solidária nos termos do artigo 124, do CTN, em face dos seguintes fatos: Fl. 6089DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10510.721220/201135 Acórdão n.º 1402001.308 S1C4T2 Fl. 6.090 31 No caso concreto há que se conjugar a aplicação das normas que tratam da Sociedade em Conta de Participação com as disposições referentes à responsabilidade de terceiros e a solidariedade tributária. Quando verifico a soma dos valores das notas fiscais em cada um dos trimestres e o valor tributável que constou do auto de infração, verifico que há coincidência de valores. Não se podendo falar em omissão de receita. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para : i) cancelar a exigência em relação ao anocalendário de 2008; ii) excluir a co responsabilidade de Antonio Manoel da Cunha Neto nos anocalendário de 2007 e 2008; e: iii) excluir integralmente a coresponsabilidade de Bomtour Serviços Ltda. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Fl. 6090DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10510.721220/201135 Acórdão n.º 1402001.308 S1C4T2 Fl. 6.091 32 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Redator Designado. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. De inicio esclareço que manifestei entendimento no sentido de que o auto de infração deveria ser provido parcialmente, reduzindo apenas a base de calculo do IRPJ ao percentual de 32% do faturamento. Todavia em face de ter sido vencedor quanto as demais matérias, fui designado para redigir o voto vencedor quanto as matérias que o ilustre relator, Moises Giacomelli, restou vencido, a saber: i) exigência do anocalendário de 2008 (mantida); ii) coresponsabilidade de Antonio Manoel de Carvalho Neto quanto às irregularidades apuradas nos anocalendário de 2008 (mantida); iii) coresponsabilidade de Bomtour Serviços Ltda. (mantida). Passo aos fundamentos: Tributação do anocalendário de 2008 e aplicação do percentual de 32% na apuração do IRPJ. Acompanhei o ilustre relator no que tange a redução do percentual de apuração do IRPJ para 32% das receitas tributadas no auto de infração, isso porque entendo que realmente o arbitramento de lucros é indevido, haja vista que todos os valores estavam escriturados na SCP e a inexistência de conta bancária mantida a margem da contabilização. Todavia discordei do entendimento dele no sentido de que “diante dos elementos existentes nos autos, em relação ao anocalendário de 2008, há prova efetiva da SCP ora examinada, sendo incabível a tributação contabilizada na SCP como sendo receita da S.T. Veículos, atribuindose à Bomtour a condição de devedora solidária.” Em verdade as duas Sociedades em Conta de Participação (SCP) criadas, respectivamente, em 2007 e 2008 eram fictícias, permanecendo a Autuada na administração do negócio, razão pela qual correto a tributação na autuada, isso porque a “ST” atua no ramo de Fl. 6091DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10510.721220/201135 Acórdão n.º 1402001.308 S1C4T2 Fl. 6.092 33 locação de veículos automotores e contrata, quase sempre, com Órgãos Públicos, fruto de licitações, obedecendo às regras prescritas na Lei nº 8.666 (Lei de Licitações), de 1993, razão pela qual não é possível transferir os respectivos contratos de locação para terceiros. Peço vênia para nesta parte, transcrever e adotar integralmente os fundamentos do voto condutor da decisão de primeira instância, que considero irretocáveis: “(...) Primeiramente, vamos nos reportar à SCP da qual a Autuada diz que fazia parte, no ano de 2007. Consoante as informações prestadas pelo sujeito passivo, o Sr Carlos Maurício, juntamente com o Sr. Antonio Manoel de Carvalho Neto, respectivamente, tio e sobrinho, mantinham sociedade em diversas empresas, sendo que na “ST”, a mais lucrativa delas, o Sr. Carlos Maurício era apenas “sócio de fato”, já que os “sócios de direito” eram o Sr. Antonio Manoel e o Sr. José Tadeu Ramos Bezerra, embora o Sr Carlos Maurício tomasse a frente do negócio, se apresentasse como sócio, inclusive perante os clientes e, enfim, fosse o verdadeiro responsável e administrador da empresa. A criação da SCP “ST/Carlos Maurício” teria sido motivada pelo fato de o Sr. Carlos Maurício ter sofrido uma ação relativa a pedido de pensão alimentícia por parte da mãe de um de seus filhos, calculada com base nos rendimentos da “ST”, da qual ele seria sócio. Temendo sofrer outras ações semelhantes por parte de suas exmulheres, com as quais teve seis filhos, o Sr. Carlos Maurício e a “ST” resolveram criar uma SCP, na qual o primeiro figurava como sócio participante (anteriormente denominado de sócio oculto) e a “ST” na condição de sócio ostensivo. Assim, o Sr. Carlos Maurício (que teria falecido em dezembro de 2008) teve seu patrimônio preservado, não vindo seu nome a constar de qualquer registro público, porém, mantendo sua segurança dentro da sociedade. Toda a operação da “ST” foi integralizada na SCP, que passou a locar os veículos e a ser a titular dos direitos e obrigações de todos os contratos da “ST”, enquanto toda a expertise no negócio e os serviços prestados pelo Sr. Carlos Maurício foram também integralizados, formando o fundo social da SCP. Com isso, a “ST” participava com 97% e o Sr. Carlos Maurício com 3%. Passaram então a existir duas escritas independentes, sendo uma da “ST”, optante pelo lucro presumido, refletindo sua operação própria, cujas receitas se resumiam a uma “taxa de administração”, calculada com base no faturamento da SCP e paga por esta, em função da “ST” ser a responsável pela administração e operação dos contratos, e a outra da SCP, que optou pelo lucro real, espelhando os resultados da operação de locação dos veículos. Em 28/09/2010, intimada a comprovar a existência da SCP no ano de 2007, diz a Impugnante que apresentou 35 caixas contendo contratos de sublocação firmados com os proprietários de veículos alugados, recibos de pagamentos, cópias de cheques relativos aos aluguéis e notas fiscais de leasings. Diz também a Impugnante que, nos termos do artigo 992 do Código Civil, a constituição da SCP independe de qualquer formalidade e pode ser provada por todos os meios de direito, havendo uma farta documentação contábil que demonstra sua existência. Em 23/10/2007, conforme Instrumento Particular de Venda e Compra de Veículos Automotores e Outras Avenças, às fls. 100 a 128, a “ST” vendeu toda a sua frota, composta de 585 veículos, para a empresa “BOMTUR”, pelo valor de R$16.615.421,48, ficando a “BOMTOUR” como proprietária dos veículos e a “ST” Fl. 6092DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10510.721220/201135 Acórdão n.º 1402001.308 S1C4T2 Fl. 6.093 34 permanecendo como titular dos contratos de locação, razão pela qual, prossegue a Impugnante, a SCP foi extinta, até porque, a partir de 2008, passou a vigorar a SCP formada pela “ST” e pela “BOMTUR”, informou a Autuada. Da análise detalhada dos autos, à luz da legislação anteriormente citada e/ou reproduzida, depreendese que não há evidência alguma da efetiva existência da SCP que teria sido formada, no ano de 2007, pela Autuada (“ST”), na condição de sócio ostensivo, e pelo Sr. Carlos Maurício Almeida Wanderley, como sócio participante, consoante os fatos narrados pela Autuada. De imediato, observase que inexiste (a Impugnante preferiu dizer que “não foi localizado”) um contrato social entre as partes que se teriam associado. Nesse ponto, procura valerse a Impugnante do artigo 992 do Código Civil, quando este dispõe que “a constituição da sociedade em conta de participação independe de qualquer formalidade e pode provarse por todos os meios de direito”. Ora, resta claro que a “formalidade” mencionada referese a todos os requisitos formais exigidos para a constituição das demais sociedades (pessoas jurídicas), não se cogitando, contudo, da possível dispensa de um contrato social, que, em última análise, seria o meio mais indicado, apesar de não suficiente, para provar a sua existência. Resta patente, pela simples leitura do parágrafo único do artigo 991 (“Obrigase perante terceiro tãosomente o sócio ostensivo; e, exclusivamente perante este, o sócio participante, nos termos do contrato social”), bem como do artigo 993 (“O contrato social produz efeito somente entre os sócios, e a eventual inscrição de seu instrumento em qualquer registro não confere personalidade jurídica à sociedade”), ambos do Código Civil, que o contrato social é imprescindível, não somente como elemento probante, como também para estabelecer as regras gerais de operações, direitos e deveres das partes envolvidas, ainda que tais regras surtam efeitos apenas em relação aos próprios sócios, que a SCP não tenha personalidade jurídica e que o contrato social não necessite de registro na Junta Comercial ou no CNPJ do Ministério da Fazenda. Quanto às demais provas que poderiam configurar a existência da aludida SCP (a Impugnante cita que há uma farta documentação, inclusive sua escrituração contábil), verificase que elas nada comprovam. Na verdade, nenhum dos documentos referidos pela Impugnante, ou qualquer outro presente nos autos, em especial as notas fiscais, faz menção de que embora emitidos pela “ST” (sócio ostensivo) reportavamse à atividade da SCP. Nesse sentido, o artigo 254, inciso III, do RIR/1999, já transcrito, é bastante claro quando determina que, nos documentos relacionados com a atividade das SCP, o sócio ostensivo deverá fazer constar tal indicação de modo a permitir identificar sua vinculação com a referida sociedade, dispositivo este normatizado pelo item 3.3 da IN SRF nº 179, de 30/12/1987. A alegação da Impugnante de que não há como se fazer qualquer menção à SCP nas notas fiscais, uma vez que ela não possui CNPJ, e que sua ausência não macula a existência da SCP não faz qualquer sentido, uma vez que, não obstante a atividade constitutiva do objeto social seja exercida unicamente pelo sócio ostensivo, em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade, a indicação da expressão “SCP” após o nome do sócio ostensivo seria bastante simples, além de obrigatória, independendo do fato de a SCP não possuir CNPJ. Ao contrário do que diz a Impugnante, ao proceder dessa forma, ou seja, ignorando o regramento imposto pela legislação pertinente, a “ST” não apenas descumpre uma determinação legal, como dificulta, ou impede, a vinculação da operação realizada com a SCP. O mesmo ocorre com relação aos demais documentos concernentes à “ST”, mas que envolveriam operações relacionadas à SCP, tais como contratos, DARF, cheques Fl. 6093DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10510.721220/201135 Acórdão n.º 1402001.308 S1C4T2 Fl. 6.094 35 emitidos, não sendo possível identificar se correspondem a atividades próprias da “ST” ou se tratam de ações ligadas à SCP. A respeito da inexistência de DARF referentes ao recolhimento de quaisquer tributos por parte da SCP, a Impugnante saiuse com a seguinte explicação: “como demonstrado em toda documentação apresentada à D. Fiscalização, tanto a SCP de 2007, quanto a de 2008, foram tributadas pelo regime do Lucro Real para o IRPJ/CSLL e sistema Nãocumulativo para PIS/COFINS. Como é comum nesse tipo de operação, apuraram prejuízo fiscal para fins de IRPJ/CSLL e saldo credor para fins de PIS/COFINS. Ainda mais, salientase que as despesas com a aquisição dos veículos não são consideradas como ‘ativo’, podendo ser levadas à conta de despesas. Assim, não há DARF’s relativos a ambas as SCP’s”. A propósito, não nos parece tão comum assim a apuração de prejuízo fiscal ao invés de lucro, sendo que este, em última análise, constituise na essência da iniciativa privada e das atividades empresariais. Um empreendimento que constantemente apresente prejuízo é insustentável, a menos que se trate de um prejuízo artificialmente produzido. Quanto ao fato de os gastos com a aquisição de veículos automotores não estarem sendo levados ao ativo imobilizado e sim diretamente a contas de resultados, como despesas operacionais, além de significar primário erro contábil, implica também grave irregularidade fiscal, uma vez que provoca redução indevida do lucro tributável. O procedimento adotado pela Contribuinte somente confirma as constatações dos Autuantes a respeito da enorme confusão existente na escrituração contábil da Autuada. No caso das contas correntes bancárias, observase que foram utilizadas as mesmas contas pertencentes à “ST” para realizar as operações que, em princípio, se reportariam à SCP. A explicação da Autuada para esse fato foi de que tais contas bancárias, juntamente com o Caixa e demais bens e direitos da “ST”, “ligados à operação de locação”, foram transferidos para a SCP, na qual foram integralizadas. Nesse ponto, a justificativa da Impugnante também não satisfaz, visto que a “ST” continuou a existir e a operar, não sendo aceitável que as mesmas contas bancárias, a partir de determinado momento, passassem a registrar transações relacionadas a duas sociedades diferentes, mesmo considerando que a titular das contas seja o próprio sócio ostensivo da SCP. A respeito do “aparecimento” da referida SCP, o sujeito passivo declarou, primeiramente, em resposta ao Termo de Início do Procedimento Fiscal, que, em 2007, “fazia parte de uma SCP”. Depois, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal datado de 21/09/2010, que “foi constituída uma SCP”, repetindo tais informações na peça impugnatória. Como se vê, a Interessada não conseguiu identificar com precisão a data de constituição dessa SCP, dizendo apenas que ela teria vigorado no ano de 2007. Logo, a inexistência de um contrato social, como dito acima, não permite sequer que a Autuada, na condição de sócio ostensivo, saiba distinguir o momento exato em que a tal sociedade teria sido criada. O item 6.1 da Instrução Normativa SRF nº 179/87 estabelece que: 6.1 Os valores entregues pelos sócios, pessoas jurídicas, somados aos valores entregues pelos sócios, pessoas físicas, constituirão o capital da SCP, que será registrado em conta que represente o patrimônio líquido desta. Nesse sentido, a “integralização” acontecida por parte da “ST”, para a formação do capital (fundo social) da SCP, não foi muito bem esclarecida e nem se encontra devidamente espelhada na contabilidade da sociedade. Os valores investidos na SCP pelos sócios, pessoas jurídicas, no caso apenas a “ST”, deveriam ser por ela Fl. 6094DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10510.721220/201135 Acórdão n.º 1402001.308 S1C4T2 Fl. 6.095 36 registrados em conta do ativo permanente, mais precisamente em “investimentos”, em conformidade com o disposto no artigo 179, III, da Lei nº 6.404 (Lei das S/A), de 1976, o que não ocorreu. Depreendese das palavras da Impugnante que a “ST” transferiu para a SCP todo o seu ativo e o seu passivo relativos à operação de locação de veículos. Com isso, a SCP teria passado a deter tanto a frota de veículos como os contratos de locação, enquanto o Sr. Carlos Maurício, como sócio participante, teria “integralizado” sua expertise no assunto (locação de veículos) e seus serviços, ficando a “ST” com uma participação de 97% e o Sr. Carlos Maurício com uma participação de 3% na SCP. Ora, se a expertise e os serviços prestados pelo Sr. Carlos Maurício já estavam sendo aproveitados pela própria “ST”, da qual ele fazia parte como “sócio de fato”, concluise que esses “ativos” teriam sido “integralizados na SCP em duplicidade: primeiro, como parte integrante do sócio ostensivo (a “ST”), para o qual o Sr. Carlos Maurício prestava seus serviços; e segundo, isoladamente, como contribuição pessoal do próprio Sr. Carlos Maurício, na condição de sócio participante. De qualquer forma, não houve quantificação ou valoração da “expertise e dos serviços” prestados pelo Sr. Carlos Maurício, transferidos para o fundo social da SCP, e nem existe qualquer informação nos autos deste processo sobre possível devolução ao referido sócio participante, quando da extinção da SCP, de importância representativa dos 3% correspondentes à sua participação na sociedade. Ademais, a razão dada pela Impugnante para a criação da SCP foi tão surpreendente quanto inverossímil. Relatou a Requerente que o Sr. Carlos Maurício possuía diversas exmulheres com as quais teve seis filhos, sendo que uma delas já havia movido contra ele ação judicial reivindicando o pagamento de pensão alimentícia para um de seus filhos, com base nos lucros da Autuada, embora, ao final do processo, tenha se realizado um acordo de pagamento baseado na remuneração do Sr. Carlos Maurício. Assim, temendo sofrer “extorsão” por parte de suas outras ex mulheres, deuse origem a uma SCP, na qual a “ST” figurou como sócio ostensivo e o Sr. Carlos Maurício como sócio participante, ou seja, preservando o patrimônio da sociedade e, por consequência, do próprio Sr. Carlos Maurício. Ora, se o Sr. Carlos Maurício sequer era sócio “de direito” da Autuada, mas apenas sócio “de fato”, como admite a Impugnante, não haveria o menor risco de que qualquer pensão judicial requerida por suas exmulheres pudesse ser calculada com fundamento na lucratividade da pessoa jurídica ou mesmo em possíveis retiradas efetuadas pelo Sr. Carlos Maurício. Prova disso é que a única ação movida com tal objeto não obteve êxito. Ademais, caso se pudesse, ainda assim, relacionar o nome do Sr. Carlos Maurício com o da “ST”, a despeito de ele ser apenas sócio “de fato” da empresa, igual situação ocorreria em relação à SCP, visto que esta traria como sócio ostensivo e, portanto, perfeitamente identificado, a própria “ST”, à qual o Sr. Carlos Maurício estaria ligado. Por outro lado, não deixa de causar surpresa a declaração da Impugnante no sentido de que os verdadeiros sócios da Autuada são os Srs. Carlos Maurício (tio) e Antonio Manoel (sobrinho), enquanto no contrato social da pessoa jurídica consta que os sócios são os Srs. Antonio Manoel e José Tadeu. Desse modo, não seria exagerado concluir que o Sr. José Tadeu tratase, na verdade, de interposta pessoa, “plantado” na empresa para encobrir a participação do Sr. Carlos Maurício, fato este que estaria a caracterizar a simulação, nos termos do disposto no artigo 167, § 1º, inciso I, do Código Civil. Fl. 6095DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10510.721220/201135 Acórdão n.º 1402001.308 S1C4T2 Fl. 6.096 37 A extinção da aludida SCP, que tal como sua criação, não está contabilmente comprovada, teria ocorrido, automaticamente, em decorrência da compra de todos os veículos da “ST” pela empresa “BOMTUR”, em 23/10/2007, até porque, consoante afirma a Autuada, a partir de 2008, entrou em vigor a SCP entre a “ST” e a “BOMTUR”. Posteriormente, contrariando o que dissera antes, a Autuada declarou que a frota de veículos foi vendida pela SCP e não pela “ST”, fato este registrado na contabilidade da SCP. Todavia, examinando o Instrumento Particular de Venda e Compra de Veículos Automotores e Outras Avenças (fls. 100 a 128), concluise que a transação foi realizada entre a “ST” e a “BOMTUR”, não constando qualquer registro de que a “ST” estaria operando como sócio ostensivo da SCP, que seria, como quer fazer crer a Impugnante, a verdadeira proprietária dos veículos na data da transação. Difícil imaginar que a “ST” – ou, como prefere a Impugnante, a SCP formada pela “ST”, na condição de sócio ostensivo, e pelo sócio participante, Sr. Carlos Maurício – titular de diversos contratos de locação de veículos automotores firmados com entidades públicas, alienasse toda a sua frota de veículos, durante o transcurso dos citados contratos, fato este que, em última análise, impediria o cumprimento de suas obrigações contratuais, inviabilizando assim o prosseguimento de sua atividade. Nesse sentido, a Impugnante não esclareceu o que teria ocorrido no período compreendido entre 23/10/2007, data da venda da frota de veículos para a “BOMTUR”, quando a primeira SCP estaria sendo desconstituída, e 02/01/2008, data da celebração de um contrato entre a “ST” e a “BOMTUR”, por meio do qual teria sido constituída uma nova SCP. Ora, no referido período, os ativos e passivos da SCP desfeita teriam retornado para a “ST”, incluindo os contratos de locação de veículos firmados com órgãos públicos, com exceção dos veículos, que passaram a pertencer à “BOMTUR”. Logo, haveria que se perguntar como a “ST” estaria exercendo sua atividade operacional sem os seus veículos? A utilização, pela “ST”, da frota de veículos já de propriedade da “BOMTUR” certamente implicaria o pagamento de numerários, da “ST” para a “BOMTUR”, a título de aluguel, o que demandaria, sem dúvida, a celebração de um contrato de locação entre as partes. Entretanto, tal contrato não consta dos autos, muito menos a existência de pagamentos por parte da “ST” para a “BOMTUR”, em face da possível utilização de seus veículos. Ao contrário, os únicos pagamentos contabilizados pela “ST” referemse a recebimentos oriundos da SCP, a título de uma “taxa de administração” como remuneração por ela administrar a SCP, pagamentos esses que, estranhamente, perduraram até 31/12/2007, mesmo depois de a SCP ser desconstituída. Afirma ainda a Impugnante que a venda dos veículos ocorreu porque era interessante, naquele momento, para a “BOMTUR”, aumentar sua frota e o seu faturamento e que a “ST” não podia repassar seus contratos para a “BOMTUR”, razão pela qual se estruturou a operação por meio das SCP. Resta claro, então, que o negócio relativo à venda de todos os veículos da “ST” para a “BOMTUR”, visou, principalmente, ao atendimento dos interesses da “BOMTUR”, no sentido de crescer e fortalecerse junto ao mercado de locação de veículos, assim como da “ST”, que desejava repassar seus contratos com órgãos públicos para terceiros, no caso para a própria “BOMTUR”, mas estava impedida por força da legislação de regência, ou seja, os interesses que nortearam a operação não foram os mais lícitos. Com a extinção da primeira SCP, em 23/10/2007, era de se esperar o encerramento de todas as suas contas contábeis, até porque os contratos com entidades públicas Fl. 6096DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10510.721220/201135 Acórdão n.º 1402001.308 S1C4T2 Fl. 6.097 38 foram devolvidos pela SCP à “ST”, que, inferese, continuou a operálos, por cerca de setenta dias, mesmo não sendo mais proprietária da frota de veículos, até a constituição da nova SCP “ST/BOMTUR”. Contudo, declara a Impugnante que, a partir de 2008, com a constituição da SCP “ST/BOMTUR”, os saldos iniciais das contas relativas a esta SCP, inclusive as bancárias, corresponderiam aos saldos finais da SCP anterior, ou seja, a contabilidade da segunda SCP teria dado prosseguimento à contabilidade da primeira, embora fossem sociedades distintas, cujos sócios não eram os mesmos. No entanto, os agentes fiscais relacionaram várias contas contábeis que apresentaram saldos finais (2007) e iniciais (2008) com valores não coincidentes. Embora a Impugnante reconheça que não poderia repassar para terceiros seus contratos públicos, por força das normas previstas na Lei das Licitações, a qual estava submetida, se considerássemos como real a existência da SCP, esse repasse teria efetivamente acontecido, uma vez que tais contratos juntamente com todos os ativos e passivos da “ST” teriam sido integralizados na formação do fundo social da SCP, ou seja, teria havido a transferência dos contratos para uma outra sociedade, ainda que esta não tivesse CNPJ nem personalidade jurídica própria. Os contratos firmados com entidades públicas passariam então a pertencer à SCP, da mesma forma que a frota de veículos integralizada pela “BOMTUR”, caracterizando expressa violação à Lei nº 8.666, de 21/06/1993, que reza no seu artigo 78: Art. 78 Constituem motivo para rescisão do contrato: (...);VI a subcontratação total ou parcial do seu objeto, a associação do contratado com outrem, a cessão ou transferência total ou parcial, bem como a fusão, cisão ou incorporação não admitidas no edital e no contrato; A venda dos veículos foi realizada em 23/10/2007, da primeira SCP (segundo a Autuada) para a “BOMTUR”, pelo valor total de R$16.615.421,48, a serem pagos parceladamente, conforme Instrumento Particular de Venda e Compra de Veículos Automotores e Outra Avenças, às fls. 100 a 111. Logo depois, em 25/10/2007, foi contabilizado pela SCP, a título de “adiantamento a sócio”, o montante de R$5.948.754,81, quantia idêntica ao primeiro pagamento efetuado pela “BOMTUR”, valor este retirado da conta bancária do Banese S/A, para o Sr. Antonio Manoel, sócio da “ST”, mas não da SCP. Salientese que o saldo da referida conta de adiantamento existente em 31/12/2007 foi simplesmente zerado em 01/01/2008, sem qualquer explicação. A Impugnante alegou que inexiste inconsistência no adiantamento efetuado pela SCP para o sócio da “ST”, empréstimo este que teria sido contabilizado, tanto em 2007 quanto em 2008, e parcialmente devolvido pelo sócio à “ST”. É evidente que o tal empréstimo não foi esclarecido, pois o Sr. Antonio Manoel não era sócio da SCP, não fazendo jus, portanto, a qualquer adiantamento feito por esta sociedade. A Impugnante diz que o empréstimo permaneceu contabilizado em 2008 embora não tenha provado documentalmente tal alegação, o mesmo acontecendo em relação ao pagamento do empréstimo, ainda que parcial. Cabe ainda ressaltar o recebimento pela “ST” de uma “taxa de administração”, a título de pagamento pela administração da SCP “ST/BOMTUR”, que implicava a cessão de funcionários, prédio, móveis, etc, para o funcionamento da SCP. (20/21, 47, 94, 95). Essa taxa se constituía na única receita da “ST”. Nesse aspecto, não há qualquer razão para o pagamento da referida taxa, uma vez que, nos termos do artigo 991 do Código Civil, o sócio ostensivo da SCP, no caso a “ST”, é o único responsável pelo exercício da atividade constitutiva do seu objeto social. Desse modo, cabia à “ST”, por força de lei, praticar todos os atos concernentes à atividade Fl. 6097DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10510.721220/201135 Acórdão n.º 1402001.308 S1C4T2 Fl. 6.098 39 empresarial desenvolvida, não se cogitando, portanto, o recebimento de qualquer taxa para exercer funções para as quais estava legalmente obrigada. Logo, se tais pagamentos foram efetivamente realizados – e aqui, mais uma vez, a dúvida se faz presente, tendo em vista que, embora formalmente contabilizados, não há documentação idônea e consistente que os ampare, até porque as duas sociedades (tanto a SCP como a “ST”) utilizavam as mesmas contas correntes bancárias –, eles ocorreram por mera liberalidade, visto que a SCP não teria qualquer obrigação de fazêlo. A Impugnante declarou que a constituição das SCP resultou em um pagamento a maior de tributos, tanto em 2007 como em 2008, do que teria recolhido somente com a “ST”, ou seja, caso as SCP não existissem. Evidentemente, tal fato não restou comprovado. Por exemplo, as receitas reconhecidas pela “ST”, referentes à chamada “taxa de administração”, foram todas deduzidas como despesas operacionais na contabilidade da SCP. No anocalendário de 2007, a “ST” optou pelo lucro presumido e, caso oferecesse todas as receitas atribuídas à SCP, que optou pelo lucro real, não poderia deduzir custos ou despesas, tal como deduziu na apuração do resultado da SCP. Em suma, a suposta criação das SCP objetivou esconder a aquisição, por parte da “BOMTUR”, do fundo de comércio da “ST”. A primeira das SCP – a de 2007– nem sequer contrato social possuía, mas apenas um arremedo de escrituração contábil, nos próprios livros da “ST”, repleta de falhas e irregularidades, como já comentado anteriormente. Sua “aparição”, a despeito do que afirmou a Impugnante – que o objetivo seria a proteção do patrimônio do sócio participante, Sr. Carlos Maurício –, foi o primeiro passo para propiciar que a “BOMTUR” viesse, posteriormente, a assumir de fato o controle das operações relativas aos contratos de locação de veículos celebrados entre a “ST” e diversas entidades públicas. Na verdade, como bem afirmaram os Autuantes, a “ST” vendeu seu fundo de comércio para a “BOMTUR”, venda esta representada pela alienação de toda a sua frota de veículos, intrinsicamente ligada aos mencionados contratos. Como estes não poderiam ser também transferidos para a compradora dos veículos, a “ST” permaneceu em atividade e, na condição de sócio ostensivo de uma segunda SCP (que tinha a “BOMTUR” como sócio participante), apenas para dar um certo cunho de legalidade ao negócio e justificar a manutenção dos contratos, já que, de fato, a “BOMTUR” sucedeu a “ST” na atividade de locação de veículos automotores. A alienação do fundo de comércio da “ST” para a “BOMTUR” fica bem visível quando se observa o Contrato Social da SCP “ST/BOMTUR”, às fls. 90 a 99, mais precisamente no subitem 6.6, no qual foram fixados em 10% e 90%, respectivamente, os percentuais de participação da “ST” e da “BOMTUR” nos resultados da SCP, mesmo tendo a primeira integralizado o equivalente a 8.890.047 cotaspartes (cerca de 35% das cotas) e a segunda o equivalente a 16.615.421 cotaspartes (cerca de 65% das cotas). Desse modo, restando suficientemente caracterizado nos autos a inexistência das SCP, ficticiamente criadas pela Contribuinte, havia mesmo que se afastar os efeitos tributários que seriam inerentes a esse tipo de sociedade, cabendo o lançamento dos tributos em nome da “ST”, no caso, o real sujeito passivo das obrigações tributárias principais. (...) A imposição da multa qualificada, no percentual de 150%, resta plenamente justificada, tendo em vista todas as irregularidades acima descritas, ocorridas nos Fl. 6098DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10510.721220/201135 Acórdão n.º 1402001.308 S1C4T2 Fl. 6.099 40 anos de 2007 e 2008, muitas delas visando a impedir ou retardar, total ou parcialmente, que a autoridade fazendária tomasse conhecimento da ocorrência do fato gerador, entre as quais podemos destacar: o reconhecimento da existência de um sócio da empresa não registrado formalmente como tal, para efeito de esconder seus rendimentos; a constituição fictícia de Sociedades em Conta de Participação (SCP) com a finalidade de atribuirlhe a realização de atos praticados pela própria Autuada, inclusive o recebimento de receitas tributáveis; a manutenção de uma escrituração contábil completamente confusa e misturada com a contabilidade das fantasiosas SCP, dando margem a uma série de fatos não esclarecidos como, por exemplo, o “desaparecimento” do saldo de contas de um ano para outro e a existência de saldos de outras contas, no encerramento de um exercício social, que não conferem com o saldo das mesmas contas no início do exercício subsequente, bem como lançamentos contábeis não amparados em documentação hábil e idônea. Tais procedimentos, dolosos, demonstram o objetivo de sonegar tributos, previsto no artigo 71 da Lei nº 4.502, de 1964, justificando a qualificação da multa de ofício aplicada.” Aos fundamentos acima que, a meu ver esgotam a melhor compreensão dos fatos, nada merece ser acrescentado, pelo que entendo correta a tributação na “ST”, tanto em 2007 quanto em 2008, com multa a incidência de multa qualificada e, consequentemente, mantendo a responsabilização solidária, conforme a seguir fundamentado. Responsabilização solidária passiva do Sr. Antonio Manoel de Carvalho Neto e da Bomtour Serviços Ltda. Conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária, de fls. 552 a 554, o Sr. Antonio Manoel de Carvalho Neto, sóciogerente da “ST”, foi solidariamente responsabilizado pelo crédito tributário lançado contra a Autuada, nos termos do artigo 135, inciso III, do CTN. Afirma a defesa que não restou provado que ele agiu de forma dolosa ou praticou atos com excesso de poderes e infração de lei, contrato social ou estatutos, conforme previsto no artigo 135, III, do CTN. Diz que os pagamentos que lhe teriam sido feitos pela “BOMTUR” referemse a empréstimo recebido da “ST”, assim como, na condição de sócio da “ST”, tem direito ao recebimento de eventuais lucros que venham a ser apurados pela empresa. Em verdade, tal qual asseverado na decisão de 1a. instância, assim que a “BOMTUR” adquiriu o fundo de comércio da “ST” (frota de veículos, contratos de locação, etc), o total da primeira parcela do pagamento dessa transação, no valor de R$5.948.754,81, foi integralmente transferido para o Sr. Antonio Manoel, em 25/10/2007. Embora o aludido sócio gerente da “ST” não fosse também sócio da imaginária SCP, esse pagamento consta na contabilidade dessa (fictícia) sociedade, a título de “adiantamento a sócio”, cuja conta foi misteriosamente “zerada” na passagem do ano de 2007 para o de 2008, ainda que o Impugnante declare, sem comprovar, que parte desse empréstimo já teria sido pago. Outro pagamento efetuado para o Sr. Antonio Manoel foi identificado na contabilidade da SCP, em 31/12/2007, no montante de R$248.754,88, registrado como “distribuição de lucro”. Nesse caso, a SCP, que já teria sido desconstituída desde 23/10/2007, estaria distribuindo lucros a um terceiro, já que o Sr. Antonio Manoel não compunha seu quadro social. De fato, esses numerários fornecidos ao sóciogerente da “ST” tinham como origem o caixa da “BOMTUR”, adquirente do fundo de comércio da “ST”. Fl. 6099DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10510.721220/201135 Acórdão n.º 1402001.308 S1C4T2 Fl. 6.100 41 Da mesma forma, o Sr. Antonio Manoel, no ano de 2008, beneficiouse, ainda que indiretamente, em vista de sua posição de sóciogerente da “ST”, dos valores pagos pela “BOMTUR” (travestida de uma SCP “BOMTUR/ST”) à própria “ST”, a título de “taxa de administração”, pelos serviços de administração da SCP – da qual a “ST” era sócio ostensivo – ,serviços esses que a legislação inerente a esse tipo de sociedade impõe como obrigação do sócio ostensivo, o que conferiu a tais pagamentos o caráter de mera liberalidade. Concluise, então, que o Sr. Antonio Manoel, além dos benefícios financeiros auferidos, em especial a apropriação de parte substancial dos numerários referentes ao pagamento (toda a primeira parcela) pela venda da frota de veículos da “ST” para a “BOMTUR” (o Impugnante alegou, sem comprovar, tratarse apenas de um empréstimo), na condição de sóciogerente e administrador da “ST”, participou diretamente da simulada constituição tanto da primeira SCP, no ano de 2007, que tinha a própria “ST” como sócio ostensivo e o Sr. Carlos Maurício como sócio participante, como também da simulação que resultou na criação de uma segunda SCP (“ST/BOMTUR”), em 2008, com a finalidade de encobrir a venda do fundo de comércio da “ST” para a “BOMTUR”, fato este que os interessados não queriam que viesse à tona, uma vez que, sem dúvida alguma, colocaria em risco a manutenção dos contratos, em pleno vigor, de locação de veículos celebrados entre a “ST” e diversos órgãos públicos. Na condição de sóciogerente e administrador da pessoa jurídica autuada, o Sr Antonio Manoel praticou atos com infração à lei (tributária ou não), na forma demonstrada nos Autos de Infração e seus anexos, restando caracterizado o dolo, ou seja, a intenção de lesar o Fisco, assim como descumprir normas específicas da União, agindo de forma contrária ao interesse público, seja ou não em benefício da pessoa jurídica. Repito: “Os fatos mostram, como já examinados anteriormente, que a Contribuinte, administrada pelo Sr Antonio Manoel buscou eximir de responsabilidade, a si própria e a “BOMTUR”, pela prática de atos ilícitos, escudandose por de trás de sociedades fictíciamente constituídas (as SCP). Portanto, caracterizada nos autos a existência de atos praticados com infração à lei, resultantes da conduta dolosa mantida pelo Impugnante, gestor da pessoa jurídica autuada, é de se manter a responsabilização do Impugnante, Sr. Antonio Manoel de Carvalho Neto, na forma do Termo de Sujeição Passiva Solidária de fls. 552 554.” Por sua vez, a empresa Bomtur Serviços Ltda., CNPJ nº 33.799.180/000172, foi alvo do Termo de Sujeição Passiva Solidária, às fls. 555 a 556, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de outubro de 2007, nos termos do artigo 124 do CTN, assim como do Termo de Sujeição Passiva Subsidiária, às fls. 557 e 558, quanto aos fatos geradores ocorridos nos três primeiros trimestres de 2007. Vejamos o que dispõe os artigos 124 e 133, inciso II, do CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Fl. 6100DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10510.721220/201135 Acórdão n.º 1402001.308 S1C4T2 Fl. 6.101 42 Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até a data do ato: I integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; II subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão. Verificase nos autos que em 23/10/2007, a “BOMTUR” adquiriu o fundo de comércio da “ST”, incluindo tanto a sua frota de veículos como os contratos de locação desses veículos mantidos com órgãos públicos. A responsabilizada insiste na alegação de que a operação de venda restringiuse aos veículos e que, à época da transação, existiria em funcionamento uma SCP, sendo que esta sociedade é que teria vendido a frota de veículos para a “BOMTUR”. Tais alegações, foram desconsideradas corretamente, pois a SCP não tem personalidade jurídica, não poderia deter a propriedade dos bens que compõem o seu fundo social, integralizados pelos sócios, consoante contrato social válido apenas entre as partes, muito menos alienálos. Portanto, afastadas as alegações infudadas, emerge a situação real, qual seja, o fato de que a “BOMTUR” sucedeu à “ST” na atividade de locação de veículos, mesmo que, de forma aparente, os envolvidos (“ST” e BOMTUR”), para ocultar o repasse dos contratos, vedado pela Lei das Licitações, tenham simulado a constituição de uma outra SCP, na qual a “ST” seria o sócio ostensivo e único responsável pela administração da sociedade, enquanto a “BOMTUR” ficaria completamente acobertada, figurando apenas como sócio participante. Portanto, a exploração da atividade exercida, até então, exclusivamente, pela “ST” teve prosseguimento após a sucessão, que se deu em 23/10/2007, com a aquisição pela “BOMTUR” do fundo de comércio da “ST”, passando as duas empresas a atuarem conjuntamente, no negócio de locação de veículos para entidades públicas, em função dos contratos mantidos com os órgãos públicos, caracterizando, assim, a responsabilidade atribuída à BOMTUR, quanto aos tributos devidos pela sucedida, até a data do ato, relativos aos fatos geradores ocorridos nos 1º, 2º e 3º trimestres de 2007, consoante o disposto no inciso II do artigo 133 do CTN. No que diz respeito à responsabilidade solidária imputada à Impugnante, no período que abrangeu o 4º trimestre de 2007 e todos os trimestres de 2008, nos termos do artigo 124 do CTN, a situação é ainda mais clara. A “BOMTUR” já havia sucedido a “ST”, embora continuassem a atuar em conjunto, simuladamente por meio de uma SCP que era administrada pela “ST”, na condição de sócio ostensivo, e que ocultava a participação da “BOMTUR”. Tais circunstâncias, fictícias e artificiais, eram convenientes e satisfatórias para ambas as empresas, que mantinham evidente interesse comum naquela situação. Logo, resta patente a subsunção dos fatos narrados e estampados nos autos ao comando dado pelo artigo 124, inciso I, do CTN, mantendose a Impugnante na condição de responsável solidária pelo pagamento dos tributos apurados e lançados nos Autos de Infração ora apreciados, concernentes ao último trimestre de 2007 e aos quatro trimestres de 2008. Fl. 6101DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10510.721220/201135 Acórdão n.º 1402001.308 S1C4T2 Fl. 6.102 43 Conclusão Registro, então, a decisão final do colegiado quanto a este processo: i) reduzir a base de cálculo ao percentual de 32%; ii) excluir a coresponsabilidade de Antonio Manoel de Carvalho Neto quanto às irregularidades apuradas nos anocalendário de 2007; e iii)afastar a imputação da multa qualificada. É este o voto condutor do presente acórdão. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Redator Designado. Fl. 6102DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720528/2008-99
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano calendário: 2003 NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO Nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235/72, não se conhece, por intempestivo, de Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de 30 (trinta) dias, a contar da ciência da decisão proferida pela primeira instância. É válida como data da ciência da decisão àquela em que o representante legal protocola pedido de vistas dos autos para extração de cópias das peças processuais. Recurso não conhecido
Numero da decisão: 1803-001.332
Decisão: Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos não conhecer o recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado.
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201206
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano calendário: 2003 NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO Nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235/72, não se conhece, por intempestivo, de Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de 30 (trinta) dias, a contar da ciência da decisão proferida pela primeira instância. É válida como data da ciência da decisão àquela em que o representante legal protocola pedido de vistas dos autos para extração de cópias das peças processuais. Recurso não conhecido
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 10283.720528/2008-99
conteudo_id_s : 5233505
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1803-001.332
nome_arquivo_s : Decisao_10283720528200899.pdf
nome_relator_s : SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
nome_arquivo_pdf_s : 10283720528200899_5233505.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos não conhecer o recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
id : 4593987
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:01:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041575102119936
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1872; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 393 1 392 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.720528/200899 Recurso nº 889.757 Voluntário Acórdão nº 1803001.332 – 3ª Turma Especial Sessão de 12 de junho de 2012 Matéria IRPJ Recorrente EMPREENDIMENTOS DE TURISMO SANCTUARY LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2003 NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO Nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235/72, não se conhece, por intempestivo, de Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de 30 (trinta) dias, a contar da ciência da decisão proferida pela primeira instância. É válida como data da ciência da decisão àquela em que o representante legal protocola pedido de vistas dos autos para extração de cópias das peças processuais. Recurso não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos não conhecer o recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Selene Ferreira de Moraes Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (Assinado Digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Viviane Aparecida Bacchmi, Selene Ferreira de Moraes. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10283.720528/200899 Acórdão n.º 1803001.332 S1TE03 Fl. 394 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao presente contencioso administrativo, passo a adotar parte do relato do contido no Acórdão nº 0117.876 proferido pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém Pará, constante das fls. 134 e seguintes dos autos, a seguir transcrito: “Versa o presente processo sobre auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, Programa de Integração Social — PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — COFINS, no valor total de R$ 60.319,74, incluídos os acréscimos legais, referente ao anocalendário de 2003. A autuação fiscal arbitrou o lucro com base na receita bruta conhecida e fundamentouse nos depósitos bancários não comprovados, embora tendo sido o contribuinte devidamente intimado. Cientificado do lançamento em 06/06/2008 apresenta impugnação em 08/07/2008 onde alega em síntese que: 1. a autuada estava inativa no período fiscalizado e desde o mês de setembro/2000 iniciou a construção de sua sede no endereço citado no Auto de Infração, utilizandose para isso de empréstimo efetuado junto a AFEAM — Agência de Fomento do Estado do Amazonas; 2. os extratos bancários não constituem faturamento da empresa e não têm o condão de comprovar receitas, muito menos lucros auferidos, já que a empresa encontravase em construção; 3. ainda hoje o poder judiciário empilha decisões anulando autos lavrados com espeque em movimentações financeiras, por não representarem fato gerador do imposto de renda; 4. os lançamentos efetuados nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430/96, devem comprovar a utilização dos valores depositados como renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza; 5. houve violação da legalidade ínsita ao lançamento tributário, de modo que devem ser desconsiderados para constituição de qualquer crédito tributário”. A 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém Pará, na sessão de 02/06/2010, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o Acórdão nº 0117.876 entendendo “Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido”, em decisão assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações são caracterizados como omissão de receitas. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10283.720528/200899 Acórdão n.º 1803001.332 S1TE03 Fl. 395 3 DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos e judiciais trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa. CSLL, PIS E COFINS. DECORRÊNCIA. Quando há harmonia entre as provas e irregularidades que ampararam os lançamentos do IRPJ e das Contribuições Sociais, o que foi decidido em relação àquele é aproveitado nos lançamentos destas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido”. Cientificada da decisão de primeira instância em 20/09/2010 (fls. 145v), a EMPREENDIMENTOS DE TURISMO SANCTUARY LTDA, qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 0117.876, recorre em 03/11/2010 (154 e segs) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado reiterando, basicamente, os argumentos da peça impugnativa. A Recorrente em 22/09/2010 protocolou pedido de cópia dos autos, constante das fls. 146 e segs, juntando inclusive instrumento de procuração, fls 148 dos autos. Em síntese, é o relatório. Voto Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do Decreto nº. 70.235/1972 vejo, smj, que o recurso foi protocolado fora do prazo legal de 30 (trinta dias), conforme pode ser visto abaixo: Foi enviado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Manaus dois AR’s dando ciência da decisão proferida pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém – Pará, constantes, respectivamente, das fls. 142 e 144v dos autos; sendo que o AR das fls. 144v, foi recepcionado, conforme podemos ver abaixo: Fl. 194DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10283.720528/200899 Acórdão n.º 1803001.332 S1TE03 Fl. 396 4 Observase que a notificação da decisão proferida pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém – Pará, consubstanciada no Acórdão nº 0117.876, foi remetida ao endereço do procurador da Recorrente e não encontrei nos autos a solicitação para que as notificações fossem enviadas a esse endereço. Contudo encontro as fls 15 dos autos, instrumento de procuração que concede ao advogado da Recorrente poderes para receber notificações e auto de infração, conforme pode ser visto abaixo: Fl. 195DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10283.720528/200899 Acórdão n.º 1803001.332 S1TE03 Fl. 397 5 Além do mais, desde o primeiro termo de intimação todas as notificações para a Recorrente são realizadas no endereço do advogado (fls. 78 e segs) e em 22/09/2010; ou seja, dois dias depois de recebida a notificação da decisão proferida pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém – Pará, consubstanciada no Acórdão nº 0117.876, a Recorrente protocola, fls. 146, solicitação de cópias de documentos. Já no recurso voluntário, a Recorrente afirma que: “De se esclarecer que a recorrente fez pedido de cópia desses autos em 22/09/2010 (Doc. anexo), a fim de poder elaborar esse recurso, tendo somente recebido a cópia do mesmo no dia 28/10/2010, pelo que requer desde já de V. Sa. a contagem do prazo recursal a partir dessa data, a fim de assegurar seu direito de ampla defesa”. Diante desses fatos e como a legislação que rege a forma de promover as intimações é cristalina, conforme podemos constatar no Processo Administrativo Fiscal (Decreto n°. 70.235, de 06 de março de 1972), que quando trata de intimação, especificamente no art. 23, com nova redação editada pela Lei n°. 9.532, de 1997, diz: “Art. 23 Farseá a intimação:(...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo;(...) § 2°. – Considera se feita à intimação:(...) II – no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação;(...) § 4°. – Considera – se domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo o do endereço postal, eletrônico ou de fax, por ele fornecido para fins cadastrais, à Secretaria da Receita Federal”. Ora o auto de infração foi encaminhado, por via postal, para o endereço do procurador da Recorrente e observando das informações constantes do AR esta foi cientificada da decisão da 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém – Pará em 20/09/2010 (segunda feira), conforme se pode depreender de fls. 145v dos autos. E, o Recurso Voluntário em análise, por sua vez, foi protocolado, segundo observado à fls. 154, em 03/11/2010 (quarta feira), portanto, 14 (catorze) dias após o prazo fatal de 30 (trinta) dias estipulado no art. 33 do Decreto nº. 70.235/1972. Observando a legislação em vigor, observase que a contagem dos prazos administrativos iniciase no primeiro dia útil subsequente à intimação do contribuinte, encerrandose o prazo para recurso voluntário em 30 (trinta) dias a contar dessa data. Ora, no caso presente, iniciouse o prazo de 30 (trinta) dias para que a Recorrente apresentasse seu recurso em 20/09/2010 (segundafeira), encenandose em 20/10/2010 (quartafeira). E, como o Recurso Voluntário foi protocolado em 03/11/2010 (quartafeira). Fl. 196DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10283.720528/200899 Acórdão n.º 1803001.332 S1TE03 Fl. 398 6 Assim, conhecer o Recurso, intempestivamente protocolado, implicaria grave ofensa aos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal, já que a validade da intimação via postal é matéria com jurisprudência mansa e pacífica neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Além do mais a Súmula CARF nº 9 não deixa qualquer dúvida sobre o assunto quando assim determina: “Súmula Carf nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicilio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário”. Desta forma, entendo que o Recurso Voluntário, sob análise, é inquestionavelmente intempestivo, com o que não deve ser conhecido, mantendose a decisão da 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém – Pará. E, assim, considerando tudo o que consta dos autos, voto por NÃO CONHECER do recurso, por perempto, uma vez que restou comprovada sua extemporaneidade. Sergio Luiz Bezerra Presta – Relator (Assinado digitalmente) Fl. 197DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA
score : 1.0
Numero do processo: 13727.000761/2008-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
Ementa:
CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO.
São isentos do imposto sobre a renda os proventos de reforma, aposentadoria ou pensão recebidos por contribuintes portadores de moléstia especificada em lei, devidamente comprovada por meio de laudo médico oficial.
Na hipótese, o contribuinte comprovou auferir rendimentos de aposentadoria e ser portador de moléstia grave prevista em lei.
Numero da decisão: 2101-002.180
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para reconhecer a isenção dos rendimentos de R$ 29.630,00, por serem decorrentes de aposentadoria de contribuinte portador de moléstia grave prevista na Lei n.º 7.713, de 1988.
(assinado digitalmente)
__________________________________________________
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente
(assinado digitalmente)
________________________________________________
CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa, Eivanice Canário da Silva e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora).
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201304
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 Ementa: CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. São isentos do imposto sobre a renda os proventos de reforma, aposentadoria ou pensão recebidos por contribuintes portadores de moléstia especificada em lei, devidamente comprovada por meio de laudo médico oficial. Na hipótese, o contribuinte comprovou auferir rendimentos de aposentadoria e ser portador de moléstia grave prevista em lei.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13727.000761/2008-83
anomes_publicacao_s : 201304
conteudo_id_s : 5232217
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2101-002.180
nome_arquivo_s : Decisao_13727000761200883.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
nome_arquivo_pdf_s : 13727000761200883_5232217.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para reconhecer a isenção dos rendimentos de R$ 29.630,00, por serem decorrentes de aposentadoria de contribuinte portador de moléstia grave prevista na Lei n.º 7.713, de 1988. (assinado digitalmente) __________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ________________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa, Eivanice Canário da Silva e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora).
dt_sessao_tdt : Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
id : 4588467
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:01:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041575114702848
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1853; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 2 1 1 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13727.000761/200883 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2101002.180 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de abril de 2013 Matéria IRPF Imposto sobre a Renda de Pessoa Física Recorrente João Batista Paço Junior Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 Ementa: CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. São isentos do imposto sobre a renda os proventos de reforma, aposentadoria ou pensão recebidos por contribuintes portadores de moléstia especificada em lei, devidamente comprovada por meio de laudo médico oficial. Na hipótese, o contribuinte comprovou auferir rendimentos de aposentadoria e ser portador de moléstia grave prevista em lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para reconhecer a isenção dos rendimentos de R$ 29.630,00, por serem decorrentes de aposentadoria de contribuinte portador de moléstia grave prevista na Lei n.º 7.713, de 1988. (assinado digitalmente) __________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS – Presidente (assinado digitalmente) ________________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 72 7. 00 07 61 /2 00 8- 83 Fl. 40DF CARF MF Impresso em 26/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa, Eivanice Canário da Silva e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento contra o contribuinte em epígrafe, no qual foi apurada omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. O contribuinte impugnou o lançamento (fls. 1 e 2), alegando, em síntese, que sofre de moléstia grave prevista na Lei n.º 7.713, de 1988, desde o mês 5 de 2004. A 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Campo Grande (MS) julgou a impugnação improcedente, por meio do Acórdão n.º 04 25.188, de 7 de julho de 2011, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 IRRF. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Tributamse os rendimentos omitidos pelo contribuinte, do trabalho com ou sem vínculo empregatício, detectado por meio de DIRF da fonte pagadora, caso o contribuinte não consiga demonstrar, mediante documentos hábeis, que é portador de moléstia grave. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual repisa as razões de impugnação. Junta documentos. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. Cabe, primeiramente, ressaltar, que a isenção do imposto sobre a renda em razão de moléstia grave exige o preenchimento de dois requisitos: Fl. 41DF CARF MF Impresso em 26/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13727.000761/200883 Acórdão n.º 2101002.180 S2C1T1 Fl. 3 3 1.º) que os rendimentos auferidos sejam de reforma, aposentadoria ou pensão, porque somente esses são isentos do imposto sobre a renda, no caso de portador de moléstia grave; 2.º) que haja comprovação inequívoca de que o contribuinte é portador de moléstia grave, tal como previsto em lei. No tocante à primeira exigência, é possível constatar, dos Comprovantes de Rendimentos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte anexados às fls. 12, 13 e 15, que, no anocalendário 2006, objeto do lançamento, o contribuinte recebeu, da Fundação Rede Ferroviária de Seguridade Social – Refer, rendimentos de previdência privada (R$ 7.189,04) e, do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, rendimentos de aposentadoria por tempo de serviço (R$ 22.440,96). Auferiu ainda rendimentos da Caixa Econômica Federal, no montante de R$ 6.523,69. As moléstias graves que ensejam a isenção do imposto sobre a renda, independentemente de terem sido contraídas antes ou depois da data em que o contribuinte tenha se aposentado, são aquelas relacionadas exaustivamente no inciso XIV do artigo 6.º da Lei n.º 7.713, de 1988, a seguir transcrito: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) (g.n.) [...] Além de documento que comprove que os rendimentos sobre os quais o contribuinte pretende se reconheça a isenção são de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, a existência da moléstia grave prevista em lei deve ser comprovada mediante a apresentação de laudo médico emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, tal como estabelece a Lei n° 9.250, de 1995: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 26/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. [...] Sobre a isenção do imposto sobre a renda de pessoa física pelos portadores de moléstia grave, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio da Súmula CARF n.º 63, pacificou o seguinte entendimento: “Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.” Em sede de impugnação, o interessado apresentou laudo pericial às fls. 9, que não foi aceito pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, por não ter sido comprovadamente emitido por serviço médico oficial. No recurso, acostou aos autos Laudo Médico Pericial e Conclusão de Perícia Médica (fls. 34 e 35), assim como Parecer Conclusivo emitido por médico perito do Instituto Nacional do Seguro Social e Laudo Pericial emitido pela Secretaria Municipal de Saúde de Três Rios (fls. 37), a partir dos quais se constata que o contribuinte sofre de neoplasia maligna de bexiga, doença grave prevista expressamente no inciso XIV do artigo 6.º da Lei n.º 7.713, de 1988. Ficou comprovado nos autos que o interessado, no anocalendário 2006, auferiu proventos de aposentadoria por tempo de serviço e benefícios de entidade de previdência privada (fls. 13 e 14). Sendo assim, tem direito à isenção do imposto de renda incidente sobre esses rendimentos, auferidos do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, no total de R$ 7.819,04, e da Fundação Rede Ferroviária de Seguridade Social – Refer, de R$ 22.440,96 (total de R$ 29.630,00). Não são, contudo, isentos do imposto sobre a renda de pessoa física portadora de moléstia grave prevista em lei os rendimentos que não sejam decorrentes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão. Sendo assim, mesmo tendo sido ponderado pelo defendente que o rendimento auferido da Caixa Econômica Federal comprovado às fls. 12 decorre de aposentadoria, isso não ficou cabalmente demonstrado nos autos, eis que o respectivo comprovante, consubstanciado na Guia de Retenção de IRRF – Justiça Federal não especifica a natureza dos rendimentos de R$ 6.523,69 nela discriminados. Diante disso, não é possível reconhecer a sua isenção. Conclusão Ante todo o exposto, voto por dar provimento em parte ao Recurso Voluntário, para reconhecer a isenção dos rendimentos de R$ 29.630,00, por serem decorrentes da aposentadoria do contribuinte, portador de moléstia grave prevista na Lei n.º 7.713, de 1988. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 43DF CARF MF Impresso em 26/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13727.000761/200883 Acórdão n.º 2101002.180 S2C1T1 Fl. 4 5 Fl. 44DF CARF MF Impresso em 26/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10925.001040/99-96
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Anocalendário:
1990, 1991, 1992, 1993
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ILL. PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005.
Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após o pagamento
antecipado.
No caso, como o pedido administrativo foi protocolado em 31 de agosto de 1999, permanece o direito de se pleitear a restituição de pagamentos efetuados entre março de 1990 a maio de 1993.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.096
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, com retorno à DRJ de origem para análise das demais questões suscitadas.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201205
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1990, 1991, 1992, 1993 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ILL. PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005. O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005. Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após o pagamento antecipado. No caso, como o pedido administrativo foi protocolado em 31 de agosto de 1999, permanece o direito de se pleitear a restituição de pagamentos efetuados entre março de 1990 a maio de 1993. Recurso especial negado.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 10925.001040/99-96
conteudo_id_s : 5230876
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Sep 19 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9202-002.096
nome_arquivo_s : Decisao_109250010409996.pdf
nome_relator_s : LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 109250010409996_5230876.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, com retorno à DRJ de origem para análise das demais questões suscitadas.
dt_sessao_tdt : Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
id : 4579349
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:01:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041575125188608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1973; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 128 1 127 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10925.001040/9996 Recurso nº 153.012 Especial do Procurador Acórdão nº 920202.096 – 2ª Turma Sessão de 09 de maio de 2012 Matéria IRRF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SPECHT PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1990, 1991, 1992, 1993 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ILL. PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005. Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após o pagamento antecipado. No caso, como o pedido administrativo foi protocolado em 31 de agosto de 1999, permanece o direito de se pleitear a restituição de pagamentos efetuados entre março de 1990 a maio de 1993. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10925.001040/9996 Acórdão n.º 920202.096 CSRFT2 Fl. 129 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, com retorno à DRJ de origem para análise das demais questões suscitadas. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator FORMALIZADO EM: 22/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de pedido de restituição de pagamentos de Imposto de Renda na Fonte sobre o Lucro Líquido (ILL), instituído pela Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, art. 35, dispositivo declarado parcialmente inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal STF, no que diz respeito à expressão "o acionista" nele contida, e com execução suspensa, nesse aspecto, pela Resolução do Senado Federal nº 82, de 18 de novembro de 1996. O pedido foi protocolado em 31 de agosto de 1999 (fl. 1) e engloba pagamentos efetuados entre março de 1990 a maio de 1993 (fls. 9 a 14). Tanto a Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem (fls. 54 a 60), quanto a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (fls. 82 a 86) indeferiram o pedido, por considerarem que já havia terminado o prazo de cinco anos, contado a partir de cada pagamento, para a repetição do indébito tributário. De modo contrário, o Acórdão no 10616.959, da 6a Câmara do 1o Conselho de Contribuintes, julgado na sessão de 26 de junho de 2008 (fls. 95 a 100), por maioria de votos, afastou a decadência do pedido de restituição, por entender que a contagem do prazo decadencial para pleitear a restituição de tributo se inicia na publicação do ato administrativo que reconhece ser indevida a exação, no caso a Instrução Normativa SRF n° 63, de 25 de Julho de 1997, e, no mérito, negou provimento ao recurso, porque havia previsão contratual de que os lucros seriam automaticamente disponibilizados aos sócios. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10925.001040/9996 Acórdão n.º 920202.096 CSRFT2 Fl. 130 3 Em face dessa decisão, o contribuinte apresentou embargos de declaração (fls. 105 a 126), indicando que as Autoridades Administrativas incorreram em omissão, visto que o contrato social vigente na data de apuração dos valores recolhidos indevidamente, 1990 a 1992, não previa mais a disponibilidade imediata aos sócios do lucro apurado. Reconhecendose o equívoco, o Acórdão n° 210200.307, da 2a Turma Ordinária da 1a Câmara da 2a Seção de Julgamento, julgado na sessão de 21 de agosto de 2009 (fls. 108 a 109), por unanimidade de votos, acolheu os embargos de declaração para rerratificar a decisão anterior e dar provimento ao recurso. Transcrevese a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1990, 1991, 1992 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OMISSÃO Apurada omissão no voto condutor do aresto embargado, deve a mesma ser sanada, nos termos do Regimento Interno deste Conselho. ILL RESTITUIÇÃO SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA Nos casos de sociedades por quotas de responsabilidade limitada, o Eg. Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional a exigência do ILL quando o contrato social da empresa não tivesse previsão de distribuição automática de lucros. Na hipótese em exame, o contrato social da Recorrente não previa tal distribuição automática, de forma que o recolhimento se enquadra no disposto na Instrução Normativa SRF n° 63/1997. Embargos acolhidos. Cientificada dessa decisão em 16 de julho de 2010 (fl. 110), a Fazenda Nacional manejou, no dia 20 do mesmo mês, recurso especial por contrariedade aos arts. 156, 166 e 168 do Código Tributário Nacional – CTN, com fundamento no art. 7o, I, do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, onde defende que o direito de pleitear a restituição se extingue após o prazo de 5 anos do pagamento indevido, sendo esse o entendimento dos arts. 3o e 4o da Lei Complementar no 118/2005 (fls. 112 a 125). O recurso especial foi admitido por meio do despacho s/n 1a Câmara/1a Turma Ordinária, de 08/10/2010 (fls. 124 a 125). Devidamente cientificado do acórdão e do recurso especial da Fazenda Nacional, o contribuinte não apresentou contrarrazões (fl. 127). É o relatório. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10925.001040/9996 Acórdão n.º 920202.096 CSRFT2 Fl. 131 4 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Inicio transcrevendo os artigos do Código Tributário Nacional que regem o assunto: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: Fl. 185DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10925.001040/9996 Acórdão n.º 920202.096 CSRFT2 Fl. 132 5 I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Apesar da aparente simplicidade dessas normas, sabese que a discussão sobre o prazo para se pleitear a restituição dos tributos lançados por homologação é questão tormentosa, que vem dividindo a doutrina e as jurisprudências administrativa e judicial há tempos. As divergências se iniciam na própria natureza desse prazo, sendo comum as decisões administrativas relacionarem sua perda ao instituto da decadência, e as judiciais, ao da prescrição, questão deixada em aberto nesse voto, por não possuir qualquer relevância com a solução adotada. De toda a discussão sobre o tema, três soluções prevaleceram no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. A primeira concede o prazo de cinco anos contado a partir do pagamento indevido e é o entendimento esposado pela Administração tributária. A interpretação decorre da determinação do art. 168, inciso I, do CTN, que ordena o início do prazo na data de extinção do crédito tributário, em conjunto com o art. 150, §1o, do CTN, que determina que o pagamento antecipado extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Como a extinção ocorre sob condição resolutória, ela opera efeitos imediatos, devendose considerar o crédito tributário extinto a partir do recolhimento. A segunda, também conhecida como “teoria dos 5+5”, reconhece o prazo de dez anos a partir do pagamento indevido, e foi o entendimento que terminou por prevalecer após longa discussão no Superior Tribunal de Justiça – STJ. Para se chegar a essa conclusão, considerouse que a extinção do crédito tributário só ocorre após a homologação do lançamento, que se não acontecer de forma expressa, darseá tacitamente após 5 anos do pagamento, quando se iniciaria novo período de 5 anos para o pedido de restituição. A terceira diz respeito apenas aos tributos declarados inconstitucionais com efeitos erga omnes, quando a contagem do prazo para a repetição do indébito se iniciaria após essa declaração, ou então após o reconhecimento pela Administração Tributária da exação como indevida, entendimento que prevalecia na 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, e que foi adotado no acórdão recorrido. Tentando resolver esse impasse, a Lei complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005, trouxe as seguintes determinações: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10925.001040/9996 Acórdão n.º 920202.096 CSRFT2 Fl. 133 6 Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Isto é, o novo ato legal buscou fazer interpretação autêntica do art. 168 do CTN, pois determinou sua aplicação a fatos pretéritos, por se considerar expressamente interpretativo (art. 106, inciso I do CTN), optando pela primeira solução acima descrita. Diante na inovação legislativa, o STJ concluiu que a nova norma não tinha caráter meramente interpretativo, pois afastava interpretação há muito consolidada, e passou a aplicar a nova regra inicialmente apenas para as ações ajuizadas após a data de vigência da nova lei, em 09 de junho de 2005, mas terminou fixando o entendimento de que o novel regramento se aplica apenas aos pagamentos ocorridos após essa data. Pacificando essa discussão, o Supremo Tribunal Federal – STF, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, em 11 de outubro de 2011, com trânsito em julgado em 17 de novembro de 2011, decidiu pela inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4o da Lei complementar nº 118, de 2005, mas definiu que a nova lei passa a ser aplicada para as ações ajuizadas a partir da data de sua vigência, em 09 de junho de 2005, como demonstra a ementa abaixo transcrita: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas Fl. 187DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10925.001040/9996 Acórdão n.º 920202.096 CSRFT2 Fl. 134 7 tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Como a decisão acima foi tomada na sistemática do art. 543B, § 3º, do CPC, os julgamentos do CARF devem adotar esse entendimento, por determinação do art. 62A do anexo II do RICARF. Entendo que, como o provimento judicial determina a manutenção da teoria dos 5+5 para as ação ajuizadas antes de 09 de junho de 2005, no âmbito do CARF, devemos utilizála para os pedidos administrativos protocolados antes dessa data. Penso que a adoção de uma interpretação extremamente literal, de que o entendimento não se aplicaria aos processos administrativos uma vez que o acórdão fala de ações judiciais, equivaleria a um descumprimento da essência da norma, que é o de garantir o direito à orientação consolidada no STJ para quem buscou exercer seu direito antes da vigência da nova lei. Assim, no presente caso, como o pedido administrativo foi protocolado em 31 de agosto de 1999, ele poderia versar sobre pagamentos efetuados após 31 de agosto de 1989 , permanecendo, no presente caso, o direito de se pleitear a restituição de pagamentos efetuados entre março de 1990 a maio de 1993. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10925.001040/9996 Acórdão n.º 920202.096 CSRFT2 Fl. 135 8 Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, negar provimento ao recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional, determinando o retorno dos autos à DRJ de origem para exame das demais questões. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 189DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 14751.001771/2009-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 01/05/2007
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUIÇÃO SEGURADOS EMPREGADOS AFERIÇÃO INDIRETA AUSÊNCIA
DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES AUTÔNOMOS CONTRIBUINTES
INDIVIDUAIS ENTIDADE ISENTA.
A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos do AI. Não compete a empresa apenas alegar, mas demonstrar por meio de prova suas alegações.
Aferição indireta é o procedimento de que dispõe a RFB para apuração indireta da base de cálculo das contribuições sociais. Será a aferição indireta utilizada, quando identificada a ocorrência de fatos geradores por meio dos documentos fornecidos pelo Tribunal de Contas e não proceder, o recorrente, a apresentação dos documentos.
CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO NÃO DESCONTADA EM ÉPOCA PRÓPRIA
O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei.
OSCIP CONDIÇÃO DE ENTIDADE ISENTA NÃO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS
Os requisitos para determinação da condição de isenta encontra-se
descrito no art. 55 da lei 8212/91.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2006 a 01/05/2007
AUTO DE INFRAÇÃO OSCIP EQUIPARADA A EMPRESA MANUTENÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS OBRIGATORIEDADE PARA ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVAS
As organizações da Sociedade Civil de Interesse Público, assim, como as associações ou a entidade de qualquer natureza ou finalidade, inclusive a missão diplomática e a repartição consular de carreiras estrangeiras são equiparadas a empresa para cumprimento da legislação tributária As OSCIP nos termos dos art. 4 e 5 da Lei 9790 deverão ter observância dos princípios fundamentais de contabilidade e das Normas Brasileiras de
Contabilidade;
NULIDADE DA AUTUAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA DISCRIMINAÇÃO DOS FATOS GERADORES EM RELATÓRIO FISCAL.
Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal.
Todo o procedimento fiscal adotado pelo auditor, seguiu os ditames legais, não existindo qualquer vício no procedimento realizado.
TRABALHO DO AUDITOR ATIVIDADE VINCULADA
Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.385
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201204
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 01/05/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUIÇÃO SEGURADOS EMPREGADOS AFERIÇÃO INDIRETA AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES AUTÔNOMOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS ENTIDADE ISENTA. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos do AI. Não compete a empresa apenas alegar, mas demonstrar por meio de prova suas alegações. Aferição indireta é o procedimento de que dispõe a RFB para apuração indireta da base de cálculo das contribuições sociais. Será a aferição indireta utilizada, quando identificada a ocorrência de fatos geradores por meio dos documentos fornecidos pelo Tribunal de Contas e não proceder, o recorrente, a apresentação dos documentos. CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO NÃO DESCONTADA EM ÉPOCA PRÓPRIA O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. OSCIP CONDIÇÃO DE ENTIDADE ISENTA NÃO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS Os requisitos para determinação da condição de isenta encontra-se descrito no art. 55 da lei 8212/91. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 01/05/2007 AUTO DE INFRAÇÃO OSCIP EQUIPARADA A EMPRESA MANUTENÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS OBRIGATORIEDADE PARA ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVAS As organizações da Sociedade Civil de Interesse Público, assim, como as associações ou a entidade de qualquer natureza ou finalidade, inclusive a missão diplomática e a repartição consular de carreiras estrangeiras são equiparadas a empresa para cumprimento da legislação tributária As OSCIP nos termos dos art. 4 e 5 da Lei 9790 deverão ter observância dos princípios fundamentais de contabilidade e das Normas Brasileiras de Contabilidade; NULIDADE DA AUTUAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA DISCRIMINAÇÃO DOS FATOS GERADORES EM RELATÓRIO FISCAL. Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal. Todo o procedimento fiscal adotado pelo auditor, seguiu os ditames legais, não existindo qualquer vício no procedimento realizado. TRABALHO DO AUDITOR ATIVIDADE VINCULADA Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 14751.001771/2009-82
conteudo_id_s : 5235940
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 09 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2401-002.385
nome_arquivo_s : Decisao_14751001771200982.pdf
nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 14751001771200982_5235940.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
id : 4597471
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:01:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041575157694464
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2213; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14751.001771/200982 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 240102.385 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de abril de 2012 Matéria DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO Recorrente CENTRO NACIONAL DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL E GERAÇÃO DE EMPREGO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 01/05/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUIÇÃO SEGURADOS EMPREGADOS AFERIÇÃO INDIRETA AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES AUTÔNOMOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS ENTIDADE ISENTA. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos do AI. Não compete a empresa apenas alegar, mas demonstrar por meio de prova suas alegações. Aferição indireta é o procedimento de que dispõe a RFB para apuração indireta da base de cálculo das contribuições sociais. Será a aferição indireta utilizada, quando identificada a ocorrência de fatos geradores por meio dos documentos fornecidos pelo Tribunal de Contas e não proceder, o recorrente, a apresentação dos documentos. CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO NÃO DESCONTADA EM ÉPOCA PRÓPRIA O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. OSCIP CONDIÇÃO DE ENTIDADE ISENTA NÃO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS Fl. 137DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 2 Os requisitos para determinação da condição de isenta encontrase descrito no art. 55 da lei 8212/91. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 01/05/2007 AUTO DE INFRAÇÃO OSCIP EQUIPARADA A EMPRESA MANUTENÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS OBRIGATORIEDADE PARA ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVAS As organizações da Sociedade Civil de Interesse Público, assim, como as associações ou a entidade de qualquer natureza ou finalidade, inclusive a missão diplomática e a repartição consular de carreiras estrangeiras são equiparadas a empresa para cumprimento da legislação tributária As OSCIP nos termos dos art. 4 e 5 da Lei 9790 deverão ter observância dos princípios fundamentais de contabilidade e das Normas Brasileiras de Contabilidade; NULIDADE DA AUTUAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA DISCRIMINAÇÃO DOS FATOS GERADORES EM RELATÓRIO FISCAL. Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal. Todo o procedimento fiscal adotado pelo auditor, seguiu os ditames legais, não existindo qualquer vício no procedimento realizado. TRABALHO DO AUDITOR ATIVIDADE VINCULADA Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 14751.001771/200982 Acórdão n.º 240102.385 S2C4T1 Fl. 2 3 Relatório O presente Auto de infração de Obrigação Principal, lavrada sob o n. 37.215.6460, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados não descontada em época própria, sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais não declarado em GFIP, que lhe prestaram serviços na competências 01/2006, 02/2006 e.05/2007. Conforme descrito no relatório fiscal, fls. 16 a 26, segundo o seu Estatuto Social firmado através de Ata de Fundação O CENEAGE Centro Nacional de Educação Ambiental e Geração de Emprego, fundada em 02 de janeiro de 2004, é uma sociedade civil de interesse público, sem fins lucrativos, de direito privado de caráter social, educativo, de saúde básica, técnico, cultural, cientifico •e assistencial, tendo finalidade fundamentada no desenvolvimento humano. Consta, apresentada pela entidade, cópia xerográfica de Certidão emitida pelo Departamento de Justiça, classificação, títulos e qualificação Secretaria Nacional de Justiça Ministério da Justiça certificado que qualifica a CENEAGE como "Organização da Sociedade Civil de Interesse Público por despacho do Secretário Nacional de Justiça DOU de 12.03.2004 tendo sua condição de OSCIP, nestes termos, renovada até 28.02.2008. Para constituição do credito previdenciário, acima citado, além das informações extraídas dos Sistemas Informatizados da Previdência Social e da Receita Federal do Brasil, foram examinados os seguintes documentos: • Extrato disponibilizado pelo Tribunal de Contas do Estado da Paraíba, contendo os empenhos da entidade; • • Termos de Parceria com Municípios; • Comprovantes de Recolhimentos GP5uia da Previdência Social; • Guias de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social GFIP; • Demais documentos pertinentes, constantes no Termo de Inicio do Procedimento Fiscal (TIPF) e/ou no(s) Termo(s) de Intimação Fiscal (TIF) e disponibilizados pela empresa; Constituem Fatos Geradores/Bases de Cálculo das contribuições lançadas: Remunerações auferidas pelos segurados empregados vinculados a Empresa e não declarados em GFIP; Valores auferidos pela entidade e registrados como pagos através dos empenhos da mesma. Conforme a documentação apresentada à fiscalização e de acordo com a legislação aplicada, apurouse os seguintes créditos: Credito referente aos valores pagos, registrados nos empenhos da entidade. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 4 Durante a ação fiscal, a entidade foi intimada a apresentar as Folhas de Pagamento e os registros contábeis, através do Termo de Inicio de procedimento Fiscal TIPF datado de 16.03.09; todavia estes documentos, dentre outros, não foram disponibilizados à fiscalização nesses termos, foi lavrado o AI CFL 38. Não restou, portanto, à fiscalização outra forma para a apuração do credito previdenciário e das Outras Entidades e Fundos / Terceiros, senão a por arbitramento, levantado por aferição indireta da base de cálculo das contribuições devidas nos termos dos artigos 600 e 501 da Instrução Normativa MPS/SRP n° 3, de 14 de julho de 2005, a saber:=0,3). Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 13/07/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia 17/07/2009. Não conformada com a autuação, foi apresentada impugnação, fls. 43 a 56. Foi proferida Decisão de 1 instância às fl. 260 a DecisãoNotificação confirmou a procedência do lançamento, fls. 111 a 117. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2007 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO. HIPÓTESE AUTORIZADORA DE AFERIÇÃO INDIRETA. Deixar a empresa de apresentar documentos legalmente exigidos durante auditoria fiscal é fato subsumido à hipótese prevista no art. 33, § 3 0, da Lei 8.212/91, autorizadora da aferição indireta do valor da mãodeobra empregada. OSCIP. EMPRESA. CONCEITO PREVIDENCIÁRIO. ISENÇÃO OU IMUNIDADE DE CONTRIBUIÇÃO A CARGO DOS SEGURADOS. IMPOSSIBILIDADE. A imunidade de contribuições previdenciárias, ainda quando reconhecida, não alcança a contribuição devida pelos segurados a serviços da entidade isenta. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 120 a 130 . Em síntese, o recorrente em seu recurso alega o seguinte: 1. Desde o inicio das suas atividades, a Entidade defendente atuou com recursos exclusivamente públicos, assim não se deveria exigir livros contábeis de natureza privada, mas sim nos termos da Lei d. 4.320/64, como procedido pela instituição, inclusive pautada em determinação do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba. 2. Ao longo dos dois anos de atuação no Estado da Paraíba. a Instituição Ré desenvolveu projetos voltados as populações desprivilegiadas, em parceria com alguns Municípios, bem como, com o próprio Estado da Paraíba., por meio de Termos de Parceria e Convênios. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 14751.001771/200982 Acórdão n.º 240102.385 S2C4T1 Fl. 3 5 3. Lega cerceamento do direito de defesa, visto que o auto de infração está baseado unicamente em alegações que não foram comprovadas documentalmente, numa tentativa de inversão do ônus da prova; 4. Com isso, viciou de nulidade o Auto de Infração em questão, onde, na tentativa de mascarar a sua omissão e inverter o ônus da prova para a Recorrente, o autuante apenas menciona o número de outro Auto de Infração anteriormente lavrada também sem subsistência. 5. Portanto, em havendo omissões ou a falta de uma descrição minuciosa da infração de forma que não possibilite o exercício do direito de defesa do contribuinte, o lançamento tornase NULO "pleno jure". 6. Ao contrário do que pensa o auditor, as pessoas contratadas pelo CENEAG não eram empregadas, mas sim prestadores de serviços contratados com base no código civil, com vinculo de cooperação e não de subordinação; 7. Iliquidez do crédito tributário: ao determinar a base de cálculo, o auditor não precisou os valores e tão pouco os identificou, vez que seu singelo demonstrativo de crédito tributário apenas dispõe o valor final, sem explicar como chegou à determinação do valor tributável, deixando ainda de determinar a aliquota aplicada para o caso; 8. Os efeitos da isenção tributária conferidos pelo art. 150, VI, "c" da Constituição Federal, devem ser estendidos ao Impugnante, pelo principio da isonomia. Não existindo nada que distinga uma OSCIP para uma entidade com titulo de utilidade pública, não há que se falar em cobrança de contribuição patronal, quanto mais, quando ela é dupla, conforme AI n°. 37.215.6444. 9. Ser imune de impostos é estar a salvo de qualquer cobrança. Ê estar seguro de que nada lhe será imposto, não poderá ser criado qualquer imposto que incida sobre as atividades e patrimônio de sua instituição. Como se pode ver, algumas das entidades do setor já são abarcadas pela imunidade, como é o caso das Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público OSCIP. 10. Disserta acerca da isenção de Imposto de renda e de outras contribuições, para entidades sem fins lucrativos. 11. Ao final, requer a improcedência da autuação, protestando provar o alegado pela juntada de novos documentos e a realização de perícia técnicocontábil. Requer seja declarada a nulidade do lançamento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 133. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO PARA O LANÇAMENTO – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Alegando nulidade, argumenta o recorrente que o procedimento administrativo adotado não poderia ser realizado da forma como foi, sem a discriminação precisa dos fatos geradores e das multas aplicadas, o que malfere o princípio do devido processo legal, pois não houve fundamentação para que se apurasse determinadas verbas como salário de contribuição. Quanto as ditas alegações, em primeiro lugar cumprenos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, quaisquer das nulidades avençadas pelo recorrente. Observase anexo ao relatório fiscal e mencionado no corpo do próprio relatório as autorizações por meio da emissão do Termo de Início de Procedimento Fiscal, fls. 45 a 46, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento. Foi realizada a devida intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação Fiscal, fl. 184, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária, o que não o fez, ensejando a lavratura de auto de infração conforme descrito pela autoridade fiscal: Durante a ação fiscal, a entidade foi intimada a apresentar as Folhas de Pagamento e os registros contábeis, através do Termo de Inicio de procedimento Fiscal TIPF datado de 16.03.09; todavia estes documentos, dentre outros, não foram disponibilizados à fiscalização nesses termos, foi lavrado o AI CFL 38. Não restou, portanto, à fiscalização outra forma para a apuração do credito previdenciário e das Outras Entidades e Fundos / Terceiros, senão a por arbitramento, levantado por aferição indireta da base de cálculo das contribuições devidas nos termos dos artigos 600 e 501 da Instrução Normativa MPS/SRP n° 3, de 14 de julho de 2005, a saber:=0,3). Concluiuse os trabalhos com a emissão do Termo de Encerramento, fl. 188, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores, indicados de forma detalhada no relatório fiscal, fl. 16 a 26 e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de Fl. 142DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 14751.001771/200982 Acórdão n.º 240102.385 S2C4T1 Fl. 4 7 infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes, inclusive anexando Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade realizado a devida descrição dos fatos geradores, implicando cerceamento do direito de defesa não lhe confiro razão. Por meio das informações trazidas no relatório e nas planilhas é possível ao recorrente identificar todos os fatos geradores apurados. Assim, ao somatório do valor pago em cada competência, foi aplicado o percentual de 50% para se obter o valor dos "Serviços". Deste, aplicouse o percentual de 40% para se obter o valor da "Remunerado da Mãodeobra" utilizada. Equivale, matematicamente, a dizer que ao somatório dos valores pagos (discriminado nos empenhos) em cada competência, aplicase o percentual de 20% para obter a Base decálculo para a Previdência Social. Foram gerados / impressos 2 (dois) demonstrativos/planilhas (apenas para as competências com débitos apurados: 01 e 02 de 2006 e 05 de 2007). A primeira (Planilha 03a) > Agrupados por Municípios Totalizandoos por ano calendário para que o contribuinte tenha facilitado o reconhecimento/identificação dos respectivos empenhos acompanha o histórico dos empenhos ("Planilha 03 a (continuação)") anexas; A segunda > (Planilha 04a) Agrupados por ordem cronológica pela Data do Pagamento do Empenho ("Data Pagto") utilizada esta data como referencia para lançamento, pois a fiscalização não detém a data da efetiva prestação dos serviços em pauta; visto ser esta Ultima, a cata da ocorrência do Fato Gerador das Contribuições Previdenciárias anexa. Vale ressaltar que os lançamentos foram efetuados tomandose como referência os valores obtidos através da segunda planilha (Planilha 04a). Foram retirados os empenhos cujos valores não continham prestação de serviços = Locação de veículos (tratores, etc...); Urge ressalvar que nas competências: 10, 11, 12 de 2005 e 01 de 2006 não constam registrados os seus respectivos Empenhos, pois não foram disponibilizados, nestas citadas competências, ao Tribunal de Contas do Estado da Paraiba TCE/PB não obstante, constam GFIP' s com movimento nestas pautadas competências. Neste sentido, foi efetuado Arbitramento nestas quatro competências, apurandose as Bases de Calculo para a Previdência Social, utilizandose os valores dos Empenhos das 03 (três) competências subsequentes, lançandose a Média Aritmética Simples destas três competências (soma das três competências, dividido por três = "(C1+C2+C3)/3") Ex.: comp. 01/2006 – tomouse, como referencia os valores das Fl. 143DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 8 competências: 02, 03 e 04 de 2006; para a comp. 12/2005 os valores das competências: 01, 02 e 03 de 2006 e assim por diante. Para o período: 01 a 09 de 2005 nada foi apurado, pois não constam registros de Empenhos no TCE/PB, tampouco GFIP com movimento. Simplesmente alegar, sem demonstrar o cumprimento da legislação, ou mesmo quais os vícios contidos no lançamento, não servem como meio para anular o lançamento. Notese que o relatório fiscal, encontrase detalhado, permitindo ao recorrente o exercício do amplo direito de defesa, razão porque correto foi o procedimento adotado. Não houve por parte do recorrente impugnação expressa de qualquer dos valores apontados no AI. O cerceamento do direito de defesa enseja a impossibilidade do recorrente identificar os valores apurados no lançamento, ou mesmo de identificar qual o fato gerador apurado, o que não é o caso do lançamento em questão, onde, conforme mencionado acima, identificou devidamente o crédito apurado. Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, ou a ausência de contabilização do movimento real da empresa, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. DO MÉRITO Em primeiro lugar o procedimento adotado pelo AFPS na aplicação do presente autodeinfração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita. Importante destacar que as associações em relação aos segurados que contrata, ou mesmo no caso de contratação de cooperativas, possui as mesmas obrigações que as empresas em geral, tendo em vista sua equiparação. Art. 12. Consideramse: I empresa a firma individual ou a sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e as entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; e II empregador doméstico aquele que admite a seu serviço, mediante remuneração, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 14751.001771/200982 Acórdão n.º 240102.385 S2C4T1 Fl. 5 9 Parágrafo único. Equiparamse a empresa, para os efeitos deste Regulamento: (Redação alterada pelo Decreto nº 3.265/99) I o contribuinte individual, em relação a segurado que lhe presta serviço; (Redação alterada pelo Decreto nº 3.265/99) II a cooperativa, a associação ou a entidade de qualquer natureza ou finalidade, inclusive a missão diplomática e a repartição consular de carreiras estrangeiras; III o operador portuário e o órgão gestor de mãodeobra de que trata a Lei nº 8.630, de 1993; e IV o proprietário ou dono de obra de construção civil, quando pessoa física, em relação a segurado que lhe presta serviço. Assim, independente da missão de contribuir para a formação da cidadania ambiental e promover o desenvolvimento sócio econômico, cultural, ampliando o mercado de trabalho e a qualidade de vida das pessoas, possuía empresa obrigações trabalhistas e previdenciárias em relação aos segurados que mantém com ela relações de trabalho. Ademais, tratase de AIOP que tomou por base documentos do próprio recorrente, sendo que os fatos geradores estão discriminados mensalmente de modo claro e preciso no Discriminativo Analítico de Débito – DAD. Sendo válida a aferição para apurar a base de cálculo dos segurados e contribuintes individuais, surge a obrigação da empresa em recolher a contribuição correspondente aos valores pagos. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Com relação aos levantamentos referentes a contribuintes individuais, sejam enquanto trabalhadores autônomos, destacase que a prestação remunerada de serviços por pessoa física à empresa atinge simultaneamente dois contribuintes: a pessoa física (prestadora) e a empresa (tomadora). Até a competência abril de 2003, o encargo do recolhimento das contribuições devidas pelos trabalhadores autônomos (enquadrados no RGPS como Fl. 145DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 10 contribuintes individuais) era do próprio segurado, possuindo a empresa a obrigação apenas em relação a parcela patronal. Destacase, ainda, as alterações trazidas pela Lei nº 10.666/2003, na qual a partir da competência 04/2003, o valor da contribuição a cargo dos segurados contribuintes individuais, passa a ser arrecadada pelo própria empresa contratante, correspondendo ao desconto de 11% sobre a base de cálculo acima identificada. Neste sentido, dispõe a lei: Art. 4º Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia dois do mês seguinte ao da competência. Uma vez que a recorrente remunerou segurados, deveria a notificada efetuar o desconto e recolhimento à Previdência Social. Não efetuando o recolhimento, a notificada passa a ter a responsabilidade sobre o mesmo. Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "a", ‘b" e "c" do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. A base da argumentação de mérito do recorrente diz respeito ao fato que atuou com recursos exclusivamente público, razão porque não se deveria exigir livros contábeis de natureza privada, mas sim, nos termos da lei 4320/64. As Organ iz açõe s da Soc i edade C iv i l d e In t e r e s s e Púb l i co (OSCIP ) s ãoentidades formalizadas através de um título fornecido pelo Ministério da Justiça, cuja finalidade é facilitar parcerias tanto com o setor público, através da formação de convênios e parcerias, tanto com o setor privado. Assim, os art. 4 e 5 da lei 9790 definem obrigações acerca da gestão contábil e financeira: Art. 4o Atendido o disposto no art. 3o, exigese ainda, para qualificaremse como Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público, que as pessoas jurídicas interessadas sejam regidas por estatutos cujas normas expressamente disponham sobre: I a observância dos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, economicidade e da eficiência; Fl. 146DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 14751.001771/200982 Acórdão n.º 240102.385 S2C4T1 Fl. 6 11 II a adoção de práticas de gestão administrativa, necessárias e suficientes a coibir a obtenção, de forma individual ou coletiva, de benefícios ou vantagens pessoais, em decorrência da participação no respectivo processo decisório; III a constituição de conselho fiscal ou órgão equivalente, dotado de competência para opinar sobre os relatórios de desempenho financeiro e contábil, e sobre as operações patrimoniais realizadas, emitindo pareceres para os organismos superiores da entidade; IV a previsão de que, em caso de dissolução da entidade, o respectivo patrimônio líquido será transferido a outra pessoa jurídica qualificada nos termos desta Lei, preferencialmente que tenha o mesmo objeto social da extinta; V a previsão de que, na hipótese de a pessoa jurídica perder a qualificação instituída por esta Lei, o respectivo acervo patrimonial disponível, adquirido com recursos públicos durante o período em que perdurou aquela qualificação, será transferido a outra pessoa jurídica qualificada nos termos desta Lei, preferencialmente que tenha o mesmo objeto social; VI a possibilidade de se instituir remuneração para os dirigentes da entidade que atuem efetivamente na gestão executiva e para aqueles que a ela prestam serviços específicos, respeitados, em ambos os casos, os valores praticados pelo mercado, na região correspondente a sua área de atuação; VII as normas de prestação de contas a serem observadas pela entidade, que determinarão, no mínimo: a) a observância dos princípios fundamentais de contabilidade e das Normas Brasileiras de Contabilidade; b) que se dê publicidade por qualquer meio eficaz, no encerramento do exercício fiscal, ao relatório de atividades e das demonstrações financeiras da entidade, incluindose as certidões negativas de débitos junto ao INSS e ao FGTS, colocandoos à disposição para exame de qualquer cidadão; c) a realização de auditoria, inclusive por auditores externos independentes se for o caso, da aplicação dos eventuais recursos objeto do termo de parceria conforme previsto em regulamento; d) a prestação de contas de todos os recursos e bens de origem pública recebidos pelas Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público será feita conforme determina o parágrafo único do art. 70 da Constituição Federal. Parágrafo único. É permitida a participação de servidores públicos na composição de conselho de Organização da Sociedade Civil de Interesse Público, vedada a percepção de remuneração ou subsídio, a qualquer título.(Incluído pela Lei nº 10.539, de 2002) Fl. 147DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 12 Art. 5o Cumpridos os requisitos dos arts. 3o e 4o desta Lei, a pessoa jurídica de direito privado sem fins lucrativos, interessada em obter a qualificação instituída por esta Lei, deverá formular requerimento escrito ao Ministério da Justiça, instruído com cópias autenticadas dos seguintes documentos: I estatuto registrado em cartório; II ata de eleição de sua atual diretoria; III balanço patrimonial e demonstração do resultado do exercício; IV declaração de isenção do imposto de renda; V inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes. Quanto a alegação de imunidade em relação a contribuição patronal, considerando o objeto da recorrente, bem como sua condição de entidade sem fins filantrópicos não há como lhe conferir razão. Conforme mencionado no relatório de trabalho a auditoria teve por desiderato apurar as diferenças entre a contribuição devida declarada pelo sujeito passivo na GFIP (com código FPAS e os valores efetivamente recolhidos). Pois bem, enxergase sem dificuldade que o enquadramento da empresa notificada foi efetuado pela própria, na guia declaratória, quando registrou os códigos FPAS 639 e 566, os quais não são destinados as entidades beneficentes de assistência social que gozam da imunidade prevista no art. 150 da Constituição Federal. E bom que se diga que perante o banco de dados da Previdência Social a empresa defendente não figura como entidade beneficente de assistência social, entendendo porém que deveria gozar de isenção em relação a parcela patronal. Quanto ao argumento levantado pelo recorrente de que é imune conforme previsão no art. 150, VI, “a” da Constituição Federal, e dessa forma não deveria ter pago o tributo, razão não confiro ao recorrente. É notório que a imunidade disposta no art. 150, VI, “a” referese apenas a impostos, e mais do que isso restringe a imunidade a impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades mencionadas nessa alínea, conforme prevê o art. 150, § 4º da CF/1988. Definitivamente as contribuições em tela não são impostos. A própria Constituição Federal em seu art. 150, § 7º reconhece a distinção entre as espécies tributárias impostos e contribuições, nestas palavras: Art. 150 (...) § 7º A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de impostos ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido.(grifei) Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, houve a previsão, em seu art.195 §7º, da permissão de isenção de contribuições para a seguridade social das entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos estabelecidos em lei. Esse dispositivo constitucional foi regulado por meio da Lei n º 8.212 de 24/07/1991. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 14751.001771/200982 Acórdão n.º 240102.385 S2C4T1 Fl. 7 13 Em outra linha, para fazer jus a imunidade prevista pelo parágrafo 7° do art 195 da CF/88, deveria a notificada cumprir os requisitos estabelecidos no art 55 da lei n° 8.212/91, abaixo transcritos: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; 11 seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; Ill promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou beneficios a qualquer titulo; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. §I 0 Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despacharo pedido. Além de tudo já exposto, observese que para que a defendente pudesse gozar da imunidade tributária, após cumprir os requisitos contidos no artigo 55 da Lei n.° 8.212/1991, deveria ter procedido na forma do § 10 do mesmo artigo, requerendo ao INSS a isenção (imunidade) das contribuições previdenciárias a seu cargo. Pois bem, a impugnante não traz aos autos nenhum elemento que nos leve a convicção do cumprimento dos citados requisitos, tampouco de haver requerido ao órgão previdenciário o beneficio fiscal invocado. NO que concerne a apresentação de provas a Portaria RFB n° 10.875, a qua! regula o processo administrativo fiscal concernente à exigência das contribuições previdenciárias, é taxativa quando dispõe sobre o momento processual para apresentaçãoda prova documental. De acordo com o citado normativo, a faculdade processual de juntada de documentos aos autos encerrase com o término do prazo para impugnação. No entanto, em situações excepcionais, previstas pela própria norma, a autoridade julgadora poderá admitir a prova documental, mesmo depois de esgotado o prazo de defesa. Eis a dicção da Portaria em comento: Art. 9°A impugnação mencionará: § I° A prova documental será apresentada na impugnação. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 14 precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor Já/os ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 2" A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de urna das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Não houve caracterização indevida de prestadores de serviços como empregados, mas em relação a estes prestadores em vínculo de emprego, ocorreu o lançamento de contribuições na condição de contribuinte individual, como preceitua a legislação previdenciária. Para a juntada posterior de provas, a defendente teria que comprovar a ocorrência de uma das hipóteses previstas nas três alíneas acima transcritas, o que não se verifica dos autos. Por fim, o fato da empresa enquadrarse como OSCIP, e mesmo que por encontrarse devidamente registrada, estar gozando de imunidade em relação ao Imposto de Renda, não lhe atribui o mesmo direito em relação as contribuições previdenciárias, que, conforme descrito acima, possuem legislação própria. Assim, entendo que a fiscalização seguiu o trâmite correto, sendo que as alegações da recorrente em sua totalidade foram incapazes de desconstituir o lançamento. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 150DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 13811.001403/2006-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
RENDIMENTOS ISENTOS OU NÃO-TRIBUTÁVEIS. MOLÉSTIA
GRAVE. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto os proventos de
aposentadoria, desde que percebidos pelos portadores de moléstia indicada na legislação de regência, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2101-001.623
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso. Julgamento Transferido para 16/05/2012, a pedido do recorrente. Realizou sustentação oral a patrona do contribuinte, Dra. Joyce Setti Parkins OAB-SP2 22904.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201205
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 RENDIMENTOS ISENTOS OU NÃO-TRIBUTÁVEIS. MOLÉSTIA GRAVE. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto os proventos de aposentadoria, desde que percebidos pelos portadores de moléstia indicada na legislação de regência, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 13811.001403/2006-77
conteudo_id_s : 5232554
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2101-001.623
nome_arquivo_s : Decisao_13811001403200677.pdf
nome_relator_s : JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 13811001403200677_5232554.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Julgamento Transferido para 16/05/2012, a pedido do recorrente. Realizou sustentação oral a patrona do contribuinte, Dra. Joyce Setti Parkins OAB-SP2 22904.
dt_sessao_tdt : Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
id : 4593869
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:01:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041575259406336
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1875; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 1 1 0 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13811.001403/200677 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 210101.623 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de maio de 2012 Matéria IRPF Recorrente RUBENS SCHUTZE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 RENDIMENTOS ISENTOS OU NÃOTRIBUTÁVEIS. MOLÉSTIA GRAVE. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto os proventos de aposentadoria, desde que percebidos pelos portadores de moléstia indicada na legislação de regência, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Julgamento Transferido para 16/05/2012, a pedido do recorrente. Realizou sustentação oral a patrona do contribuinte, Dra. Joyce Setti Parkins OABSP2 22904. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Fl. 87DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1728.340 – proferido pela 7ª Turma da DRJ São Paulo II (fl. 64), que, por unanimidade de votos, indeferiu o pedido de isenção. A matéria em litígio foi sintetizada pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Cuidam os autos de pedido de restituição do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre os rendimentos auferidos pelo interessado durante os anoscalendário de 2000 a 2004. 0 contribuinte alega ter direito à isenção prevista no art. 6°, inciso XIV, da Lei n° 7.713, de 22/12/1988, por ser portador de uma das moléstias ali elencadas, anexando as fls. 05/17 documentação comprobatória. O pedido de restituição foi apreciado pela autoridade administrativa da Delegacia da Receita Federal em São Paulo (fls. 45/48) e indeferido por entender aquela autoridade que não foi apresentado laudo médico pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, exigência contida no art. 30 da Lei n° 9.250, de 26/12/1995. Além disso, a isenção contemplaria apenas os proventos de aposentadoria não alcançando os rendimentos do trabalho assalariado. Cientificado em 11/02/2008 (fl. 49v), o interessado apresentou em 07/03/2008 a manifestação de inconformidade de fls. 50/60, alegando, em síntese, que: é portador de síndrome de imunodeficiência adquirida AIDS, conforme diagnostico emitido em março de 1993 e durante os anoscalendário de 2000 a 2004, por ser empregado de empresa do setor privado, sofreu a retenção de imposto de renda na fonte sobre os valores recebidos; apresentou dois laudos e dois exames laboratoriais para comprovar sua situação fática, mas eles foram considerados insuficientes pela autoridade administrativa. Assim, para complementar a instrução processual, solicitou à uma instituição oficial um laudo que atendesse os requisitos requeridos na decisão. Como este laudo somente estará disponível após o prazo para apresentação da manifestação de inconformidade, protesta por sua juntada posterior com base no art. 3°, inciso III da Lei n° 9.784/99 e em respeito ao principio da verdade material; é equivocado o entendimento de que a isenção aplicase somente aos proventos de aposentadoria, reforma ou pensão. O termo provento serve para designar qualquer espécie de ganho decorrente do trabalho que se esta exercendo ou já se exerceu, conforme consta no Dicionário Jurídico da Academia Brasileira de Letras Jurídicas; improcede reservar o vocábulo provento apenas à aposentadoria, tanto que na Constituição Federal, art. 153, falase em "renda e proventos de qualquer natureza". Seguem a mesma linha o Código Tributário Nacional e o Regulamento do Imposto de Renda; a redação mal construída do art. 39, inciso XXXIII, do RIR/99, conduz interpretação equivocada de que somente estariam isentos os proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstias graves. A redação mais adequada seria: "Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto os proventos: I de aposentadoria ou reforma, desde que motivada por acidente em serviço; II recebidos pelos portadores de ..." Fl. 88DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 13811.001403/200677 Acórdão n.º 210101.623 S2C1T1 Fl. 2 3 a primeira isenção tem duas condicionantes, ou seja, os proventos devem ser de aposentadoria ou reforma e que esta tenha sido motivada por acidente em serviço. Quanto à segunda isenção, basta que o contribuinte seja portador de alguma das moléstias especificadas. O mesmo entendimento deflui da Instrução Normativa SRF nº 15, de 2001, que ainda identifica a data a partir da qual se aplica a norma isentiva, ou seja a data em que a doença foi contraída; assim, tendo em vista que contraiu a doença em 1993, requer a restituição dos valores retidos no período de 2000 a 2004. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau indeferiu a solicitação, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF FÍSICA IRPF Anoscalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 ISENÇÃO. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. A isenção prevista na legislação do imposto de renda para portadores de doença grave restringese aos proventos de aposentadoria, reforma e pensão, não se aplicando a rendimentos do trabalho assalariado. Solicitação Indeferida Em seu apelo ao CARF o recorrente reitera as mesmas questões suscitadas perante o Órgão julgador a quo. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Conforme assentado na ementa da decisão recorrida, para serem isentos do imposto de renda pessoa fisica, os rendimentos deverão necessariamente ser provenientes de pensão, aposentadoria ou reforma, assim como deve estar comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que o interessado é portador de uma das moléstias apontadas no artigo 6º, inciso XIV, da Lei n° 7.713, de 1988: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV — os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia Fl. 89DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteite deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (grifos acrescidos) Inicialmente, cumpre observar que os rendimentos excluídos da tributação dos anoscalendário de 2000 a 2004, não se referem a proventos de aposentadoria, pensão ou reforma, razão pela qual o recorrente não satisfaz o primeiro requisito estabelecido em lei para o gozo do benefício fiscal, restando prejudicada, portanto, a análise do segundo requisito estabelecido em lei, que seria a comprovação da moléstia grave através de laudo médico oficial. O provento é gênero do qual a renda do aposentado é espécie. A lei indica expressamente a espécie de provento ao qual se dirige a isenção, que deve ser interpretada literalmente, por determinação dos artigos 111, inciso II, e 176 do Código Tributário Nacional, a seguir transcritos: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: II outorga de isenção; Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares. Como se vê, estabelecer condições e requisitos à fruição do benefício fiscal não malfere direitos nem princípios constitucionais relacionados à tributação. As despesas para o tratamento de saúde são dedutíveis dos rendimentos auferidos pelo contribuinte. Também é de conhecimento público que o programa oferecido pelo SUS para o tratamento da AIDS é referência mundial. Talvez por isso o contribuinte não apresente despesas médicas elevadas, optando pela apresentação da declaração de ajuste anual simplificada. Contrariamente ao alegado pelo recorrente a lei não contemplou dois tipos de isenção distintos, porquanto o dispositivo trata apenas de proventos de aposentadoria ou reforma, especificando tãosomente duas situações nas quais estes são isentos: (i) quando a aposentadoria ou reforma for motivada por acidente de serviço e (ii) quando os beneficiários dos proventos de aposentadoria ou reforma são portadores de uma das moléstias graves relacionadas. É a figura de estilo ou linguagem denominada zeugma, que consiste na omissão de um ou mais elementos de uma oração, já expressos anteriormente. Verificase, inclusive, que a parte final do inciso XIV, artigo 6º, da Lei n° 7.713, de 1988, esclarece que estão isentos os proventos mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma. Não faria sentido a lei dispor desta forma se a isenção alcançasse todos os tipos de rendimentos. É princípio basilar de hermenêutica jurídica que a lei não contém palavras desnecessárias. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 13811.001403/200677 Acórdão n.º 210101.623 S2C1T1 Fl. 3 5 Este CARF tem sedimentado o entendimento que a isenção de que trata o artigo 6º, inciso XIV, da Lei n° 7.713, de 1988, alcança, tãosomente, os proventos de aposentadoria ou reforma. Neste sentido foram editadas as Súmulas nº 43 e 63: Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. No caso em exame, o requerente é empregado em empresa do setor privado e aufere rendimentos do trabalho assalariado. Cumpre ressaltar que mesmo o aposentado portador de moléstia grave tributa regularmente os rendimentos de outra natureza, como, por exemplo, os alugueres. Em face ao exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 91DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 18050.002313/2008-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1999 a 30/04/1999
Ementa: SOLIDARIEDADE. CONSTRUÇÃO CIVIL. EMPREITADA TOTAL
O contratante de serviços de construção civil responde solidariamente com o construtor, independentemente da forma de contratação, pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes do contrato (Art. 30, VI da Lei 8.212/91). A partir da competência 02/99 a solidariedade na construção civil
somente é admitida quando há empreitada total.
ELISÃO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA
A solidariedade do contratante de serviços de construção civil, somente é elidida se for comprovado o recolhimento das contribuições previdenciárias pela empresa contratada, devendo ser apresentadas guias de recolhimento e folhas de pagamento específicas, ou seja, vinculadas às notas fiscais de
serviço respectivas.
BENEFÍCIO DE ORDEM. NÃO CABIMENTO
A solidariedade aqui prevista não comporta beneficio de ordem, sendo desnecessária a fiscalização prévia da empresa contratada.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2302-001.700
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o julgado.
Nome do relator: ADRIANA SATO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201203
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1999 a 30/04/1999 Ementa: SOLIDARIEDADE. CONSTRUÇÃO CIVIL. EMPREITADA TOTAL O contratante de serviços de construção civil responde solidariamente com o construtor, independentemente da forma de contratação, pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes do contrato (Art. 30, VI da Lei 8.212/91). A partir da competência 02/99 a solidariedade na construção civil somente é admitida quando há empreitada total. ELISÃO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA A solidariedade do contratante de serviços de construção civil, somente é elidida se for comprovado o recolhimento das contribuições previdenciárias pela empresa contratada, devendo ser apresentadas guias de recolhimento e folhas de pagamento específicas, ou seja, vinculadas às notas fiscais de serviço respectivas. BENEFÍCIO DE ORDEM. NÃO CABIMENTO A solidariedade aqui prevista não comporta beneficio de ordem, sendo desnecessária a fiscalização prévia da empresa contratada. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 18050.002313/2008-38
conteudo_id_s : 5235783
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 21 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2302-001.700
nome_arquivo_s : Decisao_18050002313200838.pdf
nome_relator_s : ADRIANA SATO
nome_arquivo_pdf_s : 18050002313200838_5235783.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o julgado.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
id : 4597439
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:01:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041575279329280
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1834; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 1 1 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18050.002313/200838 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2302001.700 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de março de 2012 Matéria Construção Civil: Responsabilidade Solidária.Empresas em geral Recorrente CIA DE ELET DO EST DA BA COELBA E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1999 a 30/04/1999 Ementa: SOLIDARIEDADE. CONSTRUÇÃO CIVIL. EMPREITADA TOTAL O contratante de serviços de construção civil responde solidariamente com o construtor, independentemente da forma de contratação, pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes do contrato (Art. 30, VI da Lei 8.212/91). A partir da competência 02/99 a solidariedade na construção civil somente é admitida quando há empreitada total. ELISÃO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA A solidariedade do contratante de serviços de construção civil, somente é elidida se for comprovado o recolhimento das contribuições previdenciárias pela empresa contratada, devendo ser apresentadas guias de recolhimento e folhas de pagamento específicas, ou seja, vinculadas às notas fiscais de serviço respectivas. BENEFÍCIO DE ORDEM. NÃO CABIMENTO A solidariedade aqui prevista não comporta beneficio de ordem, sendo desnecessária a fiscalização prévia da empresa contratada. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Fl. 219DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente. Adriana Sato Relator. EDITADO EM: 12/07/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Eduardo Augusto Marcondes De Freitas, Manoel Coelho Arruda Junior e Adriana Sato. Ausência momentânea: Eduardo Augusto Marcondes de Freitas Fl. 220DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18050.002313/200838 Acórdão n.º 2302001.700 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada em 30/06/2003, cuja ciência do Recorrente ocorreu em 02/09/2003. De acordo com o Relatório Fiscal as contribuições devidas são correspondentes à parte dos segurados empregados, da empresa, financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (para competências a partir de 07/97), correspondente à Responsabilidade Solidária na Construção Civil. Os fatos geradores da presente NFLD os valores constantes em Notas Fiscais/Faturas de Prestação de Serviço, referentes à mão de obra contratada de pessoa jurídica, no período de 03/99 a 04/99, foram os serviços de manutenção com turma pesada em rede de distribuição executados pela empreiteira ML Projetos e Montagens Elétricas – Ltda, de acordo com o artigo 30,VI da lei 8212/91. 0 crédito constante do lançamento foi obtido com base no valor das notas fiscais de serviço/fatura de mão de obra, apurado por aferição indireta, disciplinada no artigo 30, item VI , da Lei 8.212/91, com redação alterada pela Lei 9.528/97, combinado com o artigo 43 do Decreto 2.173/97 e na Seção III, da Instrução Normativa 70, de 10 de maio de 2002, uma vez que a Companhia de Eletricidade do Estado da BahiaCoelba não apresentou as Guias de Recolhimento Prévio solicitadas. A recorrente apresentou impugnação, alegando em síntese: impossibilidade de punição pela inexistência do suposto débito haja vista que a prestadora de serviços realizou os recolhimentos (juntou cópias de folha de pagamento, GRPS e GFIP da prestadora de serviços); Argüiu o Principio da vedação do confisco e o Principio da Isonomia. O serviço de análise de recursos, após a impugnação da recorrente verificou a necessidade de proceder o saneamento do processo através de uma diligência. Na Informação Fiscal, esclareceu o Auditor Fiscal que: A Coelba apresentou cópia dos contratos e das notas fiscais solicitados em TIAD, a cessão de mão de obra em construção e manutenção de emergência pesada esta caracterizada às folha 79 , 98 e 100 deste processo. a base de cálculo foi apurada de acordo com o percentual de 40 °!o estabelecido no artigo 74, da INSTRUÇÃO NORMATIVA INSSIDC 69, de 1010512002 (DOU DE 1510512002) e este percentual foi aplicado sobre o total das notas fiscais , por competência , uma vez que o material aplicado foi fornecido pela contratante ( folha 79 deste processo); Fl. 221DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 A Recorrente foi cientificada do Relatório Fiscal substitutivo e da informação fiscal, já a prestadora de serviços, a mesma foi cientificada através de edital. A Recorrente apresentou impugnação, alegando em síntese: sejam apreciados os documentos ora juntados, os quais comprovam o efetivo recolhimento das contribuições previdenciárias a que se referem a presente, por parte da empresa contratada, prestadora de serviços; alternativamente, seja determinada a notificação da empresa prestadora de serviços, com a finalidade de responder aos termos da presente NFLD, na condição de principal devedora. A 7ª Turma da DRFBJ de Salvador /BA julgou o lançamento procedente, e, inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário, alegando em síntese: Da inexistência do suposto saldo devedor objeto do lançamento fiscal impugnado: suficiência probatória dos documentos acostados aos autos e necessidade de observância do princípio da verdade material; apresentou toda a documentação hábil; ncessidade da fiscalização prévia na prestadora de serviços; da não configuração dos pressupostos para apuração do montante supostamente devido mediante aferição indireta (arbitramento): o abuso havido na aplicação indiscriminada de tal metodologia de cálculo; não houve qualquer recusa ou sonegação de documentos por parte da Recorrente n em qualquer indício de inidoneidade da sua estrita fiscal e contábil. da elisão da responsabilidade solidária da tomadora do serviço; da cobrança em duplicidade. É o relatório. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18050.002313/200838 Acórdão n.º 2302001.700 S2C3T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Adriana Sato Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo a análise das questões suscitadas. A responsabilidade do contratante dos serviços prestados por pessoa jurídica, esta disciplinada no Inciso VI, do artigo 30, da Lei 8.212, de 24/07/1991 (com redação dada pela Lei 9.528/97). Quanto ao procedimento realizado pela fiscalização de formalização do lançamento não observo qualquer vício que venha causar lesão a Recorrente, uma vez que foram cumpridos todos os requisitos do artigo 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, notadamente a correta descrição do fato gerador da contribuição previdenciária. A notificação das partes interessadas foi devidamente realizada, de modo que não se verifica quaisquer vícios ou cerceamento ao direito de defesa. Melhor sorte não assiste a recorrente quanto a alegação de elisão de solidariedade, haja vista que a solidariedade é um instituto do Direito Civil adotado pela legislação tributária. Nesse sentido, temos a previsão do art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN) e o art. 30, VI da Lei 8.212, de 1991: Art. 124. São solidariamente obrigadas: 1 — as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; H— as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo Único. A solidariedade referida neste artigo não comporta beneficio de ordem (Texto destacado na transcrição) O artigo 30, inciso VI, da Lei n° 8.212, de 1991, prevê a responsabilidade solidária pelas obrigações previdenciárias entre o dono da obra e o construtor, independente da forma de contratação. Art.30... VI o proprietário, o incorporador definido na Lei n" 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a sub empreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia Fl. 223DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o beneficio de ordem; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Dessa forma, depreendese dos dispositivos supramencionados que o dono da obra, bem como o construtor, respondem de igual forma pelo crédito referente às contribuições sociais previdenciárias, ressaltandose que não se aplica o benefício de ordem. A Recorrente só poderia elidir a solidariedade nos termos do art. 42 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 612/1991 ou art. 42 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 2.173/1997, ou art. 220, § 3º do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, conforme a época de ocorrência do fato gerador, nestas palavras: Art.220. O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária cuja contratação da construção, reforma ou acréscimo não envolva cessão de mãodeobra, são solidários com o construtor, e este e aqueles com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. (...) § 3º A responsabilidade solidária de que trata o caput será elidida: I pela comprovação, na forma do parágrafo anterior, do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando corroborada por escrituração contábil; e II pela comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, aferidas indiretamente nos termos, forma e percentuais previstos pelo Instituto Nacional do Seguro Social. III pela comprovação do recolhimento da retenção permitida no caput deste artigo, efetivada nos termos do art. 219. (Inciso acrescentado pelo Decreto nº 4.032, de 26/11/2001) Como acima demonstrado, para elisão de sua responsabilidade, caberia a Recorrente a guarda da documentação: folhas de pagamento e guias de recolhimento do pessoal utilizado na obra para afastar a solidariedade. A elisão é uma faculdade conferida ao devedor solidário, uma vez que não houve a utilização dessa prerrogativa pela Recorrente, a solidariedade persiste. A recorrente não fez prova do recolhimento de todas as contribuições previdenciárias devidas pela contratada em relação aos segurados que lhe prestaram serviços. Ao não realizar tal prova, consequentemente não pode invocar o benefício de ordem. Também não há que se falar em cobrança em duplicidade haja vista que as contribuições inseridas nesta NFLD só serão cobradas uma vez, razão pela o lançamento foi realizado em nome de todos os solidários. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18050.002313/200838 Acórdão n.º 2302001.700 S2C3T2 Fl. 4 7 Como já mencionado, no instituto da solidariedade, o pagamento por um dos coobrigados aproveita aos demais, assim como as alegações de um sujeito passivo também aproveitam aos demais. Por todo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Adriana Sato Relator Fl. 225DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13839.000467/2005-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/05/2004
NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO E OMISSÃO. INEXISTÊNCIA.
Não havendo omissão, contradição ou obscuridade no acórdão proferido devem ser rejeitados os embargos opostos.
Os embargos de declaração não se prestam a mera manifestação de inconformismo com a decisão prolatada ou à rediscussão dos fundamentos do julgado, uma vez que não se trata do remédio processual adequado para reexame da lide.
O livre convencimento do julgador permite que a decisão proferida seja fundamentada com base no argumento que entender cabível, não sendo necessário que se responda a todas as alegações das partes, quando já se tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão, nem se é obrigado a ater-se aos fundamentos indicados por elas ou a responder um a um todos os seus argumentos.
Embargos de Declaração rejeitado.
Numero da decisão: 3202-000.549
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração apresentado pela interessada.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201208
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1999 a 31/05/2004 NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO E OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Não havendo omissão, contradição ou obscuridade no acórdão proferido devem ser rejeitados os embargos opostos. Os embargos de declaração não se prestam a mera manifestação de inconformismo com a decisão prolatada ou à rediscussão dos fundamentos do julgado, uma vez que não se trata do remédio processual adequado para reexame da lide. O livre convencimento do julgador permite que a decisão proferida seja fundamentada com base no argumento que entender cabível, não sendo necessário que se responda a todas as alegações das partes, quando já se tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão, nem se é obrigado a ater-se aos fundamentos indicados por elas ou a responder um a um todos os seus argumentos. Embargos de Declaração rejeitado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 13839.000467/2005-61
conteudo_id_s : 5219985
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 3202-000.549
nome_arquivo_s : Decisao_13839000467200561.pdf
nome_relator_s : LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
nome_arquivo_pdf_s : 13839000467200561_5219985.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração apresentado pela interessada.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
id : 4573780
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:59:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041575296106496
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1946; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 1 1 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13839.000467/200561 Recurso nº 177.375 Embargos Acórdão nº 3202000.549 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de agosto de 2012 Matéria PIS/PASEP AUTO DE INFRAÇÃO Embargante GRAMMER DO BRASIL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1999 a 31/05/2004 NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO E OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Não havendo omissão, contradição ou obscuridade no acórdão proferido devem ser rejeitados os embargos opostos. Os embargos de declaração não se prestam a mera manifestação de inconformismo com a decisão prolatada ou à rediscussão dos fundamentos do julgado, uma vez que não se trata do remédio processual adequado para reexame da lide. O livre convencimento do julgador permite que a decisão proferida seja fundamentada com base no argumento que entender cabível, não sendo necessário que se responda a todas as alegações das partes, quando já se tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão, nem se é obrigado a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder um a um todos os seus argumentos. Embargos de Declaração rejeitado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração apresentado pela interessada. Irene Souza de Trindade Torres – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Fl. 417DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela contribuinte, em face do Acórdão nº 320200.329, de 07/07/2011, proferido por esta Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF. Tendo em vista que a Relatora do acórdão atualmente não mais relata processos e em vista do disposto no art. 49, § 7o, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (Portaria MF no 256/2009), o então presidente da Turma designoume relator ad hoc para a análise dos embargos apresentados. Alega a embargante que teria havido contradição e omissão no votocondutor do Acórdão, o qual decidiu, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em razão de concomitância com a ação judicial, nos termos do relatório e votos que integraram o julgado. No entender da embargante a decisão proferida é contraditória e omissa. É contraditória uma vez que tomou conhecimento da decisão judicial com trânsito em julgado (Mandado de Segurança No. 1999.61.05.0097784), advinda do Tribunal Regional Federal TRF, que declarou a inconstitucionalidade da exigência do tributo objeto da presente autuação fiscal e aplicoua para fins da concomitância e não para fins do que fora determinado pelo Tribunal, ou seja, o reconhecimento da inexistência do débito do auto de infração em face de sua inconstitucionalidade. E a decisão foi omissa, segundo ainda a embargante, por ignorar, não apreciar e não aplicar a decisão proferida pelo TRF em favor da interessada que reconheceu ser o tributo inexigível por sua inconstitucionalidade e tal omissão implicaria em descumprimento de ordem judicial. Aduz, ainda, que a decisão foi omissa ao não considerar o pedido de cancelamento do débito apresentado pela embargante, nos termos do que dispõe o artigo 3º da Lei 9.784/99. Por fim, requer sejam os presentes embargos de declaração julgados procedentes com a finalidade de reformar o Acórdão embargado para declarar o cancelamento do débito objeto do auto de infração e o arquivamento do processo. É o Relatório. Voto Os embargos de declaração estão disciplinados no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nos seguintes termos: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Destarte, temos que os embargos declaratórios têm por finalidade tornar clara a decisão embargada ou trazer à discussão matéria que foi omitida no julgamento, de tal sorte Fl. 418DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13839.000467/200561 Acórdão n.º 3202000.549 S3C2T2 Fl. 2 3 que a solução dada pelo órgão encarregado de resolver a controvérsia demonstre, com clareza, haver enfrentado o objeto do litígio. O que se verifica da leitura do Acórdão embargado é que neste não há qualquer contradição ou omissão a ser suprida. O voto condutor do Acórdão enfrentou os principais pontos trazidos pelas partes, bem como se pronunciou acerca dos pontos que foram suscitados nos embargos ora analisados. A meu entender, as questões trazidas nos embargos já foram devidamente apreciadas e submetidas à análise do Colegiado, muito embora, no entender da embargante o acórdão recorrido não tenha acatada a decisão proferida pelo TRF em favor da interessada que reconheceu ser o tributo inexigível por sua inconstitucionalidade e sendo assim, no seu entender, deveria acatar seu pedido de cancelamento do auto de infração. Contudo, a não adoção de tese defendida pela parte não é motivo suficiente para o acatamento de embargos. Não houve qualquer contradição ou omissão quanto ao reconhecimento da decisão proferia pelo TRF. A digna Relatora consignou claramente em seu voto a existência da citada ação judicial, conforme pode verificarse no trecho abaixo transcrito: Antes do início da ação fiscal, em 22071999, a recorrente ajuizou Mandado de Segurança Preventivo nº 1999.61.05.0097784, na Justiça Federal de São Paulo – SP, pleiteando reconhecimento da inconstitucionalidade dos artigos 1º, 2°, 3°, 8° e 17 da Lei n° 9.718/98, e liminarmente pedindo a suspensão da exigibilidade da cobrança do PIS e da COFINS, nos termos da Lei n° 9.718/98, mantendose a cobrança dessas contribuições nos termos das Leis Complementares nos 7/70 e 70/91, ou seja, sendo o faturamento a base de cálculo de ambas as contribuições e para que a cobrança da COFINS permaneça a alíquota de 2%, até a decisão definitiva, fls. 6 e sgs. Em 11111999, fls. 28 e sgs., foi concedida a segurança parcialmente para autorizar o recolhimento da COFINS e do PIS nos termos das Leis Complementares nos 7/70 e 70/91, respectivamente, e o recolhimento do COFINS a alíquota de 3%. Entretanto, o votocondutor do Acórdão recorrido não adotou a tese defendida pela embargante – que não houve renúncia à instância administrativa, uma vez que a busca da tutela jurisdicional ocorreu anteriormente a qualquer procedimento fiscal, e na ocasião não haveria concomitância, já que não havia procedimento administrativo em andamento. O Acórdão recorrido adotou, corretamente, o entendimento já pacificado neste Tribunal Administrativo, que inclusive já sumulou a matéria, verbis: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (grifamos) Fl. 419DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 A Relatora, neste aspecto, formou sua convicção e fundamentou o acórdão com base na Súmula CARF nº 1, nos termos do que dispõe, inclusive, o artigo 72 do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256/2009), no sentido de não conhecer o Recurso Voluntário, por haver concomitância entre os processos administrativo e judicial, com identidade de partes e matéria. Destarte, não há que se falar em descumprimento ao disposto no artigo 3º da Lei 9.784/99, uma vez que o Acórdão recorrido respeitou o direito do contribuinte de formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, o que não significa dizer que deve, obrigatoriamente, concordar com a tese esposada pela parte. Em outro giro, não há que se falar em descumprimento de ordem judicial, uma vez que não cabe ao CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a execução/cobrança de eventuais débitos do contribuinte, mas sim o controle da legalidade dos atos administrativo de lançamento tributário. No caso concreto, o Acórdão recorrido adotou o entendimento de que havendo processo judicial transitado em julgado há a perda de objeto do processo administrativo, uma vez que a discussão judicial sobre eventuais créditos tributários se sobrepõem à discussão administrativa sobre a matéria. Por certo, a unidade da Receita Federal de jurisdição do contribuinte cumprirá a ordem judicial, quando da cobrança dos eventuais créditos tributários. Deste modo, entendo não ter havido contradição ou omissão apontadas pelo embargante. Isto porque o sistema de livre convencimento motivado, adotado no nosso ordenamento jurídico, permite que a decisão proferida seja fundamentada com base nos argumentos que o julgador entender cabíveis, o que foi feito no caso concreto. Não houve, por tais razões, contradição ou omissão no Acórdão embargado, o que demonstra a impossibilidade de se reformar esta decisão em sede de embargos de declaração. Em outro giro, registrese que os embargos de declaração não se prestam a mera manifestação de inconformismo com a decisão prolatada ou à rediscussão dos fundamentos do julgado, uma vez que não se trata do remédio processual adequado para reexame da lide. Neste sentido, pronunciouse o STJ: AgRg no AREsp 179411 / SP Data da decisão: 19/06/2012 DJe 27/06/2012 Ementa: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ART. 535 DO CPC. INEXISTÊNCIA DE VÍCIOS. TENTATIVA DE REDISCUSSÃO DA MATÉRIA DE MÉRITO DECIDIDA. IMPOSSIBILIDADE EM SEDE DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. 1. Nos termos do art. 535 do CPC, os embargos de declaração apenas são cabíveis quando constar no julgamento obscuridade ou contradição ou quando o julgador for omisso na análise de algum ponto. Admitese, por construção jurisprudencial, também a interposição de aclaratórios para a correção de erro material. 2. "A omissão a ser sanada por meio dos embargos declaratórios é aquela existente em face dos pontos em relação aos quais está Fl. 420DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13839.000467/200561 Acórdão n.º 3202000.549 S3C2T2 Fl. 3 5 o julgador obrigado a responder; enquanto a contradição que deveria ser arguida seria a presente internamente no texto do aresto embargado, e não entre este e o acórdão recorrido. Já a obscuridade passível de correção é a que se detecta no texto do decisum, referente à falta de clareza, o que não se constata na espécie."(EDcl no AgRg no REsp 1.222.863/PE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 13/6/2011) 3. Embargos manejados com nítido caráter infringente, onde se objetiva rediscutir a causa já devidamente decidida. 4. Embargos de declaração rejeitados. (grifamos) Com essas considerações, REJEITO OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO opostos pela interessada. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri (assinado digitalmente) Fl. 421DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.005763/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/2005 a 30/11/2007 IPI. APURAÇÃO. O IPI deve ser apurado por estabelecimento e por período de apuração. O instrumento hábil para o cálculo do imposto devido é o Livro Registro de Apuração de IPI, não sendo viável a apuração com base nos valores escriturados nos livros contábeis (Razão e Diário) ou em dados destes livros consolidados em meio magnético. Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3302-001.630
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201205
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/2005 a 30/11/2007 IPI. APURAÇÃO. O IPI deve ser apurado por estabelecimento e por período de apuração. O instrumento hábil para o cálculo do imposto devido é o Livro Registro de Apuração de IPI, não sendo viável a apuração com base nos valores escriturados nos livros contábeis (Razão e Diário) ou em dados destes livros consolidados em meio magnético. Recurso de Ofício Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 19515.005763/2009-11
conteudo_id_s : 5230235
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3302-001.630
nome_arquivo_s : Decisao_19515005763200911.pdf
nome_relator_s : JOSE ANTONIO FRANCISCO
nome_arquivo_pdf_s : 19515005763200911_5230235.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
id : 4579191
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:01:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041575329660928
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1633; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 179 1 178 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.005763/200911 Recurso nº 881.916 De Ofício Acórdão nº 330201.630 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de maio de 2012 Matéria IPI Auto de Infração Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COPERSUCAR COOPERATIVA DE PRODUTORES DE CANADE AÇÚCAR, AÇÚCAR E ÁLCOOL DO ESTADO DE SÃO PAULO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2005 a 30/11/2007 IPI. APURAÇÃO. O IPI deve ser apurado por estabelecimento e por período de apuração. O instrumento hábil para o cálculo do imposto devido é o Livro Registro de Apuração de IPI, não sendo viável a apuração com base nos valores escriturados nos livros contábeis (Razão e Diário) ou em dados destes livros consolidados em meio magnético. Recurso de Ofício Negado Período de apuração: 01/04/2005 a 30/11/2007 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Gileno Gurjão Barreto. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) Fl. 1DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 19515.005763/200911 Acórdão n.º 330201.630 S3C3T2 Fl. 180 2 José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Alexandre Gomes. Relatório Tratase de recurso de ofício contra o Acórdão no 1430.326, de 27 de julho de 2010, da 8ª Turma da DRJ/RPO (fls. 165 e 166), cientificado em 04 de outubro de 2010, que, relativamente a auto de infração de IPI de períodos de abril de 2005 a novembro de 2007, julgou a impugnação procedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. É nulo o auto de infração no qual não é possível identificar a origem dos valores lançados. IPI. APURAÇÃO. O IPI deve ser apurado por estabelecimento e por período de apuração. O instrumento hábil para o cálculo do imposto devido é o Livro Registro de Apuração de IPI, não sendo viável a apuração com base nos valores escriturados nos livros contábeis (Razão e Diário) ou em dados destes livros consolidados em meio magnético. Impugnação Procedente O auto de infração foi lavrado em 25 de dezembro de 2009 e, de acordo com o termo de fls. 104 a 106, “[...] foram obtidas receitas advindas de operações nãocooperativas e restaram tributos e contribuições não declarados/recolhidos [...]”. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Tratase de exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), formalizada no auto de infração de fls. 114/117, cientificado em 29/12/2009, totalizando o crédito tributário de R$ 19.982.871,41, inclusos multa de ofício e juros de mora. Segundo a descrição dos fatos no Termo de Verificação de Infração de PIS, COFINS e IPI (fls. 104/106), na execução das verificações obrigatórias, com o cotejo entre os valores dos tributos escriturados, declarados e recolhidos no período de 04/2005 a 12/2007, foram identificadas as diferenças relativas ao IPI que foram lançadas por meio do auto de infração originário do presente processo. Foram utilizados como fonte de informação os arquivos magnéticos fornecidos pela contribuinte. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 19515.005763/200911 Acórdão n.º 330201.630 S3C3T2 Fl. 181 3 A fundamentação legal para o lançamento consta dos autos às fls. 106, 112/113 e 117. Inconformada com a autuação, a contribuinte, por intermédio de seu representante legal, protocolizou, em 28/01/2010, a tempestiva impugnação de fls. 125/137 aduzindo em sua defesa as razões que se seguem. 1. Alega que as autuações não contemplam motivação e provas da acusação, pressupostos indispensáveis para a realização dos lançamentos de ofício e, portanto, as exigências em exame seriam nulas nos termos do art. 142 do CTN e do art. 10 do Decreto 70.235/72. 2. Afirma que a fiscalização tratou a apuração do IPI dos diversos estabelecimentos da impugnante de maneira conjunta, exigindo o imposto que entendeu devido por todas as unidades a partir da matriz, procedimento que contraria a autonomia de estabelecimentos imposta pela legislação. Se tanto não bastasse, ela sequer tem competência para averiguar o cumprimento das obrigações de IPI atinentes aos estabelecimentos fora de sua jurisdição, no caso, todas as unidades da impugnante, exceção à matriz. 3. Argumenta que os cálculos realizados pela fiscalização para determinar o montante tributável estão em desacordo tanto com a legislação, quanto com o procedimento adotado pelo impugnante. Tal discrepância explica a divergência entre os valores constantes da autuação e os integrantes da declaração apresentada pela impugnante. Encerrou requerendo a procedência da impugnação, com o conseqüente cancelamento do Auto de Infração. Conforme ementa reproduzida anteriormente, a DRJ cancelou o lançamento e os fundamentos foram os seguintes: O autuante baseou toda a apuração do IPI em informações da contribuinte apresentadas em meio magnético. Tais informações provavelmente foram extraídas dos livros Diário e Razão, pois referemse, entre outras, a contas relacionadas a “FORNECEDORES”, “IPI FATURADO”, “IPI – CRÉDITO PRESUMIDO” e “IPI A RECUPERAR”. Nenhum documento de escrituração contábil ou fiscal foi anexado aos autos pelo Fisco, nem mesmo constam as DCTF da empresa, apenas as DIPJ dos anos em referência. Os únicos documentos juntados para embasar a autuação referemse a um “Cotejo” de informações contábilfiscais impresso (fls. 100/102) e a planilhas em meio magnético (CD anexado a fl. 103) com informações dos totais mensais obtidos dos sistemas DCTF e SINAL e dos lançamentos contábeis de um determinado grupo de contas, sem maiores esclarecimentos acerca da utilização dessas informações no lançamento. No caso do IPI, esse procedimento é equivocado. O IPI é um imposto regido pelo princípio da nãocumulatividade e sua Fl. 3DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 19515.005763/200911 Acórdão n.º 330201.630 S3C3T2 Fl. 182 4 apuração é realizada por meio do confronto, por período, dos débitos relativos às saídas de produtos com os créditos originados das aquisições de insumos empregados na industrialização. Somente existe obrigação do sujeito passivo perante a Fazenda Nacional quando o saldo resultante do encontro destas contas for devedor. Além disso, o saldo credor do imposto remanescente em um determinado período de apuração pode ser utilizado para abater débitos no período seguinte, além de existirem outros créditos passíveis de serem usados para abatimento do débito de IPI em conta gráfica, como o crédito presumido e os créditos transferidos de outro estabelecimento. Pelos motivos anteriores, os lançamentos nos livros contábeis (Diário e Razão) não permitem a identificação do valor de IPI devido em um determinado período de apuração. Apenas o Livro Registro de Apuração de IPI traz os subsídios necessários para a definição do IPI devido (saldo credor de períodos anteriores, débitos, créditos, crédito presumido, transferências) e, no entanto, a fiscalização não faz referência a esse livro em sua autuação. Ademais, devese destacar que o cotejo apresentado pelo autuante não identifica a origem dos valores (somas) apresentados nas colunas IPI “Contab.” e “Retif. Contab.” da planilha “Cotejo das Informações ContábilFiscais”. A impugnante alega ter identificado, por esforço próprio de dedução, o procedimento de cálculo realizado para apurar os valores lançados, que, segundo ela, seriam o resultado da diferença entre os totais mensais lançados nas contas “IPI a Recolher” e “IPI a Recuperar”. No entanto, a conta “IPI a Recolher” não aparece nas planilhas apresentadas em meio magnético pelo autuante, portanto, em princípio, elas não teriam sido utilizadas diretamente. Mesmo que correta a dedução da impugnante e como ela mesma argumenta, a mera apuração da diferença entre aquelas contas não representa o valor de IPI devido, pois tal cálculo não segue a sistemática própria de apuração do IPI e engloba simultaneamente os vários estabelecimentos da empresa. Outro ponto a ser considerado, como alegado pela impugnante sob a ótica do cerceamento de defesa, é que não houve intimação a ela direcionada com a finalidade de apresentar os cálculos efetuados e propiciar um primeiro diálogo que permitisse o aprofundamento do levantamento dos valores de IPI. De fato, em que pesem terem sido emitidos ao todo seis termos de intimação ao longo do procedimento fiscal, não houve uma intimação formal para apresentação dos valores apurados previamente à emissão do auto de infração. No entanto, tal intimação prévia não é mandatória e não caracterizaria, por si só, o cerceamento de defesa, estivesse o auto de infração calcado em uma motivação solidamente construída, pois ainda permitiria a defesa por meio da impugnação legalmente prevista. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 19515.005763/200911 Acórdão n.º 330201.630 S3C3T2 Fl. 183 5 Como já mencionado, observase que a discriminação entre os movimentos dos diversos estabelecimentos não foi considerada pelo autuante. Conforme pesquisa nos sistemas da Receita Federal (fls. 165/171), a empresa possuía, durante o período analisado, pelo menos mais 7 (sete) estabelecimentos filiais ativos e cadastrados como unidades produtivas. O IPI é balizado pelo princípio da autonomia dos estabelecimentos. Isso implica que a escrituração, apuração, declaração e recolhimento do IPI devem ser feitos por estabelecimento. Esse é mais um motivo pelo qual os livros contábeis não podem servir de base para a apuração do IPI, pois são centralizados na matriz. Os Livros Registro de Entradas e Saídas e o Livro Registro de Apuração de IPI são escriturados por estabelecimento, de maneira autônoma, sendo inclusive possível a existência de saldo credor de IPI em um estabelecimento e haver imposto a pagar em outro no mesmo período. Ressaltese que o lançamento do IPI no estabelecimento errado, como, por exemplo, lançar o IPI da filial na matriz, é caso de nulidade absoluta, por erro de sujeição passiva. Desta forma, não sendo os registros contábeis hábeis a determinar o imposto devido e pelo fato de o cotejo que embasou a autuação não identificar a origem dos valores considerados como devido, a presente autuação não deve prosperar. Contra o acórdão, foi interposto recurso de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso os requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Resumidamente, a Primeira Instância cancelou o auto de infração pelo fato de se ter baseado em informações que não permitiriam apurar a base de cálculo e o valor devido corretamente. De acordo com o auto de infração, tratouse de diferenças apuradas entre os valores escriturados e declarados, conforme demonstrativo de fls. 100 a 102. A apuração foi mensal e baseada em livros contábeis. A Fiscalização requereu, em meio magnético, a movimentação das contas do Razão relativas ao IPI (fl. 23) e o livro registro de apuração do IPI (fl. 26). Na fl. 29, a Interessada informou fornecer os arquivos requeridos, relativamente ao ano de 2004. Seguiuse intimação para apresentação dos arquivos relativos Fl. 5DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 19515.005763/200911 Acórdão n.º 330201.630 S3C3T2 Fl. 184 6 aos anos de 2005 a 2007 (fl. 30) e a resposta da Interessada não contemplou os livros de apuração do IPI. Posteriormente, a Interessada apresentou detalhamento dos valores informados em DIPJ (fls. 44 a 49). Portanto, a apuração não foi efetuada em relação aos livros registro de apuração, pelo fato de não terem sido apresentados. Os maiores problemas da apuração, de acordo com a Primeira Instância, seriam a impossibilidade de identificar os estabelecimentos que deram saídas aos produtos, uma vez que todos os valores apurados contabilmente foram considerados como se movimentados pela matriz, e a inclusão de valores relativos a operações que não representariam fato gerador do imposto. De fato, do que se constata do item 23 do relatório fiscal (fl. 105), o procedimento foi idêntico para apuração de Cofins, PIS e IPI. Supostamente, deve ter sido aplicada a maior alíquota dentre as dos produtos fabricados pela Interessada, mas tal fato não foi esclarecido no relatório, nem se se trata de uma única alíquota. Seria, portanto, um caso típico de arbitramento previsto no art. 448 do Ripi/2002, que é aplicado no caso de auditoria de produção. No caso de apuração a partir de notas fiscais, os valores de IPI deveriam ser os destacados nas notas ou o apurado pela aplicação da alíquota correta constante da Tipi. Ainda que fossem apresentados os livros de apuração do IPI, de que outra forma a Fiscalização verificaria a correta apuração do imposto, se não pelo confronto com as notas fiscais de entrada e saída? Entretanto, como antes observado, a base de cálculo apurada foi a mesma de PIS e Cofins, não havendo sequer informação de como foi exatamente obtida, o que representou o motivo da declaração de nulidade. Tal conclusão é incontestável e já seria suficiente para manter o acórdão de primeira instância. Cabe, entretanto, também análise da segunda questão. De fato, para apuração do IPI devido por período de apuração, ou se faz a apuração direta a partir das notas fiscais ou do livro de registro de apuração do IPI, ouse faz por outros livros ou se faz por elementos subsidiários, conforme previsto no art. 107, §3º, da Lei n. 4.502, de 1964: § 3º Se pelos livros apresentados não se puder apurar convenientemente o movimento comercial do estabelecimento, colherseão os elementos necessários através de exame de livros ou documentos de outros estabelecimentos que com o fiscalizado transacionem, ou nos despachos, livros e papéis de empresas de transporte, suas estações ou agências, ou noutras fontes subsidiárias. Portanto, caso não seja possível apurar exatamente o valor das operações que representem o fato gerador do IPI, ainda assim o lançamento é possível com base no Fl. 6DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 19515.005763/200911 Acórdão n.º 330201.630 S3C3T2 Fl. 185 7 movimento comercial. Tal situação depende dos documentos apresentados pelo contribuinte, mas, conforme especifica o artigo, a apuração deve específica do estabelecimento. Portanto, quanto à segunda questão, concordase parcialmente com os fundamentos do acórdão de primeira instância, pois, no caso dos autos, não houve, pelo que consta dos demonstrativos de apuração, a discriminação da origem dos valores por estabelecimento, o que comprometeu a liquidez e certeza dos valores apurados. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 7DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
score : 1.0
