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Numero do processo: 16000.000344/2007-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/06/1997 a 31/10/2001
EMBARGOS CONTRADIÇÃO PROPOSITURA PELA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL.
Com fulcro no art. 64, I e 65 e seguintes do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
A apreciação do recurso embargado deve ater-se aos termos do embargos.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/1997 a 31/10/2001
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO CONTRIBUIÇÃO SOBRE A AQUISIÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL PERÍODO
ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL SÚMULA VINCULANTE STF.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de nº 8, “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””.
Em se tratando de NFLD substitutiva, cuja NFLD original foi anulada por vício formal, a decadência deve ser apreciada a luz do art. 173, II do CTN, levando-se em consideração a data da ciência da NFLD declarada nula.
Embargos Acolhidos
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-001.736
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para re-ratificar o acordão 20601.140,
passando a: dar provimento parcial para que se exclua do lançamento as contribuições até a competência 10/1998, face a
aplicação da decadência qüinqüenal, mantendo no mérito inalterado o julgamento.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/1997 a 31/10/2001 EMBARGOS CONTRADIÇÃO PROPOSITURA PELA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL. Com fulcro no art. 64, I e 65 e seguintes do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. A apreciação do recurso embargado deve ater-se aos termos do embargos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1997 a 31/10/2001 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO CONTRIBUIÇÃO SOBRE A AQUISIÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL SÚMULA VINCULANTE STF. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de nº 8, “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. Em se tratando de NFLD substitutiva, cuja NFLD original foi anulada por vício formal, a decadência deve ser apreciada a luz do art. 173, II do CTN, levando-se em consideração a data da ciência da NFLD declarada nula. Embargos Acolhidos Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Com fulcro no art. 64, I e 65 e seguintes do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. A apreciação do recurso embargado deve aterse aos termos do embargos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1997 a 31/10/2001 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO CONTRIBUIÇÃO SOBRE A AQUISIÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL SÚMULA VINCULANTE STF. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. Em se tratando de NFLD substitutiva, cuja NFLD original foi anulada por vício formal, a decadência deve ser apreciada a luz do art. 173, II do CTN, levandose em consideração a data da ciência da NFLD declarada nula. Embargos Acolhidos Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para reratificar o acordão 20601.140, passando a: dar provimento parcial para que se exclua do lançamento as contribuições até a competência 10/1998, face a aplicação da decadência qüinqüenal, mantendo no mérito inalterado o julgamento. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16000.000344/200733 Acórdão n.º 240101.736 S2C4T1 Fl. 374 3 Relatório Tratase de retorno de diligência comandada por meio da Resolução nº 2401 00.094 da 4ª Câmara da 2ª Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscal – CARF, onde após acatados embargos propostos pela procuradoria, restou comandada diligência fiscal nos seguintes termos: Tendo sido acatados os embargos, tendo em vista contradição entre o resultado proferido e a fundamentação cumprenos apreciar a decadência qüinqüenal a luz do disposto na Súmula Vinculante nº 8 do STF, em consonância com o disposto no art. 173 e art. 150, § 4º do CTN. Contudo, ao reavaliar os termos do relatório fiscal e do acordão proferido, identifiquei um ponto que merece ser esclarecido ante que se de continuidade ao julgamento em questão. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 104, tratase de NFLD substitutiva tendo em vista decisão definitiva que considerou o crédito previdenciário nulo (NFLD nº 35.534.1107) em 21/11/2005. Neste sentido, para que apure o alcance da decadência qüinqüenal imprescindível se determine quando foi realizado o primeiro lançamento, pois só assim, será possível determinar o alcance do instituto. Notese que tais informações não restam demonstradas no relatório fiscal, na impugnação ou mesmo na decisão notificação. Face essa constatação não há como prosseguir com o julgamento em questão, razão porque entendo que o processo deve ser baixado em diligência para que a Delegacia da Receita Federal do Brasil preste esclarecimentos no sentido de identificar a data da lavratura das NFLD declaradas nulas, bem como, a data de sua efetiva cientificação ao sujeito passivo. Com o objetivo de melhor esclarecer e consubstanciar o lançamento deve ser colacionado aos autos não apenas o relatório da NFLD declarada nula, bem como a decisão Notificação que declarou a nulidade do lançamento. CONCLUSÃO: Voto no sentido de ACATAR OS EMBARGOS para retificar o acordão nº 20601.140, para converter o julgamento em diligência, devendo ser prestados os esclarecimentos nos termos acima propostos. É como voto. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 30/06/2005, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 27/07/2006. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Para retomar as informações pertinentes ao processo , importante destacar as informações acerca do lançamento efetuado. Trata a presente notificação, relativa a contribuições devidas à seguridade social, disciplinado do art. 25 da Lei 8212/91 e as contribuições devidas para terceiras entidades (SENAR). A base de cálculo das contribuições objeto deste lançamento referemse aos valores da comercialização de produtos rurais (BOVINOS E SUINOS PARA ABATE), adquiridos de produtores rurais pessoas físicas pelos estabelecimentos da empresa. Tais valores foram extraídos das notas fiscais de entrada, livro de registro de entrada de mercadorias e dos boletins de abate e foram confirmados através de lançamentos contábeis no livro razão e diário. Destacase que o débito apurado e lançado na presente NFLD havia sido lançado na NFLD 35.534.1107, que foi tornada nula pela 4º CaJ em 21/11/2005. Não conformado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação, fls. 113 a 132. O processo foi baixado em diligência para esclarecimentos acerca de itens impugnados e emissão de relatório fiscal complementar, tendo o auditor se manifestado às fls. 152 a 155, esclarecendo: que as contribuições foram descontadas dos valores pagos aos produtores rurais pessoas físicas, conforme verificação das Notas Fiscais de Entrada e Lançamentos Constábeis. Os casos em que não ocorreu desconto foram alvo de NFLD apartada sob nº 351278923. Por ser lançamento de contribuições incidentes sobre a comercialização de produtos rurais, o enquadramento correto é o FPAS 744, conforme o art. 137, III, § 1 e 2 da IN nº 03/2005. O FPAS 744 para fins de lançamento de contribuições previdenciárias e para o SENAR sobre o valor da comercialização de produto rural adquirido de produtores rurais não está relacionado com a atividade econômica da notificada, e sim com a atividade dos produtores rurais. O FPAS não é incompatível com o CNAE 15113, pois a empresa notificada exerce a atividade econômica preponderante de frigorífico com abate e preparação de carne e subprodutos. Foi apresentado requerimento de dilação do prazo para cumprimento do solicitado, fls. 161. A unidade descentralizada da SRP emitiu a DecisãoNotificação (DN), fls. 163 a 173, mantendo a autuação em sua integralidade. O recorrente não concordando com a DN emitida pelo órgão previdenciário, interpôs recurso, fls. 180 a 200, alegando em síntese: A NFLD deve oferecer ao contribuinte, de maneira clara e objetiva, as circunstâncias legitimadoras da constituição do pretenso crédito imposto em seu desfavor; Reconhece o contribuinte que foi lavrada a NFLD 35.534.0232, que mesmo infundada e laconicamente, apresenta as justificativas fiscais (atividade de Fl. 4DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16000.000344/200733 Acórdão n.º 240101.736 S2C4T1 Fl. 375 5 industrialização de produção própria, até a competência jan/2005) para tal noticiado novo enquadramento/FPAS. Reconhece também o contribuinte que na NFLD 35.534.0275, no período posterior a fevereiro de 2005, foi mantido o enquadramento que entende o contribuinte correto; De rigor, portanto, ser instaurado um específico incidente processual, que, por conexão, deverá ser definido em conjunto a todos os envolvidos lançamentos, por meio de decisão interlocutória hábil de ser proferida na forma inciso III, do § 6º do art. 5º da Portaria MPS 520/04, ou de outra forma que se entenda mais adequada. Em uma primeira análise, facilmente se percebe a falta de razoabilidade da posição fiscal, quanto a específica realidade do contribuinte ora defendente, que em sua GFIP, registros contábeis, sempre se considerou uma indústria frigorífica. O código FPAS indicado em todas as NFLD, portanto incontroverso é o 1511 3, vinculado a atividade empresarial do contribuinte ora notificado, à indústria de abate e preparação de produtos de carne, no caso bovina. No que pertine a questão do enquadramento FPAS, é nítido o equívoco do fisco previdenciário, razão por demais suficiente a que seja reconhecida a necessidade de cancelamento desta NFLD, para todos os fins e efeitos de direito., caso não sobrevenha seu adequado enquadramento. Os critérios de atendimento das exigências formais para constituição da NFLD devem se compatibilizar com as formalidades da GFIP, e no presente caso, se o adquirente da produção, que assume a obrigação do produtor pessoa física de correspondentes recolhimentos por subrogação, deve indicar em GFIP, para fins de declaração de tais exatos fatos geradores, o FPAS de sua atividade principal, é indiscutível que a NFLD que promove a cobrança de tais obrigações ao argumento de sua indimplência, deve, também ostentar em seus registros formais o FPAS de sua atividade principal. Na LDC de nº 0283, a DRP chancelou a condição do frigorífico como indústria frigorífica. Seja reconhecida a decadência qüinqüenal para constituição dos créditos previdenciários, visto tratarse de lançamento por homologação. Sendo assim, aplicável o art. 150, § 4º do CTN, devendo ser excluídas competências anteriores a maio/2001; Caberia a DRP, determinar a suspensão não só desta NFLD, mas de todos os processos em tramitação no território nacional que envolvesse similar temática jurídica, qual seja, questões de cobrança inseridas no art. 25 da lei 8212/91, talvez de forma inadequada chamado de FUNRURAL. O contribuinte apresenta impugnação total dos valores apontados como devidos no âmbito desta NFLD, discordando das afirmativas fiscais de que, com lastro em determinadas notas fiscais, foram extraídos os valores que, posteriormente, ainda restaram confirmados na escrita contábil correspondente. A genérica informação de que extraiu valores de notas fiscais sem relacionar quais foram estas notas, tornam frágeis tais assertivas, devdno ser indicados também os nº de livros diários e razão que consubstanciaram o lançamento. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Serão trazidos aos autos oportunamente e no pleno exercício da ampla defesa e do contraditório elementos concretos, extraídos da escrita contábil, que colaborarão com a percepção das irregularidades materiais no contexto desta NFLD. Ante os argumentos sustentados nesta defesa, que infirmam categoricamente o combatido labor fiscal, resulta como razoável que seja determinada a realização de novas diligências fiscais çara aferir, com maiores níveis de segurança a verdade material. Requer o acolhimento do recurso e julgamento da procedência da impugnação interposta. A unidade descentralizada da SRP se absteve de apresentar contrarazões tendo encaminhado o processo para julgamento diretamente a este conselho. É o Relatório. Conforme descrito nas informações em cumprimento a diligência comandada, a NFLD declarada nula DEBCAD 35.534.1107 foi lavrada em 29/10/2003, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 25/11/2003. A NFLD foi anulada por entender o colegiado à época que a cientificação do lançamento após o prazo de validade do MPF era motivo de nulidade do lançamento. Os fatos geradores que ensejaram a NFLD ocorreram entre as competências 06/1997 a 10/2001. Tendo cumprido integralmente os termos da diligência a DRFB em São José do Rio Preto remete o processo a este Conselho para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16000.000344/200733 Acórdão n.º 240101.736 S2C4T1 Fl. 376 7 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: Em se tratando de retorno de diligência, com o objetivo de destacar informações face embargos acatados, os pressupostos de admissibilidade já foram apreciados anteriormente. DA ANÁLISE DOS EMBARGOS Considerando os embargos opostos pela Fazenda Nacional, entendo que realmente existe uma omissão/contradição entre o acolhimento da decadência qüinqüenal no lançamento e seus fundamentos, bem como em relação ao fato de tratarse de lançamento substitutivo, tendo em vista não ter sido observado a data da lavratura da NFLD declarada nula. Face o exposto, entendo que devem ser acatados os embargos propostos pela procuradoria, para que a decadência seja apreciada considerando tratarse de NFLD substitutiva. Notese que o ponto devolvido para análise diz respeito a aplicação da decadência a luz do art. 173, II do CTN, tendo em vista ter sido identificado tratarse de NFLD substitutiva, por ter sido a anterior declarada nula, face a ausência MPF válido, conforme se depreende do resultado proferido no acórdão que anulou o lançamento. Conforme descrito no relatório deste voto, tratase de retorno de diligência para que fossem trazidos aos autos informações acerca do lançamento declarado nulo, tendo em vista que a NFLD em tela é substitutiva e a aplicação do prazo decadencial deve levar em conta a data da primeira lavratura e os motivos da nulidade. Tendo sido acatados os embargos, tendo em vista contradição entre o resultado proferido e a fundamentação cumprenos apreciar a decadência qüinqüenal a luz do disposto na Súmula Vinculante nº 8 do STF, em consonância com o disposto no art. 173 e art. 150, § 4º do CTN. Notese que o único ponto que enseja reapreciação diz respeito a aplicação da decadência qüinqüenal. ANÁLISE DA DECADÊNCIA APÓS O ACOLHIMENTO DOS EMBARGOS. Quanto a aplicação do prazo decadencial no lançamento ora sob análise razão assiste em parte ao recorrente. Nesse sentido, quanto a aplicação da decadência qüinqüenal, subsumo todo o meu entendimento, quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido à decisão do STF. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, profiro meu entendimento. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir Fl. 7DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Citese o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Seção no Recurso Especial de n º 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO LEI Nº 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.º DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decretolei n.º 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindose, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16000.000344/200733 Acórdão n.º 240101.736 S2C4T1 Fl. 377 9 Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fáticoprobatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.º 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4º, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao Fl. 9DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo Fl. 10DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16000.000344/200733 Acórdão n.º 240101.736 S2C4T1 Fl. 378 11 final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deuse em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contandose o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante nº 8 do STF: Conforme descrito no recurso descrito acima: “A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco Fl. 11DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16000.000344/200733 Acórdão n.º 240101.736 S2C4T1 Fl. 379 13 § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar de forma, simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia recolher e o efetivamente recolhido. Neste caso, a inércia do fisco em buscar valores já declarados, ou mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que lhe tira o direito de lançar créditos pela aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, § 4º. Entendo que atribuir esse mesmo raciocínio a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias é no mínimo abrir ao contribuinte possibilidades de beneficiarse pelo seu “desconhecimento ou mesmo interpretação tendenciosa” para sempre escusarse ao pagamentos de contribuições que seriam devidas. Dessa forma, no lançamento em questão em que o fato gerador é a aquisição da produção de pessoas físicas o não recolhimento de contribuições em uma determinada competência implica a aplicação do art. 173, I do CTN, sendo que para os meses em que se constatam recolhimentos parciais a decadência deve ser apreciada a luz do art. 150, § 4º . A apreciação da decadência encontrase substanciada na data da lavratura da NFLD declarada nula, tendo em vista a nulidade ter sido declarada por ausência de cobertura de MPF na data da ciência, constituindo vício formal, para apreciação da decadência nos termos do art. 173, II do CTN. Assim, observase que o lançamento substitutivo deuse no qüinqüênio posterior a declaração nulidade, o que determina o cumprimento do prazo para realização do novo lançamento. No caso em questão, o lançamento foi efetuado em 30/06/2005, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 27/07/2006. Contudo, conforme nas informações prestadas nos autos, a NFLD declarada nula DEBCAD 355341107 foi lavrada em 29/10/2003, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 25/11/2003, devendo ser essa a data a ser considerada para aplicaçãoda decadência. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 06/1997 a 10/2001, dessa forma em aplicandose o art. 150, § 4º do CTN, face a identificação de recolhimentos no relatório DAD durante todo o período do lançamento, devem ser declaradas decadentes as contribuições até a competência 10/1998. DO MÉRITO Fl. 13DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 Quanto ao mérito, como não houve a oposição de embargos, deve ser mantido inalterado o resultado proferido, bem como as razões que fundamentaram a negativa do provimento ao recurso CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO DOS EMBARGOS, para reratificar o acordão 20601.140, para DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que se exclua do lançamento as contribuições até a competência 10/1998, face a aplicação da decadência qüinqüenal, mantendo no mérito inalterado o julgamento. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 14DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 11618.004918/2006-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano calendário:2001
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA.
Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, é descabida a exigência da multa de mora quando ocorre o recolhimento extemporâneo de tributo, na hipótese de os débitos não terem sido antes declarados à Receita Federal. (Acórdão 140200.465).
Numero da decisão: 1402-000.508
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Carlos Pelá.
Matéria: DCTF_CSL - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (CSL)
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1730; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 137 1 136 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11618.004918/200690 Recurso nº 504.770 Voluntário Acórdão nº 140200.508 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 31 de março de 2011 Matéria AÇÃO FISCAL. PENALIDADES ISOLADAS. Recorrente TEXPAR TEXTIL DA PARAÍBA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, é descabida a exigência da multa de mora quando ocorre o recolhimento extemporâneo de tributo, na hipótese de os débitos não terem sido antes declarados à Receita Federal. (Acórdão 140200.465). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Carlos Pelá. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Antonio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Frederico Augusto Gomes de Alencar. Relatório Fl. 233DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 12/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 12/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 11618.004918/200690 Acórdão n.º 140200.508 S1C4T2 Fl. 138 2 TEXPAR Têxtil da Paraíba S/A recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 3ª Turma da DRJ Recife/PE, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Contra a empresa acima qualificada foi lavrado o Auto de Infração com cópia às fls. 06/07, por meio do qual é exigido o crédito tributário referente à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, constituído em face de recolhimento em atraso sem o pagamento da multa de mora – exigência de multa de mora no valor de R$ 4.587,59. O lançamento decorreu de auditoria interna nas DCTFs relativas aos 1º e 2º trimestres de 2001. O enquadramento legal e a demonstração do crédito tributário estão consignados no auto de infração e em seus anexos. A contribuinte apresentou impugnação (fls. 01/03), alegando, em síntese: que não cabe a multa, uma vez que houve denúncia espontânea, tendo em vista que recolheu os valores exigidos antes de iniciado procedimento do Fisco para cobrar tais diferenças, antes também de DCTF retificadora; e que os valores cobrados através do auto de infração ora impugnado, também foram cobrados através da intimação nº 00015432, que foi impugnada na época correta, consoante cópia anexada, não tendo a impugnante ainda sido notificada de qualquer decisão com relação à impugnação. É o Relatório.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 11 24.809 (fls. 114119) de 05/12/2008, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “RECOLHIMENTO INTEMPESTIVO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Constatado o recolhimento do tributo a destempo, é devida a exigência dos acréscimos legais sobre ele incidentes. DENÚNCIA ESPONTÂNEA EXTENSÃO DOS SEUS EFEITOS. MULTA DE MORA. INAPLICABILIDADE A exclusão da responsabilidade operada pela denúncia espontânea (artigo 138 do CTN) cingese à aplicação de penalidade por infração à legislação tributária. A multa de mora tem natureza compensatória, não se confundindo, pois, com a multa de ofício, esta sim revestida de caráter punitivo.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 26/03/2009 (AR de fl. 122), a interessada interpôs recurso voluntário em 20/04/2009 (fls. 123130) onde repisa seus argumentos apresentados em sede de impugnação. É o relatório. Fl. 234DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 12/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 12/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 11618.004918/200690 Acórdão n.º 140200.508 S1C4T2 Fl. 139 3 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme relatado, tratase de auto de infração para exigência de multa de mora, fls. 04/16, cujos tributos, segundo o contribuinte, foram pagos sob o instituto da denúncia espontânea a que se refere o art. 138 do CTN, ainda que os respectivos pagamentos tenham sido efetuados após os prazos previstos em lei. Tal matéria não é nova neste Colegiado, tendo sido enfrentada recentemente pelo i. Conselheiro Antonio Praga no Acórdão 140200.465, sessão de 25 de fevereiro de 2011. Por concordar com os argumentos ali desposados, peço vênia ao i. Conselheiro para adotar seus fundamentos, abaixo transcritos, como razões de decidir neste processo. “Registrese que os tributos não foram antes declarados em DCTF, pelo que entende a recorrente não ser cabível a incidência de multa de mora. A aplicabilidade do artigo 138 do Código Tributário Nacional em situações idênticas a essa já foi objeto de diversos julgamentos nos Conselhos de Contribuintes e na Câmara Superior de Recursos fiscais CSRF, sem ter havido consenso, muito menos unanimidade. Certo é que à época da edição da Lei 5.172 de 1996 inexistia previsão da exigência da multa de mora, apenas dos juros. Sou de opinião que a matéria já deveria ter sido objeto de alteração do CTN, juntamente com a decadência, dirimindose os conflitos. Vejamos as decisões e ementas de três acórdãos da CSRF sobre a matéria, proferidas nos últimos anos: Numero Recurso :101118948 Câmara :PRIMEIRA TURMA Matéria :IRPJ E OUTROS Data da Sessão :20/08/2002 Relator(a) :José Clóvis Alves Acórdão :CSRF/0104.118 Texto da Decisão : Por unanimidade de votos REJEITAR a preliminar de inadmissibilidade, e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. Ementa : “DENÚNCIA ESPONTÂNEA – ART. 138 DO CTN – MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO ISOLADA – ART. 44, I, DA LEI 9.430/96 – INAPLICABILIDADE – No pagamento espontâneo de tributos, sob o manto, pois, do instituto da denúncia espontânea, não é cabível a imposição de qualquer penalidade, sendo certo que a aplicação da multa de que trata a lei 9430/96 somente tem guarida no recolhimento de tributos feitos no período da graça de que trata o art. 47 da Lei 9430/96, sem a multa de procedimento espontâneo.” Fl. 235DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 12/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 12/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 11618.004918/200690 Acórdão n.º 140200.508 S1C4T2 Fl. 140 4 Numero Recurso :107122365 Câmara :PRIMEIRA TURMA Tipo do Recurso :RECURSO DO PROCURADOR Matéria :IRPJ Data da Sessão :18/10/2004 Relator(a) :José Carlos Passuello Acórdão :CSRF/0105.079 Texto da Decisão : Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Ementa : “DENÚNCIA ESPONTÂNEA INAPLICABILIDADE DA MULTA DE MORA A denúncia espontânea de infração, acompanhada do pagamento do tributo em atraso e dos juros de mora, exclui a responsabilidade do denunciante pela infração cometida, nos termos do art. 138 do CTN, o qual não estabelece distinção entre multa punitiva e multa de mora sendo, portanto, inaplicável a penalidade imposta. Recurso negado.” Numero Recurso :203115209 Câmara :SEGUNDA TURMA Matéria :COFINS Data da Sessão :24/01/2005 Relator(a) :Josefa Maria Coelho Marques Acórdão :CSRF/0201.794 Texto da Decisão : Pelo voto de qualidade, DAR provimento ao recurso. Ementa: “INCONSTITUCIONALIDADE. Os órgãos de julgamento administrativo não podem negar vigência à lei ordinária sob alegação de conflito com o CTN, uma vez que se trata de juízo de inconstitucionalidade em segundo grau. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. É cabível a exigência da multa de mora quando ocorre o recolhimento extemporâneo de tributo. MULTA ISOLADA. O recolhimento extemporâneo de tributo sem o acréscimo da multa de mora rende ensejo ao lançamento da multa isolada. Recurso especial da Fazenda Nacional provido.” Devem aqui prevalecer os fundamentos do Acórdão CSRF/0201.794, que é uma dos julgados mais recentes sobre a matéria na Câmara Superior de Recursos Fiscais, que faz remissão ao didático Acórdão 10805.452 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, em que foi relator designado para redigir o voto vencedor o brilhante conselheiro Dr. José Antonio Minatel, cujos pilares de sua tese encontrase no trecho a seguir transcrito: "(...) Nesse cenário contextual, pareceme localizado o primeiro equivoco. O Código Tributário Nacional, que inquestionavelmente faz as vezes da lei complementar pretendida pelo artigo 146 da Magna Carta de 1988, traz em seu bojo as chamadas "normas gerais" ou regras de estrutura e não de condutas especificas tendo como primeiro destinatário o legislador ordinário, e não o sujeito passivo. Essas regras de estrutura contribuem, de forma sistematizada, para dar os Fl. 236DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 12/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 12/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 11618.004918/200690 Acórdão n.º 140200.508 S1C4T2 Fl. 141 5 limites e a dimensão do ordenamento jurídico, em cujo espaço haverá de se conter cada legislador ordinário no exercício da sua competência tributária, quando da elaboração das chamadas regras de conduta, estas sim, dotadas de aptidão para alcançar o comportamento de cada sujeito passivo. Sendo essa a natureza do C.T.N., é imperativo que se atribua ao seu artigo 138 o status de norma de estrutura, cujo comando deve ser o norte a ser perseguido pelo legislador ordinário, quando opera no campo da implementação dos atos procedimentais que visam dar eficácia às regras de incidência tributária. Um desses atos procedimentais cometidos ao legislador ordinário é a fixação da multa de mora, na hipótese de inadimplência do devedor, porque dispõe o art. 97 do C.T.N. que 'somente a lei pode estabelecer: (...) V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas.' Com efeito, a norma que impõe multa moratória para recolhimentos espontâneos, fora de prazo, sempre esteve integrada no nosso ordenamento jurídico, como atesta, por exemplo, o art. 74 da Lei 7.799/1989, que expressamente prescrevia: 'Art. 74 Os tributos e contribuições administrados pelo Ministério da Fazenda, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de vinte por cento e juros de mora na forma da legislação pertinente, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente”. Esta regra foi sucedida por outras tantas, sempre com o objetivo de agravar a obrigação tributária cumprida a destempo, como se colhe do art. 30 da Lei 8.218/1991, art. 59 da Lei 8.383/1991, art. 84 da Lei 8.981/1995 e art. 61 da Lei 9.430/1996, demonstração inequívoca de que, por mais dinâmica que possa ser a legislação tributária, o instituto da multa moratória sempre esteve presente no ordenamento, revelandose imprescindível como instrumento inibidor da inadimplência. " Inobstante os robustos argumentos da recorrente, inclusive citando julgados recentes da CSRF, perfilome dentre os que entendem que a denúncia espontânea não se aplica para exclusão da multa de mora. Todavia, o Regimento Interno do CARF, sofreu algumas alterações pela Portaria nº 586, de 22/12/2010, dentre as quais se destaca o acréscimo do artigo 62 A, segundo o qual as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, bem como pelo Supremo Tribunal FederalSTF, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Fl. 237DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 12/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 12/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 11618.004918/200690 Acórdão n.º 140200.508 S1C4T2 Fl. 142 6 Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Consultando os julgados do STJ em matéria repetitiva, verificase a seguinte decisão: RECURSO ESPECIAL Nº 1.149.022 SP (2009/01341424) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : BANCO PECÚNIA S/A ADVOGADO : SERGIO FARINA FILHO E OUTRO(S) RECORRIDO : UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a Fl. 238DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 12/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 12/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 11618.004918/200690 Acórdão n.º 140200.508 S1C4T2 Fl. 143 7 necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Logo, à luz do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, doravante, há que se aplicar o entendimento do STJ quanto a essa matéria.” Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, para cancelar a exigência da multa de mora pelo pagamento do tributo após a data de vencimento, no valor de R$ 4.587,59. Sala das Sessões, em 31 de março de 2011 (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 239DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 12/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 12/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.010136/2006-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002
Ementa: IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. TRANSFERÊNCIA DE
RECURSOS AO EXTERIOR. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. AUSÊNCIA DE DEMONSTRATIVO DE VARIAÇÃO PATRIMONIAL. NULIDADE.
De acordo com a Lei 7.713/88, o acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurado através de demonstrativo de evolução patrimonial que indique, mensalmente, tanto as origens e recursos, como os dispêndios e aplicações.
Ausente qualquer demonstrativo de variação do patrimônio do contribuinte apto a presumir a omissão de rendimentos, na forma da legislação, nulo o auto de infração por fazer incidir o tributo sobre a simples remessa ao exterior.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-001.211
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. TRANSFERÊNCIA DE RECURSOS AO EXTERIOR. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. AUSÊNCIA DE DEMONSTRATIVO DE VARIAÇÃO PATRIMONIAL. NULIDADE. De acordo com a Lei 7.713/88, o acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurado através de demonstrativo de evolução patrimonial que indique, mensalmente, tanto as origens e recursos, como os dispêndios e aplicações. Ausente qualquer demonstrativo de variação do patrimônio do contribuinte apto a presumir a omissão de rendimentos, na forma da legislação, nulo o auto de infração por fazer incidir o tributo sobre a simples remessa ao exterior. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente Substituto Fl. 278DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10580.010136/200600 Acórdão n.º 210101.211 S2C1T1 Fl. 262 2 (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos (Presidente Substituto), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, José Evande Carvalho Araujo (convocado) e Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 248/258) interposto em 15 de janeiro de 2008 contra o acórdão de fls. 239/242, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA), do qual o Recorrente teve ciência em 17 de dezembro de 2007 (fl. 245), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 03/06, lavrado em 22 de novembro de 2006, em decorrência de acréscimo patrimonial a descoberto, verificado no anocalendário de 2001. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 RECURSOS FINANCEIROS NO EXTERIOR. VARIAÇÃO PATRIMONIAL. Recursos financeiros aplicados no exterior, não cobertos pelos rendimentos declarados, ou cuja origem regular não tenha sido comprovada, revelam variação patrimonial a descoberto, sujeita ao imposto de renda. Lançamento Procedente (fl. 239). Não se conformando, o contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 248/258), pedindo a reforma do acórdão recorrido, para anular o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. No que tange à omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior, o Recorrente foi identificado como “order customer” [cliente que determinou a ordem de Fl. 279DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10580.010136/200600 Acórdão n.º 210101.211 S2C1T1 Fl. 263 3 pagamento]” de remessas para o exterior para a subconta n.º 311050, denominada LARRETT International Inc. (fls. 47/60), esta última inserta na contaônibus “Beacon Hill Service Corp.”. A matéria, em um primeiro momento, foi objeto de dois julgamentos que ocorreram em reunião da então 2ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, da qual fui membro, no mês de dezembro de 2008, sendo que a situação do ordenante foi examinada no Recurso 162.573, e a do beneficiário final, no Recurso 159.609. No primeiro caso, fui o relator, tendo proferido o seguinte voto: “O recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. No mérito, a Recorrente cingese a aduzir que (i) os documentos trazidos aos autos não teriam qualquer valor probante, eis que produzidos em idioma alienígena ao vernáculo nacional, o que demandaria a sua tradução para o português por meio de tradutor juramentado, sob pena de restarem ineficazes as provas produzidas; (ii) o Fisco não teria se desincumbido de seu ônus probatório, razão pela qual restaria sem demonstração a efetiva ocorrência do fato gerador do imposto de renda e, desta forma, igualmente insubsistente o lançamento perpetrado in casu; e, por fim, (iii) está a Recorrente separada de fato de Miguel de Souza Dantas desde 1997, sendo dele hoje divorciada, de modo que desconhecia a existência de quaisquer movimentações de recursos na subconta RIGLER, que deveriam ser atribuídas ao seu excônjuge. Pois bem. Traçado o panorama da discussão travada nos presentes autos, entendo oportuna, antes mesmo de aferir a legitimidade dos argumentos oferecidos pela Recorrente, uma breve digressão acerca do indigitado “Escândalo do BANESTADO – Banco do Estado do Paraná” (desbaratado pela designada ‘Operação Farol da Colina’, tradução literal de Beacon Hill), a partir do qual foi lavrado o presente auto de infração. Breve folhear dos autos, em especial no que atine ao Laudo de Exame EconômicoFinanceiro (Laudo nº. 1046/04 – INC – fls. 71 a 83) e ao Memorando Circular Cofis/GAB nº. 2004/00652, este último subscrito pelo Ilmo. Sr. CoordenadorGeral de Fiscalização, Sr. Marcelo Fisch de Berredo Menezes, leva a inferência do ocorrido à época, ou seja, que teriam sido transferidas, ilegalmente, divisas ao exterior, cuja origem não teria sido declarada à Receita Federal, ilícito este proporcionado pelo mecanismo designado em jargão como “dólarcabo”. O histórico fornecido pelos documentos acostados aos autos demonstra que o Departamento de Polícia Federal, mais especificamente a Superintendência Regional no Estado do Paraná, requereu, em estrita obediência ao estatuído pelo art. 5º, incisos X e XII, da Lei Maior, através do Ofício nº. 120/03PF/FT/SR/DPF/PR, ao Juízo da 2ª Vara Criminal de Curitiba, a quebra do sigilo bancário de diversas contas, dentre elas a conta administrada pela Beacon Hill Services Corp. (“BHSC”), representada por doleiros e/ou empresas offshore constituídas pelos mesmos, bem como de suas respectivas subcontas, pedido este deferido na decisão de fls. 98 a 103, proferida no dia 14/08/2003. Com fundamento na respeitável decisão do magistrado então em exercício perante a 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba (Seção Judiciária do Paraná), o Departamento de Polícia Federal expediu o Ofício nº. 001/03 PF/FT/NY/SR/DPF/PR ao PromotorChefe do Condado de Nova Iorque (District Attorney’s for the County of New York), solicitando que fosse fornecida toda a Fl. 280DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10580.010136/200600 Acórdão n.º 210101.211 S2C1T1 Fl. 264 4 documentação relativa à Beacon Hill Service Corp., e de suas respectivas subcontas (fls. 104 a 106). Em atendimento ao aludido ofício, a Promotoria do Distrito de Nova Iorque apresentou diversos documentos, a partir dos quais a Equipe Especial de Fiscalização procurou separar os contribuintes como ordenantes (Order Customer), remetentes (Remmittance) e beneficiários (ACC Party). A documentação apresentada pela Polícia Federal, em atuação conjunta com a Promotoria do Distrito de Nova Iorque, deflagrou esquema fraudulento de operações de câmbio não autorizadas pelo Banco Central na forma da então vigente Circular nº. 2.267, de 10 de abril de 1996, em que os contribuintes remetiam divisas ao exterior por meio do famigerado “Mercado Paralelo” ou “Mercado Negro” (onde o dólar é negociado com ágio), largamente conhecido no Brasil em razão de sua histórica rigidez no controle do câmbio oficial, levemente amenizada com a criação do Segmento de Câmbio das Taxas Flutuantes (dólarturismo), por meio da Resolução 1.552, de 1988. O arquitetado esquema de remessa ilegal de divisas era feito utilizando um sistema de compra e venda de dólares, em operações que os doleiros utilizavam “laranjas”, isto é, pessoas físicas ou mesmo jurídicas que tinham seus nomes veiculados para a abertura e movimentação de contas bancárias que receberiam verbas oriundas de terceiros para a prática do ilícito. Tudo era feito da seguinte forma: os contribuintes procuravam os doleiros entregando a estes ou depositando em contas de “laranjas” o numerário que desejavam remeter ao exterior, e, ato contínuo, os doleiros valiamse da contaônibus “BHSC” e mais especificamente de uma de suas subcontas para determinar o correspondente crédito na conta de um beneficiário, em valor equivalente em dólares no exterior. É dizer, entregavase uma quantia em reais no Brasil para o doleiro que, acionando a “BHSC” no JP Morgan Chase Bank, em Nova Iorque, disponibilizava, imediatamente, o valor correspondente em dólares no exterior, através deste sistema de compensação internacional paralelo (sem registro em órgãos oficiais), operação esta conhecida como dólarcabo. É bem de ver, portanto, que a operação de dólarcabo (“Wire Transfer”) era feita apenas com a transferência eletrônica de dados, sem a transferência física do numerário para o exterior, na qual o doleiro emitia uma ordem de pagamento em nome de um terceiro ordenante para um respectivo beneficiário, que receberia a quantia no exterior sem comunicar a transferência ao Governo Federal. Desta maneira, os doleiros operavam como verdadeiras casas de câmbio não autorizadas, ilícito inclusive tipificado como crime pelo art. 22 da Lei nº. 7.492/86. Vale ressaltar, outrossim, que a transferência pela via acima exposta evitava a comunicação dos dados ao BACEN, burlando o tradicional meio de transferência internacional de fundos, operacionalizado pelo SWIFT (Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication). Feita a apresentação genérica do caso, cumpre mover ao caso objeto do presente recurso. Neste, a Recorrente, juntamente com o Sr. Miguel de Souza Dantas, seu excônjuge, figura como ordenante de diversos pagamentos feitos a contas situadas no exterior, nos valores de U$ 30.000,00; U$ 25.000,00; U$ 50.000,00; U$ 20.000,00; U$ 50.000,00 e U$ 45.145,00 (fls. 69 e 70), todos eles creditados na subconta RIGLER, número 530765047, abarcada pela contaônibus “BHSC”. A partir de um exame pormenorizado dos autos, vêse que a conta RIGLER referiase à sociedade RIGLER S.A., também designada, por vezes, de RIGLER Fl. 281DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10580.010136/200600 Acórdão n.º 210101.211 S2C1T1 Fl. 265 5 CORP. S.A., pessoa jurídica constituída em Montevidéu, na qual o Sr. GABRIEL LEWI e a Sra. CLEMENTE DANA constam como únicos diretores, sociedade esta que intermediava a transferência ilegal de recursos por meio das ditas ordens de pagamento. Portanto, à luz do que a Fiscalização houve por bem inferir, a ora Recorrente teria ordenado a remessa de valores para o exterior, através do malfadado mecanismo do dólarcabo, em operação realizada pela conta RIGLER, conta esta aberta por doleiros nacionais em nome de sociedade constituída de acordo com a legislação uruguaia. Importa tecer, ainda, alguns comentários acerca da legislação uruguaia, especialmente no que concerne à SAL (Sociedad Anônima Local). Neste ponto, importa referir que o Uruguai, muito embora não tenha sido incluído na lista negra de estudo da OCDE, é conhecido por ser destino comum de sociedades offshore constituídas para acumular riquezas com tributação reduzida. Uma das principais vantagens, e talvez por isso tenha sido designado por muitos como a “Suíça da América do Sul”, é a existência de sigilo nas informações e escasso controle sobre o câmbio. A “Sociedad Anônima Local” (SAL), neste esteio, é um veículo especialmente vantajoso para intermediar relações de exportação e importação, possuindo regulamentação que possibilita, dentre outras facilidades, a acumulação de rendimentos em uma jurisdição virtualmente livre de impostos, ainda que estes bens jamais ingressem em território uruguaio. É exatamente por isso, portanto, que muitos doleiros valemse deste tipo de sociedade para operarem verdadeiras casas de câmbio clandestinas, nas quais a principal forma de remessa de quantias ao exterior deriva de ilícitos aduaneiros, em especial aqueles relacionados a exportações ou importações em quantidade diferente do declarado ou em falsa declaração de conteúdo, desembaraços subfaturados ou superfaturados, ou, ainda, exportações fictícias. Ora, in casu, pareceme verossímil que a sociedade RIGLER, proprietária da subconta responsável pela operação fraudulenta, efetivamente utilizava este mecanismo para “abastecer” seus cofres de divisas ilegais, estas utilizadas para as transações efetuadas no caso “BANESTADO”. Notese, inclusive, que, consoante se observa à fl. 75, a aludida sociedade inclusive declarou às autoridades que seus clientes são, em geral, envolvidos com negócios de importação e exportação, sendo certo, ainda, que o modelo societário escolhido (SAL) favorece a acumulação de divisas expatriadas. Vale observar, contudo, que o fato de restar clarividente que a subconta foi utilizada para fins espúrios não significa dizer que é idôneo o presente auto de infração, de modo que as ilações precedentes tiveram apenas o condão de esclarecer as operações e facilitar a análise dos argumentos expendidos ao longo do presente recurso. Pois bem. Passaremos, agora, à análise dos pontos suscitados pela Recorrente. ... Cumpre mover, portanto, à segunda alegação da Recorrente, qual seja, de que o Fisco não se desincumbiu de comprovar que a Recorrente efetivamente emitiu ordem de pagamento das quantias referidas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 135 a 139) e, por conseguinte, seria nulo o auto de infração por essa razão. Fl. 282DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10580.010136/200600 Acórdão n.º 210101.211 S2C1T1 Fl. 266 6 Analisando o argumento da Recorrente, a decisão recorrida houve por bem rechaçar sua pretensão sob o fundamento de que “de acordo com o artigo 42 da Lei 9.430, de 1996, caracterizam omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações” (fl. 181). Quanto a este ponto específico, tenho para mim que assiste total razão à Recorrente. Inicialmente, cumpre destacar que uma simples análise da decisão proferida em primeira instância demonstra, cabalmente, que partiu o douto relator de falsa premissa, qual seja, a de que a fiscalização tivesse apontado a Recorrente como beneficiária dos recursos, de modo que esta os tivesse recebido no exterior, em conta sua, e não tivesse se desincumbido de comprovar a sua origem. Assim sendo, partindo de uma premissa equivocada, igualmente equivocada a conclusão alçada. Neste esteio, cumpre pontuar que o exame do documento acostado às fls. 69 e 70 dos autos demonstra, à saciedade, que foi imputada à Recorrente a qualidade de ordenante (Order Customer) e não de beneficiária dos valores, razão pela qual jamais poderia ter sido o auto de infração lavrado com fundamento na presunção estatuída com base em depósitos de origem não comprovada. Repitase: a Recorrente não recebeu em conta sua depósitos de origem não comprovada, eis que a conta em que foi creditado o valor não lhe pertence. Muito ao contrário, vêse que a conta utilizada era de propriedade da sociedade RIGLER S.A., ou RIGLER CORP. S.A., sociedade esta constituída em conformidade com a legislação uruguaia e representada por GABRIEL LEWI e CLEMENTE DANA, pessoas estas que sequer possuem relação comprovada com a Recorrente. Ora, se a conta não é da titularidade da Recorrente, já se pode depreender uma primeira irregularidade da fiscalização, qual seja, utilizar a norma legal estatuída pelo art. 42 para permitir a presunção em situação que não se subsume à hipótese de incidência do dispositivo, o que fere frontalmente o princípio da legalidade, da tipicidade cerrada, da capacidade contributiva e do nãoconfisco, o que não se pode admitir. Isso sem mencionar o princípio da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, de observância obrigatória nos processos administrativos. Há que se observar, por oportuno, que a utilização equivocada da presunção em referência cria a figura conhecida no direito processual como “prova diabólica” (diabolica probatio), em que se imputa ao acusado o mister de comprovar que desconhecia a conta, ou que não possuía qualquer relação com os mandatários da sociedade RIGLER. Isto porque uma afirmativa de tal sorte indefinida seria tão difícil de comprovar que levaria praticamente à presunção absoluta, não admitida em direito tributário. Quanto a este aspecto curial, vale trazer à baila os ensinamentos de Moacyr Amaral Santos, in verbis: “Daí dizerse, repetindo COCEEI, que, se não pode ser provada a negativa indefinida, não é porque seja negativa, mas porque é indefinida, tanto que nem a afirmativa o pode: “Si negotia indefinita probari non potest id non inde est quia negativa, sed quia indefinita, quum sec afirmativa indefinita potest”. Não se faz a prova de uma negativa indefinida, que seja realmente impossível, não em razão de seu caráter negativo, pois que a prova de uma afirmativa indefinida seria igualmente Fl. 283DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10580.010136/200600 Acórdão n.º 210101.211 S2C1T1 Fl. 267 7 impraticável: como provar que jamais vi tal pessoa? Mas como, por sua vez, provar que sempre usei tal jóia? Em suma, podese concluir que a impossibilidade não decorre da circunstância de se tratar de um fato negativo, mas sim de ser ele indefinido, tanto que diversamente não ocorreria na hipótese de uma afirmativa indefinida” (SANTOS, Moacyr Amaral. Prova Judiciária no Cível e no Comercial. 5ª edição. Vol. 1. São Paulo: Saraiva, 1983, p. 190). Desta maneira, quisesse a fiscalização imputar o ilícito à Recorrente, deveria, ao menos, ter se valido da forma de presunção correta, autorizada em lei para o caso em espécie, qual seja, a demonstração, a partir de Demonstrativos de Variação Patrimonial feitos mensalmente, que a Recorrente não teria recursos para suportar a remessa das quantias ao exterior, eis que, vale repetir, em nenhum momento falouse que a Recorrente era beneficiária de tais recursos. Outrossim, ainda que a autuação tivesse sido fundamentada pelo §1º, do art. 3º, da Lei 7.713/88, o que, como visto, não logrou ocorrer, ainda assim estaria o presente auto de infração inquinado de vício insanável. Isto porque, consoante se observa dos autos, a única prova de que dispõe o Fisco para demonstrar a ocorrência do ilícito é o documento de fls. 69 e 70, no qual o nome da Recorrente figura como Order Customer. Em nenhum momento comprovase que a Recorrente efetivamente entregou o numerário aos doleiros no Brasil e que tal quantia teria sido disponibilizada, em seu equivalente em dólares, ao remetente no exterior. Sequer a Recorrente é apontada como efetiva remetente das divisas! O único e solitário documento apresentado pela fiscalização compõese de um aglomerado de “tiras”, em que a Recorrente tem seu nome veiculado como ordenante da remessa. Mais nada. Nada que comprove a entrega do numerário aos doleiros, ou mesmo que demonstre a ligação da Recorrente com a sociedade titular da subconta RIGLER ou mesmo com seus mandatários. Nada, absolutamente nada, que relacione a Recorrente aos ilícitos perpetrados pela quadrilha do escândalo do BANESTADO. Vale mencionar, porque elucidativo, que nesse tipo de negociação envolvendo doleiros é corriqueiro que se indiquem nomes de “laranjas” para figurarem como ordenantes das remessas, de modo que o fato de a Recorrente constar como ordenante não significa dizer que efetivamente tenha sido ela quem remeteu as quantias ao exterior por meio do dólarcabo. Apenas demonstra que, de alguma forma, os doleiros tiveram acesso a algum ou alguns dos dados da Recorrente, utilizandoos de maneira ilícita e criminosa. Assim sendo, ainda que se tratasse de acréscimo patrimonial a descoberto, deveria a fiscalização ter comprovado que o benefício foi auferido pelo contribuinte com o dispêndio lançado no rol das aplicações de recursos. Era da fiscalização, portanto, o ônus de provar que tais dispêndios de alguma forma favoreceram a Recorrente. Vale citar, neste sentido, os seguintes acórdãos, a seguir ementados: “IRPF – ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO – SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA – Na apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, mediante confronto mensal de “origens” e “aplicações” imprescindível a comprovação efetiva de gastos, não subsistindo valores lançados como aplicações baseados exclusivamente em saque bancário pois não constituem, por si só, prova de gasto, sendo necessária a aprofundação investigatória.” Fl. 284DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10580.010136/200600 Acórdão n.º 210101.211 S2C1T1 Fl. 268 8 (1º Conselho de Contribuintes, 4ª Câmara, Recurso Voluntário n. 121.991, Relator Conselheiro José Pereira do Nascimento, sessão de 13 de julho de 2000) “ACRÉSCIMO PATRIMONIAL MENSAL. FLUXO DE RECURSOS E APLICAÇÕES. SAQUES BANCÁRIOS. Incabível o lançamento fiscal formalizado em mera presunção de que saques bancários constituemse em aplicação de recursos quando não vinculados efetivamente a uma despesa, ou seja, quando não comprovada sua destinação, aplicação ou consumo.” (1º Conselho de Contribuintes, 6ª Câmara, Recursos Ex Officio e Voluntário n. 151.264, Relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula, sessão de 20 de setembro de 2006) Assim, entendo que a fiscalização deveria ter aprofundado a investigação no presente caso, a fim de comprovar a que título se deram tais transferências, o que não foi observado, in casu. Por todas estas razões, em especial por entender que a ausência completa de prova no presente caso, insuficiente sequer a apontar para um indício de que a Recorrente teria, efetivamente, expatriado divisas de maneira ilícita ao exterior, acobertando, dessa forma, a aquisição de renda apta à tributação pelo IRPF, entendo que não deve subsistir o presente auto de infração, por violar princípios básicos estabelecidos tanto pelo Decreto 70.235/72, como também pela Lei Federal n. 9.784/99, em especial no que atine aos princípios da ampla defesa, contraditório, legalidade e segurança jurídica, elencados pelo art. 2º, caput, deste último diploma legal. Desta maneira, resta prejudicada a análise da alegação da Recorrente de que já estaria separada de fato de seu excônjuge, também apontada no auto de infração, eis que tal informação em nada contribui para a análise do presente caso. É preciso mencionar, nesse passo, que este Primeiro Conselho de Contribuintes, a partir de acórdãos proferidos por outras câmaras julgadoras, analisando casos absolutamente idênticos, já se posicionou no sentido de que são nulos os autos de infração produzidos sem suporte em evidências suficientes a comprovar a efetiva existência de renda tributável, a teor do que determina o art. 43 do CTN.” O presente caso, no entanto, apresenta algumas especificidades que não permitem um resultado idêntico àquele alcançado nos demais julgamentos em que fui relator, ou nos quais proferi voto vencedor. De fato, na presente hipótese, em que pese ao fato de haver a fiscalização lavrado o auto de infração com base em acréscimo patrimonial a descoberto, fundamento jurídico adequado para a hipótese do order customer, consoante já registrei em outra oportunidade, deixou de demonstrar, especificamente, a existência de gastos superiores aos recursos declarados na respectiva DIRPF do contribuinte. Nesse esteio, pois, ainda que se entendesse restarem comprovadas as remessas efetuadas ao exterior por meio da citada contaônibus, não se afigura cabível a incidência de imposto de renda sobre a simples remessa. Em outras palavras, a comprovação da remessa de recursos, isto é, pagamentos ou creditamentos, não importa em qualquer acréscimo patrimonial para quem deles dispõe, mas, sim decréscimo patrimonial. Fl. 285DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10580.010136/200600 Acórdão n.º 210101.211 S2C1T1 Fl. 269 9 A simples remessa de valores, pois, à exceção das hipóteses em que feita a não residente (art. 685 do RIR/99), não é fato gerador do imposto de renda, a menos que a fiscalização comprove, adequadamente e por meio de demonstrativo de variação patrimonial mensal, a ocorrência de gastos superiores aos recursos declarados. Notese bem: o acréscimo patrimonial a descoberto, previsto pelo art. 3º, §1º da Lei n.º 7.713/88, não se traduz em um fato gerador sobre pagamentos, mas em uma presunção de omissão de rendimentos, na medida em que o contribuinte deve suportar os gastos efetuados, via de regra, com rendimentos auferidos. Por esta razão precípua, verificandose que o auto de infração em referência não possui qualquer demonstrativo de variação patrimonial, apto a comprovar dispêndios feitos em dissonância com os recursos declarados pelo contribuinte, afigurase absolutamente nulo, eis que sem fundamento legal a base de cálculo apurada in casu. A respeito da necessidade de demonstrativo de variação patrimonial mensal para a apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, cumpre conferir os seguintes precedentes, in verbis: “ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO CRITÉRIOS DE APURAÇÃO A variação patrimonial do contribuinte deve, necessariamente, ser levantada através de fluxo financeiro onde se discriminem, mês a mês, as origens e as aplicações de recursos. Tributamse na declaração de ajuste anual os acréscimos patrimoniais encontrados através da apuração mensal. Interpretação sistemática das Leis nos 7.713/88 e 8.134/90.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 143.035, relator Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, sessão de 05/07/2007) “IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO CRITÉRIOS DE APURAÇÃO A variação patrimonial do contribuinte deve, necessariamente, ser levantada através de fluxo financeiro onde se discriminem, mês a mês, as origens e as aplicações de recursos. Tributamse na declaração de ajuste anual os acréscimos patrimoniais encontrados através da apuração mensal. Interpretação sistemática das Leis nos 7.713/88 e 8.134/90.” (1º Conselho de Contribuintes, 6ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 139.288, relator Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, sessão de 17/03/2005) Assim, ausente o demonstrativo de variação patrimonial mensal, incabível a tributação de acréscimos patrimoniais a descoberto. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso, para anular o auto de infração. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 286DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10580.010136/200600 Acórdão n.º 210101.211 S2C1T1 Fl. 270 10 Fl. 287DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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Numero do processo: 14474.001005/2008-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2002 a 30/06/2005
PRELIMINAR NULIDADE AUTUAÇÃO MPF
Não há que se falar em nulidade quando o MPF e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito cumprem os requisitos exigidos pela legislação de regência.
INEXIGIBILIDADE DA ALÍQUOTA DE 20%. DESVIRTUAMENTO DO
PRODUTO DA ARRECADAÇÃO.
Falece competência ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para decidir acerca da inconstitucionalidade de lei tributária, a teor do disposto na Súmula CARF nº 2.
CRÉDITOS RELATIVOS A CESSÃO DE MÃO DE OBRA
Não havendo prova dos créditos, mesmo após diligência fiscal, não há como considerar o argumento da recorrente.
Numero da decisão: 2301-002.204
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Adriano González Silvério
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2002 a 30/06/2005 PRELIMINAR NULIDADE AUTUAÇÃO MPF Não há que se falar em nulidade quando o MPF e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito cumprem os requisitos exigidos pela legislação de regência. INEXIGIBILIDADE DA ALÍQUOTA DE 20%. DESVIRTUAMENTO DO PRODUTO DA ARRECADAÇÃO. Falece competência ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para decidir acerca da inconstitucionalidade de lei tributária, a teor do disposto na Súmula CARF nº 2. CRÉDITOS RELATIVOS A CESSÃO DE MÃO DE OBRA Não havendo prova dos créditos, mesmo após diligência fiscal, não há como considerar o argumento da recorrente.
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INEXIGIBILIDADE DA ALÍQUOTA DE 20%. DESVIRTUAMENTO DO PRODUTO DA ARRECADAÇÃO. Falece competência ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para decidir acerca da inconstitucionalidade de lei tributária, a teor do disposto na Súmula CARF nº 2. CRÉDITOS RELATIVOS A CESSÃO DE MÃO DE OBRA Não havendo prova dos créditos, mesmo após diligência fiscal, não há como considerar o argumento da recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 16/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 EDITADO EM: Participaram da sessão de julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano Gonzales Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira (presidente) Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº 35.815.3719, a qual exige contribuições previdenciárias descontadas dos segurados empregados e contribuintes individuais e não repassadas à Previdência. A autuada apresentou impugnação alegando os seguintes pontos: i) o MPF lavrado contra a impugnante não preenche os requisitos essenciais; ii) é inválida a ciência do MPF que não seja ao representante legal; iii) o relatório fiscal não foi anexado à autuação, mas somente um “relatório de débito confessado”, o qual não expõe de forma clara e precisa o fato; iv) não foram elencados na NFLD os fundamentos que conferem competência fiscalizatória à autoridade fiscal que a lavrou, cerceando o direito de defesa; v) foram entregues declarações retificadoras para as competências a partir de julho de 2003, que não foram observadas quando da ação fiscal; vi) Na competência maio/2005, foi considerado remuneração o valor recebido a titulo de gratificação pelo empregado Frank James Brandão Rabelo, conforme preenchido na GFIP, indispensáveis, restando viciado em sua forma, carecendo de validade; vii) Ilegitimidade da cobrança das contribuições à alíquota de 20%; viii) Desconsideração de saldos credores decorrente da prestação de serviços mediante cessão de mão de obra (Lei 9.711/98). Diante dos argumentos apresentados pelo contribuinte foi efetuada a diligência fiscal de fls. 276 a 277 que assim concluiu: i) que não há divergência entre o que foi declarado em GFIP e o que foi apurado pela fiscalização; Fl. 474DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 16/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 14474.001005/200853 Acórdão n.º 230102.204 S2C3T1 Fl. 472 3 ii) as retificações procedidas pela empresa por meio de RDEs informando salário família e salário maternidade, foram considerados pela fiscalização e foram retificados nessa NFLD; iii) no conta corrente da empresa tem uma GPS lançada no código 2631 (que identifica recolhimento de retenção de 11%), na competência de abril/2003. Porém a empresa não apresentou GFIP nem RDE informando esta suposta retenção, conforme previsto na legislação, e por esse motivo não foi considerado. Dessa diligência o contribuinte tomou ciência e manifestouse às fl. 282 a 286, a qual não trouxe novos elementos, sustentando ainda que havia incorreções no valor apurado e que a empresa detinha diversos créditos relativos à prestação de serviços por meio d cessão de mão de obra. A autoridade julgadora de primeira instância acolheu parcialmente a impugnação para considerar a retificação procedida na diligência fiscal. A ora recorrente, devidamente intimada, interpôs recurso voluntário renovando os argumentos suscitados na peça impugnatória. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Nulidades na NFLD que violam a ampla defesa Como se depreende do relatório vários são os argumentos suscitados pelo contribuinte no sentido de que a NFLD é nula. Assim todos os argumentos serão apreciados em conjunto. A meu ver não há qualquer nulidade nos Mandados de Procedimento Fiscal, os quais foram todos expedidos pela autoridade tributária competente, conforme detalhadamente apontou a decisão recorrida (fl. 302), dentro dos seus respectivos prazos e dado ciência ao contribuinte. O fato de quem assina o recebimento do MPF não ser o representante legal da empresa não o inquina de viciado, haja vista que a legislação de regência admite que a ciência seja dada a preposto, tal como ocorreu no caso concreto. A título argumentativo valemonos da Sumula CARF nº 09, a qual prevê que a ciência da NFLD pode ser dada a pessoa que não seja o representante legal. Ora, se a NFLD, que constitui o crédito tributário pode ser dada ciência a pessoa que não seja o representante Fl. 475DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 16/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 legal, não vejo óbices para que o mesmo entendimento seja aplicado ao MPF, instrumento de controle da fiscalização. Em relação às demais questões de nulidade da NFLD devemos destacar que quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235, de 06/03/72, verbis: “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I – a qualificação do autuado; II – o local, a data e a hora da lavratura; III – a descrição do fato; IV – a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V – a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI – a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” “Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I – a qualificação do notificado; II – o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III – a disposição legal infringida, se for o caso; IV – a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” A recorrente foi devidamente intimada de todos os atos processuais, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. “Art. 23. Farseá a intimação: I – pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.535, de 10.12.1997) II – por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III – por edital, quando resultarem improficuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004)” Fl. 476DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 16/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 14474.001005/200853 Acórdão n.º 230102.204 S2C3T1 Fl. 473 5 Verifico, outrossim, que a NFLD foi lavrada por autoridade competente, contém todos os documentos indispensáveis, em especial o Relatório que embasa a autuação, bem como o FLD com os fundamentos legais do débito. Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Assim, rejeito a preliminar de nulidade da autuação. Mérito No mérito a recorrente sustenta que a contribuição patronal não poderia ser exigida à alíquota de 20% e que teria havido um desvirtuamento da destinação constitucional do produto da arrecadação das contribuições previdenciárias. Entendo que para, eventualmente, afastar as disposições legais que rege a matéria acima suscitada o órgão julgador teria que, necessariamente, avaliar a constitucionalidade da lei de regência, competência essa que falece a esse órgão administrativo, conforme exposto na Sumula CARF nº 02. Alega ainda, em grau recursal que o Fisco não considerou diversos créditos da empresa decorrente da prestação de serviços realizados mediante cessão de mão de obra. Ocorre que, como já apontado no presente relatório, por meio de diligência fiscal havia apenas uma GPS identificada com código relativo a cessão de mão de obra, a qual não foi objeto de declaração em GFIP nem RDE informando a prestação de serviços. Mesmo após essa diligência o contribuinte não trouxe elementos comprobatórios que indicassem tal crédito. Logo, também não procedem esses argumentos. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER o recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, mantida a autuação fiscal na íntegra. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 477DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 16/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.005533/2007-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 22/03/2007
EMBARGOS CONTRADIÇÃO PROPOSITURA PELA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL.
Com fulcro no art. 64, I e 65 e seguintes do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
A apreciação do recurso embargado deve ater-se aos termos do embargos.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 4º DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, I DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 NÃO ENTREGA DE GFIP MULTA RETROATIVIDADE
BENIGNA APLICAÇÃO LEI 11.941/2009.
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior
Embargos Acolhidos
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-001.737
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos acolher os embargos de declaração para re-ratificar o acordão 240101.087,
sem alteração do resultado do julgamento.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 22/03/2007 EMBARGOS CONTRADIÇÃO PROPOSITURA PELA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL. Com fulcro no art. 64, I e 65 e seguintes do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. A apreciação do recurso embargado deve ater-se aos termos do embargos. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 4º DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, I DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 NÃO ENTREGA DE GFIP MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA APLICAÇÃO LEI 11.941/2009. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior Embargos Acolhidos Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Com fulcro no art. 64, I e 65 e seguintes do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. A apreciação do recurso embargado deve aterse aos termos do embargos. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 4º DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, I DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 NÃO ENTREGA DE GFIP MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA APLICAÇÃO LEI 11.941/2009. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior Embargos Acolhidos Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos acolher os embargos de declaração para reratificar o acordão 240101.087, sem alteração do resultado do julgamento. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10580.005533/200732 Acórdão n.º 240101.737 S2C4T1 Fl. 290 3 Relatório Considerando a propositura de embargos com fulcro no art. 64, I do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, a Fazenda Nacional, opõe, tempestivamente, Embargos de Declaração contra o Acórdão nº 240101.087 – de 24 de fevereiro de 2010 . Tratase de embargos opostos pela procuradoria por entender que o acordão prolatado apresenta omissão/contradição, conforme descrito abaixo. Destaca a embargante que o resultado do acórdão foi no sentido” de dar provimento parcial ao recurso para recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei 9430/1996, deduzidos os valores levantados à título de multa nas NFLDs correlatas.” Contudo, ao analisar o dispositivo do acórdão proferido verificouse que ele determinou a aplicação do art. 32A, I e II, nos seguintes termos: “Voto no sentido de CONHECER do recurso, para DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que se exclua do lançamento, face a aplicação da decadência qüinqüenal, as contribuições até a competência 11/2001, bem como para que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32 – A, I e II. No mérito NEGO PROVIMENTO AO RECURSO.” Verificase que houve no caso erro/contradição na lavratura do acórdão, uma vez que o corpo do dispositivo traz decisão diferente do que dispôs o resultado do acordão. Destaque a ilustre procuradora que com o advento da Lei 11941/2009, o art. 32_A e o art. 35A( que remete ao 44, I da lei 9430/1996), ambas da lei 8212/91 regulam situações distintas. Dessa forma, requer o acolhimento dos presentes embargos de declaração, com efeitos aclaratórios, para corrigir a conclusão (dispositivo) do acórdão, sem, contudo, alterar a aplicação do art. 44, I da lei 9430/1996 adotado no resultado pelo Órgão Colegiado. Contudo para adentrar aos pontos que entende a relatora geraram contradição, transcrevo abaixo o relatório do acordão que não sofreu qualquer alteração. Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 4º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, I do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, o autuado não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias nas competências envolvendo o período de 09/2000 a 01/2007. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 22/03/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 28/03/2007. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 48 a 55. A DecisãoNotificação confirmou a procedência, total do lançamento, fls. 72 a 82. Enfatiza a autoridade julgadora, que mesmo tendo o recorrente apresentado em data posterior comprovante de entrega de GFIP das competência 12/2006 e 01/2007 em 03/07/2007, não o fexz dentro do prazo estipulado pelo Decreto 6032/2007, ou seja até o prazo final do período de impugnação. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 87 a 94. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: Que o motivo do início da ação fiscal, foi a sua intenção em aderir ao parcelamento da Lei nº 10684/2003, considerando ter tido dificuldades de em sozinho fazer o levantamento do suposto débito. Neste sentido, procurou o impugnante atender todas as solicitações da autoridade fiscal. Apenas em duas ocasiões o impugnante teve contato com o auditor fiscal, e que o mesmo poderia buscar esclarecimentos. Em momento algum o recorrente agiu com dolo na intenção de dificultar o procedimento fiscal. O contribuinte nunca fez retenções ou descontos em pagamentos de salários , retiradas de sócios, à título de contribuição previdenciária. Parte do crédito encontrase alcançado pela decadência qüinqüenal, sendo assim, ilegal a cobrança de contribuições anteriores a 01/2002. O auditor agindo com extremo selo, não refletiu sobre os efeitos danosos desse lançamento. Não é justo aplicar tantas multas em um microempresário que pela primeira vez está sendo fiscalizado. O contribuinte não conseguiu dentro do prazo descrito no Decreto 6032/2007, encaminhar as GFIP que ensejaram autuação, pois a mídia HD que continha todos os dados históricos de sua folha de pagamento ficou inutilizado. As microempresa devem, nos termos da legislação ter tratamento diferenciado e favorecido. Não é justo a aplicação de multa pela falta parcial de atendimento do fisco, e mais em momento algum conseguiu demonstrado prejuízo irreparável. O recorrente nesse ato, após obter orientações enviou as GFIP objeto do lançamento em tela, conforme comprovantes anexos. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10580.005533/200732 Acórdão n.º 240101.737 S2C4T1 Fl. 291 5 Não conseguiu o recorrente a tempo providenciar o encaminhamento para obter a relevação, fato esse que requer nesta instância de julgamento. Por fim, requer o cancelamento do lançamento fiscal. A Receita Previdenciária encaminhou o recurso a este conselho, sem a apresentação de contrarazões . É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: Os pressupostos já foram devidamente apreciados quando do julgamento realizado, ora objeto de embargos. DA ANÁLISE DOS EMBARGOS Considerando os embargos opostos pela Fazenda Nacional, entendo que realmente existe uma contradição entre a parte dispositiva e os termos da decisão proferida pelo colegiado. Na verdade, entendo que o mesmo apresenta contradição entre os fundamentos e parte dispositiva, já que se trata de auto de infração – código 67, deixar a empresa de informar em GFIP, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Contudo, apesar do relatório e no próprio voto fazer constar o correto dispositivo legal infringido, na parte do mérito quanto a aplicação da MP 449/2008, convertida na Lei 11941/2009, constou informação acerca da fundamentação de outro dispositivo infringido, qual seja art. 32, §5º, o que acaba por alterar a parte dispositivo e por conseqüência execução do julgado mesmo considerando o provimento parcial para adequação aos termos da Lei 11.941/2009. Notese que o ponto devolvido para análise por meio dos embargos diz respeito a aplicação de multa mais benéfica, sendo este o único ponto a ser abordado no voto a seguir. ANÁLISE DA APLICAÇÃO DA LEI 11.941/2009 APÓS O ACOLHIMENTO DOS EMBARGOS. Contudo, ao contrário da fundamentação para aplicação da retroatividade benigna exarada no Acórdão nº 240101.087 – de 24 de fevereiro de 2010, a aplicação da lei 11.941/2009 deve ser assim entendida. Não obstante a correção do auditor fiscal em proceder ao lançamento nos termos do normativo vigente à época da lavratura do AI, foi editada a Medida Provisória MP 449/09, convertida na Lei 11.941/2009, que revogou o art. 32, § 4o, da Lei 8.212/91. Assim, no que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da referida MP, convertida em lei. A citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a MP 449/2008, convertida na Lei 11941/2008, inseriu o art. 32 A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10580.005533/200732 Acórdão n.º 240101.737 S2C4T1 Fl. 292 7 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado. As contribuições decorrentes da omissão em GFIP foram objeto de lançamento, por meio das notificação destacadas no Termo de Encerramento da Ação Fiscal Fl. 7DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 TEAF, tendo havido o lançamento de ofício, não se aplicaria o art. 32A, sob pena de bis in idem. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No caso da notificação conexa e já julgada, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 35, inciso II, revogado pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. No caso da autuação em tela, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de cem por cento da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. DO MÉRITO Quanto ao mérito, como não houve a oposição de embargos, deve ser mantido inalterado o resultado proferido, bem como as razões que fundamentaram a negativa do provimento ao recurso CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO DOS EMBARGOS, para reratificar o acordão 240101.087, sem alteração do resultado do julgamento. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 8DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10580.005533/200732 Acórdão n.º 240101.737 S2C4T1 Fl. 293 9 Fl. 9DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 13963.000190/2005-41
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENOPORTE SIMPLESAno-calendário: 2002NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.Atendidos todos os requisitos formais, somente ensejam nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de ampla defesa, hipóteses essas que se encontram ausentes nos presentes autos.SIMPLES. EXCLUSÃO. DESMEMBRAMENTO.Não poderá optar pelo Simples, a pessoa jurídica que seja resultante de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento da pessoa jurídica.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 1803-000.886
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Atendidos todos os requisitos formais, somente ensejam nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de ampla defesa, hipóteses essas que se encontram ausentes nos presentes autos. SIMPLES. EXCLUSÃO. DESMEMBRAMENTO. Não poderá optar pelo Simples, a pessoa jurídica que seja resultante de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento da pessoa jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13963.000190/200541 Acórdão n.º 180300.886 S1TE03 Fl. 168 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Roberto Armond Ferreira da Silva, Sérgio Rodrigues Mendes, Benedicto Celso Benício Júnior, Selene Ferreira de Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “A partir de Representação Administrativa da Secretaria da Receita Previdenciária,(fls. 02 a 03), foi emitido pelo Delegado da Receita Federal em Florianóplois/SC o Ato Declaratório Executivo n° 53, de 31 de março de 2006, para excluir a pessoa jurídica acima identificada do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, tendo em vista que esta resultou da cisão ou qualquer outra forma de desmembramento da pessoa jurídica, situação que se enquadra no inciso XVII, art. 9°, da Lei 9.317/96. Os efeitos da exclusão, a teor do que dispõe o inciso II, art. 15, do mesmo diploma legal citado acima e alterações posteriores, retroagem a 01/01/2002. Nesta representação, o auditorfiscal da Previdência Social, em síntese, informa que, diante da realidade fática, resta evidente que a empresa acima identificada resultou do desmembramento da Indústria do Couro Ltda, a fim de obter as condições formais necessárias para usufruir indevidamente, dos beneficios oferecidos pelo Simples. Foram juntados aos autos, às fls. 13 a 116, para a instruir o processo, cópia de vários documentos. Por sua vez, cientificada da exclusão, documento de fls. 130, a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 131 a 141), alegando, em breve síntese, que: em virtude de não ter sido cientificada da Representação Administrativa, emitida pelos auditores fiscais da Receita Previdenciária, o seu direito de defesa fora cerceado, portanto, nula de pleno direito; também é nulo o ADE exarado, pois, uma vez recebida a referida representação, cabia à Delegacia da Receita Federal diligenciar junto à empresa para verificar a veracidade das informações constantes da mesma, oportunizando, inclusive, a defesa da empresa; não há nenhum impedimento legal para que as pessoas da mesma família constituam uma ou mais empresas, tampouco que as impeça de se relacionarem entre si, não consta dos autos provas de que no ano de 2004, o faturamento da interessada aumentou 340%; mas ainda que tal informação fosse verdadeira, Fl. 2DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13963.000190/200541 Acórdão n.º 180300.886 S1TE03 Fl. 169 3 no ano em tela, a empresa, em virtude do aumento de receita, se excluiu do Simples; não há que se falar em cisão ou desmembramento, pois sequer há nos autos qualquer prova de separação ou divisão do patrimônio da manifestante, tanto é que continua desenvolvendo suas atividades como sempres desenvolveu. À vista do exposto, a interessada conclui que não há qualquer ato excludente da opção pelo referido sistema, assim, o ADE exarado deve ser considerado nulo e conseqüentemente o seu direito de optar pelo Simples deve ser restituído.” A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação, com base nos seguintes fundamentos (fls. 143/145): a) Considerandose que o ADE exarado fora lavrado pelo Delegado da Receita Federal em Florianópolis, autoridade competente da jurisdição da defendente, contendo a motivação para a sua lavratura, os fundamentos legais que lhe dão arrimo, e que a empresa foi devidamente cientificada do referido ato, tanto é que apresentou manifestação de inconformidade, ora analisada, concluise que o mesmo não padece de qualquer vício formal, escorreito, portanto, o procedimento adotado pela autoridade supracitada. b) O legislador, por meio do inciso XVII, do art. 9° da Lei n° 9.317/1996, pretendeu impedir que a pesoa jurídica, no intuito de se adequar à nova sistemática, proceda o desmembramento (divisão da sua empresa em duas ou mais, para que estas se beneficiem do limite de faturamento fixado para o respectivo enquadramento como Microempresa ou EPP, ou para que separe a exploração de atividade para a qual é admitida a possibilidade de adesão pelo novo Sistema da que é vedada a opção. Ou seja, não pode o contribuinte, por meio de cisão ou de qualquer outra forma de desmembramento da pessoa jurídica, alcançar o objetivo de recolher seus tributos pelo SIMPLES. c) No caso em comento, temos a seguinte situação: consoante Representação Administrativa o único fato a indicar a possibilidade da existência da interessada seria o endereço da sede previsto contratualmente, pois, consoante informações colhidas "in loco", na verdade, o referido imóvel é utilizado pela empresa Industria do Couro Ltda como depósito de matéria prima. Além disso, embora a manifestante não tenha apresentado os livros contábeis, o seu Programa de Prevenção de Riscos Ambientais — PPRA, traz como endereço de funcionamento o mesmo daquela. d) Vários empregados, de acordo com rescisões de contrato de trabalho e atestados de saúde ocupacional, embora conste do livro de registro de empregados da interessada, também eram considerados como funcionários da Industria de Couro Ltda; a função de gerente de recursos humanos de ambas as empresas era desenvolvido pela mesma segurada empregada; o faturamento das duas empresas até o exercício de 2003, se informados juntos, equivaleriam ao dobro do limite legal previsto pela norma; a sócia gerente Elta Marisane Coelho Paes retirouse do quadro societário da Indústria de Couro Ltda em 20/01/2000, vindo a constituir, na mesma data, juntamente com um dos seus filhos, a empresa em tela. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13963.000190/200541 Acórdão n.º 180300.886 S1TE03 Fl. 170 4 e) Verificase que sob as vestes da legalidade, dissimulase a unicidade do empreendimento, uma vez que de acordo com os dados constantes dos autos, em conjunto, levam à conclusão de que se trata de empreendimento único, cuja partição, permitiu à manifestante usufruir indevidamente do tratamento tributário diferenciado Simples. Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, tece as seguintes considerações: a) Deve ser acatada a preliminar a fim de anular o ato declaratórià de exclusão por total ausência do contraditório e da ampla defesa. b) No que diz respeito à saída da sócia Elta Marisane Coelho Paes da empresa Indústria do Couro Ltda. e a criação da Curthy Couro Ltda. com seu filho Isael Coelho Paes, nada há de ilegal, eis que a Lei do Simples não veda que pessoas da mesma família constituam uma ou mais empresas e assim usufruam os benefícios da legislação. Em, outras palavras, não há na lei qualquer figura tipificando como ilícito administrativo ou penal, ou mesmo proibição expressa de registro no Simples de duas empresas perfeitamente constituídas por entes da mesma família. c) O fisco não pode presumir que o aumento de receita seja demonstração de sonegação. d) Não há nos autos qualquer prova de que há ou houve transferência de recursos entre ambas. e) O fato de haver colaboração operacional entre empresas distintas pertencentes a membros de uma mesma família não indica e nem prova sonegação fiscal, nem tampouco há previsão legal que impeça este relacionamento, até porque todas as operações indicadas pelos auditores da Previdência Social estão devidamente registradas nas contabilidades das respectivas empresas. f) A vingar a acusação, então grandes grupos financeiros, como o Bradesco, o Itaú, a própria Secretaria da Receita Federal e o INSS em ação conjunta, os consórcios de empresas e outros não poderiam utilizarse das mesmas agências, dos mesmos funcionários e da mesma estrutura física, inclusive de mesmas linhas telefônicas para realizar negócios com as mais diversas empresas do grupo, tais como de arrendamento mercantil, corretoras de seguros, operações bancárias, venda de planos de saúde, entre outros. g) No caso dos autos não houve separação ou divisão do patrimônio da empresa Indústria do Couro Ltda., para dar ensejo ao nascimento da empresa Curthy Couro Ltda. Aliás, sequer há nos autos qualquer prova nesse sentido. O que houve foi apenas a saída da sócia Elta Marisane Coelho Paes da Indústria do Couro Ltda. para integrar a uma nova empresa e nada mais. h) O Ato Declaratório que a excluiu do Simples terá conseqüências nefastas e fará com que todas as conquistas até aqui alcançadas sejam perdidas. Pior ainda, fará com que fatalmente desapareça do mercado, eis que não terá condições de arcar as pesadas conseqüências indicadas no procedimento fiscal. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13963.000190/200541 Acórdão n.º 180300.886 S1TE03 Fl. 171 5 Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 14/07/2009 (AR de fls. 150). O recurso foi protocolado em 28/07/2009, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. Primeiramente é mister analisar a preliminar de nulidade do ato declaratório pelo fato de não ter sido dada ciência da representação fiscal elaborada pelos auditores da Previdência Social, e pela expedição do ato declaratório antes da manifestação da recorrente. A decisão recorrida não merece reparos no tocante à preliminar de nulidade. Nos termos do art. 15 da Lei n° 9.317/1996, deve ser assegurado o contraditório e a ampla defesa após a expedição do ato de exclusão. No presente caso, constatamos que foram obedecidos rigorosamentes os procedimentos previstos na legislação, não se vislumbrando a ocorrência de cerceamento do direito de defesa, uma vez que a contribuinte pode ter vista do inteiro teor dos autos, exercendo plenamente o seu direito de defesa ao protocolar a manifestação de inconformidade, e o presente recurso voluntário. O princípio da ampla defesa e do contraditório está elencado no artigo 5º, letra LV da Constituição Federal, que assim dispõe: “Aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”. A simples leitura do dispositivo constitucional demonstra, de pronto, que não ocorreu qualquer violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa nele esculpidos, posto que, no caso vertente, a recorrente teve ciência do ato declaratório, sendolhe concedido o prazo necessário para a apresentação de todas as provas ao seu alcance para impugnar o ato. As garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa foram rigorosamente respeitadas, na medida em que foi oportunizado ao contribuinte, em todas as fases processuais, o exame do processo e a obtenção das cópias das peças que o integram. A instauração do contraditório está demonstrada, de modo inequívoco, mediante a ciência pessoal da contribuinte (fls. 130) e a concessão do prazo de trinta dias para a contribuinte apresentar as razões de fato e de direito que militam a seu favor e produzir todas as provas admitidas no direito, para corroborar suas alegações, requerendo, inclusive, a realização de diligências e perícias. Desta forma, podese concluir que a garantia constitucional da ampla defesa, no âmbito do processo administrativo fiscal, restou plenamente observada e cumprida, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa. No mérito, a fiscalização afirma que a empresa Industria do Couro Ltda, CNPJ n° 00.825.424/000195, e a recorrente, apesar de serem duas pessoas jurídicas distintas, Fl. 5DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13963.000190/200541 Acórdão n.º 180300.886 S1TE03 Fl. 172 6 na realidade são uma única empresa atuando no ramo de “confecção de roupas de tecido e couro, comércio atacadista de confecções de tecido e couro e fabricação de calçados de couro”. Para corroborar esse entedimento coligiu aos autos os seguintes elementos de prova: • Se somados o faturamento das duas empresas, a partir de 2001, o valor ultrapassa o limite legal de R$ 1,2 milhões. • Até o exercício de 2003 o faturamento informado pelas empresas situase próximo do limite legal (R$ 1.200.000,00). A partir de janeiro de 2004, com a exclusão da Indústria do Couro Ltda do regime simplificado, observase salto de 2,5 milhões em 2003 para 8,6 milhões em 2004. Um incremento acima de 340%. • O Laudo Técnico das Condições Ambientais do Trabalho da Curthy Couro, informa que a perícia realizada em agosto e setembro de 2003 teve o acompanhamento da funcionária Isabel Costa da Cunha. O laudo técnico da Indústria, do Couro Ltda, por seu turno, elaborado na mesma data e pelo mesmo profissional, registra a mesma informação a respeito da perícia realizada. Conclusão inusitada: a trabalhadora Isabel Costa da Cunha seria, simultaneamente, empregada de ambas as empresas.(fls. 87/89) • O Programa de Prevenção de Riscos Ambientais PPRA da Curthy Couro registra o endereço da empresa como sendo na Avenida Getúlio Vargas, 2228, Jardim das Avenidas, Araranguá. (fls. 55). • No item concernente à descrição das atividades da empresa, o Laudo Técnico das Condições Ambientais do Trabalho LTCAT da Curtrhy Couro informa que: "A Curthy Couro, tem a sede situada no bairro Coloninha, na cidade de Araranguá, tem como atividades a produção artefatos de couro. Na sede em Araranguá, fica a administração e contabilidade, ali são tomadas as decisões relativas à pessoal, compras e controle dos pagamentos. No prédio no bairro Jardim das Avenidas, está todo processo produtivo, nele acontece o recebimento da matéria prima, o corte das peças, a montagem em diversas etapas, e o acabamento das peças. Ali também, acontecem os serviços de apoio, como o de manutenção de equipamentos, cozinha industrial, refeitório e a creche". (fls. 66) • O Laudo Técnico das Condições Ambientais do Trabalho da Indústria do Couro, informa que tem a sede situada no bairro Jardim das Avenidas, na Cidade de Araranguá, tem como atividades a produção artefatos de couro. Na sede em Araranguá, fica a administração e contabilidade, ali são tomadas as decisões, relativas a pessoal, compras e controle dos pagamentos. No mesmo prédio esta a todo processo produtivo, nele acontece o recebimento da matériaprima, o corte das peças, a montagem em diversas etapas, e o acabamento das peças. Ali também acontece os serviços de apoio, como o de manutenção de equipamentos, cozinha industrial , refeitório e a creche. (fls.31) • O prédio no bairro Jardim das Avenidas é a sede da Indústria do Couro Ltda e aquele local apontado como "na sede em Araranguá" era onde funcionava seu depósito, atualmente um galpão com aparência de abandono. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13963.000190/200541 Acórdão n.º 180300.886 S1TE03 Fl. 173 7 • Notas fiscais que, embora emitidas contra a Curthy Couro, registram endereços e/ou título de estabelecimento da Indústria do Couro Ltda. (fls. 106/116). • A indistinção das empresas fica patente até no número de telefone informado naqueles documentos exibidos à auditoria fiscal. Juntamos, por amostragem, cópias das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP da Curthy Couro referente as competências 05/2001, 07/2003 e 11/2004 e da Indústria do Couro nas competências 06/2001, 12/2002 e08/2004. Notese que as duas empresas são atendidas pela mesma linha telefônica, através do número (0048) 05240016 que pertence, efetivamente, a Indústria do Couro Ltda. (fls 89/94) • Como a separação das empresas era meramente formal, em vários documentos e procedimentos administrativos, os próprios empregados e/ou profissionais de assistência médica resgatam verdade. Embora formalmente registrados na Curthy Couro, empregados eram comumente considerados como funcionários da Indústria do Couro Ltda, razão social que assume, de fato os negócios da empresa. • A empregada Gilseane Lopes de Almeida, demitida em 07/03/2003, com registro formal na Curthy Couro, identifica o seu empregador como sendo a Indústria do Couro Ltda, nos termos da correspondência de 05/02/2003, cuja cópia anexamos (fls. 95/96). • Os atestados de saúde ocupacional qualificam Ener Margarete da Silva Alves, Janete Pereira de Souza, Giliana Resena Pacheco e Dolvina da Silva Rosa como funcionárias da Couro Pele Ltda. Na verdade todas apresentavam vínculo empregatício formal era com a Curthy Couro, conforme se verifica nos respectivos termos de rescisão de contrato de trabalho.(fls. 97/104) • O termo de rescisão de contrato de trabalho de Lílian da Silva Pedro traz o carimbo padronizado e dados do empregador Curthy Couro e homologação realizada por Isabel Costa da Cunha, gerente de recursos humanos da Indústria do Couro Ltda. (105) Com base nestes elementos a autoridade administrativa conclui que a “Indústria do Couro Ltda é quem desenvolve verdadeiramente as atividades, sendo assim reconhecida perante seus clientes, fornecedores, empregados e comunidade em geral. A razão social Curthy Couro Ltda fica limitada a uma existência meramente formal, somente no papel, fruto do artifício empregado para a obtenção indevida do tratamento tributário estabelecido com a lei do SIMPLES.” A recorrente traz em seu socorro o princípio segundo o qual o que a lei não proíbe expressamente é tacitamente permitido. Ocorre porém, que a lei veda expressamente a opção pelo Simples pela pessoa jurídica resultante de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento. A fiscalização afirma que a recorrente é resultante de um desmembramento meramente formal da Indústria do Couro Ltda. A recorrente se apegou ao termo cisão. De fato, não há cisão, tal como definida na Lei n° 6.404/1976. No entanto, como muito bem salientado pela decisão recorrida, a legislação, com o fito de impedir que uma pessoa jurídica se dividisse artificialmente para Fl. 7DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13963.000190/200541 Acórdão n.º 180300.886 S1TE03 Fl. 174 8 burlar a regra que estabelece um limite para o enquadramento, utilizou uma expressão bem ampla, qual seja, “qualquer outra forma de desmembramento”. No presente caso, um dos sócios saiu do quadro societário da Indústria de Couro Ltda. Para constituir uma nova empresa, a ora recorrente. Rubens Requião nos dá a seguinte definição de empresa: A Empresa, como entidade jurídica, é nada mais que uma abstração, pois surge do manifesto intencional do empresário em exercitar uma atividade econômica, compondose da organização dos fatores de produção para o pleno exercício de uma atividade. (REQUIÃO, Rubens. Curso de Direito Comercial. 25.e.v.1. São Paulo:Sariava, 2003, p.57) A questão fundamental que se coloca é a seguinte: a nova empresa criada exerce efetivamente uma atividade econômica, compondose da organização dos fatores de produção? O cojunto probatório coligido aos autos é robusto o suficiente para respondermos negativamente a esta afirmação. A coincidência da criação da recorrente no momento em que o faturamento da Indústria de Couro Ltda. atingia o limite legal de enquadramento no regime simplificado; o fato do quadro societário da recorrente ser composto apenas por membros da família do sócio da Indústria de Couro Ltda; a menção no Laudo Técnico das Condições Ambientais do Trabalho da Curthy Couro que o estabelecimento onde ocorria a produção era o prédio no bairro Jardim das Avenidas; o endereço da sede da Indústria de Couro indicado no Programa de Prevenção de Riscos Ambientais PPRA da Curthy Couro; as provas trabalhistas de que os funcionários registrados na recorrente, na realidade eram identificados como trabalhadores da Indústria de Couro Ltda; a identidade nos telefones indicados guias de FGTS e GFIP; as notas fiscais que, embora emitidas contra a Curthy Couro, registram endereços e/ou título de estabelecimento da Indústria do Couro Ltda; são elementos probatórios mais do que suficientes para demonstrar que a saída da sócia Elta Marisane Coelho Paes da empresa Indústria do Couro Ltda., e a criação da Curthy Couro Ltda. com seu filho Isael Coelho Paes, configurou desmembramento que impede a opção pelo Simples. Por conseguinte não merecem reparos as conclusões dos auditores da Previdência Social, nem tampouco da decisão recorrida. Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 8DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13963.000190/200541 Acórdão n.º 180300.886 S1TE03 Fl. 175 9 Fl. 9DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 16366.003266/2007-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP.Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006CRÉDITO. INSUMOS EMPREGADOS NA PRODUÇÃO.Somente geram crédito de PIS os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observado as ressalvas legais.RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO.Disposição expressa de lei veda a atualização monetária ou incidência de juros, pela taxa selic ou outro índice qualquer, sobre os valores objeto de ressarcimento em espécie de PIS e Cofins não cumulativos.Recurso Voluntário Negado.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 3302-000.870
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Gileno Gurjão Barreto, Alexandre Gomes e Andréa Medrado Darzé, que reconheciam o direito ao crédito sobre as despesas com equipamentos de proteção individual.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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INSUMOS EMPREGADOS NA PRODUÇÃO. Somente geram crédito de PIS os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observado as ressalvas legais. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. Disposição expressa de lei veda a atualização monetária ou incidência de juros, pela taxa selic ou outro índice qualquer, sobre os valores objeto de ressarcimento em espécie de PIS e Cofins não cumulativos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Gileno Gurjão Barreto, Alexandre Gomes e Andréa Medrado Darzé, que reconheciam o direito ao crédito sobre as despesas com equipamentos de proteção individual. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator EDITADO EM: 02/03/2011 Fl. 2DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Andréa Medrado Darzé, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata o processo de Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o PIS/Pasep Mercado Externo (fl. 01), transmitido no dia 23/02/2007, relativo ao 4º trimestre de 2006, apurado no regime de incidência nãocumulativa, com fundamento na Lei n° 10.637/2002. Posteriormente, a recorrente apresentou declarações de compensação vinculadas ao seu pedido de ressarcimento. A DRF em Londrina/PR, por meio do Despacho Decisório de fl. 378, deferiu parcialmente o pedido da recorrente, tendo efetuado a glosa de créditos concernentes aos custos/despesas com serviços e produtos relacionados às fls. 368 e considerou, para efeitos de base de cálculo da contribuição, outras receitas operacionais (Grupo 81) não computadas pela recorrente. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. 406/417, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A 3a Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba PR deferiu parcialmente a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 0621.047, de 18/02/2009, cuja ementa abaixo transcrevo: BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. No cálculo do PIS, o sujeito passivo poderá descontar créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços. ERRO NA APURAÇÃO DO CRÉDITO. PIS NÃO CUMULATIVO. Constatado que a autoridade fiscal deixou de computar créditos, por ela reconhecidos de PIS nãocumulativo, conforme prevê a legislação aplicável à época, deve ser deferido o ressarcimento da parcela complementar do correspondente crédito. RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. É incabível a incidência de juros compensatórios com base na taxa SELIC sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos relativos ao PIS, por falta de previsão legal. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 13/03/2010, conforme AR de fl. 440, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 13/04/2010, com o recurso voluntário de fls. 441/452, no qual reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade, que abaixo resumo no essencial. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16366.003266/200780 Acórdão n.º 330200.870 S3C3T2 Fl. 469 3 1 insumo é uma combinação dos fatores de produção (matériasprimas, horas trabalhadas, energia consumida, taxa de amortização, etc.) que entram na produção de determinada quantidade de bens ou serviço. Portanto, o conceito de insumo alcança tudo aquilo que é consumido em um processo, seja para fabricação de bens ou prestação de serviços e/ou aquilo que é utilizado pela empresa para desenvolver e atingir o seu objetivo social. Por este conceito, são dispêndios financeiros (gastos) com insumos os gastos realizados com a aquisição dos seguintes bens e serviços: Alimentação; Cesta Básica; Vale Transporte; Assistência Médica/Odontológica; Uniforme e Vestuário; Equipamento de Proteção Individual; Materiais Químicos e de Laboratórios; Materiais de Limpeza; Materiais de Expediente; Outros Materiais de Consumo; Serviços de Segurança e Vigilância; Serviços de Conservação e Limpeza; Outros Serviços de Terceiros; e Gastos Gerais. 2 A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Londrina/PR reconhece o direito ao crédito da contribuição ao PIS/Pasep sobre os valores dos custos/despesas das seguintes rubricas: serviços de industrialização e serviços de manutenção e reparos; 3 o valor a ressarcir deve ser atualizado pela Taxa Selic, conforme previsto no art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95. Cita decisão da CSRF sobre aplicação da taxa Selic no ressarcimento de crédito presumido de IPI (art. 1º da lei nº 9.363/96); Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o relatório do essencial Voto Conselheiro Walber José da Silva O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele conheço. Como relatado, a empresa recorrente está pleiteando o ressarcimento de PIS não cumulativo, cujo crédito pleiteado foi aproveitado para efetuar a compensação com débitos também da recorrente, devidamente declarados à RFB. A RFB deferiu parte do crédito pleiteado por ter efetuado a glosa de créditos sobre despesas que não se enquadram no conceito de insumo e/ou que não existe previsão legal, além de incluir receita financeiras na base de cálculo da exação. Com relação aos créditos, a RFB efetuou a glosa em relação aos seguintes gastos da recorrente: 1. Alimentação; 2. Cesta básica; 3. Vale transporte; 4. Assistência médica/odontológica; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 5. Uniforme e vestuário; 6. Equipamento de proteção individual; 7. Materiais químicos e de laboratórios; 8. Materiais de limpeza; 9.Materiais de expediente; 10.Outros materiais de consumo; 11.Serviços de segurança e vigilância; 12.Serviços de conservação e limpeza; 13.Outros serviços de terceiros; 14.Gastos gerais. Adoto integralmente os fundamentos da decisão recorrida quando à legitimidade das glosas efetuadas pela RFB, aos quais acrescento os argumentos abaixo. Em sua defesa, a recorrente parte de um equivocado conceito de insumo, tanto do ponto de vista fiscal, como econômico ou fabril. Em termos fiscais, a Lei nº 10.637/2002, em seu artigo 3º, afirma que o contribuinte poderá descontar créditos calculados em relação a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”. Não precisa muito esforço de hermenêutica jurídica para concluir que equivocase a recorrente quando afirma que insumo é tudo “aquilo que é utilizado pela empresa para desenvolver e atingir o seu objetivo social”. Como bem disse a decisão recorrida, os insumos são consumidos ou aplicados diretamente na produção ou fabricação de bens e produtos. Os outros dispêndios não relacionados diretamente com a produção dos bens são custos indiretos e somente geram direito a crédito se houver expressa previsão legal. Nesse passo, as despesas realizadas com os bens e serviços acima listados não geram direito a crédito ou por não se constituírem em insumo ou por existir expressa vedação legal, quando forem insumos, como é o caso de mãodeobra adquirida de pessoa física, inclusive via sindicato de trabalhadores. Esclareçase que não foi realizado glosa de gastos com materiais de manutenção de máquinas industriais, com serviços de industrialização prestado por pessoa jurídica e com serviços de manutenção de máquinas industriais prestado por pessoa jurídica. Portanto, não há que se falar em mudança de entendimento da DRF Londrina. Por fim, pretende a recorrente que incida a taxa Selic no valor do ressarcimento pleiteado, pelos fundamentos que cita. Ratifico o entendimento da decisão recorrida de que o artigos 13 e 15 da Lei nº 10.833/2003, este último com a redação do art. 21 da Lei nº 10.865/2004, vedam expressamente a atualização monetária ou a incidência de juros sobre os valores objeto de ressarcimento. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16366.003266/200780 Acórdão n.º 330200.870 S3C3T2 Fl. 470 5 Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. [...] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: [...] VI no art. 13 desta Lei. Portanto, ao contrário do entendimento da recorrente, há proibição legal para a incidência de juros, calculado pela selic ou por outro índice qualquer, no ressarcimento de PIS nãocumulativo. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.018311/2007-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2102-001.241
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NÃO
CONHECER do recurso, por intempestivo.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, por intempestivo. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 25/04/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Fl. 248DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 27/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10980.018311/200777 Acórdão n.º 210201.241 S2C1T2 Fl. 234 2 Relatório Contra HERMES ALVES foi lavrado Auto de Infração, fls. 03/08, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao ano calendário 2004, exercício 2005, no valor total de R$ 121.628,22, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 30/11/2007. As infrações apuradas pela autoridade fiscal, detalhadas no Auto de Infração, foram omissão de rendimentos do trabalho recebidos do Banco Banestado, no valor de R$ 198.395,36 e dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 15.000,00. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 123/126, que foi devidamente apreciada pela autoridade julgadora de primeira instância, conforme Acórdão DRJ/CTA nº 0622.132, de 12/05/2009, fls. 204/208. Naquela ocasião, decidiuse, por unanimidade de votos, pela procedência em parte do lançamento, para manter R$ 45.176,50 de imposto, acrescidos de multa de ofício de 75% e encargos legais. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 10/06/2009, Aviso de Recebimento (AR), fls. 211, o contribuinte apresentou, em 13/07/2009, recurso voluntário, fls. 214/231. É o Relatório. Fl. 249DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 27/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10980.018311/200777 Acórdão n.º 210201.241 S2C1T2 Fl. 235 3 Voto Conselheira Núbia Matos Moura O prazo estipulado na legislação para apresentação de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, conforme disposição expressa do art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. Como se colhe dos autos, o contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 10/06/2009, conforme Aviso de Recebimento (AR), fls. 211. O recurso, por sua vez, foi apresentado em 13/07/2009, fls. 214, depois de já ultrapassado o prazo de 30 dias do recebimento da decisão de primeira instância, que se esgotou em 10/07/2009. É forçoso concluir, portanto, pela intempestividade do recurso o que torna definitiva, na esfera administrativa, a decisão de primeira instância, nos termos do art. 42, I do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: Art. 42. São definitivas as decisões: I – de primeira instância, esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário, por intempestivo. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 250DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 27/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO
score : 1.0
Numero do processo: 10882.002004/2004-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2002
Ementa: IRRF. RENDIMENTO SUJEITO AO AJUSTE ANUAL.
RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA – A responsabilidade da
fonte pagadora em reter e recolher o imposto quando do momento do
pagamento não afasta a do beneficiário dos rendimentos de oferecê-los à tributação. Assim, após o prazo de entrega da declaração de ajuste anual, no caso de falta de retenção, o imposto deve ser exigido do beneficiário dos rendimentos e não mais da fonte pagadora.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-001.124
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2002 Ementa: IRRF. RENDIMENTO SUJEITO AO AJUSTE ANUAL. RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA – A responsabilidade da fonte pagadora em reter e recolher o imposto quando do momento do pagamento não afasta a do beneficiário dos rendimentos de oferecê-los à tributação. Assim, após o prazo de entrega da declaração de ajuste anual, no caso de falta de retenção, o imposto deve ser exigido do beneficiário dos rendimentos e não mais da fonte pagadora. Recurso negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
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RENDIMENTO SUJEITO AO AJUSTE ANUAL. RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA – A responsabilidade da fonte pagadora em reter e recolher o imposto quando do momento do pagamento não afasta a do beneficiário dos rendimentos de oferecêlos à tributação. Assim, após o prazo de entrega da declaração de ajuste anual, no caso de falta de retenção, o imposto deve ser exigido do beneficiário dos rendimentos e não mais da fonte pagadora. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 13/05/2011 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Rayana Alves de Oliveira França. Fl. 62DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 27/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 Relatório JOÃO CARLOS NICOLELLA interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJSÃO PAULO/SP II (fls. 40) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 17/24, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF suplementar, referente ao exercício de 2002, no valor de R$ 11.422,59, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 24.320,97. A infração que ensejou a autuação foi a glosa parcial do valor declarado como Imposto de Renda Retido na Fonte, no valor de R$ 13.189,85. Também foi acrecentado ao valor dos rendimentos tributáveis o valor de R$ 7,68. O Contribuinte impugnou o lançamento e alegou que o imposto retido refere se a rendimentos de aluguel, e argumenta que a responsabilidade pela retenção e recolhimento era da fonte pagadora a quem a lei atribuiu a responsabilidade tributária por substituição. Segundo resume o próprio impugnante, os principais pontos da defesa são os seguintes: a) Ausência de dispositivo legal no auto de infração, onde prescreve que o contribuinte pessoa fisica tem a obrigação pelo recolhimento do imposto de renda sobre aluguéis pagos pela pessoa jurídica. b) A responsabilidade pelo pagamento e retenção do LRF sobre aluguéis é da fonte pagadora, sendo portanto descabido o crédito tributário no valor de R$ 24.230,97 em nome do contribuinte. c) A Declaração de Ajuste Anual deve permanecer com os valores informados originalmente pelo contribuinte, ficando a fonte pagadora o dever de recolher e informar corretamente o imposto, procedendo a devida retificação da DIRF/2002. A DRJSÃO PAULO/SP II julgou procedente o lançamento com base, em síntese, na consideração de que a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção de recolhimento do imposto não exclui a responsabilidade do beneficiário dos rendimentos de oferecêlos à tributação; que, portanto, não existe responsabilidade tributária concentrada apenas na fonte pagadora. Concluiu também a DRJ que o Contribuinte não comprovou a retenção do imposto e que, portanto, não fazia jus à compensação. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 05/03/2008 (fls. 47) e, em 02/04/2008, interpôs o recurso voluntário de fls. 48/53, que ora se examina, e no qual reitera, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator Fl. 63DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 27/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10882.002004/200430 Acórdão n.º 220101.124 S2C2T1 Fl. 2 3 O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, o lançamento decorre da glosa de valor declarado como imposto de renda na fonte, tendo em vista a falta de comprovação da retenção do imposto pela fonte pagadora. O Contribuinte sustenta que a responsabilidade pelo recolhimento do imposto é da fonte pagadora, por substituição tributária. Não procede a alegação. De fato, a legislação prevê a responsabilidade da fonte pagadora de reter o imposto, porém, esse fato não exclui o Contribuinte, beneficiário dos rendimentos, da responsabilidade de oferecer os rendimentos à tributação. Notese, inclusive, que não se trata, neste caso, de tributação exclusiva na fonte. É certo que a legislação prevê a responsabilidade da fonte pagadora de reter e recolher o imposto. Porém, esta responsabilidade não pode ser interpretação isoladamente, sem considerar a regra de incidência do imposto e as demais normas pertinentes à responsabilidade tributária. E segundo estas, a retenção da fonte é antecipação do imposto devido no ajuste anual, como se vê do artigo 620 do RIR/99, a saber: Art. 620. Os rendimentos de que trata este Capítulo estão sujeitos à incidência do imposto na fonte, mediante aplicação de alíquotas progressivas, de acordo com as seguintes tabelas em Reais: (...) § 2o O imposto será retido por ocasião de cada pagamento e se, no mês, houver mais de um pagamento, a qualquer título, pela mesma fonte pagadora, aplicarseá a alíquota correspondente à soma dos rendimentos pagos à pessoa física, ressalvado o disposto no art. 718, § 1o, compensandose o imposto anteriormente retido no próprio mês (Lei n o 7.713, de 1988, art. 7o, § 1o, e Lei no 8.134, de 1990, art. 3o).” Assim, após o prazo de entrega da declaração de ajuste pelo Contribuinte beneficiário dos rendimentos, o imposto devido deve ser exigido deste e não mais da fonte pagadora que deixou de proceder à retenção, sendo esta passível apenas de eventual penalidade. E, no caso concreto, o Contribuinte não faz prova de que tenha havido a retenção do imposto. Correto, portanto, o lançamento que apontou o ora recorrente como sujeito passivo. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 64DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 27/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 4 Fl. 65DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 27/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
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Numero do processo: 17883.000117/2006-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
EXCLUSÕES. VALORES EXCLUÍDOS DA BASE.
A tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada não englobam operações financeiras cujo sujeito passivo é ordenante.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2102-001.408
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso de ofício.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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EXCLUSÕES. VALORES EXCLUÍDOS DA BASE. A tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada não englobam operações financeiras cujo sujeito passivo é ordenante. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 18/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Atílio Pitarelli, Rubens Maurício Carvalho, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 18/08/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 17883.000117/200600 Acórdão n.º 2102001.408 S2C1T2 Fl. 270 2 Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 254 a 261 da instância a quo, in verbis: Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado o Auto de Infração de fls. 224 a 231 do anocalendário de 2002 em virtude da apuração da seguinte infração: a) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada – conforme descrito às fls. 130 a 135 e 228. O enquadramento legal consta às fls. 225 e 229. Sobre o imposto apurado, no montante de R$ 890.846,08, foi aplicada multa de ofício de 75% e juros de mora regulamentares, alcançando um total de R$ 2.059.725,22. Após cientificado do Auto de Infração em referência, em 18/09/06 (fl. 226), o interessado apresentou a impugnação de fls. 233 e 234, valendose, em síntese, dos seguintes argumentos: 1) ratifica as razões já expostas durante o procedimento fiscal; 2) desconhece as operações como ordenante na conta Blue Coast de nº 590390210; 3) quanto às contas correntes do Unibanco e do Banco do Brasil, esclareceu algumas origens durante o procedimento fiscal. A diferença entre os créditos e os rendimentos declarados era devido a empréstimos junto a familiares, fato que o fiscal não considerou; 4) caberia ao Fisco questionar os familiares e verificar a capacidade econômica dos mesmos; 5) solicita exame grafotécnico para atestar a sua assinatura em confronto com os dados cadastrais de abertura da conta Blue Coast nº 590390210 e diligência para comprovar quais os familiares que realizaram os empréstimos questionados pelo auditor fiscal; 6) pede o cancelamento do auto de infração. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, rechaçou o pedido de diligência e no mérito julgou procedente em parte o lançamento, retirando da base de cálculo as quantias retiradas da conta bancária, por não se tratarem de créditos em conta (fl.260), mantendo parcialmente o crédito consignado no auto de infração, considerando que os demais argumentos da recorrente não foram acompanhadas de provas suficientes e fundamentos legais, para desconstituir os fatos remanescentes postos nos autos que embasaram o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2002 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 18/08/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 17883.000117/200600 Acórdão n.º 2102001.408 S2C1T2 Fl. 271 3 Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. SAÍDAS DE RECURSOS DE CONTA BANCÁRIA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção legal de omissão de rendimentos prevista pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não se aplica a valores saídos de conta bancária, limitandose a depósitos com origem não comprovada. ILEGITIMIDADE PASSIVA NEGADA. REMESSAS DE RECURSOS EFETUADAS AO EXTERIOR. PROVAS CONSTANTES DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS ENVIADOS LEGALMENTE PARA O BRASIL. Os dados constantes de arquivos magnéticos e documentos, legalmente enviados ao Brasil pela Promotoria Distrital de Nova Iorque, Estados Unidos da América, periciados e objeto de laudo conclusivo pela Polícia Federal e fielmente reproduzidos no processo, constituemse em elementos de prova incontestes de que o sujeito passivo efetuou remessas de recursos, ao exterior. DILIGÊNCIA. Indeferese o pedido de diligência quando a sua realização revelese prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. Frustrada a intimação postal, conforme documentos de fls. 264/265, a ciência do contribuinte foi efetivada em 23/09/2009 via Edital de fl. 266. Sem apresentação de recurso Voluntário, decorrente, do art. 34 do Decreto n° 70.235, de 1972 e alterações introduzidas pela Lei n° 9.532, de 1997 e Portaria MF n° 3, de 2008, por força de recurso necessário o processo foi encaminhado para julgamento do Recurso de Ofício neste Conselho. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. Trata o presente de recurso de oficio da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Rio de Janeiro II que exonerou o contribuinte nomeada à epígrafe de crédito tributário superior ao limite de alçada da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. O valor exonerado, conforme a conclusão do acórdão recorrido, fl. 261, foi de R$ 821.310,79 de IRPF além da multa e juros. Assim, o Recurso preenche os requisitos legais, devendo ser conhecido e apreciado. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 18/08/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 17883.000117/200600 Acórdão n.º 2102001.408 S2C1T2 Fl. 272 4 Passo à análise de um dos trechos da decisão recorrida que tratou da exoneração tributária, objeto desse recurso de Ofício: A verdade material é que o fiscal autuante tributou recursos do exterior, relativos à subconta Blue Coast cujo contribuinte em epígrafe constou como ordenante de tais valores, ou seja, com base na documentação citada no parágrafo anterior, a fiscalização lançou como depósito bancário de origem não comprovada valores que o impugnante ordenou que saísse da referida conta Blue Coast. A legislação tributária que rege a matéria ora analisada é bem clara quando dispõe que caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Concluise, portanto, que as quantias retiradas da conta bancária, por não se tratarem de créditos em conta, não podem ser consideradas de origem não comprovada para efeito da presunção legal de omissão de rendimentos, conforme disposto art. 42, caput e §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430, de 1996. Sendo assim, é necessário que seja retirado do rol de depósito bancário de origem não comprovada o montante de R$ 2.986.584,67 apontado às fls. 132 e 135. Alinhome ao entendimento exarado pela decisão recorrida que se o contribuinte consta como ordenante de determinadas operações financeiras, estas não podem ser enquadradas na presunção de renda estabelecido pelo art. 42, caput e §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430, de 1996, que diz expressamente: valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira. Ou seja, se o sujeito passivo foi ordenante não podem ser considerados como depósitos na base de cálculo. Verifico pelas peças constantes dos autos que a autoridade julgadora singular decidiu o feito nos termos da legislação de regência e das provas apresentadas, especialmente aos fatos levantados pela própria autoridade preparadora, de fls. 132 e 135 e, desta forma, sua decisão não merece reparo. Por todo exposto, tomo conhecimento do recurso de ofício pelo fato do mesmo atender aos requisitos de sua admissibilidade, ao mesmo tempo que lhe NEGO PROVIMENTO. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 18/08/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 17883.000117/200600 Acórdão n.º 2102001.408 S2C1T2 Fl. 273 5 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 18/08/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
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