Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,220)
- Segunda Câmara (27,799)
- Primeira Câmara (25,084)
- Segunda Turma Ordinária d (17,371)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,074)
- Primeira Turma Ordinária (15,859)
- Primeira Turma Ordinária (15,833)
- Primeira Turma Ordinária (15,831)
- Segunda Turma Ordinária d (15,681)
- Segunda Turma Ordinária d (14,211)
- Primeira Turma Ordinária (12,953)
- Primeira Turma Ordinária (12,272)
- Segunda Turma Ordinária d (12,235)
- Quarta Câmara (11,512)
- Primeira Turma Ordinária (11,304)
- Quarta Câmara (83,916)
- Terceira Câmara (66,252)
- Segunda Câmara (54,545)
- Primeira Câmara (19,103)
- 3ª SEÇÃO (16,074)
- 2ª SEÇÃO (11,242)
- 1ª SEÇÃO (6,775)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (122,158)
- Segunda Seção de Julgamen (112,982)
- Primeira Seção de Julgame (75,394)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,909)
- Câmara Superior de Recurs (37,687)
- Terceiro Conselho de Cont (25,961)
- IPI- processos NT - ressa (5,006)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,960)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,860)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,242)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,650)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,197)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,618)
- HELCIO LAFETA REIS (3,506)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,210)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,891)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,605)
- WILDERSON BOTTO (2,588)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,820)
- 2019 (30,958)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,914)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,465)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,170)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,077)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10670.000697/2006-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN.
As declarações de compensação apresentadas pelo contribuinte devem ser homologadas, realizando-se o encontro de contas entre crédito e débito, pelo reconhecimento do direito de crédito, no limite do que fora pedido pelo contribuinte, em homenagem ao princípio da congruência.
Numero da decisão: 3401-003.783
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto, para homologar as compensações declaradas, de acordo com o direito de crédito apurado na diligência fiscal, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, quanto às contas referentes a "correção monetária - pós-fixadas - ativas" e "variações cambiais ativas".
Nome do relator: AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. As declarações de compensação apresentadas pelo contribuinte devem ser homologadas, realizando-se o encontro de contas entre crédito e débito, pelo reconhecimento do direito de crédito, no limite do que fora pedido pelo contribuinte, em homenagem ao princípio da congruência.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 10670.000697/2006-83
conteudo_id_s : 5731932
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 09 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3401-003.783
nome_arquivo_s : Decisao_10670000697200683.pdf
nome_relator_s : AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10670000697200683_5731932.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto, para homologar as compensações declaradas, de acordo com o direito de crédito apurado na diligência fiscal, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, quanto às contas referentes a "correção monetária - pós-fixadas - ativas" e "variações cambiais ativas".
dt_sessao_tdt : Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
id : 6797881
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:01:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049208910512128
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-06-01T18:49:11Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2017-06-01T18:49:11Z; Last-Modified: 2017-06-01T18:49:11Z; dcterms:modified: 2017-06-01T18:49:11Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2017-06-01T18:49:11Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-06-01T18:49:11Z; meta:save-date: 2017-06-01T18:49:11Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-06-01T18:49:11Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2017-06-01T18:49:11Z; created: 2017-06-01T18:49:11Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2017-06-01T18:49:11Z; pdf:charsPerPage: 1600; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-06-01T18:49:11Z | Conteúdo => S3-C4T1 Fl. 1.042 1 1.041 S3-C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10670.000697/2006-83 Recurso nº Acórdão nº 3401-003.783 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de maio de 2017 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR - PIS/COFINS Recorrente MAGNESITA SA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. As declarações de compensação apresentadas pelo contribuinte devem ser homologadas, realizando-se o encontro de contas entre crédito e débito, pelo reconhecimento do direito de crédito, no limite do que fora pedido pelo contribuinte, em homenagem ao princípio da congruência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto, para homologar as compensações declaradas, de acordo com o direito de crédito apurado na diligência fiscal, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, quanto às contas referentes a "correção monetária - pós-fixadas - ativas" e "variações cambiais ativas". ROSALDO TREVISAN - Presidente. AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Rodolfo Tsuboi. Fl. 1042DF CARF MF 2 Relatório O processo administrativo ora em análise decorre de declarações de compensação apresentadas em 15/05/2006 pelo contribuinte para compensação de débitos no valor total de R$ 1.521.152,66 (um milhão, quinhentos e vinte e um mil, cento e cinquenta e dois reais e sessenta e seis centavos), com créditos originados de pagamento a maior de valores a título de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social ("COFINS") e de Contribuição para os Programas de Integração Social ("PIS"), no período de janeiro de 1999 a março de 2001, com fundamento em decisão judicial transitada em julgado em 02/02/2006, proferida em mandado de segurança impetrado pelo contribuinte e terceiros, no qual, ao final, foi concedida a ordem, para que o contribuinte excluísse da base de incidência do PIS e da COFINS receitas estranhas ao seu faturamento (fls. 06), na esteira do entendimento do Supremo Tribunal Federal, pela inconstitucionalidade do dispositivo do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998. Em 06/02/2009, as declarações de compensação não foram homologadas, por decisão de fls. 144 e seguintes do Setor de Orientação e Análise Tributária (“SAORT”) da Delegacia da Receita Federal em Montes Claros, pelo entendimento de que “o prazo para o contribuinte pleitear restituição é de 5 (cinco) anos contados da data de extinção do crédito tributário”. O contribuinte foi cientificado dessa decisão e apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada procedente em parte, em 11/11/2009, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora – MG (“DRJ”), em acórdão que possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2006 DECADÊNCIA. Quando se trata de crédito oriundo de ação judicial, o termo inicial para sua utilização é a data do transito em julgado. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual”. Dessa decisão, o contribuinte, ora Recorrente, foi intimado no dia 01/12/2009, terça-feira, conforme documento de fls. 301, apresentando tempestivo Recurso Voluntário no dia 30/12/2009, quarta-feira, conforme carimbo de fls. 302, pelo qual defendeu: (i) a nulidade da decisão recorrida, pois, segundo a Recorrente, “negou o direito de crédito do contribuinte sem instaurar a devida fiscalização para apuração dos fatos, contentando-se com a suposta insuficiência da documentação apresentada, contra o que predicam o art. 142 do CTN e o princípio da verdade material”; ou (ii) a reforma da decisão recorrida, em razão da juntada pela Recorrente em seu recurso, de balancetes da empresa e planilhas, que demonstrariam o direito de crédito, pela exclusão da base de cálculo das contribuições das contas contábeis ali indicadas, alheias ao conceito de faturamento representado pelas receitas Fl. 1043DF CARF MF Processo nº 10670.000697/2006-83 Acórdão n.º 3401-003.783 S3-C4T1 Fl. 1.043 3 das vendas de mercadorias e serviços (variação monetária, variação cambial, operações de renda fixa, fundo de aplicações financeiras, outras receitas financeiras, outras receitas). Diante disso, pediu a Recorrente a declaração de nulidade do acórdão recorrido, por ausência de fundamentação ou ausência de provas necessárias para negar o direito de crédito; que fosse o processo baixado em diligência para que a fiscalização verificasse o crédito detido pela Recorrente, reformando-se o acórdão recorrido para que fosse reconhecido o direito de crédito “no limite dos valores dos recolhimentos indevidos demonstrados por meio dos balancetes ora juntados, inclusive com utilização dos valores de recolhimentos indevidos demonstrados a maior do que o informado nas DCOMP's, homologando as compensações quanto aos valores demonstrados”. Em seguida, os autos foram remetidos à Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("CARF") e distribuídos, inicialmente, 3ª Turma Especial que, em sessão de julgamento do dia 22/03/2012, não conheceu do Recurso Voluntário interposto, declinando a competência para sua apreciação às turmas ordinárias, em acórdão que possui a seguinte ementa: “Cabe às Turmas Ordinárias processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância em processos que excedem o valor de alçada das turmas especiais”. Com isso, os autos foram redistribuídos à 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara que, em sessão de julgamento do dia 23/10/2013, rejeitou a preliminar de nulidade suscitada pelo Recorrente, sob o entendimento de que a decisão recorrida estaria “devidamente fundamentada (...) se não foi reconhecido o seu direto creditório, tal fato decorreu da inércia do Recorrente em não ter apresentado os demonstrativos da base de cálculo dos PIS e COFINS, quando intimado, bem como em razão de que os balancetes não espelharem com precisão e a clareza que o caso exige, as receitas que devem ser excluídas da incidência das contribuições”, porém, resolveu converter o julgamento em diligência para verificar a existência do direito de crédito, “a fim de que a fiscalização se manifeste a respeito das planilhas juntadas às fls. 385/391 e seja oportunizado ao contribuinte anexar outros elementos probatórios, principalmente porque há indícios de que integrou a base de cálculo das contribuições receitas advindas de aplicações financeiras e outras receitas”. Em cumprimento à referida decisão, Resolução de nº 3401000.778, foi realizada a diligência fiscal e produzido o relatório de fls. 1.017 e seguintes, que chegou às seguintes conclusões: “RESUMO A partir de todas as observações das declarações prestadas pelo contribuinte, seja através de DCTF e DIPJ, das planilhas apresentadas de fls. 432 a 439, dos balancetes de fls. 225 a 289, 372 a 427, 913 a 922, dos recolhimentos efetuados pelo contribuinte no período, preparamos as planilhas Apuração PIS e COFINS de fls. 1015 e 1016. Delas constam: a base de cálculo informada na DIPJ, ou ajustada a partir dos recolhimentos, as exclusões das receitas estranhas ao faturamento levantadas nos balancetes do contribuinte e finalmente o valor passível de restituição/compensação, lembrando que o valor a restituir/compensar limita- se ao valor do Pedido de Restituição. (...) Fl. 1044DF CARF MF 4 CONCLUSÃO A Resolução CARF nº 3401-000.778 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária de fls. 889 a 894, de 23/10/2013, solicita que se identifique, à vista das planilhas de fls. 385 a 391 e da documentação já anexada ao processo a validade das informações prestadas, conforme trecho abaixo: (...) Mais uma vez foi oportunizado ao contribuinte apresentar novos meios de provas, o que acabou não ocorrendo, uma vez que, conforme já relatado, o contribuinte não localizou outros documentos. Entretanto, as declarações prestadas pelo contribuinte e que constam nos Sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (DCTF e DIPJ), que são válidas, acrescidas do conjunto de balancetes havidos como idôneos, constituíram fonte satisfatória para apuração do quantum restituível/compensável em cada período de apuração. Quanto às planilhas de fls. 385 a 391, apresentam pequenas inconsistências, devidamente corrigidas quando de nossa apuração. Referidas inconsistências referem-se à indicação de valores diferentes dos constantes dos balancetes e indicação dos valores recolhidos em valores diferentes daqueles efetivamente realizados”. (grifos nossos) Seguindo as constatações desse relatório fiscal, a unidade que realizou a diligência coloca os valores passíveis de restituição/compensação nas tabelas de fls. 1.021 dos autos. Observem que esses valores apresentam pequenas divergências em relação aos valores pleiteados pelo Recorrente, como se verifica nas tabelas de fls. 1.015/1.016, e que, quando o valor do indébito encontrado foi maior que o valor pleiteado, o valor passível de compensação ficou limitado ao que consta na declaração de compensação. O Recorrente foi cientificado do resultado da diligência fiscal e apresentou manifestação de fls. 1.028/1.029, pela qual requer a homologação total das compensações declaradas, considerando que o valor total de créditos no período seria maior que o total de débitos, pela superação do critério adotado pela unidade de limitar o valor a ser compensado ao valor que consta em cada declaração de compensação apresentada. Com isso, os autos retornaram ao CARF e foram redistribuídos à minha relatoria na sessão de julgamento do dia 30/09/2017. É o relatório. Voto Conselheiro Augusto Fiel Jorge d' Oliveira O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Como relatado, no exame das declarações de compensação apresentadas pelo Recorrente surgiram três questões: a primeira, que diz respeito ao prazo decadencial para pedido de restituição/compensação de indébito tributário, no caso de indébito oriundo de ação Fl. 1045DF CARF MF Processo nº 10670.000697/2006-83 Acórdão n.º 3401-003.783 S3-C4T1 Fl. 1.044 5 judicial proposta pelo contribuinte; a segunda, sobre a nulidade da decisão recorrida; e a terceira, que diz respeito à própria existência do direito de crédito e em que montante. A primeira já foi superada no julgamento da DRJ, que entendeu que o prazo decadencial teria como termo inicial a data do trânsito em julgado da decisão que reconhece a realização do pagamento a maior e não a data do próprio pagamento a maior, concluindo que as declarações de compensação do Recorrente foram apresentadas dentro do prazo. Já a segunda foi tratada na Resolução de nº 3401000.778, que rejeitou a preliminar de nulidade da decisão recorrida, por entender que o Recorrente deixou de atender satisfatoriamente a intimação enviada para comprovação do seu direito de crédito e, em decorrência, a ausência de comprovação do direito de crédito, era o fundamento para o indeferimento do pedido, nos termos a seguir: “Na Intimação n.º 010/2009, o contribuinte foi instado a juntar demonstrativo da base de cálculo do PIS e COFINS e os registros contábeis que comprovassem o faturamento em determinados meses, bem como registros contábeis das receitas excluídas da base de cálculo do PIS e COFINS e registros contábeis das compensações e créditos de pagamentos indevidos ou a maior reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado em 02/02/2006. Entretanto, analisando os documentos apresentados pelo contribuinte no atendimento da Intimação n.º 010/2009, verifica-se que de fato este deixou de atende-la a contento, pois se limitou a apresentar balancete do período às fls. 217/262. Justamente em razão da falta de prova, por parte do contribuinte, a decisão de primeiro grau manifestou-se pelo indeferimento do pedido de compensação pleiteado, por compreender que compete ao interessado constituir prova de seu direito, nos termos do art.16 do Decreto n.º 70.235/72”. Assim, a Resolução de nº 3401000.778 se manifestou pela ausência de nulidade da decisão recorrida, por ter negado o direito de crédito de forma fundamentada, em razão da inércia da Recorrente em apresentar a prova do seu direito. Quanto a essa matéria, alinho-me ao entendimento manifestado pelo Colegiado naquela oportunidade, no sentido de afastar a nulidade da decisão recorrida suscitada pelo Recorrente, pelos próprios fundamentos expostos na Resolução de nº 3401000.778 e aqui reproduzidos. A última matéria, quanto à existência de direito de crédito, que motivou a conversão do julgamento em diligência, é que deverá ser enfrentada nessa ocasião pelo Colegiado, lembrando que esse exame se cinge ao quantum do direito de crédito, visto que a exclusão de determinadas parcelas da base de cálculo das contribuições foi reconhecida pelo Poder Judiciário em ação judicial ingressada pelo próprio contribuinte e a Fiscalização não se opõe às contas contábeis apresentadas pela Recorrente como geradoras do indébito a ser compensado. Segundo o relatório de diligência fiscal de fls. 1.017 e seguintes, o direito de crédito de crédito da Recorrente foi reconhecido, mas, de maneira parcial, pois, como Fl. 1046DF CARF MF 6 destacado no relatório, o direito de crédito foi reconhecido até o limite da declaração de compensação. Para ilustrar. No período de apuração 02/1999, o Recorrente declarou compensação com a utilização de um pagamento a maior, por ele informando no valor de R$62.065,55 (fls. 24). Porém, a unidade, ao examinar toda a documentação relacionada a esse direito de crédito, constatou que o crédito era de R$58.582,90 (fls. 1.016). Já no período de apuração 02/2000, o Recorrente declarou compensação com a utilização de um pagamento a maior, por ele informando no valor de R$16.418,98 (fls. 38). Ocorreu que, a unidade, ao examinar toda a documentação relacionada a esse direito de crédito, constatou que o crédito era superior, de R$20.107,44 (fls. 1.016). Em consequência, adotando o critério da unidade de reconhecer o direito de crédito até o limite do pedido da declaração de compensação, a compensação que utilizou o crédito do período de 02/2000 seria totalmente homologada e a compensação que utilizou o crédito do período de 02/1999 seria parcialmente homologada. Se o contribuinte declara a compensação de crédito “A” com débito “B”, não poderia em momento posterior alocar crédito “C” para realizar compensação com débito “B”. A Recorrente, em sua manifestação, pretender ver aplicado outro critério, pelo qual a existência de um valor de crédito superior ao valor de débitos, considerando todo o período, permitiria uma homologação total das compensações declaradas, pela alocação do excesso de um “pagamento a maior” informado em uma declaração de compensação, em uma outra declaração de compensação, para o qual o “pagamento a maior” nela informado se mostrou inferior ao débito. Todavia, não apresenta a Recorrente o fundamento legal que autorizaria a alocação de créditos diversos, não vinculados à declaração de compensação, para utilização na compensação dos débitos nela relacionados, e que pudesse infirmar o critério adotado pela unidade de reconhecer o direito de crédito no limite daquilo que solicitado pelo próprio Recorrente, em linha com o princípio da congruência, pelo qual deve-se decidir nos limites do próprio pedido. Dessa forma, entendo que o resultado da diligência fiscal deve ser inteiramente acolhido e proponho ao Colegiado dar provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto, para homologar as compensações declaradas, de acordo com o direito de crédito apurado na diligência fiscal relatada às fls. 1.017 e seguintes. É como voto. Augusto Fiel Jorge d' Oliveira - Relator Fl. 1047DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.720361/2010-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL.
No regime não-cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, b, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003.
CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE.
A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.370
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques dOliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. No regime não-cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, b, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10480.720361/2010-54
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5722105
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3301-003.370
nome_arquivo_s : Decisao_10480720361201054.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
nome_arquivo_pdf_s : 10480720361201054_5722105.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques dOliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
id : 6755276
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:00:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049209449480192
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1825; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.720361/201054 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301003.370 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de março de 2017 Matéria COFINS/PIS. TOMADA DE CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. Recorrente TAMBAÍ AUTOMOTORES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. No regime nãocumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 03 61 /2 01 0- 54 Fl. 1286DF CARF MF Processo nº 10480.720361/201054 Acórdão n.º 3301003.370 S3C3T1 Fl. 3 2 Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d’Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER, formulado através do programa PER/Dcomp, por intermédio do qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/Pasep NãoCumulativo – Mercado Interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado. A origem do direito creditório alegado seria o saldo credor acumulado em razão da aquisição de produtos monofásicos (veículos novos). A Recorrente tem como atividade comercial a compra e venda, no atacado e varejo, de veículos novos e peças em geral, relacionadas na Lei nº 10.485/02. A Lei nº 10.485/02, no art. 3º, § 2º, I e II, prescreve que os produtos nela relacionados têm as alíquotas de PIS e COFINS reduzidas a 0% relativamente à receita bruta auferida por comerciantes atacadistas e varejistas. A Recorrente alega que com a edição das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, os produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 compõem a sua receita bruta para efeito de apuração de PIS e COFINS sob o regime da nãocumulatividade e que a manutenção dos créditos decorrentes da aquisição desses produtos tem como fundamento legal o art. 17 da Lei n° 11.033/2004 e o pedido de ressarcimento em espécie tem como fundamento legal o art. 16 da Lei n° 11.116/2005. Assim, com esse entendimento, os créditos de PIS/Pasep nãoCumulativo, objeto do ressarcimento deste processo fiscal pela Recorrente, têm origem exclusiva na aplicação direta das alíquotas previstas nas leis 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (COFINS), que introduziram a nova sistemática do regime da nãocumulatividade para ambas as Contribuições, sobre o valor de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), pois a alíquota da Contribuição nas saídas subsequentes desses produtos foi reduzida a 0%. Então, a controvérsia nestes autos é o direito ao creditamento, no regime não cumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), ou seja, crédito com origem nas aquisições de produtos com incidência monofásica. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 0649.660. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que há vedação legal e normativa para o aproveitamento do crédito das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, nas vendas submetidas à incidência monofásica. Fl. 1287DF CARF MF Processo nº 10480.720361/201054 Acórdão n.º 3301003.370 S3C3T1 Fl. 4 3 Tanto na manifestação de inconformidade, quanto em seu recurso voluntário, a Recorrente tece longo arrazoado para justificar o seu direito ao creditamento, para tanto interpreta a legislação federal e o princípio constitucional da nãocumulatividade. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.248, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.902719/201135, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.248): O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Não há direito ao creditamento, no regime nãocumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), conforme se justifica a seguir. Os art. 1o e 3o da Lei n° 10.485/2002 prescrevem: Art. 1o.As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Art. 3o As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 1288DF CARF MF Processo nº 10480.720361/201054 Acórdão n.º 3301003.370 S3C3T1 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Assim, para os veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI e dos produtos relacionados nos Anexos I e II, a cobrança da COFINS terá incidência monofásica, com alíquotas diferenciadas para as pessoas jurídicas fabricantes e importadoras. O regime monofásico concentra a cobrança do tributo em uma etapa da cadeia produtiva, desonerando a etapa seguinte. E ainda, a referida lei reduziu a zero as alíquotas da COFINS incidentes sobre as receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas ou varejistas com a venda desses mesmos produtos. O regime monofásico impõe que o fabricante ou importador dos produtos (monofásicos) recolham o PIS/COFINS em uma alíquota diferenciada e majorada, bem como a fixação de alíquota zero de PIS/COFINS sobre a receita auferida com a venda dos mesmos pelos demais participantes da cadeia produtiva (distribuidores, atacadistas e varejistas). Então, não se cogita do sistema de compensação entre créditos e débitos. Deste modo, a Lei nº 10.485/02 fixou a tributação devida ao PIS e à COFINS no início da cadeia produtiva, fabricantes e/ou importadores de veículos automotores e autopeças, estabelecendo alíquota mais elevada nesta etapa de comercialização, desonerando a fase em que se integram as concessionárias, mediante atribuição de alíquota zero, nos termos dos seus artigos 2º, § 2º, II; 3º, § 2º, I e II; e 5º, parágrafo único, esses dispositivos não foram revogadas pela Lei nº 10.833/03. A incidência monofásica das contribuições discutidas incorre na inviabilidade lógica e econômica do reconhecimento de crédito recuperável pelos comerciantes varejistas e atacadistas, pois inexistente cadeia tributária após a venda destinada ao consumidor final, razão pela qual o art. 17 da Lei nº 11.033/04, afigurase incompatível com este caso. Ademais, não há crédito em relação aos veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da TIPI e aos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485/2002 adquiridos para revenda, por vedação expressa dos art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.833/2003, verbis: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art.1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Fl. 1289DF CARF MF Processo nº 10480.720361/201054 Acórdão n.º 3301003.370 S3C3T1 Fl. 6 5 § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Logo, pela redação dos dispositivos supracitados, é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação aos veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da TIPI e aos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 2002, adquiridos para revenda. Alega a Recorrente que teria direito ao creditamento com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Esse dispositivo não se aplica ao caso em comento, pelas seguintes razões: 1 Referese a “manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados” nas operações de vendas com isenção, alíquota zero ou nãoincidência da COFINS, ou seja, tratase de créditos legalmente autorizados da COFINS (neste caso o crédito está proibido); 2 É regra geral que coexiste com vedação ao creditamento por norma específica e 3 Não revoga expressa ou tacitamente o inciso I, alínea “b”, do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Por fim, quanto a argumentos de inconstitucionalidade da vedação ao creditamento, por afronta ao princípio da nãocumulatividade, saliento que sobre esta matéria o CARF não pode se pronunciar, de acordo com a Súmula nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados Fl. 1290DF CARF MF Processo nº 10480.720361/201054 Acórdão n.º 3301003.370 S3C3T1 Fl. 7 6 na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos) aplicase tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 1291DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.723947/2010-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2005 a 31/12/2006
NULIDADE. FALTA DE CLAREZA NO DISPOSITIVO QUE FUNDAMENTA O LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Para a declaração de nulidade do ato administrativo, é pressuposto ficar evidenciado o prejuízo à defesa do sujeito passivo. O relatório fiscal e seus anexos contêm a descrição dos fatos imputados ao sujeito passivo, indicam os dispositivos legais que ampararam o lançamento e expõem de forma clara e objetiva os elementos que levaram a fiscalização a concluir pela efetiva ocorrência dos fatos jurídicos desencadeadores do liame obrigacional, possibilitando ao autuado, na fase litigiosa do procedimento fiscal, debater cada ponto da acusação fiscal.
SÓCIO-ADMINISTRADOR. SEGURADO OBRIGATÓRIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL.
É segurado obrigatório da Previdência Social, na categoria de contribuinte individual, o sócio-administrador da empresa que, nessa condição, recebe remuneração pelo serviço prestado, incidindo sobre a remuneração auferida a contribuição devida pela empresa.
MÚTUOS. EMPRÉSTIMOS AO SÓCIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA NATUREZA JURÍDICA. PARCELA INTEGRANTE DA REMUNERAÇÃO.
Constituem remuneração pelos serviços prestados e integram o salário-de-contribuição do segurado contribuinte individual as apropriações de numerários da empresa, destinados ao pagamento de despesas, benefícios e investimentos de natureza particular em favor de seu dirigente e registradas em contas de empréstimos ao sócio-administrador da pessoa jurídica, quando não restar comprovado o seu retorno em devolução ao patrimônio do sujeito passivo.
O mutuário não está obrigado a devolver a própria coisa, porém há necessidade de equivalência em gênero, quantidade e qualidade. Embora possível a quitação de mútuo por dação em pagamento, não é razoável, absolutamente incompreensível, a empresa, na condição de mutuante, emprestar dinheiro, num total de milhões de reais, e receber, como quitação pelo mutuário, sócio-administrador da pessoa jurídica, título ao portador emitido pela Eletrobrás, dotado de alta probabilidade de iliquidez e inexigibilidade, ainda sendo obrigada a empresa, por disposição contratual, a assumir todos os ônus da demanda judicial para recebimento do título.
Numero da decisão: 2401-004.869
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira (suplente), Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente).
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2005 a 31/12/2006 NULIDADE. FALTA DE CLAREZA NO DISPOSITIVO QUE FUNDAMENTA O LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Para a declaração de nulidade do ato administrativo, é pressuposto ficar evidenciado o prejuízo à defesa do sujeito passivo. O relatório fiscal e seus anexos contêm a descrição dos fatos imputados ao sujeito passivo, indicam os dispositivos legais que ampararam o lançamento e expõem de forma clara e objetiva os elementos que levaram a fiscalização a concluir pela efetiva ocorrência dos fatos jurídicos desencadeadores do liame obrigacional, possibilitando ao autuado, na fase litigiosa do procedimento fiscal, debater cada ponto da acusação fiscal. SÓCIO-ADMINISTRADOR. SEGURADO OBRIGATÓRIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. É segurado obrigatório da Previdência Social, na categoria de contribuinte individual, o sócio-administrador da empresa que, nessa condição, recebe remuneração pelo serviço prestado, incidindo sobre a remuneração auferida a contribuição devida pela empresa. MÚTUOS. EMPRÉSTIMOS AO SÓCIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA NATUREZA JURÍDICA. PARCELA INTEGRANTE DA REMUNERAÇÃO. Constituem remuneração pelos serviços prestados e integram o salário-de-contribuição do segurado contribuinte individual as apropriações de numerários da empresa, destinados ao pagamento de despesas, benefícios e investimentos de natureza particular em favor de seu dirigente e registradas em contas de empréstimos ao sócio-administrador da pessoa jurídica, quando não restar comprovado o seu retorno em devolução ao patrimônio do sujeito passivo. O mutuário não está obrigado a devolver a própria coisa, porém há necessidade de equivalência em gênero, quantidade e qualidade. Embora possível a quitação de mútuo por dação em pagamento, não é razoável, absolutamente incompreensível, a empresa, na condição de mutuante, emprestar dinheiro, num total de milhões de reais, e receber, como quitação pelo mutuário, sócio-administrador da pessoa jurídica, título ao portador emitido pela Eletrobrás, dotado de alta probabilidade de iliquidez e inexigibilidade, ainda sendo obrigada a empresa, por disposição contratual, a assumir todos os ônus da demanda judicial para recebimento do título.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10980.723947/2010-30
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5740474
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2401-004.869
nome_arquivo_s : Decisao_10980723947201030.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : CLEBERSON ALEX FRIESS
nome_arquivo_pdf_s : 10980723947201030_5740474.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira (suplente), Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente).
dt_sessao_tdt : Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
id : 6848880
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:03:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049209600475136
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2104; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2.169 1 2.168 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.723947/201030 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.869 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 6 de junho de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS: CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. PARTE PATRONAL Recorrente LOGIKA DISTRIBUIDORA DE COSMÉTICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2005 a 31/12/2006 NULIDADE. FALTA DE CLAREZA NO DISPOSITIVO QUE FUNDAMENTA O LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Para a declaração de nulidade do ato administrativo, é pressuposto ficar evidenciado o prejuízo à defesa do sujeito passivo. O relatório fiscal e seus anexos contêm a descrição dos fatos imputados ao sujeito passivo, indicam os dispositivos legais que ampararam o lançamento e expõem de forma clara e objetiva os elementos que levaram a fiscalização a concluir pela efetiva ocorrência dos fatos jurídicos desencadeadores do liame obrigacional, possibilitando ao autuado, na fase litigiosa do procedimento fiscal, debater cada ponto da acusação fiscal. SÓCIOADMINISTRADOR. SEGURADO OBRIGATÓRIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. É segurado obrigatório da Previdência Social, na categoria de contribuinte individual, o sócioadministrador da empresa que, nessa condição, recebe remuneração pelo serviço prestado, incidindo sobre a remuneração auferida a contribuição devida pela empresa. MÚTUOS. EMPRÉSTIMOS AO SÓCIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA NATUREZA JURÍDICA. PARCELA INTEGRANTE DA REMUNERAÇÃO. Constituem remuneração pelos serviços prestados e integram o saláriode contribuição do segurado contribuinte individual as apropriações de numerários da empresa, destinados ao pagamento de despesas, benefícios e investimentos de natureza particular em favor de seu dirigente e registradas em contas de empréstimos ao sócioadministrador da pessoa jurídica, quando AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 39 47 /2 01 0- 30 Fl. 2169DF CARF MF Processo nº 10980.723947/201030 Acórdão n.º 2401004.869 S2C4T1 Fl. 2.170 2 não restar comprovado o seu retorno em devolução ao patrimônio do sujeito passivo. O mutuário não está obrigado a devolver a própria coisa, porém há necessidade de equivalência em gênero, quantidade e qualidade. Embora possível a quitação de mútuo por dação em pagamento, não é razoável, absolutamente incompreensível, a empresa, na condição de mutuante, emprestar dinheiro, num total de milhões de reais, e receber, como quitação pelo mutuário, sócioadministrador da pessoa jurídica, título ao portador emitido pela Eletrobrás, dotado de alta probabilidade de iliquidez e inexigibilidade, ainda sendo obrigada a empresa, por disposição contratual, a assumir todos os ônus da demanda judicial para recebimento do título. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira (suplente), Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente). Fl. 2170DF CARF MF Processo nº 10980.723947/201030 Acórdão n.º 2401004.869 S2C4T1 Fl. 2.171 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário manejado em face da decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (DRJ/CTA), cujo dispositivo julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 0632.777 (fls. 1.875/1.897): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2005 a 31/12/2006 AIOP 37.281.5065 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUSÊNCIA DE NULIDADE Não é nulo o processo administrativo fiscal cujos atos e termos foram lavrados por servidor competente, que contenha todos os elementos necessários à compreensão da origem do crédito exigido e cujos despachos e decisões não impliquem preterição do direito de defesa. IMPUGNAÇÃO. PROVAS. OPORTUNIDADE Com a impugnação ocorre a oportunidade da apresentação de provas, precluindo o direito de o impugnante apresentálas em outro momento processual. Em caso de processos resultantes de ações fiscais distintas, instauradas em face de pessoas jurídicas ou naturais distintas, para apuração de tributos de natureza diferentes, devem as provas ser juntadas em cada um desses processos. SÓCIOADMINISTRADOR. SEGURADO OBRIGATÓRIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL É segurado obrigatório da previdência social, na categoria de contribuinte individual, o sócioadministrador da empresa que, nessa condição, recebe remuneração pelo serviço prestado, incidindo sobre a remuneração auferida a contribuição devida pela empresa. EMPRÉSTIMOS AO SÓCIO. PARCELA INTEGRANTE DA REMUNERAÇÃO Para fins previdenciários, constituem remuneração pelo serviço prestado e integram o salário de contribuição do segurado as apropriações de numerários da empresa, destinadas ao pagamento de despesas, benefícios e investimentos de natureza particular em favor de seu dirigente e registradas em contas de empréstimos ao sócioadministrador da pessoa jurídica, quando não restar comprovado o seu retorno em devolução ao patrimônio do sujeito passivo. Fl. 2171DF CARF MF Processo nº 10980.723947/201030 Acórdão n.º 2401004.869 S2C4T1 Fl. 2.172 4 MÚTUO. COMPROVAÇÃO. O mútuo é negócio jurídico que pressupõe a devolução do bem fungível tomado emprestado em equivalentes quantidade, qualidade e gênero, sendo lícito presumir a sua inexistência quando as partes demonstram por seus atos que esse pressuposto não fez parte do acordo de vontades. MULTA GFIP X MULTA POR RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO EM ATRASO Até a edição da Medida Provisória n° 449, de 2008, não era incompatível a multa incidente sobre a contribuição recolhida em atraso com a multa devida por omissão de informações em GFIP. Tratamse ambas de penalizações distintas, incidentes de forma independente sobre uma e outra conduta infratora, de forma que são exigíveis cada uma nos processos respectivos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 2. Extraise do Relatório Fiscal, às fls. 21/28, que o processo administrativo é composto pelo Auto de Infração (AI) nº 37.281.5065, compreendendo as competências de 09/2005 a 12/2006, relativamente à contribuição previdenciária patronal incidente sobre remuneração do contribuinte individual que presta serviço à empresa, nos termos do inciso III do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. 2.1 Segundo a autoridade lançadora, a partir do exame da contabilidade e documentos que deram sustentação aos lançamentos contábeis, foram identificados pagamentos de despesas e transferências de recursos da pessoa jurídica Logika Distribuidora de Cosméticos Ltda, ora recorrente, diretamente ao sócioadministrador Newton Bonin ou a terceiros, por sua conta e ordem, incluindo o recebimento de valores destinados a fazer frente a dispêndios relacionados à atividade rural da pessoa física, em propriedades localizadas no Estado do Paraná (fls. 30/54). 2.2 Exemplifica o agente fiscal, a natureza dos pagamentos e transferências de recursos, dentre outras situações: pagamentos de escolas e cursos de línguas, condomínio, cartões de crédito de titularidade do senhor Newton Bonin (beneficiário) e da cônjuge, despesas com luz, gás, celular do beneficiário, cônjuge e dos filhos, telefone, impostos sobre propriedade de imóveis (IPTU) e automotores (IPVA), seguros de vida e de veículos do beneficiário, cônjuge e dos filhos, clubes, salários e respectivos encargos sociais de empregados inerentes à atividade rural do beneficiário. 2.3 Em que pese a contabilização dos valores entregues na conta 1020301003 Empréstimos a Pessoas Ligadas Newton Bonin, tais quantias representam, na verdade, vantagens individuais concedidas pela pessoa jurídica em retribuição a serviços prestados pela pessoa física, na condição de contribuinte individual, e integram a remuneração como salário indireto. 2.4 Adiciona a fiscalização, por fim, que foi detectada na escrituração contábil do contribuinte uma simulação de pagamento de parte desses "empréstimos", utilizandose para Fl. 2172DF CARF MF Processo nº 10980.723947/201030 Acórdão n.º 2401004.869 S2C4T1 Fl. 2.173 5 quitação da dívida títulos de "duvidosa liquidez" emitidos pela Eletrobrás Centrais Elétricas Brasileiras S/A. 3. Como a finalidade de aplicação da multa mais benéfica, consoante alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN), foram comparadas, por competência, as multas previstas na legislação da época da infração e aquelas implementadas pela legislação superveniente, introduzida pela Medida Provisória (MP) nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 (fls. 27/28). 3.1 Para todas as competências, as multas previstas na legislação anterior resultaram mais favorável ao sujeito passivo. 3.2 Vale dizer, a multa de 24%, relativamente à obrigação principal, cumulada com a penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória de declarar, mês a mês, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), exigida por intermédio da lavratura de auto de infração específico, formalizado em processo administrativo à parte. 4. Cientificado da autuação em 30/9/2010, às fls. 2, o contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 1.833/1.865). 5. Intimada da decisão de piso em 4/8/2011, conforme fls. 2.042/2.046, a empresa recorrente apresentou recurso voluntário em 1º/9/2011 (fls. 1.901/1.961). 5.1 Em síntese, aduz os seguintes argumentos de fato e direito contra a decisão de piso que manteve intacta a pretensão fiscal: (i) em preliminar, a nulidade do auto do infração, uma vez que não foi apontado, com clareza e precisão, o dispositivo legal que fundamenta a exigência; (ii) há igualmente nulidade da peça de autuação, por cerceamento do direito de defesa, tendo em vista a sua deficiente instrução, na medida em que ausentes os documentos integrais que embasaram o auto de infração original, relativo à pessoa física do Sr. Newton Bonin, no qual se fundou e do qual é mera decorrência ou reflexo; (iii) o presente processo é decorrente daquele instaurado contra Newton Bonin, para exigência de imposto sobre a renda das pessoas físicas, com base em suposta omissão de rendimentos, de modo que o julgamento de ambos os autos de infração deverão seguir a mesma sorte; (iv) os pagamentos e as transferências não são concernentes à remuneração indireta ou a rendimentos do trabalho, mas sim a valores entregues a título, própria e especificamente, de mútuo, comprovados por documentos e registros contábeis regulares da pessoa jurídica; Fl. 2173DF CARF MF Processo nº 10980.723947/201030 Acórdão n.º 2401004.869 S2C4T1 Fl. 2.174 6 (v) considerando o âmbito de aplicação da norma de incidência das contribuições previdenciárias, os valores entregues à pessoa física não representam retribuição pela prestação de serviços, consistindo em fato infenso à tributação pretendida pela fiscalização; (vi) não há óbice à quitação de contrato de mútuo via dação em pagamento de título públicos. Além disso, houve devolução parcial dos mútuos, antes da ação fiscal, mediante cheques e transferências bancárias efetuadas pelo Sr. Newton Bonin, o que não foi levado em consideração pela fiscalização e decisão de piso, nem mesmo para exclusão da tributação sobre tais valores; (vii) ao afastar os efeitos próprios dos contratos de mútuo, a autoridade fazendária ignorou a aplicação do parágrafo único do art. 116 do CTN, que exige a edição de lei ordinária disciplinando os procedimentos para desconsiderar atos e negócios jurídicos; (viii) a empresa detinha lucros ao final do período de encerramento dos exercícios de 2005 e 2006, conforme cópia do balanço patrimonial. A desconsideração dos contratos de mútuo não enseja a tributação como remuneração, e sim a título de distribuição de lucros; e (ix) é cabível, pelo menos, a exclusão da base de cálculo em relação às operações, vinculadas a atividades rurais da pessoa física, que não caracterizam pagamento de despesas particulares decorrentes de serviços prestados à empresa recorrente. 6. Em sede de 2ª instância, o julgamento foi convertido em diligência, conforme Resolução nº 2301000.228, emitida pela 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para que (fls. 2.047/2.053). "a) a autoridade fiscal verifique se a operação de quitação do mútuo encontrase devidamente contabilizado em título e contas próprios da empresa, bem como manifestação conclusiva sobre os documentos carreados; b) seja juntado aos autos a decisão de número 2102001.857 proferida por este órgão no julgamento do processo do contribuinte Newton Bonin." 7. A autoridade fiscal responsável pelo cumprimento da diligência prestou as informações solicitadas, conforme fls. 2.061/2.062. 7.1 Quanto ao Acórdão nº 2102001.857, relativo ao Processo nº 10980.723625/201091, que diz respeito ao julgamento do recurso voluntário atinente ao lançamento do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) em nome do Sr. Newton Bonin, pelas infrações de omissão de rendimentos do trabalho, acréscimo patrimonial a descoberto e Fl. 2174DF CARF MF Processo nº 10980.723947/201030 Acórdão n.º 2401004.869 S2C4T1 Fl. 2.175 7 omissão de ganho de capital, nos anoscalendário 2005 e 2006, o documento foi juntado às fls. 2.074/2.096. 8. Concedido prazo para a recorrente manifestarse sobre o resultado da diligência, a empresa autuada compareceu aos autos e aduziu, em síntese, que (fls. 2.100/2.018): (i) no Processo nº 10980.724566/201230, a própria administração fazendária reconheceu, por meio da exigência do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários (IOF), que a mesma série de operações correspondem a mútuos de recursos financeiros entre pessoa jurídica e pessoa física, e não remunerações a sócio (fls. 2.122/2.141); (ii) atesta a manifestação apresentada pela autoridade fiscal, categoricamente, que os valores recebidos pela empresa, a título de quitação dos mútuos, foram contabilizados na época própria na conta de Empréstimos a Pessoas Ligadas Newton Bonin, o que afasta qualquer intenção de dolo, fraude ou simulação; (iii) no Processo nº 10980.723628/201024, em que também figurou a empresa autuada como recorrente, restou decidido que a falta de comprovação da efetividade das operações de mútuos pactuados entre a pessoa jurídica e seu sócio, contabilizados ou não, implica a incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35% (por cento). A solução dada afasta qualquer outra exigência fiscal, incluindo a cobrança deste processo (fls. 2.143/2.155); e (iv) é ilógica a presunção desenvolvida no conjunto acusatório de que o sócio fundador e controlador da pessoa jurídica viesse a simular contrato de mútuo, na medida em que havia diversas alternativas fiscais lícitas menos onerosas para o recebimento de valores da empresa pelo Sr. Newton Bonin, tais com a distribuição de lucros. 9. Tendo o relator original do processo renunciado ao mandato, foi efetuado novo sorteio para relatoria. É o relatório. Fl. 2175DF CARF MF Processo nº 10980.723947/201030 Acórdão n.º 2401004.869 S2C4T1 Fl. 2.176 8 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Admissibilidade 10. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Julgamento em conjunto 11. Com relação às contribuições previdenciárias, apuradas com base nos mesmos elementos de prova, os seguintes autos de infração foram lavrados (fls. 20): (i) AI nº 37.281.5065, relativo à contribuição patronal incidente sobre a remuneração do contribuinte individual (Processo nº 10980.723947/201030); (ii) AI nº 37.305.8802, referente à contribuição do segurado contribuinte individual, incidente sobre o seu saláriode contribuição (Processo nº 10980.723948/201084); (iii) AI nº 37.281.5057, correspondente à multa por não declarar, mês a mês, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária na GFIP (Processo nº 10980.723944/201004); e (iv) AI nº 37.305.8810, concernente à multa por deixar a empresa de lançar, em títulos próprios da contabilidade, os pagamentos efetuados a contribuinte individual (Processo nº 10980.723949/201029). 12. Para evitar decisões despidas de congruência, todos os processos administrativos, enumerados acima, estão sendo apreciados na mesma sessão de julgamento do colegiado. Considerações Iniciais 13. Antes de passar ao exame das questões controvertidas, é importante tecer algumas considerações sobre o litígio instaurado com a apresentação da impugnação tempestiva. Fl. 2176DF CARF MF Processo nº 10980.723947/201030 Acórdão n.º 2401004.869 S2C4T1 Fl. 2.177 9 14. Afirma a recorrente que o trabalho fiscal foi desenvolvido com o propósito de identificar suposta omissão de rendimentos pelo contribuinte Newton Bonin, na condição de pessoa física. 14.1 Acrescenta que todos os termos e documentos que instruem os autos são os mesmos do processo originário, que resultou na exigência do IRPF. Por isso, tudo o mais, incluindo a cobrança de contribuições previdenciárias e respectivas multas por descumprimento de obrigações acessórias, é conexo, decorrente ou reflexo ao processo principal. 14.2 Ao tomar por empréstimo os fundamentos e provas contidos no processo principal, o julgamento do auto de infração deste processo, por decorrente, deve seguir a mesma sorte daquele. 15. Pois bem. É correto o raciocínio da recorrente, porém apenas em parte. Não há como negar a vinculação entre o processo sob exame, nº 10980.723947/201030, e aquele referente às infrações imputadas à pessoa física, formalizado sob o nº 10980.723625/201091. 15.1 Em ambos, a fiscalização acusa que a empresa Logika Distribuidora de Cosméticos Ltda, da qual Newton Bonin é sócio majoritário e administrador, realizou pagamentos de despesas e transferências de recursos, sob a forma disfarçada de mútuos, que caracterizam o recebimento de remuneração pela pessoa física passível de tributação do imposto sobre a renda e das contribuições previdenciárias. 16. Há vinculação entre os processos, por conexão. Os lançamentos envolvem um mesmo fato, contudo representam desdobramentos relativos a tributos e sujeitos passivos diversos. 17. Não se trata de vinculação por decorrência, em que o lançamento depende, necessariamente, do decidido no chamado "processo principal". Embora mesmos fatos, a subsunção à respectiva norma tributária é realizada de maneira separada, dadas as características próprias da regra matriz de incidência de cada tributo. 18. Neste processo, a exigência cingese à contribuição previdenciária patronal, em nome da empresa, ora recorrente, incidente sobre a remuneração paga ao sócio Newton Bonin pela prestação de serviços. 19. Diferentemente, no Processo nº 10980.723625/201091, sobre os mesmos fatos identificados pelo agente lançador, a fiscalização reivindica, uma vez não aceitos os contratos de mútuos, o pagamento pelo sócio Newton Bonin do imposto sobre a renda da pessoa física, incidente sobre os rendimentos recebidos da empresa. 20. Enquanto para a incidência da contribuição previdenciária é imprescindível que os rendimentos decorram de retribuição pelo trabalho, no imposto de renda é suficiente o acréscimo patrimonial, caracterizado pelo benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título, sendo irrelevante, a princípio, se houve ou não prestação de serviço pelo recorrente à empresa. 21. Não há, portanto, como presumir que a sorte do chamado "processo principal" determina o resultado deste processo, relativo à exigência de contribuição previdenciária. Há conexão entre os processos, mas não decorrência. Fl. 2177DF CARF MF Processo nº 10980.723947/201030 Acórdão n.º 2401004.869 S2C4T1 Fl. 2.178 10 22. A elucidação acima é importante, haja vista que tais processos estão sendo apreciados e julgados separadamente. Em ambos, a autoridade lançadora deve providenciar a instrução com todos os termos, documentos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do respectivo ilícito (art. 9º, "caput", do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). 23. Em contrapartida, a impugnação, bem como o eventual recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, devem conter os motivos de fato e de direito que se fundamentam, os pontos de discordância específicos sobre o tema e as razões e provas que possuem (art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972). 24. Por sinal, no que tange ao Processo nº 10980.723625/201091, que trata do imposto sobre a renda da pessoa física, o julgamento em 2ª instância já aconteceu. Na parte correspondente à omissão de rendimentos do trabalho, o colegiado desproveu o recurso voluntário, decidindo que os mútuos não estavam comprovados e, por conseguinte, os valores recebidos pelo sócio Newton Bonin eram rendimentos tributáveis. 24.1 Para melhor compreensão do entendimento daquele colegiado, reproduzo a ementa do Acórdão nº 210201.857, proferido pela 2ª Turma da 1ª Câmara da 2ª Seção, quanto à omissão de rendimentos (fls. 2.074/2.096): (...) CONTRATOS DE MÚTUOS. DESCARACTERIZAÇÃO. MERAS REMUNERAÇÕES PERCEBIDAS DE EMPRESAS LIGADAS, EM BENEFÍCIO DO AUTUADO. TRIBUTAÇÃO PELO IMPOSTO DE RENDA. Absolutamente incompreensível como as empresas mutuantes aceitaram títulos (Obrigações da Eletrobrás) sem qualquer certeza do mutuário, fiscalizado, com valor de mercado secundário risível, com valor para pagamento administrativo mais irrelevante ainda, tudo quando comparado aos valores milionários dos mútuos, sendo ainda obrigadas a assumir todos os ônus da cobrança judicial das incertas obrigações da Eletrobrás. Indo mais além, a fiscalização identificou que os valores recebidos foram utilizados para pagamento de despesas pessoais do recorrente, como “cursos de idiomas, ensino fundamental e superior, cartões de créditos, despesas inerentes à atividade rural explorada pelo beneficiário, despesas com condomínio, luz, telefone, celular, gás, seguros, aquisição de imóveis, transferências de recursos para contas correntes, dentre outros, despesas essas pagas em nome do contribuinte fiscalizado, de seu cônjuge e dependentes”. Iniludivelmente, não se tratou de contratos de mútuos, mas de remunerações que beneficiaram o contribuinte e que devem ser tributados pelo imposto de renda da pessoa física. (...) Fl. 2178DF CARF MF Processo nº 10980.723947/201030 Acórdão n.º 2401004.869 S2C4T1 Fl. 2.179 11 24.2 Na sequência daquele processo, interpostos os embargos de declaração pelo sujeito passivo contra o acórdão proferido, o apelo foi acolhido em parte para suprir omissão no julgado, porém com ratificação do resultado da decisão embargada, que havia negado provimento ao recurso voluntário (Acórdão 2102002.395, disponível em www. carf.fazenda.gov.br). Preliminar de nulidade 25. O recorrente aponta dois tipos de vícios no auto de infração que levariam à necessidade de declarar a nulidade do ato administrativo. 25.1 Um, diz respeito ao art. 74 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, dispositivo legal que, segundo afirma, fundamenta a exigência fiscal. A peça acusatória não indica, nomeadamente, quais são os parágrafos ou incisos desse artigo que estão relacionados com os fatos narrados pela autoridade lançadora, o que impossibilita ao contribuinte o exercício do direito de defesa em sua inteireza. 25.2 Dois, há deficiência de instrução no presente processo, que também leva ao cerceamento do direito de defesa do contribuinte, pois deixou de constar nele todos os elementos e as provas do processo matriz, mas somente aquilo que o fiscal entendeu pertinente à comprovação das suas alegações. 26. Pois bem. A menção ao art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991, e ao correlato dispositivo regulamentar, o art. 358 do Regulamento do Imposto sobre a Renda, veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), é apenas subsidiária, a título de reforço do conceito de remuneração. 27. O que se percebe da acusação fiscal é a existência de uma descrição clara da infração e que os fatos, na ótica de interpretação da autoridade lançadora, subsumemse à hipótese de remuneração pelo trabalho prestado à empresa pela pessoa física, na condição de segurado contribuinte individual. Nesse sentido, reproduzo excerto do Relatório Fiscal (fls. 24): (...) 4. FATOS GERADORES Os fatos geradores das contribuições previdenciárias apuradas no presente Auto de Infração foram as remunerações pagas, pelos serviços prestados, ao sócio administrador Newton Bonin, na condição de segurado contribuinte individual. Estes valores não declarados em GFIPs Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social foram lançados no levantamento PS PAGAMENTOS SEGURADO CI NEWTON BONIN pelos totais mensais conforme totalização na planilha intitulada RAZÃO CONTA CONTÁBIL: 1020301003 Empréstimos a Pessoas Ligadas Newton Bonin anexa a este Relatório e resumo abaixo: (...) (DESTAQUES DO ORIGINAL) Fl. 2179DF CARF MF Processo nº 10980.723947/201030 Acórdão n.º 2401004.869 S2C4T1 Fl. 2.180 12 28. Por sua vez, o Relatório "FLD Fundamentos Legais do Débito", que faz parte do auto de infração, contém os dispositivos legais que fundamentam o lançamento de ofício efetuado, de acordo com legislação vigente à época de ocorrência dos fatos geradores. Dentre os dispositivos, está o inciso III do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991 (fls. 9/10). 29. Quanto à alegação de carência na instrução processual de responsabilidade da acusação fiscal, não há obrigação da juntada aos autos de todos os elementos de prova contidos no Processo nº 10980.723625/201091, pertinentes que são ao imposto sobre a renda da pessoa física. 29.1 Com o olhar na presença dos elementos imprescindíveis ao exercício do contraditório e da ampla defesa neste processo administrativo, entendo satisfatória a incorporação realizada pelo agente fazendário, considerando sua avaliação própria dos fatos e do direito aplicável, limitandose àqueles documentos indispensáveis à específica comprovação do ilícito narrado. 29.2 Acrescento que também verifico a existência de motivação no ato administrativo, por intermédio da descrição dos fatos, do enquadramento legal e da demonstração da subsunção à regra matriz de incidência tributária (incisos III e IV do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e o art. 142 do CTN). 29.3 A suficiência ou não do conjunto probatório carreado aos autos pelo agente lançador para a demonstração dos fatos e, ao final, confirmar a legalidade da pretensão fiscal é matéria reservada ao exame do mérito da autuação, quando haverá, igualmente, o confronto com as alegações e provas do sujeito passivo. 30 Nos dois cenários deduzidos pela recorrente, não vislumbro dano à defesa, pressuposto para a declaração de nulidade, haja vista a perfeita compreensão da acusação fiscal. Não há que falar em qualquer prejuízo ao sujeito passivo, pois produziu um longo arrazoado recursal, debatendo cada ponto da autuação. O arcabouço acusatório lhe conferiu a possibilidade de produzir as provas hábeis para o fim de demonstrar os fatos e o direito que invoca como fundamentos à sua petição. 31. Logo, ausentes vícios que impeçam o exercício do direito de defesa assegurado ao autuado, descabe cogitar a nulidade do lançamento fiscal. Mérito 32. Não custa repetir, porque importante, que a acusação fiscal, devidamente limitada pelo Relatório Fiscal, é no sentido de que as bases de cálculo apuradas correspondem à remuneração pela prestação de serviços, por parte do sócio Newton Bonin, em favor da empresa recorrente. 33. Pois bem. É incontroverso que o Sr. Newton Bonin, à época dos fatos, era sócio majoritário e fundador da empresa Logika Distribuidora de Cosméticos Ltda. Detentor da posse de 99% das quotas do capital social, havia sido designado para a função de administrador da sociedade, conforme Cláusula Oitava do contrato social, exercendo todos os poderes e atribuições que são próprios para a gerência e administração da sociedade empresária limitada (fls. 12/16). Fl. 2180DF CARF MF Processo nº 10980.723947/201030 Acórdão n.º 2401004.869 S2C4T1 Fl. 2.181 13 33.1. A seu turno, na Cláusula Nona pertencente ao instrumento contratual, há previsão de os sócios, em comum acordo, estabelecerem a retirada mensal, a título de "pró labore", no exercício das atividades, sem fixar o contrato, contudo, limite mínimo ou máximo de valor. 34. Incluemse dentre os segurados obrigatórios da Previdência Social, como contribuinte individual, o sócio gerente ou administrador da sociedade empresária, nos termos da alínea "f"do inciso V do art. 12 da Lei nº 8.212, de 1991, observada a novel nomenclatura dada pela Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, que veicula o Código Civil: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual: (...) f) o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, e o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que recebam remuneração; (...) 35. Relativamente à empresa, constitui fato gerador da obrigação previdenciária principal a prestação de serviços remunerados realizados por contribuinte individual. Para fins do nascimento da obrigação tributária, considerarseá ocorrido o fato gerador para a empresa no mês em que paga ou creditada a remuneração, o que ocorrer primeiro, ao segurado contribuinte que lhe presta serviço. Tal entendimento encontra amparo no inciso III do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, abaixo reproduzido: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (...) 36. No que tange às obrigações do contribuinte individual, os aspectos material e temporal da regramatriz de incidência tributária mantêm coerência com o definido para a empresa, pois o fato gerador é o exercício de atividade remunerada, produzindose efeitos tributários no mês em que paga ou creditada a remuneração. Eis o que diz o inciso III do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991: Fl. 2181DF CARF MF Processo nº 10980.723947/201030 Acórdão n.º 2401004.869 S2C4T1 Fl. 2.182 14 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5º; (...) 37. Para fins da legislação previdenciária, o Sr. Newton Bonin conserva um vínculo contínuo com a sociedade empresária, prestandolhe serviços e recebendo, via de regra, alguma retribuição. 38. De acordo com os arts. 22 e 28 da Lei nº 8.212, de 1991, o legislador ordinário estabeleceu um conceito amplo de remuneração, destinada a retribuir o trabalho, de maneira que as parcelas pagas pela empresa que escapam à tributação devem estar amparadas em documentos hábeis e idôneos que demonstrem a natureza não remuneratória, elaborados pelo sujeito passivo e disponibilizados à fiscalização quando solicitados. 39. Nesse cenário fático, contratual e normativo, não há que se cogitar em presunção do fato gerador para o sócio Newton Bonin, porquanto inerente à natureza do vínculo existente com a sociedade empresária. Ao contrário do que defende a recorrente, o fiscal autuante demonstra a existência de prestação mensal de serviços à empresa. 40. Ao identificar pagamentos e transferências a favor do sócioadministrador, por meio da conta contábil 1020301003 Empréstimos a Pessoas Ligadas Newton Bonin, a fiscalização solicitou os respectivos documentos e esclarecimentos, com a finalidade de verificar a sua natureza jurídica e, consequentemente, a incidência ou não da tributação (imposto sobre a renda, contribuição previdenciária etc.) 41. A toda a evidência, o fato de os registros contábeis estarem vinculados a uma conta destinada a empréstimos, assim denominada pela empresa, não impede o poder investigatório do Fisco. Além do que as pessoas jurídicas devem proceder aos devidos registros contábeis de suas atividades e resultados sempre alicerçados em documentos hábeis e idôneos, os quais assumem a feição de prova para fins do controle da Administração Tributária. 42. Quero dizer, assim, que constatado o vínculo de prestação de serviço, é imprescindível, para escapar à tributação, que as saídas de numerário diretamente ao sócio administrador, ou a terceiros, por sua conta e ordem, estejam acompanhadas de registros contábeis e fiscais, apoiados em documentação que sustente a natureza não remuneratória dos valores. 43. Como dito alhures, a autoridade fiscal concluiu, apoiado em provas, que os valores disponibilizados ao sócioadministrador, em que pese devidamente contabilizados na conta Empréstimos a Pessoas Ligadas Newton Bonin, representavam, na verdade, vantagens individuais em retribuição a serviços prestados, integrantes da remuneração para fins da legislação tributária. 44. Expõe a recorrente, como linha argumentativa principal, que os montantes pagos ao sócio Newton Bonin têm sua origem em contratos de mútuos de dinheiro legítimos e Fl. 2182DF CARF MF Processo nº 10980.723947/201030 Acórdão n.º 2401004.869 S2C4T1 Fl. 2.183 15 provados, além de revestidos das formalidades legais, havidos entre a pessoa física e a empresa. 45. A atividade probatória dirigese à formação da convicção do julgador e, no caso do processo sob exame, não estou convencido da procedência das alegações da recorrente. Senão vejamos. 46. O mútuo, com ou sem fins econômicos, é negócio jurídico que pressupõe a devolução do bem fungível tomado emprestado, mesmo que coisa equivalente, nos termos do art. 586 do Código Civil: Art. 586 O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. 47. Conforme consignado no Relatório Fiscal, no dia 28/12/2006, foi lançado na contabilidade da recorrente uma "simulação de pagamento" parcial dos mútuos havidos entre as partes, com a utilização de títulos de "duvidosa liquidez" emitidos pela Eletrobrás Centrais Elétricas Brasileiras S/A (fls. 24). 48. A avaliação dos contratos de mútuo, entre a empresa e o sócio Newton Bonin, deve ocorrer no contexto da averiguação do negócio jurídico como um todo, inclusive a relação de vínculo existente entre as partes. 49. Os contratos particular de mútuo, às fls. 1.962/1.965, representam um mecanismo de conta corrente mantido entre pessoa jurídica e pessoa física, onde a primeira disponibiliza a outra recursos financeiros, que deverão ser restituídos num prazo determinado, configurando, em princípio, operação de mútuo. Como é mencionado nos documentos, tratase de operação de crédito rotativo. 49.1 Sob uma análise meramente formal, os contratos de mútuo atendem aos requisitos legais, ainda que o instrumento particular não se encontre devidamente averbado em registro público, a fim de que se possa cogitar de plena oponibilidade a terceiros, tal como ao Fisco (art. 221 do Código Civil). 50. Entretanto, é inaceitável fechar os olhos às circunstâncias que permeiam a relação entre mutuante e mutuário. As quotas da sociedade ora recorrente pertencem, quase integralmente, ao sócio Newton Bonin, com 99% de participação e poderes amplos de gestão da empresa. 51. Não há como negar que é uma situação pode levar a desvios de finalidade e confusão patrimonial entre pessoa jurídica e física. Assinaram os contratos a mesma pessoa física, Newton Bonin, como representante da pessoa jurídica, na condição de mutuante, e como mutuário. 51.1 Os contratos de mútuo são praticamente idênticos, relativos aos anos de 2005 e 2006, tendo como objeto o empréstimo de quantia anual equivalente a até R$ 40 milhões de reais, em moeda corrente e na forma de crédito rotativo. São valores extremamente relevantes, não só pelo senso comum, mas também tendo em vista as receitas auferidas e os correspondentes resultados operacionais da empresa (fls. 1.967/1.968). Fl. 2183DF CARF MF Processo nº 10980.723947/201030 Acórdão n.º 2401004.869 S2C4T1 Fl. 2.184 16 51.2 Segundo o acordo de vontades, embora mútuo feneratício, destinado a fins econômicos, os juros devidos ao tempo da restituição do capital mutuado poderiam ser dispensados, a critério exclusivo do mutuante, em caso de pagamento antecipado. Além disso, o mutuante, também a seu exclusivo critério, poderia receber os valores mutuados por meio de títulos ou créditos (Cláusula Segunda). 51.3 Na prática, é óbvio que mutuante e mutuário se confundem, dado que o beneficiário dos valores emprestados mantinha controle integral do negócio jurídico, em condições que lhe podiam favorecer em detrimento do interesse da pessoa jurídica. 52. Tal percepção tornase evidente a partir da análise dos lançamentos contábeis registrados na Empréstimos a Pessoas Ligadas Newton Bonin, conforme exposto pela autoridade fiscal. 53. Uma boa parte dos recursos recebidos foram utilizados, de forma sistemática, para o pagamento de despesas pessoais do sócio (fls. 30/54). 53.1 Em nome do sócio Newton Bonin, de seu cônjuge e dependentes, o agente fiscal identificou, entre outros, pagamentos de despesas com condomínio, luz, telefone celular, gás e seguros; cursos de idiomas, ensino fundamental e superior, e cartões de crédito; além de despesas inerentes à atividade rural explorada pelo beneficiário, tais como pagamento de salários, encargos e despesas de custeio. A natureza das despesas está corroborada por documentação (fls. 587/709 e 1.024/1.781). 54. O pagamento reiterado de contas pessoais é flagrantemente incompatível com a finalidade de um empréstimo, tampouco com a distribuição de lucros. Tais despesas são próprias de custeio por meio da remuneração mensal, a título de "prólabore", no caso dos empresários. 54.1 Para fins de incidência da contribuição previdenciária, a remuneração paga ou creditada independe da forma ou do título, bastando a retribuição pelo serviço prestado. A roupagem sob a forma de crédito rotativo não é capaz de desnaturar a natureza jurídica e afastar a tributação sobre os valores pagos à pessoa física. 55. Sobre o tema, é interessante que a recorrente alega equívoco do contador da empresa ao efetuar os lançamentos contábeis como se fossem pagamentos de despesas particulares, o que teria acontecido apenas para o devido controle das entregas dos numerários ao mutuário. 55.1 Tal argumento de defesa, além de frágil, passa longe de persuadir o julgador administrativo. A quantidade, frequência, continuidade ao longo do tempo e natureza dos registros demonstram que não se está diante de mera irregularidade de escrituração de fatos contábeis. 55.2 A contabilidade da empresa está assinada por profissional de contabilidade habilitado, cujos lançamentos contábeis, nessa parte, estão lastreados em documentação que espelha com a devida clareza o pagamento de despesas particulares do sócioadministrador, e não valores a título de empréstimos. Fl. 2184DF CARF MF Processo nº 10980.723947/201030 Acórdão n.º 2401004.869 S2C4T1 Fl. 2.185 17 56. Um dos pressupostos legais que caracteriza o contrato de mútuo é a obrigação de restituir o equivalente ao valor recebido pelo mutuário, que, no caso concreto, restou violentado pela quitação ajustada entre as partes, na forma de título ao portador emitido pela Eletrobrás. 57. Os valores em espécie disponibilizados à pessoa física, Newton Bonin, somente no período de set/2005 a dez/2006, totalizaram mais de R$ 28 milhões (fls. 24). 58. A autuada aceitou, na forma de cessão em dação em pagamento, contrato assinado em 28/12/2006, o recebimento de um título ao portador de emissão da Eletrobrás, com cópia nos autos às fls. 517/518, avaliado em cerca de R$ 39 milhões, após corrigido o valor de face das obrigações com base em laudo técnico financeiro, elaborado por perito particular, para o fim de quitação de uma dívida reconhecida, entre empresa e sócioadministrador, no valor aproximado de R$ 30 milhões (fls. 94/96). 58.1 A Eletrobrás, em contrapartida, instada a manifestarse pela fiscalização, atribuiu, ao mesmo título, um valor hipotético de resgate da cautela inferior a R$ 4 mil (fls. 524/550). 58.2 É verdade, concordo, que não se pode classificar de imparciais as informações prestadas pela Eletrobrás, porém é impossível passar desapercebida a magnitude da divergência de valoração. 59. Segundo a recorrente, o leitor também não deve ficar impressionado com o objeto do contrato de cessão em dação em pagamento, disposto na Cláusula 2ª, o qual diz respeito à liberação de uma dívida oriunda da conta de antecipações de verbas de representação, em decorrência das relações comerciais havidas entre devedor e credor. 59.1 Tratase, diz a recorrente, de erro na redação do contrato, não identificado à época. O objetivo da dação em pagamento sempre foi a quitação dos mútuos, tanto que o valor da cessão em dação em pagamento foi lançado a débito, em 28/12/2006, na conta contábil 1020301003 Empréstimos a Pessoas Ligadas Newton Bonin (fls. 105). 60. De fato, conquanto intrigante o objeto do contrato de cessão, justificado por meio de explicação sofrível, o seu conteúdo é incapaz, por si só, de levar à desconsideração do mútuo. 61. É imprescindível, entretanto, lembrar que o Poder Judiciário, por meio de decisões reiteradas, reconheceu, no que tange às obrigações ao portador emitidas pela Eletrobrás em razão do empréstimo compulsório instituído pela Lei nº 4.156, de 28 de novembro de 1962, a prescrição das ações de cobrança dos créditos decorrentes dos títulos não resgatados à época própria, assim como a ausência de liquidez capaz de garantir o juízo em execução fiscal. 62. Quanto ao ponto de vista do Poder Judiciário, mesmo nos anos de 2005 e 2006, já havia inúmeros precedentes dos Tribunais Regionais Federais (TRF´s) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no sentido do prazo prescricional de 5 (cinco) anos para ajuizamento de ação de repetição, após decorrido o prazo estipulado para o resgate das respectivas obrigações. Nesse sentido, a título exemplificativo, os julgados abaixo do STJ: Fl. 2185DF CARF MF Processo nº 10980.723947/201030 Acórdão n.º 2401004.869 S2C4T1 Fl. 2.186 18 TRIBUTÁRIO. EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO SOBRE ENERGIA ELÉTRICA. PRESCRIÇÃO. DECADÊNCIA. CORREÇÃO MONETÁRIA PLENA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC (ART. 4º DA LEI N. 9.250/95). INCIDÊNCIA. PREQUESTIONAMENTO. JUÍZO DE VALOR. NECESSIDADE. PRECEDENTES DO STJ (...) 2. O prazo prescricional, nas ações que visam à restituição do empréstimo compulsório de energia elétrica, é de cinco anos e tem início após decorridos os vinte anos estipulados para o resgate das obrigações emitidas em favor do contribuinte. (...) (REsp nº 575.122/SC, 2ª Turma. Relator Ministro João Otávio de Noronha, Julgado em 21/10/2004). TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO SOBRE ENERGIA ELÉTRICA. PRESCRIÇÃO. ASSEMBLÉIAS GERAIS EXTRAORDINÁRIAS. PRECEDENTES. 1. A jurisprudência do STJ encontrase pacífica no sentido de que o prazo prescricional qüinqüenal das ações que objetivam a restituição do empréstimo compulsório incidente sobre energia elétrica só se inicia após vinte anos a contar da aquisição compulsória das obrigações emitidas em favor do contribuinte. (...) 4. Precedentes das egrégias 1ª e 2ª Turmas e 1ª Seção desta Corte Superior (Embargos de Divergência no REsp nº 676.697/RS, 1ª Seção. Relator Ministro José Delgado, Julgado em 22/03/2006). 63. No caso dos autos, a cautela, de nº 1441427, com um total de 8.000 (oito mil) Obrigações foi emitida no ano de 1977, portanto, com prazo de resgate de 20 (vinte) anos, o qual teve seu termo final em 1997 (fls. 517/518). Como o prazo de resgate venceu em 1997, o marco final para reclamação judicial se deu no ano de 2002. 64. É impensável que a empresa, ao fim do ano de 2006, pudesse aceitar títulos, para o fim de quitação dos mútuos, sem qualquer certeza da sua liquidez e exigibilidade, ou melhor, com altíssima probabilidade de insucesso no intento de receber os valores via judicial, ainda sendo obrigada, por disposição contratual, a assumir todos os ônus dessa demanda junto ao Poder Judiciário. 64.1 Com efeito, de acordo com as cláusulas do contrato de cessão em dação em pagamento, o cedente do título, o sócio Newton Bonin, não responderia pela solvência, nem pela inadimplência, que deveria ser resolvida pelas vias judiciais a critério e às expensas do credor, a empresa ora recorrente. Fl. 2186DF CARF MF Processo nº 10980.723947/201030 Acórdão n.º 2401004.869 S2C4T1 Fl. 2.187 19 65. Embora o mutuário não esteja obrigado a devolver a própria coisa, há necessidade de equivalência em gênero, quantidade e qualidade. Igualmente, não há óbice que mútuos sejam quitados por dação em pagamento. 65.1 Contudo, não é razoável, absolutamente incompreensível, a pessoa jurídica emprestar dinheiro, no montante de milhões de reais, e receber, como quitação, títulos de "duvidosa liquidez", numa realidade para lá de otimista, me atrevo a dizer no limiar de um milagre, no tocante à recomposição do patrimônio da pessoa jurídica. 66. Não restam dúvidas, para mim, que engendrouse um mecanismo de entrega de valores ao sócioadministrador para que, ao final, não existisse necessidade de efetiva devolução dos recursos financeiros disponibilizados à pessoa física. 66.1 A viabilidade de tal desiderato ilícito apenas foi possível pela condição favorecida do mutuário, frente ao mutante, caso contrário a pessoa jurídica, numa relação comum de independência entre as partes contratantes, não realizaria um negócio jurídico dessa envergadura e consequências perversas. 67. É de se convir que o conjunto probatório acostados aos autos, avaliado no todo, é robusto e consiste para atestar que as operações realizadas não ostentam a natureza de mútuos, mas mantém uma conotação de remuneração auferida pelo sócioadministrador, na condição de contribuinte individual, a partir de sua condição de prestador de serviços à empresa. 68. É irrelevante, com relação ao procedimento fiscal realizado, a aplicação do parágrafo único do art. 116 do CTN. Art. 116 (...) Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. 69. A regra do parágrafo único do art. 116 do CTN é uma autêntica norma antielisiva, que permite à autoridade fiscal requalificar os atos e negócios particulares quando o sujeito passivo ultrapassa abusivamente os limites aceitáveis da interpretação jurídica, por meio da dissimulação da hipótese de incidência, também chamada de fato gerador abstrato, e não do fato concreto. Em outras palavras, embora os fatos correspondam à realidade, há um abuso na subsunção da norma ao fato. 70. Ao contrário, na hipótese dos autos, o fingimento ocorreu no que concerne ao fato concreto acontecido, porque inexistente a entrega, à pessoa física, dos valores em dinheiro a título de mútuos, pois repassados como remuneração decorrente da prestação de serviços à empresa. 71. Diante da realidade encontrada pela auditoria tributária, não desconstituída pela recorrente, segundo a linguagem de provas apropriada, o lançamento de ofício prescinde da aplicação da norma antielisiva, a teor do inciso VII do art. 149 do CTN: Fl. 2187DF CARF MF Processo nº 10980.723947/201030 Acórdão n.º 2401004.869 S2C4T1 Fl. 2.188 20 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; (...) 72. Prossegue a defesa com argumentação adicional, com vistas à insubsistência do lançamento fiscal. Afirma que se fosse possível a desconsideração dos contratos de mútuos, então o resultado é considerar os valores como distribuição de lucros, dado que a empresa detinha lucros no encerramento dos exercícios de 2005 e 2006, conforme cópia do Balanço Patrimonial (fls. 1.966/1.967). Em amparo de sua tese, cita o art. 60, inciso V, e § 3º, alínea "a", do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: Art. 60 Presumese distribuição disfarçada de lucros no negócio pelo qual a pessoa jurídica: (...) V empresta dinheiro a pessoa ligada se, na data do empréstimo, possui lucros acumulados ou reservas de lucros; (...) § 3º Considerase pessoa ligada à pessoa jurídica: a) o sócio desta, mesmo quando outra pessoa jurídica; (...) 73. Essa aparente lucidez do raciocínio não corresponde à melhor interpretação da legislação tributária em vigor. A uma, porque o dispositivo mencionado cuidava de uma presunção legal específica aplicável à tributação do imposto sobre a renda da pessoa jurídica. 73.1 A duas, visto que a figura da distribuição disfarçada de lucros derivada de empréstimo em dinheiro a pessoa ligada, apesar da falta de revogação expressa do dispositivo de lei, deixou de produzir efeitos tributários a partir do ano de 1996. 73.2 Com efeito, o art. 464 do RIR/99 nem mesmo faz menção à esse tipo de operação. A hipótese preconizada no inciso V fazia parte do sistema de normas sobre correção monetária do balanço. A Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, além de proibir a correção monetária das demonstrações financeiras (art. 4º), concedeu isenção do imposto sobre a renda aos lucros ou dividendos (art. 10). 74. De mais a mais, para fins da legislação previdenciária, não há como presumir a distribuição de lucros na contabilidade, pois ausente essa implicação. 74.1 Além isso, impõese a necessidade de discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho (prólabore) e a remuneração proveniente do capital social (lucro) pagas ou creditadas aos sócios. A falta de separação dos lucros dificulta o controle fiscal sobre as parcelas recebidas, ou mesmo tornálo inviável, o que não pode ser admitido para fins de tributação. Fl. 2188DF CARF MF Processo nº 10980.723947/201030 Acórdão n.º 2401004.869 S2C4T1 Fl. 2.189 21 75. Não é o caso de dúvidas se os valores entregues ao sócio o foram a título de antecipação ou distribuição de lucros. É insuficiente haver lucros disponíveis registrados na contabilidade, pois caberia à empresa demonstrar a efetiva, e não hipotética, transferência a título de lucros, o que não está corroborada pela escrita contábil. 76. Adicionase que a falta de registros contábeis de pagamentos a título de distribuição de lucros em contas apropriadas, caso essa fosse a natureza jurídica, implicaria manter indevidamente disponível os saldos existentes na conta patrimonial de lucros acumulados para futuro pagamento aos sócios. 76.1 Por isso, considerando a instrução dos autos, a pretensão de considerar os valores à conta de lucros acumulados em 2005 e 2006 contém óbice intransponível, haja vista a impossibilidade de saberse se os sócios não aproveitaram, nos anos seguintes, os lucros acumulados do período. 77. Diz a recorrente também que houve quitação parcial dos mútuos pela pessoa física, em valor expressivo, equivalente a R$ 5.830.000,00, divididos em 3 (três) transferências bancárias, tendo como origem a conta do mutuário (Newton Bonin) e destino a conta da empresa mutuante, regularmente contabilizados (fls. 2.030/2.040). 78. Pois bem. Quanto à tese de que o sócioadministrador devolveu parte dos valores emprestados à empresa, ora recorrente, se vê que sequer foi deduzida no recurso voluntário, visto que os documentos comprobatórios, segundo afirma, foram recentemente localizados. 79. Nada obstante, em respeito ao princípio da verdade, passase à análise, tratando a matéria como complemento da argumentação deduzida na impugnação. 80. É fato que a fiscalização, quando da diligência fiscal, confirmou que os valores apontados pela recorrente foram contabilizados na época própria, em conta de Empréstimos a Pessoas Ligadas Newton Bonin. 80.1 Todavia, declarou impossível manifestarse conclusivamente sobre os documentos carreados, porquanto o histórico dos lançamentos contábeis não eram esclarecedores, sendo necessária a apresentação de informações adicionais pelo sujeito passivo acerca da verdadeira essência econômica dos lançamentos contábeis feitos nas respectivas datas (fls. 2.061). 81. Analisando os elementos disponíveis, admito a possibilidade de os valores corresponderem à devolução de mútuos contraídos pela pessoa física, porém não estou convicto que os recursos financeiros se referem àqueles discutidos no presente processo. Explico. 82. De acordo com a cópia do balanço patrimonial, os empréstimos a pessoas ligadas estão incorporadas na rotina da empresa autuada, não só em 2005 e 2006. Ao final do ano de 2004, por exemplo, o saldo da conta correlata ultrapassava os R$ 2 milhões (fls. 1.966/1.967). 82.1 No ano de 2005, a fiscalização procedeu à constituição do crédito tributário, provavelmente em razão da decadência, somente em relação aos valores emprestados e contabilizados a partir do mês de setembro. Nada obstante, de janeiro a agosto/2015, a Fl. 2189DF CARF MF Processo nº 10980.723947/201030 Acórdão n.º 2401004.869 S2C4T1 Fl. 2.190 22 autoridade fiscal localizou inúmeros registros contábeis relacionados a pagamentos a título de mútuos, em nome de Newton Bonin e familiares (fls. 989/1.013 e 1.022/1.049). 82.2 De modo análogo, o Acórdão nº 0642.483, às fls. 2.122/2.141, trazido aos autos pela recorrente, revela que a empresa realizou repasses de recursos em dinheiro, nos anos de 2007, 2008 e 2009, ao sócio Newton Bonin, caracterizados como operações de mútuo pela fiscalização. Nesse caso, a autoridade lançadora considerou comprovados os mútuos, exigindo o recolhimento do IOF sobre operações. 82.3 Cuidase de situação diversa dos autos, relativos aos anos de 2005 e 2006, em que a fiscalização não reconheceu os contratos de mútuos, no contexto fático alhures descrito, tratando os valores como remuneração recebida pelo contribuinte individual. Nesse raciocínio, não há incompatibilidade de pretensão da Administração Tributária, porquanto ausente a identidade das operações de retirada de valores da empresa. 83. Assim exposto os fatos, entendo que não há como afirmar, tendo em vista as provas carreadas aos autos pela recorrente, que o valor de R$ 5.830.000,00 esteja vinculado, especificamente, com a liquidação parcial dos mútuos contraídos no período da ação fiscal deste processo administrativo. 83.1 Não havendo prova da devolução efetiva dos valores tomados, relativamente ao período em discussão, nem mesmo é viável cogitarse da exclusão das quantias mencionadas pela recorrente. 84. Sobre a questão, registro, por fim, que a alegada devolução parcial em dinheiro é, aparentemente, contraditória com a opção pela utilização do título da Eletrobrás, cuja avaliação pericial do seu valor de face corrigido (~ R$ 39 milhões) era superior à dívida do mutuário (~ R$ 30 milhões). 85. Ainda na tentativa de reduzir o crédito tributário lançado, a recorrente defende que somente se pode falar em remuneração no tocante aos pagamentos, pela empresa, que possam enquadrarse no conceito de despesas particulares. 85.1 A outra parte, correspondente a valores entregues à pessoa física para investimentos nas propriedades rurais e na instalação de uma usina de cana de açúcar, tal como aqueles destinados a compra de máquinas, equipamentos e instalações, amoldamse ao conceito do mútuo. A empresa elaborou planilhas, com a segregação de valores, conforme Anexos I e II (fls. 1.968/2.007). 86. Pois bem. A recorrente apresenta uma planilha (Anexo II) sem uma correspondência unívoca com os fatos que alega, desacompanhada de correlação com a documentação hábil e idônea que lastreia os registros contábeis, necessária devido à imprecisão do histórico dos lançamentos da contabilidade. 87. Além disso, o que se afirmou é que as provas são insuficientes para caracterizar os valores repassados pela empresa à pessoa física como mútuos, tampouco a título de distribuição de lucros. Não há também provas ou alegações que os repasses destinaramse, mesmo que parcela deles, a ressarcimento, reembolso ou indenização. 87.1 Nesse quadro, considerando o vínculo contínuo de prestação de serviço, na condição de contribuinte individual, a natureza da aplicação dos recursos realizada pelo sócio Fl. 2190DF CARF MF Processo nº 10980.723947/201030 Acórdão n.º 2401004.869 S2C4T1 Fl. 2.191 23 perde a relevância que pretende dar a recorrente. Em todas os casos, os valores desembolsados pela empresa representam alguma vantagem oferecida, a titulo de retribuição pela prestação de serviço, para suprir despesas de custeio e outras de capital, segundo foi conveniente ao beneficiário. 88. Esclareço, por derradeiro, que a decisão de mérito no Processo nº 10980.723628/201024 não possui relevância e/ou aplicação para o julgamento em curso, relativo à contribuição previdenciária. 88.1 É que lá tratouse da cobrança pela fiscalização da multa e dos juros de mora exigidos isoladamente, considerada indevida, na apreciação do recurso voluntário, por não configurar a omissão de rendimentos hipótese de retenção do imposto sobre a renda a título de antecipação do imposto devido no ajuste anual, e sim tributação dos respectivos valores, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento. 89. Em síntese de arremate, cabe dizer que os fatos verificados, documentos e registros contábeis convergem, tendo em conta o conjunto probatório, para a conclusão alcançada pela autoridade fiscal e decisão de piso. Logo, escorreita a decisão recorrida, não merecendo reforma em grau de recurso. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, REJEITO a preliminar e, no mérito, NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 2191DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.727451/2014-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
DESPESAS MÉDICAS. LENTE INTRAOCULAR. DEDUTÍVEL SE INTEGRAR A CONTA EMITIDA PELO PROFISSIONAL OU ESTABELECIMENTO HOSPITALAR. DEDUTIBILIDADE NEGADA.
É indedutível do IRPF o valor referente à lente intraocular que não integrou a conta emitida pelo profissional ou estabelecimento hospitalar.
Numero da decisão: 2202-003.925
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente
(assinado digitalmente)
Cecilia Dutra Pillar - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: CECILIA DUTRA PILLAR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 DESPESAS MÉDICAS. LENTE INTRAOCULAR. DEDUTÍVEL SE INTEGRAR A CONTA EMITIDA PELO PROFISSIONAL OU ESTABELECIMENTO HOSPITALAR. DEDUTIBILIDADE NEGADA. É indedutível do IRPF o valor referente à lente intraocular que não integrou a conta emitida pelo profissional ou estabelecimento hospitalar.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10166.727451/2014-62
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5736864
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2202-003.925
nome_arquivo_s : Decisao_10166727451201462.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : CECILIA DUTRA PILLAR
nome_arquivo_pdf_s : 10166727451201462_5736864.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
id : 6825381
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:02:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049209747275776
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1368; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 65 1 64 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.727451/201462 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.925 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 06 de junho de 2017 Matéria IRPF Despesas Médicas Recorrente JOÃO PAULO DOS REIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 DESPESAS MÉDICAS. LENTE INTRAOCULAR. DEDUTÍVEL SE INTEGRAR A CONTA EMITIDA PELO PROFISSIONAL OU ESTABELECIMENTO HOSPITALAR. DEDUTIBILIDADE NEGADA. É indedutível do IRPF o valor referente à lente intraocular que não integrou a conta emitida pelo profissional ou estabelecimento hospitalar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 74 51 /2 01 4- 62 Fl. 65DF CARF MF 2 Trata o presente processo de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (fls. 19/24), decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual do IRPF do exercício de 2013, ano calendário de 2012, em que foram glosados valores indevidamente deduzidos a título de despesas médicas, no valor de R$ 6.884,00 por se referir a lente intraocular adquirida de empresa comercial, que não integrou conta hospitalar. Foi apresentada impugnação tempestiva cujo conteúdo foi resumido no relatório do Acórdão da DRJ e reproduzo: Informa que submeteuse a cirurgia de catarata em duas etapas (olho direito e esquerdo) em 18 e 27/09/2012, sendolhe implantadas lentes intraoculares que foram adquiridas da empresa ContactGel, pelo valor de R$ 6.884,00. Sustenta que não há cirurgia de catarata sem aquisição de lente intraocular, que representa para o contribuinte uma despesa, que não pode ser outra, senão despesa médica. Reproduz a legislação para defender que, como a lei não se refere expressamente a lentes intraoculares, utilizase de analogia para aproximalas de próteses, o que permite concluir que, para elas, exigese comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário, o que cumpriu mediante a apresentação dos documentos juntados aos autos. Contesta a interpretação da RFB contida na publicação Perguntas e Respostas – IRPF que faz exigência adicional que o valor pago pela lente intraocular integre a conta emitida pelo profissional ou estabelecimento hospitalar, com base em Parecer Normativo já revogado em razão de seu conteúdo ter sido tratado em legislação tributária superveniente e, portanto, impõese cumprir somente os requisitos da lei que trata da matéria: art. 8º, II, “a”, e § 2º da Lei nº 9.250/1995. A 20ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ), julgou improcedente a impugnação, conforme acórdão de fls. 41/44, mantendo a glosa da despesa por não integrar a conta emitida pelo estabelecimento hospitalar ou pelo profissional que realizou a procedimento. Cientificado dessa decisão por via postal em 09/12/2014 (A.R. de fls. 50), o interessado interpôs Recurso Voluntário em 05/01/2015 (fls. 53/58), insurgindose contra a interpretação da legislação dada pela Receita Federal e repisando os mesmos argumentos trazidos na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheira Cecilia Dutra Pillar Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais formalidades legais, portanto dele conheço. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10166.727451/201462 Acórdão n.º 2202003.925 S2C2T2 Fl. 66 3 No presente caso a fundamentação para a glosa foi a falta de previsão legal para a dedução de despesas com lentes intraoculares quando tal material não integrar a conta do estabelecimento hospitalar. Os argumentos do recorrente são de cunho interpretativo, pois demonstra conhecer a legislação que rege a matéria (art. 8º, inciso II, alínea "a" e § 2º, inc. V, da Lei nº 9.250/1995), requerendo, todavia, que seja utilizada analogia para aceitar a dedução de lentes intraoculares da mesma forma como são aceitas as próteses, cuja comprovação pode ser feita com a apresentação de receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Concordo com o posicionamento da DRJ e faço minhas aquelas razões para manter a glosa: Na presente autuação, os pagamentos à ContactGel Ltda, no total de R$ 6.884,00, não foram aceitos como despesas dedutíveis. Segundo descrição dos fatos, os gastos referemse a aquisição de lentes e não integram nota fiscal do estabelecimento hospitalar. À época do lançamento, esse entendimento encontravase consolidado no Parecer Normativo CST nº 36, de 30 de maio de 1977 e foi incorporado ao “Perguntas e Respostas” do exercício 2013, nos seguintes termos: 352 – O gasto com colocação de lente intraocular em cirurgia de catarata pode ser considerado como despesa médica? Sim, é considerada despesa médica a cirurgia para a colocação de lente intraocular. O valor referente à lente é dedutível se integrar a conta emitida pelo profissional ou estabelecimento hospitalar.(Grifei) (Parecer Normativo CST nº 36, de 1977) De fato, o Parecer Normativo CST nº 36, de 30 de maio de 1977 foi recentemente revogado como alega o contribuinte. Entretanto, isso não significa que o entendimento de que o valor referente à lente somente seria dedutível se integrasse conta emitida pelo próprio estabelecimento hospitalar tenha mudado no âmbito da RFB. Tal interpretação da lei remanesce conforme se verifica nas disposições da Instrução Normativa RFB nº 1.500, de 29 de outubro de 2014, que dispõe sobre as normas gerais de tributação relativas ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas: Art. 94. Na DAA podem ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) Fl. 67DF CARF MF 4 §10. são dedutíveis como despesas médicas, observadas as exigências previstas no §6º, quando integrarem a conta emitida pelo estabelecimento hospitalar, ou pelo profissional, os valores gastos com aquisição e colocação de: I marcapasso; II parafusos e placas nas cirurgias ortopédicas ou odontológicas; III lente intraocular em cirurgia de catarata; IV aparelho ortodôntico, inclusive a sua manutenção. (...) grifei Correto, portanto, o procedimento fiscal, devendo ser mantida a glosa de despesas médicas, no valor R$ 6.884,00. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Fl. 68DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.000128/2011-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
Recurso de Ofício. Crédito Tributário Excluído. Limite Fixado em Portaria do Ministro da Fazenda.
Não se conhece de recurso de ofício quando o montante do crédito tributário excluído, relativo a tributo e penalidade, fique abaixo do limite fixado em portaria do Ministro da Fazenda, vigente quando da realização do julgamento de segunda instância.
Royalties. Utilização de Personagens em Produtos no Brasil. Direito Autoral. Dedutibilidade.
O valor pago pela utilização comercial de desenhos e personagens de obras artísticas é objeto de proteção pelo direito autoral, independentemente de registro no INPI, podendo ser deduzido desde que comprovados os pagamentos e respeitadas as demais regras da legislação do Imposto de Renda.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
CSLL e IRPJ. Identidade de Matéria Fática. Mesma Decisão.
Quando o lançamento de IRPJ e o de CSLL recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo.
Numero da decisão: 1301-002.435
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de oficio e dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 Recurso de Ofício. Crédito Tributário Excluído. Limite Fixado em Portaria do Ministro da Fazenda. Não se conhece de recurso de ofício quando o montante do crédito tributário excluído, relativo a tributo e penalidade, fique abaixo do limite fixado em portaria do Ministro da Fazenda, vigente quando da realização do julgamento de segunda instância. Royalties. Utilização de Personagens em Produtos no Brasil. Direito Autoral. Dedutibilidade. O valor pago pela utilização comercial de desenhos e personagens de obras artísticas é objeto de proteção pelo direito autoral, independentemente de registro no INPI, podendo ser deduzido desde que comprovados os pagamentos e respeitadas as demais regras da legislação do Imposto de Renda. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 CSLL e IRPJ. Identidade de Matéria Fática. Mesma Decisão. Quando o lançamento de IRPJ e o de CSLL recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 12 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10920.000128/2011-14
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5732994
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 12 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1301-002.435
nome_arquivo_s : Decisao_10920000128201114.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ROBERTO SILVA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10920000128201114_5732994.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de oficio e dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
dt_sessao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
id : 6800898
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:01:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049209777684480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1830; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 5.784 1 5.783 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.000128/201114 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1301002.435 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de maio de 2017 Matéria IRPJ E CSLL GLOSA DE DESPESAS ROYALTIES Recorrentes COMPANHIA FABRIL LEPPER FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 RECURSO DE OFÍCIO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXCLUÍDO. LIMITE FIXADO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. Não se conhece de recurso de ofício quando o montante do crédito tributário excluído, relativo a tributo e penalidade, fique abaixo do limite fixado em portaria do Ministro da Fazenda, vigente quando da realização do julgamento de segunda instância. ROYALTIES. UTILIZAÇÃO DE PERSONAGENS EM PRODUTOS NO BRASIL. DIREITO AUTORAL. DEDUTIBILIDADE. O valor pago pela utilização comercial de desenhos e personagens de obras artísticas é objeto de proteção pelo direito autoral, independentemente de registro no INPI, podendo ser deduzido desde que comprovados os pagamentos e respeitadas as demais regras da legislação do Imposto de Renda. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006, 2007, 2008 CSLL E IRPJ. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. MESMA DECISÃO. Quando o lançamento de IRPJ e o de CSLL recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de oficio e dar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 01 28 /2 01 1- 14 Fl. 5784DF CARF MF Processo nº 10920.000128/201114 Acórdão n.º 1301002.435 S1C3T1 Fl. 5.785 2 (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Fl. 5785DF CARF MF Processo nº 10920.000128/201114 Acórdão n.º 1301002.435 S1C3T1 Fl. 5.786 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por COMPANHIA FABRIL LEPPER, pessoa jurídica de direito privado já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 15 037.449 (fl. 5.072 a 5.1630), da 2ª Turma da DRJ Salvador, que apenas em parte deu provimento à impugnação, na qual a recorrente se opunha aos autos de infração (fls. 2.652 a 2.695) contra si lavrados. Consta do Termo de Verificação Fiscal TVF (fls. 2.628 a 2.651) que foram apuradas as seguintes infrações: a) dedução de pagamentos feitos a título de royalties pela exploração de marcas comerciais, sem que os respectivos contratos estivessem averbados no Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI; e b) falta de retenção de Imposto de Renda sobre pagamentos de royalties. A constatação dessas infrações deu causa a lançamento de IRPJ, CSLL, multa e juros isolados por falta de recolhimento de estimativa mensal, e Imposto de Renda na fonte. Tendo sido apresentada impugnação, a ela foi dado provimento parcial pela 2ª Turma da DRJ SDR, que excluiu o Imposto de Renda na fonte e os juros isolados, e parte do IRPJ, da CSLL, e das multas isoladas. Não resignada, a contribuinte interpôs recurso, arguindo preliminarmente a nulidade do lançamento por erro de direito. Afirmou que os contratos e os respectivos pagamentos tinham por objeto a licença de direito autoral relativa ao uso de desenhos artísticos de personagens e imagens, não se confundindo com o direito de exploração do uso de marcas. Aduziu ser impossível a averbação ou o registro no INPI dos referidos contratos, já que tal procedimento foge à competência daquela autarquia federal. Contestou a exigência de Imposto de Renda na fonte, a cumulação das multas isoladas e vinculadas, e a incidência de juros sobre multa. Com esses fundamentos, pugnou pelo provimento do recurso. A recorrente pleiteou ainda que fossem admitidos os documentos acostados aos autos, por serem essenciais à solução da controvérsia. A Procuradoria da Fazenda Nacional PFN apresentou contrarrazões, nas quais refutou existir erro de direito, afirmando ter havido apenas imprecisão terminológica. No mérito, sustentou que, muitas vezes, os detentores dos direitos sobre obras intelectuais transformam em marcas os personagens com maior apelo popular, procedendo ao indispensável registro para sua exploração, como no presente caso. Assim, passam a ser detentores de direitos de duas espécies: direitos autorais sobre a obra literária e direitos comerciais sobre a marca. Os direitos autorais são explorados junto a editores, cinemas exibidores, canais de TV a cabo, emissoras de TV, locadoras, empresas que reproduzem e comercializam cópias de DVD. Já os direitos comerciais são comercializados com as mais diversas empresas produtoras de artigo de consumo, como, cadernos, mochilas, lancheiras, Fl. 5786DF CARF MF Processo nº 10920.000128/201114 Acórdão n.º 1301002.435 S1C3T1 Fl. 5.787 4 alimentos, tênis, roupas, perfumes e outros produtos. Por último, pediu que fosse negado provimento ao recurso voluntário. Com a manifestação da PFN, os autos vieram a esta Turma, onde se encontram não apenas por força de recurso voluntário, mas também por força do art 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/1972 ("recurso de ofício"), para o reexame da decisão da DRJ SDR, na parte em que reduziu o crédito tributário. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator Recurso de ofício Dispõe o art. 1º da Portaria MF nº 63/2017 que o reexame pelo CARF da decisão de Turma de Julgamento da DRJ será obrigatório sempre que se exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. A verificação do cabimento do reexame é feita em dois momentos. Primeiro, quando prolatada a decisão de primeira instância; depois, quando da apreciação pelo órgão recursal, que tomará como referência o limite em vigor na data de apreciação pela segunda instância, conforme o enunciado da Súmula CARF nº 103. No caso concreto, considerando a majoração do limite de alçada no início do ano de 2017, o reexame já não se mostra cabível, ainda que o fosse ao tempo da decisão a quo. O Acórdão nº 15037.449 excluiu crédito tributário no valor de R$ 1.265.383,79, conforme se vê nos quadros de fls. 5.159 a 5.163. Nesse montante estão incluídos Imposto de Renda na fonte, IRPJ, CSLL, e multa e juros isolados. Mesmo que incidisse multa de 75% sobre a totalidade daquele valor (não incide multa de 75% sobre multa e juros isolados) o resultado ainda ficaria abaixo do limite fixado pela Portaria MF nº 63/2017. Por essas razões, não se admite o recurso de ofício. Recuso voluntário O recurso voluntário é tempestivo e reúne as condições formais de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. O lançamento consistiu em glosa de despesa. A glosa não foi motivada por fraude ou inidoneidade documental, nem por falta de comprovação da despesa, da operação ou do pagamento. A controvérsia gira em torno de um problema de ordem formal. Questão semelhante à que se discute neste processo foi examinada no Acórdão nº 1201001.248, cujos fundamentos estão no voto proferido pelo ilustre Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, os quais são aqui reproduzidos como razões de decidir. Fl. 5787DF CARF MF Processo nº 10920.000128/201114 Acórdão n.º 1301002.435 S1C3T1 Fl. 5.788 5 A despeito dos sempre sólidos argumentos trazidos pelo ilustre Relator vislumbro solução jurídica distinta para o caso sob exame, apenas no que respeita à dedutibilidade das despesas a título de royalties. Destaco que esta Turma já manifestou, também por maioria, entendimento no mesmo sentido do que será apresentado, quando do julgamento do processo nº 10920.005209/200988, que cuidava dos anoscalendário de 2005 a 2007, relativos a idênticos fatos e contribuinte. À época, coube a relatoria do voto vencedor ao Conselheiro Rafael Correia Fuso. Entendo, na esteira do que já votei naqueles autos, que no caso em análise estamos diante de verdadeiro direito autoral, que não se confunde com o conceito de marca e, portanto, não carece de registro específico no INPI. De se notar que a Lei n. 9.610/98, em seu artigo 7º, define quais obras são protegidas como direito autoral: Art. 7º São obras intelectuais protegidas as criações do espírito, expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se invente no futuro, tais como: (...) VIII as obras de desenho, pintura, gravura, escultura, litografia e arte cinética; Entendo que personagens de histórias em quadrinhos, desenhos animados e de computação gráfica amoldamse perfeitamente ao conceito de direito autoral previsto em lei. Nesse contexto, a questão do registro de tais criações tornase desnecessária, pois a própria Lei, em seus artigos 18 e 19, afirma que estão dispensadas de tal providência: Art. 18. A proteção aos direitos de que trata esta Lei independe de registro. Art. 19. É facultado ao autor registrar a sua obra no órgão público definido no caput e no § 1º do art. 17 da Lei n° 5.988, de 14 de dezembro de 1973. Ademais, pareceme evidente a diferença entre marca e direito autoral, pois este último existe como criação intelectual e independe de qualquer vinculação, enquanto que aquela está sempre associada a um produto, serviço, empresa ou negócio. Assim, os personagens licenciados podem ser encontrados em produtos e empresas diferentes, em razão de distintos contratos de direitos autorais, vale dizer, não há exclusividade no uso de determinado personagem, ao contrário das marcas, que vinculam a sua imagem e traço de forma específica, razão pela qual gozam de proteção diferenciada. O conceito de marca é internacionalmente veiculado pelo artigo 15 do TRIPS (Agreement on TradeRelated Aspects of Intelectual Property Rights), acordo assinado no âmbito da atual OMC e recepcionado pelo Decreto nº 1.355/94, que incorporou ao ordenamento pátrio o resultado da Ata Final da Rodada Uruguai: Art. 15 Qualquer sinal, ou combinação de sinais, capaz de distinguir bens e serviços de um empreendimento daqueles de outro empreendimento, poderá Fl. 5788DF CARF MF Processo nº 10920.000128/201114 Acórdão n.º 1301002.435 S1C3T1 Fl. 5.789 6 constituir uma marca. Estes sinais, em particular palavras, inclusive nomes próprios, letras, numerais, elementos figurativos e combinação de cores, bem como qualquer combinação desses sinais, serão registráveis como marcas. Quando os sinais não forem intrinsecamente capazes de distinguir os bens e serviços pertinentes, os Membros poderão condicionar a possibilidade do registro ao caráter distintivo que tenham adquirido pelo seu uso. Os Membros poderão exigir, como condição para o registro, que os sinais sejam visualmente perceptíveis. No caso de personagens infantojuvenis, entendo que uma coisa é o desenho artístico de um personagem (Spiderman, Batman, Flash etc), e outra é a utilização deste traço num produto específico (toalha, estojo, bolsa e assim por diante). Tanto assim que artistas diferentes retratam esses heróis e cada qual imprime ao desenho seu estilo pessoal. No presente caso, discutese a dedutibilidade das despesas efetuadas pela Recorrente aos titulares dos personagens no exterior, mediante contratos de direitos autorais, circunstância que me parece legítima e plenamente aplicável ao Imposto de Renda, visto não configurar a hipótese prevista no art. 355 do RIR/99, vez que não se manifestam como royalties pagos pela exploração de patentes de invenção ou uso de marcas de indústria ou de comércio, e por assistência técnica, cientifica, administrativa ou semelhante. A simples leitura do caput do dispositivo, ao norte reproduzido, nos leva a concluir que desenhos de personagens não são marcas ou patentes de invenção comercial e industrial, mas sim objeto da criatividade artística e individual. Ressaltese que tais conceitos e observações também foram objeto de parecer trazido pela Recorrente, da lavra do Prof. Denis Borges Barbosa, notadamente uma das maiores autoridades do país sobre o tema, especialmente no que tange à análise dos efeitos tributários do direito autoral. Como bem reconhecido pelo Relator, o parecer aborda todos os pontos em debate nos autos, bem como colaciona diversos julgados de Tribunais Estaduais favoráveis à tese da Recorrente, dos quais discrepa decisão do STJ proferida em sede de Habeas Corpus. Pareceme que a manifestação do STJ, sobre ser decorrente de tema na esfera penal, aborda a questão de forma incidental e não necessariamente conflitante com o caso dos autos, porque cuida de produtos já manufaturados e de sua eventual proteção, no sentido de combater a contrafação e a ofensa a direitos da interessada. Percebese que o STJ analisou os efeitos penais de produtos que continham desenhos incorporados durante o processo de industrialização, como se observa do seguinte excerto: Depreendese pela análise dos autos que os desenhos reproduzidos pelas pacientes foram registrados como marca pelo INPI, classificados como marca mista. Dessa forma, apesar de serem fruto da intelectualidade do seu criador, encontramse incorporados ao processo de industrialização, sendo aplicável, portanto, o art. 8º da Lei 9.610/98, segundo o qual, não são objeto de proteção como direitos autorais o aproveitamento industrial ou comercial das idéias contidas nas obras. Notese que a hipótese discute os efeitos de produtos industrializados que contêm desenhos e personagens, circunstância que, por óbvio, só pode ser posterior ao licenciamento de tais direitos. Fl. 5789DF CARF MF Processo nº 10920.000128/201114 Acórdão n.º 1301002.435 S1C3T1 Fl. 5.790 7 Portanto, ainda que o STJ tenha decidido, incidentalmente, que esses produtos veiculam marcas posição não endossada pelo ilustre Parecerista nem por este Relator , isso em nada altera o fato de que os contratos celebrados com o titular no exterior tenham a natureza de direito autoral e a este título foram remetidos os valores correspondentes às despesas, vale dizer, para utilizar os personagens em seus produtos a empresa precisa de autorização específica e não exclusiva, algo que não ocorre com as marcas, que, como já dissemos, se referem a produtos, empresas e negócios específicos. Entendo que a operação de origem e objeto da autuação, efetuada entre a Recorrente e os titulares no exterior, efetivamente se realizou sob o manto dos direitos autorais e que iguais contratos foram celebrados com muitas outras empresas, dos mais variados países. Não consigo imaginar que o escopo e a razão de ser de tais acordos tenha qualquer vinculação com o conceito de marca, até porque os produtos resultantes em nada reverberam a imagem, nome ou negócio dos titulares no exterior, mas apenas a de criações artísticas (personagens) a eles pertencentes. Firme nesses fundamentos, é lícito concluir que os contratos em razão dos quais a recorrente realizou pagamentos de royalties não tinham por objeto a exploração econômica de marca e, por isso, não era o registro ou a averbação no INPI uma condição de dedutibilidade da respectiva despesa. Conclusão Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício, e por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 5790DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.733248/2014-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999.
Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°).
PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. (Súmula CARF nº 98)
A pensão alimentícia judicial descontada do décimo terceiro salário já constituiu dedução desse rendimento, sujeito à tributação exclusiva na fonte. A utilização da dedução na Declaração de Ajuste Anual implicaria na duplicação da dedução.
Numero da decisão: 2202-003.947
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a glosa de dedução de pensão alimentícia no valor de R$ 29.988,76.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente
(assinado digitalmente)
Cecilia Dutra Pillar - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: CECILIA DUTRA PILLAR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999. Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. (Súmula CARF nº 98) A pensão alimentícia judicial descontada do décimo terceiro salário já constituiu dedução desse rendimento, sujeito à tributação exclusiva na fonte. A utilização da dedução na Declaração de Ajuste Anual implicaria na duplicação da dedução.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11080.733248/2014-38
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5736835
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2202-003.947
nome_arquivo_s : Decisao_11080733248201438.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : CECILIA DUTRA PILLAR
nome_arquivo_pdf_s : 11080733248201438_5736835.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a glosa de dedução de pensão alimentícia no valor de R$ 29.988,76. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
id : 6824623
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:02:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049209780830208
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1804; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 143 1 142 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.733248/201438 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.947 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 07 de junho de 2017 Matéria IRPF Pensão Judicial Recorrente JOÃO CARLOS RIBEIRO NORONHA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999. Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. (Súmula CARF nº 98) A pensão alimentícia judicial descontada do décimo terceiro salário já constituiu dedução desse rendimento, sujeito à tributação exclusiva na fonte. A utilização da dedução na Declaração de Ajuste Anual implicaria na duplicação da dedução. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a glosa de dedução de pensão alimentícia no valor de R$ 29.988,76. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 32 48 /2 01 4- 38 Fl. 143DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (fls. 03/08), decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual do IRPF do exercício de 2013, ano calendário de 2012, em que foram glosados valores indevidamente deduzidos a título de Pensão Alimentícia Judicial paga a Maria Inez Loy Ferreira, no valor de R$ 32.439,58, por falta de apresentação da íntegra da decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, fixando a pensão declarada e porque as beneficiárias da pensão (filhas então com 29 e 26 anos de idade) não atendiam mais ao critério de idade para dedução com alimentos. Glosada, também, despesa com vacina, no valor de R$ 35,00, declarada como despesa médica. Foi apresentada impugnação tempestiva e parcial, onde o interessado contestou apenas a glosa da dedução de pensão judicial alegando que na legislação não há qualquer restrição relacionada a limite de idade dos beneficiários, que a pensão é paga em conformidade com o acordo de separação, na proporção de 30% de seus vencimentos. Anexou Certidão do Poder Judiciário do Estado do Rio Grande do Sul (fls. 20), emitida em 27/02/2003, dando conta que o acordo de separação consensual de João Carlos Ribeiro Noronha e Maria Inez Ferreira de Noronha foi homologado em 19/04/1990, com trânsito em julgado em 04/05/1990 e que entre as cláusulas do acordo consta que o varão pagará mensalmente, à título de alimentos às filhas, a quantia equivalente a 30% de seus rendimentos líquidos. O dossiê da malha fiscal está às fls. 27/81 dos autos. A 20ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ), julgou improcedente a impugnação, conforme acórdão de fls. 96/99, pois os documentos apresentados pelo contribuinte, embora informem o pagamento de pensão às filhas do casal, não seriam suficientes para provar que as condições da pensão paga não teriam sofrido alterações ao longo do tempo. Não foi apresentado o inteiro teor do acordo homologado judicialmente estipulando as condições da pensão alimentícia, havendo necessidade de apresentação de documentação mais contemporânea a fim de que restasse demonstrado que a obrigação remanescia em 2012. Concordou com o contribuinte com relação à restrição quanto à idade das beneficiárias da pensão. Cientificado dessa decisão por via postal em 18/03/2015 (A.R. de fls. 103), o interessado interpôs Recurso Voluntário em 07/04/2015 (fls. 105/109), informando que a separação judicial consensual restou convertida em divórcio e, na oportunidade foi ratificada a pensão alimentícia de 30% dos rendimentos líquidos do genitor em favor das filhas Juliana e Thatiana; que tal pensão permaneceu inalterada até março 2013, quando então, por meio de acordo judicial realizado nos autos de processo de exoneração de alimentos, passou a 24% de seus vencimentos, pelo período de 04/2013 a 03/2014, sendo extinta a partir de abril de 2014. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 11080.733248/201438 Acórdão n.º 2202003.947 S2C2T2 Fl. 144 3 Portanto, desde 1990 até março de 2013, a pensão alimentícia devida às filhas não sofreu alteração ou interrupção, restando equivocada a glosa dos valores deduzidos no ano calendário de 2012 e a apuração de imposto suplementar. Apresenta: (1) Inicial da Ação de Separação Judicial Consensual, estipulando a obrigação do pagamento de pensão alimentícia para as filhas no valor equivalente a 30% dos rendimentos líquidos percebidos pelo genitor, homologada em 19/04/1990 (fls. 112/117); (2) Pedido de conversão da separação consensual em divórcio (fls. 121/122), com a manutenção da pensão para as filhas, correspondente a 30% dos seus vencimentos líquidos, descontada em folha de pagamento e creditada à conta da mãe das alimentandas. Conversão homologada em 30/09/1992, com trânsito em julgado em 28/12/1992 (fls. 124/125); (3) Ação de exoneração de alimentos (fls. 127/130), ajuizada em 18/05/2011 sob o nº 1.11.01272652, onde o requerente afirma que as filhas já haviam concluído curso superior e estavam plenamente capacitadas para o exercício de suas profissões, não mais necessitando do auxílio financeiro do pai e que a mãe, mesmo não tendo mais legitimidade para representar as filhas maiores, continuava a receber indevidamente em seu próprio nome a pensão destinada às filhas; (4) Acordo firmado entre João Carlos e as filhas Tathiana e Juliana, convencionando que no período de abril de 2013 a março de 2014, a pensão a título de alimentos passaria ao equivalente a 24% dos rendimentos líquidos do pai, a ser depositada em conta poupança em nome das filhas, restando exonerada a partir de abril de 2014 (fls. 133/134). Ata da audiência de homologação do acordo em 02/04/2013 (fls. 135). É o Relatório. Voto Conselheira Cecilia Dutra Pillar Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto, dele conheço. O presente recurso resumese à controvérsia acerca da não aceitação de dedução de pensão, paga pelo declarante em favor das filhas, maiores de idade no ano calendário de 2012, mediante desconto em folha de pagamento. O inteiro teor do acordo homologado judicialmente estipulando as condições da pensão alimentícia, assim como outras provas da continuidade da pensão, foram trazidos aos autos em sede de recurso voluntário. Reconheço que o Decreto 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal, limita a apresentação posterior de provas, restringindoa aos casos previstos no § 4º do seu art. 16, porém a jurisprudência deste Conselho vem se consolidando no sentido de que essa regra geral não impede que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal, bem como se prestam a corroborar alegações suscitadas desde o início do processo. Nesse sentido os seguintes acórdãos da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 9202002.587, 920201.633, 920202.162 e 920201.914. Fl. 145DF CARF MF 4 Compulsando os autos, verifico que há robustas provas do desconto da pensão alimentícia bem como de seu cumprimento em razão de determinação judicial. O acordo de separação consensual bem como sua conversão em divórcio, trazidos aos autos pelo interessado, fixa o valor da pensão e não estipula prazo para extinção do seu pagamento. O responsável pelo pagamento ingressou com ação de exoneração de alimentos em 2011 para se ver desobrigado do pensionamento e tal pedido foi solucionado por acordo, em abril de 2013, prevendo alteração do percentual da pensão de 04/2013 a 03/2014 e a extinção do pagamento somente a partir de abril de 2014. Assim, a pensão alimentícia deduzida pelo contribuinte em sua DIRPF do ano calendário de 2012, decorre das normas de Direito de Família e estava amparada em acordo homologado judicialmente, conforme exigido pela legislação. Reporto a súmula CARF nº 9, de observância obrigatória por este colegiado, que dispõe: Súmula CARF nº 98: A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. O efetivo pagamento da pensão está comprovado na Declaração de Rendimentos emitida pela fonte pagadora referente ao ano calendário 2012 (fls. 80/81), que acusa o desconto de pensão à Maria Inez Loy Ferreira, ao longo do ano, no valor de R$ 29.988,76 e R$ 2.450,82 descontados do 13º salário. A RFB, através do "Perguntas e Respostas", orienta os contribuintes quanto ao preenchimento da DIRPF, referente ao exercício de 2013, ano calendário de 2012 e na pergunta de nº 340, trata dos valores de pensão descontada do décimo terceiro salário: PENSÃO ALIMENTÍCIA DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO 340 — É dedutível na Declaração de Ajuste Anual a pensão alimentícia judicial ou por escritura pública descontada do décimo terceiro salário? Não. Tendo em vista que a pensão alimentícia judicial ou por escritura pública descontada do décimo terceiro salário já constituiu dedução desse rendimento, sujeito à tributação exclusiva na fonte, a utilização da dedução na Declaração de Ajuste Anual implicaria na duplicação da dedução. No entanto, a pensão alimentícia paga que foi descontada do décimo terceiro constitui rendimento tributável para o beneficiário da pensão, sujeitandose ao carnêleão e, também, ao ajuste na declaração anual. Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/1999), arts. 638, inciso IV, 641 e 643) Verificase que na DIRPF do exercício de 2013, ano calendário 2012, na Relação de Pagamentos Efetuados (fls. 87), o contribuinte não informou a parcela não Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11080.733248/201438 Acórdão n.º 2202003.947 S2C2T2 Fl. 145 5 dedutível de R$ 2.450,82, referente à pensão alimentícia que lhe foi descontada do 13º salário e a glosa da despesa a título de pensão alimentícia foi no valor total de R$ 32.439,58. Deste modo, diante das provas dos autos, é legítima a dedução do pagamento de pensão alimentícia pelo contribuinte, à Maria Inez Loy Ferreira no valor de R$ 29.988,76. Conclusão Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a glosa de dedução de pensão alimentícia judicial no valor de R$ 29.988,76. (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Fl. 147DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.002159/2007-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1302-000.462
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto vencedor proposto pelo Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. Vencida a Conselheira Talita Pimenta Félix que DAVA provimento PARCIAL ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Redator Ad Hoc.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Julio Lima Souza Martins (Suplente Convocado) Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: TALITA PIMENTA FELIX
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201701
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16327.002159/2007-09
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5729357
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1302-000.462
nome_arquivo_s : Decisao_16327002159200709.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : TALITA PIMENTA FELIX
nome_arquivo_pdf_s : 16327002159200709_5729357.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto vencedor proposto pelo Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. Vencida a Conselheira Talita Pimenta Félix que DAVA provimento PARCIAL ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Redator Ad Hoc. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Julio Lima Souza Martins (Suplente Convocado) Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
id : 6783110
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:00:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049209783975936
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1535; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 1.079 1 1.078 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.002159/200709 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1302000.462 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 26 de janeiro de 2017 Assunto CSLL Recorrente BANCO ITAU BBA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto vencedor proposto pelo Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. Vencida a Conselheira Talita Pimenta Félix que DAVA provimento PARCIAL ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Redator Ad Hoc. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Julio Lima Souza Martins (Suplente Convocado) Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. RELATÓRIO Designado como Redator Ad Hoc deste Acórdão, passo a transcrever sobre o relatório proferido pela Relatora, Conselheira Talita Pimenta Félix, na Sessão de Julgamento de 26 de janeiro de 2017. Trata o presente Auto de Infração (fls. 154 a 158), de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, relativa ao anocalendário de 2003, em face da compensação RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 02 15 9/ 20 07 -0 9 Fl. 1079DF CARF MF Processo nº 16327.002159/200709 Resolução nº 1302000.462 S1C3T2 Fl. 1.080 2 indevida de base de cálculo negativa de CSLL. Relata o autuante, no Termo de Verificação Fiscal que (fls. 161 a 172): Em 10 de outubro de 2007, pelo Termo de Constatação e Intimação Fiscal, o contribuinte foi intimado a manifestarse sobre a exatidão das bases de utilização de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL levantadas, assim como sobre o saldo do crédito de CSLL, decorrente de base de cálculo negativa ate 31/12/1998, no valor de R$ 8.477.093,45, em 31/12/2003. Em resposta, o contribuinte apresenta demonstrativos, relacionado as compensações de oficio de base de cálculo negativa de CSLL e de prejuízo fiscais efetuadas, relacionandoas aos processos administrativos lavrados e a situação atual dos mesmos. Além do mais, informa que as compensações de ofício não foram consideradas em sua base de cálculo já que os autos estão sendo questionados administrativamente ou judicialmente. HISTÓRICO DAS COMPENSAÇÕES DE OFÍCIO DE PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL EFETUADAS: Em 27 de março de 2000, nos autos do processo administrativo n°l6327.000555/0028, a fiscalização constatou que o contribuinte amparado por liminar em mandado de segurança no processo n°93.03.114.7278, junto ao TRF da 8"Região, deixou de adicionar aos lucros líquidos dos respectivos meses/anoscalendário de 1994 a 1998, para efeito de determinação do lucro real, o montante dos tributos cuja exigibilidade estava suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Foi lavrado o competente auto de infração, com exigibilidade suspensa, sendo o contribuinte intimado a proceder às alterações em seus controles a fim de excluir do valor do prejuízo fiscal apurados, os valores discriminados à folha 163. DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DAS COMPENSAÇÕES EFETUADAS QUE GERARAM COMPENSAÇÕES INDEVIDAS DE PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL NO ANOCALENDÁRIO DE 2003: Os valores tributáveis de IRPJ e de CSLL, originados por compensações indevidas de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL estão descritos nos demonstrativos, constantes do ANEXO II. O valor tributável de IRPJ é de R$ 121.147.312,63; e o da CSLL soma o montante de R$ 147.113.890,72, sendo composto por R$ 147.000.178,12 (compensação excedeu o saldo de base de cálculo negativa); de R$ 113.712,60, de excesso de recuperação de crédito, que convertido para saldo de base de cálculo negativa de CSLL a 18% compõe um saldo de base de cálculo negativa de CSLL a 18% de R$ 631.736,67. Para constar e surtir todos os efeitos de ordem legal, lavramos o presente TERMO DE VERIFICAÇÃO DE INFRAÇÃO FISCAL DE DRPJ e CSLL, do BANCO ITAÚ BBA S/A (CNPJ: 31.516.198/000194), ANOCALENDÁRIO DE 2003, relativo à infração COMPENSAÇÕES INDEVIDAS DE PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CALCULO NEGATIVA DE CSLL), no sucessor e responsável tributário BANCO ITAÚ BBA S/A (CNPJ: 17.298.092/000130), como parte integrante do AUTO DE INFRAÇÃO, em três vias de igual teor, uma das quais fica em poder do autuado. Fl. 1080DF CARF MF Processo nº 16327.002159/200709 Resolução nº 1302000.462 S1C3T2 Fl. 1.081 3 Em decorrência das constatações feitas pela fiscalização, em 19/12/2007, foi lavrado o Auto de Infração em tela (fls. 154 a 158), no montante de R$ 30.581.005,79 (fl.03). DA IMPUGNAÇÃO Cientificado do Auto de Infração em 19/12/2007(fl. 154), o contribuinte apresentou, em 10/01/2008, a impugnação de fls.174 a 194, acompanhada dos documentos de fls. 195 a 579, alegando, em síntese, o seguinte: DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA 1. O Auto de Infração não se revestiu das formalidades previstas no Decreto n°70.235/72, visto que a descrição do suposto fato gerador, como se verá a seguir, é contraditória e confusa, de modo que não traz elementos suficientes a permitir a adequada defesa dos interesses da Requerente. 1. Pretenderse que a Requerente em 2003 tivesse realizado compensação de acordo com ajustes impostos pelo Fisco somente em 28/09/2004 não só é totalmente desarrazoado, como é inviável! Tal fato evidencia a total falta de lógica da Fiscalização no momento da formalização do lançamento. Deixa clara a improcedência do Auto de Infração devido à imprecisa e confusa descrição dos fatos supostamente sujeito à incidência da CSLL. 1.2. O Auto de infração em momento algum faz referência direta ao PA n°l 6327.001177/200412. A autuação limitase afirmar que "em 28 de setembro de 2004, foi lavrado auto de infração, referente a atividades exercidas no exterior..." Para a realização de qualquer lançamento, de acordo com o artigo 10 do Decreto n°70.235/72 é preciso haver uma descrição precisa e completa dos fatos questionados, o que não ocorreu, impedindo a Requerente de exercitar em plenitude a ampla defesa e ao contraditório. Assim, resta demonstrado que o Auto de Infração é improcedente e deve ser cancelado, uma vez que não se reveste das formalidades essenciais impostas pela legislação tributária. O presente processo cobra valores de CSLL decorrente de uma suposta redução indevida da base de cálculo da CSLL no anocalendário de 2003 em virtude de compensação de saldos inexistentes de base de cálculo negativa. As bases de cálculo negativas teriam sido compensadas nos PA's: n°16327.001311/200213, n°l6327.001177/200412, todos em andamento, dos quais o presente processo e reflexo. A Requerente deixou para efetuar os ajustes determinados pela Fiscalização, quando os processos acima referidos, estivessem encerrados, pois apenas nesse momento os créditos já estariam definitivamente constituídos, ou teriam sido cancelados, o que não traria motivo para a realização dos ajustes. Fl. 1081DF CARF MF Processo nº 16327.002159/200709 Resolução nº 1302000.462 S1C3T2 Fl. 1.082 4 DO MÉRITO A MULTA E OS JUROS 2. Em razão da comprovada suspensão da exigibilidade do crédito tributário, o auto de Infração não poderia ter sido lavrado com multa e juros moratório. Ainda que procedente a autuação, o que se considera para argumentar, o artigo 132 do CTN, norma específica aplicável às situações em que há a incorporação de uma sociedade (como no presente caso), estabelece que a Requerente, na condição de incorporadora, não responde pelas penalidades aplicadas à sociedade incorporada (BBA Finanças), quando o lançamento ocorrer após a data da incorporação. Ad argumentandum, a multa de ofício no valor de 75% da exigência mantida, é excessiva e extrapola os limites da razoabilidade e da proporcionalidade, devendo ser reduzida. A taxa SELIC não pode ser aplicada aos créditos tributários, uma vez que não foi criada por lei para fins tributários. Se aplicável a taxa SELIC, ela somente poderá incidir sobre o crédito tributário principal, não podendo recair sobre o valor da multa de ofício, que é penalidade e não tem natureza tributária. Dessa forma, requerse o acolhimento integral da Impugnação, determinando o cancelamento da exigência consubstanciada no Auto de Infração em questão, assim como das penalidades e dos juros aplicados. A DRJ, por sua vez, decidiu: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendârio: 2003 AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRENCIA. Pelo arrazoado da impugnação verificase que a requerente tem pleno conhecimento dos fatos que lhe foram imputados e, assim, rejeitase a preliminar de cerceamento de direito de defesa. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Não comprovada a vigência de medida liminar em Mandado de Segurança ou Medida Cautelar, por ocasião do lançamento, aplicase multa de oficio. MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE DE SUCESSOR. O sucessor responde pelo pagamento da multa de oficio e dos juros de mora aplicados à sucedida antes ou depois da incorporação. JUROS DE MORA. CABIMENTO. Fl. 1082DF CARF MF Processo nº 16327.002159/200709 Resolução nº 1302000.462 S1C3T2 Fl. 1.083 5 A falta de pagamento do tributo na data do vencimento implica a exigência de juros moratórios, calculados até a data do efetivo pagamento, tendo a aplicação da taxa SELICprevisão legal. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de oficio, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Alegações de ilegalidade e inconstitucionalidade são de exclusiva competência do Poder Judiciário. A recorrente tomou ciência em 05/05/2008 e apresentou recurso em 28/05/2008. Em seu recurso reitera os argumentos da impugnação e, em especial que: O presente processo cobra valores de CSLL decorrente de uma suposta redução indevida da base de cálculo da CSLL no ano calendârio de 2003 em virtude de compensação de saldos inexistentes de base de cálculo negativa. As bases de cálculo negativas teriam sido compensadas nos PA's: n"l6327.001311/200213 e n°l6327.001177/200412, todos em andamento na época da interposição do Recurso, dos quais o presente processo seria reflexo. Os autos foram distribuídos neste órgão julgador de segunda instância para o Cons. Marcos Rodrigues de Mello que, ao analisar a situação dos processos, verificou que: O processo administrativo 16327.001311/200213: questiona a dedutibilidade de juros incorridos sobre tributos com a exigibilidade suspensa teve preliminar de decadência acolhida em parte e aguardava julgamento de recurso especial junto à CSRF; O processo administrativo 16327.001177/200412 referese a matéria discutida no MS 2003.61.00.0035168 já julgado na esfera administrativa e aguarda a conclusão do processo judicial na Deinf/São Paulo. Diante de tais constatações esta Turma Julgadora viu por bem determinar o sobrestamento dos autos até que houvesse o desfecho dos dois processos referidos, determinando ainda que os mesmos retornassem ao relator instruídos com a cópia das referidas decisões definitivas. Os processos foram definitivamente julgados nas suas esferas respectivas e retornaram à mesa de julgamento. É o relatório. Fl. 1083DF CARF MF Processo nº 16327.002159/200709 Resolução nº 1302000.462 S1C3T2 Fl. 1.084 6 VOTO VENCIDO Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator Ad Hoc. Designado como Redator Ad Hoc deste Acórdão, passo a transcrever o voto proferido pela Relatora, Conselheira Talita Pimenta Félix, na Sessão de Julgamento de 26 de janeiro de 2017. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de processamento, pelo que, dele conheço. A Recorrente desenvolve longo arrazoado demonstrando a necessidade de sobrestamento do processo em razão da existência de outros processos que afetam diretamente a existência e validade do presente. Tal pedido foi efetivamente atendido por ocasião da conversão do primeiro julgamento em resolução. Assim, tornouse incontroversa a vinculação deste feito aos processos 16327.001311/200213 e 16327.001177/200412. Isto porque, uma vez cancelada a autuação objeto desses casos, o saldo negativo de CSSL seria necessariamente recomposto e a Recorrente voltaria a ter saldo credor suficiente para suportar os débitos compensados e ver homologadas as compensações por ele reclamadas. Pois bem. Vejamos então a situação de cada um deles. a. 16327.001311/200213 (fls. 688/693) Tratase de auto de infração de IRPJ e CSLL em que a Contribuinte teve reconhecida, em relação à CSLL, a inaplicabilidade do artigo 45, da lei 8.212/91, que previa o prazo de 10 anos como sendo o lapso decadencial, já que a natureza tributária de tal contribuição assegura a aplicação do artigo 150, §4º do CTN. O então Primeiro Conselho de Contribuintes, reconhecendo o pleito, decidiu com base na ementa destacada: "EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Identificadas omissões e contradição no acórdão guerreado, acolhemse os embargos de declaração para suprir a omissão e sanar a contradição, dandolhes efeitos infringentes. DECADÊNCIA. Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, e não havendo acusação de dolo, fraude ou simulação, o direito da Fazenda Pública de constituir Fl. 1084DF CARF MF Processo nº 16327.002159/200709 Resolução nº 1302000.462 S1C3T2 Fl. 1.085 7 crédito tributário extinguese em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA MENÇÃO A ARTIGO DO REGULAMENTO POSTERIOR AOS FATOS Não é o artigo do Regulamento que constitui enquadramento legal, mas o dispositivo de lei que se encontra consolidado no artigo regulamentar. Equívocos na indicação do enquadramento legal, ainda que existissem, não configuram cerceamento do direito de defesa se a descrição dos fatos for precisa e dela o contribuinte se defendeu. JUROS DE MORA SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDAS JUDICIAIS. Por constituírem acessório dos tributos sobre os quais incidem, os juros de mora sobre tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medidas judiciais seguem a norma de dedutibilidade do principal para fins de imposto de renda. Dada sua natureza de provisão, e por serem indedutíveis para fins de imposto de renda, os juros de mora incidentes sobre os tributos com exigibilidade suspensa, constituem adição ao lucro líquido para apuração da base de cálculo da CSLL." A decisão acima foi objeto de Recurso Especial do Procurador da Fazenda, porém, sequer foi conhecido pelo órgão julgador, consubstanciada no acórdão no. 9101.001.804. Deste acórdão não houve recurso. Segundo informação trazida pela Contribuinte, todos os valores que remanesceram, ou seja, que não foram atingidos pela Decadência, restaram parcelados sob a égide da Lei 11.941/09. Portanto, os valores de Contribuição glosados pelo Fisco, relacionados com o processo descrito e que acarretaram a diminuição do equivalente a R$ 1.220.762,64 (em 31.12.1996), devem ser recompostos na base negativa da CSLL objeto dos presentes autos. b) 16327.001177/200412 (fls. 694/1053) Conforme descrito nos Autos de Infração e no Termo de Verificação Fiscal a contribuinte excluiu do lucro líquido para apurar o lucro real os seguintes valores decorrentes de resultados positivos de equivalência patrimonial de filiais mantidas no exterior R$ 456.414.296,98 referentes à sua filial em Bahamas e R$1.346.048,39 referentes à sua filial no Uruguai. A Recorrente apresentou impugnação e a autoridade julgadora de primeira instância proferiu decisão por meio do acórdão n° 7.903/2005 julgando parcialmente procedentes os lançamentos, para ajustar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL ao resultado da diligência fiscal levada a cabo naquele processo. Fl. 1085DF CARF MF Processo nº 16327.002159/200709 Resolução nº 1302000.462 S1C3T2 Fl. 1.086 8 A este conselho subiram os respectivos Recursos de Ofício e Voluntário das partes, sendo que o primeiro foi julgado improcedente em favor do contribuinte, portanto e o segundo também improcedente, mantendo portanto vitória parcial do contribuinte ao final. Ressaltouse nesta decisão a existência de dois Documentos de Depósitos Judiciais efetuados nos autos do Mandado de Segurança n° 2003.61.00.0035168, fls. 390, os quais poderão ter influência na fase de cobrança e execução do crédito tributário objeto destes autos, nas palavras daquele Relator. Considerando que o presente processo decorreu dos autos acima descritos, tal decisão e os depósitos devem sim afetar o julgamento atual. No que tange à multa de ofício sobre valores depositados, entendo incabível, conforme já sustentou esse colegiado no seguinte julgado: "AÇÃO JUDICIAL MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA DEPÓSITO EM JUÍZO É Indevida a aplicação de multa de oficio e cobrança de juros de mora quando o contribuinte tenha efetuado previamente o depósito do montante integral do crédito tributário discutido em juízo." (Segundo Conselho de Contribuintes, 7a Câmara, Acórdão n° 10706092, Cons. Rel. Luiz Martins Valero, sessão de 18.10.2000 não destacado no original) Da mesma forma, afasto a responsabilidade do sucessor pela multa de ofício devida pela sucedida, pois "a responsabilidade da sucessora, nos estritos termos do art. 132 do Código Tributário Nacional e da lei ordinária (Decretolei n° 1.598/77) restringese aos tributos não pagos pela sucedida. A transferência de responsabilidade sobre a multa fiscal somente se dá quando ela tiver sido lançada antes do ato sucessório, porque, neste caso, trata se de um passivo da sociedade incorporada, assumido pela sucessora." Por sua vez, caso vencida no ponto relativo à multa de ofício, mantenho a incidência dos juros de mora sobre ela, por entender que tal conclusão é decorrente da melhor exegese do art. 30 da Lei 10.522/02. Com base na Súmula CARF nº 2, deixo de me pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade acerca dos juros de mora calculados pela Taxa Selic e multa de ofício no percentual de 75%. Diante do exposto, voto por não conhecer das matérias que envolvem juízo de inconstitucionalidade e, no mérito, julgar PARCIALMENTE PROCEDENTE o recurso voluntário, unicamente para: a) determinar a recomposição do saldo negativo da CSLL em decorrência da parcial procedência dos Processos Administrativos no. 16327.001311/200213 e 16327.001177/200412; e b) afastar a multa em virtude da sucessão empresarial, e; c) afastar a multa incidente sobre os valores depositados em juízo, noticiados no Processo Administrativo 16327.001177/200412; Fl. 1086DF CARF MF Processo nº 16327.002159/200709 Resolução nº 1302000.462 S1C3T2 Fl. 1.087 9 Esse foi o voto da Conselheira Talita Pimenta Félix. (assinado digitalmente) Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado. VOTO VENCEDOR Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior Redator Designado. Com a devida vênia da I. Relatora, ouso divergir do seu voto, pelas razões a seguir expostas. Nesta vista perfunctória que pude fazer dos autos durante o transcorrer desta sessão de julgamento, constatei alguns fatos que me levam a defender a necessidade de uma melhor apuração acerca dos efeitos dos julgamentos ocorridos nos PAFs nºs. 16327.001311/200213 e 16327.001177/200412 no deslinde da matéria ora em julgamento. A fls. 16/17 dos autos, constam planilhas elaboradas pela Fiscalização que merecem ser trazidas à colação: Para melhor compreender a matéria tributária, vale também transcrever o seguinte trecho do TVF a fls. 167, in verbis: Fl. 1087DF CARF MF Processo nº 16327.002159/200709 Resolução nº 1302000.462 S1C3T2 Fl. 1.088 10 Assim, já sabemos pela planilha acima transcrita, como a Fiscalização chegou na base tributável de R$ 147.000.178,12, ou seja, ao reduzir o saldo de base negativa de CSLL pelas compensações feitas de ofício, o saldo de base negativa em 31/12/2002 foi reduzido para R$ 57.333.713,42, logo, como a recorrente se compensou em 2003 de R$ 204.333.891,54, tal valor, como dito no TVF, referese ao que foi excedido em relação ao saldo que a recorrente dispunha. Por sua vez, o valor de R$ 113.712,60 referese a excesso de recuperação de crédito, o que fica melhor explicado no seguinte trecho do TVF: Fl. 1088DF CARF MF Processo nº 16327.002159/200709 Resolução nº 1302000.462 S1C3T2 Fl. 1.089 11 Ao reduzir o saldo de base negativa de CSLL existente em 31/12/1998, por causa das compensações de ofício retro tratadas, a Fiscalização concluiu que o saldo de crédito compensável pela recorrente com base no art. 8º da MP 1.807/99 era menor, apurando assim, um excesso na recuperação desse crédito no ano de 2003, no valor R$ 113.712,60, valor esse que foi convertido em base de cálculo negativa pela divisão por 18%, totalizando o montante de R$ 631.736,67. Vêse diante do exposto, que a sorte dos autos de infração, objeto dos PAFs nºs. 16327.001311/200213 e 16327.001177/200412, é fundamental para o deslinde da matéria ora em julgamento. Feito esse superficial relato dos fatos, vale agora adentrarmos nas razões pelas quais entendo que se faça necessária a conversão do julgamento em diligência. Primeiro, a Relator confirma que foi dado provimento parcial aos recursos administrativos objeto dos PAFs nºs. 16327.001311/200213 e 16327.001177/200412, mas ela não informa qual o valor recomposto de saldo de base negativa de CSLL em 2003. Além disso, no que tange ao PAF 16327.001177/200412, a própria Relatora informa da existência de dois Documentos de Depósitos Judiciais efetuados nos autos do Mandado de Segurança n° 2003.61.00.0035168, fls. 390, e que tal decisão e os depósitos devem sim afetar o julgamento atual. Ora, como então pode ser proferida uma decisão de mérito, sem que incorramos no risco de prolatar uma decisão totalmente ilíquida ou, pior, condicional. Por essas razões, voto por converter o julgamento em diligência, para que a Unidade Preparadora: a) informe se já houve o trânsito em julgado material do Mandado de Segurança n° 2003.61.00.0035168, fls. 390; b) informe, se positiva a resposta à letra "a" acima, qual o valor do saldo de base negativa de CSLL passível de compensação em 31/12/2003, após as recomposições deste saldo decorrentes das decisões administrativas prolatadas nos autos dos PAFs nºs. Fl. 1089DF CARF MF Processo nº 16327.002159/200709 Resolução nº 1302000.462 S1C3T2 Fl. 1.090 12 16327.001311/200213 e 16327.001177/200412 e da decisão judicial prolatada nos autos do Mandado de Segurança n° 2003.61.00.0035168; c) se negativa a resposta da letra "a" acima, mantenha os autos na Unidade de Origem até que haja o trânsito em julgado do Mandado de Segurança n° 2003.61.00.0035168, para então cumprir o disposto no item "b"; d) informe se o eventual saldo de base negativa disponível em 31/12/2003, apurado conforme letra "a" ou "b" acima, foi utilizado espontaneamente pelo recorrente em compensações ou em parcelamentos em períodos posteriores a 2003; e) dê ciência ao recorrente do relatório final de diligência, concedendolhe o prazo de 30 dias para se manifestar nos autos; f) retorne, após cumprido o acima disposto, os autos a este Colegiado, para prosseguimento do feito. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Fl. 1090DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.910819/2009-95
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/04/2002
COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO.
Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificando-a; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-004.844
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/04/2002 COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificando-a; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11065.910819/2009-95
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5723981
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-004.844
nome_arquivo_s : Decisao_11065910819200995.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 11065910819200995_5723981.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
id : 6762048
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:00:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049209787121664
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1816; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11065.910819/200995 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303004.844 – 3ª Turma Sessão de 23 de março de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. Recorrente CALÇADOS Q SONHO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/04/2002 COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificandoa; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 08 19 /2 00 9- 95 Fl. 182DF CARF MF Processo nº 11065.910819/200995 Acórdão n.º 9303004.844 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pelo sujeito passivo, ao amparo do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão n° 3803002.137, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/04/2002 PRECLUSÃO É ilícito inovar na postulação recursal para incluir questões diversas daquelas que foram originariamente deduzidas quando da reclamação junto à instância a quo. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/04/2002 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. A matéria de fundo trazida nos autos referese ao não reconhecimento de compensação de créditos de Cofins tendo em vista a utilização integral do crédito indicado na Declaração de Compensação (Dcomp) em amortização de outros débitos, devidamente declarado pelo contribuinte em DCTF. Em sua manifestação de inconformidade, o sujeito passivo alegou (a) erro nos valores informados nas declarações fiscais, tendo procedido, em 2005, a revisão dos créditos tributários dos anos anteriores; (b) que apresentou DCTF retificadora corrigindo o erro, na qual consta o valor correto da contribuição apurada no período em questão; (c) que o não reconhecimento do direito creditório foi acarretado pelo sistema eletrônico da Receita Federal do Brasil, no qual qualquer defeito de informação gera automaticamente um despacho decisório de denegação de crédito. Em seu recurso voluntário, o sujeito passivo alegou que seus créditos eram provenientes de revisão de seus débitos tributários, especialmente pela exclusão das receitas financeiras anteriormente tributadas, retificando posteriormente a DCTF. Apresentou novos documentos para comprovar o alegado. Alegou a possibilidade de retificação da DCTF, invocando o princípio da verdade material, pugnando por seu direito ao crédito pretendido. O e. Colegiado a quo negou provimento ao recurso voluntário, inadmitindo a apreciação das provas trazidas após a manifestação de inconformidade, por não atender aos requisitos do § 4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72. A referida decisão sofreu embargos de declaração no qual o contribuinte questiona a necessidade de o Colegiado considerar as provas trazidas com o recurso voluntário. Contudo, os embargos não foram acolhidos, de sorte que a decisão embargada não sofreu qualquer alteração. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 11065.910819/200995 Acórdão n.º 9303004.844 CSRFT3 Fl. 4 3 O sujeito passivo interpôs Recurso Especial de divergência alegando dissídio jurisprudencial acerca da possibilidade de a Turma de Julgamento do CARF apreciar prova material trazida em sede de recurso voluntário (preclusão). O Recurso Especial do sujeito passivo foi integralmente admitido, conforme despacho de admissibilidade do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.838, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 11065.108212/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, no mérito, contrária ao meu entendimento pessoal, pois fui vencido na votação quanto à preclusão do direito de apresentar provas. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303004.838): Da Admissibilidade "O recurso interposto pelo sujeito passivo é tempestivo, e foi admitido pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A divergência suscitada pela recorrente diz respeito à possibilidade de a Turma de Julgamento do CARF apreciar prova material trazida em sede de recurso voluntário (preclusão), apresentando acórdãos paradigmas para comprovar o alegado dissídio jurisprudencial. Os acórdãos recorrido e paradigmas tratam da possibilidade de juntada de prova material com o recurso voluntário. A decisão recorrida não admitiu as provas trazidas pela recorrente, por não atender aos requisitos do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. No entanto, as decisões paradigmas admitem as provas mesmo não atendendo aos requisitos do citado dispositivo legal. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 11065.910819/200995 Acórdão n.º 9303004.844 CSRFT3 Fl. 5 4 Ainda que o acórdão recorrido tenha se referido a questões de inovação nos argumentos de defesa, constatase que a turma julgadora expressamente apreciou a possibilidade da recorrente em produzir prova documental posteriormente à Manifestação de Inconformidade. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso." Do Mérito "Honroume o Presidente com a atribuição de apresentar as razões do colegiado para não concordar com o seu bem fundamentado voto. E, em verdade, para mim e os demais conselheiros fazendários, elas se resumem a uma só. É que partilhamos integralmente o entendimento do dr. Rodrigo quanto à impossibilidade de se banalizar o princípio da verdade material a ponto de permitir que o sujeito passivo simplesmente escolha o momento que mais lhe aprouver par a apresentação das provas de seu direito. Quanto a isso, ao menos entre os fazendários, não há divergência. Ocorre que a nós nos pareceu ser este mais um daqueles casos em que não ocorreu uma mera procrastinação desmotivada de apresentação de documentos. Com efeito, e assim está relatado pelo dr. Rodrigo, o recorrente tentou, desde sua manifestação de inconformidade, fazer a prova do indébito alegado em Dcomp. E isso porque o indébito não nasce da mera divergência entre o que foi declarado e o que foi recolhido, mas entre este último e o valor devido segundo a legislação. Cabe, pois, ao postulante a restituição, já na manifestação de inconformidade, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificandoa; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Feito isso, acredito, não pode a Administração meramente indeferir a restituição porque a retificação tenha sido feita a destempo. Nessa linha, temos também reiterado que a prova inicial a ser produzida quando da manifestação de inconformidade não pode se resumir a meras alegações, ou, ainda pior, tãosomente à retificação da DCTF, mesmo tendo sido esta a única razão constante do despacho decisório, e nem mesmo à simples apresentação de planilhas de elaboração do próprio interessado desacompanhadas de assentamentos contábeis que as confirmem. No presente caso, entretanto, e assim nos diz o próprio relator, "... Acompanhando sua Manifestação de Inconformidade, a recorrente apresentou assentamentos contábeis referentes à compensação," os quais, no entanto, não foram considerados suficientes pela autoridade julgadora de primeiro grau. Denegado, ainda assim, o direito, complementouas, por ocasião do recurso voluntário, a partir do que fora dito na decisão de piso. Nesses termos, os documentos posteriormente juntados não são meramente aqueles que, sabidamente, o postulante já deveria ter apresentado em sua manifestação de inconformidade e que, por desídia ou máfé, deixou de juntar no momento próprio. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 11065.910819/200995 Acórdão n.º 9303004.844 CSRFT3 Fl. 6 5 Com tais considerações, entendeu o colegiado não se tratar da mera apresentação extemporânea e desmotivada de documentos que já deveriam ter sido apresentados no prazo da primeira defesa administrativa e deu provimento ao recurso do sujeito passivo para que os autos retornem à instância a quo a fim de serem examinados os documentos que supostamente comprovam o direito alegado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento, para que os autos retornem à instância a quo a fim de serem examinados os documentos que supostamente comprovam o direito alegado. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 186DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910546/2011-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
Numero da decisão: 1301-002.400
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
[assinado digitalmente]
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16327.910546/2011-99
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5724706
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1301-002.400
nome_arquivo_s : Decisao_16327910546201199.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : WALDIR VEIGA ROCHA
nome_arquivo_pdf_s : 16327910546201199_5724706.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
id : 6762548
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:00:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049209791315968
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1683; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.910546/201199 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.400 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de abril de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 05 46 /2 01 1- 99 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 16327.910546/201199 Acórdão n.º 1301002.400 S1C3T1 Fl. 3 2 BANCO VOLKSWAGEN S.A., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP. Trata a lide de Pedido de Restituição (PER/DCOMP), no qual o alegado direito creditório é decorrente de pagamento indevido ou a maior da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Posteriormente, o contribuinte usou esse alegado direito creditório para a compensação com débito de sua titularidade, mediante a Declaração Eletrônica de Compensação (PER/DCOMP), transmitida em 2008. Consta dos autos intimação, informando ao contribuinte que o DARF por ele especificado não teria sido localizado nos sistemas da RFB e instandoo à regularização. Não consta do processo qualquer resposta ou providência do contribuinte. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (DEINF/SP) negou homologação à compensação. O motivo foi a não localização do DARF nos sistemas da RFB, mesmo após a intimação acima referida. Em sua manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, a interessada, inicialmente, junta comprovante de arrecadação obtido no sítio eletrônico da Receita Federal. Na sequência, esclarece: Esse recolhimento foi indevidamente efetuado pelo Recorrente, uma vez que ele dispunha de decisão judicial definitiva, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 89.00112058, que o exonerava do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no período de 1988 a 09/1997 (data do trânsito em julgado da decisão judicial). Nem se alegue que o pagamento foi efetuado após o trânsito em julgado da decisão judicial exoneratória e com os benefícios previstos na Lei n° 9779/99, tendo em vista que, além desses fatos não servirem de fundamento para a negativa do pedido de restituição, o recolhimento se deu porque a própria Secretaria da Receita Federal, mesmo em face da decisão judicial favorável ao Recorrente, insistia na cobrança de tais valores, ao argumento de que os efeitos da decisão judicial alcançavam apenas a CSLL relativa ao exercício de 1989. Apenas com a decisão do 1º Conselho de Contribuintes (acórdão n° 101 93.610), proferida em 19/09/01, com acórdão formalizado em 11/12/01, que reconheceu expressamente o direito de um dos litisconsortes do ora Recorrente, no Mandado de Segurança n° 89.00112058, de não recolher a CSLL, no período de 1990 a 1997, ou seja, desde a propositura da medida judicial até o trânsito em julgado da decisão favorável, o que se deu em 02/09/97, é que o Recorrente obteve a comprovação de que também estava desobrigado do recolhimento da CSLL nesse período e que, portanto, tinha direito de reaver os montantes indevidamente recolhidos: "Ementa: IRPJ Normas Gerais. Lançamento Tributário. Sentença Judicial. Trânsito em Julgado. Efeitos. A sentença judicial reconhecendo a inconstitucionalidade dos artigos 1º, 2º, 3º e 8º, da Lei n° 7689, de 1988, e, de consequência, desobrigando a pessoa jurídica do recolhimento da CSLL, irradia seus efeitos jurídicos até o período no qual tenha ocorrido seu trânsito em julgado. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 16327.910546/201199 Acórdão n.º 1301002.400 S1C3T1 Fl. 4 3 Recurso conhecido e provido. Trecho do Voto do Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral — Relator: Nesta linha de raciocínio, e considerando que no presente caso: i) A sentença judicial que acolheu a pretensão da Recorrente, no sentido de desobrigála do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido instituída pela Lei n° 7689, de 1988, transitou em julgado em 02 de setembro de 1997, tal qual atestado na Certidão fornecida pela 10ª Vara Federal, anexa aos autos às fls.; ii) O Mandado de Segurança interposto pela Recorrente, em 1989, objetivou a dispensa do recolhimento da referida Contribuição sob alegação de inconstitucionalidade da lei que a instituiu (n° 7689, de 1988), o que foi integralmente reconhecido pela referida sentença transitada em julgado; iii) O auto de infração guerreado no presente processo pretende exigir da Recorrente a Contribuição Social relativa aos períodosbase de 1990 a 1994, portanto, anteriores ao trânsito em julgado da sentença judicial; só nos resta concluir que referidos períodos estão albergados pela 'coisa julgada', sendo defeso ao Fisco exigir a Contribuição em causa relativamente àqueles períodosbase." Assim, deve ser prontamente revisto o despachodecisório, ora recorrido, ante a comprovação do recolhimento indevido, a ensejar o direito à restituição, nos termos do artigo 165, I, do Código Tributário Nacional. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e indeferiu a solicitação. Ciente da decisão de primeira instância e com ela inconformada, a interessada apresentou recurso voluntário, mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Acerca do prazo para pleitear o indébito, a recorrente se reporta ao Pedido Eletrônico de Restituição, ao Pedido de Restituição protocolado na Deinf e sustenta que estaria plenamente respeitado, no caso, o prazo prescricional de cinco anos, previsto no art. 168, I, do CTN. A recorrente afirma ter anexado aos autos cópia do Mandado de Segurança nº 89.00112058, em que foi proferida a decisão transitada em julgado que a exonerava do recolhimento da CSLL de 1988 até 09/1997 (data do trânsito em julgado). Da mesma forma, anexa documentos que comprovam ser a recorrente a sucessora de Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. A interessada reitera, ainda, os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, acerca da decisão proferida pelo 1º Conselho de Contribuintes em 2001. Conclui com o pedido de provimento de seu recurso e homologação da compensação declarada. É o Relatório. Voto Fl. 124DF CARF MF Processo nº 16327.910546/201199 Acórdão n.º 1301002.400 S1C3T1 Fl. 5 4 Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.287, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 16327.900370/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.287): O recurso voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Gira a lide em torno de pedido de restituição, posteriormente cumulado com declaração de compensação. No atual estágio da discussão administrativa, o alegado direito creditório não foi reconhecido por dois fundamentos autônomos, ou seja, cada um deles é suficiente, por si só, para o não reconhecimento do direito creditório. O primeiro fundamento adotado pelo julgador de primeira instância, de caráter preliminar, foi o transcurso do prazo para pleitear o indébito. Alega a recorrente que deveria ter sido considerado o período transcorrido entre a data do recolhimento, em 1999, e a data do protocolo do pedido de restituição, em 2004. Com isso, restaria atendido o prazo de cinco anos de que trata o art. 168, I, do CTN. Examinando a decisão recorrida, constatase que, efetivamente, houve um equívoco do julgador ao não considerar o pedido de restituição originalmente formulado em 2004. Isso fica evidenciado na afirmação de que “... observase que somente em 2008 veio pleitear compensação do referido crédito, ou seja, cerca de sete anos após ‘obter a comprovação’, e nove após a extinção do débito, pelo pagamento”. Ora, a declaração de compensação é datada de 2008, mas reportase ao anterior pedido de restituição, e é esse pedido que deve ser considerado, para fins da contagem do prazo para a repetição de indébito. No entanto, como se verá a seguir, a correção desse equívoco não trará modificação na conclusão. Esse prazo, se de cinco ou dez anos, bem assim a determinação dos termos inicial e final para a contagem, já foram objeto de acirrados debates, tanto no âmbito administrativo quanto no judicial. A inovação legislativa (arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005) tentou pacificar a questão, mas somente aumentou as divergências, tanto doutrinárias quanto jurisprudenciais. Finalmente, a questão foi pacificada pelo Poder Judiciário. De especial interesse, o Recurso Especial nº 1.002.932, de 25/11/2009, prolatado pelo STJ no regime do art. 543C do CPC então vigente, e o Recurso Extraordinário nº 566.321, de 04/08/2011, proferido pelo STF no regime do art. 543B do mesmo diploma legal. A reiterada aplicação administrativa dessas decisões conduziu à aprovação, em 09/12/2013, pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da súmula CARF nº 91, a seguir reproduzida. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 16327.910546/201199 Acórdão n.º 1301002.400 S1C3T1 Fl. 6 5 As súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste órgão administrativo, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. No caso concreto, o pedido de restituição foi protocolado em 2004, antes da data limite prevista na súmula, aplicandose, portanto, o prazo prescricional de dez anos. O termo inicial da contagem é, também nos termos da súmula, a data do fato gerador. O fato gerador foi fixado pela própria interessada no pedido de restituição. Desta forma, para fatos geradores completados anteriormente a 12/02/1994 o prazo prescricional já se encontrava encerrado no momento do pedido de restituição. Observese que a data do recolhimento não é considerada para este fim, muito menos a circunstância alegada pela interessada acerca do julgamento administrativo de um auto de infração no qual o sujeito passivo seria um dos litisconsortes na ação judicial. Não se vislumbra qual a relação entre aquele julgamento administrativo e o prazo para a formulação do pedido de restituição aqui discutido. A constatação que se impõe é de que o decurso do prazo prescricional impede que seja atendido o pleito da interessada, independentemente de quaisquer considerações de mérito, negandose provimento ao recurso voluntário. O segundo fundamento adotado pelo julgador de primeira instância para o indeferimento do pleito foi a falta de comprovação do direito. O seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido é elucidativo: Observese que a empresa não trouxe a petição inicial e nenhuma peça do processo judicial que afirma amparala, de forma a se poder verificar a correção de sua alegação central de mérito, o que, como demonstrado acima, seria ônus da empresa. E, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, utilizandose do número de processo judicial fornecido pela Interessada, na opção “Consulta Processual – Visualizar Processo” a empresa não aparece como parte, mas sim as seguintes empresas: Consórcio Nacional Ford Ltda., Autolatina S/A, Autolatina Financiadora S/A Crédito Financiamento e Investimentos e Ford Brasil S/A. Junto com o recurso voluntário, a interessada faz acostar aos autos peças do processo judicial, e documentos que, segundo ela, comprovariam ser a recorrente sucessora da Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. Compulsando os autos, especialmente as peças processuais do Mandado de Segurança nº 89.112058, constato que a impetrante foi Consórcio Nacional Ford Ltda., e que posteriormente foram admitidos como litisconsortes: (i) Autolatina S/A; (ii) Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos; e (iii) Ford Brasil S/A. Prosseguindo na análise, encontro Ata da AGE de 31/05/1996 de Banco Autolatina S.A., na qual se registra a cisão parcial dessa pessoa jurídica, com a versão de parcela de seu patrimônio para o Banco Ford S/A e a mudança do nome da parcela remanescente da cisão do Banco Autolatina S/A para Banco Volkswagen S/A (a interessada). Na sequência, encontro também o Protocolo da cisão e versão do patrimônio. No entanto, não encontro prova de que Banco Autolatina S/A fosse parte da ação judicial. No documento datado de 17/02/2004, dirigido à DEINF/SP, a interessada se identifica como “BANCO VOLKSWAGEN S/A., atual denominação de BANCO AUTOLATINA S.A., anteriormente denominado AUTOLATINA Fl. 126DF CARF MF Processo nº 16327.910546/201199 Acórdão n.º 1301002.400 S1C3T1 Fl. 7 6 FINANCIADORA S.A., ...”. Mas tratase de mera afirmação, da qual não encontro prova documental nos autos. Apesar de saber que esse ponto foi um dos fundamentos adotado pelo julgador de primeira instância para negar seu pedido, a interessada apresentou apenas o documento da cisão parcial de Banco Autolatina S/A e posterior mudança de nome da parcela remanescente para Banco Volkswagen S/A, não se preocupando em rastrear e comprovar os eventos societários desde a litisconsorte na ação judicial (Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos) até a atual pessoa jurídica, nem os direitos que teriam sido transmitidos em cada um desses eventos. Em se tratando de pedido de restituição, é ônus de quem alega o direito creditório comprovar o que alega, especialmente, no caso sob análise, que a pessoa jurídica que efetuou o recolhimento seria a sucessora em todos os direitos e obrigações da pessoa jurídica que foi parte na ação judicial. Ao não se encontrar nos autos essa comprovação, também por esse motivo o recurso voluntário há que ser negado. Os dois fundamentos autônomos anteriormente discutidos já seriam (e são) suficientes para que o recurso voluntário seja desprovido. Penso, entretanto, que uma consideração adicional há de ser feita. É que o pagamento em questão foi feito em 1999, ao amparo do art. 17 da Lei nº 9.779/1999. Confirase seu teor (grifos não constam do original): Art.17.Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1oO disposto neste artigo estendese:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) Iaos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIa contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIaos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 127DF CARF MF Processo nº 16327.910546/201199 Acórdão n.º 1301002.400 S1C3T1 Fl. 8 7 §2oO pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese do inciso I do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial, na hipótese do inciso II do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIalcançado pelo pedido, na hipótese do inciso III do § 1o.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) §3oO pagamento referido neste artigo:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iimporta em confissão irretratável da dívida;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIconstitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...] Insisto: os pagamentos nesses termos são confissão irretratável da dívida e confissão extrajudicial. Ou seja, ainda que pudessem ser superados os dois fundamentos anteriormente expostos, o pedido de restituição encontraria obstáculo inarredável na disposição expressa da lei acima transcrita. Supondose, como hipótese argumentativa, que a interessada fosse, como afirma, sucessora da litisconsorte na ação judicial, o fato é que espontaneamente decidiu abrir mão do direito conquistado na ação judicial (possivelmente por vêlo ameaçado por reiteradas manifestações do STF no sentido da inconstitucionalidade da CSLL apenas para o primeiro ano de sua vigência) e parcelar o valor da contribuição para os anos subsequentes. A recorrente afirma que somente fez os pagamentos porque a Receita Federal insistia na cobrança, mesmo em face da decisão judicial que havia obtido. Ora, esse era o entendimento administrativo à época, atualmente ainda mais reforçado, tanto pelo sucesso obtido em ações rescisórias diversas propostas perante o Poder Judiciário, quanto por Pareceres da douta PGFN. Se a interessada tivesse plena convicção de seu direito, seu procedimento teria sido o de aguardar o lançamento e discutilo administrativa e judicialmente, nunca o de se antecipar, confessando a dívida de forma irretratável e recolhendo o tributo. A recorrente reclama, ainda, que esse aspecto não teria sido fundamento para a negativa do pedido de restituição, pelo que não poderia, agora, ser abordado. Observese que a DEINF/SP originalmente negou o pedido porque o pagamento (DARF) não foi identificado nos sistemas da RFB. Apesar de intimada, a interessada não se preocupou em trazer aos autos os esclarecimentos que Fl. 128DF CARF MF Processo nº 16327.910546/201199 Acórdão n.º 1301002.400 S1C3T1 Fl. 9 8 permitissem essa correta identificação. Essa questão foi plenamente superada em primeira instância. Somente então foi possível avançar e questionar outros aspectos, a saber, o prazo para pleitear o indébito e a comprovação do direito alegado. Quanto a este último aspecto, o julgador a quo se deteve na falta das peças do processo judicial e na falta de comprovação de que a interessada no processo administrativo fosse também uma das partes do processo judicial. Penso que as considerações aqui tecidas sobre esse ponto nada mais são do que um aprofundamento acerca da análise de mérito do pedido. Seriam, talvez, dispensáveis, como dito anteriormente, mas em nada prejudicam, antes reforçam a conclusão. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Fl. 129DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.900327/2014-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 25/04/2012
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
Numero da decisão: 3401-003.706
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 25/04/2012 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13888.900327/2014-09
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5735107
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3401-003.706
nome_arquivo_s : Decisao_13888900327201409.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 13888900327201409_5735107.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6812108
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:01:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049209796558848
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1588; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.900327/201409 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401003.706 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2017 Matéria IPI pagamento a maior ou indevido Recorrente RMF INDUSTRIA E COMERCIO DE EMBALAGENS PLASTICAS LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 25/04/2012 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 03 27 /2 01 4- 09 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13888.900327/201409 Acórdão n.º 3401003.706 S3C4T1 Fl. 3 2 Versam os autos sobre PER/DCOMP cujo direito creditório alegado seria oriundo de recolhimento indevido do IPI, a ser compensado com débito de tributo administrado pela RFB. O despacho decisório não homologou a compensação em razão do recolhimento indevido já ter sido integralmente quitado com outros débitos do contribuinte. O contribuinte apresentou tempestivamente sua manifestação de inconformidade, arguindo várias nulidades, mormente que o aludido Despacho não teria fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e lhe causado cerceamento de defesa. Sobreveio decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, na qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 25/04/2012 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte interpôs tempestivamente o seu recurso voluntário, asseverando que a decisão não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo que a Recorrente apresentasse defesa, bem como demonstrasse a existência do crédito, requerendo a nulidade da decisão, vez que não lhe foi oportunizado conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada. É o relatório. Voto Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.900327/201409 Acórdão n.º 3401003.706 S3C4T1 Fl. 4 3 Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.652, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900243/201467, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.652): Como se viu do relatório, o presente recurso voluntário visa a nulidade da decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, entendendo que esta não restou motivada, implicando seu cerceamento de defesa. Não merece prosperar as alegações da Recorrente. A uma, disse o Despacho Decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A duas, mencionou expressamente a decisão de piso que a Recorrente não trouxe qualquer prova (DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI), indício ou justificativa que permitisse comprovar o alegado recolhimento indevido. A propósito, merece destaque parte do voto do e. relator: Inicialmente vale verificar o que consta no Despacho Decisório, devidamente assinado pela autoridade competente: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ou seja, o alegado pagamento indevido não foi restituído porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Com efeito, se há erro nos arquivos da Receita, bastaria o interessado juntar a idônea e hábil documentação contraditória (DARF, DCTF e Livro de Apuração e Registro do IPI), até em homenagem o princípio da verdade material tanto invocado, sendo que, se tratam de declarações e livros cuja boa guarda e apresentação imediata estão legalmente determinadas. A manifestação do interessado não traz qualquer prova, indício ou mesmo justificativa que permita comprovar o alegado Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.900327/201409 Acórdão n.º 3401003.706 S3C4T1 Fl. 5 4 recolhimento indevido, limitandose, tão somente a colecionar julgados e doutrinas sobre nulidades. Considerando que nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consta que os valores recolhidos no indigitado DARF já foram utilizados para quitar outros débitos e nada o contribuinte a isto contrapõe, não há o que reconsiderar ou anular, sendo que não se justifica a falta de apresentação de documentos que provassem seu direito creditório, na medida que a alegação de cerceamento da defesa não se sustenta. A três, vêse que a decisão fora motivada, embora cingiramse as assertivas da Recorrente apenas e tão somente na juntada da DCOMP, informando que detinha um crédito de IPI, oriundo de pagamento indevido, o qual seria compensado com débitos da COFINS. A quatro, temse que, sobrevindo a decisão da manifestação de inconformidade, deveria a Recorrente fazer prova deste suposto pagamento indevido ou a maior do IPI, conforme determinava o artigo 333 do CPC, vigente à época ademais, como ressalvada pela decisão da DRJ , porém, quedou silente a contribuinterecorrente. A quinto, o processo há de vir devidamente instruído para que o Colegiado possa apreciálo, de modo que, diante da ausência de qualquer prova, a conclusão que se chega é que a decisão de piso não merece reparos. Não maiores ilações a serem feitas e diante da ausência de provas, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
