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Numero do processo: 16707.005176/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO - NÃO OCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MULTA - RELEVAÇÃO - ART. 291, §1º, DECRETO 3.048/1999 - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - INAPLICABILIDADE PARA AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL.
No caso de auto de infração de obrigação principal, não se aplica o disposto no art. 291, § 1º, decreto 3.048/1999, na redação à época dos fatos geradores, que versava sobre as circunstância atenuantes da penalidade relacionadas a auto de infração de obrigação acessória, na qual a multa era relevada mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - OPERAÇÃO CONCOMITANTE
Na época dos fatos geradores, a operação concomitante se revestia em procedimento administrativo, conforme o requerido pelo contribuinte, previsto no art. 215, da IN MPS/SRP n.° 03/2005 (Revogado pela IN RFB nº 900, de 30/12/2008), na qual o sujeito passivo liquidava créditos previdenciários constituídos pelo Fisco, total ou parcialmente, utilizando-se de crédito oriundo de processo de restituição ou de reembolso.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.233
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário.
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Presente ao julgamento, a Procuradora da Fazenda Nacional, Drª Francianna Barbosa de Araújo.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO - NÃO OCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MULTA - RELEVAÇÃO - ART. 291, §1º, DECRETO 3.048/1999 - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - INAPLICABILIDADE PARA AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. No caso de auto de infração de obrigação principal, não se aplica o disposto no art. 291, § 1º, decreto 3.048/1999, na redação à época dos fatos geradores, que versava sobre as circunstância atenuantes da penalidade relacionadas a auto de infração de obrigação acessória, na qual a multa era relevada mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - OPERAÇÃO CONCOMITANTE Na época dos fatos geradores, a operação concomitante se revestia em procedimento administrativo, conforme o requerido pelo contribuinte, previsto no art. 215, da IN MPS/SRP n.° 03/2005 (Revogado pela IN RFB nº 900, de 30/12/2008), na qual o sujeito passivo liquidava créditos previdenciários constituídos pelo Fisco, total ou parcialmente, utilizando-se de crédito oriundo de processo de restituição ou de reembolso. Recurso Voluntário Negado
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO MULTA RELEVAÇÃO ART. 291, §1º, DECRETO 3.048/1999 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA INAPLICABILIDADE PARA AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. No caso de auto de infração de obrigação principal, não se aplica o disposto no art. 291, § 1º, decreto 3.048/1999, na redação à época dos fatos geradores, que versava sobre as circunstância atenuantes da penalidade relacionadas a auto de infração de obrigação acessória, na qual a multa era relevada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 51 76 /2 00 7- 15 Fl. 796DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO OPERAÇÃO CONCOMITANTE Na época dos fatos geradores, a operação concomitante se revestia em procedimento administrativo, conforme o requerido pelo contribuinte, previsto no art. 215, da IN MPS/SRP n.° 03/2005 (Revogado pela IN RFB nº 900, de 30/12/2008), na qual o sujeito passivo liquidava créditos previdenciários constituídos pelo Fisco, total ou parcialmente, utilizandose de crédito oriundo de processo de restituição ou de reembolso. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Presente ao julgamento, a Procuradora da Fazenda Nacional, Drª Francianna Barbosa de Araújo. Fl. 797DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16707.005176/200715 Acórdão n.º 2202003.233 S2C2T2 Fl. 797 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente VSV VISAO SEGURANÇA DE VALORES LTDA contra Acórdão nº 1122.330 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Recife PE que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigações principais, NFLD nº. 37.127.0596. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social referente a contribuições sociais da empresa destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais não recolhidas na época própria à Seguridade Social, bem como as contribuições sociais não arrecadadas pelo empregador mediante desconto incidente sobre as remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais, no período 02/2003 a 12/2006. O Relatório Fiscal mostra: O valor originário do débito apurado corresponde, assim, em cada competência, ao montante das contribuições sociais devidas pelo empregador, abatida deste montante a parcela correspondente às deduções do Salário Família, Salário Maternidade e valores recolhidos em GPS, conforme disposto no Relatório de Documentos Apresentados, anexo desta NFLD O Relatório Fiscal aponta os fatos geradores: 5.1 Levantamento "FPN — FOLHA DE PAGAMENTO": Este levantamento contempla as contribuições devidas à Previdência Social e as destinadas ao FNDE (Salário Educação), INCRA, SEBRAE, SEST e SENAT incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados não declarados na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP. 5.2 Levantamento "PCI CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS": Esse levantamento contempla as contribuições devidas à Previdência Social incidentes sobre os pagamentos efetuados a contribuintes individuais e sobre os valores não arrecadados pelo empregador mediante desconto incidente sobre as remunerações pagas a esses segurados. Segundo o Relatório Fiscal, foi emitido Termo de Arrolamento de Bens, com base no § 2 0 do artigo 37 da Lei n° 8.212, de 1991, acrescentado pela Lei n° 9.711, de 1998. Houve a utilização dos seguintes documentos no decorrer da auditoriafiscal: Fl. 798DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 4. Os valores equivalentes ao montante das contribuições sociais devidas pelo empregador, em cada competência; encontramse dispostos no Discriminativo Analítico do Débito DAD, anexo a esta NFLD, com base nos seguintes documentos, apresentados pelo contribuinte à fiscalização e analisados no decorrer da ação fiscal: 4.1 Folhas de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada pelo contribuinte aos segurados empregados; 4.2 Guias de recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e informações à Previdência Social (GFIP), documento informativo instituído pelo art. 32, inc. IV, da Lei 8.212191 (redação dada pela Lei 9.528197), c/c o art. 1. 0 do Decreto 2.803198, constantes nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil; 4.3 Livros Diário e Razão; 4.4 Informações contábeis e relacionadas aos pagamentos aos segurados empregados, apresentadas em meio digital para o período de fevereiro/2003 a dezembro/2006, conforme recibo de entrega de arquivos digitais anexo; 4.5 Notas fiscais de Serviços prestados;e 4.6 Guias da Previdência Social (GPS). Após, o Relatório Fiscal mostra que houve dedução, em relação ao Levantamento, dos valores destacados em Notas Fiscais de Serviço relativos à retenção: Os valores efetivamente destacados em notas fiscais, relacionados à prestação de serviços de segurança e vigilância ao Departamento Estadual de Imprensa DEI, e sujeitos à retenção pela empresa contratante, foram lançados como crédito da empresa ora fiscalizada no relatório Documentos Apresentados. O período objeto do auto de infração conforme o Relatório Fiscal é de 02/2003 a 12/2006. A Recorrente teve ciência do auto de infração em 28.09.2007, conforme Aviso de Recebimento AR, às fls. 314. A Recorrente apresentou Impugnação, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: A empresa foi cientificada do lançamento, em 28/09/2007, por via postal (cópia do Aviso de Recebimento, à fl. 314), atravessando impugnação em 29/10/2007 (316/318), por meio de representante legalmente autorizado (procuração fls. 323), ocasião em que requer seja realizada operação concomitante, por resultar o presente débito da falta de repasse de contribuições sociais pelos tomadores de seus serviços, objetivando, assim, sanálo e, em persistindo alguma falha de recolhimento, pleiteia o respectivo parcelamento de eventual saldo. Fl. 799DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16707.005176/200715 Acórdão n.º 2202003.233 S2C2T2 Fl. 798 5 Acresce, ainda, em seus argumentos, tratarse de empresa de pequeno porte, merecedora de tratamento diferenciado nos moldes do art. 12 da Lei n.° 9.841/99 A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 1122.330 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Recife PE, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2006 OPERAÇÃO CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE. A operação concomitante, como forma de redução ou extinção da presente NFLD, somente é admissível se comprovada a existência de saldo credor em beneficio do contribuinte, fato, entretanto, que não ocorreu no processo em tela. LANÇAMENTO: ATO VINCULADO. Para fins de fiscalização de tributos previdenciários, inaplicável a exigência do critério de dupla visita. Não há incompatibilidade entre orientação às dúvidas da empresa no curso da inspeção e o respectivo lançamento de contribuições sociais não recolhidas, porque se trata de ato plenamente vinculado. Lançamento Procedente Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde combate fundamentadamente a decisão de primeira instância, em apertada síntese: (i) a empresa é merecedora de tratamento tributário diferenciado por ser empresa de pequeno porte. (ii) Do código FPAS 8500 atribuído erradamente pela fiscalização Após checar os lançamentos efetuados no DAD DISCRIMINATIVO ANALÍTICO DE DÉBITO constatase as seguintes divergências: NO CÓDIGO FPAS: Foi lançado o FPAS 8500 inexistente e 6120 destinado a transportador de valores, quando a requerente está enquadrada no FPAS 515 Atividade de vigilância e segurança privada, devendo contribuir como "terceiros", Salárioeducação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE. (iii) Do código CNAE 74608 atribuído erradamente pela fiscalização Fl. 800DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 NO CÓDIGO CNAE: Foi lançado o CNAE 74608 destinado a atividade de investigação, vigilância e segurança, quando a requerente está enquadrada no CNAE 80111/01 Atividade de vigilância e segurança privada. (iv) Da apropriação dos créditos em GPS Após confrontar as informações constantes do RDA RELATÓRIO DE DOCUMENTOS APRESENTADOS com as GPS emitidas para as competências de fev/2003 a 13/2006, constatase que deixaram de ser apropriadas às guias relacionadas abaixo. É importante ressaltar, que a GPS emitida para a liquidação da NFLD 371270570, no valor de R$ 8.721,47, paga em 26/10/2007, através do título n o 24709656, não consta deste rol, sendo mais um valor a ser agregado em favor da requerente: (v) Da operação concomitante Conforme mencionado pela Egrégia Turma de Recurso, a operação concomitante é procedimento administrativo pelo qual o sujeito passivo busca liquidar créditos previdenciários constituídos pelo Fisco, conforme dispõe o Art. 215, da IN/SRP n o 03/2005 e Art. 48, da Lei n o 11.457/2007, com o excesso arrecadado pelo contribuinte. Seguindo os caminhos trilhados pelo Fisco, com as informações prestadas no DAD — Discriminativo Analítico de Débito, no DSD —Discriminativo Sintético de Débito, no Relatório de Lançamentos e RDA —Relatório de Documentos Apresentados podese observar que a requerente dispõe de um crédito previdenciário, que poderá solicitar a restituição. Fl. 801DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16707.005176/200715 Acórdão n.º 2202003.233 S2C2T2 Fl. 799 7 (vi) Relevação das multas com base no art. 291, § 1º, Decreto 3.048/1999. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. A Colenda Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção, na Resolução no 2403000.294, baixou o processo em Diligência nestes termos: CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do Recorrente: (i) analise e justifique o enquadramento no código de FPAS 850 0 atribuído ao sujeito passivo no lançamento em oposição ao FPAS 515 alegado pelo Recorrente. (ii) analise e justifique enquadramento no código de CNAE 74608 atribuído ao sujeito passivo no lançamento em oposição ao CNAE 80111/01 alegado pelo Recorrente. (iii) analise e justifique se as GPS relacionadas pelo Recorrente no Recurso Voluntário deveriam ter sido apropriadas no lançamento: Fl. 802DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 (iv) analise e justifique o cabimento da operação concomitante no presente processo, a partir das alegações do Recorrente de que apresentou os recolhimentos necessários à liquidação dos débitos previdenciários. Posteriormente, a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte, emanou Despacho, às fls. 775 a 778, na qual, em relação aos tópicos solicitados pela Resolução de Diligência Fiscal, informa: (i) O FPAS 8500 é gerado pelo próprio sistema informatizado de auditoria fiscal SAFIS e utilizado exclusivamente para cálculos dos recolhimentos decorrentes de ACAL (Aviso de Acréscimos Legais). Não foi identificado no processo 16707.005176/200715 qualquer cobrança relativa a esse FPAS 8500. (ii) O enquadramento no CNAE 7460802 Atividades de vigilância e segurança privada foi realizado com base em declaração do próprio contribuinte em GFIP e nos dados do contrato social e aditivos. Nos termos do Contrato Social, o Objeto Social consiste na "prestação de serviços especializados às instituições bancárias, caixa econômicas, cooperativas de crédito, estabelecimentos industriais, comerciais e residenciais, autarquias, repartições públicas, federais,estaduais e municipais, através de vigilância ostensiva armada e desarmada, ou de outras modalidades contra assaltos, roubos, efetuando monitoramento de sistemas de alarme, bem como todos os serviços pertinentes a área de Segurança de Valores ou Pessoais". Cabe ressaltar que os efeitos tributários da declaração do CNAE 8011101 ou CNAE 7460802 são os mesmos na medida que implicam em cálculos das alíquotas de seguros de acidentes de trabalho de 3%. Segue abaixo a relação de competências com CNAE 8011101 e CNAE 7460802 em GFIP declaradas pelo contribuinte Competência CNAE declarado em GFIP 02/2003, 03/2003, 04/2003, 05/2003, 06/2003, 07/2003, 08/2003, 09/2003, 10/2003, 11/2003, 12/2003, 01/2004, 02/2004, 03/2004, 04/2004, 08/2004, 09/2004, 10/2004, 11/2004, 12/2004, 01/2005, 02/2005, 03/2005, 04/2005, 05/2005, 09/2005, 12/2005 7460802 Fl. 803DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16707.005176/200715 Acórdão n.º 2202003.233 S2C2T2 Fl. 800 9 06/2005, 07/2005, 08/2005, 10/2005, 11/2005, 01/2006 a 12/2006 801101 (iii) Da análise das GPS relacionadas pelo Recorrente no recurso voluntário temse que: Competência Data de Pagamento Valor Justificativa 04/2006 05/05/2006 578,40 GPS foi apropriada no RADA Relatório de Apropriação de Documentos sob a sigla CRED conforme RDA Relatório de Documentos Apresentados (folha 67 do processo 16707.005176/200715) RADA Relatório de Apropriação de documentos( folhas 135 a 141 do processo 16707.005176/200715) e REFISC Relatório Fioscal (item 7, folha 179 do processo 16707.005176/200715) 04/2006 19/04/2006 629,57 Não consta no RADA Relatório de Apropriação de documentos apropriados por se tratar de G 'S com código de pagamento específico 2909Reclamatória Trabalhista, o que não foi objeto de apuração de contribuições na ação fiscal 05/2006 09/06/2006 578,40 GPS foi apropriada no RADA Relatório de Apropriação de documentos sob a sigla CRED conforme RDA Relatório de documentos Apresentados( folha 67 do processo 16707.005176/200715), RADA Relatório de Apropriação de documentos( folhas 135 a 141 do processo 16707.005176/200715) e REFISC Relatório Fiscal( item 7, folha 179 do processo 16707.005176/200715 06/2006 14/07/2006 578,40 GPS foi apropriada no RADA Relatório de Apropriação de documentos sob a sigla CRED conforme RDARelatório de Documentos Apresentados( folha 67 do processo 16707.005176/200715), RADA Relatório de Apropriação de documentos( folhas 135 a 141 do processo 16707.005176/200715) e REFISCRelatório Fiscal( item 7, folha 179 do processo 16707.005176/200715 06/2006 22/06/2006 119,14 Não consta no RADA Relatório de Fl. 804DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 10 Apropriação de documentos apropriados por se tratar de GPS com código de pagamento específico 2909Reclamatória Trabalhista, o que não foi objeto de apuração de contribuições na ação fiscal 07/2006 27/07/2006 578,40 GPS foi apropriada no RADA Relatório de Apropriação de documentos sob a sigla CRED conforme RDA Relatório de Documentos Apresentados( folha 67 do processo 16707.005176/200715), RADA Relatório de Apropriação de documentos( folhas 135 a 141 do processo 16707.005176/200715) e REFISC Relatório Fiscal( item 7, folha 179 do processo 16707.005176/200715 08/2006 24/08/2006 578,40 GPS foi apropriada no RADA Relatório de Apropriação de documentos sob a sigla CRED conforme RDA Relatório de Documentos Apresentados( folha 67 do processo 16707.005176/200715), RADA Relatório de Apropriação de documentos( folhas 135 a 141 do processo 16707.005176/200715) e REFISC Relatório Fiscal( item 7, folha 179 do processo 16707.005176/200715 09/2006 02/10/2006 578,40 GPS foi apropriada no RADA Relatório de Apropriação de documentos sob a sigla CRED conforme RDA Relatório de Documentos Apresentados( folha 67 do processo 16707.005176/200715), RADA Relatório de Apropriação de documentos( folhas 135 a 141 do processo 16707.005176/200715) e REFISC Relatório Fiscal( item 7, folha 179 do processo 16707.005176/200715 10/2006 10/11/2006 578,40 GPS foi apropriada no RADA Relatório de Apropriação de documentos sob a sigla CRED conforme RDA Relatório de Documentos Apresentados( folha 67 do processo 16707.005176/200715), RADA Relatório de Apropriação de documentos( folhas 135 a 141 do processo 16707.005176/200715) e REFISC Relatório Fiscal( item 7, folha 179 do processo 16707.005176/200715) 11/2006 07/11/2007 474,46 Pagamento realizado após o encerramento do procedimento fiscal 11/2006 07/12/2006 578,40 GPS foi apropriada no RADARelatório de Apropriação de documentos sob a sigla CRED conforme RDARelatório de Documentos Apresentados( folha 67 do processo 16707.005176/200715). RADA Fl. 805DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16707.005176/200715 Acórdão n.º 2202003.233 S2C2T2 Fl. 801 11 Relatório de Apropriação de documentos( folhas 135 a 141 do processo 16707.005176/200715) e REFISCRelatório Fiscal(item 7, folha 179 do processo 16707.005176/200715) 12/2006 07/11/2007 475,74 Pagamento realizado após o encerramento do procedimento fiscal. 12/2006 27/06/2007 499,37 Não consta no RADA Relatório de Apropriação de documentos apropriados por se tratar de GPS com código de pagamento específico 2909Reclamatória Trabalhista, o que não foi objeto de apuração de contribuições r ação fiscal 12/2006 28/12/2006 578,40 GPS foi apropriada no RADA Relatório de Apropriação de Documentos sob a sigla CRED conforme RDA Relatório documentos Apresentados( folha 67 do processo 16707.005176/200715), RADA Relatório de Apropriação de documentos( folhas 135 a 141 do processo 16707.005176/200715) e REFISC Relatório Fiscal( item 7, folha 179 do processo 16707.005176/200715 (iv) De análise do cabimento de operação concomitante no presente processo, entendo não ser aplicável ao presente caso haja vista tratarse" de procedimento pelo qual o sujeito passivo liquida créditos constituídos no âmbito da SRP, total ou parcialmente, utilizandose de crédito oriundo de processo de restituição ou de reembolso". Não resta demonstrado no presente processo a existência de processos em trâmite na Receita Federal do Brasil referentes à restituição ou reembolso e as alegações do contribuinte estão respondidas neste Relatório Fiscal. O contribuinte foi devidamente cientificado mas não apresentou Manifestação, conforme fls. 789 e 792. Após, os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 806DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 12 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES. (a) Da regularidade do lançamento Analisemos. Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente VSV VISAO SEGURANÇA DE VALORES LTDA contra Acórdão nº 1122.330 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Recife PE que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigações principais, NFLD nº. 37.127.0596. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social referente a contribuições sociais da empresa destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais não recolhidas na época própria à Seguridade Social, bem como as contribuições sociais não arrecadadas pelo empregador mediante desconto incidente sobre as remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais, no período 02/2003 a 12/2006. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.127.0596 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura da NFLD nº 37.127.0596) Lei n° 8.212/91 Fl. 807DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16707.005176/200715 Acórdão n.º 2202003.233 S2C2T2 Fl. 802 13 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, com a clara discriminação de cada débito apurado e dos acréscimos legais incidentes, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DAD Discriminativo Analítico do Débito (que discrimina os valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte, abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais); c. DSD Discriminativo Sintético do Débito (que apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados agrupados por estabelecimento); Fl. 808DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 14 d. RL Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo); e. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); f. CORESP Relatório de Coresponsáveis do Débito; g. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); h. MPF – Mandado de Procedimento Fiscal; i. TIAD – Termo de Intimação para Apresentação de Documentos;. j. TEAF Termo de Encerramento da Ação Fiscal;. k. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose a NFLD nº 37.127.0596, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se Fl. 809DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16707.005176/200715 Acórdão n.º 2202003.233 S2C2T2 Fl. 803 15 referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. (b) Da inconstitucionalidade Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Ainda, o art. 59, caput, Decreto 7.574/2011; Art.59. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (Decreto no 70.235, de 1972, art. 26A, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária: Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DO MÉRITO (i) a empresa é merecedora de tratamento tributário diferenciado por ser empresa de pequeno porte. Analisemos. Em que pese a argumentação da Recorrente, ela é considerada empresa nos termos do art. 15, I, Lei 8.212/1991, portanto, sujeita à normatividade legal que rege as obrigações principais e acessórias relacionadas às contribuições sociais previdenciárias: Fl. 810DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 16 Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; II empregador doméstico a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Em consulta ao comprovante de inscrição e situação cadastral na Receita Federal do Brasil, conforme consulta, em 07.10.2014, ao site: http://www.receita.fazenda.gov.br/pessoajuridica/cnpj/cnpjreva/cnpjreva_solicitacao.asp, constatase que: o código e descrição da atividade econômica principal: 80.11 101 Atividades de vigilância e segurança privada o código e descrição da atividade econômica secundária aponta para: 80.20000 Atividades de monitoramento de sistemas de segurança o código e descrição da natureza jurídica da empresa aponta para: 2062 SOCIEDADE EMPRESARIA LIMITADA. Fl. 811DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16707.005176/200715 Acórdão n.º 2202003.233 S2C2T2 Fl. 804 17 Outrossim, em consulta ao comprovante de inscrição e situação cadastral na Receita Federal do Brasil, conforme consulta, em 01.03.2016, ao site: http://www.receita.fazenda.gov.br/pessoajuridica/cnpj/cnpjreva/cnpjreva_solicitacao.asp, constatase que a Situação cadastral: INAPTA, sendo o motivo da Situação cadastral: LOCALIZAÇÃO DECONHECIDA. REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL CADASTRO NACIONAL DA PESSOA JURÍDICA NÚMERO DE INSCRIÇÃO 04.311.121/000105 MATRIZ COMPROVANTE DE INSCRIÇÃO E DE SITUAÇÃO CADASTRAL DATA DE ABERTURA 28/02/2001 NOME EMPRESARIAL V S V VISAO SEGURANCA DE VALORES LTDA TÍTULO DO ESTABELECIMENTO (NOME DE FANTASIA) VISAO SEGURANCA CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE ECONÔMICA PRINCIPAL ******** CÓDIGO E DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES ECONÔMICAS SECUNDÁRIAS ******** CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA NATUREZA JURÍDICA 2062 SOCIEDADE EMPRESARIA LIMITADA LOGRADOURO ******** NÚMERO ******** COMPLEMENTO ******** CEP ******** BAIRRO/DISTRITO ******** MUNICÍPIO ******** UF ** ENDEREÇO ELETRÔNICO TELEFONE (084) 94510007 ENTE FEDERATIVO RESPONSÁVEL (EFR) ***** SITUAÇÃO CADASTRAL INAPTA DATA DA SITUAÇÃO CADASTRAL 27/03/2015 MOTIVO DE SITUAÇÃO CADASTRAL Fl. 812DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 18 LOCALIZACAO DESCONHECIDA SITUAÇÃO ESPECIAL ******** DATA DA SITUAÇÃO ESPECIAL ******** Aprovado pela Instrução Normativa RFB nº 1.470, de 30 de maio de 2014. Emitido no dia 01/03/2016 às 17:14:13 (data e hora de Brasília). Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (ii) Do código FPAS 8500 atribuído erradamente pela fiscalização Analisemos. Conforme o Despacho emanado da AuditoriaFiscal, às fls. 775 a 778, em resposta â Resolução de Diligência Fiscal, temse: (i) O FPAS 8500 é gerado pelo próprio sistema informatizado de auditoria fiscal SAFIS e utilizado exclusivamente para cálculos dos recolhimentos decorrentes de ACAL (Aviso de Acréscimos Legais). Não foi identificado no processo 16707.005176/200715 qualquer cobrança relativa a esse FPAS 8500. Ou seja, não há qualquer cobrança relativa ao FPAS 8500, sendo que este código de FPAS (Fundo de Previdência e Assistência Social) foi utilizado, pelo próprio sistema RFB/SAFIS para os cálculos dos recolhimentos decorrentes de acréscimos legais. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (iii) Do código CNAE 74608 atribuído erradamente pela fiscalização Analisemos. Conforme o Despacho emanado da AuditoriaFiscal, às fls. 775 a 778, em resposta â Resolução de Diligência Fiscal, temse: O enquadramento no CNAE 7460802 Atividades de vigilância e segurança privada foi realizado com base em Fl. 813DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16707.005176/200715 Acórdão n.º 2202003.233 S2C2T2 Fl. 805 19 declaração do próprio contribuinte em GFIP e nos dados do contrato social e aditivos. Nos termos do Contrato Social, o Objeto Social consiste na "prestação de serviços especializados às instituições bancárias, caixa econômicas, cooperativas de crédito, estabelecimentos industriais, comerciais e residenciais, autarquias, repartições públicas, federais,estaduais e municipais, através de vigilância ostensiva armada e desarmada, ou de outras modalidades contra assaltos, roubos, efetuando monitoramento de sistemas de alarme, bem como todos os serviços pertinentes a área de Segurança de Valores ou Pessoais". Cabe ressaltar que os efeitos tributários da declaração do CNAE 8011101 ou CNAE 7460802 são os mesmos na medida que implicam em cálculos das alíquotas de seguros de acidentes de trabalho de 3%. Segue abaixo a relação de competências com CNAE 8011101 e CNAE 7460802 em GFIP declaradas pelo contribuinte Competência CNAE declarado em GFIP 02/2003, 03/2003, 04/2003, 05/2003, 06/2003, 07/2003, 08/2003, 09/2003, 10/2003, 11/2003, 12/2003, 01/2004, 02/2004, 03/2004, 04/2004, 08/2004, 09/2004, 10/2004, 11/2004, 12/2004, 01/2005, 02/2005, 03/2005, 04/2005, 05/2005, 09/2005, 12/2005 7460802 06/2005, 07/2005, 08/2005, 10/2005, 11/2005, 01/2006 a 12/2006 801101 Ora, entendo que a AuditoriaFiscal afastou completamente a argumentação da Recorrente no sentido de que o código CNAE 74680 foi atribuído erroneamente pois, conforme a AuditoriaFiscal afirma, o enquadramento no CNAE 7460802 Atividades de vigilância e segurança privada foi realizado com base em declaração do próprio contribuinte em GFIP e nos dados do contrato social e aditivos. Ademais, os efeitos tributários da declaração do CNAE 8011101 ou CNAE 7460802 são os mesmos na medida que implicam em cálculos das alíquotas de seguros de acidentes de trabalho de 3%. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. Fl. 814DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 20 (iv) Da apropriação dos créditos em GPS Analisemos. A Recorrente argumenta que, após confrontar as informações constantes do RDA RELATÓRIO DE DOCUMENTOS APRESENTADOS com as GPS emitidas para as competências de fev/2003 a 13/2006, constatase que deixaram de ser apropriadas as guias relacionadas. Por outro lado, conforme o Despacho emanado da AuditoriaFiscal, às fls. 775 a 778, em resposta â Resolução de Diligência Fiscal, analisouse todas as GPS relacionadas pelo contribuinte: Competência Data de Pagamento Valor Justificativa 04/2006 05/05/2006 578,40 GPS foi apropriada no RADA Relatório de Apropriação de Documentos sob a sigla CRED conforme RDA Relatório de Documentos Apresentados (folha 67 do processo 16707.005176/200715) RADA Relatório de Apropriação de documentos( folhas 135 a 141 do processo 16707.005176/200715) e REFISC Relatório Fiscal (item 7, folha 179 do processo 16707.005176/200715) 04/2006 19/04/2006 629,57 Não consta no RADA Relatório de Apropriação de documentos apropriados por se tratar de GP'S com código de pagamento específico 2909Reclamatória Trabalhista, o que não foi objeto de apuração de contribuições na ação fiscal 05/2006 09/06/2006 578,40 GPS foi apropriada no RADA Relatório de Apropriação de documentos sob a sigla CRED conforme RDA Relatório de documentos Apresentados( folha 67 do processo 16707.005176/200715), RADA Relatório de Apropriação de documentos( folhas 135 a 141 do processo 16707.005176/200715) e REFISC Relatório Fiscal( item 7, folha 179 do processo 16707.005176/200715 06/2006 14/07/2006 578,40 GPS foi apropriada no RADA Relatório de Apropriação de documentos sob a sigla CRED conforme RDARelatório de Documentos Apresentados( folha 67 do processo 16707.005176/200715), RADA Relatório de Apropriação de documentos( folhas 135 a 141 do processo 16707.005176/200715) e REFISCRelatório Fiscal( item 7, folha 179 do processo 16707.005176/200715 Fl. 815DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16707.005176/200715 Acórdão n.º 2202003.233 S2C2T2 Fl. 806 21 06/2006 22/06/2006 119,14 Não consta no RADA Relatório de Apropriação de documentos apropriados por se tratar de GPS com código de pagamento específico 2909Reclamatória Trabalhista, o que não foi objeto de apuração de contribuições na ação fiscal 07/2006 27/07/2006 578,40 GPS foi apropriada no RADA Relatório de Apropriação de documentos sob a sigla CRED conforme RDA Relatório de Documentos Apresentados( folha 67 do processo 16707.005176/200715), RADA Relatório de Apropriação de documentos( folhas 135 a 141 do processo 16707.005176/200715) e REFISC Relatório Fiscal( item 7, folha 179 do processo 16707.005176/200715 08/2006 24/08/2006 578,40 GPS foi apropriada no RADA Relatório de Apropriação de documentos sob a sigla CRED conforme RDA Relatório de Documentos Apresentados( folha 67 do processo 16707.005176/200715), RADA Relatório de Apropriação de documentos( folhas 135 a 141 do processo 16707.005176/200715) e REFISC Relatório Fiscal( item 7, folha 179 do processo 16707.005176/200715 09/2006 02/10/2006 578,40 GPS foi apropriada no RADA Relatório de Apropriação de documentos sob a sigla CRED conforme RDA Relatório de Documentos Apresentados( folha 67 do processo 16707.005176/200715), RADA Relatório de Apropriação de documentos( folhas 135 a 141 do processo 16707.005176/200715) e REFISC Relatório Fiscal( item 7, folha 179 do processo 16707.005176/200715 10/2006 10/11/2006 578,40 GPS foi apropriada no RADA Relatório de Apropriação de documentos sob a sigla CRED conforme RDA Relatório de Documentos Apresentados( folha 67 do processo 16707.005176/200715), RADA Relatório de Apropriação de documentos( folhas 135 a 141 do processo 16707.005176/200715) e REFISC Relatório Fiscal( item 7, folha 179 do processo 16707.005176/200715) 11/2006 07/11/2007 474,46 Pagamento realizado após o encerramento do procedimento fiscal Fl. 816DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 22 11/2006 07/12/2006 578,40 GPS foi apropriada no RADARelatório de Apropriação de documentos sob a sigla CRED conforme RDARelatório de Documentos Apresentados( folha 67 do processo 16707.005176/200715). RADA Relatório de Apropriação de documentos( folhas 135 a 141 do processo 16707.005176/200715) e REFISCRelatório Fiscal(item 7, folha 179 do processo 16707.005176/200715) 12/2006 07/11/2007 475,74 Pagamento realizado após o encerramento do procedimento fiscal. 12/2006 27/06/2007 499,37 Não consta no RADA Relatório de Apropriação de documentos apropriados por se tratar de GPS com código de pagamento específico 2909Reclamatória Trabalhista, o que não foi objeto de apuração de contribuições r ação fiscal 12/2006 28/12/2006 578,40 GPS foi apropriada no RADA Relatório de Apropriação de Documentos sob a sigla CRED conforme RDA Relatório documentos Apresentados( folha 67 do processo 16707.005176/200715), RADA Relatório de Apropriação de documentos( folhas 135 a 141 do processo 16707.005176/200715) e REFISC Relatório Fiscal( item 7, folha 179 do processo 16707.005176/200715 Conforme a tabela acima, a AuditoriaFiscal analisou todos os valores todos das GPS relacionadas pelo contribuinte, de forma a se constatar que: (a) ou as GPS foram apropriadas; (b) ou não foram apropriadas por serem referentes à GPS com código de pagamento específico 2909 Reclamatória Trabalhista; (c) ou ainda, o pagamento foi realizado após o encerramento do procedimento fiscal. Ora, entendo que, com essas explicações dadas em sede de Diligência Fiscal, a AuditoriaFiscal afastou completamente a argumentação da Recorrente no sentido de que as GPS relacionadas não foram apropriadas. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (v) Da operação concomitante Analisemos. Em relação à operação concomitante, temos que tal procedimento administrativo, conforme o requerido pelo contribuinte, estava previsto no art. 215, da IN MPS/SRP n.° 03/2005 (Revogado pela IN RFB nº 900, de 30/12/2008), na qual o sujeito Fl. 817DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16707.005176/200715 Acórdão n.º 2202003.233 S2C2T2 Fl. 807 23 passivo liquida créditos previdenciários constituídos pelo Fisco, total ou parcialmente, utilizandose de crédito oriundo de processo de restituição ou de reembolso: IN MPS/SRP n.° 03/2005 Art. 215. Operação concomitante é o procedimento pelo qual o sujeito passivo liquida créditos constituídos no âmbito da SRP, total ou parcialmente, utilizando se de crédito oriundo de processo de restituição ou de reembolso. § 1º A operação concomitante poderá ser realizada: I a pedido do sujeito passivo, por escrito, na hipótese de restituição de créditos oriundos de reembolso ou da retenção prevista no art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991; II de ofício pela SRP, na hipótese de restituição de valores recolhidos indevidamente à Previdência social ou a outras entidades ou fundos; III por ação da SRP prevista no acordo de parcelamento, nos termos do § 1º do art. 664, na hipótese do § 6º do art. 216. § 2º Na realização da operação concomitante, serão observados os seguintes critérios: I sendo o valor devido pelo sujeito passivo inferior ao da restituição ou do reembolso, será emitida Autorização para Pagamento AP ao requerente do valor excedente, cuja cópia será juntada aos processos de débito, de restituição e de reembolso, conforme o caso, após a efetiva liquidação; II caso o valor devido pelo sujeito passivo seja superior ao da restituição ou do reembolso, a liquidação ocorrerá até o montante do valor a ser restituído ou reembolsado, prosseguindose a cobrança dos valores ainda devidos. § 3º Existindo no âmbito da SRP dois ou mais débitos, inclusive os débitos relativos a multas decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, exigíveis do sujeito passivo, e sendo o valor da restituição ou do reembolso inferior à sua soma, a operação concomitante deverá ocorrer na seguinte ordem de liquidação: I créditos constituídos cuja exigibilidade não esteja suspensa, observada a ordem de constituição, a partir do mais antigo; II parcelas vencidas e nãopagas relativas ao acordo de parcelamento, observada a ordem de vencimento, a partir da mais antiga; III importâncias devidas e não recolhidas, referentes a contribuições e acréscimos legais, considerando as competências mais antigas, observados os prazos de decadência; IV parcelas vincendas relativas ao acordo de parcelamento adimplente, observada a ordem decrescente de vencimento, observado o disposto no § 5º do art. 216. Fl. 818DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 24 Desta forma, configurase a possibilidade de um encontro de contas estabelecido pelo art. 215, da IN MPS/SRP n.° 03/2005 c/c o art. 33, Lei 8.212/1991 c/c art. 48, Lei 11.457/2007: Lei 8.212/1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 4o Na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Fl. 819DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16707.005176/200715 Acórdão n.º 2202003.233 S2C2T2 Fl. 808 25 § 7o O crédito da seguridade social é constituído por meio de notificação de lançamento, de auto de infração e de confissão de valores devidos e não recolhidos pelo contribuinte.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 8o Aplicamse às contribuições sociais mencionadas neste artigo as presunções legais de omissão de receita previstas nos §§ 2º e 3º do art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e nos arts. 40, 41 e 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Lei 11.457/2007 Art. 48. Fica mantida, enquanto não modificados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a vigência dos convênios celebrados e dos atos normativos e administrativos editados: I pela Secretaria da Receita Previdenciária; II pelo Ministério da Previdência Social e pelo INSS relativos à administração das contribuições a que se referem os arts. 2o e 3o desta Lei; III pelo Ministério da Fazenda relativos à administração dos tributos e contribuições de competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil; IV pela Secretaria da Receita Federal. Outrossim, em que pese os dispositivos normativos elencados acima, o contribuinte não fez prova da existência de direito à restituição ou reembolso de créditos previdenciários, tampouco a existência de processos em trâmite na RFB neste sentido, conforme inclusive já decidiu a decisão de primeira instância às fls. 713 (numeração do arquivo digital): As planilhas colacionadas às fls. 331/345 não servem como prova da existência de eventual retenção sofrida pelo contribuinte nos moldes do art. 31, da Lei n.° 8.212/91, porque desprovidas das respectivas Notas Fiscais de Serviço com os destaques de que trata o referido comando legal. Por seu turno, o Fisco ressaltou em seu relatório, já haver deduzido, na confecção do presente crédito, os valores concernentes às retenções de contribuições sociais sofridas pela empresa, consoante relatório de documentos apresentados (fls. 34/53), onde estão elencadas as Guias da Previdência Social — GPS pertinentes à matéria (códigos de pagamento 2631 e 2640), promovendo, ainda, à apropriação das mesmas no lançamento em tela, bem como nas demais NFLD (Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos), constituídas na mesma ação fiscal, consoante relatório de fls. 54/71 Fl. 820DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 26 Logo, inexiste qualquer amparo ao acolhimento do pleito do contribuinte que autorize à Administração a utilização da operação concomitante para redução do presente crédito tributário. Desta forma, a decisão de primeira instância demonstrou que as planilhas colacionadas às fls. 331/345 não servem como prova da existência de eventual retenção sofrida pelo contribuinte nos moldes do art. 31, da Lei n.° 8.212/91, bem como já foram deduzidos os valores concernentes às retenções de contribuições sociais sofridas pela empresa, consoante relatório de documentos apresentados (fls. 34/53), onde estão elencadas as Guias da Previdência Social — GPS pertinentes à matéria (códigos de pagamento 2631 e 2640), promovendo, ainda, à apropriação das mesmas no lançamento em tela, bem como nas demais NFLD (Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos), constituídas na mesma ação fiscal, consoante relatório de fls. 54/71. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (vi) Relevação das multas com base no art. 291, § 1º, Decreto 3.048/1999. Analisemos. No Decreto 3.048/1999, o Capítulo V Das circunstâncias Atenuantes da Penalidade previa no art. 291, § 1º, Decreto 3.048/1999 (na redação dada pelo Decreto nº 6.032/2007 e posteriormente Revogado pelo Decreto nº 6.727/2009) a seguinte disposição: Decreto 3.048/1999 Art. 291.Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) §1oA multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) §2º O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) §3º A autoridade que atenuar ou relevar multa recorrerá de ofício para a autoridade hierarquicamente superior, de acordo com o disposto no art. 366. §3oDa decisão que atenuar ou relevar multa cabe recurso de ofício, de acordo com o disposto no art. 366. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) Fl. 821DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16707.005176/200715 Acórdão n.º 2202003.233 S2C2T2 Fl. 809 27 A Recorrente neste ponto do recurso Voluntário aduz à relevação da multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória, conforme a previsão do art. 291, § 1º, Decreto 3.048/1999, na redação à época dos fatos geradores. Desta forma, em razão do presente processo tratarse de NFLD, obrigação principal, não há que se cogitar da multa por descumprimento de obrigação acessória, portanto, não prosperando tal argumentação da Recorrente. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 822DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000722/2003-34
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998
PIS. BASE DE CÁLCULO. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO DE TRANSPORTE FERROVIÁRIO DE CARGAS. TRÁFEGO MÚTUO.
O valor integral recebido pela prestadora do serviço constitui receita sua, tributável pela contribuição, seja na forma da Lei Complementar n° 70/91, seja na da Lei n° 9.718/98, dele não se podendo abater aqueles repassados a outras empresas pela cessão de suas linhas férreas, eis que constituem estes meros custos do prestador de serviço.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/2002
COFINS. BASE DE CÁLCULO. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO DE TRANSPORTE FERROVIÁRIO DE CARGAS. TRÁFEGO MÚTUO.
O valor integral recebido pela prestadora do serviço constitui receita sua, tributável pela contribuição, seja na forma da Lei Complementar n° 70/91, seja na da Lei n° 9.718/98, dele não se podendo abater aqueles repassados a outras empresas pela cessão de suas linhas férreas, eis que constituem estes meros custos do prestador de serviço.
RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO
Numero da decisão: 9303-003.519
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Valcir Gassen e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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BASE DE CÁLCULO. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO DE TRANSPORTE FERROVIÁRIO DE CARGAS. TRÁFEGO MÚTUO. O valor integral recebido pela prestadora do serviço constitui receita sua, tributável pela contribuição, seja na forma da Lei Complementar n° 70/91, seja na da Lei n° 9.718/98, dele não se podendo abater aqueles repassados a outras empresas pela cessão de suas linhas férreas, eis que constituem estes meros custos do prestador de serviço. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO DE TRANSPORTE FERROVIÁRIO DE CARGAS. TRÁFEGO MÚTUO. O valor integral recebido pela prestadora do serviço constitui receita sua, tributável pela contribuição, seja na forma da Lei Complementar n° 70/91, seja na da Lei n° 9.718/98, dele não se podendo abater aqueles repassados a outras empresas pela cessão de suas linhas férreas, eis que constituem estes meros custos do prestador de serviço. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 07 22 /2 00 3- 34 Fl. 858DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS 2 Midori Migiyama, Demes Brito, Valcir Gassen e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) deste CARF, tempestivamente apresentado pela empresa MRS LOGÍSTICA S/A, com fulcro no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo da Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, em face do Acórdão nº 330200.795, de 30/09/2010, cuja ementa abaixo transcrevo: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998 DECADÊNCIA. LEI Nº 8.212/91. INAPLICABILIDADE. SÚMULA Nº 8 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O prazo para constituição das contribuições sociais, incluindo as previdenciárias, é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Inteligências da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998 TRANSPORTE FERROVIÁRIO. TRÁFEGO MÚTUO. NATUREZA. DESPESA. Fl. 859DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 18471.000722/200334 Acórdão n.º 9303003.519 CSRFT3 Fl. 1.837 3 O tráfego mútuo não descaracteriza a prestação de serviço ao usuário de transporte ferroviário, nem retira dos valores recebidos pela empresa prestadora do serviço a natureza de receita, representando despesas os valores pagos à concessionária cedente, em função da remuneração pelo uso de sua malha e equipamentos. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/2002 TRANSPORTE FERROVIÁRIO. TRÁFEGO MÚTUO. NATUREZA. DESPESA. O tráfego mútuo não descaracteriza a prestação de serviço ao usuário de transporte ferroviário, nem retira dos valores recebidos pela empresa prestadora do serviço a natureza de receita, representando despesas os valores pagos à concessionária cedente, em função da remuneração pelo uso de sua malha e equipamentos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Dois autos de infração foram lavrados contra a Recorrente (fls. 61/73 e 270/283) para o fim de exigir valores relativos à COFINS Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social e ao PIS Programa de Integração da Seguridade Social no período de janeiro/1998 a dezembro/2002. Ambos os autos de infração foram cientificados ao contribuinte em 10/04/2003. Conforme se verifica do “Termo de Constatação” (fls. 59/60), a presente autuação tem como fundamento as seguintes infrações: período de jan/98 a dez/02 – exclusão da base de cálculo dos tributos dos valores relativos a “RATEIO DE FRETES”, a autuação se deu em virtude da exclusão não contar com supedâneo legal; período de jan/98 a dez/98 – exclusão da base de cálculo dos tributos dos valores relativos às CONTAS 16000.000 – VENDA DE MATERIAIS INSERVÍVEIS e 16101.0001 – VENDAS SERV. VIA PERMANENTE. Registrase que, no que se refere à autuação mencionada no item (ii) acima, houve concordância da Recorrente com o recolhimento de valores ainda na primeira instância administrativa, razão pela qual esta questão não importa a este tribunal administrativo. Inconformada, a Recorrente interpôs impugnação às fls. 146/163 e 355/372. Em relação à outra parte da autuação, a Recorrente esclarece que é empresa privada, concessionária do serviço público de transporte viário de cargas da malha sudeste e que, em virtude de sua atividade, deve se submeter a regras próprias do setor ferroviário de cargas, Fl. 860DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS 4 principalmente ao Regulamento de Transporte Ferroviário. Neste sentido esclarece que, tendo em vista as limitações geográficas de cada malha férrea, o artigo 6º do Decreto nº 1.832/96 (regulamentador do transporte ferroviário) determina que as administrações ferroviárias são obrigadas a operar em tráfego mútuo. De acordo com a Resolução nº 433 da ANTT Associação Nacional de Transportes Terrestres conceituase tráfego mútuo como a operação que se dá em decorrência de contrato firmado entre concessionárias, para permitir os contratos ferroviários que ultrapassem os limites geográficos da malha. Ainda tratando a regulamentação deste assunto, o Ajuste SINIEF nº 19/89 determina que para acobertar o transporte intermunicipal e interestadual de mercadorias, desde a origem até o destino, independente do número de ferrovia coparticipantes, as Ferrovias onde se iniciar o transporte deverão emitir um único despacho de carga, sem destaque do ICMS, quer por tráfego próprio, quer por tráfego mútuo. Portanto, para a Recorrente, é obrigatório o tráfego mútuo e a emitir um único documento de transporte. Neste sentido, a Recorrente defende a equidade do sistema de transporte de cargas com o transporte de passageiros e defende a identidade de tratamento. Defende ainda a Recorrente que não realiza a exclusão da base de cálculo do frete compartilhado, mas apenas realiza o destaque, na intenção de informar, o que gerou a errônea impressão de que os valores não foram recolhidos. Registra ainda que na mesma conta contábil a Recorrente incluiu os valores dos fretes compartilhados a receber. Todavia, ainda que houvesse a exclusão da base de cálculo dos valores repassados a terceiros, a Recorrente defende a aplicação imediata do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que prevê a exclusão da base de cálculo desta espécie de receitas até a exclusão do dispositivo com a Medida Provisória nº 2.15835. Os julgadores administrativos de primeira instância entenderam que não há, na legislação, permissão para que os valores repassados a terceiros sejam excluídos da base de cálculo do PIS e Cofins. Em relação à argumentação de que os valores não são receitas propriamente ditas, mas mero ingresso de valores, a decisão concluiu que esta conceituação apenas seria possível se não houvesse vinculação à atividade principal da Recorrente e se os valores fossem imediatamente repassados. Entende ainda que são dois contratos e consequentemente dois os serviços prestados, o serviço de frete para terceiro e o serviço de transporte apenas em um trecho para outra transportadora, inexistindo bis in idem por serem fatos geradores distintos. Por não considerar o valor como ingresso, nega a equiparação com as empresas do ramo de transporte de passageiros. No tocante ao artigo 3º da Lei nº 9.718/98, a decisão de primeira instância administrativa defende que, por falta de regulamentação, a norma não chegou a ter validade. Irresignada, a Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 561/591), por meio do qual reiterou as razões de impugnação. O recurso também foi negado, em relação a essa matéria nos termos da ementa transcrita no início deste relatório O contribuinte apresentou recurso especial de divergência tempestivo, interposto pelo contribuinte ao amparo do art. 67 do Regimento Interno do CARF, em face do Acórdão nº 3302 00.795. Fl. 861DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 18471.000722/200334 Acórdão n.º 9303003.519 CSRFT3 Fl. 1.838 5 A matéria recorrida pela empresa recorrente diz respeito à exclusão dos valores relativos a “rateio de fretes”, em face do uso de malha ferroviária de outras concessionárias do serviço público de transporte ferroviário de carga. Neste caso, a Fiscalização considerou referida exclusão indevida, sem amparo legal. Por seu turno, a recorrente entende que referidos valores representam receitas de terceiros que é registrada e destacada em sua contabilidade por força da legislação do setor. A Fazenda Nacional apresentou contrarazões, onde pugna pela manutenção do acórdão. É o relatório. Voto Admissibilidade Do exame dos Acórdãos confrontados, verificase que restou efetivamente comprovada e demonstrada a divergência quanto à distinção entre ingressos e receitas para fins de composição da base de cálculo das contribuições. Isto porque enquanto no Acórdão recorrido decidiuse que os valores recebidos pela pessoa jurídica e que foram repassados a terceiros deveriam sofrer a incidência das contribuições; no paradigma colacionado, em situação fática semelhante, a Câmara Superior decidiu que os valores assim repassados não deveriam ser tributados, pois se constituíam receitas de terceiros. Em que pese o Acórdão paradigma tratar de receitas de telefonia celular e o recorrido tratar de malha ferroviária, a questão central será a inclusão de receitas de terceiros na base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, no regime cumulativo. Neste aspecto as situações são similares e os resultados diferentes. Dessa forma o recurso deve ser admitido e passemos à análise do mérito. A decisão da instância a quo não merece reparos. O objeto da presente lide cingese à análise da base de cálculo da COFINS o do PIS, que no período é o faturamento ou receita bruta, na forma da Lei Complementar nº 70/91 e 9.718/98, sendo desnecessário analisar as alterações promovidas por esta última. Do total das receitas auferidas, relativas a vendas de mercadorias e prestação de serviços, não são deduzidos os custos ou despesas, ainda que o resultado implique em prejuízo. Daí não se aplicar ao PIS nem à Cofins o conceito contábil de receita como acréscimo patrimonial, não havendo nisto qualquer ofensa ao art. 110 do CTN. Neste sentido o pronunciamento do STF na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 1, mais precisamente no voto do relator, Min. Moreira Alves, ao acentuar a conceituação de faturamento para fins tributários, nos termos da LC nº 70/91. No IRPJ, bem diferente do PIS e da Cofins, a base de cálculo é a renda ou resultado do período, podendo ser deduzidos das receitas os custos e as despesas incorridos. Por isto é que a legislação do IRPJ prevê que a retenção desse imposto, na atividade de agência de propaganda, se dê sobre o valor líquido, após a dedução dos pagamentos aos veículos. Fl. 862DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS 6 A referendar a interpretação ora adotada, cabe mencionar também um mais uma decisão, no qual por unanimidade de votos se decidiu conforme a ementa seguinte: “Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 30/04/1997 a 30/04/2000 Ementa: PIS/PASEP. FALTA DE RECOLHIMENTO. EMPRESA DE PUBLICIDADE E PROPAGANDA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DE VALORES REPASSADOS A TERCEIROS. DESCABIMENTO. Inexistia dispositivo legal à época dos fatos autorizando a exclusão da base de cálculo dos valores que, computados como receita de prestação de serviços, ou integrantes do faturamento, foram destinados a terceiros (veículos de comunicação) para fazer frente aos custos com a divulgação de propaganda.” (Acórdão nº 20312.093, Recurso nº 129.059, sessão de 24/05/2007, relator Odassi Guerzoni Filho, unânime, sendo que na mesma sessão foi julgado o processo da COFINS, com idêntico resultado – Acórdão nº 20312.094, Recurso nº 129.130) Foi citada a ementa anterior em relação às empresas de publicidade para exemplificar, já que se trata de situações similares. Como a Lei Complementar nº 70/1991 é apenas formalmente complementar, conforme já decidiu o Supremo Tribunal Federal (STF) na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) n° 1/DF, bem como do RE 419.629/DF, por cuidar de matéria de instituição das contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, previstas no art. 195 da Constituição Federal, sua alteração por meio de lei ordinária ou de medida provisória não agride o sistema jurídico pátrio, não havendo razão ao argumento de ofensa a um pretenso princípio da hierarquia das leis. A base de cálculo da COFINS, por seu turno, encontravase definida na Lei nº 9.718/1998 como sendo o faturamento da pessoa jurídica, o que englobaria a totalidade das receitas auferidas, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada. Poderseia argumentar que, em face da inconstitucionalinalidade do alargamento do conceito de faturamento operado por meio da Lei nº 9.718/1998, já declarada mais de uma vez pelo Pleno do STF (Recursos Extraordinários n° RE 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG), este Colegiado estaria autorizado a afastar o dispositivo em comento, nos termos do Decreto nº 70.235/1972 e do Regimento Interno do CARF. Contudo, essa possibilidade não se coaduna com o teor do presente caso, pois conforme consta dos autos, a receita tributada no auto de infração decorreu de prestação de serviços de transporte ferroviário de cargas em trechos da malha usada mediante concessão do poder público e utilizando o material rodante e as estradas de ferro de propriedade da RFFSA que lhe foram arrendadas. Conforme consta do Estatuto da sociedade, seu objeto social é a prestação de serviços ferroviários, o que leva, inexoravelmente, à conclusão de que as receitas decorrentes de serviços prestados por terceiros compõem a receita bruta da pessoa jurídica, receita bruta entendida em sua acepção de faturamento. Fl. 863DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 18471.000722/200334 Acórdão n.º 9303003.519 CSRFT3 Fl. 1.839 7 Dessa forma, não há como afastar a tributação incidente sobre tais receitas, dado encontrarse em conformidade com os dispositivos da Lei nº 9.718/1998, cuja constitucionalidade não se questionou. Não se está tributando aqui outras receitas alheias ao faturamento ou receita bruta da sociedade, mas receitas próprias da principal atividade da pessoa jurídica, qual seja, a prestação de serviços ferroviários. Também o Conselheiro Júlio César Alves Ramos, em um julgamento de matéria análoga proferiu o voto abaixo, que pela perfeita e minuciosa análise, também adoto como razões de decidir do presente voto. Das disposições estatutárias da autuada vêse que ela realiza a prestação do serviço de transporte ferroviário de cargas em trechos da malha paulista mediante concessão do poder público e utilizando o material rodante e as estradas de ferro de propriedade da RFFSA que lhe foram arrendadas. Essa prestação, que implica levar uma determinada carga entre dois pontos A e C, desdobrase por sua vez, em pelo menos três atividades normalmente realizadas em conjunto pela própria concessionária, mas que podem ser desmembradas. A primeira consiste nas operações de carga, descarga e transbordo, que podem ser terceirizadas. A segunda, que constitui o núcleo mesmo do serviço é a operação efetiva da composição — locomotiva e vagões — com a carga entregue pelo cliente, e o terceiro, associado ao anterior, é a utilização das estradas de ferro que ligam A a C. A obrigação da prestadora envolve todo o trajeto contratado, pelo que ela é remunerada de forma única e em montante que cubra as três operações nele implicadas, ainda que em sua execução conte com a interveniência de terceiros por ela contratados. E assim ocorre na figura aqui discutida. De fato, não possuindo a operadora determinados trechos de estrada de ferro entre os pontos A e C contratados vêse obrigada a contratar a outra operadora a passagem de suas composições por aquelas estradas de ferro. Obviamente, tem de remunerar a outra concessionária por isso. Em contrapartida, vêse também obrigada a permitir que composições de outras concessionárias façam o mesmo pelas suas, o que gera pagamentos e recebimentos. Entende a concessionária que somente é receita sua a parcela do preço do serviço que remunera a passagem pelos seus trilhos e o valor que recebe de outras concessionárias a esse título. A parcela "transferida" a outras concessionárias, que apenas "transita" pelo caixa da empresa não seria receita, nos termos das lições dos celebrados Aliomar Baleeiro e Ayres Barreto. Quando muito, se receita fossem, caberia a aplicação do comando do inciso III do § 2° do art 3° da Lei n° 9.718/98, como Fl. 864DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS 8 é hoje admitido em outras hipóteses de "transferência" de receitas. Não concordo com esse entendimento, como já tive oportunidade de expor em outras ocasiões. É que à hipótese não tem aplicação a lição dos eminentes professores citados. É que ambos, ao discutirem a diferença entre ingressos e receitas, enfatizam a necessidade de os valores ingressados serem da plena propriedade da entidade que os recebe. Costumase apegar à idéia de definitividade mencionada pelo primeiro como se apenas valores que nunca mais viessem a sair do patrimônio pudessem configurar receitas. Ora, se assim fosse nada seria, pois a toda receita corresponde um custo para sua obtenção. O que se agrega de forma definitiva ao patrimônio é o resultado líquido — receita menos custos e despesas — de cada operação. Portanto, o que os doutrinadores estão a dizer é que não se pode considerar receita tudo aquilo que ingressa no caixa da empresa. Pois aí também ingressam valores que são de terceiros. E exatamente por serem deles, por eles podem ser e serão exigidos. Estes, que constituem os passivos da entidade, vinculamse, sempre, à obrigação de devolução, mais ou menos remota, a quem os disponibilizou à entidade ou os pôs sob sua guarda. Não se incluem ai quaisquer parcelas que integrem o preço cobrado para a prestação do serviço, mesmo que, desde o inicio, a prestadora já saiba que deverá "repassar" a terceiro. E mesmo que seja um tributo, como é o ICMS. Logo se vê que é esse o caso da receita em discussão. O valor integral recebido pela empresa em virtude do contrato firmado com o cliente remuneraa pela prestação contratada. Por outro lado, para prestálo tem de assumir custos, entre os quais a contratação de pessoal para carga e descarga, maquinistas para operação das composições e o direito de passagem dos seus trens pelas estradas de ferro de terceiros. A natureza configuradora do custo está na contratação feita entre a empresa prestadora do serviço e a possuidora da linha. Não há qualquer vínculo entre o cliente da contratante e a outra concessionária. Por isso, a analogia adequada não é com o caso abaixo, mas sim com os valores pagos, a título de pedágio e semelhantes, pelas transportadoras por rodovia: embora elas incluam no seu preço o que sabem terão de pagar às concessionárias das estradas ou balsas etc, não deixa de ser esse valor receita sua e o repasse custo seu. Por isso mesmo, sendo, como são, custos, não se pode sequer cogitar de dar aplicação ao comando do inciso III do § 2° do art 3° da Lei n° 9.718/98 que cuida de "receitas transferidas", ainda que se considerasse o aplicável mesmo sem a regulação que ele próprio previu. Como já disse em outras oportunidades', não existe na ciência contábil o conceito de "transferência de receitas", mas da experiência prática podese tentar inferir que o legislador tenha querido se referir às hipóteses em que dada entidade seja obrigada a arrecadar determinada receita para Fl. 865DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 18471.000722/200334 Acórdão n.º 9303003.519 CSRFT3 Fl. 1.840 9 repassála a quem nenhum serviço lhe prestou. Exemplo disso é o caso do transporte coletivo municipal em que se prevê um "fundo de compensação tarifária" para ressarcir empresas obrigadas a operar a preço inferior ao devido. Nesses casos, para equalizar a tarifa, as empresas que recebem mais do que deveriam, são obrigadas a repassar a diferença — legalmente definida — para as que operam abaixo do "custo". Nesses casos, obviamente, nenhum vínculo prestacional se estabelece entre a repassante e a recebedora. A primeira, por disposição legal, recebe mais do que o seu "preço", excesso que é obrigada, por disposição do ente concedente, a repassar às deficitárias. Nesse último sentido, não socorre a autuada o fato de o "tráfego mútuo" ser uma obrigação legal. A regulamentação do setor ferroviário apenas impede que uma concessionária bloqueie a passagem por suas linhas férreas de trens de outras concessionárias. O que essa obrigação quer evitar, portanto, é o abuso do poder econômico oriundo do monopólio natural que é obtido com a construção da estrada. Evita, assim, que dado serviço não possa ser executado na forma que o cliente quer contratar. Mas não estabelece nenhuma obrigação de "repasse" àquele por algo que ele não prestou. A analogia ficaria perfeita se a empresa contratada de fato somente realizasse o transporte até o ponto em que detém concessão, digamos um ponto B entre A e C. Daí, e até C, o transporte (as três operações acima indicadas) seriam realizadas pela outra concessionária. E, repitase, somente se poderia excluir essa receita se admitisse desnecessária a regulamentação do dispositivo legal já mencionado. Sua necessidade, porém, decorre exatamente da falta de definição legal do que seja a transferência. O que está exposto acima é mera opinião quanto a um critério que poderia ser adotado numa eventual regulamentação. Mas nem de longe é isso o que ocorre. Há sim uma prestação de serviço por parte da segunda concessionária à primeira. Vale aduzir, porém, que ele não é um novo serviço de "transporte": envolve apenas a terceira das operações que o constituem. E por configurar receita da segunda concessionária deve também ser incluído na sua própria base de cálculo da contribuição. Em conseqüência, na primeira, também é receita o que ela recebe a título de tráfego mútuo. Em suma, o mesmo valor é tributado em duas empresas distintas. Isso, porém, longe de configurar bitributação, nada mais é do que a conseqüência da tributação cumulativa a que estiveram sujeitas as contribuições até o advento das Leis nº 10.637 e 10.833. Ela bem enfatiza o caráter injusto dessa forma de tributação, mas nada há a fazer se ela decorre da lei. Com essas considerações, acompanho integralmente o voto do acórdão recorrido quanto a essa matéria e voto por negar provimento ao recurso nesse ponto. Fl. 866DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS 10 Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 867DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS
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Numero do processo: 19515.722213/2013-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Data do fato gerador: 31/07/2007, 31/01/2008, 30/09/2008, 30/11/2008
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. APURAÇÃO EM DESACORDO COM O COMANDO LEGAL. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL.
É nulo o lançamento que apurou omissão de rendimentos por acréscimo patrimonial mensal, sem elaborar o demonstrativo da evolução patrimonial, mês a mês, com o aproveitamento de recursos existentes no ano-calendário anterior, ainda que estes não tenham sido acusados na Declaração de Ajuste Anual, afrontando as disposições legais vigentes.
Numero da decisão: 2301-004.409
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício.
João Bellini Junior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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APURAÇÃO EM DESACORDO COM O COMANDO LEGAL. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. É nulo o lançamento que apurou omissão de rendimentos por acréscimo patrimonial mensal, sem elaborar o demonstrativo da evolução patrimonial, mês a mês, com o aproveitamento de recursos existentes no anocalendário anterior, ainda que estes não tenham sido acusados na Declaração de Ajuste Anual, afrontando as disposições legais vigentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 22 13 /2 01 3- 47 Fl. 2446DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. João Bellini Junior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA. Fl. 2447DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.722213/201347 Acórdão n.º 2300004.409 S2C3T0 Fl. 2.447 3 Relatório Tratase de recurso de ofício contra decisão de primeira instância que julgou improcedente auto de infração para constituição de crédito tributário de IRPF com multa de ofício em 150%, lançado em virtude de suposta omissão de rendimentos apurada em acréscimo patrimonial a descoberto APD, ou seja, excesso de aplicações sobre origens não comprovadas. O lançamento foi realizado em 23/10/2013. Seguem transcrições da decisão recorrida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Data do fato gerador: 31/07/2007, 31/01/2008, 30/09/2008, 30/11/2008 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. APURAÇÃO EM DESACORDO COM O COMANDO LEGAL. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. É nulo o lançamento que apurou omissão de rendimentos por acréscimo patrimonial mensal, sem elaborar o demonstrativo da evolução patrimonial, mês a mês, com o aproveitamento de recursos existentes no anocalendário anterior, ainda que estes não tenham sido acusados na Declaração de Ajuste Anual, afrontando as disposições legais vigentes. CESSÃO DE CRÉDITOS. RECEBIMENTO. GANHO DE CAPITAL. Por ocasião do recebimento do crédito, o cessionário apurará o ganho de capital considerando como valor de alienação o valor líquido recebido, isto é, após excluídas as deduções legais. Considerase como custo de aquisição o valor pago ao cedente, quando da aquisição da cessão de direitos creditórios. O ganho de capital será apurado, pela pessoa física cessionária, no mês em que for auferido, e tributado em separado, à alíquota de 15% (quinze por cento), não integrando a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado ... De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 2309 a 2323 e documentos carreados aos autos, a ação fiscal desenvolvida teve como motivação ações fiscais realizadas junto a José Carlos Romanholi e Luiz Carlos Romanholi, irmãos do fiscalizado, onde se constatou que mais de R$ 20.000.000,00 (tabela à fl. 2310) foram movimentados pelo fiscalizado e que Fl. 2448DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 eram provenientes da venda de Ativos das Pessoas Jurídicas Empresa Brasileira do Hambúrguer Indústria e Comércio Ltda EBH, CNPJ 05.468.627/000195 e Kilo Certo Indústria e Comércio Ltda, CNPJ 00.680.164/000178 para a Pessoa Jurídica Marfrig Alimentos S/A (denominação anterior Marfrig Frigorífico e Comércio de Alimentos S/A), CNPJ 03.853.896/000140. Entre os documentos apresentados durante as fiscalizações junto aos irmãos, destacamse procurações outorgadas por eles para movimentação de contas correntes, inclusive aplicações, e declaração firmada através da qual o contribuinte autuado declara expressamente ter movimentado as contas correntes do irmão Luiz Carlos e que este era mero depositário de parte dos saldos em contas correntes informados em sua Declaração de Ajuste. Pelos fatos descritos, apurados em trabalhos finalizados, a fiscalização concluiu a ocorrência da venda de ativos da EBH e Kilo Certo a Marfrig e que a maior parte da quantia envolvida na transação foi efetivamente transferida ao contribuinte ora autuado, mediante uso de contas correntes dos irmãos José Carlos e Luiz Carlos. Através do Termo de Início de Fiscalização – TIF, o contribuinte foi intimado a indicar a natureza das verbas referentes aos créditos da operação da venda de Ativos, anteriormente descrita, o motivo da utilização das contas dos irmãos e comprovação de todas as transferências/pagamentos feitos através das contas correntes dos irmãos, e por fim, justificar à falta de inclusão dos valores que foi beneficiário, creditados nas contas correntes, nas Declarações de Ajuste do Imposto de Renda DIRPF dos exercícios de 2008 e 2009. Ainda intimouse o contribuinte a apresentar documentos que pudessem demonstrar pagamentos de despesas das pessoas jurídicas EBH e Kilo Certo, e, assim, serem desconsiderados na apuração da base de cálculo do IR devido, podendo ele, ainda, apresentar outros documentos e justificativas com a mesma finalidade. Em resposta o contribuinte afirmou que de fato os créditos bancários relacionados na tabela à fl. 2310 se referiam à venda de ativos da EBH. Como justificativa para utilização das contas bancárias de seus irmãos alegou a existência de ações trabalhistas contra a sua pessoa e às empresas EBH e Kilo Certo, "que poderiam causar bloqueios arbitrários e excessivos de suas contas bancárias, impossibilitando, assim, a gerência dos valores recebidos em virtude da venda." Declarou, ainda que utilizou parte dos valores recebidos da venda de ativos da EBH e da Kilo Certo para pagamentos de despesas das Pessoas Jurídicas. Em 16/08/2013, foram apresentados à fiscalização comprovantes de transferências à EBH efetuadas das contas correntes dos irmãos movimentadas pelo autuado, objetivando que os valores transferidos fossem desconsiderados da apuração da base de cálculo do imposto de Renda. As transferências foram relacionadas em planilha apresentada à fiscalização na mesma data, sendo que algumas Fl. 2449DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.722213/201347 Acórdão n.º 2300004.409 S2C3T0 Fl. 2.448 5 delas estavam acompanhadas de detalhamentos intitulados "FLUXO DE CAIXA". A Fiscalização verificou que o direito ao recebimento do crédito por parte do autuado foi formalizado através do Instrumento Particular de Cessão de Créditos, datado de 08/05/2007 com firmas reconhecidas em Cartório em 24/08/2007, apresentado pela Marfrig e disponibilizado à fiscalização também pelo contribuinte em 14/05/2013. Através desse Instrumento, a EBH, representada por seus sócios, transferiu ao Sr. EDSON ROMAGNOLI todos os direitos creditórios sem a fixação de nenhum ônus. Considerando que o contribuinte logrou êxito em comprovar que apenas algumas despesas que estavam vinculadas às Pessoas Jurídicas referidas, os valores de R$ 8.066.898,31 (2007) e R$ 12.510.987,19 (2008) restaram caracterizados como proventos recebidos, tendo em vista a aquisição da disponibilidade econômica sobre os valores referidos, e como tais fatos geradores do imposto de renda, nos termos do Artigo 43, II, do Código Tributário Nacional (Lei 5.172/66) c/c Artigo 3o, §1° da Lei 7.713/88, sendo certo que tais valores não constaram da DIRPF do contribuinte, não tendo havido, conseqüentemente, o recolhimento do imposto devido. A decisão recorrida adotou como fundamentos, verbis: No presente caso, não houve a elaboração de qualquer demonstrativo de variação patrimonial por parte do fisco, critério que, além de ferir as disposições legais retromencionadas, traz em si a imperfeição de provocar distorções que prejudicam a determinação do montante da matéria tributável, uma vez que haveria a necessidade de ser explicitado o total de recursos disponíveis no mês em que se apontou a omissão. Vêse, portanto, que a inobservância da regra que determina seja feita a Análise da Evolução Patrimonial, bem como a apuração mensal dos rendimentos, no caso do acréscimo patrimonial não justificado, afetou, em tese, o lançamento, na medida em que o procedimento administrativo do lançamento não se fez em conformidade com os preceitos do art. 142 do CTN, abaixo transcrito. ... Por outro lado, poderia se investir na tese de que não houve um arbitramento do valor considerado omitido, visto que a Fiscalização efetuou o lançamento exatamente sobre os créditos bancários identificados. Logo, estaríamos diante de um mero equívoco na descrição da infração constante da fl. 2325 (Acréscimo Patrimonial a Descoberto). ... Fl. 2450DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 O ganho de capital deve ser apurado no mês em que for auferido, e tributado em separado, à alíquota de 15% (quinze por cento), não integrando a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o valor do imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração (Lei nº 8.981, de 1995, art. 21): LEI Nº 8.981, DE 20 DE JANEIRO DE 1995. Tributação dos Ganhos de Capital das Pessoas Físicas Art. 21. O ganho de capital percebido por pessoa física em decorrência da alienação de bens e direitos de qualquer natureza sujeitase à incidência do Imposto de Renda, à alíquota de quinze por cento. § 1º O imposto de que trata este artigo deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente ao da percepção dos ganhos. § 2º Os ganhos a que se refere este artigo serão apurados e tributados em separado e não integrarão a base de cálculo do Imposto de Renda na declaração de ajuste anual, e o imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração. ... Como não poderia ser diferente, a regulamentação da matéria1, alinhada às diretrizes legais mencionadas, declara inequivocamente que as operações que importem cessão de direitos se sujeitam à apuração de ganho de capital. A pormenorização e o detalhamento dessa temática, atualmente disciplinada pela IN SRF nº 84, de 11 de outubro de 2001, é de igual clareza. Nessa diretriz e a fim de evitar enfadonhas repetições, transcrevemse a seguir apenas dois dispositivos da aludida Instrução Normativa com o fito de melhor fundamentar este opinativo: Art. 2º Considerase ganho de capital a diferença positiva entre o valor de alienação de bens ou direitos e o respectivo custo de aquisição. Parágrafo único. O prejuízo apurado em uma alienação não pode ser compensado com ganhos obtidos em outra, ainda que no mesmo mês. Art. 3º Estão sujeitas à apuração de ganho de capital as operações que importem: I alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins; ... Sem alteração no conteúdo ou natureza da obrigação, a operação de cessão de crédito importa o desligamento da pessoa do cedente para aquele que lhe ocupa o lugar na relação obrigacional (ou seja, o cessionário). Havendo apenas alteração Fl. 2451DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.722213/201347 Acórdão n.º 2300004.409 S2C3T0 Fl. 2.449 7 subjetiva na relação obrigacional, a natureza originária do crédito cedido remanesce a mesma, independentemente do número de transações ocorrentes ao longo da cadeia negocial. Na hipótese em apreço, concluise, então, que a cessão de crédito não desnatura a natureza de venda de ativos do crédito transmitido, a qual se mantém até a data em que ocorrer a extinção da obrigação. Além de não alterar a natureza da obrigação, a cessão de crédito também não tem o condão de modificar as hipóteses de incidência estabelecidas pela norma tributária. No caso em análise, ficou patente que ocorreu erro na materialização do crédito tributário, na medida em que o procedimento administrativo do lançamento não se fez em conformidade com os preceitos do art. 142 do CTN, cabendo, portanto, a anulação do ato, tratandose de vício material. É o Relatório. Fl. 2452DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao seu exame. A decisão recorrida se sustenta em dois fundamentos principais: a necessidade de demonstração do acréscimo patrimonial a descoberto pelo confronto detalhado mensalmente entre as origens e aplicações de recursos; e quanto a tributação exclusiva como ganho de capital à alíquota de 15% dos direitos cedidos ao recorrente. Quanto a omissão de rendimentos por acréscimo patrimonial a descoberto, de fato, a jurisprudência administrativa neste CARF consolidouse no sentido da necessidade de uma demonstração através de tabulação detalhada mês a mês ao longo do anocalendário, o que não fora observado na fundamentação do lançamento: IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. FLUXO FINANCEIRO. SOBRAS DE RECURSOS. Na apuração de eventuais omissões de rendimentos em aplicações de recursos superiores aos disponíveis o fluxo financeiro é elaborado mensalmente sendo que as sobras apuradas são transferidas ao mês seguinte, dentro do mesmo anocalendário (...). (Acórdão nº CSRF/0104.963). Com efeito, a norma de incidência estabelece a forma de apuração da omissão de rendimentos através do arbitramento com base no acréscimo patrimonial a descoberto, artigos 2° e 3º da Lei nº 7.713/1988 e art. 55, inciso XIII do RIR/1999: Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9o a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidas em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. ... Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei n° 7.713, de 1988, art. 3°, § 4°, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2°, inciso IV, e 70, § 3°, inciso I): (...) XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, Fl. 2453DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.722213/201347 Acórdão n.º 2300004.409 S2C3T0 Fl. 2.450 9 tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; Aliás, no presente caso a autoridade fiscal sequer apresentou fluxo de caixa confrontando as origens e aplicações de recursos, o que também contraria a Súmula CARF nº 67: Súmula CARF nº 67: Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. Quanto a segunda matéria examinada, a decisão também não merece reparos. A própria IN SRF nº 84, de 11/10/2001 determina a tributação como ganho de capital com aplicação da alíquota de 15% separadamente da apuração pelo ajuste anual da declaração da pessoa física em tabela progressiva: Art. 2º Considerase ganho de capital a diferença positiva entre o valor de alienação de bens ou direitos e o respectivo custo de aquisição. Parágrafo único. O prejuízo apurado em uma alienação não pode ser compensado com ganhos obtidos em outra, ainda que no mesmo mês. Art. 3º Estão sujeitas à apuração de ganho de capital as operações que importem: I alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins; Por tudo, voto por negar provimento ao recurso de ofício. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 2454DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 Fl. 2455DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 10435.721099/2014-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012
IMPOSTO DE RENDA.
A Lei n° 7.713/1988 prevê hipóteses de isenção de imposto de renda para as moléstias especificadas no rol do inciso XIV do artigo 6º, com redação dada pela Lei nº 11.052/04, e no artigo 39, XXXI e XXXIII, do Decreto nº 3000/99.
Por ser essa uma norma de outorga de isenção, sua interpretação deve ser feita literalmente, consoante previsão do artigo 111, do Código Tributário Nacional. Por esse razão, a isenção de imposto de renda restringe-se às moléstias elencadas no artigo 6°, XIV, da Lei n° 7.713/1988.
No caso dos autos, não há como atender ao pleito do autor quando a patologia em discussão não se encontra especificada na lei que autoriza a isenção do imposto sobre a renda.
MULTA DE OFÍCIO
Tendo em vista que restou demonstrado que o Contribuinte foi induzido a erro pelo setor que elaborou a perícia estadual, declarando-o isento do pagamento de IRPF pelo prazo de 5 (cinco) anos, devendo ser relevada.
IMPOSTO DE RENDA. ISENÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLESTIA GRAVE. MATÉRIA DE PROVA.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia, além de estar prevista no rol taxativo consignado no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/88, deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Súmula CARF nº 63.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Rayd Santana Ferreira e Carlos Alexandre Tortato, que davam provimento ao Recurso Voluntário e a Relatora, que dava provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir exclusivamente a multa de ofício. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto vencedor
André Luis Marsico Lombardi - Presidente
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Arlindo da Costa e Silva Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 IMPOSTO DE RENDA. A Lei n° 7.713/1988 prevê hipóteses de isenção de imposto de renda para as moléstias especificadas no rol do inciso XIV do artigo 6º, com redação dada pela Lei nº 11.052/04, e no artigo 39, XXXI e XXXIII, do Decreto nº 3000/99. Por ser essa uma norma de outorga de isenção, sua interpretação deve ser feita literalmente, consoante previsão do artigo 111, do Código Tributário Nacional. Por esse razão, a isenção de imposto de renda restringe-se às moléstias elencadas no artigo 6°, XIV, da Lei n° 7.713/1988. No caso dos autos, não há como atender ao pleito do autor quando a patologia em discussão não se encontra especificada na lei que autoriza a isenção do imposto sobre a renda. MULTA DE OFÍCIO Tendo em vista que restou demonstrado que o Contribuinte foi induzido a erro pelo setor que elaborou a perícia estadual, declarando-o isento do pagamento de IRPF pelo prazo de 5 (cinco) anos, devendo ser relevada. IMPOSTO DE RENDA. ISENÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLESTIA GRAVE. MATÉRIA DE PROVA. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia, além de estar prevista no rol taxativo consignado no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/88, deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Súmula CARF nº 63. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrente JOSE GOMES DOS PASSOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 IMPOSTO DE RENDA. A Lei n° 7.713/1988 prevê hipóteses de isenção de imposto de renda para as moléstias especificadas no rol do inciso XIV do artigo 6º, com redação dada pela Lei nº 11.052/04, e no artigo 39, XXXI e XXXIII, do Decreto nº 3000/99. Por ser essa uma norma de outorga de isenção, sua interpretação deve ser feita literalmente, consoante previsão do artigo 111, do Código Tributário Nacional. Por esse razão, a isenção de imposto de renda restringese às moléstias elencadas no artigo 6°, XIV, da Lei n° 7.713/1988. No caso dos autos, não há como atender ao pleito do autor quando a patologia em discussão não se encontra especificada na lei que autoriza a isenção do imposto sobre a renda. MULTA DE OFÍCIO Tendo em vista que restou demonstrado que o Contribuinte foi induzido a erro pelo setor que elaborou a perícia estadual, declarandoo isento do pagamento de IRPF pelo prazo de 5 (cinco) anos, devendo ser relevada. IMPOSTO DE RENDA. ISENÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLESTIA GRAVE. MATÉRIA DE PROVA. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia, além de estar prevista no rol taxativo consignado no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/88, deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 10 99 /2 01 4- 34 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COST A E SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 2 oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Súmula CARF nº 63. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Rayd Santana Ferreira e Carlos Alexandre Tortato, que davam provimento ao Recurso Voluntário e a Relatora, que dava provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir exclusivamente a multa de ofício. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto vencedor André Luis Marsico Lombardi Presidente Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Arlindo da Costa e Silva Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COST A E SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10435.721099/201434 Acórdão n.º 2401004.267 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Período de apuração: 01/2011 a 12/2012 Data de lavratura (NFLD): 14/04/2014 Data de ciência (NFLD): 07/05/2014. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela 7ª Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do AI DEBECAD n° 2102/062892687405265 – Obrigação Principal – omissão de rendimentos de trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício – Valor Total: R$ 241.873,38; Tratase de Notificação de Lançamento, expedida em 14/04/2014, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, exercício 2012, anocalendário 2011. Os Valores decorrem da omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$ 241.873,38, em relação ao CNPJ 03.890.957/000171. Afirma a fiscalização que não foi apresentado laudo médico oficial a comprovar a isenção. Inconformada com o supracitado lançamento tributário, o Sr. José Gomes dos Passos apresentou Impugnação a fls. 6, acompanhada dos documentos juntados às Fls. 7/14. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0257.309 7ª Turma da DRJ/BHE, às fls. 22/24, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Recorrente foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 01/07/2014, conforme Aviso de Recebimento às fls. 27. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o ora Recorrente interpôs Recurso Voluntário a fls. 30/41, ratificando parte de suas alegações anteriormente expendidas e respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos termos a seguir expostos: Aduz que houve análise por parte dos órgãos competentes para a concessão do benefício; existe laudo médico nos termos solicitados pela legislação vigente e que a moléstia apresentado pelo Recorrente é prevista em lei. Afirma que ao interpretar literalmente o artigo 111 do Código Tributário Nacional, se fará letra morta o §4ª do Decreto nº 3.000/99, o qual prevê, expressamente, o que é necessário para o reconhecimento de novas isenções (a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial). Fl. 84DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COST A E SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 4 Colaciona jurisprudência e requer a reforma na totalidade do acórdão recorrido, para que seja cancelado na integralidade o crédito tributário indevidamente constituído e multa de ofício ilegalmente aplicada. Enfim, repete os argumentos expendidos na Instância Regional para ao final requer o acatamento do recurso de modo a alterar a decisão recorrida, objeto do Acórdão nº 02 57.309, para fins de declaração da insubsistência da autuação com sua total improcedência. Após, sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COST A E SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10435.721099/201434 Acórdão n.º 2401004.267 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Vencido Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 01/07/2014, conforme AR juntado às fls. 27/28, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 28/07/2014, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO O Recorrente pretende obter a reforma do acórdão que julgou improcedente o pedido do autor que objetivava isenção de imposto de renda, alegando estar acometido de doença Hemopatia prémaligna, prevista no inciso XXXIII do Decreto nº 3000/99. Em que pese os argumentos ventilados pelo recorrente, em suas razões de recurso, penso que o acórdão recorrido não merece reparos, devendo ser preservada pelos seus próprios fundamentos. Primeiramente, convém reafirmar que a moléstia de que foi acometido o autor, de fato, não compõe o rol constante do inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713/88, com redação dada pela Lei nº 11.052/04, nem do artigo 39, XXXI e XXXIII, do Decreto nº 3000/99. Por conseguinte, não há como atender ao pleito do contribuinte quando a doença em discussão não encontra amparo na legislação a justificar a isenção do imposto de renda. De outra parte, não se vislumbra a possibilidade, no caso dos autos, de se proceder a uma interpretação extensiva da lei, como pretende o recorrente. Primeiro porque quando se trata de legislação tributária deve haver certa cautela na sua interpretação, posto que as relações tributárias são revestidas de estrita legalidade. Observese que o artigo 111 do Código Tributário Nacional é bastante claro ao estabelecer que legislação tributária que outorga isenção deve ser interpretada literalmente. Ademais, a isenção somente pode ser concedida por lei. Nesse caso, não há como se admitir uma interpretação extensiva, ampliativa ou até mesmo uma integração analógica, por se tratar de matérias que visam tanto resguardar o interesse do Estado como evitar o cometimento de arbitrariedades contra o contribuinte. Nesse sentido, a admissão da extensão do rol contido na Lei nº 7.713/88 e no Regulamento do Imposto de Renda, para abarcar doenças ali não previstas, caracterizaria ofensa ao princípio da separação dos poderes (artigo 2º, Constituição Federal), posto que estaria o Poder Administrativo adentrando à esfera própria de atuação do Poder Legislativo, Fl. 86DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COST A E SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 6 consistente na determinação de que doenças são consideradas graves para ensejar a não tributação dos proventos dos enfermos. Portanto, não entrevejo, in casu, a possibilidade de dispensa do autor do cumprimento da obrigação tributária, porquanto a patologia em discussão não se encontra especificada na lei que autoriza a isenção do imposto sobre a renda. Reafirmase que o rol elencado na Lei 7.713/88 é taxativo, sendo incabível interpretação extensiva para a concessão de isenção tributária, nos temos do art. 111, inciso II do Código Tributário Nacional. Nesse sentido é a jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do recurso Repetitivo Resp nº 1.116.620BA. Recordese: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. IMPOSTO DE RENDA. ISENÇÃO. SERVIDOR PÚBLICO PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. ART. 6º DA LEI 7.713/88 COM ALTERAÇÕES POSTERIORES. ROL TAXATIVO. ART. 111 DO CTN. VEDAÇÃO À INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. 1. A concessão de isenções reclama a edição de lei formal, no afã de verificarse o cumprimento de todos os requisitos estabelecidos para o gozo do favor fiscal. 2. O conteúdo normativo do art. 6º, XIV, da Lei 7.713/88, com as alterações promovidas pela Lei 11.052/2004, é explícito em conceder o benefício fiscal em favor dos aposentados portadores das seguintes moléstias graves: moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma. Por conseguinte, o rol contido no referido dispositivo legal é taxativo (numerus clausus), vale dizer, restringe a concessão de isenção às situações nele enumeradas. 3. Consectariamente, revelase interditada a interpretação das normas concessivas de isenção de forma analógica ou extensiva, restando consolidado entendimento no sentido de ser incabível interpretação extensiva do aludido benefício à situação que não se enquadre no texto expresso da lei, em conformidade com o estatuído pelo art. 111, II, do CTN. (Precedente do STF: RE 233652 / DF Relator(a): Min. MAURÍCIO CORRÊA, Segunda Turma, DJ 18102002. Precedentes do STJ: EDcl no AgRg no REsp 957.455/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/05/2010, DJe 09/06/2010; REsp 1187832/RJ, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/05/2010, DJe 17/05/2010; REsp 1035266/PR, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe 04/06/2009; AR 4.071/CE, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/04/2009, DJe 18/05/2009; REsp 1007031/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em12/02/2008, DJe 04/03/2009; REsp 819.747/CE, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/06/2006, DJ 04/08/2006) 4. In casu, a recorrida é portadora de distonia cervical (patologia neurológica incurável, de causa Fl. 87DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COST A E SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10435.721099/201434 Acórdão n.º 2401004.267 S2C4T1 Fl. 5 7 desconhecida, que se carcateriza por dores e contrações musculares involuntárias fls. 178/179), sendo certo tratarse de moléstia não encartada no art. 6º, XIV, da Lei 7.713/88. 5. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.” (STJ, REsp nº 1.116.620 BA, 1º seção, rel. Min. Luiz Fux, j. 09/08/2010, DJE 25/08/2010) “TRIBUTÁRIO. ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA SOBRE PROVENTOS DE APOSENTADORIA/PENSÃO. DOENÇA GRAVE. TRANSTORNO BIPOLAR. HIPÓTESE NÃO ELENCADA NA LEI 7.713/1988. DESCABIMENTO. 1. A autora não tem direito subjetivo à isenção do imposto de renda sobre seus proventos de aposentadoria/pensão por não ser portadora de doença prevista no art. 6º/XIV da Lei 7.713/1988. 2. O transtorno bipolar incapacitante apenas para a atividade laborativa, incapaz de interferir na vida intelectual da autora que freqüentou curso superior e trabalhou como docente concursada da UESB, não caracteriza alienação mental. 3. Incabível interpretação extensiva do benefício de isenção à situação que não se enquadre no texto expresso da lei, nos termos do art. 111/II do CTN. Precedente do STJ. 4. Apelação da autora desprovida.” (TRF1, AC: 00242724320074013300, 8ª Turma, rel. Des. Juíza Federal Lana Lígia Galati (CONV.), j. 27/02/2015, DJE 13/03/2015) Entretanto, restou demonstrado que o Contribuinte foi induzido a erro pelo setor que elaborou a perícia estadual, declarandoo isento do pagamento de IRPF pelo prazo de 5 (cinco) anos, devendo por essa razão ser relevada a multa de ofício. Por todo exposto, o recurso interposto deve ser provido parcialmente. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir exclusivamente a multa de ofício aplicada, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. É como voto. Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COST A E SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 8 Voto Vencedor Arlindo da Costa e Silva – Redator Designado DA ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA POR DOENÇA GRAVE O Recorrente alega ser portador de Síndrome Mielodisplásica com subtipo anemia refratária, CID46, a qual, segundo laudo médico a fls. 08/09, tratase de hemopatia prémaligna, crônica e irreversível, que cursa com anemia persistente, dependente de medicação, entendendo que tal moléstia encontrase abrangida no inciso XXXIII do Decreto nº 3000/99. Se nos antolha auspicioso assinalar que as questões atinentes à isenção tributária constituemse matéria de interesse público e de reserva legal, figurando a lei stricto sensu como o único instrumento normativo com aptidão para determinar as hipóteses de renúncia fiscal, não previstas constitucionalmente, não irradiando efeitos na seara pública qualquer disposição pactuada entre empregador e empregado em seus contratos de trabalho e/ou Acordos Coletivos de Trabalho, ou em outros demais documentos particulares, sendo inconcebível que interesses individuais venham a se sobrepor aos públicos. O contrário, sim. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. (...) Não se deve olvidar que, sendo a isenção tributária uma norma legal de exceção, de interpretação restritiva e em benefício do Contribuinte, o adimplemento cumulativo de todas as condições e requisitos previstos na lei para a sua concessão não se presume, se comprova mediante documentos aptos e idôneos. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e Fl. 89DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COST A E SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10435.721099/201434 Acórdão n.º 2401004.267 S2C4T1 Fl. 6 9 requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares. Dessarte, ao Beneficiário da isenção recai o ônus de demonstrar e comprovar o cumprimento cumulativo de todos os requisitos legais para a fruição da isenção pretendida, sob pena de manutenção da regra geral, isto é, a tributação. A disciplina legislativa pertinente à isenção do Imposto de Renda houvese por confiada à Lei nº 7.713/88, cujo art. 6º, inciso XIV, na redação dada pela Lei nº 11.052/2004, estabelece que ficam isentos do Imposto de Renda os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: I a alimentação, o transporte e os uniformes ou vestimentas especiais de trabalho, fornecidos gratuitamente pelo empregador a seus empregados, ou a diferença entre o preço cobrado e o valor de mercado; II as diárias destinadas, exclusivamente, ao pagamento de despesas de alimentação e pousada, por serviço eventual realizado em município diferente do da sede de trabalho; III o valor locativo do prédio construído, quando ocupado por seu proprietário ou cedido gratuitamente para uso do cônjuge ou de parentes de primeiro grau; IV as indenizações por acidentes de trabalho; V a indenização e o aviso prévio pagos por despedida ou rescisão de contrato de trabalho, até o limite garantido por lei, bem como o montante recebido pelos empregados e diretores, ou respectivos beneficiários, referente aos depósitos, juros e correção monetária creditados em contas vinculadas, nos termos da legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço; VI o montante dos depósitos, juros, correção monetária e quotaspartes creditados em contas individuais pelo Programa de Integração Social e pelo Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público; Fl. 90DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COST A E SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 10 VII os seguros recebidos de entidades de previdência privada decorrentes de morte ou invalidez permanente do participante. (Redação dada pela Lei nº 9.250/95) VIII as contribuições pagas pelos empregadores relativas a programas de previdência privada em favor de seus empregados e dirigentes; IX os valores resgatados dos Planos de Poupança e Investimento PAIT, de que trata o DecretoLei nº 2.292, de 21 de novembro de 1986, relativamente à parcela correspondente às contribuições efetuadas pelo participante; X as contribuições empresariais a Plano de Poupança e Investimento PAIT, a que se refere o art. 5º, § 2º, do Decreto Lei nº 2.292, de 21 de novembro de 1986; XI o pecúlio recebido pelos aposentados que voltam a trabalhar em atividade sujeita ao regime previdenciário, quando dela se afastarem, e pelos trabalhadores que ingressarem nesse regime após completarem sessenta anos de idade, pago pelo Instituto Nacional de Previdência Social ao segurado ou a seus dependentes, após sua morte, nos termos do art. 1º da Lei nº 6.243, de 24 de setembro de 1975; XII as pensões e os proventos concedidos de acordo com os DecretosLeis, nºs 8.794 e 8.795, de 23 de janeiro de 1946, e Lei nº 2.579, de 23 de agosto de 1955, e art. 30 da Lei nº 4.242, de 17 de julho de 1963; em decorrência de reforma ou falecimento de excombatente da Força Expedicionária Brasileira; XIII capital das apólices de seguro ou pecúlio pago por morte do segurado, bem como os prêmios de seguro restituídos em qualquer caso, inclusive no de renúncia do contrato; XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052/2004) (grifos nossos) XV os rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, de transferência para a reserva remunerada ou de reforma pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno ou por entidade de previdência privada, a partir do mês em que o contribuinte completar 65 (sessenta e cinco) anos de idade, sem prejuízo da parcela isenta prevista na tabela de incidência mensal do imposto, até o valor de: (Redação dada pela Lei nº 11.482/2007) Fl. 91DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COST A E SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10435.721099/201434 Acórdão n.º 2401004.267 S2C4T1 Fl. 7 11 a) R$ 1.313,69 (mil, trezentos e treze reais e sessenta e nove centavos), por mês, para o anocalendário de 2007; (Incluído pela Lei nº 11.482/2007) b) R$ 1.372,81 (mil, trezentos e setenta e dois reais e oitenta e um centavos), por mês, para o anocalendário de 2008; (Incluído pela Lei nº 11.482/2007) c) R$ 1.434,59 (mil, quatrocentos e trinta e quatro reais e cinquenta e nove centavos), por mês, para o anocalendário de 2009; (Incluído pela Lei nº 11.482/2007) d) R$ 1.499,15 (mil, quatrocentos e noventa e nove reais e quinze centavos), por mês, para o anocalendário de 2010; (Redação dada pela Lei nº 12.469/2011) e) R$ 1.566,61 (mil, quinhentos e sessenta e seis reais e sessenta e um centavos), por mês, para o anocalendário de 2011; (Incluída pela Lei nº 12.469/2011) f) R$ 1.637,11 (mil, seiscentos e trinta e sete reais e onze centavos), por mês, para o anocalendário de 2012; (Incluída pela Lei nº 12.469/2011) g) R$ 1.710,78 (mil, setecentos e dez reais e setenta e oito centavos), por mês, para o anocalendário de 2013; (Incluída pela Lei nº 12.469/2011) h) R$ 1.787,77 (mil, setecentos e oitenta e sete reais e setenta e sete centavos), por mês, para o anocalendário de 2014 e nos meses de janeiro a março do anocalendário de 2015; e (Redação dada pela Lei nº 13.149/2015) i) R$ 1.903,98 (mil, novecentos e três reais e noventa e oito centavos), por mês, a partir do mês de abril do anocalendário de 2015; (Redação dada pela Lei nº 13.149/2015) XVI o valor dos bens adquiridos por doação ou herança; XVII os valores decorrentes de aumento de capital: a) mediante a incorporação de reservas ou lucros que tenham sido tributados na forma do art. 36 desta Lei; b) efetuado com observância do disposto no art. 63 do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, relativamente aos lucros apurados em períodosbase encerrados anteriormente à vigência desta Lei; XVIII a correção monetária de investimentos, calculada aos mesmos índices aprovados para os Bônus do Tesouro Nacional BTN, e desde que seu pagamento ou crédito ocorra em intervalos não inferiores a trinta dias; (Redação dada pela Lei nº 7.799/89) Fl. 92DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COST A E SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 12 XIX a diferença entre o valor de aplicação e o de resgate de quotas de fundos de aplicações de curto prazo; XX ajuda de custo destinada a atender às despesas com transporte, frete e locomoção do beneficiado e seus familiares, em caso de remoção de um município para outro, sujeita à comprovação posterior pelo contribuinte. XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. (Incluído pela Lei nº 8.541/92) XXII os valores pagos em espécie pelos Estados, Distrito Federal e Municípios, relativos ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS e ao Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza ISS, no âmbito de programas de concessão de crédito voltados ao estímulo à solicitação de documento fiscal na aquisição de mercadorias e serviços. (Incluído pela Lei nº 11.945/2009) XXIII o valor recebido a título de valecultura. (Incluído pela Lei nº 12.761/2012) Parágrafo único. O disposto no inciso XXII do caput deste artigo não se aplica aos prêmios recebidos por meio de sorteios, em espécie, bens ou serviços, no âmbito dos referidos programas. (Incluído pela Lei nº 11.945/2009) Apurase dos termos da lei que a isenção prevista no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/88, ora em debate, depende do adimplemento cumulativo de duas condições distintas, a serem demonstradas e comprovadas pelos interessados. a)Que os proventos sejam de aposentadoria ou reforma; b) Que a aposentadoria ou reforma tenha sido motivada por acidente em serviço ou que os beneficiários da aposentadoria ou reforma sejam portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; No mesmo sentido, assim também dispõe o art. 39 do Regulamento do Imposto de Renda. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COST A E SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10435.721099/201434 Acórdão n.º 2401004.267 S2C4T1 Fl. 8 13 Regulamento do Imposto de Renda Capítulo II RENDIMENTOS ISENTOS OU NÃO TRIBUTÁVEIS Seção I Rendimentos Diversos Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: Ajuda de Custo I a ajuda de custo destinada a atender às despesas com transporte, frete e locomoção do beneficiado e seus familiares, em caso de remoção de um município para outro, sujeita à comprovação posterior pelo contribuinte (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XX); Alienação de Bens de Pequeno Valor II o ganho de capital auferido na alienação de bens e direitos de pequeno valor, cujo preço unitário de alienação, no mês em que esta se realizar, seja igual ou inferior a vinte mil reais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 22); Alienação do Único Imóvel III o ganho de capital auferido na alienação do único imóvel que o titular possua, cujo valor de alienação seja de até quatrocentos e quarenta mil reais, desde que não tenha sido realizada qualquer outra alienação nos últimos cinco anos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 23); Alimentação, Transporte e Uniformes IV a alimentação, o transporte e os uniformes ou vestimentas especiais de trabalho, fornecidos gratuitamente pelo empregador a seus empregados, ou a diferença entre o preço cobrado e o valor de mercado (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso I); Auxílioalimentação e Auxíliotransporte em Pecúnia a Servidor Público Federal Civil V o auxílioalimentação e o auxílio transporte pago em pecúnia aos servidores públicos federais ativos da Administração Pública Federal direta, autárquica e fundacional (Lei nº 8.460, de 17 de setembro de 1992, art. 22 e §§ 1º e 3º, alínea "b", e Lei nº 9.527, de 1997, art. 3º, e Medida Provisória no 1.7833, de 11 de março de 1999, art.1o, § 2o). Benefícios Percebidos por Deficientes Mentais VI os valores recebidos por deficiente mental a título de pensão, pecúlio, montepio e auxílio, quando decorrentes de Fl. 94DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COST A E SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 14 prestações do regime de previdência social ou de entidades de previdência privada (Lei nº 8.687, de 20 de julho de 1993, art. 1º); Bolsas de Estudo VII as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços (Lei nº 9.250, de 1995, art. 26); Cadernetas de Poupança VIII os rendimentos auferidos em contas de depósitos de poupança (Lei nº 8.981, de 1995, art. 68, inciso III); Cessão Gratuita de Imóvel IX o valor locativo do prédio construído, quando ocupado por seu proprietário ou cedido gratuitamente para uso do cônjuge ou de parentes de primeiro grau (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso III); Contribuições Empresariais para o PAIT X as contribuições empresariais ao Plano de Poupança e Investimento PAIT (DecretoLei nº 2.292, de 21 de novembro de 1986, art. 12, inciso III, e Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso X); Contribuições Patronais para Programa de Previdência Privada XI as contribuições pagas pelos empregadores relativas a programas de previdência privada em favor de seus empregados e dirigentes (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso VIII); Contribuições Patronais para o Plano de Incentivo à Aposentadoria Programada Individual XII as contribuições pagas pelos empregadores relativas ao Plano de Incentivo à Aposentadoria Programada Individual FAPI, destinadas a seus empregados e administradores, a que se refere a Lei nº 9.477, de 24 de julho de 1997; Diárias XIII as diárias destinadas, exclusivamente, ao pagamento de despesas de alimentação e pousada, por serviço eventual realizado em município diferente do da sede de trabalho, inclusive no exterior (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso II); Dividendos do FND XIV o dividendo anual mínimo decorrente de quotas do Fundo Nacional de Desenvolvimento (DecretoLei nº 2.288, de 23 de julho de 1986, art. 5º, e DecretoLei nº 2.383, de 17 de dezembro de 1987, art. 1º); Doações e Heranças Fl. 95DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COST A E SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10435.721099/201434 Acórdão n.º 2401004.267 S2C4T1 Fl. 9 15 XV o valor dos bens adquiridos por doação ou herança, observado o disposto no art. 119 (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XVI, e Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 23 e parágrafos); Indenização Decorrente de Acidente XVI a indenização reparatória por danos físicos, invalidez ou morte, ou por bem material danificado ou destruído, em decorrência de acidente, até o limite fixado em condenação judicial, exceto no caso de pagamento de prestações continuadas; Indenização por Acidente de Trabalho XVII a indenização por acidente de trabalho (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso IV); Indenização por Danos Patrimoniais XVIII a indenização destinada a reparar danos patrimoniais em virtude de rescisão de contrato (Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 70, § 5º); Indenização por Desligamento Voluntário de Servidores Públicos Civis XIX o pagamento efetuado por pessoas jurídicas de direito público a servidores públicos civis, a título de incentivo à adesão a programas de desligamento voluntário (Lei nº 9.468, de 10 de julho de 1997, art. 14); Indenização por Rescisão de Contrato de Trabalho e FGTS XX a indenização e o aviso prévio pagos por despedida ou rescisão de contrato de trabalho, até o limite garantido pela lei trabalhista ou por dissídio coletivo e convenções trabalhistas homologados pela Justiça do Trabalho, bem como o montante recebido pelos empregados e diretores e seus dependentes ou sucessores, referente aos depósitos, juros e correção monetária creditados em contas vinculadas, nos termos da legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso V, e Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990, art. 28); Indenização Reforma Agrária XXI a indenização em virtude de desapropriação para fins de reforma agrária, quando auferida pelo desapropriado (Lei nº 7.713, de 1988, art. 22, parágrafo único); Indenização Relativa a Objeto Segurado Fl. 96DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COST A E SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 16 XXII a indenização recebida por liquidação de sinistro, furto ou roubo, relativo ao objeto segurado (Lei nº 7.713, de 1988, art. 22, parágrafo único); Indenização Reparatória a Desaparecidos Políticos XXIII a indenização a título reparatório, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.140, de 5 de dezembro de 1995, paga a seus beneficiários diretos; Indenização de Transporte a Servidor Público da União XXIV a indenização de transporte a servidor público da União que realizar despesas com a utilização de meio próprio de locomoção para a execução de serviços externos por força das atribuições próprias do cargo (Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 60, Lei nº 8.852, de 7 de fevereiro de 1994, art. 1º, inciso III, alínea "b", e Lei nº 9.003, de 16 de março de 1995, art. 7º); Letras Hipotecárias XXV os juros produzidos pelas letras hipotecárias (Lei nº 8.981, de 1995, art. 68, inciso III); Lucros e Dividendos Distribuídos XXVI os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados no anocalendário de 1993, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, a pessoas físicas residentes ou domiciliadas no País (Lei nº 8.383, de 1991, art. 75); XXVII os lucros efetivamente recebidos pelos sócios, ou pelo titular de empresa individual, até o montante do lucro presumido, diminuído do imposto de renda da pessoa jurídica sobre ele incidente, proporcional à sua participação no capital social, ou no resultado, se houver previsão contratual, apurados nos anoscalendário de 1993 e 1994 (Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, art. 20); XXVIII os lucros e dividendos efetivamente pagos a sócios, acionistas ou titular de empresa individual, que não ultrapassem o valor que serviu de base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, deduzido do imposto correspondente (Lei nº 8.981, de 1995, art. 46); XXIX os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 10); Pecúlio do Instituto Nacional do Seguro Social INSS XXX o pecúlio recebido pelos aposentados que tenham voltado a trabalhar até 15 de abril de 1994, em atividade sujeita ao regime previdenciário, pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS ao segurado ou a seus dependentes, após a sua Fl. 97DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COST A E SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10435.721099/201434 Acórdão n.º 2401004.267 S2C4T1 Fl. 10 17 morte, nos termos do art. 1º da Lei nº 6.243, de 24 de setembro de 1975 (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XI, Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, art. 81, inciso II, e Lei nº 8.870, de 15 de abril de 1994, art. 29); Pensionistas com Doença Grave XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); PIS e PASEP XXXII o montante dos depósitos, juros, correção monetária e quotaspartes creditados em contas individuais pelo Programa de Integração Social PIS e pelo Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PASEP (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso VI); Proventos de Aposentadoria por Doença Grave XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); (grifos nossos) Proventos e Pensões de Maiores de 65 Anos XXXIV os rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno, ou por entidade de previdência privada, até o valor de novecentos reais por mês, a partir do mês em que o contribuinte completar sessenta e cinco anos de idade, sem prejuízo da parcela isenta prevista na tabela de incidência mensal do imposto (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XV, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 28); Proventos e Pensões da FEB Fl. 98DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COST A E SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 18 XXXV as pensões e os proventos concedidos de acordo com o DecretoLei nº 8.794 e o DecretoLei nº 8.795, ambos de 23 de janeiro de 1946, e Lei nº 2.579, de 23 de agosto de 1955, Lei nº 4.242, de 17 de julho de 1963, art. 30, e Lei nº 8.059, de 4 de julho de 1990, art. 17, em decorrência de reforma ou falecimento de excombatente da Força Expedicionária Brasileira (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XII); Redução do Ganho de Capital XXXVI o valor correspondente ao percentual anual fixo de redução do ganho de capital na alienação de bem imóvel adquirido até 31 de dezembro de 1988 a que se refere o art. 139 (Lei nº 7.713, de 1988, art. 18); Rendimentos Distribuídos ao Titular ou a Sócios de Microempresa e Empresa de Pequeno Porte, Optantes pelo SIMPLES XXXVII os valores pagos ao titular ou a sócio da microempresa ou empresa de pequeno porte, que optarem pelo SIMPLES, salvo os que corresponderem a pro labore, aluguéis ou serviços prestados (Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, art. 25); Resgate de Contribuições de Previdência Privada XXXVIII o valor de resgate de contribuições de previdência privada, cujo ônus tenha sido da pessoa física, recebido por ocasião de seu desligamento do plano de benefício da entidade, que corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995 (Medida Provisória nº 1.74937, de 11 de março de 1999, art. 6º); Resgate do Fundo de Aposentadoria Programada Individual FAPI XXXIX os valores dos resgates na carteira dos Fundos de Aposentadoria Programada Individual FAPI, para mudança das aplicações entre Fundos instituídos pela Lei nº 9.477, de 1997, ou para a aquisição de renda junto às instituições privadas de previdência e seguradoras que operam com esse produto (Lei nº 9.477, de 1997, art. 12); Resgate do PAIT XL os valores resgatados dos Planos de Poupança e Investimento PAIT, relativamente à parcela correspondente às contribuições efetuadas pelo participante (DecretoLei nº 2.292, de 1986, art. 12, inciso IV, e Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso IX); Saláriofamília XLI o valor do saláriofamília (Lei nº 8.112, de 1990, art. 200, e Lei nº 8.218, de 1991, art. 25); Segurodesemprego e Auxílios Diversos Fl. 99DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COST A E SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10435.721099/201434 Acórdão n.º 2401004.267 S2C4T1 Fl. 11 19 XLII os rendimentos percebidos pelas pessoas físicas decorrentes de segurodesemprego, auxílionatalidade, auxílio doença, auxíliofuneral e auxílioacidente, pagos pela previdência oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e pelas entidades de previdência privada (Lei nº 8.541, de 1992, art. 48, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 27); Seguro e Pecúlio XLIII o capital das apólices de seguro ou pecúlio pago por morte do segurado, bem como os prêmios de seguro restituídos em qualquer caso, inclusive no de renúncia do contrato (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIII); Seguros de Previdência Privada XLIV os seguros recebidos de entidades de previdência privada decorrentes de morte ou invalidez permanente do participante (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso VII, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 32); Serviços Médicos Pagos, Ressarcidos ou Mantidos pelo Empregador XLV o valor dos serviços médicos, hospitalares e dentários mantidos, ressarcidos ou pagos pelo empregador em benefício de seus empregados; Valor de Bens ou Direitos Recebidos em Devolução do Capital XLVI a diferença a maior entre o valor de mercado de bens e direitos, recebidos em devolução do capital social e o valor destes constantes da declaração de bens do titular, sócio ou acionista, quando a devolução for realizada pelo valor de mercado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 22, § 4º); Venda de Ações e Ouro, Ativo Financeiro XLVII os ganhos líquidos auferidos por pessoa física em operações no mercado à vista de ações nas bolsas de valores e em operações com ouro, ativo financeiro, cujo valor das alienações realizadas em cada mês seja igual ou inferior a quatro mil, cento e quarenta e três reais e cinqüenta centavos para o conjunto de ações e para o ouro, ativo financeiro, respectivamente (Lei nº 8.981, de 1995, art. 72, § 8º). § 1º Para os efeitos do inciso II, no caso de alienação de diversos bens ou direitos da mesma natureza, será considerado o valor do conjunto dos bens alienados no mês (Lei nº 9.250, de 1995, art. 22, parágrafo único). § 2º Para efeito da isenção de que trata o inciso VI, considerase deficiente mental a pessoa que, independentemente da idade, apresenta funcionamento intelectual subnormal com origem durante o período de desenvolvimento e associado à Fl. 100DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COST A E SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 20 deterioração do comportamento adaptativo (Lei nº 8.687, de 1993, art. 1º, parágrafo único). § 3º A isenção a que se refere o inciso VI não se comunica aos rendimentos de deficientes mentais originários de outras fontes de receita, ainda que sob a mesma denominação dos benefícios referidos no inciso (Lei nº 8.687, de 1993, art. 2º). § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. § 6º As isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII também se aplicam à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão. § 7º No caso do inciso XXXIV, quando o contribuinte auferir rendimentos de mais de uma fonte, o limite de isenção será considerado em relação à soma desses rendimentos para fins de apuração do imposto na declaração (Lei nº 9.250, de 1995, arts. 8º, § 1º, e 28). § 8º Nos Programas de Alimentação do Trabalhador PAT, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho, a parcela paga in natura pela empresa não se configura como rendimento tributável do trabalhador. § 9o O disposto no inciso XIX é extensivo às verbas indenizatórias, pagas por pessoas jurídicas, referentes a programas de demissão voluntária. Merece ser citado que, para que seja reconhecida a isenção de Imposto de Renda sobre os proventos de aposentadoria ou reforma dos beneficiários portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), é necessário que o Interessado comprove, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, ser portador de tais moléstias, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle, consoante o art. 30, caput e §1º, da Lei nº 9.250/95. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COST A E SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10435.721099/201434 Acórdão n.º 2401004.267 S2C4T1 Fl. 12 21 Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). No caso ora em apreciação, o pedido de reconhecimento da isenção pretendida pelo Recorrente houvese por denegado pelo Órgão Julgador de 1ª Instância, ao argumento de que a moléstia indicada no Laudo médico (hemopatia prémaligna, crônica e irreversível) , a fls. 07/10, não era passível de isenção, por não estar agraciada por qualquer das hipóteses previstas no inciso XXXIII do art. 39 do Regulamento do Imposto de Renda. Com efeito, compulsando o rol das moléstias graves exposto no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/88 c.c. art. 39, XXXIII, do Regulamento do Imposto de Renda, verificamos que este não contempla qualquer espécie de hemopatia prémaligna, ainda que crônica e irreversível, não havendo o Laudo Médico acima citado especificado qualquer outro enquadramento possível, limitando a prescrever, de maneira totalmente genérica, que a doença ora em tela “enquadrase na Lei Federal nº 7.713, de 22.12.1988, alterada pela Lei 9520, de 26.12.1995, artigo 30, §1º”. (sic). Tal disposição não se revela suficiente para atribuir isenção de Imposto de Renda ao Recorrente uma vez que a moléstia grave apta a conferir isenção tem que estar expressamente prevista no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/88, e tem que ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. hemopatia prémaligna, ainda que crônica e irreversível, não se encontra contida no citado dispositivo legal. Nesse sentido, assim estatui a súmula 63 do CARF, de efeito vinculante em relação aos Órgãos Julgadores SÚMULA CARF nº 63 Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COST A E SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 22 Por tais razões, nesse específico particular, negamos provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Arlindo da Costa e Silva. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COST A E SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Numero do processo: 16832.000607/2009-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CORRESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS.
Com a revogação do artigo 13 da Lei 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII, da Lei 11.941/09, o Relatório de Representantes Legais (REPLEG) tem a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e o respectivo período de gestão sem, por si só, atribuir-lhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído.
RELATÓRIO DE VÍNCULOS. FINALIDADE INFORMATIVA.
Súmula CARF nº 88: A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. COMPETÊNCIAS 01/2004 A 06/2004. SÚMULA 99 DO CARF. RECOLHIMENTO PARCIAL. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, DO CTN.
Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
No caso de lançamento das contribuições sociais, em que para os fatos geradores efetuou-se antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN.
VALE-TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO-INCIDÊNCIA. ALINHAMENTO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF.
Em decorrência de entendimento da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ), não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos em dinheiro a título de vale-transporte.
ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA.
A não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação restringe-se ao seu fornecimento in natura ou à hipótese de inscrição no PAT. A alimentação fornecida em pecúnia sem a devida inscrição no PAT sofre a incidência da contribuição previdenciária. Inteligência do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011.
ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. REQUISITOS DO ARTIGO 55 DA LEI 8.212/1991. NÃO COMPROVAÇÃO NOS AUTOS. COMPETÊNCIAS DO ANO DE 2004.
Para se gozar da imunidade prevista no art. 195, § 7o, da Constituição da República Federativa do Brasil, faz-se necessário o atendimento de todos os requisitos previstos no art. 55 da Lei 8.212/1991.
A imunidade (isenção) tem de ser requerida ao Fisco, não sendo automática, conforme preceitua o §1º do art. 55 da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.097
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos CONHECER do recurso e DAR PARCIAL PROVIMENTO, para reconhecer que sejam excluídos: os valores apurados até a competência 06/2004, inclusive, em razão da decadência; e os valores oriundos da verba paga a título de vale-transporte em pecúnia (dinheiro), levantamento "VT-Vale Transporte", nos termos do voto. Ausente momentaneamente a Conselheira LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA.
André Luis Marsico Lombardi - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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SALÁRIO INDIRETO: VALETRANSPORTE EM DINHEIRO E AUXÍLIOALIMENTÇÃO SEM PAT Recorrente ASSOCIAÇÃO ORQUESTRA PRÓMÚSICA DO RIO DE JANEIRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CORRESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS. Com a revogação do artigo 13 da Lei 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII, da Lei 11.941/09, o “Relatório de Representantes Legais (REPLEG)” tem a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e o respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. FINALIDADE INFORMATIVA. Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. COMPETÊNCIAS 01/2004 A 06/2004. SÚMULA 99 DO CARF. RECOLHIMENTO PARCIAL. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, DO CTN. Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 06 07 /2 00 9- 83 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 2 No caso de lançamento das contribuições sociais, em que para os fatos geradores efetuouse antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN. VALETRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃOINCIDÊNCIA. ALINHAMENTO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF. Em decorrência de entendimento da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ), não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos em dinheiro a título de valetransporte. ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA. A não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação restringe se ao seu fornecimento in natura ou à hipótese de inscrição no PAT. A alimentação fornecida em pecúnia sem a devida inscrição no PAT sofre a incidência da contribuição previdenciária. Inteligência do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. REQUISITOS DO ARTIGO 55 DA LEI 8.212/1991. NÃO COMPROVAÇÃO NOS AUTOS. COMPETÊNCIAS DO ANO DE 2004. Para se gozar da imunidade prevista no art. 195, § 7o, da Constituição da República Federativa do Brasil, fazse necessário o atendimento de todos os requisitos previstos no art. 55 da Lei 8.212/1991. A imunidade (isenção) tem de ser requerida ao Fisco, não sendo automática, conforme preceitua o §1º do art. 55 da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos CONHECER do recurso e DAR PARCIAL PROVIMENTO, para reconhecer que sejam excluídos: os valores apurados até a competência 06/2004, inclusive, em razão da decadência; e os valores oriundos da verba paga a título de valetransporte em pecúnia (dinheiro), levantamento "VT Vale Transporte", nos termos do voto. Ausente momentaneamente a Conselheira LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA. André Luis Marsico Lombardi Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (VicePresidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 16832.000607/200983 Acórdão n.º 2401004.097 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 30/07/2009 (fls. 01 e 02). Os códigos de levantamento utilizado para cadastramento do débito no SAFIS e respectivo período foi: 1. “PATPrograma de Alimentação”, competências 01/2004 a 12/2004; 2. “VTVale Transporte”, competências 01/2004 a 12/2004. Adotamos trechos do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 122/128), que bem resumem o quanto consta dos autos: “[...] Tratase de crédito lançado pela fiscalização (DEBCAD n° 37.235.7253) relativo às contribuições destinadas à outras entidades e fundos, denominadas Terceiros (Salário Educação, INCRA, SESC e SEBRAE), relativas ao período de 01/2004 a 12/2004, não recolhidas em época própria. 2. Nos termos do Relatório Fiscal do Auto de Infração, de fls. 53/55, foram apurados os seguintes fatos geradores: 2.1. Valores pagos a título de vale refeição, sem a devida inscrição no PAT, escriturados na conta "41105009Vale Refeição"; 2.2. Valores pagos a título de vale transporte, em dinheiro, sem a comprovação da compra dos vales transportes, escriturados na conta "41105009Vale Transporte". 3. Inconformado com a exigência do crédito, o sujeito passivo apresentou, em 28/08/2009, peça impugnatória, de fls. 59/66, através da qual contesta o lançamento, alegando, em síntese, as seguintes questões: 3.1. Que os valores pagos foram obtidos através de patrocínio da Petrobrás S/A e se destinaram à execução de projeto de divulgação da música erudita, nos termos da Lei 8.313/91 (Lei Rouanet), conforme doe. 03 juntado aos autos, e em nenhum momento se trataram de remunerações por serviços prestados; 3.2. Que os valores referentes às contribuições previdenciárias dos segurados empregados foram devidamente recolhidos, sendo que a autoridade fiscal sequer discriminou se algum valor foi pago a menor, nem tampouco a intimou a recolher a suposta diferença, dificultando, inclusive, a defesa nesse ponto; Fl. 158DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 4 3.3. Que no Relatório Fiscal devem ser explicitados todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito, de forma clara e precisa, possibilitando o contraditório e a ampla defesa, nos termos do art. 243 do RPS; 3.4. Que em que pese a presunção de legitimidade dos atos administrativos, tal fato não dispensa a autoridade fiscal de apurar os fatos tributáveis com diligência, não podendo atuar por mera presunção, sem que se obtenha uma decisão judicial nesse sentido, com a produção inconteste e ampla de todos os meios de prova legalmente admitidas; 3.5. Que o inadimplemento de obrigação tributária, ainda que comprovado, não constitui infração capaz de ensejar a responsabilização solidária dos atuais diretores da defendente, conforme descrito na "Relação de Vínculos"; 3.6. Que ainda que não seja reconhecido o descabimento da aferição indireta, a autoridade fiscal não trouxe evidências capazes de assegurar a ocorrência do fato gerador, mas, tão somente, meras presunções, o que constitui violação ao art. 112 do CTN, que impõe a interpretação mais favorável ao acusado da lei que defina infrações ou comine penalidades; 3.7. Que a cobrança da taxa SELIC em matéria tributária constitui afronta ao caput e § I do art. 161 do CTN, além de implicar aumento de tributo sem lei específica a respeito, em confronto com o art. 150,1, da CF/88; 3.8. Protesta, finalmente, para provar o alegado, por posterior juntada de provas; [...]” Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada improcedente, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, o recurso voluntário (fls. 135/142), no qual alega, em apertada síntese, que: 1. Indevida inclusão dos sócios com corresponsáveis; 2. os comprovantes de recolhimentos da contribuição previdenciária referentes a segurados empregados foram apresentadas à autoridade fiscal, bem como corretamente lançadas no Livro Diário no 18; 3. os pagamentos a título de valerefeição e valetransporte não possuíram natureza salarial no presente caso; 4. os valores lançados a título de "montagem de palco", "bolsa para alunos e Regente", além de não possuírem natureza salarial, consistemse no estrito cumprimento do objetivo da ora Recorrente; 5. ocorreu a decadência do prazo de cinco anos para a cobrança da contribuição previdenciária referente à competência de dezembro/2003. É o relatório. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 16832.000607/200983 Acórdão n.º 2401004.097 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro André Luis Marsico Lombardi, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. A Recorrente manifesta inconformismo a respeito do relatório dos corresponsáveis, pois entende que estaria sendo imputada responsabilidade aos sócios da empresa. Quanto à essa alegação da indevida responsabilização dos sócios (diretores), cabe esclarecer que os corresponsáveis mencionados pela fiscalização não figuram no polo passivo do presente lançamento fiscal. A relação de corresponsáveis, anexada pela fiscalização (fls. 16/17), tem como finalidade identificar as pessoas que poderiam ser responsabilizadas na esfera judicial, caso fosse constatada a prática de atos com infração de leis ou estatuto, conforme determina o Código Tributário Nacional, e permitir que se cumpra o estabelecido no art. 2º, inciso I, § 5º, da Lei 6.830/1980. Lei 6.830/1980: Art. 2º. Constitui Dívida Ativa da Fazenda Pública aquela definida como tributária ou nãotributária na Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, com as alterações posteriores, que estatui normas gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. (...) § 5º O Termo de Inscrição de Dívida Ativa deverá conter: I o nome do devedor, dos coresponsáveis e sempre que conhecido, o domicílio ou residência de um e de outros (g.n.); Além disso, verificase que o artigo 79, inciso VII, da Lei 11.941/2009 revogou o artigo 13 da Lei 8.620/1993. Com isso, após essa revogação do artigo 13, o denominado “Relatório de Representantes Legais (REPLEG), acompanhada do Relatório de Vínculos, não pode mais ostentar em seu título qualquer expressão que venha mesma a apenas insinuar uma corresponsabilidade das pessoas nela relacionadas. Segue transcrição: Lei 8.620/1993: Art. 13. O titular da firma individual e os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada respondem solidariamente, com seus bens pessoais, pelos débitos junto à seguridade social. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 6 Parágrafo único. Os acionistas controladores, os administradores, os gerentes e os diretores respondem solidariamente e subsidiariamente, com seus bens pessoais, quanto ao inadimplemento das obrigações para com a seguridade social, por dolo ou culpa. A relação de corresponsáveis apenas identifica os sócios e diretores da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. Não é conseqüência do aludido documento que os referidos representantes legais passem a constar no polo passivo da obrigação tributária. O Relatório “REPLEG” serve apenas como subsídio à Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), caso haja necessidade de execução judicial do crédito previdenciário, e sendo verificada a ocorrência das hipóteses legais para a responsabilização tributária prevista no Código Tributário Nacional (CTN). Assim, temse que a indicação dos representantes legais é mero subsídio para, se necessário e cabível, o crédito previdenciário ser exigido dos administradores exclusiva, solidária ou subsidiariamente com o contribuinte. No entanto, nem por isso os representantes legais não devam constar em relação preparada pelo Fisco. É da analise dos contratos sociais e estatuto que são identificados os sócios e diretores da empresa, dessa relação a PFN poderá indicar eventuais corresponsáveis pelo crédito, conforme dispõe em especial o artigo 135 da Lei 5.172/1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Nesse sentido a Súmula CARF n° 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Portanto, não acato essa preliminar, já que a finalidade do “Relatório de Representantes Legais REPLEG (Relação de Corresponsáveis)” é apenas identificar os sócios e diretores da empresa, com seu respectivo período de gestão. DA PREJUDICIAL DE DECADÊNCIA: Fl. 161DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 16832.000607/200983 Acórdão n.º 2401004.097 S2C4T1 Fl. 5 7 A Recorrente alega que os valores apurados foram atingidos pela decadência e requer a aplicação da regra decadencial prevista no CTN. Pelos motivos a seguir delineados, tal alegação será acatada em parte. Inicialmente, registramos que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, ambos da Lei 8.212/1991. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante 8 STF: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. É necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional 45/2004, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da leitura do dispositivo constitucional, podese concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (g.n.) II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 8 Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça que, nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por consequência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Verificase que o lançamento fiscal em tela referese às competências 01/2004 a 12/2004 e foi efetuado em 30/07/2009, data da intimação e ciência do sujeito passivo (fls. 01 e 02). No caso em tela, tratase do lançamento de contribuições, cujos fatos geradores o Fisco já reconheceu que a Recorrente efetuou antecipação de pagamento parcial, conforme Relatório Fiscal, Termo de Encerramento do Procedimento FiscalTEPF (fls. 29/30) – o Fisco registrou que houve análise dos comprovantes de recolhimento –, e cópias das Guias da Previdência Social (GPS) de fls. 99/110. Esses documentos afirmam que houve o recolhimento parcial de contribuições previdenciárias devidas. Nesse sentido, a teor do enunciado da súmula 99 do CARF1, aplicase o art. 150, § 4º, do CTN, para considerar que os valores apurados até a competência 06/2004, inclusive, foram atingidos pela decadência tributária. Com isso – como o crédito foi constituído com fundamento no direito potestativo do Fisco em lançar os valores das contribuições não recolhidas em época determinada pela legislação vigente –, a preliminar de decadência será acatada em parte, excluindose os valores apurados nas competências 01/2004 a 06/2004, já que o lançamento fiscal referese ao período de 01/2004 a 12/2004 e as competências posteriores a 06/2004 não foram abarcadas pela decadência tributária. 1 Súmula 99 do CARF: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 16832.000607/200983 Acórdão n.º 2401004.097 S2C4T1 Fl. 6 9 Diante disso, acatase parcialmente a preliminar de decadência tributária, excluindo as contribuições apuradas até a competência 06/2004, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Após isso, passo ao exame de mérito. DO MÉRITO: Quanto ao ValeTransporte pago em dinheiro, devese observar o entendimento da jurisprudência dos tribunais de superposição (STF e STJ) no sentido de que os valores pagos a título de valetransporte em dinheiro não integram o salário de contribuição, já que os atos normativos que o disciplinam afrontam a Constituição Federal. Por meio da Lei 7.418/1985, foi instituído o valetransporte como direito do trabalhador a cargo do empregador, pessoa física ou jurídica, a fim de cobrir despesas efetivas de deslocamento da residência para o trabalho e viceversa. A saber: Art. 1º. Fica instituído o ValeTransporte, que o empregador, pessoa física ou jurídica, poderá antecipar ao trabalhador para utilização efetiva em despesas de deslocamento residência trabalho e viceversa, mediante celebração de convenção coletiva ou de acordo coletivo de trabalho e, na forma que vier a ser regulamentada pelo Poder Executivo, nos contratos individuais de trabalho. Posteriormente, o Decreto no 95.247/1987 veio proibir a concessão de tal benefício mediante pagamento em dinheiro, nos termos do seu art. 5o, in verbis: Art. 5°. É vedado ao empregador substituir o ValeTransporte por antecipação em dinheiro ou qualquer outra forma de pagamento, ressalvado o disposto no parágrafo único deste artigo. Parágrafo único. No caso de falta ou insuficiência de estoque de ValeTransporte, necessário ao atendimento da demanda e ao funcionamento do sistema, o beneficiário será ressarcido pelo empregador, na folha de pagamento imediata, da parcela correspondente, quando tiver efetuado, por conta própria, a despesa para seu deslocamento. A Constituição Federal expressamente consignou que: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça. (g.n.) Já o Código Tributário Nacional, complementando a matéria, estabelece que: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II – a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; Fl. 164DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 10 III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V – a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. (...) Art. 99. O conteúdo e o alcance dos decretos restringemse aos das leis em função das quais sejam expedidos, determinados com observância das regras de interpretação estabelecidas nesta Lei. (g.n.) Diante do arcabouço jurídicotributário acima delineado, percebese que o debate acerca deste tema esbarra em questões e postulados jurídicos, o que impede a perpetuação da divergência. Como destacou o Ministro Eros Grau, relator do Recurso Extraordinário (RE) no 478410, em seu voto: “a cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago em dinheiro a título de valetransporte – que efetivamente não integra o salário – seguramente afronta a Constituição em sua totalidade normativa”. Transcrevo abaixo trechos das decisões dos tribunais de superposição: “Ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 16832.000607/200983 Acórdão n.º 2401004.097 S2C4T1 Fl. 7 11 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento.” (RE 478410/SP, Rel.: Min. EROS GRAU, j.10/03/2010, Dje 13.05.2010, Despacho de publicação no 94 de 12/05/2011) “Ementa: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. AUXÍLIOCRECHE. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. AUXÍLIOTRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. ENTENDIMENTO DO STF. REALINHAMENTO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. 1. A solução integral da controvérsia, com fundamento suficiente, não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC. 2. O acórdão de origem consignou que a parte não comprovou os gastos com o auxíliocreche nem a idade dos beneficiários. Rever tal entendimento demanda reexame da matéria fáticoprobatória, vedado em Recurso Especial (Súmula 7/STJ). 3. Em razão do pronunciamento do Plenário do STF, declarando a inconstitucionalidade da incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas referentes a auxíliotransporte, mesmo que pagas em pecúnia, fazse necessária a revisão da jurisprudência do STJ para alinharse à posição do Pretório Excelso. 4. Recurso Especial parcialmente conhecido e, em parte, provido.” (REsp 1194788/RJ, de 19.08.2010) (g.n.) “EMENTA: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. REVISÃO. NECESSIDADE. 1. O Supremo Tribunal Federal, na assentada de 10.03.2003, em caso análogo (RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau), concluiu que é inconstitucional a incidência da contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, já que, qualquer que seja a forma de pagamento, detém o benefício natureza indenizatória. Informativo 578 do Supremo Tribunal Federal. 2. Assim, deve ser revista a orientação desta Corte que reconhecia a incidência da contribuição previdenciária na Fl. 166DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 12 hipótese quando o benefício é pago em pecúnia, já que o art. 5º do Decreto 95.247/87 expressamente proibira o empregador de efetuar o pagamento em dinheiro. 3. Embargos de divergência providos.” (Embargos de Divergência em REsp nº 816.829 – RJ, 2008/02249664) No mesmo caminho da jurisprudência dos tribunais de superposição, a AdvocaciaGeral da União (AGU) publicou no dia 08/12/2011 a Súmula no 60, em que seu enunciado estabelece que: “não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando seu caráter indenizatório da verba”. Com isso, como a questão é eminentemente jurídica, inclinome diante da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para considerar que o valetransporte pago em pecúnia (dinheiro) não integra a base de cálculo das contribuições sociais. Logo, os valores das contribuições sociais apuradas, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados a título de valetransporte pago em dinheiro, deverão ser excluídos do presente lançamento fiscal. Com relação aos valores apurados em decorrência da verba paga a título de auxílioalimentação (ajuda alimentação) em dinheiro, entendo que tal verba é salário de contribuição e, por consectário lógico, deverá ser submetida à incidência da contribuição social previdenciária. Constatase que não houve pagamento “in natura” de auxílioalimentação, sendo os valores incluídos diretamente nas contas contábeis do Livro Razão do ano de 2004 e o pagamento efetuado em pecúnia durante todo o período fiscalizado. Na peça recursal de fls. 193/213, a própria Recorrente admite que a verba concedida a título auxílioalimentação foi paga em dinheiro. A empresa também não está inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Isso está consubstanciado no Relatório Fiscal (fls. 54/56) nos seguintes termos: “[...] 4. Descrição dos Fatos Geradores: 4.1 A empresa apresentou o livro Diário n. 18, matricula n. 91114 de 22/08/2007 no Registro Civil de Pessoas Jurídicas. Foi solicitado documentos de diversas contas contábeis através do TIF Termo de Intimação Fiscal de n. 02, 03 e 04 e não foram apresentados das contas 21301001, 21301002, 41101001, 41101008, 41102001, 41104026 e 41204001, sendo excluídos dos lançamentos os documentos apresentados destas contas. Esta situação deu origem à emissão do Al n. 37.235.7296 em 30/07/2009 CFL 38, dando margem a aferição indireta. 4.2 Remunerações pagas, devidas, ou creditadas a qualquer titulo, durante o mês, aos segurados empregados que lhe prestaram serviços, destinados a retribuir o trabalho. Apuradas através do livro Razão: Pagamentos a titulo de vale refeição, sem o devido cadastro no PAT Programa de alimentação do trabalhador na conta: 41105009Vale Refeição, nas competências de 01/2004 a 12/2004; [...]” Fl. 167DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 16832.000607/200983 Acórdão n.º 2401004.097 S2C4T1 Fl. 8 13 Com isso, o auxílioalimentação (ajuda alimentação) pago em dinheiro deve ser considerado como integrante do salário de contribuição, nos termos do artigo 28, § 9o, alínea “c”, da Lei no 8.212/1991, in verbis: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n° 6.321, de 14 de abril de 1976; Percebese, então, que o salário de contribuição é o total da remuneração auferida pelo segurado, a qualquer título, não o integrando somente as rubricas previstas no parágrafo 9° do art. 28, e entre elas, a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação do Trabalhador, nos termos da Lei 6.321/1976, que em seu art. 3° dispõe que não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura: “Art. 3°. Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do trabalho”, que não é a hipótese dos autos ora analisado. Esse entendimento está consubstanciado em precedentes do Superior Tribunal de Justiça (STJ), nos seguintes termos: “REsp 895146 CE, Relator(a):Ministro JOSÉ DELGADO, Julgamento: 27/03/200, Órgão Julgador: T1 PRIMEIRA TURMA, Publicação:DJ 19/04/2007 p. 249 Ementa: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO. RECURSO ESPECIAL. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. PARCELAS PAGAS EM PECÚNIA, EM CARÁTER HABITUAL E REMUNERATÓRIO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. 1. Recurso especial interposto pelo INSS contra acórdão proferido pelo TRF da 5ª Região segundo o qual: "A ajuda alimentação, paga pelo Banco do Brasil, mediante crédito em contacorrente, aos seus empregados, não configura salário in natura, e sim, salário, sobre o qual incidirá desconto de contribuição previdenciária, nos temos do Regulamento do Custeio da Previdência Social." 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido de que o Fl. 168DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 14 pagamento in natura do auxílioalimentação, isto é, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. 3. Na espécie, as parcelas referentes à ajudaalimentação foram pagas em pecúnia, em caráter habitual e remuneratório, mediante depósito em conta corrente dos respectivos valores, integrando,assim, a base de cálculo da contribuição previdenciária. 4. Precedentes: REsp nº 433230/RS; REsp nº 447766/RS; REsp nº 330003/CE; REsp nº 320185/RS; REsp nº 180567/CE; REsp nº 163962/RS;REsp nº 199742/PR; REsp nº 112209/RS; REsp n º 85306/DF e EREsp603509/CE. 5. Recurso especial nãoprovido.” (g.n.) A adesão ao PAT não constitui mera formalidade. É através do conhecimento da existência do programa em determinada empresa que o Ministério do Trabalho e Emprego, por seu órgão de fiscalização, verificará o cumprimento do disposto no artigo 3° acima transcrito. Ao incentivo fiscal há uma contraprestação por parte da empresa: fornecimento de alimentação com teor nutritivo adequado em ambiente que atenda as condições aceitáveis de higiene. É preciso considerar ainda que o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda em Despacho de 24/11/2011, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária. Assim, a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação restringese ao seu fornecimento in natura ou à hipótese de inscrição no PAT. A alimentação fornecida em pecúnia e sem a devida inscrição no PAT sofre a incidência da contribuição previdenciária. No caso sob exame, além de a Recorrente não estar inscrita no PAT no período do lançamento, a alimentação foi fornecida em pecúnia (dinheiro) e de forma habitual, de sorte que a verba correspondente está sujeita à incidência de contribuições previdenciárias. A Recorrente argumenta que, conforme as GPS’s acostadas aos autos, os valores referentes à contribuição previdenciária dos segurados empregados já foram devidamente recolhidos, bem como foram corretamente lançados no Livro Diário no 18. Essa alegação é impertinente para o lançamento fiscal ora analisado e não será acatada, pois os valores lançados abarcam exclusivamente as contribuições sociais destinadas a outras Entidades/Terceiros (Salário Educação, INCRA, SESC e SEBRAE). Esta contribuição é devida pela própria Recorrente na qualidade da sua sujeição passiva como contribuinte da obrigação tributária, sendo distinta da contribuição arrecadada dos segurados empregados que lhe prestaram serviços. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 16832.000607/200983 Acórdão n.º 2401004.097 S2C4T1 Fl. 9 15 A Recorrente alega que uma associação filantrópica, sem fins lucrativos, possuindo, portanto, imunidade em relação às cotas patronais das contribuições previdenciárias objeto do presente lançamento, nos termos da alínea "c" do inciso VI do art. 150 da CF/88. Tal alegação não será acatada, haja vista que se trata apenas de afirmações sem qualquer comprovação de que a Recorrente efetivamente é uma entidade beneficente. Essa questão suscitada pela Recorrente tem por finalidade embasar a tese de inaplicabilidade do art. 55 da Lei 8.212/1991, com o argumento de que a imunidade só poderia ser regulamentada via legislação complementar, nos termos do art. 146, inciso II, da Constituição Federal. Cumpre esclarecer ainda que o art. 14 do CTN regula os requisitos previstos na lei, conforme dispõe o art. 150, inciso VI, alínea “c”, da CF/88, que trata na verdade da imunidade de impostos, enquanto que o art. 55 da Lei 8.212/1991 regula a isenção/imunidade de contribuições sociais, conforme dispõe o art. 195, §7º da CF/88. Código Tributário Nacional (CTN): Art. 9º. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV cobrar imposto sobre: (...) c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo; ......................................................................................................... Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 16 Percebese que, na leitura CTN acima, a regra estampada no art. 14 regula somente a imunidade de impostos, não sendo aplicável, portanto, a outra espécie de tributo, às contribuições sociais, cerne do processo em questão. Não há, também, como argumentar que a disposição do CTN pode ser aplicada ao gênero tributo, pois o § 7º do art. 150 da CF/88 reconhece a distinção entre as espécies tributárias: impostos e contribuições. Constituição Federal de 1988: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI instituir impostos sobre: (...) c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei. (...) § 7º A lei poderá atribuir a recorrente de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de impostos ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido. Quanto às contribuições para a Seguridade Social, o benefício isentivo (imunizante) está determinado no §7º do art. 195 da CF/1988, que prevê para o usufruto do benefício o atendimento de requisitos previstos em Lei, no caso a Lei 8.212/1991. Logo, para fazer jus ao benefício da imunidade/isenção retromencionada, a Recorrente deve, ou deveria, cumprir os requisitos estabelecidos no art. 55 da Lei 8.212/91, hipótese não verificada nos autos e nem nas informações fornecidas pelo Fisco. Constituição Federal de 1988: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. (g.n) Nesse mesmo sentido, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 636941/RS, Relator Min. Luiz Fux, julgado em 13/02/2014, que não é necessário lei complementar para dar completude ao §7º do art. 195 da CF/1988. Para a Corte Constitucional, a lei na qual são previstas as exigências das entidades beneficentes de assistência social é uma lei ordinária. Antes era o art. 55 da Lei 8.212/1991 e, atualmente, tratase dos preceitos estabelecidos pela Lei 12.101/2009. Observase que o texto constitucional remeteu à lei o estabelecimento das condições necessárias para a obtenção da isenção de contribuições sociais pelas entidades consideradas de assistência social. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 16832.000607/200983 Acórdão n.º 2401004.097 S2C4T1 Fl. 10 17 O art. 55 da Lei 8.212/1991, vigente à época da ocorrência do fato gerador e antes da Lei 12.101/2009, veio regulamentar a matéria, estabelecendo os diversos requisitos a serem cumpridos pelas entidades consideradas de assistência social, a fim de obterem isenção da cota patronal, dispondo, em seu § 1o, a obrigatoriedade de se requerer o referido benefício no INSS. É importante frisar que, no ordenamento jurídico, há a imposição de certos requisitos para que uma entidade venha gozar de isenção/imunidade das contribuições previdenciárias, o que não logrou a empresa Recorrente comprovar. De sorte que, no caso dos autos, ao contrário do que entendeu a Recorrente, a caracterização da imunidade não depende apenas a empresa ser titulada no Estatuto Social como entidade beneficente ou associação, conforme posto na peça recursal, mas ela deverá atender todos os requisitos estabelecidos no art. 55 da Lei 8.212/1991 para usufruir a imunidade aqui tratada, inclusive deverá atender, de foram cumulativa, os incisos I, II, III, IV e V desse artigo. O art. 55 da Lei 8.212/1991, antes da Lei 12.101/2009, estabelecia os seguintes requisitos: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1° Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2° A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 18 § 3° Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. § 4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. § 5° Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. Acrescentase a título de realce que a Recorrente não comprovou o cumprimento dos requisitos previstos no art. 55 da Lei 8.212/1991, não podendo estar amparada pela “isenção/imunidade”, devendo pois recolher as contribuições inadimplidas lançadas no presente processo, a qual competia, além da verificação do preenchimento dos requisitos exigidos em lei, o reconhecimento do direito à isenção das contribuições previdenciárias mediante emissão de ato administrativo declaratório pelo Fisco (INSS). Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da Recorrente, para reconhecer sua imunidade relativamente às contribuições à Seguridade Social, pois estando o artigo 55 da Lei 8.212/1991 em perfeita consonância com as disposições constitucionais, e considerando que as exigências ali contidas não foram observadas, fica a empresa obrigada ao recolhimento das contribuições a seu cargo, previstas no artigo 22 da mesma lei, bem como, ao recolhimento das contribuições devidas pelos segurados a seu serviço, nos termos do artigo 30, da referida lei e, de igual modo, efetuar o recolhimento das contribuições devidas às entidades e fundos (chamados de Terceiros/Outras Entidades). CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DAR PARCIAL PROVIMENTO, para reconhecer que sejam excluídos: 1. os valores apurados até a competência 06/2004, inclusive, em razão da decadência; e 2. os valores oriundos da verba paga a título de valetransporte em pecúnia (dinheiro), levantamento “VTVale Transporte”, nos termos do voto. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi Relator Fl. 173DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Numero do processo: 19679.005959/2003-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Exercício: 1998
COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA- Prazo decenal da tese dos 5 + 5 -não aplicação da LC 118/05 que implicou em inovação normativa, mas de 10 anos do fato gerador, pela aplicação combinada dos artigos. 150 § 4º, 156, VII e 168, I do CTN. Assim, débitos compensados de 01/01/1998 com valores recolhidos a maior de julho 1988 a dezembro de 1991 e corrigidos por relatório de diligência foram satisfatórios para homologar as compensações e cancelar o AI em discussão
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
Numero da decisão: 3402-003.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar o AI, homologando-se os créditos do contribuinte apurados em diligência.
ANTONIO CARLOS ATULIM
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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DECADÊNCIA Prazo decenal da tese dos 5 + 5 não aplicação da LC 118/05 que implicou em inovação normativa, mas de 10 anos do fato gerador, pela aplicação combinada dos artigos. 150 § 4º, 156, VII e 168, I do CTN. Assim, débitos compensados de 01/01/1998 com valores recolhidos a maior de julho 1988 a dezembro de 1991 e corrigidos por relatório de diligência foram satisfatórios para homologar as compensações e cancelar o AI em discussão RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar o AI, homologandose os créditos do contribuinte apurados em diligência. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 59 59 /2 00 3- 48 Fl. 796DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 2 Relatório Por bem relatar adotase o relatório de fls. 688 e 690 emanado do voto do relator Marco Aurélio Calvão Monneral Prado da 6º Turma da DRJ/SPOI, nos seguintes termos: 4. O processo em exame versa sobre lançamento eletrônico originado de auditoria interna que realizou a DEFIS/SPO nas DCTF da contribuinte em epígrafes relativas ao anocalendário de 1998, nas quais se apurou falta de recolhimento dos débitos de Pis referentes aos meses de janeiro a dezembro desse ano, conforme registra o auto de infração, anexo as fls. 31/42. 5. A irregularidade acima foi detectada em virtude da ausência de registro do processo n° 13811.000102/9765 no sistema Profisc, o qual fora informado nessas declarações para justificar a inclusão dos débitos em apreço na linha "Comp s/DARFOutros PAF". Tal circunstância vem atestada pela ocorrência "Proc inexist no Profisc", consignada nos demonstrativos das fls. 35/38. 6. A interessada impugnou o feito por meio do arrazoado anexo às fls. 1/24, cujo teor passo a resumir: a). Afirma preliminarmente que o auto de infração deve ser declarado nulo porque: 1) em desacordo com o art. 10, III, do decreto n° 70.235/72, a descrição dos fatos que lhe deram origem não é clara, visto que seus anexos não são autoexplicativos, o que torna impossível identificar a infração cometida e a impede de elaborar uma defesa coerente (invoca dois acórdãos do Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, cujas ementas transcreve na fl. 4); 2) ao deixar de descrever corretamente os fatos, tornou praticamente impossível os argumentos de defesa por parte da impugnante em face da infração imputada, o que fere frontalmente os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório (cita excerto de doutrina nas fls. 5/6); 3) não se reveste de motivação, principio inerente aos atos administrativos (reproduz duas passagens doutrinárias relativas a matéria nas fls. 6/8); b). Alega ter realizado as compensações demonstradas nas DCTF relativas ao período de janeiro a dezembro de 1998 com créditos do próprio Pis resultantes de recolhimentos indevidos realizados sob a égide dos decretoslei no 2.445/88 e n° 2.449/88, na forma do art. 66 da lei n° 8.383/91 e em conformidade com o entendimento externado pela RFB na IN SRF n° 21/97; c). Observa que, como tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional podem ser compensados independentemente de autorização do Fisco, não há que falar de processo de restituição/compensação, de modo que se deve desconsiderar a alegação de "proc. inexistente no Profisc", visto que não há, de fato, qualquer processo relativo as compensações em causa; Fl. 797DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 19679.005959/200348 Acórdão n.º 3402003.074 S3C4T2 Fl. 3 3 d) Em seguida, tece algumas considerações acerca do instituto da compensação em matéria de tributos federais e sobre a inconstitucionalidade dos decretos lei n° 2.445/88 e n° 2.449/88 (fls. 9/12), concluindo que se deve julgar improcedente o auto de infração, tendo em vista que a compensação se deu de acordo com os ditames legais; e). Finalmente, discorrendo sobre a matéria em ligeira dissertação inçada de citações de acórdãos do STJ, alega ser inconstitucional a aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros de mora incidentes sobre créditos tributários (fls. 12/24); f). Encerrando o arrazoado, requer se declare nulo ou totalmente improcedente o lançamento fiscal. 7. Em despacho anexo a fl. 54, a DERAT/SPO informou não haver localizado nenhum pagamento relativo aos débitos autuados. 8. Ao examinar o processo, propusemos a realização de diligência com o fito de verificar os registros contábeis e a regularidade das compensações, bem como a existência e suficiência dos créditos utilizados (fls. 55/56). Com a aquiescência do então presidente desta Turma de Julgamento, os autos foram encaminhados a DEFIS/SPO, cuja divisão de fiscalização, apoiandose em vasta documentação fornecida pela empresa, a qual ocupa a maior parte das folhas numeradas de 62 a 650, refez os cálculos relativos as compensações (fls. 658/662) e elaborou o relatório anexo as fls. 663/669, no qual apresenta suas conclusões. 9. Cientificada do resultado da diligência, a impugnante manifestouse sobre a matéria em comunicado anexo as fls. 670/675, no qual observa em síntese que: a) Diferentemente do que afirmou a autoridade encarregada da diligência, a compensação entre tributos da mesma espécie não requer apresentação de declaração de compensação; b) Tendo em vista tratarse de tributo cuja inconstitucionalidade foi expressamente declarada pelo STF, o prazo para repetir o indébito deve ser contado a partir da publicação da Resolução do Senado Federal, como prevê o Parecer Cosit nº 58/1998 (cujo texto reproduz nas fls. 676/684), não se aplicando ao caso o Ato Declaratório SRF n° 096, de 26/11/1999, nem tampouco a lei complementar n° 118/2005. ” O acordão de nº 1622.365 de fls. 686 a 687 traz a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 DCTF. AUDITORIA INTERNA. LANÇAMENTO DE OBRIGATORIEDADE. Segundo disposição expressa do art. 90 da MP n° 2.158/2001, era obrigatório à época da autuação o lançamento da diferença decorrente de compensação não comprovada informada pela contribuinte em DCTF. Fl. 798DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 4 ESCRITURAÇÃO MERCANTIL INFORMATIZADA. FORMALIDADES LEGAIS. VALOR PROBATÓRIO. Somente faz prova em favor da contribuinte a escrituração mercantil mantida com observância das formalidades previstas em lei, as quais incluem a obrigatoriedade de submeter todas as folhas emitidas eletronicamente à autenticação da Junta Comercial. COMPENSAÇÃO ENTRE CRÉDITOS E DÉBITOS DE PIS. AUSÊNCIA DE REGISTROS CONTABEIS ADEQUADOS. O fato de a legislação em vigor a época permitir a realização de compensação sem prévio exame do Fisco não exime a contribuinte do ônus de registrala na escrita contábil por meio de lançamentos apropriados. CRÉDITOS DE PIS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A mera apresentação de planilhas e guias de recolhimento não se presta a comprovar a existência de créditos de Pis em favor da interessada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição ou compensação extinguese com o decurso do prazo quinquenal contado da data da extinção do crédito tributário, assim entendido o pagamento antecipado nos casos de Iançamento por homologação. Aplicação do art. 168, inc. I, do CTN, do Ato Declaratório SRF no 96/1999 e do art. 3 ° da Lei Complementar n° 118/2005. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. Procede a cobrança de encargos de juros com base na Taxa SELIC, visto estar amparada em lei (art. 61, § 3 º, da lei n° 9.430/96). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRENCIA. Não se justifica a alegação de cerceamento do direito de defesa quando o teor da impugnação apresentada demonstra à saciedade que a contribuinte tinha pleno conhecimento dos fatos objeto de autuação. LANÇAMENTO. PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIMENTO. Somente se reputa nulo o lançamento na hipótese prevista no art. 59, I, do Decreto n° 70.235/72. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. Não compete ao julgador da esfera administrativa a análise de questões que versem sobre a constitucionalidade de norma legal regularmente editada. Lançamento Procedente Fl. 799DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 19679.005959/200348 Acórdão n.º 3402003.074 S3C4T2 Fl. 4 5 O contribuinte apresentou recurso voluntário em fls.710 a onde resumidamente alega: I – Dos fatos – cita e ementa do acordão recorrido; II – Do Direito – I.1 – Do descabimento da lavratura do auto de infração (AI) e da inconstitucionalidade dos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449/1998; II.2 – Do crédito PIS a compensar e da documentação utilizada para a compensação pela ora recorrente; II.3 – Da jurisprudência pacífica no âmbito administrativo: A contabilidade faz prova a favor do contribuinte e a livre escolha quanto aos processos de contabilização. Nesse item a recorrente alega apresentar laudo técnico e requer que esse procedimento seja levado a diligência para a DRFJ; II.4 – Da não ocorrência da prescrição do direito à restituição do indébito de PIS em razão declaração de inconstitucionalidade dos Decretosleis; II.5 – Da não aplicação da lei complementar 118, de 09 de fevereiro de 2005; III – Pedido – Requer que seja conhecido o seu Recurso Voluntário, para ver afastada a alegada decadência do crédito tributário; requerendo a reforma da decisão da DRJ ora recorrida e o cancelamento da exigência efetuada no Auto de Infração a fim de que seja proferida nova decisão, reconhecendo o direito à restituição dos valores de PIS recolhidos indevidamente em razão da declaração da inconstitucionalidade dos Decretosleis nº 2.445 e 2.449/88. Em 30/09/2014 há nos autos Termo de solicitação de juntada de documentos diversos, porém, tratou apenas de documentos pertinentes a substabelecimentos. Não se encontra nos autos qualquer documento pertinente ao um laudo técnico que seria elaborado por auditores da Recorrente, conforme o alegado em seu RV. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Tratase de lançamento eletrônico originado de auditoria interna que realizou a DEFIS/SPO nas DCTF da contribuinte relativas ao anocalendário de 1998, nas quais se apurou falta de recolhimento dos débitos de Pis referentes aos meses de janeiro a dezembro de 1998, conforme registra o auto de infração, anexo as fls. 31/42. Fl. 800DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 6 Conforme consta do item 8 do relatório da decisão recorrida adotado acima, a DRJ baixou o presente processo em diligência nos seguintes termos: “ Ao examinar o processo, propusemos a realização de diligência com o fito de verificar os registros contábeis e a regularidade das compensações, bem como a existência e suficiência dos créditos utilizados (fls. 55/56). Com a aquiescência do então presidente desta Turma de Julgamento, os autos foram encaminhados a DEFIS/SPO, cuja divisão de fiscalização, apoiandose em vasta documentação fornecida pela empresa, a qual ocupa a maior parte das folhas numeradas de 62 a 650, refez os cálculos relativos as compensações (fls. 658/662) e elaborou o relatório anexo as fls. 663/669, no qual apresenta suas conclusões. ” Com base no referido relatório de diligência o acordão recorrido, não reconheceu os créditos de PIS da Recorrente em compensação, principalmente por ter entendido haver ocorrido a decadência, conforme ementa que destaco: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição ou compensação extinguese com o decurso do prazo quinquenal contado da data da extinção do crédito tributário, assim entendido o pagamento antecipado nos casos de Iançamento por homologação. Aplicação do art. 168, inc. I, do CTN, do Ato Declaratório SRF no 96/1999 e do art. 3 ° da Lei Complementar n° 118/2005. ” Assim, por entender de forma diferente da decisão recorrida, sucinto essa preliminar para expor meu entendimento: Ocorre, que essa matéria já é pacífica no CARF e a respeito, vou adotar o voto do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres dado no Processo 13.832.000095/9970 julgando o Recurso Especial 228.882 em 07/02/2013 Acordão 93.03003.200 da 3º turma da CSRF que bem explica nossa posição a respeito da decadência e a tese do 5+5, ou seja: “Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A teor do relatado a matéria posta em debate cingese à questão do termo inicial da prescrição para repetição de indébito. Em especial a Fazenda Nacional defende a aplicação do art. 168 do CTN, com a interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar 118/2005. De outro lado, em contrarrazões, o sujeito passivo pede a manutenção do acórdão recorrido por seus próprios fundamentos. Analisando os autos, verificase que o crédito pleiteado se refere a períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 1991 e maio de 1992, enquanto que o pedido de restituição/compensação foi protocolado em 23 de julho de 1999. Fl. 801DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 19679.005959/200348 Acórdão n.º 3402003.074 S3C4T2 Fl. 5 7 Feito esse esclarecimento, passemos, de imediato, ao enfrentamento da questão. Nesta matéria, já me pronunciei inúmeras vezes, entendendo que o termo inicial para repetir indébito é o previsto no artigo 168 do CTN, com a interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar 118/2005, ou seja, o da extinção do crédito pelo pagamento indevido. Esse entendimento vinha prevalecendo neste Colegiado, quando se resolveu sobrestar a matéria até que o Supremo Tribunal Federal se pronunciasse sobre a constitucionalidade do art. 4º da Lei Complementar suso mencionada, que determinava a aplicação retroativa da interpretação autêntica dada pelo citado artigo 3º. A decisão do STF foi no sentido de que o termo inicial do prazo para repetição de indébito, a partir de 09/06/2005, vigência da Lei Complementar 118/2005, era a data da extinção do crédito pelo pagamento; já para as ações de restituição ingressadas até a vigência dessa lei, deverseia aplicar o prazo dos 10 anos, consubstanciado na tese dos 5 mais 5 (cinco anos para homologar e mais 5 para repetir), prevalente no Superior Tribunal de Justiça. Para melhor clareza do aqui exposto, transcrevese a ementa do acordão pretoriano que decidiu a questão. 04/08/2011 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 Rio GRANDE DO Sul. RELATORA: MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150 § 4º, 156, VII e 168, I do CTN. A LC 118/05 implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido Fl. 802DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 8 Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência de violação à autonomia dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao Princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vatatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso dá vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 09 de junho de 2005. Aplicação do art. 543, § 3, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. ACORDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob a RE 66.621/RS Presidência do Senhor Ministro Cezar Peluso, na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário, nos termos do voto da relatora. Essa decisão não deixa margem a dúvida de que o artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005 só produziram efeitos a partir de 9 de junho de 20 05, com isso, quem ajuizou ação judicial de repetição de indébito, em período anterior a essa data, gozava do prazo decenal Fl. 803DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 19679.005959/200348 Acórdão n.º 3402003.074 S3C4T2 Fl. 6 9 (tese dos 5 + 5) para repetição de indébito, contado a partir do fato gerador da obrigação tributária. Ademais, não se pode olvidar que a Constituição é aquil o que o Supremo Tribunal Federal diz que ela é, com isso, em matéria de controle de constitucionalidade, a última palavra é do STF, por conseguinte, deve todos os demais tribunais e órgãos administrativos observarem suas decisões. Doutro lado, não se alegue que predita decisão seria inaplicável ao CARF já que o acórdão do STF teria vedado a aplicação retroativa da lei aos casos de ação judicial impetradas até o início da vigência da lei interpretativa, pois o fundamento para inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º declarar a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 3º acima citado, foi justamente a ofensa ao princípio da segurança jurídica e da confiança, o que se aplica, de igual modo, aos pedido administrativos, não havendo qualquer motivo, nesse quesito – segurança jurídica – para diferenciálos dos pedidos judiciais. De todo o exposto, concluise que aos pedidos administrativos de repetição de indébito, formalizados até 8 de junho de 2005, aplicase o prazo decenal. Assim, no caso sob exame tem se que os créditos pleiteados, na data em que protocolado o pedido de repetição de indébito de indébito (23/07/1999), ainda não haviam sido alcançados pela prescrição, posto que estes referemse a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1991, portanto, dentro do prazo decenal da tese dos 5 + 5. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. ” Assim no presente processo a Recorrente compensou débitos de janeiro a dezembro de 1998 com valores recolhidos a maior de julho de 1988 a dezembro de 1991 (fls. 658 e 659) citado em relatório de conclusão fls.661 corrigidos na forma da Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 08/97. O relatório de conclusão de diligência afirma que os valores das diferenças a ressarcir em moedas da época, correspondentes às empresas incorporadas e corrigidas até 31/12/1995 de acordo com os índices estabelecidos pela Norma citada, abrangendo o período de julho de 1988 a dezembro de 1991, resultou no valor corrigido de crédito a ressarcir de R$ 20.574.721,26. A diligência proposta pela DRJ foi exatamente para que a fiscalização verificasse se o contribuinte compensou os débitos do PIS objeto do lançamento em AI com os supostos excessos de recolhimento dessa contribuição, bem como a existência dos créditos do PIS utilizados e recalculálos a fim de verificar a regularidade do procedimento, pronunciando se especialmente sobre a existência dos registros contábeis e a suficiência dos créditos. Não há no relatório de diligência qualquer crítica aos registros contábeis, apenas relato de sua apresentação. Assim, no meu entendimento o crédito da Recorrente identificado e corrigido na forma como determina a norma aplicada pela administração tributária, é sagrado, porque é proveniente de norma considerada inconstitucional pelo STF. Evidentemente que apenas a Fl. 804DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 10 declaração de inconstitucionalidade não basta, é preciso ser de fato identificado, apurado e fiscalizado o que pela análise dos autos e pela diligência realizada foi feito a contento. Contudo, outras questões como modo de contabilização, afirmado na decisão recorrida, não basta para elidir o direito da Recorrente e eu as supero com os fundamentos já expostos. Também, entendo válido a lavratura do Auto de Infração, ainda que eletrônico, pois, efetivamente havia insuficiência de informações no registro da RFB quanto a compensação realizada pela Recorrente. Isto posto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito ao crédito do contribuinte citados em fls. 675/678 e resumido em fls. 679, para a homologação da compensação dentro do valor apurado e corrigido constante do relatório da diligência na parte conclusiva. É como voto Conselheira relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 805DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM
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Numero do processo: 11060.721809/2015-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
DEDUÇÃO DE DESPESAS PLANO DE SAÚDE E DENTISTA. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, dentistas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 8°, inciso II, alínea a, da Lei 9.250/1995 e do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR).
A dedução de despesas com plano de saúde e dentista na declaração de ajuste anual do contribuinte foi demonstrada por meio de documentos hábeis e idôneos no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$1.737,16, referentes ao Plano de Saúde UNIMED SANTA MARIA do declarante, e de despesas com dentista no valor de R$17.640,00.
Ronaldo de Lima Macedo
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, dentistas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 8°, inciso II, alínea “a”, da Lei 9.250/1995 e do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas com plano de saúde e dentista na declaração de ajuste anual do contribuinte foi demonstrada por meio de documentos hábeis e idôneos no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 72 18 09 /2 01 5- 75 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$1.737,16, referentes ao Plano de Saúde UNIMED SANTA MARIA do declarante, e de despesas com dentista no valor de R$17.640,00. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Marcelo Malagoli da Silva. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11060.721809/201575 Acórdão n.º 2402005.343 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento de fls. 37/41, resultante de alterações na Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício de 2013, anocalendário de 2012, que implicou apuração de imposto suplementar, sujeito à multa de ofício (75%) e juros legais. Por descrever os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 49/51), reproduzido a seguir: “Contra a contribuinte acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento nº 2013/391382277775928, expedida em 28/04/2015, referente a imposto sobre a renda de pessoa física, exercício 2013, anocalendário 2012, código 2904, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$5.328,72 e seus consectários legais, totalizando R$10.384,07, com juros de mora calculados até 30/04/2015, fls. 37 a 41. O lançamento decorreu da apuração de dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$19.377,16, com a seguinte manifestação da autoridade lançadora, em síntese: 87.497.368/000195 UNIMED SANTA MARIA/RS COOPERATIVA DE ASSISTÊNCIA A SAÚDE Na declaração apresentada de APUSM não constam assinatura e qualificação do responsável pelas informações. Além disso, não há Declaração de Serviços Médicos e de Saúde DMED a confirmar esses valores. 564.817.64068 GELSON MILTON ZUGE [...] Os recibos apresentados NÃO observam os requisitos legais: não há registro do endereço profissional; não há indicação da cidade onde se deu o tratamento. Além disso, não há discriminação do paciente do tratamento. Cientificada da notificação em 08/05/2015, fls. 42, a contribuinte apresentou impugnação em 25/05/2015, fls. 2 a 3, acompanhada dos documentos de fls. 9 a 21, contestando o lançamento. Alega que o valor contestado se refere a despesas médicas da própria declarante.” A decisão de primeira instância (fls. 49/51) julgou improcedente a impugnação, mantendose os valores apurados pelo Fisco. Cientificado da decisão de primeira instância em 31/08/2015 (fls. 57), o interessado interpôs, em 29/09/2015, o recurso de fls. 66/73. Nas razões recursais aduz, em síntese, que: 1. Dedução Indevida de Despesas com Plano de Saúde. Suposta dedução indevida de despesas pagas ao Plano de Saúde UNIMED SANTA MARIA do declarante no valor de R$1.737,16, conforme Fl. 84DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 documento de fl. 74, havendo negligência na análise dos documentos que resultou na glosa; 2. Dedução Indevida de Despesa com Dentista. Os valores de R$17.640,00 foram pagos ao dentista para tratamento da própria declarante, conforme documento de fl. 75. Ao fim, requer seja acolhido o presente recurso para cancelar o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11060.721809/201575 Acórdão n.º 2402005.343 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. I GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS (PLANO DE SAÚDE) DO INTERESSADO (CONTRIBUINTE DECLARANTE) Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutiveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, a título de despesas médicas, psicólogo, e com dentistas, os pagamentos especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” No caso específico de plano de saúde, havendo a comprovação por meio de documento hábil e idôneo das despesas pagas pelo contribuinte, tais despesas se encontram sob o campo de abrangência da lei; portanto, dedutíveis da base de cálculo do Imposto de Renda, a teor do art. 80 do RIR/1999. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de RendaRIR): Despesas Médicas Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). A decisão de primeira instância entendeu que a Recorrente não comprovou as despesas médicas, pois a declaração firmada pela Associação dos Professores Universitários de Santa Maria APUSM, fls. 10, não permite identificar a pessoa que assinou o referido documento, nos seguintes termos: “[...] Apesar de a declaração prestada pela Associação dos Professores Universitários de Santa Maria APUSM, fls. 10, conter assinatura, não é possível identificar a quem pertence, face a inexistência de qualificação da pessoa que assinou o referido documento. A contribuinte também se esquivou de demonstrar que os valores pagos à APUSM foram direcionados à Unimed Santa Maria. A autoridade lançadora, em complemento, à identificação das falhas apontadas na declaração da APUSM, frisou que os valores supostamente pagos ao plano de saúde não foram informados na DMED. A DMED, Declaração de Serviços Médicos, é uma obrigação acessória prevista na legislação tributária, instituída por meio da Instrução Normativa RFB nº 985, de 22/12/2009, com o objetivo de conter as informações de pagamentos recebidos por pessoas jurídicas prestadoras de serviços de saúde e operadoras de planos privados de assistência à saúde. Assim, deve ser mantida a glosa quanto ao pagamento do plano de saúde. [...]” A Recorrente apresentou uma nova declaração firmada pela Associação dos Professores Universitários de Santa Maria APUSM, fls. 74, a qual afirma que o valor de R$1.737,16 referese às despesas com o Plano de Saúde UNIMED SANTA MARIA da beneficiária Ana Maria Toniolo da Silva (a Recorrente). Esse documento de pagamento do Plano de Saúde, devidamente assinado pela Presidenta da associação, aponta que os serviços foram prestados ao Recorrente no ano calendário de 2012. Entendo que os pagamentos efetuados em favor do Plano de Saúde UNIMED SANTA MARIA no valor de R$1.737,16, correspondente à soma de R$1.542,72 e R$185,77, conforme documento de fl. 74, contendo inclusive o nome do beneficiário e a assinatura legível da Presidenta da Associação dos Professores Universitários de Santa Maria APUSM, são suficientes para demonstrar a efetividade dos pagamentos com despesas do Plano de Saúde, pois evidenciam a prestação do serviço como o seu respectivo beneficiário, no caso a Recorrente. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11060.721809/201575 Acórdão n.º 2402005.343 S2C4T2 Fl. 5 7 II GLOSA DE DESPESAS COM DENTISTA Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutiveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, a título de despesas com dentistas, os pagamentos especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” A Recorrente apresentou cópias dos pagamentos efetuados em favor do profissional Gelson Milton Zuge no valor total de R$17.640,00 (fls. 11/21), cirurgiãodentista, contendo o endereço do profissional, acompanhado de seu nome e CPF. Na peça recursal, a Recorrente apresentou a declaração de fl. 75, a qual contém o registro de que os serviços odontológicos foram prestados ao próprio Recorrente. A decisão de primeira instância entendeu que a Recorrente não comprovou as despesas com o dentista, pois os documentos não discriminaram o beneficiário ou beneficiários do tratamento odontológico, nos seguintes termos: “[...] Em relação à declaração e recibos emitidos pelo cirurgiãodentista Gelson Milton Zuge, fls. 11 a 21, apesar de terem sido sanadas as irregularidades quanto ao endereço e cidade do profissional de saúde, não discriminaram o beneficiário ou beneficiários do tratamento odontológico. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 A dedução de despesas médicas para fins tributários restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos aos seu próprio tratamento e ao de seus dependentes. Desse modo, deve ser mantida a glosa quanto ao pagamento do cirurgiãodentista. [...]” Esses documentos de pagamentos, acompanhados das declarações de prestações de serviços, apontam os serviços odontológicos prestados à Recorrente no ano calendário de 2012 (aspecto temporal do fato gerador da obrigação tributária). Entendo que os recibos (fls. 11/21), acompanhados da declaração do profissional que prestou os serviços à Recorrente (fls. 75) – contendo inclusive a assinatura, CPF, matrícula profissional –, são suficientes para demonstrar a efetividade dos pagamentos com dentista, pois evidenciam tanto a prestação do serviço como o seu respectivo tomador, no caso o Recorrente, e, além disso, tais recibos são documentos contábeis nos termos do art. 320 do Código Civil/2002. Código Civil/2002: Art. 320. A quitação, que sempre poderá ser dada por instrumento particular, designará o valor e a espécie da dívida quitada, o nome do devedor, ou quem por este pagou, o tempo e o lugar do pagamento, com a assinatura do credor, ou do seu representante. Parágrafo único. Ainda sem os requisitos estabelecidos neste artigo valerá a quitação, se de seus termos ou das circunstâncias resultar haver sido paga a dívida. Logo, assiste razão à Recorrente. Com isso, é forçoso concluir que existe fundamento que autorize o restabelecimento das despesas médicas (Plano de Saúde UNIMED SANTA MARIA) no valor de R$1.737,16 e odontológicas no valor de R$17.640,00. III CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$1.737,16, referentes ao Plano de Saúde UNIMED SANTA MARIA do declarante, e de despesas com dentista no valor de R$17.640,00, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 10680.009692/2007-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/02/2000 a 31/01/2005
DECADÊNCIA.No presente lançamento se aplica a regra insculpida no artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional. O lançamento em testilha foi realizado em 15/02/2007, estando parcialmente decadente o período de 02/2000 a 11/2001, já que, diante do caso concreto, o direito da Fazenda Pública constituir seus créditos tributários extingue-se após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, inciso do CTN.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - CFL 68. Fica sujeito às penalidades previstas em lei aquele que não presta as informações correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Servic¸o e Informac¸o~es a` Previde^ncia Social - GFIP.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. AI CFL 68.Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. No período anterior à Medida Provisória n° 448/2009, aplica-se o artigo 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, salvo se a multa no hoje prevista no artigo 32-A da mesma Lei nº 8.212/91 for mais benéfica, em obediência ao artigo 106, II, do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.042
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em prover parcialmente o Recurso Voluntário, para, no mérito aplicar a retroatividade benigna em relação à multa, nos termos do voto da relatora e considerar a decadência para os créditos tributários lançados no período fevereiro/2000 a novembro/2001. Os conselheiros Carlos Henrique de Oliveira e Miriam Denise Xavier Lazarini votaram pelas conclusões no que se refere à aplicação da retroatividade benigna.
Maria Cleci Coti Martins - Presidente Substituta
Luciana Matos Pereira Barbosa- Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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O lançamento em testilha foi realizado em 15/02/2007, estando parcialmente decadente o período de 02/2000 a 11/2001, já que, diante do caso concreto, o direito da Fazenda Pública constituir seus créditos tributários extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, inciso do CTN. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA CFL 68. Fica sujeito às penalidades previstas em lei aquele que não presta as informações correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Servico̧ e Informações à Previden̂cia Social GFIP. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. AI CFL 68.Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. No período anterior à Medida Provisória n° 448/2009, aplicase o artigo 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, salvo se a multa no hoje prevista no artigo 32A da mesma Lei nº 8.212/91 for mais benéfica, em obediência ao artigo 106, II, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 96 92 /2 00 7- 88 Fl. 559DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 1/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em prover parcialmente o Recurso Voluntário, para, no mérito aplicar a retroatividade benigna em relação à multa, nos termos do voto da relatora e considerar a decadência para os créditos tributários lançados no período fevereiro/2000 a novembro/2001. Os conselheiros Carlos Henrique de Oliveira e Miriam Denise Xavier Lazarini votaram pelas conclusões no que se refere à aplicação da retroatividade benigna. Maria Cleci Coti Martins Presidente Substituta Luciana Matos Pereira Barbosa Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 1/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS Processo nº 10680.009692/200788 Acórdão n.º 2401004.042 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Período de apuração:01/02/2000 a 31/01/2005 Data de lavratura do Auto de Infração: 15/02/2007 Data de ciência do Auto de Infração: 16/02/2007 Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância, textualizada no Acórdão no0215.2837a Turma da DRJ/BHE, que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por meio do Auto de Infração – CFL 68 DEBCAD no37.051.5803. Segundo consta dos autos, a fiscalização previdenciária constatou que o sujeito passivo infringiu o art. 32, inciso IV, § 5° da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redaçaõ da Lei n° 9.528 de 10 de dezembro de 1997, c/c o art. 225, inciso IV e §4°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048 de 06 de maio de 1999, por ter a empresa deixado de registrar nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previden̂cia Social GFIP, os segurados contribuintes individuais constantes às fls.21 a 448, no período de 01/02/2000 a 31/01/2005, conforme Relatório Fiscal da Infração. Constatado o descumprimento de obrigação acessória, foi aplicada multa, no valor originário de R$421.558,42 (quatrocentos e vinte e um mil, quinhentos e cinqüenta e oito reais e quarenta e dois centavos). Cientificado da lavratura do Auto de Infração com a aplicação de penalidade, o sujeito passivo apresentou impugnação administrativa, que foi julgada nos termos do Acórdão já referido, onde a instância a quo entendeu que constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social – GFIP, com dados que não correspondam aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o ora Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls.519/537), ratificando parte de suas alegações anteriormente expendidas e respaldando sua inconformidade nos seguintes argumentos: Extinção do crédito tributário pela decadência; Relevação da multa aplicada, com base no art. 291 do RPS; Enorme volume de trabalho originado da retificação das informações constantes das GFIPS relativas ao período de apuração(janeiro de 2000 e janeiro de 2005); Aplicaçaõ da circunstância atenuante para os períodos em que as GFIPS já foram retificadas, por força das disposições do art. 291, caput, c/c o art. 292, inc. V, ambos do Decreto n° 3.048/99; Fl. 561DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 1/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS 4 que os contribuintes autônomos que não foram informados nas folhas de pagamento das competências compreendidas no período autuado, em razão do sistema SEFIP não admitir a inserção dos dados relativos aos mesmos (autônomos), sem a aposição do número de inscrição no INSS; Recolhimento regular das contribuições previdenciárias; Possibilidade de se informar a divergência apurada na GFIP, para sanar a inconsistência. Após, sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 1/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS Processo nº 10680.009692/200788 Acórdão n.º 2401004.042 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 06/09/2007, conforme AR juntado às fl. 509, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 05/10/2010, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DECADÊNCIA O Recorrente suscita, em primeiro plano, a decadência dos créditos pretendidos pela fiscalização, uma vez que já decorridos 05 (cinco) anos entre o fato gerador e a constituiçaõ do crédito por parte da autoridade fiscalizadora. O pedido de reconhecimento da decadência foi afastado no v. Acórdão recorrido, o qual utilizou com fundamentação a aplicação do artigo 45 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, estabelece em seus incisos I e II, que o direito da Seguridade Social de apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, ou da data em que se tomar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituiçaõ de crédito anteriormente efetuada. De acordo com o Relatório Fiscal juntado à fls. 05, o Recorrente deixou de informar na GFIP os segurados contribuintes individuais autônomos, nas competências 02/2000 a 01/2005, tendo o Auto de Infração sido lavrado em 15/02/2007. Assim, a fiscalização poderia ter abrangido as competências a partir de 02/2002, havendo de se reconhecer a decadência relativamente ao período compreendido entre 02/2000 a 01/2002. O Supremo Tribunal Federal editou a Súmula Vinculante no 8, segundo a qual “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário”, de modo que o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 5 (cinco) anos. Nesse descortino, no lançamento em testilha se aplica a regra insculpida no artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional. Assim, tendo em vista que o lançamento ora guerreado foi realizado em 15/02/2007, restando parcialmente decadente, já que, diante do caso concreto, o direito da Fazenda Pública constituir seus créditos tributários extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 1/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS 6 Tornase, com isso, obrigatório acolher a preliminar suscitada pelo Recorrente para reconhecer a decadência do crédito tributário para o período de 02/2000 a 11/2001. 3. MÉRITO Não existe controvérsia quanto à questão fática vertente nos autos. O Recorrente, de fato, deixou de informar nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previden̂cia Social – GFIP segurados contribuintes individuais (empresários e autônomos), o que configura infração ao artigo 32, inciso IV, § 5° da Lei n° 8.212/1991, com a redacã̧o da Lei n° 9.528/1997, combinado com o artigo 225, IV e §4°, do Regulamento da Previden̂cia Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999 De igual sorte, o argumento de que os contribuintes individuais que não foram informados nas folhas de pagamento e GFIP das competências compreendidas no período autuado porque o sistema SEFIP não admite a inscricã̧o dos dados relativos aos mesmos sem a aposiçaõ do número de inscriçaõ no INSS, não se mostra suficiente para afastar a constatação da infração. Tal justificativa apenas reforça que o Recorrente realmente deixou de cumprir a obrigacã̧oacessória na épocaprópria, pois o contribuinte individual é segurado obrigatório da Previdência Social, conforme dispõe o inciso V, do art. 12 da Lei n° 8.212/1991, e, portanto, deve ser inscrito no INSS. Nessa esteira de entendimento, temse, por imposiçaõ legal, que o Recorrente deveria, ter incluído os mencionados trabalhadores em folha de pagamento e GFIP tempestivamente, assim como deveria ter exigido desses trabalhadores os números de suas respectivas inscrições no INSS, para só então, entender ter efetuado o cumprimento de suas obrigações acessórias. Ressaltese que, nos termos do §4° do art. 225 do Regulamento da Previdência SocialRPS, o preenchimento das informações prestadas e a entrega dos documentos da Previden̂cia Social são de inteira responsabilidade da empresa. A possibilidade de se receber aviso para regularização de GFIP, previsto na Ordem de Servico̧ Conjunta PG/DAF/DSS n° 92/98 não abrange a situação concreta vertente nestes autos, na medida em que as contribuições previdenciárias foram efetivamente recolhidas, não tendo sido apurada diferença de valor. A infração descrita referese ao descumprimento de obrigação acessória, hipótese não abrangida no normativo referido. Em síntese, o inciso I do art. 32 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 e alterações posteriores, c/c o art. 225, inciso I, § 9° do RPS, obrigada as empresas a preparar folhas de pagamento das remuneracõ̧es pagas ou creditadas a todos os segurados a seu servico̧, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social. O inciso IV, do art. 32, da Lei n° 8.212/1991 c/c o art. 225, inciso IV, do RPS, obriga informar mensalmente na GFIP todos os dados relacionados aos fatos geradores de contribuiçaõprevidenciária e outras informacõ̧es de interesse do INSS. O descumprimento dessa obrigação (acessória) sujeita o infrator à penalidade estabelecida na legislação previdenciária, motivo pelo qual não há como desconstituir o Auto de Infraçaõ lavrado. Por essas razões, o Recurso interposto, em relação a esse período, deve ter provimento negado para manter o lançamento relativamente ao período de 01/2002 a 01/2005, não atingido pela decadência. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 1/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS Processo nº 10680.009692/200788 Acórdão n.º 2401004.042 S2C4T1 Fl. 5 7 3.1 RETROATIVIDADE BENIGNA No período anterior à Medida Provisória n° 448/2009, aplicase o artigo 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, salvo se, nos dias atuais, a multa prevista no artigo 32A da mesma Lei nº 8.212/91 for mais benéfica, em obediência ao artigo 106, II, do CTN. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para reconhecer a decadência do lançamento para o período de fevereiro/2000 a novembro/2001, bem como para determinar a aplicação da retroatividade benigna no período anterior à Medida Provisória n° 448/2009, aplicase o artigo 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, salvo se, nos dias atuais, a multa prevista no artigo 32A da mesma Lei nº 8.212/91 for mais benéfica, em obediência ao artigo 106, II, do CTN, nos termos da fundamentação supra. É como voto. Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 565DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 1/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS
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Numero do processo: 19515.002695/2010-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006, 01/04/2006 a 31/05/2006, 01/10/2006 a 31/10/2006, 01/12/2006 a 31/12/2006
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se toma conhecimento do recurso voluntário interposto após o prazo de trinta dias da ciência da decisão da DRJ.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-000.172
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, José Luiz Feistauer de Oliveira, Cassio Shappo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: Winderley Morais Pereira
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006, 01/04/2006 a 31/05/2006, 01/10/2006 a 31/10/2006, 01/12/2006 a 31/12/2006 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se toma conhecimento do recurso voluntário interposto após o prazo de trinta dias da ciência da decisão da DRJ. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo. Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, José Luiz Feistauer de Oliveira, Cassio Shappo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 26 95 /2 01 0- 72 Fl. 380DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO S OUZA 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. "Tratase de três autos de infração lavrados contra a contribuinte em epígrafe, relativos a: 1. falta/insuficiência de recolhimento da contribuição para o PIS/Pasep (fls. 122/127 – a numeração de referência é sempre a da versão digital do processo), nos períodos de apuração janeiro/2006, abril/2006, maio/2006, outubro/2006 e dezembro/2006, no montante total de R$ 636.608,88; 2. falta/insuficiência de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 129/134), nos períodos de apuração janeiro/2006, abril/2006, maio/2006, outubro/2006 e dezembro/2006, no montante total de R$ 3.038.364,82; 3. multa isolada em decorrência de compensação indevida (fls. 136/139), no montante total de R$ 1.283.304,62. A autuante, no Termo de Verificação Fiscal (fls. 118/121), relata, fundamentando a lavratura dos autos de infração, que intimou a contribuinte a justificar diferenças de declaração em DCTF em relação ao informado em Dacon para alguns períodos de apuração do anocalendário 2006. Em resposta a essa intimação, a fiscalizada informou que os valores discriminados pela auditorafiscal se encontrariam suspensos por embargos de execuções fiscais ou nos pedidos de compensação administrativa (declaração de compensação). A autuante apurou, então, que os processos administrativos referentes às declarações de compensação para os períodos de apuração janeiro/2006, abril/2006, maio/2006, outubro/2006 e dezembro/2006 já se encontravam com decisões proferidas pela Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo, todas considerando as compensações como não declaradas, em razão de se tratar de créditos de terceiros ou não se referir a tributos administrados pela Receita Federal. Por essa razão, conclui a auditorafiscal, procedeuse ao lançamento de ofício das diferenças apuradas e cujas compensações foram consideradas não declaradas, bem como da multa isolada aplicada sobre o valor total compensado indevidamente. Cientificada dos autos de infração em 30/08/2010, a contribuinte apresentou impugnação em 29/09/2010 (fls. 142/180), na qual alega que: • para que a impugnação seja devidamente processada, fazse necessário que haja um número de processo administrativo referente ao auto de infração que será impugnado. No caso em tela, isso não ocorre. Tudo o que se tem é o Termo de Verificação Fiscal nº 15, de 30/08/2010, e os respectivos autos Fl. 381DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO S OUZA Processo nº 19515.002695/201072 Acórdão n.º 3201000.172 S3C2T1 Fl. 381 3 de infração, não havendo a devida referência do procedimento administrativo que deve ser indicado na ocasião do protocolo da impugnação. Por meio de consulta ao sistema Comprot da Receita Federal, podese inferir que o processo administrativo seja o de nº 19515.002695/201072. Entretanto, como não se pode ter certeza disso, se o entendimento da Delegacia de Julgamento for de que os autos de infração não são objeto desse processo administrativo ou que terão que ser impugnados separadamente, há que se declarar a nulidade deles em face da ausência de elementos necessários para que se proceda à defesa, traduzindose nítido cerceamento de defesa, o que viola o preceito previsto no art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal; • diante da prévia confissão do crédito em questão, deve se concluir pela impossibilidade dos lançamentos de ofício ora guerreados. Isso porque, no tocante aos procedimentos administrativos nº 10830.000874/200641, nº 10830.002288/200631 e nº 10830.002954/200630, a contribuinte já havia requerido sua desistência em 13/10/2006, consoante se vê pela cópia da petição aviada para os autos do processo administrativo nº 10880.720136/200548, que se tratava do processo principal ao qual os demais estavam vinculados. Independentemente, foi aviada petição específica para os autos do procedimento administrativo nº 10830.002954/200631, requerendo a desistência do pedido de compensação cujo protocolo se deu em 27/04/2007. Assim, cerca de dois anos e meio antes de ser proferido o despacho decisório naqueles autos (28/09/2009), a contribuinte já havia requerido sua desistência; • aderiu ao parcelamento especial implementado pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, tendo se manifestado pela inclusão da totalidade de seus débitos no citado parcelamento, tendo ainda protocolizado petição em todos os autos administrativos que originaram os lançamentos de ofício ora impugnados, informando sua adesão ao citado parcelamento com o intuito de parcelar o crédito tributário albergado por eles. Desse modo, caso ainda não houvesse decisão ou pedido de desistência anterior, serviria a petição para requerer a desistência de tais procedimentos administrativos. Esses protocolos se deram em 26/02/2010, enquanto os autos de infração foram lavrados mais de seis meses depois, em 30/08/2010; • os autos de infração são nulos também em razão da falta de informação do correto enquadramento legal. Diante de tal situação a impugnante fica de mãos atadas, não tendo como contestar a possibilidade e o procedimento do lançamento de ofício; • nos arts. 2º, inciso II e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, citados como enquadramento legal nos autos de infração de PIS/Pasep e de Cofins, e nos arts. 1º e 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, citado no auto de infração de PIS/Pasep, não se vê autorização para que seja efetuado o lançamento de ofício das contribuições como pretendido pela autuante; Fl. 382DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO S OUZA 4 • como não se sabe qual o dispositivo legal em que teria se baseado a auditora fiscal para proceder aos lançamentos de ofício, não há como verificar sua regularidade o que macula de vício insanável os autos de infração, devendo ser reconhecida sua nulidade. Não cabe à contribuinte a difícil prática de adivinhação dos fundamentos legais utilizados; • não há que se falar em erro de digitação, sanável, mas sim na deficiência da exposição da fundamentação legal, insanável, pois o enquadramento legal para os pretendidos lançamentos de ofício são inexistentes, resumemse a algumas das disposições legais que trazem algumas normas gerais do tributo em questão, não fazendo menção à possibilidade e/ou ao procedimento para seu lançamento de ofício, impedindo a peticionaria de efetivamente gozar com plenitude seu direito de defesa, razão pela qual deve ser decretada a nulidade dos autos de infração; • o não cumprimento de formalidade legal, mormente a falta de correto enquadramento legal, vicia o procedimento fiscal não apenas ab initio, mas in totum, seja porque toda a atividade fiscal é estritamente vinculada e regrada, não havendo espaço para a discricionariedade para a criação de penalidade pelo agente fiscal, seja porque a lei não tem palavras inúteis; • não obstante a total ausência de informação da base legal para que a autuante houvesse procedido aos lançamentos de ofício, vêse ainda que nos enquadramentos legais apontados não há especificação precisa de em quais parágrafos, incisos, alíneas e/ou números se baseou atuação fiscal. A ausência do correto enquadramento legal equivale à ausência total de enquadramento legal o que implica, mais do que nítido cerceamento de defesa, a total impossibilidade do exercício de defesa, razão pela qual são nulos os autos de infração; • não há espaço para discricionariedade por parte da Administração Pública tanto na adequação da conduta do particular à previsão legal, quanto na imposição de multa. Isso decorre da aplicação do princípio da tipicidade no direito administrativo, que por sua vez decorre, entre outros, do princípio da segurança jurídica. Para a aplicação de uma sanção é necessário que essa penalidade e a conduta imputada como infração estejam previstas em lei; • o enquadramento legal utilizado para a aplicação da multa isolada é o art. 18 e seu § 4º da Lei nº 10.833, 29 de dezembro de 2003. Pela leitura desse dispositivo verificase que há previsão para a aplicação de uma sanção desde que se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Contudo, em momento algum se vislumbra comprovação de falsidade das declarações da contribuinte. O que se tem é tão somente que as declarações de compensação que originaram a autuação em foco foram consideradas não declaradas. A simples apresentação de declaração de compensação com crédito de natureza não tributária não configura hipótese de falsidade de declaração a ensejar a aplicação da multa de ofício isolada; • é de se ater ao fato de que à época em que foram aviados os pedidos de compensação que ensejaram a presente autuação, o art. 18, caput e § 4º, da Lei nº 10.833, de 2003, limitava a imposição de multa isolada à hipótese de ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, ou seja, tinha que restar comprovada a sonegação, fraude ou conluio. A simples Fl. 383DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO S OUZA Processo nº 19515.002695/201072 Acórdão n.º 3201000.172 S3C2T1 Fl. 382 5 apresentação de declaração de compensação com créditos de natureza não tributária não configura hipótese de sonegação, fraude ou conluio a ensejar a aplicação da multa de ofício isolada. Esse é o entendimento predominante no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; • a manutenção da multa isolada acarretaria nítido bis in idem, pois tanto sua alíquota (75%) como sua base de cálculo é a mesma da multa de ofício aplicada pela falta de pagamento dos tributos que foram objeto de lançamento de ofício. A dupla autuação é vedada pelo nosso ordenamento jurídico, entendimento esse compartilhado e pacificado no Carf; • a interpretação mais adequada é no sentido de que o pedido de compensação com crédito de natureza não tributária é, na pior das hipóteses, uma infração de caráter nitidamente tributário. Não cabe punir com duas penalidades (multa isolada e multa de oficio) o mesmo fato oriundo dos pedidos de compensação com crédito de natureza não tributária; • é nítido que a multa de ofício e a multa isolada foram aplicadas para punir a mesma infração, de modo que é impossível a manutenção da multa de ofício e da multa isolada concomitantemente aplicadas sobre a mesma base de cálculo, sob pena da cláusula penal (multas) ultrapassar o valor da obrigação principal, em evidente detrimento do princípio da não propagação das multas e da não repetição da sanção tributária; • denunciou e requereu o parcelamento dos créditos tributários oriundos dos procedimentos administrativos que originaram os autos de infração. Isso porque, no tocante aos procedimentos administrativos nº 10830.000874/200641, nº 10830.002288/200631 e nº 10830.002954/200631, a peticionaria havia requerido sua desistência em 13/10/2006, consoante se vê pela cópia da petição aviada nos autos do processo administrativo nº 10880.720136/200548, que se tratava do processo principal ao qual os demais estavam vinculados, com a menção expressa dos procedimentos administrativos em questão. Inclusive foi feita nova petição requerendo a desistência específica nos autos do procedimento administrativo nº 10830.002954/200631 em 27/04/2007, cerca de dois anos e meio antes de ser proferido o despacho decisório naqueles autos (28/09/2009). A denúncia espontânea afasta a aplicação tanto da multa isolada quanto da multa de ofício; • mesmo que houvesse perdido a espontaneidade com a prolação dos despachos decisórios que consideraram como não declaradas as declarações de compensação antes que houvesse desistido de todas, ou mesmo ainda que tenha se manifestado nos autos do Termo de Verificação Fiscal nº 08, cuja resposta se deu em 10/11/2009, teria recuperado a espontaneidade, pois a adesão ao parcelamento especial se deu mais de dez meses antes da lavratura dos autos de infração ora impugnados; • caracterizada a inércia do Fisco por mais de sessenta dias, pois a última manifestação da peticionaria se deu em 2009 e os autos de infração foram lavrados em agosto de 2010, e nesse ínterim tendo ocorrido a confissão do débito e o seu parcelamento nos moldes da Lei nº 11.941, de 2009, a Fl. 384DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO S OUZA 6 espontaneidade foi recuperada, sendo nulos os autos de infração; • quanto à segunda parte do caput do art. 138 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, que diz que a denúncia espontânea deve ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, é certo que o pagamento não necessariamente deve ser à vista, ou seja, o parcelamento do débito, como no caso vertente, também é hábil à configuração da denúncia espontânea; • as normas do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, em especial seu art. 10, obriga a lavratura do auto de infração no local da verificação da falta, isto é, no próprio estabelecimento fiscalizado, porque qualquer suposto equívoco somente poderia ter ocorrido dentro do estabelecimento da contribuinte. Como os autos de infração foram lavrados fora do estabelecimento da autuada, todo o procedimento fiscal é ineficaz, devendo ser anulado ab initio; • dado o impedimento de proceder à defesa de mérito na presente autuação, como já acima dito, só cabe ainda dizer que a multa de ofício aplicada no percentual de 75% caracteriza desvio de finalidade da sanção, afrontando a vedação constitucional do confisco (art. 150, inciso IV, da Constituição Federal; • a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, ao viabilizar uma multa isolada com efeito confiscatório de 75%, a qual, aliás, a Fazenda Pública exige cumulativamente com outra multa (moratória de 20%), nega vigência aos primeiros cinco artigos da Constituição Federal e não pode ser utilizada da maneira como vem sendo aplicada; • apesar da Constituição em seu art. 150, inciso IV, fazer referência apenas a tributo quando veda o confisco, verificase que a legislação tributária não faz distinção entre a obrigação de pagar tributo e aquela imposta para o pagamento da penalidade pecuniária, o que se pode verificar pelos termos do art. 113 do CTN." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, negou provimento a impugnação, mantendo integralmente o lançamento. A decisão foi assim ementada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006, 01/04/2006 a 31/05/2006, 01/10/2006 a 31/10/2006, 01/12/2006 a 31/12/2006 ENQUADRAMENTO LEGAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A imperfeição no enquadramento legal não enseja cerceamento de direito de defesa quando a descrição dos fatos é suficientemente esclarecedora e permite compreender a infração apontada e, consequentemente, o exercício da ampla defesa. AUTO DE INFRAÇÃO. LOCAL DE LAVRATURA. Não é motivo de nulidade a preparação do auto de infração no estabelecimento da Secretaria da Receita Federal. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO S OUZA Processo nº 19515.002695/201072 Acórdão n.º 3201000.172 S3C2T1 Fl. 383 7 Não cabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor, pois tal competência é exclusiva dos órgãos do Poder Judiciário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Para que a responsabilidade seja excluída pela denúncia espontânea da infração, esta deve ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006, 01/04/2006 a 31/05/2006, 01/10/2006 a 31/10/2006, 01/12/2006 a 31/12/2006 ENQUADRAMENTO LEGAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A imperfeição no enquadramento legal não enseja cerceamento de direito de defesa quando a descrição dos fatos é suficientemente esclarecedora e permite compreender a infração apontada. AUTO DE INFRAÇÃO. LOCAL DE LAVRATURA. Não é motivo de nulidade a preparação do auto de infração no estabelecimento da Secretaria da Receita Federal. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. Não cabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor, pois tal competência é exclusiva dos órgãos do Poder Judiciário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Para que a responsabilidade seja excluída pela denúncia espontânea da infração, esta deve ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. MULTA ISOLADA. Aplicase multa isolada sobre débitos objeto de compensação considerada não declarada nas hipóteses previstas no inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” A Recorrente foi cientificada da decisão da DRJ por ciência eletrônica registrada na Caixa Postal, do Módulo eCAC do site da Receita Federal. Constando no Termo de Ciência por Decurso de Prazo (fl. 318) que o documento referente a ciência foi disponibilizado na Caixa Postal na data de 18/02/2013, sendo considerada a data da ciência por decurso de prazo no dia 05/03/2013. A Recorrente tomou conhecimento do teor dos documentos referentes a decisão da DRJ, na data de 17/06/2013, pela abertura dos arquivos correspondentes no Link Fl. 386DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO S OUZA 8 Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte(Portal eCAC), conforme consta do Termo de Abertura de Documento (fl. 319). Inconformada com a decisão da DRJ, foi interposto Recurso Voluntário (fls. 320 a 346) protocolado em 03/07/2013, alegando em sede preliminar a tempestividade do recurso, tendo em vista que a unificação da Secretaria da Receita Federal e Secretaria da Receita Previdenciária, a Portaria nº 88, de 22/01/2004 que aprovou o regimento interno do Conselho de Recursos da Previdência Social pode e deve ser aplicado no presente caso. A partir desta premissa pede a relativação da intempestividade do recurso nos termos do art. 11, XI da citada portaria. "PORTARIA nº 88, de 22 de janeiro de 2004 art. 11. Incumbe aos presidentes de Câmara de Julgamento e Junta de Recursos: ... XI relevar a intempestividade de recursos, quando, mediante despacho fundamentado, ficar demonstrado de forma inequívoca a liquidez e certeza do direito da parte;" Quanto ao mérito repisa os argumentos já apresentados na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Recurso Voluntário Preliminarmente há de se verificar a tempestividade do recurso voluntário apresentado. Conforme consta dos autos, a ciência do acórdão segundo a posição adotada pela Receita Federal ocorreu em 05/03/2013. A Recorrente pede a relativação da intempestividade. Para solução da questão é necessário uma análise da legislação que trata a matéria. O Recurso Voluntário deverá ocorrer no prazo de 30 (trinta) dias, conforme previsto no parágrafo 2°, do artigo 33, do Decreto n° 70.235/1972, verbis: “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão”. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO S OUZA Processo nº 19515.002695/201072 Acórdão n.º 3201000.172 S3C2T1 Fl. 384 9 A forma de contagem do prazo estabelecido pelo art. 33 foi previsto no art. 5º do mesmo decreto. “Art. 5°. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.” Bem, confirmado na legislação o prazo de 30 (trinta) dias a partir da ciência, para apresentação do Recurso, o passo seguinte é discutir quando se considera cientificado o Contribuinte. No caso em tela, a discussão a ciência do acórdão da DRJ foi realizado por meio de intimação eletrônica, que esta tratada no art. 23 do Decreto nº 70.235/72, que trata assim as intimações eletrônicas. "Art. 23. Farseá a intimação: ... III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. ... § 2° Considerase feita a intimação: ... III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo ... § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: ... Fl. 388DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO S OUZA 10 II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. " A análise demonstra que a ciência eletrônica é permitida e considerase realizada em duas situações. A primeira seria 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo (art. 23, III, § 2º, a). A segunda possibilidade seria na data em que o sujeito passivo efetuar a consulta na sua caixa eletrônica no Sistema eCAC, antes de transcorrido o prazo de 15 (quinze) dias. A posição da legislação é cristalina, em regra a ciência quando realizada de forma eletrônica ocorrer 15 (quinze) dias após o registro no sistema eletrônico atribuído pela Receita Federal (atualmente a caixa eletrônica do sistema eCAC). Caso o contribuinte em momento anterior a esta data, proceder a consulta das informações registradas, o prazo passa a ser o desta consulta e não mais os 15 (quinze) dias previstos. Ou seja, a consulta do contribuinte desloca o prazo para uma data inferior àquela aplicada na regra geral. Voltando a questão enfrentada no presente processo, o registro eletrônico do acórdão foi realizado em 18/02/2013 e transcorrido o prazo de 15 (quinze) dias a data da ciência foi 05/03/2013. A fruição do prazo, tendo em vista que a ciência ocorreu em uma terçafeira, teve seu termo de início sobrestado para o próximo dia de expediente normal da repartição o dia 06/03/2013 uma quartafeira, extinguindose o prazo para interposição do recurso em 04/04/2013. O Recurso Voluntário foi apresentado em 03/07/2013, após a data limite para interposição de recurso, sendo desta forma, intempestivo, não atendendo os pressupostos de admissibilidade. Quanto ao pedido de relevação da intempestividade, por aplicação analógica da Portaria nº 88/2004. Entendo que as regras do extinto Conselho de Recursos da Previdência Social não se aplicam ao CARF, visto tratarse de Conselho de Recursos distinto daquele e com Regimento Próprio, que não prevê a relevação da intempestividade. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento quanto a tempestividade e não conhecer do restante do recurso voluntário em razão da sua intempestividade. Winderley Morais Pereira Fl. 389DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO S OUZA Processo nº 19515.002695/201072 Acórdão n.º 3201000.172 S3C2T1 Fl. 385 11 Fl. 390DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO S OUZA
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Numero do processo: 13811.723056/2011-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS E DENTISTA. COMPROVAÇÃO PARCIAL. DEDUTIBILIDADE PARCIAL.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos (psicólogo) e dentista, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos. Inteligência do art. 8°, inciso II, alínea a, da Lei 9.250/1995 e do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.032
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de voto, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para restabelecer a dedução de despesas médicas e com dentista no valor de R$11.240,01.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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COMPROVAÇÃO PARCIAL. DEDUTIBILIDADE PARCIAL. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos (psicólogo) e dentista, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos. Inteligência do art. 8°, inciso II, alínea “a”, da Lei 9.250/1995 e do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de voto, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para restabelecer a dedução de despesas médicas e com dentista no valor de R$11.240,01. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 72 30 56 /2 01 1- 02 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (fls. 03/07) relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) por meio da qual se exige crédito tributário oriundo das deduções indevidas da base de cálculo, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. O crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurado, na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, referente ao exercício de 2010, ano calendário 2009, os seguintes fatos: 1. Dedução Indevida de Despesas Médicas, em decorrência do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos, no valor de R$ 25.703,49. Devidamente intimado das alterações processadas em sua declaração, o contribuinte apresentou impugnação por meio do instrumento, de fls. 02, e dos documentos de fls. 11/63, alegando, em síntese, que o valor referese a despesas médicas próprias. A DRJ julgou procedente em parte a impugnação, pois concluiu da seguinte maneira: “Sendo assim, com base no exposto, voto pela procedência em parte da impugnação apresentada e pela MANUTENÇÃO PARCIAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO constituído na presente Notificação de Lançamento de acordo com os quadros abaixo: (...).” Cientificado da decisão de primeira instância em 20/09/2013 (fl. 77), o interessado interpôs, em 21/10/2013, o recurso de fls. 78/87. Nas razões recursais aduz que: “Frente a tais considerações, requer a ora recorrente a reforma do v. acórdão de fls., a fim de que sejam julgados totalmente improcedentes os lançamentos fiscais em epígrafe, afastandose todas as glosas dos créditos realizadas pelo d. agente fiscal, tendo em vista a demonstração de que a própria recorrente recebera o tratamentos médicos em questão, sendo legítima a integralidade das deduções indicadas em sua declaração anual. Caso assim não entenda este C. Conselho, requer a recorrente que sejam aceitas ao menos as despesas médicas com (i) a Dra. Maria Ines Ramos, no valor de R$ 9.240,00; (ii) A&F Godói Clínica Médica S/C, no valor de R$ 400,00; e (iii) Dr. Marcelo Silva Catelli, no montante de R$ 1.320,00, diante da apresentação de declarações e fichas que comprovam inexoravelmente que a recorrente recebeu os respectivos tratamentos médicos. Outrossim, protesta a ora recorrente pela produção de todas as provas em direito admitidas, bem como pela posterior juntada de documentos, inclusive daqueles que a autoridade julgadora entender necessários. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13811.723056/201102 Acórdão n.º 2402005.032 S2C4T2 Fl. 3 3 Por fim, requer sejam todas as intimações e avisos realizados no endereço da ora recorrente, qual seja, na Av. Professor Alceu Maynard de Araujo, n. 443, apto. 73, bloco C, São PauloSP, sob pena de nulidade.” Ao fim, requer seja acolhido o presente recurso para cancelar o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS E DENTISTA Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutiveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, a título de despesas médicas, psicólogo, e com dentistas, os pagamentos especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou cópias dos pagamentos efetuados em favor dos seguintes profissionais: (i) Maria Inês Ramos, no valor de R$9.240,00, serviços médicos (fls. 90/96); (ii) A&F Godói Clínica Médica S/C, no valor de R$400,00, serviços médicos (fls. 97/98); e (iii) Marcelo Silva Catelli, no montante de R$1.320,00, serviços com dentista (fls. 101/112), contendo o nome do beneficiário e o endereço do profissional, acompanhado de seu nome e CPF. Esses documentos de pagamentos, acompanhados das declarações de prestações de serviços, apontam os serviços médicos e odontológicos prestados à Recorrente no ano calendário de 2009. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13811.723056/201102 Acórdão n.º 2402005.032 S2C4T2 Fl. 4 5 A decisão de primeira instancia entendeu que o Recorrente não comprovou as despesas médicas, nos seguintes termos: “[...] As Notas Fiscais apresentadas, relativas ao CENTRO ESPECIALIZADO DE OFTALMOLOGIA S/S LTDA, no valor de R$ 150,00 e ao FLEURY S/A, no valor de R$ 130,01, não vieram acompanhadas dos recibos de quitação, devendose manter a glosa das deduções a elas relativa. Os demais documentos apresentados não contêm os requisitos legais exigidos pela Lei 9.250/95, acima colacionada, uma vez que não há nestes a indicação do paciente/beneficiário do tratamento/consulta, e, por este motivo, não são hábeis a comprovar as despesas médicas deduzidas neles consignadas. Cabe destacar que os recibos apresentados somente podem fazer prova das despesas médicas pleiteadas na declaração de ajuste se atenderem a todos os requisitos exigidos pela legislação do imposto de renda, uma vez que analogamente à legislação que concede isenções, a matéria relativa à redução de base de cálculo de tributos deve ser interpretada literalmente. (...) Sendo considerados inválidos, somente com a comprovação do efetivo pagamento é que se poderia aceitar as deduções efetuadas pelo contribuinte. Essa comprovação poderia ser feita por meio de cheques nominativos coincidentes em valores e datas (que podem ser próximas) aos recibos apresentados ou, se efetuado o pagamento em dinheiro, fosse provada a disponibilidade financeira vinculada aos pagamentos na data da realização dos mesmos, como apresentação de extratos bancários com saques que justificassem os pagamentos, permitindose, assim, a verificação inequívoca do nexo causal entre os recibos apresentados e os pagamentos efetuados, com base no artigo 73 do RIR. [...]” Entendo que os recibos, acompanhados da declaração do profissional que prestou os serviços à Recorrente (fls. 90/112) – contendo inclusive a assinatura, CPF, matrícula profissional e fichas dentárias –, são suficientes para demonstrar a efetividade dos pagamentos com despesas médicas e com dentista, pois evidenciam tanto a prestação do serviço como o seu respectivo tomador, no caso o Recorrente, e, além disso, tais recibos são documentos contábeis nos termos do art. 320 do Código Civil/2002. Código Civil/2002: Art. 320. A quitação, que sempre poderá ser dada por instrumento particular, designará o valor e a espécie da dívida quitada, o nome do devedor, ou quem por este pagou, o tempo e o lugar do pagamento, com a assinatura do credor, ou do seu representante. Parágrafo único. Ainda sem os requisitos estabelecidos neste artigo valerá a quitação, se de seus termos ou das circunstâncias resultar haver sido paga a dívida. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Ademais, a mera falta de indicação do endereço do profissional e/ou do nome do paciente nos recibos apresentados para comprovar despesas médicas, com psicólogos ou com dentistas não são, por si sós, fatos que autorizem ao Fisco glosar as despesas médicas, com psicólogos ou com dentistas, especificamente quanto não há nenhum outro elemento a evidenciar o uso de despesas médicas ou com dentistas “fictícias”, desde que existam outros documentos hábeis e idôneos a comprovar a efetivada dos pagamentos e da prestação de serviços, no caso em tela as declarações dos profissionais da área de saúde e seus respectivos recibos (fls. 90/112). Com relação às Notas Fiscais relativas ao CENTRO ESPECIALIZADO DE OFTALMOLOGIA S/S LTDA, no valor de R$150,00 e FLEURY S/A, no valor de R$ 130,01, constando a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Jurídicas, entendo que se constitui em documento hábil e idôneo a comprovar tanto a prestação do serviço à Recorrente como o efetivo pagamento desse serviço, devendose restabelecer a glosa da dedução a ela relativa. Com isso, é forçoso concluir que existe fundamento que autorize o restabelecimento das despesas médicas e odontológicas no valor de R$11.240,01 (9.240,00 + 400,00 + 1.320,00 + 150,00 + 130,01). Assim, não deve ser mantida a glosa oriunda das despesas médicas (fls. 90/98) e odontológicas (fls. 101/112). As demais despesas médicas não foram comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, pois o Recorrente sinalizou os pagamentos somente por meio de recibos sem qualquer indicação do paciente/beneficiário do tratamento/consulta. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para restabelecer a dedução de despesas médicas e com dentista no valor de R$11.240,01, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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