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Numero do processo: 10580.724429/2014-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jul 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
IRPJ. INCENTIVOS FISCAIS. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS NÃO TRIBUTADOS EM FACE DA REDUÇÃO INCENTIVADA. CARACTERIZAÇÃO.
A incorporação da empresa detentora de incentivo fiscal por sua controladora, sem a preservação da reserva de capital constituída com o valor do imposto de renda que deixou de ser pago em face de incentivo fiscal na área da Sudene, seguida da distribuição de lucros aos sócios, caracteriza a distribuição do valor do imposto, vedada nos termos do art. 545 do RIR/1999.
DECADÊNCIA. EXIGÊNCIA DO IRPJ QUE DEIXOU DE SER PAGO EM DECORRÊNCIA DE INCENTIVOS FISCAIS DEVIDO À SUA DISTRIBUIÇÃO AOS SÓCIOS. TERMO A QUO.
Ao efetuar a distribuição de lucros com a utilização de saldo de reservas de capital, constituídas com o imposto que deixou de ser pago em face de incentivo fiscal, o sujeito passivo descumpre a condição suspensiva para a manutenção do incentivo fiscal e incorre na situação prevista no § 2º do art. 545 do RIR/99, sendo este o momento em que se iniciou a contagem do prazo decadencial para que o Fisco realizasse o lançamento tendente a constituição do crédito tributário em questão.
JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
Constituído o crédito pelo lançamento de ofício, ao tributo agrega-se a multa de ofício, tendo ambos a natureza de obrigação tributária principal e, sobre ele deve incidir integramente os juros à taxa SELIC, nos termos dos art. 139 e 161 do CTN c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996.
Numero da decisão: 1302-001.941
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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INCENTIVOS FISCAIS. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS NÃO TRIBUTADOS EM FACE DA REDUÇÃO INCENTIVADA. CARACTERIZAÇÃO. A incorporação da empresa detentora de incentivo fiscal por sua controladora, sem a preservação da reserva de capital constituída com o valor do imposto de renda que deixou de ser pago em face de incentivo fiscal na área da Sudene, seguida da distribuição de lucros aos sócios, caracteriza a distribuição do valor do imposto, vedada nos termos do art. 545 do RIR/1999. DECADÊNCIA. EXIGÊNCIA DO IRPJ QUE DEIXOU DE SER PAGO EM DECORRÊNCIA DE INCENTIVOS FISCAIS DEVIDO À SUA DISTRIBUIÇÃO AOS SÓCIOS. TERMO A QUO. Ao efetuar a distribuição de lucros com a utilização de saldo de reservas de capital, constituídas com o imposto que deixou de ser pago em face de incentivo fiscal, o sujeito passivo descumpre a condição suspensiva para a manutenção do incentivo fiscal e incorre na situação prevista no § 2º do art. 545 do RIR/99, sendo este o momento em que se iniciou a contagem do prazo decadencial para que o Fisco realizasse o lançamento tendente a constituição do crédito tributário em questão. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Constituído o crédito pelo lançamento de ofício, ao tributo agregase a multa de ofício, tendo ambos a natureza de obrigação tributária principal e, sobre ele deve incidir integramente os juros à taxa SELIC, nos termos dos art. 139 e 161 do CTN c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 44 29 /2 01 4- 70 Fl. 1715DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10580.724429/201470 Acórdão n.º 1302001.924 S1C3T2 Fl. 1.675 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa e Talita Pimenta Félix. Fl. 1716DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10580.724429/201470 Acórdão n.º 1302001.924 S1C3T2 Fl. 1.676 3 Relatório GRAFITECH BRASIL PARTICIPAÇÕES LTDA, já qualificada nestes autos, foi autuada e intimada a recolher crédito tributário no valor total de R$ 16.750.760,60, discriminado no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, à fl. 2. O crédito tributário constituído referese ao IRPJ que deixou de ser recolhido em face de incentivo fiscal de redução de 75% do imposto de renda devido, calculado com base no lucro da exploração, em face de projeto aprovado na área da Sudene nos termos dos arts. 551 e 552 do RIR/1999 e alterações introduzidas pelo art. 1º da MP. 219914/2001, com a redação dada pelo art. 69 da Lei nº 12.715/2012. A acusação fiscal é de que o sujeito passivo, ora recorrente, após efetuar a incorporação, em 31/07/2009, de sua empresa controlada GRAFTECH Brasil Ltda que detinha a concessão do incentivo fiscal na área da Sudene a partir do ano de 2007, efetuou a distribuição de lucros no valor de R$ 15.000.000,00, caracterizando a distribuição do valor do imposto que deixou de ser pago em face do incentivo fiscal de redução, o que é vedado pelo art. 545 do RIR/1999, conforme descrito nos excertos do Termo de Verificação Fiscal (fls. 12/20), abaixo transcritos, verbis: [...] Em procedimento de fiscalização na PARTICIPAÇÕES, desenvolvido para os anoscalendário de 2010 a 2011, ficou constatado a existência de uma incorporação seguida de uma redução de capital, cujo principal objetivo foi para distribuir Lucros Acumulados. Ocorre que dentro dos Lucros Acumulados existia a subvenção para investimentos referente a redução de IRPJ calculado com base no Lucro da Exploração da GRAFTECH que foi transferido para a PARTICIPAÇÕES, após a incorporação. Esta conduta conduta é vedada pela legislação tributária federal. A seguir descrevemos os fatos jurídicos e tributários constatados. [...] Pelo Protocolo e Justificação de Incorporação da GRAFTECH pela PARTICIPAÇÕES, respectivamente ratificado pelas 4a e 5a alterações sociais das empresas envolvidas e o Interveniente Anuente Almir Antonio Cunha de Souza, CPF 288.346.15549, assim firmaram: Protocolo e Justificação de Incorporação, em 28 de julho de 2010, pelo diretor presidente das duas empresas, o Sr. Almir Antonio Cunha de Souza, CPF 288.346.15549, que visou: "11. JUSTIFICATIVAS E CONSIDERAÇÕES 2.2 — Tendo em vista que o único investimento detido pela INCORPORA DORA corresponde às quotas da própria INCORPORADA, os administradores de ambas as sociedades entendem que deixou de ter significado a segregação de atividades, não se justificando a manutenção de estruturas administrativas e operacionais isoladas para a condução dos negócios sociais. Dessa maneira, a reestruturação societária tem o propósito de concentrar, na INCORPORADORA, as Fl. 1717DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10580.724429/201470 Acórdão n.º 1302001.924 S1C3T2 Fl. 1.677 4 atividades exercidas pela INCORPORADA, proporcionando, assim os seguintes resultados: a) a simplificação da malha societária do grupo, com o encerramento da INCORPORADA; e b) a minimização e racionalização dos custos despendidos na manutenção de estruturas societárias distintas, de modo que a INCORPORA DORA concentrará a responsabilidade pela condução dos negócios, agilizando, assim, a tomada de decisão das unidades de negócios envolvidas na operação. " Considerando que a Incorporadora deterá a totalidade do capital social da Incorporada, a operação de incorporação acarretará a transferência da totalidade do acervo líquido da Incorporada à Incorporadora, em substituição ao seu investimento, sem representar, portanto, a variação do seu capital. Na forma do disposto no Artigo 1.116 da Lei n° 10.406/2002, a Incorporadora, que absorverá o patrimônio da Incorporada, sucederá esta sociedade em todos os seus bens, direitos e obrigações. Pela ata de reunião de sócios, realizada em 27 de outubro de 2010, os sócios, por unanimidade e sem reservas, deliberaram a distribuição de dividendos intermediários à sócia Graftech Switzerland, até o valor de R$15.000.000,00 (quinze milhões de reais). Pelo Laudo de Avaliação da GRAFTECH Incorporação do Acervo Líquido extrairmos o seguintes valores expressos em reais: [...] Total do Patrimônio Líquido 171.496.292,24 TOTAL DO PASSIVO_226.851.215,14 (...) 3. Da Infração — Redução — inobservância dos Requisitos Legais O lucro da exploração é uma forma de apuração dos resultados incentivados, obtidos por empresas que exercem atividades beneficiadas com redução do imposto de renda. Em outras palavras, podese dizer que o lucro da exploração é uma forma de depuração do lucro contábil (lucro líquido antes do IR), excluindo deste os resultados, positivos ou negativos, não passíveis de incentivo, ou que reduzem os lucros incentivados. O lucro líquido a que se refere deve ser apurado antes de calculada a provisão para o imposto de renda, que a lei tributária determina como base imponível do IRPJ que deve ser apurada com observância das leis comerciais e, em especial, da Lei n° 6.404, de 1976 (Lei das Sociedades por Ações), consoante dispõem o art. 248 do RIR de 1999, a seguir relacionado: [...] Estão obrigadas a calcular o lucro da exploração as pessoas jurídicas submetidas à apuração trimestral ou anual do imposto de renda com base no lucro real que gozem de benefícios fiscais calculados com base no lucro de exploração, tais como empresas instaladas nas áreas de atuação da SUDENE que tenham direito à redução do imposto, de acordo com a legislação respectiva. Fl. 1718DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10580.724429/201470 Acórdão n.º 1302001.924 S1C3T2 Fl. 1.678 5 Os conceitos e regras do Lucro de Exploração estão estipulados na Legislação Tributária Federal e estão condicionados, ao disposto no artigo 544 do RIR/99, in verbis: [...] A redução do imposto para empreendimentos industriais e a demonstração do lucro estão previstas, inicial e respectivamente, nos arts. 551 e 552 do RIR/99, por sua vez a Medida Provisória n° 2.19914/2001, com suas alterações posteriores, estipulou para vigorar a partir do anocalendário de 2000, a legislação do imposto de renda, referente aos incentivos fiscais de redução do imposto calculado com base no lucro de exploração (SUDAM e SUDENE). Conforme a seguir descrito: [...] Dessa forma, ficou confirmado a distribuição de lucros através da escrituração digital, na conta 610.4310.1020 Lucros Acum Ajust Gaap da PARTICIPAÇÕES, bem como dos valores declarados na Ficha 10 Cálculo da I snção e Redução do Imposto sobre o Lucro Real Pj em Geral da GRAFTECH, das DiPJ's de 2008 a 2011, a título de Total da Isenção e Redução. Assim discriminado: Ano Calendário Ficha Linha Nome da Linha Declarada na DIPJ Valor TOTAL 2007 10 36 TOTAL DA ISENÇÃO E REDUÇÃO 706.011,25 2008 10 36 TOTAL DA ISENÇÃO E REDUÇÃO 4.608.432,45 2009 10 41 TOTAL DA ISENÇÃO E REDUÇÃO 1.774.032,65 2010 10 41 TOTAL DA ISENÇÃO E REDUÇÃO 4.094.926,34 11.183.402,69 No caso concreto, no curso da fiscalização, o contribuinte foi intimado para esclarecer a origem e a destinação do dividendos ou lucros distribuídos, pagos ou creditados, no valor de R$15.000.000,00 (quinze milhões de reais) declarados na Ficha 38 A, linha 11, da DIPJ/11, discriminando por numero e nome das contas os respectivos lançamentos contábeis, bem como apresentar a respectiva documentação comprobatória. O contribuinte limitouse a responder que a origem era dos lucros acumulados e a destinação foi para a Graftech Swittzerland S.A. A redução de capital devido a incorporação da GRAFTECH à PARTICIPAÇÕES que teve como objetivo a reorganização das atividades do Grupo Graftech, visando, principalmente, transferir à PARTICIPAÇÕES o incentivo fiscal do Lucro de Exploração e distribuição de lucros, não possui amparo legal. Pois, analisando o disposto no art. 545 do Decreto n° 3.000, de 1999, que ao regulamentar o art. 19, § 3°, do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e art. 1°, inciso I, do DecretoLei n° 1.730, de 17 de outubro de 1979, que assim dispõe: "Art. 545. O valor do imposto que deixar de ser pago em virtude das isenções e reduções de que tratam os arts. 546, 547, 551, 554, 555, 559, 564 e 567 não poderá ser distribuído aos sócios e constituirá reserva de capital da pessoa jurídica, que somente poderá ser utilizada para absorção de prejuízos ou aumento do capital social (DecreioLei n° 1.598, de 1977, art. 19, § 3o, e DecretoLei n° 1.730, de 1979, art. Io, inciso I). Fl. 1719DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10580.724429/201470 Acórdão n.º 1302001.924 S1C3T2 Fl. 1.679 6 § 1° Consideramse distribuição do valor do imposto (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 19, § 4, e Decretolei n° 1.825, de 22 de dezembro de 1980, art. 2, §3?): I a restituição de capital aos sócios, em casos de redução do capital social, até o montante do aumento com incorporação da reserva; (...) § 2 A inobservância do disposto neste artigo importa perda da isenção e obrigação de recolher, com relação à importância distribuída, o imposto que a pessoa jurídica tiver deixado de pagar, sem prejuízo da incidência do imposto sobre o lucro distribuído, quando for o caso, como rendimento do beneficiário, e das penalidades cabíveis (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 19, § 5° DecretoLei n° 1.825, de 1980, art. 2°, § 2°, e Lei n° 9.249, de 1995, art. 10)." (grifouse) O caput do referido dispositivo legal verificase que é cristalino o objetivo da norma transcrita, ou seja, propiciar a capitalização das empresas instaladas nas regiões norte e nordeste do País, razão pela qual tal dispositivo obriga que o imposto que deixar de ser pago em virtude das referidas isenções passe a constituir reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorção de prejuízo ou aumento de capital. Observese que, tanto numa como noutra hipótese de utilização da reserva de capital formada com o imposto que deixou de ser pago, o que a lei está a preservar é o capital da pessoa jurídica. Na primeira hipótese (utilização da reserva para absorção de prejuízos), o objetivo é, claramente, o de manter a integridade do capital social da empresa que experimentou prejuízos, preservandoo com o uso da reserva o capital aportado pelos sócios; na segunda hipótese o objetivo é, sem dúvida, o de estimular o crescimento da empresa, com um aporte de recursos públicos ao seu capital. Sendo esta uma verdade inconteste, é lógico que não poderia o legislador admitir que a empresa beneficiada com a isenção pudesse reduzir o seu capital social, após têlo aumentado com reservas oriundas de impostos, sem perder o benefício, ainda que o capital social fosse também formado de outros valores que não aqueles advindos da reserva de isenção. Da leitura dos §§ 1° e 2° do art. 545 do Decreto n° 3.000, de 1999, depreende se que se considera distribuição do valor do imposto a restituição de capital aos sócios, em casos de redução do capital social, até o montante do aumento (do capital) com incorporação de reserva; o que significa que a distribuição da reserva de capital proveniente dos incentivos, ou a restituição de capital aos sócios, procedida por empresa incentivada que tenha capitalizado tal reserva, seria tributada até o montante do aumento do capital com a incorporação da reserva, mediante o recolhimento do imposto que deixou de ser pago. Desse modo, as reduções de capital sempre atingirão o valor da reserva de incentivo capitalizada e, somente depois, a parcela do capital aportada pelos sócios uma vez que não se poderia manter o benefício fiscal, em relação ao valor que for restituído aos sócios, se, ao contrário do que objetivou a lei (propiciar a capitalização das empresas instaladas nas regiões norte e nordeste do País), a empresa está promovendo uma descapitalização. Concluise que com a realização deste procedimento ficou possibilitado GRAFTECH o efe'to (SIC) tributário da diminuição da base de cálculo do IRPJ, nos anoscalendario de 2007 a 2010, no valor total de R$ 11.183.402,69 (onze milhões, Fl. 1720DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10580.724429/201470 Acórdão n.º 1302001.924 S1C3T2 Fl. 1.680 7 cento e oitenta e três mil, quatrocentos e dois reais e sessenta e nove centavos) oriundos do Lucro de Exploração. Dessa forma com a incorporação e distribuição de lucros, no anocalendário de 2010, pela PARTICIPAÇÕES deve de Ofício ser ajustado na apuração da Base de Cálculo do IRPJ, no valor de R$ 11.183.402,69 (onze milhões, cento e oitenta e três mil, quatrocentos e dois reais e sessenta e nove centavos) oriundos do Lucro de Exploração. Assim, ficou claro e contundente que os já mencionados atos jurídicos e tributários praticados feriram para o IRPJ os arts. 248, 544, 545 551 e 552 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 1999 e o art. 1o da Medida Provisória n° 2.19914/2001, com a redação dada pela Lei n° 12.715/12. [...] Cientificada da autuação a interessada apresentou impugnação tempestiva, tendo suas alegações sintetizadas no acórdão recorrido, verbis: (I) o Auto de Infração em epígrafe foi lavrado em descompasso com o disposto no art. 142 do CTN, uma vez que: (a) foi alicerçado em meras presunções, sem qualquer prova material das infrações atribuídas; (b) contém manifesto vício de motivação, haja vista a obscuridade do Termo de Verificação Fiscal em esclarecer como teria ocorrido a alegada restituição de capital aos sócios; e (c) por promover, de forma incorreta, a apuração da suposta materialidade do imposto devido (II) quanto ao mérito, verificase que, a rigor, a operação de incorporação e a consideração dos atos posteriores a ela são desinfluentes para a solução do caso, porquanto a sociedade incorporada detinha um saldo de lucros acumulados (anterior à operação societária em questão) mais do que suficiente para fazer frente à distribuição dos lucros, sendo absurda a premissa de que teria sido, de algum modo, atingido o valor da reserva de capital ou do próprio capital investido; (III) ainda que assim não fosse, não houve qualquer redução de capital, mas mera incorporação de sociedade, o que não equivale, em absoluto, a uma restituição do capital ao sócio, mas sim a uma sucessão universal de bens; (IV) além da incorporação não traduzir hipótese de restituição de capital ao sócio, as provas já acostadas ao procedimento fiscal, bem como as que ora são trazidas em defesa, evidenciam que os lucros foram distribuídos à sócia estrangeira da Impugnante tendo como origem o saldo escriturado na conta de Lucros Acumulados, seja considerando (a) o saldo detido em 2006 pela sociedade incorporadora, (b) o saldo formado a partir dos anoscalendário de 2007 a 2010 e, principalmente, (c) o saldo apurado pela sociedade controlada antes da incorporação, não implicando, sob qualquer perspectiva, a descapitalização da pessoa jurídica. (V) por outro lado, mesmo que se pudesse entender que o saldo da conta de lucros acumulados da Impugnante refletia parcela do imposto isento, ainda assim, a consideração do lucro do período apurado pela sociedade incorporada (que, evidentemente, não reflete o valor do benefício fiscal) faria com que não houvesse qualquer tributo devido; (VI) não poderia prosperar, outrossim, a exigência do imposto correspondente aos anoscalendário de 2007 e 2008, tendo em vista a extinção do crédito tributário Fl. 1721DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10580.724429/201470 Acórdão n.º 1302001.924 S1C3T2 Fl. 1.681 8 por força da decadência (art. 150, §4°, do CTN), bem como de toda a regência infraconstitucional dos prazos preclusivos para a Administração Pública sancionar o sujeito passivo; (VII) mediante a recomposição dos valores supostamente devidos segundo o regime de competência, o valor do crédito tributário seria substancialmente reduzido; e (VIII) por fim, não há que se falar em exigência de juros de mora sobre a multa, é a presente para requerer: (I) o processamento da presente impugnação, com seu encaminhamento à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento competente; (ÍI) a intimação da Impugnante, com antecedência razoável, dando ciência do local, data e horário da sessão de julgamentos, para que, por seus patronos, possa exercer o direito ao contraditório e à ampla defesa, inclusive mediante defesa oral das razões e apresentação de esclarecimentos de fato perante as autoridades julgadoras; e, ao final, (III) o cancelamento integral das exigências fiscais referentes ao Auto de Infração em epígrafe. A 5ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1458.224, de 29/04/2015 (fls. 1530/1538), considerou improcedente o lançamento com a seguinte ementa: IRPJ. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS ISENTOS DO IRPJ, EM RAZÃO DE INCENTIVOS FISCAIS. INOCORRÊNCIA. Comprovado que o contribuinte descumpriu o disposto no art. 545 do RIR/99, haja vista que possuía reservas de lucros de períodos anteriores, passiveis de distribuição, cancelase a exigência. Do voto condutor do acórdão recorrido colhemse os seguintes fundamentos para a exoneração do crédito, ora em discussão, verbis: Em litígio a exigência de ofício do IRPJ, anocalendário de 2010, imputados à empresa GRAFTECH BRASIL PARTICIPAÇÕES LTDA., em face de distribuição de lucros que, segundo a Fiscalização seriam oriundos de atividade incetivada (isentos), pelo que não poderiam ser distribuidos à luz do art. 545 do RIR/1999. Conforme relatado, a impugnante não contesta a existência da reserva de lucros não passiveis de distribuição, oriundos da Graftech Brasil Ltda (CNPJ 15.114.473/000197), apontado pela Fiscalização. Todavia, afirma que a Graftech Participações possuía lucros acumulados, anteriores à incorporação da Graftech Brasil, passiveis de distribuição. Vejamos suas alegações (verbis): "(...) 19. Após efetivada a incorporação, e considerando que a atividade empresarial até então desempenhada pela "Graftech Brasil" passou a ser exercida pela Impugnante, esta procedeu, nos termos do art. 9°, §11, da Lei n° 8.167, de 16/01/1991, à comunicação do ato societário à SUDENE, obtendo, destarte, novo Laudo Constitutivo que lhe permitiu continuar a fruir do incentivo fiscal concedido à sociedade incorporada (doe. 07). Fl. 1722DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10580.724429/201470 Acórdão n.º 1302001.924 S1C3T2 Fl. 1.682 9 20. Independentemente disso, a Impugnante, que antes da incorporação possuía lucros acumulados de R$ 76.090.119,02 conforme as demonstrações financeiras anexas (doc 08), deliberou a distribuição de lucros à sua sócia estrangeira no valor de R$ 15.000.000,00, conforme Ata de Deliberação datada de 27/10/2010 (fls. 1053/1054 dos autos), e que tomou por base o balanço apurado em setembro de 2010. 21. Vale ressaltar, desde já, que tal distribuição, feita à conta de lucros acumulados, não levou em momento algum à "descapitalização" da pessoa jurídica e nem tampouco atingiu as reservas de capital legalmente exigidas. 22. E isso porque, levandose em consideração que a "Graftech Brasil" já possuía antes da incorporação reservas de lucros no montante de R$ 26.266.391,75, no qual não está computado o valor do incentivo fiscal, quaisquer outras decorrências da operação de incorporação ou da própria formação do lucro da sociedade incorporadora se mostrava irrelevante para este fim. 23. Seja como for, vale ainda o registro de que a Impugnante, já no ano de 2006 (anterior à fruição do incentivo fiscal por sua sociedade controlada) possuía, como ressaltado, lucros acumulados no valor de R$ 19.513.172,75, suficiente para fazer frente à referida distribuição. 24. Assim, e consoante se observa já neste preâmbulo, os procedimentos adotados não implicaram, em momento algum, a "descapitalização" da sociedade: a uma, porque a incorporação levada a efeito, se de um lado eliminou o valor das participações societárias, de outro elevou o acervo líquido da Impugnante no valor correspondente; a duas, porque o valor distribuído ao seu sócio estrangeiro foi feita com suporte nos lucros acumulados, que "na filha" incentivada, antes mesmo da incorporação, já eram suficientes para fazer frente ao pagamento dos dividendos. 25. Portanto, o próprio histórico das operações acima revela que a aludida incorporação não levou a uma redução do capital social, ou sua restituição aos sócios (nele incluído o valor do incentivo fiscal aproveitado pela sociedade incorporada). (...)" Pois bem, a partir da análise dos documentos trazidos aos autos, formei plena convicção de que cabe razão ao contribuinte. As demonstrações contábeis de fls. 1448 a 1470, comprovam que a Graftech Participações possuía em 2010, antes da incorporação, reservas de lucros acumulados de 76.090.119,02 (fl. 1465), ou seja, valor bem maior do que os 15.000.000,00 distribuídos em dezembro/2010 (fl. 1470). Evidenciase no TVF, à fl. 13 dos autos, que a autoridade fiscal atentou ao fato de que a Graftech Participações possuia essa reserva de lucros, anteriores à incorporação da Graftech Brasil, porem entendeu que esses valores também não poderiam ser distribuídos, pois "Da leitura dos §§ 1° e 2° do art. 545 do Decreto n° 3.000, de 1999, depreendese que se considera distribuição do valor do imposto a restituição de capital aos sócios, em casos de redução do capital social, até o montante do aumento (do capital) com incorporação de reserva; o que significa que a distribuição da reserva de capital proveniente dos incentivos, ou a restituição de capital aos sócios, procedida por empresa incentivada que tenha capitalizado tal reserva, seria tributada até o montante do aumento do capital com a incorporação da reserva, mediante o recolhimento do imposto que deixou de ser pago". Fl. 1723DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10580.724429/201470 Acórdão n.º 1302001.924 S1C3T2 Fl. 1.683 10 Ocorre que a fiscalização atentou apenas para o Balanço da Graftech Brasil (transcrito à fl. 15), cuja reserva de lucros era apenas de R$ 26.266.391,75. Repita se: a incorporadora, Graftech Brasil, possuia reservas de lucros suficientes para a distribuição, sendo que esse evento (distribuição dos Lucros) ocorreu em 27/10/2010 (TVF fl. 14, abaixo), somente após essa incorporação, realizada em 28/7/2010 (TVF, fl 14, acima). Como a exoneração de crédito tributário superou o limite de alçada (R$ 1.000.000,00), a Turma Julgadora recorreu de ofício a este Colegiado. nos termos do art. 34, inc. I do Decreto nº 70.235/1972, observandose o disposto na Portaria MF nº 3/2008. Em 21 de junho de 2016, a interessada protocolizou petição visando a prestar esclarecimentos adicionais aos argumentos de defesa, tendo em vista as questões de fato suscitadas no julgamento iniciado no dia 07 de junho de 2016 e interrompido em face a pedido de vistas. Neste documento a interessada reitera a alegação de que existiam lucros acumulados disponíveis para distribuição aos sócios antes mesmo de ter se iniciado o gozo do incentivo fiscal e prestou outros esclarecimentos sobre os aumentos de capital realizados pela "Grafitech Brasil", utilizandose da reserva de capital composta pelo valor do IRPJ que deixou de ser recolhido, o que era permitido pelo art. 545 do RIR/1999, sendo, portanto, legítimos. Aduz que os demais valores foram mantidos em conta de reserva de capital até a data da incorporação. Traz ainda "esclarecimentos" sobre a incorporação da Grafitech Brasil pela recorrida em julho de 2010, concluindo que o fato da incorporação da subsidiária integral não ter implicado em aumento do capital social, não significa que teria havido redução do capital social ou qualquer outra forma de devolução de capital social aos sócios. Por fim, alega que houve erro na apuração do crédito tributário exigido, na medida em que o valor do incentivo fiscal relativo ao anocalendário de 2009, efetivamente aproveitado pela incorporada foi de R$ 1.018.110,87, conforme informado na Linha 10 da Ficha 12A da DIPJ 2010 (efls. 1184/1439) e não de R$ 1.774.032,65, como constou inadvertidamente no Termo de Verificação Fiscal. Assim, suscita que, caso mantida a exigência, a parcela correspondente à diferença de R$ 755.921,78 é indevida. É o Relatório. Fl. 1724DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10580.724429/201470 Acórdão n.º 1302001.924 S1C3T2 Fl. 1.684 11 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado O crédito tributário exonerado pelo acórdão recorrido é superior ao valor mínimo fixado pelo art. 1º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, publicada no DOU de 07/01/2008, atendendose assim os pressupostos legais e regimentais para a admissibilidade do recurso de ofício. Assim, dele conheço. Quanto ao mérito, o colegiado a quo considerou o lançamento improcedente por entender que a recorrente, Graftech PARTICIPAÇÕES, possuía, antes da incorporação, reservas de lucros suficientes para a distribuição do lucro, ocorrida em dezembro de 2010 e que a fiscalização limitouse a analisar apenas o balanço da GRAFTECH Brasil, que detinha, originalmente, o projeto aprovado que concedia o incentivo fiscal . Embora a afirmação, quanto a existência de reservas de lucros acumulados na recorrente antes da incorporação, na qual se baseou o colegiado recorrido esteja devidamente comprovada nos autos, penso que a questão exige um maior aprofundamento. A autoridade lançadora entendeu que ao proceder a incorporação da empresa controlada, detentora do incentivo, a controladora (PARTICIPAÇÕES) que possuía capital social em valor inferior ao da controlada (GRAFTECH), não resguardou o valor da reserva de capital constituída com o valor dos impostos que deixaram de ser recolhidos e procedeu a distribuição de lucros, após a incorporação, o que caracterizaria uma restituição de capital ao sócio, mediante a distribuição do valor do imposto. A recorrente alega, preliminarmente, que o auto de infração foi alicerçado em meras presunções e que conteria vício de motivação, pelo que estaria em descompasso com o art. 142 do CTN. Afasto desde logo tal alegação, pois a autoridade fiscal apontou expressamente os fundamentos de fato e de direito que erigiram o lançamento, ao indicar o fato gerador da obrigação (descumprimento do art. 545, do RIR/99), determinou a matéria tributável (montante de impostos que deixaram de ser recolhidos), calculou o montante de tributos devidos e aplicou a penalidade, conforme dispõe o art. 142 do CTN. No mérito, alega que "a operação de incorporação e a consideração dos atos posteriores a ela são desinfluentes para a solução do caso, porquanto a sociedade incorporada detinha um saldo de lucros acumulados (anterior à operação societária em questão) mais do que suficiente para fazer frente à distribuição dos lucros, sendo absurda a premissa de que teria sido, de algum modo, atingido o valor da reserva de capital ou do próprio capital investido". Sustenta que, "ainda que assim não fosse, não houve qualquer redução de capital, mas mera incorporação de sociedade, o que não equivale, em absoluto, a uma restituição do capital ao sócio, mas sim a uma sucessão universal de bens". Fl. 1725DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10580.724429/201470 Acórdão n.º 1302001.924 S1C3T2 Fl. 1.685 12 Aduz que as provas acostadas aos autos, "evidenciam que os lucros foram distribuídos à sócia estrangeira da Impugnante tendo como origem o saldo escriturado na conta de Lucros Acumulados, seja considerando (a) o saldo detido em 2006 pela sociedade incorporadora, (b) o saldo formado a partir dos anoscalendário de 2007 a 2010 e, principalmente, (c) o saldo apurado pela sociedade controlada antes da incorporação, não implicando, sob qualquer perspectiva, a descapitalização da pessoa jurídica". A alegação da recorrente de que a operação de incorporação não tenha influência na solução do litígio merece reparos. As operações de transformação, incorporação, fusão e cisão de sociedades são regidas pela Lei 6.404/1976 (Lei das SA), que estabelece, verbis: Art. 226. As operações de incorporação, fusão e cisão somente poderão ser efetivadas nas condições aprovadas se os peritos nomeados determinarem que o valor do patrimônio ou patrimônios líquidos a serem vertidos para a formação de capital social é, ao menos, igual ao montante do capital a realizar. § 1º As ações ou quotas do capital da sociedade a ser incorporada que forem de propriedade da companhia incorporadora poderão, conforme dispuser o protocolo de incorporação, ser extintas, ou substituídas por ações em tesouraria da incorporadora, até o limite dos lucros acumulados e reservas, exceto a legal. § 2º O disposto no § 1º aplicarseá aos casos de fusão, quando uma das sociedades fundidas for proprietária de ações ou quotas de outra, e de cisão com incorporação, quando a companhia que incorporar parcela do patrimônio da cindida for proprietária de ações ou quotas do capital desta. § 3o A Comissão de Valores Mobiliários estabelecerá normas especiais de avaliação e contabilização aplicáveis às operações de fusão, incorporação e cisão que envolvam companhia aberta. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Art. 227. A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. § 1º A assembléiageral da companhia incorporadora, se aprovar o protocolo da operação, deverá autorizar o aumento de capital a ser subscrito e realizado pela incorporada mediante versão do seu patrimônio líquido, e nomear os peritos que o avaliarão. § 2º A sociedade que houver de ser incorporada, se aprovar o protocolo da operação, autorizará seus administradores a praticarem os atos necessários à incorporação, inclusive a subscrição do aumento de capital da incorporadora. § 3º Aprovados pela assembléiageral da incorporadora o laudo de avaliação e a incorporação, extinguese a incorporada, Fl. 1726DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10580.724429/201470 Acórdão n.º 1302001.924 S1C3T2 Fl. 1.686 13 competindo à primeira promover o arquivamento e a publicação dos atos da incorporação. Pelo que se lê dos dispositivos citados, a incorporação de uma sociedade representa, via de regra, num aumento de capital da sociedade incorporadora a ser subscrito e realizado pela incorporada mediante a versão do seu patrimônio. No entanto, o § 1º do art. 226 estabelece que as ações ou quotas do capital da sociedade a ser incorporada que forem de propriedade da companhia incorporadora poderão, conforme dispuser o protocolo de incorporação, ser extintas, ou substituídas por ações em tesouraria da incorporadora, até o limite dos lucros acumulados e reservas, exceto a legal. Examinando os termos do protocolo de incorporação (fls. 40/63), verificase as seguintes justificativas para a operação: 2.2 — Tendo em vista que o único investimento detido pela INCORPORADORA corresponde às quotas da própria INCORPORADA, os administradores de ambas as sociedades entendem que deixou de ter significado a segregação de atividades, não se justificando a manutenção de estruturas administrativas e operacionais isoladas para a condução dos negócios sociais. Dessa maneira, a reestruturação societária tem o propósito de concentrar, na INCORPORADORA, as atividades exercidas pela INCORPORADA, proporcionando, assim os seguintes resultados: (grifei) a) a simplificação da malha societária do grupo, com o encerramento da INCORPORADA; e b) a minimização e racionalização dos custos despendidos na manutenção de estruturas societárias distintas, de modo que a INCORPORADORA concentrará a responsabilidade pela condução dos negócios, agilizando, assim, a tomada de decisão das unidades de negócios envolvidas na operação. " No tópico III Condições da Incorporação, constante do protocolo consta no subitem 3.1.6 a seguinte disposição: 3.1.6 Destinação do Acervo Incorporado: Considerando que a Incorporadora deterá a totalidade do capital social da Incorporada, a operação de incorporação acarretará a transferência da totalidade do acervo líquido da Incorporada à Incorporadora, em substituição ao seu investimento, sem representar, portanto, a variação do seu capital. (grifei) No presente caso, portanto, a incorporadora (PARTICIPAÇÕES) recebeu em transferência o acervo líquido da incorporada (GRAFTECH), sem aumentar o seu capital, apenas substituindo o investimento detido pelo acervo líquido incorporado, avaliado a valor contábil. De acordo com o protocolo de incorporação, a empresa incorporada possuía em 30/06/2010. a seguinte composição patrimonial: Fl. 1727DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10580.724429/201470 Acórdão n.º 1302001.924 S1C3T2 Fl. 1.687 14 Analisando as cópias de balancetes e do livro Razão da conta de Reservas para Aumento de Capital (fls. 1440/1443), na qual a empresa incorporada (GRAFTECH) registrava o valor das reservas constituídas com o valor do imposto que deixou de ser pago em face do incentivo fiscal, conforme determina o art. 545 do RIR/1999, verificase que foram realizadas duas incorporação ao capital social daquela empresa mediante a utilização de parte daquelas reservas: em 31/12/2009, no montante de R$ 706.000,00 e em 31/05/2010, no total de R$ 4.608.000,00, resultando no saldo na conta de Reservas, em 30/06/2010, de R$ 4.178.900,49, conforme espelhado no balancete de avaliação acima transcrito. Por outro lado, no Balanço Patrimonial que consolida o patrimônio da empresa incorporada (GRAFTECH) na incorporadora (PARTICIPAÇÕES), fls. 1464/1465, verificase que remanesceu no Patrimônio Líquido da incorporadora, oriundo da incorporada uma parcela da Reserva de Capital no montante de R$ 5.113.489,88, com a extinção do capital social da incorporada. Fl. 1728DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10580.724429/201470 Acórdão n.º 1302001.924 S1C3T2 Fl. 1.688 15 Pelos dados acima expostos, verificase que a afirmação da recorrente de que não ocorreu nenhuma redução do capital da controlada, aumentado com a utilização de reservas constituídas com o valor do imposto que deixou de ser pago pela incorporada (GRAFTECH), não corresponde à realidade. É correta a sua afirmação de que a incorporação, por si só, não corresponde a uma restituição de capital ao sócio, mas sim uma sucessão universal de bens. Todavia, no caso concreto, verificase que ao ser extinto o capital social da empresa incorporada, que fora capitalizado com parte das reservas de capital, sem que estas fossem recompostas no patrimônio da incorporadora, de modo a preservar a não distribuição dos lucros constituídos com os impostos não recolhidos, combinado, mais adiante, com a efetiva distribuição de lucros ao sócio controlador, caracterizouse a distribuição, ao menos parcial de lucros que não foram tributados. Irrelevante, no meu entender, que existissem saldos de lucros acumulados na própria incorporadora, antes mesmo a incorporação, em montante suficiente para justificar a distribuição realizada, uma vez que não foi preservada a reserva de capital, prevista no art. 545 do RIR/99, por ocasião da incorporação. A uma, pelo fato de que tais lucros acumulados decorriam quase que integralmente do resultado da equivalência patrimonial em face do único investimento por ela detido, justamente na empresa GRAFTECH (incorporada). Ou seja, a distribuição de tais lucros somente se viabilizaria se a empresa controlada (GRAFTECH) distribuísse efetivamente tais lucros à controladora (PARTICIPAÇÕES) de modo que esta pudesse, por sua vez, fazer a distribuição ao seu sócio estrangeiro, uma vez que os recursos financeiros efetivos estavam de posse da controlada. A duas, porque tal distribuição somente foi feita após a incorporação da empresa controlada, quando já estavam "fundidos" os patrimônios das empresas incorporadora e incorporada e a reserva de capital obrigatória havia sido reduzida em face da sua não recomposição na data da incorporação, de modo que ficasse resguardada a não distribuição de lucros decorrentes de impostos não recolhidos. A interessada apresentou petição em 26/06/2016, (efls. ) nas quais reafirma a legalidade de seus procedimentos e pugna pelo cancelamento do lançamento. As observações feitas pela interessada em nada alteraram a minha convicção, conforme acima exposto. Não obstante, a interessada aponta a existência de um erro material na apuração dos valores devidos, especificamente quanto ao montante de tributos que deixaram de ser recolhidos no anocalendário 2009. Aponta que o valor do incentivo fiscal relativo ao anocalendário de 2009, efetivamente aproveitado pela incorporada foi de R$ 1.018.110,87, conforme informado na Linha 10 da Ficha 12A da DIPJ 2010 e não de R$ 1.774.032,65, como constou do Termo de Fl. 1729DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10580.724429/201470 Acórdão n.º 1302001.924 S1C3T2 Fl. 1.689 16 Verificação Fiscal. Assim, suscita que, caso mantida a exigência, a parcela correspondente à diferença de R$ 755.921,78 seria indevida. Analisando a DIPJ 2010, relativa ao anocalendário 2009, verifico que, de fato, embora conste da Ficha 10 (efl. 1331) o cálculo (do limite) de isenção e redução do IRPJ para o ano, no montante de R$ 1.774.032,65, o valor efetivamente aproveitado a título de incentivo fiscal na ficha 12A (efl. 1336) foi de R$ 1.018.110,87, tendo sido indevidamente considerado um valor a maior R$ 755.921,78. Portanto, o valor total de incentivo efetivamente aproveitado pela incorporada (Grafitech Brasil) até a data da incorporação foi de R$ 10.427.480,91. Assim, considerando o montante dos tributos que deixou de ser recolhido, em face da redução proporcionada pelo incentivo fiscal, pela empresa incorporada (GRAFTECH): R$ 10.427.480,91 e o saldo da conta de Reserva de Capital efetivamente preservado na data da incorporação: R$ 5.113.489,88, entendo que restou caracterizada a distribuição parcial do valor do imposto que deixou de ser pago, no montante de R$ 5.313.991,03, devendo ser restabelecida a exigência neste montante. Restabelecendose parcialmente a exigência, impõese apreciar as demais alegações contidas na impugnação apresentada pela interessada. A recorrente alega que, ainda que ainda que fosse mantida a exigência, esta não poderia prosperar com relação imposto correspondente aos anoscalendário de 2007 e 2008, tendo em vista a extinção do crédito tributário por força da decadência (art. 150, §4°, do CTN), bem como de toda a regência infraconstitucional dos prazos preclusivos para a Administração Pública sancionar o sujeito passivo. Entendo que não assiste razão a recorrente. Embora os tributos exigidos incluam os períodos de apuração do imposto dos anoscalendário 2007 e 2008, que foram objeto da redução em face do incentivo fiscal, a exigência formulada decorre do não cumprimento das normas para fruição do benefício fiscal, cuja violação ocorreu no ano de 2010, em face da incorporação da empresa beneficiária do incentivo fiscal e subsequente distribuição de lucro, caracterizando, assim, a distribuição do valor referente ao imposto que deixou de ser recolhido. Tratase de descumprimento de condição suspensiva para a não exigência do imposto, disposta no art. 545 do RIR/99, verbis: Art. 545. O valor do imposto que deixar de ser pago em virtude das isenções e reduções de que tratam os arts. 546, 547, 551, 554, 555, 559, 564 e 567 não poderá ser distribuído aos sócios e constituirá reserva de capital da pessoa jurídica, que somente poderá ser utilizada para absorção de prejuízos ou aumento do capital social (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 19, § 3º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso I). § 1º Consideramse distribuição do valor do imposto (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 19, § 4º, e DecretoLei nº 1.825, de 22 de dezembro de 1980, art. 2º, § 3º): Fl. 1730DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10580.724429/201470 Acórdão n.º 1302001.924 S1C3T2 Fl. 1.690 17 I a restituição de capital aos sócios, em casos de redução do capital social, até o montante do aumento com incorporação da reserva; II a partilha do acervo líquido da sociedade dissolvida, até o valor do saldo da reserva de capital. § 2º A inobservância do disposto neste artigo importa perda da isenção e obrigação de recolher, com relação à importância distribuída, o imposto que a pessoa jurídica tiver deixado de pagar, sem prejuízo da incidência do imposto sobre o lucro distribuído, quando for o caso, como rendimento do beneficiário, e das penalidades cabíveis (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 19, § 5º, DecretoLei nº 1.825, de 1980, art. 2º, § 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 10). § 3º O valor da isenção ou redução, lançado em contrapartida à conta de reserva de capital nos termos deste artigo, não será dedutível na determinação do lucro real. Tendo descumprido o disposto no caput do dispositivo, a interessada incorreu na hipótese prevista no § 2º do art. 544 do RIR/99, sendo este o momento que se iniciou o prazo decadencial para que o Fisco realizasse o lançamento tendente a constituir o crédito tributário em questão. Afastase, assim, a alegação de decadência. Por fim, a interessada questiona a incidência de juros sobre a multa, alegando falta de previsão legal. Não assiste razão à interessada. Dispõe o art. 161 do CTN que o crédito tributário não pago no vencimento deve ser acrescido de juros de mora, qualquer que seja o motivo da sua falta. Dispõe ainda em seu parágrafo primeiro que se a lei não dispuser de modo diverso os juros são calculado à taxa de 1% ao mês. Ocorre que o legislador estabeleceu no art. 61 da Lei n° 9.430/1996 que, a partir de janeiro de 1997, os débitos vencidos com a União serão acrescidos de juros de mora calculados pela taxa SELIC quando não pagos nos prazos previstos na legislação tributária, até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Não resta dúvida que os débitos a que se refere a Lei n° 9.430/1996 correspondem ao crédito tributário de que dispõe o art. 161 do CTN. O crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Por sua vez, o art. 113, em seu parágrafo primeiro define que a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Ora, se o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta deve abranger o tributo e a penalidade pecuniária. Fl. 1731DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10580.724429/201470 Acórdão n.º 1302001.924 S1C3T2 Fl. 1.691 18 Assim é que o art. 142 do CTN determina que a autoridade competente constitua o crédito tributário, calculando o montante do tributo e a penalidade aplicável. A multa de oficio é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida juntamente com o tributo devido. Assim, uma vez constituído o crédito pelo lançamento de ofício, ao tributo agregase a multa de ofício, tendo ambos a natureza de obrigação tributária principal e, sobre ele deve incidir integramente os juros à taxa SELIC. A jurisprudência das turmas desta câmara e da própria CSRF é majoritária a favor da incidência dos juros SELIC sobre a multa de ofício: Acórdão n° 1301000.111, de 04/12/2012: JUROS SOBRE MULTA. INAPLICABILIDADE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. NÃO OCORRÊNCIA. A obrigação tributária principal dáse com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional, de sorte que o crédito tributário corresponde à obrigação tributária principal, incluindo a multa de ofício proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Acórdão n° 1302000.959, de 07/08/2012: JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. É escorreita a cobrança de juros, calculados à taxa Selic, sobre multa de ofício, nos termos do §3°do art. 61 da Lei n°9.430/96. Acórdão n° 910100.539, de 11/03/2010 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Por tais fundamentos, rejeito a alegação de ilegalidade da incidência de juros SELIC sobre multa. Face ao exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a exigência no montante de R$ 5.313.991,03, correspondente à diferença entre a base total de imposto lançada e o saldo da conta de reservas de capital mantidas no ato da incorporação. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 1732DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10580.724429/201470 Acórdão n.º 1302001.924 S1C3T2 Fl. 1.692 19 Fl. 1733DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Numero do processo: 10950.005233/2008-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2003, 2004
EXCLUSÃO DO SIMPLES. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO NÃO DEFINITIVO. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. SÚMULA 77 DO CARF.
Não é necessário que sejam esgotadas todas as formas de defesa (impugnação e recurso), para que a Representação Fazendária possa lavrar o Auto de Infração e cobrar o crédito tributário decorrente da exclusão do contribuinte do Simples. Aplicação da Súmula 77 do CARF.
NECESSIDADE DE JUNTADA DE CÓPIA DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Tendo sido a Contribuinte intimada de todos os atos que precederam o lançamento, bem como conhecendo por outros modos o motivo de sua exclusão do Simples, tem-se como consequência a inexistência de cerceamento do direito de defesa.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO COM ORIGEM NÃO IDENTIFICADA. OCORRÊNCIA.
Conforme o art. 42 da Lei nº 9.430/96, cabe à contribuinte comprovar a origem dos depósitos não identificados em suas contas bancárias, gerando presunção de omissão de receitas quando não o faz. In casu, em que pese os argumentos e explicações oferecidos pela Contribuinte, os documentos apresentados não são suficientes para comprovar a origem dos depósitos.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. ULTRAPASSAGEM DO LIMITE LEGAL.
Sendo os valores depositados na conta bancária considerados receita omitida, restou ultrapassado o limite fixado no artigo 13, II, b, da Lei nº 9.317/96 e, portanto, correta a exclusão da Contribuinte do Simples.
IRPJ. AUTUAÇÃO CONFORME SISTEMÁTICA ELEITA PELO CONTRIBUINTE. CABIMENTO.
Válido o lançamento quando a fiscalização, após analisar os registros contábeis e documentos do contribuinte, detecta que parte das receitas foi declarada.
ARBITRAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL. OCORRÊNCIA.
Quando for impossível a apuração do lucro real, em virtude da desproporção entre a receita omitida e a declarada, então configura-se a hipótese do art. 530, II, b do RIR/99, sendo devido o arbitramento do lucro.
REFLEXOS: CSLL, PIS E COFINS.
Aplicam-se aos lançamentos da CSLL, da COFINS e do PIS, no que couber, a mesma solução que foi dada ao IRPJ.
DECADÊNCIA. PIS/COFINS. INOCORRÊNCIA.
Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, sem que haja pagamento antecipado, é aplicável o prazo decadencial previsto no artigo 173, I, do CTN.
MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. ABSORÇÃO.
O princípio da consunção ou absorção determina que não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar quando, sobre os mesmos fatos, houver sido aplicada sanção sobre o dever de recolher em definitivo, de forma que esta penalidade absorve aquela até o limite em que suas bases se identificarem. Aplicação da Súmula CARF n. 105.
Numero da decisão: 1201-001.388
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para: (i) por maioria de votos, afastar as exigências relativas ao ano-calendário de 2003, vencida a Conselheira Ester Marques, e; (ii) pelo voto de qualidade, manter as exigências relativas ao ano-calendário de 2004, vencidos o Relator e os Conselheiros João Thomé, que o acompanhou por suas conclusões, e Luís Fabiano. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Roberto Caparroz.
(assinado digitalmente)
MARCELO CUBA NETTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
RELATOR JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO - Relator.
(assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa e João Otavio Oppermann Thome.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO
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AGROINDUSTRIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003, 2004 EXCLUSÃO DO SIMPLES. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO NÃO DEFINITIVO. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. SÚMULA 77 DO CARF. Não é necessário que sejam esgotadas todas as formas de defesa (impugnação e recurso), para que a Representação Fazendária possa lavrar o Auto de Infração e cobrar o crédito tributário decorrente da exclusão do contribuinte do Simples. Aplicação da Súmula 77 do CARF. NECESSIDADE DE JUNTADA DE CÓPIA DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo sido a Contribuinte intimada de todos os atos que precederam o lançamento, bem como conhecendo por outros modos o motivo de sua exclusão do Simples, tem se como consequência a inexistência de cerceamento do direito de defesa. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO COM ORIGEM NÃO IDENTIFICADA. OCORRÊNCIA. Conforme o art. 42 da Lei nº 9.430/96, cabe à contribuinte comprovar a origem dos depósitos não identificados em suas contas bancárias, gerando presunção de omissão de receitas quando não o faz. In casu, em que pese os argumentos e explicações oferecidos pela Contribuinte, os documentos apresentados não são suficientes para comprovar a origem dos depósitos. EXCLUSÃO DO SIMPLES. ULTRAPASSAGEM DO LIMITE LEGAL. Sendo os valores depositados na conta bancária considerados receita omitida, restou ultrapassado o limite fixado no artigo 13, II, b, da Lei nº 9.317/96 e, portanto, correta a exclusão da Contribuinte do Simples. IRPJ. AUTUAÇÃO CONFORME SISTEMÁTICA ELEITA PELO CONTRIBUINTE. CABIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 52 33 /2 00 8- 89 Fl. 4745DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGU EIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO 2 Válido o lançamento quando a fiscalização, após analisar os registros contábeis e documentos do contribuinte, detecta que parte das receitas foi declarada. ARBITRAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL. OCORRÊNCIA. Quando for impossível a apuração do lucro real, em virtude da desproporção entre a receita omitida e a declarada, então configurase a hipótese do art. 530, II, ‘b’ do RIR/99, sendo devido o arbitramento do lucro. REFLEXOS: CSLL, PIS E COFINS. Aplicamse aos lançamentos da CSLL, da COFINS e do PIS, no que couber, a mesma solução que foi dada ao IRPJ. DECADÊNCIA. PIS/COFINS. INOCORRÊNCIA. Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, sem que haja pagamento antecipado, é aplicável o prazo decadencial previsto no artigo 173, I, do CTN. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. ABSORÇÃO. O princípio da consunção ou absorção determina que não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar quando, sobre os mesmos fatos, houver sido aplicada sanção sobre o dever de recolher em definitivo, de forma que esta penalidade absorve aquela até o limite em que suas bases se identificarem. Aplicação da Súmula CARF n. 105. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para: (i) por maioria de votos, afastar as exigências relativas ao anocalendário de 2003, vencida a Conselheira Ester Marques, e; (ii) pelo voto de qualidade, manter as exigências relativas ao anocalendário de 2004, vencidos o Relator e os Conselheiros João Thomé, que o acompanhou por suas conclusões, e Luís Fabiano. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Roberto Caparroz. (assinado digitalmente) MARCELO CUBA NETTO Presidente. (assinado digitalmente) RELATOR JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO Relator. (assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Redator designado. Fl. 4746DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGU EIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.005233/200889 Acórdão n.º 1201001.388 S1C2T1 Fl. 4.746 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa e João Otavio Oppermann Thome. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 977/1017 e docs. anexos fls. 1018/1027) interposto contra o Acórdão nº 0626.345 (fls. 942/968), proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (DRJ/CTA), na sessão realizada em 22/04/2010, que, por maioria de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o auto de infração. Por meio de um sucinto resumo, podese dizer que a Contribuinte foi intimada diversas vezes para esclarecer a origem dos valores depositados em sua conta bancária, mas não a cumpriu a contento, o que fez com que a Fiscalização considerasse tais valores como receitas omitidas, excluísse a empresa do Simples e calculasse o correspondente lucro, para a exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, bem como de multa isolada, relativos aos anoscalendário de 2003 e 2004. Tendo sido contextualizada a lide, passamos a um relatório pormenorizado dos autos. A ação fiscal teve início em 13/03/2006, com a intimação da Contribuinte para, no prazo de cinco dias, apresentar (i) contrato social e alterações posteriores; (ii) cartão do CNPJ; (iii) cópias de alguns documentos relacionados às ações judiciais nas quais a Contribuinte fosse titular contra a Fazenda Nacional; e (iv) os Livros Diário, Razão, Caixa, Registros de Entradas, Saídas, Apuração do ICMS e Inventário e os extratos bancários dos anoscalendário de 2003 e 2004 (fls. 04/06). Cientificada em 13/03/2006 (fl. 06), a Contribuinte, após pedido de prorrogação do prazo (fl. 07), o que foi devidamente deferido (fls. 08/09), em 19/04/2006, apresentou (i) Livro Diário nº 01 de 2003; (ii) Livro Diário nº 02 de 2004; (iii) Livro de Registro de Entradas nº 01 dos anos de 2003 e 2004; (iv) Livro de Registro de Saídas nº 01 dos anos de 2003 e 2004; (iv) Livro de Apuração de ICMS nº 01 dos anos de 2003 e 2004; (v) Livro de Inventário dos anos de 2003 e 2004; (vi) Livro Razão de 2003 e 2004; (vii) Extratos Bancários do Banco do Brasil de 2003 e 2004, da SICREDI de 2003 e 2004, do Itaú de 2004 e da Caixa Econômica Federal de 2004; (viii) Contrato Social e suas Alterações; e (ix) Cartão do CNPJ (fls. 10/29 e 1239/1537). Fl. 4747DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGU EIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO 4 Em 11/08/2006, foi formalizado Termo de Intimação nº 001/00103 (fls. 32/34), solicitando que a Contribuinte, no prazo de vinte dias, justificasse a origem dos recursos utilizados nos depósitos e lançamentos a crédito que foram individualizados na planilha de fls. 36/70, apresentasse (i) Extrato da contacorrente mantida junto à Caixa Econômica Federal, no período de 20/08/2004 a 31/12/2004; (ii) Livro de Apuração do Lucro Real; (iii) Balanços e balancetes mensais elaborados para fins de suspensão e/ou redução do valor devido a título de estimativa mensal do IRPJ e da CSLL do ano de 2004; e (iv) Cópia da matrícula e da escritura pública de compra e venda dos imóveis utilizados para aumento do capital social, informado na 3ª Alteração do Contrato Social; e, por fim, comprovasse os valores registrados nas contas 101010100051.5 – Movimentação de Terceiros, 2020104 00202.1 – Agropecuária Spaciari Ltda., 202010400640.8 – Áureo Luiz Wentz e 2020104 05486.1 – Luis A. S. Benício. Cientificada em 11/08/2006 (fl. 34), a Contribuinte, após pedido de prorrogação do prazo (fl. 72), o que foi devidamente deferido (fl. 73), em 02/10/2006, esclareceu, em sua petição (fls. 76/77), que se tratavam de movimentações de terceiros e juntou (i) Contratos de prestação de serviço de industrialização por encomenda; (ii) Contratos de compra e pagamento; (iii) Extrato da contacorrente mantida junto à Caixa Econômica Federal, no período de 20/08/2004 a 31/12/2004; (iv) Livro de Apuração do Lucro Real; (v) Balanços mensais de janeiro a dezembro de 2004; (vi) Cópia da matrícula, do contrato e da escritura pública de compra e venda dos imóveis utilizados para aumento do capital social, informado na 3ª Alteração do Contrato Social; e (vii) Comprovação das contas 202010400202.1 – Agropecuária Spaciari Ltda., 202010400640.8 – Áureo Luiz Wentz e 202010405486.1 – Luis A. S. Benício (fls. 78/92 e demais documentos nos anexos). Por entender que os documentos apresentados pela Contribuinte não foram suficientes para a comprovação de que se tratavam de movimentações de terceiros, em 25/03/2008, foram formalizados Termos de Intimação, a fim de intimar as empresas Agropecuária Spaciari Ltda. (fls. 504/505), Carne de Primeira Comércio de Produtos Alimentícios Ltda. (fls. 506/507), EW Paraná Indústria e Comércio de Alimentos Ltda. EPP (fls. 512/513), Leão & Parra Ltda. (fls. 519/521), Raçalto Brasil Agropecuária Ltda. (fls. 526/527) e Natusa Comércio de Carnes Ltda. (fls. 546/547) a apresentar, no prazo de cinco dias úteis, em relação ao contrato de compra e pagamento firmado com a Contribuinte, (i) planilha de todas as operações realizadas nos anoscalendário de 2003 e 2004, contendo data da emissão, número, série e valor total da nota fiscal, descrição e quantidade do produto vendido/adquirido, código da operação fiscal (CFOP) e condições, datas e valores de pagamento/recebimento efetuados; (ii) cópias das notas fiscais e demais documentos contábeis Fl. 4748DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGU EIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.005233/200889 Acórdão n.º 1201001.388 S1C2T1 Fl. 4.747 5 e fiscais relacionados às operações realizadas (recibos, duplicatas, contratos, etc.); e (iii) cópias das contas do razão, com o registro das operações, contendo o termo de abertura e encerramento do livro. Contudo, das empresas acima, não foi possível realizar a intimação da Carne de Primeira Comércio de Produtos Alimentícios Ltda., pois o AR retornou com a informação de “desconhecido” no endereço (fls. 508 e 815); e das empresas EW Paraná Indústria e Comércio de Alimentos Ltda. EPP e Leão & Parra Ltda, vez que os AR’s retornaram com a informação “mudouse” (fls. 514/515, 522 e 816). Cientificada em 01/04/2008 (fl. 505), a empresa Agropecuária Spaciari Ltda., segundo Termo de Verificação e Constatação Fiscal, apresentou diversos pedidos de prorrogação de prazo e, “em 18/06/2008 e em 17/07/2008, conjuntamente com o Sujeito Passivo, apresentou uma grande quantidade de documentos, referentes aos anoscalendário de 2003 e 2004, respectivamente, que compõem os Anexos II (seis volumes) e III (nove volumes) do processo administrativo fiscal” – fl. 815. Cientificada em 02/04/2008 (fls. 548), a empresa Natusa Comércio de Carnes Ltda., em 08/04/2008, colacionou tabela, notas fiscais, recibos e livro razão, contendo o termo de abertura e encerramento do livro (fls. 552/572). Cientificada em 10/04/2008 (fls. 529), a empresa Raçalto Brasil Agropecuária Ltda., em 23/04/2008, apresentou todos os documentos solicitados pela Fiscalização (planilha às fls. 531/545 e demais documentos nos anexos). Em 01/04/2008, foi formalizado Termo de Intimação nº 002/00103 (fls. 96/98), intimando a Contribuinte para, no prazo de cinco dias úteis, comprovar a origem dos valores depositados em suas contas bancárias, individualizados nas planilhas de fls. 99/134, mediante a apresentação de um Demonstrativo, correlacionando cada um dos valores depositados com os pagamentos efetuados em nome dos Clientes/Contratantes, e a juntada dos documentos (Notas Fiscais, Recibos, Duplicatas, Contratos, etc) relativos a cada uma dessas operações. Cientificada em 01/04/2008 (fl. 98), a Contribuinte, após diversos pedidos de prorrogação do prazo (fls. 135, 138 e 140), os quais foram deferidos, ainda que parcialmente (fls. 136, 139 e 141), em 18/06/2008, esclareceu, em sua petição (fls. 146/154), que se tratavam de movimentações de terceiros e procedeu a juntada de (i) planilha contendo as operações realizadas nas suas contas correntes, com as datas e os valores dos pagamentos e recebimentos efetuados em 2003 (fls. 155/164); (ii) Notas Fiscais de entrada de produtos para Fl. 4749DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGU EIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO 6 industrialização de 2003; (iii) Notas Fiscais do Produtor de 2003; (iv) Notas Fiscais de saída dos produtores de 2003; e (v) relação dos processos judiciais em que a empresa Agropecuária Spaciari Ltda. foi parte, demonstrando a situação que ensejou o pedido de falência e a necessidade de criação de outra empresa a fim de operacionalizar a movimentação financeira e possibilitar a continuidade dos serviços (documentos nos anexos II (seis volumes) e III (nove volumes), conforme apontado pela Fiscalização no Termo de Verificação Fiscal – fl. 818). Por fim, solicitou a prorrogação do prazo de 30 dias, para apresentar a documentação relativa ao ano de 2004. Ato contínuo, em 18/06/2008, foi concedido o prazo de trinta dias solicitado pela Contribuinte (fl. 165). Assim, em 17/07/2008, a Contribuinte procedeu a juntada de novos documentos, que se encontram nos anexos, conforme atestado pelo Termo de Constatação e Verificação Fiscal (fl. 815). Em 12/09/2008, a Fiscalização elaborou representação fiscal (fls. 261/265), propondo ao Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil em Maringá que procedesse a exclusão da Contribuinte do SIMPLES, desde 31/01/2003, em virtude da expressiva movimentação financeira em suas contascorrentes, sem comprovação e/ou justificação da origem, o que demonstraria a ocorrência de omissão de receitas e que a receita seria, em verdade, de R$ 3.738.841,38, valor este superior ao permitido por lei para se enquadrar na condição de empresa de pequeno porte. Diante disso, em 19/09/2008, o Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil em Maringá, por meio do Ato Declaratório DRF/MGA nº 24/08 (fl. 266), declarou excluída a Contribuinte, a qual surtiria efeitos a partir de 31/01/2003. Em 06/10/2008, foi formalizado Termo de Intimação nº 003/00489 (fls. 267/270), solicitando que a Contribuinte, em razão de sua exclusão do SIMPLES, apresentasse, no prazo de vinte dias, escrituração comercial e fiscal que demonstrasse o lucro real dos anos calendários de 2003 e 2004, contendo, inclusive, a movimentação financeira das contas correntes de sua titularidade e que, caso não possuísse essa escrituração, ficaria sujeito ao arbitramento do lucro. Após solicitação de prorrogação de prazo (fls. 271/272), o que foi deferido (fl. 273), em 05/11/2008 (fl. 500), a Contribuinte impugnou a exclusão do Simples (fls. 274/282 e anexos – fls. 283/499 e do anexo IV). Em 28/11/2008, a Fiscalização colacionou demonstrativos de depósitos e créditos não comprovados dos anoscalendário de 2003 e 2004 e de cálculo das multas isoladas Fl. 4750DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGU EIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.005233/200889 Acórdão n.º 1201001.388 S1C2T1 Fl. 4.748 7 (fls. 800/805) e, por meio do Termo de Verificação Fiscal (fls. 806/831), sintetizou as suas conclusões: EXCLUSÃO DO SIMPLES A Fiscalização, ao constatar no anocalendário de 2003 movimentação financeira de R$ 3.738.841,38, sem que a Contribuinte comprovasse ou justificasse sua origem, entendeu que estaria caracterizada receita omitida, nos termos do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 c/c artigo 24, § 1º, da Lei nº 9.249/95, e entendeu que “(...) o Sujeito Passivo deve ser excluído do Simples, na condição de Empresa de Pequeno Porte – EPP, por ter auferido receita bruta no anocalendário de 2003, ano de início de suas atividades, em valor superior a R$ 100.000,00 (cem mil reais), multiplicado pelo número de meses de atividade (R$ 100.000,00 x 11 meses)” – fl. 811. DAS DILIGÊNCIA EFETUADAS NAS OUTRAS EMPRESAS Em relação às empresas Natusa Comércio de Carnes Ltda. e Raçalto Brasil Agropecuária Ltda., a Fiscalização destacou que “Os documentos apresentados pela empresa diligenciada não comprovam nenhum dos valores dos depósitos/créditos que constam da planilha ‘Movimentação Financeira – Valores a Comprovar’, e que foi submetida ao Sujeito Passivo para comprovação, mediante o Termo de Intimação nº 001/00103, de 11/08/2006 e Termo de Intimação nº 002/00103, de 01/04/2008” – fl. 817. (...) “A empresa E. W. Paraná indústria e Comércio de Alimentos Ltda., CNPJ nº 04.095.141/000196, apresentou Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) na condição de INATIVA para os anoscalendário de 2000 a 2003, estando omissa da entrega das declarações de 2004 em diante. A empresa Carne de Primeira Comércio de Produtos Alimentícios Ltda., CNPJ nº 05.130.058/000173, apresentou Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) na condição de INATIVA para os anoscalendário de 2002 a 2004, estando omissa da entrega das declarações de 2005 em diante e a empresa Leão & Parra Ltda., CNPJ nº 00.6520.515/000194, apresentou Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) na condição de optante pelo SIMPLES para o anocalendário de 2003, estando omissa da entrega das declarações, a partir de 2004, inclusive.” – fl. 819. Fl. 4751DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGU EIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO 8 DOS DOCUMENTOS JUNTADOS PELA CONTRIBUINTE Inicialmente, a Fiscalização acentuou que “(...) assiste razão ao Sujeito Passivo em relação ao valor de R$ 17.638,76, relacionado como depósito e em relação a alguns cheques devolvidos e que não foram relacionados nas planilhas “Movimentação Financeira – Valores a Comprovar”, anexas aos Termos de Intimação nº 001/0103 e 002/0103, mas que foram excluídos na planilha “Demonstrativo Sintético dos Depósitos e Créditos Não Comprovados”, anocalendário de 2004” – fl. 817. Na sequência, defendeu que “Os documentos apresentados pelo Sujeito Passivo em atendimento ao Termo de Intimação nº 002/00103, de 01/04/2008, em 18/06/2008 e em 17/07/2008, compõemse basicamente de Notas Fiscais de Entradas, referentes aquisições de suínos e de bovinos e de Notas Fiscais de Saídas, relativas a remessa dos suínos e bovinos adquiridos para industrialização, nas quais constam como natureza da operação o Código Fiscal CFOP 5901, emitidas pelas empresas: a) E. W. Paraná Indústria e Comércio de Alimentos Ltda., CNPJ nº 04.095.141/000196; b) Carne de Primeira de Primeira Comércio de Produtos Alimentícios Ltda., CNPJ nº 05.130.058/000173; e c) Leão & Parra Ltda., CNPJ nº 00.6520.515/000194, bem como, Notas Fiscais de Saídas, referentes retornos das industrializações dos suínos e bovinos, realizadas para as empresas citadas acima, emitidas pela empresa Agropecuária Spaciari Ltda., CNPJ nº 80.865.413/000178, nas quais constam como natureza da operação o retorno de industrialização por encomenda de terceiros, Código Fiscal CFOP 5902, sem que tenha ficado demonstrada coincidência de valores entre as datas e os valores dos créditos bancários e as datas e os valores das Notas Fiscais apresentadas.” – fls. 818/819. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA “Por todo o exposto, as investigações levadas a efeito na ação fiscal junto ao Sujeito Passivo acima identificado, revelam a ocorrência de omissão de receitas caracterizada pelos depósitos e créditos bancários de origem não comprovada, relacionados nas planilhas “Movimentação Financeira – Valores a Comprovar”, sujeito a lançamento de ofício, de acordo com o disposto no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (artigo 849 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR 1999), c/c artigo 24, § 1º da lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, conforme tabelas abaixo” – fl. 820: Fl. 4752DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGU EIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.005233/200889 Acórdão n.º 1201001.388 S1C2T1 Fl. 4.749 9 ANOCALENDÁRIO 2003 Período Movimentação Financeira Receita Declarada Receita Omitida Janeiro 0,00 0,00 0,00 Fevereiro 0,00 0,00 0,00 Março 13.703,10 0,00 13.703,10 Abril 54.153,70 0,00 54.153,70 Maio 107.400,23 0,00 107.400,23 Junho 122.024,79 0,00 122.024,79 Julho 323.355,27 0,00 323.355,27 Agosto 440.968,11 0,00 440.968,11 Setembro 653.397,36 7.320,95 646.076,41 Outubro 710.203,84 0,00 710.203,84 Novembro 71.987,53 46.512,40 25.475,13 Dezembro 1.225.647,45 11.226,00 1.214.421,45 Soma 3.722.841,38 66.059,35 3.657.782,03 ANOCALENDÁRIO 2004 Período Movimentação Financeira Receita Declarada Receita Omitida Janeiro 884.453,16 132.412,31 752.040,85 Fevereiro 716.472,01 130.189,32 586.282,69 Março 1.053.077,94 156.781,47 896.296,47 Abril 1.125.072,36 330.952,68 794.119,68 Maio 1.203.948,61 526.383,00 677.565,61 Junho 1.271.493,48 618.043,68 653.449,80 Julho 1.165.339,78 436.810,16 728.529,62 Agosto 966.585,34 317.562,65 649.022,69 Setembro 706.575,96 382.474,40 324.101,56 Outubro 193.846,18 171.003,52 22.842,66 Novembro 248.099,41 211.524,46 36.574,95 Dezembro 159.680,44 159.031,55 648,89 Soma 9.694.644,67 3.573.169,20 6.121.475,47 Fl. 4753DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGU EIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO 10 LUCROS NÃO DECLARADOS (IRPJ e reflexo de CSLL) “(...) O Sujeito Passivo apurou lucro no valor de R$ 11.346,98 (onze mil, trezentos e quarenta e seis reais e noventa e oito centavos), no anocalendário 2004, conforme Demonstração do Resultado do Exercício e declarou este lucro apurado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do exercício de 2005, ano calendário de 2004, fichas 09A e 17 (doc. fls. 174 e 184), não declarando, porém, o valor do IRPJ a pagar e da CSLL a pagar na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF” – fl. 823. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E DA CSLL SOBRE BASE ESTIMADA (MULTA ISOLADA) “Tendo em vista as infrações descritas no subitens “06.01 – OMISSÃO DE RECEITAS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA” e considerando que o Sujeito Passivo optou pela tributação dos seus resultados com base no Lucro Real com Apuração Anual, para o anocalendário de 2004, ficando sujeito ao pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido com base em estimativas mensais, efetuamos a recomposição dos seus resultados mensais, com base na Receita Bruta e Acréscimos, para apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL [...], anoscalendário 2003 a 2004 (...)” – fls. 823/4. “Em razão do acima exposto, efetuamos o lançamento de ofício da multa exigida isoladamente sobre o IRPJ e a CSLL estimativa mensal, não recolhidos (...)” – fl. 824. INOCORRÊNCIA DA DECADÊNCIA “A jurisprudência administrativa, estabelecida tanto pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento quanto pelos Conselhos de Contribuintes é pacífica no sentido de que, não havendo o pagamento, nada há a homologar e a decadência se subordina ao disposto no artigo 173 do CTN, que joga o início da contagem do prazo decadencial para o primeiro dia do exercício seguinte” – fl. 827. (...) “Portanto, não resta dúvida que não se pode falar em decadência para nenhum fato gerador ocorrido em 2003” – fl. 827. DAS MULTAS “As penalidades a serem aplicadas no presente caso, decorrem da falta ou insuficiência de recolhimentos do imposto e das contribuições, apurados em procedimento de Fl. 4754DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGU EIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.005233/200889 Acórdão n.º 1201001.388 S1C2T1 Fl. 4.750 11 fiscalização, conforme estabelece o inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pelo artigo 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007 (...)” – fl. 827. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS E ARROLAMENTO DE BENS A Fiscalização deixou consignado que a presente autuação ensejará Representação Fiscal para fins Penais e que houve o arrolamento de bens. Nesse sentido, em 28/11/2008, a Representação Fazendária lavrou 5 autos de infração (fls. 835/884), para a exigência de IRPJ, CSL, PIS e COFINS, relativos aos anos calendários de 2003 e 2004, bem como de multa isolada a título de IRPJ e CSL, nos seguintes valores: Autos de Infração Fls. 835/884 IRPJ CSLL PIS COFINS TOTAL Tributo R$ 2.392.804,37 R$ 878.281,08 R$ 161.357,65 R$ 132.294,64 R$ 3.564.737,74 Multa R$ 1.794.603,27 R$ 658.710,80 R$ 121.018,16 R$ 99.220,94 R$ 2.673.553,17 Multa Isolada R$ 115.705,19 R$ 72.027,76 R$ 187.732,95 TOTAL R$ 4.303.112,83 R$ 1.609.019,64 R$ 282.375,81 R$ 231.515,58 R$ 6.426.023,86 No Auto de Infração de IRPJ, a Fiscalização tipificou as seguintes condutas para a Contribuinte (fls. 844/847): “001 – OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Omissão de receitas proveniente de valores creditados em conta de depósito, mantidos em instituições financeiras, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações não foi comprovada mediante apresentação de documentação hábil e idônea, conforme detalhado no TERMO DE VERIFICAÇAO FISCAL, em anexo, que é parte integrante deste Auto de Infração. (...) Enquadramento legal: art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995; art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996; arts. 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 279, 282, 287, e 288, do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/1999). Fl. 4755DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGU EIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO 12 002 – RESULTADOS OPERACIONAIS NÃO DECLARADOS Valor correspondente ao lucro operacional escriturado, mas não declarado, conforme descrito no TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL, em anexo, que é parte integrante deste Auto de Infração. (...) Enquadramento legal: Arts. 249, 250 e 926 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/1999). 003 – MULTAS ISOLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA Falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução, conforme descrito no TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL, em anexo, que é parte integrante deste Auto de Infração. (...) Enquadramento legal: Arts. 222 e 843 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/1999) c/c art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996 alterado pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007 c/c art. 106, inciso II, alínea “c” da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN).” As autuações de PIS e COFINS apenas tipificaram a conduta 001 descrita acima para a Contribuinte, já a autuação de CSL tipificou as condutas 001, 002 e 003 descritas acima para a Contribuinte. Em 28/11/2008, foi certificado à fl. 885 que foram juntados quatro anexos: (i) Anexo I – 2 volumes (9283 folhas); (ii) Anexo II – seis volumes (1.177 folhas); (iii) Anexo III – nove volumes (1.810 folhas); e (iv) Anexo IV – dois volumes (335 folhas). Em 18/12/2008, foi lavrado Termo de cientificação da Contribuinte de arrolamento de bens e direitos (fls. 887/889). Cientificada em 28/11/2008 (fl. 884), a Contribuinte, em 24/12/2008, apresentou Impugnação (fls. 891/910), cujos argumentos foram muito bem sintetizados no Acórdão de nº 0626.345, razão pela qual transcrevemonos (fls. 947/949): “2.1 IMPUGNAÇÃO. 18. Em preliminar, pleiteia nulidade das autuações, por não ter sido julgada previamente a manifestação contra o ADE de exclusão do Simples; afirma que, uma vez o ADE contestado, seus efeitos encontramse suspensos, impossibilitando ao auditor Fl. 4756DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGU EIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.005233/200889 Acórdão n.º 1201001.388 S1C2T1 Fl. 4.751 13 fiscal considerar a impugnante como empresa no lucro real em 2003 e, autuando a empresa nesse regime, contraria a opção (hierarquicamente superior) da contribuinte e desrespeita o princípio da legalidade; invoca o art. 196 do RIR de 1999, e o art. 15 da Lei do Simples, e aponta flagrante ofensa ao princípio do contraditório e ampla defesa, preterição do direito de defesa (art. 59, II do Decreto n° 70.235, de 1972) no caso; aduz que, mesmo se a autuação fosse cabível, deveria ter sido efetuada no regime do Simples, por ter sido esta a opção da contribuinte, e porque não havia ainda decisão acerca do cabimento do ADE; também afirma que, pelo mesmo motivo não poderiam ter sido aplicadas a multa isolada e a multa de ofício de 75%. 19. Também em preliminar, acusa a decadência do direito ao lançamento das contribuições ao PIS e Cofins nos períodos de apuração de 01 a 10/2003, sendo o lançamento regido pelo art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional CTN, Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, dado que, contrariamente ao que sustenta a fiscalização, não se aplica ao caso o disposto no art. 173, do CTN, pela ausência de pagamentos, uma vez que não havia o que ser pago, sendo que a litigante declarou e recolheu pelo Simples no anocalendário 2003, não entregou Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF à qual não estava obrigada; que, sendo os fatos geradores do PIS e da Cofins mensais, impõese o reconhecimento da decadência em relação aos mesmos nos períodos de 01 a 10/2003, pois a ciência dos autos se deu em 28/11/2008. 20. Historia os fatos, conforme já descrito na manifestação de inconformidade ao ADE, acrescentando a transcrição de cláusulas dos contratos que firmou: a. contrato de “compra e pagamento” com a Spaciari, que contratou a autuada “para os serviços de compra e pagamento dos seus suínos e bovinos, bem como para as empresas que se utilizam dos seus serviços de industrialização por encomenda”; b. com a Leão & Parra Ltda em que “a encomendada prestará à encomendante os serviços de compra de suínos e bovinos e seus respectivos pagamentos.”; c. de industrialização por encomenda da Spaciari com as suas clientes em que “a encomendada na condição de empresa frigorífica, prestará à encomendante os serviços de industrialização (abate), resfriamento, desossa e posterior carregamento de suínos. 21. No mérito, discorda que não tenha sido justificada a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias, dado trataremse de receitas objeto de notas fiscais da Spaciari; cita que o autuante consignou no TVF que foi apresentada grande quantidade de documentos pela Spaciari e pela autuada, que compõem 15 (quinze) volumes anexos ao processo, e que comprovam que as operações de abate eram realizadas pela Spaciari, enquanto a impugnante lhe prestava serviços de compra e de pagamento das mercadorias e gerenciava a Fl. 4757DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGU EIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO 14 movimentação financeira, escriturandoa em sua conta transitória de movimentação de terceiros; repete argumentos relativos ao conceito de receita bruta já apresentados na contestação ao ADE, aduzindo que toda a movimentação financeira realizada pela impugnante foi devidamente escriturada, fazendo parte, igualmente, da contabilidade da Spaciari, a qual recolheu os devidos tributos, e a presente exigência desrespeita o princípio da capacidade contributiva. 22. No que tange à presunção legal que embasou a exigência, repete argumentação já constante da contestação ao ADE. 23. Também reclama que tenha sido aplicada a alíquota de 15% sobre o valor da omissão de receita, afirmando que o autuante, ao assim proceder, desconsiderou a contabilidade da Spaciari; referenciase aos arts. 219, 284, 429, 530, I, 531, 532, 533, 537 e 541 para alegar que, no caso, cabia o arbitramento do lucro, se a pessoa jurídica deixou de cumprir as obrigações acessórias relativas à determinação do lucro real ou presumido, conforme o caso e, sendo conhecida a receita bruta, o percentual a ser aplicado na apuração do lucro arbitrado é de 9,6%, dada a atividade de prestação de serviços da autuada que se enquadra como “ atividades em geral”, aplicandose a alíquota de 15% na apuração do IR devido, sobre o lucro assim arbitrado e, se for o caso, o adicional do imposto de renda de 10%. 24. Aponta que, se tivesse sido seguido o procedimento que descreveu, evitarseia infringir o princípio constitucional do confisco, ao constituir obrigação tributária em valor praticamente idêntico àquele apurado e transcreve jurisprudência administrativa. 25. Requer, em preliminar: a. a declaração da nulidade do processo, desconstituindo o débito, dada a ausência de julgamento da manifestação de inconformidade ao ADE n° 24, de 2008, de exclusão do Simples; b. exclusão de ambas multas, a isolada e a de ofício, pelo mesmo motivo; c. reconhecimento da decadência do lançamento de PIS e Cofins dos períodos de 01 a 10/2003; 26. E no mérito: a. Reconhecimento da improcedência da autuação por omissão de receitas, por se tratar de movimentação bancária contabilizada sob conta transitória de terceiros, restando comprovada a propriedade pela Agropecuária Spaciari Ltda; b. caso não ocorra o cancelamento dos autos de infração, que seja considerado como base de cálculo para a apuração do IRPJ e da CSLL o percentual de 9,6%, ou seja, R$ 938.808,72.” Em 22/04/2010, a 2ª Turma da DRJ/CTA, por meio do Acórdão de nº 06 26.345 (fls. 942/968), decidiu, por maioria de votos: Fl. 4758DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGU EIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.005233/200889 Acórdão n.º 1201001.388 S1C2T1 Fl. 4.752 15 a) rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência e, no mérito, julgar improcedente a impugnação ao ADE e confirmar a exclusão da empresa do Simples, a partir da data da sua constituição; e b) bem como julgar improcedente a impugnação aos autos de infração, mantendo a exigência tributária, vencido o julgador Roberto Massao Chinen, que entendia que, para os dois anoscalendário, era caso de arbitramento do lucro, tendo em vista que o lucro apurado pela fiscalização (mais de 90% da receita bruta em 2003 e mais de 60% em 2004), era manifestamente irreal, configurando a situação prevista no art. 530, II, b, do RIR de 1999. O Acórdão assim foi ementado às fls. 942/943: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003, 2004 ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. EXCLUSÃO. EXCESSO DE RECEITA BRUTA. FALTA DE CIÊNCIA DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. Improcede alegado cerceamento da defesa, por não ter recebido cópia de processo onde se detecta excesso de receita bruta, se o ADE foi regularmente cientificado à contribuinte por meio de termo onde estão descritos os fatos e motivos, aliás, já conhecidos pelo contribuinte que estava sob fiscalização há quase 2 (dois) anos e já havia sido previamente intimado por duas vezes para justificar e comprovar a origem dos depósitos bancários que caracterizaram o excesso de receita bruta. EXCLUSÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. NÃO HÁ EFEITO SUSPENSIVO. Somente a exigibilidade do crédito tributário decorrente da exclusão do Simples é suspensa por recurso; a manifestação de inconformidade contra a exclusão não possui efeito suspensivo, estando a pessoa jurídica excluída sujeita, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 4759DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGU EIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO 16 Data do fato gerador: 31/03/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003 PIS. COFINS. DECADÊNCIA. DOLO FRAUDE OU SIMULAÇÃO. O prazo decadencial dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, no caso de dolo, fraude ou simulação, é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado, o que se aplica, no caso das contribuições mensais referentes até o mês de novembro, pois podem ser lançados no mesmo ano calendário. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. LEGALIDADE Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado, por determinação legal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. CRÉDITOS BANCÁRIOS. RECURSOS DE TERCEIROS. JUSTIFICATIVA NÃO COMPROVADA. Mantémse a presunção legal de omissão de receitas relativa a créditos/depósitos recebidos pela empresa em contas de sua titularidade mantidas em instituições financeiras, se as alegações de que seriam recursos de terceiros que a empresa meramente administra não estão comprovadas. IRPJ. CSLL. ARBITRAMENTO DE LUCRO POSTULADO EM IMPUGNAÇÃO A LANÇAMENTO. O arbitramento de lucros pela autoridade fiscal é uma salvaguarda do crédito tributário posta a serviço da Fazenda Pública e não pode ser utilizado como instrumento de defesa do sujeito passivo para elidir ou reduzir o imposto apurado; se a fiscalização, após o exame da escrita, faz prevalecer a tributação com base no lucro real, não pode o contribuinte opor dúvidas sobre a veracidade de sua escrituração para obter tratamento tributário que lhe seria menos oneroso. Fl. 4760DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGU EIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.005233/200889 Acórdão n.º 1201001.388 S1C2T1 Fl. 4.753 17 MULTA ISOLADA. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas multas de cinqüenta por cento, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, exigidas isoladamente no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, por estimativa mensal, que deixar de fazêlo. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” Os fundamentos do acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ/CTA, podem ser assim resumidos: NULIDADE DO ADE E DOS ATOS POSTERIORES “Como se vê, de acordo com o art. 59,1, supra, só se pode cogitar de declaração de nulidade do ADE e dos autos de infração que se inserem na categoria de ato ou termo quando esse ADE e autos forem lavrados por pessoas incompetentes (art. 59,1). A nulidade por preterição ao direito de defesa, como se infere do art. 59, II, transcrito, somente pode ser declarada quando o cerceamento está relacionado aos despachos e às decisões, ou seja, somente pode ocorrer em uma fase posterior à emissão do ADE e à lavratura dos autos de infração. Quaisquer outras irregularidades, incorreções e omissões não importarão em nulidade (...)” – fl. 950. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA “Portanto, sem fundamento a reclamação de que não teria conhecimento dos motivos da exclusão, destacandose que o teor da sua manifestação de inconformidade, também desmente essa reclamação.” – fl. 950. SUSPENSÃO DOS EFEITOS DO ADE “Contudo, a manifestação de inconformidade contra o ADE não tem efeito suspensivo no que tange aos procedimentos de exigência de livros fiscais e escrituração contábil e tampouco quanto à possibilidade de a fiscalização lavrar autos de infração de exigência de impostos e contribuições fora do Simples, mesmo que seja para prevenir a Fl. 4761DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGU EIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO 18 decadência; apenas se aplica a suspensão da exigibilidade às exigências fiscais formalizadas nos presentes autos, relativas aos anoscalendário 2004 e 2005, decorrentes da exclusão do Simples, impugnadas” fls. 950/951. DECADÊNCIA DOS LANÇAMENTOS DE PIS E COFINS DE 01 A 10/2003 “No presente caso, a empresa foi constituída visando desviar recursos que, segundo ela mesma afirma, em 2003, eram destinados à Spaciari; abriu a conta bancária Banco do Brasil 08569.7292 e recebeu depósitos desde 10/03/2003, e Sicredi n° 017159 desde 09/04/2003, enquanto declarou receitas apenas a partir de 09/2003, no total de apenas R$ 65.059,35 no ano, e zero empregados, estoques e saldos bancários; mesmo em 2004, quando alega que assumiu as atividades da Spaciari, a receita declarada, apesar de substancialmente maior, esteve longe de refletir a movimentação financeira (que alega que a partir desse ano já era sua) evidenciada pelos extratos bancários e que não explicou. Por todo o exposto, concluise ser correta a conclusão fiscal ao identificar dolo nas ações da contribuinte. Em havendo dolo, nenhum dos períodos de apuração do anocalendário 2003 foi atingido pela decadência” – fls. 955/956. EXCLUSÃO DO SIMPLES “Em resumo, recebeu recursos em suas contas, tais recursos foram rapidamente sacados ou transferidos, porém não comprova que tenham sido utilizados em pagamentos a produtores rurais pelo fornecimento de animais vivos para abate, conforme alega; assim, não há como aceitar de que se tratassem de recursos de terceiros meramente transferidos; a litigante só comprovou recebimentos originados de serviços prestados, para os quais emitiu notas fiscais em 2004 e não emitiu em 2003 (apresentou notas fiscais da Spaciari para 2003, que nada esclarecem), porém nenhum desses recebimentos coincide com os depósitos bancários questionados” – fl. 960. PRESUNÇÃO FISCAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. ÔNUS DA PROVA “No caso em análise, verificase não se tratar de simples indício de omissão de receitas, porquanto havendo uma presunção legal relativa, fica invertido o ônus, cabendo à contribuinte a produção da prova de que não teria ocorrido a omissão de receitas.” – fl. 961. Fl. 4762DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGU EIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.005233/200889 Acórdão n.º 1201001.388 S1C2T1 Fl. 4.754 19 “A litigante foi intimada, como se relatou, por duas vezes, a esclarecer a origem dos créditos/depósitos; suas justificativas repetidas na impugnação, não foram comprovadas pelos documentas que apresentou nem pelas diligências realizadas.” – fl. 961. OMISSÃO DE RECEITAS. EXCLUSÃO DO SIMPLES. PROCEDÊNCIA. “Considerandose procedente o valor da receita bruta resultante da soma das receitas declaradas com as omitidas, sendo tal valor em 2003 superior ao que era permitido à permanência no regime do Simples, procedente a exclusão da empresa da sistemática, a partir da data da sua constituição, em se tratando de empresa que iniciou suas atividades neste mesmo ano, conforme capitulação legal constante do ADE” fl. 962. Ademais, quanto ao fato de a exclusão ser retroativa, a DRJ ressaltou que, “(...) para o presente caso, a legislação [art. 15, III, da Lei nº 9.732/98] prevê a exclusão da empresa do Simples desde o início das atividades” – fl. 962. IRPJ. CSLL. LUCRO REAL ANUAL “Temse que o autuante não desconsiderou a contabilidade da autuada: conforme fls. 813 e 823, inclusive compensou prejuízo e base de cálculo negativa apuradas pela litigante em 2003, em sua contabilidade e registrada no Diário, fl. 713. O autuante respeitou a manifestação pelo lucro real anual da contribuinte, confirmada pela sua contabilidade; no caso, o autuante recompôs a apuração de resultados escriturada no livro Diário pela contribuinte, acresceu às receitas declaradas a omissão apurada, e considerou os custos e despesas escriturados, ao levar em conta o prejuízo que a contribuinte havia apurado. Por isso, tendo sido seguido corretamente o que a legislação dispõe acerca da apuração da base de cálculo, que é acrescer a omissão à base de cálculo apurada pelo contribuinte, não há que se falar em confisco, ou excesso de exação” – fls. 963/964. MULTA DE OFÍCIO “A multa de ofício calculada sobre o valor do imposto cuja falta de recolhimento se apurou, está em consonância com a legislação de regência, sendo o percentual de 75% o legalmente previsto para o lançamento de ofício, não se podendo, em âmbito administrativo, reduzilo ou alterálo por critérios meramente subjetivos, contrários ao princípio da legalidade” – fl. 967. Fl. 4763DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGU EIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO 20 MULTA ISOLADA “As multas isoladas exigidas são devido à falta de recolhimento: a. do IRPJ por estimativa em 03 a 12/2003 e 01 a 12/2004; base legal nos arts 222 e 843 do RIR de 1999, c/c o art. 44, § 1º, IV da Lei n° 9.430, de 1996, alterada pelo art. 14 da Lei n° 11.488, de 2007, c/c o art. 106, II “c” do CTN; b. da CSLL por estimativa em 03 a 12/2003 e 01 a 12/2004; base legal nos arts. 222 e 843 do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999, c/c o art. 44, II, “b” da Lei n° 9.430, de 1996, com a alteração pelo art. 14 da Lei n° 11.488, de 15 de 2007, c/c o art. 106, II, “c” do CTN” fl. 967. “Como se verifica da legislação transcrita, nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas multas de cinquenta por cento, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, exigidas isoladamente no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, por estimativa mensal, que deixar de fazêlo, como foi o caso da autuada” fl. 968. Cientificada em 13/05/2010 (fl. 975), a Contribuinte, em 08/06/2010, interpôs Recurso Voluntário (fls. 977/1017), aduzindo que: PRELIMINAR – NULIDADE “Desta forma, uma vez constatada de forma incontestável a causa ensejadora da exclusão do Simples, o auto de infração poderia se lavrar apenas após esgotadas todas as formas de defesa asseguradas ao contribuinte (impugnação e recursos) respeitando o exercício do contraditório e a ampla defesa, uma vez constatado tal vício, a decisão refutada e o presente processo administrativo é nulo em sua plenitude (...)” – fls. 984/985. PRELIMINAR – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA “No momento em que a Recorrente tomou ciência do ADE, não recebeu cópia do processo administrativo n. 10950.005233/200889 (processo administrativo que ensejou o ADE), fato que a impossibilitou de tomar conhecimento dos motivos elencados pela fiscalização para sua exclusão do SIMPLES, caracterizando cerceamento de defesa” – fl. 988. Fl. 4764DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGU EIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.005233/200889 Acórdão n.º 1201001.388 S1C2T1 Fl. 4.755 21 DA MOVIMENTAÇÃO DE TERCEIRO – NÃOULTRAPASSAGEM DO LIMITE LEGAL DO SIMPLES “Demonstrouse, dessa forma, que não houve aferição de receita pela Recorrente, mas pela empresa Agropecuária Spaciari Ltda., que as tributou regularmente. (...) Necessário atentar que, em face da titularidade das receitas, da Agropecuária Spaciari Ltda. e de outras empresas, não houve a ultrapassagem do limite previsto no art. 2º, inciso II, da Lei nº 9.317/1996 (de R$ 1.200.000,00, à época dos fatos)” – fl. 991. DA PRESUNÇÃO “Contudo, a despeito da farta documentação apresentada, houve a exclusão da Impugnante do SIMPLES, por presumir, a fiscalização, que a movimentação bancária realizada pela Recorrente seria de sua titularidade, caracterizando omissão de receita” – fl. 993. “(...) a presunção legal do artigo 40 da Lei nº 9.430, de 1996 não dispensa o Fisco de, diretamente, produzir a prova do fato indiciário. Vale dizer, mesmo havendo o artifício da presunção legal, o Fisco não se exime da produção, ainda que facilitada, da prova do fato tributado” – fls. 993/994. DA DECADÊNCIA “(...) equivocado o entendimento da Turma Julgadora, vez que desmereceu todas as provas e argumentações apresentadas pela Contribuinte, e atribuiu sem qualquer fundamentação e comprovação a presença de dolo as condutas da Recorrente” fl. 997. “Diante da farta documentação apresentada pela Recorrente, tais como livros contábeis, notas fiscais, notas de produtor, canhotos de cheque, registros internos, recibos, verificase que a imputação de dolo no intuito de fraudar ou omitir receita é totalmente descabido, pois, resta claro que as operações creditadas nas contas correntes da Recorrente tiveram caráter meramente transitório, não configurando receita, capaz de gerar a tributação” – fls. 1001/1002. A Contribuinte pugnou pela aplicação do prazo decadencial disposto no art. 150, §4º, do CTN, sob o argumento de que “(...) no anocalendário de 2003, apurou sua tributação com base no SIMPLES, recolhendoos regularmente. Desse modo, os tributos devidos pela Recorrente foram constituídos e pagos, não havendo o que se falar em ausência de pagamento” fl. 998. Fl. 4765DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGU EIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO 22 “O fato gerador e o período de apuração do PIS/PASEP e da COFINS são mensais, razão pela qual se impõe o reconhecimento da decadência em relação a estes tributos nos períodos de janeiro a outubro de 2003, haja vista que a Recorrente somente tomou ciência do auto de infração em 28 de novembro de 2008” – fl. 1000. DOS CONTRATOS DE COMPRA E PAGAMENTO E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS “Vislumbraram, os sócios, a possibilidade de atender os requisitos exigidos pelas instituições bancárias, realizando contrato para prestação de serviço à empresa Agropecuária Spaciari Ltda., bem como contrato de compra e pagamento (ambos juntados ao PAF), ocasionando a movimentação financeira da empresa Agropecuária Spaciari Ltda em conta corrente da Recorrente” – fl. 1002. “As operações, assim, continuaram a ser realizadas pela Agropecuária Spaciari Ltda (conforme notas fiscais apresentadas), com a prestação de serviço de compra e pagamento realizada pela Recorrente” fl. 1003. A contribuinte alegou que o acórdão, ora enfrentado, desconsiderou os contratos por ela apresentados sob o argumento de que não possuíam qualquer autenticação que comprovasse a data em que teriam sido assinados. Nesse sentido, alegou que “A exigência de firma reconhecida é válida somente para auferir a condição de executoriedade sob o contrato, e não influencia em sua validade” – fl. 1004, e que “Se acaso o questionamento versa sobre a data do firmamento do instrumento, uma perícia poderia confirmar a assertiva contida no documento, não poderiam os julgadores simplesmente desmerecêlos” – fl. 1004. DA COMPROVAÇÃO E JUSTIFICAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS “Devem ser apreciados os documentos trazidos pela Recorrente, pois albergouse em contratos firmados com terceiros, notas fiscais, registros fiscais, e nada foi considerado pelos Julgadores da instancia inferior, prevalecendo a presunção operada pelo Sr. AuditorFiscal” fls. 1007/1008. ARBITRAMENTO DO LUCRO “Contudo, não pode prosperar a presente autuação, pois, conforme fundamentado e bem observado pelo julgador da DFU/Curitiba SR. Roberto Massao Chinen, o lucro apurado pela fiscalização é irreal” – fl. 996. Fl. 4766DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGU EIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.005233/200889 Acórdão n.º 1201001.388 S1C2T1 Fl. 4.756 23 “Dessa forma, impõese o cancelamento dos autos de infração, ante a ausência de arbitramento do lucro para apuração do Imposto de Renda e da CSLL, contrariando a legislação vigente sobre o Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas. Acaso não ocorra o cancelamento dos autos de infração, que seja considerada como base de cálculo para apuração do IRPJ e da CSLL o percentual de 9,6% do valor das supostas receitas omitidas, ou seja, o valor de R$938.808,72 (novecentos e trinta e oito mil, oitocentos e oito reais e setenta e dois centavos)” – fl. 1015. Em 23/06/2010, foi proposto o encaminhamento do processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para análise (fl. 1020). Em 05/07/2010, foram juntados alguns termos de renúncia de mandato das Sras. Bruna Awuada Lopes, Andréia Aparecida de Souza, Denise Pereira de Lima (fls. 1021/1026). Em 07/10/2015, foi proferido despacho (fls. 1029/1030) para determinar que a Secretaria da Câmara procedesse a busca dos anexos I a IV e os colacionasse devidamente ao presente processo. Diante disso, foram juntados os seguintes documentos em 07/12/2015: Anexo II – Volume 5.2 (fl. 1033) e Anexo II – Volume 5.1 (fl. 1136); em 03/12/2015: Anexo I – Volume1/2 (fl. 1238) e Anexo I – Volume 2/2 (fl. 1441); em 04/12/2015: Anexo II – Volume 1.1 (fl. 1537); Anexo II – Volume 1.2 (fl. 1645); Anexo II – Volume 2.1 (fl. 1742) e Anexo II – Volume 2.2 (fl. 1819); em 07/12/2015: Anexo II – Volume 3.1 (fl. 1947); Anexo II – Volume 3.2 (fl. 2040); Anexo II – Volume 3.3 (fl. 2096); Anexo II – Volume 4.1 (fl. 2154); Anexo II – Volume 4.2 (fl. 2358); Anexo II – Volume 6.1 (fl. 2419); Anexo II – Volume 6.2 (fl. 2420); Anexo II – Volume 6.3 (fl. 2442); Anexo II – Volume 6.4 (fl. 2473); Anexo II – Volume 6.5 (fl. 2505); Anexo II – Volume 6.6 (fl. 2530); Anexo III – Volume 1 (fl. 2549); Anexo III – Volume 2.1 (fl. 2752); Anexo III – Volume 2.2 (fl. 2855); Anexo III – Volume 3.1 (fl. 2957); Anexo III – Volume 3.2 (fl. 3110); Anexo III – Volume 4.1 (fl. 3162); Anexo III – Volume 4.2 (fl. 3295); Anexo III – Volume 5.1 (fl. 3367); Anexo III – Volume 5.2 (fl. 3470); Anexo III – Volume 6.1 (fl. 3572); Anexo III – Volume 6.2 (fl. 3675); Anexo III – Volume 7.1 (fl. 3777); Anexo III – Volume 7.2 (fl. 3880); Anexo III – Volume 8.1 (fl. 3982) e Anexo III – Volume 8.2 (fl. 4085); e em 08/12/2015: Anexo III – Volume 9.1 (fl. 4187); Anexo III – Volume 9.2 (fl. 4285); Anexo IV – Volume 1 (fl. 4404) e Anexo IV – Volume 2 (fl. 4607). Fl. 4767DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGU EIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO 24 É possível observar que o Anexo II – Volume 5.1 e o Anexo II – Volume 5.2 foram juntados aos autos fora da ordem. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Vencido Conselheiro Relator João Carlos de Figueiredo Neto, Relator I. DO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE Os pressupostos e requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, determinados pelo Decreto 70.235/1972 e pelo Regimento Interno do CARF, fazemse presentes, senão, vejamos. Nos termos do artigo 2º, incisos I e IV, do Anexo II do Regimento Interno do CARF1, é da competência desta 1ª Seção julgar recursos de ofício e voluntário interpostos em face de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e de CSL, PIS e COFINS, quando reflexos do IRPJ, razão pela qual é patente a competência desta C. Turma para apreciação do presente caso. No que tange à legitimidade, a petição está assinada por advogada (fls. 978 e 1017), devidamente habilitada por meio de procuração (fl. 1018) outorgada pelos dois sócios da pessoa jurídica, conforme exigência dos atos constitutivos (fls. 285/314). Por fim, quanto à tempestividade, a decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ/CTA em 22/04/2010 (fl. 942) chegou ao conhecimento da Contribuinte em 13/05/2010, uma quintafeira (fl. 975), e o recurso foi interposto em 08/06/2010 (fl. 977), ou seja, dentro do prazo de trinta dias previsto no art. 33 do Decreto n° 70.235/72, afinal o dies ad quem era 12/06/2010, que, por ser um sábado, seria prorrogado para o primeiro dia útil subsequente, qual seja: 14/06/2010, uma segundafeira. Nesse caminho, recebo o Recurso Voluntário. II. DOS PONTOS CONTROVERTIDOS 1 Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); (...) Fl. 4768DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGU EIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.005233/200889 Acórdão n.º 1201001.388 S1C2T1 Fl. 4.757 25 Ultrapassado o juízo de admissibilidade, os pontos controvertidos são os seguintes: PRELIMINARES 1. A impugnação apresentada em relação ao ADE impede a continuidade do processo administrativo e da consequente lavratura dos Autos de Infração? 2. Houve cerceamento do direito de defesa em relação ao ADE nº 24 de 2008, por falta de juntada das cópias do processo administrativo n. 10950.005233/200889? 3. O prazo decadencial para o lançamento de PIS e COFINS do período de 01 a 10/2003 contase pelo artigo 150, § 4º, ou pelo artigo 173, inciso I, ambos do CTN? MÉRITO 1. O Fisco respeitou o quanto previsto no art. 42 da Lei nº 9.430/96? 2. Restou comprovada a origem dos depósitos bancários individualizados pela fiscalização? 3. Correta a exclusão da Contribuinte do SIMPLES? 4. Era o caso de arbitramento do lucro? III. PRELIMINAR – ADE NÃO DEFINITIVO A Contribuinte, por meio de seu Recurso Voluntário, sustentou que, “(...) uma vez constatada de forma incontestável a causa ensejadora da exclusão do Simples, o auto de infração poderia se lavrar apenas após esgotadas todas as formas de defesa asseguradas ao contribuinte (impugnação e recursos) respeitando o exercício do contraditório e a ampla defesa, uma vez constatado tal vício, a decisão refutada e o presente processo administrativo é nulo em sua plenitude (...)” – fls. 984/985. Em que pese os argumentos trazidos pela Contribuinte, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais consolidou, por meio da Súmula nº 77, o seu entendimento no sentido de que a discussão sobre o Ato Declaratório Executivo, que acarretou a exclusão do IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova em um mesmo Processo Administrativo Fiscal; Fl. 4769DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGU EIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO 26 contribuinte do Simples, não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da mencionada exclusão, in verbis: “Súmula CARF nº 77: A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão.” É dizer, diferentemente do que sustentado pela Contribuinte, restou reconhecido pela Súmula nº 77 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que não é necessário que sejam esgotadas todas as formas de defesa (impugnação e recurso), para que a Representação Fazendária possa lavrar o Auto de Infração e cobrar o crédito tributário decorrente da exclusão do contribuinte do Simples. Isso porque, de acordo com o artigo 16 da Lei nº 9.317/96: “A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas”, a exclusão do Simples faz com que o contribuinte se submeta imediatamente às normas de tributação. Partilhando desse entendimento, o artigo 32 da Lei Complementar nº 123/2006 dispõe, de forma bastante semelhante, que “As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas”. Ainda nesse sentido, é o disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional, de acordo com o qual, constatada a infração à legislação, a autoridade administrativa deve proceder a lavratura do auto de infração, já que se trata de atividade vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, confirase: “Art. 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Fl. 4770DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGU EIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.005233/200889 Acórdão n.º 1201001.388 S1C2T1 Fl. 4.758 27 Portanto, com supedâneo na Súmula nº 77 do CARF, rejeito a preliminar de nulidade arguida pela Contribuinte. IV. PRELIMINAR – DA NECESSIDADE DE JUNTADA DE CÓPIA DO PROCESSO ADMINISTRATIVO A Contribuinte arguiu ainda, em seu recurso, a nulidade do presente processo administrativo, sob o fundamento de que, “No momento em que a Recorrente tomou ciência do ADE, não recebeu a cópia do processo administrativo n. 10950.005233/200889 (processo administrativo que ensejou o ADE), fato que a impossibilitou de tomar conhecimento dos motivos elencados pela fiscalização para sua exclusão do SIMPLES, caracterizando cerceamento de defesa” fl. 988. Nada obstante, não houve cerceamento do direito de defesa no presente caso, já que a Contribuinte foi intimada de todos os atos que precederam e que resultaram em sua exclusão do Simples, conforme se comprova pela análise das fls. 4/6, 32/34 e 96/98 dos presentes autos, possuindo, assim, plena ciência dos motivos que levaram a Representação Fazendária a excluíla do Simples. Além disso, a Fiscalização indicou, no próprio ADE (fl. 266), o artigo 2º, inciso II e § 1º, o artigo 13, inciso II, alínea ‘b’ e § 3º, alínea ‘b’ e o artigo 14, inciso I, todos da Lei nº 9.317/96 como fundamentos legais para exclusão da Contribuinte do Simples, dos quais se defluem o motivo de sua exclusão, qual seja: ter ultrapassado o limite legal da receita bruta para se valer do regime, confirase: Art. 2° Para os fins do disposto nesta Lei, considerase: II empresa de pequeno porte, a pessoa jurídica que tenha auferido, no anocalendário, receita bruta superior a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais) e igual ou inferior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais). (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998) § 1° No caso de início de atividade no próprio anocalendário, os limites de que tratam os incisos I e II serão proporcionais ao número de meses em que a pessoa jurídica houver exercido atividade, desconsideradas as frações de meses. Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: II obrigatoriamente, quando: Fl. 4771DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGU EIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO 28 b) ultrapassado, no anocalendário de início de atividades, o limite de receita bruta correspondente a R$ 60.000,00 (sessenta mil reais) multiplicados pelo número de meses de funcionamento nesse período. § 3° No caso do inciso II e do parágrafo anterior, a comunicação deverá ser efetuada: b) até o último dia útil do mês subseqüente àquele em que houver ocorrido o fato que deu ensejo à exclusão, nas hipóteses dos demais incisos do art. 9° e da alínea "b" do inciso II deste artigo. Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; Ademais, a Fiscalização, em sua Representação Fiscal (fls. 261/265), também deixou consignado o motivo pelo qual a Contribuinte foi excluída do Simples, qual seja: “(...) o Sujeito Passivo deve ser excluído do Simples, na condição de Empresa de Pequeno Porte – EPP, por ter auferido receita bruta no anocalendário de 2003, ano de início de suas atividades, em valor superior a R$ 100.000,00 (cem mil reais), multiplicado pelo número de meses de atividade (R$ 100.000,00 x 11 meses)” – fl. 264. O excesso de receita ocorreu, segundo apontado pela Fiscalização, pois, “(...) durante o procedimento fiscal, constatamos expressiva movimentação financeira em contas correntes tituladas pelo Sujeito Passivo no Banco do Brasil S/A e Cooperativa de Crédito Rural Centro Norte do Paraná, no ano calendário de 2003, totalizando a importância de R$ 3.738.841,38 (três milhões, setecentos e trinta e oito mil, oitocentos e quarenta e um reais e trinta e oito centavos), dos quais o Sujeito Passivo devidamente intimado em 11/08/2006 e 01/04/2008, conforme Termos de Intimação nº 001/00103 e 002/00103, não comprovou e/ou justificou a origem dos recursos utilizados nos depósitos e lançamentos a crédito” – fl. 263, sendo que “De acordo com o disposto no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (artigo 849 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 RIR/1999), c/c artigo 24, § l2 da Lei na 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a movimentação financeira discrepante com as receitas declaradas pelo Sujeito Passivo indicam a ocorrência de omissão de receitas caracterizada pelos depósitos e créditos bancários de origem não comprovada” – fl. 263. Desse modo, tendo sido bem delineado nos documentos acima o motivo pelo qual a Contribuinte foi excluída do Simples, concluo que era desnecessária a juntada de cópia integral dos autos do processo n. 10950.005233/200889 e, portanto, rejeito a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa por ela arguida. Fl. 4772DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGU EIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.005233/200889 Acórdão n.º 1201001.388 S1C2T1 Fl. 4.759 29 V. DA DECADÊNCIA A decadência se encontra devidamente regulamentada nos artigos 150, § 4º e 173, I, ambos do Código Tributário Nacional. Nesse contexto, estabelece o artigo 150, § 4º, do CTN que: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Por sua vez, determina o artigo 173, inciso I, do CTN que: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Analisando as hipóteses nas quais seria aplicável o prazo do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional e as hipóteses nas quais seria aplicável o prazo do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, o C. Superior Tribunal de Justiça, por meio do Recurso Especial nº 973.333/SC, submetido à sistemática de recursos repetitivos (artigo 543C do Código de Processo Civil), definiu que: “O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Fl. 4773DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGU EIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO 30 Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).” (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) É dizer, por meio do aludido julgamento, restou pacificado que o termo inicial para a contagem do prazo fatal de cinco anos para a Fazenda promover o lançamento se inicia (i) no caso de tributo sujeito a lançamento de ofício, no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN); (ii) no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação e tendo havido dolo, fraude ou simulação, no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN); (iii) no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, não sendo o caso de dolo, fraude ou simulação e não tendo havido pagamento, no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN); e (iv) no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, não sendo o caso de dolo, fraude ou simulação, mas tendo havido pagamento, na data da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Considerando que mencionada decisão foi submetida à sistemática de recursos repetitivos (artigo 543C do Código de Processo Civil), este I. Julgador deve observá la, nos termos do artigo 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, segundo o qual “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. Devidamente firmadas as hipóteses em que se aplica cada um dos prazos decadenciais, cumpre analisar em qual hipótese se enquadra o presente caso. Ao analisar a decadência no presente caso, a 2ª Turma da DRJ/CTA, por meio do Acórdão nº 0626.345 (fls. 942/968), entendeu aplicável o prazo fixado no artigo 173, I, do CTN, por restar caracterizada a segunda hipótese acima (lançamento por homologação, em que houve dolo, fraude ou simulação). Vejamos: “No presente caso, a empresa foi constituída visando desviar recursos que, segundo ela mesma afirma, em 2003, eram destinados à Spaciari; abriu a conta bancária Banco do Brasil 08569.7292 e recebeu depósitos desde 10/03/2003, e Sicredi n° 017159 desde 09/04/2003, enquanto declarou receitas apenas a partir de 09/2003, no total de apenas R$ 65.059,35 no ano, e Fl. 4774DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGU EIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.005233/200889 Acórdão n.º 1201001.388 S1C2T1 Fl. 4.760 31 zero empregados, estoques e saldos bancários; mesmo em 2004, quando alega que assumiu as atividades da Spaciari, a receita declarada, apesar de substancialmente maior, esteve longe de refletir a movimentação financeira (que alega que a partir desse ano já era sua) evidenciada pelos extratos bancários e que não explicou. Por todo o exposto, concluise ser correta a conclusão fiscal ao identificar dolo nas ações da contribuinte. Em havendo dolo, nenhum dos períodos de apuração do ano calendário 2003 foi atingido pela decadência” – fls. 955/956. Nada obstante, a 2ª Turma da DRJ/CTA não poderia assim ter entendido, pois a Autoridade Fiscal, em nenhum momento, imputou dolo a conduta praticada pela Contribuinte, tanto que não qualificou a multa e ainda justificou a aplicação do prazo do artigo 173, I, do CTN apenas na terceira hipótese acima (lançamento por homologação, sem que houvesse pagamento), confirase: “A jurisprudência administrativa, estabelecida tanto pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento quanto pelos Conselhos de Contribuintes é pacífica no sentido de que, não havendo o pagamento, nada há a homologar e a decadência se subordina ao disposto no artigo 173 do CTN, que joga o início da contagem do prazo decadencial para o primeiro dia do exercício seguinte” – fl. 827. Assim, demonstrado que a Autoridade Fiscal não entendeu pela existência de dolo no presente caso e que a discussão sobre sua existência fez com que a 2ª Turma da DRJ/CTA incorresse em inovação, cumpre limitarse aos contornos dados pela Representação Fazendária e averiguar se ocorreu, ou não, pagamento e, portanto, se o presente caso está sujeito a terceira (lançamento por homologação, sem que houvesse pagamento, sujeito ao artigo 173, I, do CTN) ou quarta hipótese (lançamento por homologação, em que houve pagamento, sujeito ao artigo 150, § 4º, do CTN) acima. Analisando a Declaração Anual Simplificada relativa ao anocalendário de 2003 (fls. 170/187), verifico que a Contribuinte apenas declarou receita e apurou tributo a pagar nos meses de setembro, novembro e dezembro de 2003, mas não foi localizado nenhum pagamento em relação aos mencionados meses no Sistema de Informações de Arrecadação Federal (fls. 793/798). Fl. 4775DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGU EIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO 32 Como consequência, concluo que o presente caso se enquadra na terceira hipótese acima (lançamento por homologação, sem que houvesse qualquer pagamento) e o prazo decadencial de cinco anos para a Fazenda promover o lançamento se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN). Desse modo, considerando que a Contribuinte tomou conhecimento da lavratura dos autos de infração em 28/11/2008 (fl. 884), e que, para a Fiscalização cobrar as receitas omitidas do anocalendário de 2003, ela poderia ter lavrado os autos de infração de IRPJ, CSL, PIS e COFINS e ter feito chegar ao conhecimento da Contribuinte até 31/12/2008, não ocorreu a decadência no presente caso. Assim, aplicandose ao presente caso o prazo decadencial previsto no artigo 173, inciso I, do CTN, constatase que não ocorreu a decadência in casu. VI. MÉRITO DA PRESUNÇÃO SOBRE OMISSÃO DE RECEITAS CONTIDA NO ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/96 A Contribuinte sustentou que “(...) a presunção legal do artigo 40 [o correto seria a indicação do artigo 42] da Lei nº 9.430, de 1996 não dispensa o Fisco de, diretamente, produzir a prova do fato indiciário. Vale dizer, mesmo havendo o artifício da presunção legal, o Fisco não se exime da produção, ainda que facilitada, da prova do fato tributado” – fls. 993/994. Estabelece o artigo 42 da Lei nº 9.430/96 que: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” Da análise do aludido dispositivo, extraise que a lei criou uma presunção de omissão de receita, que se caracteriza quando o titular de conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, após regular intimação, não comprove a origem dos recursos creditados nessas contas, mediante documentação hábil e idônea. É dizer, ao Fisco cabe demonstrar a discrepância entre o valor declarado e o valor creditado nas contas bancárias e dar oportunidade ao contribuinte para se manifestar sobre essa discrepância, já ao contribuinte cabe comprovar a origem dos depósitos efetuados Fl. 4776DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGU EIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.005233/200889 Acórdão n.º 1201001.388 S1C2T1 Fl. 4.761 33 em suas contas correntes, sob pena de se considerar tudo aquilo que não foi justificado como receita omitida. No presente caso, a Contribuinte foi devidamente intimada em 11/08/2006 e em 01/04/2008 (fls. 34 e 98), para comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contas correntes (fls. 36/70 e 99/134), mas ela apresentou petição, juntando documentos que a Fiscalização julgou insuficientes para comprovar a origem dos valores depositados. Diante disso, como o Fisco cumpriu com o ônus que lhe competia (demonstrou a divergência e intimou a Contribuinte), enquanto que a Contribuinte não se desincumbiu do seu, procedeu corretamente a Fiscalização ao considerar todos os valores que foram depositados na conta corrente da Contribuinte como omissão de rendimento, em observância à regra prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Nesse mesmo sentido, foi o entendimento da 2ª Turma da DRJ/CTA, manifestado por meio do Acórdão nº 0626.345, quando afirmou que “A litigante foi intimada, como se relatou, por duas vezes, a esclarecer a origem dos créditos/depósitos; suas justificativas repetidas na impugnação, não foram comprovadas pelos documentas que apresentou nem pelas diligências realizadas.” – fl. 961. Ainda a fim de demonstrar a correção do procedimento adotado pela Fiscalização e afastar os argumentos da Contribuinte, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais estabeleceu, por meio da Súmula nº 26, que “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.”. Desse modo, com fundamento no disposto no artigo 42 da Lei nº 9.430/96 e na Súmula nº 26 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, correto está o procedimento adotado pela Administração Tributária, para considerar os valores creditados/depositados na conta corrente da Contribuinte como omissão de receita. VII. DA RECEITA OMITIDA Em seu Recurso Voluntário, a Contribuinte asseverou que: “A recorrente após sua constituição, conforme explicitado alhures, necessitava de créditos para obtenção de financiamentos, para tanto era preciso possuir bens em seu nome e movimentação financeira em sua contacorrente, para atender as exigências das instituições bancárias. Fl. 4777DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGU EIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO 34 Vislumbraram, os sócios, a possibilidade de atender os requisitos exigidos pelas instituições bancárias, realizando contrato para prestação de serviço à empresa Agropecuária Spaciari Ltda., bem como contrato de compra e pagamento (ambos juntados ao PAF), ocasionando a movimentação financeira da empresa Agropecuária Spaciari Ltda em conta corrente da Recorrente” – fl. 1002. Para comprovar sua alegação de que se tratava de movimentação de terceiro em sua contacorrente, a Contribuinte afirmou que “Devem ser apreciados os documentos trazidos pela Recorrente, pois albergouse em contratos firmados com terceiros, notas fiscais, registros fiscais, e nada foi considerado pelos Julgadores da instancia inferior (...)” fls. 1007/1008. Realmente, analisando o processo, verifico que foram colacionados os seguintes documentos: (i) contratos (fls. 78/92); (ii) tabela com movimentação de terceiros (fls. nos anexos); (iii) notas fiscais (fls. nos anexos); e (iv) comprovantes de pagamento, recibos, canhotos de cheque, depósito e transferências (fls. nos anexos). Ademais, constato que a Contribuinte juntou alguns de seus documentos fiscais e contábeis, quais sejam: (i) a PJSI 2001 (fls. 170/187); (ii) a DIPJ 2005 (fls. 188/259 e 359/378); (iii) o livro de entrada e de saída (fls. 379 e 436/437); (iv) a DCTF (fls. 783/792); (v) o demonstrativo de apurações das contribuições sociais (fls. 760/782); (vi) o balanço patrimonial (fls. 727/735 e 742/753); (vii) a demonstração do resultado do exercício (fls. 736/737 e 754/756); e (viii) a demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados (fls. 738/739 e 757/758). Nada obstante, por meio do contrato particular de compra e pagamento entre Agropecuária Spaciari Ltda. e VL Agroindustrial Ltda. (fls. 80 e 359), restou consignado que aquela empresa contratou esta para a prestação de serviços de compra e pagamento dos seus suínos e bovinos, cuja remuneração seria o subproduto resultante da industrialização dos suínos e bovinos. É dizer, de acordo com o contrato acima mencionado, não se tratava de simples depósito em conta de terceiro, como havia inicialmente afirmado a Contribuinte no Recurso Voluntário, mas de uma intermediação em uma parte da operação, em que a Contribuinte comprava e pagava pelos suínos e bovinos e recebia como remuneração pelo serviço prestado o subproduto da industrialização. De igual modo, mas com outra contraprestação, foi firmado o contrato particular de compra e pagamento entre Leão & Parra Ltda. e VL Agroindustrial Ltda. (fls. 83/84 e 360/361), determinando que esta prestaria àquela empresa serviços de compra de Fl. 4778DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGU EIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.005233/200889 Acórdão n.º 1201001.388 S1C2T1 Fl. 4.762 35 suínos e bovinos e o serviço seria remunerado pela industrialização dos suínos e bovinos na sua empresa ou em empresa do mesmo grupo. Esses dois contratos não conseguem provar que foi utilizada a conta bancária da Contribuinte como se fosse da Agropecuária Spaciari Ltda. Para cumprir com tal desiderato, qual seja, provar que sua conta bancária foi utilizada como se fosse da Agropecuária Spaciari Ltda, a Contribuinte precisava comprovar em que consistiria a sua receita, o que, contudo, é inviável, pois ela era remunerada não por um valor, mas, sim, por um produto (subprodutos resultantes da industrialização dos suínos e bovinos) ou por um direito de preferência (opção de industrialização dos suínos e bovinos na sua empresa ou em empresa do mesmo grupo). Diante da impossibilidade de comprovação da sua receita, poderia a Contribuinte, ao menos, diferenciar a sua receita daquela auferida pelas outras empresas, por meio das quais comprava e pagava os bovinos e os suínos. Para essa diferenciação, era imprescindível que a Contribuinte tivesse juntado os documentos fiscais e contábeis da Agropecuária Spaciari Ltda. e da Leão & Parra Ltda., o que, no entanto, não foi feito. Os outros documentos juntados pela Contribuinte não servem para mensurar a receita da Contribuinte e/ou das outras empresas e, portanto, não servem para comprovar se parte do valor depositado seria de terceiro. Os demais contratos, por exemplo, só demonstram a contratação de uma empresa para a prestação do serviço de industrialização por encomenda. Por sua vez, a única espécie de operação comprovada pelas notas fiscais é, a título exemplificativo, a seguinte: a empresa Leão & Parra adquiriu bovinos vivos para abate do produtor rural, emitindo nota fiscal de compra/entrada (fl. 1050) e o produtor rural emitindo nota fiscal de venda/saída (fl. 1051). Ato contínuo, a mesma empresa Leão & Parra remete os bovinos vivos para abate para a empresa Agropecuária Spaciari, emitindo nota fiscal de saída (fl. 1049). A empresa Agropecuária Spaciari, por sua vez remete os bovinos industrializados de volta para a empresa Leão & Parra, emitindo nota fiscal de saída (fl. 1052). As notas fiscais acostadas aos autos elucidam exatamente a mesma espécie de operação exemplificada acima, apenas alternando a empresa que remete os bovinos e/ou suínos para industrialização, qual seja: Leão e Parra Ltda.; Natusa Comércio de Carnes Ltda., Raçalto Brasil Agropecuária Ltda., EW Comércio de Representações Ltda. e Carne de Primeira Com Prod Alimentícios Ltda. Fl. 4779DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGU EIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO 36 Por fim, a Contribuinte também não logrou êxito ao juntar apenas canhotos de cheque, recibos sem muitas informações e comprovantes de depósito em nome de terceiros. Tais documentos não comprovam nem o pagamento das notas fiscais, nem a receita da Contribuinte ou das outras empresas. Portanto, verificase que a Contribuinte não comprovou a origem dos depósitos em seu benefício, razão pela qual entendo devida a tributação dos valores depositados como omissão de receita. VIII. DA EXCLUSÃO DO SIMPLES No Recurso Voluntário, a Contribuinte asseverou que “Necessário atentar que, em face da titularidade das receitas, da Agropecuária Spaciari Ltda. e de outras empresas, não houve a ultrapassagem do limite previsto no art. 2º, inciso II, da Lei nº 9.317/1996 (de R$ 1.200.000,00, à época dos fatos)” – fl. 991. De modo contrário, a 2ª Turma da DRJ/CTA aduziu que, “Considerandose procedente o valor da receita bruta resultante da soma das receitas declaradas com as omitidas, sendo tal valor em 2003 superior ao que era permitido à permanência no regime do Simples, procedente a exclusão da empresa da sistemática, a partir da data da sua constituição, em se tratando de empresa que iniciou suas atividades neste mesmo ano, conforme capitulação legal constante do ADE” fl. 962. Concordo com esse último posicionamento, pois, sendo demonstrado no tópico precedente do presente voto que a Contribuinte não conseguiu comprovar a origem dos valores depositados em sua conta bancária e, portanto, que estava correta a consideração de tais valores como receita omitida (R$ 3.657.782,03 – fl. 820), é evidente que restou ultrapassado o limite fixado no artigo 13, II, b, da Lei nº 9.317/96, que impunha como limite de receita bruta no anocalendário de início da atividade, para não ser excluída do Simples, o valor de R$ 60.000,00, por mês. Portanto, por ter sido ultrapassado de longe o limite legal, correto o procedimento adotado pela Fiscalização quando excluiu a Contribuinte do Simples. IX. DO ARBITRAMENTO Considerando que a Contribuinte, no anocalendário 2003, era optante pelo SIMPLES e que, no anocalendário 2004, adotou a sistemática do Lucro Real anual, a Fiscalização, ao lavrar os Autos de Infração por omissão de receita, seguiu o regime escolhido pela Contribuinte ao deixar o SIMPLES, qual seja o Lucro real anual, adotando, assim, este regime para ambos os anoscalendário. Fl. 4780DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGU EIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.005233/200889 Acórdão n.º 1201001.388 S1C2T1 Fl. 4.763 37 A Contribuinte, em seu Recurso Voluntário, partindo da premissa de que “(...) o lucro apurado pela fiscalização é irreal” – fl. 996, defendeu que “Dessa forma, impõese o cancelamento dos autos de infração, ante a ausência de arbitramento do lucro para apuração do Imposto de Renda e da CSLL, contrariando a legislação vigente sobre o Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas.” – fl. 1015. Por outro lado, a 2ª Turma da DRJ/CTA entendeu que não era caso de arbitramento, pois “O autuante respeitou a manifestação pelo lucro real anual da contribuinte, confirmada pela sua contabilidade; no caso, o autuante recompôs a apuração de resultados escriturada no livro Diário pela contribuinte, acresceu às receitas declaradas a omissão apurada, e considerou os custos e despesas escriturados, ao levar em conta o prejuízo que a contribuinte havia apurado.” – fls. 963/964. No entanto, a decisão da 2ª Turma da DRJ/CTA não foi unânime, sendo vencido o julgador Roberto Massao Chinen, “(...) que entende que para os dois anoscalendário era caso de arbitramento do lucro, tendo em vista que o lucro apurado pela fiscalização (mais de 90% da receita bruta em 2003 e mais de 60% em 2004), é manifestamente irreal, configurando a situação prevista no art. 530, II, b, do RIR de 1999” – fl. 944. Confrontando esses entendimentos, posicionome em consonância com o julgador Roberto Massao Chinen, em virtude da desproporção entre a receita omitida e a declarada, o que, a meu ver, é prova, por si só, de que não é possível confiar na contabilidade da Contribuinte. Ora, aceitar que a empresa possa omitir mais de 90% no anocalendário 2003 e 60% no anocalendário 2004 de sua receita bruta e ainda assim declarar válida a contabilidade é inaceitável. O arbitramento do lucro é uma segurança para a Fazenda Pública (porquanto presume um lucro 20% maior do que aquela margem aceita no Lucro Presumido). Mas também é um direito da Contribuinte. Isso porque, nos termos do art. 44 do CTN, a base de cálculo do imposto de renda será real, presumida ou arbitrada. Uma vez que não é possível apurar o lucro real, e não tendo a Contribuinte optado pelo lucro presumido, é necessário tributar com base no lucro arbitrado. Por fim, buscar tributar pelo lucro real a renda de determinada Pessoa Jurídica, sem ter meios para atestar a “realidade” do lucro beira uma temeridade: tributar como Fl. 4781DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGU EIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO 38 lucro aquilo que não o é. Nestes casos, acabase tributando o próprio patrimônio da Contribuinte. Dessa forma, o caso em análise configurase, claramente, a hipótese estabelecida pelo art. 530, II, ‘b’ do RIR/99, o qual transcrevemos abaixo: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando: (...) II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: (...) b) determinar o lucro real; Nesse sentido, já se manifestou a antiga 1ª Turma da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF, quando proferiu o acórdão nº 1301000.425, em 29/07/2011: IRPJ/CSLL — ARBITRAMENTO — ART. 42 DA LEI 9430/96 — DESPROPORCIONALIDADE Uma vez detectada omissão de receitas com uso da presunção relativa prevista no art. 42 da Lei 9430/96, e sendo tal omissão de receita em montante vultoso e que não seja proporcional para cômputo como lucro da pessoa jurídica, fica evidenciada a imprestabilidade da escrita contábil para apurar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL conforme o Lucro Real. Nesse caso, a tributação deve ser apurada pelo Lucro Arbitrado (RIR/99, art. 530, II, "a" e "b"). Tendo em vista que era caso de lançamento conforme o lucro arbitrado, devem ser cancelados os autos de infração de IRPJ e CSLL, bem como os de PIS e COFINS, pois, para esses dois tributos, o lançamento foi feito pelo regime nãocumulativo (fls. 862/883), quando deveria ter sido pelo regime cumulativo, haja vista o arbitramento do lucro, nos termos do art. 8º, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 10, da Lei nº 10.833/2003. X. CONCLUSÃO Diante de tudo quanto exposto, voto no sentido de afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o erro material na forma de apuração do IRPJ e da CSL, posto ser inadequada a tributação pelo lucro real Fl. 4782DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGU EIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.005233/200889 Acórdão n.º 1201001.388 S1C2T1 Fl. 4.764 39 diante do volume de receita omitida, determinando que sejam cancelados os referidos autos de infração, bem como os de PIS e COFINS, pois, para esses dois tributos, o lançamento foi feito pelo regime nãocumulativo (fls. 862/883), quando deveria ter sido pelo regime cumulativo. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Relator Voto Vencedor Sem prejuízo dos bem construídos argumentos formulados pelo I. Relator, vislumbro solução jurídica diversa para a hipótese dos autos, apenas no que tange aos autos de infração relativos ao anocalendário de 2004. Venho adotando, para verificação da necessidade de arbitramento do lucro, critério matemático para a definição de qual seria um índice razoável para a desqualificação da contabilidade do sujeito passivo, a fim de preencher o conceito de "imprestabilidade" veiculado pela legislação. Nesse contexto, sempre que a razão entre os valores escriturados/declarados e aqueles apurados pela fiscalização, a título de omissão de receitas, demonstrar que a imensa maioria das operações não foi considerada, entendo que configurase a hipótese de arbitramento. Em sentido oposto, quando apenas uma parte, ainda que significativa, foi objeto de omissões, penso que a fiscalização deve adotar, como sistemática de apuração das infrações, aquela escolhida pelo contribuinte. Isso decorre do entendimento pacificado neste Conselho, de que o arbitramento do lucro revela medida extrema e só deve ser levado a cabo quando não houver qualquer possibilidade para que a autoridade fiscal determine o lucro. No caso em tela, percebemos que para o ano de 2003, a receita declarada pelo contribuinte foi quase nula, da ordem de 2% do total apurado pela fiscalização. Assim, correto o entendimento da I. Relator, ao afirmar que seria obrigatório, na espécie, o arbitramento do lucro. Contudo, para o ano de 2004, percebemos que o montante declarado pela empresa foi de quase 40% daquele apurado a partir da movimentação financeira, como se pode depreender do quadro a seguir: Fl. 4783DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGU EIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO 40 ANOCALENDÁRIO 2004 Período Movimentação Financeira Receita Declarada Receita Omitida Janeiro 884.453,16 132.412,31 752.040,85 Fevereiro 716.472,01 130.189,32 586.282,69 Março 1.053.077,94 156.781,47 896.296,47 Abril 1.125.072,36 330.952,68 794.119,68 Maio 1.203.948,61 526.383,00 677.565,61 Junho 1.271.493,48 618.043,68 653.449,80 Julho 1.165.339,78 436.810,16 728.529,62 Agosto 966.585,34 317.562,65 649.022,69 Setembro 706.575,96 382.474,40 324.101,56 Outubro 193.846,18 171.003,52 22.842,66 Novembro 248.099,41 211.524,46 36.574,95 Dezembro 159.680,44 159.031,55 648,89 Soma 9.694.644,67 3.573.169,20 6.121.475,47 Em tais circunstâncias, tenho decidido pela possibilidade de manutenção do regime de tributação eleito pelo contribuinte, sem a necessidade de se desqualificar, por completo, os registros contábeis e documentos apresentados pela empresa. Nesse sentido, entendo correto o raciocínio adotado na decisão de piso, conforme excerto a seguir transcrito: Temse que o autuante não desconsiderou a contabilidade da autuada: conforme fls. 813 e 823, inclusive compensou prejuízo e base de cálculo negativa apuradas pela litigante em 2003, em sua contabilidade e registrada no Diário, fl. 713. O autuante respeitou a manifestação pelo lucro real anual da contribuinte, confirmada pela sua contabilidade; no caso, o autuante recompôs a apuração de resultados escriturada no livro Diário pela contribuinte, acresceu às receitas declaradas a omissão apurada, e considerou os custos e despesas escriturados, ao levar em conta o prejuízo que a contribuinte havia apurado. Por isso, tendo sido seguido corretamente o que a legislação dispõe acerca da apuração da base de cálculo, que é acrescer a omissão à base de cálculo apurada pelo contribuinte, não há que se falar em confisco, ou excesso de exação” – fls. 963/964. Adequado e pertinente, portanto, o lançamento efetuado pela fiscalização no que tange à apuração do crédito tributário relativo ao anocalendário de 2004. Fl. 4784DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGU EIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.005233/200889 Acórdão n.º 1201001.388 S1C2T1 Fl. 4.765 41 No mais, concordo integralmente com o excelente voto proferido pelo Relator, afastando, ainda, a multa isolada, posto que a matéria encontrase, para a época dos fatos, sumulada no âmbito deste Conselho: Súmula CARF nº 105 : A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Ante o exposto, conduto meu voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao Recurso Voluntário, para afastar as exigências relativas ao anocalendário de 2003 e manter as exigências relativas ao anocalendário de 2004. (assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Redator designado. Fl. 4785DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGU EIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 16327.001289/2005-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. AUSÊNCIA. RECURSO IMPROVIDO.
Os Embargos de Declaração (art. 65 do RICARF) são um recurso cujo limite argumentativo é restrito, sendo inadequada sua interposição para rever, pura e simplesmente, decisões com as quais não concorde a parte. Seu objeto não pode ser o reexame da decisão, embora esta possa ocorrer, como mera consequência. Ausentes quaisquer uma das possibilidades de omissões, seja intranormativa (existente entre a decisão e seus fundamentos) ou, internormativa (vício em ponto sobre o qual a Turma deveria se pronunciar, mas não o fez), incabível o provimento dos embargos.
Numero da decisão: 1302-001.800
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos, votando pelas conclusões as Conselheiras Daniele Souto Rodrigues Amadio e Edeli Pereira Bessa, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Fez declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
(documento assinado digitalmente)
TALITA PIMENTA FÉLIX - Relatora
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente
Participaram do julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rogério Aparecido Gil, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: TALITA PIMENTA FELIX
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2000, 2001, 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. AUSÊNCIA. RECURSO IMPROVIDO. Os Embargos de Declaração (art. 65 do RICARF) são um recurso cujo limite argumentativo é restrito, sendo inadequada sua interposição para rever, pura e simplesmente, decisões com as quais não concorde a parte. Seu objeto não pode ser o reexame da decisão, embora esta possa ocorrer, como mera consequência. Ausentes quaisquer uma das possibilidades de omissões, seja intranormativa (existente entre a decisão e seus fundamentos) ou, internormativa (vício em ponto sobre o qual a Turma deveria se pronunciar, mas não o fez), incabível o provimento dos embargos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos, votando pelas conclusões as Conselheiras Daniele Souto Rodrigues Amadio e Edeli Pereira Bessa, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Fez declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (documento assinado digitalmente) TALITA PIMENTA FÉLIX - Relatora (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente Participaram do julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rogério Aparecido Gil, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Talita Pimenta Félix.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2141; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.001289/200554 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1302001.800 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 02 de março de 2016 Matéria Embargos de Declaração Embargante MULTIBRAS S/A ELETRODOMESTICOS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000, 2001, 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. AUSÊNCIA. RECURSO IMPROVIDO. Os Embargos de Declaração (art. 65 do RICARF) são um recurso cujo limite argumentativo é restrito, sendo inadequada sua interposição para rever, pura e simplesmente, decisões com as quais não concorde a parte. Seu objeto não pode ser o reexame da decisão, embora esta possa ocorrer, como mera consequência. Ausentes quaisquer uma das possibilidades de omissões, seja intranormativa (existente entre a decisão e seus fundamentos) ou, internormativa (vício em ponto sobre o qual a Turma deveria se pronunciar, mas não o fez), incabível o provimento dos embargos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos, votando pelas conclusões as Conselheiras Daniele Souto Rodrigues Amadio e Edeli Pereira Bessa, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Fez declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (documento assinado digitalmente) TALITA PIMENTA FÉLIX Relatora (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente Participaram do julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 12 89 /2 00 5- 54 Fl. 976DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por TALITA PIMENTA FELIX, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por TALITA PIMENTA FELIX, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16327.001289/200554 Acórdão n.º 1302001.800 S1C3T2 Fl. 3 2 Rodrigues Amadio, Rogério Aparecido Gil, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Talita Pimenta Félix. Fl. 977DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por TALITA PIMENTA FELIX, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por TALITA PIMENTA FELIX, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16327.001289/200554 Acórdão n.º 1302001.800 S1C3T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de embargos de declaração interposto em razão de a contribuinte entender que o Acórdão n. 10196.858 (fls. 654/677) foi omisso quanto a fato que aduz relevante. E para melhor compreender o contexto dos autos, segue breve síntese dos fatos e fundamentos relevantes a tal análise. A discussão travada nestes autos aborda as seguintes questões: (i) inobservância da trava de 30% para compensação dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL (ii) isenção do IRPJ e da CSLL sobre o créditoprêmio de IPI recebido; (iii) não inclusão do créditoprêmio de IPI na base de cálculo do PIS e da COFINS e, por fim, (iv) não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Quando do julgamento do recurso voluntário (fls. 701/729), em 13/08/2008, a Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes decidiu: (i) por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade; (ii) dar parcial provimento, para, por unanimidade de votos, cancelar as exigências a título de PIS e de COFINS; (iii) admitir a compensação dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativa, apurados nos anoscalendário de 1989 a 1998, sem a limitação de 30%; (iv) e, por maioria de votos, afastar a aplicação dos juros de mora sobre a multa por lançamento de ofício. Cientificada do acórdão, em 12/04/2013, a contribuinte opôs embargos de declaração, em 16/04/2013, pleiteando o saneamento de omissão contida nesta decisão, no que diz respeito à manutenção da tributação, a título de IRPJ e CSLL, sobre os valores aproveitados a título de créditoprêmio de IPI. Para tanto, faz os seguintes apontamentos: (i) que a fiscalização embasa a autuação sob o argumento de que o crédito prêmio seria subvenção para custeio, de modo que deveria ser tributado pelo IRPJ normalmente, pois apenas as receitas de exportação fariam jus ao benefício. Porém, aduz a Embargante que o créditoprêmio deveria ser considerado receita de exportação, devendo ser abrangido pelo benefício legal; (ii) que “o agente fiscal não questionou o regime jurídico de tributação das receitas de exportação, a que estaria sujeito o Programa BEFIEX, pois, partindo da premissa de que ele estava contemplado pelo incentivo fiscal, limitouse a excluir do cálculo deste o valor dos créditosprêmio, por entender que não seriam receitas de exportação para este fim”. Sendo apenas este o fundamento da exigência fiscal; (iii) que o acórdão embargado, “após tecer longas considerações acerca da natureza desses créditos, concluiu que eles faziam parte das receitas operacionais de exportação, confirmando, desta forma, o entendimento da Embargante e o equívoco da autuação e da decisão de primeira instância”; (iv) que, a despeito de o acórdão entender que o créditoprêmio de IPI compõe as receitas operacionais de exportação, inovou trazendo três distintas normas de regência, que atuam em momentos diversos, a depender da época da aprovação/apreciação1 do BEFIEX. Dado relevante, uma vez que a Embargante é sucessora da Multibras S.A. Fl. 978DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por TALITA PIMENTA FELIX, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por TALITA PIMENTA FELIX, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16327.001289/200554 Acórdão n.º 1302001.800 S1C3T2 Fl. 5 4 Eletrodomésticos, que é oriunda da incorporação, pela Brastemp S.A., das empresas Consul S.A. e Semer S.A.; (v) que o acórdão recorrido concluiu que a exclusão promovida não possuía amparo na legislação em vigor, por ter partido da premissa de que o Programa BEFIEX da Embargante não foi aprovado sob a égide da lei que lhe conferiria o direito a promover tal exclusão. Neste momento, fala que (iv.1) o acórdão inovou o feito, por haver se pautado em argumento novo e estranho à motivação do auto de infração (qual seja, a Embargante não ter tido a aprovação do Programa BEFIEX, sob a vigência da lei que permitiria a exclusão ora debatida), (iv.2) que o acórdão incorreu em erro, por haver se omitido na verificação de que o programa fora aprovado antes daquela data (20/05/1988), bem como, (iv.3) que o Sr. AFRFB aceitou a data relativa à aprovação do benefício fiscal como sendo em 25/02/1988, uma vez que não os refutou, tornando o fato incontroverso; (vi) em outras linhas, entende que, de acordo com a argumentação retratada em todo o acórdão, acaso os Conselheiros houvessem observado que a Secretaria Executiva responsável pelo Programa BEFIEX atuou, apreciando seu benefício em 25/02/1988, ou seja, anteriormente a 20/05/1988, “o acórdão teria dado provimento parcial ao recurso voluntário”. Momento que alega haver ocorrido a omissão no acórdão, já que tal fato era incontroverso, “adotando como relevante a data do Termo de Aprovação e Certificado n. 479/88”; (vii) por fim, que não poderia ter sido aplicada a alíquota normal, uma vez que, ainda que seu benefício tenha sido aprovado em 14/07/1988, ele já havia sido apreciado em 25/02/1988. Através do Despacho n. 1101.000.193 (efls. 847/850), proferido em 20/04/2013, foi realizado o juízo de admissibilidade dos embargos de declaração, cuja parte final conclui que: Conforme relatado, o recurso resumese no exame de uma única questão, qual seja: omissão e contradição no tocante ao momento da aprovação do programa BEFIEX da Embargante e o regime jurídico aplicável. A partir da análise das Portarias do Ministério da Indústria e Comércio carreadas aos autos, o que se admite em nome da verdade material, bem como as respostas apresentadas pela Embargante no curso da fiscalização (fl. 36), devese dar a devida atenção, de fato, à análise da aprovação do Programa do Befiex, no que se refere ao que foi informado pela embargante durante a fiscalização de que o Programa BEFIEX da embargante foi apreciado em 25.2.1988, e a repercussão disto em relação às normas do Decretolei n. 2413/88 que se deu na reunião plenária de 25 de fevereiro de 1988. Assiste, pois, razão à Embargante quando se referiu que a decisão recorrida não se manifestou a influência da referida apreciação sobre do Programa Befiex em data anterior à mencionada na decisão, por conseguinte caracterizada a omissão. Fl. 979DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por TALITA PIMENTA FELIX, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por TALITA PIMENTA FELIX, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16327.001289/200554 Acórdão n.º 1302001.800 S1C3T2 Fl. 6 5 Com isso configurase a existência de omissão e no julgado, conforme dispõe o caput do art. 65 do RICARF/09, aprovado pela Port. MF n° 256/2009, DOU de 23/06/2009. Ante todo o exposto, entendo que devam ser acolhidos os embargos de declaração interpostos para pugnar o saneamento de falhas no julgado, devendo esta posição ser submetida, naturalmente, à deliberação da la Turma Ordinária da la Câmara da Primeira Seção de Julgamento. Em 10/10/2013 foi expedida nova ordem de pronuncia sobre o juízo de admissibilidade destes embargos (fls. 852), o que foi realizado mediante o Despacho n. 1100 00000.065 (fls. 853/857), com proposição diversa da anterior, pois neste juízo os embargos foram rejeitados. Porém, notando a existência das duas normas relativas a tal fato, o então Presidente da 1a Câmara da 1a Seção do CARF expede nova norma (fls. 859), declarando de ofício a nulidade do segundo despacho de admissibilidade. Em síntese, é como relato. Voto Conselheira TALITA PIMENTA FÉLIX O art. 65, Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n. 343/2015, aponta os requisitos necessários ao cabimento e provimento dos embargos de declaração. Assim, caberá1 embargos (i) quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e seus fundamentos, ou quando for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma, (ii) dirigida ao Presidente da Turma, que deverá rejeitálos quando não for apontado, objetivamente, a obscuridade, omissão ou contradição2; (iii) no prazo de 5 dias, contado da ciência do acórdão e, por fim, (iv) os sujeitos legitimados à sua interposição estão delineados nos incisos I a V do parágrafo 1o, do art. 65. Pois bem, com base nos ensinamentos de Irís Vânia Rosa3, separo os elementos contidos no dispositivo legal, acima transcrito, em dois diferentes grupos, adotando como critério de distinção a “identidade dos elementos a serem observados”, ou seja, qual informação cada uma dessas notas de identificação representa. Deste modo, temse um grupo de elementos formais e outro de elementos essenciais, onde o primeiro representa o (i) cabimento/forma, e o segundo, (ii) o provimento/essência dos embargos de declaração. Por cabimento, ensina a jurista que é o momento em que se verifica o cumprimento dos requisitos formais, que são aqueles que transitam ao redor do núcleo central do debate, são critérios de identidade objetiva, facilmente aferíveis, tais como: a capacidade postulatória, a tempestividade, o endereçamento do recurso (itens ii, iii e iv, acima referidos). Em outras linhas, entendo que o cabimento remete a um novo juízo de admissibilidade, só que agora, de competência da Turma Julgadora. Vale dizer que de acordo com a teoria de “fontes do direito”, desenvolvida por Tárek Moyses Moussallem, as notas que informam o cabimento estão contidas na enunciaçãoenunciada4. Superada a análise em que se apura a adequação do instrumento processual à forma exigida por lei, iniciase o momento de investigação dos critérios relacionados ao Fl. 980DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por TALITA PIMENTA FELIX, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por TALITA PIMENTA FELIX, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16327.001289/200554 Acórdão n.º 1302001.800 S1C3T2 Fl. 7 6 provimento dos embargos, este, representando a essência do conflito jurídico trazido pela Embargante. Assim, num primeiro momento reconhecese a adequação à forma, após, a adequação ao conteúdo, ou seja, o provimento contem o pleito da parte. Para a teoria de Tárek Moussallem, seriam as notas contidas no enunciadoenunciado, distintamente dos elementos que informam o cabimento dos embargos. Informada e esclarecida a premissa a ser adotada, passo à averiguação do cabimento e provimento do recurso, nesta ordem, jurídicocronológica. 1. DO CABIMENTO DOS EMBARGOS 1.1 Da Tempestividade e da Legitimação De acordo com o art. 65, parágrafo 1o, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n. 343/2015, os embargos poderão ser interpostos no prazo de 5 dias, contados da ciência do acórdão, bem como, legítimo é o Embargante para interpôlo (inciso II). Neste sentido, sendo a contribuinte cientificada do Acórdão n. 10196.858 (fls. 654/677) em 12/04/2013, e opondo embargos de declaração em 16/04/2013, tempestivo é o recurso. 1.2 Da petição dirigida ao Presidente, que deverá rejeitála, quando não for apontado um dos motivos de seu cabimento Em relação a tal critério, que realiza uma análise superficial deste recurso, entendo que a Embargante menciona motivos que ensejariam o conhecimento dos embargos. Cumprido tais requisitos, e em consonância com os aspectos relativos ao juízo de admissibilidade realizado nestes autos, conheço dos Embargos de Declaração. 2. DO PROVIMENTO DOS EMBARGOS De acordo com o caput do art. 65 do RICARF, é possível interpor embargos de declaração por duas distintas situações, quando existente (a) obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou (b) quando o acórdão se omitir sobre ponto que deveria pronunciarse a turma. Pois bem, e aqui duas opções se abrem ao contribuinte. E, ainda que a artigo se refira ao conectivo “ou”, entendo ser perfeitamente cabível a ocorrência, eventual, da cumulação das duas possibilidades, haja vista serem distintas e de possível ocorrência simultânea, o que será melhor explicado adiante. A primeira possibilidade clama a ocorrência e demonstração, pela parte, da existência de omissão, obscuridade ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. Conforme ensina Paulo Cesar Conrado, há que se apresentar como causa de oposição – esclarecer obscuridades, eliminar contradições ou suprir omissões – podendo resultar no reconhecimento de que a decisão, superada a obscuridade, a contradição ou a omissão, é incompatível com a anterior. Nessa medida, a consequência inarredável do provimento do recurso é a substituição e não a mera complementação da decisão anteriormente proferida. Fl. 981DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por TALITA PIMENTA FELIX, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por TALITA PIMENTA FELIX, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16327.001289/200554 Acórdão n.º 1302001.800 S1C3T2 Fl. 8 7 Prevalecendo a dos aclaratórios, aplicase, integralmente, o efeito substitutivo dos recursos (disposto no artigo 512 do Código de Processo Civil)5. Ainda, vale ressalvar que a obscuridade, contradição ou omissão deve ser demonstrada entre a decisão (a peça processual recorrida) e os seus fundamentos (também, dentro desta). Em outro giro, é um vício intranormativo, presente no documento, aferível mediante o confronto realizado no acórdão, e somente nele. Partese dele, e nele se finda. Outras informações presentes no processo não devem nele interferir. A segunda opção, omissão do acórdão sobre ponto o qual deveria se pronunciar a Turma, ainda que utilize o mesmo signo linguístico da primeira parte do caput (omissão), possui conotação distinta, já que aqui a norma fala em ausência do acórdão, e não no acórdão, por não se manifestar sobre ponto ao qual estava obrigado. Noutras linhas, esta norma individual e concreta (NIC), o acórdão, falha ao se calar sobre assunto que foi provocado pela parte, a se pronunciar. Nesta linha de raciocínio, distintamente da primeira opção do caput, este quesito retrata o confronto entre duas normas (o acórdão e a peça processual que lhe deu origem, ex., recurso voluntário). Ou seja, lá falavase em conflito intranormativo, aqui, em conflito internormativo. Nestes autos, a Embargante alega que o acórdão recorrido se omitiu, e que tal omissão parte de apenas um dado: a análise equivocada da prova relativa à data de apreciação do benefício fiscal realizado pela Secretaria Executiva do Programa BEFIEX. Apenas para rememorar, defende a contribuinte que referida apreciação se deu em 25/fevereiro/1988, portanto, anterior a 20/maio/1988, o que lhe permitira proceder à exclusão. Pois bem, partindo deste dado, alega que o acórdão em consequência incorreu em dois fatosomissões, todos, diretamente relacionados à prova que remete à data da apreciação do Programa BEFIEX, quais sejam: (i) que o acórdão inovou o feito, ao afirmar que a embargante não possuía o programa BEFIEX, trazendo um argumento novo (três distintas normas de regência) e estranho à motivação do auto de infração, e; (ii) que além de inovar, tal fato conduziu a erro no acórdão, já que entende ser fato incontroverso que a data da apreciação do benefício fiscal se deu em 25/fevereiro/1988, (i.1) conforme consta no TVF e, (i.2) segundo compreende a Embargante, que a Fiscalização aceitou tal fato como verdadeiro, já que não o contestou; bem como, que não poderia ter sido aplicada a alíquota normal, uma vez que, ainda que seu benefício tenha sido aprovado em 14/07/1988, ele já havia sido apreciado em 25/02/1988. Ainda que a embargante não tenha dito, com clareza, a qual omissão se refere (se intranormativa ou internormativa), farei um cotejo de seus argumentos em face das duas opções ofertadas pelo RICARF, sob a ótica das premissas acima estabelecidas, com o objetivo de esgotar as possibilidades de adequação de seu pleito aos limites dos embargos, segue. Fl. 982DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por TALITA PIMENTA FELIX, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por TALITA PIMENTA FELIX, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16327.001289/200554 Acórdão n.º 1302001.800 S1C3T2 Fl. 9 8 2.1 Dos Motivos Ensejadores 2.2.1 Da obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e seus fundamentos No que pertine à discussão destes embargos, entendo que o ponto central da divergência teve sua “origem” na distinção entre a interpretação da Fiscalização e da Turma Julgadora no que pertine ao critério temporal (momento de apreciação do benefício fiscal) e, à natureza do regime jurídico de tributação das receitas de exportação, contempladas pelo Programa BEFIEX, uma vez que: (i) a Fiscalização, segundo notas do TVF, adota como premissa o fato de a contribuinte ser detentora do benefício fiscal (apreciado em 25/fevereiro/1988), porém, compreende que o valor dos créditosprêmio de IPI devam ser excluídos do benefício fiscal, por não enquadralos no conceito de receitas de exportação, para este fim, mas sim como subvenção para custeio, de modo que deveria ser tributado pelo IRPJ; (ii) no entanto, a Turma Julgadora/acórdão parte da premissa de que a contribuinte não possuía o benefício fiscal à época (antes de 20/maio/1988), e, que por este motivo, manteve a autuação (nesta parte). Contudo, de modo distinto da Fiscalização, se pronunciou no sentido de que o valor do créditoprêmio de IPI, oriundo do Programa BEFIEX, possui sim natureza jurídica de receita de exportação. Notase, deste modo, que ambas partem de fundamentos diferentes, sendo eles: estar a contribuinte habilitada (Fiscalização) ou não (acórdão) a se valer do Programa BEFIEX; posicionamse de modo contrário, também, quanto à natureza jurídica do valor do créditoprêmio de IPI, não sendo receita de exportação (Fiscalização) ou, o sendo (acórdão). Contudo, chegam à mesma conclusão, estar a contribuinte impossibilitada de proceder a tal exclusão. Ocorre que, objetivando desconstruir a premissa adotada no acórdão, a Embargante aduz que o ponto de partida do raciocínio estabelecido pela Turma Julgadora estava equivocado, uma vez que esta não observou a verdadeira data de apreciação do benefício fiscal, situação também não questionada pela fiscalização, o que compreendeu como fato incontroverso. A embargante entende que, acaso corrigido tal fato, ou seja, adotandose a data que a contribuinte alega ser a correta, segundo sua manifestação, o acórdão concluiria que haveria o direito de promover a exclusão de tais valores, já que a Turma consignou que estes representam receitas de exportação. Resumidamente, esta é a discussão trazida pela contribuinte, nos embargos. Porém, ainda que a decisão da Turma entenda que o valor do créditoprêmio represente receita de exportação, conclui não ser suficiente para confirmar a exclusão pretendida pela contribuinte, uma vez que não o possuía no momento que alega, conforme se depreende de trecho do acórdão embargado: Desde a impugnação, os esforços do contribuinte concentraramse em demonstrar a tese de que o valor do créditoprêmio corresponde a receita de exportação. E, nesse aspecto, a tese defendida pelo Fl. 983DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por TALITA PIMENTA FELIX, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por TALITA PIMENTA FELIX, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16327.001289/200554 Acórdão n.º 1302001.800 S1C3T2 Fl. 10 9 contribuinte é de ser confirmada, por estar amparada em atos que integram a legislação tributária, com o status de normas complementares. (…) Mas essa conclusão não é suficiente para confirmar a exclusão procedida pelo contribuinte. Fazse necessário, antes, analisar a legitimidade da isenção de que o contribuinte afirma ser beneficiário para, só após, definir quais os valores que a integram. (…) Como se vê, a partir de 01/01/88, a isenção do imposto de renda no âmbito dos programas BEFIEX, estabelecida pelo art. 10 do Decretolei n°1.219/72, foi revogada pelo Decretolei n° 2.397/87, ressalvadas as correspondentes a exportações previstas em programa especial de exportação aprovado até 31 de dezembro de 1987. Assim, para os projetos aprovados a partir de 01/01/88, não obstante o valor do crédito prêmio represente, de fato, receita de exportação, não há previsão legal para sua exclusão do lucro liquido, devendo ser computado para fins de lucro da exploração relativo à atividade incentivada, para fins de tributação por alíquota reduzida (se aprovados ou apreciados pelo CDT entre 01/01/88 e 19/05/88), ou são tributados a alíquota normal (programas apreciados após 20/05/ 88). No caso da Recorrente, a aprovação deuse em julho de 1988, conforme Termo de Aprovação e Certificado n" 479/88, Es. 308 a 312 do presente, e não há prova nos autos de que o programa tenha sido apreciado pela Secretaria Executiva do CDI antes de 20 de maio de 1998, o que a beneficiaria com alíquota reduzida. E ainda que a empresa fosse beneficiária de alíquota reduzida (o que não está demonstrado nos autos), é indiscutível pelos documentos constantes dos autos, que suas receitas de exportação, nos termos do programa aprovado, não se encontram amparadas por isenção. Ante exposto, diversamente do informado pela Embargante, quanto à existência de omissão no acórdão recorrido, entendo que se pretende uma nova rediscussão de fatos e provas do processo, pleito que reconheço ser válido, porém, inadequado por esta via. Passo agora à análise do pedido da Embargante, sob a perspectiva da segunda modalidade de interposição dos embargos. 2.2.2 Omissão sobre ponto que a Turma deveria se pronunciar, mas não o fez Quanto à outra opção, a omissão sobre ponto que a Turma deveria se pronunciar, que ora se apresenta apenas a título de esgotamento de todas as possibilidades, e com o intuito de evitar falta de análise, passo a enfrentála. O mote central para o descarte de ser esta a possibilidade, indiretamente, indicada pela Embargante, reside no fato de que em nenhum momento a peça recursal se refere a qualquer ponto que a Turma deveria se pronunciar, e não o fez. Muito pelo contrário, alega que a Turma se manifestou mais do que deveria, extrapolando os limites da lide. Portanto, não há qualquer pleito relativo a ponto que deveria ser enfrentando, e não o foi. Fl. 984DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por TALITA PIMENTA FELIX, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por TALITA PIMENTA FELIX, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16327.001289/200554 Acórdão n.º 1302001.800 S1C3T2 Fl. 11 10 Momento oportuno para lembrar que os embargos de declaração possuem limite restrito, sendo inadequado sua interposição para rever, pura e simplesmente, decisões jurisdicionais. Seu objeto nunca é o reexame da decisão, embora este possa ocorrer, consoante já sinalizado, como mera consequência de seu acolhimento. Tal situação se dá quando há incompatibilidade entre o acolhimento dos embargos de declaração e a decisão embargada. A respeito do tema, Nelson Nery Júnior assinala: "Os EDcl podem ter, excepcionalmente, caráter infringente quando utilizados para: a) correção de erro material manifesto; b) suprimento de omissão; c) extirpação de contradição. A infringência do julgado pode ser apenas a consequência do provimento dos EDcl, mas não seu pedido principal, pois isso caracterizaria pedido de reconsideração, finalidade estranha aos EDcl". Nos casos em que o Embargante pretende o reexame da decisão, e não nos que há afirmação de falhas compatíveis às mencionadas no caput do art. 65 do RICARF, é que os declaratórios devem ser rejeitados, à falta de seus pressupostos autorizadores. Somente nessa hipótese é que os embargos de declaração estariam a pretender fazer as vezes de outros recursos, o que não pode ser tolerado à luz do princípio da unirrecorribilidade. Assim, rejeito também a interposição dos embargos por este motivo. 2.2.3 Da Inovação do Acórdão: argumento novo ou erro de julgamento A Embargante afirma que o acórdão trouxe argumento novo, qual seja, haver o voto se referido à legislação que rege a concessão de tal benefício, analise que até aquele momento não havia ocorrido. No entanto, ainda que tal raciocínio seja válido, discordo do fato de ser este dado hábil a prover os embargos, provocando os efeitos pretendidos, qual seja, a reformulação do acórdão neste ponto. Se entendesse que de fato novo se trata, consequentemente, haveria que se falar em cerceamento ao direito de defesa, já que lhe foi defeso a manifestação sobre tal situação jurídica. Ainda assim, este não seria o veículo processual adequado. Ponto que vale a ressalva, neste aspecto, é que eventual acolhimento dos embargos (em razão de o acórdão ter trazido argumento novo), retrataria cerceamento ao direito de defesa da PGFN, em se pronunciar sobre a divergência das datas, ora em foco. Outro possível desdobramento deste argumento, é que ele é mais compatível com a alegação de erro de julgamento (equívoco no julgamento da Turma), do que novo argumento. E afirmo neste sentido, uma vez que, o cerne da alegação da Embargante é a incorreta aferição da data de apreciação do Programa BEFIEX, e tal situação pode ser entendida como erro de julgamento, e não como nova manifestação. Assim, eventual ampliação do objeto dos embargos de declaração poderia caracterizar verdadeira usurpação da figura do reexame necessário. Conclusão Em paralelo a tudo o que foi manifestado neste voto, relevante e indispensável reconhecer, nestes embargos, a importância da discussão travada pela Embargante. Porém, tal percepção jurídica encontrou entraves nos estritos limites legais atinentes à natureza jurídica deste instrumento processual, ou seja, entendo válido o conflito Fl. 985DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por TALITA PIMENTA FELIX, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por TALITA PIMENTA FELIX, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16327.001289/200554 Acórdão n.º 1302001.800 S1C3T2 Fl. 12 11 jurídico apontado, no entanto, o veículo processual utilizado para transportar o debate, é inválido. Nesta tônica, concluo que a Embargante deseja (re)discutir a análise e interpretação de fatos e provas dos autos, e não possível “omissão existente entre a decisão e os seus fundamentos”, ou ainda, “omissão sobre ponto que a Turma deveria se pronunciar”, ambos, únicos motivos ensejadores de provimento do recurso de embargos de declaração, deste modo, conheço o embargos, porém, o rejeito. É como voto. (documento assinado digitalmente) TALITA PIMENTA FÉLIX – Relatora Declaração de Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA No despacho anulado de fls. 853/857, esta Conselheira já havia se manifestado contra a admissibilidade dos embargos por considerálos manifestamente improcedentes. Assim, reiterase aqui as razões lá expostas para rejeitar os embargos ora conhecidos: A interessada argumenta que o voto condutor do acórdão embargado, embora veicule a conclusão de que os créditosprêmio de IPI representariam receitas operacionais de exportação, confirmando, desta forma, o entendimento da embargante e o equivoco da autuação e da decisão de primeira instância, defendeu a manutenção da exigência com base na interpretação de que o Programa BEFIEX da interessada não teria sido aprovado antes de 20/05/1998, afirmando inexistir prova nos autos neste sentido e ignorando informação passada pela embargante durante a fiscalização, em resposta à intimação de fls. 35/36. Argumenta que tal matéria se tornou incontroversa, na medida em que a Fiscalização se omitiu a respeito do tema, de modo que não lhe cabia fazer qualquer prova neste sentido por ocasião da impugnação ou do recurso voluntário. Assim, para afastar qualquer dúvida, junta aos autos, neste momento, as Portarias de aprovação dos referidos programas. Frente à omissão acerca de fato declarado no processo e aceito pela autoridade lançadora, a contribuinte pede o acolhimento dos embargos, para que o acórdão nº 10196.858 seja integrado de modo a reconhecer o fato apontando e, em conseqüência, ser dado provimento parcial ao recurso voluntário para declarar o direito da embargante ao incentivo fiscal nos termos do Decretolei n. 2413. No voto condutor do acórdão embargado, a Conselheira Sandra Maria Faroni, inicialmente apresenta os argumentos para se opor à assertiva da Recorrente de que a fiscalização concorda que a empresa seja beneficiária de isenção sobre as receitas Fl. 986DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por TALITA PIMENTA FELIX, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por TALITA PIMENTA FELIX, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16327.001289/200554 Acórdão n.º 1302001.800 S1C3T2 Fl. 13 12 de exportação, e afirmar que a glosa da exclusão foi promovida pela autoridade fiscal apenas por ter entendido que o créditoprêmio não compõe o resultado das exportações incentivadas. Na seqüência, a Conselheira confirma a tese da contribuinte de que o valor do créditoprêmio corresponde a receita de exportação, consignando as normas complementares que suportam seu entendimento, mas destaca que essa conclusão não é suficiente para confirmar a exclusa procedida pelo contribuinte, passando à análise da legitimidade da isenção de que o contribuinte afirma ser beneficiário. Neste sentido, abordando a legislação pertinente à matéria, constata que: Conforme legislação supra transcrita, verificase que, na área do imposto de renda, os incentivos fiscais decorrentes de exportação de manufaturados (BEFIEX) observam as seguintes leis de regência: Programas aprovados até 31/12/87 regidos pelo DL 1.219/72 (exclusão do lucro da exportação incentivada). Programas aprovados ou já apreciados pela Secretaria Executiva do CDI entre 01/01/88 e 19/05/88 regidos pelo DL 2.413/88 (tributação por a alíquota diferenciada). Programas apreciados a partir de 20/05/88 tributação pelo IR à alíquota normal. Como se vê, a partir de 01/01/88. a isenção do imposto de renda no âmbito dos programas BEFIEX. estabelecida pelo art. 10 do Decretolei n°1.219/72, foi revogada pelo Decretolei n° 2.397/87, ressalvadas as correspondentes a exportações previstas em programa especial de exportação aprovado até 31 de dezembro de 1987. Assim, para os projetos aprovados a partir de 01/01/88, não obstante o valor do crédito premio represente, de fato, receita de exportação, não há previsão legal para sua exclusão do lucro liquido, devendo ser computado para fins de lucro da exploração relativo à atividade incentivada. para fins de tributação por alíquota reduzida (se aprovados ou apreciados pelo CDI entre 01/01/88 e 19/05/88), ou são tributados à alíquota normal (programas apreciados após 20/05/88) No caso da Recorrente, a aprovação deuse em julho de 1988, conforme Termo de Aprovação e Certificado IV 479/88, fls. 308 a 312 do presente, e não há prova nos autos de que o programa tenha sido apreciado pela Secretaria Executiva do CDI antes de 20 de maio de 1998, o que a beneficiaria com alíquota reduzida. E ainda que a empresa fosse beneficiária de alíquota reduzida (o quê não está demonstrado nos autos), é indiscutível pelos documentos constantes dos autos, que suas receitas de exportação, nos termos do programa aprovado, não se encontram amparadas por isenção. Quando a interessada adquiriu a disponibilidade do créditoprêmio (em novembro de 1996, com o trânsito em julgado a decisão judicial que o deferiu), as receitas de que se trata não estavam albergadas por isenção (mediante exclusão do lucro liquido). Como nada foi pleiteado em juizo quanto á. tributação dos respectivos valores pelo imposto de renda pela CSLL, a legislação aplicável é a vigente na data da ocorrência do fato gerador. Tratandose de receita operacional, integrante do lucro liquido, como é incontroverso, e não havendo previsão legal para sua exclusão para fins de apuração do [RN e da CSLL. a exclusão levada a efeito nos anoscalendário de 2000. 2001 e 2002 não encontra amparo na legislação em vigor. Como se vê, independentemente da data de aprovação do benefício fiscal, a Conselheira Relatora constatou que o documento apresentado pela contribuinte não lhe conferia isenção sobre receitas de exportação. Dessa forma, restou infirmada a aplicação dos atos normativos por ela antes referidos, os quais estendiam a isenção, também, à parcela correspondente aos incentivos fiscais à exportação (Parecer Normativo CST nº 71/72, Instrução Normativa SRF nº 51/78, Ato Declaratório Normativo CST nº 19/81, Parecer Normativo CST nº 11/82). Fl. 987DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por TALITA PIMENTA FELIX, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por TALITA PIMENTA FELIX, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16327.001289/200554 Acórdão n.º 1302001.800 S1C3T2 Fl. 14 13 Nestes termos, embora, de fato, afirmando que a aprovação dos Programas BEFIEX da interessada teria se verificado em julho/88, a Conselheira Relatora considerou desnecessária qualquer investigação a respeito, porque mesmo se eles tivessem sido aprovados entre 01/01/88 e 20/05/88, as receitas não estariam amparadas por isenção, mas apenas por redução de alíquota quando da tributação do lucro da exploração delas decorrente, inexistindo evidências de que a pessoa jurídica fosse beneficiária de alíquotas reduzidas. Para afirmar que a aprovação do Programa BEFIEX aconteceu em julho/88, a Conselheira Relatora reportouse ao documento de fls. 308/312, intitulado Termo de Aprovação BEFIEX nº 479/88, firmado em 14/07/2008 entre a União Federal, representada pelo Ministro de Estado da Indústria e do Comércio e a Comissão para Concessão de Benefícios Fiscais a Programas Especiais de Exportação – BEFIEX, e Consul S/A, uma das pessoas jurídicas sucedidas pela embargante. Na seqüência deste termo consta o Certificado nº 479/88, emitido em 15/07/88, nos seguintes termos: Certificamos, para os devidos fins, que o Senhor Ministro de Estado da Industria e do Comércio aprovou em 14 de julho de 1988, o Programa Especial de Exportação apresentado pela empresa CONSUL S/A, inscrita no CGC/MF sob o nº 84.684.349/000180, com sede à Rua Araranguá, 514, na cidade de Joinville Santa Catarina, nos termos do Decretolei nº 1.219, de 15 de maio de 1972, do Decreto nº 71.278, de 31 de outubro de 1972, do Decreto nº 74.199, de 21 de junho de 1974, do Decretolei nº 1.428, de 02 de dezembro de 1975, no Decreto nº 77.065, de 20 de janeiro de 1976 e do Decretolei nº 1.933, de 19 de abril de 1982. O Programa aprovado, a ser cumprido no período de 10 (dez) anos, contados a partir de 14 de julho de 1988, assegura à EMPRESA BENEFICIARIA, conforme TERMO DE APROVAÇÃO BEFIEX/Nº 479/88, firmado na mesma data os seguintes beneficios: I redução de 90% (noventa por cento) dos impostos de importação sobre produtos industrializados, incidentes sobre a importação de máquinas, equipamentos, aparelhos, instrumentos, acessórios e ferramental novos em valor FOB até o limite máximo de US$ 19.055 mil (dezenove milhões, cinquenta e cinco mil dólares), observadas as disposições do Decretolei nº 1.219, de 15 de maio de 1972; II redução de 50% (cinquenta por cento) dos impostos de importação e sobre produtos industrializados, incidentes sobre a importação de partes, peças e componentes em valer FOB até o limite máximo de US$ 20.404 mil (vinte milhões, quatrocentos e quatro mil dólares), observadas as disposições dos artigos 1o e 3o do Decretolei nº 1.219, de 15 de maio de 1972, e do art. 7o do Decreto nº 71.278, de 31 de outubro de 1972; A efetivação dos benefícios fiscais concedidos farseá mediante declaração emitida pela Secretaria da BEFIEX nos documentos de importação dos bens amparados pelo programa aprovado. Como se vê, a isenção parcial prevista neste ato alcançou, apenas, a importação de produtos industrializados, não cogitando das reduções de alíquota sobre o lucro decorrente de exportações incentivadas, previstas no art. 1o do Decreto Lei nº 2.413/88. Este aspecto, como visto, foi determinante para que a Conselheira Relatora tivesse por irrelevante a data de aprovação do Programa, consignado que mesmo se a empresa fosse beneficiária de alíquota reduzida (o quê não está demonstrado nos autos), é indiscutível pelos documentos constantes dos autos, que suas receitas de exportação, nos termos do programa aprovado, não se encontram amparadas por isenção. Esclareçase, porém, que referido documento foi apresentado em impugnação pela empresa autuada, como referência inicial do histórico de benefícios integrantes do extenso Programa de exportações Befiex, durante o período de 1988 a 1998. Naquele momento, afirmou a interessada que o requerimento firmado por Consul S/A em 11/11/87, foi apreciado pela Comissão BEFIEX na sua Reunião Plenária de Fl. 988DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por TALITA PIMENTA FELIX, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por TALITA PIMENTA FELIX, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16327.001289/200554 Acórdão n.º 1302001.800 S1C3T2 Fl. 15 14 25.2.1988, tendo sido aprovado pelo Ministério da Indústria e do Comércio por meio da Portaria n. 62, de 14.7.1988. Nessa mesma data, foi assinado entre a União Federal e a Consul o Termo de Aprovação BEFIEX n. 479/88, sendo que a Comissão BEFIEX em 15.7.1988 emitiu o Certificado n. 479/88 (docs. 6 e 7). Em recurso voluntário, a interessada reportouse, apenas, ao documento que finalizou o mencionado Programa de Exportações – Termo de Compromisso Adititvo e Fusão de Programas Especiais de Exportação SPI/BEFIEX/n. 661/94, de 1.7.1994 – afirmando que ele consolidara todos os compromissos e os benefícios fiscais firmados por diversas empresas do mesmo grupo econômico no âmbito BEFIEX, representados pelos documentos 6 a 15 juntados à impugnação. De toda sorte, a referência àquele documento constou do recurso voluntário e foi apreciado pela Conselheira Relatora. No que tange à informação passada pela embargante durante a fiscalização, em resposta à intimação de fls. 35/36, consta ali que a Multibrás (sucessora da Brastemp S.A, Semer S.A e a Consul S.A) obteve o reconhecimento judicial ao direito ao crédito prêmio de IPI Exportação, referente ao período de 1988 a 1998, conforme o programa BEFIEX aprovado pelo certificado nº 479/88 em reunião plenária de 25 de fevereiro de 1988. Porém, como visto, o Certificado nº 479/88 é, precisamente, o documento examinado pela Conselheira Relatora, que reputou sua aprovação como ocorrida em julho/88, como nele, de fato, está expresso. Tal contexto revela que, em verdade, a pretensão da embargante é discutir a data da aprovação do referido Programa, e não a omissão, no julgado, a respeito de fato relevante presente nos autos. Anotese, por oportuno, que foi entregue a esta Conselheira, encarregada do exame de admissibilidade dos embargos, memoriais sem assinatura ou indicação do patrono que os teria elaborado, invocando os efeitos do art. 119 do Decreto nº 96.760/88, que teria permitido a aprovação de programas com base em legislação anterior ao Decretolei nº 2.433/88, desde que apreciados até 19/05/88 pelo Plenário dos Grupos Setoriais ou da Comissão BEFIEX da extinta Secretaria Executiva do CDI. Todavia, as alegações da interessada acerca da incorreta interpretação da legislação aplicável ao tema, ou sua inconformidade com o que entende ter sido uma inovação do feito, porque adotada razão totalmente diferente daquelas utilizadas pelo Sr. AFRFB no momento do lançamento, não têm lugar em sede de embargos de declaração, na forma do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. A Turma pronunciouse sobre o fato apontado pela embargante, e a decisão é coerente com os fundamentos apresentados pela Conselheira Relatora, mormente tendo em conta sua ressalva final de que mesmo se aprovado até 20/05/88, o Programa não conferia isenção às exportações, a inviabilizar a classificação da receita decorrente de crédito prêmio de IPI também como isenta. É como voto. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Conselheira Fl. 989DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por TALITA PIMENTA FELIX, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por TALITA PIMENTA FELIX, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 19985.722209/2014-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA.
O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Precedentes do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543-B e 543-C do CPC.
INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA REFAZER O LANÇAMENTO. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA.
O lançamento adotou critério jurídico equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ, impactando a identificação da base de cálculo, das alíquotas vigentes e, consequentemente, o cálculo do tributo devido, o que caracteriza vício material. Não compete ao CARF refazer o lançamento com outros critérios jurídicos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Precedentes do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543-B e 543-C do CPC. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA REFAZER O LANÇAMENTO. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. O lançamento adotou critério jurídico equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ, impactando a identificação da base de cálculo, das alíquotas vigentes e, consequentemente, o cálculo do tributo devido, o que caracteriza vício material. Não compete ao CARF refazer o lançamento com outros critérios jurídicos. Recurso Voluntário Provido.
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE Recorrente CARLOS NICOLA BALSANO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Precedentes do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA REFAZER O LANÇAMENTO. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. O lançamento adotou critério jurídico equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ, impactando a identificação da base de cálculo, das alíquotas vigentes e, consequentemente, o cálculo do tributo devido, o que caracteriza vício material. Não compete ao CARF refazer o lançamento com outros critérios jurídicos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 22 09 /2 01 4- 23 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 19985.722209/201423 Acórdão n.º 2402005.285 S2C4T2 Fl. 203 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo acima identificado contra decisão que declarou improcedente a sua impugnação apresentada para desconstituir a Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) que integra o presente processo. Os principais aspectos envolvidos no PAF até a apresentação do recurso podem ser visualizados no relatório da decisão de primeira instância: "Tratase de impugnação apresentada pela pessoa física em epígrafe em 07/07/2014, contra a Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física (fl.04/08), da qual o contribuinte foi cientificado em 10/06/2014 (fl. 28), que apurou o crédito tributário de R$ 7.841,06, resultante da revisão da Declaração de Ajuste Anual do IRPF (DIRPF), exercício 2011, anocalendário 2010. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal da Notificação de Lançamento, foi apurada a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de Ação Trabalhista, no valor de R$ 23.284,08, em relação ao qual, na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF de R$ 698,52. Constou ainda, na Complementação da Descrição dos Fatos, o seguinte: “Valores incluídos conforme documentos apresentados. Não houve apresentação de comprovante de pagamento de honorários advocatícios.” Alegou o Impugnante, em síntese, que o valor referese a rendimentos acumulados recebidos de longo período, provenientes da Ação Trabalhista nº 2007.70.00.0184466, cujo Imposto de Renda, com tributação exclusiva na fonte, foi recolhido conforme Lei nº 10.933/2003 e que, se calculado mês a mês, não ensejaria incidência de Imposto de Renda, conforme Resp nº 1.118429SP, convertido na Lei nº 12.350/2010." A Turma da DRJ manteve o lançamento, sob a justificativa de que no período da ocorrência dos fatos geradores caberia ao contribuinte fazer a opção pela tributação exclusiva na fonte, como assim não procedeu, deve se sujeitar a sistemática de apuração do imposto mediante a declaração de ajuste anual juntamente com os demais rendimentos, conforme procedeu a fiscalização. Cientificado da decisão em 13/11/2014, fl. 44, o sujeito passivo apresentou recurso tempestivo em 10/12/2014, fl. 46/55, no qual cita diversas decisões judiciais no sentido Fl. 204DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 de demonstrar que os rendimentos acumulados devem ser tributados pelo regime de competência, Ao final, pede a reforma da decisão de primeira instância. É o relatório. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 19985.722209/201423 Acórdão n.º 2402005.285 S2C4T2 Fl. 204 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade Conforme relatado, o recurso voluntário foi interposto no prazo legal. Assim, por terem sido atendidos os demais requisitos normativos, deve ser conhecido o recurso. Omissão de rendimentos O sujeito passivo se insurgiu contra a forma como foi efetuada a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente por força de decisão judicial. Sustenta que devese aplicar os preceitos da do art. 12A da Lei n.° 7.713/1988, tributandose os RRA pelo regime de competência. Observo que esse argumento foi apresentado também na defesa, todavia não foi suficientemente enfrentado, tendo o órgão recorrido se limitado a afirmar que, por serem rendimentos recebidos acumuladamente de entidade de previdência privada, não caberia a declaração como rendimento tributado exclusivamente na fonte. Essa omissão sem dúvida seria causa de declaração de nulidade do acórdão, todavia, em homenagem ao § 3.° do art. 59 do Decreto n.° 70.235/1972, devemos a apreciar a questão do regime de tributação aplicado pelo fisco para chegar ao cálculo do imposto. Essa controvérsia jurídica, reiteradamente debatida no Judiciário e neste Conselho, foi solucionada definitivamente pelo STF por ocasião do julgamento do RE 614.406, com repercussão geral e trânsito em julgado, Rel. Min. Rosa Weber, tema 368, redigido nos seguintes termos: Tema 368 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. Como se vê, o citado tema trata exatamente da incidência do IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, hipótese esta idêntica a dos autos, na qual os rendimentos acumuladamente percebidos pela recorrente foram objeto de lançamento de ofício que se baseou na premissa de que eles deveriam ser tributados no mês do seu recebimento (regime de caixa), e não de acordo com a época em que eles deveriam ter sido efetivamente pagos (regime de competência). Naquele recurso extraordinário, com trânsito em julgado em 09/12/2014, a Suprema Corte manteve o acórdão do TRF4, que decidiu pela inconstitucionalidade, sem redução de texto, da regra do art. 12 da Lei nº 7.713/88, no tocante aos rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de remuneração, vantagem pecuniária, proventos e benefícios previdenciários, mormente para afastar o regime de caixa e determinar a incidência mensal Fl. 206DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor (regime de competência). Foi vitoriosa a tese constante na divergência aberta pelo Min. Marco Aurélio, para quem os contribuintes, em casos idênticos aos dos autos, são penalizados duplamente, pois, não recebendo as parcelas nas épocas devidas, são compelidos a ingressar em Juízo e ainda sofrem a junção dos valores para efeito de incidência do imposto, o que viola o princípio da isonomia. Mais ainda, e considerando que o imposto de renda tem como fato gerador a disponibilidade econômica ou jurídica, não se poderia, na visão do citado Min., desconsiderar o fenômeno das épocas próprias, reveladas pela disponibilidade jurídica. A título de ilustração, segue a ementa do julgado: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27 112014) A análise do tema, da ementa e do acórdão do recurso extraordinário demonstram que o caso julgado sob o regime da repercussão geral é idêntico ao dos autos. Mas não é só, pois a Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), sob a sistemática de que trata o art. 543C do CPC, já havia decidido que "o imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." Segue a ementa do decisum: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art.543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. (REsp 1118429/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2010, DJe 14/05/2010) Em sendo assim, deve ser aplicado o art. 62, §2o, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, segundo o qual as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC, devem ser reproduzidas pelas suas Turmas. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 19985.722209/201423 Acórdão n.º 2402005.285 S2C4T2 Fl. 205 7 Portanto, o imposto deve ser apurado com base nas tabelas e nas alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, e não no mês do seu recebimento. Ocorre que o lançamento em apreço, ao determinar a tributação do imposto de renda no mês do recebimento, adotou critério jurídico totalmente equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ. Esse critério equivocado impactou a identificação da base de cálculo e das alíquotas vigentes, impactando, por conseguinte, o cálculo do tributo devido, ex vi do art. 142 do CTN. Isto é, o lançamento está eivado de vício material, o que o torna nulo de pleno direito. A adoção do regime de competência, em substituição ao regime de caixa, poderia inclusive colocar os rendimentos numa faixa de isenção do imposto, ou, ainda, numa faixa de tributação menos onerosa ao contribuinte. Não pode passar despercebido, também, o fato de que a distribuição dos valores mês a mês certamente atingiria exercícios pretéritos ao exercício objeto do recurso, o que demonstra que seria necessário outro lançamento de ofício, e não mera retificação do lançamento anteriormente efetuado. Cumpre lembrar que lançamento é justamente o procedimento administrativo (ou ato administrativo) tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, na dicção do art. 142 do CTN. No caso, repitase, houve incorreta identificação da base de cálculo, da alíquota e, por consequência, do montante do tributo devido. Nesse contexto, e como não compete a este Conselho refazer o lançamento com base em outros critérios jurídicos, mormente porque tal procedimento é da competência privativa da autoridade administrativa, entendo que deve ser cancelada a notificação. Em caso análogo, assim se decidiu: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2010 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62A do Regimento Interno. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidá lo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. Recurso Voluntário Provido. (Número do Processo 13002.720640/201122, RECURSO VOLUNTÁRIO, Sessão de 11 de março de 2015, Relator(a) Marcelo Vasconcelos de Almeida, Acórdão nº 2802003.359) Devese, portanto, dar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Voto por dar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 14751.000010/2005-80
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2001, 2002, 2003
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS E/OU SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU SUA CAUSA.
Procedente o lançamento que exige imposto de renda na fonte na situação em que o contribuinte, devidamente intimado, não logrou identificar os beneficiários de pagamentos e, cumulativamente, comprovar a operação correspondente e/ou sua causa. Não há dúvidas sobre a efetividade dos pagamentos, diante das provas de que as receitas auferidas pela empresa eram recebidas mediante cheques descontados na boca do caixa. Do total recebido, 10% eram depositados na conta-corrente da própria empresa e contabilizados como receitas. Os 90% restantes eram destinados a terceiros, sem contabilização nem identificação dos destinatários e/ou das operações que teriam dado causa aos pagamentos. Em tal situação, compete ao contribuinte o ônus de comprovar as operações ou causas correspondentes a cada pagamento realizado, sob pena de se sujeitar à tributação do imposto de renda na fonte. Não há qualquer incompatibilidade intrínseca entre o regime do lucro real e o lançamento de IR/Fonte sobre pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa. As bases para a incidência do IRPJ/Lucro Real e do IR/Fonte sobre pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa são completamente distintas.
Numero da decisão: 9101-002.351
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por unanimidade de votos,em negar-lhe provimento, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal De Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente), ADRIANA GOMES REGO, RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA (Suplente convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, LUIS FLAVIO NETO, RONALDO APELBAUM (Suplente convocado), ANDRE MENDES DE MOURA, NATHALIA CORREIA POMPEU.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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(contribuinte), JOSÉ WILSON SANTIAGO e MARIA NILDA SANTIAGO SILVA (responsáveis solidários) Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2001, 2002, 2003 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS E/OU SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU SUA CAUSA. Procedente o lançamento que exige imposto de renda na fonte na situação em que o contribuinte, devidamente intimado, não logrou identificar os beneficiários de pagamentos e, cumulativamente, comprovar a operação correspondente e/ou sua causa. Não há dúvidas sobre a efetividade dos pagamentos, diante das provas de que as receitas auferidas pela empresa eram recebidas mediante cheques descontados “na boca do caixa”. Do total recebido, 10% eram depositados na contacorrente da própria empresa e contabilizados como receitas. Os 90% restantes eram destinados a terceiros, sem contabilização nem identificação dos destinatários e/ou das operações que teriam dado causa aos pagamentos. Em tal situação, compete ao contribuinte o ônus de comprovar as operações ou causas correspondentes a cada pagamento realizado, sob pena de se sujeitar à tributação do imposto de renda na fonte. Não há qualquer incompatibilidade intrínseca entre o regime do lucro real e o lançamento de IR/Fonte sobre pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa. As bases para a incidência do IRPJ/Lucro Real e do IR/Fonte sobre pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa são completamente distintas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 00 10 /2 00 5- 80 Fl. 14718DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/08/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 14751.000010/200580 Acórdão n.º 9101002.351 CSRFT1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por unanimidade de votos,em negarlhe provimento, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente), ADRIANA GOMES REGO, RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA (Suplente convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, LUIS FLAVIO NETO, RONALDO APELBAUM (Suplente convocado), ANDRE MENDES DE MOURA, NATHALIA CORREIA POMPEU. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto conjuntamente pelos sujeitos passivos acima identificados (contribuinte e responsáveis solidários), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto às seguintes matérias: (1) nova contagem de prazo constituição do crédito tributário data da segunda notificação; (2) decadência; (3) IR/Fonte especificação de destinatários beneficiários identificados; (4) IR/Fonte incompatibilidade de tributação por redução do lucro líquido situação própria da tributação do IRPJ pelo lucro real; (5) responsabilidade tributária solidária de exprocuradores da sociedade; e (6) multa qualificada de 150%. O exame de admissibilidade do recurso especial foi feito pela Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, que só admitiu o recurso em relação à quarta divergência acima indicada (IR/Fonte incompatibilidade de tributação por redução do lucro líquido situação própria da tributação do IRPJ pelo lucro real). Houve negativa de seguimento do recurso em relação às demais divergências suscitadas, o que foi confirmado por despacho de reexame de admissibilidade exarado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em caráter definitivo, nos termos do art. 71 do Anexo II do RICARF. Em seu recurso especial, os recorrentes insurgemse contra o Acórdão nº 130100.644, de 04/08/2011, por meio do qual a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidiu, entre outras coisas, manter o lançamento a título de IR/Fonte sobre pagamentos a beneficiários não identificados e/ou sem comprovação da operação ou sua causa. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: Fl. 14719DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/08/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 14751.000010/200580 Acórdão n.º 9101002.351 CSRFT1 Fl. 4 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2001, 2002, 2003 DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. NOTA FISCAL CALÇADA. PRESENÇA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. APLICABILIDADE DO ART. 173, I, DO CTN. DECISÃO DO STJ NO REGIME DO ART. 543C DO CPC. APLICABILIDADE DO ART. 62A DO RICARF. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 973.733, no regime do art. 543C do CPC. Aplicabilidade do art. 62A do Regimento Interno do CARF. No caso concreto, a prova nos autos da conduta dolosa do contribuinte, consubstanciada na prática conhecida como “nota calçada”, foi decisiva para que a contagem do prazo decadencial fosse feita a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do CTN. MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITAS. NOTA CALÇADA. CABIMENTO. Comprovadas nos autos condutas que evidenciam o intuito de impedir o conhecimento da Autoridade Fazendária do fato gerador da obrigação principal tributária, é de se manter a multa qualificada no percentual de 150%. No caso concreto, o contribuinte alterou os valores das diferentes vias das notas fiscais, contabilizando apenas dez por cento das receitas auferidas, em prática dolosa conhecida como “nota calçada”. IRPJ. CSLL. OMISSÃO DE RECEITAS. NECESSIDADE DO ARBITRAMENTO DO LUCRO. Diante de receitas omitidas em percentuais, em média, acima de 500% daquelas escrituradas, da impossibilidade de reconstituição da escrita e de indícios de que haveria outros custos, de imprecisa quantificação e comprovação, além daqueles escriturados (conforme diligências levadas a efeito pela Fiscalização), deveria o Fisco ter adotado o critério de arbitramento dos lucros. A escrita da interessada, nessas condições, é imprestável para a apuração do lucro real. Da forma como foi feito o lançamento, a tributação incide sobre as receitas e não sobre o lucro, não podendo assim subsistir as exigências de IRPJ e CSLL. O mesmo não se aplica, entretanto, aos lançamentos de PIS e COFINS, cuja incidência é sobre o faturamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2001, 2002, 2003 Fl. 14720DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/08/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 14751.000010/200580 Acórdão n.º 9101002.351 CSRFT1 Fl. 5 4 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS E/OU SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU SUA CAUSA. Procedente o lançamento que exige imposto de renda na fonte na situação em que o contribuinte, devidamente intimado, não logrou identificar os beneficiários de pagamentos e, cumulativamente, comprovar a operação correspondente e/ou sua causa. Não há dúvidas sobre a efetividade dos pagamentos, diante das provas de que as receitas auferidas pela empresa eram recebidas mediante cheques descontados “na boca do caixa”. Do total recebido, 10% eram depositados na contacorrente da própria empresa e contabilizados como receitas. Os 90% restantes eram destinados a terceiros, sem contabilização nem identificação dos destinatários e/ou das operações que teriam dado causa aos pagamentos. Em tal situação, compete ao contribuinte o ônus de comprovar as operações ou causas correspondentes a cada pagamento realizado, sob pena de se sujeitar à tributação do imposto de renda na fonte. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2001, 2002, 2003 SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A responsabilidade tributária de que trata o art. 135 do CTN é também atribuída aos administradores e mandatários da sociedade, independentemente de sua condição de sócios ou não, desde que comprovado que tenham exorbitado de suas atribuições estatutárias ou dos limites legais e que dos atos assim praticados tenham resultado obrigações tributárias. No caso concreto, quando comprovado que as pessoas indicadas como responsáveis solidários praticaram atos de gestão da empresa e o efetivo exercício dos amplos poderes de administração da sociedade que lhes foram outorgados, deve ser mantida a responsabilidade. Ao contrário, quando não se comprova a prática de qualquer desses atos, a mera condição de mandatário é insuficiente para a caracterização da responsabilidade tributária. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2001, 2002, 2003 RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. LEGITIMIDADE PARA INTERVIR NO PROCESSO. São partes legítimas para intervir no processo administrativo fiscal não apenas o contribuinte, mas também as pessoas apontadas pelo Fisco como responsáveis tributários. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA. A perícia não se constitui em direito subjetivo do autuado, cabendo ao julgador, se considerála desnecessária, indeferir motivadamente o pedido. Tal é a situação dos autos, em que a prova a ser produzida é de natureza documental, a cargo do interessado. Não há, pois, a nulidade arguida. Fl. 14721DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/08/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 14751.000010/200580 Acórdão n.º 9101002.351 CSRFT1 Fl. 6 5 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade: não conhecer dos argumentos acerca das multas isoladas, por falta de objeto; rejeitar as preliminares de decadência e de nulidade do lançamento e da decisão recorrida; acolher, parcialmente, os argumentos atinentes à sujeição passiva, para afastar a responsabilidade tributária solidária imputada à Sra. Maria Suely Alves de Oliveira e à Sra. Maria Nilda Santiago Silva, sendo que, para esta última, apenas quanto aos fatos geradores ocorridos anteriormente a 03/04/2002; e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para afastar apenas as exigências do IRPJ e CSLL. Quanto à matéria admitida do recurso especial (IR/Fonte incompatibilidade de tributação por redução do lucro líquido situação própria da tributação do IRPJ pelo lucro real), os recorrentes desenvolvem os argumentos apresentados a seguir: os recorrentes indicam o Acórdão nº 10421.757 como paradigma de divergência: Acórdão nº 10421.757 IRRFONTE PAGAMENTO SEM CAUSA ART. 61 DA LEI N°. 8981/95 LUCRO REAL REDUÇÃO DE LUCRO LIQUIDO MESMA BASE DE CALCULO INCOMPATIBILIDADE A aplicação do art. 61 está reservada para aquelas situações em que o fisco prova a existência de um pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, desde que a mesma hipótese não enseje tributação por redução do lucro líquido, tipicamente caracterizada por omissão de receita ou glosa de custos/despesas, situações próprias da tributação do IRPJ pelo lucro real. Recurso provido. na seqüência do recurso especial, transcrevem trechos do voto que orientou o acórdão paradigma: Não é outra, ainda que por outro enfoque e por via de raciocínio diverso, a conclusão a que chegou o ilustre professor José Minatel em seu artigo publicado na Revista Dialética, do qual me permito reproduzir parte: " [...] Nessa específica hipótese, estando a empresa na sistemática do lacro real para tributação de seus resultados pelo Imposto de Renda, o procedimento fiscal culmina, via de regra, com a lavratura de autos de infração para exigência de IRPJ e CSLL, acrescidos de juros moratórios e multa aplicada de ofício (75% ou 150%), sob o fundamento de glosa da dedutibilidade de despesas/custos não comprovados. Concomitantemente, lavrase outro auto de infração fundamentado no art. 61 da Lei 11°. 8.981/95, com exigência do malfadado IRFonte de 35%, acrescido, também, de juros e nova multa aplicada de oficio (75% ou 150%), agora sob o fundamento de que os mesmos gastos, contabilizados como custos/despesas, estão acobertando pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado. Evidente que há exageros e não se pode compactuar com a sobreposição de penalidades sancionando a mesma conduta. Com Fl. 14722DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/08/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 14751.000010/200580 Acórdão n.º 9101002.351 CSRFT1 Fl. 7 6 efeito, ante a nãocomprovação dos gastos contabilizados como custos/despesas, está legitimada a formalização de exigência do IRPJ e da CSLL indevidamente reduzidos, sendo pertinente que essa conduta que ocasionou indevida redução de tributos seja sancionada com a imposição de multa de oficio (75% ou 150%). No entanto, não cabe outra penalidade sobre a mesma constatação fática, sendo indevida a exigência de 35% a título de IRFonte sob o pressuposto de falta de identificação do beneficiário do pagamento da mesma operação que teve a dedutibilidade negada, pois essa exigência tem nítido caráter de penalidade, como já demonstrado. [...] Portanto, é imperioso admitir que há limites e condições para a aplicação da penalidade prevista no art. 61 da Lei n°. 8.981/95, a qual, quando cabível, deve ser vista com a mesma natureza da chamada "multa isolada", sendo certo que sua aplicação por meio de lançamento de ofício (auto de infração) não comporta novo cálculo de multa sobre multa, sendo totalmente inadequada a imposição de multa de ofício de 75% ou 150% sobre o valor da penalidade quantificada em 35% do valor do pagamento sem causa, ou a beneficiário não identificado. O grifo em quando cabível é para deixar registrado, pedindo vênia pela ênfase em discurso repetitivo, que essa penalidade de 35% do art. 61 da Lei n°. 8.981/95 somente pode ser aplicada quando não houver exigência concomitante de tributo (IRPJ e CSLL) sobre a mesma operação, pois, nessa hipótese, a formalização de exigência de cunho tributário com a imposição da penalidade correspondente, que é o objetivo primeiro da administração tributária, absorve a multa isolada prevista para idêntica conduta. Em conclusão, a imposição da multa isolada de 35% só é adequada para sancionar condutas que impeçam a identificação da causa ou do beneficiário de pagamento, praticadas por pessoas jurídicas não submetidas à tributação pelo lucro real. Desse ensaio, dentre outras verdades, podemos extrair que é absolutamente vedada ao fisco a possibilidade de escolha, ou seja, se cabível a tributação pelo IRPJ por redução do lucro líquido, não pode a autoridade lançadora simplesmente abandonar essa tributação para eleger a mais gravosa contida no art. 61 em comento e, muito menos e pelos mesmos motivos, lançar as duas exações. Isto porque e, por óbvio, a Lei n. 8981/95 não revogou as normas que regem a tributação pelo lucro real." alegam que em nenhum momento os autuados insurgiramse contra a exação em si, mas contra a sua teratologia, pois esses recursos despendidos de forma oblíqua serviram para a construção da barragem; que o fato da omissão de 90% da receita (esse valor não exato nos lançamentos) é rechaçado por fato concreto: a construção de uma barragem que não se faz sem custo, assim, esses 90% não poderiam ter sido desviados todos (exceto os tributos a eles inerentes IRPJ, COFINS, PIS E CSLL), sob pena da não construção da barragem, limitada por um lucro máximo de 37, 66% (BDI); Fl. 14723DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/08/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 14751.000010/200580 Acórdão n.º 9101002.351 CSRFT1 Fl. 8 7 reclamam da superposição de infrações antagônicas, afirmando que ou se tem lucro líquido ou se distribuiu o lucro, pois a entrega reduziria a zero o lucro líquido, pois, juntas, as duas infrações não convivem; argumentam que o auditor fiscal lançou a mesma base de cálculo, tanto para o IRPJ como para o IRRF; entendem que o julgador teria que dizer que o IRfonte à 35% é uma sanção, sobre a qual não deve incidir a multa de 150%; buscam demonstrar, à luz do § 3º do art. 61 da Lei 8.981/95, o seguinte: BASE DE CÁLCULO cfe.auto R$ 14.557.300,14 TRIBUTOS LANÇADOS NO AUTO R$ 5.093.507,77 PERCENTUAL APLICADO 35% alegam que pela regra do parágrafo 3º do supracitado dispositivo legal, o rendimento considerado de R$ 14.557,74 corresponde ao valor líquido, e a norma manda transformar primeiro num valor bruto, para aplicar a alíquota de 35%; que, então, se o rendimento é considerado líquido na sua recomposição, a alíquota real não é 35%, mas 53,85%; que se trata de regra impossível e incompatível com o regime de lucro real; e que o acórdão paradigma, em sentido contrário, assevera que essa penalidade de 35% do art. 61 da Lei n° 8.981/95 somente pode ser aplicada quando não houver exigência concomitante de tributo (IRPJ e CSLL) sobre a mesma operação, pois, nessa hipótese, a formalização de exigência de cunho tributário com a imposição da penalidade correspondente, que é o objetivo primeiro da administração tributária, absorve a multa isolada prevista para idêntica conduta. Como já mencionado, quando do exame de admissibilidade do recurso especial apresentado pelos sujeitos passivos, a Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF deu seguimento parcial ao recurso, reconhecendo a existência de divergência em relação à matéria "IR/Fonte incompatibilidade de tributação por redução do lucro líquido situação própria da tributação do IRPJ pelo lucro real", nos seguintes termos: [...] Ainda sobre o IRRF, as recorrentes apresentam outra divergência jurisprudencial, tendo como aresto paradigma o Acórdão nº 10421.757 (PAF nº 19515.000085/200496) e transcreve a ementa: [...] Nesse ponto, a divergência jurisprudencial é patente e pode ser constatada do simples cotejo do trecho acima transcrito com o seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido: [...] Assim, entendo que restou demonstrada a divergência jurisprudencial quanto a possibilidade de haver o lançamento do IRRF com base no art. 61 Fl. 14724DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/08/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 14751.000010/200580 Acórdão n.º 9101002.351 CSRFT1 Fl. 9 8 da Lei 8.981/95, quando os referidos pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados deu origem também ao lançamento do IRPJ por glosa de despesas. Em 22/06/2015, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que admitiu parte do recurso especial dos sujeitos passivos, e em 02/07/2015 o referido órgão apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os seguintes argumentos: cumpre observar que a incidência tributária aqui analisada é de natureza diversa do imposto de renda das pessoas jurídicas. No IRPJ, a empresa se situa na condição de contribuinte, respondendo por fato gerador por ela mesma praticado. Ao contrário, na situação em tela, a lei estabelece que, ao não registrar e comprovar o destinatário ou a causa dos pagamentos, a fonte pagadora se torna responsável pelo imposto que seria devido pelo beneficiário dos pagamentos; como bem observou o julgado recorrido, tal presunção legal se justifica diante da onerosidade das relações que uma empresa trava com terceiros, como regra, e da impossibilidade de buscar o imposto devido por aquele que recebeu o pagamento, por não identificado ou por falta de comprovação da causa da operação, a permitir a incidência tributária. Não se há de acolher, portanto, qualquer argumento no sentido de que a tributação do IRPJ e a do IRF não poderiam conviver “por antagonismo”. A convivência é perfeitamente possível, posto que possuem hipóteses de incidência diversas; de outro lado, não se está a tratar de bitributação, nem de bis in idem, eis que a tributação na fonte não se confunde em nada com omissão de receita. A tributação na fonte constitui forma autônoma erigida pelo legislador, mediante o disposto no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995. Na exigência do IRPJ a empresa é contribuinte do imposto, e este vai incidir sobre a disponibilidade econômica de renda, representada pela receita que se constatou omitida. Na incidência do IRRF o contribuinte é o beneficiário dos pagamentos e é sobre esta base de cálculo que incide o tributo, sendo que, na hipótese de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, a fonte pagadora é responsável pelo recolhimento do imposto na forma de tributação exclusiva; assim é que, constatandose, como foi o caso, a ocorrência de recursos entregues a terceiros ou a sócios, escriturados ou não, sem a comprovação da causa, estáse diante da subsunção do fato concreto à hipótese abstrata contida no art. 61 da Lei n° 8.891, de 1995, sendo de rigor a constituição do crédito tributário correspondente ao IRRF, independentemente de perscrutarse se os valores advieram de receitas omitidas ou não; a propósito de menção feita pela contribuinte a auto de infração de pessoa física, esclareçase que a matéria tributada neste processo, na pessoa jurídica, a título de Imposto de Renda Fonte, não possui nenhum vínculo com a matéria eventualmente tributada na pessoa física do sócio ou de terceiros. Nesta última, a tributação se dá pela aquisição da renda, enquanto na pessoa jurídica tributouse o valor pago pela empresa sem que se determinasse a causa da operação; por essas razões, é imperiosa a manutenção do acórdão recorrido. Fl. 14725DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/08/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 14751.000010/200580 Acórdão n.º 9101002.351 CSRFT1 Fl. 10 9 É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto lançamento para a constituição de crédito tributário a título de IRPJ e tributos reflexos (CSLL, PIS e COFINS) sobre fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2000 a 2002, apurados a partir da constatação das seguintes irregularidades: i) receitas não contabilizadas e ii) subfaturamento de vendas (notas calçadas). Essas irregularidades referentes à omissão de receitas ensejaram ainda lançamento de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais. Além disso, ante a ocorrência de pagamentos sem causa e pagamentos a beneficiários não identificados, também foi lavrado auto de infração para exigência do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF. O relatório contido no acórdão recorrido explicita a natureza das infrações cometidas pela contribuinte autuada: b) A contribuinte, ao receber cheques em pagamento por execução de obras, ia diretamente ao caixa do banco e sacava 90% do valor em espécie, depositando na conta corrente os 10% restantes, que eram escriturados. Mediante artifício da “nota calçada”, a empresa emitia a 1ª via da nota com o valor correto e as demais vias com valores da ordem de 10% do valor realmente faturado (infração ii). [...] d) Dos cheques sacados no caixa, 90% eram depositados em contas correntes de pessoas físicas e jurídicas, sem a devida comprovação da operação ou de sua causa. Tal fato ensejou a lavratura do auto de infração para exigência do imposto de renda na fonte sobre pagamentos a beneficiário não identificado ou pagamento sem causa. A controvérsia que remanesceu para essa fase de recurso especial diz respeito apenas ao lançamento de IR/Fonte sobre pagamentos a beneficiários não identificados e/ou sem comprovação da operação ou sua causa. Em síntese, os recorrentes alegam que esse tipo de lançamento de IR/Fonte é incompatível com o regime do lucro real, e que a "penalidade" de 35% do art. 61 da Lei n° 8.981/95 somente pode ser aplicada quando não houver exigência concomitante de tributo (IRPJ e CSLL) sobre a mesma operação, pois, nessa hipótese, a formalização de exigência de cunho tributário com a imposição da penalidade correspondente, que é o objetivo primeiro da administração tributária, absorve a multa isolada prevista para idêntica conduta. Fl. 14726DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/08/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 14751.000010/200580 Acórdão n.º 9101002.351 CSRFT1 Fl. 11 10 O primeiro ponto a esclarecer é que não houve propriamente lançamento de IRPJ e de IR/Fonte sobre as mesmas operações, como alegam os recorrentes. Diferentemente do que ocorreu no paradigma, não houve aqui lançamento de IRPJ por glosa de despesas, concomitante com o lançamento de IR/Fonte sobre pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa. O lançamento de IRPJ (e CSLL reflexa) nos presentes autos abrangeu apenas omissão de receitas, apuradas a partir de i) receitas não contabilizadas e ii) subfaturamento de vendas (notas calçadas). O que foi constatado pela Fiscalização é que a contribuinte autuada levava para a sua escrituração apenas 10% do que recebia de seus clientes, e os outros 90% nem mesmo entravam na sua contabilidade, dando origem direta a pagamentos que efetuava a terceiros, sem a identificação do beneficiário ou sem a discriminação de sua causa. Na verdade, o que os recorrentes vem pleiteando é que esses 90% do valor dos cheques recebidos, que nem mesmo ingressavam na contabilidade da empresa, que eram destinados diretamente a terceiros no momento do saque bancário, passassem a ser considerados pela Fiscalização como custo/despesa para fins de apuração do lucro real. A divergência que se verifica com o paradigma não é propriamente em relação ao fato de haver lançamento de IR/Fonte após a glosa de despesas, porque não houve glosa de despesas no presente caso. A divergência se dá pelo fato de a Fiscalização, ao recompor o lucro real, não ter computado os custos/despesas que estariam incluídos naquela parcela de 90% que não tinha sequer ingressado na contabilidade da empresa. Nesse contexto, podese se entender que houve uma glosa implícita (indireta) de despesas, e aí repousaria a divergência em relação ao acórdão paradigma, segundo o qual, havendo glosa de despesa, o valor correspondente a essa despesa glosada não poderia cumulativamente ensejar tributação de IR/Fonte por pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa. Outro aspecto importante a ser observado, e que guarda relação direta com tudo o que está sendo dito, é que o acórdão recorrido verificou no contexto específico deste caso concreto, que a recomposição do lucro real feita pela Fiscalização gerou distorções, de modo que o IRPJ acabou incidindo sobre a receita e não sobre o lucro. O entendimento manifestado pelo acórdão recorrido foi no sentido de que "diante de receitas omitidas em percentuais, em média, acima de 500% daquelas escrituradas, da impossibilidade de reconstituição da escrita e de indícios de que haveria outros custos, de imprecisa quantificação e comprovação, além daqueles escriturados (conforme diligências levadas a efeito pela Fiscalização), deveria o Fisco ter adotado o critério de arbitramento dos lucros". Por essas razões, houve o cancelamento do lançamento de IRPJ/CSLL. Fl. 14727DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/08/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 14751.000010/200580 Acórdão n.º 9101002.351 CSRFT1 Fl. 12 11 Assim, após o acórdão recorrido, não mais existiriam as alegadas distorções causadas pela existência concomitante do lançamento de IRPJ e de IR/Fonte sobre as mesmas operações, porque o lançamento de IRPJ foi cancelado pelo acórdão recorrido. Mas esse cancelamento foi motivado por questões específicas da base de cálculo do IRPJ, e não em razão da concomitância com o lançamento de IR/Fonte. Nesse passo, observo que tanto os recorrentes quanto o paradigma tratam da questão da incidência concomitante dos referidos tributos em termos gerais, defendendo uma incompatibilidade intrínseca entre o regime do lucro real e o lançamento de IR/Fonte sobre pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa, o que foi expressamente rejeitado pelo acórdão recorrido, de modo que é essa a questão (divergência) que deve ser solucionada no julgamento do presente recurso especial. Realmente não há nenhuma incompatibilidade intrínseca entre o regime do lucro real e o lançamento de IR/Fonte sobre pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa. Os fundamentos do acórdão recorrido, por si só, são suficientes para dar a melhor solução para essa questão: [...] O próximo ponto a ser apreciado são as alegações da recorrente acerca do lançamento de Imposto de Renda na Fonte. A infração apurada pelo Fisco foi o pagamento a beneficiário não identificado e/ou sem comprovação da operação ou sua causa, capitulada no art. 61 e seu § 1º da Lei nº 8.981/1995: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. Inicialmente, cumpre observar que a incidência tributária aqui analisada é de natureza diversa do imposto de renda das pessoas jurídicas. No IRPJ, a empresa se situa na condição de contribuinte, respondendo por fato gerador por ela mesma praticado. Ao contrário, na situação em tela, a lei estabelece que, ao não registrar e comprovar o destinatário ou a causa dos pagamentos, a fonte pagadora se torna responsável pelo imposto que seria devido pelo beneficiário dos pagamentos. Tal presunção legal se Fl. 14728DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/08/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 14751.000010/200580 Acórdão n.º 9101002.351 CSRFT1 Fl. 13 12 justifica diante da onerosidade das relações que uma empresa trava com terceiros, como regra, e da impossibilidade de buscar o imposto devido por aquele que recebeu o pagamento, por não identificado ou por falta de comprovação da causa da operação, a permitir a incidência tributária. Não se há de acolher, portanto, qualquer argumento no sentido de que a tributação do IRPJ e a do IRF não poderiam conviver “por antagonismo”. A convivência é perfeitamente possível, posto que possuem hipóteses de incidência diversas. Quanto ao argumento de que, após o final do exercício o IR Fonte somente poderia ser cobrado do beneficiário, não se aplica à situação vertente, em que a lei impõe a incidência do imposto exclusivamente na fonte pagadora. Quanto aos valores da autuação, que a recorrente reputa excessivos, constato que decorreram da correta aplicação da lei, pelo que descabe qualquer questionamento nesse sentido. A incidência do Imposto de Renda na Fonte ora discutida recai sobre pagamentos efetuados por pessoas jurídicas. A situação descrita e comprovada nos autos não deixa qualquer dúvida de que a pessoa jurídica Construções e Incorporações ADRINA Ltda. auferiu receitas por prestação de serviços e que tais receitas foram efetivamente pagas pelo ente contratante e recebidas pela interessada. O recebimento se deu “na boca do caixa”, pelo funcionário e procurador da fiscalizada Sr. José da Silva Vieira, o qual endossava o cheque recebido, depositava 10% de seu valor na contacorrente da interessada e destinava os demais 90% a diversas pessoas físicas e jurídicas, mediante transferências online e ordens de pagamento. Os recursos ingressaram, inegavelmente, no patrimônio da empresa, tanto de direito quanto de fato, e, ato contínuo, deixaram esse mesmo patrimônio, sendo entregues a terceiros. A seguir, a lei impõe duas condições cumulativas para que se possa afastar a incidência tributária: o beneficiário do pagamento deve estar identificado e a operação e sua causa devem estar comprovadas. Durante os procedimentos de fiscalização foram identificados os beneficiários de diversos pagamentos, conforme se verifica da leitura do Relatório de Trabalho Fiscal, às fls. 95 e segs. Não obstante, as causas de cada pagamento não restaram esclarecidas nem comprovadas. O ônus de tal demonstração é da interessada, a quem compete provar, para cada pagamento, seu destino e causa. Ao deixar de escriturar suas operações com observância das regras contábeis e nem ao menos se resguardar com a documentação adequada à identificação e comprovação individualizada das operações que deram causa aos pagamentos, a contribuinte deve se sujeitar à tributação do imposto de renda na fonte incidente sobre esses pagamentos. A hipótese de incidência tributária permanece hígida, pois, e as exigências do imposto de renda na fonte devem ser mantidas. As bases para a incidência do IRPJ/Lucro Real e do IR/Fonte sobre pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa são completamente distintas. Não há que se falar que essas incidências tributárias se dão sobre uma mesma base, sobre uma mesma materialidade, que há alguma cumulatividade de incidências, etc. No IRPJ, a empresa está na condição de contribuinte, e responde por fato gerador por ela mesma praticado. A renda é dela. Fl. 14729DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/08/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 14751.000010/200580 Acórdão n.º 9101002.351 CSRFT1 Fl. 14 13 Já no caso do IR/Fonte, a renda é do beneficiário do pagamento. A empresa, que é a fonte pagadora, apenas se torna "responsável" pelo recolhimento do imposto que seria devido por outrem. Ela não está na condição de contribuinte, mas precisamente na condição de responsável, conforme previsto no art. 121, II, do Código Tributário Nacional. O fato é que diante da onerosidade das relações que uma empresa trava com terceiros, como regra, e da impossibilidade de se buscar o imposto devido por aquele que recebeu o pagamento, por não identificado ou por falta de comprovação da causa da operação, a permitir a incidência tributária, a lei institui essa modalidade de tributação por IR exclusivo na fonte. A questão deve ser colocada nos seguintes termos: (1) não é qualquer dispêndio da empresa que pode figurar como despesa dedutível. Um pagamento feito a beneficiário não identificado ou sem causa comprovada não pode amparar uma despesa que irá reduzir o lucro real da empresa. É isso que justifica a glosa (ou o não cômputo) da despesa quando se está apurando o IRPJ pelo lucro real; e (2) o fato desse dispêndio (pagamento feito a beneficiário não identificado ou cuja causa não seja comprovada) não configurar despesa dedutível no lucro real da empresa (fonte pagadora) em nada interfere no acréscimo patrimonial auferido por aquele que foi beneficiário do pagamento, cuja renda deve ser tributada. É esse aspecto geral que precisa ser destacado. Eventuais distorções relacionadas à glosa de despesas (ou ao não cômputo delas pela Fiscalização), com repercussão específica na composição da base de cálculo do IRPJ (lucro real), devem ser tratadas diante das circunstâncias concretas de cada caso, como ocorreu aqui. Mas pelas razões expostas acima, cabe rejeitar a alegação dos recorrentes, endossada pelo paradigma, no sentido de que haveria uma incompatibilidade intrínseca entre o regime do lucro real e o lançamento de IR/Fonte sobre pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa. Correto, portanto, o posicionamento adotado pelo acórdão recorrido em relação ao IR/Fonte sobre pagamentos a beneficiários não identificados e/ou sem comprovação da operação ou sua causa. Desse modo, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial dos sujeitos passivos (contribuinte e responsáveis solidários). (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 14730DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/08/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 14751.000010/200580 Acórdão n.º 9101002.351 CSRFT1 Fl. 15 14 Fl. 14731DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/08/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O
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Numero do processo: 10120.907938/2011-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO / DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO.
Não tendo sido demonstrada pelo sujeito passivo a existência do direito creditório alegado, impõe-se a não homologação das compensações com ele pleiteadas.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 1201-001.374
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Documento assinado digitalmente.
Marcelo Cuba Netto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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SALDO NEGATIVO DE CSLL. Recorrente NAVESA NACIONAL DE VEÍCULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 PERÍCIA. SOLICITAÇÃO INDEFERIDA. Perícias e diligências são instrumentos postos à disposição do julgador para auxiliálo na formação do seu livre convencimento, se entendêlas necessárias ou imprescindíveis para a elucidação de pontos duvidosos. O pressuposto para realização de perícia é a insuficiência de conhecimento técnico do julgador a respeito de algum elemento que compõe o litígio, o que não ocorre no caso concreto. DESPACHO DECISÓRIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se a repartição já dispõe de todos os elementos necessários para decidir sobre a homologação ou não da compensação, nenhum óbice há para que a autoridade fiscal profira a sua decisão. Não há na lei comando que obrigue a autoridade fiscal a efetuar prévia intimação do contribuinte antes da prolação do despacho decisório. Não é nulo o despacho do qual constem claramente as razões da não homologação da compensação pretendida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO / DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 79 38 /2 01 1- 19 Fl. 443DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10120.907938/201119 Acórdão n.º 1201001.374 S1C2T1 Fl. 3 2 Não tendo sido demonstrada pelo sujeito passivo a existência do direito creditório alegado, impõese a não homologação das compensações com ele pleiteadas. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. Marcelo Cuba Netto Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por NAVESA NACIONAL DE VEÍCULOS LTDA, contra acórdão proferido pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ/Brasília DF, cuja ementa a seguir se transcreve: “Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Anocalendário: 2007 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10120.907938/201119 Acórdão n.º 1201001.374 S1C2T1 Fl. 4 3 Direito Creditório Não Reconhecido.” O caso foi assim relatado pela autoridade julgadora a quo: “Tratam os autos de Declarações de Compensação transmitidas eletronicamente com base em créditos decorrentes de saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (exercício 2008 01/ 01/2007 a 31/12/2007). Analisadas as informações prestadas e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, não ficou demonstrada a existência de crédito suficiente para ser utilizado na compensação integral dos débitos confessados na Declaração de Compensação. Assim, em 09/09/2011, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 361), cuja decisão homologou os PER/DCOMP nos 36584.52750.311208.1.7.03 7951, 24624.85618.311208.1.7.039347 e 06859.90702.311208.1.7.038955, homologou parcialmente o PER/DCOMP nº 09172.96948.311208.1.7.033431 e não homologou os PER/DCOMP nos 40395.53451.311208.1.7.032453, 17178.75627.311208.1.7.030099, 28305.78205.311208.1.7.039722, 15189.14322.311208.1.7.037882, 09109.68318.311208.1.7.037080, 40711.92705.220109.1.3.031733, 14639.53024.250209.1.3.034606, 03114.99866.250309.1.3.033142, 23715.99956.240409.1.3.031930, 18691.24141.120509.1.3.032832, 33376.96013.250609.1.3.034034, 06534.96796.310709.1.3.030597, 08167.58788.180809.1.3.030395, 38811.26518.210809.1.3.030930, 13271.48876.240909.1.3.037552, 26758.01003.231009.1.3.035708 e 28942.17223.291009.1.3.035466, em razão da não comprovação das parcelas das estimativas compensadas com saldo negativo de períodos anteriores. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 1.253.548,32. A Informação Fiscal emitida pela Delegacia de Goiânia, parte do processo nº 10120.725360/201176, apensado aos presentes autos, esclarece que a análise das declarações de compensação, foi iniciada eletronicamente, porém, a validação de parte do crédito pleiteado foi direcionada pelo Sistema de Controle de Crédito – SCC para análise do usuário, tendo sido detectadas inconsistências referentes às antecipações das “pagamentos” e débitos de estimativas compensadas. A análise feita chegou às seguinte conclusões: • pagamentos: foram confirmados no sistema SiefFiscel; • débito de estimativa compensada: verificouse que o débito de estimativa compensada no valor de R$ 1.107.765,24 não consta da declaração de compensação informada pela contribuinte. Cientificado, via postal, dessa decisão em 27/09/2011 (fl. 370), bem como da cobrança dos débitos declarados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 27/10/2011, manifestação de inconformidade às fls. 2 a 18, acrescida de documentação anexa. Em síntese, a contribuinte alega: Fl. 445DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10120.907938/201119 Acórdão n.º 1201001.374 S1C2T1 Fl. 5 4 a) Nulidade do Despacho Decisório. Ausência de Fundamentação. Afronta ao art. 93, inciso IX da Constituição Federal. Cerceamento do direito de Defesa. Alega que a autoridade fiscal teria deixado de justificar, de modo preciso e livre de qualquer margem de dúvidas, o motivo pelo qual a compensação não foi homologada. Desse modo, a interessada não teria condições mínimas de expor sua contrariedade contra o ato, o que implicaria cerceamento do seu direito de defesa, circunstância passível de nulidade. Para ilustrar sua argumentação, apresenta jurisprudência administrativa, cita doutrinadores e a fundamentação legal que entende pertinente; b) Nulidade do Despacho Decisório. Vício Formal. Necessidade de Intimação Prévia. Alega que a autoridade preferiu não homologar a compensação, ao invés de intimar a interessada para esclarecer ocorrido, nos termos do art. 65 da IN RFB nº 900, de 2008. Cita princípios constitucionais, doutrinadores e jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes. c) Mérito. Faz considerações sobre a sistemática de apuração saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL e esclarece que, no caso específico, o crédito teria sido constituído a partir do ano calendário 2007. Apresenta quadro demonstrativo da constituição do crédito. Enfatiza que, de fato, o crédito existe, e que eventual erro formal não pode prejudicálo na fruição de seu direito. Cita jurisprudência administrativa para ilustrar sua argumentação. Trata, ainda, da aplicação da “tese dos 5+5”, no caso de ser alegada a decadência do direito de pleitear administrativamente a compensação de crédito auferido neste período. Ressalta que o Fisco dispõe do prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, para homologar o pagamento antecipado pelo sujeito passivo. Desse modo, à falta de homologação, a decadência do direito de repetir o indébito tributário ocorreria somente depois de 5 anos, desde a ocorrência do fato gerador, acrescido de outros cinco anos, contados do termo final do prazo deferido ao Fisco para apuração do tributo devido –homologação. d) Pedido de Perícia. Requer que seja realizada perícia contábil a fim de se confirmar a existência e liquidez dos créditos em questão. Propõe que sejam respondidos os seguintes questionamentos: 1) Qual o valor do saldo negativo de CSLL detido pela contribuinte nos seguintes anoscalendários: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007; 2) Do saldo negativo apurado, qual o montante já utilizado? O que sobejou?; 3) Qual do valor atual do saldo negativo de CSLL detido pela contribuinte?; 4) A forma de apuração e aproveitamento utilizada pela contribuinte condiz com a legislação relativa à matéria? Caso negativo, tal circunstância tem o condão de descaracterizar a existência do crédito? Indica o Sr. José Elias da Silva, inscrito no CRC/GO sob o nº 0075558/0, estabelecido profissionalmente na Avenida Pires Fernandes, nº 655, Setor Aeroporto, Goiânia – GO, para acompanhamento dos trabalhos periciais. Ao final, requer: a) preliminarmente, a declaração de nulidade do Despacho Decisório questionado, em virtude da ausência de fundamentação (art. 93, IX da CF e 59 do Decreto nº 70.235/1972), por cerceamento do direito de defesa; b) preliminarmente, a declaração de insubsistência do Despacho Decisório, conforme fundamentado nos autos; c) no mérito, o julgamento da improcedência do Despacho Decisório questionado, a fim de que seja reconhecida e homologada a compensação declarada Fl. 446DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10120.907938/201119 Acórdão n.º 1201001.374 S1C2T1 Fl. 6 5 pela contribuinte, levandose, ainda, em consideração, a tese explicitada dos “cinco mais cinco”; d) alternativamente, a análise da documentação acostada, a fim de que sejam comprovadas as informações declaradas em PER/DCOMP, DIPJ e DCTF, etc. além da realização de perícia técnica, a fim de que seja comprovada a existência e liquidez do saldo negativo da contribuinte, com a consequente homologação da compensação declarada.” A DRJ afastou as preliminares, indeferiu o pedido de perícia, e, no mérito, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, pelos fundamentos sinteticamente expostos na ementa ao norte transcrita. Em síntese, ratificou o motivo exposto no despacho decisório pelo qual foram homologadas apenas parcialmente, ou então foram não homologadas, as compensações contidas em diversas DCOMP apresentadas, qual seja: a inexistência do crédito alegado, em face de não ter sido comprovada a compensação da estimativa de CSLL de dezembro de 2007. Em sede de recurso, o contribuinte renova seus argumentos com vistas à obtenção da homologação da compensação pretendida, aduzindo em síntese, o seguinte: (i) nulidade do despacho decisório por vício formal, em razão da falta de intimação prévia da recorrente para prestar esclarecimentos sobre o crédito detido que se pretendia compensar; (ii) efetiva existência do crédito (saldo negativo de CSLL do ano calendário 2007), plenamente demonstrada nos documentos apresentados, vez que fruto de acúmulos de saldos negativos de períodos anteriores, que com este foi somado para fins de apuração do saldo credor; (iii) no caso de superação de todos os argumentos acima discorridos, que seja realizada perícia técnica contábil a fim de se confirmar a existência e liquidez dos créditos em questão, para cujos fins indica perito e quesitos a serem respondidos. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Nulidade do despacho decisório A recorrente requer a declaração de nulidade do despacho decisório, tendo em vista a falta de intimação prévia da recorrente para prestar esclarecimentos sobre o crédito que pretendia compensar. Noutro giro, sustenta que a autoridade fiscal competente, antes de se manifestar sobre a compensação materializada através das Per/Dcomps constantes do Despacho Decisório atacado, proceda à necessária investigação do débito e crédito apresentados pela recorrente. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10120.907938/201119 Acórdão n.º 1201001.374 S1C2T1 Fl. 7 6 Sem razão a recorrente. Não há na lei comando que obrigue a autoridade fiscal a efetuar prévia intimação do contribuinte antes de proferir o seu despacho decisório. A própria recorrente transcreve na sua peça recursal apenas um artigo de ato normativo do órgão fazendário (art. 65 da Instrução Normativa RFB no 900/2008), o qual apenas menciona a possibilidade de a fiscalização empreender diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo, ou então de intimar o sujeito passivo para que apresente documentos comprobatórios do referido direito, antes de decidir. Se a repartição já dispõe de todos os elementos necessários, nenhum óbice há para que a autoridade fiscal profira sua decisão. Ademais, as razões da não homologação da compensação pretendida estão perfeitamente delineadas no despacho decisório exarado, que não padece, portanto, de qualquer vício. Perícia técnica contábil A recorrente requer a realização de perícia técnica contábil para que se confirme a existência e liquidez dos créditos em questão, indicando perito e formulando os quesitos que pretende ver respondidos. A realização de perícia é desnecessária. O pressuposto para realização de perícia é a insuficiência de conhecimento técnico do julgador a respeito de algum elemento que compõe o litígio. Tal não ocorre no caso concreto. Perícias e diligências são instrumentos postos à disposição do julgador para auxiliálo na formação do seu livre convencimento, se entendêlas necessárias ou imprescindíveis para a elucidação de pontos duvidosos. Conforme se verá a seguir, os autos estão devidamente consubstanciados com todos os documentos necessários para embasar o convencimento do julgador. Indefiro, portanto, o pedido. Saldo negativo de CSLL. Alega a recorrente que os documentos por ela apresentados demonstrariam de modo claro a efetiva existência do crédito. O contribuinte juntou aos autos, ainda em sede de impugnação, cópias de DIPJ’s apresentadas, balancetes de verificação, balanços patrimoniais e balancetes mensais, no intuito de respaldar a demonstração sinteticamente feita, no corpo do recurso, de que, no caso, o crédito demonstrado no PERDCOMP em análise teria origem no ano calendário de 2002. Nenhum dos documentos apresentados, contudo, enfrenta o motivo central (único) que levou à não homologação da compensação pretendida, qual seja, a falta de Fl. 448DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10120.907938/201119 Acórdão n.º 1201001.374 S1C2T1 Fl. 8 7 comprovação de que teria efetivamente compensado a estimativa de dezembro de 2007, no valor de R$1.107.765,24, com saldo negativo de período anterior. No caso, o contribuinte informou, no PERDCOMP 36584.52750.311208.1.7.037951, ora em análise, que teria compensado a estimativa de dezembro de 2007, no valor de R$1.107.765,24, com saldo negativo de período anterior, e que esta compensação estaria formalizada no PERDCOMP 24269.03955.181208.1.7.037765. Contudo, esta suposta compensação da estimativa de dezembro de 2007 simplesmente não fez parte do PERDCOMP acima mencionado, conforme já apontara o despacho decisório e, posteriormente, a decisão recorrida também registrou, verbis: “No caso em questão, não foram confirmadas as compensações dos débitos de estimativa declarados, o que teria levado à apuração de um saldo negativo de CSLL num valor inferior ao informado pela contribuinte no PER/DOCMP objeto dos autos. Na Informação Fiscal, parte do processo nº 10120.725360/201176, apensado aos presentes autos, encontrase detalhado o motivo da glosa dos valores declarados como parcelas das estimativas compensadas com saldo negativo de períodos anteriores. De fato, conforme fls. 395 dos autos, o crédito tributário extinto por meio da Declaração de Compensação nº 24269.03955.181208.1.7.037765, não tem por objeto a compensação de débitos de estimativas mensal de CSLL apuradas no ano calendário de 2007, conforme declarado pela contribuinte, mas de débitos de Cofins (código de Receita 2172) e de PIS (código de receita 8109) apurados em 01/05/2008, que totalizaram R$ 7.000,00.” A tese de defesa apresentada, no sentido de que o saldo negativo reclamado seria “fruto de acúmulos de saldos negativos de períodos anteriores” (os quais, retroagindo até o ano calendário de 2002, teriam sido somados ao saldo de 2007, para fins de apuração do “saldo credor total”) revela ou o completo desconhecimento, ou então um total descompromisso para com as normas que regem a compensação tributária, o que, em qualquer caso, não pode ser aceito. Cediço que o regime jurídico da compensação tributária, em vigor a partir da Lei nº 10.637, de 2002, e Lei nº 10.833, de 2003, as quais introduziram alterações no artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, requisita a iniciativa do contribuinte, que, mediante a apresentação da Declaração de Compensação, informa ao Fisco que efetuou o encontro de contas entre seus débitos e créditos. Este encontro de contas formalizado no PERDCOMP possui o efeito de extinção dos débitos fiscais ali indicados, desde o momento de sua apresentação, ficando, a partir daí, incumbido o sujeito ativo de, no prazo de cinco anos, homologar ou não o ato compensatório praticado, findo o qual, se não efetivada qualquer apreciação, a referida compensação se resolve pelo evento da sua homologação tácita. A partir destes diplomas legais, não há mais a possibilidade de se efetuar compensações de tributos apenas em registros internos ao próprio contribuinte, sem que sejam formalizados em PERDCOMP. Não há dúvidas de que as informações prestadas no PERDCOMP situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, a quem cabe demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10120.907938/201119 Acórdão n.º 1201001.374 S1C2T1 Fl. 9 8 E, no caso, por todo o quanto exposto, o que se verifica é apenas a confirmação do quanto foi constatado desde a prolação do despacho decisório, ou seja, o débito de estimativa que a recorrente alega ter sido objeto de compensação (R$1.107.765,24) simplesmente não teve sua compensação confirmada, e, por conseguinte, inexiste o alegado crédito de saldo negativo de CSLL do ano calendário 2007. Conclusão Pelo exposto, rejeito a preliminar de nulidade do despacho decisório, indefiro o pedido de perícia, e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 450DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 12448.723580/2014-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DAS PROVAS. MOMENTO PROCESSUAL. PRECLUSÃO.
Conforme o Decreto nº 70.235, de 1972, que dispõe sobre as regras atinentes ao processo administrativo fiscal, a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento e será instruída com os documentos em que se fundamentar. A prova documental será apresentada nessa ocasião, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. LIMITES DA LIDE. FASES. PROCEDIMENTO.
O Decreto nº 70.235, de 1972, dispões sobre o processo administrativo fiscal e em seu artigo 33 estabelece que caberá recurso voluntário, total ou parcial, da decisão de 1ª instância. A atuação dos órgãos administrativos de julgamento pressupõe a existência de interesses opostos, expressos de forma dialética. Na lição de Calamandrei, o processo se desenvolve como uma luta de ações e reações, de ataques e defesas, na qual cada um dos sujeitos provoca, com a própria atividade, o movimento dos outros sujeitos, e espera, depois, deles um novo impulso.....
Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos, respectivamente, pelo ato de lançamento e pela impugnação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-003.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente convocada), Dílson Jatahy Fonseca Neto e José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) votaram pelas conclusões.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocada), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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APRESENTAÇÃO DAS PROVAS. MOMENTO PROCESSUAL. PRECLUSÃO. Conforme o Decreto nº 70.235, de 1972, que dispõe sobre as regras atinentes ao processo administrativo fiscal, a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento e será instruída com os documentos em que se fundamentar. A prova documental será apresentada nessa ocasião, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. LIMITES DA LIDE. FASES. PROCEDIMENTO. O Decreto nº 70.235, de 1972, dispões sobre o processo administrativo fiscal e em seu artigo 33 estabelece que caberá recurso voluntário, total ou parcial, da decisão de 1ª instância. A atuação dos órgãos administrativos de julgamento pressupõe a existência de interesses opostos, expressos de forma dialética. Na lição de Calamandrei, “o processo se desenvolve como uma luta de ações e reações, de ataques e defesas, na qual cada um dos sujeitos provoca, com a própria atividade, o movimento dos outros sujeitos, e espera, depois, deles um novo impulso....”. Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos, respectivamente, pelo ato de lançamento e pela impugnação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 35 80 /2 01 4- 41 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 12448.723580/201441 Acórdão n.º 2202003.365 S2C2T2 Fl. 91 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente convocada), Dílson Jatahy Fonseca Neto e José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) votaram pelas conclusões. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocada), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Trata o presente processo da Notificação de Lançamento lavrada em desfavor da contribuinte em epígrafe, onde foi exigido o Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas do exercício de 2012, ano calendário 2011, no valor de R$ 5.305,59, acrescido de multa de ofício proporcional, no percentual de 75% e mais juros de mora calculados pela taxa Selic. Na descrição dos fatos, registrou a Autoridade Fiscal a constatação de duas infrações: a) omissão de rendimentos recebidos do Ministério do Trabalho e Emprego, no importe de R$ 3.713,38 e dedução indevida de despesas médicas no valor de R$ 15.579,69. A contribuinte, por seu representante legal, Paulo Cezar Ferreira da Silva, apresentou impugnação com cópia na folha 02, onde alegou, em suma, em relação à omissão de rendimentos que "segue gráfico com os cálculos dos proventos recebidos" e em relação à dedução de despesas médicas, que "referese a filho incapacitado". Foram anexados 24 documentos, numerados. Ao analisar a manifestação do contribuinte, a DRJ em Salvador/BA considerou procedente em parte o lançamento. Estabeleceram os Julgadores que estava comprovada a regularidade com a dedução das despesas médicas referentes a filho judicialmente interditado, cancelando essa infração; contudo, dispuseram que "o impugnante não apresenta qualquer prova com relação aos rendimentos omitidos", mantendo essa parte. Cientificado dessa decisão em 13/02/2015 (AR na folha 68), o representante legal da contribuinte interpôs recurso voluntário em 10/03/2015, com protocolo na folha 71. Em sede de recurso, manifesta, em resumo, que: sua mãe era aposentada/pensionista do Ministério do Trabalho e Emprego, da Marinha, do Ministério dos Transportes e do INSS mas, segundo a legislação, só poderia descontar, a título de parcela isenta de proventos dessas Fl. 91DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 12448.723580/201441 Acórdão n.º 2202003.365 S2C2T2 Fl. 92 3 naturezas, percebidos por maiores de 65 anos, o valor de R$ 20.163,55. Seu caso não encontrava previsão no programa de ajuste anual da RFB, então foi utilizado o software Excel para construir uma planilha própria permitindo que do somatório das fontes pudesse ser descontado o valor limite acima mencionado, fazendose uma "distribuição proporcional" para fins de tributação. Anexa documentos, uma planilha de cálculos, explicações sobre a forma de cálculo e complementa que o valor encontrado como omitido, de acordo com sua planilha, é resultado da diferença entre o que consta como rendimento tributável no comprovante de rendimentos e o "novo valor proporcional" calculado após o desconto do limite de isenção. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. Segundo Marcos Vinicius NEDER e Maria Teresa Martinez LOPÉZ: “Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos respectivamente pelo ato de lançamento e pela impugnação. A lei processual estabelece regras que deverão presidir as relações entre os intervenientes na discussão tributária. A atuação dos órgãos administrativos de julgamento pressupõe a existência de interesses opostos, expressos de forma dialética....Na lição de Calamandrei, “o processo se desenvolve como uma luta de ações e reações, de ataques e defesas, na qual cada um dos sujeitos provoca, com a própria atividade, o movimento dos outros sujeitos, e espera,depois, deles um novo impulso....” (NEDER, Marcos Vinícius e LOPEZ, Maria Teresa Martinez. Processo Administrativo Fiscal Comentado. 2ª ed,. Dialética, São Paulo, 2004, p. 265/266) À luz da melhor doutrina pátria, o processo civil, na linha do qual se encontra o processo administrativo fiscal, é um método de composição dos litígios, usado pelo Estado para cumprir sua função jurisdicional, com o objetivo imediato de aplicar a lei ao caso concreto e mediato de pacificação e paz social. Em razão de vários fatores, a forma como o processo se desenvolve assume feições diferentes. No dizer de Humberto Theodoro Júnior, “enquanto processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir diversas feições ou modos de ser.” Ensina o renomado autor que “procedimento é, destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo” (Theodoro Junior, Humberto in Curso de Direito Processual Civil, vol. I, 41 ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) Fl. 92DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 12448.723580/201441 Acórdão n.º 2202003.365 S2C2T2 Fl. 93 4 Pois bem, o procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) A norma do PAF, Decreto nº 70.235/1972, art. 16, § 4º, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. A análise fria da norma chocase, prima facie, com os princípios da verdade material, sempre considerado nos julgamentos administrativos, e com a ampla defesa, homenageada no texto constitucional. A Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entende abalizada doutrina, contudo, que, apesar disso, a lei específica, no caso o Decreto nº 70.235/1972, aplicarseia ao processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Entretanto, como concluem ressalvando correntes em contrário , Maria Teresa Martínez Lopez e Marcela Cheffer Bianchini, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, verificase a tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam trataremse daqueles que se referem a fatos “notórios ou incontroversos”, no tocante a documentos que permitem o fácil e rápido convencimento do julgador. Assim, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação, a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade, a oficialidade, a segurança indispensável, a ampla defesa e a verdade material, para a consecução dos fins processuais. (A Prova no Processo Tributário, Coord. NEDER, Marcos Vinícius e outros – São Paulo : Dialética, 2010, p. 34 a 51) No caso em tela, apesar de mencionar na Impugnação certo "gráfico", não se encontra, entre os documentos apresentados e numerados naquela ocasião, qualquer referência à questão da infração em relação à omissão de rendimentos recebidos do Ministério do Trabalho e Emprego. No julgamento da Impugnação, tanto na ementa quanto no voto condutor, o Julgador de 1ª instância fez constar que não se manifestava sobre essa questão porque o impugnante não anexara qualquer prova de seu direito. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 12448.723580/201441 Acórdão n.º 2202003.365 S2C2T2 Fl. 94 5 Não é o caso de verificar "documento incontroverso", a ser apreciado apenas em sede recursal, como mencionado nas lições processuais acima, uma vez que o comprovante de rendimentos emitido pelo MTE, cópia na folha 74, informa um rendimento de R$ 31.249,78 e na DIRPF o contribuinte declarou apenas R$ 27.536,40 (fl. 78). A diferença é o valor que se exige na Notificação de Lançamento. A justificativa do recorrente é baseada em "cálculo próprio", que não encontra previsão nos sistemas da RFB, segundo ele mesmo, a fim de aproveitar todo o limite de isenção concedido a beneficiário de pensão, aposentadoria ou reforma, maior de 65 anos. Mas essa alegação, com suas justificativas e comprovações não foi submetida à primeira instância de julgamento. Há, portanto, inovação em sede recursal, que esbarra na questão processual e no regular desenvolvimento do processo, conforme as normas estabelecidas no diploma legal próprio. No recurso ao CARF devese recorrer daquilo que foi disposto pela DRJ, em seu julgamento. Assim, evitase o desenvolvimento arbitrário do processo e a supressão de instâncias. Não tendo o contribuinte questionado o disposto pela 1ª instância, de que não apresentara qualquer prova ou justificativa para a infração relativa à omissão de rendimentos, e de fato é o que se constata do exame destes autos, o recurso extrapola os limites da lide em sede recursal e provoca a supressão da 1ª instância na análise de questão documental e questão de direito (limite e forma de cálculo de isenção tributária). Dessa feita, VOTO por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 94DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10580.725624/2014-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE NULIDADE.
Restando comprovado que o sujeito passivo teve acesso a todos os documentos e elementos de prova constantes dos autos do processo e que os acréscimos legais exigidos foram corretamente calculados e devidamente explicados nos autos de infração, proporcionando-lhes o pleno direito ao contraditório e à ampla defesa, não se vislumbra cerceamento de defesa e, conseqüente, nulidade.
PAGAMENTO DE JUROS DE MORA EM AÇÃO TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. TRIBUTAÇÃO. DECISÃO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO.
São tributáveis os juros remuneratórios fixados em acordo firmado no bojo de ação trabalhista que visa a compensar o beneficiário do que deixou de ganhar ao longo de determinado tempo, consubstanciando-se em acréscimo patrimonial, quando não ocorrer no contexto da rescisão do contrato de trabalho.
Numero da decisão: 2201-003.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
EDUARDO TADEU FARAH - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 20/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. Presente aos julgamentos a Procuradora da Fazenda Nacional SARA RIBEIRO BRAGA FERREIRA.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Restando comprovado que o sujeito passivo teve acesso a todos os documentos e elementos de prova constantes dos autos do processo e que os acréscimos legais exigidos foram corretamente calculados e devidamente explicados nos autos de infração, proporcionandolhes o pleno direito ao contraditório e à ampla defesa, não se vislumbra cerceamento de defesa e, conseqüente, nulidade. PAGAMENTO DE JUROS DE MORA EM AÇÃO TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. TRIBUTAÇÃO. DECISÃO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. São tributáveis os juros remuneratórios fixados em acordo firmado no bojo de ação trabalhista que visa a compensar o beneficiário do que deixou de ganhar ao longo de determinado tempo, consubstanciandose em acréscimo patrimonial, quando não ocorrer no contexto da rescisão do contrato de trabalho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 56 24 /2 01 4- 17 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 EDUARDO TADEU FARAH Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 20/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. Presente aos julgamentos a Procuradora da Fazenda Nacional SARA RIBEIRO BRAGA FERREIRA. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Em 09/06/2014, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício 2012, anocalendário 2011, decorrente da omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente sujeitos à tributação exclusiva na fonte, no valor de R$ 852.482,52 auferidos pelo titular e/ou dependentes. Constou da complementação da descrição dos fatos as seguintes especificações: Omissão referente a valor recebido em ação judicial, tendo como executada a Fundação Petrobrás de Seguridade Social. De acordo com planilhas apresentadas, foram recebidas diferenças referentes ao período de agosto/1989 a maio/2008, incluindo parcelas referentes ao 13º, perfazendo um total de 252 meses. Conforme cálculo de folha 5.187, o valor bruto recebido foi de R$ 1.452.927,35. Houve pagamento de honorários advocatícios, conforme recibos, de R$ 431.180,61. Assim, encontramos um valor a tributar de R$ 1.036.847,31 (valor bruto R$ 1.468.027,92 honorários R$ 431.180,61). Para efeito de cálculo do rendimento tributável foi considerado o valor principal de R$ 568.441,24 mais os juros de 158,26%, por não se enquadrar na hipótese de isenção, conforme Nota PGFN/CRJ n.º 1582/2012, Parecer PGFN/CDA n.º 2025/2011, com aprovação por despacho do Sr. Ministro da Fazenda, em 20/01/2012. Inconformada com a notificação apresentada, o contribuinte protocolizou impugnação, fls. 2 a 23, alegando, em síntese: a) preliminar de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, em face de suposta ausência de descrição detalhada dos fatos, de modo que não haveria explícita descrição do Fl. 87DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.725624/201417 Acórdão n.º 2201003.163 S2C2T1 Fl. 87 3 valor tributável com base na sistemática prevista para os rendimentos recebidos acumuladamente; b) violação do princípio da segurança jurídica pelo fato de que os juros de mora, considerados no lançamento, teriam sido homologados pelo juízo do trabalho como não tributáveis, de modo que o lançamento seria nulo por se fundamentar em mera hipótese de isenção; c) o lançamento estaria fundado em meras acusações lacônicas, sem indicação dos fatos geradoras e das respectivas infrações; d) o mérito, alega que os rendimentos tributáveis teriam sido declarados; afirma a natureza indenizatória e isenta dos juros de mora, os quais foram declarados como rendimentos isentos, de modo que não haveria omissão alguma, e sim, mera interpretação divergente do fisco, fundamentada em parecer da PGFN (citado apenas pelo número: PGFN/CDA nº 2025/CDA) cujo conteúdo não foi explicitado no lançamento. Assevera que esses fatos caracterizariam suposta violação aos incisos X e XII do art. 5º da CF. Alega, ainda, de forma genérica, suposta violação a direitos constitucionais e princípio da legalidade tributária; e) discorre sobre o conceito constitucional de renda e competência tributária, por defender que o imposto de renda incide sobre o acréscimo patrimonial, o que não se afiguraria em face do recebimento de juros moratórios, os quais teriam natureza indenizatória, em conformidade com jurisprudência do STJ, acatada também pelo TST, e que teria por fundamento as disposições do parágrafo único e caput do art. 404 do Código Civil. Assim, os juros de mora não se amoldariam às disposições do art. 43 do CTN; f) referese à Ação Civil Pública nº 1999.61.00.0037100/SP, que teria por escopo Suspender a cobrança de IRRF pelo INSS nas hipóteses de pagamento realizado a bastante destempo, e de forma acumulada, administrativa ou judicialmente, de benefícios ou pensões previdenciárias ou assistenciais, afora o período alcançado pela prescrição; g) discorre sobre o princípio da segurança jurídica, e seus corolários, para concluir que o lançamento, ao sujeitar os juros moratórios à incidência do imposto de renda, teria natureza confiscatória; A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro julgou improcedente a impugnação, restando mantida a notificação de lançamento, com as seguintes considerações: a) quanto à preliminar de nulidade suscitada, não assiste razão ao interessado. Ocorre que a Notificação de Lançamento Fl. 88DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 impugnada encontrase fundamentada, de forma suficiente e clara; bem como foi lavrada por autoridade competente, de modo que o interessado teve oportunidade de exercer, e efetivamente exerceu, o amplo direito de defesa; b) registrese que a Nota PGFN/CRJ nº 1582/2012, referida na descrição do fatos, que tem fundamento no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, é de conhecimento público; e encontrase publicada no sitio oficial da Receita Federal do Brasil na internet, não se vislumbrando cerceamento do direito de defesa o fato de não ter sido transcrito o seu conteúdo, na descrição dos fatos; como aliás, também não foi descrito o conteúdo dos demais atos normativos, legais ou infra legais, em que se assenta a exigência fiscal; c) registrese que a Nota PGFN/CRJ nº 1582/2012, referida na descrição do fatos, que tem fundamento no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, é de conhecimento público; e encontrase publicada no sitio oficial da Receita Federal do Brasil na internet, não se vislumbrando cerceamento do direito de defesa o fato de não ter sido transcrito o seu conteúdo, na descrição dos fatos; como aliás, também não foi descrito o conteúdo dos demais atos normativos, legais ou infra legais, em que se assenta a exigência fiscal; d) Com efeito, não obstante as alegações colacionadas pela defesa, que se fundamentam em jurisprudência ultrapassada do STJ, a impugnação é improcedente. Por força do art. 56 do Regulamento do Imposto de Renda, os rendimentos recebidos acumuladamente devem ser oferecidos à tributação, incluindo juros e atualização monetária. No entanto, o tributo será excepcionalmente afastado sobre os juros de mora quando estes decorrerem do recebimento em atraso de verbas trabalhistas em virtude de perda do emprego, independentemente da natureza destas (se remuneratórias ou indenizatórias), pagas no contexto da rescisão do contrato de trabalho; e) os documentos apresentados pelo interessado, no curso da ação fiscal, em atendimento à intimação de fls. 37, que constam dos autos do processo nº 10010.001255/041481, apenso ao presente, não indicam nenhuma verba isenta, bem como não evidenciam tratarse de rendimentos pagos acumuladamente, no contexto da rescisão do contrato de trabalho, da de modo que não é possível a aplicação da NOTA/PGFN/CRJ/Nº 1582/2012 ao caso concreto em análise; f) quanto às decisões proferidas pelo Poder Judiciário apresentadas na impugnação, estas têm efeitos exclusivos entre as partes envolvidas na demanda, não podendo ser estendidas a terceiros estranhos à lide judicial; g) nos termos da legislação de regência, e na falta de outros elementos a caracterizarem o contexto em que foram pagas as verbas remuneratórias não isentas, os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente no anocalendário 2011, inclusive sua atualização monetária e juros, integram a base de cálculo do imposto de renda. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.725624/201417 Acórdão n.º 2201003.163 S2C2T1 Fl. 88 5 Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual a contribuinte aduz, em síntese, que: a) como descrição dos fatos, apenas se informa, para efeito de cálculo do rendimento tributável, cálculo esse não trazido pela recorrida, ter sido considerado o valor principal de R$ 568.441,24 mais os juros de 158,26%, o que dá um total de juros de R$ 899.615,11, portanto, valores diversos do valor tributável de juros informado na descrição dos fatos, às fls. 28, no valor de R$ 852.482,52; b) evidenciase a divergência de valores supracitados, além de preterição do direito de defesa, a falta de liquidez e certeza na determinação do crédito tributário, acarretando a nulidade da execução, face a apuração de valores diversos pelo fisco; c) a decisão fere os elementares princípios do processo administrativo fiscal, ao se dispensar a descrição dos fundamentos do enquadramento legal e dos fatos, simplesmente remetendo para publicações e sítios oficiais, inteiramente estranhos aos autos do processo; d) o fisco apenas se insurge contra a sentença trabalhista, que considerou os juros moratórios como tributáveis, sendo omissa a decisão da DRJ ao deixar de apreciar a preliminar de violação ao princípio da segurança jurídica, cingindose à alegação de que o julgado trabalhista não faz coisa julgada perante a Administração Tributária; e) o órgão julgados, de forma equivocada, entendeu devida a tributação dos juros moratórios, ignorando completamente o previsto na Lei Geral do CC para os juros moratórios, definidos como tendo natureza indenizatória; f) a decisão hostilizada se fundamenta no item 3 da NOTA/PGFN/CRJ/N.º 1582/2012 que, por seu turno, fundamentouse no artigo 6º, V, da Lei 7.713/88, como se pode ver, é muito anterior ao novo código civil, pois não se pode admitir a vigência de dispositivos sobre a mesma matéria divergentes ou contrários, senão em nome do princípio da segurança jurídica, ao menos em nome do princípio da razoabilidade; g) tratase de um contrasenso evidente na legislação fiscal que, ao mesmo tempo em que reconhece a natureza indenizatória dos juros de mora, os restringe a um caso isolado. Assim, a título de observância do princípio da segurança jurídica e da razoabilidade, não pode prosperar a tese equivocada do voto da Turma Julgadora para negar a natureza indenizatória dos juros de mora; h) tornase patente a existência de uma inegável indisponibilidade econômica e/ou jurídica que vai caracterizada pela ausência de pagamento das verbas trabalhistas consequentemente gerando uma perda patrimonial, durante todo Fl. 90DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 6 o longo período de mais de 20 anos, restando evidentes as perdas efetivas e reais durante esses anos; i) os juros de mora serviram apenas para recompor as perdas que subsistiram com a indisponibilidade das verbas trabalhistas, e que à época e ao longo de todos esses anos, significaram perdas sofridas em termos financeiros, que resultaram em perda salarial e em tomada de empréstimos para suprir essa perda. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz I. Da inocorrência de nulidade Aduz o recorrente o equívoco do cálculo constante da descrição dos fatos, pois, para efeito de cálculo do rendimento tributável, foi considerado o valor principal de R$ 568.441,24 mais os juros de 158,26%, o que dá um total de juros de R$ 899.615,11, portanto, valores diversos do valor tributável de juros informado na descrição dos fatos, às fls. 28, no valor de R$ 852.482,52. Assim, a divergência dos valores supracitados, em razão da preterição do direito de defesa, diante da falta de liquidez e certeza na determinação do crédito tributário, acarreta a nulidade da execução. Não obstante tais argumentos, não se vislumbra a ocorrência de nulidade, conforme as considerações dispostas na decisão da DRJ, as quais adoto como razões de decidir, nos seguintes termos, fls 55 e 56: 4. Quanto à preliminar de nulidade suscitada, não assiste razão ao interessado. Ocorre que a Notificação de Lançamento impugnada encontrase fundamentada, de forma suficiente e clara; bem como foi lavrada por autoridade competente, de modo que o interessado teve oportunidade de exercer, e efetivamente exerceu, o amplo direito de defesa. 5. Conforme consta da descrição dos fatos, às fls. 28 e ss, acompanhada dos demonstrativos de apuração do imposto incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, às fls. 30/32; o lançamento reportase à infração de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, sujeitos à tributação exclusiva, originários da fonte pagadora Fundação Petrobrás de seguridade Social – PETROS, no valor tributável de R$ 852.482,52, correspondendo à diferença entre o valor tributável dos rendimentos, de R$ 1.036.847,31, e o montante oferecido à tributação pelo sujeito passivo, de apenas R$ 184.364,79. Consta, ainda, na complementação da descrição Fl. 91DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.725624/201417 Acórdão n.º 2201003.163 S2C2T1 Fl. 89 7 dos fatos, precisa fundamentação do lançamento, in verbis:(...). No que se refere ao argumento de que a decisão fere os elementares princípios do processo administrativo fiscal, ao se dispensar a descrição dos fundamentos do enquadramento legal e dos fatos, simplesmente remetendo para publicações e sítios oficiais, inteiramente estranhos aos autos do processo, cumpre esclarecer as normas mencionadas são de acesso público, podendo ser consultadas a qualquer momento pelo contribuinte, de modo que não se vislumbra cerceamento de defesa pela ausência de transcrição do conteúdo da norma. Quanto à suposta violação ao princípio da segurança jurídica pelo fato de que os juros de mora teriam sido homologados pelo juízo do trabalho como não tributáveis, observase que não se vislumbra ofensa ao mencionado princípio, pois, não há provas nos autos sobre a referida homologação Diante do exposto, rejeito a preliminar de nulidade suscitada. II. Do mérito Sustenta o recorrente, no mérito, a natureza indenizatória dos juros de mora, pois não integrariam o conceito constitucional de renda, por não veicular acréscimo patrimonial, de modo que não houve a omissão de rendimentos capitulada pelo fisco. Com efeito, apesar de todas as alegações em torno da não incidência do imposto de renda sobre juros de mora decorrentes de ação trabalhista colacionadas no recurso apresentado, as turmas de julgamento do CARF estão vinculadas à aplicação de Decisão do Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado nos termos do art. 543C do CPC, conforme o disposto no art. 62, inciso II, alínea "b", Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), abaixo transcrito: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. II – que fundamente crédito tributário objeto de: b)Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária;(...). Cumpre observar que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) acolheu parcialmente os embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional para esclarecer que a matéria de mérito, discutida no REsp n.º 1.227.133/RS, julgado sob o rito dos recursos repetitivos, está circunscrita na exigência do imposto de renda sobre os juros moratórios, quando pagos no contexto de despedida ou rescisão de contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 8 A mencionada tese foi confirmada no REsp 1.235.772/RS, também submetido ao rito do art. 543C do CPC, ementa abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. TEMA JULGADO PELO STJ SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. 1. Por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, pelo regime do art. 543C do CPC (recursos repetitivos), consolidou se o entendimento no sentido de que "não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla." Todavia, após o julgamento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional, esse entendimento sofreu profunda alteração, e passou a prevalecer entendimento menos abrangente. Concluiuse neste julgamento que "os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, até o limite da lei". 2. Na hipótese, não sendo as verbas trabalhistas decorrentes de despedida ou rescisão contratual de trabalho, assim como por terem referidas verbas (horas extras) natureza remuneratória, deve incidir o imposto de renda sobre os juros de mora. (AgRg no AgRg no REsp1235772/ RS julgado em 26/06/2012). Portanto, em regra, os rendimentos recebidos acumuladamente devem ser oferecidos à tributação, incluindo juros e atualização monetária, por força do art. 56 do Regulamento do Imposto de Renda. Contudo, a incidência do imposto de renda será afastada sobre os juros de mora, de forma excepcional, quando estes decorrerem do recebimento em atraso de verbas trabalhistas em virtude de perda do emprego, independentemente da natureza destas (se remuneratórias ou indenizatórias), pagas no contexto da rescisão do contrato de trabalho. Nesse contexto, cabe salientar que o contribuinte não fez prova da situação que se subsume à não incidência do imposto de renda, pois não há demonstração de que os rendimentos recebidos decorrem de verbas trabalhistas pagas no contexto da despedida ou rescisão do contrato de trabalho. Assim, voto no sentido de rejeitar a preliminar e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 93DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.725624/201417 Acórdão n.º 2201003.163 S2C2T1 Fl. 90 9 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10314.011256/2005-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 29/09/2003
APRESENTAÇÃO DE CNDs POR OCASIÃO DO DESPACHO ADUANEIRO DE MERCADORIA BENEFICIADA POR ISENCAO/REDUÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO OU MISTO.
A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal de caráter subjetivo (vinculado A. qualidade do importador) ou misto (vinculado tanto à qualidade e destinação da mercadoria quanto à qualidade do importador), relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos federais, sendo cabível a aplicação ao caso do disposto no artigo 60 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3201-002.125
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Elias Fernandes Eufrasio, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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RESTITUIÇÃO Recorrente SIEMENS VDO AUTOMOTIVE LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 29/09/2003 APRESENTAÇÃO DE CNDs POR OCASIÃO DO DESPACHO ADUANEIRO DE MERCADORIA BENEFICIADA POR ISENCAO/REDUÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO OU MISTO. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal de caráter subjetivo (vinculado A. qualidade do importador) ou misto (vinculado tanto à qualidade e destinação da mercadoria quanto à qualidade do importador), relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos federais, sendo cabível a aplicação ao caso do disposto no artigo 60 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 01 12 56 /2 00 5- 85 Fl. 334DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Elias Fernandes Eufrasio, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição do Imposto de Importação que teria sido pago a maior na importação formalizada através da DI nº 03/08314870, em 29/09/2003 (apresentouse pedido de retificação de DI, mas cumulado com o pedido de restituição do II). Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Trata o presente processo de pedido de restituição de Imposto de Importação, alegadamente recolhido a maior, pago através de débito automático em contacorrente bancária na data do registro da DI n° 03/08314870, em 29/09/2003 (fls. 6/9). Seguese um breve histórico dos fatos, conforme documentos nos autos. Alega o interessado ter direito ao benefício fiscal concedido pelo art. 5° das Medidas Provisórias es. 193924 (de 06/01/00), 2068 37 (de 27/12/00) e 206838 (de 25/01/01), convertidas em Lei n° 10.182, de 12 de fevereiro de 2001. Tal benefício consiste na redução de 40 % (quarenta por cento) do imposto de importação, para empresas devidamente habilitadas quanto ao mesmo no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, referindose especificamente à importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semiacabados, e pneumáticos, destinadas aos processos produtivos das empresas e dos fabricantes de produtos relacionados no art. 5°, § 1° I a X (veículos leves: automóveis e comerciais leves, ônibus, caminhões, etc).. Em 29/09/2003 submeteu a despacho aduaneiro mercadorias beneficiárias da mencionada redução, pela Declaração de Importação no 03/08314870, tendo deixado de pleitear o benefício em questão, e recolhido integralmente o Imposto de Importação. Em 06/12/2005, por requerimento de fls. 1, pleiteou a restituição do valor que entende recolhido a maior, no total de R$ 5.848,39 (cinco mil, oitocentos e quarenta e oito reais e trinta e nove centavos), Pedido de Restituição de fls. 2 e Pedido de Cancelamento de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito Creditório de fls. 3/4. Anexou As fls. 30 documento comprobatório fornecido pelo DECEX, segundo o qual a empresa está habilitada a fruir o benefício da Lei 10.182/2001 desde 12/02/2001. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10314.011256/200585 Acórdão n.º 3201002.125 S3C2T1 Fl. 335 3 O processo tramitou pela Inspetoria da Receita Federal em São Paulo (IRFSP), e em 07/12/2005 foi encaminhado para revisão aduaneira e eventual retificação de Declaração de Importação. Em 26/12/2005 foi proferido despacho indeferindo a retificação da Declaração de Importação, sob as seguintes alegações (v. fls. 45/47): 1 – O requerente teria recolhido integralmente o Imposto de Importação por ocasião do despacho aduaneiro, por ter espontaneamente renunciado ao benefício da Lei 10.182/2001; agora estaria tentando obter os benefícios previstos naquela norma legal, sem apresentar autorização formal do DECEX para tal. 2 Que o momento oportuno para pleitear a redução do II seria na data do registro da Declaração de Importação (data do fato gerador), e não posteriormente, como ocorreu, inexistindo amparo legal para atendimento do pedido. Da decisão denegatória do pleito foi dada ciência ao interessado em 10/01/2006 — (fls. 47v). Ciente do teor da decisão e inconformado com a mesma, o requerente apresentou arrazoado de fls. 49/66, em 09/02/2006 (trinta dias após a ciência), que denominou como "manifestação de inconformidade". Em 02/03/2006 (fls. 96), foi proferido despacho no sentido de desconhecimento do recurso administrativo acima, por extemporâneo. No entender, da equipe que analisara o pleito, a Lei 9.784/99 regeria o tema discutido, o que implicaria, conforme o disposto em seu artigo 59, em um prazo de 10 dias para interposição de recurso administrativo. Ao recorrer 30 (trinta) dias após a ciência do despacho denegatório, têloia feito intempestivamente. Diante do exposto, o requerente impetrou Mandado de Segurança contra Inspetor da Inspetoria da Receita Federal em Sao Paulo, de n° 2006.61.00.0191556 (Justiça Federal / SP — 22 Vara Cível de são Paulo) , tendolhe sido concedida liminar (fls. 100/102), reconhecendo ao impetrante o direito de apresentar seus recursos na forma e nos prazos previstos no Decreto n° 70.235/72, e determinando a autoridade impetrada que receba e processe regularmente a Manifestação de Inconformidade apresentada em 09/02/2006 (fls.49/66), nos autos do presente processo. Analisandose a Manifestação de Inconformidade de fls. 49/66, constatase que são os seguintes os principais argumentos do recorrente: 1 Alega terse habilitado junto ao SISCOMEX para fruição dos benefícios da Lei 10.182/2001, conforme documento de fls. 30. Para tal, uma das condições era a comprovação de regularidade com o pagamento de todos os tributos e contribuições sociais federais, tendo apresentado ao DECEX todas as CNDs Fl. 336DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 4 (Certidões negativas de Débitos para com a Receita Federal). Com esse argumento o interessado refuta a alegação, para indeferimento da retificação da DI, de que não teria autorização formal da DECEX para usufruir do benefício da Lei 10.182/2001. 2 Posteriormente, com fundamento no art. 60, da Lei 9.069/95, a requerente foi compelida à apresentação de CND a cada importação, visando demonstrar sua regularidade com o pagamento de todos os tributos e contribuições sociais federais. Assim, nos períodos nos quais se encontrava impossibilitada de apresentar a competente CND, segundo suas palavras às fls. 54/55, acabava não usufruindo o benefício fiscal da Lei 10.182/01, para o qual já se encontrava habilitada. "Diante do cenário exposto, o II referente à importação registrada na DI 03/08314870 foi integralmente recolhido, ou seja, a requerente não se valeu do benefício fiscal de redução do imposto do qual era detentora por estar, reiteradamente, sendo compelida a apresentar a respectiva CND e, naquele momento, encontrarse impossibilitada de apresentála." (fls. 54/55). Com tal argumento, o interessado refuta a hipótese de ter renunciado espontaneamente ao benefício da Lei 10.182/2001. 3 7 Menciona a título de jurisprudência a Solução de Consulta SRF no 10, de 04 de junho de 2003, referente A Lei n° 8.032, de 12 de abril de 1990 e ementas de dois julgados do Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial n° 413.934 e Recurso Especial n° 434.621), ambos relacionados ao regime aduaneiro de "drawback". Argumenta que o caso ora discutido guarda correlação com os tratados na jurisprudência mencionada. 4 Alega que na Lei 10.182/2001 não há previsão para apresentação de CNDs (Certidões negativas de Débitos para com a Receita Federal) a cada despacho. 5 Coloca que à época do fato gerador já havia cumprido todos os requisitos e condições exigidos legalmente para usufruir a redução de caráter especial, e pagou indevidamente o imposto integral. Menciona o art. 109, III, do Regulamento Aduaneiro (Decreto 4.543/2001), para comprovar que caberá redução total ou parcial do imposto pago indevidamente, em diversos'casos, entre os quais: "... III verificação de que o contribuinte, época do fato gerador, era beneficiário de isenção ou de redução concedida em caráter geral, ou já havia preenchido as condições e requisitos exigíveis para concessão de isenção ou de redução de caráter especial (Lei 5.172/66, art. 144)". Com tal alegação o recorrente refuta o argumento de que o único momento para solicitação de reconhecimento do benefício seria a data do fato gerador, e que inexiste amparo legal a seu pleito. Em atendimento ao determinado pelo Judiciário, e antes dó encaminhamento da Manifestação de Inconformidade de fls. 49/66 a esta Delegacia de Julgamento, foi elaborado resumo dos fatos As fls. 106/108, para fins de saneamento dos tramites do processo), colocandose que o fulcro da questão a ser examinada referese As admissibilidade da exigência da CND a cada desembaraço de mercadorias importadas ao amparo de benefício fiscal. A conclusão é no sentido de que a não Fl. 337DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10314.011256/200585 Acórdão n.º 3201002.125 S3C2T1 Fl. 336 5 disponibilidade da CND da data de desembaraço da DI impede a fruição do benefício pretendido e, por conseqüência o deferimento do pedido de retificação da Declaração de Importação. A seguir é elaborado despacho decisório relativo ao Pedido de retificação de Declaração de Importação e de restituição de Imposto de Importação (reconhecimento do direito creditório), constando na ementa tratarse de pleito improcedente, pelo não atendimento de todas as condições legais no momento da ocorrência do fato gerador do imposto, tudo conforme CTN, art. 179 e Lei n° 9.069/95. art; 60, e Decreto 4.543/2001, art. 109 (Regulamento Aduaneiro) — v. fls. 110/112. Resumindose os fatos, o indeferimento do pleito quanto A retificação da DI e do reconhecimento do direito creditório prendeuse basicamente A não apresentação das CNDs (Certidões Negativas de Débito) à época do fato gerador, e a Manifestação de Inconformidade de fls. 49/66 também foca o mesmo assunto, ou seja, a pretendida inadmissibilidade de exigência de CNDs (Certidões Negativas de Débito) a cada despacho aduaneiro de importação onde seja pleiteado benefício de redução ou isenção de tributo. É o relatório. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/SP2 n.º 17 22.813, de 07/02/2008 (fls. 269 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 29/09/2003 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ALEGAÇÃO DE RECOLHIMENTO A MAIOR POR NÃO UTILIZAÇÃO DA REDUÇÃO PREVISTA NA LEI 10.182/2001 (REGIME AUTOMOTIVO). NÃO RECONHECIDO O DIREITO CREDITÓRIO TENDO EM VISTA A NÂO COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE QUANDO. AOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS A ÉPOCA DO FATO GERADOR. Conforme art. 165 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), cabe restituição de tributos recolhidos indevidamente ou a maior que o devido. Não caracterizado o recolhimento como indevido ou a maior que o devido, não cabe a restituição do mesmo ao sujeito passivo. APRESENTAÇÃO DE CNDs POR OCASIÃO DO DESPACHO ADUANEIRO DE MERCADORIA BENEFICIADA POR ISENCAO / REDUÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO OU MISTO. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 6 A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal de caráter subjetivo (vinculado A. qualidade do importador) ou misto (vinculado tanto à qualidade e destinação da mercadoria quanto à qualidade do importador), relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais, sendo cabível a aplicação ao caso do disposto no artigo 60 da Lei n°9.069, de 29 de junho de 1995. Solicitação Indeferida Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 297/311, por meio do qual, depois de relatar os fatos, repisa os mesmos argumentos já delineados em sua impugnação. Reproduz, também, decisões prolatadas pelo Superior Tribunal de Justiça STJ e decisões administrativas que, segundo afirma, respaldariam a sua pretensão. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente pleiteou a restituição do Imposto de Importação – II pago a maior na DI n° 03/08314870, registrada em 29/09/2003, com fundamento nos arts. 5º e 6º da Lei n° 10.182, de 2001, os quais estabeleceram uma redução de 40 % (quarenta por cento) sobre o II, bem como as condições de habilitação e fruição para operações de importação realizadas no âmbito do chamado regime automotivo. O pedido foi apresentado inicialmente como “Pedido de Retificação” de DI, mas cumulado, em seguida, com o pedido de restituição do imposto. Indeferido o pleito, a Recorrente apresentou, contra o Despacho Decisório, manifestação de inconformidade, que, porém, restou não conhecida, sob a alegação de que o rito a seguir era o estabelecido na Lei nº 9.784, de 1999, de forma que o prazo de defesa seria de 10 (dez) dias, não de trinta. A Recorrente, então, obteve decisão judicial favorável, proferida em mandado de segurança, determinando a apreciação da peça de defesa pela DRJ, que, por seu turno, consideroua improcedente, por entender que a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal de caráter subjetivo (vinculado à qualidade do importador) ou misto (vinculado tanto à qualidade ou à destinação da mercadoria quanto à qualidade do importador), relativos a tributos administrados pela Receita Federal, condiciona se à comprovação, pelo contribuinte, da quitação dos tributos federais, de sorte que entendeu aplicável ao caso o disposto no art. 60 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995, segundo o qual “A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais”. Pois bem. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10314.011256/200585 Acórdão n.º 3201002.125 S3C2T1 Fl. 337 7 Para ilustrar a matéria, transcrevemos, inicialmente, os arts. 5 e 6º da Lei nº 10.182, de 2001: Art. 5o O Imposto de Importação incidente na importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semiacabados, e pneumáticos fica reduzido em: (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) I – 40% (quarenta por cento) até 31 de agosto de 2010; (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) II – 30% (trinta por cento) até 30 de novembro de 2010; (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) III – 20% (vinte por cento) até 30 de maio de 2011; e (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) IV – 0% (zero por cento) a partir de 1o de junho de 2011. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 1o O disposto no caput aplicase exclusivamente às importações destinadas aos processos produtivos das empresas montadoras e dos fabricantes de: I veículos leves: automóveis e comerciais leves; II ônibus; III caminhões; IV reboques e semireboques; V chassis com motor; VI carrocerias; VII tratores rodoviários para semireboques; VIII tratores agrícolas e colheitadeiras; IX máquinas rodoviárias; e X autopeças, componentes, conjuntos e subconjuntos necessários à produção dos veículos listados nos incisos I a IX, incluídos os destinados ao mercado de reposição. § 2o O disposto nos arts. 17 e 18 do DecretoLei no 37, de 18 de novembro de 1966, e no DecretoLei no 666, de 2 de julho de 1969, não se aplica aos produtos importados nos termos deste artigo, objeto de declarações de importações registradas a partir de 7 de janeiro de 2000. Art. 6o A fruição da redução do imposto de importação de que trata esta Lei depende de habilitação específica no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX. Parágrafo único. A solicitação de habilitação será feita mediante petição dirigida à Secretaria de Comércio Exterior do Fl. 340DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 8 Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, contendo: I comprovação de regularidade com o pagamento de todos os tributos e contribuições sociais federais; II cópia autenticada do cartão de inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica; III comprovação, exclusivamente para as empresas fabricantes dos produtos relacionados no inciso X do § 1o do artigo anterior, de que mais de cinqüenta por cento do seu faturamento líquido anual é decorrente da venda desses produtos, destinados à montagem e fabricação dos produtos relacionados nos incisos I a X do citado § 1o e ao mercado de reposição. Conforme se constata dos dispositivos reproduzidos, a redução do II em tela ficou condicionada à habilitação específica no Siscomex, a ser feita mediante petição dirigida à SECEX, contendo, entre outros, a comprovação de regularidade com o pagamento de todos os tributos federais. A Recorrente defende que, uma vez habilitado ao regime automotivo, estaria livre do ônus de comprovar a quitação dos tributos federais por ocasião do registro das DIs. Portanto, como já ressaltado pela DRJ, percebese que, de fato, o fulcro da questão é a procedência ou não da exigência da CNDs (Certidões Negativas de Débito) a cada novo desembaraço de mercadorias ao amparo do benefício fiscal, mesmo que a apresentação das CNDs já tenha sido exigido para habilitação ao benefício. Como se passa a demonstrar, a exigência, além de decorrente de lei plenamente vigente (art. 60 da Lei nº 9.069, de 1995) – cuja aplicação não pode ser afastada pela autoridade administrativa (Súmula CARF nº 2) –, é racional e coerente. Racional e coerente, porque concordar com o entendimento de que, uma vez habilitado ao regime, a Recorrente estaria livre de comprovar a quitação dos tributos federais a cada nova importação equivaleria, em última análise, ao mesmo que permitir que, durante todo o período de vigência do benefício (no caso, dez anos!), o seu beneficiário poderia, ainda que devedor da União, continuar promovendo a importação dos produtos a que se referem o art. 5º da Lei nº 10.182, de 2001, com redução do II. O Direito, contudo, deve ser interpretado coerentemente, não de forma a envolver um absurdo, uma inconveniência. Assim, e sem maiores delongas, entendemos correta a decisão que indeferiu, por essa razão de mérito, o pedido formulado pela Recorrente. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 341DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10314.011256/200585 Acórdão n.º 3201002.125 S3C2T1 Fl. 338 9 Fl. 342DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 16696.720537/2014-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
Ementa:
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, deve o contribuinte comprovar a efetiva prestação dos serviços e o pagamento correlato.
Numero da decisão: 2201-003.087
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Presidente e Relator.
EDITADO EM: 02/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa da Cruz e Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada).
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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COMPROVAÇÃO. Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, deve o contribuinte comprovar a efetiva prestação dos serviços e o pagamento correlato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Presidente e Relator. EDITADO EM: 02/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa da Cruz e Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 69 6. 72 05 37 /2 01 4- 52 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2010, consubstanciado na Notificação de Lançamento de fls. 5/102, que apurou imposto suplementar de R$ 8.171,78, mais multa de ofício e juros de mora. A Notificação de Lançamento originouse da revisão da Declaração de Ajuste Anual – DAA nº 07/23.030.864. Os dados declarados foram alterados em decorrência das seguintes infrações: • Dedução Indevida de Instrução e Despesas Médicas, nos valores de R$ 1.882,50 e R$ 27.833,05, respectivamente. Cientificado do lançamento, o interessado o contribuinte protesta pelo restabelecimento parcial das Despesas Médicas, no valor de R$ 27.203,52. Informa que seguiu orientação da Eletrobrás Eletronuclear S/A constante no demonstrativo de rendimentos anual. As demais despesas, pagas a profissionais pessoas físicas, acreditou que deveria apresentar apenas os laudos médicos que motivaram os tratamentos, todavia, apresenta agora os recibos dos profissionais que prestaram os serviços. Não houve contestação de parte das Despesas Médicas no valor de R$ 629,53, e a totalidade da glosa Instrução. A 3ª Turma da DRJ em Brasília/DF julgou improcedente a impugnação apresentada, conforme ementas abaixo transcritas: MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. DEDUÇÃO INDEVIDA COM INSTRUÇÃO E DESPESAS MÉDICAS (PARCIAL). Consideramse não impugnadas, portanto não litigiosas, as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pelo contribuinte. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. Todas as deduções informadas na Declaração de Ajuste Anual estão sujeitas à comprovação, mediante documentação hábil e idônea. São restabelecidas as despesas efetivamente comprovadas. Impugnação Improcedente O Contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 06/08/2015 (fl. 63) e, em 01/09/2015, interpôs o recurso de fls. 66/115, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 16696.720537/201452 Acórdão n.º 2201003.087 S2C2T1 Fl. 3 3 Cingese a controvérsia, nesta Segunda Instância, à comprovação das despesas médicas glosadas pela fiscalização. De início, cumpre reproduzir trecho do recurso voluntário (fl. 66): I Os Fatos A primeira notificação que recebi foi para apresentar os comprovantes de despesas médicas utilizadas na dedução. Apresentei os recibos dos profissionais de saúde com valores utilizados na dedução. Uma segunda intimação afirmava que a simples apresentação de recibos não comprovavam as despesas e solicitava que identificasse os cheques utilizados para pagamento dos profissionais ou a origem do numerário, se os pagamentos foram efetuados em espécie. Apresentei como justificativa o fato de que, apesar de os recibos apresentados serem mensais. os tratamentos foram realizados em média de 04 sessões semanais,e a cada sessão o pagamento era feito em espécie.não havendo como identificar de onde foram oriundos os recursos de cada um deles. Diferentemente do que alega o recorrente em seu apelo, cabe ao beneficiário dos recibos e/ou das deduções provar que realmente efetuou o pagamento no valor constante no comprovante e/ou no valor pleiteado como despesa, bem assim a época em que o serviço foi prestado, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução. Transcrevese o art. 73 e o § 1º do Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Primeiramente, admitese como prova idônea de pagamentos os recibos fornecidos por profissional competente legalmente habilitado. Entretanto, existindo dúvida quanto à idoneidade do documento por parte do fisco, pode este solicitar provas não só dos pagamentos, mediante cópia de cheques nominativos e de extratos bancários, mas também dos serviços prestados pelos profissionais, tais como radiografias, exames, laudos médicos, etc. Portanto, o simples recibo não tem o condão de comprovar a efetividade da prestação de serviço. Cumpre ainda registrar que na relação processual tributária compete ao sujeito passivo oferecer os elementos que possam ilidir a imputação da irregularidade e, se a comprovação é possível e este não a faz porque não pode ou porque não quer é lícito concluir que tais operações não ocorreram de fato, tendo sido registradas unicamente com o Fl. 141DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 fito de reduzir indevidamente da base de cálculo tributável. Sobre a matéria já manifestou este Órgão Administrativo, consoante as ementas transcritas: IRPF DESPESAS MÉDICAS, ODONTOLÓGICAS E OUTRAS DEDUTÍVEIS A efetividade do pagamento a título de despesas odontológicas não se comprova com mera exibição de recibo, mormente quando o contribuinte não carreou para os autos qualquer prova adicional da efetiva prestação dos serviços e existem fortes indícios de que os mesmos não foram prestados. (Ac. 1ºCC 10244154/2000) IRPF DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de um simples recibo, sem vinculação do pagamento ou a efetiva prestação de serviços. Essas condições devem ser comprovadas quando restar dúvida quanto à idoneidade do documento. (Ac. 1º CC 10243935/1999) IRPF DESPESAS MÉDICAS DEDUÇÃO Inadmissível a dedução de despesas médicas, na declaração de ajuste anual, cujos comprovantes não correspondam a uma efetiva prestação de serviços profissionais, nem comprovado os desembolsos. Tais comprovantes são inaptos a darem suporte à dedução pleiteada. Legítima, portanto, a glosa dos valores correspondentes, por se respaldar em recibo imprestável para o fim a que se propõe. (Ac. 1º CC 10416647/1998) IRPF DEDUÇÃO COM DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de um simples recibo ou declaração unilateral, sem a efetiva comprovação da prestação dos serviços e do pagamento correlato. Essas condições devem ser comprovadas por outros meios de prova, tais como: radiografias, receitas médicas, exames laboratoriais, notas fiscais de aquisição de remédios e outras. Simples declarações unilaterais não têm o condão de suprir as provas mencionadas. (Acórdão 10246489) Não se pode perder de vista que a apresentação dos extratos bancários indica, no máximo, que o contribuinte possui recursos para arcar com as despesas; entretanto, não é hábil a comprovar a efetividade da prestação de serviço, mormente porque não houve a vinculação dos saques com os supostos pagamentos. Assim, devese manter a glosa relativa à suposta prestação de serviço de fisioterapia, fonoaudiologia e psicologia (Jocielen de Barros Colli, Sandra Regina da Rosa e Carolina Furtado Thomaz), no valor de R$ 27.000,00. Ante ao exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 142DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 16696.720537/201452 Acórdão n.º 2201003.087 S2C2T1 Fl. 4 5 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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